Terça-feira, 1 de Setembro de 2015
MUJIMBO . XCV

ANGOLATESTEMUNHO V ... Os benefícios da reconstrução foram escassos e muito restritos a certas regiões e classes sociais...

Por: Fernando Vumby - (Fórum Livre Opinião & Justiça - Janº 2015)

P: Perguntas feitas por Pedro Aires Oliveira

R: Ricardo Soares de Oliveira, 37 anos, professor de Política Comparada na Universidade de Oxford, acaba de publicar um livro em que analisa a trajectória de Angola desde 2002.

UM LIVRO QUE CONTA COMO FUNCIONA A OLIGARQUIA ANGOLANA

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(…) R: O Presidente de Angola deu uma garantia soberana ao BESA e depois retirou-a. Obviamente que não podemos reduzir a crise do BES à dimensão angolana. O ponto crucial é que o que acontece em Angola não é algo que esteja fechado numa caixinha, e que beneficie uns poucos, mas consegue ser mantido em quarentena relativamente a outras esferas da vida política e económica portuguesa. Em parte devido à dimensão que a presença angolana adquiriu em Portugal, essa presença hoje em dia é consubstancial à vida pública do país. Nas empresas, nos partidos, nos escritórios de advocacia, etc., etc. P: Já não é uma presença que se consiga distinguir qualitativamente do resto da vida pública?

R: E, nisso há um elemento de ironia. Algumas das visões mais optimistas, ou mais interesseiras, que em 2006-07, quando esta dinâmica se começou a manifestar, afirmavam que estas parcerias eram uma contribuição portuguesa para a “modernização” da vida empresarial angolana. Que as empresas angolanas se iriam tornar mais sofisticadas com base na interacção com o sector privado português. Na verdade, foi o sector privado português que se angolanizou.

mugi1.jpgR: Longe de se ter levado para Angola dinâmicas “virtuosas”, o que temos é um processo de importação de práticas e poderes angolanos para o centro da vida portuguesa. A elite angolana adquiriu, durante alguns anos, a noção de que Portugal era um espaço de impunidade. Obviamente que esta relação sui generis começou a receber muito escrutínio, tanto da parte de intelectuais públicos e activistas angolanos que criticam a proximidade de alguns interesses portugueses ao poder angolano, como da parte de jornalistas, colunistas, activistas e investigadores portugueses que, especialmente desde 2012, tem feito revelações importantes sobre o mundo turvo da relação luso-angolana.

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R: E vão continuar a fazê-lo. Penso que estamos num momento de grande fluidez, e que os parâmetros actuais da relação não são sustentáveis a longo prazo. A escolha de priorizar os mercados lusófonos revelou uma falta de imaginação confrangedora  por parte de alguns políticos e empresários que não hesitaram em vender aos portugueses a imagem de Angola como um El Dorado.

P: Havia alguma alternativa à estratégia de internacionalização da economia portuguesa que foi seguida nos últimos anos, muito orientada para mercados como o angolano, o venezuelano, o líbio e, por aí? Ou agora, em retrospectiva, é fácil descobrir os pontos fracos dessa estratégia?

R: As características desses mercados eram visíveis há 10-15 anos atrás. São mercados pouco exigentes, altamente politizados, em que sectores inteiros estão monopolizados ou cartelizados, que nunca poderão ter um efeito disciplinador ou de melhoria de competitividade das empresas portuguesas. São mercados em que alguém faça uma boa estrada ou uma má estrada, vai sempre receber um contrato porque conhece alguém na presidência.

mugi3.jpg R: São mercados onde os custos podem disparar, porque o pagamento vem de um saco azul e se calhar até há um ministro que quer que os custos disparem para poder extrair disso o maior benefício possível. Estou a dar exemplos genéricos que não se aplicam só a um país específico, mas a muitos mercados do mundo em desenvolvimento. São pessoas que têm alguma responsabilidade no que diz respeito as oportunidades que Portugal não explorou, nomeadamente na Ásia, em mercados genuinamente competitivos, em que havia oportunidades para as empresas portuguesas.

(Continua em testemunho VI…)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:26
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