Terça-feira, 30 de Agosto de 2022
MOKANDA DO BRASIL . XVIII

SETE COQUEIROS DA PAJUÇARA - “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso - a palavra foi feita para se dizer”- Crónica 3238 - 05.02.2022 – Republicada no KIMBO a 30.08.22 no AlGharb do M´Puto

Portonito19.jpg T´Chingange – (Na Pajuçara de Maceió no Nordeste brasileiro)  

Hoje (05.02.2022) apreciei de dentro da água tépida de 28 graus o nascimento das capitânias d´areia – concessão aos empresários que vivem da venda de sombra aos turistas, uns cocos frios e pasteis feitos na hora e debaixo de uma amendoeira e também o açaí de Tocantins ou skol em lata. O empregado do capitão d´areia risca a areia segundo uma direcção já estipulada, depois conta dez passos para o lado concessionado e, com o pé risca na areia o término correspondente ao seu patrão, Seu Baldo.

bra4.jpg Entretanto o moço vai cantando uma lengalenga e, intercalando a mesma, mete-se com o vizinho, também mocambo do Comprido, nome de seu patrão; imagino que seja alcunha pois que ele é mesmo alto. O dito-cujo chegou mais tarde botando ordem na algazarrada feita forró de pé-de-serra da dupla sertaneja Chitãozinho e Chororó… Pode assim imaginar-se a divisão do Brasil em capitânias medidas em léguas no tempo em que os prémios de marear mares por Portugal lá pelas Índias, eram ficar com lonjuras de terras desconhecidas até seu limite e segundo o Tratado de Tordesilhas, seguindo uma linha paralela aos paralelos ou equador.

brasil0.jpg Recordando a história, temos que as capitanias hereditárias eram uma forma de administração do território colonial português na América. Basicamente eram formadas por faixas de terra que partiam do litoral para o interior, comandadas por donatários e cuja posse era passada de forma hereditária. Por motivos de melhor aproveitamento para a administração da colónia, a Coroa Portuguesa delegava a exploração e a colonização aos interesses privados, principalmente por falta de recursos de Portugal em manter tais territórios.

As capitanias iam do litoral até o limite estipulado pelo Tratado de Tordesilhas, um modelo de colonização que tinha obtido sucesso na Ilha da Madeira e em Cabo Verde e África. A iniciativa de colonização utilizando este modelo respondia à necessidade de protecção contra invasores, sobretudo franceses que deixaram algum legado pois não me situo muito longe da Praia do Francês onde vivi por oito anos (de 2006 a 2014) . Os escolhidos eram membros da baixa nobreza portuguesa que a Coroa acreditava terem condições para a empreitada de colonização ou gente que se destacou na odisseia em descobrir o caminho marítimo para a índia.

Martim Afonso de Sousabrasil04.jpg

Esses nobres foram denominados donatários e representavam a autoridade máxima da capitania. O donatário não era dono, mas deveria desenvolver a capitania com recursos próprios, responsabilizando-se por seu controle, protecção e desenvolvimento. Juridicamente se estruturava o controlo da capitania através de dois documentos: Carta de Doação e Carta Foral. Tomemos por exemplo a capitânia de Paulo Afonso bem a meio do curso do Rio São Francisco que deu origem há agora grande cidade com seu nome, lugar que visitei na peugada de Lampião, um dos meus heróis da banda desenhada lá pelos anos de 1960 em Luanda (Angola), conjuntamente com o Mandrak, Homem de Borracha, Tarzan, Zorro ou O Fantasma… Minha cultura advém daqui e do cinema…

A Carta de doação dava a posse da terra ao donatário e a possibilidade de transmitir essa terra aos filhos, mas não a autorização de vendê-la. O documento dava também uma sesmaria de dez léguas (50 Km.) da costa onde se deveria fundar vilas, construir engenhos, garantir a segurança e colonização através do povoamento. Nela definia-se que o donatário era a autoridade máxima judicial e administrativa da capitania. As capitanias hereditárias existiram até 1821. À medida que iam fracassando, voltavam às mãos da Coroa Portuguesa e eram redimensionadas, gerando novas estruturas de administração. O acto de redimensionar as fronteiras das capitanias hereditárias moldou alguns estados litorâneos actuais.

arau154.jpg Não obstante o sucesso administrativo, o sistema de capitanias sofreu com a falta de recursos, algumas foram abandonadas e em outras jamais seus donatários estiveram ali. Igualmente sofreram ataques indígenas, os quais lutavam contra a invasão de suas terras.

Desta maneira, o empreendimento das capitanias hereditárias fracassou. Somente duas foram bem-sucedidas a saber: A Capitania de Pernambuco, comandada por Duarte Coelho, responsável por introduzir o cultivo da cana-de-açúcar e a Capitania de São Vicente, comandada por Martim Afonso de Sousa, graças ao tráfico de indígenas que realizavam naquelas terras.

O foco da Coroa portuguesa na sua colónia da América Portuguesa era a extracção dos recursos da terra, como o pau-brasil. Isso devia-se ao facto de não terem sido encontrados metais preciosos como foi o caso dos espanhóis em suas possessões. Após a inviabilidade das Capitanias Hereditárias, a colónia do Brasil, passou por uma reforma administrativa sendo instituído o cargo de Governo-Geral, prática também iniciada nas possessões africanas de Angola e Moçambique.

brasil05.jpg Convém aqui nesta leitura da história do M´Puto – Portugal, falar de algumas curiosidades sobre as Capitanias Hereditárias. Elas impulsionaram o crescimento das vilas, que aos poucos se transformaram em províncias e, mais tarde constituíram alguns estados brasileiros. A herança dos sistemas de capitanias hereditárias pode ser sentida até hoje através do coronelismo e das famílias que seguem mantendo o poder em certos estados. Martim Afonso de Sousa permaneceu pouco tempo em sua capitania, pois foi deslocado para ocupar um posto nas Índias. Quem administrou a terra foi sua esposa, Ana Pimentel. Ando a rever isto vendo a novela “Escrava Isaura” que foi escrita pelo romancista Bernardo Joaquim da Silva Guimarães…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:08
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 17 de Julho de 2022
MOKANDA DO BRASIL . XVII

PAJUÇARA - SETE COQUEIROS - “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso - a palavra foi feita para se dizer”- Crónica 3235 - 01.02.2022 em 7 coqueiros da Pajuçara

Republicada a 17.07.2022 do AlGharb

Por Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange (Otchingandji )– No AlGharb do M´puto

paju2.jpg Eram 5 horas e 45 minutos quando furei a areia para colocar meu chapéu-de-sol na praia de Sete Coqueiros. Fui o primeiro a colocar um chapéu naqueles 4 quilómetros de areal e bem em frente do Pavilhão de Artesanato. Após dispor as duas cadeiras bem aselhadas e, muito próximo do máximo espraiar das águas em maré decrescente, meti-me na água até meus ombro serem cobertos por esta.

O início de minha hidroginástica começa bem aqui, virado para a orla marítima e apreciando a azáfama matinal que é bem diversificada. Daqui posso ver como num anfiteatro todos os movimentos, sentir cheiros e os muitos sons que vão subindo ao longo do passar do tempo. Observo uma senhora que percorre a linha de ondulação da máxima maré com um saco de plástico e abaixando-se amiudadamente apanha algo com sua luva transparente; pareceu-me ser pequenos objectos, utensílios feitos em plástico como garfos, facas e canudos de plástico.

Pode até ser conchas mas tudo indica andar a cumprir uma promessa de limpar a praia de desperdícios deitados no bota fora na óptica do quero lá saber. Deve ser mesmo um compromisso de sonho de limpar os maus hábitos. O mesmo homem de sempre passa em corrida de passos ou pulos pequenos em direcção ao porto do Jaraguá. E, passa um tal de Mateus, um quase atleta de futvolei, conhecido de há anos e dizendo adeus, some-se na lonjura com suas passadas enérgicas.

pajuç1.jpg As ondas à medida da descida da maré vão ficando menos altas pois que suas antecedentes ficaram lá atrás retidas nos arrecifes. É um lençol de água de cor esmeralda, que depois, no meio e antes dos recifes vai fiando azul e mais escura a caminho do horizonte. Estranho não voltar a ver uma velha senhora que caminhava na via ré, andando às arrecuas para ganhar mocidade. Ou então, andará envolvida nos rolos do medo covidesco na progressão de delta para ó-mi-com ou, na pior análise já foi nessa leva abalroada para o jardim das tabuletas.

Posso ver daqui o trilho que sei estar pintado de vermelho, pista de bicicletas e aonde se cruzam donzelas de justas pregas e todos os demais e, até vendedores de café da manhã que com seus zingarelhos de caixas, de pastéis bem dentro de outras caixas de isopor, esferovite de onde se pode divisar as tampas dos termos com café, com leite e outras garrafas com suco e quenturas de caldo de feijão; tudo numa ordenação estudada na resiliência. Ao lado, a gente correndo no calçadão vão dando colorido por entre os muitos chapéus de praia que vão surgindo a partir das sete e meia…

Contornando o calçadão, há dispostos altos coqueiros a emparceirar com as largas copas verdes de amendoeira, do figo da índia como eu conhecia em Luanda, capital de Angola. E, pela marginal posso acompanhar com os ouvidos o andamento de um carro discoteca que lança uma música tracejada de comprimido, mistura de kuduro com pera abacate. Parece, não haver noção dos decibéis enfiados a contragosto em todos os demais e, tudo numa boa, ninguém parece importar-se. A batida correu na avenida soando em tracejado ao meu ouvido já de si dolorido e carecido…

piaçabuçu02.jpg E, passa junto á beira da água molhada o mesmo general, caricaturado por mim já lá vão uns três anos e, sem jeito de baixar sua proeminente barriga de ginguba. Com suas flanelas protectoras do rei sol lá vai variando do amarelo fosfórico ao azul reluzente, tudo num passo rápido e convincentemente só. Pelas sete e meia surgem os trabalhadores empresários de chapéus no suficientemente largos para cobrir uma família. Fazem rasgos com os pé na areia a condizer com o seu licenciamento de capitania de praia e depois com uns negócios de enxadas gémeas fazem buracos o suficientemente fortes para aguentar sua estrutura.

Num rápido, já tudo está enxameado de cadeiras multicolores, mesinhas e chapéus; bem na berma do calçadão estão seus carros cangulos gigantes de serem levados por mão ou empurrão, depósito de todos aqueles trastes de artelhos com corotos e também caixas com gelo e bebidas para vender ao povão, cocos, cerveja e licores de jenipapo a misturar com iguarias de suco de ananás, acarajé de dendém e doces mixórdias de animar um qualquer ateu.

Bem perto duas mulheres com chapéus de palas largas em suas cabeças, rezam e cantam com as mãos elevadas para a kalunga ou iemanjá; mais longe saem as balsas dos jangadeiros levando turistas para as piscinas naturais; lugar do recife aonde a água transparece mostrando variedades de peixes que acostumados, vêm picar e debicar restos de pão, bonito de ver aqui e em qualquer lugar que tenha este jeito de recifes.

pajuç1.jpg Escrevendo em verde o que vai por aqui, sei que lá fora todos andam inquietados com as movimentações, canhões de Putin na Ucrânia, ameaças da UE e a NATO, enfim. Desde a estória do Adão e a Eva que andamos assim em permanente transgressão. A culpa é mesmo da EVA que comeu o fruto proibido quando tinha tantos outros para se lambuzar… mais logo vou comer canjica e queijo de coalho no meio da tapioca, ver pela TV pela segunda vez “A escrava Isaura” e depois … Depois, amanhã será outro dia - FUI!

O Soba T´Chingange            



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:04
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 4 de Julho de 2022
MALAMBAS. CCLXV

TEMPOS DE FRICÇÃO - Crónica 3224.A - 13.01.2022 na Kizomba no PortVille de Maceió - Brasil

Republicação em Kimbo Lagoa em 04.07.2022 no AlGharb

Por  soba002.jpg T'Chingange - (Otchingandji) No AlGharb do M´Puto

Malambas2.jpgAM -  Contar estórias é muito, muito dificultoso. Não convém a gente levantar escândalo de começo porque, só aos poucos é que o escuro fica claro. Por vezes, muitas vezes é o contrário...

Não pelos anos que já se passaram mas, pela astúcia que tem certas coisas que se remexeram dos respectivos lugares… Assim que num agora, acho que nem não, porque as horas das pessoas engoliram os seus próprios minutos, tantas coisas em tantos tempos, tudo muito engavelado.

E, também porque o espírito da gente vira lobisomem na escolha da picada ou no fiote (caminho) da selva. Depois verificamos que aquele tal homem, mulher ou coisa de outra nova vaga, ainda não está no definitivo! Viver perto das pessoas, é sempre dificultoso, na faca dos olhos, enfiar ideias, encontrar o rumo, alizar o forte das coisas, saber do que houve e que não aconteceu; às vezes não é fácil…

araujo46.jpgCA -  Sou diferente de todo o mundo - acho que tenho de aprender a estar alegre e triste juntamente, até porque a muita coisa importante, há falta de nome. Bem! A mocidade é tarefa para mais tarde se desmentir noé!? Aquilo que inteligêncio vêm do passado. Coisas que me agarraram o olhar; purgo até meus arrependimentos do gerúndio até o amanhecer porque, depois passa!

Malambas4.jpgCA -  Cada hora; cada dia, a gente aprende uma quantidade nova de medo! Isso é mesmo possível? Viver está a ficar um negócio muito perigoso e, ainda dizem que a saúde não o é! Só pode ser mesmo fantasia no "cá e lá" ou seu inverso e, em toda a Globália...

Ilustrações de C. Araújo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:38
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 21 de Junho de 2022
VIAGENS . 1

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - Cónica 3320  (3216 da SAPO) 21.06.2022

Do Pantanal à Amazónia - 1ª parte

Por 

Soba T´Chingange brasil.jpgT´Chingange (Otchingandji)* Um Niassalês no AlGharb do M´Puto

viagens1.jpg Dom Obá II d´África ( Do kilombo de Poconé)

E, porque hoje aqui no velho continente começa o Verão, cuidados redobrados nas regas de gota-a-gota e, porque a chuva é escassa, lá teremos de preservar o que cai do céu, uma dádiva que só chega quando Deus quer ou se o quiserem quando a natureza assim o determina. Sabendo que em uns sítios transborda e noutros escasseia rebusquei frescuras alheias em minhas parábolas antigas na forma de malambas.

Com pensamentos molhados através da transpantaneira brasileira chegámos a Poconé, capital do garimpo - no céu nuvens carregadas de escuro com um sol deslumbrante, raiando luzernas multicolores como se o fossem olharapos espaciais. O português Aleixo Garcia foi o primeiro a visitar estas terras baixas no ano de 1524 tendo alcançado o rio Paraguai através do rio Miranda, atingindo a região onde hoje se situa a cidade de Corumbá.  Num horizonte sem fim, araras, tuiuiús, mergulhões e minúsculos beija-flores davam-nos as boas vindas na fazenda Mato Grosso em mato Grosso do Norte..

poconé1.jpg Na beira-rio embarquei sonhos escondidos à mistura com mistérios de sucuri e esperanças caldeadas em saudade; uma inconformidade de querer sempre estar nas terras de onde me tiraram. Ali no Pantanal, jiboiei na rede picado a mosquitos, pesquei piranha e cavalguei no charco entre caimões, capivaras, aves pernaltas, cuxias e lontras luzidias. Espelhadas ao pôr de sol nas quietas águas do rio Pixaím, as baladas choradas do Peixinho, nosso guia ocasional, saído dum kilombo bem perto da fronteira com a Bolívia, tinham um encanto de lembrar a Kukia da Luua, que não sei descrever mas, do que ouvi, apreendi…

Aprendi com ongweva: - Eu sou cria desta água - Meu olhar, corre sem fim - O meu canto, chora as mágoas - D’ um rio dentro de mim… Aiué -Percorrendo um trilho aguado entre muita água vi o pantanal de Poconé limitar-se, ao norte com a própria cidade de Poconé, zona mais alta de savana, ao sul com o rio São Lourenço, no limite com o pantanal de Paiaguás, a leste com o pantanal de Barão de Melgaço e a oeste com o rio Paraguai. A vegetação mostra charcos imensos, repletos de ciperáceas e juncáceas, além de campos, savanas e florestas. Elementos da vegetação amazónica ocorrem em menor frequência.

Com o vento norte, impregnado de odores gentios, deslizavam longos e escorridos cabelos pela nossa mente. Cruzando mantos de verdura, a espalmada água escorria lentamente entre cordilheiras de rasa altura, currais, fazendas e roças de quilombos. Naquela largueza, em terras de fujões, escravos sem eira nem beira, recordávamos a história dos bandeirantes e capitães-de-mato, levando aqueles lá mais para longe, atrás da chapada, fazendo soberania escondida; tempos idos dum império que subsiste nas crenças e no espírito aventureiro dos descendentes do rei Dom Oba´ II.

poconé2.jpg O Cândido da Fonseca Galvão que ficou conhecido como Dom Obá II D'África foi um fidalgo e militar brasileiro que morreu com 45 anos no ano de 1890. Filho de africanos forros, seu pai, Fonseca Galvão, era filho de Abiodum, o Obá do Império de Oió. Cândido intitulava-se “príncipe Dom Obá II”, referindo-se a seu pai como “príncipe Dom Obá I”. Saídos das negruras de África, ainda perdidos no tempo, ainda arranham a terra garimpando a vida sem saberem que afinal construíram um país a que se chama de Brasil.

O índio, o caboclo ou o matuto, continuam a cortar o ipê-roxo, o pau-brasil, a cajá e os castanheiros que dão a sukucaia e, na beira-rio, vão cantando: - Canoa que não tem quilha - Não atende o canoeiro - Um país fora da trilha - É navio sem paradeiro. Andando por aqui e, ao calhas, fiquei a saber ao que chamam de cordilheira. Quando me disseram eu olhei a 360 graus e vendo tudo plano e inundado quis saber e, soube! Está a ver aquele alto e aquele, disseram: é a cordilheira! E, o que vi foram elevações de talvez dois metros com currais cercados aonde e, nas cheias do rio Paraguai resguardam as manadas de gado (isto, foi em Março de 2011).

O que aqui é descrito num tempo passado está hoje coberto de água. Os rios que dão origem ao bioma constituindo a savana estépica, devido às grandes chuvas inundaram pelo que muito gado está a morrer afogado (ano de 2011). Os fazendeiros tentam minimizar os prejuízos deslocando as manadas para sítios mais alto – as cordilheiras, que diga-se são poucas e distantes entre si…

poconé3.jpg Tuiuiú - pássaro pernalta símbolo do Pantanal

Glossário: Tuiuiú - pássaro pernalta símbolo do Pantanal; sucuri - cobra, jiboia; jiboiei - descansar em letargia; capivara - animal que parece um rato e é do tamanho de um porco, herbívoro; kilombo – o mesmo que kimbo ou quilombo, sanzala rural; fujões – escravos fugidos das fazendas; capitão-de-mato – cipaios ou guardas dos fazendeiros com alvará de busca ao infractor escravo; Obá II – escravo de linhagem que se tornou famoso entre outros e, que se sublevou; caboclo – homem rude tarefeiro; matuto – cruzamento entre índio e mulato (ou branco); ipê-roxo – árvore de grande porte, pau d´arco; sukucaia – fruto do castanheiro do Pará; jabirú – o mesmo que tuiuiú, pássaro do pantanal (nome popular usado em forma pejorativa); coxias- herbívoros de pequeno porte; cajá – taparabé, fruto tropical parecido com a nêspera do M´Puto ou gajaja de N´Gola; ao calhas – ao acaso, aleatório; Kukia: Pôr-do-sol; Luua: d iminutivo de Luanda; Ongweva: Saudade (kimbundo) …

NOTA* - O soba esteve seis meses sem vir ao KIMBO  porque  neste meio tempo ouve alterações na forma de apresentação do blogue por parte da SAPO. Entretanto eu que sou  "matumbo"  de pais "Mazombos" resolvi passar as crónicas para o Facebook aonde me instalei com  bagagens, corotos, estralhos e zinarelhos até que  meus neurónios podessem compreender estas variantes do Nadismo. Agora  que casualmente apanhei um vento de bolina  volto à senda antiga pelo que terei de transferir 105 crónicas que entretanto passaram para o Facebook . Assim, farto do tal ALGORITMO, voltarei a priorizar este  meu baú  - (entre as crónicas  3216 inclusivé e a actual 3320 que vai ter esta contagem por parte da SAPO ... 

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:14
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Dezembro 2022
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
Facebook
Kimbolagoa Lagoa

Criar seu atalho
ARQUIVOS

Dezembro 2022

Novembro 2022

Outubro 2022

Setembro 2022

Agosto 2022

Julho 2022

Junho 2022

Novembro 2021

Outubro 2021

Setembro 2021

Agosto 2021

Julho 2021

Junho 2021

Maio 2021

Abril 2021

Março 2021

Fevereiro 2021

Janeiro 2021

Dezembro 2020

Novembro 2020

Outubro 2020

Setembro 2020

Agosto 2020

Julho 2020

Junho 2020

Maio 2020

Abril 2020

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

TAGS

todas as tags

LINKS
PESQUISE NESTE BLOG
 
blogs SAPO
subscrever feeds
Em destaque no SAPO Blogs
pub