Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2018
PARACUCA . XXVIII

MULOLAS DO TEMPO . 3 - 19.12.2018

Nós, bazungus rumo à Tanzânia comendo RUSK - 26 de Setembro de 2018 - Quinta-feira 

Por

Botswana 054.jpg T´Chingange No M´Puto

O dia 26 chegou igual a todos os outros, quente de dia e frio na noite! Acordei ainda noite quando o frio ainda se fazia sentir com os kwé-kwés a lançarem gritos agudos lá no topo das árvores; No Shoba Safari Lodge de Kasane, ainda não eram cinco horas e, com a claridade a despontar entre o arvoredo, assim fiquei na tenda cor-de-tropa a pensar nos anteriores dias. Revi assim a saída de Johannesburg seis dias atrás rumo a norte, lugar de imbondeiros para mais além de Pretória, lugar chamado de Limpopo.

Nosso guia-comandante das anharas africanas entrou em litígio com o meu GPS e seguindo sua “insuspeita intuição” quase andamos mais de uns quantos quilómetros na direcção de Hammanskraal; O GPS continuava a cantar, voltar-voltar! Vezes sem conta dava indicações para virar à esquerda no sentido de Rustemburgo mas desisti de insistir com o melhor condutor de África; tivemos por fim de voltar e seguindo a intuição, voltamos para a via N4, depois a R565 até o Sundown Ranch Hotel situado a escassos quilómetros de Sun City.

Botswana 214.jpg Pude ver-me a percorrer o Sun City pela quarta vez se bem me lembro, aonde revi o tremor de terra na ponte, o palácio sumptuoso por onde andei, na praia artificial, a floresta e o grande aviário com aves raras. Um lugar de cinco estrelas mesmo ao lado de Pilansberg. Poderíamos ter ficado por aqui para ver todos os Big-five mas o sonho do bazungus, era mesmo ir a Dar-és-Salam e subir até o Seringueti, lá aonde a adrenalina se sublima no medo.

Dia 22 de Setembro pulamos bem cedo da cama afim de segui o rumo do Botswana pela N 4, passar a fronteira no Skilpadshek Border Post e virar na A1 rumo ao norte, Gabarone, a capital do País. Não foi fácil atravessar Gabarone pois que seu trânsito é infernal e desorganizado. Foram quilómetros de estrada com muitas potholes (buracos) até chegar ao fim de tarde a Sahara Stones  Lodge de Mahalapye, um  bom e novo lugar com as condições requeridas para pernoitar.

Botswana 219.jpg Dia 22, saída ao romper do dia, após tomarmos nosso café com salsicha boerewors, dois ovos fritos, bacon, batata frita e café com leite tomamos o caminho de Maun. Nosso destino era seguir na A3 e em Nata, bifurcar para Kasane aonde estou agora, meditando nas periclitãncias. Também nos milhares de buracos percorridos e nossas conversas nem sempre amistosas versando sobre Angola.

De facto, pelo observado aqui, eu sempre caía no estremo de dizer o quanto os angolanos deveriam estar gratos por terem os Tugas como colonos pois que aqui verifica-se que para além do mato pouco mais há. Sempre caía naquela satírica forma de dizer: - Os angolanos estão cheios de razão, os Tugas deveriam não só ter levado para o M´Puto as suas estátuas, Diogo Cão, Maia da Fonte, Norton de Matos entre outras mas e, também os prédios, escolas, pontes, hospitais, igrejas, barragens; ter deixado Angola exactamente como a encontrou Diogo Cam, 500 anos antes do achamento.

Botswana 239.jpg Deveria sim ser assim, a fim de dar aos angolanos a liberdade e opção de puderem construir o seu país a partir do nada a seu belo gosto e prazer sem se sentirem vexados e humilhados e, por terem que se sentir obrigados a usar ou viver naquilo que os colonos lá deixaram. Às vezes ficava bravo com as contrariedades ouvidas, primeiro esperneava e depois emudecia; mas nunca baixando guarda no meu pensar devido a tanta e desproporcionada prepotência e irreverência dos mwangolés, pretos e pseudopretos. Ninguém é de ferro.

Pela tarde e muitos cheios de pó, chegamos a Nata, bifurcação de pela esquerda via Namíbia e pela direita atravessando várias reservas até chegar a Kasane às margens do rio Shoba que em Angola tem o nome de Cuando. Pernoitamos aqui, em Nata, no Pelican Lodge de Nata aonde se recolheu informação com outros aventureiros de qual o melhor caminho a seguir depois de Victória Falls.

Botswana 275.jpg Era suposto encontrarmos muitos animais no dia 23, um domingo, ao atravessarmos as reservas de Tamfupa, Sibuyu, Kazuma e Nogatsaa mas, os quilómetros foram desvanecendo a avidez e os olhos já cansados de tanta secura entre um gole e outo gole de água de garrafa, foram escorrendo conversas de profecias ainda mal entendidas. E, veio à tona aquelas profecias sobre a Inglaterra e África do Sul; aquela que diz que a Inglaterra será atingida por 7 pragas quando a 3ª Guerra Mundial estiver próxima.

Botswana 277.jpg Será!? Que a Inglaterra será totalmente aniquilada, até mesmo a sua terra irá queimar como uma invasão liderada pela Rússia que vai invadir a Europa, através da Turquia e usar armas terríveis. Nas longas horas de jornada ao longo de terra árida, chinguiços ressequidos, caímos em devaneios de profecias. A África do Sul entrará em uma guerra civil em um ano de eleições, após a morte de um líder negro, que será exibido em um caixão de classe nos Edifícios da União. Líderes mundiais virão homenagear. Será!? Chegamos assim a Kasane, tarde do dia 23, cheios de gases, corpos curvados e cheios de ideias com turbulências no cerebelo. Antes que fosse noite, fomos comer ao Pizza Coffee do indiano…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:16
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PARACUCA . XXIX
MULOLAS DO TEMPO . 4 - 28.12.2018
Nós, bazungus rumo à Tanzânia comendo RUSK - 26 de Setembro de 2018 - Quinta-feira
Por

Botswana 055.jpgT´Chingange – No M´Puto

Só lá pelas 10 horas do dia 26 de Setembro de 2018, 7º dia da odisseia Tanzânia - Haja paciência, é que o calor se começou a sentir mais forte. Decidiu-se que iríamos ver as terras rasas do Shoba em barco e, porque houve falhas no planeamento, tivemos de alugar um extra por 1420 Pulas; assim, um barco que normalmente leva 25 pessoas ia servir aos quatro bazungus que éramos nós! Grosseiramente os Pulas pagos, correspondiam a 1917 Rands ou 112 €; valeu a pena porque vimos muita variedade de antílopes.

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Nas vistas largas das terras planas e verdes que bordeiam os canais do Rio Cuando, e no chamado Chobe National Park, vimos bem mais do que 200 elefantes e muitos antílopes como olongos, gungas, facocheros, búfalos, impalas, jacarés e vários hipopótamos entre outros e, também aves de grande porte como o peru africano, várias espécimes de patos e pássaros multicolores. Pudemos avistar no meio de uma vasta e plana ilha, no meio do nada verde, uma bandeira do Botswana em um gigantesco mastro.

Botswana 019.jpg Aquela ilha que tem o nome de Sidudu/ Kazakili Island esteve até há questão de poucos anos em disputa na definição de fronteiras pois que a Namíbia reclamava como sendo sua mas, o Tribunal Internacional deu posse definitiva ao Botswana. Aqui está a justificação de tão grande mastro naquela planura tão verde e tão cheia de animais. Podemos assim ver as margens do rio Cuando a confrontar com o parque Kasika da Namíbia e o canal Shoba no lado do Botswana.

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O Rio Cuando e o canal Shoba desaguam no rio Zambeze e, é ali em Kazungula que confinam quatro países: Botswana, Namíbia (ponta da faixa de Kaprivi), Zâmbia e Zimbabwé. Foi um dos momentos altos nesta odisseia das potholes; os bazungus, mais que muitos a pagar caro para ver a natureza. Há gente de todas as nacionalidades mas, maioritariamente da Comunidade Europeia. Troquei impressões com três espanhóis que amavelmente nos deram indicações sobre trajectos por conhecer. Claro que os sonhos duns não são realidades dos demais - o itinerário seria sempre o do Comandante Vissapa, rumo a Dar es Salaam.

Botswana 231.jpg Neste nosso curso de enfrentar os conhecimentos, todos os dias serão uma prova à adaptabilidade humana e pude rever-me assim em confronto com meus silêncios de viagem, subjugar-me a modificar meu carácter para subsistir à sabedoria de pendura feito quase um monangamba. Uns dias atrás um amigo meu fazia reparo àquilo que eu dizia; a de que nós sempre seremos um fruto de mudança. Bom! Com ou sem essa minha teoria de transitoriedade nós seremos sempre os mesmos, só os pensamentos mudam.

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Assim taciturno e com rumo ao largo Kariba, podia ver-me já, a balouçar no convés do Ferry que me levaria ao Sharara Safari e depois Lusaca. Não existe ninguém que encontrando um espinho em seu pé não o retire após as primeiras dores; se não o fizer é porque é masoquista ou anda a treinar para o Guinessbook, um clube de excêntricos. Começava aqui a ser esse excêntrico que corre atrás dos sonhos alheios na ânsia de também ficar com olharapos afros.

Botswana 247.jpg Um amigo próximo disse-me que os pés dos bóheres têm olhos. Só entendi essa fala quando observei in situ um farmeiro de kimberley a andar de sandálias de pano colorido no meio do capim repleto de aranhas, centopeias, cobras e um sem fim de outros bichos rastejantes sem contar com os muitos picos espalhados a esmo pela terra barrenta. Fazia todos os possíveis para ter um comportamento análogo àquele bóher.

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Em áfrica é sempre bom recolher o máximo de informações porque nem sempre o caminho da esquerda é melhor do que o da direita; a triagem terá de ser nossa com ou sem a intuição que julgamos ter. Acabamos por no fim da tarde comermos um rump steak com salada no Pizza Plus Coffe e Curry, um restaurante de um indiano. Pagamos 620 Pulas que correspondem a quase 50 € por quatro, um preço razoável mas nitidamente mais caro do que no M´Puto. Dentro do jango do Lodge Shoba pagaríamos a dobrar! Turistas bazungus sofrem! Diria minha empregada Mery de Campala…

Botswana 254.jpg Em áfrica sempre se tem de ponderar gastos para não irmos mais além do plausível mas, há lugares que nem raspas do plausível existe! Esta missão exploradora serve para revestir-me de uma armadura contra as megalomanias daqueles que julgam possuir todas as chaves de abrir todos os becos, todas as quelhas, todas as picadas sem declarar seu próprio fisco à sua alma. É fundamental ter dólares! Sem isto, a apologia de se ir ao acaso tolhe o instinto, cega a fé, mesmo que se repita muitas vezes o valha-me Deus. As caixas electronicas funcionam mas, tem um mas... lá mais para a frente o direi.

Botswana 295.jpg Assim, com a razão chocando nas evidências, prescreve-se o responso. Pois! A fé não se impõe nem se prescreve nem nenhum santo a vai levar em conta se, se achar sempre sendo o dono da verdade. Assim pensando neste mato longínquo de tudo entre a criação de Deus, terei de relembrar que o dogma da fé cega é que faz com que haja muitos incrédulos! Um dia de cada vez digo eu. Todos os dias terão encruzilhadas bifurcações e o amanhã sempre será uma graça. Amanhã será outo dia - Restam-nos 45…

(Continua…)
Escrita do fim de tarde do dia 26 de Setembro de 2018
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:43
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2018
PARACUCA . XXVII

MULOLAS DO TEMPO . 2 - 28.11.2018

Nós, bazungus rumo à Tanzânia comendo RUSK - 20 de Setembro de 2018 - Quinta-feira  

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Botswana 055.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

Neste início de roteiro aventura com safari, não poderei escrever algo de criativo sem temor ou sem tremer, evitando falar de cada um de nós dos nossos nervosismos ou nossas particularidades na forma de interpretar as coisas, no avolumar de entusiasmos e também sem ofender os pergaminhos que nos mudam no tempo. E, assim como um esquentador antigo mantendo a chama do piloto a fumegar passados amarelecidos e, chispando de vez quando, nervosismos com beijos irritadiços.

Botswana 300.jpg Neste agora, feito salalé em pau carunchoso, sem visar sublimar os feitos em criação artística conformo-me pela idade talvez, seguir sem um prévio planeamento, os trilhos do acaso, sem um aturado planeamento; aventura é aventura! Vamos em direcção a Dar Es Salam dividindo os percursos no máximo até seis horas de viagem, até encontrar um lugar de reconforto à idade, poder comer algo e ter ânimo a continuar.

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Ao quinto dia de viagem – 25 de Setembro podemos ver um casal de leões com uma cria a guardar a carcaça de um elefante que morreu bem na orla da floresta confinante com a planura verde do rio Shoba em Kasane. O Nissan de tracção 4 por 4 portou-se bem na picada de acesso ao rio; tomara, não fossemos nós com o melhor condutor de áfrica. Uma picada de areia solta e com um socalco elevado ao centro e ao longo de muitos metros. Um trilho bem tortuoso, que só um condutor do mato, sabe como lidar.

Botswana 276.jpg A adrenalina subiu aos píncaros na descida empoeirada, picada com árvores de um e outro lado e, já junto à margem do Shoba a maldita picada de areia melhorou; lugar de larga vista para espraiar nosso nervoso miudinho. Podemos assim ver centenas de antílopes, gungas, veados springboks, Javalis, olongos, búfalos, jacarés e grandes grupos de elefantes comendo rebentos verdes da várzea.

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Também vimos aqui calaus, perus do mato, como se diz em Angola e águia-real, uma imponente ave que de bico adunco e olhos penetrantes consegue até levar em suas patas pequenos bâmbis, capotas e outros rastejantes; talvez por isso não tenhamos visto coelhos.     

soba22.jpg E, bem na sombra atrás de umas bissapas, troncos apodrecidos, lá estava o rei leão com sua juba e sua dama mais uma cria; todos eles, olhando o elefante já desventrado. É sabido que no meio do mato o leão sempre fica bem camuflado pela sua natural cor e, também aqui, os turistas bazungus como nós em outros carros, esperavam estes levantarem-se para colherem a melhor foto.

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Ali, e por cima deles lá estavam os urubus, abutres empoleirados em ramos ressequidos de árvores, observando e esperando o momento exacto de entrar no repasto das vísceras deste grande quadrupede. Tivéssemos ficado ali de noite e decerto, veríamos as hienas a rondar a morte junto com chacais. Por vezes, estes predadores esperam até uma semana para intervir na comezaina.

Botswana 261.jpg Os últimos são os abutres, tudo fica limpo! Mais tarde ver-se-á a cabeça do paquiderme já branca, da cor da cal. Vêm besouros, animais rastejantes e até o escaravelho do Nilo rolando com graciosidade suas bolas de desperdício. Na natureza nada se perde, tudo se transforma. Dá para reflectir em tantas odisseias de nossas vidas, uma grande parte passada em áfrica e aonde outros abutres na forma de gente nos roeram vontades.

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Foi lá atrás num lugar de Pandamatenga, no quarto troço, que referi ser necessário uma logística para enfrentar a áfrica e, sem querer voltamos mais uma vez àquela caturrice tão própria da adrenalina africana com os santos a perderem a paciência. Por momentos pensei que chegando mais acima poderia até tomar o comboio Xoxolosa, voltar a Johannesburg para evitar remoer ideias do Tocoismo, uma religião de cariz anticolonial - a sua verdadeira pregação nacional.  

Botswana 019.jpg Mas, neste calor intenso foi refrescante olhar aquela grande toalha de água a dar grandeza ao encontro das águas dos rios Shoba e Zambeze. É impensável andar aqui sem uma garrafa de água fresca, ter um caixa térmica com gelo e cerveja para arredondar vontades loucas. Sendo assim, lá terei de me lembrar que a natureza tem como lei a obtenção dos seus fins pelos meios mais económicos; só assim se justifica a erradicação total e absoluta dos resquícios coloniais e da necessidade de tudo voltar a ser, só capim…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:05
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2018
PARACUCA . XXVI

MULOLAS DO TEMPO27.11.2018

Johannesburg – A paracuca daqui é uma bolacha dura na forma de pão chamada de RUSK, torrada com açúcar e sem jinguba…

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soba15.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

Em um fim de dia atípico e antes da grande viagem de 20 de Setembro para ver animais, creio ter sido numa sexta feira dia 14 - já lá vão mais de dois meses, fomos ver as Divas e os Rochers no casino Emperors Palace. Pela organização da igreja metodista, podemos ouvir artistas locais interpretando canções do Elvis Presley, Pink, Elton John, Michael Jackson, Tina Turner e Stevie Wonder, entre outros. Eram cerca de trezentas pessoas sentadas em mesas corridas ou balcões laterais – Nós estávamos em um balcão lateral.

araujo187.jpg Podia ver os comprimentos efusivos entre gente que chegava com vestimentas folgadas, até chapéus, calções à meia cana, gente de todas as cores mas maioritariamente brancos com aspecto de bóheres; gente grande e gorda que se anafavam entre outros já sentados, comendo e bebendo como se estivessem num piquenique. Eles e elas, gente cuzuda com calções avantajados e flanelas tapando as dobras dos pneus das carnes sobressalentes.

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De sapatilhas e roupas muito iguais às dos demais dias, pude apreciar a forma descontraída de sem cerimónia, com riscas e bolinhas a condizer com aquela forma de angariar dinheiro por via do espectáculo que iria decorrer para custear ou auxiliar uma qualquer entidade de apoio social, ou mesmo para o próprio sustento da igreja. Neste ambiente tipicamente sul-africano, também nós íamos bebendo nossas Windhoek lager e ou água com limão.

Botswana 167.jpg Tivemos batata frita, biltong e tostas rijas que nem paracuca que depois se dissolviam nas humidades. Um grande balde com gelo, servia para nele meter todas as bebidas por forma a mantê-la frescas durante o espectáculo. Foram mais de duas horas divertidas; uma boa forma de preencher o tempo que sobrava neste então; esperávamos o dia 20 para, a partir daí darmos a volta a uma áfrica ainda por conhecer.

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Saltando no tempo vejo-me debruçado sobre os funis feitos na terra pela formiga-leão, os nossos conhecidos fuca-fucas de Angola. Pois, assim debruçado no Choba Safari Lodge bem na margem do rio Choba, concertávamos ideias sobre o que fazer e ver nesta parte norte do Botswana. Os alojamentos dos principais módulos, estavam todos ocupados e restou-nos ir para as tendas.

tanzânia II 049.jpg Estas tendas até tinham chave electrónica para nelas entrar, uma coisa de cinema composta por duas camas, mesinhas de cabeceira, uma pequena mesa de centro, uma outra com espelho no topo e ainda outra para guardar malas e coisas menores. Também havia um ventilador e, foi-nos bastante útil porque o calor aqui e de noite, é para fazer de sauna. De noite o tempo arrefece a ponto de termos de nos tapar pelo frio. Na gaveta da comoda havia cinco preservativos. Sukwama! Exclamei - era isto mesmo que me fazia falta.

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Tinha um avançado por cima do sobrado a fazer de varanda com mesa e cadeiras para seis pessoas mas tinhamos de ter cuidado com os babuínos e outros macacos pois que afoitamente nos vinham roubar as coisas do seu agrado. Para fazermos nossos churrascos na churrasqueira brai, tinhamos de estar com um olho na carne e outro nestes caçadores. E, como gostavam de batatas fritas! Até os javalis vinham quase às nossas mãos para comer, embora houvesse avisos no sentido de nada dar aos animais.

tanzânia II 046.jpg E, ao nosso redor surgiam facocheros, macacos babuínos, saguins, bâmbis, capotas e perdizes. Os elefantes faziam-se ouvir por perto. Os kwés-kwés, uns pássaros pretos e grandes lançavam piares agudos ainda o dia não o hera. Também os homens e mulheres e gente que se dispunha a sair cedo, começavam a falar alto e, não tinhamos como não acordar lá pelas cinco e pouco!

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Assim que o sol nascia lá no horizonte o calor começava a ondular o cacimbo; podíamos apreciar isto nas luzernas entre a vegetação alta e empoeirada. Bem do outro lado das bissapas muito cheias de chinguiços podíamos ver a azáfama dos bafanas auxiliares dos carros apetrechados para a áfrica profunda. Desarmavam ferros, juntando-os de forma ordenada na parte inferior do machimbombo-safari.

Botswana 264.jpg Carros com camas, pratos e tudo o que compõe uma cozinha, frangos e carne para assar, maças da cidade do Cabo e feijões do Quénia, vários tipos de pão, café e arcas frigorificas para atulhar isto mais verduras e, do outro lado, ferros de armar suas tendas; grupos de gente que depois tomam assento lá no alto do machimbombo para ver a vida do mato passar. Ao peito dos coletes de zuarte amarelo suave de muitos bolsos, pendiam seus binóculos, suas camaras fotográficas e outos zingarelhos próprios de verdadeiros bazungus…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:16
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO – XCIX

TEMPO COM CINZAS - 12.11.2018

Vim à procura do futuro, imaginando a energia e a força de quem recomeça, e acabei por recuar no tempo….

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soba15.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

INHASSORO 111.jpg Passados que são 53 dias recordo o ontem que foi nosso 52º e último na “Odisseia das Potholes – Haja paciência” por África, com 9700 quilómetros andados e abrangendo sete países passados por fonteiras terrestes a saber: África do Sul, Botswana, Zimbabwé, Zâmbia, Tanzânia, Malawi e Moçambique.

victória falls 027.jpg Sucede pois que, calhou também ser ontem o mesmo 11 de Novembro comemorado em Luanda com festividades oficiais e condecorações! Resmungando, embebendo fatias de pão torrado na xícara de café com leite ou bolacha Maria, as horas rendiam-se dia após dia como sentimentos mudos. Por vezes era o pequeno-almoço com bacon, ovos, batatas fritas e chouriço tipo bóher com pão torrado.

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Vagabundeava largas distâncias com grandes desesperos a ladrar-me por dentro olhando em frente o asfalto ora rachado ora esburacado e dos lados as bissapas agressivamente queimadas pelo sol; nada de antílopes a saltarem como imaginávamos existir, nem tampouco rolas, perdizes ou capotas. Será que comeram tudo? Era a pergunta a que ninguém encontrava resposta.

victória falls 032.jpg Eramos todos, para além do melhor condutor de África umas preguiças à boleia pela chamada pura África e, como quem cumpre uma formalidade inútil e aborrecida, relembro o onze de Novembro de Angola que só hoje tomei conhecimento ter sido um dia de fartas recordações! Nem me lembro de em tal falar pois que, a vontade de nada dizer subsistia-me. Foi um acto que simplesmente desaconteceu!

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E, não falei, nem falarei, porque ainda ando a remoer humilhação de um amor ultrajado que comigo, mais tantos pais, mães e tantos filhos viram através de suas lágrimas num nascimento de novos dias forçados, novos meses e anos. Agora lembram com pompa, escrúpulos de sangue. Enfim! Coisas passadas e, não esquecidas.

Tombo1.jpg Com o tempo a maioria aceitou a reviravolta que a política provocou em suas, nossas vidas. Muitos perceberam que não valia a pena viverem revoltados e até fizeram por esquecer; muitas vezes, recordam que a guerra não tem só um lado e que nós estávamos em lado nenhum – Simplesmente, não tinhamos lado… É aqui que começa o busílis de que já tantos falaram, falam e continuam…

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Ainda sinto um ligeiro tremor de raiva a arrepiar-me as carnes, o cérebro, quando me lembro daquele polícia de fronteira, impecavelmente preto, impecavelmente vestido, impecavelmente sóbrio e com divisas de chefe reluzentes, que ali naquela fronteira de Bozwé, entrada de Moçambique só aceitavam dólares; uma terra em que o dinheiro tem o nome de Meticais. Por seis horas e sentados num muro de pedra ao acaso, tivemos de esperar pelo visto que iria de Tete.

IMG_20170720_125720_BURST010.jpg Assim, de braços moles, de mãos frouxas, pescoço bambo quase abotoado ao estomago, crepitando febres, olhava um desconsolo como coisa nunca vista. Hoje, já em Johannesburg, ando a tomar chá rooibos misturado com borututu para defumar as raivas mal contidas. Sim! Para me curtir das cólicas. Ontem, até dei comigo a examinar quinquilharias de artesanato, assim minuciosamente como se nunca as tivesse visto. Agora, lá terei de inventar lendas para neles, me improvisar airosamente.

O Soba T´Chingange     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:57
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2018
XICULULU . XCVIII

ODISSEIA DAS POTHOLES - 07.11.2018

Afinal não é verdade o que apregoa o político Africano… "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP. 

Por

soba15.jpgT´Chingange – Em Komati River de Komatipoort

Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Alguns até são brancos… Porquê? "HOJE até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan T´Chavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabwano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo.

Zimbabwé 001.jpg Zimbabwé que, no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente. Por exemplo, em Angola, quando por vezes, nas datas históricas, oiço e vejo pela TV indivíduos a mencionarem o que o 'colono nos fazia', sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mate de 'risada' …

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"Porque o que o colono fazia… blá-blá-blá", dizem eles - hoje faz-se o pior! O colono, se fez, quase que o desculpo: era ou foi colono, é branco, não é meu irmão de raça, etc.; agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura, faz o que denodadamente repudiávamos do colono – esta acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma.

kuvale2.jpg Por isso, logo após as independências africanas, e depois do êxodo dos brancos a abandonarem (África), verificou-se um segundo êxodo: seguindo os outrora colonos, milhões de africanos abandonaram também a sua África, com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença; a maioria, arriscando literalmente as suas vidas (e, o filme continua até aos nossos dias).

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Porque se chegou à conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP. Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Porquê? Estamos a 30 de Outubro de 2018, em Vilanculos de Moçambique podendo vivenciar o que atrás é referido, um retrocesso evidente na qualidade de vida para a grande maioria do povo…

tanzânia II 060.jpg ELEFANTES NO CHOBA - BOTSWANA

No África Tropical de Inhambane posso conferenciar com a osga amiga que se passeia no tecto para lá da fechada malha de rede anti mosquito. Meio recostado na cama, leio o livro de Eduardo Agualusa e, releio aquele episódio duma mulher ambiciosa e ambicionada: “Ela despiu o corpo como se fosse um vestido, guardando-o num armário e, agora passeia-se pelo mundo com a alma nua”. Ela era uma professora que ensinava ética…

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Pude ver neste porém a osga a virar-se e assolapar-se no reposteiro a ouvir comodamente minha descrição. Sabes papoila, foi este o nome que lhe dei, que me veio ao pensamento – Ando de terra em terra, por áfrica, revendo sombras do passado e sonhos alheios com formas de bichos com cornos retorcidos mas, há momentos fui até à praça da revolução ou da independência; pude até sentar-me no canhão de outras guerras, canhões que os Tugas deixaram apontando a baia e, tendo do outo lado a vila de Maxixe…

INHASSORO 096.jpg TÁXI-BICICLETA DO MALAWI

No topo da alameda de Inhambane e bem à beira da marginal fixei-me na figura de Samora Machel, uma estátua com o dobro de sua real altura, apontando ao ocidente bem ao jeito de Lenine, talvez com aquela cartilha vermelha de ditar leis que ainda rolam e enrolam como bactérias o cerebelo de muita gente. Entre tanta coisa observada pude recordar àquela osga o quanto aquela terra era forte e que tal como aquela mulher professora de ética, também se despiu ficando agora com a alma nua!

etosha1.jpg  Quanta gente também naquele ano de 1975, se despiu de vontade ficando também com a sua alma nua! Ela, a osga engasgou-se de tanto rir; por momentos até pensei que gozava comigo - já quase pronto a atirar um chinelo à sua figura, parei quando ela retorquiu: - Não quero falar desse tempo; durante muitos anos fui professora de estória num centro de recuperação de mutilados e, posso afiançar-te que um homem, ao longo do tempo, ao longo de sua vida, muda muitas vezes de corpo - brancos ou pretos! Frisou piscando-me seu olho vesgo.

INHASSORO 298.jpgHIPOPOTAMOS NO NVUU  LODGE - MALAWI

 Não viste tu, na praça da Revolução o próprio Samora, saudando o vento como um puro Lenine a saudar seu povo? Pópilas, esta osga fala – é inteligente! E continuou: não existe nada de semelhante entre uma larva e uma borboleta e, no entanto há sempre uma larva no passado de cada borboleta!  Pois é, por vezes parece ser bom abandonar o corpo inteiro e trocá-lo por outro. Tenho visto muito disto, sabes! Disse eu. Num repente estava a falar com um jacaré gordo empoleirado no reposteiro. Há coisas tão verdadeiras que até perecem mentiras.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:47
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Sábado, 27 de Outubro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCVIII

NAS FRINCHAS DOS BURACOS27.10.2018

Por

tonito19.jpg T´Chingange – Em VILANKULO de Moçambique

Esta odisseia de “potholes” tem sido permanente e, aqui em Moçambique foi mais evidente entre Tete e Chimoio e depois entre Chimoio que fica perto da reserva Gorongosa e Inhassoro e, por cerca de 420 quilómetros. Um autêntico desespero com falésias nas margens roídas de fazer virar carros com buracos sucessivos de não deixar alternativa; só mesmo passar devagar, devagarinho.

INHASSORO 149.jpg Nos escassos quilómetros com piso bom, lá estava a polícia para exercer sua autoridade. Fizeram-nos alto e mostraram a máquina parecida como um megafone a marcar 85 Km em luz vermelho. Pois! O senhor vinha a mais de sessenta, tem de pagar multa! Fiquei fulo depois de andar tantos quilómetros com o eminente perigo de ficar ali numa qualquer pothole! Saí fulo do carro e disse que era um desaforo armar tocaia na única recta com bom piso em 420 kms.

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Cá por mim não pago nada! Saí e, sentei-me no muro da Vodacom, um mukifo promovido a quiosque entre milhares pintados de vermelho e pertencente à empresa de celulares telemóveis! Um negócio que deve ser bem próspero, pois toda a gente tem um micro-ondas por onde se pode falar! Estando em um país tão pobre, tem-se a noção de que os galifões das multinacionais da comunicação ganham avondo!

INHASSORO 401.jpg Deveria sim, sermos indemnizados por tal estado das estradas pois que pagamos seiscentos randes de seguro para circular em segurança e a protecção não é nenhuma! Se cair num buraco, o estado de Moçambique paga!? É? Perguntas àtoa de sem resposta. Na passagem da fronteira esmifraram-nos na troca de dólares. É o sistema, disse o chefe fardado em polícia de fronteira com divisas de sargento cromadas e porte impreterivelmente prepotente! Chama-se Nico e foi inflexível em não aceitar randes nem meticais, a moeda nacional; nem dólares surrados ou sujos. Pópilas!

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Esperamos mais de cinco horas pelos vistos que na forma de selos seriam colados no nosso passaporte! Viriam de Tete… Não havia sala de estar e lá nos acomodamos em um muro debaixo de uma árvore frondosa. Entretanto consegui comprar 50 dólares americanos; era quanto nos faltava para completar o total para pagar o visto de quatro pessoas – era um bafana bem-falante corrector cambista, um grande filho-da-puta que sabendo me deu 50 dólares velhos, surrados - por 850 randes!

INHASSORO 397.jpg No acto de entregar o dinheiro ao funcionário Nico este disse não poder aceitar estas notas sujas! Estava para explodir mas, e agora!? Procurei o filho-da-puta cambista vestido de negro mas nem pó! Sistema mais kazukuta este de ganhar dinheiro aldrabando o turista com conhecimento das autoridades da mututa… Não encontrando o aldrabão tive de comprar dólares novos e limpos pela módica quantia de 1000 randes!

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Se vocês estão indignados, poderão calcular como me podia sentir mesmo tendo Vissapa o comandante desenrasca situações mais macabras ali ao lado! Vissapa só barafustava e disse até que iria descrever às notícias do mundo estes desaforados entretantos: - Senhor Nico,  fique ciente, sou jornalista e vou descrever estas arbitrariedades para o mundo!

INHASSORO 394.jpg Resposta da autoridade supra numerária de nome Nico: - Fale o que quiser! Pois, se ele não falar já aqui vai no meu jeito de contador de estórias e sem coturno nos areópagos internacionais como nosso comandante! Aquela multa da única recta no troço de Chimoio a Inhassoro passou a gasosa de 1000 meticais sem direito a recibo… Paguei a minha parte sob protesto e juro que irei apresentar reclamação ao Ministro das Obras Desfeitas desta terra tão bonita e tão mal gerida – melhor, irei pedir sua demissão.

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Vou ver se despacho minhas notas velhas e sujas aos jangadeiros que nos irão levar à ilha de Bazaruto mesmo em frente do Lodge Samara, pertença do senhor Paulo Baptista, um moçambicano branco que aqui estabeleceu seu bivaque de vida. A praia estende-se até bem longe e a vista do mar para terra é paradisíaca. Ué! Com palavrões dentro da cabeça, tento reconstruir minha disposição com estranhos nomes esvoaçando, mijando raiva de mim aos poucochinhos, buscando novidades sem figas nem juras por sangue de Cristo porque quem anda por gosto nunca cansa! Assim deveria ser mas, noé!

INHASSORO 385.jpg Mas, sempre há um mas – porque em outros tempos tive mesmo de espreitar minha vida pelo cano de meu canhangulo em Muquitixe; uma vida estriada numa Angola em que as verdades só cheiravam a mentiras; melhor - Ainda cheiram! Assim lixado, tento andar engalanado com bandeiras de capulanas só para fingir coisas mais coloridos. Entre grandes excitações, alegrias e nervosismo de dar volta às novidades da Nacional Geográfica, cheiro os ventos que do índico me trazem rolos de cheiro; cheiro de tabaco.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:12
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCV

A HISTÓRIA ANTES DA HISTÓRIA – 09.10.2018

- LUZIA . UMA HISTÓRIA COM 3 MILHÕES DE ANOS…

Por

soba15.jpg T´Chingange – Na Tanzânia (M´Bilizi)

- As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local, nus e ateus… A ESPERANÇA é a fronteira que consegue manter a condição social e financeira de pobres, pensando ilusoriamente de que um dia, o euro milhões o fará rico e assim, comprar uma vivenda em Dar es Salaam…

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Antes da escrita, há outras histórias que explicam as origens do ser humano. É a história, antes da história. Desde o Cabo e, desde à um ano atrás (2017) numa viagem a 40 quilómetros à hora em comboio Xoxolosa e, sempre para Norte, de novo recomeço viagem ao sonho nesta data da graça e, a partir de 20 de Setembro de 2018 em um Nissan todo o terreno a partir de Johannesburg.

IMG_20170823_114812.jpg Na companhia de Reis Vissapa, o comandante da expedição Potholes, eu, Guida e Ibib, todos na fasquia dos setenta e mais uns anos, damos largas às nossas dipandas largando desaforos por essas estradas muito cheias de Potholes… E, desde Johannesburg acampamos em Sun City; depois seguimos pelo Botswana muito cheio de burros, cabras e sanzalas… Tivemos um momento alto no Choba vendo manadas de elefantes e muitos outros antílopes.

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Seguiu-se o Zimbabwé cruzando a fronteira para Cataratas Victória, outro momento alto apreciando o variado artesanato, as tormentosas águas do Zambeze e a ponte de Livingstone aonde também passa o comboio transafricano de Tanzânia ao Cabo; aliás, a linha deste comboio viu-se sempre ao longo das vias em que seguimos, vias com milhares de camiões transportando ferros, açúcar, farinhas e combustível.

bessangana4.jpg O primeiro desaire foi a não travessia do lago Kariba e, indo ao engano, andamos uns bons duzentos quilómetros para cada lado para saber que o dito-cujo ferry dos sonhos, não faria viagem durante todo o mês de Outubro mas, sempre há um mas, ficamos no lindo lago num lodje por dois dias pagando 3600 randes, um puco mais de 200 euros sem matabicho. Aqui Vissapa pescou um minúsculo peixe tigre.

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Nova tormenta ao passar a fronteira da Zâmbia - mais enfrentar a indisciplinada urbe de Lusaca e, aos tramos de 400 quilómetros, lá continuamos refilando com tantas Potholes na estrada até chegarmos a M´Pika aonde ficamos por duas noites. No dia 8 saímos bem cedo de M´Pika para alcançar a fronteia a uns 350 km. Demoramos mais de sete horas por via da estrada ser apertada, com bermas quase falésias e, Potholes aos milhares.

IMG_20170719_153425.jpg Mais dor de cabeça ao passar a fronteira da Zâmbia para a Tanzânia na povoação de Tunduma. A mesma confusão de dinheiro e os 3 ou 4 bafanas a ajudarem para se fazer à gasosa do T´Chindere, dos Muzungos que eramos nós. Um Euro aqui, equivale a 2.637 shillings ou um Rand igual a 155 shillings. A fim de fazer a conversão rápida temos que 10000 shillings correspondem grosseiramente a 3,80 euros (ou 4 €, com folga deficiente) …

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Neste agora e, estando no Coffe Lodge a uns 80 Kms dentro da Tanzânia, mais propriamente em M´Bilizi, recordarei aqui a antiga história de Luzia da Tanzânia, os indícios dos primeiros primos de nossa existência. Os arqueólogos, descodificando achados recentes, analgizaram com testes de carbono outras supostas verdades. É assim a história surge-nos por camadas connosco no topo.

zanzi11.jpg E, foi assim que olhando pinturas rupestres o dinamarquês Peter Lund, descobriu em meados do século XIX, 12 mil fósseis, um cemitério de 30 esqueletos humanos ao lado de mamíferos de grande porte do tipo gliptodonts, uns tatus com cerca de um metro de altura. A estes achados, foi designado o período da pré-história.

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Em 2002, com técnicas mais sofisticadas e fidedignas, confirmaram o evidente, gentes vindas de África Central e do Sul, acerca de 7 milhões de anos, atravessaram pelo sul do Mediterrâneo, a seguir a Ásia e através do estreito de Bering desceram desde o actual Alasca à América Central, chegando consequentemente ao Brasil que hoje se conhece e de onde o Dinamarquês referido fez alusão.

himba6.jpg Na década de 1997, encontraram um crânio feminino com cerca de 11.500 anos; referiram este achado com o nome de Luzia, uma mulher dos seus vinte anos, olhos grandes e nariz achatado do tipo negróide. O terem chamado de Luzia a estas ossadas, é uma evidente referência ao fóssil de mais de três milhões de anos encontrado na Tanzânia em 1974, de características muito próximas àquele  achado arqueológico da Lucy…

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Foi sem dúvida o início da caça ao tesouro a comparar com as novas modas de Indiana Jonas. Machados e artefactos indicam que eles, os pré-históricos manos e primos de Luzia, viviam na idade da Pedra Polida entre 12 mil e 4 mil anos antes de Cristo. Somos, em verdade, ainda, um enigma indecifrado e, andando por aqui baseado em palpites, cruzamos dezenas de informações para irmos ao encontro de novas ilusões. Ontem e hoje, nosso Indiana Jonas chama-se Reis Vissapa…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:31
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Domingo, 7 de Outubro de 2018
XICULULU . CXV

VICTÓRIA FALLS – 06.10.2018

COMO ACONTECEU…

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soba0.jpeg T´Chingange - Em Mpika da Zâmbia

Depois de Livingstone  ter chegado a Victória Falls depois de Silva Porto, e a dar conhecimento ao Mundo, houve curiosidade por parte de muitos cientistas que ali quiseram ir; também houve a preocupação em criar condições de receber daí para a frente outros visitantes curiosos que, tal como nós, ali fomos 118 anos depois na odissia do Comandante Vissapa.

fotos ZÂMBIA 030.jpgNesse então, em 1904 a linha férrea que liga agora o Cabo ao Norte de África ainda estava por fazer e, foi com a chegada da via-férrea que esta parte do mundo se tornou acessível a todos os visitantes. Esta ideia já tinha sido concebida por Cecil Rhodes já falecido no ano de 1902 mas, o personagem essencial neste projecto britânico de construção do caminho-de-ferro a ligar o Cairo, no Egipto, ao Cabo, na África do Sul; Sonho nunca realizado.

Tombo1.jpg A ponte de Victória das cachoeiras veio a ser construída em apenas 14 meses pelos homens da Cleveland Bridge Co de Darlington, tendo sido aberta ao tráfego no dia 12 de Setembro de 1905 na presença do Professor Darwin, filho do famoso cientista Charles Darwin.

victória falls 006.jpgReis Vissapa e esposa Margarida

Charles Robert Darwin, foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e, propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da selecção natural e sexual. Seu filho com o mesmo nome, não deve ter perdido muito tempo tal como o pai lá nas ilhas Galápagos porque por aqui  tudo está na mesma! A única diferença são umas torres no alto dos morros para que alguns se comuniquem, umas estradas entupidas de camiões e muitos policias a fotografarem-nos para as multas. Tudo a bem da nação. Deve ser!

victória falls 032.jpg Neste fim do mundo aonde a paisagem é toda muito igual, árvores que parecem secas e de vez em quando umas quantas mais verdes, surgem-nos ideias no meio de milhares de teorias sociais que parecem não funcionar aqui. E, vem o Botswana, o Zimbabwé e a Zâmbia aonde os brancos muzungus surgem como agulha em palheiro. 

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Tanta terra sem ninguém, um tão escasso aproveitamento e as moléculas da mente a se encavalitarem no espaço-tempo quântico dando novas formas ao pensamento. Porquê!? Porque será que todos ajudam e, isto anda assim tão letárgicamente? Na Zâmbia nada de animais em estado selvagen a atravessar a estrada a não ser ovelhas e cabritos. Nem uma galinha de d´angola! 

victória falls 020.jpg E, aquele choque do futuro do Alvim Tofler, escritos dos ocidentais fica aqui retraído ou não mencionado em uma qualquer lista de anormalidades psicológicas; Não há booking a catalogar este fenómeno na terra negra aonde o nada, parece dar lugar a outro nada. Um conjunto de casas a fazer um sítio com palhiças a contornar o pátio com uma planta que nem é comestível; vassouras penduradas a varrer os terreiros de argila vermelha – um evidente artefacto a indiciar qualidade de vida. Uns montes de lenha ao longo das bermas para realizarem a compra dum quilo de maiz. Semanas de espera  num pudera que seja. Será!

fotos ZÂMBIA 035.jpg Tornamo-nos progressivamente incapazes de entender de modo racional este ambiente, até entender o factor da vida assim sem nada, casa sem chave, sem bairro, nem muros nem água canalizada. E, então porquê surgirão no mundo terroristas e anarquistas que por debaixo de suas flanelas ou zuarte, sempre serão inconformistas e outros, mais decentes com colarinhos abotoados ao jeito de, pastores do sétimo e todos os outros dias. Aonde estará afinal a felicidade! Alvim Tofler também não veio aqui certamente!

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Nos dias de hoje libertamos uma força social totalmente nova, uma mudança tão acelerada que influência o nosso próprio sentido de tempo, revolucionando nossa vida quotidiana que afecta naturalmente o modo de como sentimos o mundo à nossa volta. Lá pelas europas tão cheia de filosofias, teorias e principios, assim escrevia uns dias atrás e, agora aqui vejo que o tempo parou, nada disto é lógico; nada disto faz sentido!

fotos ZÂMBIA 039.jpg Tudo são falas para deitar fora… Aqui só é necessário um par de roupa, um enxergão, um saco de maiz e uns peixes minúsculos do pântano com dois tomates em refogado de cebola. Aqui não há isso de instabilidade, nem cotações de bolsa. Tudo está nos conformes; na paz do Senhor! Neste estado sempre transitório afectaremos forçosamente nossas relações com as demais pessoas e o resto do mundo. Podera ser esta a pré-modernidade? Quem irá saber ao certo… se, nem Darwin o falou!…

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:03
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Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
XICULULU . CXIV

– BOOKTIQUE DO LIVRO – IV19.09.2018

O Adão e a Eva eram africanos! Disse a minha empregada Mary de Kampala… Também disse: - Leão que ruge muito, não caça nada…

Xicululu: Mau-olhado

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soba0.jpeg T´Chingange Em Johannesburg

Ainda não eram seis horas e a minha empregada Mary de Kampala já andava pela casa saracoteando afazeres nos preparos do matabicho. Cheirava-me a mutton do rynfield, um grande mercado que tem várias qualidades de boerewors. Desfrisei meus parcos cabelos com os papudos dedos e, foi quando reparei, ter as unhas demasiado grandes; como crescem, aqui no altiplanalto de África!? Por agora afaguei minhas sobrancelhas que esbarravam contra a lente dos óculos; lá tive de as limpar da gordura com o pensamento no alicate para as cortar.

araujo179.jpg Estes pelos grossos e brancos cada vez se parecem mais com os de Álvaro Cunhal. E eu que sempre eu o via na televisão do M´Puto sempre reparava naqueles entrelaçados arames quilométricos que saíam dos olhos de abutre; e estas condiziam até com os pelos longos a sair das narinas como pinceis. Não é que agora também me sucede este pormenor e, quando noto isso corro para o banheiro apetrechado dum especial alicate que até arame ou linha de pesca corta.

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Levantei-me e frente ao espelho aparei-me destas estranhezas lavando também o alçado principal da minha t´xipala. O cheiro do café santa clara trazido do Brasil, espalhava seu aroma bom pela casa. Já afeitado e aromatizado com meu preferido perfume aramis seguia meu roteiro da manhã; sempre acontece tomar em primeiro lugar um café para lubrificar as mucosas e micoses do meu istmo da felicidade. 

pombinho3.jpg Enquanto isso, olho da varanda as xiricuatas que apanham fagulhas e raspas de comida na grama meio ressequida! Quando os jindungueiros pintam seus frutos de vermelho, são as primeiras consumidoras. De regresso ao quarto e antes de trincar o boerewors de mutton apanho do chão um amarrotado papel; entro no quarto meu e de Ibib, minha cara-metade e, já sentado na cama ainda por fazer, desdobro o papel das conta do rynfield supermarket.

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Pude ver num esboço, uma escrita misturada com contas de somar e subtrair. Por vezes também faço isto para ver quanto gastei em Euros mas este não sendo meu, agudizou-me a curiosidade pois que mencionava uma conta de números altos em randes e xilins; bom! Se não era um gatafunho meu, só poderia ser de Mary e, dai, ainda mais curioso fiquei. Dizia assim: “ O dinheiro que ganhei com meus patrões bazungus está a crescer como um caroço de manga caído no chão do mato do Uganda”

ROXO166.jpg Fiquei assim meio brutefeito com isto, pois que os bazungus só poderiam ser eu e a Ibib. Nem sabia bem o que era isso de bazungu mas, porque nem sempre sou tolo, achei que era relacionado com muzungu que quer dizer branco em língua xhosa; Não sei como é mas os negroas daqui todos se entendem e falam línguas com nomes raros de maxangana, isixhosa, isiZulu, seSotho usando cliques como fonemas da língua bantu,  características dos khoisans.

araujo181.jpg Aquela frase de “em breve a minha vida estará cheia de mangas” apoquentou o meu mukifo do cerebelo. E, porque razão Mary, escrevia isto? Talvez para preencher o tempo e não se esquecer de isto referir em suas conversas com seu boy friend de Kampala. Só pode! Mas havia mais referências. “ Meus patrões muzungus com a minha comida, já defecam como as cegonhas de Campala… Ué…como pode?! Defecam caganitas mal cheirosas como aquelas cegonhas do Uganda!? 

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Escondi o esboço amarrotado no livro do Mu Ukulu e, de calções e flanela dos bafanas do n´Zinpeto, fui tomar o meu breakfast com o tal café de Santa Clara mais o mutton de fazer caganitas de cabra ugandesa, o maizpap ( papa de milho), afadigando-me em nada dizer do que  li no papel – contas de Mary e edecéteras de mulungu. Bom dia patrão! Bom dia Mary, respondi na maior das quietudes. Foi quando reparei nas mangas de cores gulosas encavalitadas cuidadosamente numa grande fruteira de vidro!

massau4.jpg Foi neste então que bebendo de novo aquele café à mistura com leite do dia e aquele milhipap ou maizpap, perguntei: - Mary, lá no Uganda há muitos turistas como nós à busca de leões, fazendo safari? Assim como nós, que gostamos de ouvir os leões a rugirem? Haka patrão! No Uganda tem bué de bazungus assim como vocês carregados de bikuatas. Fica esperto T´chindere, afinal, bazungu era mesmo o que pensava ser: Branco a fazer visita ao mato – fazer safari!

pombinho2.jpg Mas, a gente de Kampala não vai em safaris patrão; só mesmo os bazungus que gostam mais dos animais do que as pessoas!   Gostam de leões, de crocodilos, springboks e até das cobras! N´Zambi me livre, só mesmo de pensar já estou de arrepiada. Eu não gosto, diz Mary e, continua com suas falas: tornei-me até muito amiga das cabras que dão leite de beber, porque só gostava mesmo do meu namorado que as guardava. Pois! Disse eu, aquele bafana para quem tu tanto falas ao telefone…

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Mas, os bazungus velhos assim como o patrão e, seu amigo Reis das Vissapas com seus carros de tracção às quatro rodas, vestidos com roupas muito cheias de bolsos que parecem soldados antigos expedicionários, e com o equipamento de combate pendurados, binóculos, máquinas de vídeo, celulares, bengalas e garrafas de água. Ué, como é então? Eu sou assim mesmo? Ela, nada disse, só mesmo oscilou os braços e fez um muxoxo a comprovar ser verdade com um sorriso de quem canta victória.

tonito16.jpg Patrão (só faltou dizer muzungu) nós no Uganda não temos kitar de xelin, dinheiro para bafunfar férias como os europeus; só mesmo fazendo companhia aos muzungus para limpar as cagadelas dos brais (assadas de churrasco). Agora entendi essa do cagar como as cegonhas ugandesas. Pois! Pelos vistos ela não conhece mais nada para além de Campala. Para terminar disse-lhe: - Um dia vais ter dinheiro para ver os leões! Haka! – Para quê patrão; Leão que ruge muito não apanha caça! Tudo ficou assim; eles são imprevisíveis, tambulakonta – disse-me assim mesmo e, baixinho…   

 (Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:33
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2011
DESERTO . XVI

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

  “ De Maun a Francistown - Botswana ”

 

Francistown

Com os restos de murmúrios falsos, tinhamos a ideia formada de que o Botswana era um país esquecido com muitos abutres rondando burros mortos na estrada e desordenadas lixeiras, a comparar com outros países aonde impreparados chefes exibem arrogância impregnada de devaneios mal curtidos mas, foi um total engano. Logo à entrada em Popavalle ou Popa Falls, um posto fronteiriço, deparamos com o aprumo de agentes aduaneiros que nos atenderam duma forma surpreendentemente civilizada ao invés de outras anárquicas fronteiras aonde tudo se resolve com uns quantos dólares de gazosa. Com destino à cidade de Fracistown, lá prosseguimos viagem a partir de Maun por estrada pavimentada rolando quilómetros na savana, vendo de quando em quando aglomerados de kimbos. Estes, na forma de quilombos com paliça a contornar palhotas redondas, feitas a barro, bosta de boi e chinguiços, formavam conjuntos armoniosos numa vastidão de capim ralo.

 kimbo . Botswana

A este país que começou a ser desvendado por exploradores a partir do século XVIII, deram-lhe o nome de Bechuanaland mas, após a sua independência a 30 de Setembro de 1966, toma o nome de Botswana com junção do prefixo "bo" que quer dizer homem em língua Bantu a de "Tswana", nome da tribo mais nomerosa daquels paragens. Realizando regulares eleições ao invés de outros muitos povos de África, é considerado um exemplo de estabilidade política. Botswana é um grande planalto árido situado bem no interior de África meridional. É daqui que saem para o resto do mundo os mais puros diamântes dando ao povo um modo de vida melhor equilibradao do que a grande maioria dos países do continente negro. Os principais grupos étnicos são os Tswanas, Kalangas, Khoisan entre outros dos quais os brancos nativos dali e indianos que para ali foram idos do Quénia, Zâmbia, Tanzânia, Ilhas mauricias, África do Sul e principalmente do Zimbabwé aonde a instabilidade ditada por Robert Mugabe a isso obriga.

 Itenerário 

Antes dos pormenores descritivos da viágem em terras do fim do mundo convêm relembrar que os aborigenes habitantes ancestrais do Botswana foram os bosquimanos (bushmen), khoisans, caçadores-recolectores que se espalharam pelo grande Kalahári. Em uma outra viágem anterior tive oportunidade de observar estes indigenas errantes no seu meio natural; foi no Kalahári Gemsbok National Park entre Twee Rivieren e Bokspits, um lugar ermo, divisão de fronteira, picada em mulola de um rio seco aonde só corre água quando chove, que paramos para fornecer água a esses pequenos seres de tês parda, secos de carnes, vestindo pequena tanga tapa-rabos; deslocavam-se em pequeno grupo com algumas lanças, apetrechos simples aonde as mulheres se distinguiam por levar ornamentos na forma de zingarelhos nos artelhos. Enchemos suas cabaças entre linguajar de estalidos do geito de makankala misturado com sopros de suspiros e aspirações gututrais do qual nada entendemos. As mulheres levavam imbambas de cozinha e trastes envoltos num saco em cabedal que era suportado nas costas por uma tira que se ajustava à testa.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:18
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Sábado, 23 de Abril de 2011
DESERTO . XV

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO
       “MAUN  DO DELTA – Botswana ”
 Tendas . Maun Rest Camp 

No Delta do Okavango, cidade de Maun instalámo-nos em duas tendas do tipo campanha militar no Maun Rest Camp. O Motsentsela Tree Lodge tinha melhores acomodações mas nós preferimos sentir a natureza mais próxima através duma lona esverdeada; os banheiros eram uns caniços esparsos instalados a meio do Rest Camp que inibia o seu uso durante o dia. Maun é uma das cidades mais caracteristicas de África mantendo a tradição de construção redonda feitas em taipa de barro e paus cruzados sendo cobertas a capim de canudo grosso caracterisico das margens do rio Okavango. No dia seguinte alugamos uma avionete e sobrevoamos o Delta a duzentos metros de altura vendo do ar todo o tipo de animais desde o hipopótamo ao elefante distribuidos em grupos naquela enorme extenção de charcos serpenteados por verdura, ora rasteira, ora de árvores de grande porte.
: Kimbo . Botswana
O explendor da biodiversidade estava ali espalmado ao redor fazendo-nos imenssamente pequenos num pantanal maravilhoso. Vivendo os dias no limite, queriamos que as coisas perdurassem assim seduzidas. Já distantes do Sul de Angola, linha de Calai, Dirico ao Mucusso, extravasando a face oculta do meu personagem "espia", mantinha-me fiel aos princípios éticos recolhendo vivências dos povos circundantes a Angola, seu sistema frágil de candonga e suas malhas de influência entre comerciantes. Continuando a manter o segredo feito pacto entre mim e José Cachiungo, mantinha-me fiel à figura de Alcides Sakala, guerrilheiro impar e diplomata de fina estirpe que anos mais tarde para não sucumbir de fome teve de sobreviver durante longos meses comendo mel e casca de mandioca cozida.
Delta . Vista de avião
Esta viagem de peregrinação às fronteiras da Unita Sul de entre o Okavango e o Cubango  e os acampamentos abandonados Alfa e Omega e rotas de abastecimento, foram a forma de dar um sentido épico à nossa viagem. Tudo ficou por ali, esparço entre brumas, tarefa desconhecida no tempo e destapada aos poucos retirando a pressão duma tarefa acantonada nos desertos percorridos; chinguiços atafulhados em lugares dispersos que só a memória faz retroceder. Eu, um acantonado em terras da Globália e Alcides Sakala, fomos companheiros ocasionais sem previsão de validade nem prazo determinados. Dos tempos de espião feito turista, nada mais ficou para trás;  Só um deserto de recordações que ora  se escondem na capa do Soba T´Chingange. Das noites que passam, das estrelas que voam nos desertos quietos, controlo angustias rolando nas dunas. Defenindo coisas justas, ficam restos de murmurios falsos.
(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:30
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011
DESERTO . XIV

{#emotions_dlg.xa}FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

      “ÉPUPA FALLS – Botswana

 Naukluft

 Maun . Delta do Okavango

As grandes dunas do Naukluft côr de saibro movendo-se todos os dias, ondunando-se em sombras pretas, eram recordadas amiude quando as estrelas ficavam próximas nas noites sem nuvens desafiando a lei da gravidade. Ao fazer do brai só o lume e as estrelas lá longe crepitavam, mas havia sempre a zuada de fundo das quedas do Epupa mais os muitos piares e guinchos de desconhecidos bichos despertando corujas noitibós. E, sentiam-se cheiros acres e doces com lama e bosta e feromonas de misteriosas plantas do tipo jasmim e citronela ou capim do Okavango.

 Morro de Salalé

De repente, e ao redor da fogueira ou na tenda, todos se calavam, não porque nada ouvesse para dizer mas, porque queriamos gozar daquele silêncio com vida de mato; em verdade parecia não haver mais nade de importante para dizer; ali, era o lugar aonde tudo parecia estar dito. Tudo tinha o seu lugar natural e, como tal conformavamo-nos com a vida a correr por correr; nada dura para sempre e, nós não tinhamos pressa.

 Botswana

Não se deve abandonar o nada de que se goste, e por amor amarrámo-nos às coisas da natureza como se ama alguém que nos é querido. Naquela universidade ou diversidade, aprendemos que as plantas comunicam entre si, por isso o elefante tem de andar muito, e contra o vento para que a coisa apetitosa, deixe de o ser. Eu explico: - As plantas saborosas ao elefante são devastadas até ao extermínio e estas por feromonas lançadas ao vento, avisam as demais da mesma espécie que rápidamente passam a ter um sabor desagradável, expelindo ou misturando na sua seiva fluidos repugnantes ao sabor; o paquiderme predador tem assim de contornar a selva ocupando um grande espaço da mata. Fiquei a saber da importância que tem o salalé na limpeza da floresta eliminando troncos e folhas em decomposição e criando nutrientes para outras espécies se desenvolverem com mais punjança. Depois de Maun, a caminho de Francistown deparamos com vários burros mortos por acidente na estrada deserta e, lá estavam varias espécies de urubus limpando a carcaça na companhia noturna de hienas.

 Delta do Okavango

A biodiversidade num ciclo natural de vida dava sequência à cadeia alimentar recriando com naturalidade as graças com as desgraças. Vivendo os dias no limite queriamos que as coisas perdurassem assim seduzidas. As bolachas compradas no Divundo na casa comercial do Miranda gerida por sua filha Ana Maria, mesmo compradas já vencidas no tempo, This is áfrica, diziamos todos, iam sendo comidas a gosto com o café tomado debaixo da acácia espinheira. Nas terras do fim-do-mundo não se olham os prazos; é só deichar correr o tempo, tomar uns quantos cafés, à tardinha gim com rum ou cachaça e antes do deitar p´ra retemperar um chá rooibós. Estivessemos nós no Atlas de Marrocos e tomariamos chá de menta. Cada terra tem seu uso, cada gente tem seu fuso. Em Maun, na paz de espírito desta áfrica profunda disse para mim mesmo: - Vou ter que me gramar desta forma, para o resto da minha vida.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011
DESERTO . XII

 FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         “VICTÓRIA FALLS – Zimbabwé

 ESTÁTUA de LIVINGSTONE

Chegamos a Victória Falls a meio da tarde e, porque não levavamos nada agendado de aonde ficar, dirigimo-nos aos chalés do governo destinados a alojar turístas; tivemos sorte, uma família ia sair ao fim do dia e entretanto aproveitamos para ir até à ponte do rio Zambeze aonde de uma impressionante altura gente amante da adrenalina se atira no espaço depois de amarrados a uma corda de borracha a que chamam de tandem-bungee-jump(jamping). Enfim, uns malucos beliscando a morte lá embaixo, de queda estancada no penúltimo minuto, a uns ecassos metros acima da água turbulenta, a 108 metros de altura; na espuma branca feita barba do diabo de corredoiras pedregosas. Das encostas rochosas escorrem cortinas de água que em lufadas de frescura banham nossos rostos; esta maravilha da natureza é tão deslumbrante que recorda-nos o quanto somos pequenos e em verdade apetece atirarmo-nos no espaço feito passaro e voar, voar, voar... A sensação de agradecimento surge-nos; graças a Deus que ví mais esta maravilha.

 Jumping 

Tiramos umas fotos junto à estátua de Livingstone e regressamos ao acampamento hotel Camp. Estes ditos chalés foram ligeiramente remodelados pois que fizeram inicialmente parte do acampamento de trabalhadores da construção da ponte férrea sobre o Zambeze, casas com largos alpendres coloniais e abastecidos de água quente saída de grandes caldeiras aquecidas a lenha, tudo como quando da construção da ponte férrea em 1905. Esta ponte faz parte da visão de Cecil Rhodes com a construção da ferrovia ligando a Cidade do Cabo ao Cairo. Rhodes insistiu na construção daquela ponte no "spay" das quedas de água; e, assim foi pois que, os trens são banhados por esse permanente vapor no preciso lugar do deslumbrante desfiladeiro e, eu estava a uns escassos metros desse "reil transâfricano".


Cecil Rhodes e seu sonho

As nuvens de particulas de água que se levantavam do abismo da queda Victória, logo em frente do alpendre, vinham até nós descortinando-se entre essa "fumaça que troveja" no geito de spay de Rhodes, o topo da queda já do lado da Zâmbia. Silva Porto que tudo indica ter estado aqui antes de Livingstone admirou algures esta mesma pisagem, que veio a descrever àquele outro explorador britânico que ficou na história como sendo o descobridor. Essa muito esfarrapada mentira feita verdade, foi para nos tirarem o direito de posse na Conferência de Berlim, as ditas terras de Bazarote. O velho sertanejo Siva Porto foi aqui recordado por mim depondo aos pés de Livingstone uma flor de acácia rubra. O gesto de ser aqui era mesmo só "para Inglês vêr". Esta magnifica vista, mesmo sendo bem descrita, não substitui o prazer único daquela maravilha da Globália.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:44
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Domingo, 27 de Fevereiro de 2011
DESERTO . VIII

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

        “Shitemo. Secreta missão

Não obstante a postura dos governantes de Windohek mostrarem dureza no trato, as autoridades regionais faziam vista grossa às movimentações que o comércio local fazia com o outro lado dos rios Okavango, Cuito e Quando. O comércio floria em prosperidade, talvez de forma corrompida mas, tudo se vendia. No Divundo, tivemos necessidade de comprar mantimentos no shop do Miranda ao cuidado de sua filha Ana Maria e de todos os pacotes de bolacha que compramos só um estava no prazo de validade. Em terras do fim do Mundo vale tudo e, até tirar olhos; com a minha tribo da mini exploração africana nada de normal sucedeu mas ouvimos relatos de coisas mal paridas e defuntadas agruras de por-dá-cá-aquela-palha. O encontro com Pedro Rosa Mendes, autor do romance ficcionado de Baia dos Tigres aconteceu aqui em Divundo, no shop da Ana Maria de Andara. Fiquei a saber antecipadamente as agruras de Pedro Rosa Mendes descritas em seu livro, lidas mais tarde e da periclitância da guerra que se julgava não ter fim; não fiz muitas ondas porque o meu percurso de passeio não tinha o mesmo objectivo que o dele e, também não sabia o que ele viria a descrever em suas crónicas faladas via rádio todos os dias com o Puto. 

 Pedro Rosa Mendes . Jornalista

Não sei precisar o dia em que isto aconteceu mas foi útil ter uma visão diferente do que se estava a passar no terreno, no entanto pareceu-me tendencioso em seu livro no julgamento de Miranda comerciante, retratando-o como um brutamontes, só porque tinha pertencido à companhia Sul-Africana “Os Búfalos” que invadiu Angola no ano de 1975 quando das convulsões partidárias da corrida ao poder. Comparou-o a um Bóer “Mamburra” mal formado o que penso ser um exagero de todo. Eu, com a minha mini-tribo familiar, tínhamos partido de Cape Town enquanto Rosa tinha saído de Baia dos Tigres do Sul de Angola e até aqui, sucintamente descreveu a sua odisseia por terras em luta. Eu seguiria para Vitória Falls no Zimbabwe, retrocederia até Divundo e seguiria o rumo de Joanesburgo passando pelo delta do Okavango, tendo uma paragem de dois dias em Maun. Enquanto Rosa andou 10000 km, nós percorremos 13000. Ainda no Shitemo e, no lugar de Mukuwi um dia à tarde, observei a chegada de dois camiões carregados de sacos de farinha fuba tendo sido depositados num amplo armazém junto ao rio, creio que num lugar chamado de Nyondo.

 Epupa Falls

Okavango Delta.Botswana

Omega camp . UNITA

No outro dia, um pouco antes do meio-dia fiz companhia a um sobrinho de Dona Elisabete e quando paramos no mesmo armazém reparei que se tinham evaporado todos os mantimentos ali depostos no dia anterior; nada perguntei mas, logicamente deduzi que naquela noite tudo foi passado para a outra margem para o Calai ou Mucusso. Era por aqui que se passava o grosso dos mantimentos não obstante haver ao longo do rio Okavango postos militares de observação e guarda; O termo "só para Inglês ver" ajustava-se aqui, na perfeição. O povo Ovambo sabia preservar a sua existência partilhando os dias menos bons. De cartão da Unita camuflado no forro dos calções, regozijei-me por observar esta vivência no silêncio das terras do Fim-do-Mundo.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:15
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009
NA PELE DUM GUIA

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

            OKAVANGO

 

DELTA DO OKAVANGO

Vi rastos de leão na estrada de terra que percorriamos.

Saí do todo-o-terreno para ver melhor, e informei o grupo de Japoneses, que estava seguindo a peugada de felinos: - É uma fêmea adulta,...Não, ...São duas fêmeas adultas.

Eu conhecia essas leoas. Estavamos no território do grupo de Marta, um grupo formado por apenas duas leoas adultas.

Suspeitei que uma delas tivesse tido uma cria recentemente. Para me assegurar de que as leoas não tinham entrado no mato fechado à minha esquerda, andei mais um pouco sem perceber do quanto me estava afastando do Geep. Esperava que elas estivessem em um ponto da planície à minha direita, onde seria fácil vê-las.

"Ei!,...gritei para so ansiosos Japoneses que espiavam pela traseira do Land-Rover: - "Há pegadas de filhotes aqui! Parece que eles foram para ali", e apontei para o mato. "E os leões adultos foram para acolá", estendendo o braço na direção duns morros de salalé. 

Foi, quando nesta posição de encruzilhada, concluí em silêncio e só para mim: Estúpido, estúpido, estupido!

No quarto "estúpido", as  leoas surgiram.

Quando a gente treina para se ser guia, depois de aprender algumas regras, na convivência com animais selvagens e perigosos, fica-se tão normal como olhar para os dois lados antes de atravessar uma rua.

Como guias, também aprendemos que há coisas que se fazem no mato de forma improvisada. Marta e a irmã  que eu já vira antes rasgando em pedaços outros animais, estavam vindo na minha direção. 

 

Senti-me frio, desprotejido  numa adrenalina pegajosa. Deixei meu treinamento e intuição assumir o controlo da situação.

Os braços já estavam erguidos, fazendo-me com que parecece ser maior em tamanho.  Encarei as leoas, mostrando-lhes os olhos arregalados à maneira de como  fazem os predadores para fazer hesitar o impulso do atacante. Elas nâo vinham em linha recta na minha direção; ziguezagueavam, de um para outro lado aproximando-se mais devagar do que seria normal; um sinal de ataque simulado.

Saber de que as leoas não tinham a certeza de que me iriam matar, pouco me animou, e nem fiquei aliviado quando pararam a uns sete metros de mim. Recuaram, o pelo do dorso arrepiado, o focinho franzido em careta, com grunhidos graves medrados no ar.

Dei uns passos atrás.

Elas vieram de novo, e pararam ainda mais perto. O rugido que dei não foi muito ameaçador. Elas recuaram, a barriga roçando o chão, os olhos concentrados em mim, os meus nelas. Quando pararam, os rabos retorciodos, dei outro passo atrás. Elas arremeteram.

Três vezes avançaram sobre mim. Na quarta, pararam e, eu aproximei-me mais do veículo. Nesse momento, quando vieram, foi em linha recta.

 

Pronto, pensei, e dei um rugido que soou mais ameaçador que o primeiro. Elas não desaceleraram , e só se passou um segundo até me alcançarem.

Mas passaram directo, ufff!,...antes que me apercebesse de que o ataque não era para mim.

Tudo o que restou foi o odor pungente delas, que seguiram para junto dos filhotes que estavam do outro lado.

Trémulo, minha vontade era sentar-me mas, continuei recuando. Ao chegar ao Land-Rover, virei-me. O Japoês Limpopó Aliálatas, estava com a câmara de vídeo solta na mão, a lente tapada, e uma expressão de desapontamento.

Quando caí no banco, querendo chorar, vomitar, querendo rir e gritar em simultâneo, Limpopó  Aliálatas falou: "Sinto muito, mas não consegui filmar desta vez. Pode repetir?"

 

Do Soba (em apertos, na pele dum guia. Coisa já vivida numa visita a Maun no Botswana). Extraido das Seleçõe do Reader´s Digest

T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:39
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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