Domingo, 17 de Junho de 2018
MALAMBA . CCVI

TEMPO DE CINZAS. 17.06.2018

-Ser cleptomaníaco é ter a doença de fanar aquilo que não é seu, um jeito de gamar. A tecnologia do blockchain* é uma promessa de solução para todos os problemas ao criar o que se chama de “interventor de valor”.

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

A tecnologia mais impactante desta geração já chegou. Não se trata de uma inovação de big data ou inteligência artificial, robótica ou de armazenamento em nuvem. É isto, o blockchain ou tecnologia com moedas digitais, como o bitcoin. Este avanço tem o potencial de se transformar no modo de como se lida não só com o dinheiro e negócios mas e, também com o governo e a própria sociedade como um todo.

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A tecnologia do blockchain é uma promessa de solução para todos os problemas ao criar o que se chama de “interventor de valor”. Esta rede via internet é construída para transmitir e armazenar informações de NÃO VALORES (coisas)! O Facebook e outras redes de suporte motor na comunicação hodierna, pouco fazem para se mudar a maneira em como lidamos com o dinheiro, e de como fazemos um negócio.

bitcoin1.png Estas vias de comunicação, entre outros mais, usam seus servidores (nós-NODOS) por forma a poderem piratear com facilidade seus usuários. Estes motores de busca tais como o Sapo, Twiter, Facebook, Digg, Google, Windows, Bebo, MySpace entre outros, têm nesta prática, a maneira airosamente suave de cobrarem por nossos serviços; são intermediários que nos cobram este grande valor que lhes concedemos segundo regras deles.

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Falo por mim que tenho sido invadido em minha privacidade sem que me dêem no mínimo, garantias de estabilidade e stresse! O modelo de negócio do Google e os outros mencionados, é encurralar-nos como porcos em pocilga, controlarem-nos com seus padrões de interesse, colectarem nossos trabalhos de busca, pesquisa de informação, nossas estórias, mussendos, mokandas, missossos e coisas cabeludas para depois revendê-las. Eu tenho noção disto mas, porque sou cusca, deixo correr a película da vida…

araujo30.jpg Visto isto, a economia mundial cresce sim mas, muito pouca gente se beneficia disto! Nossos paradigmas estão por força destes controla eliminando dores fanáticas, paulatinamente, sendo alterados. A chegada deste blockchain a estes empreendedores, será da maior importância pois que eliminando intermediários aí sim, se criará uma verdadeira economia de compartilhamento sem os mega sabichões de SALGADOS E COMPANHIA que nos levam os pecúlios em falsos investimentos. Também ando a tentar fanatizar-me com esse tal de dinheiro virtual.

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Isso! O dinheiro invisível; para que não seja necessário manuseá-lo atascado de vírus e fungos que as notas-porcas, nojentas, transferem para mim, para todos, sem que se dê conta! Quero assim saber tudo sobre os bitcoins para não andar vai-não-vai, com a garganta, os olhos, os ouvidos e a pele numa irritante coceira. Ele, são vírus, bactérias e fungos nas estirpes mais medonhas. De mão-em-mão transportam a gripe, a enxaqueca, a rinite, as pintalgadelas carunchosas e as unhas encortiçadas com fungos dinossáuricos emporcalhados.

bitcoin2.jpg Usar dinheiro papel-moeda é a coisa mais nojenta que temos. É tempo de passarmos a outras vias de não lidar com a máquina da doença deste papel nauseabundo que nos leva aos tempos carunchosos e medievais. Estou farto de alimentar esta indústria da doença com impinges, flor-do-congo, o lupo, as bitacaia e minhocas perniciosas, a filária, os bichos barrizinhos brancos que penetram na vida trazendo a caspa e a morte!

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Pópilas! Coisas a nos percorrer, como se em vida, já fossemos coisa morrida. Pois está explicada a minha contravolta fanática nesta urgente mudança da vil moeda-papel. Bem! Tanto quanto sei o fanatismo é uma doença da mente que se transmite da mesma forma como a Varíola. E, assim pela ânsia exacerbada para alguns preconizo que a mudança deste paradigma mude nossas vidas sem a necessidade de a todo o momento correr ao médico, à farmácia aos corvos da nossa sociedade complicadíssima.

bitcoin5.png Em verdade, é um contágio mais propenso a afectar rebanhos ou manadas do que a eremitas. Agora que já ando tão cheio de mazelas, por via do dinheiro-papel de dar cobiça a tantos fanáticos propensos a enricar, quero efectivamente enveredar pelo anti calote, antidoto à praga de ladrões; usar nova ampulheta do tempo que a todos regule com estes tais de bitcoins.

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Quero assim, distinguir-me desta vidinha de vulgaridade, olhar com quantus a fantástica evolução para manipular as saudáveis regras da vida. Deixar de tossir malezas novas como o ébola, a catinga do deus-me-livre e o câncer, coisa ruim. Por circunstâncias que nem os governos querem controlar, é tempo de extinguir este velho e nojento estilo de vida sem dinheiro de passa-pulga e cacareja a galinha… Este estado do mais-ou-menos - juro que já não me agrada!

araujo160.jpg *Bitcoin é uma criptomoeda descentralizada, constituindo um sistema económico alternativo. Inicialmente apresentada em 2008 na lista de discussão The Cryptography Mailing por um programador ou grupo... (Wikipédia) - É considerada a primeira moeda digital mundial descentralizada, e responsável pelo ressurgimento do sistema bancário livre. Permite transacções financeiras sem intermediários, mas verificadas por todos usuários (nodos) da rede, que são gravadas em um banco de dados distribuídos, chamado de blockchain. Ando a consultar a teoria da incerteza para me meter a fundo no BLOCKCHAIN…

 O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:52
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXVII

O COLONO – 2ª de 2 Partes

Para os MWANGOLÉS, todos os que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”...

kimbo 0.jpgAs escolhas de T´Chingange

canhot1.jpg António José Canhoto...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna...

… Mão-de-obra negra, quase que escrava para enriquecer... A forma comportamental desse tipo de “colono”, nada tinha a ver com todos aqueles que para Angola debandaram ou nasceram depois dos anos 50 com uma mentalidade aberta e diferente iniciando a construção de uma sociedade moderna e multirracial a qual se reflectia em todos os aspectos da comunidade. Se um empresário negro português tivesse emigrado para Angola, montasse uma empresa e tivesse empregados negros seria considerado um “colono”?

colono3.jpg Sinto-me no dever e direito de desmontar e desmistificar esta falsa questão do “colono” que não pode ser vista interpretada, generalizada com o epiteto de que COLONO BRANCO é RACISTA e EXPLORADOR. “Colonos” e colonizadores foram todos os países que nos séculos XV e XVI descobriram á volta do globo terreste novos territórios habitados por índios nas Américas, indígenas em África e aborígenes na Austrália, num estágio primário civilizacional com perto de 500 anos.

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Com um atraso tecnológico em relação aos europeus, que no entender destes descobridores precisavam não só de ser roubados, explorados, assimilados, cristianizados e infectados com todas as doenças que estes para lá exportaram. Diogo Cão chegou á foz do Zaire em 1483 sendo a partir desta data que se inicia a conquista pelos portugueses desta região de África a qual era constituída por vários reis e reinos étnica e linguisticamente diferentes que se guerreavam pelo expansionismo regional.

canmionista 1.jpg O primeiro passo pelo Reino de Portugal foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o do Reino de N´Dongo e o de Matamba, os quais não tardam a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola em 1559.

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As fronteiras de Angola só são definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos Ambundo, a cuja língua o termo Angola anda associado. A Rainha Ginga seu nome Dona Ana se Sousa “N´gGola”, seu titulo real em quimbundo foi o nome utilizado pelos portugueses para denominar a região conhecida hoje por Angola.

boer carro1.jpg Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, na minha opinião também foi a sua primeira grande colonizadora e eu explico porquê? Esta rainha guerreira que morreu aos 80 anos durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submeteu e escravizou os seus habitantes vendendo-os aos portugueses que os levavam para o Brasil tornando-se cúmplice no esclavagismo, bem como os utilizava como escravos trabalhadores nos territórios que controlava.

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"N´Zinga" formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe. Subsequentemente conquistou o reino de Matamba e em 1635 coligou-se com os reinos do Congo, Kassange, Dembos e Kissama. Este pequeno intróito sobe a Rainha Ginga tem apenas e unicamente a finalidade de demonstrar que o processo colonizativo sempre existiu em todos os continentes.

araujo173.jpg Acontecia, quando as tribos ou etnias mais fortes e apetrechadamente melhor armadas dominavam as mais fracas fora dos seus territórios submetendo-as com o objectivo expansionista, esclavagista, para sacrifícios religiosos ou para se apropriarem das suas riquezas, concubinas gado, e ou rebanhos.

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Os portugueses não foram certamente santos pelos territórios que descobriram e colonizaram, mas também não foram totalmente pecadores na miscigenação que desenvolveram e cultivaram com os autóctones. Não confundamos ou associemos a palavra “colono” apenas com a cor branca e muito menos só com nacionalidade portuguesa.

António José Canhoto - 13-12-2016



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:18
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Segunda-feira, 11 de Junho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXVI

O COLONO – 1ª de 2 Partes

Para os MWANGOLÉS, todos os que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”...

kimbo 0.jpg:::::As escolhas de T´Chingange

Porcanhot1.jpg António José Canhoto...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna...

A definição de “colono” para alguns brancos residentes em Angola afectos directa ou indirectamente ao partido que governa este país desde 1975, bem para como para muitos negros da velha guarda o termo “colono”, tem sempre cor branca e, a finalidade de como objectivo é especificamente explorar negros. Nada podia estar mais errado nesta forma generalista e radical de definir a palavra “colono” seja o visado de que raça étnica, como um explorador oportunista de negros, índios ou aborígenes.

camionista1.jpg Filologicamente o vocábulo “colono” pode ser definido como a um individuo que faz parte de uma colónia, que emigra do seu país de origem para uma terra estrangeira além-mar, ou que pode ser no mesmo continente e de um país vizinho para a povoar, cultivar por conta própria ou de outrem independentemente da raça do seu proprietário e se este nasceu ou imigrou para o território.

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Este acto migratório pode ter duas vertentes a primeira é quando um outro país exerce o controlo ou a autoridade sobre um território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país ao qual esse território não pertence e contra a vontade dos seus habitantes quando o país é colonizado que, muitas vezes, são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) e de eventuais direitos tribais, culturais e ancestrais que detinham.

cinzas8.jpg Na segunda vertente emigram a pedido do governo do país ou de empresas privadas que pela falta de conhecimento tecnológico dos naturais se vêem obrigados a procurar mão-de-obra especializada no estrangeiro, para suprir as suas deficiências naturais.

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Para uma certa classe de portugueses e angolanos brancos e negros enfeudados ao partido do governo a sua atitude maniqueísta é a de que todos que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal” das sombras e da subversão politica, e os que afinam pelo diapasão governamental vivem no “Reino da Luz do bem da razão, da paz e da tranquilidade.

dia23.jpg Na minha opinião se estes reaccionários brancos e demais mwangolés, cuja forma de pensar ficou parada na idade da pedra lascada, pretendem continuar a usar o termo “colono” indiscriminadamente para ofenderem todos os portugueses que viveram em Angola até 1975 ou que para lá emigraram depois desta data, aconselho-os a olharem retrospectivamente para o seu passado e de seus pais ou avós antes de 1975 antes de atirarem a primeira pedra.

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Muito ingenuamente, pensei que o termo “colono” estivesse a cair em desuso, mas vejo que continua bem vivo nas bocas de alguns energúmenos brancos quando comentam alguns dos meus textos sobre Angola. Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também nos devemos orgulhar das coisas boas que fizemos e que lá deixamos intactas. Fomos certamente “colonos” durante os séculos que se seguiram à descoberta desse território o qual ainda nem nome tinha.

selo11.jpg Muitos milhares de portugueses emigraram para Angola na procura de melhores condições de vida com a finalidade de trabalharem para empresários de várias nacionalidades incluindo negros e governo! Será que ainda continuam a ser tratados como “colonos”?

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Acredito que até finais do século XIX e princípios do século XX muitos dos portugueses que emigraram para as nossas antigas províncias ultramarinas o fizeram na qualidade de verdadeiros “colonos” aproveitando-se da exploração desumana e da mão-de-obra negra quase que escrava para enriquecerem.

(Continua…)

António José Canhoto - 13-12-2016



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:59
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Segunda-feira, 4 de Junho de 2018
MALAMBA . CCV

TEMPO DE CINZAS ANTIGAS. 04.06.2018

-Ser cleptomaníaco é ter a doença de fanar aquilo que não é seu, um jeito de gamar; A nomenclatura  do M´Puto faz isto com tecnicidade de gula, e nós nada! …

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Em Coimbra

Estamos a 4 de Junho de 2018, o dia em que nasci lá para trás num tempo de há 73 anos. Não digo o sítio verdadeiro porque sou mazombo e a estória quer que se perdure a ideia de que nasci a bordo do vapor Niassa. Minha vida de tropeço em cavandela foi adicionando dias até que fizeram de mim um Camões. Estudei na Escola João das Regras da Maianga da Luua; andei no Colégio Moderno em frente ao café Bracarense mesmo ao lado do Sinaleiro da Maianga e na 4ª classe andei na Escola de Aplicação e Ensaios no Largo D. Afonso Henriques próximo do Teatro Nacional e tendo em frente o Sindicato dos Metalúrgicos de Angola.

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Assim crescendo na perspectiva de ser um Niassalês sigo minha vida normal estudando na Escola Oliveira Salazar da Luua que entretanto passou para Escola Industrial de Luanda. Trabalhei como brigadeiro nos Caminhos de Ferro da Luua desenhando quilómetros de perfis na Brigada de Caminhos de Ferro do Norte.  Querendo subir na vida tiro o Curso de Topografia e Agrimensura na Escola dos Serviços Geográficos e Cadastrais no Largo Bressane Leite aonde tinha funcionado a primeira Escola Industrial…

toledo8.jpg Como topógrafo sou colocado na Cidade de Robert Williams, mais conhecida por Caála e o Abril de 1975 apanha-me ali passando Demarcações Provisórias de terras que afinal nem eram nossas. Só vim a saber isto ao certo, quando da guerra do tundamunjila tudo entrou em alvoroço e era muito perigoso ser-se branco!  Fizeram uma ponte aérea e recambiaram-me para o M´Puto com um voo grátis só de ida! Depois assisti de longe, lá no M´Puto entre o esbracejar dum tal de Vasco Gonçalves que o barco Niassa traria o último nosso património, a bandeira das quinas verde e vermelha com uma esfera e castelos em amarelo.

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Dei voltas pelo mundo com um imbondeiro de Angola às costas e já convencido das inverdades, tomando o calor na lareira do Alentejo, uma terra perto de Panoias, fico conhecedor de outras estórias; de gente que nunca andou por essas enviesadas picadas do Mundo. E, é assim que surge a verídica vida dum senhor que nem conheci de nome Manuel Fonseca -um senhor que tinha a doença de roubar.

soba03.jpg Manuel Faneca nasceu com essa doença de cleptomaníaco, isso de não resistir à tentação de roubar as coisas dos outros, de fanar aquilo que não é seu, um jeito de gamar com gula de mais-valia p´ra ficar o rei do pedaço, o maior, talvez, sei lá! Há muita gente assim que nem desculpa tem por ser doente a propósito e porque lhe convêm, é ladrão mesmo! Faneca, regenerou-se após uns dez anos de cadeia aos soluços e num vai e vem periódico na ramona da Guarda Nacional Republicana.

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Ele, efectivamente tem essa doença mas, de vontade própria, forjou uma maneira de se enganar; fora de horas mandava seu chapéu de feltro para dentro do quintal do vizinho ou alheio e depois saltava o dito cujo, para subtrair o seu próprio pertence. Chico Torrica é uma outra típica figura duma outra pequena vila alentejana; ainda jovem namorou uma catraia bonita de encantos de pasmar rouxinóis mas, sendo ele lavrador dum monte, ficou surpreso quando Felismina sua deusa, num repentino fim-de-semana foi vista a passear bamboleando-se com um brasileiro carioca.

tonito9.jpg Esse carioca, um emigrante bem-sucedido era muito cheio de graveto. Felismina não resistiu à lábia escorregadia do linguajar do bonitão, vestido de popelinas e sapatos brancos mais o seu chevrollet descapotável, rabo de peixe de reluzentes cromados e um verde de constante tentação. Tudo isso relampejou na cabecinha loira de Felismina. Isto não caiu bem a Chico Torrica que de encucamento soluçado e repetido, resultou em uma depressão sem tamanho que nada tinha de platónico. Esta situação perdurou por algum tempo vindo a piorar quando já muito mais tarde lhe mostraram uma foto de sua perdida amada remetida de Cuiabá do pantanal brasileiro.

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A foto mostrava Felismina escanchada em um alazão, algures numa cordilheira de Poconé e, tocando um corno retorcido a que ali chamam de berrante. Isto, na santa terrinha da falsa estepe foi motivo de troça ao já consumido Torrica; por via das falas indicarem que aquele corno de chamar boi tresmalhado era seu maldito chavelho. Esta dolorosa pedrada na já débil cabeça de Torrica deu em o enlouquecer de vez.

tonito10.jpg Torrica deu em maluco, passado dos carretos como dizia a canalhada, pivetes sem sensibilidade para tal dor de chifre e assim, quando lhe dava na veneta desviava as pedras dos caminhos durante a noite e, não raras vezes ia ao monte, igreja de Nossa Senhora da Assunção e retirava lá de dentro todos os santos nos vários altares. Dizia ele que era para apanharem ar.

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Dispunha os santos em círculo e, ao relento sereno de Agosto, fazia-lhes grandes, eloquentes e entorpecentes discursos, bem à sua maneira. Eram o Santo António, Nossa Senhora da Assunção, Nossa senhora do Ó e do Parto mais o São Jorge de que tanto gostava! – Mas que jeito, estarem vosmecês sempre fechados! Gostam de ser coitados como eu? Passam ali meses e anos sem verem a luz do dia, sem ar nem nada e tudo-o-mais! … Dizia ele, Torrica sozinhado consigo, falando prás sombras escuras da noite.

tonito11.jpg Torrica assim ficou para todo o sempre virgem na sua solteiríssima pureza de mente descalabriada. Conta-se que por muitas vezes o tentaram internar no Júlio de Matos mas, desistiram porque sempre conseguia esgueirar-se regressando à sua linda terrinha cheia de branco com barras azuis. Numa dessas vezes disse para quem quis ouvir: - Pois, … aquilo lá naquele hospital é tudo doido varrido! …

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Vejam só que me mandaram tirar água dum poço com um cesto igual a este; disse isto apontando seu cesto de vime que acartava no outro braço, feito de vime entrelaçado e, logicamente muito cheio de buracos naturais de seu cabaz de levar pasto de palha seca a sua égua. Aonde já se viu tal coisa? Retorquía ele esgueirando-se num inocente riso trocista de sublimada lucidez. Isto do sublimado, digo eu, mas em verdade sua estória metia dó. Bom! A minha tal como a de tantos outros também deveria meter mas, o Mundo anda por demais esquecido. Nem nunca nos vão ressarcir. Ele, …há coisas! …

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:03
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Domingo, 3 de Junho de 2018
CAFUFUTILA . CXXIII

TEMPOS DE FRINCHAS MORNAS – 03.06.2018

Por

 soba15.jpgT´Chingange . Em Coimbra

Coimbra - Sai a dar um passeio matinal lá pelas nove horas e quinze minutos, desde os Olivais até o Solum, zona do estádio de futebol de Coimbra e já descendo a Rua António Jardim, desci duzentos e vinte e quatro degraus até à rotunda dos patos. Entre pinheiros, urzes e maias, pensava em fúteis caprichos, esmiuçando o tempo para saber a verdadeira razão dos paradoxos do agora a pensar no futuro.

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Não será portanto, caso de estranhar de muitos de nós andarem com um olho aqui e outro lá mais adiante, com a metade do raciocínio num sítio e a outra metade no ciberespaço. Mas eu tinha de galgar estes degraus com método sem me distrair com os tempos de socialismo, comunismo ou das entremeadas diabruras capitalistas, para espairecer as molezas dos europeístas e anarquistas que sempre deixam correr o tempo até lhes sair de feição.

trump3.jpg E, assim inchado de espantos, desenhava-me entre antigos esboços, revendo-me nos desenhos das verduras, escorregadias dos esverdeados fungos. Detive-me a apreciar aquela velha urze com musgo do neolítico, muito rachada e a pedir um acordo lógico nas alterações climatéricas, nos novos inventos piromaníacos e técnicas de assustar novas loucuras.

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Assim andando, olhando a quietude no meio de prédios e roncos recordei os tempos em que as pessoas tinham pesadelos com o roncar dos primeiros automóveis nos fins do século dezanove, para aí no ano de 1876 quando do nascimento do automóvel moderno como um tal chamado de Benz Patent-Motorwagen, inventado pelo alemão Karl Benz.

carro0.jpg Lembrar-me eu na minha primeiríssima geração, lá pelo ano de 1807, ter nascido o primeiro carro movidos por um motor de combustão interna a gás antes de surgir o combustível chamado hoje genericamente de petróleo e, que levou à introdução em 1885 do moderno motor a gasolina ou com combustão a gasolina.

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E, que mais tarde os homens com o delírio de voar fizeram experiências com asas de palha, atirando-se de torres e medonhos penhascos a imitar as modernas asas delta. Com asas mecânicas às costas abanavam-se na torpitude furiosamente até se esborracharem lá embaixo.

carro1.png E neste frenesim de voar em pensamento cheguei a Donald Trump que anda a experimentar o resto do mundo com malucas inventações só para fazer diferente; surgindo com os olhos esbugalhados, sem pestanas e ar trocista com sua caneta gigante e grossa, assassina o papel amarfanhando uns rabiscos que mais parecem um gráfico de pulsações do coração. Com riso de sacana, vira o livro rígido pró mundo mostrando sua assassinatura, coisas dum inimaginável louco a governar a Big América USA…

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O senhor gajo, olhando para o resto das suas possessões, mira a União Europeia com um sarcástico desdém forçando a lógica mediação com medidas legislativas e afins de enriquecer americanos. Com caneta de feltro assume unilateralmente medidas restritivas na importação do aço, aplicando tarifas e taxas a seu belo prazer. E, os Europeus às voltas em formar governação em Itália, em Espanha com outros edecéteras à perna.

carro2.jpg A França com Macron fazendo olhinhos bonitos à Angola. Um salve-se quem poder sem uma concertada coligação de esforços. Fiquei espantado quando na Kizomba do Facebook surgiu a notícia de que o presidente João Lourenço estava em França; tive dúvidas que assim fosse e, afinal lá estava ele descendo dum avião chinocas pago há hora à modica quantia de 74.000 dólares… Decerto, não irá comprar champanhe!?

TRUMP2.jpg Quase chegando ao Centro Comercial Alma, dou-me conta que o futuro anda muito enevoado; os países a se governarem em contas negativas com todo o mundo assobiando pró lado. E, são bilhões! Sacaneando-se uns aos outros sem conta nem medida. Bom!... Já no Alma, comprei o jornal Expresso, pedi um café, um copo de leite frio, mais uma queijadinha. Que se lixe! Menos mal que em Portugal temos um Marcelo a olhar por nozes (plural de nós)! Mas, até quando (não é pergunta)…    

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:31
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Sábado, 2 de Junho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXV

DESCOLONIZAÇÃO DO IMPÉRIO  DO M´PUTO . SINTESE – II

DESCOLONIZAÇÃO - (Continuação)

kimbo 0.jpg As escolhas de T´Chingange

Porcanhot1.jpg António José Canhoto...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna...

Quando escrevi o texto (Síntese.I) sobre o titulo em epigrafe escalpelizando o papel de Mário Soares no processo de descolonização não pretendi ilibar todos aqueles que no palco deram a cara, mas sim acusar todos aqueles que permaneceram por detrás da cortina puxando os cordelinhos ou fazendo o papel de “PONTO” que é aquele que escondido num alçapão do palco lembra aos artistas as suas falas e deixas do texto ou guião da peça.

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No caso da descolonização a peça deveria ter tido pelo menos 3 actos, mas infelizmente tudo se resumiu a um só, tendo os artistas sofrido uma enorme pateada e insultos vendo-se obrigados a abandonar o teatro pela porta do cavalo tendo sido ao longo de 40 anos vituperados pelo seu catastrófico desempenho. Não me compete a mim escrever a história sobre essa mancha negra que ensombra o período politico que Portugal atravessou entre 1974 e 1975, contudo quem já o fez de forma isenta foi-lhe fácil encontrar os responsáveis.

vasco gonç.0.jpg Quando iniciei a feitura do texto, já pressentia que iria abrir uma “Caixa de Pandora” e muita gente se iria atirar a mim como gato a bofe. Surpreendentemente o texto foi bem aceite pela grande maioria, mas houve pessoas que o descontextualizaram sem terem tido a capacidade de separar a missão politica de que Mário Soares foi incumbido de realizar atribuindo a este senhor todos os problemas pessoais que afectaram os “colonos” na sua generalidade.

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A minha crónica foi feita depois de muita reflexão e pesquiza e para quem não saiba o processo de descolonização foi desenhado pelo ideólogo do grupo dos 9 o major Melo Antunes que foi a eminência parda marxista do Movimento das Forças Armadas (MFA). Óbvio que a grande maioria dos retornados teve de encontrar alguém para descarregar as suas frustrações e Mário Soares foi o homem escolhido como ministro dos negócios estrangeiros do governo provisório bem como António de Almeida Santos ministro da Coordenação interterritorial, para darem a cara como forcados e pegarem os 2 touros mais perigosos de nome Angola e Moçambique.

spi0.jpg Em consequência de os touros terem sido mal lidados e estarem ainda cheios de energia ambas as pegas falharam e os touros desembolados ficaram incontroláveis. Os pegadores viram-se forçados a arcar com todas as responsabilidades de uma “corrida” programada em cima do joelho e a martelo sem acautelar a integridade física dos aficionados. Em 22 de Fevereiro de 1974 O general António de Spínola publica o livro "Portugal e o Futuro" pouco mais de um mês depois de ter sido empossado como vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

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As páginas do livro abriram um fosso de incompatibilidade com o primeiro ministro da altura Marcelo Caetano que afirmou tratar-se de um verdadeiro "manifesto de oposição" ao regime e de um golpe militar anunciado o que efectivamente veio a acontecer semanas depois. Na sequência da publicação do "Portugal e o Futuro", e perante a recusa dos generais Francisco da Costa Gomes e António de Spínola, os dois principais chefes militares do país em prestar vassalagem a Marcelo Caetano, tanto Spínola como Costa Gomes são demitidos a 14 de Março.

soares1.jpg A 25 de Abril de 1974 os capitães do Movimento das Forças Armadas levam a cabo o golpe militar que liquidou o regime do Estado Novo tendo escolhido uma Junta de Salvação Nacional para preparar a transição do país para um regime democrático. Na madrugada de 26 de Abril de 1974 Spínola é anunciado como chefe da Junta Militar e, a 15 de Maio, toma posse como primeiro Presidente da República do pós-25 de Abril.

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A História e o movimento revolucionário avançaram muito rápido para uma esquerda marxista radical contra a qual Mário Soares ferozmente lutou. O livro publicado por Spínola constituía um poderoso repto ao regime do Estado Novo. Basicamente afirmava que as guerras coloniais, que duravam desde 1961, não tinham solução militar, sendo imperativo que a Nação debatesse o problema. Spínola tinha ideias muito concretas de como o processo de descolonização se deveria processar as quais dissecou pormenorizadamente no seu livro.

rev8.jpg Spínola acaba mais tarde por se demitir como Presidente da Republicam quando se sente atraiçoado pelos seus camaradas de armas e pela forma de como o processo revolucionário e de descolonização que tinha sido esquematizado por Melo Antunes o qual o grupo dos 9 pretendia implementar. O traidor não foi Soares, mas sim a Junta Militar e o governo provisória infestado de esquerdistas comunistas, que governaram Portugal a seu belo prazer tendo em Vasco Gonçalves o seu expoente máximo.

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A situação só começou a mudar quando a feitura da nova Constituição Portuguesa deu origem às primeiras eleições livres em Portugal, as quais só aconteceram em 25 de Abril de 1975 para a eleição dos deputados para a Assembleia Constituinte. Conforme disse no meu texto (Sintese.I) todo o processo de descolonização foi uma aberração e as consequências do mesmo devastadoras e traumáticas, mas esse não foi o objectivo do meu texto, mas sim desvendar quem puxou os cordelinhos fazendo de Mário Soares e os seus pares os peões de brega, aos quais foi incumbida a triste sina de levar a cabo uma tarefa odiosa que todos sabíamos pelo andar da carruagem que iria acabar mal.

rev7.jpg Os verdadeiros traidores de Portugal não aparecem nas fotos de Argel, Lusaca ou Alvor, por ocasião das assinaturas dos acordos ou tratados de independência. Sejamos honestos e não assaquemos culpas nem manchemos com o labéu de traidores ou ladrões todos aqueles como Almeida Santos, Costa Gomes, Mário Soares e outros que pelas funções governativas que ocupavam ao tempo personificaram a função de carrascos no processo de descolonização.

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Todos os países com impérios coloniais Inglaterra, França, Holanda e Bélgica concederam as suas independências no principio dos anos 60 e hoje têm óptimas relações com os países que colonizaram, infelizmente os nossos políticos não tiveram a mesma visão e prolongaram no tempo e no espaço um desfecho que a partir de 15 de Março de 1961 passou a ter os dias contados.

António Canhoto 12-1-2017



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:21
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Quinta-feira, 31 de Maio de 2018
MUGIMBO . CIX

CICATRIZES DO TEMPO – 31.05.2018

- Mito do Caminhoneiro - O Brasil é um caminhão sem motorista, descendo a ladeira... Cientistas Políticos - divirtam-se..

PorJorge Serrão - serrao@alertatotal.net

kimbo 0.jpg As escolhas T´Chingange via Alerta Total

O Movimento dos Caminhoneiros vai entrar para a História como um fenómeno de mobilização dos brasileiros contra a sacanagem praticada pelo regime de impostos do Estado-Ladrão brasileiro. É por isso que, apesar dos prejuízos económicos e dos transtornos individuais e colectivos, aquilo que a imprensa sacanamente chama de “greve” conquista um gigantesco apoio popular.

caminhon0.jpg Um vídeo do cantor Roberto Carlos, em um show, apoiando os caminhoneiros não é um mero acto oportunista de marketing. É a legitimação de um movimento que vai muito além dele mesmo e que tem tudo para derrubar um desgoverno que já caiu e finge que não sabe. O que acontece agora é um repique do vem acontecendo desde 2013, incluindo a combustão (nem tão espontânea) que “golpeou” a Dilma.

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Os ideólogos tradicionais foram atropelados pela realidade. Geralmente a serviço de partidos (sobretudo da “esquerda revolucionária”), os autoproclamados intelectuais orgânicos foram ultrapassados pelo pragmatismo da massa. No vácuo de “pensamentos” e ideologias que foram ultrapassadas pela evolução dos tempos, surgem movimentos populares legítimos e espontâneos.

caminhon5.png O “Caminhoneirismo” é uma destas novidades que mistura mais emoção que razão, mais pragmatismo que academicismo. A figura lírica do caminhoneiro desperta no coração dos brasileiros um alento de esperança. O motorista parado e mobilizada via Internet passa por cima das manipulações de sindicalistas. Os brasileiros os enxergam como “heróis” que enfrentam um governo corrupto e incompetente.

caminhon1.jpg Se faltou combustível caríssimo na bomba do posto, sobrou combustível para incendiar a opinião pública. O Movimento dos Caminhoneiros conseguiu popularizar, ainda mais, a “tese” da “Intervenção Militar Directa” – que incomoda 11 entre 10 oficiais-generais das Forças Armadas e que também apavora os controladores mediáticos e a esquerda que não consegue entender o que realmente acontece no Brasil. Tanto que nem deu certo – e nem podia dar – a infeliz ideia do governo botar os militares para reprimirem os “grevistas”...

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No momento, o único perigo é o caos gerado. Oportunistas revolucionários já promovem acções de terrorismo. Cedinho, em São Paulo, “colocaram” fogo em pneus na rodovia Raposo Tavares, no sentido da capital. Certamente, o acto criminoso não foi praticado por caminhoneiros. Esta táctica de terror é geralmente adoptada pela extrema-esquerda, tipo MST, MTST e porra-loucas afins. Sabotagens assim são previsíveis... O objectivo táctico é gerar medo na população...

caminhon3.jpg O governo apostou conforme o previsto nos paliativos. Determinou um desconto de R$ 0,46 centavos do gasóleo por 60 dias. A promessa é reduzir em R$ 0,11 o PIS/Cofins e R$ 0,05 a Cide do gasóleo. Depois, haverá reajustes mensais. Também foi determinada a isenção da gratuidade n a portagem (pedágio) para caminhões com eixo elevado. Michel Temer fez um pronunciamento na TV para anunciar as principais medidas. A reacção popular foi na base dos panelaços em várias cidades.

brasil2.jpg Importante é que as pessoas percebam que tudo que acontece agora é apenas o prenúncio da mais grave crise nunca antes vista na História desse País. Já estão em andamento (com ou sem combustível) os indicativos do caos no presente de um futuro cada vez próximo... O Brasil é um caminhão sem motorista, descendo a ladeira nas barrocas (banguela)... 

Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Relator: T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:02
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXIV

DESCOLONIZAÇÃO DO IMPÉRIO  DO M´PUTO . SINTESE - I

::As escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto...  Um polémico cronista saido da Luua, que tem o diabo à perna...

Todos os portugueses, onde me incluo, que viveram nas ex-colónias portuguesas e que sofreram na pele o processo de descolonização, atribuíram as culpas ao ministro dos negócios estrangeiros da altura Mário Soares que se finou há um ano, para gaudio de muitos dos retornados e para pesar de muitos democratas. Foi Mário Soares pelo cargo que ocupava na altura que carregou e conduziu o referido e complicado dossier do processo de descolonização que ficará como uma das mais tristes nódoas na história de Portugal.

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As tendências ideológicas marxistas que o processo revolucionário em Portugal atravessou não auguravam um desfecho feliz para os residentes nas províncias ultramarinas. A pressa era muita e, de modo que Mário Soares foi encarregue de atalhar e encurtar caminhos e forçado a abreviar o calendário das independências para o ano de 1975.

áfrica19.jpg As conversações para esse desiderato começaram de imediato com os líderes dos movimentos independentistas das colónias Portuguesas em Africa, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola tendo como interlocutores Luís Cabral, Samora Machel, Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi. A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC que foi reconhecida pela comunidade internacional, mas não pela potência colonizadora o que só aconteceu nas negociações de Argel em 25 de agosto de 1974, seguido de Moçambique em Lusaca a 7-9-1974 e do Angola no Alvor a 15-1-1975.

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Logo que Angola e Moçambique obtiveram oficialmente as suas independências instauraram um regime de partido político único pró-soviético, enquanto em Portugal, o modelo socialista pós-revolução era progressivamente abandonado, dando lugar a um regime democrático. Só um tolo ou imbecil poderia pensar que seria possível a manutenção de uma guerra colonial em 3 frentes até aos dias de hoje, para assegurarmos a continuidade dos privilégios de alguns em África intemporalmente.

ama3.jpg Os grandes coveiros e responsáveis da repatriação dos mais de 750 mil portugueses naturais e colonos que ao tempo residiam em Moçambique e Angola não foi Mário Soares, mas sim, Salazar e Marcelo Caetano, pois a descolonização das nossas colónias deveria ter sido iniciada nos finais dos anos 50 antes de se ter iniciado o terrorismo em 15 de Março de 1961 em Angola pela UPA, em 24 e 25 do mesmo ano em Setembro pela Frelimo em Moçambique e finalmente em 23 de janeiro de 1963 na Guiné.

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Se o processo de descolonização tem sido feito atempadamente de forma ordeira cívica e civilizada assegurando a permanência dos europeus nas colonias, a revolução do 25 de abril de 1974 apenas tinha tido efeitos práticos ou visíveis em Portugal continental. Mário Soares estava manietado e limitado pelas directrizes imanadas pelo Conselho da Revolução e pelo desejo que os militares tinham em baixar as armas o mais depressa possível e abandonar África á sua sorte.

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O governo provisório da altura em Portugal estava em conluio com os líderes independentistas uma vez que defendiam a mesma ideologia politica, portanto Mário Soares muito pouco poderia ter feito para alterar o “status quo” dos eventos catastróficos que o processo de descolonização atravessou. Mário Soares foi um intermediário facilitador que seguiu um programa que lhe foi imposto, mas não o ideólogo do mesmo.

dyo2.jpg Eu sei e compreendo que a grande maioria dos retornados atribuem a Mário Soares toda a culpa da descolonização, pois acabou sendo o bode expiatório e o alvo mais fácil para arcar com as culpas devido a sua liderança nas negociações. Do contexto político vivido em Portugal destaca-se a divergência entre o então Presidente da República (PR), António de Spínola, e a Comissão Coordenadora (CC) do MFA em relação ao modelo de descolonização a seguir e que teve repercussões negativas nos processos de negociação e nos posteriores acordos de independência com os movimentos independentistas.

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A descolonização portuguesa dos territórios ultramarinos em África constituiu um dos aspectos centrais da política portuguesa após o 25 de Abril, tendo tido consequências sociais profundas em Portugal. Quando Mário Soares entabulou negociações com os líderes nacionalistas de Angola e Moçambique com vista á independência dessas colónias fazia parte como ministro dos negócios estrangeiros de um Governo de Transição empossado pelo MFA sem a legitimidade do povo português, pois ainda não tinham havido eleições gerais em Portugal nem sequer tínhamos uma nova Constituição aprovada que lhe outorgassem a legitimidade para assumir essa decisão histórica particularmente nos moldes em que foi feita.

spi3.jpgMARIO1.jpg Não tenho a veleidade, ousadia ou arrogância de colocar Mário Soares sozinho no banco dos réus, nada me move pessoal ou particularmente contra a sua pessoa, muito embora tenha deixado em África terra onde nasci tudo o que construí com o suor do meu rosto. Tenho a capacidade de separar o trigo do joio e fazer uma análise lucida e racional dos acontecimentos sem cegueiras ou fanatismos e atribuir as responsabilidades históricas a quem de facto as teve 20 anos antes de 1975, bem como no período pós-revolucionário. Se Portugal tem tido líderes com visão estratégica e politica para terem iniciado o processo de descolonização na época adequada teriam preservado a permanência e a continuidade de todos os colonos suas famílias e descendentes nesses territórios.

(Continua…)

António Canhoto 11-01-2017



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:22
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2018
CAZUMBI . XLIV

MIAI – CORURIPE DO BRASIL - COMO SINTO O MUNDO - VIII21.05.2018

Brasil – o dia da mudança…

Por

soba15.jpgT´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Assisti aos debates televisivos do STF – Supremo Tribunal Federal, Rede Globo nos dois dias que antecederam a prisão de Lula e, de assombro em assombro fui ficando translucido com a flexibilidade da justiça brasileira, sua peculiaridade de protelar “o facto” rebuscando inexistentes frinchas da lei. Foi quase horrível para não dizer repugnante testemunhar o vigor retórico de ministros ditos conceituados, tais como Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Toffoli, e Lewandowski, alegando defender os pobres.

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Votando favoravelmente nos corruptos bilionários, já de si, defendidos em demasiado nos seus interesses por dispendiosos advogados; no abono a Lula, claro! Um dia marcado pela mudança através dos votos de Carmem Lúcia, a presidente do STF e Rosa Weber, duas mulheres que marcaram a diferença em defesa da Constituição Brasileira. Um cinco a quatro pela legalidade.

lampi2.jpg Eu estava em pulgas! A eloquência demagógica e populista daqueles quatro ministros estava a ser escutada na certa, pela nata prisional dos maiores mafiosos; arrepiado dos artelhos ao cocuruto do cerebelo, via o quanto isto não seria um abre-te-sésamo para criminosos de alto e baixo gabarito.  

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Mas, foi com agrado de susto que tudo alterou com o voto da Ministra Presidente Lúcia. O resultado de cinco contra quatro na não execução do tal de Habeas Corpus; de todo o modo, transparece a triste ideia de um país aonde a lei anda manca. Não consegui arregimentar em mim a suficiente alegria para comemorar com a devida efusão, fechando assim o círculo de impunidade, descaso e bagunça.

lampião7.jpg Sérgio Moro, só demorou vinte minutos para lavrar o mandato de pisão ao ex-presidente Lula; sem algema, sem confronto, e esperando até às 17 horas de Sexta-feira, em um dia seis de Abril. Não foi assim mas, por fim os kazukuteiros da lei, lá acordaram que seria só após a missa em homenagem à sua esposa, de Lula, lá pelas dez horas de domingo.

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E, assim foi, bem do outro lado da sede dos Metalúrgicos de São Bernardo dos Campos em São Paulo. O dia da mudança surgiu por fim! As hostes do PT - Partido do Trabalhador em momento algum baixaram os braços em defesa do seu mártir argumentando ser claramente por acção distorcida duma Constituição estrupada! Foi um filme ruim de assistir; o cangaço no seu mais elevado expoente quase vencia. Viva Lampião! Só sou eu a dizê-lo, aqui no meu mukifo que ninguém me ouve…

dracma5.jpg Visto de longe, este espectáculo dá para ficar preocupado com o manuseamento da lei. Triste sina a minha de cruzar o mar entre Brasil, Portugal, Angola e África do Sul assistindo a esta falta de credibilidade incestuosa de quem faz a lei. Cambada de gente que estuda para nos escravizar!

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Fiquei ciente de que o aviso do General Villas Boas, Comandante em Chefe das Forças Militarizadas na tarde do dia quatro de Abril de 2018, era no sentido de que se tudo descambasse o exército entraria em cena para repor em seu lugar as instituições. Gostaria que o nosso chefe das Forças Armadas e Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tomasse esta postura. Angola é para esquecer por enquanto! ….  Ainda bem que por cá, foi como foi! Assim deste jeito débil! Mas que a coisa esteve preta, lá isso esteve!

Nota: Crónica escrita em Miai a 07.04.2018

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:23
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Sábado, 19 de Maio de 2018
MOKANDA DO BRASIL . XI

METÁFORA DA VIDA . NAS CINZAS DO TEMPO – 19.05.2018

Por

soba0.jpeg T´Chingange No Nordeste brasileiro

No Brasil de hoje as perspectivas não são das melhores. São mesmo tristes, considerando o facto da instabilidade política. O brasileiro perdeu a confiança em todos os políticos tornando imprevisível o destino próximo do país. A percepção de falta de confiança na escolha de um novo presidente, abre caminho a neófitos que devido à falta de competência para o cargo, pode daí advir muito dano para o país.

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As duas maiores vitórias de Fernando Henrique Cardoso, foram a estabilidade económica e a previsibilidade política. Será agora ridículo apostar em um cidadão sem revisar seu curriculum até se chegar à conclusão de ter ficha limpa para exercer o cargo. O êxito da justiça brasileira dos últimos tempos não pode afrouxar mais recorrendo a soluções de entorpecimento d ontem por compadrio com o poder do PT.

brasil1.jpg Lula é o passado que falhou e aqui, têm de se pôr um ponto final e tirarem ilações dos polvos que a promiscuidade corrupta pode originar; Lula é um passado que falhou. O brasil, por ser quase um continente em suas lonjuras, fronteiras demasiado permissivas e por ter muita desigualdade, requer um modelo de governo não populista, talvez do centro- esquerda porque por ora, a social-democracia foi imensamente atingida neste escândalo de corrupção, mensalão e petrolão com lava-jato. 

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O Mundo está a mudar e tirem-se ilações a partir da opção do Brexit na Inglaterra, da escolha de Emmanuel Macron em França, do surgimento, geringonça em Portugal e da dificuldade de formar governo tanto na Alemanha como em Espanha. Neste momento é a Itália que está em palpos de aranha e até mesmo a escolha de Trump para governar os E.U.A. um perfeito exemplo de populismo de direita. Isto tem seus riscos, porque as pessoas já não aderem por ideologia mas pelas promessas que lhes mudarão a vida no quotidiano.

bra5.jpg Há o grande risco desse populismo, se não for combatido pelo esclarecimento, poder tombar para a esquerda como a gestão de Hugo Chaves e seu sucessor Maduro. Ao Brasil parece-me não ser útil, nem um nem outro. O actual Presidente Michel Temer tem tentado fazer reformas mas, não consegue completar seu trabalho, por não ter legitimidade para o fazer e, de forma mais drástica, já que não foi eleito.  

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É preciso um novo presidente com capital político para fazer as reformas de que o Brasil necessita. Inteirando-me das ideias de um economista e comentarista do Financial Times, Martin Wolf o trabalho é grande e, este, não está certo de que um próximo presidente esteja apto a faze-las: reforma tributária e trabalhista, investir em infraestruturas e criar políticas públicas que aumentem a poupança privada.

bra4.jpg Mas, e também tocar na reforma fiscal, nas aposentadorias e previsão de gastos no futuro. Quando a Martim Wolf se lhe perguntou sobre possíveis candidatos para Outubro, para estranheza minha disse que Bolsonaro, um candidato que se alinha na frente, lhe parece completamente maluco. Quando os adivinhadores apostam nele, este conceituado cronista afirma que este é capaz de levar o país à ruina.

pal01.jpg E, diz que Donald Trump beira a normalidade ao lado de Bolsonaro. Trata-se de alguém que não sabe o que diz e, que parece não ter noção do que significa governar. Esta perspectiva é algo muito trágico e muito triste, pois que representa uma grande perda de potencial para o Brasil que tem recursos abundantes; conclui mesmo dizendo: colossais. Finalmente remata – é uma pena!…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXII

A ILITERACIA EM ANGOLA . 17-05-2018

:::::As escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpg António José Canhoto... Um polémico cronista saido da Luua, que tem o diabo à perna...

Relutantemente terei que voltar a escrever sobre Angola, mas não pelas melhores razões e muito menos quando me sinto na obrigação de fazer comparações com o tempo colonial que com todos os seus imensos defeitos tinha em alguns dos seus aspectos grandes virtudes. Foi durante o sistema colonial que se processou a minha meninice, puberdade e adolescência e durante a qual experienciei a qualidade dos bons professores portugueses existentes no território e aos quais tiro o chapéu pois por eles fui instruído durante o período da minha escolaridade que perdurou em Angola entre os anos de 1948 e 1959.

ÁFRICA1.jpg Posteriormente prossegui o meu percurso académico na República da África do Sul pois nessa altura não havia ainda Universidades em Angola e Joanesburgo estava mais perto de Luanda do que de Lisboa. Mas foi em Luanda desde a primária até à conclusão do meu 7º ano que percorri a minha vida académica miscigenada com outros colegas caucasianos, mulatos e negros.

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Muitos deles após independência atingiram posições de destaque no regime político, militar e diplomático que tal como eu tiveram a oportunidade de usufruir de um sistema educacional que 40 anos depois por aquilo que me é dado constatar não chega nem sequer às unhas dos pés daquele que tivemos o privilégio de beneficiar nos anos da colonização Portuguesa. Para justificar esta minha reflexão dei-me ao trabalho de iniciar uma colectânea dos erros gramaticais no uso da sintaxe que vou anotando das imensas páginas criadas no Facebook por angolanos, às quais aderi para delas avaliar as tendências e preocupações críticas dos seus autóctones.

ÁFRICA18.jpg Tudo isto por via do sistema político em que vivem e, à falsa democracia que têm por quem os governou e governa. Nas várias páginas que criaram no Facebook abordam temas e problemas políticos, sociais, musicais, generalistas e religiosos o que me permite sociologicamente chegar a várias conclusões interessantes. Fico muito surpreendido pelos tópicos que abordam, perguntas que fazem e às imaturas conclusões a que chegam pela impreparação, ingenuidade e desconhecimento que demonstram ter sobre a vida, amor, sexo, política, tribalismo e mundo em geral, mas sobretudo pela parte história da sua herança genética e cultural.

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Contudo, surpreendentemente mostram uma tremenda religiosidade cristã e um notável conhecimento bíblico devido que penso ser devido à implantação de missões religiosas baptistas, metodistas geridas por missionários estrangeiros e freiras católicas portuguesas espalhadas pelo sertão angolano onde foram e são por estes e estas doutrinados. Hoje em dia, os angolanos têm ao seu dispor as ferramentas necessárias que lhes permite facilmente responder às suas questões para as quais pretendem respostas que são a Internet e o Google.

ÁFRICA2.jpg A minha experiência no que respeita ao criticismo que faço sobre a iliteracia angolana, advém da aderência que fiz às muitas páginas do Facebook criadas por angolanos e da leitura dos seus conteúdos. Existem outras, mas de portugueses ex-residentes em Angola onde continuam dolorosamente a carpir as suas saudosas mágoas dos belos tempos que lá passaram. As páginas genuinamente angolanas proliferam pelo Facebook, umas mais radicais do que outras, mas em todas elas se nota a dificuldade e deficiência no comando da língua de Queirós e Camões.

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Sem querer perder ou divagar para outras áreas a razão deste texto centra-se na forma como os angolanos se expressam por escrito e pela iliteracia que demonstram ter após passados 40 anos de independência. No tempo colonial o sistema escolar era tão bom em Luanda como em Lisboa, mas hoje em dia a forma como os angolanos trucidam e assassinam a língua portuguesa deixa muito a desejar e deveria envergonhar quer o ministro que superintende ao sistema educacional angolano bem como a todos os usuários que que a ela recorrem para comunicar.

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ango0.jpg Com toda a honestidade nem dá para acreditar nas postagens que leio pelos erros gramaticais nelas contido de como se pode chegar a um estado de degradação linguístico quase de puro analfabetismo generalizado. Não é caso para o governo de Angola se orgulhar do sistema educacional que está a proporcionar aos seus cidadãos, pois a imagem que estes projectam para o mundo da língua portuguesa nas suas publicações é degradante revelando um estágio primário evolutivo. Comparativamente ao tempo colonial o sistema médico, hospitalar, saneamento básico, rodoviário, e educação estavam muito melhores do que hoje 40 anos depois, e nunca Luanda esteve tão soterrada em lixo como está hoje.

António José Canhoto - 17-5-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:58
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2018
CAZUMBI . XLIII

MIAI – CORURIPE DO BRASIL

- COMO SINTO O MUNDO - VII16.05.2018

Grande filho da mãe …

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Estivesse eu na Lagoa do M´Puto e seria neste dia 13 convidado pagante ao jantar das Sextas-feiras, o dia das bruxas promovido pelo Professor Herrero com a participação de ilusionistas, mentirosos e outros malabaristas. Decerto iria assistir a coelhos saindo das cartolas de copa alta e pombas brancas de finos lenços de cetim; confettis voando como borboletas por cima de nossas cabeças entre luzes de pirilampos digitais.

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Mas, estando eu em Cururipe, no lugar aonde paparam o primeiro bispo do Brasil com o nome de Sardinha, irei descrever uma passagem ortodoxa de um padre chamado Nildo (Onildo Tenório Vilanova). Prestes a ingressar na aposentadoria, o padre Nildo, velho malcriado e com uma língua afiadíssima, por assim dizer de trapo, licenciou-se da paróquia, quersedizer, saiu de sua função de prior por via da idade.

balba1.jpg O dizer licenciou-se, é no sentido de obter licença para, ao invés do político português chamado de Rangel, um ministro governamental do PSD que se licenciou na cátedra da política depois de tanto bater à porta do poder. Um dia deram-lhe mesmo licença para entrar e assim desta forma simples ficou licenciado. Parece uma coisa cómica mas com pontos e vírgulas de compadrio, lá formataram sua licença à medida de ficar um senhor Ministro.

lampião35.jpg Abandonemos este transbordar de palavras cochas e voltemos ao assunto do padre Nilo, licenciado da paróquia que comandava no agreste pernambucano. A fim de resolver problemas de administração, trâmites relacionados com os seus paroquianos no rol da fé em Cristo, entre outros de seu interesse particular, desceu do velho e poeirento ónibus no antigo terminal rodoviário do Recife que ficava bem no subúrbio.

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Optou por tomar um táxi para chegar mais rápido à sede da Arquidiocese, aonde se reuniria com o Senhor Arcebispo. No ponto respectivo, padre Nildo, tomou o táxi dizendo ao motorista: - Por favor, leve-me até ao centro da cidade (…). O taxista, um sujeito mal-encarado e fedorento, arrancou com o carro puxando a mil cavalos e, começou a dar voltas e mais voltas, por tudo quanto era de praça e pracinha mais alamedas até estacionar minutos mais tarde na porta da Arquidiocese.

Cicero2.jpg Vai que padre Nildo botou o olho no taxímetro e tomou o maior susto, pelo que protestou: - Mas, isso é um absurdo, meu filho! Esse valor que o taxímetro está marcando é uma exorbitância! Na maior cara de pau o taxista respondeu ao sacerdote: - Olhe seu prior, estou cansado de pagar a vosmicês tudo para a igreja – É baptizado, é casamento, é crisma, é missa do sétimo dia, é funeral mais santinho, quermesse e o escambau, sabe!

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Por isso o Senhor Padre, vai ter que pagar o que deu no taxímetro, visse! Padre Nildo respirou fundo, tirou a mão do bolso da batina preta, retirou uma carteira de notas e separou as cédulas na conta dando ao cara dizendo: - Muito bem meu filho…. Aqui está! O motorista de cara fechada pegou o dinheiro, passou o troco ao religioso e, quando ele descia do veículo, virou-se pró sujeito e disse:

roxo90.jpg Háhh, quando a sua mãe resolver largar aquela vida do garimpo, lá no Bataklan, visse… Pode levá-la à minha paróquia que eu faço o casamento dela de graça, ouviu!? Pude imaginar o padre no átrio da Arquidiocese olhando pró céu, falando com Seu Senhor superior, muxoxando baixinho: Grande filho da Puta!       

Nota: Crónica escrita em Miai a 13.04.2018

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:50
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Domingo, 13 de Maio de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLII

ANGOLA DA LUUA XLII - TEMPOS PARA ESQUECER - 13.05.2018

“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas” - Quase morri antes desta guerra em Kaluquembe; acho mesmo que fui para o além durante um pequeno espaço de tempo…

Por

soba15.jpg T´Chingange

Quando no ano de 1974, se deu o 25 de Abril em Portugal, estava eu exercendo as funções de Topógrafo da Câmara Municipal da Caála (Robert Williams); chefiava a Secção de cadastro no referente a terras, urbanismo e obras já licenciadas. Minha mulher que era professora do ensino básico dava aulas no bairro Popular nº 1 confinando com o bairro Madame Bergman, muito próximo da estrada de Catete e confinando com o Bairro do Caputo perto da Terra Nova e Cemitério Novo.

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Ela, Maria Emília dava aulas a 40 crianças dos quais, só duas eram brancas; filhos do merceeiro situado bem perto desta escola com o nº 22. Maria Emília imediatamente a seguir ao 25 de Abril ouvia alguns alunos em surdina, e na forma de muxoxos dizerem coisas desaforadas como: Vamos ficar com a casa da professora- Vamos ficar com o carro da professora, Vai para a tua terra, entre outras frases que ela fazia por não querer ouvir. Era um indício da tempestade que se aproximava. Três meses depois do vinticinco, em Julho de 1974 é destacada para a escola da Caála. Um alivio - a família Monteiro reunia-se de novo.

kafu19.jpg Aquelas crianças dos bairros suburbanos de Luanda eram a propósito instruídas em casa para assustarem seus professores; uma forma de rebeldia independentista curtida no seio de suas famílias; logicamente que seriam os pais senão a induzir os filhos, no mínimo eram conversas escutadas por estes. Fabricavam boatos que desencontravam a vida de todos. Eram já ensaios na preparação do Poder Popular. Maria Emília, já na Caála, contando isto a mim, dava para antever uma grande borrasca lá pela capital. Era o início da Guerra do Tundamunjila…

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Após os primeiros encontros, negociações de cessar-fogo e acordos com os movimentos rebeldes e, já após aceitação da UNITA o professor Liuanhica da Catata, director de um colégio-missão, entra em contacto com vários elementos desta pequena cidade para formar o Comité da UNITA da Caála. Não me vou alongar muito nesta descrição mas, foi assim que fui eleito Secretário de Informação e Propaganda até que em uma remodelação dos Quadros, o próprio Jonas Savimbi me indigitou para Secretário de Relações Publicas do Comité.

zeça14.jpg Tenho contra vontade de expor isto para que todos vejam o empenho que fazia em permanecer em Angola e de uma forma activa. Nunca me arrependi de assim ter procedido até ter saído da Caála em Agosto de 1975; a UNITA teve ali, um comportamento exemplar. De forma breve posso dizer que o meu carro foi sabotado e, tudo indica por gente afecta ao MPLA. A carcaça do meu carro, um Renault major lá ficou na curva da morte do Cruzeiro de Kaluquembe.

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Quase morri, acho mesmo que fui para o além durante um pequeno espaço de tempo mas, regressei com uma clavícula partida! Do carro nada se aproveitou e, tudo ardeu! Literalmente! Foi naquele acidente que o galo pintado de branco, símbolo da UNITA em fundo vermelho morreu! Foi o Doutor Parson, seu filho David e esposa da Missão do Bongo para lá do Longonjo, que me ataram uma ligadura a dar firmeza ao osso; osso que soldou por si, só com o tempo. Meu ombro esquerdo, por via disto, ficou mais curto em um centímetro. Aonde quer que estejam os Parson, mando os meus agradecimentos.

áfrica19.jpg Porque já foram escritas 41 mokandas em um dilatado tempo convém aqui e agora recordar a cronologia da ENTREGA DE ANGOLA AO MPLA NO ANO DE 1975: 15 de janeiro . 1975 – Portugal, MPLA, FNLA e UNITA assinam os Acordos de Alvor, estabelecendo um governo de transição para a independência de Angola, o poder seria dividido entre as partes assinantes dos acordos. A independência ficou marcada para o dia 11 de Novembro do mesmo ano. - 31 de Janeiro . 1975 – Posse do Governo de Transição de Angola Como previsto pelos Acordos de Alvor. - 21 de Março . 1975 – Início dos confrontos entre MPLA e FNLA em Luanda e no norte de Angola.

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- 13 de Junho . 1975 – Aprovação da Lei Fundamental pelo Governo de Transição de Angola. - 9 a 20 de julho . 1975 – Confrontos armados entre FNLA, UNITA e MPLA resultando na expulsão da FNLA e da UNITA de Luanda. – Agosto . 1975 – Suspensão dos Acordos de Alvor por Portugal. O governo passa a ser exercido por um alto-comissário. - 3 de Agosto . 1975 – Início da “Operação Iafeature”, consistindo numa aliança militar entre FNLA, UNITA, forças zairenses e sul-africanas, coordenada pela CIA, para combater o MPLA e conquistar o poder em Luanda no dia marcado para a independência. O governo caberia a uma coligação entre FNLA e UNITA.

suku0.jpg - 4 de Agosto . 1975 – Jonas Savimbi anuncia oficialmente a entrada da UNITA na guerra civil. - 17 de setembro . 1975 – Chegada das primeiras forças regulares da África do Sul em apoio à UNITA. - 7 de Novembro . 1975 – Deslocamento aéreo de novas forças cubanas para Angola, através da Operação Carlota. - 11 de Novembro – Retirada das autoridades portuguesas de Angola. - O MPLA proclama em Luanda a independência da República Popular de Angola. - UNITA e FNLA proclamam a República Democrática de Angola, no Huambo.

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Situemo-nos de novo a 10 de Novembro de 1975. A 100 metros da ponte de Quifangondo, dois camiões carregados de soldados zairenses morriam sem defesa possível. Uma Panhard foi atingida em cheio! Desta leva de soldados quase todos por ali ficaram mortos ou feridos com gravidade. Sem explicação a artilharia pesada Sul-africana abandonou a luta rebocando os obuses para lá do Caxito. Segundo Santos e Castro os Sul-africanos retiraram-se pelas 16 horas e 30 minutos com todo o material.

pioneiros.jpg Deixaram os obuses sem culatras tendo sido recolhidos por um helicóptero que os levou até uma embarcação fundeada ao largo da costa do Ambriz. A Batalha de Quifangondo estava perdida. A FNLA fugiu mato adentro sem comando. No vale de Quifangondo os artilheiros cubanos que manobravam os “Órgãos Stálin” – lança foguetes 122 mm, tinham aniquilado a FNLA. As Brigada da FAPLA e da força Cubana estavam agora livres para enfrentar as tropas Sul-africanas e a UNITA que se aproximavam pelo lado Sul de Luanda.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:05
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KALUNGA . IV

O PESADELO DA DEMOCRACIA - 12.05.2018

Falácias no mundo dos PALOPS - Dos CPLP

Por

soba15.jpg T´Chingange

Hoje, o homem honesto vê-se verdadeiramente diante de um destino quase trágico pois que quer e deseja a verdade com a profunda independência mas, os governos, governantes, instituições e empresas assimiladas ao estado, por interesse, fazem esforços para e, na forma enganosa de falácia da mais pura, surripiarem nosso dinheiro e nossos planos. Os métodos são variados e com os pretextos mais esdrúxulos.

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Aniquilam nosso íntimo condicionando até nossa ideia de Pátria, de Nação. Os representantes do poder político amordaçam-nos subtilmente a sacrifícios absurdos, fazendo como que uma trepanação à desejável inteligência do cidadão, alterando ou condicionando o clima estórico. Este panorama oscila entre as várias instituições de poder judicial, do executivo ou deliberativo, tendo a Assembleia Nacional no topo. Eles não nos dão os necessários exemplos de idoneidade…

costa5.jpg Encarnando no Poder Económico, juntam-se num sistema de Geringonça e, como um gangue dão novos moldes à ordem jurídica que deveria ser supranacional, o máximo exemplo de isenção no trato da lei e justiça, por via de interesses políticos ou económicos, são simplesmente engavetados. Será que estamos no fim de um ciclo?

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Que democracia se vai permitir no futuro se na prática actual do poder, aniquilam o homem interiormente livre; do cidadão que vive seguindo sua consciência. É tal a governação neste lado vesgo que, o homem do povo suporta passivamente sua própria condenação à condição de escravo. Falo do que se passa em Portugal mas, outros há que são talvez piores, como o Brasil ou Angola.

chicor4.jpg Está sendo inevitável porque a sociedade se degrada tão profundamente que de taxa em taxa, de fisco em fisco, de sonho em sonho, de roubo em roubo, submete-se ao mandado aperfeiçoado com meios que destinam sua vida à própria destruição; sua e de seus semelhantes.

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Pelo aperfeiçoamento de técnicas requintadas para dirigir em nós uma pressão intelectual e moral, ela impedirá o aparecimento de novas gerações por paradigma, de seres humanos de valor sem independência. Afinal qual deverá ser a meta que devemos escolher para nossos esforços?

olho roxo.jpg Será o conhecimento da verdade ou, em termos mais modestos, a compreensão do Mundo experimental, graças ao pensamento lógico, coerente e construtivo? Será a subordinação do nosso conhecimento racional a qualquer outro fim de prática! Viver assim, é um verdadeiro acto de fé! Com a evidente condição de que nosso pensamento e nossas reflexões, terão de se condicionar na evidência de se estar possuído de uma inabalável convicção!

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Sem esta fé, a convicção de valor independente do conhecimento não existirá assim, coerente ou indestrutível. As leis do pensamento dirigem-se por si mesmas! No Portugal de agora, fazem falta estadistas e juristas de craveira e éticas inconfundíveis! Eu próprio ando sem fé! A teoria da causalidade venceu na relação com Angola liberando um criminoso chamado de Manuel Vicente.

abac1.jpg Conhecida que é a decisão do Tribunal da Relação, envergonha e enoja qualquer cidadão português. O acórdão foi político em vez de jurídico revelando uma atitude colaboracionista, subserviente e sabuja, apoiado de forma encapotada pelo Governo de Portugal corporizada pelo Primeiro-ministro, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Presidente da Republica. Tudo por questões económicas e diplomacia de baixo estofo. Estamos lixados ou cada vez mais na mesma…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:43
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2018
CAZUMBI . XLII

MIAI – CORURIPE DO BRASIL

- COMO SINTO O MUNDO - VI … 10.05.2018

Torcer enxugar e corar - Acabei com as caganças secando a palavra ao sol …

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Já tinha lido nos jornais mas, estando no restaurante a “Peixada da Maria!” pude inteirar-me que também a televisão falava das Fake News- falsas notícias, como se toda a gente entendesse o que isso era! Em terras aonde grassa a iliteracia e analfabetismo introduzem sem mais nem porquê novos dizeres, que mesmo sendo referentes a coisas velhas, genuinamente nos tornam genéricos.

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Li no Jornal de Coruripe Tribuna Independente, um jornal pró comunista, pró dos sem-terra, dos sem-tecto e fervoroso defensor do Lula que as fake News será tema de um ciclo de palestras com nomes conhecidos da região tais como Énio Lins ou Valdir Sales. Não seria de estranhar que na lista de nomes surgisse o Albert Eintein ou o Whisky John Walker ou mesmo um tal francês de nome Louis De Broglie…

t´chiku2.jpg Isto porque existe por aqui essa mania de botar nome de gente ou coisa famosa preferencialmente estrangeira na estória familiar; um património de embrutecer as cartilagens sensíveis. Quem aqui vai entender esse tal de Louis Broglie  na sua adivinhação da existência de um campo de ondas, ondas que podem explicar certas propriedades quânticas da matéria.

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Dessa matéria que levaram aos “spins” propriedades de eléctrones e mais blábláblá, conversa pra boi dormir. Aqui nesta terra de Caetés, falar de ventos ou semiventos será o mesmo que oferecer uma bicicleta a um cirí, caranguejo do mangue! E, dizem - isso a gente sabe, que as falsas notícias espalham-se pelas redes sociais de forma cada vez mais rápida e sofisticada.

serrão5.jpg Este ciclo de palestras adivinho eu, serem para alertar o cidadão a não ir no conto do vigário, não aceitar santinhos e balelas por via da campanha eleitoral de Outubro. Depois da prisão de Lula no dia 7 de Abril é previsível, ou é o mais certo, surgirem notícias facciosas que irão ponderar no voto do novo mandante à nação Brasil.

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Adivinha-se uma disputa e, é agora a hora de explicar o quanto as notícias nas redes sociais mentirosas suplantam outras bem à semelhança dos EUA aonde o Trump se diz ter ganho com trapaças vencendo assim sua rival Hilary Clinton, com ajuda de empresas Russas! Por isso aqui na terra aonde paparam o primeiro bispo do Brasil, um náufrago chamado Sardinha, nada será de admirar!

malucos2.jpg Neste ciclo de palestras também vai ter a intervenção do Ronaldo Bispo, coadjuvante de Énio Lins que na qualidade de Secretário de Comunicação do Estado de Alagoas, escalpelizará o assunto. Nesta comunicação irá surgir o tema “Neurolinguística” e o poder do convencimento pelas “Redes Sociais”.  Menos mal que não convidaram o já tão famoso Sócrates, um ex-primeiro ministro português perito em convencimentos enviesados.

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Eu, até que poderia aproveitar adquirir um certificado digital do SENAE como participante, assim para acumular pontos a um doutoramento tipo “Rangel” tão comum em terras Lusas ou mesmo um licenciamento nas novas áreas de enganação universitária com diploma da Universidade do Rio Seco do lugar das bananeiras da Luua no Estado de Angola.

morgan1.jpg Se recusei pertencer à Academia de Escritores Nordestinos e outros mentirosos que só fazem alarde do que não são efectivamente, prefiro ficar no meu canto com a Dona Jacira e seus 85 anos de labuta social, ouvindo suas periclitãncias. Não é agora que tenho amigos na Luua e nos confins da Galáxia que irei fazer triagem das verdades políticas dos homens.

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Vou meter meus 395 Reais, valor da inscrição no bolso e comprar um abacaxi recheado de fruta tropical e cachaça pitu pra dar gosto.  Ora não tinha mais nada que fazer, inchar-me com mais um curso de cacaracá para engravidar os olhos de alguém pra me tornar gente fina! Senão, comprarei umas arabaianas, ou uns tambaquis, peixe gostoso para comer com cebolada no forno! Acabei com as caganças!… Mas conheço muitos e próximos que fazem alarde de coisas do arco-da-velha…

Nota: Crónica escrita em Miai a 11.04.2018

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:46
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2018
KWANGIADES . XXXI

 

MOKANDA DO ZECA - As falas de Zeca – 09.05.2018

Por

zeca00.jpgJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga. Tornou-se ali professor katedrático e agora lecciona no M´Puto quando não fica com o catolotolo… Kwangiades: - sáo as musas, kiandas ou kalungas do Kwanza

As ecolhas de T´Chingange (TONITO era o meu nome de candengue da Luua)

DOIS HOMENS UMBIGARAM-SE NO M´PUTO - MATUTANDO ESTES TEMPOS!!!

Eu só lamento..., o tempo do antigamente, que aqui era tão escondido..., de figuras proa deste Condado Portucalense..., e, escondidos nos arbustos, canteiros..., do Parque Eduardo VII! De repente o pensamento aberto do Sec XXI abriu a janela..., de um novo pombal que cada vez é maior, é colossal!!! Para os grandes países da CEE, a (alguns) braços com excesso população, não há problema..., agora para o M´putu kp, é que é grande problema futuro...

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Dizem as estatísticas caras e bem medidas por cientistas, que temos há muito, o índice mais baixo de natalidade..., o desequilíbrio entre os nascidos e os falecidos é grande!!! Os Kotas/Macotas morrem atoa e o seu passado sustento contributivo tão excelente e não de mangonha enchia as barricas da Casa Grande..., e é sabido que depois do Velho ficou ao alcance da mão do kapiango..., que na TV da falação do "então pá como é", dançam o Tango...

ZECA MAMOEIRO.jpg Sabe-se que os Monas, os nascidos do Condado são cada vez menos, a semente de vindouros é muito pouca caída no valado... Então, como vai ser a produção, sem a produtiva placenta da mãe e kinda de semente de cordão de rebento e de biberão natural - O NASCER, esta a dádiva da criação do ser tão biológica na Terra!

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Ninguém questiona a possibilidade de um dia a Terra se tornar frágil e ser evadido por aqueles gajos esquisitos, mas bwé espertos de disquinho falante dos ENCONTROS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU..., o filme que vi dezenas de vezes e de difícil saber quem é o macho e a fémea ..., porque todos são iguaizinhos no fato casal de corpo cara olhos corte de cabelo (careca moda) roupa sapatos luva branca...!!!

soba03.jpg Remeto este meu pensar, sociológico, antropológico, filosófico...para o meu kerido kamba de carteira da Universidade do Rio Seco da Maianga..., o Sábio T'chingange. Ele, que tem formação industrial de massas e de terras, muito trabalho de ensaio no laboratório, e, grande conhecedor do mundo do asfalto, do mato escovado, do mato poeira, do mato tsé-tsé, estes três últimos que contém a maravilhosa flora, fauna..., a nossa África esplendorosa que pouco a pouco a contaminam...

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Ele, o famoso pisteiro de condução de Land Rover caixa aberta e cheia de pakassas abatidas na koka do bebedouro na Cacimba do Peixe Gato, bwé gasosa pelo seu canhangulo de culatra coice de bufalo cheia de pregos, parafusos, taxas, grampos, clipes, esferas dos carrinhos de rolamentos... Ele, o medidor das famosas terras do cangaço, e o celebre estoriador do Robin Lampião e da bela Maria Bonita...

zeca e eu.jpg Finalmente, o famoso discípulo de vídeos dos passos e dos ensaios de Charles Darvin...na anhara dos Herero, Himba, Quioco... Recordo aqui a sua tese maravilhosa de mestrado e sem o copianço de muiiiitas páginas atoa escritas da Net, sim de apenas do seu exaustivo estudo e de ensaio sobre a bela a bela verdinha do Mu ukulu, a MOPANE..., que Lelu vai no prato Michelin...

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A Mopane, ela que é um Milagre da Natureza..., em que gerações de selvagens dizem nos seus estalinhos ao civilizado biaco: - "Minino num precisa operação..., o povo tem kamba Mopane! Tambula conta! É cirurgião, mas sem facão, azagaia, bota apenas a sua massinha e o kissonde aiaiai logologo faz o uafo interra na covinha" Merecia o Nobel, pena este ano não poder concorrer, por um mambo descoberto de "doença que contaminou" muitos dos seus membros...

mopne1.jpg Deixem voar o beija-flor para dentro do mosqueteiro, de pétalas do belo estilete namoradeiro da peónia a bela de esplendor!!!

Ambanine

ZECA 20180508



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:50
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Domingo, 6 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXI

FRINCHAS DA VIDA – 06.05.2018

- Angústias de modernidade…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Nunca li a Ilíada tim-tim por tim-tim mas, sei pela antologia grega que li, ser um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga, supostamente escrita pelo poeta Homero por volta do século VIII antes de Cristo. Descreve o conflito de Troia, um lugar da actual Turquia e que se chamava nesse então de Jónia. Constitui o mais antigo e extenso documento literário grego existente.

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Quando passei por Esmirna (Izmir) da Turquia anos atrás, pude inteirar-me por leitura de cordel pra turista, da grandeza de Homero, da fúria de Aquiles e da humanidade dos troianos. Ilíada, sendo uma das mais importantes da literatura mundial tornou-se, juntamente com a Odisseia modelo épico, seguido pelos autores clássicos, como Virgílio no poema Eneida, entre outros.

afon6.jpg Satirizando alguns procedimentos de modernidade, teremos de nos mobilizar na erudição de modo a vermos os aspectos positivos dos muitos avanços tecnológicos sem nos humilharmos nos conceitos que sempre mudam na semântica do uso e pelo tempo. Do que conheço, a Ilíada do século VIII antes de Cristo, entrarmos em seus labirintos, é receber um perfume de conhecimento, o de vida.

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E, como uma ampulheta que marca passagem do tempo, um contraste que se destaca na natureza um tanto distinta, sempre marca a determinação que nos iguala a todos; um triunfo de vida através dos séculos. Camões encafifado em seus neurónios, apoiou-se nessas leituras para nos legar pensamentos entendidos mesmo pelo “incomum leitor”.

araujo87.jpg Em um escritor comum que escreve partilhas do conhecimento sem nenhuma paixão desperdiçada, tende a levar o tal leitor incomum a ensaiar erudição a partir de antigas meditações passadas ao papel. E, assim os aquivos do Éden tendem a queimar as pestanas da sociedade de consumo; num ápice de clique no microondas para agitar sua mente.

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E, por muito que se fale, todos os que queimam livros, fazem-no porque reconhecem o imenso poder dos objectos que destroem. Não são tolos, os que queimam livros! Controlando minha missão de aguentar a austeridade dispus-me a gozar da leitura dispondo uma ampulheta no inverso, com a areia caindo.

arau4.jpg Tem forçosamente de haver uma cadeia de mando no nosso inconsciente que vive deste comportamento, umas vezes verdadeiro, em outras, enganoso! Devem ser muitos a querer trepar na vida de forma rápida, subir nos escalões sociais sem que para isso preparem o seu lado acautelado: Atenção usuário, ao entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado nesse andar. Isto deve ser próprio de um incomum escritor, um escrevinhador…

araujo63.jpg Ensinaram-me que os homens de boa vontade devem tentar em seu meio e, tornar a vida humanamente viável considerando ser esta sagrada, porque representa o supremo valor a que se ligam todos os demais. Tenha em atenção posição do elevador porque pode sim, ir para o espaço passando directamente pelo inferno sem passar no purgatório…

Ilustrações  de Costa Araujo (Mano Corvo)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:46
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Sábado, 5 de Maio de 2018
KALUNGA II

MOKANDAS DO REINO XINGUILA – 05.05.2018

- Fui à Torre do Zombo buscar jóias literárias do Reino do Kimbo na  Kizomba. Esta é uma delas com o nome de MUSSULO... Xinguilado no ano de 1486

– Ver glossário no final (Palavras sublinhadas) -xinguilar: Palavra Angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.

Por

soba 01.jpgT´ChingangeDesde o Nordeste brasileiro

- Estávamos em Janeiro de 1486. Eu, não era eu, retrocedi no tempo! Pela incorporação dum espírito de nome N´gesso voltei àquele ano, em plena kiangala. Os nomes eram diferentes, falava outra língua que não era a de hoje e, por isso vou ter de explicar no fim deste desassombro o que todas estas velhas palavras querem dizer naquele dialecto banto, o  m´bundu.

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Meu pai, Miconge N´futila o kota da vata, decidiu abandonar terras do Kifangondo e, para tal saiu bem cedo para trocar impressões com o Umbanda e, só depois falaria com o M´fumu; sopado com minha mãe Kilua N´zinga desde candengue, entrara agora nas dificuldades da velhice, não podia mais sustentar a família como kibinda; seus pés estavam pesando demais e o espírito dos kijikus estava na trapalhação.

cronicas mano corvo2.jpg Foi no M´fumo e explicou que era por demais kazumbi para aguentar, tinha na obrigação de levar o candengue (eu) na habituação da apanha dos n´zimbos na terra dos Ku-luanda. Eu, que já tinha treze kixibus, entendi que as dificuldades de meu pai era kubasular aquela vida de bitacaia.

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Miconge N´futila tinha no lumbu um irmão que era m´banda bem visto aos olhos do m´fumu-a-vata, que conhecia a ciência dos kalundu; este, podia muito bem dar trabalho para mim e espantar o mau-olhado dos defunto espíritos da YandaNa entrevista do velho kikongo chefe M´fumo com meu pai, as explicações foram aceites na retiçência e, de satisfeito, quando chegou preparou os corotos, a uanda, os kofus e a mukuali, sentou-se debaixo do m´bondo (embondeiro) e bebeu todo o marufo que tinha na kubata; ainda teve tempo de arrastar as quinambas para se despedir do mwani kazuca, amigo de muitas andanças.

MONA4.jpg No primeiramente ficamos no ka-kuaco, passadas as kalembas da barra do rio  com a kalunga do mar; dificultadamente ximbicamos e remamos na vista de terra, minha mãe Kilua chorava de medo, os muandu brincavam na nossa volta. Ficamos ali uns dias na reparação pequena no n´dongo pois as calemas fizeram estrago; entretanto consegui apanhar duas  kiangus na minha lança  que  por ali se esconderam nas águas baixas; no seguidamente preparamos com  n´tondo a acompanhar.

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Naquela noite estava frio, as hienas choravam de fome e eu metia lenha na fogueira por medo; não preguei olho toda a noite, o meu lumbu estava agora a compor-se, mas o meu medo era por demais, só as kalembas abafavam os meus soluços debaixo daquela n´sanda; Uma manada de n´zaus passou por ali perto e só nesse meio tempo as hienas de manchas feias me deixaram em paz.

zedu4.jpg Depois daquela noite ganhei coragem e, se calhar já nem ia para o layoteso pois que nos costumes do sítio para aonde íamos, eu não tinha amizades; assim passei aqueles longos dias até avistarmos a Mazanga. O vento enchia as n´dele do n´dongo com força e rapidamente passamos a baia do m´bungo. Sei que paramos por ali e meu pai N´futila foi tirar informações de aonde podia encontrar o seu irmão e, meu tio m´banda de profissão e kadinguila de nome.

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No entretanto da espera vi na observância que aquela ilha era demasiado comprida e, dias depois chegamos na xicála sítio da dibata, dos seguranças do reino de N´dongo aonde meu tio tinha pré-ponderância. A partir daquele dia por direito de Kanda passei a ser ka-mundongo, apanhar búzios de n´zimbo na ponta da Mazanga e lá mais no longe, os caurins da Korimba e muito n´tadi no Mussulo.

canoa0.jpg Muitos  anos mais tarde ressuscito maiombolado, mundele (t´xindere) em plena Korimba; Já não havia hienas nem n´zaus e ali estava eu esperando lugar no kapossoka, atravessar o mar baixo e regressar no kitoco.  Com cinco angolares (uá cinquimoche wandala)  na Samba, lembro-me de ter comprado um grade peixe espada (kinbiji). Se um n´zimbo valia cinco caurins, naquela primeira encarnação 5 angolares seriam talvez uma canoa cheia de kinbijisEstamos a 05.05 de 2018, 532 anos depois daquelas makas de vida.

toledo18.jpg GLOSSÁRIO: 

Candengue:-rapaz; corotos:- trastes; caurins:- búzios pequenos, cêntimos do zimbo; cafeco: - donzela;   libata: - palhota; kanda:- descendente por via matrilinear; ka-mundongo: - nascido no reino n´dongo (Luanda) ou súbditos do chefe N´gola kitunda; ka-luanda: - nascido em Luanda, calcinha;  kazumbi:- feitiço; kiangala:- pequena estação seca; kifangondo:- aldeia; kibinda:- caçador; kijucos:- gente de outras tribos, de fora; kalundu / kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto; kixibus:- cacimbos, estação fria; kubasular:- passar bassula, dar a volta por cima; kicongo:- natural do Congo; korimba:- lugar de costa, ancoradouro; kapossoca:- nome de barco com motor; kitoco: - traineira trnsformada; kota:- mais velho; kofu:- cesto estreito e comprido para apanhar conchas;

cafu39.jpg ku-luanda:- a ocidente, mais importante e sabedor; ka-kuaco: - sítio, lugar; kalemba: - ondas de mar bravo; kalunga:- abismo, sitio de muita morte; kiangu:- raia; lumbu:- descendente por parte do pai; layoteso:- casa da puberdade para rapazes; m´bundu:- de fala banto, em quinbundo; m´banda:- guarda, sub chefe; m´fumu:- chefe; mfumu-a-vata:- chefe da aldeia; matacanha:-pulga da terra, o mesmo que bitacáia; mukuali:- catana, facão; muandu: - tubarão; N´dongo: - reino da Matamba, parte central de Angola de ambos os lados do rio Kwanza, nome dado pelos portugas às canoas ou pirogas desta gente do reino; kinbijis: - peixe espada; n´tondo: - batata doce; n´sanda: cobertura improvisada de pescador com folhas da vegetação à mão; Mazanga (Mazenga): - Illha de Luanda; sopada/o: - casada/o; makas: conflitos, porrada, jeito de dizer  dos azares...

O Soba T´chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:22
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2018
MALAMBAS . CCIII

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBERLEY –  5ª de Várias Partes

- XOXOLOSA TREM . JÁ EM CAPE TOWN31.08.2018 – Na Waterfront e Shopping de Cape Town…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estamos a 04.Maio.2018; Continuando a passar a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo do Xoxolosa Trem, irei desde Maceió do Nordeste brasileiro até Cape Town, uma das cidades mais lindas do Mundo. Os antigos armazéns do porto no Watwerfront, são agora modernos espaços de lazer com uma vasta área comercial; envolvendo os canais com acesso aos lagos têm comportas desniveladas para chegar de iates aos hotéis de gente VIP, maioritariamente saídos dos Emiratos árabes. Pode notar-se pelas roupagens…

xoxolosa6.jpg Neste espaço que antes era mar, ali fomos passar o dia com a neta, lugar aonde nos distraímos assistindo a grupos itinerantes de animação, música e folclore africano: sempre diferente nos gestos e na forma de vestir, cultura ubuntu-xhosa e Zulu aonde nós, certamente, eramos vistos como mulungus do kumbú (brancos com dinheiro). Lugar bem aprazível, tendo sempre presente lá no alto a sua majestosa Mesa da Montanha e a Cabeça do Leão, lugar que já escalei até seu topo, há dezoito anos atrás. 

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Tendo nós, já dado uma volta pelo centro da cidade, podemos verificar uma degradação na vida citadina, fazendo relação com o tempo de há dezoito ou vinte anos atrás! Nesse então pude reparar haver muito indiano e muito mulato; seus nomes eram bem portugueses como Pereira, Moreira, Cerejeira ou Manuel da Silva. Eram tempos em que a Academia do Bacalhau abrilhantava o quotidiano daquele corno sul de África com grupos de danças saídos do Minho ao Algarve do M´Puto.

xoxolosa5.jpg Eramos agora a embaixada da diáspora dum povo aventureiro; pelo que observei, os tempos já não são os mesmos de então; entre edifícios de beleza impar há degradações, montes de desalojados da vida, emigrantes do Zimbabwé, do Malawi, Tanzânia, Congo  ou Moçambique. Viam-se por todas as ruas, arrumadores de carros, brancos, mulatos ou negros retintos, desfrisando seus gestos de capatazia, deslocando baldes e panos num desenrasca de tarefa, os coroinhas da urbe, das gasosas.

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Gente pedindo dinheiro para comer, fora e dentro dos restaurantes, um vigia à coca enxotando estes milhares de homens ou mulheres que vieram à rédea solta para dar votos aos seus manos do ANC. Gente amontoada nos subúrbios de qualquer jeito entre amonturas de lixo e barracas apertadas na sobrevivência insalubre aonde as ruas são becos de gatos ramelosos. Passar assim pelo centro da cidade, assediados a todo o momento e, a cada esquina dá um desconforto bolorento. Cruzamo-nos com muitos brasileiros que não estranham tanto este reboliço urbano…

oxo136.jpg Rapidamente, regressamos ao solar rosa vitoriano a fim de apreciar as pombas gordas que quase comem na mão do senhor Amadeu. Enquanto escrevo esta memória de recordo a Dona Cora Esteves vinda da Luua de Angola, dona da agência Mundial e, a quem paguei em dinheiro vivo, 3.858 Rands para os três nómades da minha tribo; viagem de rape Town para Johannesburg: Eu, Bibi e Lara Mendes, minha neta (chata como a potassa).

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Na própria rua da mansão Rosada de Don Elaine, na Iaton Road notei algo de curioso, um senhor negro sentado bem no início, no nº 3, vestido com um colete amarelo igual ao dos muitos outros arrumadores de carros nas ruas, tinha a particularidade de ir a cada uma das casas impares saltitando em suas muletas pedir um café. Era seu pretexto para solicitar qualquer sobejo das lidas de cozinha de cada qual.

cape2.jpg As moradias tinham suas próprias garagens mas este, também recebia propina cidadã de quem ali estacionasse o carro. Calculo que era um ex-soldado do exército Sul-africano desmobilizado por ter ficado sem uma perna. Em Moçambique já tinha passado por algo semelhante. O Sr. Amadeu referia-se ao desaforo deste em solicitar lanche! Nada disto pude verificar nas anteriores idas à cidade de cape Town. Creio que a AD – Aliança democrática que governa agora o Cabo, deu facilidades a estes para colmatar a falta de trabalho.

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Só faço menção destes pormenores para demonstrar a gravidade de não poder ser dada assistência a tanto cidadão sem ocupação. Por outro lado, dificultam ao máximo qualquer cidadão não negro a obter o visto de trabalho, mesmo que tenha formação superior e curriculum dos melhores. Só por portas travessas e com propina se consegue aligeirar tal pretensão.  Fazendo ali tanto frio de noite, observei haver gente a dormir em terreno descampado tendo como tecto uma manilha, uma alcantarilha como tecto.

cape8.jpg E, por mais que tente compreender esta transitoriedade de África, fico apreensivo por ver as ondas de detestabilidade governamental agravando os empresários maioritariamente brancos; Parece seguir as burradas de Robrt Mugab, numa ânsia negra e doentia de obter as mordomias dos brancos; tal e qual como sucedeu em Angola! Mas, se estes saírem em massa, como vai ficar o país? Correm o risco de seguirem as passadas erradas de Angola, Zimbabwé,  Moçambique  entre outros países africanos…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:53
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2018
CAZUMBI . XXXIX

MIAI – CORURIPE DO BRASIL 

COMO SINTO O MUNDO - III … 30.04.2018

- Afinal os bispos, tal como as sardinhas, também se comem…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

A alegria é um medicamento para ser usado e exercitado como algo divino para matar a tristeza. Permanecendo eu na terra aonde os índios Caetés comeram o bispo Sardinha, é algo para recordar sem lagrimar esses salpicos nefastos da história. Venho pescar arabaianas na terra aonde este bispo e mais de oitenta marinheiros tugas naufragaram suas naus em uns recifes traiçoeiros.

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Posso agora dizer que manter esta tristeza, será como alimentar uma lagoa de lama que salpica e suja aos que de nós se aproximam porque eles, nada sabem disto; dum antigo laudémio pago à Santa Sé. Será um estado enfermiço sem um perfeito remédio nem um adequado raciocínio para se dizer não aceitar nada sem se poder entender.

miai0.jpg  Caricatura em arquivo no vaticanofeita por seus colegas bispos - O bispo e cerca de mais 90 tripulantes teriam conseguido chegar à costa, mas, ao serem capturados pelos índios caetés, (perto da foz do Rio  São Francisco, de linhagem próxima aos tupinambás foram devorados em um banquete antropofágico. Apenas três tripulantes teriam conseguido fugir e relataram o que aconteceu....

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Assim e, aplicando os princípios da fraternidade, relembro meus últimos pensamentos de aforismos - “Seria cómico se não fosse trágico”. Recordando que é feliz quem atravessa a vida prestativa sem medo estranho à agressividade e ao ressentimento; assim, da mesma forma que uma floresta não se pode expandir se apenas contiver trepadeiras.

miai6.jpg  As leis gerais da natureza ambicionam ser validas para todos os factos dela. E, é graças a estas leis, com todos os fenómenos, que poderemos encontrar a teoria da vida que diz: “A vida é breve, a velhice é longa”. E, se este processo de dedução não superar essa capacidade, então “O tempo não durará o bastante para aqueles que não sabem aproveitá-lo”.

miai01.jpg A alegria é o estado de alma, a suprema tarefa do físico e da mente em procurar as leis elementares a partir das quais e por pura dedução, se adquire a imagem do Mundo.

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E, nenhum caminho lógico leva a tais leis elementares alegradas a partir dum facto; a da morte dum Bispo que se chamava Sardinha! A nostalgia da visão persiste em nosso espírito sem se deixar atraso por objectivos mais lucrativos e mais fáceis de serem tingidos. Logo hoje que com tripa de galinha, quero apanhar arabaianas!

miai4.jpg A perseverança diária não se constrói sobre uma intenção ou um programa, mas sim numa necessidade imediata de pescar sem isco de sardinha, arabaianas em terras de Caetés… Quase sem me dar conta, a pesca passou dum aforismo a um axioma, constituindo-se duma simples verdade em uma nova demonstração: Os bispos também se comem…

Nota: Crónica escrita em Miai a 08.04.2018

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:58
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Domingo, 29 de Abril de 2018
MOKANDA DO BRASIL . IX

ANDO ENKAFIFADO - 29.04.2018

- Os órfãos da FARC – Forças Armadas Colombianas andam por aí…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Por via da revista Veja fiquei a saber que cerca de 1000 ex-membros das FARC seguem cuidando do negócio bilionário da organização na produção de drogas, não obstante no ano de 2016, terem celebrado o fim de uma das mais longas guerrilhas dos tempos modernos. Os seus mais de 7000 combatentes depuseram as armas entregando seu arsenal. Conseguiram amnistia entrando supostamente para a legalidade, só que aqueles alguns mantiveram o controlo do negócio.

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Com uma receita de 34 biliões de reais, algo como oito biliões de Euros controlam o tráfico na permissiva fronteira entre o Brasil e a Bolívia, Peru, Equador e Venezuela. É em verdade uma extensão de fronteira demasiado grande para ser vigiada com rigor. Ela entra por terra, por rios e pela floresta do grande amazonas e pantanal.

amazonas.jpg Esta gente do crime usa o fuzil AKM, uma actualização da AK47 e também as FAL tiradas do uso pelo exército venezuelano; suspeita-se que o regime chavista as tenha fornecido aos guerrilheiros e que posteriormente estes as contrabandearam para os grupos de jagunços ditos de “freelancers” para prestarem serviços em quadrilhas locais e ao serviço de gente do mando. Os “coronéis” ainda não acabaram!

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Em Janeiro de 2017 as página dos jornais só falavam sobre a execução de 56 homens no interior do Complexo penitenciário Anísio Jobim em Manaus. Os criminosos dum bando fizeram questão de filmar e difundir pelo WhatsApp as cenas de selvageria vitimando seus supostos rivais. Eles fazem uso de telemóveis dentro da prisão e as autoridades prisionais recuaram no bloqueio destes por via de ameaças; não é segredo, a televisão assim o disse recentemente, para espanto meu!

amazonas7.jpg Uma autoridade que foi ao local da cena na prisão, descreveu o que encontrou: Piso recoberto de sangue, cabeças decepadas a eito, vísceras expostas e até um coração que fora arrancado a uma das vítimas e jogado para um corredor. No tráfico da cocaína, estas práticas de expor troféus servem para demonstrar sua crueldade ao adversário. Em 2016 foram registados mais de 61000 assassinatos no Brasil.

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Crimes de acerto de contas ou vítimas colaterais movidas pelas organizações movidas pela cocaína. Isto sucede em todos os estados, nas grandes cidades formando até milícias mesmo ao lado de quarteis!  Na Floresta Amazónica 90 % ds mortes têm vinculo com o tráfico.

amazonas6.jpg As mortes por rixas, pistolagem, questões de terras e brigas de garimpo, mudaram seu padrão, dando lugar aos crimes de tráfico. Em 2017 os satélite do Sistema de  de Protecção da Amazónia (Sipam), detectaram no lado da fronteira com o Peru uma ára desmatada de 9000 hectares, algo como 20000 campos de futebol. Isto, dá em um potencial na feitura de 270 toneladas de cocaína por ano.

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Os rios da bacia do Amazonas são os preferidos na expansão do produto. Temos os rios Madeira, o Branco, o Solimões, Rio Negro, Rio Urani e outros formando uma rede de difícil penetração e controlo. A sul teremos os Rios Paraguai e Paraná que proporciona o transvase do grande Pantanal.  

amazonas2.jpg O estado brasileiro, na intenção de colonizar lugares distantes, levou muita gente para lugares remotos que agora ficam nas mãos de bandidos disse um director do Departamento de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Amazonas. Podemos ver entre os matutos descendentes de África desde a Guiné passando por Angola até à costa do Índico e, que através dos tempos ali chegaram e assentaram raízes em sanzalas ou quilombos; os chamados quilombolas…

amazonas3.jpg Sendo o Brasil a terceira potência carcereira do Mundo não é de estranhar o medo a guardar a vinha quando não tem jagunços por perto. Percorri o Pantanal pela Transpantaneira até à Bolívia, subi e desci o Amazonas, dormindo e comendo a bordo dum barco entre Manaus e Belém do Pará e, posso afirmar que fazer segurança num país aonde cabe toda a Europa, grande pracaraças, não é pera-doce.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:52
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2018
CAZUMBI . XXXVIII

MIAI –BRASIL - COMO SINTO O MUNDO - II  - 12.04.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange

araujo82.jpg Cego é aquele que não quer ver, vendo! Não posso ver um Deus a compensar e, ou castigar o objecto da sua criação deste modo, e em função do que tentam dizer-me, cada qual do seu jeito. Não sou tão religioso tão ao de leve ou profundamente pela triagem que faço da Natureza.

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E, mesmo que tenha uma extraordinária intuição, ao interiorizar o mistério da eternidade da vida, mesmo que este esforço de compressão fique desproporcionado, vejo ser uma maior razão de se manifestar em e, na vida.  Também na minha! Somente seres humanos excepcionais suscitam ideias generosas e acções elevadas; assim por muito que me tentem dissuadir, não poderei fazer ideia de um ser que sobreviva à morte do corpo.  

araujo65.jpg Acredito no Messias, sim! Mas, há sempre um mas, entre nós gente do Mundo aonde o dinheiro polui e degrada tudo sem piedade a pessoa humana. E, imaginando que se um individuo fosse abandonado desde seu nascimento, seria inevitavelmente um animal em seu corpo e em seus reflexos. Posso também tal como Einstein concebê-lo, mas não posso imaginá-lo.

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As instituições democráticas e politico-parlamentares, privadas dos fundamentos de valor, ficam progressivamente decadentes se o povo, e os grupos sociais, não acudirem ao chamado no respeito à pessoa e ao censo social. Não! Não podemos agonizar ou morrer de forma inglória sem reclamar justiça!

costa araujo 3.jpeg O Povo, o Homem, o Cidadão, não podem permitir que os seus maus, ladrões, estupradores, assassinos, sindicalistas interesseiros e corruptos entre outros, realizem suas desprezíveis intenções. Estou farto de pagar luz desproporcionada, taxas e multas a eito para alimentar uma máquina sorvedora de nosso trabalho. Estou farto de ver extorquirem do nosso rendimento, nosso bem-estar, mais de 40 por cento para tapar buracos de má gestão…

costa araujo4.jpeg Nossa época, não pode ser lembrada no futuro por historiadores que diagnosticarão nosso progresso de uma forma dolorosa nas variáveis doenças sociais. Devemos sim, reclamar quando o Estado exigir de todos nós actos injustos, que a nossa consciência rejeite. Isto é válido para todos os povos conhecidos por PALOPS com Portugal e Brasil na linha da frente…

Ilustrações aleatórias de Costa Araujo

O Soba T´Chingange, desde o Nordeste brasileiro



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2018
PARACUCA . XXV

MULOLAS DO TEMPO – 04.04.2018 - Um dia atípico

BRASIL - Justiça que tarda é justiça que falha… Cá para mim a presunção de inocência mais os embargos dos embargos de declaração vão terminar em prescrição…

Paracuca: É uma bolacha dura, torrada com açúcar e jinguba…Uns querem dar disto a Lula, outros também querem mas, envenenada…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

A alegria de contemplar e de compreender é a linguagem a que a natureza me excita, na preocupação pela dignidade com saúde o quanto baste e com o suficiente dinheiro para poder comprar as alfaces ou o paio defumado sada dum pata-negra. Feliz de quem atravessa a vida prestativa sem o medo estranho à agressividade e ao ressentimento.

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Preocupado pela saúde moral, se não fossemos constrangidos a viver no meio de homens intolerantes, mesquinhos, violentos ou ladrões, seria o primeiro a sujeitar-me a um nacionalismo ferrenho ou a uma democracia no rigor da palavra.

apocri4.jpg Ao invés de todas as ambições a maioria dos imbecis permanecem invencíveis e satisfeitos em qualquer circunstância bajulando ídolos de barro. Sua suave e apática indiferença provoca-me numa tirania que só se dissipa por sua distracção ou inconsequência; nem sei nem quero saber - Dirão! E, depois vêm queixar-se de mansinho com um - se eu fizesse assim!? Ou se fizesse assado! Tarde piaste…

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Para se ser membro irrepreensível de uma comunidade de carneiros é preciso antes de tudo, também ser carneiro. O esforço para criar uma comunidade neste meio, sem a qual não podemos viver nem morrer neste mundo hostil de forma íntegra, torna-se quase impossível. Para seres favorável a alguém, tens de descartar outro alguém…

arau4.jpg Poucos serão capazes de dar claramente uma opinião diferente porque sempre terá esse preceito de desagradar alguém! Ainda ontem falei em conceitos com e sem pré, adicionando os termos ainda não usados de pretoconceitos e brancoconceitos! Um é contra os brancos e o outro é contra os negros; coisas desaglutinadas.

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A coexistência pacífica dos homens baseia-se em primeiro lugar na confiança mutua e, só depois sobre instituições como a justiça ou a política. O perigo maior está em cada uma destas instituições porque, o que move ambos, é o INTERSSE! Porca vida – real destino…

an1.jpeg Hoje e, aqui no Brasil, a presunção de inocência vai ao último julgamento em trânsito de julgado na espectativa de surgir um embargo de declaração. São coisas de jurisprudência, assunto do qual pouco pesco mas, dá para entender que Inácio Lula da Silva saltitando de nenúfar em nenúfar vai ser salvo pela prescrição.

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Uma grande confusão ao mais alto nível da justiça, põe de cócoras o Supremo Tribunal Federal aonde também os INTERESSES se enrolam enfatizados na hipocrisia – a lei mais forte da justiça. Isso! Hipocrisia… Embargos de declaração- Mas que é isto! Está na cara que tudo vão fazer para protelar.

justiça5.jpg Mas, afinal querem um país de bandidos, de estupradores, assassinos e burlões com pacto oligárquico dos governantes! Não será isto um incentivo ao crime! É aqui que entra a tal paracuca - Justiça que tarda é justiça que falha! Bem que o povo se interroga e, com razão: Mas, quando é que “rico” vai para a prisão? Repito o que disse ontem: - Nem o pai morre nem a gente almoça…ADEUS!   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Terça-feira, 3 de Abril de 2018
MOAMBA . XIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 03.04.2018

O INTERESSE manobra tudo e todos. Cada um de nós foi o que foi por uma coisa tão pequena, que sem se lembra do primeiro choro… Alô Brasil! Alô Angola! Alô Portugal...

Moamba: É um prato típico de Angola preparado com galinha e dendém mas pode ser também negócio ilícito com venda de contrabando (Brasil)

Por

soba15.jpg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

Porque estabelecemos em nossas vidas viver com leis, também nestas se estabeleceu que há algumas que se sobrepõem a outras. As leis têm por isso hierarquias; umas suplantam outras e, cada qual tem a sua interpretação para se fazer valer. No meio destes dizeres existem também de permeio as crenças, as lembranças, a saudade e o amor debatendo-se entre, contra ou a favor das luzes da razão.

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Assim, estas leis juntas e misturadas com arbitrariedades, surge o INTERESSE como uma força tenaz. Digladiando-se em palavras surgem recursos, acórdãos, previdências cautelares, Habeas Corpus com uma constante busca - numa primeira instância, segunda e outras ainda por saber. E, mesmo depois de se esgotarem as posturas, as leis os decretos, recorre-se a liminares, instâncias de sofisma federal …

pal01.jpg O sofisma alega o adiantado da hora, o compromisso inadiável e muitos edecéteras para se decidir por uma liminar ministerial e temporal; Decerto que já se deram conta de que estou a falar do Brasil embora o panorama dentro dos PALOPS, (Povos de Língua Oficial Portuguesa) tenham a mesma problemática; métodos de protelar e, ou uma reflexão, alegando motivos ponderosos nunca antes pensados ou usados.

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O INTERESSE que é tenaz jamais cede à evidência e, que se irrita quando o raciocínio se lhe opõe. A dado momento surge um tal de sigilo impondo silêncio, a bem da Nação. Com tantas medidas dilatórias, tanto recurso e tretas impensáveis, embargos, escutas, delações e edecéteras, é caso para se dizer: nem o pai morre nem a gente almoça!

pal3.jpg A justiça é tão lenta, mas tão lenta, que até a prescrição, uma coisa inaudita do tempo mata o próprio tempo. O INTERESSE é a lei mais forte dum sistema, a lei que mais luz tem; o INTERESSE é a lei que feita jogo, abre os olhos aos cegos ou cega os pensadores, legisladores eruditos, juízes ou ministros da Lei.

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A sociedade de hoje pelas interpretações do INTERESSE, conseguem assassinar quem ainda não morreu ou salvar gente defuntada. As sociedades de hoje perante tanto descredito pelas aptidões nobres, começam a sentir o vazio da justiça. Sim! Também a justiça começa a sentir o vazio em que as leis e as crenças ao se tornarem vulgares segundo o INTERESSE moldável delas, levam a alma de cada qual a não descortinar nela, a razão das coisas.

justiça1.jpg A razão de ser, a Justiça dos tribunais, seu elo maior, ser das mais cabíveis ou credíveis das instituições. Afinal as doutrinas também mudam segundo os INTERESSES de alguns. Surgem manobras de diversão, novos dados a confundir a teia, novos recursos com um regresso à estaca zero.

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Infelizmente, até a caridade, a fraternidade, e o amor ao próximo se estão submetendo aos INTERESSES de seitas politicas e, ou religiosas. Seitas que trocam anátemas que se arrojam, umas sobre as outras.

DIA41.jpg Sim! Todos os homens são irmãos mas, há sempre uns mais irmãos do que outros. Concluo que tal como em Angola, em Portugal ou aqui no Brasil a justiça é tão lenta, tão lenta que me leva a repetir: -Nem o pai morre, nem a gente almoça! Que me leva a perder as estribeiras e dizer asneira grossa: -Nem fodem, nem saem de cima! Hó gente!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:09
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2018
MOKANDA DO BRASIL . VIII

ANDO ENKAFIFADO - 02.04.2018

Que é isso do politicamente correcto? - “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”.

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Estou cansado do culto às coisas de preconceito. Toda a gente fala do mesmo, correndo o risco de entornar a verdade da palavra - Isso! De inverter as cores e marginalizar os brancos em detrimento dos negros; marginalizar os homens por não serem homossexuais, dizer à boca cheia de ter um “orgulho gay”; marginalizar uma boa esposa e mãe de família chamando de Madame a uma dona de bordel. De atribuírem cotas nas universidades em reserva de lugares para negros (um claro incentivo ao racismo), índios ou ainda anoréxicas donzelas.

gay1.jpg Falarem isso alegando ser em defesa das minorias! Meus amigos, devagar que tenho pressa! Recordo-me de no acampamento aonde dormi com meu pai, de ter ouvido hienas a chorar e urros distantes de leões; relembro os bidons ao redor do acampamento contendo tochas de fogo pela noite para afugentar as feras em um lugar conhecido por Lucala e no distante ano de 1954; uma terra que deixou de ser nossa por pretonceito - Não é erro ortográfico não! É uma nova palavra de origem manwgolé…

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Nisto de recordações acabo por chegar ao conceito de se escrever “por linhas tortas” e é aqui que largo o preconceito, para recordar alguém de nomeada e, que mudou minha forma de estar. É ele Graciliano Ramos! “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”. Assim diz Graciliano no ano de 1962, para comparar seu ofício de escrever com o acto de lavar roupa pelas lavadeiras do rio. Entretanto estavam passados oito anos, depois daquela minha dança com leões em Lucala de N´Gola.

gay2.jpg E pelo dizer de Graciliano, um escrito deve ser lido e relido, ensaboado, esfregado, batido no lajedo, no burgau, como uma peça de roupa suja; depois, pô-lo a corar nas ervas, nas bissapas ou penedias, após enxaguar. Ler seus escritos é como revisitar um laboratório e obter capacidade literária independentemente dum qualquer estilo.

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Ele tinha o condão de elaborar um trabalho colocando no papel tudo aquilo que conseguia observar na pessoa, num animal, em uma cidade e sua sociedade, muito cheia de nuances. Foi um pouco a partir dele que trabalhei a curiosidade, descrevendo assuntos demasiado banais. E, fiquei também ciente de que o que toca a imortalidade é a obra e não o ser humano.

gracilano1.jpg Pode-se escrever direito com caneta torta, tal como fazer coisas desalinhavadas sem usar agulha e linha. Graciliano Ramos possuía uma loja de tecidos com o nome de Sincera na Cidade de Palmeira dos Índios; Sem o querer acabou por ficar prefeito (presidente) desse Município. Isto para acrescentar que ficaram conhecidos seus relatórios ou actas pela transcrição de forma muito pessoal.

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Suas cartas, reparos e pergaminhos diziam assim a dada altura: “Por infelicidade virei prefeito no interior de Alagoas e escrevi uns relatórios que me desagradaram sobremaneira. Veja o senhor como coisa aparentemente inofensiva inutilizou um cidadão”. Foi deste jeito que enviou uma carta a um seu amigo argentino de nome Raul Navarro.

lampião8.jpg Com sua caneta transformava um banal relatório ou carta burocrática em uma verdadeira peça literária. E, já que isto é mencionado, quero também avivar relatos de seu exercício passados ao papel no ano de 1930; ainda eu, o T´Chingange, nem era um projecto de vida pois que minha singularidade surgiu no ano de 1945 e na convulsão dos sons de obuses da primeira guerra mundial.

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E, ele escreveria: “(…) convenho que o dinheiro do povo poderia ser mais útil se estivesse nas mãos, ou nos bolsos, de outro menos incompetente do que eu. Em todo o caso, transformando-o em pedra, cal, cimento etc., sempre procedi melhor que se o distribuísse com meus parentes, que bem necessitam, coitados”…

gracilano2.jpg Vejam aqui tal ironia em seus procedimentos de honestidade, a comparar com os governantes que hoje proliferam avulso, santinho e gasosa no Brasil e em todas as partes chamadas de PALOPS… (Entenda-se Portugal, Angola e Guiné-Bissau). Homens políticos como estes, extinguiram-se!…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:58
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Segunda-feira, 26 de Março de 2018
MALAMBAS . CCI

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBELEY –  3ª de V Partes

- EM VIAGEM NO XOXOLOSA TREM – 26.03.2018 – Nas frinchas do tempo e atravessando o Karoo, olho o deserto pela janela do mukifo…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estamos a 26 de Março de 2018. Passando a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo do Xoxolosa Trem; eram 14 horas e 30 minutos quando o Xoxolosa parou na cidade de Touwsrivier; uma cidade situada a 1382 metros de altitude. A partir daqui começamos a ver os pastos verdes, as terras encharcadas pela água das chuvas e fiadas de parreiras, extensas vinhas, boas terras para o cultivo de vinhedos que no mundo são conhecidos como o vinho do Cabo, uma marca de qualidade.

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Os cardos do pasto mostravam suas características flores de cor laranja do Orange; estas, surgem logo a seguir às primeiras chuvas, indícios de primavera. Os charcos sucedem-se até chegarmos a um lugar apeadeiro de nome Matroosberg  aonde me surpreendo com uma vasta zona de painéis solares, um mar de brilho.

ximbica2.jpg Atravessamos uns quatro tuneis com uns bons 30 quilómetros na soma de sua extensão; As montanhas começam aqui a ser afiladas e como serrotes descaem suas chapadas para vales férteis e bem regados, autênticos paraísos com lameiros de hortas e pomares. É a cordilheira que separa o Karoo, o grande Kalahari das áreas verdes do cabo.

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Vê-se o gelo nos carrapitos das alturas com fios rebrilhando tortuosas quedas que descem nas encostas a água do degelo. Dum e doutro lado dos trilhos podem ver-se olivais alinhados, latadas com pessegueiros, pereiras e outras árvores de fruto. Chegados a Wellington podemos observar milhares de casotas do tipo mukifo sem janelas.

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De pequnos tubos saem fumos que se espalham pelo bairo musseque, favela sem ruas  de aspecto lúgubre. O cheiro entra nauseabundo, podrido de fermentação doentia a ferir nossas narinas. Cape Tawn está próxima. Recordo que a primeira vez que aqui vim, antes do ano 2000 havia sim, um pequeno e ordenado bairro de cubatas; agora é um sem fim de indefinidas chapas fazendo casas de uns 9 a 15 metros quadrados, madeira, cartões, chapas onduladas de fibra e cimento e restos de obras.

mandela1.jpg Notei que aqui, em Wellington, tem início o metro de superfície que leva e trás esta gente; pelo que notei só esperam que um qualquer louco dirigente do ANC proceda como em Angola. Sim! Fazer como Agostinho Neto e seu amigo e compadre Rosa Coutinho, fingir uma guerra de medo e empurrar os brancos para a Ilha - Para a Austrália.

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As ultimas noticias vindas de África, dizem que um tal de Cyril Ramaphosa, presidente do ANC disse ir retirar as fazendas aos brancos sem lhes dar nenhuma indeminização. Isto é áfrico - This is áfrica! Tudo é possível! Depois acontece que os bancos fogem e, eles os negros, daqui e refugiados de todos os outros países, vão atrás deles, os brancos. Custa dizer isto mas é a realidade e o Mundo anda a tentar passar de lado sem fazer reparo a estes estadistas de mei-tijela, de tuji, mesmo!

IMG_20170830_155840.jpg África do Sul não está longe desta tentação. Eles acham que aquela terra é só deles! Vai haver muita gente a torcer o nariz, chamar-me de muitas coisas mas é esta a realidade e a mim não me posso mentir. O manager Silas passou a avisar que iremos chegar pelas 18.30 horas  à Cidade do cabo e, na plataforma número 24.

IMG_20170831_130245.jpg O Senhor Amadeu Seca, ex-Presidente da Academia do Bacalhau ali nos esperava com seus 85 anos de idade; pude vê-lo no seu jeito, quico de azul desbotado com a letra A espinicada sobra a alva pala. Seus 85 anos já lhe pesam nos procedimentos, sua surdez está em grau avançado bem como o esquecimento, reflexos e outras coisas; Achei mesm que não estava em condições de conduzir, nem  um cangulo, quanto mais um carrão quase rabo de peixe e sem macaco.

IMG_20170829_143846.jpg Tivemos de ir desde a Estação Central de Trens para a Iaton Road com as malas, sacos e sacolas de acessórios afiados no banco detrás do carro. O Senhor Seca não foi capaz de se lembrar aonde estava a tal patilha de abrir a porta bagageira. Vê daqui e dali e nada de encontrar a dita cuja patilha de abrir a coisa lá detrás. Juro que fiquei preocupado com tanto desalinhamento dos neurónios. Seria alzeimer!? Também tive de ir a segurar o espelho lateral desuerdo destroçado recentemente em uma manobra de maus cálculos... Chegamos a Cape Town... Ufa - Que perigo!... 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:51
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Sábado, 24 de Março de 2018
ROXOMANIA . III

Mussendo - Um óbito no Huambo

Por

soba0.jpegT´Chingange - No Nordest brasileiro

Uma homenagem aos meus auxiliares em campo da Câmara Municipal da Caála: - Pumuma, Jamba, Otaca, kumuna, Botomona, Francisco e Zacarias. A ferrugem do tempo calcinou projectos ali ao lado da pedra do sargento Canas a caminho do Quipeio, a ilha dos amores. O presidente Casimiro Gouveia nunca soube que era o Caluviáviri.

ÁFRICA17.jpg Jaka kapiango num mês bolorento, muita chuva, pouco dinheiro, maka na família, dívidas sem pagar no senhor Zeca gweta da loja do kimbo lá na Vila Flôr. Teve de dar nome na administração aonde devia impostos; quinze dias depois, seguia de contrato para a roça em Samtomé no vapor “Mouzinho”.

ÁFRICA11.jpg Na vida dele toda negra, só engordoreceu vontade de fazer seu sonho pois, só ajuntou no insuficiente para comprar uma junta de bois. Nem quase só, nenhuma coisa mesmo, nada ki kima n´go

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Foi no Longonjo trabalhar terreno bom no plantio de milho mas, a velhice chegou antes do tempo certo. Ele, só desconseguia viver melhor do que queria; sempre escorria sua fraca sombra fazendo encontro com o sonho que tinha andado dormido no seu coração.

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O tempo foi comendo lembranças da roça lá no Samtomé que, de muita sorte voltou no seu kimbo, suas botas, sua lavra, sua primeira, segunda e terceira mulher.

ÁFRICA18.jpg Num dia mais tarde, Jaka Capiango foi ficar só envelhecido de seco, castigos e fomes. Seu nome ficou de sucesso no livro de contratados no angariador da administração; um exemplo de sucesso apontado na palavra do senhor governador de distrito na Nova Lisboa.

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Jaka morreu contraminado sugando cinzas em estória de saudade antiga, sua dicunji dos mares verdes de Samtomé; uma vida de nó em três voltas. No Santomé já só juntou mesmo chuva grossa mais mil chuvisquinhos e berros do capataz tuga peidador de bufas importadas do M´Puto.

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Por muitas vezes saiu voando sombra negra de raiva no toque, zunido e uivo dum longo chicote; lentamente ia-se morrendo. Seus kambas kwachas lhe lembraram, boa pessoa, inchados de bolunga doce e t´xiçângua fermentada com paracuca a acompanhar.

áfrica19.jpg Neste entretanto, o choro de lágrimas carpidadas, encarquilhavam mulheres de velhos rostos, simplesmente! Saí só falando calado “ m´bika ia kaputo, caputo ué*”. O Sol de Jaka se apagou entornado de escuridão que lhe torceu por demais seu coração.

* Escravo de branco, também é branco

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:37
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Quarta-feira, 21 de Março de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXL

ANGOLA DA LUUA XL - TEMPOS PARA ESQUECER – 20.03.2018

- «Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes… »

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Desde o Nordeste brasileiro

Em Kampala, o presidente da OUA, idi Amim, insistia para que a data da independência fosse mantida sendo Portugal a responsabilizar os nacionalistas por um não acordo. O Secretário-geral da UNITA presente à conferência acusou as FAP de não se oporem à entrada de armamento e mercenários a ajudarem o MPLA no Lobito, Sá da Bandeira e Pereira D´Eça. Em Pereira D´Eça o comandante português entregou o aquartelamento a elementos do MPLA tendo-os vestido com camuflados do exército português, uma clara desobediência e afronta por ser esta região afecta à UNITA.

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Este procedimento foi de uma nítida e grosseira degradação moral para as autoridades portuguesas. Manuel Resende Ferreira disse neste então: -Ainda havia esperança e soldados que não nos abandonavam. Referia-se ao Tenente Fernando Paulo e alguns dos seus homens que resolveram desobedecer ao comando para protegerem um grupo de refugiados no Chitado. Para o efeito criaram ali uma zona de segurança.

mocanda13.jpg São estes os heróis esquecidos, soldados de Portugal que abandonam o exército comunista Português para protegerem cidadãos e, lutar contra a anarquia comunista. E, que foi feito do Tenente Fernando Paulo? Pesando nele dei-me conta que era o fim do império colonial. As feras foram largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 do MFA. A Luua eclipsava-se! Tarde piaste! E, agora vamos fazer o quê para o M´Puto?

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As NT - Nossas Tropas já não eram nossas. Davam cunhetes, canhões e até carros de combate numa perfeita cooperação de entreajuda FAP- FAPLA mandando prólixo os acordos de Alvor, da Penina… O MPLA da Luua inventava a maka! Inventava os pioneiros! Depois o Poder Popular! E surgiu o Kaporroto, o kuduro e a victória é certa. Eles já tinham inventado o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito…

mocanda14.jpg As makas organizadas com o objectivo de criar o caos, originar pancadaria e depois a vitimização já tinham características de sofisticada mentira; meter tudo no barulho, pressionar psicologicamente e criar condições de favorecimento por parte dos militares do MFA, as NT, o CCPA – Comissão de Coordenação do Programa do MFA e o Alto-Comissário…Já se fazia tudo às claras.

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Em um encontro de Melo Antunes com Henry Kissinger, aquele responsável português e a pedido do Secretário Americano disse que era difícil de lidar com Neto; que era difícil de o classificar politicamente como um comunista ortodoxo! À coisa dada (Angola) teve a desfaçatez de dizer que a liberdade, não se recebe, arranca-se! Mas que pulha! Com estes laivos de poeta dava dicas torpes de mau agradecimento aos militares revolucionários do M´Puto. Bem feito, cambada! Alguns não gostaram…

mocanda16.jpg Quanto a Holdem Roberto não tinha solida formação política, era um fraco e facilmente corrompido; dependia de Mobutu! Dos três líderes nacionalistas, era Savimbi o mais inteligente, o mais hábil e o mais forte politicamente. Cada qual fazia o que lhe dava na gana com a Kalash na mão. A lei e a ordem, a justiça eram coisas inexistentes ou anedóticas pela pior das negativas… Disto, o Melo Antunes nem falou mas, nós assistíamos martelando caixotes com raiva, rilhando o dente; naquele agora, mais não podíamos fazer.

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A tropa portuguesa continuaria a fazer segurança nos terminais de comunicações marítimas e aéreas de Luanda, aeroporto civil e militar do porto e Ilha do Cabo controlando o eixo Ilha – Fortaleza de S. Miguel, Palácio da Cidade Alta e Quartel-general. Nova Lisboa, a cinco de Outubro de 1975 era uma cidade morta, aonde ficaram somente trinta brancos. Na terceira semana de Outubro a evacuação do Lobito, benguela e Moçâmedes estava concluída. 

mocanda17.jpg Em Luanda a quantidade de deslocados era já muita; superior à capacidade diária de escoamento. O conflito não parecia afectar a produção da Golf Oil Americana que continuava a extrair mais de cem mil barris de petróleo por dia. As obrigações financeiras iam direitinhas para o Banco de Angola com a gestão do MPLA na pessoa de Said Mingas, um antigo colega meu por cinco anos, na Escola Industrial de Luanda.

mocanda21.jpg Nenhum daquele rendimento ia no momento para Portugal. No dia 23 de Outubro a pretexto da invasão Sul-africana e a incursão Zairense, o Estado-maior das FAPLA decreta a mobilização geral de todos os homens entre os 18 e os 35 anos. Este recrutamento abrangia todos os naturais de Angola ou lá radicados. Os estrangeiros teriam de se apresentar nos Postos Policiais para validar e autenticar os documentos a fim de registar sua permanência. Era-lhes dado três dias!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:59
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Domingo, 18 de Março de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 18.03.2018

- Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado….  Ela, não era negra, não era pobre, não era feminista, não era militante de partidos políticos e, não frequentava os círculos LGBT; Também não era do MST...

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

- O Pastor Cláudio Duarte falou e disse: -“Gisele Palhares Gouveia, 34 anos, cuja profissão era salvar vidas actuando como médica foi assassinada na Linha Vermelha (RJ) com dois tiros na cabeça após uma tentativa frustrada de assalto. Gisele, embora mulher, não era negra, não era pobre, não era feminista, não era militante de partidos políticos, não frequentava os círculos LGBT, não era do MST, CUT ou PSOL, não estava dentro dos programas de assistência e cotas do governo.

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Enfim, não preenchia os requisitos necessários para uma mobilização nacional, tampouco que merecesse a menor atenção dos Direitos Humanos. Ela, como eu e você, não era ninguém!” – Fim de citação - Obs: Este texto é referente ao facto ocorrido em 2016, o que não muda a realidade na actualidade de seu conteúdo. O texto coloca em contraste o que foi propalado nos últimos dias pela morte de Marielle Franco, uma deputada da prefeitura de Rio de Janeiro e activista em defesa dos negros e das minorias sociais.

ardinas branos.jpeg A humanidade perfeita não existe! Assisto hoje a guerras dispersas pelo Mundo e, é a televisão que nos mostra isto a todo o instante. Nem sempre a clareza surge como se pretende parecer e assim surge turva e sub-reptícia matando nossos neurónios activos. A suspeita é lançada como forma de configurar a desconfiança de quem e de onde vem o mal ou a culpa; mas nem tudo o que parece, o é…

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Interrogo-me no porquê dos acontecimentos sucederem duma certa forma; uma arma AK-47 que custa 60.000 reais é usada por marginais nas favelas do Rio ou de São Paulo. O preço desta arma corresponde ao de um bom carro na cotação social brasileira; mas então como é que esta coisa proibida pode ser transportada de forma legal até chegar à favela, se de carro, de avião, de barco, chegar a um lugar que nem porto tem.

brasil2.jpg Como é que as AK-47 e todas as outras armas chegam ali sem serem detectadas numa alfândega de fronteira, pelas polícias de todo o território sejam elas municipais, estaduais ou federais. Alguém a troco de fazer vista grossa, recebendo propina, facilita esta mercadoria até chegar ao destino. Tem forçosamente de haver uma cadeia de mando que vive deste falacioso comportamento!

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Devem ser muitos a querer ganhar e de forma rápida, subir nos escalões sociais sem que para isso preparem o seu lado bom ou honesto, fingindo que o são! Ensinaram-me que os homens de boa vontade devem tentar em seu meio e, tornar a vida humanamente viável considerando ser esta sagrada porque representa o supremo valor a que se ligam todos os demais. 

demo1.jpg Os meios de comunicação sempre dizem ou recomendam o princípio do respeito à vida mas, os exemplos são falsificados!  Aqui, em Portugal, em Angola ou na Cochinchina. A fineza e a graça morrem numa bala perdida, em outros nem tanto porque ela lhes entra na carne, mata e lhes leva o espirito para um além dconhecido. Há uma cadeia de mando! Tem de haver! Se querem manter o espirito, terão de se preocupar com o corpo que é seu involucro… Certo!

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As gerações anteriores a nós, talvez tenham julgado que os progressos intelectuais e sociais apenas representariam uma vida mais fácil e mais bela nos dias de hoje mas, as provocações deste tempo, mostram haver uma ilusão cheia de más consequências. É uma bala perdida dum marginal do Rio ou um veneno sofisticado a lembrar os velhos tempos da guerra fria entre o leste e o oeste. Lembram-se? Recentemente mataram por envenenamento um ex-espião em Londres; os britânicos, porque não tiveram uma explicação, expulsaram mais de vinte diplomatas Russos. Estava na cara! A evidência era só deles. Os Russos sabem matar assim!

Gisele0.jpg De lá da Rússia, retaliaram do mesmo jeito. Assim, Russos e Ingleses perigam as nossas vidas; o filme está a decorrer! Ela, a vida sempre vai estar suspensa por uma bala que entra na frincha errada ou como um veneno de mamba negra e, mais uns pozinhos do cumcamano! O perigo está em cada um de nós; Sem fazer nada, todos esperam que se aja em seu favor. Isto não é comigo! Dirão, diremos… Todos dirão!

adiafa1.jpeg A coexistência pacífica dos homens baseia-se em primeiro lugar na confiança mútua e, só depois nas instituições tais como os tribunais, a justiça, a polícia, a força tarefa ou de bairro assim seja estatal, governamental ou federal. A Ordem e o Progresso escritos na bandeira são para todos; não é a Ordem  para os cidadãos e o Progresso só para os governantes.  Ao Mundo, faltam estadistas!…

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:22
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Quinta-feira, 15 de Março de 2018
MALAMBAS . CC

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBELEY –  2ª de IV Partes

- EM VIAGEM NO XOXOLOSA TREM - 28.08.2018Nas frinchas do tempo e atravessando o Karoo, olho o deserto pela janela do mukifo…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estamos a 15 de Março de 2018. Passando a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo, revejo o Karoo National Park da janela e, do lado direito do trem. Viajar neste trem é um restolhar de vivências diferenciadas de outras. Beanfort West deve ser a cidade aonde os farmeiros destas vastas zonas do grande deserto Calahári se abastecem. Poço ver de quando em vez, avestruzes livres correndo, como que fazendo competição com o trem.

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Os semblantes de gente negra daqui têm perfil de hereros, quase brancos há mistura com os khoisans, bushmens magrinhos, baixos e secos de carnes encortiçadas pelo agressivo ar quente do Karoo quando dia e frio de queimar pestanas de noite. Ontem à noite, ao despedir-me dos auxiliares do Rust camp Alfa One de Warrengton, o Mandla chofer sul-africano e do pedreiro Fabiano moçambicano; como agradecimento dei a cada um, uma gasosa de 150 rands (10 Euros).

xoxolosa1.jpg O agradecimento deles foi bem rasgado e o dinheiro foi posto na mão estendida com os dois braços esticados; o esquerdo suportando com a mão, a parte inferior do direito no antebraço. Quem nunca saiu da europa não entende este propósito; isto significa na cultura dos povos bantus respeito e gratidão por quem lhes dá atenção ou admiram. Só por isto, senti-me abençoado…

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Fiquei contente por regirem assim pois que sempre passamos dez dias em proximidade, suportando o frio da noite, a água gelada nos tubos pela manhã, o pôr a trabalhar o gerador entre outras sensações de ouvir os chacais a rir, salvar patos-reais vindo do capim nas bordas dum rio afluente do Orange River. Africanos pretos tendo um patrão também africano, um branco nascido no mato de nome Lourenço, lá nos arredores de Benguela de Angola. Um entre muitos que saíram de sua terra na altura do TUNDAMUNJILA. Até agora nenhum dos mwangolés os convidou a regressar… Gente de túji mesmo!

IMG_20170823_114812.jpg Momentaneamente e por curto espaço de tempo, T´Chingange descendente dos Celtas Lusitanos e Turdetanos, Niassalês por opção, candengue camundongo, Maianguista de bairro na Luua, brasileiro por escolha e Tuga por condição, foi o patrão interino de Mandla e Fabiano.  Via telefone recebi um recado SMS da empresa estatal dos Xoxolosa Trem a dizer que nosso manager da carruagem 9 era o Senhor Silas N´Goiana; o mesmo que nos indicou o mukifo com a letra F.

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Na europa estes procedimentos são abreviados com talões previamente furados antes de entrar na carruagem que depois serão observados pelo revisor. Pois volto atrás para descrever que ontem e faltando quinze minutos para as dez horas da noite, estando vários grupos de pessoas na sala para embarque a senhora do guichet saiu dele para avisar grupo por grupo que o comboio estava nesse momento em Warrengton que fica a uns sessenta quilómetros, região de onde saímos – isso, do  Rust Camp Alfa One.

IMG_20170823_140827.jpg A funcionária fardada a rigor e com chapeu de oficila dos Caminhos de Ferro acrescentou que o Bleu Trem iria demorar uma hora até esta estação de Kimberley; assim aconteceu! Mas estivemos aqui parados uns cerca de 25 minutos pelo que só saiu às 11.20 horas PM ou seja, duas horas mais tarde do que estava assinalado, This is áfrica! Copiaram!

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Aqui tudo é possível e, ninguém reclama; isto confunde qualquer um, até mesmo um cristão da Mauritânia ou testemunha de jeová da Ilhas Maurícias! É mesmo a passividade de quem vive um dia a seguir ao outro, num seja o que Deus quiser. Naquela sala de embarque, eu, Ibib e Ritinha eramos os únicos brancos na cor; Nos dentes eramos todos, aleluia!  Haja Deus, ámen!

IMG_20170823_134528.jpg Isto era-me estranho e, até comentei porque, que se saiba Kimberley nos primórdios e com a descoberta do maior diamante do mundo esta cidade só tinha brancos; claro,  gente vinda de todo o mundo – aventureiros americanos, ingleses, escoceses e até brasileiros. Gente habituada a fuçar a terra com o fito de ficar ricos; a maior parte trocava sua fortuna por uma noite prendada com mulheres que tinham antes do coração duas volumosas mamas a protege-lo…

IMG_20170823_123725.jpg Tal como o Xoxolosa Bleu Trem, tenho de andar lento na descrição da viagem porque se falhar alguns pormenores, ninguém irá achar graça ou interessante. Lá atrás na cidade de Kimberley percorri a cidade de então construída em fins do século XIX ao redor do grande buraco Big Holl. Bem ao jeito do faroeste americano vi saloons, bancos, sapatarias e oficinas com carros e ferradores co mais uma catrefada de coisas que o tempo eliminou. No restaurante pude comer tortilha com Tiboon (bife de boi tendo um boi de grandes cornos a olhar-me insistentemente. O conhecer do mundo, suas coisas e bizarrias dão-me um prazer infindo…

(continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:58
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Quarta-feira, 14 de Março de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 14.03.2018

- Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado…. O mal fermenta-se na psicose gerada pela instabilidade provocada por políticos; os mesmos que escolhemos

Por

soba0.jpeg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Os sintomas do mal, revelam ao mundo e em especial ao M´Puto e Brasil aonde passo grande parte de meu tempo, características inquietantes pela instabilidade politica e instabilidade laboral com o flagelo do desemprego prolongado. O mal fermenta-se na psicose gerada pela instabilidade apontada adicionada a outros males como a precaridade quase instituída; isto para não entrar no capítulo da educação, formação, investigação, assistência na doença e lóbis incestuosos nas várias frentes da governação.

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Avós, pais e filhos têm de se organizar nestes inteiros condicionamentos de vida. Ninguém está certo da vitória no que concerne à nossa liberdade em nossa existência. Estamos sempre pendentes das medidas dos poderosos que por nossa mão (entenda-se o povo), alcançaram o poder; refiro-me aos políticos. No final, a culpa não é de ninguém, morre sempre solteira…

portug1.jpg Não poderemos libertar-nos dos sintomas conhecidos e de outros por conhecer, se não atacarmos a moléstia pela raiz sabendo que mesmo estas continuam a crescer de uma forma imprevisível! Nem sempre os diagnósticos estabelecidos pelos especialistas dão a necessária confiança à convicção de que um homem independente é honesto.

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O clã familiar, cada vez mais tem de se organizar como e, para harmonizar sua existência humana tendo de partilhar sua reforma com um filho, com um neto ou mesmo a um mais próximo a fim de se superar as sucessivas crises. E uma crise não é singularmente diferente das precedentes porque dependem de circunstâncias novas. Isso! Condicionadas pelo fulgurante progresso da corrupção, da cunha e, aonde o homem, mulher, a família se vê neste tipo de economia dita liberal.

lul2.jpg A lei da gasosa, sim! Obrigado/a no retirar migalhas ao salário sem sempre conseguir garantir as vitais necessidades. Dos ganhos, sessenta por cento, vão direitinhos para pagar a máquina estatal que subsidia partidos, fundações, observatórios e tantos outros afins de e a bem da nação… Balelas! Uma guerra de impostos taxas e sobretaxas; incestuosas atribuições…

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O desemprego aumenta e a confiança no patronato diminui; diminui a confiança nos bancos, da participação pública nestes e depois… depois os bancos irão ser obrigados a sessar seus pagamentos, a diminuir os juros. E, dirão porque o público retira os depósitos, a economia fica bloqueada e edecéteras de engenharia financeira complicadíssimos de entender…

PUXASACO.jpg Eles, os bancos convencionam-se em garantir seus fundos de prevenção dando-nos 0,01 por cento nos depósitos ao ano, cobrando-se de todas as tarefas inimagináveis. O que não nos dão, vai direitinho para o seu fundo de garantia, para pagar a trafulhices de venderem peidos de velha como se fossem ovos-moles de Aveiro.

quem3.png As crises dão dinheiro a alguém! Algum país, algum grupo ou contas de paraísos fiscais ficarão a abarrotar! E, os outros a chiar. As crises são preparadas de tempos a tempos para nos esfriarem os bolsos. Os donos do Mundo, os donos disto tudo, sempre estarão amparados pelos políticos eleitos e vice-versa. A inteligência é a capacidade de nos adaptarmos a tudo isto aceitando o roubo, a taxa, o imposto e alcavalas como coisa clara e instituída.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:47
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Segunda-feira, 12 de Março de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXIX

ANGOLA DA LUUA XXXIX - TEMPOS PARA ESQUECER – 12.03.2018

- «Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão agora com a guerra…»

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Pois! Desculpar-se-ão com a guerra. Só que a guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente e incestuosamente ricas…» Os brancos de Angola, no geral, culpam o MPLA com seus grupos de Poder Popular, culpam também os seus irmãos Tugas capitães de aviário e uns tantos civis apanhados na teia do PREC pelos males que atingiram aquele território chamado de Província ultramarina, a actual Angola.

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A fim de desbloquear situações, verbo fácil de fazer milagres, olhos vivaços para resolver problemas fúteis e bizarros, os chamados retornados, entre o desespero e a morte tiveram o condão de tocar a vida prá frente desafiando pormenores de sobrevivência. Alguns detalhes, são demasiado trágicos e outros, muitos, demasiado sofríveis…

zeka9.jpg E, os colonos? Os colonos, uns morreram num ai, repentinamente e sem saber do porquê; porque MPLA e MFA haveriam de manipular os espíritos, carregar nos botões das almas inocentes, com o fígado incompleto tornando candengues em militares de primeira linha. A esta milícia sem estrutura criada por Rosa Coutinho e Agostinho Neto e, que viraram monstros desapiedados, deram-lhe o nome de pioneiros…

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Apesar das NT - nossas Tropas, serem de pouca utilidade para os colonos, muitos dests, tinham e têm afinidades que os prendem ao silêncio sendo benevolentes com a situação do antes, durante e depois do TUNDAMUNGILA – a guerra de tuji que culminou na ponte LuuaLix. Para não me mentir é o que posso analisar derivado da triagem feita entre os silêncios e da benevolência com a situação, agora que são passados já mais de 43 anos de independência. Quando não se calam dizem enormidades versejadas com poesias….enfim!

zeka3.jpg Os soldados de outrora, diferenciaram-se com os cabeludos abrilistas por não verem no terreno o tão propalado pelo MFA, pelos “revolucionários com o Ché na flanela”… ainda bem que subsiste este senão… Estes mais velhos e conscientes militares do M´Puto, ajudaram a consolidar um sentimento de última hora das NT. Algo mudou mas esta hora, chegou demasiado tardia. Tudo porque o MPLA usava uma táctica que não caiu de todo por “bem vista” a alguns militares portugueses. Estes deram-se conta que a cúpula e o Poder Popular do MPLA eram cães sarnosos; não reconheciam seu dono nem sabiam ser camaradas…

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Os Navios Hermenegildo Capelo, N´Gola e Açores, faziam chegar a Luanda deslocados de todo o litoral Sul como Novo Redondo, Lobito, Benguela e Moçâmedes. Para Moçâmedes e, em fins de Setembro uma companhia de Pára-quedistas seguiu para esta cidade a fim de controlar o embargue de bagagem dos refugiados. As FAPLA, só permitiam os embarques com a sua presença obrigando os trabalhadores da estiva a só cumprirem cinco horas por dia.

vasco gonç.0.jpg Faziam o que bem lhes dava nas ganas retirando parte da bagagem que estava dentro das viaturas. O MPLA e pessoal adstrito a este movimento fazia obstrução para ver o que os brancos levavam para o M´Puto. Em Portugal e posteriormente, contactei com gente desta que passaram a pertencer aos Adidos; afinal suas afinidades eram de falsidade. Como lidar com isto!? Isto tem de ser mencionado porque a traição ocorreu no antes, no durante e no depois… Mas, só eu vejo isto! Há por ai gente muito acomodada que ao ler isto ou nada diz ou se sublinha num banal: gosto!

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Pois foi aquela companhia de Pára-quedistas que pós fim a esta situação. Diga-se em verdade que Savimbi prometeu enviar de Nova Lisboa para Luanda todas as bagagens ou pertences dos Adidos ou desalojados; colocou guardas a montar vigilância das mesmas, assegurando que iria evacuar todos os brancos ainda dispersos pelas áreas da UNITA se assim o desejassem.

vasco1.jpg Savimbi declarou ter havido ingenuidade de sua parte em acreditar que todos os Movimentos só receberiam as armas que Portugal lhes desse. A única coisa que pedia a Portugal era a de que Lisboa não legitimasse o MPLA num reconhecimento de declaração unilateral de independência; e frisou bem: mesmo que outros países o fizessem!

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Holden Roberto, confiante que iria tomar Luanda nas vésperas do 11 de Novembro aceitou que a entrega do poder fosse dada ao Movimento que nessa altura estivesse na posse de Luanda. Este bluff era senão demasiado inocente, demasiado estupido! Em verdade, esta espécie de estadista ficou no lodo da estória. No dia cinco de Outubro, o Almirante Leonel Cardoso queixava-se por ainda não ter sido informado.

mouzinho1.jpg E, no caso de todas as diligências para um entendimento com o MPLA, falharem, o que fazer? A quem vamos entregar o poder ao chegar o onze de Novembro se, se mantiver esta situação de impasse? Diria ele numa forma de interrogação… No M´Puto andavam demasiado distraídos; as sedes dos COMUNISTAS, começavam a ser queimadas…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:18
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Sábado, 10 de Março de 2018
CAZUMBI . XXXVI

CINZAS NO TEMPO10.03.2018

- Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias … A ponte 25 de Abril do M´Puto que antes era de Salazar, tem as cordas ruidas, os parafusos estão a desandar e os rebites a chiar…

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

soba15.jpg T´Chingange

Revisitando Murphy, recolhi de seus escritos que as coisas têm tendência para correr mal sem a possibilidade de reverter o acontecido. Podemos por observação dizer que uma chávena em cima da mesa e no passado está num estado de “ordem” e, a chávena estilhaçada no chão com água derramada, o contrário disso, “a desordem”.

:::::

O motivo definido em tempo que leva entre a chávena inteira e a destruída acontece por um acaso, uma falha, uma coincidência, um erro ou uma má sorte como coisa vista normal.

SALAZAR 2.jpg Sabendo que uma partícula ocupa um ponto no espaço, em cada instante, pode esta estória ser representada por várias linhas entrelaçadas no espaço-tempo e, que a todo o momento e expandindo-se formarão outras linhas deixando de ser aquela “corda”.

:::::

Mas também pode acontecer como sucede no universo cósmico, estas linhas formarem outras cordas que tendem a fechar-se formando um túnel! O túnel da minhoca (universal)!

Pois ao momento da desordem a partir da ordem chamarmos “a seta do tempo” - qualquer coisa que distingue o passado do futuro, passando pelo “agora” ou o “presente” que nunca espera o antes.

Salazar3.jpg O sentido de que o tempo passa, é psicológico, porque nos lembramos do passado mas, não do futuro! É aqui que a porca torce o rabo! Não querendo entregar meu coração à tristeza nem o deixar vadiar nas fatalidades de Murphy, vim beber e divertir-me com gente amiga; iluminado por Deus, pois claro! Pois que pelo que se diz, Ele ilumina as frinchas de todas as portas, todos os zingarelhos e até geringonças…

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Assim e debaixo dum sol ardente, um abafado calor de crispar sobrancelhas em escondidos pensamentos, cabe a mim transformar as coisas poucas em adultas tornando as fábulas em lendas, coisas que só os pastores no púlpito, podem fazer e criar, mesmo que estando confundidos entre as ovelhas.

salazar2.jpg Cá para mim o Salazar, tem culpas sim! Não devia ter feito a ponte porque era previsto poder cair e, caiu sim! Numa só noite levantaram outra com o nome de 25 de Abril. A seta do tempo do Murphy não esqueceu o antes… Nem Ferreira do Amaral... Afinal para que serve o pagamento das portagens?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:43
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CAZUMBI . XXXVI

CINZAS NO TEMPO10.03.2018

- Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias … A ponte 25 de Abril do M´Puto que antes era de Salazar, tem as cordas ruidas, os parafusos estão a desandar e os rebites a chiar…

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

soba0.jpegT´Chingange

Revisitando Murphy, recolhi de seus escritos que as coisas têm tendência para correr mal sem a possibilidade de reverter o acontecido. Podemos por observação dizer que uma chávena em cima da mesa e no passado está num estado de “ordem” e, a chávena estilhaçada no chão com água derramada, o contrário disso, “a desordem”.

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O motivo definido em tempo que leva entre a chávena inteira e a destruída acontece por um acaso, uma falha, uma coincidência, um erro ou uma má sorte como coisa vista normal.

salazar 1.jpg Sabendo que uma partícula ocupa um ponto no espaço, em cada instante, pode esta estória ser representada por várias linhas entrelaçadas no espaço-tempo e, que a todo o momento e expandindo-se formarão outras linhas deixando de ser aquela “corda”.

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Mas também pode acontecer como sucede no universo cósmico, estas linhas formarem outras cordas que tendem a fechar-se formando um túnel! O túnel da minhoca (universal)! Pois ao momento da desordem a partir da ordem chamarmos “a seta do tempo” - qualquer coisa que distingue o passado do futuro, passando pelo “agora” ou o “presente” que nunca espera o antes.

salazar4.jpg O sentido de que o tempo passa, é psicológico, porque nos lembramos do passado mas, não do futuro! É aqui que a porca torce o rabo! Não querendo entregar meu coração à tristeza nem o deixar vadiar nas fatalidades de Murphy, vim beber e divertir-me com gente amiga; iluminado por Deus, pois claro! Pois que pelo que se diz, Ele ilumina as frinchas de todas as portas, todos os zingarelhos e até geringonças…

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Assim e debaixo dum sol ardente, um abafado calor de crispar sobrancelhas em escondidos pensamentos, cabe a mim transformar as coisas poucas em adultas tornando as fábulas em lendas, coisas que só os pastores no púlpito, podem fazer e criar, mesmo que estando confundidos entre as ovelhas.

salazar2.jpg Cá para mim o Salazar, tem culpas sim! Não devia ter feito a ponte porque era previsto poder cair e, caiu sim! Numa só noite levantaram outra com o nome de 25 de Abril. A seta do tempo do Murphy não esqueceu o antes… Nem ferreiras do Amaral. Se o que pagamos de portagem não é para pagar a manutenção  do monstro, então para onde vai oa nossa maçaroca?...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:24
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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018
FRATERNIDADES . CXIX

METÁFORAS DA VIDA – 21.02.2018

- FOTOS AMARELECIDASSe, em um aleatório lugar vires um oprimido, não te surpreendas - Tem outro mais alto que o vigia… Estória dedicada ao poeta Eduardo Torres da Chibia, na Kizomba…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Em um antigo dia fui passear com Edu a Ondjiva (Pereira Déça), uma fazenda de seu pai aonde vendiam carne de alongue e vendiam peixe frito ao pessoal da lavra e amanho das nemas; isto é do que me recordo. Íamos em um carro com a última tecnologia de ponta, meio madeira, meio lata grossa e pneus maciços, borracha do Amazonas com o nome de Nash que pegava no arranque com manivela. Mochilas no carro, acomodados, partimos ao som duma betoneira botando fumarolas às prestações.

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Tudo seria como o planeado e prometia até ser inesquecível; disfrutando da paisagem com uma nuvem de pó e gazes para assustar mosquitos das lonjuras, nós gozávamos das terras do fim-do-mundo; vistas secas das anharas via Rundu, início da Damaralãndia do Calahári. A luz que indica o super aquecimento do motor acendeu no painel frontal de nogueira encerada. Aquele vehículo estórico, propriedade de se pai, dizia-nos daquele jeito que algo estava errado. Estávamos uns bons quilómetros além Chibia.

nash6.jpg Mesmo entendendo pouco de mecânica, sabíamos que a luz do aquecimento aceso era sinal de algo errado e lá tivemos de encostar junto a uma n´nhiwa para sabermos a gravidade do sucedido. Decidimos abrir o capot e, assim ficamos a olhar o motor como um boi olha para um palácio; seria do radiador? Talvez! Seria da correia de distribuição? Talvez! Seria da biela? Seria da tíbia? Talvez? Talvez!

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No meio de tanto talvez, nosso monangamba Nepomuceno sugeriu assim: - Minino patrão Edu, melhor mesmo é fazer oração no nosso N´Zambi. Os minino, num sabe mesmo coisa nenhuma, eu acho melhor no então, catravêz … Catravêz o caraças disse Edu para o seu mona chateado da silva mas e, reconsiderando, pediu que cada qualmente rezasse no seu Santo ou Santa.

Torres0.jpg Bem! Eu rezei para Nossa Senhora da Muxima. Ele mesmo, Edu rezou para a Nossa Senhora de Fátima e Nepomuceno rezou ao seu rei N´Zambi. Ia na metade da minha inventada oração a Muxima quando num repentemente Nepomuceno descomplica nossos muxoxos de reza dizendo: -Olha só Patrãozinho…Vem lá uma carrinha Dodge! Assim era! No centro duma poeira medonha lá vinha um vehículo de tração a motor soprando pó prámata.

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Um homem moreno, alto e calvo com pronúncia de carcamano gweta parou atrás e acto repentino perguntou se necessitávamos de ajuda! As meias palavras de Edu foram suficientes para ele deduzir qual era a avaria. Sem muitos rodeios começou a espreitar o motor, ver tubos e, com cuidado foi folgando o tampão do radiador. Saiu dali uma fumaça quente do caraças.

nash4.jpg Deitou-se bem por debaixo do motor e apalpando o fundo do radiador disse: -Está qui! Não ficamos a saber bem o que quereria dizer e retirando da boca uma bola de chicle xwingame pressionou o negócio naquele que era o busílis da causa. Já de pé voltou a olhar umas borrachas, foi buscar à Dodge uns arames e com um alicate universal deu uns apertos no arame.

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Com um jerrican encheu nosso radiador (melhor dizendo do vehículo Nash) de água tapando o recipiente e ao concluir disse simplesmente: -Já está! Sem dizer mais nada tirou do bolso um cartão e, deu-o a Edu! Ele leu e, guardou! Claro que eu fiquei intrigado! O senhor carcamano disse goodbaye e, meteu-se a caminho logo após ter posto o Nash a trabalhar! Pareceu ser agora menos betoneira do que lá atrás.

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Já o Dodge ia longe quando pedi a Edu que me mostrasse o cartão que ele lhe dera! E, pude ler com surpresa “Mecânico assistente de Nossa Senhora de Fátima”. Podem acreditar, fiquei num deslumbramento de boca aberta! Afinal a oração do Edu resultou mesmo. Sem aceitar um centavo sequer, chegou, meteu o chicle no lugar, fez o que tinha de fazer e bazou! Foi-se!

chibia.jpg E, olhem que por ali havia leões, solitários e hienas esfomeadas; os terroristas mesmo, só chegaram ali depois de 1975, feitos outros ET´s cavalgando cavalos de ferro marca M´Puto com bazucas e granadas Braço de Prata. Agora e à distância do estórico vehícuo Nash pergunto-me se aquele mecânico era mesmo gente, um santo, uma kianda, assombração ou o meu amigo ET da galáxia EC-325… E, porquê as rezas não tiveram resultado neste mais recente tempo com guerrilheiros emancipalistas da terra. O que não faz a fé!?…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:36
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
MALAMBAS . CXCVII

A CHUVA E O BOM TEMPO - 20.02.2018

- Apaziguando rijezas adversas num salve-se quem puder…

Por

soba15.jpg T´Chingange No Nordeste Brasileiro

Ontem fui ao centro da cidade tratar de um assunto com a contabilista, coisas de imposto de renda que têm de ser demonstrado por compras ou aplicações financeiras em todos os anos civis. A lei é para ser cumprida segundo o que está escrito na bandeira do Brasil: Ordem e Progresso – Ordem para os debaixo, o povão e, progresso para os decima, os que mandam ou são donos disto tudo.

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Começo assim só para justificar-me do assunto que irei aqui escalpelizar com bisturi rombudo. E, pude ver quase todo o tipo de negócio a correr nas ruas da cidade; digo correr porque as bancas têm rodas e com facilidade estarão aqui ou ali conforme a conveniência ou por via da fuga ao fiscal zelador das coisas da via pública, digo eu.

araujo99.jpg E, dum quase tudo, posso mencionar raquetes de matar mosquitos, chapéus-de-chuva, pensos rápidos e água fresca e metidas no gelo em caixas de isopor, esferovite, jogos de chaves de bocas, alicates, destornilhador ou frutas variadas como graviola, fruta-do-conde, goiaba, macaxeira e edecéteras. Tudo isto a laborar em azáfama, sem fiscalização aparente…

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E afinal, como seria o Brasil se a cada esquina estivesse um fiscal municipal, federal e outros supra numerários do sistema a ver a higiene, a balança e a licença para vender os produtos? Tornar-se-ia impossível gerir estes milhões de pessoas que sobrevivem desta forma. Dito isto entro nas lojas americanas e trago de lá um ventilador de marca “arno” por cento e trinta e nove reais com noventa cêntimos.

ROXO167.jpg Deparo com uma banca carregada de boa macaxeira, mandioca recentemente retirada da terra; Bem no centro e no topo das raízes tinha o preço fixado, escrito em um pedaço de isopor: 1,50 reais. Está barato, vou comprar! Moço dá-me dois quilos! Entretanto uma senhora faz o reparo de que aquela balança está desregulada, uns dias atrás levou dois quilos e em casa na sua balança só tinha 1, 160 Kg.

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Em voz baixa foi dizendo para eu ouvir que mesmo assim valia a pena porque estava em bom preço. Bem, a balança de mola de enrolar estava oxidada, quebrada no plástico frontal e até se poderia ajustar o peso por entre a parte inexistente do transparente. Toda ela era uma obscura e desconfiável balança, xucra mesmo! O Dono, moço Isac era de bom trato e bem falante, um ser de Deus e pagador de dizimo na igreja do sétimo dia, pensei cá para mim. Vou experimentar sussurrei à senhora! E, foi, embrulha, e fui!

araujo114.jpg Chegado a casa vou direito à balança de pesar bolos e era certo! O cabra-da-peste, evangélico do sétimo dia, enganou-me. O negócio pesava só 1,160 quilos. Quersedizer que faltava só 840 gramas. E o cara-da-peste evangélico que disse para mim na maior belezura: Deus esteja contigo, feliz dia! O cara-de-pau a meter Deus nesta pequena trapaça hein! No final vi o papel de custo duma compra no super Bom Preço e a mesma quantia ali seria de sete reais! Afinal ganhei 4 reais!

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Putamerda; fui roubado e ainda estou contente porque não perdi assim tanto, melhor ate ganhei! Pópilas! O mundo anda mesmo com os paradigmas invertidos. Mas, um destes dias vou levar um pacote de quilo de açúcar para servir de peso; fiquei só meio fulo, meio bravo porque me tapearam e, eu não gosto de ser tomado por lorpa. É que todo o mundo quer ficar ganhando, ficar por cima e também nesta, até  eu fiquei por cima, visse!

ROXO164.jpg Bem! Em verdade este é até um caso menor, senão vejamos: Esta manha e na TV Globo, pude ouvir que uma tal senhora juíza desembargadora foi eleita deputada por um partido, não interessa qual (tudo é igual) ficou descontente com a sua baixa de ordenado. Apurei-me na escuta e fiquei a saber que esta senhora recebia o ordenado de desembargadora com mais o de deputada! Até aqui tudo bem! Será? Como se verificou ganhar mais do que o tecto salarial da Nação, baixaram seu salário que era só de 60.000 (sessenta mil) reais!

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E, não é de que a senhora se estava a queixar de que agora ia passar necessidades, pois que abaixo dos sessenta mil era passar mal. Isto é mesmo uma invulgaridade! Disse para mim… Bom! Ouvindo isto, fiquei indignado. Ganhando 60 vencimentos mínimos e lamentando-se! Haja vergonha! Depois disto até senti satisfação por ter dado a ganhar uns pequenos cobres ao moço Isac da macaxeira.

araujo 43.jpg Estou aqui a falar do Brasil mas este filme já o vi em Portugal quando o Ex-Presidente Cavaco e Silva se queixou de que a sua aposentadoria somada à da mulher, não lhe dava para cobrir os gastos! Cumcamano! O mundo anda a ser gerido por incompetentes e ladrões e eu, aqui a gastar minha tinta, meu suco a custo zero! É mesmo um Deus me livre! Que dizem Vocês? Falem! Não fiquem aí com a língua agarrada aos dentes! É chato falar sozinho…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:15
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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXVI

ANGOLA DA LUUA XXXVI - TEMPOS PARA ESQUECER – 19.02.2018

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA ... Angola - 43 anos depois da independência. Já ninguém acreditava que era só uma pequena parcela dos nossos militares a dar a mão ao MPLA. Eram todos!

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Doeu, dói, e continuará doendo recordar aqueles dias em que por um longo tempo fomos uns tinhas, uns retornados, uns ranhosos como ouvi dizer a uma senhora da Cruz Vermelha que deveria ter amor ao próximo mas, assim não o era; uma senhora que ali estava numa missão de mostrar solidariedade, um frete só para parecer-se numa dama de alto coturno com ternas maneiras de lidar com o cidadão irmão.

monstro4.jpg Tinham-lhe tirado o sono e, em missão de voluntariado teve o desplante de dizer isto na minha chegada ao Aeroporto da Portela em Agosto de 1975; estamos aqui por causa destes ranhosos, disse! Era essa tal ponte de LuuaLix na guerra do tundamunjila que todos parecem querer esquecer e, porque só teve o mérito de nos tirar do fogo cruzado dos guerrilheiros e fraternas ajudas das NF (Nossas Forças) ao movimento que não nos queria lá, aonde quer que fosse!

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Seria talvez a esposa dum oficial superior e que naquele agora mostrava ao povo de abril o quanto lhe fazia mal aquela ascensão de benesses por via de uma guerra colonial, das muitas comissões ultramarinas que lhe proporcionaram subir na sociedade do M´Puto. Dinheirinho, pois! Mas, muitos mais militares de carreira assim o queriam; as transferências de angolares para escudos faziam-lhe falta.

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Era a compra de mais um andar na zona nobre de Lisboa (Lix), um carro novo de fazer inveja, uma vida muito cheia de pacto com o sistema, mais um talhão de terra para fazer engravidar a usura, a capitalização de valores. Perpetuar as aplicações financeiras por via de uma guerra de kwata-kwata que não desejávamos, que não queríamos! Mas em verdade andávamos distraídos lá na Província Ultramarina de Angola. E, estes dias têm de ser reescritos, revividos porque a história não o dirá deste jeito magoado, sem enaltecer um herói que a existir, só o poderia ser de túji… Inventado!

monstro6.jpg Divagando num após quarenta e três anos, podemos recordar o quanto os americanos queriam apagar com compensação os desaires tidos na derrota do Vietname. Fazendo manobras diplomáticas que só eles sabem fazer na perfeição, queriam garantir o petróleo do golfo de Cabinda. Aquilo para eles era um jogo menor e, pouco importava se o interlocutor era de esquerda ou direita. Haveria que garantir sua altivez na forma de petrodólares, condição necessária de perpetuar no serem os senhores do mundo.

NDOZI.jpg Aqueles, tornaram-se assim, senão aliados, pactuantes com o MPLA abandonando a FNLA mandando até na fase crucial duma possível mudança da guerra, retirar órgãos vitais como sendo as culatras dos potentes obuses que estes tinham posicionado no lugar de Kifangondo. Mas eles, os americanos, já tinham dado ordens para os Sul-Africanos se retirarem em sua campanha de tomar a Luua, a capital do novo estado chamado de Angola.

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Os americanos são efectivamente os piores amigos que se pode ter! Só digo isto por cruzar em triagem tanta manobra que fazem em todo o mundo para perpetuar sua supremacia; aliados com seus primos da Inglaterra, do Canadá, da Austrália e outros de sua comunidade, fazem girar o globo ao seu ritmo. Fazer guerras lá longe, abater quem atrapalhe seus interesses e manter-se na altivez do quero, posso e mando! Um dia isto vai acabar, mas já nem será no meu tempo!

moka23.jpg Pelo petróleo de Cabinda além de abandonarem a FNLA de Mobutu Sesse Seco, deram ordens de retiro à Africa do Sul, abandonaram Savimbi e os portugueses… Bem! Estes, para além de tudo foram moeda de troca a custo zero para o M´Puto. Usaram muito bem seu poderio! Subestimando uns, apadrinhando e chantageando outros, abandonaram-nos com o beneplácito dos novos generais de aviário da onda abrilista e vários políticos.

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No dia sete de Setembro a “Nova Brigada” das FAPLA (Forças Armadas do MPLA chefiada pelo comandante N´Dozi ataca o Caxito, obrigando a FNLA a recuarem no terreno. A Vila do Caxito, torna-se uma cidade como aquelas dos filmes do oeste americano, fantasma! Uns velhos acocorados e acolhidos no antigo quartel das forças portuguesas que também foi do ELNA (Forças militares da FNLA) e que agora era do MPLA; uma doação menor no contexto global.

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As FAPLA tinham atingido os montes dos libongos em quarenta e oito horas. Neste desastre do Caxito pode admirar-se o comandante N´Dozi de óculos escuros, fumando um cachimbo com liamba e levantando as mãos com o sinal de V de victória, assim como uma cena dum filme à americana. A Força Aérea das NT estava senhora da situação pois detectava do ar todos os movimentos na região do Kifangondo registando tudo em fotos tiradas do ar.

mdp01.jpg A Força Aérea Portuguesa tinha vídeos dos avanços e recuos das movimentações do exército da FNLA em terra e, estes dados apareciam nas mãos dos comandantes do MPLA. Os comandos de NT diziam desconhecer esta prática; a ser verdade havia militares do M´Puto infiltrados só para extrair informes cruciais no avanço das batalhas em terra e, no intuito de serem fornecidas ao partido de opção, O MPLA. 

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Já ninguém acreditava que era só uma pequena parcela dos nossos militares a dar a mão ao MPLA. Eram todos! Os simpatizantes pela FNLA ou tutelados como tal eram relegados à não permanência activa das operações sendo muitos enviados para a metrópole. Era o plano estratégico do MFA na entrega incondicional ao MPLA. Quem referir o contrário está a mentir com os dentes todos. Soube-se ser o Brigadeiro Valente o oficial das NT mais colaborante com o MPLA e deduzir-se daqui que a maioria de seus subordinados também o eram.

(Continua…) 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:45
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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2018
CAFUFUILA . CXXV

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO13.02.2017 - 21ª parte

Kiandas e calungas! No bloco de carnaval de Guaxuma… Nosso futuro ainda anda a ser fabricado…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Noerdeste brasileiro

Na epopeia, romance mussendo de três continentes e por via de seguir a peugada das kiandas, kwangiades ou sereias, vejo-me agora em Guaxuma do Nordeste do brasil, a festejar o entrudo entre cabeçudos dando pequenos paços ao som de uma bateria de bombos, chocalhos, pandeiretas, puitas e reco-recos. 

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Pois, em uma outra minha andança ao serviço da rainha de Portugal D. Maria I e, com o cargo de tenente, tive de escoltar uma leva de prisioneiros participantes da chamada Inconfidência Mineira nos fins do século XVIII, um movimento militar no Estado de Minas Gerais do Brasil.

carn4.jpg Levei um preso para a N´Gola e por lá fiquei centenas de anos. Falei disto e do mafulo Balthasar Van Dun mas, desta feita eu só venho gozar mesmo o carnaval na beira mar de Alagoas no ano da graça de 2018. Escusado será dizer que o Mwata dos Céus deu-me o condão de como T´Chingange, andar aleatoriamente no espaço-tempo. 

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Cheguei bem cedo a Guaxuma para gozar a praia da sereia e o carnaval deste ano. Eram seis horas e treze minutos quando iniciei meus movimentos de ginastica talassoterápica na água de cor esmeralda e, a fim de curtir a vitamina D trazida pela maresia, mais o vento que farfalha os coqueiros. Numa linda conjugação de sons juntava-se o desmaiar das ondas na areia amarela.

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Daqui saia os ritmos que junto ao bafo quente das longínquas pancadas dos bombos Zé Pereira traziam o cheiro de carnaval. Rodei meus movimentos até ver a estátua da sereia cimentada aos recifes; os mesmos que amenizam a fúria das grandes ondas. A enegrecida sereia estava meia coberta de limos, algas e limos que lhe davam um tom sussurrado de tristeza.

carn3.jpg Ela, a sereia, estava mesmo coberta de quereres apaziguadores de mareantes, marinheiros, pescadores e nadadores. Creio estar ali para estimular estórias como estas e das quais saem capítulos, romances de inventação com um Zé Peixe, uma lenda de prático que levava os vapores até alto mar. Um enredo de fantasia que viajou no espaço ladeado por uma sereia e por vezes montado num bumba meu boi.

arte1.jpg Lugares distantes como o lago Niassa e Tanganica mais os estuários do kwanza e ousadias no rio Kongo ou Zaire. Também na Costa dos esqueletos da Damaralãndia e Baia dos Tigres na n´Gola e Calahári do Namibe com os rios Cunene e Okavango cheios de magia de kalungas e kwangiades. Assim andando práfrente e pratrás, grafitei vidas no meu cerebelo originando romarias que perdurarão nas lendas de áfrica e américas.

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Depois de duas horas mexendo e remexendo meu esqueleto, vou até à minha cubata comer bacalhau à gomes de sá. Cochilo talvez umas duas horas e ao som do ronronar do ventilador apronto-me no disfarce e espirito de um pirata das Caraíbas pra ir práfarra curtir a folia do carnaval de Guaxuma. E podia ver-me todo empapoilado com franjas, chapéu de pirata, olho vendado e mão de gancho. E, lá vou eu mesmomesmo com uma perna de pau!

carn2.jpg Juntei-me ao meu bloco de bumba meu boi: O tema do bloco era mesmo o mar, o iemanjá, a kalunga e pulando de ansiedade juvenil juntei-me aos foliões, gente vestida de tubarão, baleia, garoupas e cavalas e olha só! Um grande espanto. HÓh… Ali estava o próprio Zé Peixe com escamas reluzentes de prata. Dei-lhe um grande abraço e, chegando-se ao meu ouvido pareceu-me dizer: está ali a sereia kianda Roxo! Ouvi bem!

roxomania1.jpg Apontou para o alto do carro do corso do nosso bloco e lá estava deitada rebrilhando seus arco-íris desde o verde ao prateado mas, sobressaindo o roxo. Ambos gritamos para chamar a atenção e assim, assim, rodou-se toda em sua cauda pontilhada de luzernas fosforescentes. De fora do bloco, podia admirar-se um gancho de pirata e uma barbata a dizer adeus a um golfinho fêmea que abanava sua cauda. Era ela mesmo! Afinal também gosta de carnaval, gritei eu a Zé peixe, ao que me respondeu: -HÓ, se gosta!? …

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:47
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2018
MALAMBAS . CXCV

A CHUVA E O BOM TEMPO - 03.02.2018

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade num mundo exótico … De novo e com agrado irei ver aquela senhora percorrer a praia de ponta a ponta de marcha-à-ré para rejuvenescer…

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 

Cruzei o Atlântico no Boing D. Maria II em sete horas e vinte minutos. Pedro Alvares Cabral deve ter levado um mês ou mais, considerando o vento de Bolina na feição e soprando no rumo sueste; deste jeito não teriam de mudar as velas permanentemente para percorrer todo o percurso sem ter de fazer os ziguezagues por forma a embolar os grandes panos propulsores. Eram tempos de escorbuto por via de não comerem legumes e frutas frescas.

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Hoje, os novos processos de catering, manuseiam milhões de refeições ao redor do mundo para abastecerem milhares de naves que cruzam os céus em diversas direcções. Cada companhia aérea tem contractos com empresas vocacionadas a fim de condicionar em embalagens próprias as variantes gastronómicas, frutas, saladas e sobremesas pré escolhidas por nutricionistas e dietistas por modo a não causticar o organismo humano.

tapete verm..jpg Não posso imaginar todos os passageiros a entupir os minúsculos banheiros depois de comer uma feijoada, cozido ou um sarapatel deteriorados. Ali presos num escasso espaço assim como capota enfiada num espaço anatómico para nem poder sequer abanar as asas, os braços neste caso sem se correr o risco de dar um sopapo ao vizinho de ouvidos entupidos por um fio que lhe entorna musica nos neurónios…

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Já andei pelos ares o suficiente em horas de voo para dar três voltas ao globo e sempre refilo com estes apertos de não poder cruzar as quinambas maçando o corpo encolhido, entupindo os gazes nas curvas, obstruídas para além da traqueia o hiato e as muitas nervuras coarctadas de fazer seus peristálticos movimentos. Melhor seria que nos dessem um comprimido de seis horas de sonolência, enfiarem-nos num tubo de hibernação e despertar na hora certa de desembarque.

zumbi7.jpg Desta feita tive de comer três fusos horários deduzindo na máquina do tempo os três por forma a equilibrar o invento da vida chamado relógio. E, o carnaval de Guaxuma com sua sereia espreguiçando tempo, espera por mim rodeada de águas tépidas chispando suas quenturas de 28 graus em seu corpo rebrilhante desde a cauda à ponta de seus cabelos.

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Já estava farto de usar ceroulas até o pescoço a fim de aguentar o frio do M´Puto, dois pares de meias, chapéu a cobrir as orelhas para dormir, luvas com pele genuína de ovelha da Serra da estrela. Depois, assim que o sol baixa, ligar as quenturas da casa, a botija de água para aquecer as pontas e desumidificadores para chupar o orvalho invisível da humidade roedora de ossos! Tudo fica que nem cordão de sapato; até a paciência se esvai para o canto dos tornozelos…

araujo65.jpg Como diz o Papalagui das longínquas ilhas de Samoa, ficamos que nem cebolas, cheios de cascas, uma por cima de outra para tapar as vergonhas e adjacências. Por isso escolhi o Brasil para armazenar meu esqueleto das frieiras, untá-lo com o sol do nordeste, empreguiçar-me por horas nas quenturas esmeralda - águas das piscinas naturais da Pajuçara, untar-me de cerveja skol, água de coco ou cachaça pitu enrolada em pedaços de doce abacaxi.

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De novo e com agrado ver aquela senhora percorrer a praia de ponta a ponta de marcha-à-ré, isso, andando para tráz para rejuvenescer-se em juventude e uma outra andando em ziguezagues, parando na água, chutá-la e depois ficar virada para o mar alto, abrir os braços e acenar a Nosso Senhor! Eu bem que olho e volto a olhar e, até semicerrando os olhos e, nada! Não vejo o que ela deve ver! Há gente que tudo consegue e segundo dizem, com fé sempre alcançam suas ousadias…

roxo123.jpg Irei passear até o largo do Ganga Zumba, uma pedra com feitio de gente quase primitiva, com uma lança a olhar o céu do lado nascente! O primeiro líder do Quilombo dos Palmares. Um herói de libertação vindo do Reino do Kongo e morto por seu sobrinho Zumbi, o mesmo que foi agendado como o patrono do Dia da Consciência Negra; assim ficou no calendário brasileiro. Coisas que aconteceram no longínquo ano de 1678…

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Os dias ficarão enfartados de fantasia com contos de outros tempos e, que agora surgem avivados nas memórias das escolas de samba! Lá terei de ir à terra de Palmares descobrir, porque é uma terra tão carregada de misticismo com Coronéis e majores, donos de grandes fazendas, senhores de tudo e de todos e, que em tempos idos faziam a lei… estórias do agreste e sertão com feitiçarias de mulheres que exageram seu adventismo… mulheres que conseguem ver sempre que querem, o Nosso Senhor…

O Soba T´Chingange no Nordeste brasileiro

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:13
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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2018
XICULULU . CV

TEMPOS QUENTES – 02.02.2018

- E, nós aqui a trabalharmos como uns moiros para tapar as lacunas que, os impostos nos vão impingindo no corpo com se fora energia exogénica…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Como diz a sombra esquerda de Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó; é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente da memória. O sol, o ar, a água, e a terra, têm de ser considerados permanentemente parte de nós. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo, como um veneno mortal.

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O sol é a verdadeira fonte da vida e, ao invés do que alguns conceituados doutorados dizem, ele não é prejudicial; não é o sol que provoca o câncer de pele mas sim os muitos venenos que ingerimos sendo queimados ao serem expelidos para ela. Ando a ficar mouco e até estrábico de olhar para a televisão a ouvir e ver coisas que não pensava; isto é mesmo uma teoria de conflitos que só sairá com cromoterapia e acupunctura. Ontem espetei um pico no dedão do p e ali ficou a fazer-me a cura…

justiça1.jpg A terra na forma de argila é um laboratório de vida porque purifica, regenera e dá energia. Repito:  corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo como um veneno mortal. Teremos por isso de nos fixarmos na fé, sem aquela inquietude de afligir o próximo, ou ficar nesse estranho silêncio, uma forma de ver o princípio do nada, esperando as mudanças no tempo e suas modas adaptando-nos ao luto de preto, que em tempo idos foi branco.

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E, porque se diz que a justiça é cega e surda, pelo que se sabe também anda meia calçada e meia descalça para fingir que agrada a humildes descamisados e ricos encoirados. Mas, pelo sim pelo não, usamos amuletos da sorte para nos enganarmos nas figas, no corno, na meia-lua, na estrela de David penduradas ao pescoço ou uma ferradura velha de burro ou cavalo.

justiça2.jpg O místico junta-se com a Cruz e o Cristo numa caixa, asfixiando-O o tempo todo e, sempre picado em sua coroa de medonhos espinhos com um credo na ponta das falas, um cruz e credo com interrogação e exclamação juntas. Pelo sim e pelo não, também tenho uma ferradura de burro manco pendurada por detrás da porta da dispensa mas estou em crer que deveria estar bem á mostra por via do mau-olhado, esse tal de xicululu ou olho gordo.

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Com esta onda de crimes de colarinho branco, rusgas e detecção de contas surpreendentes para um M´Puto que se diz o mais seguro dos países no Mundo, ficamos na duvida de que a lei se cumpra em plenitude, uma vez que são os julgadores juízes que agora estão a ser julgados. Por enquanto só são arguidos mas, já sabemos que andou por ali mãozinhas estranhas a depositar às mijinhas parcelas de somar milhões.

justiça3.jpg E, se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado e, embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não olhar para nós; teremos por isso de nos fixarmos na fé, sem aquela inquietude de afligir o próximo.

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Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo num faz de conta de etnólogo e entre outros afins descubro pegadas, cheiros encarquilhados misturados com suor de catinga de desporto na densidade molecular dos anos na leitura de carbono, com indícios de que afinal a coisa vem de longe e,  com edecéteras complicadíssimos. E, nós aqui a trabalharmos como uns moiros para tapar as lacunas que os impostos nos vão impingindo o corpo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:57
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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