Domingo, 9 de Agosto de 2015
MUJIMBO . XCI

ANGOLA TESTEMUNHO I ... OS PRESOS POLÍTICOS & AS PRATICAS DE TORTURA TRAZIDAS DE CUBA QUE ENCONTRARAM UM TERRENO FÉRTIL EM ANGOLA

Por

vumby0.jpgFernando Vumby (Fórum Livre Opinião & Justiça - Janº 2015)

UM LIVRO QUE CONTA COMO FUNCIONA A OLIGARQUIA ANGOLANA

ricar1.jpg Ricardo Soares de Oliveira, 37 anos, professor de Política Comparada na Universidade de Oxford, acaba de publicar um livro em que analisa a trajectória de Angola desde 2002. Magnificent and Beggar Land. Angola since the Civil War (Hurst, 2015, 288 pp.).

ricar4.jpg  Ricardo Soares de Oliveira (R) estudou a Angola do pós-guerra civil. Conta-nos num livro fundamental como a actual oligarquia acumulou poder e riqueza e viu Portugal render-se ao poder dos seus dólares. Conversámos com ele acerca de alguns dos assuntos aí abordados, desde os contornos do sistema de poder nesse país às idiossincrasias da relação luso-angolana, bem como sobre as consequências que são possíveis de antever em função da descida do preço do petróleo nos mercados internacionais, o principal (se não mesmo único) motor da economia angolana. Uma entrevista conduzida por Pedro Aires Oliveira (P).

ricar6.jpgP: Comecemos pela questão mais elementar. Ricardo: quais as razões que te levaram a escreverem este livro?

R: - Há várias razões. Angola sempre me fascinou e foi um país acerca do qual eu já tinha trabalhado bastante. Do ponto de vista intelectual, notei que havia uma grande lacuna no conhecimento acerca de Angola. Apercebi-me de que Angola era um país que se transformara completamente na última década. Tinha tido guerra durante 41 anos, se contarmos com o período colonial, a Guerra Fria e os anos 1990, mas desde 2002, por uma série de razões, o país estava a reinventar-se. E, eu achei essa questão apaixonante. Quis perceber até que ponto isso estava realmente a acontecer ou havia continuidades em relação a estruturas de desigualdade e subdesenvolvimento que já existiam não só no contexto da guerra civil, mas também no período colonial.

dia35.jpg P: - Um aspecto que é mencionado logo na abertura do livro é o peso do passado, a saliência de certas continuidades históricas. Como é que isso se tem manifestado no pós-guerra civil /independência, e até que ponto condiciona o presente do país?

R: - É difícil estabelecer uma hierarquia de factores. Eu diria que há muitos factores que continuam a ter importância na vida angolana. O mais óbvio é o facto de não se ter produzido em Angola, mesmo nesse período do colonialismo tardio, uma burguesia forte. E isso é um facto que não só vai influenciar as escolhas da elite angolana, mas o próprio processo de formação de classes em Angola desde 1975. Mas de uma forma mais concreta eu diria que o modelo de desenvolvimento português, o modelo seguido entre 1961 e 1974, teve uma vida intelectual pós-independência bastante interessante.

moc2.jpg R: - Foi um modelo que, mesmo no contexto do socialismo, de uma forma mais discreta, e a partir de 1991, de uma forma mais explícita, se revelou persuasivo, e que continuou a influenciar a mentalidade das elites angolanas. As elites angolanas gostam da ideia de Angola desenvolvida em 1973 – o ano de 1973 é uma data mítica, pois foi o ano de maior produção no período colonial. Por outro lado, no processo de reconstrução de Angola após 2002 houve elementos absolutamente novos – por exemplo a destruição da velha Luanda e a construção de uma espécie de Dubai angolano não tem precedentes. Mas sob outro ponto de vista há muitas políticas que pressupõem o restabelecimento da economia e das infra-estruturas do colonialismo tardio. Há oligarcas angolanos que já estão a pôr os filhos em escolas em Inglaterra, que começam a aparecer no jet-set internacional, e gostariam que a origem das suas fortunas fosse esquecida.

ricar6.jpg P: - Uma das facetas notáveis do livro é o retracto que ele oferece das classes dirigentes angolanas, do MPLA, que nos surgem como uma elite muito astuta no que toca à sua estratégia de manutenção no poder, mas, ao mesmo tempo, uma elite que neste período da reconstrução poderá não ter dado os passos mais adequados numa perspectiva de mais longo prazo. E a actual descida do preço do petróleo pode pôr em xeque as premissas da sua hegemonia – ou não?

R: - Eu não me aventurava a especular sobre a sobrevivência política desta elite. Parte dessa astúcia é o facto de essa elite ter conseguido sempre criar uma massa crítica de apoiantes que, sem lhe proporcionar uma grande legitimidade social, lhes tem pelo menos dado o espaço suficiente para sobreviver politicamente e reproduzir a sua dominação. No livro, não quis adoptar uma perspectiva moralizante na análise da trajetória de acumulação das elites angolanas. Por uma razão apenas: porque historicamente nunca é um processo bonito de se ver ao pé. A questão que tenho aqui como politólogo é a de saber quando é que se poderá dar um momento de viragem em termos de reconversão dos oligarcas angolanos. Podemos tentar uma analogia com os Robber Barons americanos de finais do século XIX. (...)

(Continua em testemunho II …)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:53
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