Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2019
N´GUZU . XXVII

ANGOLA E OS QUILOMBOS DO BRASIL11.02.2019

Angola e os Quilombos... Cabe aqui referir a dança kizomba de hoje, que não é mais do que fingir o acto de praticar o coito…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste brasileio

Zumbi, nasceu livre em terras do Nordeste em 1655 e morreu a 20 de Novembro de 1695. Em homenagem a todos os negros que lutaram para se libertar do jugo da escravidão o Brasil considerou este dia como Feriado Nacional “ O dia da Consciência Negra”. No final do século XVI as terras Pernambucanas eram das mais prósperas das novas colónias portuguesas. Havia 66 engenhos na região e, e no litoral funcionava já toda uma estrutura que permitia o escoamento dos produtos da terra. A cidade de Recife a cada dia que passava, ficava mais organizada e urgia pôr ordem lá no lugar da “Cerca dos Macacos”, acabar com os mocambos daqueles guerrilheiros com características de luta bem definidas e com algum enquadramento nas chefias.

Aqueles fujões, usavam um tipo de flexa, zagaia, lança ou um cajado nodoso em tudo semelhantes com as usadas pelos gentios junto à costa dos Dembos em Angola. Homens e mulheres usavam enfeites de muito capricho feitos em argolas com metais trabalhados na bigorna. Tatuavam o corpo com cortes de estiletes afiados no peito, braço e até nos lábios e língua. As mulheres furavam as orelhas para nelas introduzir argolas de coco ou missangas. No lábio superior e nas abas do nariz introduziam enfeites de marfim, à semelhança do uso na região de Matamba, Kassange ou Kuvale.

kilo8.jpg ZUMBI O HERÓI DA CONSCIÊNCIA NEGRA - As tatuagens eram um uso habitual das terras de N´Gola para serem reconhecidos, dar a saber a todos qual a sua ascendência, era a sua cartilha de identificação. Recordar que a escrita era de pouco uso e a história passava de pais para filhos por transmissão oral. Por este motivo faziam e ainda usam reunir junto à mulembeira ou mulungu, uma árvore frondosa e nobre por nela se abrigarem as assembleias do povo, sanzala, mocambo ou kimbo.

Nos kimbos melhor organizados há uma casa aonde se reúnem para fazer tertúlias, falar com os mais-velhos Kotas e saber para poder transmitir aos vindouros. A essa casa grande, normalmente aberta e circular, chama-se Jango. Nos aglomerados urbanos surgem os musseques (favela do Brasil) e, quando muito reúnem-se numa casa de assembleia, salão social, clube ou missão duma qualquer igreja (as mais normais são: a igreja Evangélica, a Igreja do Corpo de Deus e do Sétimo dia). Também é de salientar o conhecimento da cura através de plantas do mato, coisa que os quimbandas faziam nas suas terras de origem por saberem já usar unguentos, chás e sempre o exorcismo em obediência ao deus N´Zambi.

kilo7.jpg Nas artes de batuque, o bate pé da dança em círculo tipo a que se veio a chamar de xanxado no tempo do cangaço; a umbigada da massemba e trejeitos que vieram a resultar no merengue e semba brasileiro moderno, sempre com muito erotismo, estímulo à procriação. Há registos duma dança marcada por umbigadas com movimento de ancas acompanhadas por batuque, violas ou violões a que chamaram de lundu. Dizer-se por isso que os negros apesar da dura lei de escravidão, não haviam perdido o gosto pelas danças.

Muito recentemente, tivemos a lambada, o kuduro e a tarraxinha. O lundu consistia num movimento particular das partes inferiores do corpo, movimento que os europeus de então não sabiam imitar, mais por ser considerada indecente do que por outro qualquer motivo. Cabe aqui referir a dança kizomba de hoje, que não é mais do que fingir o acto de praticar o coito num estilo de harmonia a que dizem ser uma forma de arte!

kilo5.jpg Xiiiii! Nossos avôs diriam que também seria uma dança de sem vergonhice, dança de pretos sem decência. Háka! Patrão não fala assim! Mas em verdade podemos até ver nestes movimentos alguns trejeitos de fandangos, chulas com requebro de ombros com folclore com referências de roda, movimentos de mataco, bunda, passos ondulados e engraçados como o merengue.

E, podemos ter violas, cavaquinhos, bandolins, flautas, urucungos, uma espécie de berimbau com marimbas e quissanjes a juntar ao estalar de dedos e o bater de palmas ritmadas. E, isto faz parte dos fados, das chibas ou polcas e modinhas entrelaçadas em brincadeiras circenses a culminar no maxixe. Tudo isto muito repleto de movimentos coreografados no acaso do gosto e banga da Luua, tal e qual como na aldeia dos macacos dos Palmares ou festa de roda da Muxima do Kwanza com saltos de capoeira de bassula ou esquindiva.

kilo4.jpg Vale a pena referir a luta da bassula, finta ou esquindiva utilizada pelos pescadores imbindas do Kongo (Cabindas e Boma do N´Zaire), os Muxiloandas da ilha da Mazenga (também conhecida por ilha das cabras pelos antigos Tugas) na baia de Loanda e Mussulo (Kaluandas ou Camundongos) na região dos Dembos. Tudo isto, muito semelhante com a capoeira com passos de dança a esconder truques e quedas de luta.

 A bassula da foz dos rios Dande, Bengo e Kwanza, no brasil derivou para a Capoeira, uma forma de dança para ludibriar o patrão fazendeiro e usar a ginástica de dança como luta do dá e larga sem agarrar ou usar a força do adversário com suaves e mágicos “toques de bassula“ ou “toque de finta” como eu próprio fazia em tempos de candengue num lugar chamado de Maianga ou Manhanga da Luua, lugar de águas e cacimbas boas…

 (Continua…..)

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:18
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