Quarta-feira, 12 de Maio de 2021
MUJIMBO CXXIII

DE KIGALI A IGUAÇU

Crónica 3149DO BAÚ DE MEMORIAS RETIREI FALAS RESSEQUIDAS NO TEMPO COM CREDÊNCIAIS DE CONTADOR DE ESTORIAS AVULSO - 12.05.2021

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Por soba15.jpgT'Chingange no AlGharb do M'Puto

Fui ao meu baú das memórias retirar coisas idas em minhas andanças pelo Brasil e, porque perdi o comboio fumaça das cinco, releio de novo e passo a limpo a já desbotada crónica escrita no ano de 2007 em vésperas de Páscoa. No hotel “Rafain Palace” de Iguaçu, pude ler nesse então na Gazeta do Paraná, o meu horóscopo; talvez pela primeira vez pude sentir algo que condizia com a minha pessoa: gémeos - simbolizam a mente jovial que busca a variedade do conhecimento; os gémeos, dão-se conta que não estão sós no mundo e que as trocas de conhecimento podem ser partilhadas.

143.jpg Milhões de pessoas por este mundo, todos os dias se levantam atormentadas com problemas. Atónitas com a vida, entorpecem suas capacidades consumindo a rotina ou a seca de permanecer semanas trancafiado em seu mukifo T-um sem nunca, nunca golpearem a sua inteligência fazendo perguntas a si mesmas – nunca se chegam a descobrir envoltos em irrelevantes questões do quotidiano de arranhar os netos dos neurónios chamuscados nas periclitantes adversidades. Tinha visto no dia anterior um filme sobre a mortandade do “Rwanda” em que um gerente de hotel salva das mãos terroristas da tribo “Hutu”, a família de ascendência “Tutsi” e, um elevado número de cidadãos que tiveram o azar de nascer negros, da etnia tutsi e, num pais com o nome de Rwanda, uma antiga colónia belga.

iguaçu1.jpg Desde a independência de Burundi em 1962, houve dois eventos denominados genocídios no país. Os assassinatos em massa de hutus em 1972 pelo exército dominado pelos tutsis e os assassinatos em massa de tutsis em 1993 pela população de maioria hutu e, que são descritos como genocídio no relatório final da Comissão Internacional de Inquérito ao Burundi apresentado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em 2002.

iguaçu4.jpg Aquele administrador de hotel em Kigali foi, salvo as devidas proporções e por comparação, o Aristides de Sousa Mendes, um diplomata português que salvou milhares de famílias judias dos campos de concentração para a morte efectuada pelos nazis e, tendo como veiculador da horrenda guerra o paranóico Adolf Hitler. Aquela figura tão conhecida e pelas piores razões que levou a eugenia ao último grau de aniquilamento em seus laboratórios de morte, seguindo as ideias do pastor Thomas Malthus, um pastor anglicano de ideias patafúrdias…

iguaçu3.jpg O tratamento na higienização do povo levou o alemão Hitler que nasceu na Áustria, então parte do Império Austro-Húngaro e seus maníacos seguidores e assessores a eliminar gente que não tivesse o padrão “ariano”, gente com um qualquer defeito físico, ou com uma anatomia ou procedência não condizente com seus entendimentos, seguindo convicções secretas de indefinidos mistérios e seguindo uma trilha deplorável.

O rumor das quedas de Iguaçu logo numa primeira aparição, seguindo o trilho da mata confundia-se com uma pequena cachoeira correndo entre rochas da qual se desprendiam exuberantes ramadas de verde. Primeiro pude observar uma pequena cachoeira de nome Macuco, um fio de água soltando um pequeno choro feito murmúrio a comparar com a queda grande que pouco a pouco fui vendo nos passos do trilho sinuoso. Aos poucos, a grande queda, vai surgindo num espectáculo de dança cada vez mais deslumbrante de espuma branca, ora um véu de noiva ora espirrando roncos entre fragas medonhas...

iguaçu2.jpg As borboletas, umas mais bonitas que outras, vêm às centenas formar uma cortina multicolor entre a visão tumultuosa das águas, os arrifes, dos escapelados saltos de água no leito do rio e um nevoeiro de cacimbo permanente saindo da boca do diabo; da garganta “d´el diablo” saem golfadas de quilolitros de brancura engasgando-se em um desfiladeiro assombroso; Assim cuspindo espuma, a correnteza revela-nos com gritos, mistérios da natureza. Nada acontece por acaso! Assim penso empanzinado de agradecimento sentado naquela saliência de pedra musgosa, realizando um grande objectivo de imprimir em memória os sentidos externos. Gravar vida no espírito ideias trazidas ao cérebro por um brotar duma energia imensurável…

Aquele arco-íris, contornava com suas sete cores a minha existência esmagando-me em êxtase de crenças engalanadas e encavalgando-me em sonhos e fascínio de felicidade ou êxito estarrecido; fazendo esquecer todas aquelas agruras terrenas do seio daquela civilização supostamente mais avançada chamada de Alemanha ou lá do terceiro mundo em um longínquo país chamado de Rwanda e Burundi amolecendo nosso orgulho humano e engravidando-nos de vícios, ódios e muitas e variadas intrigas.

lucala3.jpgNesta contemplação de espectáculo da vida e sensação, sente-se nossa pequenez como se o fôramos um minúsculo empréstimo da natureza. Ali, a gente entrega-se sem mendigar ao amor ou à dor das esperanças frustradas e até perdidas sem aquele aperto de mão, suspenso entre a consciência do conhecimento em espargir o bem ou o mal, tudo envolto em egoísmo ou até paixão de prazeres. Também aqui os índios “Caigangues”, sem conhecimento do resto do mundo, morrem de velhos na verdadeira liberdade como o pássaro quetzal, sem definirem com exactidão o temor indigno, num perfeito domínio de si mesmos entre sua paz suprema de viver num dia de cada vez  e, no meio das maiores hodiernas privações…

capulana1.jpg Desconhecendo estes conceitos num paraíso tal como a borboleta com o número 88 que foi minha guia inseparável, esta visita foi talvez a maior lição de vida que recolhi e, sentir sim, esse amor pela natureza… Hoje, em companhia duma xícara de café fumegante, tento a maneira de enganar o tempo a fim de não sucumbir à solidão ao invés de passar o tempo em um passe-vite esgotando os nanosegundos dos meus obstinados e silenciosos abismos. Roçar assim as perspectivas ortorrômbicas para e, daí extrair ausentes sentimentos no intuito de mostrar o que ninguém viu antes, num secalhar e, porque  quase sempre “só vemos o que queremos ver”.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:10
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Sexta-feira, 23 de Abril de 2021
MUJIMBO . CXXI

OS ACTOS ESTRANHOS ACONTECEM... TEMPO COM CINZAS

Cronica 3142 - Deus tem que livrar o Universo do pecado, senão estamos quilhados!

MUJIMBO é boato, má-língua – (20.04.2021 em Kizomba do FB) 23.04.2021

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Porsoba24.jpg T'Chingange . No AlGharb do M´Puto

A Bíblia tem muitos e bons ensinamentos; para realizar a obra do Senhor, e para executar o Seu acto, no Seu ato inaudito teremos de ir até Isaías (28:21). Assim, no blábláblá dos acontecido chegamos ao livro de Bitter Harvest - Amarga Colheita. Este, fala de um empregado de uma firma de grãos em Michigan, lá nos USA que, inadvertidamente, pegou um veneno mortal e, achando que fosse um complemento vitamínico, misturou-o com os grãos...

Os grãos envenenados contaminaram o gado, as galinhas e os porcos de muitas fazendas. Os fazendeiros não tiveram escolha a não ser isolar os animais contaminados, sacrificá-los e queimar os corpos para evitar que a contaminação se espalhasse podendo alcançar os homens. Eles sabiam que, se não sacrificassem os animais, toda a indústria de gado de Michigan dos USA, estaria ameaçada. No dizer de Isaías, o Profeta, diz que a vontade de Deus é a de que “todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2:4).

arau161.jpgMas, há pessoas a quem nem mesmo Deus pode salvar. Claro que estou a pensar nos muitos trapaceiros que andam a driblar-nos com esquindiva de fintas, nossas vidas, saindo-se de fininho, sempre num bem-bom com paraísos fiscais e, edecéteras e, deixando-nos a falar só átoa com o sabugueiro, uma árvore nobre e espalhável...

Sócrates, o ex primeiro do M'Puto e mentiroso que chegue, escolheu o pecado em vez da justiça boa, que junto com a tropa fandanga e até o Espírito Salgado (o Santo…), provocam nossa rebelião em vez da compreensão, impregnados que estavam com a justiça má... Seus egoísmos, assim mesmo no plural, em vez do amoroso serviço aos seus patrícios, provocaram esta desobediência dum modo natural e resiliente. Se Deus Se arriscasse a levá-los para o Céu, eles infectariam por lá o ambiente Santo com o vírus do pecado, usando aquele engano das sementes como se o fora uma parábola, noé!?

araujo13.jpg Mas, com todas estas periclitãncias, se Nosso Senhor não agir para erradicar seus pecados, com mais uma catrefada de gente de aparente alto-coturno, seus efeitos malignos acabarão por destruir o Universo inteiro. Entenda-se aqui como universo, o do âmbito do M'Puto com dez milhões de papalvos, simplório e patetas, tudojunto...

Deus oferece perdão por nossos pecados passados e, poder para vivermos a vida cristã no presente. Essa coisa de que Sua graça conceder perdão quando falhamos e força para que não venhamos a repetir as mesmas falhas outras vezes, só com um certo juiz de nome de Rosa... Doutro jeito jeitoso, estamos quilhados; ponto final.

araujo158.jpg Não, não pode ser, em última análise, Deus tem mesmo que agir. Ele tem que livrar o Universo do pecado. “Nosso Deus é fogo consumidor” tal como se diz (Hebreus 12:29). Um Deus santo tem que consumir o pecado e transformá-lo em cinzas...Noé!?

Hoje, Deus, oferece-nos uma escolha: ou deixamos que Ele consuma o pecado dentro de nós com a abrasadora presença de Seu Santo Espírito, ou seremos nós consumidos  no blábláblá com nosso pecado na abrasadora presença de Sua iminente na próxima volta – Ora isto pode demorar tanto que nossos ossos também estarão em cinza, noé!?

araujo146.jpgFeliz semana. A destruição do perverso é um acto incomum e estranho, mas inevitável, pois ocorrerá para que o Universo fique seguro para sempre. Nós vamos permitir que Jesus faça Sua obra purificadora, tenhamos calma para permitir que o fogo da Sua presença purifique os malandros por inteiro... Amém, também se diz...

Com fúteis caprichos de escritor avulso, esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos de agora e futuros recolhendo feitos e lendas tornando tudo passado. Sim! Porque num futuro, de um mundo surreal, compreenderemos melhor a essência dos acontecimentos. Inevitavelmente, observo agora, já kota mais-velho, estar num joguete de tantos portais desconhecidos como se o fora: uma carta solta do baralho, seja numa jogatana de sueca, ou de jogo de póquer …

Ilustrações  aleatória de Costa Araujo (falecido há dois anos)

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
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Domingo, 11 de Abril de 2021
MUJIMBO . CXX

TRAJE DE GALA - FACTO E FATO ... 

Na dúvida, ando de pijama listrado quase à um ano sem ter feito mal a alguém. Pópilas! Meu escapulário é quase um pano às riscas...

Crónica 3137 (08.04.2021*)11.04.2021

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Por   soba k.jpg T'Chingange - no M'Puto

Ninguém discute o facto de que a utilização de roupas é parte do bom senso, da ética humana e dos valores sociais, sendo indispensável a todas as pessoas. Algumas se esmeram no factor atractividade, outras se limitam ao aspecto protector ou à simplicidade. Essa diferença tem suscitado, às vezes, tratamento discriminador entre dois grupos, ao ser atribuída condição superior de importância às pessoas que se vestem sofisticadamente em detrimento das outras.

sorte1.jpg Embora devamos condenar essa excepção, é verdade que ocasião, tempo, lugar, aspectos culturais, simbolismos religiosos, equilíbrio, bom gosto e recato, são alguns factores que definem a pertinência ou não de uma vestimenta. Neste processo de desmudar os costumes, uns ficarão vestidos mais iguais e outros, logicamente, mais desiguais a indicar a todos que afinal ainda não fomos terminados, andamos em execução; a ser costurados…

pfizer1.jpg É aquela velha estória que de novo aqui explicito: Era uma era e, não era; andava lavrando com dois carrapatos! Veio-lhe a notícia que o pai era morto e a mãe por nascer. Pôs o burro às cotas e o arado a comer… Hem! Hem! Hem!…O que mais penso e tento em explicar: Todo o Mundo, é louco - o quanto baste…Pegando na Bíblia pude ler em Tiago 2:2-4: -  Suponham que, na reunião de vocês, entre um homem (ou mulher) com anel de ouro e roupas finas e também entre um pobre com roupas velhas e sujas. Se vocês derem atenção especial ao homem (ou mulher) que está vestido com roupas finas e disserem: "Aqui está um lugar apropriado para o senhor/a", mas disserem ao pobre: "Você, fique em pé ali", ou: "Sente-se no chão, junto ao estrado onde ponho os meus pés", não estarão fazendo discriminação, fazendo julgamentos com critérios errados? Ando confuso, noé!?

sorte5.jpg Fala-se que entrando, o rei para ver os que estavam à mesa, recordo: notou ali um homem que não trazia veste nupcial e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? Ele emudeceu... Tal como eu que ando bem desmilinguido, falando com o gato tobias... Há sempre uma razão de ser no uso de vestes. Elas podem servir como cartão de apresentação de uma empresa, quando uniformemente usadas por servidores, ou como factor de igualdade social nas escolas.

pfizer2.jpg Profissionais de saúde usam vestes brancas. No Antigo Testamento, as vestes sacerdotais eram carregadas de significado. Em nossos dias, clérigos costumam vestir paramentos solenes e cores sóbrias. Cobrir-se alguém com pano de saco era nos idosos tempos expressão de grande humilhação. Não é para menos, seja homem ou mulher! Despojado de Suas vestes, Cristo recebeu um “manto vermelho” por zombaria. O filho pródigo, ao voltar para casa, foi agraciado com roupas de justiça e perdão. No clímax da história da redenção, os remidos estarão enfileirados, usando vestes brancas de pureza e santidade...

sorte6.jpg Andamos assim a viver parte de parábolas antigas sem bodas nem convites para vestirmos a gravata na falta de outros paramentos. A vida humana é frágil como uma flor; hoje é, amanhã não o será mais - como um capim murcha como qualquer erva do campo; E, na dúvida da resiliência com ou sem investigação descobriu-se que alguém, não estava devidamente vestido para a ocasião e, morreu sem até, ter comido tabaibos com picos e tudo. Nesta via-sacra de espera pela vacina conta a malazenga COVID, vivemos num período como se o rei nos fizesse revista, assim como convidados encontrados ou escolhidos no livro da vida singelamente chamado de lita telefónica... Pelo sim pelo não, ando permanentemente em pijama esperando um SMS dum bata branca: -Venha tomar a pfizer…

Nota* - Publicado em Kizomba do FB

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:04
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Domingo, 4 de Abril de 2021
FRATERNIFADES . CXXXII

EM TEMPO DE PÁSCOA

Crónica 3136 - Andam Barrabás à solta... Estórias antigas e esquecidas com chás de camomila para espairecer – 04.04.2021

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Por   tonito18.jpgT'Chingange - No AL Gharb do M'Puto

Lendo a Bíblia, verificamos que os quatro evangelhos fazem referência a Barrabás, uma figura misteriosa que surge em conexão com o julgamento de Cristo. A tradição a seu respeito é reticente. Prisioneiro, ele aguardava a execução. Desejando libertar Jesus, talvez influenciado pela mensagem de sua esposa, Pilatos sugere uma escolha entre os dois: Jesus ou Barrabás?

Ele, Pilatos, é colhido por uma estarrecedora surpresa: “Solte Barrabás”, grita a multidão. Qual é a razão para uma escolha como essa? Os líderes religiosos daquele tempo sabiam que poderiam prender Barrabás novamente, quando necessário.

araujo2.jpg Mas como poderiam silenciar alguém como Jesus Cristo? Como parar um Homem que, sem qualquer arma, representava um perigo revolucionário capaz de subverter o judaísmo e todo o Império Romano? O que fariam com Alguém cujas armas eram Suas novas ideias sobre Deus e as pessoas, capazes de explodir as velhas categorias religiosas? Barrabás poderia explorar seus conterrâneos, mas ele não ameaçava governar a vida de ninguém.

Por outro lado, Jesus apresentou um reino que governa de dentro para fora. Sem imposição, conduzindo uma lealdade superior à vida e à morte. Naquela tarde da Páscoa, três ladrões, talvez do mesmo grupo, deveriam ser crucificados: Dimas, Gestas e Barrabás.

araujo12.jpg Barrabás é liberto no último instante, e Jesus é crucificado em seu lugar. Aqui encontramos a mais perfeita ilustração do princípio da substituição. A história de Barrabás é a história da salvação por meio da morte de Jesus Cristo. Seu nome, “Bar Abba”, significa “filho do pai”. Como ele, todos nós, filhos do pai Adão, somos culpados de rebelião e sedição contra Deus, ladrões de Sua glória, assassinos de nós mesmos e dos outros, prisioneiros do pecado. No corredor da morte, Barrabás apenas aguardava a execução...

Ele deve ter olhado para as palmas de suas mãos, imaginando como seria a dor dos cravos rasgando a carne, dilacerando a cartilagem e os ossos. Ouviu então o sinistro barulho da chave abrindo a pesada porta de ferro. Escutou os passos dos guardas. Posso assim imaginar, noé!?

araujo63.jpg “Chegou minha hora”, pensou. Sua cabeça estava pesada e confusa. Parecia até ouvir seu nome gritado pela enorme multidão. Ainda não sabia exatamente o que estava acontecendo. Abismado, recebeu a sentença: “Pode ir para casa.” Isso é substituição: Jesus tomou nosso lugar.

Estando aqui e agora, num lugar chamado de M'Puto, lugar aonde a justiça anda lenta e confusa na mão de interesses políticos e conflituosos quanto baste,  lendo aqui e ali coisas da Bíblia e, confrontando o Mundo também  daqui e dali, relembra-se: Ele foi feito pecado para que sejamos feitos justiça...Ninguém está livre de morrer; é só esperar tranquilamente, tomando uns paracetamol e bebendo uns chás de camomila...

Bibliografia: Bíblia - Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:44
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Sábado, 3 de Abril de 2021
MALAMBAS - CCLVIII

NÓS E A RELATIVIDADE

HOJE, O ALGORITMO, ATRAPALHA MEU SEXTO SENTIDO…

- Crónica 3135 - Meditação de T'Ching – (31.03.2021) - 03.04.2021

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Por soba24.jpg  T´Chingange – No Al Gharb do M´Puto

Boligrafando nossas vidas, imaginamo-nos numa pena de ponta romba escrevendo nossa picada, pensando neste alguém que a segura, como se fôramos uma ilusão que afasta as bissapas espinhosas e, escolhendo por onde levar o nosso azimute ou seja, o ângulo certo entre o norte e um ponto aleatório, de um outro qualquer lado de preferência e, assim, coordenarmos o quadrante da vida como se o fossemos, um jogo de matemática adicionando mais com mais, mais com menos ou menos com menos, emparelhando os símbolos.

Se porventura nos julgarmos um grão, teremos de pensar que ele, o grão não morre se lhe dermos um destino, lançando-o à terra para originar mais grãos, assim chova! Esta noção de estabilidade com sustentabilidade pode ser comparada naquilo que faz parte da nossa concepção comum e, que resulta no facto de possuirmos as dimensões que temos e, de vivermos num planeta com água, o verdadeiro factor de vida.

macaco5.jpg E, ao explorarmos o lugar Terra aonde estamos, valer-nos-emos de todos os nossos sentidos em especial os do tacto e da visão. Sendo assim e na medição de distâncias, empregamos desde sempre ou a partir duma época pré-histórica, partes do corpo humano como padrões tal como o pé, o passo, o cúbito ou o palmo mas, para maiores distâncias lançaremos mão do tempo para irmos de um sítio a outro lugar, noé!

Assim, e de forma aproximada aprendemos a avaliar uma distância confiando naquela primária noção do tacto e, porque temos dois focos, nosso cérebro calcula a distância de forma natural; trigonometricamente calcula o ponto xis por intercepção dos vectores saídos dos dois focos com cálculo imediato dos ângulos e respectiva lonjura. Dois olhos permitem-nos ter sensação espacial das imagens. E, com duas orelhas conseguiremos localizar de onde vem o som.

ong5.jpeg E qual a vantagem de ter duas narinas? Se mantivermos uma narina fechada enquanto se respira pela outra e depois fizermos o contrário, perceberemos que uma delas fornece bem mais ar do que a outra... Isso, faz toda a diferença! Todos os mamíferos têm duas narinas, com excepção das baleias, que tem apenas uma. As duas narinas têm importância fundamental na sobrevivência de alguns animais, como as toupeiras. Nos humanos, elas são resquícios dos tempos pré-históricos. Mas será que daria para abrir mão de uma delas? Não, porque ficaríamos sem o cheiro certo.

Em tudo, podemos alterar o quadro imaginário mas, o tacto é que nos dá a sensação de “realidade”. No entanto os nossos próprios reflexos num espelho não podem ser tocados. Estas coisas intrigam-nos desde a infância porque não detínhamos a noção de imagem. Posto isto, toda a nossa geometria ou nosso físico é baseado no sentido do tacto. Sabemos agora pela metafisica que o que se vê num espelho, “não é real”.

sorte2.jpg Sendo assim, movemo-nos em duas metáforas: - as coisas concretas ou “solidas” e as outras, aéreas, adensando-nos a sensação de algo não real. As coisas, más e boas sempre se irão colidir em nossos sentidos. Quando Copérnico disse que a terra não era estacionária e que o céu não girava à sua volta uma vez por dia, foi-nos exigido uma alteração ao nosso hábito mental. E, foi com as ideias de Einstein que nossos conceitos se deram conta de outros paradigmas. Assim, envolvidos num tecnicismo matemático, nenhum de nós pelo efeito de repetição iremos encontrar a mínima dificuldade em perceber as novas ideias que paulatinamente nos mudam os hábitos.

Hoje, há novas e incontáveis coisas que nos forçam a uma nova e permanente reconstrução imaginativa. Ando por isso a tentar fabricar um portal que me leve a abraçar o meu eu, no espelho e, dizer-lhe que afinal ambos somos ilusões. Quando tal suceder, ficarei a saber o que é isso da “alma”. Entretanto ando como entalado entre os palpos-de-aranha para entender em profundidade essa noção do tal “Sexto sentido”. Lá erei de virar aracnídeo para chegar a essa peça sensorial?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:44
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Quarta-feira, 31 de Março de 2021
N´GUZU - XXXIX

CONHECER O BRASIL – CANDOMBLÉ O culto dos santos, promessas e bênçãos, bentinhos e patuá com bolsas de mandinga, o feiticeiro…

- Crónica 3134  - N´Guzu é força (Kimbundo) - 31.03.2021

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Por soba15.jpg T´Chingange – No Algarve do M´Puto

Em torno de cânticos e ritos, temos animais para sacrifícios, alimentos, velas e, um altar com Nossa Senhora e do Senhor do Bomfim, muitos tambores chamados de macumbas e ervas mais amuletos para o preparo de banhos. Assim, envolto nesta superstição africana chamada de candomblé, também conhecido por Xangô em Recife e Alagoas, aqui me encontro com descendentes de ancestrais africanos; Um culto organizado oriundo dos escravos e libertos do tempo Imperial brasileiro, trazendo as crenças do sobrenatural de outras vidas e outros lugares. 

No Rio Grande do Sul estes eventos são chamados de batuque com muitos e diferentes sons de tambores animando o culto dos santos, promessas e bênçãos, bentinhos e patuá com bolsas de mandinga, o feiticeiro que fala coisas num Idioma africano de nigero-congolês ou coisa assim, linguajando felicidades de sorte e protecção com manuseio de objectos com poder.

quilombo4.jpg Numa perspectiva actual poder-se-á definir o candomblé como uma das maiores instituições religiosas criadas pelos afro-brasileiros na Bahia desde o início do século XIX, quando pela primeira vez foram feitas referências a essa expressão em documentos policiais. Assim, com a cumplicidade de vizinhos próximos aos quilombos, foram localizados em alguns bairros citadinos líderes de rebelião ligados a estas irmandades religiosas Xangós com macumbeiros.

A vitalidade destas crenças com extraordinária resistência, tomaram grande impulso a partir da data de abolição da escravidão no ano de 1888 - (A Lei Áurea, oficialmente Lei n.º 3 353 de 13 de maio de 1888, foi a lei que extinguiu a escravidão no Brasil). Os candomblés do século XX já um pouco modificados após a morte dos velhos africanos, tornaram-se uma das maiores manifestações desta religiosidade tendo como base de afirmação a especifica identidade com o culto aos orixás e santos católicos.

quilombo3.jpg Através dos seus ritos, executavam festas, iniciações e incorporações dos santos com cânticos e tambores sagrados de diferentes tradições tais como o jeje de tradição daomeana e os n´golas de cultura banto a juntar aos nagôs, os mais autênticos na tradição africana da Bahia. Verificando-se diferentes tipos de candomblés, não impediram no passar dos anos a união tecida entre crioulos, escravos, homens livres, entre negros e brancos de alguma posse e, até autoridades.

A fim de lutarem contra a opressão e discriminação, os afro-brasileiros criaram com tolerante flexibilidade os cultos como uma reinvenção cultural de negociação dos negros, como se o fora, uma representação politica As autoridades da época viam estas agremiações como seitas de bárbaros costumes religiosos a que designavam de calundus, baseando-se na suspeição de que havia neles a prática de feitiçaria.

quilombo1.jpg A base institucional para a censura aos candomblés ancorava-se no artigo 179 da Constituição fixando a condição para exercício desse direito, que garantia a “todos” a liberdade religiosa no respeito à religião do Estado e à “moral pública”. Foi a partir de 1830 que legislaram sobre a proibição ou o cerceamento de candomblés, batuques, zungus, maracatus, “danças de pretos e casas de fortuna”.

Entre os muitos “feiticeiros” da Cidade do Rio de Janeiro no século XIX, destacou-se na década de 1870 um tal de Juca Rosa, um famoso curandeiro e adivinho. Em suas cerimónias havia práticas de diferentes origens como iorubás, católicas e bantas. Sua casa-terreiro, era frequentada por muitas pessoas, em geral negros e pobres, mas também representantes da elite. 

Bibliografia consultada: Brasil Imperial de Ronaldo Vainfas

Crónica publicada em KIMBOLAGOA do FB a 29.03.2021

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:29
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Domingo, 28 de Março de 2021
N´GUZU . XXXVIII

CONHECER O BRASILQuilombos ou Mocambos, uma forma de resistência à opressão esclavagista…

Crónica 3133  - 28.03.2021 - N´Guzu é força (Kimbundo)

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Posoba24.jpg T´Chingange – No Algarve do M´Puto

A resistência e opressão escravista com fuga e formação de grupos ficaram conhecidas na história do Brasil como quilombos. A conjuntura do século XIX conferiu algumas características específicas aos Quilombos do Brasil monárquico, Imperial. Se os quilombos sempre estabeleceram algum tipo de relação com a sociedade escravista, no século XIX essa interacção fez-se ainda mais notória por via do desenvolvimento económico e social.

No que concerne ao crescimento das cidades e da população dita livre e pobre, de uma maneira geral, originou o surgimento de uma opinião pública antiescravagista que, posteriormente deu origem a vários movimentos abolicionistas. Alguns quilombos organizaram-se próximo a grandes cidades, como os quilombos de Iguaçu, no Rio de Janeiro.

quilombo2.jpg  No século XIX, escravos aquilombados, beneficiando da topografia da região, criaram acampamentos provisórios às margens dos rios Sarapuí e Iguaçu, áreas cercadas por matos e manguezais. Mantinham assim contactos permanentes com barqueiros, taberneiros, mascates e comunidades de sanzala das fazendas vizinhas, fazendo desta forma, chegar seus produtos aos mercados da cidade.

O Quilombo do Malunguinho, nas proximidades do Recife, reuniu não só escravos fugidos, mas também índios e brancos fora-da-lei, entre os anos de 1817 a 1835. Numa organização mais militarizada, esses quilombos mantinham-se nas matas do Catucá por quase duas décadas; estabeleceram assim uma série de relações de apoio com sectores da população que os acoitavam, informando-os sobre os movimentos das tropas, os ditos macacos com quem até, negociavam.

quil5.jpg Os quilombos oitocentistas um pouco por todo o lado e, próximo a pequenos povoados e fazendas, seus membros formavam grupos que viviam do saque dessas áreas vizinhas provocando até relações não amistosas com os escravos residentes. Quilombos maiores e mais afastados de regiões habitadas, possuíam em geral uma economia própria negociando seus excedentes como se fossem vulgares camponeses.

Em áreas de mineração, os quilombos combinavam agricultura de subsistência com o garimpo mantendo relações de colaboração com as comunidades de escravos das sanzalas bem como com vendeiros e taberneiros das vilas e cidades. Milhares de quilombolas maranhenses envolveram-se directamente nas agitações políticas da população livre da província após a independência, com intensa participação nas lutas da Balaiada entre 1838 e 1841.

quilombo4.jpg  No extremo norte do país, organizados em comunidades camponesas, protegidos pela imensidão das matas amazónicas, faziam chegar à costa seus produtos por via fluvial alcançando também os quilombolas independentes do Suriname por intermédio de grupos indígenas, índios. Em 1838, a fuga colectiva de centenas de escravos liderados por Manuel Congo para as florestas próximas de Vassouras, no Vale do Paraíba, resultou na morte do seu líder por enforcamento, condenado pelo crime de insurreição.

A repressão os quilombos consumia milhares de capitães-do-mato e a maior parte dos efectivos das força policiais e volantes das cidades e vilas. As fugas em massa multiplicaram-se nas décadas de 1860 a 1870 sendo mais notórias na última década da escravidão estabelecendo ligações com diversos grupos abolicionistas. O Quilombo urbano de Jabaquara, em plena cidade de Santos, constituir-se-ia no símbolo mais poderoso dessa aliança entre escravos fugidos e movimento abolicionista, determinante para a abolição definitiva no Brasil com a assinatura da Lei Áurea a 13 de maio de 1888.

Nota: Já publicado em KIZOMBA do FB em 24.03.2021

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:24
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Terça-feira, 23 de Março de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLX

ANDO A COMER TERRA, ANTES QUE ELA ME COMA - 20.03.2021

Crónica 3132 - Será isto, um toque de Oleiro?

araujo 101.jpg

Por soba24.jpg T'Chingange - no M'Puto

Nos séculos XIX e XX, o determinismo da matéria passou a ser venerado. O homem passou a explicar sua origem por meio de um processo mecanicista-evolucionista chamado naturismo.

Há pessoas que não acreditam na existência do Oleiro. Diz o tolo em seu coração: "Deus não existe". Corromperam-se e cometeram actos detestáveis; não há ninguém que faça o bem... (Sl 14:1).

araujo17.jpg E, o Oleiro olha dos céus para os filhos dos homens, para ver se há alguém que tenha entendimento, alguém que busque a Deus. Em seu livro Evolution in Ethics, Julian Huxley diz: “Minha fé está nas possibilidades do homem: espero o êxito de minhas razões para aquela fé”... (p. 212). O existencialismo ateu, por sua vez, defende a ideia de que o homem é o ser pelo qual o nada vem ao mundo. “No estado de abandono em que se encontra, o homem deve inventar seus caminhos”, diz o filósofo Felicien Challaye.

araujo20.jpg Por outro lado, há os que crêem na existência do Oleiro, mas não se submetem ao toque de Suas mãos. São insubmissos; o perigo reside nesse ponto. Em nossos dias, poucos fazem essa confissão. Vemos, portanto, que uma grande fatia da humanidade nega a existência do Oleiro. Não cursei Teologia, não sou pastor mas, existe em mim, tal como tantos outros, uma religiosidade de epiderme que como uma espécie de maquilhagem aqui e ali, entre família, entre amigos e quase todos, tendo a esconder a triste realidade espiritual da minha áurea, em meu próprio templo.

araujo42.jpg Enquanto isto persistir, não serei barro submisso nas mãos do Oleiro. Mas tento, comendo barro feito terra argila verde, antes que ela me coma. Faço-o desde há muito tempo para desfazer a azia e, resulta! Faço-o com subterfúgio de queimar a acidez, manter o meu PH anexando a vitamina D3 mas, se calhar este carácter é um reflexo casual do toque das mãos do Oleiro. Há coisas que mesmo normais na vida, parecem ser segredos...

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:47
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Sábado, 20 de Março de 2021
MALAMBAS - CCLVII

A AMIZADE, NO MUNDO JURÍDICO, NÃO EXISTE...19.03.2021

HOJE, O ALGORITMO, COMANDA-NOS... Crónica 3131 - Meditação de T'Ching

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Por soba24.jpgT´Chingange – No Al gharb do M´Puto

No mundo jurídico, existem as chamadas “brechas da lei”, das quais competentes advogados fazem uso para adiar ao máximo a condenação de algum cliente ou conquistar as mais surpreendentes absolvições de indiciados. Todos temos conhecimento de muitos e, de megas processos que se arrastam tanto que até a vontade prescreve seu entendimento. Uns são rasgados, outros cortados a tesoura por republicanos procuradores e muitos outros, omitidos por conveniência de uma das partes. Por vezes, todos somos lesados e, a bem da Nação, assim ficamos, entenda-se…

roxo118.jpg Francis Bacon (Procurador-Geral da Grã-Bretanha - 1607, fiscal-geral - 1613, guarda do selo – 1617 e grande chanceler – 1618) disse: “Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto”. Cícero, o grande orador romano, chegou a reflectir: “Existirá algo mais agradável do que ter alguém com quem falar de tudo como se estivéssemos falando connosco mesmos?” Coitado daquele que não pode pagar a um advogado, que tenha esse condão de amontoar as malambas (palavras) certas no argumento de absolvição. Quando tudo isto nos acontece, refugiam-nos entre amigos...

sacag11.jpg Há pessoas que têm facilidade para fazer amigos. Outras, tomam poucas iniciativas nesse sentido, o que não significa que não apreciem tê-los. Mas, na vida de todos os dias, também há quem queira encontrar alguma “brecha”, ou até as crie, na tentativa de justificar atitudes que relativizam princípios, visando ao ganho pessoal ou material menosprezando a amizade! Já passei por isto! Quem nunca o passou? Nunca digas nunca! Relacionamo-nos com a família, os vizinhos, colegas de trabalho e os amigos. Trazemos essa necessidade de relacionamento desde que nascemos. De facto, está em nosso ADN: não podemos viver isolados mas, cuidado: - Muitos mascaram o apego a um poder ou, interesse em viver sob os holofotes com o argumento de prestação por serviço altruísta.

algoritmo1.jpg Pesquisas têm revelado o valor da amizade, mas não se impressione com seu perfil numa rede social da actualidade que abriga inúmeros amigos virtuais porque, de acordo com o antropólogo britânico Robin Dunhar, o máximo de amigos que podemos ter em mente é de150... Mesmo assim, dentro deste número, há uma variante entre 5, 15 e 50, na qual estão os mais, os mais ou menos e os menos íntimos e próximos. Para mantê-los, será preciso pelo menos fazer uma ligação a cada 7 dias e, nunca deixar de retornar os contactos recebidos quando for o caso. A amizade contribui para elevar a auto-estima, melhorar o estado depressivo e, entre outros benefícios, a condição cardíaca.

algoritmo3.png O amigo está presente em toda e qualquer situação. Na adversidade, ele surge como um irmão. Mas, é nas injustiças que nos debelamos com a leviana ou mentirosa acção de quem nos trai, de quem nos contorna a vontade de querer no ser-se honesto. Os advogados, esses, os tais de bons, por interesse e por vezes, enforcam-nos nas palavras... É esta a vida ALGORITMA (algoritmo de Inteligência Artificial que pode provar que a realidade é, na verdade, uma simulação) em que o mundo nos destina, hoje. No conceito original deste palavrão, a ideia é que no conjunto de instruções sub-reptícias, nos levem a ser o que se lhes parece, com uma resposta certa e a gostar da Coca-Cola…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:18
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Quinta-feira, 18 de Março de 2021
LAGOA DO PUTO (M´Puto) . VIII

Fábrica de letras da kizomba (Kimbo) - 17.03.2021

Crónica 3130 . “ A Torre da Lapa e seus cazumbis antigos com piratas ”

LAPA3.jpeg

Por    soba002.jpgT´Chingange – No Al Gharb do M´Puto

Dando continuidade aos meus passeios ora matinais, ora vespertinos pela orla marítima de Lagoa do algarve no M´Puto, dou aqui conta da beleza em daqui se vislumbrar o horizonte curvo de só mar a dilui-se com o céu a sul. E, assim entre moitas de aroeiras, vislumbro rastos de coelhos, lírios, gladíolos, tulipas do mato com zimbro, maios-roxos, tomilho, arruda, estevas de flor branca ou vermelha e várias espécies de ophrys speculum entre muitas outras variedades que atraem abelhas com seu florido colorido.

O garum ou liquamen supostamente feito no lugar de Presa de moura, era um género de condimento muito utilizado na Antiguidade, especialmente na Roma Antiga. É feito de sangue, vísceras e de outras partes seleccionadas do atum ou da cavala misturadas com peixes pequenos, crustáceos e moluscos esmagados; tudo isto era deixado em salmoura e ao sol durante cerca de dois meses ou então aquecido artificialmente. Este produto era exportado para várias partes do Mediterrâneo.

lapa9.jpg Há notícias de exportação de garum para Atenas, no século V a.C. A existência de numerosos vestígios de fábricas detectados no litoral mediterrânico da península Ibérica, provam um nítido crescimento desta indústria conserveira. Em Roma, o garum chegou a ser um produto de luxo, chegando a atingir 1 000 denários…

Em Portugal, a maior concentração de vestígios de unidades de fabrico de garum localiza-se no litoral algarvio. Na região atlântica há a referir os restos descobertos na baixa pombalina de Lisboa. No Alto de Martim Vaz (Póvoa de Varzim), na praia de Angeiras (Matosinhos) e no estuário do rio Sado, em Creiro, Rasca, Comenda, Ponta da Areia, Moinho Novo, Troia, um dos mais importantes centros conserveiros da Hispânia.

lapa11.jpg Mais recentemente (2007), foram descobertas vestígios de cetárias romanas sob a marginal nascente da vila de Sesimbra. As ruínas destas fábricas, até agora achadas em território português são constituídas pelos tanques ou cetárias (tanque de forma rectangular de dimensão variável, destinado à salga e fabrico de diversos molhos e outros preparados de peixe), na época romana destinados à salga de peixe e à preparação de conservas, normalmente de alvenaria. As conservas de peixe destinadas à exportação eram embaladas em recipientes de cerâmica, as ânforas

Apesar das fontes clássicas serem pródigas em referências aos molhos e pastas de peixe, eram muitos e variados os métodos de processamento de peixe com vista à sua conservação. Se o peixe fumado não era prática corrente no mundo mediterrânico e no sul hispânico, já a secagem ao sol era empregue, embora as fontes sejam escassas a este respeito. Eliano refere a secagem do peixe para produção de farinha. São, todavia, os “salsamenta” e os molhos e pastas de peixe salgado os produtos mais comuns, até porque o comércio de peixe ou seus derivados salgados era uma forma de assegurar boa parte das necessidades de sal das populações (refere Plínio)

lapa12.jpg De terra, é visível neste ecossistema costeiro a avifauna marinha podendo avistar-se nestas arribas, muitos pombos bravos das rochas, gralhas, gaivotas, a andorinha real, o ganso-patola, o corvo-marinho, com sorte pode avistar-se o falcão peregrino. Avistam-se nas falésias muitas fissuras inacessíveis a predadores pelo que constituem o local seguro para repouso e nidificação. Abaixo da linha da maré, a biodiversidade pode ser apreciada na complexa forma dos fundos ou baixios com calhaus, bolsas de areia e vertentes rochosas com pradarias de erva marinhas aonde se alojam peixes juvenis invertebrados e até espécimes emblemática como os cavalos-marinhos; pode avistar-se variedades de algas, lapas e búzios assim como caranguejos das pedras.

LAPA03.jpeg Chegado à Torre da Lapa, posso certificar-me ter sido construída no século XVII. De forma circular, com seus cinco metros de diâmetro e 4 de altura, era do seu topo que se vigiava este mar. Os facheiros  faziam fogueiras no seu topo com ramos verdes para que através do fumo durante o dia e fogo nas noites, alertassem as guarnições e população da região.  Para terminar, esta costa era muito cobiçda por piratas muçulmnos que se abastecim aqui de gente escrava e géneros de alimentação tais como figos, amêndoas, azeite e alfarroba…

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:41
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Quarta-feira, 10 de Março de 2021
MUSSENDO . XVIII

(08.03.2021) – DIA INTERNACIONAL DA MULHER... 10.03.2021

Crónica 3126 - Ando cafuzo! - Vamos devolver à mulher o seu lugar de honra, não só hoje...

 araujo36.jpgMUSSENDO é uma estória mais longa do que um simples missosso, com mitos e lendas...

Por  soba24.jpgT'Chingange no Al Gharb do M'Puto

Diz-se que Cristo quebrou padrões, tratando as mulheres como iguais, pois nas reuniões em que Ele pregava tanto homens como mulheres tinham o privilégio de O ouvir, embora se saiba que o ensinamento judaico prescrevesse que a mulher ficasse em casa e, só saísse à rua com permissão do marido.Depois de haver criado tudo o que existe, no sexto dia Deus criou o homem e lhe deu um trabalho. Sua tarefa foi dar nome a todos os animais da Terra. E entre eles, Adão não encontrou ninguém que lhe fosse igual.

araujo69.jpg “Eva foi criada de uma costela tirada do lado de Adão, significando que não a deveria dominar, como a cabeça, nem ser pisada sob os pés como se fosse inferior, mas estar a seu lado como igual, e ser amada e protegida por ele” - Em verdade, Cristo restituiu à mulher a igualdade com o homem que lhe havia conferido na criação - mito ou lenda, assim ficou escrito...

Há entre homem e mulher uma diferença de sexo, mas isso não deve criar separação ou desigualdade, mas produzir unidade e multiplicação, no casamento de X com Y. Foi assim até que, recentemente, os homens criarem outras leis, noé!? No Oriente, um homem não aborda uma mulher estranha na rua e conversa com ela. Os judeus consideravam extremamente impróprio que um homem, dialogasse com uma mulher em público.

araujo35.jpg Daí, a surpresa dos discípulos ao encontrar seu Mestre envolvido em conversação com uma mulher, junto ao poço de Jacó. Entretanto, Jesus revolucionário era assim mesmo: Ele não tinha preconceitos, nem contra os samaritanos, nem contra as mulheres, nem contra ninguém...

Ele elevou a posição das mulheres de Seu tempo, vítimas de preconceito e discriminação. Os judeus as consideravam seres inferiores e não permitiam que elas adentrassem o templo além do átrio das mulheres, e menos ainda que tomassem parte activa no culto, falando ou orando em voz alta. Os mais radicais diziam que era melhor queimar a lei do que ensiná-la a uma mulher.

Mas no ministério de Jesus, as mulheres acompanhavam o grupo apostólico ao se deslocar de um lugar para outro. Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idónea diz no Génesis 2:18. E Deus, sábio e companheiro, resolveu o problema de solidão, dando Eva a Adão. Desde então, a solidão do homem foi resolvida com a companhia de uma mulher (era assim...hoje não o é mais...)

araujo34.jpg O facto de Deus dar a mulher ao homem colocou Adão, e todos os demais, em um status superior em relação ao sexo feminino? O relato da criação de Eva, nada tem que justifique essa interrogação. Pelo contrário, destaca vários elementos que se referem à sua igualdade. Essa igualdade é retratada no conceito de auxiliadora idónea, na união matrimonial mas, as palavras mudam no tempo - culpa da semântica...

Ao definir a mulher como auxiliadora idónea, Deus colocou duas ideias importantes para se entender a unidade do casal. Em hebraico, a palavra “auxiliadora”, nunca é usada para designar um ajudante subordinado.

araujo38.jpg Refere-se sim, a uma pessoa que tem a capacidade de prestar auxílio. Por isso, mulher se define como auxiliador do homem. Deus é auxiliador do ser humano porque está plenamente capacitado para ajudá-lo e quer fazer isso. Auxiliar não é demérito... O facto de Deus ter poder e auxiliar o ser humano é visto na criação dos céus e da terra, do mar e de tudo o que neles há. O mesmo ocorre com a palavra “idónea”. Em hebraico, significa “equivalente”, “duplicado”, “parte oposta”, “complementar de outra”. Por determinação divina, a mulher está plenamente capacitada para auxiliar o homem como uma pessoa igual a ele. Bom! O inverso também o será verdadeiro, noé! Ando cafuzo!

Ilustrações de Costa Araújo 

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:49
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Sábado, 6 de Março de 2021
XICULULU . CXXXIV

FALAS VADIAS – 06.03.2021

Crónica 3124Pior mesmo é quando todo o dinheiro de promessas, nos engravidam o vazio de nossos bolsos …

Xicululu: - Olho gordo; Avareza; Cobiça

roxo92.jpg Por soba24.jpgT´Chingange – No M´Puto

Como jogo de baralho que trunfa e destrunfa, como só sendo coisa de menor importância, sinto-me Ás de Espadas amarfanhado no bolso direito das calças de pijama. Isto, num tempo normal, nem teria qualquer relevância mas, sucede que foi nesse Ás de Espadas que anotei a palavra passe do abracadabra INIMPUTABILIDADE. Sim! A palavra mágica contendo os meus muitos rascunhos e sentimentos de toda uma vida – desajuntados à balda em trechos curtíssimos.

O quê!? O senhor não me pergunte nada! Como assim! Isso, coisas assim tão de misteriosas, não se perguntam. Claro! Assim mesmo, porque quem pouco fala, fica com a sabedoria alheia sem despender nem depender dum ai ou ui. Deste feito e assim calado, posso crescer e minguar como pastilha de chwingame, chiclete de bolinha e crocante de mascar, que se mastiga no giro da memória inteira. Copiou?

ás espadas1.png Agora que a Pátria anda a ficar velha medrosa, madraça de males desgraciados e endividada por muitos vindouros anos e, até muito caloteira, dá-me vontade de gritar hó Evaristo!  Gritar de atravessado para espantar o medo medroso e, para não ficar pior que nem um “Deus me livre e guarde” como se fora uma carraça entre dois dedos e, tendo os dois, polidas unhas assassinas. Ué, poispois… Minha avó, era assim que matava piolhos nesse tempo de carraças…

Num lamber frio de que o senhor já sabe: - viver neste agora é um edecétera e tal. Afinal é isso?! Sem tirar nem pôr, é a possibilidade de capacitação que um qualquer por praticar certo acto, pode ou não cometer crime consoante o poder de sua penumbrosa acção, por ser de coturno hierárquico ou ainda porque está inserido numa certa função. Isso! Que tem em seu ADN essa tal palavra passe “password” de INIMPUTABILIDADE – (livre de culpas). Definido por lei e por via de certas peculiaridades …

roxo137.jpg  Ora, ora, filhos da truta. Não, não é isso! A bem da nação têm esse beneplácito de errar usando esse subterfugio de que aconteceu à sua revelia, porque “não o queria” e vai daí, algo mal feito, se desculpa de qualquer punição – fica isento de culpas. São ossos do ofício, sempre acabam por o dizer como desculpa de coitadinho ou coitadinha…

Essa espécie de egoísmo misturado com inimputabilidade que em Portugal dá frequentemente à costa em modo de chico-espertismo – coisas de politiquice… Então, se são incapazes de culpas, lá terão de ser incapazes de competência e serem substituídos. Não? Serão só coisas “ilícitas”, sem culpa formalizada…Ora, ora!

roxo146.jpg  Essa será uma lei oligofrénica, que afecta a capacidade intelectual de todo aquele que fica a seu mando, subordinado a… Issoisso! Prática de gente que tem deficit de inteligência também chamada de idiotice ou imbecilidade – alguém portador de bitacaias na ética, no cérebro ou seu perfume, um tal de QI. Agora, o senhor entende o porquê de eu mesmo sendo feiticeiro T´Chingange andar com essa carta Ás de Espadas no bolso? Olhe, o M´puto é pais de oito ou oitenta.

Pópilas! Antes de poder ver, já pressentia, sabe. Antes que me julguem, eu até que nem queria espiar. Será assim que a vida socorre à gente certos avisos, sabe. Olhe senhor: Os nossos governantes andam por demais enfolipados em cativações com foles mal costurados. Pior mesmo é quando todo o dinheiro de promessas nos engravidam o vazio de nossos bolso - os mesmos aonde cabem os Ás de Espadas…

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:13
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2021
MUJIMBO. CXIX






O SOL morre sem sepultura e, todos os dias isto se repete…

Portanto, vou pôr o burro às costas e o arado a comer - 14.01.2021

Crónica 3101

Por

T'Chingange – No Algarve do M´Puto

:::::1

Ser dono definitivo de mim, é o que eu quero, na sequência de sempre o querer, mas por vezes muito amiudadas, estremecem dentro de mim, por se repetirem alvoroços nos meus arrabaldes e, como se quase o fossem, intimações! Acalmando meu fôlego de branco mazombo pálido ou até avermelhado, engrosso meu próprio nojo na vontade de pensar de mim uma decisão… E, quase sempre não sou nada nem alguém…

:::::2

Abro as quatro janelas de minha cubata para arejar, os quartos, a sala, o meu espaço de escritório e o meu espaço de lambiscar securas, lugar do café com leite para calar as tremuras que sobem dos tornozelos até aos zingarelhos a dar forças superiores e fazer funcionar os neurónios sem despairecer o cerebelo…

:::::3

Surripiando miúdas palavras legitimo-me nos silêncios picados das mutucas porque de tão fechado na minha sina, no meu mukifo, não haverá um sim no meu possível definitivo futuro mesmo que, adivinhado numa lei-fofa (off) simplificada. Não fora eu aposentado e estaria aflito nesta regra com prescrição de princípio e, cláusula de simplificar ou minimizar a resiliência de forma macia, almofadada ou elástica na tufada gravidade… O que tem de ser, será!

:::::4

Bolas!? Eu que nem sou homem de noitadas, vejo-me na contingência de purgar a paciência sem alcançar dois dias a fazer um tik tok personalizado; a não ser só, mascarar-me feito Zorro, sair à rua sem ter de assaltar que nem assim e, só; ter de viver enfileirado numa perigosa missanga. Permanecer assim duvidando de onde e aonde se apanha o tal tik do tok feito mutuca, sem nem ter o tamanho dum pernilongo - Filho do capeta gelatinoso, melga lambido de cuspo.

:::::5

Bom! Depois e, já na minha açoteia, estendo-me na cadeira de kota T´Ching, chamuscando-me ao sol da kúkia, literalmente a chupar a tal de vitamina D. Sem nuvens e, até que tirite de frio, ali fico até o desaparecer do Sol, lá para os lados do barlavento - feito brisa. Ficar assim repassado num creio que nada creio, num teste que me solta a venta, merdas e coisas sem loisas. Não fora meu entender, se por azia reumática, ou se por andar pingando medo feito água quente.

:::::6

Neste processo de desmudar os costumes, uns ficarão mais iguais e outros, logicamente, mais desiguais a indicar a todos que afinal ainda não fomos terminados… Ué, viver nste agora, torna-se mesmo muito perigoso. É aquela velha estória que aqui explicito: -Era um era e, não era; andava lavrando com dois carrapatos! Veio-lhe a notícia que o pai era morto e a mãe por nascer. Pôs o burro às cotas e o arado a comer… Hem! Hem! Hem… O que mais penso e testo em explicar: Todo o Mundo, é louco - o quanto baste…

O Soba T´Chingange








PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:37
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Sábado, 19 de Dezembro de 2020
MALAMBAS . CCLII

FALAS NATALÍCIAS - 19.12.2020

Crónica 3093 - LENDA OU NÃO, TUDO SE TERÁ PASSADO NUMA CERTA FORMA, NOÉ!?

Por

t´chingange2.jpg T'Chingange - No Algarve do M'Puto

pal1.jpg De acordo com uma "lenda", quando Jesus ascendeu ao Céu, alguns anjos se mostraram curiosos para saber algo mais a respeito da experiência Dele na Terra e, foram interrogá-Lo a respeito. Podemos até imaginar como sendo um conjunto de jornalistas dos dias de hoje e, no M'Puto desde a Rádio Katekero, ao sempre presente Correio da Manhã, entre outros - enfim, um batalhão de gente licenciada e cusca para eventualmente nos elucidar ao seu jeito jeitoso…

E, as perguntas começam: “O Senhor fundou um grande movimento? Quantos seguidores deixaram?” A isto, Jesus teria respondido: “Geralmente Eu atraía grandes multidões, mas deixei apenas 11 discípulos, alguns poucos amigos e, outros dedicados seguidores.” E, na ordem conferencista vêm as periclitãncias dos jornalistas feitos anjos: “Bem”! Muxoxos de interrogações na sala, “sendo tão poucos, certamente devem ter sido seres humanos excepcionais, com excelente carácter, pessoas influentes e competentes em suas comunidades e também de sucesso profissional!? ”

dom5.jpg Caso fosse hoje e, aqui no cantinho, fim da Ibéria os “anjornalistas”, interrogá-lo-iam acerca de algo que faz bulir nossos neurónios como a SAÚDE, o SEF e a morte dum cidadão, da TAP e seu/nosso afunilamento, as virtudes de se ter um presidente popular e vedeta vulgarizado no selfie, com ou sem vassoura a faze de pau e, a economia com muitos outros edecéteras; algo de que em um momento todos falam com palpites e palpitações...

A resposta de Jesus teria sido: “Realmente, eram fora do comum; alguns pescadores, um colector de impostos, pessoas simples.” Os anjos repórteres radialistas e anjos da TV continuaram: “Nesse caso, formavam um grupo extremamente leal e confiável”!?. Sempre perguntas de sacar astúcias... Jesus fala: “Eles tinham uma vontade imensa de ser leais, mas, no momento mais crítico, um deles Me traiu, outro Me negou, e quase todos os outros fugiram.” Na sala apinhada um Óhóóóó gigante no alarido. Alguém levantou as mãos e disse: - Deixai ouvir!...

demo1.jpg Dum sindicalista “anjornalista”, representando os fazedores de cruzes e pregos artesanais saiu a pergunta: “E o Senhor ainda espera que esse grupo continue Seu trabalho? Tem algum plano alternativo?”. Jesus teria respondido: “Não, não tenho plano alternativo. Esse é o grupo com que posso contar.” À parte da "lenda", o facto é o de que os discípulos aos quais o Mestre incumbiu a tarefa de pregar o evangelho e estabelecer Sua Igreja, à semelhança dum "partido" hodierno, eram repletos de limitações. Não tinham bancos centrais nem rede de frio, ministérios da consciência, Serviços Sociais, nem verbas governamentais ou Procuradores duma réspublica acomodados no poder...

Só que não foram limitados na esperança de que Ele cumpriria a promessa de enviar o "Espírito Santo" que os capacitaria com poderes para engrandecer e testemunhar. Esperaram conforme a ordem, “unânimes em oração”, em profundas e sentidas confissões, conscientes de sua incapacidade, até que, num dia especial de Pentecostes, foram cheios dum Espírito... (Nesta estória, o Salgado, um tal dos DDT – Donos Disto Tudo, ainda não existia mas, iria aparecer sim!)

araujo117.jpg O livro de Actas que no antigamente eram Atos está cheio de factos reveladores da ousadia com que pregavam, do poder com que realizavam milagres e da pureza de vida que os caracterizava (naquele tempo zero...). Somente no poder do Espírito e n Pentecostes, foram capazes de cumprir seu papel missionário, apesar da oposição (direita e esquerda – tudojunto…). Para alguns, nem a vida era tão preciosa que não pudesse ser deposta no altar do sacrifício como povo feito cordeiro, borrego ou carneiro. A transformação foi radical. A Igreja, digo partido, débil se tornou invencível segundo as actas da Assembleia.

araujo2.jpg Em conclusão: No início dos tempos, Jesus com aquele grupo, iniciou o trabalho de fazer uma nova Época. Com o grupo do qual fazemos parte ou descendemos, Ele planeja concluí-lo. Não há plano B. A promessa contínua a mesma: “receberão poder”- Quem! Os Socialistas, pois quem!? A busca desse poder é uma experiência diária. Podemos sim, sentir isto – Porque o Espírito Santo não será derramado sobre papéis, cofres, computadores, câmaras, edifícios, mas sobre pessoas como nós – Você e eu…

ESTÁ na cara!

Nota: Crónica já publicada em KIZOMBA do FB a 17.12.2020

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:38
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXVII

FUI Á RUA DIREITA NESTE DOMINGO – PARECE UM HOLOCAUSTO

Crónica 3092 - Janelas para A VIDA13.12.2020

Por

soba24.jpgT'Chingange - No Barlavento Algarvio do M'Puto

cozinha1.jpg Confinado na minha casa, ouvindo as ondas batendo na rocha da falésia quando o mar fica bravio, telefonei para o take away a Cozinha a encomendar um frango assado com jindungo e outro sem jindungo. A moça que me atendeu, de sotaque brasileiro, riu da forma como falei e daí, ter-lhe dado o meu nome para registar no livro. Sucede que por via da pandemia, vão fechar às três da tarde e a minha encomenda que era para as sete da tarde terá de ser embalada de forma diferente.

Disse à moça que me atendeu que era o T´Chingange de Maceió e ela riu. Fala da rua Direita! Pois! Não é a casa do senhor Álvaro que cacareja? Óh, agora, riu ainda mais pois que seu patrão de nome Álvaro Faustino, em realidade ri duma forma especial ao jeito de guinchos solavancados. Uma forma de rir única e espacial. Assim foi! Antes das três horas da tarde, lá fui até Portimão, para lá do outro lado do rio Arade e, lá chegado, tudo estava embalado; era só pagar.

poluição.jpg Este senhor Álvaro estabeleceu-se há mais de quarenta anos em Portimão a assar churrasco bem à maneira de Angola e, sempre que lá vou sou contemplado com uma simpatia única tal como seu riso que enlaça qualquer tipo de empatia. Ele chegou com uma mão atrás e outra a fazer pala para adstringir o brilho do vinticinco, entalaram-no em um hotel da região assim como tantos outros e, logologo começou a fazer contas à vida. Não era gente de coçar preguiça e aconteceu montar seu ximbeco assando frangos com piripiri à maneira dos trópicos.

Meu nome da lista teve de ficar o “senhor das sete” porque a moça de Minas Gerais não soube escrever tão difícil feitiçaria de T´Chingange. Sucede que como cliente especial tive de dar meu nome do M´Puto e número de telefone, tudo em uma senha azul, numerada para ficar habilitado a um faisão feito capota a distinguir o Natal de 2020. Não sei bem o que seja mas deve ser qualquer coisa assim; a menos que seja uma trotinete automática.

pombinho2.jpgP - Regressando a casa do outro lado do rio Arade, pude ver lá no alto dos candeeiros eléctricos das rotundas e chaminés de extintas fábricas de enlatar sardinhas, atuns e cavalas, as cegonhas agraciando-nos de forma permanente com sua beleza. Com a chegada dos expatriados, refugiados, desalojados e retornados das ex-colónias, estas, parece terem feito um pacto de por aqui permanecer a fim de alegrar nossas vistas, nossas vidas também entre mistérios feitos kitukos de colono, xi-coronho, chicoronho, caluandas e outros até, vindos de Xi-Língwine ou antigo Maputo do Oceano Índico.

Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada. O amigo Álvaro deu-se conta disto como milhares de outos pensando no mesmo jeito e, meteu mãos à obra. O destino da humanidade repousa irremediavelmente e, cada vez mais que nunca, sobre as forças morais de ser-se homem. Se se quiser uma vida livre e feliz, forçosamente haverá necessidade de se restringir ao essencial e renunciar a muitas tentações; daqui dizer-se estar sempre limitado ao tempo que surge, às manigâncias dos governos e gente que comanda os sem-eira-nem-beira…  

pombinho12.jpgP - Hoje o destino da humanidade repousa sobre os valores morais que consegue suscitar em si mesma. Todos, ou quase, percebemos que o livre jogo das forças económicas, o esforço desordenado e sem freios dos indivíduos para dominar e adquirir a qualquer custo, nos conduzirão mais e de forma automática a uma solução insuportável deste problema: tanto roubo, tanta hipocrisia e corruptela - Vou dizer mais o quê?

pombinho14.jpgP - Hoje mesmo, vou-me ensinando a ser gente tomando aqui e acolá, por onde calha, o saber dos mais sábios para ficar esperto. Nem sempre homem, nem sempre jovem, já mais velho, nos intervalos, aprendo a aprender a ser grande como o Álvaro das capotas vindo de Porto Alexandre. Esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos e dos fúteis caprichos de poder. Sim! Tal como estando num mato de capim tombado pelo vento tiro aqui e ali umas fotos sem pau de selfie, surfando a vida… Quase a chegar a casa, dei-me conta do holocausto Covide 19. As ruas, desertas! Um ou outro ciclista colorido a dizer adeus, talvez por necessidade, assim, tal como o fiz acenando às gaivotas e cegonhas…

Ilustrações: P - Pombinho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:55
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Sábado, 12 de Dezembro de 2020
MALAMBAS . CCLI
A PALAVRA É UMA ALEGRIA SEM LIMITES.
Palra a pega e o papagaio; os ternos pombos arrulham! Zurra o burro e geme a rola inocentinha...
Crónica 3091 - A galinha cacareja e come térmitas! As térmitas roem como o salalé…12.12.2020
Por

soba24.jpg T'Chingange - No M'Puto

roxo95.jpg AR - Recebidas as tuas palavras, logo as comi; elas, as malambas, tuas palavras, são a alegria para meu coração. Devemos ter em mente, que a beleza e a força da Palavra não estão apenas nas profecias, nas doutrinas, ensinamentos éticos ou mandamentos...

Elas são o electrocardiograma de nossa vida, valores, aventuras heróicas, cânticos, poesia e tudo o mais o que contém. Ao invés disto, o vírus expõe fragilidades e amplifica injustiças; por via disso até já ouvi panelas a falarem nas janelas e, isto não é ficção. Por vezes as urgências das raivas necessitam de dizer alguma coisa mesmo que o seja batendo panelas chilenas, brasileiras ou até do Ruanda-Urundi. Um dia lá no mato vi-me a falar com um imbondeiro, disse a ele quanto o admirava e, ele retribui-me com múcuas que me curam a glicémia!

IMBONDEIRO1.jpg Posso garantir a vocês que escrever esta meditação feita malamba foi uma experiência excepcionalmente rica! Redescobri o prazer de estar em contato com a Natureza e, chegada a noite fui para a cama levando-a na mente. Estava bem à beira do rio Okavango (Cubango)

Não importava quantas vezes eu acordasse durante a noite, ela a malamba, continuava no mesmo lugar. Já manhã, levantava-me com a sensação de que apenas havia fechado os olhos e continuado meditando na Palavra...

embo0.jpg Se você que me lê, imaginar que isso representava cansaço, garanto-lhe o contrário, só que, obviamente, não tenho poder para criar um “Ministério da Felicidade” mas, só assim, já é uma grande bênção. Que maravilha é a Palavra! Não vou meter Deus na matéria porque creio ser inerente ou evidente mas, o que vi e, com quem estive, foi tão só o imbondeiro...

Lembro-me de em certa ocasião, depois e durante a manhã, ter a ideia de aproveitar o pequeno espaço antes do almoço, para olhar os sentimentos enovelados vendo na TV a pilhas o noticiário, as makas e coisas truculentas do dia a dia. Estava na Ovambolândia…

papoila0.jpgAR - A diferença de sentimentos foi gritante. Pareceu-me ter estado voando anteriormente sobre nuvens e, em seguida, aterrizado num lixão feito terra, globo ou o que quer que o seja... Mas, em verdade, qualquer pessoa que se expressa, corre perigos vários.

Pensei: “Por que tantas vezes trocamos o tempo que deveríamos ocupar desfrutando plenamente o tesouro da Palavra, por coisas inúteis?” Não tarda, começarão a deturpar a malamba como se desintegrassem um átomo e virá a desacreditação, o distorcer delas, as palavras, tornando-nos suspeitos de algo…

imburana vermelha.jpg Por isso, a malamba feita palavra, é tão bem-vinda como o alimento é para qualquer faminto. E, assim, falando com o imbondeiro, alegremente, pude entender suas mãos feitas ramos secos, elevadas ao céu a implorar o remédio que me iria tratar - a múcua.

Embora tudo isto seja importante, a Natureza sempre será a personagem central e, que testificam os kitukos, mistérios do nosso imaginário no sentido de sempre renovar a alegria do coração, nossa máquina... Aiué!
Ilustrações de  AR - Assunção Roxo
O Soba T'Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2020
MISSOSSO . XXXVIII

Crónica 3090 - TENHAM RESPEITO COM OS KOTAS

Do meu kamba Keller Austriaco... 09.12.2020

Por

soba24.jpg T'Chingange - No M'Puto

araujo181.jpg Não seja difícil com os idosos, eles passaram a vida inteira aprendendo a habilidade de resolver as adversidades da vida. Começo assim, pela moral da história... "Uma senhora entregou seu cartão bancário ao balcão do banco e disse: — Por favor, quero levantar 50,00 €". O caixa disse à senhora : -"Para levantamentos inferiores a 100,00 €, por favor, use a caixa multibanco”...

Ora esta! A senhora queria saber do porquê...

O empregado do banco devolveu-lhe o cartão bancário dizendo: —"Essas são as regras! Por favor, saia, se não houver mais nada a tratar... Há uma fila de clientes atrás de si".

araujo165.jpg A senhora ficou em silêncio por alguns segundos, devolveu o cartão ao caixa e disse: - "Por favor, me ajude a retirar todo o dinheiro que eu tenho na minha conta". O caixa ficou surpreso, quando verificou o saldo da conta. O empregado acenou com a cabeça, inclinou-se e respeitosamente disse à senhora: - "A senhora tem 1.300.000,00 €uros em sua conta, mas o banco não dispõe de tanto dinheiro no momento. A senhora, pode marcar uma hora para amanhã?” Então, ela  perguntou:  Quanto posso retirar agora? O caixa disse a ela que podia levantar qualquer quantia  até ao montante de 5.000,00 €uros.

-"Bem! Por favor, faça um levantamento de 3.000,00 em notas de 50,00 €, agora". 0 caixa gentilmente entregou os 3.000,00 € em notas de 50,00, de forma amigável e com um sorriso amarelo claro!

A senhora guardou 50,00 € em sua bolsa e pediu ao caixa para depositar os restantes 2.950,00 €uros, de volta, em sua conta.

araujo6.jpg A moral deste missosso é: - "Seja compreensível com os idosos; porque eles passaram a vida inteira aprendendo a habilidade de resolver as adversidades da vida."

Ilustrações de Costa Aaújo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:53
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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2020
MISSOSSO . XXXVII

Crónica 3089 - VEM AÍ UMA BAZUKA - “Vivendo e aprendendo"… 07.12.2020

FUI BOM NISTO NO TEMPO DA GUERRA DO TUNDAMUNJILA... Bazuca "bazooka", é uma arma de tiro em curva, tal como o morteiro. É o nome popularizado para o "lança-foguetes" uma arma portátil antitanque em forma de tubo. Bom! Esta outra Europeia, é uma outra bazuca: que lança kumbú…

Por

t´chingange2.jpgT'Chingange - No M'Puto

bazuca3.jpg Lembre-se dos dias da sua juventude e, antes que venham os dias difíceis e, se aproximem os anos em que você dirá: “Não tenho satisfação neles.” Tudo uma questão de tempo. Os homens quase não se interessam por esse assunto do tempo. As mulheres chegam a mudar a data se tiverem que falar nele, no tempo, nas rugas. As crianças estão longe de se preocupar com ele, o tempo. Os jovens quase nunca se preocupam com esse assunto.

Os mais idosos são os que geralmente falam sobre isso, mas quase sempre para se queixar. No geral, o jovem pensa que é eterno. Mas a verdade é que todos caminham para um fim. Logo chegarão os dias das longas orações, das noites mal dormidas, da voz e das mãos trémulas, dos joelhos fracos e cansados.

bazuca1.jpg Logo chegará o tempo da velhice. Ela vem para todos com ou sem bazuka! Bazuca é um tubo de metal com uma pilha; quando neste tubo se coloca uma granada e se liga os fios à tal pilha, ela dispara como se isto fosse o detonador e sai para fazer estragos algures.

Nos meus tempos de guerrilheiro, voluntário para a guerra da Guiné, destruí um casebre com uma bazucacada. Eram treinos intensivos a fim de estar pronto à guerra de tiro vivo e real mas, acabei por não ir porque os planos mudaram, nunca soube do porquê!

bitcoin4.jpg Aqui no M'Puto fiquei a saber que há outro tipo de bazuka, um tubo que deita dinheiro por via das carências e, para acudir à debilidade económica dos vários países que compõem a Europa. Países que ficaram de "tanga" pela paralisação do trabalho tal como o M'Puto e por via do Covid19

Há um ano atrás, não acreditaria se me contassem o que estamos hoje a viver! Diria ser uma ficção grosseira e, afinal, estamos nela sem nunca sermos mobilizados para tal, ao invés daquela guerra de Tundamunjila em várias frentes do império do M'Puto, Luso.

bazuca4.jpg A Bíblia ensina que somos inquilinos temporários neste planeta mas, ninguém dá bola para isso e, num repentemente a brevidade da vida torna-se um dos conceitos mais importantes. O sábio fala da velhice fazendo poesia. Num repente falam dum "kituko" um tal de milagre ou mistério feito arma de guerra com notas de esperança e, com nome de bazuca... E, ninguém ou muito poucos falam no texto bíblico descrito em Eclesiastes. Esse texto é considerado na Bíblia, como o Estatuto do Idoso. Ele começa com um recado para os jovens: “Lembre-se do seu Criador nos dias da sua juventude”.

dia122.jpg É interessante que temos cursos para quase tudo na vida: para noivos, pais, liderança, etc. No entanto, não se ouve falar ainda de um curso que nos ensine a envelhecer. No entanto, as sementes que plantamos no decorrer da vida indicarão o fruto que colheremos ao final...

Conta-se que, quando Luís de Camões, o maior poeta português, estava morrendo, alguém quis cumprir um costume romano de acender velas aos moribundos e, na falta de castiçal, puseram na mão do poeta um punhado de areia colocando ali a vela acesa. Diante do facto, Camões teria dito: “Morrendo e aprendendo". Isto da bazuca talvez seja somente um supositório... Verdade ou lenda, pouco importa. Foi daí que nasceu a frase: “Vivendo e aprendendo".

FELIZ SEMANA – FELIZ DEZEMBRO…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:48
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2020
MALAMBAS . CCXLIX

MALAMBA É A PALAVRA...

Crónica 3085 - Apaziguando rijezas adversas - 23.11.2020

Por

soba24.jpg T'Chingange – No M´Puto

araujo 42.jpg De acordo com um dito popular, há três coisas que são irrecuperáveis: a flecha atirada, a oportunidade perdida e a palavra falada. Pascal, filósofo e matemático francês, afirmava que “a maior parte dos problemas do ser humano é decorrente da incapacidade que tem de ficar calado"...

E, como cada qual tem no corpo um pecado de qualquer crime por pagar, de facto, uma verdade incómoda para todos nós é de que, muitas vezes, sabemos exactamente o que precisa ser dito em diversas situações, mas não dedicamos tempo suficiente para pensar na maneira acertada em como as coisas devem ser ditas, noé!?

Quando se trata de controvérsias, ou quando há necessidade de falar contra algum erro, sabemos o que deve ser dito, mas falhamos por vezes na forma como o dizemos... E, por isso, apresentamos o que nos parecerá plausível; porém, a palavra muitas vezes, sai desprovida, sem intenção ou sem o esforço de uma conversinha adulta na suficiência...

pombinho3.jpg Dizemos o que precisa ser dito, mas com aquela ponta de arrogância que causa agressão verbal nas malambas precipitadas ou até avermelhando os olhos por só se falar pedacinhos de palavras constipadas de angústia.

Muitas relações fracassam por via de agressões verbais ou palavras precipitadas. Sabe-se que, durante a infância, algumas, muitas pessoas desenvolveram uma personalidade complexada ao ser estigmatizada com termos pejorativos.

Quantos amigos já foram separados por causa de palavras inoportunas. Conflitos teriam sido pacificados, caso fossem usadas palavras brandas por uma das partes. Transgressores poderiam ter sido recuperados, caso a verdade lhes tivesse sido dita com palavras menos graves...

o vazio.JPG Não haveria tantas reputações destruídas e caracteres manchados se a palavra maledicente não fosse dita. Há tanta gente que poderia ser curada de suas feridas emocionais e espirituais se tivesse encontrado alguém que lhe dissesse a palavra sem abelhudice!

“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” foi o que li e até retive que “A morte e a vida estão no poder da língua” - reli algures... Na ânsia de sempre arrumar alguma coisa, solicito-me mnemónicas próprias de antigos responsos: Por São Brás! Por São Jesus, passo aqui sem levar a cruz! Com mil outros assuntos vagos e sem interesse, entre muita tolice, tenho em mãos uma fútil preocupação espantando a visão de ver bolos-reis deitados ao lixo, tendo tanta gente passando fome!

araujo179.jpg Amanhã! Amanhã! Calculo eu, saberei tudo; nada de desanimar! Sem saber porquê reconheço-me muito mais depois das resistências postas ao meu futuro; mas que futuro? Qual a medida verdadeira do meu apreço às notícias que correm, das intrigas internas e externas, das guerras sem apreço e sem medida, tolas quanto baste  a somar aos muitos sacrifícios com desmandos…

Feliz semana...

Nota: Esta Crónica sai também publicada em Facebook na página Kizomba... 

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O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
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Sábado, 21 de Novembro de 2020
MUXOXO . LX

NUM TEMPO COM CINSAS - AZUCRINADOS - Portugal e os bafos dos desabafos… Crónica 3084

Meu futuro é amanhã! Ontem, foi meu prefácio… Termos de acreditar que algum visitante do futuro nos traga toneladas de esperança para se acabar com a crise… 21-11.2020

Por

soba24.jpg T´Chingange – no Algarve do M´Puto

eça2.JPG Despairecendo meu espírito, olhei-o escondido com medo do fogo e do capeta feito diabo que sai por toda a parte lambendo os beiços. Com modos sortidos, nas entrelinhas, esbarra em lugares de kotas mais velhos e, assim átoa feito peste, quebra a renitência da idade. E, porque não posso tomar medidas energéticas providenciais, requebro-me nas charadas alcoviteiras para enfeitar penicheiras provocatórias, estendendo a crítica a vulgares patifarias de caixeiros feitos doutores e, até políticos…

Engomando, cozinhando, ou limpando-nos o pó como se fôramos trastes dum estado só deles, precisamos de algo a que nos apegarmos para que a fé não vacile para além do suficiente. Na vontade de fugir espantado, remoçado, muito inchado de iguarias macabras, algumas idiotas, meus espíritos passeiam-se-me no cérebro às apalpadelas azucrinando-me.

eliseu0.png Sem a preocupação gramatical, com o sujeito cutucando o verbo mais o predicado…, sem a métrica do fado, uma emergência confusa deste tempo, sem uma rima versejada por poeta que se preze, esganiço-me a fazer conversa sem sobejar esforços de conversinhas, na fé da promessa e até, sem a vergonha de estar esmolando metáforas antiquíssimas. Ninguém ainda sabe, só umas raríssimas pessoas de olhos rasgados…

Jogando búzios na zuela do feitiço, com algum esforço intelectual, remexo panelas de caldeirada muito me convencendo da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de vaidades. Metendo num pão que vai ao forno os trocadilhos e chouriço e enquanto espero, vejo os estudos feitos pela OMS que apontam uma estatística mundial como havendo 300 milhões de pessoas, de todas as idades, com depressão, considerando ser este o mal do século…

etosha2.jpg Algum tempo atrás, desconhecia que podíamos fechar o tempo dentro de casa, atazanado comecei a beber dez gotas de cannabis para truncar as vicissitudes misturando o gosto estranho com kefir, um pouco de café pilão e um pouco de mel. E assim, meto também num pão tipo croissant os trocadilhos com chouriço, por vezes morcela, no fim de sentir algum prazer de viver…

Escrevo isto olhando para a árvore gigante que meu vizinho alemão da Alemanha construiu no seu quintal, a mesma que me tira o sol de inverno porque baixou demasiado no varão, agora ensombrado; lá estão as duas máscaras que foram lavadas com sabão macaco mas, ainda não sei quanto tempo o capeta pode ficar naquela superfície de pano.

enxada quioco1.jpegMenos mal que o meu outro vizinho que veio de França e, que tudo indica ser evangélico está com o Espirito Santo. Deste modo lá serei abrangido nessa coisa do wifi… O tal padrão Wi-Fi que opera em faixas de frequências que não necessitam de licença para instalação. Acho que também serei apanhado no leque de ondas embora o tipo, tenha subido o muro até aos limites da minha altura  só para não ver sua filhinha vinda das arábias a fumar por aqueles esquisitos cântaros  com uns tubos de fazer borbulhar  o Alibabá...

Ainda que eu falasse a linguagem dos santos, para além de me ser exigida a fé suficiente, teria de me posicionar diante da minha intuição; os meus olhos teriam de me fitar, de me desafiar a enrolar silêncios nas pretensões, sem me sentir temeroso e, quanto a isto, enfeito-me de liberdade com a suficiente e possível humanidade sabendo de antemão que viver, mesmo, é um descuido prosseguido…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXIII

MEDITAÇÃO DE T'CHING

Cronica 3075 - PARA ALÉM DAS APARÊNCIAS - 31.10.2020

Por

soba002.jpg T´ChingangeNo Algarve dp  M´Puto

cinzas4.jpg Hó gente -  guardai-vos dos que gostam de andar com vestes escapulárias nos lugares de banquetes e, devorando a palavra para justificar seus princípios. Isso! Da malamba (palavra) de dissimulada aparência de piedade sem lógica plausível. Daqueles que para seu "ego" buscam impressionar pessoas pelas aparências. Falácias políticas - de quem tem o poder ou, de outros com recursos a o poder ter.

Pois! Também das pessoas que nada têm com que chamar a atenção, para além do mero barulho que fazem, semelhante ao de uma lata vazia que só raspam sons, que fazem barulho...

helder12.jpg Sons que rolam na contramão da vontade daqueles que, supostamente, apenas ensejam conquistarem a simpatia do povo. Povo que só quer ficar submisso às suas tradições.

É aqui que nos deparamos com a "vaidade" - vaidade ostentada até por líderes religiosos contraponto o brilho da autenticidade do escrito: “Aprendam de Mim, porque sou manso e humilde de coração”...

A propósito, o termo “vaidade” tem origem nas palavras latinas vanitas, vanitatis, significando vacuidade, vazio. “Como espuma de sabão” que, “quando circula pelo ar, se mostra preciosa'.

duardo0.jpg Vaidade - a luz externa que imprime brilhos fantasiosos, atractivos e bonitos mas que dentro, nada contém. Em um instante, “plaf”, rebenta, desaparece. Converte-se no que sempre foi: - “nada”.

E, há infelizmente, muita gente assim. Gente que ocupa os primeiros lugares em eventos honoríficos; gente condecorada, que recebem saudações como se o fossem: ilustres. Não! Não sigam aqueles que adoptam esses comportamentos...

dia63.jpg Tão enganoso é o coração, que precisamos atentar para os reais motivos de nossos actos, de modo que não escorram por entre os dedos motivações secretas, impróprias, que normalmente, até tentamos esconder...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:13
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2020
KALUNGA . X

MOKANDAS XINGUILADAS NO TEMPO . Crónica 3067 - 13.10.2020

HISTÓRIAS DE VIDA X … RECORDANDO A INFÂNCIA I

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual…

Por

Pedrosa1.jpg Josué Pedrosa

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbo

Pedrosa2.jpg Fazia bué de tempo, que eu ficava só triste, de ver os outros candengues, alguns pouco mais velhos do que eu, a passar na minha rua com as suas gaiolas feitas de bordão, com várias variedades de pássaros; gungos, celestes, bicos de lacre, rabos de junco, januários e de vez em quando umas viuvinhas. Na mão levavam também as varas de arame, onde enrolavam o visgo com que apanhavam os pássaros.

Eu até já tinha ido algumas vezes, com alguns dos mais velhos e via como faziam, mas não tinha visgo, nem sabia como arranjá-lo. Com o tempo, foram-me deixando acompanhá-los e lá íamos para as bandas do lado de lá da linha do caminho-de-ferro, onde anos mais tarde haveria de ser construído o Bairro do Cazenga.

Pedrosa3.jpg Figo de mulembeira - sicónio**

Naquele tempo, aquele terreno cinzento e barrento, era pela época das chuvas, cultivado pelas “mamãs” que, com os seus filhos às costas, ali plantavam batata-doce, milho e feijão. Uma ou outra vez, roubávamos umas maçarocas e ou babatas doces e tirando as “camisas” ou a pele com os dentes comíamos mesmo ali. Quando éramos avistados, só havia uma coisa a fazer; bazar a sete pés para bem longe.

Bem junto à linha, do lado de lá do dito terreno, havia uma grande mateba onde os “kambas” ficavam escondidos, colocando capim e outros arbustos para fazerem um pequeno abrigo de forma que os pássaros os não vissem. Enrolavam o visgo nos arames e prendiam estes no topo de canas, de maneira a sobressaírem por cima da mateba. No chão, uma pequena gaiola de bordão com um ou dois pássaros serviam de chamariz. Quando os pássaros pousavam nas varetas do visgo, saíam rapidamente do abrigo e apanhavam os pássaros que colocavam numa outra gaiola, para não interferirem com os chamarizes.

maximbombo.jpeg Alguns conseguiram aprender o canto dos gungos e deixaram de necessitar de levar chamarizes. Tanto pratiquei que também aprendi e ainda hoje sei como era.

Cansei de ver e de sonhar e um dia pus mãos à obra. Comprei um bordão e fiz uma gaiola que não sendo de deslumbrar, servia bem os meus objectivos que era guardar os pássaros que viesse a apanhar. Faltava, porém, o mais importante; o visgo. Sabia que era apanhado na mulembeira, mas não sabia como. Falei com os mais velhos que riram de mim e disseram que não conseguia apanhar, pois era difícil e amargo. Explicaram-me, mas uma coisa é explicar, outra a realidade.

Eu conhecia poucas mulembeiras; havia uma, bem grande, mas longe da minha casa, aí a uns três quilómetros, que ficava no lado direito do início da estrada de Catete, ali onde anos mais tarde os miúdos apanhavam o machimbombo para o Bairro Popular e Terra Nova. Como era uma árvore de grande porte, era difícil subir por ela, pois o seu tronco era de grandes dimensões e eu era pequeno, mas era aquela, a árvore ideal.

plim1.jpg Enchi-me de coragem, fiz três ou quatro palitos da casca do bordão, lavei muito bem um tinteiro vazio de tinta “Parker” que enchi de água e escondi uma catana, que enrolei num pano para que lá em casa ninguém visse. No dia seguinte, ainda cedo, pus-me a caminho e lá fui até à mulembeira. Apesar de tudo, a distância até nem era nada de especial, pois eu ia todos os dias a pé, da Terra Nova até à Escola 15, por detrás da Liga Africana, na Vila Clotilde, pelo que em pouco mais de meia hora estava no local.

Ali chegado, confesso que tive medo de subir para aquela árvore, mas tinha de tentar e, com extremo cuidado lá consegui subir. Os seus ramos eram grossos e iriam proporcionar-me uma boa colheita. Dei cerca de duas dúzias de golpes e vi os mesmos encherem-se de seiva branca como a neve. Retirei um dos palitos e comecei pelo primeiro golpe, onde a seiva começara a oxidar e a solidificar, enrolando a seiva viscosa no palito. Acabado este procedimento, colocava o palito na boa e retirava o visgo, mastigando-o como se fosse uma pastilha elástica. O sabor era horrível e era preciso estar permanentemente a cuspir para aliviar o sabor que ficava na boca. Felizmente a mulembeira é uma árvore que dá uns pequenos, mas saborosíssimos figos, pelo que, de vez em quando, comia alguns para afastar aquele desagradável sabor.

Pedrosa6.jpg Mulembeira

Lentamente, fui retirando o visgo dos golpes que fizera na árvore e quando a bola que se formava atingia um a um centímetro e meio, metia-a dentro do frasco que levara comigo. Aquele trabalho demorara não menos de umas três horas, mas no final tinha conseguido uma excelente bola de visgo que dava certamente para umas cinco ou seis varas de arame*. O desagradável era ter que mastigar continuamente o visgo, cuja bola tinha agora para aí uns três a três centímetros e meio. Quando cheguei a casa, o visgo já estava mole e pronto a ser usado; mudei a água do frasco e guardei-o onde ninguém lá de casa visse, não fossem deitá-lo fora ou para o lixo.

plau5.jpg Demorei ainda alguns dias até conseguir arranjar quatro ou cinco varas de arame, que necessitavam de ter cerca de cinquenta centímetros de comprimento e que era conveniente ser o mais liso possível, para o visgo não ficar agarrado a ele. Finalmente, munido da gaiola, do visgo e das varas de arame, lá fui até à mateba onde enrolei o visgo na diagonal de cima abaixo como vira fazer e coloquei as varas espetadas em canas e estas de forma a sobressaírem por cima dos ramos da mateba. Escondi-me no abrigo por baixo da mesma e aguardei que os pássaros viessem e pousassem sobre elas. Consegui apanhar alguns gungos e fui adquirindo prática, pois senão houver cuidado os pássaros ao baterem as asas para tentarem libertar-se, batem com elas no visgo e é quase impossível tirar-lho das penas.

plau2.jpg Fiz uma gaiola maior que se foi enchendo dia após dia, até que, admirado com a minha habilidade, o meu pai anuiu e construiu uma gaiola metálica com cerca de quatro metros de comprimento por dois de largura e dois de altura. Além dos gungos (pardais de bico vermelho) apanhei também januários e celestes. O viveiro, como lhe chamava, estava bem decorado com pequenos arbustos que transplantei lá para dentro, ninhos feitos de capim, fixos junto ao telhado e cobri o chão de areia para que pudessem comer alguma juntamente com o massango e alguma massambala que eram atirados para o chão tentando recriar o ambiente como se estivessem em liberdade. Tinha também uma bacia de plástico, enterrada na areia para que pudessem beber água e tomar banho. Estava orgulhoso, eu tinha conseguido fazer igual ou melhor que os mais velhos, mas igual ao meu viveiro não tinham; este era grande e recriava, com as devidas proporções, o ambiente de semiliberdade em que deviam viver.

imburana vermelha.jpg Mas o tempo passou, eu cresci, vieram as “meninas” e depois as Hondas, para me enlouquecerem e atirarem para as corridas e mais tarde o serviço militar. Já não eramos crianças, eramos rapazes feitos homens e criámos os nossos grupos de amigos, juntando-nos à noite no clube do bairro para as conversas e passeios próprios daquela idade. Entretanto, houve necessidade de mudança de casa e não havia espaço para o viveiro; tudo acabou e ficou a lembrança duma era da minha infância/juventude, que entendo guardar nas minhas memórias, para um dia os netos lerem e ficarem a saber como era a infância/juventude do avô e daqueles tempos numa terra lá longe em Africa, chamada Angola.

:::

Partilho com os amigos que gostam de ler e recordar esses tempos, ciente que alguns deles fizeram igual ou muito parecido.

Josué Pedrosa

(09.10.2018)

Nota* - Eu, o T´Chingange, usava finas e duras varas de um capim próprio existente no morro da Corimba ou Belas que cresciam perto de lagoas

Nota**A palavra sicónio tem origem na expressão figo em grego (sykon).



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:33
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
FRATERNIDADES . CXXVII

ANDO ENKAFIFADO – OPÇÕES DA VIDA

Crónica 3061 - MEDITAÇÃO DO T'CHING - 24.09.2020

soba002.jpg T'Chingange - no Al Garbe do M'Puto

rosa 1.jpg A ambiguidade e a incerteza, foram sempre características do ser humano e, só os poetas transformam estas minudências em força. Eles, os poetas, acalentam sonhos e planos para a nossa sociedade utópica mas, e, ao invés de verem, eles usam o olho do seu templo, o olho de sua intelectualidade.

Com sua fantástica estrutura, o olho foi definido pelo neurocientista Mark Bear, em seu livro Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso, como um “órgão especializado para a detecção, localização e análise da luz”...

roxo3.jpg Pelos olhos se identifica o caminho pelo qual as imagens se transmitem ao cérebro. Nessa interacção olho-cérebro, somos capacitados a ver todas as coisas. Desde a antiguidade que o poeta intelectual, assumiu esse papel em nossa sociedade.

E, é assim que entram em nossas vidas formatando nossa vulgar e comum vida em um "mercado público de ideias" usando sonhos, até por vezes o sofisma transcendendo ideias e, como se o fizessem na mágica proporção, por amor à verdade e à justiça...

roxo79.jpg Porém, há riscos. Que tipo de imagens, das incontáveis entre as captadas, permitimos serem gravadas no excepcional computador que é nosso cérebro? Eles, os poetas, socorrendo-se por vezes de um sentido crítico, recusando por norma as formas simples...

Recusam ideias prontas, feitas para consumir e colaborações complacentes com as acções daqueles que detêm o poder ou mesmo outros espíritos, não se esfarelando em pacifismos também por o serem, testemunhas críticas do seu tempo... Sim! Tudo parece uma contradição...

roxo81.jpg O verdadeiro intelectual, é um fabricante de consensos nos quais nós nos demoramos em admiração? Pois! Certa ocasião, o Padre Antônio Vieira disse que “a maior graça da natureza, e o maior perigo da graça, são os olhos. Duas luzes do corpo,  dois laços da alma”...

Quem tem dois olhos encherga a profundidade  por estereoscopia. Por uma fresta apenas pode ver um plano sem profundidade. Nessas duas “janelas da alma”, pode também entrar o brilho embaçado convidativo ao desvario; o padre Vieira defenia isso por pecado mas, eu que estudei trigonometria, ângulos e rectas, sei que o pecado, ou a graça da luz divina, cabe-nos na decisão de usar o cérebro, o templo, o tal olho invisível que se diz ter cor púrpura...

roxo94.jpg Agora, com ou sem pecados, travamos um combate incessante contra os poderes das trevas (um tal de vírus cvid 19 ). A mente é o campo onde a batalha será decidida para o bem ou para o mal. Mas, o problema vem dos outros  que nos transmitem  a treva e, aí estamos ou estaremos tramados, mesmo sabendo que a hipotenusa é a raís da soma do quadrado dos catetos... Isto pró vírus, já era! E, os poetas só podem vaticinar...

Nela, todos os dias se processam milhares de pensamentos e pequenas decisões que determinarão através de que mecanismos intrincados, tudo o que os sentidos captam (odores, sons, imagens) causa impressões indeléveis na mente. Essas impressões que comandam os sentimentos, ditarão nossa escolhas direcionando as decisões... Impressões que comandam hoje os sentimentos e, queiramos ou não, ditam  a actual Intoxicação Digital...

roxo53.jpgIlustrações de Assunção Roxo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:20
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Domingo, 13 de Setembro de 2020
CAFUFUTILA . CXXX

TEMPOS DE 100KIBOM. O Pão, a vida e NOÉ ... Divagações do T'Ching – Crónica 3058

– PARALÉM DA JUSTIÇA... Dois pesos e duas medidas

Por

soba002.jpg T´Chingange No M´Puto, Al Garbes

Cafufutila / kifufutila: Farinha de bombô com açúcar; Kibom é um sorvete do Nordeste brasileiro…

roxo3.jpgÀ expressão “dois pesos e duas medidas”, frequentemente mencionada no contexto dos negócios e relacionamentos do dia-a-dia, atesta que as pessoas em geral estão muito distantes desses nobres princípios... “Usem balanças de pesos honestos, tanto para cereais quanto para líquidos, foi dito no capítulo de leis do livro dos livros, que visavam proteger os direitos dos pobres, trabalhadores, surdos, cegos e estrangeiros lá no antigo mundo com Moisés anunciando ordem ao povo...

roxo10.jpg2 Assim como nesse tempo, também hoje nenhum privilégio concedido à nação justificará o tratamento discriminatório de qualquer cidadão – A distância mínima de dois metros serve para não se lançar kifufutila nos olhos, boca, nariz e orelhas dos outros. Assim o deveria ser mas, na prática, a verdade fica debilitada logologo na acção da justiça hodierna... A missão de justeza naqueles idos tempos, incluía a todos. Pessoas de qualquer origem deveriam ser amadas e acolhidas pelos donos do mando a fim de que fossem atraídas ao verdadeiro exemplo. Eram valores a respeitar...

ROXO18.jpg 3 Havia uma razão pela qual os israelitas e outros senhores, governadores e imperadores, deveriam ser honestos no trato com o semelhante: Isso era tudo para um povo que desejava fazer diferença e honrar seu nome em libertado. Não podemos hoje esquecer-nos desse princípio de valores. Se entre nós não pudermos encontrar justiça e integridade, onde e aonde poderemos considerar haver condições no mundo global em que, não desprezem esses valores? Sim! Aonde…

ara3.jpg4 Afinal, quando é que iremos ter "uma boa medida, calçada, sacudida e transbordante? Isso! Quando é que que esses “Paraísos Fiscais” serão alento para perpetuarmos a raça humana e, não somente, alguns. Usando esse antigo linguajar, qual a medida a usar para todos nós, que somos tantos, muito mais que muitos!? Como nos vamos medir... Alguns acreditam que a medida original do pé inglês era a do rei Henrique I da Inglaterra, que tinha um pé de 30,48 cm. Pois então, teremos em dois metros, 78,777 polegadas ou 2,18 jardas. Mas, será pelos pés, pelas mãos, pelo pensamento pelas acções? Não! Talvez pelo dinheiro, que tudo tende a comprar...

arau162.jpg5 A expressão comum no comércio oriental, “medida calçada, sacudida e transbordante” indicando que aquilo que fosse pesado ou medido deveria ser prensado, sacudido e, de modo que transbordasse do recipiente para benefício de quem receberia... Esses antigos tinham sua forma de pensar com retorno garantido: “A medida que usarem também será usada para medir vocês.” Pois! Eu, em tempos calçava a medida de sapato 73 mas, minguando, já só calço o 72 e, de unhas cortadas...

araujo102.jpg6 Normalmente, associamos estes princípios às questões materiais mas nesta fotografia falada teremos de não esquecer que para além de negociar, trocar, comprar e vender coisas, há virtudes e valores espirituais e fraternos a compartilhar de justiça e generosidade... Coisas dadas ao abandono! No choque do presente, um mundo imperfeito, também muito redondo nos silêncios, acho melhor nem referir o nome do patrão, do chefe ou do presidente. Eles são políticos e comem na mesma gamela… As circunstâncias medrosas não permitem que abra uma frente de guerrilha sem haver razões independentistas.

Ilustrações de: Assunção Roxo -1.2.3 e Mano Corvo Costa Araújo - 4.5.6

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:16
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2020
MUJIMBO . CXVI

MEDITAÇÕES DO T'CHING... Crónico nº 3056

ATITUDE RADICAL - Se o teu pé te faz tropeçar, corta-o... Um exagero feito forma de falar... - 01.09.2020

Por:

t´chingange 0.jpgT'Chingange No M´Puto do Al-Garbe

barao1.jpg De vez em quando, ouço pessoas, adultas anunciarem seu desligamento das redes sociais. Algumas descobriram que o tempo gasto na internet roubou delas porção ainda mais preciosa, que deviam empregar em comunhão com a Natureza, pois então...  Actividades mais frutíferas para si mesmas, para os semelhantes e para a eternidade, não se cumpre por omissão. Um deixa para lá porque Roma e Pavia não se fez num dia...

cinzas8.jpg Ninguém nega o valor das plataformas virtuais para interacção entre amigos e familiares, comunicação em tempo real à distância, e mesmo pregação duma fala mais convincente. Porém ocorre, que o inimigo sempre vai encontrar uma brecha para sugerir distrações ociosas...Isso! Conversação vazia, desperdício de tempo e armadilhas pecaminosas com muitos seios muitas, artimanhas eróticas e merdas sem sentido no aqui e, no além.  Sei de pessoas que caíram nas malhas do descaso, bem como de relacionamentos familiares que foram abalados ou mesmo partidas por via de comportamentos pecaminosos ou snobismo sem nexo.

girasol1.jpg Coisas que se oferecem inicialmente com a promessa de falsa segurança, sigilo e anonimato que somente ele, o dito cujo, sabe forjar. Pura e demagógica falsidade... No entanto, as redes sociais não são os únicos inimigos que se interpõem entre nós e o perigo. Há relacionamentos impróprios que como pecados acariciados, entram em muitos de nós. Por isso se recomenda que nos submetamos a uma cirurgia radical cortando o mal pela raiz! Mutilação de qualquer coisa que tenha o potencial de impedir nossa integridade...

ciga0.jpg Mateus, em seu quarto discurso do evangelho, adverte contra o perigo de se causar escândalo a quem quer que seja, pois os resultados podem ser eternamente fatais. E Isto, o mundo de hoje, todos o fazem com naturalidade, infelizmente.  E, caso ainda haja consciente ligação com qualquer causa indutora ao pecado e escândalo, este é o momento de renovação. Sejam radicalmente descartadas, pessoas ou coisas que se interponham entre o seu discernimento e a lógica das causas e efeitos... Detesto snobismos...

petrolina3.jpg Será melhor seguir preventivamente o conselho de Charles Spurgeon: "Não permita que seus pés andem voluntariamente  por lugares lamacentos. Nem permita que seu coração se encha com amargura”...

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:37
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Domingo, 30 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLIV

É proibido ser POBRE? - 30.08.2020

- Crónica 3055... Juntando meus estralhos, para entender se os alhos com bugalhos são um remédio eficaz para eliminar um bicho feito gelatina. Mas, então porque não fazem uma vacina com água e sabão!?

Por

t´chingange2.jpg T´Chingange – No M´Puto

roxo68.jpg A década de 1930 foi marcada por muitas histórias interessantes no Brasil. Uma delas seria cômica, se não fosse trágica. Ela aconteceu na cidade de Fortaleza, capital do Ceará. No ano de 1932, foi construído o primeiro arranha-céu da cidade. Os jornais publicavam manchetes anunciando a inauguração do hotel Excelsior. Era o orgulho da classe rica de Fortaleza. Subir até à cobertura do edifício e admirar paisagens, desde o mar até as montanhas era a diversão comum.

Uma coisa, porém, ameaçava o clima de riqueza da cidade. Desde o início da década, estava acontecendo uma das piores secas de todos os tempos no interior do Ceará, e muitas pessoas estavam fazendo o conhecido êxodo rural em direcção à cidade de Fortaleza.

apocri3.jpg A classe mais rica exigiu uma atitude do governo, que imediatamente criou sete currais cercados com varas e arames farpados, para onde eram enviados todos os retirantes da seca. Lá, eles tinham as cabeças raspadas e eram vestidos com sacos de farinha. Naquela época, era crime ser mendigo em Fortaleza, e a pena era ser enviado para esses quase-quase campos de concentração. Tratar os necessitados com maldade é pecado, sejam quais forem os motivos.

Mais que doar roupas e alimentos, cuidar com amor dos mais necessitados envolve olhar nos olhos, ouvir as histórias de vida, ajudar nos problemas emocionais, não se preocupar apenas com o estômago, mas também com o coração; estes procedimentos, aprendemos no dia-a-dia com gente do bem, familiares e afins...

pica2.jpg Mas, diz o sábio do livro dos livros que quem age assim, empresta a Deus; isso não significa que o Céu tenha qualquer tipo de dívida connosco. O que a Bíblia está querendo dizer é que, quando ajudamos uma pessoa pobre, teremos como recompensa a felicidade como devolução pelo que fizemos em forma de bênção.

Por isso, o versículo respectivo enfatiza a recompensa divina. Isso não é teologia da troca, mas um incentivo para que tratemos bem aqueles que não têm nenhuma vantagem a nos oferecer... Quando esteve na Terra, Jesus deu muita atenção àqueles que passavam por qualquer tipo de necessidade, principalmente aos pobres de espírito. Faça o mesmo por seu próximo e colherá certamente a recompensa da Natureza...

papal1.jpg De novo, volto a remover os ossos do passado espreitando pelo postigo da memória antropológica e, só graças à debilidade desta, a memória, irei fazer do tudo um romance condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão com tangas ou parras!

A nossa vida, de cada vez mais na mesma passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, com os sem etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, os cheiros encarquilhados misturam-se com iões de densidade molecular dos anos na leitura de carbono e eteceteras muito antigos e complicadérrimos… Só sei, no fim desta lengalenga, que vamos cada vez mais ficar fritos, esperando migalhas!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:44
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2020
FRATERNIDADES . CXXVI

ANDO ENKAFIFADO – OPÇÕES DE VIDA

- O tempo não passa pela amargura mas, a amargura passa pelo tempo… 21.08.2020

- Os humanos de hoje são bem piores que seus antepassados. Põem os filhos nas creches, os pais nos asilos e vão passear os cães para os porem a cagar e mijar nas ruas…

 t´chingange 0.jpgAs escolhas de T´Chingange

Porcanhot3.jpg António José Canhoto (Diniz Costa) a 20-08-2020

arau44.jpg (C.A.)OPÇÕES DE VIDA - O ter-se liberdade já é um direito à desigualdade, pois a pior desigualdade e fazer duas coisas diferentes iguais. Em princípio a igualdade repugna o homem, pois o maior empenho de cada um é distinguir-se e notabilizar-se para se desigualar. A igualdade pode ser um direito democrático e constitucional, mas não existe poder algum sobre a terra capaz de a tornar numa realidade. Em teoria podemos concordar que todos somos iguais, contudo na prática, só alguém insano pode pensar ser possível aplicar essa igualdade.

Deixe de pensar como o escritor Alexandre Dumas no seu livro os 3 Mosqueteiros os quais tinha a máxima: “Um por todos e todos por um”. Nesta nossa vida e mundo de antropofagia cada um tem de ser por si próprio num salve-se quem poder, numa selva em que os mais fracos são “comidos” e escravizados pelos mais fortes economicamente. Ninguém virá ajudar a levantar aqueles que tropeçam e caem ou salvar, se estiverem a afogar-se. Saia da sua torre de marfim pela porta ou pule pela janela, mate o dragão que o atormenta, acorde sem um beijo ou um abraço, faça-se refém de si mesmo e arreganhe os dentes, vá bem armado para a luta e mostre ao mundo quem é o lobo mau, mate a avozinha e faça amor com a netinha.

Avillez2.jpg - As nossas existências resumem-se a um período que se prolonga entre a nascença e a morte, ou dito de outra maneira, é um lapso de tempo que acontece entre duas eternidades de escuridão. A primeira acontece desde a data da inseminação dentro do útero das nossas mães, e a outra quando fisicamente deixamos de existir e de novo partimos para a eterna escuridão. Aprenda a fazer falta e a sentir-se desejado. Nunca lute por espaços na vida de ninguém e muito menos se diminua para lá caber.

O maior medo da humanidade é abrir a cortina do conhecimento e descobrir que tudo o que acreditava nunca existiu. Tudo o que ouvimos são opiniões e não factos comprovados. Tudo o que vimos são perspectivas, não são verdades ou realidades. Não perfilho da filosofia niilista como resposta adequada para a vida quando a mesma foi celebrizado pelo filósofo Friedrich Heinrich Jacobi. Contudo o seu conceito da negação de qualquer crença religiosa, social ou política agrada-me quando a sua finalidade se destina a obter um estado de consciencialização pessoal maior, mais adulto e evoluído.

roxo91.jpg(A.R.)Pessoas certas e perfeitas não existem. Todos nascemos mais ou menos errados e imperfeitos, mas só os conscientes e racionais procuram ao longo dos tempos ter consciência dos seus aspectos negativos e aperfeiçoá-los. Todos somos os lapidadores do nosso próprio diamante em bruto tal como nascemos. Há uns milhares de anos atrás, éramos apenas humanos ou em evolução para a obra de arte que hoje somos.

 A partir do momento que evoluímos e permitimos que a raça nos tenha desligado, a religião separado, a politica dividido e o dinheiro classificado, passámos a ser mais imperfeitos devido aos preconceitos que adquirimos do que à inocência que nos caracterizava há milhares de anos atrás. Os humanos de hoje são bem piores, põem os filhos nas creches, os pais nos asilos e vão passear os cães para os porem a cagar e mijar nas ruas e muitos dos energúmenos dos seus donos nem os dejectos apanham. Um amigo meu dizia com alguma propriedade, a vida é um cu, e cada um tem o seu.

araujo172.jpg (C.A.)Uns sujos outros limpos. Mas nenhum é perfeito pois todos fazem merda mais tarde ou mais cedo. Se alguém matar para roubar um automóvel é errado. Mas se alguém matar o ladrão para o recuperar já é legítimo. O direito de matar para recuperar a nossa propriedade torna-se mais valioso do que a sagrada vida do ladrão. Ando a pensar em comprar uma bicicleta mas pensando bem, isso será um desastre para a economia do meu país. Evita que eu compre carro, faça financiamento ao banco e pague juros, não compre gasolina que o governo taxa de forma injusta e insana, não precise de alimentar mecânicos pagando-lhes 50 euros por hora de mão-de-obra.

Não preciso de seguro nem de pagar estacionamento. Não fico obeso devido ao exercício físico, antes pelo contrário, fico saudável, não pago a médicos privados nem às farmácias, medicamentos que não preciso. Faça a experiência de tentar mergulhar dentro de si mesmo e veja se morre afogado em conhecimento ou de sede pela ignorância e consoante o seu diagnóstico reabilite-se fazendo os ajustamentos necessários. Deve ser tremendamente triste e sentindo dó de nós próprios quando se nasce, vive e morre com a sensação de nunca termos existido, porque quando olhamos para trás ao rasto que deixamos na nossa passagem pela vida apenas encontramos vazios e espaços brancos e, longos demais porque nunca foram vividos. 

roxo90.jpg (A.R.) - A vida não condiciona nem coloca barreiras a ninguém; é como um mundo sem fronteiras, e os únicos limites que você pode encontrar são os pensamentos limitativos dentro da sua mente os quais se podem tornar nos seus piores inimigos. Evite as pessoas que para lhes explicar algo precisa de desenhar, mas mesmo assim ainda necessita de explicar o desenho e finalmente para que a compreensão seja feita ainda terá de desenhar a explicação. Existem duas coisas importantes na nossa vida que moram dentro de nós: O motivo e o momento. Teremos várias vezes o mesmo motivo, mas nunca o mesmo momento, pois estes são irrepetíveis quer seja para nos deixarem recordações inesquecíveis ou por serem tão negativas que sentimos a necessidade de as obliterar da nossa mente de imediato.

arau1.jpg (C.A.) -E para terminar este meu texto aqui vos deixo uma história que me foi contada há muitos anos mas que jamais a esqueci. “Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, montanhas, planícies e vales sinuosas que trilhou através de países, cidades e vilas e vê á sua frente um oceano vasto e profundo onde vai desaguar e desaparecer para sempre. Não há maneira de o rio poder retornar para a nascente, assim como ninguém pode atravessar a água do mesmo rio duas vezes duas vezes. Voltar atrás é impossível na existência de um rio ou pessoa. O rio precisa de aceitar a sua natureza e entrar no oceano. Somente ao fazê-lo o seu medo se irá diluir, porque apenas nessa altura o rio saberá que não se trata de desaparecer, mas sim, em ele se tornar em oceano também.

Ilustrações de: Assunção Roxo (A.R.) e Mano Costa Araujo (C.A.)

António José Canhoto… 20-8-2020

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:36
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2020
KAPIKUA . XXX

SERÁ QUE VOCÊ SABE O QUE FAZ?

MEDITAÇÕES DO T'CHING - 20.08.2020

O risco da vida que, por coisa pouca muda nossas vidas… Crónica 3053

Por

t´chingange2.jpg T'Chingange - No M´Puto

relog1.jpg Há um provérbio que diz que a sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora. Um amigo envengelico de militância, manda-me coisas prudentes e, vai daí aguça-me o engenho da faladura. Uma pessoa prudente é sábia pois, sabe o que faz! A vida não é para ela apenas a sucessão de acontecimentos casuais. Ela pensa, medita, avalia seu procedimento, corrige o rumo de sua vida e recua quando percebe que está errada.

O termômetro para medir a “temperatura” de suas acções é a palavra vinda de cima, diz ele sem definir a dimenção quântica do tempo; se vem do além, do passado ou do futuro singindo-se a um agora, beliscado na singularidade dum nanosegundo... Se esta é a tocha que ilumina o seu caminho, acho bem que se lhe dê valor porque, somos só uma ilusão tal como o foram D. Afonso Henriques,  o Marquês de Pombal, o D. Pedro Imperador do Brasil, de Portugal, do Algarves e terras Dalém mar...

afon0.jpg E, também do Dom  Nuno Álvaro Pereira que venceu a Batalha de Aljubarrota, o Patrono dessa Ordem de Aviz que agora é indevidamente usada para atemorizar gente disparatada dos neurónios... Gente que não sabe estar, que risca a vida dos outros com mateba do mato feito morro, pintando portarias e arcadas com sangue a fingir de raiva com ódio...

Por este motivo. os minutos que você passa a sós com Nosso Senhor,  com a Natrureza, com o Alá e, ou o Buda mais o Seilásié ou o Chico Xavier que psicografou centenas de estórias. Antes de iniciar as actividades do dia, é indispensável reflectir sobre a sobrevivência do salmão! Para quê!? Para uma vida produtiva de todos os que cacarejam....

GALO0.jpg De todos os que arrulham, palram, gemem, gritam, urram, zurram e também os que grasnam, miam e assobiam com dois dedos enfiados nas goelas. Não basta apenas saber “como” realizar bem o seu trabalho. Fazendo as coisas com eficiência, você sempre será um bom empregado, um bom patrão, um bom governante ou cozinheiro mas e, se tomar tempo para pensar por que faz o que faz; E, se pensa demais,  acabará sendo um líder, ladrão, sindicalista ou Juiz com muitas varas, mais do que as de que José necessitou para tingir o Rio Nilo... E, nós todos ficamos quilhados com novos Zésares...

“A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho”, dizia Salomão, primo afastado do tal Salmâo... Assim, antes de tentar entender o caminho dos outros, entenda o seu.. Não existe fórmula mais perfeita para a eficiência...

O caminho dos tolos é diferente. Eles acham que sabem tudo e em realidade nada sabem. Apenas pensam que sabem, como eu que também tenho uns problemazitos nos carretos da engrenagem e, por isso, saio de meus muxoxos galagando impossibilidades. E, posso dizer que quando se engole desaforos, o resultado é a frustração e o desapontamento; E então, vou fazer como: - Ou mato ou morro - uma técnica de guerrilha, sábia de escapar  entre as bissapas  mesmo correndo o risco de me meter na selva do feijão maluco  ou,  cheirando formiga cadáver...

formiga cadáver1.jpg Você sabe o que faz e porque faz? Não tema aprender e, não se encolha, aconselhe-se, consulte. A receita para permanecer na ignorância sobre qualquer assunto da vida é  ficar satisfeito com suas opiniões e contente com o que sabe ou lhe dizem! A vida se encarregará de provar que você estava errado ou certo! Trabalhe o discernimento.

Faça deste dia, um dia de avaliação. Revise os seus procedimentos, analise sua trajetória e não se amofiine por não ter dito nesse então; diga agora! Nunca é tarde para começar de novo. Sempre é tempo de aprender e, surpreender...Está separando o tempo necessário para dialogar com seus filhos? Ou espera que tudo aconteça por acaso? Deixe-se de moleza e reflita nestas duvidas. Refletir é próprio de gente sábia...

dyo2.jpg Ser sábio ou insensato - Eis a questão! O tal do Além, sempre estará pronto a guiar e mostrar um caminho melhor àqueles que com humildade de coração o buscam. Não esqueça: “A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora”. Lembrem-se sempre do Sócrates Luso! Sim! Deste e, do outro que era Grego... Grego da Grécia!

Uma feliz Quinta, Sexta e Outras feiras

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:52
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLIII

NOSSO LINGUAJAR … NAS FRINCHAS DO TEMPO

Crónica 3052Como surgiu a expressão "Tchê"... 19.08.202

Por 

t´chingange2.jpgT´Chingange - No Al-Garbe do M´Puto

mess04.jpg Sotaques e regionalismos na hora de falar são conhecidos desde os tempos mais antigos do que  Jesus de Nazaré. No Brasil, Angola e Portugal - nos PALOPS, também existem muitos regionalismos. Quem já, não ouviu um gaúcho dizer: "Barbaridade, Tchê"? Ou de modo mais abreviado "bah, Tchê"?

Esta expressão, própria dos irmãos brasileiros  do sul,  os gaúchos, tem um significado muito curioso. Para conhecê-lo, é preciso falar um pouquinho do espanhol, dos quais os gaúchos herdaram seu "Tchê".

gaucho1.jpg Há muitos anos, antes do achamento por Cabral do Brasil, o latim marcava acentuada presença nas línguas européias como o francês, espanhol e o português. Além disso o fervor religioso era muito grande entre a população mais simples.

Por essa razão, o linguajar no dia, era dominada por expressões religiosas como: "vá com Deus", "queira Deus que isso aconteça", "juro pelo céu que estou falando a verdade", e assim por diante....

gaucho2.jpg Vai daí, uma forma comum das pessoas se referirem a outra, era usarem interjeições também religiosas como: - "Ô criatura de Deus, por que você fez isso"? Ou "menino do céu, onde você pensa que vai"? Muita gente especialmente no interior ainda fala desse jeito.

Os espanhóis preferiam abreviar algumas dessas interjeições e, ao invés de exclamar "gente do céu", falavam apenas Che! (lê-seTchê) que era uma abreviatura da palavra caelestis (se lê tchelestis) e significa do céu.

sertão1.jpg Usavam essa expressão para  surtir espanto, admiração ou susto. Era talvez uma forma de apelar a Deus na hora do sufoco. Mas também se serviam dela para chamar pessoas ou animais, "tchê, tira as mãos daqui "tchê, angê, zakucué" (de Angola...)

Com o achamento da América, os espanhóis trouxeram essa expressão para as colônias latino-americanas. Aí os Gaúchos, que eram vizinhos dos argentinos, acabaram importando para a sua forma de falar.

sanzala1.jpg Portanto exclamar "Tchê" ao se referir a alguém significa considerá-lo alguém "do céu". Angê é um chamamento em Angola - coisa levada pelos Tugas... Que bom seria se todos nos tratássemos assim considerando uns aos outros como gente do céu. aí ué angê! Feliz segunda-feira, terça e quarta féria...

Angê, mungweno, laripo...

O Soba T'Chiingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:17
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLII

MEDITAÇÕES DO T'CHING... NAS FRINCHAS DO TEMPO

ENCONTRO COM A VIDA -Crónica 3051 18.08.2020

Por

t´chingange2.jpg T'Chinhange - No Sul do M'Puto

bolso2.jpg Para viver plenamente, dizem estudiosos, o ser humano necessita satisfazer necessidades básicas como, por exemplo de pertencimento, de significado e, segurança para além de ir ao WC com a periodicidade natural de sua fisiologia...

Abraham H. Maslow elaborou uma lista de necessidades em forma de pirâmide, a conhecida “Pirâmide de Maslow”, em cuja base estão as necessidades fisiológicas, sobrepostas pelas necessidades de estima tendo no topo a  auto-realização.

maslow1.jpg Abraham Harold Maslow foi um psicólogo americano, conhecido pela proposta Hierarquia de necessidades de Maslow. 

maslow2.png Para sua frustração, na busca dessa tão almejada plenitude de vida, o ser humano tem andado por todos esses caminhos, muitas vezes limitando-se ao âmbito terreno.

Ao sentir aflorar a necessidade de desenvolvimento espiritual e de preencher o vazio do coração, ele homem ou ela, mulher, costumam desviar-se optando por produtos místicos de autoajuda, ou por aqueles cujo rótulo estampa a garantia de prosperidade material fácil.

mamoeiro.jpg A utopia comanda a fricção de vontade de cada qual na forma de vaidade, de futilidade ou fingida mentira nuna forma de faz-de-conta. E,  todos, de forma maioritária, se esquecem da dependência com o dito e escrito: “Eu sou o caminho,  a verdade, e a vida”...

Paradoxalmente, a fim de que obtenhamos a verdadeira vida, somos ensinados que devemos experimentar a morte: “Quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por Minha causa, a encontrará” - Muitos poucos caminham nesta diapasão por simples indiferença...

Para viver é preciso morrer... À parte de Cristo, nenhum sacrifício existe que valha a pena ser feito porque bem nenhum se torna digno de ser desfrutado, nenhuma conquista produz verdadeira satisfação pessoal sem uma fé...

urubu.jpg Ter a vida escondida em falsidade e em fantasias  é desfrutar pensamentos alheios a  coisas delineadas no prumo acertado.  É não experimentar tão íntima identificação com a natureza, de que somos habilitados a enfrentar no modo confiante e sereno nas preocupações do dia a dia... Somos uma ilusão...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:49
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2020
XINGUILA . II

KILUNDU . COISA ANTIGA DO MU UKULU NO PAMBU N´JILA
Crónica nº 3035 Coisa doidakilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto01.07.2020
Por

soba002.jpg T´Chingange – Desde o Sul do M´Puto

araujo10.jpg Um dia fui a terras de Moiros como convidado de uma entidade que sempre repetia “faço das tripas coração para andarilhar”; diga-se que nunca entendi o que queria dizer com isso mas, levado pelo sono da burundanga eram pormenores que não me prendiam a atenção pois que, só muito recentemente soube o que era esta coisa que tem o nome científico de endopamina. Assim e com o Cipaio Kukia Mandinga em ALHAMBRA, assisto ao pacto de Mano-Kilombelombe com Januário.
Eu já era Mano-Corvo - Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal (México) com Costa Araújo... No M´Puto, na estepe Alentejana tive a sensação de começar a penetrar na minha intranquila dependência da kianda, pois que quase que me dei conta que meu pacto de sangue com o velho de mais de talvez 395 anos, começava a borbulhar-me no cocuruto da meninge.

araujo62.jpg Para entenderem o que nunca eu entendi digo-vos que a burundanga, é uma velha conhecida nas ruas da Venezuela, Colômbia e Brasil. Recentemente soube que uma em cada cinco pessoas intoxicadas em Bogotá inalou ou ingeriu burundanga, droga usada em pelo menos três assaltos por dia na Colômbia. O Departamento de Estado dos EUA classifica-a entre os narcóticos mais perigosos e estima em 50.000 o número de assaltos por ano com esse pó.
Essa droga fácil de conseguir e barato de fabricar, mergulha a vítima na passividade. Entendem o que sucedeu comigo naqueles idos tempos de cafufutila. Não! Pois eu também andei embrutecido e num entretanto da minha cena os seguranças de serviço virados ao futuro com uma máscara do tipo COVID, levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.

burundanga5.jpg Essa “droga zumbi” faz a vítima perder a vontade própria e a memória. São muitos os testemunhos de vítimas que relataram roubos ou abusos sexuais violentos, mas não se lembram de nada no dia seguinte. No meu pacto só tenho leves recordações de mijar no Tejo em cima de uma ponte com arcos no lugar de Toledo, um lugar bem distante daquela outra cidade antiga. A maior parte do complexo cidade de Alhambra, foi construído, principalmente, entre 1248 e 1354, nos reinados de Maomé I e dos seus sucessores.
Alhambra era um local onde os artistas e intelectuais procuravam refúgio no decurso das vitórias cristãs por todo o Alandalus. Mistura elementos naturais com outros feitos pela mão do homem, sendo um testemunho da habilidade dos artesãos muçulmanos da época. Tratados como mustafás, nós, por via da indumentária de Januário Pieter e seu guardião - lanceiro, um espanto de nos fazer sentir os maiores privilegiados – vou contar…

araujo179.jpg O Cipaio Kukia Mandinga muito vaidoso, banga ultra moderna fardada de zuarte amarela, balalaica com muitos bolsos e uma catrefada de zingarelhos pendurados à mistura com pequenos chifres de porco do mato. Tenho até dificuldade em contar esta patranha mas o efeito da droga é mais que alucinogénio… As sementes da Datura, um outro nome d figueira-do-diabo, são ricas em escopolamina, um relaxante potente cujo princípio activo, combinado com diferentes substâncias químicas, resulta no pó burundanga. Tenho uma no meu quintal…
A partir dali rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quartéis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitérios e jardins. O escambau de coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas junto às muitas ferraduras de muares e outros bicharocos espinhosos. O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece mesmo, não haver gravidade.

araujo172.jpgHoje, a burundanga é frequente em bares e boates de Caracas e Bogotá aonde organizações criminosas, utilizam belas mulheres como isca, recorrendo a truques diversos para fazer a vítima ingerir ou inalar o pó num momento de distracção; a partir daí os médicos divergem sobre a intensidade da perda de vontade. Não chegava esta coisa ruim do tal de COVID para agora andarem a usar truques para nos levarem até à Chibia, um lugar no Cu do Mundo lá da N´Gola do Cipaio Mandume com o nome de Tato-Mota…
A primeira referência a este Mandume foi obtida no Qal’at al Hamra que surge durante as batalhas entre árabes e muladis ocorridas no reinado de Abdalá I de Córdova (888-912) – Foi o que li numa das paredes. Como é! Assim como duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia com nome de espantar pássaros xirikuatas, Cipaio Mandinga, direitinho que nem um fuso, a tudo olhava com vontade de saber. Muxuxou que era muita areia prá sua camioneta e que, teria de comer um “chipe extra de memória” e sistema integrado para fosforescer mais rápido na sabedoria – Sukuama!

burundanga1.jpg Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu, T´Chingange e Pieter selamos o nosso mais verdadeiro pacto de sangue. Esse cipaio Kukia que anda por aqui, até pode nem se lembrar mas assistiu direitinho com sua lança, feito Massai da Tanzânia; um jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango. Pópilas, estou até cansado de tanta mistura na cabeça dele que faz pena. Nunca no Lubango ouve caserna de bichos zebra, desses e, com esse nome!? Não admira que por medo, as pessoas passassem de largo como se nós também fossemos daquele muitos idos anos e muito cheios de caruncho…
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Ilustrações aleatórias do Mano Costa Araújo, nosso Mestre
Glossário:
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade); kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral; Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México); M´fumos : - Chefes; Kukia: - Sol, pô do sol; Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cus diabos; Porra!
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:54
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Sábado, 27 de Junho de 2020
CAZUMBI . LVIII

CINZAS NO M´PUTO - ”A CHUVA BATE NA PELE DO LEOPARDO, MAS NÃO TIRA AS SUAS MANCHAS, NEM VICIOS”. Andamos com o credo na boca, motivo do COVID 19 que à revelia, faz tempo, trilha nossa vontade19.06.2020 no FB

Crónica 3032 - 27.06.2020 no Kimbo Lagoa - Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

soba16.jpg T´Chingange – No Sul do M´Puto; Al-Garbe

burundanga1.jpg Flor da Borundanga - Tem kazumbi

Ando a esquecer o passado - Será que tomei essa coisa de borundanga - Uma droga  extraída da Datura Stramonium, uma planta ornamental de flores brancas em forma de sino, vulgarmente conhecida como trombeta ou trombeteira, bastante comum na Espanha e na América Latina. Lá iremos porque tenho uma coisa destas no meu quintal..Óh folha do diabo...

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O Mundo necessita de nós para respirar e por isso as autoridades de saúde pública fazem a lei de forma rápida na mira do boteco das bifanas abrir quanto antes, pois que a economia tem de correr, também porque o socialismo é muito bom a lidar com o dinheiro dos outros – o nosso! Recordar agora o exercício de minha mãe Arminda equilibrando o orçamento do lar, fazendo comícios às galinhas na capoeira coberta a zinco lá na Rua José Maria Antunes numero vinte e dois na Maianga da Luua.

araujo63.jpg Um prédio com arcos construído no rigor da salubridade colonial, na casa dos fundos a dar para o pátio da cantora Sara Chaves, quase mesmo no início do Catambor. Lugar que nem sabíamos que não era nosso porque eramos brancos de pele e colonos de condição. O tempo tratou de nos dar a seguridade dos hipócritas filósofos que falam com as latitudes e algoritmos dos rumos de cada qual como fossem os senhores do outro, que tu não és daqui, vai para a tua terra fazer semeaduras e tratar da casa do senhor teu feitor…

Dona Arminda, sozinha falando com rispidez com as poedeiras pedreses num canto do fundo do quintal, logo a seguir ao tanque de selha e depois da mandioqueira que só dava sombra: - Ou vocês põem ovos ou corto-vos o pescoço - vão prá panela fazer de cabidela! E, elas punham ovos grandes! A vizinhança só queria os ovos da dona Arminda porque pareciam mamões da Luua. Sim! Isto decorria numa rua do bairro Maianga com cheiro a acácias rubras e zumbido permanente de cigarras, um calor de trópico.

eleutero4.jpg O dinheiro que Dona Arminda fazia, dava decerto para comprar um peixe-espada à quitandeira que sempre parava naquele número de rua e, aonde apregoava do seu jeito jeitoso, chamamento do peixié sinhola – tá fresquinho, compra só! A vida assim gerida de toma lá dá cá compara-se aos governantes do M´Puto que não também não fazem milagres sem ovos; Eles, vindouros daqueles outros descolonizadores, andam cansados…

Inventando regras a definir como e por onde andar por forma a agradar à velha carência dos recursos nacionais, incentivam o pessoal a ir ao café, ao teatro, aqui e ali e até à praia notando-se que estimulam da forma que julgam mais certa para e, como as galinhas começarem a chocar ovos, fazer omeletes, pataniscas e trespassá-las em dinheiro porque senão ficamos à rasca. Ainda se tivéssemos uma colónia, se tivéssemos colonos, se e, mais se…

AMADEU3.jpg Um esforço para desentorpecer a apatia amarelada dos rostos encafifados num desespero entorpecido dos galináceos - eu, tu, ele, nós, vós, eles – todos! A realidade que ninguém conhecia é bem complexa ao ponto de tornar rapidamente os cabelos brancos por tantos ansiolíticos tomados por quem tem esse cariz de ambição – de ser governante; com tanto nada e tão pouco incerto, muito fica por explicar na inactiva justiça, na improvisação da educação…

Muito fica por explicar prever e acudir incêndios das matas, repensar num interior desvalido e o crescer de palpites tendo o improviso como sorte dum instinto. Tudo isto com comentadores cambutas, longos e oblongos a zurzir à perna inflacionando sortes e azares como se tivessem o futuro na ponta dos dedos ou o tivessem comido por inteiro com arrotos de carapau frito bebido com morganheira tinto ou verde Casal Garcia…

onça1.jpg Foi neste então que recordei aquele mítico provérbio africano ”a chuva bate na pele do leopardo, mas não lhe tira as suas manchas” aonde para além da onça, do leopardo e da chita existem a hiena e o mabeco que também as têm. Bom! Agora que sou zebra noto ocorrer-me o mesmo fenómeno em manter as riscas mas agora, mesmo que chova ou faça sol, acontece um outro pormenor – também me embranqueceram no decorrer do tempo…

As riscas irregulares das verdadeiras zebras são para fazer com que o leão fique tonto ao persegui-las perdendo a noção e desequilíbrio. O facto de todas correrem em simultâneo causa o efeito psicadélico e, o que era, fica turvo com tantas riscas a se moverem. Às tantas as ordens variam conforme o desequilíbrio pois! Fique em casa ou, saia e vá às compras, movam-se mas, há um mas: não desconfiem átoa. A natureza ensina muito a quem se detém a observar os mistérios tão perfeitos dela…

zumbi00.jpg É por estas e outras que uma grande parte das pessoas com quem vou tendo contacto, sentir-me desiludido! Posso até perguntar ao mundo e para quem me lê, que interesse poderá ter no dizer de lindas ou ortodoxas de alguém com falas tão cheias de façanhas agigantadas, quase-quase de soberba superioridade. Para quê? Fica tudo assim como uma nítida imagem de uns tantos petulantes que não perdem a oportunidade de afectar as minhas sensibilidades, os meus cheiros, as minhas impressões como se fosse um desmilinguido…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:05
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Domingo, 21 de Junho de 2020
KWANGIADES . XXXIII

UMA T´XIPALA ANTIGA  . Parte da minha lenda – 19.06.2020

O sol tem ondas de ferroadas quentes que machucam na ida da vinda de nossos dias  - Crónica 3031

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tonito15.jpgT´Chingange – Nos Al-Garbes do M´Puto

T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter 

maian7.jpg Fugindo de criaturas maléficas invulneráveis aos sentimentos alheios, registei os meus afastamentos em vídeos e, entre dezenas de cassetes e, de-quando-em-vez, revejo os bafos de boa sorte nos ousados e longínquos sítios de África sobretudo aqueles aonde surge a alma de um evento, alguém ou alguma coisa transparecendo essência vital, uma longa fila de órixes caminhando sem destino no topo de uma alta duna do Namibe, Sossusvlei ou Naukluft, uma verdade de beleza como transparência espiritual.

Figuras rarefeitas, diluídas na essência dum ar que tremeluza no calor da miragem, também do que se pode ver em uma folha de Outono ou na textura de uma velha casca de árvore com um lagarto pré-histórico camuflado. São formas escorregadias da realidade guardadas em meus armários que preenchem o quase-tudo do grande nada de minhas vivências.

sussuvlei1.jpgAo observá-las com verdadeira atenção, transformam-se em centenas de momentos sagrados, só meus. E, sempre na busca de uma vida interessante, aventureira, apaixonada e diferente, rumei a África procurando-me entre anharas, savanas e desertos de longas e altas dunas, lugares do cu-de-judas ou terras do fim-do-mundo sem os banais pormenores das urbes, grandes metrópoles com gente empoleirada até ao céu; África de exotismo quanto baste com coisas e animais incomuns.

Lugares de sermos confundidos como caçadores de elefantes por tanto pó salobro das tortuosas picadas, expostas ao sol impiedoso; ao calor abrasador dos dias e dos frios cacimbos húmidos a envolver noites com manto de espesso escuro; bem perto uma hiena parece chorar ao redor de uma carcaça fedorenta, carniça de vida sobrevivente.

naukluft1.jpg Lugares aonde a adrenalina delira em pavor loucos, inundados e imundos de situações fatídicas, substituindo o ar dos pneus por capim cortante. A coragem indomável de conhecer a África profunda, surgia-me naturalmente desde que ainda moço me tornei kandengue ao devorar um cacho de bananas oferecido por meu tio “Nosso Senhor” vindo do M´Puto, ao som dos apitos dos vapores “Mouzinho e Uige” da Companhia Nacional de Navegação.

Com meu pai colono de papel passado e creditado na tal CNN e, assim, crescido na idade, não foi necessário beber kat´chipemba com pólvora, uma mistela incendiária que deixa as entranhas em chamas para enfrentar os matos com coragem. Nestas voluntárias tarefas de aventura com aflição, os vómitos de radicais experiências foram surgindo entre bichos cambulando cacimbos com marufo de kassoneira, ofertas de N´zambi e gente com vestes de loando, amuletos reluzentes, tilintando seus toucados e penduricalhos nos artelhos; de muitos, por demais, zingarelhos.

IMG_20170727_132146.jpg Então, falando com meus botões nas frinchas dos tempos, neste mundo confuso, serei sempre um genérico cidadão ou um sem-terra por não me poder definir como genuíno nessa escolha; assumidamente, não pertenço a lugar nenhum. A minha terra biológica deixou-me ao deus-dará e, até meus sonhos penalizam o recordar dos tempos em que a vida se expressava com fluida vivacidade. Daí ter renascido como Niassalês do bojo de um vapor que o tempo também enferrujou – NIASSA…

Fazendo dela e no agora, uma miragem chamada de N´Gola, na noite passada entrei numa sonhada toca grande mais parecendo uma galeria de mina abandonada e, vendo sair dum buraco lateral uma nuvem de pó para ali me dirigi e, foi de lança em riste que piquei de morte um lobo zombando de mim. Deu um uivo esquisito e por ali ficou prolongado no próprio sangue. Nesse instante, apercebendo-me de algo estranho atrás de mim, virando-me, deparei comigo mesmo, uma imagem nítida de quando rapazola, usava calças com um cinto de fivela enorme. Imaginem só, um chefe de quinas da Mocidade do M´Puto…

luis15.jpg Assim como uma foto amarelecida no tempo, estava pontilhado de minúsculas cagadelas de mosca de sexo indefinido. O penteado com o risco ao meio parecia ter brilhantina de óleo de cedro, daquele que faz brilhar as madeiras dos imóveis mas, eu não era nenhuma escultura de pinho nem de pedra e nem vi caruncho ou salalé enfarinhando vestimentas ao seu redor. Não é normal lembrar-me dos sonhos mas este ficou grudado na testa ou no templo da alma, esse olho do além que paira nas cúpulas das catedrais.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:15
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2020
MOAMBA . XLI

NAS FRINCHAS DO TEMPO

Crónica 3030 - ENCONTRO COM A NATUREZA

No reino da AROEIRA - 15.06.2020

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soba0.jpeg T'Chingange - No Sul do M´Puto

bromelia1.jpgSe alguém não nascer de novo em cada dia, não poderá ver o reino que o cerca. Hoje, saí cedo para ver o mar até seu horizonte curvo, apreciar a multiplicidade de plantas autóctones entrelaçadas à beira mar entre longos penedos com poças cheirando a poejo. Geralmente, passeando nas veredas íngremes, vou reflectindo na sociedade que nos cerca e apercebo-me o quanto nós, aqui é álem, aonde quer que o seja, desenvolvemos a tendência de julgar com desconfiança pessoas que demoram a tomar decisões porque tudo anda muito rápido.

Admiramos líderes e seleccionamos auxiliares que são resolutos, característica fundamental em diferentes momentos da vida nossa e do país em que vivemos. Talvez não devêssemos ser tão apressados em julgar os hesitantes, mas há algum tipo de riscos para quem hesita: a consciência pode cauterizar, o primeiro amor pode ser perdido ou mesmo um desnorte, pode surpreender. Enquanto galgo pedaços de quilómetros, aprecio a flor do tomilho engavelado entre arranha cão e aroeiras invasoras e num emaranhado de ervas ressequidas, vejo um zimbro com bagas vermelhas. Depois em turbilhão revejo aleatoriamente coisas e loisas sem um ajuste certo nas urgências pensadas, revendo-me na experiência dum tal Nicodemos que insistiu meu torpor exemplificando outros pensamentos.

juru3.jpg Mestre entre os judeus, estudioso das Escrituras e membro do Sinédrio, ele se sentiu atraído pelos ensinamentos de Jesus a quem procurou escondido pelas sombras do preconceito, do receio e das tradições. Cristo foi em dado momento muito claro a este personagem Nicodemos: acima da cultura, do conhecimento da doutrina, da posição social e política, dos títulos e prestígio, ele necessitava nascer de novo, tornar-se nova criatura. E, porque também renasço de novo em cada dia, olho as cores dum jardim à beira mar, perto de mim e, com minha própria sombra perseguindo-me, atezanando-me...

praia.jpg Nicodemos acreditava em Jesus como o Messias, mas sobrava-lhe hesitação e determinação para confessá-Lo publicamente. Só sei disto porque pude ler no livro da Bíblia tendo-me chamado à atenção para esta minha caminhada - num misto de reflexão. Um novo silêncio envolveu Nicodemos até que o vemos no Calvário diante do Cristo crucificado. Não havia mais nenhuma razão para hesitar, e a decisão foi expressa no oferecimento de um túmulo para o Salvador.

lampião11.jpg Paradoxalmente, quando tudo pareceu perdido, sob a sombra da natureza enlutada, a visão dele, Nicodemos, ficou mais clara ao cuidar do corpo morto de Jesus. Pois, assim estou, afagando aqui e ali rebentos de vida dando flor, uma pedra que rola como sendo um osso seu petrificado. A vida de Nicodemos nos ensina que o caminho para a vida eterna é um caminhar incessante de alguém com alguém, para alguém, no qual ambos se vão conhecendo cada vez mais, entrosando-se como agora o faço em exercício – copo e mente. Esta é a trilha, a minha vereda cascalhuda - Um mistério...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:50
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2020
XICULULU . CXXVI

FRINCHAS DO TEMPO - janelas para a vida – 29.05.2020

Xicululu; - Olho gordo - 11.06.2020

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soba15.jpg T´Chingange, no Sul dos Al-Garbes

pedras00.jpg Na hora certa, só tu existes para decidires como fazer teu caminho sem a ajuda de um qualquer guia saído dum outro ventre como tu - As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local, nus e ateus… A ESPERANÇA é a fronteira que consegue manter a condição social e financeira de pobres, pensando ilusoriamente de que um dia, o euro milhões ou o lotofacil o fará rico e assim, comprar uma vivenda na Ilha de Zanzibar em frente a Dar es Salaam…

Desde o Cabo e, há três anos (2017 e 2018) numa viagem a 40 quilómetros à hora em comboio Xoxolosa, sempre para Norte via Tanzânia, de novo recomecei a viagem ao sonho inacabado, lembrando-a nesta data da desgraça - ano de 2020. Assim parado, abrindo e fechando janelas para falar com o Loureiro, árvore do vizinho alemão, recordo-lhe o meu trilho de Johannesburg a Dar es Salaam nesse tal comboio azul. Não será muito normal falar a uma árvore mas e porque o mesmo foi interrompido pelo medo dos Boco Harans fiz a pergunta a esta por modo a saber também de seus medos.

dia82.jpg A não ser uma breve inclinação da ponta esguia nada disse… Bem! Os Boco Harans praticavam suas safadezas lá no lugar de Rovuma de Moçambique e, em Mbeya da Tanzânia, viramos a Sul para onde não estava previsto – o medo comanda a vida, conclui meu monólogo. Como seria possível acreditar uns tempos atrás que estaria agora a falar com uma árvore que sendo nobre era muda. Num qualquer momento a tua atitude diante das dificuldades da vida ou por via dum desconhecido entrave, dependem da dimensão de tua fé e preparação espiritual para venceres recorres a refúgios e subterfúgios; é o caso.

Se tens um Deus falsificado, qualquer problema será uma barreira na tua visão. Eu que queria ir a N´Gorogoro ver os pastores esguios saltando suas alturas fiquei colado ao meu lugar subjectivizando um ponto e vírgula num ponto final paradigmático, divergindo nas fontes de referência - um monstro minúsculo chamado de “covid”. Estaremos no propício tempo de purificar a intensa comunhão entre a proximidade e a distância conjugando-a com o logaritmo da curva chata. O ser humano é contraditório; gosta de pequenos deuses, afeições apenas para acalmar a consciência como “chaveiros”, “amuletos, “figas”, “cruz de David” entre outros. Por repetição faz isso de forma automática e por isso acaba acreditando em sua intuição com medo.

dia183.jpg Assim limitado, acompanha sua crença confiante mas, haverá um certo dia, um certo lugar que a tragédia pode chegar de forma inesperada e é diante das circunstâncias difíceis da vida, num momento, num repente, que se descobre que todos esses pequenos conceitos intuitivos caem por terra como meros paliativos. Paliativos que nada fazem mudar; que nada resolvem porque num repente dependendo de factores adversos, te sentirás nesse então na pequenez dum nada - numa ilusão caída em desânimo e sem aparente recurso! Hó santo Deus, porque fazeis isto comigo!?  

É essa realidade que levará um de cada um de nós a suplicar autoconfiança perante um Santo Graal bem na cave duma ligação secreta com acesso directo ao cofre. Cofre contendo os montantes do lay-off e, todos os rendimentos mínimos para um qualquer cidadão continuar vivo. Assim, de cavandela em cavandela, desperto no m´Puto a viver um momento terrível covidesco confrontando-me entre milhões de zorros mascarados: - “Estou aflito e necessitado.” Da perspectiva humana, parece não haver solução - como ter forças sem delírios nem lágrimas para lavar o coração da angústia que sufoca esta tensão, este medo alavancado por cada qual com palpites de suco de beterraba e muito limão a controlar o PH da vida.

dia210.jpg E assim, num dia que segue um outro, contando as rachaduras do tecto, falando com a osga gorda, como pode uma multidão protestar em casa com a morte dum cidadão negro lá nas américas? O Deus dele não estava acima de qualquer outro deus e, mesmo suplicando não foi ouvido pelo Deus nem policias bófias brancos... Sendo evidente que quem respira está a resistir, confrontando-se com uma ilegalidade, um quase crime, porque em verdade, uma pedra aceita sem nada dizer a imobilidade noé!

Qual é o drama que você vive neste momento? Qual é a tragédia que parece destruir a vida de alguém que pede para respirar! Sentir-se indefeso, incapaz de fazer algo para se ajudar, limitando-se a morrer. Antes de iniciar a caminhada destes dias, separe uns minutos para meditar na grande estranheza da sua própria história não coincidir com aquele a quem Deus o não livrou por usar uma nota de vinte dólares falsificada! Eu, que trago na carteira duas notas sujas, mas verdadeiras, trazidas da Tanzânia que me servem de talismã, dava-lhas de boa vontade - para o ver continuar vivo!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:44
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLIII
Vuzumunando a vida nos meus kitukus (mistérios)
Crónica 3028 - N´gana N´Zambi, não vale a pena morrer de véspera10.06.2020
N´gana N´Zambi – Meu Senhor
Por

soba0.jpeg T´Chingange - (Ot´chingandji) No Sul do M´puto - No Barlavento

IMG_20170902_110003.jpg Dos mistérios do tempo em que as palavras picavam em mim uma grande gastura, só o tempo deu justa noção desse pensar desconjuntado. De novo, uns dias atrás tive de repor minhas palavras passe num telemóvel oferecido por minha companheira que que todos teimam em dizer “a sua esposa”. Numa velocidade estonteante, o malvado, ainda tenho o dedo a um quilómetro e já ele está mudando de parâmetros a fazer desaparecer o que antes tinha escrito o que me leva a chama-lo de muitos nomes de sundiameno para toparioba e outras frágeis ternuras.

Aquele outro “microondas”, era mais lento que o transafricano da Tanzânia via Kimberley e, quando antes picava o teclado com toda a força e muitas vezes, neste, tenho de ter o cuidado de andar devagar para não mostrar o indevido; por vezes troca-me o pensamento e em vez de pinico escreve púnico e, ate acho graça pois ele anda mais rápido que o meu descaramento, assim definindo nem sei porquê púcaro com pinico, tudojunto. Refiz minhas amizades que são mais que muitas e resolvi abrir uma nova página no FB… Pois é! Abri-a com o nome de Profeta Isaías e, como surpresa imediata, um dos muitos pedidos de amizade vinha de Jesus Cristo – Pode!?

xoxolosa1.jpg Temeroso, intrigado, até fiquei uns dois dias retendo o pedido enquanto ia recebendo muitas outras, gente nitidamente ligada às coisas litúrgicas, pastores, eruditos até às pontas dos cabelos e comedores de bíblias. Gente de muita religiosidade; uns abraçados a santos, outros acendendo velas botando fumo pró céu, e outros ainda mostrando o Espírito Santo na forma de pomba tão estilizada que tive de a virar de lado para a ver na perfeita nitidez. Fiquei assim a saber que existem no mundo mais igrejas do que hospitais.

Assim, assentando os contrafeitos nos factos com dúvidas na forma de gráfico, ora para cima, ora para baixo, fiquei espantado quase no estupefeito quando surge um novo evento. Era Santo António, adicionando-me como amigo, convidando-me para sua privada festa num tal de pátio Andaluz, algures na encosta duma serra chamada de Espinhaço de Cão. Belisquei-me para ter a certeza que ainda estava na terra e fiquei extremamente cauteloso sem saber ao certo o que dizer! Foi quando dei permissão a Nosso Senhor e logologo, interessadamente, o consultei se deveria aceitar, ir a esse tal evento.

santo antonio1.jpg Resposta de imediato: Não te metas nisso! Nem penses! É um truque para te apanharem e, depois nem as cuecas te deixam! Pópilas! Seria mesmo Nosso Senhor? Lembrei-me em seguida que tinha mencionado dias antes, algo de que Jesus cansado das trapaceirices humanas quis ir para o pé dele, seu Pai, aos 33 anos; demasiado novo, diga-se! Foi quando entendi que afinal este entendimento de tu cá, tu lá já tinha acontecido e assim, passando o medo entre os pingos da chuva, agradeci-Lhe! Não totalmente fiado porque o seguro morreu de velho, fazendo gaifonas com as palavras, recriei uma esfarrapada desculpa para dizer não ao meu Santo, supostamente falsificado de faz muito tempo. Numa lengalenga de como já me conhecesse, o santo António, disse que eu era um desnaturado e mal-agradecido. Este impasse, assim ficou!

Ora-ora, numa altura de covidamento, ia prá festa e depois era snifar álcool e gel descontaminando os fungos celestiais recobertos com mofo de mais de mil anos. Decidi pelo não! É que este tempo anda demasiado perigoso; recordando-me quarenta e alguns anos atrás com uma pequena mala na mão com os meus documentos pessoais, alguns angolanos, dinheiro de tugi mais a guia passada pela comissão organizadora de repatriamento, uns quantos calções de zuarte, camisas e a família dita nuclear, a tal de minha esposa que sempre foi minha mulher e dois filhos candengues na flor da idade, angolanos que nunca tiveram permissão de o ser. Eramos quatro! Avião SOS da ponte aérea, tudo o mais ficou lá nos caixotes que nunca chegaram ao M´Puto. Desde então fico sempre encafifado com estes eventos ofertados sem nada em troca – isto, normalmente tem água no bico!

ponte lua.jpg Não vem mal ao mundo, mas isto sempre me sofragou entre os desprevenidos; Há uma construção de sensações de estranheza que os últimos tempos sempre se declinam duma forma pandémica. Num repente vamos ao quintal e falamos só com as folhas da bananeira que irão enrolar o bolo da sanzala, carne de galinha moída e levada ao forno como se estivesse na fazenda Babilónia lá num lugar distante aonde o vírus safado não chegou. Na beirada de um Mundo estranho, tentamos saber o que se vai fazer no dia seguinte a esta véspera.

Tento até entender do porquê nunca aquela árvore de nome Loureiro me perguntar se eu, que não sou árvore, não quereria mudar de floresta!? Sempre tive dificuldade em entender a razão do porquê, as coisas terem de ser assim e qual o motivo de, num repente concluir-se que estamos perante uma trajectória e natureza genocida do tipo Corona-Jihad ou boko haram. O silêncio não é uma opção e o Loureiro árvore, numa onda solidária, dá-me folhas para dar gosto aos meus sabores. Este Loureiro árvore deve se da minha família. É que meu avô, era Loureiro…

nassau3.jpg Este vírus, notoriamente, expõe fragilidades nesta relação com a natureza. Assim, não abusando das folhas do Loureiro até me envenenar, revejo-me na doença dando-me uma certa consciência na duvida de dar àqueles que nos representam a permissão de continuar nesta vida mole e, confrontado entre os exercícios de poder sem nada fazer, dos governos das pessoas sem questionar a felicidade que sendo efémera, não se consegue definir, ficando num só sentir. Lá terá de ser!

O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:32
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Domingo, 31 de Maio de 2020
XICULULU . CXXV

TEMPOS ARREFECIDOS 29-05.2020

E, nós aqui no covidamento, como uns moiros de cara tapada, escondendo as lacunas que, os impostos nos irão impingir no esqueleto com se fora energia exogénica… Meus dentes já abanam todos, de tanto mitigar ansiedade futurista…

Crónica 3027

Por

soba15.jpg T´Chingange, no Sul dos Al-Garbes

longe0.jpg Como diz a sombra esquerda de Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó como faziam nossos antigos marinheiros para definir profundidades em batimétricas; é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente da memória. Uns têem, outros dizem ter, outros, é só de faz-de-conta fingindo que sabem mais do que Zaratustra ou Nostradamo. O sol, o ar, a água, e a terra, têm de ser considerados permanentemente parte de nós. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo, como um veneno mortal. Vivemos momentos de medo, de imposições e uma baralhada de novas posturas, e assim mais assado, fique ali e… tudo como se tivéssemos quatro anos e, perdidos dos pais.

O sol é a verdadeira fonte da vida e, ao invés do que alguns conceituados doutorados dizem, ele não é prejudicial; não é o sol que provoca o câncer de pele mas sim os muitos venenos que ingerimos sendo queimados ao serem expelidos para ela. Ando a ficar mouco e até estrábico de olhar para a televisão a ouvir e ver coisas que não pensava; Para ver melhor, subi minha bitola colocando um calço de cortiça para definir melhor os contornos. Ora vivemos em bicha de pirilau como se estivéssemos a treinar para uma guerra, ora mandam-nos ficar em quadrados num aprendizado de novas geometrias. Uma aprendizagem precoce quanto baste para no tontear a mioleira.

máscaras2.jpg Isto é mesmo uma teoria de conflitos que só sairá com cromoterapia e acupunctura desde os calcanhares à frontalidade do templo – nossa testa. Ontem espetei um pico no dedão do pé, ali ficou a fazer-me a cura de vamos-ver-o-que dá, se minhas defesas linfáticas e limbosféricas estão nos conformes com o gráfico da curva e, considerando sempre que a terra feita argila, tudo cura…Manter a alegria acima de certo limite é crime, retira a orientação de coragem ponderadamente equilibrada. Mas, abaixo de certo calibre entre uis e ais ou um silêncio mudo, a máquina pára – sepulcra-se!…

A terra na forma de argila é um laboratório de vida porque purifica, regenera e dá energia. Repito: corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo como um veneno mortal. Teremos por isso de nos fixarmos na fé, uma qualquer que contenha hídroxicloroquina sem aquela inquietude de afligir o próximo, de que dá, num dá, mas pode ser! Ou ficar nesse estranho silêncio, uma forma de ver o princípio do nada e lerpar!

máscaras5.jpg Ou então esperar sentado, as mudanças no tempo e suas modas; adaptando-nos ao luto de preto ou branco enquanto não houver uma droga eficaz retirada da raiz da Welwitschia Mirabilis – talvez, digo eu! A nova medida deste tempo covidesco é o “talvez”. Tanta tecnologia de ponta que até desaponta… Andam a curtir mortes, picos e curvas com teorias georreferenciadas no Bill Gates e outros filantrópicos muito carregados de anfetaminas para curtir seu sono. E, o pessoal num desespero a ver lerpar os kotas mais-velhos com os dentes a abanar, sem tesão de vida para erguerem sua moralidade, a mijarem-se todos pelos retentores descalibrados ou frouxos. Pópilas, assim não brinco…  

E, porque se diz que a justiça é cega e surda, pelo que se sabe também anda meia calçada e meia descalça para fingir que agrada a humildes descamisados e ricos encoirados. Como se a coragem fosse também uma medida de orientação pois a todos se diz para seguirem no caminho certo, mas ninguém sabe o rumo, ninguém sabe qual o azimute. Estamos lixados, entregues à bicharada! Pelo sim pelo não, usamos amuletos da sorte para nos enganarmos nas figas, no corno, na meia-lua, na estrela de David penduradas ao pescoço ou uma ferradura velha de burro.

haida art.jpg O místico, junta-se com a Cruz e o Cristo numa caixa, asfixiando-O o tempo todo e, sempre picado em sua coroa de medonhos espinhos com um credo na ponta das falas, uma cruz e credo com interrogação e exclamação juntas sem obedecer a qualquer confinamento. O ar inteiro repleto de informação em excesso, torna-se coisa teimosa, ora viçosamente manuseada ora ficando solidamente concreta. Pelo sim e pelo não, também tenho uma ferradura de burro manco pendurada por detrás da porta da dispensa mas, estou em crer que deveria estar bem á mostra por via do mau-olhado, esse tal de xicululu ou olho gordo.

Passando da alegria horizontal para a vertical, cada qual festeja sua sombra e seu quadrado, por vezes círculos num vazio salvador pensando que o mal, se o houver vem limpo com álcool gel, água sanitária, sabão macaco; num repente o mal elimina-se limpando e é ver todo o Mundo esfregando corrimões, alavancas, caixas e espelhos com caixilhos, mais vidros e pisos; No Brasil a noite não passa, a manha vem, vira tarde e de novo o sol apaga a terra, as casotas mal enjorcadas, a favela, o mukifo aonde vivem famílias de muita gente sem torneiras, sem água nem aonde cagar! Eles, sabem disto mas Bolsonaro é que está a mais, não eles! Sempre a mesma merda de política a desviar milhões - os comilões.

dia121.jpg Tem gente neste aborrecido Mundo, que matam só para ver alguém fazer careta; também não queria acreditar até que um dia captei: Cada homem é um mundo que tem que ao tempo, dar-se-lhe tempo na descoberta de pegadas, cheiros encarquilhados, suor de catinga numa densidade molecular desconhecida. Nem nos anos da leitura de carbono irão desbravar as ondas de crimes de colarinho branco, rusgas e detecção de contas surpreendidas. Serão sempre eternos vaga-lumes que darão luz até que se prescreva seu passado. 

E, se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado e, embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não olhar para nós; Assim distraído, lá teremos por isso de nos fixarmos na fé do catanas ou dos calhas com sorte, sem aquela inquietude de afligir o próximo. Cá por mim que sou Niassalês de coração, sempre ficarei na duvida de que a lei se cumpre em plenitude, pois que que são os julgadores juízes que agora estão a ser julgados. Por enquanto só são arguidos mas, já sabemos que andou por ali mãozinhas estranhas a depositar às mijinhas parcelas de somar milhões.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:52
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2020
XICULULU . CXXIV

VIVA SIMPLESMENTE! - MÊS DE ROSAS -21.05.2020

Tempos de “covidamento” – um termo novo demasiado repentista  

Por

soba002.jpg T´Chingange – A Sul do M´Puto

papoila0.jpgA simplicidade é uma virtude que anda de mãos dadas com outras. A ela, estão ligadas a franqueza, naturalidade e transparência dos nossos actos, embora nos dias de hoje nos deparemos com muita hipocrisia, muito faz de conta porque ser-se pobre, é doença. Infelizmente a sociedade e, num repente, vê-se ainda mais pobre e, medindo o tempo em uma nova medida: o “COVID 1,5 m” – a distância do medo em metros.   

Nada de lamúrias! Isto, até parece trafegar na direcção contrária ao pensamento hodierno, que nos impõe a ideia de que o melhor da vida se resume no acúmulo de coisas e na sofisticação do comportamento de parecer ser o que não se é... Agora, neste repente os paradigmas mudam por vontade alheia e ainda desconhecida.

papoila01.jpg Esta falta de paz, origina excesso de ansiedade a todos mas mais a quem se mente, a quem nos mente, originando prejuízos colaterais, que tendem a aprofundar-se em esquizofrénicas atitudes... Estes são apenas alguns resultados pouco queridos mas, que podem ser colhidos numa prática de uso e, num vulgarmente.

Estas pessoas, (talvez todos nós), necessitarão reencontrar o caminho da simplicidade que nos liberte dessa pressão consumista. Num qualquer dia, adentra-se permitindo tirar-lhe ou tirar-nos a paz de espírito e, de depressão em repressão, ficar-se com as ideias frouxas, passado dos carretos, correia de transmissão e pneus carecas… (uma comparação metafórica…)

papoila1.jpg Contudo, há o risco de se levar a simplicidade ao extremo, associando-a à conduta ascética, de renúncia dos recursos que conferem relativa qualidade à vida. Muitos moradores de rua não querem voltar para casa; incompreensível - mas, alguns, o dizem! Talvez por um orgulho demasiadamente pisoteado.

No livro dos livros é dito que o Senhor falou ao povo: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Estas falas eram no sentido de ajudar a colocar as coisas materiais em sua verdadeira perspectiva. Permitindo assim, possuí-las na medida em serem úteis para seu, nosso bem-estar e, sem deixar que elas nos possuam ou nos escravizem.

papoila2.jpg Portanto, segundo estes ditames, devemos exercer vigilância, a fim de que o interesse pelo material não seja um obstáculo em nossa corrida na busca do que nos satisfaz espiritualmente. Podemos sim, ser libertos do labirinto das coisas por modo a encontrar a verdadeira alegria na simplicidade que a Natureza nos transmite neste mês de rosas, cravos e papoilas confinados ao aperto da casa. Uns dirão: na providência que aquele Nosso Senhor nos conceder, mas talqualmente, cada qual tem de fazer sua parte. Porquê? Porque Aquele Senhor tem mais em que pensar!

papoila5.jpg Pois é! Mas a sociedade sempre é cobiçosa. Ele (alguém feito gente) está rico! Um outro - alguém o diz! Só porque comprou um carro novo e sempre gasta dinheiro na compra de dois sacos de pipocas para dar às pombas lá na praça do Restelo. Quanta dureza de má-língua nessa expressão de descontentamento nas coisas simples que podem fazer alguém feliz! Alguém já velho no suficiente do tempo. Precisamos aprender a viver contentes e agradecidos pelo que temos sem cobiçar o alheio! Sempre é tempo de se formatar num novo princípio…

Tenham um bom fim-de-semana!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:37
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2020
MONANGAMBA . XLVIII
RELEMBAR FRINCHAS DESTE TEMPO. Andamos a sorrir de forma desequilibrada. Nosso centro de gravidade já vê a casa assombrada...
Crónica 3025 - Meditação de 20.05.2020
Por:

soba15.jpgT'Chingange - A Sul do M'Puto

monangambé3.jpg Todos os dias, bem cedo, apanho folhas da minha anoneira, depois vou-as amontoando na churrasqueira para servir de acendalhas ao resto do madeirame, pedaços de troncos de chinguiços que corto e ali ficam feitos monos a secar ao sol com a finalidade de assar as sardinhas do meu mar! O objectivo é fazer brasas na suficiente quentura para assar o sável, um peixe de rio parecido com a sardinha, mas muito maior! É a primeira vez que irei provar tal peixe...

Pode parecer monótono mas é uma forma de tomar ao redor de mim, a vitamina D, tarefa bem mais proveitosa do que andar com um pau a dar tacadas até acertar num buraco. A isto chama-se golf e, noutra época, diriam ser esta absurda actividade, uma falta de tempo e até coisa desequilibrada curiosamente praticada por gente de muito cumbú, gente endinheirada que parece não saber o que fazer com tanto pilim... Um verdadeiro pecado!

MONA0.jpg Olhem! Todos esses anos tenho trabalhado pra caramba e tudo indica estar semi-pobre por nunca desobedecer às leis regentes. Afinal de que valeu não ter ficado com um frasco de diamantes, coisa da terra, só porque a lei determinava e até dava grandes punições a quem descumpria. Juro que se voltasse atrás seria também e agora, um descumpridor. Então, li que um certo homem muito influente na comunidade de fé caiu em pecado provocando um impacto tremendo entre sua família e gente conhecida! Não! Não é Socratas, esse tal que foi primeiro ministro do M´Puto.

Os tempos baralham a gente na forma de nele se estar e, vai daí os cidadãos ficarem perplexos, coisa que hoje é tomado por coisa banal e com bons auspiciosos do Espírito Santo expressos no silêncio dos tribunais que de maneira alguma se querem salgar... Nem todos acreditavam na mudança e acham até que as provas são suficientemente complexas para se não agilizar - Isto tudo mais o "covid" desequilibra-nos! Depois de muito pensar, concluiremos que o Mundo anda tão triste que, se não conseguirmos rir, afogar-nos-emos em lágrimas, Noé?

monangambé4.jpg Sempre há pessoas com critérios particulares de justiça no trato com pecadores. Muitas vezes, sentindo-nos superiores à luz dos próprios feitos, olhamos com desprezo aqueles que deveriam ser alvo do amor. Nós que somos feitos à imagem de Deus teremos de nos tapar, embora que parcialmente porque desobedecemos pela certa aos motivos sagrados. Só pode ser - andar de máscara como se fosse um Zorro salteador, noé!? Mas e afinal, nosso corpo não é só nariz ou boca, também temos pés; mas, a eles nem a sexta-feira se distinguirá do sábado ou domingo.

Baralhados no sistema como se fossemos todos incompetentes, ficamos assim pendentes de máscaras importadas da China com mais respiradores defeituosos. Um desafora pago a preço de oiro amarelo! Num repente olhamos para os lados, abrimos e fechamos janelas pensando que todos afinal seremos uns tontos... Mas que país é este? E assim de tontos, olhar para os políticos a dizerem coisas que já todos sabem... Num repente todos viramos macacos da selva , ou crianças de cinco anos ouvindo vá práli e olhe a seta! Sim, subitamente estamos todos na floresta.

monangambé1.jpg O perfeccionismo legalista em contraste com o sorriso da graça em conviadamente, palavras novas, viramos uma gota de tinta que cai e mancha. Na duvida todos seremos gente infectada que tem de obedecer ao parcelamento da fila. E, muitos nem sabem que são manchas e que na dúvida em um qualquer outro sitio aonde as carências são notórias haverá outras filas a somar quilómetros para receber comida, um cabaz - as novas distâncias comprimem a modos disciplinados as pessoas para receber sacos com comida!

Covid 1,5 é a medida métrica mínima para um vivo não ter medo de outro. Nunca o medo tinha sido assim medido, em metros! E, também algo de curioso nunca as notícias tinham sido algo como uma fogueira aquecendo uns quantos a ouvir noticias repetidas como labaredas de fogo a vomitar números de infectados, de salvados de mortos. Neste frenesim alguns até reparam que seu domínio dos músculos andam desatados com medo de sair à rua; às tantas dá~lhes uma

dia122.jpg Abro a janela, o loureiro cresceu, tem rebentos novos. O loureiro é árvore com quem falo, fecho a janela e noto na lesma em pijama entrar no meu domínio de casa! Tal como eu ela, a lesma parece falar comigo dizendo: amigo para quê a vaidade feita beleza se usamos pijama durante 24 horas! Mais acima uma osga repimpada, gorda com uma bicicleta ao lado como que me desafiando a dar uma volta... Pois, assim seria mas, o medo! Olha osga, não posso! Meu centro de gravidade está deslocado...

Segundo as regras de hospitalidade prevalecentes, talvez o bairro inteiro tivesse recebido convite neste tempo de osgas. Acho que até o presidente Marcelo aprendeu que uma lesma pode ficar três anos dentro de uma concha para se proteger do mau tempo. Ela, a osga não sabia apreciar a graça que busca, espera, recebe, abraça e restaura em nossa casa. Esta osga é uma zona cinzenta na minha clarividência. Ela, a osga, explicou-me que também merecia ter tudo na família da casa, “como concessões imerecidas do amor”, não como pagamento pelos serviços prestados mas de vocação. Temos mesmo de aprender muito com os animais... É um privilégio ter um presidente a ensinar-nos comportamentos como a osga e a lesma. Uma coisa de outro planeta...
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:58
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Domingo, 17 de Maio de 2020
MOAMBA . XL

NAS FRINCHAS DO TEMPO. Tempos de cinza

O risco da vida que, por coisa pouca muda nossas vidas…

Crónica 3024 - Meditação do T'Ching -17 de Maio de 2020

Por

soba02.jpgT'Chingange - A Sul do M'Puto

Acácia rubra1.jpg Em um desses momentos nublados, às vezes, olhando o Mundo pela janela, atribuo a intromissão de Satanás nos acontecimentos maus que nos afectam. E, assim vendo os loendros dando flores de cores variadas converso com os ramos da amendoeira, bonita de verde e com amêndoas inchadas.

Lá nas alturas ouço um helicóptero zumbindo suas pás na direcção do deserto glorificando a sapiência humana que cria métodos no seu poder,  de mudar as coisas, de estudar as lesmas, os ácaros e os  aparentes e frágeis fios que suportam a aranha.

favela1.jpg Aranha que ali fica horas a fio até que apareça o almoço. Acho que não foi Satanás que lhe concedeu estes poderes. Mas, então esta faculdade, foi lhe dada por quem? Conversando com meus botões, procuro no livro dos livros as metáforas ligadas por missangas de muitas falas...

Deus, já me havia concedido provas de que na natureza tudo tem um tempo e que este foi encaixotado numa máquina a que chamaram relógio. Não falei com Ele no discurso directo mas tive a premonição que ele tentava alinhavar meus zingarelhos do cerebelo.

arannha2.jpg Juntando meus estralhos, adjunto outras direcções  para entender se os alhos com bugalhos são um remédio eficaz para eliminar um bicho feito gelatina invisível e com esporos que furam nossa paciência, estragando os negócios do reino, parando tantas nações. O maldito COVID 19.

Uma minudescência que ninguém consegue matar na suficiente perfeição. Isto é obra de quem? Do homem, do Satanás, de Deus? É um castigo às nossas promíscuas relações entre gentes, entre ideias, entre ideais!?

aranha3.png Isto não é  pecaminoso? Embora advertido por falas silenciosas, sobre a resposta do desagrado divino sobre as nações, revejo - me um inocente  ser, indefeso quanto baste para me colocar numa duvida: “Pequei muito!” - pecamos muito, Noé!?

A David  do livro dos livros, foram dadas três opções de castigo: duas por meio de inimigos humanos mas, a terceira foi diretamente do Senhor. David, familiarizado com as guerras e a impiedade humana, entendia que, mesmo sendo castigando por Deus, Ele era infinitamente mais gracioso...

dia85.jpg É sempre assim! Para tudo Nós queremos ter uma explicação; se calhar não a merecemos, Noé!? Somos propensos a assumir o papel de juízes implacáveis em relação a nossos semelhantes, enquanto Deus mescla justiça e misericórdia em Seu trato com eles e connosco. Pópilas! Exactamente da mesma forma em como eu junto imbambas, estranhos com zingarelhos!

Estamos sempre julgando e condenando pessoas, sem nos preocuparmos em calçar seus sapatos e, de seu ângulo, avaliar tudo quanto as afecta. Bem! Cá para mim isto começou nos Chinocas, ponto final! Pois! Mas nós somos interesseiros em nossas atitudes, sim!

Professores não se lembram de que foram alunos, patrões se esquecem de que foram empregados e cortam na escassez. Mas, na abastança ficaram com o todo, Noé! Gente que apregoa aos ventos seu Deus, omnipotente e justo mas, na hora do "para mim", aDeus! Só seus interesses contam -   Hipocrisia, Noé!?

FK2.jpg Pais perdem de vista o tempo em que foram filhos. Em um conflito interpessoal, assumimos posição de um lado sem ouvir o outro. Mas então se somos moldados pela disciplina de Deus, deveríamos sentir o afago restaurador da misericórdia, Noé!? Vou ali, já volto...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:53
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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