Terça-feira, 29 de Novembro de 2022
KWANGIADES .XXXVI

ANGOLA DOS MWENE-PUTO (M´Puto)

KUKIA DA VIDA - Crónica 3308 – 29.05.2022 – Republicada a 29.11.2022 em Lagoa do M´puto

Kukia é o nascer ou por do sol

Por araujo158.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Lagoa do M´puto (M´Putulândia)

amigo da onça.jpg Diáriamente, sempre vai haver escolhas a fazer; elas podem determinar nossa felicidade aqui, no futuro ou no álem. As escolhas que fazemos hoje, mesmo já sendo kotas, são vitalmente importantes e contumazes. Os amigos que escolheu e ainda escolhe, a todo o momento explodem na singularidade dum extraordinário proceder ou de pensar. Tudo terá muito a ver com sua vida tornando-a um esplêndido crepúsculo ou um velho celeiro sem graça; por vezes, muitas vezes desilude-se deste e daquele mas, é forçoso continuar a fabricar amigos, mesmo que num repente fiquem amigos da onça…

Os amigos podem levá-lo a concentrar-se naquilo que é passageiro, ou conduzi-lo para mais perto de coisas vaidosas e até fúteis. Todos os dias você precisa escolher entre o nascer e o pôr-do-sol - a KUKIA DA VIDA. Ontem eu, o Santos e o Eduardo Torres reunimo-nos no meu Pátio Andaluz para se falar de coisas e até comer algo entre os intervalos das falas, melhor, gritando como moucos. A pilha do ouvido direito do EDU pifou (o esquerdo já pifou, faz tempo…) e num repentemente tivemos de aumentar os decibéis e, o vozeirão decerto incomodou meu vizinho Lestienne, um francês de França, macambúzio como meu ex-cão Columbo…

silva00.jpg Como sempre nossa conversa de boi dormir, resvalou como sempre para as coisas de áfrica. Queiramos ou não, nós saímos d’África mas, África nunca saiu de nós! Pois, falo de Angola. A gente dá voltas e divaga, deita conversa fora mas, sempre iremos parar naquele item rasgado no tempo. A verdade, nunca o é de valor absoluto mas, na relatividade da afirmação o peso desta vem de quem a prefere num determinado tempo e, desta feita descarreguei nos meus amigos coisas do tempo do Carcamano com expedicionários, funantes, sertanejos e até negreiros.

Assim, contornando medrosas angústias, febres palustres, água estagnada, jacarés do Panguila ou do Cunene, exigiram-nos esforços na consolidação dum país que não pode ser nosso por via de coisas merdosas e, porque estávamos condenados ao esquecimento pelos governantes de hoje misturados com os idos e também estadistas emudecidos da cabeça; gente do M´Puto metropolitano e de Angola. Um Ex-combatente de Angola sofre agora de estresse de guerra; cumpriu o serviço militar sem saber até que tinha os pés chatos e agora a adicionar muitas mais mazelas à idade, vê-se à rasca com uma reforma de cacaracá…

araujo160.jpg CA - Angola ganhou condição de país quando na embala de Belmonte, Silva Porto, com 72 anos de idade se imolou envolvido à bandeira Portuguesa; isto foi muito antes de o arrastar da bandeira do M´Puto por muitos lados e pisoteada por gente que virou governante. Enquanto isso os resistentes daqueles tempos lambem as feridas de catanas ou G-três da história. Silva Porto desrespeitado pelo soba N´Dunduma, "O trovão", meteu-se numa barrica com pólvora e queimou-se - outros tempos! Em 11 de Novembro de 1975 concretizou-se um país cujas fronteiras foram delineadas por estes combatentes paulatinamente desprezados no tempo.

A maioria dos combatentes, fizeram o seu serviço em dose de camelo; viram morrer camaradas, ficaram apanhados do clima, mosquitagem, jibóias, gorilas e sanguessugas dos pântanos. Recalcados de tanta injustiça, perderam o medo naquelas florestas, chanas, e anharas, numa Angola tão rica e tão ingrata. Defenderam e mataram gente, construindo novas coisas, impondo regras sociais para conservar tal espaço.

E, foram Fiotes, Quiocos, Quimbundos, Umbundos. Hereros, Ganguelas, Muílas, Mucubais e Bosquímanos que, mudaram de alguma maneira o modo de estar dos magalas de Mwene-Puto; e tantas guerras para desenhar um mapa cor-de-rosa que nunca o chegou a ser, para nada*... Quantas mortes! O Mapa-Rosa africano começou a ser desenhado em 11 de Julho de 1890 com as campanhas de submissão do sobado do Bié e, passados 85 anos, em 11 de Novembro de 1975 concretizou-se um país cujas fronteiras foram delineadas por estes combatentes paulatinamente desprezados no tempo.

araujo174.jpg CA - Aquele chefe "O trovão", veio a sofrer represálias a 9 de Dezembro de 1890 por parte de Artur de Paiva, Paiva Couceiro e Teixeira da Silva- os Mwene-Puto com a ajuda do povo Ovibundo governado então pelo rei Ekuikui Segundo. Daí as boas relações com o povo do Bailundo que perduraram após esses 85 anos. Paiva Couceiro, foi em verdade o último sertanejo a percorrer as terras do fim do mundo, no Cuando - Cubango, Mucusso, Cuangar, Dírico e Sambia. Parece mentira mas, é verdade! Ao soba de Sambia de nome Palata de Massaca foi dado o nome de D. António Maria de Fontes Pereira de Mello, ao soba do Aimalua do Cuangar foi dado o nome de D. Luís Bondoso Pinto Ribeiro e Montes Claros e, N´Hangau do Dirico ficou a chamar-se D. Afonso Enriques de Aljubarrota Atoleiros e Valverde. Tudo o resto foi tempo perdido, Aos combatentes de ambos os lados ficou esta recordação como contentamento! As minhas falas de ontem foram mais que muitas caindo sempre no mesmo – Angola, Aiué…

*Nada: A complementar a Teoria do Nadismo; Carcamano: tempo de funantes e expedicionários no lidar com um filho de soba do Planalto Central revoltado, com esse nome; palavra castelhana carcamano, que na América Latina denota "pessoa decrépita"…

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:40
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022
N`NHAKA . XXIII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . IX

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3307 de 27.05.2022 (45 anos depois da morte de mais de 30.000 Nitistas – a matança)- Republicação a 28.11.2022 na Lagoa do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por n´tundo3.jpg T´Chingange – (Otchingandji)

n´tundo1.jpg Em terras de matrindindi! Matrindindi é uma carocha de perfil pré-histórico, talvez um normal insecto coleóptero do género do escaravelho, só que este é muito mais extravagante, de cor escura, dorso azul e com muitos picos e patas longas; mais parece obra duma formatada bruxa ruim promovida a grilo, salvo seja. O Land Rover do Cadinho do Sumbe, pisava-os sem alternativa, eram muitos a passear descuidadamente na picada, sucedendo-se os estalos como o de castanhas a rebentar ao calor do fogo. 

Era suposto falar hoje do 27 de maio de 1977 mas o tema ainda é “quase tabu” em Angola, desconhecido por muito jovens e, porque não quero hoje tocar em coisas nefastas vou passear pelos matos; o que mudou mesmo foi o ressurgir de novas formas de roubar ao erário público destroçando paulatinamente a economia angolana, levando o povo ao desemprego, usando formas tristes de rebuscar nas lixeiras os desperdícios dos ricos que mantêm o sistema…

A serra do Chamaco via-se ao longe como teta saliente na cordilheira e, no caminho de Seles com uma vasta região de floreta de espinheiras, acácias de picos medonhos, babosas, newas, matebas, uma ou outra cassuneira, lengues, lungwengué da qual se fazem cordas de muita resistência. Em terras e N´Gunza Kabolo, soba antigo que deixou bom nome, avançamos pelo matagal, por onda a guerra se fazia sentir escassos meses atrás; a comprovar lá estavam as carcaças enferrujadas de camionetas, machimbombos, Ifas e Urais de fabrico russo.

n´tundo4.jpg Calcorreando desvios, contornando maboques, upapas e lenwenue de bagas curativas das feridas de matacanhas, cheiramos a braveza da natureza a contornar o rio Lua e o Caçosso com n´nhacas de belas hortas até se chegar ao rio Cubal. Não vi os macacos pulando entre as bimbas, coisa normal de tempos idos mas, que a guerra decerto os fez correr para não serem comidos.

Havia sim goiabeiras mangueiras e gajajeiras que ainda serviam para alimentar as acantonadas tropas da UNITA. Num tom de saudosa lembrança a voz esganiçada de Vitória* tipo cana rachada fazia-se ouvir: Vou ti bater minina; pertencente à OMA – Liga da Mulher Angolana afecta ao MPLA foi sobrevivendo com o slogan de victória ou morte; ali estava ela anafada e impregnada de bolunga feita em álcool de caporroto, de casca de banana, mandioca ou batata mas, no entanto lembrava-se das tareias que levou por causa da menina Dina, filha do patrão Cunha.

caatinga2.jpg Um grande abraço selou a saudade, daqueles tempos em que perseguiam os macacos e metiam matrindindes em frascos de nescafé. Isso de quando iam apanhar minhocas do rio Caçosso colocando-as em latas de leite Nido para o tio Francisco ir à pesca lá na foz do Cubal. Apanhamos sape-sape (graviola) tirando deles as sementes, dispusemos em uns frascos de azeitona para plantar no M´Puto e também umas melancias gentias chamadas de tanga – vi estas em grande quantidade quando andei pelo Kalahári…

Os Bushmen usam-nas para fazer o “Kalahári thirstland Liqueur”. Aqui usam-nas para fazer de xuxú nos variados cozinhados: aproveitamos trazer uns cambungues (papaia) e ukeluá-muflé – folha de abóbora para fazer esparregado e, no regresso junto ao Caçosso apanhámos as tais bagas vermelhas que no tempo passado servia para colar os selos nas cartas - por isso ainda as conhecemos por árvore da cola. 

matrindindi00.jpg Da aldeia do Caçosso só existiam ruínas (não vem no mapa) mas, a mulembeira ainda lá estava, menos imponente porque a cortaram parcialmente. Dali seguimos até ao Cantinho do Inferno; o porquê deste sítio se chamar assim deve-se ao facto de numa baixa pantanosa as camionetas mercedes, chevrolletes, magiros e Fordes ficarem ali atascadas dias e dias na via que vinha do Planalto Central. A escassos quinhentos metros lá estava a casa mãe da fazenda de algodão (em abandono) que dava guarida a todos aqueles camionistas que por ali vinham com suas cargas e, ali tinham parada forçada pela chuva e atoleiro. Cantinho do Inferno, funcionava pois como pensão, restaurante e a boa-atenção do Patrão Cunha (Já falecido) …   * Nota: Vitória, entusiasta da OMA, morreu encharcada em cachaça no ano de 2004 - dois anos após esta odisseia…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)        

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:01
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Domingo, 27 de Novembro de 2022
KALUNGA . XXXV

KIANDA COM ONGWEVA - XX de várias partes…

– Crónica 3306 de 21.05.2022 – Republicação a 27.11.2022  em Lagoa do M´Puto

MUXIMA NAS FRINCHAS DO TEMPO - Falar do futuro, até para as kiandas é tabu…

Ongweva é saudade

Por  roxo3.jpg T´Chingange (Ochingandji)Em Arazede do M´Puto

roxo225.jpg Falar do futuro, até para as kiandas é tabu - metem-no em sapatos quedes envolto em meias já debotadas e assim abandonados ali ficam na poeira do tempo como se estivessem arrumados num canto da arrecadação. Aos comuns viventes não se pode transmitir o amanhã, só o agora, lei básica da vida; caso contrário aparecem uns lacraus vindos do álem, misteriosamente oxorizados (coisas de Oxor). O Universo tem regras que por mais que queiramos, não estão ao nosso alcance engravidá-las. É aqui que surgem os mambos longínquos com soldados Mafulos, por via das falas da Kianda Januário Pieter também este, tio tetravô de Roxo, nascido às margens do lago Niassa, um meu antiquíssimo patrício…

E, os mambos de Januário, o Pieter, nem sabermos como, quando e aonde ia, ou vai buscar tantas falas sem medo de gastar seu reservatório das magias como se houvesse lá na cuca-armazém, uma fábrica de empacotar chwingames; fala do tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda, n´gwetas e dos desentendimentos com a rainha N´Zinga, mais outros personagens do distante Kongo do Zombo, das terras de Kassange e da Matamba…

roxo223.jpg Parece que neste entretanto vazamos para outro lado que não era o tal de Museu do Prado. Estávamos no centro da antiga Madrid da época da Casa de Habsburgo em la Plaza Mayor, ladeados por pórticos. Nas proximidades ficavam o barroco Palácio Real mais o Arsenal Real, que exibe armas históricas mas, nem sei como do nada transladamos para aqui! Quem se mete com kiandas fica kiandado ou oxorizado.

O velho Januário Niassalês o tio das manas, descreve as festas axiluandas de então com kimbandas e t´chinganges pisoteando a terra, levantando poeira de encorajar kotas, jagas, sobas e m´fumos que iam chegando em alvoroço dos Dembos e de lá mais além do Kassange. Como se ali estivéramos senti que iam passando cabaças com malavo de cassoneira e, a cada grito dado pelos dançarinos guerreiros, o povo em uníssono gritava kwata mwana-pwó, kwata mwana-pwó. Arrepiei-me com medo como num repentemente estivesse rodeado de jacarés do kwanza, amarelados de muxima, pode!?

roxo224.jpg Era a preparação duma guerra contra os Tugas n´gwetas entrincheirados em Massangano por ordem dos Mafulos Holandeses. Morgan Tsvangirai o pai de Roxo ficou avençado pelos Mwana-Pwós com o posto de tenente de segunda linha; mandava os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de manutenção e limpeza ao forte, zelar pelos n´dongos de pesca e translado de coisas para a Kissama e das patrulhas de soberania aos mares parados com lagoas até o Morro dos Imbondeiros e dos Elefantes da Maianga e Samba. Também tinham a caça e a pesca ao seu cuidado.

Assim transladado naqueles tempos vi M´fumos; iam chegando aos poucos como emissários da rainha N´Zinga M´Bandi da Matamba e do rei do Kongo Garcia II que, embora sendo cristianizado pelos Portugueses, com eles andava desentendido após a chegada dos Mafulos. Teriam estes prometido a eles poderes maiores com auxílio de armas do tipo de canhangulos ou pederneiras. Eram preparativos duma união para fazerem o grande e final assalto a Massangano. Só podia ser!

Naquela fortaleza os Tugas resistiam aos holandeses tapando-lhes as vias de comunicação ao mercado de escravos lá do interior fazendo emboscadas ou tocaias usando azagaias venenosas, um método aprendido com os índios do brasil, uma cana comprida que depois de soprada, dela saia um dardo mortífero. Por isso aquele mato metia demasiado medo aos Mafulos. É aqui que entra o Senhor Maurício de Nassau que desde o Recife Brasileiro mantia o negócio das peças m´bikas para os seus engenhos de assucar.

roxo215.jpg Neste arraial com a vida acontecendo muito de repente Redufina Kabasa mãe negra da Kianda Roxo estremava-se ensinando a sua filha maneiras de comportamento e era vê-la brincar com candengues brancos e pardos no átrio da missão! Bem cedo se destacou nas habilidades de colorir os jogos de desenho, os riscos da cabra cega; qualquer argila era motivo para dali sair pintura ou escultura bem à moda dos trabalhadores de talha do pequeno altar da igreja da muxima!

Ilustrações de Assunção Roxo

Glossário: Kianda: Calunga, fantasma; Muxima: saudade, lugar de romagem; quedes: sapatos de pano; da macambira; Mafulos: Holandeses; Mambos: Atitudes, procedimentos; Cuca: cabeça; Chuingame: pastilha elástica; N´gweta: branco; axiluanda: nascido na ilha de Luanda; Kimbanda: Médico tribal, curandeiro;  T´Chingange: feiticeiro, secretário e cobrador do rei ou Mwata; malavo: vinho de palmeira; M´fumo: chefe da aldeia; Cassoneira: tipo de palmeira ; Kwata: agarra, Mwana-pwó: pombeiro branco, sertanejo, colonos; antigos taberneiros brancos; M´bika: escravo; N´dongo: canoa; Kissama: reserva animal, lugar com animais selvagens; Canhangulo: arma artesanal, de carregar pelo cano; Kiandado: enfeitiçado;  Oxorizado: virado do avesso, vaporizado…  

(Continua com “fricção”…)

Por: Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:43
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Sábado, 26 de Novembro de 2022
GUARARAPES - 6

A SAGA DO AÇÚCAR – AS AGRURAS DE OLINDA COM OS MAFULOS

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA

Crónica nº 3305 de 19.05.2022Republicação a 26.1.2022 em Lagoa do M´Puto

Por araujo 29.jpgT´Chingange (Ochingandji)Em Arazede do M´Puto

A figura pública de Figueiroa, revista como herói na tomada de Pernambuco -  Brasil

matias20.jpg  Matias de Albuquerque, 1° Conde de Alegrete, nasceu na Vila de Olinda, sede da Capitania de Pernambuco, no Estado do Brasil, da qual seu irmão era donatário, na última década século XVI.

Em tempo de D. João IV. Este monarca, deu ordens a Figueiroa que recrutasse 500 infantes da ilha da Madeira e Açores para tal envolvimento militar em terra de Pernambuco… Determinou aos oficiais de primeira linha fidalga, que “a gente vadia, ociosa, e de pouca utilidade à Coroa, fossem arregimentadas e levados à luta do Brasil” porque “ He grande o aperto e necessidade daquelle estado”. Convém dizer-se que não é verdade que o reino se tivesse esquecido dos revoltosos de Pernambuco; o que sucedeu foi de que não se tinha reunido toda a diplomacia para ter sucesso e só reactivou à pressa após Inglaterra* ter declarado guerra à Holanda.

Aqui D. João IV actuou rápido em força e a todo o custo sobrecarregando o povo em taxas de guerra adicionais. O açúcar fazia-lhe falta para custear tudo isso e ainda salvaguardar as fronteiras Ibéricas da impetuosidade dos vizinhos Castelhanos. Em 1647, Francisco de Figueiroa chega à Bahia. Em 4 de Agosto de 1648 reúne-se às tropas sob o comando de Francisco Barreto de Pernambuco e, é a 19 de Fevereiro de 1649 que toma parte na segunda batalha de Guararapes com o posto de Mestre-de-Campo do seu terço de guerra.

matias21.jpg Francisco Barreto, após aquela grande batalha, escreveria ao rei a 11 de Março de 1649 enaltecendo os três Mestres-de-Campo, Vieira, Figueiroa e Vidal da seguinte forma: - “Procederão com tão assinalado valor que depois de Deus, foram eles a causa de alcançar vitória pelo que merecem as mercês que justamente podem esperar tão “leaes vassalos”, por seus merecimentos”.

Figueiroa, tendo sido soldado, capitão, almirante, governador de Cabo Verde, ouvidor em Angola e Mestre-de-Campo na batalha de Guararapes, por rogo seu foi designado de fidalgo com a comenda da Ordem de Cristo depois das formalidades das “provanças” para a sua admissão na Ordem de Cristo e, após a consulta da Mesa da Consciência e Ordens o ter aprovado a tal merecimento. Coisas tiradas a ferros, sabe-se lá do porquê!

Recorde-se que em 1630, tropas mercenárias da Companhia das Índias Ocidentais invadem a capitânia de Pernambuco dominando toda a região do Nordeste do Brasil por vinte e quatro anos, ou seja, até ao ano de1654. Insatisfeito com a situação, os naturais da terra sob a liderança de João Fernandes Vieira, um senhor de engenho, nascido no Funchal, inicia em 1645 a reconquista do território devolvendo-o à soberania Lusa em 1654.

matias23.jpg Em Olinda sede da Capitânia de Pernambuco governava Matias de Albuquerque; este, procurava concertar os esforços da defesa no porto de Recife só que, o General Mafulo Theodoro Waerdenburch, seguindo o plano traçado com os mandatários da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, desembarcou suas forças na praia de Pau Amarelo a Sul do Recife num total de 3000 homens. Marchou sobre a vila de Olinda tendo vencido Matias de Albuquerque no combate de fogo à Vila de Olinda queimando nobres edifícios avaliados em milhares de cruzados.

Matias de Albuquerque, perante tamanha força, impossibilitado, e de coração esfrangalhado retirou para o lugar de Capiboaribe a uma légua de distância do Recife, fortificando o sítio com 4 peças de canhão e 200 homens de armas. Inicia-se assim a guerra da resistência pernambucana com a fundação da Arraial do Bom Jesus aonde permaneceram por cinco anos utilizando tácticas de guerrilha aprendidas com os indígenas (Índios da região)...

bruno27.jpg Naquele Arraial do Bom Jesus, compareceram com seus comandados, Luís Barbalho, Martins Soares Moreno, Filipe Camarão com seus índios e Henrique Dias com seus negros quilombolas resolutos a manter uma guerra de vinte e quatro horas por dia no espírito de todos com um sentimento nativista. Mas, entretanto há o revés de em Abril de 1632, Domingos Fernando Calabar, um mestiço cazucuteiro, dado ao embuste, com o desprezo dos demais, é acusado de contrabando, passando-se assim por acossado para o lado dos invasores Mafulos…

NOTAS: *INGLESES – observe-se aqui a interferência desta nova potência na Europa e Globália, estabelecendo regras de fiscalização DESDE ENTÃO aos demais países entre os quais PORTUGAL, que sempre manteve subserviente aos sus caprichos e, ao longo da história

 (Continua…)

O Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:56
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2022
MUJIMBO . CXXIX

ANGOLA – TESTEMUNHO DE ESTÓRIAS ANTIGAS... MICONGE VELHO, CABINDA

- Acreditei que estava a participar na revolução angolana - de 2 Partes

Crónica 3304 – 17.05.2022 – Republicação a 25.11.2022 na Lagoa do M´Puto.

Por  CABINDA2.jpg Soba T´Chingange em Arazede e Lgoa do M´Puto

CABINDA3.jpg Estávamos em 1968, em Maiombe de Cabinda. O alferes Martins das operações Especiais transparecia empatia logologo ao primeiro contacto. Sua pele mestiça indicava o quanto tinha de mazombo a condizer com nossas condições de singularidade, filhos de colonos. Nos seus crioulos procedimentos referia seu pai lá das terras de Barroso atrás dos montes no norte do M´Puto; sua mãe caluanda e descendente das gentes da Matamba, era também referida com orgulho envaidecido nas linhagens de nobreza N´Zinga em nossas conversas; nobreza que a administração colonial dissipou nos tempos após a rebelião de Mandume entre outros kaparandandas do Mu Ukulu (gentes do antigamente)… 

E, porque sua mãe era quase minha vizinha pois que morava fronteiras meias entre a minha rua da Maianga e o quase musseque de Catambor e muito perto até do colégio aonde andou antes de mim, João das Regras e também do mercado de Martins e Almeida – Martal. Este facto foi motivo de conversas a promover empatia repentista entre a guerra e seu transcurso. Este alferes Martins, veio acompanhado de mais três especialistas em tiro curvo de morteiro e bazuca com mais uma macaca Cheeta chamada de Grafanil.

CABINDA5.png A Cheeta talvez porque tenha sido nascida em um quartel com este nome de Grafanil, ganhou fama no Centro de Instrução de Comandos de Luanda e, como fiel companheira do alferes de Operações Especiais, destacou-se em operações ao lado de seu dono, instrutor e também fiel inseparável militar excêntrico. Desta feita e no lugar de Miconge*, antiga Administração do Sanga Planície; desconfiei haver maka a resolver por perto com o rótulo de “extraordinariamente secreta”.

Fiquei a saber que Martins, sempre era acompanhado em operações conjuntas com ex-turras designados de TE´s e GE´s- Tropas e grupos especiais que lidavam em Cabinda e Leste respectivamente. Fiquei a saber que a Cheeta “Grafanil” era perita de esperta, dom natural em antever perigos, detectar barulhos estranhos e cheirar à distância a catinga de guerrilheiros arregimentados nas clandestinas picadas do Maiombe e outras matas de Congos e Zâmbia…

Que eu saiba só ele Alferes Martins tinha uma autorização do Alto Comando Militar para se fazer acompanhar aonde quer que o fosse de uma macaca gorila, um primata selvagem (embora treinada…); vai daí, ficando curioso, observei Martins ter-se reunido com o Chefe Jorge dos TE´s. Ao final do dia foi-nos dito que a segunda secção do segundo pelotão e a quarta secção do quarto pelotão iriam fazer uma patrulha com este Oficial de operações especiais.

cabinda8.jpg O outro dia chegou e, ficamos em pulgas com as explicações caindo a conta-gotas para estas duas Secções. Eu, Furriel Mike comandaria a minha secção a quarta do quarto pelotão. Creio que esta decisão partiu do excêntrico alferes pois que curiosamente, éramos: a 2ª Secção do segundo pelotão (Furriel Liló, mestiço de Luanda…) e, a 4ª Secção (Furriel Mike, mazombo Niassalês de Luanda…) do quarto pelotão. Feita uma análise, os comandantes, eramos todos, os intervenientes da incorporação de Angola (Província).

O saber: - 1 Oficial de Luanda, 2 secções de ex-turras TE´s - Cabindas, 3 especialistas em tiro curvo e bazuca de Malange e nós, Mike e Filó, comandantes de Secção da Luua… No dia seguinte fomos dormir todos a Miconge Velho, lugar encostado à fronteira e tendo até ali bem peto um marco em ferro colocado por Gago Coutinho quando em tempos idos se marcaram os limites do território enclave de cabinda e, segundo o Tratado de Simulambuco e outros dois adstritos a este… Foi já aqui que o Alferes Martins explicou a todos como seria feita a operação com todos os detalhes: Eu, Mike ficaria em um lugar de encosta a cobrir a retaguarda e fuga ou retirada com os 3 peritos de Malange que tratavam por tu os morteiros e bazuca. Filó ficaria no sopé do morro e na picada de acesso à estrada principal aonde se faria a emboscada. Martins e Jorge dos TE´s fariam a emboscada no meio do capim alto ao longo do caminho e por onde chegaria a malta do MPLA para fazer investida ao quartel de Miconge em Sanga Planície…   

fig3.jpg Aconteceu: Naquele outro dia e no caminho que conduz a Dolizie (Congo Brazaville) o Alferes Martins e seus, nossos homens das NT fariam essa emboscada ao movimento que agora luta contra os Fiotes da FLEC; Os mesmos que ainda não atingiram a sua independência. Após aquela emboscada que originou catorze mortes do lado do inimigo MPLA, os dias que se seguiram foram de música empolgada relembrando até o Che Guevara. E, formam uns quantos dias a seguir choros de música fúnebre na emissora de Brazza… Não mais se levantaram depois desta façanha com o Alferes Martins e a Nossa Gente; correu tudo bem e sem baixas! A retirada foi rápida e ainda posso cheirar, 54 anos depois e ouvir aquela azáfama de guerra. De nada valeu, pois foi logologo e após o VINTICINCO que a NT – Nossas Tropas (Do M´Puto) o primeiro quartel a entregar-se ao inimigo! MICONGE ficará na estória por este feito, esquecendo aquele outro de 54 anos antes…

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*Miconge: - Fronteira Norte de Cabinda perto do Dinge, o primeiro quartel a entregar-se ao MPLA pelas forças do M´Puto após o 25 de Abril de 75, lugar aonde a tropa do M´Puto entregou as Gê-três e botas aos guerrilheiros por ordem do Rosa Coutinho (O Vermelhão).

O 25 de Novembro de 1975 no M´Puto: A Crise de 25 de Novembro de 1975 foi uma movimentação militar conduzida por partes das Forças Armadas Portuguesas, cujo resultado levou ao fim do Processo Revolucionário em Curso - PREC e, a um processo de estabilização da democracia representativa em Portugal. Wikipédia

(Continua… 2ª Parte de Miconge Velho…)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:09
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2022
MUGIMBO CXXVIII

*PRIORIDADE MÁXIMA*

- Crónica 3302 em 16.05.2022 – Republicada a 22.11.2022 em Lagoa do M´Puto

Por MUJIMBO01.jpgT'Chingange em Arazede de Coimbra do M'Puto

Introdução: - Cada um de nós deveria ter uma BAZUCA sem a ilusão e, COMPADRIO carunchosamente facilitado pela fricção corrupta...

MUJIMBO2.jpg Mergulhados em um mundo mediático, publicista e consumista, corremos todos os dias o risco de priorizar o que é secundário. Governo e vendedores de fantasias enchem-nos a paciência sem dó. Muitas coisas são importantes, mas é fundamental estar-se constantemente vigilante na avaliação do topo da lista. Somos sempre estimulados a desejar aquilo que não é realmente necessário, a criar falsas necessidades.

Não podemos viver autocentrados quando o alerta nos torce a mente enganando  nossas urgências e necessidades. Assim, o que é mais importante na vida assume uma posição secundária e passamos a trabalhar, lutar e investir nosso tempo e energias a correr atrás daquilo que é supérfluo ou ilusório...

Sabemos que precisamos priorizar o que é autenticamente importante. O problema é que dar prioridade àquilo que é mais importante, nem sempre brotará espontaneamente de nós. Normalmente, o que em nós pulsa, é o desejo de auto realização correndo o risco de virarmos marionetas.

MUJIMBO3.jpg Queremos afirmação e pensamos que sejam o fruto de nossas conquistas: “Minha beleza, minha inteligência, minha casa, meu celular, meus diplomas, minha profissão…” E, quanta decepção se encontra quando priorizamos o que não nos é assim tão necessário…

Nossa única prioridade real na vida deve ser o de "viver com dignidade e liberdade". No fim de tudo, o que importa é se você colocou a sociedade, seu próximo ou vizinho e família em primeiro lugar...

Com fé, a prioridade surge; e, até encontrará forças e sabedoria para enfrentar qualquer tipo de circunstância! Ao dar o primeiro, o melhor e o mais importante é esse lugar de seu lado positivo no pensar; e, verá assim que tudo o mais se encaixará, naturalmente...

ama3.jpg Sua realização e afirmação não estão no que dizem as vozes deste mundo cheio de propagandas vazias, mas no que diz a palavra da sua humilde e honrosa postura. Sempre é tempo para tomar um novo início com o rumo certificado em mente de progresso.

Comece agora a buscar o reino de seu templo, seu pensar como PRIORIDADE MÁXIMA. Faça disso seu maior interesse e veja cumprir-se em sua vida a promessa com o verbo certo, em um qualquer novo dia: “Essas coisas lhes serão acrescentadas” sem a necessidade de se esquecer...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:48
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Domingo, 20 de Novembro de 2022
MISSOSSO . LV

NO KILOMBO– NA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA…

COM FALA KALADO – NA SINGULARIDADE DOS KALUNDU

- Crónica com ficção 3300 – 20ª de Várias Partes – 13.05.2022 – Republicação a 20.11.2022 na Lagoa do M´Puto

Por mess04.jpgT´Chingange – Em Arazede de Coimbra do M´Puto

ROXO133.jpgAR - Na minha qualidade de Zelador-Mor da Fundação de Zumbi de N´Gola fiz uma visita relâmpago ao CDB - Centro de Documentações no lugar de Baobá (Imbondeiro) – lugar de entre União dos Palmares e o Morro da Barriga no estado de Alagoas do Brasil. O historiador Vizeu Antunes, responsável pelo sector, deu-me liberdade de poder consultar os arquivos da Fundação e assim, livre de outros deveres poder ver e analisar antigos dados para assim, prosseguir minha tarefa de entrevistar gente de nomeada na ainda estória recente de N´Gola. E, vasculhando cadernos de apontamentos entre múltiplas anotações recolhi dados ainda mal decifrados no contesto da semântica histórica. Fala Kalado, o agora Comendador - um Ex-Defunto de nome Nelito Soares e hoje, Ex-Coronel, recuperado em vivo e, que andou com o Che Guevara em um lugar perto de Ponta Negra chamado de Luvungi da RPC- República Popular do Congo lá para trás nos anos de 1964 ou 1965.

É aqui que ele encontra Jonas Savimbi, um negro bem negro e, os rumos, lentamente, viraram em novos azimutes. Ainda não tenho bem a exacta certeza de como tudo aconteceu mas e como diz Murphy em seu princípio, o que tiver de ser, assim será na convicção de que escrever o futuro dum morto matumbola* é bem periclitante, quase impossível. Nelito Soares era funcionário da Imprensa Nacional de Angola - Cidade Alta da LUUA… Para muitos é apenas o nome de bairro luandense; combateu, de armas na mão, contra o estado colonial, sem ter visto realizado o sonho da Angola independente, tendo sido morto pela tropa portuguesa no seu Bairro da Vila Alice. Tal como eu, foi estudante na EIL – Escola Industrial de Luanda e fez seu Curso de Sargentos Milicianos na Escola de Aplicação Militar de Nova Lisboa (EAMA)– Huambo.

roxo91.jpgAR - Bom! Nelito, um incorporado nas tropas regulamentares coloniais na região de Cabinda, tal como eu, T´Chingange, um seu colega de armas e, também incorporado na Companhia de Caçadores 1734 de Beja do M´Puto, protagonizou, com mais dois compatriotas, o desvio, para o Congo Brazzaville, de um avião comercial – um “Dacota da DTA” que seguia de Luanda para Cabinda, com passageiros a bordo no ano de 1969 (04 de Junho). O avião que deveria aterrar em Cabinda foi desviado para Ponta Negra. Longe estava, então, Nelito Soares de imaginar que, seis anos depois, num outro dia, com a Independência à porta, havia de ser morto por elementos Comandos das Forças do M´Puto – as únicas que dignificaram o M´Puto em Angola…

Nelito1.jpg NELITOEm frente à então sede nacional do MPLA, a cujos ideais aderiu numa altura conturbada de tomada do poder por este partido/movimento a maka, aconteceu! Ainda mal estruturado este Movimento do “M da vitória ou morte” aterroriza a população de Luanda às ordens “encapotadas” do General de Aviário Rosa Coutinho do MFA - um antigo prisioneiro da FNLA no rio Zaire. Nelito Soares, foi também no bairro da Vila Alice que cresceu e viveu até deixar o país para se juntar, em Brazzaville segundo a estória mal contada, à Luta Armada de Libertação Nacional, protagonizada pelo MPLA.

Era, então, funcionário da Imprensa Nacional. Eram tempos de clandestinidade, sem cartão de militante, nem discursos, muito menos promessas. Angola em um prazo muito curto, virou às avessas por força e graça do “glorioso MFA – salvo seja”. Havia falas surdinadas, salões de baile, ou bailes de jardim ou em locais de trabalho e, num repente depois dum VINTICINCO NO M´PUTO, tudo mudou – Cravos para uns, espinhos para outros, que num repente viram RETORNADOS. Mais tarde os boatos, os rebentamentos nos musseques, a rebelião SAIDA DO NADA, para trabalhar o medo, o apelo à fuga dos brancos

ROXO187.jpgAR -  Manuel Soares de Silva, nome de registo, filho de Luís João Soares da Silva e de Isabel Severina da Silva, nasceu em Luanda, a 19 de Setembro de 1943, tendo falecido em 27 de Julho de 1975. Assim se pensava mas, pelo que já foi contado, saiu morto pela fronteira Sul de Namacunde com o beneplácito de segredo do médico Kimbanda Kassessa. A parti daqui as intermitências da morte sugere segredo de resiliência e, do nada (…) instala-se em Brasil negociando com armas aos traficantes dos morros ao redor de S. Paulo e Rio de Janeiro mas e, sempre com seu novo nome de Fala Kalado.

Seu estudo secundário fê-lo na antiga Escola Industrial de Luanda, onde funciona agora o Instituto Médio Industrial de Luanda (Makarenko), na Vila Alice. Um militar de “veia lusa” afirma que: Esse Filho da Puta foi abatido em 75 nas escaramuças “escaramuças, é favor” – aonde o MPLA emboscou e assassinou vários militares… E, vêem-me agora com panfletos de merda em ode a um terrorista mal fabricado. Malditos reaccionários - fodam-se! Fantoches travestidos em progressistas.

roxo137.jpg AR - Comuna, é mentiroso compulsivo, seja da URSS seja da CHINA, Coreia do Norte ou o raio que os parta! Foram eles sim, quem arregimentou e armou uns quantos candengues “PIONEIROS” que metralharam um Jeep de Comandos Tugas PELAS COSTAS (confirmo que assim foi! Eu estava na Luua neste então), matando logo dois e ferindo gravemente outros dois. Mesmo assim conseguiram levar o Jeep até ao Quartel dos Comandos do Cazenga! Ali, mal viram o resultado desta enorme COBARDIA do MPLA os COMANDOS, a seguir, deram a resposta. A chegada de 2 Companhias dos Comandos desde o Cazenga dignificou o acto de afronta da Vila Alice; esta é a verdade!…Bem! Menos mal que só ressuscito o morto NELITO nesta estória como um Ex-defunto MATUMBOLA!

*Matumbola: - Na superstição de gente bantu, é um morto-vivo - indivíduo ressuscitado por artes mágicas, que cumpre ordens dum suposto feiticeiro kalundu que o trouxe à vida - Uma divindade ou espirito justiceiro, presente na natureza…

Ilustrações de A. Roxo - AR

 (Continua…)

 O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:46
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Sábado, 19 de Novembro de 2022
N´NHAKA . XXII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . VIII

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3299 de 12.05.2022 – Republicação a 19.11.2022 na Lagoa do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por kota0.jpg T´ChingangeEm Arazede de Coimbra do M´Puto

roxo201.jpg Passando o dia nas quedas da Binga e já quase noite, retornamos ao Sumbe, a casa do Sr. Pais da Cunha, pai de Balbina, nosso anfitrião e sogro do Jimba; pela noite teríamos os jogos do Mundial de Futebol 2002. Situada na rua da Resistência, sector impar; o kota Pernambuco estava nos fundos do quintal queixando-se de dores e tremuras - tudo indicava que fosse paludismo, tomara! Dormia ali no relento da sacada no anexo.

Pernambuco, sempre foi um dedicado serviçal mas, agora a idade tornou-o corcunda mais propriamente depois de ser submetido a uma intervenção no hospital de Luanda por pseudo médicos cubanos. A vida por ali andava testada no fastio de sem cerimónias de consciência, andava muito próximo da morte como se assim o fosse coisa normal. Este comportamento social estava muito mudado para pior e em relação aos anos que por ali vivi e até o 13 de Agosto de 1975, quando da minha saída na ponte “Lualix”.

piram3.jpg Disse cá para mim nessa altura, que se calhar não voltaria a ver o kota Pernambuco e, em verdade, morreu pouco tempo depois envolto creio numa apatia de deixa andar para ver como fica, quando se sentia já o cheiro do além ainda em vida. Quando me lembro ainda fico triste. Jimba, marido de Balbina veio a morrer tempos depois e, após ter andado a ser tratado nos hospitais do M´Puto mas seu destino aligeirou-se entre fragilidades, fraquezas de coração e das bichezas cancerígenas…

Aquele velho de nome Pernambuco que tanto se dedicou lá na cozinha do Cantinho do Inferno, anos e anos a fio fazendo comezainas de gente fina como lagosta suada entre outras maravilhas pantagruélicas, ali estava que nem um enjeitado, definhando-se nas carnes dia após dia sem uma atenção mais esmerada pelos circundantes; aquela falta de atenção pelos demais fez-me ver a cruel postura da vida naquela angola acabada de sair da guerra dos misseis monacaxitos.

mirangolos.jpg Apercebi-me que a morte chegava mais rápido ali do que em outro qualquer lado, coisa de pensamento ainda envolto naqueles tempos em que a Novo Redondo se chamava “o cemitério dos brancos” e sem aquela atenção dos demais, a morte já vulgarizada de comum como se assim fosse uns continuados descuidos de humanidade que num repentemente levou Pernambuco… Lá naquele quintal, vou continuar a vê-lo na insignificância dos fundos, para sempre. Mas e agora, o casula Xingu e a Fati também estavam com indicio de febre; foram ao hospital e deram-lhe medicação para a febre tifóide. Tive dúvidas de ser isso e, creio terem-lhe dado este medicamento pelas águas insalubres do rio Cambongo.

A febre tifóide é uma doença infecciosa, transmissível e desencadeada pela bactéria Salmonella Typhi. Isso deixou-me na altura preocupado pelo que beber água só mesmo engarrafada. A doença, que apresenta gravidade variável, está relacionada directamente com as condições de saneamento básico em uma região e com os hábitos de higiene de cada indivíduo. Assim sendo, sua incidência é maior em áreas associadas a baixos níveis socioeconómicos, ocorrendo num maior número de casos nas regiões quentes e sem o devido tratamento.

mocanda9.jpg Numa destas noites Chiquinho saiu a ver novidades pelas ruas mal iluminadas do Sumbe e ao chegar teve a expressão: o holocausto está escuro! Nas noites que ali permanecemos, o galo do vizinho Cadinho cantou a todas as horas ímpares, começou à uma e terminou lá pelas cinco da manhã. Com o calor a apertar de noite tive de me levantar e banhar-me com o caneco de esmalte e, espreitando lá para o quintal do Cadinho pude localizar o galo cantor no meio de uns carros desarranjados com os motores descarnados, vielas soltas com os pistões a servir de varas aos galináceos, restos de geleiras, fogões e corotos vários todos caiados de neve saída dos galináceos, perus e patos…

Pude também ver já com o dia a despontar, no meio daquele conjunto de estralhos e zingarelhos o esqueleto de uma máquina de costura Oliva entre outras imbambas misturados com as baterias, cambotas, restos de macaco e chatarra de pneus, motores de arranque com muito fio enrolado em cima de uma mesa escura de óleo queimado, esqueletos de motorizadas e bicicletas e até um said-car. Também havia um fogão desmantelado, uma geleira que fazia de prateleira a latas besuntadas de óleos a granel. Enfim, todas as imbambas a um qualquer momento davam jeito e tanto que, em um dos dias o Bien, Humberto Cunha, foi lã buscar uma mola helicoidal para adaptar no seu carro hibrido, o mesmo talqualmente, que nos levou ao Lobito.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:04
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2022
KAZUMBI ANTIGO
FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA
“AS INTERMITÊNCIAS AMARGAS DA MORTE”
Crónica 3298 de 11.05.2022 - Republicada a 18.11.2022  em Lagoa do M´puto
“CAZUMBI: - Feitiço; coisas azaradas; má sorte; milongo envenenado; azar".
Pordia183.jpgT´Chingange – Em Arazede do M´Puto

cazumbi6.jpgDesfolhando aleatoriamente o álbum de família e amigos, torna-se evidente que a morte não arredou pé do seu compromisso com a humanidade e, eis que exactamente num dia, dão-me a notícia de que algures numa rua de Johannesburg um amigo próximo vitimou-se de morte em acidente, de carro, varado por um tubo solto, mal acondicionado dentro de seu carro; não sei mais pormenores porque não é nesta periclitante situação de infortúnio que se perguntam detalhes "de como foi".

Tinha que ser! Fugiu da África do Sul com medo de morrer nas mãos dos novos senhores no após a independência e, logologo numa visita ocasional à família morre em um acidente quase descabido. Não foi noticiado nos meios de comunicação mas, nem toda a gente do mundo pode abanar a tranquilidade dum país decretando dois dias de luto nacional ou ter referência especial nas manchetes do dia nos écrans da TV. As obras de Deus sempre são assinadas com o cunho da adversidade.

cazumbi7.jpg Lembrar agora que no Portugal prófundo que se pensava ter dado morte ao carrasco primeiro-ministro, o povo maior, vacinado e emancipado após ter vilipendiado o "engenheiro" um líder tão contestado, ao invés do veto sagrado dão-lhe o voto sondado. Por vezes as coisas não são loisas, nem todos os Sócrates os são genuinamente. Aquele amigo defuntado na África do Sul, originário da Madeira, decerto não tinha pensado estacionar ali seus ossos. Ele que pelo seguro era um tri-cidadão, resguardado na vida com três passaportes, não previu a morte desta forma.

Português da Madeira por nascimento, brasileiro por crescimento, veio a usar seu fim de vida com o terceiro passaporte, o da África. Meu amigo de nome Moreira não se precaveu com um quarto passaporte para o paraíso e irei sempre recordá-lo por uma frase dirigida a mim, e que ao longo de muitos anos me martelou negativamente. Dizia ele com experiência que "amigo, é aquele que me mete dinheiro ao bolso"; não contestei em sua vida essa afirmação mas, decerto, do muito que arrecadou, nada, agora levou.

cazumbi2.jpg A espada de Dâmocles (o que foi rei por um dia) no dizer de Saramago – o Nobel, suspensa por um fio, cairá um dia nas nossas cabeças. Só peço que não me surpreenda ela, a espada, como um velho mísero, nem tão pouco me apanhe num qualquer asilo como indigente. Quantas pessoas, estóicas, dignas, corajosas, optam pelo suicídio estando assim a dar uma lição de civilidade. Porque é que os políticos (alguns de topo) não seguem esse estoicismo dando-nos uma bofetada sem mãos, morrendo politicamente, entenda-se!

Porque não o fazem, se são tão honestos nas convicções. Já sei! Iriam ser afectados no seu foro ético e moral! O povo Tuga, afortunado por seus ancestrais, encerram-se agora numa malcheirosa penumbra de confessionário optando em sondagem na escolha do seu carrasco. É demais, e do mesmo. Vá-se lá entender tal estirpe! Tanta treta para tudo terminar em maioria absoluta…

cazumbi0.jpg E, ainda falam em uma geração àrrasca - Geração àrrasca foi a minha. Foi uma geração que viveu numa terra que teve de abandonar porque afinal já tinha dono. Uns eram turras e outros filhos do Puto, besugos. Também era proibido ser diferente ou pensar que todos eram iguais com acesso à saúde, ao ensino e à segurança social. Meu amigo de nome Moreira não se precaveu com um quarto passaporte para o paraíso acabando por ficar lá na África…

O Soba T´Chingange (Ochingandji)


PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:36
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2022
GUARARAPES - 4

RECIFE – A SAGA DO AÇÚCAR

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA – CAXEIROS E O OURO BANCO

Crónico nº 3296 de 09.05.2022 – Republicação a 15.11.2022 para o Kimbo Blogue

Por Fraternidades3.jpgT´Chingange (Ochingandji)

vieira2.jpg Os Tugas, resgataram a prática do uso escravo podendo de forma sintética mencionar o padre António Vieira quando refere “Sem açúcar não há escravos e sem escravos não há açúcar”. Como já foi dito, a Madeira como berçário de novas práticas sociais foi nos primórdios da expansão Lusa, o primeiro e mais importante mercado receptor de escravos africanos. À ilha chegaram os primeiros escravos guanches e marroquinos que contribuíram para o arranque económico do arquipélago e a diáspora Lusa.

Depois, foi o pau-brasil, e os caixotes de nobres madeiras que serviam para transporte do ouro branco. Nos dias de hoje, ainda se podem apreciar mobílias feitas de boas madeiras levadas do Brasil como o jatobá, jacarandá, sucupira ou angico; estas madeiras, curiosamente eram tão-somente a estrutura dos “caixões” para transportar 300 quilos de açúcar. Talvez por isso se designe aos contadores ou administradores das remessas de “caixeiros” pois, mais não eram somente do que zeladores dessas caixas de açúcar.

Os maiores e melhores organizados destes caixeiros eram os imigrantes ou colonos de ascendência judaica, essa grande diáspora unida à semelhança dos Ilhéus que por via da inquisição levaram famílias inteiras a se refugiarem nas praças do Norte da Europa como Amsterdão, Antuérpia, Rochela, Londres ou Bordéus. Por iniciativa própria e por sobrevivência, estabeleceram redes de negócio familiares que vieram a ser considerados como o principal suporte da rede comercial resultante dos descobrimentos.

olinda4.jpg Esta rede comercial é em realidade uma verdadeira contradição com os comportamentos da expansão cristã, o que me leva a salvar a teoria de que em negócios tudo é possível. Nesta rede comercial, Angola, aparece como principal consumidor de vinho da Madeira a par com o Brasil, país irmão. Há escritos de caixeiros referindo fornecimento de 100 pipas de vinho da Madeira no ano de 1651, poucos anos após Salvador Correia de Sá e Benevides ter escorraçado os Mafulos de Loanda.

No Funchal, em São Vicente do Brasil, Pernambuco, Bahia, Luanda e Santiago de Cabo Verde por via do negócio do vinho, há novas apetências surgindo por isso uma chusma de pequenos burgueses. São estes os vértices do mundo Português, a Lusofonia actual que dá agora importância com consciência às praças dum antigo recheio colonial. Muitos de nós de genes mestiça, somos o fruto deste fado chamado de diáspora; o fruto desses antigos mestiços, capitães, mestres e serviçais, escravos duma sanzala qualquer, servindo sempre um senhor.

vieira1.jpg O senhor do engenho ou navegador aventureiro da rota do cabo, de um sonho, uma saga. A retórica com manipulação de novos discursos, para serem históricos, terão de se basear nessas evocações, fundamentos na reposição da verdade. É para isso que servem os grandes homens, a quem vulgarmente chamamos de estadistas. Pernambuco com o contributo da Madeira foi a capitânia que gerou o nativismo mais virulento da história brasileira.

A batalha de Guararapes com João Fernandes Vieira mestre de campo nomeado pelo rei D. João IV, virá sempre à tona quando se relembra esse distante passado que deu nome ao futuro luso-brasileiro e angolano. Também há um importante factor de mudança em termos de tonalidade democrática pois que aqui começa a mistura do povo, lavradores e trabalhadores braçais com fidalgos, funcionários do reino, comerciantes, ouvidores e artesãos entre fiorentinos, genovezes ou flamengos originando um modelo especial com apego à terra e o conceito de brasileiro.

guararapes3.jpg Esta saga que originou a Globália, foi e continuará a ser uma característica sem igual da colonização missegenada de Portugal no Mundo. O mundo das nações do G7 e outros que advirão, deverão obrigatoriamente enaltecer este predicado na história da colonização do povo português ao invés de os menosprezar. Tudo o exposto demonstra bem a mescla de gentes, e também o surgir de um linguajar de escravaria com estratos subalternos do engenho e a relação entre o patrão, coronel ou fazendeiro. Surge assim a par de João Fernandes Vieira outros nomes como Gerónimo de Ornellas e Francisco de Figueiroa, todos eles Madeirenses a não esquecer porque engrandeceram o mundo Lusófono. A figura pública de Figueiroa foi contestada quando ainda era governador de Cabo Verde mas, na saga Atlântica, como herói na tomada de Pernambuco, passou a ter uma forte ligação com a história…

reci1.jpg 

GLOSSÁRIO: Mafulo: - Holandês em dialecto kimbundo de Angola

NOTA: A reconquista de Angola virá logo a seguir à Saga do Açúcar pois que foi do Recife que saiu Salvador Correia de Sá e Benevides com uma frota de naus, que libertou Loanda do jugo Mafulo

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:09
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2022
N´NHAKA . XXI

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . VII

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças de escritos antigos - “Angola, quanto tempo falta para amanhã?”

– Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi – 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3295 de 04.05.2022- Republicação a 14.11.2022 para o Kimbo

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por chai4.jpgT´ChingangeEm Lagoa do M´Puto

deserto5.jpg Cambongo Negunza, é o nome do rio que desagua a norte do Sumbe e é dali que sai a água, sugada do rio, que sem tratamento segue para a rede da cidade chegando aos soluços, quando chega, sempre barrenta. O viveiro, em tempos verdejante e com muitas mudas de árvores e plantas para as ruas e jardins da urbe está agora mais que desprezado, acabado; vêem-se umas rosas de porcelana ressequidas no meio de tufos que definham no castanho, tendo o rio a dois paços. Mais à frente e do outro lado da estrada o tio Chico* vende petróleo a caneco.

De calções desbotados, camisa solta, mostra a velhice que se aproxima rápido; pés inchados indiciam ácido úrico e mazelas que se esborracham no chinelo de dedo grande, as manchas são mais que muitas coloridas de terra colada à gordura do querosene adocicado na terra do pó que se levanta com o vento e quando passa as relíquias de dodge, chevrollet, carrinhas ford ou camiões Scania mas, e também Urais dos militares russos; tudo faz levantar pó que se agarra ao transpirar da gente desde o cachaço às matubas do mijo mal pingado…

cafu14.jpg Tio Chico sentado no seu velho mercedes branco atende com rabugice os candengues que trazem latas, mulheres embrulhadas em panos com as esfinges de Eduardo dos Santos*, Mobutu e Mugabe, bafanas desocupados de trabalho efectivo que desenrascam só no leva e trás dos recados de quem vende chita e zuarte lá nas lojas do burgo. A crise da luz faz aumentar o consumo do querosene avermelhado. Cada caneco despejado, tem uma descarga de um monte de nomes fazendo vírgula com sundiameno e ponto e virgula com topariobé entre os recados e devolução de trocos em moedas de luínhas e notas surradas de kwanzas…

Tio Chico já com seus mais de setenta anos de idade sobrevive assim com a ajuda do irmão Cunha que prospera no negócio de venda de bebidas, bolungas, pneus, géneros alimentícios e outras candongas; dá para notar que o cumbú do tio Chico anda malé mesmo. Ué, beber água!? Só do Luso! Também aparece água da Chela de rótulo azul que diz ser da nascente natural – a condizer lá está colado o rotulo com o mapa minúsculo de Angola com a bolinha do sítio e o dizer: “Produto de Angola”…

O mercedes do tio Chico, tinha tanta terra dentro dele que seus sobrinhos Zito e Chiquinho até disseram que se podia ali plantar mandioca ou até cana-de-açúcar; um exagero bem condizente com o galinheiro chique de Mercedes Benz. Saídos dali, fomos até às Quedas da Binga no rio Queve ou Cuvo situada a uns oitenta quilómetros do Sumbe. De geleiras de isopor, esferovite cheias de gelo e cerveja, escolhemos lugar sombreado do parque e entre mergulhos lá íamos comendo iguarias feitas de esparregado de folha de abobora, folha de batata-doce e croquetes de peixe do rio Cambongo e ostras da foz do Cuvo.

sumbe1.jpg Estando ali na Binga e vendo a ponte meio derrubada pelos cubanos quando do avanço da forças vindas da África do Sul, fomos ao topo dos rápidos ver de perto como se fazia agora a travessia e constatamos haver uma grandes chapas de ferro grosso a ligar os pilares e muros que resistiram ao original desmantelamento por efeito de minas; Os militares de plantão não nos deixaram tirar fotos mas, sempre acabamos por fazer alguns registos fotográficos.

Visitamos um velho conhecido da antiga JAEA e que neste então se chamava de INEA. Passou de Junta a Instituto mas de relevo só mesmo o nome porque os buracos por todo o lado eram mais que muitos. Visita feita, tratamos de nos regalar nas águas frescas a montante das quedas com algumas ilhas e penedos a rodear-nos. Mais acima da corrente as donzelas tomavam banho com as mamas a leu, luzidias de negro, pulavam e gesticulavam-nos adeus, a mim e ao Zito. Assim metidos na água, até parecíamos, o Tarzan branco na minha pessoa e o auxiliar do Mandrak, o Zito Lothor preto, como se estivéramos numa cena de filme.

angola5.jpg Na merenda, pude observar a boa conservação do parque, muros caiados, terreno limpo e um vigilante a não permitir que a garotada se acercasse de nós pedinchando a famosa gasosa e, foram fotos debaixo da cachoeira, um sengue que mansamente se deslocava na margem de lá deixando rasto na areia ali depositada, a espuma da água compondo brancura. Recordei neste então a minha estada ali em lua-de-mel no ano de 1970 – naquele agora pareceu-me mais majestosa pelo muito caudal de água. As cervejas, sagres e castle da África do Sul estavam de arrepiar frescura sequiosa. Por debaixo do imbondeiro e ladeados por marulas, mutambas e upapas, nelas riscamos corações com flexas entre muitos outros nomes já ali encarquilhados no tempo com casca. Quase noite, retornamos ao Sumbe, casa do Sr. Pais da Cunha*, pai de Balbina, nosso anfitrião e sogro do Jimba*

Notas*: Tio Chico, Jimba, Pais da Cunha, Eduardo Santos (o presidente), todos já falecidos (14.11.202)

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:50
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Domingo, 13 de Novembro de 2022
KALUNGA . XXXIV

KIANDA COM ONGWEVA NAS FRINCHAS DO TEMPO - XIX de várias partes…

– Crónica 3294 de 04.05.2022 – Segredos de sua tetravó Zachaf Pigafetta Roxo no Museu do Prado em Madrid…

Republicação a 13.11.2022 em Lagoa do M´Puto

Ongweva é saudade

Por zedu4.jpgT´Chingange (Ochingandji)

tukya13.jpgCA - Quase tudo que vou dizer é mentira mas, tende a ser verdadeira. Como disse, foi graças à insistência do Conde de San German que ela, tetravó de Roxo se decidiu a abrir comigo: Sua mãe (de Roxo) kianda negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu preta-preta retinta mas, no correr dos dias foi ficando assim branquela como o é hoje. Ela a kianda Assunção Roxo deu seu primeiríssimo alerta de vida nas águas do lago Chivero, que fazia fronteira com a fazenda farm de Morgan Tsvangirai.

Pois, tranquilamente disse-me que sua mãe era preta retinta, casada com esse tal de Morgan Tsvangirai, que ganhou a primeira volta nas eleições em confronto com a múmia Mugabe, após vários dos seus apoiantes terem sido assassinados. África é assim mesmo, inconstante, de revoltas permanentes e, aonde o poder vira tribal, mesmo brutal. Zimbabwé era um território farto em acontecimentos irreais (confirmei isto mais tarde a duras penas no lago Kariba). Foi isto que os motivou a transladarem-se para o Kwanza e ficar ali bem perto de Massangano, também um lugar de muita magia, da antiga.

paradi2.jpg Massangano, aonde os espíritos ainda conferenciam muxima por ser um pambu-n´jila (lugar de afectos especiais com bwé Muxima). A múmia Robert Mugabe venceu as eleições convocadas para o dia 28 de Junho de 2008, sendo reconduzido mais uma vez ao poder, desta feita pela sexta vez consecutiva, por desistência do pai de Roxo. Esses foram momentos conturbados mesmo para Morgan Tsvangirai*, e até para kiandas como nós, disse sua tetravó Zachaf Pigafetta Roxo. Com o apoio internacional, houve uma partilha de poder que durou cerca de quatro anos.

Este Governo de Unidade Nacional revelou-se ineficaz para acabar com as fortes tensões e evitar confrontos sangrentos entre os apoiantes de Mugabe e Tsvangirai. Em 30 de Junho de 2013 Robert Mugabe foi novamente reeleito, apesar da oposição adocicada.

massangano1.jpg Talvez seja a sina de África ter gente que nunca chega a crescer em definitivo – são na grande maioria crianças até quase morrer e morrem até, sem curriculum vitae… Ficam sábios quando recebem a estrema unção dum quimbanda credenciado nas bocas do Mundo. Acho que Nosso Senhor não andou por ali e ficaram só abençonhados por aquele branco chamado de Livingstone. Em 2018, passei por lá e vi que a nota, dinheiro de maior valor tem três pedras empilhadas no lugar da esfinge dum possível estadista – Vale zero! Os kinguilas vendem-nas aos magotes para malucos coleccionadores, a preço de banana podrida…Aiué!

Posso agora entender do porquê esta kianda Roxo andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber desta sua dupla vida mas, compartilhando xispanços de tinta com maestria. Xispanços de pinceis electrónicos na forma de gigabaites que se traduzem em cores holográficas, fosfóricas e ate cibernéticas; pinturas do paralém de assombros que só kiandas podem executar. A surrealidade está-lhe no equinócio de singularidade primaveril.

muxima1.jpg Pois! Com tantas nuances – de cada uma das diferentes gradações pode ter uma cor entre o seu claro e o escuro periclitante que, teria mesmo de acabar esta intrincada estória no equinócio de primavera, uma óptima sinalização para quem vive no lugar dos espantos, fenómenos dum Entroncamento. Convém lembrar que o primeiro dia da primavera, o que ocorre todos os anos entre os dias 20 e 21 de Março, este ano, aconteceu no dia 20 de Março de 2022 às 15h33. Pude ver isto nos astros…

Equinócio é uma palavra em latim que aglutina dois termos com significados diferentes. Aequus significa "igual" e nox, "noite". O termo quer dizer literalmente "noites iguais", isto porque nessa altura a noite e o dia têm sensivelmente a mesma duração, 12 horas. Nesta altura da estória tenho de confessar que a kianda Oxor nunca foi vista por mim ao vivo mas, estive lá bem à sua porta no lugar do Entroncamento, terra de fenómenos e assombrações – Se estava com uma nevralgia ou artrite, não pude perceber o cheiro intenso da canfora, dos cremes usados para aliviar dores como o diclofenaco ou dietilamônio. Mas, falando com “Humberto Delgado” durante o almoço das enguias, senti que havia um torcicolo para decifrar com a kianda gémea de Roxo… Assim, ao invés de fataça comi enguia, bem boa!

zebra1.jpg NOTA*: - Morgan Richard Tsvangirai já desfaleceu, quersedizer, morreu em 2018! Foi em verdade, um sindicalista, activista de direitos humanos e político do Zimbabwé, antigo primeiro-ministro do país, depois do acordo de divisão de poder que foi estabelecido com o então presidente Robert Mugabe depois das eleições presidenciais, em Setembro de 2008…

(Continua com “fricção ficção”…)

O Soba T´Chingange (Ochingandji) – Na Lagoa do M´Puto

Equinócio é uma palavra em latim que aglutina dois termos com significados diferentes. Aequus



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:00
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2022
MISSOSSO . LIII

NO KILOMBO DO ZUMBI – NA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA…

COM FALA KALADO – A TRAIÇÃO DO ALVOR - Crónica com ficção 3291

18ª de Várias Partes 25.04.2022 ,na Pajuçara do Nordeste brasileiro

– Republicação a 10.11.2022 na Lagoa do M´puto

Por ÁFRICA17.jpgT´Chingange

vaca0.jpg Aquele encontro em Lindoya com o General Kamalata Numa da UNITA, acabou em churrasco com a promessa de me dar uma entrevista sobre o tema Angola… Dizia então que se “Deus quiser como é de norma dizer-se entre cristãos” iriamos aqui estar de novo. Desta feita e, de comum acordo, falamos no exacto dia em que se comemora o Vinticinco de Abril no M´Puto (48 anos passados), o qual com todas as vicissitudes deu origem à independência de Angola. A entrevista começa assim do nada e, em uma data apelidada aqui de Vinticinco:  

P**: - General, como pode ver agora essa data de Vinticinco de Abril de 1975 que foi tão marcante para a liberdade no espaço da Lusofonia?

G**: - O regime instaurado em Portugal a 25 de Abril de 1974, tudo tem feito para minimizar os crimes cometidos contra a nova nação Angola, traindo logo à partida o Acordo de Alvor e, que ainda tanto apregoam e, pelos quais é directamente responsável; promovendo a propósito, o mito de que a Revolução dos Cravos foi uma “revolução sem sangue”. Por outro lado, passados que são 48 anos, ainda não ouve um alto dignatário do Governo do M´Puto que mencionasse este desaire que culminou na entrega da governação ao MPLA.

Numa01.jpg P: - General, para além do mais, estão hoje (dia do Vinticinco) condecorando com a ORDEM DA LIBERDADE no M´Puto o vilão que tudo fez para desvirtuar todas as eventuais boas intenções do Concelho da Revolução, um oficial vermelho chamado de Rosa Coutinho?

G: - Em 15 de Janeiro de 1975 foi assinado esse acordo que refere, “Acordo de Alvor” que deveria corresponder à transição de poderes de Portugal para os três movimentos emancipalistas reconhecidos. Portugal, tomou logo partido pelo MPLA pois que já antes deste acordo, se tinham reunido em Argel para consertar os procedimentos a que viemos a assistir. As consequências são por demais conhecidas e, assiste-se a uma permanente campanha de imunda falsidade da história com branqueamento de crimes com o apoio da pseudo “elite de Abril”, infiltrada nas escolas, universidade, fundações e observatórios, em quase todos os meios de comunicação de massas e até na figura principal do Estado Português.

P: - Como General da UNITA, como vê o desenrolar de todo o processo em Angola após o Vinticinco?

G: - Quem levou a guerra a Angola foram os portugueses que logo buscaram os russos para os coadjuvarem na mudança fornecendo-lhes toda a “aptidão” na técnica de guerra de sublevação. Chamaram a seguir os cubanos que entraram em solo angolano muito ante da data estipulada para a independência, o 11 de Novembro de 1975. Fizeram do MPLA e à revelia do povo, o representante de toda a população residente no território. Temos assim o MPLA/Governo, como o agente do neocolonialismo em Angola. Por detrás de tudo estão as decisões tomadas em Argel pelos militares portugueses, de esquerda. 

P: - Reconhece ter havido golpe baixo, senão traição, por parte de Portugal?

G: - É por demais conhecida a ida de Otelo Saraiva de Carvalho a Cuba

solicitar intervenção armada e a figura sinistra de Rosa Coutinho que tudo fizeram para que o rumo de Angola resvalasse na guerra entre irmãos. E, estava escrito naquele acordo que em Angola se formaria uma Assembleia Constituinte no prazo de nove meses. Nada disto aconteceu!

P: - Em Abril de 1975 Jomo Keniata organiza a Cimeira de Nakuru no Quénia, na qual a UNITA, MPLA e FNLA acordam na formação de um exército nacional único. O que falhou depois disto?

G: -Bem! Nesse mesmo mês (Abril de 75) Savimbi chega a Luanda. Cerca de dois meses depois, o MPLA destrói um quartel da UNITA na capital., chacinando militares e civis ali bivacados – este episódio ficou conhecido por “MASSACRE DO PICA-PAU, nome do bairro que albergou o quartel. Definitivamente o MPLA, pelas ordens de Rosa Coutinho, o cunhado de Agostinho Neto, não queria nenhum dos outros Movimentos intervenientes no “ACORDO DE ALVOR” em Luanda. Eu direi que este foi o mais escandaloso “DESACORDO” na estória recente que envolve países dos PALOPS.

adalberto junior unita.jpgP: Em Luanda, nesse então, havia provocações originando a fuga de brancos e assimilados, mazombos como eu. A lei, a ordem, a justiça eram coisas quase inexistentes ou anedóticas pela pior das negativas. Que tem a dizer a isto?

G: - Luanda ficou entregue a gente impreparada, gente racista como Lúcio Lara entre muitos outros e “miúdos pioneiros” que faziam querer tomar o controlo de tudo… Para o MPLA, era incontestavelmente seu líder Agostinho Neto, um medíocre poeta com formação universitária em Coimbra – O homem escolhido pelos generais e afins do MFA (dizem agora, ter sido o menos mau!). A UNITA também se retira de Luanda para o Huambo, antiga Nova lisboa. O MPLA fica dono e senhor da capital, a Luua.

P: - Muito antes do 11 de Novembro de 1975, desembarcam os primeiros cubanos que passam a apoiar o MPLA contra a FNLA tal como o combinado entre Fidel de Castro e Otelo Saraiva de Carvalho; hoje deve saber-se como tudo se processou?

G: - Assim foi! O pseudo-herói do VINTICINCO de Abril do M´Puto, conhecido pela rebelião dos capitães assim procedeu. Mas, em verdade já havia em Angola e Congo Brazaville cubanos em treinamento para ultimar sua entrada em Angola e, muito antes do 11 de Novembro. Esta força ajudou o MPLA contra a FNLA; força da FNLA que avançou para tomar Luanda, uma coluna na qual se incluíam mercenários de várias nacionalidades, portuguesas incluídas tal como Santos e Castro um oficial superior nascido em Angola; também havia um elevado número de zairenses - sete ingleses, dois americanos, um cipriota, um escocês e um sul-africano que são feitos prisioneiros e, que num julgamento sumário, mais tarde, foram fuzilados

toledo20.jpg P: - Houve na África Portuguesa, uma limpeza étnica da população branca, promovida pela União Soviética com o total apoio dos partidos da esquerda portuguesa: - PCP e PS. Que tem a acrescentar a isto General?

G:- Em verdade, o Relatório Final da Comissão de Peritos estabelecido conforme a Resolução 780 do Conselho de Segurança das Nações Unidas* definiu a limpeza étnica como sendo: “Uma política propositadamente concebida por um grupo étnico ou religioso, para remover a população civil de outro grupo étnico de uma determinada área geográfica, através de meios violentos ou que inspirem terror”. Pois foi isto que aconteceu com Umbundos e Brancos… As evidências e as provas de crime são tantas que, não restam dúvidas de que a descolonização da África Portuguesa foi uma limpeza étnica da população branca, Quiocos e Umbundos, promovida pela União Soviética com o total apoio dos partidos da esquerda portuguesa: - PCP e PS.

Ver Nota***

Notas- 1*: Ver documenta – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇOES UNIDAS – Relatório Final da Comissão de Peritos Estabelecido Conforme a Resolução 780 do Conselho de Segurança (1992). 27 de Maio de 1994; 2**: - P de pergunta, G de General; 3***: - Nesta data o M, movimento governo, continua no poder tendo sufragado João Lourenço como Presidente do MPLA/Angola, com fraude. Batota verificada mas não aceite pelos apêndices de Tribunal Constitucional e Eleitoral, tendo recusado as provas da victória, sem sequer as lerem. A prova de que foi ganhador Adalberto da Costa Júnior, Presidente da UNITA…

(Continua… Sobre Cuíto -Mavinga) 

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:59
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2022
PARACUCA . LX

MULOLAS DO TEMPO31

RECORDANDO: Nós, bazungus no COMPLEXO PALMEIRAS de BILENE

- Odisseia “HAJA PACIÊNCIA” – Recordando o 08 de Novembro de 2018 – no 52º dia

Crónica 3290 24.04.2022, no PortVille de Maceió do Brasil – Republicação a 09.11.2022 em Lagoa do M´Puto

Por dia23.jpgT´Chingange

FK2.jpg Este episódio que agora descrevo foi escrito na Praia da Pajuçara do Brasil, no ano de 2019. Porque foi neste agora que vi no verso da nota de pagamento no Utengule Coffee Lodge na cidade de Mbeye da Tanzânia. Pagamos 333 dólares (duas Pessoas) por duas noites e dois dias - 8 e 9 do mês de Outubro do ano de 2018. Fiquei com a referência de ter sido Kofi Annan, o representante da ONU que inaugurou suas instalações - na recepção a sua foto ocupa lugar de destaque. Ora, como este manuscrito não o fiz passado a limpo na altura, descrevo-o agora por ter alguma relevância em pormenores quase esquecidos. Dito isto passo à descrição daquele dia  08 de Novembro do ano 2008 de saída para Moçambique.

Por engarrafamento, a uns escassos quilómetros da fronteira de Ressano Garcia, o medo de ficarmos no caminho apoderou-se de nós, condutor e passageiros. Isto porque o Nissan 4x4, foi abastecido em uma bomba de um chinocas com uma elevada percentagem de água misturada no gasóleo. O jeep deixou de corresponder ao acelerador, engasgava-se e andávamos aos supetões. Desligou e pegou por várias vezes mas, tornava-se evidente que iriamos parar por aí em um qualquer sítio.

moça4.jpg Muito à rasca conseguimos chegar até à recepção do Lodge bem perto da fronteira e logo ali do lado esquerdo do Crocodile River em Komatiport de Mpumalanga. O carro ali ficou parado em definitivo mas, a sorte, fez com que o marido de uma funcionária da recepção, mecânico de profissão, auxiliasse no busílis e, logologo acontecer ao melhor condutor de áfrica! Este senhor mecânico, depois de verificar com um computador o problema, conclui que teria de se tirar todo o combustível porque um sensor ficou totalmente desactivado – pifou!

Felizmente o problema ficou sanado com a instalação desse novo sensor, graças a Deus para que nada se escape destas periclitãncias com ajudas milagrosas. Atravessar Moçambique foi das piores experiências, fomos roubados ou enganados, até por polícias… Antes que me esqueça, terei de lembrar que em todas a fronteiras africanas surgem gentes oferecendo facilidades, acostumados que estão a ludibriar o branco, inventam dificuldades para vender facilidades. Bom, prosseguindo!

Mu Ukulu37.jpg Também posso ver por todo o mundo este procedimento, advogados do diabo que se aperfeiçoaram em tramóias de rocambolescos procedimentos e, que feitos com o mundo do crime lavam em seguida todas as instâncias de criminalidade… Nas fronteiras de África surgem uns bafanas assessores de turistas, normalmente com um crachá pendurado no pescoço e, assim que paramos o carro, cercam-nos literalmente e, na forma de alcateias de mabecos, que mesmo sem nosso consentimento nos dão indicação do que fazer e como fazer, pedindo papéis do carro e edecéteras pessoais.

Às tantas, estamos entregues a uns quantos que tratam das mesmas diligências. Ficamos sem saber se estes, estão ou não feitos no compadrio com os funcionários da Aduane porque entram e saem dos espaços administrativos, como se dali o fossem, parecendo-nos agilizarem os trâmites para daí, obterem uma gasosa…

kamangula4.jpg Queiramos ou não, isto perturba sobremaneira o turista europeu não habituado a estas práticas aparentemente desordenadas e, sempre nos vêm à ideia estarmos a ser surripiados exactamente pelo facto de sermos brancos. Entretanto na Europa, ao mínimo incidente com gente não ariana será motivo de muito falatório em TV e jornais, como se todos os fossem os paladinos da verdade. Acho que Deus não vai salvar áfrica! Tenho de deixar aqui minha revolta pelo facto de ficarmos bem convictos de sermos roubados por gente sujeita à sobrevivência usando as técnicas de ladroagem com abuso da tão propalada  resiliência. Trafulhas, enfim!

Não andem de carro por áfrica; usem só a via aérea… E, nunca acredite num talvez! Pela certa vai ter muitos mais prejuízos; saiba dizer não – é fundamental. O maior talvez foi o do Ferry que nunca chegou para podermos atravessar o lago Caribe; e, foi o dono da instalação, aonde ficamos, na beira do lago, um bóher que nos disse: Em África nunca acreditem em um talvez! Bem! Nosso guia “el comandante”, muito habituado a estes pormenores, segundo sua pópia nobre, um nato filantrópico deu 10 Euros e 200 Kwachas a uns vendedores de diligências… Um valha-me-Deus pago por actos dispensáveis que me infernalizou toda a viagem…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2022
GUARARAPES – 2

RECIFE – A SAGA DO AÇÚCAR

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA

Crónica nº 3289 de 23.04.2022 na Pajuçara de Maceió, de Alagoas, Brasil

– Republicação a 08-11.2022 em Lago do M´puto

Por palops1.jpgT´Chingange (Ochingandji)

vieira1.jpg O governo do Brasil Holandês (Mafulos*) capitulou a 26 de Janeiro de 1654 tendo sido então o mais importante registo da História Militar de toda a América do Sul; depois deste acontecimento há a salientar de relevante saga, a libertação dos cinco países americanos por Simon Boliver. Após a capitulação de Recife, os moradores aclamaram a liberdade contra a dominação holandesa e, a 7 de Outubro de 1645, os homens de guerra de Pernambuco lavraram certidão de aclamação a João Fernandes Vieira como Governador da liberdade.

Chegado aqui, terei de retroceder no tempo a fim de conhecer a saga do açúcar nas então capitanias, nomeadamente a de Pernambuco. Em 2009, numa das celas da prisão para políticos, em Recife do Brasil, “A praça das cinco pontas”, agora transformada em casa da cultura, comprei um livro que fala da saga do açúcar - como tudo começou na relação histórica entre as ilhas da Madeira, Açores e o Brasil. O açúcar vingou no Nordeste Brasileiro por força da intervenção madeirense tendo, entre outros pioneiros o nome destacado de João Fernandes Vieira, um mestiço que em 1645, já era o maior proprietário de engenho do açúcar em Pernambuco.

vieira2.jpg Deve-se principalmente a ele, Vieira, a restauração de Pernambuco com a retirada do Conde de Nassau, o governador Holandês que a partir de Olinda geria o império da Companhia das Índias Ocidentais. Vieira assumiu o Brasil como terra sua e as suas atitudes tomaram foros do que se veio a designar “o nascimento do conceito brasileiro”. Antes de continuar a descrição da Saga, convém dizer que O Mafulo Maurício de Nassau foi em verdade muito importante na história do Brasil de então pois que introduziu novos processos de gestão de uma visão mais avançada para a época. O mercantilismo e o atributo de subsidiar o investimento, fez crescer vários negócios no Nordeste brasileiro.

A Madeira, foi o início - As ilhas da Madeira e Açores tiveram na introdução do açúcar no Brasil e, a implícita emancipação pelo conceito em se ser brasileiro. Esta gesta de gente que lutou pela liberdade contra os Holandeses por alturas de 1640, enfrentou do outro lado do Atlântico – Angola, os mesmos Mafulos* que em paralelo com a rapina de Olinda, se apoderaram da cidade de Loanda. Esses intervenientes salientaram-se como heróis que a história quis esquecer; muitos morreram em prol de terras que escolheram para ser suas; supostamente, uns em Brasil, outros, no reino de N´Gola, uma esquina nesse então, esquecida do mundo.

madeira2.png A descoberta da Madeira aconteceu em 1420 e, a 8 de Maio de 1440 o infante D. Henrique lançou a base de estrutura no conceito de posse, dando a Tristão Vaz carta de Capitão de Machico. Esta foi a primeira capitânia a ser atribuída a gente que por feitos se tornou de “linhagem Lusa” defendendo-se assim um sistema institucional que deu corpo a novas terras. A formação do Brasil colonial, foi à semelhança de Machico, também, partindo da atribuição da capitânia, a de S. Vicente, ”a Nova Madeira” na costa Atlântica das terras de Vera Cruz. Aqui nasceu a grande metrópole que é hoje, São Paulo com mais de vinte milhões de almas.

Na capitânia de S. Vicente foram construídos os primeiros engenhos açucareiros; mestres madeirenses às ordens dum senhor governador de nome António Pedro Leme, terá sido o pioneiro no plantio das primeiras socas de cana oriundas da Madeira. Com aquelas primeiras mudas de cana-de-açúcar, se formaram os primeiros canaviais dando-se início à saga do açúcar na faixa litorânea Paulista. Os Madeirenses, foram assim, os primeiros colonizadores e, isto, foi só o início. No decorrer dos anos, foram até às imensas regiões do Sul aonde se situa agora o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; mais tarde e com maior impacto tomaram raízes mais afincadas no Nordeste Brasileiro

madeira1.jpg O facto de a Madeira ter sido modelo de referência para o espaço global da Lusofonia Atlântica, não tem sido reconhecido ou, divulgado. Esta migração humana que arrastou consigo um universo de conceitos, tecnologia, usos, costumes, cultura e novos conhecimentos e até pesquisa no campo da flora, silvicultura em geral, teve um impacto de evidente progresso. Não é sem razão atribuir-se a Portugal o início do conceito de globalidade; em verdade este mérito tem tudo a ver com os genes Lusa.

Nesta primeira pedra da gesta Lusa em terras mais além de Sagres, houve impactos negativos mas, os de mais-valias para o Mundo valorizaram o arco-íris final. A pequenez da Ilha Atlântica e sucessivas crises naquela tão difícil empinada topografia levou os ilhéus a buscar outros destinos menos trabalhosos e mais auspiciosos; primeiro foram para os Açores e Canárias mas, mais tarde, em precárias embarcações quinhentistas sulcaram com gentes continentais terras longínquas como Curaçau, Venezuela, Brasil, Angola e África do Sul, levando consigo um modelo de virtude social, político e económico.

GLOSÁRIO: Mafulo: - Holandês em dialecto kimbundo de Angola

O Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:09
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2022
PARACUCA . LIX

MULOLAS DO TEMPO30

RECORDANDO: Nós, bazungus no COMPLEXO PALMEIRAS de BILENE

- Odisseia “HAJA PACIÊNCIA” – 06 e 07 de Novembro de 2018 -  nos 50º e 51º dias

Crónica 328822.04.2022, no PortVille de Maceió do Brasil – Republicação a 07.11.2022 em Lagoa do M´Puto.

Por monteiro8.jpgT´Chingange

moc3.jpg No lugar da Praia de Bilene no Complexo Palmeiras de Eduardo Ruiz – por aqui ficamos três dias e três noites, lugar aprazível, um pouco de frio por agora mas, que em Dezembro alberga milhares de veraneantes vindos da vizinha África do Sul. Podemos verificar as instalações de férias para os trabalhadores do Caminho de Ferro de Moçambique, lugar muito concorrido por famílias em tempo colonial a que chamavam de colónias de férias e que normalmente coincidia com as férias escolares. Nestes dias de pouca azáfama recordei por debaixo das casuarinas da praia poemas de Pablo Neruda estendendo em texto sua tão fluida forma de dizer: “Morre lentamente quem não vira a mesa, quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite uma vez na vida, fugir dos conceitos sensatos”.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. E, continuando a leitura sem desfalecer de sono, evitando a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que um simples acto de respirar. Pois bem, sinto-me como a formiga “pixica” que criada sobre folhas de cacaueiro, extermina as pragas sem fazer mal à árvore. Esta simbiose simples e sustentável pode ser a fortuna planeada do futuro: sobreviver comendo ácaros ou mopane (catato), nefastos como se, camarões de Bilene, o fossem.     

miran04.jpg Não há matope bom nem ruim. Tudo é a mesma coisa, aonde quer que o seja, é questão de sair da lama em volta porque matope não é barro, mesmo! Assim falava e ainda fala (creio) o Conde de T´Chinkerere, nobreza de faz-de-conta de um reino chamado de Xi-Colonos. Um meu amiga feito nas terras altas de Angola um lugar de montes e vales aonde a vovuzela soa ao longe como o berrante feito de chifres de boi dos brasis, que bem tocado contagia quem o ouve, gente ou gado a 3km de distância. Este “Zé Trovão de Arriaga - O Rei Do Gado", tem o nome comum de Valério Guerra.

Pude ver no entretém das poesias de Valério e Neruda, não muito longe e debaixo das casuarinas, um senhor já grisalho ditando ordens a uns quantos jovens e, terminando sempre com um “ámen” (assim seja), no qual era repetido. Em sequência, deu opas brancas a sete irmãos, eles e elas, já vestidos deslocaram-se para a água cor de esmeralda avançando até à altura da água pela cintura. Eu, curioso, firmava meus olhares neles, nos ditames de seita ou algo assim…

mopane1.jpg Aí, dois mais velhos guias colocaram os ditos irmãos dois a dois e após uma prece de mãos juntas que não ouvi, seguraram o corpo destes e acto contínuo, mergulharam-nos totalmente na água. Não sei ao certo qual as suas vocações religiosas mas era audível de quando-em-quando o nome de Cristo; o que me levou em crer serem protestantes baptistas, Luteranos ou afins. As cerimónias seguiram um ritual semelhante ao do baptismo de Jesus Cristo às margens do rio Jordão por João Baptista…

No lado Sul, um magote de gente multicolor maioritariamente composto de mulheres envoltas em capulanas garridas, cantavam lindos coros à sombra da mata de casuarinas. Levaram todo o tempo entoando canções em Changani - algumas mulheres dançando com mãos elevadas ao céu. Umas quantas iam até à água e voltavam saltitando de forma ritmada na areia fina, enquanto espanejavam o ar viradas ao infinito celeste. De toda esta gente destacava-se um homem grande, vestido com uma túnica azul bordada com arabescos.

MISSOSSO15.jpegA cabeça do "guru" estava recoberta com uma boina justa de desenhos intrincados, símbolos a dourado; do pescoço pendiam colares na forma de zingarelhos ou rosários com latas, ou talvez penduricalhos do Xipamanine de Xi-lingwine, actual Maputo. Este destacado personagem do oxalá, fez deslocar no se Deus-quiser o grupo em fila ordenada de fiéis levando-os a uma curta marcha até um determinado lugar. Aqui, deixou que se agrupassem ao seu redor fazendo uma prelecção inaudível do ponto aonde me encontrava.

OXO188.jpg Não sei se incluíram o Iemanjá nem se lançaram flores mas, informaram-me ser uma seita chamada de “Mazziottis”. Gostaria de me explicitar melhor quanto ao que vi à distância mas não me aventuro em suposições de candomblé, orixás ou oxalás. Este nosso mundo é tão cheio de convicções que só temos de respeitar as diferenças sem as repudiar. Se, se a prática for a essência do bem e da paz sem incitamento à luta, jihad, mutilação, perseguição ou incitamento ao ódio que assim o seja! Cada qual escolhe o seu tipo de macumba até que um dia cai na tumba. A ignorância é uma coisa muito perigosa e disto, infelizmente, todos temos um pouco.

(Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:31
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Sábado, 5 de Novembro de 2022
N´NHAKA . XX

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . VI

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças de escritos antigos - “Angola, quanto tempo falta para amanhã?” – Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi – 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3287 de 20.04.2022, em PortVille da Pajuçara de Maceió – Republicação a 05.11.2022 em Messejana do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto ao rio, horta…

Por araujo160.jpg T´Chingange –(Otchingandji)

araujo1.jpg CA -Já estamos no Sumbe, terra do eclipse e da eleição de misse 2001, um ano atrás, mas ainda lá está o jardim que proporcionou mostrar a fantasia com lençol de água escorrendo em cascata e, muita luz de coloridos brilhos. Tudo para trabalhar pela televisão as invencionices de lavagem da governação sem os desmandos, roubos e superfacturamento que a nomenclatura vinha praticando. Agora está tudo seco, o fingimento de beldades já sem águas escorrendo, deu lugar à terra crua e vermelha no lugar da grama - as árvores definham por falta de água!

Água, aiué…foi aparecendo nas torneiras em alguns dias entre as cinco e seis horas da manhã, depois, adeus… Não deu para tomar banho de chuveiro; na casa do pai de Balbina, Pais da Cunha o caneco funcionou todo o tempo. A luz da lâmpada também só aparecia nos dias ímpares; com gasosa até podiam dar-nos uma fase por mais algum tempo. O mundial de futebol de 2002 (vinte anos atrás) estava a decorrer. Todos desejavam a victória do Senegal e, só depois o Brasil – Os Tugas já estavam de fora.

arau44.jpgCA - Os grandes discos de antenas parabólicas proporcionavam aos mais abastados da cidade do Sumbe verem o canal de África – RTP Internacional entre outras e de todo o mundo. Xingú, o mais candengue da família Pais, nas falhas de energia lá ia a correr até à casa do gerente do gerador ligar a fase pirata da zona par; aconteceu até levar uma lata de gasóleo, o necessário para o gerador funcionar.

Era uma luta pelos vistos! É que nem sempre os vizinhos estavam nos ajustes indevidos para que o gerador funcionasse na borla devida. Mas, nestes dias a febre do futebol fazia milagres de luz para sempre se verem os gooolos. Em um dos vários dias comemos de vela acesa, talvez a gasosa do lado impar tivesse sido mais substancial. Até foi bom que acontecesse a escuridão porque tivemos oportunidade de assim entabular divagações com ajustes de posturas nos muxoxos e kazumbis.

araujo179.jpgCA - No meu sentido de inserir palavras nesta descrição, frases e estruturas sintácticas, fui acumulando palavras novas oriundas do kimbundo, do umbundo e outras maneiras de linguajar tendo sempre como base o português do M´Puto com as declinações e palavras novas, inventadas até e, u oriundas do tronco bantu. Sendo assim um misto de narração, inventação, conto ou testemunho de reportagem, coloco em meus próprios sonhos, as vontades de reconciliação com um profundo agradecimento a todos os que me proporcionaram dias tão diferentes.

Envolto em ideias díspares, quase psicografava em vontade, nas contradições, algumas das sanguinolentas, macabras até e, que sem o devido tato, poderiam resvalar para ressentimentos; acontecia assim ao falar com o filósofo Pipocas, um responsável do património local do MPLA que de tanto beber, se esqueceu dele mesmo – pifou em sabedoria!

araujo158.jpgCA -  Pipocas era em verdade um símbolo kazukuteiro descartável, ágil e de falas suaves, peneirava-se na beleza das malambas, esperto, agressivo no beber, desconsiderado ou desclassificado por raiva, ciúme ou desdém, poucos o tinham em conceito concebido mas, tinha sim uma mente aguda: Ginasticando suas manigâncias da vida definhava-se na permanente curtição do álcool, vinho Camilo Alves, cerveja, cachaça e outras mistelas de bangasumo e capo-roto.

Pipocas, tinha sido comandante mas, por ter arrecadado o dinheiro dos mortos de guerra saiu dos mecanográficos e, por ali está agora comandando os imóveis, remexendo continuamente mugimbos almoxarifados, efémeros de quanto baste para encantar linguistas; isto, antes de rodopiar os olhos liambados de coisa ruim. É um personagem típico dum grande palco que é Angola, passando os dias num faz de conta divagando e bebendo frias cucas; e, assim sua cuca se adia, sempre adiado nas obrigações. (…Com ele, Pipocas sóbrio, tive conversas bem interessantes, senti-lhe uma arguta esperteza, ideais bem formulados, revelando ter principios de sábia concertação social de elevada erudição – acima da média …)     

Ilustrações de CA -Costa Araújo

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:52
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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2022
GUARAPES – 1

RECIFE – A SAGA DO AÇUCAR

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA19.04.2022 na Pajuçara de Maceió, de Alagoas – Brasil – Republicação a 03.11.2022 em Messejana do M´Puto

PorSoba T´Chingange brasil.jpgT´Chingange

guararapes1.jpg Foi há 374 anos - O Dia do Exército no Brasil é celebrado em memória à Batalha dos Guararapes, que ocorreu a 19 de abril de 1648, no estado de Pernambuco. Foram as principais acções bélicas ocorridas no Nordeste brasileiro contra a presença dos holandeses (Mafulos) na região. O berço da nacionalidade e do Exército Brasileiro tem neste local de Guararapes os factos que passaram à história como o inquestionável marco e, a partir do qual se desenvolveu o embrião do sentimento de nação brasileira. Deste modo irei reeditar a SAGA DO AÇUCAR inserido aqui no item GUARARAPES para se entender essa gesta heróica que originou o conceito de brasileiro e o início de uma nação

O dispositivo das forças Patriotas comandadas por Francisco Barreto de Menezes era o seguinte: O flanco direito era protegido pelo terço (ou grupamento) do índio Felipe Camarão, oculto na restinga de mato existente dentro dos alagados; O flanco esquerdo era protegido pelo terço (ou grupamento) do negro Henrique Dias, ocupando a parte central do Morro do Oitizeiro; No centro, ocupando a parte baixa junto ao córrego da Batalha, entre o Oitizeiro e o Outeiro, o terço dos brancos comandados por Fernandes Vieira; e em reserva, mais a retaguarda, o terço de Vidal de Negreiros.

António Dias Cardoso lançou um destacamento avançado pela Estrada da Batalha, composto por 200 a 300 homens e estabeleceu o contacto com os holandeses. Passou a retardá-los, atraindo-os para o Boqueirão, fazendo-os pensar que estavam em contacto com a principal força dos Patriotas. Mas era uma isca para atrair os holandeses (…). Pesquisa histórica revela que a palavra PÁTRIA foi pela primeira vez, mencionada em território brasileiro no texto “Compromisso Imortal”, relacionado com a invasão holandesa e assinado por 18 líderes locais em maio de 1645. Em homenagem a esses heróis, o Comando da 7ª Região Militar instituiu a saudação PÁTRIA, com a resposta BRASIL, em maio de 1998, a qual foi estendida pelo Comando Militar do Nordeste para toda a sua área de jurisdição.

guararapes2.jpg Em Setembro de 1645, os “Luso-brasileiros” isolaram a capital do Brasil Malufo deixando seus habitantes à míngua; Johan Nieuhof, alemão residente em Recife, testemunha que “os gatos e cachorros, dos quais havia em abundância, eram considerados finos petiscos. Viam-se negros desenterrando ossos de cavalo, já muito podres, para devorar o tutano com incrível avidez”.

Algumas atrocidades entre os citiados atingiram foros de bestialidade como alguns descritos existentes no Instituto Ricardo Brennand; descrevem actos cometidos pelos holandeses e índios antropófagos seus aliados: - Foi-lhes entregue para alimentação, corpos das vítimas feitas por seus soldados. “Selvagens Tapuias a quem animavam como a tigres ou lobos sangrentos, e diante de seus olhos, comiam os corpos mortos daqueles que haviam matado”.

guararapes3.jpg João IV não tinha efectivamente escolha quanto à decisão de resgatar Pernambuco para Portugal porque, sem o açúcar do Brasil, não teria como pagar aos exércitos incumbidos de defender a fronteira continental dos beligerantes espanhóis. A perda do Brasil, envolveria o desaparecimento de Portugal como nação independente. Os Mafulos tinham em seu contingente militar, mercenários franceses, alemães, polacos, húngaros, ingleses, e de outras nações do Norte, todos versados e experimentados nas clássicas guerras de então da Flandres e Alemanha. Desconheciam a tocaia, a guerrilha de arco e flecha, o ataca e foge em matos difíceis; para eles era uma guerra desmoralizante pois nem sempre divisavam o inimigo.

Um cronista de nome Pierre Moreou, testemunha presencial daqueles dias de cerco no Recife em contínuo bombardeio de artilharia feito pelos insurrectos Luso-brasileiros refere: “Todo o Brasil é povoado com numerosos guerreiros, sabem como subsistir e vivem do que a terra produz de forma abundante, prescindindo dos produtos da Europa o que é impossível aos Holandeses (Mafulos) que não têm senão soldados de carreira, recrutados em diversas nações, mais comprados que escolhidos de cuja fidelidade não se pode fiar. Pouco adaptados aos costumes e ao clima diferente de seus países, não conhecem atalhos e nem o local apropriado para emboscar.

reci1.jpg Os Luso-brasileiros (portugueses) ao contrário, nasceram aí em sua maioria, e são robustos, um mesmo povo, os mesmos costumes, as mesmas crenças e compleição auxiliando-se uns aos outros, não deixando de valorizar a terra aproveitando-se dela. Conhecem os menores recantos e bastava-lhes esperar seus adversários em determinados locais e, abatê-los. Enquanto decorriam as vitórias nos Montes Guararapes pelos insurrectos de Pernambuco a moral das tropas Holandesas entravam em declínio descrevendo-se assim os acontecidos: - “ Os combatentes Luso-brasileiros por natureza ágeis e de grande firmeza nos pés, são capazes de avançar ou bater em retirada com grande rapidez, com ferocidade natural constituídos que são de brasileiros Tapuias, mamelucos, etc.,... Todos filhos da terra"…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:59
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2022
MISSOSSO . LII

NO KILOMBO DO ZUMBI – NA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA…

COM FALA KALADO  Crónica com ficção 3285 17ª de Várias Partes

18.04.2022, na Pajuçara do Nordeste brasileiro – Republicação a 02.11.2022 na (Praia de) Messejana do M´Puto

Porsoba40.jpgT´Chingange

tiradentes1.jpg No dia 21 de Abril, comemora-se como feriado no Brasil o “Dia de Tiradentes”. Este feriado faz alusão à morte do mineiro mais conhecido na história por Joaquim José da Silva Xavier. Tendo referido há dias um antigo companheiro da UNITA como convidado a estar presente nas festividades do Kilombo Zumbi, lá para Novembro, mais propriamente no dia da “Consciência Negra”, para minha surpresa recebi um telefonema do Park Lindoya às margens da Lagoa Manguaba pedindo-me para ali me deslocar pois que havia alguém ali hospedado a querer contactar comigo!

Adiantei que não iria sem me dizerem qual o fim do encontro e o nome da pessoa em causa. Quando mencionaram seu nome fiquei bem admirado e até pensando num golpe de um qualquer maluqueiro. Era nem mais que o General Kamalata Numa da UNITA - queria estar comigo! Engasgado disse que daria uma resposta mais tarde e, tirando-me de cuidados fui até ao local já meu conhecido e, sim, era ele mesmo - muito mais velho, claro!

 GARANHUNS1.jpgNossa relação tinha sido bem passageira quando Kalakata o militar pertencente ao Comité da Caála, ainda vivo, me apresentou a este militar de patente rasa. Nessa altura exercia eu as funções de Secretário de Relações Públicas; por inerência tinha muitos contactos com gente próxima à organização política de topo e muito próxima a Jonas Savimbi mas e, a partir daí nunca mais nos vimos, 47 anos já passados!

Apresentados de novo, inquieto pela inusitado encontro, demos um abraço cordial e assim sentados tomando um suco de graviola foi-me dizendo que estava ali a convite de um familiar a fim de assistir às festas Juninas e, que vinha para ficar uns três meses pois que fazia questão de estar presente no já referido “Dia de Tiradentes” para o qual também tinha sido convidado pelas competentes autoridades.

GARANHUNS2.jpg O General fez-me inúmeras perguntas ao qual respondi com algum detalhe depois da minha forçada saída de Angola através da ponte “Lualix” no longínquo ano de 1975. Agradeceu-me pelo convite inserido nos trabalhos da “Fundação de Zumbi de N´Gola” e, enaltecendo dentro do que lhe era possível saber, do meu contributo como Zelador-Mor na Fundação de Zumbi de N´Gola tendo como benemérito a figura por mim recuperada na estória do Coronel emérito Fala Kalado, agora Comendador…

Adiantei-lhe que para o efeito contava com sua presença e do possível contributo nos previstos simpósios, seminários e as inerentes conferencias de participantes que ainda não estavam totalmente catalogadas, nem convites formulados mas, que já havia sim, um esboço de planeamento pendente dos conferencistas com os demais convidados de relevância na dissertação da “Civilidade Bantu”, tais como políticos, escritores, jornalistas e individualidades do foro africano e, ou mundial. A seu pedido fui esclarecendo-o do que foi a Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira: que foi uma revolta no ano de 1789, de carácter republicano e separatista, organizada pela elite socioeconómica da capitania de Minas Gerais...

GARANHUNS3.jpg Ela foi baseada nos ideais do Iluminismo e teve influência da Revolução Americana, que resultou na independência dos Estados Unidos. Que no século XVIII, Minas Gerais era a capitania mais próspera do Brasil... Que devido ao grande volume de extracção, o ouro começou a entrar em decadência. Nesse cenário, o Visconde de Barbacena em 1788, deu a ordem de realizar uma “derrama” – mecanismo utilizado por Portugal para realizar a cobrança obrigatória de tributos.

Esse foi o estopim para a elite local antecipar os preparativos para a revolta. Na verdade, a conspiração nem chegou a ser iniciada, pois foi descoberta após autoridades coloniais em Minas Gerais receberem denúncias. Para resumir, o alferes dentista, acabou por ser cortado aos pedaços com exibição de seus desgarrados pedaços de carne como se o fosse de um cordeiro sacrificado para exemplo… Depois dum herói negro de nome Zumbi, de um herói branco de nome Xavier Tiradentes, é tempo de se encontrar um herói pardo, cafuzo, mameluco, mazombo ou matuto*… O encontro acabou em churrasco e a promessa de me dar uma entrevista sobre o tema Angola… Iremos ler, se Deus quiser como é de norma dizer-se entre cristãos…

GARANHUN01.jpg * NOTA: Estamos a 02 de Novembro de 2022 - Esta republicação tem por objectivo repor as crónicas na ordem do Kimbo que por um erro técnico não foram inseridas na Torre de N´Zombo. Por via disso, muita coisa alterou recentemente no Brasil. Após eleições a 30 de Outubro do corrente ano de 2022 o matuto Lula tonou-se presidente pela 3ª vez, vencendo com vantagem de menos de 2% ao actual Jair Bolsonaro. Está assim encontrado o terceiro herói desta inventação: LULA DE  GARANHUNS...

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:33
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2022
UCRÂNIA . I-II-III-IV-V

 

A GUERRA DOS ABSURDOS, DAS RUINAS . Partes I.II.III.IV.V

UCRÂNIA - Espiando algum desdém duma parte do Mundo...

Cronica 3284 - 17.04.2022, no FortVille da Pajuçara de Maceió – Republicação a 31.10.2022 com actualizações

Porucrania1.jpgT'Chingange

ucrania2.jpg PARTE I - Viver é muito perigoso!…

Nesta guerra da Ucrânia, Putin, está vendendo a alma ao diabo. Está vendendo também a alma dos outros, do Mundo! Viver, que seja só um sentimento de cada vez, dá para ver sim que este mundo está louco! Mas, todos estaremos loucos neste Mundo? Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são mais que muitas, muito maiores e diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça para entender seu total…

Tudo, nem imaginado, sucede acontecendo e o sentir forte da gente de só se puder viver perto dos outros, sem perigo de ódio. Qualquer amor nesta guerra maldita, já é um pouquinho de saúde, um descanso de loucura… Conforme a crença de que Deus está em tudo! Mas tudo se vai vivendo demais, remexendo-se. Tudo o que foi é o começo do que vai vir, toda a gente está num “ai Jesus”… E, aumentando o desamparo da minha vergonha, digo e repito: Viver é muito perigoso!

Ucrania7.jpg PARTE II – Reflexão ortogonal!...

Imagine-se que eu fosse sacerdote, e um dia tivesse de ouvir os horrores provocados por Putin em confissão na primeiríssima pessoa. O facto de um morrer em vez do outro e, o de um viver em vez do outro, ou todos morrerem numa fragmentação, assim do nada, então!?

Há gente que morre, gente que luta, há gente que se estilhaça, gente que se apaga e … mire e veja, que tenho medo porque todo o caminho da gente é resvaladiço. Deus resvala? Ah, para não chorar, para no mínimo ter um pouco de felicidade, é preciso sabermos tudo, formar alma, formar consciência porque para penar, melhor não a ter.

Mire? Veja? Debaixo deste extraordinário, mesmo longe, a gente lambe a guerra. E porque Deus resvala, nós no rasto dos misseis, acompanha a morte com drones assassinos sem os poder perseguir… De dia é um horror visível, a noitinha refresca e no escorropichar do frio as labaredas fumegam-nos como se o fôramos um tição lagrimando fagulhas. Não se tem onde se acostumar firmando os olhos - toda a firmeza se dissolve indispondo-se num enjoo sem poder conservar um nojo.. Morreu, enterra!

Mas o mundo fala com tanto sonho desmanchado, que se esfiapa na neblina das nuvens de bombas, no movente frio de Abril… O demónio anda na rua… Quando rezo penso nisso tudo; até na Santíssima Trindade. Eu, padre de confessionário, de faz-de-conta acabei assim nesta tristonha estória: Como já tinha comprado meu pano preto de luto manejável pedi desculpa ao Nosso Senhor, peguei na Kalashnikov e descarreguei toda a minha fúria nele, o Putin

Ucrania8.jpg PARTE III – No momento exacto em que espeitava as estrias…

Espiando o Mundo com excepções, esbarrando no arrebentar nas manivelas da vida e, sem a mira certa de enviar um grão de morte ao certo lugar... Espalha-se o terror entre fumaças dançantes nas labaredas de fogo do inferno, de muitos enfeites, de destruição...  Entre um e mais outro zumbido e muitos estrondos, dentro daquele quarto, desventrado, ouvia gritos de matar e súplicas de morrer...

Esperando que a guerra não passasse ali de novo, sufoca-se na espera. Ansiado no desespero estrelejava, sentado na beira da mesa com o revólver pronto, ao alcance da mão, com bala na câmara espera-se para matar a guerra. Em último caso para se matar! Caiu num pasmo... Escrever num momento destes? O revólver era o comando no constante revirar no remexer da guerra transpirando medo...

Não sou coisa, nem cão mas, uivo o que me força mesmo a ter ódio da vida, que me leva a ser covarde e corajoso em simultâneo. Háh o que não pode entender nesta hora, isso de ser capaz de se, me matar!... O zum-zum da guerra acontecendo era o que lhe estorvava o direito de pensar... Fui salvo no momento exacto em que espreitava as estrias daquela arma de cano curto! Nome dela, da arma, esueci…

Ucrania9.jpg Parte IV - Há dias em que confio em Deus.

- O Provérbios 3:5, 6 do livro sagrado assim o diz! Há razões de sobra para confiar em Deus, pois Seu amor por nós é total. Sendo assim, é tempo de confundir os mísseis e drones de Putin e alterar suas coordenadas para caírem lá fora de portas e, não para onde vão... Sendo assim ando à espera de um milagre que confunda as letras Z de Zorro e V de Vitória e, se matarem lá entre eles...

O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e afrouxa, sossega e desinquieta. O que a vida quer da gente, é coragem! O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e ainda mais alegre no meio da tristeza. Pode!?

Pópilas! Só de olhar para ele, o diabo Putin, nele vejo o vulto da guerra. Apesar de tudo o que sabemos sobre Deus, sobre Sua fidelidade, Seu cuidado e amor por nós, ainda assim, às vezes, temos - tenho dificuldades para confiar; este é o caso! E, porque tem que ser assim Dizem os livros! E, não somos nós que fazemos esses livros!

Há dias em que confio em Deus. Então acordo com a doce sensação de que Ele está sorrindo para mim. Mas, em outros, não consigo confiar. Em geral, não volto para casa ao final do dia porque estou nela todo o dia mexendo os pés, cansado de pouco fazer a não ser escrever, e estressado pelo que vejo só porque o não deveria ver, deprimido quando me esqueço de o não estar, sobrecarregado à toa, em verdade! Coisas de velho...

É tão fácil - esquecermo-nos de que Deus é grande e poderoso, de que Ele Se preocupa connosco, supre e resolve nossos problemas. Aí é!? Qualquer dificuldade nos rouba a paz e nos tira o sono. Isto é comum a todos e, por coisa pouca se podermos colocarmo-nos no lugar daquela gente com frio, com fome, sem coisa alguma! Digo para Ele como se o fora ainda candengue, criança...

Posso adivinhar que você ou eu, já passamos por isso sem o querer. Que por vezes, seus dias amanhecem sombrios por semanas. Que de repente, uma nuvem num manto cinzento cai sobre seus dias. E, fica com a estranha sensação de que tem coisas demais para fazer e não vai dar conta de tudo ou nada tem para fazer e, entorpece na pasmaceira.

Ucrania10.jpg PARTE V – Espiei o desdém do mundo…

Dois meses de assassinatos na Ucrânia, sob o olhar compassivo do resto do mundo, estamos vendo um "sete de filmagem" de uma guerra ao vivo e ninguém faz nada de concreto para fazer o agressor mudar de ideia. Bem me parece que a ONU deverá ter um braço armado para fazer cumprir suas determinações...Ufa! Por fim lá aparecem armas inteligentes vindas do Ocidente, às mijinhas…

O maior medo da humanidade é abrir a cortina do conhecimento e descobrir que tudo o que acreditava nunca existiu! Tudo o que ouvimos são opiniões e não factos comprovados... Tudo o que vimos são perspectivas, não são verdades ou realidades; dirão que são narrativas – mentiras e mortes andam juntas.

E, quando a noite chega, um qualquer, apaga a luz ao deitar-se, culpa-se de problemas com a família ou algo pior, esquecendo ser o objecto mais precioso do amor Dele, da Natureza. Confiar em Deus não significa que Ele fará sua vontade, significa que você confia que a vontade Dele é a melhor para você. Um dia, não são dias...Aiué, então?! Hó Deus, juro mesmo, acho que Nosso Senhor, vai-te castigar!

Pópilas! Só de olhar para ele, o diabo Putin, nele vejo o vulto da guerra. Apesar de tudo o que sabemos sobre Deus, sobre Sua fidelidade, Seu cuidado e amor por nós, ainda assim, às vezes, temos - tenho dificuldades para confiar; este é o caso! E, porque tem que ser assim Dizem os livros! E, não somos nós que fazemos esses livros!

Todos nascemos mais ou menos errados e imperfeitos, mas só os conscientes e racionais procuram ao longo dos tempos ter consciência dos seus aspectos negativos e aperfeiçoá-los.

O tempo não passa pela amargura mas, a amargura passa pelo tempo… Hoje que chove, aqui e álem, 31 de Outubro de 2022, passados que são mais de oito meses, ainda não chegaram os tais chapéus genuínos protectores dos drones, desses paráguas de anular neutrões ou coordenadas do GPS. A guerra é um negócio.

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:31
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Domingo, 30 de Outubro de 2022
N´NHAKA . XIX

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . V

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças de escritos antigos - “Angola, quanto tempo falta para amanhã?” – Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi – 22 de Fevereiro de 2002) – Crónica 3283 de 16.04.2022 em PortVille da Pajuçara de Maceió – Republicada a 30.10.2022 na Lagoa do M´puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por mocanda11.jpg T´Chingange

dracma5.jpg Neste lugar de encantos atarraxados, na área de serviço de Cabo Ledo, as cervejas são retiradas de grandes caixas de isopor, esferovite; dessas que se usam quando vamos para o campismo mas, de maiores dimensões. É dali que retiram as verdadeiras gasosas de beber, pepsi-cola, mission, cucas e taifal ou sagres do M´Puto. Ali perto há um aquartelamento militar; foi por aqui que entraram os primeiros militares cubanos que deram formação às primeiras tropas organizadas do MPLA. E, foi Carlos Fabião, Flávio Bravo e Agostinho Neto que acordam os pormenores da participação Cubana na Operação Carlota, a que ficou conhecida como a Batalha de Luanda.

Pois foi aqui que entraram e depois saíram entre Maio e Junho nessa Operação Carlota; oficiais que por ali passaram tais como: Abelardo Colomé Ibarra, Lopes Cubas, Freitas Ramirez, Leopoldo Cintras Frias ou Romário Sotomayor. Foram estes e os jovens da Academia Militar de “Ceiba del Água” que mais tarde deram os pormenores já descritos em várias fontes. Cabo Ledo teve uma forte intervenção naquela que ficou conhecida por “a Batalha de Luanda”.

No entretanto da observância vêem-se uns quantos militares roçando as donzelas; um deles, de patente rasa vem até nós pedir uma gasosa a fim de poder ir até Luanda visitar sua namorada; treta ou não, em seguida bazou de nós indo pela certa cravar outro, indícios firmes do pouco salário que recebem. Já perto do rio Calamba, começa a ver-se newas, maboqueiros, embondeiros e cassuneiras; podem ver-se muitas destas, altas e esguias palmeiras já em fase de vida terminal -alguém esclareceu que por tanto retirarem sua seiva para fazer marufo, elas definham até à morte.

quiçama01.jpg Atravessamos a Reserva da Kissama sem ter visto uma simples capota, nem tampouco um camundongo ou mesmo um dilengo (coelho). Começamos a descer para Porto Amboim, um antigo e importante porto de pesca e início da linha de comboio que trazia em tempos o café da CADA, uma empresa exportadora de café robusta. Foi ali na “Boa Lembrança” da CADA, que passei minha lua-de-mel como soe dizer-se, no ano de 1970. O sol kúkia, descia já no horizonte valorizando a ampla baía com o mesmo nome.

Neste local de muita azáfama piscatória no tempo dos Tugas, podia ainda ver-se alguma movida na arte de secar peixe, pesca da lagosta e lá mais adiante, ao dobrar do promontório e na foz do rio Cuvo as deliciosas e grandes ostras. Compramos ao Tadeu Matrindindi um saco de ráfia, daqueles usados no transporte de carvão lá no M´Puto. Custou-nos cem kwanzas ou seja o equivalente a dois €uros e vinte cêntimos. E, se havia ostras! Dias depois voltamos ali, atravessamos em uma improvisada jangada de paus de binga, amarrados com mateba, numa lagoa da foz do rio Cuvo e nós mesmos, eu, Jimba, Zito e o vizinho Candimba apanhamos mais um saco daqueles.

quiçama0.jpg À medida que espetávamos o bordão no fundo, sentíamos as ostras, um rochoso crocante, depois era só mergulhar e apanhar à lagardere… Foram dias de folgadas lembranças como se ainda candengue estivesse a apanhar na Samba da Luua as mabangas para o isco a usar na apanha das mariquitas ou roncadores. O banco de calcário ostrífero era impressionantemente vasto por ali. Fazendo uma fogueira na ilha de areia daquela foz, pudemos fazer abrir aquelas deliciosas ostras, meter-lhe uma porção de sumo de limão e, depois degluti-las. A acompanhar tivemos as frias, cervejas Hanson, Heineken, Sul Africanas e a Cuca angolana.

Recordo agora o Jimba (já falecido) a apontar uma farta planície, uma imensidão de capim, as terras de seu pai e aonde cultivavam algodão em idos tempos. Agora podiam ver-se umas quantas cabeças de gado nemas bem perto de um quartel com parque militar; estafadas Urais e Ifas soviéticas usadas na guerra recém terminada -  há quatro meses…    

quiçama03.jpg Posso agora, 47 anos depois do 75 recordar: E, foi na Praia de Sangano um pouco a norte de Cabo Ledo que desembarcaram os primeiros homens comandados pelo General Raul Diaz Arqueles. Ali descarregaram os primeiros complexos móveis de defesa antiaérea “Strela”. Os instrutores deste equipamento sofisticado, estavam a ser coordenados pelo Coronel Trofimenko que a partir da Republica do Congo Brazaville enviavam numa primeira fase, pequenos aviões para aterrizar na pequena pista de aviação da Kissama em Cabo Ledo.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:45
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Sábado, 29 de Outubro de 2022
MALAMBAS . CCLXX

TEMPOS CINZENTOS – GERINGONCIÁVEIS. Ando a semear assobios mas, nos intervalos da vida, durmo!

Crónica 3282 de 15.04.2022 em PortVille da Pajuçara em Maceió – Republicada a 29.10.2022 em Lagoa do M´puto

Por GALO1.jpg T´Chingange

roxo117.jpgAR - Quando o capim cresce num jardim, só pode ser mesmo por efeito de abandono. Esta noite, no meio de bois, vacas e capim, ouvi sumido nos sussurros por entre trastes do conforto dum sonho, uma perereca a coaxar e, notei até que estava lambendo com gosto a cal de paredes cafeladas, saboreando seu bolor, um mofo, como se o fosse um pão de sete dias esquecido algures num escuro húmido, já com estalactites e estalagmites penicilinicas. Será que é mesmo uma perereca? Será que é mesmo uma necessidade da perereca?

Nós sempre queremos respostas para tudo que não entendemos na perfeição como por exemplo esta: “Qual o tipo de gafanhoto que João comia no deserto?”. Vale a pena conferir! Para uma resposta curta e simples podemos encontrar no texto bíblico de Marcos 1,6: “João vestia-se de pelos de camelo e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.” (Marcos 1,6) Bíblia de Jerusalém. Eram cortadas as cabeças e pernas desses insectos, que depois de secados ao sol era salgado e servido com uma espécie de "manteiga", uma espécie de gordura vinda do leite. Hoje temos o conhecimento, pelo dizer dos nutricionistas que no gafanhoto, cerca de 75% são proteínas.

Os sonhos são assim mesmo, imprevisíveis, Alexandre Fleming: o pesquisador que descobriu o poder dos fungos do género Penicillium, não lambeu fungos porque não era sapo ou perereca mas foi assim de forma acidental que se descobriu a penicilina. Alexander Fleming, em 1928, pesquisando substâncias capazes de combater bactérias em feridas, esqueceu seu material de estudo sobre a mesa enquanto saía de férias. Ao retornar, observou que suas culturas de Staphylococcus aureus estavam contaminadas por mofo e que, nos locais onde havia o fungo, existiam halos transparentes em torno deles, indicando que este poderia conter alguma substância bactericida

roxo3.jpgAR -  Não sabemos se o sabor era apetitoso, mas o sustento do organismo humano como alimento era satisfatório ao comer gafanhotos. Provavelmente o gafanhoto Locustra que devorava as plantações, foi o tipo de gafanhoto com que João se alimentou no deserto. Estes gafanhotos devoradores que apareciam em nuvens atacando as poucas plantações da Palestina foi à espécie que João encontrou no deserto e lhe serviu de alimento para saciar sua fome. O texto de Joel 1,4 narra à presença desta praga em Israel.

Podemos assim conhecer os segredos da vida nos hábitos de João Batista e concluir: Vivendo uma vida simples, sem desperdício de alimentos, nos aproximaremos dos caminhos de Deus… A penicilina de Fleming tornou-se disponível para a população civil na década de 40 do século XX. Tal achado, comprovadamente inofensivo para as células animais, foi isolado, concentrado e purificado em laboratório alguns anos depois, por Howard Florey e Ernst Chain: mesma época em que estes três pesquisadores ganharam o prémio Nobel de Medicina por suas descobertas, estas capazes de impedir a morte e complicações de doenças como pneumonia, sífilis, difteria, meningite, bronquite, dentre outras.

fotografo1.jpg Na época da Segunda Guerra Mundial, esta substância foi produzida em larga escala, por fermentação, salvando milhares de vidas. Actualmente a penicilina é utilizada de forma menos frequente em razão de seu uso indiscriminado – causando a selecção das bactérias e consequentemente, ao longo do tempo, resistência a este antibiótico.

Assim, hoje a Amoxicilina é o antibiótico mais amplamente utilizado no tratamento de doenças bacterianas. Como é que num sonho poderia eu saber ou não saber, se era eu mesmo e se estava até em ocasião de boa-sorte. Porque diz o ditado que nossa vida tem sempre um rumo de linhas tortas, coisa até já confirmada matematicamente com teorias encavalitadas da relatividade e, aonde o fim, não é fim!

Que numa evolução quântica não há fim de mundo, não há fronteiras nem bordas nem tampouco redondez e, porque na azáfama da vida, o deve e haver não existe – é uma fantasia de vida… Assim de repente parei; fiquei devendo sem me lembrar de pagar. A gente de agora anda tão devolvida de tudo que nem pode adivinhar a honestidade de cada qual. Tudo passa, noé!? O sofrimento do passado pode sim virar glória, assim como sal em cinza, geringonciável!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:12
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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2022
KALUNGA . XXXIII

KIANDA COM ONGWEVA NAS FRINCHAS DO TEMPO - XVIII de várias partes…

– Crónica 3281 de14.04.2022 em pajuçara de Maceió – Republicação a 28.10.2022 em Lagoa do M´Puto

– Segredos do Conde de Sant German no Museu do Prado em Madrid…

Ongweva é saudade  

Por roxo135.jpgT´Chingange (Ochingandji) – No PortVille da Pajuçara em Alagoas do Brasil e Lagoa do AlGharb

roxo182.jpgAR - As nações do mundo não se vincularam no reconhecimento do novo país chamado de Rodésia, auto proclamado por Ian Smith. Esta iniciativa prescreveu em 1979 com a entrada do bispo Abel Muzorewa que se torna chefe do governo, constituindo a primeira administração bi-racial (uma utopia africana). O governo de Muzorewa não logra durar muito e, novas eleições são convocadas, desta vez com total liberdade de acção para o bando terrorista de Mugabe.

Naturalmente, com o beneplácito dos areópagos internacionais, a 2 de Dezembro de 1987, Robert Mugabe, o marxista e seus bandoleiros do famigerado “processo político” é nomeado como o primeiro chefe executivo. Mugabe, apaparicado pelos senhores do globo, não tarda em implantar a sua ditadura de partido único através da perseguição, intimidação e eliminação física de opositores. O alvo preferido foi a população branca, fazendeiros e os negros que não aderiram à “revolução”.

roxo92.jpgAR -  Um território outrora pacífico e em franco desenvolvimento, é rapidamente transformado num espaço de opressão, violência, corrupção e ruína económica. Tal como em Angola, uma boa limpeza étnica só o é, desde que feita por negros contra brancos, que é sempre vista com olhos gordos de compreensão. A farsa da obra-prima da ONU e dos senhores do G7 deste planeta vão, paulatinamente continuar em cartaz na terra africana encharcada com o sangue de inocentes (um mundo cão).

Eis as excelsas realizações dos arrojados descolonizadores - “exemplares”, com certeza! Tive de descrever este panorama para chegar à kianda Zachaf Pigafetta Roxo, ao seu irmão Januário Pieter e ao Conde de San German, um destacado embaixador itinerante enigmático no quanto baste. Pois, é ele que me descreve as coisas aqui expostas, connosco comodamente sentados em um amplo salão do Prado e, enquanto os demais vêm e revêm os muitos quadros ali expostos.

Fui assim, inteirado por ele de que as Sereia Roxo e Oxor, eram procedentes do lago Niassa; com sua singularidade provenientes da tetravó Zachaf Pigafetta que por ali permanecia em uma ONG mas, só até que um dia, tiveram de dar o fora! Não havia condições nem para assombrações! O irmão Januário Pieter, que se manteve sempre por perto, tornou-se para mim um extraordinário consultor. A ele devo ter sido registado para o mundo como o único Niassalês em Paris, no primeiro encontro em Jablines de França. Absolutamente, não há nada, que ele não saiba! E, foi também quando pela primeira vez fui à Disneylândia com minha neta Lara! Creio que no ano de 2009 (Tinha ela uns oito anos…)

Ian Smith.jpg Eu estava por saber que uma sereia tem de ter sempre uma irmã gémea porque convêm de vez em quanto baralhar os espíritos malévolos; esses que serpenteiam entre difusas brumas como os ácaros do facebook. Brumas que por via de uma arte ficam acrilicamente voláteis, belas e disformes, misto de sonho com pesadelos tidos em luar longínquo parecendo até duma outra galáxia. Depois de tudo isto entendo as formas e contornos reluzidos em perfumadas ondas de quem pinta sem pinceis. Isto só mesmo de bruxas, kiandas ou calungas, falei…

Zachaf Pigafetta a tetravó, desta vez, já no pátio exterior do Museu, falou comigo sem aquela irreverência de kianda superior e, descendo à terra barrenta, à sombra de uma mafumeira (sim! é curioso mas, havia ali essa árvore), quase que me segredou ter sido em Harare que nasceu sua Neta de última geração Assunção Roxo. E, foram exactamente nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' mas salientou que não quer agora, nesta vida de hodiernidade, perturbar sua tetraneta (Nem ela sabe!...)  

roxo109.jpgAR -  Nunca se viram cara a cara mas foram-lhes transmitidas veracidades que nem ela Roxo se apercebe e, porque é através do vento soprado que lhe faz chegar as ondas de cinco gigabaites, aquela genica e vontade de papar léguas, mais o gosto pelas longitudes. Em sonhos conversam muito mas, logologo destes são esquecidos, porque ela só é kianda por vezes e, nestes sonhos de ilusão fosfórica. Notei que não me queria dar muitos mais pormenores. E foi graças à insistência do Conde de San German que ela, tetravó de Roxo se decidiu a abrir comigo…

roxomania4.jpgAR - Nota recente: *A kianda Oxor nunca foi vista por mim ao vivo mas, estive lá bem à sua porta no lugar do entroncamento, terra de fenómenos e assombrações – Se estava com uma nevralgia ou artrite, não pude cheirar o cheiro intenso da canfora, dos cremes usados para aliviar dores como o diclofenaco ou dietilamônio. Falando com Humberto Delgado durante o almoço, senti que havia um torcicolo para decifrar com a kianda gémea de Roxo… Assim, ao invés de fataça comi enguia, bem boa!  

**Ilustrações de Assunção Roxo…

 (Continua…) 

O Soba T´Chingange (Otchingandji



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:08
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2022
N´NHAKA . XVIII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . IV

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças actuais de escritos antigos - “Angola, quanto tempo falta para amanhã?” – Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi – 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3280 de 12.04.2022 – Republicada a 26.10,2022 na Lagoa do M´puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por  ÁFRICA11.jpg T´Chingange – Em PortVille da Pajuçara de Maceió

A lufada de ar quente da chegada a Luanda foi há dias atrás; neste meio tempo li levemente a obra do sociólogo Paulo de Carvalho com o subtítulo desta crónica e que, só por si, revela a preocupação na mudança das coisas. O desejo de Kianda do Maurício dos Santos Pestana (Pepetela) também vem demonstrar que hoje as vivências fazem-se num confronto de ambivalência e das coisas confundidas no seio deste povo; o mesmo sol da secura e aridez que amadurece os produtos e, a chuva que tudo inunda, é a mesma que os rega.

dia207.jpg A linguagem mitológica, a verdade das coisas é colhida entre o falso e o verdadeiro, baralhando o conceito da razão; no entretanto destas divagações de um Niassalês, que sou eu, vamos a caminho do Sumbe, (Ex Novo Redondo), lá aonde se situa o Cantinho do Inferno. Até ao Sumbe são 320 quilómetros. Passada a Samba, vem o Rocha Pinto, a Corimba, o Benfica, o Futungo, os Morros dos Veados e da Cruz. Aqui, a capela foi promovida a Museu da História da Escravatura.

Em verdade, a criação deste Museu tem razão de o ser pois que foi dali, pertença do reino de N´Gola que saíram milhares de escravos para o Brasil. Chegados aqui, que fique claro que quando o Diogo Cam chegou à foz do rio Kongo surpreendeu-se com a prática dos indígenas comercializarem as suas gentes; usavam os prisioneiros de outras tribos, das guerras constantes que mantiam entre si, transaccionando-os como uma qualquer mercadoria.

Esta prática usada entre as muitas tribos em África e particularmente em Angola, veio a calhar para colmatar a falta de mão-de-obra para nas muitas culturas em expansão no grande território do Brasil; os engenhos da cana-de-açúcar estavam carentes de gente no seu trato, no amanho das longas extensões de terras como o café, algodão ou cacau. A partir daqui surgiram empresários negreiros que sem controlo, fizeram fortunas tratando as gentes oriundas de várias partes, ocasionando riquezas desmedidas de agentes em Angola e Brasil. A palavra infortúnio ainda não estava inventada…

cos0.jpg Foi esta disseminação de gente de tez negra para as américas que originou a grande diáspora alterando os conceitos de raça por via normal de miscigenação. Na escola básica, aprendi que no Mundo havia quatro principais raças, a branca, a negra, a amarela e a vermelha. Os sociólogos tiveram muita dificuldade em estabelecer padrões na sua classificação e, muito rápidamente o conceito de raça humanizou-se simplesmente em raça humana; nesta questão fica bem evidente a globalização com a forte participação portuguesa.

Continuando a viagem, usando a visível marcação do meio-fio e, quase sem buracos chegamos ao rio Kwanza. Aqui o controlo é mais refinado, mais pelos veículos do que propriamente pelos passageiros, a ponte suspensa tem alguma relevância mas, a destoar sucede o facto de alguns militares que por ali estavam espairecendo preguiça, nos terem abordado pedindo gasosa, a mesma pedinchice que sempre nos acompanhou por todo o lado e, desta feita perante o nosso semblante de surpresa, o militar de camuflado ao jeito explicativo e indicando os demais companheiros, encostado ao varão da ponte disse:

- Kota, ajuda só… é para levantar a moral! E, com este pretexto desinibido de vergonha escorregamos com cinquenta kwanzas correspondendo a duas frescas cucas e ainda sobram cinco kwanzas para o engraxador do Sumbe… Cabo Ledo fica em plena reserva da Quiçama mas, até aqui não vimos qualquer espécie de bicho. Acerca da área de serviço aonde paramos, a de Cabo Ledo, trata-se de um amontoado de chinguiços amarrados com mateba e cobertos a capim e, só simplesmente amontoado.

dia141.jpg Estas estruturas da área de serviço, têm “empresárias de sucesso” que superintendem caixas térmicas com gelo e frias sagres, taifel, hansen ou cuca. A acompanhar há galinha assada no espeto, talqualmente e, umas batatas-doces assadas no fogo. É quase uma paragem obrigatória pois que o calor é intenso. As empresárias de sucesso, amigas de Bien e Xico seu primo, com rudimentos falíveis de higiene aprendidas no funaná Bye Bye My Love, cursadas em sobrevivência, transformam a fome em petico de espanto. O frango no espeto marchou sem entretantos e, com muito jindungo; deu para notar as onduladas conversas de sussurradas popias de muitos atarraxados encantos…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:30
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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2022
PARACUCA . LVIII

MULOLAS DO TEMPO 29

RECORDANDO: Nós, bazungus no COMPLEXO PALMEIRAS de BILENE

- Odisseia “HAJA PACIÊNCIA” - 5 de Novembro de 2018 - 49º dia (uma Segunda Feira)

Crónica 3279 12.04.2022Republicação a 24.10.2022 em Lagoa do M´Puto

Por tuiui3.jpg T´Chingange – No PortVille de Maceió do Brasil e AlGharb do M´Puto

arte3.jpg Na cidade de Macia, já conhecida de outros tempos, tentamos ficar nos aposentos meio inaproveitados de José Lourenço, aonde já tinha ficado em anos anteriores mas, não foi possível contactar com seu sogro Pai de Santo, pai de Anita, o zelador do património, nem do bafana que por lá costuma estar. Houve desencontros de telefonemas e, como o Pai de Santo, sempre anda descuidado entre fraldas, não foi possível vislumbrá-lo. O que tem de ser é que vale! Batemos no portão de chapa largo, espreita o pátio e de novo me vejo a dar outra solução, plano B - ficarmos na Praia do Bilene, lugar também meu conhecido de anteriores andanças que fica a mais ou menos trinta quilómetros de Macia.

Assim, tive de recordar minha empregada Mery de Kampala: Vocês, os bazungus velhos como o patrão e, seu amigo Reis das Vissapas com seus carros de tracção às quatro rodas, vestidos com roupas muito cheias de bolsos, quase soldados expedicionários, sempre lhes faltam as pilhas na hora de dar à luz. Ué, como é então? Patrão (só faltou dizer muzungu) nós no Uganda não temos kitar yabulo de xelin, dinheiro para bafunfar só átoa. Desta vez até que tinha razão: a luz falhou. Bem! Da outra vez a garoupa de 3,5 quilos comprada no Xai-Xai de Gaza afinal estava imprópria para consumo; do velho bóher das barbas ao Samuel do hotel abandonado até ao Paulo da igreja, todos me levaram na reles curva da ignorância; o podre da garoupa que não tinha cheiro, no após forno, estava moído, intragável, coisa pútrida.

Daquele outra vez querendo agradar ao Patrão do Ricar, José Lourenço e sua filha Cristina, dei com os burros na água fazendo o papel de otário. Os patrícios do Índico do Xai-Xai, cuspiram-me na consciência de mwangolé mazombo e, francamente, não gostei. Quem gosta de ser enganado? As minhas visitas nobres tiveram de comer salsichas de lata para não desfazer o acolhimento. Havia um compromisso de “jaquinzinhos” trazidos de Maputo pelo gerente-mor do “Luar de Macia” – o doutor da mula ruça com alvará comprado numa tabanca da Guiné, pois desaconteceu. Vamos para Bilene, que já se faz tarde para a missa…

Mu Ukulu02.jpeg No meio destas confusões, para acalmar os assobios enviesados, resolvemos sim, assistir a uma missa em português e dialecto “Changani” à chegada a Bilene, um dos 60 dialectos falados em Moçambique na zona de Gaza. Os cânticos com a participação de missa cheia tiveram duas horas de duração, entusiasmando-me a basculhar esse mundo da fé. Para se ter uma vida espiritual, não é necessário entrar para um seminário, nem fazer jejum, abstinência ou castidade; basta ter fé e aceitar Deus. A partir daí, cada qual se transforma no seu caminho, passando a ser o veículo dos seus milagres.

E, fomos à missa porque queríamos assistir de novo às explosões de fé bailada, ao som de cânticos com muitas vozes, um espectáculo a não perder, com batuque. E, para encontrar Deus, basta olhar ao seu redor; podemos vê-Lo ao nosso lado, no cacimbo, na estrada, uma borboleta que esvoaça ou numa minúscula planta. Se tivermos a fé do tamanho de uma semente de alpista, podemos fazer milagres movendo pedras e, ser capaz de dominar o corpo e o espírito. Aqui, as gentes foram de enorme gentileza oferecendo-nos assento; só as damas Ibib e Marga usaram dessa bondade – afinal sempre há gente boa, aleluia!

missosso2.jpeg Sendo hoje segunda, 5 de Novembro, aqui estou sentado defronte desta magnifica manhã e, tendo um mar bonito da praia do Bilene do Distrito de Gaza, recordando o ontem recente para não me fugir da memória, falando também com a osga que sempre me olha inchando o papo e, salpicando falas na forma de estalidos como se fosse de origem khoisan. Impressionante, não sei como se desloca mas, sempre aparece curiosa e falando-me baixos guinchos, por respeito, acho! E, se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque, nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado e, embora o Senhor esteja em toda a parte, comigo e com ela, ámen…

É de ter em conta de que Ele, o Nosso Senhor, às vezes parece não ter tempo para nos olhar de frente mas, deixa para lá, outros dias virão. E, foi hoje que visitamos a casa museu de Eduardo Ruiz com uma mulemba radiante mesmo em frente do seu Complexo Palmeiras. Uma amabilidade na forma de gente que fez o favor de nos esclarecer sobre o problema que áfrica atravessa de momento. Também ele quer vender seu Complexo por dois milhões de meticais, tendo o banco calculado seu património em oito milhões. Tudo tem um porquê!

JINDUNGO2.jpg E, foi na casa de Eduardo Ruiz que a febre de melhor condutor de África dita no início pelo El Comandante caiu na temperatura. Isto há coisas, nem lembra ao diabo, este acontecido. Afinal era sim este senhor o maior corredor de ralis daquele tempo. E, vimos suas vestimentas, suas fotos, seus chapéus e luvas de protecção e símbolos com taças mais os diplomas das marcas com quem ele correu, representou. Não fiz reparo ao nosso Comandante mas, foi sim o culminar de uma ousada vaidade despir-se perante outras evidências. Aqui, a pópia de nosso El Comandante escorreu de suores frios pela crista murcha de encrespamento, Háka patrão…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:28
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Sábado, 22 de Outubro de 2022
MISSOSSO . LI

NO KILOMBO DO ZUMBI – NA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA…

COM FALA KALADO - Crónica 327716ª de Várias Partes – 08.04.2022 em Pajuçara – Republicada a 22.10.2022 em Lagoa do M´puto

Por aqualtune.jpgA - T´Chingange – No nordeste brasileiro e AlGharb do M´puto (Com Aqualtune)

tonito19.jpg Chegada a hora do café e dos digestivos, era suposto haver discursos na forma de agradecimento mas, e devido ao facto do Exmo. Cidadão estar no estado já descrito e, porque sempre ficava apoquentado de irrequieto quando tudo ficava demorado, Rosa Casado, a chefe de protocolo, deu indicações que o senhor Comendador iria retirar-se a fim de dar andamento aos seus tratamentos e, que as individualidades presentes, (nós), iriam para o d´jango do jardim para e após ou durante o café serem estabelecidas as linhas programáticas da Fundação Zumbi de N´Gola para o tempo que restava, até se findar o ano civil.

Após Rosa Casado ter segredado algo propedêutico ao ouvido do Exmo. Comendador, este de novo levantou sua mão direita para dar homologação às palavras de sua muito distinta auxiliar, dona de muitos segredos oriundos de Garanhuns, Petrolina e Serra da Barriga por ser filha de um antigo prefeito da Cidade de União dos Palmares – António Ribeiro Casado. Todos de pé, assistimos à saída do filantrópico cidadão acompanhado daquela outra senhora com bata branca com uma cruz vermelha ao peito…

O gigante negro Lother, que até então se mantinha afastado, bem no canto e ao lado do tal chefe de cerimónias com laçarote, este, ao tocar de novo o sino como que dando por terminado o repasto, Lother caminhou na direcção da cadeira ergonómica que, com suavidade, rodou noventa graus, levando seu patrono ao seu mukifo … Estando eu atento em todo o tempo ao semblante do meu antigo companheiro de guerra do Maiombe pude reparar…

zem4.jpg Pude notar duas lágrimas caindo por sua face; havia momentos de lucidez e, nesses momentos, era tomado pelas carências de perdoar o justo pelo certo e também porque não mais seu luar, poderia pôr a noite inchada. Por momentos até relancei a hipótese de estar a fingir para ludibriar a Intelligence secreta que sempre parecia estar presente em seus passos desde que saiu matumbola de Angola, seu país de origem… União dos Palmares é considerada uma das principais cidades de Alagoas e é conhecida por ser "A Terra da Liberdade", pois foi nela, mais precisamente na Serra da Barriga aqui descrita por vezes como Serra dos Macacos, aonde foi dado o primeiro grito de liberdade por Zumbi dos Palmares.

Em sua memória surgiu a festa da Consciência Negra festejada a 20 de Novembro, dia de sua morte. Tive esta lembrança na deslocação para o d´jango aonde iriamos estabelecer as tais linhas programáticas da Fundação. Do muito que ali se debateu, a mim, Zelador-Mor, conselheiro, fiquei de coordenar o vinte de Novembro, de coordenar toda a logística de convites às muitas personalidades do mundo dos PALOPS, cabendo a cada um dos outros nove membros eleger três figuras públicas internacionais nas áreas de governo, cultura e diplomacia global. 

adalberto junior unita.jpg Não vou aqui entrar em detalhes do foro interno mas e, no que toca à minha escolha apontei os nomes de Marcial N´Dachala e General Kamalata Numa, ambos da UNITA*** e, José Eduardo Agualusa, escritor conceituado a nível internacional. Na altura certa se saberá publicamente os outros nomes num total de trinta, tendo várias correntes politicas e visões diferenciadas para e, em altura própria conferenciarem seus pontos de vista, da Paz e da guerra, dos pontos dentro e fora das quatro linhas que balizam os conceitos de democracia.

Também ficará a meu cargo a popularíssima Corrida Palmarina do Jumento Alagoano no último domingo de Dezembro de cada ano civil; uma cavalhada que entusiasmará por certo todos os tropeiros deste mundo. Esta festa de cariz popular terá decerto a filiação da autarquia e muitos aficionados das gestas heróicas dos tempos idos, das tropas de muares cruzando os lugares mais recônditos deste brasil. Esta terá também a participação das gentes dos actuais quilombos adstritos à governança de Paulo Sarmento, Assistente do Rotary Internacional, Distrito 4390.  

No século XVII, Alagoas oferecia reduto para os negros formarem os inúmeros quilombos que prosperavam em todo o território brasileiro, mas que tiveram na Cerca dos Macacos da Serra da Barriga, nos Palmares, sua maior simbologia. O Brasil foi o país com a maior concentração de escravos negros do mundo com dados indicadores de 3,5 milhões. A liberdade, por meio de fuga, consolidava-se pela anormalidade da vida administrativa e económica da capitania de Pernambuco. Palmares, perdurou por 64 anos, capitulando no ano de 1696 e é o governador da capitania que relata ao rei D. Pedro II do M´Puto, o pacífico, a morte de Zumbi dos Palmares…

esquindiva1.jpg Nota ***: - Por via de altercações ao programa editorial acrescento agora – 22.10.2022 à lista de convidados Adalberto da Costa Júnior, o verdadeiro ganhador das eleições em Angola mas que por via de fraude grosseira não pode usar das prorrogativas de Presidente. O seu a seu dono: Kwacha!…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:37
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2022
N´NHAKA . XVII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . III

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças actuais de escritos antigos - “havemos de voltar” – Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi – 22 de Fevereiro de 2002)

Crónica 3276 de 07.04.2022 escrita na Pajuçara de Maceió – Republicação a 20.10.2022 na lagoa do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por t´chingange 0.jpg T´Chingange

selo10.jpg Bien, Humberto Cunha do Sumbe, engenheiro civil formado em Cuba em tempos de dipanda, chorou ao despedir-se de mim e Ibib no mesmo aeroporto “4 de Fevereiro” (antigo Craveiro Lopes ou de Belas). Eu, que me fiz forte na altura, relembro agora que também fiquei esfiapado das pestanas, com humidade por arrumo dos preparos finais. Foi exactamente na sala que nesse então, reparei, essa sala ter perdido o tecto falso; podia ver-se os tubos semi descarnados e em desalinho, dispondo-se encavalitados em todos os sentidos. Este intróito sendo de saída é só uma pescada de rabo na boca porque a descrição que se segue é o começo da visita ao CANTINHO DO INFERNO

Fiquei sem saber se os tubos levavam dentro outros fios ou águas negras; Se eram condutas de ar condicionado ou fios de comunicação! Só faço este reparo para verem o quanto havia de descaso numa sala de entrada e saída de gente a quem se necessita dar uma boa imagem; Os tempos de guerra finda há quatro meses, supõe-se não ter dado manobra de embelezamento às estruturas de aparência. Tinha saído de Angola nesta mesma sala em Agosto 1975 com uma guia de marcha sem volta, emanada pelo Alto Comissária em Angola e, no meio de tanta agitação, tanto caixote espalhado a esmo, nem reparei se havia ali, ou não, tecto falso.

Havia sim controlo sanitário, alfândega, controlo de polícia de fronteira e bagagem. Quem tivesse kwanzas ou outra moeda de sobra, era ali depositada por confisco sumário; não era permitido retirar do território qualquer divisa sem estar superiormente declarada. Consegui passar despercebido ao lado desta desorganizada rigorosidade. Nossas malas dispostas no exterior eram assinaladas por cada um dos passageiros que só depois de o dizer qual a sua mala ou malas, eram carregadas até ao avião da TAP. Compreende-se, pois nesse então e ali, não havia ainda os métodos modernos de visão do tipo de raio xis…

selos3.jpg Pois de vacina nas mãos é-nos indicado o sítio de carimbação; gente improvisada, vestida de bata dá valia aos papéis amarelos e, depois das boas chegadas por parte das autoridades com chapéu de dourados arabescos, vem a secção da bagagem aonde a dita gasosa agiliza as vistas. Isto aconteceu na chegada com o surpreendente pedido de gasosa sem sabermos nesse então o que seria isso; O Zito mais avisado disse ao Jimba (já falecido) que era uma gorjeta para não empatar; neste momento já tinha vinte euros na mão para desanuviar a mercadoria e, assim aconteceu…

O primeiro impacto com os destapados buracos de rua foi logo ali em frente ao aeroporto 4 de Fevereiro, esgotos a correr a céu aberto, bem à saída da base da Força Aérea e, entre esta e o bairro que já foi novo quando os cubanos o construíram. Os bolos de batata-doce, de mandioca e banana assada com outras iguarias por ali estão expostos, no meio do espezinhado lamaçal, em cima de improvisadas caixas. Mais ao lado há uma secção de lavagens de carros, uma mangueira que verte água que por seu lado escorre para este improvisado mercado das calamidades.

selos7.jpg O desenrasca funciona paredes meias com os supostos sítios nobres. Luanda aí está! Passando no antigo largo Afonso Henriques, e bem em frente aonde funcionou o sindicato metalúrgico para meu espanto, vejo um grande buraco a jorrar água limpa aos borbotos e uns quantos jovens a fazer daquilo uma estação de lavagem para carros, baldes, esfregonas, sabões e tudo no tecnicamente imperfeito. Os carros eram de alta cilindrada, vidos fumados e acessórios xispéteo… O sinaleiro da Maianga faz milagres para dar ordem ao trânsito, é desrespeitado e até chamado de nomes de macaco para símio. Os vendedores de antenas parabólicas, chinelos e quinquilharias chinocas não largam as janelas dos carros aqui e em qualquer cruzamento com ou sem sinais. Patrão compra só, é barato! 

E, vi porque ninguém me contou: coleiras de cão, peúgas, pó de pulgas, chapéus quicos e até batatas fritas. Os Libaneses resolvem o problema de despachar o negócio usando crianças a venderem de tudo e também CêDês produzidos em estúdios suspeitos do Cazenga ou kazukuteiros do Sambizanga, saídos do Tira-biquíni e Dona Xepa e outros com esquemas com bangula, um salve-se quem poder que a morte vem aí, é certa…

sumbe1.jpg Bem ao lado da casa do Chico Massa aonde ficamos por uma noite, cruzamento da rua de João Seca com a rua da Maianga, o imbondeiro, continua lá, mas muito rodeado de chapas altas. Posso ver daqui a antiga oficina do meu cunhado Paulino Branco, o homem das cambotas (já falecido), bem junto à antiga avenida Craveiro Lopes; sei que do outro lado está a morgue aonde em tempos de candengue vi pedaços de atrocidades, mas, olhando para cima consigo ver umas quantas múcuas. De lá de dentro sai um barulho de esmeril guinchando raivas afiadas – é uma fábrica de grades anti ladrão para colocar em janelas, portas e demais vãos de casas e edecéteras.

Nota: mais lá para o final colocarei um glossário para se lembrarem de quando não eram kaluandas…      

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)              



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:24
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2022
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXIV

NAS FRINCHAS DO TEMPO

- Nova maneira de aprender novas verdades!... Com atitude….

Crónica 3275 – 06.04.2022 em Pajuçara – Republicação a 19.10.2022 na Lagoa do M´Puto

Por pajuçara02.jpg T'Chingange – Na Pajuçara de Alagoas do Brasil e Lagoa do M´Puto

pajuçara02.jpgHoje dia seis de Abril, perfaz 42 dias de guerra na Ucrânia; guerra que teve início em 24 de Fevereiro do ano que decorre, 2022. O sargaço aqui na praia da Pajuçara tomou-a por completo e, ir para a água límpida, só após atravessar uns cinco metros em denso escuro das algas que inevitavelmente têm pequenos paus, plásticos, canudos e rótulos de passoca, mais folhas velhas do mangue; em tempo de chuvas, é o caso, é normal surgirem estas manchas que a braveza do mar faz soltar e trazer aos poucos para a areia, forçadas pelas correntes de fundo.

Mas, após esta pequena barreira de mau aspecto, sujo, a água tem a cor de esmeralda até chegar aos arrecifes, aonde as grandes ondas se desfazem em uma linha de espuma e, ao longo destes; na maré rasa o mar fica um espelho como se o fora uma grande piscina, ora translucida ora transparente ou meia baça e na cor de esmeralda. Bem cedo ouvem-se as ordens ritmadas vindas das doze silhuetas que remam a cana de um para outro lado, exercício matinal que tem início ao romper do dia, cinco horas e dez minutos da manhã com o sol a despontar do lado do farol; e, se andam rápido!

Ginasticando minha talassoterapia, cabeça de fora de água, assisto à azáfama dos donatários dos chapéus que aos poucos vão dando colorido à praia. Primeiro vêm o alinhamento de seu espaço; uns medem a paços, fazem um risco com o pé na areia, medem nove andamentos para um dos lados e assim esburacam a areia segundo os definidos alinhamentos. Alguns só tomam as referências habituais e logologo surgem os chapéus quadrados com uns quatro metros quadrados ou uns outros ainda maiores, hexagonais com um e meio metros de raio.

Pajuçara2.jpg E, surgem as pequenas mesas de plástico, duas ou mais cadeiras de recostar e um balde para o lixo. No espaço de uma meia hora dispõem uns 14 chapéus: cada donatário usa sua própria cor e normalmente têm números pintados como se o fossem mesas referenciadas duma esplanada. Minha cadeira e minúsculo chapéu ficam quase imperceptíveis, no meio do grande bazar que se monta pela manhã e desmonta pela tarde. Usam carros carregados à mão como se o fossem paus de arara sem máquina que irão ser depositados em lugares próprios para os estacionar, não longe da praia dos Sete Coqueiros…

Bem por detrás da fiada de altos edifícios, estando eu em um deles, existe a cidade antiga de casas baixas com ou sem quintal e é em alguns logradouros destas casas em banda, que guardam seus apetrechos, normalmente cobertos com uma lona de plástico. Do andar aonde me encontro ouvem-se de noite os cânticos dos granisés, capotas, codornizes e, até perus. Aqueles chapéus de praia são enterrados na praia em buracos bem fundos; para o efeito usam umas especiais enxadas com dois cabos que com forte ligeireza vão espetando e tirando areia para o lado até chegar à certa fundura.

pajuçara04.jpg Bem na sombra e por debaixo das amendoeiras da índia dispõem a caixas térmicas contendo as tapas que irão servir ao longo do dia. Têm até fogão para esquentar, gelo para esfriar e muita cerveja a estalar de fria. Mexendo-me com gestos aleatórios de ginástica variada aprecio durante uma hora, podendo ir até à hora e meia a este frenesim de trabalho. Meu espaço preferido é o do Alam, um simpático moreno que bem pela manhã me dá um longo adeus desde a areia, um bom dia e falas que por vezes não entendo direito, devido à lonjura. Agora, ele é o Alain Delon.

Ele queria saber quem era esse tal de Alain Delon e tive sim, de explicar que era um artista francês do cinema; ele desconhecia! Li em recente notícia que este, escolheu ter uma morte assistida o que, surpreendeu todo o mundo! Sabe-se que em época de crise aumenta o número de suicídios. Há quem afirme que esse é um fenómeno real, enquanto outros dizem não passar de mito. Apesar de toda controvérsia a respeito, é necessário reconhecer que algumas circunstâncias podem levar algumas pessoas a esse acto. Nesse sentido, o risco de que tirem a própria vida aumenta consideravelmente quando enfrentam, por exemplo, problemas financeiros... O que não parece ser este caso… O mundo enlouqueceu!

Pajuçara3.jpg Já sentado em minha cadeira distribuo alguns grãos de jinguba favorecendo a pomba “papoila” sem pernas completas, corto uma maça e depois uma laranja, vou até à água limpar o mike guiver multiusos e disponho-me a ler, melhor, a triturar o livro “ grande sertão, veredas” de João Guimarães Rosa. A senhora Rita Fiuza passa, pára e manda um convite para minha mulher Ibib ficar à espera a fim de irem tomar café e deitar conversa fora na esplanada do centro comercial Unicompras. Aproveito dizer que esta senhora é nos episódios de Fala Kalado com sua Fundação de Zumbi de N´Gola uma personagem no papel de psicóloga de meu amigo, (nem tanto) de outras guerras… “Para tirar o final, para conhecer o resto que falta, o que lhe basta, que menos mais, é por atenção no que contei, remexer vivo o que vim dizendo. Porque não narrei nada à toa: só apontamento principal, ao que crer posso…” Usando falas de Guimarães, me explico: por agora é tudo!

Entretanto nesta republicação em terras Lusas e a quase oito meses de guerra na Ucrânia (19.10.2022) Putin decreta Lei marcial nos quatro territórios, Kherson, Zaporizhhia, Donets e Lugansk, ilegalmente anexados recentemente à Russia. Em Kherson o exército Ucraniano parece estar prestes a ocupar a cidade…   

 O Soba T´Chingange (Otchingandji)

 



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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2022
PARACUCA . LVII

MULOLAS DO TEMPO28

RECORDANDO: Nós, bazungus no XAI-XAI no Blue Dolphin Resort, Praia - 2ª de 2 Partes

- Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA” - 4 de Novembro de 2018 – 48º e manhã do 49º dia - (dia 5, uma Segunda Feira)

Crónica 3274 – 06.04.2022Republicação a 17.10.22 em AlGharb

Porxiricuata5.jpgT´Chingange – No PortVille de Maceió do Brasil

INHASSORO 394.jpg This is África - Esta África tem estas indefinições para baralhar o turista habituado a ver uniformidade na urbanidade e sanidade. Por aqui podiam ver-se farmeiros “Bohers”, Sul-Africanos ou Rodesianos das bandas do Zambeze resistindo no tempo, fazendo turismo junto ao mar, bazungus como nós; Só que eles em geral continuam grandes, gordos, de olhos azuis vivendo seus costumes de andar descalços, como que atestando ser esta a sua terra. Também aqui estava verificando ao pormenor condições de aconchegar a velhice pisando areia burilada entre casuarinas.

Neste então um prego no pão podia ficar por cinquenta meticais, uma água grande cinquenta, e uma cerveja 2 M ou laurentina entre os cinquenta e sessenta meticais. Não é assim tão barato mas, a beleza do lugar parecendo sempre tão distante da civilidade, justificava a carestia. Ao longe as dunas divisoras do Índico tormentoso com choupanas penduradas nas encostas, isoladas entre si, ressalvam o caro das serventias. Num mundo perdulário de vagas promessas e compras sem troco, o acaso vira penumbra de carência: Não tem troco patrão! Sempre a mesma coisa…

Sem subsídios, velhos vagando pelas estradas resvalam conhecimentos de antigos expedientes a troco de meticais. Os profissionais, anunciam suas habilidades na permuta de convincentes percentagens; na terra de cegos, quem tem um olho é rei. Nos povoados não se vêm raparigas como as das cidades, perfumadas e com vestidos de seda; só capulanas, mesmo! Samora Machel, o pai da nação, tem a cara em todos os meticais. Na praça com o seu nome uns quantos catraios arrimam-se num banco escuro que já foi branco por debaixo de uma mangueira de uns trinta metros de altura; ao redor desta, dezenas de frutos ainda verdes, caídos na força do pau e pedra.

INHASSORO 262.jpg Um buraco de incineração de lixo resiste ao tempo por detrás do shoperite (mercado local) não muito distante da caixa de multibanco Millenium. Ao redor da praça muitos e pequenos mukifos na forma de casas apresentam-se a vermelho financiado pela “vodacom”. Tem tanto vodacom publicitado que ficamos sem saber qual é verdadeiramente casa dos telemóveis, dos celulares. Num largo de matope bem ao lado do shoprite naquela rua sem fim, “os chapas” recolhem fregueses com destinos vários: Xokwé, Chicuacuanda, Macia, Bilene ou Chissano.

E, aqui estamos nós e por gosto, de deserto em deserto, de terra em terra, de risco em risco colhendo os frutos das sementes, dos amigos construídos ao relâmpago, tornando-nos ricos porque em todo o lado nos chamam de patrões… Aquele que tem medo de correr riscos em sonhos de um novo agora com vontade e perseverança, torna-se pobre – são as balelas que dizemos quando recordamos aqueles momentos. O que posso dizer é de que nós adoramos áfrica mas ela, África, perdeu o encanto por nós bazungus; o que lhes interessa mesmo são nossos dólares, euros e outras divindades. Mas, em verdade é a de que todos homitem dizer isto!

Um amigo meu, angolano, preto de pai e mãe chamado de Isomar dizia: (…) Nunca a Europa “recebeu” tanta riqueza de África como após a chamada "independência dos Países Africanos"; os novos-ricos africanos apressam-se a “esconder” na Europa os produtos da sua criminosa delapidação, para gáudio dos Europeus - contrariando aquilo que eles próprios evocaram e prescreveram na convocação para a luta de libertação nacional. "Eu ir a Portugal algum dia?.. Nunca!.. Nem morto!"

niassa4.jpg – Disse em 1980, na idade de ouro do partido único do M, angola, erguendo o punho direito bem alto em sinal de sacro-juramento, em pleno comício em Benguela, um dos então carismáticos dirigentes da "Revolução Angolana", familiar próximo do Eduardo dos Santos. Ainda não muito longe no tempo, ele próprio, não só era frequentador assíduo e brioso de Portugal e "empresário português", como também era o orgulhoso presidente de uma agremiação desportiva portuguesa em Angola. Quase meio século mais uns pozinhos depois, podemos indagar se o IDH dos povos africanos subiu ou regrediu? Somos melhores tratados hoje pelos nossos irmãos dirigentes?

Já a caminho da praia do Bilene fizemos uma paragem na Cidade de Macia e esticando as pernas num jardim podemos apreciar o cacto de Machel, em verdade tem outro nome mas ocorreu-me chamar-lhe assim porque está situado na praça do fundador de Moçambique Samora Machel, bem ao lado do shoprite. Desde o café da Dona Ana em frente ao mercado shoprite e, do outro lado da estrada nacional nº 1, observo o movimento norte-sul e inverso, entre vendedores de castanha de caju que correm a cada paragem de carro, “os chapas", táxis vindos de muitos lugares. Após tomar o café expresso por quarenta meticais (1,11 euros), rumei ao longo do mercado de mukifos seguros com chinguiços ao alto e cobertos com chapas de zinco em desalinho, cartão, plásticos multicolores, a condizer com o mercado das calamidades… Nesta cidade de Macia, cruzamento para outros lugares rumo a Norte além Xai-Xai e Limpopo, seguiremos para a Praia do Bilene. A meio da tarde estaremos lá - as casuarinas, esperam por nós…

paulo7.jpg Glossário: shoprite: centro comercial; Vodacom: rede de telemóveis de Moçambique; Chapas: táxis combis, pequenos autocarros ou machimbombos; Mukifo: casas cubículos, anexo dos fundos, lugar reservado da casa. Mwadié – Branco; Mujimbo – boato, diz-que diz; Missosso – Conto breve de cariz popular em Angola; Tambulakonta – Toma nota, fica atento; Capulanas: - panos vistosos que servem de vestidos enrolados ao corpo; Bazungus: - turistas brancos, gringos; Mercado das calamidades: - alusão a um ex-mercado de Luanda em Angola aonde havia de tudo, desde pneus roubados a carros ou acessórios…(Após um roubo, dois dias depois poderia encontrar-se esse produto lá mas, adquiri-lo tinha o custo sem desconto mesmo que  fosse para o dono da coisa…)  

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:03
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2022
N´NHAKA . XV

ANGOLA, TERRA DA GAZOSA . I

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças actuais de escritos antigos - “havemos de voltar”  

Crónica 3272 em Coimbra – Republicação a 14.10.2022 em Lagoa do M´Puto

N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios em zona plana e húmida, horta…

Por roxo135.jpgT´Chingange no AlGharb do M´Puto

roxo92.jpg Matrindindi é uma carocha de perfil pré-histórico, talvez um normal insecto coleóptero do género do escaravelho, só que este é muito mais extravagante, de cor escura e com muitos picos; mais parece obra deformada de bruxa ruim; O Land Rover pisava-os sem alternativa e sucediam-se estalos chocantes como de castanhas a rebentar no calor da fogueira (estávamos no ano de 2005, em Porto Amboim)

Quatro anos depois - Coimbra. Já estávamos quase, quase no ano de 2009. O tipo tinha pinta de kazukuteiro, barba grisalha com mancha ruiva de mata ratos ou maconha. Falava com um casal de meia-idade na paragem do machimbombo do mercado municipal; todos esperávamos o nº 7 do Tovim.

matrindindi00.jpgO dito casal tentava não lhe dar atenção e fiquei com a nítida impressão que o sicrano estava cambulando uma gasosa para alimentar o vício. Subiram no machimbombo. O fulano deu-me prioridade e eu, sério, recusei com um obrigado e, vi com os meus olhos que este dito cujo, tirou a carteira de couro, fingiu passar um cartão no traga bilhetes e na maior, seguiu para um banco lá atrás, depois de cumprimentar um perneta de muletas ao lado.

Fiquei intrigado e com raiva pensativa dele, pois que me distraiu de pensamentos recentes de coisas vistas, e que tentava reter em memória. Uma voz suave de senhora falou do tejadilho, Floriano Peixoto número um e, seguiu-se a dois mais a Cruz de Celas. O casal desceu. Aquele tipo, quando viu a saída do casal também se levantou e com estes, saiu. Reparei com mais pormenor no rabo-de-cavalo amarrado por um elástico fazendo banga de estilo ladino. Deixei de os ver na esquina da Caixa Geral de Depósitos.

roxo90.jpg Como os pensamentos voam mais rápido que caneta com dedos, anotei no telemóvel o que antes tinha lido no muro perto da Universidade para não esquecer: - A morte serve-se a quente! E havia um A com um círculo a circunscrevê-lo, tudo em cor azul - Não a deixes arrefecer! Logo por debaixo a tinta preta.

Ao sair da Dolce Vita vi uma carrinha de caixa aberta pintada a camuflado apetrechada para a mata tendo nas portas os seguintes dizeres em círculo a contornar um coração vermelho com uma mola curva, varando este: - “Corpo especial de vigilância. VERGAMOLAS”; tal e qual como a carrinha 4 * 4 que eu idealizei para o “Kimbo Ot´xicoto Lodge” em terras de Sumbe bem perto do rio Cubal.

Aida em pleno centro histórico de Coimbra, tirando uma foto à torre Almedina alguém querendo uma informação perguntava-me se eu era dali ao que respondi não. Repeti mentalmente, só para mim: - Não sou daqui, não sou daqui, não sou daqui! Mentia-me.

roxo102.jpg Lembrei-me do livro que tinha na mesinha de cabeceira do meu mais contemporâneo amigo José Eduardo Agualusa. Parecia estar a fazer-me uma entrevista: Pópilas! Mas, tu cantas o hino do puto “ os meus egrégios avós”. Logo, logo…, os teus avós eram angolanos. E, a falação continua comigo a responder: - Não! Eu sou mesmo daqui! Sou um Tuga Niassalês! Deixa-te de finfias meu. Tu és um angolano nascido no M´Puto.

roxo213.jpg Já estava noutra, lembrando-me do sonho futuro que ainda era presente, a minha cubata no platô do Cantinho do Inferno muito perto da foz do rio Cuvo, na praia dos matrindindes. A serra do Chamaco via-se ao longe, como teta saliente na cordilheira, no caminho de Seles e, na vasta região uma floresta de espinheiras, acácias com picos medonhos, pau-ferro, babosas, newas, matebas, lengues e lungwengus e um letreiro na escola da Canjala “havemos de voltar”

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:56
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2022
PARACUCA. LVI

MULOLAS DO TEMPO 27

RECORDANDO: Nós, bazungus no XAI-XAI no Blue Dolphin Resort, Praia - 1ª de 2 Partes

- Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA” - 4 de Novembro de 201848º dia - (um Domingo)

Crónica 3271 – 04.04.2022 em Maceió – Republicada a 13.10.2022 em AlGharb do M´Puto

Por xai xai02.jpg T´Chingange – No PortVille de Maceió do Brasil e Lagoa do AGharb

tuiui3.jpg Fomos para lá para ficar junto ao índico e assim tomamos bivaque no aprazível Blue Dolphin Resort… Xai-Xai é a capital da província de Gaza em Moçambique. A povoação foi fundada em 1897 com o nome de Chai-Chai, sendo elevada a vila em 1911. Em 1922 passou a designar-se como Vila Nova de Gaza para logo em 1928 mudar o nome para Vila de João Belo, em homenagem a um antigo administrador português. A vila foi elevada a cidade em 1961, para depois da independência nacional voltar ao nome original, desta vez com a grafia Xai-Xai.

Dista 224 km, a nordeste, de Maputo, situada no vale do rio Limpopo, sendo banhada por este rio alguns quilómetros a montante da sua foz. Moçambique tem uma costa fenomenal e, para além de bonita tem como que um perfume preso em um frasco que se não o usarmos naquele tempo e espaço próprio, ficaremos com dormências na saudade dum porquê não viu isto e aquilo. Pelas muitas carências e falta de trabalho, os habitantes inventam ganhar dinheiro fazendo falcatruas, desenterrando carros, cobrando e, logo a seguir tapam o buraco para outro incauto cair na rede; se me contassem nem acreditava…

Numa vasta planície aonde o Limpopo transborda seu leito quando abunda a chuva, a natureza trata de si: morre um capim, nasce outro. Silenciando alguns instantes, abasteci de calma o estouro da ira em pequenos contratempos; nesta pequena coisa, Chico Xavier, o espirita, possivelmente neutralizou-me os actos com seu perfume metido num frasco de nitrofuranos. A partir dos setenta anos, as pequenas coisas da vida gratificam na continuidade; é o cheiro matinal do café que fumega num alpendre aonde caem flores de cajueiro mais o sol que nasce com quentura por detrás de um trilião de acácias de picos medonhaveis…

xai xai5.jpg Surge o rio Limpopo e naquela curta ponte tivemos de pagar a respectiva "quinhenta", portagem estabelecida por quem de direito, fazendo justiça à nobreza do rio adicionando carecidas necessidades. Em Chiboma paramos p´ra fazer necessidades e meter conversa com amigos de tempos antepassados. As mulheres de capulanas garridas cercaram-nos oferecendo produtos vários, o negócio sobrepunha-se à vontade de comer, talvez sim, ou não, porque elas estavam em algazarrada diversão; no chão estavam desordeiramente expostos os produtos da Machamba.

Demos boleia a Lussinga deixando-a na machamba, um mistério de mulher procurando o fantasma de seu marido e da família só falada porque o resto esfumou-se no tempo das falas dela como a luz fumegando no branco frio do capim, as rolas que gemem, capotas que riscam chão desprendo dele calor de cazumbi. África dos grandes espaços, mulheres curvadas plantando milho nas lezírias contornadas com verdes arbustos de massalas. De pé lançavam uma sachola, cabo comprido, o ferro ancho furando o nó do pau sem cunhas, abrindo buraco no chão, atirava um milho para lá, a seguir tapa com o pé, tudo sem dobrar a espinha, técnica apurada na experiência do pontapé…

Xai-Xai no Blue Dolphin Resort Praia, é um óptimo destino de mergulho, especialmente para iniciantes e crianças com seu recife calmo e protegido, dizia assim num poster grande já semi esfolado pelo arenoso vento. Após se ter percorrido uns quantos quilómetros a passo de caracol, seguindo carrinhas de caixa aberta com suas cargas de colchões, cadeiras de plástico, penicos e plásticos coloridos encimados por bicicletas; tudo queria saltar pela força do vento com areia quente das terras sem chuva por vezes e, noutras com demasiada.

xai xai6.jpg Se és um mergulhador entusiasmado, então vais adorar mergulhar em Xai-Xai O recife offshore corre paralelo à costa por quase um quilómetro e, na maré baixa, expõe um enorme poço de rica vida marinha. Vários pequenos afloramentos rochosos é o lar de uma variedade de peixes incluindo borboleta, wrasse, peixe leão, enguias morais, estrelas-do-mar e até tartarugas que são vistas com regularidade. Xai-Xai é um óptimo destino de mergulho, especialmente para iniciantes e crianças com seu recife calmo e protegido. Apanhei e comi ostras metidas em conchas da Shell – nas mesmas formas que vi em Santiago de Compostela encimando a porta de Portugal 

Nas cidades e lugarejos, ao longo da via principal e demais artérias, desordenadamente vende-se de tudo, coisas de comer do lado esquerdo e apetrechos de casas ou indústrias artesanais do lado direito, tudo se encontra exposto ao tórrido sol. Peixe seco, batatas, quiabos, pimentos e demais géneros são amontoados em bacias, antigos baldes de tinta ou amachucadas latas de azeite galo com preço certo para facilitar trocos; ao lado dos moveis um mukifo de esteiras mostrando quadros com queimadas do mato, moldes em ferro para fazer tijolos em barro ou argila, pneus usados já com jantes e por detrás de tudo um amontoado de carcaças de velhos carros indicando haver ali um mecânico. Isto é áfrica (this is áfrica…)…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:28
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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2022
KALUNGA . XXXII

KIANDA COM ONGWEVA NAS FRINCHAS DO TEMPO - XVII de várias partes…

Crónica 3270 de 02.04.2022 no PortVille da Pajuçara em Alagoas do Brasil – Republicação a 12.10.2022 no AlGharb do M´Puto

Desabafos do Conde de Sant German no Museu do Prado em Sevilha…

Ongweva é coração com saudade 

Por salazar03.jpgT´Chingange (Ochingandji) – Em Alagoas do Brasil e Lagoa do M´Puto

Ian Smith.jpg Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. É o Conde de Sant German que continua descrevendo sua experiência em África: Cumpre ressaltar as páginas elogiosas que Ian Smith dedica a Salazar e a Portugal a quem rende sincera homenagem à nação euro-ultramarina que, com a nobreza da simplicidade e a força de seu carácter, cumpria a missão histórica do povo. Muitos, acapachar-se-ão na retorica do ditador sem contudo demonstrar esse acto de coarctar a bem da Nação, como era apanágio dizer-se em causa pública.    

Claro que não falava para uma plateia de estudantes encapuchados com suas novas ideias, novelos de linhas políticas emancipalistas no tanto quanto chega. Nós, eu e Januário somente o ouvíamos! Salazar, defendia com determinação os seus legítimos direitos e interesses perante os mais fortes do mundo. Ele, Salazar, foi um estadista excepcional, cuja craveira intelectual e moral deixaram nele, Ian Smith uma impressão única e indelével. Aqui, eu falei: - tomara termos hoje no M´Puto gente com a craveira dele!

Niassa1.jpg Foi o Conde de San German que destrinçou esta parte da estória que os historiadores pulam por conveniência ou falta de caracter. A Grã-Bretanha, empenhada na sua demissão histórica, anuncia a dissolução da Federação das Rodésias e do Niassalândia com vista à formação de Estados “independentes governados por maioria negra. Smith é o único do seu partido, lá em Londres, a manifestar oficialmente a sua desconfiança em relação à proposta explicitada por alguns lordes. Para ele, a Inglaterra, no afã de obter a simpatia de afro-asiáticos, Estado-Unidenses e Soviéticos, estaria disposta a liquidar o seu “problema colonial” com o abandono puro e simples da população branca; não há outra forma de o dizer…

E, continua: - os mesmos indivíduos que no conflito mundial de 39-45 deixaram a paz dos seus lares para irem arriscar as próprias vidas no socorro à Grã-Bretanha. Foi o caso dele! Em 1964, dez anos antes da abrilada portuguesa, Ian Smith é eleito primeiro-ministro. Numa visita oficial a Lisboa encontra-se demoradamente com Salazar e este diz-lhe declaradamente que os rodesianos seriam traídos pelos ingleses.

NIASSALÂNDIA1.png Esta novidade apanhava-me de supetão pois sempre me pareceu ser Salazar um tanto ou quanto submisso às directivas diplomáticas dos fleumáticos britânicos. Mais disse que enquanto ele fosse Presidente do Concelho em Portugal, prestaria o auxílio necessário a Salisbúria (a actual Harare). Pouco depois, aqueles a quem Fialho de Almeida chamou de “carrascos ruivos do Tamisa”, concretizariam o que o estadista português preconizava. Sabemos agora que na surdina diplomática, alguns de seus compatriotas Tugas se enfeudavam em secretas manobras de desestabilização.  

A lembrança deste encontro profético em São Bento ficou para sempre gravada na sua memória, plenamente convencido de que, se Salazar tivesse vivido dez anos mais, a Rodésia teria sobrevivido. Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. Sua vida política passa então a reger-se quase que exclusivamente por duas constantes: a neutralização dos efeitos das sanções impostas pela ONU, sob a batuta de Londres e Washington; e o combate ao terrorismo e à guerrilha de obediência comunista que faziam a sua desumana entrada no território.

niassaland4.jpg E é agora e por intermédio desta kiandisse, assim calhou, que me é dado conhecer toda a arte de velhacaria que invadiu o dito mundo moderno através dos arautos da verdade, os primos Ingleses e americanos que continuam a ditar leis aos outros povos, sabendo à partida que é tudo uma utopia ou farsa. Nós, que estamos vivendo os problemas que nos cercam, podemos dar a importância devida ao que engloba este nosso recente passado para rectificarmo-nos ou ponderarmos sobre o nosso futuro tão incerto.

niassaland00.jpg Sabemos bem o que ocorre hoje nestes territórios que ascenderam à independência às pressas, de uma gestão catastrófica de puros ditadores e, do silêncio ensurdecedor dos órgãos de informação internacionais como que, obedecendo a uma nova ordem mundial. Estas falas em um amplo corredor do Museu do Prado foram insólitas mas, até que foi bom inteirar-me delas mesmo que fugindo um pouco à ideia da estória com as calungas. Decerto iremos apanhar o rumo à estória das kiandas que se segue…Também fico curioso.  

(Continua…)                            

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:40
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2022
MOAMBA . LI

MOAMBA DE QUINTA – ALGURES NO BUCO-ZAU2ª Parte

CABINDA NO ANO DE 1968 (FOI HÁ 54 ANOS) - ANGOLA

Crónica 3269 - No PortVille da Pajuçara de Maceió – Republicação a 11.10.2022 no AlGharb do M´Puto

Por CABINDA5.pngT'Chingange – Na Pajuçara de Maceió E AlGharb do M´puto

cabinda7.jpg Naquela terra, este sítio, só o nome subsiste ao salalé; ficaram restos de troncos e, alguns já só eram tábuas avulso ladeadas ou cobertas por capim, abraçados por trepadeiras canibais. Naquele desalinhado jardim, um verdadeiro refúgio de cobras de mamba negra e cipó mais surucucu, kissonde e elefantes num fim de missão medalhada a medos, fiz amizade com um Gorila do Maiombe.

O dito cujo, sentado no topo das tabuas por aparar, olhava para mim de peito feito, sorrindo de susto ousado; Seguiram-se outros instantes muito cheios de adrenalina e assim na crescente empatia tornamo-nos amigos! Ao cair da noite o meu amigo gorila a quem dei o nome de Felizmino, lá estava naquele sítio, topo das tábuas; num cada vez mais aproximados fizemos amizade dando-nos ao luxo de trocar sons de guinchos e rapidamente aprendeu o dóremifasolasi com topariobé na mistura!

Num jogo de esconde e foge comprava sua amizade oferecendo-lhe bananas ouro e prata mais de maça, Foi um entendimento superior às nossas competências chegando no escorrer do tempo em um tu-cá tu-lá de irmãos. Um dia fiz uso de um estratagema, meti numa cabaça uma boa quantidade de jinguba e prendi-a com um baraço e arame a um chinguiço saliente de entre as tábuas do tal ex-Anibal, o madeireiro. Felizmino não resistiu à tentação, meteu a mão na cabaça, encheu seu punho e,…nada de largar; assim ficou prisioneiro da sua própria gula.

maun8.jpg Reganhando o dente aos poucos amaciou empatia com minha pópia já não de todo desinteligivel. Soltei-o com afagos e carinho ficando a partir de então amigos. Ele e eu guinchávamos amizade e por este acontecido dei ao Felizmino o sobrenome de Gorigula. Fora de portas d´armas e arame farpado eu e Gorigula fomo-nos isentando de medos, conservando gestos subservientes de baixar a cabeça procurando um afago de catar amizade.

Um dia apareci com um baralho de cartas e, na mesa improvisada espalhei os paus, as copas, os ouros e catanas e, num repente surpreendemo-nos a jogar sem regras. Entretanto falava-lhe das minhas alegrias, num faz de conta e, ele se desentendia largando as copas; entre paus cambalhotava-se como um doidão e, eu gesticulando graças sem coreografia como só mesmo para espantar suprimentos da fala. Estávamos com uma dança com doidos quando da mata veio grande alarido, rebentamento de granadas, rajadas e bazucadas; era uma emboscada!

Escorreguei entre lianas, cipós húmidos e folhagem impregnada de aranhas até que, parei na berma, justamente ali na curva da morte aonde os restos dos camaradas se dispunham desalinhavados ao longo da picada do Massabi. Morreu o Rodrigues mais o Junça! Estes tempos amachucados da estória, foram apertados - as vergonhas alheias da vitória ficaram na certa numa luta que continuou sempre muito traída. Até cheguei a pensar que Deus era ateu, uma heresia de todo o tamanho, diga-se em abono da verdade.

mai7.jpg Do Felismino Gorigula ficou um sonho incompleto! Em verdade ele falava espanhol – o sacana enganou-me por completamente. Ele era do MPLA, um genuíno filho da mãe …Pulando em cima dos troncos da serração do Aníbal, com braços abertos gesticulava uma catana cortando o vento com fúria como se fosse um ninja. De uma das mãos lançou um ás de copas que baloiçou até meus pés e ouvi mesmo: La vitória és cierta! La lucha continua! O Gorigula tinha sido um companheiro do Ché Guevara; Quem ia adivinhar!? Vim a saber muito mais tarde. Desconsolado ainda pude ver-me na lagoa do Bumelambuto a fumar liamba com o Alexandre Tati e seus Mpalabandas, para consolidar infortúnios de salalé…

Agora, longe daquele lugar, revivendo juventude desperdiçada e por coisa nenhuma duma guerra que em nada resultou para além da independência, que virou de tundamunjila (thunda mu n´jilla), vai para a tua terra branco de segunda, gweta e mazombo, assim foi e assim segui meus rituais cristãos de missionação na diáspora botando cazumbis nas malambas e crenças de N´Zambi. Quase quatro anos perdidos… Encafifado num reencontro de meus folgados calções zuarte amarelos e as encarquilhadas sapatilhas de marca “michelin” ainda sigo com os olhos feito ouvidos e afiados, olhando a etiqueta do espólio feito no RI2O da Luua. Na etiqueta que tirei da caderneta militar consta o ano de 1966 – Escola de Aplicação Militar, Huambo… Fui!    

bay0.jpg  Glossário:

Fiote:- Natural de Cabinda, Imbinda; Bikwatas: - Coisas, trastes; Alambamento: - Casamento: M´palanda: - Libertador de Cabinda, defensor de seus direitos; Salalé: - Formiga que se alimenta de madeira apodrecida; Turra: - Guerrilheiro; Muxoxo: - Um estalar de palato com queixo inferior descolando a língua formatando assim um desdém sonoro mas, sussurrado; T´chindere: - Branco; Topariobé: - Vai à tuge; M´Puto: - Portugal… 

 O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:53
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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2022
MOAMBA . L

MOAMBA DE QUINTA – ALGURES NO BUCO-ZAU1ª Parte

CABINDA NO ANO DE 1968 (FOI HÁ 54 ANOS) - ANGOLA

Crónica 3268 - No PortVille da Pajuçara de Maceió – Republicação a 10.10.2022 no AlGharb do M´Puto

Por CABINDA2.jpg T'Chingange – Na Pajuçara de Maceió

CABINDA3.jpg Algures no Buco-Zau -- De uma das mãos lançou um ás de copas que baloiçou até meus pés e ouvi mesmo: La vitória és cierta! La lucha continua! O Gorigula tinha sido um companheiro de Ché Guevara… Naqueles longínquos anos de entre sessenta e setenta do século passado, o XX, todo metido na Mata do Maiombe, tropeçando na força das circunstâncias e num entretanto que só durou quatro anos, a guerra foi um conjunto de acidentes suados a paludismo.

De um para outro lado, subindo e descendo rios procurando rastos com o soba Mateus à frente, barafustando com o ar e cortando capim à catanada, pisando charcos infestados de sanguessugas, larvas com milhões de patas e escorpiões pretos e pré-históricos a fingir de lagostins. Buscando turras num secalhar perdido entre a bruma e o cacimbo, o gozo da liberdade corria como se a vida fosse um jogo de poker, num azar de tomar pastilhas vermelhas para anular maleitas com micróbios fosfóricos na única água estraganada que havia.

CABINDA5.png Com as costas das mãos afastávamos as bicharias visíveis e, em seguida engolíamos aquilo escorrendo da mão ou numa qualquer folha verde a jeito com um comprimido vermelho de mataratos. Guardando soberania da pátria do M´Puto, camuflados ensopados até o tutano, assim seguíamos em fila de pirilau, duas granadas presas ao peito, uma G3 em riste mais uma cartucheira repleta de balas para o que desse e, viesse.

Atrás uns dos outros na forma de pirilau, ouvíamos os gritos da floresta, o piar dos pássaros e o grasnar de fantasmosas, sombras que se moviam como olharapos entre o ripado verde com troncos disformes e veias salientes segurando esguios troncos sequiosos de luz, outros disformes esfarelando-se na velhice como abatises para alimentar bichezas rastejantes; a mente medrosa fazia-se ali num jardim de cânticos surdinando mugidos e muxoxos numa raiva sossegada.

CABINDA4.jpg O barulho do helicóptero chega zunindo e na forma de parafuso baixa suave até ao centro da mata, uma clareira junto ao rio Luáli, um afluente do Chiloango. Buco-Zau era um lugar rodeado de um escandalosamente verde variado e húmido, um conjunto de casas e armazéns rodeados de árvores majestosamente nobres e, mais além um conjunto de cubatas unidas por um terreiro, uma quase colina rodeada de cacaueiros e um ou outro pé de cafeeiro aonde já se podiam distinguir bagas vermelhas.

As casas grandes como as do M´Puto, umas com beira outras sem ela, pertença de administradores e capatazes T´chinderes, dispunham-se alinhadas com cobertura de zinco já na cor de um castanho enferrujado. Enquanto a casa principal da roça era coberta a quatro águas em telha de canudo luso ou marselha e sacadas a quase todo o seu redor, as outras, mais modestas, eram cobertas só a zinco mas, e também com folhas de palmeira ripada e entrelaçada na forma de loando.

cabinda8.jpg Pretos em tronco nu cruzam-se com bikwatas ou ferramentas pendendo dos ombros enquanto as mulheres envoltas em panos com a esfinge de Mobutu, Mugabe ou do Idi Amim, levam quindas na cabeça, acanguladas de grãos. Dos corpos musculosos daqueles Fiotes (Imbindas), a catinga suada escorre-lhes como brilhantina escura e luzidia como pele de mamba brilhante, pegando-se ao cacimbo intensamente chovediço.

Depois de um gim com água tónica, numa daquelas paragens de soberania no Necuto, tirei uma foto com a Charlotte, uma negra que fugida do Congo Zaire pediu boleia ate ao sítio do primo, com quem tinha promessa de alambamento. A foto com aquela negra de feições árabes crê-se ter ficado em uma caixa de sapatos na guerra posterior do tundamunjila. Isso! A guerra do setentaecinco-pkp! Subindo o rio Inhuca, chegamos ao Sanga Mongo, um lugar para lá das traseiras do tempo, mais longínquo do que as Bitinas e a antiga Serração do Aníbal Afonso que naquele agora só existia no nome.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:44
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2022
MOKANDA DO SOBA . CXCIV

ANDAMOS A VIVER DIAS MENTIROSOS

Crónica  3365 de 07.10.2022

Por  arau1.jpg T´Chingange (Otchingandji) em Lagoa do M´Puto

UCRANIA4.jpg Andamos a viver dias mentirosos. Acho que Deus Nosso Senhor, não quer consertar nada a não ser pelo completo contrato da morte pois permite que seus súbditos na terra descumpram a palavra dada sem que o Sol se ponha, uma espada de aflição muito cheia de ranhuras de aflição. Dou conta disto por ver o que se descumpre quebrando qualquer regra de bom entendimento – cuspir repetidamente no próprio verbo.

Numa de diabo contra satanás, Putin contra o cidadão comum que nada fez para ficar arruinado com pontaria GPS de um míssil, dum obus que aleatoriamente manda um tiro curvo a cair aonde calha. Quantos de nós estão consumindo a palavra piedade, sofrendo com a urgência de não entender a dor.

ucrania1.jpg  Qualquer, um pacato cidadão lá no lugar de sua moradia, no dar dois passos no eirado que lhe resta repentinamente a morte surge; do nada e na forma de fuzilamento esvai-se da vida varado com muitas balas, muitos estilhaços, restos de destruição, uma outra Guernica que ninguém acreditava acontecer de novo e, por nada, talvez um quase nada…

E, quem somos nós para excomungar Nosso Senhor e os chefes da Guerra, se nós nem escapulário temos para tornar os olhos avessos, sem púlpito nem qualquer poder de estilhaçar um Não! Os donos da Guerra sem temor a Deus, sem justiça no coração que surgem a judiar o Mundo, a estragar e rasgar o que há de rasgável na alma das gentes. Tiros altos, revoantes, que surgem como pássaros de balas a cair num aleatório lugar.

araujo1.jpgCA -  Coisa nunca vista ou prevista, bombas caindo ao calhas, também em sítios prévios, um sítio destinado, matando conforme o querem, matança de genocídio de arruinar, só por arruinar; e, atiram nos bois, nas vacas, no gado tão manso. Nesta hora a gente força um escape, pode ser que sim, que se tenha sorte mas, mesmo assim sofrendo muitas mortes…

Sim! Pode ser até que tenhamos sorte, pode ser porque estamos longe! O pensar caladíssimo do Ocidente perturba-me mesmo que elas as balas, não façam zumbido revoado em minha cabeça. E, se afinal todos estamos condenados à morte porquê omitirmos as dos outros. Escrevo esta missiva feita crónica para o Senhor Oficial, o Comandante em Chefe das Forças Armadas.

Não vale a pena ficar na retaguarda porque a morte não tem alçado frontal, nem tardoz – vem num aí, num ui e, juro, careço de querer calma. Os cacos continuam caindo do alto! Ando sofrido a espiar o desdém do Mundo. O Sol Kukia, não tem como se abraçar a nós, nem se pode esperar isto. O tempo escasseia-me muitas vezes, para poder redigir histórias escondidas, antigas, chamar nomes feios a gente que tem dois olhos, duas pernas e até duas orelhas como eu.

UCRANIA6.jpg Nessas alturas de revolta subitamente levanto voo, plano como um albatroz e por aí vou fora, sem parágrafos ou pontos finais, com diálogos dinâmicos, que só o serão na ficção correndo o risco de se tornarem fissão com neutrões atómicos! Falo para o boneco! Creio que também aqui “A guerra, que mata e estropia tantos, alimenta um punhado de pessoas, que se tornam ou tornarão insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam o Mundo.

Convém agora saber que uma bomba nuclear é um dispositivo explosivo que deriva sua força destrutiva das reacções nucleares, tanto de fissão (bomba atómica) ou de uma combinação de fissão e fusão (bomba termonuclear) – Destruição mutua assegurada…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:28
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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2022
PARACUCA . LV

MULOLAS DO TEMPO 26

RECORDANDO: Nós, bazungus no SAVORA LODGE - Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA” - 45º e 46º dias, parte 2 - (02 e 03, segunda-feira  em Novembro de 2018…) - Crónica 326424.03.2022 em PortVille de Maceió – Republicação a 06.10.2022 em AlGhab do M´Puto 

Por 

macuta com soba.jpg T´Chingange – No PortVille de Maceió do Brasil e Lagoa do M´Puto

matrindindi1.jpgCA - Ainda no SAVORA LODGE – Conversando com dois praticantes de mergulho, sul-africanos, de quem anotei os nomes de Arthur Muhamed e Charlie Wanderley e, porque tiveram a amabilidade de nos oferecer um peixe grande parecido com a cavala da costa de Portugal, contaram-nos algo bizarro que aqui deixo escrito para salvaguarda de outros futuros bazungus (turistas), amantes das pescarias. O que descreveram mais agudizou em mim a opinião de que não é ali, Moçambique, o melhor lugar para se ter a assertiva tranquilidade.

Posso explicar pelo que disseram: Duas noites antes decidiram divertir-se em uma discoteca em uma localidade que agora se me escapa o nome, talvez Inharrime; um copo e outro copo e logologo apareceram ali a meio da noite a polícia local. Coincidiu naquele momento estarem já de saída quando e abordados por dois matulões fardados lhes foi dada ordem de prisão. Levaram-nos para uma delegacia policial que mais parecia uma venda de mato improvisada para ser cenário de um filme de gângsteres. Se calhar até era.

INHASSORO 281.jpg Ali ficaram amarrados por uma hora em cima de um enxergão sebento. Quiseram saber do porquê estarem presos daquele jeito ao que na forma desinteressada lhes foi comunicada terem audição para o seguinte dia, na presença do inspector e um advogado por via de eles serem estrangeiros. Meia hora depois foi-lhes dito que tinham sido denunciados como portando droga e já o tinham confirmado: havia dois pacotes de tal produto, assim e assado, tudo mentira de faz-de-conta mas, eles em verdade ficaram a tremer de medo.

Bem que disseram que não de forma repetida; chegado o momento certo do plano o polícia foi-lhes dizendo que para saírem daquele imbróglio poderiam proceder até airosamente sem seguir com o tal inquérito, coisa regulamentada com decreto, quesitos regulamentares e edecéteras embrutecedores. Que lhes fosse dada umas soluções que a aceitariam duas vezes sem pestanejar, afirmaram os encarcerados “bifes”. Como podemos resolver isto para sairmos daqui rápido? Um riso de escarnio e maldizer foi a resposta seguida de um muxoxo e uma cuspidela para fora da janela, janela também muito sebenta de cores horripilantes (parecia sangue, disseram eles).

INHASSORO 136.jpg O polícia foi, o policia veio e voltou, até que falou: o chefe diz que se cada um de vocês pagar cinco mil meticais, não fazerem denuncia e edecétera e tal, tudo ficava como entre amigos; a outra solução era ir a tribunal e ficarem sujeitos a tantas outras nefastas situações. Eles, Arthur e Charlie quase em uníssono disseram que sim, que pagavam mas, não tinham ali dinheiro, só cartões. A resposta foi a de que não há problemas, vocês deixam um papel assinado com uma ocorrência normal, levamos-vos até uma caixa multibanco e após termos o dinheiro, poderão ir tranquilos e, no vosso carro. O curioso é que até lhes foi dito que se porventura fossem parados num qualquer controlo, mais à frente, mostrassem esse papel que assim, teriam logologo via livre.

Prometi-lhes que não contaria esta triste odisseia, o medo era visível neles e, só nos contaram porque também eramos bazungus como eles. Não foi uma razão assim tão ponderosa no acreditar porque a cada trajecto nosso, tinhamos cenas a contar – terra em que ver um polícia é quase ver um bandido fardado ao jeito dos macacos volantes que acossavam o cangaceiro Lampião, lá no Brasil de há 82 anos atrás – pois foi em 1939 que cortaram a cabeça a esse rei que se tornou uma figura mítica entre o povo…

O lugar de Zavora seria mais bonito se não houvesse estas verídicas passagens a contar. Em África as amizades tornaram-se imprevisíveis e acreditar num talvez, pode causar bastantes dissabores. Tal como em Angola houve tantas e tantas passagens de sócios que formaram empresas, tudo na lei e depois aconteceu num qualquer amanhã apresentarem-lhe um oficioso papel a lhe retirar a sociedade, a residência, a seriedade por via de uma qualquer inventação. Tudo reconhecido pelo tribunal da comarca, do Juiz e demais cadeias de gente desclassificada e, carimbo de homologado!

INHASSORO 394.jpg Há casos que ainda nem foram retirados do baú porque sempre vem ao de cima atitudes, procedimentos nojentas de cambalachos, subornos e coisas inconsequentes de gente do Governo, gente do topo, uma real merda fedorenta! Connosco da odisseia “Haja Paciência” voltou a acontecer na estrada, sermos parados entre Zavora e Inharrime e, lá tivemos de pagar suborno de metade da multa por excesso de velocidade! Ainda havia coisas por acontecer – serão contadas no decorrer destes quase desabafos e, só para quem neles quiser acreditar.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:53
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2022
PARACUCA . LIV

MULOLAS DO TEMPO25

RECORDANDO: Nós, bazungus no SAVORA LODGE - Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”

- 45º e 46º dias (02 e 03 de Novembro de 2018…)  

Crónica 326323.03.2022 em Maceió – Republicação a 05.10.2022  no AlGharb do M´Puto

Por mocanda9.jpgT´Chingange (Otchingandji) – No PortVille de Maceió do Brasil e Lagoa do M´Puto

luis15.jpg SAVORA LODGE – Estamos a ficar longe no tempo para poder recordar todos os detalhes e, se não houve rascunhos naquele então, ainda mais difícil fica. Sei que a caminho de Inharrime na Estrada Nacional nº1, tomamos uma estrada de terra à esquerda com piso em argila regularizado. Anotei a indicação lá no início do troço de Savora Lodge, cursos de mergulho aquático no Pacifico; passamos por várias pequenas povoações destacando-se nelas as igrejas pela cruz de estrutura modesta mas bem conservadas e, com um átrio frontal, nalguns casos ajardinados.

Divisando-se já as dunas da costa podia ver-se de longe pequenas manchas ao jeito de casas entrecortadas no meio da vegetação rasteira muito característico desta costa por via da humidade sempre presente da brisa marítima. De um e de outro lado da picada, havia lagoas muito cobertas de vegetação rodeadas de mangue e com grandes áreas da praga aquática chamada de jacinto. Chegados lá no topo da duna aparcamos os carros e fizemos inscrição para duas noites. O ambiente era de aficionados da pesca à linha e de mergulho podendo ver-se estirados nas cordas os fatos emborrachados da prática de mergulho bem como as barbatanas de pés longos.

Almoçamos na esplanada disfrutando do Oceano Pacifico e, por momentos lembrei-me daquela outra esplanada chamada de “Two Oceans” bem no estremo sul de áfrica, mais propriamente no Cabo Boa Esperança ou das Tormentas. Mas aqui e pela primeira vez provo a primeira cerveja de mandioca conhecida do mundo. Cerveja lançada pela empresa Cervejas de Moçambique, dona das marcas Laurentina e 2M. Quando José Moreira, administrador da empresa, anunciou a criação desta cerveja de mandioca ao mundo deu-lhe o nome de Impala; No dizer dele, tinha um sabor parecido ao das cervejas de malte, tendo a vantagem de poder ser oferecida ao povo por um preço mais baixo.

nauk03.jpg Aquela cerveja foi desenvolvida com um duplo objectivo: para ser consumida pelas camadas mais pobres da população, que se alimentam sobretudo desta raiz, e para ajudar os pequenos agricultores do Norte de Moçambique a escoarem os excedentes de mandioca que ficavam a apodrecer nos campos. Podia imaginar Manuel Teixeira, o criador desta cerveja, sentado na esplanada do restaurante Piri-Piri, em Maputo, também a recordar no seu tempo: pedia uma cerveja Laurentina ou uma 2M e os empregados traziam-lhe um prato de camarões para acompanhar - «Eram os nossos tremoços»! Tal como nós em Angola no Baleizão ou na Biker, com Cuca ou Nocal e, com os acompanhamentos de carapau frito e até dobrada com feijão.

Naquele então dizia ele, Manuel Teixeira: Foi há mais de 35 anos e a cidade, então chamada Lourenço Marques, era a capital da província ultramarina de Moçambique. O empresário português, que ao longo das últimas décadas viajou para o país regularmente e, que foi testemunha da prosperidade da época colonial, da miséria dos anos da guerra civil (Moçambique chegou a ser o país mais pobre do mundo) e do renascimento da última década em que os índices de crescimento atingem os sete por cento ao ano.

busq5.jpg Podia rever-me num esboço gatafunhado encontrado ao calhas e a cores, amarelo, azul e descolorido, uma escrita misturada de experiências, com contas de somar, subtrair e cambiar. Faço isto por vezes para ver quanto gastei em Euros, agudizando-me na curiosidade de ver contas de números altos em dólares, randes, kwachas, xilins tanzanianos, pulas, dólares zimbabwanos e agora, meticais.

Bom! Se não era um gatafunho meu, só poderia ser de Mary a minha antiga empregada de Kampala, e dai, ainda mais curioso ficava porque ela dizia assim: Patrão, mas…, a gente de Kampala não vai em safaris como vocês muzungos (brancos); só mesmo os bazungus (turistas) que gostam mais dos animais do que das pessoas! Gostam de leões, de crocodilos, e até das cobras! N´Zambi me livre, só mesmo de pensar já estou de arrepiada, diria ela agora. Eu não gosto, diz Mary e, continua com suas falas: tornei-me até muito amiga das cabras que dão leite de beber, porque só gostava mesmo do meu namorado que as guardava. Pois! Disse eu, aquele bafana para quem tu tanto falas ao microondas…

dia147.jpg Mas, os bazungus velhos assim como o patrão e, seu amigo Reis das Vissapas com seus carros de tracção às quatro rodas, vestidos com roupas muito cheias de bolsos que parecem soldados como antigos expedicionários, e com o equipamento de combate pendurados, binóculos, máquinas de vídeo, celulares, bengalas e garrafas de água. Ué, como é então? Eu sou assim mesmo? Ela, nada disse, só mesmo oscilou os braços e fez um muxoxo a comprovar ser verdade com um sorriso de quem canta vitória.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:01
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Terça-feira, 4 de Outubro de 2022
KALUNGA . XXXI

 KIANDA COM ONGWEVA NAS FRINCHAS DO TEMPO - XVI de várias partes…

– Crónica 3262 de 22.03.2022 em PotVille de Maceió – Republicação a 04.10.2022 em AlGharb do M´Puto - Em Madrid, no Museu do Prado com Jerónimo Pieter e, um tal de Conde de Sant German.

Ongweva é saudade  

Por t´xipala1.jpg T´Chingange (Ochingandji) – No PortVille e Lagoa do M´Puto

roxo68.jpgAR - Dando uma volta no tempo avancei para estórias mais recentes pelo que aparentemente mudo o rumo mas, é só uma marola no contexto e, porque o espírito da gente é cavalo que escolhe estrada. Assim, lendo as memórias de Iam Smith que interessaram particularmente aos portugueses, euro-africanos genuínos e pioneiros, cumpre ressaltar as páginas elogiosas que este dedica a Salazar e a Portugal.

Salazar, a quem rende sincera homenagem à nação euro-ultramarina que, com a nobreza da simplicidade e a força do carácter, cumpria a sua missão histórica do povo, defendendo com determinação seus “legítimos” direitos e interesses perante os mais fortes do mundo. Sobre Salazar, dizia ser este um estadista excepcional, cuja craveira intelectual e moral deixaram nele uma impressão única e indelével.

E, foi o Conde de San German que destrinçou esta parte da estória que os historiadores pulam por conveniência ou falta de caracter. A Grã-Bretanha, empenhada na sua demissão histórica, anuncia a dissolução da Federação das Rodésias e da Niassalândia com vista à formação de Estados “independentes governados por maioria negra”. Smith é o único do seu partido a manifestar oficialmente a sua desconfiança em relação à proposta explicitada por Londres.

roxo61.jpg AR - Para ele, a Inglaterra, no afã de obter a simpatia dos afro-asiáticos, Estado-Unidenses e Soviéticos, estaria disposta a liquidar o seu “problema colonial” com o abandono puro e simples da população branca - os mesmos indivíduos que no conflito mundial de 39-45 deixaram a paz dos seus lares para irem arriscar as próprias vidas no socorro à Grã-Bretanha; que foi o caso dele (Ian Smith).

Em 1964, dez anos antes da abrilada portuguesa, Ian Smith é eleito primeiro-ministro. Numa visita oficial a Lisboa encontra-se demoradamente com Salazar e este diz-lhe declaradamente que os rodesianos seriam traídos pelos ingleses; que Portugal prestaria o auxílio necessário a Salisbúria. Pouco depois, aqueles a quem Fialho de Almeida chamou de “carrascos ruivos do Tamisa”, concretizavam o que o estadista português sentenciara.

Ian Smith.jpg São estas periclitãncias esquecidas por quem faz estória com agá, que me levam a fazer desvios ausentando-me até das lides e bizarrias de minhas personagens de Zachaf Pigafetta e seu irmão Januário Pieter. Em verdade neste momento estavam a consultar com apoio de uma lupa, literalmente embebidos num quadro mais esguio que aqueles já vistos em Toledo e Granada. Era o Baptismo de Cristo, pintado por El Greco (inconfundível por esticar as figuras…)

Sem me desgrudar do Conde de San German, absorvia por completo sua quase palestra a dois; o tema portava agulhas e fios que com sovelas consertava minhas alpercatas cerebrais. Cinco estrelas! Continuando: - A lembrança daquele encontro profético em São Bento ficou para sempre gravada na sua memória, plenamente convencido de que, se Salazar tivesse vivido dez anos mais, a Rodésia, hoje Zimbabwé, teria sobrevivido.

roxo67.jpgAR -  Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. Sua vida política passa então a reger-se quase que exclusivamente por duas constantes: a neutralização dos efeitos das sanções impostas pela ONU, sob a batuta de Londres e Washington; e o combate ao terrorismo e à guerrilha de obediência comunista que faziam a sua desumana entrada no território com a anuência de seus patrícios. Como sempre digo, aqueles primos, americanos e britânicos não se podem ter por amigos o tempo inteiro, são perigosamente esguios…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:03
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2022
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXIII

MALAMBAS DA GLOBÁLIA – M´Puto, cativações, guerras e os infiéis

Crónica 3261 21.03.2022 na Pajuçara de Alagoas do Brasil. Republicada a 03.10.2022 em Lagoa do M´Puto

Por dia220.jpg T'Chingange

garrafão tuga.jpg Começo por dizer que o acto ou efeito de cativar, é a retenção de parte das verbas orçamentadas para despesas com a consequente redução do orçamento disponível para determinados serviços ou organismos. É em verdade um instrumento de controlo orçamental que de certa forma logra o cidadão. É a vida real de todos nós, o dedo duro governamental que mantem os políticos na pedinchice mantendo assim o barco-nação a flutuar na divida e, sem chegar ao nível zero da linha de manobra.

Prometo-te 100, faço publicidade desta monta mas, só levas 60! E, todos ficamos com aquela pulga na orelha, dos tais 100. A maior parte de nós está-se olhando no umbigo, isso são técnicas financeiras e edecéteras mas, em realidade os serviços por encolhimento de verbas não prestam um bom serviço e nós, sempre nós, reclamando demoras, encafifados na casa, no curral como diz meu compadre. Assim é, por via dum covid 19, 20, 21 e 22, até ver. Aceitamos aquilo que os políticos nos impingem por ser um regime de excepção e, assim ficamos lisos e sendo como se requere e a bem da nação porque parece que nem vêm tão mal ao Mundo.

edu12.jpg Bem! No caso do M´Puto, estes políticos do governo têm tido a ajuda “made in selfie” do próprio presidente conhecido pelo “Celito”. Assim, a pandemia deu formato ao medo a conter-se na contestação, dando jeito aos gestores de topo encapelarem seu pedantismo. Num acto cívico do quanto baste, mesmo sem portarem vestes de escapulário, também e de forma sistemática em um acto cínico no quanto baste trambicam-nos dando-nos missa!

Prometem até mais que uma vez dizendo-nos a palavra certa para nos tolher num pseudo “tabu do endividamento” – Vamos gastar e, quem vier a seguir que feche a porta. Tivemos um Guterres que foi prá ONU depois dum pântano, um Sócrates que está por ir, um Barroso que foi para a Comissão Europeia, um Gaspar que foi para o FMI e agora um Costa que se prepara para ir para a tribuna da Europa… É assim!  Claro que há mais mas, em verdade, o molho de brócolos fica para todos nós porque eles, sabem como se resolver… 

E, assim, depois de Bagdad, do Afeganistão, da Síria, da Líbia, do covid x 3, agora com a guerra da Ucrânia; menos mal que sempre teremos os submarinos do Paulo Portas para nos assegurar as águas territoriais, os “barrigas de jinguba” para lançar tambores de napalm e os migues entregues à GNR para cobrir o espaço aéreo. Estamos safos e habilitados a mais umas “bazucas financeiras“ de apoio aos muitos refugiados que virão, e ainda bem, dar jeito ao reequilíbrio financeiro. Terra, mar e ar estão razoavelmente representados…

dia82.jpg Tudo se está descomplicando seguindo num deixa ver como fica, não obstante as opiniões estapafúrdias de uns quantos generais armados em comentaristas nas televisões sensacionalistas no quanto baste, falando besteiras, heróis que ninguém sabiam existir e agora mandam palpites a favor de Putin (estamos bem entregues…) como se este fosse um santo. Merda para estes tantos míopes que à nossa custa dão ares de sabichões; melhor seria ficarem no silêncio de suas palermices. Enquanto isto para descomplicar as muitas e variadas sanções, tornam o Paquistão no quintal traseiro da China.

Esquecem-se que ainda por aí andam os chiítas, os sunitas, os ìsis, os talibãs e os boko harams. Já nem acredito em ninguém. Para além do Costa só o Costa prontíssimo para mais uma corrida, uma maratona afinando-se nos jogos de aprimorarem a nossa liberdade de movimentos, fabricando manobras de diversão e coisas comezinhas como a energia, a TAP, a Refer dos comboios, barragens e centrais de carvão desactivadas que de novo se têm de reabilitar. Tudo num mesmo saco para suprir a fragilidade da nossa democracia, nossa cultura, mentiras ecológicas, também estórias que dão a facilidade de tudo proibir e tudo se taxar.

costa13.jpg O Estado cada vez mais engravidado, é que nos diz o que podemos ou não fazer, alterando a vulnerabilidade nos conceitos definidos no genérico paradigma; a demagogia misturada com a propaganda que sempre nos leva ao princípio da condescendência. Assim condicionados aos ziguezagues, se condicionam os ditames sancionados em nosso pensamento – toma e embrulha! Engodos a aposentados, mais uns tostões aos funcionários e promessas aos desempregados de longa duração. Tudo muito igual – pois se até o Biden dos USA entrou com os dois pés e se está saindo perneta! Ainda se queixam da SHARIA; vamos estrepar-nos…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:13
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Sábado, 1 de Outubro de 2022
MOAMBA . XLIX

O MUNDO ESTÁ ENGRAVIDADO DE PROMESSAS... Muamba de Domingo

– ASSINAR EM CRUZ - 20.03.2021 em Pajuçara de Maceió

Crónica 3260Republicada a 01.10.2022 no AlGharb do M´puto

- O MUNDO ESTÁ ENGRAVIDADO DE MEDOS COM  PROMESSAS...

Por baú1.jpgT'Chingange – No Nordeste brasileiro e no AlGharb do M´Puto

Zelensky.jpg Virando notícias do Mundo neste domingo, 25º dia da invasão à Ucrânia, a Rússia, para além de massacrar a Ucrânia na maioria das cidades com variadas formas de matar, dá a notícia de poder enviar um engenho supersónico, uma bomba de alto poder de morte que atinge em 5 vezes mais que a velocidade do som. Uma nítida provocação a todo o Ocidente que recriminou em uníssono monstruosa intervenção. Hoje, um outro dia primeiro de Outubro, que republico este texto a fim de ficar nos arquivos da Torre de N´Zombo do Kimbo e perfazendo 220 dias de guerra estupida, dá para notar que com a farsa dos referendos em Donetsk e Lugansk no leste e Kherson e Zaporizhzhia no sul, a Rússia, a paz no mundo, estará longínqua.

Depois da tomada a Crimeia em 2014 com a passividade do resto da Europa e do Mundo, deste modo, Rússia toma de assalto cerca de mais 15% do território total da Ucrânia anexando como terra sua estes novos territórios. Nesta grosseira forma de amedrontar os países da Europa e do resto do Mundo, frisa que esta coisa de matar pode atingir Londres em escassos 25 minutos e um pouco mais Nova Iorque

baú2.jpg Desta forma piso espaços fazendo todas as estradas, mas quando o vento dá para trás pode bem trazer tristezas nas fumaças agravando as labaredas e brasas. Que o pariu! Por vezes, não muitas, pego no silêncio, meto-o ao colo e, sem abrir boca vou dizendo: Eu, não sou donde nasci; sou de outro lugar – silêncio de um sentimento quase feito em decreto.

E foi!? E, é!? Foi sim nesse lugar de nenhures assinado com uma cruz que meus destinos foram fechados. Ontem, dia 31 de Setembro, Volodymyr Zelensky pediu oficialmente adesão à NATO. Se eu mandasse aceleraria o processo para assim o vir a ser, rápidamente - membro da NATO! Mas estou em crer que o medo vai tolher a moleirinha de nossos dirigentes acagaçando-se com um maluco que diz querer acabar com o Mundo não Russo. Sendo assim, que o seja, vá de retro Satanás ou inventem um escaravelho que encha de moscas o cérebro daquele verme feito gente chamado de Putin…

bordalo5.jpg Guardo sim, tudo em um baú de lata cor verde, com pequenas flores, forro já amarelecido pela cola em tecido de chita, umas ripas encastradas com cravos de tremoço, carcomidas, segurando um fecho pregado com pontas de paris, pregos e percevejos de cabeça chata já enferrujados.

Tábuas de cipreste ou eucalipto para dar cheiro e espantar traças, um aloquete a dar silêncio às memórias trancadas em seu miolo. Um fecho de enfeites com um lado macho e outro de fêmea onde aquele encastra; vaidades singelas de humildade destinadas a um porão junto com demais caixotes.

Todos os becos e travessas saindo das picadas da minha vida, guardo ali com os ventos de todas as almas. Vou vos dizer: Isto é algo sitiado dum estado que antes doía e prazia e, hoje no relembrar daquele antes, daqueles anos com tempos de estropelias, com guerras e gentes militares ou militarizadas que influíram um sentir que de somas em soma, só subtraíram no espairecimento.

baú de coiro2.jpg Assim fazendo em alguns casos, do mofo uma raiva, minha penicilina dali saiu, das estalactites dos fungos do baú, substância antibiótica “penicillium notatum” propriedades descobertas por Fleming em 1929, mas só divulgadas em 1941, quatro anos ante da minha singularidade acontecer … Lembram-se do “Evangelho da Esposa de Jesus”, um papiro controverso que sugere que Jesus era casado com Maria Madalena? Novas pesquisas sobre a tinta do documento parecem apontar para a possibilidade de que ele seja autêntico. Porém, os resultados ainda não foram publicados e a origem do papiro continua sendo questionada. E, enquanto andamos entretidos com malambas apócrifas enredadas em mentiras e interesses de resiliência, o Diabo feito gente de nome Putin come-nos as raspas de misericórdia metendo jindungo para espairecer vaidade

baú3.jpg Se é o que é, estou quase perdido! É qua a vida está assim, vou explicar: Eu, nós, vocês, vosmecês, o senhor ou senhora, vossas excelências, empurram tudo para trás mas, e num repentemente, tudo nos volta a rodear fincando-se bem em frente feito fantasma, caveira segurando uma foice. Termino dormindo nos ventos, fazer agora mesmo o sinal da cruz, a assinatura real e oficial do nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques… Fui!

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:09
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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