Terça-feira, 31 de Março de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CVI

PNEUMONICA – GRIPE  DE 1918 -  H1N1

Hoje vou vacinar-me contra a INFLUENZA30.03.2020

Peste pneumónica - Doença provocada pela bactéria Yersinia pestis - Peste pulmonar…

Dados científicos do Google

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro em confinamento social…

pneum1.jpg COVID 19 - Não é esta a primeira vez que o mundo é assolado por uma pandemia! Recordo meus pais falarem das muitas mortes que sucediam na aldeia da Beira Alta de Portugal. Os recursos e conhecimentos não eram os que hoje, felizmente, temos. É natural que andemos com medo para não dizer aterrorizados mas, teremos de colocar o cérebro a trabalhar na forma mais optimizada sem nos deixamos escorregar para uma paranóia incontrolável. Como já disse por várias vezes, não podemos morrer de véspera! Calma! Temos de nos entreajudar…

Para manter o ânimo naqueles difíceis anos da Primeira Guerra Mundial, os censores minimizaram os primeiros relatos de doenças e sua mortalidade na Alemanha, Reino Unido, França e Estados Unidos. Os artigos eram livres para relatar os efeitos da pandemia na Espanha, que se manteve neutra, como a grave enfermidade que acometeu o rei Afonso XIII.Tais artigos criaram a falsa impressão que a Espanha estava sendo especialmente atingida. Consequentemente, a pandemia tornou-se conhecida como "gripe espanhola”.

COV1.jpg Os dados históricos e epidemiológicos são inadequados para identificar com segurança a origem geográfica da pandemia, com diferentes pontos de vista sobre sua origem. Hoje muito se fala sobre o inicio da CORONAVIRÚS como sendo na CHINA no mês de Setembro de 2018; muito mais se dirá trazendo à tona acusações por via da politica introduzida por Mao Tsé-Tung; politica essa que levou o país a passar muita fome e, consequentemente levarem o povo Chinês a ter hábitos alimentares nada convencionais e condenáveis pelo mundo Ocidental.

Eles, por via da fome, foram obrigados a comer morcegos, cobras, lagartos e até ratos muito portadores de vírus. Nesses tempos que perduraram aos dias de hoje, lá na China, tudo o que mexe é comível; não há uma certificação fitossanitária para respaldar a postura costumeira dum povo que para além do mais, alguns dizem também terem hábitos antropofágicos. Nunca eu enveredei por esta via embora tenha recebido dezenas de fotos com corpos humanos a serem esquartejados.

pneum2.jpg Dizem alguns serem estes surtos fruto de experiências laboratoriais colocando o Ébola junto de outras epidemias zonais e também aqui, não descarto que assim seja - sim! Provavelmente algo fugiu do controlo dos muitos laboratórios civis e militares, muitas conjecturas decerto sairiam de nossas mentes trazendo à baila guerras biológicas -  O certo é que eu, não acredito nos homens – mais, não tenho o direito de o dizer porque, também estamos muito cheios de teorias de conspiração e ….  

Sempre descartei isto como inverossímil mas, o certo é de que vi em muitas fotos de recente data, comerem carne humana assada numa qualquer grelha como quem come costeletas de boi; não quero acreditar, simplesmente! Houve alegações de que a pandemia designada de GRIPE se originou nos Estados Unidos. O historiador Alfred W. Crosby afirmou em 2003 que a gripe se originou no Kansas, e o popular autor John Barry descreveu o Condado de Haskell, Kansas, como o ponto de origem em um artigo em 2004. Também foi declarado pelo historiador Santiago Mata em 2017 que, no final de 1917, já havia uma primeira onda da epidemia em pelo menos 14 campos militares dos Estados Unidos.

pneum3.jpg Um estudo de 2018 com lâminas de tecido e relatórios médicos liderado pelo professor de biologia evolutiva Michael Worobey encontrou evidências contrárias à hipótese da doença se ter originado no Kansas, pois os casos no local eram mais leves e ocorreram menos mortes em comparação com a situação na cidade de Nova Iorque no mesmo período. O estudo encontrou evidências através de análises filogenéticas de que o vírus provavelmente tinha uma origem norte-americana, embora não fosse conclusivo. Ademais, as glicoproteínas da hemaglutinina do vírus sugerem que isso ocorreu muito antes de 1918 e outros estudos sugerem que o rearranjo do vírus H1N1 provavelmente ocorreu em ou por volta de 1915.

A gripe espanhola, também conhecida como gripe de 1918, foi uma pandemia do vírus influenza incomummente mortal. De Janeiro de 1918 a Dezembro de 1920, infectou 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época. Estima-se que o número de mortos esteja entre 17 milhões a 50 milhões, e possivelmente até 100 milhões, tornando-a uma das epidemias mais mortais da história da humanidade. A gripe espanhola foi a primeira de duas pandemias causadas pelo influenzavirus H1N1, sendo a segunda ocorrida em 2009, bem em nossa actualidade.

A maioria dos surtos de gripe mata desproporcionalmente os mais jovens e os mais velhos, com uma taxa de sobrevivência mais alta entre os dois, mas a pandemia de “gripe espanhola” resultou em uma taxa de mortalidade acima do esperado para adultos jovens. Os cientistas ofereceram várias explicações possíveis para esta alta taxa de mortalidade. Algumas análises mostraram que o vírus foi particularmente mortal por desencadear uma tempestade de citosinas, que destrói o sistema imunológico mais forte de adultos jovens.

pneum4.jpg Por outro lado, uma análise de 2007 de revistas médicas do período da pandemia descobriu que a infecção viral não era mais agressiva que as estirpes anteriores de influenza. Em vez disso, asseveraram que a desnutrição, falta de higiene e os acampamentos médicos e hospitais superlotados promoveram uma superinfecção bacteriana, responsável pela alta mortalidade.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:05
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 29 de Março de 2020
MOKANDA DO BRASIL . XII

ANDO ENKAFIFADO – 29.03.2020

“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”.

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro - No confinamento social

Com adendas de Jorge Serrão

palops01.jpg  A lembrança da vida da gente se guarda em baús da memória com trechos diversificados, cada um com seu signo e sentimento que nem sempre, uns e outros, se misturam. Por isso contar seguido num rumo alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância num vivimento que eu tive de real, de forte alegria ou grande pesar. Cadavez daquele hoje, noto que eu era como se fosse diferente  pessoa e, no continuar do vivimento senti e sinto até crescer minhas unhas, minha pestanas, minhas rugas. Tudo assim como num jogo de velho baralho, verte e reverte na vida que me desperta sem esperar troco.

palops1.jpg Lá fora o espaço está tão calado na rua da guerra que até se sente o demónio num sussurro de meia-noite, com as horas revogando-se do mesmo jeito, redemoinhando o ar cheirando minha catinga de como se fosse um olongo ou kudu, empoçado para se caçado! Uau! Não me perguntem nada porque a nada sei responder no troco da minha boleia dum deo-gratias! Estou contando assim porque é meu jeito de falar; no meio do redemunho…

O coronavírus trouxe algo muito mais tenebroso para a vida das pessoas (a imprensa parece morbidamente torcer para aumentar). O suposto combate à doença abriu espaço para que em todo o mundo, promovessem abusos de poder contra a democracia ou a liberdade individual. Além do trauma pelas vidas perdidas, esta será a grande sequela da crise pós-COVID-19. Ela, a crise é complexa, feia e assustadora. Não há soluções prontas, padronizadas, para situações tão diferentes em cada nação do planeta Terra.

palops2.jpg O mais espantoso, em vários países, é o aumento da “Estadodependência”. As imposições colectivistas – essência dos sistemas socialistas e regimes autoritários - ganham forçam sobre o legítimo poder e a liberdade do indivíduo. Perdemos, não se sabe por quanto tempo ou se para sempre a simples capacidade de apertar mão, abraçar e beijar as pessoas. O isolamento social foi a principal arma adoptada, padronizada na maioria dos países.

Alguns lugares pegaram mais pesado e adoptaram o “lockdown”. Acontece que a essência humana não suporta viver isolada por tanto tempo. Além disso, as condições de subdesenvolvimento em alguns países, com miséria, pobreza, falta de educação e ausência de hábitos de higiene, agravam o risco do cidadão. Só que o coronavírus é tão cruel que atingiu, em cheio, o rico primeiro mundo. Devemos encarar mais uma semana com cidades paradas por causa do “inimigo invisível”.

A maioria das pessoas já não tolera mais ficar em regime de confinamento domiciliar ou isolamento obsequioso. Para além do mais, algumas famílias, vivem o dilema da sobrevivência. Quem consegue suportar a virose também precisa ganhar dinheiro. Profissionais liberais e prestadores de serviços serão obrigados a fazer milagres. Sorte de quem pode encarar o homem-office. E, quem está no desemprego ou impedido de trabalhar? São muitas perguntas sem resposta plausível!

palops3.png  “Em algum momento alguém tem de tomar uma decisão e dizer: é por aqui, e vamos executar”. Normalmente, em situação de crise, existe um padrão de gestão que define claramente responsabilidades, o desenho de uma estratégia, planeamento com execução com acções, monitoramento dos eventos e, comunicação com a nação. “Isso precisa ocorrer urgentemente” aqui aonde me encontro – Brasil ou, um qualquer outro país de nossas afinidades culturais. Será necessária uma urgente reinvenção das pessoas, dos processos produtivos, legislativos, políticos e económicos. O mundo terá de rever a postura diante dos idosos e doentes crónicos (alvos preferenciais do coronavírus). Tragédia como esta não tem explicação em tempos de suposta paz. Imagine-se então um caos destes em uma guerra? O coronavírus deixou a elite globalista bestificada. E, forçosamente necessitam manter o optimismo agindo com realismo!

Aqui, Brasil, o Congresso Nacional está acuado em meio a esta crise. É o momento da sociedade organizada em entidades e movimentos aumentar a pressão pelas reformas administrativas, tributárias e a própria política. Lembremos de Winston Churchill: “Um optimista vê uma oportunidade em cada calamidade. Um pessimista vê uma calamidade em cada oportunidade”. Aproveitemos a oportunidade a favor das mudanças estruturais, seja no Brasil, seja em Portugal ou Angola ou qualquer outro país  dos PALOPS, dos CPLP…

araujo1.jpg Haja em cada um destes países, sabedoria, força psicológica, inteligência, coragem, paciência e tolerância... Intuição? A quarentena irá mais longe do que parece... Março que termina, Abril e Maio que serão difíceis. Aqui, vem o Outono, com pouca chuva, humidade relativa do ar baixa, muita alergia, junto com influenza, dengue e afins e, claro, coronavírus.

Lá terei de me ir vacinar contra todas essas pragas para me prorrogar num se Deus o quiser - deo-gratias! Que os infectados, quase todos – possam sobreviver... Mais uma previsão, quase certa? Os Estados-“Ladrões”, todos sem excepção (brasileiro, português, angolano, guineense, moçambicano entre os demais) não irão socorrer todos... Esqueça! Então, quem não for agarrado pelo chinavírus corre risco de ter a vida ameaçada pelo caos económico. É difícil decidir. Venho por este meio requerer..."deo gratias"…

O Sob T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:27
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 19 de Março de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLII

A mente humana é demasiado periclitante… Crónica nº 3006

- Não vale a pena morrer de véspera… – 18.03.2020

Por

tonito16.jpg T´Chingange - (Otchingandji) No Nordeste brasileiro

fuga1.jpg Recordando-me quarenta e cinco anos atrás com uma pequena mala na mão com os meus documentos pessoais, alguns escudos angolanos, dinheiro de tugi mais a guia passada pela comissão organizadora de repatriação, uns quantos calções de zuarte, camisas e a família dita nuclear: Mãe, pai e dois filhos na flor da idade. Eramos quatro! Tudo o mais ficou lá nos caixotes que nunca chegaram. Deram-me 5.000$00 de borla, sem quererem receber o dinheiro macaco, angolares que para nada serviram; nem para limpar o fiofó!

Nunca esquecerei os primeiros dias após a chegada ao M´Puto, ano de 1975. Nem as noites, nem os dias seguintes, porque ainda hoje sinto a dormência pela forma fria como fomos recebidos. Tínhamo-nos só a nós, sem saber como seguir em frente - só havia incertezas. Os governantes omitiam-nos e até a própria família do M´Puto nos tratava com indiferença; preferiam andar ao peito com uma tal de Catarina Eufémia, coisa pouca mas, que tocou fundo!

fuga10.jpg Sem aquele calor próprio, inerente sentia-me displicente - ficou-me no corpo e na mente; gente do nosso sangue. Nessa altura não havia terapias de acompanhamento com psicólogos. Os sociólogos comentavam de longe com medo de se tropeçarem nas palavras… Uma Tristeza! E, muitos se foram, feridos, sangrados, percebendo que a estrada não é, nunca foi uma linha recta serena e aberta como pensávamos. Gosto muito das pessoas com quem privo, dos amigos, suponho que tenho muitos, mas isso sou eu a supor.

Neste momento eles, os amigos, encontram-se nas quatro partidas do mundo e detêm na ponta do dedo uma luzinha, quiçá feitos num ET que se assomam à vida e ao coração de cada um na forma digital. Já falei um coxito meus caros, gente do face que nem nunca senti seu bafo a não ser nossas semelhanças de vidas. Senti e sinto! Não excluo ninguém, mas não tenho já espaço e memória, a partir deste meu ximbeco do Nordeste brasileiro, para citar a todos. Não quero nunca é que se desentusiasmem da vida, desconsigam de analisar, sorrindo pela esperança, a sagrada esperança que é a vida.

Fiz batota, botei pontos e baralhei-me na sagrada esperança! É difícil entender esta gente inteligente e num mesmo dum ái, nem sei se tudo é sagrado e se há esperança. A Bolsa desaba... O Dólar sobe... Retalhista esperto, ganha...Chinocas mente rindo. Minoritário bobinho perde... Coronavírus deita e rola na carona (boleia…) ... A cada dia infecta e mata mais gente. Quem não está em pânico, no mínimo, anda preocupado.

negro3.jpg A economia mundial foi quem primeiro entrou em quarentena. Desconfio que fizeram batota - alguém fez!... Depois nós, quarentamo-nos… Está, estamos contagiados pela incerteza. O Presidente Donald Trump já admitiu que os EUA podem entrar em recessão. The cow is going to the swamp? Parece que sim... E agora? O preocupante para nós dos PALOPS é que o Brasil tal como Portugal entra em um perigoso e inconveniente ritmo de parada, paragem mesmo!

Cancelaram meu vôo da TAP, amanhã é outro dia… Valha-me meu tio Nosso Senhor que tinha olho azul e também era carpinteiro chamado de José Loureiro. Este meu tio fazia pistolas tipo canhângulo e em madeira para brincar com os sobrinhos… Será que os idiotas da elite política e económica não perceberam que o modelo “capimunista” tupiniquim ou tipo Zé do Telhado se esgotou, com ou sem crise de coronavírus?

angola6.jpeg Se as imprescindíveis reformas na estrutura estatal não forem feitas o mais depressa possível, vamos afundar, ainda mais, em um processo autofágico, autodestrutivo. Lá e cá tal como cá e lá, cumcamano! A situação é insustentável. A guerra de todos contra todos é apenas o começo do terror psicossocial. Aqui, Brasil, os deputados e senadores já avisaram que não vão ao plenário diante da ameaça do Coronavírus.

Eles têm o apoio integral – e conveniente de Rodrigo Maia e David Alcolumbre. Merda para isto, andam a brincar com o povo, Noé? Nada mais “conveniente” em um momento de guerra entre Executivo e Legislativo (ou vice-versa). Tudo adequado para parlamentares muito bem remunerados que não queriam trabalhar muito, no qual a prioridade é ficar nas bases, e não em Brasília. Creio que no M´Puto a Assembleia Nacional de Lisboa vai andar balançando-se nos dias com o Presidente baralhado por sua máquina de selfies que já não poder laborar.

guerra1.jpg O mais assustador e intrigante é que os principais “líderes” mundiais não conseguem, até agora, apontar soluções sincronizadas para tantos problemas derivados do chinavírus, mas que, na verdade, são falhas económicas que estavam aí na prateleira, só aguardando alguma tragédia imprevisível para eclodir. Pois desaconteceu acontecendo! Até agora, os governantes e a midia foram excelentes em produzir pânico, histeria e insegurança. Meto num só saco o aqui e o ali – Brasile Portugal mas coma a balança a descair, e muito para o dito primeiro mundo- O M´Puto.

Como se diz aqui, estou de saco cheio do noticiário ao qual sou obrigado a assistir por dever clausto mas, concordo que instruam, que informem, que forneçam água a quem não tem! E, são tantos mas tantos que nem dá para perder a conta…Esqueçam! Escrever sobre esta crise é mais de álcool-gel. As paralisações são péssimas para todos. Até agora, fica claro que o falatório, as “fake news” e o clima de pessimismo com histeria nada resolvem.

guerra13.jpg Vamos ver até que ponto as pessoas aguentarão o esquema de “confinamento” em casa, sem convivência com grupos de amigos. Não pode dar beijo, não pode abraçar, não pode dar aperto de mão... Isto contraria nossas culturas milenares... Ainda não sabemos como, mas é necessário levantar a cabeça e seguir em frente, com ou sem mascara. Não vale a pena morrer de véspera. Optimismo realista, sem babaquice, nunca foi tão necessário... O futuro da medicina está cada vez mais próximo do presente pois no Panamá, já foi criada uma membrana que é capaz de desenvolver tecidos de pele, ossos e cartilagem… Cristo, por favor vem cá abaixo ver isto!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:01
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 17 de Março de 2020
MUJIMBO . CXIV

MUJIMBO . CXIV

Meditação do T'Ching... Esta é a crónica nº 3005

T´CHIPALABOOK do “caronavirus” e suas implicações…. Nem Só de Pão vive a mulher! - Talaqualmente o homem... 17.03.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

araujo 42.jpg Vivemos hoje sob o permanente assédio da propaganda, algo sem precedentes na história humana. Sua artilharia troveja pesadamente, com força persuasiva. Para além disso dizem-nos o que comprar, usar, comer ou vestir, além de nos dizer o que é prioritário. Uns chatos!

A indústria da propaganda, ponta de lança do consumismo, criou uma lista enorme de necessidades falsas, que as pessoas buscam satisfazer. Exercite dizer NÃO àquilo que não solicitou e à força, lhe querem impingir. Há empresas especialistas neste tipo de marketing - é assim que lhe chamam! Deveria ser mentiring, Noé!?

Agora, teremos de nos cuidar, um chega para lá e pensar em nossas debilidades não respirando ares viciados e mentes desavindas, porque para além destes "ácaros" há os invisíveis "miruins". Miruins, feitos perdigotos que voam sem asas que nos querem roer a vida numa tossidela de um qualquer ou através dum corrimão... Cumprimente-se com o pé vestido de sapato. Se tiver a minha idade, 75 anos, o melhor é ficar em casa e pedir tudo pelo "microondas Android"...

fumo de caricoco.jpg Nada de paranóias mas, não facilite, converse pelo microondas chamado de celular ou tablet, o seu sansung e, ou seu Vodafone, mais essa caixa magica do Android... Por ironia, à medida que buscamos satisfazer as necessidades artificiais, criadas pela propaganda, mais vazios nos tornamos das necessidades reais. Em verdade o perigo da fome materialista é uma realidade...

Pois então, se “não só de pão vive o homem" porquê e para o quê lutará tendo hoje esta coisa ruim chamada de pandemia que sem vacina nos atormenta tanto? Pense! O que é que realmente é importante? De acordo com Cristo, questões espirituais devem ter precedência sobre as de carácter material. Em análise, as coisas materiais, embora várias delas necessárias, não podem satisfazer a alma humana.

A vida é muito mais do que as meras comodidades oferecidas no mercado. As pessoas que amamos e que nos amam são mais importantes do que roupas de grife, carros sofisticados ou móveis novos. Pense agora no sabão macaco! Lavar as mãos e a cara é muito importante, quando sair à rua ao chegar a casa e logo à entrada de casa colocar a sola dos sapatos ou chinelos numa mistura parte em cloro, e 5 partes de água … Use dinheiro em uma bolsa só para isto e ao usar logologo, a seguir, passar gel nas mãos e bolsa… Usar de preferência o cartão

araujo181.jpg Realmente não vale a pena ter aquelas outras coisas se, para obtê-las, sacrificamos o convívio familiar ou aquilo que é realmente essencial. Dê um compasso de espera e espere... Karl Marx, em sua crítica ao cristianismo, afirmou que “a religião é o ópio dos povos”. Estava errado! Necessita ter fé porque para Jesus, a verdade é outra mas, você tem de fazer a sua parte. O materialismo é o grande narcótico que anestesia as pessoas contra a realidade de nossa verdadeira condição, transitoriedade e mortalidade.

O mau uso da mente impede-nos de ver as coisas que realmente têm importância final. Em última análise, em nossa ânsia pelas coisas, estamos apenas correndo atrás do vento. De todo o modo lembre-se: no Universo, nos somos só uma imagem... O materialismo condiciona as pessoas a ver a vida presas dentro dos limitados horizontes da pequena concha em que se vivem, incapazes de perceber qualquer coisa acima desse nível.

araujo187.jpg Por desejarem sempre mais, tal insatisfação faz delas, pobres. Tudo o que o materialismo consegue é alimentar a espiral do desejo de aquisição, que é insaciável. Agostinho estava correto ao afirmar o seguinte: “Quem tem Deus tem tudo; quem não tem Deus não tem nada". Vale a pena acreditar neste sossego... Embora Este Deus na natureza, no seu todo não seja tudo! Você tem de colaborar. Reflicta nisto em sua luta pela vida sem se abandonar e, sem medos, faça a sua parte - cuidem-se porque o que tiver de acontecer, vai suceder... Que a Boa mão do TEU Senhor esteja contigo, bom dia! Boa Semana...

O Soba T'Chingange...



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:53
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

BOOKTIQUE DO LIVRO . XXXIII

Agora que estou de range rede, sabe!

De caronavirus com Pitu, ciriguela na goela 17.03.2020

15.III – GINGA – Rainha de Angola de Manuel Ricardo Miranda 2ª de várias partes

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

GALO0.jpgÚltimos 3 Livros em cima da mesa da cabeceira, o criado mudo.

12 - O PADRE CÍCERO - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

14.II – GRANDE SERTÃO: VEREDAS – de João Guimarães Rosa

booktique14.jpg Em tempo de antigas cinzas, N´Zinga crescia. Com dez anos já subia de fraga em fraga em terras que ficaram místicas por sua causa – Terras de Pungo Andongo. Pois naquele ano de 1583 ela corria por carreiros estreitos entre as espaldas de penedias de granito com depressões de argila. Argila que no decorrer do tempo virava pedra. Assim saltando de pedra em pedra legou-nos suas marcas, pé de gente que a lenda da ficção tomou como legado de N´Gola. Um acervo que por lá, ainda se encontra como se fora um carimbo mwangolé das terras, reinos de N´Dongo do N´Kongo da Matamba.

Aquelas pegadas até que poderiam ser as minhas se, por ali tivesse andado descalço naquele tempo. Meus sentidos apurados nas depressões daqueles lajedos, acreditam que assim foi! Ela, N´Zinga cabriolando juventude, envolveu-me na ideia de que num certo talvez de “já estive aqui numa outra gestação”. E, assim peneirado na soma dos tempos, me fui tornando espírito pintado na exclusividade penetrada nos sonhos, das interrogações esvoaçantes.

araujo158.jpg Naquele um dia de três luas de muitas estrelas, alguns guardas reais filhos de Macotas Kilombolas, aprendiam de condição e obrigação aos desejos da rainha de muitos encantos de uma inesperada trepadeira mundondo. Trepadeira verde que num rápido envolvimento de crescimento, fazia e fez de si natureza, umas muralhas, uma fortaleza que enrijou na secura de trezentos e setenta e quatro anos. Bem na base, lá estará também uma outra marca de pé chispada nessa lama ressequida, um pé de t´chingange, a minha, a provar que num finalmente, não era tal fortaleza, assim tão inexpugnável.

Assim rodeando rachas com n´bondos a espreitar estes que foram trezentos e setenta e quatro anos, após ter ido a Massangano, senti tudo o que podia imaginar assim sentado, sentindo o mataco quente do lajedo aquecido pela kúkia num poispois de que assim tudo o teria sido. Elas, as pedras, introduziam-me a curiosidade de observar aquelas pequenas aves roliças ligeiramente acastanhadas que entre elas saltitavam na amostragem dos caminhos. Agora sim que vejo a N´Zinga M´Bandi N´Gola apontando lá do alto esse pássaro feito galinha a que chamava de “sanji” e que cantava ”estou fraca, estou fraca”… A galinha de Angola a que chamámos agora, de capota.

booktique25.jpg Entretanto N´Gola Kiluanji acomodara-se em Cabassa, bem no interior de seu reino. Resistir ao avanço dos portugueses era tudo quanto poderia fazer, utilizando os meios disponíveis ao alcance de seus monangambas para emboscar os invasores, os contratadores de escravos. Aos ambaquistas, pretos calçados, auxiliares que ajudavam os tugas, quando apanhados eram mortos de imediato sem piedade, coisa de nome que ainda nem sabiam o que e como era – piedade!? Isso! Aquela primeira guerra de kwata-kwata, era tarefa difícil porque os portugueses estavam melhor organizados e também tinham canhãngulos potentes.

O Rei Kiluanji aguardava uma embaixada do povo Libolo, que vinha das terras a sul do rio Kwanza; era um povo de origem bantu com dialecto próprio, amigos prontos a lutar do lado desta tribo de Cabassa. Estes, ao chegarem ao povoado, largaram num canto suas imbambas destacando-se da caravana dois musculosos jovens que com submissão protocolar se dirigiram ao Rei. Um deles, o Kanjila com voz firme falou: Estamos perante vós felizes por vos ajudar. Somos filhos de Ganzula, senhor do Libolo e, um grande amigo vosso.

cazumbi02.jpg Os Libolos, um grupo de trinta, eram altos, musculados, cabelos encarapinhados e feições de compostura negróide. Esse jovem na forma expedita de embaixador foi dizendo: Os tempos que correm não são os mais favoráveis para os nossos povos mas, os vossos inimigos, serão também os nossos; não nos deixaremos oprimir. Estamos aqui para não só fortalecer nossa amizade como dar lutas sem tréguas ao inimigo comum, os Tugas! Dito isto lançou um grito de guerra “kwata-kwata” que todos repetiram de forma enérgica.

 

Rebeubeu com pardais ao ninho, esta descrição é uma forma erudita de supor duma forma optimizada o que teria sido naquele então mas, o mais certo foi todos ficarem aos pulos que nem uns tontons zulus, bebendo marufo e cat´chipemba até perderem o tino. A disciplina não tinha contornos de gente formada na luta e, o mais certo era os portuguese aprisionarem uma grande quantidade de homens e mulheres, arrebatá-los como peças escravas e entalá-los numa cave bafienta como porcos, até chegarem à costa do Brasil.

busq2.jpg Ficarem uns quantos dias na engorda em uma ilha litorânea e, depois serem exibidos para venda nos pelourinhos da Baia de Salvador ou em Olinda de Pernambuco. Nestes actos N´Zinga recolhia ensinamentos para dar comportamento de maior dignidade a seu povo num futuro próximo. Sentada num banco forrado com uma pele solta de leopardo não tirava os olhos daquele candengue Libolo que falou com seu pai. N´Zinga que já era moça espigada e, como todas as mulheres de instinto, procurava ler no fundo dos olhos daquele macho, magnetizada e até confusa. Florescia nela uma paixão ardente…

Para os Libolos os portugueses, seus adversários, eram os mais temidos mas, para além destes havia os jagas do interior, principalmente os de Kassange que de vez em quando faziam surtidas nos seus territórios semeando a destruição. Com gritos de guerra de kwa-kuvale aprisionavam muita gente que depois vendiam como escravos ou segundo relatos, comiam os mortos em combate e os mais velhos. Enquanto as mulheres faziam lavra, estes matumbos antropofgos, só pensavam em matar o vizinho. Pouco a pouco N´Zinga foi verificando isto e em lições com o Kimbanda doutor Kalandula, ia recolhendo valores de servidão ao futuro.

(Continua… Ginga IV…)

O Soba T´Chingange     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:48
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 14 de Março de 2020
MUJIMBO . CXIII

Meditação do T'Ching...13.03.2020

KIBOM é um sorvete!- BALEIZÃO era um gelado... KAICÓ é gelo com açúcar!

- Karl Marx também gostava de Kaicó! - Quarentena não é Quarteira nem Quarteirão...

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

carcavelos em tmpo de COVID 19.jpg Quarentena não é Quarteira nem Quarteirão...

Não raramente, ouvimos dizer sobre pessoas que acabaram vítimas de um grande prejuízo simplesmente por estarem onde não deveriam estar, em um momento impróprio. Fecharam as escolas do M'Puto por via de não se contaminarem com o capeta vírus COVID19 e, eis que numa variante não pensada, uma grande parte desta juventude e, não só, resolveram ir matar o tempo na praia do mar...

Eu, aqui de muito  longe aflitinho da Silva e, os patriotas a curtir no bronze  como se aí, estivessem imunes ou, nem nisso assim pensaram!  Cumcamano, assim não brinco! Algumas, inclusive, curtiram farfalho de aconchego na curtição do beijo sem pensar que isso pode fazer perder a vida de alguém, que não eles - egoístas!

Carcavelos1.jpgA singularidade de alguém que finaliza por um desagradável egoísmo de gozo não ponderado de qualquer outro também tem de ser crime. Estes, alguns, muitos "estudantes" terão de limitar seus impulsos para certas conquistas... O bom senso aconselha que se recebem o grande benefício de pensarem, se atenderá que “nesta guerra surda com um invisível ser, não há lugar nem hora certa para o fim acontecer".

Sem preconceito no conceito, poderia ser até correcto dizer-se, se não estivesse em causa a VIDA como controle e, na direcção de todas as coisas num crer sem ver, num ser sem o sentir... Num secalhar que isto, é lá com os outros... Pensamento vago ou acto irreflectido num valha-me Deus com assombro no desassombro e, tendo os mais idosos a olhar o além nesta nefasta atitude! Atitude que haverá de se condenar porque, os filhos de hoje, serão os pais de amanhã, Noé!?

carcavelos2.jpg Assim não brinco! Usar um horário que não o é comum porque a lei o dito, ir à praia a tapear a vaidade dum impulso, não está certo... As pessoas normalmente trabalham no cultivo da existência, na cidade ou campo, aonde quer que o seja, durante o dia ou noite e, por uma ocasião atípica, encontram-se numa estranha procissão...

Quem morreu? Pergunta sem obter resposta. Não chegou em tempos idos e, num rebuliço, uma multidão seguir três homens que seriam crucificados: dois ladrões e um inocente. Com rosto ferido, Sua aparência frágil denunciava a tortura impiedosa a que havia sido submetido. A multidão O injuriava! E, Este também o era, inocente...

araujo 101.jpgCristo, vem cá abaixo ver isto!   Que país é este?

Que tipo de cruz nos vai ser imposto? Ninguém é sombra da graça para que tenha esse privilégio de espartilhar o peso do sofrimento aos demais, que somos NÓS TODOS!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:20
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sexta-feira, 13 de Março de 2020
KANIMAMBO . LXVIV

O PERIGO É AMARELO...

Kanimambo:  é Obrigado em Moçambique...

XEQUE-MATE - Não me fio nos homens... Sexta Feira 13 .03.2020

soba00.jpgPensem com T'Chingange... No Nordeste brasileiro

Xi0.jpg Nos últimos dias, a China bateu muitos recordes, ganhou absolutamente tudo, US $ 20 bilhões nas primeiras notícias e comprou cerca de 30% das acções de empresas pertencentes ao Ocidente com sede na China. Xi Jinping superou os europeus e os democratas americanos inteligentes.

Ele jogou um jogo "maravilhoso" diante dos olhos do mundo inteiro. Devido à situação em Wuhan, a moeda chinesa começou a declinar, mas o banco central chinês não tomou nenhuma acção para impedir esse colapso.

Xi1.jpg Havia rumores de que a China nem tinha máscaras suficientes para combater o coronavírus. Esses rumores e a declaração de Xi Jinping de que ela está pronta para proteger os residentes de Wuhan ao bloquear as fronteiras levaram a um forte declínio nos preços das acções (44%) na tecnologia chinesa e na indústria química.

Os tubarões financeiros começaram a vender todas as acções chinesas, mas ninguém queria comprá-las e elas foram completamente desvalorizadas. Xi Jinping fez uma "grande jogada" nesse momento, esperando uma semana inteira e sorrindo para as colectivas de imprensa como se nada de especial estivesse a acontecer...

Xi2.jpg E, quando o preço caiu abaixo do limite permitido, ele ordenou a compra de TODAS as acções de europeus e americanos ao mesmo tempo! Então, os "tubarões financeiros" perceberam que haviam sido enganados e falidos. (Tarde piaste!)

Pois! Já era tarde demais, porque todas as acções haviam passado para a China, que naquele momento não apenas facturou US $ 2000 bilhões. Graças à simulação, tornou-se novamente o accionista maioritário de empresas construídas por europeus e americanos.

Xi3.jpg As acções agora pertencem às suas empresas tornando-se proprietários da indústria pesada da qual a UE, a América e o mundo inteiro dependem. A partir de agora, a China fixará o preço e a receita de suas empresas; assim, não sairá das fronteiras chinesas. Permanecerá em casa e manterá todas as reservas de ouro chinesas.

Portanto, os "tubarões financeiros" americanos e europeus foram tomados por estúpidos e em poucos minutos os chineses colectaram a maior parte de suas acções, que agora produzem bilhões de dólares em lucros!

FK04.jpg Eles, aprenderam bem as manigâncias de engenharia financeira do mundo dito ariano. A Europa, com todos esses cérebros financeiros não vislumbraram esta falácia. Com esta moleza de trato vão ajoelhar e rezar - aliás, já estão – estamos rezando!

O mundo está roto! Chove como na rua... Você não se lembra de um movimento  de golpe-baixo e "tão brilhante" na história do mercado de acções!  ... Paga ZÉ -  XEQUE-MATE!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:29
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

MOKANDA DO SOBA . CLI

 

A mente humana é demasiado periclitante…

- Melhor mesmo, é ser governado por um POLVO13.03.2020

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange - (Otchingandji) No Nordeste brasileiro

polvo1.jpg A mente humana é muito periclitante por via de sua permanente presença nas coisas que vê e analisa; assim pensando do nada, lembrei-me na muita inteligência que o polvo tem e o quanto nós temos de aprender com eles, no entanto comemo-los. A notícia, divulgada em Abril de 2016, de que um polvo conseguiu escapar do Aquário Nacional da Nova Zelândia surpreendeu muita gente mas, só veio a confirmar o que muitos cientistas já suspeitavam: que essa espécie é uma das mais inteligentes do planeta. Inky, o polvo evadido, aproveitou ter a tampa de seu tanque entreaberta e, durante a noite, conseguiu sair, atravessou uma sala até encontrar um ralo aberto e espremeu-se nele por um cano de 50 metros de extensão até chegar a mar aberto.

Não obstante, nós aprisionamo-lo, cortamo-lo em pedaços pequenos para serem comidos como tapas num tira gosto ou refeição num qualquer lar ou restaurante! E, será uma aberração quase fenómeno se um homem for comido por um polvo, embora na natureza isto se possa considerar normal segundo uma cadeia alimentar formatada em lista e segundo a lógica; não a que os homens estabeleceram como sendo a comum no estágio civilizacional; a que os paradigmas humanos estabelecem.

sardinha2.jpg É assim que formatando-me nesta lógica no meu cerebelo com fumegantes ideias, me pergunto e interrogo do porquê um homem não pode comer outro homem no sentido lato e vernáculo da palavra. Os índios Caetês comeram o primeiro bispo do Brasil em Julho do ano de 1556 e, no churrasco com cerca de mais 80 homens acharam sua carne gostosa! Eu sei! Vocês não querem acreditar mas, ainda hoje a Santa Sé, cobra taxa de laudémio na região aonde o bispo Sardinha foi devorado - antiga capitânia de Pernambuco – Coruripe; na foz do rio São Francisco. Isto pode ser confirmado na Folha de S. Paulo (Consultado em 6 de Junho de 2018).

Até que era no prelado dos portugueses um sacerdote consagrado a Deus, mas o certo é o de que foi abatido e devorado como uma outra qualquer sardinha ou maça, junto de seus companheiros e tripulantes por via de um naufrágio. E, afinal o mundo não parou! Dom Pero Fernandes Sardinha foi sucedido na Sé Primacial do Brasil por Dom Pedro Leitão (1519-1573). E, só em 1928, Oswald de Andrade se utilizou do episódio para datar o Manifesto Antropofágico. Estas curiosidades levam-nos a rever os muitos comportamentos já observados nos polvos e dizer sem duvida que são muito mais espertos do que pensamos.

coroa de frade.jpg Por exemplo, observou-se que um polvo-comum (Octopus vulgaris) caça caranguejos levando-os para sua toca afim de os comer. Antes da refeição, no entanto, o animal catou algumas pedras para criar uma espécie de barreira e impedir que as presas fugissem. Estes e outros exemplos mostram que o polvo tem a capacidade de fazer previsões e de sequenciar acções. Em 2009, Julian Finn e seus colegas do Museu Victoria, em Melbourne, na Austrália, conseguiram demonstrar que polvos sabem usar objectos como ferramentas.

Um grupo de polvos-venosos (Amphioctopus marginatus) desenterra cascas de coco jogadas no mar e, em seguida, limpa-as com jactos de água; empilham cuidadosamente as cascas e carregavam-nas por até 20 metros para as usar para montar um abrigo. Finn chamou a atenção para o facto de essa movimentação deixar o animal mais vulnerável a predadores, por ser mais lenta e dispendiosa. "Isso mostra que o polvo está disposto a aceitar riscos em troca de protecção para o seu futuro". Não é deslumbrante!?

DIA107.jpg Pois! Isto é um mito de horrível e deslumbrante! Mas os Romanos que nos serviram de padrão em nossa civilização, que nos legaram as leis de justiça entre outras regras que perduram nos dias de hoje, faziam grandes festas no Coliseu para verem não só os escravos gladiadores lutarem até à morte, como e em seguida faziam subir em elevadores os leões, para correr atrás de grupos de cristãos, seguidores de Cristo; tudo isto para gaudio de toda aquela assistência bêbada de êxtase que aplaudiam essa tamanha atrocidade, gente igual a nós.

Quanto ao polvo, em um estudo subsequente, encontraram indícios de que transmite traços de sua personalidade à cria. "Essas variações de personalidade permitem que o animal aprenda e se adapte rapidamente". Também são muito bons em resolver problemas, pois têm diversas estratégias para atingir o mesmo objectivo, e utilizam primeiro a que for mais fácil, diz o pesquisador Mather. As diferenças entre o polvo e o homem são ainda mais fascinantes do que as semelhanças. Mais da metade dos 500 milhões de neurónios do animal concentram-se em seus tentáculos. Isso significa que cada um deles pode agir sozinho ou em coordenação com os demais. Nós não temos cérebro nos pés, eles sim! E, enquanto o cérebro humano é visto como um controlador central, a inteligência do polvo pode estar distribuída em uma rede de neurónios, um pouco como a internet. Isto nos obrigar a enxergar a essência da inteligência de uma maneira totalmente nova. Não mais comerei POLVO.

pedras00.jpg Quanto ao Coliseu dos Romano vemos Leões a descarnar literalmente, braços e penas de gente como nós, mulheres, homens e crianças e, aquilo era aplaudindo de pé. Não! Não acredito nos homens nem em suas leis! Hoje há novos Neros! Hoje há novos Hitleres. Eles andam por ai disfarçados de cinco estrelas mas são merda cursada em universidades, pagos por nós e que engravatados/as, falam bonito. O mundo tem de reagir a esta onda de gangues que se dizem partidos e que nos governam. E, governam porque nós os pusemos lá! Dá raiva, muita raiva e, creio que para isto só a pena de morte para os prevaricadores, poderá de novo dar tranquilidade aos de boa índole…

Acabe-se com esta hipocrisia de escalonarem o crime em função dos emolumentos que pagam a advogados urubus da sociedade, que fazem soltar criminosos reincidentes sabendo que o são! Que protegem ladrões para tirarem dividendos do saque. Daí a dizer e repetir que a vida está cada vez mais, mais perigosa. Eliminem todos os sofismas porque tão ruim é o que rouba ou mata como o que lhe dá cobertura de protecção! Sim, somos todos culpados porque tão ruim é quem faz como quem consente! Não podemos desculparmo-nos permanentemente como se andássemos a ser reconstruidos em cada dia que passa. Por tudo o dito, prefiro reger-me pelos dez mandamentos – são muito mais credíveis.

coliseu1.jpg Posso imaginar o que diriam os comentadores da treta da televisão do M´Puto de hoje, num tempo de lá para trás, no assistir àquelas ditas mortes no Coliseu de Roma! Uma diversão macabra, a de então e a de agora, mais sofisticada… E, ainda por ressalva, comentadores que não servem de exemplo a ninguém porque eles mesmos são prevaricadores e, a gente sabe. Senhores do mando, tenham juízo, cuidado como nos usam, deixem-se de artimanhas e falácias. Casos!? Todos sabem, muitos calam, outos dizem: isso não é comigo. Um edecéteras e tal, que nos faz moerem a paciência. Arranjem um vírus para esta gente mafiosa até o cocuruto. Chega! Esta merda tem mesmo de mudar! Se o que vejo é democracia, vou ali a Peniche e já volto…

O Soba T´Chingange            



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:59
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 10 de Março de 2020
MISSOSSO . XLIII

EU E O FALA KALADO – PETROLINA . PE

NA ILHA DA FANTASIA10ª de Várias Partes10.03.2020

Por

soba0.jpeg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)

pedras001.jpg Devem recordar-se do telefonema misterioso do General (que por vezes só é chamado de Coronel, coisa que não gosta…) a convidar-me para ir a Petrolina de Pernambuco; pois bem isto já aconteceu - exactamente no recente dia da graça de 08 de Março de 2020. Recordo aqui como foi o caso na voz de FK – Fala Kalado. Nessa data especial composta de quatro dois e quatro zeros (02.02.2020), tinha de acontecer o inesperado e, sucedeu que meu celular telemóvel no exacto momento de sair para a praia, tiniu e retiniu esguichado de som.

E, falou: - Pois então, é pra te convidar a um encontro, não aqui em Garanhuns, por ora, mas em Petrolina, um lugar a montante da barragem do Sobradinho, no Rio São Francisco no Velho Chico! Eu sei, disse. E, porquê aí? Porque assim tem de ser; só vais ter de ir até à cidade de Marechal Deodoro para embarcares com meu velho amigo Kelerico o Tecelão. Falou na data e de como seria, assim e assado. Tudo por minha conta, referiu (o tanas, nada de fiar…). Que mais poderia fazer a uma quase ordem na forma enganosa de convite.

araujo164.jpg Pois então, ajustei-me com Ricardo Keller, o Tecelão na via WhatsApp; Ricardo com aspecto de alemão, alto e louro de cabelo pró branco pela idade, cursou de licenciamento na Suíça e, tudo nos trinques, no pago eu pagas tu, na mira de tudo recebermos do Coronel que agora só quer ser de General, lá fomos na beirada do São Francisco num percurso de mais de oitocentos quilómetros, pista boa mas muito cheia de cabras atravessando, também burros e cavalos.

FK03.jpg Só faltou ver aquele tal de padre com seus petrechos, escapulário e cruz na imagem da igreja, seguindo passo lento ao som da bandinha de música como se todos o fossem de uma nação Maracatu…Dia 08 de Março 2020 – Neste dia FK ficou invisível... Quersedizer, não quis ser mostrado em nenhuma foto; lá terá suas muitas razões para andar com uns óculos relampejando cores fosfóricas como aquele cantor Tuga portuense Pedro Abrunhosa!

FK08.jpg E, eu não sou louco para contrariar sua vontade e, logologo na ilha da Fantasia no meio do Rio Chico entre Petrolina de Pernambuco e Juazeiro da Baia... Claro que isto tem muito de verídico porque é uma estória vivida na Fricção rebolada e elaborada na areia feita ouro daquela ilha que nem sempre o é. Quando a água sobe a ilha fica só água com a kalunga das lagoas geminando sapos às ordens de kiandas...

A vida é uma experiência feliz. Sabemos que, às vezes, o céu de nossa existência escurece, e nos deparamos com dificuldades insolúveis, sendo tentados a duvidar. Nesta Fricção de quase tudo ser meia mentira ou se o quiserem, meia verdadeira. Eu estive lá noé!?... FK não quer ser visto, nem com óculos psicadélicos... Já estive com ele! O General emérito! Foi uma grande alegria na companhia de uma moqueca de surubim com camarão em molho de dendém...

FK01.jpg Aonde podemos encontrar respostas para nossas indagações, quando temos a sensação de que nossas inventações não podem passar sem levar um crivo de realeza? Quando parece não haver solução, a saída é esperar na companhia dum frisante branco, miolo Sauvignon Almadén com o espírito de São Francisco... De um vale com muitas uvas, várias castas e com duas safras anuais - explicarei mais tarde; agora não tenho tempo!

Isto significa ter paciência com o matumbola de um passado alternado entre ser vivo ou morto com um presente que nos aguarda no futuro; uma fantasia de fazer por nós o bem que nos falhou no passado! Misteriosamente FK disse que Deus tem um plano para cada um de nós a ajudar-nos a esperar no que vier! É assim, vamos numa de ou mato ou morro! Já experimentei isso e fugi pró mato. Este fulano do FK neste plano, pode ser - acho que é um meio às provações, ele quer ser quase um deus tornando-nos instrumentos para passar à estória na glória.

FK06.jpg Vou ter de descrever isto com algo de novidade, Noé!? Fala Kalado, afinal tem um império que eu desconhecia! Tem muitos hectares de várias castas de uvas. Tudo alinhavado em quarteirões, num lado é Outono e noutro é Primavera; o Grenache com Syrah mais o Mourvèdre que faz um vinho 5 estrelas - tinto seco e, o frisante Verdejo… Surpreendeu-me! Eu vinha ao encontro desse cacto da Welwitschia Mirabilis e esse tal de escaravelho e deparei com outras coisas; milagres de gota-a-gota, uvas verdes com outras ao lado prontas a deglutir num deserto designado de Sertão com caatinga e carcarás... Isto é quase um milagre! Assim como um juvenescimento inclinado de abelhudice.

FK11.jpg De facto, isto aconteceu como um milagre, um vive num descuido prosseguido. Talvez por isso ele, o FK, tenha referido José que nunca imaginou governar o Egipto. Sua jornada de provações o levou a esse posto para saciar minha (e, dele) sede de conhecer alguns fenómenos do mundo - num Sertão, agreste também, plantar uvas que dão bom vinho... Mas, FK, não pode passar à frente de Deus, nem atropelar seu caminho, nem que o fora Coronel ou General; mas, o certo é que, o que vi aqui, é uma concessão de bênção estranha graças ao rio Velho Chico (penso eu!?)... Em verdade o General Fala Kalado disse e, eu ouvi: O Senhor dá mais do que pedimos ou pensamos. Ainda estou a matutar nisto! Até que pensava que ele era um ateu…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:31
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 2 de Março de 2020
PARACUCA . XXXV

MULOLAS DO TEMPO . 801.03.202O

Nós, bazungus no lugar da N´Kwazi (águia pesqueira) – NINGUÉM É SANTO

Óh mundo de túji e, ainda temos de atravessar a Zâmbia para chegarmos à Tanzânia…  

- 03 de Outubro de 2018 – Quarta-feira …

Por

soba03.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

malawi3.jpg Estávamos no dia 03 de Outubro do ano de 2018; o 13º dia da odisseia haja paciência – Potholes - ninguém é santo. Aqui nesta profunda áfrica, antigo seleiro chamado de Rodésia que Robert Mugabe herdou, tudo é imprevisível – afinal para se chegar ao paraíso lá teremos de atravessar o purgatório pagando sempre na moeda verde, lisa e limpa como mandam as regras de fronteira. Depois de termos saída da rondável do Hwange Park, Dy Vissapa e esposa Gui, reclamavam dos tachos e panelas de alumínio tisnadas de sebeirosa gordura como se não soubessem o que iriam aqui encontrar…

Efectivamente aquilo eram pratos de alumínio parecidos com chapéu de pobres amarrotados muito pior do que aqueles saídos das trincheiras da segunda guerra mundial ou como os que servíamos comida a nossos cachorros. Algo lamentável em verdade! Mas, eles, como angolanos de papel passado e exibido a qualquer pata rapada, um qualquer bafana seu BI, deveriam ser mais tolerantes com esta pobreza que para mim já era uma firme característica.

botas de tabaibos.jpg Sucede que para eles, assumidos africanistas, só não caiu o Carmo porque não havia Trindade dando louvores a Ian Smith. Escusado será dizer que não utilizamos ali qualquer tipo de talher nem qualquer outro serviço. Ali o preto, era mesmo eu que comia qualquer mistela sem os requisitos mínimos das três estrelas do cardápio “Michelin”- isto incomodava-me! Por via desses escrúpulos nem provei o minúsculo peixe guisado com tomate de nome t´chissipa e, que se via em muitas bancas dos mercados situados ao acaso e, ao longo das estradas.

Não é por acaso que só passados dois anos, transcrevo minhas pequenas angústias a suportar coisas esquizofrénicas - eu que em candengue comia funje formando bolas à mão e molhando depois no dendém conjuntamente com trabalhadores das obras lá no Rio Seco da minha Maianga… Bom! Vamos aproveitar e comentar o lado bom porque senão e com esta rezinga, lá terei de chamar esquisitos aos companheiros mwangolés brancos. Por me considerar humilde quanto baste comecei a reclamar afirmações de frescura e até a ficar farto de assim ser, humilde.

malawi2.jpg Mas que é isto! Também em outro tempo lá no Uganda do Idi Amin Dada, um ditador militar e o terceiro presidente de Uganda entre 1971 e 1979, alterou seu título de presidente passando a ser “ O Conquistador do Império Britânico em África no Geral e o Uganda em particular”. Foi o que mencionou minha empregada Mary de Kampala depois do descrito. E, eu o Soba T´Chingange a fazer mala, dia sim, dia não, a beber chá rooibos com bolacha “rust”, prisão de ventre e caganeira para prosseguir à boleia dum sonho, com umas quantas cuecas e umas quantas flanelas metidas em uma mochila camuflada.

Mas, diga-se que ouve coisas bem desacostumadamente bonitas tais como os cantares matinais no lugar de M´Libizi dos trabalhadores; de vozes ordenadamente religiosas que se sentiam em tons bonitos de ouvir – cânticos africanos dirigidos a N´Zambi. Seguiam-se-lhe palestras de como quem descreve um canto com conto e mais um ponto do Evangelho com dissertações – e o silêncio também se fazia sentir ali aonde me encontrava. A neblina do Lago Kariba dava notoriedade a este ambiente das sete horas matinais!

Minhas bikwatas e imbambas, resumiam-se a uma lanterna, canivete suíço, binóculos, alicate multifunções, o telemóvel, o GPS, 3 livros de leitura, um cadernos de contas, outro de apontamentos, um serrote extensível, lápis, canetas e marcadores mais pequenos pedaços de papel a cores para apontar tudo o que fosse conveniente. Pois! Um tira e mete, um mete e tira e anota; coisa chata mas importante porque a cabeça tem de ficar suavemente aliviada de tanto nome e quilómetros mais referências.

tanzânia II 046.jpgIsto está a afundar, dizia o rodesiano à frente do conjunto de chalés situados na encosta do Kariba. Todos são unanimes em o dizer e logo depois da destituição do presidente Roberto Mugabe, a múmia imperial. Todos os brancos contactados de aspecto bóher são unanimes em dizer isso o que me leva a perguntar: Será assim que os dirigentes destinaram ao branco – afugentá-lo paulatinamente por meio de leis e práticas nitidamente persuasivas do género “ou vais ou nós te levamos” sem se saber qual o destino…

Anotei em meus cadernos uma restrita lista de animais existentes na reserva Hwange National Park e, aqui as deixo para um qualquer dia, alguém as poder rever: Lion, chetah, leopard, wild dog, bat-eard, hyena, jackal, eland, kudu, waterbuck, sable, hippo, wite-rhino,  elephant, bufalo, giraffe, zebra, wildebeest, warthog, baboon…; Pássaros: Secretary bird, laughing, dove-ground, horn bill, red-billed, francolin, crested barbet, saddlebil-blue, waxbill, yeblon, billed hornbill, red-billed teal, blacksmith plover, carmine, bee-eater, bateleur, crowned crane crimson, breasted shrike, hamerskop, witle, bached vulture.

tanzânia II 006.jpg Árvores: Plerocarpus angolansis-mukwa, temindia serricea-silves terminales, colophos permum mopane-mopane, baikiaea plurijuga-teak, banhiria petersiana-wite, bauhinia, acacia erioloba-camel-thorn, coubeturn herenoense-russet bushwillow. Só menciono parte do que consta em gráficos; em verdade existe uma extensiva exposição a que só mesmo os entendidos irão dar algum valor e, é por isso ser esta uma curiosidade a ficar em registo.

A noite de 3 para 4 de Outubro foi passada no mesmo local aonde já tinhamos estado, o Rest Camp Victória só que em uma outra antiga casa do antigo bairro de trabalhadores que por ali permaneceram quando da construção da ponte férrea e rodoviária sobre o rio Zambeze e, que liga o Zimbabwé à Zâmbia. Amanhã dia quatro, lá teremos de levantar kwachas do banco com nossos cartões para mantermos despesas pela Zâmbia; Lá teremos de gastar os últimos cartuchos em dinheiro de fingir mas com o nome de dólares; Três pedras empilhadas nas notas também verdes, para substituírem uma qualquer figura de presidente.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:39
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020
KANIMAMBO . LXVIII

REGRAS DE VIDA – TEMPOS ANSIOSOS - Processos mentais e estruturais de tratamento da informação, no que concerne ao cérebro humano…

- Nossa singularidade - Nossos Ossos cognitivos - 28.02.2020

Por

soba15.jpg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

velho4.jpg Todos nós já sentimos a ruindade de medo, preocupação sobre o futuro com aumento das batidas do coração e, a ponto de e por uma qualquer causa, estar perto de morrer! Um estado físico de ansiedade cada vez mais presente em nós, nossa sociedade que desde sempre ou desde a nossa singularidade de civilização, foi condição de companhia em nossas próprias casas; fazendo tudo parte da própria condição involuntária de pecar, pecando, de viver, vivendo, de morrer, morrendo.

É nossa estrutura física e psíquica pela natureza que carece de controlar nossas emoções no ambiente que nos rodeia, precário e nem sempre com as transcendências de descobrirmos nossa própria limitação e finitude.          

Nos últimos anos, com a aceleração dos relógios biológicos, da desconexão do espaço, da demografia sustentável, da manipulação dos genes, melhoramentos das linhas de ADN, da escassez de espaço e sensatez nas teorias de eugenia, mecanizaram-se tarefas vulgares na fragmentação das comunidades numa óbvia desvalorização da vida. Assim sendo surgem decisões governamentais que estão para além de nossos quereres, nosso entendimento, simplesmente!

araujo 43.jpg Sabemos que o próprio Cristo profetizou que as nações experimentariam o pânico devido aos acontecimentos e, as pessoas apreensivas iriam fragmentar-se em seus modos de vida. Há no entanto vários tipos de ansiedade que dominam nossas mentes por efeitos existenciais, da inquietudes com alegrias e angustias que que não têm na vida um significado ou um propósito de existência posicional chamado de paradigma.

Mas, e, há em verdade mentes desassossegadas eu tentam fazer lei e, fazem-na colocando assistência num fim nunca querido levando ao extremo da unção um exagero em forma de injecção retirando um catarro que esbarra numa qualquer veia de vida com saída para a morte. Desafiando a natureza por via das exigências estapafúrdidas num mercado demagógico que tende a o ser económico e restrito aos que vivem cognitivamente sadios e sem duvidas.

Aqueles, juntam estudos sociológicos e tecnológicos à mistura com outros itens de testes e testemunhos mais itens complicados de soteriologia mesmo que nem acreditem ser isso um certo principia, uma apreensão que paralisa os que não têm a certeza da salvação.

tzé1.jpg Mais, juntam gráficos tanatológicos para espartilharem ou dissolverem o medo que aterroriza os que até já estão preparados para a morte por modo a encontrar saída em algo que Deus nem determinou – a morte por eutanásia; o final assistido sem um mas, nem contudo, porque assim terá de ser.

E, surgem as derivadas justificações na base escatológica para acalmar a tensão que domina o pensamento e os sinais alarmantes lidos num qualquer jornal despenalizando a responsabilidade num nada querer saber. Assim surgem as intermitências da morte reduzidas à religiosidade duma ansiedade rezadas sem a perfeita convicção de estar a atropelar Deus.

Prefiro acreditar em Cristo com a fé que me faz mover, substituindo o medo pelo amor, a dúvida pela confiança para minha tranquilidade de espírito. Na excitação de contar coisas e partilhar ninharias, todos disparam novas como se nos estivera, e está, na massa do sangue. É a vida! Mas digam o que disserem, não acredito nos homens, nem morto!

abobora2.jpg

Dicionário:

- Cognitivo - Referência aos processos mentais e estruturais de tratamento da informação, especialmente do cérebro humano; Soteriologia - Parte da teologia que estuda a salvação da humanidade. No cristianismo, doutrina da salvação realizada por Jesus…; Tanatologia - Campo da medicina legal voltado para o estudo da morte e dos problemas médico-legais a ela vinculados; - Escatologia - Doutrina que se dedica ao estudo das coisas que devem acontecer no final dos tempos (fim do mundo)…[Teologia] Doutrina que analisa o destino final da espécie humana e da Terra (mundo), apresenta-se, geralmente, no discurso apocalíptico ou profético; escatologia cristã.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:15
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020
MOAMBA . XXXV

JUVENESCENDO NAS CINZAS

COVID -19 – M´Puto e o Mundo - Abrindo gavetas ou pedaços de morte com choros secretos …

As PRAGAS surgem também na forma de vírus... 26.02.2020

Por

soba00.jpg T´ChingangeNo Nordeste do Brasil

praga0.jpg Aquietai-vos! Isto basta? Não!

Um novo dia sempre traz novas esperanças e expectativas; às vezes, misturadas com a lembrança de problemas não resolvidos ontem e a certeza de novos desafios e dificuldades. Mas, alguns como este CoronaVírus já rebaptizado de COVID-19, ultrapassa-nos! O inimigo estará sempre à espreita, procurando uma oportunidade para atacar e isto é tão-somente um cardápio de adversidades a somar ao nosso quotidiano!

Já tínhamos tantos contratempos e agora mais um e, da maior gravidade. Não nos bastava a insegurança generalizada, a instabilidade económica perenizada, políticos sem preparo, exigências desmesuradas, pressões da vida a somar a tantas outras coisas e taxas.

praga01.jpg Lá teremos de juntar conservas para quarentarmos nossas vidas por catorze ou muitos mais dias. Para muitos, isto significará a morte; para outros, muitos, representará uma considerável carga de estresse. Mas não precisamos desanimar... Porque todos iremos morrer de uma ou outra forma!

Se nada mais lhe resta vá ao Salmo 46, verá que Deus é um refúgio seguro contra os males da vida sem eutanásia! Esse é conhecido como “o salmo de Lutero”, que, em momentos de dificuldades, convém observar! E, olhem que eu ando a reconstruir-me nas inclinações espíritas! Não sou senhor de igreja; minha cabeça é meu templo... Só sei que sou gente até prova em contrário...

praga2.jpg PENSEM - isto será uma praga? Muitos estudiosos acreditam que esse salmo foi escrito depois da intervenção divina contra um tal de nome Senaqueribe, rei da Assíria, em sua tentativa de destruir o povo de Deus nos dias de Ezequias.

Pouquíssimo tempo antes de o ataque ser desferido, uma misteriosa praga dizimou 185 mil soldados no arraial inimigo (Is 37:36, 37). Debate teológico à parte, o evento pelo menos é uma oportuna ilustração do infalível socorro de Deus dispensado a Seu povo. Valha-me Deus? Todos recorrem a Ele, porque não nós...

araujo 101.jpg Dissipando os temores, O Senhor é aquele a quem podemos ir em busca de protecção e de quem podemos receber forças nas provações. Não há inimigo que prevaleça contra aquele que Nele se abriga - Li isto na Bíblia; não contesto nem deprecio!

Temos de acreditar - Tem de haver motivos pelos quais julgamos ter necessidade de alguma coisa que nos leva a desacelerar na corrida quotidiana.

praga3.jpg E, pelo que dizem, só Ele tem mil formas de suprir cada uma dessas necessidades, assim seja uma pandemia! Como podemos nós sustentarmo-nos contra quaisquer investidas dum Vírus tão reptício! Para que servirão os exércitos sem mascaras.

Isto implica que não devemos desistir de lutar sob desespero, irracionalmente, como se tudo dependesse apenas de nossos limitados esforços. Higienizem suas mãos, suas mentes e façam o que tem de ser feito. Confie e vá à luta! Na sua fé, qualquer que seja!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:59
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020
MOAMBA . XXXIV
JUVENESCENDO NAS CINZAS - 20.02.2020
Nos tempos dos responsos - Abrindo gavetas ou pedaços de escritas com choros secretos dum puramor…
Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

ÁFRICA4.jpg Juvenescendo em mim, uma inclinação de abelhudice, leio na praia da Pajuçara o Veredas de Guimarães Rosa e, num repente e entre algas de um mar quente, vejo-me também e, na forma de como Rosa diz em seu livro de romance, que viver assim é um descuido prosseguido, assim de “tempo de ir-vamos”.

Prosseguido, seguro uma pulga entre dois dedos num dia e um outro que se segue, negaceando as pulgas atrás d´orelha da prosápia de entre a amizade da ilusão e desilusão, entre gente longínqua afadigada, mas também das que vendem cocos, ovos de codorna e até santinhos envoltos em lírios, sem saberem que não precisa existir demónios para os haver.

CAUNI 3.jpg Num diz, que diz, conclui nas pressas que se não tem Deus, há-de nas gentes perdidas deste vai-e-vem de dizer só átoa de que a vida é burra. E, que num afinal o demónio não tem precisão de existir para o haver de sempre novo. Num pois e num mais e talvez, se não tem Deus, há-de a gente, os perdidos nesse vai-e-vem, de continuar na vida burra – coisa complicada.

Pois! Entre os perigos, grandes e pequenos, nas horas de apeto não podemos facilitar: Ou sim ou sopas! Num secalhar com intervalos na leitura das Veredas, picadas sertanejas, revejo tudo a modos de muito acima e por demais das minhas capacidades e paro. Paro para desentender engolindo frases com cuspo firmando-se em mim com quentura nas ideias.

brasão do monteiro.jpg Coisa de torcer vontades com força de arrobas porque pode-se ver a cada fim de página não uma alma penada mas, muitas obtendo corpo mesmo que retirando daqui e dali pedacinhos de palavras, os sargaços viram águas vivas, alforrecas que picam nas canelas, nos calcanhares e caté sobem ao tejadilho da gente.

Admitir-me assim nestas falas difíceis, é como me ver sem revôgo legal num pensar de assim conformemente. Enfim! Um gosto de rebuliço, diga-se em verdade. E, fico-me pensando numa dor que não tem precisão de ter razão, num conhecimento de saudade que não tem limites talqualmente como as pessoas que nem sempre nascem.

poluição.jpg É que viver sem pensar é um logro de decepção por conta exactamente desse esquisito silêncio; numa quase desconversa de relembrar os sofismas de muitos que sempre parecem ser o que não são ou num então do que querem ser, não sendo! Sofismos de muitos e ou alguém que me segura os olhos nos olhos.

Acho que tenho de aprender a estar alegre, gerir silêncios nos olhos e reler de novo os responsos que minha mãe metia nas frinchas das calças, nas pregas das cuecas e também na mochila com rezas a seus queridos santos; uma forma de oração popular muito antiga, em que as pessoas, em momentos de desespero, por guarda e amor, rezam em escrita para obter uma resposta do Céu em ajuda. Ajuda a enfrentar os desaires da vida…

O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:58
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CV

TEMPO DE CINZAS – MEDITAÇÕES

- M´Puto - kambada de hipócritas  - 19.02.2020

- As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local: - Nus, ateus e brancos…

As escolhas do T´Ching

Por

soba k.jpg José Pedro

A revolta dos porcos... Qual constituição? Por acaso o senhor papagaio Sousa e a serpente encantadora Costa têm conhecimento de uma fábrica em Gaia que poderá colocar 100 trabalhadores no desemprego? Racismo?

Chamar filho da puta, foste criado aqui numa linguagem típica e característica do "bom" futebol?... Bom, porque é que estes canalhas nunca se insurgiram da má educação que passam nos programas desportivos das TV´s em que só falam de futebol?...

balba2.jpg A clareza da constituição é assim tão clara que só se consegue ver o preto? Aonde ficam todos os outros que com o suor do seu trabalho mantém estes senhores hipócritas pomposamente em lugares de destaque com direito a palavra para falarem do que não sabem... A linguagem usada e dirigida a MAREGA, não são mais nem menos do que o normal no futebol, aqui ou na cochinchina.

Como é que tantos idiotas "brancos" seguem cegamente um Indiano, uma negra Ministra da justiça num País que suponho seja maioritariamente "branco", onde está o racismo?

fuga1.jpgEstes merdas hipócritas, estúpidos idiotas preocupados com a imagem e não com um povo que os sustenta, tem ideia de quantos destes trabalhadores são humilhados diariamente para ganhar 500 euros e não abandonam os seus empregos porque são honestos e tem família para sustentar?... Tenham vergonha e que os Milhões do MAREGAS não vos segurem politicamente...

fuga8.jpg Já agora para que fique claro porque da Constituição a clareza só abrange alguns, deixem-me que lhes diga, racismo é trabalhar e ver metade do seu ordenado roubado em impostos, racismo é sair de casa a pé com frio e chuva para ir trabalhar, ser humilhado e ganhar 500 euros por mês, racismo é assistir o MAMADU a insultar os "brancos", a incitar a violência em praças públicas sem que os cobardes que tem o poder actuem...

fuga11.jpg Senhores políticos a dignidade da pessoa humana não pode estar só na visibilidade social mas naqueles que com dignidade trabalham, contam os trocos para sustentar os seus filhos...

Quantos neste País do M´Puto gostariam de receber os "mimos" que MAREGA recebeu e fazer birra depois tomar um banho de imersão numa mansão paga pelos "estúpidos" que ganham 500 euros e depois no seu porches vai pelas ruas do Porto mostrar o que é racismo...

Mu Ukulu06.jpgEntrar em sítios onde para muitos "brancos" apenas é uma miragem... CHEGA e BASTA!  Tenham decência e alguma vergonha quando falam de "RACISMO" cambada de hipócritas! As coisas nem sempre são como tentam fazer crer... As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local: - Nus, ateus e brancos…

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:12
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020
MALAMBAS . CCXLIII

MOMENTOS CRITICOS 16.02.2020

- Quando o impensável acontece em nossos domínios?  Um CHEGA, será que chega?... Quando os penumbristas tomam conta de nossas bagunças, lixamo-nos ... Isso! 

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

desenr1.jpg Crises. Quem não as têm? Só mesmo quem está morto. Assim, se você está lendo isto, é sinal de que já enfrentou e enfrenta crises. Para além das pessoas, elas, as crises afectam também os governos, empresas, instituições e a igreja de Roma; em verdade, todas! E, em verdade, o próprio Mundo começou com uma crise – a de Adão e Eva que desobedeceram à única imposição que lhes foi imposta comendo a maçã da tentação, o fruto proibido.

A partir daí, as proibições foram no correr do tempo uma tábua morta levando até o dizermos que as leis são criadas para o serem, descumpridas… E, essas leis, foram sendo cada vez mais descumpridas usando para tal, meios tão sofisticados de interpretação que os antigos detalhes de diversão já prescreveram ou se desusaram; de acórdão em acórdão, de regulamento em regulamento, de leis cada vez mais reguladoras para a gente ver, tudo fazem para fazer espairecer o importante, se sofisticaram para além do plausível e também do conhecimento da maioria de nós, os pacóvios…

dia66.jpg E, de tal forma o são que os processos judiciais formam-se cabalas relinchadoras a exigir especialistas em sua interpretação. Hoje há técnicas e técnicos especialistas para disfuncionar o sistema numa fuga à fiscalidade, lavagem de dinheiros vindos do roubo, da corrupção, da droga e de algo ainda por descortinar. Não é por acaso que existem os paraísos fiscais aonde a trapaça é camuflada dos nossos olhares na segurança de uma impunidade aceite por governos e gangues de governação.

Entidades idealizadas no topo e na terra, compostas por cidadãos proporcionam novas crises originando aos governos posições erradas, agendas erradas e adoptadas em proveito próprio ou até servindo gente no escuro - invisível. Se perguntarmos a um qualquer membro de um partido qual é a pior crise de sua ideologia, as repostas poderão incluir dificuldades financeiras, escassez de liderança ou falta de carisma.

dia95.jpg Isto, inevitavelmente provocará queda no número de membros, gente cada vez mais alheia ou abstencionista e, por estes motivos e outros que não faltam, tudo irá de mal a pior tornando-se em algo inevitável, tipo um Deus nos acuda. Lá no fundo sempre haverá um departamento, uma secretaria, um ministério e por aí, até ao topo da hierarquia trabalhando num submundo do diabo – trabalhando noite e dia para idealizarem suas estranhas invencionices! Sim! Sem o parecerem ser – penumbristas!

E, estas coisas sucedem, chegam até nós nos momentos sempre piores surgindo sempre tradicionalistas de boa cotação a dizer que tudo assim acontece por crise vocacional na politica da fé… Dezenas de comentaristas virão dizer-nos o que teria de ser. É para endoidar gente comum como eu, outros confundirão tudo, lançando-nos em dúvida se o Papa de Roma será mesmo católico?

dia123.jpg Baralham-nos com as adjacências dos escândalos sexuais, roubos, fraudes e outras a nós dirigidas. Nós, “povo de Deus”… Entretanto nem podemos olhar para outros quintais, outros países que nem o nosso porque afinal todos estão conspurcados, alguns surgidos e nutridos nos extremos da fé socialista ou social-democracia. Pois! As crises sempre irrompem quando os governos se seguem por caminhos errados e o povo falha em ser democrata. Por isso, TALVEZ - “Movimentos suficientemente rápidos no momento critico, podem desarmar o insuspeito inimigo”.

No fundo, a questão nem será a existência de crises mas, como o povo as encara. Em palestras motivacionais, virou ser comum dizer-se que os ideogramas chineses para a crise, usarem um tal palavrão de “wein-ji” que significa “perigo ou oportunidade”, se bem que “ji” indica mais propriamente um “ponto crítico” em que as coisas acontecem dum “TALVEZ” ... CHEGA ...ou “oportunidade”.

dia183.jpg Daqui pode dizer-se que para melhor ou pior, grande crises desencadeiam enormes mudanças… TALVEZ!... CHEGA!...Se a dor da crise aqui do M´Puto, não levar a uma fé mais robusta nesta coisa de esconde-esconde, de brincarmos às democracias, a esperança mais forte numa vida de mais qualidade, ela foi, é e continuará a ser: inútil.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:31
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXXI
 

Agora que estou de range rede, sabe! Era um era, num era, um preto que sabia o seu lugar sim doutor, sim doutor…

14.II – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa...13.02.2019

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Últimos 3 Livros em cima da mesa da cabeceira - criado mudo.

12 - O PADRE CÍCERO - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

15 – GINGA – Rainha de Angola de Manuel Ricardo Miranda

booktique21.jpg Guimarães Rosa não escreve sobre o sertão – Ele, é o sertão! Estórias de barrancos escritas aos solavancos numa língua inventada por ele. Uma literatura diferente de todas as que já li com inventações, mentiras e verdades numa língua polifónica de linguajar surreal. Não! Nunca li coisa assim! Coisa linda descoberta e inventada numa imperfeita perfeição. Há mais de um mês que leio e releio saboreando os trocadilhos que sublinho e, volto atrás porque nem de patavina eu entendo.

Sublime no arranjo das palavras, elas se encavalitam empolgando meu relinchar no cerebelo. Combinações lindas e, nunca lidas por mim que sou cusca e que também escrevo de atravessadiço. Proporcionando-me um juvenescimento ressarcido dos capinzais agrestes e com uma inclinação forte de abelhudice assim como um vive num prosseguido descuido de deixa para lá entre latas de formicidas, creolinas e até arsénico; tudo envolto em ferramentas roscofes. Assim é!

lagar5.jpg Pois é! Tudo junto e ao molhe na fé de Deus, com enxadas e facões de aço. O dicionário não comporta esta escrita dum sertão em veredas tortuosas como as picadas ladeadas de securas; uma obra literária de tirar o folego, que nos envolve numa nova forma de revolucionária caipirice. Assim enredado entre tantos e compridos caminhos vejo-me sem rumo, sem norte, sem o escambau muito rodeado de edecéteras das veredas.

Se é romance, ainda não apanhei o fio à meada mas como obra-prima deve ser bem de primeiríssimo grau, obra literária que nos parte o coco e nos enreda numa direcção sem rumo. Já perdi o Norte e ainda vou na página sessenta num total de 439 – Quantas vezes terei de voltar atrás; dou-me conta que minha matumbice é por demais de fina estirpe, visse! O narrador é um tal de jagunço chamado de Riobaldo, que tem o diabo no corpo.

lampião27.jpg Entre o bem e o mal das trevas, a força do sofrimento ultrapassa a violência. De chapéus desabados nos avoantes passos a chuva repega descendo o rio Paracatú que nem uma mulola de angola humedecida, caída das nuvens. Às tantas, matam um macaco para matarem a fome que era mais que muita e, nem se dão conta que este dito cujo sujo e peludo não tem rabo. Dão-se conta que é gente, minhanossa! Algo de maldito que só mesmo a penumbra da mente pode alcançar. A jagunçada só soube que era homem quando alguém falou que aquilo não tinha rabo, pode!? Isto, só podia ser mesmo coisas do diabo…

Então e relendo, directamente leio: - E ele umbigava um principio de barriga barriguda, que me criou desejos… Com minha brandura, alegre que eu matava. Mas, as barbaridades que esse delegado fez e aconteceu, o senhor nem tem calo em coração para poder me escutar. Conseguiu de muito homem e mulher chorar sangue, por este simples universozinho nosso aqui. Sertão. O senhor sabe: sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado! E bala é um pedacinhozinho de metal…

lampião13.jpg Hoje em dia, não me queixo nenhuma coisa. Não tiro sombras de buracos. Mas, também, não há jeito de me baixar em remorso. Sim, que só duma coisa. E, dessa, mesma, o que tenho é medo. Enquanto se tem medo, eu acho até que o bom remorso não se pode criar, não é possível. Minha vida não deixa benfeitorias. Mas me confessei com sete padres, acertei sete absolvições. No meio da noite eu acordo e pelejo para rezar.

Seja sem espera, quando já estão meio no mio, aquilo sucrepa: pega a se abalar, ronca, treme escapulindo, feito gema de ovo na frigideira. Ei! Porque, debaixo da crôsta seca, rebole ocultado um semifundo, de brejão engolidor… Poi, em roda dali, João Goanhá, um dos jagunços dispôs que a gente se anoitasse – três golpes de homens – tocaiando. Dos nossos, uns, acolá, deram tiros, por disfarçação. Iscas! Ave, e pronto de repente foi: a casca da terra sacudida, se rachou em cruzes, estalando, em muito metros – balofou…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:45
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2020
MISSOSSO . XLI

NA BEACH  DO FRANCÊS1ª Parte

No tempo da grafonola… Aqui se chama de vitrola…12.02.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

grafonola1.jpgEstávamos em Março de 2007, dia da Mulher. Para lá do recife via-se o infinito redondo formando uma linha mais azul a tocar os dois fluidos, água e ar; uma jangada de vela triangular ondulava depois da espuma entre o reflexo do sol e o refluxo das ondas espumando brancura nos rochedos escuros de corais  

Às seis da manhã as cores são bem mais azuis e as nuvens mancham o mar de escuras sombras. Os grilos e cigarras da terra, parecem estar numa tensão desmedida zunindo insistentemente nos dois ouvidos, um cão algures uiva. As cadeiras, chapéus e mesas iam surgindo ao longo da língua de areia que crescia conforme a secura da maré na Praia do Francês.

grafonola2.jpg Uma gorda velha furava a areia contorcendo o pau suporte da sombrinha num vai e vem de vice-versa até completar a correcta fundura a fim de suportar na verticalidade o vento persistente que sempre se fazia sentir. Esta mulher, curiosamente tinha uma perna branca e outra preta; coisa a raiar o anormal – não podia ser!

Mas era! Embora fugindo das características habituais, mas era. Entrei na água entonado de curiosidade e fui-me acercando até que pude perfeitamente definir uma prótese, branca e mais fina desajustada na forma estrutural; o sapato também desdizia com o resto e, fiquei até com muita pena e desejando que as suas bóias fossem todas alugadas p´ra suprir carência tão óbvias.

grafonola4.jpg Não restavam agora dúvidas, a senhora não tinha uma perna e sobrevivia alugando inflados pneus de carro e camião mais uma baleia riscada de Moby Dick, dois golfinhos azuis para os pivetes que surgiam pelas mãos de seus progenitores; O negócio assim e deste jeito transparecia; a vida não é fácil mesmo estando num paraíso tropical como este.

Esfregam-se ternuras com próteses para encanto de tantos que se apercebem disso; aquela perna branca e fina era tão parte integrante da senhora que a vi coçar bem junto ao joelho como se um moscardo a tivesse importunado. Como é possível ter tanta familiaridade no apego àquilo que é nosso. É que eu, por vezes também tenho dor de dentes; dentes que só são meus porque os comprei!

AMADEU3.jpg A balsa já tinha contornado o recife, podia ver-se a silhueta do homem ximbicando para norte até às piscinas baixas entre os contornos do recife. Também ele, senhor Moisés, o pescador, estava esfolando a vida de todos os santos dias; tarefa que só ele sabia fazer daquele jeito – pescando frutos do mar no recife.

Já sentado no patamar do “Tarrafas Bar” do meu amigo Carlos de Foz de Iguaçu, acarinhado na sombra dum jango de folhas de coqueiro, com outros mais a rodear o espaço, podia ouvir a cantoria dum sabiá e, não muito distante misturava-se com insistência a cantoria de um bem-te-vi. Estes sons conjugados com os sons do mar eram em verdade, um hino à vida…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:00
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

KANIMAMBO . LXVII

REGRAS DE VIDA - Curiosamente a Bíblia fala mais sobre as mãos do que sobre o coração...

- Nossa singularidade - Nossos Ossos 12.02.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nodeste brasileiro

amigo1.jpg Nossas mãos representam os mais intrincados componentes físicos. Em nenhuma outra parte do corpo há tantos itens reunidos em espaço tão pequeno. Poucos sabem disto porque faz parte de nós e, descuidamo-nos no saber das coisas nossas...

As duas mãos somam um total de 54 ossos, representando mais de um quarto dos ossos do corpo. A rede de nervos para detectar calor, tato e a dor, é das mais complexas.

São centenas de terminais nervosos por centímetro quadrado, a maioria concentrada nas pontas dos dedos. A sensibilidade ali é extraordinária. Máquina tão perfeita, Noé!?

kani1.jpg Muitas mãos deixaram suas digitais nas páginas das Escrituras e, curiosamente a Bíblia fala mais sobre as mãos do que sobre o coração... No entanto sempre referimos o coração na ligação de ternura como o amor, Noé!?

Registando a tragédia da nossa singularidade, Adão nos expulsou com suas mãos. As mãos de Caim marcaram de sangue as origens da raça - matou Abel... Viver, sempre foi muito perigoso, Noé!?

Este tal de Noé com suas mãos mais um tal de Abraão deixaram um testemunho de fé e obediência. Claro que vocês nem se lembram, nem podem porque, isso foi num muito antigo tempo...Noé!?

kani2.jpg Balaão, porque li recordo: Espancou um animal indefeso... Hoje, outras mãos, até o pai e mãe matam, quanto mais um cão ou um gato! Está mal, Noé!?

Assim, e recorrendo dos livros sabemos que Judas estendeu suas mãos para receber o preço da traição - Trinta moedas, Noé!? E, foram as mãos de uma pecadora que ungiram Jesus na sepultura - Todos o sabem, Noé!?

E, se bem se lembram as mãos de Pilatos foram lavadas por si mesmo para se redimir de um erro: - Lavo daqui minhas mãos desta injustiça. Se assim não fosse poderíamos ter uma outra estória, Noé!?

kanimambo3.jpg Vocês devem saber que Ele usou suas mãos para fazer ver, fazer andar, mover ventos, mover águas e também lavar pés, Noé!?

Uma das cenas mais tocantes do evangelho aparece quando Jesus toma a orelha de Malco, que O fora prender e, a restaurou...

Desconfio que meu amigo General Emérito FK nada sabe disto. É que este malvado alem duma perna de pau, tem uma orelha de plástico! Só sei que esse tal escaravelho da welwistchia Mirabilis lá terá algo a ver com isto, tipo regeneração como o rabo da lagartixa,

; tenho cá as minhas duvidas, Noé!?

kanimambo4.jpg O certo é que sem mãos ficamos manetas e raramente damos o valor a coisa tão nossa. Acho que com muita fé, meu amigo Fala Kalado poderia vir a ter um nova orelha e depois deixar de se dizer coitado com aquela perna que não transpira muito sujeita a ter cupim, salalé... Será? Noé disse, assim confidenciou-me... que só mesmo quando virar cinza! Já calculava, Noé!?

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:05
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2020
MALAMBAS . CCXLII

TEMPOS CINZENTOS E O PESADELO DA DEMOCRACIA EM SETE TEMPOS

- Nos intervalos da vida, durmo!  – 11.02.2020

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

einst1.jpg O homem por mais que conheça e possua, não é nada - quem o disse foi Albert Einstein. Estranho que muitos de nós se julguem ser mais alguém que outrem só porque assim querem pensar, quando no real, o significado da vida de um qualquer individuo, deve consistir-se em tornar a existência de todos, melhor e mais digna. A este supremo valor se devem ligar todos os demais.   

eça2.JPG Hoje acordei virado para o lado das boas estrelas assim nesta boa vontade e, no possível, procurando fazer uma doutrina de ver uma humanidade mais perfeita. Não sou nada; não professo nada nem guardo qualquer dia como santo para o que quer que seja, mas e, deste jeito, elimino silêncios na firme convicção de que servir a Deus equivale a servir a Vida.

Talvez seja problemático somente ocupar-me da Vida considerando-a só por si como uma religião no sentido do termo, não me exigindo qualquer crença mas, respeitando a vida, o canto dos pássaros e, o espectáculo da natureza dá-me, creio, o direito de no mínimo me julgar feliz. Através do espelho vejo-me uma pessoa entrada na idade e com ela, a imagem, a minha própria, relembro-lhe:   

dom2.jpg - As leis humanas mudam segundo os lugares, o país, as pessoas, os tempos e os interesses; alheia-te de julgares porque o progresso do mundo não está nem na falsidade nem na hipocrisia mas no progresso da inteligência. Pois é! Um homem sem a liberdade de ser e agir por mais que saiba conhecer, também nada será.

Não obstante com toda a inteligência desejável, hoje as nações encarnam-se no poder, económico e político e, por sequência com seu poder militar e, isto não me parece bom para o Universo – para nós. Como no fim de um ciclo, nos reduziremos exteriormente à escravidão num desejo da verdade, da justiça, e essa tal profunda liberdade.

phisalis0.jpg Num repente, verificamos estar entre sacrifícios matreiros, impostos e, pensando que esta inteligência de alguns, os do mando nos leva a um progressiva usucapião de nós mesmos. Nós mesmos, envoltos num pesadelo chamado de “Democracia”. Nesta evolução, verificamos suportar nossa própria condenação à categoria de escravos – coisa inevitável aonde o sacrifício se torna um absurdo!

picasso2.jpg Pensar torna-se assim algo de muito perigoso! Estamos assim numa visão de percepção dos sentidos que só nos oferecem resultados indirectos sobre o mundo real. Sim! Pois somente a via especulativa será capaz de nos ajudar a compreender os factos perceptíveis que mudam. Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; andamos a ser robotizados…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

BOOKTIQUE DO LIVRO . XXX

Estou de range rede…! O tempo da Kalunga, ruge…

Em Cabassa de Angola nasceu N´Zinga M´Bandi N´Gola que mais tarde ficou conhecida como Rainha Ginga09.02.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Últimos 3 Livros em cima da mesa da cabeceira - criado mudo.

12 - O PADRE CÍCERO - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

14 – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa editado pela Companhia das Letras

15 – GINGA – Rainha de Angola de Manuel Ricardo Miranda

booktique25.jpg Em Cabassa de Angola nasceu N´Zinga M´Bandi N´Gola que mais tarde ficou conhecida como Rainha Ginga. Foi de 15 para 16 de Janeiro do ano de 2009 que eu e minha cara-metade de nome Ibib, passamos a noite na Residência Camões, uma residencial modesta situada bem perto da Praça também de Camões e, tendo mesmo em frente a Embaixada do Brasil. Ficamos na Rua do Poço dos Negros, Bairro Alto, um lugar em que os escravos de tempos passados levavam em baldes a merda e o mijo dos Nobres de Lisboa.

As barricas de penicadas eram despejadas num poço ou directamente no Rio Tejo. Neste então havia no ar um cheiro constante de bosta com coisas nauseabundas à mistura como gatos e cães mortos e vísceras indiscriminadas. Arrepia até escrever isto mas assim era naquela época medieval da qual saíram pestes negras e de outras indefinidas “cores”. A toponímia local faz-nos lembrar também o mar, a kalunga distante com kiandas, gaivotas e pescadores mas, o sítio será sempre restos de má memória porque assim se caracterizou.

lisboa0.jpg Fala-se na existência de uma carta régia de D. Manuel I, datada de 13 de Novembro de 1515, escrita em Almeirim e dirigida à cidade de Lisboa, sobre a necessidade de ali se depositarem os corpos dos escravos mortos, sobretudo aquando de surtos epidérmicos que diga-se, deveriam ser muitos. Diz a carta que os escravos eram mal sepultados e muitos seriam mesmo lançados na lixeira Cruz da Pedra na actual, Rua Marechal Saldanha que está no Caminho que vai da porta de Santa Catarina para Santos, ou para a praia, onde ficavam à mercê da voracidade dos cães. Posso imaginar a nojeira que era nesse então.

Se falar de Paris daquele tempo talvez tenha uma visão ainda mais aterradora se rebuscarmos nas Tulherias esse então tão revolucionário aonde os cavalos relinchavam entre valas escorrendo negrura para o rio Sena; por este motivo os franceses apuraram cheiros tornando-se os melhores fabricantes de perfumes. Esses tempos medievais eram tão nojentos que o ar era empestado pelas fezes dos muitos cavalos que talvez aos milhares salpicavam o agora Arco do Triunfo ou os Campos Elísios.

lisboa1.jpg Foi no dia seis de Janeiro que obtive o visto de residência no Brasil e, com a assinatura dum tal senhor adjunto do Cônsul de nome M. Novaes que me pareceu muito cheio de nove horas. Nesse então já era proprietário há três anos de uma casa na Praia do Francês. Bom! Mas vamos então à descrição muito parcial do livro do dia e sem maka porque diz um provérbio do Catambor da Luua que em maka de brancos, só os burros se metem! E, assim chegamos aos engenhos de assucar num mês de Agosto, a altura certa da moagem da cana.

A moagem tinha início logo pós o despontar do dia e ia até o pôr-do-sol; durante os três meses de trabalho intenso tudo teria d funcionar como um relógio. Quando algo corria mal, haveria sempre um culpado a apontar! Munidos de foices, catanas ou facões, os homens cortavam a cana e as mulheres amarravam-nas em feixes de doze unidades. Cada escravo era obrigado a cortar diariamente trezentos e sessenta feixes, que as mulheres a seguir, teriam de amarrar.

lisboa4.jpg O sonho da liberdade não se desvanecera, contudo a fuga do engenho só era possível em direcção ao agreste e depois sertão. Kanjila, já por várias vezes vira o que acontecia aos escravos fujões; eles voltavam quase sempre ao engenho, normalmente ao fim de alguns dias, debilitados e até feridos pelas dentadas dos cães de fila que acompanhavam o guardas nas buscas. Vinham carregados de ferros!

eça6.jpg Por último, quando regressavam ao engenho, eram submetidos a castigos no tronco. Eram chicoteados e por vezes ou quase sempre era-lhes aplicado um ferro em brasa na cara gravando-lhes um “F” de fugitivo. Os que não regressavam eram possivelmente capturados pelos índios selvagens e, certamente comidos. Kanjila interrogava-se muitas vezes sobre qual seria a situação do seu reino do outro lado da kalunga.

E, sempre que chegavam novos escravos ao engenho, procurava sabe por eles, notícias da Matamba, do seu Kongo de N´Dongo mas nem sempre com resultados pois que ou eram de Minas, gente do Zaire, ou Muçulmanos e, muito raramente da sua etnia. Assim pensando e metidos num atoleiro apareceu o capataz, um encorpado mulato mazombo que por via deste empate e quebra de rendimento, logo o ameaçou levar ao pelourinho, o tal tronco das calamidades…

lisboa5.jpg Assim e afastando-se o capataz ainda deu para ver seu sorriso maldoso, batendo o chicote no cano alto de sua bota. Naquele engenho era prática em cada qual fazer sua comida, farinha de mandioca, feijão de corda numa mistura de charque trazido das terras do sul, Cisplatina; Pampas aonde havia muitos animais em estado de soltura. Hoje podemos apreciar esta carne na forma de sarapatel ou carne de sol mastigando por vezes gengibre em defesa dos muitos infestantes na forma de parasitas; este costume ficou e, recomenda-se quando se come o tal de sururu (mabangas da lagoa…).

ADENDA DO PROFESSOR  JÚLIO FERROLHO

julio2.jpgGostei muito desta crónica tropical-afro-lusa do nosso Soba mas a questão (do Poço dos Negros) é muito polémica. Interessei-me por esta matéria porque vivi a minha juventude de estudante naquele bairro de Santa Catarina, Bairro Alto, S. BENTO nas décadas de 1960-70. Percorri a pé milhares de vezes nos anos de solteiro e depois de carro a Rua do Poço dos Negros. Há quem afirme que o Poço dos Negros não deve o seu nome ao facto de se atirarem para dentro dele os ditos mortos, mas sim a uns frades. (Devo confessar que não tirei ainda a limpo a Carta Régia de D. Manuel que o António cita). O que é certo é que no séc.XVI, quando Lisboa era assolada por epidemias de peste, sabe-se que o rei D. Manuel mandou abrir valas comuns para recolher cadáveres pestíferos, quer pelo facto das igrejas estarem sobrelotadas, quer para evitar contágios. Sabe-se mesmo que uma dessas valas foi aberta não longe desta zona do atual Poço dos Negros, então área erma na periferia da cidade. Após o concílio de Trento, os dois ramos dos frades beneditinos (patrono mor S. Bento), ordens até então instaladas no mundo rural, começaram a construir conventos dentro das cidades. Os cistercienses, ditos os Brancos dada a cor das suas capas, abriram no convento do Desterro uma "sucursal" da casa-mãe de Alcobaça. Quanto aos cluniacenses, chamados os Negros, por ser dessa cor a sua larga capa, vieram de Tibães e Santo Tirso para a capital. Adquiriram uma enorme propriedade na encosta que hoje chamamos a Estrela, limitada em baixo pelo vale que rapidamente se chamou de São Bento. No princípio da encosta, construíram, a partir de finais do século XVI, um enorme mosteiro, dito de São Bento, que hoje é a Assembleia ds República, que já foi as Cortes e a Assembleia Nacional do estado novo. Como é sabido a zona ocidental de Lisboa foi sempre carenciada de água, pelo menos até D. João V construir o Aqueduto.

kunene.jpgPor isso qualquer nascente era uma bênção. Acontece que os padres Negros, como todos lhes chamavam, dispunham, no limite sul da propriedade, mesmo no vale verdejante, de um poço farto que rapidamente - talvez até para ganhar simpatias - puseram à disposição da vizinhança. Daí, agradecidos, os beneficiários usufruíam a água preciosa que os padres lhes ofereciam, chamando-lhe por isso o Poço dos Padres Negros, ou, para encurtar, o Poço dos Negros. Pela lógica das coisas e dos usos e costumes destas gentes parece-me pouco provável que se atirassem para dentro de um poço com água para beber e cozinhar cadáveres empestados. Acresce que os negros escravos de que se fala eram normalmente batizados pela igreja católica, como era costume e como condição prévia para serem negociados. Não se compreende que se atirassem para poços cadáveres de criaturas crentes de Deus sem os sepultar. Daí a minha convicção de que esses deveriam ser enterrados nas grandes valas comuns que o rei Manuel mandou construir.

J.F.

:::::

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:11
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 9 de Fevereiro de 2020
MISSOSSO . XL

MISSOSSO NORDESTINO09.02.2020

Não é de hoje que algumas pessoas acreditam que os ET´s ajudaram a povoar a Terra … Piratinga, talvez fosse um descendente do Caramuru ….

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

No Sertão brasileiro, até enterro simples é festa. Posso explicar noé! O seu Padre com seus petrechos, escapulário e cruz na imagem da igreja, segue passo lento ao som da bandinha de música parecendo todos uma nação Maracatu…

maracatu0.jpg Com chapéu de couro de boi de Gravatá, seu senhor pároco de alpercatas, dava forma e mote às ladainhas das velhas e mais gente cantável. Assim, parecendo uma procissão sensata de encher a estrada de pó e, rezando misérias a caminho de o serem riquezas, caminhavam…

As riquezas eram daquelas de não haver mais crimes, nem ambição nem mesmo sofrido sofrimento pedido na glória do perdão do mundo. Espraiando seus sofrimentos nas costas de Deus até e na hora de cada uma morte e, com todos respondendo ao mesmo tempo ao padre – ámen!

maracatu1.jpg Nas lembranças com coração tão branco, tão grosso de bom, ele seu Piratinga era um homem de mansa lei, mesmo, mesmo de muita alegre vida vivida. Isso! Caté dava gosto de conversar com ele. Defuntado do agora, seu Piratinga só ficou uma lembrança.

Lembrança balouçada no incenso muito espairecido, feito fogo depois de cinza. Sim. Dizem! Dizem que o diabo, ia em todo seu santo dia lamber o prato no seu quintal juntamente com os gatos negros da Dona Joana com quem estava umbigado. Todo o mundo dizia!

pombinho5.jpg Todo o mundo dizia, falava que o leite dela era venenoso; tudo inveja, acho! Dizem também que comer, beber, apreciar mulher, quase que tudo, para ele, seu Piratinga, era igual!

Agora que se desfaleceu de morte morrida, tem de comer escondido a ouvir suas antigas veias fossurando o riso do ar de seu voado fogo. Assim mesmo neste zunzum de despedida encantoada, se não tem Deus, então a gente não tem licença de coisa nenhuma – nem de morrer, vice!  E, é? É - Nem precisa de se ter razão, nem conhecimento… FUI!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:54
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 8 de Fevereiro de 2020
PARACUCA . XXXIV

MULOLAS DE TEMPOS DORMIDOSNão é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar! KIRK DOUGLAS, MORREU08.02.2020

Por

soba0.jpeg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

john0.jpg Entre o entender e o poder do crer lá tive que pagar o condomínio com taxa extra pensando nesta atrasada escrita sobre a morte aos 103 anos do meu amigo Kirk Douglas. Foi no dia seis deste mês de Fevereiro que recebi a notícia directamente dos USA, assim sentado e, sentado fiquei tacitunando-me nas minhas antigas alegrias; alegrias alargadas nos folgados dias de crescimento mazombo da Luua, a capital de Angola.

Relembro o cine Colonial no tempo em que nós nas bancadas também eramos artistas, utentes e autores dumas muita odisseias de participação ao vivo e no escuro; beatas voando como foguetes de alegria por coisa alguma e nenhuma. Um assistente despertava o Kirk duma tocaia de surdina feita emboscada num: - Olha na tua trás, meu! E, num repentemente Douglas virava-se na tela grande e, uma flexa era enfiada bem no coração do bandido, o mau da fita que logo morria, ou fingia! Filme é filme…

john2.jpgAcho que foi no filme “O arco e a flexa” mas, até que pouco importa porque as cowboiadas eram por demais concorridas e, isto era tão usual que sempre saia bagunça de está calado meu grunho e mais de filho da mãe para cima. Eu bem que lhe avisei, dizia o artista espectador exaltado do feito, saltando e estrebuchando em saltos contentes. Um espectáculo de ver! Só mesmo no Colonial Cine de São Paulo de Assunção da Luua.

Claro que estas cenas sucediam com as cowboiadas de John Wayne ou Jack Palance. Cowboiadas de cinco estrelas com o som de pum-pum dos tiros da Rifle Winchester que deram depois lugar às cowboiadas spaghetti do tipo italiano, com Giuliano Gemma aonde os tiros já soavam de txi-pum, txi-pum assim, com eco estriado para além do cano e fazendo nossos mambos de muita demasiada banga ninita e fécula.

john7.jpg Coisas de candengues, de afoitez que se vadiam em fantasiados momentos, muito fartos em invencionices; criacionices só verdadeiras na raiz das falsas almas. E, porque as pessoas não ficam sempre iguais, vão-se no tempo determinando com as mentiras ensinadas e aprendidas na vida como verdades. E, a melhor forma de o dizer é usando nossos termos polifónicos e de só átoa, diacríticos, palavrões que nem sabíamos existirem nas nossas falas.

Ui! - O que a vida me ensinou dá para o gosto, o desgosto e até o contragosto mas o Kirk, sempre foi colocado ao redor dos meus kitucus (mitérios). Enfim! Mocidade é tarefa para mais tarde se desmentir… Nós, com nossos ídolos, limpávamos os ventos que não tinham ordem para respirar e os demais, nós desrodeávamos fazendo esquindiva…

john8.jpg Se não acreditam nestas divagacionices, pulem outro filme! Porque, foram as "20.000 Léguas Submarinas", Spartacus e Ulices entre muitos outros. Posso também recordar o Gregory Peck dos canhões de Navarone, o John Wayne em duelo ao pôr-do-sol e mais edecéteras; Clinton Eastwood, um ator, cineasta produtor  famoso pelos seus papéis de duro em filmes de ação com rifle de repetição. Nossa cultura nesse então era mesmo só do cinema, da praia e farras de quintal; nos intervalos escorregávamos nas ladeiras de asfalto da Luua com nossos carros formula um de rolamentos …

Um dia tal como eles, velhos ídolos, nossas veias farão seus preparos finais. Mas não será por isto que nos aninharemos numa tristeza triste; tristeza de uma raça de homem que o Kirk mais não verá, porque deixou de ser um exorcista do circo, um trapezista. Assim num dia esbarrancaremos nos limbos esfiapados dum vento nesse arrumo de veias, ora quente, ora frio, ora se desfrizando no ar duma exaltação de vida que despairece.

john6.jpg Pois! Que despairece inchada de amor; é assim: -Um dia mesmo que nascido com sol, teremos de conhecer o significado sem requerer desse futuro por conhecer. E, todos ficam assim permanecidos de duvidando de como será até que chegue o tal de seria… Todos seremos legítimos coitados em um tal dia de pororoca (encontro de vagas, rio e mar…) com ou sem arrepio…

fotografo1.jpg A vida é um negócio muito perigoso! E agora, nem me falem de bancos! Porquê? Ora bem - O banco é uma instituição, um negócio que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro! - Pois por tudo isto ando demasiado desconsolado, sabe! Disse eu pra continuar falas comigo mesmo, só pra esquecer o Kirk, meu antigo heroi…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:15
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2020
MUXOXO . LIX

VUZUMUNANDO A VIDA NOS MEUS KITUKUS - T´Ching: 04.02.2020

N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Kitukus - mistérios

Nos mistérios do tempo em que as palavras picavam em mim uma grande gastura mas que só o tempo deu justa noção nesse pensar desconjuntado.

Por

soba15.jpg T´chingange na Mulola Nordestina do Brasil

sertão0.jpg Muito só, dez dias atrás, resolvi abrir uma nova página no FB e… recordando este quatro de Fevereiro… Pois é! Abri uma nova página no Facebook com o nome de Profeta Moisés e, como surpresa imediata, um dos muitos pedidos de amizade vinha de Jesus Cristo. Intrigado fiquei uns dias retendo o pedido enquanto ia recebendo muitas outras, gente nitidamente ligada às coisas litúrgicas, eruditos até às pontas dos cabelos.

Gente de muita religiosidade; uns abraçados a santos, outros acendendo velas botando fumo pró céu, e outros ainda mostrando o Espírito Santo na forma de pomba. Fiquei assim a saber que existem aqui mais igrejas do que hospitais e, nas mais diversas formas a começar na Quadrada-não-sei-das-Quantas…

cão4.jpg Assim, assentando os contrafeitos nos factos com dúvidas na forma de gráfico, ora para cima, ora para baixo, fiquei espantado quase no estupefeito quando surge um novo evento: Era Nosso Senhor, adicionando-me como amigo. Belisquei-me para ter a certeza que ainda estava pela terra e fiquei extremamente cauteloso sem saber ao certo o que dizer!

dia155.jpg Lembrei-me em seguida que tinha mencionado dias antes, algo de que Jesus cansado das trapaceirices humanas quis ir para o pé dele, seu Pai, aos 33 anos. Um contador de estórias faz o tempo passar entre os pingos da chuva ajudando a preencher os buracos do ócio ou da árdua tarefa da existência. Fazendo assim gaifonas com as palavras recria um outro jeito de levar a vida, aliviando as tensões que a sociedade nos impõe.

Só falo isto porque minha família é toda ela santa a começar pelos nomes. Eu explico: Minha avó era Madalena Topeta, meu tio Zé era o Cristo de alcunha e meu tio Tonito o nosso Senhor. Não vem mal ao mundo, mas isto sempre me sofragou entre os desprevenidos; Mas, então vou fazer como se em verdade não sou de meio-dia com orvalhos e, que saiba também não tenho essa fraca natureza.

lampião17.jpg Fazendo assim e assado malabarismo com palavras, componho ramalhetes de flores de falas; coisa nenhuma ou frito mais cozido! Por vezes posso ser levado a sério mas, convém sempre reflectir na mensagem subjacente às entrelinhas das boas farsas. Não! Não há boas farsas! Vejamos: Conforme Deus mandou, Moisés lançou sua vara ao chão e ela se transformou em uma cobra, então Faraó chamou seus feiticeiros, que fizeram o mesmo, porém, a cobra de Moisés engoliu as cobras dos feiticeiros de Faraó – gostei!

Mas isto não convenceu Faraó, que por não acreditar em Moisés, mandou aumentar o castigo sobre o povo de Israel mas, o Faraó perdeu em toda a linha com umas quantas pragas. Sei que Deus falava com os demais profetas por meio de sonhos e visões.

lampião10.jpg Nesse tempo, é lógico, não contactavam por telefone, celular ou email ou nesta ferramenta do Facebook lançada só a 4 de Fevereiro de 2004 por Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin. Sei porque li no livro sagrado de que o encontro de Moisés com Deus foi real e em 3D e, não um encontro indirecto, casual ou virtual mas, neste mundo conturbado de agora, tenho receio que não seja este, o mesmo Deus venerado por bilhões, muitos mais do que os utilizadores do Facebook. Fiquem com Ele…

O Soba T´Chingange

 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:48
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2020
KALUNGA . VI

MOKANDAS XINGUILADAS

- A DOENÇA DA DEMOCRACIA E A ECONOMIA DA CORRUPÇÃO – 03.02.2020

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais de Nkisi/Mukisi.

Por

soba24.jpg T´Chingange – Desde o Nordeste brasileiro

n´tundo2.jpg Undenge ami mu moamba – já passou! Agora que todos falam, que todos partilham despilfarros dos milhões alheios, gostaria de ter uma conversa com meu amigo General Emérito FK, retirado das manobras de engenharia financeira, nas trocas e baldrocas mais os desvia na forma de roubo capiangado na sua cada vez mais longínqua N´Gola. Falo claro, da já muito badalada Isabel dos Santos a filha do presidente “Edu da ínclita geração”, segundo na linha do tempo e primeiro na forma de roubos qualificados.

Isabel dos Santos a mulher mais rica de África, assim se tornou por mágica de expontânea vontade e a partir do nada. Agora muito cobiçada, dizem e desdizem como se tudo fosse um equívoco de devaneio mas, descrito por ilustres personalidades do M´Puto e não só, como uma odisseia levada a cabo por uma respeitável e inteligente senhora engenheira.

Falas impregnadas de numa pegajosa e conspurcada subalternidade e, com vistas demasiado largas para não se vislumbrar as muitas irregularidades. Tudo muito natural nas habituais práticas de governação em África mas que em Angola tomou foros de um poder nunca visto, imaginado ou mesmo adivinhado. Anseio a presença deste meu amigo General Emérito Fala Kalado pelo facto de também ele ser perito nestas pisadas agrestes…

n´tundo1.jpg Falcatruas iniciadas em candengue num estágio único de saltar hortas para roubar gajajas, sape-sape, maças da índia e goiabas; roubo de formação, um estágio primário em que também participei, diga-se… Em idos tempos de colónia de quando o kumbú era tão por demasiado caro que sempre dizíamos de kitare malé. Isso!

Nesses idos tempos em que nem nunca falávamos em milhões; esse mesmo em que havia brancos e negros trabalhadores morando de vizinhos, carpinteiros, serventes, comerciantes ou funcionários raspando a vida do mesmo jeito: trabalhando! Tempos em que os jornalistas escreviam nos jornais. Jornais que eram até de muita importância, de valia quase vital porque nesse então.

Naquele nosso velho tempo os jornais tinham três funções: leitura, limpeza do fiofó ou para embrulhar nas mercearias o feijão, milho, fuba ou qualquer outro tipo de cereal; tempos em que nem se pensava numa tal de AZAE, reguladora de quase tudo no M´Puto. Eram tempos de banga de um estilo muito próprio. Um tempo em que Deus comia escondido atrás de um nem sei quê, e o diabo saia por tudo quanto era canto lambendo pratos.

namib3.jpg Tempo em que as palavras picavam em mim uma grande gastura mas que só o tempo deu justa noção nesse pensar desconjuntado. Tempo ainda de antes de surgir o transístor e andar na praia com o rádio colado na orelha pra fazer furor entre os amigos “pitos calçudos” da Luua; bangar mesmo… Assim botando tudo numa caixinha de sapatos junto com fotos, bilhetinhos de amores e mambos que o tempo desexistiu porque, sim, porquê!?

Ora! Porque era novo e o inferno já era velho só que não sabia mesmo, nem mesmo lhe podia adivinhar. Oh! Ngana Nzambi! Numa de lama, kapiango pés de patranha, engenhosa máquina infernal, Mwangolè edificam-se em poleiros de nossos antigos celeiros. Ué-ué! Agora muito provido de ideias, de noções de ruindades ate entrelaçadas nos restolhos, de conceitos assim, escapulo-me entre espaços, nos chinguiços do tempo que nunca chegaram a madrugar.

nauk11.jpg Porquê? Ora porquê, porquê! Porque a vida é muito perigosa. Ximbicando n´dongo feito canoa nos cânticos de bela kianda feita kapota assento-me naquele lugar que consolava naquele então o meu kituku de dilulu; minha kalunga. Assim, eu esbanjado na noção do tempo e muito farto, cheio de “excessos de ideias” que assim ficou desse jeito: Num tempo em que tudo desaconteceu! Esse filho da mãe, esse mesmo de General FK só está assim de calado miudinho com seus matrindindes saídas da Welwitschia Mirabilis.

nauk01.jpg Terei de ir a Garanhuns de Pernambuco e sentir de perto esse novo segredo que me trás encafifado… Na Welwitschia Mirabilis, que ele chama de N´Tundo com o tempo, as folhas podem atingir mais de dois metros de comprimento e tornam-se esfarrapadas nas extremidades. É difícil avaliar a idade que estas plantas atingem, mas pensa-se que possam viver mais de 1000 anos. E, aqui está o busílis, há uns pequenos escaravelhos que são atraídos do nada até elas; escaravelhos do género de matrindindes, que levou o FK a os explorar e retirar deles, algo precioso! Vou ter de descobrir – malembelembe…  

:::::

GLOSSÁRIO

Mwangolé – Que manda em Angola, os donos do pedaço; Banga: estilo;  Dilulu - de sabor amargo; Kalunga - mar; Kumbú: dinheiro; Ngana NZambi - Senhor, Deus; Kapiango – roubo; Kapota. Galinha de Angola; Kianda - sereia; Kituku - mistério; N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Malembelembe - muito devagar, Undenge ami mu moamba - minha infância de muamba.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:40
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

MUJIMBO . CXII

Matumbices do T'Ching... 02.02.2020

KIBOM é um sorvete! - BALEIZÃO era e é ainda um gelado... KAICÓ é gelo com açúcar!

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

CUBA LIBRE.jpg Karl Marx gostava de Kaicó! Com sua balalaika de vestir, referia-se ao “novo homem” que deveria emergir do triunfo da ideologia comunista. Isso aconteceria depois do triunfo histórico dos oprimidos sobre os opressores. Mas, que tem o Kaicó a ver com comunistas? É que eles também gostam do Olá e do KIBOM!

A criação do novo homem, para Marx, era vista puramente em termos materialistas. O “novo homem e a nova sociedade” seriam possíveis apenas pela derrota do capitalismo. Os meios de produção como fábricas e terras, por exemplo, não deveriam ser propriedade de uma pessoa, mas de toda a sociedade. Pois é! Alguns aproveitaram-se…

cuba libre3.jpeg No marxismo, para se chegar ao “novo homem”, é imperativo que se transformem primeiro as condições externas dos oprimidos. A história, contudo, não está do lado da visão marxista do homem - Danou-se!?

Em cada lugar em que sua revolução foi vitoriosa, quer na Rússia, na China ou em Cuba, o que se verificou não foi o surgimento do “novo homem", mas o surgimento do “novo opressor que curiosamente também gostam do KIBOM... Acho que Maduro da Venezuela, também gosta! Qual o problema do marxismo? Ele é vítima de uma visão superficial do homem porque não leva em conta o pecado... E, o mundo começou com pecado, lembram-se!

fifa3.jpg A única coisa que Nosso Senhor disse para não fazer, comer a maça - eles fizeram! A culpa é do Adão, NOÉ?! Da Eva, também! Comeram o fruto proibido não passando no teste da confiança! É por isso que agora andamos assim, desconstruídos... A auto emancipação do marxismo falha porque espera, ao mesmo tempo, muito e muito pouco: muito do homem, que consistentemente transforma sua capacidade criativa em fins de poder e, isso revolta alguns! É porque alguns são mais iguais que outros, NOÉ!?

cuba libre2.jpeg Assim, antes de sermos brancos ou negros, ricos ou pobres, educados ou sem estudo, somos criaturas que gostamos de Kaicó, de Olá, de Baleizão ou de KIBOM sem termos de ir à loja do povo solicitar solicitudes! E, porque hoje é segunda-feira amanhã forçosamente será terça feira!? Com ou sem comunistas o tempo continuará, sabem! Elementar - Tomara que não chova, chuva molhada... Amanhã penso comer um KIBOM como se fora Baleizão... Mas, Cuba - nunca mais!... Só mesmo a Cuba libre

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:39
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 1 de Fevereiro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CIV

TEMPO DE CINZASMEDITAÇÕES DO T´CHING 01.02.2020

No último dia do BREXIT… Se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

angola colonial.jpg Afinal, a libertação por entrega de Angola no onze de Novembro de 1975, serviu a quem? Se serviu ao povo como seria lógico, nada do que acontece hoje nos levaria a depreender que passados que são 44 anos e picos, o que mudou na vida da maioria, não dá para se notar na qualidade de vida; Mas, então porquê? Porque a independência, serviu e continua a servir um sem fim de cidadãos que se firmaram como elite - uma gangue que com sua duvidosa integridade, gerem a Nação.

Eles são oficiais generais, juízes, gestores de entidades públicas mais afins e governantes em geral que se auto elegeram (sem o aval do povo). Se existe uma nomenclatura de gente dita capaz, deveria agora e no ano de 2020 ser visível o estado da Nação Independente com as condições requeridas, de sempre se estar melhor do que no tempo em que era colónia, certo! No ensino, na agricultura, na economia em geral, na  vialidade e na forma de governação.

angola na moda1.png É lícito perguntar agora: - Afinal para além de mudarem o visual na capital com atropelos ao património, diga-se, o que é que mais fizeram de Cabida ao Cunene na forma de melhoria no dia-a-dia das pessoas? A reposta é um quase-nada se levarmos em consideração o grande potencial da riqueza soberana de Angola. Agora há gente incompetente que simplesmente baralha as normas de decência; o Mundo está estupefacto e, os que nada dizem é por incesto de interesses com compadrio aberrantemente nojento – caso do M´Puto com gente que se diz ou pretende ser ilustre; até admirada. Não é de espantar agora que a antiga metropoke, o M´Puto, seja a terceira foça corrupta da Europa...

ANGOLA7.jpg E, se foi para formarem uma elite de gangues no sentido de explorar as riquezas à revelia dos interesses do povo não se justificaria na prática a mudança de mãos pelo simples motivo de a grande maioria não se rever nisto! Ficou-se livre da canga colonial mas, e agora… Agora e antes podemos verificar uma usurpação sistemática às riquezas que deveriam ser quinhão de todos.

E, o povo não se pode rever nisto, no descaso e procedimentos que a todos mancham e, também porque o Mundo diz e muito bem: Eles não são capazes - os cabos de guerra ficaram oficiais, os auxiliares viraram directores, os advogados venderam ao desbarato sua já fraca reputação, os políticos floresceram na mediocridade. E, os que nada dizem, pensam!

araujo42.jpg As sequelas económicas foram proporcionando uma muito periclitante senão ultrajante qualidade de vida para o angolano – com mágoa o digo! Posto isto, o povo deve debelar-se por forma a substituir de raiz todo esse mal que o MPLA de forma premeditada, e sofismadamente ardilosa e sistemática numa orgânica ultra mafiosa, fez crer ser o Deus da salvação; ou nós ou o fim, como se não houvesse alternativa mais credível no panorama nacional. Um puro engano!

Rosa Coutinho e Melo Antunes entre muitos outros, agentes do comando intitulado de “descolonização” não mais fizeram do que a entrega de um manancial de riqueza a uns quantos filhos da mãe postos a propósito à frente dum governo previamente escolhido. Quem? O MPLA! A descolonização, posta assim e na prática sequente foi uma farsa pura feita falácia trabalhada a contento pela corja de políticos portugueses, provocando uma guerra e proporcionando um despropositado saque com sequelas ainda por apurar.

ANGOLA10.jpg As chaves de Angola foram entregues a quem não estava preparado para ser porteiro quanto mais tutor. Todos, sem excepção fomos enganados de forma vil ou torpe. Posto isto faz-se destas falas, um documento apócrifo mas sentido, para consciencializar quem com direito e com a requerida capacidade, derrube o governo na terceira geração de ilegalidade na pessoa de JL. Deste simples modo “declaro” a rebeldia total a fim de ultimar esta tirana postura de governação.

E, que seja reconhecido como “Libertador” do hacker (nome giro) Rui Pinto, indevidamente preso no M´Puto – Chega de mordaças! João Lourenço, o presidente da burlesca trupe em terceira geração, até se poderá regenerar se, se anuir a esta mudança com um mas, sem nunca poder chegar a “Santo”.

chaves0.jpg Nisto de uma Angola-de Faz-de-Konta, convêm relembrar aos mwangolés ressalvarem de culpas tinhosas os que de forma inesperada tiveram de sair do território como se fossem os maiores tiranos naquele ano de 1975. Nenhum suposto “chicote” de capataz branco, feriu tanto Angola como o que estes algozes do mando fizeram e, ainda fazem. É tempo de se aclararem mentiras e palavrórios mal usados ao longo destes 44 anos depois das metralhas cantarem a ”vitória ou morte” no largo Diogo Cam. Nunca falei tão certo como agora (tarde piaste…)…

Do Soba T´Chingange         



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:55
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2020
CAFUFUTILA . LVIII

TEMPOS DE KIBOM. O Pão, a vida e NOÉ ... Divagações do T'Ching – 30.01.2020

Cafufutila /kifufutila: Farinha de bombô com açúcar; Kibom é um sorvete do Nordeste brasileiro

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

(Estas falas já foram publicadas em Kizomba do FB a 27.01.2020)

Meu amigo Quissanje foi para a guerra e, passou-se! Por abandono de todos, virou cantor repentista. Naquele tempo de lucidez ele chamava-se de Céu dos Santos, agora, só tem nuvens no seu sótão…

cipaio1.jpgO principal alimento dos hebreus desde os tempos mais remotos, o pão, é ainda o nosso principal alimento. Na minha infância fui alimentado com broa de milho e leite de cabra. O hábito de comer pão teve talvez seu início com o cultivo do trigo na região da Mesopotâmia. A Bíblia menciona 319 vezes o vocábulo pão; isto dá ideia de seu uso em nossa civilização, NOÉ!?

A palavra pão traz à nossa mente a ideia de satisfação, sustento e saciedade. Pois no corre-corre da vida, todos os esforços empreendidos pelo ser humano parecem centralizar-se em um objectivo: ganhar o pão, a fim de garantir a sobrevivência.

lucala3.jpg Com este propósito, patrões, empregados, líderes e liderados, instrutores e aprendizes, homens e mulheres trabalham árdua e honestamente, de sol a sol. Alguns usam outros métodos, NOÉ!? Uns buscam no máximo de seu aprimoramento intelectual no rumar a vida de forma aprumada porque acham isso necessário, outros não, NOÉ!?

Cada vez mais, alguns pretendem ganhar o pão utilizando meios censuráveis; há quem pense que pode adquirir o pão sem trabalho algum e, usando os demais para o obter e, isto obviamente não é nada bom; sendo assim organizam-se em grupos ou partidos para nos esmifrar e, quase sempre o conseguem como se fossem gangues, NOÉ!?

PUXASACO.jpg É justo e necessário que trabalhemos pela obtenção do pão mas, a queda da humanidade nos procedimentos, alterou a dinâmica de execução do trabalho estabelecendo novos paradigmas, NOÉ!?

Nos dias de Jesus, os habitantes da Galileia sabiam o que significava trabalhar com diligência, e isso eles faziam servindo aos ricos proprietários de terras de quem recebiam salários, até que, chegados aos muitos nossos novos dias, se debelaram, NOÉ!?

junho2.jpg Mesmo assim, em aquele tempo, não eram capazes de empregar esforços na busca espiritual porque as metáforas davam-lhes volta à mioleira, NOÉ! Por isso, o Mestre aconselhou: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que subsiste para a vida eterna”. – Isso só por si já era um grande conforto mas, surgiram sindicatos com regulamentos dando volta às nossas cabeças, NOÉ!?

Com ou sem NOÉ as práticas mudaram em novas engenharias financeiras e hoje suavemente levam-nos os ganhos, NOÉ!? E, é por isso, o mais certo de tudo - por isso, aquilo e aqueloutro que ando a ficar encafifado no meio de tantos milhões, NOÉ!...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:57
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2020
MU UKULU – XXVIII

FEROMONAS DA VIDA ... CINZAS DA LUUA29.01.2020

- Saber do passado para melhor se entender o futuro...

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

embo0.jpg Sentindo os sabores da nossa terra nas falas de Luís Martins e nossas lembranças, recordamos a mistura de hábitos alimentares por via das duas etnias preponderantes da N´Gola e sequente miscigenação vivenciada ao longo de muitos anos. E, porque a Luua é litorânea, o consumo de peixe no território, sempre foi elevado. A costa angolana rica em espécimes dava assim forma em abarrotar traineiras que se faziam ao mar em sua faina diária.

Recorda-se que era tanto, que dava para secar todo o excedente ou fazer farinha para utilizar como alimento para animais e, na forma de ração; também como adubo para uso da agricultura. Nesse então já na China se usava um peixe a cada árvore replantada para formar florestas - a uma pequena árvore era disposto na raiz um peixe como início de alimento ao seu crescimento.

Mu Ukulu57.jpgO peixe seco sempre foi muito apreciado pelos nativos grunhos e gwetas pelo facto de se ter tornado um costuma e, por via de ser barato no mercado das salgas espalhadas um pouco por todo o lado e ao longo da costa desde o Ambriz, passando por Luanda até Benguela e ainda mais a Sul na Baía Farta. O peixe depois de processado, estripado e escalado é posto a secar ao sol usando loandos normalmente elevados do solo por estacas.   

Este peixe já seco era depois levado em camionetas até os lugares distantes do interior na forma de fardos atados com fio de sisal ou mateba. O itinerário destas carrinhas ou camionetas podia ser-se seguido horas e dias mais tarde pelas picadas seguindo o rastro do cheiro característico que estes lançavam para o mato circundante. A partir de algum tempo as picadas começaram a ser muitas, para despistar os fiscais – posso explicar…

peixe seco1.jpg É que a dado momento o governo do M´Puto em sua governação colonial lançou um imposto sobre o peixe seco. Isto originava a candonga como concorrência e, por motivo de fornecerem preços mais competitivos aos taberneiros chamados de fubeiros instalados em locais bem isolados, competiam berrida de vida; vida que nem sempre era fácil. A extensão do território que se constituía pelos postos administrativos tornava o trabalho de recenseamento, cobrança de impostos e resolução de contendas, muito difícil e até demorado.

As insuficiências materiais, a indigência dos meios disponibilizados e a multiplicidade das tarefas acometidas aos funcionários administrativos eram factores que entravavam a máquina estatal. Ou seja, o facto do próprio corpo administrativo colonial sentir grandes dificuldades logísticas, a sua presença reduzida e isolamento físico, indiciam a incompletude do domínio colonial, agravada já a seguir à Segunda Guerra Mundial.

mucua9.jpg Em Luanda, as quitandeiras abasteciam-se no porto de pesca situado em plena marginal, Avenida de Paulo Dias de Novais e também em lugares como a Chicala, Samba, Corimba ou Bungo directamente dos pecadores que ximbicavam canoas nas águas rasas; um ou outro, metia velas triangulares feitas de sacos de farinha, aventurando-se na pesca de maiores peixes em águas mais profundas. Com a introdução da mandioca levada pelos Tugas do Brasil os pratos de peixe eram acompanhados com fuba funje, um pirão espesso feito dessa fina farinha. Para alguns dos mwangolés esta nova, será uma surpresa - melhor seria que unissem sua matumbice a estes conhecimentos…

Tudo começava com a farinha amolecida na água que já na fase final e no preparo das iguarias tropicais era cozida em água fervente e, sempre mexida de forma vigorosa com pau ou colher bem grossa a fim de desfazer os caroços do cozimento. Sempre mexendo, surgem bolhas de ar empolado que fazendo plof-plof por modo a ficar naquele aspecto pegajoso de “cola de sapateiro” conhecido entre outros nomes, também de pirão.

muralha01.jpg No sul de Angola era mais comum usarem o pirão de milho amarelo ou branco por haver aí mais condições para a cultura do milho. Depois, a esta espessa cola de funje junta-se óleo de dendém e de mãos molhadas juntando um bolo, leva-se à boca; pode ser-se mais civilizado na forma de comer usando a colher tradicional mas, o gozo de degustar não parece ser o mesmo! Isto pode ser acompanhado por aquele peixe seco passado na brasa e só depois de ser demolhado mas e, também acompanhando com carne de frango ou outra, ou mesmo miúdos de galinha ou vísceras de outro qualquer animal.

A tudo aquilo juntam-se as verduras como a abobrinha, o quiabo languinhento, folha de abóbora ou jimboa. O melhor preparo desta muamba é feito com inclusão de saca-saca picada, saído das folhas de mandioca previamente escaldada várias vezes. A isto chama-se a kizaca. Tudo isto convém ser envolto em jindungo ou onoto ao jeito de fazer transpirar no sótão da cabeça e na fronte para dar n´guzo. Para total contento é bom que se sinta na dita moleirinha essas cosquilhas, um tremer fino da musculatura.  No Brasil esta iguaria já é quase habitual na Bahia – um costume oriundo da antiga Matamba, os N´zingas e afins matumbos e matumbolas. A seguir virá o mufete, o kalulu, a kifufutila, o muzungué e a kikwanga. Será bom ter um “palhinhas” por perto a recordar momentos idos e que não voltam mais; ora para quê!? Para esfriar goelas ardentes…    

(Continua…)

Recordando o Século Kota Mwata Luís Martins Soares

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:23
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020
MOAMBA . XXXIII

DIVAGAÇÕES DO T´CHING

NA HORA DE APURAR VERGONHA - 23.01.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

isabel.jpg O sol tem ondas de ferroadas quentes que machucam na ida da vinda de nossos dias mas, muita gente entristece quando os meados de Janeiro esfriam o M´Puto. E, assim vamos como legítimos coitados, todos por demais devagar, na pasmacez da pasmaceira.

Justiça ali e aqui nenhuma, não tem. E a que tem, só o Senhor leva, faz ou rasga. Mas, quem é esse Senhor? Talvez um jacaré que choca! Ué, aiué, mas jacaré choca!? Choca sim!  Choca o quê? Os ovos d´oiro da Isabel! E, o jacaré é Tuga? Ui, tem por demasiado…

isabel lacuerda.jpg Surripiando aqui e ali miúdas palavras, relutando-me entre o gostar ou não, apuro vergonhas que surgem repetidas por todos e, ao mesmo tempo, como se fossemos autómatos robôs de uma máquina de informação ÁDHOKAS – que vem de “ad hoc” … Todo o mundo dá o seu palpite na ciniqueira geral comandada pelos fazedores de notícias.

Cada qual com seu dedo, sua unha, seu pedaço de assuntos externos que nada contam na sua, nossa felicidade, como num assim de uma soma de pontos com números somando subtracções de milhões, esmiuçando ou tentando saber a decência do caso num verdadeiro ciúme amargoso…

Estas desconformidades de sintonia, forçosamente turvam minhas, nossas mentes. Euzinho, legitimo de raça indefinidamente ariana também possuo minhas franquezas por muito que tente deduzir em lisas, as farsas, reforçando-me de munições porque, óh gente, simplesmente não quero sufragar-me nos desaires alheios.

ara3.jpg Pois é! Não sou mesmo homem de meio-dia com orvalhos de me tirar o tino, de me esbugalhar os olhos nas fracas naturezas de um sem fim de lorotas salivadas. Agora, todo o mundo fala do naco da Isabel dos Santos, dos seu ovos d´oirados – que coisa!?

Todos ficam assim e assado, lambendo, rechupando, engrossando um nojo, nojento! É bem verdade que ela não me merece um pingo de DÓ, nem tanto nem tampouco. A questão é a de que todos sabiam e todos calavam - Maldito kumbú! Há cúmplices, não há!?

Só não quero mesmo que mexam no meu bolso mas, tem por aí muito rufia das nossas caixas bancárias e afins que viciam com incesto minhas poupanças, só pode ser, ouvi dizer – E, são Tugas de primeiríssima linha; gente de gola alta e coturno intocável. Não toquem no meu bolso, tá! Já chega de ser sujigado…

arau44.jpg E, daí da notícia e fofocas, abrirem-se gavetas com choros ranhosos, ou mesmo gavetões, com ossários feitos do pó esquecido no propósito propositado de não mais falar como se fossem asas p´ra boi voar! Se a vida é uma sentença com um princípio e um fim, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos, ou daquilo que poderíamos ter feito; E, afinal quem deu cobertura a todos esses desaires de engenharia financeira, trapaceira de roubar o desinfeliz!?

Não podemos assumir a culpa dos pais, dos colonos, nem dos pais de outros pais na geração perdida, sempre petrificada pelos políticos da Luua e da Liz. Oi, não se fala nisso. Na percepção das vitais contingências, compostas nas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, que determinam o futuro próximo e distante. Nem sempre se escolheu dedo ou arado nem por onde fazer o rego que por coisa pouca mudou nossas vidas para engordar galifões e galifonas…

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:53
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sexta-feira, 3 de Janeiro de 2020
MUXOXO . LV

MUXOXO PARA 2020

TEMPO COM CINZAS . M´Puto e os bafos dos desabafos… 03.01.2020

M´Puto é Portugal

Por

soba k.jpg T´Chingange – No M´Puto

araujo183.jpg De que vale ter um perfume enfrascado se não fizermos uso dele? Não havendo fuga, prefiro mesmo ser uma pulga de leão a cheirar lavanda do cacimbo. Isto vem a propósito de dizer que quem assim procede, pode vir a ser menosprezado pelas tonterias que escreve ou que fala. Escrever para mim, tornou-se um trabalho, obsessão e terapia.

Nem eu nem ninguém podemos exigir que os outros acreditem naquilo que eu ou você acredita! Ninguém precisa seguir minha cartilha mas façam isso também, libertem seu perfume! Bufem-se com odores de arruda ou cheiro de rosas sem perturbar outros dizeres e com outras cores.

araujo172.jpg Sim! Faça qualquer coisa a favor de outros sem ter medo de parecer anedótico ou ser-se palhaço porque isso é também uma nobre missão. Pela certa, isso se tornará um remédio milagroso, porque quem acumula tempo dedicado aos outros, receberá provisões extras. Aonde será que li isto!…

Trejeitando sorriso expressivo quando não entendo, finjo que compreendo perfeitamente os escândalos que nem sempre se me calam no bico, passarinho-me pintado de anjo de procissão, metendo o nariz em tudo da praça pública, engordando os miolos de enxúndias, gorduras de escândalos por toda as instituições dessa grande porca com muitas tetas, com nome de macho: - Portugal.

araujo166.jpg Com paciência medida, opino sobre assuntos inesperados amparado nas dúvidas por indemnizar, usando muito a miúdo entorpecentes para entender o bafo dos desabafos. Nem sempre posso assumir com desenvoltura o papel de comentarista avulso, conselheiro ou soba porque, nem sempre tenho à mão a receita própria para espantar cobras ou lagartos.

E, porque não posso tomar medidas energéticas providenciais, requebro-me nas charadas alcoviteiras para enfeitar penicheiras provocatórias, estendendo a critica a vulgares patifarias de caixeiros feitos doutores roubando o patrão, engomando, cozinhando, ou limpando-nos o pó como se fôramos trastes dum Estado só deles.

araujo161.jpg Na vontade de fugir espantado, remoçado, muito inchado de iguarias macabras, algumas idiotas, meus espíritos passeiam-se-me no cérebro às apalpadelas acitrinando-me. Será uma questão de brio? Parvoíce simples e simplória? Entre sussurros de indignação com tosse e escarros secos coloridos, espirros diversos, continuo nos meus passos sem nada de solene, nem ar de religião conformado do é como Deu quer!

– Esta gente do governo, quando não tisna, suja! Com um galho de arruda na mão, sigo os acontecimentos que desfilam numa procissão vertiginosa e extravagante do meu país do M´Puto. Como cidadão do mundo, um tanto comovido, contemplo à distância as ruínas da minha terra, da minha aldeia, do meu kimbo, os restos mudos e emporcalhados dessas terrinhas que antes, só o era da intriga miúda e, das invejas pequeninas!

araujo182.jpg Agora tudo é grande! E os roubos, aos milhões…Tal como a divida que aumenta calando os gráficos ou arredondando os picos. Porque daí, nem vem mal ao mundo, exponho-me sabendo poder representar muita gente que se descuida nas minhas leituras; assim como uma cobaia, submeto-me voluntariamente, espolinhando-me na demagógica vaidade. Um dia não são dias...

:::::

Muxoxo é uma espécie de estalo que se dá com a língua aplicada ao palato, em sinal de desdém ou contrariedade. No M´puto costumam chamar de "xoxo (chocho)", com o sentido de beijo.

Ilustrações: Costa Araújo, Meu Mano Corvo, falecido em Abril de 2019

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:34
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 28 de Dezembro de 2019
XICULULU . CXXI

OUTROS TEMPOS Na zona do Largo de Sansão o “Darracq” de Armando Gonsalves choca com o “Benz” de Joaquim Refóios… Ambos, médicos de ofício …

– M´Puto - Coimbra no início do século XX -29.12.2019

Xicululu: Mau-olhado

Por

soba0.jpeg T´Chingange, na Coimbra do M´Puto

tonito3.jpg Aconteceu ir até Tentúgal e bem à margem do Mondego, em tempo de cheias e diques rebentados pela muita água libertada das represas e, chuvas pedidas ao S. Pedro que pude ver e cheirar todo o envolvente das terras de Montemor-o-Velho mis o Paço com suas vistas. Fui lá em companhia de Marco António, meu filho que está apresentando tese na área de arquitectura. Observei, aqui e ali aonde a linhas do tempo se quebraram nas vontades eclécticas de seus proprietários, rococó e gostos góticos com renascentismo ou maneirismo.

Entre coisas feitas a eito e sem um bem definido traço, vi quase tudo a cair em ruinas; mas, pude ouvir estórias deveras interessantes. Já lá iremos! Trata-se de uma quinta que pertenceu à Casa Cadaval durante séculos e que, desde o século XIV do tempo a D. Pedro, 1º Duque de Coimbra, da dinastia de Avis, filho do rei João I e de Filipa de Lencastre. O Infante tomou o paço inicial com uma torre a ver o Mondego como sua residência mas, o tempo foi voraz…

tentugal02.jpg Aquilo que foi o Paço dos Condes de Tentúgal, dos Duques do Cadaval, do Infante D. Pedro, Quinta do Paço ou, simplesmente o Paço, agora são ruinas com cimalhas encastradas mostrando as armas das gerações. Parte foi incendiada, depois reconstruída, para voltar a conhecer o declínio a partir de meados do século XX. Foi casa de nobres, terreno de cultivo e consultório dos mais necessitados. Hoje está devoluta - melhor, abandonada.

Posso imaginar o médico Armando Leal Gonsalves percorrendo a galeria de fotografias que conserva. O cardiologista, que aos 80 anos continuava a dar consultas, foi o último caseiro daqueles paços e é com ele de forma pensada, que revivo o primeiro acidente entre dois carros na Cidade de Coimbra. Note-se: Só havia dois carros. Vale a pena decifrar esta atribulação. Envolto numa névoa de velhice, preencho os espaços da vida defumando assuntos que ainda me não dão ânimo em contar.

tentugal03.jpg Assim, num calçadão feito a pedras com cores e desenhos de relembrar, entro na família Gonsalves (cujo S foi sobrevivendo às mudanças de grafia), que dirigiu o Paço durante gerações. O último da linhagem foi Armando Gonsalves, de quem o neto herdou o nome e seguiu a profissão, que administrou o Paço desde o início do século XX até 1955, data da sua morte.

Antes dele, o pai Francisco já tinha desempenhado igual função ao serviço da família Alvares Pereira de Melo (Duques do Cadaval), mas o filho, que também era médico pneumologista, deixaria uma marca mais duradoura, chegando até hoje nas bocas dos mais antigos de Tentúgal. Tanto que o seu nome baptizou uma alameda em Coimbra  e uma das principais ruas da vila de Tentúgal, onde há um busto em sua memória.

tentugal2.jpg José Craveiro, um jornaleiro, vai desenrolando histórias que dão corpo à reputação do antigo administrador como figura generosa. Mas sublinha que ele não dava esmolas, embora por vezes procurasse as tarefas mais inócuas como pretexto para distribuir uns escudos. Se durante a semana o médico exercia a profissão em Coimbra (foi director do Hospital dos Covões, de 1935 a 1949), aos domingos, das 7h às 13h, dava consultas no Paço às pessoas com menos posses. Era muitas vezes recompensado com ovos, bolos e outros géneros, conta Armando Leal Gonsalves. “Mas não levava dinheiro de ninguém”, pelo contrário.

Armando Gonsalves morreu em 1955, com menos três dedos devido à falta de protecção adequada durante as radiografias e sem fortuna. O espólio que deixou esteve para ir a leilão, tendo acabado por ficar na posse da família - uma casa de nobres. Isto pode, em parte ser lido no Jornal Público! O professor catedrático de História da Arte, José Custódio Vieira da Silva, escreve que apesar de o edifício conservar “elementos importantes da fundação quatrocentista”, o paço foi “muito adulterado nas sucessivas reconstruções”. Uma dessas intervenções tornou-se necessária após 1834, ano em que as tropas liberais incendiaram a casa por conta do apoio do sexto duque do Cadaval, Nuno Caetano Álvares Pereira de Melo, à facção absolutista.

tentugal7.jpg Mas, vamos agora à descrição que hoje pode ser admirada por assombro: A quinta foi garagem do primeiro carro de Coimbra, um Darracq de 12 cavalos que, em 1902, entrou pela alfândega da Figueira da Foz como máquina agrícola, por ainda não haver registo para automóveis. No ano seguinte, o Darracq com a matrícula “Coimbra-1” foi um dos protagonistas do primeiro acidente rodoviário da cidade, quando havia apenas registo de duas viaturas.

tentugal6.jpg Na zona do Largo de Sansão (hoje a pedonal  - Praça 8 de Maio), o carro de Armando Gonsalves choca com o Benz- matricula Coimbra 2 de Joaquim Refóios, também médico de ofício e lente na Universidade de Coimbra. O Darracq, que ficaria na posse da família Gonsalves até 1952, pode ainda ser visto hoje, restaurado, no Museu do Caramulo, ficou então com danos no valor de 15$80 e o Benz de Joaquim Refóios com estragos contabilizados em 37$60. A questão foi resolvida em tribunal a favor do administrador… Derrubando-me nas trevas do desconhecimento, olho e ouço pela caixa mágica da mente coisas verídicas do tempo, que parecem mentiras, como se tudo, coisas e gente, fossemos pedras parideiras…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:31
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 26 de Dezembro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXIX

Agora feita a folga que me vem, e sem pequenos desassossegos, estou de range rede, sabe! O tempo ruge…

14 – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa ... 26.12.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No M´Puto

booktique22.jpg 

Últimos 4 Livros em cima da mesa da cabeceira - criado mudo.

11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma.

12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

14 – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa editado pela Companhia das Letras

booktique21.jpg E, porque o sertão é do tamanho do Mundo, não encontrei por lá, lugar do Nordeste brasileiro o livro que há tanto procurava de Guimarães Rosa. Calhou ser agora ofertado à minha pessoa em época natalícia e assim, na Coimbra do M´Puto me embrenhei logologo na leitura; uma quase língua nova, entrando nos trilhos sulcados pelo gado nos terrenos áridos, uma rede complexa de caminhos feitos veredas e, na qual é fácil perder o rumo às falas. Assim e, duma tão revolucionária forma inventiva dá-se conta no sentir que “Viver é negócio muito perigoso”.

Lá aonde os pastos carecem de fechos, onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; lá onde criminoso vive seu cristo – jesus, arredado do arrocho de autoridade. Uns querem que não o seja, que situado sertão é por os campos gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas demais do Urucúia mais Toleima. Terras de puta que pariu sem saber de como foi! De como nasceu. Acho que desaconteceu…

booktique24.jpg Numa missanga de contos com lendas e coisas tão verdadeiras que assustam o capeta, leio e releio de trás para a frente e vice-versa assim na forma de espanto lá nesses montões oestes. Perco o norte e volto atrás esperando a nuvem, vendo as almargens de vargens de mau render, as vazantes; culturas de só mata sem tamanho que param nas mulolas, rios sem água como se diz em Angola. Quersedizer, a água, corre quando chove.

Enfim, cada um o que quer aprova, como o senhor sabe, vós sabeis: pão ou pães, é questão de opiniães. No falar de matuto, o sertão está em toda a parte com contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros de cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e crenças da bagunça, povos de dialecto linguajado entre outros derivados – O sertão está em toda a parte.

booktique23.jpg Cumcamano! Vou ter de pisotear este livro para patavinar mesmo que amarfanhado nos porquês! Conversando com um seminarista deste dito cujo livro, muito condizente, conferido no livro de rezas e revestido de paramentas, com uma vara de maria-preta na mão, proseou que ia adjutorar o padre, para extraírem o Cujo, do corpo vivo de uma velha, na Cachoeira-dos-Bois. Ele ia com o vigário do Campo-Redondo. Pópilas, digo eu! Não o acreditei patavim, como eles dizem – Me concebo como então?

Mas compadre!? O que revela efeito são os baixos espíritos descarnados, de terceira, fuzuando nas piores trevas e com ânsias de se travarem com os viventes – dão encosto. Arres, me deixe lá, que – Pois não sim? Insiste: O senhor (que soeu) deverá ter conhecido diversos, homens, mulheres; por mim, tanto vi que aprendi: O Facho-Bode, o Muitos-Beiços, o Rasga-em-Baixo, o Puxa-Cueca e outros edecéteras…

lampião8.jpg Olhe compadre disse euzinho: Não sou amansador de cavalos, muito menos de homens mulheres! Nesse punhadão de gente feito cavalos do vice-versa e até mesmo que fora jagunço, não tenho na minha pessoa competência entrante de demónio. De primeiro, eu nem mexia e nem fazia, sabe! E, pensar não pensava. Quem mói no asp´ro não fantasêia. Vivi puxando vida difícil de difícil. Agora feita a folga que me vem, e sem pequenos desassossegos, estou de range rede, sabe!

Sim! Me inventei neste posto e assim nessa coisa do diabo de existe, não existe dou meu dito de abrenuncia. Tudo bem, diz ele numa de afirmar-se não ser homem dos avessos nem tampouco homem arruinado: Diabo vige dentro do homem, nos crespos do homem. Fiquei pensando nesta dos crespos sem saber mesmo se eram coisas eriçadas, coisas franzidas ou algo difícil de entender. Talvez tudo junto - Viver é negócio muito perigoso. Cheguei à página 19 sem querer ir mais longe por hoje; Hem? Hem? Áh o diabo anda na rua, no meio do remoinho…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:19
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2019
MU UKULU – XXVII

MISSOSSOS DA VIDA... De Luanda – Sabores com falas da Nossa Terra – 18.12.2019

- Saber do passado para melhor se entender o futuro... Recordando o Século Mwata Luís Martins Soares falecido na Diáspora do Brasil em Julho de 2019 - (São Paulo)

Por

soba002.jpg T´Chingange – No M´Puto

luis1.jpg Revi hoje as falas de Zeca Mamoeiro do tempo em que este dito cujo, senhor do Rio Seco katedrático da Maianga me via transportado em uma tipóia de loando como um makota de Ambaca. Na verdade, por vezes também me é difícil entender o que risco para todos, do que vai no meu muxima e, num linguajar que é nosso BI – Bilhete de identidade. Do meu risco, do risco dele, do nosso corpo riscado feitos de feijão maluco. E, é estranho que com tanto estudo, não cheguemos à licenciatura e, nos conformes, virarmos num repentemente sábios da estirpe do Mwata Luís Soares.

Sem já saber escrever direito e sem glossário, kimbundamos-nos na jihenda, duvidado que nem sabemos usar a pena molhada no tinteiro de Camões ou do Pessoa. Num saudosismo de matumbo feito esperto, bangamos paixão de estirpe quase extinta. Falas da Luua que caducaram num tempo que se nos alheou. É como quem lê o livro de T´Ching debaixo de um coqueiro de plástico, balouçando na rede, gozarmos nossas barrigas de Jinguba como se num acaso e num já não vale a pena.

mu ukulu15.jpg Batucando sentimentos do nosso coração abrimos adereços de bate palmas só num pula como um zulu em um só pé ao jeito de ermitão Massai. Com a RAIZ que alimenta a árvore com dedos no ar feito embondeiro, muito cavamos para contar quantos dedos são, como se arranham evitando ervas daninhas que crescem só átoa nos veios da vida. Entro assim de novo após meu prólogo com o Zeca no livro do Mu Ukulu da Luanda de antigamente peneirando no tempo as memórias, mexendo vigorosamente a fuba cozida na água fervente.

Vigorosamente com uma colher de pau desfazem-se os caroços da farinha que depois de pronta fica cinzenta no aspecto de “cola de sapateiro” pegajosa, como diria a tia Arminda. Depois come-se com bastante molho de dendém acompanhada de peixe, frango, ou outro tipo de carne, miúdos ou mesmo um verdura como a couve, a kizaca (folha de mandioca / saca-saca) ou a jimboa que nasce a eito pelo quintal regado, junto com a beldroega; tudo picado e cozido com o tal de óleo de palma.

Muamba de galinha ou peixe, servida com pirão de milho ou funje é um prato de sabor inigualável. Nesta, entra o óleo de palma tal como os quiabos, o jindungo apanhado no fundo do quintal. Mufete é um prato típico da ilha de Luanda, dos axiluandas, constituído por peixe assado na brasa como o carapau, peixe-galo, cachucho ou cacusso do rio, bombô, sumo de limão, jindungo e uma pitada de sal.

forró 1.jpg Outros pitéus gostosos são o calulu, a quiteta, o muzungué e a kikwanga, que é um tipo de bolo feito de fuba, massa de mandioca fermentada, embrulhada numa folha larga e cozida ao vapor, muito apropriada a levar em viagens por via de sua prolongada salubridade; tudo isto se podia levar ou fazer nos piqueniques debaixo de cajueiros ou mangueiras na via que nos levava ao Cacuaco, a Viana na estrada de Catete ou no caminho da Barra do Kwanza.

O radiozinho de pilhas era imprescindível para alegrar o arraial, fosse junto ao mar a ver o Mussulo do outro lado da baía ou, bem coberto na sombra da frondosa mangueira, uma ou outra cassuneira, umas quantas n´hiwas ou embondeiros. Assim poisados, haveria que tirar da arca com gelo as cucas, nocais ou ekas para refrescar as vontades; também a mission, as coca-colas e bolungas várias como a seven-up. Por vezes era o palhete feito garrafão empalhado com vinho do M´Puto tapado com rolha coberta por um gargalo coberto de gesso, um resguardo a garantir qualidade.

xiricuata5.jpg Quem não ia ao piquenique de fim-de-semana abastecia-se no Bar Bitoque perto da Mutamba. Sempre havia para os mais novos, eles e elas, os tais bailes de quintal dos bairros citadinos da Vila Alice, Ingombotas ou bairro do café e ainda muitas vezes no subúrbio rodeado de muxitos e vedados com aduelas de barril ou chapa zincada, piso de terra molhada a propósito ou cimento rapado. Era ali que se desenrolavam os confettis de bilhetinhos namoradeiros com a vigilância das respectivas mãezinhas.

Nos anos sessenta e setenta o Merengue estava sempre presente na voz de Carlitos Vieira Dias, faixas de gravação como "Ngi kalakala mivu ioso", "Pensando Conforme o Tempo"e "Kwanza" que abraçam euforia de nova angolanidade intercalada com a suavidade de Gianni Morandi, Roberto Carlos, Gigliola Cinquetti ou Frank Sinatra. Para além destes tinhamos o Bartolomeu, os Kiezos liderados pelo solo de guitarra de Marito Arcanjo entre outros…

za8.jpg Canções como "Ngandala ku nganhala ò fuma", "Varias Moças de Luanda", "Ngui mona mi kima", "Arrancando o capim" ou "Merengue do Escorrega-lo". E surge o Minguito com "Eme Ngo Kofele" e o início da música electrificada, também os solos escaldantes. Vamos então ao Marítimo da Ilha, à Vila Clotilde, ao Ferrovia, Clube Transmontano ou o Clube da Maianga. Relatos quase coloniais em palcos desconcertante, letras humoradas, mais o aparecimento da concertina. Tudo mais nos passava ao lado…

minguito1.jpg GLOSSÁRIO: Missosso – conto popular; banga – estilo; cazumbi - feitiço; loando – esteira feita de folha de coqueiro ou palmeira e atado com matebas, ximbica - rema com bordão; missanga – colar; batucam- dançam ao som do tambor; matumbo – burro, palerma; makota – chefe tribal, que tem poder; muxima – saudade, recordação; Luua - Luanda; Kicuerra: farinha de mandioca com açúcar; Axiluanda – naturais de Luanda; Tuga- diminutivo de português; Mu Ukulu – do antigamente; Mwata – velho com sabedoria; n´hiwas – árvore que se confunde com imbondeiro quando pequena; Jihenda – acção de luta, resquícios de terrorismo…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:51
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 17 de Dezembro de 2019
MU UKULU – XXVI

FEROMONAS DA VIDA... De Luanda – Sabores da Nossa Terra  – 17.12.2019

- Saber do passado para melhor se entender o futuro... Recordando o Século Mwata Luís Martins Soares falecido na Diáspora do Brasil em Julho de 2019 - (São Paulo)

Por

soba15.jpgT´Chingange – No M´Puto

peixe seco1.jpg Cada um de nós foi o que foi ou é o que é por uma coisa pequena, que sem se lembrar do primeiro choro, outros choros se lhe seguiram e, como um risco feito no chão, nem sempre se escolheu dedo ou arado nem por onde fazer o rego que por coisa pouca mudou nossas vidas. Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos da Luua, apagando os rastos dos passos que nos conduziram à diáspora, de novo volto a remover os ossos do passado, condescendo sem alvoroçar espeleólogos ou espíritos, esquecendo as leis e acordos não cumpridos!

Baloiçando-me no d´jango da memória como se estivera junto da árvore m´vuluvulu do kavango, olho seu fruto pesado de longas múcuas que pelo que dizem, só servem mesmo para fazer milongo de feitiços do povo Ovambo. Eu, quis saber mas parece ser segredo de raizeiros, porque talvez cada homem nasça com a verdade dentro de si e só para ele, e só não a dizem porque é muito pessoal; muitos haverá até, que não acreditam que seja aquela a sua verdade.

Porque cada homem é um mundo que se ao tempo der tempo, o tempo bastante, sempre o dia chega em que a verdade se tornará mentira e a mentira se fará verdade. Entro assim e após meu prólogo na parte principal do Mu Ukulu da luanda de antigamente peneirando no tempo as ténues ou vivas memórias dos acontecimentos; afins descobridores de pegadas, cheiros encarquilhados misturados com iões ou densidade molecular dos anos na leitura de carbono e edecéteras complicadíssimos ou sem explicação.

araujo159.jpg E, quando nos Sabores da Nossa Terra os portugueses deram início o processo de colonização, encontraram no território que deu origem a Angola, diferentes grupos sociais na forma de tribos; com sua própria identidade, diferenciavam-se entre eles por vários factores tal como a linguagem, o vestuário, formas de pentear, estilo de construção de suas cubatas, suas expressões musicais e fundamentalmente hábitos com diversificados hábitos alimentares.

A cozinha angolana sendo bem variada teve no decorrer do tempo alterações nos gostos e condimentos por via da miscigenação das várias etnias. E, porque Luanda é litorânea, o consumo de peixe sempre foi elevado. Com a chegada das traineiras em substituição dos dongos ou canoas, estas vinham abarrotadas de peixe juntando comerciantes tugas na disputa e comercialização do produto. Logo ali no porto era feita uma lota precária que separava o peixe segundo a espécime.

luua40.jpg Enquanto os peixes maiores eram destinados ao consumo local, os de menor tamanho eram arrematados para secagem nas salgas. O peixe-seco que sempre foi uma iguaria apreciada pelos indígenas por ser mais económico, paulatinamente também foi sendo consumido pelas novas gerações de brancos mazombos, talvez pelo antigo hábito de seus pais no uso do bacalhau do M´Puto. Este peixe saído da lota para a salga, depois do processo de limpeza, era escalado e posto a secar ao sol em loandos, esteira ou bases elevadas feitas com varas de pau em malha apertada.

Este peixe seco era depois de seco comercializado em fardos e levados em camiões para o interior, cidades, loja de mato, vendas ou fazendas de café com gente do contrato, nas grandes plantações de algodão e outras que iam aparecendo no correr dos anos, exploração do sisal ou plantações de ananás. Parte deste peixe era comercializado pelas quitandeiras nas ruas de Luanda e, era ouvir o pregão de pargo ou “garoupa fresca, minha senhola” e logo ali se comercializava o peixe a fritar.

Luua28.jpg E, quem já nem se lembra do cacusso de Kifangondo, peixe do rio assado com feijão de óleo de palma, pirão ou funge com o caldo do cozido. Dos piqueniques no Mussulo e, seus barcos kapossoka e kitoco a acalmar as agruras dum fim-de-semana; acalmia, sossego e paz no encanto da embriaguez de um outro mundo na voz do tempo comendo peixe grelhado, choco com tinta relançando um tempo de cazumbi perturbando no limiar do nada, num vazio dum oculto fogo ximbicado!

A agora conhecida mandioca, lá na Luua foi levada pelos Tugas passando a ser quase a principal alimentação dos axiluandas ou camundongos. O tempo fingiu que isto só foram obras do acaso mas é uma realidade com funge, pirão da fuba; a mesma farinha feita com a mandioca amolecida na água e seca ao sol. Aiiué! Saudades do bangasumo do kimbombo do marufo da cassoneira, da t´chissângwa e a bolunga de milho. Aiué Catonho-Tonho! Aiué Gajajeira! Aiué Robert-Hudson, Biker, Quintas e Irmão, Armazéns do Minho e do Bungo. Tudo na fragrância da Catinga, do Mufete, da garoupa, peixes galo, pungo, corvina e caxuxo.

luua17.jpg Que saudades dos meus tempos de candengue! Da malta com quem ia ao Cine-Colonial ver o John Wine, das beatas pelo ar e dos avisos aos heróis de cena, cuidados e “olha na tua trás” da plateia cheia de grunhos, mazombos e alguns gwetas como eu. Que saudades das sandes de peixe frito do velho Campino, e daquele seu "boteco" defronte da Farmácia São Paulo! Do Sr. Brito que tratava da "flor do Congo"! Que saudades dos doces da paracuca, pirolitos, kicuerra e kafufutila!

luua30.jpg Glossário

Luua - Luanda; loando – esteira feita de papiro (luando do rio) atado com mateba; Kicuerra: farinha de mandioca com açucar; Kafufutila: falrripos, perdigotos; gweta –branco; T´chissângwa e kimbombo – bebidas fermentadas de milho; Axiluanda, camundngos – Naturais de Luanda; Ximbicar – remar com bordão; Kapossoca e kitoco – Nomes de baco, traineiras transformadas; Loando – esteira de papiro do Lifune; Tuga- Diminutivo de português; Múcua – fruto do embondeiro; Mu Ukulo – do antigamente; Mwata – Velho com sabedoria; M´vuluvulu – árvore frondosa da beira rio do Cubango…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:03
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 15 de Dezembro de 2019
PARACUCA . XXXIII

MULOLAS DO TEMPO . 7 – 15.12.2018

Nós, bazungus no lugar da N´Kwazi (águia pesqueira) – NINGUÉM É SANTO - 02 de Outubro de 2018 – Terça-feira …

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto

kariba6.jpgEstamos no dia 02 de Outubro no lugar de M´Libizi no Zambezi Resort – P.O. Box 1511 de Bulawayo no lugar do “DEAD SLOW” (morte lenta). 12º dia de Odisseia -Tinha de ser assim mesmo num lugar aonde o tempo morre a admirar o lago Kariba. Ficar aqui dez dias sem podermos usar nossos cartões de crédito cria-nos forçosamente problemas logísticos! E, entretanto vamos fazer mais o quê para além de pescarmos ou olhar o lago? This is África … This is África …

Ali ficamos duas noites para espairecer pois que as instalações eram verdadeiramente satisfatórias mas, tendo um pequeno senão – não havia ali WiFi. Demos mesmo com os burros na água como é costume dizer e, ainda com a agravante de não termos a gasolina suficiente para regressarmos até a Vitória Falls. Aqui não havia nenhuma bomba para abastecimento e, isso era grave!

fotos ZÂMBIA 022.jpg Havia também o inconveniente de temos de pagar tudo em dinheiro vivo na moeda local, o dólar zimbabwano ou em randes. Isto era um grande desaforo pois que nosso comandante RV não prevendo estes inconvenientes só levava para além do cartão de crédito, notas de 500 Euros; isto era nitidamente impraticável neste fim de mundo e, eu era conhecedor de que isto assim era pois que, nem no Banco do Brasil, estando no Nordeste, consegui trocar tal nota. Nesse então tive de ir a um cambista e pagar caro pelo descuido devido às taxas exageradas de lucro…

Pois, como tudo falhou, teremos de voltar para trás uns 260 quilómetros até chegar ao Rest Camp Victória e tentar obter gasolina em Cross Dete que fica a uns 95 quilómetros daqui. Nós, já tinhamos reparado haver grandes filas de carros nas bombas de combustível mas não nos apercebemos que havia mesmo escassez deste líquido - o Zimbabwé estava a ser abastecido por camiões chineses – podia ler-se nos carros de abastecimento de combustível, aqueles seus normais arabescos de sua escrita.

fotos ZÂMBIA 028.jpg Haveria agora de encontrar solução para nos desenrascarmos e, havia sim! Razão tinha a minha empregada Mery de Campala ao dizer que nós bazungus ao pensar só em safaris, eramos chupados até ao tutano pagado por tudo, os olhos da cara! Havia um homem que ficava ali perto da portaria e que tinha no seu mukifo gasolina de socorro em jerricans de plástico, só que, iria ficar um pouco mais caro.

Ela, a Mery, bem disse que os bafanas não alinham nessas tolas correrias de fantasia e aventura dos t´chinderes, brancos gwetas. Assim teria que ser: comprar no mínimo dez litros para chegar à estrada A8, uma estrada comum, em que se paga portagem. Já tinhamos reparado ao longo do trajecto haver latas e plásticos amontoados aqui e além nos bordos da estrada e, em lugares próximos de agrupamentos de casas e cubatas mas na nossa ilógica do costume sempre pensamos serem de mel ou água. Esta lógica do TALVEZ atrapalhava-nos a visão.

fotos ZÂMBIA 002.jpgPois aquelas latas e jerricans não tinham outro qualquer produto, afinal era mesmo gasolina a fornecer aos imprevidentes como nós, guiados pelo nosso condutor e comandante fumador de cigarrilhas tipo cohiba… Haja paciência! Isto era dito com bastante frequência entre fumarolas de anéis percorrendo nossos esqueletos. Os bafanas que não pastoreiam cabras, montam “cuca-shops” (vendas) vendendo milho-papo e, entre outras iguarias locais o pequeno peixe t´chissipa do qual fazem comidas untadas de óleo de palmeira.

Lá atrás no Hwange National Park ainda vimos este prato a ser executado pelo guarda dos taxos e panelas, o mesmo que me forneceu a troco de gasosa a palavra passe do WiFi mas, sucede que o prato de alumínio estava tão encarquilhado que meteu algum nojo de arrepiar a moleirinha ao comandante RV. Por via disso acabei por comer o bife mais duro que alguma vez já comi no restaurante que até tinha bom aspecto mas, deveria ser dum gnu dinossáurio da região.  

kariba8.jpg Agora, e de regresso a Victória Falls teremos de recuperar o dinheiro dado pela compra do bilhete do ferry fantasma ao manager do Turist Information Centre no knowledge Nyoni. O dono do ferry algures noutras lonjuras assim disse por telefone ao dono do “DEAD SLOW” (morte lenta), um grande e gordo bóher que por ali assentou arraiais no Kariba. Dia 02 de Outubro fomos os quatro, ali bem perto, ao M´Libizi Hotel almoçar; pagamos 52 dólares.

kariba9.jpg Acabados de almoçar apareceu o homem a quem se tinha encomendado a gasolina Pagamos pelos dez litros de gasolina no jerrican mas de tão desfalcado pareceu-nos só ter oito litros, enfim! Feitas as contas o litro do precioso líquido deve ter ficado pelos 1, 70 euros mas e pelo que eram todos conhecidos, pagamos tudo junto tendo ficado no total em 1000 randes. Neste M´Libizi  Kariba não se aceitam cartões…Óh mundo de túji e, ainda temos de atravessar a Zâmbia para chegarmos à Tanzânia…   

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:51
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019
CAZUMBI . LVII

MOKANDAS DO REINO XINGUILA08.12.2019

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - “BULUNGA DO ULTRAMAR . “Nos reinos de Maconge e Huambo”

Por

soba0.jpegT´Chingange - No M´Puto

batalha01.jpg Foi no dia 23 de Novembro de 2019 e num lugar chamado de Cidade de LEIRIA do M´Puto. Assim, em terras Ultramarinas, reuniram-se em kizomba, nobres, altos dignatários e plebeus dum reino perene, liderados por um Vice-rei - D. ROBERTO DA SILVEIRA, III VICE-REI DE MACONGE; neste reino de Faz-de-conta aonde ninguém morre e, aonde os africanos se tornam brancos e vice-versa, reúnem-se vivências com recordações de peregrina amizade. Desta feita com a organização da Sobeta Maria Amália - Mali.

Por via do frio e com uma preguicite aguda só agora me dispus a relembrar aquela ida às terras lindas do Rio Liz fazendo-me uma pergunta: E, para quê peregrinar no tempo? - Para ratificar a vida! Foi deste jeito jeitoso que me vi a cantar o hino, taciturnando-me entre a malta vinda da Huila, do Lubango, prensado num texto assim cantado: -“A malta ganhou a taça, sem ter nada que fazer; quem quiser ganhar à malta tem um osso p´ra roer, roer, roer”.

Neste reino de sonho e fantasia dão-se vivas à vida, num vira, vira, regado a tinto ou espumante morganheira. Como um funante mazombo, suspeitoso e camundongo, divagarei em pensamento: Naqueles idos tempos do Diogo Cam “Se houvesse uma revolta em Angola, movida pelos colonos, não era preciso tropa para a debelar; chegava um bom orador, romântico, sentimental, que lhes  falasse de Portugal,  que todos se abraçariam com lágrimas nos olhos”.

cronicas mano corvo.jpg Foi assim o que disse Henrique Galvão no ano de 1937 em visita de soberania a Angola - “ Há quem viva de teu perfume e dent´routros matos e espinheiras rasgando-se em sonhos, por ti ruma!”. Num torpor de antigas Kizombas, paisagem do deserto Namibe agachei-me por detrás da bissapa,… era o soba Cunhangâmua que aí vinha.

-“ Há quem, nas águas de salina, se purifique em lágrimas cristalizadas por em teu ventre não cumprir sina”. Ué, no meio da farra vi-me sonhando, bebia bulunga, antes da grande caminhada para sul e, eu também ali estava a seu lado como conselheiro real em assuntos de brancos; neste agora tinha um Vice-rei de nome Silveira e senti-me com muita cagança a recordar velhos tempos.

Num repentemente, deu-lhe vontade de cuspir um pigarro encravado entre as ferraduras e os gorgomilos. Fosse eu esse tal de Cunhangâmua, a um primeiro esboço de lançar cuspo, logo um gentio se acocoraria submisso, curvando-se a jeito p´ra receber tamanha cuspidela. Parece disparatado mas, era assim que as submissões eram, ríspidas e sem lamúrias.

MACONGE0.jpg Cuspo de soba, com aquela estirpe, não podia ser desperdiçado numa terra só de pó. Cheio de honrarias, o súbdito de arrecuas balançaria a cabeça, umas quantas vezes, em jeito de agradecimento. Que mais posso fazer eu um plebeu de pé rapado nestas festas tão cheias de doutores do clero e nobres de alto coturno, senão com eles sonhar.

Da t´ximpaca soou um som forte ferindo o silêncio da planura e, bastou o soba dizer que aquele boi tinha um bom “berro” para ser anexado aos tributos, que mais atrás seguiam em caravana. Claro que estou divergindo e, em pensamentos vou até lá longe aonde as clarinetas são chifres retorcidos de boi que rasgam seu canto entre penedias e ecos de montes.

maconge01.jpg Num repentinamente, restolhando o silêncio, surgiu do mato, um T´chingange agitando um pote de barro preto e, dizendo coisas desconexas, abeirou-se do soba; de seguida, ambos se esgueiraram para trás dum muxito denso. O Kimbanda, cumprindo o ritual, tinha naquela hora de recolher, a urina do grande soba .

Neste espaço de fantasia e verdade, invadi a rota que desembocava na paliçada do Kimbo maior e, numa noite de lua cheia, aconteceu assistir à circuncisão dos candengues daquele outo arraial; crepitava o lume em ondas de cores quentes pelas palhotas quando, de uma delas, trouxeram o rapaz,… sentaram-no num cepo e, no meio de inebriante batuque, um M´fumu, auxiliar de Kimbanda, com uma pequena faca passada pelo lume, cortou o prepúcio do pénis do rapaz.

De seguida, com as bochechas cheias de álcool, borrifou para o órgão despilado. O grito mal se notou no meio da algazarrada, aquele seria um guerreiro umbundo p´ra valer! A bulunga de massambala tinha naquele dia uma mistura especial - a urina do soba Cunhangâmua! Menos mal que é mesmo só pensamento pois que bebo morganheira do M´Puto.

luua38.jpg Assim se tornariam homens de têmpera nobre. Tudo foi feito nos verdadeiros conformes, na roda da grande fogueira, batuque, sangria de boi berrante e bulunga. Na contraluz da perdida imensidão, naquela noite especial, dormi com um cafeco de feição N’nhaneca, enfeitada de trancinhas e cortes no rosto com forma de avião. Tinha cabaço,… mesmo!

Naquela outra manhã, as mulheres surgiram em algazarra, levantando os braços, chocalhando discos de lata, batiam com os pés no chão; do peito, pendiam couros, das orelhas escorridas, pesadas argolas. Festejavam! Ué,... Alambamentado no costume virei M´fumo de T´Chingange. Do Cunhangâmua ao Kuvale, a pedra do trovão, nesse tão único lugar mítico troou. Acordei aturdido às margens do Liz, um rio do M´Puto no lugar Leiria. Háka! “Há quem viva entoando nos batuques, há quem nunca esqueça o chão, os cheiros do coração”. Hoje fiquei promovido. De candengue a Kota; de kota a Século…

NOTA: -xinguilar: Palavra Angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.

Glossário:

Bissapas - arbustos; Muxito - tufo de mato; M´fumu - chefe, homem de respeito; T´ximpaca - cacimba de água de chuva; Kizomba - festa com álcool; Bulunga - bebida suave fermentada de massambala; T´chingange - feiticeiro, cobrador de impostos e jurista auxiliar do soba; Kimbanda - médico tribal; Candengue - rapaz; Cafeco – catorzinha, menina virgem; Cabaço - virgindade; Kuvale - zona do sul (Angola); Soba - Chefe – Xissa, porra, caramba.

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:33
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 8 de Dezembro de 2019
PARACUCA . XXXII

MULOLAS DO TEMPO . 6 – 02.12.2018

Nós, bazungus no lugar da N´Kwazi (águia pesqueira) – NINGUÉM É SANTO - 01 de Outubro de 2018 – Segunda-feira …

Por

soba002.jpgT´ChingangeNo M´Puto

kariba3.jpgNesta noite de 27 de Setembro lá terei de converter toda as contas em dólares USA$. O Zimbabwé está sem moeda; no mercado tudo vem indicado em dólares americanos e Randes da África do Sul pelo que entre Pulas e Euros, reúno os dados e faço a contabilidade do deve e haver, segundo a cotação do momento que meu filho Ricardo me manda pelo WhatsApp fazendo assim a conversão na moeda verde – Em verdade, é uma forma de assim nos mantemos em contacto pois que ele se encontra em Johannesburg. Um Rand custa 0,74 Pulas.

A logística do Comandante Vissapa anda periclitante e, ái de quem abra a boca a vaticinar o que quer que seja! Ele é que sabe – Ponto final! Enquanto escrevo isto vou mastigando lentamente pedaços de biltong, carne seca que lentamente se vai dissolvendo na boca. Falando das Cataratas Vitória é um conjunto de quedas deslumbrante que as tornam numa das mais espectaculares no mundo.

INHASSORO 024.jpg São localmente conhecidas também pelo nome de Mosi-oa-Tunya em que “tonga” significa em português a fumaça que troveja. Situam-se no rio Zambeze, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwé, e têm cerca de 1,5 km de largura e a altura máxima de 128 metros. Ao saltar, o Zambeze mergulha na garganta de Kariba e atravessa várias outras cataratas basálticas; é nesse sentido que iremos para apanhar o “ferry”.

Tanto o Parque Nacional de Mosi-oa-Tunya quanto o Parque Nacional de Victoria Falls, no Zimbabwe, estão inscritos desde 1989 na lista de Património Cultural da Humanidade mantida pela Unesco. Está igualmente conservada por estar dentro da Área de Conservação Transfronteiriça Cubango-Zambeze - um conjunto de áreas de protecção ambiental situadas na África Austral, onde convergem as fronteiras internacionais de cinco países.

INHASSORO 049.jpg Inclui uma parte importante das bacias do Zambeze, do Cubango e do Delta do Cubango, cobrindo a Faixa de Kaprivi na Namíbia, a parte sudeste de Angola, o sudoeste da Zâmbia, as terras selvagens do norte da Botswana e o oeste do Zimbábue. O centro desta área encontra-se na confluência dos rios Chobe e Zambeze, aonde as fronteiras da Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwé se encontram.

O Zimbabwé é um país sem saída para o mar no sul da África conhecido pela sua diversidade em animais selvagens que pudemos presenciar. Esta enorme queda de água de 128 metros estreita na garganta de Batoka, onde é possível praticar rafting em corredeiras e bungee-jumping.

kariba0.jpg O Ferry do sonho Kariba

Acabei de fazer uns esboços de nosso itinerário a seguir destinada para o dia 30 de Setembro que inclui ficar uma noite no Hwange National Park, virando ao lado direito em Cross Dete, a mesma estrada A8 que segue para Bulaweyo. Para o lado esquerdo iremos para M´libizi no Lago Kariba, nosso empolgante sonho embalado nas ondas da mente aventureira de nosso Comandante RV.

Chegados a Hwange National Park ficamos em dois chalés rondáveis e, porque tínhamos tempo, fizemos um circuito via sul mas, não fomos assim tão bafejados pela sorte pois que não vimos a quantidade de animais que esperávamos ver. Com o pagamento de uma gasosa ao candengue que tomava conta dos talheres e pratos da cozinha, tive WiFi e consegui a palavra passe que não era acessível aos visitantes; desta forma entretive-me na internete até chegar à altura de ir ao restaurante e comer o bife mais duro que alguma vez já comi.

fotos ZÂMBIA 015.jpg Estamos no dia 01 de Outubro no lugar de M´libizi no Zambezi Resort – P.O. Box 1511 de Bulawayo no lugar do “DEAD SLOW” (morte lenta). Tinha de ser assim mesmo num lugar aonde o tempo morre a admirar o lago Kariba que em verdade é bem bonito; um braço de lago com uma ponta aonde é normal encostar o tal de “ferry” mas, para além do lugar agradável só havia pedras, árvores, o ancoradouro e uns quantos chalés arrumados na encosta. Foi aqui que ficamos.

Era suposto ser um compasso de espera pelo ferry mas, damo-nos conta que em África tudo pode acontecer. Ficamos a saber que um talvez não é coisa de fiar. Marcamos viagem com pagamento antecipado em Victória Falls em um escritório oficial de turismo e chegados aqui ficamos a saber que não vai haver ferry no dia aprazado – dia 02 de Setembro e num talvez, só lá para o dia 12 e, se houver gente. A este outro talvez, nós não podemos dar crédito! Ficar aqui dez dias sem podermos usar nossos cartões de crédito cria-nos forçosamente problemas logísticos! E, entretanto vamos fazer mais o quê para além de pescarmos ou olhar o lago? This is África … This is África …

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:47
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2019
MISSOSSO . XXXIX

EU E O FALA KALADO – APONTAMENTOS RELAXADOS

NA ILHA DO CARLITOS 9ª de Várias Partes01.12.2019

Por

soba15.jpgT´Chingange - (No Algarve do M´Puto)

soba03.jpg Naquele outro dia e de saída da ilha de Carlitos, Imaginando um jogo de xadrez, zarpamos aos esses pelas nove ilhas tropicais… Recordo que falávamos de Elias Salupeto Pena, irmão de “Ben-Ben” e outro proeminente dirigente da UNITA igualmente falecido e, que também estudou com João Lourenço, exactamente na mesma escola e época. As famílias eram amigas e professavam a mesma confissão religiosa protestante. Sequeira João Lourenço, pai do Presidente da República de Angola, era amigo pessoal de Loth Malheiro, pai de Jonas Savimbi e avô dos irmãos “Ben-Ben” e Salupeto Pena, o causador da reviravolta de Fala Kalado o Coronel com orelha de plástico.

De novo neste lugar quase secreto e, no meio de várias ilhas, repúnhamos novas e velhas falas para mantermos suficientemente activos nossos labirintos do cerebelo. Assim descontraídos e curtindo o calor e a água morna vinda das águas baixas da lagoa de Manguaba quis saber da razão de um quase enigmático telefonema de Agualusa quando me encontrava no Deserto do Naukluft da Namíbia, no outro lado do Atlântico. Sendo assim perguntei-lhe: - Tu andas desavindo com a escrita de Agualusa; que se passa ou passou? Porque me fazes essa pergunta? Replicou Fala Kalado.

Vi no semblante dele FK, que ali, havia coisa. De relance reparei que sua orelha biónica de plástico vibrou com uma intensidade do tipo vaga-lume o que me levou a ter cuidado mas, arrisquei: É que quando eu estava a entrar no balão para ver as dunas lá no Park de Sossusvlei e por via de falar em ti, ele, Agualusa enigmaticamente para mim, disse para ter cuidado. Até referiu a seguinte frase: “ Nenhum homem vale uma barata”. Claro que isto tem-me atormentado desde esse então!

amigo da onça.jpg Esse gajo escritor anda a aproveitar-se da minha lenda para escrever exactamente aquilo que andei a fazer até há bem pouco tempo, vender armas para os guerrilheiros do morro para reviver o Zumbi dos Palmares. Isso, já era! Acabou! Agora quero ficar de fora dessas trapalhadas, para além do mais os meus antigos fornecedores de armas da guerra de Angola estão-se borrifando para mim. Pois! Entrei no diálogo - o negócio do petróleo veio alterar todo esse sistema de enriquecimento rápido…

Nós estávamos aqui para curtir o tempo na companhia de gente gira e como tal entre as muitas falas com os demais amigalhaços e suas baronas, garinas empapoiladas de fio dental, divergíamos as conversas contando anedotas do burgo e das politicas bem periclitantes saindo do tubo ladrão do Supremo Tribunal e outras Câmaras muito enfeudadas no trambique cazucuta deste belo país tropical – O Brasil.

Entrelaçados na estória, esticamos as pernas na água e entre coisas pedidas ou mal contadas, coisas de Angola, fiquei inteirado por FK que numa reacção a dados de inteligência que alertavam para planos do regime angolano que levariam ao assassinato de Jonas Savimbi, Salupeto Pena o militar de quem temos falado ficou conhecido como o autor da frase “se tocarem no nosso mais velho isto vai ficar feio”. O destino dado aos restos mortais de Salupeto Pena foram objecto de versões díspares – vou-te falar; uma outra lenda.

dakota1.jpg Pópilas! Angola está repleta de lendas. Já nem si se tu mesmo eras aquele Nelito Soares que em 1969, numa quarta-feira de Cacimbo, protagonizaste, com mais dois compatriotas do BC 11 dos Gorilas do Maiombe, o desvio, para o Congo Brazzaville, de um avião comercial!? Era um Dakota que seguia de Luanda para Cabinda, com passageiros a bordo. Esse Nelito de que me falas e dizes ser, só pode se uma inventação tua, replicou Fala Kalado. Estás a ficar como esse tal de Agualusa que fala com osgas e, que me tem metido em sarilhos diplomáticos! Nem confirmo nem desconfirmo o que dizes porque euzinho, também não sei!

- Tudo isso se varreu da minha cuca, sabes! FK, disse isto com tanta convicção que fiquei disparando sinais de confusão feitos rolos de fumo invisível. Será que não é? Tal como Salupeto Pena vais ficar nas nuvens da incerteza. A versão do Salupeto que mais se realçou em círculos restritos alegava que na qualidade de familiar direito de Savimbi, teriam reencaminhado o seu corpo para fins tradicionais, num ritual que teria contado com o envio, a Luanda, de um mago oriundo da Índia, razão pela qual diz-se que o corpo do mesmo já não existe.

O desvio do Dakota da DTA, Divisão dos Transportes de Angola, antecessora da TAAG, ganhou proporções tais, que nem a censura feroz do regime colonial em vigor em Angola, como nos restantes territórios, incluindo Portugal, subjugados à ditadura, conseguiu sufocar. Soube disto quando estava num lugar chamado de Tando Zinze, bem perto da fronteira do Congo Zaire álem Catata do enclave.

maian7.jpg Lembro: - Poucas horas depois de o aparelho aterrar em Ponta Negra, era tema de conversas sussurradas em tudo o que era sítio, principalmente, em Luanda e Cabinda. Mais tarde, a “nova” chegou a toda a Angola, por via do programa radiofónico do MPLA, “Angola Combatente”, transmitido a partir de Brazzaville. No M´Puto a Dona Isabel, proprietária de um pequeno café na pequena cidade de Lagoa, que foi locutora dessa rádio durante algum tempo, confidenciou-me isto mesmo (mas, em verdade eu, já o sabia!)... Patrinichi, o empregado de origem kosovar, desta feita andava demasiado ocupado para cuscar nossas conversas…

Glossário: Bem-te-Vi – pássaro parecido com o melro; Cuscar – bisbilhotar; Dakota – Tipo de avião; Kalacata - militar da Unita; Baronas - Mulheres papudas; Garinas – miúdas, catorzinhas; Euzinho – Terminação de Eu, uma forma de dize “eu” em gíria…

(Continua… )

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:01
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 1 de Dezembro de 2019
PARACUCA . XXXI
 
MULOLAS DO TEMPO . 5 - 28.11.2018
Nós, bazungus rumo à Tanzânia comendo RUSK – NINGUÉM É SANTO - 26 de Setembro de 2018 - Quinta-feira
Por

soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto

 Botswana 300.jpg Passam já 11 meses após ter escrito as mulolas do tempo número 4 e, como digo nela, todos os dias terão encruzilhadas, bifurcações em que o amanhã sempre será uma graça. Restavam-nos 45 para terminar a odisseia “Potholes”. Assim pensando naquele mato longínquo de tudo entre a criação de Deus, relembrava que o dogma da fé cega é que faz com que haja muitos incrédulos! Com o autor do livro “Ninguém é Santo”, Reis Vissapa - o melhor condutor de áfrica, galgávamos quilómetros entre morros rodeados de chinguiços, espinheiras tipo candelabro ou altas árvores de indefinidas espécimes.

De tempo a tempos, Vissapa – o melhor condutor de África, relembrava a Guida sua esposa, a muita falta que lhe fazia aquele bornal de lona de arrefecer a água. Esqueceste de me lembrar, diz repetidamente! Tenho ideia de ser um saco de lona com malha bem fechada e, que pendurado na parte frontal do carro arrefece a água. Nestas viagens por terras de desespero com um ondulado que sai da terra por via do muito calor a passar ao estado sublimado, é necessário andar sempre com água de reserva.

Botswana 313.jpg Em outros tempos de picadas traiçoeiras e desesperadamente isoladas de gente, era bom andar mastigando chuinga, uma pastilha elástica que depois de mastigada era um bom vedante para tapar furos do radiador mas, agora as tecnologias de ponta são outras; não mais é necessário levar umas borrachas extras e arames para encurtar tubos de refrigeração ou pendurar argolas e chapas desprendidas com o sacolejar dos ripados da picada, ao jeito de tábua de lavar em selha, coisa desesperante.

E, afinal deve ter faltado mais um araminho, mais um alfinete de dama e pozinhos especiais para segurar a paciência de muitas horas falando sem prender a rede anti mosquitos aos fundilhos, coisas de pode ser um tormento quando enviesadas. Com o fumo sempre agarrado ao cigarro entre o polegar e o indicador, o nervosismo miúdo de Reis, fica-lhe em beata castanha entalada entre os dentes. Feito John Wayne de beata agarrada no canto da boca, trinca-a como se fora um petisco, entre um foi assim e foi assado, tal como um sonho de vida feito filme!

Botswana 295.jpg Estas andanças longas complicam-nos o mataco que a dado momento já nem tem posição certa tornando o excesso de profiláctico em olfáctico dando comigo a abanar as orelhas e engolindo cacos de vidro como um faquir. Tem mais, o zelo da quilometragem conjugando a hora com o dia que, da noite que cai e da luz que se esvai. É fundamental termos um bom lugar para pernoitar, consultar no telemóvel ou perguntar por um aceitável sítio aonde pousar.

Com nossos coletes de muitos bolsos como caçadores de elefantes, carregávamos anseios; estamos junto, companheiro – cada um é como cada qual! Dia 27 de Setembro de 2018 – quinta-feira, saída para Kazungula, fronteira sobre o rio Zambeze e entre o Zimbabwé e o Botswana, um anda para a frente e para trás por via da intuição cinco estrelas do nosso condutor Vissapa. Sempre nevoso, teimoso como sete touros mais uma mula coxa, perguntava aqui e mais além informações desprezando meu GPS de nome Anita. Comecei a ficar desapontado com nosso guia e ainda passou pela minha cabeça regressar de avião a partir do Aeródromo de Kasane…

carvão4.jpg Lá chegamos à barraca fronteira do Botswana. Cada um de nós pagou 450 Randes correspondente a 25 dólares USA e ainda mais 600 Pulas pelo jeep Nissan. Foi um trinta e um, porque não tinham pagamento com cartão e valeram-nos os Pulas que se tinha em mão, a moeda nacional, mas para nós resultou em algum incómodo porque queriam a moeda verde americana e não a sua. A logística, começou aqui a dar seus falhanços. Só tínhamos Euros e Randes (Bem! Eu Tinha 500$ USA). Vissapa afiançava que o cartão de visa era suficiente; sua intuição falhou e valeram meus dólares e randes que levava num por-se-acaso!

Os Pulas acabaram por ser aceites depois de muito palrapié com lábia e cagança do nosso guia Reis. Afinal serviram! A aura do princípio de Murphy acompanhávamo-nos na perfeição e por completo. Chegámos a Victoria Falls seguindo uma estrada em bom estado e lá chegados às antigas casas dos trabalhadores, acampamento da ponte e do caminho-de-ferro agora transformado em Rest Camp Victória.

 victória falls 016.jpgDali podíamos ver a espuma que se levantava das quedas Victoria do outro lado da linha férrea e, até podíamos ouvir o trovão das muitas águas caindo naquela fenda, uma imensidão húmida caindo do lado da Zâmbia para o Zimbabwé. Assim, sobranceiros às maiores Cataratas do Mundo, pude almoçar no “In da Belly” saborosas espetadas de crocodilo acompanhado de arroz branco e alguns vegetais. A iguaria ficou em 12 $USA.

victória falls 026.jpg Tivemos aqui um encontro com um português radicado no Zimbabwé. Passou a noite em um bungalow fronteiro ao nosso o que proporcionou termos uma conversa acerca do que eventualmente veríamos; deu-nos informação de por onde seguir sugerindo que visitássemos o Park Nacional Hwange antes de irmos ao porto M´libizi no Lago Kariba. O tal senhor fez um esquema enquanto comia em outra mesa dando-o a Dy Vissapa que não demorou muito a amachucar e deitar na primeira lata de lixo. Verdadeiramente o que contava mesmo era a sua intuição! Para o efeito fomos a um Kiosk de Turismo Oficial ali próximo e, fizemos a reserva para o próximo barco a sair de M´Bilizi mediante a entrega de 480$USA.

(Continua…)
Escrita do fim de tarde do dia 26 de Setembro de 2018
O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:03
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 27 de Novembro de 2019
FRATERNIDADES . CXXIV

REVIVENDO ALJUBARROTA - NA BATALHA- Mosteiro do Leitão - 24.11.2019
Por

soba0.jpeg T´Chingange – LEIRIA, junto ao rio LIZ

batalha7.jpg A Kianda Januário Pieter de Assunção Roxo

O tempo não passa pela amizade e sendo assim, depois de mais de cinquenta anos o mistério da amizade volta a acontecer entre amigos kaluandas. Amigos de escola que em tempos idos desenharam corações num tronco grosso de abraçar, um imbondeiro que agora lá na Luua não existe mais. Era um lugar de estação, aonde os comboios saiam até à antiga Matamba; numa terra que sendo nossa nos foi retirada sem modos de civilidade num lugar chamado de Vila Alice, em um pátio de escola ainda por murar.

batalha1.jpg Os tempos rugiram e nós saímos voando para outros sítios e, revivemo-los agora como se ali estivéssemos; na EIL- Escola Industrial de Luanda. Em verdade, nos tempos que correm, os amigos cada vez mais se vêem menos mas, com a ajuda e beneplácito de uma Kianda chamada Roxo aconteceu encontrarmo-nos de novo a recordar coisas, umas já velhas, outras simplesmente, apodrecidas. Nas fotos que me chegaram fiz logo uma pequena síntese do que aqui iria descrever ao jeito de missosso:

batalha01.jpg A Kianda Pieter com  T´Chingange

- Gostei e irei comentar este nosso 24 de Novembro, vésperas do 25 Libertador de 75 e num sítio nobre - Perto de aonde se deu a Batalha de Aljubarrota no Concelho de Alcobaça. Nossa luta foi contra uns danados leitões que se vieram esparramar em fatias diante de nós. Nosso Nuno Alvares, foi o António Gonçalves que relembrou suas façanhas de quando era um sapador nos gorilas do Maiombe e eu, um atirador do Tando-Zinze no Chiloango...
:::::
Nossa formação de guerra aqui no Mosteiro do Leitão foi em rectângulo, garfos de 4 pontas e facas serrilhadas a terminar em bico de lança. Januário Pieter, a kianda lendária da Terras do Nunca, não estava mas a substitui-lo e vivinho da silva estava o herói do Caio-Guembo de Cabinda que teve de lutar aqui com uma costela dum tal mirandês feito bifalhão... A Kianda ofertou-me a sombra do fantasma de Januário Pieter em um pequeno quadro. Ofereceu também rosas vermelhas e outras com abelhas zurzindo feromonas amarelas de empatia. A batalha estava a decorrer

batalha02.jpg Sentindo assim nas lonjuras da batalha Aljubarrota o pormenor do tilintar das armas e os barões com varões pontiagudos, fincado no querer, bebemos o sangue da veia, uva borbulhante derramado conforme manda a lei da gravidade com um Jinga-Malaia a relembrar tempos de catembe e galo-cantou da taberna dos matraquilhos. Um sangue morganheira com cheiros de ventos e vapores.
:::::
Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos que nos víamos as vezes que queríamos, sempre diariamente. Esta batalha, também era uma batalha real pois nos vimos nobres na vontade de assim querer, da nossa estória inovadora na táctica militar, permitindo que de armas apeadas fossemos capazes de vencer uma poderosa aliança – a amizade!

batalha03.jpg Calhou agora e no maior luxo de todos, aparentemente sem termos mais nada a fazer almoçarmos com amigos que há muitos anos não se viam. E, assim falando como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos, nada falhou! Na excitação de contar coisas e partilhar ninharias, disparamos novas versões como se nos estivera, e está, na massa do sangue; as risotas por piadas enfiadas em missangas, as promessas ou esperanças por realizar na cotação do Dólar com o Kwanza…

batalha2.jpg Achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição, posso concluir que o melhor que os amigos têm a fazer é verem-se cada vez mais, assim se possam ver, porque o tempo ruge. É verdade que, mesmo tendo passados mais de cinquenta anos, sente-se o prazer de reencontrar a quem já se pensava nunca mais ver… O tempo não passa pela amizade mas, a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto existe!
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:50
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

RELOGIO
TEMPO
Weather Forecast | Weather Maps
Março 2020
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11
12

16
18
21

22
23
24
25
26
28

30


MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
Facebook
Kimbolagoa Lagoa

Criar seu atalho
ARQUIVOS

Março 2020

Fevereiro 2020

Janeiro 2020

Dezembro 2019

Novembro 2019

Outubro 2019

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

TAGS

todas as tags

LINKS
PESQUISE NESTE BLOG
 
CAIXA MUSICAL
ONDE ESTÁS

Sign by Danasoft - Myspace Layouts and Signs

blogs SAPO
subscrever feeds