Quinta-feira, 12 de Junho de 2014
MUSSENDO . I

UM DIA ESPECIAL . Um milagre no dia de Portugal, 10 de Junho…

Por

 T´Chingange

Porque não danço o Zumba, tenho de praticar outro exercício de forma a esticar a saúde adequando-a à minha idade de kota. Não precisando compreender meios sofisticados de postulados científicos do “como, do porquê e para quê”, em minha actividade de nada fazer, desci os mais de duzentos degraus até chegar à quinta de S. Jerónimo de Coimbra, percorri todas as rotundas até chegar à ponte da rainha Santa Isabel. Contornei as linhas urbanas até chegar ao início do parque verde ribeirinho do bazófias. Rodeei aquela caixa térmica feita em cortiça escurecida; sem portas nem janelas e tecto amarrotado em ondulações brancas, fiquei intrigado na tamanha sobriedade e já de frente para aquele caixote alongado e de costas para o rio dei-me conta que aquela coisa de cortiça, sem portas nem janelas era um pavilhão. O alçado frontal, todo em mármore e com uma única porta vidrada tinha em cima escrito em letras maiúsculas o nome PORTUGAL; tudo a condizer com a condição soturna da actualidade. Entre carvalhos robles, salgueiros e choupos brancos, por ali fiquei admirando a perspectiva de tal mono entre os sons alegres do grasnar de simpáticos patos; como que dando-me ânimo a admitir vibrações de sanar velhas feridas recitavam-me duvidosas vitórias sobre o pecado, a doença e a morte.

  Recitando em surdina uma Avé Maria segui em frente passando pela ponte à outra margem aonde vi bogas pretas de rio, berridando entre algas dum canal de água; este canal era fornecido por um tubo de água santa, inaproveitado como lava-pés de beatos, era em verdade uma drenagem do Convento de Santa Clara que se afundou no lodo no correr do tempo. Atravessei a ponte embandeirada de Santa Clara e já no largo António de Aguiar desci a rampa junto ao lindo edifício do Banco de Portugal; nesta parte velha da cidade dos doutores, também afundada a um nível inferior do rio, parei em uma montra mostrando duas bacias de pé, daquelas de banheiro, simetricamente coladas e recobertas com croché de várias cores e desenhos variados. Junto, uma etiqueta, tinha o nome da artista Joana de Vasconcelos. Coisa mais idiota esta de brincar com a arte já feita. Reparei mais ao lado em outra loja dois quadros com os dizeres: Quem dá aos pobres empresta a Deus! O outro dizia: quem dá, recebe em dobro! Este conjunto de visões fizeram-me matutar pelo supérfluo e inverosímil mas chegando á escadas da rua Visconde da Luz, quase em frente do café Nicola, um pedinte de perna esfacelada quase com a tíbia à mostra, com marcas de rugas fúnebres, estendeu-me a mão - Uma esmolinha! Pediu ele.

Tendo eu lido aquele dizer de quem dá recebe em dobro, taciturnei-me por instantes e, num ás botei a mão no bolso traseiro de meus calções de ganga e dei-lhe todas as moedas; somadas davam dois euros e cinquenta cêntimos. O pedinte, de contente, rogou por minha alma e recitou aquilo que me pareceu ser um Pai-nosso. Contente por minha própria boa acção, mal reparei no Convento de Santa Cruz iniciado em 1131 às ordens de D. Afonso Henriques, nosso primeiríssimo rei. Subi em direcção ao mercado e atormentado pelo cheiro inebriante de coisas boas saídas do restaurante do Jardim da Manga esperei o autocarro. Ali mesmo, tomei o autocarro nº 7 do Tovim que me lavaria até os Olivais. Lá chegado, saí junto à igreja e, encafifado na quarta dimensão cósmica subi a escadaria da igreja sentando-me bem em frente de Santo António.

  Pelo meu pensar desfilou o filme da última hora e, a uma pergunta ao santo sobre a veracidade daquele dizer de que quem dá recebe em dobro ele, o santo, piscou-me o olho sorrindo; logicamente que fiquei deslumbrado, numa quinta dimensão. Sai dali e caminhei até o meu destino na Rua António Jardim, subi ao segundo piso já transpirando de todos os poros pelos 47 degraus vencidos e, já no quarto mudei-me de roupa, sentando-me para descalçar os sapatos. Foi neste então que algo me tilintou na cachimónia da moleirinha; aquele desconforto de uma pastilha elástica, shwingame agarrada ao meu sapato desde o jardim da manga! Foi quando dispus a perna em cima da outra para desapertar os cordões que vi: cinco euros colado na shwingame da sola do sapato! Assombradamente, fiquei numa sexta dimensão. Aquilo de receber em dobro aconteceu! Era mesmo verdade! Um milagre! Só neste então entendi o sorriso matreiro com a piscadela do pícaro Santo António dos Olivais! Deus escreve a verdade por linhas tortas e, creiam… ainda ando confuzio por tal acontecido. Ele, … há coisas verdadeiras, que até parecem mentiras. Terei que declarar isto no IRS às finanças?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:09
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

RELOGIO
TEMPO
Weather Forecast | Weather Maps
Julho 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
Facebook
Kimbolagoa Lagoa

Criar seu atalho
ARQUIVOS

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

TAGS

todas as tags

LINKS
PESQUISE NESTE BLOG
 
CAIXA MUSICAL
CONTADOR
contador free
ONDE ESTÁS

Sign by Danasoft - Myspace Layouts and Signs

blogs SAPO
subscrever feeds