Sábado, 24 de Setembro de 2022
MALAMBAS. CCLXVIII

TEMPO DE CINZAS. 12.03.2022 na Pajuçara – Republicação a 24.09.2022 em AlGharb do M´Puto

Crónica 3254 - Lendo a “TEORIA DA INCERTEZA” no 7º dia da guerra em Ucrânia

MALAMBA: É a palavra.

Por soba002.jpg T´Chingange, na Pajuçara de Alagoas e Lagoa do M´Puto

mano corvo.jpg Alain Delon, o donatário de dez paços de areia na praia Pajuçara chega por volta das sete horas da manhã fazendo um grande alarido em minha direcção, eleva as duas mãos, diz bom dia patrão e finca os dois polegares no ar abanados e virados ao céu para me desejar saúde. Estando eu a fazer movimentos de talassoterapia respondo do mesmo modo, com água até o pescoço, de óculos e chapéu quico branco do Palmeiras. Entrei na água pelas 5,45 horas, tépida, serena e espelhada como é normal na maré baixa. As calemas esbatem-se lá atrás nos recifes na forma de espuma branca; pode ouvir-se o barulho.

O Alain ganhou comigo o sobrenome de Delon em memória ao artista de cinema que me transmitiu alegrias na juventude Luandina, no antigo cine do bairro Maianga, meu clube, ou em uma outra qualquer das muitas salas ou esplanadas existentes na Luua de Angola tai como o Miramar, Império ou Avis. Aqui as sesmarias de posse d´areia são contadas em dez passos segundo uma direcção já estipulada e segundo duas referências como se fossem faróis ou bandeirolas, um poste alinhado com uma equina e, bem vertical à língua de praia.

Como chego muito cedo, a vastidão é só minha mas, porque conheço as balizas destes donatários sempre faço os possíveis para aqui ficar, sentar-me depois da hidroginástica, dizer umas larachas de soberania, comer uma peça de fruta à sombra do meu sombreiro com gravuras de peixe-agulha e flores, pegar no livro do dia para fazer a leitura hodierna; ainda ando mastigando o livro Veredas de Guimarães Rosa, triturando lentamente as falas intrincadas, parar e fazer-me entender envolto na riqueza de tantos vocábulos estranhos e, inusuais na literatura de hoje.

maqui1.jpg Sendo assim Alain deu paz à minha ideia congeminada entre o bracejar, rodar, remar e saltar abstraindo-me do olhar co contorno das cérceas que em curva se dispõem ao longo da marginal, calçadão, passeio e pista de ciclovia que ondula a marginal desta orla. Hotéis e edifícios residenciais que bordeiam esta grande piscina natural na forma de uma pequena baía. Estou bem em frente ao pavilhão de artesanato; posso vê-lo por entre os coqueiros e amendoeiras de um frondoso verde. É o lugar de Sete Coqueiros mas, em realidade são muitos mais.

pajuç1.jpg Tenho agendado fazer compra de prendas neste artesanato, oiro de capim das chapadas de Tocantins; pequenas lembranças a levar para o M´puto. Por via da guerra da Ucrânia, embora longínqua, terrível, estupida e medonha, tudo me perfaz num quanto baste provocando-me desagasalhadas alegrias. O Alain passa e, mete-se comigo enquanto acaba de espetar seus grandes chapéus quadrados e vermelhos, num total de nove na sua sesmaria, dizendo:- Hoje é dia de escrita, patrão!? Sem esperar resposta, que nem era para isso, num entretanto acode a dois casais acomodando-os bem ao lado preenchendo assim a frontaria da maré…

Ver a praia desnuda e, do nada virar coisas, chapéus de múltiplas cores, cadeiras, mesas e arrepios de vida, se o quiserem resiliência também. Assim vi! Num repente veio um relance que também me arrepiou ideias. Minha rasa opinião sucumbe no braço d´armas da guerra que mata gente como quem mata coelhos. Putin, o dono da caça, ele tem olhos muito incertos e vesga-os sem sair qualquer suor pestanejado, cara de cera, sem lágrimas nas beiradas de sua testa, o filho da puta! Vou dizer mais o quê, apetece-me chamar-lhe nomes.

pajuçara1.jpg Cada um com a casa atrás da parede, tijolos desfeitos, atrás do nada, um zumbido, muitos mais, um estrondo e muitos mais, fragmentando mortes, o crepitar de labaredas, caibros que caem, muitos e mais muitos rebentamentos só átoa com cheiros, com fumos – ninguém tinha esperado – ninguém tinha pensado. E, depois, um silêncio tremido de medo com choro abafado e de novo, um segundo que vira século, aquele outro silêncio pior que um alarido, que dói…

No buraco escuro, escutando a rádio, opiniões, muitas até em que não me assopro, hipocrisia. Que crime? O homem veio guerrear com todo o mundo. Guerra! Crime que sei, de fazer traição; não cumprir a palavra, não a ter: Uma arte de intrujice, nunca vista, nunca sentida, nunca cheirada. E o resto do mundo? O resto do mundo ficando agachados, molengados, por nivelar sem diferir. Na ponta dos olhos da gente sai uma raiva, outra e mais outra, feitas lágrimas. Ideias que vão e vêm – a gente empurra para trás, mas a todo o momento elas voltam a rodear-nos nos lados. E o mundo, no mundo a gente que pode, tem muitos mais lados! E, não há lá no sítio da URSS, um filho da mãe que lhe ofereça um como de cicuta…

O Soba T´Chingange                   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:13
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2022
PARACUCA . LII

MULOLAS DO TEMPO - 23

RECORDANDO: Nós, bazungus em VILANCULOS no Samara Lodge – Do 39º dia (sexta feira dia 26 de Outubro) ao 42º dia (segunda feira dia 29 de Outubro de 2018) - Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”

Crónica 325309.03.2022 No PortVille de Maceió do Brasil – Republicação a 23.09.2022 em AlGharb do M´Puto

Por  tonito16.jpg T´Chingange

ÁFRICA1.jpg De 26 para 27 de Outubro de 2018 já pernoitamos aqui no Samara Lodge, propriedade do senhor Paulo, um português / moçambicano, casado com uma senhora indiana. Estamos no dia 27, um sábado e, logo ao matabicho resolvi comer um suculento bife com ovo a cavalo para tirar a barriga de misérias. As instalações são de primeira, agradáveis espaços de jardim com piscina e recantos de sereias, lugares de curtir o sol desde o nascente ao poente, situadas bem junto à praia e do lado Norte de Vilanculos. Depois de apreciar prospectos a indicar variados lugares de interesse a visitar por entre cartões de propaganda, massagens ao domicilio, transportes e cicerones avulso, escolas de mergulho e pesca ao corrico, entre variados edecéteras muito normais nas estâncias turísticas da europa, decidimos por ir à ilha. Depois do café da manhã bem nutrido, resolvi caminhar só, pela praia e até ao centro da povoação de Vilanculos a sul do Lodge Samara.

Esta tem as características iguais a muitas outras que nasceram na gestão portuguesa enquanto colonia ou Província Ultramarina; visitei o mercado bem apetrechado de víveres, bancas com peixes e bivalves; tratando-se de ser hoje um sábado o mercado apresentava-se com algum movimento. Regressei ao Savana em um táxi-moto, um modo de locomoção habitual e até muito usado pela população local. Pude observar aonde se situavam os bancos com as respectivas caixas multibanco, também aqui muito usadas pela população e, aonde sempre teremos de ir buscar o cumbú

Daqueles prospecto lidos, retive a minha atenção ao safari marítimo às ilhas de Bazaruto; inscrevemo-nos para ali passar o dia seguinte, um domingo, pelo que este resto de dia foi ocupado mergulhado nas águas baixas e mornas. Da água podíamos admirar a beleza daquela costa muito coberta de vegetação, palmeiras e coqueiros contornando lodges e casas de veraneio ou residências no meio daquela exuberante verdura em espaços dunares de areia branca. Esbracejando a água tépida, já ansiava o passeio a fazer no dia seguinte. E, o dia seguinte chegou depois de um sono retemperado nas ondulações suaves do mar de Samara. Após o matabicho fomos solicitados para entrarmos a bordo da chata veleiro com dois marujos e um capitão.

Mu Ukulu02.jpeg  Não estavam vestidos a rigor de marinheiros mas foram amáveis e diligentes em seu comportamento. Só depois de pagarmos as respectivas passagens com cartão multibanco, essas pequenas máquinas usadas em todo o lado ao empresário de sucesso que chegou montado em uma moto de quatro rodas; pagamento tendo como base o dólar – cinquenta “paus verdes” por cada tripulante – tudo incluído. Ida e regresso à ilha da fantasia com corais em algumas partes dos recifes, gozar da praia, almoçar garoupa grelhada, frutos do mar e lagosta transpirada com camarões gulosos saltilhados entre verdura e dispostos em travessas em uma mesa grande, dobrável e, tendo um grande sombreiro apoiado em quatro varas, a servir de protecção ao sol impiedoso do meio-dia.

Foi um bom espaço de tempo com troca de pilherias e saberes dos aspectos locais; em suma foi interessante e até pela primeiríssima vez ressalvo aqui em elogio esta predisposição entre os bazungus e eles, os tripulantes miamas. Fomos sempre usando a vela soprada pelo vento do canal; demoramos bem uma hora a chegar e, neste trajecto podemos apreciar os contornos das ilhas de Magaruque e de Benguerra. Foi nesta última que ficamos. Da costa do Samara dava ideia de ser uma só ilha mas em realidade são três, sendo Bazaruto a maior, mais a norte. Esta tem óptimas infraestruturas turísticas na qual se destaca pela qualidade o Pestana Bazaruto Lodge com aeroporto, lugar de escolha de turistas saídos da África do Sul mas e, também de outras latitudes – os bazungus ricos já aqui mencionados que fumam grossos charutos cohiba e Romeu e Julieta da ilha Caribenha vão para ali..

Entretanto, ainda nem sabia bem o que era isso de bazungus mas, porque nem sempre sou tolo, achei que era relacionado com muzungu que quer dizer branco em língua xhosa; Não sei como é mas os negros daqui todos se entendem e falam línguas com nomes raros de maxangana, isixhosa, Isizulu, Sesotho usando cliques como fonemas da língua bantu, características dos khoisans. Foi a minha empregada Mary de Campala do Uganda que me explicou estas formas comuns de falar muito enraizadas e, creio que, saídas dos povos bantu; relembro a ela ter feito um rascunho assim: “ O dinheiro que ganhei com meus patrões bazungus está a crescer como um caroço de manga caído no chão do mato do Uganda”

helder12.jpg Aquela frase de “em breve a minha vida estará cheia de mangas” apoquentou o meu mukifo do cerebelo. Porque razão Mary, escreveria isto? Talvez para preencher o tempo e não se esquecer de isto referir em suas conversas com seu boy friend de Kampala. Só pode! Eu também rascunho muito! Mas havia mais referências. “Meus patrões muzungus com a minha comida, já defecam como as cegonhas de Campala"… Ué…como pode?! Defecam caganitas mal cheirosas como aquelas cegonhas do Uganda!?

E, recordo aqui naquele então que bebendo de novo aquele café à mistura com leite do dia e aquele milhipap ou maizpap, perguntei: - Mary, lá no Uganda há muitos turistas como nós à busca de leões, fazendo safari? Haka patrão! No Uganda tem bwé de bazungus assim como vocês carregados de bikuatas, lentes, muitas imbambas. Fica esperto T´chindere, afinal, bazungu era mesmo o que pensava ser: Branco a fazer visita ao mato – fazer safari! Ando a tentar…

(Continua…)

O Soba T´Chingange 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:02
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2022
PARACUCA . LI

MULOLAS DO TEMPO - 22

RECORDANDO: No INHASSORO – Dias 37º e 38º, quarta e quinta-feira dias 24 e 25 de Outubro de 2018 da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África no Yellowfin lodge em Inhassoro (3 noites) …

Crónica 325106.03.2022 no PortVille de Maceió do Brasil - Republicada a 22.09.2011 no AlGharb do M´Puto

Por soba0.jpeg T´Chingange

mocanda9.jpg Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Alguns até são brancos… Porquê? "Hoje até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan T´Chavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabwano por onde passei recentemente neste ano de 2018, que respondendo ao guia imortal, o defuntado Robert Mugabe que se diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo.

O Zimbabwé, enquanto colónia era o celeiro de África, o povo era detentor de uma das maiores qualidades de vida no continente africano. Hoje e, em Angola por exemplo, quando por vezes, nas datas históricas, oiço e vejo pela TV indivíduos a mencionarem o que o “colono nos fazia”, sinceramente não sei se, chore de raiva ou se me mate de “risada” tomando por contraste as politicas actuais. "Porque o que o colono fazia… blá-blá-blá", dizem eles - hoje faz-se muito pior!

O colono, se fez, é certo que sim, quase que o desculpo: era ou foi colono, é branco, não é meu irmão de raça, etc.; agora quando o meu irmão Moçambicano ou Angolano, preto como eu, ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura, faz o que desaforadamente repudiávamos do colono - esta acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma. Porque se chegou à conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.

ngoi2.jpg Mudando o rumo à conversa, amanhã teremos de dar 7500 Mzm ao multifacetado gerente do Yellowfin lodge Sebastião, para pagar os três dias de hospedagem. Isto corresponde mais ou menos a 105 €uros; pela qualidade, não achei caro! Enquanto troco impressões com a osga empoleirada junto à rede mosquiteira, Ibib está preparando os três quilos de mexilhões que comprei a um conhecido de Sebastião. Os 3 quilos custaram-me 200 Mzm, o correspondente a 3 €uros do M´Puto. 

Tentando descansar com as kinambas levantadas para aliviar a tensão dos últimos dias, todo aberto à aragem da monção que vem do mar Índico, de novo vejo a mesma osga de olhar curioso, botando a língua de fora a ensaiar periclitãncias. Pópilas! Antes de poder vê-la, já a pressentia - a vida socorre à gente certos avisos. Antes que me julguem mal, eu até que nem queria mas com a solidão acabei por aceitar este mini crocodilo. Agora até já troco impressões com ela. A bichona estuda-me com seus olhos oblíquos de rodar amor a 360 graus.

Esta osga tornou-se-me familiar porque, num repentemente dou-me conta de que só ela tem o verdadeiro entendimento devido ao tão prolongado silêncio de aprovação. Sabe-se que há problemas que surgem com as tosses cheias de pulmões nas palavras mas, afinal, que está a acontecer? Ela, a osga riu-se avermelhando seus olhos por inteiro, colocando-me até numa situação embaraçosamente roscofe como se o estivera feito pulga entre as unhas dos polegares.

qutandeira1.jpg O cheio da fome, chegou até mim e por via destas alucinadas percepções saí do mukifo bungalow, chalé indo direitinho ao frigorífico fazer pazes com a 2M a cerveja Mac Mahom, larga e mais gorda que o jacaré La Cost. Agora queria até enxotar da ideia aquele diálogo com o bicho porque de repente a gente rosna, chia ou grasna…Até posso contar: Muito só, três meses atrás, resolvi abrir uma nova página no FB e… recordando um quatro de Fevereiro abri uma nova página no Facebook com o nome de Profeta Moisés…

E, acreditem ou não, com grande surpresa, um dos muitos pedidos de amizade vinha de Jesus Cristo. Intrigado fiquei uns dias retendo o pedido enquanto ia recebendo muitas outras, gente nitidamente ligada às coisas litúrgicas, eruditos até às pontas dos cabelos. Assim, assentando os contrafeitos nos factos com dúvidas na forma de gráfico, ora para cima, ora para baixo, fiquei espantado quase no estupefeito quando surge um novo evento: Era Nosso Senhor, adicionando-me de vez como amigo, mesmo sem eu ter confirmado o que quer que fosse. Belisquei-me para ter a certeza que ainda estava pela terra e fiquei extremamente cauteloso sem saber ao certo o que dizer!

 (Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:46
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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XIV de várias partes…

Crónica 3252 de 08.03.2022 em Pajuçara de MaceióRepublicada a 21.09.2022 em AlGharb do M´Puto

KIANDA COM ONGWEVAEm Córdova com Zachaf Pigafetta Roxo, kianda tetravó de Roxo e Oxor, seu mano Pieter e, um tal de Conde de Sant German.

Ongweva é saudade  

Por  soba40.jpg T´Chingange (Ochingandji) – No PortVille da Pajuçara do Brasil e, em Lagoa do M´Puto

koisan5.jpg A Kianda Zachaf que até ali se tinha mantido calada queria saber novas de sua descendente Kianda Assunção Roxo. Anda numa boa, curtindo a vida com suas psicadélicas pinturas, coisas de cores vistosas muito belas, virtuais ou digitais, disse eu. Vi nela os olhos arregalados de contentamento.

Quando estiveres com ela, dá-lhe um efusivo abraço, pode ser mesmo esse teu XXL, que desde já fica perfumado por mim, disse em conclusão. Na dúvida e tratando-a por vosmecê perguntei do porquê não ser ela a falar-lhe, uma vez que viaja no espaço-tempo com um simples estalar de dedos. – Eu sei, anda a preparar-se com suas aventuras de arte com roxomania mas, ainda não está na fase de termos um informal encontro! Creio ter-se referido ao estágio emocional e espiritual de Roxo.

Sei que ela, vai e vem para as terras de N´Gola, recomendo-lhe cuidado na terra dos kuzucutas kaluandas - eles andam um pouco carecidos de gasosa e quando não lhe dão, roubam, diz-lhe que ande com pouco cumbú; eu irei preservá-la mas, nem sempre controlo as tentações dos malvados, sabes! Disse ela em tom de remate!

toledo18.jpg  Andam por ali muitos simbis maldosos com espírito ancestral de origem Kikongo, do Zaire, antigos revolucionários que morreram sem o querer; guerrilheiros na diáspora. E, havia muito para falar mas isto de se ser turista, tem coisas! Não é que surge um tipo com trancinhas, moreno, quase preto, falando francês e uma outra língua estranha. Apresenta-se: diz ser o Sant German dessa forma também gelatinoso e invisível para as outras gentes.

O trancinhas, papagueou assim num tu-cá-tu-lá familiar; pelos vistos, até se conheciam, mas eu fiquei quase a zeros! Que vinha de Moçambique; que era um matumbola mutalo; um mestre da grande fraternidade branca, responsável do sétimo selo, com chama violeta e outros edecéteras intrincados, diga-se! Era demasiado para a minha camioneta - um quase preto a falar na grande fraternidade branca. Ui! Ai-iú-é

O curioso é que eles conheciam-se! Dualidades que não percebi por completo. Diz ele virando-se para Pieter: - Por recomendação dum kamba muxiloanda, fui num vaivém minkisi-vip ao Xipamanine (mercado de Moçambique), lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine.

toledo21.jpg  Estás a ver Meu!? O resultado é isto! Referia-se ao seu actual aspecto nada condizente com um Conde branco N´si. Perante a minha surpresa ambos manos tetravós, fizeram questão de me explicar mas, eu tinha um compromisso. Desculpem-me, tenho de ir, há gente à minha espera; temos de seguir para Madrid.

Vai! Disseram os três quase como se combinassem sintonia! – Está certo, tenho muito a falar com vocês mas agora, olhei o relógio e abanei o dedo em repetição para o meu Guru.

O tempo para nós não conta, disseram em conjunto (fiquei intrigado por falarem quase a uma só voz); ver-nos-emos em Madrid! Lá falaremos de N´Gola disse Zachaf. E, dos seres encarnados hoje no Planeta Terra a uma Nova Era, de Paz, Harmonia e União disse “a coisa” estranha de Sam German. Esta nova figura “Conde de San German”, veio complicar minha cabeça já de si azucrinada. Pareceu-me ser um fumador de pura liamba. Seria? Meio zonzo, dirigi-me ao Hotel situado em La Plaza tendilha, ali bem perto da Fénix… Como as coisas assim do nada, se complicam!?

roxo215.jpgAR -  GLOSSÁRIO

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos; Miama: - preto na língua Zulu de Xi-lunguine; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e Zaire; Kamba: amigo; Matumbola: um morto-vivo, tipo de assombração. Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, que vive de expedientes; Muxiloanda: O mesmo que kaluanda, natural de Luanda (Luua); Mafulo: nome dado aos Holandeses (Brasil); Mussendo: Um conto ou longa estória, biblioteca oral, conto dos mais-velhos ou kotas.

(Continua…)    

O Soba T´Chingange (Otchingandji)

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:30
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Domingo, 18 de Setembro de 2022
PARACUCA . XLIX

MULOLAS DO TEMPO - 20

RECORDANDO: Do dia 22 para o 23 de Outubro de 2018, na cidade de CHIMOIO – ANTIGA Vila Pery de Moçambique no hotel BIDJOU - 36º dia da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África …

Crónica 3248 – 02.03.2022 em Pajuçara de maceió e Republicada a 18.09.2022 na Lagoa do AlGharb do M´Puto

Porsoba24.jpg T´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e M´Puto no AlGharb

 paracuca1.jpgFicamos mesmo em frente ao quartel da tropa; pelas 6,15 horas da manhã deram o toque de alvorada mas, pelas 4 horas da manhã já estava acordado, conferindo mapas, vendo a rota que nos levaria mais a sul. Ontem fui bem cedo para a cama e devido ao cansaço e, ainda nem eram 9 horas, já estava ferrado mas, num dado momento ainda ouvi o comboio apitar ali bem perto, uma passagem de nível, depois uns barulhos de solavancos e guinchos de ferros e assim, lá entrei na 4ª mudança de levar o corpo ao infinito.

No dia de ontem e lá pelas 3 horas da tarde, eu e “el comandante” resolvemos ir a pé até bem ao centro do Chimoio. Apeteceu-nos comer um prego com ovo a cavalo seguindo indicações de gente do hotel; entramos no restaurante 2 L propriedade do senhor Couto. Não foi difícil arranjar conversa com um senhor grande e gordo de nome José que já ali estava ansioso de falas novas com gente de fora. Rapidamente, soubemos que tinha estado preso no Malawi, não disse do porquê mas foi dizendo que era ali o centro de drogas. 

Paracuca13.jpg Em seguida surgiu um sujeito mulatão de nome comum de Zé Manel, meio a dar para indiano, um meio monhê, meio mestiço a viver de expedientes na cidade do Chimoio, suponho eu pela forma de gingar as palavras; com colares de missangas penduradas ao pescoço e um cofió colorido – enfim, um mwadié fantasiado de africano a repetir-me: - Só quem anda por gosto, não descansa! Isto foi quando me queixei com azedume dos muitos buracos por que passamos ao longo do trajecto já feito, desde a fronteira Norte de Tete.

Surgiram outro e mais outro dando a entender serem todos da mesma tropa e tendo este restaurante 2 L como base de suas operações de bons-kazukuteiros e bem à maneira de África, os chamados calcinhas urbanos confundidos com empresários de sucesso. Referiram que os chineses tinham o comando e controlo da polícia da Zâmbia, mostrando vídeos e fotos de seus telelês. Nenhum dos cinco presentes referiu boas contendas em relação aos chinocas; os que comandam vários negócios (senti um misto de inveja ...).

Chimoio2.jpgPelo observado aqui, eu sempre caía no estremo de dizer só de pensamento e exclusivamente para mim o  quanto os angolanos e moçambicanos deveriam estar gratos por terem tido os Tugas como colonos pois que também e, de novo aqui, verifica-se que todas as infra-estruturas foram obras dos Tugas. Sempre caía naquela satírica forma de dizer: - Estes africanos dito genuínos das antigas colónias, estão cheios de razão, os Tugas deveriam não só ter levado para o M´Puto as suas estátuas, Mouzinho de Albuquerque, Vasco da Gama e muitos outros, como também os prédios, escolas, pontes, hospitais, igrejas, barragens e estações férreas com máquinas e tudo; tudo o que por lá se deixou nos 500 anos antes do achamento ... Estava pior que estragado quando descrevi isto!

Mas, e porquê digo isto! Porque os filhos-da-mãe, negociante de diligências, vendedores de picos de acácia com missangas de casca de massala e cajus ressequidos, pelos vistos não podiam conceber um branco como africano. Um deles, enfarpelado de polícia, gordo e sebeiroso de andrajoso matumbo virou-se para Vissapa, o comandante da odisseia e disse assim como cuspindo vinagre feito bolinhas de visgo de apanhar xirikwatas: - Tu, branco, quereres ser africano!? Isso é uma miragem tua, meu! Também, bem que o mereceu por andar a mostrar sua cédula de identidade angolana a qualquer borra-botas desclassificado…

Chimoio3.jpg Bem! Eram horas de bazar daquele centro de informação e propaganda, mistura de Frelimo e Renamo sem nos descartarmos nas tendências – Nós só éramos turistas. Disseram-nos que a Reserva da Gorongosa estava a ser apetrechada com felinos e impalas entre outros, saídos do Kruger da África do Sul mas ainda não havia a ordem no processo de poder ser visitado. Bom! Nossas mulheres esperavam-nos no Bidjou Vermelho de Chimoio, eram horas de dizer àqueles kazucutas, um até sempre e obrigado pelas informações, como assaltos da polícia e outras vicissitudes de ofício - Criar dificuldades para comprar facilidades na forma de gasosa entre outras alvissaras… Ali mesmo ao lado da linha do caminho-de-ferro, Já em casa por assim dizer, de papo para o tecto iria piscar o olho àquelas falantes osgas gordas …

Inteirei-me por aquela turma de preguiçosos que um €uro valia aqui 70 Mzm; um Rand valia 45 Mzm, e um dólar da USA 60 Mzm. Ali no Bidjon Hotel, havia uma boa recepção do sinal de internet pelo que aproveitamos mandar notícias pelo FB para amigos e conhecidos à mistura com a família dispersa por três continentes. Também aproveitar para recolher dados do rumo que seguíamos na via Sul. Escrevia então: amanhã dia 23, teremos de Chimoio até Inhassoro a distância de 414 km. Pelo que cálculo, levaremos umas sete horas neste percurso lunar (os buracos sempre o foram mais que muitos) …

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:45
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2022
PARACUCA . XLVIII

MULOLAS DO TEMPO -19

RECORDANDO: Do dia 21 para o 22 de Outubro de 2018, na cidade de TETE em Moçambique - 35º dia da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África e no Hotel Zambeze, bem em frente da ponte sobre o rio que vem de Cabora Bassa…

Crónica 3243 a 18.02.2022 – Reeditada a 06.09.2022 no AlGharb do M´Puto

Por soba0.jpegT´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e Lagoa do AlGharb

cubo2.jpg Ainda sinto um ligeiro arrepio quando a maluca da gata caiu lá do 5º andar. E, como hoje é o dia dos gatos relembro que a dita cuja de nome Yacha com suas sete vidas só ficou meia tonta e com os olhos arregalados, depois deu-se-lhe uma cortisona do tipo KH3 e recuperou-se milagrosamente. Até há bem pouco tempo, dizia o quanto eu na primeiríssima pessoa, tinha de vocação para terrorista. Ouvi até em tempos e, em surdina alguém dizer referindo-se a mim:- Ele conhece muitas estórias, é um inconveniente. E, porque nunca me conformei por nunca me entenderem, fico aqui de novo pensando nesta insensata atitude daquela gata Yacha; acho que foi um descuido sim – foi ao inferno e voltou!

Saltar para o parapeito da janela, correndo o perigo de só parar lá em baixo, no passeio, esborrachada. Aquele dia aconteceu. Acho que a teoria do tal de Isak Newton também é válida para gatos mas bem tolerante, pois que até parece que têm paraquedas no lombo da alma. E, pelo facto passado, pelo observado também aqui em terra de bafanas, eu sempre caía no estremo de dizer o quanto os moçambicanos bem como os angolanos, deveriam estar gratos por terem os Tugas como colonos e, não andar a pedir gasosa por dá-cá-aquela-palha. Pois que aqui verifica-se que para além do mato que cresceu, pouco mais há feito de novo e, por eles.

dyo2.jpg Sempre caía naquela satírica forma de dizer: - Os moçambicanos tal como os angolanos estão cheios de razão, os Tugas deveriam não só ter levado para o M´Puto as suas estátuas, Diogo Cão, Maia da Fonte, Norton de Matos entre outras mas e, também os prédios, escolas, pontes, hospitais, igrejas, barragens; ter deixado tudo exactamente como a encontrou o próprio Vasco da Gama, em 1498, aquando da viagem marítima para a Índia fazendo cambalachos com o xeique árabe que ali governava - "Mussa Ben Mbiki" ou "Mussal A'l Bik" e também o tal de Diogo Cam, 500 anos antes do achamento do rio Congo ou Zaire que pensava ser a dobra do cabo Bojador a caminho da Índia…

Em áfrica sempre se tem de ponderar gastos para não irmos mais além do plausível mas, há lugares que nem raspas do plausível existe! Esta missão exploradora serviu para revestir-me de uma armadura contra as megalomanias daqueles que julgam possuir todas as chaves de abrir todos os becos, todas as quelhas, todas as picadas sem declarar seu próprio fisco à sua alma. Ali, é fundamental ter dólares! Nosso comandante Vissapa, desconhecia. Sem isto, a apologia de se ir ao acaso tolhe o instinto, cega a fé, mesmo que se repita muitas vezes “valha-me Deus”. As caixas electrónicas funcionam mas, tem um mas..., talvez lá mais para a frente o diga...

BILENE 001.jpg O Hotel Zambeze foi o lugar em que permanecemos; satisfatório para África mas não tão eficiente de como o era lá atrás na época colonial, diz-se! Ficamos instalados no 1º andar mas, para irmos ao refeitório panorâmico lá no 6º andar, tinhamos de subir escadas porque o elevador não funcionava; pópilas, não se compreende esta gestão economicista. Da vista do restaurante divisava-se a linda ponta sobre o rio Zambeze, a mesma que atravessamos pagando os respectivos meticais da portagem.

Aqui em Moçambique todas as pontes pagam portagem e, sempre se vai encontrar um militar parando-nos para contar uma estória de carência; e, porque não tem dinheiro para ir ao funeral do tio e edecéteras mais intrincados, solicita uma gasosa, pois claro!... Possivelmente, utilizando este método já deve ter morto toda a família, Ascendentes de Gungunhana e até descendentes que ainda estão por vir. Aldrabões que chegue!? Só mesmo o Mia Couto para contar amabilidades dos genuínos patrícios – kiákiákiá…

moça01.jpg Como recordo a minha empregada Mery, natural de Kampala no Uganda, das ditas verdades sobre nós bazungus, brancos turistas em África com montes de artelhos e zingarelhos e câmaras de fotos e mais caixas e caixinhas de lentes e binóculos, mais o tal de canivete que tudo resolve chamado de MacGyver com uma lanterna regulável para ler nos olhos dos mabecos... E assim andei, feito pateta gastando dinheiro a rodos para ver a bosta de camelo mais a outra de elefante com as carochas do egipto, fazendo bolinhas de merda para armazenar no seu mukifo ecológico, vou-te falar!?

De repente via a Mery, chispando muxoxos, meditando até que o troço de tabaco se apagasse com o tição feito morrão dentro da boca, como se fora um pavio de fazer explodir a pólvora dum canhão. Ué! Talqualmente a lavadeira lá do Caputo da Luua de N´Gola, a Joana Kitunda, que também o fazia assim fumando grossos charutos com o tição dentro da boca horas a fio. Creio que enquanto fumam meditam com os anjos e arcanjos e kalungas que desconheço. Sempre fingi que não sabia e, nunca a tinha visto matar saudades de Kampala desta forma tão invulgar ou peculiar. Tocou-me a vez de fumar por um matope de pau-ferro, fumando o futuro! Estas peculiaridades exóticas fazem meu coração bater desordenadamente, latejando-me nas têmporas com um puta-que-pariu, matumbo até morrer. A seguir, vamos para Chimoio…

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:49
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Sábado, 3 de Setembro de 2022
PARACUCA . XLVI

MULOLAS DO TEMPO -17 - 12.02.2022 em Kizomba; 03.09.2022 em Kimbo Lagoa

RECORDANDO: Dia 20, no Sul do Malawi em Lilongwé 33º dia da Odisseia “HAJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus no PARK MVUU LODGE do MALAWI… manuscrito de 22 de Outubro de 2018 - Crónica 3241

Por tonito17.jpgT´Chingange Na Pajuçara do nordeste brasileiro e Lagoa do AlGharb no M´Puto

IMG_20170901_103102.jpg  Posso ainda recordar-me termos ficado em Mtawa Lodge no centro de Lilongwé que é, desde 1975, a Capital do Maláwi. Lilongwé foi fundada em 1906 às margens do rio com o mesmo nome; inicialmente como um assentamento para os comerciantes asiáticos, seu clima ameno atraiu rapidamente as empresas europeias, tornando-se um centro administrativo colonial britânico no início do século XX.

Devido à sua localização na rota norte-sul principal do país e na estrada rumo a Rodésia do Norte (actualmente Zâmbia), concluída em 1909, Lilongwé tornou-se a segunda maior cidade do Malwi e, foi a próspera comunidade asiática de negócios residente na cidade que a promoveu a esse estatuto. Foi oficialmente oficializada como capital pelo antigo presidente Hastings Kamuzu Banda, embora que, inicialmente somente concentrasse os poderes judiciário e executivo…

IMG_20181031_092629.jpg O presidente Bingu Wa Mutharika exigiu que todos os escritórios do governo se mudassem para Lilongwé após as eleições presidenciais e parlamentares de maio de 2004. De quando em vez, é bom falar um pouco dos lugares por onde passamos pois que após longos silêncios remoídos na sustentação das mentiras ou verdades sobre africanos, sua terra e sua origem, a gente acaba por agarrar nenhures; sem entender tudo na perfeição e, distanciados numa longínqua aridez de secura com investimentos de leveza. Ficando meios anestesiados, até falamos com osgas gordas que mais parecem crocodilos, revemos jeitos e trejeitos que mais ninguém consegue vislumbrar…

Posso agora recordar o susto que apanhei ao verificar ter dormido com um escorpião no camping do Park Mvuu Lodge. Ao desmontar a grande tenda azul, vi um escorpião preto ai com uns sete centímetros, sair bem por debaixo de minha esponja que me serviu de cama. Bem quentinho ali permaneceu nem sei quanto tempo sem pagar renda. Na saída para o “main gate” podemos apreciar manadas de búfalos, entre muitos outros e muitas capotas, rolas e perdizes. Nosso destino agora é pernoitar na Capital Lilongwé e seguir amanhã para a fronteira mais a norte de Tete de Moçambique, dia 22 de Outubro de 2018.

central-african-wilderness(2).jpg Terei de recordar aqui que nosso capitão do mato, el comandante Vissapa, o melhor condutor de África, enquanto permanecemos no Park Mvuu, decidiu sair a pescar nas margens do rio Shire River sabendo ser perigoso e, avisado do perigo que seria ultrapassar os limites de vigilância segurança. Não resultou avisar que ali havia mais hipopótamos que cassuneiras mas, de nada valeu. Um carro patrulha teve de o ir buscar, levando uma rabecada bem justificada por um dos seus patrícios africanos - um genuíno…

Vissapa - el comandante, ainda lhe disse que era angolano de gema, que edecéteras e tal e, até lhe mostrou o bilhete de identidade. Era um branco, sim senhor mas também genuinamente africano! Ele, o guarda com flechas nas divisas, torceu seu nariz achatado, deu uma baforada com rolos de índio no ar e disse que, tudo ali era para ser tal e qual conforme o regulamento. Filosoficamente disse que aqui em áfrica tudo é de todos, menos dos brancos. E, assim, engolindo desaforos ficávamos num nada, feitos genéricos. Menos mal que eu só era mesmo - melhor…sou Niassalês…

alfa1.jpg No M´Puto, na Venezuela, no Brasil, em Namíbia ou África do Sul e até no escambau aonde judas chorou desesperado com todos nós; mortais filhos da peste que nunca o deixam em descanso, pois, até em África aonde o ontem fica cada vez mais distante. Ué e, o que então era proibido, hoje já o não é, lugar de tundamunjila (thunda um n´jilla) corruptado até os fundilhos de toda a brancura. Lugares aonde agora predomina a gasosa com kumbú e fundamentalmente a postura governamental de BLACK EMPOWERMENT*; Isto quer dizer uma política de substituição do negro em detrimento do branco. Vou dizer mais o quê se foi o que vi, espoliado quanto baste pois só não o serei, ou serás se, se houver kitar yábule (ter muito dinheiro)…

Amanhã teremos de passar na fronteira de entre Malawi e Moçambique! A fronteira aqui em áfrica é sempre um grande problema, sempre criam dificuldades para vender facilidades; como eles negros de pai e mãe aprenderam tão bem estes procedimentos de brancos! Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas injustiças pode sem se querer, saírem à luz da kúkia, gigantescas feridas. Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot, em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto…

cape2.jpg Nota*: Black Economic Empowerment é uma política do governo sul-africano que visa facilitar a participação mais ampla na economia dos negros, especialmente para corrigir as desigualdades criadas pelo apartheid. (Wikipedia inglês). Na prática é a substituição do preto pelo branco, generalizada em toda a áfrica austral! As vagas são para os de cor escura, primeira os nativos, depois os indianos e no fim os brancos; estes só conseguem assegurar trabalho em empresas familiares… Isto verificado, também me foi dito por um sujeito mulatão de nome comum de Ferreira lá na Cidade do Cabo, meio a dar para indiano, um meio monhê a viver de expedientes; com colares de missangas penduradas ao pescoço e um cofió colorido, um mwadié fantasiado de africano a repetir-me: - Só quem anda por gosto, não descansa! Isto, foi quando me queixei com azedume de haver muitos arrumadores de carros, brancos nos centros comerciais (uma forma de solicitar esmola sem ferir o orgulho).

(Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:53
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Sexta-feira, 2 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XI de várias partes…

Crónica 3240 de 10.02.2022Republicada a 02.09.2022 em Lagoa do M´Puto

- KIANDA COM ONGWEVASalaam Aleikum. Continuamos em terras de “Castilla La Mancha” – tentando encontrar a Zachaf Pigafetta Roxo a kianda tetravó de Roxo e Oxor vinda do Lago Niassa…

Por Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange – No PortVille da Pajuçara e, em Alagoas e AlGharb do M´Puto

sorte2.jpg Repito o já dito para dar continuidade (..)  Dizia meu Mano Corvo, mestre Araújo: Os bispos através destas gravuras impõem o respeito ao povo e, sempre querem que nós façamos o que mandam as regras de não roubarás, não matarás, não cobiçarás a mulher do vizinho e, por ai! Os medos, as lendas aqui, têm de ficar sempre presentes… E, continuou: Faço isto nas horas vagas para ganhar uns trocos, umas patacas extras.

O Mestre, El Greco Doménikos Theotokópoulos, não nos paga e somos nós, eu e uns mais, que pintamos os mantos, as nuvens, as árvores mais os rios, os montes, o pôr-do-sol raiado nas incertezas, da chuva ou trovoada e, sempre após os traços rabiscos que ele, El Greco, traça daquela sua forma esguia. Houve uma cor em especial que me chamou a atenção e porque mostrei interesse ali fiquei especado a ouvir o meu Mano Primeiro a descrever que aquela cor purpura era só usada para determinadas figuras.

sorte6.jpg Era um roxo que ia dos matizes entre o vermelho e o azul. Esta cor ainda é obtida através de algumas espécies de moluscos nativos do Mar Mediterrâneo! Pela dificuldade na sua obtenção e seu alto preço, esta cor era um dos mais importantes e mais caros pigmentos naturais da Antiguidade, disse ele. Em Roma só os imperadores a podiam usar em vestes e, quem ousasse usa-las pagava com a morte ou ficava no cadafalso a apodrecer! Háka, exclamei no muxoxo habitual, akimbundando suas malambas sábias…

Neste entretém, deu para meditar sem nada falar da estória que estava obrigado a descrever sobre as kiandas Roxo e Oxor. Uma preocupação trazida do futuro, lá da América do Sul, um lugar chamado de Brasil e duma praia chamada de Guaxuma que já descrevi por aqui! As coisas não são assim tão fáceis de explicar porque neste retroceder do tempo esqueci-me de muitos pormenores. Por isso recorro à kianda Januário Pieter que me aviva a mente e, curiosamente até mostrando meus próprios escritos do século XXI.

toledo5.jpg Em verdade, nem sei bem porquê, só me dá a ver! Também, se não fosse assim, quereria voltar rápido para junto da minha TV o futuro e ver o futebol, o M´Puto com a Coxinchina, o golo do Ronaldo repetido vezes sem conta ou o Palmeiras do Brasil tentando ganhar aos Ingleses do Chelsea e, o outro pé de Quaresma a colocar na cabeça do Ronaldo um outro golo com um tal chute de trivela…

Sentado no meu silêncio mastigando perguntas e respostas caladas, Pieter deu dois passos calçados no meu sobreconsciente. Num cadavez mais eufórico, Pieter falava todas as suas razões, falava de seus muitos tios e edecéteras. Eu só fingia que entendia e ele, sabia-o, subentendia-o, mas também ficava moita-carrasco, armado em kianda finória!

socie2.jpg Eu só disse, simplesmente: - Tá bem! Ele via o meu desespero em saber das coisas vindouras mas, só pude obter dele a promessa de que ele, levaria ao final do Concílio de Alcázer a tal antiga progenitora, tetravó de Roxo, a tal kianda Zachaf Pigafetta Roxo vinda do lago Niassa, (Zachaf) bem nos caminhos que levavam às terras de Prestes João. Afinal, o futuro surgiu-me numa odisseia, atravessei a áfrica por muitos dias permanecendo no local de meu escolhido nascimento – Niassa.

Mas - Teremos de ir primeiro a Albayzin de Alhambra um Pambu N´jila especial, porque só lá, ela pode aparecer a gente do futuro como tu e eu que sou um aleatório andante nestes caminhos do senhor, dos caminhos minkisi! Na minha ideia, já cruzava os ares, as ruelas estreitas de aroma de mijo com tapetes molhados; misturas de cheiros de churros, las tapas de argolas de lulas e vendo do outro lado do vale as muralhas e torres de Alhambra. E, o rio Darro ali ao pé. Teria de esperar! O que não tem remédio remediado está! São as percepções que trago do futuro que me suportam as angustias simbis… Tenhamos paciência, pouco a pouco lá chegaremos.

 roxo122.jpg AR    sacag11.jpgMJS

Glossário:

N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga; Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto; kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral; Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos e permanece até o toque do medo, adrenalina, guardador de caminhos com saber do ontem, do hoje e do amanhã; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e África central; Albayzin: - Bairro Mouro de Granada…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:39
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2022
PARACUCA . XLIV

MULOLAS DO TEMPO . 15 28.01.2022 - Na Pajuçara do Nordeste brasileiro

RECORDANDO: 26º e 27º dias. Nós, bazungus no ALCON COTTAGE em MONKEY BAY às margens do lago NIASSA do MALAWI a 16 de Outubro de 2018

- Crónica 3234 – Republicada em Kimbo Lagoa a 14.07.2022

Porsoba15.jpg T´Chingange (Otchingandji) – No AlGharb do M´Puto

INHASSORO 092.jpg Por terra, andamos vendo um deslumbrante espelho de água até chegar aqui a Monkey Bay na parte Sul do Lago e no lugar de Alcon Cottage, um lodge de um indiano com piscina e árvores frondosas com o nome de Juliette. Sereno, selvagem, tranquilo, invade-nos com uma misteriosa paz e invulgar quietude. É o nosso 26º dia de viagem da “Odisseia Potholes”. Aqui, a intermete não funciona em pleno embora tivéssemos pago 2000 KwN (25 €).  

Por aqui, fiquei a saber que na língua chinyanja (ou chinhanja), falada na orla moçambicana do lago, Niassa significa "lago", tal como o próprio nome do povo que usa aquela língua, os Nyanjas, significa povo do lago. Em chichewa, uma das línguas do Malawi, a palavra malawi significa o nascer do sol, visto que, estando a ocidente do lago, é dessa forma que os malawianos vêem nascer o dia, sobre o lago.

INHASSORO 090.jpg É um lago único no mundo por formar uma província biogeográfica específica, com cerca de 400 espécies de ciclídeas descritas endémicas. O nível da água varia com as estações do ano e tem ainda um ciclo de longa duração, com os níveis mais altos em anos recentes, desde que existem registos. Estou a gozar o vento aprazível que vem do lago e debaixo de uma frondosa árvore chamada de Juliette.   

Nosso destino e, dentro de dois dias iremos para o Liwonde National Park mais a Sul, um lugar já muito próximo da fronteira com Moçambique e por ali iremos permanecer uns dois dias fazendo nosso bivaque com as tendas pois que ficaremos num lugar de camping. Elas foram compradas para isto mesmo mas até aqui sempre ficamos em lodges ou hotéis; uns em beira de estrada e outros com as características típicas de chalés com cobertura em palha.

INHASSORO 111.jpg E, porque já descrevi os lugares de nosso percurso, vou agora descrever qual o fenómeno de existir um conjunto de lagos, uma fiada disposta ao longo do centro de África. Temos os lagos Tanganyka, Victória, Rukwa e Albert entre outros. Estes, fazem parte do Grande Vale do Rift, também conhecido como Vale da Grande Fenda - um complexo de falhas tectónicas criado há cerca de 35 milhões de anos com a separação das placas tectónicas africana e arábica.

Esta estrutura estende-se no sentido norte-sul por cerca de 5000 km, desde o norte da Síria até ao centro de Moçambique, com uma largura que varia entre 30 e 100 km e, em profundidade de algumas centenas a milhares de metros. Ao pernoitar em Karonga pensei neste hífen da viagem periclitante, coisa pouca a comparar com a fractura do RIFT da África. Pernoitando também em M´Zuzu, pude alhear-me do cicerone chato como a potassa e, apreciar todo o lago Niassa ou Malawi em toda a sua costa ignorando o “El Comandante”.

INHASSORO 351.jpg Este Grande Vale do Rift, tem a característica de ser considerada como uma das maravilhas geológicas do mundo, um lugar onde as forças tectónicas da Terra estão actualmente tentando criar novas placas ao separar as antigas. Mas, como é que essas fendas se formaram? Uma revista de publicação local, diz-me que o mecanismo exacto da formação correta, é um debate contínuo entre os cientistas. Este East African Rifts, assume que o fluxo de calor elevado do manto está causando um par de "protuberâncias" térmicas no centro do Quénia e na região Afar do centro-norte da Etiópia.

De anotar aqui que a história da Etiópia está documentada como uma das mais antigas do mundo. Recorde-se Lucy, esse achado arqueológico importante que desvenda nossa natureza humana, descoberta no Vale de Awash nessa mesma região - Afar da Etiópia. À medida que a extensão continua, a ruptura litosférica ocorrerá dentro de 10 milhões de anos, a placa somali se romperá e uma nova bacia oceânica se formará. Aquelas protuberâncias podem ser facilmente vistas como planaltos elevados em qualquer mapa topográfico da área ou visualmente como o é este presente caso...

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:58
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2022
MOKANDA DO BRASIL . XVI

TEMPO COM CINZAS27.01.2022 - No Nordeste brasileiro

E, aqui na PAJUÇARA - Se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar COVIDADO…

Crónica 3233. Republicada a 13.07.2022 no M´Puto

PorSoba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

xique xique4.jpg Embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não nos ver, fazendo-nos sofrer por culpa de outrem. Na Praia da Pajuçara leio a notícia que é coisa que se tira a desejo, do fim do Sol espojando-se para o sono da noite. Foi um ontem transladado para hoje como um espelho preto. Da tristeza que sempre é notícia de toda a hora, o gráfico da ó·mi·cron que corresponde à letra “O” do alfabeto latino, subiu aqui e ali e, mais gente morreu.

Neste meio tempo de escrita, vou sendo rodeado de chapéus coloridos, cadeiras e mesas, caixas térmicas isopor ou esferovite com estampas de cerveja a estalar de frio, gulosas que chega, gente gira com barulhos de linguajar de Gravatá. Mais logo virão a música de forró e anedotas de repentistas caboclos, matutos e gente gira de cu-ao-léu, sereia mostrando a barbatana, os fios entalados na alegria dos olhos e cheiros de entaladinhos mais coxinhas de galinha e o acarajé da tia Alzira.

xique xique2.jpg E, assim e aqui na praia com algum aperto de desânimo aproveito para olhar para a banda de onde ainda se praz qualquer luz da manhã. Posso ver as velas enfornadas ao vento que vem do horizonte fazendo nadar as jangadas. Assim, mesmo sentado vou lambendo a fantasia de afinal quando é que a velhice começa surgindo de dentro da mocidade. Coisa endoidada de lembrar ao espaço pensamento em minha cabeça…

Lamber a maldição é castigo, mas a noticia que sempre a há, a gente tem de ir por ela, com ela e, entrar assim num mundo para buscá-la. A mulher caranguejo passa caminhando, bem, descaminhando ginástica de para trás, agarrando juventude na prática exercitada. Andando assim para trás diz-nos bom dia! Conhece-nos por temporada! Eu sou o que sou mas ela, mesmo andando à ré, continua a ser ela

paju1.jpg A mulher caranguejo já nem nos via há três anos mas, reconheceu-nos; quis saber notícias das maldades do mundo e, foi-lhe dito as balelas que todos sabem. Aos olhos da minha vazante, a maré já começava a subir, teria tempo de falar algo tal com falei e, eram 8 horas e 20 minutos, estava a meia hora de regressar ao meu mukifo no PortVille já ginasticado com a dose habitual de talassoterapia, escrever depois a minha crónica número 3233 para a Kizomba (esta).

Passar a limpo a mesma no computador, tomar o meu café da manhã “santa clara” e provar a canjica de milho branco com umas sementes de girassol e erva-doce porque a memória que Deus me deu não foi para palavrear às arrecuas; andando assim como a mulher caranguejo. E, sou mesmo forçado a criar tabus no meu espírito para me manter são na guerra da vida.

paju2.jpg Ou fico em silêncio, ou falo dizendo impropérios à falta do fervor alheia. De todo o modo, assim ou assado, com este ou aquele, no M´Puto ou aqui em terras de Vera Cruz, terei de aceitar o meu posto de cidadão, mesmo faltando-me a confiança; mesmo que daqui advenham tempos sombrios e confundidos. Terei de ir mandando pontapés aos espíritos, às arrecuas e de costas, pois!

Todos iremos morder o pó ou o fogo consoante a forma como desejarmos dispor do nosso bem-amado esqueleto. Toda a vez que vejo ou ouço "todo mundo usando máscara" impossível que minha mente não rebusque os estudos escatológicos da marca da besta que para mim é a mesma coisa. E falo isto agora, porque ainda me é permitido, porque eventualmente, em um futuro próximo já não me permitirão mais dizer o que penso. A vida anda muito perigosa...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:09
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PARACUCA . XLIII

MULOLAS DO TEMPO . 1426.01.2022 em Pajuçara do Nordeste brasileio

RECORDANDO: 25º dia. Nós, bazungus no SITIMA-IN de Nkotakota às margens do lago NIASSA do MALAWI… 15 de Outubro de 2018

- Crónica 3232 Republicada a 13.07.2022

Por soba17.jpg T´Chingange – No AlGharb do M´Puto

Malawi táxi.jpg Nkotakota era originalmente, no século XIX, um grupo de aldeias que a partir de seu porto, serviram como interposto comercial de escravos suaíli-árabes. David Livingstone convenceu o chefe Jumbe a parar com o comércio de escravos debaixo de uma árvore chamada de Nkotakota; este nome prevaleceu no tempo tendo o presidente do Malawi Hastings Banda discursado em 1960; supostamente nessa árvore ironicamente conhecida como a Árvore Livingstone.

A 100 metros do Sitima-in, experimentei entrar na água do lago e, andando até os joelhos pude apreciar estar a uns 23 graus; Eram 5,20 horas da tarde e os pescadores estavam chegando com seus barcos; logo começaram a vender seu produto a quem queria ao jeito de lota, tilápia, chissipa, bagres e uns outros muito semelhante a carapaus, mas mais esguios. Na pousada, foi dia de se comer piza variada. Não caí na tentação de comer carne porque parece sempre a prepararem demasiado torriscada e rija como chifres.

malawi2.jpg Por via disso o comandante Vissapa partiu sua esquelética e anda agora com toos os cuidados, metendo amiudadamente uma cola rápida de segurar ferraduras e coisas assim. Amanhã iremos para Sul em direcção a Monkey Bay. Isto aqui é um lugar surrealista ao lado de uma linha desactivada, que sem estação se situa junto a um desmoronado porto com as pilastras e lages tombadas a fazer de prancha de saltos para os candengues. É mais um lugar de Kiandas Roxas…

O edifício tem nele incrustadas peças de navios podendo vislumbrar-se estas incrustações tanto na fachada como dentro da mesma. Tem cambotas, bielas e chaminés do tipo de vapor. Logo à entrada tem duas grandes rodas, daquelas de conduzir navios por onde esvoaçam mosquitos e osgas gordas, dinossáuricas. A dona tem olhos azuis, veste cetim com rosas azuis e verdes. Veio de Upington lá no Orange River, Cabo Setentrional da África do Sul a 120 Kms. das Quedas de Augrabies, lugar que já visitei; por isso, trocamos algumas palavras de consertar empatia…

dia146.jpg Nas nossas congeminações fizemos desta estalagem um antigo bordel aonde os marinheiros brancos usavam seus ministérios. Nesta casa de sonho de tempo tempestuoso havia hélices, motores, portas e janelas de carros e vagonetes à mistura com gigantes parafusos-sem-fim e êmbolos de casas de máquinas de vapores naufragados.  Vissapa referiu terem sido de navios usados ali na segunda guerra mundial - talvez!? Já li descrições de enfrentamentos de alemães na parte Norte do Niassa de Moçambique mas não sou assim tão atreito em acreditar num talvez! Muito menos aqui em África e, no lago Karibe… Quem sabe!?     

Da superfície das águas elevam-se nuvens em espiral de transportar kiandas do kalunga. Um mistério que vai alimentar muitas conversas, originar escritos de sonhos com danças de boas vindas ao Niassa! Pois aqui, em Sitima de Nkhotakota, uma casa feita de assombro e restos dum barco encalhado com o nome do capitão Steve, são as fantasias de Vissapa a recordar estas coisas escondidas em seus sonhos. Almoçamos na sala do capitão mas este, não apareceu naquela forma de olho tapado com perna de pau e um gancho a fazer de mão…

luua04.jpg Andamos de sítio em sítio sem vermos o tal de “Ilala Boat “ que dizem andar pelo lago levando no 1º andar os turistas bazungus carregados de máquinas, binóculos e edecéteras com canivetes de Mack Guiver com mais de dez aplicações e um colete com bolsos secretos para guardas shillings, dólares, randes ou kwachas; pois! E, no andar inferior os que vivem nas margens do Niassa e que tem de transportar galinhas, mandioca e peixe seco t´chissipa. Era suposto haver um barco ali mas só ficamos pelo talvez sem fazer o desejado passeio.

Um barco que sempre nos traz à memória "A Curva do Rio" de V.S. Naipaul e também do Peter Pan… A divisão das fronteiras tem coisas surpreendidas; daqui não se avista a costa do Moçambique - o lago parece ter mais de 80 quilómetros de largura. Falam de uma ilha de nome Likoma terra de kiandas sábias que curam mazelas fazendo trepanação com seus dedos, muitos dedos mas nós, só pensamos por agora ir à ilha de Bazaruto em frente a Inhassoro já na costa do Oceano Indico. Talvez?

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:00
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Terça-feira, 12 de Julho de 2022
PARACUCA . XLII

MULOLAS DO TEMPO . 1325.01.2022 - No Nordeste do Brasil

RECORDANDO: Do 22º ao 24º dia. Nós, bazungus no Hotel SUKUMA-IN na cidade de Karonga, bem ao Norte do lago Niassa a que também chamam de MALAWI

Crónica 3231::: Republicada a 12.07.2022 no AlGharb do M´Puto

Por t´chingange 0.jpg T´Chingange (Ot´Chingandji)

kasane01.jpg  Passados que são três anos e meio, vou tentar relembrar os episódios mais marcantes da odisseia em África “Haja Paciência” depois da nossa passagem da Tanzânia para o Malawi. A sequência dos dias já se me vai ficando diluída na recordação mas, recorrendo ao caderno nº 11, revejo a data de 12 de Outubro do ano de 2018; interrogava-me neste então como seria o nosso práfrente coexistindo-me à distância de um “Haja Paciência” com “El Comandante - o melhor condutor de África” …

O Malawi é um país interior da África. Limita-se ao norte e a nordeste com a Tanzânia, ao sul, este e sudoeste com Moçambique e ao oeste com a Zâmbia. O traço mais marcante da sua geografia é o lago Malawi ou Niassa, terceiro mais extenso de África, que ocupa cerca de um quarto do país, com aproximadamente 31000 km², dividindo-o com Moçambique e fazendo a fronteira com a Tanzânia. O relevo varia entre as planícies do rio Shire, que origina-se no Lago Niassa que desagua no rio Zambeze já em território moçambicano. É para aí que “El Comandante V” aponta seu azimute. Em realidade eu já deveria ter voltado para trás apanhando um avião em Kasane (perto de victória Falls) no Botswana

kasane1.jpg Há uma cadeia montanhosa que se estende de Norte ao centro-oeste do país, com elevações entre 1000 e 2000 metros, que correspondem as montanhas que seguem o Vale do Rift da África Oriental. Na porção sudeste do país, a leste do vale do rio Shire, ergue-se o maciço de Mulanje (também pertencente às cadeias marginais do Vale do Rift) com o pico Sapitwa que, com 3002 m de altitude, é o ponto mais elevado do país. Andamos por aqui quase perdidos para ver uma reserva que poucos animais tinha. Havia sim muita árvore marula da qual se faz um dos melhores licores do mundo.

O clima é tropical na região central até ao Norte, com uma temperatura média anual de 30°C, e mais ameno (clima temperado) ao Sul, sob influência das correntes de ar frio (no inverno) do Sul do continente africano, com estações do ano mais bem definidas que o centro-norte do país. As gentes são bem amáveis, conservando valores católicos e pelo observado mais honestos no relacionamento com os turistas…

kasane2.jpg No Hotel SUMUKA-IN, viemos ocupar dois espaços de quartos de executivo ao preço de 40.000 Kwsm, algo como 50 €; as instalações são antigas, grandes espaços, bons moveis mas, dos seis pontos de luz, só um tem lâmpada. Não tem cafeteira eléctrica, nem chá, café e açúcar como foi habitual encontrar em África do Sul, Botswana, Namíbia, Zimbabwé, Zâmbia e Tanzânia. Há uma vela em lugar bem visível, indício de que a electricidade falta com frequência.

Há dois ares condicionados, um não trabalha e o outo só ventila. São duas horas da manhã e não consigo dormir pelo calor que faz; virando as patilhas do FAN para a cabeceira lá conseguimos dormir com os pés na cabeceira. Só desse modo conseguimos apanhar algum ar em movimento do estropiado aparelho. As estradas do Malawi apresentam-se melhores conservadas mas, o jeito da cidade é bem típica de áfrica, muito cheia de casas abarracadas a que chamo de cubatas chimbecos, muita coisa improvisada e muitas bicicletas. Algumas são bike-táxis. Por aqui, felizmente, nossos cartões de banco funcionaram e podemos assim, encher nossos baús com muitas notas Kwachas.  

busq6.jpg Nzuzu – 14.10.2018 – Vigésimo quarto dia da odisseia “Photoles”. Este foi o dia em que comi o bife mais duro do planeta à modica quantia de 4.500 Kwachas Malawianos. Turista sofre! Seguindo viagem neste ambiente de resiliência recordo as Vidas Secas de Graciliano Ramos. Algures no trajecto da fronteira de Songwe Border e, já no Malawi até Karonga atravessamos uma floresta de árvores seringueiras. Parámos e compramos bolas feitas de cauchu natural, rolos de muito fio de latex seco envolto e formando um globo saltitante. A bola por obra e graça do espirito santo desapareceu misteriosamente. Deve ter saltado do carro algures em uma das posteriores paragens. 

Com colares massai de contas azuis e bagos de feijão maluco de Angola penduradas ao pescoço, escrevo no imaginário, coisas loucas a condizer com o não menos chanfrado Ernest Emingway, salvo as proporções, claro! Sou um homem do mundo. Já viajei e vi muitas coisas; os anos e meses que passei noutros lugares assim como missangas, conto-os enfiados em um fio de náilon a fazer de pai-de-santo. Formando frases curtas e sinceras tento rematar-me nas voltas certas para driblar de outro jeito meu passado. Sim! De outro qualquer modo ele, o passado pode reconhecer-me. Aiué! Aprendo com as formigas grandes, kissondes que em andamento seguro, arrastam pelo pó do chão seus ventres escuros sem discutir com Deus por assim andarem, sempre se arrastando.

(Continua…)

O Soba T´Chingange      

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:23
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2022
KALUNGA . XXIV

 NAS FRINCHAS DO TEMPO - IX

- KIANDA COM ONGWEVA NO CONCILIO DAS KIANDAS Salaam Aleikum, com as kiandas Roxo, algures numa ânfora do tempo em Alcazar… 

Crónica 3230 de 20.01.2021em Kizomba no PortVille da Pajuçara em Alagoas Republicado no Kimbo Lagoa hoje: 11.07.2022

Por  t´chingange.jpeg T´Chingange (Ot´Chingandji)– No AlGharb do  M´Puto

t´xipala1.jpg As técnicas apuradas no trato do aço ali em Toledo, já vinham da idade média; N´kondis ancestrais a pedido de Simbas também antigos, num tempo mais recuado chamado na Ibéria de época medieval tinham trazido dedos de N´Zambi para retemperarem na dureza o tal aço batido, esfriado e de novo batido; tratava-se de pequenas pedras de meteorito trazidas das terras do fim-do-mundo, lá da Ovamboland, terras de Oshakati e Okaukuejo no reino dos Himbas.

Do Runda e Urunda que se designaram mais tarde por Cuango e Lualaba, que significam em umbundo terras abandonadas ou de difícil acesso, vulgo no cú-de-Judas. Terras remotas aonde os N´Dele Mwene-puto, Tugas, surgiram como “filhos do mar”; assim diziam os nativos pertencentes à corte do João Imperador, o Rei de Abexi de quem o Rei do Kongo tinha temor.

toledo10.jpg De lembrar aqui que o padre jesuíta D. Gonçalo da Silveira internando-se na Mocaranga e tendo baptizado o Monomotapa foi morto por este por intriga dos Mouros! Estes Mouros que ainda hoje continuam fazendo barbaridades. Até Camões daqueles idos tempos escreveu em verso: Vede do Monomotapa (Mwenemutapa) o grande império, de selvática gente, negra e nua, onde Gonçalo de morte e vitupério padecera pela fé, sua santa. Tudo tem uma explicação!

Em Toledo, eu o Soba T´Chingange, não resisti à mística; comprei uma destas facas. Como N´kondi e seus Bandokis que ainda andam por Toledo feitos bactérias, passo a descrever em síntese o poder de magia que estes ainda exercem: - Usam um boneco fetiche feito de pequenas conchas coladas com resina natural com dois espelhos receptores de encomendas mágicas, um na barriga, outro no topo da cabeça, coberto com uma pele de cobra.

ROXO186.jpg Na mão direita carrega uma lança de pedra tipo ónix mostrando agressividade no seu carácter. O boneco, todo ele, é encrustado de várias substâncias usadas durante as cerimónias envolventes ao Concílio e, em que os pacientes contam as suas estórias de infelicidade evocando a vingança que desejam infligir ao suposto culpado. Háka! Isto e tão mistico que até eu que sou feiticeiro fico enrrugado de cagufa...

- A vingança é feita espetando o prego num determinado sítio do corpo do fetiche - O N´Kondi também recorre ao imbondeiro chamado de N´kondo Ikuta M´vunbi espetando nele o prego; assim a vítima morrerá inchada como a árvore garrafa, o baobá - O descrito prego de aço é o mais eficaz pois nele tem impregnado todo o mal dos homens. N´Kondi quando das várias permanências nos aposentos subterrâneos de Alcazar de Toledo, foi consultado pela infortunada esposa de D. Pedro I do M´Puto, “El cruel”, a rainha Dona Branca, ali prisioneira.

eça6.jpgCA -  Vários bonecos fetiches de N´Kondi N´Gola ainda podem ser vistos graças ao meu antepassado Soba Aragonês Romero Ortiz. Um dia tinha de revelar isto… Isto pode maçar os não eruditos em áreas destas tão periclitantes, mas prometi a Assunção Roxo e seu espelho Oxor explicar tim-tim por tim-tim toda a estória lá detrás que antecedeu em suas vidas repetidas. Agora que me meti nesta perfilharia intrincada, terei de ir até ao fim dos desacontecimentos.

As coisas intrincadas são assim, mas tudo o que acontece de ruim é para melhorar, dizem! Tudo isto é tão verdadeiro que até parece mentira, mas não é! Deus N´Zambi, dá-nos força para seguir, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela!” As buscas da Torre do Zombo deram nisto…vou fazer mais o quê? Até o cronista Fernão Lopes, acerca do rei D. Pedro I do M´Puto, o cruel, dedicou um capítulo que intitulou "Como El-Rei D. Pedro mandou capar um seu escudeiro porque dormia com uma mulher casada".

ROXO134.jpgAR -  GLOSSÁRIO:

Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem divindade das águas; Monomotapa, situa-se na África austral, com ligações a portugueses e luso-africanos (antigos negros); N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; N´haka: lameiro, sítio de plantio húmido, horta; Rundu ou Runda: - Sítio de difícil acesso, vulgo no cú-de-Judas… 

Notas: Texto originário da N´Haka do sobado na Torre de N´Zombo do Kimbo com o nome de Cafufutila…

(Continua…)

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:42
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2022
MALAMBAS. CCLXV

TEMPOS DE FRICÇÃO - Crónica 3224.A - 13.01.2022 na Kizomba no PortVille de Maceió - Brasil

Republicação em Kimbo Lagoa em 04.07.2022 no AlGharb

Por  soba002.jpg T'Chingange - (Otchingandji) No AlGharb do M´Puto

Malambas2.jpgAM -  Contar estórias é muito, muito dificultoso. Não convém a gente levantar escândalo de começo porque, só aos poucos é que o escuro fica claro. Por vezes, muitas vezes é o contrário...

Não pelos anos que já se passaram mas, pela astúcia que tem certas coisas que se remexeram dos respectivos lugares… Assim que num agora, acho que nem não, porque as horas das pessoas engoliram os seus próprios minutos, tantas coisas em tantos tempos, tudo muito engavelado.

E, também porque o espírito da gente vira lobisomem na escolha da picada ou no fiote (caminho) da selva. Depois verificamos que aquele tal homem, mulher ou coisa de outra nova vaga, ainda não está no definitivo! Viver perto das pessoas, é sempre dificultoso, na faca dos olhos, enfiar ideias, encontrar o rumo, alizar o forte das coisas, saber do que houve e que não aconteceu; às vezes não é fácil…

araujo46.jpgCA -  Sou diferente de todo o mundo - acho que tenho de aprender a estar alegre e triste juntamente, até porque a muita coisa importante, há falta de nome. Bem! A mocidade é tarefa para mais tarde se desmentir noé!? Aquilo que inteligêncio vêm do passado. Coisas que me agarraram o olhar; purgo até meus arrependimentos do gerúndio até o amanhecer porque, depois passa!

Malambas4.jpgCA -  Cada hora; cada dia, a gente aprende uma quantidade nova de medo! Isso é mesmo possível? Viver está a ficar um negócio muito perigoso e, ainda dizem que a saúde não o é! Só pode ser mesmo fantasia no "cá e lá" ou seu inverso e, em toda a Globália...

Ilustrações de C. Araújo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:38
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MOKANDA DO BRASIL . XV

ANDO ENKAFIFADO - Crónica 3223 - A - O coronavírus (deixou) - deixa a elite globalista bestificada...

Dio grátias - 09.01.2023 – No Nordeste brasileiro – PAJUÇARA

Republicação a 04.07.2022 no KIMBO LAGOA

T´Chingange t´chingange 0.jpg (Ot´Chingandji) No AlGharb do M´Puto

XISPETEÓ0.jpg “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso"; a palavra (malamba) foi feita para se dizer. A lembrança da vida da gente se guarda em baús da memória com seu signo e sentimento que nem sempre, em uns e outros, se misturam. Vim do M'Puto ontem num avião charuto da TAP com uma catrefada de papéis: Teste VCR de 80 euros, certificado da terceira vacina P´Fizer e formulário da ANVISA... Ainda não tive contacto com o ex-coronel Fala Kalado mas, suponho que também anda enkafifado e desalinhavado dos eixos procurando o tal ácaro da Welvitchia Mirábilis em terras de Petrolina, assim num cadavez de até pressentir crescer as unhas, pestanas e rugas.

Tudo assim como num jogo de velho baralho, num verte e reverte na vida a despertar só sem troco de macutas. Estou no Portville e, lá fora o espaço está tão quente que até dá para aqui entrar no quarto piso cheiretando minha catinga como se fosse um olongo ou kudu, empoçado para se caçado! Uau! Não me perguntem nada porque a nada sei responder no troco da minha boleia dum deo-gratias! Estou contando assim porque é meu jeito de falar no meio do redemoinho... A maioria das pessoas já não tolera mais ficar em regime de prisão domiciliar ou isolamento obsequioso, vivendo o dilema da sobrevivência. Quem consegue suportar a virose também precisa ganhar dinheiro noé!?

GOLF1.jpg Prestadores de serviços, Camelôs, comerciante que vende os seus artigos na rua, geralmente sem autorização legal; vendedor ambulante - vendedor de balas, cocos, macaxeira ou pastéis do jequiá serão obrigados a fazer milagres. São muitas perguntas sem respostas plausíveis. O coronavírus trouxe algo muito mais tenebroso para a vida das pessoas com a imprensa morbidamente a fazer politica a quem quer libertar a acção do povo. O suposto combate à doença abriu espaço para que em todo o mundo, promovessem abusos de poder contra a democracia ou a liberdade individual. Além do trauma pelas vidas perdidas, esta será a grande sequela da crise pós-COVID-19, 20, 21 e 22.

Ela, a crise é complexa, feia e assustadora. Não há soluções prontas, padronizadas, para situações tão diferentes em cada nação do planeta Terra. E, aqui no Brasil também se confina muito no “estadodependência” tal como no M'Puto (Portugal). As imposições colectivistas – essência dos sistemas socialistas e regimes autoritários - ganham forçam sobre o legítimo poder e a liberdade do indivíduo. Perdemos, não se sabe por quanto tempo ou se para sempre a simples capacidade de apertar mão, abraçar e beijar as pessoas.

dia167.jpg Alguns lugares pegaram mais pesado e adoptaram o “lockdown”. Acontece que a essência humana não suporta viver isolada por tanto tempo. Além disso, as condições de subdesenvolvimento, com miséria, pobreza, falta de educação e ausência de hábitos de higiene, agravam o nosso risco. Em algum momento alguém tem de tomar uma decisão e dizer: "é por aqui, e vamos executar”. Em situação de crise, existe um padrão de gestão que define claramente responsabilidades mas, o “isso preciso ocorrer urgentemente” tornar-se constante - É chato noé!          Lembremos de Winston Churchill: “Um optimista vê uma oportunidade em cada calamidade. Um pessimista vê uma calamidade em cada oportunidade”. Estou vivendo isto. Lá terei de me ir vacinar contra todas essas pragas para me prorrogar num se Deus o quiser. Venho por este meio requerer..."deo gratias"… A máscara para mim é um instrumento de medo, de amordaçamento, de controlo, de subserviência. Um sujeito usando máscara, é o símbolo crónico e cabal do subjugo do ser humano que se sujeita aos mais impossíveis estratagemas para se manter vivo. A máscara para mim, é a prova mais viva de que o homem morre de medo da morte, portanto, indicia não ter compreendido, por não conhecer o caminho espiritual da vida…

O Sob T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:27
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2022
KALUNGA . XXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - VII

- KIANDA COM ONGWEVA … Às margens do Tejo em Toledo

Crónica 3222-A de (31.12.2021) – 29.06.2022 

Por soba24.jpg T´Chingange  (Otchingandji) - No AlGharb do M´Puto

tonito3.jpgCA -  AS TÁGIDES DE TOLEDO - Salaam Aleikum em terras de “ Castilla La Mancha” já na cidade de Toledo. Prometi a Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem. Tive de recorrer a Januário Pieter uma kianda que me serve - Passeamos por Alhambra mas, ambos voamos para Toledo pois que era ali que meu Mano Corvo Araújo nos esperava na ponte San Martin sobre o rio Tejo. Há dois mil anos atrás, Marco Fúlvio comandando as legiões Romanas conquistou a cidade de Toledo. O mesmo rio que então a contornava, o Tejo, continua correndo sendo atravessado pela ponte pela qual passam os peregrinos que se dirigem a Santiago; Trata-se da ponte de San Martin do Caminho de Alicante.

Era aqui o encontro e, com efusivos abraços os Manos Corvos aqui cruzaram águas quentes nas outras frias, que ali por debaixo corriam rumo a Lisboa. Até foi patética esta cena; bem cedo num treze de Maio dum ano falecido, Januário festejou connosco e como testemunha o pacto desta amizade. Cuspimos depois nas mãos e chispamos um aperto de união; voltaríamos a fazer isto muito mais tarde num tempo sine die. Em ambos, a kianda Pieter pousou sua mão em nossos templos, nossas testas, deixando um viscoso liquido parecido com azeite.

toledo20.jpgCA - Este sítio de Toledo estava destinado ao gozo de férias de primavera das ninfas do rio Tejo (Tajo). Aqui, a partir de 1580, os espíritos instigados por “El Greco” recordam momentos épicos na companhia dos novos membros da Kianda e Mutakalombo; estes, cheios de notícias frescas dos mares de N´Gola em África, conferenciavam com sereias, nereidas e musas tomando aqui, todos, o nome de tágides (rio Tajo) – as primitivas kiandas que surgiriam desde o Zaire ao Kwanza, lugar ainda mal conhecido neste então.               

Só muito mais tarde iriamos saber que entre estas estavam as primogénitas das kiandas Roxo e Oxor. Cantando, à gente nossa, gente vossa, que a Marte tanto ajuda, refrescavam-se nas águas com cantos de Camões recordando o Deus da guerra, filho de Juno e de Júpiter guardião dos exércitos troianos.

As tágides conciliavam-se aqui com a vida espiritual, trocavam experiências com as novas tendências da Globália, reciclando-se em congressos de cristandade ouvindo Simbi e N´kuuyu. Aquele lugar ficava um Pambu N´jila como se estivessem na Mazenga, a ilha do descanso dos muxiloandas, sombras de casuarinas e coqueiros. O exotismo dos trópicos espalmava-se ali, na Mancha de Cervantes. O maneta Manuel de Cervantes y Saavedra autor da obra “Dom Quixote” desencantado com a guerra e as gentes, lutava com moinhos na vasta planície de “La Mancha” com muito Suko e, associando-se a esta espiritualidade, retemperava os mudos intervalos divertindo a tertúlia com contos de ridículos cavaleiros  e paródias de entretimento.

toledo21.jpgCA -  Eram momentos retemperadores recuperando Mutalos desavindos recorrendo por vezes à kianda Koxo e o Mestre Costa, uma verdadeira arte estirada por “El Grego”, ele também impregnado de muito Suko - a kianda e Mano Corvo Araújo, o magnifico grego de nome Doménikos Theotokópoulos! Nesta rota peregrina, cruzando o caminho de Alicante imaginei Sancho Pança apaziguando seu amo dum ímpeto destemperado com moinhos de vento ridicularizando heróis da fancaria. Foi a partir daqui que se organizaram cursos de deformação (algumas grotescas), fantasias de mordaz parodia e ironia na escrita e cores com longos rostos na pintura contrapondo aquilo que se passou a designar de burlesco.

Pude admirar nesta terra de Aragão um quadro de “El Greco”, em que as tágides ou Kiandas se contorcem em risos aéreos, vendo-se em fundo a cidade de Toledo, a “la puente de San Martin” sobre o rio “Tajo” e, um arco iris assinalando o local daquela reunião de espíritos. E ali andava eu T´Chingange um feiticeiro acomodado a novas tarefas de agrado, partilhando e recebendo conhecimentos avondo.

tonito1.bmpAM - É este um assunto deveras interessante a deslindar ao mulato ressequido Januário Pieter pois que estão ali também as Kiandas da Mazenga, as tetravós de Roxo e Oxor e, dois negros Mutalos com grilhos presos a bolas pesadas e escuras alongando-os como que puxados para a terra. E, nos pescoços, umas barras redondas de ferro contornando-os por detrás de umas orelhas aladas amarradas às nuvens de Toledo; seriam escravos de N´Gola pela certa!

Ainda tinha na retina a imagem dum negro com semblante muçulmano que comigo cruzou em um lugar de nome “Bargas”. Este jovem senhor que se dirigia a terras de África através de Algeciras, tirou as meias, lavou os pés e, descalço refugiou-se numa sombra de alfarrobeira mais distanciada; estendeu a sua jaqueta no solo, ajoelhou-se colocando suas mãos sobre esta, baixou sua cabeça até tocar o solo por várias vezes orientando-a para um determinado ponto. Era a sua Meca distante com Kiandas diferentes, O seu Pambu N´jila.

roxo210.jpgAR -  Aquele muçulmano, talvez marroquino, talvez argelino, ao passar por mim, riu-se em cumprimento mostrando até seu dente escandalosamente dourado, fez uma suave vénia de uma simpatia diferenciada, cumprimentando-me: - Salaam Salaam. Eu era um privilegiado, cidadão Niassalês, cidadão do mar alto, cidadão do mundo. Ele, um mustafá, viu em mim a aura de Pieter, talvez, a Kalunga N´Gombe, o “ Sangue de cristo”, T´Chingange do mesmo Cristo vestido com cores de púrpura.  Eu, respondi: - Salaam Aleikum.             

tonito2.jpegAM - GLOSSÁRIO: Salaam Aleikum: - da fé islâmica, fique na paz de deus, que a paz esteja convosco; Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Marte: - Deus da guerra na mitologia Romana, filho de Juno e Júpiter, amou Vénus de forma adultera...; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Nkuuyu: - são os espíritos pais dos vivos; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, Elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Mazenga. - Ilha das cabras, Ilha dos loandos, ilha dos N´zimbos ou Ilha de Luanda; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; Mutalo: - espírito de morto por feiticeiro sem ordem de N´zambi; Kalunga / Calunga N´Gombe : - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas; Kozo: - Objecto que invoca um ou mais espíritos. T´Chingange: - Feiticeiro, cobrador de impostos, assessor do rei ou Mwata, ministro de todas as relações; N´Nhaka: - Plantação

Notas 1: Este episódio já foi publicado em KIZOMBA FB – trata-se de repor o texto no arquivo base de KIMBOLAGOA;  Nota 2: CA - Costa Araújo; AM - António Monteiro; AR - Assunção Roxo

Da N´Nhaka de: O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:35
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2022
KALUNGA . XIX

UM HINO À KALUNGA – IV

Crónica 3217 de 01.12.2021 - NAS FRINCHA DO TEMPO

– Com as kiandas Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia…

Republicada no Kimbo Lagoa a 22.06.2022

Por Soba T´Chingange brasil.jpgT´Chingange (Ochingandji) – No AlGharb do M´Puto

araujo103.jpg CA ...Tudo teve início para a livrar Roxo do tormentoso “Princípio da Incerteza” que formata a matemática quântica no ano de 2016. Como em todas as novelas, os dramaturgos mudam no correr do suspense os episódios e, agora com este desafio de avançar com a estória de Zé Peixe e as Sereias Roxo e Oxor, vejo-me forçado a recorrer a um amigo tão, tão antigo, que anda por aqui e ali, volatilizado no tempo; chama-se Januário Pieter*.

Esta lendária figura, surge-me sem hora marcada nem outros entretantos, quando fico encafifado, descomplicando-me as verdadeiras vistas do paralém, paratrás e paracima com suas vertiginosas chiadeiras na fricção do tempo, subindo e descendo sem curvas, assim como se entrasse num portal muito tapado de cacimbo! Com o passar do tempo descubro que este espanto feito Holograma da Kalunga também vai ser o Tio ancestral das Kiandas; por agora ainda é uma suspeita…

sacag11.jpg Sac ...  Com ele, já será possível esticar a estória andando no espaço-tempo de forma aleatória e acrescentando mais episódios com sereias e kiandas da Kalunga com gente normalíssima da silva assim como um tal de Joaquim de Lisboa que em dada altura e para sobreviver em sua traineira teve de fazer uma caldeirada de peixe voador; que para variar o cardápio também fez uma mistela com solas variadas de sapatos mais quedes de pele de boi, marca macambira e umas cascas de mandioca que por norma serviam de isco na apanha desse tal peixe com asas.

Lá atrás expliquei que Sereias são Kiandas que fazem parte da Kalunga, "grande mar", entidades fortemente ligadas aos Orixás e Iemanjás das águas de um outro lado do mar, um poder regenerador no campo sentimental. Chamarei de kwangiadas às ninfas do Kwanza e de Zairiardes às do rio Zaire ou Congo em Angola. Lá mais para a frente iremos reencontrar as sereias ou kiandas de Guaxuma com quem tive a experiência mais recente e aonde pude ver sentada a Sereia Roxo, tetraneta daquelas, rogando socorro a um mortal como eu. Só mais tarde me dei conta de existir uma outra igual, uma kianda gémea vista por reflexo ao espelho.

roxo206.jpg Roxo ... Pois então, num pedaço de nada, acabado de cochilar na minha rede de Pambu N´jila a escassos metros da Kalunga, lugar de antigas Sesmarias do M´Puto jiboiando no sopro invernal ele, veio até mim. No cumprimento do sonho, dei-lhe um abraço de completo vácuo; era Januário Pieter, meu guia-surpresista. Quase chorei de comoção por uma tão grande e distinta deferência. Nós que vivemos no além (referindo-me a ele e, incluindo-me…), podemos fazer diversas coisas, mesmo sem entender como as realizamos tais como locomovermo-nos e plasmarmo-nos, disse em jeito de comovida explicação (pude ver isto pelo seu semblante e ruga de seu templo, testa).

Pieter falando: Neste meio tempo e depois de ter estado contigo em Zanzibar, formei-me “engenheiro espiritual” em Toledo; dizendo isto como se tudo tivesse acontecido escassos dias antes, disse que por via dessa formação e, através dos fluidos da natureza, conseguiria pelo pensamento, criar no espaço, paisagens de multicolores holografias. Só apareço porque as pinturas relampejantes de Assunção Roxo me chamaram a atenção – disse! Foi quando reparei no assunto embrulhado de cacimbo, em que nos metemos e, ainda nem sabia que era tio dela…

roxo79.jpg Roxo ... Desde que sou “engenheiro espírita”, explico o que custa a apreender às gentes desavindas mas, boas como tu (referia-se a mim) que nutres de paixões, orações e bons pensamentos. É um prazer, concluiu. Neste meu estado, luto contra atitudes de espíritos que não são evoluídos, que não possuem compreensão e que ainda estão arreigados em paixões inferiores. Apontando para o jardim, Januário foi falando: estás a ver aquele melro a esgadanhar tuas sementeiras, coisas que tu aprecias, e as gralhas que por aí vão passando em bandos?

São condicionantes a que eu recorri para teu exclusivo agrado e, porque agora estás virado às coisas terrenas de beira-mar, venho em tua ajuda. Conferenciaremos sobre esse tal de Zé Peixe e suas ancestrais gerações em conjunto com tuas amigas Roxo e Oxor que tu tanto referes quando te espraias nas reflexões de arco-íris, as cores de roxo.

Nunca antes, Januário Pieter, figura recriada por mim, se referiu assim tão directamente como um especial meu assessor. Enquanto isto, as notas de Dó a Si do espanta espíritos da varanda N´jila do pátio andaluz, saudavam-nos mas, creio que mais propriamente à kianda ilustre vinda do álem com ventos de futuras duvidas e dádivas.

araujo75.jpg  CA ...Sorrindo, indiquei-lhe o lugar da rede a meu lado, contente com sua desejada visita, dizendo-lhe que a minha principal procuração, era tentar ser útil, sentir a gratidão vendo sorrisos em olhares tranquilos, viver com dignidade e saber contribuir para alguém também ficar bem. Fabricando a felicidade com pouco mais que nada, ali estávamos prontos a desfrisar estórias de inventação, sem menosprezar a vontade de fazer ao querer fazer, sem sugar energias alheias.

GLOSSÁRIO:

KIANDA: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; ONGWEVA: saudade em português; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, encruzilhada elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga

*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!

Ilustrações de Costa Araújo e Assunção Roxo ...

CA - Costa Araujo; Sac - Sacagami; Roxo - Assunção

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:29
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Terça-feira, 21 de Junho de 2022
VIAGENS . 1

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - Cónica 3320  (3216 da SAPO) 21.06.2022

Do Pantanal à Amazónia - 1ª parte

Por 

Soba T´Chingange brasil.jpgT´Chingange (Otchingandji)* Um Niassalês no AlGharb do M´Puto

viagens1.jpg Dom Obá II d´África ( Do kilombo de Poconé)

E, porque hoje aqui no velho continente começa o Verão, cuidados redobrados nas regas de gota-a-gota e, porque a chuva é escassa, lá teremos de preservar o que cai do céu, uma dádiva que só chega quando Deus quer ou se o quiserem quando a natureza assim o determina. Sabendo que em uns sítios transborda e noutros escasseia rebusquei frescuras alheias em minhas parábolas antigas na forma de malambas.

Com pensamentos molhados através da transpantaneira brasileira chegámos a Poconé, capital do garimpo - no céu nuvens carregadas de escuro com um sol deslumbrante, raiando luzernas multicolores como se o fossem olharapos espaciais. O português Aleixo Garcia foi o primeiro a visitar estas terras baixas no ano de 1524 tendo alcançado o rio Paraguai através do rio Miranda, atingindo a região onde hoje se situa a cidade de Corumbá.  Num horizonte sem fim, araras, tuiuiús, mergulhões e minúsculos beija-flores davam-nos as boas vindas na fazenda Mato Grosso em mato Grosso do Norte..

poconé1.jpg Na beira-rio embarquei sonhos escondidos à mistura com mistérios de sucuri e esperanças caldeadas em saudade; uma inconformidade de querer sempre estar nas terras de onde me tiraram. Ali no Pantanal, jiboiei na rede picado a mosquitos, pesquei piranha e cavalguei no charco entre caimões, capivaras, aves pernaltas, cuxias e lontras luzidias. Espelhadas ao pôr de sol nas quietas águas do rio Pixaím, as baladas choradas do Peixinho, nosso guia ocasional, saído dum kilombo bem perto da fronteira com a Bolívia, tinham um encanto de lembrar a Kukia da Luua, que não sei descrever mas, do que ouvi, apreendi…

Aprendi com ongweva: - Eu sou cria desta água - Meu olhar, corre sem fim - O meu canto, chora as mágoas - D’ um rio dentro de mim… Aiué -Percorrendo um trilho aguado entre muita água vi o pantanal de Poconé limitar-se, ao norte com a própria cidade de Poconé, zona mais alta de savana, ao sul com o rio São Lourenço, no limite com o pantanal de Paiaguás, a leste com o pantanal de Barão de Melgaço e a oeste com o rio Paraguai. A vegetação mostra charcos imensos, repletos de ciperáceas e juncáceas, além de campos, savanas e florestas. Elementos da vegetação amazónica ocorrem em menor frequência.

Com o vento norte, impregnado de odores gentios, deslizavam longos e escorridos cabelos pela nossa mente. Cruzando mantos de verdura, a espalmada água escorria lentamente entre cordilheiras de rasa altura, currais, fazendas e roças de quilombos. Naquela largueza, em terras de fujões, escravos sem eira nem beira, recordávamos a história dos bandeirantes e capitães-de-mato, levando aqueles lá mais para longe, atrás da chapada, fazendo soberania escondida; tempos idos dum império que subsiste nas crenças e no espírito aventureiro dos descendentes do rei Dom Oba´ II.

poconé2.jpg O Cândido da Fonseca Galvão que ficou conhecido como Dom Obá II D'África foi um fidalgo e militar brasileiro que morreu com 45 anos no ano de 1890. Filho de africanos forros, seu pai, Fonseca Galvão, era filho de Abiodum, o Obá do Império de Oió. Cândido intitulava-se “príncipe Dom Obá II”, referindo-se a seu pai como “príncipe Dom Obá I”. Saídos das negruras de África, ainda perdidos no tempo, ainda arranham a terra garimpando a vida sem saberem que afinal construíram um país a que se chama de Brasil.

O índio, o caboclo ou o matuto, continuam a cortar o ipê-roxo, o pau-brasil, a cajá e os castanheiros que dão a sukucaia e, na beira-rio, vão cantando: - Canoa que não tem quilha - Não atende o canoeiro - Um país fora da trilha - É navio sem paradeiro. Andando por aqui e, ao calhas, fiquei a saber ao que chamam de cordilheira. Quando me disseram eu olhei a 360 graus e vendo tudo plano e inundado quis saber e, soube! Está a ver aquele alto e aquele, disseram: é a cordilheira! E, o que vi foram elevações de talvez dois metros com currais cercados aonde e, nas cheias do rio Paraguai resguardam as manadas de gado (isto, foi em Março de 2011).

O que aqui é descrito num tempo passado está hoje coberto de água. Os rios que dão origem ao bioma constituindo a savana estépica, devido às grandes chuvas inundaram pelo que muito gado está a morrer afogado (ano de 2011). Os fazendeiros tentam minimizar os prejuízos deslocando as manadas para sítios mais alto – as cordilheiras, que diga-se são poucas e distantes entre si…

poconé3.jpg Tuiuiú - pássaro pernalta símbolo do Pantanal

Glossário: Tuiuiú - pássaro pernalta símbolo do Pantanal; sucuri - cobra, jiboia; jiboiei - descansar em letargia; capivara - animal que parece um rato e é do tamanho de um porco, herbívoro; kilombo – o mesmo que kimbo ou quilombo, sanzala rural; fujões – escravos fugidos das fazendas; capitão-de-mato – cipaios ou guardas dos fazendeiros com alvará de busca ao infractor escravo; Obá II – escravo de linhagem que se tornou famoso entre outros e, que se sublevou; caboclo – homem rude tarefeiro; matuto – cruzamento entre índio e mulato (ou branco); ipê-roxo – árvore de grande porte, pau d´arco; sukucaia – fruto do castanheiro do Pará; jabirú – o mesmo que tuiuiú, pássaro do pantanal (nome popular usado em forma pejorativa); coxias- herbívoros de pequeno porte; cajá – taparabé, fruto tropical parecido com a nêspera do M´Puto ou gajaja de N´Gola; ao calhas – ao acaso, aleatório; Kukia: Pôr-do-sol; Luua: d iminutivo de Luanda; Ongweva: Saudade (kimbundo) …

NOTA* - O soba esteve seis meses sem vir ao KIMBO  porque  neste meio tempo ouve alterações na forma de apresentação do blogue por parte da SAPO. Entretanto eu que sou  "matumbo"  de pais "Mazombos" resolvi passar as crónicas para o Facebook aonde me instalei com  bagagens, corotos, estralhos e zinarelhos até que  meus neurónios podessem compreender estas variantes do Nadismo. Agora  que casualmente apanhei um vento de bolina  volto à senda antiga pelo que terei de transferir 105 crónicas que entretanto passaram para o Facebook . Assim, farto do tal ALGORITMO, voltarei a priorizar este  meu baú  - (entre as crónicas  3216 inclusivé e a actual 3320 que vai ter esta contagem por parte da SAPO ... 

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:14
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2021
MALAMBAS . CCLXIV

CINZAS DO TEMPO - As cristalinas tristezas embargam as dúvidas sombrias

Crónica 3216 de 20.11.2021

Por soba0.jpegT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Cada um de nós possui diversos tipos de conhecimento, sendo que alguns nascem connosco, como nosso instinto, enquanto outros são adquiridos e desenvolvidos no decorrer de nossas vidas. O conhecimento sobre algo pode ser adquirido de diferentes formas, como observando factos, com experiências pessoais ou sendo ensinado por alguém através de livros, vídeos, apresentações ou aulas.

vaca1.jpg É comum que aqueles que ensinem possuam conhecimento naquele tema, e você saberá quem é conhecedor de todas as coisas e disposto a nos ensinar em todas as etapas de nossas vidas? Por mais que a ciência tenha progredido, nossa vida continua cheia de mistérios e perguntas desafiadoras. Existe uma realidade além da que percebemos? O que é real e o que é irreal? Qual é a origem de tudo? Sou um ser espiritual ou apenas físico e químico? Nossa inteligência, nossas pesquisas ou o conhecimento acumulado dos estudiosos, pouco importam ao tratarmos de questões espirituais.

dia139.jpg Em nossa busca pela espiritualidade, muitas vezes substituímo-la por “grandes homens” subestimando a natureza que tanto nos ensina... “Ah! Esse escritor vai explicar-me isso, e aquele palestrante vai-me ajudar com aquilo”. Será que nos falta fé para obter a compreensão espiritual por intermédio do verdadeiro Espírito? E, temos Camões, Saramago, João Pessoa entre tantos outros ilustres. E, temos hoje, também, comentadores a granel, gente politiqueira ou futeboleira - um fartote...

“O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”. Nem todas as explicações dos mistérios divinos estão reservadas para o reino dos Céus. Os mistérios que “olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu”... Está noite veio um trovão forte! Um clarão e, a Luz, escafedeu-se, foi-se! Espero à seis horas pelo técnico que me irá dar a luz; embrulhado no meu kispo espero pacientemente!

papoila4.jpg A luz desapareceu, os disjuntores dispararam e creio ter o problema a montante... Como irei agora aquecer meus espargos vindos do Chile, assim sem esta luz terrena que gira o microondas? Ontem, não pude prever isto... Lá terei de ginasticar a mente para rever outra saída... Passaram quatro dias e o técnico da Luz que vai fixar o novo contador ainda não veio e, nem sei quando virá; lá terei de fazer um enxerto á minha resiliência.    

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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Sexta-feira, 12 de Novembro de 2021
KALUNGA . XVIII

UM HINO Á KALUNGA – III

Crónica 3215 de 12.11.2021 e, outras datas se Deus o quiser…

NAS FRINCHA DO TEMPO – Com Zé Peixe de Aracaju e as kiandas Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia…

Por tonito15.jpgT´Chingange – No AlGharb do M´Puto

Em 2016, prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar, um verdadeiro golfinho feito homem; assim, surgiu esta parcial inventação falando do personagem que vi em vida e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe. As ilustrações foram capiangadas por mim a ela, para suprir sua maldade, assim um ressarcimento por me impedir de ficar num pântano quântico procurando um chinelo, as sandálias do pescador… E, porque é quase uma odisseia vai ter muitas partes, como uma telenovela.

roxo43.jpg Num esforço de entender o Universo sublimei-me em filosofias com princípios inimagináveis fixados num jogo empírico lá nos extremos do pensamento aonde até as deduções têm afinidades matemáticas, com símbolos e caracteres radiactivos. No paradoxo de criativas imagens, enchia-me de habilidades quânticas sem cuidar dos ditames da razão. Nesta utopia de partículas surge uma sereia de nome Roxo Socorro a pedir ajuda, justificando seu próprio nome, como se nela tudo fosse uma calema de afincada afirmação.

Estava bem no topo de um recife no lugar de Guaxuma das Alagoas do Brasil, mais além de rio Doce, para norte. Nem sei bem porque pedia socorro porque assim de joelhos mexendo levemente a barbatana de cauda, suportava em sua mão direita uma forquilha tipo arpão daquelas que sempre ligamos ao mar, isso, como se saída de uma atlântida que se diz ter existido no meio do oceano. Jiboiando em minha rede, revivi esta cena lá atrás no tempo quando no pantanal de Sergipe vi uma sereia a deslizar das dunas para a água. Havia ali muitas lagoas no pequeno pantanal sergipano…

roo03.jpg Minhas companhias de viagem juravam que não, que era uma anta, talvez uma foca ou um peixe-boi. Rita até afirmava ter sido uma garoupa sarapintada de pedras tipo cracas mas, nada disto eu vi! Já que estávamos em Sergipe e muito perto de Aracaju, ali permanecemos por mais dois dias pois que teria de perguntar a Zé Peixe, o prático marinheiro se isto da sereia seria ou não uma fantasia nossa; uma cena tal e qual esta daqui, plantada em Guaxuma – a praia da sereia…

roxo22.jpg Pergunta aqui e mais ali, lá chegamos à casa pobre meio ripa, meio taipa feita de adobe, coberta a folhas de zinco com ramos de coqueiro já envelhecidos. Tivemos a sorte de o ver logo sentado num telheiro bem ao lado da casa, rodeado de picas no chão e outras galinhas de angola ciscando o fundo do quintal cheio de mamonas, com erva florida de doutor e doutorzinho em tufos enquadrados, coqueiros ao redor sombreado um limpo terreiro. Havia também pitangas, chá caxinde e, foi perguntando a este se era mesmo esse o nome com que iniciei a conversa. Claro que lhe dei uma larga saudação! Ele estava já habituado a ter visitas de estranhos…

(Continua…)

Nota: Ilustrações de Assunção Roxo, a kianda -Texto escrito em 2016 com o titulo de CAFUFUTILA...

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:29
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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CXCIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXX

Ultima visão de Savimbi: “moscas pousando no rosto, feridas na cabeça e numa mão e, um buraco de bala na garganta”.

Crónica 321411.11.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que ainda governam…      Por soba24.jpg  T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Após o ano de 1994, haveria que manipular os espíritos inseguros, carregar nos botões certos das almas inocentes, com o fígado incompleto, candengues sem estrutura para os virar monstros desapiedados com o nome de pioneiros… Eram ideias desfibrilhadadas numa antiga dor e creio que se foi no tempo com um sentimento de culpa. Deveria iluminar-nos não é!? Amanhã será outro dia e, foi-se! O Sol não tinha como se abraçar a nós, nem se poderia esperar isto. O tempo escasseia-me muitas vezes, para poder redigir histórias escondidas, antigas, que até posso antever reais a tempo inteiro, real ou ficção. Nessas alturas subitamente levanto voo, plano como um albatroz e por aí vou fora, sem parágrafos ou pontos finais, com diálogos dinâmicos, que só o serão na ficção!

savimbi2.jpg  Fala o Soba, impõe as suas leis, fala o Luís que quer fugir aos ditames dos familiares próximos, subverte-se as leis, obtendo-se gozo nisso, e sabedoria, claro, que estas coisas, mesmo negativas são as que mais resultam e se aprumam na coluna vertebral de um indígena. O Protocolo de Lusaka de 1994 reafirmou os Acordos de Bicesse. Savimbi, não querendo assinar pessoalmente esse acordo, enviou o ex-Secretário Geral da UNITA Eugénio Manuvakola representando em seu lugar, o partido. Manuvakola e o Ministro das Relações Exteriores de Angola, Venâncio de Moura, assinaram o Protocolo de Lusaka em Lusaka, Zâmbia, em 31 de Outubro de 1994, concordando em integrar e desarmar a UNITA.

Ambos os lados assinaram um cessar-fogo como parte do protocolo em 20 de Novembro. Sob o acordo, o Governo e a UNITA cessariam os incêndios e desmobilizariam 5 500 membros da UNITA, incluindo 180 militantes, que se uniriam à polícia nacional angolana, 1 200 membros da UNITA, incluindo 40 militantes, que se uniriam à força policial de reacção rápida e os generais da UNITA, que se tornariam oficiais das Forças Armadas Angolanas. Mercenários estrangeiros retornariam aos seus países de origem e todas as partes parariam de adquirir armas estrangeiras.

ango1.jpgO acordo deu aos políticos da UNITA casas e uma sede. O governo concordou em nomear membros da UNITA para chefiar os ministérios de Minas, Comércio, Saúde e Turismo, além de sete vice-ministros, embaixadores, governos de Uíge, Lunda Sul e Cuando Cubango, vice-governadores, administradores municipais, vice administradores, e comuna de administradores. O governo libertaria todos os prisioneiros e amnistiaria todos os militantes envolvidos na guerra civil. O presidente do Zimbabwé, Robert Mugabe, e o presidente sul-africano, Nelson Mandela, reuniram-se em Lusaka a 15 de Novembro de 1994 para aumentar o apoio simbólico ao protocolo. Mugabe e Mandela disseram que estariam dispostos a encontrar-se com Savimbi e Mandela. Pediu que ele fosse à África do Sul, mas Savimbi não foi. O acordo criou uma comissão conjunta, composta por funcionários do governo angolano, da UNITA e da ONU, com os governos de Portugal, Estados Unidos e Rússia como observadores, para supervisionar sua implementação.

As violações das disposições do protocolo serão discutidas e revisadas pela comissão. As disposições do protocolo, integrando a UNITA nas forças armadas, um cessar-fogo e um governo de coligação, eram semelhantes às do Acordo do Alvor, que concedeu a Angola a independência de Portugal em 1975. Muitos dos mesmos problemas ambientais, desconfiança mútua entre a UNITA e o MPLA, falta de supervisão internacional, importação de armas estrangeiras e ênfase excessiva na manutenção do equilíbrio de poder, levariam ao colapso do protocolo…

savimbi3.jpg  E, chegados ao ano de 2002, tropas do governo matam Jonas Savimbi a 22 de Fevereiro deste ano, na província de Moxico. Jonas Savimbi morre "de arma na mão", como "um militar", numa emboscada das Forças Armadas Angolanas (FAA), sexta-feira à tarde, junto ao rio Luio, sudeste da província do Moxico, ao fim de cinco dias de perseguição pelo mato. "Sete tiros foram suficientes para o abater". Foi assim que o brigadeiro Wala, na qualidade de dirigente da "força mista que matou o líder da UNITA", resumiu o fim de Savimbi aos jornalistas presentes no local em que o corpo foi exibido - Lucusse, a 79 quilómetros do sítio da emboscada. O relato é do repórter da Lusa, Miguel Souto. O destino de Savimbi, calculou Wala, era a fronteira com a Zâmbia, onde contava ser reabastecido pelos seus homens.

savimbi5.jpg Acossado pelas tropas do Governo angolano desde o Andulo, Jonas Savimbi, dividiu a sua coluna em três. Seguiu com uma, e deixou o comando das restantes duas aos generais Abreu "Kamorteiro" (chefe de Estado-Maior das forças da UNITA) e António Dembo (vice-presidente do movimento do Galo Negro). A coluna de Savimbi iria ao encontro do General "Big Jo", que partira antes, em busca de víveres. Ainda de acordo com a versão das tropas angolanas, quando um ataque das tropas angolanas liquida "Big Jo", o líder da UNITA inflecte para norte, por uma mata densa que levaria ao rio Luio. "Deu muitas curvas e fintas, porque conhecia muito bem o terreno,pois que  a UNITA nasceu aqui", lembrou o brigadeiro Wala, acrescentando que os seus homens andaram "dia e noite numa perseguição que durou cinco dias", até à emboscada final de sexta-feira.

Nas palavras de Wala: "quando Savimbi viu os seus homens mortos, pegou na arma". Além dos "vários oficiais" atingidos, avia um "total de 21 ". Os generais Dembo, "Kamorteiro", Abílio Camalata Numa e Samy terão escapado ao ataque, e as forças governamentais dizem estar no seu "encalço". O paradeiro do secretário-geral do movimento, Paulo Lukamba Gato, permanecia desconhecido. Segundo o embaixador português em Luanda disse ao PÚBLICO, as primeiras imagens do corpo de Jonas Malheiro Savimbi foram exibidas na televisão estatal angolana por volta das 17h00 locais (16h00 em Lisboa), sem terem ocupado mais do que "um espaço normal" nos telejornais. A reportagem do jornalista da RTP Alves Fernandes, que foi ao Lucusse, mostrava o corpo de Savimbi deitado numa prancha ao ar livre, à beira de uma árvore, rodeado por centenas de homens mulheres e crianças, misturados com militares.

 savimbi6.jpgNinguém compusera o corpo para a última imagem: farda verde oliva desfraldada, deixando ver parte da roupa interior, os pés sem botas, só com meias, moscas pousando no rosto, feridas na cabeça e numa mão e um buraco de bala na garganta. Diz-se que Savimbi, ferido de morte teria sido o autor deste ultima tiro. Na sequência seguinte, o corpo, embrulhado na bandeira do Galo Negro, era levado da prancha para um caixão. Segundo o relato inicial deste jornalista, antes das imagens serem difundidas, Savimbi teria sido atingido sexta-feira à tarde não por sete mas por "quinze balas, duas na cabeça, as restantes no tronco, nos braços e nas pernas". Chegaram a correr versões que falavam em 52 tiros. A agência Reuters, por seu turno, ao princípio da tarde, citava fontes dos serviços secretos zambianos que contestavam a data da morte. De acordo com esses relatos, Savimbi teria sido morto já na segunda-feira, e as forças do Governo angolano teriam retardado a notícia da sua liquidação, de forma a poderem difundi-la, com outro impacto, nas vésperas da partida do Presidente José Eduardo dos Santos para Washington, onde dia 26 se reuniria com o seu homólogo norte-americano, George W. Bush.

tonito11.jpg As fontes zambianas sublinhavam que as tropas do Governo angolano tinham localizado a coluna de Savimbi no Moxico há duas semanas e que, tendo enviado reforços, se lançaram num ataque maciço no passado domingo. O vice-presidente da UNITA, António Dembo, assumiu o cargo, mas, enfraquecido pelas feridas sofridas na mesma escaramuça que matou Savimbi, morreu de diabetes 12 dias depois, a 3 de Março, e o Secretário-geral Paulo Lukamba torna-se naturalmente o líder da UNITA. A seguir a tudo isto, Angola viveu no descarado roubo de seus governantes, podendo por ora concluir-se: -“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes, que ainda governam - ano de 2021 - (Ainda…)

(Fim…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:36
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Domingo, 7 de Novembro de 2021
KALUNGA . XVII

UM HINO Á KALUNGA – II

Crónica 3212 de 07.11.2021 e, outras datas se Deus o quiser…

A estória do Zé Peixe de Aracajú - Prelúdio da estória das Kiandas Roxo e Oxor

Por t´chingange 0.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

zé peixe11.jpg Para que o corpo seja saudável é forçoso que a mente esteja com saúde, que esteja alegre e em harmonia. Se a mente estiver irritada ou aborrecida, este estado aparecerá inevitavelmente no corpo e, manifestar-se á na pele, no coração, nos pulmões. O estado latente de infortúnio e de mal-estar nas pessoas, não é mais do que o reflexo da mente manifestando-se em atrito ou choque.

Em contraste com esta ocorrência e o estar na vida, algures no Brasil, fui agraciado com uma notícia que corroborou com a inspiração dum senhor chamado de Hicari no Izumi. De tão esquisito nome nem sei direito como chegou até mim mas, o relevante do mistério é o de que em Aracajú de Sergipe havia um homem de setenta anos de idade conhecido pelo Zé Peixe que espantava toda a gente.

Este senhor Zé peixe, designado por “prático” por conhecer os baixios da baía e seus canais de navegação, ao fim de muitos anos de mar, sabia por onde os barcos de grande calado podiam navegar até à zona portuária sem ficar encalhados na areia ou recifes.

A tarefa que normalmente é feita ou atribuída a um patrão de costa ou piloto da barra que conduz o navio até ao cais, aqui, tem o senhor Zé como o principal personagem. Entra num rebocador que o leva até lá longe, ao navio em águas de oceano mais profundas, sobe ao mesmo, conduz o monstro com perícia substituindo instrumentos de tecnologia de ponta, sistemas de posição geográfica de satélite, bussolas especiais e sonares.

zé peixe5 5.jpg  Quando o navio abandona o porto é Zé Peixe que de novo dirige as operações até ao local Xis que ele, o prático da barra, sabe como o de “o fazer sem perigo”. O curioso deste curto prelúdio é a de que, da haste saliente do vapor com uma altura superior a mais de cinco andares de um prédio citadino, o senhor Zé, benze-se, salta para o espaço indo perfurar as águas tépidas do Atlântico.

O pessoal de bordo sempre atento a esta odisseia de um velho com 70 anos saúda-o com uma gritaria e, em uníssono ouve-se o apito grave troando um adeus, até à próxima amigo Zé... O regresso a nado ao cais, bem perto de onde se situa a sua humilde casa, pode demorar até um pouco mais de duas horas. Sua modesta casa denota não ter rendimentos que façam dele um homem remediado, aliás o aspecto raia a tacanhez da sobrevivência; é aqui que podemos realçar a sua alegria no fazer por tostão uma tarefa de milhão.

zé peixe 1.jpg O Senhor Zé Peixe, na sua casa, tem um frigorífico aonde conserva frutas e, a uma pergunta do jornalista Hicari no Izumi, o tal senhor, responde que sua alimentação é essencialmente de fruta. Só bebe água de coco e não se lembra de quando tomou banho de água doce.

É ou não um hino à vida, esta singela postura dum homem que quase, ou mesmo analfabeto, nos transmite o poder e querer ao invés de quem se desloca com meia mala cheia de medicamentos. Isto, confunde os piegas dando-nos esperanças no estímulo de gozar a plenitude da natureza a quem verdadeiramente tem força de vontade. E, o mundo fala agora, ano de 2021, ao redor da crise. Feliz do senhor Zé Peixe! E assim foi, até que faleceu a 26 de Abril de 2012 por Insuficiência respiratória; tinha a idade de 75 anos.

zé peixe12.jpg  Zé peixe foi agraciado com diversos prémios e homenagens, sendo lembrado como um dos sergipanos mais notórios de todos os tempos. Seu nome era de José Martins Ribeiro Nunes. Os folhetins/crónicas agora a serem reeditados das Kiandas Roxo e Oxor da Kalunga de Guaxuma surgem com uma nova roupagem de nostalgia mantendo este senhor como o timoneiro ou patrono das promovidas kiandas. Roxo é uma, Oxor, é uma outra, o espelho gémeo desta mana, algures…

zé peixe13.jpg Na Kalunga e, a bombordo do meu barco Niassa (uma ilusão antiga), a costa da N´Gola sempre são visíveis, um milagre de “nem sei como” surgem na lógica das kwangiadas, musas do Chiloango, Bengo, Dange e ninfas do Cuvo, Giraul ou do Kunene dando lugar a estas mordomias de deixar a saudade lamber-nos também na água doce, límpida ou turva, também em terras do Brasil, com todos esses rios tendo o Amazonas num lugar cimeiro com seus golfinhos chamados de “botos” e até as vacas nadadoras chamadas de “peixe-boi” que deram origem ao teatro, carnaval de rua “bumba meu boi”, entre outras cenas tão desconhecidas do cidadão comum. Ao lago Niassa ou Malawi, ao Okavango e às terras encharcadas do Delta; lá chegaremos com tempo no caminho do rio Zambeze no encontro com o Cubango…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:58
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CXCII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIX

DEPOIS  DE ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS”O VAZIO COM A 6ª FEIRA SANGRENTA DE 22 DE JANEIRO DE 1993

Crónica 321105.11.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam (Ainda…)

araujo179.jpg

Por soba0.jpeg  T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

A 6ª Feira sangrenta, 22 de Janeiro 1993 - o dia que angolanos do grupo linguístico Kikongo, foram assassinados por razões xenófobas. Com efeito, na manhã do dia 23 de Janeiro de 1993, os bairros da Petrangol, Mabor e Palanca e outros habitados maioritariamente por Bakongos, foram atacados por parte de habitantes de Luanda. O Governo de Angola teria reconhecido oficialmente 57 mortos, mas as organizações civis bakongos apontaram mais de mil vítimas e acusaram jornalistas angolanos de serem os responsáveis da chacina.

Estes ataques foram referidos como sendo ocasionados por motivos étnicos mas, em realidade, tratou-se de conflito pré-eleitoral. Os bakongos foram acusados pela imprensa oficial de ter apoiado o partido do Galo Negro. Depois da fuga do Jonas Savimbi, nos fins de Novembro de 1992 para o Huambo, este reorganiza o comando da sua ala militar e, no espaço de poucos meses depois das primeiras eleições em Angola, ocupa as cidades do Uige, Mbanza Kongo, N´dalatando, Soyo, Caxito e mais tarde, depois de uma batalha de 55 dias, a segunda cidade de Angola, Huambo, obrigando o governo a ficar na defensiva.

kicongo1.jpg Nasce daí, a campanha mediática contra o Zaire de Mobutu, acusado de ter enviado tropas para auxiliar o braço armado da UNITA. No entanto, quando as ex- FALA's ocupavam militarmente uma das cidades, a Rádio Nacional de Angola, noticiava o que aqui se cita: "tropas zairenses e da UNITA, ocuparam a tal cidade", etc. Alguns jornalistas de Jornal de Angola imprudentes, assinam artigos que criticavam os supostos zairenses (na realidade, angolanos bakongos), com caricaturas, denegrindo-os de ser responsáveis da miséria do povo angolano.

Em meados de Janeiro de 1993, todos os órgãos de comunicação Social de Angola, citam fontes militares que foram capturados no campo de batalha, tropas zairenses, o que constituía prova suficiente da implicação de Mobutu no sucesso de tropas da UNITA no terreno. Prometeram apresentá-las numa conferência de imprensa. Na preparação desta, um jornalista corajoso questiona sobre as provas que os militares estrangeiros africanos capturados fossem zairenses; a resposta foi simples: falavam lingala! O jornalista insiste em saber se, nas forças armadas angolanas e da UNITA, não havia militares que falassem lingala, sendo logicamente, angolanos.

socie2.jpg A reunião com imprensa foi anulada "in-extremis", por ordens superiores. Soube-se mais tarde, que os supostos soldados zairenses, na realidade eram angolanos bakongos que falavam lingala, ligados ao partido no poder e recrutados para este efeito. A campanha de difamação contra Mobutu e os zairenses era tão forte que obrigou o então general da UNITA, Demosthenes Chilingutila a desmentir na rádio portuguesa TSF, qualquer implicação das tropas do Zaire ao lado das suas tropas afirmando ainda que o próprio presidente do Zaire tinha problemas graves no interior de seu pais e, precisando ele sim, da ajuda da UNITA.

Nesse dia, 22 de Janeiro de 1993, um editorial da Rádio Nacional de Angola revela que os Zairenses infiltrados no seio da população angolana, preparavam um plano para assassinar o presidente da República, José Eduardo dos Santos. E, foi esta a razão que no mesmo dia incutiram e accionaram seu conhecido Poder Popular junto de seus seguidores entre a população de Luanda munidas de armas de fogos pelo MPLA a assaltarem, violarem e matarem à revelia e com toda a impunidade, os bakongos da capital do país – Luanda.

balba1.jpg Dias depois, os bakongos, impotentes e frustrados, reúnem-se algures em Luanda, redigem o famoso Manifesto da Sexta-Feira Sangrenta, um memorandum dirigido ao governo de Angola, ao parlamento e às embaixadas acreditadas em Angola. Neste documento, os activistas “bakongo” relatam com pormenor o que se passou nestes dias. O então deputado do partido PDP-ANA, Nfulumpinga Landu Víctor, toma conhecimento do manifesto e interpela a Assembleia para condenar os massacres e levar à justiça os autores.

Em uma exortação sobre a Sexta-Feira Sangrenta, Muana Damba publicou a 24 de Janeiro no recente ano de 2013: História do Reino do Kongo - Você é um N'kongo, filho desta terra legada pelos nossos antepassados. Se podemos considerar esta Angola um país de Cabinda ao Cunene, é porque nele estão inseridas todas as etnias do país* incluindo os Bakongos sejam eles de Cabinda, do Soyo, do Uige, M'banza Kongo e outros, mas se essa realidade deixar de ser considerada, Angola deixa de ser aquilo que é, portanto vamos todos reflectir...

bacongo1.jpg.crdownload *Abro aqui um parêntesis para prosseguir este pensamento de Muana Damba, ressaltando que a etnia Branca desde seu processo libertador pelos autodesignados mandatários dum autopoder, na gestão do todo-poderoso MPLA na governação, sempre a excluíram, subtraindo-lhe direitos de gerações por nascimento. Algo incomum e xenófobo, do qual tanto se fala hoje pelo mundo com refugiados de um e outro lado, passados que são quase 46 anos daquele 11 de Novembro de 1975, verificando-se sempre um provocado desleixo ao lidar com a etnia Branca, relegando-a para um submundo de indiferença e menosprezo…

bacongo2.jpg Muana Damba continuando seu MANIFESTO refere: Queremos que as autoridades, outros irmãos angolanos saibam que Angola é um mosaico de tribos ou mesmo junção de tribos, nós temos a nossa terra, espaço terra tal como outros, assim sejam Kimbundos, Ovimbundos entre outros que o tempo ditará terem também os mesmos direitos de jus soli (lei do solo -"direito de solo") irrestrito, ou o direito à cidadania a quem nasça em solo nacional, independente de quaisquer outras condições. Se alguma lei assim o refere, urge modificá-la para bem de Angola…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:53
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Domingo, 31 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CXCI

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXVIII

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS” O VAZIO EM ANGOLA

Crónica 321031.10.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam…

kisan1.jpgPor: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Naqueles tempos ainda nem sabíamos que usavam a propaganda de forma exaustiva na falácia de tudo vir a ser uma liberdade linda em Angola! Não! Não conhecíamos as filosofias do mal… Nos intervalos dos lapsos de memória quase petrificado, posteriormente, ele, um velho Tenente-Coronel, falava tudo desencontrado no tempo e no espaço esfarrapado de mente contando os efeitos da Luua no quarto decrescente, penso eu-de-que!

Aquele senhor fardado com um pijama às riscas, sentado num sofá de orelhas, olhava para o infinito, babando-se pelo canto esquerdo descaído, insensível ao cérebro abanado por uma trombose, com a lentidão na descrição das coisas graves, titubeava muxoxos – Hum, pois, não sabe; a kalashnikov, os turras, a febre do poder, os malvados da UITA… E, eram bolas de trapos, meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga a impregnar a desconversa! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme?

miran04.jpg Entre a vida e a morte, as diferenças estão nos pormenores pois algumas são demasiado trágicas e outras muito, por demais sofríveis… Ele teve a sorte de morrer num ai, repentinamente (falava dum monstro, talvez um tal de imortal do MPLA); que nem a viu aparecer - a bala do monacaxito… Movimentos das FA com seus militares guedelhudos e revolucionários esquerdistas do M´Puto…

Na tempestade vingativa dos habitantes da Luua, dos musseques, que se abateu sobre os comerciantes brancos. E foram primeiro os fubeiros, depois os taxistas e a seguir já o eram todos os brancos. Os fubeiros tinham fama de trapaceiros e os taxistas de reaccionários. Entre a vida e morte as diferenças estão nos pormenores, repetiu o velho tenentista babado ao recente passado… Em sua cabeça, sua cuca estava mesmomesmo pifada mas, eram coisas reais dum passado…

araujo1.jpg A quitandeira, de filho atado com lenços do Mobutu com quindas cheias de loengos, gajajas ou sape-sape… candengue ranhoso abanado no caminhar, dando cabeçadas na mãe por entorpecimento entre apertos de multidão pra apanhar as chapas (táxis populares da quinhenta) do Zambizanga…. Pois! Queres ver que agora é preciso ser preto para se ser angolano! Repetia isto a todo o instante como se fizesse funje numa lata de leite Nido nas obras do António Barroso no Rio Seco.

Os primeiros foram expulsos dos musseques, à força e com o medo a estalar em fogos de very-lites, arcos-íris de granadas às centenas produzindo efeitos imediatos – E, agora ou vais ou morres! Isso: ou mato ou morro! Pópilas, de novo: ou morro ou mato! Mas ali só havia prédios. Creio que estava a ver a avenida Brasil da Luua! E, eram centenas; despojados dos pecúlios com a ajuda do lobo mau das NT – o mesmo que MFA a ajudar quem nunca deveria…

quitandeira5.jpg Era a frente para a fuga ao invés da fuga práfrente, algo já estudado pelos frentistas a fim de se efectuar o abandono, uma táctica nunca vista nos anais da lusofonia. Esta tornava-se conhecida aos poucos entre muxoxos de lusofodiaste; uma teoria que funcionou átoa, mas resultou mesmo.…Coisas do passado.

O Soba atento, fumando rapé ou liamba no seu cachimbo mutopa, sentado ou em seu pé à entrada do d´jango esperando os súbditos e dando-lhes conselhos; a família é importante, reúnem lá com os filhos debaixo da mulembeira lembram-lhe os seus deveres como a eles próprios lhes foram transmitidos, pelos pais e pelos pais dos pais, sabe que travarem as suas batalhas é ponto de honra e, sabe também que na hora de fazer a paz e a concórdia, com o usurpador ou sem usurpador, é da natureza humana, o caminho N´zambi indica.

SEXTA FEIRA1.jpg Mais tarde: A UNITA tentou retirar o controlo de Cabinda do MPLA em janeiro de 1993. Edward De Jarnette, chefe do Gabinete de Ligação dos Estados Unidos em Angola para o governo Clinton, alertou Savimbi que, se a UNITA impedisse ou interrompesse a produção de Cabinda, os Estados Unidos encerrariam seu apoio. Aqui, deu para se entender que os piores amigos eram mesmo, os americanos.

Em 9 de Janeiro, a UNITA iniciou uma batalha de 55 dias contra Huambo, a "Guerra das Cidades". Centenas de milhares fugiram e 10 mil foram mortos antes que a UNITA assumisse o controlo a 7 de Março. O governo engajou-se em uma limpeza étnica kikonga e, em menor grau, de ovimbundos e, em várias cidades, principalmente Luanda como o de 22 de Janeiro, chamado de massacre da Sexta-Feira Sangrenta.

SEXTA FEIRA2.jpg Os rebeldes da UNITA e os representantes do governo encontram-se cinco dias depois na Etiópia, mas as negociações em restaurar a paz falharam. O Conselho de Segurança das Nações Unidas sancionou a UNITA através da Resolução 864 a 15 de Setembro de 1993, proibindo a venda de armas ou combustível para a organização. Talvez a mudança mais clara na política externa estadunidense tenha surgido quando o presidente Bill Clinton emitiu a Ordem Executiva 12865 em 23 de Setembro, rotulando a UNITA como "uma ameaça contínua aos objectivos de política externa dos Estados Unidos" em Angola.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:40
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Terça-feira, 26 de Outubro de 2021
MALAMBAS. CCLXII

TEMPO DE CINZAS. 24.10.2021

Crónica 3209 - Lendo a “TEORIA DA INCERTEZA” de Arlindo Donário e Ricardo do Santos sobre como aplicar pecúlios, acabei por ficar taciturno sem saber se fico como estou ou avanço para a aventura dos BITCOINS…

MALAMBA: É a palavra.

Por:  T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

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Assim, lendo A INCERTEZA E O RISCO transcrevo o essencial da leitura:

1 - ESCOLHAS EM SITUAÇÃO DE INCERTEZA – *Se os resultados das acções humanas fossem instantâneos e determinísticos seria fácil prever o futuro. Contudo, todas as acções na vida humana estão ligadas à incerteza e ao risco. Dos comportamentos e decisões humanas não se pode afirmar, com certeza, quais as consequências que se verificarão. O conhecimento com perfeita certeza é impossível de atingir - Existe risco quando se podem associar probabilidades aos resultados de qualquer evento. Nestes casos, de risco, o decisor “conhece a distribuição das probabilidades” em relação às situações que são produzidas.*

Continuando a leitura: *Existe incerteza quando essa associação não pode ser realizada caracterizando situações em que existe um conjunto de possíveis resultados desconhecidos. Neste caso (de incerteza) o decisor não pode seguir uma regra formal de decisão mas apenas pode fundamentar-se na sua intuição, que Knight denominou como “julgamento” para antecipar o que pode ocorrer. Esta distinção foi efectuada pelo professor Frank Knight em 1921. “Mas a Incerteza deve ser tomada num sentido radicalmente diferente da noção familiar de Risco” (Knight, 1921:19).*

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Bem! A seguir vêm umas fórmulas do qual não entendo patavina. Sendo assim entro na tecnologia mais impactante desta geração. Não se trata de uma inovação de big data ou inteligência artificial, robótica ou de armazenamento em nuvem. É isto, o blockchain ou tecnologia com moedas digitais, como o bitcoin. Este avanço tem o potencial de se transformar no modo de como se lida não só com o dinheiro e negócios mas e, também com o governo e a própria sociedade como um todo.

A tecnologia do blockchain é uma promessa de solução para todos os problemas ao criar o que se chama de “interventor de valor”. Esta rede via internet é construída para transmitir e armazenar informações de NÃO VALORES (coisas)! O Facebook e outras redes de suporte motor na comunicação hodierna, pouco fazem para se mudar a maneira em como lidamos com o dinheiro, e de como fazemos um negócio – O que se sabe, é o de que ser cleptomaníaco é ter a doença de fanar aquilo que não é seu, um jeito de gamar, extorquir e afins. A tecnologia do blockchain** é uma promessa de solução para todos os problemas ao criar o que se chama de “interventor de valor”.

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Estas vias de comunicação, entre outros mais, usam seus servidores (nós-NODOS) por forma a poderem piratear com facilidade seus usuários. Estes motores de busca tais como o Sapo, Twiter, Facebook, Digg, Google, Windows, Bebo, MySpace entre outros, têm nesta prática, a maneira airosamente suave de cobrarem por nossos serviços; são intermediários que nos cobram este grande valor que lhes concedemos segundo regras deles. Falo por mim que tenho sido invadido em minha privacidade sem que me dêem no mínimo, garantias de estabilidade e stresse! O modelo de negócio do Google e os outros mencionados, é encurralar-nos como porcos em pocilga, controlarem-nos com seus padrões de interesse, colectarem nossos trabalhos de busca, pesquisa de informação, nossas estórias, mussendos, mokandas, missossos e coisas cabeludas para depois revendê-las. Eu tenho noção disto mas, porque sou cusca, deixo-me correr na película da vida…

Nossos paradigmas estão por força destes controladores eliminando dores fanáticas, paulatinamente, sendo alterados. A chegada deste blockchain a estes empreendedores, será da maior importância pois que eliminando intermediários aí sim, se criará uma verdadeira economia de compartilhamento sem os megas sabichões de SALGADOS E COMPANHIA que nos levam os pecúlios em falsos investimentos. Também ando a tentar fanatizar-me com esse tal de dinheiro virtual mas, ele, o dinheiro, está a ficar caro e escasso…

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Isso! O dinheiro invisível; para que não seja necessário manuseá-lo atascado de vírus e fungos que as notas-porcas, nojentas, transferem para mim, para todos, sem que se dê conta! Quero assim saber tudo sobre os bitcoins para não andar vai-não-vai, com a garganta, os olhos, os ouvidos e a pele numa irritante coceira. Ele, são vírus, bactérias e fungos nas estirpes mais medonhas. De mão-em-mão transportam a gripe, a enxaqueca, a rinite, as pintalgadelas carunchosas e as unhas encortiçadas com fungos dinossáuricos emporcalhados.

Usar dinheiro papel-moeda é a coisa mais nojenta que temos. É tempo de passarmos a outras vias de não lidar com a máquina da doença deste papel nauseabundo que nos leva aos tempos carunchosos e medievais. Estou farto de alimentar esta indústria da doença com impinges, flor-do-congo, o lupo, as bitacaias e minhocas perniciosas, a filária, os bichos barrizinhos brancos que penetram na vida trazendo a caspa e a morte! Agora, efectivamente pretendo enveredar pelo anti-calote, antidoto à praga de ladrões; usar nova ampulheta do tempo que a todos regule com estes tais de bitcoins.

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Quero assim, distinguir-me desta vidinha de vulgaridade, olhar com quantus a fantástica evolução para manipular as saudáveis regras da vida. Deixar de tossir malezas novas como o ébola, a catinga do deus-me-livre e o câncer, coisa ruim. Por circunstâncias que nem os governos querem controlar, é tempo de extinguir este velho e nojento estilo de vida sem dinheiro de passa-pulga com cacarejar ea galinha… Este estado do mais-ou-menos - juro que já não me agrada!

**Bitcoin é uma criptomoeda descentralizada, constituindo um sistema económico alternativo. Inicialmente apresentada em 2008 na lista de discussão The Cryptography Mailing por um programador ou grupo... (Wikipédia) - É considerada a primeira moeda digital mundial descentralizada, e responsável pelo ressurgimento do sistema bancário livre. Permite transacções financeiras sem intermediários, mas verificadas por todos usuários (nodos) da rede, que são gravadas em um banco de dados distribuídos, chamado de blockchain. Ando a consultar a “teoria da incerteza” para me meter a fundo neste BLOCKCHAIN…

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:17
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Sábado, 23 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CXC

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXVII

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS” – CAMPANHA ELEITURAL CONFLITUOSA…

Crónica 320822.10.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam…      

Por: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

1 ::::: No Gabão, em Libreville, Jonas Savimbi, Líder da UNITA, União Nacional para a Independência Total de Angola, José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola e Omar Bongo Ondimba reuniram-se dando as mãos e segundo o jornalista Carlos Albuquerque que fez a cobertura. A Savimbi foi-lhe proposta o lugar de Vice-Presidente e após este ter aceitado informalmente, a nomenclatura do MPLA, de imediato afirmou que haveria dois vice-presidentes: Um indicado pelo MPLA e ele, Savimbi que ficaria em segunda linha na hierarquia…. Só lhe restava recusar! O MPLA, sempre foi assim; inventam coisas tão diabólicas que nem lembram ao diabo…

Na óptica das probabilidades, haverá aqui uma situação incrível, pois que Savimbi poderia ter sido o primeiro Presidente de Angola eleito. Se ele tivesse aceitado, a realização da segunda volta das presidenciais, em 1992, nada nos garante que não tivesse ganho, ou mesmo, perdendo, nada nos diz que numa nova votação, saísse vencedor mas sempre o seria, uma perigosa suposição…

2 ::::: Estando a dias do termo da campanha eleitoral, a Conferência Episcopal Angolana, difunde uma mensagem intitulada “As portas da II República “. Nela, os bispos sublinham que “a Igreja não tem de apresentar nenhum candidato”, exortando ao voto consciente: “ Não devem merecer a preferência dos cristãos os que violam os direitos humanos e os que dilapidam os bens públicos, seja por que via for”. A UNITA entende que a mensagem é tendencialmente favorável ao governo do MPLA.

Ao mesmo tempo da intervenção do bispos na política, a UNITA dirige insultuosos ataques à representante das Nações Unidas Margaret Anstee, acusando-a de “estar comprada pelo MPLA, com diamantes e mercúrio”. As mulheres de Luanda, com blusas da OMA, saem à rua em defesa dos bispos e da própria Anstee. Numa grande manifestação, exigem “ a consciência democrática e perdão sem violência”, para que seus filhos cresçam numa Angola nova, sem luto, dor e lágrimas”.  

3 ::::: Passados já uns cinco anos dos recontros da Batalha do Cuíto Cuanavale o é dado a conhecer pelo toxicologista criminal belga Dr. Aubin Heyndrickx, o uso de gases na guerra. Ele, estudou supostas evidências, incluindo amostras de "kits de identificação" de gás de guerra encontrados após a batalha em Cuito Cuanavale, alegando que "não há mais dúvida de que os cubanos estavam usando gases nervosos contra as tropa Jonas Savimbi" - As tropas cubanas foram neste então acusadas formalmente de terem usado gás nervoso contra as tropas da UNITA durante a guerra civil.

O envenenamento por aquele agente nervoso leva a contracção de pupilas, salivação profusa, convulsões e micção e defecação involuntária, sendo que os primeiros sintomas aparecem segundos após a exposição. A morte por asfixia ou parada cardíaca pode ocorrer em minutos devido à perda do controle do corpo sobre os músculos respiratórios e outros. Os agentes nervosos também podem ser absorvidos através da pele, exigindo que aqueles que provavelmente sejam submetidos a tais agentes usem uma vestimenta completa, além de um respirador. Os agentes nervosos são geralmente líquido insípidos de coloração que varia entre o incolor e o âmbar e podem evaporar para um gás. Os agentes sarin e VX são inodoros; o tabun tem um odor ligeiramente frutado e o soman tem um leve odor de cânfora.

4 ::::: Na década após 1990 as mudanças políticas no exterior e vitórias militares em casa permitiram ao governo fazer a transição de um Estado nominalmente comunista para um Estado tendencialmente democrático. A declaração de independência da Namíbia a 21 de Março de 1990, eliminou a ameaça ao MPLA da África do Sul, quando a SADF se retirou de lá. O MPLA aboliu o sistema de partido único e rejeitou o marxismo-leninismo no terceiro Congresso do MPLA em dezembro, mudando formalmente o nome do partido de MPLA-PT para MPLA.

Com sua riqueza em petróleo e diamantes, Angola é como uma grande carcaça inchada com os abutres girando no alto. Os antigos aliados de Savimbi estão mudando de lado, atraídos pelo aroma da moeda forte". Savimbi também expurgou alguns dos membros da UNITA, que ele pode ter visto como ameaças à sua liderança ou como questionadores de seu curso estratégico. Entre os mortos no expurgo estavam Tito Chingunji e sua família em 1991. Savimbi negou seu envolvimento no assassinato de Chingunji e culpou os dissidentes da UNITA.

5 ::::: Um observador oficial escreveu que nas primeiras eleições em Angola, havia pouca supervisão da ONU, que 500 mil eleitores da UNITA foram desprivilegiados e que havia 100 assembleias de voto clandestinas. Savimbi enviou Jeremias Chitunda, vice-presidente da UNITA, a Luanda para negociar os termos do segundo turno. O processo eleitoral fracassou em 31 de Outubro, quando tropas do governo em Luanda atacaram os camados de rebeldes. Os sucessos militares do governo em 1994 forçaram a UNITA a negociar pela paz. Em Novembro de 1994, o governo havia assumido o controle de 60% do país.

6 ::::: Savimbi chamou a situação de "crise mais profunda" da UNITA desde a sua criação. Estima-se que talvez 120 mil pessoas tenham sido mortas nos primeiros dezoito meses após a eleição de 1992, quase metade do número de baixas dos dezasseis anos anteriores de guerra. Ambos os lados do conflito continuaram a cometer violações generalizadas e sistemáticas das leis de guerra, sendo que a UNITA, em particular, foi culpada de bombardeios indiscriminados de cidades sitiadas, o que resultou em um grande número de mortos civis. As forças do governo do MPLA usaram o poder aéreo de maneira indiscriminada, resultando também em várias mortes de civis…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:27
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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021
MULUNGU LXV

TEMPOS CUSPILHADOS

Crónica 3207 21.10.2021 - *MILAGRE DO VENTRE - NOSSO GENES*

Por: T'Chingange. No AlGharb do M´Puto

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Com todo seu conhecimento científico, a SOCIEDADE moderna não pode explicar a origem da vida de modo satisfatório. Nos últimos anos, a ciência avançou muito, e foram feitas várias descobertas sobre os genes, o ADN, os hormônios e o desenvolvimento do embrião...

Mas a explicação sobre como os seres vivos passaram a existir ainda é um mistério. Porém, existe algo ainda mais misterioso para o ser humano: o nascimento do Filho de Deus.

:::::2

Ele, resolveu deixar Seu trono eterno e unir-se à raça humana, com a intrigante questão da maneira como ocorreu essa união. Isso constitui o milagre biológico do nascimento de Cristo, maior do que qualquer milagre que tenha realizado neste início da era moderna.

Seu ministério foi escrito mas os homens sempre quiseram saber tal como a dúvida de quem primeiro veio ao mundo, se o ovo ou a galinha...

:::::3

A explicação mais elucidativa da Escritura sobre o milagre do nascimento divino está no relato do médico Lucas, ao citar as palavras do anjo que anunciou as boas-novas a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o Ente santo que há-de nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1:35).

Muito boa gente manda palpites, descrente e querendo ter explicação para tudo e, nosso mistério de vida dura enquanto dura - muito pouco nesta imensidão galáctica que nos força a aceitar que nem um grão, na desconhecida grandiosidade da vida.

:::::4

Sou como sou e, a todo o momento posso deixar de o ser. Todos estamos embalados nesta singularidade e, nunca encontraremos explicações no conjunto de palavras por muito elaboradas e reboladas como se o fossemos uns calhaus que no tempo ficarão muito arredondados no rio da vida, assim chova...

Há uma analogia com esse milagre que, se não o explica, pelo menos o torna mais significativo. É o novo nascimento. Essa obra que também é realizada pelo Espírito Santo. Em ambos os casos, esse Espírito Santo “envolve-nos” por impregnação.

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A mesma palavra feita MALAMBA é usada em relação à nuvem que envolveu o pequeno grupo no monte da transfiguração quando o Espírito Santo Se apodera completamente de um pecador, regenerando-o com um novo nascimento.

E, o pecador renascerá participando na natureza divina. Há uma diferença entre os dois nascimentos: a nova e divina natureza ocorre no sentido espiritual. Quando Cristo nasceu, Ele Se tornou um de nós no sentido pleno.

:::::6

Ele assumiu a forma humana por toda a eternidade. Se calhar, já muito farto em suportar as gentes desta nossa terra, aos 33 anos quis ir para junto do Pai. Sendo Ele um "irmão consanguíneo da Humanidade", torna-nos maravilhosos? Diante de tanto amor, a atitude mais acertada para nós hoje, é colocarmo-nos inteiramente em suas mãos...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:34
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021
MULUNGU . LXIV

TEMPOS CUSPILHADAS – (21.01.2018) – 20.10.2021

Cronica 3206O Espírito da China! Eles já chegaram …

Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco na língua Xhosa

Por: T´Chingange . No AlGharb do M´Puto

:::::1

Até há bem poucos anos atrás, o ocidente fechou as portas à possibilidade de compreender a China. Hoje, buscam formas de se entender diplomaticamente com estes, permitindo-lhes a entrada em seus territórios com obtenção de benesses e isenções em sua actividade comercial – vistos GOLD e outros edecéteras. Tome-se em conta que o peso de impostos que os demais cidadãos nacionais são obrigados a pagar, é bem menos vantajoso do que o oferecido a estes empresários vindos do outro lado do mundo.

Deduzir-se assim que os donos disto tudo, só o serão com os países de capital que nos compram divida. Um dia o futuro chega e quase sem se saber, as instituições que eram estatais formam-se de um conjunto de accionistas sem rosto e, dum qualquer país. Se neste futuro vamos ter de ficar entregues a um dragão, teremos de saber um pouco que seja, do que não nos une e divide!

:::::2

Se dali vieram há muitos anos atrás com o chá, a seda e o arroz, não será mau antevermos os significados de sua cultura, mitos e realidades. Como se pode ir a Setúbal sem se saber quem foi Bocage ou, ir a Inglaterra sem se saber quem foi Shakespeare? Pois corria o ano 220 da nossa era quando os Qin unificaram aqueles territórios para e, a partir daí a China passar-se a chamar de China.

E, foi Qin como primeiro imperador que colocou milhares de guerreiros feitos em barro e em tamanho natural para guardar sua sepultura. Marco Paulo, o primeiro ocidental a visitar estas terras longínquas curiosamente não referiu a existência destes milhares de guerreiros, nem tampouco referiu a muralha da China que pode ser vista da lua.

:::::3

Bem! A grande muralha da China é o símbolo da identidade da China mas, tudo é devida à sobrevalorização que os viajantes ocidentais dela fizeram; se em tempos foi útil para defesa tornou-se no tempo uma inutilidade, coisa supérflua. Este símbolo foi transformado em parque temático pois que à semelhança do Coliseu de Roma, estes mascaram-se aqui de falsos guerreiros armados com lanças de pau e escudos de cartão.

Criam atmosferas de uma Disneylândia onde em vez do Rato Mickey se pode encontrar o tal de Qin, primeiro imperador a vender camisolas e cuecas com estampas dele mesmo; tudo gerido por uma sociedade cotada na bolsa de Hong Kong. Não me convidem para ir à china ver um velho homem já careca com nome de Mao Tzé, uma barriga de melancia transportando a gaiola dum passarinho para apanhar ar e vir de lá uma bicicleta desenfreada e, atropelar-me.

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Parece que por lá nos sinais dos semáforos o verde é para parar e o vermelho para avançar! Ninguém se entende na balburdia porque o vermelho é a cor da revolução. Cozinham na rua, um beco cheio de gente que tosse e cospe e ali ao ar livre acendem o fogareiro, colocam-lhe carvão aonde estiram uma cobra despida ainda a rabiar! Deus-me-livre! Mas hoje, Pequim, a capital que foi criada por decreto imperial em 1404 por Yung Lo da dinastia Ming é uma cidade cheia de arranha-céus; alguns destes edifícios terão lá no alto do cubo de vidro ou concreto a fazer de tecto, um chapéu pagode.

Acabaram com os espaços interiores tipo pátios ao jeito da Andaluzia aqui do sul de Espanha; com o tempo os muros altos com aldrabas lacadas a vermelho para impedir os espíritos malignos de ali entrar estão sendo derrubados. Por livre iniciativa a Europa deu autorização a importarem de lá estes espíritos para e, com tempo compreendermos a China… Estamos feitos ao DRAGÃO…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:19
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXIX

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXVI

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS”CAMPANHA ELEITURAL CONFLITUOSA…

Crónica 320517.10.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam…                                                                                                                                        

Por: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

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Os chamados “três dias das bruxas” são referentes aos sequentes dias a 30 de Setembro de 1992, imediatamente após se saberem os resultados “fraudulentos” das eleições; estes eventos de matança aos homens da UNITA ocorreram até 1 de Novembro, já aqui descritos na parte XXIV desta “Angola da libertação”. Teria de haver uma segunda volta para as presidenciais para saber-se qual o verdadeiro vencedor e, segundo a óptica governamental com aconchavos internacionais, mas esta volta nunca se chegaria a realizar …     

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Em Setembro de 1992, três meses após a visita do Papa João Paulo II, no Huambo mais de uma centena de homens da UNITA fortemente armados “estacionam” frente à casa de Savimbi. A CCPM (Comissão Conjunta Político-Militar), interfere. A UNITA virá a dizer que são homens “da segurança pessoal de Savimbi”, mas a CMVF (Comissão Mista de Verificação e Fiscalização do Cessar-fogo), apura que o contingente e respectivo material bélico, havia entrado na cidade sem conhecimento da UNAVEM.

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Neste meio tempo, Luanda (e todo o país) estava pejada de um dispositivo policial desmesurado, como se tratasse de um estado de sítio - coisa a que os luandenses já não estavam habituados depois da guerra civil - dadas as preocupações com o acto eleitoral dos dias 29 e 30 de Setembro, para que tudo corresse bem. E correu. Correu muito bem, dada a afluência às urnas ter ultrapassado os 70% só no primeiro dia. O povo queria a paz e acreditava que a poderia conseguir pelo voto. Mas Angola, não era só Luanda.

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Os votos foram contados, mas a UNITA não concordando, exigiram a recontagem, pois os primeiros resultados deixavam de fora a possibilidade de uma segunda volta das presidenciais a Savimbi. Os acontecimentos precipitaram-se e Savimbi teve de fugir de novo para o Huambo levando atrás de si uns esperançosos 40% nas eleições com os dados viciados, segundo a UNITA. Lendo o Expresso do M´Puto: Savimbi ficou à espera por um curto tempo no Huambo e mais tarde, no seu refúgio da Jamba. Savimbi aguardava agora a marcação da segunda volta, que o levaria ao cume das suas aspirações.

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No terreno, à medida que decorria a campanha eleitoral, tropas da UNITA tomam posições no Centro/Sul de Angola, expulsando o MPLA de vários municípios. No Norte, em Caxito, soldados da UNITA envolvem-se com a polícia; em Benguela, a UNITA ataca uma caravana do Fórum Democrático de Angolano, ambos os incidentes causaram dezenas de feridos na população civil. No caso de benguela, a UNAVEM concluiu que “houve provocação por parte dos dissidentes e uma reacção exagerada por parte da UNITA”. Em Luanda a FNLA condena veementemente a agressão sofrida por Baptista Fula, seu membro, brutalmente agredido por militares e militantes da UNITA.

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Claro que sempre se verificou por parte das instâncias internacionais um certo acomodamento às visões do comportamento dos elementos afectos ao MPLA, o lado “governamental” por estes terem os donos da opinião com sua máquina da informação lubrificada de seu lado, dizendo o que mais lhe interessava; prosseguindo uma logística concertada de denegrir sempre a UNITA. Os posteriores conhecimentos dos factos vieram a confirmar em como a permanente contra-informação e métodos dissuasores das instituições e polícias de inteligência treinadas por peritos oriundos da cortina comunista.

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Por via das eventuais mudanças políticas faz-se revisão da lei constitucional - Lei Nº 23/92 de 16 de Setembro, alterando a de Março de 1991, destinando-se principalmente à criação das premissas constitucionais necessárias à implantação duma democracia pluripartidária. Um cumprimento referido quando da assinatura a 31 de Maio de 1991 nos Acordos de Paz para Angola. É desta feita, a primeira vez na história do país, que levam à realização às eleições gerais multipartidárias assentes no sufrágio universal directo e secreto.

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O maior incidente da campanha eleitoral foi a captura, pela UNITA, de onze elementos da guarda pessoal de Eduardo Dos Santos. Savimbi justificaria que o comportamento de seus homens lhe foi “tardiamente comunicado”. Ainda em Setembro, chega a Lisboa uma queixa informal da UNITA, sobre o envolvimento de uma empresa portuguesa de distribuição alimentar, sediada no Porto, presumivelmente envolvida no fornecimento de material de guerra à Polícia anti-motim angolana - os 30 mil “NINJAS” do MPLA (assim foram chamados), treinados pelos espanhóis.

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Não houve grande desenvolvimento sobre o caso, assim como quase nada foi explicado, acerca do cargueiro “Cecil Lulo”, tripulado por dinamarqueses e filipinos, ostentando pavilhão das Bahamas e operado pela empresa dinamarquesa J. Pulsen, localizada no porto de Ponta Delgada nos Açores. O mesmo tinha um carregamento de armas, segundo se consta embarcadas numa base militar dos EUA – Estados Unidos da América e, com destino a Angola. Tudo que é descortinado no tempo, o é, de uma forma que surpreende, como tudo acontece numa altura tão crucial na tão desejada PAZ…

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A guerra de 27 anos pode ser dividida aproximadamente em três períodos de grandes combates - de 1975 a 1991, 1992 a 1994 e 1998 a 2002 - com períodos de paz frágeis. Quando o MPLA alcançou a vitória em 2002, mais de 500 mil pessoas morreram e mais de um milhão foram deslocadas internamente. A guerra devastou as infra-estruturas de Angola e danificou gravemente a administração pública, a economia e as instituições religiosas do país. Esta guerra terá de o ser, considerado um conflito por procuração da Guerra Fria, já que a União Soviética e os Estados Unidos, com seus respectivos aliados, prestaram assistência às facções em luta.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:12
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2021
A CHUVA E O BOM ATEMPO . CXXI

A ADIÁFA DOS MOIRÕES E SALAZAR - II

ENTRE 1975 E 2021 – DO PREC AO PRR

Crónica 3205 de 10.10. 2021

Por: T`Chingange em Cantanhede do M´Puto

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O tempo passou e, num dia seguinte, fui buscar os meus filhos ao Alentejo a fim de regressarmos às charnecas do Ribatejo; bem pela manhã ao sair para o quintal deparei com o meu concunhado Cailogo de caçadeira aos ombros agitando-se com os demais camaradas em empolgados esquemas de caça. Fui ficando por ali curioso; seria uma caçada à raposa, perdizes ou coelhos mas, apercebi-me bem rápido que não era nada disto. Era o chamado PREC – Processo de Revolução em Curso…

Iam caçar fascistas nos montes vizinhos de Escanchados, Daroeira, Buena Madre e Pardieiro entre outros montes e mesetas daquela estepe; fiquei aturdido com esta pseudo milícia interrogando-me do que poderiam ir fazer em prol duma mudança. Estamos em 2021, com pouco mais de dez milhões de Portugueses e o estado continua sugado por políticos que usam a falácia para nos entorpecer, mesmo sem haver esse tal de PREC. Sempre haverá um plano novo para dar directivas ao leque de ousadias assim se chame um PRR - Plano de Recuperação e Resiliência…

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As conquistas do povo pelo PREC foram direitinhas para o galheiro; as chapadas de trigo, nos lameiros, os montes estão desventradas, sem telhado, ruínas a gritar desespero aos vindouros. Afinal, de nada valeu aquela caça aos fascistas da qual o meu concunhado Cailogo fez parte. Ainda hoje me arrepio de tal façanha.

Acabei por abalar também para um lugar distante chamado de Venezuela. Foram cinco anos perdidos no tempo da minha aposentação mas, ganhei minha independência. Recentemente, de espanto em espanto, fiquei sabendo que minha suposta Catarina Eufémia de Panoias e de nome Maria, tinha ido a Fátima, ela que em tempos andava barafustando politiquice por nada e coisa nenhuma. Sendo pessoa de família não a posso expor de forma declarada para que minhas vicissitudes não fiquem abaladas…

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Militante dos sete costados e meio e com um crachá da Catarina Eufémia na lapela, Maria, vociferava as injustiças de Salazar e, todos aqueles latifundiários que de pançudos, chispavam untosas banhas desde os calcanhares até às luzidias testas transpiradas de suores – tudo à custa do povo, dizia ela para quem queria ouvir numa língua que só Nosso Senhor perdoaria, valha-me Deus… Uma genuína comunista, digam lá o que disserem!

Ela, minha familiar também colateral, tinha andado desde tenra idade com os moirões a fazer campanhas do trigo, coisas antigas da política de Salazar e, lá saía bem cedo em rancho empoleiradas com muitas mais em tractores que as levavam até aqueles montes. Por vezes juntavam-se a elas galegos morcões vindos do norte de Portugal Era trigo, cevada e outros cereais cortados com a foice ao mesmo jeito da tal Catarina Eufémia morta pela GNR a 19 de Maio de 1954, teria ela uns 15 anos.

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Eufémia supostamente, liderava um grupo de catorze ceifeiras, que exigiam um aumento de salário de dois escudos por jorna. Quando os trabalhadores procuraram encontrar-se com o proprietário, este alertou a Guarda Nacional Republicana, que depressa ali chegou. A partir de certo momento Catarina Eufémia terá caído após ter sido agredida por um agente e, quando se levanta foram disparados três tiros, atingindo-a mortalmente.

As autoridades dizem que esses disparos foram acidentais, procedimento muito comum que ainda o é na defesa da tal ética e a bem da nação. Na altura do seu falecimento, Catarina Eufémia tinha apenas 26 anos. Ora sucede que nestes dias que correm ouvi da própria minha familiar colateral revolucionária, que Salazar era uma óptima pessoa!

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O queixo caiu-me espalhando-me as dentaduras no lamacento chão das surpresas; como é!? Pouco refeito e cambaleando na minha patafúrdia assombração, lá disse o que disse, depois de tantos anos com a língua agarrada aos dentes: que Salazar era uma jóia de pessoa!

Pois bem a coisa decifra-se assim: Em 1961, já casada e com dois filhos, seu marido foi chamado ao serviço militar. Ele, Cailogo foi prá guerra aonde aprendeu a conduzir unimogues, jeeps e berlietes do tramagal. Vai daí Assunção, a Maria da minha estória, sua esposa, escreve a Salazar contando da dificuldade em manter sua família com seu marido incorporado na tropa, solicitando por isso um subsidio para aguentar o tranco da vida!

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Surpresa das surpresas: o subsídio chegou durando todo o tempo da vigência de seu marido na tropa, o encartado em ligeiros e pesados e conduzindo chefes militares do guincho para Peniche ou de Lisboa para Tancos. Pois depois de tudo o contado repus minha esquelética dentária no lugar devido, depois de tando desafora em ouvir diabruras contra os fascistas e latifundiários e nem sei mais o quê! Afinal Salazar, não era assim tão unhas-de-fome. Por aqui me fico com alvissaras, porque a verdade sempre vem ao de cima, como o azeite…

O Soba Chingange       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:22
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2021
A CHUVA E O BOM ATEMPO . CXX

A ADIÁFA DOS MOIRÕES E SALAZAR - I

ENTRE 1914 E 1945 E O AGORA 2021

Crónica 3203 de 10.10. 2021 - Em Cantanede do M´Puto

Por: T´Chingange

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Naqueles idos tempos, enquanto o estado confiscava bens à igreja, fidalgos ou aristocratas feitos políticos, sacrificavam imbecilmente os jovens mandando-os para morrer como tordos nas trincheiras da guerra. Do corpo expedicionário enviado para Flandres de França poucos regressaram e os que voltaram vinham de pulmões afectados pelas gazes ali utilizados. Nesse então, a 1ª República Portuguesa era composta por deputados que faziam absurdos e floreados discursos no parlamento sem sequência na realidade do dia-a-dia. Hoje, estamos quase iguais…

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Eram uns pavões que vendiam petulância nos cafés do Chiado; era ver qual deles tinha mais protagonismo na pópia faroleira do Rossio ou no Café da Arcádia. Neste aspecto, Portugal viveu sempre em crise, (e continua a enfermar desses resquícios) envolto em devaneios de gente acomodada à política de faz-de-conta, devaneios de gente que sempre se sentem insubstituíveis.

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Naquele então, senhores latifundiários, donos de muitos hectares, muito gado, muitos chaparros pavoneavam política em Lisboa enquanto seus ganhões ou moirões lhe garantiam os bolsos cheios. Lá na província, na lezíria, ou seara alentejana, no cortical, olival, nas chapadas de trigo, nas lameiras, enquanto nas courelas havia a míngua – nesse então, ainda não se falava na palavra resiliência…

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Enquanto isso decorria, a Angola distante aonde eu me encontrava, estava quase ao abandono. Estamos em 2021 com dez milhões de Portugueses e o estado ainda vive à míngua sugado por corruptos e corruptores. As conquistas do povo foram direitinhas para a nova casta de políticos que dividem o bolo por quotas, tanto para ti, tanto para mim e, estamos de novo naquela merda desses idos anos; o povo fugindo para o resto da Europa, lugares para onde ninguém pensava ir depois dum 25 de Abril de 1975.

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Será a sina do Portuga, andar pelo mundo subsistindo à tal de resiliência enquanto eleitos, maioritariamente incompetentes singram com grandes salários nas administrações? Gente que assim repartidas pelo Arco-íris político nos torcem e retorcem com impostos com mais taxas em cima de outras já taxadas. Toda a banda larga será inútil se esta gente de mente continuar na festa desta dita democracia.

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Não é normal meter-me nestas citações mas que ando revoltado lá isso ando! Revendo o panorama do após guerra por incapacidade de gestão, Angola após o Abril de 1975 ficou abandonada à sua sorte até que algures no início da Estrada de Catete em Luanda, deram o grito do “tundamunjila” festejando a independência com rajadas de kalashnikov.

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A República Portuguesa tinha sido tomada por panhares com militares empoleirados em sua carcaça agitando cravos na ponta das armas. Surgiram uns oficiais barbudos cheios de hormonas de aviário fazendo alarde duma valentia inexistente, em floreados discursos. Elaboraram regras dum criado MFA, Movimento das Forças armadas que logo desrespeitaram.

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Eles eram os donos da guerra, da opinião, e o povo levantava os punhos em aprovação de suas decisões democráticas – assisti a isto como destacado na Câmara Municipal de Torres Novas; o povo é quem mais ordena e, todos se olhavam entre si ao levantar o braço em reuniões magnas. E, havia por semana uma ou duas destas reuniões; entretanto o Sindicato dos Trabalhadores das Autarquias, por nada nos queriam lá. Passei por isto na fase de Vasco Gonçalves, vendo-o só esbracejar depois de lhe tirar o som da TV.

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O medo era farejado pela astúcia duns quantos autopromovidos a pavões. Guedelhudos que fingiam ser os Che Guevara duma Sierra Maestra, vendendo seu imaginário a custo zero. Desde esse tempo, Portugal viveu sempre em crise, (e continua a enfermar desses resquícios) envolto em devaneios de gente acomodada à política de faz-de-conta, com gente que teima em se sentir insubstituível.

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Em Angola, os ditos Movimentos, digladiavam-se pelo poder morrendo como tordos numa guerra a céu aberto. Recém-chegado a Portugal, com um bilhete de vinda sem regresso, ano de 1975, deram a mim e aos meus, 500 escudos por adulto. Com uma senha de viagem fornecida pelo IARN, Instituto de Apoio a Retornados levei meus dois filhos até o Alentejo. Na Funcheira tinha o meu concunhado Cailogo a receber-me e, lá fomos para a Panoias. Meus filhos ficariam aqui até que em terras do norte orientasse a vida em casa de outros familiares brancos de cor e nome...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:35
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Terça-feira, 5 de Outubro de 2021
JINDUNGO. VIII

VERSÃO NOVA - *O TER-SE VANTAGEM EM TUDO*

Crónica 3200 - 01.10.2021

Por: T'Chingange, no Ribatejo do M'Puto

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Existe por aí uma filosofia não declarada de que “o mundo é dos espertos”. Esta frase sugere que passar os outros para trás é um grande negócio. Em Potugal (M'Puto), no Brasil, Angola e outros países dos PALOP's, as leis que regem o comportamento de gente no mando governamental, bancos e outras instituições públicas ou afins, no activo ou saídos delas, são desrespeitadas de tal forma que, somos obrigados a pensar estar a desonestidade no ADN de muitos. Claro que estou a rever o assunto do ex-banqueiro Rendeiro que “deu-à-sola” fugindo ao fisco e à justiça “abalroando” regras que se pensavam serem firmes para todos.

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Nos procedimentos de políticos e, gente supostamente de colarinho branco, esses verbos de mentir, furtar e roubar, são procedimentos comezinhos. Assim, esse mandamento de "não se enganem uns aos outros", é de pura ficção. Afinal, um camelo pode mesmo fugir pelo cu de uma agulha! Fugir com o rabo à seringa como Vitalino, evitando responsabilidades ou ficar com o rabo entre as pernas como Pinho, sem bazarem na forma invisível, tipo Sarmento… Enfim! Uma coisa de mandar o cumbú para paraísos fiscais a que, neste caso, deram o nome de “Pandora Papers”- Pandora, uma tal de caixinha de surpresas e também o nome de minha cadela quando eu era candengue…

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O “JEITINHO ” brasileiro, português ou angolano, torna-se assim, progressivamente num expediente criativo para forjar regras próprias com taxas, taxinhas e outros edecéteras que sempre se carregam em nosso lombo... Em geral, quem consegue levar alguma vantagem, se sente o máximo. Lamentável, noé!?

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Flexibilizando ou quebrando normas que deveriam aplicar-se a todos, essa coisa negativa de truncar a visão certa, geralmente coloca em perigo relações pessoais, sublevando no poder a equidade do dever adaptando a regra a um caso específico, por forma a deixá-la mais justa...

Precisamos parar de furar fila, pedir um atestado médico indevido, baixar músicas pirateadas, dar por fora uns dinheiros para se fazer um jeito, etc. Esta lista é quase infindável. Bem! Os velhos padrões de comportamento, tudo o indica, devem ter ficado lá no passado…

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A melhor coisa a fazer é viver pela fé, com lucros ou percas. Não adianta tentar colocar uma pedra em cima do pecado; se o que nos move é tirar proveito das situações e das pessoas, isso não passará despercebido. Cedo ou tarde, sempre haverá um observador mais atento...  Agora é o Rendeiro, o Canas e o Pinho mas tudo indica que amanhã aparecerão outros mecatrefes. Alguns até nos espantarão ficando com a boca aberta que nem chaminé de navio feito vapor transatlântico como o meu Niassa…  

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Você já percebeu que a vida depende de decisões, noé?! Bem; embora por vezes, sejamos prejudicados por sermos demasiado complacentes com a astúcia alheia ou, não denunciarmos as fraudes por forma a nos ilibarmos desse conhecimento. Desta feita, e bem, umas centenas de bons jornalistas de vários países resolveram colocar o dedo na ferida…

Desde que amanhece até quando anoitece, é uma decisão atrás da outra em cada novo dia. Algumas são comuns, e você pode se dar ao luxo de até errar, por exemplo na cor da roupa, no uso da gravata ou que meio de transporte usar, uma coisa menor. Mas, nos grandes desfalques, nessas arapucas digitais sem tocaias, se falhar, as consequências podem ser terríveis. E, é bom que assim o seja, noé! Justiça - faz falta, noé!?

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:55
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXVII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIV

”OS DIAS DAS BRUXAS” – CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 3198 – 28.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

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Logo no dia a seguir à partida do Papa João Paulo II de Angola a 10 de Junho de 1992, MPLA e UNITA envolvem-se em violento combate verbal, só apaziguado com a interferência de Herman Cohen. No segundo dia da campanha eleitoral, soldados da UNITA atacam o governo provincial de Kuito. Os governamentais reagem. O incidente salda-se em 20 militares e 10 civis mortos. No mesmo dia, no Huambo, numa emboscada à caravana automóvel de Kundy Paihama, director de campanha do MPLA, falece o secretário provincial da juventude do MPLA e cinco pessoas ficam feridas com gravidade.

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Estes acontecimentos, motivam um comunicado dos observadores internacionais e membros da missão das Nações Unidas UNAVEM II, condenando a atitude do MPLA e da UNITA -Convém esclarecer que a UNAVEM I, fiscalizou a retirada das tropas expedicionárias cubanas. A 8 de Setembro de 1992, Eduardo dos Santos e Savimbi acordam no princípio da criação de um governo de unidade nacional, independentemente do resultado das eleições. Comprometem-se na extinção dos seus exércitos, antes do escrutínio. Dez dias depois aquele comprometimento, avisado pela sua representante em Angola, Margaret Anstee, Butros-Ghali envia um relatório ao Conselho de Segurança da ONU, denunciando que apenas 41% das forças armadas do governo da UNITA tinham sido desmobilizadas e apenas 19% das forças armadas unificadas tinham sido constituídas.

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O mesmo documento sublinha que o ritmo da desmobilização foi mais rápido do lado das forças governamentais – 54.747 soldados, correspondentes a 45%, contra 7.257 soldados da UNITA, correspondendo a 24%. Toda esta movimentação de vontades fica conspurcada pela má-fé de ambas as partes que não confiam em suas próprias sombras pois que sempre vem ao de cima mais de 10.000 mortes de partidários da UNITA e da FNLA que foram assassinados pelas forças do MPLA, principalmente dos grupos étnicos ovimbundos e bacongos.

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Os “3 DIAS DAS BRUXAS” sempre é relembrado com as mortes de muitos membros proeminentes da UNITA como Jeremias Chitunda, Elias Salupeto Pena e Aliceres Mango, entre muitos outros. Dia 30 de Outubro de 2021, completam-se 29 anos sobre o massacre iniciado a 30 de Outubro de 1992 na capital angolana, Luanda. Recorde-se: De 29 e 30 de Setembro de 1992 diz Filomena Lopes líder do Bloco Democrático, partido da oposição angolana: “foram naturalmente três dias horríveis", data em que se interrompeu o processo de paz em Angola. Fui apanhada de surpresa, sobretudo numa altura em que se tentava encontrar soluções políticas para o problema.

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Filomena diz: - “Matava-se tudo. Matavam-se todos os que tivessem alguma ligação com a oposição. ”Milhares de apoiantes e até dirigentes da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA) são assassinados em Luanda e em outras localidades do país. Também há vítimas da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). “É a primeira vez, na história da guerra civil angolana, que políticos morrem em combate”, escreve o jornalista Emídio Fernando no livro Jonas Savimbi, “No Lado errado da História”.

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Até hoje - 2021, permanece por esclarecer quem ordenou o massacre. O número de vítimas também nunca foi confirmado, mas estima-se que tenham morrido entre 10 mil e 50 mil pessoas. Outros gráficos, baseadas em números da Igreja Católica, estimam que foram mortos de 25.000 a 40.000 partidários da UNITA e da FNLA. Números que Mário Pinto de Andrade, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), contesta: “Acho que, às vezes, a comunidade internacional empola. Houve uma manipulação desses resultados. Eventualmente fala-se das pessoas que morreram pela UNITA, mas também morreu muita gente pelo lado do governo. A UNITA quando ocupou o Uíge matou muita gente do MPLA e quando ocupou o Huambo, fez o mesmo.”

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Nem o candidato do MPLA, José Eduardo dos Santos, nem o seu adversário, Jonas Savimbi, da UNITA, conseguiram maioria absoluta nas presidenciais. Mas, a segunda volta nunca se realizou. A guerra civil reacendeu-se com o massacre e, prolongar-se-ia até quatro de Abril de 2002. O massacre dizimou muitos membros dos grupos étnicos Ovimbundu e Bakongo, historicamente tidos como adversários do MPLA. O jornalista e analista político Orlando Castro afirma que, nessa altura, o MPLA tentou “neutralizar todos os que pensavam de maneira diferente do regime”.

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“Foi uma nova tentativa de decapitar a UNITA. Orlando Castro conta: "Na história do MPLA, os massacres, ou as purgas, ou o que se lhe quiser chamar, são uma regra estratégica do regime, mesmo até para os próprios simpatizantes do MPLA”. Essa prática vem-se verificando até aos dias de hoje segundo muitas versões contadas aqui e ali, em livros ou crónicas nos jornais e redes sociais e, até por gente fugida ao sistema que sempre acusam o MPLA na utilização de venenos para eliminar parceiros ou amigos considerados insuspeitos. Quem lê o “Fórum de Liberdade” nas redes sociais de Fernando Vumby exilado na Alemanha, um antigo elemento da DISA - a polícia política do governo de Agostinho Neto, fica com os cabelos em pé.

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O tema ainda é tabu em Angola e desconhecido por muito jovens. Daí a importância de uma boa estratégia de reconciliação, desde que não se branqueie a verdade, defende Orlando Castro: “Estes massacres são os mais visíveis, quer o de 27 de Maio de 1977, quer o de 1992, são os mais visíveis pelo número de vítimas, mas o MPLA tem muitas outras histórias porque ao longo da guerra – embora a UNITA obviamente também tenha cometido grandes erros – o MPLA, até pelo poder militar que tinha, massacrou muita gente inocente.

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Os jovens não conhecem esta história. E, a paz e reconciliação em Angola nunca se conseguirão com base na mentira”. Mário Pinto de Andrade recorda: “ninguém pode negar a História, mas tem de se falar com realismo. Apesar de Angola ter um grande potencial em recursos hídricos, nem toda a gente tem acesso a água e energia no país. O governo angolano quer mudar isso e está também aberto a cooperar com Portugal; assim se falava a em Outubro de.2012; o que mudou mesmo foi  o ressurgir de novas formas de roubar ao erário publico destroçando paulatinamente a economia e levando o povo ao desemprego, sobrevivendo da forma triste em rebuscar nas lixeiras, caixotes de lixo e coisas nauseabundas que só abutres praticam…  

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:53
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Quinta-feira, 16 de Setembro de 2021
KAZUMBI . LXX

MOKANDA DA LUUA – KAPIANGO AIUÉ - Luanda do Mu Ukulu Era uma vez...

- Crónica 3194 – 16.09.2021  - Kinguilas, as fugitivas da Independência - IV de IV – Crónica esquecida na espera da fila bicha do malembelembe do KAPOSSOKA…

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Por soba k.jpgSoba T´Chingange no AlGharb do M´Puto

LUUA DOS VELHOS TEMPOS… A Baixa de Luanda, sem a Marginal não teria norte, já não tem o Porto Pesqueiro frente ao Banco Nacional, nem o Mercado Municipal. Mas ainda tem a Alfândega, a Marinha e a Polícia, convivendo com arranha-céus dignos de um Abu Dabi, com auto-saneamento e auto-energia, onde vivem ou trabalham exemplares da classe alta burocrática, despachando com tranquilidade os expedientes, porque aqui não há pressa para nada.

Para o interior, as ruínas dos armazéns do Minho, onde as senhoras brancas iam comprar tecidos e vestidos, um mundo que se extinguiu, só sobrou o Mabílio Albuquerque que vende “coisas”. A Baixa de Luanda é um extenso e intenso “musseque”, tudo está ocupado, parece que as poucas árvores poluem, cortam-se, ocupam lugares que podem ser rentabilizados pelos miúdos vindos do fim do mundo e que tomaram conta das ruas durante o dia, arrumando e lavando os carros, com “puxadas” de água gratuita da EPAL.

Rainha N'Zinga, a estátua, enorme, jaz à entrada da fortaleza, à espera que os arranha-céus do Kinaxixi, onde eu já vi uma grande lagoa com uma mafumeira e um majestático mercado de frescos verdadeiros, vindos das hortas da cintura de Luanda, sejam pagos, um dia, um dia, como os portugueses dizem, de “são nunca”.

kissan2.jpg Avenida Rainha N'Zinga, que podia ser uma metrópole, mas que em dias de enxurradas se transforma em rio lamacento, lançando água na Baía, rua da dança capoeira dos domingos à tarde, dos candongueiros para os “congolé”, das zungueiras em frente da Sé, que deixou se ser Sé, mas mantém a travessa, vendendo fruta, tamarindos, maçãs da índia, loengos, gajajas, caju, mangas, mulheres sem sorriso sentando no fio do muro ou na pedra para endurecer os interiores, fugindo, fugindo dos fiscais da Administração, submissas, a sua mente se organizou há muito, netas dos rusgados dos cipaios do chefe do posto Poeira.

As galerias Kibabo abriram onde era a antiga, luxuosa e branca Versalhes, agora também dirigidas por brancos, um mundo de compra e venda de tudo: plásticos baratos, pequenos empregos que mal dão para apanhar o candongueiro. Mas a actividade comercial atraiu também um enxame de rapazes sujos, de cabelos com trancinhas a ficar russas, que enfrentam tudo e todos os poderes para ficarem na porta, pedindo esmola para o pão ou para os pais ou para outras coisas.

kissan4.jpg Há muito, muito tempo, a Baixa era apropriação de uma parte da população branca. A população negra vinha dos bairros, a pé ou de autocarro, trabalhar nas fábricas, nas lojas e nas casas. Muita gente passava a correr pela pensão Fomentadora, no Kinaxixi, para comer uma grande sandes de peixe frito e uma grande caneca de café muito açucarado. Coisas Pré-Históricas.

No dia da Independência, no próprio dia, a Baixa transfigurou-se, parecia não existir, nem uma só alma nas ruas, sentia-se medo pela solidão, tinha sido o mundo dos brancos, que de repente foram embora.

Quem primeiro se apropriou nos novos tempos da Luanda africana foram os “regressados do Zaire”, invadiram tudo, criaram a venda parada no chão das ruas, não era raro encontrá-los na Mutamba, de manhã, em pijama, na rua. Todo o mundo queria sair dos bairros e viver na cidade do asfalto. Mas era um mundo estranho, não era do povo, era algo que se plantou ali, vindo de fora.

kissan6.jpg Ué... Que futuro? Sem transportes públicos, sem uma malha comercial digna desse nome, sem saneamento básico conhecido, com escassos minimercados, sem um mercado de frescos, nem sequer uma livraria digna desse nome, a Baixa, e sobretudo a sua parte central, a extensa avenida Rainha N'Zinga é a parente pobre da Marginal, reconstruída e embelezada pela Independência.

Aí coexistem as classes mais altas e as mais baixas, como dois mundos intocáveis. A degradação do entaipado prédio do antigo “Diário de Luanda” contraria os arranha-céus de vidro, que parecem redomas extraterrestres numa Luanda que precisa de ar, de vento, de céu. Nos becos, também há becos e contrabecos desaguando na Rainha, mil negócios silenciosos. A liamba instalou-se num trono de que não abdica, imperando nos lados dos degradados Coqueiros, outrora coqueluche dos brancos.

banco de angola1.jpg Há um plano director, dizem, mas tudo tem plano director em Angola, tudo tem “desiderato” e tudo vai acontecer “brevemente”. O futuro é, pois uma incógnita, como o “X” de uma equação simples, mas que se complica pela incompetência, pelo laxismo, pela corrupção transversal à sociedade. Por trás de um aparente modernismo, toda esta vasta zona, outrora “chique”, alberga centenas de milhares de pessoas em cada canto, casebres construídos dentro de outros casebres.

Já não há terminal de autocarros digno desse nome na Mutamba. O poder agora é dos candongueiros e dos “corolas”, pão e cerveja de muitos lares. Em plena Rainha N'Zinga, sim, funciona a “Mutamba”, na esquina frente à Embaixada da Guiné, candongueiros de e, para os subúrbios. Tentaram “colocar” mini-autocarros, mas só os vi um dia.

koisan5.jpg O que vai acontecer a tantos edifícios degradados no tempo colonial? Como será a cidade de Luanda daqui a 20 anos? O futuro a quem pertence? Quem agarra nele com coragem e sem medo? Os “velhos luandenses” estão em risco de extinção. Em seu lugar, uma multidão dessincronizada de jovens, “por enquanto jovens”, imigrantes, vindos de todo o lado, que de Luanda só sabem que têm de ganhar o pão nosso de cada dia e, utopicamente, um emprego...

FIM

T´Chingange na Diáspora dos AlGharb´s  do M´Puto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:23
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2021
FRATERNIDADES . CXXXIII

11 DE SETEMBRO e as TORRES GÉMEAS dos EUA

Crónica 3193 de 11.09.2021 - *Aonde estava Deus naquele dia?*

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Por soba02.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Nenhum atentado causou mais impacto no Mundo do que o do dia 11 de Setembro de 2001, quando duas torres em Nova Iorque foram atingidas por dois aviões sequestrados e pilotados por terroristas suicidas. O estrago foi imenso; o prejuízo em vidas, incalculável e o mundo passou a viver uma era sob o impacto do terror. Nessas horas, uma pergunta se fez a nós mesmos: Por que Deus permitiu aquela tragédia? Onde estava Ele? Por que não fez nada? Ele tem culpa por não intervir?

roxo135.jpg Bom! Dias depois do desastre, a filha dum pastor, Billy Graham foi entrevistada no programa Early Show, em Nova Iorque, e respondeu à seguinte pergunta: “Como Deus permitiu que isso acontecesse?” Anne Graham deu uma resposta extremamente profunda e sábia: Creio que Deus ficou muito triste com o que aconteceu naquele fatídico dia, tanto, quanto nós. Por muitos anos, temos dito a Deus para que não interfira em nossas escolhas, para que saia de nossas vidas. Sendo cavalheiro que é, creio que Ele, respeitosamente saiu. Como podemos então esperar que nos dê a bênção e protecção se exigimos que Ele não se se envolva connosco?”

Os políticos, em sua maioria, dizem-se ateus ou agnósticos, remetendo-O para o isolamento, uma prisão sem grades físicas ou temporais dispensando até seus valores; ao invés disto dizem-se gays com orgulho sem o parecerem, inibidos em quanto baste... De repente ficamos sem chão, porque num repentinamente corremos riscos de "anormalidade", isto no sentido de sermos diferentes...

roxo137.jpg Nossos filhos vão para as universidades, entram homens e saem mulheres ou entram mulheres e saem homens sem preservar aqueles valores enaltecedores. Claro que generalizo isto mas felizmente ainda não é um conceito maioritário (até ver…) mas, no entanto esta postura, inibe-nos por silêncio, para não corrermos o risco de nos chamarem de preconceituosos, antiquados e outros edecéteras...

O problema do ser humano é que deseja paz, amor, justiça e respeito ao seu jeito jeitoso de modo próprio; assim deve ou deveria ser, noé!? Ele, o tal de Nosso Senhor, também não quer violência, guerras nem egoísmo. No entanto, se essas coisas são alcançadas somente com Deus, então fica claro: o ser humano quer as bênçãos divinas, mas regeita-O em ensinamentos. Não quer reconhecer que necessita Dele; prosápia pura de alguém que o diz por altruísmo torpe.

roxo103.jpg A Bíblia nos alerta, de que “como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem. Pois nos dias anteriores ao Dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, portando-se como cachorros, sem lei-nem-roque e até ao dia em que Noé entrou na arca”…

roxo27.jpg Não há problema algum em comer, beber ou casar-se, o erro está em fazer isso longe dos conceitos de civilidade de Deus. Desejar as bênçãos Dele, implica em andar em seus caminhos. Envolver-se com Ele significa seguir Suas orientações, obedecer a Suas leis e submeter-se a Seus cuidados. Só assim daremos liberdade a Deus para nos proteger e agir como se deseja.

Imagens aleatorias de Assunção Roxo

Feliz Domingo e todo o resto de Setembro ...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:03
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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXIV

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXI

ACORDO DE BICESSE - 30 DE MAIO DE 1991

–”O CESSAR-FOGO” - Crónica 3192 – 13.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por   soba02.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Após 15 anos de permanência em Angola, o último soldado cubano retorna à ilha no mês de Maio de 1991. Teremos aqui de fazer um curto desvio para descrever seu regresso e, de forma sucinta dar detalhes do que então se passou: Na madrugada de 14 de julho de 1989, o general Arnaldo Tomás Ochoa Sánchez o herói chefe das forças expedicionárias em Angola, a terceira figura militar mais poderosa da ilha de Cuba, depois do Comandante em Chefe Fidel Castro e do General Raúl Castro é fuzilado pelo crime de traição. O que se esperava ser uma verificação de antecedentes de rotina antes do anúncio, o governo acusou Ochoa de corrupção, na venda de diamantes e marfim de Angola e a apropriação indevida de armas na Nicarágua.

À medida que a investigação prosseguia, foram encontradas ligações com outros militares e funcionários do Ministério do Interior cubano que estavam envolvidos em crimes ainda mais graves: receber suborno de traficantes de drogas da América do Sul em troca de deixá-los usar as águas territoriais cubanas para colecta de drogas. O general Raúl Castro, que era muito próximo de Ochoa pediu várias vezes a Ochoa para confessar, revelar tudo, para que eles pudessem seguir em frente. Quando Ochoa se recusou a cooperar, em 12 de Junho, o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias anunciou sua prisão e investigação por graves actos de corrupção, uso desonesto de recursos económicos e cumplicidade no tráfico de drogas.

Ochoa2.jpg Ochoa foi colocado atrás das grades por um mês na base militar de Reloj Club Boinas Rojas. Durante este mesmo período, Patricio e Tony de la Guardia e outros foram presos e acusados, ​​também. Seu julgamento pelo Tribunal de Honra Militar, que forneceu ampla evidência dos crimes cometidos, incluindo datas, locais, quantias em dinheiro e drogas envolvidas, junto com os crimes menores de contrabando de diamantes e marfim para venda, foi exibido na televisão caribenha. O Tribunal Militar considerou-o culpado de todas as acusações, incluindo o crime capital de traição. Os promotores apresentaram evidências de que pelo menos um piloto envolvido na transferência de drogas foi contratado pela CIA e, argumentou que se o governo dos Estados Unidos em vez do governo cubano tivesse descoberto e revelado o envolvimento de militares cubanos de alto escalão no narcotráfico, isso teria fornecido uma desculpa para invadirem Cuba.

Menos de um ano depois, os EUA invadiram o Panamá usando o envolvimento de Noriega no tráfico de drogas como justificativa. Alternativamente, eles presumiram, se Cuba tivesse ido na frente e nomeado o General Ochoa como Chefe do Exército Ocidental, os EUA estariam em uma boa posição para chantagear e controlar uma das pessoas mais responsáveis ​​pela segurança do país. Quatro dos réus, incluindo Ochoa e Tony de la Guardia, foram condenados à morte pelo crime de traição. O regime vigente alegou que não apenas traíram o alto nível de confiança do governo e do povo cubano, declarou a Corte, mas colocaram todo o país em perigo por suas acções. Creio ter sido esta razão (entre outras…) de levar á morte o considerado herói Ochoa para salvar Cuba de um assalto humilhante pela forças dos Estados Unidos da América.

ochoa3.jpg O Conselho de Estado confirmou por unanimidade as condenações e a pena de morte. As acusações, condenações e sentenças de morte foram extremamente desagradáveis ​​para grande parte da população cubana, especialmente no caso de Arnaldo Ochoa, que foi considerado pela maioria das pessoas em Cuba um dos mais respeitados generais das Forças Armadas cubanas. Na madrugada de 14 de julho de 1989, Ochoa foi executado por um pelotão de fuzilamento na base militar "Tropas Especiales" em Baracoa, no oeste de Havana. Um relato amplamente reconhecido, conta como ele pediu para não ser vendado e para dar ele mesmo o comando ao pelotão de fuzilamento. Ambos os desejos foram atendidos.

Voltamos assim aos anos de oiro da diplomacia portuguesa comemorando em Março de 1990 a independência da Namíbia. Durão Barroso tem o primeiro encontro a sós com o presidente Dos Santos. Começa a desenhar-se o papel mediado de Portugal (M´Puto) na placa giratória que conduziu a Bicesse. O Prof. Cavaco Silva vai a S. Tomé encontrar-se com Eduardo Dos Santos e desloca-se a Paris para dialogar com Jonas Savimbi. Durão Barroso inicia viagens a Luanda e Washington; dois elementos do seu gabinete, António Monteiro e José Queirós de Ataíde, desdobram-se em contactos e esforços.

bicesse1.jpg Em 24 e 25 de Abril de 1990, dá-se o primeiro encontro das partes sob mediação portuguesa em Évora. De 16 a 18 de Junho de 1990 dá-se a segunda ronda negocial, no Forte de S. Julião da Barra, Oeiras. Discute-se a formação do futuro exército único de Angola e fiscalização do cessar-fogo. Durão Barroso afirma na altura: “ Os méritos ou desaires das negociações cabem exclusivamente aos angolanos”. A 23 de Julho de 1990, Jeffrey Davidow, subsecretário do gabinete de Cohen, encontra-se com Dos Santos. Logo a seguir, o governo angolano desencadeia uma ofensiva diplomática encabeçada por Venâncio de Moura e, pela primeira vez, em mais de quinze anos, fala da UNITA empregando a expressão “nossos irmãos”, em vez de “fantoches”.

nujoma0.jpg A terceira ronda negocial verifica-se entre 27 e 28 de Agosto de 1990, no Instituto de Altos Estudos Militares em Pedrouços. A 8 de Setembro chega a Lisboa o secretário de Estado norte-americano para os Assuntos Africanos, Herman Cohen confirmando-se assim a presença norte-americana nas conversações. De 24 a 27 de Setembro dá-se início à quarta ronda negocial na Base Aérea de Sintra. Pela primeira vez, com a presença dos observadores americano e soviético. A 22 de Outubro, Cohen volta a Lisboa para participar na discussão de um documento dirigido às partes angolanas, no qual se busca obter o consenso sobre pontos essenciais dos acordos de paz.

Ochoa + Otelo3.jpg No dia seguinte, Durão Barroso recebe uma delegação sul-africana chefiada por Rusty Evans, chefe do departamento de Assuntos Africanos do Ministério dos Negócios Estrangeiros para “análise de assuntos da África Austral”, tal como foi justificado. A quinta ronda negocial tem lugar na Escola de Hotelaria de Bicesse, No dia 21 deste mês, Durão Barroso afirma: “ Deparou-se com um ciclo vicioso. Não se avança nas questões politicam porque é necessário garantias militares e, não se avança no cessar-fogo, porque não há garantias políticas”. Em Dezembro, em Washington, há um encontro entre Chevardnaze e James Backer. A participação soviética está garantida.

luderitz14.jpg Em Janeiro de 1991, em conferência de imprensa em Washington, Cohen afirma que “um cessar-fogo para Angola, será possível dentro de dois meses, as eleições realizar-se-ão dentro de dois anos”. A UNITA contesta e propõe eleições no prazo de seis meses, após o cessar-fogo. O MPLA, avança três anos. Apraza-se ano e meio, mais ou menos, para agradar a ambos. A seis de Fevereiro de 1991, data prevista para a sexta ronda negocial, acaba por não se realizar. As discussões posteriores assentam em encontros exploratórios e, num documento elaborado numa reunião tripartida da mediação portuguesa com os observadores americano e soviético. Finalmente a 30 de Maio de 1991 dá-se a assinatura dos acordos de Bicesse. Em Angola, continuam os combates, com a UNITA tentando ocupar as cidades de Luena e Waku-Kungo, antiga Cela. Luena esteve sujeita a 45 dias de cerco e bombardeamentos diários.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:46
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Domingo, 12 de Setembro de 2021
MUGIMBO . CXXVII

Crónica 3191 de 12.09.2021 - *PRIORIDADE MÁXIMA*

 - Cada um de nós deveria ter uma BAZUCA sem a ilusão e, COMPADRIO carunchosamente facilitado pela fricção corrupta...

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Por  luis00.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Mergulhados em um mundo mediático, publicista e consumista, corremos todos os dias o risco de priorizar o que é secundário. Governo e vendedores de fantasias enchem-nos a paciência sem dó...

Muitas coisas são importantes, mas é fundamental estar-se constantemente vigilante na avaliação do topo da lista. Somos sempre estimulados a desejar aquilo que não é realmente necessário, a criar falsas necessidades.

relogio areia2.jpg Não podemos viver autocentrados quando o alerta nos torce a mente, enganando nossas urgências e necessidades. Assim, o que é mais importante na vida assume uma posição secundária e passamos a trabalhar, lutar e investir nosso tempo e energias a correr atrás daquilo que é supérfluo ou ilusório...

Sabemos que precisamos priorizar o que é autenticamente importante. O problema é que dar prioridade àquilo que é mais importante, nem sempre brotará espontaneamente de nós. Normalmente, o que pulsa em nós é o desejo de auto realização mas, corremos o risco de virar marionetas.

relogio sem.jpg Queremos afirmação e pensamos que sejam o fruto de nossas conquistas: “Minha beleza, minha inteligência, minha casa, meu celular, meus diplomas, minha profissão…” E, quanta decepção se encontra quando priorizamos o que não nos é prioritário!

Nossa única prioridade real na vida deve ser "viver com dignidade e liberdade". No fim de tudo, o que importa é se você colocou a sociedade, seu próximo ou vizinho e família em primeiro lugar...

Com fé, a prioridade surge; e, até encontrará forças e sabedoria para enfrentar qualquer tipo de circunstância! Ao dar o primeiro, o melhor e o mais importante é esse lugar de seu lado positivo no pensar; e, verá assim que tudo o mais se encaixará, naturalmente...

deserto5.jpg Sua realização e afirmação não estão no que dizem as vozes deste mundo cheio de propagandas vazias, mas no que diz a palavra da sua humilde e honrosa postura. Sempre é tempo para tomar um novo início com o rumo certificado em mente de progresso...

Comece agora a buscar o reino de seu templo, seu pensar como PRIORIDADE MÁXIMA. Faça disso seu maior interesse e veja cumprir-se em sua vida a promessa do verso com o certo verbo, em um qualquer novo dia: “Essas coisas lhes serão acrescentadas” sem a necessidade de se esquecer...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XIX

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… Primeira e segunda batalha de MAVINGA1980/1981

- Crónica 3189 – 05.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Ainda fazendo um relato de um sobrevivente do 27 de Maio de 77 citando o livro “Angola, o 27 de Maio - Memórias de um Sobrevivente: “ No campo de concentração de Calunda o comandante (MPLA) ficava todo vaidoso, gingava, com duas pistolas à cintura. Seguia-se uma exibição da sua destreza e pontaria – primeiro contra os pássaros que passavam no ar e depois contra o prisioneiro amarrado e espancado. Atirava nos pés, nos braços, na barriga, conforme a sua disposição, até que sucumbisse. Outras vezes mandava queimar os presos com pneus ou gasolina. Os que não morreram na altura sucumbiram aos poucos com dores horríveis, aos gritos, que deixavam a todos estarrecidos. E éramos obrigados a assistir a tudo isto e depois obrigados a enterrar os mortos, assim como carregar os que haviam resistido à sessão, que ficavam a sofrer no nosso meio até que sucumbissem. Era uma grande tortura, um grande martírio”...

maio3.jpg Saltando para o ano de 1980 – A UNITA fixa-se na JAMBA do Cuando-Cubango. Em Novembro, os antagonistas envolvem-se na 1ª batalha de Mavinga que resultou em mais de 800 mortes. O apoio sul-africano à UNITA viria a tornar-se mais efectivo com a invasão da província do Cunene, em 23 de Agosto de 1981 «Operação Protea», e a subsequente ocupação de uma faixa tampão na fronteira sul de Angola numa profundidade de 200 quilómetros, com o duplo objectivo de neutralizar as operações de guerrilha da Organização do Povo do Sudoeste Africano (South West Africa People’s Organization, SWAPO). O território da Namíbia, então ocupado por protectorado pelo África do Sul, teria de, por outro lado, estabelecer um ponto de partida para novas operações no interior de Angola.

A consolidação do domínio da UNITA nas províncias do Cunene e do Cuando-Cubango, na perspectiva da criação de um «bantustão» no sudeste angolano, era o propósito imediato. É nesta altura que o presidente José Eduardo dos Santos pede ao Secretário-Geral da ONU, Pérez de Cuéllar, a convocação do Conselho de Segurança da Nações Unidas para discutir a agressão sul-africana. Mas a resolução da condenação foi vetada pelos Estados Unidos, de acordo com a estratégia delineada por Washington e pela África do Sul para aniquilar as FAPLA e o MPLA ( O comunismo…).

fuga10.jpg A situação em todo o sul de Angola agrava-se com o aumento das hostilidades. A UNITA reforça-se militarmente em armamento e conselheiros militares e, com o apoio das administrações Reagan (EUA) e Thatcher (Grâ-Bretanha) e a ajuda do seu aliado sul-africano, desencadeia operações militares contra as bases da SWAPO, do Congresso Nacional Africano (African National Congress, ANC) e contra posições das FAPLA, para além de acções de sabotagem às linhas dos Caminhos de Ferro da Benguela (CFB), com destruição de infra-estruturas políticas e económicas e minagem de linhas de abastecimento, entre as populações de aldeias, vilas e cidades do sul de Angola.

O ano de 1981 – Ano da “Operação Protea” leva ao controlo militar da UNITA com a ajuda sul-africana, da Província do Cunene. Estavam ali sediados 8.000 guerrilheiros da UNITA, porem até a chegada das forças angolanos, Mavinga recebeu um reforço de 4.000 tropas da SADF (South African Defence Force), vindo a confrontar uma força de 18.000 soldados angolanos. Mavinga foi o primeiro passo no caminho para a Jamba-Cueio e para penetrar na Faixa de Caprivi. Ao tentar travar o seu avanço, os governamentais são surpreendidos por nova frente – 2ª Batalha de Mavinga, que provoca mais de 1.200 mortos. A UNITA sai vitoriosa e ocupa a cidade.

mavinga3.jpg O ataque a Mavinga foi uma derrota total para as forças angolanas, com baixas estimadas em 4.000 mortos. A manobra de contra-ataque das SADF, nomeada “Operação Modular” foi um êxito, forçando as tropas das FAPLA e das FAR a retroceder 200 quilómetros de volta a Cuito- Cuanavale numa perseguição constante através da Operação Hooper. Em 1984, assina-se o 1º acordo Luanda/ Pretória para a retirada das tropas cubanas e constituir-se uma comissão especial, militar/mista, de verificação das operações de recuo. No entanto, por várias vezes, os sul-africanos regressam a Angola em apoio da UNITA, utilizando o “Batalhão Búbalo”, composto essencialmente pelas topas da “Revolta do Leste”, de Daniel Chipenda além de voluntários de várias nacionalidades, entre os quais muitos portugueses.

Foram necessários mais quatro anos com repetidas pressões internacionais, para se chegar à primeira reunião tripartida de Londres, na qual pertenciam Angola/Estados Unidos da América, Cuba e África do Sul. Seguem-se novos encontros, em Brazaville, Nova Iorque e, finalmente, a assinatura de Washington. Estes, garantidos pelos norte-americanos e soviéticos, tornaram possível a independência da Namíbia e a retirada de 55.000 cubanos estacionados em Angola, no prazo de 27 meses. Pretória anuncia a retirada total dos sul-africanos de Angola, mas em contrapartida, os Estados Unidos da América, levantam o embargo de nome “Emenda Clark” passando a apoiar a UNITA – Estava-se em Julho de 1985…

mavinga2.jpg Com o início da estação seca, em Julho de 1987, e após um período de acumulação de material e grandes concentrações de infantaria, as forças armadas angolanas, as FAPLA, desencadearam uma ofensiva contra os centros vitais da UNITA em Mavinga e Jamba, conhecida como «Operação Saludando Octubre», a partir das vilas de Luena e do Cuito, contando com o apoio de artilharia pesada, de caças e bombardeiros soviéticos MIG-23 e SU-22, tanques T-62 e helicópteros de ataque ao solo MI-24/25. As forças governamentais, foram com tudo, contando com apoio de unidades motorizadas cubanas A «Operação Saludando Octubre», que envolveu a 16.ª, 21.ª, 47.ª, e 59.ª, Brigadas das FAPLA, tinha como objectivo a captura dos «SANTUÁRIOS DA UNITA» no sudeste de Angola.

A ofensiva das FAPLA colocou a UNITA numa posição insustentável; as bolsas de resistência criadas pela UNITA sob pressão contínua dos governamentais, tinham séries dificuldades em articular-se na perfeição. Perante a eventual derrocada das forças de Jonas Savimbi e a pedido deste, os sul-africanos, a partir das suas bases instaladas em território angolano e na Namíbia, desencadeiam as operações «Moduler8» e «Hooper», com o objectivo de parar a ofensiva angolana, lançando as suas melhores tropas e material militar de última geração, nomeadamente caças Mirage F1 AZ e aviões de ataque Impala, Lançadores Múltiplos de Foguetes (Multiple Rocket Launcher, MRL) e obuses G59…

fiume01.jpg Começa assim a maior batalha em África no pós 2ªguerra mundial. A Força Aérea Sul Africana (South African Air Force, SAAF) detendo o domínio do espaço aéreo no sul de Angola - o ponto fraco das FAPLA era precisamente a defesa antiaérea. O resultado foi a batalha de Cuito-Cuanavale, nome de uma vila situada na província de Cuando Cubango, numa zona de operações cruzada por vários rios, de terreno acidentado e lamacento, com cerca de 93.000 quilómetros quadrados. Esta campanha militar viria a determinar o futuro da África Austral. Após longos e sangrentos combates, o Estado-Maior das FAPLA e a Direcção Militar Soviética, a pretexto de melhorar o emprego das suas forças, decidiram que as quatro brigadas em operações se dividiam em duas colunas no caminho até Mavinga para, depois da travessia do rio Lomba, se reunirem. No entanto, este movimento viria a ser fatal para a ofensiva…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:52
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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXI

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XVIII

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… FRACCIONISTAS DO 27 DE MAIO DE 1977

- Crónica 318803.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por soba k.jpg  T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em crónicas anteriores fiz referência à proclamação da Independência unilateral do MPLA do 11 de Novembro de 1975 como tendo sido no Largo Diogo Cão mas, em verdade, foi no início da Estrada de Catete, um largo com descampado bem perto do cinema Império e da antiga Escola Industrial de Luanda. Consultando um artigo de Gabriel García Márquez, extraído da 53ª edição da revista Tricontinental, de 1977, dá como início da primeira etapa da “Operação Carlota”, a cinco de Novembro, seis dias antes daquele pronunciamento por Agostinho Neto.

O autor Garcia Márquez, conclui com a derrota das forças que invadiram a nação angolana e o início da retirada gradual das tropas cubanas, em 1976, quando parecia que tudo tinha concluído. Contudo, tal como acordaram os presidentes Fidel Castro e Agostinho Neto, um número mínimo de tropas ficou em Angola para garantir sua soberania. A situação começou a complicar-se, e a luta se intensificou de novo, mais uma vez a África do Sul interveio, de maneira que se iniciou uma nova etapa da “Operação Carlota”, que concluiu só 14 anos depois, com a derrota definitiva dos sul-africanos e UNITA; o último soldado cubano retornou no mês de maio de 1991.

socie4.jpg Numa declaração oficial, os Estados Unidos revelam a presença de tropas cubanas em Angola, em Novembro de 1975. Calculavam que tinham sido enviados cerca de 15 mil homens. Três meses depois, durante uma visita breve a Caracas, Henry Kissinger disse em particular ao presidente Carlos Andrés Pérez: “Parece que nossos serviços de informação estão muito deteriorados porque só soubemos que os cubanos iam para Angola quando já estavam lá mesmo”. Contudo, nessa ocasião corrigiu que a cifra enviada por Cuba era de 12 mil homens. Naquele momento em Angola havia muitos soldados, especialistas militares e técnicos civis cubanos, muito mais do que Henry Kissinger supunha.

O primeiro contingente era composto de 4.000 homens que aumentaram rápidamente para 18.000. Em 1976 já eram 36.000 e em 1988 já totalizavam 55.000 quando da Batalha de Cuíto Cuanavale, o maior confronto militar da Guerra Civil Angolana, ocorrido entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988. O local da batalha foi na região do Cuíto Cuanavale, província de Cuando-Cubango, onde se confrontaram os exércitos de Angola (FAPLA) e Cuba (FAR) contra a UNITA e o exército sul-africano. Foi a batalha mais prolongada que teve lugar no continente africano desde a Segunda Guerra Mundial. Os cubanos saíram em 1991, enquanto a Guerra Civil Angolana teve continuidade até o ano de 2002. As baixas cubanas em Angola totalizaram cerca de 10.000 mortos, feridos ou desaparecidos.

mocanda33.jpg A DISA, a polícia política da altura do chamado “28 de maio”, alusão ao período logo após o 27 do golpe, sob a direcção de Ludi Kissassunda e Onambwée, tendo como principais executantes António Carlos Silva, Carlos Jorge, Pitoco, Inácio Osvaldo, Eduardo Veloso, Norberto Castro Pereira, Margoso, José Maria, Manuel Carmelindo, José Vale, Nascimento, Domingos Cadete, Victor Jeitoeira, Cristian André, José Baião, João e Henrique Beirão, Zeca França, José Baião, Júlio Rasgado, Miguel de Carvalho, entre outros, prende, tortura e mata sem qualquer controlo.

As cadeias ficam sobrelotadas; os presos são alvo de todo o tipo de sevícias: espancamentos com martelos, paus, barras de ferro, soqueiras, cintos, chicote, pedaços de mangueira cheios de areia, mesas, bancos, cadeiras, bancos; violentamente amarrados com os braços atrás das costas até perdem a sensibilidade dos braços e mãos; suspensos e deixados cair no chão, com os braços e as pernas amarradas; queimados com pontas acesas de cigarros, também um torniquete colocado na cabeça e, que à medida que é apertado, causa fortíssimas dores e a perda de consciência; choques eléctricos nos genitais, etc, etc… A imaginação dos algozes não tinha limites em sua bestialidade. O sangue corre às golfadas como um mar, os gritos de dor dos seviciados são insuportáveis…

mocanda31.jpg Ainda do relatório da Amnistia Internacional: - “ Segundo prisioneiros que foram enviados para um campo de “reeducação” em Calunda na Província do Moxico, muitos outros prisioneiros foram sumariamente executados, morreram à fome ou foram alvejados ao tentarem fugir – tiro ao alvo, dizem. A última execução em massa de pessoas presas em conexão com a tentativa de golpe e, que foi pelo menos, de 15 pessoas, terá ocorrido a 23 de Março de 1978. Alguns dos prisioneiros foram condenados à morte ou à prisão por um tribunal especial, mas nenhum foi submetido a nada que se assemelhasse a um julgamento imparcial.”  

O governo angolano negou alegações feitas em carta aberta por um partido politico, de que 30 mil pessoas haviam desaparecido durante os anos de 77 e 78, em consequência da Revolta dos Fraccionistas. Limitou-se a admitir “excessos” declarando compartilhar “ a legitima preocupação dos familiares das vítimas, interessadas em saber o que acontecera aos seus parentes”. O governo angolano disse ainda que talvez fosse criada uma comissão para tratar do assunto”. Em realidade, nada foi feito e, as indicações posteriores de gente desgarrada do processo e, despeitada com seus superiores, declarou no exílio da diáspora, aquele número ser de 80 mil…

mocanda32.jpg Ainda no ano de 1978, os rodesianos fizeram um ataque ao campo de refugiados da ZAPU de Joshua N´Komo, em Boma, Sul de Luena, onde foram massacradas centena de pessoas. Em um ataque ao Lubango no ano de 1979, por bombardeamento feito pelos sul-africanos, morrem 612 pessoas. Este foi também o ano do “massacre de Cassinga” quando militares sul-africanos atacam um campo de refugiados namibianos, chacinando 1.200 pessoas; e da morte,   em Moscovo , de Agostinho Neto, cujo corpo regressa embalsamado a Luanda. Na exéquias fúnebres, em quase histeria colectiva as pessoas gritam “mataram nosso Netinho”. Referiam-se aos soviéticos, mas a verdade é que Neto sofria de incurável cancro de fígado por via de tanto “chivas regal” – implodiu por dentro, simplesmente!… 

Na presidência de Angola, sucede o eng.º José Eduardo dos Santos, nascido no musseque Sambizanga, de pai pedreiro e mãe doméstica, foi aluno do Liceu Salvador Correia de Sá. Formou-se em engenharia de petróleos em Baku, ex-URSS, sendo a princípio contestado pelos radicais do MPLA, especialmente por ter decidido congelar todos os processos de condenações à morte; posteriormente aboliu a pena de morte em Angola. Sabe-se sim, por via de muitas denúncias que sofisticaram a forma de eliminar inimigos ou gente inconveniente com venenos de sofisticada elaboração entre outras formas dissimuladas… Entretanto a guerra continua com a UNITA fixada na Jamba – Cuando / Cubango…  

 (Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:08
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Terça-feira, 31 de Agosto de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXX

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XVII

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… FRACCIONISTAS DO 27 DE MAIO DE 1977

- Crónica 3186 – 27.08.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

desenr1.jpg

Por   soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Sem a preocupação gramatical, com o sujeito cutucando o verbo mais o predicado…, sem a métrica do fado, uma emergência confusa deste tempo pandémico, sem a rima versejada, a metáfora triste e saudosa, bonançosa quanto baste mas, de alma torturada…, sem pátria idolatrada, jogando búzios na zuela do feitiço do tempo, com algum esforço intelectual, remexo nas panelas do esquecimento de N´Gola!

Muito me convenço da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia, por isso relembro o passado recente e longínquo para espairecer ressarcimentos que ainda podem chegar; que deveriam já ter acontecido mas, neste capítulo de descolonização as coisas só desacontecem - vou esperar deitado porque as kinambas, andam roídas pelo salalé. Sem ser convocado, assisto avulso só por assistir, às periclitãncias do socialismo, tendo até medo de comentar disparates grosseiros. Assim sendo, só poderei responder com muxoxos malcriados, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de vaidades.

kafu35.jpg Vamos situar-nos a 27 de Maio de 1977 e, em um após as insistências da URSS a Agostinho Neto a fim de aderir ao marxismo-Leninismo, o que veio a consumar-se com a criação do MPLA-PT. Não obstante Neto continua uma pedra no sapato do regime soviético, que na altura era chefiado pela “tróica” de Nicolau Podgorni/Kossinguine/Brejnev. Quatro homens da ala esquerdista do MPLA lideram um golpe de estado contra Agostinho Neto. Foram eles: Bernardo Alves - Nito, Jacob Caetano – “Monstro Imortal”, José Van Dunem e o Comandante Bakaloff.

O episódio é conhecido por Revolta dos Fraccionistas - “dos Frac´s” na linguagem popular. Num discurso após o golpe, Neto afirma que por detrás da rebelião, estivera “ uma embaixada estrangeira em Angola”. Para os analistas políticos não restaram dúvidas em apontar de forma comedida o embaixador Kalilnini como sendo o autor intelectual do episódio. Já dominando os pontos chaves na Capital – Luua, como a emissora de rádio, o golpe aborta porem, mercê da rápida intervenção militar cubana ao lado de Neto. “Monstro imortal”, armado com uma metralhadora, entra no Palácio da Cidade Alta de Luanda, com o propósito de dar ordens de prisão ao presidente angolano; assim não foi, porque Neto, estava no Futungo de Belas…

kalunga1.jpg Monstro Imortal é preso de imediato. Na onda posterior de repressão, são presos, torturados e passados pelas armas na forma sumária, seguindo-se-lhe milhares de pessoas, incluindo os mentores do golpe, depois de serem sujeitos a dolorosa tortura física. Conta-se que a Nito e a Monstro Imortal, lhes foram arrancados os olhos, ainda em vida. O último relatório da Amnistia Internacional sobre o golpe de 27 de Maio relata o desaparecimento de prisioneiros – “Noite após noite, durante os meses seguintes, ambulâncias e outros veículos saíam da prisão de Luanda e de outras cidades”.

monstro1.jpg Hermínio Escórcio, chefe do protocolo da presidência, descreve mais tarde como sucederam as manobras dessa revolução: “ Na manhã do dia 27 estava em casa quando me apercebi que a Rádio Nacional de Angola – RNA, havia sido tomada. Fui para o meu gabinete no Palácio e de lá telefonei para o Futungo de Belas (Presidência da República) mas de caminho pude avistar o Onambwé e o Delfim de Castro que, dentro de um tanque, se dirigiam para as instalações da RNA, onde já estava no ar o programa radiofónico “kudibanguela”. Depois da retomada da RNA fui o primeiro dirigente a lá entrar”. 

Continuando: “saí da rádio e fui até à Avenida Lisboa para ver se havia rastos de sublevação. Liguei o Neto, disse-lhe que estava tudo calmo e, ele prontamente afirmou: “Então posso ir até aí!” Disse-lhe que por uma questão de segurança, talvez fosse melhor ficar pelo Futungo. Dito isto, acrescentou que ia chamar a imprensa para fazer o ponto da situação.  Mal sabia ele que o Saidy Mingas, o Eurico e o Garcia Neto já tinham sido mortos. Também desconhecia que alguns comandantes haviam caído em emboscadas montadas pelos Fraccionistas à 9ª brigada. Neto, quando soube de tudo isto, ficou completamente transtornado”.

kani4.jpg Neto vai à televisão e proclama o salvo-conduto para o banho de sangue: “Não haverá contemplações…Certamente não vamos perder tempo com julgamentos”. Os fuzilamentos sumários passaram logo a ser norma. Convêm dizer aqui que os cubanos após retomarem a Rádio Nacional, abrem fogo sobre todos os amontoados de população que eventualmente estavam ao lado dos revoltosos e, acto contínuo retomam o controlo das cadeias. Mila Coelho, mulher de Rui Coelho fuzilado a 2 de Junho de 77 e, que na altura era chefe do gabinete do Primeiro-Ministro Lopo do Nascimento, conta assim: “ Esperava Rui, vindo de Argélia e a 1 de Junho com a tragédia do 27 a decorrer, notei nele muita intranquilidade. No dia seguinte, dois de Junho, vieram buscar-nos a casa”.

“Dois soldados armados de metralhadora, exigiram que fôssemos com eles. Levaram-nos para o Ministério da Administração Interna aonde permanecemos toda a tarde, sentados em um banco corrido. Nessas horas falamos pouco; estávamos horrivelmente destroçados. Era já noite quando nos foram buscar; meteram-nos num cubículo escuro e pela madrugada levaram-nos para a Cadeia de S. Paulo.  A separação de homens para um lado, mulheres para o outro afastou-nos definitivamente um do outro para nunca mais nos virmos”…

namib3.jpg Nos fios de gastas crenças, tão corcovado, tão enrodilhado em suas macias filosofias de mineiro de volfrâmio, recordo meu pai Manuel, embebido, travado e suspirando baixinho, revendo sua miúda indecisão de viver, vendendo volfrâmio a Hitler para sobreviver. Um dia de repente, com um trejeito de esforço, endireitou-se emperrado e cresceu! E, falou: - Amanhã vou à Companhia Colonial de Navegação inscrever-me - Vou para Angola! E, foi… Ora sucede que neste 27 de Maio veio da Luua inchado de porrada e com uma bala nos joelhos; esperei-o no Aeroporto da Portela de Lisboa. Seguro por duas muletas parecia um Cristo! Tirou essa bala e, não mais voltou… Impôs-se assim uma forçada regra de vida: - A liberdade de sermos saudáveis ou morrer por coisas impensáveis…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:29
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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