Sábado, 24 de Julho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXIV

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XI

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… Crónica 3169 - 22.07.2021

-Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”…

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Por   t´chingange2.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Com botas de michelin ponta de ferro, calções de ganga, camisola de flanela e chapéu quico com os big-five, curto o calor do dia enquanto o sol se põe a pique com uns agradáveis vinte e dois graus no zénite. Ao cair da noite os chacais miam não muito longe e até posso ver seus olhos amarelos quando dirijo o farolim da varanda em sua direcção. As noites têm sido escuras, o céu fica todo a descoberto e posso ver com perfeição as estrelas do cruzeiro do Sul.

No M´Puto os ratos saiam das tocas! As divergências na CCPA - Comissão Coordenadora do Programa em Angola, atingiram seu clímax! A linha progressista partia nozes com o nariz! Entretanto, Otelo Saraiva de Carvalho chegava ao seu gabinete COPCOM com a prometida ajuda de Havana ao MPLA. Este militar, visto como o novo Ché Guevara, encontrava-se em Cuba desde o dia 21 de Julho para assistir no dia 26 à celebração do ataque ao quartel de Moncada. Isto era o que se fazia constar para não se depararem com embaraços diplomáticos em relações internacionais. Mas, afinal como é que Costa Gomes, o presidente de todos os portugueses alinhava nisto!? Lá iremos…

kianda05.jpg No M´Puto o ordenado mínimo nacional era de 3.300 escudos. Apesar disso os cinemas enchiam-se para ver dois filmes até então censurados: “Bob e Carol” e “A grande farra” Nestes dias em Angola era a aflição, fazendo caixas e caixotes a prever a debandada pelo “ forçado abandono”. Vejam bem esta grande preocupação de nossos “manos metropolitanos” que no M´Puto viam filmes incentivadores de ”Swing” - uma suposta terapia de grupo de todos na cama curtindo o sexo em conjunto – um novo tipo de relacionamento com os quatro, fazendo uma orgia para combater a velha moral. Uma coisa de levar as mãos à cabeça num “balha-me Deus”…

No M´Puto andava-se muito a pé pois que a gasolina estava racionada, devido ao embargo de petróleo pelos países árabes e, em retaliação ao apoio de Portugal aos Estados Unidos, aliados de Israel na guerra do Yom Kippur. Os jornais esgotavam-se rapidamente e, nos cafés e esplanadas falava-se do derrube iminente do regime, comentava-se o livro do general Spinola “Portugal e o Futuro”. Lançado a 22 de Fevereiro de 1974, também esgotou rapidamente. Existiam siglas políticas para todos os gostos: MIRN, LUAR, MRPP, MDP-CDE, e edecéteras. Fizeram-se saneamentos nas empresas. Foram os anos das fugas para o Brasil e de vendas ao desbarato das vivendas do Estoril e Restelo.

guerra12.jpg Silva Cardoso o Alto-Comissário depois do Acordo de Alvor, era constantemente atacado pelo MPLA em comunicados via rádio e panfletos por não ser suficientemente revolucionário. Afirmavam que já não servia à revolução Angolana. Em dado momento, Silva Cardoso perante a constante insistência do MPLA de que teria de ser substituído, sugeriu à Direcção do mesmo movimento que classificassem o seu sentido de revolução ao referirem claramente que os brancos não eram queridos em Angola; isto para que assim, Lisboa evacuasse essa etnia alvo de “um ataque sistemático” por eles. Era só um jogo de palavras para fazer actuar o CR do MFA de Lisboa…

Havia apropriação abusiva de veículos e instalações pertencentes ao Estado; já havia dificuldade em distinguir se aquele organismo antes estatal o era efectivamente, ou não. Em Malange quase toda a população civil se refugiara no quartel das NF e, em N´Dalatando verificou-se o total abandono de todas as lojas e residências que foram alvo de pilhagem pela população africana apoiada por elementos das FAPLA, forças armadas do MPLA.

Agostinho Neto, escudado pelo apoio militar de Brejnev, do marechal Tito e de Fidel de castro, já não necessitava de ser afável com grande parte dos militares portugueses; alguns, poucos deram-se conta mas, já era tarde para fazer marcha-à-ré. O MPLA iria liquidar os outros dois Movimentos fazendo tábua rasa da presença portuguesa e dos acordos que tinha estabelecido com todos. Neto era um salafrário e já era demasiado tarde para recuar o processo. Entretanto, na confusão de Angola e pelas suas estradas os angolanos fugiam levando apenas malas com roupa, fugindo das fazendas para as cidades.

spi3.jpg Famílias portuguesas, brancos de condição, alguns com três gerações de filhos africanos, como formigas kissonde tresmalhavam-se à procura de uma solução; uns iam para sul, outros para este e até para o Norte até que a PONTE- AÉREA começou a pairar como sendo a solução mais válida. Diversas companhias de aviação tais como a soviética Aeroflot, dispuseram-se a retirar este grande número de gente que, até então laborava em normalidade. Também ouve aqui, em Angola, saneamentos, ocupações selvagens, marchas silenciosas e “manif´s” de júbilo para milhares de negros a receberem Agostinho Neto e Jonas Savimbi.

Municípios foram ocupados formando comissões administrativas desastrosas, Liceus a serem ocupados por jovens guedelhudos brancos e negros de carapinhas ornadas com tranças, copiando Ângela Davis que personificava o movimento “black power”. A euforia transformou-se em crescente preocupação, com discursos agressivos dos supostos “pais da independência” e luto ditado pelo crepitar das armas na batalha pelo controlo de Luanda. Costa Gomes, conhecido popularmente por “o rolha”, aceitou a demissão de Silva Cardoso nomeando interinamente Alto-Comissário Ferreira de Macedo, o homem que Rosa Coutinho e a CCPA queriam para este cargo.

silva p0.jpg Este General e mais outro chamado de Carlos Fabião e um outro major de nome Canto e Castro iriam a Luanda estudar a situação. Nesta altura, as notícias eram desconexas e o tempo comia as palavras de ordem ventilando-as em desordens. Ninguém entendia o que se passava e quando sabia já aquilo que parecia ser, tinha alterado para coisa-outra. Não havia como gerir este estado de coisas pois o descomando era verificado naquele agora. Tudo se configurava para a fuga e neste entretém de ordens e alterações a estas, começa a configurar-se a “Ponte LuaLix”. Diversas companhias de aviação tais como a soviética Aeroflot dispuseram-se a retirar este grande número de gente que até ali só atrapalhava as directivas do MPLA. “Branco, vai para a tua terra” era o que mais se podia ouvir…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:35
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Terça-feira, 20 de Julho de 2021
MALAMBAS . CCLXI

N'ZAMBI ... TEMA EM EXECUÇÃO, PORQUE AINDA ESTOU EM CONSTRUÇÃO...

FALAR POR FALAR - Crónica 3168 - 20.07.2021

CARVOEIRO2.jpg

Por:   soba0.jpeg T'Chingange - no AlGharb do M'Puto

N'ZAMBI tem o mesmo nome de Deus mas só pode ser nomeado por quem o conhece e sabe amar na plenitude. A mim sempre me foi interdito, um apócrifo por parte de mãe, pai, terra, mar e até ar. E, porque simplesmente já nasceu assim e depois, no estudo do pai-nosso, encafifado na sacristia, os quadros ali pendurados, acho que até metiam medo ao menino Jesus Messias. Suponho por isso, bem ser um ET, pois li e ouvi relatos desconsiderados por apócrifos...

O espaço, Kalunga, as árvores que falam com assobios de vento; falas de velho cego contando viagens, olhando o pequeno cesto de adivinhação, apalpando o tempo com suspirosas lamúrias. Vou vos dizer: Minhas falas têm um passado fermentado nos dias de futuro, de por-viver, porque nasci num tempo que ainda não o era. Isto parece loucura mas, meu tio do lado de mãe que era Nosso Senhor por alcunha, destinou-me às viagens só sonhadas por ele porque nunca, que eu saiba, saiu de sua terra feita kimbo de barro chapado nos ripados. Taipa de atados com lianas de chinguiços do mato, matebas...

araujo49.jpg Andei, com meus próprios pés no mundo inteiro, pelos pequenos caminhos que se rasgaram para mim; na guerra eram fiotes, carreiros ou pistas. Com a onça aprendi a colocar no chão um pé diante de um outro, com passos de sumaúma, sem barulho e sempre na fila do pirilau. Desconsegui voar, mas mantive sonhos de penas e uma boca em forma de bico, para colher da madrugada as gotas cacimbadas da noite, e mel silvestre, único alimento de muitos dias de peregrinação só mesmo de imaginação porque as abelhas ferram, não sei se o sabem...

Morri na Curva e renasci várias vezes, deixando o corpo fermentar nesta fala da vida que agora uso, por vezes sem vírgula e às vezes tudojunto. Com esta fala e as mãos percebi-me um T'Chingange sem cajado de nobreza, assim mesmo de feitiço, nem menino, nem mabeco, noutra fala de kandengue: exerci todo o poder da terra e agora o que me sobra é a impossibilidade da morte, garantida por uma mutopa cheia e fumegante, mais uma taça de sangue das minhas próprias verrugas feitas uvas.

ÁFRICA13.jpg O T'Xipilika avisou:- Este menino não é gente... Mas meu coração é, ainda! Uma vez, quando uma seta turra encontrou ninho no meu peito, provei o coração para não morrer. Sabia a nada feito pedra, dura como ela, como a dos túmulos seca e enervada com a terra do Panguila, do Bengo e Icolo mais outros Kifangondo e Fundas, tudo água de cu-lavado, preparado mulato dos morros de Catete e mais a montante do rio, também chamado de Zenza, com nascente no Planalto do Uíge, passando por Quiculungo e Samba Caju…

Minha mãe Arminda Loureiro, preparou-me mal para mudar o curso das coisas, criando-me com o leite das nossas cabras, chamadas de chibitas e deixando-me à solta quando já era no tempo de mokandar, bebia nas directas tetas das cabritinhas pois, do produtor directo ao consumidor... No respectivamente, recebi o mukuali sagrado, com o qual me perdi na submissão aos velhos e à tradição. Com dendém e barro vermelho segurei a vida por entre os dedos, gritei todos os gritos e, entreguei minha singularidade ao espírito mais branco e assim foi, vim coradamente esbranquiçado, um mwadié, mulungu e t'chindere num país futuramente alheio de mentiroso... Tudo mesmo de só fingir.

baú3.jpg Branco mesmo de mwene-putu de um país longínquo, de tanto que nem se via, nem sentia! Ué! Tio Kaluviaviri me disse que esse espírito era o DIABO feito gente de assustar minino... Construí e desconstrui depois e antes da minha vida ficar estória no  torno dum punhal com nome de catana. Assim a guardei numa capa chamada de bainha, feita de pele de crocodilo e, na esperança de ali sempre ficar - embainhada. E, todas as gargantas se ousaram usar, só de gritos contra mim próprio... Porque a noite era escura, as pessoas ficaram talqualmente escuras e tudo mesmo escureceu. Um dia tracei dois caminhos: um em direcção à mata, o outro voltado ao morro.

Por este, encontrou o mukuali grande na direcção e, então num vou fazer como, vi-me nas agruras de decidir: Ou MATO ou MORRO! Agora que a cinza cobriu as guerras, tudo ficou como num mar de palha, quersedizer numa vinha-d’alhos no jeito banho maria oraipronobis e, vamos ver como termina para saber como é que fica, que ninguém mesmo, te darão ouvidos na hora e na morte - ámen. Teus gemidos ficam altos como o riso da hiena, o latido agudo do mabeco na confusão de se chorar, se rir ou até cacarejar pois que até o galo feito prosperidade entra na contenda... Teus, meus, nossos gemidos são o eco quebrado de palavras que já não existem. Verdade mesmo!

ÁFRICA4.jpg Ninguém te ouviu, te ouve, nem ouvirá... Nem mesmo a coruja com uma espada afiada. O mukuali sagrado que precisas para morrer, não regressa - vais ter de viver meu! O destino nem é teu! Pópilas. Karamba, por cima de nossas cabeças caem as gotas da maldição com Ruína, Ruína, Ruína das cinzas da cidade! Grito, Grito, Grito de raiva enraivecida! Choro, Choro, Choro das lágrimas dos crocodilos! Estás lixado, tramado, vais morrer sozinho, e morto, ué, não vais poder cuidar do teu próprio enterro. T'Xipilika e KaluviaviriI tinham suas razões. Filhos-da-caixa! Estragaram minha defuntação...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:26
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Segunda-feira, 19 de Julho de 2021
N'GUZU . XL

Crónica 3167 – Sábado, 17. 07.2021

FRAGRÂNCIA DA VIDA - Minha fragância é de CATINGA, da pura...

-N'GUZU em kimbundo quer dizer força...

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Por   tonito15.jpg  T'Chingange, no AlGharb do M'Puto

Tomando um café de cheiro longínquo de Timor, posso adivinhar toda a gente de pés varridos, lavando as mãos com água sanitária na forma de lixivia, de quarto em quarto de hora, esfregando com sabão macaco ou outro de cheiro para eliminar uma doença invisível que se agarra às pessoas...

Por via dessa praga invisível, esfrega-se a mesa, besuntam-se as mãos com gel, passa pano, borrifa as batatas, tira e põe-se a máscara para afugentar o invisível e vem a pergunta ao jeito de indefinida postura tal e qual é, de quem quer viver dono de si mesmo: - o mundo pode parar assim átoa!?

aramis2.jpg Um bom perfume tem a capacidade de atrair as pessoas. Inconscientemente, elas se deleitam com a subtil delicadeza de seu aroma se desejam estar por perto de quem o está usando. Por falta do "ARAMIS" uso um barato perfume feito de alecrim mas, seu efeito logologo se transforma nesse tal de "Catinga".

É exactamente isso que se pode extrair da metáfora que o apóstolo Paulo usou ao afirmar que somos o “Bom perfume de Cristo”. E, sendo assim como fico com minha genuína catinga exalada das próprias axilas...

aramis1.jpg Ser perfume de Cristo significa ter em nós o que há de mais atraente em Jesus. Nós, ao carregamos em nossa vida, se as pessoas são atraídas por sentirem que há um perfume especial em nossa maneira de ser, pois então que o seja: "CATINGA".

Não é necessário haver nenhum esforço de nossa parte para que se ACHEGUEM. Ao se relacionarem connosco, elas, as pessoas, perceberão no tempo e hábito que somos diferentes. Até os moscardos feitos besouros nos roçarão!

aramis0.jpg  Quem o suporta, sentir-se há feliz em nos conhecer como se pregássemos o evangelho mesmo sem palavras; só esse tal PERFUME! E, quando assim é com este requinte, nem precisamos de estratégias artificiais de aproximação. Nossas feromonas impregnadas desse suor perfumado, serão abençoadas com nossos actos de bondade...

As pessoas que querem estar ao nosso lado, simplesmente esperam ouvir nossas palavras, desfrutar nossa companhia e sê-lo na forma certa de permitir que se exale esse perfume legado por nossa singularidade; na fragrância de vida acertada com àqueles que se nos acerca.

aramis3.jpg Em resumo, “se o amor de Deus, Alá, o Sol ou Buda" estiver em seu coração, assim se manifestar em sua vida. Esse suave ou intenso perfume nos envolverá, e nossa influência será o perfeito enlevo e bênção dos que nos cercam”. Pude ler isto na Bíblia de um outro jeito. Por isso, poder dizer-se que não é difícil ser-se um missionário se o quiser ser; basta o querer!

Não precisamos ser pregadores nem saber muitas coisas para impressionar as pessoas, porque somos e temos essa mensagem de perfume. E, porque só mesmo quem trabalha exala esse auspicioso perfume chamado de CATINGA. Se permitirmos que Cristo exale Seu perfume por nosso intermédio, seremos fragrância de vida naqueles com quem convivemos... Comecei sem saber o que, e como o dizer e, aconteceu...

Feliz semana.

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:19
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Domingo, 18 de Julho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXIII

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - X

Crónica 3166 - 17.07.2021“SE BEM ME LEMBRO” - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”…

O carro de fumo da lua2.jpg

Por soba002.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Ainda mergulhado na embriague do passado, o meu amigo Camundongo, Comando do Maculussu de outros passados, tem uma lança no estandarte da Kizomba e, assim, foi seu baptismo na cubata de Albandeira do M´Puto e, mesmo sem se lhe ver os cascos, os dentes, as unhas e as orelhas fizemos dele um afinadíssimo preto. Afinal tinha mesmo bitacaias nas orelhas! Tratando-o por tu, mandei-o pentear macacos com afinidades ao MPLA. Mas, no finalmente, ele, tal como eu, vivia e vive ainda no Ontem com quase 50 anos de intervalo…

O mwadié mulungo, continua um hoje cohabitando com os Mucubais - um sonho perene cheio de cacimbo pelas manhãs e, com aquela tremulina das quenturas tropicais que fazem tremelicar dedos. Enfim! Só que, eu tenho as coisas contadas de outro jeito, sem aquelas bravatas de Kifangondo aonde roubaram as culatras dos ”tirabikines”… Ondulando assim miragens das anharas, pasto de facocheros, mabecos e bandos de galinhas do mato feitas capotas, arranhando seu disco partido – tou fraca, tou fraca, estou fraca, conto sem lhe dar bola, a minha estória! Ué…

toledo20.jpg Kafundanga Neves é seu nome de branca alvura. Refém do seu ADN penetra na vida um dia de cada vez, penosamente candongando chinguiços como num conto insuficiente; Sendo assim, passo a contar meu capítulo. O padre António de Araújo Oliveira, um fervoroso defensor da UNITA, só o foi até tomar conhecimento de alguns crimes na Jamba. Em 1973, Savimbi volta a quebrar o segundo pacto com os Tugas, atacando de surpresa a guarnição de Santar em Moxico… As “NT – Tropa do M´Puto” reagem àquele ataque. O general Bettencourt Rodrigues é retirado de Angola para substituir o general Spínola na Guiné.

O novo comandante da Zona Militar do Leste, general Ferreira de Macedo, passa a atacar a UNITA sem piedade. Em Agosto, depois da realização do seu 3º Congresso em Lungwé-Bungo, a UNITA dispersa seus homens da guerrilha pelo Cuando-Cubango. O maior ataque daquele movimento contra os portugueses, é saldado em 19 baixas do lado das “NT -Tugas” no lugar de Alto Kuito N´honga, já depois do VINTICINCO de Abril de 1974, apanhando desprevenidas as novas tropas, magalas guedelhudos com a cabeça cheia de devaneios comunistas e, com a “vitória é certa” no cocuruto da mona.

zeka1.jpg Assim chegados a 1974, o Exército português, domina totalmente o território angolano já dotado de magnificas estradas construídas dela JAEA e Engenharia Militar. O território dito Ultramarino estava dotado de todas as infraestruturas como escolas com ensino para todos, universidade, hospitais, carreira aéreas e rodoviárias unindo todas as cidades e domínio administrativo. Havia também uma rede sanitária de apoio às muitas pecuárias de Norte a Sul e uma pesca e agricultura florescentes; Angola estava nos países do topo em África, com uma boa situação económica e, fornecendo à Metrópole os bens essenciais para manter sua economia em crescendo.

Lisboa estava em condições de negociar o futuro, algo que, anos antes, havia sido defendido por Kenneth Kaunda, ao enviar a Salazar um manifesto pedindo “uma solução multirracial para Angola” e contestando as teses integralistas que defendiam Portugal do Minho a Timor. Assim e abruptamente o ano de 1974 e 1975 é vivido com intensidade em Lisboa e alguma apreensão em Luanda. O Tempo diz-nos que se Portugal tivesse aceita aquela intermediação de Kenneth Kaunda, muito possivelmente a história de Angola seria outra. Entra-se assim em um outro capítulo: A INDEPÊNDENCIA ADIVIDIDA.

zeka15.jpg Em Lisboa desmantelava-se a PIDE. A televisão enche as cabeças do cidadão com novas ideologias e, os angolanos brancos a cada dia que passa, sentem que aquelas políticas do MFA precipitam a normalidade da vida em toda Angola e, em especial sua capital – Luanda. Começa aqui a “odisseia dos retornados” - saber como dar solução a uma nova vida largando tudo e todos. Começam aqui as noites mal dormidas com pressão e afastamento de nossos supostos irmãos do M´Puto. Estávamos sendo paulatinamente destinados ao abandono. As notícias chegadas de Lisboa até nós na dita “Província Ultramarina” eram por demais alarmantes; os comunistas tinham tomado as rédeas do comando na Metrópole – estávamos fritos! Trata de fazer caixotes e pôr passaportes em dia…

A 29 de Novembro de 1975, forma-se a DISA, Direcção de Informação e Segurança de Angola, Polícia política do MPLA, formada pelos soviéticos e alemães do Leste. A UNITA viria a criar a BRINDE – Brigada de Informação e Defesa, treinada pelos Sul-Africanos. O preparo de ambas as criadas instituições com gente autónoma era simplesmente nula. Os angolanos estavam a ser jogados às feras e da Metrópole sabia-se: A TV, iniciava as suas emissões ao meio-dia com desenhos do Pato Donald e do Rato Mikey, preenchendo as tardes com a Telescola. O saudoso Vitorino Nemésio acalentava os serões semanais com o programa “Se bem me lembro…”.  

luis33.jpg Nicolau Breyner e Simone de Oliveira subiam ao palco do Teatro Monumental do Saldanha, com a peça “ A menina Alice e o inspector”. Amália continuava suas viagens em digressão pelo mundo; o fado era levado ao Japão que, sem entender patavina de português, deliciavam-se com as farpas e lamúrias do canto nacional. No Parque Mayer, o Capitólio anunciava a estreia de Marco Paulo.  Em Angola abundavam as canções de intervenção do Rui Mingas com “porrada se refilares!” e peixe podre, fuba ruim com edecéteras de fazer raivas e makas – estávamos feitos!...

No M´Puto os guedelhudos e barbudos surgiram aos milhares a imitar o Ché Guevara, juntando-se no Coliseu dos Recreios, “hippies” aplaudindo de punhos fechados, bem ao jeito do símbolo do PS e entre pensamentos de Lenine com Marx e Mao, surgindo os desaparecidos Zeca Afonso e Ary dos Santos em espectáculos organizados pela Casa da Imprensa e, com as direcções das gentes ditas vanguardistas afectas ao Partido Comunista do Álvaro Cunhal. Em Angola numa ida de Zeca Afonso a Nova Lisboa, actual Huambo, a multidão era tanta para ver o Zeca Afonso que eu, fui literalmente rodado no ar para poder entrar no pavilhão descoberto. Nesta altura eu, que pertencia ao Comité da Caála da UNITA com o cargo de Secretário de Relações Públicas, fui convidado e, lá fui em minhas tarefas…

(Continua...)

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:42
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Sexta-feira, 16 de Julho de 2021
MUGIMBO . CXXV

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO  - Crónica 3165 - 16.07.2021

- FORMAS ENGANOSAS... CICATRIZES DO TEMPO - NEM SEMPRE É O QUE PARECE...

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Por   soba k.jpgT'Chingange . No AlGharb do M´Puto

Há algum tempo, no jornal "San Francisco", Georg relatou que um menino de sete anos de idade se aproximou da proprietária de uma mercearia, apontou um revólver para ela e exigiu que lhe entregasse o dinheiro contido na caixa registadora...

A mulher conhecia o menino e supôs que ele, estava brincando. Ela achava-se completamente enganada. Como se recusou a entregar o dinheiro, ele a matou! No inquérito, o menino, ainda incapaz de compreender a enormidade de seu acto, explicou que ele só o fizera assim, por ter visto na televisão cena igual...

mocanda12.jpg  Não é preciso dizer que a televisão era desconhecida no tempo do bíblico David; contudo, o verso certamente enuncia um princípio que deve ser adoptado em nossos lares como se o fora, uma metáfora de PARÁBOLA...

Numerosos estudos científicos demonstram, além de qualquer dúvida razoável, que há uma estreita correlação entre o que a televisão mostra, violência, crime, despeito por alguns valores e, das racionalizações no sentido oposto num sem fim de vicissitudes reais.

elvira4.jpg  Somos transformados pela contemplação! Sobre muitos de nós, gente comum, professores, comentadeiros, historiadores, advogados e políticos, na generalidade, exercem uma fascinação hipnótica sobre nós, ouvintes. E, tudo é feito a propósito com forma e jeito pensado.

Para nós ouvintes, ela, a TV, em si mesma, não é boa nem má para proclamar mensagens. Só que bons e maus cidadãos em número de milhões de pessoas, nem sempre têm o preparo para discernir no que é ou o não é, porque tal coisa, tal assunto o foi dito na TV.

MIRAN5.jpg Tal como Deus, Satanás também a usa, a TV para insinuar-se em lares que aparentemente são cristãos, ateus, agnósticos, ou de um outro pensar. Podemos estar certos de uma coisa: o inimigo continuará a praticar seus enganos por intermédio destes meios com a crescente eficácia e, à medida que nos aproximamos dum evento, uma eleição, tudo se agudiza! Por mim, já nem confio nas sondagens! Tornei-me assim, um descrente militante...

Também e, principalmente na politica nos tentam cativar deturpando a verdade ou omitindo o essencial. E, neste palco de vida fazem-se incestos nos interesses. Mas, haverá sempre um MAS, aonde se torna possível que todos, assim apegados à mídia percam a força de vontade para resistir à "TENTAÇÃO"...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:25
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Segunda-feira, 12 de Julho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXII

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - IX

Crónica 3164 - 10.07.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo sendo “branco mazombo” Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

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Por soba24.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Mergulhado numa embriaguez de galinheiro, bocejada de silêncios na forma de galo capado, entrecortados pelos sussurros dela, a embriaguez, pude discernir uma repentina agonia sobrenatural dum anjo violentado por uma catrefada de diabos, uma vermelhidão de labaredas de inferno, tentáculos apertando-me a garganta, o corpo a tremer-me dos pés ao cerebelo inesperando-me os sentidos. Uf! Acordei de boca aberta, seca, corpo tenso e dedos inteiriçados de brasa palpitante com o bicho do tempo a bulir-me coisas do passado; coisas de Angola…

Coisas atazanadas contra vontade no cerebelo com adjacências pontiagudas de hérnias covidescas, coisas hodiernas muito cheias de putrefactos factos e, já lá vão uns largos anos. O regime instaurado em Portugal a 25 de Abril de 1974 durante, após e agora, tudo tem feito e, assim continua, escondendo crimes contra a humanidade pelos quais é directamente responsável. A independência que era desejada pela grande maioria de gente “branca” que estava na Colónia, não viu nem de longe, nem de perto, respeitados os tratados do MFA, de Portugal e outras violentadas traquinices…

guerri3.jpg Assim, Portugal, promovendo por isso e, a propósito, o mito de que a Revolução dos Cravos foi uma “revolução sem sangue”, eu, como muitos milhares de rotulados e “silenciados retornados”, relembra-se o que se tenta esquecer passados que são 47 anos. Quando um alto mandatário do Governo do M´Puto – Portugal, mencionar este desaire que foi a “DESCOLONIZAÇÃO” e, pedir desculpas pelo facto de isto ter sucedido duma forma tão trágica eu, me remeterei a um defuntado silêncio, juro!…

No ano de 1970 e 1971 com o lançamento da operação “Siroco” e “Rojão RH” a região do Leste de Angola é completamente dominada após a realização de operações especiais aos quais participaram Comandos, Páras, Fusos e o Esquadrão a Cavalo estacionado em Silva Porto, actual cidade do Cuíto. As autoridades portuguesas instauram um prémio de 100 contos a quem entregasse Jonas Savimbi, vivo e, outro de 50 contos, pela cabeça de Antunes Kahali, um comandante da UNITA conhecido pela sua crueldade.

guerra5.jpg Kahali, decepava os órgãos sexuais dos militares portugueses abatidos, expondo-os com frases insultuosas nas aldeias e carreiros ali chamados de picadas. Diz-se que o major Vitor Alves arrecadou o prémio apresentando uma cabeça que não era a de Kahali  pois este soube-se ter falecido na Jamba em uma data posterior. Nesta mesma altura, o MPLA cria um grupo chefiado por Manuel Muti que tinha a obsessão de matar Savimbi. Fracassada essa tarefa, Muti adere à “Revolta do Leste” e acabando por mais tarde se entregar às “NT- Nossas Tropas” como se davam a conhecer as tropas do M´Puto em seus relatórios. Foi no lugar de Ninda que este aventureiro da guerrilha se entregou. Com o MPLA derrotado militarmente no Leste, Portugal desencadeia nova operação especial contra as bases de Savimbi, saldada por elevado número de baixas entre os guerrilheiros…   

Acontece a partir desta data a “Operação Madeira” por via de Jonas Malheiro Savimbi originar variadas tentativas na aproximação aos militares portugueses. Face ao domínio português no leste, o MPLA de Chipenda alia-se à FNLA. Em Kinshasa, estes, criam o Conselho Supremo de Libertação de Angola (CSLA), presidido por Holden Roberto. Esta criação foi efémera pois que nesta altura o MPLA dependia quase exclusivamente da ex-URSS e seus satélites. A FNLA , dependia dos Estados unidos da América e Europa e esta combinação não resultaria como é óbvio.

guerra13.jpg A tal de “Operação Madeira” teve como intermediários Jonas Savimbi e o general Bettencourt Rodrigues e, tendo como mediador o madeiro da povoação de Cangumbe chamado Duarte Oliveira. O tenente Sabino apareceu sempre como o negociador por parte da UNITA. A UNITA comprometeu-se a não atacar os madeireiros e a tropa instalada naquele vasto Leste. Por esta via reptícia ambas as partes faziam seu jogo do gato e rato. Á UNITA, era-lhe dado bens logísticos a fim de sobreviver em banho-maria como e vulgar afirmar. Este acordo beneficiava os madeireiros, a qum a UNITA com muita frequência, incendiava suas serrações e camiões de transporte.

Mas, Savimbi com a conhecida sua habilidade de manobra atacava por vezes e de surpresa; o diálogo entre as “NT do M´Puto” Savimbi, foi retomado numa segunda fase que é agora conhecida pelo “pacto de não-agressão”. Savimbi e o então Secretário-Geral do Governo da Província Ultramarina de Angola, coronel Soares Carneiro auspiciam-se em contactos tendo por intermediário o padre António de Araújo Oliveira, um fervoroso defensor da UNITA mas, só até este tomar conhecimento de alguns crimes na Jamba, nomeadamente pela queima de pessoas vidas.

guerra22.jpg E, foi aquele padre que da parte do “loby português, se levantou para lamentar  e condenar os assassínios das famílias Pedro N´Gueve Jonatão Chingunji, o “Tito” e Fernando Wilson dos Santos. Mais tarde o padre Oliveira, já director do Colégio Universitário Pio XII em Lisboa confessou: “-Reflecti muito e concluí que a UNITA se serve das pessoas para atingir os seus fins. Assim sendo, não posso deixar de os condenar”. O padre Antonio Araújo  não estava só  neste pensar!

O “pacto de não-agressão” confinava a actividade da UNITA a uma determinada zona, pré-estabelecida com os portugueses. O movimento recebia das NT – Exército Português armamento, com a condição de combater novas escaladas do MPLA do Leste. A própria FNLA pede uma coluna que tenta infiltrar-se na região. Holden Roberto conta que recebeu uma carta de Savimbi, advertindo-o para “não ultrapassar certa linha”; ignorando o aviso, a coluna do ELNA foi atacada e destroçada pela tropa portuguesa. Pressupõe-se assim que seguindo métodos de Mao Tzé Tung o  astuto Savimbi avisou as NT Tugas da sua localização. Em 1973, Savimbi volta a quebrar o segundo pacto com os Tugas, atacando de surpresa a guarnição de Santar em Moxico...       

(Continua…)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Quinta-feira, 8 de Julho de 2021
MUJIMBO . CXXIV

SER OU NÃO SER COMENDADOR - FUNERAL SEM CHORO

- É costume ouvir-se dizer: " foi-se sem deixar de si saudades”...  Crónica 3063 - de 08.07.2021

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Por soba04.jpgT'Chingange, no AlGharb do M'Puto

Não me lembro de ter ouvido falar nem de ter assistido a alguma cerimónia fúnebre em que as faltas “ou pecados” da pessoa falecida tivessem sido destacadas pelos oradores. Elas podem até ser amplamente conhecidas, mas o bom senso manda que se realce só os aspectos positivos; afinal, todo mundo tem defeitos misturados nas virtudes e, nunca o inverso disto.

Certamente deixamos a marca do que fazemos positivamente, ou do que fazemos e que não deve ser imitado. Entretanto, é certo que ninguém quer imaginar ser mencionado em nenhuma ocasião, muito menos depois que tiver morrido ainda em vida, por causa dos seus defeitos ou procedimentos não usuais. Nem no livro sagrado da Bíblia, se escondem as falhas de nenhum de seus personagens, mesmo dos mais destacados heróis, entre os quais não está o rei mencionado em este nosso verso explanado em texto co o nome adulterado de Joe! A Joe, o que é de Joe… A Berardo o que é dele! Joe e Berardo são uma só pessoa…

soba21.jpeg E, lendo “ao calhas” ou aleatoriamente o livro dos livros camado de Bíblia, leio que Jeorão era filho primogênito de Josafá que reinou pouco tempo, mas deixou um histórico lamentável. Para começar, embora fosse rei e tivesse a maior parte no espólio deixado pelo pai, tão logo assumiu o reinado, de olho na herança dos irmãos, matou-os à espada. Já naqueles tempos havia formas bizarronas de tratar a vida...

A esposa de Jeorão, Atalia, filha dos ímpios Acabe e Jezabel, mais tarde tentou acabar com a linhagem de Davi. Jeorão rejeitou as advertências e promoveu a decadência moral e espiritual dos moradores de Jerusalém e de Judá. Finalmente morreu acometido de uma terrível enfermidade, que deixou suas entranhas expostas.

roxo135.jpg De acordo com um costume da época, os reis, ao morrerem, eram colocados em uma sepultura especial, em um local chamado “sepulcro dos reis”, algo como se fora um panteão. Não foi esse o caso de Jeorão. Quando morreu, não recebeu nenhuma homenagem por via de seus graves desvios às regras sociais de então.

O povo não lhe queimou incenso, ele não foi sepultado no sepulcro dos reis, e o cronista diz a respeito dele que “se foi sem deixar de si saudades”. Em contraste, Ezequias “foi sepultado na colina onde estão os túmulos dos descendentes de Davi. Todo Judá e o povo de Jerusalém lhe prestaram homenagens".

berard1.jpg Os bons exemplos, por norma, eram e ainda o são, enaltecidos pela sociedade. Por vezes leio a Biblia e, fico com vontade de não mais a ler porque são muitos desaires e até comportamentos bárbaros no meu entender. Em verdade, nem carece estarem esparramados no livro dos livros! Vejo no estágio de um qualquer curriculum, não ser pecaminoso desejar ser estimado, mas isso é resultado do bem que a pessoa espalha ou espalhou, difundiu ou influiu em seu meio, noé!? Será que posso entender este caso tão antigo com o de JOE BERNARDO, um ilustre cidadão português que, num repente, MORREU, estando vivo…

berard2.jpg Morreu, por fruto da hipocrisia dum povo que o bajulou, de governantes e gente com poder nas instâncias bancárias, que o embalaram e subsidiaram; mesmo de altos dignatários que lhe deram guarida e ajudaram, com dolo para todos NÒS, ao ponto de merecer medalhas de mérito e comendas como se o fora: um exemplo a seguir… Isso! Do amor e perdão que reparte, da acolhida que oferece e do serviço prestado, com altruísmo e lealdade - supostamente!

berard3.png Acima de tudo, é importante que sejamos conhecidos e lembrados por nossa fidelidade aos nossos com o beneplácito superior... Ele, Bernardo, lá terá a sua fé... O filme continuará com este e outros ilustres TRAPACEIROS… Com o suceder de TANTOS ERROS E AZARES, corremos o risco de ver O M´PUTO cair novamente, engolido num culto de personalidade com ataque á já frágil democracia…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:51
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MALAMBAS . CCLX

PÁGINAS SOCIAIS - CENSURA NO FB! – QUEM ORDENA?

-Neste PAÍS chamado M'PUTO Crónica 3162 - 08.06.2021

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Por soba k.jpgT'Chingange no AlGharb do M'Puto

Malamba é a palavra - origem do dialecto KIBUNDU. Não partilhei nada que justifique o BLOQUEIO e, creio andarem a limitar-me  no uso da malamba. A maioria dos portugueses ainda está muito longe de conseguir enxergar que há uma ditadura instalada neste PAÍS chamado M'PUTO. Há muito que há censura no FB - Facebook ,mas agora, estão a apertar o cerco conforme as ordens dos governos para garantir que Cabritas e outros GOVERNANTES ao mais alto nível, façam desmandos e, fiquem impunes de suas asneiras. É assim que me obrigam a pensar.

sacag9.jpgO coração humano é uma fábrica de desejos. Nem sempre discernido, o desejo é um poder que motiva, uma força que leva à acção, um ímã que atrai; é o que eu quero ter, fazer e experimentar em liberdade... Não quero algemas. O desejo, "janela da alma", mostra para onde estamos indo e, qual será seu destino. Obsessão por objectos, coisas e pessoas; o desejo é a tentativa de conseguir algo para preencher um vazio na vida. Segundo os psicólogos, os desejos não devem ser confundidos com as emoções, nem as emoções com os sentimentos, que estão para elas assim como as ondas para o oceano.

step6.jpg Enquanto a emoção nasce na mente, o desejo está enraizado na estrutura corporal; digo isto porque andei a ler umas coisas periclitantes. Por isso, romancistas e roteiristas o exploram em profusão, e os publicitários elaboram estratégias para criar um senso de necessidade e seduzir os consumidores – NÓS. E, em geral, a publicidade associa algo ou alguém com atributos ou indícios desejáveis ao produto. Procurar satisfazer os desejos do coração não é errado, pois essa é uma necessidade universal mas, o problema é contentarmo-nos com superficialidades ou vulgaridades. Querem fazer-nos de bobos, robôs sem vontade próprio! Está mal!

Há quem afirme que o verdadeiro conhecimento deriva daquilo que pode ser comprovado por meio da observação. Sim! Mas, como é que as pessoas reconhecem algo verdadeiro? Todos reconhecemos que existem várias fontes de conhecimento disponíveis. Uma delas é o mundo ao redor, que revela as digitais do Universo, ainda que estejamos em uma realidade de pecado pela já vulgar mentira. Outra razão, nos convida a sermos racionais e mantermo-nos dentro da lógica da experiência. Em verdade, mandam as boas regras que as fontes, devam ser analisadas sob as lentes do bom senso, um bem escasso no Mundo actual...

SACADURA2.jpeg Dinheiro, sexo, comida, conhecimento, popularidade, status, poder, desporto, influência, carros, aparelhos e milhares de itens! Não devemos negar os desejos, mas avaliá-los, hierarquizá-los e aprofundá-los. Cortá-los é uma má punição porque diz quem sabe que, assim como as células precisam do oxigénio, o girassol precisa do astro-rei e os pássaros precisam do céu - Haja Deus. Todos temos conhecimento de muitos e, de megas processos que se arrastam na justiça, tanto que até a vontade prescreve seu entendimento. Uns são rasgados, outros cortados a tesoura por republicanos procuradores e muitos outros, omitidos por conveniência de uma das partes. Por vezes, todos somos lesados e, a bem da Nação, assim ficamos, entenda-se…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:44
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Segunda-feira, 5 de Julho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXI

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - VIII

Crónica 3161 - 05.07.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

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Por soba24.jpg T´Chingange, no Algharb do M´Puto

Tenho andado a contar minha existência falando de lado para não resvalar em falsas alegrias, mexendo e virando-me para os pequenos prazeres, antes que me falte o raso da paciência com conversas compridas e até demasiado baralhadas. E, reunindo minhas fontes, coço os avisos de que meus suores na forma de catinga, se esfriem nos nadas ou medos de em tantas coisas pensar. Sendo assim e, com goles de muitos pensamentos engavelados, agarro o medo enraizado no gerúndio, porque na verdade esta vida está muito cheia de ocultos caminhos, também conhecidos por carreiros, veredas ou fiotes...

E, eles, os caminhos ficaram no tempo baralhados, porque se ultrapassaram em 47 e mais anos. De tudo o que falo sobre Angola, eu e ela, nós dois, eramos mesmo pertencentes! Agora com leis novas, o futuro foi tropeçando nelas, ditadas e formatadas pela nomenclatura vigente e assim, perdi meus requisitos ficando atazanado num frio feito cacimbo; mas a todo o tempo escuto tudo, seus cheiros de mato, de chuva em terra molhada com estalinho de estrelas no antes, durante e depois da kúkia descer no horizonte – Aiué…

massau5.jpg Decorria o ano de 1975 – Chipenda, então comandante militar do MPLA alia-se ao grupo de guerrilheiros descontentes que reclamam por “maus tratos”, no episódio conhecido por “Revolta do Leste”. Já sob o comando de Chipenda, o grupo ataca, sem sucesso, a “Base Vicy “ do MPLA, em Lusaca. Formam assim a “Revolta do Leste”, passando a combater contra a facção do MPLA de Neto e portugueses. Para agravar ainda mais a situação, surge nova dissidência no MPLA, com um grupo de intelectuais chefiados por Gentil Viana. Gentil Viana era conselheiro pessoal de Neto e de formação Chinesa em Pequim, entre os anos de 1970 e 1972; Em 1977 é preso e torturado pelo próprio MPLA.

Viana cria a “Revolta Activa” sem objectivo militar, com uma direcção demasiado fechada a Neto e, exigindo a este “direito da livre opinião”. Teremos de voltar ao ano de 1968 e acompanhar a situação no M´Puto para saber ao certo as implicações dos acontecimentos em relação à Província de Angola. Salazar é hospitalizado em Julho desse ano, depois de ter caído de uma cadeira no Forte de S. António em S. João do Estoril. Após a casca de banana ter funcionado na perfeição, novo ânimo invade os nacionalistas em Angola mas, o seu substituto, Professor Marcelo Caetano, aparece com um discurso suave, defendendo “novos brasis” na África Ultramarina.

chipenda.jpg No interior de Angola, os guerrilheiros respondem com o recrudescimento dos ataques. O Exército português forma novos GE – Grupos Especiais que passam a actuar no Leste; a PIDE cria os “Flechas”, os “TE-Tropas Especiais de Cabinda e “Milícias”- grupos de ataque essencialmente formados por guerrilheiros capturados e desintoxicados do ideal nacionalista, antigos “Turras”, ao que se juntam os “gendarmes catangueses” que haviam apoiado Moisés Tchombé e, que se refugiaram em Angola após a fracassada tentativa de secessão do Catanga, actual Shaba da República do Zaire.

É curioso o percurso e destino destes homens que, nos anos pós independência, serviram de instrumento de pressão do governo de Angola junto de Mobutu. Após o 25 de Abril, Rosa Coutinho pressiona-os a se integrarem no MPLA, sob a ameaça de expulsão para o Zaire, onde as suas vidas corriam perigo. Nos anos subsequentes à independência, armados por Angola, efectuam duas invasões goradas ao Shaba, rechaçados por pára-quedistas marroquinos, belgas e guerrilheiros da UNITA.

retornar6.jpg Pelo abrigo do acordo estabelecido entre Savimbi e Mobutu, a UNITA manteve no Shaba um batalhão por longo tempo. Os “gendarmes” preparavam-se para a terceira invasão do ex-Catanga, quando Neto intercedeu e acordou com Mobutu que a mesma não se efectuaria, na condição do Zaire expulsar Holden Roberto e a FNLA. E, assim aconteceu! Holden foi para o exílio na Costa do Marfim e, posteriormente França, aonde se manteve até à assinatura dos Acordos de Bicesse. Figuras de proa da FNLA, como Johny Pinock Eduardo, Paulo Tuba, Baltazar Manuel e Hendrick Vaal Neto passam-se para o MPLA.

Mesmo assim, no interior de Angola, não apoiados por qualquer país estrangeiro e sobrevivendo com o material bélico capturado aos cubanos e governamentais, bolsas do ELNA continuaram a resistir. Somente em Dezembro de 1985, a FNLA comunicou oficialmente que abandonava de vez a luta armada. Em Agosto de 1969 a UNITA realiza o 2º Congresso, durante o qual elege o imbinda Miguel N´Zau Puna para secretário-geral do movimento.

povo1.jpg Em 1970, o Papa Paulo VI, que em 1967 havia estado em Fátima de Portugal, recebe em Roma Amílcar Cabral. Este seria assassinado em Conacri em Janeiro de 1973, por dissidentes do PAIGC em conluio com elementos da PIDE. O Papa Paulo VI recebe também na mesma altura Agostinho Neto e Marcelino dos Santos. Portugal responde com uma grande ofensiva no Leste de Angola, onde o discurso moderado de Marcelo Caetano colhe frutos imediatos.

Após um ataque à primeira Região do MPLA, mais de quatro mil guerrilheiros entregam-se às tropas portuguesas passando a integrar os “Flechas”; os quarteis do ELNA também se rendem. O Norte de Angola está sob controlo do Exército português, que inicia em 1970/71, o avanço pelo leste, sob o comando dos generais Costa Gomes, comandante-Chefe das FA em Angola e Bettencourt Rodrigues, comandante da Zona Militar Leste.     

(Continua…)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:12
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Sexta-feira, 2 de Julho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXX

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - VII

Crónica 3160 - 01.07.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… Não lembra ao diabo que passou também a ser satanás e, eis que, Joseph Desirée do Zaire, passa a chamar-se Mobut N´Guendu Kukuwa Zabanga Sese Seko…

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Por   soba002.jpgT´Chingange, no Algharb do M´Puto

Jogando búzios relembro agora, muitos anos depois, a Luanda Capital de Angola Província colonial, para mim o centro do mundo de então. Tempos em que a Mutamba era o centro de tudo! Bem perto ficava o lugar aonde antigamente se refugiavam os escravos fujões, o seu primeiro refúgio. Em kimbundo refúgio é ingombota, e essa acção de ali se esconderem, pois assim ficou baptizado o local. Quando passou a ser habitado as pessoas diziam que moravam na n´gombota e os portugueses corromperam a expressão adicionando o “I” tendo ficado em Imgombota, do jeito actual.

E, é assim que darei continuação ao tema “DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA”. Em Março de 1964, Jonas Savimbi, Tony da Costa Fernandes, N´Zau Puna e o advogado Paulo Tjipilica, anunciam na capital zambiana, Lusaca, um novo movimento independentista: A União Nacional para a Independência Total de Angola – UNITA. Quatro meses depois, na reunião da OUA no Cairo, Savimbi afirma em clara alusão aos Estados Unidos da América, na altura apoiantes de Holden Roberto: “-Demito-me das minhas funções, que são do interesse do povo angolano e dos objectivos dos países irmãos.” Recorde-se que era até aqui, ministro do GRAE com o cargo de Ministro dos Estrangeiros…

negritas.jpg Savimbi recebe então uma proposta do MPLA, visando a criação de uma “Super-direcção Nacional de Luta” que incluiria membros de todos os movimentos já formados. Este concorda e escreve um texto de denúncia contra Holden Roberto, distribuído na reunião do Cairo mas, imprevisivelmente, parte para a China com mais onze companheiros aonde frequentam a Academia Militar de Nanquim. A partir de 1966/67, Mao Tzé-Tung passa a fornecer apoio militar à UNITA, então expulsa da Zâmbia por ter atacado um comboio do Caminho de Ferro de Benguela – CFB.

De facto, Jonas Savimbi havia abordado com o presidente Kaunda que a UNITA não atacaria os comboios do CFB que escoavam o minério zambiano para o porto do Lobito; a economia da Zâmbia dependia muito desta exportação. Por Savimbi não ter cumprido este acordo, quando se preparava para entrar clandestinamente em Angola a partir da Zâmbia, Kaunda manda-o prender. No decorrer da guerra colonial o portugueses aproveitaram habilmente esta situação e, conforme as conveniências, passam a fechar a linha férrea, atribuindo a paralisação a ataques feitos pela UNITA e MPLA; desta forma Kaunda ficou manietado às vontades do M´Puto.

Mu Ukulu57.jpg Com o apoio americano, no ano de 1965, o sargento Josp Desirée toma o poder no Zaire e instaura a “lei da autenticidade”. Absurdamente obriga os zairenses com nomes europeus a adoptarem nomes africanos. Não lembra ao diabo que passou também a ser satanás e, eis que, Joseph Desirée passa a chamar-se Mobut N´Guendu Kukuwa Zabanga Sese Seko. Este nome significa ser “o rei das árvores, dos rios, dos céus”. Não vem daí mal ao Mundo porque eu próprio, sendo relator destes acontecimentos tomei o nome de Soba T´Chingange com nascimento no vapor Niassa - portanto um Niassalês…

Neste ano de 1965, sob o comando de Jacob Caetano com o pseudónimo de guerra de Monstro Imortal, guerrilheiros do MPLA saem de Brazaville, atravessam o terreno hostil de Mobutu e pelas barreiras postas pela topa portuguesa ao longo da fronteira e, infiltram-se na riquíssima região dos Dembos, onde passam a praticar emboscadas na apelidada “estrada do café” – Luanda, Caxito, Carmona (Uíge). Chegam mesmo a atingir o Ucua e a Funda, muito próxima de Luanda.

monstro5.jpgmonstro1.jpgnito1.jpg Monstro Imortal, viria mais tarde a liderar juntamente com Bernardo Alves – “Nito”, José Van Dunen e o comandante Bakaloff, o golpe 27 de Maio de 1977 na tentativa de derrubar Agostinho Neto do poder (assunto a ser recuperado mais à frente). No auge da guerra-fria, com o Zaire de Mobutu transformado em centro de estratégia norte-americano, não somente para a África subsariana mas, de todo o continente. A ex-URSS e países do Leste redobram o seu apoio ao MPLA, apesar de Neto ter tentado apoios para a sua causa em países ocidentais.

Nesse ano de 1965, Che Guevara encontra-se com Agostinho Neto em Brazzaville. Desse encontro resultou a ajuda militar cubana às FAPLA – Força Armadas Populares de Libertação de Angola do MPLA. Pouco depois, onze oficiais cubanos entram em Cabinda, em uma coluna comandada por Pedalé, Nicolau Spencer e Chipenda. São atacados pela tropa portuguesa junto a Buco-Zau mas, eles e os cubanos escapam, permanecendo no enclave até final de 1966; de realçar aqui que nestas ocorrências, passaram a ser recordados pela sua indisciplina, dentro e fora do movimento...

mud22.jpg Em Março de 1966 no local de Mwangai, a UNITA realiza o seu primeiro Congresso. Em Dezembro, os homens de Savimbi atacam Cassamba e, no dia de Natal, Vila Teixeira de Sousa, actual Luena. Ao início da actividade militar da UNITA, o MPLA, responde com a abertura da Frente Leste, tendo o primeiro combate contra as tropas portuguesas ocorrido em Lumbala no saliente de Cazombo. O primeiro comandante da Frente leste foi Hoji ia-Henda, sobrinho de Mendes de Carvalho e, viria a perder a vida em Abril de 1968 no ataque a Caripande.

Em Setembro do mesmo ano, na mesma região e perto de do rio Lueji, num ataque helitransportado pela tropa Tuga, morre o médico Américo Boavida, o “Kimbanda”, nome de guerra, palavra que no dialecto kimbundo significa médico. Em resposta o Exército português instala no Bié o Grupo de Cavalaria nº 1 (CCAV 1), chamados regularmente por “Dragões” e, que foi reforçado no ano de 1970 com o primeiro Esquadrão Operacional a cavalo. Quase em simultâneo o MPLA cria a Norte, a chamada 4ª Região Político-Militar na região das Lundas para reforçar a 1ª Região dos Dembos que se mantinha bastante isolada. No Leste, ocorreram todos os acontecimentos que originaram a cisão do MPLA, a qual perdurou até 1975. Daniel Chipenda, então comandante militar do MPLA, passa a liderar esta cisão, que originou a fragmentação do MPLA tornando-o pouco expressivo em sua acção de guerrilha…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:03
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Domingo, 27 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXIX

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - VI

Crónica 3159 - 27.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

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Por soba0.jpeg T´Chingange, no Algharb do M´Puto

Jogando búzios na zuela do feitiço, com algum esforço intelectual, remexo panelas de caldeirada da estória, muito me convencendo da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia-a-dia, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de vaidades. Metendo num pão que vai ao forno os trocadilhos e chouriço e, enquanto espero, vejo os estudos feitos por organizações internacionais que apontam uma estatística mundial como havendo 300 milhões de pessoas, de todas as idades, com depressão, considerando ser este o mal do século…

Algum tempo atrás, desconhecia que podíamos fechar o tempo dentro de casa e, atazanado, comecei a beber dez gotas de cannabis para truncar as vicissitudes misturando o gosto estranho com kefir, um pouco de café pilão e um pouco de mel com um ou dois croissants para entulhar a malga. E assim, lá pela tarde, na kúkia do sol, meto também num pão tipo da avô os trocadilhos com chouriço, por vezes morcela, a fim de sentir algum prazer de viver matabichando resiliências e, outros desmandos com tantas maleitas sociais.

Mu Ukulu56.jpg Escrevo isto olhando para as roupas manchadas do tempo a abanar no quintal com os pássaros charnecos e melros a alegrar-me com seus voos, saídos de uma árvore gigante de meu vizinho alemão da Alemanha que também saiu de Angola, tal como eu. E, lá estão as duas máscaras que foram lavadas com sabão macaco, encharcando-se do sol tão necessário para queimar azedumes e bichezas, sem saber ao certo quanto tempo o capeta diabo pode ficar naquela superfície de pano definhado pelo hálito do hábito. Estamos no ano de dois mil e vinte e um e, a cinquenta e nove anos do surgimento em Angola do Movimento chamado de FNLA.

Nestas contingências relembro o Janeiro do ano de 1962, em que surge a FNLA. No exterior de Angola, os movimentos pró-independência desencadeiam forte campanha contra o M´Puto – Portugal, que segundo dados da Cruz Vermelha Internacional, denunciam a existência de quase meio milhão de refugiados angolanos no Congo, Zaire e Zâmbia. Em Dezembro de 1962, Agostinho Neto assume a presidência do MPLA em Leopoldeville, actual Kinshasa, durante aquela que foi a 1ª Conferência Nacional. Joaquim Pinto de Andrade, no final da década de 60, chanceler da Arquidiocese de Luanda, era nesse então o presidente de honra do Movimento, mantendo-se no cargo até 1973.   

mud7.jpg Neto, cria o “Grupo Tlemcem”, nome da cidade argelina, onde fizeram recruta os primeiros guerrilheiros do MPLA. Portugal por via desta postura, cria os Comandos, Tropas Especiais, Grupos Especiais e Grupos Especiais Pára-quedistas. Acontece que em Junho de 1963, o MPLA debate-se com problemas graves, entre os quais a expulsão de Viriato da Cruz, “por actos de indisciplina tendentes a minar a unidade”. Este, viria a falecer em Pequim, dez anos depois. Nesse então ocorre dentro do embrionário partido perseguições e prisões aos seus membros e apoiantes na República do Zaire, por ordem de Cirille Adoula, então primeiro-ministro e apoiante de Holden Roberto.

Aqueles acontecimentos levam o presidente ganês N´Krumah, a organizar uma conferência de “reconciliação e unidade”, na qual participam o MPLA, UPA e PDA (Partido Democrático Angolano). Holden Roberto abandona as discussões fundindo a UPA com o PDA dando assim origem à FNLA – Frente de Libertação Nacional de Angola, que mais tarde é apoiada no GRAE – Governo da República de Angola no Exilio e ELNA – Exército de Libertação Nacional de Angola.

savimbi1.jpg O MPLA reage patrocinando a criação da FDLA – Frente Democrática de Libertação de Angola. Esta criação morreu à nascença, pois que nem sequer foi apoiada pela Organização de Unidade Africana – OUA. Em Junho de 1963, o MPLA abre a Frente de Cabinda sob o comando militar de Manuel Lima, o operacional político de Agostinho Neto, Iko Carreira, Hoji-ia Henda, Lúcio Lara, Aníbal de Melo e Daniel Chipenda. A guerrilha do MPLA de imediato entra em confrontações com a FNLA. Este Movimento, estava apostado em evitar o avanço do MPLA no Enclave Norte de Cabinda, parte integrante de Angola.

Há um episódio de que Holden Roberto jamais poderá lavar as mãos pois que tendo aprisionado várias guerrilheiras em um ataque a uma coluna do MPLA, estas virão a ser fuziladas sumariamente numa base da FNLA, em Kinzuzu da República do Zaire. E, é em 1963 que Jonas Malheiro Savimbi surge como Ministro dos Estrangeiro do GRAE. Holden Roberto, envia Savimbi a Moscovo, na mira de obter apoio para a FNLA, mas o objectivo fracassa. É nesta altura que Jonas Savimbi começa a ser notado como uma figura carismática, de um grande poder dialéctico, diplomático e de grande força persuasora.

mud20.jpg Na capital soviética Savimbi acusa peremtóriamente Álvaro Cunhal de ter bloqueado todas as suas diligências; Álvaro Cunhal, tudo fez para tirar de cena Savimbi. O encontro de Savimbi com Gamal Nasser é também anulado por via da intervenção contra, do líder do PCP – Partido Comunista Português. Lembrar-se que neste então Nasser dominava a senda Politica internacional, especialmente por ter imposto a nacionalização do Canal de Suez, na qualidade de chefe supremo das Forças Armadas da extinta República Árabe-Unida.

niassa6.jpg Savimbi, como Ministro do Estrangeiro do GRAE, terá dito a Nasser que os israelitas treinavam militarmente a FNLA apesar de saber que aquele, era inimigo de Israel e que apoiava Holden Roberto. Depreende-se haver já alguma dissidência entre os elementos da FNLA pois que no ano de 1964 o Chefe do Estado-Maior do ELNA, José Kalundungo, abandona o movimento acusando Holden Roberto de “não favorecer a verdadeira unidade nacional, quando ataca os irmãos de luta”. Nesta mesma altura as cúpulas políticas do GRAE acusam o seu Ministro da Guerra, Alexande Tati, de pretender organizar um golpe contra Holden. Tati entrega-se com um numeroso grupo de homens ao Exercito Português passando a lutar com estes contra os demais movimentos nacionalistas, no intuito de apaziguamento com formação de um governo próprio para o Enclave de Cabinda por força e conforme o Tratado de Simulambuco (actual FLEC).  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:47
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXVIII

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - V

Crónica 3158 - 18.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… 

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Por   soba0.jpegT´Chingange, no Algharb do M´Puto

O ano de 1961, ficando a uma distância de sessenta anos, convêm relembrar mesmo de forma sucinta o que aconteceu na Colónia chamada de Província de Angola. O padre Franklin da Costa que não concordava com a politica colonial e, que foi mais tarde bispo do Lubango sofreu dissabores por admoestação ao longo de sua vida pastoral pela PIDE, tendo o militar operacional Neves Bendinha, nesse então, morrido às mãos dessa policia na Cadeia de S. Paulo de Luanda. Os intelectuais Belarmino Van-Dúnen, Noé Silva Saúde, Francisco Santana e Virgílio Sotto-Mayor foram presos e condenados, cumprindo pena no Campo Prisional do Tarrafal. Naquele período de entre 04 a 12 de Fevereiro de 1961, disse-se haver entre mortos e feridos e de parte a parte, um total de cinco mil …muilas3.jpg A Fortaleza de S. Pedro da Barra e a Cadeia de S. Paulo, encheram-se de presos. Pinto de Andrade foi desterrado para a ilha do Príncipe e Agostinho Neto é envido, primeiro para Lisboa e, mais tarde para Santo Antão e Santiago de Cabo Verde; Aqui, Neto, continuou a exercer medicina sob vigilância policial; viria a ser transferido para o Aljube e libertado no ano de 1962 com a condição de ficar com residência fixa em Portugal de onde consegue fugir clandestinamente com a família, refugiando-se em Leopoldville.

O ataque da UPA contra os fazendeiros brancos do Norte de Angola, abrangeu uma faixa extensa que vai desde a fronteira com o Congo Zaire até bem perto de Luanda, a maior parte do Distrito do Congo, Províncias do Uíge e Zaire, uma parte do Cuanza Norte e a região de Nambuangongo. Centenas de brancos e trabalhadores Bailundos, contratados, são barbaramente assassinados, incluindo mulheres e crianças. Nem os missionários escapam a esta onda contando-se entre estes os bem respeitados padres Lázaro e Pedro João; o primeiro morto na povoação de Pângala e, o segundo, na Damba.

mud23.jpgNo ataque a Quitexe, então Concelho de Ambaca com sede em Camabatela, foram assassinadas várias crianças. Podem ver-se muitas fotos com seus corpos seminus ou nus, retalhados por catanas; fotos que correram o mundo indignando na forma tão violenta de fazer terrorismo. A violência destes acontecimentos de quinze de Março e sequentes dias, motivou dos bispos angolanos, a publicação de uma “Exortação Pastoral” condenando as acções de terror de um e outro lado, apelando às autoridades não esquecerem as leis de justiça e caridade por forma a aproximar os homens e não originar um crescendo de inimigos. O texto da Pastoral enviado para Lisboa a ser publicado no jornal “Novidades” é desautorizado a sua publicação…

Salazar, detém a pasta da Defesa, por via da tentativa de golpe de Estado por Botelho Moniz. É neste então que prefere o tão propalado discurso em que diz: “ para Angola, rapidamente e em força”. Inicia-se imediatamente o envio regular, por via aérea e marítima. O primeiro contingente de militares embarca no navio Niassa, no cais de Santa Apolónia, em Lisboa. O império português estava ameaçado de morte como nunca em cinco séculos e, a resposta possível foi o envio imediato de um corpo expedicionário. O envio acontece a 21 de Abril, em reacção ao levantamento supostamente do MPLA em Luanda e aos massacres da UPA no Norte.

mugi4.jpg Ninguém imaginava que a guerra duraria mais de uma década terminando logo após o vinticinco de Abril de 1974. No cais de Santa Apolónia, em Lisboa, as famílias juntaram-se para a despedida aos militares. Estes embarcaram em fila ordenada no Niassa e da amurada gritavam "Viva Portugal". O Diário de Notícias de 22 de Abril dava honras de primeira página ao embarque das tropas. "Aclamando Portugal e o exército e cantando o hino nacional partiu ontem para Angola uma força expedicionária" - era o título, mostrando optimismo sobre uma rápida solução do conflito. Só que a Guerra Colonial duraria até esse ano de 1974, e seria combatida em três frentes africanas – Angola, Moçambique e Guiné Bissau. Entretanto na rádio cantava-se “Angola - é nossa”

Hoje, pode encontrar-se em Portugal, mais de 300 monumentos dedicados aos que combateram por um país que estava condenado a ser de novo só europeu. Angola e mais quatro nações africanas de língua portuguesa, são hoje independentes mas, terei aqui de me focar só a Angola a rainha do Império Luso. Os paquetes Niassa, Santa Maria, Vera Cruz, Pátria e Infante D. Henrique levam sucessivos contingentes sendo recebidos euforicamente pela população branca em grandiosos  desfiles ao longo na Avenida Marginal de Luanda com o nome de Diogo Cão e agora, com o nome de Avenida 4 de Fevereiro… Na Angola de 1961, a situação é crítica; cidades, vilas e pequenos lugares do Norte são saqueadas pelos guerrilheiros chamados por “Turras”, diminutivo de terroristas. Estes Turras, à sua passagem, destruíam as estruturas das fazendas de café, que até então eram o principal abastecedor do mercado internacional. Até 1974 saiam daí 330 mil toneladas por ano; hoje que são passados sessenta anos, esta produção decresceu para números muito inferiores.

mud26.jpg Pode ler-se actualmente (ano de 2021) que a produção do café ainda contínua irrisória e longe de alcançar lugares cimeiros em África, em particular, e no mundo em geral, devido ao fraco investimento e falta de políticas concretas para os produtores, segundo especialistas em agronomia. Em consequência do fraco investimento neste sector, tem sido variável e nivelada por baixo, comparativamente ao tempo colonial, período em que a Colonia, foi o terceiro maior produtor mundial desse “bago vermelho”. Voltando àqueles tempos em que aquela era a minha terra – assim o pensava, o Ministro do Ultramar Adriano Moreira desloca-se com frequência à Colonia adivinhando-se mudanças.  

O Governador Silva Tavares é substituído pelo General Venâncio Deslandes que acumula o Comando-Chefe das Forças Armadas. Face aos acontecimentos na Baixa de Cassange, o Ministro Adriano Moreira põe fim à desumana política da cultura compulsiva do Algodão e sua venda obrigatória à “Cotonang”. O general Deslandes inicia a retomada do Norte de Angola em Junho de 1961, pelo posto de Lucunga. Em Novembro, Deslandes anuncia o apaziguamento do Norte, saldado por 121 baixas de militares oriundos do M´Puto. Em Dezembro de 61, já se encontrava em Angola mais de 30 mil soldados magalas do M´Puto. Em 1966 já eram 60 mil e, em 1974 chegaram a mais de 65 mil. Diga-se que as guerrilhas do MPLA e FNLA eram quase inexistentes no ano de 1974 mas, urdia-se pela calada e, no M´Puto outras diligências singularizadas pelo Partido Comunista e suas células com mistura de traidores…

mud29.jpg As comunidades corporativas e intelectuais da Província em consonância com uma boa parte significativa de grande parte de comerciantes conceituados como Venâncio Guimarães, chegaram a propor a Venâncio Deslandes um golpe do tipo de Ian Smith da Rodésia tornando o território independente ou com uma autonomia progressiva mas, não houve a vontade necessária para tal. Perdeu-se uma grande oportunidade de mudar o rumo em Angola de uma forma controlada a favor de gente que se veio a revelar desclassificada, impreparada e ladra. Recorde-se que Ian Douglas Smith, foi um político, fazendeiro e militar que serviu como primeiro-ministro da colónia britânica da Rodésia do Sul entre 13 de Abril de 1964 e 11 de Novembro de 1965 e depois primeiro-ministro da Rodésia, depois da Declaração Unilateral de Independência, em 11 de Novembro de 1965, até 1 de Junho de 1979.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:47
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Segunda-feira, 14 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXVII

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - IV

Crónica 3157 – (08.06.2021) – 14.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… 

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Por   soba0.jpeg T´Chingange, no Algharb do M´Puto

Antes que me esqueça relembro: Ano de 1975 - A 9 de Julho, após três semanas de violentos combates, a FNLA é expulsa de Luanda, e Jonas Savimbi pede protecção ao Exército português ordenando aos seus apoiantes que deixem a capital - a LUUA. Foi neste então que recrudesceu o som do martelar: “tá, tá, tá" e, por toda a Luanda de noite e de dia a mente restolhava-se inibida de vontade, fazendo caixotes. Para mim, o porto de Luanda estava longe! Nada veio, nem as fotos de casamento na Sagrada Família.

moka25.jpg Deus, O Nosso Senhor, também andava distraído por muitos outros lados - de nada valia gritarmos “Valha-me-Deus” porque definitivamente todos estavam condenados, antes mesmo de qualquer definitivo julgamento. Em Muquitixe, terra dos ananases, já tinha visto as estrias duma Kalashe (kalashnikov)! E o soldado ébrio do MPLA segurando a arma de forma desajeitada deu-me o alerta final! Podia também ser um soldado da FNLA ou UNITA mas, assim me calhou: -Vai-te embora branco… Esta não é a tua terra! E quem vai dizer o contrário com um canhângulo nos olhos… 

Naquela mensagem messiânica de António Nunes Frade do Bondo da Baixa de Cassange podia ler-se: “Maria, a deusa protectora dos negros, a verdadeira deusa, há muito que anda preocupada com o sofrer dos angolanos e, assim, resolveu aparecer em Cassulo – Cuenda (…)”. Aquela santa por sinal era negra, talvez uma réplica de nossa Senhora da Aparecida… “Para que as balas das armas dos tugas não sejam mortíferas, é necessário vestir panos amarrados à cintura com uma trança de capim “caxinde” e, no pulso, uma pulseira do capim “seno”. Dá que pensar nesta misticidade, práticas usuais nos mentores de cariz religioso. 

monstro6.jpg Os protestos no velho Reino do Cassange tiveram origem na resistência à administração colonial anos antes mas, a 4 de Janeiro de 1961, na Baixa do Cassange, norte de Angola, os negros que trabalhavam nos campos de algodão iniciaram uma greve lançando a que foi chamada a “Guerra da Maria”, nome de um dos instigadores, António Mariano. Os protestos iniciaram-se à volta de Tembo Aluma, na proximidade do posto administrativo de Mangano e espalharam-se desta zona fronteiriça até ao coração do distrito de Malange.

mud11.jpg A Baixa de Cassange foi apaziguada pela Companhia de Caçadores Especiais, que ficou célebre pelas represálias exercidas naqueles dias que levou o arcebispo D. Manuel Nune Gabriel a comentar: “A acção dos militares, exaltada por alguns dos elementos da população citadina, lançou o terror nos arredores de Malange e, outros pontos do distrito, contribuindo param uma onda de ódio. O clima de medo e desconfiança originou mortes que só a irreflexão, podem explicar mas não justificar” 

A inconsciência foi tal que, não se tomaram em consideração as características dominadoras e guerreiras da tribo dos Maholos, habitantes da Baixa de Cassange, que já quando da pacificação portuguesa do século anterior se revelaram elementos dificilmente domináveis e extremamente perigosos. No dizer do General Fernando Pinto de Resende, Comandante da 2ª Região Aérea, pode ler-se: “Fizemos deles agricultores de algodão, claro que à força, e agora estamos nós a bombardeá-los do céu”

moka23.jpg Os agricultores africanos, uns 150.000 em 35.000 famílias, eram coagidos a cultivar o algodão em parcelas de terrenos designados para tal. Não havia salários para este trabalho e no final de cada campanha os africanos eram obrigados a vender o algodão à Cotonang e à Lagos & Irmão, a preços fixos, abaixo dos do mercado, num valor 5 a 6 vezes menor do que o preço mundial. A lucrativa economia do algodão na região era baseada nesse cultivo obrigatório, produzindo cerca de 5.000 toneladas por ano. Em empresas semelhantes, como a Companhia de Diamantes de Angola (DIAMANG), os trabalhadores ganhavam um salário abaixo do de subsistência e os accionistas obtinham resultados extraordinários pelo seu investimento.

A “cultura do algodão era uma exploração infame dos indígenas; portanto, geradora do maior antagonismo para com este tipo de trabalho obrigatório (lucro de 400$00 por ano nas piores áreas...), Para o agricultor, quando tinha o infortúnio de perder toda a cultura, recebiam zero por um ano de trabalho. Este é apenas um exemplo das muitas vilanagens que a tribo branca com a anuência do governo do M´Puto fazia à tribo negra”. Claro que a grande maioria de colonos e mazombos estavam à margem de todas estas arbitrariedades, diga-se! Os protestos iniciaram-se à volta de Tembo Aluma, na proximidade do posto administrativo de Mangano e espalharam-se desta zona fronteiriça até ao coração do distrito de Malange.

mud9.jpg Na madrugada de 04 de Fevereiro de 1961, em Luanda, “supostamente o MPLA” ataca a Casa de Reclusão, Esquadra da Policia Móvel e cadeia de S. Paulo sob a alçada da PIDE, com a intenção de libertar presos políticos, entre os quais Domingos Magalhães Paiva e Agostinho Mendes de Carvalho, politico e escritor, usando o pseudónimo de Uanhenga Xitu. A 11 do mesmo mês, repete-se o assalto. O Cónego Manuel das Neves entre outros esteve na organização destas acções permitindo que debaixo do altar da Sé Catedral se escondessem catanas.

Este diria mais tarde: “É suicida combater com catanas, mas romper-se-á assim o mito de que todos estamos satisfeitos com os portugueses”. Era suicida combater com catanas e ele, sabia-o na perfeição. Era óbvio que por esta via quereria criar mártires por forma a provocar um levantamento mais generalizado na sociedade luandense e, mais propriamente entre os moradores dos musseques, gente da periferia, que paulatinamente ia ficando mais focada para a luta de libertação. Em paralelo com a notória sublevação era já elevada a condição cultural da sociedade citadina. Em resposta a toda eta sublevação, as autoridades, distribuíram espingardas “Mauser” à população branca da capital e arredores…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:18
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Sábado, 5 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXVI

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - III

Crónica 3156 – 03.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… 

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Por soba24.jpg  T´Chingange, no Algharb do M´Puto   

E, porque não sou só ossos dispersos, penso em kimbundo da Luua recordando as falas de nossa terra, também da deles, meus filhos e filhos dos outros também; assim repeti “ki tuexile tu ngó ifuba iatujunkura” - ainda não somos só ossos dispersos, “ifuba yetu iokune kala jimbuta” - Nossos ossos serão semeados como sementes… Assim no quizango, feitiço do livro de capa amarelecida, recordo aos mwadiés camundongos fingindo ser sapientes, que só mostram o Sputnik de Agostinho Neto, o que já passou! Assim, num jeito de perfumar ranço seboso, engraxando as cores sem conseguir dizer nada de novo, relembro caligrafias antigas. Falei!

O MAC - Movimento Anti Colonial, integrava membros estudante de todas as colónias portuguesas. Em 1960, autoridades políticas e militares do M´Puto, efectuam reuniões de emergência à porta fechada, no Comando da Região Militar, temendo a possibilidade de um ataque armado ao Norte de Angola, ainda nesse ano. A ordem pública era mantida nas cidades, pela Polícia de Segurança Pública; nas povoações do interior de menor importância, pelos cipaios às ordens das autoridades administrativas.

cipaios.jpg O Exército regular, então composto por cinco mil africanos e mil e quinhentos europeus, aquartelavam-se nas principais cidades - Luanda, Lobito, Nova Lisboa, actual Huambo, Sá da Bandeira, actual Lubango e pouco mais. Em 1960, a PIDE – Policia Internacional e Defesa do Estado, volta a prender Agostinho Neto, no seu consultório de Luanda. Como consequência o povo da Circunscrição vizinha de Icolo e Bengo, organiza uma manifestação de protesto em Catete, a escassos quilómetros da capital, a terra natal de Neto. Era eu nesse então, estudante na Escola Industrial de Luanda tendo como companheiro de turma Avelino Said (Dias) Mingas que mais tarde viria a ser o primeiro-ministro das Finanças, um dos criadores da moeda Kwanza - Angola.  

Naquela manifestação de Catete, a multidão é metralhada originando daí 30 mortos e 200 feridos. Conta-se que no seguinte dia se inicia o ataque a Icolo Bengo originando a destruição de várias aldeias. A prisão de Agostinho Neto motiva o MPLA, então aquartelado na Guiné-Conacry, a propor negociações a Portugal. Em resposta, 29 activistas do Movimento são fuzilados no pátio de uma prisão; simultaneamente, o general Monteiro Libório assina o “Primeiro Plano de Acção Psicológica do Comando Militar de Angola”.

cipaio4.jpg Em Dezembro de 1960, Mário Andrade, Viriato da Cruz e Américo Boavida, face ao fracasso negocial com Portugal, comunicam à Câmara dos Comuns de Londres, ”passarem à acção directa”, supostamente em nome do MPLA e por via destas manobras internacionais, no mesmo mês de Dezembro o Conselho de Segurança da ONU deixa de reconhecer as Provinciais Ultramarinas como sendo parte integrante de Portugal. Foi talvez a primeira pedra a ser lançada ao charco do processo descolonizador do “Império Luso”. Por via destas movimentações, o MPLA anuncia a sua primeira direcção no exterior formada por Mário Pinto de Andrade, Viriato da Cruz Hugo de Meneses, Lúcio Lara, Azevedo Júnior, Matias Miguéis, Eduardo Santos, Daniel Chipenda e França N´Dalu.

Eduardo Santos foi médio de futebol da equipa da Associação Académica de Coimbra que não obstante ter passado para a “Revolta Activa” conjuntamente com Daniel Chipenda e França N´Dalu assistiu como cardiologista Agostinho Neto até à sua morte. A figura de Agostinho Neto, jamais teve unanimidade dentro do movimento anticolonial. As fortes divergências que teve com Viriato da Cruz, em 1963, levaram Neto a torturá-lo e humilhá-lo diariamente numa prisão, somente saindo (quase morto), por intervenção de aliados externos da Argélia e China.

mud14.jpg Outra figura que questionou fortemente Neto, foi Matias Miguéis, sendo que este acabou morto após humilhantes torturas ordenadas por Neto, em 1965; foi enterrado vivo somente com a cabeça para fora, onde lhe jogavam secreções ao mesmo tempo em que recebia golpes. Historiadores, como William Tonet, apontam que nem mesmo os portugueses cometeram tais atrocidades. Houve graves conflitos internos no MPLA que puseram em causa a liderança de Agostinho Neto.

Entre estes, o mais grave consistiu no surgimento, no início dos anos 1970, de duas tendências opostas à direcção do movimento, a "Revolta Activa" constituída no essencial por elementos intelectuais, e a "Revolta do Leste" com Daniel Chipenda, formada pelas forças de guerrilha localizadas no Leste de Angola; estas divisões foram superadas num intrincado processo de discussão e negociação que terminou com a reafirmação da autoridade de Agostinho Neto.

mud10.jpg Seguindo a cronologia dos acontecimentos, em Janeiro de 1961, a capital angolana fervilha de jornalistas que aguardam a chegada do paquete “Santa Maria”, tomado de assalto por Henrique Galvão. Semanas depois, as atenções desviam-se para os três acontecimentos que marcaram o início da luta armada e, que conduziu à independência: A Revolta na Baixa de Cassanje de “4 a 11 de Fevereiro” e, “ a “15 de Março”. Impulsionados pela UPA, a Revolução na Baixa de Cassanje iniciou-se no posto do Milando da Circunscrição de Holo e Jinga, alastrando às circunscrições vizinha de Bondo e Bângala.

mud15.jpg Simão Toco, fundador do “Tocoismo” pertencente à igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, por ter influenciado aquela onda de terrorismo, foi desterrado para os Açores com residência fixa naquela congregação. Milhares de trabalhadores abandonaram seu trabalho nas fazendas algodoeiras que alimentavam a empresa monopolista “Cotonang”; armados de paus, canhangulos, catanas e azagaias, matam gado e destroem outros bens de brancos. Estes acontecimentos são relatados pelo “missionário” António José Nunes Frade que constam dos arquivos da Administração da Circunscrição de Bondo e Bângala do Distrito de Malange…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:47
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Segunda-feira, 31 de Maio de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXV

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - II

Crónica 3155 – 29.05.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, poucos  o sabiam…  

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Por   soba 01.jpgT´Chingange, no Algharb do M´Puto

Cada um, chamado á razão, responde afirmativamente ao que pensa ser o certo, em uma terra que sempre pensou ser também a sua, Angola e, sem ter a certeza de nada nem do futuro, recorreu a N´Zambi - Deus, presumindo que a concórdia e a misericórdia seriam um factor a esperar mas, assim, o não foi. Tantos que foram para Angola, tantos que se situaram, se amigaram, enamoraram ou umbigaram, julgando que deveriam reinar sobre a dissensão e razoável desentendimento, harmonizar o essencial, perdoar nos pequenos costumes; eliminá-los, seria assim o futuro plausível.

mud4.jpgmud5.jpg Puro engano em nosso advir; aglutinar-se-iam raças, honrar-se-ia desta feita pais, avós, tetravós e, ene avôs mas, nada disto assim o foi. Já estamos longe daquele tempo, ano de 1958 de quando a PIDE se instalou em Angola. Esta, mereceu do arcebispo de Luanda, D. Manuel Nunes Gabriel, o seguinte comentário: “A PIDE estendeu agora sua actividade a todo o país, agindo de maneira arbitrária e demasiado severa, tornando-se temida, mas não respeitada”; tomar em conta a menção de país, englobando o Portugal Ultramarino numa mesma plataforma territorial.

Na Lisboa do M´Puto, pouca importância se dá ao aparecimento da UPNA, União dos Povos do Norte de Angola e, daquele manifesto de Viriato da Cruz, o tempo, o congeminou como sendo o primeiro evento de valia e, paulatinamente o foram atribuindo como afecto ao MPLA. Com dados aleatórios no tempo aqui se descrevem situações que agora nem interessa saber se foram antes ou depois. Aconteceram! Ainda no ano de 1958, no próprio dia em que concluiu o curso, Agostinho Neto casa com a portuguesa transmontana, Maria Eugénia.

MUD1.jpg Nada mais que a irmã de António Rosa Coutinho, um nome a destacar por ter sido o principal “pivot sinistro” no período da descolonização posterior, e figura preponderante por ter incitado à violência física e sexual contra mulheres e crianças portuguesas e angolanas - estratégia para obrigar os brancos a abandonar Angola. Agostinho Neto aceitava todos conselhos do cunhado como se fossem ordens.

Agostinho Neto sabia que seria Presidente de Angola com ajuda dos portugueses porque tinha um cunhado no seio da política Portuguesa! Rosa Coutinho nos momentos cruciais do futuro de Angola no após “Abril de 1974” veio a ter o papel de “mediador” falando com os Líderes do MPLA, FNLA e UNITA, mas dava ou vendia armas ao MPLA oferecendo a este, a logística de guerra suficiente na tomada ao poder à revelia de quase toda a sociedade angolana. Era um corrupto que envergonha todos políticos, e infelizmente, é mais um que não pagou pelos crimes cometidos.

Mu Ukulu49.jpg A imunidade é a mãe da impunidade, e Rosa Coutinho, apesar de ter sido o autor moral de vários crimes cometidos em Angola nunca foi responsabilizado por nenhum governo dos PALOPS. Pelo que ocorreu de forma silenciosa, cumpre aqui alertar aos governos de Angola e Portugal que o “vosso silêncio”, para que conste, significa cumplicidade. O que aconteceu em Angola provocou distúrbios mentais a muita gente, e deixou cicatrizes nos corações de todos envolvidos, por isso e, assim demonstramos solidariedade com todos aqueles que o foi, directa ou indirectamente afectados; gente de todas as cores e credos.

mud7.jpg Voltando a Neto, já casado com a irmã de Rosa Coutinho, ambos tomam o rumo de Luanda aonde chegam a 30 de Dezembro de 1959 já com um filho. Neto passa a ocupar a chefia do MPLA em Angola, numa altura em que os mentores do Movimento se encontravam exilados na República da Guiné-Conakry. 1958, foi também o ano em que, em Accra, capital do Gana, Holdn Roberto participa na 1ª Conferência dos Povos Africanos retirando à UPNA seu carácter regionalista, substituindo-a pela UPA, União dos Povos de Angola, supostamente de cariz nacional.

Em 1959, a PIDE inicia uma vaga repressiva no meio estudantil e intelectual luandense, no que ficou conhecido como por “Processo dos 50” e, alarga sua acção ao Sul, às Missões Protestantes, Baptistas e Metodistas. Era nestas Missões que os supostos nacionalistas beneficiavam de sua protecção. Apesar das prisões e perseguições, o fenómeno fermento da independência, leveda por todo o país de N´Gola. A partir da independência do Congo a 30 de Junho de 1960, os ânimos redobram com a realização da segunda Conferência dos Povos Africanos.

Mu Ukulu59.jpg E, foi na Conferência dos Povos Africanos que Lúcio Lara, Viriato da Cruz e Holden Roberto apresentam o Movimento Anticolonial MAC e, em cuja formação, participam Agostinho Neto e Amílcar Cabral, este último, natural da Guiné-Bissau e, que foi um dos fundadores e Secretário-geral do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, PAIGC. Amílcar Cabral e Agostinho Neto nutriam um pelo outro grande amizade, alicerçada nos tempos de estudantes em Portugal, onde foram entusiastas participantes na revitalização da “Casa dos Estudantes do Império”.

moka22.jpg A Casa dos Estudantes do Império integrava membros de todas as colónias portuguesas, os agora chamados povos dos PALOPS, de fala portuguesa; organizações legais de jovens estudantes que em convívio fermentavam sonhos. Como uma república estudantil, albergava os vários estudantes das colónias portuguesas que vinham estudar na metrópole, M´Puto. Foi criada em 1944, pelo regime salazarista, para fortalecer a "mentalidade imperial e do sentimento da portugalidade entre os estudantes das colónias", respondendo igualmente a uma necessidade de congregar num único espaço de convivência os estudantes das até então colónias portuguesas, que não possuíam instituições de ensino superior ou para auxiliar àqueles que necessitavam complementar os créditos académicos em Portugal. Foi fechada pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) a 6 de setembro de 1965.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:35
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2021
MISSOSSO . XLIV

Crónica 3151 - MISSOSSO DO EDU

DIVAGAÇÃO ANTIGA . Penso - logo... EXISTO! - 16.05.2021

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Por   Torres0.jpg Eduardo Torres                                         

Estou a pensar, que se por qualquer motivo, acontecesse um acidente natural, que obrigasse, por causas improváveis e nem remotamente previstas, nós ficássemos neste nosso mundo real, apenas com a vida salvaguarda por circunstâncias favoráveis, mas que levassem a desaparecer todos os desenvolvimentos e a própria tecnologia em si, a ponto de voltarmos a uma fase da civilização, que nos obrigasse por falta de meios, a ter de começar tudo quase do principio.

torres14.jpg Quem surgiria a comandar o mundo? Recordo-me, a propósito, ainda jovem, de ter visto um filme com uma história muito interessante: Baseava-se o seu argumento nas famílias de alta linhagem da época, formados alguns, todos eles especializados nas boas maneiras que uma alta sociedade impunha, e como não podia faltar, uma descendência de lindas jovens, todas elas preparadas, com uma educação esmerada, para não desmerecer das regras da alta fidalguia a que pertenciam. Não lhes faltava um séquito de servidores, todos eles escolhidos a dedo e segundo o padrão que a própria alta linhagem impunha como medida.

dy15.jpgEntre os servidores, destacava-se um mordomo que, quer pela sua presença, pelo fino trato e toda a elegância que usava em cada movimento que fazia no seu serviço prestado, uma mostra que definia toda a sua eficiência. Sucedeu então, que várias dessas famílias baronesas, empreenderam uma viagem para poderem beneficiar das suas vantagens sociais, num chamado "vapor" numa volta praticamente ao mundo de então.

Com eles seguiu também o mordomo, pessoa imprescindível no relacionamento com todo o restante pessoal que fazia parte da tripulação de bordo. Após muitos dias de muito navegar, aconteceu uma grande tempestade, e o barco acabou por naufragar, tendo-se salvo quase todos os viajantes, incluindo naturalmente o mordomo.

mouzinho1.jpg Tiveram a sorte de tudo ter acontecido junto de uma ilha deserta, e todos eles em barcos a remos, conseguiram aportar à praia e assim, se instalaram na referida ilha. Foi então, que por falta de conhecimentos e experiência da vida, os tais personagens bem-falantes, formados e consagrados pela sua sabedoria na alta sociedade que ficava longe daquela ilha linda e selvagem, se aperceberam de toda a sua incapacidade de vencer todas as contrariedades surgidas.

Só o mordomo, pela sua sagacidade, pela sua experiência, ganha na luta diária que tivera de travar durante toda a sua vida, era o único homem capaz, naqueles momentos e naquele lugar, de tomar decisões, de improvisar processos, de utilizar a inteligência.

cinzas3.jpg Para conseguir tirar partido de situações, de que só ele, com a sua capacidade de engenharia, improvisava e fazia com que resultassem; Foi por isso nomeado o chefe daquela "tribo"! E, passou assim a dar ordens a todos aqueles que haviam pertencido às famílias a quem tinha servido - a serem seus servidores por necessidade de sobrevivência. Tornou-se noivo da mais gentil senhorita a quem tinha servido; e, geralmente como acontece em tudo na vida, no dia em que se ia efectuar o casamento, aproximou-se um navio no horizonte. Todos foram unânimes em que se deveria assinalar a sua presença na ilha...

ROXO192.jpg Foram salvos e, tudo voltou ao princípio. O mordomo voltou a ser mordomo; toda restante gente voltou a ser gente da alta sociedade - já não era possível haver um casamento entre duas pessoas de classes tão distintas, e as histórias de sobrevivência acontecidas na ilha passaram a ser protagonizadas pelos figurantes da alta sociedade. O mordomo continuou a ouvir, servindo aqueles desonestos, histórias que ele tinha sabido extrair de todo o seu manancial de conhecimentos, ganhos com experiência e inteligência.

Infelizmente o mundo ainda tem gente que sobrevive beneficiando do valor que os outros lhe dão mas, que não abdicam da aparência de se fazer parecer. *Felizmente também há muito boa gente que tem a humildade de contar os factos como realmente acontecem tal como Luís Filipe Vieira, noé? Ele há coisas!

Nota: A adição do LFV, Presidente do Benfica, é de minha autoria - (*blábláblá*) - T'Chingange

ECT



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:22
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Domingo, 16 de Maio de 2021
PARACUCA . XXXVIII

MULOLAS* DE TEMPOS DORMIDOSA LINGUAGEM DAS LÁGRIMAS COM FALAS INVIESADAS. (14.05.2021 em Kizomba) – 16.05.2021 em KIMBO

Crónica 3150 – Em um tempo de cinzas, tendo em vista a tristeza...  Paracuca é jinguba com açúcar torrado…

roxo116.jpgAR

Por soba24.jpg T´Chingange – No AlGharb do M´Puto

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Tudo o que fazemos na vida tem como objectivo a felicidade. Podemos até chorar de alegria, mas o choro costuma expressar tristeza. Porque se diz então “Bem-aventurados os que choram?”

Pesquisadores de muitos lugares deste Mundo, têm estudado os efeitos do choro e descoberto que ele faz bem. O bioquímico William Frey, da Universidade de Minnesota, por exemplo, estudou com sua equipe o sistema imunológico de muitas pessoas, o grau de stresse e raiva, e o humor daqueles que choram muito.

roxo135.jpgAR - Eles, os pesquisadores, descobriram que o humor dessas pessoas melhorou em quase 90% após um período de pranto. As lágrimas derramadas por elas fortaleceram o organismo e reduziram o stresse. O sentimento de culpa causa dor e abatimento mas, haverá aquele momento de viragem em que a paz e a alegria são restauradas - o consolo é experimentado e, desse modo, a vida passa da tristeza ao prazer, do pesar à felicidade... O que tiver de ser, irá acontecer.

araujo118.jpg CA - Num qualquer momento ao se olhar para dentro de si mesmo, se deparará com um quadro que não é o ideal. Talvez se sinta o coração quebrantar-se pela consciência da própria fraqueza e se entristeça profundamente apesar de se saber que a alegria é um componente do fruto espiritual. Um dia virá em que na presença de um ser superior, a “plenitude de alegria surgirá, tirando até águas das mulolas* com um cesto de vime, assim se acredite nos milagres da vida. Entretanto, não é esse tipo de alívio que caracteriza a felicidade mencionada para que se possa consolar todo o tipo de pranto; efectivamente, o choro aqui referido não é causado pela dor física, perda humana ou material, despedidas ou outras situações comuns. Será sim, um pranto que abre um novo caminho, da escravidão para a plena liberdade espiritual…

pombinho15.jpg P - Algo superior nos fará expressar sentimentos e emoções por meio da linguagem das lágrimas: por separação, luto, arrependimento, compaixão ou das lágrimas por insegurança, opressão política, solidão ou a aflição. Pensando nas condições prevalecentes no mundo, o teólogo e escritor alemão Heinz Zahrnt, falecido em 2003, expôs o paradoxo de se falar sobre mansidão na seguinte frase: “Ai dos mansos, porque eles serão colocados contra a parede!” E, de facto, estando o mundo tão engravidado de pessoas que tudo medem em termos de força, poderio e agressividade como meio de conquista, estaremos sim, encostados à parede… E, como diz a sombra esquerda do escritor Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó; é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente da memória.

Tonito04.jpeg  AM - Na procura de um porquê, uma vida cheia de mulolas*, só posso dizer que tudo será fruto do acaso como um milagre que sobe a rampa dum misterioso milagre. Sempre seremos manobrados e levados a pagar pelos erros alheios… Este, é um mundo no qual a competitividade é desejada, incentivada e buscada a qualquer preço. Um mundo em que as coisas parecem funcionar segundo a lei do mais forte, do mais rico, do mais descarado e mentiroso. E, chamam a isto de diplomacia e, ou “Paraíso Fiscal” – mas, não foi sempre assim! De acordo com essa mentalidade, quanto mais alguém se defende e luta por fazer valer seus direitos, tanto mais possibilidade terá para se frustrar. Por isso, a afirmação soa, no mínimo, singular. Serão os mansos que conquistarão o mundo tomando posse do Universo?

Nota*: Mulola só é um rio, quando chove.

Ilustrações de Assunção Roxo, Costa Araújo , A. Monteiro e Pombinho

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:22
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Quarta-feira, 12 de Maio de 2021
MUJIMBO CXXIII

DE KIGALI A IGUAÇU

Crónica 3149DO BAÚ DE MEMORIAS RETIREI FALAS RESSEQUIDAS NO TEMPO COM CREDÊNCIAIS DE CONTADOR DE ESTORIAS AVULSO - 12.05.2021

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Por soba15.jpgT'Chingange no AlGharb do M'Puto

Fui ao meu baú das memórias retirar coisas idas em minhas andanças pelo Brasil e, porque perdi o comboio fumaça das cinco, releio de novo e passo a limpo a já desbotada crónica escrita no ano de 2007 em vésperas de Páscoa. No hotel “Rafain Palace” de Iguaçu, pude ler nesse então na Gazeta do Paraná, o meu horóscopo; talvez pela primeira vez pude sentir algo que condizia com a minha pessoa: gémeos - simbolizam a mente jovial que busca a variedade do conhecimento; os gémeos, dão-se conta que não estão sós no mundo e que as trocas de conhecimento podem ser partilhadas.

143.jpg Milhões de pessoas por este mundo, todos os dias se levantam atormentadas com problemas. Atónitas com a vida, entorpecem suas capacidades consumindo a rotina ou a seca de permanecer semanas trancafiado em seu mukifo T-um sem nunca, nunca golpearem a sua inteligência fazendo perguntas a si mesmas – nunca se chegam a descobrir envoltos em irrelevantes questões do quotidiano de arranhar os netos dos neurónios chamuscados nas periclitantes adversidades. Tinha visto no dia anterior um filme sobre a mortandade do “Rwanda” em que um gerente de hotel salva das mãos terroristas da tribo “Hutu”, a família de ascendência “Tutsi” e, um elevado número de cidadãos que tiveram o azar de nascer negros, da etnia tutsi e, num pais com o nome de Rwanda, uma antiga colónia belga.

iguaçu1.jpg Desde a independência de Burundi em 1962, houve dois eventos denominados genocídios no país. Os assassinatos em massa de hutus em 1972 pelo exército dominado pelos tutsis e os assassinatos em massa de tutsis em 1993 pela população de maioria hutu e, que são descritos como genocídio no relatório final da Comissão Internacional de Inquérito ao Burundi apresentado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em 2002.

iguaçu4.jpg Aquele administrador de hotel em Kigali foi, salvo as devidas proporções e por comparação, o Aristides de Sousa Mendes, um diplomata português que salvou milhares de famílias judias dos campos de concentração para a morte efectuada pelos nazis e, tendo como veiculador da horrenda guerra o paranóico Adolf Hitler. Aquela figura tão conhecida e pelas piores razões que levou a eugenia ao último grau de aniquilamento em seus laboratórios de morte, seguindo as ideias do pastor Thomas Malthus, um pastor anglicano de ideias patafúrdias…

iguaçu3.jpg O tratamento na higienização do povo levou o alemão Hitler que nasceu na Áustria, então parte do Império Austro-Húngaro e seus maníacos seguidores e assessores a eliminar gente que não tivesse o padrão “ariano”, gente com um qualquer defeito físico, ou com uma anatomia ou procedência não condizente com seus entendimentos, seguindo convicções secretas de indefinidos mistérios e seguindo uma trilha deplorável.

O rumor das quedas de Iguaçu logo numa primeira aparição, seguindo o trilho da mata confundia-se com uma pequena cachoeira correndo entre rochas da qual se desprendiam exuberantes ramadas de verde. Primeiro pude observar uma pequena cachoeira de nome Macuco, um fio de água soltando um pequeno choro feito murmúrio a comparar com a queda grande que pouco a pouco fui vendo nos passos do trilho sinuoso. Aos poucos, a grande queda, vai surgindo num espectáculo de dança cada vez mais deslumbrante de espuma branca, ora um véu de noiva ora espirrando roncos entre fragas medonhas...

iguaçu2.jpg As borboletas, umas mais bonitas que outras, vêm às centenas formar uma cortina multicolor entre a visão tumultuosa das águas, os arrifes, dos escapelados saltos de água no leito do rio e um nevoeiro de cacimbo permanente saindo da boca do diabo; da garganta “d´el diablo” saem golfadas de quilolitros de brancura engasgando-se em um desfiladeiro assombroso; Assim cuspindo espuma, a correnteza revela-nos com gritos, mistérios da natureza. Nada acontece por acaso! Assim penso empanzinado de agradecimento sentado naquela saliência de pedra musgosa, realizando um grande objectivo de imprimir em memória os sentidos externos. Gravar vida no espírito ideias trazidas ao cérebro por um brotar duma energia imensurável…

Aquele arco-íris, contornava com suas sete cores a minha existência esmagando-me em êxtase de crenças engalanadas e encavalgando-me em sonhos e fascínio de felicidade ou êxito estarrecido; fazendo esquecer todas aquelas agruras terrenas do seio daquela civilização supostamente mais avançada chamada de Alemanha ou lá do terceiro mundo em um longínquo país chamado de Rwanda e Burundi amolecendo nosso orgulho humano e engravidando-nos de vícios, ódios e muitas e variadas intrigas.

lucala3.jpgNesta contemplação de espectáculo da vida e sensação, sente-se nossa pequenez como se o fôramos um minúsculo empréstimo da natureza. Ali, a gente entrega-se sem mendigar ao amor ou à dor das esperanças frustradas e até perdidas sem aquele aperto de mão, suspenso entre a consciência do conhecimento em espargir o bem ou o mal, tudo envolto em egoísmo ou até paixão de prazeres. Também aqui os índios “Caigangues”, sem conhecimento do resto do mundo, morrem de velhos na verdadeira liberdade como o pássaro quetzal, sem definirem com exactidão o temor indigno, num perfeito domínio de si mesmos entre sua paz suprema de viver num dia de cada vez  e, no meio das maiores hodiernas privações…

capulana1.jpg Desconhecendo estes conceitos num paraíso tal como a borboleta com o número 88 que foi minha guia inseparável, esta visita foi talvez a maior lição de vida que recolhi e, sentir sim, esse amor pela natureza… Hoje, em companhia duma xícara de café fumegante, tento a maneira de enganar o tempo a fim de não sucumbir à solidão ao invés de passar o tempo em um passe-vite esgotando os nanosegundos dos meus obstinados e silenciosos abismos. Roçar assim as perspectivas ortorrômbicas para e, daí extrair ausentes sentimentos no intuito de mostrar o que ninguém viu antes, num secalhar e, porque  quase sempre “só vemos o que queremos ver”.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:10
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Terça-feira, 11 de Maio de 2021
MISSOSSO . XLIII

TELHAS OU CREPÚSCULOS - 10.05.2021

Crónica 3148 - A vida estende-se diante de nós como um glorioso quadro... Um esplêndido crepúsculo; uma Kúkia de deslumbramento...

ARAUJO201.jpg

Por   soba002.jpg T'Chingange - no M'Puto

Diariamente sempre haverá escolhas a fazer. Elas podem determinar nossa felicidade aqui e no futuro. As escolhas que você faz hoje são vitalmente importantes. Os amigos que escolhe terão muito a ver com sua vida tornando-a um esplêndido crepúsculo ou um velho celeiro sem graça.

Os amigos podem levá-lo a concentrar-se naquilo que é passageiro, ou conduzi-lo para mais perto de coisas vaidosas. Todos os dias você precisa escolher entre o celeiro e o pôr-do-sol - a KUKIA...

araujo153.jpg Eu que sou cota, entendo que a vida sempre se estende diante de nós como um glorioso quadro mas, temos de saber querer o que escolheremos pintar? Como e, em que focalizaremos a atenção? Em celeiros ou no crepúsculo? Posso explicar!

Teremos de ter noção nas coisas que realmente importam ou nas que são triviais! Isso! No bem ou no mal! Naquilo que é supremo ou no que é terreno; posso acreditar.

Em pé, no ondulante cafezal de uma roça/fazenda, Araújo meu Mano de brincadeira, sendo mais novo, esboçava a gloriosa paisagem que se estendia diante de seus olhos...

araujo149.jpg Com o pincel na mão, concentrava-se no quadro que emergia na tela. O sol punha-se, lançando uma cintilação dourada sobre as árvores dando a impressão de que a terra pegava fogo. Uma genuína Kúkia nas terras altas da Gabela, um sítio chamado de Boa Entrada da CADA. Lugar de Boa Lembrança...

Em primeiro plano, via-se um velho celeiro, em ruínas, o terreiro de secar as bagas do café Amboim, contra o fundo do crepúsculo. Araújo semicerrava os olhos contra a luz, ao esforçar-se para captar o padrão intrincado da disposição das telhas no telhado do celeiro. Homens de troncos nus andavam de um para outro lado com umas geringonças de madeira rolando os grãos. Araújo, só via que algumas telhas estavam faltando, e ele queria ter certeza de retratar tudo correctamente.

ARAUJO80.jpg Eu, seu professor de arte, observei-o pintando o telhado do velho celeiro. Todo o céu poente estava em fogo. Ele, Zé Araújo, observou que as cores passavam de um brilhante carmesim para um dourado de tirar o fôlego.

Por fim, eu, seu professor disse-lhe em voz baixa: – Se gastares muito tempo nesse telhado, não conseguirás pintar o pôr-do-sol, pois as cores mudam rapidamente. Em pouco tempo, estará escuro. Tu, terás de escolher entre as telhas, a azáfama do terreiro ou o pôr-do-sol. Qual é a tua escolha?

araujo66.jpg Zé Augusto tirou os olhos da paleta, engoliu em seco, ao ver a beleza que se espraiava diante dele. Seu rosto reflectia as cores do entardecer; enquanto tomava o pincel e repentinamente disse: - O pôr-do-sol, meu Mano Corvo (que era eu) - Escolho o pôr do sol!

Pode não haver êxtase de sentimentos neste relacionamento de candengues, mas deve existir uma confiança constante e tranquila. E, houve, enquanto houve... Havia nele motivação e sabedoria para tomar decisões relacionadas com a eternidade. Ele virou mestre do pincel florescendo naquele coração, até que uma grave enfermidade o acometeu. Eu, assim fiquei feito feiticeiro, inventando missossos da Luua, no caminho de fé...

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Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:36
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Terça-feira, 4 de Maio de 2021
MUJIMBO CXXII

MAIO GRAVADO NAS MÃOS...

Crónica 3146 - As credenciais da faxineira, estavam riscadas em suas mãos - nesse ido tempo nem havia o tal Um de MAIO * 04.04.2021

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Por   soba24.jpg T'Chingange no AlGharb do M'Puto

Sabe-se que a homenagem ao trabalhador, remonta ao dia Um de Maio de 1886 há cento e trinta e cinco anos, quando uma greve foi iniciada na cidade norte-americana de Chicago. O objectivo era conquistar melhores condições de trabalho, principalmente a redução da jornada de trabalho diária, que chegava a 17 horas, para oito horas.

Tolstói, o grande escritor russo, contou, certa vez, a história do Czar e da Czarina que desejaram honrar os membros de sua corte com um banquete. Eles enviaram os convites e avisaram que os hóspedes deveriam vir com eles.

maio0.jpg Quando chegaram ao banquete, os hóspedes ficaram surpresos ao ver que os guardas não examinaram os convites, e sim suas mãos. Os convidados tentaram imaginar o que significaria aquilo, mas também estavam curiosos para ver quem o Czar e a Czarina escolheriam como hóspede de honra, para sentar-se entre eles no banquete. Todos ficaram espantados quando viram que a pessoa escolhida foi uma idosa faxineira, que durante muitos anos trabalhou arduamente para manter limpo o palácio... Ao examinar as mãos dela, os guardas declararam: “A senhora tem as credenciais adequadas para ser a hóspede de honra. Podemos ver amor e lealdade em suas mãos.”

maio1.jpg Conta-se uma história semelhante de um tal missionário chamado de Adoniram Judson, na antiga Birmânia, actual Myanmar - uma nação do sudeste asiático com mais de 100 grupos étnicos e que, faz fronteira com Índia, Bangladesh, China, Laos e Tailândia. Judson dirigiu-se ao rei da Birmânia a fim de pedir permissão para ir a determinada cidade e pregar. O rei, pagão, mas muito inteligente, respondeu: “Eu estaria disposto a deixar uma dúzia de pregadores ir lá, mas não o senhor, com essas mãos. O meu povo não é tolo para se importar com sua pregação, mas eles notariam suas mãos calejadas pelo trabalho.”

maio2.jpg Também a crucifixão de Cristo deixou os discípulos muito desorientados. Chegara-lhes a informação de que Jesus havia ressuscitado, porém hesitavam em crer e não se achavam psicologicamente preparados. Com medo dos judeus, reuniram-se no Cenáculo. Com um estado de tensão emocional e, ficaram apavorados quando o Messias apareceu entre eles. Pensaram que fosse um fantasma; uma kianda... Foi preciso que Jesus mostrasse as mãos e os pés, dando-lhes uma prova visual, auditiva e tácita de que Ele realmente havia ressuscitado.

Possuídos dessa certeza, os discípulos, antes temerosos e cheios de dúvidas, tornaram-se apóstolos de grande coragem e abnegação porque viram a marca dos cravos em Suas mãos e pés, tal como muito mais tarde o fariam os mandantes do Czar, reconhecendo aquela faxineira, eleita pelas mãos calejadas...

maio4.jpeg Hoje, e aqui numa avenida de Lisboa do M'Puto, chamada de Liberdade festejam o Um de Maio vendo a bandeira que um qualquer leva, o símbolo na lapela ou os dísticos tendo sempre uma foice e um martelo! Mesmo que o seja só para figurar... A maior parte finge que trabalha mas, o que eles querem é mesmo um bem bom de salário para comprar bejecas e caracóis... Na ética dos TAXOS  e das CUNHAS

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:35
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Sábado, 1 de Maio de 2021
MUXOXO . XLIV

MONAMGAMBA - TEMPO CREPUSCULAR COM FRINCHAS

Nós, também produzimos fruto na estação apropriada, pois afinal, para isso fomos plantados...

Crónica 3145 – (30.04.2021 em Kizomba) – 01.05.2021 no KIMBO

– Hoje, ninguém parece ter consciência de nada; por usucapião, estamos feitos ao bife 

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Por soba24.jpg T'Chingange no AlGharb do M'Puto

As árvores que conheço desde sempre, são variadas pois que, aqueci nos trópicos como as acácias do Calahári e por vezes tentei até abraçar o imbondeiro mas, desconsegui fazê-lo sozinho. Também consegui aqui no M'Puto  ter um imbondeiro que subiu protegido mas, por descuido meu, veio o frio de Nosso Senhor dando-lhe fim.

Meu vizinho alemão da Alemanha tem uma nespereira que este ano carregou de frutas. Já saltei o muro para lhe roubar uns quantos balaios como indemnização pela sugeira que seu choupo do Canadá faz no meu quintal virado a Sul. Costumo conversar com o loureiro mas, para além de dois rebentos nascidos do meu lado, assim sobranceiro, nada me diz nem contesta.

muxoxo1.jpgCada espécie, daqui ou oriundas de outros lados, são distintas e admiráveis à sua própria maneira. Os luendros que fazem fronteira entre mim e o carcamano, têm várias cores mas o vermelho é o de que mais gosto. Na minha concepção o altaneiro choupo tem uma linhagem nobre, mas excede a todos em altura  retirando-me o sol de inverno por ter crescido de forma desmedida.  Se a expressão “crescer em graça” se aplicasse a árvores, este choupo o exemplificaria melhor, só que não é árvore para um quintal citadino. Como pode alguém, nem mesmo sendo um especial amante da natureza, olhar firme e refletidamente a uma árvore assim e, deixar de apreciar a mesma por não estar no sitio apropriado...

piram3.jpg As sequoias da Califórnia são também um espetáculo inspirador mas só são sustentáveis numa floresta. E, se o choupo do carcamano já me causa transtorno pelo avanço das raízes no largar de folhas e sementes pelo meu património, posso imaginar como seria se o fosse, uma Sequoia.

Bom! Algumas oliveiras já existiam havia muito tempo quando Davi escreveu seu texto bíblico; eram mais antigas ainda quando Jesus andou pela Galileia. Nem se fala de outras espécimes quando Colombo descobriu o Novo Mundo! Nações e impérios vão e vêm; contudo, muitas destas arrojadas árvores ainda vivem e crescem, sequoias, oliveiras e, o imbondeiro com mais algumas variantes de acácias.

Bem! Diz-se que um cristão deve ser como uma árvore plantada junto a correntes de águas ou mulola, sempre a crescer. Pois então, esta figurada linguagem representará de certa forma aquela sequoia ou imbondeiro, que indiferente ao tempo marcado no relógio, continua crescendo...

muxoxo3.jpg Apesar de muita gente afirmar que os imbondeiros podem viver milhares de anos, tal não pode ser comprovado, pois que o seu crescimento não leva à formação de anéis anuais. Suas flores são de cor brancas, muito grandes e pesadas. São vistosos pedúnculos com um grande número de estames com um cheiro peculiar a carniça...

Há quem diga que a flor de imbondeiro (baobá) surge a cada 40 anos, mas das controvérsias ficam-nos as lendas bordadas a múcua, seu fruto. Sua flor dura pouco; murcha e cai em um ou dois dias depois de desabrochar. O crescimento de uma árvore e sua estabilidade simbolizam a vida dum cristão submisso; podemos comparar assim noé!? Desde a minúscula plantinha até uma árvore espantosamente gigantesca, que quase toca o céu, seu crescimento sempre o é, um contínuo processo de receber e crescer.

muxoxo4.jpgEm resumo, nós todos so mos recipientes de nutrientes temporários e espirituais não obtidos por nossos esforços. Sem a fonte de força e poder rapidamente murcharíamos e morreríamos. Contudo, com o auxílio da Natureza, nossa alma pode ser semelhante à força duradoura de uma árvore.  Podemos produzir fruto na estação apropriada, pois, afinal, para isso fomos plantados mas, os homens andam a querer tudo mudar e, nisto, as regras não podem ser alteradas...

Muxoxo é uma espécie de estalo que se dá com a língua aplicada ao palato, em sinal de desdém ou contrariedade. No M´puto costumam chamar de "xoxo", com o sentido de beijo; Monamgamba é trabalhador desclassificado (perjurativo) - por vezes traduz-se em asneira ofensiva

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:05
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Quarta-feira, 28 de Abril de 2021
MISSOSSO . XLI

TEMPO COM CINZAS- A estória, não é assim tão linear, noé!? – (26.04.2021 EM Kizomba do FB) 28.04.2021 no KIMBO

Crónica 3143 - O Mundo parece ter-se tornado ilógico, surrealista e, vêm agora tornar heróis os Otelos, e tantos guedelhudos a fingir que nos libertaram no VINTICINCO.

Missoso é um pequeno conto - (Kimbundo)

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Por   soba24.jpg T'Chingange - No AlGharb do M'Puto

"Precisa-se de homens para uma viagem arriscada. Salário pequeno, frio intenso, longos meses de trevas completas, constante perigo, sem garantia de volta. Honra e reconhecimento em caso de êxito.” Foi o singularíssimo anúncio que apareceu um dia no jornal Times de Londres, no longínquo ano de1900...

Era notável por sua clareza e positividade. Nada de desenhos nem gravuras de homens ou mulheres chamando a atenção. Mesmo assim, recebeu respostas de todo o lado. Assinado por Sir Edward Shakleton, explorador do Polo Norte.

colono3.jpg Esse, bem poderia ser um anúncio de um departamento estatal português, dizendo outras coisas, na tentativa de recrutar pessoas para ir para os trópicos evangelizar ou colonizar em prol da nação! Foi assim que meu pai decidiu ir para o outro lado do mundo para ter uma vida mais decente, dando aos filhos hipóteses de uma melhor vida do que naquela santa terrinha com o nome de Barbeita, uma berça acocurada entre encostas de vertentes graníticas a ver a Serra da Estrela e pinhais a perder de vista.

colono35.jpgcolono32.jpg A ver difuso, lá bem no alto da serra, o manto branco de neve que perenava esfriando ousadias - Ir para África. Existem hoje muitos jovens que se unem a novas ideias, tão-somente por amor ao conforto; conforto que nos leva a um modo de vida respeitável e nos salva do tumulto e da fúria do mundo exterior...

Decisões que nos tiram das agruras e guerras medonhas e, tal como comprarmos ouro provado no fogo, sair da inércia ou deixar de escavar a terra em busca do volfrâmio para enrijar os canhões de Hitler. Era isto que meu pai fazia antes de ser chamada pela Companhia Nacional de Navegação do M'Puto.

colono33.jpg E, essa questão de comprar ouro provado no fogo, pode ser perigoso e, foi mesmo! Se você pensa na obra de Cristo como algo confortável ou “sombra e água fresca”, então essa não é “sua praia”. Isso mesmo! Meu pai Manel foi para a praia errada chamada de Angola num vapor chamado de Mouzinho de Albuquerque, como COLONO aonde passou coisas inimagináveis e, já kota, teve de voltar com a vontade de ficar e, por força de um dia 27 de Maio no ano de 1977. Estava pintado de manchas já negras de sangue, guiado por duas canadianas.

Assim o vi, no aeroporto da Portela de Lisboa, perna pendurada e ainda com uma bala junto à rótula do joelho. Lá na Luua os mortos eram tantos que o médico Boavida do Banco de Angola o mandou para o M'Puto; não fossem os pseudo médicos cubanos cortarem a mesma! E foi no Hospital de Torres Novas que tirou a dita cuja - a bala! Teve sorte de não gangrenar!

colono31.jpg E, vêm agora tornar heróis os Otelos, e tantos guedelhudos a fingir que nos libertaram no VINTICINCO. Não posso entender o significado de nossas vidas, fingindo ou imaginando ter sido como um colchão coberto de cravos vermelhos e rosas e, dizerem-me agora que Cristo nos chama para as mais exigente e ousadas obras do mundo! E, as FP-25 - Que negócio foi esse?

É verdade que Ele, o Nosso Senhor nos dá Sua paz, mas isso só se trata de uma paz interior, aquela espécie de paz que provém do conhecimento profundo que nos leva a desdizer: “isso está certo? É isso mesmo o que eu devo entender?”. Será que em cada dia tenho de incentivar meu ânimo para resistir àquilo que sei estar errado!? A Cezar o que é de Cezar... Tudo farei em busca da verdade. E, claro, alegrar-me-ei no caminho cristão legado por meu pai Monteiro de sobrenome, juntando-as às verdadeiras riquezas da eternidade... Bom resto de Abril

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:49
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Sexta-feira, 23 de Abril de 2021
MUJIMBO . CXXI

OS ACTOS ESTRANHOS ACONTECEM... TEMPO COM CINZAS

Cronica 3142 - Deus tem que livrar o Universo do pecado, senão estamos quilhados!

MUJIMBO é boato, má-língua – (20.04.2021 em Kizomba do FB) 23.04.2021

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Porsoba24.jpg T'Chingange . No AlGharb do M´Puto

A Bíblia tem muitos e bons ensinamentos; para realizar a obra do Senhor, e para executar o Seu acto, no Seu ato inaudito teremos de ir até Isaías (28:21). Assim, no blábláblá dos acontecido chegamos ao livro de Bitter Harvest - Amarga Colheita. Este, fala de um empregado de uma firma de grãos em Michigan, lá nos USA que, inadvertidamente, pegou um veneno mortal e, achando que fosse um complemento vitamínico, misturou-o com os grãos...

Os grãos envenenados contaminaram o gado, as galinhas e os porcos de muitas fazendas. Os fazendeiros não tiveram escolha a não ser isolar os animais contaminados, sacrificá-los e queimar os corpos para evitar que a contaminação se espalhasse podendo alcançar os homens. Eles sabiam que, se não sacrificassem os animais, toda a indústria de gado de Michigan dos USA, estaria ameaçada. No dizer de Isaías, o Profeta, diz que a vontade de Deus é a de que “todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2:4).

arau161.jpgMas, há pessoas a quem nem mesmo Deus pode salvar. Claro que estou a pensar nos muitos trapaceiros que andam a driblar-nos com esquindiva de fintas, nossas vidas, saindo-se de fininho, sempre num bem-bom com paraísos fiscais e, edecéteras e, deixando-nos a falar só átoa com o sabugueiro, uma árvore nobre e espalhável...

Sócrates, o ex primeiro do M'Puto e mentiroso que chegue, escolheu o pecado em vez da justiça boa, que junto com a tropa fandanga e até o Espírito Salgado (o Santo…), provocam nossa rebelião em vez da compreensão, impregnados que estavam com a justiça má... Seus egoísmos, assim mesmo no plural, em vez do amoroso serviço aos seus patrícios, provocaram esta desobediência dum modo natural e resiliente. Se Deus Se arriscasse a levá-los para o Céu, eles infectariam por lá o ambiente Santo com o vírus do pecado, usando aquele engano das sementes como se o fora uma parábola, noé!?

araujo13.jpg Mas, com todas estas periclitãncias, se Nosso Senhor não agir para erradicar seus pecados, com mais uma catrefada de gente de aparente alto-coturno, seus efeitos malignos acabarão por destruir o Universo inteiro. Entenda-se aqui como universo, o do âmbito do M'Puto com dez milhões de papalvos, simplório e patetas, tudojunto...

Deus oferece perdão por nossos pecados passados e, poder para vivermos a vida cristã no presente. Essa coisa de que Sua graça conceder perdão quando falhamos e força para que não venhamos a repetir as mesmas falhas outras vezes, só com um certo juiz de nome de Rosa... Doutro jeito jeitoso, estamos quilhados; ponto final.

araujo158.jpg Não, não pode ser, em última análise, Deus tem mesmo que agir. Ele tem que livrar o Universo do pecado. “Nosso Deus é fogo consumidor” tal como se diz (Hebreus 12:29). Um Deus santo tem que consumir o pecado e transformá-lo em cinzas...Noé!?

Hoje, Deus, oferece-nos uma escolha: ou deixamos que Ele consuma o pecado dentro de nós com a abrasadora presença de Seu Santo Espírito, ou seremos nós consumidos  no blábláblá com nosso pecado na abrasadora presença de Sua iminente na próxima volta – Ora isto pode demorar tanto que nossos ossos também estarão em cinza, noé!?

araujo146.jpgFeliz semana. A destruição do perverso é um acto incomum e estranho, mas inevitável, pois ocorrerá para que o Universo fique seguro para sempre. Nós vamos permitir que Jesus faça Sua obra purificadora, tenhamos calma para permitir que o fogo da Sua presença purifique os malandros por inteiro... Amém, também se diz...

Com fúteis caprichos de escritor avulso, esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos de agora e futuros recolhendo feitos e lendas tornando tudo passado. Sim! Porque num futuro, de um mundo surreal, compreenderemos melhor a essência dos acontecimentos. Inevitavelmente, observo agora, já kota mais-velho, estar num joguete de tantos portais desconhecidos como se o fora: uma carta solta do baralho, seja numa jogatana de sueca, ou de jogo de póquer …

Ilustrações  aleatória de Costa Araujo (falecido há dois anos)

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
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Segunda-feira, 19 de Abril de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXIII

HÁ 47 ANOS TEVE INÍCIO UMA LIMPEZA ÉTNICA - 18.04.2021

Crónica 3141O HOLOCAUSTO PORTUGUÊS ACONTECEU!  E, porque estamos a 7 dias do VINTICINCO na Pátria do Socialismo…

– Nossas vidas têm muitos kitukus (mistérios) -3ª de 3 partes

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Por soba24.jpg T'Chingange - No Al-Gharb do M'Puto

O Relatório Final da Comissão de Peritos estabelecido conforme a Resolução 780 do Conselho de Segurança das Nações Unidas* definiu a limpeza étnica como sendo: “Uma política propositadamente concebida por um grupo étnico ou religioso, para remover a população civil de outro grupo étnico de uma determinada área geográfica, através de meios violentos ou que inspirem terror”. As evidências e as provas de crime são tantas que, não restam dúvidas de que a descolonização da África Portuguesa foi uma limpeza étnica da população branca, promovida pela União Soviética com o total apoio dos partidos da esquerda portuguesa: - PCP e PS.

O regime instaurado em Portugal a 25 de Abril de 1974, tudo tem feito para esconder estes crimes contra a humanidade pelos quais é directamente responsável promovendo por isso e, a propósito, o mito de que a Revolução dos Cravos foi uma “revolução sem sangue”. Por outro lado, passados que são 47 anos, ainda não ouve um alto dignatário do Governo do M´Puto que mencionasse este desaire e, pedisse desculpas pelo facto de isto ter sucedido duma forma tão trágica.

GUERRA39.jpgRetornados e, ou refugiados, mereciam no mínimo ser ressarcidos desta verdade sem penalizar as instituições dos países, ex-colónias que formam a CPLP, porque em verdade, todos eles dos PALOPS, mal ou bem, fizeram o seu papel. Portugal foi e, ainda é o único incriminado nestes graves desaires da história, deitando por terra todo o anterior brilho de suas epopeias pela verdadeira falta de estadistas no comando de todo o processo. Um número significativo dos responsáveis pela limpeza étnica ocorrida na África Portuguesa ainda vive e, alguns dos partidos responsáveis até têm assento parlamentar.

Todos estes elementos criminosos já deveriam ter sido escorraçados da vida política nacional e os responsáveis julgados em Portugal ou então, deportados para o Tribunal Penal Internacional aonde deveriam, enfrentar julgamento. Só entendendo tudo isto é que os portugueses poderiam compreender o fanatismo da esquerda e dos regimes sucessivos até chegar ao actual em promover essa mentira do mito da tal “revolução sem sangue” com todo o ridículo folclore, todos os anos encenados nas celebrações do 25 de Abril. Os responsáveis e co-responsáveis pela limpeza étnica dos portugueses brancos em África continuam a colocar seus cravos encharcados de sangue inocente na lapela. Com grande tristeza o afirmo: celebrando uma das maiores tragédias da história de Portugal e da humanidade…

GUERRA27.jpg Esta imunda campanha de falsidade da história com branqueamento de crimes contra a humanidade que conta com o apoio da pseudo “elite de Abril”, infiltrada nas escolas, universidade, fundações e observatórios, com quase todos os meios de comunicação de massas, é simultaneamente um exemplo de desespero em que o actual regime se encontra. Em verdade tudo isto não passa de uma gigantesca campanha de desinformação sustentada pela maioria da classe jornalística, política e universitária que, continua a fazer “vista grossa” á limpeza étnica, a que os brancos foram sujeitos na África e aos posteriores massacres da população civil negra.

Os supostos “movimentos de libertação”, passados que são 47 anos dessa tragédia, regrediram de tal modo que conseguiram até colocar seus territórios, Angola, Moçambique e Guiné a níveis de miséria económica e social – Situação actual sofrível, se a compararmos com a evolução que então se verificava, sob alçada da Administração Colonial. É só ler o que ocorre nos dias de hoje para se concluir que não estão em situação de prosperidade; seu povo, assim o reclama! Um bando de desclassificados governantes, ladrões e corruptos que só olham para seu umbigo – os barrigas cheias! Os responsáveis por toda esta loucura genocida, seja em Portugal ou na diáspora, poderão sim escapar à justiça dos homens mas, tenho a certeza que ao julgamento da história não escaparão. Pois, quanto aos “revolucionários de Abril”, que a consciência lhes pese – e, a terra que os cobrir também. Certamente que não fugirão para além dos pesadelos de culpa, ao juízo do grande e último juiz!

fuga7.jpg Nas horas daqueles dias a vida não valia um vintém; tudo ficava ao sabor da sorte. Nestas aflições sem controlo visível, surge a figura de Gonçalves Ribeiro batendo-se pela criação de estruturas àquela que se veio a chamar de “ponte aérea” e, que só se resolveu em pleno quando mais de cinco mil pessoas se juntou no Largo fronteiro do Cinema Miramar da Luua pedindo a todas as embaixadas que mandassem transportes aéreos ou marítimos a tirar-nos daquele inferno.

Isto veio a acontecer com a supervisão de Gonçalves Ribeiro, o pai da ponte “LUALIX”. A CIA dizia nesse então que Lisboa não tinha um suporte adequado no terreno que lhe permitisse evacuar mais de trezentos mil brancos ainda no território, nem para manter os voos no ar. Era verdade! Mas também havia aqui pressões para em troca da ajuda, Costa Gomes retirasse o vermelho Vasco Gonçalves do governo. E, foi isso que veio a acontecer! Este antigo internado na casa dos malucos, sector militar de Luanda andava esbracejando demais naquele M´puto desvairado de liberdade. Ele que tinha tirado água da cacimba da Maianga com um cesto de vime! Como podia estar bem do juízo! Justificaram-no depois que estava a fingir para se livrar da operacionalidade perigosa. Tigres de papel! Mas, em verdade, os americanos não dão nada de borla, teria de haver algo na cartola do tio Sam. Jogaram uma rolha e Costa Gomes agarrou-se àquela bóia, pois então, dava jeito!

fuga1.jpg Nós, retornados, fomos em verdade, a moeda de troca; com um só porrete mataram dois coelhos como soe dizer-se! Portugal inundado de retornados anticomunistas, vinha mesmo a calhar nesta hora (…ano de 1975). E, o mundo observando estas manobras com o abutre Carlucci a dar palpites ao estado português através de Mário Soares e outros desclassificados diplomatas de cordel que iam ficando agraudados de poder e dinheiro, pois!... Bom! Na N´Gola, as FAP já nem dispunham de bases aéreas para nos escoar; falo na primeira pessoa porque estava lá! Os confrontos permanentes entre todos os movimentos impediam o funcionamento dos aeródromos como o de São salvador, Cazombo, Maquela, Togo, Gago Coutinho, Cuíto Cuanavale e N´Riquita; Henrique de carvalho, Malange, N´Dalatando e Carmona já só tinham estruturas reduzidas, quase sem uso por falta de segurança e equipamento de apoio.

Em Luanda encerravam vários consulados como o Britânico, Australiano e outros que o estariam prestes a fazer. Só neste então a Metrópole com seu CR tomou pela primeira vez “consciência da gravidade”. Costa Gomes e Vasco Gonçalves começavam a ser acossados pela Imprensa Internacional! Numa parede do M´Puto no bastião comunista de Torres Novas e Riachos, terra natal de Otelo Saraiva, podia ler-se escrito pelos anarquistas: “Otelo Saraiva de Carvalho, que lindo nome tens tu, tira o vê de Carvalho e mete o resto no cú”.

fuga11.jpg

Nota*: Ver documento – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇOES UNIDAS – Relatório Final da Comissão de Peritos Estabelecido Conforme a Resolução 780 do Conselho de Segurança (1992). 27 de Maio de 1994.

 Link: http://www.un.org/ga/search/view_doc.asp?symbol=S/1994/674

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:38
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Quarta-feira, 14 de Abril de 2021
XICULULU . CXXXVI

FALAS VADIAS E ATRAVESSADAS – (12.04.2021) - 14.04.2021

Crónica 3138JUSTIÇA - De vergonha alheia, me fiz em raiva…

Xicululu: - Olho gordo; Avareza

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Por: soba001.jpgT´Chingange – No Al Gharb do M´Puto

Neste agora do ano de dois mil e vinte e um, o futuro pode sem novidade de espanto, agarrar por inteiro nosso esqueleto sem ver rebrilhar a kúkia nas águas do Tejo, do Tamisa, do Reno ou o Okavango que sempre levam a vida feita água aos ecossistemas e outros pântanos. Charcos aonde a vida prolifera sem distinguir o seu passado porque ali as palavras, como terra, viram bolachas ressequidas como se o fossem, chocolates. E, desse lodo germinam peixes à mistura com batráquios, lagartos e muitos rastejantes.

Tomando um café de cheiro longínquo de São Tomé ou Timor, posso adivinhar toda a gente de pés varridos, lavando as mãos com água sanitária na forma de lexivia, de quarto em quarto de hora, esfregando com sabão macaco ou outro de cheiro para eliminar uma doença invisível que se agarra às pessoas; por via dessa praga invisível, esfrega-se a mesa, besuntam-se as mãos com gel, passa pano, borrifa as batatas, tira e põe-se a máscara para afugentar o invisível e vem a pergunta de quem quer ganhar seu sustento, dono ou empregado, porque o mundo não pode parar assim átoa.

justiça2.jpg E, assim pronto a tomar o café, primeiro ou antes, lá vem o bom dia, a boa tarde e, o que vai tomar? Tira máscara e responde, uma bica e um pastel de belém. Noutra mesa comem cachapa de milho, uma tortilha ou o que quer que seja, assim se tenha dinheiro para reanimar a economia; assim a medo, ora reabrem ora refecham, ora criam a forma de um postigo. Mas, antes de tudo isto, apontam-nos uma pistola de plástico mesmo no templo das frontes salpicando no ecrã números. Se passa os trinta e oito, isso é febre, não pode entrar - o perigo espreita nele, quarentena pela certa…

Assim com este tempo tão perigoso, só me sobra tempo para cuidar do jardim, falar com as hortenses e ver as alfaces crescerem, colocar veneno para matar as lesmas e caracóis porque senão tiram-me nacos de salada. Retirar as flores do sabugueiro, colocá-las à sombra a fim de depois fazer aquele chá que ameniza a tensão, o stresse e o escambau. As missangas deste tempo estão periclitantemente desoladas. Assim como que se o fora brasileiro, pergunto: - Cadé o meu futuro?

justiça4.jpg Abro a televisão e é só malazengas da justiça, das estratégias de fuga, do gráfico da economia, empréstimos a fundo desperdiçado, mais dinheiro para o banco, para os aviões, enfim… Como coisa ruim nunca vem só, cativam os números do orçamento a fazer engenharia financeira . Engenharia da mentira para evitar os picos da divida abaixo da tona de água: A paz e os anjos apaziguam-se chamando nomes aos bois, aos juízes que desperdiçam o trabalho da procuradoria, achincalham acusações com investigação, deitam por terra trabalho de outros traduzido  em anos muitas hora de escutas e tandos edecéteras…   

No dia de “La Liz - 9 de Abril”, ouvindo de novo a TV, a vontade de chegar a nenhuma parte definiu meu rumo, nosso rumo afinal, também o do M´puto ficando assim e, desconcertadamente no mais incerto sem ter confiança nenhuma em mais ninguém. Um tal de Ivo, Juiz, assim falando coisas pernoitadas, desprocedeu fazendo permanecer a acção escorregadiamente aflitiva no suficiente para fazer espairecer ou desaparecer as substâncias narráveis. Em verdade, já não tinha qualquer decente esperança. As forças feias do processo, do mega assunto, ficaram assim de muitos punhais com muitos aços, todos, mas todos mesmo, trouxados numa só bainha.

socras2.jpg O assunto vem de Sócrates, o ex-primeiro, mas, com altos e baixos e algumas prescrições nem as maiores asperezas me deram toda a consideração aumentando o desamparo e, de vergonha alheia, me fiz em raiva. Tudo aquilo que ouvi molhou minha ideia sem procurar caçar desculpas. Que país é este!? O certo é de que, antes de poder ouvir e ver, eu já pressentia. Este Juiz com nome de Rosa, é um homem de tão injusta regra, e de tão visível incorrecto parecer, que nem o estado poupou. E, o Estado, somos todos nós. Afinal isto parece ser assim como jogo de baralho, verte e reverte. Tudo muito entrançado… Valha-nos Nosso Senhor – pelo andar da bagunça é quase certo que ainda vamos indemnizar o dito cujo ex-primeiro…

O Soba T´Chingange            



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:00
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Domingo, 11 de Abril de 2021
MUJIMBO . CXX

TRAJE DE GALA - FACTO E FATO ... 

Na dúvida, ando de pijama listrado quase à um ano sem ter feito mal a alguém. Pópilas! Meu escapulário é quase um pano às riscas...

Crónica 3137 (08.04.2021*)11.04.2021

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Por   soba k.jpg T'Chingange - no M'Puto

Ninguém discute o facto de que a utilização de roupas é parte do bom senso, da ética humana e dos valores sociais, sendo indispensável a todas as pessoas. Algumas se esmeram no factor atractividade, outras se limitam ao aspecto protector ou à simplicidade. Essa diferença tem suscitado, às vezes, tratamento discriminador entre dois grupos, ao ser atribuída condição superior de importância às pessoas que se vestem sofisticadamente em detrimento das outras.

sorte1.jpg Embora devamos condenar essa excepção, é verdade que ocasião, tempo, lugar, aspectos culturais, simbolismos religiosos, equilíbrio, bom gosto e recato, são alguns factores que definem a pertinência ou não de uma vestimenta. Neste processo de desmudar os costumes, uns ficarão vestidos mais iguais e outros, logicamente, mais desiguais a indicar a todos que afinal ainda não fomos terminados, andamos em execução; a ser costurados…

pfizer1.jpg É aquela velha estória que de novo aqui explicito: Era uma era e, não era; andava lavrando com dois carrapatos! Veio-lhe a notícia que o pai era morto e a mãe por nascer. Pôs o burro às cotas e o arado a comer… Hem! Hem! Hem!…O que mais penso e tento em explicar: Todo o Mundo, é louco - o quanto baste…Pegando na Bíblia pude ler em Tiago 2:2-4: -  Suponham que, na reunião de vocês, entre um homem (ou mulher) com anel de ouro e roupas finas e também entre um pobre com roupas velhas e sujas. Se vocês derem atenção especial ao homem (ou mulher) que está vestido com roupas finas e disserem: "Aqui está um lugar apropriado para o senhor/a", mas disserem ao pobre: "Você, fique em pé ali", ou: "Sente-se no chão, junto ao estrado onde ponho os meus pés", não estarão fazendo discriminação, fazendo julgamentos com critérios errados? Ando confuso, noé!?

sorte5.jpg Fala-se que entrando, o rei para ver os que estavam à mesa, recordo: notou ali um homem que não trazia veste nupcial e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? Ele emudeceu... Tal como eu que ando bem desmilinguido, falando com o gato tobias... Há sempre uma razão de ser no uso de vestes. Elas podem servir como cartão de apresentação de uma empresa, quando uniformemente usadas por servidores, ou como factor de igualdade social nas escolas.

pfizer2.jpg Profissionais de saúde usam vestes brancas. No Antigo Testamento, as vestes sacerdotais eram carregadas de significado. Em nossos dias, clérigos costumam vestir paramentos solenes e cores sóbrias. Cobrir-se alguém com pano de saco era nos idosos tempos expressão de grande humilhação. Não é para menos, seja homem ou mulher! Despojado de Suas vestes, Cristo recebeu um “manto vermelho” por zombaria. O filho pródigo, ao voltar para casa, foi agraciado com roupas de justiça e perdão. No clímax da história da redenção, os remidos estarão enfileirados, usando vestes brancas de pureza e santidade...

sorte6.jpg Andamos assim a viver parte de parábolas antigas sem bodas nem convites para vestirmos a gravata na falta de outros paramentos. A vida humana é frágil como uma flor; hoje é, amanhã não o será mais - como um capim murcha como qualquer erva do campo; E, na dúvida da resiliência com ou sem investigação descobriu-se que alguém, não estava devidamente vestido para a ocasião e, morreu sem até, ter comido tabaibos com picos e tudo. Nesta via-sacra de espera pela vacina conta a malazenga COVID, vivemos num período como se o rei nos fizesse revista, assim como convidados encontrados ou escolhidos no livro da vida singelamente chamado de lita telefónica... Pelo sim pelo não, ando permanentemente em pijama esperando um SMS dum bata branca: -Venha tomar a pfizer…

Nota* - Publicado em Kizomba do FB

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:04
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Domingo, 4 de Abril de 2021
FRATERNIFADES . CXXXII

EM TEMPO DE PÁSCOA

Crónica 3136 - Andam Barrabás à solta... Estórias antigas e esquecidas com chás de camomila para espairecer – 04.04.2021

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Por   tonito18.jpgT'Chingange - No AL Gharb do M'Puto

Lendo a Bíblia, verificamos que os quatro evangelhos fazem referência a Barrabás, uma figura misteriosa que surge em conexão com o julgamento de Cristo. A tradição a seu respeito é reticente. Prisioneiro, ele aguardava a execução. Desejando libertar Jesus, talvez influenciado pela mensagem de sua esposa, Pilatos sugere uma escolha entre os dois: Jesus ou Barrabás?

Ele, Pilatos, é colhido por uma estarrecedora surpresa: “Solte Barrabás”, grita a multidão. Qual é a razão para uma escolha como essa? Os líderes religiosos daquele tempo sabiam que poderiam prender Barrabás novamente, quando necessário.

araujo2.jpg Mas como poderiam silenciar alguém como Jesus Cristo? Como parar um Homem que, sem qualquer arma, representava um perigo revolucionário capaz de subverter o judaísmo e todo o Império Romano? O que fariam com Alguém cujas armas eram Suas novas ideias sobre Deus e as pessoas, capazes de explodir as velhas categorias religiosas? Barrabás poderia explorar seus conterrâneos, mas ele não ameaçava governar a vida de ninguém.

Por outro lado, Jesus apresentou um reino que governa de dentro para fora. Sem imposição, conduzindo uma lealdade superior à vida e à morte. Naquela tarde da Páscoa, três ladrões, talvez do mesmo grupo, deveriam ser crucificados: Dimas, Gestas e Barrabás.

araujo12.jpg Barrabás é liberto no último instante, e Jesus é crucificado em seu lugar. Aqui encontramos a mais perfeita ilustração do princípio da substituição. A história de Barrabás é a história da salvação por meio da morte de Jesus Cristo. Seu nome, “Bar Abba”, significa “filho do pai”. Como ele, todos nós, filhos do pai Adão, somos culpados de rebelião e sedição contra Deus, ladrões de Sua glória, assassinos de nós mesmos e dos outros, prisioneiros do pecado. No corredor da morte, Barrabás apenas aguardava a execução...

Ele deve ter olhado para as palmas de suas mãos, imaginando como seria a dor dos cravos rasgando a carne, dilacerando a cartilagem e os ossos. Ouviu então o sinistro barulho da chave abrindo a pesada porta de ferro. Escutou os passos dos guardas. Posso assim imaginar, noé!?

araujo63.jpg “Chegou minha hora”, pensou. Sua cabeça estava pesada e confusa. Parecia até ouvir seu nome gritado pela enorme multidão. Ainda não sabia exatamente o que estava acontecendo. Abismado, recebeu a sentença: “Pode ir para casa.” Isso é substituição: Jesus tomou nosso lugar.

Estando aqui e agora, num lugar chamado de M'Puto, lugar aonde a justiça anda lenta e confusa na mão de interesses políticos e conflituosos quanto baste,  lendo aqui e ali coisas da Bíblia e, confrontando o Mundo também  daqui e dali, relembra-se: Ele foi feito pecado para que sejamos feitos justiça...Ninguém está livre de morrer; é só esperar tranquilamente, tomando uns paracetamol e bebendo uns chás de camomila...

Bibliografia: Bíblia - Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:44
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Sábado, 3 de Abril de 2021
MALAMBAS - CCLVIII

NÓS E A RELATIVIDADE

HOJE, O ALGORITMO, ATRAPALHA MEU SEXTO SENTIDO…

- Crónica 3135 - Meditação de T'Ching – (31.03.2021) - 03.04.2021

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Por soba24.jpg  T´Chingange – No Al Gharb do M´Puto

Boligrafando nossas vidas, imaginamo-nos numa pena de ponta romba escrevendo nossa picada, pensando neste alguém que a segura, como se fôramos uma ilusão que afasta as bissapas espinhosas e, escolhendo por onde levar o nosso azimute ou seja, o ângulo certo entre o norte e um ponto aleatório, de um outro qualquer lado de preferência e, assim, coordenarmos o quadrante da vida como se o fossemos, um jogo de matemática adicionando mais com mais, mais com menos ou menos com menos, emparelhando os símbolos.

Se porventura nos julgarmos um grão, teremos de pensar que ele, o grão não morre se lhe dermos um destino, lançando-o à terra para originar mais grãos, assim chova! Esta noção de estabilidade com sustentabilidade pode ser comparada naquilo que faz parte da nossa concepção comum e, que resulta no facto de possuirmos as dimensões que temos e, de vivermos num planeta com água, o verdadeiro factor de vida.

macaco5.jpg E, ao explorarmos o lugar Terra aonde estamos, valer-nos-emos de todos os nossos sentidos em especial os do tacto e da visão. Sendo assim e na medição de distâncias, empregamos desde sempre ou a partir duma época pré-histórica, partes do corpo humano como padrões tal como o pé, o passo, o cúbito ou o palmo mas, para maiores distâncias lançaremos mão do tempo para irmos de um sítio a outro lugar, noé!

Assim, e de forma aproximada aprendemos a avaliar uma distância confiando naquela primária noção do tacto e, porque temos dois focos, nosso cérebro calcula a distância de forma natural; trigonometricamente calcula o ponto xis por intercepção dos vectores saídos dos dois focos com cálculo imediato dos ângulos e respectiva lonjura. Dois olhos permitem-nos ter sensação espacial das imagens. E, com duas orelhas conseguiremos localizar de onde vem o som.

ong5.jpeg E qual a vantagem de ter duas narinas? Se mantivermos uma narina fechada enquanto se respira pela outra e depois fizermos o contrário, perceberemos que uma delas fornece bem mais ar do que a outra... Isso, faz toda a diferença! Todos os mamíferos têm duas narinas, com excepção das baleias, que tem apenas uma. As duas narinas têm importância fundamental na sobrevivência de alguns animais, como as toupeiras. Nos humanos, elas são resquícios dos tempos pré-históricos. Mas será que daria para abrir mão de uma delas? Não, porque ficaríamos sem o cheiro certo.

Em tudo, podemos alterar o quadro imaginário mas, o tacto é que nos dá a sensação de “realidade”. No entanto os nossos próprios reflexos num espelho não podem ser tocados. Estas coisas intrigam-nos desde a infância porque não detínhamos a noção de imagem. Posto isto, toda a nossa geometria ou nosso físico é baseado no sentido do tacto. Sabemos agora pela metafisica que o que se vê num espelho, “não é real”.

sorte2.jpg Sendo assim, movemo-nos em duas metáforas: - as coisas concretas ou “solidas” e as outras, aéreas, adensando-nos a sensação de algo não real. As coisas, más e boas sempre se irão colidir em nossos sentidos. Quando Copérnico disse que a terra não era estacionária e que o céu não girava à sua volta uma vez por dia, foi-nos exigido uma alteração ao nosso hábito mental. E, foi com as ideias de Einstein que nossos conceitos se deram conta de outros paradigmas. Assim, envolvidos num tecnicismo matemático, nenhum de nós pelo efeito de repetição iremos encontrar a mínima dificuldade em perceber as novas ideias que paulatinamente nos mudam os hábitos.

Hoje, há novas e incontáveis coisas que nos forçam a uma nova e permanente reconstrução imaginativa. Ando por isso a tentar fabricar um portal que me leve a abraçar o meu eu, no espelho e, dizer-lhe que afinal ambos somos ilusões. Quando tal suceder, ficarei a saber o que é isso da “alma”. Entretanto ando como entalado entre os palpos-de-aranha para entender em profundidade essa noção do tal “Sexto sentido”. Lá erei de virar aracnídeo para chegar a essa peça sensorial?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:44
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Quarta-feira, 31 de Março de 2021
N´GUZU - XXXIX

CONHECER O BRASIL – CANDOMBLÉ O culto dos santos, promessas e bênçãos, bentinhos e patuá com bolsas de mandinga, o feiticeiro…

- Crónica 3134  - N´Guzu é força (Kimbundo) - 31.03.2021

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Por soba15.jpg T´Chingange – No Algarve do M´Puto

Em torno de cânticos e ritos, temos animais para sacrifícios, alimentos, velas e, um altar com Nossa Senhora e do Senhor do Bomfim, muitos tambores chamados de macumbas e ervas mais amuletos para o preparo de banhos. Assim, envolto nesta superstição africana chamada de candomblé, também conhecido por Xangô em Recife e Alagoas, aqui me encontro com descendentes de ancestrais africanos; Um culto organizado oriundo dos escravos e libertos do tempo Imperial brasileiro, trazendo as crenças do sobrenatural de outras vidas e outros lugares. 

No Rio Grande do Sul estes eventos são chamados de batuque com muitos e diferentes sons de tambores animando o culto dos santos, promessas e bênçãos, bentinhos e patuá com bolsas de mandinga, o feiticeiro que fala coisas num Idioma africano de nigero-congolês ou coisa assim, linguajando felicidades de sorte e protecção com manuseio de objectos com poder.

quilombo4.jpg Numa perspectiva actual poder-se-á definir o candomblé como uma das maiores instituições religiosas criadas pelos afro-brasileiros na Bahia desde o início do século XIX, quando pela primeira vez foram feitas referências a essa expressão em documentos policiais. Assim, com a cumplicidade de vizinhos próximos aos quilombos, foram localizados em alguns bairros citadinos líderes de rebelião ligados a estas irmandades religiosas Xangós com macumbeiros.

A vitalidade destas crenças com extraordinária resistência, tomaram grande impulso a partir da data de abolição da escravidão no ano de 1888 - (A Lei Áurea, oficialmente Lei n.º 3 353 de 13 de maio de 1888, foi a lei que extinguiu a escravidão no Brasil). Os candomblés do século XX já um pouco modificados após a morte dos velhos africanos, tornaram-se uma das maiores manifestações desta religiosidade tendo como base de afirmação a especifica identidade com o culto aos orixás e santos católicos.

quilombo3.jpg Através dos seus ritos, executavam festas, iniciações e incorporações dos santos com cânticos e tambores sagrados de diferentes tradições tais como o jeje de tradição daomeana e os n´golas de cultura banto a juntar aos nagôs, os mais autênticos na tradição africana da Bahia. Verificando-se diferentes tipos de candomblés, não impediram no passar dos anos a união tecida entre crioulos, escravos, homens livres, entre negros e brancos de alguma posse e, até autoridades.

A fim de lutarem contra a opressão e discriminação, os afro-brasileiros criaram com tolerante flexibilidade os cultos como uma reinvenção cultural de negociação dos negros, como se o fora, uma representação politica As autoridades da época viam estas agremiações como seitas de bárbaros costumes religiosos a que designavam de calundus, baseando-se na suspeição de que havia neles a prática de feitiçaria.

quilombo1.jpg A base institucional para a censura aos candomblés ancorava-se no artigo 179 da Constituição fixando a condição para exercício desse direito, que garantia a “todos” a liberdade religiosa no respeito à religião do Estado e à “moral pública”. Foi a partir de 1830 que legislaram sobre a proibição ou o cerceamento de candomblés, batuques, zungus, maracatus, “danças de pretos e casas de fortuna”.

Entre os muitos “feiticeiros” da Cidade do Rio de Janeiro no século XIX, destacou-se na década de 1870 um tal de Juca Rosa, um famoso curandeiro e adivinho. Em suas cerimónias havia práticas de diferentes origens como iorubás, católicas e bantas. Sua casa-terreiro, era frequentada por muitas pessoas, em geral negros e pobres, mas também representantes da elite. 

Bibliografia consultada: Brasil Imperial de Ronaldo Vainfas

Crónica publicada em KIMBOLAGOA do FB a 29.03.2021

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:29
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Domingo, 28 de Março de 2021
N´GUZU . XXXVIII

CONHECER O BRASILQuilombos ou Mocambos, uma forma de resistência à opressão esclavagista…

Crónica 3133  - 28.03.2021 - N´Guzu é força (Kimbundo)

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Posoba24.jpg T´Chingange – No Algarve do M´Puto

A resistência e opressão escravista com fuga e formação de grupos ficaram conhecidas na história do Brasil como quilombos. A conjuntura do século XIX conferiu algumas características específicas aos Quilombos do Brasil monárquico, Imperial. Se os quilombos sempre estabeleceram algum tipo de relação com a sociedade escravista, no século XIX essa interacção fez-se ainda mais notória por via do desenvolvimento económico e social.

No que concerne ao crescimento das cidades e da população dita livre e pobre, de uma maneira geral, originou o surgimento de uma opinião pública antiescravagista que, posteriormente deu origem a vários movimentos abolicionistas. Alguns quilombos organizaram-se próximo a grandes cidades, como os quilombos de Iguaçu, no Rio de Janeiro.

quilombo2.jpg  No século XIX, escravos aquilombados, beneficiando da topografia da região, criaram acampamentos provisórios às margens dos rios Sarapuí e Iguaçu, áreas cercadas por matos e manguezais. Mantinham assim contactos permanentes com barqueiros, taberneiros, mascates e comunidades de sanzala das fazendas vizinhas, fazendo desta forma, chegar seus produtos aos mercados da cidade.

O Quilombo do Malunguinho, nas proximidades do Recife, reuniu não só escravos fugidos, mas também índios e brancos fora-da-lei, entre os anos de 1817 a 1835. Numa organização mais militarizada, esses quilombos mantinham-se nas matas do Catucá por quase duas décadas; estabeleceram assim uma série de relações de apoio com sectores da população que os acoitavam, informando-os sobre os movimentos das tropas, os ditos macacos com quem até, negociavam.

quil5.jpg Os quilombos oitocentistas um pouco por todo o lado e, próximo a pequenos povoados e fazendas, seus membros formavam grupos que viviam do saque dessas áreas vizinhas provocando até relações não amistosas com os escravos residentes. Quilombos maiores e mais afastados de regiões habitadas, possuíam em geral uma economia própria negociando seus excedentes como se fossem vulgares camponeses.

Em áreas de mineração, os quilombos combinavam agricultura de subsistência com o garimpo mantendo relações de colaboração com as comunidades de escravos das sanzalas bem como com vendeiros e taberneiros das vilas e cidades. Milhares de quilombolas maranhenses envolveram-se directamente nas agitações políticas da população livre da província após a independência, com intensa participação nas lutas da Balaiada entre 1838 e 1841.

quilombo4.jpg  No extremo norte do país, organizados em comunidades camponesas, protegidos pela imensidão das matas amazónicas, faziam chegar à costa seus produtos por via fluvial alcançando também os quilombolas independentes do Suriname por intermédio de grupos indígenas, índios. Em 1838, a fuga colectiva de centenas de escravos liderados por Manuel Congo para as florestas próximas de Vassouras, no Vale do Paraíba, resultou na morte do seu líder por enforcamento, condenado pelo crime de insurreição.

A repressão os quilombos consumia milhares de capitães-do-mato e a maior parte dos efectivos das força policiais e volantes das cidades e vilas. As fugas em massa multiplicaram-se nas décadas de 1860 a 1870 sendo mais notórias na última década da escravidão estabelecendo ligações com diversos grupos abolicionistas. O Quilombo urbano de Jabaquara, em plena cidade de Santos, constituir-se-ia no símbolo mais poderoso dessa aliança entre escravos fugidos e movimento abolicionista, determinante para a abolição definitiva no Brasil com a assinatura da Lei Áurea a 13 de maio de 1888.

Nota: Já publicado em KIZOMBA do FB em 24.03.2021

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:24
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Terça-feira, 23 de Março de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLX

ANDO A COMER TERRA, ANTES QUE ELA ME COMA - 20.03.2021

Crónica 3132 - Será isto, um toque de Oleiro?

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Por soba24.jpg T'Chingange - no M'Puto

Nos séculos XIX e XX, o determinismo da matéria passou a ser venerado. O homem passou a explicar sua origem por meio de um processo mecanicista-evolucionista chamado naturismo.

Há pessoas que não acreditam na existência do Oleiro. Diz o tolo em seu coração: "Deus não existe". Corromperam-se e cometeram actos detestáveis; não há ninguém que faça o bem... (Sl 14:1).

araujo17.jpg E, o Oleiro olha dos céus para os filhos dos homens, para ver se há alguém que tenha entendimento, alguém que busque a Deus. Em seu livro Evolution in Ethics, Julian Huxley diz: “Minha fé está nas possibilidades do homem: espero o êxito de minhas razões para aquela fé”... (p. 212). O existencialismo ateu, por sua vez, defende a ideia de que o homem é o ser pelo qual o nada vem ao mundo. “No estado de abandono em que se encontra, o homem deve inventar seus caminhos”, diz o filósofo Felicien Challaye.

araujo20.jpg Por outro lado, há os que crêem na existência do Oleiro, mas não se submetem ao toque de Suas mãos. São insubmissos; o perigo reside nesse ponto. Em nossos dias, poucos fazem essa confissão. Vemos, portanto, que uma grande fatia da humanidade nega a existência do Oleiro. Não cursei Teologia, não sou pastor mas, existe em mim, tal como tantos outros, uma religiosidade de epiderme que como uma espécie de maquilhagem aqui e ali, entre família, entre amigos e quase todos, tendo a esconder a triste realidade espiritual da minha áurea, em meu próprio templo.

araujo42.jpg Enquanto isto persistir, não serei barro submisso nas mãos do Oleiro. Mas tento, comendo barro feito terra argila verde, antes que ela me coma. Faço-o desde há muito tempo para desfazer a azia e, resulta! Faço-o com subterfúgio de queimar a acidez, manter o meu PH anexando a vitamina D3 mas, se calhar este carácter é um reflexo casual do toque das mãos do Oleiro. Há coisas que mesmo normais na vida, parecem ser segredos...

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:47
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Sábado, 20 de Março de 2021
MALAMBAS - CCLVII

A AMIZADE, NO MUNDO JURÍDICO, NÃO EXISTE...19.03.2021

HOJE, O ALGORITMO, COMANDA-NOS... Crónica 3131 - Meditação de T'Ching

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Por soba24.jpgT´Chingange – No Al gharb do M´Puto

No mundo jurídico, existem as chamadas “brechas da lei”, das quais competentes advogados fazem uso para adiar ao máximo a condenação de algum cliente ou conquistar as mais surpreendentes absolvições de indiciados. Todos temos conhecimento de muitos e, de megas processos que se arrastam tanto que até a vontade prescreve seu entendimento. Uns são rasgados, outros cortados a tesoura por republicanos procuradores e muitos outros, omitidos por conveniência de uma das partes. Por vezes, todos somos lesados e, a bem da Nação, assim ficamos, entenda-se…

roxo118.jpg Francis Bacon (Procurador-Geral da Grã-Bretanha - 1607, fiscal-geral - 1613, guarda do selo – 1617 e grande chanceler – 1618) disse: “Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto”. Cícero, o grande orador romano, chegou a reflectir: “Existirá algo mais agradável do que ter alguém com quem falar de tudo como se estivéssemos falando connosco mesmos?” Coitado daquele que não pode pagar a um advogado, que tenha esse condão de amontoar as malambas (palavras) certas no argumento de absolvição. Quando tudo isto nos acontece, refugiam-nos entre amigos...

sacag11.jpg Há pessoas que têm facilidade para fazer amigos. Outras, tomam poucas iniciativas nesse sentido, o que não significa que não apreciem tê-los. Mas, na vida de todos os dias, também há quem queira encontrar alguma “brecha”, ou até as crie, na tentativa de justificar atitudes que relativizam princípios, visando ao ganho pessoal ou material menosprezando a amizade! Já passei por isto! Quem nunca o passou? Nunca digas nunca! Relacionamo-nos com a família, os vizinhos, colegas de trabalho e os amigos. Trazemos essa necessidade de relacionamento desde que nascemos. De facto, está em nosso ADN: não podemos viver isolados mas, cuidado: - Muitos mascaram o apego a um poder ou, interesse em viver sob os holofotes com o argumento de prestação por serviço altruísta.

algoritmo1.jpg Pesquisas têm revelado o valor da amizade, mas não se impressione com seu perfil numa rede social da actualidade que abriga inúmeros amigos virtuais porque, de acordo com o antropólogo britânico Robin Dunhar, o máximo de amigos que podemos ter em mente é de150... Mesmo assim, dentro deste número, há uma variante entre 5, 15 e 50, na qual estão os mais, os mais ou menos e os menos íntimos e próximos. Para mantê-los, será preciso pelo menos fazer uma ligação a cada 7 dias e, nunca deixar de retornar os contactos recebidos quando for o caso. A amizade contribui para elevar a auto-estima, melhorar o estado depressivo e, entre outros benefícios, a condição cardíaca.

algoritmo3.png O amigo está presente em toda e qualquer situação. Na adversidade, ele surge como um irmão. Mas, é nas injustiças que nos debelamos com a leviana ou mentirosa acção de quem nos trai, de quem nos contorna a vontade de querer no ser-se honesto. Os advogados, esses, os tais de bons, por interesse e por vezes, enforcam-nos nas palavras... É esta a vida ALGORITMA (algoritmo de Inteligência Artificial que pode provar que a realidade é, na verdade, uma simulação) em que o mundo nos destina, hoje. No conceito original deste palavrão, a ideia é que no conjunto de instruções sub-reptícias, nos levem a ser o que se lhes parece, com uma resposta certa e a gostar da Coca-Cola…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:18
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Quinta-feira, 18 de Março de 2021
LAGOA DO PUTO (M´Puto) . VIII

Fábrica de letras da kizomba (Kimbo) - 17.03.2021

Crónica 3130 . “ A Torre da Lapa e seus cazumbis antigos com piratas ”

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Por    soba002.jpgT´Chingange – No Al Gharb do M´Puto

Dando continuidade aos meus passeios ora matinais, ora vespertinos pela orla marítima de Lagoa do algarve no M´Puto, dou aqui conta da beleza em daqui se vislumbrar o horizonte curvo de só mar a dilui-se com o céu a sul. E, assim entre moitas de aroeiras, vislumbro rastos de coelhos, lírios, gladíolos, tulipas do mato com zimbro, maios-roxos, tomilho, arruda, estevas de flor branca ou vermelha e várias espécies de ophrys speculum entre muitas outras variedades que atraem abelhas com seu florido colorido.

O garum ou liquamen supostamente feito no lugar de Presa de moura, era um género de condimento muito utilizado na Antiguidade, especialmente na Roma Antiga. É feito de sangue, vísceras e de outras partes seleccionadas do atum ou da cavala misturadas com peixes pequenos, crustáceos e moluscos esmagados; tudo isto era deixado em salmoura e ao sol durante cerca de dois meses ou então aquecido artificialmente. Este produto era exportado para várias partes do Mediterrâneo.

lapa9.jpg Há notícias de exportação de garum para Atenas, no século V a.C. A existência de numerosos vestígios de fábricas detectados no litoral mediterrânico da península Ibérica, provam um nítido crescimento desta indústria conserveira. Em Roma, o garum chegou a ser um produto de luxo, chegando a atingir 1 000 denários…

Em Portugal, a maior concentração de vestígios de unidades de fabrico de garum localiza-se no litoral algarvio. Na região atlântica há a referir os restos descobertos na baixa pombalina de Lisboa. No Alto de Martim Vaz (Póvoa de Varzim), na praia de Angeiras (Matosinhos) e no estuário do rio Sado, em Creiro, Rasca, Comenda, Ponta da Areia, Moinho Novo, Troia, um dos mais importantes centros conserveiros da Hispânia.

lapa11.jpg Mais recentemente (2007), foram descobertas vestígios de cetárias romanas sob a marginal nascente da vila de Sesimbra. As ruínas destas fábricas, até agora achadas em território português são constituídas pelos tanques ou cetárias (tanque de forma rectangular de dimensão variável, destinado à salga e fabrico de diversos molhos e outros preparados de peixe), na época romana destinados à salga de peixe e à preparação de conservas, normalmente de alvenaria. As conservas de peixe destinadas à exportação eram embaladas em recipientes de cerâmica, as ânforas

Apesar das fontes clássicas serem pródigas em referências aos molhos e pastas de peixe, eram muitos e variados os métodos de processamento de peixe com vista à sua conservação. Se o peixe fumado não era prática corrente no mundo mediterrânico e no sul hispânico, já a secagem ao sol era empregue, embora as fontes sejam escassas a este respeito. Eliano refere a secagem do peixe para produção de farinha. São, todavia, os “salsamenta” e os molhos e pastas de peixe salgado os produtos mais comuns, até porque o comércio de peixe ou seus derivados salgados era uma forma de assegurar boa parte das necessidades de sal das populações (refere Plínio)

lapa12.jpg De terra, é visível neste ecossistema costeiro a avifauna marinha podendo avistar-se nestas arribas, muitos pombos bravos das rochas, gralhas, gaivotas, a andorinha real, o ganso-patola, o corvo-marinho, com sorte pode avistar-se o falcão peregrino. Avistam-se nas falésias muitas fissuras inacessíveis a predadores pelo que constituem o local seguro para repouso e nidificação. Abaixo da linha da maré, a biodiversidade pode ser apreciada na complexa forma dos fundos ou baixios com calhaus, bolsas de areia e vertentes rochosas com pradarias de erva marinhas aonde se alojam peixes juvenis invertebrados e até espécimes emblemática como os cavalos-marinhos; pode avistar-se variedades de algas, lapas e búzios assim como caranguejos das pedras.

LAPA03.jpeg Chegado à Torre da Lapa, posso certificar-me ter sido construída no século XVII. De forma circular, com seus cinco metros de diâmetro e 4 de altura, era do seu topo que se vigiava este mar. Os facheiros  faziam fogueiras no seu topo com ramos verdes para que através do fumo durante o dia e fogo nas noites, alertassem as guarnições e população da região.  Para terminar, esta costa era muito cobiçda por piratas muçulmnos que se abastecim aqui de gente escrava e géneros de alimentação tais como figos, amêndoas, azeite e alfarroba…

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:41
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Terça-feira, 16 de Março de 2021
MISSOSSO . XL

Crónica 3129 – TEMPO COM CINZAS, 15.03.2021

-O poder da oração é importante! Mery, ali fica horas meditando até que o troço de tabaco se apague com o tição feito morrão dentro da boca …

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Por soba0.jpegT'Chingange. No AL-Gharb do M'Puto

O Mundo parece ter-se tornado ilógico, surrealista, como se estivéssemos a viver num tempo muito ido com trogloditas a fugir à frente de dinossauros, costassauros ou paquininossauros, estabelecendo em cada dia um novo plano, apagando os avanços tecnológicos de voar em aparelhos mais pesados que o ar, abrindo postigos dos mukifos para dizer “bom dia” ao vizinho assim com um “"bonjour" porque é, um francês de Lourdes de França…

Um francês de França que teima em falar um português de catacumbas. O tempo melhora com Sol primaveril, os britânicos andam amedrontados por causa da nova estirpe da mosca covarde XIX mas, e porque tomaram a dianteira no picar das agulhas em ossos doloridos. O postigo volta a ser usado para impedir para além do bafo perigoso, a mosca da fruta que surge do nada nas cozinhas herméticas.

quitandeira01.jpg O clima está a mudar! Hoje tive uma longa conversa com a minha empregada Mary natural de Kampala do Uganda que teima sempre em repetir que nós, os t´chinderes, agora já não mandamos no futuro. Tento parecer neutral esperando a abertura de voos para a América mas ela, só faz muxoxos, deitando a língua de fora numa expressão recreativa com laivos muçulmanos – talvez, murmúrios de concordância.

Como se estivesse a fazer uma corrida de três pernas comigo que, só tenho duas! Diz ela que lá no Uganda, as coisas são diferentes, que têm quimbandas avondo, que falam com Deus e, que tudo curam com banha de surucucu e fumos de retorcidas cordas de tabaco. Agora entendo do porquê de Mary, bem à noite e, antes de se deitar fumar uns charros, cigarros grossos de cheiro intenso.

quitandeira3.jpg Ela, a Mery, ali fica horas meditando até que o troço de tabaco se apague com o tição feito morrão dentro da boca, como se fora um pavio de fazer explodir a pólvora dum canhão. A lavadeira lá do Caputo da Luua de N´Gola, Joana Kitunda, também o fazia assim fumando grossos charutos com o tição dentro da boca horas a fio. Creio que enquanto fumam meditam com os anjos e arcanjos e kalungas que desconheço. Sempre fingi que não sabia e, nunca a tinha visto matar saudades de Kampala desta forma tão invulgar ou peculiar.

Também ela anda em um outro plano, fumando o futuro! Queimando o presente com espíritos meus desconhecidos. Estas peculiaridades exóticas fazem meu coração bater desordenadamente, latejando-me nas têmporas. Talvez o fumo daquele charuto queime o tal bicho gelatinoso que teima em seduzir gente mais velha; gente que não pactua com coisas mal entendidas.

quitandeira5.jpg Não obstante as evidências destes mistérios alheios, também e, como a Mery, uso a minha máscara de manter tréguas sem palavrear o caso mas, cá no íntimo sinto que ela anda a fazer macumba de cazumbi de fumos e fumarolas. Lá terei de continuar assim pagando do meu bolso sem essa tal de “lay off” simplificada ou complicada. O que quero mesmo é que haja tréguas entre nós até chegarmos ao futuro…

Assim mesmo, cada qual na sua! Sem o querer, um destes dias observei na socapa da noite a Mery depois dessa sua especial meditação dar um sonoro peido que até buliu a calidez da noite. Pois! Pude ouvir e até cheirar por detrás das pitangueiras. Caramba, cheirava a áfrica! Apimentado e salgado surgia também gorduroso como as salsichas bóher com becon de kudu. Rindo-me escondido na palidez do escuro e já esgueirado no meu mukifo, rio de fartura. Talvez até este cheiro ajindungado o seja curativo, noé!? Ele há coisas. No Uganda, até os moribundo ficam na cama!

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:19
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Domingo, 14 de Março de 2021
MALAMBAS. CCLVI

TEMPO DE CINZAS 12.03.2021

Crónica 3128 - À medida que aumentam as provações ao nosso redor, lá terei de me libertar dos espíritos coloniais…

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Por  t´chingange2.jpgT'Chingange - no M'Puto

Escrevendo, esgadanho fantasmas feitos traças sem as afugentar definitivamente porque algumas até afloram minha consciência, juvenescendo em mim, uma inclinada abelhudice de, poder viver num descuido prosseguido e mascarado. Bem que podia recorrer a remédios de arruda queimada, a remédios roscofes mais latas de formicida com arsénico e creolinas mas prefiro assim ir moendo casca de laranja, distribuir pelos cantos de mim e da cubata afim de só afugentar caracóis e lesmas desmilinguidas e nojentas, que babam meu património átoa…

E, porque o boligrafo se move como se fora um autómato, deixo que corra seu tédio rolando zumbidos grilados muito diferentes que nem com osciloscópio se sentem como sempre estivéramos nessas tépidas noites de primavera, conversa entre ralos e lesmas. Um, sendo o eixo vertical (y) representando a intensidade do sinal, nossa tensão em rrrrssss; a outra (a lesma), o eixo horizontal (x) representando o tempo, como ultra-sons de submarino atómico arrepiando o tímpano…

88445879_2622183321350803_5260403226049511424_n.jp Há sempre um momento estranho quando nossos olhos se encontram bem por detrás de nossos dentes postiços sobressaindo como um portal de nossa sombria caverna, tornando aquele instrumento útil para mostrar nossos sinais periódicos, relaxando nossa apatia como que num tempo que tudo cura, num longo tempo, tempo em que nunca fomos os donos de nossas coisas!

Não! A verdade me reconheceu afirmando que não, aquele era mais um estetoscópio a medir meus azares, minha turbulência com arritmias do coração. É que por vezes falando assim tão profundamente nosso coração saltita tocando sinos como se fora o cadenciado tom das avé-marias da torre da igreja de Nossa Senhora da Assunção.

O meu património, lembro-me daquela banheira já com pés enferrujados como pata de leão velho e a máquina de costura situada na varanda, uma Olivetti com pés em ferro forjado e tendo um deles um nódulo de soldadura por se ter partido. Também da sanita anatómica com uma caixa por cima para armazenar a água; era sim o autoclismo suspenso que descarregava quando se

isabel lacuerda.jpg A corrente treliça de arame enferrujado até já estava remendada com uma união feita de fio de sisal, todo desmanchado, esfarelado e com muitos nós pra lembrar as sacudidelas; barbelas a terminar numa argola bem ao jeito de se enfiar o dedo pra descarregar o dito-cujo; depois aquele barulho da água a despencar lá do alto para empurrar aquilo. Era este o tal de ponto que clicado de cima para baixo fazia descer a gravidade varrendo a tela adentrada e na forma de tubo. Afinal nada daquilo era meu!

Tenho de me libertar dos espíritos coloniais mas, os sonhos não deixam. Embrulhado numa folha de bananeira das hortas do Malhoas, de novo me vi comendo pacotes avulso de formigas kissonde como se fossem tanajuras da Bahia nas margens da mulola do Rio Seca da Maianga – Maianga da Luua de N´Gola. E, como vou acabar com isto se, quando acordo, tudo fugiu. Nestas etapas de transformação reponho a verdade de “um quase sempre” em “um quase nunca” vestindo-me a alma de travesti num suponhamos que o vai ser, talvez o seja.

IPÉ ROXO.jpg Sabem! Mesmo assim parado num quase só, ainda necessito de tempo para estar sozinho! O mundo está mesmo a mudar-se muito no profundamente. Quis entender essa coisa de estetoscópio e vi-me grego (στηθοσκόπιο, de στήθος, stéthos - peito and σκοπή, skopé - exame), foi assim que o revi: instrumento utilizado por diversos profissionais, como médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas e veterinários, para amplificar sons corporais de humanos ou animais.

Ele, o estetoscópio, geralmente ressona, com forma de disco e dois tubos conectados a auriculares. Usado para escutar sons provenientes do pulmão, coração e intestinos, presença de gases, líquidos e movimentos peristálticos. Quando combinado a um esfigmomanômetro, serve para aferir a pressão sanguínea do examinado. Um estetoscópio que amplifica os sons auscultatórios é chamado de fonendoscópio. Ando periodicamente a substituir meu boligrafo por esta geringonça… tomara que só seja uma ligeira discinesia (um desarranjo) …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:48
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Quinta-feira, 11 de Março de 2021
XICULULU . CXXXV

FALAS VADIAS 11.03.2021

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbo - Crónica 3127

Por medica-683x1024.jpgPaula Helena Ferreira da Silva (Assistente Graduada de Ortopedia, Chefe de Equipa do Serviço de Urgência do Centro Hospitalar do Baixo Vouga)

Os insultos de MAMaDOU BA ao povo português e à sua História…”Se um branco dissesse que se devia matar o homem negro, era logo preso, chamado de racista, nazi, ‘white supremacist ‘ etc. etc.”

 Fonte: O Observador

Mantenho gravado o choro de despedida de quem me criou e a isso, Sr. Mamadou, chama-se amor. Nós, Africanos brancos, sentimos amor pelos nossos conterrâneos, mas sei que para si não é amor, é racismo.

mamadou1.jpg Tal como o Sr. Mamadou, nasci em África. Não me corre sangue africano nas veias, mas a alma moçambicana habita em mim. Fui expulsa do meu país sem hipótese de escolha, sem justificação, tão-somente pela cor da pele, arrancada à força da minha família, da minha casa, dos meus conterrâneos. Fui expulsa por pessoas como o senhor e os seus comparsas do SOS Racismo. Roubaram-me o resto da infância e da adolescência, forçada a viver em hábitos e costumes diferentes onde só a língua me unia.

Durante décadas, senti-me deslocada, fui barbaramente vítima de bullying, mandada para a minha terra vezes sem conta apenas e só por ser retornada…A ignorância não tem limites e retornada não sou, refugiada talvez, pois a nada retornei. Nasci em África com muito orgulho e mantenho orgulho na História que me proporcionou que assim fosse. Nasci na maravilhosa cidade de Lourenço Marques, a pérola do Índico, no fantástico continente africano, rico nas gentes e nos recursos, destruído por décadas de governos ditatoriais que o senhor tanto defende.

dia142.jpg O senhor não sabe, mas em 1974, Moçambique era o produtor número um do mundo de algodão e cana-de-açúcar. Hoje, é um dos países mais pobres do mundo! Os retornados foram a maior lufada de ar fresco a entrar em Portugal. Ao contrário de si, os retornados e refugiados das ex-colónias, apesar de apenas trazerem a roupa do corpo e a alma carregada de tristeza e mágoa, trouxeram também a resiliência e transformaram a mágoa em trabalho e não em ódio e raros são os que não singraram.

Nada trouxemos na bagagem a não ser memórias. Tudo foi confiscado, queimado, dizimado. Mas ao contrário de si, a quem tudo foi dado de mão beijada, não nos vitimizámos, não nos encolerizámos, apenas trabalhámos! Trabalhámos e honrámos a Terra e as gentes que nos acolheram! Não hostilizámos, não ridicularizámos, não confrontámos os Portugueses da metrópole! Apenas trabalhámos, com a resiliência que nos caracteriza, porque ao contrário de si, as nossas feridas não estão putrefactas e não destilam ódio, antes pelo contrário, emanam tolerância e compaixão.

guerra01.jpg Ao contrário do senhor, não recebemos subsídios, não recebemos apoios, o único apoio foi e continuam a ser as doces memórias. Memórias de países maravilhosos ao qual um dia ansiávamos voltar (Moçambique, Angola, Guiné e outros dos Palops), de gente humilde de sorriso largo e alegria sem fim, memórias do cheiro da terra molhada, do cheiro das gentes, das cores, de vidas simples.Mantenho gravado o dia da partida e do choro de despedida de quem me criou e amparou e a isso, senhor Mamadou, chama-se Amor. Nós, Africanos brancos, sentimos amor pelos nossos conterrâneos, mas sei que para si não é amor, é racismo. Sim, senhor Mamadou, ainda hoje sinto amor pelos meus conterrâneos, choro por eles e pelos vis ataques que sofrem em Cabo Delgado, que curiosamente nunca o ouviu defender.

GUERRA25.jpg Em si só vejo ódio, intriga e difamação. O racismo não se combate com racismo! O ódio não se combate com ódio! Humildade e gratidão é coisa que não lhe assiste. E trabalho Sr. Mamadou? Não será por interesse que move esse ódio? É que esse ódio dá-lhe tachos e tachinhos e trabalho? As suas mãos não parecem ter calos e o seu sobretudo de caxemira não me parece “second hand”. Senhor Mamadou, o senhor pode ter instrução, mas não tem educação.Sou de uma geração em que fui educada a respeitar o meu país, Portugal, a minha bandeira, o meu hino, as minhas gentes, os meus heróis.

guerra18.jpg Tenho orgulho em Afonso Henriques, Vasco da Gama, Luiz Vaz de Camões, Padre António Vieira, Pedro Álvares Cabral e tantos outros que escreveram a nossa História. A História não se apaga, não se reescreve, é um legado dos nossos antepassados, goste-se ou não, é a nossa História. Quem é o senhor para a destratar? Ou será que pertence ao grupo daqueles, que por não gostarem dos pais e avós também os apagam? Respeito, senhor Mamadou! Respeito! Em casa alheia não se diz mal do pão que é oferecido, porque, um dia, o pão pode acabar.

Fonte: O Observador



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:01
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Quarta-feira, 10 de Março de 2021
MUSSENDO . XVIII

(08.03.2021) – DIA INTERNACIONAL DA MULHER... 10.03.2021

Crónica 3126 - Ando cafuzo! - Vamos devolver à mulher o seu lugar de honra, não só hoje...

 araujo36.jpgMUSSENDO é uma estória mais longa do que um simples missosso, com mitos e lendas...

Por  soba24.jpgT'Chingange no Al Gharb do M'Puto

Diz-se que Cristo quebrou padrões, tratando as mulheres como iguais, pois nas reuniões em que Ele pregava tanto homens como mulheres tinham o privilégio de O ouvir, embora se saiba que o ensinamento judaico prescrevesse que a mulher ficasse em casa e, só saísse à rua com permissão do marido.Depois de haver criado tudo o que existe, no sexto dia Deus criou o homem e lhe deu um trabalho. Sua tarefa foi dar nome a todos os animais da Terra. E entre eles, Adão não encontrou ninguém que lhe fosse igual.

araujo69.jpg “Eva foi criada de uma costela tirada do lado de Adão, significando que não a deveria dominar, como a cabeça, nem ser pisada sob os pés como se fosse inferior, mas estar a seu lado como igual, e ser amada e protegida por ele” - Em verdade, Cristo restituiu à mulher a igualdade com o homem que lhe havia conferido na criação - mito ou lenda, assim ficou escrito...

Há entre homem e mulher uma diferença de sexo, mas isso não deve criar separação ou desigualdade, mas produzir unidade e multiplicação, no casamento de X com Y. Foi assim até que, recentemente, os homens criarem outras leis, noé!? No Oriente, um homem não aborda uma mulher estranha na rua e conversa com ela. Os judeus consideravam extremamente impróprio que um homem, dialogasse com uma mulher em público.

araujo35.jpg Daí, a surpresa dos discípulos ao encontrar seu Mestre envolvido em conversação com uma mulher, junto ao poço de Jacó. Entretanto, Jesus revolucionário era assim mesmo: Ele não tinha preconceitos, nem contra os samaritanos, nem contra as mulheres, nem contra ninguém...

Ele elevou a posição das mulheres de Seu tempo, vítimas de preconceito e discriminação. Os judeus as consideravam seres inferiores e não permitiam que elas adentrassem o templo além do átrio das mulheres, e menos ainda que tomassem parte activa no culto, falando ou orando em voz alta. Os mais radicais diziam que era melhor queimar a lei do que ensiná-la a uma mulher.

Mas no ministério de Jesus, as mulheres acompanhavam o grupo apostólico ao se deslocar de um lugar para outro. Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idónea diz no Génesis 2:18. E Deus, sábio e companheiro, resolveu o problema de solidão, dando Eva a Adão. Desde então, a solidão do homem foi resolvida com a companhia de uma mulher (era assim...hoje não o é mais...)

araujo34.jpg O facto de Deus dar a mulher ao homem colocou Adão, e todos os demais, em um status superior em relação ao sexo feminino? O relato da criação de Eva, nada tem que justifique essa interrogação. Pelo contrário, destaca vários elementos que se referem à sua igualdade. Essa igualdade é retratada no conceito de auxiliadora idónea, na união matrimonial mas, as palavras mudam no tempo - culpa da semântica...

Ao definir a mulher como auxiliadora idónea, Deus colocou duas ideias importantes para se entender a unidade do casal. Em hebraico, a palavra “auxiliadora”, nunca é usada para designar um ajudante subordinado.

araujo38.jpg Refere-se sim, a uma pessoa que tem a capacidade de prestar auxílio. Por isso, mulher se define como auxiliador do homem. Deus é auxiliador do ser humano porque está plenamente capacitado para ajudá-lo e quer fazer isso. Auxiliar não é demérito... O facto de Deus ter poder e auxiliar o ser humano é visto na criação dos céus e da terra, do mar e de tudo o que neles há. O mesmo ocorre com a palavra “idónea”. Em hebraico, significa “equivalente”, “duplicado”, “parte oposta”, “complementar de outra”. Por determinação divina, a mulher está plenamente capacitada para auxiliar o homem como uma pessoa igual a ele. Bom! O inverso também o será verdadeiro, noé! Ando cafuzo!

Ilustrações de Costa Araújo 

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:49
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Sábado, 6 de Março de 2021
XICULULU . CXXXIV

FALAS VADIAS – 06.03.2021

Crónica 3124Pior mesmo é quando todo o dinheiro de promessas, nos engravidam o vazio de nossos bolsos …

Xicululu: - Olho gordo; Avareza; Cobiça

roxo92.jpg Por soba24.jpgT´Chingange – No M´Puto

Como jogo de baralho que trunfa e destrunfa, como só sendo coisa de menor importância, sinto-me Ás de Espadas amarfanhado no bolso direito das calças de pijama. Isto, num tempo normal, nem teria qualquer relevância mas, sucede que foi nesse Ás de Espadas que anotei a palavra passe do abracadabra INIMPUTABILIDADE. Sim! A palavra mágica contendo os meus muitos rascunhos e sentimentos de toda uma vida – desajuntados à balda em trechos curtíssimos.

O quê!? O senhor não me pergunte nada! Como assim! Isso, coisas assim tão de misteriosas, não se perguntam. Claro! Assim mesmo, porque quem pouco fala, fica com a sabedoria alheia sem despender nem depender dum ai ou ui. Deste feito e assim calado, posso crescer e minguar como pastilha de chwingame, chiclete de bolinha e crocante de mascar, que se mastiga no giro da memória inteira. Copiou?

ás espadas1.png Agora que a Pátria anda a ficar velha medrosa, madraça de males desgraciados e endividada por muitos vindouros anos e, até muito caloteira, dá-me vontade de gritar hó Evaristo!  Gritar de atravessado para espantar o medo medroso e, para não ficar pior que nem um “Deus me livre e guarde” como se fora uma carraça entre dois dedos e, tendo os dois, polidas unhas assassinas. Ué, poispois… Minha avó, era assim que matava piolhos nesse tempo de carraças…

Num lamber frio de que o senhor já sabe: - viver neste agora é um edecétera e tal. Afinal é isso?! Sem tirar nem pôr, é a possibilidade de capacitação que um qualquer por praticar certo acto, pode ou não cometer crime consoante o poder de sua penumbrosa acção, por ser de coturno hierárquico ou ainda porque está inserido numa certa função. Isso! Que tem em seu ADN essa tal palavra passe “password” de INIMPUTABILIDADE – (livre de culpas). Definido por lei e por via de certas peculiaridades …

roxo137.jpg  Ora, ora, filhos da truta. Não, não é isso! A bem da nação têm esse beneplácito de errar usando esse subterfugio de que aconteceu à sua revelia, porque “não o queria” e vai daí, algo mal feito, se desculpa de qualquer punição – fica isento de culpas. São ossos do ofício, sempre acabam por o dizer como desculpa de coitadinho ou coitadinha…

Essa espécie de egoísmo misturado com inimputabilidade que em Portugal dá frequentemente à costa em modo de chico-espertismo – coisas de politiquice… Então, se são incapazes de culpas, lá terão de ser incapazes de competência e serem substituídos. Não? Serão só coisas “ilícitas”, sem culpa formalizada…Ora, ora!

roxo146.jpg  Essa será uma lei oligofrénica, que afecta a capacidade intelectual de todo aquele que fica a seu mando, subordinado a… Issoisso! Prática de gente que tem deficit de inteligência também chamada de idiotice ou imbecilidade – alguém portador de bitacaias na ética, no cérebro ou seu perfume, um tal de QI. Agora, o senhor entende o porquê de eu mesmo sendo feiticeiro T´Chingange andar com essa carta Ás de Espadas no bolso? Olhe, o M´puto é pais de oito ou oitenta.

Pópilas! Antes de poder ver, já pressentia, sabe. Antes que me julguem, eu até que nem queria espiar. Será assim que a vida socorre à gente certos avisos, sabe. Olhe senhor: Os nossos governantes andam por demais enfolipados em cativações com foles mal costurados. Pior mesmo é quando todo o dinheiro de promessas nos engravidam o vazio de nossos bolso - os mesmos aonde cabem os Ás de Espadas…

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:13
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Sexta-feira, 5 de Março de 2021
MOAMBA . XLVIII

Andar nas NUVENS – (28.02.2021)05.03.2021Crónica 3123 - Coisas de mito, do PROMETHEUS - O MUNDO ESTÁ MUITO CHEIO DE PROMESSAS...

Por

arau44.jpgsoba0.jpeg T'Chingange - no AL Gharb do M'Puto

De acordo com o imaginário popular, “anda nas nuvens” quem devaneia, sonha com o impossível ou se permite embalar no auge de uma experiência feliz. Está sob “céu de” (sem nuvens) quem vive momentos sem dificuldades, em que tudo dá INCERTO... As duas coisas fazem parte da vida, assim como em nosso dia a dia; ora desejamos o sol ora queremos as nuvens. Cedo pela manhã, minha primeira providência ao acordar é abrir a janela do quarto, deixando entrar o ambiente iluminado.

prometeu0.png À tarde, pelo menos no inverno, quero que as nuvens estejam fora do céu, amenizando o frio com calor produzido pelo sol, na açoteia de minha cubata. Nuvens são objecto de inspiração para artistas e fotógrafos mas, quero mesmo é tomar quentura de vitamina D. Sem nuvens, não há neve, relâmpago nem arco-íris. Em verdade, as nuvens realçam a beleza do pôr-do-sol ficando presentes nas mais belas paisagens mas, de inverno, trazem fortes tempestades de chuva molhada, pegajosa e, até por vezes, colhemos graves prejuízos com infiltrações ou inundações. As nuvens são muito importantes para o equilíbrio da vida no planeta, sendo responsáveis pelo ciclo da água e pelo clima; portanto, fundamentais na meteorologia mas, o que quero agora é Sol, muito sol para dismilinguir o tal de gelatinoso COVID – SARS e derivados da Bretanha, do Amazonas ou África do Sul.

propolis5.jpg Há textos Bíblicos nos quais a glória divina aparece velada por uma nuvem, em benefício do povo. Uma lembrança apropriada de que às vezes somos impedidos por “nuvens” de ser aquecidos e iluminados pelo Sol da existência. Essa realidade é comum em um mundo “imperfeito”. Essas “nuvens” parecem esconder de nós o semblante de Deus, porém, Ele está lá, assim como o sol continua brilhando atrás das nuvens naturais. Atrás das nuvens, o Senhor trabalha em prol da gente mas ...

prometeu1.jpg Por mais longo que seja o tempo com SOL, numa inesperada peregrinação, haverá sempre um oásis para o qual seremos guiados sob uma tal nuvem de presença divina mas, "há sempre um mas" - Neste empecilho espacial lá terei de intermediar um tal de Prometheus (antevisão), da mitologia grega, que interfira como o mito diz ter sido - um defensor da humanidade, conhecido por sua astuta inteligência, responsável por roubar o fogo (SOL) de Héstia para o dar aos mortais. Isso! A NÓS... E, como diz o mito, que nos liberte também deste empestamento, que fique ele amarrado a essa tal rocha pela eternidade MAS e, de novo se submeta ao risco e à punição de Zeus - que como ÉPICO, deixe a águia comer seu fígado que se REGENERA no dia seguinte. Tudo assim para nossa salvação...

prometeu4.jpg Estes antigos companheiros gregos, tinham cada ladainha que até ficámos desmilinguidos em nossa sabedoria. O mito foi abordado por diversas fontes antigas (entre elas dois dos principais autores gregos, Hesíodo e Ésquilo, nas quais PROMETHEUS é creditado (ou culpado) - por ter desempenhado um papel crucial na história da humanidade. Pois então, que o faça de novo e nos salve com esse poder etimológico... Óh PROMETHEUS! Ou agora ou nunca... Acode à OMS (Organização Mundial da Saúde) e, ao nosso governo Xuxalista do M'Puto para ficares mais eterno entre nós...

No final do século 21 centrado na tripulação da nave espacial Prometheus, seguem um mapa estelar escrito entre os remanescentes de várias culturas antigas da Terra, em busca das origens da humanidade e chega a um mundo distante e a uma civilização avançada, mas a tripulação descobre uma ameaça que pode causar a extinção da raça humana…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:03
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Segunda-feira, 1 de Março de 2021
KANIMAMBO . LXXIII

FALSAS NOTICIAS - Fake News

- O Capeta é o “pai da mentira” - 01.03.2021

Crónica 3121 - A língua mentirosa é indicada como uma das seis coisas odiosa, noé!?

Kanimambo é obrigado em dialecto Changana de Moçambique …

Por bruno27.jpgT'Chingange - no M'Puto

Fake News é o nome que se dá às notícias falsas veiculadas principalmente na internet. Com as novas tecnologias, a circulação de notícias cresceu assustadoramente. O próprio Presidente dos USA, Trump, usou e abusou desta periclitante postura mas, há muitos seguidores desta prática...

A compreensão disso é muito importante porque vivemos num tempo em que a repercussão de uma mentira pode atingir inúmeras pessoas em poucos minutos e acarretar prejuízos morais e, ou, até mesmo financeiros.

muilas1.jpg  Inegavelmente a web pode ter espaço em nossa vida, mas não deve sufocar nossa existência. Quem vive submerso nessa condição é tentado a perder os critérios da realidade. No entanto, essas informações Fake News, são muitas vezes modificadas e veiculadas na internet com o propósito de manipular pessoas e eventos. Muitas das vezes, nós próprios, involuntariamente (ou não) somos levados a "surfar" em ondas de inverdades...

Se sobram informações em nossos dias, infelizmente faltam critérios para escolher o que passar adiante nas redes sociais. A Bíblia, diz que o apóstolo Paulo apresenta dicas importantes em Filipenses 4:8. Não vem mal ao mundo recordar estes fundamentos.

muilas2.jpg  Elas, de certa forma, nos orientam em relação a compartilhar uma mensagem: “... Tudo o que for verdadeiro, o que for nobre, o que for correto, o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas! ”. O apóstolo Paulo, destaca estas seis coisas específicas:

1- A VERDADE - Manifestação ou expressão do que se pensa ou do que se sente.

2- A NOBREZA - Qualidade de nobre, de excelente, de magnânimo.

3- A CORREÇÃO - Modo impecável de procedimento.

4- A PUREZA - Transparência; limpeza ou nitidez.

5-A AMABILIDADE - Atributo de Amável.

6-A BOA FAMA - tudo em que haja algo de excelente ou digno de louvar.

muilas3.jpg Antes de compartilhar qualquer conteúdo na rede, precisamos submetê-lo aos critérios do supra dito. Além disso, é preciso saber quem é o responsável legal pelas publicações e se quem faz a publicação tem credibilidade... Mais do que isso, é necessário sair da bolha da rede social. Existe vida fora da internet. Isso não significa ficar desinformado ou desligado das pessoas. Haverá sempre outros meios... Inegavelmente a web pode ter espaço em nossa vida, mas não deve sufocar nossa existência! Quem vive submerso nessa condição é tentado a perder os critérios da realidade, noé!? Por isso, as fake news se tornaram um fenómeno tão forte em nossos dias. Fuja das difamações, mexericos e críticas negativas no mundo real e virtual. Tudo o que dissermos, ou escrevermos, deverá ser verdadeiro, nada mais que a verdade - Ponto final.

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:06
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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