Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
FRATERNIDADES . CXXVII

ANDO ENKAFIFADO – OPÇÕES DA VIDA

Crónica 3061 - MEDITAÇÃO DO T'CHING - 24.09.2020

soba002.jpg T'Chingange - no Al Garbe do M'Puto

rosa 1.jpg A ambiguidade e a incerteza, foram sempre características do ser humano e, só os poetas transformam estas minudências em força. Eles, os poetas, acalentam sonhos e planos para a nossa sociedade utópica mas, e, ao invés de verem, eles usam o olho do seu templo, o olho de sua intelectualidade.

Com sua fantástica estrutura, o olho foi definido pelo neurocientista Mark Bear, em seu livro Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso, como um “órgão especializado para a detecção, localização e análise da luz”...

roxo3.jpg Pelos olhos se identifica o caminho pelo qual as imagens se transmitem ao cérebro. Nessa interacção olho-cérebro, somos capacitados a ver todas as coisas. Desde a antiguidade que o poeta intelectual, assumiu esse papel em nossa sociedade.

E, é assim que entram em nossas vidas formatando nossa vulgar e comum vida em um "mercado público de ideias" usando sonhos, até por vezes o sofisma transcendendo ideias e, como se o fizessem na mágica proporção, por amor à verdade e à justiça...

roxo79.jpg Porém, há riscos. Que tipo de imagens, das incontáveis entre as captadas, permitimos serem gravadas no excepcional computador que é nosso cérebro? Eles, os poetas, socorrendo-se por vezes de um sentido crítico, recusando por norma as formas simples...

Recusam ideias prontas, feitas para consumir e colaborações complacentes com as acções daqueles que detêm o poder ou mesmo outros espíritos, não se esfarelando em pacifismos também por o serem, testemunhas críticas do seu tempo... Sim! Tudo parece uma contradição...

roxo81.jpg O verdadeiro intelectual, é um fabricante de consensos nos quais nós nos demoramos em admiração? Pois! Certa ocasião, o Padre Antônio Vieira disse que “a maior graça da natureza, e o maior perigo da graça, são os olhos. Duas luzes do corpo,  dois laços da alma”...

Quem tem dois olhos encherga a profundidade  por estereoscopia. Por uma fresta apenas pode ver um plano sem profundidade. Nessas duas “janelas da alma”, pode também entrar o brilho embaçado convidativo ao desvario; o padre Vieira defenia isso por pecado mas, eu que estudei trigonometria, ângulos e rectas, sei que o pecado, ou a graça da luz divina, cabe-nos na decisão de usar o cérebro, o templo, o tal olho invisível que se diz ter cor púrpura...

roxo94.jpg Agora, com ou sem pecados, travamos um combate incessante contra os poderes das trevas (um tal de vírus cvid 19 ). A mente é o campo onde a batalha será decidida para o bem ou para o mal. Mas, o problema vem dos outros  que nos transmitem  a treva e, aí estamos ou estaremos tramados, mesmo sabendo que a hipotenusa é a raís da soma do quadrado dos catetos... Isto pró vírus, já era! E, os poetas só podem vaticinar...

Nela, todos os dias se processam milhares de pensamentos e pequenas decisões que determinarão através de que mecanismos intrincados, tudo o que os sentidos captam (odores, sons, imagens) causa impressões indeléveis na mente. Essas impressões que comandam os sentimentos, ditarão nossa escolhas direcionando as decisões... Impressões que comandam hoje os sentimentos e, queiramos ou não, ditam  a actual Intoxicação Digital...

roxo53.jpgIlustrações de Assunção Roxo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:20
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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2020
KANIMAMBO . LXX

REGRAS DE VIDA - A liberdade de sermos saudáveis ou morrer por coisas impensáveis

-  Crónica 3059

Kanimambo é obrigado em dialecto Changana de Moçambique …

Por

soba02.jpgT´Chingange – No M´Puto … Al Garbes

4 DE JUNHO.jpg Na nossa língua Lusa que advém do latim, da junção dos termos CUM e TEMPLUS, originou a palavra “contemplação”, um espaço aberto que nos leva a interpretar os sinais do futuro e, aonde cabe ver-se o infinito dilatado de nossa existência. Assim, numa necessidade de aprender a arte de viver com conteúdo substancial, vivenciaremos o ganho de consciência de que estamos dentro do tempo.

Fazendo ou produzindo, aprendemos necessariamente a arte de viver com a capacidade de aferir a cada momento o direito de se ser. E afinal, o que nos permite relançar a vida, serão coisas, muitas e pequenas, que necessitamos reaprender com as variações em sua maior parte, alheias a nós – obrigações.

deserto1.jpeg Temos, quando temos e, quem tem, uma casa com varanda mais um terraço com vistas para o jardim e também o alcance a um lugar que visitamos, um recanto para passear e ler uma revista, um livro ao fim do dia, dar um passeio à montanha a ver o pôr-do-sol vendo lá à distância a praia com o sol a reluzir reflexos na água que nos cegam; a neblina que desce ao cair do lusco-fusco.

Paraíso de estampa estival luzindo nossa cabeça, tracejando nossos caprichos – um dia de cada vez sem um fito utilitário de se chegar a algum lado. Há dias e dias! Há dias de um irritado pessimismo e outros de tão naturalmente optimistas que como um carneiro, jogamos orgulhos contra obstáculos de repetidas coisas.

tanzânia II 058.jpg Eternas repetições de males antigos, males de imaginações insatisfeitas, amargas desilusões sem fermento na tristeza. Sem vontade de tormentos, certo! … O certo é de que quanto mais se sabe mais se sofre. Há fastio de inteligência! Há tédio! Há vontade de mandar tudo fora e partir vidraças, emudecer brilhos, despedaçar bocejos.

Mas, desde quando um carneiro tem orgulho? Tão abarrotado de civilização, espreito os meses farejando raças sob o abrigo de suas telhas vãs no calor da lareira, panela atestada de couves tronchas, frigideiras com unto branco de porco, uns chouriços de pendão.

carvão4.jpg Em verdade a idade de ouro, da prata deu lugar ao nióbio e colton, minerais e novas ligas a desfasar panelas tisnadas, trempes de ferro sempre aquecidas entre troncos de oliveira e borralho esparramado. Tudo mudou desde Nova Yorque a Istambul ou de Luanda a Dar-es-Salam e, sopra um vento que machuca com exilio nosso interior intelectual, emparedando nossos mosaicos bizantinos e, até amaciando com cal o rosto de Cristo.

Nos fios de gastas crenças, tão corcovado, tão gasto, enrodilhado em suas macias filosofias de mineiro de volfrâmio, recordo meu pai Manel, embebido, travado e suspirando baixinho, revendo sua miúda indecisão de viver, vendendo volfrâmio a Hitler para sobreviver. Um dia de repente, com um trejeito de esforço, meu pai, endireitou-se emperrado e cresceu! E, falou: - Amanhã vou à Companhia Colonial de Navegação inscrever-me - Vou para Angola! E, foi…

mouzinho1.jpg E, eis que um amigo virtual das redes sociais insistiu comigo para ouvir a “conversa com Deus tida por Spinoza”, alguém que nem sei quem é. Como um hermeneuta ouvi e até anotei dizeres tentando interpretar o sentido das palavras, ajustá-las ao conhecimento e leis universais mas, desconsegui.

Porquê!? Porque considerando os códices e textos sagrados ou até a arte da imaginação, anoto aqui e agora o pensar que me fez correr a pena. Nesta literatura de aspecto volátil, coisas desprendidas, teremos de conceber haver situações que ainda estão em construção nas equações de nossas vidas como por exemplo o espaço-tempo que é quadrimensional, união de pontos chamados eventos. Chegado aqui, meu substrato pifou; vou ali e já venho…

Nota: Publicado em KIZOMBA  do FB a 13 de Setembro de 2020

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:39
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Domingo, 13 de Setembro de 2020
CAFUFUTILA . CXXX

TEMPOS DE 100KIBOM. O Pão, a vida e NOÉ ... Divagações do T'Ching – Crónica 3058

– PARALÉM DA JUSTIÇA... Dois pesos e duas medidas

Por

soba002.jpg T´Chingange No M´Puto, Al Garbes

Cafufutila / kifufutila: Farinha de bombô com açúcar; Kibom é um sorvete do Nordeste brasileiro…

roxo3.jpgÀ expressão “dois pesos e duas medidas”, frequentemente mencionada no contexto dos negócios e relacionamentos do dia-a-dia, atesta que as pessoas em geral estão muito distantes desses nobres princípios... “Usem balanças de pesos honestos, tanto para cereais quanto para líquidos, foi dito no capítulo de leis do livro dos livros, que visavam proteger os direitos dos pobres, trabalhadores, surdos, cegos e estrangeiros lá no antigo mundo com Moisés anunciando ordem ao povo...

roxo10.jpg2 Assim como nesse tempo, também hoje nenhum privilégio concedido à nação justificará o tratamento discriminatório de qualquer cidadão – A distância mínima de dois metros serve para não se lançar kifufutila nos olhos, boca, nariz e orelhas dos outros. Assim o deveria ser mas, na prática, a verdade fica debilitada logologo na acção da justiça hodierna... A missão de justeza naqueles idos tempos, incluía a todos. Pessoas de qualquer origem deveriam ser amadas e acolhidas pelos donos do mando a fim de que fossem atraídas ao verdadeiro exemplo. Eram valores a respeitar...

ROXO18.jpg 3 Havia uma razão pela qual os israelitas e outros senhores, governadores e imperadores, deveriam ser honestos no trato com o semelhante: Isso era tudo para um povo que desejava fazer diferença e honrar seu nome em libertado. Não podemos hoje esquecer-nos desse princípio de valores. Se entre nós não pudermos encontrar justiça e integridade, onde e aonde poderemos considerar haver condições no mundo global em que, não desprezem esses valores? Sim! Aonde…

ara3.jpg4 Afinal, quando é que iremos ter "uma boa medida, calçada, sacudida e transbordante? Isso! Quando é que que esses “Paraísos Fiscais” serão alento para perpetuarmos a raça humana e, não somente, alguns. Usando esse antigo linguajar, qual a medida a usar para todos nós, que somos tantos, muito mais que muitos!? Como nos vamos medir... Alguns acreditam que a medida original do pé inglês era a do rei Henrique I da Inglaterra, que tinha um pé de 30,48 cm. Pois então, teremos em dois metros, 78,777 polegadas ou 2,18 jardas. Mas, será pelos pés, pelas mãos, pelo pensamento pelas acções? Não! Talvez pelo dinheiro, que tudo tende a comprar...

arau162.jpg5 A expressão comum no comércio oriental, “medida calçada, sacudida e transbordante” indicando que aquilo que fosse pesado ou medido deveria ser prensado, sacudido e, de modo que transbordasse do recipiente para benefício de quem receberia... Esses antigos tinham sua forma de pensar com retorno garantido: “A medida que usarem também será usada para medir vocês.” Pois! Eu, em tempos calçava a medida de sapato 73 mas, minguando, já só calço o 72 e, de unhas cortadas...

araujo102.jpg6 Normalmente, associamos estes princípios às questões materiais mas nesta fotografia falada teremos de não esquecer que para além de negociar, trocar, comprar e vender coisas, há virtudes e valores espirituais e fraternos a compartilhar de justiça e generosidade... Coisas dadas ao abandono! No choque do presente, um mundo imperfeito, também muito redondo nos silêncios, acho melhor nem referir o nome do patrão, do chefe ou do presidente. Eles são políticos e comem na mesma gamela… As circunstâncias medrosas não permitem que abra uma frente de guerrilha sem haver razões independentistas.

Ilustrações de: Assunção Roxo -1.2.3 e Mano Corvo Costa Araújo - 4.5.6

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:16
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2020
MUJIMBO . CXVI

MEDITAÇÕES DO T'CHING... Crónico nº 3056

ATITUDE RADICAL - Se o teu pé te faz tropeçar, corta-o... Um exagero feito forma de falar... - 01.09.2020

Por:

t´chingange 0.jpgT'Chingange No M´Puto do Al-Garbe

barao1.jpg De vez em quando, ouço pessoas, adultas anunciarem seu desligamento das redes sociais. Algumas descobriram que o tempo gasto na internet roubou delas porção ainda mais preciosa, que deviam empregar em comunhão com a Natureza, pois então...  Actividades mais frutíferas para si mesmas, para os semelhantes e para a eternidade, não se cumpre por omissão. Um deixa para lá porque Roma e Pavia não se fez num dia...

cinzas8.jpg Ninguém nega o valor das plataformas virtuais para interacção entre amigos e familiares, comunicação em tempo real à distância, e mesmo pregação duma fala mais convincente. Porém ocorre, que o inimigo sempre vai encontrar uma brecha para sugerir distrações ociosas...Isso! Conversação vazia, desperdício de tempo e armadilhas pecaminosas com muitos seios muitas, artimanhas eróticas e merdas sem sentido no aqui e, no além.  Sei de pessoas que caíram nas malhas do descaso, bem como de relacionamentos familiares que foram abalados ou mesmo partidas por via de comportamentos pecaminosos ou snobismo sem nexo.

girasol1.jpg Coisas que se oferecem inicialmente com a promessa de falsa segurança, sigilo e anonimato que somente ele, o dito cujo, sabe forjar. Pura e demagógica falsidade... No entanto, as redes sociais não são os únicos inimigos que se interpõem entre nós e o perigo. Há relacionamentos impróprios que como pecados acariciados, entram em muitos de nós. Por isso se recomenda que nos submetamos a uma cirurgia radical cortando o mal pela raiz! Mutilação de qualquer coisa que tenha o potencial de impedir nossa integridade...

ciga0.jpg Mateus, em seu quarto discurso do evangelho, adverte contra o perigo de se causar escândalo a quem quer que seja, pois os resultados podem ser eternamente fatais. E Isto, o mundo de hoje, todos o fazem com naturalidade, infelizmente.  E, caso ainda haja consciente ligação com qualquer causa indutora ao pecado e escândalo, este é o momento de renovação. Sejam radicalmente descartadas, pessoas ou coisas que se interponham entre o seu discernimento e a lógica das causas e efeitos... Detesto snobismos...

petrolina3.jpg Será melhor seguir preventivamente o conselho de Charles Spurgeon: "Não permita que seus pés andem voluntariamente  por lugares lamacentos. Nem permita que seu coração se encha com amargura”...

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:37
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Domingo, 30 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLIV

É proibido ser POBRE? - 30.08.2020

- Crónica 3055... Juntando meus estralhos, para entender se os alhos com bugalhos são um remédio eficaz para eliminar um bicho feito gelatina. Mas, então porque não fazem uma vacina com água e sabão!?

Por

t´chingange2.jpg T´Chingange – No M´Puto

roxo68.jpg A década de 1930 foi marcada por muitas histórias interessantes no Brasil. Uma delas seria cômica, se não fosse trágica. Ela aconteceu na cidade de Fortaleza, capital do Ceará. No ano de 1932, foi construído o primeiro arranha-céu da cidade. Os jornais publicavam manchetes anunciando a inauguração do hotel Excelsior. Era o orgulho da classe rica de Fortaleza. Subir até à cobertura do edifício e admirar paisagens, desde o mar até as montanhas era a diversão comum.

Uma coisa, porém, ameaçava o clima de riqueza da cidade. Desde o início da década, estava acontecendo uma das piores secas de todos os tempos no interior do Ceará, e muitas pessoas estavam fazendo o conhecido êxodo rural em direcção à cidade de Fortaleza.

apocri3.jpg A classe mais rica exigiu uma atitude do governo, que imediatamente criou sete currais cercados com varas e arames farpados, para onde eram enviados todos os retirantes da seca. Lá, eles tinham as cabeças raspadas e eram vestidos com sacos de farinha. Naquela época, era crime ser mendigo em Fortaleza, e a pena era ser enviado para esses quase-quase campos de concentração. Tratar os necessitados com maldade é pecado, sejam quais forem os motivos.

Mais que doar roupas e alimentos, cuidar com amor dos mais necessitados envolve olhar nos olhos, ouvir as histórias de vida, ajudar nos problemas emocionais, não se preocupar apenas com o estômago, mas também com o coração; estes procedimentos, aprendemos no dia-a-dia com gente do bem, familiares e afins...

pica2.jpg Mas, diz o sábio do livro dos livros que quem age assim, empresta a Deus; isso não significa que o Céu tenha qualquer tipo de dívida connosco. O que a Bíblia está querendo dizer é que, quando ajudamos uma pessoa pobre, teremos como recompensa a felicidade como devolução pelo que fizemos em forma de bênção.

Por isso, o versículo respectivo enfatiza a recompensa divina. Isso não é teologia da troca, mas um incentivo para que tratemos bem aqueles que não têm nenhuma vantagem a nos oferecer... Quando esteve na Terra, Jesus deu muita atenção àqueles que passavam por qualquer tipo de necessidade, principalmente aos pobres de espírito. Faça o mesmo por seu próximo e colherá certamente a recompensa da Natureza...

papal1.jpg De novo, volto a remover os ossos do passado espreitando pelo postigo da memória antropológica e, só graças à debilidade desta, a memória, irei fazer do tudo um romance condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão com tangas ou parras!

A nossa vida, de cada vez mais na mesma passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, com os sem etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, os cheiros encarquilhados misturam-se com iões de densidade molecular dos anos na leitura de carbono e eteceteras muito antigos e complicadérrimos… Só sei, no fim desta lengalenga, que vamos cada vez mais ficar fritos, esperando migalhas!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:44
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2020
KAPIKUA . XXX

SERÁ QUE VOCÊ SABE O QUE FAZ?

MEDITAÇÕES DO T'CHING - 20.08.2020

O risco da vida que, por coisa pouca muda nossas vidas… Crónica 3053

Por

t´chingange2.jpg T'Chingange - No M´Puto

relog1.jpg Há um provérbio que diz que a sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora. Um amigo envengelico de militância, manda-me coisas prudentes e, vai daí aguça-me o engenho da faladura. Uma pessoa prudente é sábia pois, sabe o que faz! A vida não é para ela apenas a sucessão de acontecimentos casuais. Ela pensa, medita, avalia seu procedimento, corrige o rumo de sua vida e recua quando percebe que está errada.

O termômetro para medir a “temperatura” de suas acções é a palavra vinda de cima, diz ele sem definir a dimenção quântica do tempo; se vem do além, do passado ou do futuro singindo-se a um agora, beliscado na singularidade dum nanosegundo... Se esta é a tocha que ilumina o seu caminho, acho bem que se lhe dê valor porque, somos só uma ilusão tal como o foram D. Afonso Henriques,  o Marquês de Pombal, o D. Pedro Imperador do Brasil, de Portugal, do Algarves e terras Dalém mar...

afon0.jpg E, também do Dom  Nuno Álvaro Pereira que venceu a Batalha de Aljubarrota, o Patrono dessa Ordem de Aviz que agora é indevidamente usada para atemorizar gente disparatada dos neurónios... Gente que não sabe estar, que risca a vida dos outros com mateba do mato feito morro, pintando portarias e arcadas com sangue a fingir de raiva com ódio...

Por este motivo. os minutos que você passa a sós com Nosso Senhor,  com a Natrureza, com o Alá e, ou o Buda mais o Seilásié ou o Chico Xavier que psicografou centenas de estórias. Antes de iniciar as actividades do dia, é indispensável reflectir sobre a sobrevivência do salmão! Para quê!? Para uma vida produtiva de todos os que cacarejam....

GALO0.jpg De todos os que arrulham, palram, gemem, gritam, urram, zurram e também os que grasnam, miam e assobiam com dois dedos enfiados nas goelas. Não basta apenas saber “como” realizar bem o seu trabalho. Fazendo as coisas com eficiência, você sempre será um bom empregado, um bom patrão, um bom governante ou cozinheiro mas e, se tomar tempo para pensar por que faz o que faz; E, se pensa demais,  acabará sendo um líder, ladrão, sindicalista ou Juiz com muitas varas, mais do que as de que José necessitou para tingir o Rio Nilo... E, nós todos ficamos quilhados com novos Zésares...

“A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho”, dizia Salomão, primo afastado do tal Salmâo... Assim, antes de tentar entender o caminho dos outros, entenda o seu.. Não existe fórmula mais perfeita para a eficiência...

O caminho dos tolos é diferente. Eles acham que sabem tudo e em realidade nada sabem. Apenas pensam que sabem, como eu que também tenho uns problemazitos nos carretos da engrenagem e, por isso, saio de meus muxoxos galagando impossibilidades. E, posso dizer que quando se engole desaforos, o resultado é a frustração e o desapontamento; E então, vou fazer como: - Ou mato ou morro - uma técnica de guerrilha, sábia de escapar  entre as bissapas  mesmo correndo o risco de me meter na selva do feijão maluco  ou,  cheirando formiga cadáver...

formiga cadáver1.jpg Você sabe o que faz e porque faz? Não tema aprender e, não se encolha, aconselhe-se, consulte. A receita para permanecer na ignorância sobre qualquer assunto da vida é  ficar satisfeito com suas opiniões e contente com o que sabe ou lhe dizem! A vida se encarregará de provar que você estava errado ou certo! Trabalhe o discernimento.

Faça deste dia, um dia de avaliação. Revise os seus procedimentos, analise sua trajetória e não se amofiine por não ter dito nesse então; diga agora! Nunca é tarde para começar de novo. Sempre é tempo de aprender e, surpreender...Está separando o tempo necessário para dialogar com seus filhos? Ou espera que tudo aconteça por acaso? Deixe-se de moleza e reflita nestas duvidas. Refletir é próprio de gente sábia...

dyo2.jpg Ser sábio ou insensato - Eis a questão! O tal do Além, sempre estará pronto a guiar e mostrar um caminho melhor àqueles que com humildade de coração o buscam. Não esqueça: “A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora”. Lembrem-se sempre do Sócrates Luso! Sim! Deste e, do outro que era Grego... Grego da Grécia!

Uma feliz Quinta, Sexta e Outras feiras

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:52
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLIII

NOSSO LINGUAJAR … NAS FRINCHAS DO TEMPO

Crónica 3052Como surgiu a expressão "Tchê"... 19.08.202

Por 

t´chingange2.jpgT´Chingange - No Al-Garbe do M´Puto

mess04.jpg Sotaques e regionalismos na hora de falar são conhecidos desde os tempos mais antigos do que  Jesus de Nazaré. No Brasil, Angola e Portugal - nos PALOPS, também existem muitos regionalismos. Quem já, não ouviu um gaúcho dizer: "Barbaridade, Tchê"? Ou de modo mais abreviado "bah, Tchê"?

Esta expressão, própria dos irmãos brasileiros  do sul,  os gaúchos, tem um significado muito curioso. Para conhecê-lo, é preciso falar um pouquinho do espanhol, dos quais os gaúchos herdaram seu "Tchê".

gaucho1.jpg Há muitos anos, antes do achamento por Cabral do Brasil, o latim marcava acentuada presença nas línguas européias como o francês, espanhol e o português. Além disso o fervor religioso era muito grande entre a população mais simples.

Por essa razão, o linguajar no dia, era dominada por expressões religiosas como: "vá com Deus", "queira Deus que isso aconteça", "juro pelo céu que estou falando a verdade", e assim por diante....

gaucho2.jpg Vai daí, uma forma comum das pessoas se referirem a outra, era usarem interjeições também religiosas como: - "Ô criatura de Deus, por que você fez isso"? Ou "menino do céu, onde você pensa que vai"? Muita gente especialmente no interior ainda fala desse jeito.

Os espanhóis preferiam abreviar algumas dessas interjeições e, ao invés de exclamar "gente do céu", falavam apenas Che! (lê-seTchê) que era uma abreviatura da palavra caelestis (se lê tchelestis) e significa do céu.

sertão1.jpg Usavam essa expressão para  surtir espanto, admiração ou susto. Era talvez uma forma de apelar a Deus na hora do sufoco. Mas também se serviam dela para chamar pessoas ou animais, "tchê, tira as mãos daqui "tchê, angê, zakucué" (de Angola...)

Com o achamento da América, os espanhóis trouxeram essa expressão para as colônias latino-americanas. Aí os Gaúchos, que eram vizinhos dos argentinos, acabaram importando para a sua forma de falar.

sanzala1.jpg Portanto exclamar "Tchê" ao se referir a alguém significa considerá-lo alguém "do céu". Angê é um chamamento em Angola - coisa levada pelos Tugas... Que bom seria se todos nos tratássemos assim considerando uns aos outros como gente do céu. aí ué angê! Feliz segunda-feira, terça e quarta féria...

Angê, mungweno, laripo...

O Soba T'Chiingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:17
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLII

MEDITAÇÕES DO T'CHING... NAS FRINCHAS DO TEMPO

ENCONTRO COM A VIDA -Crónica 3051 18.08.2020

Por

t´chingange2.jpg T'Chinhange - No Sul do M'Puto

bolso2.jpg Para viver plenamente, dizem estudiosos, o ser humano necessita satisfazer necessidades básicas como, por exemplo de pertencimento, de significado e, segurança para além de ir ao WC com a periodicidade natural de sua fisiologia...

Abraham H. Maslow elaborou uma lista de necessidades em forma de pirâmide, a conhecida “Pirâmide de Maslow”, em cuja base estão as necessidades fisiológicas, sobrepostas pelas necessidades de estima tendo no topo a  auto-realização.

maslow1.jpg Abraham Harold Maslow foi um psicólogo americano, conhecido pela proposta Hierarquia de necessidades de Maslow. 

maslow2.png Para sua frustração, na busca dessa tão almejada plenitude de vida, o ser humano tem andado por todos esses caminhos, muitas vezes limitando-se ao âmbito terreno.

Ao sentir aflorar a necessidade de desenvolvimento espiritual e de preencher o vazio do coração, ele homem ou ela, mulher, costumam desviar-se optando por produtos místicos de autoajuda, ou por aqueles cujo rótulo estampa a garantia de prosperidade material fácil.

mamoeiro.jpg A utopia comanda a fricção de vontade de cada qual na forma de vaidade, de futilidade ou fingida mentira nuna forma de faz-de-conta. E,  todos, de forma maioritária, se esquecem da dependência com o dito e escrito: “Eu sou o caminho,  a verdade, e a vida”...

Paradoxalmente, a fim de que obtenhamos a verdadeira vida, somos ensinados que devemos experimentar a morte: “Quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por Minha causa, a encontrará” - Muitos poucos caminham nesta diapasão por simples indiferença...

Para viver é preciso morrer... À parte de Cristo, nenhum sacrifício existe que valha a pena ser feito porque bem nenhum se torna digno de ser desfrutado, nenhuma conquista produz verdadeira satisfação pessoal sem uma fé...

urubu.jpg Ter a vida escondida em falsidade e em fantasias  é desfrutar pensamentos alheios a  coisas delineadas no prumo acertado.  É não experimentar tão íntima identificação com a natureza, de que somos habilitados a enfrentar no modo confiante e sereno nas preocupações do dia a dia... Somos uma ilusão...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:49
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2020
XICULULU . CXXVII

FRINCHS DO TEMPO - Janelas para a vida – 17.08.2020

Xicululu - Olho gordoCrónica nº 3050

Por

soba002.jpg T'Chingange - No Sul do M'Puto

fifa3.jpg Na hora certa, só tu existes para decidires como fazer teu caminho. A tua atitude diante das dificuldades da vida dependem da dimensão de tua fé e preparação espiritual para venceres. Se tens um Deus fabricado, qualquer problema será uma barreira na tua visão.

O ser humano é contraditório; gosta de pequenos deuses, afeições apenas para acalmar a consciência como “chaveiros”, “amuletos, “figas”, “estrelas” entre outros. Por repetição faz isso de forma automática e por isso  acaba acreditando em sua intuição.

javali1.jpg Limita-se a acompanhar sua crença confiante mas, haverá um certo dia que a tragédia pode chegar de forma inesperada e é diante das circunstâncias difíceis da vida, que se  descobre que todos esses pequenos conceitos intuitivos caem por terra como meros paliativos.

Paliativos que nada fazem mudar; que nada resolvem porque num repente dependes de factores adversos e, te sententiás nesse então nada na pequenez de tua ilusão caindo em desânimo... Sem aparente recurso!

gel2.jpg É essa realidade que levará um de cada nós a súplicar autoconfiança perante um Santo Graal bem na cave duma ligação secreta com acesso directo ao cofre. Cofre contendo os montantes dos lay-off e, todos os rendimentos mínimos para um qualquer cidadão continuar vivo.

Assim, viver um momento terrível confrontando-se com o delirio: - “Estou aflito e necessitado.” Da perspectiva humana, parece não haver solução - como ter forças sem delirios nem lágrimas para lavar o coração da angústia que o sufoca...

lampi2.jpg E assim, como pode uma multidão protestar em casa com a morte dum cidadão negro lá nas américas? O Deus dele não estava acima de qualquer outro deus qualquer e, mesmo suplicando não foi ouvido pelo Deus e puliça brancos...

Sendo evidente que quem respira está a resistir, confronta-se com uma ilegalidade, um quase crime, porque em verdade, uma pedra aceita a imobilidade de forma pacata.

pedras00.jpg Qual é o drama que você vive neste momento? Qual é a tragédia que parece destruir a vida de alguém que pede para respirar! Sentir-se indefeso, incapaz de fazer algo para se  ajudar, limitando-se a morrer.

Antes de iniciar a caminhada destes dias, separe uns minutos para meditar na grande estranheza da sua própria história não coincidir com aquele a quem Deus o não livrou por usar uma nota de vinte dólares falsificada! Eu, que ando com duas notas sujas mas, verdadeiras, trazidas da Tanzânia, que servem de talismã, dava-lhas de boa vontade - para o ver continuar vivo!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:14
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MOKANDA DO BRASIL . XIV

ANDO ENKAFIFADO NAS MALAMBAS

Existem algumas diferenças entre o contentamento e a alegria porque “a palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para se dizer” – Afinal Deus é branco e deveria ser Zebra para não  ser***: - racista, Noé!?

Malambas, são as palavras - Crónica 3049 17.08.2020

soba25.jpgAs escolhas de T´Chingange – No M´Puto do Al-Garbe

Via: - Maria João Sacagami ... Por: Burro Ramos

chicor4.jpg A máscara para mim é um instrumento de medo, de amordaçamento, de controlo, de subserviência. Um sujeito usando máscara pra mim, é o símbolo crónico e cabal do subjugo do ser humano que se sujeita aos mais impossíveis estratagemas para se manter vivo. A máscara para mim, é a prova mais viva de que o homem morre de medo da morte, portanto, indicia não ter compreendido, não conhece o caminho espiritual da vida.

Até um dia destes, recentemente, qualquer um que aparecesse na rua com uma máscara seria reprovado pois que máscara é ferramenta de bandido, de assaltante. Hoje, não usar máscara é coisa, indício de genocida. Entender assim, como a mente humana combina essas informações virando a chave da lógica e, de repente, indícios de uma doença, é um mistério...a não ser que... forças ocultas tenham um profundo interesse em testar um modelo de controlo psicossocial global…

cov3.jpg Toda a vez que vejo ou ouço "todo mundo usando máscara" impossível que minha mente não rebusque os estudos escatológicos da marca da besta que para mim é a mesma coisa. Mesmo modus-operandi. E falo isto agora, porque ainda me é permitido, porque eventualmente,  em um futuro próximo já não me permitam mais dizer o que penso...

A piedade “high tech” moderna, agora vem revestida de sua nova embalagem: O politicamente correto! Se por ventura, escorrega na narrativa, se destoa no canto uníssono do coral das muitas vozes da correcção liberal, você é demonizado, é bloqueado ou desterrado para o canto do silêncio. Sucede no Facebook, nas fiscalidades dum qualquer governo ou até pela máquina robot que faz triagem das noticias e fotos.

Têm que concordar! Tipo assim, se você usa máscara, você ama vidas; se você não usa a coisa, você é um monstro que não respeita vidas. Nas metáforas do evangelho nunca foi isso dito; pelo menos no evangelho que aprendi na vida desde minha infância. Dá para sentir que o evangelho sempre foi subversão, sempre foi o contrário do que a regra diz, sempre foi a renúncia, o ser perseguido, o ser odiado, o ser impetuoso.

DIA76.jpg Agora, qualquer borrabotas feito prefeito ou presidente de uma autarquia, manda ordens para se cumprir, senão vai para o xilindró!…Dizer como Jesus e João diziam "arrependei-vos" nos dias de hoje é crime, é infame, é preconceito, é injúria, até quase desvirtuado na mente, que vira racista porque Deus não é preto e afinal como ficamos! Segundo os ditames actuais, todos tem que viver da maneira como lhe convém sem ser perturbado. Será!?

E nesta toada, se você deixa de seguir o padrão, no uso da máscara, lá está você digno condenado de linchamento social. Bom! Como sou um ser que vive sob o contracto social de Thommas Hobbes* Essa noção de contracto traz implícito que as pessoas abrem mão de certos direitos para um governo ou outra autoridade a fim de obter as vantagens da ordem social, pra não escandalizar o próximo.

HOOBS1.jpg Sempre que sou obrigado e, invariavelmente condicionado a usar essa porcaria de máscara, uso! Mas sempre sob protesto e explicações sobre o que penso disto. De mais, jamais, jamais, jamais, colocarei esse troço na cara por obediência civil ou por medo de morrer de gripe… Se fizerem a chamada da lista dos escravos do sistema, meu nome não estava lá**…

Nota* : -Entenda-se: indica uma classe de teorias que tentam explicar os caminhos que levam as pessoas a formarem Estados e/ou manterem a ordem social….) 

Nota **: - O mais provável é encontra-lo no necrotério…

Nota***: - Essa noção de contrato de Thommas Hobbes traz implícito que as pessoas abrem mão de certos direitos para um governo ou outra autoridade a fim de obter as vantagens da ordem social. Nesse prisma, o contrato social seria um acordo entre os membros da sociedade, pelo qual reconhecem a autoridade, igualmente sobre todos, de um conjunto de regras, de um regime político ou de um governante. O ponto inicial da maior parte dessas teorias é o exame da condição humana na ausência de qualquer ordem social estruturada, normalmente chamada de "estado de natureza". Nesse estado, as acções dos indivíduos estariam limitadas apenas por seu poder e sua consciência. Desse ponto em comum, os proponentes das teorias do contrato social tentam explicar, cada um a seu modo, como foi do interesse racional do indivíduo abdicar da liberdade que possuiria no estado de natureza para obter os benefícios da ordem política.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
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Domingo, 16 de Agosto de 2020
MOKANDA DO BRASIL . XIII

ANDO ENKAFIFADO NAS MALAMBAS 16.08.2020

“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”… Crónica 3048

SOBA SCL 2020.jpg As escolhas de T´ChingangeNo M´Puto do Al-Garbe

Por: Jorge Serrão – No Brasil – (s) e Carlos Maurício Mantiqueira – No Brasil – (m)

brasil1.jpg As narrativas mentirosas (perdão pela redundância) continuam dominando o noticiário político de maneira vergonhosa. Os anjinhos da extrema midia de canhota se superaram. A versão fantasiosa de golpe militar do Bolsonaro é totalmente patética. Parece o conto de enviar o cabo e o soldado ao Supremo.

Só alguém muito sem noção vai embarcar na ideia de que o chefe do Executivo pensou em enviar militares para destituir os 11 membros do STF, substituindo-os por militares, para restabelecer a autoridade do presidente, que, em sua visão, vinha sendo vilipendiada pela Suprema Corte.

Pura narrativa que não merece crédito. Quem quer dar golpe não fala para o coleguinha general que vai dar golpe. Simplesmente dá o golpe e comunica depois. Como nada aconteceu, é mais uma lenda da esplanada para tentar pintar o Bozo como "fascista". Para com isso... Mais fácil acreditar na frase de efeito proclamada pela empregada da lavandaria do Palácio da Alvorada - e que não sabemos por que os oráculos da revista Piauí não pescaram no ar: - Tanque no STF? Só se for para lavar as togas sujas!

brasil2.jpg Não podemos aceitar o Brasil da Corrupção, do Crime, da impunidade e da “Ditatoga” (entenda-se por Ditadura…). É necessário um choque de honestidade, transparência e correcção na condução da coisa pública. Vamos começar a virada a partir da eleição municipal de 15 de Novembro. Que Deus Supremo, aquele real acima de Todos, permita que STF não imponha o tratamento via “Ozônio Retal “ contra o “Kung Flu”.

Os brasileiros já cansaram de tomar no covid... Proteja-nos, Presidente!

Enquanto isso, deve ter “tucanalha” apertadinho, talvez preferindo aderir ao tratamento alternativo contra Covid, com ozônio pela via anal, depois que a Operação Lava Jato mandou prender suspeitos de envolvimento em altíssima corrupção no Estado de São Paulo. Vade retro, Lava Jato!

bra1.jpg Um amigo extremamente optimista sempre diz: “Nasci nu; estou vestido. Lucro líquido!” Esta pandemia não foi uma crise comum, daquelas que já estamos acostumados. Nossos hábitos, estilos de vida e aspirações foram mudados para sempre. Esses lindos versos abaixo, de autor desconhecido por mim, definem bem o momento actual: "Um copo d'água, um pedaço de pão e nem sombra de leve mágoa tocará seu coração.”

Tantos os valores de uso das coisas como seu valor de estima, foram e estão sendo redimensionados. Hoje vivemos e temos nossas paixões, nossos ódios, nossas angústias e nossas esperanças. No futuro seremos apenas uma fotografia desbotada num porta-retratos empoeirado em cima de um móvel qualquer. Depois, nem isso. O Brasil seguirá como impávido colosso por ser obra Divina.

araujo169.jpg Nem todos os demónios de agora e do passado conseguirão impedi-lo de alcançar o seu brilhante destino. Terra que acolheu de braços abertos gentes de todos os rincões do mundo, de todos os credos, de todas as vitórias e derrotas, teve o dom de amalgamar esses bichos tão pequenos, sob a protecção da Cruz e sob a égide do Amor. O Amor pelo Brasil nos irmana a todos.

Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador - Suja a Jato

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:37
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020
KILUNDU . IX

O NASH DO EDU DO LUBANGO

NAS VISSAPAS E NA MULOLA DA MAPUNDAkilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto - 11.08.2020

Crónica 3047 ... Com EDU: Eduardo Torres em Porto-à-Mão

Por

soba15.jpg T´Chingange  - no M´Puto

nash3.jpg EDU FALOU: Eu que fui euro-africano, branco de 2ª, no boletim de matrícula do primeiro ano do Liceu, que fui obrigado a nacionalizar-me na Namíbia depois de lá estar a trabalhar um ano com um passaporte português; eu, que fui tornado num apátrida enquanto não consegui documentação para nacionalizar-me, venci sempre por onde passei. Por esses factos, durmo de consciência tranquila! Assim e, numa sintética linguagem, esvaiu-se num repente sem descrever seu velho carro, herança de seu pai.

Todo o homem a quem Deus concede riquezas e recursos, assim se tornam capazes de sustentar, de receber a sua porção de trabalho e desfrutar da vida com o dom de DEUS, noé!? Ele não se lembrará de muitas coisas mas tudo, lá terá o ADN com fungos, por onde quer que se tenha andado e, decerto se as coisas falassem, iriam refazer mutuas saudades. A riqueza de um homem não depende de muito ajuntar mas sim, de ter o conhecimento e o entendimento no adquirir sabedoria. Com estes dizeres Edu tornava-se um mwata de verdade…

nash6.jpg As coisas trazidas dos confins, iam ficando envoltas numa moldura bonita de sonhar; lá duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia, nomes de espantar pássaros xirikwatas, devoradoras de jindungo do Kavango ou Cubango. Cipaio EDU Mandinga, direitinho que nem um fuso, tudo olhava na escuta com vontade de saber.

Muxoxou que era muita areia prá sua camioneta depois de ouvir meus devaneios tortos e retorcidos que nem um despautério de chinguiços foi dizendo: -Lá terei de comer um “chip extra de memória e sistema integrado” para fosforescer tuas falas tão protestantes… A partir das recordações rodávamos ambos no tempo a cabeça em todos os sentidos observando coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas.

edu37.jpg Portas com ferraduras de muares e outros bicharocos cascarosos bem ao lado da cocheira do tal Nash, o carro feito espaventosamente fantasma. Podíamos adivinhar as forças ingrávidas de paredes furadas de renda ao seu redor e, aonde qualquer matumbo ficava espevitado na antiga tecnologia de ponta na feitura de carros com rodas de pneu maciço e botões feitos de chifre de Olongue. Foi quando desbravamos o conhecimento dessa máquina.

A Nash Motors foi uma indústria automobilística norte-americana fundada a 29 de Julho de 1916, em Kenosha, Wisconsin, nos EUA sendo extinta em 1954. Os primeiros automóveis com a marca nova, somente saíram da produção para o mercado no ano de 1917, ainda nós, nem éramos projectos de gente. Quando Charles Nash deixou o cargo de presidente, comprou a Kelvinator, uma fabricante de geladeiras colocando então o presidente da empresa, George Mason, no cargo máximo da Nash. Quem se lembra dessas frigoríficos grandes com chapa de mais de milímetro que também ressonavam na noite…

nash4.jpgSurgia então em 1937, a Nash-Kelvinator Corporation. Em janeiro de 1954, a Nash Kelvinator fundiu-se com a Hudson Motor Car Company e surgiu oficialmente a American Motors Corporation (AMC). E, foi assim que relembrando o EDU feito cipaio candengue da Chibia, que andamos por aqui e além com nossas lanças do tempo, feitos Massai da Ondângua e Namakunde, num jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango.

Numa mistura cafuza na cabeça dele e minha porque nunca no Lubango ouve tal caserna de bichos feitos carros de colecção!? Nash, só mesmo o de seu pai. As pessoas vendo-nos, passavam de largo como se nós também fossemos daqueles muitos idos anos e muito cheios de caruncho como dois duilos doirados com um sem número de fiapos pendentes nos translúcidos contornos…

Nash12.jpg Polindo o chão do passado tempo, ficamos como cipaios vaidosos apreciando fotos daquele tempo em que os carros tinham uma manivela para dar o arranque. Sempre em guarda, sorriamos de vez em vez, inadequados para ser testemunhas com carisma de Xi-Colonos de terceira geração – Só ele, eu não! Em realidade ele era mesmo um genuíno africano, embora branco, mas era! Só ele, eu não! E, assim num diz-que-diz ficamos na certa convicção que sem nós - T´Chinderes mais Xi-colonos, a África (leia-se Angola…) fica incompleta!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:45
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Domingo, 9 de Agosto de 2020
KALUNGA VIII

MOKANDAS XINGUILADAS NA MEDITAÇÕES DO T'CHING... 09.08.2020

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.Crónica 3046

Por

soba15.jpg T´Chingange No M´Puto

marcelo1.jpg

DESAFIOS - O que tiver de ser, vai acontecer - Desafios, responsabilidades e planos, fazem parte da vida de cada um de nós e, cada dia é uma nova aventura. Há aqueles cujo enfrentamento e realização não exigem muito esforço mas, outros revelam tão grande impossibilidade de cumprimento que nos diminuem, deixando-nos perplexos e, às vezes, indignados, quasequase taralhoucos... Com nosso anseio natural por conquistas ou movidos pelas necessidades de sobrevivência, costumamos traçar planos e sonhos pessoais - quem os não tem!? É certo que o selo da aprovação é impresso em todo projecto individual cujo objectivo passa por promover bem-estar próprio ou o bem-estar de seus mais próximos; isto se não tiver outras especiais apetências e ambições... Há quem por tudo e nada, tire uma SELFIE para constar nos anais e arrabais do M´Puto e arredores.

engraxador2.jpg Mas, se considerarmos nossa cultura de visão cristã, os projectos não se limitarão só ao que é terreno, porque os chamados a Deus, terão forçosamente de dar cumprimento a responsabilidades espirituais a quem o profere, mesmo que só o seja na forma dum devaneio suspirosamente involuntário. O temperamento dos tempos confinados mudaram a postura em nós, no que foi e já não o é! Assim com Ele, Jesus e, como servos dum passado colado ao sentimento, o presente já não o é daquele jeito, assim nessa forma tão simples com temor de ser pregado numa velha oliveira com pregos romanos artesanais. Meu compadre pastor de testamentos velhos e carcomidos no vento é que fica marafado por já ninguém ter medo do Deus lá do alto…

Ezequiel sentiu a doçura do chamado para profetizar entre o povo de Israel, sendo-lhe claramente dito que a tarefa seria amarga. Seu êxito, porém, estava condicionado à fiel perseverança na execução dela. Nesse tempo nem havia SELFIES para encafifar as mentes esmerilando nossos neurónios com coisas da treta e, com meninas usando fio para destapar as bonitas vergonhas… Já viram que este recado mal-amanhado vai direitinho para o menino Marcelo que delira brincar de presidente…

MANDRAK1.jpg Ao profeta, caberia apresentar a Palavra de Deus a um povo rebelde, mas ao Deus da Palavra caberia cuidar dos resultados. Nada e, ninguém caminha hoje por essas vias de que nos falam na forma de parábolas; os usos, os costumes e medos estão moldados noutros paradigmas. Então, você ente comum, depois de ter um vislumbre dessa suposta forma de glória, quais desafios precisa para enfrentar o hoje? Há decisões difíceis a serem tomadas, às vezes envolvendo pessoas, e sabe-se que, nem sempre há respostas favoráveis nas suas orientações. O "Se Deus quiser" é dito mesmo por quem não acredita, usando isso só mesmo como forma de falar…

avelós6.jpg Parece assim, já ninguém querer saber se é a mão do Senhor que os impulsiona, que sustenta ou, lhes aponta o melhor caminho ao jeito do PINÓKIO. Os demais filhos da terra e arredores, também enfrentarão desafios herdados de uma sociedade indiferente às realidades espirituais, onde cada um fica voltado mais para si. O lado tardoz da foto SELFIE com suas nuances de futilidades…

mulaa2.jpg Contudo, “quer ouçam quer deixem de ouvir”, todas as pessoas devem receber a mensagem da graça divina pelo seu testemunho, querendo, ou não! A graciosa mão do fio da vida não lhe será retirada, sejam esses desafios de concretização fácil ou de uma quase impossibilidade. O que não foi possível ontem pode sê-lo hoje e, isso é tudo o que importa para se entender o verdadeiro êxito na vida... Viva o M´Puto – Portugal… O que tiver de ser, vai acontecer...

O T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:19
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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2020
CAZUMBI . LXIV

MOKANDA ANTIGA - ODISSEIA ANGOLA . Parte IV de IV - AGOSTO DE 1975

Crónica: 3045

Emocionante. Uma crónica maravilhosa para os meus amigos de Angola, especialmente para os que fizeram a CARAVANA de fuga pelo deserto até à África do Sul. Vou notificar alguns amigos que sei que lá estiveram nas caravanas e seguiram na travessia do deserto kalahári e Costa dos Esqueletos…1975 - 2020

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbo

Por

Sónia1.jpg Sonia Zaghetto

sónia2.jpg Em Tsumeb, um novo acampamento, as mesmas barracas de campanha. Mas a comida era melhor, assim como o tratamento que recebíamos. Ficamos pouco tempo. Conseguimos ser aprovados na seleção, graças a meu futuro cunhado e por eu ter começado a servir como intérprete. Benditas aulas de inglês.

Mudamos de campo outra vez. Fomos para Grootfontein, mais próximo a Pretória. O campo era um presidio que estava sendo desativado. Restavam lá uns 3 ou 4 presos, todos idosos. O presidio era formado por várias casernas e eles nos separaram. Tinhamos refeitório com mesa e bancos, e a comida era surpreendente. Imagine, senhor, que comemos até sobremesa de maçã caramelada no forno. É que os presos eram os cozinheiros. Fiz amizade com um deles. Tinha 65 anos e estava preso há 30 pelo assassinato da esposa num acesso de  ciúme. A filha não o visitava. Depois que saí do campo e ele da prisão, fui à casa dele. Era um homem gentil – como pudera fazer aquilo? Mistérios do coração humano que jamais saberei.

suku2.jpg Continuei sendo intérprete junto à assistente social e ao diretor do campo. Meu futuro cunhado arrumou emprego numa fazenda. Meu namorado logo sairia, mas eu era menor de idade e não poderia deixar o campo. Estava dificil para minha mãe. Ir para Portugal estava fora de questão, dado o desprezo com que nos tratavam. Eu e Zé decidimos casar. Minha mãe passou a ser minha responsabilidade (acredita que até hoje ela fica muito zangada quando lembra disso?). E assim, no dia 6 de novembro de 1975, casei dentro de um presidio que funcionava como campo de refugiados. O diretor e a assistente social foram nossos padrinhos.

kuito8.jpg Os soldados que tomavam conta do campo fizeram uma cotinha e pagaram a nossa festa e a lua de mel num hotel na cidade. O casório teve bolo, vestido de noiva e tudo, viu? O Jeep do exército nos levou ao hotel. Os soldados ficaram dentro do Jeep vigiando para que não fugíssemos. De madrugada, acordei com dor de ouvido. Na recepção não havia remédios, as farmácias só vendiam medicação com receita. Os soldados me levaram para o hospital, onde fui atendida. Ao voltarmos para o campo, os soldados contaram para todo mundo a aventura. Não escapamos à gozação geral: “Nem os ouvidos poupaste à miúda, Zé?”

kuito2.jpg Casada pelas leis sul africanas, no dia 11 de novembro casei na Igreja e duas semanas depois casei novamente no consulado português. Em menos de um mês casei três vezes. Felizmente, com o mesmo homem. E assim deixei minha terra. Um ano na África do Sul foi suficiente para sabermos que lá não era o nosso lugar. Além da cultura muito diferente, começavam a ocorrer ali os mesmos episódios violentos que havíamos testemunhado em Angola. Decidimos mudar. Escolhemos o Brasil, país que desde minha pré-adolescência eu sonhava conhecer.

Partimos para Portugal a fim de cuidar da burocracia. No dia 7 de fevereiro de 1977 zarpamos num navio italiano rumo a Santos, onde desembarcamos dez dias depois. Eu estava com seis meses de gravidez.

fuga8.jpg A imensa maioria dos brasileiros nos recebeu de braços abertos, principalmente as pessoas mais humildes. Alguns, mais abastados, nos tratavam friamente, mas nunca fomos hostilizados. Aos poucos aprendi a amar a terra nova, a querê-la a ponto de ficar amuada quando falam mal dela. Percorri este Brasil quase todo, conheci cada lugar que nem tens idéia, senhor. Andei por picadas, atravessei pontes que eram apenas duas tábuas paralelas, morrendo de medo que elas quebrassem e o carro despencasse. Comi queijo de coalho em casebres de gente mui simples e coração enorme. Ah, senhor, que país maravilhoso é esse teu Brasil!

Descasei, casei de novo.

Quando a  saudade dava botes sobre a gente, o Walter fazia a muambá. Comprava cachos de dendê e tirava o óleo em casa mesmo. Era o único jeito de ficar igualzinho ao de Angola. Aqui as frutas são praticamente as mesmas que tínhamos, a temperatura  e as praias também, mas não é a minha casa, entendes senhor? Aqui eu me sinto bem, mas falta o cheiro da minha terra, falta o cacimbo e a silhueta única do imbondeiro em meio à névoa.

guerri3.jpg Há uma ausência que não consigo definir. Tudo tão igual, mas ao mesmo tempo diferente. Talvez a gente seja mesmo filho de nosso chão, não sei. Parece que nesta paisagem familiar falta a alma da minha terra, a casa que posso realmente chamar de minha.

Eis-me aqui, senhor, aos 60 anos, com três filhos e dois netos brasileiros. Sou feliz, bem sabes, mas a saudade é bicho traiçoeiro: quando a gente menos espera, ela surge, arrepiando a pele, cravando as unhas na carne, abrindo ocos no peito. Recolho então minhas lembranças, as músicas e fotos de minha terra, e choro. Mansamente.  Angola ainda vive em mim. Como tatuagem de alma."

FIM

Sonia Zaghetto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:04
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Quarta-feira, 5 de Agosto de 2020
CAZUMBI . LXIII

MOKANDA ANTIGA - ODISSEIA ANGOLA . Parte III de IV - AGOSTO DE 1975

Crónica: 3044

Emocionante. Uma crónica maravilhosa para os meus amigos de Angola, especialmente para os que fizeram a CARAVANA de fuga pelo deserto até à África do Sul. Vou notificar alguns amigos que sei que lá estiveram nas caravanas e seguiram na travessia do deserto kalahári e Costa dos Esqueletos…1975 - 2020

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbo

Por

Sónia1.jpgSonia Zaghetto

guerra13.jpg Aprendi, nessa época, que tudo o que está ruim pode piorar. Minha familia deixou Nova Lisboa, assim como meu namorado e a mãe dele. Eu fiquei. Aguardava minha mãe, que tentava sair de Luanda. De repente me vi  sozinha, aos 16 anos, num país que se esfacelava e numa cidade em que os grupos guerrilheiros se enfrentavam para dominar o território. Agora havia tiroteios em toda parte. Passei a morar na sede da Cruz Vermelha. Finalmente minha mãe chegou e conseguimos uma carona para Sá da Bandeira, mais ao sul. Fomos de camião, minha mãe na boleia com o motorista e a esposa dele; eu e os filhos dele no meio da carga de batata. Até hoje, meu senhor, o cheiro de batata me agonia. É cheiro de fuga, de desesperança e perda.

Em Sá da Bandeira reencontramos meu namorado e a familia dele, com quem tinhamos combinado sair de Angola. A confusão era enorme. Gente andando de um lado pro outro, tentando encontrar familiares ou arrumar um jeito de sair dali, gente sem um centavo até para comprar água. Faltava comida, além de esperança.

Não lembro exatamente da data em que finalmente saímos em caravana (onze carros e um camião) à noite pelo meio da mata, com destino à fronteira com a África do Sul. Sei que era início de agosto. Durante a viagem encontramos duas patrulhas de guerrilheiros. A primeira foi mais tranquila, aceitaram o suborno de cigarros. Já a segunda foi apavorante: queriam nos prender de qualquer jeito. Segundo eles, éramos ladrões das riquezas de Angola. Todo aquele zelo patriótico não resistiu à propina. Além de cigarros e bebida alcoólica, demos dinheiro para que nos deixassem seguir.  O sol começava a nascer quando encontramos uma coluna do exército da África do Sul. Ainda estávamos em território angolano, a cerca de 10 quilômetros da fronteira, mas eles nos escoltaram até um campo de refugiados já em território sul-africano. Foi o primeiro campo em que ficamos.

sónia2.jpgEu sentia  raiva, meu senhor. Muita raiva! Uma revolta surda contra os brancos portugueses, que nos exploraram durante séculos e agora nos viravam as costas dizendo que éramos brancos de segunda classe. Revolta contra os negros, por acharem que a diferença na cor das nossas peles fazia que fôssemos diferentes deles. Éramos todos angolanos, mas apenas nós estávamos sendo expulsos de nossa terra e não tínhamos para onde ir.

O acampamento era feito de barracas de campanha. Sabes como é, senhor, aquelas barracas verdes do exército? Na nossa barraca dormiam seis adultos e duas crianças. Cada um recebia um um cobertor e três refeições por dia. Comida pouca, ninguém ficava saciado, mas matava a fome. Estávamos agradecidos, pois os sul-africanos faziam mais por nós do que o governo de Portugal. Esse acampamento – destinado a angolanos e moçambicanos – era um local de filtragem. A alguns era vedada a possibilidade de ficar no país. Esses eram logo encaminhados ao grupo consular português e enviados ao aeroporto, onde aviões da África do Sul os levavam para Portugal. Outros eram mandados a outros campos de refugiados.

araujo176.jpg Nós, graças a meu futuro cunhado, que era engenheiro agrícola e já tinha uma promessa de emprego, fomos para outro campo. Escoltados por uma coluna do exército, seguimos para Tsumeb. Na estrada para Winduck, havia uma cidadezinha. Avistamos gente nos esperando. Abordaram o oficial do exército que nos conduzia e pediram para nos dar abrigo naquela noite. Desconhecidos encharcados de solidariedade, que queriam nos oferecer o alimento mais precioso, esperança.

gad3.jpg Eu e minha mãe fomos para casa de um casal idoso que nos acolheu com uma refeição quente, um banho e uma cama quentinhos. Estava tanto frio. Pela manhã, logo depois do café, nos levaram à loja da filha deles, onde já estavam a minha futura cunhada e sogra. Disseram para escolhermos as roupas que quiséssemos.  Nesse dia fiz as pazes com Deus. Aquelas pessoas me apresentaram o outro lado da humanidade, feita de bondade com quem está refém da tragédia. Só podiam ser emissários do Divino, anjos perdidos no interior da África.

(Continua…)

Sonia Zaghetto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:58
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Terça-feira, 4 de Agosto de 2020
CAZUMBI . LXII

MOKANDA ANTIGA - ODISSEIA ANGOLA . Parte II de IV - AGOSTO DE 1975

Crónica: 3043

Emocionante. Uma crónica maravilhosa para os meus amigos de Angola, especialmente para os que fizeram a CARAVANA de fuga pelo deserto até à África do Sul. Vou notificar alguns amigos que sei que lá estiveram nas caravanas e seguiram na travessia do deserto kalahári e Costa dos Esqueletos…1975 - 2020

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbo

Por

Sónia1.jpg Sonia Zaghetto

fuga10.jpg Meu pai só vi duas vezes. Na primeira eu tinha seis anos e ele me levou pra passar o dia na casa dele e conhecer sua esposa e filhos. A segunda vez foi aos 16 anos. Ele me encontrou na rua, na garupa da moto de um amigo e repentinamente se lembrou que era pai. Mandou eu descer e ir pra casa, que filha dele não andava de moto. Ah, meu Senhor, filho mal havido nem sempre engole sapo – anote aí. Disse-lhe que não era meu pai, que não passava de um reprodutor. Depois disso nunca mais o vi. Tudo o que sei dele é que vive em Portugal.

A vida em Angola enchia de festa meu coração adolescente. Com os Escoteiros Marítimos da Praia do Bispo acampei em ilhas e praias distantes, participei de paradas militares, visitei hospitais e presídios. Com grupo de dança folclórica Rancho da Casa do Minho dancei em campeonatos e apresentações. Vi o nascer do sol na praia da Ponta da Ilha, andei de moto nas dunas da praia do Sol e acampei na paradisíaca ilha do Mussulo. No Baleizão comi prego no pão com Coca-Cola. Nos bares à beira da praia comi santola, camarão, peixe no molho de dendê, muamba com pirão de milho. Eu nem sabia, senhor, que fabricava as lembranças mais caras. Um dia elas seriam os retalhos coloridos da minha colcha de saudades.

fuga11.jpg Tudo mudou em abril de 1974. Angola ansiava pela justa independência. Estávamos numa entressafra de tranquilidade. O terrorismo de 1960 quase não existia mais. Os guerrilheiros tinham sido rechaçados pelas tropas portuguesas. Porém, com as mudanças na política de Portugal, tudo mudou nas colónias lusitanas na África. Grândola Vila Morena deu a senha para os cravos florescerem nas armas. Marcelo Caetano caiu. O socialismo venceu em Portugal: Álvaro Cunhal, Mário Soares e seus camaradas, agora no poder, apoiaram a independência e o Movimento Pela Libertação de Angola, liderado por Agostinho Neto e patrocinado pela ex-URSS, Cuba e Alemanha Oriental. Mas no país existiam também a Frente Nacional de Libertação de Angola, de Holden Roberto, apoiada pela França e pela Bélgica; e a União Nacional pela Independência Total de Angola, de Jonas Savimbi, apoiada pelos Estados Unidos. Os dois grupos não aceitaram os favores de Portugal ao MPLA.

Iniciou ali, senhor, a grande guerra civil que devorou o meu país por três décadas. A violência aumentava a cada dia. Balas perdidas, rajadas de metralhadora, morteiros de bazuca e granada passaram a ser rotina. Quantas vezes, tínhamos que nos jogar no chão, dentro da sala de aula ou de cinema? Lembro de um dia em que Jesus Christ Superstar estava na tela enquanto eu, deitada no chão no cine Tivoli, ouvia as balas assoviarem sobre a cabeça.

Era difícil para todos, mas quem tinha pele branca, como eu, caiu em um limbo. Eu não era colonizadora, nem exploradora. Era uma adolescente angolana, pobre e agora considerada inimiga. Em meados de Março de 1975, começamos a cumprir o toque de recolher. A partir das 16h, brancos não podiam andar nas ruas sob pena de serem presos ou mortos por grupos guerrilheiros. Estes não eram mais chamados terroristas e sim aclamados como heróis da libertação. Havia assassinatos de homens brancos todo santo dia. As mulheres sofriam mais: eram seviciadas antes de morrer. Minha mãe rendeu-se ao medo: em Junho daquele ano me mandou para Nova Lisboa, onde tínhamos familiares e as coisas estavam mais tranquilas.

fuga13.jpg Muitas famílias estavam fugindo do norte do país e indo pra a nossa região, onde recebiam apoio da Cruz Vermelha Internacional para deixarem o País com destino a Portugal ou à África do Sul. Comecei a trabalhar como voluntária num dos postos da Cruz Vermelha. As caravanas do norte se multiplicavam. Eram tantas, que houve dias em que não dormíamos. Engolíamos pedaços de pão enquanto limpávamos ferimentos, distribuíamos comida e dávamos informações. Quando conseguíamos parar por alguns minutos, encostávamos o corpo nas caixas de alimentos e dormíamos em pé mesmo.

fuga9.jpg A multidão rugia em desespero. Gente à procura da família, gente abatida e sem rumo. Derramavam grossas lágrimas, lamentavam-se em alta voz pelos parentes mortos, pelos bens perdidos, pelas emboscadas às caravanas. O bicho homem é bruto, meu senhor.

Lembro muito bem, ainda hoje, de uma caravana. De um dos carros desceu uma família atacada na estrada. A mãe tinha uns olhos perdidos e carregava o filhinho no colo. Seu choro era um chicote que arrancava lascas da gente e tingia de cinza o vasto mundo. Implorava que lhe salvássemos o menino, mas ele, senhor, já estava morto. Nesse dia, lembro-me bem, rompi com Deus. Reneguei-o. Era bem certo que nenhum ser supremo e bom poderia criado tal humanidade perversa e tanta dor a fustigar as costas dos inocentes.

(Continua…)

Sonia Zaghetto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:30
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2020
CAZUMBI . LXI

MOKANDA ANTIGA - ODISSEIA ANGOLA . Parte I de IV - AGOSTO DE 1975

Crónica: 3042

Emocionante. Uma crónica maravilhosa para os meus amigos de Angola, especialmente para os que fizeram a CARAVANA de fuga pelo deserto até à África do Sul. Vou notificar alguns amigos que sei que lá estiveram nas caravanas e seguiram na travessia do deserto Kalahári e Costa dos Esqueletos…1975 - 2020

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbo

Por

Sónia1.jpg Sonia Zaghetto

sónia2.jpg "Já sentiu saudade de sua terra, senhor? É uma coisa que brota na fundura do peito, percorre bem devagar a pele, arrepia os pelos dos braços, bambeia as pernas. Garra de unhas pontudas, pega o coração da gente e espreme lentamente". Pingam gotas vermelhas que abrem uns vazios na alma dos homens. Houve um tempo em que eu não sabia o que era saudade de casa.

Nasci numa cidade do sul de Angola, Nova Lisboa. Hoje ela se chama Huambo. Era o dia 2 de abril de 1958 e minha mãe tinha 16 anos. Solteira. Meu avô não queria que eu nascesse, não. Minha mãe bateu o pé e foi enfiada num convento para que eu nascesse lá. Depois eu seria dada para adopção. Minha mãe bateu o pé de novo: agarrou-se a mim – sua carne, seu sangue. Fiquei. Até completar um ano, vivi entre os hábitos das freiras, ninada pelo som das orações, dos cânticos, dos sinos, filha das Ave-Marias, das Salve-Rainhas, dos Pai-Nossos sentidos.

Talvez minha mãe tenha rezado muito, não sei. Talvez os santinhos que me viram chegar ao mundo tenham adoçado o coração de meu avô. O certo é que de repente ele se viu apaixonado por mim. Veio nos buscar. O que sei sobre essa época é o que minha mãe contou. Eu mesma de nada lembro. O que ela conta é que eu e meu avô não nos separávamos. Alto, de cabelos grisalhos e sorriso largo, ele me carregava nos ombros pra todo lugar e me mimava, me ensinava a ser respondona, não permitia que a mãe me castigasse. Só ficamos na casa dele até eu completar três anos. Mamãe não tolerava a “madrinha”. A bem da verdade, não era madrinha – era madrasta.

fuga1.jpg Minha avó morreu quatro anos antes do meu nascimento. Assassinada. Estava na cozinha e um homem chegou. Disse estar com fome, pedia comida. Minha avó se compadeceu: sabia dos sofrimentos dos homens negros em Angola. Mandou-o entrar e sentar-se à mesa. Enquanto servia o prato, o homem se levantou. Como uma pantera, veio por trás e a estrangulou. Minha mãe e meus tios menores estavam no quintal, brincando. Nada viram. Ficou a lição de que algumas criaturas – não importam a cor da pele – são diabos. Ah, se são…

A casa do avô, em Nova Lisboa, tornou-se lugar das férias até os meus 10 anos. O avô trabalhava de sol a sol na chitaca. Levantava às 5 da matina e ia pros campos de sisal, abacaxi, laranja, goiaba, tangerina, caju. Às 9 horas, eu e os primos levávamos o matabicho para ele e prós trabalhadores. Era bom aquele tempo de brincar, nadar no lago, subir nas árvores, cravando os dentes nas frutas colhidas no pé, correr atrás de patos e galinhas e dar cigarro aos camaleões só para vê-los mudar de cor e despencar do galho completamente chapados.

Até hoje, senhor, não encontrei comida melhor que a da senzala. Todos juntos, brancos e negros, comendo pirão ao molho de dendê e peixe-seco. Que saudade agora me dá de pegar o pirão com a mão, molhar no dendê e depois lamber os dedos besuntados. Não há nada melhor, viu?

fuga3.jpg Quando eu e minha mãe saímos de Nova Lisboa, fomos pra Luanda. Ela trabalhava como costureira. Foi assim que me criou, sentada na máquina de costura. Cresci entre tesouras, linhas e tecidos, rendas e fitilhos. Grandes espelhos reflectiam as senhoras elegantes que chegavam a toda a hora. Minha mãe era a melhor: só trabalhava pro high society de Luanda. Noivas? Eu juro, senhor, que perdemos a conta de quantas ela vestiu – uma mais bela que a outra.

Adolescente, estudei num colégio de freiras, o melhor de Luanda, o mais caro. Era bolsista e tinha a obrigação de ter notas altas. Entrei no colégio por recomendação do presidente da Câmara de Luanda, cuja esposa era cliente da minha mãe. Gosto de lembrar desse colégio. Ali fiz grandes amizades, algumas duram até hoje, embora separadas por oceanos. Foi lá, também, que aprendi a me defender. Filha de mulher solteira, quantas vezes me chamaram de bastarda? Nem lembro. Eu reagia. Não nasci para baixar a cabeça, não senhor.

fuga6.jpg Morávamos num apartamento bem pequeno. Quarto e sala, cozinha, banheiro e uma sacada minúscula, de frente para o mercado municipal, que a gente chamava de Kinaxixi ou Mercado da Maria da Fonte. Na época de provas eu acordava às 3 da madrugada. Quando os feirantes começavam a arrumar as bancas, eu aparecia na sacada e berrava para que parassem de fazer barulho, que eu precisava estudar. Eles riam e moderavam a barulheira. Depois de um tempo, eles se acostumaram a conferir: se a luz do quarto estava acesa, já gritavam “Hoje vamos ficar quietos. Vai estudar, miúda!”.

(Continua…)

Sónia Zaghetto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:21
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Terça-feira, 28 de Julho de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLVII

TEMPO DE MEUS KITUCUS (mistérios). MEDITAÇÃO DO T'CHING...

SOB A LUZ DA LUA, na LUUA... Crónica 3041 28.07.2020

Publicada em KIZOMBA a 24 de Julho de 2020, e agora, complementado…

Por

soba0.jpeg T´Chingange - (Ot´chingandji) - No Sul do M´Puto – Barlavento

banco de angola1.jpg Ontem, dia 23 de Julho de 2020, visitei a página social dos Kaluandas no Facebook e, fiz um reparo acerca do edifício do Banco de Angola, uma construção magnífica dos anos 50 de século passado tendo então afirmado que os construtores daquela obra tiveram de regressar ao M'Puto quando do 11 de Novembro de 1975, sem poderem trazer essa obra de arte no bolso...

Que seria bom que os mwangolés reconhecessem esse labor colonial e deixassem de retaliar os milhares de ex-colonos na generalidade, pois que estes, aí deixaram um vasto património... Para surpresa minhas, todos referiam a foto com adjectivos de lindo, belo e edecéteras singelos sem nada mais dizerem e, eis que em seguida seu administrador faz um reparo sem sentido, apagando o meu comentário, no qual, referia algo de histórico! Referia a criação da moeda Kwanza por Said Mingas (Avelino dias Mingas)…

banco de angola2.jpg Achei um despropósito pelo que, concluí ser esta página, uma das muitas de lavar a imagem ao desgoverno com mais de 45 anos – o MPLA…Terei aqui de referir ser este modo de publicitar fotos de Luanda uma desajeitada forma de engraxar os homens do candomblé do MPLA dando ao povo uma imagem enganosa. Uma página feita, provavelmente por gente que só quer agradar aos ditos donos daquilo e, daí, tirar proveito ou "gasosa" de sua bajulice ou lambujice! Claro que só mostram o lado vistoso, sabendo nós a precária e decadente situação dos bairros da periferia e antigos musseques no que concerne a infraestruturas minimamente satisfatórias.

Assim, apreciar, interpretar e entender o significado de obras de arte nem sempre é uma tarefa simples para quem se programou num objectivo de agradar; tudo depende do contexto! Às vezes, é preciso que se tenha conhecimento da perspectiva, ideias e pontos de vista do autor, a fim de entender o que ele quis expressar em um quadro, uma foto, uma obra como o "Kinaxixi" por exemplo. Um património referenciada nos canhenhos da arquitectura mundial e, que simplesmente foi demolida por este governo, para dar lugar a uma torre - coisa de puro negócio de cambalacho!

banco de angola3.jpg Lembro-me de ter lido, tempos atrás, um relato sobre um grupo de estudantes que foi levado por uma professora a um museu de arte. A certa altura da visita, algumas alunas pararam interessadas em analisar detalhadamente um belo quadro pintado a óleo. Pareciam confusas e sem entender a beleza da obra. Percebendo a perplexidade delas, a professora levou-as a um lugar específico da sala e explicou: “Meninos, este é o ponto a partir do qual o pintor deseja que olhemos aquele quadro.”  

Dali, os alunos puderam captar toda a beleza da pintura que não tinham conseguido ver quando estavam em cima dela. Tal e qual como o tempo que nos leva a descrever muitos anos depois as coisas que no comum daqueles dias, eram normais no labor dum território com as instituições funcionando com a dignidade requerida. Meu pai trabalhou naquele edifício quando se passou a usar Kwanzas em substituição dos escudos angolares e, que eu saiba, seu nome não consta num qualquer painel. Talvez conste o de Said Mingas, meu colega de carteira na Escola Industrial de Luanda e, durante anos! O Avelino Dias Mingas! Com a revolução inverteu o Dias em Said, procedimentos emancipativos, pois!…

banco de angola4.jpg Só que meu pai branco saiu de lá com uma bala no corpo via M'Puto por via do 27 de Maio de 1977! As paredes, as fachadas, as fotos, nada disso mostram! Muitas vezes, o quadro da vida de um imóvel torna-se obscuro, tornando-se até difícil de ser entendido e apreciado por observadores limitados como o é a maioria de nós. Mas, se falarmos, as esquinas a nós afectas, ventilam segredos! Isto acontece quando em meio a dificuldades e problemas não conseguimos ver a mão do Artista, o feitor da coisa e a partir do projecto, aplainando paredes, encastelando tijolos, nivelando superfícies, contornando obstáculos, harmonizando contrastes depois de levantar seus andaimes.

O banco de Angola, é o edifício que melhor simboliza a arquitectura do Estado Novo de feição neoclássica portuguesa; impõese não só pela sua arquitectura mas também pela monumentalidade, grandiosidade e riqueza. Foi concluído em 1956 e projectado pelo arquitecto Vasco Regaleira, que o identifica da seguinte maneira: " idealizou-se um edifício que arquitectonicamente se integrasse na época setecentista, e dar exemplo das condições da nossa tradicional adaptada à colonia… O hall de entrada tem uma escadaria monumental em mármore e colunas jónicas, que sustentam um tambor e cúpula. O seu interior é decorado com azulejaria que representa a chegada dos portugueses aos reinos do Kongo e de N’gola. Do ponto de vista simbólicoexpressivo, o edifício tem um grande impacto visual. Situase na Avenida 4 de Fevereiro nº 135169…

banco de angola5.jpg Assim, como gravando na tela uma história possível de ser entendida, somente do ponto de vista da eternidade como é o caso do Banco de Angola e, aonde meu pai queimava cédulas com palancas, pontes, silos e estradas a culminar um ciclo! E, miseravelmente, mijam agora em cima do historial do que foi e já não o é! Não o é agora, relevante apreciar a tela da existência sem descrever sua integridade. A vida inteira deve ser orientada e observada do ponto de vista desse ângulo do tempo para ser possível entender muito do que nos afecta no aqui e agora e, na natural sequência dum passado.

Sendo assim e tendo Deus como a suposta fonte de luz, sob seu brilho poderemos só nele, ver a luz da verdade, da esperança, da confiança e da certeza quando tudo nos parecer periclitante e escuro com paradigmas perniciosamente confusos da ingratidão! Não é sob a óptica embaçada de nossos entendimentos ou das nossas filosofias humanas que iluminaremos todos os detalhes que nos deixam perplexos diante da vida. Tomemos por exemplo a perca da nacionalidade angolana, tendo-se lá nascido! Isto não estava escrito nesse acordo do Alvor! Pois então, lá teremos de meter o dedo na ferida buscando essa luz da ilógica enquanto nos submetemos às mãos modeladoras dos artistas feitos políticos; desses que modelam muito mal nosso barro! Nossa vida - Obra de torpitudes... com uns monangambas a bajular suas excelências…

O Soba T'Chingange, no M'Puto...



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:35
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLVI

TEMPO DE MEUS KITUCUS (mistérios). NAS FRINCHAS DO TEMPO - Crónica 3040

- N´gana N´Zambi, comendo saquinhos de muxima no M´Puto 22-07.2020

N´gana N´Zambi – Meu Senhor

Por

soba0.jpeg T´Chingange - (Ot´chingandji) - No Sul do M´Puto – Barlavento

roxo170.jpg Boligrafando minhas torpitudes, pude ler e escarafunchar nas notícias, o quanto o povo português é ingénuo, dando ouvidos a estórias de carochinha e, também em sequência, é levado na curva pelos ícones da roubalheira; trata-se de avivar gente de gabarito que, acobertados pelo nome de Espirito Santo, se agigantaram. Pois é! Havia um “cérebro” que era o supra-sumo, o conhecedor da dimensão total de sua genuína “malvadez” que de Santo, nada tinha! Chama-se Ricardo Salgado.

Um mestre de alto coturno na arte de operar por manipulação da realidade com o dinheiro dos outros; algo assim, comparável com as grandes máfias, das maiores organizações criminosas do mundo. Debaixo de um nome santificado de Espírito Santo formataram o maior império do mal em território Luso desde que o M´Puto se conhece como Pátria. Ricardo Salgado, o Dono Disto Tudo, o DDT que manobrava políticos e afins…

salgado1.jpg E, como quem limpa o cú a crianças, comparação a grosso modo para caricaturar as gentes que o elevavam às nuvens, estas tristes criaturas-bajuladoras, gente que todos os dias aparece nos écrans com holofotes de magia, descambaram da arrogante postura de subserviência, subjugados à triste inverdade em sua máxima valência. Como foi que gente supostamente da máxima competência na forma de lidar com o dinheiro, com gente diversa, se deixaram corromper tão levianamente por quem só tinha em mente o lucro, usando fraudulentamente a subtracção do bolso do contribuinte, do dinheiro dos outros (o nosso)…

E, é assim que numa longa maratona judiciosa destapam o perfeito filtro para revelar o pior de Portugal se, saltarmos essa triste estória descolonizadora, mas, e também daqui, tirarem o proveito dos decadentes territórios ditos Ultramarinos onde gente de gesta, deixaram ao desbarato suas pertenças, seus sonhos, seus suores; foi uma derrocada que paulatinamente se aninhou no seio Luso, desconsiderando as heroicidades dum povo ilustre. Esta acusação do Ministério público, deveria encher de vergonha, caso a tivessem, todos os que durante anos, se renderam ao poder do dinheiro – Ricardo Salgado o Manda-Chuva do M´Puto!

marcelo1.png Políticos que nos geriram e gerem; alguns em funções na máxima representatividade da Nação, comentadores, banqueiros, advogados, legisladores e jornalistas de craveira, exacerbaram o seu poder venerando-o sem serem suficientemente capazes de o criticarem ou acusarem. Tinham ali uma fonte de abastecimento à sua complacente vaidade de apaziguarem sua apetência, rendidos ao seu imperfeito ímpeto de também o serem grandes, subindo a qualquer custo. Uma chusma de gente que não é de bom-tom recordar – vergonha!

sergio3.jpg Passos Coelho enquanto Primeiro-ministro, se recusou a salvar esta sinistra figura chamada de Salgado! E, uns bons 90% dos portugueses, para além de não verem o alcance desta figura, fustigaram-no ao limite, imerecidamente diga-se! Passo Coelho pagou caro por essa integridade e por ser diferente, por ver mais justo e ver mais longe; sempre lhe dedicarei meu apreço – por sua verticalidade e honestidade quando ainda o nome Espírito Santo era intocável!

Ricardo salgado criou com sofisticação empresas de lavar dinheiro, de fabricar juros, vista agora como coisa inaudita mas comparável ao processo Dona Branca, só que com uma intrincada sofisticação de não deixar rasto e a coberto daqueles supra mencionados, personagens bajuladores, Ele, Salgado, actuou em Angola, na Venezuela, Uruguai, Panamá, Argentina, EUA, Suíça, Brasil e sei lá mais quantos destinos de fora-de-portas, offshores. Criou uma intrincada máquina de feitiçaria financeira…

Uma máquina desenhada para roubar com excelência e, sem que ninguém se apercebesse, supostamente credível quanto baste para engodar os lorpas com ajuda dos gestores públicos que estiveram no topo e acobertados pelas gangues designadas de partidos. O M´Puto para Ricardo era e, ainda talvez o seja, um conjunto de tolos predispostos a envaidecer-se – a perfeita máquina de fazer dinheiro com o nome de “Made in Portugal”. Os nomes são muitos e nem vale a pena publicitar sua T´xipala (fotografia) pois que seus nomes figuram nos escaparates actuais como Aníbal, Marcelo, Paulo, Soares, Sampaio e mais uma catrefada de ilustres da nossa praça – Triste Praça!…

costa araujo4.jpeg Pois! Uma intrincada rede criminosa que segundo o Ministério Público, envolveu concertadamente e de forma continuada de crimes de burla qualificada, corrupção activa e passiva, falsificação de documentos, manipulação de mercado, infidelidade, branqueamento de capitais e, um sem-fim de distinta malvadez. E, o traste, aí continua com esse aspecto impávido de sereno como se todos lhe devêssemos alvissaras. Sem aloquete nos tornozelos, nem coleira nas orelhas, com os olhos esbugalhados, ai irá continuar até que tudo se consuma em nada por via de recursos e muitos desaforos inventados por um batalhão de advogados de gabarito, poderosos, daqueles que sempre ganham até chegar na ultima instância – Para o céu, sinceramente, acho que não irá!

Foram e, são muitas nuances, coisas de que tenho que ler profundamente como os Panamá Papers, Operação LEX, Operação Marquês, Face Oculta, Luua leaks, Cambalachos e derivados de fundos sem rosto com os sempre poderosos advogados. Das promiscuidades com férias de borla no Caribe, e compras de velhas carcaças chamadas de submarinos. O Homens de Borracha que eu li quando era puto-candengue, os livros de quadradinhos com as comiquitas, teria de aprender, e muito com este homem-elástico-chwingam (pastilha elástica). Assim de Ocidente em incidente e, de recurso em concurso, protelarão o tempo até seu fim. Ámen…

arte3.jpg E, porque penso, julgo o quanto tempo mais teremos de esperar, para que seja feita justiça, neste que é o maior crime financeiro da história contemporânea, hodierna (claro que saltando a tal de descolonização). Embora se diga que a justiça está funcionar, minha carcaça estremece, meus dentes abanam de tanto rilhar, meus pistões encravam pois que tantos milhões, entopem meus neurónios, amolecem as juntas e calcificam os segmentos. É que são 3 500 000 000, creio que é isto: 3,5 Mil Milhões de Euros – Que se saiba!  Bom! A procissão ainda vai no adro e, se porventura me levarem para o chilindró por falar nisto, mandem-me charutos “Cohiba ou Romeu e Julieta” para fumar meu cacimbo num matope de casca dura…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:56
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Sábado, 11 de Julho de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLV

TEMPO DE MEUS KITUCUS (mistérios). TEOREMA DA VIDA: não vale a pena morrer de véspera… Crónica 3039

- N´gana N´Zambi, comendo saquinhos de muxima na forma de paracuca10.07.2020

N´gana N´Zambi – Meu Senhor

Por

soba002.jpgT´Chingange - (Ot´chingandji) - No Sul do M´Puto – Barlavento ( …de onde sopra o vento)

monteiro6.jpg O termo teorema foi introduzido por Euclides, em elementos para significar "afirmação que pode ser provada". Originalmente significava em grego "espectáculo ou festa". Actualmente, é mais comum deixar o termo "teorema" apenas para certas afirmações no campo da matemática que podem ser provadas mas que torna a definição um tanto subjectiva. Neste caso, teremos de ir para o espectáculo da vida na visão grega. Foi em um lugar de Nogueira com muito verde, terras de Alto Douro que, eu e mano Zeca Mamoeiro nos espojamos como ressuscitados em nossa amizade de infância que, morta pelo tempo, sucedeu a nosso contragosto e, em nossa contramão.

Constatando que mesmo para além de cinquenta anos de ausência, refizemos nossos traços sem melancólicos choros nem ranger de dentes, troçando até de nossas mazelas ou desgraças. E, assim num recordar de coisas maianguistas e afins com januários feitos pássaros e viuvinhas mais cardeais, chegamos às conversas bananais num cada qual falando suas sapiências a bulir na flor da pele, como caruncho, comendo nossas algazarradas. E, num diz que foi e talvez o seja, falei que o futuro da medicina está cada vez mais próximo do presente. O tempo passou e, agora aqui preso no meu mukifo revejo estas falas: Pois, no Paraná, pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina criaram uma membrana que é capaz de desenvolver tecidos de pele, ossos e cartilagem.

acácia rubra2.jpeg Logologo Zeca disse estar muito necessitado desses inventos para renovar toda a sua flora muito cheia de fungos e bitacaias escondidas em lugares tão recônditos que nem os médicos conseguem catrapiscar suas nuances biológicas. Isso! Do tempo da arqueológica sabedoria de matar pulgas com um cassetete. Pois! Diz ele com aquela cara de muita seriedade: Os pesquisadores criaram uma estrutura em plástico biodegradável na qual as células animais se desenvolvem e reproduzem no formato da estrutura biológica desejada; é isso mesmo que necessito para passar meu catolotolo. Afinal ele, o Zeca dos Santos era sabedor!

Ali, e por três dias fintamos o destino sem aquela fúria suicida do hiato duma guerra, missangas de búzios e estrondos, uma ousadia de gente alheia que nos superou, enganou e separou. Comendo saquinhos de muxima na forma de paracuca, quicuerra, mistura de farinha de mandioca, açúcar, jinguba torrada ou quitaba, usamos como refeição improvisada percorrendo na lembrança antiga de nas mercearias da Maianga e esplanada debaixo da mulembeira, terreiro de tasca com jogo de bisca, copiando os mais velhos: Jogando matraquilhos como assim num fingido casino de pobres, com tapas à sevilhana, polvo na vinagreta e carapaus fritos. Assim ouvíamos os kotas trafulhas, batendo na mesa para dizer ao parceiro que tinha uma bisca…

engraxador3.jpg Assim entre tremoços e jinguba, tudo misturávamos nos avanços e recuos da medicina ainda muito longe de agora, cada qual estar na sua ouvindo suas dentuças a trincar notícias hospitalares! Ano de 2020. Bom, mas falando da tal de membrana eles, os médicos, formataram uma dessas que pode ser desenhada em qualquer formato na qual as células vivem e se reproduzem. Essa membrana é formada a partir de celulose, portanto, de matéria natural, e que utiliza pouco processamento químico.

Entrando já no impacto ambiental e biológico por modo a ser o menor possível íamos tomando uns brancos generosos, daquele que desce o rio e vira Porto, que mesmo sem as membranas desenvolvidas por pesquisadores nos desbravavam eloquência no cérebro e até pele e ossos! Fora de brincadeiras, disse eu a por fim às misturas de branco de Galafura, de Nogueira e tal e coisa pois a membrana criada pelos pesquisadores que é capaz de desenvolver tecidos de pele, ossos e cartilagem, mudar o coiso, mamas e desencurrucutar peles flácidas…

ama3.jpg Como teste, os desenvolvedores do projecto fizeram uma orelha em impressora 3D e aplicaram as células, que formaram uma orelha animal. Vi isto ao vivo e cores lá na Petrolina do Brasil, colada na lateral do meu amigo ex-coronel FK – Fala Kalado com sua orelha parabólica no sistema de 5G. Os estudos estão sendo realizados provisoriamente com células de ratos e os resultados foram positivos. Fixe! Nas vendas do Morais, do Hernâni, do Baia ou do rente Cruz da Maianga, lugares extintos da Luua, vendiam esse milongo a granel, faziam vinho da água e permutavam alegrias em melancolias de cat´chipemba, que agora só são recordadas para fortalecer os corações da gente.

Bom! Assim inscritos e circunscritos num incêndio de falação recordamos as mulembeiras e imbondeiros tudojunto, pendurados lá nos altos galhos feitos monos, como se fôramos múcuas ou os figos batucando assim o tempo na mistura de dendém com peixe-frito. Devorando-nos até ao tutano, besuntamo-nos no visgo sem os contornos monstruosos de kalashnikov a tiracolo ou os monacaxitos de mata-mata – Tunda-a-munjila T´xindere! Troçando de nós, encharcamo-nos de riso misturados na sabedoria austera de Miguel Torga, como o Omo de lava-mais-branco, lá demos banho às nossas pulgas dinossáuricas…

dou3.jpg Repito: - Em breve, os estudiosos acreditam ser possível utilizar as células dos pacientes humanos para recuperar partes de seu corpo, como pele, ossos e cartilagem que catrapiscamos atrás de nossas orelhas. Mergulhamos assim num escuro alucinante do nada revendo ao seu redor sofisticadas ilusões, veleidades a tomar banho em praias de doiradas e areias diamantinas e, a vacina infalível nadica de nada, que não aparece…

Com roupas estendidas nos varais de mau-bordo, esperando viajar mais um outro dia, chegamos até ao hoje com um bicho feito capeta a querer morder nossos calcanhares, subir até os pulmões e, até que o trabalho desses doutrores descubram uma outra matacanha que o mate. Esses professores e estudantes, desses mesmos, Departamento de Bioquímica, Biotecnologia, Centros de Ciências Exactas e Edecéteras estão demorados, noé!? E, foi assim que passamos aos pesquisadores ingleses que dizem ter criado neurónios artificiais…Balelas!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:23
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Quarta-feira, 8 de Julho de 2020
MAIANGA . XXIII
“TAMBULA CONTA” com falas antigas
- ZECA FOI NOS POEIRA … Ontem mesmo telefonou! Anda confusionado – 05.07.2020
As falas do ZÈ SANTOS MAMOEIRO, têem um reco-reco; Senhor dum Ford V8 tem balanço de DKV...
. Crónica 3038
Por 

tonito 20.jpgT´Chingange - No Sul do M´Puto

zeca00.jpgZeca, José Santos - No Mukifo dos M´Puto

zeca01.jpegDisse a ele na primeiríssima pessoa: Tu, Zeca, surpreendes-me irradiando uma sabedoria e compreensão desconhecidas. Tens a liberdade no coração, na mente e no espírito e, eu vou utilizar tuas malambas, tuas falas para manter N´zambi nosso Mwata. Catravês, assim mesmo nos conformes - Tambula: Topei, delirei, sonhei…“UM SONHO ESTRIDULADO… na tua N´janena ”, mas fui apanhado na rusga sem documentos. O tuje do cipaio levou-me na pildra e a mukanda que tinha para o meu kamba, o mundele m´Fumo M´bika sundiameno mesmo, chefe, tirou! Filho da caixa, mesmo…

E, disse-me que conhecia um soba com o teu nome na libata de Nambuangongo. Abri o meu Samsung para mostrar os meus documentos, mas o tuje do chefe besugo disse: ”Só te liberto com os papel na mão, esse mambo dos tecnológicos dos computador, é mambo dos filme dos Ovni, num tem a impressão digital tirada nos tinta preto nos covinha no BI do Palácio da Cidade Alta.

caricocos.jpg Também mostrei o meu cartão de residência da polícia da esquadra da rua Comte Correia da Silva, mas logo berrou, caté os mabuje do peito dele saltaram, dizendo que não era eu, esses mambo há muito caducou quando a bandeira dançou no novo mastro feito de chinguiço das Mabubas… Eu, bué implorei, até mostrei maço de AC, mas ele recusou dizendo que só fumava CARICOCOS com cheirinho a café Arábica da Gabela ou então DELFIM das baronas m´boas do M´Bambi, mas só quando estava com makueka.

O mwadié, berrou de novo, mandadou-me despir todinho mesmo, para ver se tinha na kubata dos matubas diamba, que topei, que catrapiscou para o cipaio porque ambos fumavam com umas Cucas e uns pratinhos de jinguba do Álvaro… Háka! O sacrista botou as mãos para afastar o “capim”, mas tropeçou por querer nas mudanças do meu Ford V8, ué, chiou nas mudança… No final, mandou-me para a esteira loando cheia de ávilos-de-mil-patas que batukavam minha chegada.

zeca soba auxiliar.jpg Por isso nada te enviei e juro mesmo, sangue de Cristo, que este mambo é verdadeiro k kamba maianguista AM (T’Chingange). Desculpa a longa mukanda 1+1, mas é pratinho kitetas com molhinho de jindungo do Mandarim da Ilha de Loanda. ZECA2014022621H25NMK - Fim da conversa de chat.

Nota explicativa do Soba, JE: Pópilas, mazé, este kandengue da Caope trouxe ávilos-de-mil-patas do BO para a Maianga onde viveu como um catete voando, voando pelo capim e agora tá abusar cus poeira chefe-dos-posto. Só tá mesmo me cuspir nas mata de minha vida; se tá vanguardiar das memória que tem o sangue do tempo.

ZECA MAMOEIRO.jpg Esse kandengue, mais tarde bazou da Vila Alice com uma carrinha com tudo empilhado àtoa (dois andares) caté parecia uma canoa; recebeu uma big bazucada, monacaxito dos M via Fla no trigésimo dia em que já lá não estava, ai-iu-ué!

Como é monacaxito, te ofereceram um barco. Pois… N’Zambi avisou-o para bazar naquele um dia, porque nos vinteenove dias contou bazucadas. Fez mesmo colecção desses monas e juntou-os nas imbambas do tunda-a-mujila. Bazaran só mesmo sem querer; caté parece que é uma estória de faz-de-conta mas, Noé!

tonito11.jpg Hoje que penso muito e rezo pouco, lembro só os tempos em que ninguém, mesmo dando pontos sem nó, descobriam ali segredos de nos capins de seus corpos acariciando-os com curiosidade, averiguando falas de sacristia que ninguém mesmo sabia na certidão afirmativa; ai Jesus, credo, que Deus nos ajude, falavam nossas mães. Naqueles tempos, mesmo sem crise, íamos crismando vergonhas de pobre e, havia muitos, muito mais que agora.

Hoje a pobreza será outra, a das pessoas arruinadas porque perderam seu perfil e, agora são obrigadas a aparentar o que não têem; tudo por força da crise e roubos subtraídos pela lei do governo, outra vez a velha lei. Creiam… Isto vai continuar como sempre foi, uma merda, porque a Rua Direita ainda anda torta?
Kandandus...
do Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:38
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CAZUMBI . LX

NO MEIO DA ANHARA - rodeado de mabecos com vontade de me filar o dente, AVANÇO MEU RELÓGIO NA MARCHA 3, COM UM DIA DE 72 HORASDança com mabecos!

Crónica 3037 - Kizomba:06.07.2020; Kimbo: 08.07.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Sul do M´Puto

4 DE JUNHO.jpg Só é mais uma estória, nada mais. Comi biltong de gnu, de boi ou vaca e olongo, e bebi suco de goiaba e massala de Moçambique. Percorri o meu caminho com gente chegando e partindo dizendo good morning; missangas de vida com malas e gente de galões a laurear pelo mundo; De Kimberley segui no comboio azul, sem fumaça, rasgando trópicos rumo ora ao Sul, ora ao Norte.

Com uma Mp3 colocado nas orelhas ouço o Jake Rumba e Dog Murras, rasgando também vontade de vencer mais um dia – Um dia de cada vez para não serem demasiados, dançando o Kuduro com uma pacaça …Aiué. A pacaça estava ali, raspando raiva só átoa e, eu embebido em maravilhas da kizomba enfiado nessa tal Mp3 Huawei.

soba1.jpg Eu, que em tempos, furei um embondeiro com a mente, pensei a partir daí que o cazumbi estava do meu lado – isso! Foi assim que do nada, surgiu a força de muitos urros. Os mabecos deram à sola e fiquei só, num descampado, loucamente inebriado na minha pequenez…

Esta embriaguez de fala, é só para dizer que o Soba, tem a mordacidade às vezes turva da verdade, e por isso banha-se nas águas tépidas dum lugar longínquo para espairecer. Já sem cabelo, rapo o que resta até ficar zero. Vejo-me no espelho e faço gaifonas com as rugas enquadradas num tempo de, nem sempre alegres, nem sempre tristes.  

 t´chingange 0.jpgDispo-me de calor e desabotoo meu único botão da balalaika do umbigo– sim! Minha balalaika tem só um; calço sandálias e piso os ladrilhos de esperança dum azul-turquesa na mistura de cinza-cacimbo matinal a ver as manhas tranquilas. Rego minhas hortenses e os tomateiros que não há maneira de dar tomates, nem sei porquê. Venho ao computador ocupar o tempo, ler poemas, reler baladas e muitas tretas…

Tretas de fazer caretas; também ouvir cantigas, ler desaforos, coisas choradas, lamuriadas, cânticos humedecidos, vídeos foleiros, e num repente vou à China comer grilos e gafanhotos. Hoje mesmo, vou-me ensinando a ser gente tomando aqui e acolá, por onde calha, o saber dos mais sábios para ficar esperto. Nem sempre homem, nem sempre jovem, já mais velho, nos intervalos, aprendo a aprender a ser grande.

soba001.jpg Esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos e dos fúteis caprichos de poder. Sim! Neste mato de capim tombado pelo vento tiro aqui e ali umas fotos sem pau de selfie. Tudo para dizer que ando fugindo do tal de vírus COVID fazendo anos três vezes ao ano. Somo agora setenta e cinco vezes três, que dá exactamente duzentos e vinte e cinco anos – Pode!?

Assim, prescrevendo o bicho relevo-o como o tal de mabeco. Torna-se necessário mantermo-nos atentos a novas tentativas de oferecer soluções a problemas. Problemas de cujas causas sociais viram económicas na interacção entre grupos – grupos que não podem ser reduzidos a uma questão de “competição” ou selecção biológica… Bairros de casas, barracas e anexos encavalitados, formando uma malha labiríntica apertada com muita agente.

NIASSALÂNDIA1.png Teci-me na linha dum destino só meu. Criei a teoria do esquecimento, burilei-me nela e desconsegui. Voo entre nuvens turbinadas de aspiração, compulsão e impulsão, vida de cão. Obrigado a mim, a ti e a tu também (o ti é um, o tu é um outro). Obrigado, principalmente a Ele, Nosso Senhor, meu tio que se chamava José. No calor do Sul do M´Puto, com sol de Julho, ventos rodopiando nas horas, fazendo tufos de capim como aqueles da savana, marés longas de vontades alheias e um bafo quente…

tonito18.jpg Aqui estou numa espera do John Wayne, meu companheiro do Cine Colonial da Luua, tentando a custo interpretar o Islão. Eu, nasci a 4 de Junho de 1945; O facebook inventou que o T´Chingange dos elefantes nascia a 5 de Julho, Recebi parabéns e agora, sinto-me constrangido a desmentir aqueles e estes, meus kambas – Por isso, terei de agradecer pela segunda vez meu renascimento! Pelo que disse, terei mais um outro este ano; Só posso dizer obrigado! Vou fazer mais o quê, se sou apenas um robot…  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:01
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Sábado, 4 de Julho de 2020
CAZUMBI . LIX

RECEITAS - Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol … 04.07.2020

Por

canhot3.jpgAntónio José Canhoto

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kizomba

 maian4.jpgMuitos dos humanos preferem procurar nos outros o Mestre em vez de despertarem aquele que adormecido se encontra dentro de si. Não deixe nem permita que sejam os outros a carregarem a sua ignorância, porque quando o fazem exigem contrapartidas porque tudo na vida tem um preço. Há muros que só a paciência te permite derrubar, a necessidade e o engenho rios atravessar e diferenças de opinião pontes a construir. Não ande à minha frente pois não sou seu escravo nem ovelha para seguir o seguir como, meu pastor.

Não ande atrás de mim como animal a seguir o dono, ande ao meu lado como igual sem complexos de superioridade ou inferioridade. Quando começar a exigir mais de si, e, esperar pouco ou nada dos outros, evitará ter muitos aborrecimentos e desilusões. O grande azar na vida não é cruzar com um gato preto, passar por debaixo de uma escada, abrir um guarda-chuva dentro de casa, encontrar uma ferradura ou quebrar um espelho, mas sim ter de ouvir um ignorante discursar sobre algo que não sabe por diplomacia ou por dever de ser politicamente correcto.

maian8.jpgAo longo dos meus 77 anos de vida, já conclui que o que o resto do tempo que tenho para viver vai ser mais curto do que comprido. Aprendi muitas coisas e algumas delas, partilharei com quem me lê com muito gosto. E uma delas é que a vida é curta demais para viver o mesmo dia duas vezes. Aprendi que o tempo cura, que deuses não existem foram inventados, que a mágoa passa, que a decepção não mata, que não deve dar a outra face depois de ter levado uma chapada, pode perdoar mas nunca esquecer.

Retalie sempre com juros de mora, porque o dia continuará a ter 24 horas como ontem, que os amigos vão e vêm, que nada é eterno, que a maioria dos sonhos não se concretizam, que a dor fortalece, que a vida ensina mas a aprendizagem é caríssima, mas que viver é sensacional quando o fazemos com toda a intensidade possível, e ser-se feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade. Nunca se deixe manipular, persuadir ou mentalizar por ninguém, porque logo que se torne seguidor e prosélito de alguém que o inspirou, doutrinou, deixou de ser um homem livre para se tornar num obediente escravo.

maian6.jpg Eu sei onde está o tesouro da vida e do conhecimento mas para lhe dar o mapa para o encontrar terei que saber primeiro se você tem a paixão, determinação e força mental para o descobrir, desenterrar e ler as tábuas das verdades universais que se encontram dentro dessa arca. Ame na vida algo mais elevado e maior, no qual você se perderá sem se controlar, que é você mesmo e a sua capacidade de conseguir que todos os deuses pereçam dentro da sua mente, pois na vida apenas poderá contar consigo, ninguém virá em seu auxílio em momentos de crise, depressão ou dificuldade.

Quando somos diferentes do modo de pensar das maiorias passamos a ver o mundo todo cinzento pois todos pensam da mesma maneira e seguem o mesmo caminho. Isso obrigou-me a criar um mundo só meu e personalizado onde sou deus e satanás quando quero e entendo, prestando contas apenas à minha consciência. Não preciso nem de religião ou deus algum para me comportar civicamente, porque se precisasse de seguir comportamentos éticos ou mandamentos emanados por divindades deixaria de ser humano, racional e consciente e passaria a ser um animal de circo amestrado.

mandrak5.jpg Se há coisas que me enlouquecem é viajar por dentro de livrarias o tempo passa sem eu me aperceber, acho que era o local onde eu gostaria de trabalhar. Os homens nunca foram tão escravos dos seus mitos e lendas como o são hoje, porque tiveram o atrevimento e arrogância de lhe concederem o estatuto de divindades quando os criaram e inventaram na esperança que estes respondessem à sua ignorância e aplacassem os seus medos. Os meus pensamentos transcritos nos textos que produzo não têm a intenção de serem prescrições médicas para seguirem a fim de se livrarem dos males do mundo.

maqui1.jpg Do mundo que tenho vindo a identificar, mas que pelo menos se servirem para reflexão já sinto que a minha missão foi concluída com êxito. Espero que um dia quando acordar não se vá lamentar que o tempo que lhe resta para fazer as coisas de que gosta já é curto ou para desmistificar as inverdades com que o doutrinaram. Só nessa altura perceberá que só fez o que não gostava e que sempre obedeceu às vontades e verdade de terceiros. Plante as suas próprias verdades, não colha as dos outros escreva a sua própria biografia não deixe quer sejam outros a fazê-lo.

1-7-2020 - António José Canhoto - No Algarve

Crónica 3036

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:09
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2020
XINGUILA . II

KILUNDU . COISA ANTIGA DO MU UKULU NO PAMBU N´JILA
Crónica nº 3035 Coisa doidakilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto01.07.2020
Por

soba002.jpg T´Chingange – Desde o Sul do M´Puto

araujo10.jpg Um dia fui a terras de Moiros como convidado de uma entidade que sempre repetia “faço das tripas coração para andarilhar”; diga-se que nunca entendi o que queria dizer com isso mas, levado pelo sono da burundanga eram pormenores que não me prendiam a atenção pois que, só muito recentemente soube o que era esta coisa que tem o nome científico de endopamina. Assim e com o Cipaio Kukia Mandinga em ALHAMBRA, assisto ao pacto de Mano-Kilombelombe com Januário.
Eu já era Mano-Corvo - Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal (México) com Costa Araújo... No M´Puto, na estepe Alentejana tive a sensação de começar a penetrar na minha intranquila dependência da kianda, pois que quase que me dei conta que meu pacto de sangue com o velho de mais de talvez 395 anos, começava a borbulhar-me no cocuruto da meninge.

araujo62.jpg Para entenderem o que nunca eu entendi digo-vos que a burundanga, é uma velha conhecida nas ruas da Venezuela, Colômbia e Brasil. Recentemente soube que uma em cada cinco pessoas intoxicadas em Bogotá inalou ou ingeriu burundanga, droga usada em pelo menos três assaltos por dia na Colômbia. O Departamento de Estado dos EUA classifica-a entre os narcóticos mais perigosos e estima em 50.000 o número de assaltos por ano com esse pó.
Essa droga fácil de conseguir e barato de fabricar, mergulha a vítima na passividade. Entendem o que sucedeu comigo naqueles idos tempos de cafufutila. Não! Pois eu também andei embrutecido e num entretanto da minha cena os seguranças de serviço virados ao futuro com uma máscara do tipo COVID, levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.

burundanga5.jpg Essa “droga zumbi” faz a vítima perder a vontade própria e a memória. São muitos os testemunhos de vítimas que relataram roubos ou abusos sexuais violentos, mas não se lembram de nada no dia seguinte. No meu pacto só tenho leves recordações de mijar no Tejo em cima de uma ponte com arcos no lugar de Toledo, um lugar bem distante daquela outra cidade antiga. A maior parte do complexo cidade de Alhambra, foi construído, principalmente, entre 1248 e 1354, nos reinados de Maomé I e dos seus sucessores.
Alhambra era um local onde os artistas e intelectuais procuravam refúgio no decurso das vitórias cristãs por todo o Alandalus. Mistura elementos naturais com outros feitos pela mão do homem, sendo um testemunho da habilidade dos artesãos muçulmanos da época. Tratados como mustafás, nós, por via da indumentária de Januário Pieter e seu guardião - lanceiro, um espanto de nos fazer sentir os maiores privilegiados – vou contar…

araujo179.jpg O Cipaio Kukia Mandinga muito vaidoso, banga ultra moderna fardada de zuarte amarela, balalaica com muitos bolsos e uma catrefada de zingarelhos pendurados à mistura com pequenos chifres de porco do mato. Tenho até dificuldade em contar esta patranha mas o efeito da droga é mais que alucinogénio… As sementes da Datura, um outro nome d figueira-do-diabo, são ricas em escopolamina, um relaxante potente cujo princípio activo, combinado com diferentes substâncias químicas, resulta no pó burundanga. Tenho uma no meu quintal…
A partir dali rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quartéis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitérios e jardins. O escambau de coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas junto às muitas ferraduras de muares e outros bicharocos espinhosos. O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece mesmo, não haver gravidade.

araujo172.jpgHoje, a burundanga é frequente em bares e boates de Caracas e Bogotá aonde organizações criminosas, utilizam belas mulheres como isca, recorrendo a truques diversos para fazer a vítima ingerir ou inalar o pó num momento de distracção; a partir daí os médicos divergem sobre a intensidade da perda de vontade. Não chegava esta coisa ruim do tal de COVID para agora andarem a usar truques para nos levarem até à Chibia, um lugar no Cu do Mundo lá da N´Gola do Cipaio Mandume com o nome de Tato-Mota…
A primeira referência a este Mandume foi obtida no Qal’at al Hamra que surge durante as batalhas entre árabes e muladis ocorridas no reinado de Abdalá I de Córdova (888-912) – Foi o que li numa das paredes. Como é! Assim como duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia com nome de espantar pássaros xirikuatas, Cipaio Mandinga, direitinho que nem um fuso, a tudo olhava com vontade de saber. Muxuxou que era muita areia prá sua camioneta e que, teria de comer um “chipe extra de memória” e sistema integrado para fosforescer mais rápido na sabedoria – Sukuama!

burundanga1.jpg Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu, T´Chingange e Pieter selamos o nosso mais verdadeiro pacto de sangue. Esse cipaio Kukia que anda por aqui, até pode nem se lembrar mas assistiu direitinho com sua lança, feito Massai da Tanzânia; um jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango. Pópilas, estou até cansado de tanta mistura na cabeça dele que faz pena. Nunca no Lubango ouve caserna de bichos zebra, desses e, com esse nome!? Não admira que por medo, as pessoas passassem de largo como se nós também fossemos daquele muitos idos anos e muito cheios de caruncho…
:::::
Ilustrações aleatórias do Mano Costa Araújo, nosso Mestre
Glossário:
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade); kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral; Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México); M´fumos : - Chefes; Kukia: - Sol, pô do sol; Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cus diabos; Porra!
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:54
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XINGUILA . I

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - Foi em Olinda de Pernambuco no Brasil que vivi o MARACATU 01-07.2020

Crónica 3034 - Li algures que KALUNGA é o plural de lunga ou malunga mas, tanto quanto pesquizei, Kalunga é um elemento sagrado do Candomblé de Pernambuco…

Por

soba03.jpg T´Chingange – No Sul do M´Puto

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi / Mukisi. 

olinda2.jpg Xinguilado assim, qualquer um de nós pode ser qualquer outra coisa mas, quando é então que nossos comportamentos transvazam a fronteira da vida em uma excêntrica mentira? Porque há quem nunca mate a criança que existe dentro de si e, que por vezes rompe seu equilíbrio de propósito sem um qualquer filtro ou sem se aperceber.

Se me raparem as sobrancelhas com o pretexto de extinguir a caspa, minha cabeça pode muito bem transformar-se numa espécie de volume branco de manequim, aonde sobre esta, se pode pintar uma qualquer outra figura que não a minha.

olinda4.jpg Posso alisar meus cabelos untosos ao jeito de malandro lá dos finais de 1930, fingir-me num boi sagrado, coisas do “bumba meu boi”, com sua inebriada e sagrada figura mudando disto de ser-se homem para mulher como quem muda de camisa, puteando-me como as madames de fina estirpe e, sempre nessa sua estrema segurança que no tempo se transparecem de arrogância ou egoísmo. Nem importa porque num repente sou Eva a mulher de Adão, o mesmo casal que mutilou a única condição de vida que Deus lhes impôs, não comer uma tal fruta, poderiam faze tudo o mais e, eles desrespeitaram comendo o fruto proibido. Haka! Nosso mundo começou mesmo muito mal!

Foi em Olinda de Pernambuco no Brasil que tomei de novo, contacto com o termo genuinamente angolano. As expressões culturais ameríndias e afros diluídas no sangue latino e africano, colonizadores e escravos cozidos no grande caldeirão genético do Brasil com os pretos, pardos, mulatos, cafusos, caboclos, matutos e mazombos.

araujo114.jpg Também há mamelucos e mazombos que originaram um maracatu muito característico no carnaval de Olinda, altura mais certa para extravasar coisas incubadas nas frinchas do tempo. No espectáculo carnavalesco surgiram ao longo dos anos nomes que mais pareciam ser dos Dembos ou do Kwanza de Angola tais como "os Xurimbas", "os Muximas" ou " as capotas ou o papa-angu"

Tanto o quanto pesquizei, Kalunga é um elemento sagrado do Candomblé de Pernambuco, Brasil, e simboliza uma rainha morta, talvez a N´Zinga mas, simbolizada em verdade numa "boneca de cera do Maracatu". Em 1932 surgiu um grupo Kalunga com o nome de "Homem da meia-noite", fruto do maracatu nação; algo inspirado a partir do culto Bantu, da língua Kimbundu e Xhosa. No carnaval esta figura é feita de barro, palha, madeira ou cera.

monangambé.jpgReferem alguns pesquisadores que pode ser o nome dado a carregadores desclassificados de carrinha de caixa aberta mas, eu a estes chamo de monangambas ou monangambés. Este termo de Calunga, significa irmandade, fidelidade, a amizade feita divindade, uma boneca de encantar a quem se quer bem. Este misticismo colado com superstição, foi trazido de áfrica pelos milhares de escravos.

Conforme o "baque" ou batida, existem dois tipos: Baque Virado (Maracatu Nação) e Baque Solto (Maracatu Rural). O primeiro, bastante comum na área metropolitana do Recife, é o mais antigo ritmo afro-brasileiro; e o segundo é característico da cidade de Nazaré da Mata a Norte de Pernambuco.

Com ritmo intenso e frenético, teve origem nas congadas (que vem de Congo), cerimónias de coroação dos reis e rainhas da Nação Negra. Na percussão chama-se a atenção os grandes tambores, chamadas alfaias que são tocados em baquetas especiais para o instrumento. Estes dão o ritmo ou o baque da música e são acompanhados pelos caixas ou taróis, ganzás e um gonguê ou agogô.

periferia.jpg Há poucos anos houve um movimento sociocultural em Recife que fundiu o ritmo maracatu com a influência da música electrónica. Assim surgiu o movimento Manguebeat, criado por Chico Science, um maracatu moderno. Outras referências são a Nação Zumbi, a Mundo Livre, a Mestre Ambrósio, entre outros seguidores do movimento.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:35
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MOKANDA DO SOBA . CLIV

MEUS KITUCUS (mistérios) . JANELAS PARA A VIDA

Crónica 3033 - N´gana N´Zambi, não vale a pena morrer de véspera01.07.2020

Publicada em Kizomba a 29.06.2020 - N´gana N´Zambi – Meu Senhor

Por

soba002.jpgT´Chingange - (Ot´chingandji) - No Sul do M´Puto – Barlavento ( …de onde sopra o vento)

zanzi9.jpg Que cena: Um senhor fardado com um pijama às riscas, sentado num sofá de orelhas olhando para o infinito de Cascais, prédio comprado com Angolares a fingir de Macutas com palancas a pastar o capim das anharas. Babando-se pelo canto esquerdo descaído, insensível ao cérebro abanado por uma trombose. Com a lentidão das coisas graves e titubeadas com muxoxos – Hum, pois, não sabe; a kalashnikov, os turras – coisas antigas do vinticinco do M´Puto…

E, eram bolas de trapos, meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga e permanganato de potássio dos armazéns do Bungo! Lembranças de quando ainda estudava que o Ali Babá era lenda antiga com ladrões feitos moiros, muçulmanos das mil e uma noites. A puta da guerra intercalava-se com as vidas de quando mais puto, ainda era kandengue; de quando fazia trumunos nas bananeiras do Malhoas, um sítio esquecido dum rio que só o era quando chovia – Rio Seco, aiué… Bem! Depois, revolucionou-se a fazer panfletos contra as coisas ultramarinas, juntou-se com a foice e o martelo no M´Puto e entre picardias e fumaças de burundanga daquele tempo, espezinhou-se numa intiphada ferindo até o próprio pai…

mai1.jpg Intiphada com giad pela libertação de sua terra predicando avanços sociais porque, aquilo da exploração tinha que terminar! E, terminou, faz tempo mas, a guerra continua, sempre! Às vezes, lá na Luua, rebentava tiroteio, eram rajadas pulando no espaço, de luz tracejantes nas noites cálidas tal qual como o Ché fazia em “El Pinar de Cuba” e, toda a gente fugia para o centro do medo, parte central da casa… Depois voltava tudo ao seu lugar. Se estavam na bicha, começavam os muxoxos atrás da parede e entre mujimbos sabia-se que alguém teria morrido.

Eram combates com tiroteios aonde o que era, já tinha sido, a vida não corria no setentaecinco – fugia! Mais e mas, edecéteras e entretantos… Que é feito do cambuta chambeta zarolho filho da peste? – Acho que lerpou! Assim mesmo no simplesmente e no presente do defuntado, sem gerúndio. Foice! Agora, o irmão do Fala Kalado, confinado no seu prédio do M´Puto, nem se apercebe que a guerra do Tundamunjila já acabou e, diz coisas que nem batem na bota da perdigota.

Interpretando a natureza contraditória do Mundo que hoje forçosamente tem uma motivação sanitária pelo COVID 19, não será permitido cuspir para o ar, nem para a água da praia de Carcavelos porque a gente, a vida da gente, anda muito subjectiva. Isso! O que se passa no espírito ou no pensamento resulta das percepções pessoais, assim como o ponto, que vira virgula sem direito a interrogação. Afinal, seremos todos uniformemente naturais usando um relógio sem ponteiros e, divididos entre o ontem e o hoje sem o antes-de-ontem…

maian10.jpg Hoje, o agora é muito mais importante que todas as outras farras; uma janela muito ampla com a distância e a proximidade purificadas num se calhar e, com um Deus de silêncio a fiscalizar. Tambulakonta!? De novo voltamos a confirmar que o sentido que nos leva a qualquer participação cívica, não é igual para todos! Quem andou feito cigarra despifarrando seus proventos, agora forma fila para se socorrido com uns pastéis de Belém, tortas de Cacilhas, batatas fritas de Alcabideche e rufadas de Tomar ou Pasteis de Tentúgal.

O ideal seria estarmos todos a olhar porque pode ser-se mal julgado e até ser preso por ter cão ou por não ter! Pois! Uns fogem do problema, outros há, que os problemas são sempre os outros. E, então nem sabemos como ficar, estando na casa toda ela feito medo, falando com o frigorífico, a torradeira e a avenca de folha larga tirada da casa da vizinha - porque sua dona, não a pode regar; está em Almada bem por debaixo da mão do Cristo Rei rezando o terço e mandando santinhos para todos os amigos…

Naqueles tempos de CONFINAMENTO 75 – DA LUUA, houve quem andasse semanas a comer bananas, e outros, comendo arroz e ração para gato ou cão, ou mabanga da Samba aonde espetaram um Sputnik. Ele, o Kafundanga Zungueiro, diz até que a guerra do tundamunjila não foi assim aquela coisa hedionda... O senhor fardado com o pijama às riscas, ex-Coronel do “M”, ouve esta descrição abanando a  cabeça ora para os lados ora assim-assim para cima e para baixo! Será que se lembra das diabruras que fez lá no vírus do “Vitória ou Morte”…

mocanda32.jpg Só que ouvíamos relatos, de gente que era morta de maneira bárbara, dizia-se que a FNLA matava com certos requintes, praticava antropofagia e edecéteras. Afinal eram só frascos roubados pelo “M” no Instituto de investigação para incriminar os zairocas fenelas. Não era mesmo para meter medo! Nem um vampiro iria gostar desta coisa macabra, comer corações sem sal, nem pimenta, nem jindungo onoto!... Luanda estava empestada de guerrilheiros, uns bem fardados e sabendo distinguir uma G3 de uma Kalashe e sabendo aonde ficava o gatilho mas, outros nem sabiam o que eram as estrias do artefacto… Tudo aquilo e agora, caramba, outras viroses…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:45
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Sábado, 27 de Junho de 2020
CAZUMBI . LVIII

CINZAS NO M´PUTO - ”A CHUVA BATE NA PELE DO LEOPARDO, MAS NÃO TIRA AS SUAS MANCHAS, NEM VICIOS”. Andamos com o credo na boca, motivo do COVID 19 que à revelia, faz tempo, trilha nossa vontade19.06.2020 no FB

Crónica 3032 - 27.06.2020 no Kimbo Lagoa - Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

soba16.jpg T´Chingange – No Sul do M´Puto; Al-Garbe

burundanga1.jpg Flor da Borundanga - Tem kazumbi

Ando a esquecer o passado - Será que tomei essa coisa de borundanga - Uma droga  extraída da Datura Stramonium, uma planta ornamental de flores brancas em forma de sino, vulgarmente conhecida como trombeta ou trombeteira, bastante comum na Espanha e na América Latina. Lá iremos porque tenho uma coisa destas no meu quintal..Óh folha do diabo...

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O Mundo necessita de nós para respirar e por isso as autoridades de saúde pública fazem a lei de forma rápida na mira do boteco das bifanas abrir quanto antes, pois que a economia tem de correr, também porque o socialismo é muito bom a lidar com o dinheiro dos outros – o nosso! Recordar agora o exercício de minha mãe Arminda equilibrando o orçamento do lar, fazendo comícios às galinhas na capoeira coberta a zinco lá na Rua José Maria Antunes numero vinte e dois na Maianga da Luua.

araujo63.jpg Um prédio com arcos construído no rigor da salubridade colonial, na casa dos fundos a dar para o pátio da cantora Sara Chaves, quase mesmo no início do Catambor. Lugar que nem sabíamos que não era nosso porque eramos brancos de pele e colonos de condição. O tempo tratou de nos dar a seguridade dos hipócritas filósofos que falam com as latitudes e algoritmos dos rumos de cada qual como fossem os senhores do outro, que tu não és daqui, vai para a tua terra fazer semeaduras e tratar da casa do senhor teu feitor…

Dona Arminda, sozinha falando com rispidez com as poedeiras pedreses num canto do fundo do quintal, logo a seguir ao tanque de selha e depois da mandioqueira que só dava sombra: - Ou vocês põem ovos ou corto-vos o pescoço - vão prá panela fazer de cabidela! E, elas punham ovos grandes! A vizinhança só queria os ovos da dona Arminda porque pareciam mamões da Luua. Sim! Isto decorria numa rua do bairro Maianga com cheiro a acácias rubras e zumbido permanente de cigarras, um calor de trópico.

eleutero4.jpg O dinheiro que Dona Arminda fazia, dava decerto para comprar um peixe-espada à quitandeira que sempre parava naquele número de rua e, aonde apregoava do seu jeito jeitoso, chamamento do peixié sinhola – tá fresquinho, compra só! A vida assim gerida de toma lá dá cá compara-se aos governantes do M´Puto que não também não fazem milagres sem ovos; Eles, vindouros daqueles outros descolonizadores, andam cansados…

Inventando regras a definir como e por onde andar por forma a agradar à velha carência dos recursos nacionais, incentivam o pessoal a ir ao café, ao teatro, aqui e ali e até à praia notando-se que estimulam da forma que julgam mais certa para e, como as galinhas começarem a chocar ovos, fazer omeletes, pataniscas e trespassá-las em dinheiro porque senão ficamos à rasca. Ainda se tivéssemos uma colónia, se tivéssemos colonos, se e, mais se…

AMADEU3.jpg Um esforço para desentorpecer a apatia amarelada dos rostos encafifados num desespero entorpecido dos galináceos - eu, tu, ele, nós, vós, eles – todos! A realidade que ninguém conhecia é bem complexa ao ponto de tornar rapidamente os cabelos brancos por tantos ansiolíticos tomados por quem tem esse cariz de ambição – de ser governante; com tanto nada e tão pouco incerto, muito fica por explicar na inactiva justiça, na improvisação da educação…

Muito fica por explicar prever e acudir incêndios das matas, repensar num interior desvalido e o crescer de palpites tendo o improviso como sorte dum instinto. Tudo isto com comentadores cambutas, longos e oblongos a zurzir à perna inflacionando sortes e azares como se tivessem o futuro na ponta dos dedos ou o tivessem comido por inteiro com arrotos de carapau frito bebido com morganheira tinto ou verde Casal Garcia…

onça1.jpg Foi neste então que recordei aquele mítico provérbio africano ”a chuva bate na pele do leopardo, mas não lhe tira as suas manchas” aonde para além da onça, do leopardo e da chita existem a hiena e o mabeco que também as têm. Bom! Agora que sou zebra noto ocorrer-me o mesmo fenómeno em manter as riscas mas agora, mesmo que chova ou faça sol, acontece um outro pormenor – também me embranqueceram no decorrer do tempo…

As riscas irregulares das verdadeiras zebras são para fazer com que o leão fique tonto ao persegui-las perdendo a noção e desequilíbrio. O facto de todas correrem em simultâneo causa o efeito psicadélico e, o que era, fica turvo com tantas riscas a se moverem. Às tantas as ordens variam conforme o desequilíbrio pois! Fique em casa ou, saia e vá às compras, movam-se mas, há um mas: não desconfiem átoa. A natureza ensina muito a quem se detém a observar os mistérios tão perfeitos dela…

zumbi00.jpg É por estas e outras que uma grande parte das pessoas com quem vou tendo contacto, sentir-me desiludido! Posso até perguntar ao mundo e para quem me lê, que interesse poderá ter no dizer de lindas ou ortodoxas de alguém com falas tão cheias de façanhas agigantadas, quase-quase de soberba superioridade. Para quê? Fica tudo assim como uma nítida imagem de uns tantos petulantes que não perdem a oportunidade de afectar as minhas sensibilidades, os meus cheiros, as minhas impressões como se fosse um desmilinguido…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:05
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Domingo, 21 de Junho de 2020
KWANGIADES . XXXIII

UMA T´XIPALA ANTIGA  . Parte da minha lenda – 19.06.2020

O sol tem ondas de ferroadas quentes que machucam na ida da vinda de nossos dias  - Crónica 3031

Por

tonito15.jpgT´Chingange – Nos Al-Garbes do M´Puto

T´XIPALA: - Fotografia, cara, rosto, personalidade, carácter 

maian7.jpg Fugindo de criaturas maléficas invulneráveis aos sentimentos alheios, registei os meus afastamentos em vídeos e, entre dezenas de cassetes e, de-quando-em-vez, revejo os bafos de boa sorte nos ousados e longínquos sítios de África sobretudo aqueles aonde surge a alma de um evento, alguém ou alguma coisa transparecendo essência vital, uma longa fila de órixes caminhando sem destino no topo de uma alta duna do Namibe, Sossusvlei ou Naukluft, uma verdade de beleza como transparência espiritual.

Figuras rarefeitas, diluídas na essência dum ar que tremeluza no calor da miragem, também do que se pode ver em uma folha de Outono ou na textura de uma velha casca de árvore com um lagarto pré-histórico camuflado. São formas escorregadias da realidade guardadas em meus armários que preenchem o quase-tudo do grande nada de minhas vivências.

sussuvlei1.jpgAo observá-las com verdadeira atenção, transformam-se em centenas de momentos sagrados, só meus. E, sempre na busca de uma vida interessante, aventureira, apaixonada e diferente, rumei a África procurando-me entre anharas, savanas e desertos de longas e altas dunas, lugares do cu-de-judas ou terras do fim-do-mundo sem os banais pormenores das urbes, grandes metrópoles com gente empoleirada até ao céu; África de exotismo quanto baste com coisas e animais incomuns.

Lugares de sermos confundidos como caçadores de elefantes por tanto pó salobro das tortuosas picadas, expostas ao sol impiedoso; ao calor abrasador dos dias e dos frios cacimbos húmidos a envolver noites com manto de espesso escuro; bem perto uma hiena parece chorar ao redor de uma carcaça fedorenta, carniça de vida sobrevivente.

naukluft1.jpg Lugares aonde a adrenalina delira em pavor loucos, inundados e imundos de situações fatídicas, substituindo o ar dos pneus por capim cortante. A coragem indomável de conhecer a África profunda, surgia-me naturalmente desde que ainda moço me tornei kandengue ao devorar um cacho de bananas oferecido por meu tio “Nosso Senhor” vindo do M´Puto, ao som dos apitos dos vapores “Mouzinho e Uige” da Companhia Nacional de Navegação.

Com meu pai colono de papel passado e creditado na tal CNN e, assim, crescido na idade, não foi necessário beber kat´chipemba com pólvora, uma mistela incendiária que deixa as entranhas em chamas para enfrentar os matos com coragem. Nestas voluntárias tarefas de aventura com aflição, os vómitos de radicais experiências foram surgindo entre bichos cambulando cacimbos com marufo de kassoneira, ofertas de N´zambi e gente com vestes de loando, amuletos reluzentes, tilintando seus toucados e penduricalhos nos artelhos; de muitos, por demais, zingarelhos.

IMG_20170727_132146.jpg Então, falando com meus botões nas frinchas dos tempos, neste mundo confuso, serei sempre um genérico cidadão ou um sem-terra por não me poder definir como genuíno nessa escolha; assumidamente, não pertenço a lugar nenhum. A minha terra biológica deixou-me ao deus-dará e, até meus sonhos penalizam o recordar dos tempos em que a vida se expressava com fluida vivacidade. Daí ter renascido como Niassalês do bojo de um vapor que o tempo também enferrujou – NIASSA…

Fazendo dela e no agora, uma miragem chamada de N´Gola, na noite passada entrei numa sonhada toca grande mais parecendo uma galeria de mina abandonada e, vendo sair dum buraco lateral uma nuvem de pó para ali me dirigi e, foi de lança em riste que piquei de morte um lobo zombando de mim. Deu um uivo esquisito e por ali ficou prolongado no próprio sangue. Nesse instante, apercebendo-me de algo estranho atrás de mim, virando-me, deparei comigo mesmo, uma imagem nítida de quando rapazola, usava calças com um cinto de fivela enorme. Imaginem só, um chefe de quinas da Mocidade do M´Puto…

luis15.jpg Assim como uma foto amarelecida no tempo, estava pontilhado de minúsculas cagadelas de mosca de sexo indefinido. O penteado com o risco ao meio parecia ter brilhantina de óleo de cedro, daquele que faz brilhar as madeiras dos imóveis mas, eu não era nenhuma escultura de pinho nem de pedra e nem vi caruncho ou salalé enfarinhando vestimentas ao seu redor. Não é normal lembrar-me dos sonhos mas este ficou grudado na testa ou no templo da alma, esse olho do além que paira nas cúpulas das catedrais.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:15
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2020
MOAMBA . XLI

NAS FRINCHAS DO TEMPO

Crónica 3030 - ENCONTRO COM A NATUREZA

No reino da AROEIRA - 15.06.2020

Por

soba0.jpeg T'Chingange - No Sul do M´Puto

bromelia1.jpgSe alguém não nascer de novo em cada dia, não poderá ver o reino que o cerca. Hoje, saí cedo para ver o mar até seu horizonte curvo, apreciar a multiplicidade de plantas autóctones entrelaçadas à beira mar entre longos penedos com poças cheirando a poejo. Geralmente, passeando nas veredas íngremes, vou reflectindo na sociedade que nos cerca e apercebo-me o quanto nós, aqui é álem, aonde quer que o seja, desenvolvemos a tendência de julgar com desconfiança pessoas que demoram a tomar decisões porque tudo anda muito rápido.

Admiramos líderes e seleccionamos auxiliares que são resolutos, característica fundamental em diferentes momentos da vida nossa e do país em que vivemos. Talvez não devêssemos ser tão apressados em julgar os hesitantes, mas há algum tipo de riscos para quem hesita: a consciência pode cauterizar, o primeiro amor pode ser perdido ou mesmo um desnorte, pode surpreender. Enquanto galgo pedaços de quilómetros, aprecio a flor do tomilho engavelado entre arranha cão e aroeiras invasoras e num emaranhado de ervas ressequidas, vejo um zimbro com bagas vermelhas. Depois em turbilhão revejo aleatoriamente coisas e loisas sem um ajuste certo nas urgências pensadas, revendo-me na experiência dum tal Nicodemos que insistiu meu torpor exemplificando outros pensamentos.

juru3.jpg Mestre entre os judeus, estudioso das Escrituras e membro do Sinédrio, ele se sentiu atraído pelos ensinamentos de Jesus a quem procurou escondido pelas sombras do preconceito, do receio e das tradições. Cristo foi em dado momento muito claro a este personagem Nicodemos: acima da cultura, do conhecimento da doutrina, da posição social e política, dos títulos e prestígio, ele necessitava nascer de novo, tornar-se nova criatura. E, porque também renasço de novo em cada dia, olho as cores dum jardim à beira mar, perto de mim e, com minha própria sombra perseguindo-me, atezanando-me...

praia.jpg Nicodemos acreditava em Jesus como o Messias, mas sobrava-lhe hesitação e determinação para confessá-Lo publicamente. Só sei disto porque pude ler no livro da Bíblia tendo-me chamado à atenção para esta minha caminhada - num misto de reflexão. Um novo silêncio envolveu Nicodemos até que o vemos no Calvário diante do Cristo crucificado. Não havia mais nenhuma razão para hesitar, e a decisão foi expressa no oferecimento de um túmulo para o Salvador.

lampião11.jpg Paradoxalmente, quando tudo pareceu perdido, sob a sombra da natureza enlutada, a visão dele, Nicodemos, ficou mais clara ao cuidar do corpo morto de Jesus. Pois, assim estou, afagando aqui e ali rebentos de vida dando flor, uma pedra que rola como sendo um osso seu petrificado. A vida de Nicodemos nos ensina que o caminho para a vida eterna é um caminhar incessante de alguém com alguém, para alguém, no qual ambos se vão conhecendo cada vez mais, entrosando-se como agora o faço em exercício – copo e mente. Esta é a trilha, a minha vereda cascalhuda - Um mistério...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:50
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2020
XICULULU . CXXVI

FRINCHAS DO TEMPO - janelas para a vida – 29.05.2020

Xicululu; - Olho gordo - 11.06.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange, no Sul dos Al-Garbes

pedras00.jpg Na hora certa, só tu existes para decidires como fazer teu caminho sem a ajuda de um qualquer guia saído dum outro ventre como tu - As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local, nus e ateus… A ESPERANÇA é a fronteira que consegue manter a condição social e financeira de pobres, pensando ilusoriamente de que um dia, o euro milhões ou o lotofacil o fará rico e assim, comprar uma vivenda na Ilha de Zanzibar em frente a Dar es Salaam…

Desde o Cabo e, há três anos (2017 e 2018) numa viagem a 40 quilómetros à hora em comboio Xoxolosa, sempre para Norte via Tanzânia, de novo recomecei a viagem ao sonho inacabado, lembrando-a nesta data da desgraça - ano de 2020. Assim parado, abrindo e fechando janelas para falar com o Loureiro, árvore do vizinho alemão, recordo-lhe o meu trilho de Johannesburg a Dar es Salaam nesse tal comboio azul. Não será muito normal falar a uma árvore mas e porque o mesmo foi interrompido pelo medo dos Boco Harans fiz a pergunta a esta por modo a saber também de seus medos.

dia82.jpg A não ser uma breve inclinação da ponta esguia nada disse… Bem! Os Boco Harans praticavam suas safadezas lá no lugar de Rovuma de Moçambique e, em Mbeya da Tanzânia, viramos a Sul para onde não estava previsto – o medo comanda a vida, conclui meu monólogo. Como seria possível acreditar uns tempos atrás que estaria agora a falar com uma árvore que sendo nobre era muda. Num qualquer momento a tua atitude diante das dificuldades da vida ou por via dum desconhecido entrave, dependem da dimensão de tua fé e preparação espiritual para venceres recorres a refúgios e subterfúgios; é o caso.

Se tens um Deus falsificado, qualquer problema será uma barreira na tua visão. Eu que queria ir a N´Gorogoro ver os pastores esguios saltando suas alturas fiquei colado ao meu lugar subjectivizando um ponto e vírgula num ponto final paradigmático, divergindo nas fontes de referência - um monstro minúsculo chamado de “covid”. Estaremos no propício tempo de purificar a intensa comunhão entre a proximidade e a distância conjugando-a com o logaritmo da curva chata. O ser humano é contraditório; gosta de pequenos deuses, afeições apenas para acalmar a consciência como “chaveiros”, “amuletos, “figas”, “cruz de David” entre outros. Por repetição faz isso de forma automática e por isso acaba acreditando em sua intuição com medo.

dia183.jpg Assim limitado, acompanha sua crença confiante mas, haverá um certo dia, um certo lugar que a tragédia pode chegar de forma inesperada e é diante das circunstâncias difíceis da vida, num momento, num repente, que se descobre que todos esses pequenos conceitos intuitivos caem por terra como meros paliativos. Paliativos que nada fazem mudar; que nada resolvem porque num repente dependendo de factores adversos, te sentirás nesse então na pequenez dum nada - numa ilusão caída em desânimo e sem aparente recurso! Hó santo Deus, porque fazeis isto comigo!?  

É essa realidade que levará um de cada um de nós a suplicar autoconfiança perante um Santo Graal bem na cave duma ligação secreta com acesso directo ao cofre. Cofre contendo os montantes do lay-off e, todos os rendimentos mínimos para um qualquer cidadão continuar vivo. Assim, de cavandela em cavandela, desperto no m´Puto a viver um momento terrível covidesco confrontando-me entre milhões de zorros mascarados: - “Estou aflito e necessitado.” Da perspectiva humana, parece não haver solução - como ter forças sem delírios nem lágrimas para lavar o coração da angústia que sufoca esta tensão, este medo alavancado por cada qual com palpites de suco de beterraba e muito limão a controlar o PH da vida.

dia210.jpg E assim, num dia que segue um outro, contando as rachaduras do tecto, falando com a osga gorda, como pode uma multidão protestar em casa com a morte dum cidadão negro lá nas américas? O Deus dele não estava acima de qualquer outro deus e, mesmo suplicando não foi ouvido pelo Deus nem policias bófias brancos... Sendo evidente que quem respira está a resistir, confrontando-se com uma ilegalidade, um quase crime, porque em verdade, uma pedra aceita sem nada dizer a imobilidade noé!

Qual é o drama que você vive neste momento? Qual é a tragédia que parece destruir a vida de alguém que pede para respirar! Sentir-se indefeso, incapaz de fazer algo para se ajudar, limitando-se a morrer. Antes de iniciar a caminhada destes dias, separe uns minutos para meditar na grande estranheza da sua própria história não coincidir com aquele a quem Deus o não livrou por usar uma nota de vinte dólares falsificada! Eu, que trago na carteira duas notas sujas, mas verdadeiras, trazidas da Tanzânia que me servem de talismã, dava-lhas de boa vontade - para o ver continuar vivo!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:44
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Domingo, 31 de Maio de 2020
XICULULU . CXXV

TEMPOS ARREFECIDOS 29-05.2020

E, nós aqui no covidamento, como uns moiros de cara tapada, escondendo as lacunas que, os impostos nos irão impingir no esqueleto com se fora energia exogénica… Meus dentes já abanam todos, de tanto mitigar ansiedade futurista…

Crónica 3027

Por

soba15.jpg T´Chingange, no Sul dos Al-Garbes

longe0.jpg Como diz a sombra esquerda de Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó como faziam nossos antigos marinheiros para definir profundidades em batimétricas; é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente da memória. Uns têem, outros dizem ter, outros, é só de faz-de-conta fingindo que sabem mais do que Zaratustra ou Nostradamo. O sol, o ar, a água, e a terra, têm de ser considerados permanentemente parte de nós. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo, como um veneno mortal. Vivemos momentos de medo, de imposições e uma baralhada de novas posturas, e assim mais assado, fique ali e… tudo como se tivéssemos quatro anos e, perdidos dos pais.

O sol é a verdadeira fonte da vida e, ao invés do que alguns conceituados doutorados dizem, ele não é prejudicial; não é o sol que provoca o câncer de pele mas sim os muitos venenos que ingerimos sendo queimados ao serem expelidos para ela. Ando a ficar mouco e até estrábico de olhar para a televisão a ouvir e ver coisas que não pensava; Para ver melhor, subi minha bitola colocando um calço de cortiça para definir melhor os contornos. Ora vivemos em bicha de pirilau como se estivéssemos a treinar para uma guerra, ora mandam-nos ficar em quadrados num aprendizado de novas geometrias. Uma aprendizagem precoce quanto baste para no tontear a mioleira.

máscaras2.jpg Isto é mesmo uma teoria de conflitos que só sairá com cromoterapia e acupunctura desde os calcanhares à frontalidade do templo – nossa testa. Ontem espetei um pico no dedão do pé, ali ficou a fazer-me a cura de vamos-ver-o-que dá, se minhas defesas linfáticas e limbosféricas estão nos conformes com o gráfico da curva e, considerando sempre que a terra feita argila, tudo cura…Manter a alegria acima de certo limite é crime, retira a orientação de coragem ponderadamente equilibrada. Mas, abaixo de certo calibre entre uis e ais ou um silêncio mudo, a máquina pára – sepulcra-se!…

A terra na forma de argila é um laboratório de vida porque purifica, regenera e dá energia. Repito: corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo como um veneno mortal. Teremos por isso de nos fixarmos na fé, uma qualquer que contenha hídroxicloroquina sem aquela inquietude de afligir o próximo, de que dá, num dá, mas pode ser! Ou ficar nesse estranho silêncio, uma forma de ver o princípio do nada e lerpar!

máscaras5.jpg Ou então esperar sentado, as mudanças no tempo e suas modas; adaptando-nos ao luto de preto ou branco enquanto não houver uma droga eficaz retirada da raiz da Welwitschia Mirabilis – talvez, digo eu! A nova medida deste tempo covidesco é o “talvez”. Tanta tecnologia de ponta que até desaponta… Andam a curtir mortes, picos e curvas com teorias georreferenciadas no Bill Gates e outros filantrópicos muito carregados de anfetaminas para curtir seu sono. E, o pessoal num desespero a ver lerpar os kotas mais-velhos com os dentes a abanar, sem tesão de vida para erguerem sua moralidade, a mijarem-se todos pelos retentores descalibrados ou frouxos. Pópilas, assim não brinco…  

E, porque se diz que a justiça é cega e surda, pelo que se sabe também anda meia calçada e meia descalça para fingir que agrada a humildes descamisados e ricos encoirados. Como se a coragem fosse também uma medida de orientação pois a todos se diz para seguirem no caminho certo, mas ninguém sabe o rumo, ninguém sabe qual o azimute. Estamos lixados, entregues à bicharada! Pelo sim pelo não, usamos amuletos da sorte para nos enganarmos nas figas, no corno, na meia-lua, na estrela de David penduradas ao pescoço ou uma ferradura velha de burro.

haida art.jpg O místico, junta-se com a Cruz e o Cristo numa caixa, asfixiando-O o tempo todo e, sempre picado em sua coroa de medonhos espinhos com um credo na ponta das falas, uma cruz e credo com interrogação e exclamação juntas sem obedecer a qualquer confinamento. O ar inteiro repleto de informação em excesso, torna-se coisa teimosa, ora viçosamente manuseada ora ficando solidamente concreta. Pelo sim e pelo não, também tenho uma ferradura de burro manco pendurada por detrás da porta da dispensa mas, estou em crer que deveria estar bem á mostra por via do mau-olhado, esse tal de xicululu ou olho gordo.

Passando da alegria horizontal para a vertical, cada qual festeja sua sombra e seu quadrado, por vezes círculos num vazio salvador pensando que o mal, se o houver vem limpo com álcool gel, água sanitária, sabão macaco; num repente o mal elimina-se limpando e é ver todo o Mundo esfregando corrimões, alavancas, caixas e espelhos com caixilhos, mais vidros e pisos; No Brasil a noite não passa, a manha vem, vira tarde e de novo o sol apaga a terra, as casotas mal enjorcadas, a favela, o mukifo aonde vivem famílias de muita gente sem torneiras, sem água nem aonde cagar! Eles, sabem disto mas Bolsonaro é que está a mais, não eles! Sempre a mesma merda de política a desviar milhões - os comilões.

dia121.jpg Tem gente neste aborrecido Mundo, que matam só para ver alguém fazer careta; também não queria acreditar até que um dia captei: Cada homem é um mundo que tem que ao tempo, dar-se-lhe tempo na descoberta de pegadas, cheiros encarquilhados, suor de catinga numa densidade molecular desconhecida. Nem nos anos da leitura de carbono irão desbravar as ondas de crimes de colarinho branco, rusgas e detecção de contas surpreendidas. Serão sempre eternos vaga-lumes que darão luz até que se prescreva seu passado. 

E, se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado e, embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não olhar para nós; Assim distraído, lá teremos por isso de nos fixarmos na fé do catanas ou dos calhas com sorte, sem aquela inquietude de afligir o próximo. Cá por mim que sou Niassalês de coração, sempre ficarei na duvida de que a lei se cumpre em plenitude, pois que que são os julgadores juízes que agora estão a ser julgados. Por enquanto só são arguidos mas, já sabemos que andou por ali mãozinhas estranhas a depositar às mijinhas parcelas de somar milhões.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:52
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2020
XICULULU . CXXIV

VIVA SIMPLESMENTE! - MÊS DE ROSAS -21.05.2020

Tempos de “covidamento” – um termo novo demasiado repentista  

Por

soba002.jpg T´Chingange – A Sul do M´Puto

papoila0.jpgA simplicidade é uma virtude que anda de mãos dadas com outras. A ela, estão ligadas a franqueza, naturalidade e transparência dos nossos actos, embora nos dias de hoje nos deparemos com muita hipocrisia, muito faz de conta porque ser-se pobre, é doença. Infelizmente a sociedade e, num repente, vê-se ainda mais pobre e, medindo o tempo em uma nova medida: o “COVID 1,5 m” – a distância do medo em metros.   

Nada de lamúrias! Isto, até parece trafegar na direcção contrária ao pensamento hodierno, que nos impõe a ideia de que o melhor da vida se resume no acúmulo de coisas e na sofisticação do comportamento de parecer ser o que não se é... Agora, neste repente os paradigmas mudam por vontade alheia e ainda desconhecida.

papoila01.jpg Esta falta de paz, origina excesso de ansiedade a todos mas mais a quem se mente, a quem nos mente, originando prejuízos colaterais, que tendem a aprofundar-se em esquizofrénicas atitudes... Estes são apenas alguns resultados pouco queridos mas, que podem ser colhidos numa prática de uso e, num vulgarmente.

Estas pessoas, (talvez todos nós), necessitarão reencontrar o caminho da simplicidade que nos liberte dessa pressão consumista. Num qualquer dia, adentra-se permitindo tirar-lhe ou tirar-nos a paz de espírito e, de depressão em repressão, ficar-se com as ideias frouxas, passado dos carretos, correia de transmissão e pneus carecas… (uma comparação metafórica…)

papoila1.jpg Contudo, há o risco de se levar a simplicidade ao extremo, associando-a à conduta ascética, de renúncia dos recursos que conferem relativa qualidade à vida. Muitos moradores de rua não querem voltar para casa; incompreensível - mas, alguns, o dizem! Talvez por um orgulho demasiadamente pisoteado.

No livro dos livros é dito que o Senhor falou ao povo: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Estas falas eram no sentido de ajudar a colocar as coisas materiais em sua verdadeira perspectiva. Permitindo assim, possuí-las na medida em serem úteis para seu, nosso bem-estar e, sem deixar que elas nos possuam ou nos escravizem.

papoila2.jpg Portanto, segundo estes ditames, devemos exercer vigilância, a fim de que o interesse pelo material não seja um obstáculo em nossa corrida na busca do que nos satisfaz espiritualmente. Podemos sim, ser libertos do labirinto das coisas por modo a encontrar a verdadeira alegria na simplicidade que a Natureza nos transmite neste mês de rosas, cravos e papoilas confinados ao aperto da casa. Uns dirão: na providência que aquele Nosso Senhor nos conceder, mas talqualmente, cada qual tem de fazer sua parte. Porquê? Porque Aquele Senhor tem mais em que pensar!

papoila5.jpg Pois é! Mas a sociedade sempre é cobiçosa. Ele (alguém feito gente) está rico! Um outro - alguém o diz! Só porque comprou um carro novo e sempre gasta dinheiro na compra de dois sacos de pipocas para dar às pombas lá na praça do Restelo. Quanta dureza de má-língua nessa expressão de descontentamento nas coisas simples que podem fazer alguém feliz! Alguém já velho no suficiente do tempo. Precisamos aprender a viver contentes e agradecidos pelo que temos sem cobiçar o alheio! Sempre é tempo de se formatar num novo princípio…

Tenham um bom fim-de-semana!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:37
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2020
MONANGAMBA . XLVIII
RELEMBAR FRINCHAS DESTE TEMPO. Andamos a sorrir de forma desequilibrada. Nosso centro de gravidade já vê a casa assombrada...
Crónica 3025 - Meditação de 20.05.2020
Por:

soba15.jpgT'Chingange - A Sul do M'Puto

monangambé3.jpg Todos os dias, bem cedo, apanho folhas da minha anoneira, depois vou-as amontoando na churrasqueira para servir de acendalhas ao resto do madeirame, pedaços de troncos de chinguiços que corto e ali ficam feitos monos a secar ao sol com a finalidade de assar as sardinhas do meu mar! O objectivo é fazer brasas na suficiente quentura para assar o sável, um peixe de rio parecido com a sardinha, mas muito maior! É a primeira vez que irei provar tal peixe...

Pode parecer monótono mas é uma forma de tomar ao redor de mim, a vitamina D, tarefa bem mais proveitosa do que andar com um pau a dar tacadas até acertar num buraco. A isto chama-se golf e, noutra época, diriam ser esta absurda actividade, uma falta de tempo e até coisa desequilibrada curiosamente praticada por gente de muito cumbú, gente endinheirada que parece não saber o que fazer com tanto pilim... Um verdadeiro pecado!

MONA0.jpg Olhem! Todos esses anos tenho trabalhado pra caramba e tudo indica estar semi-pobre por nunca desobedecer às leis regentes. Afinal de que valeu não ter ficado com um frasco de diamantes, coisa da terra, só porque a lei determinava e até dava grandes punições a quem descumpria. Juro que se voltasse atrás seria também e agora, um descumpridor. Então, li que um certo homem muito influente na comunidade de fé caiu em pecado provocando um impacto tremendo entre sua família e gente conhecida! Não! Não é Socratas, esse tal que foi primeiro ministro do M´Puto.

Os tempos baralham a gente na forma de nele se estar e, vai daí os cidadãos ficarem perplexos, coisa que hoje é tomado por coisa banal e com bons auspiciosos do Espírito Santo expressos no silêncio dos tribunais que de maneira alguma se querem salgar... Nem todos acreditavam na mudança e acham até que as provas são suficientemente complexas para se não agilizar - Isto tudo mais o "covid" desequilibra-nos! Depois de muito pensar, concluiremos que o Mundo anda tão triste que, se não conseguirmos rir, afogar-nos-emos em lágrimas, Noé?

monangambé4.jpg Sempre há pessoas com critérios particulares de justiça no trato com pecadores. Muitas vezes, sentindo-nos superiores à luz dos próprios feitos, olhamos com desprezo aqueles que deveriam ser alvo do amor. Nós que somos feitos à imagem de Deus teremos de nos tapar, embora que parcialmente porque desobedecemos pela certa aos motivos sagrados. Só pode ser - andar de máscara como se fosse um Zorro salteador, noé!? Mas e afinal, nosso corpo não é só nariz ou boca, também temos pés; mas, a eles nem a sexta-feira se distinguirá do sábado ou domingo.

Baralhados no sistema como se fossemos todos incompetentes, ficamos assim pendentes de máscaras importadas da China com mais respiradores defeituosos. Um desafora pago a preço de oiro amarelo! Num repente olhamos para os lados, abrimos e fechamos janelas pensando que todos afinal seremos uns tontos... Mas que país é este? E assim de tontos, olhar para os políticos a dizerem coisas que já todos sabem... Num repente todos viramos macacos da selva , ou crianças de cinco anos ouvindo vá práli e olhe a seta! Sim, subitamente estamos todos na floresta.

monangambé1.jpg O perfeccionismo legalista em contraste com o sorriso da graça em conviadamente, palavras novas, viramos uma gota de tinta que cai e mancha. Na duvida todos seremos gente infectada que tem de obedecer ao parcelamento da fila. E, muitos nem sabem que são manchas e que na dúvida em um qualquer outro sitio aonde as carências são notórias haverá outras filas a somar quilómetros para receber comida, um cabaz - as novas distâncias comprimem a modos disciplinados as pessoas para receber sacos com comida!

Covid 1,5 é a medida métrica mínima para um vivo não ter medo de outro. Nunca o medo tinha sido assim medido, em metros! E, também algo de curioso nunca as notícias tinham sido algo como uma fogueira aquecendo uns quantos a ouvir noticias repetidas como labaredas de fogo a vomitar números de infectados, de salvados de mortos. Neste frenesim alguns até reparam que seu domínio dos músculos andam desatados com medo de sair à rua; às tantas dá~lhes uma

dia122.jpg Abro a janela, o loureiro cresceu, tem rebentos novos. O loureiro é árvore com quem falo, fecho a janela e noto na lesma em pijama entrar no meu domínio de casa! Tal como eu ela, a lesma parece falar comigo dizendo: amigo para quê a vaidade feita beleza se usamos pijama durante 24 horas! Mais acima uma osga repimpada, gorda com uma bicicleta ao lado como que me desafiando a dar uma volta... Pois, assim seria mas, o medo! Olha osga, não posso! Meu centro de gravidade está deslocado...

Segundo as regras de hospitalidade prevalecentes, talvez o bairro inteiro tivesse recebido convite neste tempo de osgas. Acho que até o presidente Marcelo aprendeu que uma lesma pode ficar três anos dentro de uma concha para se proteger do mau tempo. Ela, a osga não sabia apreciar a graça que busca, espera, recebe, abraça e restaura em nossa casa. Esta osga é uma zona cinzenta na minha clarividência. Ela, a osga, explicou-me que também merecia ter tudo na família da casa, “como concessões imerecidas do amor”, não como pagamento pelos serviços prestados mas de vocação. Temos mesmo de aprender muito com os animais... É um privilégio ter um presidente a ensinar-nos comportamentos como a osga e a lesma. Uma coisa de outro planeta...
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:58
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Sábado, 16 de Maio de 2020
XICULULU . CXXIII

PONTOS DE VISTA - Aqui no M´Puto, continua a aprofundar meus conhecimentos descodificando as origens da mentira…

MÊS DE ROSAS … 16 de Maio de 2020

Crónica 3023 - Pensares do T'Ching...

Por:

soba03.jpg T´Chingange – A Sul do M´Puto

rosa.jpg A simplicidade é uma virtude que anda de mãos dadas com outras. A ela, estão ligadas a franqueza, naturalidade e transparência dos nossos actos, embora nos dias de hoje nos deparemos com muita hipocrisia, muito faz de conta porque, ser-se pobre, é doença.

Nada de lamúrias! Mas, isso parece trafegar na direcção contrária ao pensamento hodierno, que nos impõe a ideia de que o melhor da vida se resume no acúmulo de coisas e na sofisticação do comportamento de parecer ser o que não se é... 

cazumbi0.jpg Esta falta de paz, origina excesso de ansiedade a quem se mente, originando prejuízos colaterais e, que tendem a aprofundar-se em esquizofrénicas atitudes... Estes são apenas alguns resultados pouco desejados mas, que podem ser colhidos numa prática de uso permanente.

Estas pessoas necessitam reencontrar o caminho da simplicidade que liberta dessa pressão consumista porque num qualquer dia se permitira tirar-lhe a paz de espírito e, de depressão em repressão, ficar com as ideias frouxas, passado dos carretos, correia de transmissão e pneus carecas como se fossem feitos máquinas, autómatos…  

rosa 1.jpg Contudo, há o risco de se levar a simplicidade ao extremo, associando-a à conduta ascética, de renúncia dos recursos que conferem relativa qualidade à vida. Muitos moradores de rua não querem voltar para casa; incompreensível sim mas, alguns, o diz! Talvez por um orgulho esganiçadamente pisoteado.

No livro dos livros é dito que o Senhor falou ao povo: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Estas falas eram no sentido de ajudar a colocar as coisas materiais em sua verdadeira perspectiva embora nesse tempo ido, muito antigo, não houvesse 3D em perspectivas de mais um 5G. Pois, permitindo assim, possuí-las na medida em serem úteis para seu, nosso bem-estar e, sem se deixar que elas nos possuam ou nos escravizem; isto enquanto dois mais dois forem quatro!...

dia27.jpg Portanto, segundo estes ditames, devemos exercer vigilância, a fim de que o interesse pelo material não seja um obstáculo em nossa corrida na busca do que nos possa satisfazer espiritualmente. Podemos sim, ser libertos do labirinto das coisas por modo a encontrar a verdadeira alegria na simplicidade que a Natureza nos transmite. Uns dirão: na providência que aquele Nosso Senhor nos conceder, mas… talqualmente, cada qual tem de fazer sua parte. Aquele senhor tem mais em que pensar! E, nós sabemos bem que há espíritos Salgados que são sagrados…

-E, ele está rico! Alguém diz. Só porque comprou um carro novo e sempre gasta dinheiro na compra de dois sacos de pipocas para dar às pombas lá na praça do Restelo. Quanta dureza de má-língua nessa expressão de descontentamento nas coisas simples que fazem alguém feliz! Precisamos aprender a viver contentes e agradecidos pelo que temos sem cobiçar o alheio!

Tenham um bom fim-de-semana!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:17
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Domingo, 10 de Maio de 2020
XICULULU . CXXII

TEMPOS CINZENTOS - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…

TEMPOS DE COVIDAMENTO…- 10.05.2020

Xicululu:  Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo...

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soba0.jpegT´Chingange a Sul do M´Puto

roxo135.jpg Com fúteis caprichos de ver o Mundo pela janela, esmiúço os tempos de ficção para saber a verdadeira razão dos paradoxos que irão aparecer lá mais no futuro. Sim! O futuro de um mundo ainda mais surreal. Vejo o loureiro abanar junto ao jacarandá tentando talvez compreender melhor a essência dos seus divinos. Será que uma árvore tem sentimentos, tem amarguras, ânsia e amor? A ter um papel na vida, condimentando minha comida, não deve saber também o sentindo duma guerra sorrateiramente caseira, confundido como nós na incompreensão. Não! Não pode ser – ele só cresce, absorve a chuva e depois, morre…

Na incompreensão de como o mundo se pode mudar num ÁI esquecendo que o ontem é igual ao hoje e o amanhã assim será de igual, tento a custo interpretar o vento Suão e do porquê do cão quando este sopra, deitar-se rodando três vezes no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Mas, há afinal outros ventos com laivos de maldades e decapitações, que nem a esquerda comunista estalinista e maoista no seu lado mais negro, traz consigo!

roxo123.jpg Alto lá! Aqui uma carga negativa do passado cultural, com olhos rasgados e amareladamente esticados trazem a peste sorrateiramente invisível quanto baste aos países redondos na perfeição dos silêncios – Quais? O Ocidente… Sim! A Europa, seus mais que muitos países, todos alinhadinhos a querer ver somente o admissível segundo as cartilhas aprendidas no rigor da ética. Ética!? Eles leram por ventura as cartilhas do Mao Tzé Tung, das picadelas de moscas tzé- tzé e dos meandros sórdidos do  Xi Jimping – o líder actual da China… Será esta pandemia uma guerra eugénica?

Bom! Embora os princípios da eugenia tenham sido elaborados por um cientista e pastor anglicano inglês, foi nos Estados Unidos e na Alemanha, a partir do início do século XX, que começaram a ser colocados em prática. Sob a designação de “eugenia positiva”, adoptavam-se medidas de incentivo financeiro a casamentos considerados favoráveis, implantando-se programas educacionais para reprodução planeada e concursos na descoberta de famílias e indivíduos talentosos. Hoje os talentos de repente ficaram trancafiados e, não se sabe aonde estão esses sábios que conseguem desmembrar um vírus a fim de obter uma vacina… E é agora que os velhos morrem, muito estranho Noé?

zep1.jpg Neste ainda recente passado, praticamente um ontem, faziam parte da “eugenia negativa” acções de esterilização, eutanásia, segregação e de restrição à imigração. Isto também sucedeu na China mas, curiosamente quase nenhum perito da área fala! Poucos jornalistas de investigação se arriscam a desbravar! A primeira lei de esterilização americana foi aprovada em 1907, no estado de Indiana. Tantos cientistas tão bom a destruir e tão poucos a inocular esse mal que nos ataca… Só pode ser descuido do Ocidente! Países redondos na perfeição dos silêncios. Só pode!

Posto isto, quero conservar a memória de tudo o que fui, que não fui e o que poderia ter sido. Teci-me na linha dum destino só meu; muitos estarão assim pensando que afinal tivemos uma vida de canseira e num repentemente num ÀI, tudo muda. Está mal! Criei-me na teoria do esquecimento, burilei-me nela e desconsegui ficar imune a esta rebelião que me rebola no cerebelo e contamina os cabelos. Estou careca de refilar; tudo continua na mesma como a lesma.

CUCO1.jpg Lá fora um carro municipal com dois altifalantes, diz-me para ficar assim em casa olhando a televisão, aonde repetidamente dizem as coisas que mudam nos números, nos gráficos subindo e descendo e, eu à espera que os sábios cientistas, descubram uma bolunga qualquer para endireitar o esqueleto, fintar com bassula ou esquindiva esse bicho voador e invisível vindo do raio que o parta.

Também voo - voo entre nuvens turbinadas de sucção, aspiração, compulsão e impulsão, vida de cão. No calor do tempo queimo cansaços, fracassos vazios, decepções e até solidões, também! Mas nem tudo foi assim tão mau – houve também bons momentos. Passei os vinte e oito, sessenta e oito e quase, quase nos setenta e cinco, vejo minhas unhas crescer.

Xi Jimping1.jpg Após o término da Segunda Guerra Mundial, a eugenia foi desacreditada como ciência e condenada como postura política. Entretanto, a última lei de esterilização americana foi revogada apenas na década de 70. É necessário mantermo-nos atentos a novas tentativas de oferecer soluções ideológicas a problemas cujas causas são económicas e sociais.

Reconhecendo estudos urbanos, temos que a reflexão sobre o espaço e a interacção entre grupos não pode ser reduzida a uma questão de “competição” ou “selecções” biológicas. Não conseguindo estabelecer maiores pontos de contacto entre a cultura Oriental e a Europeia subsistem meandros mal detectados na nossa vivência étnica. Nem sempre homem, nem sempre jovem, já mais velho, nos intervalos, aprendi a aprender… Esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos e dos fúteis caprichos de poder. Sim! Talvez tenhamos no futuro uma nova “Ordem Mundial”…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:57
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Sábado, 9 de Maio de 2020
FRATERNIDADES . CXXV

ANDO ENKAFIFADO“ Medo, não, mas perdi a vontade de ter coragem.” Já em tempos idos, Guimarães Rosa, o tinha dito, ou escrito...

Crónica 3021- 09.05.2020

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soba002.jpgT´Chingange – No Algarve e em confinamento voluntário…

urubu.jpg O tempo não passa pela amargura mas, a amargura passa pelo tempo. O TEMPO é preciso segurá-la enquanto existe! Alguns idosos, como eu, vão á janela algures num dos tantos lugares a despedir-se do tempo vazio tendo como vizinho próximo a árvore, um loureiro. De dentro da casa, alguém pergunta: - Para onde estás a olhar? Para a árvore - é a reposta. E o que vais fazer hoje? Olhar para o loureiro? Quem é esse Loureiro? – É uma árvore! Entretanto meu amigo Aristides Arrais, natural de Bustos e um ferrenho Petista, lá na Praia do Francês, Concelho do Marechal Deodoro do Brasil, corre sua maratona em volta de um coqueiro…

Sai à rua. E, em pouco tempo, o medo põe o homem a aceitar a pergunta dum fardado feito autoridade: para onde vai? Num rapidamente todos ficamos com 5 anos! Ele, o Arrais, com mais de oitenta anos, de repentemente vê-se na rua perdido do pai e da mãe. Ué!? Volta para casa por intuição e pensa variar o itinerário de sua maratona. Dá voltas à mesa, dá voltas a um prato e ao seu tamarindeiro; o saguim, lá do alto do coqueiro, muito admirado arrefinfa os olhos, treme as longas pestanas e quase se ri em sua perfeita inteligência de macaco…

uruguai3.jpg No vinticinco de Abril, segundo dia após a minha vinda de São Paulo em um voo especial da TAP, assisto pela televisão dois médicos beijando-se com máscaras postas – Os amantes! No parque, um homem e uma mulher também se beijam com um pano a envolver suas cabeças. Nesta guerra sem fisgas, sem bazucas, sem misseis nem bombas H, nem me dá a hipótese de usar minha pressão de ar “diana” arrumada faz tempo num tubo oleado por trapos.

Na tristeza dos dias, esta pandemia pós a nu a fragilidade das relações entre seres humanos. Viu-se na clareza, e por parte de quem já se esperava, a pérfida decisão de eliminar os mais velhos, os mais frágeis, mais dependentes e, com resquícios de eugenismo que se pensava estarem soterrados com o 3º Reich. Recentemente, recordei o mentor desta filosofia, um tal de Tomas Malthus que transmitiu a Hitler as ideias macabras de mudar o mundo por selecção de gente não desejada; gente que foi eliminada em milhões nos campos de concentração já por demais conhecidos por todos.

vaca0.jpg Teremos de ser todos capazes de nos reinventarmos na responsabilidades e funções que desempenhamos, uma solução de forma justa e solidária com aqueles que arriscando a vida nos tratam desse mal conhecido vírus, que permuta como se tivesse formas de nos ludibriar num para sempre e que leva lideres a dizer disparates muito fora do contexto; isto revela-me do quanto se é pequeno nesta imensidão de desconhecimento da Globália, do Universo e da esfera aonde coabitamos chamada de Terra.

E verdade que esta pandemia apanhou o SNS de Portugal – Serviço Nacional de Saúde de calças na mão mas, países ouve que se portaram duma forma pouco intendível e pouco profissional na forma de salvar gente. Deram-se conta depois que afinal tinham cuecas. Verdade se diga que os profissionais de saúde portugueses deram e, continuam a dar uma resposta digna, não obstante lhes faltar em alguns momentos o equipamento de segurança. Pelo que me é dado saber, foi em todo o tipo de patologias atendendo ricos e pobres, valha-nos isto.

zorro2.jpg Pior, esteve o Governo que titubeando decidiu prioridades mal equacionadas e não recorrer de imediato a tantos lares de idosos que se sabiam não estar nas condições optimizadas de salubridade. Má calendarização e até descaso no cuidado com esses muitas casas depósito de mais-velhos e o não recurso às muitas associações de bombeiros que estavam na linha da frente no conhecimento das debilidades. Ouve um mau aproveitamento desta rede voluntária ou municipal tão conhecedora do meio social por sua natural proximidade.

Na Suíça, artistas de circo fizeram malabarismos em frente a um lar de idosos. No Equador o sistema funerário entra em colapso e os corpos são abandonados na via pública. Os Urubus voam em círculos na cidade de Guayaquil. Nestas palavras assustadoras até os urubus se tornam mais agoirentos do que os abutres que são a mesmíssima ave de agoiro. Teremos de fazer os possíveis para aparentar calma, não mostrar medo porque, por enquanto, assim parados, podemos ouvir o cantar do melro e do pintassilgo, o cantar do galo e do granisé…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:59
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Quinta-feira, 7 de Maio de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXI
Portugal e o COVID 19
Crónica 3020 – A “Ditadura das Máscaras” - 07.05.2020
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soba03.jpg T´Chingange – No Sotavento do Algarve em distanciamento social…

A crise gerada pelo Coronavírus em Portugal acelerou e facilitou a adopção de medidas de Engenharia Social para testar os limites do controlo estatal sobre nossas vidas. O estado de calamidade não pode dar aso a toda e qualquer medida. Curiosamente todo o mundo fica acabrunhado em dizer qualquer coisa; estarei assim tão errado? O teste é quase mundial! Vejamos. - Enquanto as máscaras em Espanha são oferecidas ao cidadão no uso de transportes públicos, aqui, em Portugal, multam em 350 Euros quem não as levar no rosto - Uma multa pandémica!
Se eu fosse Presidente, derrogaria muito rapidamente tal alarvidade por ser uma multa torpe! O que devem sim, é impedi-os de viajar em "colectivos". Em Portugal, país no qual as instituições parecem “funcionar normalmente” para impor a vontade do Estado surgem aqui e ali uns oportunistas a fazer negócio de milhões… por simples troca de favores sofismados de filantropia que no meio de tanto medo e, mais alvissares dissonantes, a rapidez e o calculado propósito que  concretiza a oportunidade.  Assistimos assim, a mais um espectáculo pitoresco exigindo rever as gravuras do Bordalo Pinheiro numa visão tão ao gaudio dos historiadores da banda desenhada, que num futuro próximo, poderão chamar a isto a “Ditadura das Máscaras”.

bordallo.jpgEm nome de uma suposta “ciência”,  gestores da causa pública e afins, driblam com apurada tecnoburocracia estatal produzindo decretos ou posturas, obrigando os cidadãos a usarem máscaras, sob a “tese” de que elas são efectivas na prevenção à contaminação pelo maldito COVID-19. Pode até estar certos mas, poupem-nos a  coisas bizarras! Uma coisa tão simples de se fazer, a causar tanto alvoroço. Concordo sim que se usem em recintos fechados, em transportes publicos, nas escolas mas, nosso "despilfarro" não pode ser lucrativo ao estado ou instituições… Um desplante, máscaras de um Euro a serem vendidas a preço d´oiro..

Sobre o assunto, a retórica usa o argumento de que “o uso da máscara” já foi incorporado socialmente, no mundo todo. Autoridades e a midia hegemónica, vendem à população a suposta teoria de que o uso obrigatório das máscaras impede o contágio da doença. Para dar força a tal narrativa, as empresas de comunicação copiam a medida extrema falando ao microfone golfadas de gargarejos até desentendíveis. É um recado psicológico ao povo - que tem de obedecer como carneirinho, em nome da “emergência em saúde pública”.

bordalo5.jpgA máquina estatal aliada às mediadas municipais com a boa vontade dos Costistas, aproveitam a pandemónica COVID para cumprir um tríplice objectivo: 1) testar medidas extremas de controlo da população com a anuência da oposição; 2) arrecadar com multas  cobradas de quem ousar desobedecer as regras de excepção; 3) promover gastos em questionáveis licitações, em regime de emergência ou calamidade, adquirindo máscaras a preços superfacturados… A picaretagem vence a honestidade aonde o medo supera a razão sem ninguém ter a certeza efectiva de como acontece a contaminação.

Os supostamente entendidos, dizem que a COVID-19 não é uma doença respiratória – e sim sistémica, com característica hematológica (afecta o sangue). O bicho acomete diferentes partes do corpo. Ataca a hemoglobina. O vírus derruba o nível de oxigénio nos glóbulos vermelhos. Quebra uma barreira e liberta o ferro que “intoxica” as células. Cientistas estão próximos de achar o anticorpo produzido pelo sistema imunológico, para produzir a vacina que neutralizará o Sars COV-2 (causador do COVID-19, o KungFlu).

bordalo0.jpg Definitivamente, isto não é uma “gripezinha”... É grave!... Nalguns países , promoveu-se um “lockdown” (a paralisação quase total das actividades produtivas).  O pior efeito colateral pós-pandemia já se manifesta aqui e outros países como o Brasil, de modo muito assustador - o surto de autoritarismo aliado à fome. A “doença”  polariza-se assim mais grave, na população subserviente, de mão estendida ao estado. Os “infectados” ora se comportam como carneirinhos, ora como cães raivosos. Neste clima de medo, são interpretadas e obedecidas as “ordens” e regras para isolamento, distanciamento, bloqueios com uso obrigatório de máscaras, “fique em casa” e por aí vai... permitindo excepções como o UM DE MAIO, essa coisa linda duma Alameda pintalgada de bandeirinhas vermelhuscas levadas de concelhos supostamente estanques à vialidade… Em nome da “ciência”  titubente e duvidosa e da “saúde pública” também  se soltam os presos.

bordalo3.jpg Creio que iremos ter esta pandemia, anos pela frente... Fabricantes e vendedores de máscaras são os únicos que lucram com ela junto com gente dada à subtracção das verbas públicas na área de saúde, revelando pelo que me é dado saber, haver descaso na testagem de casas de terceira idade. 35000, são os casos apontados de casas de repouso ilegais… Como vamos então enfrentar e sobreviver ao vírus com falta de dinheiro? Haja paciência e sangue frio como tem de ser “Na Ditadura do Consenso”. A inexperiência dos italianos deveria ser útil a toda a Europa e todos os demais países com cada qual ensaiando sua forma de mandar, mas ouve descuido...

Nota: Barlavento é de onde o vento sopra
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:25
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2020
MOAMBA XXXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO. O risco da vida que, por coisa pouca muda nossas vidas…

Crónica 3019 - MUGIMBOS : OMS - Os Porquês da desconfiança... 20.04.2020

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soba k.jpg As escolhas de T´Chingange – No Nordeste brasileiro – No 36ª dia de confinamento social…

Xi Jimping1.jpg Trump retira a OMS da sua alocação de US $ 500 milhões. EUA é o PAÍS que mais contribuiu. E ninguém pergunta o porquê? Quem é Tedros Adhanom, actual presidente da OMS? Para começar, esse homem não é médico (é a primeira vez que a OMS é presidida por alguém que não o é). É um político e ex-funcionário do regime ditatorial comunista na Etiópia, onde foi ministro da Saúde e Relações Exteriores, bem como um membro proeminente da Frente de Libertação do Povo de Tigray, um partido socialista marxista étnico.

Este homem chegou à presidência da OMS em 2017 apoiado pela China, apesar de ter sido acusado de mascarar três epidemias mortais de cólera sob o nome de "diarreia aguda da água". Enquanto votavam em sua eleição em Genebra, grupos etíopes demonstraram em frente à sede da ONU denunciar sua cumplicidade com o regime etíope, um aliado da Venezuela, Cuba e China e, tendo em seu crédito inúmeras e terríveis violações de direitos humanos, genocídios de minorias, massacres de manifestantes, tortura de dissidentes e prisão política.

Xi Jimping7.jpgTedros Adhanom, chegou ao poder da OMS graças ao voto dos membros da União Africana, cuja maioria dos países são ditaduras violentas ou que restringem direitos e liberdades, para além de viverem em corrupção estrutural e endémica. Além disso, esse senhor foi nomeado presidente da OMS pelo lobby do regime comunista chinês, cujo apoio era absolutamente explícito.

A primeira coisa que esse senhor fez ao chegar à presidência da OMS foi nomear Robert Mugabe como embaixador da boa vontade da OMS no mundo. Sim! Você leu correctamente: Robert Mugabe - um dos ditadores africanos mais cruéis, sedentos de sangue e corruptos, que além de promover a limpeza étnica tribal e praticar tortura e crime, era um homem incondicional da China e um efectivo introdutor de voracidade de Pequim para as matérias-primas da África (uma pilhagem que o continente não recuperará). Temos Angola como referência e, em detrimento de gente conhecedora e, a quem deram um pontapé com o beneplácito de Portugal e dos portugueses (maioritariamente…)

Xi Jimping3.jpg Este cavalheiro, ex-ministro das Relações Exteriores da Etiópia e agora presidente da OMS, é mais uma parte do regime comunista de Pequim na tabela mundial, como Mugabe já foi. China, é o principal parceiro comercial da Etiópia tendo feito um investimento multimilionário em infraestruturas naquele país, que se tornará uma parte essencial da nova Rota da Seda. Esse homem, entre outros serviços prestados a seus amigos em Pequim, vetou Taiwan.

Xi Jimping2.jpg

 

Taiwan, o inimigo íntimo da China comunista - nas sessões da OMS. E, enquanto Taiwan alertou em janeiro o perigo de contágio na China, a OMS exigiu não restringir voos ou trocas comerciais com seus aliados em Pequim. Não só isso. A OMS, melhor, este senhor, recusou-se a declarar a pandemia até 10 de Março, apesar de o chinavírus já se ter espalhado de maneira significativa para os países europeus. A Itália já estava em colapso. A Espanha estava em plena expansão viral e o Covid-19 estava-se estabelecendo fortemente na França, Alemanha e Reino Unido.

Xi Jimping4.jpg A Ásia estava infectada há mais de um mês e estava começando a ser detectada no continente americano. Ninguém entendeu, portanto, esse atraso da OMS, a menos que tivesse a ver não com a guerra contra o vírus, mas com a guerra de propaganda, na qual os comunistas são perigosos especialistas. Taiwan não esperou pela OMS e interrompeu o vírus a tempo; poucos lhe seguiram o exemplo.

Xi2.jpg A China ocultou do mundo o início do surto e falsificou o número de infectados e mortos, mas venceu a batalha da propaganda porque a OMS, ou seja, seu Presidente, elogiou o mundo por sua transparência e eficácia. Colocar a China a serviço da OMS permitiu inúmeras mortes e infecções no resto do mundo e já se tornou uma das razões da brutal crise económica que acaba de desencadear. Claro que os políticos no Mundo andam com medo de dizer o que sabem! E, sabido é agora a tramóia de comportamento do Ministro da Saúde do Brasil, de nome Mandetta, complicando e obstruindo a actuação do presidente da Republica, Bolsonaro.

Xi Jimping1.jpg A China tem ludibriado em biliões de dólares o resto do Mundo com o envio de produtos que para nada servem, testes e máscaras deficientes que não garantem a protecção. E, Tudo isto, pago por antecipação! Um despudor de todo o tamanho e, que só Trump teve a coragem de o referir. A China é um logro de clara falsidade e sem despudor nem humanidade para fazer desaparecer a vida que conhecíamos. Nada mais será igual!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:13
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Sexta-feira, 17 de Abril de 2020
MOAMBA XXXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . O risco da vida que, por coisa pouca muda nossas vidas…

Pensamentos do T'Ching – Que terror! - Tambulakonta é : fiquem atentos!

Crónica 3017ONDA 5G – EM BREVE SEREMOS ROBÔS ...15.04.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Talvez você já tenha ouvido falar da chamada “internet das coisas”, que vai conectar todos os objectos do nosso dia-a-dia – da geleira da sua casa, do fogão ou torradeira às lâmpadas da rua com um gerenciador em seu cerebelo. Hoje isso soa assim numa coisa do paralém, mas vai acabar transformando o mundo! Se me dissessem há cinco meses atrás que o Mundo iria paralisar por um vírus, não acreditaria e, no entanto estamos a viver este confinamento para evitar contágio. Não há aviões a circular no ar, os barcos estão confinadas aos portos e familiares apanhados neste pandemia estão longe uns dos outros, em diferentes países sem saberem como vai ser o amanhã e, muito menos daqui a um mês.

Creio que o objectivo no futuro é introduzirem-nos um chip holométrico inserido num sistema de 5G e, por forma a sermos autómatos, tal como os carros, os polícias voadores drones e sinalização inteligente. Quando todo carro tiver sua própria conexão à internet, por exemplo, poderá se comunicar automaticamente com os outros veículos, com os semáforos e com os celulares nos bolsos das pessoas.

O carro de fumo da lua2.jpg E aí, em vez de usar sensores e radares para tentar enxergar os obstáculos e reagir a eles, como acontece hoje, os veículos autónomos, autómatos, saberão as posições reais de todas as coisas e agirão. Uma nova ordem está chegando! Isso vai ser possível com o 5G, pois ele suporta uma enorme quantidade de conexões simultâneas aguentando até 1 milhão de aparelhos em cada km2 de área (dez vezes a capacidade da tecnologia 4G). Na baixa de Lisboa, por exemplo, poderia haver até 8 milhões de conexões simultâneas – ou 133 dispositivos por habitante. Talvez isto seja assustador tendo um comando adstrito a isto. O BBB está aí para ficar.

A terceira novidade das redes 5G é a baixa latência, ou seja, o tempo que cada antena ou ponto da rede leva para processar; e, se for o caso, repassar os dados. As ondas electromagnéticas usadas para transmitir informações (seja no 5G, no Wi-Fi, ou em qualquer outra rede sem fio) viajam sempre na mesma velocidade: a da luz. Na prática, a transmissão de dados sempre é mais lenta. Nas redes 4G, a latência é 50 milissegundos (0,05 s).

luua27.jpg Parece pouco, mas não é: uma informação que fosse recebida e retransmitida por dez carros com este sistema, por exemplo, só chegaria ao último deles 1 segundo depois do primeiro. Não haveria percepção de detectar um corpo inadvertidamente a entrar no trajecto. O 5G vai mudar o mundo; acho que este vírus CORONA já é a forma de pré-preparação para nos inserirem esse tal chip invisível que também o poderá ser por injecção de forma maciça.

Possivelmente, já faço parte dessa massa populacional porque me injectaram a tal de vacina contra a INFLUENZA. Sei lá, estou divagando! Se efectivamente houver uma Nova Ordem Mundial, a todo o momento virarei um autómato sem direito a ver a família, sem poder festejar aniversários, sem poder beijar, amar e o escambau. Definitivamente não acredito nos homens após analisar nestes últimos anos uma busca de extermínio em massa e, tendo como estudo a Pneumónica que matou nossos avôs ou bisavós há 82 anos atrás; pelas SARS em 2002, depois MERS, H1N1, Influença, Ébola e agora que parece terem acertado, o COVID19.

No Brasil com seus duzentos e dez milhões de “peças, robôs, pessoas” as operadoras pretendem fazer o mesmo, e usar a frequência de 3,5 GHz. Elas vão comprar o direito de usar essa frequência num leilão, que a Anatel fez em 2019. Mas há um porém, a tal frequência é vizinha da chamada “banda C estendida”, hoje usada para transmitir TV aberta via satélite. Para evitar interferência, antes de inaugurar o 5G seria necessário instalar filtros nas casas que têm parabólica, um trabalho e tanto (são 20 milhões de residências, e boa parte precisaria do tal filtro). Isto, como vêm é actual

natal1.jpg Pois! Isto não vai acontecer? Está acontecendo! Em casa praticamente todos os electrodomésticos terão algum tipo de conexão à internet. Ela será automática (você não precisará configurá-la, como hoje). Isso só será possível graças ao 5G – que suporta 1 milhão de dispositivos conectados a cada km2 de área como foi dito lá atrás. No trânsito os carros autónomos irão se comunicar em tempo real uns com os outros, evitando acidentes e melhorando o trânsito (dizem!). Ambulâncias e carros de bombeiros avisarão aos semáforos que estão chegando – e receberão sinal verde.

Nos portos, robôs conectados à rede 5G irão carregar e descarregar contentores (que também terão transmissores 5G) de forma automática. O porto de Barcelona, na Espanha por exemplo, já tem um plano para fazer isso. Num segundo momento, o 5G será usado para conectar robôs da construção civil. O governo dos EUA cogita a construção de uma rede 5G estatal, para não ficar atrás dos chineses.

araujo75.jpg De novo os chineses! Os mesmos que tudo indica já a inauguraram. As operadoras americanas, agora prometem montar redes 5G em 30 cidades do país até Dezembro de 2020 – prometiam! Mesmo antes dos celulares compatíveis com essa tecnologia que só irá começar a chegar ao mercado no ano que vem; que corrida louca! Mas, então que tem isto tudo a ver com esta pandemia? Bem, o chip do MEDO já está instalado em nós; é bem evidente, Tudo mudou num ápice… Não há funerais como antes, casamentos como antes, abraços como antes, Noé!? Querem-nos sem coração, tambulakonta…

O Soba T´Chingange



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Segunda-feira, 13 de Abril de 2020
MOAMBA XXXVII

 NAS FRINCHAS DO TEMPO . O risco da vida que, por coisa pouca muda nossas vidas…

Pensamentos do T'Ching - Crónica 3016 - Amizades...13.04.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

araujo10.jpg A vida é feita de relacionamentos... Relacionamo-nos com a família, os vizinhos, colegas de trabalho e os amigos. Na vida actual, grande parte dos amigos são virtuais e, agora, neste Abril de 2020, quase todos somos isso - virtuais com o COVID 19...

Temos necessidade de relacionamento desde que nascemos. De facto, está em nosso ADN; não é comum vivermos isolados. Um tal de Francis Bacon disse: “Não há solidão mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto.”

arau159.jpg Cícero, o grande orador romano, chegou a reflectir: “Existirá algo mais agradável do que ter alguém com quem falar de tudo como se estivéssemos falando connosco mesmos?”. Salomão também afirmou: “Algumas amizades não duram nada, mas um verdadeiro amigo é mais chegado que um irmão". Há pessoas que têm facilidade para fazer amigos; outras tomam poucas iniciativas nesse sentido, o que não significa que não apreciem tê-los.  

Esses distanciados, sendo reservadas e tímidas, com tique ou manias de superioridade até, basta que se lhes toque no coração que logo escancarão as portas da fobia, se não forem torpes... Pesquisas têm revelado o valor da amizade, mas não se impressione se seu perfil na rede social abriga números estratosféricos de amigos. Só eu tenho mais de 9000 e, em todos os continentes!

araujo173.jpg De acordo com o antropólogo britânico Robin Dunhar, o máximo de amigos que podemos ter em mente é 150 e, eu tenho aparentemente 150*60 mas, em realidade só uma ínfima parte participa num olá! Oi! ... Um dia calha um, noutro será um outro! Eles vão e retornam! Alguns, seria melhor nem regressarem porque sempre aparecem inconvenientes...

Mesmo assim, dentro desse número, há uma variante entre cinco, 15, 50 ou 100 na qual estão os mais, os mais ou menos e os menos íntimos e próximos. Para mantê-los, será preciso pelo menos fazer uma ligação a cada 6 meses, e nunca deixar de retornar os contactos recebidos quando for o caso. A amizade também contribui para elevar a auto-estima, melhorar o estado depressivo e a condição cardíaca, o optimismo, entre outros benefícios.

arau161.jpg “Não dispor de uma rede social de apoio é um factor de mortalidade mais potente que a obesidade ou uma vida sedentária”, afirma a psicóloga Julianne Holt-Lunstad, da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos. No grande livro da Bíblia, Davi, Jónatas, Paulo e seus colaboradores  foram óptimos exemplos de amizade... O amigo está presente em toda e qualquer situação. Na adversidade, ele surge como um irmão...

Ilutrações aleatórias de Costa Araújo

Em Tempo de Páscoa!

O Soba T'Chingange



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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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