Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . IX

VIDAS SECAS – COMO SINTO O MUNDO

Pretonceito - Não é erro ortográfico não! É uma nova palavra de origem manwgolé…

- Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol …17.01.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Na Lagoa do M´Puto

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO – Como dar certo …Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS - Graciliano Ramos . Br

84  - Secando a palavra ao sol e, porque foi feita para se dizer, recordo as “vidas secas” de Graciliano Ramos, escrito de 1937 e assim, acompanhei parte do trajecto da família de Fabiano e também da cachorra Balaia. No meio de muitas arbitrariedades próprias da classe dominante de então no Brasil e, andando eu frequentemente por terras de índios Caetés, lá terei de ler o “São bernardo” de 1933 e o “Angustias” de 1936, talvez o melhor das suas publicações.

85 - A partir de factos simples, tento compreender com a maior exactidão, analisando isto e aquilo e, no possível, o meu próprio desenvolvimento do pensamento - Dar atenção a um, descuidando um outro que o precedeu. A teoria da casualidade por reflexão de ressonância sucedeu ouvindo um grilo que canta, que grila…Ele canta, estridula, guizalha, trila ou tretinha num zumbido que se interrompe. Com estes silvidos, chego à via especulativa no ser capaz de me ajudar a compreender o Mundo.

booktqiue6.jpg 85 - E, porque também está viva em minha memória, relembro parcialmente as “Vidas Secas”. Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. «Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do Rio Seco, a viagem progredira bem umas três léguas. Fazia horas que procuravam uma sobra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da caatinga rala.

86 - Arrastavam-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça. Fabiano, sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda pederneira no ombro; o menino mais velho e a cachorra Balaia iam atrás. Os juazeiros aproximavam-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.

gracilano1.jpg 8- Anda condenado do diabo gritou-lhe o pai. Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo. A caatinga estendia-se de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor dos bichos moribundos.

88 - Anda, excomungado! O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um facto necessário - os tremidos e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro caboclo precisava chegar, não sabia onde.

booktique7.jpg 89 - Tinham deixado os caminhos cheios de espinhos e seixos, fazia horas que pisavam a margem do rio, a lama seca e rachada que escaldava os pés…» Esta descrição espremida como roupa pronta a corar, causa-nos calores e frios tremidos, uma miragem com uma amargura tão sobrevivente que podemos até sentir sofrimento. Ele tinha o condão de elaborar um trabalho colocando no papel tudo aquilo que conseguia observar na pessoa, num animal, em uma cidade e sua sociedade, com matizes varias.

90 - Foi um pouco a partir dele que trabalhei a curiosidade, descrevendo assuntos demasiado banais. E, fiquei também ciente de que o que toca a imortalidade é a obra e não o ser humano. Nisto de recordações acabo por chegar ao conceito de se escrever “por linhas tortas” e, é aqui que largo o preconceito, para recordar alguém de nomeada e, que mudou minha forma de estar. É ele Graciliano Ramos! E, disse assim: -“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para se dizer”. Assim diz Graciliano no ano de 1962, para comparar seu ofício de escrever com o acto de lavar roupa pelas lavadeiras do rio.

booktique8.jpg 91 - E, recordo-me de no acampamento aonde dormi com meu pai, um bivaque de gente da Brigada dos Caminhos de Ferro de Angola, de ter ouvido hienas a chorar e urros distantes de leões em um ermo quase sertão como aquele do Nordeste brasileiro; relembro deste meu jeito os bidons ao redor do acampamento contendo tochas de fogo pela noite, para afugentar as feras nesse lugar conhecido por Lucala, sobre o rio com o mesmo nome e, no distante ano de 1954; era eu candengue – falo de Angola.

92 - Claro que relembro algo que deveria estar esquecido, disse isto para mim mesmo. Uma terra que deixou de ser nossa por pretonceito, já o meu pai o dizia - Como é!? Não é erro ortográfico não! É uma nova palavra de origem manwgolé… porque simplesmente de dia para a noite se perdeu o direito de nela se viver. E pelo dizer de Graciliano, um escrito deve ser lido e relido, ensaboado, esfregado, batido no lajedo, no burgau, como uma peça de roupa suja. Assim fiz: - depois, pô-lo a corar nas ervas, nas bissapas ou penedias, após enxaguar. Estou fazendo!

araujo69.jpg 93 - Ler seus escritos é como revisitar um laboratório e obter capacidade literária independentemente dum qualquer estilo. Por isso não escrevo átoa, ao calhas, Será!? …Mas ele, com sua caneta bike, transformava um banal relatório ou carta burocrática em uma verdadeira peça literária. E, já que isto é mencionado, quero avivar relatos de seu exercício passados ao papel no ano de 1930; ainda eu, o T´Chingange, nem era um projecto de vida pois que minha singularidade surgiu no ano de 1945 e na convulsão dos sons de obuses da primeira guerra mundial.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:49
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2019
MU UKULU – XII

MU UKULU...Luanda do Antigamente15.01.2019
Luanda era Angola e o centro do mundo era a Mutamba! Háka…
Por

soba0.jpegT´Chingange – No M´Puto

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Brasil 
África e particularmente Angola, tem de escrever a sua própria narrativa, precisa de se pensar ancorando-se em dados credíveis e coerentes, fazer uma triagem do que está mais aquém ou além do real, excluindo os característicos inchaços de quem está no mando, de quem coloca as virgulas no texto alterando o contexto. É sabido que África cresceu num cenário de crise global, que Angola passou por uma história de permanentes sobressaltos na fase de Colónia, ou Província Ultramarina do M´Puto mas, seu crescimento foi visível nesse entretanto - cresceu!
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É sabido que da turbulência Colonial, das rusgas com cipaios, do agarra preto, das filas de gente descalça e, em fila, levados à força ao trabalho gerido pelas administrações, administradores e chefes de posto ficaram marcas dolorosas; dos contractos para as roças de café ou algodão e, que após a guerra dos cipaios, veio a guerra das matas com G3 e kalashnikoves com Luanda sempre em crescimento. Da psico ou psicossocial, da guerra do kwata-kwata até à das matas e das catanas, veio a libertação com monacaxitos, bazucas, canhões com e sem recuo e o tundamunjila - t´chindere. 

mux1.jpg  Em todo este trajecto com muitas mortes, muitas armas poderosas, Loanda, Luanda ou a Luua, foi a charneira de tudo e de todo o comando, de todas as tragédias, convulsões e, de todas as sequelas para nela sobreviver. E, porque cada um tem sua própria visão, que muitas vezes até é ficcionada, para se chegar ao miolo substancial de cada lugar, musseque, bairro de cada cidade ou qualquer kimbo, teremos de somar ou subtrair narrativas defensoras de interesses que lhe são adjacentes, justapostos adjectivados nas fantasias empoladas que por vezes, muitas vezes, são alheios à fidelidade dos factos. 
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Queiramos ou não, foi em Luanda que mais se sentiram as mudanças; também é verdade que esse crescimento não foi nem é, ainda, qualitativo. Luanda, não é só mutamba! Não se tem gerado empregos suficientes, os níveis de pobreza continuam elevados e a dependência das matérias-primas contínua em alta. No Mu Ukulu, Luís Martins Soares descreve Luanda como a sentiu, como a viveu, sem aumentar ou diminuir as lentes de sua objectiva.

luanda4.jpg Falando dos usos e costumes da sua, nossa Luanda, Luís Soares diz assim: - ainda me recordo da mulher negra luandense sentada na esteira de loandos ou de mateba, no banquinho feito de galhos de mulembeira junto à porta, catando piolhos da cabeça do candengue ou mesmo de adulto. Estendendo a vista pelos arredores via as aduelas de barril num arranjo de quase átoa a definir seu quintal, intercalando esta foto de grande angular, gente com falas em kimbundo, passam-se horas e horas na cavaqueira, dizendo nada, mesmo!
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Junto, as roliças crianças de peito luzidio brincam nos loandos com carros feitos de coco, com latas de sardinha de rodas de caricas de cerveja cuca ou casca de múkua ou mesmo de pau-binga trazido por seu pai da lagoa do Lifune aonde pesca cacussos. O loando é assim um tapete de junco de caule macio de espessura de mais ou menos de dois centímetros entrelaçados, que eram depois ligados uns aos outros com fio de matebeira ou de sisal trazido lá da fábrica da Cotonangue.

maful1.jpg  Esse mesmo de amarrar a farinha de bombó, fuba ou do saco de batatas doces trazidas de Belas. Pois! Era assim uma arte feita tapete espalmado num rectângulo de um metro e meio de comprimento por oitenta centímetros de largura. Háka, era mesmo um acessório sempre presente nas nossas reuniões de quintal logo a seguir ao jantar, botando conversa fora com os vizinhos, mujimbos que corriam na boca de muita gente.
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Enquanto isso com falas esdrúxulas de sundiameno, sacana mesmo ou topariobé e muitos muxoxos intercalados de asneiras com comentários de roubos e falcatruas, que até entrava o árbitro comprado lá no futebol do M´Puto. Com nomes variados de filho-da-caixa e muitos edecéteras chamando de bois aos quadrúpedes e cabrões; os candengues de chinelas de dedo enfiadas no pé e descalços até ao pescoço, ranhosas e com o umbigo saído das barrigas inchadas, esgaravatavam no pó a fazer vrrruuummm para desenterrar.

luua11.jpg O mais velho cozinheiro do senhor Ildefonso, só ali quietinho no seu canto, ouvia na sua serena idade dando longas chupadas no seu matope. Ele, mais-velho, só biscatava as falas com um cachimbo feito de nó de tamarindo e, ria de vez em quando, baforando pró ar sua sapiente sabedoria de século. O kota misterioso que não contava as coisas direito, para não ser chamado nas razões do patrão gordo saído dum lugar chamado de Porca Da Murça. 

massau5.jpg Ele não podia falar assim átoa do patrão que tanto de guloso só comia mesmo lagosta suada ou garoupa das pedras … dizia com frequência depois de nada dizer: - Vou dizer mais o quê? Luanda, aiué… Com a certeza de que a verdade se irá impor por si, ainda que por algum tempo impere o discurso fantasioso, o que queremos por ora e aqui na Luua, é esquecer os aspectos das guerras…
(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:07
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Domingo, 13 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . VIII

GLOBALIZAÇÃO

- Cinco séculos de pessoas, costumes e governos desaproveitados…13.01.2019

Por

soba0.jpeg T´ChingangeEm Lagoa do M´Puto

booktqiue3.jpg 74 - Se estudarmos as lições da história para daí tirarmos conclusões sobre como sobreviver na globalidade com crises constantes, teremos de dar crédito ao dito por um concelheiro respeitável, D. Luís da Cunha ao serviço do rei D. João V, "o Magnânimo", quando o aconselhava a fazer transferência da corte de Lisboa para o Rio de Janeiro no Brasil. Ao estabelecer-se no "imenso continente do Brasil", o rei de Portugal deveria tomar o título de "Imperador do Ocidente" quando não pendia ameaça iminente sobre a soberania portuguesa na metrópole (M´Puto).

75 - Esta ideia fora já apresentada pelo padre António Vieira, na situação de emergência do período da Restauração da Independência de Portugal; esta ideia visava buscar um meio de afirmação e engrandecimento do reino de Portugal ao mesmo tempo que garantia melhor a sua segurança na Europa. Passado que são mais de trezentos anos, até custa acreditar haver em esse então, gente lusa com tanta visão da globalidade.

booktqiue5.jpg 76 - Portugal necessitava engrandece-se juntando para tal a gente letrada de um e outro lado do Atlântico para preservar a união de todos, letrados com gente rica. Já nesse então quatro quintos da receita do reino, vinham do brasil, ou seja 80%. Lendo agora os escritos de Joseph Stiglitz que foi assessor do presidente Bill Clinton e Vice-presidente e economista-chefe do Banco Mundial, verificasse que afinal em relações entre povos, o interesse económico, foi, continua a ser e assim será, o ponto fulcral.

77 - É mais comodo e seguro estar aonde se tem o que sobeja, que onde se espera aquilo de que se carece. Na lista de livros da BOOKTIQUE, mencionei em número cinco a História da riqueza do Brasil de Jorge Caldeira e é curioso ver o quanto tem de semelhança com a leitura da Globalidade deste conceituado economista Stinglitz, numero seis do booktique. Em realidade, no mundo da lusofonia, dos países da CPLP, ambos se complementam nesta visão!

booktqiue0.jpg 78 - No mundo, qualquer acordo de comércio entre países, envolve custos e benefícios. Os países impõem restrições a eles mesmos, na crença de que restrições recíprocas aceites pelos outros, abrirão novas oportunidades, cujos benefícios superarão os custos. Infelizmente, para a maioria dos países em desenvolvimento, não tem sido esse o caso, porque nenhum acordo é melhor do que um acordo ruim.

79 - O comércio não é um jogo de somar zeros em que aqueles que vencem, o fazem à custa dos outros; ele é ou pelo menos pode ser, um jogo de soma positiva, em que todos podem ser vencedores. Se quisermos que esse potencial se realize, devemos primeiro rejeitar duas das premissas da liberalização do comércio: que a liberalização leva automaticamente a mais comércio e crescimento, e que o crescimento irá automaticamente “gotejar” em benefício de todos.

booktqiue4.jpg 80 - Nenhuma das duas premissas é consistente com a teoria económica e com a experiência histórica. Para haver apoio à globalização do comércio no mundo desenvolvido, devemos garantir que os benefícios e custos sejam compartilhados de maneira mais equitativa, o que envolve uma tributação mais progressiva da renda; é o que nos diz em seu livro, Joseph Stinglitz. A globalização não será aceite pelos trabalhadores dizendo-se a eles que poderão ter um emprego, desde que aceitem salários mais baixos.

81  - Os salários podem aumentar somente se a produtividade crescer, e isso exige mais investimento em tecnologia e educação. Infelizmente, em alguns países industriais avançados, isso é o oposto que vem acontecendo: os impostos a se tornarem mais regressivos, as redes de segurança a se enfraquecerem e os investimentos em ciência e tecnologia a declinarem como percentagem do PIB, assim como o número de formados em ciência e tecnologia. Com a globalização, aprendemos que não nos podemos isolar completamente do que acontece no resto do mundo.

roxo91.jpg  82 - Os países industriais avançados beneficiam-se há muito tempo das matérias-primas que obtêm do mundo em desenvolvimento; seus consumidores beneficiam imenso com bens manufacturados baratos, de melhor qualidade e, cada vez melhor. Ajudar os habitantes do mundo em desenvolvimento, aqueles que são mais pobres, é uma questão moral mas, cada vez mais se reconhece que esta ajuda é também uma questão de seu próprio interesse. Com a estagnação, as ameaças de ordem dos desiludidos diante do desespero, aumentarão.

83 - Tenha-se em conta que onde quer que predomine o capital, predomina o trabalho, e onde quer que predomine a renda, predomina a ociosidade. Os capitais são aumentados pelo acto de poupar, de economizar, de despender moderadamente e diminuídos pelo esbanjamento e pela má administração. O maior objectivo social em economia passa a ser a criação de grandes mercados, que fazem a riqueza das nações. Seria bom que surgisse um novo Dom Luís da Cunha a incentivar um grande mercado entre os PALOPS - Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e a CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa com o Brasil e seus mais de duzentos milhos de almas na liderança…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:19
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . VI

- Meu Deus, tinhamos um país! E, aqueles tipos destruíram tudo…

 Arqueies tipos! - Vocês!  - 10.01.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Lagoa do M´Puto

agualusa1.jpg54 - O pessimismo é um luxo dos povos felizes. Quem o diz é um kamba nascido no Huambo chamado de José Eduardo Agualusa em Dezembro do ano de 1960, bem perto da Caála, lugar aonde morei por algum tempo, trabalhando às ordens do presidente do Município chamado de Casimiro Gouveia com a alcunha de caluviaviri. Aqui, refiro Agualusa porque faz parte da minha lista do BOOKTIQUE. Até cheguei a ter uma xitaca com nemas junto à pedra do Alemão mas, deixa para lá, a guerra do tundamunjila a levou……

55 - Irei escalpelizar seus escritos pela razão de tal como eu, andar por aí escrevendo crónicas e livros que muito me fazem borbulhar o cerebelo do lado bombordo. Enquanto eu ando com um imbondeiro às costas, ele sempre se faz acompanhar de cadernos com linhas, um micro-ondas Ipad e uma catrefada de canetas de várias cores. Só que tem uma grande diferença, ele ganha bom kumbú e eu nem cheta… Acho que sempre leva um casal de osgas de estimação e olhos oblongos e enviesados, com quem cavaqueia longos tempos. É delas que recebe inspiração, pode isto ser?

agualusa2.jpg 56 - E, é sobre um antigo Coronel do Ministério da Segurança de Estado de Angola que tudo se desenvolve. Já morto, fugindo às armadilhas da guerra com um amor de hiena, percorre agora seu tormento das memórias vendendo armas aos sublevados do Morro da Barriga do Rio. Quer à viva força levar a descolonização ao Brasil mergulhando a fundo nos incêndios dos morros cariocas. Foi ali, no lugar aonde os candengues brincam com kalashnikoves AK-47, numa sacada a ver-se o Rio estendido até o Cristo Rei, que o ouvi dizer: -A guerra enche os bolsos a muita gente. Bom! Isso não parece ser novidade para ninguém…

57 - Nesta análise, tenho a ajudar-me um jornalista de nome Euclides muito hábil a complicar as respostas que sendo fáceis as engravida só para se vingar das peripécias vividas em África e muito especialmente naqueles tempos perturbadores da guerra do kwata-kwata, do foge branco t´chindere, senão estripo-te. O raro disto é a de que também foi polícia do Estado, um supranumerário de confiança. Bom! Tudo isto acontece inspirado na saga dos fujões pretos, escravos dum qualquer coronel que num golpe de audácia fogem para os quilombos dos Palmares. Até poço sentir o bafo dos cães de fila soprando e babando ranho por aquelas matas procurando os gentios entre as coroas-de-frade e picos kilométricos.

zumbi6.jpg 58 - Francisco Palmares o coronel angolano, o morto-vivo, recordando a fúria de Zumbi, quer tomar o rio dando lugar de destaque aos negros; diz que Zumbi voltou para tomar o Rio. Nós angolanos, somos optimistas – os pessimistas já se suicidaram todos! É Euclides que assim fala sem se recordar do nome desse homem que assim falou lá para trás no tempo; acontece ser assim quando se encontra em dificuldades.

59 - Euclides fala com o Coronel como se fossem amigos de há muito tempo, e eram mesmo: - Vi-te na feira, escondido atrás de uma barraca, disseram-me que morreste e agora!? As coisas mudaram muito desde que tu morreste! O que vocês fizeram não tem perdão, diz Euclides. Eu sei; eu sei! Diz Palmares ao seu assombrado amigo. Aquilo escapou ao nosso controle, foi longe demais…

ANGOLA10.jpg 60 - Ficam muito tempo em silêncio. Finalmente o Coronel fala: - Tu estavas na delegação provincial. Tenho a certeza. Numa de falas tu e, agora eu, Euclides, o jornalista repentinasse: Como conseguiste escapar? - Escapar!? Eu não escapei. Tu viste que não,… estiveste no meu enterro!… De sobrancelhas carregadas e pigarreando, foi dizendo.- O Cunha deu-me um milongo que me deixou a dormir, acho até que morri, mesmo! Depois organizou aquele fantástico funeral, enterrou-me e, logo a seguir, desenterrou-me.

61 - Passei a polícia de Fronteira em Namacunde com o meu próprio passaporte dois dias depois de enterrado e, ninguém deu por nada. Incompetentes! Os teus colegas, graças a Deus! São todos incompetentes, repetiu… Ficamos aqui a saber que Euclides também tinha sido da polícia porque logologo o Coronel afirma com trejeitos de gozo: Tinha a certeza que me seguirias até aqui - Um polícia nunca o deixa de ser… polícia!

coroa de frade.jpg 62  - O medo veio até mim sabes, diz Euclides o ex-polícia e agora jornalista. Os camaradas fraccionistas faziam a sua autocritica, pediam perdão ao povo, assim publicamente e, depois eram fuzilados. Bom! Também naquela altura, sabes, as pessoas arriscavam a vida por um leitão assado. Estava farto de comer arroz de mabanga – quando penso nisso até me dá vómitos.  Como não fugir… como fez o Isomar, T´Chingange, o Vumby e tantos outros. Francisco Palmares lembra-se da Luua: - Meu Deus, tinhamos um país! E, aqueles tipos destruíram tudo… Aqueles tipos, ué! - Vocês!

63 - Vocês destruíram tudo, assim fala de dedo em riste o ex-polícia da nomenclatura. O Coronel olha-o ofendido; abana a cabeça. Esquece… Eu não tenho já nada a ver com a pátria; pátria ou morte, o escambau. Quase nada. Sou empresário, tenho negócios aqui… Negócios? Sente-se um muxoxo prolongado de Euclides. Olha, os outros compram barato aqui no Brasil, levam cuecas e cabeleiras postiças, sandálias e lençóis de cama para venderem caro na Luua. Eu, faço o contrário, compro barato em Luanda e vendo caro aqui. Sou besta!? Caramba… O que é que compras barato em Luanda para venderes caro no Brasil? Interroga o ex-polícia em voz de falsete? A coisa promete meus ávilos…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:56
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Domingo, 23 de Dezembro de 2018
MU UKULU – X

MU UKULU...Luanda do Antigamente23.12.2018

- Em 1887 e por três anos, a renovada Luanda é iluminada por candeeiros a gás…

Por

soba15.jpgT´Chingange – No M´Puto

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Brasil

Loanda não poderia parar no tempo e, vários eventos contribuíram para o seu crescimento com inerente progresso e, é assim dada abertura do Mercado da Quitanda no ano de 1816; em 1825 é criado o Observatório Meteorológico João Capelo na parte alta da cidade no caminho descendente para a Fortaleza, da Calçada dos Enforcados, a Rua da Praia e o lugar dos coqueiros situado bem no fundo das barrocas, lugar de esconderijo de gente desavinda em cubatas mal-amanhadas.

Os Bombeiros são constituídos como a Companhia dos incêndios no ano de 1844. Os caminhos-de-ferro de Luanda SPCTFT começam a fazer ligação com o interior indo até Malange, no ano de 1861- o início de uma importante cidade. É aberto o mercado do Peixe ou Praça do Falcão no ano de 1862 e logo a seguir são construídas as instalações do Correios, dando seu início em 1865 e, três anos mais tarde, 1869, é aberto ao público o Jardim da Cidade Alta, bem próximo do Palácio do Governo mais um conjunto de edifícios governamentais com casamatas-quarteis, guarida das forças de segurança ao palácio.  

luua8.jpg Se voltarmos lá atrás ao ano de 1848 teremos de ter algum cuidado com as carroças de água a passarem ruidosamente na esquindiva, com os aguadeiros em mangas de camisa fazendo fífias aos transeuntes, de pernas arregaçadas, invadindo as casas senhoriais e dependências públicas, enchendo potes e banheiras. Do palácio da Dona Ana, as muitas portas e janelas a gemer as armaduras perras para faze entrar o sol. Uma voz tisica e aflautada duma serviçal “mucamba”, saindo pela varanda cantando em falsete algo parecido: lámbaixo está o tiro-liro-liro, lámcima está o tiro-liro-ló.

A construção do Hospital Maria Pia tem o seu início no ano de 1883 e, é instalada a sucursal do Banco Nacional Ultramarino, o primeiro banco emissor desde 1865; os telefones interurbanos surgem a seguir no ano de 1884 com a inauguração do cabo submarino no ano de 1886. Este cabo submarino era a ligação ao mundo com incidência central em Lisboa do M´Puto. A Biblioteca Municipal tem início no ano de 1873.

araujo65.jpg Uma preta velha, vinda da Praça do peixe - Praça do Falcão, vergada pela imensa quinda de mateba e loandos, em direcção à rua do Casuno apregoava em tom arrastado: “Tem cachucho fresco, tem roncador e garoupa, kixibis barato”. As crianças nuas, de pernas tortas por cavalgar às ilhargas da mãe, cabeças luzindo ao sol, ventres amarelentos e crescidos, guinchavam correndo numa brincadeira de kwata-kwata empinando-se nas habilidades

O abastecimento de água é concretizado a partir do rio Bengo, em 1889 que, anteriormente era assegurado pelos “poços da Maianga”. Segundo Ilídio do Amaral, chegamos ao último quartel do século XIX com “ruas tortuosas, abertas nos areais que se acumulavam, sobretudo, na parte baixa, depositados pelas enxurradas da estação chuvosa”. Entre 1887 e por três anos, a renovada Luanda é iluminada por candeeiros a gás.

dy8.jpg Um ou outro branco, levado na necessidade de sair, atravessava a rua, limpando o suor da testa, um vermelho afogueado, um lenço grande da mesma cor e muito enrolado, metido sem jeito no bolso do paletó. Os cães estendidos na sombra dos umbrais, pelas calçadas sombreadas, mordendo o ar, as moscas, ou rosnando aos candengues antes do chute de pé descalço.

Ao longe ouvia-se apregoar na praça “arroz de Itália, mangas, fígado, rins e coração, tudo à mistura. Nas esquinas das quitandas, fermentava ao calor um cheiro acre de sabão macaco, azul e outras cores; das tabernas um cheiro de aguardente, cachaça do m´Puto e vinho tinto baptizado, carapau frito, enguias e sardinhas em barricas de sal ou azeite, mais toucinho e azeitonas com um suave cheiro de louro e alho.

nzi4.jpg O caixeiro assentado sobre o balcão, cochilava a sua preguiça morrinhenta, coçando o seu espalmado pé descalço; olhava de soslaio o cipaio com seu cofió vermelho e, que passava encafifado em maus pensamentos porque zunia um pau feito cassetete; assim prá frente e de lado, rilhando o dente barafustava muxoxos imperceptíveis de sundiameno e topariobé. Ai-ué, vai ter maka, mesmo!

Circulavam quitandeiras muito gordas, rebolando os grossos quadris trémulos e as tetas opulentas; Também senhoras brancas com guarda-sóis rendados, seguidas dos moços carregando imbambas e bikwatas. Os moços de recados avultavam seus paletós de zuarte pardo manchados nas espáduas e nos sovacos por grandes manchas de suor. No Maculussu os negreiros passavam em revista os candengues escravos que ali estavam para se levados às instalações da Dona Ana nas Portas do Mar.

junho2.jpgNa quitanda da Fazenda entre pilhas de caixotes de cebolas e batatas chegadas da Metrópole, discutia-se o preço, o prego do algodão, a taxa do açúcar e tarifa das transacções. Gordos negociantes tratavam de embarrilar uns aos outros, pediam ou ganhavam segundo muita manha, própria de gente de negócios; trocavam chalaças em plena confiança de amizade. Um pouco mais abaixo da Mutamba leiloeiros mulatos, cantavam em voz alta o preço das mercadorias abrindo as vogais nas mil macutas, nos mil angolares ou mal-reis. Era a quentura natural, como um zunzum grosseiro de feira.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:09
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2018
MU UKULU – VII
MU UKULU...Luanda do Antigamente16.11.2018
Corria um quente e grosseiro zunzum de feira nas Portas do Mar em frete à alfândega da Luua (Loanda)
Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Johannesburg

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Brasil

Os dias de feiras especiais no mercado da Quitanda e arrabaldes que se estendiam pelo largo da alfândega, eram gritados pelo burgo por pregoeiros que circundavam pelo burgo, um ordenamento caótico, cubatas intercaladas com casas de adobe ou de tijolo cobertas com zinco e quindas erguidas com aduelas de barris; pequenas hortas de permeio com couves, tomateiros, alfaces e hortelã em cercas protectoras de chinguiços e debaixo de mangueiras.

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O pregoeiro com voz sonante de leiloeiro subia à cidade Alta a dar conhecimento de novas remessas chegadas do M´Puto, tais como iroses de escabeche, sardinha em sal moura, favas ou vinho generoso da Galafura, pois era por ali que se concentravam as famílias de posse e, assim percorria seu circuito de passagem pelo Observatório Meteorológico João Capelo, descendo aos Coqueiros pela calçada dos Enforcados.

Mu Ukulu14.jpg E, chegada a ocasião, já depois do Pelourinho fazia uma paragem técnica para estimular a voz com aguardente de Monchique, repetindo já de forma murcha os pregões de saldo até chegar à Quitanda das mutambas. Ali se vendiam fazendas de algodão de tecidos coloridos mais sarja ou linho de cor branca. Até os ricos ociosos que iam para ali encher o dia, metiam conversa com os caixeiros, peritos em contar anedotas vestidas com calções de brim.

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Naquele lugar das mutambas, até os próprios vadios desempregados faziam cera, aparentando estar cumprindo diligências de prontidão. Já era escuro quando este laborioso cantador de saldos chegava ao Largo Bressane Leite, e por ali ficava algum tempo cheirando a acidez das frutas iluminadas pelo candeeiro de praça e, à luz de óleo de jinguba.

Mu Ukulu13.jpg Naquele outro dia apregoado, viam-se deslizar pela Quitanda imponentes e monstruosos abdómens, capitalistas decerto à procura de chouriços e presuntos seguidos por monangambas, mocambos sem alforria para levar os embrulhos; cabeças escarlates tapadas a chapéu de cortiça, gotejando suor por debaixo das orelhas, bocas com bigodes dilatados e retorcidos e, distribuindo mesuras com falas mansas às damas que cobertas de cambraia e rendados os olhavam de soslaio.

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Tendo esta visão numa varanda larga e sem forro no testo do tempo, deixo ver as ripas e os caibros que sustentam as telhas, a sociedade num assim com uma bela vista sobre a Baía de são Paulo de Loanda com um aspecto mais ou menos tropical. Pitoresco e de calor húmido, como se tudo fosse um amplo quintal; longo e muito cheio de tamarindos, mamoeiros e pitangueiras. Um lugar de preguiça, diga-se; ao fundo uma máquina de costura Wilson, uma das primeiríssimas em meu uso na costura do tempo.

Mu Ukulu12.jpg Desta varanda posso ver as Portas do Mar da Luua e cheirar catinga na segunda metade do século XIX. Ficam em frente à Alfândega, uma zona com gente a correr de manhã à noite; um porto de embarque de escravos - um local histórico aonde podia acontecer toda e qualquer revolta. Quando embarcava, “o escravo não sabia para onde ia - ia para o Kalunga”. O infinito feito mar iemanjá, como se fala em Angola e Brasil. Pois! Havia ali, revoltas e suicídios.

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O palácio de Dona Ana Joaquina dos Santos Silva, a negreira, chegou a ter um quintalão em frente à escadaria. Por ali passaram milhares de escravos. Eles saíam dali directamente para o embarque nas Portas do Mar, com destino à Kalunga. Os cálculos da Atlantic Slave Trade dizem que entre 1501 e 1866, aproximadamente, 5,7 milhões de escravos saíram dos portos de áfrica para as américas.

Mu Ukulu11.jpg Angola, foi uma das grandes fontes emissoras de comércio de escravos desde o século XV até o terceiro quarto do século XIX. No domingo de 13 de Maio de 1888, dia comemorativo do nascimento de D. João VI, foi assinada por sua bisneta Dona Isabel, e Rodrigo Augusto da Silva a lei que aboliu a escravatura no Brasil. Só neste então é que Porto Galinhas do Brasil deixou de receber oficialmente escravos idos de áfrica. Mas, havia fugas ao regulamentado. Ainda por alguns anos e até fins do século XIX chegavam peças humanas de contrabando.

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No Brasil, os pregoeiros iam às roças anunciar que tinham chegado galinhas ao porto. Era uma forma de enganar as autoridades do reino perpetuando a venda de gente. E, é por este motivo que Porto Galinhas, um lugar de veraneio brasileiro é assim chamado. Dona Isabel sancionou a Lei Áurea, na sua terceira e última regência, estando o Imperador D. Pedro II em viagem ao exterior, às três horas da tarde do dia 13 de maio de 1888.

dia141.jpg O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir completamente a escravatura. O último país do mundo a abolir a escravidão foi a Mauritânia, somente a 9 de Novembro de 1981, pelo decreto n.º 81.234 - Há somente 37 anos. Seis anos depois da independência de Angola a 11 de Novembro.

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Quanto valia um escravo? Não se sabe ao certo, mas diz-se que o preço era feito de acordo com os negociantes. Quem vendia? “Os comandantes militarem, negociantes negreiros como a Dona Ana, administradores, o próprio governador, que tinha tropas e a própria igreja.” Em 1846, o Brasil conseguiu o 1º orçamento super da gestão do Império. É a partir destes dados oficiais que podemos tirar alguma conclusão.

rio11.jpg Nessa época, uma saca de café era comprada por 12 mil-réis e um escravo comum era cotado a 350 mil-réis. Portanto um escravo valia em média entre vinte a trinta sacas de café. Os escravos que eram hábeis em carpintaria, fundição maquinista etc., valiam 715 mil-réis - o dobro. E, porque Loanda de então era uma cidade esclavagista, muito do negócio corria com essa dinâmica o que, levou muitos sectores da sociedade a dizer no após abolição da escravatura: “Vamos viver do quê, se não produzimos nada?”

(Continua…)
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:33
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018
MU UKULU – VI
MU UKULU... Luanda do Antigamente 15.11.2018
Os Talatonas por ordem dos padres e outros negreiros, geriam os cipaios no comércio dos escravos… Corria um quente e grosseiro zunzum de feira nas Portas do Mar em frete à alfândega da Luua (Loanda)
Por

soba15.jpgT´Chingange – Em Johannesburg

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Brasil

No período de 24 de Agosto de 1641 a 15 de Agosto de 1648, o então forte de S. Miguel, conhecido antes por S. Paulo, em mãos dos Mafulos, passa definitivamente nesta data para a Coroa Portuguesa com a tomada pela expedição vinda do Rio de Janeiro sob o comando de Benevides. Em 1650, o comandante desta expedição Salvador Correia de Sá e Benevides nomeado Governador, é nesta função que apresenta ao Concelho Ultramarino os novos planos de fortificação de Loanda.

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O Fort Aardenburgh, assim chamado pelos holandeses, passa a ter o nome de Forte de S. Miguel e sofre algumas remodelações pela mão do engenheiro francês Pedro Pelike, nomeado por Benevides, que com ele tinha vindo. Era na cidade baixa que se centrava o comércio, lugar aonde no ano de 1770 foi edificada a alfândega. Em 1755 foi construído um grande edifício quadrangular com uma praça ao centro, uma grande cisterna, o quartel do Esquadrão de Cavalaria e a igreja que veio a ser Sé, dedicada a Nossa Senhora da Conceição.

luis11.jpg Neste então surgiram passeios públicos a unir a Praça do Pelourinho com a praça e mercado denominados de Quitanda Pequena ligando com a extensa praia de meia milha de extensão e, ladeada de casas nobres. O principal mercado de Loanda a que se chamou Quitanda Grande ou simplesmente Quitanda, foi construído em 1818 por ordem do Vice-almirante Feo e Torres.

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Para defesa da cidade de Loanda são mandadas fazer três fortalezas e dois fortes. São elas a Fortaleza de S. Miguel, a fortaleza de S. Pedro da Barra e a Fortaleza de S. Francisco do Penedo bem no meio da baía e, para defender a entrada das embarcações. As estações ou cacimbas públicas eram fornecidas com a água das Maiangas do Rei, conduzidas em carros das Obras Públicas.

ana2.jpg Posso aqui, transladar-me para a cidade de S. Luís do Maranhão do Brasil para descrever bem à maneira de Aluísio de Azevedo e naqueles anos findos do século XIX (1870) o que se passava no seio da cidade de Loanda. Não seria muito diferente descrever o que se passava na Calçada dos Enforcados ou no Largo do Pelourinho, Coqueiros, Ingombotas ou Maculusso após a construção do cemitério público do Alto das Cruzes.

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Os escravos eram guardados por cipaios e talatonas ao serviço de padres e negreiros em currais ou cercas na área das Ingombotas, esperando pelo embarque para o chamado Novo Mundo. No Kinaxixe era frequente aparecerem leões e onças para beberem ou darem caça a manadas de antílopes… Pode tentar ver-se a quitandeira, balaio na cabeça, rebolando os grossos quadris trémulos e também as tetas opulentas; o quitandeiro cochilando sua preguiça morrinhenta.

luis20.jpg Também os caixeiros vestidos de caqui ou sarja com manchas de suor nos sovacos. Os correctores de escravos examinando à plena luz do sol, os negros que ali estavam para ser vendidos; revistavam-lhes os dentes, os pés e as virilhas; faziam-lhes perguntas sobre perguntas; batiam-lhe com a biqueira do chapéu nos ombros e nas coxas, experimentando-lhes o vigor da musculatura, como se estivessem a comprar cavalos.

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Corria um quente e grosseiro zunzum de feira nas Portas do Mar em frete à Alfândega. Pela Igreja do Carmo passaram milhares de escravos, muitos vindos do interior. A relação da Igreja Católica com a escravatura era comercial; “a Igreja também precisava de escravos para permutar - em toda a parte, houve esta ligação fatal. O próprio Vaticano queria fazer evangelização utilizando os escravos, como cristãos - era um dos meios”.

zem4.jpg Loanda era uma cidade esclavagista. A Igreja do Carmo construída no século XVII, foi um dos lugares marcantes da Rota da Escravatura. Após o abandono da moeda antiga o n´zimbo, começaram a usar uma moeda viva - os homens. Havia ali um quintalão de escravos - era a reserva ou o “banco central. Estas peças humanas eram trocadas por outros produtos necessários ao clero - um exemplo da articulação da Igreja com o tráfico de escravos que sempre tentam amenizar.

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Dona Ana Joaquina dos Santos Silva (1788-1859), mulata de Luanda, bisneta por linha paterna de uma negra forra, foi uma das maiores escravocratas da Angola do século XIX. Era uma mulher poderosa em Luanda, filha de um português e de uma angolana. Conseguiu construir um palácio à altura dos meios de um estado, podendo assim ver-se a potência financeira que ela tinha. O enorme edifício que hoje funciona como o Tribunal Provincial de Luanda, bem na baixa da cidade, substituiu aquele palácio original.
(Continua…)
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:51
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2018
MUJIMBO CIX

CICATRIZES DO TEMPO

- Mujimbo é boato em kimbundo; diz-se por aí… 13.11.2018

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbo – Por T´Chingange em Johannesburg

Esta crónica vai dedicada ao Brasil porque é de lá, a notícia. Baseada no artigo do Alerta Total – Por Carlos Henrique Abrão

O tempo não conta; a verdade é sempre actual! Serenados os ânimo, desfeitas as paixões com baixa na temperatura, o que temos de balanço eleitoral recente. Em primeiro lugar partidos, partidos ao meio, cidadania repartida, uma sociedade em crise e um mar de lama ditado pela corrupção, falta de ética e moralidade com a coisa pública.

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Mas não é só; muita abstenção, votos nulos e brancos - o mais grave resultado da falta de conexão entre o eleitor e os governantes indicando ser necessária uma profunda reforma. Sim! Deverá vir e, sem tardar. Ela já começou com a nova escolha de presidente, é óbvio mediante o voto mas, deve avançar e ser feita com racionalidade e acima de tudo espírito de verdade.

brasil2.jpgA realidade foi marcante. Nunca tantos coronéis perderam voto e nunca se viu na história do Brasil a transformação da noite para o dia em candidatos que jamais disputaram eleições sendo desconhecidos dos eleitores. O que significa dizer um cansaço do modelo e a péssima realidade em se preservar a qualidade de político profissional.

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As movimentações em busca do voto não são simples mas, se há nuvens carregadas e cinzentas no céu também há estrelas novas, governadores jovens e aqueles que aceitaram o desafio de bem servir à população. Municípios deficitários, estados quebrados e União centralizadora, um modelo federativo a ser reconstruído na dinâmica de um enxugamento do Estado.

bra5.jpg Ter 5 mil comunas, e 27 estados – Terá de haver um corte profundo nisto. Passar a ter 3 mil cidades e apenas 15 estados, fazendo uma fusão e uma revolução reduzindo despesas e aumentando a eficiência do Estado. O balanço demonstra que os 3 partidos responsáveis pelo caos perderam suas capacidades de se reorganizar…

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Falando do PT, MDB, e PSDB, rachados, quebrados e defenestrados pelo voto, agora principalmente nesse novo amanhã, será bom reduzir-se os partidos à capacidade de 6; se disserem que é pouco, dir-se-á que não, porque os americanos há séculos se sustentam em 2 partidos vivendo com rodízio entre seus candidatos. E, que assim chegam ao cargo de presidente.

roxo123.jpg Ao financiamento de campanha nada impede que sejam feitos por particulares e empresas desde que limitados ao percentual desejável e nunca se transformar em caixa DOIS, criando uma entidade, a qual se encarregaria de fiscalizar as transferências e apurar crimes. O dinheiro púbico não pode ser sorvido pelos políticos e os serviços públicos ficarem à míngua de bom atendimento. Continuemos assim a revolucionar o Brasil pelo silêncio pela força do voto e ainda na luta da sociedade indefesa.

matrindindi1.jpg É pouco? Sim, é... Mas trata-se dum começo promissor para o Brasil sair do fundo do poço e marchar com suas próprias pernas; acabar a divisão entre rico e pobre, negro e branco, índio e mulato e toda a diferença que desune. Afinal de contas, Brasil é um só povo, e a divulgação dos evangelhos faz toda a simbiose - a Igreja Católica se não defendeu mais o PT, boa parte dela silenciou mas, acreditamos que se arrependeu de embranquecer a esquerda irresponsável, gordurosa e criminosa em um Brasil que se quer digno e civilizado.

Com adendas de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:47
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Sábado, 15 de Setembro de 2018
MU UKULU – IV

MU UKULU...Luanda do Antigamente – 15.09.2018

O tempo dos Mafulos ou Holandeses… Os Talatonas geriam os cipaios no transporte de água das maiangas em barricas a fim de apetrechar as naus…

Por

macuta com soba.jpgT´Chingange – Em Johannsburg

luis49.jpgLuís Martins Soares – No Brasil

A Vila de Loanda foi fundada a 25 de Janeiro de 1576 pelo capitão Tuga chamado de Paulo Dias de Novaes após ter desembarcado na baia de Loanda com cerca de 700 homens (soldados, padres e almocreves). Em 1576 manda construir a igreja de são Sebastião na fortaleza aonde agora se encontra o museu das Forças Armadas Angolanas. Antes da chegada dos Tugas, Loanda já era habitada pelas gentes do rei do N´Dongo concentrando-se no lugar seguro da ilha de Mazenga a que os portugueses chamaram de ilhas das cabras por ter visto ali alguns destes caprinos. Viviam ali os Muxiloandas, oficiais do reino de N´dongo que recolhiam os n´zimbos para transaccioná-los como dinheiro.

luis01.jpg No ano de 1605 a vila de São Paulo de Assunção de Loanda é elevada à categoria de cidade pelo governador Manoel Cerveira Pereira que exerceu seu cargo entre os anos de 1603 e 1606. Não obstante estes dados históricos, o Rei de N´Dongo ou Kongo era o dono e senhor daquele espaço, pois que era ali seu banco central! O banco de N´gola. Seus zeladores Muxiloandas, cipaios e gente miúda laboravam na apanha e sequente selecção atribuindo às conchas o respectivo valor monetário.

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Para se ter uma ideia da relação de valores de então temos que para o Manikongo, 1 galinha valia 30 n´zimbus e uma vaca cerca de 300 n´zimbus, 3000 caurins ou 6000 lufuzus. Podemos então estabelecer uma escala de valores para as unidades monetárias de N´zimbos, Caurins e lufuzus na proporção de 1,1/10 e 1/200. Qualquer invasor daquele espaço era retaliado com severidade ou morte em caso de insubmissão às ordens do reino ou reincidência em actos de roubo. Era esta a lei conhecida por kikongo que se confundia com a morte e de quem os súbditos tinham o maior medo.

luis02.jpg Todos estes funcionários dormiam em libatas feitas de folhas de coqueiro dormindo em loandos ou esteiras feitas por folhas entrelaçadas da mesma árvore. Foi assim e, daqui, que mais tarde se começou a designar aquele como o lugar dos loandos exportando para o reino este uso de estar, dormir e espreguiçar.

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Mas, Loanda de então já tinha sete povoados e foi só em 1576 que o rei N´gola Kiluanji Kiassamba autorizou a fundação de São Paulo de Loanda passando de certo modo a autoridade para Paulo Dias Novaes que aportou ali na ilha da Mazenga levando presentes da coroa de Portugal para o Reino de N´gola e, por intermédio do fidalgo negro Dom Pedro da Silva, que estabeleceu uma aliança entre os N´Gola e o M´Puto.

luis04.jpg Um daqueles sete povoados ou sanzalas de então, era as Ingombotas, caserio que no correr do tempo foram armazéns depósito de negros escravos enquanto esperavam embarque para terras de Vera Cruz o Novo Mundo também chamado de Brasil; um outro povoado era conhecido por Maculussu e, assim se chamava por ser o sítio das cruzes reservado aos Tala-tona que já entendiam e falavam algum português, os chamados assimilados maioritariamente Kicongos.

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Também viviam ali os fiéis macotas do reino de N´dongo ou N´gola; Os mesmos que traziam prisioneiros das guerras tribais, feitos escravos e com quem os Tugas de então negociavam. Bem assim dizer, os cipaios eram destacados pelo rei amigo a fim de serem levados nas naus e tendo os Talatonas como seus administradores mais directos. Eram os M´Fumos, qualquer coisa parecida como capataz e, obedecendo às ordens de Kiluanji Kiassamba seu rei.

luua7.jpg Os Talatonas, geriam os cipaios no transporte de água das maiangas em barricas a fim de apetrechar as naus e a fortaleza bivaque de água potável. Faziam outros trabalhos como a limpeza dos terreiros, fazer os enterros no alto das cruzes ou largar os corpos nas lonjuras do kazenga para pasto de onças e leões. As águas para lavagens na higiene doméstica eram levadas da lagoa do kinaxixe que lá pelos anos sessenta, trezentos e poucos anos depois foi soterrada para dar lugar ao mercado que ficou conhecido com esse nome no tempo colonial.

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Todo aquele caserio era composto de cubatas amontoadas ou dispersas com tufos de vegetação começando a surgir entre os imbondeiros, tufos de bissapas e n´hiwas, pequenas lavras de mandioca e até árvores não autóctones trazidas pelos navegadores negreiros tal com a mangueira, laranjeira, pessegueiro e outros que se foram adaptando como a goiaba, ou o tamarindo. A manga por exemplo é nativa do sul desde o leste da Índia até as Filipinas, e foi através dos anos sendo introduzida com sucesso no Brasil, em Angola, e em Moçambique, mas também em outros países tropicais.

luis40.jpg O nome da fruta manga vem da palavra do idioma malaiala e foi popularizada na Europa pelos portugueses, que conheceram a fruta em Kerala (que conseguiram pelas trocas de temperos). Tenha-se em mente que nos anos e séculos que se seguiram, Portugal era o dono das rotas para as Índias e, dali traziam para o resto do mundo árvores e tubérculos ainda não conhecidos no resto do mundo; um verdadeiro início da chamada globalidade.

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Estando agora emperrado na estória de Loanda no tempo dos Mafulos, terei de partilhar estórias verdadeiras que o tempo lambeu com vagas de esquecimento. Trata-se do Mafulu que deu gente nobre a Angola como a dinastia mestiça de Baltazar Van Dum. Durante os sete anos da presença holandesa e, com o objectivo do fortalecimento do tráfico negreiro rumo às lavouras de cana-de-açúcar no Brasil e ilhas do Caribe sobre seu domínio, o projecto da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais afirma-se aqui em N´Gola com alguma dificuldade.

luis54.jpg Nota: É esta um participação para a verdadeira estória de Angola a custo zero… Luís Martins Soares e T´Chingange vão ter de ser incluídos na antologia Angolana…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:02
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCI

FRINCHAS DA VIDA – 23.07.2018

-Angústias de megalomania… Dentro da teoria do NADISMO; Um PRÓGNOSTICO que, nem é carne nem peixe – é NADA!

Por

tonito 20.jpgT´Chingange Na Quinta das Telheiras de Vila Real de Trás os Montes

Ando a revestir-me de uma armadura contra a megalomania daqueles que julgam possuir uma chave de abrir uma quelha que dá para várias galerias e, aceitando depois a arte natural feita pelas formigas, térmitas salalés, do kissonde ou, mesmo dos ácaros que tracem esculturas ou desenhos aleatórios nos húmus das paredes.

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Nos húmus das paredes ou também de nossa pele, tornando-os espíritos da liberdade, sacrificando-nos como cobaias como que uma sublimação a que Freud se refere, citando coisas da arte, da ciência, do desporto e da política; os mesmos feitos do salalé visando assim sublimação na criação artística.

roxa112.jpg Será assim que se opera a solicitação no imaginário!? E, então em qual húmus se vai desabrochar a imaginação? Qual o móbil através da qual a criatividade se transforma em criação? Sim! Em que virtude determinamos se, se vai escolher perante os tantos mistérios, quais os instrumentos e em que alicerces?

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Pois! Teremos assim e, em suma, o porquê do porque se destinam algumas pessoas à realização de obras plásticas e outras artes com ou sem o brilho fosfórico do imaginário, somando-se à criação de obras literárias!? Sim! E, de entre estas porque pertencerão algumas à teoria do esquecimento, do engano ou mesmo hipocrisia.

roxo152.jpg E, porque fazem poemas mentirosos de numa química misturarem angústias com amor só porque estupor, ruma com amor! Então e, afinal, quais as frágeis linhas decidirão a fronteira entre a exigência e os ensaios narcisistas? Serão as térmitas também narcisistas!? Não farão estas, parte das obras de Joana de Vasconcelos, um hino à futilidade! Que interesse poderá ter para alguém se na ida proálem, seu caixão leva ou não um penduricalho rendado.

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Serão as salalés e as suricatas representantes da fluidez de seus sonhos, se é que sonham! Este caminho louco da mais descarada arbitrariedade, leva-me à química mais natural da natureza, do NADISMO, pois que é daqui que tudo surge, um estranho paradoxo ou uma dinâmica ambígua da excitação, exsudando estigmas das alucinações ferozes ou inibições paralisantes, um gesto único de cada vez, como num coito.  

roxo110.jpg Sendo assim, a natureza terá como lei a obtenção dos seus fins pelos meios mais económicos. Não se entende bem do porquê Aristóteles ter dito tão claramente que a arte é uma anti natureza! Claro que tenho dúvidas. Porque o NADA, surge-nos a partir dos mecanismos psíquicos da criação. Não é por acaso que só agora, no ano de dois mil e dezoito, se sabe que os neutrinos estão a quatro mil milhões de anos-luz e, vêm a até nós desde o NADA do Big Bem…  

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Neutrinos que se escondem no NADA dos buracos negros e que nos trespassam literalmente. Digamos que os neutrinos são partículas elementares muito fugazes, que têm massa, carga eléctrica nula e que se interagem muito pouco com a matéria, incluindo o nosso corpo, que atravessam aos milhares de milhões por segundo sem grandes interacções. Por isso, a sua detecção ser tão difícil.

roxo11.jpg Os neutrinos do electrão são emitidos em enormes quantidades pelo Sol, onde são produzidos por reacções nucleares. À Terra chegam 65 mil milhões de neutrinos por segundo e por centímetro quadrado. Simplesmente espantoso! O NADISMO diz-nos que o que é falso na obscuridade, também o é em plena luz e, que o seu inverso também é verdadeiro.

roxo169.jpg Assim tolhidos pela dormente ineficiência do NADA, impõem-se-nos evidências tão terríveis que nos darão decerto novas formas de aconchego aos verdadeiros principios da vida! Ao longo de uma viagem através de culturas, de línguas, literaturas e eras, esta imagem só ficará, se ficar, uma teórica e diferente visão do nosso viver.

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange  

  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:40
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2018
XICULULU . CIX

TEMPOS QUENTES - 20.07.2018

– BOOKTIQUE DO LIVRO - I

Xicululu: Mau-olhado

Por

soba0.jpeg T´Chingange, vulgo António Monteiro

Mary0.jpgUm Desafio de Maria João Sacagami

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

Mary1.jpg A MINHA EMPREGADA - Obra de classe, escrita com um elegante humor, uma prosa límpida como o vidro que é o líquido mais espesso que conheço. Tem um ritmo gracioso e uma fluidez de maravilha. Tal como o vidro, escorrega num mistério que só descobri quando visitei a casa velha de passar férias em Alcantarilha do Algarve, propriedade de Ramalho Ortigão; vi nesse então que o vido da janela já rachado era muito mais grosso na base. Era para mim um desconhecido mistério mas, uma verdade difícil de compreender.

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Falando da minha empregada empoleirada no meu criado mudo, direi por agora, que é negra e encarregada da rouparia branca de um hotel em um país chamado de Uganda. E, tudo começa em um dia em que o Sol brilha sobre os campos e, a roupa branca do hotel a ser um rosário buliçoso feito missanga a corar. Estávamos a gozar a kúkia (sol) num fim de tarde em Campala na companhia de Mary…

Mary2.jpg Com trinta anos nascidos num mês de Outubro, Mary a minha empregada dizia que poderia ter-se saído melhor na vida caso tivesse tirado uma licenciatura mas, de todo o modo sentia-se bem no papel de encarregada da rouparia de roupa branca, um bom emprego, apenas abaixo da governanta. Eu e ela, afinal, aprendemos a dar-nos por felizes por não termos agora uma revolução de ter medo, de correr, ou nos fecharmos num mukifo acumulando enlatados e pacotes de comida à espera dos boatos.

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Ela lembrava-me a chacina do Idi Aminm Dadá e dum tal de Obote da sua Uganda e sua Campala e eu relembrava os dias de desespero às ordens dos revolucionários da Luua, a capital de Angola. Temos de viver um dia de cada vez. Há coisas que perdemos, coisas que sofremos mas agora, o Sol cintila. Apesar do tiroteio que ouvíramos durante a noite naquele então, e dos assassínios que aconteciam não muito longe de nós, o riso ainda nos voava dentro do peito como uma celeste, um cardeal ou outro qualquer passarinho.

Mary3.jpg Falando assim, nossos corações começaram a bater com força, buzinando-nos em todas as direcções, prendendo-nos o futuro em recordações num tempo em que ambas as cidades estavam pejadas de escaravelhos de metal feitos obuses, caranguejos feitos órgãos Staline e canos compridos de meter medo chamados de monacaxitos mais canhões sem recuo. Eram guerras de tundamunjila.

Mary4.jpg Os anos que passamos noutros nossos lugares, contamo-los como se fossem missangas enfiadas num fio. Era um tempo em que surgiam guerrilheiros como ratos, nos lugares mais surpreendentes. Surgiam dos bairros com fitas cruzadas cravando uma gasosa, um cigarro, uma qualquer outra coisa de valor extorquido ao medo. Afinal eu e Mary tinhamos muitas queixas. Ela falando de Campala e eu da revolução de Lisboa que, nos virava de pernas-para-o-ar.

Mary5.jpg Se pudéssemos adivinhar o futuro naqueles idos anos, tê-lo-íamos rogado com uma praga porque não nos foi permitido falar com um tal de marketing adstrito a uma força chamada de MFA e, aliada a um tal de MPLA que na sua força de ódio nos empurravam a ambos para o desespero. Ela não sabia que lá na Luua todos desconfiávamos que os generais emergentes feitos em aviário do M´Puto, mentiam descaradamente enquanto só ganhavam tempo para preparar a sua descolonização.   

Mary6.jpg Mas afinal isso foi assim!? Não vos consultaram!? Foi muito pior, disse eu: Todos teríamos uma palavra a dizer, diziam as novas autoridades mas, aconteceu exactamente o contrário disto. Acabei por dar um ponto final ao nosso encontro mostrando-lhe uma quitandeira com um balaio de fruta na cabeça, levando um filho às costas, seguro por um pano com a esfinge de Agostinho Neto enrolado a seu corpo. Podia-se imaginar o bambolear do mataco materno com o candengue adormecido sacolejando a cabeça ao ritmo dos passos da mãe.

mary7.jpgMary8.jpg Ela, a Mary, tal como eu, sabia que por debaixo desta normalidade aparente, havia uma grande ebulição. Afinal eram mesmo duas revoltas com nervosismo remanescente pela tardia verdade: Afinal disse ela, era preciso ser preto para se ser considerado Angolano? Talqualmente, disse eu! Olha, os donos de lá, partiram definitivamente, os serviços públicos ficaram sem funcionários. Foi um país que encerrou para dar começo a outro!  

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:29
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Domingo, 24 de Junho de 2018
MAIANGA . XXII

MANIKONGO E MARACATU

- UM SÃO JOÃO COM SARDINHAS - 24.06.2018

- Porto, Braga, Maceió, Caruaru e, Luua – A sangria, o caldo de feijão, a coxinha de galinha, chouriço e o ananás recheado de velho barreiro com muito gelo ou o marufo da kassoneira do Sumbe…

Maianga é um bairro da Luua - Angola, meu berço tropical.

Por

soba15.jpg T´Chingange

AS FESTAS JUNINAS ... Junho, mês das festas populares é festejado por toda a kizomba do Mundo Tuga; as marchas, os casamentos, o saltar da fogueira, o baile de mastro o xodó e forró pé-de-serra, fazem parte dessas manifestações na diáspora portuguesa. O maracatu, sendo uma manifestação junina pouco conhecida em Portugal, tem a sua representação maior no Nordeste Brasileiro mas também em Belém do Pará com sem bumba meu boi. E temos o alho-porro lá do Porto, carago!

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O Maracatu, originário da coroação dos reis do Congo, antigo Manikongo, foi transposto pelos escravos idos de Angola e Costa do Marfim para as explorações de cana-de-açúcar. Festa dos quilombolas bem à maneira dos trópicos africanos conjugando nos dia de hoje festividades de tribo com santos coloniais.  

festa1.jpg Hoje o S. João, festeja-se um pouco por todo o centro do Brasil, mais no Nordeste e em seus quilombos que se estendem até o Pantanal de Cuiabá e Poconé já muito perto da Bolívia. É uma festa e tanto. O cortejo de coroação real composto de rainha, rei, príncipe, princesa, ministros, conselheiros, vassalos e porta-bandeira vestidos de cores extravagantes, saem às ruas em grupos ou quadrilhas para energizarem a vida.

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Maracatu é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana afro-brasileira e ritos cristãos saídos de Portugal a comemorar os populares santos de António, João e Pedro. É formada por uma percussão que acompanha um cortejo, uma instituição que compreende um sector administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança.

fig3.jpg A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei do Congo. A nosso Kizomba, fazendo registo deste património não pode ficar alheio e, com seus chocalhos, concertina, guizos e tambores junta-se à plebe, à folia para alegrar nobres, sábios, cipaios, homens ricos e M´bikas (escravos) que se devem juntar ao evento com balões, alho-porro, martelinhos e fogo-de-artifício.

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A ciência leva-nos a pensar que o Universo nos é inteiramente racional ou matemático mas, nas festas populares, com aquele tintol, tudo pode acontecer. Beba a festa carago!... Se não tiver alvarinho venha o vinho… Atento às passadas e calcanhar de Cristiano fazemos figas, damos as mãos uns aos outros fazendo uma corrente mas, cinco passos cadenciados, pernas abertas, olhar de raio laser e zás-trás, chute e xissa! …

flor6.jpg Também isto é parte de São João com fumo de sardinhas e pucarinhos com delícias de bolo podre e as esculturas ditas cascatas do Santo mais os manjericos e sumo ou suco de erva-cidreira, capim santo ou caxinde. A bola do Ronaldo que fez aquela mágica curva, que nos faz roer as unhas dos pés, colou-se-me ao cerebelo. Venha mais um triciclo ou uma bicicleta de todo o terreno.

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E, a queixada do Santo António a triturar-nos a ira com jeito de surda raiva pelo Santo, que nada fez quando não faz e, no faz quando acha a agulha. As festas juninas estão aí, Porto e Braga e também no Brasil com o Xodó e a zabumba mais reco-reco e berimbau. Não vou fazer a habitual fogueira, nem saltarei de costas, nem mais irei confiar na sorte sortuda porque me posso lixar.

santo2.jpg Amigão kaluanda da velha Luua fica também connosco, bebe uma bolunga, ergue a taça que vamos ter pela frente outras mais oportunidades de fazer muxima e ongweva (saudade). Prepara a catana p´ra pintar esse emaranhado de cabeleiras a piaçaba, carapinha, as cores do M´Puto com um garrafão a fingir de balão. Deixem-se de quezílias, tretas e matumbice… A estória não se compadece com burrices, Tambulakonta…

maracatu2.jpg Vou dizer ao meu santo preferido que dê uma volta ao bilhar grande se não estiver disposto a dar-nos a victória contra o Irão do Carlos Queirós. Santos de Junho, Santo António, São João e São Pedro com gaitas, berimbau, sanfona, acordeão e concertina e muito manjerico com quadras lindas! Podia ser melhor, mas foi isto que me saiu… Mungweno… Cantai, Cantai, raparigas, Cantai sempre ao S. João, Porque, ele paga as cantigas, Com muito bom coração.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:39
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Quinta-feira, 31 de Maio de 2018
MUGIMBO . CIX

CICATRIZES DO TEMPO – 31.05.2018

- Mito do Caminhoneiro - O Brasil é um caminhão sem motorista, descendo a ladeira... Cientistas Políticos - divirtam-se..

PorJorge Serrão - serrao@alertatotal.net

kimbo 0.jpg As escolhas T´Chingange via Alerta Total

O Movimento dos Caminhoneiros vai entrar para a História como um fenómeno de mobilização dos brasileiros contra a sacanagem praticada pelo regime de impostos do Estado-Ladrão brasileiro. É por isso que, apesar dos prejuízos económicos e dos transtornos individuais e colectivos, aquilo que a imprensa sacanamente chama de “greve” conquista um gigantesco apoio popular.

caminhon0.jpg Um vídeo do cantor Roberto Carlos, em um show, apoiando os caminhoneiros não é um mero acto oportunista de marketing. É a legitimação de um movimento que vai muito além dele mesmo e que tem tudo para derrubar um desgoverno que já caiu e finge que não sabe. O que acontece agora é um repique do vem acontecendo desde 2013, incluindo a combustão (nem tão espontânea) que “golpeou” a Dilma.

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Os ideólogos tradicionais foram atropelados pela realidade. Geralmente a serviço de partidos (sobretudo da “esquerda revolucionária”), os autoproclamados intelectuais orgânicos foram ultrapassados pelo pragmatismo da massa. No vácuo de “pensamentos” e ideologias que foram ultrapassadas pela evolução dos tempos, surgem movimentos populares legítimos e espontâneos.

caminhon5.png O “Caminhoneirismo” é uma destas novidades que mistura mais emoção que razão, mais pragmatismo que academicismo. A figura lírica do caminhoneiro desperta no coração dos brasileiros um alento de esperança. O motorista parado e mobilizada via Internet passa por cima das manipulações de sindicalistas. Os brasileiros os enxergam como “heróis” que enfrentam um governo corrupto e incompetente.

caminhon1.jpg Se faltou combustível caríssimo na bomba do posto, sobrou combustível para incendiar a opinião pública. O Movimento dos Caminhoneiros conseguiu popularizar, ainda mais, a “tese” da “Intervenção Militar Directa” – que incomoda 11 entre 10 oficiais-generais das Forças Armadas e que também apavora os controladores mediáticos e a esquerda que não consegue entender o que realmente acontece no Brasil. Tanto que nem deu certo – e nem podia dar – a infeliz ideia do governo botar os militares para reprimirem os “grevistas”...

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No momento, o único perigo é o caos gerado. Oportunistas revolucionários já promovem acções de terrorismo. Cedinho, em São Paulo, “colocaram” fogo em pneus na rodovia Raposo Tavares, no sentido da capital. Certamente, o acto criminoso não foi praticado por caminhoneiros. Esta táctica de terror é geralmente adoptada pela extrema-esquerda, tipo MST, MTST e porra-loucas afins. Sabotagens assim são previsíveis... O objectivo táctico é gerar medo na população...

caminhon3.jpg O governo apostou conforme o previsto nos paliativos. Determinou um desconto de R$ 0,46 centavos do gasóleo por 60 dias. A promessa é reduzir em R$ 0,11 o PIS/Cofins e R$ 0,05 a Cide do gasóleo. Depois, haverá reajustes mensais. Também foi determinada a isenção da gratuidade n a portagem (pedágio) para caminhões com eixo elevado. Michel Temer fez um pronunciamento na TV para anunciar as principais medidas. A reacção popular foi na base dos panelaços em várias cidades.

brasil2.jpg Importante é que as pessoas percebam que tudo que acontece agora é apenas o prenúncio da mais grave crise nunca antes vista na História desse País. Já estão em andamento (com ou sem combustível) os indicativos do caos no presente de um futuro cada vez próximo... O Brasil é um caminhão sem motorista, descendo a ladeira nas barrocas (banguela)... 

Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Relator: T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:02
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
MOAMBA . XXI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 23.05.2018

O INTERESSE manobra tudo e todos – Ao ser contador de estórias fico dividido entre um postulado e um axioma…

Muamba: É um prato típico de Angola preparado com galinha e dendém mas pode ser também negócio ilícito com venda de contrabando (Brasil) …

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Foi na Grécia antiga que se inventou a obra-prima do pensamento humano, um campo de dedução, que segundo uma proposição de sequência a um sistema lógico o quanto baste, na exactidão e na provocação da dúvida. É esta razão humana que autoriza o espírito a ter confiança em si mesmo para qualquer nova arquitectura na forma de construção de uma ideia.

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É despertar aos demais com sua inteligência, sua astucia e poder criativo desfrisar entusiasmo no ser capaz de com um pensamento lógico ou nem tanto, por si mesmo, mostrar uma resposta com alguma realidade. Os poetas, tal como os feitores de assuntos, arrumando suas palavras fazem coincidir o belo com o sonho; a partir do nada desmontam castelos pedra por pedra a partir do topo, implodindo-o ou fazendo uma grande explosão.

roxo150.jpg O destino de cada individuo que se entrega apaixonadamente ao mundo das deias, encavalitando as letras na lógica da semântica, falando de gíria, anexando sufixos e prefixos e até misturando línguas moribundas ou mortas, condena-se a fugir de casa se entra pela política mascarada de democracia.

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Numa condenação sem definitiva ou suficiente salvação ou, simplesmente para sarar as feridas do corpo e mente, vai-se dilatando no tempo, apalpando as intenções de filhos, seus anseios, sua felicidade, a permanência com o varão primogénito, suas indecisões, turbulências e devaneios; um turbilhão de anseios que se misturam com sarcásticas ideias, um maldizer de idiota com adjacências escumbalhadas…

araujo 25.jpg Apalpando as medidas da natureza do Senhor, daquelas alheias ao homem e, porque cada um tem de viver o seu destino procurando os carreiros por onde se levar e, para onde há-de levar suas acções, suas palavras sem certificados ou procurações de intenção e pretensão ruma

-se na imensidão da solidão.

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É assim o que se espera de um contador de estórias ao organizar os factos ou não, de um modo inconsciente e, em função de ideias subjectivas que a sociedade envolvente lhe sugere. Juntar amor e angústias, raivas ou ódios e até boatos com inventação de todo o conhecimento numa triagem da realidade e da experiência.

roxo106.jpg Por isso dizer-se não dar crédito ao que se diz mas, julgue-se isso sim, naquilo que alguém produz! Tal como a abelha produz mel e própolis, o contador de estórias produz lazer, formula opinião, inventa, mente para transmitir algo de sua lavra. Ao se analisar o desenvolvimento de um pensamento sempre surgirá um confronto de várias componentes tais como a razão, o empirismo ou a ficção.

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Até hoje ninguém teve coragem de dizer que o Adão matou o Abel com um pontapé nos tomates! E, todos ficam espantados de se dizer isto desta forma mas, é logico que o matou duma qualquer forma, esta é até a mais plausível! Nesse tempo não havia urólogos para medir a ejaculação precoce, a falta de estímulo, apalpação nas mazelas do saco da próstata! Infelizmente o homem não pode ter tudo no mesmo lote: Tempo, dinheiro e tesão…

araujo92.jpg Quando tem tesão não tem dinheiro - é a juventude; quando tem dinheiro, não tem tempo - pelo trabalho; quando tem tempo e dinheiro já não tem tesão - porque está velho! Todos sabem disto mas, raramente o dizem sem ficarem livres da chacota. Diga-se o que melhor aprouver sem se desprezar alguns conceitos ou principios…

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Principios que se revelam como invenções espontâneas do espírito humano; um simples casualismo, causalismo ou uma outra qualquer razão. Até é possível que isto se possa transformar em uma equação matemática de uma ordem por conhecer, pois que só sei que juntando zero com zeros, zeros dá!... Na lógica tradicional, um axioma ou postulado é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria…. ( Estas duas última linhas  são a logica da Wikipédia)

Ilustrações de Assunção Roxo e Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:26
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2018
CAZUMBI . XLIV

MIAI – CORURIPE DO BRASIL - COMO SINTO O MUNDO - VIII21.05.2018

Brasil – o dia da mudança…

Por

soba15.jpgT´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Assisti aos debates televisivos do STF – Supremo Tribunal Federal, Rede Globo nos dois dias que antecederam a prisão de Lula e, de assombro em assombro fui ficando translucido com a flexibilidade da justiça brasileira, sua peculiaridade de protelar “o facto” rebuscando inexistentes frinchas da lei. Foi quase horrível para não dizer repugnante testemunhar o vigor retórico de ministros ditos conceituados, tais como Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Toffoli, e Lewandowski, alegando defender os pobres.

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Votando favoravelmente nos corruptos bilionários, já de si, defendidos em demasiado nos seus interesses por dispendiosos advogados; no abono a Lula, claro! Um dia marcado pela mudança através dos votos de Carmem Lúcia, a presidente do STF e Rosa Weber, duas mulheres que marcaram a diferença em defesa da Constituição Brasileira. Um cinco a quatro pela legalidade.

lampi2.jpg Eu estava em pulgas! A eloquência demagógica e populista daqueles quatro ministros estava a ser escutada na certa, pela nata prisional dos maiores mafiosos; arrepiado dos artelhos ao cocuruto do cerebelo, via o quanto isto não seria um abre-te-sésamo para criminosos de alto e baixo gabarito.  

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Mas, foi com agrado de susto que tudo alterou com o voto da Ministra Presidente Lúcia. O resultado de cinco contra quatro na não execução do tal de Habeas Corpus; de todo o modo, transparece a triste ideia de um país aonde a lei anda manca. Não consegui arregimentar em mim a suficiente alegria para comemorar com a devida efusão, fechando assim o círculo de impunidade, descaso e bagunça.

lampião7.jpg Sérgio Moro, só demorou vinte minutos para lavrar o mandato de pisão ao ex-presidente Lula; sem algema, sem confronto, e esperando até às 17 horas de Sexta-feira, em um dia seis de Abril. Não foi assim mas, por fim os kazukuteiros da lei, lá acordaram que seria só após a missa em homenagem à sua esposa, de Lula, lá pelas dez horas de domingo.

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E, assim foi, bem do outro lado da sede dos Metalúrgicos de São Bernardo dos Campos em São Paulo. O dia da mudança surgiu por fim! As hostes do PT - Partido do Trabalhador em momento algum baixaram os braços em defesa do seu mártir argumentando ser claramente por acção distorcida duma Constituição estrupada! Foi um filme ruim de assistir; o cangaço no seu mais elevado expoente quase vencia. Viva Lampião! Só sou eu a dizê-lo, aqui no meu mukifo que ninguém me ouve…

dracma5.jpg Visto de longe, este espectáculo dá para ficar preocupado com o manuseamento da lei. Triste sina a minha de cruzar o mar entre Brasil, Portugal, Angola e África do Sul assistindo a esta falta de credibilidade incestuosa de quem faz a lei. Cambada de gente que estuda para nos escravizar!

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Fiquei ciente de que o aviso do General Villas Boas, Comandante em Chefe das Forças Militarizadas na tarde do dia quatro de Abril de 2018, era no sentido de que se tudo descambasse o exército entraria em cena para repor em seu lugar as instituições. Gostaria que o nosso chefe das Forças Armadas e Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tomasse esta postura. Angola é para esquecer por enquanto! ….  Ainda bem que por cá, foi como foi! Assim deste jeito débil! Mas que a coisa esteve preta, lá isso esteve!

Nota: Crónica escrita em Miai a 07.04.2018

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:23
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Sábado, 19 de Maio de 2018
MOKANDA DO BRASIL . XI

METÁFORA DA VIDA . NAS CINZAS DO TEMPO – 19.05.2018

Por

soba0.jpeg T´Chingange No Nordeste brasileiro

No Brasil de hoje as perspectivas não são das melhores. São mesmo tristes, considerando o facto da instabilidade política. O brasileiro perdeu a confiança em todos os políticos tornando imprevisível o destino próximo do país. A percepção de falta de confiança na escolha de um novo presidente, abre caminho a neófitos que devido à falta de competência para o cargo, pode daí advir muito dano para o país.

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As duas maiores vitórias de Fernando Henrique Cardoso, foram a estabilidade económica e a previsibilidade política. Será agora ridículo apostar em um cidadão sem revisar seu curriculum até se chegar à conclusão de ter ficha limpa para exercer o cargo. O êxito da justiça brasileira dos últimos tempos não pode afrouxar mais recorrendo a soluções de entorpecimento d ontem por compadrio com o poder do PT.

brasil1.jpg Lula é o passado que falhou e aqui, têm de se pôr um ponto final e tirarem ilações dos polvos que a promiscuidade corrupta pode originar; Lula é um passado que falhou. O brasil, por ser quase um continente em suas lonjuras, fronteiras demasiado permissivas e por ter muita desigualdade, requer um modelo de governo não populista, talvez do centro- esquerda porque por ora, a social-democracia foi imensamente atingida neste escândalo de corrupção, mensalão e petrolão com lava-jato. 

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O Mundo está a mudar e tirem-se ilações a partir da opção do Brexit na Inglaterra, da escolha de Emmanuel Macron em França, do surgimento, geringonça em Portugal e da dificuldade de formar governo tanto na Alemanha como em Espanha. Neste momento é a Itália que está em palpos de aranha e até mesmo a escolha de Trump para governar os E.U.A. um perfeito exemplo de populismo de direita. Isto tem seus riscos, porque as pessoas já não aderem por ideologia mas pelas promessas que lhes mudarão a vida no quotidiano.

bra5.jpg Há o grande risco desse populismo, se não for combatido pelo esclarecimento, poder tombar para a esquerda como a gestão de Hugo Chaves e seu sucessor Maduro. Ao Brasil parece-me não ser útil, nem um nem outro. O actual Presidente Michel Temer tem tentado fazer reformas mas, não consegue completar seu trabalho, por não ter legitimidade para o fazer e, de forma mais drástica, já que não foi eleito.  

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É preciso um novo presidente com capital político para fazer as reformas de que o Brasil necessita. Inteirando-me das ideias de um economista e comentarista do Financial Times, Martin Wolf o trabalho é grande e, este, não está certo de que um próximo presidente esteja apto a faze-las: reforma tributária e trabalhista, investir em infraestruturas e criar políticas públicas que aumentem a poupança privada.

bra4.jpg Mas, e também tocar na reforma fiscal, nas aposentadorias e previsão de gastos no futuro. Quando a Martim Wolf se lhe perguntou sobre possíveis candidatos para Outubro, para estranheza minha disse que Bolsonaro, um candidato que se alinha na frente, lhe parece completamente maluco. Quando os adivinhadores apostam nele, este conceituado cronista afirma que este é capaz de levar o país à ruina.

pal01.jpg E, diz que Donald Trump beira a normalidade ao lado de Bolsonaro. Trata-se de alguém que não sabe o que diz e, que parece não ter noção do que significa governar. Esta perspectiva é algo muito trágico e muito triste, pois que representa uma grande perda de potencial para o Brasil que tem recursos abundantes; conclui mesmo dizendo: colossais. Finalmente remata – é uma pena!…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2018
MOKANDA DO BRASIL . X

ANDO ENKAFIFADO – 17.05.2018

Crime politico? Em nenhum regime democrático deste planeta existe isto, ou deveria existir!…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

O Brasil não tem a menor hipótese de ser confundido com um país sério. Tem um tal de “FP - Foro Privilegiado” que protege nada menos do que 55000 pessoas em todo o Brasil; e, não se limita só a políticos. É assim impossível pensar num país sério, na qual existam tantos cidadãos que têm uma licença virtual de cometer crimes, pois o tal de FP, na vida real, torna praticamente impunes os criminosos que contam com esse privilégio.

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Já o presidente Charles de Gaulle dizia há muitos anos atrás que o Brasil não era país para ser tomado a sério. Nunca aconteceu em nenhuma democracia do Mundo, em qualquer época um caso de político que tenha sido preso por fazer política. Nem se vai ouvir dizer isto porque, numa democracia, a actividade política é livre; a menos que tenha a ficha suja! 

beldr7.jpg Nenhum político precisa de FP ou “IP - Imunidade Parlamentar” para se proteger de qualquer tipo de perseguição quando está no exercício legítimo de seus direitos e funções. A lógica certa é a de ser processado como todos os demais cidadãos, se roubar o cofre do governo, dar um tiro num qualquer sem-eira-nem-beira ou camelô do bairro.

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Agora crime politico, isso não existe! Existe sim é o crime apontado num Código Penal, e quando alguém comete um crime, tem de responder por ele na justiça comum. Tanto faz que seja deputado, governador ou astronauta. Sendo acusado de um acto criminoso, que arrume um advogado e se defenda. Se nada disto sucede de proibido nas leis penais, não é necessária qualquer imunidade.

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Qualquer pé-de-chinelo, Joaquim ou Manel, entende isso num instante! Só não entende isto os políticos, alguns intelectuais adstritos e, que aparecem na imprensa ensinando como funciona o Mundo. Em verdade não querem entender. O que eles querem, isso sim, é impedir que os homens públicos corram o risco de ir para a cadeia. Falo do Brasil, mas em Portugal é a mesma vrgonha…

brasil5.jpg E, as anomalias sucedem não apenas por corrupção, como é normal esperar dum novo individuo que através dum partido-gang entra na vida política mas, por qualquer crime já concebido e praticado pelo ser humano e, desde que Caim matou Abel com um pontapé nos tomates!

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Neste cardume prodigioso de imunitários entram o Presidente, todos os ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas, governadores, senadores, deputados, prefeitos e os ministros dos “tribunais superiores“ como o STF (Supremo Tribunal Federal) ou o STJ (Supremo Tribunal de Justiça). E, até os concelheiros dos tribunais de contas, procuradores federais e estatais ou desembargadores…

brasil2.jpg - Enfim, é mesmo um milagre que não tenham enfiado aí os juízes e bandeirinhas de futebol. Em lugar nenhum está dito que há dois tipos de roubo – o cometido por um qualquer meu vizinho ou o cometido por um desses 55000 portadores de “Foro privilegiado”. Crime é crime! Não há crime político, ou há!? Pode até ser daí derivado mas, uma coisa é uma coisa e outra coisa é uma outra coisa, certo!

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Ando por aqui encafifado com as “últimas instâncias”- “segundas e terceiras instâncias“ e, agora para cúmulo, surgem os “embargos de declaração” mais os “embargos infringentes”. Se o senador, deputado ou desembargador praticar algum crime, deveria ter de percorrer os trâmites da justiça comuns a todos os outros. Deveria!?

garças7.jpg Vão ter de ser indiciados, proceder ao inquérito policial, denunciados, julgados e punidos. Tudo o mais, o povo não vai entender. Ou as leis, são feitas para os senhores juízes mostrarem sua sapiência enrolando os demais numa conversa de não acabar nunca! Conversa de faz-de-conta em língua da patagónia ou Conchinha de  baixo, que ninguém entende patavina.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:23
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2018
CAZUMBI . XLIII

MIAI – CORURIPE DO BRASIL

- COMO SINTO O MUNDO - VII16.05.2018

Grande filho da mãe …

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Estivesse eu na Lagoa do M´Puto e seria neste dia 13 convidado pagante ao jantar das Sextas-feiras, o dia das bruxas promovido pelo Professor Herrero com a participação de ilusionistas, mentirosos e outros malabaristas. Decerto iria assistir a coelhos saindo das cartolas de copa alta e pombas brancas de finos lenços de cetim; confettis voando como borboletas por cima de nossas cabeças entre luzes de pirilampos digitais.

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Mas, estando eu em Cururipe, no lugar aonde paparam o primeiro bispo do Brasil com o nome de Sardinha, irei descrever uma passagem ortodoxa de um padre chamado Nildo (Onildo Tenório Vilanova). Prestes a ingressar na aposentadoria, o padre Nildo, velho malcriado e com uma língua afiadíssima, por assim dizer de trapo, licenciou-se da paróquia, quersedizer, saiu de sua função de prior por via da idade.

balba1.jpg O dizer licenciou-se, é no sentido de obter licença para, ao invés do político português chamado de Rangel, um ministro governamental do PSD que se licenciou na cátedra da política depois de tanto bater à porta do poder. Um dia deram-lhe mesmo licença para entrar e assim desta forma simples ficou licenciado. Parece uma coisa cómica mas com pontos e vírgulas de compadrio, lá formataram sua licença à medida de ficar um senhor Ministro.

lampião35.jpg Abandonemos este transbordar de palavras cochas e voltemos ao assunto do padre Nilo, licenciado da paróquia que comandava no agreste pernambucano. A fim de resolver problemas de administração, trâmites relacionados com os seus paroquianos no rol da fé em Cristo, entre outros de seu interesse particular, desceu do velho e poeirento ónibus no antigo terminal rodoviário do Recife que ficava bem no subúrbio.

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Optou por tomar um táxi para chegar mais rápido à sede da Arquidiocese, aonde se reuniria com o Senhor Arcebispo. No ponto respectivo, padre Nildo, tomou o táxi dizendo ao motorista: - Por favor, leve-me até ao centro da cidade (…). O taxista, um sujeito mal-encarado e fedorento, arrancou com o carro puxando a mil cavalos e, começou a dar voltas e mais voltas, por tudo quanto era de praça e pracinha mais alamedas até estacionar minutos mais tarde na porta da Arquidiocese.

Cicero2.jpg Vai que padre Nildo botou o olho no taxímetro e tomou o maior susto, pelo que protestou: - Mas, isso é um absurdo, meu filho! Esse valor que o taxímetro está marcando é uma exorbitância! Na maior cara de pau o taxista respondeu ao sacerdote: - Olhe seu prior, estou cansado de pagar a vosmicês tudo para a igreja – É baptizado, é casamento, é crisma, é missa do sétimo dia, é funeral mais santinho, quermesse e o escambau, sabe!

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Por isso o Senhor Padre, vai ter que pagar o que deu no taxímetro, visse! Padre Nildo respirou fundo, tirou a mão do bolso da batina preta, retirou uma carteira de notas e separou as cédulas na conta dando ao cara dizendo: - Muito bem meu filho…. Aqui está! O motorista de cara fechada pegou o dinheiro, passou o troco ao religioso e, quando ele descia do veículo, virou-se pró sujeito e disse:

roxo90.jpg Háhh, quando a sua mãe resolver largar aquela vida do garimpo, lá no Bataklan, visse… Pode levá-la à minha paróquia que eu faço o casamento dela de graça, ouviu!? Pude imaginar o padre no átrio da Arquidiocese olhando pró céu, falando com Seu Senhor superior, muxoxando baixinho: Grande filho da Puta!       

Nota: Crónica escrita em Miai a 13.04.2018

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:50
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Terça-feira, 15 de Maio de 2018
KALUNGA V

MOKANDAS XINGUILADAS

- A DOENÇA DA DEMOCRACIA E A ECONOMIA DA CORRUPÇÃO – 15.05.2018

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi. 

Por

soba15.jpg T´Chingange – Desde o Nordeste brasileiro

O combate à corrupção deve ser feito em prol da justiça social, da dignidade dum povo e seu desenvolvimento humano e económico. É o avesso da vingança porque o Estado ao sangrar uma empresa até à morte devido a procedimentos judiciais e da incapaz indeminização, causam inevitavelmente muitos danos. Em vários países com este cancro social mas especialmente em Portugal, a acção repressiva, nosso modo de combate à corrupção, não actua sobre as causas.

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Ou as leis existentes são inadequadas ou faltam leis que racionalizem com moralidade as inevitáveis pressões que a sociedade civil (nós) exerce de forma organizada ou nem tanto sobre os governos, governantes e demais agentes públicos. A corrupção resume a profunda indisciplina jurídica das relações entre Estados ou entre estes e as empresas.

temer4.jpg Veja-se como exemplo as operações judiciárias de Lava-Jato no Brasil e da Fizz em Portugal. Das pressões que o M´Puto sofreu no caso de Manuel Vicente por parte do Presidente JL de Angola, entre várias figuras de destaque que mereciam ser chamados de figurões dum Mundo Cão. Pressões que levaram à deturpação nas atitudes dos nossos directos dignatários, digo eu!

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Não há trabalho sem empresas, não há empresas sem Estado e, não haverá Estado sem trabalho e sem empresários. É uma afronta ou ataque a um outro Estado que por via diplomática nos dá ideia de um grosseiro descuido que em benefício de uns poucos salafrários, prejudicar-se empresas, gente em geral, arriscando fortemente a economia global e respectivas instituições.

dracma6.jpg O lado mais fraco lá terá de ceder, mesmo correndo o risco da aparente ou real deterioração. Assim, com um estado tomado pela corrupção, o Executivo administrará os serviços dos corruptores, o Legislativo vende leis e o Judiciário sentenças! Daqui depreender-se facilmente que a corrupção rouba a energia vital dos trabalhadores, que flui para o Estado através dos impostos que cimentam o seu bem-estar social.

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A concorrência da corrupção entra as empresas torna entre estas, a mais corrupta em líder do mercado deteriorando serviços e produtos. Assim, como é possível depurar as empresas sem as destruir? Elas dão emprego, gerem renda, garantem o consumo.

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É deste modo imprescindível repensar a forma de como combater a corrupção para que os efeitos adversos colaterais, não o sejam mais danosos que o crime que se pretende liminar. Não é fácil, não!

vaca0.jpg Combater a corrupção é como lutar contra um câncer. É forçoso matar o cancro sem matar o paciente, com a dificuldade extraordinária de que ambos, o câncer e o paciente habitam o mesmo corpo – O paciente necessita livrar-se do mal mas não vive sem seu corpo.

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E, o câncer quanto mais se espalha, mais difícil se torna extinguir as células doentes separando-as das sadias. Pagar gorjeta, propina ou gasosa para ganhar uma licitação é ilícito, construir pontes, barragens, hospitais e escolas, em si, não o é! A economia de corrupção floresce num ambiente de crescimento económico e de normalidade política.

bolor1.jpg E, o problema está na deturpação da política com os principais três poderes, do funcionamento dos mercados e, não com sua instabilidade. O busílis da “doença da democracia” está em esta aumentar a desigualdade sem impedir o crescimento do endividamento. Uns ficam com a carne e muitos só com os ossos! A democracia anda doente na honorabilidade; na prática, falta a ética e o uso correcto das leis justas. Marcelo R. de Sousa, Presidente que estimo, por favor, fique atento!...

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:21
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Domingo, 13 de Maio de 2018
KALUNGA . IV

O PESADELO DA DEMOCRACIA - 12.05.2018

Falácias no mundo dos PALOPS - Dos CPLP

Por

soba15.jpg T´Chingange

Hoje, o homem honesto vê-se verdadeiramente diante de um destino quase trágico pois que quer e deseja a verdade com a profunda independência mas, os governos, governantes, instituições e empresas assimiladas ao estado, por interesse, fazem esforços para e, na forma enganosa de falácia da mais pura, surripiarem nosso dinheiro e nossos planos. Os métodos são variados e com os pretextos mais esdrúxulos.

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Aniquilam nosso íntimo condicionando até nossa ideia de Pátria, de Nação. Os representantes do poder político amordaçam-nos subtilmente a sacrifícios absurdos, fazendo como que uma trepanação à desejável inteligência do cidadão, alterando ou condicionando o clima estórico. Este panorama oscila entre as várias instituições de poder judicial, do executivo ou deliberativo, tendo a Assembleia Nacional no topo. Eles não nos dão os necessários exemplos de idoneidade…

costa5.jpg Encarnando no Poder Económico, juntam-se num sistema de Geringonça e, como um gangue dão novos moldes à ordem jurídica que deveria ser supranacional, o máximo exemplo de isenção no trato da lei e justiça, por via de interesses políticos ou económicos, são simplesmente engavetados. Será que estamos no fim de um ciclo?

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Que democracia se vai permitir no futuro se na prática actual do poder, aniquilam o homem interiormente livre; do cidadão que vive seguindo sua consciência. É tal a governação neste lado vesgo que, o homem do povo suporta passivamente sua própria condenação à condição de escravo. Falo do que se passa em Portugal mas, outros há que são talvez piores, como o Brasil ou Angola.

chicor4.jpg Está sendo inevitável porque a sociedade se degrada tão profundamente que de taxa em taxa, de fisco em fisco, de sonho em sonho, de roubo em roubo, submete-se ao mandado aperfeiçoado com meios que destinam sua vida à própria destruição; sua e de seus semelhantes.

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Pelo aperfeiçoamento de técnicas requintadas para dirigir em nós uma pressão intelectual e moral, ela impedirá o aparecimento de novas gerações por paradigma, de seres humanos de valor sem independência. Afinal qual deverá ser a meta que devemos escolher para nossos esforços?

olho roxo.jpg Será o conhecimento da verdade ou, em termos mais modestos, a compreensão do Mundo experimental, graças ao pensamento lógico, coerente e construtivo? Será a subordinação do nosso conhecimento racional a qualquer outro fim de prática! Viver assim, é um verdadeiro acto de fé! Com a evidente condição de que nosso pensamento e nossas reflexões, terão de se condicionar na evidência de se estar possuído de uma inabalável convicção!

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Sem esta fé, a convicção de valor independente do conhecimento não existirá assim, coerente ou indestrutível. As leis do pensamento dirigem-se por si mesmas! No Portugal de agora, fazem falta estadistas e juristas de craveira e éticas inconfundíveis! Eu próprio ando sem fé! A teoria da causalidade venceu na relação com Angola liberando um criminoso chamado de Manuel Vicente.

abac1.jpg Conhecida que é a decisão do Tribunal da Relação, envergonha e enoja qualquer cidadão português. O acórdão foi político em vez de jurídico revelando uma atitude colaboracionista, subserviente e sabuja, apoiado de forma encapotada pelo Governo de Portugal corporizada pelo Primeiro-ministro, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Presidente da Republica. Tudo por questões económicas e diplomacia de baixo estofo. Estamos lixados ou cada vez mais na mesma…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:43
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2018
CAZUMBI . XLII

MIAI – CORURIPE DO BRASIL

- COMO SINTO O MUNDO - VI … 10.05.2018

Torcer enxugar e corar - Acabei com as caganças secando a palavra ao sol …

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Já tinha lido nos jornais mas, estando no restaurante a “Peixada da Maria!” pude inteirar-me que também a televisão falava das Fake News- falsas notícias, como se toda a gente entendesse o que isso era! Em terras aonde grassa a iliteracia e analfabetismo introduzem sem mais nem porquê novos dizeres, que mesmo sendo referentes a coisas velhas, genuinamente nos tornam genéricos.

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Li no Jornal de Coruripe Tribuna Independente, um jornal pró comunista, pró dos sem-terra, dos sem-tecto e fervoroso defensor do Lula que as fake News será tema de um ciclo de palestras com nomes conhecidos da região tais como Énio Lins ou Valdir Sales. Não seria de estranhar que na lista de nomes surgisse o Albert Eintein ou o Whisky John Walker ou mesmo um tal francês de nome Louis De Broglie…

t´chiku2.jpg Isto porque existe por aqui essa mania de botar nome de gente ou coisa famosa preferencialmente estrangeira na estória familiar; um património de embrutecer as cartilagens sensíveis. Quem aqui vai entender esse tal de Louis Broglie  na sua adivinhação da existência de um campo de ondas, ondas que podem explicar certas propriedades quânticas da matéria.

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Dessa matéria que levaram aos “spins” propriedades de eléctrones e mais blábláblá, conversa pra boi dormir. Aqui nesta terra de Caetés, falar de ventos ou semiventos será o mesmo que oferecer uma bicicleta a um cirí, caranguejo do mangue! E, dizem - isso a gente sabe, que as falsas notícias espalham-se pelas redes sociais de forma cada vez mais rápida e sofisticada.

serrão5.jpg Este ciclo de palestras adivinho eu, serem para alertar o cidadão a não ir no conto do vigário, não aceitar santinhos e balelas por via da campanha eleitoral de Outubro. Depois da prisão de Lula no dia 7 de Abril é previsível, ou é o mais certo, surgirem notícias facciosas que irão ponderar no voto do novo mandante à nação Brasil.

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Adivinha-se uma disputa e, é agora a hora de explicar o quanto as notícias nas redes sociais mentirosas suplantam outras bem à semelhança dos EUA aonde o Trump se diz ter ganho com trapaças vencendo assim sua rival Hilary Clinton, com ajuda de empresas Russas! Por isso aqui na terra aonde paparam o primeiro bispo do Brasil, um náufrago chamado Sardinha, nada será de admirar!

malucos2.jpg Neste ciclo de palestras também vai ter a intervenção do Ronaldo Bispo, coadjuvante de Énio Lins que na qualidade de Secretário de Comunicação do Estado de Alagoas, escalpelizará o assunto. Nesta comunicação irá surgir o tema “Neurolinguística” e o poder do convencimento pelas “Redes Sociais”.  Menos mal que não convidaram o já tão famoso Sócrates, um ex-primeiro ministro português perito em convencimentos enviesados.

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Eu, até que poderia aproveitar adquirir um certificado digital do SENAE como participante, assim para acumular pontos a um doutoramento tipo “Rangel” tão comum em terras Lusas ou mesmo um licenciamento nas novas áreas de enganação universitária com diploma da Universidade do Rio Seco do lugar das bananeiras da Luua no Estado de Angola.

morgan1.jpg Se recusei pertencer à Academia de Escritores Nordestinos e outros mentirosos que só fazem alarde do que não são efectivamente, prefiro ficar no meu canto com a Dona Jacira e seus 85 anos de labuta social, ouvindo suas periclitãncias. Não é agora que tenho amigos na Luua e nos confins da Galáxia que irei fazer triagem das verdades políticas dos homens.

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Vou meter meus 395 Reais, valor da inscrição no bolso e comprar um abacaxi recheado de fruta tropical e cachaça pitu pra dar gosto.  Ora não tinha mais nada que fazer, inchar-me com mais um curso de cacaracá para engravidar os olhos de alguém pra me tornar gente fina! Senão, comprarei umas arabaianas, ou uns tambaquis, peixe gostoso para comer com cebolada no forno! Acabei com as caganças!… Mas conheço muitos e próximos que fazem alarde de coisas do arco-da-velha…

Nota: Crónica escrita em Miai a 11.04.2018

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:46
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Domingo, 29 de Abril de 2018
MOKANDA DO BRASIL . IX

ANDO ENKAFIFADO - 29.04.2018

- Os órfãos da FARC – Forças Armadas Colombianas andam por aí…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Por via da revista Veja fiquei a saber que cerca de 1000 ex-membros das FARC seguem cuidando do negócio bilionário da organização na produção de drogas, não obstante no ano de 2016, terem celebrado o fim de uma das mais longas guerrilhas dos tempos modernos. Os seus mais de 7000 combatentes depuseram as armas entregando seu arsenal. Conseguiram amnistia entrando supostamente para a legalidade, só que aqueles alguns mantiveram o controlo do negócio.

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Com uma receita de 34 biliões de reais, algo como oito biliões de Euros controlam o tráfico na permissiva fronteira entre o Brasil e a Bolívia, Peru, Equador e Venezuela. É em verdade uma extensão de fronteira demasiado grande para ser vigiada com rigor. Ela entra por terra, por rios e pela floresta do grande amazonas e pantanal.

amazonas.jpg Esta gente do crime usa o fuzil AKM, uma actualização da AK47 e também as FAL tiradas do uso pelo exército venezuelano; suspeita-se que o regime chavista as tenha fornecido aos guerrilheiros e que posteriormente estes as contrabandearam para os grupos de jagunços ditos de “freelancers” para prestarem serviços em quadrilhas locais e ao serviço de gente do mando. Os “coronéis” ainda não acabaram!

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Em Janeiro de 2017 as página dos jornais só falavam sobre a execução de 56 homens no interior do Complexo penitenciário Anísio Jobim em Manaus. Os criminosos dum bando fizeram questão de filmar e difundir pelo WhatsApp as cenas de selvageria vitimando seus supostos rivais. Eles fazem uso de telemóveis dentro da prisão e as autoridades prisionais recuaram no bloqueio destes por via de ameaças; não é segredo, a televisão assim o disse recentemente, para espanto meu!

amazonas7.jpg Uma autoridade que foi ao local da cena na prisão, descreveu o que encontrou: Piso recoberto de sangue, cabeças decepadas a eito, vísceras expostas e até um coração que fora arrancado a uma das vítimas e jogado para um corredor. No tráfico da cocaína, estas práticas de expor troféus servem para demonstrar sua crueldade ao adversário. Em 2016 foram registados mais de 61000 assassinatos no Brasil.

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Crimes de acerto de contas ou vítimas colaterais movidas pelas organizações movidas pela cocaína. Isto sucede em todos os estados, nas grandes cidades formando até milícias mesmo ao lado de quarteis!  Na Floresta Amazónica 90 % ds mortes têm vinculo com o tráfico.

amazonas6.jpg As mortes por rixas, pistolagem, questões de terras e brigas de garimpo, mudaram seu padrão, dando lugar aos crimes de tráfico. Em 2017 os satélite do Sistema de  de Protecção da Amazónia (Sipam), detectaram no lado da fronteira com o Peru uma ára desmatada de 9000 hectares, algo como 20000 campos de futebol. Isto, dá em um potencial na feitura de 270 toneladas de cocaína por ano.

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Os rios da bacia do Amazonas são os preferidos na expansão do produto. Temos os rios Madeira, o Branco, o Solimões, Rio Negro, Rio Urani e outros formando uma rede de difícil penetração e controlo. A sul teremos os Rios Paraguai e Paraná que proporciona o transvase do grande Pantanal.  

amazonas2.jpg O estado brasileiro, na intenção de colonizar lugares distantes, levou muita gente para lugares remotos que agora ficam nas mãos de bandidos disse um director do Departamento de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Amazonas. Podemos ver entre os matutos descendentes de África desde a Guiné passando por Angola até à costa do Índico e, que através dos tempos ali chegaram e assentaram raízes em sanzalas ou quilombos; os chamados quilombolas…

amazonas3.jpg Sendo o Brasil a terceira potência carcereira do Mundo não é de estranhar o medo a guardar a vinha quando não tem jagunços por perto. Percorri o Pantanal pela Transpantaneira até à Bolívia, subi e desci o Amazonas, dormindo e comendo a bordo dum barco entre Manaus e Belém do Pará e, posso afirmar que fazer segurança num país aonde cabe toda a Europa, grande pracaraças, não é pera-doce.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:52
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Sábado, 28 de Abril de 2018
FRATERNIDADES . CXX

FRINCHAS DO TEMPO . 28.04.2018

- Um milagre para você! A religião é sempre um refúgio de medrosos – (Diz António José Canhoto*)

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

che5.jpg Documentei-me muito superficialmente para dar em síntese uma breve resposta a alguns dos artigos escritos por Canhoto. Tenho de concordar com a quase totalidade do que me é possível reconhecer * A religião é sempre o refúgio do moralmente medroso e fraco, bem como do intelectualmente cobarde que receia em pânico ver a sua verdade destruída pela razão. A mentira estará condenada a existir enquanto houverem imbecis e idiotas que se sintam confortáveis em viver e dormir com ela.”

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Nisto de crenças e o direito de acreditar ou não, só poderei dizer que um argumento pode buscar a verdade mas, nem sempre é uma opinião. Quando as crenças se materializam em opinião originam um problema; por assim dizer as opiniões não podem ser substituídas pelos argumentos. O “ Eu tenho o direito às minhas crenças” podem transformar-se em “Eu tenho direito à minha opinião”. * “Também existem livros religiosos que misturam algumas realidades com mitos, plágios e lendas mitológicas incluindo algumas fábulas ridículas e anedóticas que só por esse facto os descredibilizam. Para esse efeito deus e o diabo foram criados como sócios essenciais num negócio rentável, porco e sujo…”

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Pelo dito, crenças e opiniões não serão argumentos porque diferem nos factos. Então lá terá de se dizer que um facto é algo que pode ser provado verdadeiro. Se acreditar que “passar debaixo de uma escada dá azar” por ideia ou convicção posso perfeitamente aceitar como verdadeira esta crença! Dizer-se por isso que a crença é de foro íntimo.  

cronicas mano corvo2.jpg * “Gostaria de ouvir da boca de um crente dizer vou morrer “Graças a Deus”, ou na eventualidade de um grave acidente de carro dizer ao médico do INEM, levem-me para uma igreja em vez de um hospital, ou ainda “Agradecer a Deus” ter tido um filho nado-morto, anormal ou deficiente mental ou ainda quando aos 7 anos morre atropelado á porta de casa onde andava de bicicleta...”

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O mais importante neste imbróglio é saber que um argumento não é luta, nem tampouco debate ou desordem entre as pessoas. Um argumento é uma busca pela verdade! Ninguém poderá exigir que outro sacrifique a própria crença para salvaguardar o direito à sua. A defesa da crença estará restrita ao uso de métodos que pertencem ao espaço das razões, enquanto o argumento será a presunção de convencimento.

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Quem trabalha com temas da ética, teoria de acção ou filosofia politica, vai ter de dizer que tem o direito moral de acreditar no que quiser, mesmo que sejam crenças falsas. Neste direito em acreditar, as grandes perdedoras, serão a liberdade de expressão e a democracia. Andei a ler os propósitos de Walter Carnielli, um matemático e professor de lógica e filosofia de Campinas - Brasil e, por via disto darei razão a todos os que por direito evidencial à sua crença, se apresentam dispostos a formar apropriadas evidências a ela, a crença.

dracma4.jpgNão posso em tempo algum forçar a retórica no sentido de alterar a verdade de alguém. Sabemos hoje haver diversa técnica, de levar avante notícias falsas – as fake news. Isto também porque as pessoas acreditam que sabem mais do que realmente sabem; o que lhes permite persistir nessa crença com eventuais ressonâncias em outros.

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* “Contudo por várias razões e medos, a partir de certa altura o homem sentiu a necessidade de criar divindades politeístas e monoteístas, mas sem a existência da humanidade esses inexistentes deuses nunca teria visto a luz do dia e o dinheiro que foi gasto em templos, santuários e igrejas teria sido muito mais bem aplicado em hospitais, creches e lares da terceira idade.”

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Divididos assim em comunidades de interesse nós usuários do instrumento de ligação, redes sociais, facebook e outros, agregar-nos-emos com os ecos de uns, as vozes e sonhos de outros e, numa bolha, ficaremos entoando no que cremos. E, pode nem ser a verdade verdadeira porque as redes sociais deram voz a uma legião de fanáticos ou imbecis; ou até mesmo gente que usa a palavra no estrito sentido de palavrório – um amontoado de conceitos …

DIA76.jpg O livro de Tobias foi aceite no velho testamento pelos católicos romanos mas rejeitado pelos protestantes. Pelo que li, tudo não deve passar de acumulação de lendas porque enquanto se aceitam os anjos Gabriel e Miguel, rejeita-se o arcanjo Rafael. São sete os livros apócrifos que não foram incluídos na Bíblia dos apostólicos romanos. Li que o Tobias, humilde deixou-se dormir debaixo de um alpendre e cegou porque os pombos defecaram em seus olhos… Só pode ser lenda ou fábulas ridícula e anedótica!

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:09
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2018
MUXIMA . LXX

UMA ANTIGA MUKANDA

Ando desmilinguido nas falas – 27.04.2018

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Subjugado à nobreza do acaso processei um mar de sensações, novas amizades. Adão, lá no paraíso, comeu a maçã da árvore da tentação; Eva deu-lhe a maçã, o fruto proibido do jardim celestial e, desse pecado original, ficou-lhe um caroço no pescoço que o distingue da mulher na sua anatómica forma. Até hoje ninguém sabe ao certo se era branco ou preto. A Eva sai maltratada coitada! Dizem que foi o assédio de Adão que transtornou o Mundo…

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Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; o ontem fica cada vez mais distante e, o que então era proibido, hoje já o não é mais. Agora temos o FB - É a evolução! Hoje mesmo, bem cedo, disse que a partir de agora não sou mais branco! Branco é a cal do muro da frente! Andam com coisas e leis enviesadas de que chamar preto é ofensivo. Ai é!? E, branco não?

himba1.jpeg Inventaram que o preto agora e, para não ofender vai ser de Afrobrasileiro, Afroportuguês, Afrocantonês; tudo por causa do preconceito. Pois então quero que se refiram a mim e meus filhos como aqueles afrobrancos! Não somos nenhum monte de cal! Quero os meus direitos, talqualmente! Andam para aí a inventar coisas de negatividade porque negro é um monte de carvão e edecéteras muito estapafúrdios. Que nas escolas vão ficar reservados xis lugares para afros e, porque, coisa e tal… Será melhor então no mínimo chamarem-me de euroafricano.

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Sem amigos, é um céu sem andorinhas. Estes governantes andam a chamar nomes ao Adão! Mas, vamos ao que interessa; convosco, exploro os recantos da amizade para fazer da vida um espectáculo. Querendo extrair alegria das pequenas coisas da vida, recusei várias armadilhas duma efémera fama. Fugindo sempre dessa escravidão, mantive a auto estima elevada recusando ser um modelo doentio de snobe imagem dum reflexo petulante.

colo1.jpg Em criança sofria pela timidez exacerbada que tinha; levou muitos anos a sair dessa claustrofobia dizendo a mim mesmo que o pior inimigo que tinha, era eu próprio! Deveria gerir os meus pensamentos de forma a não ter medos mas, nada disso acontecia até conhecer as agruras de se ser emigrante. Falando portunhol e coisas caricatas como gestos os dias correram. Podem imaginar-me fazendo caretas com a língua de fora a espetar dois dedos como cornichos e dizer muuhmuuuhm para pedir um bife de vaca lá nos esteites (EUA).

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No decorrer dos anos, fui dominando a timidez, rindo dos meus anseios e outros absurdos obstáculos, aprendendo sempre coisas novas com uma curiosidade libertadora. O saber não ocupa lugar e, adquirindo isso, soltava a depressiva visão de mim próprio encorajando-me: Tu não és besta! Isto muitas vezes repetido foi ficando verdadeiro…

mutopa2.jpg Que ninguém tenha a veleidade de pensar que pode controlar o ciclo da vida, e muito menos sair vencedor das batalhas que com ela temos desde que somos trazidos ao mundo. Podemos sim, ganhar algumas delas, mas a guerra final, essa sempre a perdemos na hora em que nos finalizamos! Aprendi isto com Canhoto, um tipo a viver no Algarve assim a dar pró anarquista e ateu até ás raízes mais profundas da sua coexistência.

paiva5.jpg Lutar sempre contra qualquer medo, contrariando-o, adquiri tranquilidade no meu registo de memória e emoções. Convosco tenho compartilhado o passado que não se desvia do meu caminho, os sonhos e metas duma simples vida. Rejeito a teoria do esquecimento! Aliás já nem acredito em teorias! Uns querem que seja santo, outros que me faça escritor e outros ainda andam a tapear-me com palavras do um de maio… Encarquilhado num feitiço louco, aproprio-me do vento num qualquer arraial para viver a Kizomba! Estamosjunto!

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:52
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Terça-feira, 24 de Abril de 2018
MALAMBAS . CCII

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBERLEY –  4ª de V Partes

- XOXOLOSA TREM .  EM CAPE TOWN – 24.04.2018A Montanha Table Mountain manteve-se tapada com nuvens dos dias, depois destapou…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estamos a 24 de Abril de 2018; Continuando a passar a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo do Xoxolosa Trem irei desde Maceió no Nordeste brasileiro até Cape Town uma das cidades mais lindas do Mundo mas, sempre a seguir ao Rio de Janeiro. De forma sucinta direi o quanto fiquei preocupado com o Senhor Seca que com seus 87 anos conduz um Toyota Corola de quase 2000 de cilindrada.

IMG_20170829_143846.jpg Nossa bagagem teve de ir no banco de trás porque simplesmente o Sr. Seca se esqueceu de onde ficava a tal patilha de abrir a coisa. Dias mais tarde achamos a tal patilha quando tivemos de meter gasolina, pois ela ali estava mesmo ao lado do sinal com um depósito; uma mala enorme! Lara, minha neta andava espantada com este desassossego. Derivado a isto, fui dizendo que o Sr. Seca não estava em condições nem de conduzir um cangulo.

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E lá fui eu agarrando o espelho lateral com a mão esquerda enquanto com a direita e do lado de dentro firmava uns improvisados fios de computador que seguravam este. Uma engenharia de ponta de arranhar o cerebelo dum qualquer piloto de fórmula-um. Já em casa no Iaton Road, falando com sua esposa Dona Eliane esta, disse tê-lo debaixo de olho a todo instante. Verifiquei que assim não era, porque ele, viaja pela cidade sozinho. Ele vai bem longe buscar o Século de Johannesburg em português pois que, é ele o distribuidor dali…

IMG_20170901_103102.jpg A casa fica bem enquadrada a meio da Iaton Road e, embora se note estar um pouco deteriorada, mantem seu estilo vitoriano em cor rosa. Dias 29 e 30 de Agosto de 2017, terça e quarta feiras, choveu pela manhã e a Montanha Table Mountain manteve-se tapada com nuvens todo o tempo. Isto pode ser visto a partir do quintal da casa da Dona Elaine e Amadeu Seca.

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Aqui e no quintal da casa do ex-presidente da Academia do Bacalhau de Cape Town posso ver junto ao passadiço da garagem um pessegueiro com lindas flores rosa e uma ameixeira com flores brancas; são os indicadores da primavera no estremo de áfrica. Há um terraço com dois socalcos, tendo o inferior uma piscina que por via do inverno, embora cheia de água, está sem indicação de uso, por assim dizer, desactivada. Entre esta e a rua há um caramanchão de nobre estilo e de onde despontam flores na forma de cachos; são bonitas glicínias.

IMG_20170830_155338.jpg Bem na frente ampla, vidrado do alçado, um anexo que dá para a piscina, fica a sala do barbecue - brai ou churrasqueira. Recordo, termos aqui comido em 1997 uma garoupa no forno em companhia da filha do Sr. Seca e a nossa vizinha do M´Puto - Algarve, a Tilinha com Marco e Ricardo, meus flhos. Estivemos aqui uma segunda vez, eu e Bibi (Ibib) no ano de 1999 mas eles, Dona Elaine e Sr. Amadeu Seca nem se recordam.

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Nesse então, muita gente vinda de Angola ou Moçambique e também de Portugal tinham aqui um pouso lusitano, mas agora pelo factor da crise, da escassez de dólares entre outras dificuldades, a coisa está mais preta! Estamos a 31 de Agosto. Fomos buscar os bilhetes de avião de regresso a Johannesburg e, de novo fiquei preocupado porque logo ao sair da rua Iaton Road, o Sr. Seca, meteu-se por uma travessa que não tinha saída. Uf!

cabo1.jpg Fomos até um beco a dar com um colégio de missionários, lugar que ele deveria conhecer bem, pois que vivia ali à uns bons cinquenta anos. Preocupante!… Estamos a 31 e a quatro dias para andarmos pelas rotas do Cityrama, a rede de ónibus City Tur  que nestes próximos dias 1 e 2 de Setembro - assim haja boas condições, nos levará a vários destinos, começando sempre pela Table Mountain.

cacto xoba1.jpg Ontem passamos o dia na Waterfront, lugar bem aprazível aonde o tempo passa rápido ouvindo-se música, vendo gaivotas e focas a espreguiçar-se ali por perto ou comprando lembranças no grande shopping. Tiramos fotos nos vários canais com suas marinas, dois níveis de água manobráveis por comportas e plantas exóticas a contornar hotéis, casinos e figuras do jet-set; gente de todo o Mundo. Por hoje e, depois de passar a ponte móvel, fico aqui sentado a olhar o relógio vitoriano… Também fico atento ao canhão que todos os dias dá uma salva de um só tiro a dar ao meio dia… E, depois almoçar por aí…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:19
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2018
MULUNGU . LXI

TEMPOS CUSPILHADAS – 24.04.2018

Palavrório no Wi.Fi – 2ª Parte - conflito de gerações e as Take News

Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco em língua Xhossa

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Por aqui ando esticando os ossos, construindo a cada passo uma estória ao meu modo; um mussendo, um missosso entre ave Marias encavalitadas de prefácios que se baralham e que logologo se esquecem; ainda não eram sete horas da manhã quando iniciei a marcha do dia por duas horas na linda marginal de Maceió. Reparei que pela muita chuva caída nas duas últimas noites, a praia estava muito cheia de sargaços e, andando pude reparar em senhoras que enquanto caminhavam, iam rezando o terço.

araujo10.jpg Ao invés disso, eu fazia rodar dois pequenos cocos verdes, um em cada mão e, lá teria de me entreter no tempo esperando estar a praia mais propícia a nela poder fazer minha hidroginástica. Andando pude rever o termo de palavrório no Facebook e, o que deste resultou falar dos conflitos de Take News no Mundo com as consequências ou sequelas óbvias no nosso curso de vida.

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Não tivesse sido Assunção Roxo a lembrar este termo de PALAVRÓRIO no Facebook e, passaria despercebido sem o sequente desenvolvimento nos muitos e desconexos discursos ou sem nexo, conversa de deitar fora. Pois é a ela que agradeço ao me ter lembrado esse termo e, rebuscar daí os conflitos e alterações que fazem por coisa pouca, mudar o Mundo.

amigo1.jpg Por isso, ter referido a eleição de Trump nos USA, as implicações no Brexit em Inglaterra e as interferências nas eleições de tantos países como a de Aécio Neves no Brasil. Não dei resposta às desculpas que tece no Facebook por eventualmente ter referido este termo com aspas em qualquer lado e, para exprimir seu desagrado a algo escrito por mim. Nesta normalidade nem posso relevar suas desculpas porque não as há. Tenho sim de agradecer!

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E, é tão curioso ler as palavras de socorro tão enlevadas de solidaria amizade vindas de um outro continente na pessoa de Matias, soldando assim na perfeição a fraternidade que deve coexistir entre nós. Um triângulo perfeito tendo nos cantos a América, a Europa e a África. O Mundo é mesmo uma ervilha! Esta “Não estória” culmina desta forma tão bela que me apraz registar que para álem da crença temos a fé e fraternidade… Aqui não cabem desculpas mas sim agradecimentos! Obrigado a ambos!

bruno27.jpg Um tema a desenvolver, a crença. Uma ideia ou convicção que alguém aceita como verdadeira, como “passar por debaixo de escada - dá azar”. Creio assim que o mais importante é um argumento, não se tornar nem numa luta, nem em um debate ou desacordo entre as pessoas mas, uma busca constante pela verdade.

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As leis são feitas, tanto quanto se saiba, para melhorar a vida das pessoas. Sendo assim, que sentido poderá ter uma lei que piore a nossa existência. Nosso lema é aceitar o princípio pelo qual uma lei só fica de pé se fizer nexo. Nada disto é desgarrado da fraternidade que temos o dever de curtir, de praticar.

REPU5.jpg No entanto e, como diz Matias (e, foi um cego que lhe disse): não temos outro Evangelho a anunciar que não seja a cruz de Cristo e qualquer desvio que façamos deste Evangelho perde-se o poder ou virtude que só Ele nos pode dar. Ando buscando! O desencanto do Cristianismo é porque não está baseado em sabedoria humana e por esta razão, o homem, aquele que não crê na obra Redentora do Cristo, não pode aceitar porque lhe parece loucura. 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:43
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Domingo, 22 de Abril de 2018
MULUNGU . LX

TEMPOS CUSPILHADAS – 22.04.2018

Palavrório no Wi.Fi - conflito de gerações e os Take  News

Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco em língua Xhossa

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Pelo que sei há 1,4 bilhões de pessoas que recorrem ao Facebook diariamente. Esta enormidade de gente cede informações pessoais em troca de serviço gratuito. É a regra do jogo, engrossar o caldo de sabedoria ou conhecimento na forma de textos bem ordenados ou, reunindo palavras desconexas, discurso sem nexo ou conversa de deitar fora como recentemente afirmou uma amiga chamando de PALAVRÓRIO a algumas das minhas publicações.

cinzas10.jpg De maneira alguma altera meu conceito quanto ao continuar com meu linguajar na forma de palavrório porque simplesmente, não pretendo beliscar a força da palavra em proveito próprio, embora julgue ser despropositado ou desproporcionado.

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Entro assim num capitulo de conflitos que a todos toca por via do desconhecimento ou protagonismo afectando as regras do jogo de privacidade ou liberdade no Facebook. É por esta via, encavalitando palavras, conceitos, aprovações ou reprovações, que surge a gestão de um mercado que atinge os 485 bilhões de dólares.

cauny0.jpg Tal como o Big Brother na sociedade televisiva, nós no Facebook fazemos a festa de forma desinteressada focando assuntos mal ou bem sustentados. Sabemos hoje que por via do Facebook ou do Twitter surgirem falsas ideias – as Take News que influíram as eleições presidenciais nos E. U. A. com a eleição de Trump, da viragem da opinião a favor do Brexit.

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Brexit que originou a saída de Inglaterra da União Europeia e, até seu uso na eleição de Aécio Neves na campanha turbinada para presidente da República Brasileira.  A “fábrica de robôs” espalhadas pelo Mundo ajudou a disseminar a propaganda de Aécio na Internet no ano de 2014. Pude ler na conceituada revista Veja terem sido detectadas 700 falsos perfis, uns chamados de “bots” usando nomes bem brasileiros.

avillez00.jpg E, há indícios que levam em crer que essas contas eram controladas por usuários da Rússia e do Leste Europeu; empresas contratadas, para prestar serviço a agências e empresas brasileiras. Onde quer que seja, lá teremos de ficar atentos a tanto “palavrório”. Com ou sem ressonância em outras pessoas, dificilmente saberemos dizer onde o nosso entendimento termina e começa o de outros…

O Soba T´Chingange              



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:33
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Terça-feira, 17 de Abril de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXX

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 17.04.2018

- Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado… Quanto mais me esforço mais me viro ao espírito…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

De ontem para hoje meditei na resposta a dar ao meu amigo “pastor da palavra de Deus” em terras de África do Sul. Aqui no paraíso da Pajuçara do Brasil, lugar que escolhi para viver e, na Praia de Sete Coqueiros, já fui assediado para fazer parte da Igreja Maná, da Igreja Adventista do Sétimo dia, da Igreja Quadrangular e da Igreja da Nossa Senhora da Lagoa do Pau; um sem fim de gente a oferecer sua verdade. Indiferente a todas, continuei tendo Messias no pensamento cozendo-me ideias nos meus neurónios.

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Com o mar Iemanjá a arrumar meu colesterol, firmando-se a mim num jeito espírita de lixar verrugas e outras maleitas, explanarei minha missiva a José Matias em resposta ao seu texto bem formulado e formatado e, também para me induzir à sua verdade. Assim transcrevo com itens de “J”… o dito por Matias e com “M” o dito por Monteiro (T´Chingange)…

matias j.jpg ::::J…1  

Acreditas no Messias? Mas há sempre um mas, visto Ele não resolver os problemas deste mundo que nos rodeia. Ele, o Cristo chamado Messias, não veio para nos resolver os problemas; Ele sim veio para nos mostrar o Caminho que devemos seguir afim de nós podermos herdar os novos céus e nova terra que Deus tem preparado para aqueles que o amam. No entanto todos aqui estamos sujeitos a ter problemas tanto os que confiam em Deus para a salvação, como os que impiamente conduzem outros para a condenação.

::::::J….2

O Diabo é o primeiro a acreditar em Deus, e na sua presença até estremece, e só faz o que por Deus lhe é permitido fazer, visto na cruz ter sido derrotado, foi limitado no seu poder, para agora todos os que querem alcançar a misericórdia de Deus o façam sem entraves. Mas... há sempre um mas!... O homem antes quer agrada-lo do que ouvir e atentar à voz de Deus. Logo culpam Deus das desgraças a que estão sujeitos enquanto vivem, se esquecendo que de boas vontades está o mundo cheio, os mesmos. Seu destino quer se sintam mais bonzinhos que os que criam desgraças, o caminho será o mesmo... Inferno.

:::::J…3

Visto não existir mérito algum em nós, que nos justifique diante daquele que nos criou. Somente Cristo o Messias tão anunciado é a justiça para todo aquele que crê na obra consumada na cruz. Será que falo chinês? Será que é assim tão difícil de entendimento? Alguém mais capaz de entendimento do politicamente correto, que me explique outro caminho mais esplêndido que possamos alcançar depois que a morte chegue, tenha ele a coragem.

DIA76.jpg:::::J…4

Mais uma vez, aqui estou anunciando aos meus amigos que um só Caminho existe, para sermos aceites por Deus, esse se chama o Cristo Glorificado, que ao céu voltou de onde tinha vindo, pois Ele mesmo se fez carne e habitou entre nós, Ele mesmo é o Deus todo-poderoso. Religião alguma pode nos esclarecer, mas Ele mesmo o pode fazer, quando no nosso aposento dobramos os joelhos e clamamos por socorro...

:::::J…5

Aí sim! Ele logo nos atende, e ficaremos sem dúvida sobre a sua presença, passamos finalmente a entender que antes nunca O haviam conhecido, e logo encontramos em nós, a luz que nos dissipa as trevas que nos envolve neste mundo tenebroso. Nunca mais vamos culpar a Deus pelas desgraças, pois nós mesmos somos os culpados delas.

:::::J…6

Ao amigo Monteiro e aos meus amigos desta página, assim o desejo… Que esta leitura ao correr da pena ilumine os olhos do entendimento, acerca deste Deus maravilhoso, que tive o grande prazer de conhecer á cerca de 43 anos, e hoje, o sirvo com muito prazer, razão porque O apresente sem rodeios e sem melaços, ou lisonjas, na expectativa que Ele mesmo conceda arrependimento para conhecerem a Verdade; sem isso nada feito, vamos continuar cegos!

soba0.jpeg:::::M…1

Li... Gostei mas... Vou dar-te uma resposta mais pensada. Talvez amanhã... Anexarei este teu texto muito bem elaborado ao meu, sem a pretensão de ir para o céu... O titulo será : A chuva e o bom tempo! ... Fica por aí - Com um ramo de manjerico e outro de arruda por se acaso...

:::::M…2

Cada religião pretende estar na posse exclusiva da verdade - Preconizar a fé cega sobre um ponto de crença, é confessar impotência em demonstrar que se tem razão. Não cabe à fé ir a eles, mas a eles (nós) irem ao encontro da fé e, se a procuram com sinceridade, a encontrarão. A fé não se prescreve e o que ainda é mais justo dizer: a fé não se impõe! Não! Ela, não se recomenda: - Adquire-se!

:::::M…3

E, não há ninguém que esteja privado de possui-la, mesmo entre os mais refractários! A resistência dum incrédulo vai mais pela maneira como se lhe apresentam as coisas - os factos.

À fé é necessária uma base e, essa base é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer; e, para crer, não basta ver, é necessário sobretudo, compreender!

araujo 101.jpg:::::M…4

A fé cega não é mais deste século XXI; é precisamente o dogma da fé cega que faz hoje o maior número de incrédulos, porque quer se impor e, até exigir a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: O raciocínio e o livre-arbítrio. Ao não se prescrever deixa- nos no espírito algo vago de onde nasce a dúvida.

:::::M…5

 A fé raciocinada, a que se apoia sobre os factos e a lógica, não deixa para trás nenhuma obscuridade. Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão, agora e sempre, em todas as épocas da humanidade. Quanto mais me esforço mais me viro ao espírito… Receio assim, me levares para o espiritismo!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:52
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2018
CAZUMBI . XXXVIII

MIAI –BRASIL - COMO SINTO O MUNDO - II  - 12.04.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange

araujo82.jpg Cego é aquele que não quer ver, vendo! Não posso ver um Deus a compensar e, ou castigar o objecto da sua criação deste modo, e em função do que tentam dizer-me, cada qual do seu jeito. Não sou tão religioso tão ao de leve ou profundamente pela triagem que faço da Natureza.

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E, mesmo que tenha uma extraordinária intuição, ao interiorizar o mistério da eternidade da vida, mesmo que este esforço de compressão fique desproporcionado, vejo ser uma maior razão de se manifestar em e, na vida.  Também na minha! Somente seres humanos excepcionais suscitam ideias generosas e acções elevadas; assim por muito que me tentem dissuadir, não poderei fazer ideia de um ser que sobreviva à morte do corpo.  

araujo65.jpg Acredito no Messias, sim! Mas, há sempre um mas, entre nós gente do Mundo aonde o dinheiro polui e degrada tudo sem piedade a pessoa humana. E, imaginando que se um individuo fosse abandonado desde seu nascimento, seria inevitavelmente um animal em seu corpo e em seus reflexos. Posso também tal como Einstein concebê-lo, mas não posso imaginá-lo.

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As instituições democráticas e politico-parlamentares, privadas dos fundamentos de valor, ficam progressivamente decadentes se o povo, e os grupos sociais, não acudirem ao chamado no respeito à pessoa e ao censo social. Não! Não podemos agonizar ou morrer de forma inglória sem reclamar justiça!

costa araujo 3.jpeg O Povo, o Homem, o Cidadão, não podem permitir que os seus maus, ladrões, estupradores, assassinos, sindicalistas interesseiros e corruptos entre outros, realizem suas desprezíveis intenções. Estou farto de pagar luz desproporcionada, taxas e multas a eito para alimentar uma máquina sorvedora de nosso trabalho. Estou farto de ver extorquirem do nosso rendimento, nosso bem-estar, mais de 40 por cento para tapar buracos de má gestão…

costa araujo4.jpeg Nossa época, não pode ser lembrada no futuro por historiadores que diagnosticarão nosso progresso de uma forma dolorosa nas variáveis doenças sociais. Devemos sim, reclamar quando o Estado exigir de todos nós actos injustos, que a nossa consciência rejeite. Isto é válido para todos os povos conhecidos por PALOPS com Portugal e Brasil na linha da frente…

Ilustrações aleatórias de Costa Araujo

O Soba T´Chingange, desde o Nordeste brasileiro



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2018
PARACUCA . XXV

MULOLAS DO TEMPO – 04.04.2018 - Um dia atípico

BRASIL - Justiça que tarda é justiça que falha… Cá para mim a presunção de inocência mais os embargos dos embargos de declaração vão terminar em prescrição…

Paracuca: É uma bolacha dura, torrada com açúcar e jinguba…Uns querem dar disto a Lula, outros também querem mas, envenenada…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

A alegria de contemplar e de compreender é a linguagem a que a natureza me excita, na preocupação pela dignidade com saúde o quanto baste e com o suficiente dinheiro para poder comprar as alfaces ou o paio defumado sada dum pata-negra. Feliz de quem atravessa a vida prestativa sem o medo estranho à agressividade e ao ressentimento.

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Preocupado pela saúde moral, se não fossemos constrangidos a viver no meio de homens intolerantes, mesquinhos, violentos ou ladrões, seria o primeiro a sujeitar-me a um nacionalismo ferrenho ou a uma democracia no rigor da palavra.

apocri4.jpg Ao invés de todas as ambições a maioria dos imbecis permanecem invencíveis e satisfeitos em qualquer circunstância bajulando ídolos de barro. Sua suave e apática indiferença provoca-me numa tirania que só se dissipa por sua distracção ou inconsequência; nem sei nem quero saber - Dirão! E, depois vêm queixar-se de mansinho com um - se eu fizesse assim!? Ou se fizesse assado! Tarde piaste…

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Para se ser membro irrepreensível de uma comunidade de carneiros é preciso antes de tudo, também ser carneiro. O esforço para criar uma comunidade neste meio, sem a qual não podemos viver nem morrer neste mundo hostil de forma íntegra, torna-se quase impossível. Para seres favorável a alguém, tens de descartar outro alguém…

arau4.jpg Poucos serão capazes de dar claramente uma opinião diferente porque sempre terá esse preceito de desagradar alguém! Ainda ontem falei em conceitos com e sem pré, adicionando os termos ainda não usados de pretoconceitos e brancoconceitos! Um é contra os brancos e o outro é contra os negros; coisas desaglutinadas.

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A coexistência pacífica dos homens baseia-se em primeiro lugar na confiança mutua e, só depois sobre instituições como a justiça ou a política. O perigo maior está em cada uma destas instituições porque, o que move ambos, é o INTERSSE! Porca vida – real destino…

an1.jpeg Hoje e, aqui no Brasil, a presunção de inocência vai ao último julgamento em trânsito de julgado na espectativa de surgir um embargo de declaração. São coisas de jurisprudência, assunto do qual pouco pesco mas, dá para entender que Inácio Lula da Silva saltitando de nenúfar em nenúfar vai ser salvo pela prescrição.

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Uma grande confusão ao mais alto nível da justiça, põe de cócoras o Supremo Tribunal Federal aonde também os INTERESSES se enrolam enfatizados na hipocrisia – a lei mais forte da justiça. Isso! Hipocrisia… Embargos de declaração- Mas que é isto! Está na cara que tudo vão fazer para protelar.

justiça5.jpg Mas, afinal querem um país de bandidos, de estupradores, assassinos e burlões com pacto oligárquico dos governantes! Não será isto um incentivo ao crime! É aqui que entra a tal paracuca - Justiça que tarda é justiça que falha! Bem que o povo se interroga e, com razão: Mas, quando é que “rico” vai para a prisão? Repito o que disse ontem: - Nem o pai morre nem a gente almoça…ADEUS!   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Terça-feira, 3 de Abril de 2018
MOAMBA . XIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 03.04.2018

O INTERESSE manobra tudo e todos. Cada um de nós foi o que foi por uma coisa tão pequena, que sem se lembra do primeiro choro… Alô Brasil! Alô Angola! Alô Portugal...

Moamba: É um prato típico de Angola preparado com galinha e dendém mas pode ser também negócio ilícito com venda de contrabando (Brasil)

Por

soba15.jpg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

Porque estabelecemos em nossas vidas viver com leis, também nestas se estabeleceu que há algumas que se sobrepõem a outras. As leis têm por isso hierarquias; umas suplantam outras e, cada qual tem a sua interpretação para se fazer valer. No meio destes dizeres existem também de permeio as crenças, as lembranças, a saudade e o amor debatendo-se entre, contra ou a favor das luzes da razão.

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Assim, estas leis juntas e misturadas com arbitrariedades, surge o INTERESSE como uma força tenaz. Digladiando-se em palavras surgem recursos, acórdãos, previdências cautelares, Habeas Corpus com uma constante busca - numa primeira instância, segunda e outras ainda por saber. E, mesmo depois de se esgotarem as posturas, as leis os decretos, recorre-se a liminares, instâncias de sofisma federal …

pal01.jpg O sofisma alega o adiantado da hora, o compromisso inadiável e muitos edecéteras para se decidir por uma liminar ministerial e temporal; Decerto que já se deram conta de que estou a falar do Brasil embora o panorama dentro dos PALOPS, (Povos de Língua Oficial Portuguesa) tenham a mesma problemática; métodos de protelar e, ou uma reflexão, alegando motivos ponderosos nunca antes pensados ou usados.

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O INTERESSE que é tenaz jamais cede à evidência e, que se irrita quando o raciocínio se lhe opõe. A dado momento surge um tal de sigilo impondo silêncio, a bem da Nação. Com tantas medidas dilatórias, tanto recurso e tretas impensáveis, embargos, escutas, delações e edecéteras, é caso para se dizer: nem o pai morre nem a gente almoça!

pal3.jpg A justiça é tão lenta, mas tão lenta, que até a prescrição, uma coisa inaudita do tempo mata o próprio tempo. O INTERESSE é a lei mais forte dum sistema, a lei que mais luz tem; o INTERESSE é a lei que feita jogo, abre os olhos aos cegos ou cega os pensadores, legisladores eruditos, juízes ou ministros da Lei.

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A sociedade de hoje pelas interpretações do INTERESSE, conseguem assassinar quem ainda não morreu ou salvar gente defuntada. As sociedades de hoje perante tanto descredito pelas aptidões nobres, começam a sentir o vazio da justiça. Sim! Também a justiça começa a sentir o vazio em que as leis e as crenças ao se tornarem vulgares segundo o INTERESSE moldável delas, levam a alma de cada qual a não descortinar nela, a razão das coisas.

justiça1.jpg A razão de ser, a Justiça dos tribunais, seu elo maior, ser das mais cabíveis ou credíveis das instituições. Afinal as doutrinas também mudam segundo os INTERESSES de alguns. Surgem manobras de diversão, novos dados a confundir a teia, novos recursos com um regresso à estaca zero.

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Infelizmente, até a caridade, a fraternidade, e o amor ao próximo se estão submetendo aos INTERESSES de seitas politicas e, ou religiosas. Seitas que trocam anátemas que se arrojam, umas sobre as outras.

DIA41.jpg Sim! Todos os homens são irmãos mas, há sempre uns mais irmãos do que outros. Concluo que tal como em Angola, em Portugal ou aqui no Brasil a justiça é tão lenta, tão lenta que me leva a repetir: -Nem o pai morre, nem a gente almoça! Que me leva a perder as estribeiras e dizer asneira grossa: -Nem fodem, nem saem de cima! Hó gente!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:09
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2018
MOKANDA DO BRASIL . VIII

ANDO ENKAFIFADO - 02.04.2018

Que é isso do politicamente correcto? - “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”.

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Estou cansado do culto às coisas de preconceito. Toda a gente fala do mesmo, correndo o risco de entornar a verdade da palavra - Isso! De inverter as cores e marginalizar os brancos em detrimento dos negros; marginalizar os homens por não serem homossexuais, dizer à boca cheia de ter um “orgulho gay”; marginalizar uma boa esposa e mãe de família chamando de Madame a uma dona de bordel. De atribuírem cotas nas universidades em reserva de lugares para negros (um claro incentivo ao racismo), índios ou ainda anoréxicas donzelas.

gay1.jpg Falarem isso alegando ser em defesa das minorias! Meus amigos, devagar que tenho pressa! Recordo-me de no acampamento aonde dormi com meu pai, de ter ouvido hienas a chorar e urros distantes de leões; relembro os bidons ao redor do acampamento contendo tochas de fogo pela noite para afugentar as feras em um lugar conhecido por Lucala e no distante ano de 1954; uma terra que deixou de ser nossa por pretonceito - Não é erro ortográfico não! É uma nova palavra de origem manwgolé…

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Nisto de recordações acabo por chegar ao conceito de se escrever “por linhas tortas” e é aqui que largo o preconceito, para recordar alguém de nomeada e, que mudou minha forma de estar. É ele Graciliano Ramos! “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”. Assim diz Graciliano no ano de 1962, para comparar seu ofício de escrever com o acto de lavar roupa pelas lavadeiras do rio. Entretanto estavam passados oito anos, depois daquela minha dança com leões em Lucala de N´Gola.

gay2.jpg E pelo dizer de Graciliano, um escrito deve ser lido e relido, ensaboado, esfregado, batido no lajedo, no burgau, como uma peça de roupa suja; depois, pô-lo a corar nas ervas, nas bissapas ou penedias, após enxaguar. Ler seus escritos é como revisitar um laboratório e obter capacidade literária independentemente dum qualquer estilo.

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Ele tinha o condão de elaborar um trabalho colocando no papel tudo aquilo que conseguia observar na pessoa, num animal, em uma cidade e sua sociedade, muito cheia de nuances. Foi um pouco a partir dele que trabalhei a curiosidade, descrevendo assuntos demasiado banais. E, fiquei também ciente de que o que toca a imortalidade é a obra e não o ser humano.

gracilano1.jpg Pode-se escrever direito com caneta torta, tal como fazer coisas desalinhavadas sem usar agulha e linha. Graciliano Ramos possuía uma loja de tecidos com o nome de Sincera na Cidade de Palmeira dos Índios; Sem o querer acabou por ficar prefeito (presidente) desse Município. Isto para acrescentar que ficaram conhecidos seus relatórios ou actas pela transcrição de forma muito pessoal.

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Suas cartas, reparos e pergaminhos diziam assim a dada altura: “Por infelicidade virei prefeito no interior de Alagoas e escrevi uns relatórios que me desagradaram sobremaneira. Veja o senhor como coisa aparentemente inofensiva inutilizou um cidadão”. Foi deste jeito que enviou uma carta a um seu amigo argentino de nome Raul Navarro.

lampião8.jpg Com sua caneta transformava um banal relatório ou carta burocrática em uma verdadeira peça literária. E, já que isto é mencionado, quero também avivar relatos de seu exercício passados ao papel no ano de 1930; ainda eu, o T´Chingange, nem era um projecto de vida pois que minha singularidade surgiu no ano de 1945 e na convulsão dos sons de obuses da primeira guerra mundial.

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E, ele escreveria: “(…) convenho que o dinheiro do povo poderia ser mais útil se estivesse nas mãos, ou nos bolsos, de outro menos incompetente do que eu. Em todo o caso, transformando-o em pedra, cal, cimento etc., sempre procedi melhor que se o distribuísse com meus parentes, que bem necessitam, coitados”…

gracilano2.jpg Vejam aqui tal ironia em seus procedimentos de honestidade, a comparar com os governantes que hoje proliferam avulso, santinho e gasosa no Brasil e em todas as partes chamadas de PALOPS… (Entenda-se Portugal, Angola e Guiné-Bissau). Homens políticos como estes, extinguiram-se!…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:58
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Quinta-feira, 29 de Março de 2018
MUGIMBO . CVIII

CICATRIZES DO TEMPO – 29.03.2018

-Mujimbos com borututu ou o interstício das falas… O drama da vida é a perspectiva mais comum da consciência – O sentido das palavras

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brsaileiro

É necessário ter em conta os costumes e o carácter dos povos que influem sobre as línguas. O sentido verdadeiro de certas palavras escapar-se-á sem este conhecimento. De uma língua a outra, a mesma palavra tem mais ou menos energia, pode ser uma blasfémia ou uma injúria em uma e, não significar o mesmo em outra e, segundo a ideia que a ela se atribui.

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Na mesma língua e, em países diferentes, certas palavras perdem seu significado alguns anos ou séculos depois. Uma tradução rigorosamente literal, não exprime sempre na perfeição um certo pensamento! É necessário por vezes empregar, não as palavras correspondentes, mas palavras equivalentes ou perífrases.

4 DE JUNHO.jpg Em meus escritos, refiro-me por vezes a vidas periféricas em função dum estado de dependência, a vivências diferenciadas, conceitos entalados pela semântica no uso da palavra. Se não se levar em conta o meio, o tempo e o local na qual se vive ou se viveu, ficar-se-á exposto a equívocos. Uso em meus escritos palavras próprias do local em que a cena se passa e, quando é mais abrangente notar-se-á falas e linguajares com jeitos e trejeitos locais…  

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Posso citar as muitas interpretações do livro maior chamado Bíblia mas, não quero ir por aqui metendo-me voluntariamente numa guerra de palavras canibais. Sabe-se que a língua hebraica não era rica e muitas das suas palavras tinham vários significados. Estou-me a lembrar do termo camelo que naqueles idos tempos se designava a um cabo (fio entrelaçado).

IMG_20170823_133524.jpg Nas fases da criação e em géneses um cabo como hoje conhecemos era feito de pelos de camelo entrelaçados e, daqui chamar-se ao pequeno fio de camelo; conhecer-se a alegoria do buraco da agulha ajuda a entender o que vulgarmente consideramos de ditos: “ É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

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Não posso assim reconhecer-me em mérito ou em plenitude se separar do aconchego da amizade, o entendimento das coisas! Não é esta a minha real afeição. Quando digo em Portugal que “a malta não gosta da bófia”, no Brasil não entenderão; irão pensar que me refiro a um grupo de gente bóia-fria (tarefeiros ou ganhões) que colocam carris ou solipas em um trem.

IMG_20170615_143611.jpg O sentido vai assim para o brejo, o mesmo dizer-se que vai para o lixo ou para a basura. Estamos em permanente descoberta pois que só agora estão descobrindo que em nosso corpo há um novo órgão: o interstício, um espaço que incha e desincha, um grande órgão celular, sistema de comunicação que actua em órgãos diferentes como uma via de união entre todos os outros órgãos.

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A partir de agora um inchaço será por culpa do interstício. Sem discutir as palavras, é aqui necessário procurar o pensamento que parece ser este com mais evidência: “ Os interesses da vida futura sobrepõem-se a todos os interesses e todas as considerações humanas”.

IMG_20170823_134917.jpg A mente e o corpo humano continuam a surpreender-nos. O interstício já tinha sido definido como o “terceiro espaço”, mas nunca o tinham considerado um órgão. Cientistas, em pleno século XXI, propõem agora que o interstício, formado por um espaço com fluido em circulação, se torne um órgão do corpo humano. Eles, revelam-nos que temos um órgão que nunca tinha sido considerado como tal.

roxo168.jpgDe Assunção Roxo 

Chama-se interstício, é formado por um espaço com fluido e está nos tecidos conjuntivos por baixo da superfície da pele, reveste o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário e rodeia as artérias, as veias ou a membrana entre os músculos – tudo numa única estrutura. Pela primeira vez, os cientistas descrevem este órgão e consideram-no um dos maiores do corpo humano.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Sexta-feira, 23 de Março de 2018
ROXOMANIA . II

PEDRADA NO CHARCOA morte não existe! O que altera é a mudança de estado: do sólido para o sublimado…

Por

soba15.jpg T´Chingange - Mano Roxo do Nordeste brasileiro

Amolecendo na água do mar as unhas dos pés penso que a morte é uma mudança de estado; isso! Passar do estado sólido ao gasoso! Um pedaço de gelo que muda para água e que depois se evapora, continua a ser água, só que em outro estado. E nós - somos isto: água!

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Sócrates foi o percursor da ideia cristã e do espiritismo. Sócrates não deixou nada escrito à semelhança de Messias, o Cristo; envolvidos na morte como criminosos foram vítimas dum fanatismo pelo facto de ferirem as crenças tradicionais e, também por colocarem a vontade real acima da hipocrisia mais do simulacro das formas.

ROXO19.jpg Ambos, por terem combatido os preconceitos dos religiosos da época, foram acusados pelos Fariseus de corromper o povo, sua juventude com seus ensinamentos e, proclamando o dogma da unicidade de Deus, da imortalidade da alma e da vida futura.

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Foi Platão que escreveu o que se conhece de Sócrates na grandeza divina e, sem o interesse mesquinho das seitas - alterando paradigmas. Por suas ideias avançadas para a época, Sócrates e Cristo foram mal julgados.  Ao longo do tempo o uso das palavras pelo ser humano, melhor, as palavras por si só, foram ficando canibais. Umas mais fortes foram comendo outras fazendo-se prevalecer.

lula01.jpg No conceito de que “é a minha palavra contra a tua” umas saem mais verdadeiras do que outras. Ainda ontem assisti via TV, ao debate de ministros do Supremo Tribunal do Brasil a essa forma canibal de comer as palavras dos demais. Na defesa do “Habeas Corpus*” digladiavam-se em passos de lei para fazer valer o direito constitucional ou não, para se prender Lula.

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Notando-se nas falas a balança das afinidades, resolveram adiar até o dia 4 de Abril a decisão do STJ com uma “preliminar”. Acontece que dia 26 serão esgotadas todas as formas de defesa e caso não fosse esta “preliminar!” Luís Lula da Silva seria preso a seguir ou não! Convém esclarecer que Lula, o Ex-Presidente do Brasil, foi condenado a 12 anos e um mês em segunda instância. Esgotam-se aqui e por lei, os recursos de defesa.

144.jpg Ontem tive oportunidade de verificar no confronto de bizarrias a forma de dizer e a forma de não dizer, tribunal maior aonde as palavras são retiradas como de ganchos em um talho, azougue das mentes com dentes caninos filando-se em outras de maior debilidade. Este filme continuará mas, e desta feita quero aqui dizer que ontem também, acusei por “cem palavras” uma fiel amiga que em resposta a uma mokanda – carta, respondeu laconicamente um “sem palavras”; é que o assunto tinha pano para mangas…

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O “cem” e o “sem” fazem toda a diferença. Sem querer, querendo, justifiquei-me em salpicos feitos fagulhas do trem a vapor, do Tua do M´Puto. Pelo que, menos mal que Roxo pareceu aceitar mas, em verdade poderia ter omitido esta coisa pouca. Pois sucede, que também a fagulha do Tua do M´Puto me tocou no olho e assim ambos ficamos entorpecidos num momento. Mas, eu não tenho o direito de como piranha comer neurónios! Desculpa Roxo…não deveria assim ser.

roxomania2.jpg Deste modo singular e no aconchego da amizade, a ela, Roxo, ofereço umas singelas falas de como se solipas fossem dum trem maravilhoso, o do Tua do M´puto. E, assim percorrendo suas linhas paralelas lá chegaremos ao infinito que fica no Pinhão do Douro. Quem viaja tem destes percalços. É a verdade!

 * Habeas Corpus é uma garantia constitucional em favor de quem sofre violência ou ameaça de constrangimento ilegal na sua liberdade de locomoção, por parte de autoridade legítima (da Wikipédia).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:38
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Domingo, 18 de Março de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 18.03.2018

- Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado….  Ela, não era negra, não era pobre, não era feminista, não era militante de partidos políticos e, não frequentava os círculos LGBT; Também não era do MST...

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

- O Pastor Cláudio Duarte falou e disse: -“Gisele Palhares Gouveia, 34 anos, cuja profissão era salvar vidas actuando como médica foi assassinada na Linha Vermelha (RJ) com dois tiros na cabeça após uma tentativa frustrada de assalto. Gisele, embora mulher, não era negra, não era pobre, não era feminista, não era militante de partidos políticos, não frequentava os círculos LGBT, não era do MST, CUT ou PSOL, não estava dentro dos programas de assistência e cotas do governo.

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Enfim, não preenchia os requisitos necessários para uma mobilização nacional, tampouco que merecesse a menor atenção dos Direitos Humanos. Ela, como eu e você, não era ninguém!” – Fim de citação - Obs: Este texto é referente ao facto ocorrido em 2016, o que não muda a realidade na actualidade de seu conteúdo. O texto coloca em contraste o que foi propalado nos últimos dias pela morte de Marielle Franco, uma deputada da prefeitura de Rio de Janeiro e activista em defesa dos negros e das minorias sociais.

ardinas branos.jpeg A humanidade perfeita não existe! Assisto hoje a guerras dispersas pelo Mundo e, é a televisão que nos mostra isto a todo o instante. Nem sempre a clareza surge como se pretende parecer e assim surge turva e sub-reptícia matando nossos neurónios activos. A suspeita é lançada como forma de configurar a desconfiança de quem e de onde vem o mal ou a culpa; mas nem tudo o que parece, o é…

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Interrogo-me no porquê dos acontecimentos sucederem duma certa forma; uma arma AK-47 que custa 60.000 reais é usada por marginais nas favelas do Rio ou de São Paulo. O preço desta arma corresponde ao de um bom carro na cotação social brasileira; mas então como é que esta coisa proibida pode ser transportada de forma legal até chegar à favela, se de carro, de avião, de barco, chegar a um lugar que nem porto tem.

brasil2.jpg Como é que as AK-47 e todas as outras armas chegam ali sem serem detectadas numa alfândega de fronteira, pelas polícias de todo o território sejam elas municipais, estaduais ou federais. Alguém a troco de fazer vista grossa, recebendo propina, facilita esta mercadoria até chegar ao destino. Tem forçosamente de haver uma cadeia de mando que vive deste falacioso comportamento!

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Devem ser muitos a querer ganhar e de forma rápida, subir nos escalões sociais sem que para isso preparem o seu lado bom ou honesto, fingindo que o são! Ensinaram-me que os homens de boa vontade devem tentar em seu meio e, tornar a vida humanamente viável considerando ser esta sagrada porque representa o supremo valor a que se ligam todos os demais. 

demo1.jpg Os meios de comunicação sempre dizem ou recomendam o princípio do respeito à vida mas, os exemplos são falsificados!  Aqui, em Portugal, em Angola ou na Cochinchina. A fineza e a graça morrem numa bala perdida, em outros nem tanto porque ela lhes entra na carne, mata e lhes leva o espirito para um além dconhecido. Há uma cadeia de mando! Tem de haver! Se querem manter o espirito, terão de se preocupar com o corpo que é seu involucro… Certo!

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As gerações anteriores a nós, talvez tenham julgado que os progressos intelectuais e sociais apenas representariam uma vida mais fácil e mais bela nos dias de hoje mas, as provocações deste tempo, mostram haver uma ilusão cheia de más consequências. É uma bala perdida dum marginal do Rio ou um veneno sofisticado a lembrar os velhos tempos da guerra fria entre o leste e o oeste. Lembram-se? Recentemente mataram por envenenamento um ex-espião em Londres; os britânicos, porque não tiveram uma explicação, expulsaram mais de vinte diplomatas Russos. Estava na cara! A evidência era só deles. Os Russos sabem matar assim!

Gisele0.jpg De lá da Rússia, retaliaram do mesmo jeito. Assim, Russos e Ingleses perigam as nossas vidas; o filme está a decorrer! Ela, a vida sempre vai estar suspensa por uma bala que entra na frincha errada ou como um veneno de mamba negra e, mais uns pozinhos do cumcamano! O perigo está em cada um de nós; Sem fazer nada, todos esperam que se aja em seu favor. Isto não é comigo! Dirão, diremos… Todos dirão!

adiafa1.jpeg A coexistência pacífica dos homens baseia-se em primeiro lugar na confiança mútua e, só depois nas instituições tais como os tribunais, a justiça, a polícia, a força tarefa ou de bairro assim seja estatal, governamental ou federal. A Ordem e o Progresso escritos na bandeira são para todos; não é a Ordem  para os cidadãos e o Progresso só para os governantes.  Ao Mundo, faltam estadistas!…

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:22
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Quinta-feira, 15 de Março de 2018
MALAMBAS . CC

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBELEY –  2ª de IV Partes

- EM VIAGEM NO XOXOLOSA TREM - 28.08.2018Nas frinchas do tempo e atravessando o Karoo, olho o deserto pela janela do mukifo…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estamos a 15 de Março de 2018. Passando a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo, revejo o Karoo National Park da janela e, do lado direito do trem. Viajar neste trem é um restolhar de vivências diferenciadas de outras. Beanfort West deve ser a cidade aonde os farmeiros destas vastas zonas do grande deserto Calahári se abastecem. Poço ver de quando em vez, avestruzes livres correndo, como que fazendo competição com o trem.

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Os semblantes de gente negra daqui têm perfil de hereros, quase brancos há mistura com os khoisans, bushmens magrinhos, baixos e secos de carnes encortiçadas pelo agressivo ar quente do Karoo quando dia e frio de queimar pestanas de noite. Ontem à noite, ao despedir-me dos auxiliares do Rust camp Alfa One de Warrengton, o Mandla chofer sul-africano e do pedreiro Fabiano moçambicano; como agradecimento dei a cada um, uma gasosa de 150 rands (10 Euros).

xoxolosa1.jpg O agradecimento deles foi bem rasgado e o dinheiro foi posto na mão estendida com os dois braços esticados; o esquerdo suportando com a mão, a parte inferior do direito no antebraço. Quem nunca saiu da europa não entende este propósito; isto significa na cultura dos povos bantus respeito e gratidão por quem lhes dá atenção ou admiram. Só por isto, senti-me abençoado…

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Fiquei contente por regirem assim pois que sempre passamos dez dias em proximidade, suportando o frio da noite, a água gelada nos tubos pela manhã, o pôr a trabalhar o gerador entre outras sensações de ouvir os chacais a rir, salvar patos-reais vindo do capim nas bordas dum rio afluente do Orange River. Africanos pretos tendo um patrão também africano, um branco nascido no mato de nome Lourenço, lá nos arredores de Benguela de Angola. Um entre muitos que saíram de sua terra na altura do TUNDAMUNJILA. Até agora nenhum dos mwangolés os convidou a regressar… Gente de túji mesmo!

IMG_20170823_114812.jpg Momentaneamente e por curto espaço de tempo, T´Chingange descendente dos Celtas Lusitanos e Turdetanos, Niassalês por opção, candengue camundongo, Maianguista de bairro na Luua, brasileiro por escolha e Tuga por condição, foi o patrão interino de Mandla e Fabiano.  Via telefone recebi um recado SMS da empresa estatal dos Xoxolosa Trem a dizer que nosso manager da carruagem 9 era o Senhor Silas N´Goiana; o mesmo que nos indicou o mukifo com a letra F.

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Na europa estes procedimentos são abreviados com talões previamente furados antes de entrar na carruagem que depois serão observados pelo revisor. Pois volto atrás para descrever que ontem e faltando quinze minutos para as dez horas da noite, estando vários grupos de pessoas na sala para embarque a senhora do guichet saiu dele para avisar grupo por grupo que o comboio estava nesse momento em Warrengton que fica a uns sessenta quilómetros, região de onde saímos – isso, do  Rust Camp Alfa One.

IMG_20170823_140827.jpg A funcionária fardada a rigor e com chapeu de oficila dos Caminhos de Ferro acrescentou que o Bleu Trem iria demorar uma hora até esta estação de Kimberley; assim aconteceu! Mas estivemos aqui parados uns cerca de 25 minutos pelo que só saiu às 11.20 horas PM ou seja, duas horas mais tarde do que estava assinalado, This is áfrica! Copiaram!

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Aqui tudo é possível e, ninguém reclama; isto confunde qualquer um, até mesmo um cristão da Mauritânia ou testemunha de jeová da Ilhas Maurícias! É mesmo a passividade de quem vive um dia a seguir ao outro, num seja o que Deus quiser. Naquela sala de embarque, eu, Ibib e Ritinha eramos os únicos brancos na cor; Nos dentes eramos todos, aleluia!  Haja Deus, ámen!

IMG_20170823_134528.jpg Isto era-me estranho e, até comentei porque, que se saiba Kimberley nos primórdios e com a descoberta do maior diamante do mundo esta cidade só tinha brancos; claro,  gente vinda de todo o mundo – aventureiros americanos, ingleses, escoceses e até brasileiros. Gente habituada a fuçar a terra com o fito de ficar ricos; a maior parte trocava sua fortuna por uma noite prendada com mulheres que tinham antes do coração duas volumosas mamas a protege-lo…

IMG_20170823_123725.jpg Tal como o Xoxolosa Bleu Trem, tenho de andar lento na descrição da viagem porque se falhar alguns pormenores, ninguém irá achar graça ou interessante. Lá atrás na cidade de Kimberley percorri a cidade de então construída em fins do século XIX ao redor do grande buraco Big Holl. Bem ao jeito do faroeste americano vi saloons, bancos, sapatarias e oficinas com carros e ferradores co mais uma catrefada de coisas que o tempo eliminou. No restaurante pude comer tortilha com Tiboon (bife de boi tendo um boi de grandes cornos a olhar-me insistentemente. O conhecer do mundo, suas coisas e bizarrias dão-me um prazer infindo…

(continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:58
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Quarta-feira, 14 de Março de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 14.03.2018

- Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado…. O mal fermenta-se na psicose gerada pela instabilidade provocada por políticos; os mesmos que escolhemos

Por

soba0.jpeg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Os sintomas do mal, revelam ao mundo e em especial ao M´Puto e Brasil aonde passo grande parte de meu tempo, características inquietantes pela instabilidade politica e instabilidade laboral com o flagelo do desemprego prolongado. O mal fermenta-se na psicose gerada pela instabilidade apontada adicionada a outros males como a precaridade quase instituída; isto para não entrar no capítulo da educação, formação, investigação, assistência na doença e lóbis incestuosos nas várias frentes da governação.

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Avós, pais e filhos têm de se organizar nestes inteiros condicionamentos de vida. Ninguém está certo da vitória no que concerne à nossa liberdade em nossa existência. Estamos sempre pendentes das medidas dos poderosos que por nossa mão (entenda-se o povo), alcançaram o poder; refiro-me aos políticos. No final, a culpa não é de ninguém, morre sempre solteira…

portug1.jpg Não poderemos libertar-nos dos sintomas conhecidos e de outros por conhecer, se não atacarmos a moléstia pela raiz sabendo que mesmo estas continuam a crescer de uma forma imprevisível! Nem sempre os diagnósticos estabelecidos pelos especialistas dão a necessária confiança à convicção de que um homem independente é honesto.

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O clã familiar, cada vez mais tem de se organizar como e, para harmonizar sua existência humana tendo de partilhar sua reforma com um filho, com um neto ou mesmo a um mais próximo a fim de se superar as sucessivas crises. E uma crise não é singularmente diferente das precedentes porque dependem de circunstâncias novas. Isso! Condicionadas pelo fulgurante progresso da corrupção, da cunha e, aonde o homem, mulher, a família se vê neste tipo de economia dita liberal.

lul2.jpg A lei da gasosa, sim! Obrigado/a no retirar migalhas ao salário sem sempre conseguir garantir as vitais necessidades. Dos ganhos, sessenta por cento, vão direitinhos para pagar a máquina estatal que subsidia partidos, fundações, observatórios e tantos outros afins de e a bem da nação… Balelas! Uma guerra de impostos taxas e sobretaxas; incestuosas atribuições…

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O desemprego aumenta e a confiança no patronato diminui; diminui a confiança nos bancos, da participação pública nestes e depois… depois os bancos irão ser obrigados a sessar seus pagamentos, a diminuir os juros. E, dirão porque o público retira os depósitos, a economia fica bloqueada e edecéteras de engenharia financeira complicadíssimos de entender…

PUXASACO.jpg Eles, os bancos convencionam-se em garantir seus fundos de prevenção dando-nos 0,01 por cento nos depósitos ao ano, cobrando-se de todas as tarefas inimagináveis. O que não nos dão, vai direitinho para o seu fundo de garantia, para pagar a trafulhices de venderem peidos de velha como se fossem ovos-moles de Aveiro.

quem3.png As crises dão dinheiro a alguém! Algum país, algum grupo ou contas de paraísos fiscais ficarão a abarrotar! E, os outros a chiar. As crises são preparadas de tempos a tempos para nos esfriarem os bolsos. Os donos do Mundo, os donos disto tudo, sempre estarão amparados pelos políticos eleitos e vice-versa. A inteligência é a capacidade de nos adaptarmos a tudo isto aceitando o roubo, a taxa, o imposto e alcavalas como coisa clara e instituída.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:47
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Terça-feira, 6 de Março de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 06.03.2018

-  O mistério da vida - Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada. O destino da humanidade repousa irremediavelmente e, cada vez mais que nunca, sobre as forças morais do homem. Se se quiser uma vida livre e feliz, forçosamente haverá necessidade de se restringir ao essencial e renunciar a muitas tentações; daqui dizer-se estar sempre limitado!

araujo86.jpg Hoje o destino da humanidade repousa sobre os valores morais que consegue suscitar em si mesma. Todos, ou quase, percebemos que o livre jogo das forças económicas, o esforço desordenado e sem freios dos indivíduos para dominar e adquirir a qualquer custo, nos conduzirão mais e de forma automática a uma solução insuportável deste problema: tanto roubo, tanta hipocrisia e corruptela.

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Será necessário rever velhas ordens, planifica-las em novas para que a produção de bens do emprego da mão-de-obra e da repartição em bens de consumo, não sejam uma simples quimera; evitar a todo o custo o desaparecimento de importantes recursos produtivos com o inerente empobrecimento levado a uma vida ultrajante de subsistência e dependência…

araujo87.jpg O estado deverá ser permanentemente inovador nas áreas de educação e pesquisa. Será com novas áreas de modernidade e novos paradigmas que se alcançará o bem-estar social. Se na vida económica de um povo, o egoísmo e corrupção persistirem - o “monstro”, inevitavelmente derrotará a democracia tal como a conhecemos e concebemos.

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A política tornar-se-á tão nefasta que no dia-a-dia perigará a condição em se ser um cidadão honesto. Os estragos serão cada vez mais atrozes ao entendimento da gente que cada vez mais detestará a política e os políticos. Detestará também os sindicatos e sindicalistas manobradores. A menos que os homens descubram e bem depressa, os meios de se protegerem deste desequilíbrio ético, caminharemos rapidamente para guerras internas…

araujo88.jpg As dispersões de opinião serão cada vez mais distribuídas, originando uma incerta forma de governo e, proporcionando na certa, o aparecimento de associações do tipo geringonça. Estas terão pela certa jogos de sociedade respeitando escrupulosamente sua visão ideológica, suas regras, suas normas, seus interesses.

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E, a dúvida de todos ou de uma grande parte subsistirá porque, quando se trata de ser ou não ser, as regras e compromissos, nada valem. Sei-o por experiência própria em um tempo não tão distante: 1975 – Um tal de acordo de Alvor – lugar do M´Puto! Aonde então, se meteram os estadistas? Diriam como salvaguarda posterior serem medidas revolucionárias! A evolução dos últimos anos põe em foco o facto de termos muito poucas razões para confiar nos governos; em confiar na ética e responsabilidade…

araujo122.jpg A confiabilidade dissolve-se assim, em permanentes duvidas e, nisto de assim ser, não há objectores de consciência. Na verdade trata-se de um combate desigual ou ilegal; um combate pelo direito real dos homens contra seus governos já que estes, exigem de seus cidadãos actos criminosos de demasiados e injustos impostos, demasiadas leis e, desadequadas.

Ilustrações aleatorias de Costa Araujo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:47
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Sexta-feira, 2 de Março de 2018
MOAMBA . XVII

PENSAMENTOS ESPECULATIVOS - Bingo! O mundo está diferente; bem-vindo a uma nova era…

Por

soba15.jpg T´Chingange

O género humano está fabricado em conceitos fictícios e, por via disso poder dizer-se que somos “uma soma de aspas (“…..”) – São raros os espíritos com suficiente domínio de si mesmo para verem as fraquezas e loucuras de seus contemporâneos sem cair nas mesmas armadilhas.

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As armadilhas de sempre, aonde as ilusões parecem também perder a esperança da melhoria moral; isto, porque também aprendem a conhecer a dureza dos humanos que no tempo viram pedras (uma estátua) a recordar o que eram, isto e aquilo, atascando bibliotecas com sapiência.

pedras0.jpg Leis de acórdãos, despachos e outras regram estabelecidas por posturas e assinaturas. E, somente a uns quantos, quase poucos, é dado um estado de graça. Assim sendo, a nós -“aspas espirituais”, corresponder-nos-ão uma desordem de opiniões filosóficas que nos baralham nas intensões.   

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Filosofias que desordenam os neurónios com “aspas inimagináveis”. E, porque somos setenta e cinco por cento feitos de água, resta-nos o pó dos restantes vinte e cinco por cento menos uns doze gramas correspondentes à alma que se volatizará no espaço. Isto está comprovado cientificamente: depois de fazer uafa (morte) o peso fica com menos doze gramas.

pedras00.jpg Pode observar-se que para um filósofo clássico estas aspas são manuseadas para indicar o conceito fictício das coisas, apesar das críticas supostamente refutadas. E, porque sem esta ilusão, não será possível haver pensamento filosófico tal como não se pode fazer migas de bacalhau com carapau.

 

A mesma água que nos molha quando liquido, pode matar-nos no descuido ou quando sólida. Nunca ninguém contou a experiência de esmagamento com 1/2 tonelada de gelo porque deverá ser difícil sobreviver antes de se sublimar.

vacas voadoras.jpg Pode até usar de um realismo ingénuo que segundo o qual os objectos “são” a pura verdade dos sentidos. Nesta linha de pensamento e numa forma real lá seguiremos a doutrina de que as coisas objecto são assim como o que parecem ser ou seja, a água pura é incolor, não tem cheiro nem sabor. Em verdade, a erva verde é verde, o gelo é frio e as pedras são rijas.

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Não queiram então sentir o efeito real e físico de se abraçar a uma pedra porque ela é dura… A ciência parece estar em contradição consigo mesma porque assim sendo é extremamente verdadeira para se falar de subjectividade e relatividade.

regua.jpg Não há razão alguma para impor qualquer coisa entre o objecto e o acto de isolando na relação entre o objecto e a problemática da tese “ a existência das coisas”. Se complicarmos isto por ora entendível entraremos num campo de “metafisica”. Neste final de crónica, ao calor das pedras, sublime-se na ideia dum leitor coerente: “ quem é este coitado?” - Pois! Eis-me “entre aspas”…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:46
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Sábado, 24 de Fevereiro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO 24.02.2018

- Novas maneiras de aprender antigas verdades!... Com atitude….

Por

soba15.jpgT´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Um homem franzino de flanela curta ginasticava na areia dos Sete Coqueiros da Pajuçara às seis horas e dez minutos desta da manhã. O sol deve ter nascido pelas 5 horas e quinze minutos e uma hora depois já ia alto no horizonte, queimando. Este homem de murros ao vento estica e encolhe o braço como fazendo muita força, dá pontapés no vazio em preparo de ataque de bassula ou capoeira.

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De repente junta as palmas das mãos como que orando e desfere em seguida um golpe até aonde o braço alcança como que atingindo um suposto órgão vital. Talvez fosse candomblé, porque feito pássaro secretária da savana, só apoiado em uma perna, desfere bicadas ao jeito de kung fu, talvez jiu jitzu ou tirada de urubu puxando a alma dum espirito inquieto para si com retorcidela do punho, braço e antebraço.

 pajuçara1.jpg Havia posições de parecer querer levantar voo assente só em uma perna-pata num jeito de maracatu. Entretanto chega um atrelado carregado de tralha, cadeiras, mesas, sombreiros e caixas de isopor, tudo recoberto com um oleado e, é neste preciso momento que o homem pássaro interrompe seus ensaios de voo e se dirige à carreta para destrinçar os atilhos da carga.

 

Era afinal o ajudante de praia do empresário das sombras de Coqueiro Seco com o nome de guerra de suricato, nome de mancho de suricata, nome de animal que só existe no altiplanalto do Calahári africano. Perdido nesta divagação curiosa ginasticada de forma exótica, contorno a quadra de futvolei para comprar dois cocos frios, meu fornecedor habitual desta água revigorante da natureza.

paju3.jpg De fazer reparo que estes cocos estão envoltos em gelo dentro de uma antiga geleira que agora conserva o produto frio de porta para o ar. Também esta geleira fica montada em um estrado com rodas de bicicleta para assim se poder deslocar melhor para um qualquer parque cortiço nos arrabaldes da Pajuçara. De notar que a geladeira como se diz aqui, está pintada com uma obra de arte de sereias mergulhando em ondas borbulhantes.

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Aqui todas as bancadas de trabalho andam, por reboque ou atreladas são deslocadas todos os dias para fora da praia á noite. E, todos os dias são levadas e trazidas cumprindo as leis de postura municipal. Normalmente são homens que as empurram ou puxam até o local que lhes está destinado, penso eu! E, fazer o translado de carregos com mais de dois metros de altura não me parece ser fácil, não!

paju1.jpg Assim e querendo, aqui estou reescrevendo escritos do realismo feito literatura de bolso num método de rigor quase científico na representação do mundo mais próximo e da sociedade apontando seus hábitos, usos e medos até, dentro das possíveis atitudes civilizadas. São os conceitos nos parâmetros de gente que ginastica o físico e dependências para só curtir um dia de cada vez. É na balburdia ordenada que se pode ver a pura sensualidade dos mais pobres a ajudar os mais ricos. Que seria de uns se nõ existissem os outros…

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Na maturidade destas vivências reparo que um outro senhor idoso com sapatos de borracha, espeta um pau na borda de água e estende em curva e até atingir a sua altura uma rede de nylon com bóias brancas á tona de água e chumbo arrastando o chã de areia com algas. Ele faz a pesca de cerca e arrasto sozinho. É a primeira vez que vejo isto! Aonde chega a obrigação com imaginação…

coimbra2.jpg São talvez uns setenta metros de rede e, andando dentro de água vai fechando o cerco na forma de caracol; já no círculo feito ou quase fechado, bate na água assustando os peixes, levando-os a se prenderem na rede. A luz da ciência aqui representa a maturidade por observação, retirando proveito do óbvio… Uma vez dá, outra nem tanto…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:17
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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