Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014
MUSSENDO . IX

ANGOLA DE HOJE - Pude cheirar seu azedo sem bufas importadas do M´Puto.

Mussendo: Conto curto de raiz popular, missiva em forma de mokanda (carta) do Kimbundo de Angola (N´gola) durante o tempo colonial (Arnaldo Santos foi seu 1º mestre).

Por

 T´Chingange

 Sem mais nem porquê Januário Pieter, a minha kianda, surgiu-me do nada pregando-me um valente susto; como um Aladino que sai duma amentolia surgiu num repentemente mais rejuvenescido e retrocedido no tempo rindo que nem um perdido como se tivesse saído duma anedota. Afagando a sua testa exibia também uma farta cabeleira, ele que antes tinha uma reluzente careca. Desta vez não ficou especado à minha frente com seus olhos esbugalhando medos próprios de fantasma; abraçou efusivamente sentindo eu algo assim como uma pena raspando-me em afagos suaves de quente e frio que só uma kianda osguenta pode ofertar. Eu abracei-o como se fosse um pedaço de algodão, um fofo sublimado holograma feito gente de verdade.

 - Olá como vais, meu amigo? -Vou bem, respondi ainda meio aturdido com a sua aparição! - Não estranhes em te aparecer por aqui, tenho de desabafar meus ácaros virtuais, meus casos e acasos enferrujados que me toldam a mente! -Virtuais!? - Como assim? Se, … Tu és um virtual na totalidade! -Sabes, eu tenho de me espojar periodicamente com os humanóides mortais como tu, porque com tanto dissimular meu coração, fico ausente nos meus propósitos de revirar pensamentos sofismados dos mwangolés. Respirou uma golfada de ar e deu continuidade ao inaudito diálogo quase monologo: - Enchi-me de ervas daninhas e, agora tenho de me envenenar; meu corpo retrocedeu emagrecido e enegreci-me nos pensamentos como madeira apodrecida, disse ele.

- Juro que não estou a entender esta tua intrincada linguagem; Vamos lá ver: - Tu tens andado por Angola tentando mudar o rumo à estória e mentalidades; se bem te conheço estas defraudado por a tua mensagem de alterar o futuro não passar junto dos mwangolés e vens agora até mim chorar mágoas! Tu que és uma kianda tirocinado na kalunga, dizes-me que te é difícil talhar gente, talhar um navio nação para que não meta água salvo seja! – Quase isso, meu amigo T´Chingange! Disse isto com ar desconsolado. -Luto agora com estes novos produtos sintéticos de mentes globalizadas, coisas de enganação e causas invejosas. - Isso é mesmo assim tão grave, retorqui à laia de deixa-para-lá! – E, por quem me tomas, eu que nada sou e nada quero ser! Ele, a kianda falou: – Não é bem assim, tu pulsas Angola em teus neurónios e teu parecer é para mim uma necessidade; fosses tu da nomenclatura e não te procuraria! Afirma ele com muito aprumo e seriedade, tanta que me deixa consternado.

 - Sim! É grave porque as instituições estão deturpando a vida em futilidades, depreciando-o prendendo em seus pulsos invisíveis pulseiras como as muito antigas usadas pelos mucubais, isto é metafórico mas corresponde à realidade; doutro jeito deturpam as mentes vulgarizando a vida desincentivando o amanho de terras, a honradez e proporcionando uma educação sem valores.  - Mas, isto está a suceder por todo o mundo, por toda a parte, ou não? Respondo de forma interrogada. – Sim! Diz ele seriamente. – Isto preocupa-me porque o povo angolano passa de um estágio primário ou primitivo para um de ilusão fruto de tecnologia de facilismos deixando as mentes deslocadas em conceitos incorrectos da vida; sem valores nem meios-termos, afirma ele.

 E, continua: -Sem passar por experiencias de fazer curriculum passam do improviso a obras espaciais assim como cozinhar um prato fino sem contudo exterminarem as moscas que enxameiam o meio. Achas possível desta forma poder comer nesse prato sem elas, as moscas? Pergunta-me ele ao jeito de afirmação. – Estou a entender-te mas, aonde é que eu posso influenciar algo, aonde é que eu entro nesse teu conflito? – Porque não matam essas moscas como faziam em tempos coloniais, tempos do carro de fumo TIFA, digo eu fazendo-me desentendido. Bom, nada te poderei dizer para mudar a terra que me largou ao mundo; às vezes mastigo-me em frases como se fossem ácidas múcuas ou caroços de mangas; o meu tempo já foi, já era! Primeiro, mataram-se uns aos outros, depois mataram as cidades a tiros e agora, pouco a pouco embebedam-se no petróleo. Sente-se-lhes os olhos avermelhados! Vamos ficar por aqui mesmo jogando falas como as damas; eu com caricas de sagres e tu com caricas de cuca. Ficamos neste impasse.

Nota: Januário Pieter é uma Kianda, um fantasma nobre da kalunga, uma quase múmia dos idos tempos do rei   N´golaKiluanji

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:16
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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