Quinta-feira, 16 de Maio de 2019
MALAMBAS . CCXX

TEMPO DE CINZAS – Terça Feira - 14.05.2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor de Zebra… de várias partes
Por

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra do M´Puto

miai3.jpg Escrita no No Nordeste brasileiro Em Miauí de Cima - Alagoas... 
Eram umas seis horas e trinta minutos, um calor do caraças, corpo mole e pegajoso com um ventilador ronronando paciência na vagareza, gotas de suor a formarem rios e ribeiros até chegarem ao lençol e, vira que vira com a vagareza do soprador que não sublima minha transpiração. Levanto-me! Fui fazer o café da avó na cozinha do piso térreo, bem à maneira, com chaleira e coador. Roça, é roça... 
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Tia Jacira, era uma senhora muito especial e porque já a descrevi, só direi mais que era uma dedicada assistente social de formação e voluntária às rezas repetidas dos terços da vida na Igreja de São Pedro da Pajuçara na Ponta Verde, muito próximo de meu ninho da águia, do carcará Niassalês - eu próprio.

mike1.jpg Com os seus mais de oitenta anos, Tia Jacira distribui amor por todos; incluindo-me, claro. De café feito e coado vou buscar a caixa metálica do papagaio, um jacó verde e amarelo, brasileiro a cem por cento mas, pouco falador; abro a caixa e com um pau-xinguiço retiro o bicho colocando-o em seu altar encastrado no pilar, tendo ao redor uma série de copos com comida, fruta e outros de zingarelhos para palitar dentes feitos bico adunco e, raspar as patas carunchosas.
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Tia Jacira normalmente fala baixinho com o verde-amarelo e, ele trejeitando a cabeça, de curiosidade chama-lhe vóóó - palra coisas indefinidas grasnadas como se fosse um pato-marreco. Nada parecido com o meu papagaio da Cabinda de Angola que pintava a manta de tanto falar chamando filho da puta, assim direitinho ao sagwin-macaco que estava do outro lado da casamata do mecânico dos unimogues e, também minha. 

arara1.jpg Dei-lhe um bocado de painço, um pedaço de banana e uma mistura colorida, sementes de girassol, água limpa e o sacana, nome de como eu tratava, nem um agradecimento: - Matumbo, 
repeti várias vezes e, ele assim com a cabeça de lado como que gravando no seu disco de bicho mas, nada de repetir o tio carcará (eu, o T´Chingange). 
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Cortei um pedaço de jornal ali esquecido e com data de 23 de Dezembro de 2011, a fim de fazer de lençol ao jacó matumbo. Era um periódico da Gazeta de Alagoas a dizer bem e mal dum antigo prefeito de Maceió, Cícero Almeida, um papagaio feito gente civilizada que também desviava verbas para a lista secreta das boquinhas do PT e outros afins... 
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Mais logo este jornal também vai aparecer cagado, com destino inevitável do lixo bem igual à vida daqueles políticos que se lambuzam em devaneios, sabendo que as baratas correm em raly nos corredores dos hospitais para gáudio dos utentes. Os caras enchem-se de boémias, pintam e bordam e, a justiça que deve fazer parte da caixa dois ou mesmo três, nada diz e nada faz... 

miai5.jpg É isto e aquilo que o Bolsonaro quer acabar mas vai-se dar mal se não trilhar bem firme o seu carril. Tem inimigos pra xuxú! Tomara!... Meio Brasil, vivia da seiva dos carrapatos. Hó gentinha, vou zarpar porque dois mais dois podem não ser quatro e fico ferrado. Mas que gorjeavam lambugisses, lá isso era nítido mas, diga-se, a maior parte do povo nem via isso por conta da bolsa, da gasosa, do geito brasileiro. Vou-te-falar!? 
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Saí a comprar leite, pão e queijo de coalho e chegando à padaria um pouco mais a sul, digo Bom d´Jia, assim, um bom dia bem à maneira brasileira. A resposta veio rápida do mulatão, padeiro saído das quenturas dos fornos: - Bom d´Jia, meu irmão! Ué! É o trato... Para agradar ao meu novo mano comprei mais meia dúzia de ovos e uma porção de goiabada.
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Juntei mais uma dose de milho flocão Coringa para fazer no vapor ou talvez bolo; deu tudo somado vinte Reais e, junto o negócio nas sacolas, penduro nos meus dedos e digo Xau! Xau, meu irmão - obrigado! Volte sempre e, assim saí feliz e contente por ter arranjado mais um irmão - que negócio!? Era para ir à praia ali a escassos duzentos metros mas o pessoal estava todo mudo e quedo lá no primeiro andar. 

miai6.jpg O papagaio-fêmea matumbo nem grasnava... Lá fora a moto-táxi do Zacarias, também meu irmão, rompia a longitude e a penumbra das silhuetas matinais com ganas de o estrangular. Com seu escape livre, fazia finfias a ele mesmo botando banga de Coruripe, pois então! Eram sete horas e trinta minutos. 
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Como eu gosto destas vivências tão ricas, tão farfalhudas, tão familiares. Em verdade, senti aqui falta duma vassoura turbo de piaçaba para lambuzar-me de vaidade e até entortá-la em suas costeletas; Bem! Em verdade este especial veículo pertence a uma senhora que muito prezo... de verdade! Tem a marca já registrada, como se diz no braziu. MJS...(Maria Joao Sacagami)
Ilustrações de Assunção Roxo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:33
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Quarta-feira, 8 de Maio de 2019
KILUNDU . VI
kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O Cipaio Kukia Mandinga em ALHAMBRA, assiste ao pacto de Mano-Kilombelombe com Januário. Eu já era Mano-Corvo - Uma fusão de homem com pássaro - Eu, Costa Araújo e o pássaro do tipo Kwetzal (México)...
NA LAGOA DO M´PUTO - 08.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto - Na estepe Alentejana

ÁFRICA7.jpg Com a sensação de começar a penetrar na minha intranquila dependência da kianda, quase que me dou conta que meu pacto de sangue com o velho de mais de talvez 394 anos, começa a borbulhar-me no cocuruto da meninge. Os seguranças de serviço levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.

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Tratados como mustáfas por via da indumentária de Januário Pieter e seu guardião - lanceiro, um espanto de nos fazer sentir os maiores privilegiados. O Cipaio Kukia  Edu Mandinga muito vaidoso, banga ultra moderna fardanda de zuarte amarelo, balalaica com muitos bolsos e uma catrefada de zingarelhos pendurados à mistura com pequenos chifres de porco do mato.

angola colonial.jpg Coisas trazidas dos confins; lá duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia com nome de espantar pássaros xirikuatas. Cipaio Mandinga, direitinho que nem um fuso,  tudo olhava com vontade de saber. Muxuxou que era muita areia prá sua camioneta e que, teria de comer um chipe extra de memória e sistema integrado para fosforescer mais rápido na sabedoria.

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A partir daqui rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quartéis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitérios e jardins. O escambau de coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas junto às muitas ferraduras de muares e outros bicharocos espinhosos ou cascarrudos.

araujo 25.jpg O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece não haver gravidade. Qualquer matumbo, ali, fica espevitado da cabeça, numa de jihadar cosigo próprio...

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Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu T´Chingange e Pieter selamos o nosso mais verdadeiro pacto de sangue. Esse cipaio Kukia Edu da Chibia que anda por aqui, até pode nem se lembrar mas assistiu direitinho com sua lança, feito Massai da Corongosa - um jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango. Uma mistura cafusa na cabeça dele que faz pena. Nunca no Lubango ouve caserna de bichos desses e, com esse nome!?

araujo 28.jpg Por medo, as pessoas passavam de largo como se nós também fossemos daqueles muitos idos anos e muito cheios de caruncho. Tínhamos em frente um belo claustro formado por muitas colunas, o lugar mais Pambu N´gila de todos os lugares aonde estivemos antes. Este sítio, era em verdade um sem número de flocos dourados caídos do Duilo.

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E, foi ali que ambos picamos o centro da palma da mão esquerda de onde saiu uma bolha de sangue. Eu T´Chingange cuspi na mão esquerda de Pieter dissolvendo-se no sangue e ele fez o mesmo na minha mão esquerda; com a mão direita, ambos acariciamos as cabeças dos leões e, eu primeiro e depois Pieter, desferimos com a direita em cutelo na mão esquerda do outro um enérgico movimento fazendo chispar sangue e cuspo no ar.
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Teve de ser ali porque o leão que pela boca deita água simboliza o Sol da qual brota a a vida. Os doze leões, são os doze Sois do Zodiaco, os doze meses que na eternidade existem em simultâneo. Eles, os leões sostêem a Kalunga como os doze torres de ferro no templo de Salomão. É este o depósito das águas celestes dessa Kalunga.

araujo17.jpg Este simbolismo único, venera a água como a pura vida e, foi ali que também, ambos choramos lágrimas de prata polindo o chão do Califa para ficarmos Manos-Kilombelombe. O Cipaio vaidoso sempre em guarda, sorria de vez em vez, inadequado para ser uma testemunha com carisma de Xi-Colono de terceira geração. Em realidade ele era mesmo um genuíno africano, embora branco, mas era! Sem nós t´Xinderes, a África fica incompleta! 

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Januário Pieter falou de que quando ficasse um antigamente, de mais tarde, eu, um mais kota, me iria recordar deste selo de Mano-Kilombelombe enquanto ele, lá na ilha da ensandeira do Kwanza, recordaria os espíritos dos M´fumos Kia-Samba e Manhanga como um minkinsi.
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Pieter recordava as minhas próprias brincadeiras com os candengues no mar da Samba, os pactos de amizade feitos a cuspo e bisgo da mulemba nos subúrbios da Lua. A Kianda Pieter sabia tudo! Sukuama!
- Deixa só, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir, disse eu batendo dedos no ar enxotando maus olhados.

 araujo155.jpg  Ilustrações do Mano Corvo Costa Araújo, nosso mestre (falecido recentemente...)

Glossaário:
Edu: De Eduardo Torres - Um amigo kota, poeta, prosador, branco de segunda com bitacaias nas orelhas , apátrida e vaidoso quanto baste... um amigo para sempre...
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade)
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México)
M´fumos : - Chefes
Kukia: - Sol, pô do sol
Samba: - Lugar ente a Quissala e Futungo (Belas da Luanda de antigamente)
Manhanga: - Bairro da Maianga, lugar de cacimba, nome antigo já esquecido.
Amazulu: - Dialeto Zulu
Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cus diabos; Porra!
Bisgo: - Resina de mulemba usado para apanhar pássaros,da mulembeira (árvore de grande porte que dá uns figos pequenos)
Lua – Diminutivo de Luanda
(Continua ...)an
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:23
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2019
KILUNDU . III

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
Botando fumaça por meu arcabuz de outra geração chamado de canhangulo, fiquei assim matumbola mesmo ..... Desta feita estávamos em Granada...
NA LAGOA DO M´PUTO - 02.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto

Estava admirando os 15.000 mortos de Guernica quando com aura de santo-maior entrou uma figura pela porta frontal; era nem mais nem menos a Kianda Pieter que, varrendo com os olhos o salão “café solo” poisou em mim a ansiosa vontade do encontro. Porque ali, era um pambo n´jila especial de Granada.

granada4.jpg Efusivamente dirigiu-se-me com as duas mãos abertas ao espaço seu Duilo (Céu) mostrando todos os seus anéis. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contra-luz cintilando um desassossegado arco íris.
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Era agradável estar ali confraternizando com o passado que, nem sempre foi risonho; Entre um era-não-era em coisa acontecida mas não vista, assim como São Tomé, só relíamos poemas de Garcia Lorca referente à guerra de 1937 a 1939 com quadros dantescos quando do bombardeamento de Guernica e atrocidades de uma disputa civil.

guernica1.jpg Entalados na memória entre Nacionalistas de Franco e Republicanos que perfurou como uma faca sem fim toda a Espanha, nós só podíamos rever nossas próprias fugas em um mundo feito de muitas guerras.
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A sala espaçosa estava recheada de quadros sobre esses acontecidos passados como uma galeria de horrores de Granada da Espanha dos toureiros e muito olé-olé. Sentei-me num recanto em uma cadeira em madeira talhada com motivos de produtos da terra, pedi um “café solo” e uma tortilha de “manzana”.

guernica2.jpg O olhar não se desprendia dos corpos desmembrados em destroços retorcidos, gente e animais espalhados pelos campos; um treino de preparação à grande guerra que viria a acontecer em 1940. Ainda faltavam cinco anos para eu nascer e andava já tropeçando com os matumbolas coadjuvado pelo meu muito próximo Januário Pieter que conhecia todos os contornos ao pormenor. Há coisas que só acredito porque sou eu a contar! Fosse outro qualquer dava-lhe berrida no segundo.
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Sabes!? Eu não sabia ao certo mas ele falou: Os Alemães ajudando Franco a tomar o poder aprendendo aqui a matar, preparando-se para a guerra, essa que te viu nascer. E, arrepiei-me, sabem - Sentia-se desprender da tela o odor fétido da morte.

araujo19.jpg Nesta cidade tão cheia de memórias, havia felizmente, espaços retemperados à noite com flamengo, uma dança que reflecte o estado de espírito cigano. Estava aqui como que esperando aleatoriamente Januário Pieter, a assombração Kianda que pouco a pouco foi ficando o meu “Guru”.
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Entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, zuniam na minha cabeça legionários às ordens de Franco gritando “viva la muerte” mutilando o meu medo envidraçado de repugnância a todas as guerras.Estava agora, pronto a fazer com ele, Januário Pieter um pacto de sangue sem sangue - a seco, tornar-me um cipaio do seu arimo (lavra horta, n´nhaca).

araujo100.jpg O pacto foi feito, aceite e aprovado na maioria sábia de dois, a saber: T´Chingange, o próprio, com Januário de Sangano da Muxima de N´Gola. Foi quando explicou com detalhes de vôos rasantes. Aviões Nacionalistas matando indiscriminadamente gente impregnada de susto sem celeiro ou pontes para se esconderem; brigadas internacionais, idealistas lutando com armas diferentes de um credo sem culatra, munições encravadas em sonhos inúteis.
( Continua ... )
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:45
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2019
KILUNDU . II

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
MERCADO DO XIPAMANINE - Novo encontro com a kianda Januário Pieter, um verdadeiro N´Zambi N´kuluculu
NA ILHA DO CARLITOS - 29.04.2019
Por

soba002.jpg  T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Ontem, um novo dia, demos um forte abraço, convidei-o a sentar-se mas ele continuou de pé como a mostrar a sua nova indumentária e postura de muita banga. O penteado de Januário Pieter era um frisado afro com uma trança a retorcer no cocuruto por uma abertura do seu chapéu, uma quijinga do tipo Cumba-yá-lá tendo uma faixa zulu a contorná-la. 
::::: T´Ching2
Da orelha esquerda pendia um dente de facochero enquanto que a contornar o pescoço havia dois colares formando um conjunto colorido de missangas e n´zimbos; um destes tinha um circulo de madeira de pau preto com um desenho curioso de uma ranhura curva ascendente que entroncava numa helicoide de três circulos num crescendo para a direita e fechando por um cemi-circulo mais alongado indo quase fechar no mesmo sítio de início.

paz1.jpg :::::T´Ching3
Esta enigmática figura, ficou no meu consciente para mais tarde me ser decifrada. Nos pés, trazia umas sandálias em tiras de cabedal e atilhos que se iam amarrar a meio da canela. Vestido, tinha umas calças de vermelho berrante às bolas brancas; nas bolas brancas de forma estilizada aparecia aquele símbolo de curvas em elipse de caracol que quase fechando no mesmo lugar, mais parecia um bico aberto de papagaio. 
:::::T´Ching4
Eu estava estupefeito com tal estilo. Por cima das calças folgadas tinha uma camisa lilás com desenhos na forma de cornos de palanca de cangandala sem cinto a prender, tipo balalaika e, por cima de tudo isto tinha uma espécie de túnica com folhos brancos no final de umas largas mangas. 
:::::T´Ching5
Aquela túnica de uma seda especial tinha as cores preta e rubra como a bandeira de Angola e o mais curioso é que tinha em lugar da catana e a roda dentada, a esfinge de João Lourenço 
com o fundo esbatido de José Eduardo dos Santos. Háka! Eu estafa burro-feito com todo este aparato de n´kondi. Pieter estava um verdadeiro espantalho Xis-pe-te-Ó, super moderno e práfrentex.

luis44.jpg :::::T´Ching6
Até as sandálias estavam feitas em um cabedal firme, reviradas para cima como uma meia lua na forma dum genuíno aladino. Aquilo era demais, uma verdadeira mumia rejuvenecida de kalungas encrespadas. Um extra e vistoso camacoza carregado de zingarelhos. 
:::::T´Ching7
Mas, após a minha mirada, Kianda Pieter falou: - Meu camarada, mano kamba, como estás? Tu, continuas um tipo fixe! Seguiu-se uma pausa sem muxoxo, só por respeito com medo. Pieter mudou mesmo! Arrepiei-me. Que era isto? Mas nós vimo-nos ontem? O kota estava no literalmente. - Sabes meu, rejuvenesci à bessa, uns anos mesmo. Vou até te contar só. - É mesmo! Como foi isso? Perguntei engalfinhado em susto. 
:::::T´Ching8
- É assim, começou ele : - Estive na festa da Muxima, no entretanto esquindivei Kwanza acima, Kwanza abaixo relembrando meus tempos de candengue. Até fui numa rebita mas, mais tarde eu conto só. E Pieter continuou falando. Tinha muitas mocandas na cabeça para contar. - O mais importante nesta minha vida de matumbola mutalo, passou-se em Maputo. 

dia131.jpg

 

:::::T´Ching 9
Kianda é assim mesmo, os metros deles têm kilómetros! E, o tempo vira um era num era... Eu explico: - Por recomendação dum kamba muxiluanda, fui num vai-vem minkisi vip ao Xipamanine, lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine. Estás aver Meu !? 
:::::T´Ching10
O resultado é isto! Eu, só abanava a cabeça. E, ao dizer isto Pieter, fez um gesto longo com ambas as mãos envoltas nos folhados brancos, de cima abaixo indicava o estafermo de figura excêntrica numa simultânea adoração ao tal N´kuluculo. - Pópilas... Eu, estava feito um plimplau. 

dia23.jpg :::::T´Ching11
Glossaário: Quijinga: - gorro de autoridade tradicional Cumba-yá-lá: - ex- governanta da Guiné-Bissau Facochero: - javali preto com dois pares de dentes salientes N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga Palanca: - animal de grande porte e com esguios e longos chifres; simbolo de Angola (Quase em extinção) Cangandala: - local reserva natural em Angola háka: - Irra!,Caramba!, porra! n´kondi: - poder da magia em fetiche, boneco de maldades kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral camacosa: - maltrapilho kamba: - companheiro, amigo, camarada (de guerra) muxoxo: - sílvido produzido pelos lábios de vento aspirado entre dentes, estupfacto ou sinal de desprezo, sinal de desencanto esquindiva: - fazer revianga, finta, fazer piruetas, bazar dalí candengue: - moço, rapaz, pivete (Brasil), puto (Portugal) rebita: - baila na sanzala ou kimbo, dança de umbigada com as garinas mucanda: - carta, missiva, relatório matumbola: - morto vivo, uma assombração mutalo: - espíritos mortos sem ordem de n´zambi (Deus) muxiloanda/o: - natural de Luanda, camundongo, (quem bebeu água do bengo e apanhou paludismo ainda candengue) minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado cambuta: - homem baixo, atarracado N´kuluculu: - N´Zambi, Deus na língua Zulu Miama: - preto na língua Zulu Xi-lunguine: - nome aoriginal de Maputo Pópilas: sáfa! Caramba!, c´os diados! Plimplau: - pássaro saltitante, irrequieto (Continua ...) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:08
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Domingo, 28 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXVII

N`ZINGA E O FALA KALADO 
NA ILHA DO CARLITOS de Várias Partes – 28.04.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Foi uma grande e boa surpresa ver-te em Guarulhos e, quis manter-te afastado das periclitâncias. Ainda temos alguma jornada pela frente aqui e lá! Disse isto apontando o dedo para cima como se ele, FK já tivesse alisado seu caminho que conduz ao mukifo do céu; até talvez seja natural que ele tivesse trazido uma bússola em sua anterior ida; refiro-me àquela morte que resultou numa lenda ainda não contada aqui com rigor mas, cada item no seu cronograma. 
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Se houver um anjo espião, que o há pela certa, porque estas nuvens são demasiado traiçoeiras, vai ter de fazer uma triagem de tudo para poder juntar nossos hologramas. Eles, lá no MPLA são peritos em festejar nosso contentamento mas, depois dão palmadinhas nas nossas costas e numa de paz e reconciliação às tantas, espetam um pico imperceptível de cacto tabaibo com veneno de cobra mamba.

monstro4.jpg Acabávamos de saborear um caldo de camarão com jindungo na ilha do Carlitos. Sim! Disse eu numa de mudar o rumo à conversa porque se sempre pensamos em vinho envenenado vamos ficar detestávelmente paranóicos: - Lá também deve haver forro de serra, deve ter um Dominguinhos para alegrar a malta, não é!? 
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FK riu-se como não o via rir faz tempo e, por momentos sua cicatriz mudou de cor, ficou vermelha ressaltando os pontos feitos com mateba de Catete e deu para assustar vendo sua orelha de plástico hibernado ficar pululando de tremura. Deu umas tossidelas com som estranhamente fino, coisa invulgar por sempre ter voz de trovão e, num repentemente tudo normalizou. Graças a Deus, muxoxei baixinho.

pombinho5.jpg Tu és muito astuto de picaro, disse FK: por isso é que o Mais-Velho te mudou de secretaria sem secretária, chupando na mandioca para fazeres teus poderes dialécticos como Secretário de Relações Públicas. Mesmo assim na merda de nossa vida encantada, nunca tivemos momentos altos de nos enaltecerem nas devidas proporções, mas, deixa para lá... A estória só nos anoiteceu! Conclui, dando um tremendo dum peido de assustar os bem-te-vi. Para eles! - disse.
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Sim! disse ele, o Fala Kalado depois de entornar a sua décima primeira cerveja skol, depois de ter tomado três caldinhos variados de sirí e dar umas mais de doze bufas sonoras para aliviar o "simsenhor", como ele chamava ao seu forever, mataco açambarcador de cheiros variados, de fugir com a mão no aspirador de aromas.

quip´02.jpg Chiça, o cara continua: Nada foi fácil para ninguém em N´Gola, todos pareciam salalé a fugir de cobra surucucu para lugar desconhecido; uns foram para o Sul outros para aqui no Brasil e a maior parte seguiu para o M´Puto. Para ti, T´Chingange, foi um vôo grátis para Lisboa depois de passares umas quantas guias de transporte na ponte do Tundamunjila lá no palácio do desgoverno!
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Minha lenda, diz FK: anda a ser descortinada por ti, resquícios de investigação e relações publicas mas, toma cuidado, nem todos os que parecem ser, assim o são. Como assim!? O que é que tu sabes que, eu não sei. Tambula konta meu irmão: tem gente que te quer fazer trepanação a frio e tu com teu kixibus todos, não vais aguentar... Anda pianinho - malembe melembe...

fuga6.jpg Realmente, só fui sabendo um pouco de ti aos poucochinhos, disse eu para dar finalidade a tanto retalho do tempo. Passando uma esponja sobre e sob tantos pormenores dir-te-ei que ajudei a reformular a ala do MPLA de Chipenda mas, por falta de consistência e também de coerência, estando eu já no sul, aderi à UNITA . Foi Salupeto Pena que me convenceu.
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Aí está uma afirmação que desconhecia, por isto é que a insatisfação tomava conta de mim tornando-me um gelo no estado sólido mas, curiosamente muito quente como quem apanha em cima um balde de água. Isto já era demais - ficando assim na dúvida se não seriamos uns hologramas, fizemos uma pausa na piscina, pischinando...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:26
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Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
XICULULU . CIII

TEMPOS QUENTES 24.04.2019 
MALAWI – NIASSA . No vale do Rift - De várias partes 
Por 

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 

rift16.jpg Mitologia de terremotos e vulcões ... Mitos, histórias e lendas sobre terremotos e vulcões de todo o mundo podem às vezes ser engraçados e elaborados. Antes da ciência moderna, os vulcões iriam explodir, as tempestades iriam romper-se e os terremotos tremeriam. 
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Tais incidentes hipnotizavam as pessoas, pois não sabiam do por quê e como. Como resultado, histórias para expor esses fenómenos foram desenvolvidas. Portanto, pessoas de todo o mundo têm usado mitos, lendas e histórias para explicar sobre terremotos e vulcões.
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Essas crenças e normas culturais foram à sua vez, uma maneira de tentar entender os poderosos fenómenos naturais que poderiam afectar muito a vida das pessoas. Eles evoluíram ao longo de milhares de anos em várias culturas e foram transmitidos ao longo de gerações.

rift14.jpg Em muitas culturas, no entanto, os animais, incluindo os seres sobrenaturais que vivem tanto na superfície da Terra como no subterrâneo, eram / são de se acreditar, estarem associados com terremotos e vulcões.
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Algumas culturas ampliaram esse tipo de história para incluir muitos animais que compartilham o fardo de carregar a terra. Em N´kwazi, rio Cubango, o Okavango da Namíbia, não muito longe do Rundu, pude saber esta interligação cultural pois que este nome corresponde a uma ave pesqueira e, tem o significado de liberdade. 
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Um peixe-gato gigante encontra-se enrolado sob o mar com uma ilha apoiada nas costas. O bagre, gostava de fazer brincadeiras e só podia ser contido por uma deusa chamada Kashima. 

rift13.jpg Enquanto Kashima mantivesse uma rocha poderosa com poderes mágicos sobre o peixe gato, a terra estava parada. Mas quando ele relaxou sua guarda, o peixe-gato se debateu, causando terremotos.
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A terra é considerada um disco plano, sustentado por uma enorme montanha a oeste e por um gigante a leste. A esposa do gigante segura o céu. a terra treme quando ele pára para abraçá-la. ´esta uma das lendas da África Ocidental. 

rift17.jpg Em Afar, o Vale da Fenda é todo coberto de pedras vulcânicas, o que indica que a litosfera é tão fina que pode estar a ponto de romper. Quando isso acontecer, um novo oceano começará a se formar pela solidificação do magma no espaço criado pelas placas quebradas.

rift15.jpg Eventualmente, em um período de dezenas de milhões de anos, o oceano vai se espalhar por todo o Vale. Por fim, a África ficará menor, e uma ilha gigante surgirá no Oceano Índico. Embora o processo seja acompanhado de terremotos, na maior parte do tempo ele se dará de forma silenciosa, sem que ninguém se aperceba.
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:02
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Sábado, 20 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXV

N`ZINGA E O FALA KALADO 
de Várias Partes – 20.04.2019
Por

soba0.jpeg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)

massau5.jpg Ele, Fala Kalado, quis sabe de mim, do porquê de eu ter saído da Caála de forma quase abrupta. Reporta-se aos últimos dias do mês de Julho do ano de 1975. Tive de lhe explicar que tendo eu nesse então levado minha sogra a Luanda a fim de seguir para Lisboa com seu filho Honório Mestre, por pouco, não éramos fuzilados. Como assim!? Exclamou FC. Pois foi! Fomos em um autocarro da EVA - Empresa de Viação de Angola e no lugar de Muquitixe, a terra dos abacaxis, um controle de estrada mandou-nos parar. 
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Era um desses aleatórios controles que surgiram por toda a Angola e, normalmente feito por militares ou ex-guerrilheiros do movimento que era influente em essa zona. Não vou aqui dar todos os pormenores porque tu, sabes bem o que isso foi, o que isso era! Aquele, tratava-se de uma barragem montado por pseudo soldados impreparados para tal função; era um afecto ao MPLA mas, até podia ser da UNITA ou FNLA - todos se comportavam de uma forma despropositada. Era o poder a chegar impreparado e, a quem nunca o poderia vir a ter .

guerri4.jpg Estes controles eram já feitos à revelia de qualquer fiscalização por parte das autoridades portuguesas. Por vezes pediam os crachás do movimento a que pertenciam e isto era bem perigoso! Mesmo que o tivessem ninguém o mostrava por medo de reacções adversas assim fosse de quem ia connosco, ou deles. Um imbróglio de todo o tamanho e da qual nenhum de nós poderia ultrapassar por si só! Não existia legislação para isto, nem bom censo. 
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Era um "seja o que Deus quiser"! Era perigoso insinuar-se e, ou dar indicações de camarada, de irmão ou mostrar qualquer trejeito de desconformidade. Um cigarro por vezes, era uma boa oferta e, porque todos fumavam, assim se abria uma porta de boa vontade. Parece pouco mas, um cigarro poderia valer uma vida!

gurra10.jpg Foi assim que interpretei na altura porque aqueles militares de faz-de-conta estavam cheios de droga; via-se isso nos olhos, no cheiro, nas atitudes e, qualquer fagulha poderia fazer fogo. Com o autocarro estacionado na berma, mandaram descer todos os passageiros e que ficassem ali encostados na parede de uma casa recentemente incendiada. Iam fazer uma revista minuciosa às nossas bagagens!
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Felizmente que ia ali um Furriel Negro, fardado ao jeito de um qualquer tropa de então em exercício no exército, talvez saído da Escola de Aplicação Militar de Angola (EAMA) aonde também eu tinha andado e, este apresentou-se como sendo do MPLA, mostrou seu crachá-cartão do movimento ou algo semelhante o que resultou em reunião. 

papalagui11.jpg Fosse como fossem as falas deles resultaram em deixar-nos ir via Luanda sem revistar nada. Num toca a subir de mim para comigo e todos num aijesus, Deus nos acuda - Foi um Milagre! Mas, a partir dali, foi um choque de arrasar: Casas e carros queimados ou desventrados, tudo parecendo abandonado sem gente a mexer-se; nenhum lugar para se comer o que quer que fosse. 
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A cidade do Dondo parecia abandonada - um holocausto! Seguiu-se-lhe todas as outras terreolas com idêntico aspecto,: Zenza do Itombe, Maria Teresa, Cassoalála, Cassoneca, Calomboloca, Catete, Viana e arredores de Luanda. Ver isto, foi o princípio do fim! Dali para a frente podíamos adivinhar: iríamos ficar sem médicos, enfermeiros, veterinários, gasolina para o carro, e técnicos nas várias áreas. 

modas4.jpg Sem escolas a funcionar, sem géneros para subsistir, tudo era muito arriscado e, havendo outra saída plausível seria o mais indicado - ponderar pela segurança! E havia: O Quadro Geral de Adidos para funcionários. Foi quando o pensamento como ao sabor do ar quente, rumou para nuvens menos escuras - Largar tudo e ir para o M´Puto, a metrópole, Lisboa, aonde quer que fosse, mesmo que começando tudo de novo e como órfãos da terra.
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Por muito que amasse Angola, este amor não seria nunca comparável ao da família, mulher e dois filhos. Como eu, estavam bem mais de meio-milhão. Um cunhado mais ligado às instâncias politicas do M´Puto pois que era natural da mesma região, o Ribatejo com os oficiais de Abril, tais como Otelo saraiva de Carvalho entre outros: Metalúrgicos de pensamento de esquerda, organizados por Karl Marx ou Lenine via PCP. Avisado, o Branco de nome e tez, disse-me que saísse de Angola enquanto era tempo. Só que eu queria ficar! Mas, ele estava com a razão... 
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:04
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Quarta-feira, 17 de Abril de 2019
MOKANDA DO SOBA . CXLIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 17.04.2019
Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro
A ficção e a realidade serão coisas poucas se considerarmos que só somos uma ilusão. Tudo morre e, tudo revive em tempo que lhe é seu. Ontem assisti com imensa pena ao quase fim da Catedral de Notre Dame de Paris, uma obra de arte, monumento tão velho como a criação de Portugal, ou quase! Em 1139, depois da vitória na batalha de Ourique contra um contingente mouro, D. Afonso Henriques proclamou-se Rei de Portugal com o apoio das suas tropas.

paris01.jpg A Catedral Notre-Dame de Paris é uma das mais antigas catedrais francesas em estilo gótico. Iniciada sua construção no ano de 1163, é dedicada a Maria, Mãe de Jesus; situa-se na ilha da cidade de Paris, rodeada pelas águas do rio Sena. Entre estas datas há exactamente 24 anos de diferença - quase nada no contexto do Universo.
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Estive ali no ano de 2009, dez anos atrás e, pude apreciar desde o rio Sena a majestade daquela obra secular. Rio acima, rio abaixo pude apreciar o quanto tudo era belo. Fiquei muito triste ao ver aquelas labaredas queimando tão riquíssimo património; doeu, ver seu pináculo rendado acima da cúpula, cair rodeado das chamas vermelhas.

Paris1.jpg Interroguei-me do porquê de não haver ali automatismos para se apagar tal incêndio. Provavelmente até há, mas foi dito que estava em curso uma restauração, obras de conservação. Se foi ou não erro humano, o certo é que algo falhou e este descaso a ser assim, não deveria ter acontecido. Ouvi dizer que o ataque às chamas deveria ser cauteloso por via da água alterar as propriedades das velhas pedras podendo fragmentá-las em areia.
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É lógico pensar-se que as fracturas surgem pelas grandes variações térmicas mas, sabendo nós haver outros químicos alternativos repetimos o caso com demasiados talvez. Daqui poder dizer-se que até as pedras, no tempo se desfazem em desertos. Desertos que cada vez mais se estendem no mundo que habitamos - a Terra.
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Também daqui dizer-se que efectivamente somos uma ilusão e, só enquanto o somos! Tenho tomado consciência no tempo que é este "agora" que importa e, é neste agora que devemos dizer o que temos para dizer. Porque tal como uma infinidade de pontos formam uma recta, tudo terá sequência se se der sinal de existir adicionando um ponto à recta. Sabemos que o alinhamento de um azimute ou rumo só é definido por um terceiro ponto colinear 

paris2.jpg Sendo assim nos contactos que tenho na forma de gente, são poucos a assumir esta equação reduzida da recta (y = mx + c).
Isto porque e, principalmente vivem uma ilusão de vida que é a sua. E, porque não se assumem dizendo o que pensam, porque alguém supostamente pode julgar incorrecta ou não gostar.
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Quantos MAS existem em nossas vidas tão formuladas ou formatadas em normas, em paradigmas, em dogmas esquecendo-se que num amanhã tudo pode acabar ou acaba mesmo!
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Notre Dame decerto, irá renascer para se perpetuar nossa vontade de fazer, de fazer querer ou tão somente ver. Uma aranha que faz a sua teia, tem a intenção de apanhar uma mosca, quer tenha ou não consciência desse resultado - É esse o sentido da teia. O cérebro humano evolui segundo o mesmo conjunto de regras que a teia da aranha.

paris3.jpg Cada decisão tomada por um ser humano possui sentido, naquela primeira intencionalidade, o desenrolar da estória obedece apenas às leis gerais do Universo. Cada evento é aleatório ou alterado, na probabilidade de eventos posteriores. Quem se seguir a mim, por favor apague as luzes.

O Soba T´Chingange

sacag1.jpg EM TEMPO - ADENDA POR Maria Joao Sacagami

:::11.1

Vou fazer dois reparos ao teu texto de que gostei por demais. O primeiro diz respeito a quem Notre Dame foi dedicada. Foi construída pelos Templários, que encontraram em suas andanças pelo Oriente Médio documentos que hoje jazem (esse é o termo, dado que estão profundamente enterrados) no Vaticano, e que apoiados por tais documentos se tornaram os Guardiões de um Segredo relacionado com Jesus e Maria Madalena. Mais propriamente, foram os guardiões do segredo de Maria Madalena, a quem veneravam como a Grande Senhora. Seus mais ferozes perseguidores, os Dominicanos, são hoje os Guardiões.

santi2.jpg :::11.2

Seus seguidores, os maçons ou livre pedreiros, construíram a Catedral de Paris e outras na Europa, orientados pelos ensinamentos de grandes mestres pedreiros e da arte dos vitrais. Nas paredes e detalhes de Notre Dame foram embutidos milhares de símbolos. Um deles o duplo M que se vê em vários desses espaços chamados sagrados, MM, não significam Mãe Maria mas Maria Madalena. A Virgem Negra, porquanto oculta, portadora dos conhecimentos e rituais antigos. Tão antigos quanto os conhecimentos e rituais praticados nesses locais, antes que outros templos fossem erguidos. Uma das razões para a escolha do local aliás, sempre foi o fato de anteriormente terem sido templos dedicados à Grande Mãe. 

:::11.3
O segundo diz respeito ao que se perdeu. Além da simbologia e das técnicas que nos são hoje desconhecidas, perderam-se ornamentos e estruturas criadas de forma específica para auxiliarem a repercussão dos sons dos cânticos e órgão, que iriam influenciar as emoções e pensamentos dos que entravam na Catedral. Cada um deles trabalhado intencionalmente para emitir o som em ondas que reverberam em formas geométricas.

sacag4.jpg :::11.4

A Cimática, ainda que seja uma ciência recente, estuda essas ondas e formas, assim como o resultado sobre o equilíbrio humano. Estudava essa como estuda outras Catedrais. As ondas geradas criam aberturas sensoriais que permitem uma elevação extraordinária de pensamento e emoção, e quiçá portais de acesso espiritual, facilitado também pelo fato de ter sido a Catedral construída sobre um manancial de água, tal como os templos que a antecederam.

sacag2.jpg :::11.5
Ela foi reconstruída antes. E muito se perdeu. Mas não tanto quanto nos nossos dias em que as pessoas (engenheiros e arquitetos) que se envolverão com o processo, não possuem uma pálida ideia do que ali estava ancorado. E, possivelmente, nem se importam.
Notre Dame de Paris, infelizmente, nunca mais será a mesma.

Maria João Sacagami

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
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Terça-feira, 16 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXIV

N`ZINGA E O FALA KALADO  – 5ª de Várias Partes – 16.04.2019
Por

soba15.jpgT´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Depois de falarmos do calor, da brisa e tempestades, um pouco por todo o lado, Fala Kalado iniciou suas confrontações: - Estás gordo, meu! Gordo e velho - já somos dois, deixa para lá! Interessante tu ainda te recordares de Kalacata!? Já andava ansioso para te rever, depois daquele encontro em São Paulo mas, os motivos ponderosos estavam escaldando. Felizmente já me libertei desta carga. Assim com um chorrilho de perguntas, afirmações e interrogações, ambos fomos sublimando nossa empatia. Curiosamente, achei-o muito sereno, aliás surpreendentemente sereno para um morto.

 

kilo8.jpg Muito de cautela perguntei-lhe: - FK, como consegues conciliar tua vida depois de reviveres de um modo assim tão vivo, tua morte. Recentemente soube que um tal de Luís Neto Kiambata, dirigente do teu defuntado MPLA da LUUA, declarações à imprensa - uma palestra sobre “A Vida e Obra de Nelito Soares”, no âmbito do 27 de Julho de 1975, que assinala a tua morte... Ele fez menção de que não chegaste a ver a independência no dia 11 de Novembro.

missosso9.jpg FK, fez todos os possíveis para não me interromper pelo que continuei: -Até recordaram o 4 de Junho de 1969, por acaso dia do meu aniversário; falaram até em Diogo de Jesus, afectos ao MPLA, de quando desviaram para a República do Congo um avião da DTA, coisa já aqui falada, a predecessora das Linhas Aéreas de Angola (TAAG). 

missosso3.jpg Precisamente na altura e neste dia comemorava os meus anos no Miconge, lugar conhecido por Sanga Planicie. Mas diz qualquer coisa! Com um enorme trejeito de desagrado ao ponto de fazer tremelicar sua orelha esquerda de plástico falou: -Pois! - Esse tal de Nélito morreu mesmo. Vais desculpar-me mas terei de ficar mesmo calado nesta matéria de recordar o que não quero lembrar e, em verdade já nem me lembro porque virei matumbola.

missosso6.jpg OK! Se queres, assim será; para mim és o Coronel Fala Kalado e não se toca mais neste periclitante assunto. É melhor! - Diz ele assim na forma de muxoxo carregado de naftalina misturada com creolina; deu para notar que era mesmo um ponto morto, morrido, defuntado. Bem! Fazia-te em Curitiba, Poconé mas, nunca aqui. Falei assim para quebrar qualquer gelo metido nas frinchas enferrujadas e ainda não sublimado em nós.

missosso4.jpg Em verdade estive naquele lugar do qual te dei um cartão que dizia. Terei de aqui recordar: ONG FENIX – Rua de la Paz nº 184 - Edifício LOPANA. Bem ao centro em letras quase góticas: FALA KALADO - (Coronel Emérito), tendo por debaixo em letra romana e inclinada os dizeres: Relações Internacionais.

missosso7.jpg É certo! É FK que retoma as falas dizendo: Esse é o lugar de contacto que ainda se mantém mas, em realidade os matumbolas kiandas de Hoji-ya-Henda e Monstro Imortal, heróis da guerra do Tundamunjila mais a Rainha N´Zinga estão descansando sua eternidade junto dos seus antepassados, em um quilombo situado perto de Poconé, capital do garimpo.

missosso12.jpg Eles fizeram questão de ali permanecer junto a seus próceres de N´Gola preservados no tempo em um estado quase puro. Ficaram em uma especial Cubata - Jango no quilombo de Urubama. Tudo porque existe ao redor muitos outros com nomes bem curiosos tais como: Aranha/ Cágado/ Campina de Pedra/ Campina - Canto do Agostinho/ Capão Verde/ Céu Azul/ Chafariz .
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E porque são tantos enumero mais alguns para teres ideia de como ficam bem acompanhados: Chumbo/ Coitinho/ Curralinho/ Imbé/ Jejum/ Laranjal/ Minadouro - Monjolo/ Morrinhos/ Morro Cortado/ Pantanalzinho/ Passagem de Carro/ Pedra Viva/ Retiro/ Rodeio/ São Benedito/ São Gonçalo/ Sete Porcos/ Tanque do Padre Pinhal/ Varal. Acho que chega, não!?

missosso11.jpg Para teu sossego e conhecimento, o Brasil tem uma Portaria, incluída no Decreto Presidencial nº 4.887/2003, que regulamenta o procedimento para identificação e reconhecimento destes quilombolas.  A referida Portaria destaca em seu artigo Art. 2° - Para fins desta Portaria consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos os grupos étnicos raciais, segundo critérios de auto atribuição, com trajectória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com formas de resistência à opressão histórica sofrida. (FCP - Portaria 98/2007) . Como vez, não poderiam ficar em melhor lugar... 
( Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
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Segunda-feira, 15 de Abril de 2019
MOAMBA . XXV

Dizem que já estamos no século XXI... 15.04.2019
”Esta gente foi a gente com quem me fiz gente. Hoje, não há gente… é tudo transgénico . "Quando os meninos me pediam "papel macio pró cu e roupa boa prá gente"…
TEXTO DE UMA PROFESSORA DE NOME LOURDES DOS ANJOS ... 

Moamba é cozido de galinha feito com azeite dendem 

kimbo 0.jpg As escolhas do Soba . No Nordeste do Brasil
Aqui se transcreve um texto que me fez lembrar o tempo... Curiosamente, em Rio de Moinhos, muito próximo de Rio Mau... perto do Porto... Um dos textos que mais me custou a escrever e por isso tem mais lágrimas do que palavras. Estávamos ainda no século XX, no longínquo ano de 1968, quando a vida me deu oportunidade de cumprir um dos meus sonhos: ser professora. Dei comigo numa escola masculina, ali muito pertinho do rio Douro, na primeira freguesia de Penafiel, no lugar de Rio Mau.

 lourdes dos anjos1.jpgEra tão longe, da minha rua do Bonfim, não podia vir para casa no final do dia, não tinha a minha gente, e eu era uma menina da cidade com algum mimo, muitas rosas na alma, e tinha apenas 18 anos. Nada me fazia pensar que tanta esperança e tanta alegria me trariam tanta vida e tantas lágrimas. Os meninos afinal eram homens com calos nas mãos, pés descalços e um pedaço de broa no bolso das calças remendadas. 
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As meninas eram mulheres de tranças feitas ao domingo de manhã antes da missa, de saias de cotim, braços cansados de dar colo aos irmãos mais novos, e de rodilha na cabeça para aguentar o peso dos alguidares de roupa para lavar no rio ou dos molhos de erva para alimentar o gado.

araujo103.jpg As mães eram mulheres sobretudo boas parideiras, gente que trabalhava de sol a sol e esperava a sorte de alguém levar uma das suas cachopas para a cidade, “servir” para casa de gente de posses. Seria menos uma malga de caldo para encher e uns tostões que chegavam pelo correio, no final de cada mês. Os homens eram mineiros no Pejão, traziam horas de sono por cumprir, serviam-se da mulher pela madrugada, mesmo que fosse no aido das vacas enquanto os filhos dormiam (quatro em cada enxerga).
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Cultivavam as leiras que tinham ao redor da casa, ou perto do rio e nos dias de invernia, entre um jogo de sueca e duas malgas de vinho que na venda fiavam até receberem a féria, conseguiam dar ao seu dia mais que as 24 horas que realmente ele tinha. Filhos, eram coisas de mães e quando corriam pró torto era o cinto das calças do pai que “inducava” … e a mãe também “provava da isca” para não dizer amém com eles…

arau162.jpg E os filhos faziam-se gente. E era uma festa quando começavam a ler as letras gordas dum velho pedaço de jornal pendurado no prego da cagadeira da casa…o menino já lia.. ai que ele é tão fino… se deus quiser, vai ser um homem e ter uma profissão! Ai como a escola e a professora eram coisas tão importantes! A escola que ia até aos mais remotos lugares, ao encontro das crianças que afinal até nem tinham nascido crianças…eram apenas mais braços para trabalhar, mais futuro para os pais em fim de vida, mais gente para desbravar os socalcos do Douro, mais vozes para cantar em tempo de colheitas.
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E os meninos ensinaram-me a ser gente, a lutar por eles, a amanhar a lampreia, a grelhar o sável nas pedras do rio aquecidas pelas brasas, a rir de pequenas coisas, a sonhar com um país diferente, a saber que ler e escrever e pensar no é coisa para ricos mas para todos, para todos. E por lá vivi e cresci durante três anos e por lá fiz amigos e por lá semeei algumas flores que trazia na alma inquieta de jovem que julgava conseguir fazer um mundo menos desigual.

araujo1.jpg E foi o padre António Augusto Vasconcelos, de Rio Mau, Sebolido, Penafiel, que me foi casar ao mosteiro de Leça do Balio no ano de 1971 e aí me entregou um envelope com mil oitocentos e três escudos (o meu ordenado mensal) como prenda de casamento conseguida entre todos os meus alunos mais as colegas da escola mais as senhoras da Casa do
Outeiro. E foi na igreja de Sebolido que batizou o meu filho, no dia 1 de janeiro de 1973.
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E é deste povo que tenho saudades. O povo que lutou sem armas, que voou sem asas, que escreveu páginas de Portugal sem saber as letras do seu próprio nome. Hoje, o povo navega na internet, sabe a marca e os preços dos carros topo de gama, sabe os nomes de quem nos saqueia a vida e suga o sangue, mas é neles que vai votando enquanto continua á espera de um milagre de Fátima, duns trocos que os velhos guardaram, do dia das eleições para ir passear e comer fora, de saber se o jogador de futebol se zangou com a gaja que tinha comprado com os seus milhões, e é claro de ver um filmezito escaldante para aquecer a sua relação que estava há tempos no congelador.

arau163.jpg  Seus génios, os pequenos / grandes ditadores que até são seus filhinhos gente que vende aulas aqui, ali e acolá, os papás são todos doutores da mula russa e sabem todas as técnicas de educação mas deseducam os seus génios, os pequenos /grandes ditadores que até são seus filhinhos e o país tornou-se um fabuloso manicómio onde os finórios são felizes e os burros comem palha e esperam pelo dia do abate.
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Sabem que mais?! Ainda vejo as letras enormes escritas no quadro preto da escola masculina, ao final da tarde de sábado, por moços de doze e treze anos com estes dois pedidos que me faziam: “Professora vá devagar que a estrada é ruim, e não se esqueça de trazer na segunda-feira, papel macio pró cu e roupa boa dos seus sobrinhos prá gente”. Esta gente foi a gente com quem me fiz gente.

araujo191.jpg Hoje, não há gente… é tudo transgénico. O povo adormeceu à sombra do muro da eira que construiu mas os senhores do mundo, estão acordadinhos e atentos, escarrapachados nos seus solários “badalhocamente” ricos e extraordinariamente felizes porque inventaram máquinas e reinventaram novos escravos.Dizem que já estamos no século XXI...”
Ilustrações de Costa Araujo Araujo
Li com prazer : O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:45
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Domingo, 14 de Abril de 2019
MU UKULU – XIX

MU UKULU...Luanda do Antigamente14.04.2019 
MUXIMA E MASSANGANO - Uma visita à Fortaleza de S. Miguel. Saber do passado para melhor se entender o futuro...
Por 

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

Mu Ukulu44.jpg  Li uma tese da análise da Unicamp em Brasil e achei interessante continuar este tema sobre a instalação de uma fábrica de ferro na região da Ilamba, no interior de Angola. Na segunda metade do século XVIII, a partir do ponto de vista das sociedades africanas, as mudanças nas relações de trabalho foram bem impactantes. Acabaram assim, por deslindar haver modos de exploração do trabalho dos Ambundos, para além do da escravidão.
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O estudo das faces normativa e prática dessas transformações impostos desde a conquista, trazem para o centro da narrativa os problemas de se ser subalterno a um processo alheio à sociedade. Os representantes da elite política africana, reivindicavam seu estatuto de vassalos para denunciar abusos que sobre eles cometiam.

Mu Ukulu02.jpeg Outros aspectos das relações coloniais manifestos durante a construção da fundição de Nova Oeiras foram os conflitos em torno de minas e terras mais o controle da fabricação e comercialização de objectos de ferro. Esses recursos naturais e utensílios de ferro, tinham já para os africanos significados distintos do económico. 
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Os ferreiros e fundidores da Ilamba produziam um ferro de alta qualidade em fornos baixos, com seus instrumentos rústicos. Sua trajectória, enquanto grupo de artesãos, foi o fio condutor da pesquisa, pois permitiu compreender as disputas, e conflitos de poder. Costumes e tradições envolvendo tanto as estratégias do domínio colonial português, quanto as formas de resistência a ele. Daí a invenção de novas práticas, com elaboração de discursos articulados subjacentes à sua emancipação. 

Mu Ukulu27.jpg Nota-se que as determinações locais tiveram peso tão ou mais significativo nas decisões tomadas na sede do Império em Lisboa. As ideias surgem ilustradas na principal fortaleza colonial para marcarem esse período. Fortaleza de São Miguel, baluarte de poderio Luso. Como podem deixar agora arrefecer estes relacionamentos que determinaram a nação presente. Como podem agora desclassificar e menosprezar a gesta Lusa que também foi heróica. Aqui se forjaram ideias e ideais que simplesmente não podem ser arredados.
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Os embates entre as personagens do Sertão de Angola - sobas, os filhos, capitães-de-mato, ilamba, imbari, negociantes, pumbeiros, ferreiros e fundidores - todos, guiaram as directrizes governativas em Luanda e enfatizam, talvez sem o saber as complexas redes hierárquicas nas relações de domínio, embora o sendo no auge do negócio negreiro . 

Mu Ukulu43.jpg Por fim, na base de uma leitura das fontes que privilegia o ponto de vista africano, propõe-se uma nova interpretação sobre as narrativas dos fracassos de Nova Oeiras, considerando que os Ambundos elaboraram estratégias bem-sucedidas para manter em seu poder os conhecimentos e os benefícios que a metalurgia lhes conferia.
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Haverá dignidade na menção, porque em pleno século XX o Governo de Lisboa ainda tinha aversão a tudo o que fosse cultura em Angola. O revolucionário empreendimento de Inocêncio de Sousa Coutinho, foi liminarmente abandonado, e intencionalmente esquecido. Em Novembro de 1772, após 8 anos fecundos e únicos na governação de Angola, depois da sua partida para Portugal o que o sucedeu; o Governador António de Lencastre, simplesmente, ignorou toda a sua obra.

Mu Ukulu29.jpg  A fundição de Nova Oeiras, uma homenagem ao primeiro ministro de Portugal Conde de Oeiras depois Marquês de Pombal, acabou por se transformar num local turístico que desperta nostalgia a todos os estudiosos e desejosos de verem aquela terra como sendo de todos que nela nasceram sofrendo também tantas tragédias, abandonos e descaso ao ponto de serem relegados a coisa nenhuma. 

Mu Ukulu45.jpg Esta fundição foi a primeira em África, à frente de quase todos os países europeus. E, ainda existem canhões fundidos naquele tempo para falar verdades de trovão; a pura palavra de se dizer: A verdadeira vontade de fazer progredir Angola. Não basta dizer que a cerca de 150 km do Dondo entramos no reino da Rainha Ginga . Nossa memorias vão mais além dessa sintetica negritude que por ironia, nos querem tatuar na pele para enfatizar...

NOTA FINAL AO JEITO DE COMENTÁRIO

-Sempre vinco o direito da nacionalidade como nascimento ou por obras meritosas feitas e para Angola! Ao invés de proporcionarem este principio, os ditos angolanos "genuínos" que se dizem ser no topo da escala, desmereciam ser angolanos porque açambarcaram para além do poder a economia roubando desmedidamente.

Houvesse gente interveniente aqui que não se limitasse a dizer "esta bem" ou clicar no "gosto" para se apelar ao governo de Angola que: - Eram mais merecedores serem angolanos aqueles colonos que tanto labutaram, do que estes ladrões que açambarcaram por graciosidade de Portugal tamanha responsabilidade.

Quisesse eu ser um sociólogo, pegaria nisto para me tornar doutor por tese. Talvez Fernando Vumby na Diáspora possa pegar nesta matéria e dar-lhe o devido relevo... Ou também o professor Júlio César Ferrolho ou Edgar Neves entre outros .... GENTE DE CRÉDITOS E ACREDITADA...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:10
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Sábado, 13 de Abril de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXIII

De novo, estou com o nº DOIS - livro do Agualusa - A tua pele tem um cheiro estranho - cheira a sonhos... 
No Morro da Barriga... 13.04.2019 
Por 

soba001.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 
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Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassumal. 
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira. 

cazumbi2.jpeg::::224
A cadelinha, um animal mutilado sem as patas traseiras, o tronco preso a uma pequena plataforma com rodas. O meu novo amor, não é fofinha? Euclides, o jornalista benguelense diz que sim! Que se lembra do bicho ao lado de um homem gordo, em Ipanema. Encontrei-a à porta do meu prédio; a bichinha passava o dia inteiro ali, uivando, chorando que fazia dó.
:::::225
A cachorrinha tinha o nome na coleira: Maria Bonita, pode?! A moça do biquíni negro exaltando a brancura, fala: Felizmente achei você! Conversa puxa conversa e vem à baila o medo que que anda solto cheirando as emoções: - O presidente José Inácio continua preso. O Brasil mudou muito nos últimos tempos; o Comando Negro chamou a atenção do Mundo e nas eleições escolheram Bolsonaro! Espero que endireite este país - pois, que ele possa cheirar as emoções ...
:::::226
Muita desgraça junta diz. Barragens a deslizar, corpos por encontrar, chuvas a levar o o lixo pró mar, muito lixo, prédios que caem, corpos que não aparecem: Um cadáver faz muita falta; sem ele não há subsidio, não há renda, não há jurisdição. E, Jararaka desapareceu, sabes!? 

araujo169.jpg :::::227
Alguém disse que o viu a beber suco de acerola na Feira de Gravatá; mas na segunda roda de perguntas, os policias já tinha duvidas se não seria em Caruaru, na festa do Jesus de Nazaré na Nova Jerusalém. Outro foi dizendo que até conversou com ele num acampamento dos Sem Terra, no Espírito Santo; lugares bem distantes um do outro. 
:::::228
Um grupos de seringueiros tem a certeza de que o viu em Xapori, sublevando índios, numa aldeia dessas do Alto Xingu - está virando folclore disse a moça sorrindo num riso tristonho. Euclides sabe o que ela quer dizer: mula-sem-cabeça, caipora. Ela passa os dedos pelos cabelos, pelos olhos e fala em seguida 

araujo160.jpg :::::229
Vigora ainda uma espécie de desleixo socialista, sabes? Hó se sei, diz o benguelense: Como eu conheci Angola em outros tempos, quando NADA era de ninguém - e, portanto ninguém se preocupava com o que quer que fosse, NADA. 
:::::230
A moça, a brasileira, continua intensa e gloriosa, um pouco triste, diga-se mas por vezes sua voz perde o brilho, tem momentos de ausência, há uma espécie de cansaço ou de desengano, na forma de como fala no futuro. Continua a haver muitos feminicidios, muitos assaltos, muita ausência de justiça. 
:::::231
A brasileira debruça-se sobre a mesa pousando a mão na dele. Àquela hora havia mais gente a tomar o café da manhã. Que pensarão os demais clientes. Sabes do que vou ter mais saudades para além da tua companhia - Do grito da cuíca... das batucadas em caixinhas de fósforos.
:::::232
Com uma lágrima nos olhos ela disse assim sem pensar, até: - Lá em cima tem! Você acha? - Claro! Não é o Céu? E, acha que tem tapioca, banana assada com canela e açúcar ? Tem tudo diz ela como para o consolar - Até tem escolas de samba... A voz de Martinho da Vila faz-se ouvir : « Zumbi, Zumbi, Zumbi dos Palmares, Zumbi...Os grandes ideais não morrem jamais».

beldr7.jpg :::::233
Tens razão! A morte é uma bela aventura. Peter Pan! Não era ele que dizia isto? - Acho que sim, devia ser. Ele voava, lembras-te? Eu sempre quis seguir o Peter Pan. O jornalista benguelense fala pela última vez: - Tens razão - Não há finais felizes, mas há finais que anunciam tempos melhores
(FIM - para o livro DOIS) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:07
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2019
MALAMBAS . CCXIX

TEMPO DE CINZAS – Domingo - 07.04.2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor vermelha… 2ª de várias partes

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

soba22.jpg Sete horas horas e vinte minutos do dia 07 de Março. O sol queima a orelha e já bebi meu coco frio à beira da Kanoa; acabei de mudar meu chapéu de sol e cadeira mais para a berma da água porque o mar está a secar, maneira se de dizer aqui que a maré está a vazar. junto ao carro do coco encontro meu vizinho sozinhando sua velhice com um copo de coco de cor amarela. Será caipira? Será whisky? Xavier é o nome dele; um deste dias meti conversa perguntando que tal estava a caipirinha mas ele respondeu com cara de pau, que só era água de coco. Às tantas ele é evangélico e também abstémio... 
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Assim, fiquei quase amigo de Xavier, porque nossas conversas são aos solavancos sem pontuação nem ponto e virgula. Mas, hoje Xavier perguntou-me se a água de coco que levei para casa em uma garrafa de 1,5 litros estava sabendo bem. É que a dele, depois de esperar o resfriamento com seu whisky estava intragável. Disse-lhe que o produto dos cinco cocos estava só sabendo um pouco a coco velho. Que por esse facto tinham pouca água dentro.

araujo000.jpeg Xavier fala: Rapaz...: Quando botei o copo à boca, água de coco esfriado na geladeira o negócio estava, sabia mal, parecia veneno, sabe! Minino!... Lembrei-me de você, que ficou no prejuízo! Até disse pró meu filho: Aquele moço foi enganado... Tem cada gentinha, a gente paga e fica assim, noé!? Tá mal... Mas afinal o Senhor teve sorte.
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Negócio gozado, Seu Xavier começou por me chamar de moço, passou para o cara e minino, agora de Você e Senhor. Não demora Seu Xavier está me tratando por vosmecê, ou dôtor com mais vosselência, negócio gozado, mesmo! Estava assim taciturnado olhando os matutos de arredores de Palmeira dos Índios gozando a praia de água salgada e molhada, quando toca meu celular - telemóvel do M´Puto. Ólho - chamada internacional em roaming. Não fosse quem era e teria desligado na ora.

DIA107.jpg Era Agualusa a ligar-me de Swakopmund da Namíbia, pode!? Já em Curitiba, em uma apresentação em feira de livro me tinha telefonado. Pois, já estava avisado; não foi uma inteira surpresa porque nesse então disse que estava quase de partida para ir a Etosha Pan ver animais. Todo entusiasmado disse que estava quase a tomar o balão para ver as dunas em volta das milhas e particularmente da número 45 que em tempos eu mencionei. Pois! E aí... Em verdade já nem me lembrava de lhe ter dito. Foi ele na sua forma cusca que leu em meus rascunhos... também tem esse hábito de vir beber às minhas mulolas e t´ximpacas .
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Pois então, estava no Deserto do Naukluft a Sul de Swakopmund. Só me telefonou para desemperrar sua admiração: - O balão tinha meu nome escrito em letras coloridas "T´Chingange". Isto é de tua propriedade? Perguntou de forma repetida. Resposta minha, rápida: - É... Como devia estar a gozar comigo teve esta desconcertada resposta mas, pelo andar da conversa a coisa era mesmo a sério. E, como a curiosidade mata, deixei ficar por isso mesmo, talqualmente.

DIA106.jpg Isto há coisas! Quando do telefonema feito de Curitiba tinha-me dito que o Coronel Fala Kalado andava por aqui, em Brasil. Ora isto já era do meu conhecimento pois que nos tínhamos avistado em São Paulo, no aeroporto de Congonhas, terminais um e dois. O meu intriganço era o de saber o que é que ele, Agualusa, sabia de nossos relacionamentos. Mas, agora que chove - doze e trinta, não são horas de voltar atrás na descrição nem discrição. Talvez mais tarde
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Despedi-me dele assim: Cuida-te, andas a pôr o Cristo Rei sempre de costas e podes ter graves problemas. Deves saber que agora Ele, está acima de tudo. Bem! Já antes, aliás sempre esteve mas agora faz parte do slogan constitucional: isto acima de tudo e Deus acima de todos... 

agualusa2.jpg Não quis ir mais longe por modo a deixá-lo confuso com as particularidades e, se bem o conheço, irá direitinho falar com a osga gorda que nem um crocodilo depois de comer um veado. Conferenciará com ela como o Palmares com seu Anjo Azul. No fundo, no fundo, ainda bem que não arranjou uma louva-a-deus. Ora, porquê! Porque essas bichonas comem os machos depois de copular. Isso! Depois de rebolarem na cama...

Ilustrações de Costa Araújo
(Voltarei ao assunto...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:59
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Sábado, 6 de Abril de 2019
MU UKULU – XVII

MU UKULU...Luanda do Antigamente06.04.2019
Os candengues depois do banho lambuzavam-se com brilhantina ou vaselina dando uma de actor de cinema Errol Flynn...
Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil
Na Luanda antiga, após o uso das selhas surgiram os tanques de lavar roupa feitos em cimento. Eram da altura suficiente para se poder esfregar anatomicamente na rampa ondulada, a roupa que era molhado quanto baste, na bacia quadrada com água; este era colocado numa parte sombreada do quintal com telheiro ou árvore. Na parte mais baixa tinha um ralo que por meio de um tubo fazia despejar a água para o canteiro do pátio com chá caxinde, bananeiras ou plantas que tolerassem a água saponácea.

monangambé.jpg Na casa dos meus pais na Maianga, Rua Maria José Antunes, bem perto do Rio Seco, uma mulola que só levava água quando chovia, havia um destes tanques situado bem ao lado de um pombal e galinheiro, tendo como abrigo a sombra de uma mandioqueira. Havia uma mangueira que conduzia a água para um canteiro com chá príncipe ou caxinde, uma trepadeira de lufa e um alto mamoeiro.
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A grande maioria da população negra não dispunha de meios para ter o suficiente conforto; as suas cubatas não tinham água corrente no espaço habitacional, sua renda era insuficiente ou mesmo miserável. Os bairros populares começaram a surgir nos subúrbios de Luanda por iniciativas municipais mas, não dava para contemplar a grande afluência de gente do mato para a capital.

Mu Ukulu23.jpg A maioria da população luandense, maioritariamente preta dos musseques e cortiços de brancos nos arrabaldes, podia ser classificada como pobre ou remediada. De realçar que a maioria dos empregados de mesa dos cafés e restaurantes na área central de Luanda eram brancos. Eu cheguei a comprar jornais a ardinas brancos e até a engraxar os sapatos com engraxadores brancos também - em plena Mutamba.
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Houve a preocupação da administração colonial incentivar a miscigenação nestas humildes funções ocupando o branco em actividades de porteiros, contínuos, carteiros, pedreiros, coisas de escalão baixo levando até, a que visitantes de outras nações europeias criticassem tal comportamento. Tal submissão não mereceu minimamente a atenção quando da descolonização.

niassa5.jpg Como grande parte das casas não tinham rede eléctrica encanada da L.A.L., assim, nas mais modestas, o chuveiro quando não estava dentro de casa, era colocado fora dela em um canto do quintal, resguardado dos olhares curiosos pela construção de um cubículo com paredes de tijolo ou mesmo aduelas de barril. Para o banho o ritual era trabalhoso.
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A água era previamente aquecida em uma panela ou lata proveniente de azeite ou tinta que era posta em um fogão ou até uma fogueira montada no quintal com pedaços de gravetos bissapas ou chinguiços, restos de madeiras. Após aquecimento a água era derramada em um balde de chuveiro que depois ea misturada com água à temperatura ambiente.

Mu Ukulu34.jpg O chuveiro constava de um balde de chapa zincada ou mesmo lona apertada que era pendurada em uma trave ou estrutura de metal por meio de corda que corria em uma roldana. O crivo do chuveiro era metálico abrindo ou fechando por intermédio de um fio, uma torneira em latão. Era em tudo idêntica aos utensílios do geómetra Gago Coutinho quando da definição da fronteira angolana.
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A selha era outra opção para o banho, mas com a indispensável ajuda de uma caneca. Era normal em muitas casas de banho o tão familiar rolo de papel higiénico ser substituído por papel de jornal cortado em quadrados e pendurado por um arame afilado bem junto à sanita. Estes teriam de ser bem amassados para poder fazer a função com eficácia.

Mu Ukulu20.jpg Talvez só a partir de 1955 é que começaram a surgir os rolos de papel higiénico nas casas. Até então os jornais tinham a função de leitura e de limpeza. O pequeno comerciante também usava o papel de jornal para fazer embrulhos, acondicionar, feijão, milho, fuba e variados cereais. Que me lembre havia um só balneário público em toda a Luanda por alturas de 1965 a saber um que ficava no largo bem em frente dos Correios - bem perto da antiga "Porta do Mar".
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Para a lavagem de mãos e banhos usava-se os sabonetes lifebuoy e lux em substituição do sabão azul, também conhecido por "sabão macaco". Havia também o Clarim com mais potassa em sua composição. Os candengues depois do banho lambuzavam-se com brilhantina ou vaselina dando uma de actor de cinema Errol Flynn... Tempos do "pinto calçudo", calcinhas ou ainda "pipi - cheio de banga"... Para agrado das "garinas"...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:23
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Quinta-feira, 4 de Abril de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXI


-A cigana leva as mãos a cheirar e: Cheiram a fumo, a pólvora. Cheiram a sangue! - «Eu sou daqueles que vão até ao fim.» ...

Recorda ele só para si a frase de Mário de Sá Carneiro em carta a Fernando Pessoa... 04.04.2019
Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma criar loja virtual.
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira.

rio8.jpg ::::::204
De novo volto à escolha do livro DOIS do Agualusa, e entro num lugar da Luua com Euclides, o benguelense a espreitar através da janela do tempo e, ainda a tempo de ver os garotos (pioneiros do PP - Poder Popular) pontapeando o corpo do comerciante. Era na avenida Brasil da Luua. Outros candengues saem de dentro, carregando caixas, biscoitos, fruta e latas de refrigerantes.
:::::205
O adolescente que parece comandar o assalto arranca uma pequena placa branca de um passeio, num vaso já seco que em tempos tinha um ibisco vermelho e, pôe-se a dançar com ela. Nesta placa tem escrito em tinta negra: «Cuidado - Veneno». Debaixo destas palavras distingue-se o desenho de uma caveira com duas tíbias cruzadas. 

rio11.jpg :::::206
As parecidas tíbias com o sonho, que acabou em NADA naquela terra que nem madrasta foi, foram vistas por mim em 2002 além Sumbe, além Kanjala. Nossa cor denunciava-nos sobremaneira como os "filhos do colono" - Se não foste tu, foi teu pai! Tudo vinha ao de cima na forma de raiva, por via dos contratos das roças, das grilhetas passadas, das cangas, masmorras e tangas feitas quando no mundo, ainda tudo era feito de cipó e giesta de matebeira. 

soba03.jpg:::::207
Aquilo era Luanda. Na pele do Anjo Azul, de tão translucida viam-se as veias como rios à deriva. Palmares, o supranumerário da rede de candongueiros e vendedores de armas ligeiras, pesadas e de com e sem recuo, segue mansamente, com a ponta do dedo. Descobrindo-lhe as origens vai soletrando pensamentos em voz alta: Kwanza... Tombo... Cunhinga... Sumbe... Cabo ledo... Kangala.
:::::208
O Anjo Azul Cubana, ri-se. Assusta-a o mistério daquelas palavras - O que significa isso? - Estou a cartografar-te. Esta é a costa angolana. Do outro lado fica o Brasil. Aqui está agora o Japuará... o São Francisco... Piassabuçu... Jaraguá... Pajuçara... Jacaressica... Guaxuma... o Xingu

rolam0.jpg :::::209
O Amazonas perde-se na mata Atlântica húmida como um sexo.
Palmares beija-lhe o sol rodeando o umbigo. Porque não deixa tudo e fica só comigo, diz o Anjo Azul fervendo em calores - fica só assim, me abraçando... Assim de fervuras arrepanha-lhe os cabelos encaracolados do aconchego. 
:::::210
-Você tem de me dizer que me ama com convicção! Não é só dizer que me acha gostosa, não, visse! - Acho-te lindíssima...Tenho medo de me apaixonar por ti - diz isto de olhos fechados... Quando os reabre ela está em pé diante dele - É melhor você não aparecer mais aqui. Está bem, foi a resposta. 

sol4.jpeg :::::211
Palmares olha suas mãos. As palmas claras, a linha da vida quebrada a um centímetro do pulso; um perfeito M na antiga escrita romana. Uma vez, em Lisboa, uma cigana tentou ler-lhe o futuro. O que quer que tenha visto assustou-a. Perplexa olhou-o gritando: « Popilas - poças - cunkatano! Este Gajo não existe!» 
:::::212
A cigana leva as mãos a cheira e: Cheiram a fumo, a pólvora. Cheiram a sangue! - «Eu sou daqueles que vão até ao fim.» Recorda ele só para si a frase de Mário de Sá Carneiro em carta a Fernando Pessoa. Parece que nem falas nem pensamentos são seus porque o NADA, de novo se verificou nas muitas averiguações. Mas eu, não fui - Juro!

tabaibos estofo.jpg :::::213
Um rapaz de de grandes olhos negros, aliás, todo negro e com um chapéu de feltro na cabeça, encara-o com uma expressão gelada. Fala. Há uma voz de velho, kota e rouca, e aos soluços sibilantes: - Não há ninguém aqui...

tenerife7.jpg Do T´Chingange: - A vida é feita de NADAS, de grandes serras paradas à espera de movimento. Searas onduladas pelo vento... Relembro as palavras de Torga numa terra pintada de branco, barras azuis com cheiros de poejos...
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:30
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Sábado, 30 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XX

- O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira - 29.03.2019 
Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 
::::: Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma criar loja virtual.
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira.

 booktique17.jpg::::::195

Juazeiro do Norte - Terra do Padre Cícero - "Uns doze graus abaixo da Linha Equinocial, aqui onde se encontra a Terra do Nordeste metida no Mar, mas entrando-se umas cinquenta léguas para o Sertão dos Cariris Velhos da Paraíba do Norte, num planalto pedregoso e espinhento onde passeiam Bodes, Jumentos e Gaviões sem outro roteiro que os serrotes de pedra cobertos de coroas-de-frade, mandacarus e babaçus. 
:::::196
- A bênção seu padre?! - Deus a abençoe,"Sia Aninha", como vai passando dos seus achaques? - Não vou muito bem não; Seu Padre não me ensina um remédio?...ensina a todo o mundo, mas a mim não ensina e eu tenho muito desgosto disto; queixava-se a pobre velha olhando vagamente, pois era cega, para o lado de onde partira a voz do sacerdote. O padre, sorrindo baixinho e olhando-lhe os olhos sem luz, disse, em tom de gracejo: " É Sia Aninha - santo da casa não obra milagres, mas, mesmo assim, vou ensinar-lhe um remédio.

pombinho3.jpg:::::197 - Pintura de Manuel Pombinho
Um diálogo assim servindo de prologo é um niquinho da descrição em notas que expressam a verdadeira história de Juazeiro no longínquo ano de 1910, ano em que se implantou a Republica em Portugal... Ano em que o Algarve passou a ser integralmente português. Mas, aceitando a opinião do escritor cearense João Brígido ficamos a saber que o Cariri foi principiado a povoar por aventureiros baianos chegados até ali através do Rio São Francisco, lá pelos anos de 1660 a 1662
:::::198
Mais tarde o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves teve apenas dois reis, Dona Maria I e Dom João VI (que, antes da sua mãe, a Rainha Dona Maria I morrer, já governava como Príncipe-Regente). A capital do reino era a cidade do Rio de Janeiro, à época chamada apenas de Corte. A soberania de Sua Majestade Fidelíssima era exercida sob todas as colónias do Ultramar Português.

pombinho14.jpg :::::198 - Pintura de Manuel Pombinho
Narra o escritor Brígido que um negro escravo da "Casa da Torre" uma fazenda às margens do São Francisco fora raptada pelos índios Cariris; este que soube ganhar afeição dos selvagens adquiriu sobre estes uma notável ascendência pelos hábitos contraídos em suas relações com os brancos pelo que, no conhecimento perfeito de certas artes, levou estes ao caminho das terras boas da montanhas do Cariri. 
:::::199
Este invasores eram nem mais nem menos que os descendentes do Caramuru, o português que escapou de um naufrágio de uma nau francesa; livrou-se de ser devorado por captar nos índios a admiração com assombro pelo uso de seu fusil, bacamarte com que matou em voo, um peru do mato com estrondo deles desconhecido.

quipá0.jpg :::::200
E foram os descendentes do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro que fizeram assento da sua ancestralidade: serem descendentes da linha directa de Caramuu, Diogo Alvares Correia que casou com uma das filha do Cacique Cariri, chamada Catarina Paraguassu. Assim se destacam o casal João Bezerra Monteiro E Caetana Romão Romeira Rodrigues de Sá, ambos naturais de Pernambuco.
:::::201
Foi este casal, os primeiros donos do Engenho Moquém, situado nas vizinhanças do Crato, cidade póxima a Juazeiro. Fixaram ali residência na Fazenda Zorés, no Município de Icó. Eles, eram a décima descendência do Diogo Alvares Correia natural de Viana do Castelo.

roxo109.jpg :::::202
O Reino do Brasil desmembrou-se com a independência do Brasil, a 7 de Setembro de 1822, proclamada pelo filho do Rei Dom João VI, D. Pedro de Alcântara de Bragança (futuro imperador D. Pedro I do Brasil e Rei D. Pedro IV de Portugal), que, antes da independência, era o herdeiro do trono como Príncipe Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. 

cicero1.jpg :::::203
O Reino do Brasil, independente em 1822 e, por conseguinte, desmembrado do império ultramarino português, torna-se Império do Brasil em 12 de Outubro de 1822, com a coroação do Imperador D. Pedro I, confirmado em 25 de Março de 1824, com a outorga da Constituição brasileira de 1824. Assim, pouco a pouco lá chegaremos à vida do Padre Cícero, muitos anos depois do tal Caramuru e seus descendentes...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:51
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Quarta-feira, 20 de Março de 2019
XIPALABOOK . 3

Xipala é rosto, é cara e, book é livro. 20.03.2019

Eu e Mery, convivemos acumulando experiências como quem junta pacotes de arroz carolino e feijão preto, por via de uma qualquer revolução que possa surgir. Com sucesso, mudamos de rumo provocando barlaventos ocasionais nos pontos cardeais de nossos mistérios…

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

bookttique0.jpg  Minha empregada Mery de Campala anseia ir para sua terra e gozar o seu lar, doce lar. Dá-me a impressão que todos os dias de manhã se sente estéril fora da sua Uganda porque, tudo tem um porquê, embora ela, nada diga; sinto ou pressinto nela um espaço cinzento com um sorriso suficientemente grande para se iluminar e criar empatia ao seu redor. Por vezes somos muito íntimos e, até ficamos empolgados com nossa imaginação compartilhada e, que muitas vezes nos atormenta.

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Normalmente, acompanhamos nossas falas com um gim e água tónica, costume dos fins de tarde em áfrica para afastar mosquitos; eles, os mosquitos não gostam do quinino da água tónica que se nos mistura no sangue. Por vezes levanto um sobrolho interrogado em expressões de objectar pelo que, ela diz numa forma não surpreendida fazendo-se de boa ouvinte e, passando também a sacolejar pensamentos, inclina-se num vazio de sotavento.

CUBA LIBRE.jpg Faz tempo que Mery quer rever sua família e amigos do Uganda. Como eu, nasceu em quatro de Junho, uns anos posterior ao meu, sem isso impedir de juntos aprendermos a viver mantendo uma filosofia de sempre aprender. Apreender a sermos felizes o quanto baste. Pois assim é, para convivemos acumulando experiências como quem junta pacotes de arroz carolino e feijão preto e, também, por via de uma qualquer revolução que possa surgir; um aditamento permanente na nossa última vez relevando sempre o agora.

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Por vezes fala do Idi Amim, das convulsões desse então no seu Uganda. Idi Amin Dada foi um ditador militar e o terceiro presidente de Uganda entre 1971 e 1979. Amin juntou-se ao King's African Rifles, um regimento colonial britânico, em 1946, servindo na Somália e no Quénia… Tento disfarçar dizendo a ela que também nasci num mar turbulento num barco chamado de Niassa mas, ela sem o dizer nunca acreditou em pleno mas, o objectivo é alcançado. Para ela eu sou NIASSALÊZ – com sucesso, mudamos de rumo provocando barlaventos ocasionais nos pontos cardeais de nossos mistérios.

booktique13.jpg Repito: -mudamos de rumo provocando barlaventos ocasionais aos pontos cardeais de nossos mistérios. Como eu, ela também espera boatos contaminados e, até os contamos como se fossem missangas de caurins enfiadas num fio.

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Contou-me que muitas vezes lá na terra dela, comeu matooke, uns hambúrgueres feitos com vermes muito estrugidos com cebola, chamados de mopane, umas lagartas muito nutritivas sem dentes nem cascos duros e, que ficam junto com a cebola crocantes! Também entra nisto, alho, gengibre, jindungo, alface e jimboa. Parece que na tua terra, isso tem o nome de catato, ouvi algures, alguém dizer! Disse isto, assim de corrida misturando anseios com afirmações e desejos…

mopane19.jpg Pois, comi isso no IN-DA-BELLY vendo as Cataratas Vitória, ainda nem faz seis meses, um restaurante situado no conjunto de bungalows do Zimbabwé! Até que gostei disso, disse eu numa forma de quem faz um recado para si mesmo tirado da caixa postal do seu baú – nosso correio. Quem nunca provou pode arrepiar-se quando vê devido ao seu aspecto. Meus companheiros de viagem arrepiaram-se; admirei-me pois que eram portadores de bilhetes de identidade tirados na Luua (angolanos de gema). O Chinguiço gabarolas, tenho de dizer isto aos soluços: até se dizia ser, o melhor condutor de áfrica, ora bem…

booktique16.jpg Não obstante a má aparência, este bichinho raras vezes tocam no chão durante a sua vida que é feita em cima de certos arbustos alimentando-se de suas folhas com o mesmo nome mas, não exclusivamente; algo parecido com a lagarta ou bicho-da-seda que só come folhas de amoreira. Em Angola, esta espécie encontra-se nas províncias do Uíge, Malange e no Lubango, sendo esta última a origem dos catatos da D. Joana, que os cozinha e vende na praça do Prenda em Luanda. Uma boa ocasião para a Kianda  Roxo provar.

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Mery, ficou encantada com meus gostos “de preto” no dizer dela e lá tive de dizer como isto se prepara: - “Primeiro coze-se o catato e deixa-se a secar, depois de estar seco faz-se um refogado com cebola, óleo e bastante jindungo numa frigideira. Depois disso, está pronto para comer.”- Foi D. Joana que me ensinou; compra o produto nas mumuílas que vêm do Lubango. D. Joana, ao lado da bacia vermelha que tem por cima da banca de madeira, tem dois copos, um pequeno e um maior, o mais pequeno, cheio, custa 50 kwz e o maior custa 100 kwz.... Custava, conclui eu. Agora não sei…

booktique14.jpg - Tu, falando assim para mim, disse Mery: a felicidade connosco nunca petrifica; a felicidade brilha como a areia nas nossas mãos. Falando assim, até parece que os africanos têm um só progenitor – um pai sem cor. – E, tu vês-te assim na tua Kúkia de Campala? Perguntei de rompante. A resposta veio tão rápida como um qualquer relâmpago: - bazungus e negros vêm ao mundo pálidos como o gelo – quando crescem, uns ficam enigmáticos e outros querendo ser brancos, jogadores de futebol ou basquete. Cada qual fica uma fábrica de falas; porque dizem que só assim é, quem andou na melhor universidade de África – a universidade de Makerere!  

booktique15.jpg Não querendo deixar-me apodrecer entre linhas perguntei: Mas, que universidade é essa de que falas, essa de melhor de África?  Foi aonde estudei. E, é o que todos dizem, especialmente aqueles que nunca lá puseram os pés. Eu sorrio sempre concordando com eles, embora o edifício esteja a cair aos pedaços. Estendendo o braço ofereceu-me e, eu comi: -Dentro de uma folha de bananeira, um pacote de formigas, deliciosas enswa. Embora a folha estivesse amassada, recordei as tanajuras que em tempos comi em Colatina do Espirito Santo… Vais querer saber mas, isso só mesmo para outro capítulo…malembemalembe. Mery, assim ficou, com o sobrolho descaído…

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:19
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Terça-feira, 19 de Março de 2019
N´GUZU. XXXIII

CONHECER O BRASIL  – Recordar o que são os TROPEIROS

- Parte TRÊS … 19.03.2019

TROPEIRO, o herói, quase um bandeirante que enfrentava onças. SERTANEJO com lagartos e carcarás nas bordas dos caminhos ou lodaçais secos que nem tabletes de chocolate…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Numa sã convivência, é meu hábito relembrar os velhos tempos dando a conhecer a alguns aquilo que foi ou ainda o é, a maneira de se viver, os hábitos e alguns costumes fora de portas habituais aos demais, brasileiros, portugueses, sul-africanos e, ou angolanos. Esta iniciativa é acarinhada por uns e considerada foleira para outros mas, não virá mal ao mundo considerar ou não, outros conceitos!

tropeiro13.jpg Tenho uma amiga, minha empregada ugandesa, que nasceu em Campala que sempre fica extasiada com meus contos de cordel, minhas estórias encantadas do Xingó, do Xingrilá ou coisas do sertão africano, terra da qual ela tem muita saudade…Há entre os meus amigos um engenheiro especialista de obras feitas e carris paralelos de trem ou comboio, que sempre surge dando uma de sabichão, falando palavras de Domingos e quase desconsiderando minhas formas de expor. Nem se lembra ele, que fui eu que lhe ensinei a calcular volumes de terras, entender e ler os perfiz e, até saber na perfeição qual a função das solipas.

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Falando de tropeiros, sua figura ensimesmada, soturna, seria pouco integrada ao amanho do campo e, menos ainda à balburdia das cidades. Um pequeno artigo de jornal, com este mesmo nome, intitulava de “transportes arcaicos” recuperando-o como elo de aproximação entre o mundo rural e urbano, um carteiro portador de notícias variadas e recados, Novos modismos de caminhantes com gosto pela natureza, patrulheiros ou pombeiros modernos a comparar com os actuais aventureiros ou escuteiros e à semelhança das criações de Robert Baden-Powell

tropeiro14.jpg  Ter em conta que Baden-Powell aproveitou e adaptou suas experiências na Índia, na África entre os Zulus e outras tribos do sul da África e as guerras dos bóeres; Estes colonos de origem holandesa e francesa, opuseram-se ao ao exército britânico, que pretendia apoderar-se das minas de diamante e ouro recentemente encontradas naquele território. Em 1896 dirigiu uma expedição contra os Matabele em Rodésia. Desconfio bem que este novo conceito de estar também passou pelas áreas dos Pampas e Cisplatina.

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Todos estes modismos serviram para educar e adestrar os rapazes, a serem espartanos, antigos bretões, ou peles-vermelhas; Também aqui encaixam perfeitamente os tropeiros do Brasil. Procedimentos que foram renovados por Hitler com sua juventude higienista ou mesmo a Mocidade Portuguesa do tempo de Salazar em Portugal. Estes procedimentos com valores ao culto foram-se deteriorando no tempo pelo surgimento dos jogos virtuais, computadores e robótica que, cada vez se agudiza em nossa sociedade, de forma tão globalizada pelos jogos de mata-mata…

tuiui2.jpg Não é de admirar o que hoje se vive um pouco por todo o mundo: jovem que surgem apetrechados para a guerra e matando, simplesmente matando sem um proposito, como um jogo! Mas e, quanto aos tropeiros, foi nos lombos das mulas que a maior parte da produção agrícola chegou aos portos, para exportação ou consumo interno; isto alastrou-se por todo o Brasil. Em meados do século XIX, as tropas de mulas, foram um avanço no transporte do açúcar; cada mula podia carregar com sacos entre os sessenta e oitenta quilos.

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Em Minas, sem saída para o mar nem caminhos fluviais, todo o comércio era feito por mulas, inclusive o de produtos de difícil transporte, como o vidro. Por via deste s itinerários muares, surgiram estalagens nos caminhos, rústicos barracões abertos dos lados e sustentados por pilares. Ao redor destas infraestruturas acolhedoras, criaram-se roças de milho, plantio de feijão e comércio de outros géneros alimentares, vendas de tecidos e coisas a granel; sapatarias e afins de vestir com coiros e outros produtos da terra.

tropeiro12.jpg Os núcleos de população iam surgindo com necessidades de escolas, barbearias, ferradores, drogarias e casas de pasto. A partir de meados do século XIX, as topas de mulas sofreram a concorrência das carroças que se faziam locomover em picadas, como a estrada de Santa Clara, pioneira com seus 170 quilómetros ligando  a colonia de Filadélfia, em Minas Gerais ao litoral, iniciativa de Teófilo Ottoni  e a União Indústria, ligando Petrópolis a Juiz de Fora.

tropeiro10.jpg As estradas foram surgindo macadamizadas com pedra britada, aglutinada e comprimida. Surgiram as pontes e aquedutos em rios ou pequenos córregos com manilhas manufacturadas em novos estaleiros, os percursores da Odebrecht com novas engenharias misturando interesses com sabedoria financeira, corruptelas e manobradores de interesses dando gasosa como suborno e formas sociais criadoras de inveja, poder e manobrismo nas adjudicações; mais valias e caixa dois e até caixa três adulterando nossas vidas e criando falcatruas bancarias – a crise e o escambau como se diz aqui entre os vendedores camelós; práticas bem dificel  de se mudarem num Brasil que fez da corrupção um esquema modelo de gestão.    

tropeiro11.jpg Claro que tiveram de criar estações de muda, gabinetes de recursos humanos, um jeitinho daqui e outo de acolá e a necessidade de prisões para nela meterem os ladrões de alto coturno, descamisados e outros inocentes injustiçados. Pois! Sugiram as pontes metálicas, a industria dos interesses, o juro, os altos salários, os salafrários e vendedores da sorte, do bicho e da sogra - Também as ferrovias, as ciclovias, o lazer e os motéis de beira de estrada com Boralá, o Cêksabe, o fodaki entre outras inventações muito peculiares.  Um putedo carnavalesco de durar muito mais mais do que  quatro entrudos…

FIM

O Soba T´Chingange



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Domingo, 10 de Março de 2019
N´GUZU . XXXII

CONHECER O BRASIL

BRASIL – Recordar o que são os TROPEIROS - parte DOIS … 10.03.2019

Construiu-se no tempo uma imagem romântica de tropeiro, o herói, quase um bandeirante que enfrentava onças e outros animais entre agrestes caminhos ou lodaçais descritos e esboçados em livros de bandas desenhadas…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Analisando a zona cafeeira do Vale do Paraíba, pode avaliar-se o tropeiro como hierarquicamente inferior e dependente do proprietário de terras, posto que, itinerante, precisava dele para manter seus animais nas pastagens das fazendas. Os condutores de tropas, fariam parte do pessoal da fazenda, levando a produção de café até aos agentes intermediários em vilas ou cidades e, voltando com mercadorias para o bom funcionamento da fazenda, ficando assim mais subordinado ao proprietário, major, capitão ou até major segundo a gíria local que com o tempo se tonou regra.

tuiui3.jpg Fica assim incerto no tempo se o condutor, como “homem livre do povo”, seria comerciante ou tropeiro. Mas, no entanto nas funções de tropeiro, encontram-se pessoas de fortunas variadas. Para além de do comércio de muares e fazer frete de mercadorias, poderiam ser proprietários de terras e escravos, comercializando seus produtos muitas vezes conduzindo pessoalmente sua tropa.

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Reconhece-se a dificuldade de o tropeiro ascender socialmente a cargos públicos que lhe valesse prestígio, dada a extrema mobilidade de sua actividade embora alguns o fossem: abastados. Era evidente haver tendência para ocultar essa actividade segundos relatos biográficos descritos por homens cujas famílias “enobreceram”. Ser-se tropeira tinha com conotações com o ser-se pobre, coisa bem relegada ou escondida como uma pobreza nada enaltecedora ainda nos dias de hoje.

tropeiros5.jpg O crisma de se ser pobre é como uma doença cancerígena que se pega e, daí o querer parecer outra coisa num faz de contas. Por isso o garçon chama para agradar a todo o cliente: Siô Dôtor! Quem não conhece este tipo de comportamento social que tudo faz para parecer o que não é! Quantas desilusões têm, um ou outro, com gente que não valendo um caracol sem bicho, se arma e sobe na sociedade fingindo-se! Ninguém quer ser pobre, é uma realidade e, os tropeiros tinham também esta dificuldade de vencer noutras áreas sociais.

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A actividade de transporte de mercadorias assim como o comércio em si, no século XIX, ainda permaneciam malvistos. Quando D. João VI pôs em leilão a venda de títulos nobres com o fito de fazer nascer e crescer o banco do Brasil, foi um Deus nos acuda na pretensão de se ter um título e, assim foram vendidos escalões de nobreza distribuindo pelo Brasil a envaidecida vontade de se ser alguém: -Conde, Barão, Duque entre outros.

tropeiros2.jpg E, foi assim por algo quase fútil ou no mínimo curioso que se deu solidez ao grande país que é hoje sem se dividir em uns quantos fragmentos, outros tantos possíveis países tal como os demais existentes de língua espanhola do continente Sul-americano. O poder foi aparentemente distribuído por senhores que no tempo se iam debatendo por si próprios originando áreas de influência que mais tarde se tonaram estados como se condados o fossem e que hoje formam o Brasil, uma federação de Estados.

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No Brasil e desde tempos antigos, todos os que trabalham com as mãos, são considerados como portadores de “defeito mecânico” e, contra este preconceito nem os políticos de primeira linha, os pseudo nobres trabalham para se fazer a mudança, dando a si mesmas regalias majestáticas. Não é sem razão que existem descontentes formando gangues de mando nos arrabaldes, nos lugares de favelas, cortiços ou quilombos que traficam desde droga a coisas de primeira necessidade como gás ou água ou cobrando taxa de segurança a quem labuta em quiosques mercados de pouca monta, como se fosse um jogo de bicho.

tropeiros3.jpg Na função de tropeiro havia a agravante de alguns dos chefes de tropas serem ex-escravos; por isso ser tropeiro e mais tarde carreteiro, condutor de carretas com bestas ou motorizadas, chegando ao pau-de-arara, caminhão de caixa aberta fazendo de táxi colectivo, não era e, ainda não o é, um motivo de orgulho. Mas como já disse muitos ficaram ricos – ter dinheiro dava a condição de poder vir a ser nobre. Em verdade D. João VI foi de uma visão extraordinária mas, e infelizmente, é conotado como o rei da “coxinha de galinha”.

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Dois casos são exemplares, apesar de excepcionais. O barão de Iguape, António da Silva Prado (1788-1875) do Estado de São Paulo, provavelmente foi um dos maiores comerciantes de animais do século XIX; com seus negócios em Minas Gerais, chegou a actuar como arrematador de impostos de animais em Sorocaba. Tornou-se grande empresário, cafeicultor e patriarca de ilustre família paulista. Entre seus netos destaca-se o conselheiro, senador e ministro do Império, António da Silva Prado – entre 1840 e 1929.

lampião8.jpg David dos Santos Pacheco (1810-1893), que foi barão dos Campos Gerais, enriquecido com terras de invernada d animais no Paraná e pastos em Grande Rio do Sul e Sorocaba. Ele próprio conduzia as tropas no começo de sua actividade, tendo depois delegado a terceiros. Seu maior fornecedor de animais era também o barão de Jacuí. Construiu-se assim uma imagem romântica de tropeiro, o herói, quase um bandeirante que enfrentava onças e outros animais entre agrestes caminhos ou lodaçais.

O Soba T´Chingange



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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XIV

VIDA DE EMIGRANTE NO BRASIL - 26.02.2019

Bertoleza, como toda a cafusa, não queria sujeitar-se a negros; instintivamente procurava o homem numa raça superior à sua – umbigou-se com João Romão o português dono da venda… 
Escrito por – Aluísio de Azevedo
Por

soba0.jpegT´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro
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Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho
10 – O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil
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João Romão* foi, dos treze aos vinte e cinco anos, empregado de um vendeiro que enriqueceu entre as quatro paredes de uma suja e obscura taverna nos refolhos do bairro do Botafogo; e tanto economizou do pouco que ganhava nessa dúzia de anos, que, ao retirar-se o patrão para a terra, lhe deixou, em pagamento de ordenados vencidos, nem só a venda como o que estava dentro, como ainda um conto e quinhentos em dinheiro vivo.

cortiço6.jpg :::::135
Proprietário e estabelecido por sua conta, o rapaz atirou-se à labutação ainda com mais ardor, possuindo-se de tal delírio de enriquecer, que afrontava resignado as mais duras privações. Dormia sobre o balcão da própria venda, em cima de uma esteira, fazendo de travesseiro um saco de estopa cheio de palha. A comida arranjava-lha, mediante quatrocentos réis por dia, uma quitandeira sua vizinha, a Bertoleza, crioula trintona, escrava de um velho cego residente em Juiz de Fora e amigada com um português que tinha uma carroça de mão e fazia fretes na cidade.
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Bertoleza também trabalhava forte; a sua quitanda era a mais bem afreguesada do bairro. De manhã vendia ungu*, e à noite peixe frito e iscas de fígado; pagava de jornal a seu dono vinte mil-réis por mês, e, apesar disso, tinha de parte quase que o necessário para a alforria*. Um dia, porém, o seu homem, depois de correr meia légua, puxando uma carga superior às suas forças, caiu morto na rua, ao lado da carroça, estrompado como uma besta.

cortiço4.jpg :::::137
João Romão mostrou grande interesse por esta desgraça, fez-se até participante directo dos acontecimentos da vizinha, e com tamanho empenho a lamentou, que a boa mulher o escolheu para confidente das suas desventuras. Abriu-se com ele, contou-lhe a sua vida de amofinações e dificuldades. “Seu senhor comia-lhe a pele do corpo! Não era brinquedo para uma pobre mulher ter de escarrar pr´ali, todos os meses, vinte mil-réis em dinheiro vivo”.
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E segredou-lhe então o que tinha juntado para a sua liberdade e acabou pedindo ao vendeiro que lhe guardasse as economias, porque já de certa vez fora roubada por gatunos que lhe entraram na quitanda pelos fundos. Daí em diante, João Romão torna-se o caixa, o procurador e o concelheiro da crioula. Ao fim de pouco tempo era ele quem tomava conta de tudo que ela produzia e era também quem punha e dispunha dos seus pecúlios, e quem se encarregava de remeter ao senhor os vinte mil-réis mensais.

cortiço3.jpg :::::139
Abriu-lhe logo uma conta corrente, e a quitandeira, quando precisava de dinheiro para qualquer coisa, dava um pulo até à venda e recebia-o das mãos do vendeiro, de “Seu João”, como ela dizia. Seu João debitava metodicamente essas pequenas quantias num caderninho, em cuja capa de papel pardo se lia, mal escrito e em letras cortadas de jornal: “Activo e passivo de Bertoleza”.
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E por tal forma foi o taverneiro ganhando confiança no espírito da mulher, que esta afinal nada mais resolvia só por si, e aceitava dele, cegamente, todo e qualquer arbítrio. Por último, se alguém precisava tratar com ela qualquer negócio, nem mais se dava ao trabalho de procura-la, ia logo direito a João Romão. Quando deram fé estavam umbigados.

booktique10.jpg :::::141
Ele propôs-lhe morarem juntos e ela concordou de braços abertos, feliz em meter-se de novo com um português, porque, como toda a cafuza, Bertoleza não queria sujeita-se a negros e procurava instintivamente o homem de uma raça superior à sua. João Romão comprou então, com as economias da amiga, alguns palmos de terreno ao lado esquerdo da venda, e levantou uma casinha de duas portas, dividida ao meio paralelamente à rua, sendo a parte da frente destinada à quitanda e a do fundo para um dormitório que se arranjou com os cacarecos de Bertoleza.
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Havia, além da cama, uma cômoda de jacarandá muito velha com maçanetas de metal amarelo já mareadas, um oratório cheio de santos e forrado de papel de cor, um baú grande de couro cru tacheado, dois banquinhos de pau feitos de uma só peça e um formidável cabide de pregar na parede, com a sua competente coberta de retalhos de chita. O vendeiro nunca tinha tido tanta mobília. Agora, disse ela à crioula, as coisas vão correr melhor para você. Você vai ficar forra; eu entro com o que falta…

araujo190.jpg :::::143
Assim, recordando o meu avô que também emigrou para o Brasil, ainda lembram as memórias que ele era bem-apessoado e, o que ganhava como caixeiro, gastava no pagode com as Mariquinhas e outras desclassificadas crioulas. Neste meu quase sonho crepuscular, após ler o Cortiço, posso encavalitar aleatoriamente os acontecimentos dentro e fora do tempo dos muitos forrobodós de intensa refrega nos fins-de-semana, dos bailes pé-de-serra e carnavais de estalar quenturas. Aos poucos, António Lopes Loureiro foi substituindo os tamancos da Beira Alta por chinelos de matuto do agreste, abertos, ventilados quanto baste para poder deslizar nos térreos caminhos, feito um Lampião* - dos salões da surumbanda, samba e capoeiragem com patuscadas.

booktique12.jpg Notas* João Romão- Poderia até ter sido o Senhor António Loureiro, meu tio-avô por parte de minha mãe Arminda que depois de deixar duas filhas em sítio incerto do Brasil, nos anos trinta do século XX, rumou de novo para Portugal, regressando brasileiro, com sua santa “Nossa Senhora da Aparecida”, sem uma cheta, tísico chupado das mulatas, como se dizia nesse então; Ungu – Comida barata para gente sem eira nem beira; terreiro de reunião ….Alforria – passagem de estado de escravo a liberto; alguns escravos compraram a seus donos a liberdade – foi o caso de Bertoleza aqui descrita e, que umbigou, alambou ou amigou com o Vendeiro João Romão…
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:04
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2019
N´GUZU. XXVIII

ANGOLA E OS QUILOMBOS DO BRASIL13.02.2019

Angola e os Quilombos - Na Cerca dos Macacos…

Por

soba15.jpgT´Chingange – No Nordeste do Brasil

aqualtune.jpg Estive lá no dia 14 de Março de 2009 (há dez anos atrás), na Serra da Barriga e, do que vi e li, concluí o que antes e a seguir descrevo. O termo de Muxima que é a saudade dos mwangolés - quimbundos, pode ler-se no quadro de entrada na Serra da Barriga: “Muxima dos Palmares é uma homenagem aos Comandantes-em-Chefe que formavam o Conselho Deliberativo do Quilombo dos Palmares - São eles: Acaíne, Acaiuba, Acutilene, Amaro, Andalaquituche, Dambrabanga, Ganga-Muiça, Ganga-Zona, Osenga, Subupira, Toculo, Tabocas, e seus principais lideres: -Aqualtune, Ganga-Zumba e Zumbi, Banga, Camoanga e Mouza, que resistiram depois da morte de Zumbi, aqui também são homenageados, assim como todos os negros e negras, guerreiros e guerreiras.

Todos aqueles que ao longo de quatro Séculos lutaram (e ainda lutam) pela liberdade racial”. Uma outra placa com fundo preto e letras salientes reconhecido no final pelo Governador Alagoano, Engenheiro Ronaldo Lessa a 20 de Novembro de 2002: -“Homenagem aos Heróis Quilombolas que tombaram lutando pela liberdade em 06 de Fevereiro de 1694: Ganga Zumba, Dandaro, Acotirente, Andalaquituche, Aqualtune, Gana Zona, Ganga Muiça, Acaiúbo, Toculo”.

arau44.jpg A SERRA DA BARRIGA - “CERCA DOS MACACOS” O termo Sanzala ou Senzala em Angola é um povoado normal enquanto que no Brasil está conotada com as casas de tortura, da canga, dos grilhos, da chibata, da bola, da máscara de sino e correntes. Kimbo é o nome de sanzala na região de fala Umbundo em Angola, planalto Central com suas casas, libatas como montar uma loja virtual ou embalas.

Todo este trabalho de pesquisa, foi objecto de promessa minha ao fiel depositário do Guardião da cultura em União dos Palmares e Zelador do Museu de Maria Mariá, Senhor Paulo de Castro Sarmento Filho, que teve amabilidade de me mostrar o actual mocambo de Muquém, a Serra da Barriga e descrever o seu trabalho ainda em esboço duma Cartilha Pedagógica, um projecto de cultura viva. Acompanharam-me nesta visita que durou todo um dia, a Dra Rosa Casado, natural daquela cidade de União, e filha de um dos últimos prefeitos de União dos Palmares  de quem me prezo ser amigo. Ficou a promessa de uma futura visita aos mocambos de Cajá dos Negros e Palmeira dos Pretos, povoados em que ainda são visíveis os costumes antigos trazidos de África.

zumbi7.jpg Vivem da agricultura, da venda de artesanato, potes em cerâmica, feitos de forma manual. Estar ali, é o mesmo que estar em qualquer sanzala de Angola nos dias de hoje. Por todo o interior de Pernambuco, perto Guaranhuns e Alagoas em União e Palmeira dos Indios, as características levam-nos à África longínqua

Sintetizo aqui, o essencial com algumas e poucas introduções de meu foro - “A África revelada por Arnon de Mello” e publicado no jornal Gazeta de Alagoas. No século XVII, Alagoas oferece reduto para os negros formarem os inúmeros quilombos que prosperavam em todo o território brasileiro, mas que tiveram na Cerca dos Macacos da Serra da Barriga, nos Palmares, sua maior simbologia. O Brasil foi o país com a maior concentração de escravos negros do mundo com dados indicadores de 3,5 milhões. A liberdade, por meio de fuga, consolidava-se pela anormalidade da vida administrativa e económica da capitania de Pernambuco.

araujo179.jpg Palmares, perdurou por 64 anos, capitulando no ano de 1696. O governador da capitania relata ao rei D. Pedro II, o pacífico, a morte de Zumbi dos Palmares. Senhor - O Governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro em carta de 25 de Março deste ano de 1696, dá conta a Vossa Majestade de como se houve a certeza de haver conseguido a morte de zumbi. Para que nenhuma dívida se fizesse, para aquietação dos povos e para exemplo dos negros que o julgavam imortal, e para demonstração do que se diz se envia cópia da acta feita pelos oficiais da câmara de Porto Calvo e, por ela se sabe que o grosso das tropas paulistas na pessoa do Capitão André Furtado de Mendonça que conseguiu a morte do negro no sumidouro que este artificialmente fizera na serra dos dois irmãos.

O corpo que se apresentou aos ditos oficiais, pequeno e magro, em cujo exame se viram quinze ferimentos de bala e muitos de lança vendo-se que o membro da virilidade do dito negro se havia cortado e enfiado na boca, também lhe faltando um olho e se lhe cortara a mão direita; que perante os oficiais da câmara juraram as testemunhas pertencer o cadáver ao negro Zumbi, a saber, um cabo maior que se apanhara vivo na companhia do dito, os escravos Francisco e João, o senhor do engenho António Ponto e o lavrador de partido António Souza, que todos haviam conhecido em pessoa o açoite daqueles povos; que se lavrou na acta do reconhecimento do cadáver do negro Zumbi, e que para que se pudesse isso mostrar ao governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro deliberou-se levar ao Recife somente a cabeça ( Nesse então, era habitual esta prática).

araujo158.jpg Pela impossibilidade de levar o corpo todo; que no pátio da câmara presente todos os oficiais, um negro decepou a cabeça a qual se salvou com sal fino, o que tudo se faz constar na mesma acta, que assim pode ele governador Caetano De Melo e Castro à vista da cabeça e da acta, da câmara ter a certeza da morte do negro que tantos danos fizera à Real Fazenda e aos moradores das capitanias de Pernambuco. Este documento será assinado em Lisboa a 2 de Setembro de 1696 pelo Conde de Alvear, por João de Sepúlveda e Matos e José de Freitas Serrão.

É este, um modesto contributo a juntar à história dos países Lusófonos intervenientes, Angola, Brasil e Portugal. E, para que conste na “Torre do Zombo do Kimbo” aqui ficam os agradecimentos a Paulo Sarmento, Governador Assistente do Rotary Internacional, Distrito 4390 e Rosa Casado, Advogada aposentada, que me proporcionaram horas de encanto e convívio.

Ilustrações de Costa Araújo (Mano Corvo)

Referência Bibliográfica: A África Revelada, ensaio de Arnon de Melo.

Da lavra (n´Nhaca) – 14 de Março de 2019

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:22
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2019
KANIMAMBO . LXVI

CONVERSANDO COM LOUIS ARMSTRONG – II08.02.2019

Procurando entender de como é que o PROCURADOR, Louis Armstrong encontrou uma medalha do Maximiliano da Áustria na praia da Pajuçara no ano de 1551

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste brasileiro

Naquele outro dia, dois de Fevereiro deste ano de 2019, fiquei confuso com o que Louis Armstrong me disse lá junto à canoa de Pajuçara. É impossível, ele ter encontrado uma medalha com os brasões de Maximiliano II da Áustria que reinou nos anos de entre 1527 até 1576, há mais de quatrocentos e setenta anos, mais coisa menos coisa. Em relação a isto, nada falei porque me pareceu ser uma mentira de todo o tamanho e, de tão grosseira reservei-me para estudar o que eventualmente possa ter sucedido. E, do inaudito passei à pesquisa.

maximilano1.jpgSabe-se que em meados do séc. XVI, o Rei D. João III de Portugal, ofereceu ao seu duplamente primo, o Arquiduque Maximiliano da Áustria II e, também genro do imperador Carlos V de Espanha, um elefante que viera da Índia Portuguesa – diga-se um presente de casamento muito sui generis e, que até foi uma obra de literatura do Prémio Nobel o escritor Saramago mas, nesta muita confusão de primos, terem chegado aqui as maluqueiras é assunto de colocar as mãos pró céu e rogar esclarecimento oficioso ao Nosso Senhor.

Hoje, sexta-feira dia oito, cheguei à praia ainda não eram dez para as seis da manhã. Na Praia dos Sete Coqueiros e entre esta e a canoa ficam situados os campos de futvolei, lugar aonde sempre furo a areia para meter meu chapéu. Vi um cara colocando pequenos cones vermelhos na areia e, logologo não deu para notar que esta figura já era minha conhecida; vai daí e nesta operação de aprontar o ginásio de praia, fui providenciando minha tarefa de colocar as minhas duas cadeiras mais um chapéu-de-sol ligeiramente inclinado por via de o vento; por vezes surge vindo das nuvens pretas e, foi neste entretanto que ouvi.

kanimambo0.jpg - Bom dia Frank Sinatra! Era nem mais nem menos do que meu já conhecido Louis Armstrong, só que desta feita todo vestido ao rigor dum personal trainer, igual a tantos outros espalhados pelos seis quilómetros do Calçadão de Maceió. Oi! Bom dia companheiro!... Como é!? Hoje não é mais o procurador? Cadê seu instrumento de saxofone de buscar piercings, anéis e esse negócio da medalha com as armas do Maximiliano. Nesta fase dos acontecimentos já tratávamos sua excelência da Áustria por tu e o escambau de kambas com edecéteras mais o fulano, seu primo de D. João III do M´Puto.

Olha, disse ele apontando para o lugar já preenchido com pinos, argolas, escadas de cordas na horizontal e uns elásticos pendurados em um dos seis coqueiros. As mininas estão chegando e tenho de dar minhas instruções, depois falamos, topa dôtor? (minhas insígnias…que fazer?) Topo! Foi a minha curta resposta pois que, o tempo urgia presteza. Ora esta! Reparei que bem junto ao largo do calçadão e ao lado dos seis coqueiros (foi quantos contei) estava uma estrutura montada em quadrado; era a base de apoio do, quatro varões suportando uma pirâmide

kanimambo1.png Na parte da aba lateral da pirâmide virada para o mar, pude ler: Louis Armstrong – Training – GSW. Afinal, este cara é multifunções! É procurador de metais, professor de ginástica e sei lá mais o quê. Foi quando reparei no negão sentado numa mesa rectangular bem ao centro deste cangalho piramidal e meio tapado pelo isopor, copas e drogas revitalizantes tipos red-bull

Era o mesmo Jacaré de nome, o tal de soturno e com uma pesada cabeleira de trancinhas raistaparta, melhor rastafári, tal e qual, o mesmo que da outra vez me cantou o “Preto de Nascença” igualito ao já descrito na série Booktique na referência ao Agualusa, meu companheiro de escritas mentirosas. Jacaré que estava atento a tudo, reparando em mim fez-me um rasgado adeus terminando com os dedos da mão esquerda fazendo um C e com a outra um V, assim separando os dedos indicador e o asneirento, tal como fazia o gordo Winston Churchill. Mau-mau, pensei eu assim no pretérito taciturnado…    

cruzeiro0.jpg C e V só poderia ser mesmo o tal Comando Vermelho que o Candengue Agualusa fala em seu livro de ”Quando o Zumbi tomou o Rio”. Saudei-o da forma descrita e, por momentos passei a olhar as mulheres badalando suas formosuras num vai e vem de frente e de costas e outras correndo de lado como o caranguejo e outras ainda esticando a corda elástico do coqueiro. E, sobe e desce transpirando vontades! E, eu assim encuscado no tal CV – Comando Vermelho do Jacaré. Podia agora entender o porquê de ele dizer naquele outro dia e depois de declamar seu linguajar de “Preto de Nascença”: Tenho vocação é de terrorista!

Fui fazer minha hidroginástica e quando notei que estavam a decorrer os últimos exercícios, fazendo alongamentos, saí da água na intenção de fala com o Louis Procurador-Training. Jacaré veio recolher toda aquela tralha de equipamento e, enquanto ajustava as parafernálias em seu pau-de-arara com elásticos, cadeiras, cordas, pinos e caixas multicolores numa caminheta verde do tipo Bedford antiga, Louis Armstrong veio até mim.

cruzeiro01.jpg Então, tudo bem? Tudo nos conformes, disse eu! Caramba, tu também és professor de ginástica!? Tu sabes dõtor, a vida não está fácil! Disse ele! Tenho de me virar noé!? Disse isto como querendo dizer-me mais qualquer coisa mas interrompi-o. Diz-me só quem foi o artista, o entendido, o arqueólogo ou historiador que te disse ser aquela medalha que encontraste e, que dizes ser dum tal Maximiliano da Áustria?

Olha dôtor! Foi no centro da cidade. Um tal Professor Katedrático que tem uma casa de penhores, que compra e vende oiro e relógios chamado Sérvio Graciliano. Há coisa de um ano ele virou e revirou a medalha, interpretou a forma das unhas dum parecido leão da Casa de Habsburgo. Que sei eu, pagou bem e nada mais sei do que isto. Espera, dôtor! Ele falou dum tal Sacro Imperador Romano-Germânico, e da Infanta espanhola Maria de Habsburgo.

araujo 41.jpg Falou muita coisa que nem lembro mais direito! Um tal de Grão Mestre da Ordem Totonica (…) Agora sim! Uma trabalheira por desvendar este negócio! Disse eu… Dõtor (que era eu), não quebre sua cuca não! Dei um comprimento artístico meio desportivo ao Jacaré que entretanto chegou até mim! Que tal dôtor! Depois assim tipo socando punho com punho e fazendo um C com a mão esquerda e um V com a direita! Dôtor, estou vendo!? Vendo o quê?... Esta guerra também é sua, tá ligado? Tou sim! Disse sem pensar e terminei numa de frentista: - É sim, meu irmão… Tudo está complicando, disse baixinho, só para mim…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:24
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2019
KANIMAMBO . LXV

CONVERSANDO COM LOUIS ARMSTRONG02.02.2019

Pois! Uma coisa chamada de talassoterapia com a vitamina D de Deus… Armstrong, amontoa suas roupas em cima das chinelas ficando em sunga tipo calção florido idêntico ao meu…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste brasileiro…

Na praia da Pajuçara, encostado à Canoa, vendo o sol recém-nascido lá no horizonte e, lá pelas seis horas da madrugada, chega um senhor moreno na cor e na idade que, cumprimenta. – Bom dia! Respondo também com um bom dia. Amontoa suas roupas em cima das chinelas ficando em sunga tipo calção florido idêntico ao meu. Senta-se e ali ao lado dizendo algo sobre a maré que está secando; falas de ocasião pra puxar conversa. Dando-lhe um pois-pois, claro, sinto ter ele, vontade de falar – Não tem nada demais.

Já habituado a esta empatia nordestina vou dando respostas aleatórias sobre as algas, o tempo e as mazelas. Comenta aquilo que todos falam e também repetida na televisão vezes sem conta: A desgraça da barragem de terra do Brumadinho! Assim permanecemos falando de várias coisas até que lhe perguntei: Como se chama? Resposta pronta: Louis Armstrong!

ARMSTROG1.jpgBom… em realidade tinha alguma semelhança com o cantor e trompetista de outros tempos mas, daí a chamar-se nem mais nem menos da mesma forma, fiquei só um pouco intrigado. Seus pais deviam gostar muito desse senhor músico que faleceu no ano de 1971!? Por acaso você também é músico? Não, mas gosto muito de ouvir sua voz rouca; é verdade que meu pai tinha um fraquinho por esse tipo de canções choradas com encanto.    

-E o senhor, faz o quê? Pergunto. Parece-me que ainda está na vida activa! Não hesitou um segundo para responder: - Sou Procurador! Bem! Assim neste panorama, mantinha-me na dúvida se não me estaria a tomar por parvo e dizer-me inverdades. Eu sabia que Procurador era assim uma figura de destaque tal como Procurador da República, figura de Estado e esta Louis Armstrong até no nome me parecia ser uma pegada mentira. Mas, tenha-se em conta ser demasiado deselegante perguntar-lhe detalhes mais fragmentados.

panoias2.jpg O mar verde continuava a secar, a maré descia a olhos vistos juntando fiadas de algas verdes e o Louis Armstrong tudo indicava estar à espera de ficar muita areia para depois entrar. Pensei que assim queria ter rasura na altura da água, para esfregar suas quinambas, o peito e talvez fazer uma tratamento terapêutico pelos banhos de mar e pela acção dos climas marítimos.

Pois! Uma coisa quase hidroginástica chamada de talassoterapia com a vitamina D de Deus, pois que qualquer coisa por ele falada era terminada com a graça de Deus, se Deus quiser. Falava assim denunciando sua veia evangélica, usando com tato as palavras para não ofender o Senhor. Bom! Como seguindo as palavras do novo presidente Bolsonaro que também diz, a bem da nação, o País acima de tudo e Deus acima de todos.

uruguai3.jpg Eu evitava usar palavras para o senhor que não fossem demasiado periclitantes ou polémicas e assim derivei para a vulgaridade de não reutilizar garrafas de plásticos com água porque, tal e coisa, um produto de plástico por um longo período de tempo não se conhece segurança de remover completamente todos os perigos nele contidos. Bom! Mediante esta conversa um pouco mais desenvolta o senhor de sobrolho meio retorcido perguntou qual era o meu nome. Resposta imediata: Frank Sinatra. Bom! O bigode dele ficou retorcendo a sobrancelha com três rugas a salientarem sua admiração. Ambos estávamos a ficar infestados de bactérias…

Pois é! Falei. Meu pai adorava ouvir Frank Sinatra e tal como o seu, também me baptizou desse mesmo jeito! E, olhe que gosto imenso de o ouvir. E, afinal já morreram ambos num é!? E, que faz na vida? Perguntou ele. Conto estórias! Então é escritor? Não, eu só escrevo para animar os amigos, porque gosto de usar as formas directas do linguajar do povo com que contacto; invento muito e por vezes fico rindo só e, que nem um tonto com minhas inventações.

kafu5.jpg Bem dôtor, vou ter de ir à minha luta, ganhar a vida! A maré já está bem seca para pegar no meu saxofone! Reparem que devido à minha fala assim mais erudita, Louis licenciou-me de dôtor em menos de poucos minutos. Ué… e, afinal ele é mesmo tocador de pífaro, ou trombone ou que sei eu, sei lá clarinete. E, bolas, aqui a imaginar tonteiras! Deve tocar para quem passa para receber uma gasosa; não é a primeira vez que vejo gente tocando na praia para os namorados, para gente com dólares, pessoas românticas que gostam de repentistas.

arau44.jpg Mas ele não disse que era Procurador!? Vou deixar aqui minhas coisas, o dôtor dê uma olhada fazfavor! Pois não! disse eu. Deixe ficar! Foi quando foi atrás do barraco da Canoa e de lá, veio com seu saxofone, assim uma vara comprida com uma espécie de argola no fim. Um saxofone bem esquisito, diga-se! Só dei pelo meu erro quando iniciou sua caminhada em zig-sagues pela areia com seu instrumento riscando chão até apitar. Só então entendi o que era essa função de PROCURADOR. Quando ele aqui chegar vou dizer-lhe que agora é PESQUIZADOR… Isto há coisas…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:47
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . VII

GLOBALIZAÇÃO - A China está a aproveitar para comprar países inteiros – 11.01.2019

Portugal é um bom exemplo desse investimento pois tudo indica estar a preço de saldo. 

Por

soba0.jpegT´ChingangeEm Lagoa do M´Puto

booktqiue2.jpg Nº 6 de BOOKTIQUE 

64 - À lista de livros da BOOKTIQUE, adicionei um sexto que versa o tema GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz que foi Vice-presidente e economista-chefe do Banco Mundial. Stiglitz, ganhou o prémio Nobel de economia no ano de 2001. Não sendo eu entendido em matéria de economia, despertou-me ler passagens que decerta forma me abrem um pouco mais a visão de como o dinheiro meche com todos nós, pequenos anões desta bola chamada terra.

65 - E nós, gente comum, pouco ou nada podemos fazer para alterarmos o rumo dos acontecimentos. O excesso de endividamento por empréstimos malfeitos, aumentam as situações de crise, e os custos dessa crise são pagos não apenas por quem empresta, mas por toda a sociedade. Em anos recentes, os programas do FMI talvez tenham resultado num aumento significativo das distorções nos incentivos aos emprestadores.

booktqiue1.jpg 66 - Quando ocorrem crises, o FMI empresta dinheiro como uma operação de socorro, mas o dinheiro não é na realidade um socorro para o país, mas sim para os bancos. Os governos chegam a assumir as dívidas privadas, socializando dessa forma o risco privado. Sendo apenas um empréstimo e não um presente do FMI, os países em desenvolvimento ficam com a conta para pagar.

67 - Assim, os contribuintes do país pobre, pagam pelos erros do empréstimo do país rico. Ao contrário do que seus arautos prometiam, a globalização, em geral, não foi benéfica para os países pobres do mundo. A receita económica dominante de privatização total, liberalização radical e Estado mínimo, trouxe mais problemas do que soluções.

mocanda9.jpg 68 - Simultâneamente, as políticas que se concentram no combate à inflação e as mensurações do desenvolvimento que só levam em conta o FMI são insuficientes, pois muitas vezes o PIB vai bem, mas o povo vai mal. Não era, nem é ou será a primeira vez, nem o primeiro lugar, que as nações fortes do mundo usaram ou usarão meios militares, para obrigar o pagamento de dívidas. A França invadiu o México em 1862 e instalou como imperador o arquiduque Maximiliano da Áustria, um parente de Napoleão II, usando como desculpa a dívida que o país havia acumulado desde sua independência em 1821.  

69 - Em 1876, França e Inglaterra juntas tomaram conta das finanças do Egipto; seis anos depois a Inglaterra ocupou o país. Em 1904, quando a Republica Dominicana não pagou sua dívida aos Estados Unidos da América, o presidente Theodore Roosevelt foçou o país a dar aos USA a supervisão das receitas da alfândega a fim de cobrar a divida e pagar os credores.

CUCO1.jpg 70  - O actual presidente da China, Xi Jinping, não brinca em serviço. A Zâmbia corre o risco de perder a sua soberania devido à enorme dívida externa que tem com a China. O país poderá ser obrigado a entregar a Pequim a propriedade das suas principais infraestruturas de transporte e energia, assim como algumas promissoras indústrias de extracção, inclusive de diamantes.

71 - A China está a aproveitar para comprar países inteiros e, nalguns casos, a preço de saldo”. Portugal é um bom exemplo desse investimento. Entre os 10 países do continente africano que mais devem à China encontra-se um que fala português - Angola. A dívida de todos eles, somados, atinge os 70,4 mil milhões de euros. Quase toda a dívida externa da Venezuela está nas mãos da China,... A tampa da panela, um destes dias vai rebentar; quando, não se sabe ao certo mas isto, vai acontecer! O que se passa é que, os países têm percepções muito diferentes das ameaças... Anda tudo a assobiar pró lado…

chicor1.jpg 72  - Segundo a revista Africa Confidential, a actual crise no país africano Zâmbia, deve-se à enorme dívida perante empresas e fundos chineses que não é capaz de pagar. Esta situação levou Reino Unido, Finlândia, Irlanda e Suécia a reter 34 milhões de dólares destinados a apoiar iniciativas da Zâmbia em educação e assistência social, temendo que esse dinheiro seja utilizado inapropriadamente, segundo informou a ministra das Finanças do país, Margaret Mwanakatwe.

73 - A dívida externa da Zâmbia aumentou de 8,70 mil milhões de dólares no fim de 2017 para 9,37 mil milhões em Junho de 2018, segundo a Reuters. Recentemente pude observar in loco as carências estruturais deste país, tal como no Zimbabwé, Malawi, Tanzânia e Moçambique aonde tudo parece estar ao abandono. O Ministério das Finanças da Zâmbia, anunciou m fins de agosto de 2018, que a dívida pública do país atingiu os 14,6 mil milhões de dólares – 53% do PIB da Zâmbia. Segundo um analista do jornal russo Vzglyad, “na prática os chineses compraram todo o país, impondo dívidas insuportáveis. Agora, estão prontos para receber o lucro”. Nós, nunca estaremos preparados para as crises. Dá-me a impressão que andamos a ser muito enganados; faz tempo. Até quando!?

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:43
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Domingo, 30 de Dezembro de 2018
MUXOXO . LIII

IDEIAS CUSPILHADAS . 30.12.2018

Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida mas sim aquele que melhor se adapta a ela…

Por

tonito 20.jpgT´Chingange - Em Coimbra do M´Puto

Hoje, penúltimo dia do ano de dois mil e dezoito, não estou disposto a ler recados de rápidas mensagens electrónicas, coisas partilhadas mil cento e onze vezes, com muitas e auspiciosas generosidades timbradas e, de sombrias flexibilidades de cor carmim. Também dos versos de rimas desastradas de colar amor com dor, vulgarizando os mata-bichos da vida e, esquecendo os outros trezentos e sessenta e três dias de presença.

Sem pretender vulgarizar o verdadeiro sentido da amizade, aqui estou escrevendo missossos, muxoxos, mujimbos ou mocandas nos trezenos e sessenta e cinco dias dos anos comuns, para arredondar abraços XXL aos verdadeiros gestores do bem-querer. Nesta afirmação, existe uma inevitável armadilha, que chamamos de cultura subordinada a um outro potencial de fingimento, pois que o real entrelaça-se com o possível dando forma à fricção, uma nova forma de ficção.

dy15.jpg Ficção repleta de justificadas deduções através das malhas linguísticas ou narrativas imaginárias; sonhos em que todos podem passar por entre os pingos da chuva. Pois! - Os poetas com seu romantismo, controlam os paradoxos em criativas imagens, monopolizam a futilidade em verdade consoante sua habilidade e, sem obedecer aos ditames da razão.

Queria falar coisas simples, entendíveis o quanto baste de chamar às rezes bois, aos porcos marranos e aos bodes cabrões mas, não é legitimo sermos indelicados com estes domésticos animais que nos dão sustento, dão carne, dão leite, dão peles, dão agasalhos e até servem de arados em terras moles. O mundo não deveria ser assim mas, uns comem outros e outros são comidos.

sanchs1.jpg Encostado à cabeceira da cama e num terceiro andar, num repentino ruido de susto, vejo a gata Yacha saltar da comoda para o parapeito da janela escancarada. Deste jeito bem que podia navegar no espaço até se esparramar lá em baixo no passeio, confirmando que a lei do Isac Newton é bem perigosa, quando não se usa a tecnologia certa de navegar no espaço.  Menos mal que a calha das persianas lhe retiveram o ímpeto, digo eu.

Assim, repenicando ternuras, posso aperceber-me de minhas avantajadas unhas a necessitar de serem cortadas, retirar-lhes o encortiçado e persistente fungo que insiste em perpetuar sua amizade com a minha pessoa. Enquanto isto a gata Yacha foge para os lados da cozinha de onde vem um cheiro de ensopado de borrego e arroz de sanchas conhecidas por míscaros, cogumelos da família dos pleurotos e tortulhos.

sanchas2.jpg Já muito cheio de raminhos de urze, de folhas de loureiro e folhas de azevinho com bagas vermelhuscas, não será conveniente dizer que no correr do tempo os amigos foram-se rareando ao ponto de por vezes dizer que sim, tenho alguns conhecidos! É que muitos daqueles outros, no correr dos anos, demonstraram fingir que sempre foram almas caridosas trejeitando sorrisos e monices como se sempre fossem glorificados em virtudes religiosas.

Nada de troças! Muitos mastigarão respostas inarticuladas de um sorriso aflito mas, para não me mentir, em tempos, tive também vontade de enriquecer mas, fui ficando com o estritamente necessário sem nunca ficar merecedor de uma comenda. Por vezes os silêncios descem-me pela cara em forma de rugas recordando antigas pandegas, daquelas de fazer chinfrim, estomago vitimado em comezainas fora de portas e de horas desavindas.

sanchas3.jpg Não será de admirar ficar assim com manchas na pele, sentir biliosas sensações de pingar desaforos às prestações, sentir o rebuliço provocado pelos espumantes e demais frisantes; levantar-me uma, duas e três vezes na noite para sempre recordar que os abusos por vezes fogem da memória. Sentado de fronte para uma magnifica tarde do 363º dia do ano, vivo o quanto a memória me atormenta, dia e noite, moendo e remoendo – fugindo dela, a memória!

jatiu3.jpg Até há bem pouco tempo, dizia o quanto tinha de vocação para terrorista. Ouvi até em tempos e, em surdina alguém dizer referindo-se a mim: -Ele conhece muitas estórias, é um inconveniente. E, porque nunca me conformei por nunca me entenderem, fico aqui de novo pensando nesta insensata atitude da gata Yacha, saltar para o parapeito da janela, correndo o perigo de só parar lá em baixo, no passeio, esborrachada. Acho que a teoria do tal de Isak Newton também é válida para gatos…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:07
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . C

FRINCHAS DA VIDA – 10.12.2018 
Por

soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto
A fé cega não examinando nada, aceita sem controlar a evidência e, o falso como verdadeiro; assim e a cada passo se chega contra a evidência e, ou a razão. Esta fé levada ao extremo produz o que conhecemos por fanatismo. E, quando esta fé repousa no erro, cedo ou tarde se destruirá.
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O que é verdadeiro na obscuridade também o será em plena luz. Cada religião pretende estar na exclusiva posse da verdade e, esta fé cega tocando seus pontos de crença e, no tempo, se vê no dilema impotente de demonstrar que se tem razão.

abraço0.jpg Haverá duas importantes considerações a se ter em atenção: A fé não se impõe nem se prescreve porque mesmo recomendada, ter-se-á em conta que ninguém que esteja privado de a possuir representará a verdade.
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Uma fé adquire-se com discernimento quando se o têm e, cabe à fé não ir ao encontro deles, mas eles (nós) irmos ao encontro dela. Em este canto da Internet, e em outros similares, aparece frequentemente alguém com ideias interessantes; tenho a certeza de que cada um de nós poderá oferecer suas perspectivas sobre o que entende por amizade mas esta, pode não coincidir com ideias pré-estabelecidas na fé de cada qual.

araujo48.jpg  Em certas pessoas, a fé parece de alguma forma inata a eles mas, se um qualquer procurar com sinceridade essa tal de fé, certamente a encontrará. Para haver fé é necessária uma base; esta base é seguramente a inteligência, daquilo em que se deve acreditar e, mesmo para crer não basta ver, é necessário sobretudo, compreender. 
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O dogma da fé cega é que faz com que haja muitos incrédulos. O que eu acho ser comum a todo o humano é a necessidade de se socializar no afecto; a amizade acaba sendo algo que buscamos, por vezes até com ansiedade, uma circunstância que dá ao desejo de amizade alguma pitada de egoísmo. Quanto à fé ela surge em um qualquer momento!

araujo 101.jpg Existe o perigo de drenar nossas dores em nossos amigos, dar descanso de nossas preocupações em um desejo; se nós não paramos para pensar que cada amizade, terá de ser correspondida por igual, acabamos usando indevidamente esse dom. Eu não acho bom rejeitar-se a amizade de alguém com ideias diferentes. 
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Os amigos, nós escolhemos, fabricamos no correr do tempo. O termo empatia é definido como “a capacidade de penetrar pela imaginação ou premonição, nos sentimentos e motivações de outros", assim como entender as suas tristezas, seus medos e alegrias. A amizade não é em definitivo uma receita médica mas tem sempre uma bula de cuidados a reter para não se ser surpreendido no respeito mútuo ou recíproco.

arau44.jpg E, porque Deus me deu essa prerrogativa do raciocínio e do livre arbítrio, meu espírito anda vago. E, porque não há fé inabalável, daquela que se pode encarar na razão, face a face, espero meu próprio tempo de prescrição!

Ilustrações de Costa Araújo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:06
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2018
PARACUCA . XXVII

MULOLAS DO TEMPO . 2 - 28.11.2018

Nós, bazungus rumo à Tanzânia comendo RUSK - 20 de Setembro de 2018 - Quinta-feira  

Por

Botswana 055.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

Neste início de roteiro aventura com safari, não poderei escrever algo de criativo sem temor ou sem tremer, evitando falar de cada um de nós dos nossos nervosismos ou nossas particularidades na forma de interpretar as coisas, no avolumar de entusiasmos e também sem ofender os pergaminhos que nos mudam no tempo. E, assim como um esquentador antigo mantendo a chama do piloto a fumegar passados amarelecidos e, chispando de vez quando, nervosismos com beijos irritadiços.

Botswana 300.jpg Neste agora, feito salalé em pau carunchoso, sem visar sublimar os feitos em criação artística conformo-me pela idade talvez, seguir sem um prévio planeamento, os trilhos do acaso, sem um aturado planeamento; aventura é aventura! Vamos em direcção a Dar Es Salam dividindo os percursos no máximo até seis horas de viagem, até encontrar um lugar de reconforto à idade, poder comer algo e ter ânimo a continuar.

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Ao quinto dia de viagem – 25 de Setembro podemos ver um casal de leões com uma cria a guardar a carcaça de um elefante que morreu bem na orla da floresta confinante com a planura verde do rio Shoba em Kasane. O Nissan de tracção 4 por 4 portou-se bem na picada de acesso ao rio; tomara, não fossemos nós com o melhor condutor de áfrica. Uma picada de areia solta e com um socalco elevado ao centro e ao longo de muitos metros. Um trilho bem tortuoso, que só um condutor do mato, sabe como lidar.

Botswana 276.jpg A adrenalina subiu aos píncaros na descida empoeirada, picada com árvores de um e outro lado e, já junto à margem do Shoba a maldita picada de areia melhorou; lugar de larga vista para espraiar nosso nervoso miudinho. Podemos assim ver centenas de antílopes, gungas, veados springboks, Javalis, olongos, búfalos, jacarés e grandes grupos de elefantes comendo rebentos verdes da várzea.

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Também vimos aqui calaus, perus do mato, como se diz em Angola e águia-real, uma imponente ave que de bico adunco e olhos penetrantes consegue até levar em suas patas pequenos bâmbis, capotas e outros rastejantes; talvez por isso não tenhamos visto coelhos.     

soba22.jpg E, bem na sombra atrás de umas bissapas, troncos apodrecidos, lá estava o rei leão com sua juba e sua dama mais uma cria; todos eles, olhando o elefante já desventrado. É sabido que no meio do mato o leão sempre fica bem camuflado pela sua natural cor e, também aqui, os turistas bazungus como nós em outros carros, esperavam estes levantarem-se para colherem a melhor foto.

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Ali, e por cima deles lá estavam os urubus, abutres empoleirados em ramos ressequidos de árvores, observando e esperando o momento exacto de entrar no repasto das vísceras deste grande quadrupede. Tivéssemos ficado ali de noite e decerto, veríamos as hienas a rondar a morte junto com chacais. Por vezes, estes predadores esperam até uma semana para intervir na comezaina.

Botswana 261.jpg Os últimos são os abutres, tudo fica limpo! Mais tarde ver-se-á a cabeça do paquiderme já branca, da cor da cal. Vêm besouros, animais rastejantes e até o escaravelho do Nilo rolando com graciosidade suas bolas de desperdício. Na natureza nada se perde, tudo se transforma. Dá para reflectir em tantas odisseias de nossas vidas, uma grande parte passada em áfrica e aonde outros abutres na forma de gente nos roeram vontades.

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Foi lá atrás num lugar de Pandamatenga, no quarto troço, que referi ser necessário uma logística para enfrentar a áfrica e, sem querer voltamos mais uma vez àquela caturrice tão própria da adrenalina africana com os santos a perderem a paciência. Por momentos pensei que chegando mais acima poderia até tomar o comboio Xoxolosa, voltar a Johannesburg para evitar remoer ideias do Tocoismo, uma religião de cariz anticolonial - a sua verdadeira pregação nacional.  

Botswana 019.jpg Mas, neste calor intenso foi refrescante olhar aquela grande toalha de água a dar grandeza ao encontro das águas dos rios Shoba e Zambeze. É impensável andar aqui sem uma garrafa de água fresca, ter um caixa térmica com gelo e cerveja para arredondar vontades loucas. Sendo assim, lá terei de me lembrar que a natureza tem como lei a obtenção dos seus fins pelos meios mais económicos; só assim se justifica a erradicação total e absoluta dos resquícios coloniais e da necessidade de tudo voltar a ser, só capim…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:05
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
MUXOXO . LII

NAS FRINCHAS DO TEMPO – No quotidiano do M´Puto - 19.11.2018

Por

soba0.jpeg T´Chingange . Em Johannesburg

Estávamos no pico do Verão. O Kit entrou de mansinho na cozinha; a porta estava aberta e sua dose de felino fez-lhe valer suas qualidades. Entrou com o vento para arejar a casa que o calor estoirava nos 28 graus à sombra. Kit é um gato rafeiro de cor amarela e preta a dividir seu focinho frontal, uma rara espécie.

Surgiu e, foi surgindo e tomando a necessária confiança sem contudo deixar de soprar a curta distância. Deve ter nascido no quintal do vizinho, um antigo bóher saído do sul de Angola que adquiriu também a nacionalidade alemã. Não obstante, não sendo meu o gato, este e mais 3 irmãos, com miar de fome, vinham em surdina comer os restos de comida granulada do cão.

faisca0.jpg E, porque assim foi, nos dias que se seguiram servi-os do granulado que sobraram por via da morte do cão Faísca. Eu explico: meu cãopiloto morreu de velho e após espumar babas, de nada valeu ir ao veterinário e, assim magro de coisa ruim e comendo papas pela mão, não resistiu.

Pois então, no início eram quatro gatos mas, no decorrer do tempo e, talvez porque se aninhavam em outos quintais, ficaram só dois, o Kit e o Karson; foi assim que os baptizei! Dormem entre as plantas e, as assadas de peixe ou carne que lhes abrem o apetite. O Kit é bem mais bonito que o Karson; este último é cinzento às riscas pretas, cor vulgar em tantos outros.

von4.jpg Depois de alguns dias a chamá-los de meus bichanos com carinho, ao invés de miarem ou ladrar por via da comida, só sopram. Foi aquele malvado Kit que roubou um pedaço de presunto de cima da mesa redonda bem no topo da cozinha. Eu, eu estava no computador de saída para a marquise quando me pareceu ouvir um barulho estranho mas, atribuí ao vento.

von5.jpg Talvez um pau de vassoura que caiu, pensei. Meu naco de presunto, foi-se! É provável que tenha em outras investidas levado peixe ou carne mas, só dei conta disto neste acontecido. Pois por via disto e, com este já longo texto faço chamar a atenção ao Deputado da Assembleia, representante do PAN, que deve ultimar um esboço de decreto para que os senhores gatos se disciplinem.

Com tantos ratos correndo pelos muros dos quintais, que mau costume este, roubar o sustento alheio. Embora não tenha dado o meu voto a esse tal de PAN, não há como não fazer reparo em ser molestado por via de seus protegidos. Crie no mínimo um asilo para estes, fazendo posturas ou regulamentos a salvaguardar a sobrevivência destes e, já agora criar brigadas da morte para recolher os muitos cadáveres de cães e gatos que surgem mortos nas estradas de Portugal.

von1.jpg Pelo sim pelo não, meu lado humanista diz que irei alimentando estes dois felinos Kit e Karsom com granulado de cão até que ladrem. Quanto ao cãopiloto recordo que ainda novo tinha uma raiva de morte ao Meu vizinho, Barão Vermelho Von Richthofen, neto do tal herói da primeira grande guerra por ter na percursora da Luftwaffe morto um número elevado de inimigos. Só digo isto porque Faísca tinha comportamento antinazi, pois ladrava aos aviões e também ao vizinho.

Ele o Manfred Albrecht Freiherr Von Richthofen, surgia das nuvens num avião de duas asas a metralhar o inimigo da RAF e outros da coligação aliada. Recordo-me de ver no cinema estas batalhas do ar e dum tal Barão que se sobressaia com um lenço vermelho ao pescoço – era o avô deste; na carlinga, muitos traços pintados a representar os aviões por ele abatidos.

von2.jpg Este seu neto, também tinha vindo de uma roça algures no centro do planalto angolano. Tinha o porte de um ariano; todo ele era um homem grande e sempre amável falava comigo regularmente. Ainda o estou a ver dando um toque ao seu monóculo do qual pendia um baraço preto; Spínola usava também um artefacto destes, talvez para envaidecer sua figura mas, este meu vizinho era até extremamente simples. Actualmente a sua garagem que antes tinha um avião pintado no largo portão, já só tem uma única cor. O tempo, sempre tira o brilho às coisas.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:51
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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2018
MU UKULU – III

MU UKULU...Luanda do Antigamente10.09.2018

Entra-se num outro capitulo - o tempo dos Mafulos ou Holandeses enviados a propósito para conquistar terras de N´Gola…

De

luis49.jpgLuís Martins SoaresNo Brasil

soba15.jpgT´ChingangeEm Johannsburg

O Governador Pedro César de Menezes no dia seguinte, 25 de Agosto de 1641, abandonou o arraial de bivaque no Morro de S. Miguel de Loanda, deixando a povoação de trincheiras no poder dos Mafulos Neerlandeses. A coroa portuguesa que neste então estava sob o domínio espanhol não pode manter os entrepostos comerciais e possessões que mantinha ao longo de toda a Costa Africana. Assim, estando em guerra com os Holandeses, estes atacaram todos os lugares aonde estavam os Tugas com principal incidência na costa de África.

Mu Ukulu7.jpg Pedro César de Menezes retirou-se para o lugar de Bembem não muito longe do lugar a ser conhecido por Massangano bem à beira do rio Kwanza e na zona de Kambambe aonde os portugueses mantinham suas áreas de influência. Era um ponto de excelente posição estratégica por proporcionar para além da defesa a acostagem de naus, canoas e outras barcaças desde a barra até Muxima da Kissama.  

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O Padre António Vieira interrogava-se de como poderia Portugal prevalecer contra Holanda e Castela? Nesse então os Holandeses tinham onze mil navios de gávea mais outros três mil navios e duzentos e cinquenta mil marinheiros adiantando: “…os dois nervos da guerra são gente e dinheiro; e que gente e que dinheiro temos nós hoje? A gente é tão pouca, que para qualquer rebate de Alentejo é necessário tirar os estudantes das universidades, os oficiais das tendas e os lavradores do arado.

Mu Ukulu9.jpg Vejam o quanto é interessante vasculhar na história para entendermos as dificuldades dum país tão pequeno! E dizia o Padre Vieira: - Pois com que gente havemos de acudir às quatro partes do mundo, e em cada partes destas a tantas partes? Os Mafulos em Holanda têm quatorze mil barcos; nós em Portugal não temos treze. Na Índia têm cem naus de guerra de 24 até 50 peças; nós na Índia não temos uma só.

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No Brasil têm mais de sessenta navios na maior parte poderosos vasos de guerra e nós temos sete, se ainda os temos”. Os Holandeses estão livres do poder da Espanha; nós, temos todo o poder de Espanha contra nós. É curioso ler os relatórios e missivas do padre António Vieira por sua arguta visão mostrando ser um observador mais militar do que a maioria dos mestres de guerra de então e, refere “Os holandeses em Europa não tem nenhum inimigo; nós não temos nenhum amigo. Isto veio a acontecer muito mais tarde à mistura com traições em 1975 que, de forma desavinda tiveram de abandonar Angola como escorraçados.

Mu Ukulu8.jpg Eles, os Mafulos, têm mais de duzentos mil marinheiros; nós em Portugal não temos quatro mil”. Reconhecia que “um sucesso quase milagroso” a saber da vitória de Guararapes em 1648 no Brasil, tinha mudado a opinião de muitos até então favoráveis à entrega, mas ninguém deveria contar com milagres, “pois os milagres são sempre mais seguro merecê-los que esperá-los.

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Os milagres! Fiar-se neles, ainda depois de os merecer, é tentar a Deus”. Reconhecia que a companhia estava economicamente exausta mas, a melhor solução era a da entrega de Pernambuco, pois os Holandeses não admitiam a proposta de compra. Os documentos mostram porém que a memória erudita do Padre Vieira traiu o Jesuíta. Sempre o M´puto teve em simultâneo grandes homens de grandes feitos e grandes traidores. Traidores que só a estória sem agá fala.

vieira1.jpg Felizmente que a propaganda de tristes alvitre não teve eco em Fernandes Vieira e essa saga de Luso-brasileiros, os verdadeiros próceres do Brasil. De notar que refiro Fernandes vieira como o herói de Guararapes que tendo nascido na Madeira aqui elevou nossa condição de gente ilustre. Só relembro isto porque foi do Brasil que mais tarde saiu uma campanha capitaneada por Salvador Correi de Sá e Benevides para retirar os Mafulos de Loanda. Angola e Brasil sempre estiveram ligados e, daqui poderão extrair nota do muito desconhecimento que temos da nossa posição Lusa no Mundo.

Mu Ukulu10.jpg O Padre António Vieira em 29 de Julho de 1648, transmitia por carta ao Marquês de Niza as notícias do sucesso da primeira batalha de Guararapes do seguinte modo: “… de maneira Senhor, que temos Pernambuco vitorioso, o Rio-de-Janeiro socorrido, a Bahia com armada e Angola com a esquadra de Salvador Correia (….), todo o debate agora é sobre Angola e, é matéria em que os Mafulos, não hão-de ceder, porque sem negros, não há Pernambuco e sem Angola não há negros e, como nós temos o comércio do sertão, ainda que eles tenham a cidade de Loanda, temem que nós tomemos outros portos”.

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O poder da Holanda unido ao da Companhia das índias (Ocidentais e Orientais) era o maior da Europa, pois a história mostrava que a Espanha sem guerras externas, abundante de dinheiro e armas e agora, em paz com toda a Europa, ainda tinha Portugal sobre sua sujeição. Por este acontecido que durou sessenta anos com os reinados dos Filipes I, II e III, Portugal, perdera a soberania que tinha sobre o Ultramar.

maful2.jpg Em pouco tempo os Mafulos ficaram com as possessões daquele Portugal debilitado perdendo muitas praças nas Índias Orientais, na costa africana, na Bahia, e por último Pernambuco. Os danos para Portugal pela perda de soberania a favor de Espanha e por via daquela companhia das Índias, foram-no na índia, Ceilão, Angola, S. Tomé, Maranhão, Bahia e Pernambuco. De notar que João Pessoa tinha o nome derivado do nome Filipe – chamava-se Filipeia. Nem os brasileiros, mais se lembram disto.

junho0.jpg Fugi um pouco do tema de Mu Ukulu da Luua de Luís Martins Soares mas, em seu tempo voltarei às malambas do século (mais-velho)…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCI

FRINCHAS DA VIDA – 23.07.2018

-Angústias de megalomania… Dentro da teoria do NADISMO; Um PRÓGNOSTICO que, nem é carne nem peixe – é NADA!

Por

tonito 20.jpgT´Chingange Na Quinta das Telheiras de Vila Real de Trás os Montes

Ando a revestir-me de uma armadura contra a megalomania daqueles que julgam possuir uma chave de abrir uma quelha que dá para várias galerias e, aceitando depois a arte natural feita pelas formigas, térmitas salalés, do kissonde ou, mesmo dos ácaros que tracem esculturas ou desenhos aleatórios nos húmus das paredes.

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Nos húmus das paredes ou também de nossa pele, tornando-os espíritos da liberdade, sacrificando-nos como cobaias como que uma sublimação a que Freud se refere, citando coisas da arte, da ciência, do desporto e da política; os mesmos feitos do salalé visando assim sublimação na criação artística.

roxa112.jpg Será assim que se opera a solicitação no imaginário!? E, então em qual húmus se vai desabrochar a imaginação? Qual o móbil através da qual a criatividade se transforma em criação? Sim! Em que virtude determinamos se, se vai escolher perante os tantos mistérios, quais os instrumentos e em que alicerces?

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Pois! Teremos assim e, em suma, o porquê do porque se destinam algumas pessoas à realização de obras plásticas e outras artes com ou sem o brilho fosfórico do imaginário, somando-se à criação de obras literárias!? Sim! E, de entre estas porque pertencerão algumas à teoria do esquecimento, do engano ou mesmo hipocrisia.

roxo152.jpg E, porque fazem poemas mentirosos de numa química misturarem angústias com amor só porque estupor, ruma com amor! Então e, afinal, quais as frágeis linhas decidirão a fronteira entre a exigência e os ensaios narcisistas? Serão as térmitas também narcisistas!? Não farão estas, parte das obras de Joana de Vasconcelos, um hino à futilidade! Que interesse poderá ter para alguém se na ida proálem, seu caixão leva ou não um penduricalho rendado.

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Serão as salalés e as suricatas representantes da fluidez de seus sonhos, se é que sonham! Este caminho louco da mais descarada arbitrariedade, leva-me à química mais natural da natureza, do NADISMO, pois que é daqui que tudo surge, um estranho paradoxo ou uma dinâmica ambígua da excitação, exsudando estigmas das alucinações ferozes ou inibições paralisantes, um gesto único de cada vez, como num coito.  

roxo110.jpg Sendo assim, a natureza terá como lei a obtenção dos seus fins pelos meios mais económicos. Não se entende bem do porquê Aristóteles ter dito tão claramente que a arte é uma anti natureza! Claro que tenho dúvidas. Porque o NADA, surge-nos a partir dos mecanismos psíquicos da criação. Não é por acaso que só agora, no ano de dois mil e dezoito, se sabe que os neutrinos estão a quatro mil milhões de anos-luz e, vêm a até nós desde o NADA do Big Bem…  

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Neutrinos que se escondem no NADA dos buracos negros e que nos trespassam literalmente. Digamos que os neutrinos são partículas elementares muito fugazes, que têm massa, carga eléctrica nula e que se interagem muito pouco com a matéria, incluindo o nosso corpo, que atravessam aos milhares de milhões por segundo sem grandes interacções. Por isso, a sua detecção ser tão difícil.

roxo11.jpg Os neutrinos do electrão são emitidos em enormes quantidades pelo Sol, onde são produzidos por reacções nucleares. À Terra chegam 65 mil milhões de neutrinos por segundo e por centímetro quadrado. Simplesmente espantoso! O NADISMO diz-nos que o que é falso na obscuridade, também o é em plena luz e, que o seu inverso também é verdadeiro.

roxo169.jpg Assim tolhidos pela dormente ineficiência do NADA, impõem-se-nos evidências tão terríveis que nos darão decerto novas formas de aconchego aos verdadeiros principios da vida! Ao longo de uma viagem através de culturas, de línguas, literaturas e eras, esta imagem só ficará, se ficar, uma teórica e diferente visão do nosso viver.

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange  

  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:40
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Domingo, 15 de Julho de 2018
MUJIMBO . CVI

CICATRIZES DO TEMPO - NEUTRINOS

A UTOPIA DE ONTEM É A REALIDADE DE HOJE - 15.07.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange Na Quinta das Telheiras de Vila Real de Trás os Montes

Os físicos ficaram surpresos ao verificarem que os “Neutrinos não respeitam o limite de velocidade cósmica da luz” porque o resultado de suas experiências parece violar a previsão de Einstein de que nada pode viajar mais rápido que a luz. Essa ideia jaz no coração de sua teoria da relatividade especial – a base de grande parte de nossa tecnologia moderna e compreensão científica.

neutrinooo.jpg No ano passado, o Opera, um credenciado laboratório internacional mediu que os neutrinos faziam a viagem subterrânea de 730 km entre dois laboratórios de investigação mais rápido que a luz, chegando ao destino final 60 nanosegundos antes de um raio de luz. Cautelosos, afirmam hoje que a medição original possa ter sido errónea devido a um elemento defeituoso no sistema de cronometragem de fibra óptica do experimento.

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Começo a ficar preocupado com a minha futura viagem espacial até os confins dum buraco negro sem ter a certeza absoluta de poder cohabitar com os NEUTRINOS situados de forma simulada a quatro mil milhões de anos-luz no lugar deste infinito buraco.

roxo123.jpg As novas descobertas vêm de quatro experimentos que analisam feixes de neutrinos enviados do Laboratório Cern para o Nacional Gran Sasso do INFN, na Itália. Os quatro, incluindo o experimento por trás das primeiras suspeitas, de que os neutrinos são mais rápidos que a luz, chamado Opera, descobriram dessa vez que as partículas quase sem massa viajaram rápido, mas não tão rápido.

tonito15.jpg Uf! Fiquei um pouco mais tranquilo em saber que afinal posso com a mente concorrer com este olharapo do NEUTRINOS até prova em contrário. Os pesquisadores do Opera não tinham certeza em relação às possíveis explicações para resultados anómalos, então divulgaram suas descobertas para a comunidade de físicos, esperando que especialistas do mundo todo pudessem ajudá-los.

144.jpg Ando a tentar colaborar seguindo a teoria do NADISMO só mesmo para ver como é possível conceber a velocidade do pensamento para e a fim de apagar a luz do meu candeeiro só com a ordem telepática de abre-te sésamo e ou apaga-te sésamo.  Quero assim e a partir do NADA obter resultados surpreendentes de à boleia revolucionar  a física moderna.

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Com uma xícara de café fumegante, tento a maneira de enganar o tempo a fim de não sucumbir à solidão ao invés de passar o tempo em um passe-vite esgotando os nanosegundos dos meus obstinados e silenciosos e abismos. Roçar assim nas perspectivas ortorrômbicas para e, dali extrair ausentes sentimentos. No intuito de mostrar o que ninguém viu antes, despojo intuídas ideias preconcebidas no dito de que no já e agora, “só vemos o que queremos ver”.

neutrino0.jpg Comecei a averiguar obsessivamente os segredos de estado misturando a utopia e, entre grossas curiosidades sufoquei o meu espírito num estreito: conclui que muita gente inteligente não rouba por vício ou por necessidade mas pelo mau hábito de querer ser rico, dono da vaidade deles e senhor das alheias. É este o confuso laboratório da vida que passa ao lado de muitos sem terem a devida comiseração com eles mesmos (Compaixão por males alheios que sentimos como nossos).

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Segundo os dados do Google, o neutrino é uma partícula subatómica sem carga eléctrica e que interage com outras partículas apenas por meio da gravidade e da força nuclear fraca. É a segunda partícula mais abundante do Universo conhecido, depois do fóton e, interage com a matéria de forma extremamente débil (cerca de 65 bilhões de neutrinos atravessam cada centímetro quadrado da superfície da Terra voltada para o Sol a cada segundo) …

roxo146.jpg Embora preferisse uma guerra declarada aos meus obstinados silêncios trato com cortesia as reticências do meu envergonhado orgulho, erigindo uma muralha à volta de estabelecidos conceitos tidos como certos. Assim, no laboratório da vida deixo de lado minha personalidade para sonhar com um paraíso, humilho-me deliberadamente para driblar-me em golpes de liberdade; com recursos à imaginação, combato assim, o tédio das horas que sempre sobram.

Ilustraçõe de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:25
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Domingo, 24 de Junho de 2018
MALAMBAS . CCVII

TEMPO COM FRINCHAS  - 23.06.2018

-Sinto-me palhaço no particípio passado mas, vou fazer mais o quê, agora!…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

O ar está a mais de 30 graus, as cigarras algarvias riscam no ar sua permanente cantoria, quente e opressiva; as rolas gemem do cipreste num exercício de respiração flutuando-me no sufoco de antigos sonhos, de quando jovem. Vêem ao de cima os minúsculos insectos da alma com penosidades não esclarecidas naquele outro tempo. Ouço o trote de dois cavalos que batem ferraduras no asfalto, zumbidos de carros a unirem-se aos de meus ouvidos e latidos de cães que farejam estes nos quintais de seus donos.

eleutero4.jpg É a tarde que cai, gritos do café pelo golo do Brasil, no outro dia tinha sido o Portugal, os copos tilintam saudações, carros anunciando folguedos para a noite preta e branca no Scy Bar com o tributo oficial de Elton John. Às tantas só vai aparecer cosmopolita sem rugas, de óculos avermelhados em um poster grande, cantando canções velhas em um gramofone como a sé de Braga que toca o sino em gravação das aves-marias e, coisas conhecidas na balburdia de verão como que para assustarem diabos moiros sem sonhos cristãos

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Borrifados com vénias a Alá calções curtos esfarelados e rotos dando ares de alta-roda da moda ai estão os turistas avermelhados, falando francês de França, Salut, comment allez-vous, mon ami avant-hier? - Eh bien, merci! Queimados nas testas e pescoço muito carregado de grafitis ao jeito de tatuagens chanfradas sempre com os raios do microondas agarrados às orelhas.

sorte6.jpg E, elas, as moçoilas, cheirosas com vestes de suavidade, condições da atmosfera propicias prá noite, ao engate com risos pré-preparados e guinchos estereofónicos de engolir gorjeios de pintassilgo molhado em granizo de whisky ou água tónica e gim; de pestanas longas e escorridas em tinta preta reluzindo o latejar dum coração de leão ou hiena e, eu aqui macambuzio falando das fricções zumbidas falas de cumcamano, meu!

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Na descoberta de gestos novos e olhares reluzentes sem gestos de enfado ele pisca a estupidez falando inglês das maldivas: You look great! Do not you want this one? It gives a fucking mess ... Este, quer trepar a moça, pelos vistos - subir pela parede com uns pós xis-pê-tê-hó de ver o paraíso penumbrado de retoiçadas quenturas.

sorte5.jpg Trocando memórias comigo mesmo, de repente sinto que nem todos os turistas estão num paraíso como este e, eu aqui recordando os bailes de quintal na Maianga da Luua. Tá-se-bem aqui, sim senhor! Só ontem, noticiaram mais de trinta mortes numa praia do Xingrilá, um lugar distante de faz-de-conta. Tudo estava calmo quando num repente, um diabo saca de uma kalas AK 47 e dispara aleatoriamente para as gentes.

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Umas pessoas tomavam sol, outros, chá ou whisky, de repente surge a morte no meio de ingénuas vontades de viver a vida; ir até lá tão longe para se morrer, faz favor, se é pra morrer vou ficando por aqui… Pintados de islâmicos com a simples estratégia de matar vidas surge do nada o cheiro vermelho da morte metida nas memórias limpas que correm à frente da chuva preta.

sorte4.jpg Abanei a cabeça para afastar estas imagens que são só uma vaga, fragilidades ou forma de minha eternidade. Assim como uma pessoa que anda feliz da sua vidinha e, um belo dia numa consulta de rotina o médico diagnostica-lhe um cancro! Assim sem mais nem menos antes do último suspiro, melhor é mesmo nem ir ao médico e ficar a dar pontapés às circunstâncias chatas que ninguém controla.

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Melhor mesmo é ficar no espanto trocando memórias, bebendo chás, comendo biscoitos com cheiro de alecrim. Será que o anjo da verdade nos vai apareceu sem mais nem menos? Se houver uma mudança, ai Jesus, que o M´Puto não nos acode!? Por via de duvida uso um amuleto da sorte na forma duma nota de dólar com a cabeça grande de Washington. Podia ser até um santinho ou uma vagem envernizada de feijão maluco; serve para o efeito - um credo na ponta das falas ou só um cruz-credo.

cinzas8.jpg Sempre, sempre a mesma arrogância com um GPS muito cheio de funções com geringonça. Que se lixe – estamos a sair da crise! Quem fala não sabe; quem sabe não fala… E mesmo agora em última hora o Presidente do M´Puto Marcelo Rebelo de Sousa tem uma quebra de tensão e desmaia com o calor. Será que também anda com um amuleto de mãozinha fechada e uma meia-lua? Tomara que não seja nada!

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:18
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2018
MALAMBAS CCIV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 01.06.2018

- Faço os possíveis para ser civilizado o quanto baste.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Coimbra. O dia estava assim-assim meio nublado, muito vento mas, dispus-me a caminhar até ao centro calcorreando minha doutorice pelas pedras gastas da calçada ou asfalto até chegar ao centro da velha urbe perto do panteão e do jardim da manga, restos dos tais Crúcios que por aqui andaram em idos tempos. Vesti minhas calças de ganga cor de indefinido castanho, calcei dois pares de meias, as botas do Kwazulu, vesti minha balalaica de búfalo e de sacola embrulhada dispus-me a seguir até o mercado municipal de Coimbra.

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Passei pela igreja dos Olivais aonde se diz ter estado o Santo António, desci a Celas passando pela petisca de celas, uma tasca aonde um dia me encontrei com o neto de Pedro Muralhas, um antigo administrador em terras ultramarinas e, sempre descendo ao longo do jardim da Sereia chego à Praça da Republica.

coimbra5.jpg O movimento de gente não era muito mas, pude apreciar haver muitos velhotes, maioritariamente mulheres carregadas de luto ou um preto de tristeza, caras muito carregadas de sombrias rugas baloiçando a velhice nos modos de cuidada atenção no pisar de folhas de grandes plátanos e de outras árvores trazidas do império, daqui e dalém mar, das índias ou terras de Vera Cruz.

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Meu destino era comprar favas no Mercado Municipal e, lá chegado comprei mais de três quilos a um euro cada, juntei mais duas beringelas e rodando o olhar pelos chouriços lá acabei por comprar também um caseiro e um outro de sangue muito aproximado à morcela mais dois pedaços de entrecosto. Estava assim e desta forma, a dar satisfação à vontade de comer algo diferente da macaxeira e arroz com feijão tropeiro do nordeste do Brasil.

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Esperando pelo autocarro número sete com destino ao Tovim e Hospitais, pude apreciar as idas e vindas de gente atarefada de sacolas e coisas penduradas. Assim e a tiracolo tinham na mirada um jovem com holofotes de camaleão a fazer triagem do que eventualmente poderia roubar; um cigano tentava vender relógios digitas e perfumes da arábia a preço de uva mijona.

coimbra9.jpg Que ninguém tenha a veleidade de pensar que pode controlar o ciclo da vida, e muito menos sair vencedor das batalhas que com ela temos, desde que somos trazidos ao mundo. Hoje estou aqui por acaso. E, neste agora, um qualquer larápio de rua, pode bem alterar o rumo de nossa vida mas, e também um qualquer agente de compra e venda de jogador de futebol pode alterar a vida d´outro qualquer. Como? Ganhando num esfregar de olhos algo na ordem de três ou quatro milhões e, nós aqui esfolados em tostões…

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Podemos sim, ganhar algumas batalhas no nosso dia, mas até à guerra final, vamos passar por muitas vicissitudes, de sermos usados e vilipendiados dentro ou à margem das leis, sem ninguém ter a preocupação de ferir o próximo sem interrogação ou, ter o cuidado de preservar a vida; vida que sempre a perdemos na hora em que nos finalizamos!

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Rejeitando a teoria do esquecimento, lutarei sempre contra qualquer medo, contrariando muitos com mitos, até adquirir tranquilidade no meu registo de memória e emoções. Convosco tenho compartilhado o passado que não se desvia do meu caminho, os sonhos e metas acreditando ou não em teorias! Compartilho também este agora na terra de doutores e outros senhores.

coimbra2.jpg Estou realmente cansado de políticos e pessoas em geral que não assumem a responsabilidade por acções e atitudes. Em nossas vidas, nunca saberemos quantos milagres vamos precisar… Neste sentido, a humanidade não alcançou, e jamais alcançará uma compreensão total do sentido da existência da nossa espécie, porque a condição humana é um produto da história.

carambola1.jpg Não apenas dos seis milénios de civilização mas muito mais do que isso com dígitos de centenas de milénios antes! Jesus Cristo na escala do Universo passou por nós ontem! Entre o ontem e hoje vão bem mais de dois mil anos. Estou cansado de que me digam para ter "tolerância para com os outros”; faço os possíveis para ser civilizado o quanto baste.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:52
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
MOAMBA . XXI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 23.05.2018

O INTERESSE manobra tudo e todos – Ao ser contador de estórias fico dividido entre um postulado e um axioma…

Muamba: É um prato típico de Angola preparado com galinha e dendém mas pode ser também negócio ilícito com venda de contrabando (Brasil) …

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Foi na Grécia antiga que se inventou a obra-prima do pensamento humano, um campo de dedução, que segundo uma proposição de sequência a um sistema lógico o quanto baste, na exactidão e na provocação da dúvida. É esta razão humana que autoriza o espírito a ter confiança em si mesmo para qualquer nova arquitectura na forma de construção de uma ideia.

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É despertar aos demais com sua inteligência, sua astucia e poder criativo desfrisar entusiasmo no ser capaz de com um pensamento lógico ou nem tanto, por si mesmo, mostrar uma resposta com alguma realidade. Os poetas, tal como os feitores de assuntos, arrumando suas palavras fazem coincidir o belo com o sonho; a partir do nada desmontam castelos pedra por pedra a partir do topo, implodindo-o ou fazendo uma grande explosão.

roxo150.jpg O destino de cada individuo que se entrega apaixonadamente ao mundo das deias, encavalitando as letras na lógica da semântica, falando de gíria, anexando sufixos e prefixos e até misturando línguas moribundas ou mortas, condena-se a fugir de casa se entra pela política mascarada de democracia.

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Numa condenação sem definitiva ou suficiente salvação ou, simplesmente para sarar as feridas do corpo e mente, vai-se dilatando no tempo, apalpando as intenções de filhos, seus anseios, sua felicidade, a permanência com o varão primogénito, suas indecisões, turbulências e devaneios; um turbilhão de anseios que se misturam com sarcásticas ideias, um maldizer de idiota com adjacências escumbalhadas…

araujo 25.jpg Apalpando as medidas da natureza do Senhor, daquelas alheias ao homem e, porque cada um tem de viver o seu destino procurando os carreiros por onde se levar e, para onde há-de levar suas acções, suas palavras sem certificados ou procurações de intenção e pretensão ruma

-se na imensidão da solidão.

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É assim o que se espera de um contador de estórias ao organizar os factos ou não, de um modo inconsciente e, em função de ideias subjectivas que a sociedade envolvente lhe sugere. Juntar amor e angústias, raivas ou ódios e até boatos com inventação de todo o conhecimento numa triagem da realidade e da experiência.

roxo106.jpg Por isso dizer-se não dar crédito ao que se diz mas, julgue-se isso sim, naquilo que alguém produz! Tal como a abelha produz mel e própolis, o contador de estórias produz lazer, formula opinião, inventa, mente para transmitir algo de sua lavra. Ao se analisar o desenvolvimento de um pensamento sempre surgirá um confronto de várias componentes tais como a razão, o empirismo ou a ficção.

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Até hoje ninguém teve coragem de dizer que o Adão matou o Abel com um pontapé nos tomates! E, todos ficam espantados de se dizer isto desta forma mas, é logico que o matou duma qualquer forma, esta é até a mais plausível! Nesse tempo não havia urólogos para medir a ejaculação precoce, a falta de estímulo, apalpação nas mazelas do saco da próstata! Infelizmente o homem não pode ter tudo no mesmo lote: Tempo, dinheiro e tesão…

araujo92.jpg Quando tem tesão não tem dinheiro - é a juventude; quando tem dinheiro, não tem tempo - pelo trabalho; quando tem tempo e dinheiro já não tem tesão - porque está velho! Todos sabem disto mas, raramente o dizem sem ficarem livres da chacota. Diga-se o que melhor aprouver sem se desprezar alguns conceitos ou principios…

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Principios que se revelam como invenções espontâneas do espírito humano; um simples casualismo, causalismo ou uma outra qualquer razão. Até é possível que isto se possa transformar em uma equação matemática de uma ordem por conhecer, pois que só sei que juntando zero com zeros, zeros dá!... Na lógica tradicional, um axioma ou postulado é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria…. ( Estas duas última linhas  são a logica da Wikipédia)

Ilustrações de Assunção Roxo e Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:26
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Domingo, 6 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXI

FRINCHAS DA VIDA – 06.05.2018

- Angústias de modernidade…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Nunca li a Ilíada tim-tim por tim-tim mas, sei pela antologia grega que li, ser um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga, supostamente escrita pelo poeta Homero por volta do século VIII antes de Cristo. Descreve o conflito de Troia, um lugar da actual Turquia e que se chamava nesse então de Jónia. Constitui o mais antigo e extenso documento literário grego existente.

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Quando passei por Esmirna (Izmir) da Turquia anos atrás, pude inteirar-me por leitura de cordel pra turista, da grandeza de Homero, da fúria de Aquiles e da humanidade dos troianos. Ilíada, sendo uma das mais importantes da literatura mundial tornou-se, juntamente com a Odisseia modelo épico, seguido pelos autores clássicos, como Virgílio no poema Eneida, entre outros.

afon6.jpg Satirizando alguns procedimentos de modernidade, teremos de nos mobilizar na erudição de modo a vermos os aspectos positivos dos muitos avanços tecnológicos sem nos humilharmos nos conceitos que sempre mudam na semântica do uso e pelo tempo. Do que conheço, a Ilíada do século VIII antes de Cristo, entrarmos em seus labirintos, é receber um perfume de conhecimento, o de vida.

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E, como uma ampulheta que marca passagem do tempo, um contraste que se destaca na natureza um tanto distinta, sempre marca a determinação que nos iguala a todos; um triunfo de vida através dos séculos. Camões encafifado em seus neurónios, apoiou-se nessas leituras para nos legar pensamentos entendidos mesmo pelo “incomum leitor”.

araujo87.jpg Em um escritor comum que escreve partilhas do conhecimento sem nenhuma paixão desperdiçada, tende a levar o tal leitor incomum a ensaiar erudição a partir de antigas meditações passadas ao papel. E, assim os aquivos do Éden tendem a queimar as pestanas da sociedade de consumo; num ápice de clique no microondas para agitar sua mente.

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E, por muito que se fale, todos os que queimam livros, fazem-no porque reconhecem o imenso poder dos objectos que destroem. Não são tolos, os que queimam livros! Controlando minha missão de aguentar a austeridade dispus-me a gozar da leitura dispondo uma ampulheta no inverso, com a areia caindo.

arau4.jpg Tem forçosamente de haver uma cadeia de mando no nosso inconsciente que vive deste comportamento, umas vezes verdadeiro, em outras, enganoso! Devem ser muitos a querer trepar na vida de forma rápida, subir nos escalões sociais sem que para isso preparem o seu lado acautelado: Atenção usuário, ao entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado nesse andar. Isto deve ser próprio de um incomum escritor, um escrevinhador…

araujo63.jpg Ensinaram-me que os homens de boa vontade devem tentar em seu meio e, tornar a vida humanamente viável considerando ser esta sagrada, porque representa o supremo valor a que se ligam todos os demais. Tenha em atenção posição do elevador porque pode sim, ir para o espaço passando directamente pelo inferno sem passar no purgatório…

Ilustrações  de Costa Araujo (Mano Corvo)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:46
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2018
CAZUMBI . XXXVIII

MIAI –BRASIL - COMO SINTO O MUNDO - II  - 12.04.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange

araujo82.jpg Cego é aquele que não quer ver, vendo! Não posso ver um Deus a compensar e, ou castigar o objecto da sua criação deste modo, e em função do que tentam dizer-me, cada qual do seu jeito. Não sou tão religioso tão ao de leve ou profundamente pela triagem que faço da Natureza.

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E, mesmo que tenha uma extraordinária intuição, ao interiorizar o mistério da eternidade da vida, mesmo que este esforço de compressão fique desproporcionado, vejo ser uma maior razão de se manifestar em e, na vida.  Também na minha! Somente seres humanos excepcionais suscitam ideias generosas e acções elevadas; assim por muito que me tentem dissuadir, não poderei fazer ideia de um ser que sobreviva à morte do corpo.  

araujo65.jpg Acredito no Messias, sim! Mas, há sempre um mas, entre nós gente do Mundo aonde o dinheiro polui e degrada tudo sem piedade a pessoa humana. E, imaginando que se um individuo fosse abandonado desde seu nascimento, seria inevitavelmente um animal em seu corpo e em seus reflexos. Posso também tal como Einstein concebê-lo, mas não posso imaginá-lo.

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As instituições democráticas e politico-parlamentares, privadas dos fundamentos de valor, ficam progressivamente decadentes se o povo, e os grupos sociais, não acudirem ao chamado no respeito à pessoa e ao censo social. Não! Não podemos agonizar ou morrer de forma inglória sem reclamar justiça!

costa araujo 3.jpeg O Povo, o Homem, o Cidadão, não podem permitir que os seus maus, ladrões, estupradores, assassinos, sindicalistas interesseiros e corruptos entre outros, realizem suas desprezíveis intenções. Estou farto de pagar luz desproporcionada, taxas e multas a eito para alimentar uma máquina sorvedora de nosso trabalho. Estou farto de ver extorquirem do nosso rendimento, nosso bem-estar, mais de 40 por cento para tapar buracos de má gestão…

costa araujo4.jpeg Nossa época, não pode ser lembrada no futuro por historiadores que diagnosticarão nosso progresso de uma forma dolorosa nas variáveis doenças sociais. Devemos sim, reclamar quando o Estado exigir de todos nós actos injustos, que a nossa consciência rejeite. Isto é válido para todos os povos conhecidos por PALOPS com Portugal e Brasil na linha da frente…

Ilustrações aleatórias de Costa Araujo

O Soba T´Chingange, desde o Nordeste brasileiro



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Terça-feira, 6 de Março de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 06.03.2018

-  O mistério da vida - Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada. O destino da humanidade repousa irremediavelmente e, cada vez mais que nunca, sobre as forças morais do homem. Se se quiser uma vida livre e feliz, forçosamente haverá necessidade de se restringir ao essencial e renunciar a muitas tentações; daqui dizer-se estar sempre limitado!

araujo86.jpg Hoje o destino da humanidade repousa sobre os valores morais que consegue suscitar em si mesma. Todos, ou quase, percebemos que o livre jogo das forças económicas, o esforço desordenado e sem freios dos indivíduos para dominar e adquirir a qualquer custo, nos conduzirão mais e de forma automática a uma solução insuportável deste problema: tanto roubo, tanta hipocrisia e corruptela.

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Será necessário rever velhas ordens, planifica-las em novas para que a produção de bens do emprego da mão-de-obra e da repartição em bens de consumo, não sejam uma simples quimera; evitar a todo o custo o desaparecimento de importantes recursos produtivos com o inerente empobrecimento levado a uma vida ultrajante de subsistência e dependência…

araujo87.jpg O estado deverá ser permanentemente inovador nas áreas de educação e pesquisa. Será com novas áreas de modernidade e novos paradigmas que se alcançará o bem-estar social. Se na vida económica de um povo, o egoísmo e corrupção persistirem - o “monstro”, inevitavelmente derrotará a democracia tal como a conhecemos e concebemos.

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A política tornar-se-á tão nefasta que no dia-a-dia perigará a condição em se ser um cidadão honesto. Os estragos serão cada vez mais atrozes ao entendimento da gente que cada vez mais detestará a política e os políticos. Detestará também os sindicatos e sindicalistas manobradores. A menos que os homens descubram e bem depressa, os meios de se protegerem deste desequilíbrio ético, caminharemos rapidamente para guerras internas…

araujo88.jpg As dispersões de opinião serão cada vez mais distribuídas, originando uma incerta forma de governo e, proporcionando na certa, o aparecimento de associações do tipo geringonça. Estas terão pela certa jogos de sociedade respeitando escrupulosamente sua visão ideológica, suas regras, suas normas, seus interesses.

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E, a dúvida de todos ou de uma grande parte subsistirá porque, quando se trata de ser ou não ser, as regras e compromissos, nada valem. Sei-o por experiência própria em um tempo não tão distante: 1975 – Um tal de acordo de Alvor – lugar do M´Puto! Aonde então, se meteram os estadistas? Diriam como salvaguarda posterior serem medidas revolucionárias! A evolução dos últimos anos põe em foco o facto de termos muito poucas razões para confiar nos governos; em confiar na ética e responsabilidade…

araujo122.jpg A confiabilidade dissolve-se assim, em permanentes duvidas e, nisto de assim ser, não há objectores de consciência. Na verdade trata-se de um combate desigual ou ilegal; um combate pelo direito real dos homens contra seus governos já que estes, exigem de seus cidadãos actos criminosos de demasiados e injustos impostos, demasiadas leis e, desadequadas.

Ilustrações aleatorias de Costa Araujo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:47
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018
MALAMBAS . CXCVI

A CHUVA E O BOM TEMPO - 16.02.2018

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade … Pechinchando a vida.

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

O que mais evito num encontro de amigos é abordar o assunto de religião porque isto cria abismos de constrangimento entre as pessoas. Nossa natureza tem no ADN existências agarradas que nos envenenam a felicidade. Pode até se tornar numa agonia com violentos anjos às ordens de diabos muito cheios de vermelhitude nas labaredas.

araujo99.jpg Evito a todo o custo enfadar-me porque e, até meus dentes sem o querer me mordem a língua. Para a maioria, ter muito dinheiro é a chave da felicidade; possuir celulares xis-pê-tê-óh, casas, um grande salário, um carro de dar nas vistas e roupa de marca é considerado sinónimo de emproada felicidade. Quem não tem amigos destes?

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Não é normal alguém se passar deliberadamente por pobre; é normal agigantarem tudo o que sai de si, porque na malfadada vivência, as atitudes mostram a pobreza como algo de infecto-contagioso, uma doença a dar para o perigoso. Muitos e próximos tentam mostrar o que não são ou aparentarem; mentem-se a si e aos demais subestimando-os e querendo estar sempre por cima num qualquer simples procedimento.

roxo 20.jpg Ao fazermos amizades e com o tempo seremos mais conhecedores duma qualquer pessoa, assim e mais de perto e com o tempo, descobrimos uma outra realidade mais profunda; realidade que nos leva a frustrações por isto marcar necessidades profundas devido à cultura da aparência; a verdade permanece neles, oculta na superfície e como se fora uma pelicula de verniz – gente que usa sempre a dissimulação.

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É verdade que ao nos permitirmos adquirir várias culturas em países ou lugares diferentes, surgem características próprias e costumes bem arreigados como um paradigma, tornando-os singulares. Ao nos relacionarmos com as pessoas percebemos coisas interessantes ou não. E, sempre ficamos chocados quando o lado da análise tomba para o negativo.

araujo115.jpg Embora haja casos em que as pessoas são prestativas ou atenciosas, caímos por vezes no ridículo de sentir que tem muita gente a desprezar o próximo tornando a vida barata e vulgar. É sabido que toda a mudança exige sacrifício e adaptação mas há entre nós gente ruim que nos cobiça a todo o instante sem deles sair uma palavra de conforto ou solidariedade.

roxo46.jpg E, afinal porquê aceitamos este desafio permanente de querer acreditar; com o tempo vou fazendo triagem do que ouço deste e daquele e no tempo, vou excluindo este e aquele senão até que me remeto a um distante silêncio. Digo para mim: está na hora de rumar a outro desafio! E, posso dizer são muitas as desilusões mas, também surgem aspectos reconfortantes, gratificantes! Este mundo não é a nossa pátria, somos todos estrangeiros e peregrinos. Cada vez mais me sinto assim! Os abraços são-no de graça mas nem todos têm graça. Poderia até ser pior…

Ilustrações: Aleatórias de Costa Araujo e Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:39
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2017
MAIANGA . XXI

CAFÉ DA MANHÃ . Aquilo que vi, não vi! Aquele mendigo fundiu-se no mesmo senhor vestido de organza - Andava eu neste então, nos caminhos de Santiago, fugido de França…

Maianga é um bairro da Luua

Por

soba15.jpgT´Chingange - (O mano Corvo)

maianga9.jpg Cisne e os templários

Em um tempo muito ido e sendo arqueiro da Ordem de Cristo ao serviço da Rainha Isabel a Católica por bula do papa Alexandre VI, na cidade de Burgos, sucedeu que um dia fui abordado por um mendigo que só o era em aspecto. Aguardava uma carruagem a fim de seguir até Santiago de Compostela.

araujo62.jpgCosta Araújo Araújo - (O ajudante del Greco)

Saído de Paris, eu também ia nessa direcção; de samarra, um cajado e um odre feito de bexiga de cabra com água do Rio Sena. As sandálias muito gastas lançavam já umas barbelas na qual se lhe agarravam uns carrapitos que brilhavam. A luz destes era tão intensa que dava para ver o caminho certo.

arau44.jpg Aquele mendigo tinha com ele uma relíquia do Santo e por todos os motivos que só ele sabia teria de fazer a entrega disso e pessoalmente ao Abade Grão-Mestre. Qual o meu espanto quando passado pouco tempo surge no lusco-fusco da madrugada um bando de cisnes rebocando um aveludado coche sem rodas, irradiando luz por milhares de pirilampos ao seu redor.

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Neste inusitado veículo vinha um velho senhor vestido de cetim e organza e mais panos fosforescentes, popelinas desconhecidas por mim. Só podia ser um sonho! Mais atrás numa viatura flutuante havia quatro donzelas cobertas também em cetim e sedas bordadas a oiro e prata, levitadas em cor reluzente. Tudo isto se passou numa ponte romana, tendo um marco miliário redondo e alto já com as letras do seculo e milhas desgastadas.

arau45.jpg Ainda hoje, tantos anos já passados, fico interrogando-me: - Aquilo que vi, não vi! Aquele mendigo fundiu-se no mesmo senhor vestido de organza ficando num só. Uma visão doutro mundo e no limiar duma vida, talvez penumbra de morte; uma de muitas viragens, charneiras duma era, a dos templários fugidos da foice segadora do rei Filipe IV de Espana e III de Portugal.  

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Quando vi este quadro de Zé Costa Araújo veio-me logologo à ideia, esse tal episódio. Isto é a ressurreição duma epopeia antiga antes de em um dia treze e duma sexta-feira, ceifarem milhares de soldados daquela ordem. Foi Filipe IV, rei de França que deu ordens nesse sentido com a anuência do Papa  Clemente V. Estavamos em mil trezentos e troca o passo - (Poucos andavam de charrete)

araujo114.jpg Ele o Zé Augusto, dono e feitor desta tela, era aquele velho mendigo feito de dois dessa lenda antiga mas, que só eu conhecia em pleno. A partir daí passou a dobrar seu nome; nem ele sabe desse porquê escrever-se Costa Araújo Araújo; dois Araújos em um só! Mais tarde, encontrámo-nos em Toledo sendo este pintor auxiliar de El Greco. Foi aí que fizemos um pacto de amizade cuspindo na mãos e mijando de forma cruzada sobre o rio Tejo. Consegui guardar este segredo até hoje. Isto do quadro só pode ser obra dum talentoso bruxo; ele mesmo: Araújo Araújo!

Ilustrações de Costa Araújo Araújo 

Adenda da história

No Concílio de Vienne (1311 - 1312), o chefe supremo da Igreja anunciou a extinção da ordem religiosa por meio de ação administrativa. Com esse precedente, Filipe IV pode prender, saquear e matar todos os cavaleiros templários presentes na França.
Em pouco tempo, Jacques de Molay, grão-mestre dos templários, foi levado à fogueira em uma pequena ilha do rio Sena. Segundo o relato de um escritor da época, antes de morrer Molay profetizou que Filipe IV e o Papa Clemente V seriam julgados por Deus pela injustiça que haviam cometido. Poucas semanas depois, o rei da França e o Papa faleceram. Tal coincidência, ainda hoje, nutre os mitos que falam sobre os segredos e mistérios da Ordem dos Templários.

Do Mano-Corvo T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:16
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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXIV

TEMPOS ESPACIAIS – 31.01.2017 - Quando o tudo, nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza sarando as feridas da mente e do corpo…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Creio que já o disse, outros o disseram também que, quando paramos de aprender, de perguntar, de progredir, a desinteressar-nos das coisas até triviais, começamos a morrer lentamente. A mente necessita de ser trabalhada e, por vezes até se tem de mexer em feridas que parecem cicatrizadas; vulgarmente dir-se-á que o que passou, passou mas a não prática disto fará parte de um exercício a que eu designo de “teoria do esquecimento”.

roxo27.jpg E, eu não quero esquecer-me de que tive pai e mãe, um bairro, uma cidade, um clube, uma praia e um país que me viu crescer, aonde estudei, cabulei e casei. País que pensava ser meu e, afinal dizem depois de uma quase vida, que não o é! É verdade que por vezes nem quero levantar as tumbas ou abrir meus baús de enferrujada lata tocando para a frente outras atitudes mas, como há gente que sempre volta a cair nos mesmos erros, lá terei de relembrar o que tanto se queria esquecer.

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Ninguém sabe ao certo nosso saldo de tempo e, isto até é bom que ninguém saiba porque só somos enquanto o somos, gente! - uma fantasia na forma de ilusão! Em geral, quem é humilde nem sabe que o é mas quem o não é pensa que o é! E, isto sucede tantas vezes, com tantos e tanta frequência que o melhor mesmo é não inimizarmos as eventualidades. Se formos sensatos calar-nos-emos porque nem sempre é bom criar desaforos gratuitos.

araujo63.jpg Posso dizer que até os analfabetos podem conquistar a sabedoria se souberem meditar com sua mente e seus corações e, se souberem quem são! Porque têm dois olhos, duas orelhas e duas narinas, duas pernas, mais duas mãos com seus dez dedos. Porque muitos, não sabem que para ver a profundidade das coisas têm de ter dois focos de visão simultânea, de criar estereoscopia para ver a lonjura das coisas.

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Estes dados físicos e matemáticos, nosso cérebro o faz com cálculo automático, deduções, ângulos e distâncias na forma de vectores e analisa de imediato suas características essenciais com os sensores mais perfeitos e, em perfeita sintonia com as demais sofisticadas partes do nosso corpo.

pombinho1.jpg Se definir um ponto no espaço e o olhar com os dois olhos, instantaneamente o cérebro formará um triângulo e calculará instantaneamente a distância desse ponto em função dos lados e dos ângulos. A base será sempre a distância entre o olho esquerdo e o direito. Caso não tivesse dois olhos veria um plano sem noção de profundidade.

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Nós somos completos e nem sempre nos definimos neste parâmetro. Ontem vi pela televisão um homem sem braços a tocar guitarra, a lavar os dentes, a mudar a fralda a um filho e tudo isso o fez com os pés e seus dedos. Comia sozinho sem um maior aparente problema. Não tomamos isto em consideração porque perdemos muito tempo fabricando infernos de tristeza e angústias sem fim e por um qualquer dá-cá-aquela-palha apelando-se ao Deus-nos-acuda.

nauk03.jpg Desprezamos a ideia de que o Céu está dentro de nós. Que fique claro que não é necessário morrer para ir para o céu! Ele estará em nós se o desejarmos e fizermos por isso! Mas, quanta gente se queixa por isto e por aquilo desprezando-se por inteiro e, no entanto têm os necessários recursos.

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Se não trabalhar agora em seu céu, depois, já nem será demasiado tarde porque tudo passou com você a amachucar-se e diluir-se em opiniões de levianas ignorâncias; ninguém é responsável por nossos próprios destinos e desvios a não ser nós mesmos. Se tem duas pernas ande, se tem duas mãos trabalhe, faça coisas, veja com olhos de observar os encantos ao seu redor. E, ouça os barulhos; não se entregue à preguiça, nem se martiriza por coisas menores. E, o menor é quase tudo.

araujo27.jpg Se tem cabeça, só pode ter, pense porque quer se queira ou não sempre seremos o reflexo daquilo que pensamos. Olhe que Jesus Cristo, mesmo sendo condenado venceu no tempo seu carrasco, seus algozes a mando de um Herodes que se dizia ganhador. Vitorioso não é aquele que vence os outros mas o que se vence a si mesmo, aceitando-se do jeito que é e, porque a vida não é um eterno canto de beleza.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:04
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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