Sexta-feira, 21 de Junho de 2019
MALAMBAS . CCXXIV

UM CACTO CHAMADO XHOBA . IV21 DE JUNHO - 2019

– MALAMBA é a palavra

- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana. Estávamos ainda em Luderitz, terra soprada a frio e com areia, por Nosso Senhor … Foi no ano de 1999

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

luderitz7.jpg Com destino ao povoado de Ondundozonanandana, lugar perdido no Norte da Namíbia, não muito distante do Etosha Pan e marcado em círculo no mapa Michelin, lá prosseguimos viagem a partir de Ai-Ais do Fish River por estrada pavimentada rolando quilómetros na savana até Windhoek a capital da Namíbia. Era para assim ser mas, chegados ao cruzamento entre as estradas B1 e B4 em Keetmanshop, derivamos para Luderitz pela Estrada nacional B4.

luderitz6.jpg Andando por este mundo, mares, desertos, matos, savanas, anharas e terras agrestes com matutos e mamelucos de outras latitudes, estava agora a tornar-me um mestiço mazombo viajando na terra e no tempo, ora sem GPS porque ainda não existia ora perguntando aqui e ali ou riscando o mapa com esboços, nomes e cópias destes borradas de café, lama e até sarapintados de cafufutila, esses salpicos salivados de euforia que descuidadamente saltam das nossas falas eufóricas, entusiasmáticas.

etosha6.jpg Na minha vontade, parecia só querer ser uma lenda a comparar com o feito de Amyr Klink que sozinho e num barco a remos atravessou o Oceano Atlântico percorrendo sete mil quilómetros. Foi o primeiro feito a ser amplamente divulgado na imprensa internacional que ocorreu entre 10 de Junho e 19 de Setembro de 1984, entre Luderitz, na Namíbia (África) e Salvador, na Bahia (Brasil) – quinze anos atrás. Foi um feito invulgar a mostrar o quanto a tenacidade pode vencer um sonho.

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Juro que eu, em plena consciência nunca faria isto, meter-me ao mar sem balizas firmes assentes em algo de referência, como os padrões semeados ao longo da costa pelos Tugas, vendo só o horizonte curvo a confundir-se com o céu do Nosso Senhor! Menos mal que nesse tempo de lá para trás só se cogitava que o Universo não tinha bordos, era uma fumaça sem fim. Agora tenho a certeza que vou terminar meus dias sem saber aonde fica esse tal de cu-de-judas do fim do Mundo.

swakop5.jpg O mundo continuou a girar como sempre e, não mudou por este feito mas seus “Cem Dias entre Céu e Mar” ficaram nos anais da coragem marítima. Comparar-me assim minuciosamente com tamanhas aventuras é consolar-me com alheios fumos, fumos de charutos como se fossem pensamentos num tom cor-de-rosa que s perfilam em matemática quântica. Desfalecido nos ombros, um pouco mais tolo e muito mais míope, agora, já com a audição a não ouvir cantares de galo, coxeio-me em vozeados ambientes de cochichos frouxos. Coitado de mim! Bom - prá frente. Em Keetmanshop, procuramos em arcas carne de caça para fazer um brai-churrasco e acabamos por encontrar uma carne escura; era de órix, esse belo animal que se podem ver fazendo pose nas dunas de areia vermelha lá no horizonte.

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A senhora bóher do armazém-venda, queria impingir-nos outra carne porque aquela era de caça mas, mal sabia ela que era isto que procurávamos. Em seu conceito, não era normal os turistas comerem bichos-do-mato. Como podem verificar, missionando o toutiço, perdi inteiramente as minhas belas cores europeias, a cara sarapintada de funchos, crateras com rugas extravagantes. Isto só pode fazer confusão a quem anda sempre teso, com seus colarinhos engomados, cheio de obséquios e unhas estimadas, sem nunca sentir os medos indefinidos que arrepiam as carnes como pés de galinha. Desfigurado pelo tempo, cheio de cãs, estonteado pelos muitos calores, passeio pelo mundo o meu isolamento procurando entreter-me cada vez mais só; metido entre meus botões…

luderitz4.jpg Por vezes as companhias são obtusas e confusas, cheias de nove e onze horas como se fossem os donos de todos os relógios; já me aconteceu destas tormentas mas, agora interessa é falar de Luderitz. Chegamos ali ao fim duma tarde, um frio com vento de arrepiar para cima de nós; aqui nem pensar em ficar em camping. A areia era cuspida pelo Nosso Senhor como gente abençoada e, assim tinha sido até aqui na estrada que nos trouxe. Recolhemo-nos no Krabbehoft Guesthouse Catering e apartments embrulhados em nossos kispos tiritando das quinambas.

luderitz2.jpg Tudo ao molhe e fé em Deus! Havia gente jovem de muitos lados e na confusão do meu Inglês raspikui misturava-se com o je suis e falas com tremas na vontade de “seja o que Deus quiser”- Saravá! Dizia eu para desatarraxar as encrencas. Afinal não éramos os únicos malucos a andar soprados ao vento da aventura. Ao chegar ali, os hóspedes têm a sensação de ter caído repentinamente nas páginas de um romance de Hemingway, talvez Papillon. Bem! Uma mistura de tudo… Um espírito e, um ambiente ultra "bush", uma caserna bechuanaland com gente estendida pelos corredores dormindo em sacos cama. Lá fora as hienas castanhas farejavam os bidons de lixo, os restos, assim mesmo como se fossem cães…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:22
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Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
MALAMBAS . CCXXIII
UM CACTO CHAMADO XHOBA . III 16 DE JUNHO - 2019
– MALAMBA é a palavra
- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana… Foi no ano de 1999
Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

piram3.jpg Se bem conhecem, a história da coca-cola foi objecto de um filme em que uma garrafa destas caiu em pleno deserto do Calahári e que daí, provocou para além da curiosidade as vicissitudes do mundo ocidental, o mundo dito civilizado. Recordo que neste então e, descrevendo sumariamente o filme, uma criança viu-se acossada por umas quantas hienas. O candengue sabedor dos costumes da tribo pegou em um pau colocando-o na cabeça; assim parecendo mais alto, as hienas não se atreveram a atacar o candengue Bushmen.

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Desconfio que pelo andar da carruagem este trem da Terra vai conspurcar pouco a pouco aquelas paragens semi desérticas repetindo por muitas vezes este episódio da coca-cola e, o povo mais antigo ao cimo da terra passará a usar gravata e sapatos de coiro em substituição da sua pele rugosa e resistente. Por via da tal “molécula P57” o mundo dito civilizado subsidiará as tribos nómadas que vivem sem fronteiras entre Angola, Namíbia, Botswana, Zâmbia, África do Sul e Zimbabwé.

nauk8.jpg Estes, não mais irão ter de correr atrás dos macacos para saber aonde beber; terão à mão um chinocas, uma venda, quiosque cuca-shop para lhes venderem água e cachaça… A Bushmanland não mais será a mesma! A cento e vinte quilómetros a sul do Orange, num local conhecido por Springbok, pernoitamos numa palhota do tipo em que vivem os Bosquímanos: com estrutura circular formada de paus vergados e enterrados na sua parte mais grossa, entrelaçavam-se entre si na parte mais alta sendo o restante amarrado com fios feitos de casca de arbustos locais.

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Chovia quando ali cheguei pela primeira vez indo de Orange River, coisa rara para quem passa esporadicamente como o era, neste meu caso; não há cheiro igual noutro qualquer lugar do mundo. Após as primeiras chuvas, o pó em África, tem um cheiro de terra espacial; quem o não cheirou, não consegue conciliar os sentidos inebriadores duma mistura de pólens invisíveis dos escassos tufos de vegetação. No outro dia já as encostas suaves dos morros ficam numas chapadas feitas jardim, um mar de rosas deslumbrando-nos.

nauk01.jpg Estas palhotas do Springbok tinham 1,80 metros na sua parte mais elevada, cobertas a palha presa aos paus com a mesma casca, tipo mateba, deixando uma abertura com uns sessenta centímetros de largura e noventa de altura. Após ter feito uma prévia inspecção ao local circundante enxotando lacraus, aranhas e carochas, derramei um fio de gasóleo na parte de fora. O gordo bóher dono do pedaço, nada me disse para além de afirmar que estávamos seguros mas, eu não me sentia assegurado, se não fizesse isto.

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O cansaço adormeceu-nos sem pensamentos nem cobras ou lagartos. Ali, mitos e lendas são insociáveis da paisagem quase lunar, rochas escaldadas formando morros aqui e, mais longe areia de onde sobressaem umas árvores milenares do tipo aloés do além. Nesta natureza que não é assim tão vazia, vivem espalhados por África e mais propriamente ao sul do Botswana mais de sessenta mil aborígenes, dados do fim do século XX. Resistindo a tudo e ao tempo, ali aonde o desespero é um inútil alívio de evasão, vivem os khoisan, que mais a sul chamam de KoyKoy´s

busq8.jpg O sol ali não é dócil, pus o meu chapéu do Karoo, montamos o Toyota e, bem cedo seguimos à descoberta do Fish River mais a norte; fomos três a descer ao fundo do Canyon que parecia perto, era logo ali e, o que pensamos fazer em uma hora na descida e subida, levamos bem perto de quatro horas, Ufa!!! Eu, Tilinha e Marco M´Fumo Manhanga…Que calor! Mas, por sorte sempre havia uma fria windhoek lager à espera no restcamp… Que delicia! Uma vez na vida, experimentem atravessar um deserto para ter o prazer de beber uma fria na chegada.

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Foi nesta atmosfera e azáfama de sobreviver subvertidos à marginalidade do mundo real, que tomamos contacto com o tal cacto de xhoba e, não podia deixar de descrever toda a envolvência desta real contradição: a fome dos khoisans vai-lhes ser mitigada por milhões de obesos que só o são na maior percentagem, porque comem em demasia. Os deuses nestas paragens escreverão sua sina por linhas tortas.

busq1.jpg Já no topo do Canyon do Fish River a adrenalina escorria-nos nas faces, os olhos tremiam como a neblina matinal e, as pernas abanavam sentidos incomuns à magnitude das vistas em banda larga com “óoos e áaais” de espanto. Era o Ai-Ais! Estou em crer que foram estes Ais de admiração que deram o nome ao acampamento desta canyon. Já dias antes, tinhamos subido a Brandberg a ver as acácias solitárias, entre pedras vermelhas sobrevivendo a um deserto impiedoso. Os dias terminavam com suspiros de plena satisfação em curtos goles de marula tree sobre um sorvete Dom Pedro ou umas pedras de gelo gratinado…

(Continua...)
O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:23
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Sábado, 15 de Junho de 2019
MALAMBAS . CCXXI

UM CACTO CHAMADO XHOBA – 10 DE JUNHO - 2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor antiga - do Mu Ukulu … Foi no ano de 1999
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soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

koisan5.jpg Na descoberta de África, chegar aonde os outros não chegam e, a partir de Cape Town, rumei às longínquas terras do fim do mundo, terra do nada que na língua Ovambo tem o nome de Namíbia. O destino do Rundu na Owamboland estava a 2500 quilómetros mais a norte, fazendo fronteira com Angola pelo rio Cubango ou Okavango. O mesmo que vai desaguar não no mar, mas numa vasta área chamada de Delta do Okavango.
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Cedendo a rogos do meu ego, não fiz mais do que executar um plano há muito preparado com Mapas do Cuco edições e mapas Guia Michelin, uma publicação turística destinada também a classificar restaurantes e hotéis; decidi-me a atravessar os grandes desertos do Karoo e Kalahári, na rota de fuga do povo Boher, sempre para norte. No ano de 1999, fim do século XX, regimentava minha vida acumulando sentimentos de muitas dúvidas amontoadas.

koisan7.jpg Já nesse tempo não estava bem aonde estava tal como o Variações, um cantor barbeiro e cabeleireiro que também sabia cortar palavras. Nesse tempo ser gay era uma afronta feia de maricas, hoje, até os que não são, dizem ser para ter acesso social!? E, têem-no na TV, no governo, no mundo da canção e o escambau e... mas o assunto é outro sem esse tal de orgulho gay. 
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Os montes de sentimentos com angustias de permeio a fazer de talvegues a formar rios, foram aumentando e, agora até serão serras mas, sem cura agendada, noto que as multidões fizeram por esquecer para não se tornarem suspeitas ou até marginalizadas. Isso! Só que meus assobios tinham de se dispersos no deserto. Por este motivo cheirava a terra depois da chuva e, a partir da Cidade do Cabo fiz-me ao caminho.

koisan9.jpg Levei a cabo a travessia desde Cape Town até à Cidade de Maputo, antiga Lourenço Marques. Passando por Windhoek, Walvis Bay, Victória Falls, Lago Kariba no Zambeze, Tete, Beira, Chimoio, Macia-Bilene e por fim Maputo. Voltei a repetir parte desta volta no ano recente de 2017, a qual ainda ando a digerir e escrever (tenho os apontamentos por aí...) mas, o desencanto levou-me a ver tudo mudado e, para pior. Talvez, se a tivesse feito do meu modo, teria sido bem melhor; andar à boleia de quem diz conhecer tudo, dá nisto, contrariedades. Ferrei-me!
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Percorrendo mais de treze mil quilómetros, perdido de amores por aquelas escaldantes terras, o sol esfregava a brisa assobiando cânticos quentes no nossos rostos, também nos sonhos agrestes de sedução trazendo-nos a areia fina. Lambuzando-nos pelas narinas, flagelava-nos de braveza por vezes humedecida pelo mar até Knysna na Costa do Ouro 
aonde desviei para norte para ver as grutas de Kango Caves e, redescobrir assim primitivas vidas.
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Seguiram-se outras terras até que parei em Upington, nas quedas de Augrabies em pleno rio Orange, o rio da integridade Boher, rio dos sonhos e fugas aos Ingleses. Ali, no meio da neblina matinal por entre fráguas gigantes como as Moon Rock, no Augrabies Falls National Park. Nestas águas quentes revi o passado, pecúlio de quem nada espera, esperando...

koisan12.jpg Finalmente passando dias de sensação esfarelando o tempo em velocidades porque o tempo "ruge" cheguei a twee Rivieren e Mata-mata mais a norte, sitio seco, penedos queimados pelo sol dispersos na areia e uns tufos por aqui e ali, fronteira com o Botswana e Namíbia, um fim de mundo com koisans, busquimanos. Sitio ideal de aventura para se enterrar o passada. Foi aqui que encontrei esse milagroso cacto Xhoba...
( Continua...) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:09
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Quarta-feira, 20 de Março de 2019
XIPALABOOK . 3

Xipala é rosto, é cara e, book é livro. 20.03.2019

Eu e Mery, convivemos acumulando experiências como quem junta pacotes de arroz carolino e feijão preto, por via de uma qualquer revolução que possa surgir. Com sucesso, mudamos de rumo provocando barlaventos ocasionais nos pontos cardeais de nossos mistérios…

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

bookttique0.jpg  Minha empregada Mery de Campala anseia ir para sua terra e gozar o seu lar, doce lar. Dá-me a impressão que todos os dias de manhã se sente estéril fora da sua Uganda porque, tudo tem um porquê, embora ela, nada diga; sinto ou pressinto nela um espaço cinzento com um sorriso suficientemente grande para se iluminar e criar empatia ao seu redor. Por vezes somos muito íntimos e, até ficamos empolgados com nossa imaginação compartilhada e, que muitas vezes nos atormenta.

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Normalmente, acompanhamos nossas falas com um gim e água tónica, costume dos fins de tarde em áfrica para afastar mosquitos; eles, os mosquitos não gostam do quinino da água tónica que se nos mistura no sangue. Por vezes levanto um sobrolho interrogado em expressões de objectar pelo que, ela diz numa forma não surpreendida fazendo-se de boa ouvinte e, passando também a sacolejar pensamentos, inclina-se num vazio de sotavento.

CUBA LIBRE.jpg Faz tempo que Mery quer rever sua família e amigos do Uganda. Como eu, nasceu em quatro de Junho, uns anos posterior ao meu, sem isso impedir de juntos aprendermos a viver mantendo uma filosofia de sempre aprender. Apreender a sermos felizes o quanto baste. Pois assim é, para convivemos acumulando experiências como quem junta pacotes de arroz carolino e feijão preto e, também, por via de uma qualquer revolução que possa surgir; um aditamento permanente na nossa última vez relevando sempre o agora.

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Por vezes fala do Idi Amim, das convulsões desse então no seu Uganda. Idi Amin Dada foi um ditador militar e o terceiro presidente de Uganda entre 1971 e 1979. Amin juntou-se ao King's African Rifles, um regimento colonial britânico, em 1946, servindo na Somália e no Quénia… Tento disfarçar dizendo a ela que também nasci num mar turbulento num barco chamado de Niassa mas, ela sem o dizer nunca acreditou em pleno mas, o objectivo é alcançado. Para ela eu sou NIASSALÊZ – com sucesso, mudamos de rumo provocando barlaventos ocasionais nos pontos cardeais de nossos mistérios.

booktique13.jpg Repito: -mudamos de rumo provocando barlaventos ocasionais aos pontos cardeais de nossos mistérios. Como eu, ela também espera boatos contaminados e, até os contamos como se fossem missangas de caurins enfiadas num fio.

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Contou-me que muitas vezes lá na terra dela, comeu matooke, uns hambúrgueres feitos com vermes muito estrugidos com cebola, chamados de mopane, umas lagartas muito nutritivas sem dentes nem cascos duros e, que ficam junto com a cebola crocantes! Também entra nisto, alho, gengibre, jindungo, alface e jimboa. Parece que na tua terra, isso tem o nome de catato, ouvi algures, alguém dizer! Disse isto, assim de corrida misturando anseios com afirmações e desejos…

mopane19.jpg Pois, comi isso no IN-DA-BELLY vendo as Cataratas Vitória, ainda nem faz seis meses, um restaurante situado no conjunto de bungalows do Zimbabwé! Até que gostei disso, disse eu numa forma de quem faz um recado para si mesmo tirado da caixa postal do seu baú – nosso correio. Quem nunca provou pode arrepiar-se quando vê devido ao seu aspecto. Meus companheiros de viagem arrepiaram-se; admirei-me pois que eram portadores de bilhetes de identidade tirados na Luua (angolanos de gema). O Chinguiço gabarolas, tenho de dizer isto aos soluços: até se dizia ser, o melhor condutor de áfrica, ora bem…

booktique16.jpg Não obstante a má aparência, este bichinho raras vezes tocam no chão durante a sua vida que é feita em cima de certos arbustos alimentando-se de suas folhas com o mesmo nome mas, não exclusivamente; algo parecido com a lagarta ou bicho-da-seda que só come folhas de amoreira. Em Angola, esta espécie encontra-se nas províncias do Uíge, Malange e no Lubango, sendo esta última a origem dos catatos da D. Joana, que os cozinha e vende na praça do Prenda em Luanda. Uma boa ocasião para a Kianda  Roxo provar.

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Mery, ficou encantada com meus gostos “de preto” no dizer dela e lá tive de dizer como isto se prepara: - “Primeiro coze-se o catato e deixa-se a secar, depois de estar seco faz-se um refogado com cebola, óleo e bastante jindungo numa frigideira. Depois disso, está pronto para comer.”- Foi D. Joana que me ensinou; compra o produto nas mumuílas que vêm do Lubango. D. Joana, ao lado da bacia vermelha que tem por cima da banca de madeira, tem dois copos, um pequeno e um maior, o mais pequeno, cheio, custa 50 kwz e o maior custa 100 kwz.... Custava, conclui eu. Agora não sei…

booktique14.jpg - Tu, falando assim para mim, disse Mery: a felicidade connosco nunca petrifica; a felicidade brilha como a areia nas nossas mãos. Falando assim, até parece que os africanos têm um só progenitor – um pai sem cor. – E, tu vês-te assim na tua Kúkia de Campala? Perguntei de rompante. A resposta veio tão rápida como um qualquer relâmpago: - bazungus e negros vêm ao mundo pálidos como o gelo – quando crescem, uns ficam enigmáticos e outros querendo ser brancos, jogadores de futebol ou basquete. Cada qual fica uma fábrica de falas; porque dizem que só assim é, quem andou na melhor universidade de África – a universidade de Makerere!  

booktique15.jpg Não querendo deixar-me apodrecer entre linhas perguntei: Mas, que universidade é essa de que falas, essa de melhor de África?  Foi aonde estudei. E, é o que todos dizem, especialmente aqueles que nunca lá puseram os pés. Eu sorrio sempre concordando com eles, embora o edifício esteja a cair aos pedaços. Estendendo o braço ofereceu-me e, eu comi: -Dentro de uma folha de bananeira, um pacote de formigas, deliciosas enswa. Embora a folha estivesse amassada, recordei as tanajuras que em tempos comi em Colatina do Espirito Santo… Vais querer saber mas, isso só mesmo para outro capítulo…malembemalembe. Mery, assim ficou, com o sobrolho descaído…

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:19
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Quarta-feira, 13 de Março de 2019
SKUKUZA . I

Skukuza fica no Kruger National Park na África do Sul13.03.2019

Um santuário de animais em liberdade…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Há exactamente quatro meses e três dias, estava em fim de passeio por oito países africanos a saber: - África do Sul, Namíbia, Botswana, Zimbabwé, Zâmbia, Tanzânia, Malawi e Moçambique. Por convite do melhor condutor de África, assim relaxado na confiança alheia, fui andando na esperança de chegarmos a Dar és Salaam mas, o medo dos Boko Haram fizeram com que na Tanzânia inflectíssemos para sul atravessando o bonito país com o nome de Malawi.

SKUKUSA1.jpg As mensagens do M´Puto chegavam até nosso guia-condutor alvoraçadas em forma de raptos e comportamentos próprios de grupos rebeldes que actuavam supostamente nas zonas do rio Rovuma; haveríamos que correr riscos atravessando o rio em jangada e nada era abonatório, o medo chegava em mensagens empoladas de raptos de mulheres na fronteira entre a Tanzânia e Moçambique.

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Do que vi e vivi, posso dizer que os chineses estão chegando em força àquelas paragens, lugares aonde judas perdeu as botas. Lugares de cú-de-judas mal definidos no GPS, nomes diferentes, de escassa orientação ou insuficientemente credibilidade. Lugares esquecidos pelos próprios colonizadores, agora diversificados num novo arco-íris de raças. Lugares em que a tensão racial se torna no dia-a-dia agravada por discursos empolgados de maus lideres, pretos racistas.

SKUKUSA3.jpg Lideres que curiosamente clamam uma coesão racial nada virtuosa nem tão perfeita como seria desejável. A relação entre negros e brancos, sempre foi uma relação violenta, historicamente muito impregnada de expropriações desumanizadas e, isto é sempre profundamente brutal. De lamentar que os negros, não obstante não se terem conseguido organizar no quanto baste ser suficiente para dar uma resposta política, ainda ficam feridos quando são chamados de “negros”.

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Precisam continuar caminhando no sentido de se aceitarem a eles próprios como pretos. Obviamente que há segmentos de negros organizados buscando equacionar o problema racial mas nem todos formulam seus propósitos numa perspectiva pacifista; muitas vezes insinuam-se como tal mas, de suas bocas saem monstruosas atrocidades. Muitas vezes empunham armas brancas, catanas ou outras, para gesticularem a paz.

SKUKUSA6.jpg A sociedade nem sempre responde da forma mais concertada, também não se vislumbra de todo, impedimento a outras formas de luta. E, nem sempre o é de legitima defesa ou em salvaguarda de um princípio nobre, ou suficientemente plausível a esse entendimento. Desconhecemos em pleno e, assim, o que as próximas gerações vão responder a tamanha adversidade e, ou exclusão.

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Eu, que sou branco, sinto-me muitas vezes excluído por pensar e dizer o que sinto. Nunca me ofendi por me chamarem branco mas, reconheço que nos dias de hoje ser preto e pobre, é foda! Mas, também o será ser branco e pobre mas, nem isto se fala nas palestras com gente dita erudita, sábia e o escambau. Se porventura uma guerra estalar eu sei de que lado, vou estar. Não me pintarei de preto como tantos parecem indiciar, insinuar; nem tampouco deixarei de chamar preto ao negro! Estou-me pouco lixando nas regras ou leis descabidas…

fotos ZÂMBIA 037.jpg Não andarei à busca de um termo supostamente menos chocante como é agora tão comum quando arranjam estratagemas de afrodescendentes entre outras hipocrisias. Eu não sou euroafricano, sou branco! Nem tanto – sou só um pouco tostado do sol Não posso estender o céu, torcê-lo, sorvê-lo ou adaptá-lo no meu pedaço de raciocínio porque aqui e além, o sangue espirra e alastra, até se derramar em chuva dum fim de mundo sobre as ruas, as casas os bairros. Bairros de brancos e pretos – de gente!

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Posso espreitar tudo isto por um binóculo, posso chorar ou reclamar mas, pouco adiantará; não sou ninguém para alterar o curso da vida ou da estória de alguém. De mãos limpas e pés polidos dou-me a tréguas em desejos de somente resistir aos desmandos que me podem contagiar na mente ou no físico! O que posso garantir é de que nosso cérebro é verdadeiramente brilhante.

SKUKUSA4.jpgLi e entendi tudinho o texto que se segue: - 35T3 P3QU3NO T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 WO5T4R C0W0 4 N0554 C4B3Ç4 CON53GU3 F4Z3R CO1545 1WPR35510N4NT35! R3P4R3 N1550! NO C0M3Ç0 35T4V4 M35W0 C0WPL1C4D0, M45 N35T4 L1NH4 SU4 W3NT3 V41 DEC1FR4ND0 0 COD1G0 QUA53 4UTOWAT1C4W3NT3. 53W N3C3551T4R P3N54R WU1T0, C3RT0? P0D3 F1C4R B3W 0RGULH050 N15T0! P4R4B3N5! E5T4  53W 4LZE1W3R!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:20
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Sábado, 2 de Março de 2019
MU UKULU – XV

MU UKULU...Luanda do Antigamente02.03.2019

Recordar também os cultos mortuários com uma panóplia de artefactos, símbolos de riqueza a dar importância ao nobre, cobrindo-o deste seu austero poderio.

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

muralha10.jpg Ainda como adenda a livro de Mu Ukulu de Luís Soares, aqui se irá falar das moedas correntes desde o ano de 1641 a 1910 em Angola e zonas de influência. O lingote era vertido em nó de caniço, uma forma manejável de um metal pesado, monetário ou não. No entanto a forma cilíndrica, ou vergalhão, era a mais espalhada pela África austral, tal como o material para a confecção de manilhas na forma de mutsuku, os “cilindros rectangulares com fileiras de tachas no topo”.

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Cada manilha era equivalente a 133 gramas de metal, o preço de uma enxada de ferro. Os tamanhos mais pequenos deste lingote, lembram as orelhas de um martelo: foi um tal Bent que primeiro descreveu o objecto, encontrado pela sua escavação das ruinas do Zimbabué em Fort Victoria e, de que Hall and Neal em 1903 encontraram o molde feito em talco xistoso, na estação de U’Mununkwaba, juntamente com gongos duplos e “um jogo de bolinhas de talco xistoso”.

Mu Ukulu30.jpg Outros 12 moldes conhecem-se de Elizabethville e da Zâmbia; 21 espécimes foram encontrados por António Joaquim da Rocha “em Gwengue, junto ao rio Búzi, na propriedade do Sr. Clemente da Silva”, província de Manica e Sofala em Moçambique.

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A cruzeta era em tudo igual à cruzeta dos povos primitivos da Europa. Os mutsuku já eram fundidos pelos Lemba, autóctones do Transvaal setentrional quando os Venda bantos ali chegaram no século XVIII. Os lingotes africanos mais semelhantes ao objecto moderno foram produzidos pelos Kwena – mineiros do estanho do Rooiberg, distrito de Waterberg no Transvaal – em moldes cavados em areia ou talco xistoso.

Mu Ukulu19.jpg Lombongo – De libongo, nome dado em Angola ao “paninho” tecido no Loango, que corria como moeda no reino do Congo e em N´Gola. O termo parece ter começado a aplicar-se às moedinhas de cinco reis que circularam neste reino a partir de 1695; segundo o autor, o termo é crioulo, derivado do kimbundo m’ilambongo, “uma quantidade de imbonge” (sing. m´bonge, ou ‘bongue’) coisa de contar, como o nó do caniço.

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Significa hoje, simplesmente, “dinheiro”. Macuta – do kimbundu makuta, plural de likuta, o nome quicongo dos célebres “panos”, tecidos de fibras vegetais que correram como moeda em Angola até 1694. A partir deste ano, correram principalmente moedas de 10 reis produzidas para “o Brasil e Guiné”, querendo ‘Guiné’ dizer todas as possessões portuguesas.

mucu2.jpg As macutas, com o dístico “África Portuguesa”, só vieram a ser cunhadas em 1762, no tempo do marquês de Pombal. Conheceram, porém, uma grande distribuição no reinado de sua filha D. Maria I. Houve emissões em 1783 (12, 10, 8, 6, 4 e 2 macutas, em prata; 1 macuta, em cobre), 1784 (6 e 4 macutas, em prata), 1785 (1, ½ e ¼ macuta, em cobre), 1786 (1 e ½ macuta, em cobre), 1789 (12, 8, 6 e 4 macutas, em prata; 1, ½ e ¼ macuta, em bronze) e 1796 (12, 10, 8, 6, 4 e 2 macutas, em prata portuguesa correndo em toda a costa ocidental de África.

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As macutas foram desvalorizadas 50% sob o regente D. João, em 1814 (carimbadas nas missões até 1816), e não tiveram novas emissões no reinado de D. Miguel. No reinado de D. Maria foram de novo desvalorizadas em 20%, mas houve novas emissões em 1848-51 e em 1853. Sob D. Pedro V houve emissões das moedas de ½ macuta (1858) e de 1 e de ½ macuta (1860).

mucuisse.jpg No reinado de D. Luís I houve um ensaio de nova moeda para Angola: as moedas de 20, 10 e 5 reis de 1886 substituiriam as macutas, mas nunca foram produzidas. Assim, as macutas correram em Angola até à implantação da República em 1910, durante, portanto, 148 anos e 9 reinados.

:::::

A terminar esta longa conversa sobre dinheiro na forma de n´zimbos, depois caurins, mais tarde panos libongo, colares e manilhas de missangas de coral e vidrilho com caurins entremeados ou pendentes de cingir a garganta ou os pulsos de mulheres e homens, fazendo realçar o ébano da cútis, acabamos nas macutas e angolares. Recordar também os cultos mortuários com uma panóplia de artefactos símbolos de riqueza a dar importância ao nobre, cobrindo-o deste seu austero poderio.

mucu3.jpg De salientar que no Bié, a principal unidade de troca para alimentos e quaisquer outros produtos, exceptuando o marfim os escravos, era o pano. Cada pano media uma jarda, equivalente a 14 mm e, cujos múltiplos eram: a beca com duas jardas, o lençol com quatro jardas e a quirana com oito jardas.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:31
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019
MU UKULU – XIV

MU UKULU...Luanda do Antigamente15.02.2019

Entre Monomotapa e Catanga corriam entre as classes dominantes dessa região uns lingotes de cobre com o nome de HANDA…

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

Mu Ukulu26.jpg Tomando como base o livro de Mu Ukulu de Luís Soares, aqui se irá falar das moedas correntes desde o ano de 1641 a 1693, moedas-mercadoria que vigorariam desde a chegada dos portugueses à Ilha da Mazenga ou das Cabras e, que nos dias de hoje se chama somente de a ilha de Luanda. Será por assim dizer uma adenda a complementar o que se sabe daquele sistema monetário controlado pelos reinos de N´Dongo e Kongos e outros, em África.

Mu Ukulu25.jpg Em sequência temos os zimbos, n´jimbu, pequenas conchas, propriedade do rei do Congo que apareciam por toda a costa de N´Gola mas com os mais belos exemplares colhidos na ilha de Loanda pelos m´bikas às ordens dos chefes m´fumos. Estes, mergulhavam na contra costa da ilha retirando-os por meio do arrastamento com cestos estreitos e compridos chamados “cofos”. Dos mesmos eram recolhidos os zimbos que podiam totalizar em média e por cofo, uns dez mil.

No correr do tempo foram surgindo outros meios de permuta tais como o sal, a cera, o cobre, os panos ou libongos, marfim, mel silvestre, as cruzetas e os escravos saídos das guerras entre tribos e depois entre estes e mercadores negreiros. Mas, sabe-se por ensaios numismáticos-arqueológicos que entre Monomotapa e o Catanga corriam entre as classes dominantes desta região uns lingotes de cobre com o nome de HANDA, (ref.ª de Octávio de Oliveira na revista Notícia do ano de 1966).

Mu Ukulu27.jpg A palavra banta HANDA significa clã entre os ovimbundo e outros povos de Angola; por outro lado, Octávio de Oliveira refere que Leo Frobenius, explorador e fundador da etnografia belga, chamava aos mesmos objectos “handacreuse”, que poderá ser heterografia da palavra flamenga handelkruis, “cruzeta de comércio” ou “cruzeta de cobre”, uma provável origem deste termo.

Quanto ao sal era retirado das minas com o auxílio de escopros e cinzeis nas regiões de entre o baixo Kwanza e o médio Cuango aonde viviam os ambundos, falantes de língua kimbundo. Extraiam este cloreto de sódio das terras da Kissama, do Libolo, da baixa de Cassange e junto aos rios Quionga e Lutoa. Estas minas que eram controladas por chefes, sobas locais, consideravam o sal da Kissama como sendo de qualidade superior aos dos baixios da costa.    

Mu Ukulu28.jpg Teremos de falar de cruzetas ou lingotes indo à raiz da palavra Jimbamba - Palavra crioula e, referida pelo autor, Octávio de Oliveira como formada de jimbo, o nome dado em kimbundo à cíprea angolana (o zimbo, que corria até ao Catanga como moeda) - quantidade de zimbos, coisa de valor. Acrescente-se que o termo perdura no português falado em angola como “imbamba”, os pertences de alguém. Jimbo – do kimbundo yimbu, do Quioco N´zimbu, moeda; palavra que deu origem a jimbamba.

Curioso é o de referir que quando o governador Henrique Jaques de Magalhães fez circular esta primeira moeda em Angola, já ali corriam moedas de 20 e 10 reis – situação que originou um motim entre a soldadesca brasileira situada na guarnição de Luanda. Os luchazes eram hábeis na confecção de manilhas, usavam o cobre que os lobares lhes levavam da Lunda para permutar com cera.

Mu Ukulu29.jpg O mais característico destes objectos foi a “lucana-bua-mwano” que circulou em N´Gola e no Kongo, peça com configuração da Cruz de Santo André com tamanho e espessura variadas. Foram produzidas e usadas a partir do século VIII e, utilizadas como moeda de troca em permutas comerciais, pagamento de impostos, tributos ou alambamento por uniões matrimoniais de umbigamento. Circularam por toda a África até finais do século XIX.  

Depreende-se do trabalho de pesquisa em referência que o lingote de cobre africano ocorre em três formas: a barra cilíndrica, o “H longo” em forma de astrágalo – o “jogo das pedrinhas” – o objecto monomotápico assim denominado por Theodore Bent em The Ruined Cities of Mashonaland, e a cruzeta. E, nesta busca surge o Lerali - uma barra cilíndrica de 45 cm de comprimento com um cone de 160º tendo numa extremidade decorações protuberantes em forma de chifres.

Mu Ukulu23.jpg Libongo foi o nome que veio a ser dado em kimbundo ao “paninho” tecido originário do Loango ou palmeira-bordão, semelhante ao “paninho do congo” ou likutu que circulou como moeda no princípio do século XVII; acrescente-se que é palavra do kimbundo calunda lu m´bongu,”moeda – m´bonge”. Um libongo valia 5 réis em 1695. O libongos de N´Gola dividiam-se em “bongós, sangos e infulas” enquanto os do Kongo eram chamados de “panos lim´kundis. Os panos conhecidos por sambu ou nollolevieri, tinham a condição de objecto-moeda e serviam apenas para vestir os nobres africanos.  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:23
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2019
N´GUZU. XXVIII

ANGOLA E OS QUILOMBOS DO BRASIL13.02.2019

Angola e os Quilombos - Na Cerca dos Macacos…

Por

soba15.jpgT´Chingange – No Nordeste do Brasil

aqualtune.jpg Estive lá no dia 14 de Março de 2009 (há dez anos atrás), na Serra da Barriga e, do que vi e li, concluí o que antes e a seguir descrevo. O termo de Muxima que é a saudade dos mwangolés - quimbundos, pode ler-se no quadro de entrada na Serra da Barriga: “Muxima dos Palmares é uma homenagem aos Comandantes-em-Chefe que formavam o Conselho Deliberativo do Quilombo dos Palmares - São eles: Acaíne, Acaiuba, Acutilene, Amaro, Andalaquituche, Dambrabanga, Ganga-Muiça, Ganga-Zona, Osenga, Subupira, Toculo, Tabocas, e seus principais lideres: -Aqualtune, Ganga-Zumba e Zumbi, Banga, Camoanga e Mouza, que resistiram depois da morte de Zumbi, aqui também são homenageados, assim como todos os negros e negras, guerreiros e guerreiras.

Todos aqueles que ao longo de quatro Séculos lutaram (e ainda lutam) pela liberdade racial”. Uma outra placa com fundo preto e letras salientes reconhecido no final pelo Governador Alagoano, Engenheiro Ronaldo Lessa a 20 de Novembro de 2002: -“Homenagem aos Heróis Quilombolas que tombaram lutando pela liberdade em 06 de Fevereiro de 1694: Ganga Zumba, Dandaro, Acotirente, Andalaquituche, Aqualtune, Gana Zona, Ganga Muiça, Acaiúbo, Toculo”.

arau44.jpg A SERRA DA BARRIGA - “CERCA DOS MACACOS” O termo Sanzala ou Senzala em Angola é um povoado normal enquanto que no Brasil está conotada com as casas de tortura, da canga, dos grilhos, da chibata, da bola, da máscara de sino e correntes. Kimbo é o nome de sanzala na região de fala Umbundo em Angola, planalto Central com suas casas, libatas como montar uma loja virtual ou embalas.

Todo este trabalho de pesquisa, foi objecto de promessa minha ao fiel depositário do Guardião da cultura em União dos Palmares e Zelador do Museu de Maria Mariá, Senhor Paulo de Castro Sarmento Filho, que teve amabilidade de me mostrar o actual mocambo de Muquém, a Serra da Barriga e descrever o seu trabalho ainda em esboço duma Cartilha Pedagógica, um projecto de cultura viva. Acompanharam-me nesta visita que durou todo um dia, a Dra Rosa Casado, natural daquela cidade de União, e filha de um dos últimos prefeitos de União dos Palmares  de quem me prezo ser amigo. Ficou a promessa de uma futura visita aos mocambos de Cajá dos Negros e Palmeira dos Pretos, povoados em que ainda são visíveis os costumes antigos trazidos de África.

zumbi7.jpg Vivem da agricultura, da venda de artesanato, potes em cerâmica, feitos de forma manual. Estar ali, é o mesmo que estar em qualquer sanzala de Angola nos dias de hoje. Por todo o interior de Pernambuco, perto Guaranhuns e Alagoas em União e Palmeira dos Indios, as características levam-nos à África longínqua

Sintetizo aqui, o essencial com algumas e poucas introduções de meu foro - “A África revelada por Arnon de Mello” e publicado no jornal Gazeta de Alagoas. No século XVII, Alagoas oferece reduto para os negros formarem os inúmeros quilombos que prosperavam em todo o território brasileiro, mas que tiveram na Cerca dos Macacos da Serra da Barriga, nos Palmares, sua maior simbologia. O Brasil foi o país com a maior concentração de escravos negros do mundo com dados indicadores de 3,5 milhões. A liberdade, por meio de fuga, consolidava-se pela anormalidade da vida administrativa e económica da capitania de Pernambuco.

araujo179.jpg Palmares, perdurou por 64 anos, capitulando no ano de 1696. O governador da capitania relata ao rei D. Pedro II, o pacífico, a morte de Zumbi dos Palmares. Senhor - O Governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro em carta de 25 de Março deste ano de 1696, dá conta a Vossa Majestade de como se houve a certeza de haver conseguido a morte de zumbi. Para que nenhuma dívida se fizesse, para aquietação dos povos e para exemplo dos negros que o julgavam imortal, e para demonstração do que se diz se envia cópia da acta feita pelos oficiais da câmara de Porto Calvo e, por ela se sabe que o grosso das tropas paulistas na pessoa do Capitão André Furtado de Mendonça que conseguiu a morte do negro no sumidouro que este artificialmente fizera na serra dos dois irmãos.

O corpo que se apresentou aos ditos oficiais, pequeno e magro, em cujo exame se viram quinze ferimentos de bala e muitos de lança vendo-se que o membro da virilidade do dito negro se havia cortado e enfiado na boca, também lhe faltando um olho e se lhe cortara a mão direita; que perante os oficiais da câmara juraram as testemunhas pertencer o cadáver ao negro Zumbi, a saber, um cabo maior que se apanhara vivo na companhia do dito, os escravos Francisco e João, o senhor do engenho António Ponto e o lavrador de partido António Souza, que todos haviam conhecido em pessoa o açoite daqueles povos; que se lavrou na acta do reconhecimento do cadáver do negro Zumbi, e que para que se pudesse isso mostrar ao governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro deliberou-se levar ao Recife somente a cabeça ( Nesse então, era habitual esta prática).

araujo158.jpg Pela impossibilidade de levar o corpo todo; que no pátio da câmara presente todos os oficiais, um negro decepou a cabeça a qual se salvou com sal fino, o que tudo se faz constar na mesma acta, que assim pode ele governador Caetano De Melo e Castro à vista da cabeça e da acta, da câmara ter a certeza da morte do negro que tantos danos fizera à Real Fazenda e aos moradores das capitanias de Pernambuco. Este documento será assinado em Lisboa a 2 de Setembro de 1696 pelo Conde de Alvear, por João de Sepúlveda e Matos e José de Freitas Serrão.

É este, um modesto contributo a juntar à história dos países Lusófonos intervenientes, Angola, Brasil e Portugal. E, para que conste na “Torre do Zombo do Kimbo” aqui ficam os agradecimentos a Paulo Sarmento, Governador Assistente do Rotary Internacional, Distrito 4390 e Rosa Casado, Advogada aposentada, que me proporcionaram horas de encanto e convívio.

Ilustrações de Costa Araújo (Mano Corvo)

Referência Bibliográfica: A África Revelada, ensaio de Arnon de Melo.

Da lavra (n´Nhaca) – 14 de Março de 2019

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:22
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XI

Peguei aleatoriamente no ANO EM QUE ZUMBI TOMOU O RIO - 06.02.2019

Escrito por José Eduardo Agualusa

Por

soba15.jpg T´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

agualusa1.jpg Hoje choveu e por isso espreguiço aqui mesmo em meu mukifo. No meu olhar de xicululu, assim um olhar de esguelha ou olho gordo, martelei por cima do meu sobrolho a frase de que “Os portugueses são o povo mais atrasado da Europa porque há séculos que se misturam com os negros” e, fiquei assim um pouco a remoer muxoxos asneirentos por o caso ter raspas melindrosas e, calhou na página 94 do Zumbi ler uma passagem em que mete um negão repentista na prosa e poesia de nome Jacaré.

Jacaré, um moço alto, soturno e com uma pesada cabeleira de rastafári chega chegando, molengão, dando um leve toque de dedos no Louis Armstrong, o “procurador” que vós conheceis:

- E aí, meu irmão?!

- Beleza, chefe.

- Canta aqui para o Frank Sinatra (eu) teu rap, «Preto de Nascença», tá ligado?

- Jacaré começou imediatamente a sacudi o copo ao mesmo tempo que declama:

«Era um preto com alma de branco dizia a tudo, sim doutor, está muito certo doutor, só queria trabalhar mas exigiam boa aparência, sim, doutor, está certo doutor (ele tinha uma infinita paciência).

Era um era, num era, um preto que sabia o seu lugar sim doutor, sim doutor seu filho em casa de barriga vazia e ele: sim doutor, está certo doutor.

Sua mulher morreu de bala perdida e ele: a vida doutor, esta nossa vida.

agualusa2.jpg Seu pai morreu de bebida e ele sempre: sim, doutor, está certo doutor, seu filho morreu de fome.

E então um dia o crioulo endoidou, mudou de atitude, mudou de nome, chega de tanta dor.

Agora sou Zumbi, sou Xangô, sou Lampião. Agora sei qual é o meu lugar sim, doutor, é no meio dessa briga meu lugar é no Morro da Barriga.

E se você é o elefante e eu sou a formiga ainda assim deixe que lhe diga, não tenho medo, perdi o medo. Sou preto, sim, conheço minha cor a cor do seu medo, doutor mas minha alma é azul anil conheço meu lugar esta terra adorada entre outras mil, és tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo mãe gentil, Pátria amada, meu Brasil»

negro2.jpg Jacaré sacode o suor do rosto, senta-se náreia, pede uma Coca-Cola. Sorri para o procurador, para mim também:

- Gostaram?

Ambos ficamos impressionados e falei:

- Os versos são ruins

- As rimas, um desastre.

- Mas a mensagem parece-me forte, muito forte na verdade, não esperava por isto. Jacaré explicou que os últimos versos pertencem ao hino nacional. Os burgueses irão ficar chocados quando escutarem isto. Bom! Falo eu: - Portugal recebeu os primeiros escravos negros em meados do século XV. Dezenas de anos depois, os negros já eram 10 por cento do total da população lisboeta. Essa percentagem viria a crescer para 13 por cento no século seguinte.

missosso2.jpeg A pergunta imediata é a seguinte: Que destino tiveram estes africanos? Regressaram a África? A resposta é não!  Eles foram absorvidos, misturaram-se do ponto de vista genético, social e cultural. Eles ajudaram a construir a Portugalidade introduzindo valores e dados culturais novos. A palavra minhoca é apenas uma de dezenas de outras marcas no domínio linguístico. Olhem que no Ribatejo havia aldeias cuja população era maioritariamente negra. Jacaré e o procurador olham reticentes curvando as pálpebras. É mesmo?

Minha amiga Maria Carapinha tem este nome porque seus trisavôs eram negros retintos e, hoje já nem os traços negróides têm. Basta ir beber uma ginjinha ao largo S. Domingos em Lisboa para termos esta sensação; no Cais do Sodré já não resta nenhum sinal das negras que ali vendiam mexilhões. Podemos descobrir testemunhos dessa presença em quadros, azulejos e cerâmicas variadas. Falando com meus amigos aqui na praia da pajuçara relembro um tal de Thomas Malthus que na sua visão religiosa de ver o mundo a nuo, disse disparates grossos.

roxo111.jpg Palavra puxa palavra, cheguei a Hitler e às técnicas segregacionistas do Apartheid na África do sul para não falar dos próprios americanos e, os seus primos Australianos. Nem sei porquê os brasileiros gostam tanto assim, dos gringos. A conversa ficou por aqui mesmo… Até amanhã doutor (era eu). Assim se despediram de mim e, ali fiquei especado olhando o vento sem saber se eles entenderam metade do que disse.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:25
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2019
XICULULU . C

TEMPOS QUENTES – 04.02.2019

MALAWI – NIASSA . No vale do Rift - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios – Assim como a terra, cada qual tem o seu Rift... 2º De várias partes

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

rift1.jpg Historicamente, o sistema do Great East African Rift, começou a se desenvolver durante o Mioceno (22 a 25 milhões de anos atrás) estendendo-se por milhares de quilómetros do vale do rio Jordão através do Mar Vermelho e passando por Djibut, Etiópia, Quênia, Tanzânia e Malawi até ao Rio Zambeze, bem próximo de Tete, a jusante de Cabora Bassa.

A extensão do Sistema de Fissuras do Leste Africano, de Djibuti e Eritreia do norte até Malawi ao sul, forma a fronteira entre a placa africana e a placa somali mais jovem no Leste. Em um comprimento de mais de 3.000 km, a crosta terreste é esticada e afinada porque as duas placas se estão afastando uma da outra.

rift01.jpg Para acomodar a extensão, a crosta superior, quebradiça, é cortada em numerosas falhas normais e de deslizamento de ataque, sendo que, a crosta inferior e o manto superior da litosfera se deformam plasticamente esticando como se fosse uma pistola de mastigação em pressão. Movimentos ao longo dessas falhas são a razão pela qual terremotos e vulcões ocorrem dentro do Sistema Rift da África Oriental.

Por outro lado, o Malawi Rift aparentemente ainda está em suas fase juvenil, com um registo científico mostrando que o mecanismo do Rift está focalizado há apenas um milhão de anos atrás, em contraste com o sistema bem desenvolvido da região mais distante situada a norte. Embora não haja actividades vulcânicas no Malawi, terremotos e nascentes de água quente, encontrados no país, fornecem evidências do processo de rift.

rift4.jpg E, porque ia à boleia a conhecer áfrica, com alguém que se dizia ser o melhor condutor de África e, que só queria e ver animais, só safari, foi pena não ter visitado nenhuma das águas termais que sabia existirem. Faltou logística e bom senso! Pouco a pouco e já em M´zuzu a 14 de Outubro de 2018 a barreira do “haja paciência“ tonava-se uma tormenta. Deveria ter regressado de avião. Serão episódios que por muito que queira esquecer, não os poderei omitir porque sobretudo me respeito. O que poderia ter sido bom, foi-se tornando sofrível numa via esquizofrénica…   

Mas, voltando ao Rift verifica-se que em Moçambique, a parte sul da fenda ainda não se formou de verdade; se o novo continente acaba pegando ou não pedaços da África do Sul, por exemplo, ainda precisa ser determinado pelos indicadores que surgem na topografia terreste ou outras manifestações orográficas. O que se sabe é que, definitivamente, a primeira separação da massa terrestre já começou no extremo norte da fenda, Djibuti.

rift7.jpg Esta pequena incisão no continente africano é a primeira abertura do novo corpo de água que separará a Núbia da Somália. O Rifte do Leste Africano é, na verdade, um sistema complicado de segmentos de rift que proporcionam uma moderna analogia para nos ajudar a entender como os continentes se separam. E, assim se desenvolveram dois ramos neste processo; os ramos, leste e oeste do sistema rift.

O ramo oeste abriga os Grandes Lagos Africanos e outra fenda quase paralela e, a cerca de 600 quilómetros, até o leste, que quase corta o Quénia de norte a sul, antes de entrar na Tanzânia, aonde parece ir morrer. É verdade que essas falhas, seguem geralmente suturas antigas entre as antigas massas continentais que colidiram há biliões de anos para formar a crosta africana.

( Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:07
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . VII

GLOBALIZAÇÃO - A China está a aproveitar para comprar países inteiros – 11.01.2019

Portugal é um bom exemplo desse investimento pois tudo indica estar a preço de saldo. 

Por

soba0.jpegT´ChingangeEm Lagoa do M´Puto

booktqiue2.jpg Nº 6 de BOOKTIQUE 

64 - À lista de livros da BOOKTIQUE, adicionei um sexto que versa o tema GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz que foi Vice-presidente e economista-chefe do Banco Mundial. Stiglitz, ganhou o prémio Nobel de economia no ano de 2001. Não sendo eu entendido em matéria de economia, despertou-me ler passagens que decerta forma me abrem um pouco mais a visão de como o dinheiro meche com todos nós, pequenos anões desta bola chamada terra.

65 - E nós, gente comum, pouco ou nada podemos fazer para alterarmos o rumo dos acontecimentos. O excesso de endividamento por empréstimos malfeitos, aumentam as situações de crise, e os custos dessa crise são pagos não apenas por quem empresta, mas por toda a sociedade. Em anos recentes, os programas do FMI talvez tenham resultado num aumento significativo das distorções nos incentivos aos emprestadores.

booktqiue1.jpg 66 - Quando ocorrem crises, o FMI empresta dinheiro como uma operação de socorro, mas o dinheiro não é na realidade um socorro para o país, mas sim para os bancos. Os governos chegam a assumir as dívidas privadas, socializando dessa forma o risco privado. Sendo apenas um empréstimo e não um presente do FMI, os países em desenvolvimento ficam com a conta para pagar.

67 - Assim, os contribuintes do país pobre, pagam pelos erros do empréstimo do país rico. Ao contrário do que seus arautos prometiam, a globalização, em geral, não foi benéfica para os países pobres do mundo. A receita económica dominante de privatização total, liberalização radical e Estado mínimo, trouxe mais problemas do que soluções.

mocanda9.jpg 68 - Simultâneamente, as políticas que se concentram no combate à inflação e as mensurações do desenvolvimento que só levam em conta o FMI são insuficientes, pois muitas vezes o PIB vai bem, mas o povo vai mal. Não era, nem é ou será a primeira vez, nem o primeiro lugar, que as nações fortes do mundo usaram ou usarão meios militares, para obrigar o pagamento de dívidas. A França invadiu o México em 1862 e instalou como imperador o arquiduque Maximiliano da Áustria, um parente de Napoleão II, usando como desculpa a dívida que o país havia acumulado desde sua independência em 1821.  

69 - Em 1876, França e Inglaterra juntas tomaram conta das finanças do Egipto; seis anos depois a Inglaterra ocupou o país. Em 1904, quando a Republica Dominicana não pagou sua dívida aos Estados Unidos da América, o presidente Theodore Roosevelt foçou o país a dar aos USA a supervisão das receitas da alfândega a fim de cobrar a divida e pagar os credores.

CUCO1.jpg 70  - O actual presidente da China, Xi Jinping, não brinca em serviço. A Zâmbia corre o risco de perder a sua soberania devido à enorme dívida externa que tem com a China. O país poderá ser obrigado a entregar a Pequim a propriedade das suas principais infraestruturas de transporte e energia, assim como algumas promissoras indústrias de extracção, inclusive de diamantes.

71 - A China está a aproveitar para comprar países inteiros e, nalguns casos, a preço de saldo”. Portugal é um bom exemplo desse investimento. Entre os 10 países do continente africano que mais devem à China encontra-se um que fala português - Angola. A dívida de todos eles, somados, atinge os 70,4 mil milhões de euros. Quase toda a dívida externa da Venezuela está nas mãos da China,... A tampa da panela, um destes dias vai rebentar; quando, não se sabe ao certo mas isto, vai acontecer! O que se passa é que, os países têm percepções muito diferentes das ameaças... Anda tudo a assobiar pró lado…

chicor1.jpg 72  - Segundo a revista Africa Confidential, a actual crise no país africano Zâmbia, deve-se à enorme dívida perante empresas e fundos chineses que não é capaz de pagar. Esta situação levou Reino Unido, Finlândia, Irlanda e Suécia a reter 34 milhões de dólares destinados a apoiar iniciativas da Zâmbia em educação e assistência social, temendo que esse dinheiro seja utilizado inapropriadamente, segundo informou a ministra das Finanças do país, Margaret Mwanakatwe.

73 - A dívida externa da Zâmbia aumentou de 8,70 mil milhões de dólares no fim de 2017 para 9,37 mil milhões em Junho de 2018, segundo a Reuters. Recentemente pude observar in loco as carências estruturais deste país, tal como no Zimbabwé, Malawi, Tanzânia e Moçambique aonde tudo parece estar ao abandono. O Ministério das Finanças da Zâmbia, anunciou m fins de agosto de 2018, que a dívida pública do país atingiu os 14,6 mil milhões de dólares – 53% do PIB da Zâmbia. Segundo um analista do jornal russo Vzglyad, “na prática os chineses compraram todo o país, impondo dívidas insuportáveis. Agora, estão prontos para receber o lucro”. Nós, nunca estaremos preparados para as crises. Dá-me a impressão que andamos a ser muito enganados; faz tempo. Até quando!?

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:43
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Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2018
PARACUCA . XXVIII

MULOLAS DO TEMPO . 3 - 19.12.2018

Nós, bazungus rumo à Tanzânia comendo RUSK - 26 de Setembro de 2018 - Quinta-feira 

Por

Botswana 054.jpg T´Chingange No M´Puto

O dia 26 chegou igual a todos os outros, quente de dia e frio na noite! Acordei ainda noite quando o frio ainda se fazia sentir com os kwé-kwés a lançarem gritos agudos lá no topo das árvores; No Shoba Safari Lodge de Kasane, ainda não eram cinco horas e, com a claridade a despontar entre o arvoredo, assim fiquei na tenda cor-de-tropa a pensar nos anteriores dias. Revi assim a saída de Johannesburg seis dias atrás rumo a norte, lugar de imbondeiros para mais além de Pretória, lugar chamado de Limpopo.

Nosso guia-comandante das anharas africanas entrou em litígio com o meu GPS e seguindo sua “insuspeita intuição” quase andamos mais de uns quantos quilómetros na direcção de Hammanskraal; O GPS continuava a cantar, voltar-voltar! Vezes sem conta dava indicações para virar à esquerda no sentido de Rustemburgo mas desisti de insistir com o melhor condutor de África; tivemos por fim de voltar e seguindo a intuição, voltamos para a via N4, depois a R565 até o Sundown Ranch Hotel situado a escassos quilómetros de Sun City.

Botswana 214.jpg Pude ver-me a percorrer o Sun City pela quarta vez se bem me lembro, aonde revi o tremor de terra na ponte, o palácio sumptuoso por onde andei, na praia artificial, a floresta e o grande aviário com aves raras. Um lugar de cinco estrelas mesmo ao lado de Pilansberg. Poderíamos ter ficado por aqui para ver todos os Big-five mas o sonho do bazungus, era mesmo ir a Dar-és-Salam e subir até o Seringueti, lá aonde a adrenalina se sublima no medo.

Dia 22 de Setembro pulamos bem cedo da cama afim de segui o rumo do Botswana pela N 4, passar a fronteira no Skilpadshek Border Post e virar na A1 rumo ao norte, Gabarone, a capital do País. Não foi fácil atravessar Gabarone pois que seu trânsito é infernal e desorganizado. Foram quilómetros de estrada com muitas potholes (buracos) até chegar ao fim de tarde a Sahara Stones  Lodge de Mahalapye, um  bom e novo lugar com as condições requeridas para pernoitar.

Botswana 219.jpg Dia 22, saída ao romper do dia, após tomarmos nosso café com salsicha boerewors, dois ovos fritos, bacon, batata frita e café com leite tomamos o caminho de Maun. Nosso destino era seguir na A3 e em Nata, bifurcar para Kasane aonde estou agora, meditando nas periclitãncias. Também nos milhares de buracos percorridos e nossas conversas nem sempre amistosas versando sobre Angola.

De facto, pelo observado aqui, eu sempre caía no estremo de dizer o quanto os angolanos deveriam estar gratos por terem os Tugas como colonos pois que aqui verifica-se que para além do mato pouco mais há. Sempre caía naquela satírica forma de dizer: - Os angolanos estão cheios de razão, os Tugas deveriam não só ter levado para o M´Puto as suas estátuas, Diogo Cão, Maia da Fonte, Norton de Matos entre outras mas e, também os prédios, escolas, pontes, hospitais, igrejas, barragens; ter deixado Angola exactamente como a encontrou Diogo Cam, 500 anos antes do achamento.

Botswana 239.jpg Deveria sim ser assim, a fim de dar aos angolanos a liberdade e opção de puderem construir o seu país a partir do nada a seu belo gosto e prazer sem se sentirem vexados e humilhados e, por terem que se sentir obrigados a usar ou viver naquilo que os colonos lá deixaram. Às vezes ficava bravo com as contrariedades ouvidas, primeiro esperneava e depois emudecia; mas nunca baixando guarda no meu pensar devido a tanta e desproporcionada prepotência e irreverência dos mwangolés, pretos e pseudopretos. Ninguém é de ferro.

Pela tarde e muitos cheios de pó, chegamos a Nata, bifurcação de pela esquerda via Namíbia e pela direita atravessando várias reservas até chegar a Kasane às margens do rio Shoba que em Angola tem o nome de Cuando. Pernoitamos aqui, em Nata, no Pelican Lodge de Nata aonde se recolheu informação com outros aventureiros de qual o melhor caminho a seguir depois de Victória Falls.

Botswana 275.jpg Era suposto encontrarmos muitos animais no dia 23, um domingo, ao atravessarmos as reservas de Tamfupa, Sibuyu, Kazuma e Nogatsaa mas, os quilómetros foram desvanecendo a avidez e os olhos já cansados de tanta secura entre um gole e outo gole de água de garrafa, foram escorrendo conversas de profecias ainda mal entendidas. E, veio à tona aquelas profecias sobre a Inglaterra e África do Sul; aquela que diz que a Inglaterra será atingida por 7 pragas quando a 3ª Guerra Mundial estiver próxima.

Botswana 277.jpg Será!? Que a Inglaterra será totalmente aniquilada, até mesmo a sua terra irá queimar como uma invasão liderada pela Rússia que vai invadir a Europa, através da Turquia e usar armas terríveis. Nas longas horas de jornada ao longo de terra árida, chinguiços ressequidos, caímos em devaneios de profecias. A África do Sul entrará em uma guerra civil em um ano de eleições, após a morte de um líder negro, que será exibido em um caixão de classe nos Edifícios da União. Líderes mundiais virão homenagear. Será!? Chegamos assim a Kasane, tarde do dia 23, cheios de gases, corpos curvados e cheios de ideias com turbulências no cerebelo. Antes que fosse noite, fomos comer ao Pizza Coffee do indiano…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:16
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PARACUCA . XXIX
MULOLAS DO TEMPO . 4 - 28.12.2018
Nós, bazungus rumo à Tanzânia comendo RUSK - 26 de Setembro de 2018 - Quinta-feira
Por

Botswana 055.jpgT´Chingange – No M´Puto

Só lá pelas 10 horas do dia 26 de Setembro de 2018, 7º dia da odisseia Tanzânia - Haja paciência, é que o calor se começou a sentir mais forte. Decidiu-se que iríamos ver as terras rasas do Shoba em barco e, porque houve falhas no planeamento, tivemos de alugar um extra por 1420 Pulas; assim, um barco que normalmente leva 25 pessoas ia servir aos quatro bazungus que éramos nós! Grosseiramente os Pulas pagos, correspondiam a 1917 Rands ou 112 €; valeu a pena porque vimos muita variedade de antílopes.

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Nas vistas largas das terras planas e verdes que bordeiam os canais do Rio Cuando, e no chamado Chobe National Park, vimos bem mais do que 200 elefantes e muitos antílopes como olongos, gungas, facocheros, búfalos, impalas, jacarés e vários hipopótamos entre outros e, também aves de grande porte como o peru africano, várias espécimes de patos e pássaros multicolores. Pudemos avistar no meio de uma vasta e plana ilha, no meio do nada verde, uma bandeira do Botswana em um gigantesco mastro.

Botswana 019.jpg Aquela ilha que tem o nome de Sidudu/ Kazakili Island esteve até há questão de poucos anos em disputa na definição de fronteiras pois que a Namíbia reclamava como sendo sua mas, o Tribunal Internacional deu posse definitiva ao Botswana. Aqui está a justificação de tão grande mastro naquela planura tão verde e tão cheia de animais. Podemos assim ver as margens do rio Cuando a confrontar com o parque Kasika da Namíbia e o canal Shoba no lado do Botswana.

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O Rio Cuando e o canal Shoba desaguam no rio Zambeze e, é ali em Kazungula que confinam quatro países: Botswana, Namíbia (ponta da faixa de Kaprivi), Zâmbia e Zimbabwé. Foi um dos momentos altos nesta odisseia das potholes; os bazungus, mais que muitos a pagar caro para ver a natureza. Há gente de todas as nacionalidades mas, maioritariamente da Comunidade Europeia. Troquei impressões com três espanhóis que amavelmente nos deram indicações sobre trajectos por conhecer. Claro que os sonhos duns não são realidades dos demais - o itinerário seria sempre o do Comandante Vissapa, rumo a Dar es Salaam.

Botswana 231.jpg Neste nosso curso de enfrentar os conhecimentos, todos os dias serão uma prova à adaptabilidade humana e pude rever-me assim em confronto com meus silêncios de viagem, subjugar-me a modificar meu carácter para subsistir à sabedoria de pendura feito quase um monangamba. Uns dias atrás um amigo meu fazia reparo àquilo que eu dizia; a de que nós sempre seremos um fruto de mudança. Bom! Com ou sem essa minha teoria de transitoriedade nós seremos sempre os mesmos, só os pensamentos mudam.

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Assim taciturno e com rumo ao largo Kariba, podia ver-me já, a balouçar no convés do Ferry que me levaria ao Sharara Safari e depois Lusaca. Não existe ninguém que encontrando um espinho em seu pé não o retire após as primeiras dores; se não o fizer é porque é masoquista ou anda a treinar para o Guinessbook, um clube de excêntricos. Começava aqui a ser esse excêntrico que corre atrás dos sonhos alheios na ânsia de também ficar com olharapos afros.

Botswana 247.jpg Um amigo próximo disse-me que os pés dos bóheres têm olhos. Só entendi essa fala quando observei in situ um farmeiro de kimberley a andar de sandálias de pano colorido no meio do capim repleto de aranhas, centopeias, cobras e um sem fim de outros bichos rastejantes sem contar com os muitos picos espalhados a esmo pela terra barrenta. Fazia todos os possíveis para ter um comportamento análogo àquele bóher.

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Em áfrica é sempre bom recolher o máximo de informações porque nem sempre o caminho da esquerda é melhor do que o da direita; a triagem terá de ser nossa com ou sem a intuição que julgamos ter. Acabamos por no fim da tarde comermos um rump steak com salada no Pizza Plus Coffe e Curry, um restaurante de um indiano. Pagamos 620 Pulas que correspondem a quase 50 € por quatro, um preço razoável mas nitidamente mais caro do que no M´Puto. Dentro do jango do Lodge Shoba pagaríamos a dobrar! Turistas bazungus sofrem! Diria minha empregada Mery de Campala…

Botswana 254.jpg Em áfrica sempre se tem de ponderar gastos para não irmos mais além do plausível mas, há lugares que nem raspas do plausível existe! Esta missão exploradora serve para revestir-me de uma armadura contra as megalomanias daqueles que julgam possuir todas as chaves de abrir todos os becos, todas as quelhas, todas as picadas sem declarar seu próprio fisco à sua alma. É fundamental ter dólares! Sem isto, a apologia de se ir ao acaso tolhe o instinto, cega a fé, mesmo que se repita muitas vezes o valha-me Deus. As caixas electronicas funcionam mas, tem um mas... lá mais para a frente o direi.

Botswana 295.jpg Assim, com a razão chocando nas evidências, prescreve-se o responso. Pois! A fé não se impõe nem se prescreve nem nenhum santo a vai levar em conta se, se achar sempre sendo o dono da verdade. Assim pensando neste mato longínquo de tudo entre a criação de Deus, terei de relembrar que o dogma da fé cega é que faz com que haja muitos incrédulos! Um dia de cada vez digo eu. Todos os dias terão encruzilhadas bifurcações e o amanhã sempre será uma graça. Amanhã será outo dia - Restam-nos 45…

(Continua…)
Escrita do fim de tarde do dia 26 de Setembro de 2018
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:43
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2018
MU UKULU – IX

MU UKULU...Luanda do Antigamente29.11.2018

Havia muito de angolano nas casas feitas com a cal de mabanga, os forros feitos de bordão…

Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Johannesburg

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Brasil

Começo com uma ressalva, para corrigir o que foi dito no Mu Ukulu-VIII. A Barragem das Mabubas sobre o rio Bengo, só foi inaugurada no ano de 1954 e não no ano 1948, conforme diz João Pinto que ainda candengue, ali viveu quando seu pai para ali foi trabalhar, entre os anos de construção entre 1949 e 1954. Antes de se dar continuidade ao desenvolvimento social de Luanda segundo o descrito no livro de Luís Soares, vamos aprofundar alguns conhecimentos da agora grande Luanda, porque quem não é kimbundo irá perguntar o que significa maianga entre outros nomes e lugares toponímicos...

ÁFRICA3.jpg Consultando escritos de José Kaliengue, poderei mencionar que Maianga significa poço de água. Havia a maianga do povo junto ao Clube 1º de Agosto e, cujo avanço urbanístico anárquico, relegou para ruinas; aonde agora é o rio seco era um rio a valer, molhado, que desaguava numa lagoa que era a Lagoa dos Elefantes no actual bairro da Samba e, onde desembocava. Este rio desaguava numa lagoa antes de dar para a baía de mar raso que ali existia.

Aquela era a lagoa dos elefantes, porque era frequentada por estes. Quando os portugueses ali chegaram, e durante muito mais tempo, viam-se por ali elefantes; no decorrer do tempo, estes foram-se refugiando na actual Reserva da Kissama. O que hoje se conhece por Morro dos Veados foi, até ao séc. XVIII, o Morro dos Elefantes, está escrito em mapas, só que estes, foram diminuindo em número. E, foi já no séc. XX, que o Morro dos Elefantes passou a chamar-se de Morro dos Veados.

muralha6.jpg Uma grande parte da população não sente qualquer relação com o espaço e com as coisas e, também porque não foram alertadas pela nova elite na sua preservação. A não existência de um ordenamento desses lugares; a construção arbitrária e sem qualquer tipo de controlo, originou perdas como valor turismo e sequentemente o económico. Um património difícil de recuperar.

A baía é uma das razões para o nascimento da vila e depois, cidade europeia de Loanda. Foi ela por via de sua topografia circundante que determinou a sua criação; Fundamentalmente por uma estratégia de defesa, mar fundo e lugar de abrigo às caravelas aos ventos dominantes e mar bravio na costa aberta de sua ilha da Mazenga; só mais tarde surgiram outros critérios pela criação de um centro urbano expandindo-se com mercados, estradas, porto de mar ou caminhos-de-ferro.

Mu Ukulu0.jpg Note-se que, já nessa altura, finais do século XIX, faltava água em Luanda; isso mantém-se até aos nossos dias. Rios e baías sempre foram um elemento importante na história duma qualquer cidade e Luanda não foge deste conceito. Depois há uma parte importante dessa história que também pertence aos angolanos, e que não dá para apagar! Embora como sendo a parte sofredora, contribuiu para a história: O do comércio dos escravos que já foi aqui superficialmente abordado.

As fortalezas, apesar de símbolos de opressão também pertencem aos angolanos; queira-se ou não José Kaliengue tem razão ao afirmar isto! As igrejas são outro elemento que, não fazendo parte da cultura original, passaram depois a fazer parte da vida das pessoas. Havia muito de angolano nas casas feitas com a cal de mabanga, os forros feitos de bordão, um material altamente isolante e que permitia manter as casas frescas.

miss6.jpg Não deve ainda existir sinais de tectos de bordão nas casas velhas de Luanda; também este processo saiu da cultura local. A Igreja do Carmo, estava assim construído até meados do século XIX. Estas edificações existem e, foram feitas com mão-de-obra de caluandas. Agora teremos de recordar o que era na palavra “MU” como sendo coisas do antigamente, mas também uma árvore no dialecto kimbundo. Mutamba é a árvore do tamarindo, árvore que a mutamba não tem.

Posso imaginar nas largas varandas da baixa da Luua e bem junto ao Carmo, as damas brancas comodamente sentadas com requebros de etiqueta, gestos cheios de conveniência, risos de boca fechada, olhares por debaixo das pálpebras mais um leque nos lábios e o dedo mindinho levantado com galanteria chamando o senhor prior. Não muito longe uma mulher negra na esteira de luandos ou de matebeira, num banquinho ou na soleira da porta catando piolhos na cabeça do candengue.

o poço do rei2.jpgTambém homens humorados, o chapéu de couro preso ao pescoço por uma correia, a camisa de algodão cru por fora das calças de zuarte, arregaçadas no joelho, o pé descalço, curto e espalmado, peito liso com cor luzidio de escuro ou cor de cedro á mostra, braço nu e grosso transportando uma viola ordinária feita de lata. Senta-se bem junto daquela mulher catadora, dedilhando as cordas metálicas e, cantando um repenicado linguajar de brincadeira…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:01
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2018
PARACUCA . XXVII

MULOLAS DO TEMPO . 2 - 28.11.2018

Nós, bazungus rumo à Tanzânia comendo RUSK - 20 de Setembro de 2018 - Quinta-feira  

Por

Botswana 055.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

Neste início de roteiro aventura com safari, não poderei escrever algo de criativo sem temor ou sem tremer, evitando falar de cada um de nós dos nossos nervosismos ou nossas particularidades na forma de interpretar as coisas, no avolumar de entusiasmos e também sem ofender os pergaminhos que nos mudam no tempo. E, assim como um esquentador antigo mantendo a chama do piloto a fumegar passados amarelecidos e, chispando de vez quando, nervosismos com beijos irritadiços.

Botswana 300.jpg Neste agora, feito salalé em pau carunchoso, sem visar sublimar os feitos em criação artística conformo-me pela idade talvez, seguir sem um prévio planeamento, os trilhos do acaso, sem um aturado planeamento; aventura é aventura! Vamos em direcção a Dar Es Salam dividindo os percursos no máximo até seis horas de viagem, até encontrar um lugar de reconforto à idade, poder comer algo e ter ânimo a continuar.

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Ao quinto dia de viagem – 25 de Setembro podemos ver um casal de leões com uma cria a guardar a carcaça de um elefante que morreu bem na orla da floresta confinante com a planura verde do rio Shoba em Kasane. O Nissan de tracção 4 por 4 portou-se bem na picada de acesso ao rio; tomara, não fossemos nós com o melhor condutor de áfrica. Uma picada de areia solta e com um socalco elevado ao centro e ao longo de muitos metros. Um trilho bem tortuoso, que só um condutor do mato, sabe como lidar.

Botswana 276.jpg A adrenalina subiu aos píncaros na descida empoeirada, picada com árvores de um e outro lado e, já junto à margem do Shoba a maldita picada de areia melhorou; lugar de larga vista para espraiar nosso nervoso miudinho. Podemos assim ver centenas de antílopes, gungas, veados springboks, Javalis, olongos, búfalos, jacarés e grandes grupos de elefantes comendo rebentos verdes da várzea.

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Também vimos aqui calaus, perus do mato, como se diz em Angola e águia-real, uma imponente ave que de bico adunco e olhos penetrantes consegue até levar em suas patas pequenos bâmbis, capotas e outros rastejantes; talvez por isso não tenhamos visto coelhos.     

soba22.jpg E, bem na sombra atrás de umas bissapas, troncos apodrecidos, lá estava o rei leão com sua juba e sua dama mais uma cria; todos eles, olhando o elefante já desventrado. É sabido que no meio do mato o leão sempre fica bem camuflado pela sua natural cor e, também aqui, os turistas bazungus como nós em outros carros, esperavam estes levantarem-se para colherem a melhor foto.

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Ali, e por cima deles lá estavam os urubus, abutres empoleirados em ramos ressequidos de árvores, observando e esperando o momento exacto de entrar no repasto das vísceras deste grande quadrupede. Tivéssemos ficado ali de noite e decerto, veríamos as hienas a rondar a morte junto com chacais. Por vezes, estes predadores esperam até uma semana para intervir na comezaina.

Botswana 261.jpg Os últimos são os abutres, tudo fica limpo! Mais tarde ver-se-á a cabeça do paquiderme já branca, da cor da cal. Vêm besouros, animais rastejantes e até o escaravelho do Nilo rolando com graciosidade suas bolas de desperdício. Na natureza nada se perde, tudo se transforma. Dá para reflectir em tantas odisseias de nossas vidas, uma grande parte passada em áfrica e aonde outros abutres na forma de gente nos roeram vontades.

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Foi lá atrás num lugar de Pandamatenga, no quarto troço, que referi ser necessário uma logística para enfrentar a áfrica e, sem querer voltamos mais uma vez àquela caturrice tão própria da adrenalina africana com os santos a perderem a paciência. Por momentos pensei que chegando mais acima poderia até tomar o comboio Xoxolosa, voltar a Johannesburg para evitar remoer ideias do Tocoismo, uma religião de cariz anticolonial - a sua verdadeira pregação nacional.  

Botswana 019.jpg Mas, neste calor intenso foi refrescante olhar aquela grande toalha de água a dar grandeza ao encontro das águas dos rios Shoba e Zambeze. É impensável andar aqui sem uma garrafa de água fresca, ter um caixa térmica com gelo e cerveja para arredondar vontades loucas. Sendo assim, lá terei de me lembrar que a natureza tem como lei a obtenção dos seus fins pelos meios mais económicos; só assim se justifica a erradicação total e absoluta dos resquícios coloniais e da necessidade de tudo voltar a ser, só capim…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:05
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2018
PARACUCA . XXVI

MULOLAS DO TEMPO27.11.2018

Johannesburg – A paracuca daqui é uma bolacha dura na forma de pão chamada de RUSK, torrada com açúcar e sem jinguba…

Por

soba15.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

Em um fim de dia atípico e antes da grande viagem de 20 de Setembro para ver animais, creio ter sido numa sexta feira dia 14 - já lá vão mais de dois meses, fomos ver as Divas e os Rochers no casino Emperors Palace. Pela organização da igreja metodista, podemos ouvir artistas locais interpretando canções do Elvis Presley, Pink, Elton John, Michael Jackson, Tina Turner e Stevie Wonder, entre outros. Eram cerca de trezentas pessoas sentadas em mesas corridas ou balcões laterais – Nós estávamos em um balcão lateral.

araujo187.jpg Podia ver os comprimentos efusivos entre gente que chegava com vestimentas folgadas, até chapéus, calções à meia cana, gente de todas as cores mas maioritariamente brancos com aspecto de bóheres; gente grande e gorda que se anafavam entre outros já sentados, comendo e bebendo como se estivessem num piquenique. Eles e elas, gente cuzuda com calções avantajados e flanelas tapando as dobras dos pneus das carnes sobressalentes.

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De sapatilhas e roupas muito iguais às dos demais dias, pude apreciar a forma descontraída de sem cerimónia, com riscas e bolinhas a condizer com aquela forma de angariar dinheiro por via do espectáculo que iria decorrer para custear ou auxiliar uma qualquer entidade de apoio social, ou mesmo para o próprio sustento da igreja. Neste ambiente tipicamente sul-africano, também nós íamos bebendo nossas Windhoek lager e ou água com limão.

Botswana 167.jpg Tivemos batata frita, biltong e tostas rijas que nem paracuca que depois se dissolviam nas humidades. Um grande balde com gelo, servia para nele meter todas as bebidas por forma a mantê-la frescas durante o espectáculo. Foram mais de duas horas divertidas; uma boa forma de preencher o tempo que sobrava neste então; esperávamos o dia 20 para, a partir daí darmos a volta a uma áfrica ainda por conhecer.

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Saltando no tempo vejo-me debruçado sobre os funis feitos na terra pela formiga-leão, os nossos conhecidos fuca-fucas de Angola. Pois, assim debruçado no Choba Safari Lodge bem na margem do rio Choba, concertávamos ideias sobre o que fazer e ver nesta parte norte do Botswana. Os alojamentos dos principais módulos, estavam todos ocupados e restou-nos ir para as tendas.

tanzânia II 049.jpg Estas tendas até tinham chave electrónica para nelas entrar, uma coisa de cinema composta por duas camas, mesinhas de cabeceira, uma pequena mesa de centro, uma outra com espelho no topo e ainda outra para guardar malas e coisas menores. Também havia um ventilador e, foi-nos bastante útil porque o calor aqui e de noite, é para fazer de sauna. De noite o tempo arrefece a ponto de termos de nos tapar pelo frio. Na gaveta da comoda havia cinco preservativos. Sukwama! Exclamei - era isto mesmo que me fazia falta.

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Tinha um avançado por cima do sobrado a fazer de varanda com mesa e cadeiras para seis pessoas mas tinhamos de ter cuidado com os babuínos e outros macacos pois que afoitamente nos vinham roubar as coisas do seu agrado. Para fazermos nossos churrascos na churrasqueira brai, tinhamos de estar com um olho na carne e outro nestes caçadores. E, como gostavam de batatas fritas! Até os javalis vinham quase às nossas mãos para comer, embora houvesse avisos no sentido de nada dar aos animais.

tanzânia II 046.jpg E, ao nosso redor surgiam facocheros, macacos babuínos, saguins, bâmbis, capotas e perdizes. Os elefantes faziam-se ouvir por perto. Os kwés-kwés, uns pássaros pretos e grandes lançavam piares agudos ainda o dia não o hera. Também os homens e mulheres e gente que se dispunha a sair cedo, começavam a falar alto e, não tinhamos como não acordar lá pelas cinco e pouco!

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Assim que o sol nascia lá no horizonte o calor começava a ondular o cacimbo; podíamos apreciar isto nas luzernas entre a vegetação alta e empoeirada. Bem do outro lado das bissapas muito cheias de chinguiços podíamos ver a azáfama dos bafanas auxiliares dos carros apetrechados para a áfrica profunda. Desarmavam ferros, juntando-os de forma ordenada na parte inferior do machimbombo-safari.

Botswana 264.jpg Carros com camas, pratos e tudo o que compõe uma cozinha, frangos e carne para assar, maças da cidade do Cabo e feijões do Quénia, vários tipos de pão, café e arcas frigorificas para atulhar isto mais verduras e, do outro lado, ferros de armar suas tendas; grupos de gente que depois tomam assento lá no alto do machimbombo para ver a vida do mato passar. Ao peito dos coletes de zuarte amarelo suave de muitos bolsos, pendiam seus binóculos, suas camaras fotográficas e outos zingarelhos próprios de verdadeiros bazungus…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:16
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2018
MU UKULU – VII
MU UKULU...Luanda do Antigamente16.11.2018
Corria um quente e grosseiro zunzum de feira nas Portas do Mar em frete à alfândega da Luua (Loanda)
Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Johannesburg

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Brasil

Os dias de feiras especiais no mercado da Quitanda e arrabaldes que se estendiam pelo largo da alfândega, eram gritados pelo burgo por pregoeiros que circundavam pelo burgo, um ordenamento caótico, cubatas intercaladas com casas de adobe ou de tijolo cobertas com zinco e quindas erguidas com aduelas de barris; pequenas hortas de permeio com couves, tomateiros, alfaces e hortelã em cercas protectoras de chinguiços e debaixo de mangueiras.

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O pregoeiro com voz sonante de leiloeiro subia à cidade Alta a dar conhecimento de novas remessas chegadas do M´Puto, tais como iroses de escabeche, sardinha em sal moura, favas ou vinho generoso da Galafura, pois era por ali que se concentravam as famílias de posse e, assim percorria seu circuito de passagem pelo Observatório Meteorológico João Capelo, descendo aos Coqueiros pela calçada dos Enforcados.

Mu Ukulu14.jpg E, chegada a ocasião, já depois do Pelourinho fazia uma paragem técnica para estimular a voz com aguardente de Monchique, repetindo já de forma murcha os pregões de saldo até chegar à Quitanda das mutambas. Ali se vendiam fazendas de algodão de tecidos coloridos mais sarja ou linho de cor branca. Até os ricos ociosos que iam para ali encher o dia, metiam conversa com os caixeiros, peritos em contar anedotas vestidas com calções de brim.

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Naquele lugar das mutambas, até os próprios vadios desempregados faziam cera, aparentando estar cumprindo diligências de prontidão. Já era escuro quando este laborioso cantador de saldos chegava ao Largo Bressane Leite, e por ali ficava algum tempo cheirando a acidez das frutas iluminadas pelo candeeiro de praça e, à luz de óleo de jinguba.

Mu Ukulu13.jpg Naquele outro dia apregoado, viam-se deslizar pela Quitanda imponentes e monstruosos abdómens, capitalistas decerto à procura de chouriços e presuntos seguidos por monangambas, mocambos sem alforria para levar os embrulhos; cabeças escarlates tapadas a chapéu de cortiça, gotejando suor por debaixo das orelhas, bocas com bigodes dilatados e retorcidos e, distribuindo mesuras com falas mansas às damas que cobertas de cambraia e rendados os olhavam de soslaio.

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Tendo esta visão numa varanda larga e sem forro no testo do tempo, deixo ver as ripas e os caibros que sustentam as telhas, a sociedade num assim com uma bela vista sobre a Baía de são Paulo de Loanda com um aspecto mais ou menos tropical. Pitoresco e de calor húmido, como se tudo fosse um amplo quintal; longo e muito cheio de tamarindos, mamoeiros e pitangueiras. Um lugar de preguiça, diga-se; ao fundo uma máquina de costura Wilson, uma das primeiríssimas em meu uso na costura do tempo.

Mu Ukulu12.jpg Desta varanda posso ver as Portas do Mar da Luua e cheirar catinga na segunda metade do século XIX. Ficam em frente à Alfândega, uma zona com gente a correr de manhã à noite; um porto de embarque de escravos - um local histórico aonde podia acontecer toda e qualquer revolta. Quando embarcava, “o escravo não sabia para onde ia - ia para o Kalunga”. O infinito feito mar iemanjá, como se fala em Angola e Brasil. Pois! Havia ali, revoltas e suicídios.

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O palácio de Dona Ana Joaquina dos Santos Silva, a negreira, chegou a ter um quintalão em frente à escadaria. Por ali passaram milhares de escravos. Eles saíam dali directamente para o embarque nas Portas do Mar, com destino à Kalunga. Os cálculos da Atlantic Slave Trade dizem que entre 1501 e 1866, aproximadamente, 5,7 milhões de escravos saíram dos portos de áfrica para as américas.

Mu Ukulu11.jpg Angola, foi uma das grandes fontes emissoras de comércio de escravos desde o século XV até o terceiro quarto do século XIX. No domingo de 13 de Maio de 1888, dia comemorativo do nascimento de D. João VI, foi assinada por sua bisneta Dona Isabel, e Rodrigo Augusto da Silva a lei que aboliu a escravatura no Brasil. Só neste então é que Porto Galinhas do Brasil deixou de receber oficialmente escravos idos de áfrica. Mas, havia fugas ao regulamentado. Ainda por alguns anos e até fins do século XIX chegavam peças humanas de contrabando.

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No Brasil, os pregoeiros iam às roças anunciar que tinham chegado galinhas ao porto. Era uma forma de enganar as autoridades do reino perpetuando a venda de gente. E, é por este motivo que Porto Galinhas, um lugar de veraneio brasileiro é assim chamado. Dona Isabel sancionou a Lei Áurea, na sua terceira e última regência, estando o Imperador D. Pedro II em viagem ao exterior, às três horas da tarde do dia 13 de maio de 1888.

dia141.jpg O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir completamente a escravatura. O último país do mundo a abolir a escravidão foi a Mauritânia, somente a 9 de Novembro de 1981, pelo decreto n.º 81.234 - Há somente 37 anos. Seis anos depois da independência de Angola a 11 de Novembro.

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Quanto valia um escravo? Não se sabe ao certo, mas diz-se que o preço era feito de acordo com os negociantes. Quem vendia? “Os comandantes militarem, negociantes negreiros como a Dona Ana, administradores, o próprio governador, que tinha tropas e a própria igreja.” Em 1846, o Brasil conseguiu o 1º orçamento super da gestão do Império. É a partir destes dados oficiais que podemos tirar alguma conclusão.

rio11.jpg Nessa época, uma saca de café era comprada por 12 mil-réis e um escravo comum era cotado a 350 mil-réis. Portanto um escravo valia em média entre vinte a trinta sacas de café. Os escravos que eram hábeis em carpintaria, fundição maquinista etc., valiam 715 mil-réis - o dobro. E, porque Loanda de então era uma cidade esclavagista, muito do negócio corria com essa dinâmica o que, levou muitos sectores da sociedade a dizer no após abolição da escravatura: “Vamos viver do quê, se não produzimos nada?”

(Continua…)
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:33
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO – XCIX

TEMPO COM CINZAS - 12.11.2018

Vim à procura do futuro, imaginando a energia e a força de quem recomeça, e acabei por recuar no tempo….

Por

soba15.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

INHASSORO 111.jpg Passados que são 53 dias recordo o ontem que foi nosso 52º e último na “Odisseia das Potholes – Haja paciência” por África, com 9700 quilómetros andados e abrangendo sete países passados por fonteiras terrestes a saber: África do Sul, Botswana, Zimbabwé, Zâmbia, Tanzânia, Malawi e Moçambique.

victória falls 027.jpg Sucede pois que, calhou também ser ontem o mesmo 11 de Novembro comemorado em Luanda com festividades oficiais e condecorações! Resmungando, embebendo fatias de pão torrado na xícara de café com leite ou bolacha Maria, as horas rendiam-se dia após dia como sentimentos mudos. Por vezes era o pequeno-almoço com bacon, ovos, batatas fritas e chouriço tipo bóher com pão torrado.

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Vagabundeava largas distâncias com grandes desesperos a ladrar-me por dentro olhando em frente o asfalto ora rachado ora esburacado e dos lados as bissapas agressivamente queimadas pelo sol; nada de antílopes a saltarem como imaginávamos existir, nem tampouco rolas, perdizes ou capotas. Será que comeram tudo? Era a pergunta a que ninguém encontrava resposta.

victória falls 032.jpg Eramos todos, para além do melhor condutor de África umas preguiças à boleia pela chamada pura África e, como quem cumpre uma formalidade inútil e aborrecida, relembro o onze de Novembro de Angola que só hoje tomei conhecimento ter sido um dia de fartas recordações! Nem me lembro de em tal falar pois que, a vontade de nada dizer subsistia-me. Foi um acto que simplesmente desaconteceu!

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E, não falei, nem falarei, porque ainda ando a remoer humilhação de um amor ultrajado que comigo, mais tantos pais, mães e tantos filhos viram através de suas lágrimas num nascimento de novos dias forçados, novos meses e anos. Agora lembram com pompa, escrúpulos de sangue. Enfim! Coisas passadas e, não esquecidas.

Tombo1.jpg Com o tempo a maioria aceitou a reviravolta que a política provocou em suas, nossas vidas. Muitos perceberam que não valia a pena viverem revoltados e até fizeram por esquecer; muitas vezes, recordam que a guerra não tem só um lado e que nós estávamos em lado nenhum – Simplesmente, não tinhamos lado… É aqui que começa o busílis de que já tantos falaram, falam e continuam…

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Ainda sinto um ligeiro tremor de raiva a arrepiar-me as carnes, o cérebro, quando me lembro daquele polícia de fronteira, impecavelmente preto, impecavelmente vestido, impecavelmente sóbrio e com divisas de chefe reluzentes, que ali naquela fronteira de Bozwé, entrada de Moçambique só aceitavam dólares; uma terra em que o dinheiro tem o nome de Meticais. Por seis horas e sentados num muro de pedra ao acaso, tivemos de esperar pelo visto que iria de Tete.

IMG_20170720_125720_BURST010.jpg Assim, de braços moles, de mãos frouxas, pescoço bambo quase abotoado ao estomago, crepitando febres, olhava um desconsolo como coisa nunca vista. Hoje, já em Johannesburg, ando a tomar chá rooibos misturado com borututu para defumar as raivas mal contidas. Sim! Para me curtir das cólicas. Ontem, até dei comigo a examinar quinquilharias de artesanato, assim minuciosamente como se nunca as tivesse visto. Agora, lá terei de inventar lendas para neles, me improvisar airosamente.

O Soba T´Chingange     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:57
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2018
XICULULU . XCVIII

ODISSEIA DAS POTHOLES - 07.11.2018

Afinal não é verdade o que apregoa o político Africano… "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP. 

Por

soba15.jpgT´Chingange – Em Komati River de Komatipoort

Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Alguns até são brancos… Porquê? "HOJE até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan T´Chavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabwano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo.

Zimbabwé 001.jpg Zimbabwé que, no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente. Por exemplo, em Angola, quando por vezes, nas datas históricas, oiço e vejo pela TV indivíduos a mencionarem o que o 'colono nos fazia', sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mate de 'risada' …

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"Porque o que o colono fazia… blá-blá-blá", dizem eles - hoje faz-se o pior! O colono, se fez, quase que o desculpo: era ou foi colono, é branco, não é meu irmão de raça, etc.; agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura, faz o que denodadamente repudiávamos do colono – esta acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma.

kuvale2.jpg Por isso, logo após as independências africanas, e depois do êxodo dos brancos a abandonarem (África), verificou-se um segundo êxodo: seguindo os outrora colonos, milhões de africanos abandonaram também a sua África, com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença; a maioria, arriscando literalmente as suas vidas (e, o filme continua até aos nossos dias).

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Porque se chegou à conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP. Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Porquê? Estamos a 30 de Outubro de 2018, em Vilanculos de Moçambique podendo vivenciar o que atrás é referido, um retrocesso evidente na qualidade de vida para a grande maioria do povo…

tanzânia II 060.jpg ELEFANTES NO CHOBA - BOTSWANA

No África Tropical de Inhambane posso conferenciar com a osga amiga que se passeia no tecto para lá da fechada malha de rede anti mosquito. Meio recostado na cama, leio o livro de Eduardo Agualusa e, releio aquele episódio duma mulher ambiciosa e ambicionada: “Ela despiu o corpo como se fosse um vestido, guardando-o num armário e, agora passeia-se pelo mundo com a alma nua”. Ela era uma professora que ensinava ética…

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Pude ver neste porém a osga a virar-se e assolapar-se no reposteiro a ouvir comodamente minha descrição. Sabes papoila, foi este o nome que lhe dei, que me veio ao pensamento – Ando de terra em terra, por áfrica, revendo sombras do passado e sonhos alheios com formas de bichos com cornos retorcidos mas, há momentos fui até à praça da revolução ou da independência; pude até sentar-me no canhão de outras guerras, canhões que os Tugas deixaram apontando a baia e, tendo do outo lado a vila de Maxixe…

INHASSORO 096.jpg TÁXI-BICICLETA DO MALAWI

No topo da alameda de Inhambane e bem à beira da marginal fixei-me na figura de Samora Machel, uma estátua com o dobro de sua real altura, apontando ao ocidente bem ao jeito de Lenine, talvez com aquela cartilha vermelha de ditar leis que ainda rolam e enrolam como bactérias o cerebelo de muita gente. Entre tanta coisa observada pude recordar àquela osga o quanto aquela terra era forte e que tal como aquela mulher professora de ética, também se despiu ficando agora com a alma nua!

etosha1.jpg  Quanta gente também naquele ano de 1975, se despiu de vontade ficando também com a sua alma nua! Ela, a osga engasgou-se de tanto rir; por momentos até pensei que gozava comigo - já quase pronto a atirar um chinelo à sua figura, parei quando ela retorquiu: - Não quero falar desse tempo; durante muitos anos fui professora de estória num centro de recuperação de mutilados e, posso afiançar-te que um homem, ao longo do tempo, ao longo de sua vida, muda muitas vezes de corpo - brancos ou pretos! Frisou piscando-me seu olho vesgo.

INHASSORO 298.jpgHIPOPOTAMOS NO NVUU  LODGE - MALAWI

 Não viste tu, na praça da Revolução o próprio Samora, saudando o vento como um puro Lenine a saudar seu povo? Pópilas, esta osga fala – é inteligente! E continuou: não existe nada de semelhante entre uma larva e uma borboleta e, no entanto há sempre uma larva no passado de cada borboleta!  Pois é, por vezes parece ser bom abandonar o corpo inteiro e trocá-lo por outro. Tenho visto muito disto, sabes! Disse eu. Num repente estava a falar com um jacaré gordo empoleirado no reposteiro. Há coisas tão verdadeiras que até perecem mentiras.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:47
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Domingo, 4 de Novembro de 2018
XICULULU . XCVII

Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…"O cabrito come o capim só do sítio onde está amarrado"  – 04-11.2018

Por

soba15.jpgT´Chingange – Em Moçambique (Bilene)

Estávamos a 28 de Setembro de 2018. Em África e sempre rumo ao Norte, de safari Lodge em safari Lodge, e desde o Choba no Botswana, às margens do rio com o mesmo nome, chegamos a Vitória Falls - quedas do Rio Zambeze e, à boleia do Comandante Vissapa... Também aqui em áfrica, como diz a sombra esquerda de Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó.

INHASSORO 218.jpg É uma superfície oblíqua e ondulante, dependente da memória de cada qual, da saudade das capotas a atravessar a estrada às centenas mais os olongos a dar saltos por cima dos carros. O sol, o ar, a água, e a terra, têm de ser considerados permanentemente parte de nós. O sol é a verdadeira fonte da vida e, ao invés do que alguns conceituados doutorados dizem, ele não é prejudicial.

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Não é o sol que provoca o câncer de pele mas sim os muitos venenos que ingerimos. A terra é um laboratório de vida porque purifica, regenera e dá energia. Andamos a lavar nossas almas, a entender o nunca visto e até ouvir o inimaginável. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções com arrelias, tendo entre outros males o medo como um veneno que num qualquer jeito, terá de suportar as crises cíclicas ou as provocadas pelos homens.

INHASSORO 064.jpg Sendo hoje domingo, 4 de Novembro, aqui estou sentado defronte desta magnifica manhã e, tendo um mar bonito da praia do Bilene do Distrito de Gaza, recordando o ontem recente para não me fugir da memória, falando também com a osga que sempre me olha inchando o papo e, salpicando falas na forma de estalos como se fosse de origem khoisan.

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E, se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque, nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado e, embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não ter tempo para nos olhar de frente. E, foi hoje que visitamos a casa museu de Eduardo Ruiz com uma mulemba radiante mesmo em frente do seu Complexo Palmeiras. Uma amabilidade na forma de gente que fez o favor de nos esclarecer sobre o problema que áfrica atravessa de momento. Também ele quer vender seu Complexo por dois milhões, tendo o banco calculado seu património em oito milhões. Tudo tem um porquê!

INHASSORO 169.jpg Teremos por isso de nos fixarmos na fé, sem aquela inquietude de nos afligirmos com o próximo, ou ficar nesse estranho silêncio, uma forma de ver o princípio do nada, ouvir desaforos e, esperando as mudanças no tempo para os ressecar... Ao longo da costa e, a partir da Cidade da Beira para Sul, vimos lugares bem bonitos, empreendimentos maioritariamente propriedade de Sul-africanos quase às moscas, sub-aproveitados e, em sua maior parte com ar decadente ou simplesmente vetados ao abando.

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Adaptando-nos ao luto do preto, podemos ver que parece também ser branco. A moeda do Zimbabwé é o dólar americano! Emitiram uma moeda assim tipo fotocópia, com o mesmo valor mas só de fingir pois que só é válida aqui. Não tem qualquer silhueta de gente – só 3 pedras encavalitadas… As notícias da Internet vão dizendo que o país está empenhado com os chineses e que estes a qualquer momento, irão tomar conta de algo para recuperar o empréstimo. Também tivemos de comprar gasolina em tambor de plástico porque as bombas não tinham...

INHASSORO 193.jpg  A China emprestou bilhões ao Djibouti, que não conseguiu pagar, por via disso a China confiscou o porto nacional como garantia de pagamento. Também fez um empréstimo às Maldivas e esta não lhes conseguiu pagar; por isso mais de 38% das estâncias turísticas que eram pertença do estado, agora pertencem à China.

INHASSORO 352.jpg O Quénia viu 70% dos seus recursos minerais, minas passarem para controle Chinês, porque foram incapazes de pagar a dívida. E, estando aqui em Moçambique será legítimo perguntar o que acontecerá senão pagarem a divida bilionária à China? Por tudo o que vi, quase posso apostar que África vai passar para os chinocas – É só uma questão de tempo…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:19
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Sábado, 27 de Outubro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCVIII

NAS FRINCHAS DOS BURACOS27.10.2018

Por

tonito19.jpg T´Chingange – Em VILANKULO de Moçambique

Esta odisseia de “potholes” tem sido permanente e, aqui em Moçambique foi mais evidente entre Tete e Chimoio e depois entre Chimoio que fica perto da reserva Gorongosa e Inhassoro e, por cerca de 420 quilómetros. Um autêntico desespero com falésias nas margens roídas de fazer virar carros com buracos sucessivos de não deixar alternativa; só mesmo passar devagar, devagarinho.

INHASSORO 149.jpg Nos escassos quilómetros com piso bom, lá estava a polícia para exercer sua autoridade. Fizeram-nos alto e mostraram a máquina parecida como um megafone a marcar 85 Km em luz vermelho. Pois! O senhor vinha a mais de sessenta, tem de pagar multa! Fiquei fulo depois de andar tantos quilómetros com o eminente perigo de ficar ali numa qualquer pothole! Saí fulo do carro e disse que era um desaforo armar tocaia na única recta com bom piso em 420 kms.

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Cá por mim não pago nada! Saí e, sentei-me no muro da Vodacom, um mukifo promovido a quiosque entre milhares pintados de vermelho e pertencente à empresa de celulares telemóveis! Um negócio que deve ser bem próspero, pois toda a gente tem um micro-ondas por onde se pode falar! Estando em um país tão pobre, tem-se a noção de que os galifões das multinacionais da comunicação ganham avondo!

INHASSORO 401.jpg Deveria sim, sermos indemnizados por tal estado das estradas pois que pagamos seiscentos randes de seguro para circular em segurança e a protecção não é nenhuma! Se cair num buraco, o estado de Moçambique paga!? É? Perguntas àtoa de sem resposta. Na passagem da fronteira esmifraram-nos na troca de dólares. É o sistema, disse o chefe fardado em polícia de fronteira com divisas de sargento cromadas e porte impreterivelmente prepotente! Chama-se Nico e foi inflexível em não aceitar randes nem meticais, a moeda nacional; nem dólares surrados ou sujos. Pópilas!

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Esperamos mais de cinco horas pelos vistos que na forma de selos seriam colados no nosso passaporte! Viriam de Tete… Não havia sala de estar e lá nos acomodamos em um muro debaixo de uma árvore frondosa. Entretanto consegui comprar 50 dólares americanos; era quanto nos faltava para completar o total para pagar o visto de quatro pessoas – era um bafana bem-falante corrector cambista, um grande filho-da-puta que sabendo me deu 50 dólares velhos, surrados - por 850 randes!

INHASSORO 397.jpg No acto de entregar o dinheiro ao funcionário Nico este disse não poder aceitar estas notas sujas! Estava para explodir mas, e agora!? Procurei o filho-da-puta cambista vestido de negro mas nem pó! Sistema mais kazukuta este de ganhar dinheiro aldrabando o turista com conhecimento das autoridades da mututa… Não encontrando o aldrabão tive de comprar dólares novos e limpos pela módica quantia de 1000 randes!

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Se vocês estão indignados, poderão calcular como me podia sentir mesmo tendo Vissapa o comandante desenrasca situações mais macabras ali ao lado! Vissapa só barafustava e disse até que iria descrever às notícias do mundo estes desaforados entretantos: - Senhor Nico,  fique ciente, sou jornalista e vou descrever estas arbitrariedades para o mundo!

INHASSORO 394.jpg Resposta da autoridade supra numerária de nome Nico: - Fale o que quiser! Pois, se ele não falar já aqui vai no meu jeito de contador de estórias e sem coturno nos areópagos internacionais como nosso comandante! Aquela multa da única recta no troço de Chimoio a Inhassoro passou a gasosa de 1000 meticais sem direito a recibo… Paguei a minha parte sob protesto e juro que irei apresentar reclamação ao Ministro das Obras Desfeitas desta terra tão bonita e tão mal gerida – melhor, irei pedir sua demissão.

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Vou ver se despacho minhas notas velhas e sujas aos jangadeiros que nos irão levar à ilha de Bazaruto mesmo em frente do Lodge Samara, pertença do senhor Paulo Baptista, um moçambicano branco que aqui estabeleceu seu bivaque de vida. A praia estende-se até bem longe e a vista do mar para terra é paradisíaca. Ué! Com palavrões dentro da cabeça, tento reconstruir minha disposição com estranhos nomes esvoaçando, mijando raiva de mim aos poucochinhos, buscando novidades sem figas nem juras por sangue de Cristo porque quem anda por gosto nunca cansa! Assim deveria ser mas, noé!

INHASSORO 385.jpg Mas, sempre há um mas – porque em outros tempos tive mesmo de espreitar minha vida pelo cano de meu canhangulo em Muquitixe; uma vida estriada numa Angola em que as verdades só cheiravam a mentiras; melhor - Ainda cheiram! Assim lixado, tento andar engalanado com bandeiras de capulanas só para fingir coisas mais coloridos. Entre grandes excitações, alegrias e nervosismo de dar volta às novidades da Nacional Geográfica, cheiro os ventos que do índico me trazem rolos de cheiro; cheiro de tabaco.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:12
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO16.10.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange – Em Monkey Bay do Malawi

O lago é uma surpresa para todos. Uma imensa extensão de água doce a banhar Moçambique, Malawi e Tanzânia. Por terra, andamos vendo um deslumbrante espelho de água até chegar aqui a Monkey Bay na parte Sul do Lago e no lugar de alcon cottage, um lodge de um indiano com piscina e árvores frondosas com o nome de Juliette. Sereno, selvagem, tranquilo, invade-nos com uma misteriosa paz e invulgar quietude.

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Da superfície das águas elevam-se nuvens em espiral de transportar kiandas do kalunga. Um mistério que vai alimentar muitas conversas, originar escritos de sonhos com danças de boas vindas ao Niassa! E em Sitima de Nkhotakota, uma casa feita de assombro e restos dum barco encalhado com o nome do capitão Steve, um barco que parece ter andado por aqui em tempos de segunda guerra mundial; são as fantasias de Vissapa que recordam estas coisas escondidas em seus sonhos.  Almoçamos na sala do capitão mas este, não apareceu naquela forma de olho tapado e perna de pau…

Niassa1.jpg Andamos de sítio em sítio sem vermos o tal de “Ilala Boat “ que dizem andar pelo lago tendo no 1º andar os turistas bazungus carregado de máquinas e binóculos e edecéteras com canivetes de Mack Guiver com mais de dez aplicações e um colete com bolsos secretos para guardas shillings, dólares, randes ou kwachas; no andar inferior os que vivem nas margens do Niassa e que tem de transportar galinhas, mandioca e peixe seco t´chissipa.

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Um barco que sempre nos traz à memória "A Curva do Rio" de V.S. Naipaul e também do Peter Pan… A divisão das fronteiras tem coisas surpreendidas; daqui não se avista a costa do Moçambique - o lago parece ter mais de 80 quilómetros de largura. Falam de uma ilha de nome Likoma terra de kiandas sábias que curam mazelas fazendo trepanação com seus dedos muitos dedos mas nós, só pensamos por agora ir à ilha de Bazaruto em frente a Inhassoro já na costa do Oceano Indico.

niassa4.jpg Antes disso teremos de esperar os carimbos nos passaportes – vistos de saída e de entrada para alimentar o sofrimento da burocracia com papel avondo. Mas, a paisagem com imbondeiros esmaga estes problemas formais. Algures ao luar e, na areia aqui junto ao lago ouviremos do outro lado da enseada rumores do canto do Niassa, um grupo de miúdos que junto à fogueira soltam a voz mas nós daqui só podemos ouvir. Já os vimos passar em carrinhas de caixa aberta cantando seus domingos de Pentecostes e aleluias de Cristo de Salima.

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Este grande lago africano está localizado no Vale do Rift, com uma orientação norte-sul, o lago tem 560 km de comprimento, 80 km de largura máxima e uma profundidade máxima de 700 m. Os estudiosos, dizem ter sido a origem da junção de uma grande ilha separada de áfrica que aqui se juntou originando os grandes lagos do centro de áfrica. Tem uma área estimada de 31 mil quilómetros quadrados, dos quais 6 400 são território moçambicano.

niassa2.jpg Na língua chinyanja (ou chinhanja), falada na orla moçambicana do lago, Niassa significa "lago", tal como o próprio nome do povo que usa aquela língua, os Nyanjas, significa povo do lago. Em chichewa, uma das línguas do Malawi, a palavra malawi significa o nascer do sol, visto que, estando a ocidente do lago, é dessa forma que os malawianos vêem nascer o dia, sobre o lago.

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É um lago único no mundo por formar uma província biogeográfica específica, com cerca de 400 espécies de ciclídeas descritas endémicas. O nível da água varia com as estações do ano e tem ainda um ciclo de longa duração, com os níveis mais altos em anos recentes, desde que existem registos.

niassa3.jpg Vamos em seguida em direcção ao Parque Nacional do Lago Malawi, abrangendo a extremidade sul do lago, uma dúzia de ilhas, uma região de reserva florestal e uma zona aquática até 100 m da costa que foi inscrito pela UNESCO em 1984 na lista dos locais que são Património da Humanidade.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCV

A HISTÓRIA ANTES DA HISTÓRIA – 09.10.2018

- LUZIA . UMA HISTÓRIA COM 3 MILHÕES DE ANOS…

Por

soba15.jpg T´Chingange – Na Tanzânia (M´Bilizi)

- As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local, nus e ateus… A ESPERANÇA é a fronteira que consegue manter a condição social e financeira de pobres, pensando ilusoriamente de que um dia, o euro milhões o fará rico e assim, comprar uma vivenda em Dar es Salaam…

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Antes da escrita, há outras histórias que explicam as origens do ser humano. É a história, antes da história. Desde o Cabo e, desde à um ano atrás (2017) numa viagem a 40 quilómetros à hora em comboio Xoxolosa e, sempre para Norte, de novo recomeço viagem ao sonho nesta data da graça e, a partir de 20 de Setembro de 2018 em um Nissan todo o terreno a partir de Johannesburg.

IMG_20170823_114812.jpg Na companhia de Reis Vissapa, o comandante da expedição Potholes, eu, Guida e Ibib, todos na fasquia dos setenta e mais uns anos, damos largas às nossas dipandas largando desaforos por essas estradas muito cheias de Potholes… E, desde Johannesburg acampamos em Sun City; depois seguimos pelo Botswana muito cheio de burros, cabras e sanzalas… Tivemos um momento alto no Choba vendo manadas de elefantes e muitos outros antílopes.

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Seguiu-se o Zimbabwé cruzando a fronteira para Cataratas Victória, outro momento alto apreciando o variado artesanato, as tormentosas águas do Zambeze e a ponte de Livingstone aonde também passa o comboio transafricano de Tanzânia ao Cabo; aliás, a linha deste comboio viu-se sempre ao longo das vias em que seguimos, vias com milhares de camiões transportando ferros, açúcar, farinhas e combustível.

bessangana4.jpg O primeiro desaire foi a não travessia do lago Kariba e, indo ao engano, andamos uns bons duzentos quilómetros para cada lado para saber que o dito-cujo ferry dos sonhos, não faria viagem durante todo o mês de Outubro mas, sempre há um mas, ficamos no lindo lago num lodje por dois dias pagando 3600 randes, um puco mais de 200 euros sem matabicho. Aqui Vissapa pescou um minúsculo peixe tigre.

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Nova tormenta ao passar a fronteira da Zâmbia - mais enfrentar a indisciplinada urbe de Lusaca e, aos tramos de 400 quilómetros, lá continuamos refilando com tantas Potholes na estrada até chegarmos a M´Pika aonde ficamos por duas noites. No dia 8 saímos bem cedo de M´Pika para alcançar a fronteia a uns 350 km. Demoramos mais de sete horas por via da estrada ser apertada, com bermas quase falésias e, Potholes aos milhares.

IMG_20170719_153425.jpg Mais dor de cabeça ao passar a fronteira da Zâmbia para a Tanzânia na povoação de Tunduma. A mesma confusão de dinheiro e os 3 ou 4 bafanas a ajudarem para se fazer à gasosa do T´Chindere, dos Muzungos que eramos nós. Um Euro aqui, equivale a 2.637 shillings ou um Rand igual a 155 shillings. A fim de fazer a conversão rápida temos que 10000 shillings correspondem grosseiramente a 3,80 euros (ou 4 €, com folga deficiente) …

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Neste agora e, estando no Coffe Lodge a uns 80 Kms dentro da Tanzânia, mais propriamente em M´Bilizi, recordarei aqui a antiga história de Luzia da Tanzânia, os indícios dos primeiros primos de nossa existência. Os arqueólogos, descodificando achados recentes, analgizaram com testes de carbono outras supostas verdades. É assim a história surge-nos por camadas connosco no topo.

zanzi11.jpg E, foi assim que olhando pinturas rupestres o dinamarquês Peter Lund, descobriu em meados do século XIX, 12 mil fósseis, um cemitério de 30 esqueletos humanos ao lado de mamíferos de grande porte do tipo gliptodonts, uns tatus com cerca de um metro de altura. A estes achados, foi designado o período da pré-história.

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Em 2002, com técnicas mais sofisticadas e fidedignas, confirmaram o evidente, gentes vindas de África Central e do Sul, acerca de 7 milhões de anos, atravessaram pelo sul do Mediterrâneo, a seguir a Ásia e através do estreito de Bering desceram desde o actual Alasca à América Central, chegando consequentemente ao Brasil que hoje se conhece e de onde o Dinamarquês referido fez alusão.

himba6.jpg Na década de 1997, encontraram um crânio feminino com cerca de 11.500 anos; referiram este achado com o nome de Luzia, uma mulher dos seus vinte anos, olhos grandes e nariz achatado do tipo negróide. O terem chamado de Luzia a estas ossadas, é uma evidente referência ao fóssil de mais de três milhões de anos encontrado na Tanzânia em 1974, de características muito próximas àquele  achado arqueológico da Lucy…

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Foi sem dúvida o início da caça ao tesouro a comparar com as novas modas de Indiana Jonas. Machados e artefactos indicam que eles, os pré-históricos manos e primos de Luzia, viviam na idade da Pedra Polida entre 12 mil e 4 mil anos antes de Cristo. Somos, em verdade, ainda, um enigma indecifrado e, andando por aqui baseado em palpites, cruzamos dezenas de informações para irmos ao encontro de novas ilusões. Ontem e hoje, nosso Indiana Jonas chama-se Reis Vissapa…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:31
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Domingo, 7 de Outubro de 2018
XICULULU . CXV

VICTÓRIA FALLS – 06.10.2018

COMO ACONTECEU…

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Em Mpika da Zâmbia

Depois de Livingstone  ter chegado a Victória Falls depois de Silva Porto, e a dar conhecimento ao Mundo, houve curiosidade por parte de muitos cientistas que ali quiseram ir; também houve a preocupação em criar condições de receber daí para a frente outros visitantes curiosos que, tal como nós, ali fomos 118 anos depois na odissia do Comandante Vissapa.

fotos ZÂMBIA 030.jpgNesse então, em 1904 a linha férrea que liga agora o Cabo ao Norte de África ainda estava por fazer e, foi com a chegada da via-férrea que esta parte do mundo se tornou acessível a todos os visitantes. Esta ideia já tinha sido concebida por Cecil Rhodes já falecido no ano de 1902 mas, o personagem essencial neste projecto britânico de construção do caminho-de-ferro a ligar o Cairo, no Egipto, ao Cabo, na África do Sul; Sonho nunca realizado.

Tombo1.jpg A ponte de Victória das cachoeiras veio a ser construída em apenas 14 meses pelos homens da Cleveland Bridge Co de Darlington, tendo sido aberta ao tráfego no dia 12 de Setembro de 1905 na presença do Professor Darwin, filho do famoso cientista Charles Darwin.

victória falls 006.jpgReis Vissapa e esposa Margarida

Charles Robert Darwin, foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e, propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da selecção natural e sexual. Seu filho com o mesmo nome, não deve ter perdido muito tempo tal como o pai lá nas ilhas Galápagos porque por aqui  tudo está na mesma! A única diferença são umas torres no alto dos morros para que alguns se comuniquem, umas estradas entupidas de camiões e muitos policias a fotografarem-nos para as multas. Tudo a bem da nação. Deve ser!

victória falls 032.jpg Neste fim do mundo aonde a paisagem é toda muito igual, árvores que parecem secas e de vez em quando umas quantas mais verdes, surgem-nos ideias no meio de milhares de teorias sociais que parecem não funcionar aqui. E, vem o Botswana, o Zimbabwé e a Zâmbia aonde os brancos muzungus surgem como agulha em palheiro. 

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Tanta terra sem ninguém, um tão escasso aproveitamento e as moléculas da mente a se encavalitarem no espaço-tempo quântico dando novas formas ao pensamento. Porquê!? Porque será que todos ajudam e, isto anda assim tão letárgicamente? Na Zâmbia nada de animais em estado selvagen a atravessar a estrada a não ser ovelhas e cabritos. Nem uma galinha de d´angola! 

victória falls 020.jpg E, aquele choque do futuro do Alvim Tofler, escritos dos ocidentais fica aqui retraído ou não mencionado em uma qualquer lista de anormalidades psicológicas; Não há booking a catalogar este fenómeno na terra negra aonde o nada, parece dar lugar a outro nada. Um conjunto de casas a fazer um sítio com palhiças a contornar o pátio com uma planta que nem é comestível; vassouras penduradas a varrer os terreiros de argila vermelha – um evidente artefacto a indiciar qualidade de vida. Uns montes de lenha ao longo das bermas para realizarem a compra dum quilo de maiz. Semanas de espera  num pudera que seja. Será!

fotos ZÂMBIA 035.jpg Tornamo-nos progressivamente incapazes de entender de modo racional este ambiente, até entender o factor da vida assim sem nada, casa sem chave, sem bairro, nem muros nem água canalizada. E, então porquê surgirão no mundo terroristas e anarquistas que por debaixo de suas flanelas ou zuarte, sempre serão inconformistas e outros, mais decentes com colarinhos abotoados ao jeito de, pastores do sétimo e todos os outros dias. Aonde estará afinal a felicidade! Alvim Tofler também não veio aqui certamente!

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Nos dias de hoje libertamos uma força social totalmente nova, uma mudança tão acelerada que influência o nosso próprio sentido de tempo, revolucionando nossa vida quotidiana que afecta naturalmente o modo de como sentimos o mundo à nossa volta. Lá pelas europas tão cheia de filosofias, teorias e principios, assim escrevia uns dias atrás e, agora aqui vejo que o tempo parou, nada disto é lógico; nada disto faz sentido!

fotos ZÂMBIA 039.jpg Tudo são falas para deitar fora… Aqui só é necessário um par de roupa, um enxergão, um saco de maiz e uns peixes minúsculos do pântano com dois tomates em refogado de cebola. Aqui não há isso de instabilidade, nem cotações de bolsa. Tudo está nos conformes; na paz do Senhor! Neste estado sempre transitório afectaremos forçosamente nossas relações com as demais pessoas e o resto do mundo. Podera ser esta a pré-modernidade? Quem irá saber ao certo… se, nem Darwin o falou!…

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:03
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2018
MU UKULU – II

MU UKULU ... Luanda do Antigamente - 03.09.2018

Neste e próximos episódios vamos dar uma volta pela Luua reavivando memórias do baú do kota Luís Martins Soares com adendas também elas minuciosas de T´Chingange…

De

luis49.jpgLuís Martins Soares No Brasil

soba15.jpgAs escolhas de  T´ChingangeNo M´Puto

Foi com grande satisfação que recebi uma mokanda no ano de 2017 do meu amigo kota, mais-velho da Luua residente no Brasil dizendo ter escolhido o título por mim indicado para seu livro de “Mu Ukulu”. No dia dois de Agosto de 2018, autografou seu livro que me foi remetido recentemente por correio pela amiga comum Assunção Roxo. A pintora mais fosforescente da EIL por nós reconhecida mestra em pintura digital e, que teve o privilégio de o contactar lá na terra grande da "ORDEM E PROGRESSO" no lugar de Sampas do Rio de Janeiro – Brasil.

diogo1.jpg Os relatos verídicos de Luís Martins Soares são uma contribuição para todos aqueles que se interessam por saber como em outros tempos era o dia-a-dia naquela cidade de Luanda entre seus habitantes camundongos, muxiluandas ou mwadiés do M´Puto, que com o tempo, passaram a considerar aquela terra como sua. Algo valioso para nos preencher o vazio que a saudade alimenta e, também para todos aqueles que contribuíram de alguma forma para a valorizar. E, assim mesmo, completando ou não um sonho acalentado pela maioria mas e, na qual a estória para alguns, ficou sem o agá!    

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Angola foi uma Nação que como tal já nasceu feita, burilada na labuta por alguém. Este e alguém, fomos todos nós, angolanos do coração. Dizeres que só o tempo reconhecerá como sendo verdadeiros e, porque neste nosso curso de enfrentar os conhecimentos com verdade, todos os dias serão uma prova à adaptabilidade humana com o manuseio de instituições e gentes que nos governam ou governaram. Sempre foi assim e assim continuará a ser!

diogo3.jpg No nascimento de Angola, teremos forçosamente de modificar nosso caracter de existência para aprender esta permanente transitoriedade pois que sempre seremos um fruto de mudança. A aceleração do conhecimento é uma das mais importantes e talvez a menos compreendida de todas as formas sociais e, que naturalmente abala as nossas instituições e a nós mesmos. O ritmo crescente de mudança perturba o nosso equilíbrio interior e, até modifica a própria maneira de como experimentar a vida acelerando a integridade de cada qual. Mas diga-se em abono da verdade, é difícil ficar-se indiferente…

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Esta aceleração de mudança que foi longa e lenta, teve quinhentos anos de complicada vivência mudando muito a estrutura de nossas vidas, na vida de nossos ancestrais, diversificando-nos nas formas que temos de representar e o número de papéis com uma inerente opção de obrigatoriedade. Assim, a breve resenha de cariz colonial de Luís, tem início a 3 de Maio de 1560 com a chegada à baia de M´Bungu de Paulo Dias de Novais sua primeira viagem, tendo sido preso por alguns anos no reino de N´Dongo. Em uma segunda ida, a 11 de Fevereiro de 1575, Paulo Dias de Novais, já encontrou 40 portugueses estabelecidos e com sete embarcações fundeadas na baia da Luua.

diogo5.jpg Aquelas naus eram destinadas ao transporte de escravos, uma prática social e comercial corrente entre tribos negras daquela parte do mundo, reinos de N´Dongo e N´Gola; a necessidade passou a partir daqui a ser gerida com coisa pouca - como um negócio de búzios, zimbros, caurins e libongos como mão barata para os novos empreendimentos agrícolas nas américas – o chamado Novo Mundo em terras de Brasis.

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Era a nova era do Ouro Branco, do açúcar a ser extraído da cana a que se lhes seguiu a cultura e manufactura do cacau, do café, do garimpo, afazeres menores a troco de comida de sarapatel, muitas chicotadas e nenhures da vida. Numa labuta diplomática de encantamento o rei N´Jinga N´Gola também conhecido por Kilwange Kazenda, envia uma amistosa embaixada a Paulo Dias a 2 de Junho de 1575 – era em verdade uma forma de iniciação comercial com os Mwene-Putos, donos da sabedoria e portadores do pau-trovão que cuspia fogo.

adam2.jpg Foi neste então que ali montaram bivaque fundando a vila de São Paulo de Loanda; isto a 25 de Janeiro de 1576. Aquela vila teve início na forma de fortificação no morro de São Miguel composta por trincheiras de pipas cheias de areia e, por forma a guarnecer o lugar de acostagem ou precário porto, local aonde se situavam as naus – baia de Loanda e à distância protectora de peças de canhão situadas no bivaque-trincheira; com a água batendo no sopé do Morro as naus estariam à distância de um grito de marinheiro e tiro de arcabuz.

diogo6.jpg A 24 de Agosto do ano de 1641 aparece ao largo da larga embocadura da baia entre a ilha da mazenga ou das cabras e as falésias do M´Bungu, lugar designado mais tarde por Barra de São Pedro, uma poderosa armada composta de vinte e uma naus e dois mil homens de tropa flibusteiros, arqueiros cobertos de metais e portando arcabuzes de cuspir fogo, cavalgaduras e peças de troar ventos para além da guarnição. Entra-se num outro capitulo - o tempo dos Mafulos ou Holandeses enviados a propósito para conquistar terras de N´Gola. O M´Puto estava agora debaixo do mando dos Filipes de Espanha – Filipe I era o novo monarca da terra Metrópole…

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Sábado, 2 de Junho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXV

DESCOLONIZAÇÃO DO IMPÉRIO  DO M´PUTO . SINTESE – II

DESCOLONIZAÇÃO - (Continuação)

kimbo 0.jpg As escolhas de T´Chingange

Porcanhot1.jpg António José Canhoto...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna...

Quando escrevi o texto (Síntese.I) sobre o titulo em epigrafe escalpelizando o papel de Mário Soares no processo de descolonização não pretendi ilibar todos aqueles que no palco deram a cara, mas sim acusar todos aqueles que permaneceram por detrás da cortina puxando os cordelinhos ou fazendo o papel de “PONTO” que é aquele que escondido num alçapão do palco lembra aos artistas as suas falas e deixas do texto ou guião da peça.

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No caso da descolonização a peça deveria ter tido pelo menos 3 actos, mas infelizmente tudo se resumiu a um só, tendo os artistas sofrido uma enorme pateada e insultos vendo-se obrigados a abandonar o teatro pela porta do cavalo tendo sido ao longo de 40 anos vituperados pelo seu catastrófico desempenho. Não me compete a mim escrever a história sobre essa mancha negra que ensombra o período politico que Portugal atravessou entre 1974 e 1975, contudo quem já o fez de forma isenta foi-lhe fácil encontrar os responsáveis.

vasco gonç.0.jpg Quando iniciei a feitura do texto, já pressentia que iria abrir uma “Caixa de Pandora” e muita gente se iria atirar a mim como gato a bofe. Surpreendentemente o texto foi bem aceite pela grande maioria, mas houve pessoas que o descontextualizaram sem terem tido a capacidade de separar a missão politica de que Mário Soares foi incumbido de realizar atribuindo a este senhor todos os problemas pessoais que afectaram os “colonos” na sua generalidade.

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A minha crónica foi feita depois de muita reflexão e pesquiza e para quem não saiba o processo de descolonização foi desenhado pelo ideólogo do grupo dos 9 o major Melo Antunes que foi a eminência parda marxista do Movimento das Forças Armadas (MFA). Óbvio que a grande maioria dos retornados teve de encontrar alguém para descarregar as suas frustrações e Mário Soares foi o homem escolhido como ministro dos negócios estrangeiros do governo provisório bem como António de Almeida Santos ministro da Coordenação interterritorial, para darem a cara como forcados e pegarem os 2 touros mais perigosos de nome Angola e Moçambique.

spi0.jpg Em consequência de os touros terem sido mal lidados e estarem ainda cheios de energia ambas as pegas falharam e os touros desembolados ficaram incontroláveis. Os pegadores viram-se forçados a arcar com todas as responsabilidades de uma “corrida” programada em cima do joelho e a martelo sem acautelar a integridade física dos aficionados. Em 22 de Fevereiro de 1974 O general António de Spínola publica o livro "Portugal e o Futuro" pouco mais de um mês depois de ter sido empossado como vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

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As páginas do livro abriram um fosso de incompatibilidade com o primeiro ministro da altura Marcelo Caetano que afirmou tratar-se de um verdadeiro "manifesto de oposição" ao regime e de um golpe militar anunciado o que efectivamente veio a acontecer semanas depois. Na sequência da publicação do "Portugal e o Futuro", e perante a recusa dos generais Francisco da Costa Gomes e António de Spínola, os dois principais chefes militares do país em prestar vassalagem a Marcelo Caetano, tanto Spínola como Costa Gomes são demitidos a 14 de Março.

soares1.jpg A 25 de Abril de 1974 os capitães do Movimento das Forças Armadas levam a cabo o golpe militar que liquidou o regime do Estado Novo tendo escolhido uma Junta de Salvação Nacional para preparar a transição do país para um regime democrático. Na madrugada de 26 de Abril de 1974 Spínola é anunciado como chefe da Junta Militar e, a 15 de Maio, toma posse como primeiro Presidente da República do pós-25 de Abril.

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A História e o movimento revolucionário avançaram muito rápido para uma esquerda marxista radical contra a qual Mário Soares ferozmente lutou. O livro publicado por Spínola constituía um poderoso repto ao regime do Estado Novo. Basicamente afirmava que as guerras coloniais, que duravam desde 1961, não tinham solução militar, sendo imperativo que a Nação debatesse o problema. Spínola tinha ideias muito concretas de como o processo de descolonização se deveria processar as quais dissecou pormenorizadamente no seu livro.

rev8.jpg Spínola acaba mais tarde por se demitir como Presidente da Republicam quando se sente atraiçoado pelos seus camaradas de armas e pela forma de como o processo revolucionário e de descolonização que tinha sido esquematizado por Melo Antunes o qual o grupo dos 9 pretendia implementar. O traidor não foi Soares, mas sim a Junta Militar e o governo provisória infestado de esquerdistas comunistas, que governaram Portugal a seu belo prazer tendo em Vasco Gonçalves o seu expoente máximo.

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A situação só começou a mudar quando a feitura da nova Constituição Portuguesa deu origem às primeiras eleições livres em Portugal, as quais só aconteceram em 25 de Abril de 1975 para a eleição dos deputados para a Assembleia Constituinte. Conforme disse no meu texto (Sintese.I) todo o processo de descolonização foi uma aberração e as consequências do mesmo devastadoras e traumáticas, mas esse não foi o objectivo do meu texto, mas sim desvendar quem puxou os cordelinhos fazendo de Mário Soares e os seus pares os peões de brega, aos quais foi incumbida a triste sina de levar a cabo uma tarefa odiosa que todos sabíamos pelo andar da carruagem que iria acabar mal.

rev7.jpg Os verdadeiros traidores de Portugal não aparecem nas fotos de Argel, Lusaca ou Alvor, por ocasião das assinaturas dos acordos ou tratados de independência. Sejamos honestos e não assaquemos culpas nem manchemos com o labéu de traidores ou ladrões todos aqueles como Almeida Santos, Costa Gomes, Mário Soares e outros que pelas funções governativas que ocupavam ao tempo personificaram a função de carrascos no processo de descolonização.

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Todos os países com impérios coloniais Inglaterra, França, Holanda e Bélgica concederam as suas independências no principio dos anos 60 e hoje têm óptimas relações com os países que colonizaram, infelizmente os nossos políticos não tiveram a mesma visão e prolongaram no tempo e no espaço um desfecho que a partir de 15 de Março de 1961 passou a ter os dias contados.

António Canhoto 12-1-2017



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:21
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXIV

DESCOLONIZAÇÃO DO IMPÉRIO  DO M´PUTO . SINTESE - I

::As escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto...  Um polémico cronista saido da Luua, que tem o diabo à perna...

Todos os portugueses, onde me incluo, que viveram nas ex-colónias portuguesas e que sofreram na pele o processo de descolonização, atribuíram as culpas ao ministro dos negócios estrangeiros da altura Mário Soares que se finou há um ano, para gaudio de muitos dos retornados e para pesar de muitos democratas. Foi Mário Soares pelo cargo que ocupava na altura que carregou e conduziu o referido e complicado dossier do processo de descolonização que ficará como uma das mais tristes nódoas na história de Portugal.

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As tendências ideológicas marxistas que o processo revolucionário em Portugal atravessou não auguravam um desfecho feliz para os residentes nas províncias ultramarinas. A pressa era muita e, de modo que Mário Soares foi encarregue de atalhar e encurtar caminhos e forçado a abreviar o calendário das independências para o ano de 1975.

áfrica19.jpg As conversações para esse desiderato começaram de imediato com os líderes dos movimentos independentistas das colónias Portuguesas em Africa, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola tendo como interlocutores Luís Cabral, Samora Machel, Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi. A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC que foi reconhecida pela comunidade internacional, mas não pela potência colonizadora o que só aconteceu nas negociações de Argel em 25 de agosto de 1974, seguido de Moçambique em Lusaca a 7-9-1974 e do Angola no Alvor a 15-1-1975.

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Logo que Angola e Moçambique obtiveram oficialmente as suas independências instauraram um regime de partido político único pró-soviético, enquanto em Portugal, o modelo socialista pós-revolução era progressivamente abandonado, dando lugar a um regime democrático. Só um tolo ou imbecil poderia pensar que seria possível a manutenção de uma guerra colonial em 3 frentes até aos dias de hoje, para assegurarmos a continuidade dos privilégios de alguns em África intemporalmente.

ama3.jpg Os grandes coveiros e responsáveis da repatriação dos mais de 750 mil portugueses naturais e colonos que ao tempo residiam em Moçambique e Angola não foi Mário Soares, mas sim, Salazar e Marcelo Caetano, pois a descolonização das nossas colónias deveria ter sido iniciada nos finais dos anos 50 antes de se ter iniciado o terrorismo em 15 de Março de 1961 em Angola pela UPA, em 24 e 25 do mesmo ano em Setembro pela Frelimo em Moçambique e finalmente em 23 de janeiro de 1963 na Guiné.

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Se o processo de descolonização tem sido feito atempadamente de forma ordeira cívica e civilizada assegurando a permanência dos europeus nas colonias, a revolução do 25 de abril de 1974 apenas tinha tido efeitos práticos ou visíveis em Portugal continental. Mário Soares estava manietado e limitado pelas directrizes imanadas pelo Conselho da Revolução e pelo desejo que os militares tinham em baixar as armas o mais depressa possível e abandonar África á sua sorte.

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O governo provisório da altura em Portugal estava em conluio com os líderes independentistas uma vez que defendiam a mesma ideologia politica, portanto Mário Soares muito pouco poderia ter feito para alterar o “status quo” dos eventos catastróficos que o processo de descolonização atravessou. Mário Soares foi um intermediário facilitador que seguiu um programa que lhe foi imposto, mas não o ideólogo do mesmo.

dyo2.jpg Eu sei e compreendo que a grande maioria dos retornados atribuem a Mário Soares toda a culpa da descolonização, pois acabou sendo o bode expiatório e o alvo mais fácil para arcar com as culpas devido a sua liderança nas negociações. Do contexto político vivido em Portugal destaca-se a divergência entre o então Presidente da República (PR), António de Spínola, e a Comissão Coordenadora (CC) do MFA em relação ao modelo de descolonização a seguir e que teve repercussões negativas nos processos de negociação e nos posteriores acordos de independência com os movimentos independentistas.

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A descolonização portuguesa dos territórios ultramarinos em África constituiu um dos aspectos centrais da política portuguesa após o 25 de Abril, tendo tido consequências sociais profundas em Portugal. Quando Mário Soares entabulou negociações com os líderes nacionalistas de Angola e Moçambique com vista á independência dessas colónias fazia parte como ministro dos negócios estrangeiros de um Governo de Transição empossado pelo MFA sem a legitimidade do povo português, pois ainda não tinham havido eleições gerais em Portugal nem sequer tínhamos uma nova Constituição aprovada que lhe outorgassem a legitimidade para assumir essa decisão histórica particularmente nos moldes em que foi feita.

spi3.jpgMARIO1.jpg Não tenho a veleidade, ousadia ou arrogância de colocar Mário Soares sozinho no banco dos réus, nada me move pessoal ou particularmente contra a sua pessoa, muito embora tenha deixado em África terra onde nasci tudo o que construí com o suor do meu rosto. Tenho a capacidade de separar o trigo do joio e fazer uma análise lucida e racional dos acontecimentos sem cegueiras ou fanatismos e atribuir as responsabilidades históricas a quem de facto as teve 20 anos antes de 1975, bem como no período pós-revolucionário. Se Portugal tem tido líderes com visão estratégica e politica para terem iniciado o processo de descolonização na época adequada teriam preservado a permanência e a continuidade de todos os colonos suas famílias e descendentes nesses territórios.

(Continua…)

António Canhoto 11-01-2017



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:22
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2018
MUXIMA . LXX

UMA ANTIGA MUKANDA

Ando desmilinguido nas falas – 27.04.2018

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Subjugado à nobreza do acaso processei um mar de sensações, novas amizades. Adão, lá no paraíso, comeu a maçã da árvore da tentação; Eva deu-lhe a maçã, o fruto proibido do jardim celestial e, desse pecado original, ficou-lhe um caroço no pescoço que o distingue da mulher na sua anatómica forma. Até hoje ninguém sabe ao certo se era branco ou preto. A Eva sai maltratada coitada! Dizem que foi o assédio de Adão que transtornou o Mundo…

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Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; o ontem fica cada vez mais distante e, o que então era proibido, hoje já o não é mais. Agora temos o FB - É a evolução! Hoje mesmo, bem cedo, disse que a partir de agora não sou mais branco! Branco é a cal do muro da frente! Andam com coisas e leis enviesadas de que chamar preto é ofensivo. Ai é!? E, branco não?

himba1.jpeg Inventaram que o preto agora e, para não ofender vai ser de Afrobrasileiro, Afroportuguês, Afrocantonês; tudo por causa do preconceito. Pois então quero que se refiram a mim e meus filhos como aqueles afrobrancos! Não somos nenhum monte de cal! Quero os meus direitos, talqualmente! Andam para aí a inventar coisas de negatividade porque negro é um monte de carvão e edecéteras muito estapafúrdios. Que nas escolas vão ficar reservados xis lugares para afros e, porque, coisa e tal… Será melhor então no mínimo chamarem-me de euroafricano.

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Sem amigos, é um céu sem andorinhas. Estes governantes andam a chamar nomes ao Adão! Mas, vamos ao que interessa; convosco, exploro os recantos da amizade para fazer da vida um espectáculo. Querendo extrair alegria das pequenas coisas da vida, recusei várias armadilhas duma efémera fama. Fugindo sempre dessa escravidão, mantive a auto estima elevada recusando ser um modelo doentio de snobe imagem dum reflexo petulante.

colo1.jpg Em criança sofria pela timidez exacerbada que tinha; levou muitos anos a sair dessa claustrofobia dizendo a mim mesmo que o pior inimigo que tinha, era eu próprio! Deveria gerir os meus pensamentos de forma a não ter medos mas, nada disso acontecia até conhecer as agruras de se ser emigrante. Falando portunhol e coisas caricatas como gestos os dias correram. Podem imaginar-me fazendo caretas com a língua de fora a espetar dois dedos como cornichos e dizer muuhmuuuhm para pedir um bife de vaca lá nos esteites (EUA).

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No decorrer dos anos, fui dominando a timidez, rindo dos meus anseios e outros absurdos obstáculos, aprendendo sempre coisas novas com uma curiosidade libertadora. O saber não ocupa lugar e, adquirindo isso, soltava a depressiva visão de mim próprio encorajando-me: Tu não és besta! Isto muitas vezes repetido foi ficando verdadeiro…

mutopa2.jpg Que ninguém tenha a veleidade de pensar que pode controlar o ciclo da vida, e muito menos sair vencedor das batalhas que com ela temos desde que somos trazidos ao mundo. Podemos sim, ganhar algumas delas, mas a guerra final, essa sempre a perdemos na hora em que nos finalizamos! Aprendi isto com Canhoto, um tipo a viver no Algarve assim a dar pró anarquista e ateu até ás raízes mais profundas da sua coexistência.

paiva5.jpg Lutar sempre contra qualquer medo, contrariando-o, adquiri tranquilidade no meu registo de memória e emoções. Convosco tenho compartilhado o passado que não se desvia do meu caminho, os sonhos e metas duma simples vida. Rejeito a teoria do esquecimento! Aliás já nem acredito em teorias! Uns querem que seja santo, outros que me faça escritor e outros ainda andam a tapear-me com palavras do um de maio… Encarquilhado num feitiço louco, aproprio-me do vento num qualquer arraial para viver a Kizomba! Estamosjunto!

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:52
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Quinta-feira, 15 de Março de 2018
MALAMBAS . CC

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBELEY –  2ª de IV Partes

- EM VIAGEM NO XOXOLOSA TREM - 28.08.2018Nas frinchas do tempo e atravessando o Karoo, olho o deserto pela janela do mukifo…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estamos a 15 de Março de 2018. Passando a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo, revejo o Karoo National Park da janela e, do lado direito do trem. Viajar neste trem é um restolhar de vivências diferenciadas de outras. Beanfort West deve ser a cidade aonde os farmeiros destas vastas zonas do grande deserto Calahári se abastecem. Poço ver de quando em vez, avestruzes livres correndo, como que fazendo competição com o trem.

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Os semblantes de gente negra daqui têm perfil de hereros, quase brancos há mistura com os khoisans, bushmens magrinhos, baixos e secos de carnes encortiçadas pelo agressivo ar quente do Karoo quando dia e frio de queimar pestanas de noite. Ontem à noite, ao despedir-me dos auxiliares do Rust camp Alfa One de Warrengton, o Mandla chofer sul-africano e do pedreiro Fabiano moçambicano; como agradecimento dei a cada um, uma gasosa de 150 rands (10 Euros).

xoxolosa1.jpg O agradecimento deles foi bem rasgado e o dinheiro foi posto na mão estendida com os dois braços esticados; o esquerdo suportando com a mão, a parte inferior do direito no antebraço. Quem nunca saiu da europa não entende este propósito; isto significa na cultura dos povos bantus respeito e gratidão por quem lhes dá atenção ou admiram. Só por isto, senti-me abençoado…

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Fiquei contente por regirem assim pois que sempre passamos dez dias em proximidade, suportando o frio da noite, a água gelada nos tubos pela manhã, o pôr a trabalhar o gerador entre outras sensações de ouvir os chacais a rir, salvar patos-reais vindo do capim nas bordas dum rio afluente do Orange River. Africanos pretos tendo um patrão também africano, um branco nascido no mato de nome Lourenço, lá nos arredores de Benguela de Angola. Um entre muitos que saíram de sua terra na altura do TUNDAMUNJILA. Até agora nenhum dos mwangolés os convidou a regressar… Gente de túji mesmo!

IMG_20170823_114812.jpg Momentaneamente e por curto espaço de tempo, T´Chingange descendente dos Celtas Lusitanos e Turdetanos, Niassalês por opção, candengue camundongo, Maianguista de bairro na Luua, brasileiro por escolha e Tuga por condição, foi o patrão interino de Mandla e Fabiano.  Via telefone recebi um recado SMS da empresa estatal dos Xoxolosa Trem a dizer que nosso manager da carruagem 9 era o Senhor Silas N´Goiana; o mesmo que nos indicou o mukifo com a letra F.

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Na europa estes procedimentos são abreviados com talões previamente furados antes de entrar na carruagem que depois serão observados pelo revisor. Pois volto atrás para descrever que ontem e faltando quinze minutos para as dez horas da noite, estando vários grupos de pessoas na sala para embarque a senhora do guichet saiu dele para avisar grupo por grupo que o comboio estava nesse momento em Warrengton que fica a uns sessenta quilómetros, região de onde saímos – isso, do  Rust Camp Alfa One.

IMG_20170823_140827.jpg A funcionária fardada a rigor e com chapeu de oficila dos Caminhos de Ferro acrescentou que o Bleu Trem iria demorar uma hora até esta estação de Kimberley; assim aconteceu! Mas estivemos aqui parados uns cerca de 25 minutos pelo que só saiu às 11.20 horas PM ou seja, duas horas mais tarde do que estava assinalado, This is áfrica! Copiaram!

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Aqui tudo é possível e, ninguém reclama; isto confunde qualquer um, até mesmo um cristão da Mauritânia ou testemunha de jeová da Ilhas Maurícias! É mesmo a passividade de quem vive um dia a seguir ao outro, num seja o que Deus quiser. Naquela sala de embarque, eu, Ibib e Ritinha eramos os únicos brancos na cor; Nos dentes eramos todos, aleluia!  Haja Deus, ámen!

IMG_20170823_134528.jpg Isto era-me estranho e, até comentei porque, que se saiba Kimberley nos primórdios e com a descoberta do maior diamante do mundo esta cidade só tinha brancos; claro,  gente vinda de todo o mundo – aventureiros americanos, ingleses, escoceses e até brasileiros. Gente habituada a fuçar a terra com o fito de ficar ricos; a maior parte trocava sua fortuna por uma noite prendada com mulheres que tinham antes do coração duas volumosas mamas a protege-lo…

IMG_20170823_123725.jpg Tal como o Xoxolosa Bleu Trem, tenho de andar lento na descrição da viagem porque se falhar alguns pormenores, ninguém irá achar graça ou interessante. Lá atrás na cidade de Kimberley percorri a cidade de então construída em fins do século XIX ao redor do grande buraco Big Holl. Bem ao jeito do faroeste americano vi saloons, bancos, sapatarias e oficinas com carros e ferradores co mais uma catrefada de coisas que o tempo eliminou. No restaurante pude comer tortilha com Tiboon (bife de boi tendo um boi de grandes cornos a olhar-me insistentemente. O conhecer do mundo, suas coisas e bizarrias dão-me um prazer infindo…

(continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:58
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXIII

MOKANDA DO DIA – 10.12.2017Tukya I . Peixe da chana - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo . É o nosso pensamento que cria a nossa realidade…

Por

t´chingange2.jpgT´Chingange

Na voragem dinâmica da vida, procuro actualizar-me no dia-a-dia e, ao longo da minha vida registei em meus arquivos de memória muitas notas, alguma que nem quereria registar mas, nem sempre as borrachas do tempo e da singularidade do facto se destroem com um estalar de dedos. Em África também há rios que se apagam na terra, nunca chegam ao mar como o Cuando e o Cubango que formam o Delta do Okavango ou o Etosha Pan e outros que desaguam em desertos de areia fina e, que em tempos foram pântanos ou lagos rasos.

etosha4.jpg O Etosha Pan, é um lago seco de 120 quilómetros formando o chamado Parque Nacional Etosha, um dos maiores parques da vida selvagem da Namíbia. A vasta área é principalmente seca, mas após uma chuva forte, ela adquirirá uma fina camada de água, que é fortemente salgada pelos depósitos minerais na superfície desta grande panela. O Etosha Pan é principalmente lama de barro seco dividida em formas hexagonais que à medida que seca, racha, e raramente é vista com uma fina camada de água cobrindo-a.

etosha6.jpg Foi no Etosha que vi a maior diversidade de animais. Supõe-se que o rio Cunene alimentasse o lago em idos tempos, mas os movimentos tectónicos da placa ao longo do tempo causaram uma mudança na sua direcção, resultando em um lago seco e deixando a referida panela salgada. Agora, o rio Ekuma, o rio Oshigambo e o rio Omurambo Ovambo são a única fonte sazonal de água para o lago.

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Tipicamente, pequenas águas do rio ou sedimentos atingem o lago seco porque a água penetra no leito do rio ao longo de seu curso de 250 quilómetros, reduzindo a descarga ao longo do caminho. Estas vastas zonas de poucos declives formam as chamadas planícies africanas, chanas ou anharas de clima extremamente seco. E, o curioso é de que a esta mesma latitude e para o lado poente temos os desertos junto a costa do Sul de Angola e Norte da Namíbia que são banhadas pela corrente fria de Benguela.

etosha2.jpg Refiro a corrente fria de Benguela porque constitui um dos mais importantes factores de moderação climática desta zona de África com introdução na fauna as focas e pinguins transportados em icebergues que vindos da Antártida aqui são largados. No Namibe, Tômbua, Baia dos Tigres e a Costa dos Esqueletos. Pode até verificar-se famílias de golfinhos na Angra dos Negros a actual Moçâmedes, lugar aonde os albatrozes ou alcatrazes voam baixinho junto aos barcos pesqueiros.

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Cabe qui referir que ante da independência de Angola, em 1975, a pesca tinha importância no mundo porque chegou a ocupar o segundo lugar na escala dos maiores produtores, logo a seguir à República do Perú. Vasculhando minha memória recordo os muitos contadores de estórias de caça e pesca e, até dum amigo meu de nome Araújo ter andado a passear uma pacaça em pleno centro de Luanda; em plena Mutamba. Era muito vulgar entre 1950 e 1960 comprarmos carne de caça a vizinhos que se internavam pelo mato em aventura de caça.

etosha0.jpg Para milhões de pessoas que vivem no mato e nunca viram o mar, o mar não passa de um mistério longínquo e insondável naqueles idos tempos mas no entanto, estes comiam peixe seco saído do mar. Na era colonial e a partir da costa eram enviadas “malas” de peixe para o interior; estas malas iam por comboio ou levadas por camionistas praticando no seu dia-a-dia uma aventura. O peixe sem cabeça, fosse corvina ou carapau, depois de seco e salgado era acomodado em camadas sobrepostas e em zig-zag simétrico, cabeça com rabo – rabo com cabeça.

etosha5.jpg Formavam blocos compactos atados e contidos em esteiras feitas com fibras de grossa mateba. Estas malas de peixe tinham tanta popularidade e valor comercial no interior de Angola que a partir dos anos cinquenta se transformaram no principal produto de candonga no interior do território. E, por que razão se contrabandeava o peixe seco? Vais ser assunto da próxima mokanda cujas falas vão incidir sopre o peixe capim nascido do pântano …

Nota: Alguns dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXIII

O CHOQUE DO PRESENTE - 16.08.2017 - “O PRIMEIRO BRANCO” e a Higiene racial…

- O que se vê hoje em Portugal é o resultado de uma mistura não selectiva e uniforme de 10 por cento de pretos e 90 por cento de brancos, um todo homogéneo.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Li em tempos em uma entrevista com Mia Couto na qual este se referia que o jornal National Vanguard Tabloid, afirmava em publicação oficial, que uma organização inglesa defendia a “pureza da raça branca”. E dizia este, ser curioso que o editorial da publicação tivesse escolhido Portugal como o exemplo dos malefícios na contribuição do “sangue negro” para as sociedades europeias e americanas. Racismo assim, às claras, é muito pouco frequente poder-se ler em um jornal e, muito menos em um, assim tão conceituado nas referências políticas hodiernas (digo eu).

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Esta notícia é reportada ao ano de 2011, uma data muito recente e que reascende as afirmações do pastor anglicano Thomas Malthus na sua visão religiosa de ver o mundo a nuo e, na qual teve inúmeros seguidores políticos tais como Hitler em Alemanha e as técnicas segregacionistas do Apartheid na África do sul para não falar dos próprios americanos e, os seus primos. E esse jornal afirmava que os portugueses teriam de ser vistos de facto como uma nova raça - uma raça que estagnou na apatia nada produzindo de novo nos últimos 400 anos na História do Mundo.

lobo1.jpgNo meu olhar de xicululu, assim um olhar de esguelha ou olho gordo, martelei por cima do meu sobrolho a frase de que “Os portugueses são o povo mais atrasado da Europa porque há séculos que se misturam com os negros” e fiquei assim um pouco a remoer muxoxos asneirentos por o caso ter raspas melindrosas e, também por ser raro, vale a pena revisitá-lo.

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O jornal assenta a sua argumentação em “factos históricos”. Portugal recebeu os primeiros escravos negros em meados do século XV. Dezenas de anos depois, os negros já eram 10 por cento do total da população lisboeta. Essa percentagem viria a crescer para 13 por cento no século seguinte. A pergunta imediata é a seguinte: Que destino tiveram estes africanos? Regressaram a África? A resposta é não!

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Eles foram absorvidos, misturaram-se do ponto de vista genético, social e cultural. Eles ajudaram a construir a Portugalidade introduzindo valores e dados culturais novos. A palavra minhoca é apenas uma de dezenas de outras marcas no domínio linguístico. No Ribatejo havia aldeias cuja população era maioritariamente negra. Nossa amiga Maria Carapinha tem este nome porque seus trisavôs eram negros retintos e, hoje já nem os traços negróides têm.

dia142.jpg Basta ir beber uma ginjinha ao largo S. Domingos em Lisboa para termos esta sensação; no Cais do Sodré já não resta nenhum sinal das negras que ali vendiam mexilhões. Podemos descobrir testemunhos dessa presença em quadros, azulejos e cerâmicas variadas. Falando com meus amigos em comezainas de cachupa, amigos cabo-verdianos confirmam do “porquê haver tantos africanos em Lisboa e Algarve”.

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Eles referem-me haver confrarias negras da Nossa Senhora do Rosário e “os negros no Coração do império”. Que viram isso quando da exposição nos Jerónimos no ano 2000. Os Negros em Portugal têm sido de uma presença silenciosa e aonde só os investigadores nos mostram os negros não só como braços de trabalho, mas legando á sociedade expressões de nossa vida quotidiana.

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Pois assim é! Influência na cultura, na religião, tourada e até o fado, a canção dita nacional. Tudo isto se reveste de uma crítica à manipulação e branqueamento da história que tem servido para a anulação do contributo africano em nosso país! O autor de tal prosa racista do tal tablóide inglês não tem dúvida em identificar nesta mistura de raças e de culturas a razão daquilo que eles chamam de “declínio da sociedade portuguesa”.

kunene.jpgPasso a citar: Os portugueses eram, até então, uma raça altamente civilizada, imaginativa, inteligente e corajosa. Mas devido ao rápido crescimento da população negra e o correspondente declínio dos brancos (cujos machos estavam em viagem para longe da Europa) todo esse património de pureza foi adulterado. Reconhece-se neste caso uma forma de conceber preconceitos rácicos com múltiplas facetas.

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O mundo não obedece a uma fronteira simples que divide os racistas dos não racistas e que separa vítimas e culpados. Vale a pena, pois, continuar a citar as razões invocadas pelo “National Vanguard”, para a chamada degradação da cultura e enfraquecimento da raça: O que se vê hoje em Portugal é o resultado de uma mistura não selectiva e uniforme de 10 por cento de pretos e 90 por cento de brancos um todo homogéneo. Trata-se de, facto, de uma nova raça – uma raça que estagnou na apatia e nada produziu de novo em 400 anos de História (estou citando).

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:24
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Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
MUXOXO

t´chingange 0.jpgMUXOXO DESTE DIA - 19.10.2017

Muxoxo é um clique sonoro! Cole a língua dobrada ao palato (céu da boca) e num repentemente abra a boca. Isto é um muxoxo!
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Desde Agosto de 2017 que ando  às voltas com o meu ADN de T´Chingange perdido no buraco de kimberley lá nesse misterioso deserto do Calahári. Só hoje, num encontro com N´Dalatando, meu bruxo kimbanda, reencontrei meu enfeitiçado vulto! De novo brilhou o diamante entre os búzios atirados com mestria. Como numa galáxia surgiu brilhando de novo.Terei agora de recolher os dados, os ossinhos antigos, moldar o kota soba  e repor minhas verdades e inventaçõs no lugar.

IMG_20170823_123725.jpg Sem a preocupação gramatical, com o sujeito cutucando o verbo mais o predicado…, sem a métrica do fado, uma emergência confusa deste tempo, sem a rima versejada, a metáfora triste e saudosa e, de alma torturada retornei no meio de labareas colando  tristezas minha e alheias no meu coração.

 

adiafa1.jpeg Sem pátria idolatrada, jogando búzios na zuela do feitiço, sem algum esforço intelectual, remexendo panelas de sarapatel e cozido português de forma encarquilhada amolei-me com estas tiçadas de negro. Muito me convenço da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia. Sem ser convocado, assisti pela televisão à queimada do M´Puto. Tristeza! E, acerca disto, tenho até medo de comentar disparates pelo que só posso responder sem entusiasmo, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de precariedades. 

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Fazer trocadilhos, cortar toucinho, metê-lo num pão, acompanhar isto com uma cerveja e ficar no silêncio das falas porque, não posso mentir a mim mesmo! Algo anda mal neste mundo cão. E, se calhar todos temos culpas a começar pelo D. Diniz.

Araujo116.jpgIrá chegar o tempo em que não mais me preocuparei com as parvoíces da terra mas, por agora, terei de ouvir os mexericos, os muxoxos dos críticos, das alfinetadas de comentadores, devaneios e futilidades consumindo a gente.

fogo2.jpgHoras a fio - gente que pendura em seu ego piadas de engasgo, gesticulando até coisas com rezas insólitas nas redes sociais. Será! Será que a marreta que atormenta a cavilha com pancadas, o fará mais seguro e mais forte? Termino assim com uma hodierna interrogação, vulgarizando-me na coragem da metáfora, porque nem de tudo podemos ter resposta, nem a tudo podemos responder. Sei de antemão que as lágrimas não se cristalizam, quando sempre lamuriamos. Fica o muxoxo!

Em terras de Cruzios...

A mensagem chegou assim da galáxia: Grande Soba, já afinei a máquina e acertei o relógio, parece que está tudo a funcionar, grande abraço! N´Dalatando - Foi o recomeço...

O Soba T´Chingange 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:24
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Terça-feira, 1 de Agosto de 2017
MUJIMBO . CVII
NAS FRINCHAS DO MEU BAÚ . 01.08.2017 - Guetos, somos todos nós, brancos e pretos - José Eduardo dos Santos é um homem banal. Não provoca a ninguém um virar de pescoço quando entra num salão...
Frincha : É a ranhura do tempo...
Por

soba10.jpgT´Chingange

Entre dúvidas escondidas no pormenor de factos conhecidos, dou-me conta que as frinchas, mostram versões velhas a que eu não forço ao pormenor para não suscitar ranhuras com os gigabites alheios, referindo tão-somente o que me parece ter lógica porque, por mais que nos esforcemos, há coisas que sempre ficam na charneira do mujimbo, do boato.

okakau1.jpgAgora que vai haver eleições em Angola, recordo que Jonas Savimbi, sempre recusou o abandono da luta pelo que achava certo, não escolhendo cenários de exílio dourado como outros o fizeram e, foi o único dos líderes angolanos que sempre viveu e lutou no seio de sua terra, sua pátria,digo eu num propósito de dialogar com as duvidas de muitos.

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A ela, Angola, tudo deu sem nada tirar, ao contrário de outros com contas, palácios e mansões no exterior e o desperdício de gastos, assim como a compra de um relógio de 500 mil euros por um filho do Edu, o plenipotenciário presidente. Um filho que só se baba de prepotência sem nunca ter trabalhado em algo visível; que nada fez em prol do povo! Fisicamente Savimbi morreu mas, seu espírito está em toda a parte, mesmo fora de Angola! Alguém em seu nome continuará a ter quem defenda essa cultura, esse povo, essa forma de ser e de estar! Li algures que está enterrado em um humilde cemitério de Luena.

brig4.jpg Um amigo meu do Okavango no seu jeito enigmático de sempre deixa uma prega solta na minha costura frinchada disse: -Ele está vivo! Algures num lugar palaciano e bem protegido; aquilo de sua morte foi uma farsa muito bem engendrada pelas grandes potências. Vejam só o que a mente humana pode arquitectar (penso eu)? O que viram em fotos é uma tramóia muito bem-feita, um sócio de Savimbi e, não é certo saberem aonde ele foi enterrado para evitar um rodopio de peregrinos, disse este meu kamba. Desacreditei disto com um muxoxo fingido de consentimento.

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Não acredito nesta sua versão, disse eu por fim, não tem lógica porque mostraram o corpo dele em várias posições e eu até pude referir em tempos que ele se teria matado pois que na foto de Grande Reportagem do M´Puto podia ver-se um furo em seu queixo do lado direito. Era ele sim! Ele era destro! Rematei em termo definitivo! Meu amigo, deu de ombros assim como dizendo que cada qual ficava com a sua opinião. Não forcei a nota mas, ando matutando em sua fricção; acontece hoje tanta coisa estranha!?

kunene1.jpg As nossas conversas rebrilhando nas águas do Kubango vespertinavam com a kúkia (pôr-do-sol) bem no horizonte angolano e, por detrás de seus brilhos Andamos para trás ou para a frente de forma aleatória e por serem já coisas diluídas nos cacimbos e kiangalas, podemos ornamentar os factos com ausência de espanto; de só mesmo matando o tempo, de só falar ! Recordamos a muita diplomacia lodosa, de quando Jonas Savimbi chamou «garoto» ao então ministro Durão Barroso Esse que esteve no comando da UE.

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Por seu turno, também recordamos quando João Soares, numa entrevista ao semanário Expresso, classificou os dirigentes angolanos como «um bando de cleptócratas»; talvez ele mantenha essa opinião, só que agora com mais fortes razões de o serem! E, as relações escondidas, que o Dr. Soares seu pai já defuntado, manteve confidenciais durante muito tempo, em virtude de «não querer que isso fosse do conhecimento da Internacional Socialista e, onde o movimento da UNITA não era reconhecido».

kunene.jpg Esclarecedor! De quando Mário Soares de visita às Seychelles, em 1995, em conversa informal com os jornalistas, após o jantar, falou de Angola (que visitaria oficialmente no ano seguinte) e sobre os líderes em confronto, emitindo esta opinião: «José Eduardo dos Santos é um homem banal. Não provoca a ninguém um virar de pescoço quando entra num salão. Enquanto que Jonas Savimbi tem uma presença esmagadora! É um verdadeiro líder africano!». Tarde piaste, digo de mim para mim mas, e aqui corroboro com ele! Disse eu ao meu amigo Mac Guiver de faz-de-cota, que me olhou sem espanto!

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Da minha conversa com Mac Guiver, nunca pretendi recolher dados comprometedores com ele e, sempre o vi como um bigfive que nada mais fez do que dar continuidade à sua vida, tal como o fazia na Chibia, do outro lado do Kubango mas, sempre me pareceu ser um profundo conhecedor de todos estes relacionamentos de fronteira.

kunene2.jpg Estava escrito nesta frinchas que a Jamba era o centro nevrálgico alfa no tráfico de marfim, diamantes e madeiras preciosas. Savimbi teve de recorrer a este património mas, o governo mwnagolé da Luua, despilfarrou muito mais em proveito seu, dos filhos e de toda a nomenclatura. Agora, mais kota, recordo que as interrogações ente eu e Mac Guiver faz-de-conta, sucumbiram em sorrisos, um indício de quem sabe, mas desconhece, perpetuando uma amizade de cavandelas...

O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:57
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Segunda-feira, 31 de Julho de 2017
MALAMBAS CLXXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 19.07.2017 - (Parte 2 de 3) - Aqui no Limpopo de África, apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo …

Por

soba10.jpgT´Chingange

Ao sol do Calahári e em sítios chamados de Gauteng e Limpopo, limito-me a ver e a ouvir a transpiração do medo, de como será quando a mancha negra querer suplantar-se á mancha branca fazendo ruir as filosóficas teses de eugenia importadas da bretanha puritana. Durante os tempos, pastores e ideólogos seguidores de suas verdades tentaram mudar por selecção o arco-iris das gentes transtornando a sustentabilidade social da África. Surgiu assim a política do apartheid que tornou a África do Sul, num lugar de difícil conciliação entre as diferentes cores de pele; prática de difícil harmonia com os padrões da natureza.

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Surgiram as lutas entre Ingleses, Bóeres e Zulus envoltas em teorias de submissão com místicas que se fizeram prevalecer entre soluços africânderes, saltos de guerra Zulus, nenhures Khoisans e a pré-potência colonial britânica. Vi centenas, senão milhares de campas em cemitérios cobertos de capim por entre fragas esquecidas de África; gente que se entregou à luta por uma fatia de independência e sempre perseguidos pela incompreensão do mundo. 

boher3.jpg Para compreender a turbulência das mentes, teremos forçosamente de entrar no mundo do paratrás, relembrar aqueles velhos ditos das profecias duma tal sexta trombeta a soar alarme em dó maior; da guerra que se avizinha com as previsões do homem das batatas e, também pelos exemplos sociais africanos do Cairo a Kape Town gravados na política de países a tons deslavados, como as pinturas de batique do género de Xipamanine que mostram caveiras entre ossos amolgados com talas de falas espiritualmente supersticiosas.… 

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Aos velhos, será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar as gigantescas presenças de feridas mortais. Angola, Zimbabwé, Togo, Nigéria, Senegal, Burquina, Moçambique e tantos outros. E, o preto que mata branco, que lhe rouba a fazenda, do branco que mata preto porque é turra; daí abrirem-se gavetões, com ossários feitos pó pelo tempo. Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho.

boher6.jpg Ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto se neste agora sabemos poder estar a ser tramados até os tornozelos. Afinal a cor de Noé era indistintamente um albino! Ninguém tem condições de desmentir esta suposta mentira, porque os escritos não faziam menção desta particularidade tão cheia de superstições. Tudo misturado com profecias de despertar duendes sem sexo ou kiandas sem nexo, tudo a provocar adrenalina. Crer ou não, sempre serão preocupantes por se manterem coladas aos cerebelos.

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Em 1916 Johanna Brandt recebeu uma visão de um anjo que lhe mostrou uma terrível cena de horrores e males que se aguardavam em Johannesburg. Os negros estavam-se organizando em segredo cortando o poder por dentro e ao redor da cidade. E, tudo aconteceu inesperadamente. Nisto, ela os viu espalhar-se pelas áreas residenciais matando brancos. Milhares e milhares morrerão durante a "Noite Egípcia" que descerá sobre a cidade! Disse o anjo….

boher7.jpg Ela, a Johanna disse: Quando vi todos os corpos mutilados à minha volta na visão, eu gritei: Isso não pode ser, porque não há tantas pessoas em Joanesburgo! Ela estava no ano de 1916, cento e um anos atrás. Sentado em umas velhas e reaproveitadas solipas grosas de ferrocarril, escrevo isto sem saber se correr para norte ou para oeste, sem plano de fuga certo, incrédulo até. Só de mente transtornada lá fui correndo para Sul, terra de Paul Kruger junto ao Orange River refugiando-me no buraco de Kimberley assim como fazem as suricatas, como o fizeram eles em tempos - os veteranos bóeres fugidos dos ingleses.

boher8.jpg A vida é uma odisseia neste mundo global; estas nuvens negras que em nada ajudam a compreenderem o belo que a vida realmente tem. Hoje e depois de dar a volta à reserva de Pilanesberg ao lado de Sun City e, já no final do roteiro, depois de ver vários animais, desanimado por não ver o elefante, um dos big five, qual o meu espanto ver este enorme paquiderme, cortando pela raiz pequenos arbustos junto à vedação do Bakgatla, minha ocasional residência…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:14
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Quinta-feira, 27 de Julho de 2017
MONANGAMBA . XLVI

BAKGATLA DE PILANESBERG - 22.07.2017- Com sorte amaciaremos leite coalhado …Viemos ver leões cientes de que não podemos sobreviver à traição gerada dentro de nós...

Por

soba10.jpgT´Chingange

Nas frinchas de meu tempo e muitas vezes, lembro-me aqui no mato de coisas infectas com mais de quarenta anos. Ficou-me bem ciente que podemos sobreviver aos idiotas e até gananciosos que nos governaram nesse lapso de tempo e aqui, longe dos novelos do M´Puto retempero-me com biltong e heineken lager beer. Um retempero de engano, táseaver! Misturando ideias no amaciar de leite coalhado de zebra do Pilanesberg, revejo a promiscua simbiose dos políticos do M´Puto com militares e afins, como coisa infecta.

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A vaca voadora chamada de geringonça, uma estranha simbiose de animal com muitas patas, muitas tetas e asas secretas, também com lambebotas, engraxam-nos os dias com pomada retirada das nossas próprias gorduras. Com a benevolência de Marcelo presidente, com quem simpatizo, enfeitam os gráficos de crescimento económico engodando-nos o olho sem questionarem a subida dum tal de endividamento para uma vida; a coisa mais essencial desta periclitante estória da crise, vista do lo nefasto…

vacas voadoras.jpg Não sei se o povo é tonto ou se simplesmente anda mareado ou marinado numa mistura de leite de hiena. Nós, velhos resistentes, retemperando ideias de balouçadas agruras do tempo em que os militares vendiam armas ao inimigo comprimimo-nos em delicadezas; um misto de descrença sem aprofundar delicadas falas. Já chega de tibiezas! Roubaram arma em Tancos! Será que roubaram, ou já o tinham sido desviadas?

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Isto, há quarenta e três anos, na Luua da Mutamba e arredores da N´Gola, era o dia-a-dia; roubavam até chaimites, paióis inteiros para entregar ao MPLA. Agora Tancos, é coisa pouca! Só um esboço de antigas passagens da estória, de nossas vivências em África com saída abrupta como a água que sai pelo tubo ladrão. Também nesse então nos enfeitavam as mentes com cravos vermelhos e seitoiras miniatura da Catarina Eufémia. Prá-frente camarada, avante!

araujo86.jpg Ando neste morro ou mato, vendo uma fauna bem mais interessante do que esses abutres de há quarenta e três anos atrás mechiam livremente dentro dum governo de tuji que também se dizia nosso. Primeiro com Spinola do monócolo, do pengalim e luvas de couro preto, depois com Costa Gomes, o rolha. Governos que nos entorpeceram com melífluos sussurros ouvidos por todos no vestíbulo do CR  (leia-se Concelho da Revolução) do Estado Português. Fomos salvos pelo Ramalho Eanes e pelo Comandos a quem sempre prestarei homenagem com respeito e orgulho.

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Naquele então ecoavam falsidade nos propósitos; tal como agora, nós muito descansados, muito inocentes; a maioria nada disto fala, pois para quê, já passou!... Mansamente enfiam-nos no curral como se fôramos gnus aqui do Bakagatla Pilansberg. Esta gente não o parecendo ser ambiciosa, falam-nos com familiaridade, que usam sua força e suas ambições em apelo a sentimentos que infantilmente se alojam no coração de todos nós, mais os albinos, os verdadeiros m´puteiros.

REPU6.jpg Naquele então foram muitos a arruinar as raízes da sociedade, a trabalhar até em segredo com a justiça, ocultos na noite para demolir nossas fundações; minar também os alicerces da nação portuguesa, coisa infecta num corpo, simbiose de militar com político, um promíscuo MFA que nos sucumbia a mando de outras potências.

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Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo, de esquecer as tropas passando armas ao inimigo, velhaquices de todo o tamanho vendendo-nos ao desbarato, pior que numa feira da ladra. Isto do roubo em Tancos deve ser uma manobra de diversão! Tem muito esturro e nunca se irá saber o busilis do ferúculo...

PAPAL6.jpg O meu dia aqui  entre as espinheiras do Pilansberg,  termina com um adeus aos hipopótamos na lagoa do mankwe, deitados feitos pedras com a kúkia do sol poente rebrilhando em seu dorso, uma visão deslumbrante. E já noite, as luzes do acampamento do Gate Bakgatla, bem ao lado do meu sonho, tremelicam ao chacal que salta para agarrar borboletas ofuscadas na luz. Sempre fugindo, porque neste mato ou morro, não quero ser borboleta !

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 03:15
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Sexta-feira, 30 de Junho de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXVIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 30.06.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXIII. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Os heróis de tuji afectos ao MPLA também deram à sola – dissimulados, claro! Faziam falta no IARN….

Por     

t´chingange.jpeg T´Chingange - (Otchingandji)

Naquele então, na segunda metade do ano de 1975, Gonçalves Ribeiro, o pai da “ponte Luualix” fazia alarde ao mundo da periclitante situação em retirar todos os deslocados por via da descolonização, entenda-se uma anárquica guerra com vários intervenientes, movimentos emancipalistas impreparados para se governarem a si próprios. Ainda faltava ir buscar algumas pessoas a áreas aonde não havia qualquer segurança (…). Confirmo que assim era porque estando eu destacado como adido no Palácio do Governo da Cidade Alta da Luua, podia vivificar o que por ali se passava.

cabo ledo4.jpg Tinha por missão dar a conhecer a gente deslocada de seus sítios tais como Administradores, Chefes de Posto entre outros funcionários que fugidos dos movimentos, mais propriamente do MPLA se encontravam confinados em hotéis, pensões e afins. Via telefone dava-lhes a conhecer qual a sua hora de embarque na ponte “Luualix”; para ultimarem sua presença no aeroporto ou esperar transporte ido do Palácio que os levaria ao aeroporto de Craveiro Lopes, também conhecido por Belas.

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Alguns daqueles funcionários administrativos por estarem escondidos, por assim dizer, em casas de familiares eram recolhidos por um autocarro do Alto Comissariado que os transportava ao dito aeroporto. Havia promessas de morte, vinganças avulsas. Já neste início de Agosto podia ver-se milhares de famílias pernoitando de qualquer jeito junto aos seus haveres no largo frontal da zona do check-in e jardins do aeroporto, malas, caixotes e bugigangas. Ali permaneciam dia e noite cobertos com lonas presas a caixotes usando como banheiro áreas improvisadas ou as bissapas circundantes; o cheiro era nauseabundo.

araujo95.jpg Em meados de Outubro, o terminal aéreo de Nova Lisboa (Huambo) encerrava, e Luanda passou a receber entre quinze a vinte aviões por dia. Os meios aéreos para fazer chegar a Luanda os refugiados do Lobito, Benguela e Moçâmedes, sendo insuficientes, o Comando Naval arranjou meios marítimos para fazer chegar a Luanda os cerca de 250 mil cidadãos brancos (maioritariamente) mas, tendo também milhares de mestiços e negros; enfim! Seguiam todos aqueles que o desejassem!

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Na vinda ou ida dos refugiados de um para outro lado (como kissondes) mas e, principalmente para os lugares de embarque da Luua, praticamente não havia triagem; não havia tempo para decidir de quem estava ou não nas condições de perseguido, refugiado ou o que quer que fosse. Não importava ser-se quem era e de onde vinha ou do porquê de estar ali. Era tudo ao monte e seja o que Deus quiser, aos magotes com o natural berreiro e choros de adultos e crianças, ordens e contra ordens desencontradas ou nem tanto.

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Cães, gatos e outros animais de estimação foram largados ao descaso! É confrangedor só de pensar em estas turbas de gente que às pressas colocaram umas peças de roupa, uns agasalhos, umas fotos de recordação e aí vão ao encontro dum desconhecido maior que o mundo. E, as despedidas de gente serviçal ou amiga, até mesmo um vizinho que por ali iam ficando; toma lá a chave do meu carro, da minha casa, cuida do gado meu amigo porque não sei quando voltarei nem se volte. Olha pelo meu cão, a aspirina mais o tarzan que ficam presos lá junto ao gerador e perto do galinheiro.

guerra13.jpg Era um Adeus dado aos trambolhões às coisas, ao motor da GMC a fazer de gerador, dos gansos guardadores mais o pavão. Ele, Deus, era só uma questão de fé interior, a vontade de querer e acreditar mas Ele, não surgiu a muitos; a lei da vida e da morte era um traço disforme, desfeito em cotão a confirmar que só somos enquanto somos, uma ilusão! Desde sempre e, que me lembre de ser gente, observei que as leis foram inventadas pelos fortes para dominarem os fracos que são muito mais; mas aqui não havia fracos ou fortes, só deprimidos…

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Sempre observei amizades incipientes desde o tempo em que os cuspidores de prata eram usuais e era admissível ou sem reparo; cuspir-se em público era feio e anti-higiénico mas agora e ali nem escarradores havia, era no barrento da terra, nosso infortúnio; cada qual cuspia para onde quer que fosse. E entre estes, surgiam os rufias catadores de desaconchegos, gente do MPLA usando prepotência com um extremo desprezo, pedindo relógios ou valores para ficar sem dissabores nesta hora de partir; uma forma de pressionar o medo ou resquícios deste.

zeka15.jpg Havia uma restea de ordem por alguns militares, Nossas Tropas mais conscientes! Valha-nos isso porque nem todos viam este desmando na forma do PREC, dos guedelhudos do M´Puto às ordens do diabo. As leis, as atitudes, o MFA, nossos patrícios do M´Puto, os generais de aviário, mesmo que absurdas, tornavam o impossível em admissível e hoje que penso muito e rezo pouco recordo isto, procedimentos sem que ninguém averiguasse as diferenças aturdidos por pudor. Pudor, palavra complicada de entender - qual pudor qual quê!?

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Nesse então, nós gente desavinda, podíamos ver já a força da crise com roubos subtraídos pela lei dos homens, pelas nossos guardiões militares com seus amigos, nossos inimigos – o MPLA, sem lei - nem velha nem nova ou tampouco ordinária ou arbitrária, nenhuma! Um salve-se quem puder! Era um acaso feito lei ali e a frio, ora marcial ora uma prepotente aberração feita de coisa feito gente, drogados no cérebro, nas kinambas ou nas matubas…

nito01.jpeg E, muitos daqueles ali ao nosso lado a fugir do caos, tinham estado dias ou meses antes, também a fiscalizar nossas bagagens, a escolher os cristais, a parti-los num desdém e isto sim e isto não; Este ouro é nosso, do governo! Mas qual governo - do MPLA diziam… sim! Ao serviço do por eles chamado de glorioso MPLA… Agora, eram camuflados companheiros de viagem, de infortúnio e, já ninguém queria retaliar o que quer que fosse; uma entrega sem jeito nas mãos dum Nosso Senhor…

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:19
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Sábado, 20 de Maio de 2017
FRATERNIDADES . CXV

A DESCOLONIZAÇÃO (Parte 2) – 12.01.2017… A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC…

soba k.jpg As escolhas de T´Chingange***

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto

Todos os portugueses, onde me incluo, que viveram nas ex-colónias portuguesas e que sofreram na pele o processo de descolonização, atribuíram as culpas ao ministro dos negócios estrangeiros da altura Mário Soares que se finou a 7 de Janeiro e 2017, para gaudio de muitos dos retornados e para pesar de muitos democratas. Foi Mário Soares pelo cargo que ocupava na altura que carregou e conduziu o referido e complicado dossier do processo de descolonização que ficará como uma das mais tristes nódoas na história de Portugal.

step6.jpg As tendências ideológicas marxistas que o processo revolucionário em Portugal atravessou não auguravam um desfecho feliz para os residentes nas províncias ultramarinas. A pressa era muita de modo que Mário Soares foi encarregue de atalhar e encurtar caminhos e forçado a abreviar o calendário das independências para o ano de 1975.

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As conversações para esse desiderato começaram de imediato com os líderes dos movimentos independentistas das colónias Portuguesas em Africa, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola tendo como interlocutores Luís Cabral, Samora Machel, Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi.

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A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC que foi reconhecida pela comunidade internacional, mas não pela potência colonizadora o que só aconteceu nas negociações de Argel em 25 de agosto de 1974, seguido de Moçambique em Lusaca a 7-9-1974 e do Angola no Alvor a 15-1-1975.

spi3.jpg Logo que Angola e Moçambique obtiveram oficialmente as suas independências instauraram um regime de partido político único pró-soviético, enquanto em Portugal, o modelo socialista pós-revolução era progressivamente abandonado, dando lugar a um regime democrático. Só um tolo ou imbecil poderia pensar que seria possível a manutenção de uma guerra colonial em 3 frentes até aos dias de hoje, para assegurarmos a continuidade dos nossos privilégios em África intemporalmente.

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Os grandes coveiros e responsáveis da repatriação dos mais de 750 mil portugueses naturais e colonos que ao tempo residiam em Moçambique e Angola não foi Mário Soares, mas sim, Salazar e Marcelo Caetano, pois a descolonização das nossas colónias deveria ter sido iniciada nos finais dos anos 50 antes de se ter iniciado o terrorismo em 15 de Março de 1961 em Angola pela UPA, em 24 e 25 do mesmo ano em Setembro pela Frelimo em Moçambique e finalmente em 23 de janeiro de 1963 na Guiné.

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Se o processo de descolonização tem sido feito atempadamente de forma ordeira cívica e civilizada assegurando a permanência dos europeus nas colonias, a revolução do 25 de abril de 1974 apenas tinha tido efeitos práticos ou visíveis em Portugal continental. Mário Soares estava manietado e limitado pelas directrizes imanadas pelo Conselho da Revolução e pelo desejo que os militares tinham em baixar as armas o mais depressa possível e abandonar África á sua sorte.

selo10.jpgO governo provisório da altura em Portugal estava em conluio com os líderes independentistas uma vez que defendiam a mesma ideologia politica, portanto Mário Soares muito pouco poderia ter feito para alterar o “status quo” dos eventos catastróficos que o processo de descolonização atravessou. Mário Soares foi um intermediário facilitador que seguiu um programa que lhe foi imposto, mas não o ideólogo do mesmo.

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Eu sei e compreendo que a grande maioria dos retornados atribuem a Mário Soares toda a culpa da descolonização, pois acabou sendo o bode expiatório e o alvo mais fácil para arcar com as culpas devido a sua liderança nas negociações. Do contexto político vivido em Portugal destaca-se a divergência entre o então Presidente da República (PR), António de Spínola, e a Comissão Coordenadora (CC) do MFA em relação ao modelo de descolonização a seguir e que teve repercussões negativas nos processos de negociação e nos posteriores acordos de independência com os movimentos independentistas.

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A descolonização portuguesa dos territórios ultramarinos em África constituiu um dos aspectos centrais da política portuguesa após o 25 de Abril, tendo tido consequências sociais profundas em Portugal. Quando Mário Soares entabulou negociações com os líderes nacionalistas de Angola e Moçambique com vista á independência dessas colónias fazia parte como ministro dos negócios estrangeiros de um Governo de Transição empossado pelo MFA sem a legitimidade do povo português.

luis17.jpg Sem a legitimidade pois que, ainda não tinham havido eleições gerais em Portugal nem sequer tínhamos uma nova Constituição aprovada que lhe outorgassem a legitimidade para assumir essa decisão histórica particularmente nos moldes em que foi feita.

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Não tenho a veleidade, ousadia ou arrogância de colocar Mário Soares sozinho no banco dos réus, nada me move pessoal ou particularmente contra a sua pessoa, muito embora tenha deixado em África terra onde nasci tudo o que construí com o suor do meu rosto.

diogo6.jpg Tenho a capacidade de separar o trigo do joio e fazer uma análise lucida e racional dos acontecimentos sem cegueiras ou fanatismos e atribuir as responsabilidades históricas a quem de facto as teve 20 anos antes de 1975, bem como no período pós-revolucionário. Se Portugal tem tido líderes com visão estratégica e politica para terem iniciado o processo de descolonização na época adequada teriam preservado a permanência e a continuidade de todos os colonos suas famílias e descendentes nesses territórios.

FIM

António José Canhoto …11-1-2017

***Nota: A escolha de T´Chingange refere-se ao todo pensamento descritivo, subscrevendo-o por homologação... Descrição sem Prólogo, Prefácio, Epílogo ou Posfácio porque é o resumo dum conteúdo periclitante causador duma quase tragédia. Um prefácio eventualmente, conteria algumas impressões de terceiros sobre a obra. Neste texto excelente, o que fica é a incrédula faceta da política sem brio, irresponsável e, persistente denúncia com ar de curiosidade…

Nota 2: - Este texto deveria ter sido publicado como Parte 1, mas  ainda bem que a justificação surge antes dos atropelos – desta forma aceitar-se-á  melhor  as realidades



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:56
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Sábado, 13 de Maio de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 13.05.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXI. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75…

Por     

t´chingange 0.jpg T´Chingange - (Otchingandji)

(…) Eu estive com muitos desses tais “angolanos de gema” nos Adidos e na Cova da Moura que amavam Angola, terra de que nunca sairiam, blá-blá-blá. Esses mesmos que faziam rusgas e revistavam nossas bagagens quando daquela confusão de fugir, de sair de qualquer maneira daquela terra, gente que cantava o MPLA da vitória ou morte, gente que se dizia vanguardista. Enfim! Eles tinham essa ilusão e, assim vendiam seus préstimos como urubus ao serviço do MPLA atrapalhando ainda mais o desespero entranhado em muitos de nós.

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Muitos destes, ainda andam por aí, como reformados, retorcendo suas consciências porque afinal cometeram um injusto procedimento! Estes, traíram-se a si mesmos! Outros voltaram à sua querida Angola, sua tão apregoada terra de que eu, tanto gosto; a maioria regressou de novo ao M´Puto acabando por dizer que não encoberto num sim frustrado! Afinal aquela terra já só era deles, dos pretos! Falo assim porque senti na pele o tratamento rancoroso, eu que brincava com eles pelos musseques, que também eram meus, pensava assim mas só isso; coisas do pensamento! A estória estará sempre muito repleta deste tipo de gente que se vende por três tostões.

moka31.jpg E, Portugal, o tal de M´Puto, acabaria por dar guarida a carrascos e fujões (desculpem-me a expressão) que de forma enrolada, misturada se foi acomodando aqui e ali, salvando os hotéis e concebendo arranjinhos de safadeza, explorando os refugiados, ditos retornados como eu. No aeroporto as senhoras prestimosas das Caritas e Cruz vermelha (não todas, felizmente), iam despejando desaforos como muxoxos soprados subtilmente ou não: “Só nos faltavam estes ranhosos”. Eramos nós, despidos de preceitos, ouvindo calados o desaforo de irmãos, de patrícios, de gente com nosso sangue! Isso doeu muito! Só não se lembra disto quem não quer lembrar!

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Os heróis de tuji foram-se misturando com os demais, as estórias sucediam-se engravidadas de medalhas, gente que revistou, impediu, prendeu, gente que pintou e bordou a manta em acontecimentos tristes! A 17 de Agosto, Lúcio Lara, um mulato raivoso do MPLA solicitava ao embaixador Russo em Brazaville o envio de peritos soviéticos Para o Estado-maior das FAPLA em Lunda. E, afirmou nesse então: O Comando do MPLA necessita de conselheiros qualificados em questões de estratégia militar.

moka32.jpg Não lhes chegavam os altos mandatários portugueses e cubanos! É que no dia 18 de Agosto de 75, coisa bem concertada, Rosa Coutinho, chega a Cuba tendo dado garantias e sua palavra que era tal e de tanta força que… Que não seriam colocados entraves à entrada de militares, oficiais cubanos. E, assim foi! Logo no dia 21 de Agosto daquele ano, somente dois dias depois daquelas afirmações, desembarcou em Luanda uma Missão Militar Cubana (MMCA – Missão militar Cubana - Angola). E, surgiram os CIR (Centro de Instrução Revolucionária) em todos os lugares já sob controlo do MPLA.

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Esses lugares podem enumerar-se como sendo: Cabinda, Benguela, Henrique de Carvalho, e N´Dalatando. Foi garantido por Cuba na pessoa do oficial Humberto Arguelles que antes de Novembro (1975), os recrutas estariam prontos para combater. Ainda Leonel Cardoso não tinha chegado a Luanda na qualidade de Alto-Comissário e já os membros do MMCA tinham começado a chegar – finais de Agosto e início de Setembro de 1975.

moka33.jpg A infelicidade de tudo isto é a de que os “genuínos angolanos” como eles diziam e dizem, gente do MPLA, foram e ainda o são, uns refinados mentirosos, astutos, traiçoeiros e ladinos em toda a linha. Enfim, cazucutas! A 19 de Agosto e em vistas de uma proclamação unilateral de independência por parte do MPLA, a UNITA e FNLA, já congeminavam em conversações mais ou menos secretas, também e em seguida, proclamar a independência nas suas zonas de influência.

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A 22 de Agosto de 1975, Portugal suspende a vigência do Acordo de Alvor sem o denunciar. A 25 de Agosto a posição do MPLA é cada vez mais forte; com um grande contingente de homens, armas soviéticas e portuguesas e um melhor comando operacional com assessores cubanos e sempre os disfarçados portugueses, que sem querer, iam querendo, traindo-se entre eles.

moka34.jpg Os portugueses encontram-se agora em um dilema impossível porque já não tinham tropas suficientes nem vontade de lutar; tinha-se assim esgotado a estratégia de dialogar entre os Movimentos. Já ninguém confiava em ninguém! Entretanto, a ponte “LUALIX “ ia-se fazendo aos tropeções, caixotes e imbambas amontoados nos quintais esperando transporte. Durante as noites só se ouvia o matraquear de martelos fazendo caixotes mas, também rajadas um pouco por todo o lado nos bairros da Luua. Os Tugas brancos eram já coisa moribunda, cada um por si pregava seus caixões com recuerdos e tralha mais fotos a enviar para o Cais de Sodré. O cheiro da traição era doloroso e tinha agora sonoridade em toque de dó, sem rê nem mi e sol intervalado com tiros e rebentamentos…

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Neste entretanto, em terras ribatejanas via pela TV o esbracejar do louco primeiro ministro português Vasco Gonçalves, ora espumando ora lançando cravos ao povo; o desentendimento entre os quarteis eram mais que muitos entre guedelhudos revolucionários feitos à pressa e às ordens de oficiais bandalhos, cagões generais de aviário da qual só saiam disparates. Os mais sóbrios estavam a dar-se conta dos erros cometidos. Isso de dar jinguba a macacos sem os ter enjaulados, levantava celeumas.; tarde piaram!

moka38.jpg O conselho dos assessores portugueses, segundo um relatório oficial, o MPLA deveria usar uma estratégia discreta no uso de navios que transportavam suas armas, seus carros de combate, tanques e canhões sem recuo. Por via deste arranjo, não se poderia imaginar tanta petulância e arrogância dos mwangolés mijando nos seus parceiros tugas disfarçados de Ché Guerra (só para a foto). E, também uma desfaçatez no sequente trato dado aos Tugas portando-se como uns refinados mentirosos. Agora tudo surgia com suavidade falaciosa. Em finais de Agosto de 75 a nova Brigada das FAPLA comandada por N´Dozi, treinada na URSS, recebia dez blindados BRDD-2, morteiros d 82 mm, pistolas e baterias antiaéreas.

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Tudo aquilo foi descarregado a 75 Km de Luanda por um navio soviético. Leonel Cardoso é por fim nomeado Alto-Comissário como Almirante, junto com o Comandante-Chefe adjunto General Heitor Almendra. Para Savimbi firmar trégua com Neto, seria necessário o MPLA evacuar todas as zonas de influência dos outros dois Movimentos e que Luanda fosse declarada “zona neutra”, o que nunca viria a acontecer.

moka37.jpgNo M´Puto a crise político-militar arrasta-se perigosamente (vozes comunistas). Existe o perigo real de um avanço reaccionário e da formação de um governo de direita que, no imediato ou a médio prazo, irá pôr em causa as liberdades e as outras conquistas fundamentais da revolução, como as nacionalizações e a reforma agrária... O embaixador dos EUA em Lisboa, Frank Carlucci, faz uma viagem pelo norte do país, que se prolonga em mais dias visitando Porto, Braga, Viseu, Vila Real, Chaves, Viana do Castelo. Que andaria ele a fazer?

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As coisas iam mudar! Os americanos metiam o bedelho decidindo novas trajectórias. Nós, retornados estávamos a ser moeda de troca. Frank Carlucci manteve conversações com os governadores civis de Viseu, Vila Real e Chaves e com os bispos de Viseu, Vila Real e o representante do Arcebispo de Braga. Carlucci estava em todas as frentes… O PPD revelava-se numa directa responsabilidade nas violações da ordem democrática imposta pelo CR-MFA de mãos dadas com os comunistas. A provocação surgia na forma de violentos conflitos de rua, assaltos a instituições, embaixadas, e outros aparelhos de Estado.  

moka22.jpg O Estado estava periclitante! As comissões de trabalhador mais sindicatos levantavam seus punhos decidindo tudo de braço no ar! E, eu aqui no meio disto olhando, ouvindo, vociferando silêncio, com vontade de fugir sem saber para onde! Parecia estar-se à beira de uma guerra civil; havia movimentos de tanques para Tancos. As máquinas de guerra rolavam pela minha rua perto do rio Almonda. Seu barulho ecoava nos aposentos vazios de minha casa, despida de património; despida de haveres. O eco era O PPD fazia esforços para conduzir a tentação de confrontos armados entre militares, para tapar o caminho à guerra civil...Assim parecia ser!

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:32
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXXII

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 18ª parte

 Kiandas e calungas com alguma ficção! O tempo, na mística espiritual de N´Gola vem de MUNTU, que significa homem em língua Bantu! A história do povo Bantu só começou a ser decifrada a partir do século XIX. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

cafu32.jpg Como a sombra, a história dos novos donos de África, ainda sobrevive e se reproduz fantasmagoricamente, nos seus sempre novos poderes; os mesmos que que eles próprios instituíram como vigentes para conduzir seus novos escravos, seu povo preto. E, este povo está disseminado por N´Gola com vários grupos tais como os Bakongos, Lunda-Ckokwel, M´bundu, Ovibundu, Ambós e, outro pequenos subgrupos. Pelo que se observa o branco sempre estará desconsiderado como uma excrescência em sua  história, um erro crasso que os vai fazer retroceder até um futuro visto no passado; uma perfeita miragem.

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E, foi entre a bacia do rio Kwanza e do Rio N´Zaire que se desenvolveram as etnias preponderantes do reino, os Manikongos com Matamba e N´Gola destacando-se entre eles outros reinos tais como N´Goyo, Kakongo e Luango situados a norte do estuário do N´Zaire e, o reino de n´Dongo que incluía quase toda a parte central de Angola e de ambos os lados o rio Kwanza, o verdadeiro Rio da Identidade de N´Gola.

cafu15.jpg Falar das kiandas é uma necessária superstição para encaixar as surtidas febris de contos, mussendos e missossos que os mais velhos iam contando aos jovens que apreendiam o que a imaginação depois forjava, sempre muito cheia de engravidadas inverdades com outras carregadas a canhangulos de guerra. Nessas estórias de pubeiros sobrepõe-se a do grande jaga N´Gola Quitumba com a ajuda de Quitequi Cabenguela de quem com orgulho falam os  N´Zingas.

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Nessas guerras de invasões, os sobas dos reinos dominantes iniciaram uma série de revoltas. As mais importantes ocorreram nos sobados da Kissama e dos Dembos por protegerem os grupos de escravos fugidos de n´Dongo da Matamba, do Kongo, de Kassanje do Kuvale e de todo o planalto central de Angola. A extensa capitânia de Paulo Dias De Novais vivia em permanente convulsão! Depois de muitas batalhas com os Tugas, do lado do Rei do Kongo e, com grande dificuldade lá conseguiram eliminar o carismático Bula Matadi.

cafu14.jpg Esta descrição de forma sucinta tem o fim de dar a entender o turbilhão de reinos e sobas e os interesses que moviam os Tugas e mais tarde os Mafulos. Teremos de fazer um interregno à estória pitoresca das kiandas do Kwanza, ora kwangiades, para entender esse turbulento tempo. Convém referir que Paulo Dias de Novais esteve preso durante cinco anos no lugar de Kabassa (sendo verdade, até parece lenda!). Depois de solto, voltou ao m´Puto e dali retornou mais tarde com uma armada mais poderosa instalando-se em Luanda aonde construiu a fortaleza de São Miguel nessa então São Paulo de Assunção de Loanda.

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Os reinos de n´Dongo foram enfraquecendo e quase abandonaram a luta depois da morte do seu Rei N´Gola Kilwanje Kia Samba. Assim os Tugas puderam instalar-se em Muxima, Massangano e Kambambe aonde foram construídos fortes. Tribos e chefes, sujeitaram-se a pagar tributos ou fornecendo escravos aos capitães do m´Puto mas, outros houve que continuaram a lutar refugiando-se nas protegidas ilhas do Rio Kwanza.

cafu35.jpg Voltando a Massangano, terei que adicionar ao que se sabe das lendas, que houve muitas contrariedades e, como tal, uma derrota com o mesmo n’Gola Kilwanje já aqui citado. Isto aconteceu em uma batalha no ano de 1582 em que a forte resistência obrigou à construção do forte de Massangano no ano de 1583. Não obstante, não impediu que as forças da rainha n’Zinga o atacassem, em 1640 que, apesar do saldo negativo pelo aprisionamento das suas duas irmãs Kambu e Funji, que levou a que esta última fosse executada.

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De fazer notar que do lado de fora dessas fortificações se realizavam feiras de compras e vendas de escravos. Estas feiras estavam coordenadas pelo pai da Kianda Roxo, Morgan Tsvangirai. A ele, se devem as posturas de trato comercial e da recolha dum percentual na venda individual ou lotes de peças; diga-se em verdade que era um homem bem experiente nesta labuta e trato de escravos… Custa-me agora dizer isto mas ela, a Kianda Roxo, de nada se lembra desses etéreos tempos; ainda bem! Talvez por isso e agora, ela a Kianda viva, seja tão generosa nas palavras e tão comedida nas periclitãncias…

cafu34.jpg N´Zinga m´Bandi foi o maior símbolo de resistência. Esta rainha para além da resistência contra os Tugas de então, conseguiu aliar os povos já mencionados de, entre os Rios n´Zaire e Kwanza. Foi a 6 de Setembro de 1683 que n´Zinga aceitou vassalagem obedecendo a oito condições estipuladas por João da Silva e Sousa, Governador e Capitão-General. E, tudo foi elaborado ou aceite pelos protectores da soberania tribal. Como em tudo a ambição cega a visão por usura de alguém que detém o sim e o não ou uma incipiente matumbice….

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A Rainha n´Zinga é assim obrigada a não impedir os pombeiros de chegarem ao sertão africano e também não impedir àqueles em sua actividade comercial com os potentados do reino do Songo, Quiacar, Punamujinga, Sund, Cacem e Damba. Aquela rainha teria de abrir caminhos para que os negreiros alcançassem seus destinos. Bom! Os pombeiros trabalhavam por conta de grandes chefes, sobas ou militares Tugas.

chai4.jpg Durante um ou dois anos, internavam-se nos matos, trocavam escravos por tecidos, vinho, quimbombo, aguardente, quinquilharia, sal ou pólvora. Os acordos de vassalagem foram extremamente desiguais com a aceitação na base de imposição militar. Passados vários séculos da morte da rainha n´Zinga a ideia de unidade do povo Angolano ainda não se configura vencida na luta contra os Tugas nos finais do século XX permanecendo em disputas internas pelo poder até o actual ano de 2017 aonde a corrupção roí os governantes até os tornozelos…

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Com ideologias marcadas pelo rancor entre eles e contra o branco, ícone aglutinador e culpado de todos os males em sua justificada fábrica de criar maka, os diferentes grupos étnicos saídos do povo Bantu, ainda continuam na contramão da história e progresso ditando leis absurdas e, sem um objectivo de sucesso para sua debilitada situação financeira. Segundo Cadornega em 1629, as irmãs de n´Zinga foram baptizadas Funji, como Graça Ferreira, e Cambo n´Zumba como Bárbara da Silva.

cafu33.jpg No ano de 1646, ao tomar posse da sanzala de n´Zinga no rio Dande, os Tugas encontraram cartas de Funji, escritas de quando era prisioneira e dirigidas a sua irmã n´Zinga. No ano de 1647, no cerco da rainha junto com 500 holandeses a Massangano, o sargento-mor Pedro Barreiros decidiu, por conta própria, lançar Funji no rio Kwanza, e por pouco, não fez o mesmo com Cambo n´Zumba.

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É aqui que um negreiro mazombo de nome Jeremias T´Chitunda a troco de umas quantas moedas dadas a Morgan Tsvangirai, pai de Roxo, consegue introduzi-la em um lote de peças com destino a Olinda de Pernambuco! Nasce aqui uma outra lenda, a do Kilombo dos Macacos na Serra dos Palmares…. E ela, por decisão de seu novo dono toma o nome de Aqualtune.

cafu39.jpg Aqualtune, não podia ser interpretada como gente nobre do reino de n´Ggola; os acordos não previam o uso de gente nobre descendente do rei Kilwanje. E, ai de quem murmurasse tal conhecimento! É ainda um fenómeno mal contado nos missossos mas, tudo leva em crer que seu rosto esteve tapado ou coberto de argila branca nas festas de rebaptizar a ela, e a todos outros escravos. Este procedimento não era nesse então tão invulgar mas, na qualidade de T´Chingange posso afirmar ser isto verdadeiro…

(Continua… Cambo  n´Zumba ou Barbara da Silva foi como escrava para o Brasil…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:23
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2017
CAFUFUTILA . CXVIII

ONGWEVA DO TEMPO - 05.01.2017 – KIANDA ROXO  - 15ª parte

Com Zachaf Pigafetta Roxo, Januário Pieter irmão desta e tetravós de Roxo mais o Conde de San German...

Ongweva é saudade

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Ian Smith e a sua Frente Rodesiana mourejaram para levar o novo país na trilha do progresso, enquanto negociavam com os líderes negros contrários ao uso da violência, mas as fórmulas prudentes e justas pensadas, a 11 de Novembro 1965 levam Smith a declarar a independência da Rodésia. As nações do mundo não se vincularam a esta iniciativa prescrevendo em 1979 com a entrada do bispo Abel Muzorewa que se torna chefe do governo e, constituindo a primeira administração bi-racial (uma utopia africana).

niassa5.jpg Os polícias planetários dos primos de Londres e dos Estados Unidos da América, acharam que um governo responsável composto por brancos e negros não tinha serventia, abrindo caminho aos terroristas que até então estavam afastados do processo no sistema oficial. O governo de Muzorewa não logra durar muito e novas eleições são convocadas, desta vez com total liberdade de acção para o bando terrorista de Mugabe.

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Naturalmente, com o beneplácito dos areópagos internacionais, a 2 de Dezembro de 1987, Robert Mugabe, o marxista e seus bandoleiros do famigerado “processo político” é nomeado como o primeiro chefe executivo. Mugabe, apaparicado pelos senhores do globo, não tarda em implantar a sua ditadura de partido único através da perseguição, intimidação e eliminação física de opositores. O alvo preferido é a população branca, fazendeiros e os negros que não “aderiram” prontamente à “revolução”.

ngoi2.jpgUm território outrora pacífico e em franco desenvolvimento, é transformado num espaço de opressão e violência, corrupção e ruína económica. Tal como em Angola, uma boa limpeza étnica só o é, desde que feita por negros contra brancos, que é sempre vista com os olhos húmidos de compreensão. A farsa da que constitui a obra-prima das ONUs e dos senhores deste planeta vai, desgraçadamente, continuar em cartaz na terra africana encharcada com o sangue de inocentes (um mundo cão).

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Eis as excelsas realizações dos arrojados descolonizadores - “exemplares”, com certeza. Tive de descrever este panorama para chegar às kiandas: o Conde de San German, um destacado embaixador itinerante que vira uma normal figura de gente quando necessário, Zachaf Pigafetta e o irmão Januário Pieter, ambos procedentes do lago Niassa e a tetravós da  Sereia Roxo Socorro e Oxor, sua  figura gémea que por ali permaneciam em uma ONG e, que tiveram de dar o fora dali! Não havia condições nem para assombrações!

roxomania1.jpg Eu estava por saber que uma sereia tem de ter sempre uma irmã gémea porque convêm de vez em quanto baralhar os espíritos malévolos; esses que serpenteiam entre difusas brumas como ácaros do facebook. Brumas que por via de uma arte ficam acrilicamente voláteis, belas e disformes, misto de sonho com pesadelos tidos em luar longínquo parecendo duma outra galáxia. Depois de tudo isto entendo as formas e contornos reluzindo-se em perfumadas ondas de quem pinta sem pincéis. Isto só mesmo de bruxas, kiandas ou calungas…

PAPAL4.jpg Zachaf Pigafetta a tetravó, desta vez falou comigo sem aquela reverência de kianda superior e, descendo à terra barrenta, à sombra de uma mafumeira quase que só me segredou ter sido em Harare que nasceu sua Neta de última geração Assunção Roxo. E, foram exactamente nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' mas salientou que não quer agora, nesta vida de hodiernidade, perturbar sua tetraneta.

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Nunca se viram cara a cara mas foram-lhes transmitidas veracidades que nem ela Roxo se apercebe e, porque é através do vento soprado que lhe faz chegar as ondas de cinco gigabites, aquela genica e vontade de papar léguas, mais o gosto pelas longitudes. Em sonhos conversam muito mas, logologo estes são esquecidos porque ela só é kianda por vezes e, nesses sonhos de ilusão. Notei que não me queria dar muitos mais pormenores. E foi graças à insistência do Conde de San German que ela, tetravó de Roxo se decidiu abrir comigo.

mugabe.jpgSua mãe (de Roxo) kianda negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai  que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu preta, preta mas no correr dos dias foi ficando assim branquela como ela é hoje. Ela a kianda Assunção Roxo deu seu primeiríssimo alerta de vida nas águas do lago Chivero e, que fazia fronteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai.

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Pois, tranquilamente disse-me que sua mãe era preta retinta, casada com esse tal de Morgan Tsvangirai, que ganhou a primeira volta nas eleições em confronto com a múmia Mugabe e, após vários dos seus apoiantes terem sido assassinados. Foi isto que os motivou a transladarem-se para o Kwanza e ficar ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia antiga, espíritos conferenciando por ali ser um pambu-n´jila especial com Muxima. 

german1.jpg A múmia Robert Mugabe venceu as eleições convocadas para o dia 28 de Junho de 2008, sendo reconduzido mais uma vez ao poder, desta feita pela sexta vez consecutiva, por desistência de Morgan Tsvangirai, pai de Roxo. Esses foram momentos conturbados mesmo para kiandas como nós, disse. Com o apoio internacional, houve uma partilha de poder que durou cerca de quatro anos.

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Este Governo de Unidade Nacional revelou-se ineficaz para acabar com as fortes tensões e evitar confrontos sangrentos entre os apoiantes de Mugabe e Tsvangirai. Em 31 de Junho de 2013 Robert Mugabe foi novamente reeleito, apesar da oposição e observadores considerarem fraudulenta a eleição. África é mesmo um veneno adocicado.

ÁFRICA7.jpg Agora entendo do porquê esta kianda Roxo andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber desta sua dupla vida mas compartilhando xispanços de tinta com maestria. Xispansos de pincéis electrónicos na forma de gigabaites que se traduzem em cores holográficas, cibernéticas; pinturas do paralém de assombros que só bruxos podem executar.  A surrealidade está-lhe no sangue!

(Continua…) 

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:50
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