Sábado, 15 de Setembro de 2018
MU UKULU – IV

MU UKULU...Luanda do Antigamente – 15.09.2018

O tempo dos Mafulos ou Holandeses… Os Talatonas geriam os cipaios no transporte de água das maiangas em barricas a fim de apetrechar as naus…

Por

macuta com soba.jpgT´Chingange – Em Johannsburg

luis49.jpgLuís Martins Soares – No Brasil

A Vila de Loanda foi fundada a 25 de Janeiro de 1576 pelo capitão Tuga chamado de Paulo Dias de Novaes após ter desembarcado na baia de Loanda com cerca de 700 homens (soldados, padres e almocreves). Em 1576 manda construir a igreja de são Sebastião na fortaleza aonde agora se encontra o museu das Forças Armadas Angolanas. Antes da chegada dos Tugas, Loanda já era habitada pelas gentes do rei do N´Dongo concentrando-se no lugar seguro da ilha de Mazenga a que os portugueses chamaram de ilhas das cabras por ter visto ali alguns destes caprinos. Viviam ali os Muxiloandas, oficiais do reino de N´dongo que recolhiam os n´zimbos para transaccioná-los como dinheiro.

luis01.jpg No ano de 1605 a vila de São Paulo de Assunção de Loanda é elevada à categoria de cidade pelo governador Manoel Cerveira Pereira que exerceu seu cargo entre os anos de 1603 e 1606. Não obstante estes dados históricos, o Rei de N´Dongo ou Kongo era o dono e senhor daquele espaço, pois que era ali seu banco central! O banco de N´gola. Seus zeladores Muxiloandas, cipaios e gente miúda laboravam na apanha e sequente selecção atribuindo às conchas o respectivo valor monetário.

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Para se ter uma ideia da relação de valores de então temos que para o Manikongo, 1 galinha valia 30 n´zimbus e uma vaca cerca de 300 n´zimbus, 3000 caurins ou 6000 lufuzus. Podemos então estabelecer uma escala de valores para as unidades monetárias de N´zimbos, Caurins e lufuzus na proporção de 1,1/10 e 1/200. Qualquer invasor daquele espaço era retaliado com severidade ou morte em caso de insubmissão às ordens do reino ou reincidência em actos de roubo. Era esta a lei conhecida por kikongo que se confundia com a morte e de quem os súbditos tinham o maior medo.

luis02.jpg Todos estes funcionários dormiam em libatas feitas de folhas de coqueiro dormindo em loandos ou esteiras feitas por folhas entrelaçadas da mesma árvore. Foi assim e, daqui, que mais tarde se começou a designar aquele como o lugar dos loandos exportando para o reino este uso de estar, dormir e espreguiçar.

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Mas, Loanda de então já tinha sete povoados e foi só em 1576 que o rei N´gola Kiluanji Kiassamba autorizou a fundação de São Paulo de Loanda passando de certo modo a autoridade para Paulo Dias Novaes que aportou ali na ilha da Mazenga levando presentes da coroa de Portugal para o Reino de N´gola e, por intermédio do fidalgo negro Dom Pedro da Silva, que estabeleceu uma aliança entre os N´Gola e o M´Puto.

luis04.jpg Um daqueles sete povoados ou sanzalas de então, era as Ingombotas, caserio que no correr do tempo foram armazéns depósito de negros escravos enquanto esperavam embarque para terras de Vera Cruz o Novo Mundo também chamado de Brasil; um outro povoado era conhecido por Maculussu e, assim se chamava por ser o sítio das cruzes reservado aos Tala-tona que já entendiam e falavam algum português, os chamados assimilados maioritariamente Kicongos.

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Também viviam ali os fiéis macotas do reino de N´dongo ou N´gola; Os mesmos que traziam prisioneiros das guerras tribais, feitos escravos e com quem os Tugas de então negociavam. Bem assim dizer, os cipaios eram destacados pelo rei amigo a fim de serem levados nas naus e tendo os Talatonas como seus administradores mais directos. Eram os M´Fumos, qualquer coisa parecida como capataz e, obedecendo às ordens de Kiluanji Kiassamba seu rei.

luua7.jpg Os Talatonas, geriam os cipaios no transporte de água das maiangas em barricas a fim de apetrechar as naus e a fortaleza bivaque de água potável. Faziam outros trabalhos como a limpeza dos terreiros, fazer os enterros no alto das cruzes ou largar os corpos nas lonjuras do kazenga para pasto de onças e leões. As águas para lavagens na higiene doméstica eram levadas da lagoa do kinaxixe que lá pelos anos sessenta, trezentos e poucos anos depois foi soterrada para dar lugar ao mercado que ficou conhecido com esse nome no tempo colonial.

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Todo aquele caserio era composto de cubatas amontoadas ou dispersas com tufos de vegetação começando a surgir entre os imbondeiros, tufos de bissapas e n´hiwas, pequenas lavras de mandioca e até árvores não autóctones trazidas pelos navegadores negreiros tal com a mangueira, laranjeira, pessegueiro e outros que se foram adaptando como a goiaba, ou o tamarindo. A manga por exemplo é nativa do sul desde o leste da Índia até as Filipinas, e foi através dos anos sendo introduzida com sucesso no Brasil, em Angola, e em Moçambique, mas também em outros países tropicais.

luis40.jpg O nome da fruta manga vem da palavra do idioma malaiala e foi popularizada na Europa pelos portugueses, que conheceram a fruta em Kerala (que conseguiram pelas trocas de temperos). Tenha-se em mente que nos anos e séculos que se seguiram, Portugal era o dono das rotas para as Índias e, dali traziam para o resto do mundo árvores e tubérculos ainda não conhecidos no resto do mundo; um verdadeiro início da chamada globalidade.

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Estando agora emperrado na estória de Loanda no tempo dos Mafulos, terei de partilhar estórias verdadeiras que o tempo lambeu com vagas de esquecimento. Trata-se do Mafulu que deu gente nobre a Angola como a dinastia mestiça de Baltazar Van Dum. Durante os sete anos da presença holandesa e, com o objectivo do fortalecimento do tráfico negreiro rumo às lavouras de cana-de-açúcar no Brasil e ilhas do Caribe sobre seu domínio, o projecto da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais afirma-se aqui em N´Gola com alguma dificuldade.

luis54.jpg Nota: É esta um participação para a verdadeira estória de Angola a custo zero… Luís Martins Soares e T´Chingange vão ter de ser incluídos na antologia Angolana…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:02
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLVI

ANGOLA DA LUUA XLVI - TEMPOS PARA ESQUECER – 14.09.2018

Espreitando pelo postigo da memória antropológica ... Na ausência de estadistas, houve demasiados traidores…

Por

soba15.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

Já estamos a mais de 43 anos daquele então – ano de 1975. Durante quatro meses, entre Julho e Novembro de 1975, mais de 900 voos, a maior parte da TAP, levaram mais de 200 mil pessoas de Luanda e Nova-Lisboa (Huambo) para a capital portuguesa na ponte “LuuaLix”. Assim chamei por via de um amigo de nome Antunes, a ter escolhido; aqui tem sido referida para a distinguir de tantas outras de âmbito turístico. E, no total foram mais de um milhão de cidadãos que chegou a Lisboa – Lix, vindos da Luua.

torres5.jpg Foi uma das maiores operações de resgate de civis de todos os tempos e, que envolveu muitas centenas de voluntários. Muitos outros saíram de traineira ou indo de carro para os países limítrofes como a Namíbia e outros para onde seguiram directo, tais como por via aérea: o Brasil, Argentina, Austrália ou mesmo os Estados Unidos. A esta dispersão provocada pela guerra do “Tundamunjila” - Thundá mu n´jilla, chamou-se de DIPANDA a que podemos dar também o significado de DIÁSPORA.

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E, assim átoa sem rascunhos de contacto, chegavam a um qualquer lugar e se desenrascavam como soe dizer-se na gíria de cariz tão lusitano. Os ''retornados'' eram portugueses mas, para muitos Portugal era um país desconhecido, um país que tinha acabado de viver uma revolução e onde poucos estavam preocupados com quem chegava de África. Nem mesmo a família acalentou as angústias de tanta gente; verdade se diga que sempre houve alguém a prestar solidariedade e isso, marcou a diferença.

silva2.jpg Nós andávamos baralhados com tanto ódio, tanta insensatez e tanto desconhecimento das palavras como amor e ternura ou solidariedade. Fui cair num ninho de comunistas chamado de Torres Novas aonde a ordem do dia era sempre por unanimidade - levantando braços; eram as assembleias do povo. Não foi fácil passar dias e dias só falando em surdina para que não se apercebessem que eramos retornados - nossa pronúncia com sotaque, denunciava-nos. Podem calcular como era difícil andar entre “irmãos” trilhando o dente por não se poder expressar.

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Hoje os refugiados vindos da África, sem qualquer restea luso, a mesma que nos escorraçou, são melhor acolhidos em toda a europa, têm casa, vencimento, passe de transporte e até trabalho sazonal. Mesmo assim, pouco tempo depois e em surdina fogem para os países mais ricos vivendo uma grande parte dos subsídios estatais que a Europa decidiu dar sem retorno. Se é mau ou bom não interessa escalpelizar aqui mas, o tratamento é bem diferente do nosso naquele então, de quando chegamos ao aeroporto da Portela.

SBEL.jpg Zé Antunes refere em um blogue amigo que quando ia a Lisboa, sempre passava no Rossio, junto ao Pic-Nic - local de encontro de todos os oriundos de Angola. Eu que fiquei instalado em Torres Novas, em casa de uma irmã, também ali ia; normalmente comia uma sandes na “Tendinha” do Rossio, um panado ou posta de bacalhau e um penalti (um copo de vinho tinto) e, também me inteirava de notícias da Luua e de Angola em geral, pois que dali chegavam todos os dias refugiados na Ponte Aérea LuuaLix. Íamos assim, sabendo novidades de Angola e particularmente de Luanda onde ainda se encontravam meu pai e outros familiares.

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Outros, confraternizavam deitando conversa fora com boatos na forma de mujimbos e também para beber uns finos ou pancar uns petiscos no Pingo Bar, no Leão D’oiro na Rua 1º de Dezembro, na Praça do Chile em Arroios, Na estação de Santa Apolónia e outras, sempre na ânsia de saber mais e mais novidades de Angola. Entre muitos chegados ao M´Puto comentam coisas do género: Foi muito triste… Eu não queria vir! Era lá que eu vivia, era lá que estavam os meus amigos, a minha casa. Mas a família mostrava-se irredutível, pois nessa altura o cheiro a medo era muito.

sabão macaco1.jpg O metralhar dos bairros, as balas tracejantes lançadas pelo Poder Popular e o pregar de caixotes tornava a vida ensurdecedora. Corria notícias de violações, contados por quem tinha visto, ou proveniente de mujimbos contados com intervenção dos candengues Pioneiros do M.P.L.A. Cenas de rasgarem e pisarem a bandeira portuguesa em frente à tropa do M´Puto que ficava sem reagir. Isto, para os moradores, tornava-se muito triste, um mau indício e revoltante.

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Ninguém aguenta ver a sua Bandeira maltratada sem poder fazer nada; mas no m´Puto os procedimentos eram bem diferentes pois que nisto temos de excluir Mário Soares que até foi presidente e tem uma fundação subsidiada pelo erário público… Como lavagem de ética, diziam que era em repulsa a Salazar mas, disto não nos devemos esquecer para que não tenha direito a ir para um qualquer panteão (…O que mais tarde ou mais cedo vai acontecer!...). Baloiçando-me no d´jango do plot, muito perto da árvore n´vuluvulu de Benoni, olho seu fruto pesado de longas múcuas que pelo que dizem, só servem mesmo para fazer milongo de feitiços ao povo da Obovolândia.

silva p0.jpg Eu, quis saber mas parece ser segredo de raizeiros, porque talvez cada homem nasça com a verdade dentro de si e só para ele, e só não a dizem porque é muito só sua; e até, muitos haverá, que não acreditam que seja aquela a sua verdade. Porque cada homem é um mundo que se ao tempo der tempo, o tempo bastante, sempre o dia chega em que a verdade se tornará mentira e a mentira se fará verdade. Estamos a viver este momento de falácia mas voltando àquela certeza de que iriamos voltar para a Luua a refazer a vida, foi-se desvanecendo malembelembe como um sonho…Para pior, antes assim!

pombinho5.jpg Os sonhos ficaram a definir se a recta era mais curta no tempo ou se era a curva mais universal, com um mundo sem bordos e rebordos… Fui lá, a Angola em dois mil e dois mas, as tabuletas de caveiras ladeando os acantonados da UNITA, ainda eram muitas e por muitos lados. Também cheguei a Lisboa, como todos os demais, um outro Portugal, o tal Continental; afinal havia dois, o M´Puto e N´Gola mas nós estávamos por demais inocentes para entender aquela revolução dos cravos ao pormenor. No aeroporto duas senhoras da Cruz Vermelha comentavam em surdina estarem ali a perder seu sono por via destes ranhosos (eramos nós…). Felizmente que havia algumas Donas, estarem ali por amor e solidariedade… Bem-haja!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:21
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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2018
MU UKULU – III

MU UKULU...Luanda do Antigamente10.09.2018

Entra-se num outro capitulo - o tempo dos Mafulos ou Holandeses enviados a propósito para conquistar terras de N´Gola…

De

luis49.jpgLuís Martins SoaresNo Brasil

soba15.jpgT´ChingangeEm Johannsburg

O Governador Pedro César de Menezes no dia seguinte, 25 de Agosto de 1641, abandonou o arraial de bivaque no Morro de S. Miguel de Loanda, deixando a povoação de trincheiras no poder dos Mafulos Neerlandeses. A coroa portuguesa que neste então estava sob o domínio espanhol não pode manter os entrepostos comerciais e possessões que mantinha ao longo de toda a Costa Africana. Assim, estando em guerra com os Holandeses, estes atacaram todos os lugares aonde estavam os Tugas com principal incidência na costa de África.

Mu Ukulu7.jpg Pedro César de Menezes retirou-se para o lugar de Bembem não muito longe do lugar a ser conhecido por Massangano bem à beira do rio Kwanza e na zona de Kambambe aonde os portugueses mantinham suas áreas de influência. Era um ponto de excelente posição estratégica por proporcionar para além da defesa a acostagem de naus, canoas e outras barcaças desde a barra até Muxima da Kissama.  

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O Padre António Vieira interrogava-se de como poderia Portugal prevalecer contra Holanda e Castela? Nesse então os Holandeses tinham onze mil navios de gávea mais outros três mil navios e duzentos e cinquenta mil marinheiros adiantando: “…os dois nervos da guerra são gente e dinheiro; e que gente e que dinheiro temos nós hoje? A gente é tão pouca, que para qualquer rebate de Alentejo é necessário tirar os estudantes das universidades, os oficiais das tendas e os lavradores do arado.

Mu Ukulu9.jpg Vejam o quanto é interessante vasculhar na história para entendermos as dificuldades dum país tão pequeno! E dizia o Padre Vieira: - Pois com que gente havemos de acudir às quatro partes do mundo, e em cada partes destas a tantas partes? Os Mafulos em Holanda têm quatorze mil barcos; nós em Portugal não temos treze. Na Índia têm cem naus de guerra de 24 até 50 peças; nós na Índia não temos uma só.

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No Brasil têm mais de sessenta navios na maior parte poderosos vasos de guerra e nós temos sete, se ainda os temos”. Os Holandeses estão livres do poder da Espanha; nós, temos todo o poder de Espanha contra nós. É curioso ler os relatórios e missivas do padre António Vieira por sua arguta visão mostrando ser um observador mais militar do que a maioria dos mestres de guerra de então e, refere “Os holandeses em Europa não tem nenhum inimigo; nós não temos nenhum amigo. Isto veio a acontecer muito mais tarde à mistura com traições em 1975 que, de forma desavinda tiveram de abandonar Angola como escorraçados.

Mu Ukulu8.jpg Eles, os Mafulos, têm mais de duzentos mil marinheiros; nós em Portugal não temos quatro mil”. Reconhecia que “um sucesso quase milagroso” a saber da vitória de Guararapes em 1648 no Brasil, tinha mudado a opinião de muitos até então favoráveis à entrega, mas ninguém deveria contar com milagres, “pois os milagres são sempre mais seguro merecê-los que esperá-los.

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Os milagres! Fiar-se neles, ainda depois de os merecer, é tentar a Deus”. Reconhecia que a companhia estava economicamente exausta mas, a melhor solução era a da entrega de Pernambuco, pois os Holandeses não admitiam a proposta de compra. Os documentos mostram porém que a memória erudita do Padre Vieira traiu o Jesuíta. Sempre o M´puto teve em simultâneo grandes homens de grandes feitos e grandes traidores. Traidores que só a estória sem agá fala.

vieira1.jpg Felizmente que a propaganda de tristes alvitre não teve eco em Fernandes Vieira e essa saga de Luso-brasileiros, os verdadeiros próceres do Brasil. De notar que refiro Fernandes vieira como o herói de Guararapes que tendo nascido na Madeira aqui elevou nossa condição de gente ilustre. Só relembro isto porque foi do Brasil que mais tarde saiu uma campanha capitaneada por Salvador Correi de Sá e Benevides para retirar os Mafulos de Loanda. Angola e Brasil sempre estiveram ligados e, daqui poderão extrair nota do muito desconhecimento que temos da nossa posição Lusa no Mundo.

Mu Ukulu10.jpg O Padre António Vieira em 29 de Julho de 1648, transmitia por carta ao Marquês de Niza as notícias do sucesso da primeira batalha de Guararapes do seguinte modo: “… de maneira Senhor, que temos Pernambuco vitorioso, o Rio-de-Janeiro socorrido, a Bahia com armada e Angola com a esquadra de Salvador Correia (….), todo o debate agora é sobre Angola e, é matéria em que os Mafulos, não hão-de ceder, porque sem negros, não há Pernambuco e sem Angola não há negros e, como nós temos o comércio do sertão, ainda que eles tenham a cidade de Loanda, temem que nós tomemos outros portos”.

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O poder da Holanda unido ao da Companhia das índias (Ocidentais e Orientais) era o maior da Europa, pois a história mostrava que a Espanha sem guerras externas, abundante de dinheiro e armas e agora, em paz com toda a Europa, ainda tinha Portugal sobre sua sujeição. Por este acontecido que durou sessenta anos com os reinados dos Filipes I, II e III, Portugal, perdera a soberania que tinha sobre o Ultramar.

maful2.jpg Em pouco tempo os Mafulos ficaram com as possessões daquele Portugal debilitado perdendo muitas praças nas Índias Orientais, na costa africana, na Bahia, e por último Pernambuco. Os danos para Portugal pela perda de soberania a favor de Espanha e por via daquela companhia das Índias, foram-no na índia, Ceilão, Angola, S. Tomé, Maranhão, Bahia e Pernambuco. De notar que João Pessoa tinha o nome derivado do nome Filipe – chamava-se Filipeia. Nem os brasileiros, mais se lembram disto.

junho0.jpg Fugi um pouco do tema de Mu Ukulu da Luua de Luís Martins Soares mas, em seu tempo voltarei às malambas do século (mais-velho)…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
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Domingo, 9 de Setembro de 2018
MALAMBAS . CCXI

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI –  6ª de Várias Partes

- EM CAPE TOWN – HÀ UM ANO ATRÁS02.09.2017No Kirstenbosch – National Botanical Gardens de Cape Town…

Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Johannesburg

Estamos a 09.09.2018; passado que dá um ano e três dias, aqui estou de novo revendo este recente tempo, passando a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo do Xoxolosa Trem. Fazendo um interregno por espera na obtenção do carro que nos levará mais a norte, irei rever a visita ao Jardim de Kirstenbosch na Cidade do Cabo. Dy, também conhecido por Reis Vissapa vai diligenciar encontrar o carro ideal e com tracção a todas as rodas a fim de rumarmos a norte via Botswana.

alfa0.jpg Aqui neste vastíssimo planalto de Johannesburg, as temperaturas são estremas; de dia e, nesta época do ano, podem ir dos zero aos vinte e cinco graus. Esta noite tive de colocar meias e gorro trazido do M´Puto pois que o frio não me deixava dormir. O computador da Ibib marcava um grau e deu para sentir. Lá fora os carros tinham gelo nos vidos. Tentaram sair no jeep mas este não pegou pelo intenso frio que fez na noite. Pelas sete e trinta da manhã, tiveram de ir à igreja no carro da Celeste, minha nora. Eu fiquei no bombom do quarto com os meus santos, empolgando-me na mioleira.

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Pois voltando ao Jardim e rodando nós a Table Mountain da Cidade do Cabo no autocarro vermelho do Cityrama, ali chegamos deixando de sentir aquele vento frio que sopra do Atlântico. E, porque aqui, não se faz sentir aquele vento, as plantas crescem envoltas num microclima como se estivessem em uma estufa. Vimos altíssimos pinheiros e até entre outras plantas autóctones, o tão nosso conhecido sobreiro de dar cortiça e também castanheiros.

koisan1.jpg Andar pelo Jardim foi como revisitar os desertos de toda a África vendo até algumas plantas já na fase de extinção em outras partes do globo. Tinha vindo aqui há dezoito anos e pude de novo rever com deslumbre este grande jardim e, com tanta variedade de espécimes. As etiquetas referiam o nome, sua procedência entre outras particularidades. Fiquei a saber que em outro tempo também aqui havia leões, sendo seu último exemplar, morto aqui no ano de 1884.

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Em uma brochura recordam que os primeiros europeus a chegar aqui ao Cabo, foram os portugueses capitaneados por Bartolomeu Dias. Há uma grande estátua dele logo à saída do porto do Waterfront, fica bem no centro de uma grande rotunda aonde vai desembocar uma das principais avenidas da Cidade; mais tarde chegaram os holandeses subvencionados pela Companhia das Índias Ocidentais que aqui se estabeleceram.

alfa2.jpg Estes holandeses são os mesmos Mafulos que se apoderaram de Loanda de N´Gola a 24 de Agosto do ano de 1641 já referidos em uma outra crónica de Mu Ukulu II. Esta mesma tropa composta de flibusteiros, arqueiros cobertos de metais e, portando arcabuzes de cuspir fogo, encontraram uns indígenas de pequena estatura a quem chamaram os “KoyKoy”; talvez os da mesma origem dos Khoisans ou bosquímanos. Os holandeses Mafulos afastaram os KoyKoy para longe de suas vivências estabelecendo-se nesta ponta rodeada de morros.

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Também aqui os Mafulos ou Holandeses foram enviados a propósito para conquistar terras de África. O M´Puto estava nesse então debaixo do mando dos Filipes de Espanha tendo Filipe I de Portugal e Algarves, sendo o segundo monarca de Espanha. D. Filipe II de Espanha expandiu seu domínio a Portugal, à Flórida e às Filipinas desleixando o que era de Portugal. Em verdade foi nesse então o primeiro líder mundial a estender os seus domínios sobre uma área directa "onde o sol jamais se punha", superando Gengis Cã.

alfa5.jpg Filipe I de Portugal até então, era o homem mais poderoso de todos os tempos. Os limites do seu império foram denominados em sua homenagem desde o extremo leste das Américas (Filipeia, hoje João Pessoa do Brasil) ao sudeste insular asiático: Filipinas; do Atlântico centro-ocidental ao Pacífico centro-ocidental passando por todas as longitudes do oceano Índico. Não foi com medo da malária, o porquê deste tão grande monarca nunca se preocupar com as antigas possessões do M´Puto mas, sim pela força do Papa que definiu a linha do Tratado de Tordesilhas.

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Bom! Voltando aos Mafulos, por aqui se estabeleceram vivendo da pesca mas e principalmente das muito boas madeiras que recolhiam nestas encostas. Os troncos eram arrastados até à beira mar e embarcados em naus no lugar protegido de Hout Bay. Com as guerras anglo bóhers e por via dos interesses nas explorações de ouro e diamantes, estes colonos foram sendo empurrados, sempre mais para norte. Foram assim forçados, que originou o desbravar de todo Karoo, uma parte do grande Calahári tendo como elemento aglutinador o rio Orange que nasce nas terras altas do Drakensberg.

alfa01.jpg Na encosta sul de Hout Bay, pode verificar-se o desarrumado caserio de gente que busca estas paragens para trabalhar. É aqui chamado de Imizamo Yethu, um conjunto de casas minúsculas e coloridas subindo a encosta do morro, num urbanismo em tudo idêntica às favelas do Rio de Janeiro; imagino pela pequenez, não terem o mínimo de condições de habitabilidade mas, que a necessidade obriga a ginasticar como um estágio de vida penoso.

alfa6.jpg São pessoas que sem qualquer formação, a tudo se sujeitam; gente vinda do Lesoto, Zâmbia ou o Malawi. O curioso é ser este um ponto de paragem turística com guia e, que por uma gasosa, explica aos turistas por forma a se inteirarem deste pormenor. Explicarem a vida tormentosa de quem sobrevive nela, como a visão duma evolutiva excentricidade e, a quem nem sonha poder viver em nove metros quadrados…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:25
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2018
MALAMBAS . CCX

MOKANDA PARA KUVALE 

Refem do medo, penetra na vida um dia de cada vez - 05.09.2018

Crónica sempre actual – Inicialmente foi para o Kamundongo do Maculussu, o Cipaio Comando mas, hoje é para fecho de mala com ida para Tanzânia com Vissapa, o homem do Okavango…

Por

soba0.jpegT´Chingange

O Camundongo Comando do Maculussu tem uma lança no estandarte da Kizomba e, assim, foi seu baptismo na cubata-restaurante do marinheiro de Albandeira, mesmo sem lhe ver os cascos, os dentes, as unhas e as orelhas. Ficamos sem saber se as bitacaias o tratam por tu. Ele vive ainda no Ontem com o hoje cohabitando com os Mucubais; um sonho perene cheio de cacimbo pelas manhãs e aquela tremulina nas quenturas ondulando miragens das anharas, pasto de facocheros, mabecos e bandos de galinhas do mato arramhando seu disco partido – estou fraca, estou fraca, estou fraca! Kafundanga Neves é seu nome de branca alvura.

ÁFRICA11.jpg Refém do medo, penetra na vida um dia de cada vez, penosamente candongando chinguiços como num conto insuficiente; como se tratasse de uma vida que já só serve para ser contada, queima lenha para vender carvão na cidade; não é verdade mas, faz-de-conta! Eles que sempre pastaram gado, agora, as cercas de arame farpado levantadas pelos generais mwangolés, barram-lhe a passagem!

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A democracia perdeu-se no labirinto das manipulações e interesses, não diferindo em nada das piores regras do colonialismo ai iú éé! É pior!... A nomenclatura da Luua (Luanda) distribui entre si o espólio espalhando condomínios pelo mato, uma t´ximpaca com água e uns quantos animais mostrando sua durabilidade na debilidade. Assim na banga, o general XIS, baloiça seu chinchorro, rede dos Andes, fazendo bafunfa a seu 

ÁFRICA18.jpg Vai um whisky, vai um conhaque, vai um gim? Pode ouvir-se estas conversas dos curibotas cazucutas a gozar férias e gastar seu cumbú governamental… No meio de uma grande ilusão, possibilitou-se a vida numa sobrevivência corruptada na obtenção de dinheiro num qualquer preço, mesmo que tapando o acesso dos bois à água que sempre foi do povo. São os DDT – Os Donos Disto Tudo…

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Acabaram com as leis restritivas do tempo do xi-colono mwene M´Puto e, agora constroem cercas só à toa e, pois não há mais t´ximpaca nem mulola nem tanque para lavar o gado, nem os pesticidas com cheiro a medicamento defuntado. Está mal, patrão!? Num está! Eu não sou teu patrão; para quê me estás a queixar?! Nas antigas leis do colono gweta do M´Puto não era assim mesmo, repete o cipaio comando kamundongo Branco das Neves.

ama3.jpg Ainda andam de tanga, dizem estes promovidos generais saídos duma guerra de kwata-kwata entre irmãos! Claro que são pretos! Mas... Afinal patrão, quando acaba mesmo a independência? Pópilas, primeiro que nem sou teu patrão e segundamente eu não sou teu soba nem talqualmente nem nos entretantos. Angola é livre, tu és livre, já te falei. Pois! Levou a mão à cabeça e olhando-me no presente do indicativo falou: Isso é uma coisa muito perigosa! Verdade mesmo que não era assim, juro! Não digo mais nada; vou fazer mais o quê!?

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As Organizações e uma grande parte dos mwangolés, não entendem porquê aqueles pastores andam quase sem roupa – incivilizados, dizem; desconhecem que quando o sol cai de cima e o calor sai do chão, este, é o próprio modo de estar do pastor Kuvale. Tratar astutos guerreiros, altivos homens como se fossem indigentes pelo facto de aparecerem vestidos com um pano á frente e outro atrás, é desprezar outros valores. Xiií, o próprio irmão, escuro mesmo!

ÁFRICA14.jpg Kuvale!... Kuvale, governador de vastas áreas e muitos bois, controlador da aridez das terras que circundam o Bero, Geral, Kuroka e também o Iona aquém do Cunene. De mulola em mulola, de t´ximpaca em t´ximpaca, só estes sabem abeberar o gado, ajustando-se no tempo transumando na altura certa. Só eles sabem alimentar e manter acesa a fogueira naquelas noites frias, sangrar os bois na veia certa.

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Alterar isto com argumentações técnicas ou científicas, é promover a inviabilidade de sociedades antigas. Mudar tudo isto, é torná-los dependentes, proletarizá-los na miséria envoltos em arame farpado. Ali no Karacul, ideólogos, políticos e agentes humanitários de forma aberrante distribuem caridade em nome da civilização. Que é que os levará a advogar que esta gente é pobre e vagabunda nesta forma de estar!

ÁFRICA3.jpg Não é por usarem tanga que são pobres. Ter ar, sal, leite, água, é tudo do que necessitam. Dormir sobre uma pele de boi, habitar em casas de barro e bosta, usar sandálias de tiras de couro, ter um pau especialmente curvo para assentar com dignidade sua cabeça e alimentar-se de malulu (leite azedo), isto é ser Mucubal e assim vai ter de continuar. Os seus actos heróicos de adquirir gado, sempre foram designados como roubo; mesmo no tempo dos Tugas; mas estes faziam respeitar sua natureza própria e agreste. África é isto!

ÁFRICA13.jpg Glossário: Mokanda:- Carta; Kuvale/ Mucubal:- Zona sul de Angola, a norte do rio Cunene; Bero, Giraul, Kuroka:- Rios de Angola; Mulola:- cheia ocasional na linha de água; t´ximpaca: Cacimba de águas de chuva, poça ou charco; Chinguiço:- Pau seco e retorcido, problemas;

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:53
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Terça-feira, 4 de Setembro de 2018
CAZUMBI . LII

TEMPOS CINZENTOSSER-SE ANGOLANO04.09.2018

 - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios

Por

soba0.jpegT´Chingange

O Alvará de 19 de Setembro do ano de 1761 providenciado pelo Marquês de Pombal dá fim à entrada de escravos em Portugal. Neste ano e apenas nas províncias a sul do Tejo ainda trabalham nos campos 4.000 a 5.000 escravos. Há muito branquela no M´Puto que tem ADN negro sem o saberem; daqui derivaram os nomes de Carapinha ou Negro; conheço alguns.

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O motivo da substituição do jornaleiro livre pelos escravos, não poderia ser a falta de gente em Portugal mas sim, o regime da grande propriedade, do latifúndio, que imperava no Alentejo que se arrastaria por centenas de anos. A utilização incessante dessa mão-de-obra, de meados do século XV até à segunda metade do século XVII, fixou-se e estabilizou-se em certas áreas do mundo agrícola, declinando, porém, no século XVIII, em virtude da gradual redução no ritmo da substituição desse tipo específico de trabalho.

mulata1.jpg Mas, mesmo em declínio, não cessou de existir, alimentada pela circunstância cruel de o filho de escravos herdar a condição dos pais, coisa que só findou com o tal decreto Pombalino de Setembro. Não conseguindo estabelecer maiores pontos de contacto entre a cultura africana e a portuguesa que subsistam e, que possam ser detectados na nossa etnografia, fica aqui o contributo para algo que nos parece importante, a presença dos Negros na nossa cultura.

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Embora os princípios da eugenia tenham sido elaborados por um cientista inglês, foi nos Estados Unidos e na Alemanha, a partir do início do século XX, que começaram a ser colocados em prática. Sob a designação de “eugenia positiva”, adoptaram-se medidas de incentivo financeiro a casamentos mistos, considerados favoráveis à tese; para isso implantavam-se programas educacionais numa via de reprodução planeada.

to3.jpg Até eram realizados concursos para a descoberta de famílias e indivíduos talentosos oriundos desta miscigenação. Tenha-se em conta que esta prática de incitamento já era bem conhecida pelos portugueses pois que as autoridades tinham no intuito, a fixação do colono à terra; assim sucedeu no Brasil e em Angola mas, este facto não proporcionou aos Tugas o serem considerados modelo nesta nova e independente sociedade. Antes pelo contrário, o que se verificou foi o não reconhecimento deste tão natural umbigamento pelas novas Nações e o Mundo.

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Por outro lado, faziam parte da “eugenia negativa” acções de esterilização, eutanásia, segregação e de restrição à imigração. A primeira lei de esterilização americana foi aprovada em 1907, no estado de Indiana. Se houve um povo que sempre cultivou a “eugenia positiva”, esses foram sem dúvidas os portugueses espadas-machos, que lá aonde quer que fosse se umbigavam com qualquer buraco de prolifera fêmea. Parece grosseiro dizer isto deste jeito mas é a pura verdade!

angola4.jpg Os defensores da eugenia encontraram suporte nas teorias raciais de meados do século XIX: para o racismo científico, os brancos europeus representavam a superioridade biológica, negros e amarelos eram considerados inferiores e a miscigenação era criticada por causar supostos danos irreversíveis na descendência. O movimento eugénico rapidamente se transformou em campanha nacionalista agressiva contra negros e imigrantes.

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Em parte os grandes culpados são os génios generais negros que com sapiência de cabos tomaram o mando em suas mãos impulsados pelo ódio, a vingança, a torpitude da incompetência. Falo claramente do estado Angolano aonde a maior preocupação foi extorquir o património dos brancos, seu lugar de trabalho, sua fábrica, seu carro, sua casa, seu estatus! São ondas de intolerância conforme as necessidades; uma prática indesculpável ou de deixa para lá! Uma conveniente conivência dos novos políticos.

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Após o término da Segunda Guerra Mundial, a eugenia foi desacreditada como ciência e condenada como postura política. Entretanto, a última lei de esterilização americana foi revogada apenas na década de 70. É necessário manter-se alerta a novas tentativas de oferecer soluções ideológicas a problemas cujas causas são económicas, sociais e, ou incompetência.

angolar5.jpgReconhecendo isto desta forma e, em relação aos estudos urbanos tomando por exemplo Lisboa ou Luanda, há que reflectir sobre o espaço e a interacção entre grupos por modo a que esta relação não se reduza a uma questão de “competição” ou “selecção biológica”. Os termos em que hoje falamos em origem, ainda são aqueles definidos pelo colonialismo.

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João Leal, um conceituado antropólogo português, escreveu um livro sobre a preocupação da sua disciplina, durante o Estado Novo, com os estudos sobre etnogénese. Para aqueles que nunca se darão ao trabalho de viver como os angolanos vivem, Angola é ainda um território mítico nesta visão: a terra trazida à civilização pelo esforço e engenho dos portugueses não tem sido enaltecida por esta via e, deveria ser! Ao invés disto restringem o direito à nacionalidade por questões de puro egoísmo.

ango1.jpg Eles, os mwangolés, querem castas genuínas e nesta leva o branco sempre vai ser preterido. A áfrica tem esta embirrante tendência de só considerar genuínos os negros. Está mal! Assim nunca irão longe… tenho dito! Não estou a dizer que este seja o caso de quem quer que seja. O que me parece interessante é identificar a existência de tal discurso pelas altas esferas da nova Nação que é Angola. E quando por vezes se diz que se é angolano, o que se está simplesmente a fazer é habitar o espaço em que é possível tal discurso tomado sobre a origem dos avós e tetravós mas sem seus direitos cívicos…

ANGOLA10.jpg Há que ter um papel na vida, tentando a todo o custo interpretar o lado positivo mas, os laivos de maldade dos novos governantes decapitam, que nem a esquerda comunista estalinista e maoista no seu lado mais negro, traz consigo! Uma carga negativa do passado cultural colonial, arredondada na perfeição dos silêncios ou na pura omissão. Com fúteis caprichos de poder, esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos futuros. Sim! O futuro de um mundo surreal tentando compreender melhor a essência dos seus divinos filhos. Uns são filhos da mãe e outros filhos da Puta...Falei!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:34
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2018
MU UKULU – II

MU UKULU ... Luanda do Antigamente - 03.09.2018

Neste e próximos episódios vamos dar uma volta pela Luua reavivando memórias do baú do kota Luís Martins Soares com adendas também elas minuciosas de T´Chingange…

De

luis49.jpgLuís Martins Soares No Brasil

soba15.jpgAs escolhas de  T´ChingangeNo M´Puto

Foi com grande satisfação que recebi uma mokanda no ano de 2017 do meu amigo kota, mais-velho da Luua residente no Brasil dizendo ter escolhido o título por mim indicado para seu livro de “Mu Ukulu”. No dia dois de Agosto de 2018, autografou seu livro que me foi remetido recentemente por correio pela amiga comum Assunção Roxo. A pintora mais fosforescente da EIL por nós reconhecida mestra em pintura digital e, que teve o privilégio de o contactar lá na terra grande da "ORDEM E PROGRESSO" no lugar de Sampas do Rio de Janeiro – Brasil.

diogo1.jpg Os relatos verídicos de Luís Martins Soares são uma contribuição para todos aqueles que se interessam por saber como em outros tempos era o dia-a-dia naquela cidade de Luanda entre seus habitantes camundongos, muxiluandas ou mwadiés do M´Puto, que com o tempo, passaram a considerar aquela terra como sua. Algo valioso para nos preencher o vazio que a saudade alimenta e, também para todos aqueles que contribuíram de alguma forma para a valorizar. E, assim mesmo, completando ou não um sonho acalentado pela maioria mas e, na qual a estória para alguns, ficou sem o agá!    

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Angola foi uma Nação que como tal já nasceu feita, burilada na labuta por alguém. Este e alguém, fomos todos nós, angolanos do coração. Dizeres que só o tempo reconhecerá como sendo verdadeiros e, porque neste nosso curso de enfrentar os conhecimentos com verdade, todos os dias serão uma prova à adaptabilidade humana com o manuseio de instituições e gentes que nos governam ou governaram. Sempre foi assim e assim continuará a ser!

diogo3.jpg No nascimento de Angola, teremos forçosamente de modificar nosso caracter de existência para aprender esta permanente transitoriedade pois que sempre seremos um fruto de mudança. A aceleração do conhecimento é uma das mais importantes e talvez a menos compreendida de todas as formas sociais e, que naturalmente abala as nossas instituições e a nós mesmos. O ritmo crescente de mudança perturba o nosso equilíbrio interior e, até modifica a própria maneira de como experimentar a vida acelerando a integridade de cada qual. Mas diga-se em abono da verdade, é difícil ficar-se indiferente…

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Esta aceleração de mudança que foi longa e lenta, teve quinhentos anos de complicada vivência mudando muito a estrutura de nossas vidas, na vida de nossos ancestrais, diversificando-nos nas formas que temos de representar e o número de papéis com uma inerente opção de obrigatoriedade. Assim, a breve resenha de cariz colonial de Luís, tem início a 3 de Maio de 1560 com a chegada à baia de M´Bungu de Paulo Dias de Novais sua primeira viagem, tendo sido preso por alguns anos no reino de N´Dongo. Em uma segunda ida, a 11 de Fevereiro de 1575, Paulo Dias de Novais, já encontrou 40 portugueses estabelecidos e com sete embarcações fundeadas na baia da Luua.

diogo5.jpg Aquelas naus eram destinadas ao transporte de escravos, uma prática social e comercial corrente entre tribos negras daquela parte do mundo, reinos de N´Dongo e N´Gola; a necessidade passou a partir daqui a ser gerida com coisa pouca - como um negócio de búzios, zimbros, caurins e libongos como mão barata para os novos empreendimentos agrícolas nas américas – o chamado Novo Mundo em terras de Brasis.

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Era a nova era do Ouro Branco, do açúcar a ser extraído da cana a que se lhes seguiu a cultura e manufactura do cacau, do café, do garimpo, afazeres menores a troco de comida de sarapatel, muitas chicotadas e nenhures da vida. Numa labuta diplomática de encantamento o rei N´Jinga N´Gola também conhecido por Kilwange Kazenda, envia uma amistosa embaixada a Paulo Dias a 2 de Junho de 1575 – era em verdade uma forma de iniciação comercial com os Mwene-Putos, donos da sabedoria e portadores do pau-trovão que cuspia fogo.

adam2.jpg Foi neste então que ali montaram bivaque fundando a vila de São Paulo de Loanda; isto a 25 de Janeiro de 1576. Aquela vila teve início na forma de fortificação no morro de São Miguel composta por trincheiras de pipas cheias de areia e, por forma a guarnecer o lugar de acostagem ou precário porto, local aonde se situavam as naus – baia de Loanda e à distância protectora de peças de canhão situadas no bivaque-trincheira; com a água batendo no sopé do Morro as naus estariam à distância de um grito de marinheiro e tiro de arcabuz.

diogo6.jpg A 24 de Agosto do ano de 1641 aparece ao largo da larga embocadura da baia entre a ilha da mazenga ou das cabras e as falésias do M´Bungu, lugar designado mais tarde por Barra de São Pedro, uma poderosa armada composta de vinte e uma naus e dois mil homens de tropa flibusteiros, arqueiros cobertos de metais e portando arcabuzes de cuspir fogo, cavalgaduras e peças de troar ventos para além da guarnição. Entra-se num outro capitulo - o tempo dos Mafulos ou Holandeses enviados a propósito para conquistar terras de N´Gola. O M´Puto estava agora debaixo do mando dos Filipes de Espanha – Filipe I era o novo monarca da terra Metrópole…

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2018
MU UKULU - I

MOKANDA  DE LUÍS - 26.08.2018

De

luis000.jpgLuís Martins Soares para A. Monteiro - (T´Chingange)

 - Da LUUA - Mu Ukulu: - outrora, noutro tempo... Luanda do Antigamente

:::Luis1

António: Não estou lembrado em que ano o meu amigo lendo as minhas cronicas, a exemplo de outros, incentivou-me a publicá-las. Consegui resgatá-las dos Grupos de relacionamento, e em um processo que se arrasta há dois anos, consegui com o patrocínio do meu filho Luís Cláudio uma editora brasileira que interessou-se em editar o livro em Portugal e no Brasil.

:::Luis2

O António, não sei se está lembrado, incentivou-me a dar o titulo de " MU UKULU" ao livro. O livro que vai ser editado terá o título de "Mu ukulu, Luanda do Antigamente". Obrigado pela sugestão António Monteiro. Depois poste no meu e-mail

:::Luis3

luis.m.soares@bol.com.br  - o seu endereço que terei imenso prazer em ofertá-lo.

Abraços.

luis00.jpgAntónio Monteiro - O T´Chingange...

Foi com grande satisfação que recebi esta mokanda de 2017 do meu amigo kota, mais-velho da Luua residente no Brasil. No dia dois de Agosto de 2018, autografou seu livro que me foi enviado recentemente. Foi a amiga comum Assunção Roxo que mo trouxe porque teve o privilégio de contactá-lo pessoalmente lá na terra grande da "ORDEM E PROGRESSO" - É o que vem escrito na bandeira do BRASIL... Terra irmã que nos acolheu de bom grado.

Mu Ukulu04.jpgMu Ukulu0.jpg Roxo com Luís e Livro

Recordo-me deste evento recorrendo ao meu baú de lata muito coberto de ferrugem. Lembro-me perfeitamente de solicitar-lhe a publicação de Luanda antiga na página de Memorias da Maianga. Entre o Kimbo blogue e Memórias da Maianga encontrei referências entre as muitas mokandas!

baú1.jpgBaú da Luua

Luís Martins Soares falava dos Caminhos-de-ferro, da Cidade Alta e Hospital Maria Pia e costumes da Luua nas "Memorias da Maianga", uma página social a que estamos ligados de forma umbilical e, tendo como administrador-mor o Edgar Neves um bastonário do Rio Seco e Malhoas.

mai5.jpg Agora e, em posse do livro MU UKULU Irei dar início aos relatos nele contados que são de maior valia. Serão adendas em retalho e misturadas sem adulterar o tema do texto, seu princípio e sua ética. Assim, será numa forma sintética, com inclusão de pormenores adicionais já contados por mim e outros em  KIMBO LAGOA, Kimbolagoa Blogue, KIZOMBA e outras páginas Sociais tais como KIMBO online ou FEKA YETU,  amigos da E.I.L. Memórias da Maianga e, Roxomania entre tantas coisas por contar.

MAGA10.jpg Avivado agora pelos escritos de Luís Martins Soares, novos afloramentos surgirão no tempo das memórias. Luís, dedica o MU UKULU a todos os angolanos e Tugas com alma de angolanos que por lá labutaram e, com esforços e sacrifícios, irmanados no mesmo amor pela terra, mesmo ideal, tentaram fazer daquela N´Gola, um lugar de excelência.

maximbombo.jpegMaximbombo nº 3 da maianga

Um lugar aonde todos sem distinção de credos e raças pudessem conviver harmoniosamente para o nascimento e engrandecimento de uma Nova Nação, sonho de todos nós. Sendo assim, Luís Soares nosso KOTA MWATA deu início com um poema de Neves e Sousa dando a definição de Angolano. Um belo começo, diga-se!

maianga do araujo.jpg A Maianga com Costa Araújo

SER ANGOLANO

Ser angolano é meu fado e meu castigo

Branco eu sou e pois já não consigo

Mudar jamais de cor e condição

Mas, será que tem cor o coração?

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Ser africano não é questão de cor

É sentimento, vocação, talvez amor.

Não é questão, nem mesmo de bandeiras,

De mínguas, de costumes ou maneiras...

:::

A questão é de dentro, é sentimento

E nas parecenças doutras terras,

Longe das disputas e das guerras

Encontro na distância esquecimento.

Mu Ukulu05.jpgDe Neves e Sousa no ano de 1979

Um abraço ao mano Kota Mwata Luís Martins Soares

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:34
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2018
CAZUMBI . XLIX

RAÍZES – 2 de 3 Partes… 28.08.2018

Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol …

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kizomba

Porcanhot3.jpg António José Canhoto

EDU63.jpg Peneiras que avaliarão o potencial e calibre intelectual dos candidatos para um eventual debate. Os meus olhos já viram o melhor e o pior mundo bem como o nascer e pôr-do-sol em todos os continentes e dos sistemas políticos e religiosos que neles vigoram e os diferenciam pelos deuses que adoram. Preenchi a minha mente com todas as verdades que precisava para adquirir o conhecimento que hoje me permite deixar de ter interrogações sobre a vida e morte.

sol4.jpeg E, por esse facto encontrei o equilíbrio, paz e tranquilidade necessárias para deixar de me atormentar ou preocupar com questionamentos metafísicos ou espirituais. Por vezes sinto o desejo de saltar para a garupa do meu ginete alado e viajar para os espaços infinitos da minha África que continua a ser o elemento catalisador, inspirador e o elixir revigorante da essência do meu viver.

:::

Infelizmente o tempo não volta para trás e as Áfricas aonde vivi, sofreram grandes transformações infelizmente algumas para pior. Hoje a viver nesta superlotada Europa onde o espaço é cada vez menor e o oxigénio que respiramos é cada vez mais conspurcado pelos milhões de emigrantes que aqui procuraram vida, sinto a falta de percorrer na minha África centenas de quilómetros por picadas poeirentas sem ver ninguém a não serem os ocasionais animais selvagens.

sol3.jpeg Alguns deles também existem na Europa, mas de duas patas cometendo diariamente actos de terror em nome do seu deus e religião. A grande maioria dos refugiados que diariamente chegam á Europa fogem de África por diversas razões, procurando aqui um lugar ao sol o que raramente acontece e consequentemente nunca conseguem sair da sombra e da pobreza.

:::

O aumento de refugiados no continente europeu reduz o espaço e o oxigénio que os autóctones necessitam para viverem sem que os governos nos imponham a obrigatoriedade de nos miscigenarmos com estes refugiados alienígenas com os quais nada, temos em comum.

nauk13.jpg A população dos 28 países da Comunidade Europeia soma 741.4 milhões de pessoas e mais de 80% compreendem a massa trabalhadora que há muito deixaram de ser gente para passarem a “números”. Números pares ou ímpares nos computadores governamentais ou das empresas que os desnudam, escravizam, espremem que nem limões ou laranjas para fazer sumo do seu suor. Muito poucos serão aqueles que alguma vez terão a oportunidade de serem reconhecidos pelos superiores hierárquicos informalmente pelo seu nome e não pelo apelido.

(Continua…)

António José Canhoto - 23-8-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:39
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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLIV

ANGOLA DA LUUA XLIV - TEMPOS PARA ESQUECER27.08.2018

“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – Nós e os mwangolés…

Por

soba 01.jpgT´Chingange - No M´Puto

Estávamos em fins de Julho do ano de mil novecentos e setenta e cinco. Costa Gomes - o Presidente Rolha da República do M´Puto (Portugal), nunca se comprometeu quanto ao concordar com Otelo Saraiva de Carvalho no envio de e, em força (uma intensidade Salazarenta) dos expedicionários cubanos para Angola. Garcia Marques do Alto Comando Caribenho refere isto mais tarde. A estória dum novo país a chamar-se de Angola, vai sendo desvendada aos poucos como coisa envergonhada e muito cheia de traições, tractos falaciosos e sucessivas enganações aos chamados colonos.

mdp01.jpg Agustin Quintana da 10ª Direcção e mais cinco oficiais cubanos chefiados por Argwelles, fazendo escala em Lisboa, chegavam a Luanda a 3 de Agosto de 1975. Estando já em Luanda com a família como desalojado e inscrito no Quadro Geral de Adidos, foi mais ou menos nesta proximidade de datas que me inscrevi na 13ª viajem da ponte “LuuaLix” por meio de uma Guia de Marcha a fim de embarcar para Lisboa. Nesta altura, ainda tinha esperanças fortes de voltar à Luua quando tudo ali acalmasse mas, ao invés disto fui cadastrado e crismado como Retornado assim que desci do avião no Aeroporto da portela em Lisboa. De branco de segunda fui promovido a Retornado. Haja Deus!

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Dizia eu que estava em Luanda como deslocado de guerra e colocado no Palácio do Governo como Adido auxiliando como “destacado” nas tarefas de “repatriação” de cidadãos perseguidos pelos Movimentos ditos de Libertação com a principal envolvência do MPLA muito carregado de ódio e, que fomentado ou não, provocava escaramuças em todo o território, com maior incidência na capital - Luanda. Os desalojamentos em áreas suburbanas da Luua eram em catadupa incidindo sobre comerciantes fubeiros, taxistas, administrativos e genericamente todo aquele que tinham a tez de pela mais clara – brancos! Gente condenada a serem tratados como “OS TINHAS”, um palavreado que nem o gerúndio da língua pátria comportava …

melo3.jpg Como “destacado” no palácio da Cidade Alta e com um Cartão de Identidade assinado por Leonel Cardoso, tinha permissão de me deslocar após o recolher obrigatório. Meu normal itinerário hera feito entra a Rua José Maria Antunes junto ao Rio Seco da Maianga com o número 22 e o Palácio do Governo com um Alto-Comissário a gerir a “Bagunça de Angola” que mais tarde apelidei de “Tundamunjila” – Thundá mun n´jila – vai prá tua terra, branco T´Chindere, seguido de “kwata-kwata” ou agarra, agarra que é branco.

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Minha tarefa era essa, a de telefonar para o endereço certo a avisar que tal Fulano tinha embarque marcado na PONTE LUUALIX para tal dia e a tal hora; para que se preparasse e de modo próprio ou através de transporte fornecido pelo Alto-Comissário. Era uma viagem sem volta, só ida mesmo! Tudo era apontado para que a logística de meios proporcionassem sua saída. Eram normalmente Administradores de Concelho, Directores de serviços estatais, Chefes de posto Administrativo, jornalistas e ou individualidades refugiadas em pensões, hotéis, suas próprias casas ou em casa de familiares e amigos. Tudo gente hostilizada pelos Movimentos, assim fosse o MPLA, a UNITA ou a FNLA.  

demo1.jpg Havia outros cidadãos perseguidos e, por razões diversas. A bagunça instalada mais fazia lembrar uma escaramuça de formigas “kissonde” que anarquicamente e aleatoriamente procediam de forma desconexa; sem regras de protecção ou outras a adivinhar com agentes da PIDE misturados com os membros traidores da FUA (um pseudo movimento branco), colaboradores da Defesa Civil, Guardas de Fronteira e Reservas Estatais, Polícias brancos ou Fiscais de Caça. Os ódios raspavam um rancor desmedido e sem controlo.

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Costa Gomes aceitou a demissão de Silva Cardoso nomeando interinamente Alto-Comissário Ferreira de Macedo, o homem que Rosa Coutinho e a CCPA queriam para este cargo. Este General e mais outro chamado de Carlos Fabião e um outro major de nome Canto e Castro iriam a Luanda estudar a situação. Nesta altura, as notícias eram desconexas e o tempo comia as palavras de ordem ventilando-as em desordens. Ninguém entendia o que se passava e quando sabia já aquilo que parecia ser tinha alterado para coisa-outra. Não havia como gerir este estado de coisas pois o descomando era verificado naquele agora.

spi3.jpg Esta barafunda mais parecia ser propositada para confundir o medo que crescia em todos e, a cada dia, a cada hora, a cada minuto! Coisa diabólica difícil de se conceber. O maior herói de Angola e para a visão do MPLA deverá ser este traidor à pátria Lusa do M´Puto. A história de Portugal, para ser justa, terá de dar o título de traidor-maior a este Almirante Vermelho. Foi ele o feitor principal da página mais negra na história de Portugal, coisa nunca vista e com sequente lavagem em purificação pelos seus apaniguados do m´Puto.

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Uma cambada da pior espécie que ainda hoje a quarenta e três anos de distância mantêm estatutos de gente VIP. E, não surge ninguém de peso a clarificar esta história de merda – de tugi, como se diz em kimbundo da Luua. Mais tarde veio a saber-se que assim era! Rosa Coutinho era o cérebro diabólico que tudo urdia, tudo subvertia para vingar sua tenaz heroicidade invertida em traidor de primeiríssima filiação, ele traía seus colegas de armas, seus patrícios para favorecer o Movimento MPLA.

CHAIMITE1.jpg Havia que atemorizar os brancos a fim de fazê-los fugir para aonde quer que fosse; o problema era de que não havia uma voz de comando fiável! Os governantes ali postos - em Angola, Generais de Aviário e gentes do PREC afecta ao PCP português, tinham em mente fazer sair os brancos de Angola. Costa Gomes deu plenos poderes a Rosa Coutinho que junto com Carlos Fabião e o major Canto e Castro para ir a Luanda estudar a situação.

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Preparavam tudo para que a intervenção do exército expedicionário de Cuba não tivesse qualquer impedimento com a sub-reptícia desculpa e com o sufismo necessário para parecer o que não era para assim ser, porque o factor de tudo se fazer à “revelia do estado” era só uma coisa para tapear, enganar os inocentes opositores – nós, os indesejáveis colonos! Evidentemente!  

retornar9.jpg No dia 28 de Julho de 1975 a FNLA e o MPLA aceitaram a saída dos deslocados desde que a evacuação fosse feita exclusivamente pelo Exército Português. Os primeiros a partir foram os cerca de duzentos militares da UNITA, funcionários do chamado Governo de Transição e familiares dos mesmos. No dia 31 de Julho havia uma coluna de 300 viaturas com cerca de meio milhar de refugiados em Nova Lisboa (actual Huambo).

rev2.jpg Aqui não havia água ao domicílio e os cinco médicos temiam um surto de peste na cidade, devido aos inúmeros corpos mortos espalhados um pouco por todo o lado. O material e armamento do ELNA (exército da FNLA) decorrentes das rendições de Malange, seriam entregues pelas NT (Nossas Tropas) ao MPLA. A cidade de Malange foi abandonada por toda a população branca e preta que morava no asfalto. A 7 de Agosto de 1975, as mais de duzentas viaturas fizeram seu regresso a Luanda com todo o pessoal do Batalhão das NF ( Nossas Forças)…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:22
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Domingo, 26 de Agosto de 2018
CAZUMBI . XLVIII

RAÍZES – Iª de 3 Partes… 26.08.2018

Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol …

Por canhot3.jpgAntónio José Canhoto

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kizomba

A minha biblioteca sobre África onde se encontram as minhas raízes e pegadas de carbono é vasta abrangendo várias áreas desde a arte africana, antropologia ou livros sobre os relatos descritivos dos primeiros grandes caçadores maioritariamente Ingleses, tais como, Courtney Selous, Cummings, Stigand, Neuman, Baldwin ou ainda as caminhadas feitas pelos primeiros grandes pioneiros que se atreveram a atravessar os sertões Africanos como Du Chaillu, Burton, Speke, Livingston e os portugueses Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens que merecem ser igualmente lidos.

:::

As minhas fundações e raízes encontram-se em África e muito embora vários anos já tenham passado desde quando a abandonei e não me estou particularmente a referir a Angola onde nasci, ainda lhe sinto o cheiro da terra molhada depois de uma boa chuvada que muitas vezes nem poças de água fazia pela sofreguidão da sede que o solo ressequido e gretado tinha por anos de seca. Sinto a falta do por do sol, que é do mais maravilhoso de todos os continentes que visitei.

zeca12.jpgÁfrica corre nas minhas veias e ocasionalmente, tenho lá voltado como turista por razões diversas. Como a grande maioria dos mortais vivi na idade das trevas até que despertei para várias realidades que me forçaram a questionar narrativas que me fizeram crer serem verdades absolutas.

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Decidi partir e procurar respostas por moto próprio educando-me quer pela investigação através da leitura como recorrer às fontes e delas beber directamente. Fiz longas e variadas viagens pelo mundo tendo passado 6 meses de vivência permanente e continua com um líder espiritual nas montanhas do Nepal em meditação, reflexão e limpeza cerebral de todo o lixo tóxico que tinha acumulado ao longo da vida por indução de terceiros.

ÁFRICA10.jpg Este período de auto conhecimento introspectivo trouxeram-me uma liberdade, técnicas de sistematização e racionalização da vida bem como os ensinamentos para a criação de uma terceira visão (glândula pineal ou epífise) que me permitiu passar a ver outras dimensões do Universo interior e exteriormente, de ligar o mundo físico com o espiritual ou simbólico.

:::

Ver é interpretar aquilo que se sente, fazendo a ligação entre a energia de cada um e aquela que o envolve. Uma terceira visão bem equilibrada traz a sincronicidade dos hemisférios, a capacidade de discernimento, e a sagacidade que compreende a profundidade da vida. Este chacra é o espaço da nossa consciência e a residência da sabedoria, permite-nos compreender o nosso guia interior e ter a plena ligação entre todas as coisas.

luis44.jpg A terceira visão permite-nos alcançar a vibração necessária para a elevação da consciência. Este treino transformou a minha concepção vivencial trazendo-me o conhecimento necessário para separar o trigo do joio. Todas essas toneladas de conhecimento que contribuíram para enriquecer o meu património cultural permitem-me hoje em dia defrontar qualquer doutrinador-manipulador por mais persuasivo que seja na eventualidade de me abordar para mostrar, vender, convencer ou seduzir.

matias9.jpg Também a conceder o meu tempo a não ser que nele reconheça um adversário á altura de esgrimir o seu florete com o meu seja em que arena da vida, se considere sapiente e competente. Hoje em dia já não me desloco a montanha nenhuma por muito boa que seja a cromática panorâmica vista do seu cume. Hoje com a minha idade, conhecimento e experiência o Maomé sou eu, e todos aqueles que desejarem debater comigo terão que subir uma ingreme e penosa montanha onde pelo caminho serão sujeitos à graduação cada vez mais fina das minhas peneiras.

(Continua…)

António José Canhoto - 23-8-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:02
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
INVENTAÇÕES DA HISTÓRIA . XII

EM TERRAS DE SANTA MARIA DE GOMERA 

Tempo de Macutas - Verdade ficcionada – 17.08.2018

GOMERA- La Gomera de las islas españolas

Por

soba15.jpg T´Chingange - Em terras de M´Puto

A 3 de agosto de 1492, as caravelas Santa Maria, Pinta e Nina partiram de Palos de la Frontera com destino às Ilhas Canárias, o último porto antes de partirem em busca de uma rota alternativa até às Índias. A 12 de Outubro de 1492, após 36 dias de viagem, o marinheiro Rodrigo de Triana canta do alto da Pinta o “ cesto do caralho* ” o esperado “Terra à vista”. Cristóvão Colombo tinha mudado o curso da história.

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Duas circunstâncias transformaram as Ilhas Canárias na zona de passagem obrigatória na rota para o novo mundo: estar no centro das correntes dos Alísios, e ser o último bastião ocidental da Europa. E desde que Colombo se apercebeu de ambas, a história das Ilhas Canárias e da América estiveram estreitamente ligadas. Entenda-se que com os ventos alíseos as velas não necessitavam de ser alteradas com os ziguezagues habituais porque o vento sopra de feição, na direcção do rumo a seguir!

tenerife7.jpg Em termos náuticos, navegar à bolina, bolinar ou velejar de contravento é marear (ou seja, navegar) com vento afastado o máximo 6 quartas da proa (± 45 graus). É uma técnica empregada por embarcações que consiste em ziguezaguear contra o vento, o que permite navegar por zonas onde o vento não é favorável.  As primeiras embarcações que se têm notícia a utilizar esta técnica com sucesso são as caravelas portuguesas, durante a Era dos Descobrimentos marítimos.

 

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O termo bolina é empregado no Brasil como sinónimo de patilhão. Para se navegar contra o vento, a vela é colocada de modo a que o seu plano divida aproximadamente em partes iguais o ângulo formado pela direcção do barco e a direcção do vento. O vento empurra a vela sempre segundo um ângulo perpendicular ao plano que ela define. Com os ventos Alísios as velas ficam enfonadas todo o tempo; por isso Pedro A. Cabral não teve muito trabaho de virar velas porque foi só seguir em frente até o Brasil.

tenerife0.jpg Diz-se que Cristóvão Colombo ficou fascinado na primeira vez que pisou a ilha de La Gomera. Até existe uma lenda que conta que na cidade de San Sebastian se viveu uma grande história de amor entre o marinheiro e a Senhora da ilha, Beatriz de Boadilla. Esta rota não poderia começar noutro lugar que não fosse a Torre do Conde, onde os insulares comentavam que os apaixonados se viam às escondidas. Eu estive lá e pude sentir essa sensação de apaixonado, sempre!

tenerife001.jpgHoje é um dos monumentos mais visitados e no seu interior conserva-se uma interessante exposição cartográfica. A poucos metros dela encontra-se a Casa de la Aguada, a primeira habitação dos Senhores da ilha. Conta-se que Colombo extraiu do seu poço a água para a sua primeira viagem; tive o previlegio de beber dsta água. Esta pequena rota termina muito perto dali, na igreja da Assunção, onde, segundo a tradição, Colombo rezou para que a sua viagem fosse um sucesso. Pelo sim, pelo  não também rezei um Pai Nosso e uma Avé Maria, para que minhas aventuras vindouras possam sair nos trinques, quersedizer, que tudo corr bem, com ventos Alísios...

sorte2.jpg Chegaram às ilhas a 9 de Agosto, onde aproveitaram para acabar de acondicionar as naves e recrutar alguns marinheiros canários conhecidos pela sua destreza e conhecimentos das águas. Por fim, a 6 de Setembro, a expedição de Cristóvão Colombo parte com destino às costas orientais da Ásia. Naquele dia ninguém podia prever o que estava a pontos de acontecer. Após várias semanas de viagem começa a crescer a tensão entre os tripulantes, ocorrendo mesmo alguma tentativa de motim.

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Foi das ilhas de onde partiram as primeiras sementes de cana-de-açúcar e bananeira para as Índias. O mesmo aconteceria com o porco, a cabra, o cão e a ovelha, que cedo se estenderiam também pelas Antilhas. Pelo contrário, a batata americana passaria pelas Ilhas Canárias, onde se adaptaram rapidamente, antes de serem exportadas para toda a Europa. Poucos sabem que estas ilhas Canárias eram portuguesas ante do primeiro tratado de Tordesilhas.

tenerife4.jpg Além disso, muitos canários acabaram por embarcar nas viagens que terminariam por fundar cidades como Buenos Aires, em 1535, ou outras como Santa Marta, Caracas, Montevideo e La Havana onde ainda hoje a sua influência é visível. Quem visitar a ilha de Tenerife vai sentir que em tempos idos naquele lugar de Orotava, lugar de sacadas em madeira e vinhedos a perder de vista andaram portugueses a viver dos ventos alíseos…

Nota* - Segundo autores conceituados, nomeadamente da Academia das Ciências de Lisboa, a palavra caralho designava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das Caravelas, também conhecida como Gávea -Naqueles tempos não era bem com a conotação de que se tem a intensão nos dias de hoje

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:53
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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
XICULULU . CXII

TEMPOS QUENTES – 15.08.2018

– BOOKTIQUE DO LIVRO III

- A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee …No Muquitixe da Munenga vi as estrias duma kalax AK47 bem à frente dos olhos…

Xicululu: Mau-olhado

Por

soba0.jpeg T´Chingange, vulgo António Monteiro

Ainda ando a mastigar o livro da minha empregada de Campala e entre os muitos afazeres da casa, por vezes paro a conversar com ela enquanto espero que chegue o padeiro pela manhã, ou fico a ver a piscina encher, ou ponho a mangueira a correr água nos pontos semiautomáticos da rega do meu anárquico jardim do M´Puto. Um destes dias por via de não fazer isto, quando olhei o nível da água da piscina, ui-ui, ela já corria na rua.

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Depois tive de tirar este grande volume excedente de água para regar os aloendros, os mióporos, o merey, as pitangas e limpar o chão a balde. Depois já sentado ela, a Mary assombração de Campala disse-me que aprendeu a ser feliz, a dar-se por feliz, quando não havia indícios de revolução, não havia mujimbos de assaltos e emboscadas nas ruas e estradas, num talvez tenhamos de voltar a ter medo, a correr só átoa como doidos sem saber bem para onde, acumular enlatados e pacotes de comida.

IMG_20170727_130810.jpg Talqualmente como nós no tempo de kwata-kwata, ali tem branco na guerra do thunda mu n´jilla (tundamunjila) da Luua de novecentosesetentaecinco, um ano que ficou comprido e comprimido numa só palavra em todos os outros sítios de Angola. E, em verdade, também muito antes, quando o gweta mwana-pwó, feito magala maçarico besugo fazia rusgas átoa prápanhar turra no sessentaeum, um ano também estóricamente colado com sangue vermelho. Tudo guerras de kwata-kwata preto, kwata-kwata branco. Uma merda, sabes!

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Assim falando sem um discurso directo eu recordava a Mary de Campala no frio do medo que tive numa guerra no ano de sessentaesete, quando fui emboscado nas terras altas do Maiombe, terra de muitos gorilas, assim como na tua terra do Uganda. Estou a ficar um pouco kota, falando sozinho as muitas lembranças de dormir de dia porque de noite os turras do MPLA por vezes atacavam. E, olha que tinhamos de ir de burro para o Batassano, perto do Belize de Cabinda. Era assim que nos reabastecíamos; eu e os magalas idos do M´Puto para estabelecer a soberania, sabes!

adiafa1.jpeg Assim meio rameloso, ela a Mary de Campala, mudou um pouco as falas dizendo que agora, sabes, as coisas estão ficando melhor! Ficou comigo, talvez connosco a filosofia de viver um dia de cada vez. É mais fácil, sabes; um sabes continuado - falas dela. Há coisas que perdemos, coisas que sofremos, mas agora, hoje, o sol brilha. Há muito que estamos mortos, portanto deixem-nos ser felizes! Aqui fiquei apreensivo e até me belisquei - doeu, estou vivo! Sei lá, talvez, porque não há meio-vivo nem meio-morto. É ou não é!

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Talvez as pessoas dos governos estejam a encher os bolsos, mas os políticos em África enchem sempre os bolsos, disse a minha empregada de um tempo antigo. Em todo o lado, disse eu! Ela continuou com suas falas e, foi dizendo no seu jeito que o africano é mesmo assim, quando é rico, é-o à fartazana, à lagardere, faz questão de que se saiba; Tem o seu clã que não é só familiar, pois abrangem os sobrinhos dos sobrinhos e amigos que consideram do peito.

ango3.jpg Eles, os bajuladores e edecéteras, entre si, sustentam o seu quinhão mantendo por vontade corrompida ou submissa o seu mwata, seu líder, preservando-o a fim de garantirem seu sustento de gasosa e, que por vezes é choruda. Este grande chefe vai dando benesses às estruturas dele, na orgânica do estado como se fosse sua, na sua xitaca, sua fazenda, suas casas e lá aonde o seu carisma preserva o seu stato-poder, sua permanência no bombom, adquirindo dinheiro do erário público e distribuindo pelo seu clã, seus comparsas da preservação.

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Dinheiro para um africano, só é mesmo necessário para se manter no poder, bafunfar prosápia com prepotência como que um aviso constante, quem manda ali é ele! É ele que dá contornos à lei e pronto! E, o dinheiro dos brancos é sempre bem-vindo; não é problemático dar um golpe senão vários a um gweta besugo que quer entrar no esquema, num negócio de venda de parafusos ou graxa de sapato. Por vezes ficam sem nada numa do que é meu, é meu, o que é teu, é nosso! Estás feito branco! É assim mesmo, é o seu ADN disse eu interrompendo momentaneamente a minha antiga empregada de Campala, esperta como uma chita!

ÁFRICA20.jpg Eles, não sabem que a maioria dos brancos vivem pedindo emprestado ao banco para comprar a casa, o carro, o barco, a quinta, a amante e os favores dos outros! Digo eu que vejo tanto faz-de-conta aonde parece até que ser-se pobre é uma grave doença – ninguém quer ser pobre! Não entendem que os brancos na ânsia de ter este mundo e o outro vivem endividados. O país do M´Puto é o primeiro a dar o exemplo, vivem todos no negativo, abaixo da linha d’água mas, os políticos apresentam sempre formas de ultrapassar indo ao seu curral buscar as valias – Nós, pois claro! Eles, os africanos nem sabem que afinal os brancos são pobres…

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Eles, os africanos não percebem que os brancos, bem ao seu jeito, vivem sempre pedindo mas, fingindo que são o que não são! É por isso que todos se têm de corromper uns aos outros, pedir favores em troca de favores e assim vivem, todos favorecidos. É a corruptocracia, Mary! O problema mesmo é que, neste favorecimento, uns vivem mais favorecidos que outros! Sabes agora o que é isto de fazer-de-conta?

trem carvoeiro1.jpg Lá no teu kimbo cada um vive das coisas extraídas das lavras, da xitaca, das hortas da mulola, da ñhaca, das galinhas e dos ovos e do porco que cria e mata! Num fala assim patrão, meu coração está a bater com força. Fiquei só assim neste entretanto de conversa. O riso ainda me voa dentro do peito como um passarinho. Qualquer dia dão-lhe uma fisgada, patrão! Pópilas, não sou teu patrão! Ficamos assim mesmo com o futuro a prender-nos ao passado, ganhando massa muscular…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:35
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Terça-feira, 31 de Julho de 2018
ANGOLA – O PAÍS DA BANGA . XIV

OSCAR RIBAS . PAI DA KIZOMBA

–Minguito e sua concertina"…31.07.2018

Por

soba15.jpgT´Chingange - No M´Puto - Algarve

dia61.jpg De José Sousa - Vivi em Angola até aos 23 anos, nas fazendas do Amboim nos arredores da Gabela. Nunca convivi com brancos e os meus amigos eram os negros que entraram em meu coração e fizeram de mim um apaixonado nato pela "Tonga" "Anharas" e "Selvas".

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Eu estou com meu corpo em Portugal mas meu coração ficou lá! Nas Sextas-feiras e Sábados à noite eles faziam farra lá na sanzala com um gira-discos movido a pilhas. O primeiro single que comprei do Minguito era o "Brinca na areia". Tinha uma grande colecção de musica angolana, Encontro todas no youtube menos as do Minguito ou do Zé Viola! Que pena! (Agora - Julho de 2018 já …)

minguito2.jpg Minguito de 1967, ano da sua estreia no N´gola Cine, até 1970, faz uma carreira a solo marcada por canções que acusam uma forte influência do cancioneiro popular do Bengo. Gravou mais tarde com o agrupamento “África Ritmos”, duas das suas primeiras canções: “Minguito meu amor” e “Há inveja no mundo”.

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Após 1970, com a fundação do trio "Os Três Jovens", formado por João Dias (percussão) e Mano Picas (dikanza), ficou marcado pelas canções “Minguito em Angola”, “Minguito na Harmónica” e “Os três jovens”; a última, é uma canção que enaltece o valor do seu próprio trio.

minguito8.jpg Dos anos de 1970 até 1975, Minguito enaltece sua própria figura com o conjunto os Kiezos, “Ngandala ku n´ganhala ò fuma”, “Várias moças de Luanda”, “N´gui mona mi kima”, “Bangú Muna Ditari” e “Eme n´gó Kofele”. De 1975 até 1980, Minguito opta por canções de pendor interventivo.

minguito10.jpg Regista, com o conjunto “Merengues”, de Carlitos Vieira Dias, as canções “N´gi kalakala mivu ioso”, “Pensando Conforme o Tempo”, “Quinze dias na RDA” e “Kwanza”. Nesta última, celebra a troca da moeda colonial, o escudo, pelo kwanza, a moeda da independência. Minguito, de lamento em lamento, veio a falecer no dia 28 de Junho de 1995, numa quarta-feira, na mais deplorável e incompreensível indigência.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:00
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2018
XICULULU . CIX

TEMPOS QUENTES - 20.07.2018

– BOOKTIQUE DO LIVRO - I

Xicululu: Mau-olhado

Por

soba0.jpeg T´Chingange, vulgo António Monteiro

Mary0.jpgUm Desafio de Maria João Sacagami

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

Mary1.jpg A MINHA EMPREGADA - Obra de classe, escrita com um elegante humor, uma prosa límpida como o vidro que é o líquido mais espesso que conheço. Tem um ritmo gracioso e uma fluidez de maravilha. Tal como o vidro, escorrega num mistério que só descobri quando visitei a casa velha de passar férias em Alcantarilha do Algarve, propriedade de Ramalho Ortigão; vi nesse então que o vido da janela já rachado era muito mais grosso na base. Era para mim um desconhecido mistério mas, uma verdade difícil de compreender.

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Falando da minha empregada empoleirada no meu criado mudo, direi por agora, que é negra e encarregada da rouparia branca de um hotel em um país chamado de Uganda. E, tudo começa em um dia em que o Sol brilha sobre os campos e, a roupa branca do hotel a ser um rosário buliçoso feito missanga a corar. Estávamos a gozar a kúkia (sol) num fim de tarde em Campala na companhia de Mary…

Mary2.jpg Com trinta anos nascidos num mês de Outubro, Mary a minha empregada dizia que poderia ter-se saído melhor na vida caso tivesse tirado uma licenciatura mas, de todo o modo sentia-se bem no papel de encarregada da rouparia de roupa branca, um bom emprego, apenas abaixo da governanta. Eu e ela, afinal, aprendemos a dar-nos por felizes por não termos agora uma revolução de ter medo, de correr, ou nos fecharmos num mukifo acumulando enlatados e pacotes de comida à espera dos boatos.

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Ela lembrava-me a chacina do Idi Aminm Dadá e dum tal de Obote da sua Uganda e sua Campala e eu relembrava os dias de desespero às ordens dos revolucionários da Luua, a capital de Angola. Temos de viver um dia de cada vez. Há coisas que perdemos, coisas que sofremos mas agora, o Sol cintila. Apesar do tiroteio que ouvíramos durante a noite naquele então, e dos assassínios que aconteciam não muito longe de nós, o riso ainda nos voava dentro do peito como uma celeste, um cardeal ou outro qualquer passarinho.

Mary3.jpg Falando assim, nossos corações começaram a bater com força, buzinando-nos em todas as direcções, prendendo-nos o futuro em recordações num tempo em que ambas as cidades estavam pejadas de escaravelhos de metal feitos obuses, caranguejos feitos órgãos Staline e canos compridos de meter medo chamados de monacaxitos mais canhões sem recuo. Eram guerras de tundamunjila.

Mary4.jpg Os anos que passamos noutros nossos lugares, contamo-los como se fossem missangas enfiadas num fio. Era um tempo em que surgiam guerrilheiros como ratos, nos lugares mais surpreendentes. Surgiam dos bairros com fitas cruzadas cravando uma gasosa, um cigarro, uma qualquer outra coisa de valor extorquido ao medo. Afinal eu e Mary tinhamos muitas queixas. Ela falando de Campala e eu da revolução de Lisboa que, nos virava de pernas-para-o-ar.

Mary5.jpg Se pudéssemos adivinhar o futuro naqueles idos anos, tê-lo-íamos rogado com uma praga porque não nos foi permitido falar com um tal de marketing adstrito a uma força chamada de MFA e, aliada a um tal de MPLA que na sua força de ódio nos empurravam a ambos para o desespero. Ela não sabia que lá na Luua todos desconfiávamos que os generais emergentes feitos em aviário do M´Puto, mentiam descaradamente enquanto só ganhavam tempo para preparar a sua descolonização.   

Mary6.jpg Mas afinal isso foi assim!? Não vos consultaram!? Foi muito pior, disse eu: Todos teríamos uma palavra a dizer, diziam as novas autoridades mas, aconteceu exactamente o contrário disto. Acabei por dar um ponto final ao nosso encontro mostrando-lhe uma quitandeira com um balaio de fruta na cabeça, levando um filho às costas, seguro por um pano com a esfinge de Agostinho Neto enrolado a seu corpo. Podia-se imaginar o bambolear do mataco materno com o candengue adormecido sacolejando a cabeça ao ritmo dos passos da mãe.

mary7.jpgMary8.jpg Ela, a Mary, tal como eu, sabia que por debaixo desta normalidade aparente, havia uma grande ebulição. Afinal eram mesmo duas revoltas com nervosismo remanescente pela tardia verdade: Afinal disse ela, era preciso ser preto para se ser considerado Angolano? Talqualmente, disse eu! Olha, os donos de lá, partiram definitivamente, os serviços públicos ficaram sem funcionários. Foi um país que encerrou para dar começo a outro!  

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:29
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Domingo, 1 de Julho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXIX

DESCOLONIZAÇÃO DO IMPÉRIO (Continuação…) SINTESE – II

soba15.jpgAs escolhas de T´Chingange

Porcanhot1.jpg António José Canhoto

(…) Não tenho a veleidade, ousadia ou arrogância de colocar Mário Soares sozinho no banco dos réus na condução da chamada descolonização, nada me move pessoal ou particularmente contra a sua pessoa, muito embora tenha deixado em África, terra onde nasci tudo o que construí com o suor do meu rosto. Tenho a capacidade de separar o trigo do joio e fazer uma análise lucida e racional dos acontecimentos sem cegueiras ou fanatismos e atribuir as responsabilidades históricas a quem de facto as teve 20 anos antes de 1975, bem como no período pós-revolucionário.

spi3.jpg Se Portugal tem tido líderes com visão estratégica e politica para terem iniciado o processo de descolonização na época adequada teriam preservado a permanência e a continuidade de todos os colonos suas famílias e descendentes nesses territórios. O papel de Mário Soares no processo de descolonização não iliba todos aqueles que no palco deram a cara, mas sim acusar todos aqueles que permaneceram por detrás da cortina puxando os cordelinhos ou fazendo o papel de “PONTO” que é aquele que escondido num alçapão do palco lembra aos artistas as suas falas e deixas do texto ou guião da peça.

quem1.jpg No caso da descolonização a peça deveria ter tido pelo menos 3 actos, mas infelizmente tudo se resumiu a um só, tendo os artistas sofrido uma enorme pateada e insultos vendo-se obrigados a abandonar o teatro pela porta do cavalo tendo sido ao longo de  mais de 40 anos vituperados pelo seu catastrófico desempenho. Não me compete a mim escrever a história sobre essa mancha negra que ensombra o período político que Portugal atravessou entre 1974 e 1975, contudo quem já o fez de forma isenta foi-lhe fácil encontrar os responsáveis.

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Quando iniciei a feitura do texto anterior, síntese I, já pressentia que iria abrir uma “Caixa de Pandora” e muita gente se iria atirar a mim como gato a bofe. Surpreendentemente o texto foi bem aceite pela grande maioria, mas houve pessoas que o descontextualizaram sem terem tido a capacidade de separar a missão politica de que Mário Soares foi incumbido de realizar atribuindo a este senhor todos os problemas pessoais que afectaram os “colonos” na sua generalidade.

pombinho5.jpg A minha crónica- síntese I, foi feita depois de muita reflexão e pesquiza e, para quem não saiba o processo de descolonização foi desenhado pelo ideólogo do grupo dos 9 o major Melo Antunes, a eminência parda marxista do Movimento das Forças Armadas (MFA). Óbvio que a grande maioria dos retornados teve de encontrar alguém para descarregar as suas frustrações e Mário Soares foi o homem escolhido como ministro dos negócios estrangeiros do governo provisório bem como António de Almeida Santos ministro da Coordenação interterritorial.

soares1.jpg Para darem a cara como forcados e pegarem os 2 touros mais perigosos de nome Angola e Moçambique sofreram reveses sérios na opinião dos directamente lesados – os colonos. Em consequência de os touros terem sido mal lidados e estarem ainda cheios de energia, ambas as pegas falharam e os touros desembolados ficaram incontroláveis.

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 Os pegadores viram-se forçados a arcar com todas as responsabilidades de uma “corrida” programada em cima do joelho e a martelo sem acautelar a integridade física dos aficionados. Em 22 de Fevereiro de 1974 O general António de Spínola publica o livro "Portugal e o Futuro" pouco mais de um mês depois de ter sido empossado como vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

retornar11.jpg As páginas do livro abriram um fosso de incompatibilidade com o primeiro-ministro da altura Marcelo Caetano que afirmou tratar-se de um verdadeiro "manifesto de oposição" ao regime e de um golpe militar anunciado o que efectivamente veio a acontecer semanas depois. Na sequência da publicação do "Portugal e o Futuro", e perante a recusa dos generais Francisco da Costa Gomes e António de Spínola, os dois principais chefes militares do país em prestar vassalagem a Marcelo Caetano, tanto Spínola como Costa Gomes são demitidos a 14 de Março.

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A 25 de Abril de 1974 os capitães do Movimento das Forças Armadas levam a cabo o golpe militar que liquidou o regime do Estado Novo tendo escolhido uma Junta de Salvação Nacional para preparar a transição do país para um regime democrático. Na madrugada de 26 de Abril de 1974 Spínola é anunciado como chefe da Junta Militar e, a 15 de Maio, toma posse como primeiro Presidente da República do pós-25 de Abril. A História e o movimento revolucionário avançaram muito rápido para uma esquerda marxista radical contra a qual Mário Soares ferozmente lutou.

rev8.jpg O livro publicado por Spínola constituía um poderoso repto ao regime do Estado Novo. Basicamente afirmava que as guerras coloniais, que duravam desde 1961, não tinham solução militar, sendo imperativo que a Nação debatesse o problema. Spínola tinha ideias muito concretas de como o processo de descolonização se deveria processar as quais dissecou pormenorizadamente no seu livro. Spínola acaba mais tarde por se demitir como Presidente da Republicam quando se sente atraiçoado pelos seus camaradas de armas.

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E, também pela forma de como o processo revolucionário e de descolonização que tinha sido esquematizado por Melo Antunes o qual o grupo dos 9 pretendia implementar. O traidor não foi Soares, mas sim a Junta Militar e o governo provisória infestado de esquerdistas comunistas, que governaram Portugal a seu belo prazer tendo em Vasco Gonçalves o seu expoente máximo. A situação só começou a mudar quando a feitura da nova Constituição Portuguesa deu origem às primeiras eleições livres em Portugal, as quais só aconteceram em 25 de Abril de 1975 para a eleição dos deputados para a Assembleia Constituinte.

vasco gonç.0.jpg Conforme disse no texto Síntese I,  todo o processo de descolonização foi uma aberração e as consequências do mesmo devastadoras e traumáticas, mas esse não foi o objectivo do meu escrito, mas sim desvendar quem puxou os cordelinhos fazendo de Mário Soares e os seus pares os peões de brega aos quais foi incumbida a triste sina de levar a cabo uma tarefa odiosa que todos sabíamos pelo andar da carruagem que iria acabar mal. Os verdadeiros traidores de Portugal não aparecem nas fotos de Argel, Lusaca ou Alvor, por ocasião das assinaturas dos acordos ou tratados de independência.

SALAZAR 2.jpg Sejamos honestos e não assaquemos culpas nem manchemos com o labéu de traidores ou ladrões todos aqueles como Almeida Santos, Costa Gomes, Mário Soares e outros que pelas funções governativas que ocupavam ao tempo personificaram a função de carrascos no processo de descolonização. Todos os países com impérios coloniais Inglaterra, França, Holanda e Bélgica concederam as suas independências no principio dos anos 60 e hoje têm óptimas relações com os países que colonizaram, infelizmente os nossos políticos não tiveram a mesma visão e prolongaram no tempo e no espaço um desfecho que a partir de 15 de Março de 1961 passou a ter os dias contados...

ANTONIO JOSÉ CANHOTO‎ - 12-1-2017



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:00
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Sábado, 30 de Junho de 2018
MONANGAMBA XLIX

O CARMO E A TRINDADE

 - A nossa própria estória não pode ser enganada – 30.06.2018

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

Na Luua, antes do último suspiro do Império Tuga surgiu uma corja de comunistas dum tal de MFA a desarmar os brancos e armar os pretos. Quando a independência chegou, os camaradas do MPLA não permitiram que um único português tivesse um lugar de destaque na sociedade da Luua. Num repente ficaram sem o direito de ser donos de uma empresa, donos de uma fazenda ou que continuassem a ocupar um emprego na administração pública.

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Sem mais nem menos, o MFA apoiava o MPLA sem ter, mãos neles. O MFA ajudou um movimento que sabia ir expulsar todos os portugueses de Angola, que os iriam aterrorizar, que os iriam confiscar, roubar seus bens, prender, interrogar e matar. De repente os laboriosos colonos, eram simplesmente: - inimigos! Isto fez algum sentido?

mfa2.jpg Da repressão proibitiva do regime anterior salazarento, passava-se sem mais nem menos para a bandalheira total com os excessos daqueles intitulados revolucionários de fingir, heróis saídos duma fábrica como assim de fazer bolas de trapo metidos em meias, para desenrascar como daquelas meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme?

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Uma bola é de caucho e a outra é de trambolhos saios da doença do cholé; ver guerreiros de fingir ensinados a espumar de raiva. Raiva para só se convencerem numa prova de coragem em suas empedernidas visões comunistas; solidificar suas empedernidas reputações de putos maus, putos contra o governo. Sim! Destes macacos de zuarte que fazem o mal para que os outros lhe confiram respeito. Infelizmente o que parecia ser era!

CHAIMITE1.jpg O processo de revolução em curso abreviado em PREC, como disse uma bola fazendo de nós cidadãos do Ultramar um novelo de trapos. Eram mesmo os monangambas no poder de decidir o que fazer para desfazer. Tento não me esquecer de nada - por vezes isso é bom mas, comigo há ocasiões que se tornam em tormento, tormentoso e, em que o titulo a dar ao texto foge do contexto, assim como um poema que só rima juntando alhos com bogalhos.

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Depois do ano setentaecinco do século passado, uma grande borracha histórica trabalhava, trabalhou e trabalha incessantemente para apagar a presença de Portugal e dos portugueses em terras de África. Foi o início da desfabricação dum tempo, formatando poços de incógnita de mandar borda fora os últimos portugas num inventado Ultramar.

25-1.jpg Os grandes borracheiros da praça do Império empenhando-se numa chamada saudável política de cooperação, desgarantiram estorno num firme propósito de fingir que afinal não vinham com uma mão à frente e outra atrás, decerto deveriam trazer uns feijanitos do Kafunfo a rebrilhar a escuridão da mala. Qual estorno? Quais vitimas!? Continuamos nesta…

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Entretanto atravessando o recolher obrigatório da Luua pouco antes da meia-noite o silêncio aquietava o intervalo das rajadas com tracejantes pintando o ar. Num repentemente tudo se aquietava no silêncio do medo como se fosse um mundo no além, uma cidade fantasma. Um claro enturvamento do olhar, entortamento das costas, encurvamento das sobrancelhas alteravam a cor das até então, firmes mãos.

eseves2.jpg O MFA alinhavado no pacote das boas intenções, perdera-se totalmente no controlo militar do M´Puto e do Ultramar deixando no deus-dará todos sem excepção com os três moimentos negros digladiando-se com a feracidade canina, selvagem sem ser capaz de deter os instintos destruidores. Aquele pacote de boas intenções foi revertido no financiamento das hostilidades.

refu2.jpg Genericamente os brancos tornavam-se nos maiores inimigos ferozes, no bombo das festas com fogo de tracejantes para acalmar os ânimos. E, entretanto o discurso mais directo eram o indiscreto descarregamento de fogo para o ar, caixotes de arma, paletes de cunhetes e perversões de guerra, operações de marqueting modernizado decorrendo com afinação milimétrica pelos agora heróis da descolonização. Uma cambada de generais urubus- Nossos heróis! …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:50
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXVII

O COLONO – 2ª de 2 Partes

Para os MWANGOLÉS, todos os que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”...

kimbo 0.jpgAs escolhas de T´Chingange

canhot1.jpg António José Canhoto...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna...

… Mão-de-obra negra, quase que escrava para enriquecer... A forma comportamental desse tipo de “colono”, nada tinha a ver com todos aqueles que para Angola debandaram ou nasceram depois dos anos 50 com uma mentalidade aberta e diferente iniciando a construção de uma sociedade moderna e multirracial a qual se reflectia em todos os aspectos da comunidade. Se um empresário negro português tivesse emigrado para Angola, montasse uma empresa e tivesse empregados negros seria considerado um “colono”?

colono3.jpg Sinto-me no dever e direito de desmontar e desmistificar esta falsa questão do “colono” que não pode ser vista interpretada, generalizada com o epiteto de que COLONO BRANCO é RACISTA e EXPLORADOR. “Colonos” e colonizadores foram todos os países que nos séculos XV e XVI descobriram á volta do globo terreste novos territórios habitados por índios nas Américas, indígenas em África e aborígenes na Austrália, num estágio primário civilizacional com perto de 500 anos.

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Com um atraso tecnológico em relação aos europeus, que no entender destes descobridores precisavam não só de ser roubados, explorados, assimilados, cristianizados e infectados com todas as doenças que estes para lá exportaram. Diogo Cão chegou á foz do Zaire em 1483 sendo a partir desta data que se inicia a conquista pelos portugueses desta região de África a qual era constituída por vários reis e reinos étnica e linguisticamente diferentes que se guerreavam pelo expansionismo regional.

canmionista 1.jpg O primeiro passo pelo Reino de Portugal foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o do Reino de N´Dongo e o de Matamba, os quais não tardam a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola em 1559.

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As fronteiras de Angola só são definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos Ambundo, a cuja língua o termo Angola anda associado. A Rainha Ginga seu nome Dona Ana se Sousa “N´gGola”, seu titulo real em quimbundo foi o nome utilizado pelos portugueses para denominar a região conhecida hoje por Angola.

boer carro1.jpg Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, na minha opinião também foi a sua primeira grande colonizadora e eu explico porquê? Esta rainha guerreira que morreu aos 80 anos durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submeteu e escravizou os seus habitantes vendendo-os aos portugueses que os levavam para o Brasil tornando-se cúmplice no esclavagismo, bem como os utilizava como escravos trabalhadores nos territórios que controlava.

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"N´Zinga" formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe. Subsequentemente conquistou o reino de Matamba e em 1635 coligou-se com os reinos do Congo, Kassange, Dembos e Kissama. Este pequeno intróito sobe a Rainha Ginga tem apenas e unicamente a finalidade de demonstrar que o processo colonizativo sempre existiu em todos os continentes.

araujo173.jpg Acontecia, quando as tribos ou etnias mais fortes e apetrechadamente melhor armadas dominavam as mais fracas fora dos seus territórios submetendo-as com o objectivo expansionista, esclavagista, para sacrifícios religiosos ou para se apropriarem das suas riquezas, concubinas gado, e ou rebanhos.

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Os portugueses não foram certamente santos pelos territórios que descobriram e colonizaram, mas também não foram totalmente pecadores na miscigenação que desenvolveram e cultivaram com os autóctones. Não confundamos ou associemos a palavra “colono” apenas com a cor branca e muito menos só com nacionalidade portuguesa.

António José Canhoto - 13-12-2016



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:18
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Segunda-feira, 11 de Junho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXVI

O COLONO – 1ª de 2 Partes

Para os MWANGOLÉS, todos os que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”...

kimbo 0.jpg:::::As escolhas de T´Chingange

Porcanhot1.jpg António José Canhoto...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna...

A definição de “colono” para alguns brancos residentes em Angola afectos directa ou indirectamente ao partido que governa este país desde 1975, bem para como para muitos negros da velha guarda o termo “colono”, tem sempre cor branca e, a finalidade de como objectivo é especificamente explorar negros. Nada podia estar mais errado nesta forma generalista e radical de definir a palavra “colono” seja o visado de que raça étnica, como um explorador oportunista de negros, índios ou aborígenes.

camionista1.jpg Filologicamente o vocábulo “colono” pode ser definido como a um individuo que faz parte de uma colónia, que emigra do seu país de origem para uma terra estrangeira além-mar, ou que pode ser no mesmo continente e de um país vizinho para a povoar, cultivar por conta própria ou de outrem independentemente da raça do seu proprietário e se este nasceu ou imigrou para o território.

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Este acto migratório pode ter duas vertentes a primeira é quando um outro país exerce o controlo ou a autoridade sobre um território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país ao qual esse território não pertence e contra a vontade dos seus habitantes quando o país é colonizado que, muitas vezes, são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) e de eventuais direitos tribais, culturais e ancestrais que detinham.

cinzas8.jpg Na segunda vertente emigram a pedido do governo do país ou de empresas privadas que pela falta de conhecimento tecnológico dos naturais se vêem obrigados a procurar mão-de-obra especializada no estrangeiro, para suprir as suas deficiências naturais.

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Para uma certa classe de portugueses e angolanos brancos e negros enfeudados ao partido do governo a sua atitude maniqueísta é a de que todos que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal” das sombras e da subversão politica, e os que afinam pelo diapasão governamental vivem no “Reino da Luz do bem da razão, da paz e da tranquilidade.

dia23.jpg Na minha opinião se estes reaccionários brancos e demais mwangolés, cuja forma de pensar ficou parada na idade da pedra lascada, pretendem continuar a usar o termo “colono” indiscriminadamente para ofenderem todos os portugueses que viveram em Angola até 1975 ou que para lá emigraram depois desta data, aconselho-os a olharem retrospectivamente para o seu passado e de seus pais ou avós antes de 1975 antes de atirarem a primeira pedra.

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Muito ingenuamente, pensei que o termo “colono” estivesse a cair em desuso, mas vejo que continua bem vivo nas bocas de alguns energúmenos brancos quando comentam alguns dos meus textos sobre Angola. Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também nos devemos orgulhar das coisas boas que fizemos e que lá deixamos intactas. Fomos certamente “colonos” durante os séculos que se seguiram à descoberta desse território o qual ainda nem nome tinha.

selo11.jpg Muitos milhares de portugueses emigraram para Angola na procura de melhores condições de vida com a finalidade de trabalharem para empresários de várias nacionalidades incluindo negros e governo! Será que ainda continuam a ser tratados como “colonos”?

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Acredito que até finais do século XIX e princípios do século XX muitos dos portugueses que emigraram para as nossas antigas províncias ultramarinas o fizeram na qualidade de verdadeiros “colonos” aproveitando-se da exploração desumana e da mão-de-obra negra quase que escrava para enriquecerem.

(Continua…)

António José Canhoto - 13-12-2016



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:59
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Domingo, 10 de Junho de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLIII

ANGOLA DA LUUA XLIII - TEMPOS PARA ESQUECER - 10.06.2018

“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – Nós e os mwangolés…

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No M´Puto

fuga1.jpg «Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão com a guerra do TUNDAMUNJILA formando esquemas para transgredir os limites da legalidade. Uns quantos, continuam a roubar o país quarenta e três anos depois, enquanto o povo olhando as velhas fotos amarelecidas, passam-nas em sua máquina de pensar. Já desbotadas, tombam com elas, a vontade de querer, definhando-se desmilinguidos em camadas de pó de sonho.

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Na Luua, de Kalash na mão, a lei e a ordem, a justiça eram coisas transgredidas, inexistentes ou mesmo anedóticas pela pior das negativas…Estávamos na segunda metade do ano da desgraça de 1975 - Vai haver maka, porrada mesmo! E era virar a arma para o ar e despejar cunhetes átoa; balas oferecidas pelas nossas gloriosas forças - NT do M´Puto. O medo controlava a população desorientada, assustada como um kissonde pisoteado com o apoio e fervor revolucionariamente denso do MFA - O povo unido jamais será vencido!

fuga3.jpg Generais de aviário do MFA, alinhando em esquemas maquiavélicos proporcionavam os meios, geriam as tácticas e logística e, até contratando gente da informação, mercenários da comunicação social para fazer entrega de tudo e de todos ao MPLA… As feras eram largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 para nos massacrar, roer até o tutano! Esses cabrões dos colonos vão ver como elas cantam; eram as falas dos guedelhudos magalas besugos chegados à Luua. Dos episódios esquecidos ainda recordamos dizermos uns aos outros: -E, vamos fazer o quê para o M´Puto?

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Haveria que juntar pecúlios num caixote para levar a um qualquer sítio longe dali; não se sabia bem ao certo para onde e como mas, durante dias e durante noites só se ouvia o barulho do martelo furando taipais do baú-caixão para guardar a saudade, a foto do cachorro, do louro, da vizinha quando da pesca lá na barra do Kwanza, no Lifune ou Panguila. Foram tempos de se fazer caixotes, uma empreitada, percurso da tumba via kalunga ou pelos ares, peidando ou bufando desesperos na ponte LuuaLix que ninguém queria ouvir.

fuga6.jpg Num tempo em que ninguém media consequências, a moralidade em Angola e na Cidade de Luanda-Luua, era uma batata apodrecida. O ambiente era de se cortar à faca-catana escaldante na insegurança generalizada no presente do indicativo, tornando o gerúndio numa incerta loucura de futuro. O amanhã transtornava a sociedade numa ginasticada ideia de sem se saber como iria ser a fuga. Os locais mais concorridos eram o Aeroporto de Belas e o Porto de Luanda. Destino: Um qualquer seja aonde for!

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Naquele tempo surgiram do nada, muitos rambos com fitas de cunhetes a tiracolo passeando desaforo e medo na companhia daqueles magalas, oficiais alferes, praças e salvo-seja nossos irmãos que diziam com frequência: Vocês colonos, vão-se foder! E, foi… Aconteceu! A cidade suja, pegajosa e desnorteada, cheirava a cansaço, a suor, a medo e coisas mortas esfrangalhadas pelos cães vadios. Naqueles dias de catinga ouvia-se noite note fora os martelos encerrando vidas, encafifando pertences e recordações. Também se ouviam rajadas lá para cima, mais ao lado e na outra banda das barrocas, no Caputo e Sambizanga.

fuga9.jpg Não! Não havia naquela terra de N´Gola, mais lugar para os Tugas e assimilados a estes! Não venham agora com tretas e esquecimentos! Se antes era perigoso ser preto, agora era muito perigoso ser-se branco. Dia para dia, viam-se menos caras conhecidas; médicos, engenheiros, padeiros, contínuos, bancários davam o fora de um momento para o outro – não queriam ficar para assistir aos dez e onze de Novembro. Para trás iam ficando cidades fantasmas aonde só o vento uivava com alguns cães deixados ao abandono.

fuga4.jpg A poeira fétida esvoaçava nos bairros. Por lá ficavam casas habitáveis e com recheio, carros, camiões entre a tralha dos jardins, cinemas, lojas, armazéns, restaurantes; edifícios intactos como se uma epidemia tivesse ceifado a vida. Viaturas prontas a andar deixadas ali ao acaso, famílias inteiras aventurando-se em uma odisseia de centenas ou milhares de quilómetros, correndo iscos, andando à sorte fintando cadáveres amontoados nas bermas das estradas, das picadas. Com cheiro de virar tripas afastavam-se vendo fazendas abandonadas, gado perdido e gente andando para sul, para leste, rumo desconhecido

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:28
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Segunda-feira, 4 de Junho de 2018
MALAMBA . CCV

TEMPO DE CINZAS ANTIGAS. 04.06.2018

-Ser cleptomaníaco é ter a doença de fanar aquilo que não é seu, um jeito de gamar; A nomenclatura  do M´Puto faz isto com tecnicidade de gula, e nós nada! …

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Em Coimbra

Estamos a 4 de Junho de 2018, o dia em que nasci lá para trás num tempo de há 73 anos. Não digo o sítio verdadeiro porque sou mazombo e a estória quer que se perdure a ideia de que nasci a bordo do vapor Niassa. Minha vida de tropeço em cavandela foi adicionando dias até que fizeram de mim um Camões. Estudei na Escola João das Regras da Maianga da Luua; andei no Colégio Moderno em frente ao café Bracarense mesmo ao lado do Sinaleiro da Maianga e na 4ª classe andei na Escola de Aplicação e Ensaios no Largo D. Afonso Henriques próximo do Teatro Nacional e tendo em frente o Sindicato dos Metalúrgicos de Angola.

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Assim crescendo na perspectiva de ser um Niassalês sigo minha vida normal estudando na Escola Oliveira Salazar da Luua que entretanto passou para Escola Industrial de Luanda. Trabalhei como brigadeiro nos Caminhos de Ferro da Luua desenhando quilómetros de perfis na Brigada de Caminhos de Ferro do Norte.  Querendo subir na vida tiro o Curso de Topografia e Agrimensura na Escola dos Serviços Geográficos e Cadastrais no Largo Bressane Leite aonde tinha funcionado a primeira Escola Industrial…

toledo8.jpg Como topógrafo sou colocado na Cidade de Robert Williams, mais conhecida por Caála e o Abril de 1975 apanha-me ali passando Demarcações Provisórias de terras que afinal nem eram nossas. Só vim a saber isto ao certo, quando da guerra do tundamunjila tudo entrou em alvoroço e era muito perigoso ser-se branco!  Fizeram uma ponte aérea e recambiaram-me para o M´Puto com um voo grátis só de ida! Depois assisti de longe, lá no M´Puto entre o esbracejar dum tal de Vasco Gonçalves que o barco Niassa traria o último nosso património, a bandeira das quinas verde e vermelha com uma esfera e castelos em amarelo.

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Dei voltas pelo mundo com um imbondeiro de Angola às costas e já convencido das inverdades, tomando o calor na lareira do Alentejo, uma terra perto de Panoias, fico conhecedor de outras estórias; de gente que nunca andou por essas enviesadas picadas do Mundo. E, é assim que surge a verídica vida dum senhor que nem conheci de nome Manuel Fonseca -um senhor que tinha a doença de roubar.

soba03.jpg Manuel Faneca nasceu com essa doença de cleptomaníaco, isso de não resistir à tentação de roubar as coisas dos outros, de fanar aquilo que não é seu, um jeito de gamar com gula de mais-valia p´ra ficar o rei do pedaço, o maior, talvez, sei lá! Há muita gente assim que nem desculpa tem por ser doente a propósito e porque lhe convêm, é ladrão mesmo! Faneca, regenerou-se após uns dez anos de cadeia aos soluços e num vai e vem periódico na ramona da Guarda Nacional Republicana.

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Ele, efectivamente tem essa doença mas, de vontade própria, forjou uma maneira de se enganar; fora de horas mandava seu chapéu de feltro para dentro do quintal do vizinho ou alheio e depois saltava o dito cujo, para subtrair o seu próprio pertence. Chico Torrica é uma outra típica figura duma outra pequena vila alentejana; ainda jovem namorou uma catraia bonita de encantos de pasmar rouxinóis mas, sendo ele lavrador dum monte, ficou surpreso quando Felismina sua deusa, num repentino fim-de-semana foi vista a passear bamboleando-se com um brasileiro carioca.

tonito9.jpg Esse carioca, um emigrante bem-sucedido era muito cheio de graveto. Felismina não resistiu à lábia escorregadia do linguajar do bonitão, vestido de popelinas e sapatos brancos mais o seu chevrollet descapotável, rabo de peixe de reluzentes cromados e um verde de constante tentação. Tudo isso relampejou na cabecinha loira de Felismina. Isto não caiu bem a Chico Torrica que de encucamento soluçado e repetido, resultou em uma depressão sem tamanho que nada tinha de platónico. Esta situação perdurou por algum tempo vindo a piorar quando já muito mais tarde lhe mostraram uma foto de sua perdida amada remetida de Cuiabá do pantanal brasileiro.

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A foto mostrava Felismina escanchada em um alazão, algures numa cordilheira de Poconé e, tocando um corno retorcido a que ali chamam de berrante. Isto, na santa terrinha da falsa estepe foi motivo de troça ao já consumido Torrica; por via das falas indicarem que aquele corno de chamar boi tresmalhado era seu maldito chavelho. Esta dolorosa pedrada na já débil cabeça de Torrica deu em o enlouquecer de vez.

tonito10.jpg Torrica deu em maluco, passado dos carretos como dizia a canalhada, pivetes sem sensibilidade para tal dor de chifre e assim, quando lhe dava na veneta desviava as pedras dos caminhos durante a noite e, não raras vezes ia ao monte, igreja de Nossa Senhora da Assunção e retirava lá de dentro todos os santos nos vários altares. Dizia ele que era para apanharem ar.

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Dispunha os santos em círculo e, ao relento sereno de Agosto, fazia-lhes grandes, eloquentes e entorpecentes discursos, bem à sua maneira. Eram o Santo António, Nossa Senhora da Assunção, Nossa senhora do Ó e do Parto mais o São Jorge de que tanto gostava! – Mas que jeito, estarem vosmecês sempre fechados! Gostam de ser coitados como eu? Passam ali meses e anos sem verem a luz do dia, sem ar nem nada e tudo-o-mais! … Dizia ele, Torrica sozinhado consigo, falando prás sombras escuras da noite.

tonito11.jpg Torrica assim ficou para todo o sempre virgem na sua solteiríssima pureza de mente descalabriada. Conta-se que por muitas vezes o tentaram internar no Júlio de Matos mas, desistiram porque sempre conseguia esgueirar-se regressando à sua linda terrinha cheia de branco com barras azuis. Numa dessas vezes disse para quem quis ouvir: - Pois, … aquilo lá naquele hospital é tudo doido varrido! …

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Vejam só que me mandaram tirar água dum poço com um cesto igual a este; disse isto apontando seu cesto de vime que acartava no outro braço, feito de vime entrelaçado e, logicamente muito cheio de buracos naturais de seu cabaz de levar pasto de palha seca a sua égua. Aonde já se viu tal coisa? Retorquía ele esgueirando-se num inocente riso trocista de sublimada lucidez. Isto do sublimado, digo eu, mas em verdade sua estória metia dó. Bom! A minha tal como a de tantos outros também deveria meter mas, o Mundo anda por demais esquecido. Nem nunca nos vão ressarcir. Ele, …há coisas! …

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:03
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Domingo, 3 de Junho de 2018
CAFUFUTILA . CXXIII

TEMPOS DE FRINCHAS MORNAS – 03.06.2018

Por

 soba15.jpgT´Chingange . Em Coimbra

Coimbra - Sai a dar um passeio matinal lá pelas nove horas e quinze minutos, desde os Olivais até o Solum, zona do estádio de futebol de Coimbra e já descendo a Rua António Jardim, desci duzentos e vinte e quatro degraus até à rotunda dos patos. Entre pinheiros, urzes e maias, pensava em fúteis caprichos, esmiuçando o tempo para saber a verdadeira razão dos paradoxos do agora a pensar no futuro.

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Não será portanto, caso de estranhar de muitos de nós andarem com um olho aqui e outro lá mais adiante, com a metade do raciocínio num sítio e a outra metade no ciberespaço. Mas eu tinha de galgar estes degraus com método sem me distrair com os tempos de socialismo, comunismo ou das entremeadas diabruras capitalistas, para espairecer as molezas dos europeístas e anarquistas que sempre deixam correr o tempo até lhes sair de feição.

trump3.jpg E, assim inchado de espantos, desenhava-me entre antigos esboços, revendo-me nos desenhos das verduras, escorregadias dos esverdeados fungos. Detive-me a apreciar aquela velha urze com musgo do neolítico, muito rachada e a pedir um acordo lógico nas alterações climatéricas, nos novos inventos piromaníacos e técnicas de assustar novas loucuras.

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Assim andando, olhando a quietude no meio de prédios e roncos recordei os tempos em que as pessoas tinham pesadelos com o roncar dos primeiros automóveis nos fins do século dezanove, para aí no ano de 1876 quando do nascimento do automóvel moderno como um tal chamado de Benz Patent-Motorwagen, inventado pelo alemão Karl Benz.

carro0.jpg Lembrar-me eu na minha primeiríssima geração, lá pelo ano de 1807, ter nascido o primeiro carro movidos por um motor de combustão interna a gás antes de surgir o combustível chamado hoje genericamente de petróleo e, que levou à introdução em 1885 do moderno motor a gasolina ou com combustão a gasolina.

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E, que mais tarde os homens com o delírio de voar fizeram experiências com asas de palha, atirando-se de torres e medonhos penhascos a imitar as modernas asas delta. Com asas mecânicas às costas abanavam-se na torpitude furiosamente até se esborracharem lá embaixo.

carro1.png E neste frenesim de voar em pensamento cheguei a Donald Trump que anda a experimentar o resto do mundo com malucas inventações só para fazer diferente; surgindo com os olhos esbugalhados, sem pestanas e ar trocista com sua caneta gigante e grossa, assassina o papel amarfanhando uns rabiscos que mais parecem um gráfico de pulsações do coração. Com riso de sacana, vira o livro rígido pró mundo mostrando sua assassinatura, coisas dum inimaginável louco a governar a Big América USA…

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O senhor gajo, olhando para o resto das suas possessões, mira a União Europeia com um sarcástico desdém forçando a lógica mediação com medidas legislativas e afins de enriquecer americanos. Com caneta de feltro assume unilateralmente medidas restritivas na importação do aço, aplicando tarifas e taxas a seu belo prazer. E, os Europeus às voltas em formar governação em Itália, em Espanha com outros edecéteras à perna.

carro2.jpg A França com Macron fazendo olhinhos bonitos à Angola. Um salve-se quem poder sem uma concertada coligação de esforços. Fiquei espantado quando na Kizomba do Facebook surgiu a notícia de que o presidente João Lourenço estava em França; tive dúvidas que assim fosse e, afinal lá estava ele descendo dum avião chinocas pago há hora à modica quantia de 74.000 dólares… Decerto, não irá comprar champanhe!?

TRUMP2.jpg Quase chegando ao Centro Comercial Alma, dou-me conta que o futuro anda muito enevoado; os países a se governarem em contas negativas com todo o mundo assobiando pró lado. E, são bilhões! Sacaneando-se uns aos outros sem conta nem medida. Bom!... Já no Alma, comprei o jornal Expresso, pedi um café, um copo de leite frio, mais uma queijadinha. Que se lixe! Menos mal que em Portugal temos um Marcelo a olhar por nozes (plural de nós)! Mas, até quando (não é pergunta)…    

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:31
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Sábado, 2 de Junho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXV

DESCOLONIZAÇÃO DO IMPÉRIO  DO M´PUTO . SINTESE – II

DESCOLONIZAÇÃO - (Continuação)

kimbo 0.jpg As escolhas de T´Chingange

Porcanhot1.jpg António José Canhoto...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna...

Quando escrevi o texto (Síntese.I) sobre o titulo em epigrafe escalpelizando o papel de Mário Soares no processo de descolonização não pretendi ilibar todos aqueles que no palco deram a cara, mas sim acusar todos aqueles que permaneceram por detrás da cortina puxando os cordelinhos ou fazendo o papel de “PONTO” que é aquele que escondido num alçapão do palco lembra aos artistas as suas falas e deixas do texto ou guião da peça.

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No caso da descolonização a peça deveria ter tido pelo menos 3 actos, mas infelizmente tudo se resumiu a um só, tendo os artistas sofrido uma enorme pateada e insultos vendo-se obrigados a abandonar o teatro pela porta do cavalo tendo sido ao longo de 40 anos vituperados pelo seu catastrófico desempenho. Não me compete a mim escrever a história sobre essa mancha negra que ensombra o período politico que Portugal atravessou entre 1974 e 1975, contudo quem já o fez de forma isenta foi-lhe fácil encontrar os responsáveis.

vasco gonç.0.jpg Quando iniciei a feitura do texto, já pressentia que iria abrir uma “Caixa de Pandora” e muita gente se iria atirar a mim como gato a bofe. Surpreendentemente o texto foi bem aceite pela grande maioria, mas houve pessoas que o descontextualizaram sem terem tido a capacidade de separar a missão politica de que Mário Soares foi incumbido de realizar atribuindo a este senhor todos os problemas pessoais que afectaram os “colonos” na sua generalidade.

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A minha crónica foi feita depois de muita reflexão e pesquiza e para quem não saiba o processo de descolonização foi desenhado pelo ideólogo do grupo dos 9 o major Melo Antunes que foi a eminência parda marxista do Movimento das Forças Armadas (MFA). Óbvio que a grande maioria dos retornados teve de encontrar alguém para descarregar as suas frustrações e Mário Soares foi o homem escolhido como ministro dos negócios estrangeiros do governo provisório bem como António de Almeida Santos ministro da Coordenação interterritorial, para darem a cara como forcados e pegarem os 2 touros mais perigosos de nome Angola e Moçambique.

spi0.jpg Em consequência de os touros terem sido mal lidados e estarem ainda cheios de energia ambas as pegas falharam e os touros desembolados ficaram incontroláveis. Os pegadores viram-se forçados a arcar com todas as responsabilidades de uma “corrida” programada em cima do joelho e a martelo sem acautelar a integridade física dos aficionados. Em 22 de Fevereiro de 1974 O general António de Spínola publica o livro "Portugal e o Futuro" pouco mais de um mês depois de ter sido empossado como vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

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As páginas do livro abriram um fosso de incompatibilidade com o primeiro ministro da altura Marcelo Caetano que afirmou tratar-se de um verdadeiro "manifesto de oposição" ao regime e de um golpe militar anunciado o que efectivamente veio a acontecer semanas depois. Na sequência da publicação do "Portugal e o Futuro", e perante a recusa dos generais Francisco da Costa Gomes e António de Spínola, os dois principais chefes militares do país em prestar vassalagem a Marcelo Caetano, tanto Spínola como Costa Gomes são demitidos a 14 de Março.

soares1.jpg A 25 de Abril de 1974 os capitães do Movimento das Forças Armadas levam a cabo o golpe militar que liquidou o regime do Estado Novo tendo escolhido uma Junta de Salvação Nacional para preparar a transição do país para um regime democrático. Na madrugada de 26 de Abril de 1974 Spínola é anunciado como chefe da Junta Militar e, a 15 de Maio, toma posse como primeiro Presidente da República do pós-25 de Abril.

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A História e o movimento revolucionário avançaram muito rápido para uma esquerda marxista radical contra a qual Mário Soares ferozmente lutou. O livro publicado por Spínola constituía um poderoso repto ao regime do Estado Novo. Basicamente afirmava que as guerras coloniais, que duravam desde 1961, não tinham solução militar, sendo imperativo que a Nação debatesse o problema. Spínola tinha ideias muito concretas de como o processo de descolonização se deveria processar as quais dissecou pormenorizadamente no seu livro.

rev8.jpg Spínola acaba mais tarde por se demitir como Presidente da Republicam quando se sente atraiçoado pelos seus camaradas de armas e pela forma de como o processo revolucionário e de descolonização que tinha sido esquematizado por Melo Antunes o qual o grupo dos 9 pretendia implementar. O traidor não foi Soares, mas sim a Junta Militar e o governo provisória infestado de esquerdistas comunistas, que governaram Portugal a seu belo prazer tendo em Vasco Gonçalves o seu expoente máximo.

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A situação só começou a mudar quando a feitura da nova Constituição Portuguesa deu origem às primeiras eleições livres em Portugal, as quais só aconteceram em 25 de Abril de 1975 para a eleição dos deputados para a Assembleia Constituinte. Conforme disse no meu texto (Sintese.I) todo o processo de descolonização foi uma aberração e as consequências do mesmo devastadoras e traumáticas, mas esse não foi o objectivo do meu texto, mas sim desvendar quem puxou os cordelinhos fazendo de Mário Soares e os seus pares os peões de brega, aos quais foi incumbida a triste sina de levar a cabo uma tarefa odiosa que todos sabíamos pelo andar da carruagem que iria acabar mal.

rev7.jpg Os verdadeiros traidores de Portugal não aparecem nas fotos de Argel, Lusaca ou Alvor, por ocasião das assinaturas dos acordos ou tratados de independência. Sejamos honestos e não assaquemos culpas nem manchemos com o labéu de traidores ou ladrões todos aqueles como Almeida Santos, Costa Gomes, Mário Soares e outros que pelas funções governativas que ocupavam ao tempo personificaram a função de carrascos no processo de descolonização.

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Todos os países com impérios coloniais Inglaterra, França, Holanda e Bélgica concederam as suas independências no principio dos anos 60 e hoje têm óptimas relações com os países que colonizaram, infelizmente os nossos políticos não tiveram a mesma visão e prolongaram no tempo e no espaço um desfecho que a partir de 15 de Março de 1961 passou a ter os dias contados.

António Canhoto 12-1-2017



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:21
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXIV

DESCOLONIZAÇÃO DO IMPÉRIO  DO M´PUTO . SINTESE - I

::As escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto...  Um polémico cronista saido da Luua, que tem o diabo à perna...

Todos os portugueses, onde me incluo, que viveram nas ex-colónias portuguesas e que sofreram na pele o processo de descolonização, atribuíram as culpas ao ministro dos negócios estrangeiros da altura Mário Soares que se finou há um ano, para gaudio de muitos dos retornados e para pesar de muitos democratas. Foi Mário Soares pelo cargo que ocupava na altura que carregou e conduziu o referido e complicado dossier do processo de descolonização que ficará como uma das mais tristes nódoas na história de Portugal.

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As tendências ideológicas marxistas que o processo revolucionário em Portugal atravessou não auguravam um desfecho feliz para os residentes nas províncias ultramarinas. A pressa era muita e, de modo que Mário Soares foi encarregue de atalhar e encurtar caminhos e forçado a abreviar o calendário das independências para o ano de 1975.

áfrica19.jpg As conversações para esse desiderato começaram de imediato com os líderes dos movimentos independentistas das colónias Portuguesas em Africa, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola tendo como interlocutores Luís Cabral, Samora Machel, Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi. A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC que foi reconhecida pela comunidade internacional, mas não pela potência colonizadora o que só aconteceu nas negociações de Argel em 25 de agosto de 1974, seguido de Moçambique em Lusaca a 7-9-1974 e do Angola no Alvor a 15-1-1975.

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Logo que Angola e Moçambique obtiveram oficialmente as suas independências instauraram um regime de partido político único pró-soviético, enquanto em Portugal, o modelo socialista pós-revolução era progressivamente abandonado, dando lugar a um regime democrático. Só um tolo ou imbecil poderia pensar que seria possível a manutenção de uma guerra colonial em 3 frentes até aos dias de hoje, para assegurarmos a continuidade dos privilégios de alguns em África intemporalmente.

ama3.jpg Os grandes coveiros e responsáveis da repatriação dos mais de 750 mil portugueses naturais e colonos que ao tempo residiam em Moçambique e Angola não foi Mário Soares, mas sim, Salazar e Marcelo Caetano, pois a descolonização das nossas colónias deveria ter sido iniciada nos finais dos anos 50 antes de se ter iniciado o terrorismo em 15 de Março de 1961 em Angola pela UPA, em 24 e 25 do mesmo ano em Setembro pela Frelimo em Moçambique e finalmente em 23 de janeiro de 1963 na Guiné.

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Se o processo de descolonização tem sido feito atempadamente de forma ordeira cívica e civilizada assegurando a permanência dos europeus nas colonias, a revolução do 25 de abril de 1974 apenas tinha tido efeitos práticos ou visíveis em Portugal continental. Mário Soares estava manietado e limitado pelas directrizes imanadas pelo Conselho da Revolução e pelo desejo que os militares tinham em baixar as armas o mais depressa possível e abandonar África á sua sorte.

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O governo provisório da altura em Portugal estava em conluio com os líderes independentistas uma vez que defendiam a mesma ideologia politica, portanto Mário Soares muito pouco poderia ter feito para alterar o “status quo” dos eventos catastróficos que o processo de descolonização atravessou. Mário Soares foi um intermediário facilitador que seguiu um programa que lhe foi imposto, mas não o ideólogo do mesmo.

dyo2.jpg Eu sei e compreendo que a grande maioria dos retornados atribuem a Mário Soares toda a culpa da descolonização, pois acabou sendo o bode expiatório e o alvo mais fácil para arcar com as culpas devido a sua liderança nas negociações. Do contexto político vivido em Portugal destaca-se a divergência entre o então Presidente da República (PR), António de Spínola, e a Comissão Coordenadora (CC) do MFA em relação ao modelo de descolonização a seguir e que teve repercussões negativas nos processos de negociação e nos posteriores acordos de independência com os movimentos independentistas.

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A descolonização portuguesa dos territórios ultramarinos em África constituiu um dos aspectos centrais da política portuguesa após o 25 de Abril, tendo tido consequências sociais profundas em Portugal. Quando Mário Soares entabulou negociações com os líderes nacionalistas de Angola e Moçambique com vista á independência dessas colónias fazia parte como ministro dos negócios estrangeiros de um Governo de Transição empossado pelo MFA sem a legitimidade do povo português, pois ainda não tinham havido eleições gerais em Portugal nem sequer tínhamos uma nova Constituição aprovada que lhe outorgassem a legitimidade para assumir essa decisão histórica particularmente nos moldes em que foi feita.

spi3.jpgMARIO1.jpg Não tenho a veleidade, ousadia ou arrogância de colocar Mário Soares sozinho no banco dos réus, nada me move pessoal ou particularmente contra a sua pessoa, muito embora tenha deixado em África terra onde nasci tudo o que construí com o suor do meu rosto. Tenho a capacidade de separar o trigo do joio e fazer uma análise lucida e racional dos acontecimentos sem cegueiras ou fanatismos e atribuir as responsabilidades históricas a quem de facto as teve 20 anos antes de 1975, bem como no período pós-revolucionário. Se Portugal tem tido líderes com visão estratégica e politica para terem iniciado o processo de descolonização na época adequada teriam preservado a permanência e a continuidade de todos os colonos suas famílias e descendentes nesses territórios.

(Continua…)

António Canhoto 11-01-2017



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:22
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXII

A ILITERACIA EM ANGOLA . 17-05-2018

:::::As escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpg António José Canhoto... Um polémico cronista saido da Luua, que tem o diabo à perna...

Relutantemente terei que voltar a escrever sobre Angola, mas não pelas melhores razões e muito menos quando me sinto na obrigação de fazer comparações com o tempo colonial que com todos os seus imensos defeitos tinha em alguns dos seus aspectos grandes virtudes. Foi durante o sistema colonial que se processou a minha meninice, puberdade e adolescência e durante a qual experienciei a qualidade dos bons professores portugueses existentes no território e aos quais tiro o chapéu pois por eles fui instruído durante o período da minha escolaridade que perdurou em Angola entre os anos de 1948 e 1959.

ÁFRICA1.jpg Posteriormente prossegui o meu percurso académico na República da África do Sul pois nessa altura não havia ainda Universidades em Angola e Joanesburgo estava mais perto de Luanda do que de Lisboa. Mas foi em Luanda desde a primária até à conclusão do meu 7º ano que percorri a minha vida académica miscigenada com outros colegas caucasianos, mulatos e negros.

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Muitos deles após independência atingiram posições de destaque no regime político, militar e diplomático que tal como eu tiveram a oportunidade de usufruir de um sistema educacional que 40 anos depois por aquilo que me é dado constatar não chega nem sequer às unhas dos pés daquele que tivemos o privilégio de beneficiar nos anos da colonização Portuguesa. Para justificar esta minha reflexão dei-me ao trabalho de iniciar uma colectânea dos erros gramaticais no uso da sintaxe que vou anotando das imensas páginas criadas no Facebook por angolanos, às quais aderi para delas avaliar as tendências e preocupações críticas dos seus autóctones.

ÁFRICA18.jpg Tudo isto por via do sistema político em que vivem e, à falsa democracia que têm por quem os governou e governa. Nas várias páginas que criaram no Facebook abordam temas e problemas políticos, sociais, musicais, generalistas e religiosos o que me permite sociologicamente chegar a várias conclusões interessantes. Fico muito surpreendido pelos tópicos que abordam, perguntas que fazem e às imaturas conclusões a que chegam pela impreparação, ingenuidade e desconhecimento que demonstram ter sobre a vida, amor, sexo, política, tribalismo e mundo em geral, mas sobretudo pela parte história da sua herança genética e cultural.

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Contudo, surpreendentemente mostram uma tremenda religiosidade cristã e um notável conhecimento bíblico devido que penso ser devido à implantação de missões religiosas baptistas, metodistas geridas por missionários estrangeiros e freiras católicas portuguesas espalhadas pelo sertão angolano onde foram e são por estes e estas doutrinados. Hoje em dia, os angolanos têm ao seu dispor as ferramentas necessárias que lhes permite facilmente responder às suas questões para as quais pretendem respostas que são a Internet e o Google.

ÁFRICA2.jpg A minha experiência no que respeita ao criticismo que faço sobre a iliteracia angolana, advém da aderência que fiz às muitas páginas do Facebook criadas por angolanos e da leitura dos seus conteúdos. Existem outras, mas de portugueses ex-residentes em Angola onde continuam dolorosamente a carpir as suas saudosas mágoas dos belos tempos que lá passaram. As páginas genuinamente angolanas proliferam pelo Facebook, umas mais radicais do que outras, mas em todas elas se nota a dificuldade e deficiência no comando da língua de Queirós e Camões.

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Sem querer perder ou divagar para outras áreas a razão deste texto centra-se na forma como os angolanos se expressam por escrito e pela iliteracia que demonstram ter após passados 40 anos de independência. No tempo colonial o sistema escolar era tão bom em Luanda como em Lisboa, mas hoje em dia a forma como os angolanos trucidam e assassinam a língua portuguesa deixa muito a desejar e deveria envergonhar quer o ministro que superintende ao sistema educacional angolano bem como a todos os usuários que que a ela recorrem para comunicar.

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ango0.jpg Com toda a honestidade nem dá para acreditar nas postagens que leio pelos erros gramaticais nelas contido de como se pode chegar a um estado de degradação linguístico quase de puro analfabetismo generalizado. Não é caso para o governo de Angola se orgulhar do sistema educacional que está a proporcionar aos seus cidadãos, pois a imagem que estes projectam para o mundo da língua portuguesa nas suas publicações é degradante revelando um estágio primário evolutivo. Comparativamente ao tempo colonial o sistema médico, hospitalar, saneamento básico, rodoviário, e educação estavam muito melhores do que hoje 40 anos depois, e nunca Luanda esteve tão soterrada em lixo como está hoje.

António José Canhoto - 17-5-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:58
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Terça-feira, 15 de Maio de 2018
KALUNGA V

MOKANDAS XINGUILADAS

- A DOENÇA DA DEMOCRACIA E A ECONOMIA DA CORRUPÇÃO – 15.05.2018

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi. 

Por

soba15.jpg T´Chingange – Desde o Nordeste brasileiro

O combate à corrupção deve ser feito em prol da justiça social, da dignidade dum povo e seu desenvolvimento humano e económico. É o avesso da vingança porque o Estado ao sangrar uma empresa até à morte devido a procedimentos judiciais e da incapaz indeminização, causam inevitavelmente muitos danos. Em vários países com este cancro social mas especialmente em Portugal, a acção repressiva, nosso modo de combate à corrupção, não actua sobre as causas.

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Ou as leis existentes são inadequadas ou faltam leis que racionalizem com moralidade as inevitáveis pressões que a sociedade civil (nós) exerce de forma organizada ou nem tanto sobre os governos, governantes e demais agentes públicos. A corrupção resume a profunda indisciplina jurídica das relações entre Estados ou entre estes e as empresas.

temer4.jpg Veja-se como exemplo as operações judiciárias de Lava-Jato no Brasil e da Fizz em Portugal. Das pressões que o M´Puto sofreu no caso de Manuel Vicente por parte do Presidente JL de Angola, entre várias figuras de destaque que mereciam ser chamados de figurões dum Mundo Cão. Pressões que levaram à deturpação nas atitudes dos nossos directos dignatários, digo eu!

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Não há trabalho sem empresas, não há empresas sem Estado e, não haverá Estado sem trabalho e sem empresários. É uma afronta ou ataque a um outro Estado que por via diplomática nos dá ideia de um grosseiro descuido que em benefício de uns poucos salafrários, prejudicar-se empresas, gente em geral, arriscando fortemente a economia global e respectivas instituições.

dracma6.jpg O lado mais fraco lá terá de ceder, mesmo correndo o risco da aparente ou real deterioração. Assim, com um estado tomado pela corrupção, o Executivo administrará os serviços dos corruptores, o Legislativo vende leis e o Judiciário sentenças! Daqui depreender-se facilmente que a corrupção rouba a energia vital dos trabalhadores, que flui para o Estado através dos impostos que cimentam o seu bem-estar social.

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A concorrência da corrupção entra as empresas torna entre estas, a mais corrupta em líder do mercado deteriorando serviços e produtos. Assim, como é possível depurar as empresas sem as destruir? Elas dão emprego, gerem renda, garantem o consumo.

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É deste modo imprescindível repensar a forma de como combater a corrupção para que os efeitos adversos colaterais, não o sejam mais danosos que o crime que se pretende liminar. Não é fácil, não!

vaca0.jpg Combater a corrupção é como lutar contra um câncer. É forçoso matar o cancro sem matar o paciente, com a dificuldade extraordinária de que ambos, o câncer e o paciente habitam o mesmo corpo – O paciente necessita livrar-se do mal mas não vive sem seu corpo.

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E, o câncer quanto mais se espalha, mais difícil se torna extinguir as células doentes separando-as das sadias. Pagar gorjeta, propina ou gasosa para ganhar uma licitação é ilícito, construir pontes, barragens, hospitais e escolas, em si, não o é! A economia de corrupção floresce num ambiente de crescimento económico e de normalidade política.

bolor1.jpg E, o problema está na deturpação da política com os principais três poderes, do funcionamento dos mercados e, não com sua instabilidade. O busílis da “doença da democracia” está em esta aumentar a desigualdade sem impedir o crescimento do endividamento. Uns ficam com a carne e muitos só com os ossos! A democracia anda doente na honorabilidade; na prática, falta a ética e o uso correcto das leis justas. Marcelo R. de Sousa, Presidente que estimo, por favor, fique atento!...

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:21
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Domingo, 13 de Maio de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLII

ANGOLA DA LUUA XLII - TEMPOS PARA ESQUECER - 13.05.2018

“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas” - Quase morri antes desta guerra em Kaluquembe; acho mesmo que fui para o além durante um pequeno espaço de tempo…

Por

soba15.jpg T´Chingange

Quando no ano de 1974, se deu o 25 de Abril em Portugal, estava eu exercendo as funções de Topógrafo da Câmara Municipal da Caála (Robert Williams); chefiava a Secção de cadastro no referente a terras, urbanismo e obras já licenciadas. Minha mulher que era professora do ensino básico dava aulas no bairro Popular nº 1 confinando com o bairro Madame Bergman, muito próximo da estrada de Catete e confinando com o Bairro do Caputo perto da Terra Nova e Cemitério Novo.

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Ela, Maria Emília dava aulas a 40 crianças dos quais, só duas eram brancas; filhos do merceeiro situado bem perto desta escola com o nº 22. Maria Emília imediatamente a seguir ao 25 de Abril ouvia alguns alunos em surdina, e na forma de muxoxos dizerem coisas desaforadas como: Vamos ficar com a casa da professora- Vamos ficar com o carro da professora, Vai para a tua terra, entre outras frases que ela fazia por não querer ouvir. Era um indício da tempestade que se aproximava. Três meses depois do vinticinco, em Julho de 1974 é destacada para a escola da Caála. Um alivio - a família Monteiro reunia-se de novo.

kafu19.jpg Aquelas crianças dos bairros suburbanos de Luanda eram a propósito instruídas em casa para assustarem seus professores; uma forma de rebeldia independentista curtida no seio de suas famílias; logicamente que seriam os pais senão a induzir os filhos, no mínimo eram conversas escutadas por estes. Fabricavam boatos que desencontravam a vida de todos. Eram já ensaios na preparação do Poder Popular. Maria Emília, já na Caála, contando isto a mim, dava para antever uma grande borrasca lá pela capital. Era o início da Guerra do Tundamunjila…

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Após os primeiros encontros, negociações de cessar-fogo e acordos com os movimentos rebeldes e, já após aceitação da UNITA o professor Liuanhica da Catata, director de um colégio-missão, entra em contacto com vários elementos desta pequena cidade para formar o Comité da UNITA da Caála. Não me vou alongar muito nesta descrição mas, foi assim que fui eleito Secretário de Informação e Propaganda até que em uma remodelação dos Quadros, o próprio Jonas Savimbi me indigitou para Secretário de Relações Publicas do Comité.

zeça14.jpg Tenho contra vontade de expor isto para que todos vejam o empenho que fazia em permanecer em Angola e de uma forma activa. Nunca me arrependi de assim ter procedido até ter saído da Caála em Agosto de 1975; a UNITA teve ali, um comportamento exemplar. De forma breve posso dizer que o meu carro foi sabotado e, tudo indica por gente afecta ao MPLA. A carcaça do meu carro, um Renault major lá ficou na curva da morte do Cruzeiro de Kaluquembe.

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Quase morri, acho mesmo que fui para o além durante um pequeno espaço de tempo mas, regressei com uma clavícula partida! Do carro nada se aproveitou e, tudo ardeu! Literalmente! Foi naquele acidente que o galo pintado de branco, símbolo da UNITA em fundo vermelho morreu! Foi o Doutor Parson, seu filho David e esposa da Missão do Bongo para lá do Longonjo, que me ataram uma ligadura a dar firmeza ao osso; osso que soldou por si, só com o tempo. Meu ombro esquerdo, por via disto, ficou mais curto em um centímetro. Aonde quer que estejam os Parson, mando os meus agradecimentos.

áfrica19.jpg Porque já foram escritas 41 mokandas em um dilatado tempo convém aqui e agora recordar a cronologia da ENTREGA DE ANGOLA AO MPLA NO ANO DE 1975: 15 de janeiro . 1975 – Portugal, MPLA, FNLA e UNITA assinam os Acordos de Alvor, estabelecendo um governo de transição para a independência de Angola, o poder seria dividido entre as partes assinantes dos acordos. A independência ficou marcada para o dia 11 de Novembro do mesmo ano. - 31 de Janeiro . 1975 – Posse do Governo de Transição de Angola Como previsto pelos Acordos de Alvor. - 21 de Março . 1975 – Início dos confrontos entre MPLA e FNLA em Luanda e no norte de Angola.

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- 13 de Junho . 1975 – Aprovação da Lei Fundamental pelo Governo de Transição de Angola. - 9 a 20 de julho . 1975 – Confrontos armados entre FNLA, UNITA e MPLA resultando na expulsão da FNLA e da UNITA de Luanda. – Agosto . 1975 – Suspensão dos Acordos de Alvor por Portugal. O governo passa a ser exercido por um alto-comissário. - 3 de Agosto . 1975 – Início da “Operação Iafeature”, consistindo numa aliança militar entre FNLA, UNITA, forças zairenses e sul-africanas, coordenada pela CIA, para combater o MPLA e conquistar o poder em Luanda no dia marcado para a independência. O governo caberia a uma coligação entre FNLA e UNITA.

suku0.jpg - 4 de Agosto . 1975 – Jonas Savimbi anuncia oficialmente a entrada da UNITA na guerra civil. - 17 de setembro . 1975 – Chegada das primeiras forças regulares da África do Sul em apoio à UNITA. - 7 de Novembro . 1975 – Deslocamento aéreo de novas forças cubanas para Angola, através da Operação Carlota. - 11 de Novembro – Retirada das autoridades portuguesas de Angola. - O MPLA proclama em Luanda a independência da República Popular de Angola. - UNITA e FNLA proclamam a República Democrática de Angola, no Huambo.

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Situemo-nos de novo a 10 de Novembro de 1975. A 100 metros da ponte de Quifangondo, dois camiões carregados de soldados zairenses morriam sem defesa possível. Uma Panhard foi atingida em cheio! Desta leva de soldados quase todos por ali ficaram mortos ou feridos com gravidade. Sem explicação a artilharia pesada Sul-africana abandonou a luta rebocando os obuses para lá do Caxito. Segundo Santos e Castro os Sul-africanos retiraram-se pelas 16 horas e 30 minutos com todo o material.

pioneiros.jpg Deixaram os obuses sem culatras tendo sido recolhidos por um helicóptero que os levou até uma embarcação fundeada ao largo da costa do Ambriz. A Batalha de Quifangondo estava perdida. A FNLA fugiu mato adentro sem comando. No vale de Quifangondo os artilheiros cubanos que manobravam os “Órgãos Stálin” – lança foguetes 122 mm, tinham aniquilado a FNLA. As Brigada da FAPLA e da força Cubana estavam agora livres para enfrentar as tropas Sul-africanas e a UNITA que se aproximavam pelo lado Sul de Luanda.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:05
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KALUNGA . IV

O PESADELO DA DEMOCRACIA - 12.05.2018

Falácias no mundo dos PALOPS - Dos CPLP

Por

soba15.jpg T´Chingange

Hoje, o homem honesto vê-se verdadeiramente diante de um destino quase trágico pois que quer e deseja a verdade com a profunda independência mas, os governos, governantes, instituições e empresas assimiladas ao estado, por interesse, fazem esforços para e, na forma enganosa de falácia da mais pura, surripiarem nosso dinheiro e nossos planos. Os métodos são variados e com os pretextos mais esdrúxulos.

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Aniquilam nosso íntimo condicionando até nossa ideia de Pátria, de Nação. Os representantes do poder político amordaçam-nos subtilmente a sacrifícios absurdos, fazendo como que uma trepanação à desejável inteligência do cidadão, alterando ou condicionando o clima estórico. Este panorama oscila entre as várias instituições de poder judicial, do executivo ou deliberativo, tendo a Assembleia Nacional no topo. Eles não nos dão os necessários exemplos de idoneidade…

costa5.jpg Encarnando no Poder Económico, juntam-se num sistema de Geringonça e, como um gangue dão novos moldes à ordem jurídica que deveria ser supranacional, o máximo exemplo de isenção no trato da lei e justiça, por via de interesses políticos ou económicos, são simplesmente engavetados. Será que estamos no fim de um ciclo?

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Que democracia se vai permitir no futuro se na prática actual do poder, aniquilam o homem interiormente livre; do cidadão que vive seguindo sua consciência. É tal a governação neste lado vesgo que, o homem do povo suporta passivamente sua própria condenação à condição de escravo. Falo do que se passa em Portugal mas, outros há que são talvez piores, como o Brasil ou Angola.

chicor4.jpg Está sendo inevitável porque a sociedade se degrada tão profundamente que de taxa em taxa, de fisco em fisco, de sonho em sonho, de roubo em roubo, submete-se ao mandado aperfeiçoado com meios que destinam sua vida à própria destruição; sua e de seus semelhantes.

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Pelo aperfeiçoamento de técnicas requintadas para dirigir em nós uma pressão intelectual e moral, ela impedirá o aparecimento de novas gerações por paradigma, de seres humanos de valor sem independência. Afinal qual deverá ser a meta que devemos escolher para nossos esforços?

olho roxo.jpg Será o conhecimento da verdade ou, em termos mais modestos, a compreensão do Mundo experimental, graças ao pensamento lógico, coerente e construtivo? Será a subordinação do nosso conhecimento racional a qualquer outro fim de prática! Viver assim, é um verdadeiro acto de fé! Com a evidente condição de que nosso pensamento e nossas reflexões, terão de se condicionar na evidência de se estar possuído de uma inabalável convicção!

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Sem esta fé, a convicção de valor independente do conhecimento não existirá assim, coerente ou indestrutível. As leis do pensamento dirigem-se por si mesmas! No Portugal de agora, fazem falta estadistas e juristas de craveira e éticas inconfundíveis! Eu próprio ando sem fé! A teoria da causalidade venceu na relação com Angola liberando um criminoso chamado de Manuel Vicente.

abac1.jpg Conhecida que é a decisão do Tribunal da Relação, envergonha e enoja qualquer cidadão português. O acórdão foi político em vez de jurídico revelando uma atitude colaboracionista, subserviente e sabuja, apoiado de forma encapotada pelo Governo de Portugal corporizada pelo Primeiro-ministro, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Presidente da Republica. Tudo por questões económicas e diplomacia de baixo estofo. Estamos lixados ou cada vez mais na mesma…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:43
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2018
KWANGIADES . XXXI

 

MOKANDA DO ZECA - As falas de Zeca – 09.05.2018

Por

zeca00.jpgJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga. Tornou-se ali professor katedrático e agora lecciona no M´Puto quando não fica com o catolotolo… Kwangiades: - sáo as musas, kiandas ou kalungas do Kwanza

As ecolhas de T´Chingange (TONITO era o meu nome de candengue da Luua)

DOIS HOMENS UMBIGARAM-SE NO M´PUTO - MATUTANDO ESTES TEMPOS!!!

Eu só lamento..., o tempo do antigamente, que aqui era tão escondido..., de figuras proa deste Condado Portucalense..., e, escondidos nos arbustos, canteiros..., do Parque Eduardo VII! De repente o pensamento aberto do Sec XXI abriu a janela..., de um novo pombal que cada vez é maior, é colossal!!! Para os grandes países da CEE, a (alguns) braços com excesso população, não há problema..., agora para o M´putu kp, é que é grande problema futuro...

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Dizem as estatísticas caras e bem medidas por cientistas, que temos há muito, o índice mais baixo de natalidade..., o desequilíbrio entre os nascidos e os falecidos é grande!!! Os Kotas/Macotas morrem atoa e o seu passado sustento contributivo tão excelente e não de mangonha enchia as barricas da Casa Grande..., e é sabido que depois do Velho ficou ao alcance da mão do kapiango..., que na TV da falação do "então pá como é", dançam o Tango...

ZECA MAMOEIRO.jpg Sabe-se que os Monas, os nascidos do Condado são cada vez menos, a semente de vindouros é muito pouca caída no valado... Então, como vai ser a produção, sem a produtiva placenta da mãe e kinda de semente de cordão de rebento e de biberão natural - O NASCER, esta a dádiva da criação do ser tão biológica na Terra!

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Ninguém questiona a possibilidade de um dia a Terra se tornar frágil e ser evadido por aqueles gajos esquisitos, mas bwé espertos de disquinho falante dos ENCONTROS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU..., o filme que vi dezenas de vezes e de difícil saber quem é o macho e a fémea ..., porque todos são iguaizinhos no fato casal de corpo cara olhos corte de cabelo (careca moda) roupa sapatos luva branca...!!!

soba03.jpg Remeto este meu pensar, sociológico, antropológico, filosófico...para o meu kerido kamba de carteira da Universidade do Rio Seco da Maianga..., o Sábio T'chingange. Ele, que tem formação industrial de massas e de terras, muito trabalho de ensaio no laboratório, e, grande conhecedor do mundo do asfalto, do mato escovado, do mato poeira, do mato tsé-tsé, estes três últimos que contém a maravilhosa flora, fauna..., a nossa África esplendorosa que pouco a pouco a contaminam...

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Ele, o famoso pisteiro de condução de Land Rover caixa aberta e cheia de pakassas abatidas na koka do bebedouro na Cacimba do Peixe Gato, bwé gasosa pelo seu canhangulo de culatra coice de bufalo cheia de pregos, parafusos, taxas, grampos, clipes, esferas dos carrinhos de rolamentos... Ele, o medidor das famosas terras do cangaço, e o celebre estoriador do Robin Lampião e da bela Maria Bonita...

zeca e eu.jpg Finalmente, o famoso discípulo de vídeos dos passos e dos ensaios de Charles Darvin...na anhara dos Herero, Himba, Quioco... Recordo aqui a sua tese maravilhosa de mestrado e sem o copianço de muiiiitas páginas atoa escritas da Net, sim de apenas do seu exaustivo estudo e de ensaio sobre a bela a bela verdinha do Mu ukulu, a MOPANE..., que Lelu vai no prato Michelin...

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A Mopane, ela que é um Milagre da Natureza..., em que gerações de selvagens dizem nos seus estalinhos ao civilizado biaco: - "Minino num precisa operação..., o povo tem kamba Mopane! Tambula conta! É cirurgião, mas sem facão, azagaia, bota apenas a sua massinha e o kissonde aiaiai logologo faz o uafo interra na covinha" Merecia o Nobel, pena este ano não poder concorrer, por um mambo descoberto de "doença que contaminou" muitos dos seus membros...

mopne1.jpg Deixem voar o beija-flor para dentro do mosqueteiro, de pétalas do belo estilete namoradeiro da peónia a bela de esplendor!!!

Ambanine

ZECA 20180508



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:50
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Sábado, 5 de Maio de 2018
KALUNGA II

MOKANDAS DO REINO XINGUILA – 05.05.2018

- Fui à Torre do Zombo buscar jóias literárias do Reino do Kimbo na  Kizomba. Esta é uma delas com o nome de MUSSULO... Xinguilado no ano de 1486

– Ver glossário no final (Palavras sublinhadas) -xinguilar: Palavra Angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.

Por

soba 01.jpgT´ChingangeDesde o Nordeste brasileiro

- Estávamos em Janeiro de 1486. Eu, não era eu, retrocedi no tempo! Pela incorporação dum espírito de nome N´gesso voltei àquele ano, em plena kiangala. Os nomes eram diferentes, falava outra língua que não era a de hoje e, por isso vou ter de explicar no fim deste desassombro o que todas estas velhas palavras querem dizer naquele dialecto banto, o  m´bundu.

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Meu pai, Miconge N´futila o kota da vata, decidiu abandonar terras do Kifangondo e, para tal saiu bem cedo para trocar impressões com o Umbanda e, só depois falaria com o M´fumu; sopado com minha mãe Kilua N´zinga desde candengue, entrara agora nas dificuldades da velhice, não podia mais sustentar a família como kibinda; seus pés estavam pesando demais e o espírito dos kijikus estava na trapalhação.

cronicas mano corvo2.jpg Foi no M´fumo e explicou que era por demais kazumbi para aguentar, tinha na obrigação de levar o candengue (eu) na habituação da apanha dos n´zimbos na terra dos Ku-luanda. Eu, que já tinha treze kixibus, entendi que as dificuldades de meu pai era kubasular aquela vida de bitacaia.

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Miconge N´futila tinha no lumbu um irmão que era m´banda bem visto aos olhos do m´fumu-a-vata, que conhecia a ciência dos kalundu; este, podia muito bem dar trabalho para mim e espantar o mau-olhado dos defunto espíritos da YandaNa entrevista do velho kikongo chefe M´fumo com meu pai, as explicações foram aceites na retiçência e, de satisfeito, quando chegou preparou os corotos, a uanda, os kofus e a mukuali, sentou-se debaixo do m´bondo (embondeiro) e bebeu todo o marufo que tinha na kubata; ainda teve tempo de arrastar as quinambas para se despedir do mwani kazuca, amigo de muitas andanças.

MONA4.jpg No primeiramente ficamos no ka-kuaco, passadas as kalembas da barra do rio  com a kalunga do mar; dificultadamente ximbicamos e remamos na vista de terra, minha mãe Kilua chorava de medo, os muandu brincavam na nossa volta. Ficamos ali uns dias na reparação pequena no n´dongo pois as calemas fizeram estrago; entretanto consegui apanhar duas  kiangus na minha lança  que  por ali se esconderam nas águas baixas; no seguidamente preparamos com  n´tondo a acompanhar.

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Naquela noite estava frio, as hienas choravam de fome e eu metia lenha na fogueira por medo; não preguei olho toda a noite, o meu lumbu estava agora a compor-se, mas o meu medo era por demais, só as kalembas abafavam os meus soluços debaixo daquela n´sanda; Uma manada de n´zaus passou por ali perto e só nesse meio tempo as hienas de manchas feias me deixaram em paz.

zedu4.jpg Depois daquela noite ganhei coragem e, se calhar já nem ia para o layoteso pois que nos costumes do sítio para aonde íamos, eu não tinha amizades; assim passei aqueles longos dias até avistarmos a Mazanga. O vento enchia as n´dele do n´dongo com força e rapidamente passamos a baia do m´bungo. Sei que paramos por ali e meu pai N´futila foi tirar informações de aonde podia encontrar o seu irmão e, meu tio m´banda de profissão e kadinguila de nome.

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No entretanto da espera vi na observância que aquela ilha era demasiado comprida e, dias depois chegamos na xicála sítio da dibata, dos seguranças do reino de N´dongo aonde meu tio tinha pré-ponderância. A partir daquele dia por direito de Kanda passei a ser ka-mundongo, apanhar búzios de n´zimbo na ponta da Mazanga e lá mais no longe, os caurins da Korimba e muito n´tadi no Mussulo.

canoa0.jpg Muitos  anos mais tarde ressuscito maiombolado, mundele (t´xindere) em plena Korimba; Já não havia hienas nem n´zaus e ali estava eu esperando lugar no kapossoka, atravessar o mar baixo e regressar no kitoco.  Com cinco angolares (uá cinquimoche wandala)  na Samba, lembro-me de ter comprado um grade peixe espada (kinbiji). Se um n´zimbo valia cinco caurins, naquela primeira encarnação 5 angolares seriam talvez uma canoa cheia de kinbijisEstamos a 05.05 de 2018, 532 anos depois daquelas makas de vida.

toledo18.jpg GLOSSÁRIO: 

Candengue:-rapaz; corotos:- trastes; caurins:- búzios pequenos, cêntimos do zimbo; cafeco: - donzela;   libata: - palhota; kanda:- descendente por via matrilinear; ka-mundongo: - nascido no reino n´dongo (Luanda) ou súbditos do chefe N´gola kitunda; ka-luanda: - nascido em Luanda, calcinha;  kazumbi:- feitiço; kiangala:- pequena estação seca; kifangondo:- aldeia; kibinda:- caçador; kijucos:- gente de outras tribos, de fora; kalundu / kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto; kixibus:- cacimbos, estação fria; kubasular:- passar bassula, dar a volta por cima; kicongo:- natural do Congo; korimba:- lugar de costa, ancoradouro; kapossoca:- nome de barco com motor; kitoco: - traineira trnsformada; kota:- mais velho; kofu:- cesto estreito e comprido para apanhar conchas;

cafu39.jpg ku-luanda:- a ocidente, mais importante e sabedor; ka-kuaco: - sítio, lugar; kalemba: - ondas de mar bravo; kalunga:- abismo, sitio de muita morte; kiangu:- raia; lumbu:- descendente por parte do pai; layoteso:- casa da puberdade para rapazes; m´bundu:- de fala banto, em quinbundo; m´banda:- guarda, sub chefe; m´fumu:- chefe; mfumu-a-vata:- chefe da aldeia; matacanha:-pulga da terra, o mesmo que bitacáia; mukuali:- catana, facão; muandu: - tubarão; N´dongo: - reino da Matamba, parte central de Angola de ambos os lados do rio Kwanza, nome dado pelos portugas às canoas ou pirogas desta gente do reino; kinbijis: - peixe espada; n´tondo: - batata doce; n´sanda: cobertura improvisada de pescador com folhas da vegetação à mão; Mazanga (Mazenga): - Illha de Luanda; sopada/o: - casada/o; makas: conflitos, porrada, jeito de dizer  dos azares...

O Soba T´chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:22
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Domingo, 29 de Abril de 2018
MOKANDA DO BRASIL . IX

ANDO ENKAFIFADO - 29.04.2018

- Os órfãos da FARC – Forças Armadas Colombianas andam por aí…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Por via da revista Veja fiquei a saber que cerca de 1000 ex-membros das FARC seguem cuidando do negócio bilionário da organização na produção de drogas, não obstante no ano de 2016, terem celebrado o fim de uma das mais longas guerrilhas dos tempos modernos. Os seus mais de 7000 combatentes depuseram as armas entregando seu arsenal. Conseguiram amnistia entrando supostamente para a legalidade, só que aqueles alguns mantiveram o controlo do negócio.

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Com uma receita de 34 biliões de reais, algo como oito biliões de Euros controlam o tráfico na permissiva fronteira entre o Brasil e a Bolívia, Peru, Equador e Venezuela. É em verdade uma extensão de fronteira demasiado grande para ser vigiada com rigor. Ela entra por terra, por rios e pela floresta do grande amazonas e pantanal.

amazonas.jpg Esta gente do crime usa o fuzil AKM, uma actualização da AK47 e também as FAL tiradas do uso pelo exército venezuelano; suspeita-se que o regime chavista as tenha fornecido aos guerrilheiros e que posteriormente estes as contrabandearam para os grupos de jagunços ditos de “freelancers” para prestarem serviços em quadrilhas locais e ao serviço de gente do mando. Os “coronéis” ainda não acabaram!

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Em Janeiro de 2017 as página dos jornais só falavam sobre a execução de 56 homens no interior do Complexo penitenciário Anísio Jobim em Manaus. Os criminosos dum bando fizeram questão de filmar e difundir pelo WhatsApp as cenas de selvageria vitimando seus supostos rivais. Eles fazem uso de telemóveis dentro da prisão e as autoridades prisionais recuaram no bloqueio destes por via de ameaças; não é segredo, a televisão assim o disse recentemente, para espanto meu!

amazonas7.jpg Uma autoridade que foi ao local da cena na prisão, descreveu o que encontrou: Piso recoberto de sangue, cabeças decepadas a eito, vísceras expostas e até um coração que fora arrancado a uma das vítimas e jogado para um corredor. No tráfico da cocaína, estas práticas de expor troféus servem para demonstrar sua crueldade ao adversário. Em 2016 foram registados mais de 61000 assassinatos no Brasil.

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Crimes de acerto de contas ou vítimas colaterais movidas pelas organizações movidas pela cocaína. Isto sucede em todos os estados, nas grandes cidades formando até milícias mesmo ao lado de quarteis!  Na Floresta Amazónica 90 % ds mortes têm vinculo com o tráfico.

amazonas6.jpg As mortes por rixas, pistolagem, questões de terras e brigas de garimpo, mudaram seu padrão, dando lugar aos crimes de tráfico. Em 2017 os satélite do Sistema de  de Protecção da Amazónia (Sipam), detectaram no lado da fronteira com o Peru uma ára desmatada de 9000 hectares, algo como 20000 campos de futebol. Isto, dá em um potencial na feitura de 270 toneladas de cocaína por ano.

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Os rios da bacia do Amazonas são os preferidos na expansão do produto. Temos os rios Madeira, o Branco, o Solimões, Rio Negro, Rio Urani e outros formando uma rede de difícil penetração e controlo. A sul teremos os Rios Paraguai e Paraná que proporciona o transvase do grande Pantanal.  

amazonas2.jpg O estado brasileiro, na intenção de colonizar lugares distantes, levou muita gente para lugares remotos que agora ficam nas mãos de bandidos disse um director do Departamento de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Amazonas. Podemos ver entre os matutos descendentes de África desde a Guiné passando por Angola até à costa do Índico e, que através dos tempos ali chegaram e assentaram raízes em sanzalas ou quilombos; os chamados quilombolas…

amazonas3.jpg Sendo o Brasil a terceira potência carcereira do Mundo não é de estranhar o medo a guardar a vinha quando não tem jagunços por perto. Percorri o Pantanal pela Transpantaneira até à Bolívia, subi e desci o Amazonas, dormindo e comendo a bordo dum barco entre Manaus e Belém do Pará e, posso afirmar que fazer segurança num país aonde cabe toda a Europa, grande pracaraças, não é pera-doce.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:52
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Sábado, 28 de Abril de 2018
FRATERNIDADES . CXX

FRINCHAS DO TEMPO . 28.04.2018

- Um milagre para você! A religião é sempre um refúgio de medrosos – (Diz António José Canhoto*)

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

che5.jpg Documentei-me muito superficialmente para dar em síntese uma breve resposta a alguns dos artigos escritos por Canhoto. Tenho de concordar com a quase totalidade do que me é possível reconhecer * A religião é sempre o refúgio do moralmente medroso e fraco, bem como do intelectualmente cobarde que receia em pânico ver a sua verdade destruída pela razão. A mentira estará condenada a existir enquanto houverem imbecis e idiotas que se sintam confortáveis em viver e dormir com ela.”

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Nisto de crenças e o direito de acreditar ou não, só poderei dizer que um argumento pode buscar a verdade mas, nem sempre é uma opinião. Quando as crenças se materializam em opinião originam um problema; por assim dizer as opiniões não podem ser substituídas pelos argumentos. O “ Eu tenho o direito às minhas crenças” podem transformar-se em “Eu tenho direito à minha opinião”. * “Também existem livros religiosos que misturam algumas realidades com mitos, plágios e lendas mitológicas incluindo algumas fábulas ridículas e anedóticas que só por esse facto os descredibilizam. Para esse efeito deus e o diabo foram criados como sócios essenciais num negócio rentável, porco e sujo…”

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Pelo dito, crenças e opiniões não serão argumentos porque diferem nos factos. Então lá terá de se dizer que um facto é algo que pode ser provado verdadeiro. Se acreditar que “passar debaixo de uma escada dá azar” por ideia ou convicção posso perfeitamente aceitar como verdadeira esta crença! Dizer-se por isso que a crença é de foro íntimo.  

cronicas mano corvo2.jpg * “Gostaria de ouvir da boca de um crente dizer vou morrer “Graças a Deus”, ou na eventualidade de um grave acidente de carro dizer ao médico do INEM, levem-me para uma igreja em vez de um hospital, ou ainda “Agradecer a Deus” ter tido um filho nado-morto, anormal ou deficiente mental ou ainda quando aos 7 anos morre atropelado á porta de casa onde andava de bicicleta...”

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O mais importante neste imbróglio é saber que um argumento não é luta, nem tampouco debate ou desordem entre as pessoas. Um argumento é uma busca pela verdade! Ninguém poderá exigir que outro sacrifique a própria crença para salvaguardar o direito à sua. A defesa da crença estará restrita ao uso de métodos que pertencem ao espaço das razões, enquanto o argumento será a presunção de convencimento.

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Quem trabalha com temas da ética, teoria de acção ou filosofia politica, vai ter de dizer que tem o direito moral de acreditar no que quiser, mesmo que sejam crenças falsas. Neste direito em acreditar, as grandes perdedoras, serão a liberdade de expressão e a democracia. Andei a ler os propósitos de Walter Carnielli, um matemático e professor de lógica e filosofia de Campinas - Brasil e, por via disto darei razão a todos os que por direito evidencial à sua crença, se apresentam dispostos a formar apropriadas evidências a ela, a crença.

dracma4.jpgNão posso em tempo algum forçar a retórica no sentido de alterar a verdade de alguém. Sabemos hoje haver diversa técnica, de levar avante notícias falsas – as fake news. Isto também porque as pessoas acreditam que sabem mais do que realmente sabem; o que lhes permite persistir nessa crença com eventuais ressonâncias em outros.

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* “Contudo por várias razões e medos, a partir de certa altura o homem sentiu a necessidade de criar divindades politeístas e monoteístas, mas sem a existência da humanidade esses inexistentes deuses nunca teria visto a luz do dia e o dinheiro que foi gasto em templos, santuários e igrejas teria sido muito mais bem aplicado em hospitais, creches e lares da terceira idade.”

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Divididos assim em comunidades de interesse nós usuários do instrumento de ligação, redes sociais, facebook e outros, agregar-nos-emos com os ecos de uns, as vozes e sonhos de outros e, numa bolha, ficaremos entoando no que cremos. E, pode nem ser a verdade verdadeira porque as redes sociais deram voz a uma legião de fanáticos ou imbecis; ou até mesmo gente que usa a palavra no estrito sentido de palavrório – um amontoado de conceitos …

DIA76.jpg O livro de Tobias foi aceite no velho testamento pelos católicos romanos mas rejeitado pelos protestantes. Pelo que li, tudo não deve passar de acumulação de lendas porque enquanto se aceitam os anjos Gabriel e Miguel, rejeita-se o arcanjo Rafael. São sete os livros apócrifos que não foram incluídos na Bíblia dos apostólicos romanos. Li que o Tobias, humilde deixou-se dormir debaixo de um alpendre e cegou porque os pombos defecaram em seus olhos… Só pode ser lenda ou fábulas ridícula e anedótica!

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:09
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2018
MUXIMA . LXX

UMA ANTIGA MUKANDA

Ando desmilinguido nas falas – 27.04.2018

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Subjugado à nobreza do acaso processei um mar de sensações, novas amizades. Adão, lá no paraíso, comeu a maçã da árvore da tentação; Eva deu-lhe a maçã, o fruto proibido do jardim celestial e, desse pecado original, ficou-lhe um caroço no pescoço que o distingue da mulher na sua anatómica forma. Até hoje ninguém sabe ao certo se era branco ou preto. A Eva sai maltratada coitada! Dizem que foi o assédio de Adão que transtornou o Mundo…

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Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; o ontem fica cada vez mais distante e, o que então era proibido, hoje já o não é mais. Agora temos o FB - É a evolução! Hoje mesmo, bem cedo, disse que a partir de agora não sou mais branco! Branco é a cal do muro da frente! Andam com coisas e leis enviesadas de que chamar preto é ofensivo. Ai é!? E, branco não?

himba1.jpeg Inventaram que o preto agora e, para não ofender vai ser de Afrobrasileiro, Afroportuguês, Afrocantonês; tudo por causa do preconceito. Pois então quero que se refiram a mim e meus filhos como aqueles afrobrancos! Não somos nenhum monte de cal! Quero os meus direitos, talqualmente! Andam para aí a inventar coisas de negatividade porque negro é um monte de carvão e edecéteras muito estapafúrdios. Que nas escolas vão ficar reservados xis lugares para afros e, porque, coisa e tal… Será melhor então no mínimo chamarem-me de euroafricano.

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Sem amigos, é um céu sem andorinhas. Estes governantes andam a chamar nomes ao Adão! Mas, vamos ao que interessa; convosco, exploro os recantos da amizade para fazer da vida um espectáculo. Querendo extrair alegria das pequenas coisas da vida, recusei várias armadilhas duma efémera fama. Fugindo sempre dessa escravidão, mantive a auto estima elevada recusando ser um modelo doentio de snobe imagem dum reflexo petulante.

colo1.jpg Em criança sofria pela timidez exacerbada que tinha; levou muitos anos a sair dessa claustrofobia dizendo a mim mesmo que o pior inimigo que tinha, era eu próprio! Deveria gerir os meus pensamentos de forma a não ter medos mas, nada disso acontecia até conhecer as agruras de se ser emigrante. Falando portunhol e coisas caricatas como gestos os dias correram. Podem imaginar-me fazendo caretas com a língua de fora a espetar dois dedos como cornichos e dizer muuhmuuuhm para pedir um bife de vaca lá nos esteites (EUA).

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No decorrer dos anos, fui dominando a timidez, rindo dos meus anseios e outros absurdos obstáculos, aprendendo sempre coisas novas com uma curiosidade libertadora. O saber não ocupa lugar e, adquirindo isso, soltava a depressiva visão de mim próprio encorajando-me: Tu não és besta! Isto muitas vezes repetido foi ficando verdadeiro…

mutopa2.jpg Que ninguém tenha a veleidade de pensar que pode controlar o ciclo da vida, e muito menos sair vencedor das batalhas que com ela temos desde que somos trazidos ao mundo. Podemos sim, ganhar algumas delas, mas a guerra final, essa sempre a perdemos na hora em que nos finalizamos! Aprendi isto com Canhoto, um tipo a viver no Algarve assim a dar pró anarquista e ateu até ás raízes mais profundas da sua coexistência.

paiva5.jpg Lutar sempre contra qualquer medo, contrariando-o, adquiri tranquilidade no meu registo de memória e emoções. Convosco tenho compartilhado o passado que não se desvia do meu caminho, os sonhos e metas duma simples vida. Rejeito a teoria do esquecimento! Aliás já nem acredito em teorias! Uns querem que seja santo, outros que me faça escritor e outros ainda andam a tapear-me com palavras do um de maio… Encarquilhado num feitiço louco, aproprio-me do vento num qualquer arraial para viver a Kizomba! Estamosjunto!

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:52
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLI

ANGOLA DA LUUA XLI - TEMPOS PARA ESQUECER – 20.04.2018

- O Ataque a Luanda só seria desferido na alvorada do dia seguinte, 10 de Novembro, dia em que as FAP sairiam de Luanda…

Por

soba15.jpg T´Chingange

A situação de descontrole por toda a Angola a partir da ponte aérea de LuuaLix, desencadeou uma sequência de acontecimentos que não corresponderam a um processo de descolonização, mas sobretudo, na apropriação gradual de prerrogativas do estado por parte dos movimentos independentistas, destacando-se o MPLA. Em nome da defesa das comunidades, usaram e abusaram de violência. A partir de Agosto, os acontecimentos ditaram na prática o fim do Governo de Transição e do Acordo de Alvor.

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Até ao dia 9 de Setembro, o MPLA reconstituiu o governo, colocando os seus representantes em cargos anteriormente ocupados por elementos designados pela UNITA e pela FNLA. Uma informação da CIA registou que responsáveis do MPLA tinham colocado «grande empenho em criar a impressão de que a sua organização seria o único grupo de libertação capaz de coordenar um governo angolano independente». Os Americanos estavam à coca! Deles sairia o último suspiro…

guerri6.jpg Assim, cada vez que a tropa portuguesa abandona determinada cidade ou posição, a população branca igualmente abandona essa cidade ou posição. A população negra, não afectada ao movimento que controla a zona em questão, acompanha as tropas portuguesas no momento da retirada. Em Outubro, a invasão em grande escala da África do Sul alterou profundamente os contornos do conflito. Uma unidade da UNITA comandada por um major sulafricano e assessorada por consultores sul-africanos conteve o avanço do MPLA sobre o Huambo a partir de Benguela.

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A pedido da UNITA seguiuse a entrada em Angola da coluna Zulu da SADF, a 14 de Outubro, que expulsou as forças do MPLA estacionadas ao longo da faixa costeira até Novo Redondo (Sumbe), a norte do território. As Forças Especiais cubanas travaram o avanço das tropas sulafricanas fazendo explodir a ponte do rio Queve. Entretanto, o exército da FNLA, que marchava em direcção a Luanda, vindo do Norte, foi destroçado por mísseis cubanos.

gurra10.jpg Agostinho Neto, presidente do MPLA, proclamou a independência da República Popular de Angola, em Luanda, enquanto, no Huambo, Savimbi anunciava a criação da República Democrática de Angola. A iniciativa militar passou, então, a pertencer ao MPLA, levando à retirada da SADF de Angola, entre Janeiro e Março de 1976, e à fuga da UNITA das cidades do interior do país, no início de Fevereiro.”

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Recorde-se que no meio de tantos desencontros ainda havia esperança e soldados que não abandonavam gente que se queria manter no território. Assim, o ex-tenente Fernando Paulo e alguns dos seus homens já na condição de refractários, protegem um grupo de refugiados no Chitado aonde criaram uma zona de segurança. Era a frente para a fuga ao invés da fuga práfrente, algo não estudado a fim de se efectuar o abandono, tácticas nunca vista nos anais da lusofonia.

guerra23.jpg O MPLA era o movimento da burguesia luandina; aparentemente mais evoluído e com mais quadros abalizados, supostamente teriam mais capacidade para governar; seus sombrios e divididos intelectuais alinharam à partida mais na linha da esquerda só que, seu comportamento no terreno era adulterado por radicalização pela força revolucionária do MFA – os mesmos que deveriam garantir-nos segurança.

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Aqueles generais de aviário de fraca experiência eram manobrados por Rosa Coutinho, verdadeiro dono daquilo, cedendo tudo ao MPLA e dificultando os demais. Rápidamente o MPLA inventou a maka e o Poder Popular zombando até dos revolucionários tugas que tudo lhe davam. Eles inventaram o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito…Tudo parecia ser um jogo de guerra aonde a morte era só de brincadeira…

guerri4.jpg Luanda tornava-se uma imensa lixeira fétida com o calor e humidade acelerando a decomposição de detritos, gente e animais mortos. Uma cena apocalíptica que agora tentam repintar com cores de arco-íris. Entretanto os Cubanos iam chegando pela calada com conhecimento e consentimento dos governantes do M´Puto. Calcula-se que só nos últimos dias de Setembro tenham entrado aproximadamente 3500 cubanos. No dia cinco de Novembro de 1975, quatro grupos de comandos ao serviço do ELNA colocaram-se no Morro da Cal.

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A infantaria surgiu a seguir descendo para os baixios da lagoa. O comando estava ao cuidado de um general zairense em substituição de Gilberto Santos e Castro do qual lhe foi retirado o comando dias antes e, enviado para N´Dalatando (Cidade de Salazar). Gilberto Santos e Castro era um antigo oficial do exercito português e irmão de um ex-Governador de Angola. Flagelados pelos misseis cubanos, as baixas do ELNA foram tão significativas que optaram por se retirar dali.

guerra22.jpg Na madrugada do dia 9 de Novembro, dois dias antes do dia aprazado para a proclamação-entrega do território, chegou uma guarnição de 20 africâneres vindos do Ambriz. Com eles traziam os obuses de tiro de longo alcance e 1200 granadas. O Ataque a Luanda só seria desferido na alvorada do dia seguinte, 10 de Novembro, dia em que as FAP sairiam de Luanda. Cento e quarenta sul-africanos em silêncio, posicionaram-se ao lado das peças, bem antes da hora de fogo que estava prevista ser pelas cinco horas ao alvorecer do dia.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:44
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2018
CAZUMBI . XXXVIII

MIAI –BRASIL - COMO SINTO O MUNDO - II  - 12.04.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange

araujo82.jpg Cego é aquele que não quer ver, vendo! Não posso ver um Deus a compensar e, ou castigar o objecto da sua criação deste modo, e em função do que tentam dizer-me, cada qual do seu jeito. Não sou tão religioso tão ao de leve ou profundamente pela triagem que faço da Natureza.

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E, mesmo que tenha uma extraordinária intuição, ao interiorizar o mistério da eternidade da vida, mesmo que este esforço de compressão fique desproporcionado, vejo ser uma maior razão de se manifestar em e, na vida.  Também na minha! Somente seres humanos excepcionais suscitam ideias generosas e acções elevadas; assim por muito que me tentem dissuadir, não poderei fazer ideia de um ser que sobreviva à morte do corpo.  

araujo65.jpg Acredito no Messias, sim! Mas, há sempre um mas, entre nós gente do Mundo aonde o dinheiro polui e degrada tudo sem piedade a pessoa humana. E, imaginando que se um individuo fosse abandonado desde seu nascimento, seria inevitavelmente um animal em seu corpo e em seus reflexos. Posso também tal como Einstein concebê-lo, mas não posso imaginá-lo.

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As instituições democráticas e politico-parlamentares, privadas dos fundamentos de valor, ficam progressivamente decadentes se o povo, e os grupos sociais, não acudirem ao chamado no respeito à pessoa e ao censo social. Não! Não podemos agonizar ou morrer de forma inglória sem reclamar justiça!

costa araujo 3.jpeg O Povo, o Homem, o Cidadão, não podem permitir que os seus maus, ladrões, estupradores, assassinos, sindicalistas interesseiros e corruptos entre outros, realizem suas desprezíveis intenções. Estou farto de pagar luz desproporcionada, taxas e multas a eito para alimentar uma máquina sorvedora de nosso trabalho. Estou farto de ver extorquirem do nosso rendimento, nosso bem-estar, mais de 40 por cento para tapar buracos de má gestão…

costa araujo4.jpeg Nossa época, não pode ser lembrada no futuro por historiadores que diagnosticarão nosso progresso de uma forma dolorosa nas variáveis doenças sociais. Devemos sim, reclamar quando o Estado exigir de todos nós actos injustos, que a nossa consciência rejeite. Isto é válido para todos os povos conhecidos por PALOPS com Portugal e Brasil na linha da frente…

Ilustrações aleatórias de Costa Araujo

O Soba T´Chingange, desde o Nordeste brasileiro



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2018
PARACUCA . XXV

MULOLAS DO TEMPO – 04.04.2018 - Um dia atípico

BRASIL - Justiça que tarda é justiça que falha… Cá para mim a presunção de inocência mais os embargos dos embargos de declaração vão terminar em prescrição…

Paracuca: É uma bolacha dura, torrada com açúcar e jinguba…Uns querem dar disto a Lula, outros também querem mas, envenenada…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

A alegria de contemplar e de compreender é a linguagem a que a natureza me excita, na preocupação pela dignidade com saúde o quanto baste e com o suficiente dinheiro para poder comprar as alfaces ou o paio defumado sada dum pata-negra. Feliz de quem atravessa a vida prestativa sem o medo estranho à agressividade e ao ressentimento.

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Preocupado pela saúde moral, se não fossemos constrangidos a viver no meio de homens intolerantes, mesquinhos, violentos ou ladrões, seria o primeiro a sujeitar-me a um nacionalismo ferrenho ou a uma democracia no rigor da palavra.

apocri4.jpg Ao invés de todas as ambições a maioria dos imbecis permanecem invencíveis e satisfeitos em qualquer circunstância bajulando ídolos de barro. Sua suave e apática indiferença provoca-me numa tirania que só se dissipa por sua distracção ou inconsequência; nem sei nem quero saber - Dirão! E, depois vêm queixar-se de mansinho com um - se eu fizesse assim!? Ou se fizesse assado! Tarde piaste…

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Para se ser membro irrepreensível de uma comunidade de carneiros é preciso antes de tudo, também ser carneiro. O esforço para criar uma comunidade neste meio, sem a qual não podemos viver nem morrer neste mundo hostil de forma íntegra, torna-se quase impossível. Para seres favorável a alguém, tens de descartar outro alguém…

arau4.jpg Poucos serão capazes de dar claramente uma opinião diferente porque sempre terá esse preceito de desagradar alguém! Ainda ontem falei em conceitos com e sem pré, adicionando os termos ainda não usados de pretoconceitos e brancoconceitos! Um é contra os brancos e o outro é contra os negros; coisas desaglutinadas.

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A coexistência pacífica dos homens baseia-se em primeiro lugar na confiança mutua e, só depois sobre instituições como a justiça ou a política. O perigo maior está em cada uma destas instituições porque, o que move ambos, é o INTERSSE! Porca vida – real destino…

an1.jpeg Hoje e, aqui no Brasil, a presunção de inocência vai ao último julgamento em trânsito de julgado na espectativa de surgir um embargo de declaração. São coisas de jurisprudência, assunto do qual pouco pesco mas, dá para entender que Inácio Lula da Silva saltitando de nenúfar em nenúfar vai ser salvo pela prescrição.

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Uma grande confusão ao mais alto nível da justiça, põe de cócoras o Supremo Tribunal Federal aonde também os INTERESSES se enrolam enfatizados na hipocrisia – a lei mais forte da justiça. Isso! Hipocrisia… Embargos de declaração- Mas que é isto! Está na cara que tudo vão fazer para protelar.

justiça5.jpg Mas, afinal querem um país de bandidos, de estupradores, assassinos e burlões com pacto oligárquico dos governantes! Não será isto um incentivo ao crime! É aqui que entra a tal paracuca - Justiça que tarda é justiça que falha! Bem que o povo se interroga e, com razão: Mas, quando é que “rico” vai para a prisão? Repito o que disse ontem: - Nem o pai morre nem a gente almoça…ADEUS!   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Terça-feira, 3 de Abril de 2018
MOAMBA . XIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 03.04.2018

O INTERESSE manobra tudo e todos. Cada um de nós foi o que foi por uma coisa tão pequena, que sem se lembra do primeiro choro… Alô Brasil! Alô Angola! Alô Portugal...

Moamba: É um prato típico de Angola preparado com galinha e dendém mas pode ser também negócio ilícito com venda de contrabando (Brasil)

Por

soba15.jpg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

Porque estabelecemos em nossas vidas viver com leis, também nestas se estabeleceu que há algumas que se sobrepõem a outras. As leis têm por isso hierarquias; umas suplantam outras e, cada qual tem a sua interpretação para se fazer valer. No meio destes dizeres existem também de permeio as crenças, as lembranças, a saudade e o amor debatendo-se entre, contra ou a favor das luzes da razão.

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Assim, estas leis juntas e misturadas com arbitrariedades, surge o INTERESSE como uma força tenaz. Digladiando-se em palavras surgem recursos, acórdãos, previdências cautelares, Habeas Corpus com uma constante busca - numa primeira instância, segunda e outras ainda por saber. E, mesmo depois de se esgotarem as posturas, as leis os decretos, recorre-se a liminares, instâncias de sofisma federal …

pal01.jpg O sofisma alega o adiantado da hora, o compromisso inadiável e muitos edecéteras para se decidir por uma liminar ministerial e temporal; Decerto que já se deram conta de que estou a falar do Brasil embora o panorama dentro dos PALOPS, (Povos de Língua Oficial Portuguesa) tenham a mesma problemática; métodos de protelar e, ou uma reflexão, alegando motivos ponderosos nunca antes pensados ou usados.

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O INTERESSE que é tenaz jamais cede à evidência e, que se irrita quando o raciocínio se lhe opõe. A dado momento surge um tal de sigilo impondo silêncio, a bem da Nação. Com tantas medidas dilatórias, tanto recurso e tretas impensáveis, embargos, escutas, delações e edecéteras, é caso para se dizer: nem o pai morre nem a gente almoça!

pal3.jpg A justiça é tão lenta, mas tão lenta, que até a prescrição, uma coisa inaudita do tempo mata o próprio tempo. O INTERESSE é a lei mais forte dum sistema, a lei que mais luz tem; o INTERESSE é a lei que feita jogo, abre os olhos aos cegos ou cega os pensadores, legisladores eruditos, juízes ou ministros da Lei.

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A sociedade de hoje pelas interpretações do INTERESSE, conseguem assassinar quem ainda não morreu ou salvar gente defuntada. As sociedades de hoje perante tanto descredito pelas aptidões nobres, começam a sentir o vazio da justiça. Sim! Também a justiça começa a sentir o vazio em que as leis e as crenças ao se tornarem vulgares segundo o INTERESSE moldável delas, levam a alma de cada qual a não descortinar nela, a razão das coisas.

justiça1.jpg A razão de ser, a Justiça dos tribunais, seu elo maior, ser das mais cabíveis ou credíveis das instituições. Afinal as doutrinas também mudam segundo os INTERESSES de alguns. Surgem manobras de diversão, novos dados a confundir a teia, novos recursos com um regresso à estaca zero.

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Infelizmente, até a caridade, a fraternidade, e o amor ao próximo se estão submetendo aos INTERESSES de seitas politicas e, ou religiosas. Seitas que trocam anátemas que se arrojam, umas sobre as outras.

DIA41.jpg Sim! Todos os homens são irmãos mas, há sempre uns mais irmãos do que outros. Concluo que tal como em Angola, em Portugal ou aqui no Brasil a justiça é tão lenta, tão lenta que me leva a repetir: -Nem o pai morre, nem a gente almoça! Que me leva a perder as estribeiras e dizer asneira grossa: -Nem fodem, nem saem de cima! Hó gente!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:09
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2018
MOKANDA DO BRASIL . VIII

ANDO ENKAFIFADO - 02.04.2018

Que é isso do politicamente correcto? - “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”.

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Estou cansado do culto às coisas de preconceito. Toda a gente fala do mesmo, correndo o risco de entornar a verdade da palavra - Isso! De inverter as cores e marginalizar os brancos em detrimento dos negros; marginalizar os homens por não serem homossexuais, dizer à boca cheia de ter um “orgulho gay”; marginalizar uma boa esposa e mãe de família chamando de Madame a uma dona de bordel. De atribuírem cotas nas universidades em reserva de lugares para negros (um claro incentivo ao racismo), índios ou ainda anoréxicas donzelas.

gay1.jpg Falarem isso alegando ser em defesa das minorias! Meus amigos, devagar que tenho pressa! Recordo-me de no acampamento aonde dormi com meu pai, de ter ouvido hienas a chorar e urros distantes de leões; relembro os bidons ao redor do acampamento contendo tochas de fogo pela noite para afugentar as feras em um lugar conhecido por Lucala e no distante ano de 1954; uma terra que deixou de ser nossa por pretonceito - Não é erro ortográfico não! É uma nova palavra de origem manwgolé…

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Nisto de recordações acabo por chegar ao conceito de se escrever “por linhas tortas” e é aqui que largo o preconceito, para recordar alguém de nomeada e, que mudou minha forma de estar. É ele Graciliano Ramos! “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”. Assim diz Graciliano no ano de 1962, para comparar seu ofício de escrever com o acto de lavar roupa pelas lavadeiras do rio. Entretanto estavam passados oito anos, depois daquela minha dança com leões em Lucala de N´Gola.

gay2.jpg E pelo dizer de Graciliano, um escrito deve ser lido e relido, ensaboado, esfregado, batido no lajedo, no burgau, como uma peça de roupa suja; depois, pô-lo a corar nas ervas, nas bissapas ou penedias, após enxaguar. Ler seus escritos é como revisitar um laboratório e obter capacidade literária independentemente dum qualquer estilo.

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Ele tinha o condão de elaborar um trabalho colocando no papel tudo aquilo que conseguia observar na pessoa, num animal, em uma cidade e sua sociedade, muito cheia de nuances. Foi um pouco a partir dele que trabalhei a curiosidade, descrevendo assuntos demasiado banais. E, fiquei também ciente de que o que toca a imortalidade é a obra e não o ser humano.

gracilano1.jpg Pode-se escrever direito com caneta torta, tal como fazer coisas desalinhavadas sem usar agulha e linha. Graciliano Ramos possuía uma loja de tecidos com o nome de Sincera na Cidade de Palmeira dos Índios; Sem o querer acabou por ficar prefeito (presidente) desse Município. Isto para acrescentar que ficaram conhecidos seus relatórios ou actas pela transcrição de forma muito pessoal.

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Suas cartas, reparos e pergaminhos diziam assim a dada altura: “Por infelicidade virei prefeito no interior de Alagoas e escrevi uns relatórios que me desagradaram sobremaneira. Veja o senhor como coisa aparentemente inofensiva inutilizou um cidadão”. Foi deste jeito que enviou uma carta a um seu amigo argentino de nome Raul Navarro.

lampião8.jpg Com sua caneta transformava um banal relatório ou carta burocrática em uma verdadeira peça literária. E, já que isto é mencionado, quero também avivar relatos de seu exercício passados ao papel no ano de 1930; ainda eu, o T´Chingange, nem era um projecto de vida pois que minha singularidade surgiu no ano de 1945 e na convulsão dos sons de obuses da primeira guerra mundial.

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E, ele escreveria: “(…) convenho que o dinheiro do povo poderia ser mais útil se estivesse nas mãos, ou nos bolsos, de outro menos incompetente do que eu. Em todo o caso, transformando-o em pedra, cal, cimento etc., sempre procedi melhor que se o distribuísse com meus parentes, que bem necessitam, coitados”…

gracilano2.jpg Vejam aqui tal ironia em seus procedimentos de honestidade, a comparar com os governantes que hoje proliferam avulso, santinho e gasosa no Brasil e em todas as partes chamadas de PALOPS… (Entenda-se Portugal, Angola e Guiné-Bissau). Homens políticos como estes, extinguiram-se!…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:58
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Quarta-feira, 21 de Março de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXL

ANGOLA DA LUUA XL - TEMPOS PARA ESQUECER – 20.03.2018

- «Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes… »

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Desde o Nordeste brasileiro

Em Kampala, o presidente da OUA, idi Amim, insistia para que a data da independência fosse mantida sendo Portugal a responsabilizar os nacionalistas por um não acordo. O Secretário-geral da UNITA presente à conferência acusou as FAP de não se oporem à entrada de armamento e mercenários a ajudarem o MPLA no Lobito, Sá da Bandeira e Pereira D´Eça. Em Pereira D´Eça o comandante português entregou o aquartelamento a elementos do MPLA tendo-os vestido com camuflados do exército português, uma clara desobediência e afronta por ser esta região afecta à UNITA.

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Este procedimento foi de uma nítida e grosseira degradação moral para as autoridades portuguesas. Manuel Resende Ferreira disse neste então: -Ainda havia esperança e soldados que não nos abandonavam. Referia-se ao Tenente Fernando Paulo e alguns dos seus homens que resolveram desobedecer ao comando para protegerem um grupo de refugiados no Chitado. Para o efeito criaram ali uma zona de segurança.

mocanda13.jpg São estes os heróis esquecidos, soldados de Portugal que abandonam o exército comunista Português para protegerem cidadãos e, lutar contra a anarquia comunista. E, que foi feito do Tenente Fernando Paulo? Pesando nele dei-me conta que era o fim do império colonial. As feras foram largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 do MFA. A Luua eclipsava-se! Tarde piaste! E, agora vamos fazer o quê para o M´Puto?

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As NT - Nossas Tropas já não eram nossas. Davam cunhetes, canhões e até carros de combate numa perfeita cooperação de entreajuda FAP- FAPLA mandando prólixo os acordos de Alvor, da Penina… O MPLA da Luua inventava a maka! Inventava os pioneiros! Depois o Poder Popular! E surgiu o Kaporroto, o kuduro e a victória é certa. Eles já tinham inventado o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito…

mocanda14.jpg As makas organizadas com o objectivo de criar o caos, originar pancadaria e depois a vitimização já tinham características de sofisticada mentira; meter tudo no barulho, pressionar psicologicamente e criar condições de favorecimento por parte dos militares do MFA, as NT, o CCPA – Comissão de Coordenação do Programa do MFA e o Alto-Comissário…Já se fazia tudo às claras.

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Em um encontro de Melo Antunes com Henry Kissinger, aquele responsável português e a pedido do Secretário Americano disse que era difícil de lidar com Neto; que era difícil de o classificar politicamente como um comunista ortodoxo! À coisa dada (Angola) teve a desfaçatez de dizer que a liberdade, não se recebe, arranca-se! Mas que pulha! Com estes laivos de poeta dava dicas torpes de mau agradecimento aos militares revolucionários do M´Puto. Bem feito, cambada! Alguns não gostaram…

mocanda16.jpg Quanto a Holdem Roberto não tinha solida formação política, era um fraco e facilmente corrompido; dependia de Mobutu! Dos três líderes nacionalistas, era Savimbi o mais inteligente, o mais hábil e o mais forte politicamente. Cada qual fazia o que lhe dava na gana com a Kalash na mão. A lei e a ordem, a justiça eram coisas inexistentes ou anedóticas pela pior das negativas… Disto, o Melo Antunes nem falou mas, nós assistíamos martelando caixotes com raiva, rilhando o dente; naquele agora, mais não podíamos fazer.

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A tropa portuguesa continuaria a fazer segurança nos terminais de comunicações marítimas e aéreas de Luanda, aeroporto civil e militar do porto e Ilha do Cabo controlando o eixo Ilha – Fortaleza de S. Miguel, Palácio da Cidade Alta e Quartel-general. Nova Lisboa, a cinco de Outubro de 1975 era uma cidade morta, aonde ficaram somente trinta brancos. Na terceira semana de Outubro a evacuação do Lobito, benguela e Moçâmedes estava concluída. 

mocanda17.jpg Em Luanda a quantidade de deslocados era já muita; superior à capacidade diária de escoamento. O conflito não parecia afectar a produção da Golf Oil Americana que continuava a extrair mais de cem mil barris de petróleo por dia. As obrigações financeiras iam direitinhas para o Banco de Angola com a gestão do MPLA na pessoa de Said Mingas, um antigo colega meu por cinco anos, na Escola Industrial de Luanda.

mocanda21.jpg Nenhum daquele rendimento ia no momento para Portugal. No dia 23 de Outubro a pretexto da invasão Sul-africana e a incursão Zairense, o Estado-maior das FAPLA decreta a mobilização geral de todos os homens entre os 18 e os 35 anos. Este recrutamento abrangia todos os naturais de Angola ou lá radicados. Os estrangeiros teriam de se apresentar nos Postos Policiais para validar e autenticar os documentos a fim de registar sua permanência. Era-lhes dado três dias!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:59
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Segunda-feira, 12 de Março de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXIX

ANGOLA DA LUUA XXXIX - TEMPOS PARA ESQUECER – 12.03.2018

- «Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão agora com a guerra…»

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Pois! Desculpar-se-ão com a guerra. Só que a guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente e incestuosamente ricas…» Os brancos de Angola, no geral, culpam o MPLA com seus grupos de Poder Popular, culpam também os seus irmãos Tugas capitães de aviário e uns tantos civis apanhados na teia do PREC pelos males que atingiram aquele território chamado de Província ultramarina, a actual Angola.

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A fim de desbloquear situações, verbo fácil de fazer milagres, olhos vivaços para resolver problemas fúteis e bizarros, os chamados retornados, entre o desespero e a morte tiveram o condão de tocar a vida prá frente desafiando pormenores de sobrevivência. Alguns detalhes, são demasiado trágicos e outros, muitos, demasiado sofríveis…

zeka9.jpg E, os colonos? Os colonos, uns morreram num ai, repentinamente e sem saber do porquê; porque MPLA e MFA haveriam de manipular os espíritos, carregar nos botões das almas inocentes, com o fígado incompleto tornando candengues em militares de primeira linha. A esta milícia sem estrutura criada por Rosa Coutinho e Agostinho Neto e, que viraram monstros desapiedados, deram-lhe o nome de pioneiros…

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Apesar das NT - nossas Tropas, serem de pouca utilidade para os colonos, muitos dests, tinham e têm afinidades que os prendem ao silêncio sendo benevolentes com a situação do antes, durante e depois do TUNDAMUNGILA – a guerra de tuji que culminou na ponte LuuaLix. Para não me mentir é o que posso analisar derivado da triagem feita entre os silêncios e da benevolência com a situação, agora que são passados já mais de 43 anos de independência. Quando não se calam dizem enormidades versejadas com poesias….enfim!

zeka3.jpg Os soldados de outrora, diferenciaram-se com os cabeludos abrilistas por não verem no terreno o tão propalado pelo MFA, pelos “revolucionários com o Ché na flanela”… ainda bem que subsiste este senão… Estes mais velhos e conscientes militares do M´Puto, ajudaram a consolidar um sentimento de última hora das NT. Algo mudou mas esta hora, chegou demasiado tardia. Tudo porque o MPLA usava uma táctica que não caiu de todo por “bem vista” a alguns militares portugueses. Estes deram-se conta que a cúpula e o Poder Popular do MPLA eram cães sarnosos; não reconheciam seu dono nem sabiam ser camaradas…

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Os Navios Hermenegildo Capelo, N´Gola e Açores, faziam chegar a Luanda deslocados de todo o litoral Sul como Novo Redondo, Lobito, Benguela e Moçâmedes. Para Moçâmedes e, em fins de Setembro uma companhia de Pára-quedistas seguiu para esta cidade a fim de controlar o embargue de bagagem dos refugiados. As FAPLA, só permitiam os embarques com a sua presença obrigando os trabalhadores da estiva a só cumprirem cinco horas por dia.

vasco gonç.0.jpg Faziam o que bem lhes dava nas ganas retirando parte da bagagem que estava dentro das viaturas. O MPLA e pessoal adstrito a este movimento fazia obstrução para ver o que os brancos levavam para o M´Puto. Em Portugal e posteriormente, contactei com gente desta que passaram a pertencer aos Adidos; afinal suas afinidades eram de falsidade. Como lidar com isto!? Isto tem de ser mencionado porque a traição ocorreu no antes, no durante e no depois… Mas, só eu vejo isto! Há por ai gente muito acomodada que ao ler isto ou nada diz ou se sublinha num banal: gosto!

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Pois foi aquela companhia de Pára-quedistas que pós fim a esta situação. Diga-se em verdade que Savimbi prometeu enviar de Nova Lisboa para Luanda todas as bagagens ou pertences dos Adidos ou desalojados; colocou guardas a montar vigilância das mesmas, assegurando que iria evacuar todos os brancos ainda dispersos pelas áreas da UNITA se assim o desejassem.

vasco1.jpg Savimbi declarou ter havido ingenuidade de sua parte em acreditar que todos os Movimentos só receberiam as armas que Portugal lhes desse. A única coisa que pedia a Portugal era a de que Lisboa não legitimasse o MPLA num reconhecimento de declaração unilateral de independência; e frisou bem: mesmo que outros países o fizessem!

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Holden Roberto, confiante que iria tomar Luanda nas vésperas do 11 de Novembro aceitou que a entrega do poder fosse dada ao Movimento que nessa altura estivesse na posse de Luanda. Este bluff era senão demasiado inocente, demasiado estupido! Em verdade, esta espécie de estadista ficou no lodo da estória. No dia cinco de Outubro, o Almirante Leonel Cardoso queixava-se por ainda não ter sido informado.

mouzinho1.jpg E, no caso de todas as diligências para um entendimento com o MPLA, falharem, o que fazer? A quem vamos entregar o poder ao chegar o onze de Novembro se, se mantiver esta situação de impasse? Diria ele numa forma de interrogação… No M´Puto andavam demasiado distraídos; as sedes dos COMUNISTAS, começavam a ser queimadas…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:18
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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