Sábado, 6 de Março de 2021
XICULULU . CXXXIV

FALAS VADIAS – 06.03.2021

Crónica 3124Pior mesmo é quando todo o dinheiro de promessas, nos engravidam o vazio de nossos bolsos …

Xicululu: - Olho gordo; Avareza; Cobiça

roxo92.jpg Por soba24.jpgT´Chingange – No M´Puto

Como jogo de baralho que trunfa e destrunfa, como só sendo coisa de menor importância, sinto-me Ás de Espadas amarfanhado no bolso direito das calças de pijama. Isto, num tempo normal, nem teria qualquer relevância mas, sucede que foi nesse Ás de Espadas que anotei a palavra passe do abracadabra INIMPUTABILIDADE. Sim! A palavra mágica contendo os meus muitos rascunhos e sentimentos de toda uma vida – desajuntados à balda em trechos curtíssimos.

O quê!? O senhor não me pergunte nada! Como assim! Isso, coisas assim tão de misteriosas, não se perguntam. Claro! Assim mesmo, porque quem pouco fala, fica com a sabedoria alheia sem despender nem depender dum ai ou ui. Deste feito e assim calado, posso crescer e minguar como pastilha de chwingame, chiclete de bolinha e crocante de mascar, que se mastiga no giro da memória inteira. Copiou?

ás espadas1.png Agora que a Pátria anda a ficar velha medrosa, madraça de males desgraciados e endividada por muitos vindouros anos e, até muito caloteira, dá-me vontade de gritar hó Evaristo!  Gritar de atravessado para espantar o medo medroso e, para não ficar pior que nem um “Deus me livre e guarde” como se fora uma carraça entre dois dedos e, tendo os dois, polidas unhas assassinas. Ué, poispois… Minha avó, era assim que matava piolhos nesse tempo de carraças…

Num lamber frio de que o senhor já sabe: - viver neste agora é um edecétera e tal. Afinal é isso?! Sem tirar nem pôr, é a possibilidade de capacitação que um qualquer por praticar certo acto, pode ou não cometer crime consoante o poder de sua penumbrosa acção, por ser de coturno hierárquico ou ainda porque está inserido numa certa função. Isso! Que tem em seu ADN essa tal palavra passe “password” de INIMPUTABILIDADE – (livre de culpas). Definido por lei e por via de certas peculiaridades …

roxo137.jpg  Ora, ora, filhos da truta. Não, não é isso! A bem da nação têm esse beneplácito de errar usando esse subterfugio de que aconteceu à sua revelia, porque “não o queria” e vai daí, algo mal feito, se desculpa de qualquer punição – fica isento de culpas. São ossos do ofício, sempre acabam por o dizer como desculpa de coitadinho ou coitadinha…

Essa espécie de egoísmo misturado com inimputabilidade que em Portugal dá frequentemente à costa em modo de chico-espertismo – coisas de politiquice… Então, se são incapazes de culpas, lá terão de ser incapazes de competência e serem substituídos. Não? Serão só coisas “ilícitas”, sem culpa formalizada…Ora, ora!

roxo146.jpg  Essa será uma lei oligofrénica, que afecta a capacidade intelectual de todo aquele que fica a seu mando, subordinado a… Issoisso! Prática de gente que tem deficit de inteligência também chamada de idiotice ou imbecilidade – alguém portador de bitacaias na ética, no cérebro ou seu perfume, um tal de QI. Agora, o senhor entende o porquê de eu mesmo sendo feiticeiro T´Chingange andar com essa carta Ás de Espadas no bolso? Olhe, o M´puto é pais de oito ou oitenta.

Pópilas! Antes de poder ver, já pressentia, sabe. Antes que me julguem, eu até que nem queria espiar. Será assim que a vida socorre à gente certos avisos, sabe. Olhe senhor: Os nossos governantes andam por demais enfolipados em cativações com foles mal costurados. Pior mesmo é quando todo o dinheiro de promessas nos engravidam o vazio de nossos bolso - os mesmos aonde cabem os Ás de Espadas…

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:13
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Sexta-feira, 5 de Março de 2021
MOAMBA . XLVIII

Andar nas NUVENS – (28.02.2021)05.03.2021Crónica 3123 - Coisas de mito, do PROMETHEUS - O MUNDO ESTÁ MUITO CHEIO DE PROMESSAS...

Por

arau44.jpgsoba0.jpeg T'Chingange - no AL Gharb do M'Puto

De acordo com o imaginário popular, “anda nas nuvens” quem devaneia, sonha com o impossível ou se permite embalar no auge de uma experiência feliz. Está sob “céu de” (sem nuvens) quem vive momentos sem dificuldades, em que tudo dá INCERTO... As duas coisas fazem parte da vida, assim como em nosso dia a dia; ora desejamos o sol ora queremos as nuvens. Cedo pela manhã, minha primeira providência ao acordar é abrir a janela do quarto, deixando entrar o ambiente iluminado.

prometeu0.png À tarde, pelo menos no inverno, quero que as nuvens estejam fora do céu, amenizando o frio com calor produzido pelo sol, na açoteia de minha cubata. Nuvens são objecto de inspiração para artistas e fotógrafos mas, quero mesmo é tomar quentura de vitamina D. Sem nuvens, não há neve, relâmpago nem arco-íris. Em verdade, as nuvens realçam a beleza do pôr-do-sol ficando presentes nas mais belas paisagens mas, de inverno, trazem fortes tempestades de chuva molhada, pegajosa e, até por vezes, colhemos graves prejuízos com infiltrações ou inundações. As nuvens são muito importantes para o equilíbrio da vida no planeta, sendo responsáveis pelo ciclo da água e pelo clima; portanto, fundamentais na meteorologia mas, o que quero agora é Sol, muito sol para dismilinguir o tal de gelatinoso COVID – SARS e derivados da Bretanha, do Amazonas ou África do Sul.

propolis5.jpg Há textos Bíblicos nos quais a glória divina aparece velada por uma nuvem, em benefício do povo. Uma lembrança apropriada de que às vezes somos impedidos por “nuvens” de ser aquecidos e iluminados pelo Sol da existência. Essa realidade é comum em um mundo “imperfeito”. Essas “nuvens” parecem esconder de nós o semblante de Deus, porém, Ele está lá, assim como o sol continua brilhando atrás das nuvens naturais. Atrás das nuvens, o Senhor trabalha em prol da gente mas ...

prometeu1.jpg Por mais longo que seja o tempo com SOL, numa inesperada peregrinação, haverá sempre um oásis para o qual seremos guiados sob uma tal nuvem de presença divina mas, "há sempre um mas" - Neste empecilho espacial lá terei de intermediar um tal de Prometheus (antevisão), da mitologia grega, que interfira como o mito diz ter sido - um defensor da humanidade, conhecido por sua astuta inteligência, responsável por roubar o fogo (SOL) de Héstia para o dar aos mortais. Isso! A NÓS... E, como diz o mito, que nos liberte também deste empestamento, que fique ele amarrado a essa tal rocha pela eternidade MAS e, de novo se submeta ao risco e à punição de Zeus - que como ÉPICO, deixe a águia comer seu fígado que se REGENERA no dia seguinte. Tudo assim para nossa salvação...

prometeu4.jpg Estes antigos companheiros gregos, tinham cada ladainha que até ficámos desmilinguidos em nossa sabedoria. O mito foi abordado por diversas fontes antigas (entre elas dois dos principais autores gregos, Hesíodo e Ésquilo, nas quais PROMETHEUS é creditado (ou culpado) - por ter desempenhado um papel crucial na história da humanidade. Pois então, que o faça de novo e nos salve com esse poder etimológico... Óh PROMETHEUS! Ou agora ou nunca... Acode à OMS (Organização Mundial da Saúde) e, ao nosso governo Xuxalista do M'Puto para ficares mais eterno entre nós...

No final do século 21 centrado na tripulação da nave espacial Prometheus, seguem um mapa estelar escrito entre os remanescentes de várias culturas antigas da Terra, em busca das origens da humanidade e chega a um mundo distante e a uma civilização avançada, mas a tripulação descobre uma ameaça que pode causar a extinção da raça humana…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:03
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Segunda-feira, 1 de Março de 2021
KANIMAMBO . LXXIII

FALSAS NOTICIAS - Fake News

- O Capeta é o “pai da mentira” - 01.03.2021

Crónica 3121 - A língua mentirosa é indicada como uma das seis coisas odiosa, noé!?

Kanimambo é obrigado em dialecto Changana de Moçambique …

Por bruno27.jpgT'Chingange - no M'Puto

Fake News é o nome que se dá às notícias falsas veiculadas principalmente na internet. Com as novas tecnologias, a circulação de notícias cresceu assustadoramente. O próprio Presidente dos USA, Trump, usou e abusou desta periclitante postura mas, há muitos seguidores desta prática...

A compreensão disso é muito importante porque vivemos num tempo em que a repercussão de uma mentira pode atingir inúmeras pessoas em poucos minutos e acarretar prejuízos morais e, ou, até mesmo financeiros.

muilas1.jpg  Inegavelmente a web pode ter espaço em nossa vida, mas não deve sufocar nossa existência. Quem vive submerso nessa condição é tentado a perder os critérios da realidade. No entanto, essas informações Fake News, são muitas vezes modificadas e veiculadas na internet com o propósito de manipular pessoas e eventos. Muitas das vezes, nós próprios, involuntariamente (ou não) somos levados a "surfar" em ondas de inverdades...

Se sobram informações em nossos dias, infelizmente faltam critérios para escolher o que passar adiante nas redes sociais. A Bíblia, diz que o apóstolo Paulo apresenta dicas importantes em Filipenses 4:8. Não vem mal ao mundo recordar estes fundamentos.

muilas2.jpg  Elas, de certa forma, nos orientam em relação a compartilhar uma mensagem: “... Tudo o que for verdadeiro, o que for nobre, o que for correto, o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas! ”. O apóstolo Paulo, destaca estas seis coisas específicas:

1- A VERDADE - Manifestação ou expressão do que se pensa ou do que se sente.

2- A NOBREZA - Qualidade de nobre, de excelente, de magnânimo.

3- A CORREÇÃO - Modo impecável de procedimento.

4- A PUREZA - Transparência; limpeza ou nitidez.

5-A AMABILIDADE - Atributo de Amável.

6-A BOA FAMA - tudo em que haja algo de excelente ou digno de louvar.

muilas3.jpg Antes de compartilhar qualquer conteúdo na rede, precisamos submetê-lo aos critérios do supra dito. Além disso, é preciso saber quem é o responsável legal pelas publicações e se quem faz a publicação tem credibilidade... Mais do que isso, é necessário sair da bolha da rede social. Existe vida fora da internet. Isso não significa ficar desinformado ou desligado das pessoas. Haverá sempre outros meios... Inegavelmente a web pode ter espaço em nossa vida, mas não deve sufocar nossa existência! Quem vive submerso nessa condição é tentado a perder os critérios da realidade, noé!? Por isso, as fake news se tornaram um fenómeno tão forte em nossos dias. Fuja das difamações, mexericos e críticas negativas no mundo real e virtual. Tudo o que dissermos, ou escrevermos, deverá ser verdadeiro, nada mais que a verdade - Ponto final.

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:06
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2021
MALAMBAS. CCLV

TEMPO DE CINZAS - 26.02.2021

À medida que aumentam as provações ao nosso redor, será visto em nossas fileiras tanto de separação como unidade...

Crónica 3120 - ASSIM VAI O MUNDO, CADA VEZ MAIS DESCARTÁVEL...

Por roxo135.jpgT'Chingange - no M'Puto

soba24.jpg Ano da COVID-SARS de 2021. Muitos que agora estão dispostos a empunhar as armas da LUTA, em tempos de real perigo, tornarão manifesto que não edificaram seus alicerces sobre a rocha parideira...  Os que tiveram grande luz e preciosos privilégios, mas não os aproveitaram, sairão de mansinho, sob um pretexto ou outro. Não tendo dado ou recebido o amor da verdade, serão apanhados nos embustes do inimigo; e, não há como definir esse inimigo.

malambas1.jpg À procura da felicidade, uns e outros mostram o caminho que nos liga à vida. A Tua presença enche de alegria tua família e próximos mas convenhamos, sempre vai ser efémera. Não há felicidade para sempre! Podes sim manter uma filosofia de vida que te apraz. Em 24 de fevereiro de 1981, o Palácio de Buckingham, na Inglaterra, anunciava o noivado do filho da rainha Elizabeth II, príncipe Charles, com lady Diana Spencer. Meses depois, em 29 de julho, na Catedral de Saint Paul, em Londres, realizava-se o que veio a ser conhecido como o casamento do século.

acacia karoo.jpg Com transmissão mundial, a cerimónia foi assistida por mais de 700 milhões de pessoas. Tímida, filha de pais separados, de origem nobre, mas vida comum, Diana usava um anel de noivado de safira, um sapato cravejado de pedras preciosas, uma tiara de ouro com diamantes e um vestido de seda, marfim. A partir daquele momento, “Sua Alteza Real, a princesa de Gales” se tornaria uma das princesas mais amadas de todos os tempos. A história com jeito de conto de fadas, que poderia terminar com um “felizes para sempre”, sucumbiu às dores e lutas do mundo real. Acabou em separação apenas 11 anos depois.

monteiro5.jpg Embora as pesquisas mostrem que os divórcios têm aumentado em todo o Mundo, curiosamente o casamento é sempre algo auspicioso para os nubentes, quando estão envoltos no cacimbo da ternura, noé? Mas, tem sempre um mas, apesar de muitos lares aparentemente perfeitos serem desfeitos; apesar de muitos serem vítimas dos traumas causados pelo divórcio dos pais, os jovens daqui ou dali, ainda querem casar-se provando que, de alguma maneira, a busca pelo amor verdadeiro e felicidade ainda está presente em seus corações. O anseio pelo “felizes para sempre” habita o imaginário humano desde que o primeiro casal foi expulso do Éden. Esse ideal de vida só poderá ser concretizado sob uma condição: “Os que Te amam encontrem a felicidade em Ti”...

lua7.jpg Nossa vontade em se ser feliz decorre, na verdade, de nosso desejo mas, se o lar formado não for regado como se um jardim o fosse, as flores murcham; isto de felicidade, tem de ser trabalhada! Não se fie em Nosso Senhor que Ele tem outras coisas para o preencher. Fixe isso: A FELICIDADE NÃO CAI DO CÉU - TRABALHA-SE!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:38
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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2021
KANIMAMBO . LXXII
TEMPOS COM FRINCHAS - 22.02.2021
- Deixar para amanhã o que pode ser feito hoje é um traço comum da natureza humana...
Crónica 3118 - “Hoje” - É a VIDA com fé.. COM OU SEM VACINAS. O HOJE, NÃO VIRA AMANHÃ... No tempo, o TEMPO, pode fazer a diferença...
Por 

t´chingange2.jpg T'Chingange -No M´Puto

Em tempos, um turista visitou o campo da batalha de Waterloo, com um velho guia. Chegando ao local do centro da batalha, o guia indicou o muro que protegera a velha guarda de Napoleão, o fosso onde se esconderam os mosqueteiros de Wellington e o poço em que foram lançados os corpos mortos. 

  Perguntando ao guia de que direção haviam vindo as tropas em socorro dos aliados, o guia apontou para uma estrada no cimo de uma colina distante e exclamou: Foi dali que ele surgiu, às QUATRO horas da tarde! Voltando-se para a colina oposta, afirmou: E, foi ali que Jerónimo, o artilheiro, devia ter plantado seus grandes canhões, às TRÊS E MEIA . Então, maldizendo o artilheiro Jerônimo, murmurou: “Tarde demais, tarde demais, e perdida estava a França.”

  Esse foi o descaminho em que se perderam a fama, as fortunas e a vida ao longo de todos os séculos; por meia hora... “Tarde demais, tarde demais.” Deixar para amanhã o que pode ser feito hoje é um traço comum da natureza humana. Nos domínios espirituais, isso pode ser fatal - tudo pode mudar em um segundo...

Uma senhora que por muitos anos não estivera na igreja ouviu um sermão evangelíco, e o Espírito impressionou seu coração. Imediatamente reconheceu seus pecados, que eram muitos, e se prostrou para orar. Uma senhora crente, a seu lado, orou com ela e a encaminhou ao Salvador. Ela aceitou o sacrifício de Jesus e foi para casa convertida.
  À saída, ela disse à sua amiga cristã: “QUEM ME DERA TER UMA BÍBLIA !” A senhora, que era enfermeira, deu um exemplar a ela, no qual havia escrito Lseu nome da enfermeira.
No dia seguinte, quando atendia os doentes no hospital, alguém a informou de que na véspera houvera um caso grave: uma senhora tinha sido atropelada por um camião e morrido. E, o curioso, disse a informante, É QUE ELA TINHA UMA BÍBLIA COM SEU NOME.
  Ela disse qualquer coisa antes de morrer? perguntou a enfermeira. “SIM ”, foi a resposta. Ela disse "GRAÇAS A DEUS PORQUE ISSO NÃO ACONTECEU ONTEM !" Em resumo: somos uma ilusão; em um segundo somos e em um OUTRO segundo, deixamos de o ser - É a VIDA com fé.. COM OU SEM VACINAS. O HOJE, NÃO VIRA AMANHÃ... No tempo, o TEMPO, pode fazer a diferença...
O Soba T'Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:55
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2021
N´GUZU . XXXVII

CONHECER O BRASIL – LUNDU - Era uma dança de escravos “angolanos crioulos”, muito indecente na qual se faziam mil espécies de movimento com o corpo. Corria o ano de 1878  …19.02.2021 .....  N´Guzu é força (Kimbundo) – Crónica 3117

lundu05.jpgPor: T´Chingange – No Algarve do M´Puto

Lundu, era a dança mais difundida do século XIX no Brasil. Levada pelos escravos da Matamba de N´Gola e África Central, era cantado e dançado na forma original de umbigadas, movimento de ancas acompanhado por batuque em que os corpos se encostavam num movimento a que mais tarde, século XX, se veio a chamar de massemba; Nos domingos de folga, os escravos, nos recantos rurais e nas praças públicas das cidades, divertiam-se num remexo das partes inferiores do corpo ao jeito a que recentemente se deu o nome de corrumba…

As gentes da Metrópole, M´Puto, descreviam esta manifestação como de cavalhadas, dança afandangada onde se lhe reconhecia traços portugueses e até espanhóis com o estalar de dedos como se castanholas o fossem, acompanhando os violões e bombos de batuque. Os folcloristas de então tinham o dilema ao definir o enlace de misturas de chulas ou fados, acompanhados de requebros com alguns indícios ibéricos em roda e, desgarradas graciosas com palmas ritmadas no acompanhamento…  

lundu1.jpg Os mestiços ou libres pobres alforriados saracoteavam passos ondulados e engraçados marcados ao ritmo de palmas, até apitos e assobios a acompanhar cavaquinhos, flautas, violas, urucungos na forma moderna de berimbau e até marimbas improvisadas na forma tradicional de áfrica feitas de cabaça. Qualquer coisa que soasse, caixa, caixinha, pau oco ou casca de fruta seca como a vagem seca da acácia rubra…  

O lundu terá chegado aos salões aristocráticos da europa lá pela segunda metade do século XIX, por via da atracção dos finórios, calcinhas dançarinas que queriam fazer estilo de banga entre seus pares urbanos, atritos a excentricidades. Estes, quando tocados e dançados em salões chiques, teatros, circos ou casas de diversão ou alterne, meninas morenas do quebra ou racha, eram acompanhadas ao piano, um género de modinhas humorísticas.

lundu2.jpg Os compositores ávidos de variação diferenciada compunham assim música de teatro numa mistura de modas eruditas para atrair público mais refinado. Os salões mais requintados faziam questão de mobilizar serenatas, canções sentimentais com contrabaixo e até violinos. Temos assim a presença de difícil delimitação nos estilos com batuque, as chulas, as chibas (é sinónimo de samba no Norte e de Cateretê no Sul, reunindo damas e cavalheiros para dançar e cantar), fados, modinhas de novela com queixumes e choros com diferentes segmentos sociais. Chiba ou xiva que “é uma dança de roça, ao ar livre”, com violão, viola de arame, pratos, pandeiros e cavaquinho.

Os músicos negros barbeiros, anunciavam pela cidade de S. Paulo as festas religiosas, públicas, eventos com circos populares e artistas de rua. Para além destas festividades juntavam-se em locais próprios do teatro, os intelectuais misturados com boémios exprimindo-se com variantes de valsas e um tal de batuque rasgado. Estas trocas culturais eram intensas inviabilizando a circunscrição de um grupo étnico, ou social especifico em alguns destes estilos.

lundu06.jpg Pelo dito fica clara esta afirmação moderna do espectáculo maior no que é, e se sofisticou no carnaval actual, como o maior espectáculo do mundo. Gente observadora podia naquele então fins do século XIX, descrever lavadeiras negras e escravos cantando e farfalhando-se com polcas e barbeiros afandangados e dobrados em requebrados de quadrilhas, batuques em barracas, terreiros de cortiços e diversão em ajuntamentos públicos.

lunu0.jpgNa última década do século XIX surge então um novo género influência de todos os outros, esse tal de maxixe com choros de flauta, misturando violão, flauta e cavaquinho nos teatros de revista. A capital do Império S. Paulo, seguia assim as tradições de música lundu com batuque apesar de muito condenada pelos moralistas, defensores de uma civilização europeia. Tudo muito distinto desses candomblés e forrós de negros, mestiços e mazombos saídos duma fusão de raças, costume e superstições de três continentes mas, mantendo seu cunho de matriz africana de N´Gola e outras negruras.

Bibliografia: - Brasil Imperial

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:29
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Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2021
XICULULU . CXXXII

VÍRUS COVID19-SARS16.01.2021

Crónica 3115 - NA DESCOBERTA FUI ATÉ WIKIPÉDIA...

Xicululu: - Olho gordo; Havareza

Por soba15.jpgT´Chingange - No Al Gharb do M´puto

ET2.jpg Pude ler que já estamos a viver no FUTURO. Que este VÍRUS MUTANTE, pode ser ALIANIGENA, um mecanismo preliminar de nosso salto genético espacial. Partir a gente feitos pedras parideiras exige especial atenção para descortinar os pensamentos de querer fazer rebelião como algo inerente às "torpes" eficácias cientificas e também duma covarde gravidade vinda de GOVERNANTES - gente igual a nós.  Não podemos condescender com aqueles que bestializam a cultura e o conhecimento, elevando-a de parvidades nem consentir com tolices ou pecados, por assim andarmos cativados numa burlesca depravação e também enfrascados numas quantas hipóteses de vontade libertadora...

step6.jpg Li que, somos um projecto de bioengenharia e, que tudo começou algures há 75 mil anos atrás, muito antes de Cristo surgir e, muito antes de quando saímos das algas como micróbios alienígenas. Deve pois, ter sido a cauda de um cometa ou meteorito a espargir pelo globo Terra estes organismos gelatinosos, unicelulares como TARGIGRADAS, viajantes espalhando-os no globo Terra, aleatoriamente. Afinal, os peritos da OMS que foram a "WUHAN" recentemente - Janeiro de 2021, vieram cheios de NADA...

haida art.jpg São 800 milhões de vírus vindos do espaço a cair na Terra que nos alteram ou corrigem moléculas que eventualmente provocaram a morte de 20 milhões de pessoas aquando da gripe de 1930 - espanhola"; ninguém certificou ainda os vírus do ÉBOLA, da doença das VACAS LOUCAS, PESTE NEGRA e até à doença das GALINHAS a que chamam de SARS. A PANSPERMIA sideral talvez explique isto que nos trás ASSUSTADOS mas, em verdade somos hospedeiros de ADN's em mutação virótica que resulta da nossa história evolutiva - que sempre daí resultou.

NA PESQUISA WIKIPÉDIA...    PANSPERMIA explica a hipótese de que a vida existe em todo o Universo, distribuída por meteoros, asteróides e PLANETOIDES. Ela propõe que seres vivos que podem sobreviver aos efeitos do espaço, ao estilo dos EXTREMÓFILOS ou TARDÍGRADOS, ficam presos nos escombros que são ejectados ao espaço ou por colisões entre pequenos corpos do sistema estelar e planetas que abriguem vida, ou mesmo por catástrofes maiores de natureza similar. Os TARDÍGRADOS ou similares viajariam dormentes nos destroços por um longo período de tempo antes desses colidirem aleatoriamente com outros planetas ou misturarem-se com discos protoplanetários de outros sistemas estelares. A hipótese da PANSPERMIA cósmica é uma das hipóteses acerca de como surgiram as primeiras formas de vida no planeta Terra. Essa ideia surgiu pela primeira vez no século V a.C., na Grécia, remontando a autoridade a Anaxágoras, e foi colocada novamente em evidência no século XIX por Hermann von Helmholtz, no ano de 1879.

kimbo4.jpg A hipótese baseia-se na ideia de que a vida foi trazida à Terra do espaço em meteoritos que abrigavam formas de vida PRIMÁRIAS. Cientificamente, já foi encontrada matéria de natureza orgânica em METEOROIDES e METEORITOS; e de que há organismos microscópicos conhecidos suficientemente resistentes para, em hipótese, suportar uma viagem espacial até a Terra, mesmo considerado que as condições que esses teriam de enfrentar sejam as mais extremas já cogitadas. O DESCRÉDITO da teoria da PANSPERMIA atrela-se sobretudo ao facto dessa hipótese simplesmente transferir para lugares remotos do universo a questão sobre a abiogénese química da vida; ao passo que, factualmente verificável, tem-se ciência de que a vida desenvolveu-se e prosperou, até o momento, apenas na Terra.

fig3.jpg Embora a existência de vida extraterrestre possa cientificamente ser cogitada, creditar de antemão a origem da vida a fenómenos que ocorreram fora do sistema solar transcende a realidade factual actual. Os resultados científicos até hoje alcançados transferem à Terra os mecanismos responsáveis pela origem e evolução da vida conforme definida e conhecida... A hipótese científica aceita actualmente atrelar-se à abiogénese química terrestre da vida; essa suportada em limite cronológico anterior pelas experiências de OPARIN e HALDANE e teorias derivadas, como a teoria do mundo do ARN, e em limite cronológica- mente posterior - "convergência da árvore da vida a um ponto e pela teoria da evolução biológica como um todo", onde a realidade factual actual.

Nota: T: De T'Chingange; W: de Wikipédia

Do Soba em Algarve do M'Puto

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:20
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Domingo, 14 de Fevereiro de 2021
FRATERNIDADES . CXXXI

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 14.02.2021

Crónica 3113 - Serviço voluntário - um DOM necessário nos dias que escorrem...

Por 

 soba001.jpgT'Chingange - No Al Gharb do M´Puto

lobo1.jpg Felizmente, estamos hoje e por via da COVID vendo gente trajando vestes brancas e, como médicos, enfermeiros ou auxiliares aí estão salvando ou tentando salvar um semelhante. Vemos isto desde o romper da alvorada até de novo, nos deitamos... O voluntariado valoriza o currículo de qualquer pessoa. Normalmente as empresas apreciam essa característica, pois evidência responsabilidade, iniciativa, disciplina e trabalho em equipa. O país agradece...

Em geral, quem é voluntário é dedicado e, se não vive em busca de aplauso ou tem outra coisa em mente como servir-se disso para obter benefício, será sempre louvável. Alguns nasceram com o dom de servir. Acordam todas as manhãs esperando a oportunidade de ajudar alguém. Essas pessoas não precisam de chantagem emocional ou pressão para fazer o que é necessário. Bem-haja!

luis44.jpg O envolvimento é natural. Em sua maioria, os voluntários são amorosos, colaboradores, prestativos e gentis. Por norma é a força da Igreja que está no voluntariado e, isso é bom. Tendo Jesus como modelo, trabalham com dedicação, prontas para arregaçar as mangas e servir em seu nome. Mas, até pode ser por Buda, por Alá ou o que lhe aprouver...

Mesmo que não seja algo natural para você, quero desafiá-lo hoje a fazer algo por alguém. Você tem dons e habilidades - use-os em favor das pessoas que estão à sua volta. Existe muita coisa a ser feita, e seus talentos, podem certamente ser bem úteis.

jatiu3.jpg Peça a si mesmo para abrir seus olhos e, ver as necessidades dos outros. Sempre é tempo de fazer um novo começo. Não espere ser nomeado para servir; o espírito de serviço quer-se voluntário. Aliste-se nesse exército, tornando o mundo um lugar melhor para se viver. Ajude pessoas a serem até capazes de sonhar. Ensine alguém a sorrir ou fazer palavras descruzadas e até fazer notar as diferenças numa foto...

Feliz semana!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:10
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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2021
N`GUZU . XXXVI





CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade30.01.2021

N´Guzu é força (Kimbundo) Crónica 3108

Por    T´Chingange – No Algarve do M´Puto

Ache ou não ache, tenho de aprender a estar alegre e triste em simultâneo, justamente porque num deveras dum ai, num calhas dum entretanto dum agora, se vê que o nosso viver não é assim tão certinho. Orabolas! Mesmomesmo sendo promessa de só assim se poder vislumbrar cantarolando o verbo sarar! Há dias para tudo…

    E, hoje que é o dia do croissant, gostaria de ensanduichar numa prensa essa tal doença com pestanas feitas flores que se apegam, cruzam e recruzam voando átoa. Que avermelhando-se em forma de picos pegajosos, ziguezagueiam nossa quietude sordidamente. Que sem avisar, pode chegar desatravessado de rumo e caridade.

Sendo cristianizado, pode assim mesmo vislumbrar-se a cura sem formalizar um responso feito promessa no tempo e nas voltas dum rosário feito terço com cinco partes de dez avé-marias, antes dos sinos tocarem naquele repique de arrepiar.

  Fazendo da gente um numero como se fora um algoritmo do álem que numa hora, cada qual, num deve de ver e ser – um judas de cada vez, porque o grosso do resto maior, só mesmo com Deus… Pois! Num lamber frio de que o senhor já sabe – viver, é um etcétera, ponto final. Afinal qual é o caminho certo da gente? Foi assim mesmo que perguntei ao Nosso Senhor.

Nem para a frente, nem para trás, foi o que ouvi dum auxiliar acólito, sacristão, coroinha de gasosa sem vulto nem bata ou paramentos, só feito assombração como santo gordo invisível, flutuando, muxoxando na orelha direito - repetir o já ouvido; nem para a frente nem para trás, só para cima!

 Assim mesmo - Pópilas! Disse-me: De agora em diante vou só ser Ah-Oh-Ah; Cumcamano! Cada hora, cada dia, a gente aprende uma qualidade nova de medo. Numa calma pior que sisudez das escuras, engulo cuspo revendo quenturas nas ideias; revendo muito por cima de minhas capacidades: Viver assim, bolas, é um descuido prosseguido.

  Falando assim de atravessado senti que o melhor mesmo, é nem pensar em sentir ficar pior da sorte, assim que nem pulga entre dois dedos. A coisa está das caraças; a gente vive no repetido, no repetido e escorregável, com um minuto empurrando outro, caté que me perguntei: - Pensar na vida. Penso?

E, não dá para entender se o penso é verdadeiro, se falso. Que vida esta de mais ou menos, esponjosa. Bom! Tudo corre e chega tão ligeiro e, o tempo aquietando-se de vagareza; Bom! Sózinhozinho, não estou. Para concluir, revejo-me assim: As pessoas, não nascem para sempre…

O Soba T´Chingange







PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2021
FRATERNIDADES . CXXX





Por mais longo que seja o tempo de INCERTEZAS, haverá sempre um oásis para o qual seremos encaminhados sob a nuvem...

Cronica 3107 - Não virá mal ao mundo pensar assim... 29.01.2021

Por  T'Chingange - no Algarve do M'Puto -----------------------------------------------------------------------------------Será mesmo assim o que se diz: Atrás das nuvens, o Senhor trabalha em nosso benefício. É que, de acordo com o imaginário popular, “anda nas nuvens” quem devaneia, sonha com o impossível ou se permite embalar no auge de uma experiência feliz.

Pelo meio da manhã, céu escuro de encoberto, minha primeira providência é abrir a janela do quarto, mais da sala, deixando o ambiente mais iluminado. Saudar o loureiro àrvore do alemão, com um Guten Morgen À tarde, nos dias de sol, solto a franga e ali fico esparramado na açoteia vendo as lonjuras e a Serra de Monchique por um canudo.

  Hoje está tudo tapado, sem nuvens, só cacimbo cerrado que nem dá para ver o mar, Lagos e Portimão. Os apitos dos barcos ouvem-se roucos. Com esta confinacâo seria bom termos Sol para espairecer nosso mofo acumulado um pouco por todo o corpo e, até nos labirínticos pensamentos do cerebelo mas, manda quem pode! ...

Nuvens são objeto de inspiração para artistas, fotógrafos e gente que poetiza. Gostamos de admirar seus diversos formatos, sua brancura e seu deslocamento no espaço mas hoje dia 29, malé, não há sonhos de kukia nem vistas de assombracões. Só mesmo humidade que penetram nos fundilho do tornozelo como se o foramos presos e, da paciência, também...

  Eu sei! Sem nuvens, não há neve, relâmpagos nem arco-íris. Elas realçam a beleza do pôr do sol e estão presentes nas mais belas paisagens. Apesar disso, quando trazem fortes tempestades, uns colhem graves prejuízos, outros armazenam água para o restantes dias do ano... NATUREZA é isto mesmo.

As nuvens são muito importantes para o equilíbrio da vida no planeta, sendo responsáveis pelo ciclo da água e pelo clima; portanto, fundamentais na meteorologia. Há muitas referências bíblicas às nuvens mas, não vou por aí senão ainda chovem santinhos no meu quintal...

  Mas, lá terei de relembrar que Deus acompanhou Moisés na descida do morro feito nuvem negra quando promulgou o Decálogo, garantindo assim estar a seu lado nessa tal de "nuvem escura”. Embora eusinho, tivesse visto no filme dos 10 mandamentos serem labaredas de fogo a cortar rocha.

Há outros textos nos quais a glória divina aparece velada por uma nuvem, em benefício do povo pecador. Essa é uma lembrança apropriada de que às vezes somos impedidos por “nuvens” de ser aquecidos e iluminados pelo Sol da existência. Será que esta realidade é comum em um mundo imperfeito? Essas “nuvens” parecem esconder de nós o Senhor que se diz sempre trabalhar em nosso benefício.... As amendoeiras florescem - aleluia...

O Soba T'Chingange







PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:39
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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2021
KALUNGA . XVI





MOKANDAS XINGUILADAS

A DOENÇA DA DEMOCRACIA E A PANDEMIA 25.01.2021

Crónica 3106 - Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.

Por     T´Chingange – Desde o Barlavento Algarvio do M´Puto

O busílis da “doença da democracia” está em esta aumentar a desigualdade sem impedir o crescimento do endividamento que sobe à semelhança da pandemia e, que em flecha sobe para o espaço - na vertical. Agora que estamos em uma crescendo medonho de infectados com o vírus, com tudo encerrado e hospitais saturados, como iremos sair então deste beco apertado de sanidade.

Sem empresas laborando, não haverá trabalho e, sem estas, não haverá Estado nem empresários. Aquele de “Por favor ajudem-nos todos” que ecoou por aqui e ali, foi o grito da Ministra da Saúde de nome Temido, que veio tirar da letargia o próprio Governo que teimava e teima em conciliar o inconciliável medo, como se todos eles, no poder, tenham frieiras de tolher decisões. Parece não haver os suficientes recursos nem técnicos suficientes no momento; infelizmente parece ser um facto!

  Um dia tinha de acontecer isto por via das restrições ao Curso de Medicina e, por via das altas notas exigidas pelas Universidades mais os condicionamentos exigidos pela Ordem dos Médicos. Também pela forma como os Enfermeiros foram tratados, vendo-se na contingência de abandonar o país para sobreviver em essas outras paragens. Verifica-se assim a democracia andar doente na honorabilidade da prática, por falta de ética ou por uso incorrecto das leis. E, seja o P.M. Costa, seja o P.R. Marcelo, cometem deslizes – eles não são bruxos…

  É fácil acertar no totoloto à segunda-feira mas, era de prever que isto em um dado instante não daria certo. Falharam! Falhamos! Mas, sempre há tempo para se morrer! Sempre é tempo para se fazer outro início! Não sei se por egoísmo ou se por outras quaisquer periclitãncias, hoje os SNS – Serviço Nacional de Saúde, está a sofrer na pele algumas daquelas posturas egoístas que as classes quase sempre teimam em preservar a contento lixando-se nos demais. Eles, os governantes que idealizam, que mandam e desmandam fazem com que andemos tiritando medos pelas pontas das unhas, dos pés e das mãos…Também e, de momento, as ajudas nas chegadas de vacinas parecem estar a passo de caracol.

 E, sendo assustador, somos levados a fazer a pergunta: Porque se demorou tanto a reagir? Pude ler no Expresso pela caneta de seu Director que António Costa como gestor deste País se esqueceu de que a prioridade dum condutor de um barco é diversificada. Induzindo isto em metáfora, sempre será mais fácil apreender a cena duma outra forma: A preocupação fundamental dum PM ou PR, não é a de se chegar ao destino mantendo-se ao leme como timoneiros ou de garantir o bom estado do barco. Não! As suas obrigações principais, serão garantir a segurança de todos os passageiros, nem que para isso tenha de se parar a embarcação num bom porto.

Nesta guerra pandémica será mais fácil uma afronta ou ataque directo às hipóteses segundo a opinião dos cientistas, de epidemiologistas e analistas sem dúvidas grosseiras, ao invés de daí, se retirarem benefícios políticos. Sempre aquela mancha ideológica de que os políticos enfermam e, que naturalmente nos confundem. Com os holofotes mal direccionados misturam ou deturpam nossas preocupações. Como diz a sombra esquerda de Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó como faziam nossos antigos marinheiros para definir baixios.

  O tempo, é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente dos actos ou feitos. Uns fazem, outros dizem fazer, outros, é só de faz-de-conta, fingindo que sabem mais do que Zaratustra ou Nostradamus. O sol, o ar, a água, e a terra, têm de ser considerados permanentemente parte de nós. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo, como um veneno mortal. Vivemos momentos de medo, de imposições e uma baralhada de posturas com cães à trela, e assim mais assado, fique ali e… Tudo fica por aqui, na incerteza…

Não nos cairá bem, fazer olhinhos de complacência a um qualquer inqualificado político, magarefe que ao invés de nos servirem, se servem! Não é para isso que nós os elegemos! Com muitas lacunas e tanta precaridade dá para se aprender que o caminho da convergência, da união, sempre tão esbugalhado, caminhará para um beco se não derem rumo certo ao barco. E, num sempre já agora, o que é que não funciona bem? O povo ajuizará por finalmente: sempre na expectativa de que a prescrição corre mais rápido que a decisão…

O Soba T´Chingange







PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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Sábado, 23 de Janeiro de 2021
MUXOXO . LXII





MUXOXO . LXII - Crónica 3104

- Vuzumunando a vida nos meus kitukus -(30.11.2020) - 23.01.2021

N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Kitukus - mistérios :::Nos mistérios das palavras, estas picam em mim, uma grande gastura…

Por:         ,,, T´chingange na Mulola do Barlavento Algarvio - M´Puto

...Na guerra ultramarina são apontadas cerca de 10 700 vítimas mortais, a maior parte em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique ... Os Militares portugueses que combateram os Movimentos de Libertação em 3 frentes na guerra que durou 13 anos, tiveram menos mortes do que a PANDEMIA COVID em cerca de 11 meses

Pode ler-se: As mortes provocadas pela Covid-19 deverão, até ao final do mês de Janeiro de 2021, serão em número superior às vítimas mortais da Guerra do Ultramar.

  ... Abri uma nova página no Facebook com o nome de Profeta Moisés e, como surpresa imediata, um dos muitos pedidos de amizade vinha de Nosso Senhor. Intrigado fiquei uns dias retendo o pedido enquanto ia recebendo muitas outras, gente nitidamente ligada às coisas litúrgicas, eruditos até às pontas dos cabelos. Gente de muita religiosidade; uns abraçados a santos, outros acendendo velas botando fumo pró céu, outros ainda mostrando o Espírito Santo na forma de pomba e, outros jogando búzios no terreiro como se sempre o fosse de Quarta Feira de Cinzas.

 ... Assim, assentando nos contrafeitos dos factos com dúvidas na forma de gráfico, ora para cima, ora para baixo, fiquei espantado quase no estupefeito quando surge um novo evento: Era Nosso Senhor, adicionando-me como amigo! Belisquei-me para ter a certeza que ainda estava pela terra e fiquei extremamente cauteloso sem saber ao certo o que dizer! A vida da gente tem coisas!

... Lembrei-me em seguida que tinha mencionado dias antes, algo de que Jesus cansado das trapaceirices humanas quis ir para o pé dele, seu Pai, aos 33 anos. Um contador de estórias faz o tempo passar entre os pingos da chuva ajudando a preencher os buracos do ócio fazendo assim gaifonas com as palavras e, recriando um outro jeito de levar a vida, para aliviar as tensões que a sociedade nos impõe… Só falo isto porque minha família é toda ela santa e santificada mas, isto sempre me sufragou entre os desprevenidos.

 ... Não! Não há boas farsas! Vejamos: Conforme Deus mandou, Moisés lançou sua vara ao chão e ela se transformou em uma cobra, então o Faraó chamou seus feiticeiros, que fizeram o mesmo, porém, a cobra de Moisés engoliu as cobras dos feiticeiros de Faraó – gostei da cena, bem feito! Só que isto, não convenceu o Faraó, que por não acreditar em Moisés, mandou aumentar o castigo sobre o povo de Israel. Resumindo: o Faraó perdeu em toda a linha com umas quantas pragas.

... Sei porque li no livro sagrado de que o encontro de Moisés com Deus foi real e em 3D e, não um encontro indirecto, casual ou virtual mas, neste mundo conturbado de agora, tenho receio que não seja este, o mesmo Deus venerado por bilhões, muitos mais do que os utilizadores do Facebook…

 O Soba T´Chingange







PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:01
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2021
XICULULU . CXXX






PARÁBOLA DE PORTUGAL



O PREÇO DA GRATUITIDADE - Subsidiodependência



Crónica 3103 - Para os portugueses –02.01.2021



Por: T´Chingange - No M´Puto ( A partir dum texto de M. Oliveira...)



  Continuem a ficar em casa, continuem a ver os estádios de futebol pela televisão e a não tirem selfies àtoa para não ficar na estória do PAPALAGUÌ da Polinésia… Lembrem-se: Não existe plano social grátis… Cá por mim, já como a terra há muito tempo, antes que ela me coma - Argila feita comprimidos ...



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Este texto é baseado numa excelente análise de um aluno... Não existe plano social grátis. Na metade de uma aula, em uma universidade, um dos alunos, sem mais nem porquê, perguntou ao professor: - O Professor sabe como os porcos selvagens são capturados? O professor achou que era uma piada e esperava uma resposta engraçada. O jovem respondeu que não era uma brincadeira, e com seriedade começou a sua  fala feita dissertação depois de ver algures um persongem levar pela rua um marrano javali e, depois de se dizer que os cidadãos poderiam sair de casa a passear seu boby:



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- Para capturar porcos selvagens, primeiro  localiza-se um lugar na floresta aonde os porcos selvagens costumam ir, e lá nesse lugar, coloca-se diáriamente um pouco de milho no chão. Assim, os porcos selvagens vêm todos os dias para comer o milho "GRÁTIS" e, quando se acostumam a vir diáriamente, você - Tu,  mais tu e aquele,  (pode ser até uma instituição ou mesmo o goveno...) vai construindo uma cerca ao redor do lugar onde os marranos se acostumaram a ir comer, um lado por vez para não espantar...



  Quando eles se acostumam a ver um lado da cerca, voltam para comer o milho, e você (ou o dono da coisa...), constrói um outro lado da cerca... Eles, os marranos, voltam a se acostumar àquilo e voltam a comer. Você vai construindo a cerca ao redor; pouco a pouco, até instalar os quatro lados do curral ao redor dos porcos. Até aqui na visão dos javalis, tudo vai numa boa! No final, instala uma porta no último lado. Os porcos que já estão habituados ao milho fácil e às cercas,  começam a vir sozinhos pela picada, carreiro, fiote ou vereda. É  neste então quando você fecha o portão capturando todo o grupo de porcos, marranos javaliz. Simples assim, passo a passo, até que no último segundo, os porcos perdem a sua liberdade ou até a vida se for o caso. Até à cachaporrada podem ser mortos noé! Estão a ver o filme...



    Eles, os marranos, começam a correr em círculos dentro da cerca, mas, lixaram-se - já estão presos. Depois, começam a comer o milho fácil e gratuito. Eles acostumam-se tanto com isso que se esquecem de como caçar por si mesmos, e por isso aceitam a escravidão - Estão a ver o filme, noé! Mesmo, mesmo, até eles se mostram gratos com os seus captores e, durante gerações vão felizes ao matadouro.... Nem desconfiam de que a mão que os alimenta é a mesma que os mata. O jovem comentou ao professor que era exactamente isso o que ele via que acontecia no seu PAÍS, na sua província, na sua cidade, com o seu povo. Bom! Isto é um faz-de-onta.  Os governos populistas, em seus projectos ditatoriais, escondidos sob o manto "Democrático",  estiveram lançando milho gratuito durante o tempo suficiente para alcançar a mansidão sistemática. 



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E, assim talqualmente, cada novo "Governo Salvador" disfarça de "Programas sociais" as suas esmolas, dá dinheiro que tira do bolso do próprio trabalhador, realiza missões, planos, indulgências, leis de "protecção", subsídios para qualquer coisa, expropriações indevidas, programas de "Bem-estar social", festas, feiras ou festivais, luzes de Natal e muito, muito fogo armado, uniformes, pão e circo, transporte " Grátis " e, muitos outros edecéteras… Até com alguma condecorações pelo meio… Só nõ vê quem não quer...



  Todo esse "forrobodó" que nos oferecem tais golpistas, fantasiados de políticos, farta mão-cheia  de felicidade e, aí a desfelicidade acontece. Pois! Um povo mal acostumado, assim e tal e coisa, com as migalhas do milho fácil e "GRATUITO" feito "paracuca" (amendoim com assucar torrado...) nos ficará muito caro! Roubam-nos a capacidade de sermos críticos, pensantes e empreendedores. Em consequência: "NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS"! Pois! Cruze os braços, e coma também o milho... E, simplesmente, espere a matança...



M. Oliveira - 03.01.2020

T´Chingange - 21.01.2021








PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:34
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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2021
CAZUMBI . LXVI
Crónica 3102
Nos tempos bíblicos, a lepra era a “MAIS TEMIDA” das ENFERMIDADES – (16.01.2021- Kizomba) – 18-02.2021
-Só JESUS a curava! Ele, que eu saiba, não era nenhum bruxo nem médico especialista ou KIMBANDA!...
Por: T´Chingange
 

T'Chingange - No Algjarve do
:::::1
A LEPRA “profundamente arraigada e mortal, era considerada símbolo do pecado”... Tudo o que o leproso tocava era considerado impuro - acreditava-se que até sua respiração era contaminada. Era e é muito pior que a COVID que hoje nos atormenta... Certa vez, quando Jesus estava ensinando no lago, um LEPROSO, observava de longe. Ao ver que o coxo, o cego e o paralítico eram curados, sua fé foi fortalecida em seu coração. Esquecendo-se de todas as restrições, o leproso aproximou-se; seu corpo estava em terrível decomposição...
Um leproso, nesse então, era banido da sociedade, da família e dos amigos; sua presença era considerada como contaminadora. Se alguém se aproximasse dele, exigia-se que o doente gritasse: “Imundo! Imundo!”. Conto isto porque li e, porque sei quando kandengue crescido, saber dos kitucus milagrosos que o médico Albert Schweitzer praticou em Lambarére no Gabão...
:::::2
Até á poucos anos a lepra era chamada de “doença anestésica”. Em sua fase inicial não existe nenhum sofrimento, tornando-se na mais mortal de todas as doenças. Gradativamente ela, consome o corpo da pessoa. Os cabelos e as unhas caem de podres. As juntas dos dedos reduzem-se e, em geral desaparecem. Todo o corpo é atingido.
Naquele então, o tal supra leproso, ao abrir caminho por entre a multidão e, até chegar junto ao Senhor, as pessoas recuaram cheias de terror (hoje um espirro faz quase o mesmo efeito...). Estamos a vivenciar muita semelhança e, por isso, convém recordar o quanto andamos esquecidos ou adormecidos...
:::::3
Lançando-se aos pés de Jesus, o leproso exclama: “Senhor, se quiserdes, podes purificar-me.” Jesus coloca a mão sobre ele e diz: “Quero sim - fica limpo!”. Imediatamente a carne do leproso adquire vigor, os nervos se tornam sensíveis de novo e, os músculos se fortalecem.
“A aspereza e escamosidade características da pele atingida por lepra desapareceram, sendo substituídas por um tom suave, como o da pele de uma criança saudável” (Ellen G. White, assim o descreve no Desejado de Todas as Nações, pag.201)...
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Mas, naquele tempo, dizia-se que o pecado era semelhante à lepra - Isaías o afirmava: Quando “Toda cabeça está doente, e todo o coração, enfermo não há nele coisa sã, senão feridas”,... Karamba, vistas as coisas deste modo, terei de pensar que afinal fui mesmo feito de barro e também uso chinelo de pé...
Se olharmos apenas para nós, poderemos até perder o brilho sem levar uma mensagem preciosa em vasos de barro, assim mesmo e sem adornos. Isto é para impedir que alguém pense que o incomparável poder de meu tio, Nosso Senhor, fora de brincadeiras, nos pertence, mesmo que não o queiramos ou nos chamemos de Canhoto... Isso - Cruzes Canhoto...
:::5
Cristãos, são pessoas comuns que fazem coisas extraordinárias quando se lembram, se é que lembram, ser gente com aspecto de humanos e tendo sua graça como se o fossem, simples vasos de barro, depositários dum poder que tudo indica, ser divino com falhas, com fraquezas e, até intrigas... Para o mundo expectante pode parecer algo totalmente enfadonho, mas aos olhos da Natureza, será belo, noé?! Sendo assim, direi também ao meu Tio Nosso Senhor: Toma este vaso de barro que sou eu e, usa-o como te aprouver… Vou fazer mais o quê!?
O Soba T'Chingange
 

 

 
 
 
 
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:27
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2021
MUJIMBO. CXIX






O SOL morre sem sepultura e, todos os dias isto se repete…

Portanto, vou pôr o burro às costas e o arado a comer - 14.01.2021

Crónica 3101

Por

T'Chingange – No Algarve do M´Puto

:::::1

Ser dono definitivo de mim, é o que eu quero, na sequência de sempre o querer, mas por vezes muito amiudadas, estremecem dentro de mim, por se repetirem alvoroços nos meus arrabaldes e, como se quase o fossem, intimações! Acalmando meu fôlego de branco mazombo pálido ou até avermelhado, engrosso meu próprio nojo na vontade de pensar de mim uma decisão… E, quase sempre não sou nada nem alguém…

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Abro as quatro janelas de minha cubata para arejar, os quartos, a sala, o meu espaço de escritório e o meu espaço de lambiscar securas, lugar do café com leite para calar as tremuras que sobem dos tornozelos até aos zingarelhos a dar forças superiores e fazer funcionar os neurónios sem despairecer o cerebelo…

:::::3

Surripiando miúdas palavras legitimo-me nos silêncios picados das mutucas porque de tão fechado na minha sina, no meu mukifo, não haverá um sim no meu possível definitivo futuro mesmo que, adivinhado numa lei-fofa (off) simplificada. Não fora eu aposentado e estaria aflito nesta regra com prescrição de princípio e, cláusula de simplificar ou minimizar a resiliência de forma macia, almofadada ou elástica na tufada gravidade… O que tem de ser, será!

:::::4

Bolas!? Eu que nem sou homem de noitadas, vejo-me na contingência de purgar a paciência sem alcançar dois dias a fazer um tik tok personalizado; a não ser só, mascarar-me feito Zorro, sair à rua sem ter de assaltar que nem assim e, só; ter de viver enfileirado numa perigosa missanga. Permanecer assim duvidando de onde e aonde se apanha o tal tik do tok feito mutuca, sem nem ter o tamanho dum pernilongo - Filho do capeta gelatinoso, melga lambido de cuspo.

:::::5

Bom! Depois e, já na minha açoteia, estendo-me na cadeira de kota T´Ching, chamuscando-me ao sol da kúkia, literalmente a chupar a tal de vitamina D. Sem nuvens e, até que tirite de frio, ali fico até o desaparecer do Sol, lá para os lados do barlavento - feito brisa. Ficar assim repassado num creio que nada creio, num teste que me solta a venta, merdas e coisas sem loisas. Não fora meu entender, se por azia reumática, ou se por andar pingando medo feito água quente.

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Neste processo de desmudar os costumes, uns ficarão mais iguais e outros, logicamente, mais desiguais a indicar a todos que afinal ainda não fomos terminados… Ué, viver nste agora, torna-se mesmo muito perigoso. É aquela velha estória que aqui explicito: -Era um era e, não era; andava lavrando com dois carrapatos! Veio-lhe a notícia que o pai era morto e a mãe por nascer. Pôs o burro às cotas e o arado a comer… Hem! Hem! Hem… O que mais penso e testo em explicar: Todo o Mundo, é louco - o quanto baste…

O Soba T´Chingange








PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:37
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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLIX

MEUS KITUCUS (mistérios) … O FUTURO é uma batata com dois fios nela espetados dando musica através de auriculares espetados nas orelhas via FM ou 5G…  

Não sei se voltarei a passear nas ruas da Luua (Luanda)... Crónica 3098 – 07.01.2021

Por

soba0.jpeg T´Chingange - (Ot´chingandji) - No Sul do M´Puto – Barlavento algarvio

luanda6.jpg Não sei se voltarei a passar nas ruas da Luua que me viram crescer porque, também minha passada irá entristecer na recordação, do que foi e já não o é e, porque também nenhuma segurança terei sobre tudo e sobre coisa nenhuma que preside aos tempos de agora  que por dá cá aquela palha, se ateia a mente queimando os fusíveis do curral e dos coiros. Lembrar o tempo em que presumivelmente - o fui, feliz, desleixando-me na compreensão das muitas infelicidades alheias.

Embarquei para o M´Puto sem o querer, pela inquieta, medonha ou desolada guerra do tundamunjila. A terra do futuro ficou adiadamente tardia na vontade, nos feitos e trejeitos, adaptando-me aos frios, sarando a ferida interior com pústulas feitas vulcões, comendo uma sandes na “Tendinha” de Lisboa do Rossio, um panado ou posta de bacalhau e um penalti (um copo de vinho tinto) enquanto me inteirava de notícias chegadas da Luua e de Angola em geral…

maianga0.jpg A terra do futuro ficou adiada sarando-me nas crostas de novas feridas por via duma guerra demasiado esticada; o futuro já não mais seria ali. Ele, o futuro foi ficando encrustado nessas cascas de ferida, cicatrizes, um misto de bactérias e ou vírus permutando-se nos entrelaçados de infecções encrespadas em mutações e acordos ora capitalistas, ora comunistas com senda de regras cada vez mais internacionalistas e tratados imcompridos...

Neste discorrer eu, ia virando caruncho de farinha atrofiado nas evidências e, sem direito a suspiro. Aquele pedaço de tempo exigia um modo de sobrevivência numa sociedade de um salve-se quem puder e, usando uma indigência com coisas esdrúxulas. Nessas vindas da ponte aérea “LuuaLix” todos os dias iam chegando refugiados envoltos em um enorme vazio! Com isto fomos todos obrigados a ganhar consciência sábia de entender o VAZIO da verdade – o VAZIO das pessoas!

luua16.jpg Passando por Lisboa até Istambul e no lugar aonde Judas perdeu as botas, soprava (ainda sopra) um vento descuidado a indicar-nos que a tal “idade do ouro com segurança” e qualidade de vida tinha desfalecido. A Haga Sophia da antiga Constantinopla também se tornaria numa vulgar mesquita com emparedados mosaicos bizantinos a dar-nos conta que o Mundo era um sítio em permanente convulsão.

E, lá, aonde até o rosto esguio, macilento de Nosso Senhor fora tapado pelo barro com cal originando o cafelo denunciador de que ali, aonde oravam a Cristo o Messias, era agora aonde se curvavam a Alá… E, de um dia para o outro, nosso futuro, viajando-se de um para outo continente, de uma e outra cidade, tudo fica trancado, trancafiado, parado paradinho, de mãos lavadas e até os pés varridos de poeiras alheias, de um quarto em quarto de horas para eliminar uma praga invisível.   

luanda1.jpg Assim, limpo e escovado, experimento comprimidos roscofes saídos de latas de formicidas, coisas arsénicas e creolinas numa empreitada de me manter imune e, o maldito do bicho ruim não me reconhecer na exactidão. Consoante a pessoa se ri, a gente (nós) se acha de voltar aos passados escolhendo as peripécias avaliáveis porque, viver assim entalado entre um era num era, viver, fica um descuido prosseguido. Pelo sim pelo não, também tenho umas bolachas amarelas de quinino para entorpecer as abelhudices, rejuvenescendo em mim este malvado “tempo de ir e vamos”…

acácia rubra3.jpeg Hoje em dia, já nem me queixo do passado com missangas da Luua porque o futuro vive repetindo o repetido e assim escorregadio sem conseguir tirar sombra dos buracos não há margem para remorder remorsos. Assim entrançado com espinhos e restolho, todo o dia de pijama, relembro o tal velho coronel, senhor também fardado com um pijama às riscas, sentado num sofá de orelhas, pele de boi já muito encardida, esfolada, olhando para o infinito, babando-se pelo canto esquerdo descaído, todo enfolipado lá na Luua, Rua Vintoito de Maio da Maianga…

O velho oficial estrelado, insensível ao cérebro abanado por uma trombose, com a lentidão das coisas graves e titubeadas com muxoxos, parece que fala – Hum, pois, não sabe; a kalashnikov, os turras, a febre do poder… E, na febre da maresia, eram bolas de trapos, meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme? É isso mesmo: Ache que não ache, toda a saudade é uma espécie de velhice…

Nota: Publicada em KIZOMBA do FB em 04.01.2021

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:26
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Sábado, 19 de Dezembro de 2020
MALAMBAS . CCLII

FALAS NATALÍCIAS - 19.12.2020

Crónica 3093 - LENDA OU NÃO, TUDO SE TERÁ PASSADO NUMA CERTA FORMA, NOÉ!?

Por

t´chingange2.jpg T'Chingange - No Algarve do M'Puto

pal1.jpg De acordo com uma "lenda", quando Jesus ascendeu ao Céu, alguns anjos se mostraram curiosos para saber algo mais a respeito da experiência Dele na Terra e, foram interrogá-Lo a respeito. Podemos até imaginar como sendo um conjunto de jornalistas dos dias de hoje e, no M'Puto desde a Rádio Katekero, ao sempre presente Correio da Manhã, entre outros - enfim, um batalhão de gente licenciada e cusca para eventualmente nos elucidar ao seu jeito jeitoso…

E, as perguntas começam: “O Senhor fundou um grande movimento? Quantos seguidores deixaram?” A isto, Jesus teria respondido: “Geralmente Eu atraía grandes multidões, mas deixei apenas 11 discípulos, alguns poucos amigos e, outros dedicados seguidores.” E, na ordem conferencista vêm as periclitãncias dos jornalistas feitos anjos: “Bem”! Muxoxos de interrogações na sala, “sendo tão poucos, certamente devem ter sido seres humanos excepcionais, com excelente carácter, pessoas influentes e competentes em suas comunidades e também de sucesso profissional!? ”

dom5.jpg Caso fosse hoje e, aqui no cantinho, fim da Ibéria os “anjornalistas”, interrogá-lo-iam acerca de algo que faz bulir nossos neurónios como a SAÚDE, o SEF e a morte dum cidadão, da TAP e seu/nosso afunilamento, as virtudes de se ter um presidente popular e vedeta vulgarizado no selfie, com ou sem vassoura a faze de pau e, a economia com muitos outros edecéteras; algo de que em um momento todos falam com palpites e palpitações...

A resposta de Jesus teria sido: “Realmente, eram fora do comum; alguns pescadores, um colector de impostos, pessoas simples.” Os anjos repórteres radialistas e anjos da TV continuaram: “Nesse caso, formavam um grupo extremamente leal e confiável”!?. Sempre perguntas de sacar astúcias... Jesus fala: “Eles tinham uma vontade imensa de ser leais, mas, no momento mais crítico, um deles Me traiu, outro Me negou, e quase todos os outros fugiram.” Na sala apinhada um Óhóóóó gigante no alarido. Alguém levantou as mãos e disse: - Deixai ouvir!...

demo1.jpg Dum sindicalista “anjornalista”, representando os fazedores de cruzes e pregos artesanais saiu a pergunta: “E o Senhor ainda espera que esse grupo continue Seu trabalho? Tem algum plano alternativo?”. Jesus teria respondido: “Não, não tenho plano alternativo. Esse é o grupo com que posso contar.” À parte da "lenda", o facto é o de que os discípulos aos quais o Mestre incumbiu a tarefa de pregar o evangelho e estabelecer Sua Igreja, à semelhança dum "partido" hodierno, eram repletos de limitações. Não tinham bancos centrais nem rede de frio, ministérios da consciência, Serviços Sociais, nem verbas governamentais ou Procuradores duma réspublica acomodados no poder...

Só que não foram limitados na esperança de que Ele cumpriria a promessa de enviar o "Espírito Santo" que os capacitaria com poderes para engrandecer e testemunhar. Esperaram conforme a ordem, “unânimes em oração”, em profundas e sentidas confissões, conscientes de sua incapacidade, até que, num dia especial de Pentecostes, foram cheios dum Espírito... (Nesta estória, o Salgado, um tal dos DDT – Donos Disto Tudo, ainda não existia mas, iria aparecer sim!)

araujo117.jpg O livro de Actas que no antigamente eram Atos está cheio de factos reveladores da ousadia com que pregavam, do poder com que realizavam milagres e da pureza de vida que os caracterizava (naquele tempo zero...). Somente no poder do Espírito e n Pentecostes, foram capazes de cumprir seu papel missionário, apesar da oposição (direita e esquerda – tudojunto…). Para alguns, nem a vida era tão preciosa que não pudesse ser deposta no altar do sacrifício como povo feito cordeiro, borrego ou carneiro. A transformação foi radical. A Igreja, digo partido, débil se tornou invencível segundo as actas da Assembleia.

araujo2.jpg Em conclusão: No início dos tempos, Jesus com aquele grupo, iniciou o trabalho de fazer uma nova Época. Com o grupo do qual fazemos parte ou descendemos, Ele planeja concluí-lo. Não há plano B. A promessa contínua a mesma: “receberão poder”- Quem! Os Socialistas, pois quem!? A busca desse poder é uma experiência diária. Podemos sim, sentir isto – Porque o Espírito Santo não será derramado sobre papéis, cofres, computadores, câmaras, edifícios, mas sobre pessoas como nós – Você e eu…

ESTÁ na cara!

Nota: Crónica já publicada em KIZOMBA do FB a 17.12.2020

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:38
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXVII

FUI Á RUA DIREITA NESTE DOMINGO – PARECE UM HOLOCAUSTO

Crónica 3092 - Janelas para A VIDA13.12.2020

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soba24.jpgT'Chingange - No Barlavento Algarvio do M'Puto

cozinha1.jpg Confinado na minha casa, ouvindo as ondas batendo na rocha da falésia quando o mar fica bravio, telefonei para o take away a Cozinha a encomendar um frango assado com jindungo e outro sem jindungo. A moça que me atendeu, de sotaque brasileiro, riu da forma como falei e daí, ter-lhe dado o meu nome para registar no livro. Sucede que por via da pandemia, vão fechar às três da tarde e a minha encomenda que era para as sete da tarde terá de ser embalada de forma diferente.

Disse à moça que me atendeu que era o T´Chingange de Maceió e ela riu. Fala da rua Direita! Pois! Não é a casa do senhor Álvaro que cacareja? Óh, agora, riu ainda mais pois que seu patrão de nome Álvaro Faustino, em realidade ri duma forma especial ao jeito de guinchos solavancados. Uma forma de rir única e espacial. Assim foi! Antes das três horas da tarde, lá fui até Portimão, para lá do outro lado do rio Arade e, lá chegado, tudo estava embalado; era só pagar.

poluição.jpg Este senhor Álvaro estabeleceu-se há mais de quarenta anos em Portimão a assar churrasco bem à maneira de Angola e, sempre que lá vou sou contemplado com uma simpatia única tal como seu riso que enlaça qualquer tipo de empatia. Ele chegou com uma mão atrás e outra a fazer pala para adstringir o brilho do vinticinco, entalaram-no em um hotel da região assim como tantos outros e, logologo começou a fazer contas à vida. Não era gente de coçar preguiça e aconteceu montar seu ximbeco assando frangos com piripiri à maneira dos trópicos.

Meu nome da lista teve de ficar o “senhor das sete” porque a moça de Minas Gerais não soube escrever tão difícil feitiçaria de T´Chingange. Sucede que como cliente especial tive de dar meu nome do M´Puto e número de telefone, tudo em uma senha azul, numerada para ficar habilitado a um faisão feito capota a distinguir o Natal de 2020. Não sei bem o que seja mas deve ser qualquer coisa assim; a menos que seja uma trotinete automática.

pombinho2.jpgP - Regressando a casa do outro lado do rio Arade, pude ver lá no alto dos candeeiros eléctricos das rotundas e chaminés de extintas fábricas de enlatar sardinhas, atuns e cavalas, as cegonhas agraciando-nos de forma permanente com sua beleza. Com a chegada dos expatriados, refugiados, desalojados e retornados das ex-colónias, estas, parece terem feito um pacto de por aqui permanecer a fim de alegrar nossas vistas, nossas vidas também entre mistérios feitos kitukos de colono, xi-coronho, chicoronho, caluandas e outros até, vindos de Xi-Língwine ou antigo Maputo do Oceano Índico.

Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada. O amigo Álvaro deu-se conta disto como milhares de outos pensando no mesmo jeito e, meteu mãos à obra. O destino da humanidade repousa irremediavelmente e, cada vez mais que nunca, sobre as forças morais de ser-se homem. Se se quiser uma vida livre e feliz, forçosamente haverá necessidade de se restringir ao essencial e renunciar a muitas tentações; daqui dizer-se estar sempre limitado ao tempo que surge, às manigâncias dos governos e gente que comanda os sem-eira-nem-beira…  

pombinho12.jpgP - Hoje o destino da humanidade repousa sobre os valores morais que consegue suscitar em si mesma. Todos, ou quase, percebemos que o livre jogo das forças económicas, o esforço desordenado e sem freios dos indivíduos para dominar e adquirir a qualquer custo, nos conduzirão mais e de forma automática a uma solução insuportável deste problema: tanto roubo, tanta hipocrisia e corruptela - Vou dizer mais o quê?

pombinho14.jpgP - Hoje mesmo, vou-me ensinando a ser gente tomando aqui e acolá, por onde calha, o saber dos mais sábios para ficar esperto. Nem sempre homem, nem sempre jovem, já mais velho, nos intervalos, aprendo a aprender a ser grande como o Álvaro das capotas vindo de Porto Alexandre. Esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos e dos fúteis caprichos de poder. Sim! Tal como estando num mato de capim tombado pelo vento tiro aqui e ali umas fotos sem pau de selfie, surfando a vida… Quase a chegar a casa, dei-me conta do holocausto Covide 19. As ruas, desertas! Um ou outro ciclista colorido a dizer adeus, talvez por necessidade, assim, tal como o fiz acenando às gaivotas e cegonhas…

Ilustrações: P - Pombinho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:55
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Sábado, 12 de Dezembro de 2020
MALAMBAS . CCLI
A PALAVRA É UMA ALEGRIA SEM LIMITES.
Palra a pega e o papagaio; os ternos pombos arrulham! Zurra o burro e geme a rola inocentinha...
Crónica 3091 - A galinha cacareja e come térmitas! As térmitas roem como o salalé…12.12.2020
Por

soba24.jpg T'Chingange - No M'Puto

roxo95.jpg AR - Recebidas as tuas palavras, logo as comi; elas, as malambas, tuas palavras, são a alegria para meu coração. Devemos ter em mente, que a beleza e a força da Palavra não estão apenas nas profecias, nas doutrinas, ensinamentos éticos ou mandamentos...

Elas são o electrocardiograma de nossa vida, valores, aventuras heróicas, cânticos, poesia e tudo o mais o que contém. Ao invés disto, o vírus expõe fragilidades e amplifica injustiças; por via disso até já ouvi panelas a falarem nas janelas e, isto não é ficção. Por vezes as urgências das raivas necessitam de dizer alguma coisa mesmo que o seja batendo panelas chilenas, brasileiras ou até do Ruanda-Urundi. Um dia lá no mato vi-me a falar com um imbondeiro, disse a ele quanto o admirava e, ele retribui-me com múcuas que me curam a glicémia!

IMBONDEIRO1.jpg Posso garantir a vocês que escrever esta meditação feita malamba foi uma experiência excepcionalmente rica! Redescobri o prazer de estar em contato com a Natureza e, chegada a noite fui para a cama levando-a na mente. Estava bem à beira do rio Okavango (Cubango)

Não importava quantas vezes eu acordasse durante a noite, ela a malamba, continuava no mesmo lugar. Já manhã, levantava-me com a sensação de que apenas havia fechado os olhos e continuado meditando na Palavra...

embo0.jpg Se você que me lê, imaginar que isso representava cansaço, garanto-lhe o contrário, só que, obviamente, não tenho poder para criar um “Ministério da Felicidade” mas, só assim, já é uma grande bênção. Que maravilha é a Palavra! Não vou meter Deus na matéria porque creio ser inerente ou evidente mas, o que vi e, com quem estive, foi tão só o imbondeiro...

Lembro-me de em certa ocasião, depois e durante a manhã, ter a ideia de aproveitar o pequeno espaço antes do almoço, para olhar os sentimentos enovelados vendo na TV a pilhas o noticiário, as makas e coisas truculentas do dia a dia. Estava na Ovambolândia…

papoila0.jpgAR - A diferença de sentimentos foi gritante. Pareceu-me ter estado voando anteriormente sobre nuvens e, em seguida, aterrizado num lixão feito terra, globo ou o que quer que o seja... Mas, em verdade, qualquer pessoa que se expressa, corre perigos vários.

Pensei: “Por que tantas vezes trocamos o tempo que deveríamos ocupar desfrutando plenamente o tesouro da Palavra, por coisas inúteis?” Não tarda, começarão a deturpar a malamba como se desintegrassem um átomo e virá a desacreditação, o distorcer delas, as palavras, tornando-nos suspeitos de algo…

imburana vermelha.jpg Por isso, a malamba feita palavra, é tão bem-vinda como o alimento é para qualquer faminto. E, assim, falando com o imbondeiro, alegremente, pude entender suas mãos feitas ramos secos, elevadas ao céu a implorar o remédio que me iria tratar - a múcua.

Embora tudo isto seja importante, a Natureza sempre será a personagem central e, que testificam os kitukos, mistérios do nosso imaginário no sentido de sempre renovar a alegria do coração, nossa máquina... Aiué!
Ilustrações de  AR - Assunção Roxo
O Soba T'Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2020
MALAMBAS . CCXLIX

MALAMBA É A PALAVRA...

Crónica 3085 - Apaziguando rijezas adversas - 23.11.2020

Por

soba24.jpg T'Chingange – No M´Puto

araujo 42.jpg De acordo com um dito popular, há três coisas que são irrecuperáveis: a flecha atirada, a oportunidade perdida e a palavra falada. Pascal, filósofo e matemático francês, afirmava que “a maior parte dos problemas do ser humano é decorrente da incapacidade que tem de ficar calado"...

E, como cada qual tem no corpo um pecado de qualquer crime por pagar, de facto, uma verdade incómoda para todos nós é de que, muitas vezes, sabemos exactamente o que precisa ser dito em diversas situações, mas não dedicamos tempo suficiente para pensar na maneira acertada em como as coisas devem ser ditas, noé!?

Quando se trata de controvérsias, ou quando há necessidade de falar contra algum erro, sabemos o que deve ser dito, mas falhamos por vezes na forma como o dizemos... E, por isso, apresentamos o que nos parecerá plausível; porém, a palavra muitas vezes, sai desprovida, sem intenção ou sem o esforço de uma conversinha adulta na suficiência...

pombinho3.jpg Dizemos o que precisa ser dito, mas com aquela ponta de arrogância que causa agressão verbal nas malambas precipitadas ou até avermelhando os olhos por só se falar pedacinhos de palavras constipadas de angústia.

Muitas relações fracassam por via de agressões verbais ou palavras precipitadas. Sabe-se que, durante a infância, algumas, muitas pessoas desenvolveram uma personalidade complexada ao ser estigmatizada com termos pejorativos.

Quantos amigos já foram separados por causa de palavras inoportunas. Conflitos teriam sido pacificados, caso fossem usadas palavras brandas por uma das partes. Transgressores poderiam ter sido recuperados, caso a verdade lhes tivesse sido dita com palavras menos graves...

o vazio.JPG Não haveria tantas reputações destruídas e caracteres manchados se a palavra maledicente não fosse dita. Há tanta gente que poderia ser curada de suas feridas emocionais e espirituais se tivesse encontrado alguém que lhe dissesse a palavra sem abelhudice!

“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” foi o que li e até retive que “A morte e a vida estão no poder da língua” - reli algures... Na ânsia de sempre arrumar alguma coisa, solicito-me mnemónicas próprias de antigos responsos: Por São Brás! Por São Jesus, passo aqui sem levar a cruz! Com mil outros assuntos vagos e sem interesse, entre muita tolice, tenho em mãos uma fútil preocupação espantando a visão de ver bolos-reis deitados ao lixo, tendo tanta gente passando fome!

araujo179.jpg Amanhã! Amanhã! Calculo eu, saberei tudo; nada de desanimar! Sem saber porquê reconheço-me muito mais depois das resistências postas ao meu futuro; mas que futuro? Qual a medida verdadeira do meu apreço às notícias que correm, das intrigas internas e externas, das guerras sem apreço e sem medida, tolas quanto baste  a somar aos muitos sacrifícios com desmandos…

Feliz semana...

Nota: Esta Crónica sai também publicada em Facebook na página Kizomba... 

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O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
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Sábado, 21 de Novembro de 2020
MUXOXO . LX

NUM TEMPO COM CINSAS - AZUCRINADOS - Portugal e os bafos dos desabafos… Crónica 3084

Meu futuro é amanhã! Ontem, foi meu prefácio… Termos de acreditar que algum visitante do futuro nos traga toneladas de esperança para se acabar com a crise… 21-11.2020

Por

soba24.jpg T´Chingange – no Algarve do M´Puto

eça2.JPG Despairecendo meu espírito, olhei-o escondido com medo do fogo e do capeta feito diabo que sai por toda a parte lambendo os beiços. Com modos sortidos, nas entrelinhas, esbarra em lugares de kotas mais velhos e, assim átoa feito peste, quebra a renitência da idade. E, porque não posso tomar medidas energéticas providenciais, requebro-me nas charadas alcoviteiras para enfeitar penicheiras provocatórias, estendendo a crítica a vulgares patifarias de caixeiros feitos doutores e, até políticos…

Engomando, cozinhando, ou limpando-nos o pó como se fôramos trastes dum estado só deles, precisamos de algo a que nos apegarmos para que a fé não vacile para além do suficiente. Na vontade de fugir espantado, remoçado, muito inchado de iguarias macabras, algumas idiotas, meus espíritos passeiam-se-me no cérebro às apalpadelas azucrinando-me.

eliseu0.png Sem a preocupação gramatical, com o sujeito cutucando o verbo mais o predicado…, sem a métrica do fado, uma emergência confusa deste tempo, sem uma rima versejada por poeta que se preze, esganiço-me a fazer conversa sem sobejar esforços de conversinhas, na fé da promessa e até, sem a vergonha de estar esmolando metáforas antiquíssimas. Ninguém ainda sabe, só umas raríssimas pessoas de olhos rasgados…

Jogando búzios na zuela do feitiço, com algum esforço intelectual, remexo panelas de caldeirada muito me convencendo da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de vaidades. Metendo num pão que vai ao forno os trocadilhos e chouriço e enquanto espero, vejo os estudos feitos pela OMS que apontam uma estatística mundial como havendo 300 milhões de pessoas, de todas as idades, com depressão, considerando ser este o mal do século…

etosha2.jpg Algum tempo atrás, desconhecia que podíamos fechar o tempo dentro de casa, atazanado comecei a beber dez gotas de cannabis para truncar as vicissitudes misturando o gosto estranho com kefir, um pouco de café pilão e um pouco de mel. E assim, meto também num pão tipo croissant os trocadilhos com chouriço, por vezes morcela, no fim de sentir algum prazer de viver…

Escrevo isto olhando para a árvore gigante que meu vizinho alemão da Alemanha construiu no seu quintal, a mesma que me tira o sol de inverno porque baixou demasiado no varão, agora ensombrado; lá estão as duas máscaras que foram lavadas com sabão macaco mas, ainda não sei quanto tempo o capeta pode ficar naquela superfície de pano.

enxada quioco1.jpegMenos mal que o meu outro vizinho que veio de França e, que tudo indica ser evangélico está com o Espirito Santo. Deste modo lá serei abrangido nessa coisa do wifi… O tal padrão Wi-Fi que opera em faixas de frequências que não necessitam de licença para instalação. Acho que também serei apanhado no leque de ondas embora o tipo, tenha subido o muro até aos limites da minha altura  só para não ver sua filhinha vinda das arábias a fumar por aqueles esquisitos cântaros  com uns tubos de fazer borbulhar  o Alibabá...

Ainda que eu falasse a linguagem dos santos, para além de me ser exigida a fé suficiente, teria de me posicionar diante da minha intuição; os meus olhos teriam de me fitar, de me desafiar a enrolar silêncios nas pretensões, sem me sentir temeroso e, quanto a isto, enfeito-me de liberdade com a suficiente e possível humanidade sabendo de antemão que viver, mesmo, é um descuido prosseguido…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
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Sábado, 14 de Novembro de 2020
MISSOSSO XXXVI

MEDITAÇÃO DO T'CHING

Crónica 3082Kiçondeando o OLHAR DA FÉ - 13.11.2020

Por 

soba24.jpg T'Chingange -  no M'Puto

sacag9.jpg O que não fazem os seres vivos, mesmos os irracionais, pela própria sobrevivência? Com o passar do tempo, cabras que habitam áreas desérticas de Marrocos tiveram que aprender a subir em grupos na árvore de argan, em busca do fruto para sua alimentação. Na Itália, cabras selvagens foram vistas tentando subir 50 metros de um paredão em busca de alimento. Como seres humanos, também não nos renderemos à possibilidade de morte. Enquanto houver hipótese de viver, não a descartaremos!

picasso3.jpg Kissondeando* sobre muitas picadas percorridas, revejo-me nas vivências porque não o sou, só ossos dispersos. Pensando em kimbundo da Luua recordo falas da terra que afinal não era minha; repeti assim: “ki tuexile tu ngó ifuba iatujunkura” - ainda não somos só ossos dispersos, “ifuba yetu iokune kala jimbuta” - Nossos ossos serão semeados como sementes…

Em 2003, Fernando Ivan Ostrowski tinha 18 anos e estudava na Rússia. Em certa madrugada de Novembro, ele foi acordado pelo som da sirene e, pelos gritos que anunciavam um incêndio no residencial da universidade aonde morava.

deserto1.jpeg Foi o último a acordar, mas, com muita serenidade e acalmando os demais, ele não hesitou em pular do quinto andar. Tendo a queda amortecida pela neve, mesmo assim sofreu alguns ferimentos. Com essa atitude, escapou da morte, que ceifou 36 estudantes nessa ocasião...

E, foi em um barco prestes a ser tragado pela tempestade que John Newton se libertou da vida imoral em que havia mergulhado. Na ocasião, clamou por socorro e foi ouvido. A força da fé tem milagres inexplicáveis; decerto, cada um de nós tem passagens desconcertantes em sua vida...

Mas, a incerteza faz parte de nossa natureza! "Senhor, se és Tu, manda-me ir ter Contigo, por sobre as águas!” Era este o clamor de Pedro, o pescador, discípulo de primeira linha de Jesus, o Nazareno.

intifada0.jpg Assim está escrito na Bíblia e, não se tratava de um teste! Ao convite de Jesus, Pedro começou a andar como em terra firme, até que o erro de desviar o olhar para a força do vento por pouco não o destruía. Eu, que já tive muitos kixibus, entendo que as dificuldades de meus, nossos ancestrais também kubasularam lumbus mal explicados e, conhecendo bem a ciência dos calundus, espantaram  maus olhados desses defuntos espíritos da Yanda.

Sem o olhar de fé, morreremos afogados no mar do medo e da dúvida. Claro que ao longo dos anos, as falas e os desafios mudaram; uma grande parte de nós não quer seguir estas parábolas e, todos se julgando sábios ou descrentes, atiram por terra ensinamentos úteis...

dia32.jpg Podemos assim rever isto para e, como aquele ditado popular que diz: "querendo, os homens movem montanhas". É certo que Pedro, o pescador, corria o risco de naufrágio no caminho proposto mas, ao convite de Jesus, começou a andar como em terra firme...

Repito: Sem o olhar da fé posto em nossa vida, morreremos afogados, não na água mas num mar do medo; medo da dúvida, medo de tudo... Creia ou não num qualquer Deus em que acredite, faça a sua parte e, não ponha em dúvida que o que tiver que acontecer vai acontecer... Mas e, sobretudo, não coloque outros em risco... Senão o bicho pega!

Glossário

Kiçondeando: andar como a formiga quiçonde; kixibus:- cacimbos, estação fria; kubasular:- passar bassula, dar a volta por cima; lumbu:- descendente por parte do pai; kalundu / kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto; Yanda: lugar especial, região pambun´jíla   

O Soba T'Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:16
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Sábado, 7 de Novembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXIV

MEDITAÇÃO DE T'CHING

Cronica 3077 - Nós e, o deserto... 06.11.2020

Por

soba24.jpg T'Chingange, no Algarve do M'Puto

step6.jpg É na escola do deserto que aprendemos as mais profundas lições de vida. Já tive oportunidade de atravessar o Calahári e senti a profundidade dessa vastidão; senti um milagre acontecer quando o carro que conduzia foi deslocado não sei como para o lado certo, evitando um acidente de morte e, éramos cinco - a família mais um...

A palavra hebraica para deserto é midbar e tem a mesma raiz da palavra dabar, que é “falar”. Isso é muito interessante, porque o deserto é um lugar em que a Natureza fala... Não vem mal ao mundo, dizer que a Natureza é Deus...

nauk01.jpg Revendo o tempo antigo, Moisés sabia bem do que estava falando, porque passou muito tempo no deserto. Não sei explicar direito mas, meditando nas distâncias sem vivalma, um qualquer de nós se sentirá confuso feito um pequeno grão de areia, um nada na imensidão, uma ilusão...

Você já deve ter escutado falar que a vida de Moisés foi dividida em dois períodos de 40 anos. Ele passou 40 anos aprendendo com os homens no Egipto: 40 "desaprendendo" no deserto e aprendendo com a Natureza; 40 conduzindo um povo difícil e obstinado pelo deserto. Portanto, ele passou 80 anos no deserto. Eu, pouco mais que 8 X 8 dias...

nauk9.jpgO Eterno nos leva ao deserto para nos humilhar, nos provar e nos dar entendimento tal como a Moisés que sabia bem do que estava falando... No deserto, o silêncio é tão profundo que somos capazes de ouvir a própria respiração. Ali, a Natureza consegue cativar nossa atenção para as coisas mais simples. Lá você aprende a calar-se e, ficar a sós esperando para ouvir o que ela lhe quer dizer.

Eu, ia a uns 180 kms em contramão, estrada de areia com terra quase feita pó e, naquela recta a perder de vista surge outro carro. Terra solta de difícil manobra de direcção e, inexplicavelmente sou levado para a esquerda, lugar certo na condução. Não sei como - aconteceu!

nauk3.jpg Agora, tantos anos passados, relembro o deserto como sendo o lugar da acção de Deus na vida de Seus filhos; assim leio e, assim recordo! Para Moisés, o propósito é nos deixar humildes. Algumas vezes, a Natureza tem que passar a rasteira em uma pessoa a fim de que ela seja capaz de olhar para cima.

0 destino põe-nos no deserto para nos refinar e não para nos destruir. Será este o Deus a que chamo de Natureza? No deserto, Moisés teve que aprender que não era ninguém. E, a partir daí também eu, senti isso mesmo. No Egipto , Moisés  achava que era alguém importante, respeitado, admirado.

nauk2.jpg Ele passava, e todos se inclinavam diante dele. Ovelhas não fazem isso; diz-se até que elas são animais pouco inteligentes. No deserto, ele teve que aprender a viver com pouco. Suas roupas luxuosas que usava nas cidades não combinavam com a simplicidade de seu novo trabalho de pastorear.

Se você está passando hoje por um deserto, provavelmente também pensarará “Não aguento mais isso!” - Entretanto, será bom não perder de vista a principal lição do deserto:  *0 destino põe-nos no deserto para nos refinar e não para nos destruir*

charula.jpgFoto: Angola - Revista 'NOTÍCIA', n. º 381, de 25 de Março de 1967 (A morte de João Charrula de Azevedo)

Nota: O título destas crónicas começaram faz muito tempo pela mão de Charulla de Azevedo na revista Notícia da Luua – a Luanda doutros velhos tempos,  Mu Ukulu esquecido no tempo... 

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:40
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2020
FRATERNIDADES . CXXIX

ANDO ENKAFIFADO – OPÇÕES DE VIDA

Crónica 3076VIVÊNCIAS DE CANHOTO 03.11.2020

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbo

Por: António José Canhoto

mulata1.jpg Uma traça invisível corrói a minha mente fazendo-me perguntas às quais não sei responder porque para as respostas às verdades com as quais sou questionado não as tenho, e as poucas que conheço são relativas. O paraíso celestial não existe é uma ilusão, e quando alguém o atinge é sempre na terra e por breves momentos, e não depois de morto. O eterno, é tudo aquilo que dura uma fracção de segundo, mas que nos violenta com tal intensidade que se petrifica, e nenhuma força jamais resgata esse eterno da nossa mente ou coração que pode ser conseguido a solo ou partilhado. Se eu pudesse ter aprisionado em cativeiro os momentos mágicos e inesquecíveis que vivi para os reviver seria pura magia. Morrer é comoventemente difícil, mas a ideia de ter de morrer sem ter vivido deve ser insuportável.

Há alturas em que não me importo que me roubem o mundo desde que me deixem saborear e viver o momento. Atingi um estatuto na minha vida que já não me preocupam os grandes atractivos e sedutores corpos, mas sim as grandes mentes. Como a palavra é muda para quem não quer ouvir, não perco o meu tempo a dialogar com quem pensa já tudo saber. Muitos me criticam por ser diferente, mas eu gozo com isso por estes serem todos iguais. Loucos como eu vivem pouco mas vivem intensamente como não houvesse amanhã, pois eu apenas herdei a vida e não a eternidade.

balba1.jpg De repente tudo na vida vai ficando simples quando atingimos um determinado estágio mental. A gente vai perdendo grande parte das nossas qualidades e necessidades e ter apenas saúde, paz de espírito, independência e liberdade já me deixa feliz e contente. Reduzimos a bagagem, as opiniões dos outros tornam-se irrelevantes. Vamos abrindo a mão de certas certezas, pois já não temos a certeza de nada, bem como de certas verdades que depois de uma vida constatamos serem mentiras. Paramos de julgar, pois já não existe certo e errado, cada um escolhe o seu caminho desde que o percorra sorrindo e feliz. Por fim acabamos por concluir que o mais importante na vida é, vivê-la sem medos em independência física e mental fazendo apenas aquilo que nos dá gozo e prazer.

O sistema educacional religioso e académico foi inventado por esta sociedade medievalista e apodrecida para servir os seus próprios propósitos de cumplicidade entre ambos. O sistema perpetua-se não para nos ajudar, e esclarecer, mas sim, para nos manter na servitude humana. Sejam quais forem a origem dos mitos e lendas cujas raízes remontem á antiguidade, ou ao aparecimento de humanos programados com fins obscuros, manipulativos e com dons oratórios de persuasão e o poder populista de influenciar os nossos sentimentos, emoções, pensamentos e actos, explorando as nossas fraquezas é assustador.

ximbica2.jpg A linguagem política e religiosa destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e os crimes e assassinatos cometidos se tornem respeitáveis. Aconteceu com o catolicismo na época da inquisição e acontece hoje com os radicais Islâmicos. Aceitar opiniões e teorias sem evidências é o mesmo que entrar num táxi conduzido por um cego e dizer-lhe que o destino é a verdade. Todos nós nascemos, puros, livres e imaculados, aquilo que nos deixa nódoas para a vida inteira são as escolhas que terceiros fizeram sem a nossa permissão e nos manchou o cadastro.

A impermeabilidade da estupidez humana e da ignorância que com ela viaja atrelada, leva-nos a pensar que estes deficientes mentais, sofrem de uma patologia de não conseguirem viver com a realidade, enquanto que, a ilusão se agiganta dentro das suas mentes levando-os a conceberem realizar actos inconsequentes morrendo com eles como mártires. Só podemos prometer acções, mas não sentimentos pois estes são involuntários. Quem faz promessas de amar, odiar ou ser fiel para a vida inteira mente descaradamente pois promete algo que não está no seu poder controlar. Nunca brinque, hostilize ou ignore o tempo; com ele nós amadurecemos mas também apodrecemos bem depressa e quando caímos da árvore tornamo-nos em lixo descartável. Na solidão só existe um risco: é nos apaixonar por ela e tornarmo-nos celibatários ou misantropos. A grande maioria das pessoas tem um preço para se vender por notoriedade, amor, carinho, respeito, sucesso ou dinheiro, olhe para si e veja qual o seu preço de mercado se é que pensa ter algum que interesse a terceiros.

dia95.jpg Há uns anos que fugi refugiando-me na solidão, pois comecei a sentir-me uma ilha por estar rodeado de tantos idiotas e estúpidos que me cercavam por todo o lado picando-me com as ferroadas da sua ignorância e dependências mentais que os escravizavam a mitos demasiado pequenos e anões para o meu gosto. Seres superiores exigem muito de si, enquanto seres medíocres exigem muito dos outros. Pessoalmente não gostaria de me sentar numa sala e ver o filme de tudo o que fiz ao longo da minha vida, muito possivelmente vomitaria ou sairia a meio do filme nauseado, especialmente durante o período dos 25 até aos 50 anos. Sempre desvalorizei as críticas ou argumentos sobre determinados temas especialmente os religiosos que desqualificam as pessoas por não terem um conhecimento profundo sobre o assunto em debate.

Invariavelmente a grande maioria das pessoas formam as suas crenças não baseadas em evidências mas sim como resultado da sua doutrinação. Daí todas elas não passarem de marionetes puxados pelos cordelinhos da religião, ideologia política ou fanatismo clubista. Pense que na vida quem não é verbo, não tem sujeito, passando a ser objecto do verbo alheio. Em crianças engolimos de uma vez inteira a mentira religiosa disfarçada de verdade que nos acompanha até ao caixão, enquanto durante a vida as gotas da verdade se tornam amargas e difíceis de engolir. E para terminar o texto de hoje aqui vos deixo para meditação o seguinte: Nós todos somos luz e escuridão em maior ou menor escala, e quem não compreender esta dualidade, desconhece-se a si mesmo.

António José Canhoto. - 20-8-2020

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:29
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Domingo, 1 de Novembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXII

A VIDA É UM DESAFIO - Força M'PUTO!

MEDITAÇÃO DO T'CHING... Crónica 3074 - 29.10.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Sotavento Algarvio – M´Puto

mamoeiro.jpg Hoje há desafios a enfrentar; sempre os houve e haverá como o foram em idos tempos na travessia do Jordão, nas muralhas de Jericó, na instabilidade do próprio povo com os inimigos ao seu redor. Nas muitas pestes, negras ou brancas entre e fora de muros para conter ímpetos...

Por isso, era preciso ter coragem, confiança e fé tal como nos dias que correm. Os recursos serão outros mas, as angústias serão inexoravelmente muito parecidas. Os holocaustos sucedem por causas nem sempre decifráveis. A natureza confirma-nos sua superioridade...

mandrak5.jpg A Fonte da virtude, estará bem ao teu lado como esteve com Josué e os peregrinos há muitos anos atrás no seu percurso rumo a uma pátria. Além das provas comuns do dia-a-dia, há os desafios para se viver a vida, num mundo no qual parecemos por vezes, transitar na contramão.

Nós também precisamos de coragem, pois em nossa peregrinação rumo ao Futuro, há obstáculos incontáveis, conhecidos e desconhecidos. Ao estabelecermos objectivos elevados ou sermos chamados a desempenhar uma grande tarefa, precisamos estar dispostos a pagar o preço. Isso requer coragem!

malangatana2.jpg Sempre haverá situações, ou mesmo pessoas e governos que tentarão fazer-nos fugir ao dever porque tal coisa, tal procedimento, não nos parece justo! Permanecer firmes no posto e cumprir nosso dever até o fim é uma atitude que também exige coragem.

A alegria das conquistas e a paz da consciência da missão estão reservadas somente aos corajosos. Precisamos dela para contrapor com o “assim diz o Senhor Ministro” ou "assim fala o Presidente", na onda de descaso aos princípios que cada qual ache.

ÁFRICA1.jpg A "Natureza" é nossa fonte de coragem, afinal, a coragem que não resulta da certeza da presença dum qualquer Deus em que se acredite. No fundo sempre apelamos a Ele mas, o Ele estar connosco não passa de atrevimento e presunção! Pode esvai-se como o ar de uma bexiga tocada com um alfinete. M'Puto, aiué, diria minha empregada Mary, natural de Kampala...

Se pararmos para considerar nossas limitações diante dos adversários e obstáculos grandes ou minúsculos, certamente entraremos em desvantagem na luta. Nós só temos de fazer a nossa parte - ter o medo necessário, que se torna um aliado nesta dependência que por vezes, muitas vezes, nos leva a buscar a ajuda do meu tio, "O Nosso Senhor" - FORÇA!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:48
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2020
KALUNGA . XIII

MOKANDAS XINGUILADAS NO TEMPO - OS “NOSSOS” CÃES SELVAGENS…  

Crónica 3073 - Moçâmedes / Baía dos Tigres /Angola – 28.10.2020

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual…

soba k.jpg As escolhas do Kimbo

Por:

tigres5  - Joáo sá Pinto.jpgJoão Sá Pinto

swakop6.jpg A primeira vez que ouvi falar na Baía dos Tigres, foi no início de 1960, em Benguela, quando ofereceram ao meu avô, um cachorro, que diziam ser da raça “Cão da Baía dos Tigres”. Veio numa caixa de madeira do leite “Nido”, trazido por um amigo do meu avô e que teria estado a trabalhar, como caldeireiro, nas pescarias da Baía dos Tigres e de Porto Alexandre. Contou-nos alguns factos sobre a Baía dos Tigres e esta raça de cachorros desconhecida para nós.

Algumas dessas coisas contadas, eram certamente exageradas, mas a convicção que na altura narrou os factos pareciam-me bem reais; dizia ele que: “estes cães vivem em matilhas, lutam com leões e hienas, pescam e bebem água do mar (*)”. Ao cachorro pusemos-lhe o nome de Leão, nunca lutou com os leões ou hienas e nem sequer foi à pesca. De uma bola peluda, resultou num belo animal de cor negra e de grande porte. Foi muito fiel aos donos, mas agressivo para com os estranhos, viveu mais de uma década, sempre num recinto fechado e só ao anoitecer era solto no quintal.

tigre01.jpg Fiquei com muita curiosidade em saber mais sobre estes animais, sobre os quais não se sabe bem a origem. Uma das teorias aponta para que uma embarcação de holandeses, vindo do extremo oriente, ali naufragou e os animais trazidos a bordo, incluindo cães de uma raça com características especiais, ali foram deixados ao abandono, evoluindo ao longo dos anos até a raça actual.

Uma outra ocorrência no início dos anos 1900 na cidade de Moçâmedes, quando de um grande surto de raiva, fez com que governador da cidade mandasse capturar todos os cães sem dono e deportá-los para a Baía dos Tigres, onde foram abandonados e que ao longo dos anos também poderiam ter-se adaptado às condições ali existentes. São apenas algumas das teorias sobre a origem desses animais por aquelas terras. Cerca de 1962 a baía, por erosão do seu istmo, separou-se do continente angolano, passando-se a chamar-se Ilha dos Tigres, a maior ilha angolana, facto que acentuou mais o isolamento dos animais que ali viviam.

tigre4.jpg Nunca estive na Baía dos Tigres, mas muitos anos depois de terem oferecido um cachorro de raça “Baia dos Tigres” ao meu avô e no cumprimento do meu serviço militar obrigatório, houve uma situação em que viria a recordar a Baía dos Tigres e também dos seus cães. Cumpri o meu serviço militar como oficial de engenharia militar na Direcção da Arma de Engenharia, ocupando o cargo de chefe de redacção do seu jornal informativo.

tigres6.jpg Tive como uma das tarefas atribuídas, escrever a história das companhias de engenharia destacadas nas guerras do ultramar. Tive acesso e li centenas de relatórios de comandantes dessas companhias, que actuaram na Guiné, Angola e Moçambique. Num dos relatórios de um desses comandantes, mencionava o facto de lhe terem atribuído a função de visitar vários pontos isolados de Angola, entre os quais a Baía dos Tigres. Como comentário final desse relatório, destaco a frase: “Estranha terra, esta, a Baía dos Tigres, onde os cães pescam e bebem água do mar (**), onde existe um hospital, uma escola e uma igreja, mas nem o hospital tem médico, nem a escola tem professor e nem a igreja tem padre”.

João Sá Pinto

tigres3.jpg ADENDAS

Adenda (*) - Teresa Sá: Numa explicação mais detalhada acrescento o seguinte: de menor densidade, as gotículas de água doce ou seja, o orvalho da noite (o nosso cacimbo) depositadas em noites sem vento na crista das ondas, permaneciam por algum tempo sem se misturar com a água do mar. Era assim, logo pela manhã, bem cedo que os cães se jogavam ao mar para matarem a sede. Eram um relógio da natureza bem intrincado! Acredito que, em noites de vento esse orvalho não se depositasse e, eles quebrassem esse ritual lambendo as pedras roliças impregnadas desse cacimbo. É realmente muito interessante e estimulante pensar-se em tudo isto.

CAUNI 2.jpg Adenda (**) - Nos anos 50, o veterinário Dr. Abel Pratas, após a escolha e captura de vários exemplares selvagens, obteve o apuramento e a estabilização de uma nova raça de cães que, mantendo a designação "Baía-dos-Tigres", foi registada oficialmente. Julgo que a raça já não existe por vários motivos, entre eles a descolonização. É possível que os cães dos Bóhers fossem da raça "Leão da Rodésia" (Ridgeback). Ver no Google em "Cães da raça Baía dos Tigres", na página "Gente do meu Tempo (Baú de Recordações) ". O texto é longo mas interessante.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:19
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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2020
KALUNGA . XII

MOKANDA DO EDU

HISTÓRIAS DE VIDA – Politicas e não só…15.10.2020

- Crónica nº 3069

Por                                                

Torres0.jpg Eduardo Torres

kimbo 0.jpgAs escolhas do KIMBO

ara3.jpg Eu não sou nem nunca fui muito interessado em política, porque de um modo generalizado, não acredito nos políticos. Aceito que como classe, seja um mal necessário para a governação de um país, mas como tudo na vida, por vezes, por necessidade de escolha, tem que se utilizar os meios ao nosso alcance, mesmo que eles não sejam do nosso inteiro agrado. Isto sucede com todos os povos; pode-se questionar o sistema político, as liberdades ou condicionalismos, mas a razão de uns, não implica a falta de verdade dos outros.

Vem isto a propósito do povo alemão. Os alemães viram-se envolvidos em duas grandes guerras. Na primeira, em l914, tentaram dominar a Europa, e perderam a guerra. O Sudoeste Africano passou a ser um protectorado inglês, sob a administração da União Sul-Africana, na altura, uma colónia inglesa.

araujo100.jpgAlguns anos volvidos, salvo erro, em l939, tinha eu seis anos de idade, iniciaram a segunda grande guerra, acabando por perdê-la, tal como a primeira, com o Hitler a personalizar a ambição de criar uma nação de um povo puro, ariano, que haveria com a vitória final, de controlar a Europa e parte influente do mundo. Começou a perder a guerra, com a invasão da Rússia, depois de estes serem obrigados a abandonar tudo, num recuo estratégico, queimando o que fosse alimentação.

arau44.jpg Mas, em Estalinegrado, numa série de combates, de Setembro de l942 a Fevereiro de l943, o sexto exército alemão sob as ordens de Von Paulus cercados pelas tropas soviéticas comandadas por Rokossovsky e por Yeremenko, acabou por capitular; aí, começou a grande derrota alemã em mais uma guerra que deixou a Nação destruída e, que se reconstruiu graças ao Plano Marshall, plano de cooperação económica dos Estados Unidos para a reconstrução da Europa (l948).

A Alemanha ressurgiu das cinzas, voltou e continuou a ser um dos países mais influentes na Europa, quiçá do mundo, e basta ver hoje a sua forte posição na União Europeia, para entender que sua força económica, ainda dita leis. Com o problema da saída do Reino Unido da União Europeia, suponho que profundas alterações irão surgir; isso, a acontecer, que surja numa realidade diferente para uma aproximação de facto de todos os países que a integram. É necessário um justo equilíbrio que venha a permitir aos países de economia mais vulnerável ganharem capacidade de produtividade e concorrência.

araujo 29.jpg Sendo assim, que o seja numa competição leal obedecendo aos principios para que foi criada a União, com 27 países. Felizmente, já se pôde verificar um entendimento entre os países de economia mais forte e os de países com economia mais fraca. Quanto ao seu funcionamento, a ajuda, para o ser possível frente às diversas vicissitudes no aspecto económico, sempre estarão pendentes do actual coronavírus e, de modo a que todos os países fiquem em igualdade de circunstâncias. É desejável que a Europa esteja o suficientemente forte para enfrentar esta nova e diferente postura da humanidade.

Ilustrações de Costa Araújo 

ECT



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:28
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2020
KALUNGA . X

MOKANDAS XINGUILADAS NO TEMPO . Crónica 3067 - 13.10.2020

HISTÓRIAS DE VIDA X … RECORDANDO A INFÂNCIA I

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual…

Por

Pedrosa1.jpg Josué Pedrosa

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbo

Pedrosa2.jpg Fazia bué de tempo, que eu ficava só triste, de ver os outros candengues, alguns pouco mais velhos do que eu, a passar na minha rua com as suas gaiolas feitas de bordão, com várias variedades de pássaros; gungos, celestes, bicos de lacre, rabos de junco, januários e de vez em quando umas viuvinhas. Na mão levavam também as varas de arame, onde enrolavam o visgo com que apanhavam os pássaros.

Eu até já tinha ido algumas vezes, com alguns dos mais velhos e via como faziam, mas não tinha visgo, nem sabia como arranjá-lo. Com o tempo, foram-me deixando acompanhá-los e lá íamos para as bandas do lado de lá da linha do caminho-de-ferro, onde anos mais tarde haveria de ser construído o Bairro do Cazenga.

Pedrosa3.jpg Figo de mulembeira - sicónio**

Naquele tempo, aquele terreno cinzento e barrento, era pela época das chuvas, cultivado pelas “mamãs” que, com os seus filhos às costas, ali plantavam batata-doce, milho e feijão. Uma ou outra vez, roubávamos umas maçarocas e ou babatas doces e tirando as “camisas” ou a pele com os dentes comíamos mesmo ali. Quando éramos avistados, só havia uma coisa a fazer; bazar a sete pés para bem longe.

Bem junto à linha, do lado de lá do dito terreno, havia uma grande mateba onde os “kambas” ficavam escondidos, colocando capim e outros arbustos para fazerem um pequeno abrigo de forma que os pássaros os não vissem. Enrolavam o visgo nos arames e prendiam estes no topo de canas, de maneira a sobressaírem por cima da mateba. No chão, uma pequena gaiola de bordão com um ou dois pássaros serviam de chamariz. Quando os pássaros pousavam nas varetas do visgo, saíam rapidamente do abrigo e apanhavam os pássaros que colocavam numa outra gaiola, para não interferirem com os chamarizes.

maximbombo.jpeg Alguns conseguiram aprender o canto dos gungos e deixaram de necessitar de levar chamarizes. Tanto pratiquei que também aprendi e ainda hoje sei como era.

Cansei de ver e de sonhar e um dia pus mãos à obra. Comprei um bordão e fiz uma gaiola que não sendo de deslumbrar, servia bem os meus objectivos que era guardar os pássaros que viesse a apanhar. Faltava, porém, o mais importante; o visgo. Sabia que era apanhado na mulembeira, mas não sabia como. Falei com os mais velhos que riram de mim e disseram que não conseguia apanhar, pois era difícil e amargo. Explicaram-me, mas uma coisa é explicar, outra a realidade.

Eu conhecia poucas mulembeiras; havia uma, bem grande, mas longe da minha casa, aí a uns três quilómetros, que ficava no lado direito do início da estrada de Catete, ali onde anos mais tarde os miúdos apanhavam o machimbombo para o Bairro Popular e Terra Nova. Como era uma árvore de grande porte, era difícil subir por ela, pois o seu tronco era de grandes dimensões e eu era pequeno, mas era aquela, a árvore ideal.

plim1.jpg Enchi-me de coragem, fiz três ou quatro palitos da casca do bordão, lavei muito bem um tinteiro vazio de tinta “Parker” que enchi de água e escondi uma catana, que enrolei num pano para que lá em casa ninguém visse. No dia seguinte, ainda cedo, pus-me a caminho e lá fui até à mulembeira. Apesar de tudo, a distância até nem era nada de especial, pois eu ia todos os dias a pé, da Terra Nova até à Escola 15, por detrás da Liga Africana, na Vila Clotilde, pelo que em pouco mais de meia hora estava no local.

Ali chegado, confesso que tive medo de subir para aquela árvore, mas tinha de tentar e, com extremo cuidado lá consegui subir. Os seus ramos eram grossos e iriam proporcionar-me uma boa colheita. Dei cerca de duas dúzias de golpes e vi os mesmos encherem-se de seiva branca como a neve. Retirei um dos palitos e comecei pelo primeiro golpe, onde a seiva começara a oxidar e a solidificar, enrolando a seiva viscosa no palito. Acabado este procedimento, colocava o palito na boa e retirava o visgo, mastigando-o como se fosse uma pastilha elástica. O sabor era horrível e era preciso estar permanentemente a cuspir para aliviar o sabor que ficava na boca. Felizmente a mulembeira é uma árvore que dá uns pequenos, mas saborosíssimos figos, pelo que, de vez em quando, comia alguns para afastar aquele desagradável sabor.

Pedrosa6.jpg Mulembeira

Lentamente, fui retirando o visgo dos golpes que fizera na árvore e quando a bola que se formava atingia um a um centímetro e meio, metia-a dentro do frasco que levara comigo. Aquele trabalho demorara não menos de umas três horas, mas no final tinha conseguido uma excelente bola de visgo que dava certamente para umas cinco ou seis varas de arame*. O desagradável era ter que mastigar continuamente o visgo, cuja bola tinha agora para aí uns três a três centímetros e meio. Quando cheguei a casa, o visgo já estava mole e pronto a ser usado; mudei a água do frasco e guardei-o onde ninguém lá de casa visse, não fossem deitá-lo fora ou para o lixo.

plau5.jpg Demorei ainda alguns dias até conseguir arranjar quatro ou cinco varas de arame, que necessitavam de ter cerca de cinquenta centímetros de comprimento e que era conveniente ser o mais liso possível, para o visgo não ficar agarrado a ele. Finalmente, munido da gaiola, do visgo e das varas de arame, lá fui até à mateba onde enrolei o visgo na diagonal de cima abaixo como vira fazer e coloquei as varas espetadas em canas e estas de forma a sobressaírem por cima dos ramos da mateba. Escondi-me no abrigo por baixo da mesma e aguardei que os pássaros viessem e pousassem sobre elas. Consegui apanhar alguns gungos e fui adquirindo prática, pois senão houver cuidado os pássaros ao baterem as asas para tentarem libertar-se, batem com elas no visgo e é quase impossível tirar-lho das penas.

plau2.jpg Fiz uma gaiola maior que se foi enchendo dia após dia, até que, admirado com a minha habilidade, o meu pai anuiu e construiu uma gaiola metálica com cerca de quatro metros de comprimento por dois de largura e dois de altura. Além dos gungos (pardais de bico vermelho) apanhei também januários e celestes. O viveiro, como lhe chamava, estava bem decorado com pequenos arbustos que transplantei lá para dentro, ninhos feitos de capim, fixos junto ao telhado e cobri o chão de areia para que pudessem comer alguma juntamente com o massango e alguma massambala que eram atirados para o chão tentando recriar o ambiente como se estivessem em liberdade. Tinha também uma bacia de plástico, enterrada na areia para que pudessem beber água e tomar banho. Estava orgulhoso, eu tinha conseguido fazer igual ou melhor que os mais velhos, mas igual ao meu viveiro não tinham; este era grande e recriava, com as devidas proporções, o ambiente de semiliberdade em que deviam viver.

imburana vermelha.jpg Mas o tempo passou, eu cresci, vieram as “meninas” e depois as Hondas, para me enlouquecerem e atirarem para as corridas e mais tarde o serviço militar. Já não eramos crianças, eramos rapazes feitos homens e criámos os nossos grupos de amigos, juntando-nos à noite no clube do bairro para as conversas e passeios próprios daquela idade. Entretanto, houve necessidade de mudança de casa e não havia espaço para o viveiro; tudo acabou e ficou a lembrança duma era da minha infância/juventude, que entendo guardar nas minhas memórias, para um dia os netos lerem e ficarem a saber como era a infância/juventude do avô e daqueles tempos numa terra lá longe em Africa, chamada Angola.

:::

Partilho com os amigos que gostam de ler e recordar esses tempos, ciente que alguns deles fizeram igual ou muito parecido.

Josué Pedrosa

(09.10.2018)

Nota* - Eu, o T´Chingange, usava finas e duras varas de um capim próprio existente no morro da Corimba ou Belas que cresciam perto de lagoas

Nota**A palavra sicónio tem origem na expressão figo em grego (sykon).



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:33
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2020
MALAMBAS . CCXLVII

NAS FRINCHAS DA VIDA – (06.07.2017) – 10.10.2020

Crónica 3066 - Malamba, é a palavra

- Somos divididos socialmente, não somente pela cor, ou forma de vestir mas, e também, pelas nossas posições no tempo… 

Por

soba25.jpg T´Chingange  - no Al Garbe do M´Puto 

calçadão do rio de janeiro.jpg Neste nosso curso de enfrentar os conhecimentos, todos os dias serão uma prova à adaptabilidade humana das várias instituições que nos governam. Teremos forçosamente de modificar nosso caracter de existência para aprender esta permanente transitoriedade. Uns dias atrás um amigo meu fez reparo àquilo que eu disse, de que nós sempre seremos o fruto da mudança afirmando que com ou sem essa tua (minha) teoria de transitoriedade nós seremos sempre os mesmos. 

Esse meu amigo mora em uma ilha grande e tem um cão chamado de aspirinas. Em verdade a palavra aspirina surgiu oficialmente pela indústria alemã Bayer a 10 de Outubro de 1897. Se imaginarmos que meu amigo nasceu lá por volta de 1840, seu cão nesse então teria outro qualquer nome assim como Sócrates, o filósofo ateniense do período clássico da Grécia que morreu 3 anos antes de Cristo.

rapa1.jpg Daqui se reproduz uma situação que deriva desta mesma palavra, “situ” do latim que quer dizer sítio e “acção” que quer dizer acto ou execução. Pode por analogia deduzir-se a partir disto que as linhas de delimitação entre o Sócrates e o “aspirinas” cachorro, são a duração do espaço de tempo durante o qual a situação acontece! Meu amigo ilhéu de nome Freitas, hoje talvez chamasse ao seu apirina “Samsung”, um nome bem mais recente e de acordo com seu hodierno viver, numa lógica evolutiva transitoriedade.

Em verdade o primeiro telemóvel do Fernando da Ilha era um quase pesado tijolo e hoje e um fino Smartphone que cabe num pequeno bolso das cuecas. A este número crescente de situações às quais não se aplica esta nova, traz-nos implicações psicológicas tornando um simples facto em situação explosiva. Para se sobreviver, o indivíduo tem de se tornar infinitamente mais adaptável e hábil do que nunca.

kimberly2.jpg Eu e, este meu migo Freitas da lha e todos os demais, teremos de procurar maneiras de fixação, totalmente novas e sempre transitórias pois que nossas antigas raízes tal como a religião, a pátria, família, nossas vivência de um bairro da Luua, nossa comunidade ou profissão, estão a ser abaladas. Abaladas pela força ciclópica do impulso acelerativo; e daqui, só seremos premiados se nosso comportamento modificar nosso carácter de existência.

Daqui, termos de compreender a transitoriedade! O computador apareceu lá pelo ano de 1950 quando eu já comia côdeas com leite retirado da cabrinha; sua característica de função, quantidade e velocidade, transformou-se em uma grande aceleração de conhecimentos, e isto, é poder! É mudança! O computador, é quer se queira ou não, o artefacto que elevou a humanidade a uma exponencial de espantosa novidade.

dia95.jpgA aceleração do conhecimento é uma das mais importantes e talvez a menos compreendida de todas as formas sociais e, que naturalmente abala as nossas instituições. Claro que o ritmo crescente de mudança perturba o nosso equilíbrio interior e, até modifica a própria maneira de como experimentar a vida acelerando a integridade. Esta aceleração de mudança, complica e muito a estrutura de nossas vidas, diversificando-nos nas formas que temos de representar e o número de papeis com uma inerente opção de obrigatoriedade.

GOLF1.jpg Obrigatoriedade de assim fazer, explicada a asfixiante sensação de complexidade da vida contemporânea. Não será exagero, dizer-se que a realidade hodierna origina mal-entendidos entre pais e filhos, entre homens e mulheres, americanos e europeus, cristãos ou muçulmanos, gente do Leste ou do Oeste. Somos assim divididos não somente pela cor, ou pela posição social ou económica mas, e também, pelas nossas posições no tempo. 

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:54
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Domingo, 11 de Outubro de 2020
CAZUMBI . LXV

"PAIXÃO DE CRISTO" - FLOR  DE MARACUJÁ

- Crónica nº 3065 - No dia de Nossa Senhora da Aparecida – Brasil11.10.2020

A "Paixão de Cristo" é de origem Tupi-Guarani e tem o nome gentílico de "murokuia”

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Sul do M´Puto, Al Garbe

flor de maracuja1.jpg Hoje, domingo, fiquei por casa como é habitual cuidando do jardim e de mim, transpondo lantanas (cocó de galinha) de um para outro lado. Andei subtraindo anseios descompostos ao redor do alpendre olhando as flores, pensando num tal de Covid - Coronavírus que ao contrário das flores lançam feromonas de peste negra. Sucede que trouxe do Brasil uma espécie de maracujá de fruto grande no tamanho, assim como uma laranja média, de superfície lisa e amarela.

Acontece que a polinização desta flor de “Paixão de Cristo” só é feita por um zangão, besouro grande de cor preta e, com as costas rugosas ao jeito de lixa e, aonde se lhe agarra o pólen amarelo em bolas peludas bem na ponta duns estiletes e na forma de bengala saindo do centro da “Paixão”. Desconheço a existência destes besouros no M´Puto e, porque as flores se murchavam e “pecavam”, caiam sem dali sair a tal bolinha candidata a fruto, pelo que decidi ser o besouro da “Paixão”.

flor de maracuja2.jpg As flores amarelecem numa tristeza e caem de desgosto sem dar o fruto desejado, o maracujá. Cabe a mim ser o besouro. Vai daí, peguei no pincel e, de flor em flor polinizei a paixão em todas elas. É isso mesmo; o besouro que no Brasil é habitual deve ter metido férias intercontinentais pois que não apareceu. Não é de tanta surpresa assim porque, até as pessoas num repente tiveram de se recolher ao medo. Quanto ao besouro presumo que ande envolvido em exigências sindicais ao Nosso Senhor e, sem recurso aos passaportes GOLD, hoje, num fim-de-semana decerto andará por outras latitudes, ou ainda, agendando data para renovar seu passaporte daqui a uns 3 meses…

flor de maracuja3.jpg A "Paixão de Cristo" que é de origem Tupi-Guarani e tem o nome gentílico de "murokuia" porventura terá de meter uma cunha a quem de direito para ter as mesmas prerrogativas dos jogadores de futebol que saltam de um lado para outro num esforço gigante para nos alegrarem a pasmaceira corriqueira…

Uma abelha normal não tem envergadura para poder captar o pólen dos 5 estiletes amarelos em forma de chapéu oval. A flor, também faz lembrar uma daquelas condecorações que só os heróis têm o prazer de ostentar ao peito. Então, serei eu esse herói da paixão, um cazumbi de besouro; Nesse efémero feitiço, a mangonha do domingo festejou a primavera em tempo de Outono com 29 graus à sombra.

flor de maracuja4.jpg Pretendia falar da adiafa dos moirões mas ficará para mais tarde. Estamos na era do medo, na meia curva crescente da segurança divina, protector invisível da fé e, vamos ficar assim inexoravelmente, todos os dias, prisioneiros… Vendo os gráficos e comparações e esperando um tal de besouro – vacina que nos polinize. A sociedade anda a ser desconfiada; poucos acreditam numa bondade de se obter resultados sem nada se dar em troca, porque não é usual tal fenómeno. A mentira surgiu no decorrer dos tempos Antes de Cristo e Depois de Cristo; sofisticou-se nos últimos tempos e até se tornou banal tomando conta das normas de relação entre as pessoas, instituições…

adiafa1.jpeg E, até por vezes em uma necessidade de sobreviver entalada entre o certo e o preconceito. Os desvarios criativos surgem quase gratuitamente com o condão de demasiada astucia ou fantasia para fazer valer sua política, sua versão. Todos os santos dias somos bombardeados nos meios audiovisuais com inverdades seguindo uma máxima de que, o que interessa sãos os fins, usando variados métodos e princípios…

A democracia perde-se no labirinto das manipulações e interesses, não diferindo em nada das piores regras dos passados maus governos. Assim na banga de estilo, o governante XIS, baloiça seu parecer numa rede de interesses, fazendo bafunfa nas periclitãncias do pormenor; surgem excrescências sociais, um montão de actos que parecem normais ou superficiais mas, que se tonam por adivinhação em armas de desarmonia assim seja pelo medo ou por suposição e, fechamo-nos voluntariamente na nossa prisão, nossa própria casa, orgulhosamente nossa sem a necessária murukuia – Paixão de Cristo em língua Tupi-Guarani…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:48
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLVIII

 

MEUS KITUCUS (mistérios) … Fui ao odontologista ... Crónica 3064 – 30.09.2020

Odontologista é um “tira dentes”

Por

soba 01.jpgT´Chingange - (Ot´chingandji) - No Sul do M´Puto – Barlavento

dentista1.jpg Dia 28 deste mês de Setembro fui ao odontologista e, aconteceu que cheguei bem antes da hora, li as recomendações do tal do dito cujo COVID-19 coladas na porta e esperei na rua que me chamassem! Agora é mesmo moda esperar na rua porque o medo espreita e o surto do susto anda por perto; é só saltar o muro e estou no bivaque, acampamento permanente do mestre Lello e seus muitos cidadãos ciganos que como tal, também têm direito às desregrarias citadinas. Desta feita foi um pastor de uma organização religiosa que professa a igualdade mais fraternidade entre todos que levou o tal dito cujo de COVID-19 aos demais – soube disto porque deu na televisão – facto que alastrou até outras partes do Barlavento, lugar de onde sopra o vento.

Chegada a hora, surgiu à porta a senhora muito coberta de fardas azuis com atilhos meio soltos, com uma touca de azul mais suave, vestimentas também azuis a cobrir seus sapatos e até luvas descartáveis de cor plástica translucida, mais uma máscara de um azul claro de onde saiu a indicação de que eu e Ibib poderíamos entrar. Ibib é minha cara-metade que se chama assim porque tem sangue árabe com mescla de gente alentejana de Panoias e Messejana. E, assim entramos mascarados como mandam as regras de “bom medo em boa companhia”.

dentista2.jpg Mostramos nossos cartões de cidadania, dissemos das doenças que não tínhamos e quais os remédios que tomávamos das que tínhamos, demos os números de telemóvel, penduramos todos os nossos acessórios soltos mais zingarelhos com estralhos num cabide da parede. Assinamos um papel de dizer sim ou não a uns 15 itens, de saber se tinha estado com gente suspeita de ter o agente secreto, se tínhamos viajado, se tínhamos espirrado, se tínhamos essa coisa de rinite e mais edecéteras. Esqueci! A porta de entrada ficou trancada, não fosse o tal de vento trazer uma malvadez viscosa do outro lado do desordenado kimbo quilombola dos mamelucos do Lello, esse tal de pastor de ovelhas feitas gente…

Após termos dado aqueles ditos dados, a senhora secretária, com uma pistola de plástico, viu nossa temperatura através das orelhas, vestiu-nos as vestimentas idênticas á sua, capa sem botões frontais e atilhos no lado tardoz. Enfiamos a touca azul na cabeça, os mocassins de plástico azul claro nos sapatos e sandálias e, Ibib entrou para o consultório. Esquecia-me: snifamos as mãos logo à entrada com gel de álcool. Posto isto, entrei na sala de espera aguardando vez e, sentado, assim fiquei esperando e olhando o circundante. Bem! A sala estava meio no lusco-fusco, dois candeeiros, um em cada estremo de lâmpadas acesas…

roxo135.jpg A janela para a rua era ampla, de coluna a pórtico e as persianas estavam quase semicerradas. Resolvi carregar com o pé no interruptor apagando uma das lâmpadas; não tinha jeito haver luz directa e ficar consumindo luz incandescente – um desperdício. O outro candeeiro não obedeceu ao meu pisar e, vai daí com aqueles fios que saem no fim do extremo, colgados duma roldana, virei a persianas até ter a luz suficiente na sala. À minha frente havia uma mesa dum castanho-escuro, lisa e sem qualquer adorno ou revista. Tinha somente um controle de TV; esta, estava bem no cimo da esquina, desligada e, tendo uma luz pequena e vermelha acesa. Estive quase a pegar neste instrumento para ter imagem no ecrã mas, achei que o melhor mesmo, era não tocar em nada.

Assim, sem nada fazer, olhava em frente, porta ampla vidrada na metade da parede; na outra metade retive-me a olhar o quadro absurdo! É normal haver dentes em quadros alusivos às técnicas odontológicas bem como parafusos de perfurar mandíbulas com susto e arrepios mas, este quadro, não era nada disso. O vidro que cobria a coisa, de oitenta por oitenta centímetros, bem na meia altura da parede branca, cobria a tal tela - posso explicar: Eram rabiscos e manchas castanhas de sujeira interrompida por vassouradas meio deslavadas. Imaginei ser uma pista de gelo na montanha mas desconsegui fincar a certeza e, estou em julgar que era isto, um cartão de aparar pinturas…

roxo68.jpg Ou talvez um cartão que é borrifado de tinta e colas e que depois de colado a um outro, é descolado de supetão. Nem um macaco faria coisa tão ruim! Em verdade sempre prefiro isto a uma gengiva inchada sangrando piorreia despegada dos ossos… Foi neste então que a senhora secretária me chamou e, lá fui ordeiramente medroso. Sente-se ali, bocheche e deite fora, máscara posta em uma bandeja de metal anodizado; Então de que se queixa!? Olhando de soslaio naquela coisa de perfurar ossos, fui dizendo que independentemente de uns quantos dentes estarem moles e abanarem, minha preocupação era aquele frontal que já estava despeado da raiz e quase me tornava um rinoceronte – coisa feia doutor!

Amavelmente explicou-me o óbvio, os dentes abanavam porque a carcaça estava velha; vai dai, mete-me uma ferradura côncava cheia duma massa na mandíbula inferior e, nos intervalos da feitura do gesso ou lá o que era, fui dizendo que não queria mostrar uma gruta na minha loja; que seria feio andar com a estrutura roída e, vai dai, de novo (cala-te), e assim adentrou nova ferradura na parte superior que quase me solta o tal dente de rino-frontal. Menos mal que não descolou e, vai daí, bochecha e deita fora, coloquei minhas adjacências e tudo acabou como começou. Aguarde uma chamada nossa para voltar em breve e condicionarmos esse dente com uns reforços à sua esquelética – disse o doutor odontólogo…

roxo61.jpg Dito isto, sai defrontando-me com um senhor vestido de amarelo e com uma máscara do Futebol Clube do Porto e que já ali estava, faz tempo, esperando minha liberdade! Descrevo isto com minúcia para que saibam o quanto é difícil ser atendido por um qualquer médico e em especial este quase espeleólogo, ou paleontólogo… Esta etapa de moldes, esperou quase um mês para ser realizada; fiquei ciente de que os outros dentes terão de esperar que acabe o campeonato de futebol e apareça um outro que se siga a mim com a máscara do Sporting – campeão…

Na melhor das hipóteses dentro de uns dias terei de voltar para encaixarem o rino-dente-frontal e depois se verá! Então direi ao doutor odontólogo que encomende um novo quadro para a sua sala porque aquele trilhou-me os neurónios. Então não seria melhor colocar lá um rabisco de galináceo da Assunção Roxo! Os meus kitucus andam mesmo baralhados… Ao dar a volta e de regresso a casa deparo numa placa situada no muro de pedra solta mostrando uma imagem alusiva ao álem com um senhor de bata branca feito pastor de igreja e uns dizeres alusivos; no canto inferior direito a direcção dele mesmo, de seu email: - lello@rrobatudo.kwantopoderes.PT …

Ilustrações de: Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:36
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
FRATERNIDADES . CXXVII

ANDO ENKAFIFADO – OPÇÕES DA VIDA

Crónica 3061 - MEDITAÇÃO DO T'CHING - 24.09.2020

soba002.jpg T'Chingange - no Al Garbe do M'Puto

rosa 1.jpg A ambiguidade e a incerteza, foram sempre características do ser humano e, só os poetas transformam estas minudências em força. Eles, os poetas, acalentam sonhos e planos para a nossa sociedade utópica mas, e, ao invés de verem, eles usam o olho do seu templo, o olho de sua intelectualidade.

Com sua fantástica estrutura, o olho foi definido pelo neurocientista Mark Bear, em seu livro Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso, como um “órgão especializado para a detecção, localização e análise da luz”...

roxo3.jpg Pelos olhos se identifica o caminho pelo qual as imagens se transmitem ao cérebro. Nessa interacção olho-cérebro, somos capacitados a ver todas as coisas. Desde a antiguidade que o poeta intelectual, assumiu esse papel em nossa sociedade.

E, é assim que entram em nossas vidas formatando nossa vulgar e comum vida em um "mercado público de ideias" usando sonhos, até por vezes o sofisma transcendendo ideias e, como se o fizessem na mágica proporção, por amor à verdade e à justiça...

roxo79.jpg Porém, há riscos. Que tipo de imagens, das incontáveis entre as captadas, permitimos serem gravadas no excepcional computador que é nosso cérebro? Eles, os poetas, socorrendo-se por vezes de um sentido crítico, recusando por norma as formas simples...

Recusam ideias prontas, feitas para consumir e colaborações complacentes com as acções daqueles que detêm o poder ou mesmo outros espíritos, não se esfarelando em pacifismos também por o serem, testemunhas críticas do seu tempo... Sim! Tudo parece uma contradição...

roxo81.jpg O verdadeiro intelectual, é um fabricante de consensos nos quais nós nos demoramos em admiração? Pois! Certa ocasião, o Padre Antônio Vieira disse que “a maior graça da natureza, e o maior perigo da graça, são os olhos. Duas luzes do corpo,  dois laços da alma”...

Quem tem dois olhos encherga a profundidade  por estereoscopia. Por uma fresta apenas pode ver um plano sem profundidade. Nessas duas “janelas da alma”, pode também entrar o brilho embaçado convidativo ao desvario; o padre Vieira defenia isso por pecado mas, eu que estudei trigonometria, ângulos e rectas, sei que o pecado, ou a graça da luz divina, cabe-nos na decisão de usar o cérebro, o templo, o tal olho invisível que se diz ter cor púrpura...

roxo94.jpg Agora, com ou sem pecados, travamos um combate incessante contra os poderes das trevas (um tal de vírus cvid 19 ). A mente é o campo onde a batalha será decidida para o bem ou para o mal. Mas, o problema vem dos outros  que nos transmitem  a treva e, aí estamos ou estaremos tramados, mesmo sabendo que a hipotenusa é a raís da soma do quadrado dos catetos... Isto pró vírus, já era! E, os poetas só podem vaticinar...

Nela, todos os dias se processam milhares de pensamentos e pequenas decisões que determinarão através de que mecanismos intrincados, tudo o que os sentidos captam (odores, sons, imagens) causa impressões indeléveis na mente. Essas impressões que comandam os sentimentos, ditarão nossa escolhas direcionando as decisões... Impressões que comandam hoje os sentimentos e, queiramos ou não, ditam  a actual Intoxicação Digital...

roxo53.jpgIlustrações de Assunção Roxo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:20
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Domingo, 13 de Setembro de 2020
CAFUFUTILA . CXXX

TEMPOS DE 100KIBOM. O Pão, a vida e NOÉ ... Divagações do T'Ching – Crónica 3058

– PARALÉM DA JUSTIÇA... Dois pesos e duas medidas

Por

soba002.jpg T´Chingange No M´Puto, Al Garbes

Cafufutila / kifufutila: Farinha de bombô com açúcar; Kibom é um sorvete do Nordeste brasileiro…

roxo3.jpgÀ expressão “dois pesos e duas medidas”, frequentemente mencionada no contexto dos negócios e relacionamentos do dia-a-dia, atesta que as pessoas em geral estão muito distantes desses nobres princípios... “Usem balanças de pesos honestos, tanto para cereais quanto para líquidos, foi dito no capítulo de leis do livro dos livros, que visavam proteger os direitos dos pobres, trabalhadores, surdos, cegos e estrangeiros lá no antigo mundo com Moisés anunciando ordem ao povo...

roxo10.jpg2 Assim como nesse tempo, também hoje nenhum privilégio concedido à nação justificará o tratamento discriminatório de qualquer cidadão – A distância mínima de dois metros serve para não se lançar kifufutila nos olhos, boca, nariz e orelhas dos outros. Assim o deveria ser mas, na prática, a verdade fica debilitada logologo na acção da justiça hodierna... A missão de justeza naqueles idos tempos, incluía a todos. Pessoas de qualquer origem deveriam ser amadas e acolhidas pelos donos do mando a fim de que fossem atraídas ao verdadeiro exemplo. Eram valores a respeitar...

ROXO18.jpg 3 Havia uma razão pela qual os israelitas e outros senhores, governadores e imperadores, deveriam ser honestos no trato com o semelhante: Isso era tudo para um povo que desejava fazer diferença e honrar seu nome em libertado. Não podemos hoje esquecer-nos desse princípio de valores. Se entre nós não pudermos encontrar justiça e integridade, onde e aonde poderemos considerar haver condições no mundo global em que, não desprezem esses valores? Sim! Aonde…

ara3.jpg4 Afinal, quando é que iremos ter "uma boa medida, calçada, sacudida e transbordante? Isso! Quando é que que esses “Paraísos Fiscais” serão alento para perpetuarmos a raça humana e, não somente, alguns. Usando esse antigo linguajar, qual a medida a usar para todos nós, que somos tantos, muito mais que muitos!? Como nos vamos medir... Alguns acreditam que a medida original do pé inglês era a do rei Henrique I da Inglaterra, que tinha um pé de 30,48 cm. Pois então, teremos em dois metros, 78,777 polegadas ou 2,18 jardas. Mas, será pelos pés, pelas mãos, pelo pensamento pelas acções? Não! Talvez pelo dinheiro, que tudo tende a comprar...

arau162.jpg5 A expressão comum no comércio oriental, “medida calçada, sacudida e transbordante” indicando que aquilo que fosse pesado ou medido deveria ser prensado, sacudido e, de modo que transbordasse do recipiente para benefício de quem receberia... Esses antigos tinham sua forma de pensar com retorno garantido: “A medida que usarem também será usada para medir vocês.” Pois! Eu, em tempos calçava a medida de sapato 73 mas, minguando, já só calço o 72 e, de unhas cortadas...

araujo102.jpg6 Normalmente, associamos estes princípios às questões materiais mas nesta fotografia falada teremos de não esquecer que para além de negociar, trocar, comprar e vender coisas, há virtudes e valores espirituais e fraternos a compartilhar de justiça e generosidade... Coisas dadas ao abandono! No choque do presente, um mundo imperfeito, também muito redondo nos silêncios, acho melhor nem referir o nome do patrão, do chefe ou do presidente. Eles são políticos e comem na mesma gamela… As circunstâncias medrosas não permitem que abra uma frente de guerrilha sem haver razões independentistas.

Ilustrações de: Assunção Roxo -1.2.3 e Mano Corvo Costa Araújo - 4.5.6

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:16
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Sábado, 5 de Setembro de 2020
XICULULU . CXXVIII

FERIDAS QUE CURAM - No túnel da minhoca – (02.09.2020 em Kizomba)

Nabucodonosor foi expulso do meio dos homens e, passou a comer capim como os bois…  Em Kimbo Lagoa – Crónica 3057 … em 05.09.020

- Escrevi uma cónica, mas o editor comeu-a. Fiquei fulo e, vai daí andei buscando até que cheguei à crakolândia - piois, andava a ser fumada envolta em papel de embrulhar chouriço; pode!?

Por

soba25.jpg T'Chingange - No M´Puto

corneteiro2.jpg  Será que os Provérbios quando dizem que os ferimentos eliminam o mal e, os açoites limpam as profundezas do ser, estão certos ou, é só uma metáfora, um recurso tal como dizer-se que o amor é fogo que arde sem se ver!? Isto de usar a palavra sem um fim, nem sempre o é, auspicioso...

É comum vermos notícias de minas que desmoronaram. Em alguns desses acidentes, os mineiros conseguem escapar de modo quase. cinematográfico, como foi o caso do acidente na mina de San José, no Chile, em 2010.

dia89.jpg Em 5 de Agosto daquele ano, parte da mina desmoronou, deixando 33 homens presos em um espaço a muitos metros de profundidade. Sómente no dia 22 do mesmo mês, o grupo foi localizado - só de pensar nisto, dá - me uma asfixia claustrofóbica.

E, então, iniciaram-se os trabalhos de resgate. Para retirar os homens do interior da terra, foi cavado na rocha um espaço suficiente para passar a cápsula Fênix II. Ela tinha cinco metros de altura e 60 centímetros de diâmetro, espaço suficiente para levar um homem de cada vez.

IMG_20170823_120414.jpg Máquinas muito potentes foram necessárias para fazer o buraco pelo qual seriam trazidos os homens de volta à superfície. Sem aquele “ferimento” na rocha, não haveria salvação para os 33 homens.

Às vezes, estamos envolvidos em situações tão complicadas que necessitamos de soluções extremas e urgentes. Muitas vezes, a modos de permitir um milagre, passamos por grandes “perfurações” em nossas vidas para que, num finalmente, possamos dizer: Foi um milagre...

IMG_20170823_115859.jpg Na Bíblia, encontramos algumas situações em que Deus permitiu que alguém fosse atingido por um mal menor para que um mal maior fosse evitado. Quando isto passa por nós levantamos a mão ao céu em agradecimento mesmo que o sejamos descrentes nas horas de normalidade ...

No entanto, o exemplo de Nabucodonosor pode ajudar-nos a entender estes sussedidos. O orgulho de Nabucodonosor havia soterrado seu coração. Se continuasse daquele jeito, o rei estaria perdido. Porém, permitiu-se que a sentença sobre Nabucodonosor fosse cumprida imediatamente. Foi expulso do meio dos homens e passou a comer capim como os bois.

IMG_20170705_093528.jpg Seu corpo molhou-se com o orvalho, até que "os seus cabelos e pelos cresceram como as penas de uma águia, e as suas unhas como as garras das aves”. O próprio rei reconheceu a importância daquele período difícil...

Quando a providência com provérbios destes permitem que problemas cheguem às nossas vidas, tenhamos paciência, pois pode ser que se esteja cavando o buraco pelo qual a paz terá acesso a cada um de nós.

kuvale5.jpg As feridas permitidas podem ser remédios para nossas maiores dores... A vida é sempre muito repleta de surpresas! Calma! Isto vai passar... Eu, até já ando a comer erva cidreira, folha de abobreira, gimboa, beldroega e rama de batata doce...

O Soba T'Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:05
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2020
MUJIMBO . CXVI

MEDITAÇÕES DO T'CHING... Crónico nº 3056

ATITUDE RADICAL - Se o teu pé te faz tropeçar, corta-o... Um exagero feito forma de falar... - 01.09.2020

Por:

t´chingange 0.jpgT'Chingange No M´Puto do Al-Garbe

barao1.jpg De vez em quando, ouço pessoas, adultas anunciarem seu desligamento das redes sociais. Algumas descobriram que o tempo gasto na internet roubou delas porção ainda mais preciosa, que deviam empregar em comunhão com a Natureza, pois então...  Actividades mais frutíferas para si mesmas, para os semelhantes e para a eternidade, não se cumpre por omissão. Um deixa para lá porque Roma e Pavia não se fez num dia...

cinzas8.jpg Ninguém nega o valor das plataformas virtuais para interacção entre amigos e familiares, comunicação em tempo real à distância, e mesmo pregação duma fala mais convincente. Porém ocorre, que o inimigo sempre vai encontrar uma brecha para sugerir distrações ociosas...Isso! Conversação vazia, desperdício de tempo e armadilhas pecaminosas com muitos seios muitas, artimanhas eróticas e merdas sem sentido no aqui e, no além.  Sei de pessoas que caíram nas malhas do descaso, bem como de relacionamentos familiares que foram abalados ou mesmo partidas por via de comportamentos pecaminosos ou snobismo sem nexo.

girasol1.jpg Coisas que se oferecem inicialmente com a promessa de falsa segurança, sigilo e anonimato que somente ele, o dito cujo, sabe forjar. Pura e demagógica falsidade... No entanto, as redes sociais não são os únicos inimigos que se interpõem entre nós e o perigo. Há relacionamentos impróprios que como pecados acariciados, entram em muitos de nós. Por isso se recomenda que nos submetamos a uma cirurgia radical cortando o mal pela raiz! Mutilação de qualquer coisa que tenha o potencial de impedir nossa integridade...

ciga0.jpg Mateus, em seu quarto discurso do evangelho, adverte contra o perigo de se causar escândalo a quem quer que seja, pois os resultados podem ser eternamente fatais. E Isto, o mundo de hoje, todos o fazem com naturalidade, infelizmente.  E, caso ainda haja consciente ligação com qualquer causa indutora ao pecado e escândalo, este é o momento de renovação. Sejam radicalmente descartadas, pessoas ou coisas que se interponham entre o seu discernimento e a lógica das causas e efeitos... Detesto snobismos...

petrolina3.jpg Será melhor seguir preventivamente o conselho de Charles Spurgeon: "Não permita que seus pés andem voluntariamente  por lugares lamacentos. Nem permita que seu coração se encha com amargura”...

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:37
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Domingo, 30 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLIV

É proibido ser POBRE? - 30.08.2020

- Crónica 3055... Juntando meus estralhos, para entender se os alhos com bugalhos são um remédio eficaz para eliminar um bicho feito gelatina. Mas, então porque não fazem uma vacina com água e sabão!?

Por

t´chingange2.jpg T´Chingange – No M´Puto

roxo68.jpg A década de 1930 foi marcada por muitas histórias interessantes no Brasil. Uma delas seria cômica, se não fosse trágica. Ela aconteceu na cidade de Fortaleza, capital do Ceará. No ano de 1932, foi construído o primeiro arranha-céu da cidade. Os jornais publicavam manchetes anunciando a inauguração do hotel Excelsior. Era o orgulho da classe rica de Fortaleza. Subir até à cobertura do edifício e admirar paisagens, desde o mar até as montanhas era a diversão comum.

Uma coisa, porém, ameaçava o clima de riqueza da cidade. Desde o início da década, estava acontecendo uma das piores secas de todos os tempos no interior do Ceará, e muitas pessoas estavam fazendo o conhecido êxodo rural em direcção à cidade de Fortaleza.

apocri3.jpg A classe mais rica exigiu uma atitude do governo, que imediatamente criou sete currais cercados com varas e arames farpados, para onde eram enviados todos os retirantes da seca. Lá, eles tinham as cabeças raspadas e eram vestidos com sacos de farinha. Naquela época, era crime ser mendigo em Fortaleza, e a pena era ser enviado para esses quase-quase campos de concentração. Tratar os necessitados com maldade é pecado, sejam quais forem os motivos.

Mais que doar roupas e alimentos, cuidar com amor dos mais necessitados envolve olhar nos olhos, ouvir as histórias de vida, ajudar nos problemas emocionais, não se preocupar apenas com o estômago, mas também com o coração; estes procedimentos, aprendemos no dia-a-dia com gente do bem, familiares e afins...

pica2.jpg Mas, diz o sábio do livro dos livros que quem age assim, empresta a Deus; isso não significa que o Céu tenha qualquer tipo de dívida connosco. O que a Bíblia está querendo dizer é que, quando ajudamos uma pessoa pobre, teremos como recompensa a felicidade como devolução pelo que fizemos em forma de bênção.

Por isso, o versículo respectivo enfatiza a recompensa divina. Isso não é teologia da troca, mas um incentivo para que tratemos bem aqueles que não têm nenhuma vantagem a nos oferecer... Quando esteve na Terra, Jesus deu muita atenção àqueles que passavam por qualquer tipo de necessidade, principalmente aos pobres de espírito. Faça o mesmo por seu próximo e colherá certamente a recompensa da Natureza...

papal1.jpg De novo, volto a remover os ossos do passado espreitando pelo postigo da memória antropológica e, só graças à debilidade desta, a memória, irei fazer do tudo um romance condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão com tangas ou parras!

A nossa vida, de cada vez mais na mesma passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, com os sem etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, os cheiros encarquilhados misturam-se com iões de densidade molecular dos anos na leitura de carbono e eteceteras muito antigos e complicadérrimos… Só sei, no fim desta lengalenga, que vamos cada vez mais ficar fritos, esperando migalhas!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:44
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2020
KAPIKUA . XXX

SERÁ QUE VOCÊ SABE O QUE FAZ?

MEDITAÇÕES DO T'CHING - 20.08.2020

O risco da vida que, por coisa pouca muda nossas vidas… Crónica 3053

Por

t´chingange2.jpg T'Chingange - No M´Puto

relog1.jpg Há um provérbio que diz que a sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora. Um amigo envengelico de militância, manda-me coisas prudentes e, vai daí aguça-me o engenho da faladura. Uma pessoa prudente é sábia pois, sabe o que faz! A vida não é para ela apenas a sucessão de acontecimentos casuais. Ela pensa, medita, avalia seu procedimento, corrige o rumo de sua vida e recua quando percebe que está errada.

O termômetro para medir a “temperatura” de suas acções é a palavra vinda de cima, diz ele sem definir a dimenção quântica do tempo; se vem do além, do passado ou do futuro singindo-se a um agora, beliscado na singularidade dum nanosegundo... Se esta é a tocha que ilumina o seu caminho, acho bem que se lhe dê valor porque, somos só uma ilusão tal como o foram D. Afonso Henriques,  o Marquês de Pombal, o D. Pedro Imperador do Brasil, de Portugal, do Algarves e terras Dalém mar...

afon0.jpg E, também do Dom  Nuno Álvaro Pereira que venceu a Batalha de Aljubarrota, o Patrono dessa Ordem de Aviz que agora é indevidamente usada para atemorizar gente disparatada dos neurónios... Gente que não sabe estar, que risca a vida dos outros com mateba do mato feito morro, pintando portarias e arcadas com sangue a fingir de raiva com ódio...

Por este motivo. os minutos que você passa a sós com Nosso Senhor,  com a Natrureza, com o Alá e, ou o Buda mais o Seilásié ou o Chico Xavier que psicografou centenas de estórias. Antes de iniciar as actividades do dia, é indispensável reflectir sobre a sobrevivência do salmão! Para quê!? Para uma vida produtiva de todos os que cacarejam....

GALO0.jpg De todos os que arrulham, palram, gemem, gritam, urram, zurram e também os que grasnam, miam e assobiam com dois dedos enfiados nas goelas. Não basta apenas saber “como” realizar bem o seu trabalho. Fazendo as coisas com eficiência, você sempre será um bom empregado, um bom patrão, um bom governante ou cozinheiro mas e, se tomar tempo para pensar por que faz o que faz; E, se pensa demais,  acabará sendo um líder, ladrão, sindicalista ou Juiz com muitas varas, mais do que as de que José necessitou para tingir o Rio Nilo... E, nós todos ficamos quilhados com novos Zésares...

“A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho”, dizia Salomão, primo afastado do tal Salmâo... Assim, antes de tentar entender o caminho dos outros, entenda o seu.. Não existe fórmula mais perfeita para a eficiência...

O caminho dos tolos é diferente. Eles acham que sabem tudo e em realidade nada sabem. Apenas pensam que sabem, como eu que também tenho uns problemazitos nos carretos da engrenagem e, por isso, saio de meus muxoxos galagando impossibilidades. E, posso dizer que quando se engole desaforos, o resultado é a frustração e o desapontamento; E então, vou fazer como: - Ou mato ou morro - uma técnica de guerrilha, sábia de escapar  entre as bissapas  mesmo correndo o risco de me meter na selva do feijão maluco  ou,  cheirando formiga cadáver...

formiga cadáver1.jpg Você sabe o que faz e porque faz? Não tema aprender e, não se encolha, aconselhe-se, consulte. A receita para permanecer na ignorância sobre qualquer assunto da vida é  ficar satisfeito com suas opiniões e contente com o que sabe ou lhe dizem! A vida se encarregará de provar que você estava errado ou certo! Trabalhe o discernimento.

Faça deste dia, um dia de avaliação. Revise os seus procedimentos, analise sua trajetória e não se amofiine por não ter dito nesse então; diga agora! Nunca é tarde para começar de novo. Sempre é tempo de aprender e, surpreender...Está separando o tempo necessário para dialogar com seus filhos? Ou espera que tudo aconteça por acaso? Deixe-se de moleza e reflita nestas duvidas. Refletir é próprio de gente sábia...

dyo2.jpg Ser sábio ou insensato - Eis a questão! O tal do Além, sempre estará pronto a guiar e mostrar um caminho melhor àqueles que com humildade de coração o buscam. Não esqueça: “A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora”. Lembrem-se sempre do Sócrates Luso! Sim! Deste e, do outro que era Grego... Grego da Grécia!

Uma feliz Quinta, Sexta e Outras feiras

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:52
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2020
MOKANDA DO BRASIL . XIV

ANDO ENKAFIFADO NAS MALAMBAS

Existem algumas diferenças entre o contentamento e a alegria porque “a palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para se dizer” – Afinal Deus é branco e deveria ser Zebra para não  ser***: - racista, Noé!?

Malambas, são as palavras - Crónica 3049 17.08.2020

soba25.jpgAs escolhas de T´Chingange – No M´Puto do Al-Garbe

Via: - Maria João Sacagami ... Por: Burro Ramos

chicor4.jpg A máscara para mim é um instrumento de medo, de amordaçamento, de controlo, de subserviência. Um sujeito usando máscara pra mim, é o símbolo crónico e cabal do subjugo do ser humano que se sujeita aos mais impossíveis estratagemas para se manter vivo. A máscara para mim, é a prova mais viva de que o homem morre de medo da morte, portanto, indicia não ter compreendido, não conhece o caminho espiritual da vida.

Até um dia destes, recentemente, qualquer um que aparecesse na rua com uma máscara seria reprovado pois que máscara é ferramenta de bandido, de assaltante. Hoje, não usar máscara é coisa, indício de genocida. Entender assim, como a mente humana combina essas informações virando a chave da lógica e, de repente, indícios de uma doença, é um mistério...a não ser que... forças ocultas tenham um profundo interesse em testar um modelo de controlo psicossocial global…

cov3.jpg Toda a vez que vejo ou ouço "todo mundo usando máscara" impossível que minha mente não rebusque os estudos escatológicos da marca da besta que para mim é a mesma coisa. Mesmo modus-operandi. E falo isto agora, porque ainda me é permitido, porque eventualmente,  em um futuro próximo já não me permitam mais dizer o que penso...

A piedade “high tech” moderna, agora vem revestida de sua nova embalagem: O politicamente correto! Se por ventura, escorrega na narrativa, se destoa no canto uníssono do coral das muitas vozes da correcção liberal, você é demonizado, é bloqueado ou desterrado para o canto do silêncio. Sucede no Facebook, nas fiscalidades dum qualquer governo ou até pela máquina robot que faz triagem das noticias e fotos.

Têm que concordar! Tipo assim, se você usa máscara, você ama vidas; se você não usa a coisa, você é um monstro que não respeita vidas. Nas metáforas do evangelho nunca foi isso dito; pelo menos no evangelho que aprendi na vida desde minha infância. Dá para sentir que o evangelho sempre foi subversão, sempre foi o contrário do que a regra diz, sempre foi a renúncia, o ser perseguido, o ser odiado, o ser impetuoso.

DIA76.jpg Agora, qualquer borrabotas feito prefeito ou presidente de uma autarquia, manda ordens para se cumprir, senão vai para o xilindró!…Dizer como Jesus e João diziam "arrependei-vos" nos dias de hoje é crime, é infame, é preconceito, é injúria, até quase desvirtuado na mente, que vira racista porque Deus não é preto e afinal como ficamos! Segundo os ditames actuais, todos tem que viver da maneira como lhe convém sem ser perturbado. Será!?

E nesta toada, se você deixa de seguir o padrão, no uso da máscara, lá está você digno condenado de linchamento social. Bom! Como sou um ser que vive sob o contracto social de Thommas Hobbes* Essa noção de contracto traz implícito que as pessoas abrem mão de certos direitos para um governo ou outra autoridade a fim de obter as vantagens da ordem social, pra não escandalizar o próximo.

HOOBS1.jpg Sempre que sou obrigado e, invariavelmente condicionado a usar essa porcaria de máscara, uso! Mas sempre sob protesto e explicações sobre o que penso disto. De mais, jamais, jamais, jamais, colocarei esse troço na cara por obediência civil ou por medo de morrer de gripe… Se fizerem a chamada da lista dos escravos do sistema, meu nome não estava lá**…

Nota* : -Entenda-se: indica uma classe de teorias que tentam explicar os caminhos que levam as pessoas a formarem Estados e/ou manterem a ordem social….) 

Nota **: - O mais provável é encontra-lo no necrotério…

Nota***: - Essa noção de contrato de Thommas Hobbes traz implícito que as pessoas abrem mão de certos direitos para um governo ou outra autoridade a fim de obter as vantagens da ordem social. Nesse prisma, o contrato social seria um acordo entre os membros da sociedade, pelo qual reconhecem a autoridade, igualmente sobre todos, de um conjunto de regras, de um regime político ou de um governante. O ponto inicial da maior parte dessas teorias é o exame da condição humana na ausência de qualquer ordem social estruturada, normalmente chamada de "estado de natureza". Nesse estado, as acções dos indivíduos estariam limitadas apenas por seu poder e sua consciência. Desse ponto em comum, os proponentes das teorias do contrato social tentam explicar, cada um a seu modo, como foi do interesse racional do indivíduo abdicar da liberdade que possuiria no estado de natureza para obter os benefícios da ordem política.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLVI

TEMPO DE MEUS KITUCUS (mistérios). NAS FRINCHAS DO TEMPO - Crónica 3040

- N´gana N´Zambi, comendo saquinhos de muxima no M´Puto 22-07.2020

N´gana N´Zambi – Meu Senhor

Por

soba0.jpeg T´Chingange - (Ot´chingandji) - No Sul do M´Puto – Barlavento

roxo170.jpg Boligrafando minhas torpitudes, pude ler e escarafunchar nas notícias, o quanto o povo português é ingénuo, dando ouvidos a estórias de carochinha e, também em sequência, é levado na curva pelos ícones da roubalheira; trata-se de avivar gente de gabarito que, acobertados pelo nome de Espirito Santo, se agigantaram. Pois é! Havia um “cérebro” que era o supra-sumo, o conhecedor da dimensão total de sua genuína “malvadez” que de Santo, nada tinha! Chama-se Ricardo Salgado.

Um mestre de alto coturno na arte de operar por manipulação da realidade com o dinheiro dos outros; algo assim, comparável com as grandes máfias, das maiores organizações criminosas do mundo. Debaixo de um nome santificado de Espírito Santo formataram o maior império do mal em território Luso desde que o M´Puto se conhece como Pátria. Ricardo Salgado, o Dono Disto Tudo, o DDT que manobrava políticos e afins…

salgado1.jpg E, como quem limpa o cú a crianças, comparação a grosso modo para caricaturar as gentes que o elevavam às nuvens, estas tristes criaturas-bajuladoras, gente que todos os dias aparece nos écrans com holofotes de magia, descambaram da arrogante postura de subserviência, subjugados à triste inverdade em sua máxima valência. Como foi que gente supostamente da máxima competência na forma de lidar com o dinheiro, com gente diversa, se deixaram corromper tão levianamente por quem só tinha em mente o lucro, usando fraudulentamente a subtracção do bolso do contribuinte, do dinheiro dos outros (o nosso)…

E, é assim que numa longa maratona judiciosa destapam o perfeito filtro para revelar o pior de Portugal se, saltarmos essa triste estória descolonizadora, mas, e também daqui, tirarem o proveito dos decadentes territórios ditos Ultramarinos onde gente de gesta, deixaram ao desbarato suas pertenças, seus sonhos, seus suores; foi uma derrocada que paulatinamente se aninhou no seio Luso, desconsiderando as heroicidades dum povo ilustre. Esta acusação do Ministério público, deveria encher de vergonha, caso a tivessem, todos os que durante anos, se renderam ao poder do dinheiro – Ricardo Salgado o Manda-Chuva do M´Puto!

marcelo1.png Políticos que nos geriram e gerem; alguns em funções na máxima representatividade da Nação, comentadores, banqueiros, advogados, legisladores e jornalistas de craveira, exacerbaram o seu poder venerando-o sem serem suficientemente capazes de o criticarem ou acusarem. Tinham ali uma fonte de abastecimento à sua complacente vaidade de apaziguarem sua apetência, rendidos ao seu imperfeito ímpeto de também o serem grandes, subindo a qualquer custo. Uma chusma de gente que não é de bom-tom recordar – vergonha!

sergio3.jpg Passos Coelho enquanto Primeiro-ministro, se recusou a salvar esta sinistra figura chamada de Salgado! E, uns bons 90% dos portugueses, para além de não verem o alcance desta figura, fustigaram-no ao limite, imerecidamente diga-se! Passo Coelho pagou caro por essa integridade e por ser diferente, por ver mais justo e ver mais longe; sempre lhe dedicarei meu apreço – por sua verticalidade e honestidade quando ainda o nome Espírito Santo era intocável!

Ricardo salgado criou com sofisticação empresas de lavar dinheiro, de fabricar juros, vista agora como coisa inaudita mas comparável ao processo Dona Branca, só que com uma intrincada sofisticação de não deixar rasto e a coberto daqueles supra mencionados, personagens bajuladores, Ele, Salgado, actuou em Angola, na Venezuela, Uruguai, Panamá, Argentina, EUA, Suíça, Brasil e sei lá mais quantos destinos de fora-de-portas, offshores. Criou uma intrincada máquina de feitiçaria financeira…

Uma máquina desenhada para roubar com excelência e, sem que ninguém se apercebesse, supostamente credível quanto baste para engodar os lorpas com ajuda dos gestores públicos que estiveram no topo e acobertados pelas gangues designadas de partidos. O M´Puto para Ricardo era e, ainda talvez o seja, um conjunto de tolos predispostos a envaidecer-se – a perfeita máquina de fazer dinheiro com o nome de “Made in Portugal”. Os nomes são muitos e nem vale a pena publicitar sua T´xipala (fotografia) pois que seus nomes figuram nos escaparates actuais como Aníbal, Marcelo, Paulo, Soares, Sampaio e mais uma catrefada de ilustres da nossa praça – Triste Praça!…

costa araujo4.jpeg Pois! Uma intrincada rede criminosa que segundo o Ministério Público, envolveu concertadamente e de forma continuada de crimes de burla qualificada, corrupção activa e passiva, falsificação de documentos, manipulação de mercado, infidelidade, branqueamento de capitais e, um sem-fim de distinta malvadez. E, o traste, aí continua com esse aspecto impávido de sereno como se todos lhe devêssemos alvissaras. Sem aloquete nos tornozelos, nem coleira nas orelhas, com os olhos esbugalhados, ai irá continuar até que tudo se consuma em nada por via de recursos e muitos desaforos inventados por um batalhão de advogados de gabarito, poderosos, daqueles que sempre ganham até chegar na ultima instância – Para o céu, sinceramente, acho que não irá!

Foram e, são muitas nuances, coisas de que tenho que ler profundamente como os Panamá Papers, Operação LEX, Operação Marquês, Face Oculta, Luua leaks, Cambalachos e derivados de fundos sem rosto com os sempre poderosos advogados. Das promiscuidades com férias de borla no Caribe, e compras de velhas carcaças chamadas de submarinos. O Homens de Borracha que eu li quando era puto-candengue, os livros de quadradinhos com as comiquitas, teria de aprender, e muito com este homem-elástico-chwingam (pastilha elástica). Assim de Ocidente em incidente e, de recurso em concurso, protelarão o tempo até seu fim. Ámen…

arte3.jpg E, porque penso, julgo o quanto tempo mais teremos de esperar, para que seja feita justiça, neste que é o maior crime financeiro da história contemporânea, hodierna (claro que saltando a tal de descolonização). Embora se diga que a justiça está funcionar, minha carcaça estremece, meus dentes abanam de tanto rilhar, meus pistões encravam pois que tantos milhões, entopem meus neurónios, amolecem as juntas e calcificam os segmentos. É que são 3 500 000 000, creio que é isto: 3,5 Mil Milhões de Euros – Que se saiba!  Bom! A procissão ainda vai no adro e, se porventura me levarem para o chilindró por falar nisto, mandem-me charutos “Cohiba ou Romeu e Julieta” para fumar meu cacimbo num matope de casca dura…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:56
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Sábado, 11 de Julho de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLV

TEMPO DE MEUS KITUCUS (mistérios). TEOREMA DA VIDA: não vale a pena morrer de véspera… Crónica 3039

- N´gana N´Zambi, comendo saquinhos de muxima na forma de paracuca10.07.2020

N´gana N´Zambi – Meu Senhor

Por

soba002.jpgT´Chingange - (Ot´chingandji) - No Sul do M´Puto – Barlavento ( …de onde sopra o vento)

monteiro6.jpg O termo teorema foi introduzido por Euclides, em elementos para significar "afirmação que pode ser provada". Originalmente significava em grego "espectáculo ou festa". Actualmente, é mais comum deixar o termo "teorema" apenas para certas afirmações no campo da matemática que podem ser provadas mas que torna a definição um tanto subjectiva. Neste caso, teremos de ir para o espectáculo da vida na visão grega. Foi em um lugar de Nogueira com muito verde, terras de Alto Douro que, eu e mano Zeca Mamoeiro nos espojamos como ressuscitados em nossa amizade de infância que, morta pelo tempo, sucedeu a nosso contragosto e, em nossa contramão.

Constatando que mesmo para além de cinquenta anos de ausência, refizemos nossos traços sem melancólicos choros nem ranger de dentes, troçando até de nossas mazelas ou desgraças. E, assim num recordar de coisas maianguistas e afins com januários feitos pássaros e viuvinhas mais cardeais, chegamos às conversas bananais num cada qual falando suas sapiências a bulir na flor da pele, como caruncho, comendo nossas algazarradas. E, num diz que foi e talvez o seja, falei que o futuro da medicina está cada vez mais próximo do presente. O tempo passou e, agora aqui preso no meu mukifo revejo estas falas: Pois, no Paraná, pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina criaram uma membrana que é capaz de desenvolver tecidos de pele, ossos e cartilagem.

acácia rubra2.jpeg Logologo Zeca disse estar muito necessitado desses inventos para renovar toda a sua flora muito cheia de fungos e bitacaias escondidas em lugares tão recônditos que nem os médicos conseguem catrapiscar suas nuances biológicas. Isso! Do tempo da arqueológica sabedoria de matar pulgas com um cassetete. Pois! Diz ele com aquela cara de muita seriedade: Os pesquisadores criaram uma estrutura em plástico biodegradável na qual as células animais se desenvolvem e reproduzem no formato da estrutura biológica desejada; é isso mesmo que necessito para passar meu catolotolo. Afinal ele, o Zeca dos Santos era sabedor!

Ali, e por três dias fintamos o destino sem aquela fúria suicida do hiato duma guerra, missangas de búzios e estrondos, uma ousadia de gente alheia que nos superou, enganou e separou. Comendo saquinhos de muxima na forma de paracuca, quicuerra, mistura de farinha de mandioca, açúcar, jinguba torrada ou quitaba, usamos como refeição improvisada percorrendo na lembrança antiga de nas mercearias da Maianga e esplanada debaixo da mulembeira, terreiro de tasca com jogo de bisca, copiando os mais velhos: Jogando matraquilhos como assim num fingido casino de pobres, com tapas à sevilhana, polvo na vinagreta e carapaus fritos. Assim ouvíamos os kotas trafulhas, batendo na mesa para dizer ao parceiro que tinha uma bisca…

engraxador3.jpg Assim entre tremoços e jinguba, tudo misturávamos nos avanços e recuos da medicina ainda muito longe de agora, cada qual estar na sua ouvindo suas dentuças a trincar notícias hospitalares! Ano de 2020. Bom, mas falando da tal de membrana eles, os médicos, formataram uma dessas que pode ser desenhada em qualquer formato na qual as células vivem e se reproduzem. Essa membrana é formada a partir de celulose, portanto, de matéria natural, e que utiliza pouco processamento químico.

Entrando já no impacto ambiental e biológico por modo a ser o menor possível íamos tomando uns brancos generosos, daquele que desce o rio e vira Porto, que mesmo sem as membranas desenvolvidas por pesquisadores nos desbravavam eloquência no cérebro e até pele e ossos! Fora de brincadeiras, disse eu a por fim às misturas de branco de Galafura, de Nogueira e tal e coisa pois a membrana criada pelos pesquisadores que é capaz de desenvolver tecidos de pele, ossos e cartilagem, mudar o coiso, mamas e desencurrucutar peles flácidas…

ama3.jpg Como teste, os desenvolvedores do projecto fizeram uma orelha em impressora 3D e aplicaram as células, que formaram uma orelha animal. Vi isto ao vivo e cores lá na Petrolina do Brasil, colada na lateral do meu amigo ex-coronel FK – Fala Kalado com sua orelha parabólica no sistema de 5G. Os estudos estão sendo realizados provisoriamente com células de ratos e os resultados foram positivos. Fixe! Nas vendas do Morais, do Hernâni, do Baia ou do rente Cruz da Maianga, lugares extintos da Luua, vendiam esse milongo a granel, faziam vinho da água e permutavam alegrias em melancolias de cat´chipemba, que agora só são recordadas para fortalecer os corações da gente.

Bom! Assim inscritos e circunscritos num incêndio de falação recordamos as mulembeiras e imbondeiros tudojunto, pendurados lá nos altos galhos feitos monos, como se fôramos múcuas ou os figos batucando assim o tempo na mistura de dendém com peixe-frito. Devorando-nos até ao tutano, besuntamo-nos no visgo sem os contornos monstruosos de kalashnikov a tiracolo ou os monacaxitos de mata-mata – Tunda-a-munjila T´xindere! Troçando de nós, encharcamo-nos de riso misturados na sabedoria austera de Miguel Torga, como o Omo de lava-mais-branco, lá demos banho às nossas pulgas dinossáuricas…

dou3.jpg Repito: - Em breve, os estudiosos acreditam ser possível utilizar as células dos pacientes humanos para recuperar partes de seu corpo, como pele, ossos e cartilagem que catrapiscamos atrás de nossas orelhas. Mergulhamos assim num escuro alucinante do nada revendo ao seu redor sofisticadas ilusões, veleidades a tomar banho em praias de doiradas e areias diamantinas e, a vacina infalível nadica de nada, que não aparece…

Com roupas estendidas nos varais de mau-bordo, esperando viajar mais um outro dia, chegamos até ao hoje com um bicho feito capeta a querer morder nossos calcanhares, subir até os pulmões e, até que o trabalho desses doutrores descubram uma outra matacanha que o mate. Esses professores e estudantes, desses mesmos, Departamento de Bioquímica, Biotecnologia, Centros de Ciências Exactas e Edecéteras estão demorados, noé!? E, foi assim que passamos aos pesquisadores ingleses que dizem ter criado neurónios artificiais…Balelas!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:23
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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