Domingo, 7 de Julho de 2019
MALAMBAS . CCXXVI

MALAMBAS . CCXXVI

UM CACTO CHAMADO XHOBA . VI – 07.07.2019

– MALAMBA é a palavra

- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana (Perto de Etosha). Estávamos em Sossusvlei, terra soprada com areia… Foi no ano de 1999 com texto agora reescrito em algumas partes...

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

:::::43 nauk01.jpg

NAMIBIA, em dialecto Ovambo significa terra do nada. Foi aqui que vi as melhores paisagens nas minhas viagens por África. Saindo de Luderitz atravessei com o clã T´Chingange todo o Naukluft Park para chegar às grandes dunas do Sossusvlei; acampamos em duas tendas em um espaço próprio no início da zona interdita, activamos uma fogueira comunitária e deliciamos o ouvido com os sons da noite.

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As noites neste deserto, aliás como em todos outros, ficam frescas assim que o sol desaparece no horizonte. Aqueles montes enormes de areia deixam em nós a sensação estranha do quanto somos pequenos. Tivemos de preencher uns papéis para recebermos autorização de entrar no parque dos diamantes, não nos era permitido afastar-nos do trilho com outras recomendações a cumprir. Iriamos sair ainda de noite para chegarmos ao nascer do dia á duna nº 45.

:::::45 nauk03.jpg

Saímos ainda noite em comboio de carros, jeeps 4*4 e, turismos como o nosso. A claridade ia surgindo e, apanhamos o nascer do sol a meio da subida nessa duna quarenta e cinco; em fila indiana gente de muitas latitudes, falando línguas diferentes estavam ali, tal como nós para saborear a natureza em toda a sua plenitude. O sol com o seu disco grande e amarelo ia subindo no horizonte do lado esquerdo; uns mundos de sombras movíveis rodeavam-nos como coisa galáctica; o amarelo das dunas contrastava com o preto das sombras.

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As figuras sinuosas a mudarem a todo o instante - algo nunca antes visto e em um palco de grande espaço, aonde também parecia nos movermos como numa ilusão sem infinito. Naquele dia casei com Sossusvlei; a fina cortina de areia desprendida pelo vento mais parecia uma seda ondulante de noiva roçando o meu rosto, os meus olhos, a minha boca. Beijei a areia feita um véu, como se fora um deus menor e os sinos das cigarras disseminadas em esqueletos de árvores perpetuaram para sempre ao meu ouvido aquele som.

:::::47   nauk1.jpg

Ali era um bom sítio para entregar a alma ao criador. Foi sem dúvida a mais bonita catedral que já visitei. Se por ventura viver 333 anos, quero lá voltar na segunda metade do meu percurso. Ali, o feitiço tem mais encanto, coisas que não se apagam da retina. É esta, uma das imagens que afagamos nos dias de indulgência, nos dias de amarguras involuntárias, nos dias impregnados de incontidas revoltas. Valeu a pena subir aquele morro de areia ondulante – figuras sobre milhões de grãos de areia ora amarela ora avermelhada; levou talvez uma hora a chegar ao topo, dois pés para a frente deslizando um para trás.

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Ali, e naquele momento, aquilo era o céu. Envoltos em azul vivo, escorregávamo-nos no vermelho longínquo tremelicando a cércea no horizonte das terras altas, o amarelo ouro das dunas e o preto das sombras, cada um de nós se sentia "um senhor do mundo". Sossusvlei ficou para sempre gravado na nossa memória. Para trás (dias antes), ficava aquele pedaço de coisa caído do céu, uma bola de fogo rija como o titânio; o tal de Meteorit caído no meio do nada, como que uma pequena recepção feito bolo num imenso Calahári.

:::::49  nauk2.jpg

Na Namíbia a distância não se mede em quilómetros, mas em tempo e, percorrer todas aquelas distâncias é como completar uma missão impossível. Após pagarmos uns poucos "Randes" a um homem fardado, entramos no tal lugar. Lá estava aquela coisa com 60 toneladas, uma liga de fusão vinda do Universo, dum infinito lugar. Meteorit era o nome indicado com a referência de Hoba West, não muito longe de Grootfontein (em África tudo fica perto, é ali mesmo patrão, mwadié).

:::::50  nauk3.jpgnauk003.jpgMeteorit (foto de foto)

Toquei aquele titânio rijo e frio, embasbacado sentei-me observando-o por algum tempo. Sentado na duna recordava os anteriores dias anoitecidos num universo de estrelas – ali a noite cai rápido. Posso imaginar quantos fotógrafos desejariam estar ali no Sossusvlei sem ninguém à volta por dezenas de quilómetros, sem qualquer ruído e acompanhados apenas pelo último raio de sol, pelas primeiras estrelas no céu imaculado da Namíbia e, o brinde no topo deste cenário, numa noite de lua cheia…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:36
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Sexta-feira, 28 de Junho de 2019
A CHUVA E O BOM TEMPO . CII

EXCESSO DE OPINIÃO Parte DOIS27.06.2019

- O cerne da corrupção surge-nos na forma mais agravada em instâncias superiores. É aí, que as leis têm de ser mais efectivas sem se cair num vulgar descaso judicial dando contas à democracia …

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Algarve do M´Puto

an2.jpeg É verdade que todos temos direito a uma opinião mas, uma partilha ou notícia em uma qualquer rede social tem de ser fundamentada. No mínimo, convêm fazer uma triagem através dos vários motores de busca conhecidos. Pois! Isso dá trabalho mas, aprende-se bastante. Muito do que se lê nas redes sociais terão de ser interpretadas como trocas de galhardetes porque é aqui nos novos meios de comunicação que se proporciona a oportunidade de se fazer brilhar a ignorância ou sapiência.

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O certo é que no tempo, tudo mudou e, muito rapidamente. O que interessa na mente de alguns utilizadores é a de “rasgar e ou esfolar”, com ou sem razão, com ou sem conhecimento, no intuito de se fazer notar. Não compreendo como é que não lendo, não interpretando e não pensando, se podem ter opiniões tão críticas e absolutas. Como sabemos, actualmente poucos lêem, poucos o fazem de cabo-a-rabo, pois isso dá trabalho e o tempo “ruge”.

cazumbi0.jpg Os motores de entretenimento e afins fazem quase tudo por nós e, basta o clicar em um rato para num repente sermos os donos do pedaço quando, em verdade somos tão só um veículo de propagação duma onda que nem sempre sabemos qual a sua origem. Na informação torna-se mais fácil ler só o título e, logo ali fica formada uma posição ou opinião sobre um qualquer assunto; em realidade teremos de usar os métodos de escrita usados em meados do século XX por Graciliano Ramos (1892-1953) o autor de Vidas Secas com episódios de superação à sobrevivência.

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Ao concebermos um texto, uma crónica ou um acontecido, teremos de primeiro esboçar, pôr de molho, ensaboar, depois lavar, colocar a corar, curtir, enxaguar, e fazer com que nosso sol se aconchegue na secagem, a ideia final. Antes de a colocar no ar, de a escrever ou de a publicitar, haverá que dar uma última leitura para que já tudo engomado se possa dobrar e arrumar na gaveta correspondente!

gracilano2.jpg Infelizmente nada disto é observado e, é lamentável que não se leia um artigo de fundo, um esboço ou síntese de um livro de que se goste, coisas acreditadas por busca consciente via internet ou em páginas credíveis e com senso comum; assuntos mais alargados, mostrando o substancial que nos levem a dizer: Valeu a pena! Interpretar preto no branco o que é de justeza ou dissertar sobre uma palestra – enfim, com assuntos de interesse e sem uma qualquer gratuita agressividade.

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Estas duas crónicas versando o tema OPINIÃO surgem porque me cansa o excesso de “falas” e de sabedorias que por aqui e ali abundam. E, porque este assunto é deveras transcendente debruço-me neste tema que por vezes é mentira; assim, quase caindo do topo do cume, chego ao Imperador D. Pedro I, Imperador do Brasil e IV do M'Puto – Portugal, que fiquei a saber estar no cimo do galheteiro na Praça do Rossio de Lisboa. Pensava eu que era mesmo D. Pedro IV mas, este cara-de-pau feito bronze, é afinal esse tal de Maximiliano I, o imperador do México.

congo00.jpg Faltou dizer que o Imperador Maximiliano I do México, era tão fajuto, um falsificado, de tão fraca qualidade que desmereceu confiança fazendo-o passar por um genérico! Não deve vir mal ao Mundo mas é queiramos ou, não uma falácia. Os Tugas não queriam gastar dinheiro e por isso a estátua ainda está por lá dando caldinhos de matumbo ao povão. Isto há coisas… Que tal seria a crise desse tempo para colocar em um lugar nobre alguém, e a custo baixo quem nada era no país da Lusofonia, dos PALOPS ou da CPLP- (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Talvez a gente desvenda com tempo estas bizarrias da governação daqueles idos tempos - fim de século XIX.

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Consultei o Mwata Januário Peter para entrelaçarmos estas fricções da história e também falar de um rei dono dum território chamado Estado Livre do Congo e, ele confirmou que aquele, era tempo de muito cacau no conhecido Zaire e, que por via dessa abastança, ofereciam mãos de chocolate uns aos outros. As efemérides na suposta metrópole que era a Bélgica era um procedimento normal. Um horror! Coisa assim, como de quem oferece um sapo feito de açúcar a um estudante! A Policia de Leopoldo recebia soldo extra por cada mão de fujões! Entenda-se por escravos os negros que se escapuliam dessas obrigatórias colheitas. Iremos com tempo, pormenorizar este trato tão vil…

Congo0.jpg Mas, era ver cestos de mãos... Coisa macabra mas real! O que nós vamos descobrir! Andamos a colocar flores no falso D. Pedro IV na praça Maior do Rossio e, afinal é aquele Maximiliano, Imperador do México que nasceu na Áustria, familiar do outro a quem D. João III ofereceu um elefante e que foi obra literária do Nobel Saramago! Esta crise, já vem de longe! Estes acontecidos são assim descritos porque o labirinto das verdades tem muito silvado e ao invés de as cortar com DDT e ou outros venenos, aproveito comer as amoras.

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A Kianda Roxo que se fez anunciar envolta em coloridas dúvidas de espanto confidenciou a mim e Januário estar muito intrigada nessas "trocas e baldrocas estatuárias" dizendo por fim: -São para mim, uma surpresa -"tadinho" do D. Pedro IV - trocado pelo Imperador do México... Ambos imperadores, ambos das Américas... "Prontus"- na viagem de barco trocaram tudo... SERÁ??!!! Mesmo sendo uma kianda Roxo confidenciou por fim que se a curiosidade matasse ela preferiria ser só uma assombração de Guaxuma aposentada.

Congo4.jpg Com o fim da Guerra Civil Americana em 1865, os Estados Unidos começaram a fornecer apoio directo e substancial ao Presidente deposto Juárez e seus comandados que as tropas francesas tinham apeado do poder. Já é o insigne professor Júlio da Figueira a falar seus conhecimentos, rematando: Os americanos do norte viam com muito maus olhos qualquer intervenção europeia em assuntos do continente americano e viam o México como parte vital da sua esfera de influência na região. Isso piorou consideravelmente a posição de Maximiliano I empossado por Napoleão e a situação começou a ficar insustentável a partir de 1866 quando as tropas franceses começaram a se retirar do México.

maximilano0.jpg O império auto proclamado pelo Maximiliano rapidamente entrou em declínio e sem contar mais com apoio interno ou externo, foi capturado e executado por forças do governo republicano mexicano em 1867. Mas, coube-lhe a glória vã e falsa de ter merecido ser trocado pela estátua do rei Tuga e Imperador do Brasil e, ser ele e não o verdadeiro, que estaria bem lá no alto a olhar a baixa pombalina por cima do seu bem alto pedestal; Pois é! Este, chegou a estar sem estátua nenhuma ainda uns bons tempos aos que os lisboetas da época chamavam de "galheteiro"! Muito haverá a dizer mas fica para uma outra crónica; após esta intervenção graciosa do Profe, todos fomos ver a novela das oito – “Órfãos da Terra”…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:11
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Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
MALAMBAS . CCXXIII
UM CACTO CHAMADO XHOBA . III 16 DE JUNHO - 2019
– MALAMBA é a palavra
- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana… Foi no ano de 1999
Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

piram3.jpg Se bem conhecem, a história da coca-cola foi objecto de um filme em que uma garrafa destas caiu em pleno deserto do Calahári e que daí, provocou para além da curiosidade as vicissitudes do mundo ocidental, o mundo dito civilizado. Recordo que neste então e, descrevendo sumariamente o filme, uma criança viu-se acossada por umas quantas hienas. O candengue sabedor dos costumes da tribo pegou em um pau colocando-o na cabeça; assim parecendo mais alto, as hienas não se atreveram a atacar o candengue Bushmen.

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Desconfio que pelo andar da carruagem este trem da Terra vai conspurcar pouco a pouco aquelas paragens semi desérticas repetindo por muitas vezes este episódio da coca-cola e, o povo mais antigo ao cimo da terra passará a usar gravata e sapatos de coiro em substituição da sua pele rugosa e resistente. Por via da tal “molécula P57” o mundo dito civilizado subsidiará as tribos nómadas que vivem sem fronteiras entre Angola, Namíbia, Botswana, Zâmbia, África do Sul e Zimbabwé.

nauk8.jpg Estes, não mais irão ter de correr atrás dos macacos para saber aonde beber; terão à mão um chinocas, uma venda, quiosque cuca-shop para lhes venderem água e cachaça… A Bushmanland não mais será a mesma! A cento e vinte quilómetros a sul do Orange, num local conhecido por Springbok, pernoitamos numa palhota do tipo em que vivem os Bosquímanos: com estrutura circular formada de paus vergados e enterrados na sua parte mais grossa, entrelaçavam-se entre si na parte mais alta sendo o restante amarrado com fios feitos de casca de arbustos locais.

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Chovia quando ali cheguei pela primeira vez indo de Orange River, coisa rara para quem passa esporadicamente como o era, neste meu caso; não há cheiro igual noutro qualquer lugar do mundo. Após as primeiras chuvas, o pó em África, tem um cheiro de terra espacial; quem o não cheirou, não consegue conciliar os sentidos inebriadores duma mistura de pólens invisíveis dos escassos tufos de vegetação. No outro dia já as encostas suaves dos morros ficam numas chapadas feitas jardim, um mar de rosas deslumbrando-nos.

nauk01.jpg Estas palhotas do Springbok tinham 1,80 metros na sua parte mais elevada, cobertas a palha presa aos paus com a mesma casca, tipo mateba, deixando uma abertura com uns sessenta centímetros de largura e noventa de altura. Após ter feito uma prévia inspecção ao local circundante enxotando lacraus, aranhas e carochas, derramei um fio de gasóleo na parte de fora. O gordo bóher dono do pedaço, nada me disse para além de afirmar que estávamos seguros mas, eu não me sentia assegurado, se não fizesse isto.

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O cansaço adormeceu-nos sem pensamentos nem cobras ou lagartos. Ali, mitos e lendas são insociáveis da paisagem quase lunar, rochas escaldadas formando morros aqui e, mais longe areia de onde sobressaem umas árvores milenares do tipo aloés do além. Nesta natureza que não é assim tão vazia, vivem espalhados por África e mais propriamente ao sul do Botswana mais de sessenta mil aborígenes, dados do fim do século XX. Resistindo a tudo e ao tempo, ali aonde o desespero é um inútil alívio de evasão, vivem os khoisan, que mais a sul chamam de KoyKoy´s

busq8.jpg O sol ali não é dócil, pus o meu chapéu do Karoo, montamos o Toyota e, bem cedo seguimos à descoberta do Fish River mais a norte; fomos três a descer ao fundo do Canyon que parecia perto, era logo ali e, o que pensamos fazer em uma hora na descida e subida, levamos bem perto de quatro horas, Ufa!!! Eu, Tilinha e Marco M´Fumo Manhanga…Que calor! Mas, por sorte sempre havia uma fria windhoek lager à espera no restcamp… Que delicia! Uma vez na vida, experimentem atravessar um deserto para ter o prazer de beber uma fria na chegada.

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Foi nesta atmosfera e azáfama de sobreviver subvertidos à marginalidade do mundo real, que tomamos contacto com o tal cacto de xhoba e, não podia deixar de descrever toda a envolvência desta real contradição: a fome dos khoisans vai-lhes ser mitigada por milhões de obesos que só o são na maior percentagem, porque comem em demasia. Os deuses nestas paragens escreverão sua sina por linhas tortas.

busq1.jpg Já no topo do Canyon do Fish River a adrenalina escorria-nos nas faces, os olhos tremiam como a neblina matinal e, as pernas abanavam sentidos incomuns à magnitude das vistas em banda larga com “óoos e áaais” de espanto. Era o Ai-Ais! Estou em crer que foram estes Ais de admiração que deram o nome ao acampamento desta canyon. Já dias antes, tinhamos subido a Brandberg a ver as acácias solitárias, entre pedras vermelhas sobrevivendo a um deserto impiedoso. Os dias terminavam com suspiros de plena satisfação em curtos goles de marula tree sobre um sorvete Dom Pedro ou umas pedras de gelo gratinado…

(Continua...)
O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:23
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Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
MOAMBA . XXXI

PELO SIM PELO NÃO SOU "COISA NENHUMA" 
- Talvez agnóstico! Talvez um ACRÓNIMO... Porque não posso ser MEIA coisa, MEIO Cristão, MEIO Ciclista, meio FUTEBOLEIRO ou MEIO matumbo... Saí um BATRÁQUIO...
Por 

soba0.jpeg T´Chingange - Em Coimbra
Andei a pé doze quilómetros e, enquanto caminhava por esta linda Coimbra fui ouvindo rádio pelo meu micro-ondas "android" e, volta e meia faziam referência a um grupo chamado de LGBT. Eu, matumbo de corpo inteiro, apercebi-me pela conversa, de que era uma sigla em que agregavam nela gente mal compreendida, gente marginalizada, mas em tempo algum disseram o que era isso de LGBT. E. eu queria saber!

amolador3.jpg Chegado a casa fui ao meu tio Google da Internet averiguar o que era isso de que eu desconhecia! Imaginei serem sapatonas, homens bichas, gente muito desencantada por ninguém entender como era isso de se andar de marcha atrás ou marcha à ré; gente que um dia o é e no outro, o deixa de ser... 
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Quando eu era puto candengue, a homens que gostavam de outros homens chamavam um nome de fazer panelas, num faz de conta porque não faziam tachos nem penicos ou cafeteiras. Bom! Canibais era e ainda é uma outra coisa. Mas, com o tempo fui-me dando conta que o rolar das incompreensões tomam novas formas a que todos chamam de preconceito...

araujo6.jpg E, fui-me tornando sábio, saber nos conformes a coisa mal compreendida; haveria que tomar tino! Pois!... Não falar à toa porque, afinal havia muita gente a usar o AMOR desta forma. Ele com ele, ela com ela, tudo misturado e os edecéteras que se possam imaginar. Não poderia ficar assim inocente todo o tempo. Tive de procurar meu ti Google que aparentemente sabe tudo e...
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E, fiquei a saber muita coisa: LGBT é a sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros. 
Pópilas! Dei-me conta que estava a ficar para trás - anormal mesmo, no meio destas novas adquirições ou aquisições. Assim; sem saber se ainda era um homo sapiens... Será que ainda sou!?

araujo34.jpg Que, desde os anos 1990, o termo é uma adaptação de LGB, que era utilizado para substituir o termo GAY para se referir à comunidade LGBT no fim da década de 1980.... Li mais que os activistas acreditam que o termo "gay" não abrange ou não representa todos aqueles que fazem parte da comunidade. Afinal, o escambau também teria de ser enumerado!
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Que, o LGBT, tornou-se popular como uma autodesignação e que tem sido adoptado pela maioria dos centros comunitários sobre sexualidade e género e em meios de comunicação nos USA, bem como alguns outros países anglófonos.... Tinha de ser! Tamanhos avanços não poderiam alhear estas nações de primeiríssimo mundo.

araujo35.jpg Fui também ao dicionário e fiquei a saber que o termo LGBT é usado também em alguns outros países, particularmente naqueles cujos idiomas usam acrónimos, tais como Argentina, Brasil, França e Turquia. Ora bem! Acrónimo é uma palavra formada com as letras ou sílabas iniciais de uma sequência de palavras, pronunciada sem soletração das letras que a compõem (exemplo: OVNI por objecto voador não identificado, PALOP por país africano de língua oficial portuguesa, etc.). Estão a acompanhar!...
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Pois então! A sigla LGBT destina-se a promover a diversidade das culturas baseadas em identidade sexual e de género. Ela pode ser usada para se referir a qualquer um que não é heterossexual ou não é cisgénero (que tem uma identidade de género idêntica àquela que foi atribuída à nascença), por oposição a transgénero), ao invés de exclusivamente se referir as pessoas que são lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneros....

araujo36.jpg Bem isto não é tudo!... Para reconhecer essa inclusão, uma variante popular, adicionou a letra Q para aqueles que se identificam como QUEER ou que questionam a sua identidade sexual; LGBTQ foi registado em 1996. Aqueles que desejam incluir pessoas intersexuais em grupos LGBT sugerem a sigla prolongada LGBTI... Estão a ver a coisa? Não é nenhuma marca de carro!...
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Algumas pessoas combinam as duas siglas e usam LGBTIQ ou LGBTQI. Outros, ainda, adicionam a letra A para os, arromânticos ou simpatizantes (aliados): LGBTQIA, LGBTA ou LGBTQA. Aderentemente há variações que incluem também pansexuais e polissexuais (adicionalmente pessoas não-binárias), como LGBTQIAP, LGBTQIAPN e LGBTPN.

araujo38.jpg Chegado aqui, já feito um BATRÁQUIO, reli de novo e fiquei OBTUSO +. Pois NÃO, Pois SIM! Finalmente, um sinal de + é por vezes adicionado ao final para representar qualquer outra pessoa que não seja coberta pelas outras sete iniciais: LGBTQIAP+. Caralho!... Já nem sei o que sou!....
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Para desconcluir: As pessoas podem ou não se identificar como LGBT+, dependendo das suas preocupações políticas ou se elas vivem em um ambiente discriminatório, bem como a situação dos direitos LGBT onde elas vivem. Vou-vos dizer fiquei mesmo complicado com esta visão... Quero ir prá ilha...

Ilustrações de Costa Araújo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:13
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019
MALAMBAS . CCXX

TEMPO DE CINZAS – Terça Feira - 14.05.2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor de Zebra… de várias partes
Por

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra do M´Puto

miai3.jpg Escrita no No Nordeste brasileiro Em Miauí de Cima - Alagoas... 
Eram umas seis horas e trinta minutos, um calor do caraças, corpo mole e pegajoso com um ventilador ronronando paciência na vagareza, gotas de suor a formarem rios e ribeiros até chegarem ao lençol e, vira que vira com a vagareza do soprador que não sublima minha transpiração. Levanto-me! Fui fazer o café da avó na cozinha do piso térreo, bem à maneira, com chaleira e coador. Roça, é roça... 
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Tia Jacira, era uma senhora muito especial e porque já a descrevi, só direi mais que era uma dedicada assistente social de formação e voluntária às rezas repetidas dos terços da vida na Igreja de São Pedro da Pajuçara na Ponta Verde, muito próximo de meu ninho da águia, do carcará Niassalês - eu próprio.

mike1.jpg Com os seus mais de oitenta anos, Tia Jacira distribui amor por todos; incluindo-me, claro. De café feito e coado vou buscar a caixa metálica do papagaio, um jacó verde e amarelo, brasileiro a cem por cento mas, pouco falador; abro a caixa e com um pau-xinguiço retiro o bicho colocando-o em seu altar encastrado no pilar, tendo ao redor uma série de copos com comida, fruta e outros de zingarelhos para palitar dentes feitos bico adunco e, raspar as patas carunchosas.
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Tia Jacira normalmente fala baixinho com o verde-amarelo e, ele trejeitando a cabeça, de curiosidade chama-lhe vóóó - palra coisas indefinidas grasnadas como se fosse um pato-marreco. Nada parecido com o meu papagaio da Cabinda de Angola que pintava a manta de tanto falar chamando filho da puta, assim direitinho ao sagwin-macaco que estava do outro lado da casamata do mecânico dos unimogues e, também minha. 

arara1.jpg Dei-lhe um bocado de painço, um pedaço de banana e uma mistura colorida, sementes de girassol, água limpa e o sacana, nome de como eu tratava, nem um agradecimento: - Matumbo, 
repeti várias vezes e, ele assim com a cabeça de lado como que gravando no seu disco de bicho mas, nada de repetir o tio carcará (eu, o T´Chingange). 
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Cortei um pedaço de jornal ali esquecido e com data de 23 de Dezembro de 2011, a fim de fazer de lençol ao jacó matumbo. Era um periódico da Gazeta de Alagoas a dizer bem e mal dum antigo prefeito de Maceió, Cícero Almeida, um papagaio feito gente civilizada que também desviava verbas para a lista secreta das boquinhas do PT e outros afins... 
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Mais logo este jornal também vai aparecer cagado, com destino inevitável do lixo bem igual à vida daqueles políticos que se lambuzam em devaneios, sabendo que as baratas correm em raly nos corredores dos hospitais para gáudio dos utentes. Os caras enchem-se de boémias, pintam e bordam e, a justiça que deve fazer parte da caixa dois ou mesmo três, nada diz e nada faz... 

miai5.jpg É isto e aquilo que o Bolsonaro quer acabar mas vai-se dar mal se não trilhar bem firme o seu carril. Tem inimigos pra xuxú! Tomara!... Meio Brasil, vivia da seiva dos carrapatos. Hó gentinha, vou zarpar porque dois mais dois podem não ser quatro e fico ferrado. Mas que gorjeavam lambugisses, lá isso era nítido mas, diga-se, a maior parte do povo nem via isso por conta da bolsa, da gasosa, do geito brasileiro. Vou-te-falar!? 
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Saí a comprar leite, pão e queijo de coalho e chegando à padaria um pouco mais a sul, digo Bom d´Jia, assim, um bom dia bem à maneira brasileira. A resposta veio rápida do mulatão, padeiro saído das quenturas dos fornos: - Bom d´Jia, meu irmão! Ué! É o trato... Para agradar ao meu novo mano comprei mais meia dúzia de ovos e uma porção de goiabada.
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Juntei mais uma dose de milho flocão Coringa para fazer no vapor ou talvez bolo; deu tudo somado vinte Reais e, junto o negócio nas sacolas, penduro nos meus dedos e digo Xau! Xau, meu irmão - obrigado! Volte sempre e, assim saí feliz e contente por ter arranjado mais um irmão - que negócio!? Era para ir à praia ali a escassos duzentos metros mas o pessoal estava todo mudo e quedo lá no primeiro andar. 

miai6.jpg O papagaio-fêmea matumbo nem grasnava... Lá fora a moto-táxi do Zacarias, também meu irmão, rompia a longitude e a penumbra das silhuetas matinais com ganas de o estrangular. Com seu escape livre, fazia finfias a ele mesmo botando banga de Coruripe, pois então! Eram sete horas e trinta minutos. 
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Como eu gosto destas vivências tão ricas, tão farfalhudas, tão familiares. Em verdade, senti aqui falta duma vassoura turbo de piaçaba para lambuzar-me de vaidade e até entortá-la em suas costeletas; Bem! Em verdade este especial veículo pertence a uma senhora que muito prezo... de verdade! Tem a marca já registrada, como se diz no braziu. MJS...(Maria Joao Sacagami)
Ilustrações de Assunção Roxo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:33
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Sábado, 11 de Maio de 2019
MOAMBA . XXVIII

 
O CHOQUE DO PRESENTE - COIMBRA...11.05.2019
Aonde quer que se seja, é mesmo bom não se fazer contas ao tempo porque o bicho pega!… Basta-nos os doze meses de socialismo, social socialismo, ou isso entremeado com geringonças e matraquilhos mais diabruras para espairecer molezas…
Por 

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra... 

coimbra5.jpg É mesmo bom não se fazer contas ao tempo, aos meses, às horas e minutos, porque assim se tornam inexistentes, apreciando no seu melhor, as azáfamas dos outros ao nosso redor. Ouvir os "roncos - salvo seja" dos políticos feito barcos que sem os arrais de outrora, barulham os ares em tons diferentes aí Jesus que não há oiro! Pois! Lamberam-no todo. Se não for assim mais e desta forma e, tal e coisa, demito-me! 
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Até já sinto casquilhas ou cosquilhas nos meus calcanhares! 
E eu, curtindo o sol das doze horas ao toque das ave-marias que não o sendo agora, repicam na torre da Cabra desta tão bela Coimbra e aonde de tanto calcorrear me tornei doutor de bizarrias. Lembranças desse tempo de quando essas badaladas tinham som e até cheiro de bronze. Agora são fitas com musica a fingir que dão horas.

coimbra6.jpg Basta-nos os doze meses de socialismo ou social socialismo, ou isso entremeado com diabruras capitalistas, mais pão com chouriço e pata negra para espairecer as molezas dos imperialistas que sempre deixam correr o tempo, quando o não faz sair de feição... Coisas demasiado salgadas para mim que recebo uma miséria de patacas.
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Assim, desajustados à economia, com os burocráticos vícios da democracia, dão-se voltas às vicissitudes das suaves ou suadas angustias dos demais refastelando-se em caldeirões moles, e amolecidos como convêm nas desvirtudes corruptas do engano.
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E nós na impaciência, por não haver oportunidades iguais para todos, refilamos verificando serem os profissionais da política com banqueiros e seus mais próximos, os seus maiores beneficiados. Como todo o fenómeno é temporário teremos de purificar nossas almas tormentosas ou atormentadas sem nos apegarmos a coisa alguma... Meu Rio virou mulola...

coimbra2.jpg Não será portanto, caso de estranhar de muitos de nós andarem com um olho aqui e outro lá mais adiante, com a metade do raciocínio num sítio e a outra metade no ciberespaço. Com fenómenos de engenharia financeira dos bancos BPN ou BES entre outros, uns andarão muito cheios de fórmulas, outros simplesmente à boleia com vazios de ideias, enganados em tramóia de falácia mal explicadas.
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No meu caso muito pessoal, de tão inchado de espantos, desenho-me entre antigos esboços, revendo-me nos desenhos das sombras nos porões do meu Niassa, pois que sou Niassalês...
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Brincando até com o meu nariz achatado, relembro-me de que se de nada posso fazer de bom pelos meus mais próximos, também nada farei para os prejudicar. Não obstante terei de dizer aqui que o Senhor Costa, não nos será a salvação; não irei por isso e agora, vivinho e indisposto com muitas coisas querer guerras, fuzilar quem possa ter uma ideia mais original entre os diferentes deuses ou demónios.

dia185.jpg Demónios dos também diferentes comunismos, socialismos ou mesmo uma terceira sensação desconhecida, chinguiços com estralhos enredados de zingarelhos e outros complicados artifícios. Sim! Vivemos numa permanente mentira e, assim irá continuar. Ainda se visse a justiça andar para a frente e não de lado, ou para trás como o caranguejo!?
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:22
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2019
KILUNDU . III

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
Botando fumaça por meu arcabuz de outra geração chamado de canhangulo, fiquei assim matumbola mesmo ..... Desta feita estávamos em Granada...
NA LAGOA DO M´PUTO - 02.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto

Estava admirando os 15.000 mortos de Guernica quando com aura de santo-maior entrou uma figura pela porta frontal; era nem mais nem menos a Kianda Pieter que, varrendo com os olhos o salão “café solo” poisou em mim a ansiosa vontade do encontro. Porque ali, era um pambo n´jila especial de Granada.

granada4.jpg Efusivamente dirigiu-se-me com as duas mãos abertas ao espaço seu Duilo (Céu) mostrando todos os seus anéis. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contra-luz cintilando um desassossegado arco íris.
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Era agradável estar ali confraternizando com o passado que, nem sempre foi risonho; Entre um era-não-era em coisa acontecida mas não vista, assim como São Tomé, só relíamos poemas de Garcia Lorca referente à guerra de 1937 a 1939 com quadros dantescos quando do bombardeamento de Guernica e atrocidades de uma disputa civil.

guernica1.jpg Entalados na memória entre Nacionalistas de Franco e Republicanos que perfurou como uma faca sem fim toda a Espanha, nós só podíamos rever nossas próprias fugas em um mundo feito de muitas guerras.
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A sala espaçosa estava recheada de quadros sobre esses acontecidos passados como uma galeria de horrores de Granada da Espanha dos toureiros e muito olé-olé. Sentei-me num recanto em uma cadeira em madeira talhada com motivos de produtos da terra, pedi um “café solo” e uma tortilha de “manzana”.

guernica2.jpg O olhar não se desprendia dos corpos desmembrados em destroços retorcidos, gente e animais espalhados pelos campos; um treino de preparação à grande guerra que viria a acontecer em 1940. Ainda faltavam cinco anos para eu nascer e andava já tropeçando com os matumbolas coadjuvado pelo meu muito próximo Januário Pieter que conhecia todos os contornos ao pormenor. Há coisas que só acredito porque sou eu a contar! Fosse outro qualquer dava-lhe berrida no segundo.
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Sabes!? Eu não sabia ao certo mas ele falou: Os Alemães ajudando Franco a tomar o poder aprendendo aqui a matar, preparando-se para a guerra, essa que te viu nascer. E, arrepiei-me, sabem - Sentia-se desprender da tela o odor fétido da morte.

araujo19.jpg Nesta cidade tão cheia de memórias, havia felizmente, espaços retemperados à noite com flamengo, uma dança que reflecte o estado de espírito cigano. Estava aqui como que esperando aleatoriamente Januário Pieter, a assombração Kianda que pouco a pouco foi ficando o meu “Guru”.
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Entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, zuniam na minha cabeça legionários às ordens de Franco gritando “viva la muerte” mutilando o meu medo envidraçado de repugnância a todas as guerras.Estava agora, pronto a fazer com ele, Januário Pieter um pacto de sangue sem sangue - a seco, tornar-me um cipaio do seu arimo (lavra horta, n´nhaca).

araujo100.jpg O pacto foi feito, aceite e aprovado na maioria sábia de dois, a saber: T´Chingange, o próprio, com Januário de Sangano da Muxima de N´Gola. Foi quando explicou com detalhes de vôos rasantes. Aviões Nacionalistas matando indiscriminadamente gente impregnada de susto sem celeiro ou pontes para se esconderem; brigadas internacionais, idealistas lutando com armas diferentes de um credo sem culatra, munições encravadas em sonhos inúteis.
( Continua ... )
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:45
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2019
KILUNDU . II

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
MERCADO DO XIPAMANINE - Novo encontro com a kianda Januário Pieter, um verdadeiro N´Zambi N´kuluculu
NA ILHA DO CARLITOS - 29.04.2019
Por

soba002.jpg  T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Ontem, um novo dia, demos um forte abraço, convidei-o a sentar-se mas ele continuou de pé como a mostrar a sua nova indumentária e postura de muita banga. O penteado de Januário Pieter era um frisado afro com uma trança a retorcer no cocuruto por uma abertura do seu chapéu, uma quijinga do tipo Cumba-yá-lá tendo uma faixa zulu a contorná-la. 
::::: T´Ching2
Da orelha esquerda pendia um dente de facochero enquanto que a contornar o pescoço havia dois colares formando um conjunto colorido de missangas e n´zimbos; um destes tinha um circulo de madeira de pau preto com um desenho curioso de uma ranhura curva ascendente que entroncava numa helicoide de três circulos num crescendo para a direita e fechando por um cemi-circulo mais alongado indo quase fechar no mesmo sítio de início.

paz1.jpg :::::T´Ching3
Esta enigmática figura, ficou no meu consciente para mais tarde me ser decifrada. Nos pés, trazia umas sandálias em tiras de cabedal e atilhos que se iam amarrar a meio da canela. Vestido, tinha umas calças de vermelho berrante às bolas brancas; nas bolas brancas de forma estilizada aparecia aquele símbolo de curvas em elipse de caracol que quase fechando no mesmo lugar, mais parecia um bico aberto de papagaio. 
:::::T´Ching4
Eu estava estupefeito com tal estilo. Por cima das calças folgadas tinha uma camisa lilás com desenhos na forma de cornos de palanca de cangandala sem cinto a prender, tipo balalaika e, por cima de tudo isto tinha uma espécie de túnica com folhos brancos no final de umas largas mangas. 
:::::T´Ching5
Aquela túnica de uma seda especial tinha as cores preta e rubra como a bandeira de Angola e o mais curioso é que tinha em lugar da catana e a roda dentada, a esfinge de João Lourenço 
com o fundo esbatido de José Eduardo dos Santos. Háka! Eu estafa burro-feito com todo este aparato de n´kondi. Pieter estava um verdadeiro espantalho Xis-pe-te-Ó, super moderno e práfrentex.

luis44.jpg :::::T´Ching6
Até as sandálias estavam feitas em um cabedal firme, reviradas para cima como uma meia lua na forma dum genuíno aladino. Aquilo era demais, uma verdadeira mumia rejuvenecida de kalungas encrespadas. Um extra e vistoso camacoza carregado de zingarelhos. 
:::::T´Ching7
Mas, após a minha mirada, Kianda Pieter falou: - Meu camarada, mano kamba, como estás? Tu, continuas um tipo fixe! Seguiu-se uma pausa sem muxoxo, só por respeito com medo. Pieter mudou mesmo! Arrepiei-me. Que era isto? Mas nós vimo-nos ontem? O kota estava no literalmente. - Sabes meu, rejuvenesci à bessa, uns anos mesmo. Vou até te contar só. - É mesmo! Como foi isso? Perguntei engalfinhado em susto. 
:::::T´Ching8
- É assim, começou ele : - Estive na festa da Muxima, no entretanto esquindivei Kwanza acima, Kwanza abaixo relembrando meus tempos de candengue. Até fui numa rebita mas, mais tarde eu conto só. E Pieter continuou falando. Tinha muitas mocandas na cabeça para contar. - O mais importante nesta minha vida de matumbola mutalo, passou-se em Maputo. 

dia131.jpg

 

:::::T´Ching 9
Kianda é assim mesmo, os metros deles têm kilómetros! E, o tempo vira um era num era... Eu explico: - Por recomendação dum kamba muxiluanda, fui num vai-vem minkisi vip ao Xipamanine, lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine. Estás aver Meu !? 
:::::T´Ching10
O resultado é isto! Eu, só abanava a cabeça. E, ao dizer isto Pieter, fez um gesto longo com ambas as mãos envoltas nos folhados brancos, de cima abaixo indicava o estafermo de figura excêntrica numa simultânea adoração ao tal N´kuluculo. - Pópilas... Eu, estava feito um plimplau. 

dia23.jpg :::::T´Ching11
Glossaário: Quijinga: - gorro de autoridade tradicional Cumba-yá-lá: - ex- governanta da Guiné-Bissau Facochero: - javali preto com dois pares de dentes salientes N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga Palanca: - animal de grande porte e com esguios e longos chifres; simbolo de Angola (Quase em extinção) Cangandala: - local reserva natural em Angola háka: - Irra!,Caramba!, porra! n´kondi: - poder da magia em fetiche, boneco de maldades kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral camacosa: - maltrapilho kamba: - companheiro, amigo, camarada (de guerra) muxoxo: - sílvido produzido pelos lábios de vento aspirado entre dentes, estupfacto ou sinal de desprezo, sinal de desencanto esquindiva: - fazer revianga, finta, fazer piruetas, bazar dalí candengue: - moço, rapaz, pivete (Brasil), puto (Portugal) rebita: - baila na sanzala ou kimbo, dança de umbigada com as garinas mucanda: - carta, missiva, relatório matumbola: - morto vivo, uma assombração mutalo: - espíritos mortos sem ordem de n´zambi (Deus) muxiloanda/o: - natural de Luanda, camundongo, (quem bebeu água do bengo e apanhou paludismo ainda candengue) minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado cambuta: - homem baixo, atarracado N´kuluculu: - N´Zambi, Deus na língua Zulu Miama: - preto na língua Zulu Xi-lunguine: - nome aoriginal de Maputo Pópilas: sáfa! Caramba!, c´os diados! Plimplau: - pássaro saltitante, irrequieto (Continua ...) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:08
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Terça-feira, 16 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXIV

N`ZINGA E O FALA KALADO  – 5ª de Várias Partes – 16.04.2019
Por

soba15.jpgT´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Depois de falarmos do calor, da brisa e tempestades, um pouco por todo o lado, Fala Kalado iniciou suas confrontações: - Estás gordo, meu! Gordo e velho - já somos dois, deixa para lá! Interessante tu ainda te recordares de Kalacata!? Já andava ansioso para te rever, depois daquele encontro em São Paulo mas, os motivos ponderosos estavam escaldando. Felizmente já me libertei desta carga. Assim com um chorrilho de perguntas, afirmações e interrogações, ambos fomos sublimando nossa empatia. Curiosamente, achei-o muito sereno, aliás surpreendentemente sereno para um morto.

 

kilo8.jpg Muito de cautela perguntei-lhe: - FK, como consegues conciliar tua vida depois de reviveres de um modo assim tão vivo, tua morte. Recentemente soube que um tal de Luís Neto Kiambata, dirigente do teu defuntado MPLA da LUUA, declarações à imprensa - uma palestra sobre “A Vida e Obra de Nelito Soares”, no âmbito do 27 de Julho de 1975, que assinala a tua morte... Ele fez menção de que não chegaste a ver a independência no dia 11 de Novembro.

missosso9.jpg FK, fez todos os possíveis para não me interromper pelo que continuei: -Até recordaram o 4 de Junho de 1969, por acaso dia do meu aniversário; falaram até em Diogo de Jesus, afectos ao MPLA, de quando desviaram para a República do Congo um avião da DTA, coisa já aqui falada, a predecessora das Linhas Aéreas de Angola (TAAG). 

missosso3.jpg Precisamente na altura e neste dia comemorava os meus anos no Miconge, lugar conhecido por Sanga Planicie. Mas diz qualquer coisa! Com um enorme trejeito de desagrado ao ponto de fazer tremelicar sua orelha esquerda de plástico falou: -Pois! - Esse tal de Nélito morreu mesmo. Vais desculpar-me mas terei de ficar mesmo calado nesta matéria de recordar o que não quero lembrar e, em verdade já nem me lembro porque virei matumbola.

missosso6.jpg OK! Se queres, assim será; para mim és o Coronel Fala Kalado e não se toca mais neste periclitante assunto. É melhor! - Diz ele assim na forma de muxoxo carregado de naftalina misturada com creolina; deu para notar que era mesmo um ponto morto, morrido, defuntado. Bem! Fazia-te em Curitiba, Poconé mas, nunca aqui. Falei assim para quebrar qualquer gelo metido nas frinchas enferrujadas e ainda não sublimado em nós.

missosso4.jpg Em verdade estive naquele lugar do qual te dei um cartão que dizia. Terei de aqui recordar: ONG FENIX – Rua de la Paz nº 184 - Edifício LOPANA. Bem ao centro em letras quase góticas: FALA KALADO - (Coronel Emérito), tendo por debaixo em letra romana e inclinada os dizeres: Relações Internacionais.

missosso7.jpg É certo! É FK que retoma as falas dizendo: Esse é o lugar de contacto que ainda se mantém mas, em realidade os matumbolas kiandas de Hoji-ya-Henda e Monstro Imortal, heróis da guerra do Tundamunjila mais a Rainha N´Zinga estão descansando sua eternidade junto dos seus antepassados, em um quilombo situado perto de Poconé, capital do garimpo.

missosso12.jpg Eles fizeram questão de ali permanecer junto a seus próceres de N´Gola preservados no tempo em um estado quase puro. Ficaram em uma especial Cubata - Jango no quilombo de Urubama. Tudo porque existe ao redor muitos outros com nomes bem curiosos tais como: Aranha/ Cágado/ Campina de Pedra/ Campina - Canto do Agostinho/ Capão Verde/ Céu Azul/ Chafariz .
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E porque são tantos enumero mais alguns para teres ideia de como ficam bem acompanhados: Chumbo/ Coitinho/ Curralinho/ Imbé/ Jejum/ Laranjal/ Minadouro - Monjolo/ Morrinhos/ Morro Cortado/ Pantanalzinho/ Passagem de Carro/ Pedra Viva/ Retiro/ Rodeio/ São Benedito/ São Gonçalo/ Sete Porcos/ Tanque do Padre Pinhal/ Varal. Acho que chega, não!?

missosso11.jpg Para teu sossego e conhecimento, o Brasil tem uma Portaria, incluída no Decreto Presidencial nº 4.887/2003, que regulamenta o procedimento para identificação e reconhecimento destes quilombolas.  A referida Portaria destaca em seu artigo Art. 2° - Para fins desta Portaria consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos os grupos étnicos raciais, segundo critérios de auto atribuição, com trajectória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com formas de resistência à opressão histórica sofrida. (FCP - Portaria 98/2007) . Como vez, não poderiam ficar em melhor lugar... 
( Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
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Segunda-feira, 15 de Abril de 2019
MOAMBA . XXV

Dizem que já estamos no século XXI... 15.04.2019
”Esta gente foi a gente com quem me fiz gente. Hoje, não há gente… é tudo transgénico . "Quando os meninos me pediam "papel macio pró cu e roupa boa prá gente"…
TEXTO DE UMA PROFESSORA DE NOME LOURDES DOS ANJOS ... 

Moamba é cozido de galinha feito com azeite dendem 

kimbo 0.jpg As escolhas do Soba . No Nordeste do Brasil
Aqui se transcreve um texto que me fez lembrar o tempo... Curiosamente, em Rio de Moinhos, muito próximo de Rio Mau... perto do Porto... Um dos textos que mais me custou a escrever e por isso tem mais lágrimas do que palavras. Estávamos ainda no século XX, no longínquo ano de 1968, quando a vida me deu oportunidade de cumprir um dos meus sonhos: ser professora. Dei comigo numa escola masculina, ali muito pertinho do rio Douro, na primeira freguesia de Penafiel, no lugar de Rio Mau.

 lourdes dos anjos1.jpgEra tão longe, da minha rua do Bonfim, não podia vir para casa no final do dia, não tinha a minha gente, e eu era uma menina da cidade com algum mimo, muitas rosas na alma, e tinha apenas 18 anos. Nada me fazia pensar que tanta esperança e tanta alegria me trariam tanta vida e tantas lágrimas. Os meninos afinal eram homens com calos nas mãos, pés descalços e um pedaço de broa no bolso das calças remendadas. 
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As meninas eram mulheres de tranças feitas ao domingo de manhã antes da missa, de saias de cotim, braços cansados de dar colo aos irmãos mais novos, e de rodilha na cabeça para aguentar o peso dos alguidares de roupa para lavar no rio ou dos molhos de erva para alimentar o gado.

araujo103.jpg As mães eram mulheres sobretudo boas parideiras, gente que trabalhava de sol a sol e esperava a sorte de alguém levar uma das suas cachopas para a cidade, “servir” para casa de gente de posses. Seria menos uma malga de caldo para encher e uns tostões que chegavam pelo correio, no final de cada mês. Os homens eram mineiros no Pejão, traziam horas de sono por cumprir, serviam-se da mulher pela madrugada, mesmo que fosse no aido das vacas enquanto os filhos dormiam (quatro em cada enxerga).
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Cultivavam as leiras que tinham ao redor da casa, ou perto do rio e nos dias de invernia, entre um jogo de sueca e duas malgas de vinho que na venda fiavam até receberem a féria, conseguiam dar ao seu dia mais que as 24 horas que realmente ele tinha. Filhos, eram coisas de mães e quando corriam pró torto era o cinto das calças do pai que “inducava” … e a mãe também “provava da isca” para não dizer amém com eles…

arau162.jpg E os filhos faziam-se gente. E era uma festa quando começavam a ler as letras gordas dum velho pedaço de jornal pendurado no prego da cagadeira da casa…o menino já lia.. ai que ele é tão fino… se deus quiser, vai ser um homem e ter uma profissão! Ai como a escola e a professora eram coisas tão importantes! A escola que ia até aos mais remotos lugares, ao encontro das crianças que afinal até nem tinham nascido crianças…eram apenas mais braços para trabalhar, mais futuro para os pais em fim de vida, mais gente para desbravar os socalcos do Douro, mais vozes para cantar em tempo de colheitas.
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E os meninos ensinaram-me a ser gente, a lutar por eles, a amanhar a lampreia, a grelhar o sável nas pedras do rio aquecidas pelas brasas, a rir de pequenas coisas, a sonhar com um país diferente, a saber que ler e escrever e pensar no é coisa para ricos mas para todos, para todos. E por lá vivi e cresci durante três anos e por lá fiz amigos e por lá semeei algumas flores que trazia na alma inquieta de jovem que julgava conseguir fazer um mundo menos desigual.

araujo1.jpg E foi o padre António Augusto Vasconcelos, de Rio Mau, Sebolido, Penafiel, que me foi casar ao mosteiro de Leça do Balio no ano de 1971 e aí me entregou um envelope com mil oitocentos e três escudos (o meu ordenado mensal) como prenda de casamento conseguida entre todos os meus alunos mais as colegas da escola mais as senhoras da Casa do
Outeiro. E foi na igreja de Sebolido que batizou o meu filho, no dia 1 de janeiro de 1973.
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E é deste povo que tenho saudades. O povo que lutou sem armas, que voou sem asas, que escreveu páginas de Portugal sem saber as letras do seu próprio nome. Hoje, o povo navega na internet, sabe a marca e os preços dos carros topo de gama, sabe os nomes de quem nos saqueia a vida e suga o sangue, mas é neles que vai votando enquanto continua á espera de um milagre de Fátima, duns trocos que os velhos guardaram, do dia das eleições para ir passear e comer fora, de saber se o jogador de futebol se zangou com a gaja que tinha comprado com os seus milhões, e é claro de ver um filmezito escaldante para aquecer a sua relação que estava há tempos no congelador.

arau163.jpg  Seus génios, os pequenos / grandes ditadores que até são seus filhinhos gente que vende aulas aqui, ali e acolá, os papás são todos doutores da mula russa e sabem todas as técnicas de educação mas deseducam os seus génios, os pequenos /grandes ditadores que até são seus filhinhos e o país tornou-se um fabuloso manicómio onde os finórios são felizes e os burros comem palha e esperam pelo dia do abate.
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Sabem que mais?! Ainda vejo as letras enormes escritas no quadro preto da escola masculina, ao final da tarde de sábado, por moços de doze e treze anos com estes dois pedidos que me faziam: “Professora vá devagar que a estrada é ruim, e não se esqueça de trazer na segunda-feira, papel macio pró cu e roupa boa dos seus sobrinhos prá gente”. Esta gente foi a gente com quem me fiz gente.

araujo191.jpg Hoje, não há gente… é tudo transgénico. O povo adormeceu à sombra do muro da eira que construiu mas os senhores do mundo, estão acordadinhos e atentos, escarrapachados nos seus solários “badalhocamente” ricos e extraordinariamente felizes porque inventaram máquinas e reinventaram novos escravos.Dizem que já estamos no século XXI...”
Ilustrações de Costa Araujo Araujo
Li com prazer : O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:45
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Domingo, 14 de Abril de 2019
MU UKULU – XIX

MU UKULU...Luanda do Antigamente14.04.2019 
MUXIMA E MASSANGANO - Uma visita à Fortaleza de S. Miguel. Saber do passado para melhor se entender o futuro...
Por 

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

Mu Ukulu44.jpg  Li uma tese da análise da Unicamp em Brasil e achei interessante continuar este tema sobre a instalação de uma fábrica de ferro na região da Ilamba, no interior de Angola. Na segunda metade do século XVIII, a partir do ponto de vista das sociedades africanas, as mudanças nas relações de trabalho foram bem impactantes. Acabaram assim, por deslindar haver modos de exploração do trabalho dos Ambundos, para além do da escravidão.
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O estudo das faces normativa e prática dessas transformações impostos desde a conquista, trazem para o centro da narrativa os problemas de se ser subalterno a um processo alheio à sociedade. Os representantes da elite política africana, reivindicavam seu estatuto de vassalos para denunciar abusos que sobre eles cometiam.

Mu Ukulu02.jpeg Outros aspectos das relações coloniais manifestos durante a construção da fundição de Nova Oeiras foram os conflitos em torno de minas e terras mais o controle da fabricação e comercialização de objectos de ferro. Esses recursos naturais e utensílios de ferro, tinham já para os africanos significados distintos do económico. 
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Os ferreiros e fundidores da Ilamba produziam um ferro de alta qualidade em fornos baixos, com seus instrumentos rústicos. Sua trajectória, enquanto grupo de artesãos, foi o fio condutor da pesquisa, pois permitiu compreender as disputas, e conflitos de poder. Costumes e tradições envolvendo tanto as estratégias do domínio colonial português, quanto as formas de resistência a ele. Daí a invenção de novas práticas, com elaboração de discursos articulados subjacentes à sua emancipação. 

Mu Ukulu27.jpg Nota-se que as determinações locais tiveram peso tão ou mais significativo nas decisões tomadas na sede do Império em Lisboa. As ideias surgem ilustradas na principal fortaleza colonial para marcarem esse período. Fortaleza de São Miguel, baluarte de poderio Luso. Como podem deixar agora arrefecer estes relacionamentos que determinaram a nação presente. Como podem agora desclassificar e menosprezar a gesta Lusa que também foi heróica. Aqui se forjaram ideias e ideais que simplesmente não podem ser arredados.
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Os embates entre as personagens do Sertão de Angola - sobas, os filhos, capitães-de-mato, ilamba, imbari, negociantes, pumbeiros, ferreiros e fundidores - todos, guiaram as directrizes governativas em Luanda e enfatizam, talvez sem o saber as complexas redes hierárquicas nas relações de domínio, embora o sendo no auge do negócio negreiro . 

Mu Ukulu43.jpg Por fim, na base de uma leitura das fontes que privilegia o ponto de vista africano, propõe-se uma nova interpretação sobre as narrativas dos fracassos de Nova Oeiras, considerando que os Ambundos elaboraram estratégias bem-sucedidas para manter em seu poder os conhecimentos e os benefícios que a metalurgia lhes conferia.
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Haverá dignidade na menção, porque em pleno século XX o Governo de Lisboa ainda tinha aversão a tudo o que fosse cultura em Angola. O revolucionário empreendimento de Inocêncio de Sousa Coutinho, foi liminarmente abandonado, e intencionalmente esquecido. Em Novembro de 1772, após 8 anos fecundos e únicos na governação de Angola, depois da sua partida para Portugal o que o sucedeu; o Governador António de Lencastre, simplesmente, ignorou toda a sua obra.

Mu Ukulu29.jpg  A fundição de Nova Oeiras, uma homenagem ao primeiro ministro de Portugal Conde de Oeiras depois Marquês de Pombal, acabou por se transformar num local turístico que desperta nostalgia a todos os estudiosos e desejosos de verem aquela terra como sendo de todos que nela nasceram sofrendo também tantas tragédias, abandonos e descaso ao ponto de serem relegados a coisa nenhuma. 

Mu Ukulu45.jpg Esta fundição foi a primeira em África, à frente de quase todos os países europeus. E, ainda existem canhões fundidos naquele tempo para falar verdades de trovão; a pura palavra de se dizer: A verdadeira vontade de fazer progredir Angola. Não basta dizer que a cerca de 150 km do Dondo entramos no reino da Rainha Ginga . Nossa memorias vão mais além dessa sintetica negritude que por ironia, nos querem tatuar na pele para enfatizar...

NOTA FINAL AO JEITO DE COMENTÁRIO

-Sempre vinco o direito da nacionalidade como nascimento ou por obras meritosas feitas e para Angola! Ao invés de proporcionarem este principio, os ditos angolanos "genuínos" que se dizem ser no topo da escala, desmereciam ser angolanos porque açambarcaram para além do poder a economia roubando desmedidamente.

Houvesse gente interveniente aqui que não se limitasse a dizer "esta bem" ou clicar no "gosto" para se apelar ao governo de Angola que: - Eram mais merecedores serem angolanos aqueles colonos que tanto labutaram, do que estes ladrões que açambarcaram por graciosidade de Portugal tamanha responsabilidade.

Quisesse eu ser um sociólogo, pegaria nisto para me tornar doutor por tese. Talvez Fernando Vumby na Diáspora possa pegar nesta matéria e dar-lhe o devido relevo... Ou também o professor Júlio César Ferrolho ou Edgar Neves entre outros .... GENTE DE CRÉDITOS E ACREDITADA...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:10
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Terça-feira, 2 de Abril de 2019
MALAMBAS . CCXVIII

ORFÃOS DA TERRA - 02.04.2019
Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Encorujado nos meus farelos antigos, queimo as pestanas na praia da Pajuçara com sol intenso!… Sim! É tudo mais do mesmo! As algas, o mar verde e azul e edeceteras... Mas hoje passeando no calçadão, já quase chegando à Jatiuca um felizardo da terra todo vestido de azul, sapatos e meias azuis, calções e flanela azuis, chapéu tipo boné quico azul e, até uns óculos reluzentes azuis alocromáticamente fosfóricos, faz-me um rasgado cumprimento: - Bom dia Major!...
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Não é a primeira vez que o vejo sempre contente e falador saltitando passos com a ajuda duma muleta - no lado esquerdo. Seria falta de cortesia não responder com um Bom Dia mas, a chuva em verdade começava a cair de mansinho.

spi3.jpg Este tipo deve ser portista! disse cá para mim na certeza de que seria um outro clube aqui da terra do Brasil com ascendentes de dragão, bichos de cuspir fogo parecidos com outros pré-estóricos pintos da costa - dromedários o quanto baste para serem genuínos camelos.
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Nesta capacidade de repetir discursos já gastos para que tudo fique na mesma e, porque tenho ideias e ideais, passei o tempo da vida a perder amigos. Quando tudo me leva a crer que os amigos são o que penso, normalmente, a determinada altura já têm respostas para as perguntas que eu ainda não lhes fiz e isto, indispõe-me sobremaneira. 

spi0.jpg Por vezes também é o contrário disso sem eu ter as respostas adequadas ao momento. Assim com o meu peito séptico dispus-me a fazer o trajecto de hoje caminhando no calçadão contemplando as imprevistas contrariedades que sem culpa formada me fazem passar o tempo. Os sofistas sempre me desnortearam... E, assim fui galgando metros.
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Passei por muita gente de tanga e sunga que gozam sua vida em qualidade de 30 graus centígrados e, creio também até muita desta gente, ruminava como eu silêncios pelos erros alheios de muitos e zelosos assessores. Assim, entalado na charneira de entre a raiva e o vazio derramava-me aos poucochinhos perfilava-me assim como aquele outro cocho de mente azul, por cinco quilómetros. 

morte3.jpg Assim compenetrado no distraimento, ouvi de mansinho uma voz que sinceramente, não reconheci. Era um vulto com contornos de gente camuflado de assombração e com um monóculo encaixado na orbita ocular do olho direito: “ O destino faz muitas armadilhas à volta da gente e das suas intenções impedindo-as de se poder fazer o mais desejado”.
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Caramba! Era mesmo o autor de “Portugal e o futuro”, o livro premonitório do Vinticinco de Abril, isso mesmo! António de Spínola sem tirar nem pôr e até trazia uma boina e um pingalim, espécie de bengala flexível, de couro ou rabo de raia com a ponta a terminar em uma aselha de cabedal; spinolando o ar, batia seu pingalim, punho com mão e repetia; um gesto que me dava uma desconcertada indisposição. 

sorte4.jpg Gostava de saber a razão que leva alguém a usar um monóculo? É que, até um indivíduo que é cego de um olho, usa óculos normais! Interroguei-me sem levantar questão! Ora! Tarde piaste! Logo agora aparecer-me este general vaidoso para me relembrar as merdas que tanto quero esquecer. Não pode Ser! Você é o general Spínola? 
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Cá para mim o que o homem queria era ganhar carisma… Primeiro foi a boina! Mas, teve necessidade de um monóculo. Em termos práticos para que serviria? Para ver ao detalhe as minas e armadilhas ou para intimidação dos inimigos? Ando deveras preocupado porque parece que isto, só sucede comigo. 

sorte2.jpg Depois, só para chatear, mais tarde decidiu usar um pingalim! E, luvas de couro preto! Este absurdo só pode ser mesmo uma assombração! Pois bem, se o é, vá-se embora de vez porque o que tenho lembrado de si em filme e a preto e branco está descolorido e, até desfocado! Depois, a mesma vozinha falou: “Sabes! O passado vem sempre ajustar as contas antigas!” Disse isto, sem mais explicações, como se eu não o soubesse. Bem feito seu cara de pau.
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Tal como veio, assim se escafedeu! Ouvi assim uma chiadeira irritante como um berro de osga languinhenta a rir-se e, a figura difusa foi-se, como se foi no seu real pós-guerra de tugi, criando em nós, babancas, um orgulho nacional. Merda de orgulho este que me tornou num ORFÃO FORA DE PORTAS.

geringonça1.jpg Apeteceu-me perguntar-lhe: Viste a merda que fizeste? Mas, entretanto já nada ali estava, só pude ver o farol raiado de branco e vermelho na Ponta Verde a recordar aos patrões-de-costa e afins que ali há rochas chamadas de recifes. 
Tudo ficou assim, sem mais nem porquê!? Abril....
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:38
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Quarta-feira, 27 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XIX

PEDRA DO REINO de Ariano Suassuma - 25.03.2019
O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta Brasil – Género Romance, fantasia épica do Nordeste brasileiro - 1971
Por

soba0.jpeg T´Chingange - Com Suassuma - No Nordeste brasileiro
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Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma 

bordalo2.jpg:::::184
Estamos em Março de 2019 com talvez menos de dez milhões de Portugueses e, o estado vive cada vez mais à míngua sugado por corruptos e corruptores. As conquistas do povo foram direitinhas para a nova casta de políticos que dividem hoje, o bolo por quotas, tanto para ti, tanto para mim. Afinal, de nada valeu aquela caçada nos tempos loucos de agarrar fascistas. 
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Ainda hoje me arrepio de tal façanha vivida por mim com pesar e, em euforia de Abrilada pelos demais, mais que muitos, infelizmente! Acabei por me desterrar, abalado para um lugar distante chamado de Venezuela, mais tarde Brasil aonde estou por algum tempo - nada é eterno. Os tempos passaram mas os anos prósperos foram por má gestão mandados pró galheiro. Sebastião I de Portugal - Foi o décimo sexto rei de Portugal, cognominado O Desejado por ser o herdeiro esperado da Dinastia de Avis, mais tarde nomeado O Encoberto ou O Adormecido. 

 xique xique0.jpg:::::186
Assim fala Suassuma: -A qualquer momento, a Onça-Malhada do Divino pode se precipitar sobre nós, para nos sangrar, ungir e consagrar pela destruição. É meio-dia, agora, em nossa Vila de Taperoá. Estamos a 9 de Outubro de 1938 (Um ano antes da morte de Lampião, o Virgulino, no lugar de Angico, perto de Piranhas – Sergipe). É tempo de seca, e aqui, dentro da Cadeia onde estou preso, o calor começou a ficar insuportável desde as dez horas da manhã. Pedi então ao Cabo Luís Riscão que me deixasse sair lá de baixo, da cela comum, e vir cá para cima, varrer o chão de madeira do pavimento superior, onde funcionava, até o fim do ano passado, a Câmara Municipal. 
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D. Sebastião, os 14 anos assumiu a governação. Solicitado a cessar as ameaças às costas portuguesas e motivado a reviver as glórias do passado, decidiu a montar um esforço militar em Marrocos, planeando uma cruzada após Mulei Mohammed ter solicitado a sua ajuda para recuperar o trono. A derrota portuguesa na batalha de Alcácer-Quibir em 1578 levou ao desaparecimento de D. Sebastião em combate e da nata da nobreza. Isto, levou Portugal à perca da independência para a dinastia Filipina e ao nascimento do mito do Sebastianismo. 

quip´02.jpg :::::188 
O Cabo Luís Riscão é filho daquele outro, de nome igual, que morreu, aqui mesmo na Cadeia, em 1912, na chamada "Guerra de Doze", num tiroteio da Polícia contra as tropas de Sertanejos que, a mando de meu tio e Padrinho, Dom Pedro Sebastião Garcia-Barretto, atacaram, tomaram e saquearam nossa Vila. Tem, portanto, o Cabo todos os motivos de má vontade contra mim. Mas como sou "de família de certa ordem" e lhe dou pequenas gorjetas, abranda essa má vontade de vez em quando. Hoje, por exemplo, quando fiz o pedido, ele me concedeu o cobiçado privilégio de preso-varredor. 
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Mesmo fora de água, não é muito diferente do que se pensa dentro dela, em que ninguém quer saber da azáfama dos outros, cada qual por si. …iam destemidamente dar cabo dos Mouros, os hereges infiéis, Berberes e Tuaregues que não perfilavam com o Cristo e seus seguidores arianos. Alá, já nesse então, nada o fazia alinhar com o deus ariano que desfilava amor com armas em forma de cruz estilizada, a espada.

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Assim fala T´Chingange: - Oxalá deles, mouros, não tinha seguramente o mesmo sentido que nós arianos lhe dávamos. Os jovens assediados pelo jovem rei D. Sebastião, com ele foram mas, jamais voltaram; por lá ficaram em Alcácer Quibir encharcando a terra árabe com seu sangue num amontoado de corpos. O vento Suão nunca os trouxe de volta e, por eles muitas mães choraram, muitas noivas enviuvaram prematuramente carregando dos pés à cabeça seus lutos. 
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- Esta aventura de conquista e submissão de África continuou através dos tempos e séculos. A riqueza soberana do M´Puto, era nesse então e, sempre, pequena demais para as ansiedades do povo Tuga e, foi assim que muitos dos nossos ancestrais, nossos avôs e pais se aventuraram a iniciar novas vidas para além do desconhecido em um terra que diziam também ser a sua. Tal como eu, branco de segunda, muitos foram o fruto desta estória sem agá, Angola, Moçambique, Guine entre os demais. Por má gestão e usura, nossos ditos irmãos deixaram-nos ao deus-dará; um dia a história fará justiça.

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Diz Suassuma: - Abriu a porta de grades enferrujadas, trouxe-me para cá, deixou-me aqui sozinho, trancado, varrendo, e foi-se a cochilar na rede da sua casa, que fica no quintal da Cadeia. Aproveitei, então, o facto de ter terminado logo a tarefa e deitei-me no chão de tábuas, perto da parede, pensando, procurando um modo hábil de iniciar este meu Memorial, de modo a comover o mais possível com a narração dos meus infortúnios os corações generosos e compassivos que agora me ouvem. Pensei: - Este, como as Memórias de um Sargento de Milícias, é um "romance" escrito por "um Brasileiro". Posso começá-lo, portanto, dizendo que era, e é, "no tempo do Rei". Na verdade, o tempo que decorre entre 1935 e este nosso ano de 1938 é o chamado "Século do Reino", sendo eu, apesar de preso, o Rei de quem aí se fala. 
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Depois, porém, cheguei à conclusão de que, além de anunciar o tempo, eu devo ser claro também sobre o local onde sucederam todos os acontecimentos que me trouxeram à Cadeia. Não tendo muitas ideias próprias, lembrei-me então de me valer de outro dos meus Mestres e Precursores, o genial escritor-brasileiro Nuno Marques Pereira. Como todos sabem, o "romance" dele, publicado em 1728, intitula-se Compêndio Narrativo do Peregrino da América Latina. Ora, este meu livro é, de certa forma, um Compêndio Narrativo do Peregrino do Brasil. 

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Por isso, adaptando ao nosso caso as palavras iniciais de Nuno Marques Pereira, falo do modo que segue sobre o lugar onde se passou a nossa estranha desaventura: "Uns doze graus abaixo da Linha Equinocial, aqui onde se encontra a Terra do Nordeste metida no Mar, mas entrando-se umas cinquenta léguas para o Sertão dos Cariris Velhos da Paraíba do Norte, num planalto pedregoso e espinhento onde passeiam Bodes, Jumentos e Gaviões sem outro roteiro que os serrotes de pedra cobertos de coroas-de-frade e mandacarus e babaçus.
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:20
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BOOKTIQUE DO LIVRO . XVIII

MIAÍ DE CIMA . CORURIPE - 27.03.2019 
Lugar aonde os índios Caetês comeram o primeiro bispo do Brasil - SARDINHA! - Também com este nome!? - estava a pedi-las...
Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores … Ariano Suassuma...
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira

miai0.jpg :::::174 - O Bispo Sardinha caricaturizado pelos seus, no Vaticano
Estávamos a 24 de Março deste ano de 2019 - um dia calorento, sem brisa, nem cheiro dela! Recordo! Fui em tempos como romeiro a Juazeiro e até se deu um milagre... dele falarei lá mais para a frente. Posso adiantar que havia no meio da clareira uma mulher integralmente nua, de cabelos pretos escorridos pelas costas e até quase à cintura. De cor morena e olhos de uma grandeza impressionante que rodava sua juventude.
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Assim esbelta girava ao redor do único salão disponível; talvez uma clareira, um simples terreiro. Não pode ser! Havia bananeiras a contornar a natureza. Só poderia ser mesmo um salão de um imenso tamanho, do tamanho do Mundo. No encontro da noite com a manhã, um "bem-te-vi", despertou-me da realidade ou para a realidade. Aquela mistura maluca de seiva de cacto com jenipabo fez-me viajar por muitos e variados lugares como um supremo e eterno jogo de amor, nuvem com donzela parda do Agreste. Pópilas, era mesmo vontade de mijar! Para vocês, desconsigo mentir - acontece!...

miai01.jpg :::::175 
Foi assim que sucedeu com todos os portugueses. Os Caetês comeram o primeiríssimo bispo do Brasil com o nome de Sardinha. Pode existir assimilação mais completa, pode!? Aplicando todos os impensáveis princípios de fraternidade, Sardinha e mais de oitenta marinheiros naufragados nesta costa aonde me encontro, foram comidos depois de esbracejarem auxilio aos índios. Eu nunca li assim deste jeito uma tão tamanha fraternidade. Agora, bem que poderíamos ser, todos uma única raça: -Brasileiros.
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Pois! Os Portugueses iniciaram este país, afinal, deixando-se jantar pelos índios. Pela quantidade foi mais que um jantar, um café da manhã com almoço prolongado e ceia lá pela noite adentro. Depois disto fomos nos comendo uns aos outros e, eu acho lindo! Mas, sabe o que aconteceu? Alguns de entre nós descobriram-se negros e desataram a reclamar da cor. De repente cada qual começou desatando seu pavio e rápidamente já eram todos a reclamar casa, bolsa família e o escambau!

guerra22.jpg :::::177 - Pioneiros do MPLA - 1975
Os negros reclamavam de que não os deixavam ser brasileiros: Jacaré por exemplo veste uma camiseta preta com a inscrição "100% Negro". Euclides, o benguelense, pensando nisto,fala missangas com o General Catiavala. Este, vestido com o uniforme camuflado do Exército Angolano, suspira: - O senhor conhece Benguela de antigamente? Eu agora vivo só de lembranças, sabe? Já somos dois! ... os passeios nocturnos à Massangarala, ao Bairro do Benfica, ao luar - Tudo era bonito naquele tempo...
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Até o Salão Azul dos cubanos e o Lanterna Vermelha, o dancing do Quioche. Sabe aonde havia a melhor quissângua de Benguela? Euclides fala, fala sem obter qualquer muxoxo, qualquer resposta audível e plausível. Um dialogo chato de se fazer. Pois eu por detrás do bairro do caminho de Ferro, quando a gente ia na escola...lembra! Sem resposta, o jornalista ia ficando no pensamento dos tamarindeiros em flor... 

guerri6.jpg :::::179
Morrendo apenas, é que tudo acaba. O carro desliza através da tarde imóvel. Ao jornalista benguelense parece-lhe que estão parados - que é a cidade que desfila diante deles - um filme mudo. O Cristo Redentor de braços abertos continua de costas. Vai se entretendo a ler as placas das lojas e restaurantes: - Mocotô de Caetês,... grão de bico com bacalhau do M´Puto,... Sardinha grelhada à Coruripe.
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Pensa em outras tardes semelhantes àquelas, no Huambo, no Alto Hama ou em Benguela, assim mesmo de quando o tempo se aquieta no silêncio vastíssimo ou no meio da poeira vermelha da picada, apenas de onde o vento vira a curva, vindo de muito longe; lugar aonde se ouve o desespero dum motor, uma GMC ou Magiros, Scânia ou até uma Ural feia de assustar crianças. O desespero de um camião na picada.

guerri2.jpg :::::181 - Soldados do MPLA - 1975 
Porém, o país que amas, talvez já nem exista mais. Neste item, pode-se-lhe adivinhar os pensamentos na perfeição. - Você não tem saudade dos passarinhos, das flores da nossa terra? Isto da "nossa" é uma forma de dizer mas, lembro-me sim, dos rabos-de-junco, dos bicos-de-lacre, das celestes,, canários viuvinhas ou dos plim-plau cantando nas acácias rubras da minha rua. Às tantas nem sei se o cara fala comigo ou se só pensa.
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Eram tempos do visgo da mulembeira que a gente punha nas figueiras, umas palhinhas a colar as patas dos bichinhos - os siripipis de Benguela. Um dia, quando voltarmos, se voltarmos algum dia, haverá ainda acácias rubras florindo nos quintais? Ou estará tudo feito um cortiço de gente entaipada àtoa. Recordo ainda a fúria que esperava por alguém numa esquina. Não importa qual a esquina e quem era! Era alguém que na Luua, escuta violento rebentamento, violento estilhaçar de vidros e, logo a seguir a massa convulsa dos jovens pioneiros que gritam ódio.

savi6.jpg:::::183 - Jonas Savimbi - morto
Gente que faz tiros, que leva as balas directamente do produtor ao consumidor. Depois! Depois surge um homem ajoelhado no asfalto. Para aqui! Um adolescente alto e magro, de bermudas, uma camiseta com o rosto de jacaré e o título de seu disco - duma canção que editou "Preto de nascença". O candengue alto e magro, de bermudas descoloridas, sapatos quede, encosta uma pistola à cabeça do gordo e, dispara...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:51
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Segunda-feira, 25 de Março de 2019
MOKANDA DO SOBA . CXLVIII
CARTA ABERTA... De T´Chassanha
Com 4 adendas de T´Chingange (t) - 20.03.2019

t´chassamba1.jpgUrbano T´Chassamba (T) - O verdadeiro comandante das FALA 

t´chingange 0.jpg- T´Chingange (t) na Diáspora  (Miai de Cima de Couripe- Brasil)

-Em ANGOLA o racismo oriundo da burrice (matumbice) é que nos remete ao estado de miséria que vivemos .Você não sabe que para ser Angolano Genuíno é primaz nascer em solo pátrio e não ser, negro, branco,mulato ou cor de rosa.Um negro que nasce na Inglaterra é Angolano? Deve ser Africano!!

:::::t2

Obrigado brigadeiro T´Chassanha, sabe-se o quanto foste um combatente pela democracia. O verdadeiro comandante das FALA. Não desista, não deixe que os outros façam o que o senhor brigadeiro deveria fazer.
:::::t3
Não deixe que os oportunistas tomem o seu lugar. O Sr. é um herói vivo. O grande problema, e deve ser dito, é a incompetência de muitos quadros dirigentes. Cada um quer apenas estar nos lugares elegíveis na lista de deputados.
:::::t4
Deixam para traz os verdadeiros filhos de Angola que deram tudo que tinham para que a Unita fosse o que é hoje. Enquanto a ambição pessoal estiver acima da ambição colectiva, não haverá mudança.

arau45.jpg CARTA DE T´CHASSANHA  Carta Aberta aos militantes da UNITA e aos Angolanos em Geral - Angola não pode esperar mais...

:::::T1
Próximo de completar dois anos de mandato, Sua Excelência o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço parece ainda não ter percebido que a sua campanha eleitoral já acabou há muito tempo. Com o país atolado na pior crise económica de sua história – herança maldita da gestão criminosa do MPLA, (não apenas de Eduardo dos Santos) – esperávamos, que o Presidente da República descesse da tribuna e começasse a governar de facto.
:t´chassamba01.jpg::::T2
Esperávamos também que assumisse o papel principal na construção de consensos com os diversos Partidos representados na Assembleia Nacional e a Sociedade Civil para as reformas tão necessárias ao desenvolvimento de Angola. Por outras palavras, uma Angola para todos os seus filhos independentemente das suas filiações partidárias; independentemente de serem pretos ou brancos.
:::::T3
Se João Manuel Gonçalves Lourenço continuar teimosamente a fazer o papel de “eterno surpreendido” perante as provas incriminatórias da gestão danosa do seu Partido ao longo dos anos, demonstra, aliás como já vai sendo notório, que a estratégia dele, consiste apenas, num acerto de contas, no seio do MPLA, matando logo à partida todas as expectativas que criou, ao nos deixar sonhar por um lapso de tempo, que estávamos perante um presidente de todos os angolanos e que dali para a frente iria exercer uma governação participativa e inclusiva.
:::::T4
Se quem tem o poder para tomar providências continuar insistindo em não fazer nada, que mude o rumo do País de facto e de jure, será muito tarde. A delapidação do património público ocorreu sempre a olhos nus e já não surpreende ninguém. É, pois, confrangedor ouvir Sua Excelência o Sr. Presidente da República, sempre com o ar mais surpreendido do mundo dizer: Isto é repugnante!

t´chassamba2.jpg :::::T5 - Drs Jonas Savimbi e Carlos Morgado

Neste particular, o seu desempenho, Sr. Presidente, não augura nada de auspicioso...Mas, como diria alguém: - aqui não há inocentes! E outros mais, acrescentam: Faz parte do ADN do MPLA!
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Nós não acreditamos que todos sejam culpados nem que a corrupção e roubalheira façam parte do ADN de todos os do MPLA. Porém há uma verdade que tem que ser dita com a máxima frontalidade possível: Angola não é o MPLA!
:::::T7
Angola que não pode esperar mais: espera acções concretas por parte da oposição e sociedade civil para mobilizar todos os Angolanos de Cabinda ao Cunene e na Diáspora, no sentido de Angola sair, já e agora, do Eixo do MPLA. Sim! Todos aqueles que nela nasceram! A Pátria não pode continuar refém da agenda de um único Partido ad eternum.

t´chassamba3.jpg:::::T8 - Adalberto da Costa Junior

A Angola que não pode esperar mais: esperou em vão por um pronunciamento acerca de uma eventual ALTERAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO com Despartidarização do Aparelho de Estado, mas infelizmente as notícias não são as melhores, pois não se vê nos referidos discursos destaque significativo para as questões relacionadas especificamente às reformas esperadas e/ou à modernização do estado. São sempre discursos genéricos, que inviabilizam uma análise mais apurada sobre o que realmente se pretende.
:::::T8
O tão propalado programa de estabilização macroeconómica, aprovado no ano passado, além das expectativas que criou, nada de substancial gerou que se reflectisse na vida dos angolanos. Não existe, pelo menos visível, uma estratégia em que o sector privado possa substituir o papel do governo como principal empregador do País, criando assim condições para que economia florescesse ao mesmo tempo que desemprego fosse debelado pouco a pouco.

t´chassamba4.jpg :::::T9 - Jonas Savimbi

Vivemos numa alegada transição em que se apregoa a transparência, mas que em contrapartida continuamos fechados às questões essenciais de interesse do País e continuamos a ter uma Presidência da República que tem uma ascendência notória sobre os outros poderes instituídos. Alguém por esta altura ainda duvida, que a partidarização está a destruir a qualidade e a independência da administração pública?
:::::T10
Mas a Angola que não pode esperar mais: pergunta se será possível resolver este tipo de casos, sem uma oposição e uma sociedade civil fortes? A Angola que não pode esperar mais: exige da oposição uma conduta exemplar na defesa intransigente dos princípios que norteiam um Estado democrático e de Direito sem quaisquer subterfúgios, nem hesitações.
:::::T11
A Angola que não pode esperar mais: exige que a UNITA deixe de sistematicamente alegar fraude em todas as eleições e seja suficientemente forte e tome providências para que elas, as eleições sejam organizadas de fio a pavio dentro das normas estabelecidas. Dizer que o bolo está envenenado para comê-lo em seguida não dignifica e demonstra uma falta de seriedade a toda a prova.

t´chassama6.jpg:::::T12

A Angola que não pode esperar mais: exige que a UNITA se deixe de desculpas e sem mais delongas, humildemente, mas com firmeza se coloque na dianteira de todos aqueles, Angolanas e Angolanos que pugnam por um País Livre, Democrático e Desenvolvido.

t´chassama5.jpg:::::T13 - Samakuva e José Cat´chiungo

A Angola que não pode esperar mais: pede, suplica, implora a Isaías Samakuva que dê lugar às gerações mais jovens e que não aceite ser o empecilho que inviabilize o projecto de transformar Angola num local aprazível onde todos as angolanas e angolanos se sintam em casa. A continuada intransigência de Isaías Samakuva de não clarificar se pretende ou não manter-se à frente do Partido impede que a UNITA se organize e se transforme no instrumento capaz de conduzir todos os angolanos sem excepção à Liberdade, à Democracia plena e ao Bem Estar Social.
Catumbela, 20 de Março de 2019
Urbano  T´Chassanha


PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Quinta-feira, 21 de Março de 2019
MU UKULU – XVI

MU UKULU...Luanda do Antigamente21.03.2019

Estas lavadeiras tinham o hábito de fumar um tabaco artesanal, viscoso e de cheiro intenso que era manufacturado a partir de um entrançado de folhas de tabaco, parecido como uma rodilha…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpg  Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

Na Luanda antiga, as máquinas de lavar roupas eram desconhecidas e o emprego da selha ou do tanque de lavar eram acessórios indispensáveis a qualquer lar. Os barris de vinho importados de Portugal, eram cortados a determinada altura da base mantendo no mínimo duas a três aduelas de chapa de ferro para manter sua estabilidade, obtendo assim a selha usada com uma tábua solta de lavar, adicional; nesta, eram feitas as ondulações necessárias para nela se esfregar a roupa ensaboada.

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Consoante a sujeira da roupa, operações diversas eram praticadas para lhes dar o acabamento final de roupa bem lavada e cheirosa. O sabão mais usado era o azul ou branco da Congeral que todos conheciam por sabão macaco. Mais tarde surgiu a marca clarim, um sabão com outro potencial de cloro e usado na lavagem de roupa oleosa, fatos-macacos e outra de trabalhos oficinais; Era feita uma barrela ou posta a corar, sendo necessário um coradouro. Este era construído em madeira em um espaço de quintal solarengo, um quadrado do tamanho de quanto bastasse com rede de galinheiro.

Mu Ukulu32.jpg Ali era estendida a roupa a ser corada; o conjunto era suportado por caibros que apoiando no chão dando consistência ao andor de forma horizontal ou inclinada a gosto e em conformidade com a incidência do sol. Par evitar que a roupa secasse alguém da casa deveria regá-la de vez em quando, evitando que a mesma secasse ensaboada. Claro que esta tarefa era por norma feita pela mãe de família, cultura ancestral reservada à mulher que para além disto tinha a tarefa de cuidar dos filhos, assim como fazer comida para todos.

Mu Ukulu35.jpg As mulheres brancas ou de um estrato social mediano, tinham uma lavadeira que fazia este serviço por ela a troco de um salário normalmente baixo; estas, comiam normalmente do rancho da família ou levavam consigo alguma funje ou milho cozido no carolo para se alimentar; por vezes faziam-se acompanhar de um filho de tenra idade que nas costas dormitava conforme o movimento de esfrega-esfrega, da mãe. Por vezes levava mais um ou dois filhos por não ter com quem ficarem lá no musseque.

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Estas lavadeiras tinham o hábito de fumar um tabaco artesanal, viscoso e de cheiro intenso que era manufacturado a partir de um entrançado de folhas de tabaco, parecido como uma rodilha. Para que estes charutos durassem, fumavam com o lume para dentro. De quando em vez lançavam uma baforada de cheiro intenso que se impregnava nas roupas  no nariz; creio que isto afugentava os mosquitos que eram muitos lá pelos anos ou até 1950.

Mu Ukulu37.jpg O Município de Luanda, por esta altura tinha várias equipas técnicas a lançar fumo DDT por todos os bairros periféricos e também no centro da cidade; os candengues conheciam o trabalhar dos carros-do-fumo TIFA que surgiam periodicamente. As donas de casa abriam janelas e portas para que este fumo se entranhasse por tudo quanto era canto e refúgio dos pernas-longas que provocavam o paludismo.

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As roupas já secas eram recolhidas e, na varanda ou em um espaço anexo, eram passadas a ferro. Antes do surgimento da corrente eléctrica, eram usados uns ferros fundidos ou forjados para passar lençóis e, toda as outras peças de vestuário. Estes ferros na forma de uma caixa pequena de sapatos terminando em quilha como se um barco fosse; embora pequeno, tinham superiormente uma tampa pivô que permitia a alimentação com carvão vegetal que depois de acesos aqueciam a base bem mais grossa que o resto do corpo.

Mu Ukulu38.jpg Estes artefactos com uso até a metade do século XIX, tinham umas quantas aberturas para manter viva a queima dos tições de carvão e, de vez em quando a engomadeira – lavadeira soprava por aí para avivar as brasas. Sua base era bem lisa. Na tampa existia um pegador tipo asa que servia para transportar e fazer correr o ferro para a frente e para trás no acto de engomar. Havia quem usasse um abanico de mateba para assoprar as brasas em substituição do sopro que por vezes intoxicava as mucosas e os olhos provocando um choro fungoso de como quem tem uma rinite persistentemente chata.

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Nos modelos mais avançados, tipo xis-pê-tê-hó para a época, tinham na parte frontal um tipo de chaminé de boca larga, o suficiente para que ao abanar o mesmo num vaivém balançado no ar, este, entrasse pela frente mantendo as brasas ao rubro e soltasse as cinzas acumuladas. Este objecto pesado requeria do manobrador alguma habilidade no seu manuseia. Era assim usada uma chapa suficientemente arejada para os descansos e entretantos parados do artefacto. A tarefa era bem cansativa.

Mu Ukulu36.jpg Haveria que se ter em atenção não deixar as brasas cair na roupa pois que obviamente as poderiam queimar. Havia necessidade de se calcular a temperatura ideal para passar cada tipo de roupa e, a técnica empregada, era passar rapidamente o dedo indicador pela base do ferro; nesta operação deveria sempre, molhar-se o dedo, na língua – é obvio que sem qualquer cuspo a humedecer o dedo, este se poderia queimar. Por vezes até se sentia o frigir das borbulhas como coisa crocante.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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CAFUFUTILA . CXXVI

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO20.03.2019 - 22ª Parte
Kiandas e calungas! A mesma Kianda Roxo e sua mana Oxor que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero… 
Por 

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

niassa11.jpg Sêlo da Niassalândia 

Seu António, Seu António! Era para mim, só podia! Ouvi o chamado saído bem junto à rede de Futvolei encostado à barraca da Kanoa. Ginasticando minha hidroginástica, levantei os dois braços com o punho fechado e com os polegares saídos para cima como quem diz “gosto” no Facebook – estou aqui. Era meu conhecido Álvaro, um jovem ainda, a caminho de ser coroa, que aqui vem assiduamente à praia da Pajuçara zelar pelo seu físico. 
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Álvaro é filho de um português saído da cidade dos três efes – forte, formosa e fria; trata-se da Guarda nas alturas da Serra da Estrela, Beira Alta. Nesta minha praia, quando não apareço, dizem-me: Anda sumido cara!? Cheguei – digo com o polegar levantado – Tudo bem, beleza! Cheguei chegando -Tudo jóia! Já à sombra do chapéu verde e branco e bem sentado no sítio habitual, sempre no furo mole da areia, fronteira da maré de lua minguante, acompanho a azáfama do pescador de cerco de nome José Santiago.

kimbo 0.jpg José Santiago que para além de jangadeiro também é pescador de maré rasa, surge de bicicleta vermelha pela areia molhada. Esta bike é bem sofisticada pois que tem artefactos pouco convencionais com dois pneus extras aparafusados nas partes dianteira e traseira. Na parte de trás situa-se um bidom de secção quadrangular de cor azul e dentro dele, Seu José retira uma rede de uns 40 metros de comprimento e talvez dois de largo.
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Depois de estabilizar a bike por meio dum suporte feito zingarelho de não enterrar na areia, retira a tal rede que enrolada ao seu jeito fica com os dois paus dos estremos da dita cuja bem montadas em seu ombro, assim feito lombo, tal o tamanho da carga. Espeta um dos paus na beirada, água pelo joelhos e vai andando em circulo mar adento largando o bagulho de rede de nylon. Em cima, tona de água, pode ver-se as missangas feito bóias esparsas e pelo certo, o outro lado mais pesado roçará o chão muito cheio de sargaços.

kianda03.jpg Depois de quase fechar o circulo espeta o segundo pau e começa a barafustar com a água: enquanto salpica o espelho de água vai-se aproximando do centro parecendo enchutar algo. Trata-se de afugentar os peixes para assim ficarem aprisionados na rede. Carrega tudo isto embrulhado e desmancha o monte com mestria, fazendo sair de repelão as algas aprisionadas na rede. Ora apanha alguns peixes, ora pouco trás mas, sempre parece dar-lhe para o sustento.
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Pude observar que nesta tarefa era ajudado por dois seres de algum volume e um tanto gelatinosos como as medusas, também conhecidas por alforrecas ou águas-vivas assim muito semelhantes a cavalos marinhos de grande porte. Eram duas sereias – kiandas que de um e outro lado faziam deslizar o cerco da rede de forma mais célere. Acreditem ou não eram as perpetuas kiandas Roxo e mana Oxor, já nossas conhecidas por via de tantas vivências aqui contadas.

kianda3.jpg Uma relação que já vem da praia de Guaxuma e em outras paragens distantes como os lagos ao longo do vale do Rift tais como o lago Niassa de onde são originárias,Tanganica, os estuários do kwanza e rio Kongo ou Zaire. Isto é tão fantástico que fiquei na dúvida de se José Santiago as via assim como eu, porque outros, sei de antemão que não as viam. Sei porque isto se tem passado em outras paragens tais como os lagos Victoria e o Eduard no Uganda. Lá terei de falar com a minha empregada Mery de Campala acerca disto. 
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Hoje mesmo e a propósito falei com o jangadeiro Santiago sobre se as via ao que me respondeu: Dôtor…faz tempo que elas andam por aqui. Mais ninguém as vê a não ser eu e graças a Deus, tudo ficará assim porque é Ele que assim quer – mas ninguém acredita, sabe! – por isso nem falo!... Ele, Santiago, também não ficou a saber que eu as via e, assim vai ficar…Quando levo turistas às piscinas do recife, acrescenta, são elas também que enxotam os peixes coloridos até eles. 

kianda5.jpg Uma belezura! Ganha-se pouco mas a vida corre, graças a Deus. Ficam encantados dando-lhe miolo de pão; um paraíso! Disse. Estas ilhas em realidade são parte do recife que provoca a calma espelhada nestas águas da praia. Fiquei muito contente de as ver por aqui – fico sempre! Pena não termos por perto o Zé Peixe a completar o quadro da “kalunga”. Num jeito de seriedade lá terei de pedir à sereia- kianda feita gente Assunção, que faça um quando o mais fiel possível disto para que os anais da estória não passe ao lado.
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Na ultima parte do mussendo, 15º episódio, falei do porquê esta kianda Roxo de Guaxuma andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber no consciente desta sua dupla vida, compartilhando xispanços de tinta com particular maestria e, do porquê das cores cibernéticas confundindo-nos com holografias psicorroxas. Um dia pedirei a M. J. Sacagami que as defina ao seu geito astrofísico… Mas, já sabemos que nasceu às margens do lago Chivero. Aqui recordo de novo para que não haja duvidas em futuros arquivos.

roxo69.jpgSabemos que sua mãe, também kianda de tez negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero, lugar que fazia fronteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai seu pai. Que por via da política teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia por ser um pambu-n´jila especial com Muxima. Talvez ela agora, eu se encontra na Luua, se veja kianda no Mussulo depois dum repasto de catato, o tal mopane especial…FUI!
(Continua…) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:58
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Quarta-feira, 20 de Março de 2019
XIPALABOOK . 3

Xipala é rosto, é cara e, book é livro. 20.03.2019

Eu e Mery, convivemos acumulando experiências como quem junta pacotes de arroz carolino e feijão preto, por via de uma qualquer revolução que possa surgir. Com sucesso, mudamos de rumo provocando barlaventos ocasionais nos pontos cardeais de nossos mistérios…

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

bookttique0.jpg  Minha empregada Mery de Campala anseia ir para sua terra e gozar o seu lar, doce lar. Dá-me a impressão que todos os dias de manhã se sente estéril fora da sua Uganda porque, tudo tem um porquê, embora ela, nada diga; sinto ou pressinto nela um espaço cinzento com um sorriso suficientemente grande para se iluminar e criar empatia ao seu redor. Por vezes somos muito íntimos e, até ficamos empolgados com nossa imaginação compartilhada e, que muitas vezes nos atormenta.

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Normalmente, acompanhamos nossas falas com um gim e água tónica, costume dos fins de tarde em áfrica para afastar mosquitos; eles, os mosquitos não gostam do quinino da água tónica que se nos mistura no sangue. Por vezes levanto um sobrolho interrogado em expressões de objectar pelo que, ela diz numa forma não surpreendida fazendo-se de boa ouvinte e, passando também a sacolejar pensamentos, inclina-se num vazio de sotavento.

CUBA LIBRE.jpg Faz tempo que Mery quer rever sua família e amigos do Uganda. Como eu, nasceu em quatro de Junho, uns anos posterior ao meu, sem isso impedir de juntos aprendermos a viver mantendo uma filosofia de sempre aprender. Apreender a sermos felizes o quanto baste. Pois assim é, para convivemos acumulando experiências como quem junta pacotes de arroz carolino e feijão preto e, também, por via de uma qualquer revolução que possa surgir; um aditamento permanente na nossa última vez relevando sempre o agora.

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Por vezes fala do Idi Amim, das convulsões desse então no seu Uganda. Idi Amin Dada foi um ditador militar e o terceiro presidente de Uganda entre 1971 e 1979. Amin juntou-se ao King's African Rifles, um regimento colonial britânico, em 1946, servindo na Somália e no Quénia… Tento disfarçar dizendo a ela que também nasci num mar turbulento num barco chamado de Niassa mas, ela sem o dizer nunca acreditou em pleno mas, o objectivo é alcançado. Para ela eu sou NIASSALÊZ – com sucesso, mudamos de rumo provocando barlaventos ocasionais nos pontos cardeais de nossos mistérios.

booktique13.jpg Repito: -mudamos de rumo provocando barlaventos ocasionais aos pontos cardeais de nossos mistérios. Como eu, ela também espera boatos contaminados e, até os contamos como se fossem missangas de caurins enfiadas num fio.

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Contou-me que muitas vezes lá na terra dela, comeu matooke, uns hambúrgueres feitos com vermes muito estrugidos com cebola, chamados de mopane, umas lagartas muito nutritivas sem dentes nem cascos duros e, que ficam junto com a cebola crocantes! Também entra nisto, alho, gengibre, jindungo, alface e jimboa. Parece que na tua terra, isso tem o nome de catato, ouvi algures, alguém dizer! Disse isto, assim de corrida misturando anseios com afirmações e desejos…

mopane19.jpg Pois, comi isso no IN-DA-BELLY vendo as Cataratas Vitória, ainda nem faz seis meses, um restaurante situado no conjunto de bungalows do Zimbabwé! Até que gostei disso, disse eu numa forma de quem faz um recado para si mesmo tirado da caixa postal do seu baú – nosso correio. Quem nunca provou pode arrepiar-se quando vê devido ao seu aspecto. Meus companheiros de viagem arrepiaram-se; admirei-me pois que eram portadores de bilhetes de identidade tirados na Luua (angolanos de gema). O Chinguiço gabarolas, tenho de dizer isto aos soluços: até se dizia ser, o melhor condutor de áfrica, ora bem…

booktique16.jpg Não obstante a má aparência, este bichinho raras vezes tocam no chão durante a sua vida que é feita em cima de certos arbustos alimentando-se de suas folhas com o mesmo nome mas, não exclusivamente; algo parecido com a lagarta ou bicho-da-seda que só come folhas de amoreira. Em Angola, esta espécie encontra-se nas províncias do Uíge, Malange e no Lubango, sendo esta última a origem dos catatos da D. Joana, que os cozinha e vende na praça do Prenda em Luanda. Uma boa ocasião para a Kianda  Roxo provar.

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Mery, ficou encantada com meus gostos “de preto” no dizer dela e lá tive de dizer como isto se prepara: - “Primeiro coze-se o catato e deixa-se a secar, depois de estar seco faz-se um refogado com cebola, óleo e bastante jindungo numa frigideira. Depois disso, está pronto para comer.”- Foi D. Joana que me ensinou; compra o produto nas mumuílas que vêm do Lubango. D. Joana, ao lado da bacia vermelha que tem por cima da banca de madeira, tem dois copos, um pequeno e um maior, o mais pequeno, cheio, custa 50 kwz e o maior custa 100 kwz.... Custava, conclui eu. Agora não sei…

booktique14.jpg - Tu, falando assim para mim, disse Mery: a felicidade connosco nunca petrifica; a felicidade brilha como a areia nas nossas mãos. Falando assim, até parece que os africanos têm um só progenitor – um pai sem cor. – E, tu vês-te assim na tua Kúkia de Campala? Perguntei de rompante. A resposta veio tão rápida como um qualquer relâmpago: - bazungus e negros vêm ao mundo pálidos como o gelo – quando crescem, uns ficam enigmáticos e outros querendo ser brancos, jogadores de futebol ou basquete. Cada qual fica uma fábrica de falas; porque dizem que só assim é, quem andou na melhor universidade de África – a universidade de Makerere!  

booktique15.jpg Não querendo deixar-me apodrecer entre linhas perguntei: Mas, que universidade é essa de que falas, essa de melhor de África?  Foi aonde estudei. E, é o que todos dizem, especialmente aqueles que nunca lá puseram os pés. Eu sorrio sempre concordando com eles, embora o edifício esteja a cair aos pedaços. Estendendo o braço ofereceu-me e, eu comi: -Dentro de uma folha de bananeira, um pacote de formigas, deliciosas enswa. Embora a folha estivesse amassada, recordei as tanajuras que em tempos comi em Colatina do Espirito Santo… Vais querer saber mas, isso só mesmo para outro capítulo…malembemalembe. Mery, assim ficou, com o sobrolho descaído…

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:19
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Terça-feira, 19 de Março de 2019
N´GUZU. XXXIII

CONHECER O BRASIL  – Recordar o que são os TROPEIROS

- Parte TRÊS … 19.03.2019

TROPEIRO, o herói, quase um bandeirante que enfrentava onças. SERTANEJO com lagartos e carcarás nas bordas dos caminhos ou lodaçais secos que nem tabletes de chocolate…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Numa sã convivência, é meu hábito relembrar os velhos tempos dando a conhecer a alguns aquilo que foi ou ainda o é, a maneira de se viver, os hábitos e alguns costumes fora de portas habituais aos demais, brasileiros, portugueses, sul-africanos e, ou angolanos. Esta iniciativa é acarinhada por uns e considerada foleira para outros mas, não virá mal ao mundo considerar ou não, outros conceitos!

tropeiro13.jpg Tenho uma amiga, minha empregada ugandesa, que nasceu em Campala que sempre fica extasiada com meus contos de cordel, minhas estórias encantadas do Xingó, do Xingrilá ou coisas do sertão africano, terra da qual ela tem muita saudade…Há entre os meus amigos um engenheiro especialista de obras feitas e carris paralelos de trem ou comboio, que sempre surge dando uma de sabichão, falando palavras de Domingos e quase desconsiderando minhas formas de expor. Nem se lembra ele, que fui eu que lhe ensinei a calcular volumes de terras, entender e ler os perfiz e, até saber na perfeição qual a função das solipas.

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Falando de tropeiros, sua figura ensimesmada, soturna, seria pouco integrada ao amanho do campo e, menos ainda à balburdia das cidades. Um pequeno artigo de jornal, com este mesmo nome, intitulava de “transportes arcaicos” recuperando-o como elo de aproximação entre o mundo rural e urbano, um carteiro portador de notícias variadas e recados, Novos modismos de caminhantes com gosto pela natureza, patrulheiros ou pombeiros modernos a comparar com os actuais aventureiros ou escuteiros e à semelhança das criações de Robert Baden-Powell

tropeiro14.jpg  Ter em conta que Baden-Powell aproveitou e adaptou suas experiências na Índia, na África entre os Zulus e outras tribos do sul da África e as guerras dos bóeres; Estes colonos de origem holandesa e francesa, opuseram-se ao ao exército britânico, que pretendia apoderar-se das minas de diamante e ouro recentemente encontradas naquele território. Em 1896 dirigiu uma expedição contra os Matabele em Rodésia. Desconfio bem que este novo conceito de estar também passou pelas áreas dos Pampas e Cisplatina.

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Todos estes modismos serviram para educar e adestrar os rapazes, a serem espartanos, antigos bretões, ou peles-vermelhas; Também aqui encaixam perfeitamente os tropeiros do Brasil. Procedimentos que foram renovados por Hitler com sua juventude higienista ou mesmo a Mocidade Portuguesa do tempo de Salazar em Portugal. Estes procedimentos com valores ao culto foram-se deteriorando no tempo pelo surgimento dos jogos virtuais, computadores e robótica que, cada vez se agudiza em nossa sociedade, de forma tão globalizada pelos jogos de mata-mata…

tuiui2.jpg Não é de admirar o que hoje se vive um pouco por todo o mundo: jovem que surgem apetrechados para a guerra e matando, simplesmente matando sem um proposito, como um jogo! Mas e, quanto aos tropeiros, foi nos lombos das mulas que a maior parte da produção agrícola chegou aos portos, para exportação ou consumo interno; isto alastrou-se por todo o Brasil. Em meados do século XIX, as tropas de mulas, foram um avanço no transporte do açúcar; cada mula podia carregar com sacos entre os sessenta e oitenta quilos.

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Em Minas, sem saída para o mar nem caminhos fluviais, todo o comércio era feito por mulas, inclusive o de produtos de difícil transporte, como o vidro. Por via deste s itinerários muares, surgiram estalagens nos caminhos, rústicos barracões abertos dos lados e sustentados por pilares. Ao redor destas infraestruturas acolhedoras, criaram-se roças de milho, plantio de feijão e comércio de outros géneros alimentares, vendas de tecidos e coisas a granel; sapatarias e afins de vestir com coiros e outros produtos da terra.

tropeiro12.jpg Os núcleos de população iam surgindo com necessidades de escolas, barbearias, ferradores, drogarias e casas de pasto. A partir de meados do século XIX, as topas de mulas sofreram a concorrência das carroças que se faziam locomover em picadas, como a estrada de Santa Clara, pioneira com seus 170 quilómetros ligando  a colonia de Filadélfia, em Minas Gerais ao litoral, iniciativa de Teófilo Ottoni  e a União Indústria, ligando Petrópolis a Juiz de Fora.

tropeiro10.jpg As estradas foram surgindo macadamizadas com pedra britada, aglutinada e comprimida. Surgiram as pontes e aquedutos em rios ou pequenos córregos com manilhas manufacturadas em novos estaleiros, os percursores da Odebrecht com novas engenharias misturando interesses com sabedoria financeira, corruptelas e manobradores de interesses dando gasosa como suborno e formas sociais criadoras de inveja, poder e manobrismo nas adjudicações; mais valias e caixa dois e até caixa três adulterando nossas vidas e criando falcatruas bancarias – a crise e o escambau como se diz aqui entre os vendedores camelós; práticas bem dificel  de se mudarem num Brasil que fez da corrupção um esquema modelo de gestão.    

tropeiro11.jpg Claro que tiveram de criar estações de muda, gabinetes de recursos humanos, um jeitinho daqui e outo de acolá e a necessidade de prisões para nela meterem os ladrões de alto coturno, descamisados e outros inocentes injustiçados. Pois! Sugiram as pontes metálicas, a industria dos interesses, o juro, os altos salários, os salafrários e vendedores da sorte, do bicho e da sogra - Também as ferrovias, as ciclovias, o lazer e os motéis de beira de estrada com Boralá, o Cêksabe, o fodaki entre outras inventações muito peculiares.  Um putedo carnavalesco de durar muito mais mais do que  quatro entrudos…

FIM

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:18
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Terça-feira, 12 de Março de 2019
MALAMBAS . CCXVI

TEMPO DE CINZAS NA NAMEYA BAR – MALAMBA é a palavra – 11.03.2019

- Boligrafando minha própria estória em cor vermelha…

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Com sotaque de classe média, cada qual falava em seu telemóvel (celular – microondas) como se fizessem exercício em águas quentes para relaxar. Um casal envolto em núpcias de mel, assim demasiados ocupados, ele e ela, apertando letras de amor – creio!… Com ares conspiratórios; decerto não falavam de grasnares dos patos e das patas de seus progenitores largados no sítio não muito longe da cidade de Bonito. Falo de Bonito, uma pequena cidade do Nordeste mas, até poderia falar de Garça ou Piranhas em lugares bem distintos e, bem diferentes.

kimberly2.jpg Garça ou Piranhas que estando muito afastadas entre si mas, aonde os dias calorentos se dissolvem por vezes em chuva morrinhenta ou mesmo cinzenta e até por vezes salpicada de fina lama suspensa no ar. E, foi assim, sentado em uma cadeira de praia e à sombra de um chapéu verde e branco, que vasculhei com olhares os arredores de mim, ondulando a vontade num faz de conta e imaginando-me ser uma caneta tipo lapiseira do tipo boligrafo.

nauk03.jpg Imaginei ser uma caneta, boligrafando minha própria estória em cor vermelha, a única que tinha à mão. Contornando símbolos em cima de um longo papel e, nas costas das contas do supermercado da Pajuçara, deixo o boligrafo levar minha própria mão sem tempo, sem metas ou temas previamente definidos dando-lhe largas, assim sem a definir como a única caneta da minha vida! Simplesmente um boligrafo entre tantos já usados…

swakop10.jpg E, como um destino sem termo, uns fins sem princípio, um índice sem prefácio nem glossário e reconhecendo que o fim só o é quando chega, sem epilogo ou amuradas dum barco carcomido pela ferrugem, como num tudo ou nada, sem makas ou quenturas procurando uma agulha num palheiro ou num porão, definia-me como um grão-de-bico que posto na água incha e que depois é revertido e deglutido como bolo alimentar. Os bichos vão-me comer depois de bem gordinho!

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E, digo isto porque pude ler num carro de vendas, espigas de milho verde: “ou você escreve ou Jesus escreve por ti”. Busquei saber do porquê daquela frase no livro dos livros tendo encontrado uma frase em que o apóstolo João descreve sobre o grão de trigo: “ Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer produz muito fruto. Lendo mais vi que quem ama a sua vida perde-a, mas aquele que a odeia (a sua vida), neste mundo, irá preservá-la para a vida inteira”.

MONA2.jpg E, continua: “Se alguém me serve, siga-me e, aonde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir meu Pai o honrará”. Terminada a citação e por esta leitura posso concluir pela milionésima vez que, sendo eu outra espécie de grão, nunca poderei ser um bom pastor. Nunca o poderei ser, porque não o consigo interpretar na perfeição.

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Pois que é uma fala tão antiga e, ao segui-la me verei num comprido e admirado rosto, de uns sabujos e pesados papos, castanhos e bolorentos por debaixo dos olhos, e também com um trejeito na curva esquerda do lábio num sorriso falso como daqueles de quem se enganam permanentemente sem ter bem a convicção disso; de ser uma ignorante areia que nada gemina simplesmente porque não é um grão de trigo.

arau162.jpg Assim me vejo religiosamente feito numa carcaça escorregando no purgatório, gaguejada e chocada na ignorância de uma esperança esfarrapada na incompreensão: - “Hó - ser pastor não é verdadeiramente a minha profissão, nem minha inclinação”. Confesso isto sem embaraço, como dizem os ingleses: sou só um part-time; melhor uma missanga de part-times.

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Será assim como uma parábola dos tempos modernos confrontando a vida esterilizada num celular que emana neuroses e preocupações, uma existência alheia a Deus porque em seu tempo não havia estas máquinas de empilhar tensões e neuroses antes, durante e depois de se casar. Foi assim nesta complexa análise quase nadista que resolvi terminar meu dia de praia, levantando e abanando a mão como que para afastar demónios.

EDU63.jpg O importante é não alimentarmos ódios por quem pensa de outra qualquer forma ou ter desejos de vingança porque isso, só torturará nosso bom censo, nossa liberdade. Nem é preciso estudar-se psicologia avançada para se concluir que os pensamentos maus ou enviesados, como um boomerang, um pau torto inventado pelos aborígenes australianos, que lançado a um alvo, só deformará nossa personalidade. Cada um que fique com sua cruz ou o seu boomerang…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:47
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Sábado, 9 de Março de 2019
XIPALABOOK . I

Xipala é rosto, é cara e, book é livro - 06.03.2019

Minha cara é um livro aberto – É assim que se diz mas, nem sempre o que parece ser, o é...

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

sacag1.jpg Esta palavra aglutinada espacial, foi inventada por Maria João Sacagami, uma insigne psicóloga dedicada às coisas do paralém, que trata os mistérios duma forma imperceptível num tu-cá tu-lá. Ela que Saca e interpreta a fúria das nuvens cavalgando nelas assim na forma fácil de como eu navego sentado num chassi vruum vruum como se fora uma zundap. Um especial veículo cabo de vassoura de pura piaçaba, volante cabo de pau-rosa e com um quase imperceptível motor movido por salalés…

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Pois! Uma coisa de outro mundo que nem o chefe da suprema corte do Xingrilá consegue definir na torpitude dum surreal quadro. Salalés de áfrica que zundrapão movendo seus pistons ortorrômbicos no eixo longitudinal e, usando óleo de amendoim reforçado com óleo fino de carnaúba espacial e, ainda mais uns aditivos e aplicativos tirados duma galáxia ainda não inventariada nos longínquos arrabaldes da Xirgosia.

sacag3.jpg Aparatos e zingarelhos, que se movem no retrogrado sentido do escape tardoz, muito recheado de minúsculos chips. Posso reler-me na contraluz do espelho convexo do veículo, uma muito complicada figura de muito para lá do paratrás, algo quase desentendível dum vulgar humanóide terreno. Relembro assim perturbado, minha singela proposição de quando só era um soba sem coturno, um sem eira nem beira, uma singularidade quase imperceptível com a presente figura plasmada.

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E, vi-me lá longe no início do meu funil do tempo: Assim vestido a rigor de cerimónia, com um manto adornado de conchas, vários colares com dentes de leão, contas de vidro missangando o pescoço, uns chifres de pacaça duros e pesados a fingir de cornos na dianteira testeira, dois olhos ressequidos de facochero colgando das orelhas – um em cada uma delas.

143.jpg Pude rever-me aqui, um soba de categoria super tutelado por N´Gola Kiluanji, meu rei saído dum raio de sol, duma kúkia manobrada com fumaça por N´Gola M´Bandi, o Kimbanda tribufu do meu Kimbo ancestral, pensava eu! Afinal era o fim da kúkia dele – Kiluanji, morreu todo inteirinho… Bom! Falando de mim, ao redor da cintura, uma pele de cobra surucucu simbolizando meu estatuto de soba. Como se tudo fosse pouco ainda tinha um chapéu tipo cartola, alto e, ao qual estavam presos pequenos ossos talhados, saídos da falange falanginha e falangeta do King Kong, algo inexplicável…

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N´Gola M´Bandi batendo palmas, cai um silêncio quase sepulcral, tal o respeito que dava para se sentir emanando daquele personagem tão cheio de estralhos e outros menores aplicativos sem descrever ao pormenor suas salientes tatuagens envolvendo seu umbigo do tamanho dum abrunho preto. Uma indumentária só mesmo de um Kimbanda supra numerário do reino. Logo a seguir vinham seus guardas pessoais, suas mulheres e filhos, uma multidão ao som de timbales e marimbas.

sacag2.jpg N´Gola sentou-se pesadamente no cadeirão bem no topo da encosta e depois de todos ficarem em silêncio pela segunda vez, após segunda batida de palmas. O que conto a seguir até a mim me repugnou. Após a secreção de sua laringe lhe afluir à boca, um dos seus atentos macotas aproximou-se, ajoelhou-se e á sua frente com os braços bem no alto e suas mãos abertas em forma de concha, aguardou que N´Gola, com um potente ronco e um rápido movimento de língua, projectasse nas mãos daquele seu vassalo uma massa viscosa verde que este recebeu com muitas seguidas vénias.

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Com um ar compungente, e logo após aquela viscosa massa ser guardada em um recipiente em forma de cabaça muito ornamentada, falou: “Por muito que me custe, terei de resignar-me aceitando a missão dos meus antepassados. Eu serei o rei que todos desejam!” – Ouviu-se um trovão saído do meio das bissapas, um fumo branco e em seguida um tremendo clamor sido de todos em uníssono. Estava concluída a tomada de posse do novo rei…

capeta0.jpg  Os músicos, marimbeiros e tocadores de tambores recomeçaram o batuque; é curioso referir aqui que até um chifre curvo apareceu tocado na forma de berrante, algo curioso que eu tinha assistido no paralém do futuro em uma terra distante aonde havia muito gado. A multidão dançava em círculos batendo os pés na terra e em simultâneo fazendo uma perfeita coreografia de tantãn zulu. Ainda bebi vinho das cabaças e até sangue de boi a borbulhar mas, num repente minha cor começou a ficar branca e sem mais, tratei de me por ao fresco. Bazei!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:53
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Sexta-feira, 8 de Março de 2019
XIPALABOOK . 2

Xipala é rosto, é cara e, book é livro. Mokanda de maldizer para EDU - 08.03.2019

– Eduardo Carvalho Torres – Meu amigo da Onça e POETA de Naukluft, amigo que muito prezo, que pico e cutuco, vindo da terra do NADA em plena África…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Esta é uma mokanda especial referente à terra do NADA cuja capital é em Swakopmund, lugar aonde o coração do EDU, se prendeu nas ondulações das miragens do Naukluft. Em dialecto Ovambo, Namíbia quer dizer: terra do nada. Os portugueses quando por ali andaram a plantar padrões acharam que por ali só havia deserto; não havia terra suficientemente boa para plantar o que quer que fosse. Não encontraram rios com enseadas suficientemente protegidas aos ventos e, sempre com deserto à vista, foram descendo para Sul até chegarem ao Cabo das Tormentas.

swakop1.png E, porque nada encontraram, que espicaçasse sua cobiça puseram um padrão em Cape Cross e outro em Luderitz; padrões que visitei nas minhas muitas idas a África. Tempo de quando ainda procurava um sítio para me acoitar na vida carregando às costas um imbondeiro - lugar nunca conseguido; até aqui o NADISMO a funcionar na perfeição. Namíbia terra de rios só quando chove é um conjunto de desertos e savanas de acácias dispersas até se perder de vista.

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Os rios são mulolas secas aonde pastam orixes, cavalos selvagens, leões, marinhos e outros; lugar de deslumbrações com manadas de elefantes, girafas, gazelas e zebras. Lugar de muitas miragens que fabricam sonhos, poemas e coisas de delírios que sobem as maiores dunas do mundo, três passos para cima e dois para baixo, num escorregamento cansativo. Levei bem mais de uma hora a subir à milha 45 do Sossusvlei no Naukluft Park.

edu33.jpg E, foi aqui neste fim de mundo paradisíaco que me encontrei com meu amigo da onça de nome Eduardo Torres, um santo de pau carunchoso. E, dando volta ao assunto, como gosto de sua poesia! Juro! Com ele atravesso estes desertos que se estendem muito para lá do horizonte e, nunca acontece nada. Afinal, escreve, escreve figas onduladamente poéticas dando em nada – um nadista retintamente genuíno. Ele, é o top do Nadismo…  

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Vejo-o fugir à minha frente assim como uma bola armilar igual à da bandeira do M´Puto, um conjunto de chinguiços rebolando ao vento como nos filmes de cowboys do oeste americano, enrolado na sua magreza como se fosse um rolo de papel amachucado de fazer volume só para parecer muito – o mesmo que nada. Em minhas visitas vejo-o austero, fingindo leveza peçonhenta e sempre olhando seu inexistente periquito que faz muito tempo fugiu daquela gaiola…

swakop01.jpg Viver assim num perfeito NADISMO titubeando versos amarelados ou mesmo cobertos de pó, envolto assim num mukifo de aposentos forrados com ele e, como se fossem azulejos enquadrados duma estação de caminho-de-ferro desactivada – Um NADA numa estação aonde já não passam comboios, faz muitos anos. Livros empilhados que morrem lentamente amarelecendo nas bordas por falta de manuseamento… uma ilusão! E, como gosto de o ler, de o espremer até mesmo apertar-lhe o gasganete até chiar que nem uma perereca…

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E, tu – falando no discurso directo: E, tu, indiferente ao caruncho, que escreves poemas como quem cospe flocos de aveia a um periquito que já deu às de vila diogo, que deu o fora da gaiola. Melhor seria comeres painço com lengalenga e massambala mais semente de abobora. Uma coisa desconcertante sobre tuas vividas vivências. Gosto de ti assim bonitinho que nem um sapo, assim saltitante no Naukluft por via de refrescar as glândulas lacrimais.

swakop02.jpg Depois de tantos anos nunca te deste conta de que os negros são pretos; de que os progenitores deles já o eram e nem reparas ou reparaste que sempre têm demasiada família, filhos, tios, tias, irmãs e avós. Nunca referiste que eles, os pretos faltam ao trabalho todas as segundas feiras porque foram ao óbito duma avó, dum primo ou tio; uma família que nunca acaba.

swakop03.jpg EDU, tens andado demasiado descuidado e tens agora de te regenerar usando pensos higiénicos fosforescentes quanto baste e bufares como os carroceiros hereros da tua terra; dos teus hábitos quase secretos e que só tu conheces num Deus te abençoe entre as porcarias pálidas que nunca se sublimam na evaporação. Precisas de uma mulher-a-dias qualificada, que tenha um especial curso superior como a minha Mery que contratei em Kampala. Hoje apeteceu-me fazer cocó no teu soalho porque és um grande amigo da onça.

swakop5.jpg Para recordar também, um senhor fardado com um pijama às riscas, sentado num sofá de orelhas olhando para o infinito, babando-se pelo canto esquerdo descaído, insensível ao cérebro abanado por uma trombose. Com a lentidão das coisas graves e titubeadas com muxoxos – Hum, pois, não sabe; a kalashnikov, os turras, a febre do poder… E, eram bolas de trapos, meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme!?

sussuvlei1.jpg Nota: Estas pérolas de maldizer são o fruto de muita encardida amizade, feitas para reactivar as antigas feituras de escarnio e, usando um aguilhão arguto e vetusto - respeitável pela sua ancianidade subtil e tão engenhoso quanto baste para espicaçar a medula…

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:49
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Terça-feira, 5 de Março de 2019
N´GUZU. XXXI

CONHECER O BRASIL 05.03.2019
BRASIL – DIA DE CARNAVALNa passagem do primeiro para o segundo tempo* na vida do BRASIL, irei recordar o que são os TROPEIROS- parte UM … 
Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

tropeiro1.jpg Aqui na Mata Atlântica à beira mar, no Agreste e depois no Sertão, pode-se comer como acompanhamento a qualquer prato, a farofa, o pirão de mandioca aguado, arroz e feijão preto. Entre muitas das iguarias tem um especial acompanhamento que é o feijão tropeiro. Recentemente, provei um prato de costeletas de vaca ou boi como aqui se diz, feito bem à maneira tropeira. Só carne com salsicha na proporção de um para meio, feito na panela de pressão em vinte minutos. 
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Convêm meter no fundo da panela umas quantas rodelas de cebola para não torriscar a carne em caso de descuido, cozida em lume brando e também para lhe dar um certo sabor. Em verdade pode-se acrescentar outros legumes para variar o gosto mas, este é o modo mais simples de se cozinhar. O tropa condutor de mulas não tinha muito tempo para cozinhar sofisticação; o lema dele era chegar ao destino no mínimo tempo levando seus muitos animais e sua carga variada, para as vendas de comerciantes situadas bem por detrás de morros, charcos ou serras medonhas difíceis de transpor. 

tropeiros2.jpg Ora é por aqui que teremos de explicar o que é isso de TROPEIRISMO. Na historiografia o termo é referido por via dessa actividade estar relacionada desde o século XVIII, com tropas de mulas, animais criados nos campos do Rio Grande do Sul, onde havia uma salinização natural nos pastos, condição de sobrevivência para esta espécie existente tanto aqui nas pampas, terras de Cisplatina, de aquém rio da Prata, ou mais a norte, no Vale do Rio de São Francisco. 
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As mulas xucras, percorriam em grande número, por vezes mais de dois mil quilómetros, passando por invernadas, sobretudo nos campos do Paraná, até chegarem às famosas feiras de Sorocaba, na região de São Paulo. No início do século XIX, calcula-se que cerca de vinte mil muares eram anualmente negociados em Sorocaba, passando para cerca de cem mil, na década de 1850 e, declinando para dez mil a partir dos anos 1880.

tropeiros01.jpg No ano de 1817 foram importadas cerca de doze mil bestas destas para Minas Gerais. O percurso era trabalhoso, e as tropas eram compostas pelo condutor-chefe, camaradas e cozinheiro, além de cães amestrados que evitavam a tresmalhação dos animais, bem à maneira dos cães da Serra da Estrela ou Caramulo do M´Puto que juntam o rebanho de ovelhas ou cabras. Éguas madrinhas, experientes, enfeitadas com arreios de prata de Cisplatina, guizos no peitoral e Chapéu de pluma na cabeça, dirigiam os lotes de muares. 
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Os rebanhos de ovelhas em transumância entre as lezírias e pastos tipo savana do Alentejo, num Portugal de há setenta anos atrás, também eram enfeitados os animais mais nobres do rebanho. Levavam grandes chocalhos a fim de assinalarem o caminho na deslocação para as terras férteis mais a norte das Serras de Montemuro, Leomil, Lapa ou Marofa entre outras e, cada lote demarcado por sinais de ferro eram enfeitadas com duráveis serpentinas nos chifres, também no intuito de as distinguir; estas eram de fulano, aquelas eram de beltrano e as outras eram de sicrano…

tropeiros6.png A dieta dos condutores consistia fundamentalmente em carne seca, charque ou de sol, feijão, angu de milho, fuba – farinha de mandioca, café e açúcar, produtos transportados em sacolas de ráfia, piaçaba e outras fibras do mato, por mulas cargueiras. É assim que chegamos ao tão conhecido “feijão tropeiro” e o “ carreteiro de charque”. A cachaça sempre presente, era mais usada para evitar gripes do que propriamente para ser bebida avulso; tudo isto era consumido tendo no final uma passa de fumo, para falar bem à maneira moderna; fumo de rolo que funcionava como emplastro contra picadas de insectos e cobras.

tropeiros9.jpg A expressão “tropeiro” em verdade, abriga tipos sociais muito diferentes a saber: - o condutor de topas de mulas, eram assim chamados ou também de “peões de conduta” atrás descritos; o negociante era conhecido por isso mesmo, “negociante de tropa”, “solta” ou “carregada” – isto quer dizer que negociava toda a tropa com carga ou o animal solto de carga ou ainda, de só um ou mais animais com sua carga. Havia também o “dono de tropa de mulas” que cobrava pelo frete, assim como se fosse uma companhia moderna de ónibus, autocarros.
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Deveria ser uma vida bem difícil, andar dias e dias em sinuosas travessias e a partir das terras a Sul, terra de Gaúchos. Levar à semelhança dos pastores de ovelhas de Portugal agasalhos, mantas coloridas de Minde e ou mantas de trapos da Beira Alta, pesadas para xuxú, para resistirem às intempéries. 

tropeiros3.jpg Água ardente feita do bagaço da uva para desinfectar a goela e as feridas. Levar chapéus-de-chuva ou capas feitas em palha para poderem prosseguir andamento debaixo de chuva, nevoeiro e assim aguentar os contratempos; largados das famílias por espaços longos no tempo. Recordo de ainda puto, candengue, pivete, rapaz, observar atrás dos muros, pequena fragas empilhadas a circundar caminhos poeirentos, na espreita a ver longos rebanhos que levantavam pó; levavam horas a passar, uma alegria diferente, com cheiro e sabor…

tropeiros4.jpg Eram chocalhos e guizos – eram gritos e apitos no meio dos pinhais das terras altas do M´Puto. Homens encorpados com vestes fortes levando aos ombros mais mantas e até por vezes um cordeiro de tenra idade, balindo por sua mãe no meio do rebanho. Cheiros tão antigos que já poucos se lembram – Tempo do Zé do Telhado lá no M´Puto e do Lampião aqui das terras do Nordeste. Em homenagem a estes homens ainda tomo uma pinga de cachaça no café Santa Clara, uma pinga de aguardente – Que sabor tão divino. Que o diga meu amigo Arrais de Bustos que por aqui anda à bem mais de uma vida vivida…

tropeiros7.jpg

Nota*: O Brasil tem dois tempos distintos no ano: - Um ANTES e o outro DEPOIS do CARNAVAL… Bem dizia o Presidente De Gaulle: O Brasil não é para ser tomado a sério… 
(Continua…) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:40
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Domingo, 12 de Fevereiro de 2017
MALAMBAS . CLXV

TEMPOS ESPACIAIS12.02.2017 - Quando o tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza sarando as feridas da mente e do corpo… As Pérolas são produtos da dor - "Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas*."...

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Apesar da resistência à inovação científica pelos próprios cientistas, verifica-se na história das ciências existirem “mudanças de paradigma” que terão de ser matéria de interesse para filósofos, sociólogos e teólogos. As artes de comunicar ciência com inovação e conflitos teóricos, terão cada vez mais de se azimutar às explicações possíveis aonde o racionalismo vence a irracionalidade. Não interessa mencionar nomes porque nem todos farão parte da “ínclita geração” no universo das novas tecnologias.

zep5.jpeg

 

A propósito falei em azimutar e não rumar porque enquanto no rumar há quatro possíveis direcções segundo um dos quatro quadrantes enquanto no azimute teremos uma única direcção a partir dum ponto considerado dirigida ou norte do evento e, a partir de um zero ou singularidade. Estes azimutes de forma côngrua irão desenvolver-se em espiral até conseguir chegar ao ponto de optimização na ponta da espiral.

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Estas ideias minhas, vão para além dos dados radianos mas, tendo o pi de 3,1417… como dado essencial porque é este, parte integrante da geometria terreste, confinada ao seu geóide e elipsóide. Em princípio, idiotas seremos todos nós, mas sempre haverá um outro mais capacitado que desenvolva essa espiral muito para lá dos 180, 360 e 720 graus.

zanzi6.jpg Mas, que eu saiba só o designado santo homem Eliseu e de forma fenomenal subiu aos céus de forma côngrua ainda em vida; ele tinha uma forte vontade de ir para junto de Deus e, foi em espiral que fez sua derradeira viagem astral. Creio que por lá ficou! Muitos acham que Elias foi ao céu em carro de fogo e com cavalos de fogo e, edecéteras! Seria um ET? Porque não!

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Diz a Bíblia que ele subiu em um redemoinho mas, cada um de nós vai interpretar isto de uma outra qualquer forma; outros acharão ser uma patranha maior do que o universo desconhecendo que este não tem fim. E, em verdade nem resultará irem desenterrar ossos feitos cinza, as queixadas dum qualquer santo ou mesmo escritos apócrifos porque há verdades que nunca estarão em nosso alcance. A incerteza sempre irá prevalecer porque o condão do saber e do querer sempre estarão encerrados na ilusão que somos, nada! Nunca iremos descobrir tudo e melhor será, este assim.

pap1.jpg O que importa mesmo reter é o revelar de relações entre as coisas, mesmo partindo de hipóteses falsas, premissas incertas. Na minha leitura diária pude verificar que segundo Mário Bunge um entendido em filosofia da física, que todo o coro de ideias científicas, serão avaliadas à luz de resultados a partir de tipos de testes a saber: 1-metateóricos, 2-interteóricos, 3-filosóficos e 4-empíricos.

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E, não se faz nenhum exame empírico a uma teoria senão depois de ela ter passado no crivo dos três primeiros testes. Estes carolas torram nossos neurónios a começar pelo palavrório da sua função erudita. Nessa conjugação, o metateórico apoia-se na forma de conteúdo da teoria, particularmente a sua consistência interna. O teste interteóricos procura analisar a compatibilidade da nova teoria com outra.

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Só depois virá a prova filosófica situada no campo da respeitabilidade metafísica e epistemológica dos conflitos e pressupostos da nova teoria à luz de algum sistema filosófico. Cada um destes palavrões requer pesquisa apurada para penetrar nos neurónios e, de forma acertada, ser arrumada nos gavetões certos da compreensão.

nasc2.jpgPor último, vem o teste empírico, resultado do confronto com os factos experimentais. Como se pode concluir em ciência, quando tudo chega até nós já passou por um filtro e, que muitas vezes tem a respeitabilidade “Ad Hoc” e de forma arbitrária. Só depois e com as críticas de entendidos na matéria, é que surgirá o tal de “racionalismo” de pretensão universal com um simples “A priori”.

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Por hoje fico-me por aqui sem entrar no campo da logicidade plausível. Não fique assim matutando e, tente entender as dificuldades da ciência com a suprema “Teoria da Incerteza” ou um simples “Só sei que nada sei”. Teremos sempre de ter em conta que os homens e mulheres com projecção viram monumentos; Nestes se acoitarão bichezas menores e qualquer animal inferior que por ali fara suas necessidades e, porque não têem conceitos de alma.

perola3.jpg*Nota: As pérolas são hodiernas e pertença de Júlio Ferrolho, um professor analista de números cifrados, atento aos meus ditames; melhor, meus erros…

O Soba T´Chingange 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:31
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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2017
NIASSALÂNDIA . IV

TEMPOS DORMIDOS30-01-2017Entre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido desconjuntado no verbo e, sem advérbio…

Por

soba15.jpgT´Chingange – Nasceu em alto mar num barco chamado Niassa. Assim conta a minha lenda por preterir ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada ao vento para encobrir coisas desacontecidas…

Para endireitar este estado de coisas hodiernas do mundo cão que habitamos, as pessoas em fase de contracção e expiação, remissão de pecados que terão de viver suas vidas de frente para trás! Terão de morrer antes de nascer para ficarem com todos os conhecimentos que só o tempo da velhice ensina. À medida que este nosso universo se contrai na míngua de valores, a gente comum, de chinelo enfiado no dedão grande, terá de se fazer numa reversão regresso ao estado ou tipo primitivo ou conversão para escapulir a tantos buracos negros!

isabel lacuerda.jpg Pilatos perguntou a Jesus: Sois rei dos Judeus? E, Jesus respondeu-lhe: Meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, minhas gentes teriam combatido para me impedir de cair na mão dos Judeus; mas meu reino não é aqui! Eu não nasci e nem vim a este mundo senão para testemunhar a verdade e, qualquer que pertença à verdade escutará minha voz!

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E, o futuro veio ao calhas, aos trambolhões; morreram os Samaritanos, os Nazarenos, os Publicanos e os Portageiros. Depois foram os Fariseus mais os Saduceus e os Esseus. Não falo dos Cananeus expulsas pelos israelitas após o Êxodo e outras nações como os hititas, amoritas, perisitas, hivitas e os jebusitas porque estes coitados ainda hoje andam escuros e escravizados, sempre com a tralha às costas, acossados por arianos e pretos sem falar dos americanos.

eleutero4.jpg Americanos, uma nova tribo, nova nação que faz guerras, destrói cidades e assim imune segue entre os primos na condescendência porque já esqueceram a estória deles. Gente que sempre vai ter escravos para lhe lavar as negruras. Um mundo de porcaria tapada com bien-être…perfume flores de rosas. Cristo vem cá de novo ver isto!

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E, vieram os Escribas mais os mestres das Sinagogas a quem Jesus mesmo sem ser sacerdote, os ensinavava nos dias de sábado. E, o dia de sábado para muitos é de descanso total e, sem jejum. Depois disto, surgiram milhares de igrejas com outros mestres falando suas malambas, inverdades pútridas que nem o pântano suporta.

eliseu1.jpg As estórias da ciência política e social revela-nos sua estrutura mostrando-nos que as diferentes vertentes não são por vezes tão logicas como se julga e, porque em todas as incógnitas das equações plausíveis temos de permeio a presunção, o descaramento ou a insolência.

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Sendo assim teremos de formular em questionário perguntas para encontrar as respostas de confronto. E, faça uma cruz no quadradinho que se segue: Quem rouba é ladrão? É! Quem não rouba é boa pessoa? Pode ser! Quem mente, é político? Quase sempre o é! Quem não mente é advogado? Não! Quem morre é doente? É! O rico vai preso? Por vezes! E, por aí sem falar dos ciganos que pedincham para além do admissível…

soba21.jpeg Esta comunidade não está apta a ajuizar os problemas de conflitos entre teorias, mais por critérios de racionalidade na qualidade ou estado de ser sensato, com base em factos ou razões. A mesma que implica a conformidade de suas crenças com suas próprias razões para crer, ou de suas acções com umas razões para a acção e, menos por envolvimento emocional. Mas, parece deixar-se que os critérios de racionalidade suplantem as motivações psicológicas a outras de alguma irracionalidade. Pois, assim ficaremos…

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O Mundo é redondo e anda com rotação e translação e mesmo na ausência de qualquer força visível a nossos olhos, ela anda numa trajectória de espaço galáctico universal; esta proposta não é inferior à da concepção da lei da inércia que também é lida assim: se está parado, permanece parado, se está em movimento, permanece em movimento em linha recta e a sua velocidade mantém-se constante

nyassa5.jpg Inércia, a resistência que um corpo oferece à alteração do seu estado de repouso ou de movimento. Estes exemplos revelam o elo entre as teorias e a observação, um empirismo que parece ir para além da lógica - a correta e equilibrada relação entre todos os termos, a total concordância entre cada um deles. Andam a mentir-nos e um dia isto vai acabar mal!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:53
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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