Sábado, 21 de Janeiro de 2023
KAZUMBI DE BORUNDANGA . X

O 0LEIRO Meu pai foi de tudo um pouco! Até vendeu volfrâmio a Hitler na 2ª  GUERRA para seguir em frente...

Crónica 3347 – a 21.01.2023, em um Sábado

Por burundanga1.jpg T'Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

vaso4.jpg Geralmente, as mais belas peças artísticas que arrebatam sentidos e dão asas à imaginação são moldadas a partir de algo que parecia desprovido de maior importância - um vaso. Mas, neste caso são vasos só em barro simples, que me dão gosto no sustento do confinamento - porque têm algo que me refaz na vontade... Esses outros vasos do antigamente, com rabiscos que são transformados em belíssimos quadros, formam notas a compor as mais impressionantes peças. Da matéria bruta, fundida em fogo ardente, o artesão cria a partir do barro, areia, delicadas figuras de cristal. Do barro, o oleiro fabrica objectos de cerâmica, vasos riquíssimos em todos os sentidos. Neles, coloco sementes que trazem cheiro à vida!

Tendo em mente o símbolo do vaso de barro, na vida o “conhecimento da glória na face de Cristo”, da Natureza. Trata-se de mais uma bênção resultante da graça; graça que só damos conta nos momentos de reflexão, ou num confinamento forçado pelo desconhecido. Quem somos nós para merecer esse prémio de podermos apreciar um simples “vaso de barro” com umas verduras que nos felicitam quando regadas! Tanto quanto podemos imaginar, o barro é, em si mesmo, desprovido de valor; é matéria-prima frágil que depende da intervenção do oleiro. Do nada na forma de bola, sai algo que se torna útil, assim seja para ver, guardar azeite ou doces de compota. Mas também uma orquídea ou uma ervilheira...

Assim, é ele, o oleiro, que determina a forma para a utilidade do vaso, e o resultado contém a assinatura do artista anónimo que o faz, para só ganhar sua tarefa. Essa é sua - nossa condição. No texto bíblico, os vasos de barro contêm justamente esta ideia: utensílios frágeis, sujeitos a se despedaçar com facilidade, de pouca duração e de pouco valor. Mas, nosso destino, estará sempre disposto a usar as pessoas como fragmentos de barro num qualquer momento! Somos pedaço de terra sim!

fifa3.jpg Existem pessoas que, com o olhar voltado para elas mesmas, não conseguem ver nada além do que consideram irrecuperável. De forma alguma aceitam serem fragmentos de vasos, de barro! Os corações despedaçados que carregam profundas feridas resultantes de tropeços e quedas sempre estarão mais preparados... Muitos achando serem um barro diferente, cobrem-se de porcelanas vidradas, coisas envernizadas! Outros, perdem  a esperança,  ficando nos sonhos evaporando  seu  sentimento de fracasso...

Aparentemente, a voz da consciência de uns quantos, lhes dirá que algo quebrado não pode ser consertado e, por isso mesmo, deve ser jogado fora. Contudo, o Oleiro pode tomar nas mãos o barro disforme, juntar os cacos, e formar a partir dele um vaso precioso e útil ou fazer uns gatos unindo as parte! Meu pai Manuel, jeitoso em tudo fazia isto! Ele, era um bom Oleiro! Juro que era! Mas, também de uma vareta de guardas chuva fazia sovela para consertar sapato! Agora é meu herói, nem sempre o foi assim...

vaso2.jpg Nesta estória teremos de chegar a Jeremias da Bíblia a lembrar o que  escreveu aos israelitas: “Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu" isto deve estar escrito algures. Parte-se um vaso, outro se fará! Pensem, um dia vai acontecer... A Natureza pode criar vasos novos e recriar vasos estragados.

xique xique4.jpg Toda a pessoa que sofra nesta quadra de pandemia de valores e altercações na governação, um dia sim, outro dia não, um dia é e no outo deixa de o ser, pode sentir-se em Oleiro, mas também fazer um sovela e virar sapateiro embora a grande maioria curtam a mentira... Meu pai foi de tudo um pouco! Até vendeu volfrâmio a Hitler para seguir em frente... Era outra guerra! Nossa infinita graça, se transformará dia após dia, até um dia!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:17
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2023
MALAMBAS . CCLXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO

Crónica 334618.01.2023 em AlGharb do M´Puto

Por soba002.jpgT´Chingange (Otchingandji)

barata1.jpg  Se não tivermos cuidado acabaremos desactualizados usando mal os computadores avançados por provocação, provocando o caos com a ajuda dos algoritmos, originando ditaduras digitais que nos impingirão liberdade desprovida de realidade. Posso constatar que muitas notícias são truncadas a contento dos DDT - Donos Disto Tudo, abraçados a políticos com Maioria Absoluta. No presente século XXI podemos ser divididos em “castas biológicas” e elites monopolizadoras de riqueza, que nós gente comum, passaremos a aceitar como algo natural.

Malucos e políticos incompetentes ficarão no topo da hierarquia prometendo algo que nunca farão. Da forma como tudo vai ficando, só pode piorar. Hoje, os 0.9 por cento mais ricos do mundo, detêm metade da riqueza mundial. Alguns destes, tal como Cristiano Ronaldo, para além de ricos, ficam símbolos de estatuto social.

Assim sendo, o futuro do povo “massa”, dependerá da boa vontade de uma pequena elite. Tambulakonta!? (vamos ficar atentos). Como uma catástrofe será muito tentador e fácil, mandar as pessoas supérfluas borda fora da Nau-Nação; a eutanásia em rigor, irá servir de justificativa como se o fora coisa comum.

DIA76.jpg É claro que o mundo está sempre em mudança; na década de 1970 os teólogos da América Latina inventariaram a Teologia da Libertação apresentando Jesus Cristo como um Che Guevara. E, afinal Jesus pode também ser recrutado para analisar o aquecimento global pois os princípios religiosos sempre surgirão eternos e usados em novas posturas políticas.

Enquanto o Papa Francisco lidera a luta contra o “aquecimento global” em nome de Cristo, sermões exaltados de pastores evangélicos, resistem à regulação ambiental com sermões exaltados. Ao invés de outros tempos, no século XXI as religiões não farão chover com procissões.

As mesmas, não curarão doenças com mezinhas, benzeduras e rezas com oxalá nem construirão bombas de matar mas, ainda serão elas, as religiões que determinarão quem faz parte de “Nós” e quem fará parte de “Eles”; quem devemos curar e quem devemos bombardear.

jindungo0.jpg Seja a Arábia Saudita, o Irão, o Congo, Israel ou os USA, todas as Nações seguirão políticas mais ou menos capitalistas, todas vacinarão crianças contra o tétano ou sarampo, todas recorrerão a químicas e físicas e todos fabricarão bombas. Os Russos continuarão a fabricar misseis inteligentes, para delinearem fronteiras a seu gosto, matando gente e destruindo infraestruturas civis.

E, todas as sextas-feiras à noite as famílias judias sentar-se-ão à mesa para em família partilharem uma refeição especial vivida em alegria, gratidão e união. Na história, na política, na religião de cada qual, as pequenas diferenças podem originar grandes efeitos. O Mundo, ainda anda a reconstruir-se…

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:59
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Domingo, 15 de Janeiro de 2023
KAZUMBI DE BORUNDANGA . IX

A CAMINHA DA RECESSÃO – De cada 100 euros de PIB, 39% vão para o estado

Crónica 3345 – a 15.01.2023, em um Domingo

Portonito 20.jpgT'Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

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Winston Churchill afirmou que a democracia é o pior Sistema político, à excepção de todos os outros. Nesta e em muitas outras situações, as emoções humanas sobressaem às teorias filosóficas. Quantos cristãos, judeus ou budistas estarão imunes às singularidades do ego amando em realidade o próximo como a si mesmos!?

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Seres humanos, zangados, raivosos ou anciosos matam milhões de outras pessoas em desavenças, guerras ou acidentes rodoviários. Recentemente morreu um pensador nascido Joseph Aloisius Ratzinger e tornado Papa com o nome de Bento XVI; teremos de reflectir de vez em quando, pelo menos, em como depurar nossos programas de vida para nos livrarmos dos muitos e variados preconceitos humanos.

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Ao longo da estória, a dificuldade em fazer cumprir as leis foi uma boa protecção contra os preconceitos e erros dos legisladores. Se assim não acontecer, deve o estado intervir regulando o código de ética?

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karoo1.jpg Sim! Pois queremos um sistema em que as decisões de políticos falíveis, se tornem inexoráveis! Que não cedam a rogos nem a lágrimas se tiverem curriculum de FICHA LIMPA! Caso contrário será melhor ficarem no seu canto gerindo seu galinheiro. Que o seja como prescreve a Lei de Peter ou como o é a lei da gravidade de Murphy. Pude ler isto de outro jeito no livro de Ywal Harari em seu livro das 21 lições para o século XXI.

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E, também li algures que não estamos a fazer grande coisa para investigar e desenvolver as capacidades humanas, segundo as necessidades do sistema económico e político em detrimento de favores e benesses indevidas…

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dia122.jpg Pode aperceber-se assim, que será possível que toda a riqueza de uma Nação e todo o poder fiquem concentrados nas mãos de uma elite ínfima, um Governo de Maioria Absoluta, famílias e afins, enquanto a maioria das pessoas, os cidadãos, sofrem não de exploração mas, algo muito pior: -De Irrelevância…  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:12
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Sábado, 14 de Janeiro de 2023
MALAMBAS . CCLXXIV

A TEORIA DA MENTIRA

Crónica 3344 14.01.2023 em AlGharb do M´Puto

Por CACHORRO FELIZ.jpg T´Chingange (Otchingandji)

dia20.jpg Pesquisando vários pensadores acerca do tema da mentira, facilmente cheguei ao cerne da pesquisa: Mentir é dizer algo que não é certo, ou algo que é parcialmente certo de acordo com uma parcela muito pequena da realidade que a pessoa escolhe para discutir. Quando a estratégia de comunicação deliberada é baseada neste tipo de argumento para construir relacionamentos, constitui-se uma mentira através de manipulação, o que constitui uma grave violação à ética no trabalho (Pedace, 2011, p.109).

O mentiroso, antes de tudo, omite a verdade e, em seguida, elabora uma declaração alternativa plausível para o ouvinte, ao mesmo tempo em que oculta os sinais do nervosismo. Tal processo implica em um maior uso dos recursos cognitivos do que quando se diz a verdade (Williams, Bott, Patrick, & Lewis, 2013). Para filtrar as inverdades os novos candidatos a fazer parte do governo português, estes, ficarão sujeitos a um escrutínio por formulário composto de 37 perguntas ao qual responderão com um sim ou não. Isto não vai aquecer nem arrefecer e será simplesmente um mecanismo interno para poder ilibar o Primeiro-ministro nas responsabilidades de escolha co-responsabilizando de certa forma o Presidente Marcelo.

costao.jpg A proposta do tal formulário foi discutida na reunião semanal do Governo, em Conselho de Ministros, aprovada pelo Partido da Maioria Absoluta sem avançar detalhes sobre este mecanismo de escrutínio, dos nomes escolhidos para o elenco governativo com muitos edecéteras e por forma a “tapear” a opinião pública já tão saturada de inverdades, arranjos e práticas incestuosas no uso da palavra. O PM Costa socorreu-se da interpretação do "constitucionalista" Marcelo Rebelo de Sousa para clarificar os poderes dos órgãos de soberania.

"Devemos ser muito rigorosos nas competências próprias de cada órgão de soberania, a Constituição é muito clara", lembrando que os "membros do Governo são nomeados pelo Presidente da República sob proposta do Primeiro-ministro". E recorreu à interpretação de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o facto de o Presidente da República ter nisto "um poder substancial". Tudo indica que as futuras comissões parlamentares deverão, anunciar quais os géneros de mentiras que aceitam por parte dos convocados e quais os géneros de mentiras que, por parte dos convocados, não aceitam.

costa13.jpg Tudo indica que aqui, vai funcionar um ardil para que o PM se iliba das escolhas sob o risco de serem elas, as comissões parlamentares, responsáveis por falta de adequada sinalização, e de o serem por elas convocados vítimas de um logro. Mas, lendo a teoria da mentira segundo Marcelo Rebelo de Sousa: As mentiras são substanciais e insubstanciais. Dividindo-se, porventura, as mentiras substanciais em mentiras muito substanciais, mentiras medianamente substanciais e mentiras pouco substanciais. E, porventura, dividindo-se as mentiras insubstanciais em mentiras muitíssimo insubstanciais, mentiras medianamente insubstanciais e mentiras quase substanciais. Pelo que as comissões parlamentares não deverão exorbitar. Será justo colocar todas as mentiras ao mesmo nível? Por exemplo, dizer que as mentiras muito substanciais valem o mesmo que as mentiras medianamente substanciais e as mentiras pouco substâncias?

Relendo o artigo de Artur Portela, escritor e jornalista chega-se à dúvida: “Não é justo. E será justo, por exemplo, dizer que as mentiras insubstanciais valem o mesmo que as mentiras muitíssimo insubstanciais e que as mentiras quase, mas só quase, substanciais? Que Eu (Artur Portela) permito antecipar-me ao meu querido e velho amigo desde os anos 70 e poucos, arriscando que, para ele, são aceitáveis, em sede de comissão parlamentar, quase todas as mentiras insubstanciais. Vamos, todas. E arriscando que são inaceitáveis, para ele, boa parte das mentiras excessivamente substanciais. Embora, porventura, não todas. Deixando passar as mentiras medianamente substanciais. E as mentiras pouco substanciais. Há que ser generoso. O Povo é sereno. E importa que a verdade não exagere”.

costa02.jpg Metido neste molho de brócolos mais me certifico que a Mentira reina sobre o Mundo, digamos que é a frase que paira neste espectáculo encenado por António Costa, o dono do pedaço chamado de PMM - Partido da Maioria Absoluta. Hoje a mentira tem vários nomes, utiliza o utilitarismo, ordem social, senso prático. Ela, a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; é preciso estar alertaOnde estão então os limites entre a verdade e a mentira? Não são só factos que as caracterizam, mas a maneira como são vistos ou apreendidos, neste espectáculo que vivenciamos.

RESUMO: No contexto da interacção interpessoal, no qual são utilizados recursos comportamentais como gestos, expressões faciais, postura corporal e modulação de voz, destaca-se o fenómeno da mentira, que é caracterizada pela dissimulação de ideias, sentimentos e emoções. Mentir é um processo psicológico pelo qual um indivíduo deliberadamente tenta convencer outra pessoa a aceitar aquilo que o próprio indivíduo sabe que é falso, em benefício próprio ou de outros, para maximizar um ganho ou evitar uma perda (…). A mentira é um acto instintivo e funciona como uma arma de preservação social, no entanto, do ponto de vista jurídico, ela é avaliada por seu dolo, ou seja, pela intenção e pelo prejuízo moral ou material que causa (Castilho, 2011). Um indivíduo pode mentir por ocultação, quando omite informações verdadeiras, mas não apresenta informações falsas, e também por dissimulação, quando apresenta falsas informações como se fossem verdadeiras, retendo aquilo que sabe que é verdade… Fui!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:55
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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2023
KAZUMBI DE BORUNDANGA . VIII

A GRAÇA - A CAMINHA DA RECESSÃO

Crónica 3343 – a 13.01.2023, em uma Sexta-feira - Ando a interpretar a Bíblia; só alguns trechos...

Porcosta01.jpgT'Chingange no AlGharb do M´Puto

costa araujo4.jpeg Verifico que tal como Pedro, sou Impulsivo, irreflectido por vezes e, nem sempre vou na diapasão dos demais - penso por mim; não vou em cartilhas, em posturas mal desenhadas ou leis descabidas como este recente escrutínio formulado com trinta e tal perguntas para averiguar se, se tem Ficha Limpa em seu curriculum e, daí poder a vir a ter um lugar no Governo. Sou cada vez mais desconfiado porque nem sempre o que parece, transparece! O homem, não me infunde confiança...juro!

Pedro em sua sinceridade também friccionava sua mente com novos parâmetros e análise de paradigmas. Até segundo se diz e, porque se lê, parecia difícil vê-lo com alguém equilibrado, coisa diferente em mim que sempre ando com gente desclassificada dos carretos! E, ando por isso, muito descrente! Como ele Pedro, ora estou em um lado, ora estou num outro distante mas, agora tenho de ficar agarrado ao sofá ouvindo coisas repetidas na exaustão para preencher o tempo! Mas, vale a pena estar informado, sim! Em meus altos e baixos, nós os dois, em épocas longínquas falamos quando teria sido melhor permanecermos calados, curtir o NADISMO em sua plenitude, pois!

cos3.jpg Ou também fazendo afirmações inspiradas, à semelhança da que vimos ontem e antes de anteontem, ou quando Jesus quis saber o que todos pensavam a Seu respeito: “Tu és o Cristo?!”. Ao ouvir o Mestre Messias falar da própria morte e do abandono de que seria vítima, Pedro falou: “Ainda que todos Te abandonem, eu nunca Te abandonarei!” - Esse, era seu problema: Queria mostrar-se forte, quando deveria expressar dependência; era rebelde! Foi quando então aconteceu o que Jesus, o Messias, previu: Pedro O negou. Tendo caído em si, arrependeu-se e por isso ganhou uma nova chance. Lembro esse meu tempo de fantasma que era noite, e a lua brilhava intensamente.

No entanto, recordo o ambiente pesado. O passado havia sido decepcionante, o presente parecia incerto, e o futuro, ameaçador. Pópilas! Agora acontece a mesma coisa, ando aqui metendo tudo na água sanitária, esfregar-me com gel, gargarejar com água salgada e usar muito sabão só para eliminar um invisível e extremamente perigoso diabinho... Também usar alho cru, que afasta as minudencias. Será? Pedro, naquele tempo, estava deprimido, moralmente caído. Se é verdade que a pescaria o ajudava a relaxar, talvez tenha sido essa a intenção dele quando disse: “Vou pescar”, no que foi acompanhado pelos outros parceiros. Isso, agora no 2022, não o poderia fazer sem ter uma especial licença retirada no caça niqueis estatal chamada de Caixa Multibanco. Naquela tentativa, Pedro fracassou. Todos temos um tempo, Noé!?

costao.jpg Aqueles pescadores profissionais tentaram pescar a noite inteira sem apanhar nenhum peixe. Eu pesquei no Auchan a troco dum crédito que o cartão cuspilhou! Dinheiro, hoje, assusta! Contudo, a noite de fracasso com Pedro, chegou ao fim, e os raios do Sol trouxeram-lhe mais do que um novo dia; veremos... Na casa de Caifás, um outro personagem, ele Pedro, pois então, havia negado conhecer Jesus, mas na praia, naquele alvorecer, o Mestre o esperava orientando o método correto para o êxito na pescaria. Naquele tempo não existia um Costa, um Primeiro-ministro auxiliado por um Merdina, cobrador de impostos; era tudo assim mesmo, governamentalizado na palavra…

Pedro teve azar, mesmo; porquê?! O Costa actual, explicou e bem tim-tim por timtim como pescar com máscara no Auxan, assim e assado e só depois frito ou cozido; de preferência português porque peixe chinês, está provado, trás vermes! Naquele tempo de há 2022 anos, mais coisa menos coisa, um tal de João O reconheceu, Pedro se apressou a encontrá-Lo. Porque precisava Dele naquele momento! Pedro sentiu que Jesus ainda o amava e se interessava por ele. Ficou taciturno... E, quando os demais chegaram, o desjejum já estava pronto.

costa13.jpg Foi naquele ambiente restaurador que Jesus fitou profundamente os olhos e o coração de Pedro e lhe perguntou três vezes: “Você Me ama?” E tantas vezes quantas O havia negado, o discípulo respondeu: “O Senhor sabe que eu O amo, Senhor!”. E recebeu a missão! Cuidar de nós vindouros... Pedro ainda estava nos planos do Mestre, apesar de suas fraquezas...

Bom dia de Sexta Feira 13 com uma feliz semana. Curioso ser aquele encontro animador para nós, porque nos identificamos com Pedro, digo eu. Eu explico: Somos trambiqueiros por natureza, dizemos hoje o que amanhã reclamamos; somos inconstantes e até outras coisas nada abonatórias mas... E, afinal Pedro também o era! Se em Jesus vemos nossas possibilidades, em Pedro vemos nossas fraquezas! E, foi ele Pedro o fiel depositário das chaves de nosso curral - este nosso Mundo, Noé?! Afinal, existe algo que a GRAÇA não possa superar?

 O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:25
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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2023
OT´CHIPULULU . 5

T’XIPALA DO M´PUTO - FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA

Candengue da Maianga - Mau-olhado – Xicululu – Crónica 334209.01.2023

Porxicululu8.jpgT´Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

Mu Ukulu11.jpg Desengrenando o meu disco a fim de dar arrumo a todas as mokandas, na rapidez, desconsegui acompanhar a velocidade do pensamento. No espaço de lembranças com odor de tamarindo e gajaja, o branco kandengue que era eu, teria os meus seis anos quando fui tirar a minha primeira fotografia no largo Serpa Pinto. Minha mãe Arminda da Maianga reparou que tinha um escuro de tição no rosto e, ali, entre as acácias da minha rua da Maianga, tirou um lenço de linho de sua bolsa, molhou na língua para amaciar e esfregou este no meu rosto como se eu fosse um gato

Uma gata a lamber seu filhote que era eu. Lembro-me de ter barafustado com coisa tão díspar e chorei de raiva até chegar ao fotógrafo que se situava no largo de Serpa Pinto. A fotografia tirada naquela máquina caixote, com manga preta de esconder susto, parece agora, ter andado num tornado castanho de fúria amarela, pontilhada a cagadelas de mosca.

O relâmpago daquela coisa susteve-me os últimos soluços. Desconsegui saber que já era hiena antes de saber que bicho era esse – um puto reguila da mulola do Rio Seco. Depois foram os apitos roucos dum barco que chegava a um cais, muitas casas compridas e homens em tronco nu segurando um saco com malas de chapa pintadas, bikwatas e cacarecos vários. Gritando ordens e, entre eles dizendo palavrões mais um mwadié branco como eu gesticulando ao homem aranha pendurado numa coisa chamada de guindaste; deveria ser o capataz.

dia142.jpg Era um tio que estava chegando do M´Puto. Grandes máquinas circulando com luzes a piscar na água; muita água balouçando o azul na linha de horizonte mostrando uma ilha que mais tarde vim a saber ser a ilha da Mazenga; uns peixes brincavam voando ao redor duma cabeça e tripas, talvez dum roncador ou mariquita. Por força das circunstâncias, coisa que me transcendia, meu tio Zé, o Nosso Senhor topeto teve de atravessar o atlântico num vapor de nome Uíge.

Meu tio chegou assim calças largachonas, um chapéu palhinhas muito usado na época, de um branco besugo avermelhado pelo sol do equador. Recordo agora as fotos com ele sentado junto à mandioqueira que dava sombra ao tanque de lavar, uma selha feita de uma metade de pipo de vinho, aduelas do tintol do M´Puto baptizado com água do Beno na loja do Senhor Rente Cruz, o tio do Tony Melo, mais uma tábua ondulada aonde a Dona Arminda esfregava as flanelas da família.

Aquela foto era para entregar no Colégio João das Regras junto ao Martal – Martins e Almeida para compor meu livro de aluno. Até sobraram para mais tarde, um outro colégio chamado de Moderno que ficava bem junto da estação de Caminho de Ferro da Cidade Alta. Lembro-me de ter lido algures que o vapor transatlântico Uíge, tinha escrito numa bandeira, Companhia Colonial de Navegação. 

xicululu7.jpg Naquele tempo que pensava ser um kamundongo, percorria os bairros desde a Maianga até o Bairro do Café, com os pés entrançados na grande bicicleta do meu tio Zé Nosso Senhor; assim mesmo feito chambeta, calcorreava a Luua, as encostas dos musseques com o Pica mulato que mais tarde virou oficial superior do glorioso MPLA. Isto de glorioso era ele que dizia, mas o tempo escondeu-nos do convívio, tal como o Aninhas das motas, seu irmão, mais o preto Batalha do Catambor.

Sem sabermos, construíamos todos os dias uma descolorida amizade, impregnada duma vivência que o tempo dissolveu por ideias ou ideais mas Luanda estava ali mesmo, ai-iu-é! Naquela foto de menino, eu não tinha verdadeiramente uma cor de gente; era assim como um boneco com umas calças de ganga grosseiras, sarapintado de manchas a descair sobre uns sapatos quedes da macambira.

Vendo-a, a foto amarelecida, podia passar por uma cor de pele das que os meus amigos tinham. Podia muito bem ser cafuzo, matuto ou mameluco mas, só era mesmo um mazombo, filho de colonos saídos do M´Puto com uma carta de chamada. Até Pica e Batalha, duvidavam que eu fosse mesmo branco! Subia ao coqueiro com a mesma agilidade deles, matava sardões com a mesma pontaria de fisga tiradeira e tinha o mesmo jeito para apanhar rabos-de-junco, plim-plau, xiricuatas, celestes e januários nas lagoas do Futungo ou um qualquer charco de Belas.

xicululu6.jpg Íamos lá longe por detrás do aeroporto de Belas, Craveiro Lopes apanhar pássaros na rede. Mais tarde num dia de inspirada arte, com muito jeito, pintei de branco a minha t’xipala mas, não se parecia. Só Necas me levava a sério chamando-me de Mandrak. Um dia após uma investida de valentia no quintal do Malhoas às maças da índia, gajajas e goiabas, mostrei a dita foto à turma dos “salta muros”; a minha turma! Ué… Seguiram-se risadas desconformadas - Foi um chinfrim que trespassou o silêncio muito para além do Almeida das Vacas, o rio seco, as bananeiras.

Aquele riso não era verdadeiramente de alegria; era, isso sim, um misto de valentia lambuzada na gozação pois que parecia ser mesmo um besugo. Pica, pulou de macaquice, chamando-me de T’Chingange da Manhanga. T’chingange?! Naquele tempo perfumávamo-nos de ignorância atrás do carro da tifa chamando de monangamba aos trabalhadores da recolha do lixo. Mais tarde, fiquei a saber que aquela figura, T’Chingange, era gente de verdade; pintados com argila branca ou cal, no terreiro do kimbo, pulavam como que possuídos de katolotolo

sabão macaco1.jpg Glossário:

T’Chingange - um misto de feiticeiro, justiceiro, advogado do diabo (de quem se tem medo); mokanda - carta; M´Puto - Portugal; kandengue - moço, rapaz; kamundongo: Kaluanda - natural de Luanda, rato; rabo-de-junco - pássaro; t’xipala - fotografia (de rosto); besugo - labrego ou simplório, chegado do M´Puto - (gíria de Angola); monangamba - trabalhadores sem classificação especial (pejorativo); kimbo – sanzala (planalto central de Angola), povoado; Carro da tifa - desinfestação de ruas ou quintais para matar o mosquito e outras pragas; selha: Meio barril feito de aduelas; quedes: sapato simples de ténis, em pano; Manhanga: o mesmo que maianga, charco ou poço de água; catolotolo: Zuca, mal da cabeça, maluca, passado dos carretos, com feitiço…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:18
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2023
OT´CHIPULULU . 4

UM POR TODOS, TODOS POR UM - Meditação do T'Ching

Depois da SEXTA-FEIRA vem o SÁBADO... Vamos ver se nos toca algum desse tal pacote de RESILIÊNCIA…

Mau-olhado – Xicululu – Crónica 334106.01.2023 dia de REIS

Por t´chiku2.jpgT´Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

t´chiku1.jpg Se um membro sofre, todos sofrem - deveria ser assim! Poucas coisas na vida, são tão tristes quanto alguém insinuar a disposição de deixar de estar... Algumas vezes, o motivo apresentado é de abandono, desiludido, amargurado e, um sem numero de adjectivos ou e, também o de ficar sem vintém. Isso! Sem ver a cor do dinheiro...

Em muitos, é a falta de apoio e solidariedade, quando a pessoa enfrenta momentos extremamente difíceis, sem trabalho, sem ânimo por falta de condições para continuar. Essa indiferença com alguém ou grupos de gente, em especial como os muitos velhos, creio que 35.000 em lares ilegais, que é sempre desoladora. E, perguntar-se do porquê do estado, ter descuidado esta gravidade!

E, os políticos da oposição que nem tudo apontam à gestão do Costa! Que dizem amém a tudo fazendo de avestruz nos casos cruciais. O PCP só lembra os trabalhadores, o PSD anda na concórdia, os outros andam distraídos não falando de outros desvios que voam na TAP. Isso! Daqueles preços super facturados na compra de aviões, na ordem de 20 a 30 % perfazendo milhões em luvas, desvios para as contas de alguns. Aqueles tão falados 500 mil dados a troco de silêncio a uma alta funcionária, é só um entretém!

t´chiku3.jpg Justificativas defensivas e bolinhas de sabão por parte da comunidade e grupos do poder não ajudam a clarificar o que tantos sabem e teimam em não querer saber! Mariolas, afinal, somos todos irmãos em Cristo e devemos nos importar uns com os outros, Noé? Charles Swindoll, um sociólogo, cita um pensamento profundo de John Donne, poeta e pregador inglês do século XVII: “Nenhum homem é uma ilha inteira em si mesmo; todo homem é uma parte do continente, um pedaço do todo”.

Antes da criação de Eva e do Adão declarou-se: “não é bom que o homem esteja só” – a fim de que todos sejam um” São símbolos que devem estar sempre presentes! São estas e apenas, algumas das referências que se indicam na pertinência do envolvimento entre cristãos; mesmo entre gente que se diga ateu - porque o ser ou não ser, não o isentará de só ser mais UM

Não parece haver dúvidas de que este envolvimento será um dos grandes efeitos da conversão e necessidade de comunhão tendo como fundamento o amor sincero. Sobre os dons espirituais, também nos podemos comparar a um corpo cujas famílias que compõem uma tribo, uma nação, neste caso o M'Puto - Portugal, todos diferentes e com funções distintas, são tão interdependentes a ponto de um ser afectado pelo sofrimento do outro ou pela honra a esse outorgado.

t´chingange 0.jpg “Se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um membro é honrado, com ele todos gozarão de honrarias. Assim deveria ser mas não, Noé! Temos o simples, o lei-off com empresas que necessitam e outras contempladas que não o necessitariam! E, muitos aproveitamentos! Convém que nos envolvamos mutuamente, alegrando-nos com os que se alegram, chorando com os que choram, e não que vivamos como ilhas.

Como diz o livro dos livros: “Acima de tudo isto, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição... Instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em sabedoria” num distanciamento salutar, obrigando os perdigotos a ficarem isolados! Tenham um Bom dia de REIS no sofá, na poltrona, na butaca, no mukifo, na cubata, no chalé ou no chulé com parede de taipa... Conforta saber que, em um mundo indiferente, talvez alguém nos ame e se importe connosco. É bom pensar assim! Em algum lugar, outro alguém precisa sentir que fazemos diferença em sua vida. Vamos ver se nos toca algum desse tal pacote de RESILIÊNCIA…

O Soba T'Chingange...



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:06
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2023
OT´CHIPULULU – 3

A GRANDE TRAGÉDIA - Depois da QUINTA vem a SEXTA-FEIRA...

Mau-olhado – Xicululu – Crónica 334005.01.2023 na Meditação do T'Ching

Por abac1.jpgT´Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

booktique14.jpg Harmonizar a existência do sofrimento com a realidade é talvez, o mais antigo dilema da mente humana. Em busca de respostas, mergulhamos em especulações que resultam normalmente em dúvida e descrença. Com o pensamento voltado na busca de satisfação de alguma coisa pequena, alargamos sua importância de forma desmedida. Calma! Tudo irá passar...

Epicuro, filósofo grego, não entendia o que lhe parecia ser a inércia de Deus diante do sofrimento humano. Hoje, perante esta pandémica situação covidesca, que ainda por aí anda, muitos apelam a Ele como recurso e, as respostas não chegam como se pretendia! Numa amostra de descrença e irreverência em uma argumentação na qual se questiona o poder, a bondade e a existência do Senhor, adentram-se em considerações que nada têm de humilde seguidor...

bimbo4.jpg Cá por mim, já estou comendo terra antes que ela me coma. Verdade! Argila verde com radioactividade e, que tem zinco entre outros minerais espaciais. De facto, não podemos entender plenamente todas as nuances do sofrimento, pintando-O como injusto e até tirano, mandando às urtigas os ensinamentos; isso é com os outros, digo eu ao diogo. Se o sofrimento continua a magoar não será causa de inércia, conivência ou impotência da parte da Natureza porque as perdas e singularidade são-nos inerentes; teremos de ser nós a cuidar-nos com a integridade e confiança possível ou admissível. O mesmo ar que respiramos com seu oxigénio, oxida-nos no tempo como se o fossemos um tubo de ferro.  

Por mais cruel que seja o sofrimento com todas as suas perdas, a maior tragédia é sempre deixar de confiar nessa fé que sempre dizem mover montanhas... Ou mato, ou morro! Para onde ir? Como é? Como foi? Pois se até o ferro que é duro enferruja! Mas sempre consciente ou não, levaremos a Ele as cargas que nos oprimem, enquanto aguardamos... Quantos pára-brisas de carro, pau de arara, camião TIR têm pintado: "Deus, é fiel"

carocha4.jpg Malembemalembe! Cada qual tem de esperar na beira da vida pelo seu machimbombo. Quer se dizer: devagar se vai ao longe... Hoje ou amanhã sempre haverá aquele momento em que, “desde o minúsculo átomo até o maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza sucumbirão". Sempre irá ser assim! Na imperfeita alegria, na leveza do ser, teremos de encarar normal esse conflito - Nem grande, nem pequeno! Sempre foi assim… Amanhã será SEXTA-FEIRA, teremos futebol, depois virá mais bola até fim do campeonato! Vamos aproveitar o Sol, a chuva e um dia novo que como missangas lhe seguirá um outro. É a vida...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:29
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2023
MOKANDA DO SOBA . CXCV

MEDITAÇÃO DO NOVO ANO DE 2023  

*PLANO ÚNICO* - UM DIA DEPOIS DA MORTE DE BENTO XVI AOS 95 ANOS DE IDADE...

Crónica 3339 de 01.01.2023

Porsoba50.jpg T´Chingange (Otchingandji) em Lagoa do M´Puto

sesmarias1.jpg De acordo com uma lenda, quando Jesus ascendeu ao Céu, alguns anjos se mostraram curiosos para saber algo mais a respeito da experiência Dele na Terra e foram interrogá-Lo a respeito: “O Senhor fundou um grande movimento! Quantos seguidores deixou?”

Jesus teria respondido: “Geralmente Eu atraía grandes multidões, mas deixei apenas 11 discípulos, alguns poucos amigos e dedicados seguidores.”- Bem, continuaram os anjos: “sendo tão poucos, certamente devem ter sido seres humanos excepcionais, dotados de excelente carácter, pessoas influentes em suas comunidades e de sucesso profissional.”

ara3.jpgCA -  A resposta teria sido: “Realmente, eram fora do comum: alguns pescadores, um colector de impostos, pessoas simples. Os anjos continuaram: “Nesse caso, formavam um grupo extremamente leal e confiável!” Jesus: “Eles tinham uma vontade imensa de ser leais, mas, no momento mais crítico, um Me traiu, outro Me negou, e quase todos os outros fugiram.”

“E o Senhor ainda espera que esse grupo continue Seu trabalho? Tem algum plano alternativo?” - Jesus teria respondido: “Não, não tenho plano alternativo. Esse é o grupo com que posso contar.”- À parte da lenda, o facto é que os discípulos aos quais o Mestre incumbiu a tarefa de pregar o evangelho e estabelecer Sua igreja eram repletos de limitações. Mas não foram limitados na esperança de que Ele cumpriria a promessa de enviar o Espírito Santo que os capacitaria com poder para testemunhar.

sesmarias2.jpg Esperaram conforme a ordem (Lc24:49), “unânimes em oração”, em profundas e sentidas confissões, conscientes de sua incapacidade, até que, no Pentecostes, foram cheios do Espírito. O livro de Actos está cheio de factos reveladores da ousadia com que pregavam, do poder com que realizavam milagres e da pureza de vida que os caracterizava. Somente no poder do Espírito foram capazes de cumprir seu papel missionário, apesar da oposição. Para alguns, nem a vida era tão preciosa que não pudesse ser deposta no altar do sacrifício. A transformação foi radical. A igreja débil se tornou invencível!

Bom dia, feliz ANO. Com aquele grupo, Jesus iniciou o trabalho. Com o grupo do qual fazemos parte, Ele planeja concluí-lo. Não há plano B. A promessa contínua a mesma: “receberão poder”. A busca desse poder é uma experiência diária e individual. O Espírito Santo não será derramado sobre papéis, cofres, computadores, câmaras, edifícios, mas sobre pessoas como você, eu, ou o Papa Francisco

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:27
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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2022
MALAMBA DE HOJE . CCLXXIII

Porque depois de amanhã! Depois de Amanhã?! Pois será outro dia…

DPOIS DE AMANÃ, SERÁ OUTRO ANO - 30.12.2022

Crónica 3338 em Amieiro de Arazede do M´Puto

PorAvillez2.jpg T´Chingange

ANO NOVO1.jpg Como à cinco anos atrás, de novo aqui voltei. Levantei-me tarde, eram horas de tomar banho, vi-me ao espelho sem óculos e fiquei espantado com minhas sobrancelhas! Nem Álvaro Cunhal as tinha assim tão desaklinhavadas. Procurei uma tesoura para as cortar, busca e rebusca e só encontrei um corta unhas. Bom! Estava em casa de Mfumomanhanga e, era até normal desencontrar o pretendido. Mas um corta unhas serve pró efeito! Aproximei o rosto ao espelho e mais parecia ver uma cratera com riscos e, lá estava bem junto ao olho esquerdo um senhor cabelo preto e grosso com um quilómetro de extensão, salvo as proporções da mirada. E cortei o dito-cujo ouvindo-se um estalido e, depois ouvi-me mesmo dizer em vos alta: Já está!

Numa busca mais apurada e, já tinha pelos e cabelos dinossáuricos em tudo quanto era buraco, orelhas com pretos encaracolados e, brancos e grossos das sobrancelhas que foram cortados num pisca-pisca, as pestanas a tremer de medo e a menina dos olhos a engrossar-se de receios. Mas convém dizer aqui que Mfumomanhanga Xkalibur é meu filho – vulgo Marco! Vim a casa dele passar o Natal e acabei por ficar até o fim de ano porque é neste dia último que fará seus 50 anos de idade. Bem! Quando começou a fazer parte da Kizomba dos mais-velhos foi-lhe dado esse nome que vem de m´fumo que quer dizer chefe e Manhanga que era a velha forma de se chamar a Maianga, sítio de nascentes com água boa para se beber lá na Luua. O grande problema gora é que ainda continua chefe de nada… enfim!...

avillez00.jpg Tomando banho com água bem quentinha, saída da serpentina, meio-dia mesmo, os pensamentos vieram assim procurar-me para dizer que minha vida me fazia escorregar só assim gordote, careca e tisnado nos contrafortes, mataco balofo e chocho, minha vida afinal não era mesmo como antigamente. Háca! Já não ia sempre nas farras nem kizombava meus merengues naquela banga swinguista kaluanda, mesmo nada, só mesmo deixar o tempo passar, comer e beber. Aiué menino Tonito naqueles tempos te conhecia logologo mas agora xiii, nem mesmo, só pensando, digo navegar os olhos naquele tempo de Lifune e cassoneira, botar fuba na água pra chamar peixinho dos cacussu, mesmo de fazer biala de zuza. Tu tás mesmo velho, patrão, diria agora o Chiquinho Pernambuco.

Pópilas! Nem sempre homem, nem sempre jovem, já mais velho, nos intervalos, aprendi a aprender, a ser grande. Hoje mesmo, vou-me ensinando a ser gente tomando aqui e acolá, por onde calha, o saber dos mais sábios para ficar esperto, dos amigos mais simples aos meus insuspeitos inimigos também. Já sem cabelo, rapo o que resta ainda mais curto até ficar zero que nem a monaliza e mão-na-liza. Li-me no espelho e fiz-me gaifonas vendo as rugas enquadradas num diferente tempo de pó de variadas espessuras, nem sempre alegres, nem sempre tristes, por vezes vaidosas. Vesti lãs frescas, despi-me de calor e desabotoei o único botão.

ano1.jpg Calcei pantufas quentes, ultima oferta de natal, pisei descalço os ladrilhos de verde esperança e azul-turquesa. Fui ao computador ocupar o tempo, escrever a mokanda, li poemas do Zeca e do Edu, reli baladas e muitas tretas de fazer caretas; ouvi cantigas, muitos gostos, li desaforos, coisas choradas, lamuriadas, cânticos gospel humedecidos, vídeos foleiros, alguns brejeiros e fui à China comer baratas. Verdade, mesmo! Ouvi as balelas vulgares do rolha presidente e a saída do Nuno da TAP, da desgovernamentação do Costa com Marcelo e Companhia  e, da tomada do Lula como presidente no Brasil…

Mas a confiança ficou periclitante com as demais noticias da Ucrânia, a morte do Pelé e também da Linda de Susa, uma cantora bem conhecida em Paris, a segunda cidade portuguesa, A confiança aui neste porém, tinha fugido mesmo no antigamente com os pássaros pírulas a continuar gritar assim como nos braços do imbondeiro gordo. Enaná ué-ué! Melhor ficar assim mesmo e falar com meus kambas nas falas de Bom Natal 22 e um 2023 com muita bangula. Ver amanhã da janela, o fogo dos artifícios e na TV o fogos do Funchal acima dos 18 graus centígrados.

ANO NOVO2.jpg Darei meus dez dedos de parabéns a meu filho Mfumomanhanga Xkalibur, vulgo Marco, não lembrarei o que queria e deixava de querer – cada qual é que vai saber, que  ele não esquecesse de bombar seus cinquenta anos com enxurradas de luz. Pra passar o tempo, comi bolinhas de suspiros, sonhos de abobora, gelado de sape-sape e tamarindo, mangaba só de pensamento! Sol malé! Ceu tapado de frio. Pensando no Chico Honório, meu cunhado que muito mal, está no hospital. Caté botei missangas de vida pra ele com magalas, malas e gente com galões mais brasões; comboio fumaça, vapor que apita, trópicos e equador.

Parti para outro e, mais outro e outro lugar, sem me encontrar. Teci-me na linha dum destino só meu. Criei a teoria do esquecimento, burilei-me nela e voei entre nuvens turbinadas de sucção, aspiração, compulsão e impulsão, vida de cão. No calor do tempo queimo cansaços, fracassos vazios, decepções e até solidões, também! Criei projectos, levantei paredes, agora nem quero saber, só mesmo comer! Depois de manha será outro dia e novo ano. Mais nada! Mungweno…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:38
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2022
KAZUMBI DE BORUNDANGA . VII

A CAMINHA DA RECESSÃO - Os mecanismos de manipular o cérebro

Crónica 3337 – Em Coimbra do M´Puto a 29.12.2022

Por CUCO1.jpgT'Chingange

soba24.jpg Divididos entre a nossa alma eterna e nosso corpo efémero, teremos de definir o que vai ser importante saber, até se ter um tal de doutoramento e ser-se lançado à feroz competição social com lutas politicas até alcançar os luxos não básicos. Em verdade, tudo anda muito baralhado no que concerne à racionalidade humana. No tocante a países e lembrando a Grã-Bretanha em recentes episódios do tal chamado de Brexit, nunca o cidadão comum deveria ser chamado para se decidir escolha entre o SIM e o Não.

À esmagadora maioria destes, gente comum, faltava-lhes as necessárias bases de economia e o devido conhecimento de ciência política para serem chamados a votar! A iliteracia nesta área é voraz, até para quem se julga saber tudo… Esse livre arbítrio profundo e misterioso da liberdade, viu-se que nem Boris Johnson  tinha a afincada aptidão para interpretar a Europa. Pode agora concluir-se que o tal de referendo sempre se prendeu aos sentimentos humanos omitindo ou não observando com acuidade a racionalidade humana em questões económicas ou em políticas específicas.

palanca.jpg E, sendo assim, se um profissional recolector de lixo tiver esse tal de livre arbítrio, em todas as matérias, poderá dizer-se que a política democrática irá transformar-se paulatinamente em um espectáculo de marionetes; a fonte de autoridade muito rápidamente mudou das divindades para os homens de carne e osso e, tudo indica estar a mudar-se dos humanos para os Algoritmos.

A revolução tecnológica progressivamente irá instituir o ALGORITMO como a autoridade máxima; assim e em breve, a partir de antes de ontem, os algoritmos informáticos dar-nos-ão melhor concelhos do que os sentimentos humanos, destituindo o “livre arbítrio” destronando nosso mecanismo bioquímico. O nosso reino interior irá para o espaço porque o algoritmo biotecnológico será capaz de monitorizar e melhor compreender nossos sentimentos; melhor do que nós próprios.

O “livre arbítrio” irá desintegrar-se à medida que as instituições, governos, empresas e sindicatos condicionem nossas vontades, nossas escolhas. Isto já está a acontecer! Falando do nosso mundo envolvente relembro as falas de António Lobo Antunes. “Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento.

avillez00.jpg “Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal-agradecidos, protestamos”. Eles, os políticos, deixam de ser ministros e a sua vida vira um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados”.

“Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram ao litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão”.

lobo1.jpg “O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal”. Por hoje chega meus amigos…Fui!

O Sob T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:05
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2022
OT´CHIPULULU – 2

NUMA ZUELA BURUNDANGA NA TEORIA DA INVEJA

- Mau-olhado – Xicululu – Crónica 3336 – 20.11.2022 – Republicação a 28.12.2022 em Arazede do M´Puto

Por olho.jpg T´Chingange (Otchingandji)

OLHO2.pngTEORIA DA INVEJAA inveja segundo o dicionário é um substantivo feminino com origem latina. Ela vem da palavra “invidere“, que significa “não ver”. Assim, de entre seus significados vemos o sentimento de cobiça à vista da felicidade, da superioridade de outrem; sensação ou vontade indomável de possuir o que pertence a outra pessoa, o objecto, os bens, as posses que são alvos de inveja. A inveja é um fenómeno humano universal e intemporal. Faz parte da estrutura do psiquismo humano e actua sobre a cultura humana e a organização social. Ela é um dos maiores tabus da humanidade. Proibida pela Bíblia, como pecado (na tradição católica, a inveja é um dos sete pecados capitais).

Pessoalmente nunca soube lidar com a experiência emocional da inveja; nem da minha, nem da dos outros, negada por quase todos e exteriorizada com toques de ressentimento e rejeição. Consultando alguma literatura, verifica-se que a inveja é pouco estudada e, acerca dela, pouco se tem escrito. Na generalidade refere-se que não há dignidade neste sentimento. A raiva e o ódio extremos podem ser explicados por uma razão nobre qualquer, mas a inveja sempre representa um sentimento obscuro, sem justificativa legal, mesquinho e isolado, fútil, escondido como convém aos bandidos, ladrões e assassinos. Nos dias de hoje, a inveja surge refinada nos padrões de comportamento na gente de alto coturno, dirigentes de nações. E, surgem iminências pardas detrás de ideologias que pregam a igualdade, motivados crimes, políticas e revoluções. Pois bem, diferentes, somos todos e, haverá que aprender a lidar com estas diferenças. Será que isto é possível?   

dia241.jpg Entre os vários conceitos de Inveja pode também ser definida como o sentimento de frustração e rancor gerado perante uma vontade não realizada. Aquele que deseja as virtudes do outro é incapaz de alcançá-la, seja pela incompetência e limitação física, seja pela intelectual. Álem do mais, a inveja pode ser considerada um sintoma em certos transtornos de personalidade. É possível encontrar esse sentimento em pessoas que possuem o “transtorno de personalidade passivo” e, também em quem tem o “transtorno de personalidade narcisista”.

Como se aprende a lidar com as diferenças? Como se convive melhor com a injustiça primordial da existência humana? O que fazer quando eu sinto inveja? Como lidar com a inveja alheia? Será que eu provoquei inveja alheia? Quem me inveja pode fazer-me mal, o famoso "olho gordo"? Estas são as questões que me motivam a pensar neste tema. Por isso posso propor não nos calarmos sobre temas vergonhosos, percorrendo este árido caminho antes de supostamente se começar a conceber um terrível plano de vingança tendo como objectivo arruinar seus inimigos.

luis36.jpgNão obstante, atire a primeira pedra, quem nunca a sentiu! Se nunca desejou mal a alguém por algum atributo que nele você admirava. Se jamais evitou situações que o confrontariam com aqueles que exibem qualidades que você não tem, ou nunca tomou partidos apenas para não favorecer aqueles que possuíam aspectos que você cobiçava etc. "Praticamente, tudo o que traz felicidade estimula a inveja" dizia Aristóteles. E talvez você também nunca tenha pensado que sem a inveja, e a consequente capacidade de sempre estarmos nos comparando e nos vigiando mutuamente, talvez não tivéssemos o desenvolvimento dos sistemas sociais a que todos pertencemos.

Porque ela, a inveja, jaz soberana, como eminência cinzenta, por detrás das políticas sociais e económicas e de quase todos os movimentos revolucionários da história da humanidade. Vive-se este lema da inveja com grande intensidade todos os santos dias e, ao mais alto nível, em todas as latitudes lançando por terra essa tão apregoada "igualdade, fraternidade e liberdade"…

eça5.jpg Ainda a título de curiosidade nós habitualmente não invejamos os reis e rainhas e suas fortunas acumuladas sem trabalho braçal, mas podemos invejar nosso vizinho de porta, porque ele comprou um carro novo. A história de Caim e Abel parece ser a metáfora certa para ilustrar este sentimento. A inveja é em verdade o maior tabu humano não falado, todos a sentem, mas poucos admitem, o que torna o seu estudo difícil e indirecto. Curiosamente, entretanto, quando honrosamente revestida desta carcaça ideológica da igualdade, ela se torna o baluarte da justiça humana. Pude ler no brilhante livro de De La Mora (1987) a "Inveja igualitária", o argumento pela saudável necessidade da diferença e pelo absurdo de se imaginar que a igualdade possa ser conquistada pela coerção ou demagogia.

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:28
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2022
OT´CHIPULULU – I

Mau Olhado – Xicululu – Crónica 333512.11.2022Republicada  a 27.12.2022

- NUM ZUELA BURUNDANGA ASSIM SÓ NOS BAZA INSPIRAÇÃO AMI! Mokanda antiga do meu Kamba ZEKA MAMOEIRO da MAIANGA DA LUUA

Pormaianga do araujo.jpgT´Chingange (Otchingandji)

araujo189.jpg Kamba Kiami Ami Tonito! Tuas fala doeu nos meu Muxima: "ter virado intelectual das mulolas do katekero" que virou poeta no integralmente, quersedizer pirou no katotolo"!!! Kamba Kiami Ami! Te digo só no verdadeiro, estão nos quieto dos esteira das minha kubata! Ué! Mazé bwé descansam, nos recuperação dos gigler dos inspiração...!!!

Tambula conta! Lello faço essas mistura..., o quê? Ah!!! O Iogurte metido nos cabaça, com os painço e os massambala, tudotudo no n´guzo do pilão, assim de massemba, como nos chão riscado dos Marítimo de Loanda! N´ga! Sakidilá! Lagartinha Mopane, dos teu envio caixinha cartão dos Mu Ukulu!

araujo153.jpg Sim os teu milongo dos Lagartinha, os teus torresmo medicinal, que soeu dos meu medo, recusou bwé Matumbu!!! Te digo que foi os papel receita (acima) do Doutor dos Maria Pia, dos especialidade dos motricidade dos dieta com os cereal que pra soeu recomendou, por caso dos intestinos precisar romper os câmara d'ar, assim, num precisar sequer, os prego fininhos, que bota nos ar os quixotes de carnaval!

Intão, como é...! Xé! Como nesse mesmomesmo dia dos alegria de bwé estouro de cheirinho de bombinhas...,no corso patrício da uuabuama Marginal...

araujo62.jpgKATÉ MINGU – ZECA, na minha kubata

Explicação do Kamba T´Chingange: Faz tempo, mandei uma caixa de mopane (catato) para o Zeca que comprei no Zimbabwé. Era para ele matar saudades pantagruélicas da nossa terra de áfrica mas, sucede que ele ficou com muita cagufa de comer aquelas lagartinhas.

araujo145.jpg Vai daí, escreveu-me esta carta mokanda da qual só eu mesmo consigo interpretar… Mayanga ai-iu-é, que tanto berridei por esse tempo de paixão que enricou meu coração no uuabuama, chão colonial, disse ele. Desde esse tempo de miúdos candengues, assim vivemos coleccionando fugas com fisgas, como quando descalço, chutávamos a bola, trumunos de trapos no chão das barrocas, da mulola do Rio Seco, de quando subíamos na mulembeira a retirar visgo…

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:46
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Sábado, 24 de Dezembro de 2022
KAZUMBI DE BORUNDANGA . VI

O INÚTILISMO HUMANOA CAMINHA DA RECESSÃO - A ditadura digital e os mecanismos de manipular o cérebro

Crónica 3333No AlGharb do M´Puto a 25.10.2022 – Republicação a 24.12.2022

Por roxo97.jpgT'Chingange – Em Arazede do M'Puto

roxo93.jpg É interessante saber-se que o Algoritmo pode excluir ou adicionar emoções segundo o nosso batimento cardíaco e assim, ser-nos transmitido em algum momento, somente aquilo de que gostamos alterando-nos os níveis de oxitocina; segundo os nossos dados biométricos é alterado nosso mundo de relações, coisas íntimas que só nós conhecemos! Um qualquer sistema bioquímico humano poderá passar a ser uma figura pública como o Tarzan, Mandrak, Fantasma ou Putin, algo trabalhado sem que o próprio se visione.

A inteligência artificial pode perfeitamente ajudar a formar melhores jornalistas, melhores políticos, soldados e banqueiros com essa ajuda de robots inteligentes. O ano de 2017 foi esse marco, esse hiato decisivo com a victória da inteligência artificial pela disputa de um jogo de xadrez. Kasparove, o campeão mundial da modalidade perdeu uma partida com um robot. Lá para meados do presente século XXI à falta de consistência mental humana, aparecerão “classes inúteis” incrustadas na robotização.

roxo26.jpg Infelizmente e devido à guerra da Ucrânia que já vai com oito meses, ( hoje já passa dos 10) estamos assistindo à substituição da mente humana com requintes de generalizada destruição; generais, líderes mundiais, políticos e especialistas, estão sendo substituídos por drones inteligentes com a possibilidade de escolher o alvo, optar por um plano A, B ou C fugindo à perseguição de outras máquinas voadoras, pensantes, arrasando as infraestruturas necessárias a uma vida normal de um humano. Apetece-me chamar de inúteis a todos esses militares de craveira que com uma subestimação persistente não o são, capazes de encontrar meios de os anular, os drones. 

O impacto do uso de computadores nas muitas variantes será neste século XXI muito mais avassalador do que a era da industrialização e mecanização do século XX. Os cérebros das tácticas de guerra irão ser substituídos, subestimados por máquinas concebidas para matar. Eles, os generais falam, falam mas só supõem pensando nas trincheiras, nas emoções, nos calibres, nas hipóteses, no alcance; parece-me a mim que qualquer desvirtuador ou desfibrilhador de um GPS lançado ao ar por onda curta, onda modulada, ou outra onda artesiana poderia suprir carências de logística, de táctica e proporcionar um chapéu de defesa…

roxo184.jpg Cuidado com as palavras que outros usam, pois as hipotéticas falas na roda dentada e em um lugar e tempo previamente pensados por norma à nossa revelia, haverá um salto no contexto indiciando os possíveis utentes, consumidores, tornando-nos sensíveis a um conjunto de termos alterando o contexto das frases. É um pouco como se verifica em televisão, cortarem por apitos as aneiras inconvenientes ditas por alguém. Podem bem sair mentiras como se o fossem verdades. Estamos a assistir a algo assim na campanha presidencial do Brasil, na guerra da Ucrânia, no Reino Unido, em Angola e no dia-a-dia das peripécias políticas do governo de Portugal, folgado que está na maioria absoluta…

Por algum razão no nosso dia-a-dia verificamos a preocupação dos governos criarem na sociedade condições para que haja um rendimento mínimo de qualquer cidadão, uma cesta básica de dar ânimo aos pé-de-chinelo, por forma a que, os eleitos não percam o poder, A Nobel da literatura Yuval Harari, de forma interessante, refere: “…uma vez que os bebés de seis meses não pagam salários às respectivas mães, terá de ser o estado a assumir esse papel; uma mãe deveria ter um salário por cuidar de um futuro cidadão caso se mantivessem em casa nessa exclusiva tarefa”.

ROXO187.jpg O cidadão, futuro trabalhador ou dirigente, governante ou CEO (Chief Executive Officer - Conselheiro delegado ou Director executivo - o responsável máximo pela gestão e direcção administrativa da empresa.) sempre surgirá entre os milhares, no seio da família que no mínimo terá de ter um rendimento básico em detrimento dum subsídio temporário. Deveríamos assim ter: educação gratuita, transporte gratuito, serviços de saúde garantidos e, por aí… É discutível se será melhor dar às pessoas um rendimento básico, um paraíso capitalista ou os serviços universais segundo os modelos de matriz comunista porque ambas as opções podem bem ser vantajosas e também, inconvenientes.

roxo138.jpg Nos países do oriente médio onde o petróleo jorra pelo tubo ladrão e tendo uma densidade populacional baixa é garantido ao cidadão viver bem sem ter que saber o que é isso de apoio básico ou de universal. Se formos a Qatar ou Kwait ou, outro estado daquela zona do hemisfério o apoio está garantido pelo estado. Com o aparecimento da inteligência artificial de robots e impressoras 3D a mão-de-obra, mesmo qualificada, tornar-se-á muito menos importante. Com a alta tecnologia cada vez mais surgirá a super riqueza como a actual Silicon Valley nos EUA enquanto em países de terceiro mundo, empresas sucumbem por falência; a política democrática vira um pouco por todo o lado do hemisfério em espectáculo de marionetas…

Ilustrações de Assunçõ Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:01
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2022
KAZUMBI DE BORUNDANGA . V

O INÚTILISMO HUMANO – A CAMINHA DA RECESSÃO - A ditadura digital e os mecanismos de manipular o cérebro

Crónica 3332 – No AlGharb do M´Puto a 21.10.2022 na Lagoa do M'Puto; Republicação a 23-12.2022 em Arazede do M´Puto

Por roxo170.jpgT'Chingange

ARAUJO221.jpgCA - Em meados do século XX o surgimento da mecanização resultou no desemprego de muita gente, tempos em que o ganha-pão no amanho das terras era quase o único meio de subsistência das famílias, Poucos eram os que tinham suas próprias terras, retirando o sustento trabalhando para um patrão latifundiário. Para o sustento da casa teria quando muito, um quintal de onde retirava suas couves, alfaces, um galinheiro ou até esporadicamente uns bácoros no fundo da courela quando fora ou, nos arredores de povoados para sustento próprio.

No tempo as máquinas foram substituindo o trabalho braçal nas lavouras, no plantio, na ceifa, recolha de cereais e toda a espécie de produtos, até mesmo tubérculos enterrados como as batatas, rizomas e frutas das árvores, retiro de azeitonas das oliveiras fazendo surgir por todo o lado as alfaias diversas e centros de fabrico destas mesmas. Paulatinamente o homem inserido num grupo social foi-se reciclando e mudando até com frequência sua actividade. A força física foi progressivamente sendo irradiada no correr dos dias.

arau163.jpgCA  - Agora que estamos no século XXI, são as máquinas de inteligência artificial que mudam as regras do trabalhos substituindo a rusticidade das antigas em elaborados zingarelhos de sensores, câmaras e pequenos circuitos eléctricos que fazem actuar num dado momento o movimento certo para apertar, soldar, furar ou estirar, máquinas que semeiam, que recolhem, seleccionam, calibram, lavam e encestam tudo numa rapidez estonteante, multiplicando por cem ou mais, a simples tarefa humana de usar uma chave, aperto de uma porca ou torneando até chegar ao produto final em cadeia de montagem…

A capacidade intelectual e tecnológica, em suma a inteligência humana foi sendo substituída pelo computador. O uso do conhecimento através de Universidades e escolas técnicas aperfeiçoando computadores introduziram a robótica, os circuitos integrados, os chipes, os códigos de acesso e num rápido todas as áreas profissionais desde o costureiro ao condutor, dos advogados, gestores, banqueiros foram sendo e continuam a ser substituídos por máquinas que usam milhares de fios e chipes substituindo os neurónios humanos, sem erros para uma dada função.

arau157.jpgCA - Elas, as novas máquinas fazem cálculos de probabilidade em fracções de segundo e, usando a teoria dos erros entre outras produzem vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas sem questionar o patrão com as horas extras, subsídios, férias ou regalias sociais com creches para seus descendentes e muitos outros edecéteras. Acabam-se os sindicatos, as mordomias, os jeitos e resmungos mais chantagem e corrupção. Então, qual é o patrão que não opta por esta mordomia de fazer fortuna de papo para o ar, dando quatro dias de laboração aos seus empregados mais fieis…

Eliminando os erros humanos deitando por terra a falibilidade da dita “intuição humana” entre outros interesses e emoções com compadrios, a máquina comandará não só o cidadão como as instituições, governos e reinados banalizando a acção do homem por isenção de morbidez, ambição, mau uso dos dinheiros públicos, actuando na economia com seus milhões de neurónios artificiais triando os artificialismos tão usados pelo homem; mantendo registos progressivos e permanentes, evitando desfalques, incompatibilidades, o manuseio das leis com proveito próprio, juntando acórdãos com despachos e aplicando no certo o labirinto infindável de variantes, probabilidades e emoções. Extirpando os erros do homem e usando com mestria o tal de ALGORITMO separando o trigo do joio, o falso do verdadeiro, o manobrador do manobrado, dos que acreditam em Deus e dos que acham ser balela…

arau3.jpgCA - Para além da democracia que temos, das suas incongruências, suas falhas e palpites, as máquinas irão sim, substituir os governos e principalmente no campo económico aonde a mentira é eivada de cativações, grosseiros cálculos, falsa teoria dos erros intuitivos e outos de lesa pátria, lesa família, também bluffs grosseiros de sabujos com escondidos interesses, coisas costumeiras, costumes das praxes e soturna tradição. Uma máquina assim, feito dum grande cérebro conseguirá fazer melhor e mais rápido os cálculos da economia global sem a criatividade falível do rigor que por vezes, muitas vezes o é paranóico ou trabalhado, torpe ou que nos cria reptícia dependência.

Que nos cria gastura, dívidas com taxas e sobretaxas misturando coisas do foro familiar como o aborto, quando nascer ou viver, identidade do género; fragilidades democráticas com escrutínios duvidosos, condicionando nossas capacidades, banalizando actos com corta fitas, selfies, subornando os agentes da concertação social e, o escambau…

arau1.jpgCA - E, surgem acordos em um fim de semana, falácias com aditamentos de fingimento, transferindo seu querer, seu parecer num facto de regime, a loucura de boicotar até a automatização em áreas de saúde. O regime não pode em caso algum ser representado por um partido; de crise em crise sempre e desta forma, nos levarão indubitavelmente para fracassos em cima de fracassos, activando a recessão por falta de estratégia a um cada vez de menos longo prazo, cativados. Mas, quem sou eu, um pé-de-chinelo para o dizer – FUI!

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:04
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Terça-feira, 20 de Dezembro de 2022
KAZUMBI DE BORUNDANGA . IV

A INTERNET E O INÚTILISMO - A ditadura digital e os mecanismos de manipular o cérebro

Crónica 3331 – No AlGharb do M´Puto a 21.12.2022

Por araujo34.jpgT'Chingange

araujo35.jpgCA - Na Rússia, um quarto dos oligarcas monopolizam a maior parte da riqueza e do poder no país, controlando os meios de comunicação para ocultar suas actividades mãos dadas com a governalidade. Pelo menos 10 milionários morreram desde a invasão russa à Ucrânia, a 24 de fevereiro. Alguns morreram depois de mostrarem forte contestação à guerra; por isso se questiona se se trata de acidentes, suicídios ou de assassinatos encomendados por Vladimir Putin. Desde que Putin foi eleito, em 1999, dezenas de opositores do regime foram detidos, forçados ao exílio ou assassinados.

A escritora Nobel da literatura, Yuval Noah Harari, autora do livro 21 lições para o século XXI refere a democracia bem ao jeito do mesmo princípio de Abraham Lincoln: “é possível enganar toda a gente em alguns momentos, ou enganar algumas pessoas a todo o momento, mas não é possível enganar toda a gente a todo o momento”. Mas, há sempre um mas!  O controlo dos meios de comunicação por parte dos governos, minam aquela lógica de Lincoln e, por forma a impedir o cidadão comum de se aperceber da verdade. Nós vivenciamos isto nos tempos que corre sem sair dos povos PALOPS.

araujo36.jpgCA - Temos Angola, o baluarte da mentira com um partido (MPLA) dono do país; temos o escândalo das sondagens mentirosas no Brasil com o beneplácito da TV Globo e suas correias de transmissão de CNN e CIC em Portugal. Nem valerá a pena ir por aqui, fazer uma triagem escalpelizada porque, quem tem dois dedos de testa ou não está mancomunado com a esquerda o saberá analisar. Em Portugal são as muitas cativações que atropelam as promessas em varias áreas, a falta de rapidez na justiça e na justeza e, os sucessivos atropelos à lei das incompatibilidades que eles mesmos, governantes, fabricaram. 

O que podemos verificar na crise genérica e dos dias de hoje, é que os governantes corruptos conseguem sempre prolongar os seus domínios e de forma indefensável colocarem sempre as culpas aos outros. Nas justificações sempre falarão em Portugal da governação TROICA - a famosa austeridade com corte de salários, pesados impostos e pobreza por via dos desmandos cometidos pelo clube do “punho fechado”, liderado por Sócrates, nesse então…

araujo38.jpgCA - E, assim andamos embalados numa tecnologia informática com verbas que saltitam entre a resiliência dos amigos deles à mistura com manobras de diversão. E, rebuscando nos anais da estória, escândalos mumificados, verdades escandalosas de pedofilia entre padres e gente imberbe da freguesia, da paroquia do escambau. Alimentando assim nossa distracção o tempo passa, os preços sobem e trepam e os Donos Disto Tudo rindo com estas trapalhadas. Assim não brinco!

E, sempre haverá outros casos a fazer sombra à realidade desviando a propósito nossas atenções, polinizando suas notícias com pinças de sabedoria, técnicas avançadas de contornar nosso azimute. No caso da Rússia, fingem ser uma democracia com valores ultranacionalistas. Quando tudo falha na boa harmonia social a corrupção afirmar-se-á mais endémica; mau funcionamento dos serviços públicos, maior deficiência na justiça, carência de meios na saúde e educação e uma progressiva desigualdade nos padrões de vida, da ética e da riqueza.

araujo46.jpgCA - Na Grã-Bretanha, o sonho dos brexiteers em se tornarem uma potência independente, procedem como se ainda estivessem nos tempos da rainha Vitória e, agora, sem a sua rainha Isabel acabar-se-á a utopia desse maravilhoso isolamento. Como diria Fialho de Almeida, os “carrascos ruivos do Tamisa” também irão seguir o rumo das geringonças nesta actual disrupção tecnológica, caminho da falência ecológica, novas visões na tecnologia de informação. Mas, será por tudo o exposto que virá por aí o apocalipse?!

Veremos sim, desconcertantes complexidades sem se conseguir na perfeição explicar o que aí virá. Lá teremos a inteligência artificial, cachorros de lata a guardar nossos quintais, o big brother visionados e comandados drones, gente ruim e os sempre algoritmos que de forma forçada ou suavemente penetrarão em nossas actividades, uma encruzilhada humana muito envenenada de mentiras benzidas de verdadeiras. Esta revolução tecnológica pode bem deixar milhões no desemprego e criar até uma classe social inútil. Tal como a visão de Yuval Noah, infelizmente também vislumbro isto.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:28
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KAZUMBI DE BURUNDANGA . III

A INTERNET - A ditadura digital e os mecanismos de manipular o cérebro

Crónica 3330No AlGharb do M´Puto a 20.12.2022

Por roxo10.jpgT'Chingange - no M'Puto

roxo2.jpg A Internet a partir da última década do século XX mudou o Mundo; os políticos ainda andam a descobrir as novas tecnologias tentando perceber as muitas aplicações que rápidamente mudam o sistema democrático. Andam agora a enfrentar os combates da liderança com esta revolução da chamada inteligência artificial. 

O prémio Nobel da Literatura Yuval Harari coloca em causa se os políticos conseguirão gerir esta crise antes de ficarem sem dinheiro. Citando-o: “se os mosquitos nos zumbirem nos ouvidos e nos perturbarem o sono, saberemos como matá-los, mas se um pensamento zumbir na nossa mente mantendo-nos acordados durante a noite, a maioria de nós, não saberá como matar esse pensamento”. 

roxo213.jpg Hoje já se aprende a conceber o cérebro, sabe-se que a alma afinal tem peso na casa de mícrones e, também de prolongar vidas congelando até no lado do álem; também de matar pensamentos à nossa vontade. Verificamos na actualidade que as mudanças verificáveis não devem manipular o nosso mundo reconfigurando-nos a seu belo prazer mas, é isto que vivenciamos duma forma nua e crua, e como não entendemos sua complexidade, baralhamos nossas mentes.

As mudanças que aí vêm em um futuro próximo poderão afectar o nosso sistema mental e, até entrar-se em falência. Custou-me entender até recentemente de qual era o interesse em comprar uma divida mas tanto que pode, que andamos todos a nadar no molhado e, isto até nem é calote! Sempre há uns poderosos oligarcas que vivem dos juros! Quando entendi esta mecânica emprestei dinheiro a prazo ao Estado através dos CTT e a cada seis meses dão-me uns trocos; o mais certo é todo o lucro ser comido pela inflação, mas parado, seria maior a perca.

Roxo221.jpg As eleições brasileiras ficaram emaranhadas numa engenharia electrónica como se o fora um laboratório com algoritmos mentirosos usando a tecnologia da informação até nos rasparem todo o tutano da compreensão. Menos mal que surgiu o tal de PIX que é um meio de pagamento electrónico instantâneo e gratuito oferecido pelo Banco Central do Brasil a pessoas físicas e jurídicas, sendo o mais recente meio de pagamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro – salvé!                                 

Verifica-se também o arredondamento da mentira que chutada até à exaustão vira verdadeira; um colapso na perca da fé, da narrativa liberal que adultera todo o processo democrático, desmultiplica multidões dando-nos a liberdade de pressentir que há fraude sem burla e burla sem fraude; tantas manobras que nós gente comum, que o futuro está a deixar-nos de lado. Num paulatino repente que se repete, todos ficamos robotizados, feitos numoito e cada vez mais irrelevantes. Surgem até misteriosas palavras, novas no suficiente mistério com difícil interpretação! Aló meu irmão…

roxo222.jpg E, agora e num repente que já dura em demasia, surge vindo do inferno um tal de Vladimir Putin com manias de que é deus mas, que não passa dum grande filho da puta que quer acabar com a lógica das coisas. Cumpre-me avisar ao Nosso Senhor, meu tio por parte de mãe, que se vier à terra sanar este desarranjo, por favor que venha armado, muito bem armado, senão pode lixar-se! Fui…

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:05
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Sábado, 17 de Dezembro de 2022
N´NHAKA . XXIX

ANGOLA, TERRA DA GASOSA : Parte XVI

-CORRIA O ANO DE 2002 – NA TERRA DE MATRINDINDES

- Crónica 3327 - 01.08.2022 – Republicada a 17.12.2022

 “Angola, quanto tempo falta para amanhã? Háka!” - Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Jonas Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002) - "O futuro anda empenhado ao diabo”...

Por amendo5.jpgT´Chingange No AlGharb do M´Puto

bengela1.jpg Escrevo agora: Aqui me encontro na Diáspora! A batota continua em Angola e, tudo é do MPLA: É a Comissão Nacional de Eleições, é o Tribunal Constitucional, são as Forças Armadas, é a Polícia Civil, são os Kazukuteiros, é sua opinião, são os Tribunais, é o escambau, como dizem nossos manos brasileiros. Angola deveria mudar o nome para “Terra da Batota”, “Terra do M” ou “Terra dos Matrindindes”; Também “Terra dos Marimbondos…Háka!

Depois deste interlúdio em dois compassos de raiva rilhada, feito prefácio assobiado em graves e gravíssimos tons aonde se vislumbram muitos jogos de luzes, telões que mudam o cenário, fogo e fumaça com os neurónios do povo a arder, surgem as poses estudadas dos DDT (Donos Disto Tudo), coreografias milimetricamente ensaiadas por assessores da mututa pagos em milhões.

Há, vídeos e silêncios que servem de interlúdio duma batuta única para manterem a mesma farpela. Ali o texto governamental, não tem contexto, não há prefácio nem postfácio; tudo é como eles querem, sem notas, sem sumário, sem introdução, nem capítulos. Lembro a minha empregada de Kampala, a Mery falando: - Patrão, aquilo mesmo vai ser só de faz-de-conta, rematando “This is áfrica”

pirulitos1.jpg Mary estava Certa! Escrevo agora: Ali continua a ser a terra da bagunça, terra do J.L. Sesse Seko Nkuku Ngbendu wa Za Banga. Háka… Naquela viagem de 2002, a Benguela mulata salientou-se de forma diferenciada. Em casa de gente mulata fiquei; a Dona Adelaide foi o máximo de carinho que nos reservou, seu fino trato em um escasso fim-de-semana.

Por imperativos mútuos só ali ficamos o tempo que se quis mas, naquela casa do Amor (nome de família) o almoço de muamba, o saca-saca com gimboa, o muzungué e os bolinhos de fabrico próprio deram tempo para matar as falas antigas com ongweva animando aqueles sábado e domingo de Julho (…há vinte anos atrás). Os mosquitos, também eles nos acariciaram de amores e, tantos eram que, tivemos de nos refugiar no quarto, exactamente o do dono da casa, no primeiro andar, janela a dar para o grande adro da catedral de Benguela na forma de V invertido. E, no canto da casa lá estava uma arma kalashnikov, municiada para qualquer contratempo – mosquitos de duas pernas. Amor esfacelou sua perna em luta com um ladrão de quintal, perna que agora, não tem!

marimba1.jpg A muleta substituiu a pena – os tempos condicionaram a vida da família amores ao rubro. Naquele quintal havia uvas, gajajeiras, sape-sape, tamarindo e goiabeira; também havia uma maça-da-índia. Os cubanos nada puderam levar daqui mas, foi dito que as lápides em mármore dos cemitérios despareceram sim! Recordei em falas que quando da minha ida a Cuba vi uma carrinha fechada aonde ainda se podia ler de forma sumida “Futebol Club do Lobito”.  

Em nossas conversas de fundo do quintal relembramos o tempo sem aprofundarmos em exagero porque cada qual, naturalmente teria suas próprias periclitãncias e, não convinha recordar cacimbos defuntados. A última vez que tinhamos estado com a família Amor tinha sido em um almoço no João do Grão, ali bem perto do Rossio de Lisboa. Formando frases curtas e sinceras rematávamos nas voltas certas, driblando de certo jeito nosso passado. Sim! Porque de outro qualquer modo ele, o passado podia, reconhecer-nos.

PUXASACO.jpg Tivemos de aprender com as formigas grandes, kissondes que em andamento seguro arrastam pelo pó do chão seus ventres escuros sem discutir com Deus por assim andarem, sempre se arrastando. É a vida, dizia o homem que mais tarde foi para a ONU; que ainda lá está… Se pudéssemos adivinhar o futuro sem o ter de deslocar, tê-lo-íamos beijado, sugar-lhe as energias, deixando-lhe um montão de problemas, porque cada vez que se respira agora, torna-se tudo mais caro e, nossa escrita que até podia ser criativa, fica lodosa; um pântano languinhento com taxas e taxinhas mais a água, a luz, revisão do carro ou pagamento ao jardineiro que quer ganhar como se o fora o primeiro-ministro…

Nossa vida, nossa prosa fica assim como um deserto, estendendo-se até ao horizonte da kúkia, sem nada acontecer; fica só uma vida de estórias com partidas e chegadas. É por isso que me regalo com as estórias alheias como a da minha empregada de Kampala chamada Mery. Na manhã de antes de anteontem disse-me que sua mãe mandou-lhe por correio expresso um pacote de formigas fritas, embrulhadas numas folhas de bananeira… Ele há coisas…Lá teremos de papar formigas.

(Continua…)

 O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:04
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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2022
N´NHAKA . XXVIII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA Crónica 3326–24.08.2022 – Republicada a 16.12.2022

CORRIA O ANO DE 2002 . XIVNA TERRA DE MATRINDINDES“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” - Escritos antigos. Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por bay0.jpg T´Chingange – (Otchingandji) – No Al.Gharb do M´Puto

acácia1.jpg Já no Alto Liro do Lobito - De um qualquer lado, bancas de bolos de batata-doce e mandioca desprendiam odores fortes mas, do lado esquerdo, estava uma escura e abandonada ruína que em tempos tinha sido bloco de apartamentos. Talvez! Neste redor de muitas coisas e dúvidas senti uma náusea, uma multidão de gente barafustando ou incitando, rodeava um negro de aspecto encorpado, que tombado, rolava no chão ensanguentado.

Não sei o que teria originado aquele bate e chuta de alguns ou de todos mas, correu-me um calafrio pela tardoz coluna e, os senhores dois polícias que ali estavam, a escassos trinta metros se tanto, nada pareciam ver; ali havia coisa de roubo mal sucedido porém, o nosso guia “Bien” (Beto), também de acostumado, continuou sem nada dizer; conclui que a justiça popular estava a seguir as normas ao jeito do antigo “Tira Biquíni da Luua”, lugar aonde aconteceu queimarem supostos ladrões com pneus envoltos na cintura. Até dói, relembrar gente a morrer literalmente regados, nas chamas de gasolina.

Daquela parte e do envolvente não gostei e, quando olhei para trás as barrocas estavam apinhadas de cubatas eclecticamente construídas com os mais diversos materiais – plásticos, chapas de zinco, madeiras e remendos com latas de tinta, latas de azeite galo do M´Puto ou leite Nido, tipo patrocínio da Nestlé. Seguiram-se as lagoas de imundas margens, os barracões armazéns de todo o género de mercearia e bebidas, controlados pelos Libaneses e Sírios; todo o grande armazém dizia-se ser de uma destas castas, gente de resiliência permanente.

besanga0.jpg A dona Andresa esperava-nos de refeição posta; sabendo das carências nos caminhos ultimou um repasto de muitas iguarias e as frias e gulosas cervejas; A restinga, o barco no ar, o porto, o clube náutico, as casuarinas e os bares da pontinha estavam de melhor agrado do que tudo o visto anteriormente; dou nota positiva a este istmo a que chamam ilha mas o resto sempre ficará amachucado na lembrança sem a ongweva peculiar de um qualquer que queira ver progresso.

Noite entrada e já para lá da Catumbela a polícia fez alto ao nosso carro, ou melhor o zingarelho do Bien e, eu nem saí pois sabia que teria de forçosamente de haver uma conversa longa de convencimento e respectiva gasosa. Bem! Os motivos eram por demais evidentes. Da parte de trás o carro era fantasma, só tinha o escuro da noite e fuligem de má combustão, luzes, nem uma.

Luz de stop nunca tinha sido necessária mas, agora o polícia não saía das más conclusões e só a promessa de arranjo e o cuidado a ter com a outra patrulha mais à frente, fez deslizar o desejo em vontade e, o agrado ficou registado com uns quantos kwanzas. Entretanto, a meia hora perdida passou-nos à frente e deu-nos luz; a aventura estava a decorrer.

araujo170.jpgCA - Depois do canavial da cana-de-açúcar da Catumbela vimos a antiga fábrica de whisky “Sbel” enferrujada por abandono, ferros retorcidos a suportar chapas feitas catavento, rugidos agudos e penetrantes dando vida aos zingarelhos, vento do oceano guinchando desmazelo. Eu que fiz minha festa de casamento com aquele whisky na estalagem Leão de Luanda, fiquei abanando o cérebro penumbrado de muita tristeza. Seguiu-se no trajecto uma ponte que já o tinha sido em Rio Cavaco; contornámo-la antes de entrar em Benguela.

Aquele contratempo de não haver ponte forçou-nos a um pequeno desvio pela mulola seca mas, num repentemente, aí estava a cidade das acácias, Benguela aiué… Aqui os crioulos mazombos em rebeldia de afazeres e dizeres e ao rubro, reforçavam seus valores de mwangolés e, com algum aprumo, não permitiram aos cubanos levarem suas acácias para a sua ilha do desespero. Pois nesta cidade mestiça, fiquei bem ao lado da linda catedral em forma de bivaque de magala, na casa do Amores… Aqui o caldeamento do mundo negro num predisposto protesto com os t´chinderes brancos, os Silvas e os Ferreiras mais Pereiras, nunca atingiu a negritude plena – ficou mestiça com ongweva, estímulos e sentimentos… Escrevi então: Aqui me encontro – isto continua a ser Benguela!   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:00
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2022
N´NHAKA . XXVII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA -.XII -" Alto Liro. Lobito à vista" - Crónica 3325 - 03.08.2022 – Republicada a 15.12.2022

CORRIA O ANO DE 2002 - CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

 “Angola, quanto tempo falta para amanhã?” - Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por dia220.jpgT´Chingange – (Otchingandji) – No Al.Gharb do M´Puto

soba24.jpg Rumo a Sul, na geografia natural, segue-se o rio Evale, fronteira do Quanza Sul e não muito longe o rio Colango aonde paramos e provamos cocoto, fruto da matebeira; cá para mim aquilo de tão rijo só dá mesmo para enfeitar centros de mesa ou chapéus de dama exótica e, brasonada. Foi aqui, no Colango que vimos indicação de minas em tabuletas vermelhas de caveiras brancas.

Havia pedras pintadas de branco a dar indicação do lado ruim além berma em ambos os lados da ponte. Aqui compramos aos acantonados da UNITA umas quantas perdizes por 50 kwanzas cada e, mais uma tua; estes faziam por ali desesperos de nada recheados de moleza rota e mal paga. Mais à frente - muitos buracos... Os táxis e candongueiros das "piruas" passavam por nós desafiando a gravidade, como batiscafos. Alguns ultrapassaram as indefinidas bermas e desmantelaram-se nos capins e cajueiros.

benguela2.jpg Os condutores das “piruas” andam que nem louco; estes chapas kazukuteiros trabalham no futuro condicional, juro, vai correr tudo bem “tio”- falam só assim com os mais velhos; vimos vários nos capins ainda cheirando de desastre fresco. Foi a partir do rio Balombo ou, melhor, lá atrás na Kanjala, aonde começou a dança, aonde parámos para provarmos as frias Nocal, Eka ou Cuca à sombra de uma grande mulembeira; mesmo ao lado do hotel aonde o Jimba (Peixoto, já falecido) passou a sua lua-de-mel e, do outro lado do rio lá estava o bananal do Setas.

Demoramos seis horas contornando buracos nos 180 quilómetros, sendo os últimos oitenta os piores. A cassete enquanto desprendia música na perplexidade de tanto solavanco e, no recordar de palavras memorizadas de sal sujo, com as matubas (testículos) pisadas o “havemos de voltar “ incubava-se de vontade.

DIA76.jpg Entretanto as canções dos Irmãos verdade “Deixa eu entrar no teu coração “ ou o “Ka Bu Fronton“ do Jota Neto e mesmo “Os amigos da Onça” do D.J. Rafa e Isidora, perturbavam-me, juro mesmo!... Talvez pelo fumo do petróleo que entrava pela chapa do zingarelho –lastro do fundo sem fundo, misto de carrinha com ximbeco colado com chwingame nos muitos buracos do escape e periferias.

Carro chinguiço do engenheiro de Matanças, o Bien, francês de faz-de-conta. E, também com adjacências estranhas e estrambólicas que talvez, de certeza, perturbava nossos sete sentidos virados num oito de indefinida duração. Se não morrer por aí lá chegarei – aiué. Passado o cruzamento da estrada que liga ao planalto central através do Bocoio via Bailundo segue-se o desvio para a barragem do Biópio no rio Catumbela a montante dali, o Alto Liro do Lobito já estava próximo.

acácia rubra2.jpeg Era um era num era neste caminho de destino às acácias rubras e buganvílias de Benguela. Se Deus quiser, vamos chegar; pelo menos uma vez, olhe pelas nossas carcaças Tio do Ceu, viu! Sem saber se viu ou ouviu, lá fomos, sem ter chegado à nascente do Nilo ou Zambeze, tal como Livingstone e, ressalvada a lonjura no tempo e no espaço, também parte do meu coração foi ficando por ali em dedicação com fidelidade canina a África, terra de largos gestos! Saí de Angola mas ela nunca saiu de mim... Bien?... Prego no fundo que já cheira a maresia.

DIA199.jpg “Benguela, terra das acácias rubras". O lixo era por demais naquela descida para o sapal do Lobito, era-o de um lado e outro nas encostas do morro que nos levava lá abaixo. A estrada no final não se distinguia do resto e a gente era mais que muita no meio de uma suja poeira e fumo desmaiado de tendas mal-amanhadas; ali bem perto e do lado esquerdo corriam umas águas vindas do Alto Liro, dos esgotos claro! Ou, nem tanto, pois que talvez estivessem filtradas pela terra ou então, uma rotura nas águas domésticas porque estava a ser recolhida em baldes e já se via um Jeep luzidio da lavagem! Tudo indicava ser de um Libanês – aqui tem gente daí pra caramba. Até Sírios, tem…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:19
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2022
MOKANDA DO SOBA . CXCIV

ANDAMOS A VIVER DIAS MENTIROSOS

Crónica 3324  de 27.07.2022 – Republicada a 14.12.2022, em Lagoa do M´Puto

Por coelho5.jpgT´Chingange (Otchingandji)

dia204.jpg Andamos a viver dias mentirosos. Acho que Deus Nosso Senhor, não quer consertar nada a não ser pelo completo contrato da morte pois permite que seus súbditos na terra descumpram a palavra dada sem que o Sol se ponha, uma espada muito cheia de ranhuras de aflição. Dou conta disto por ver o que se descumpre quebrando qualquer regra de bom entendimento – cuspir repetidamente no próprio verbo.

Numa de diabo contra satanás, Putin contra o cidadão comum que nada fez para ficar arruinado com pontaria GPS de um míssil, dum obus que aleatoriamente manda um tiro curvo a cair aonde calha. Quantos de nós estão consumindo a palavra piedade, sofrendo com a urgência de não entender a dor.

dia206.jpg Qualquer, um pacato cidadão lá no lugar de sua moradia, no dar dois passos no eirado que lhe resta repentinamente a morte surge; do nada e na forma de fuzilamento esvai-se da vida varado com muitas balas, muitos estilhaços, restos de destruição, uma outra Guernica que ninguém acreditava acontecer de novo e, por nada, ou talvez dum quase nada…

E, quem somos nós para excomungar Nosso Senhor e os chefes da Guerra, se nós nem escapulário temos para tornar os olhos avessos, sem púlpito nem qualquer poder de estilhaçar um Não! Os donos da Guerra sem temor a Deus, sem justiça no coração que surgem a judiar o Mundo, a estragar e rasgar o que há de rasgável na alma das gentes. Tiros altos, revoantes, que surgem como pássaros de balas a cair num aleatório lugar.

Coisa nunca vista ou prevista, bombas caindo ao calhas, também em sítios prévios, um sítio destinado, matando conforme o querem, matança de genocídio de arruinar, só por arruinar; e, atiram nos bois, nas vacas, no gado tão manso. Nesta hora a gente força um escape, pode ser que sim, que se tenha sorte mas, mesmo assim sofrendo muitas mortes…

dia01.jpg Sim! Pode ser até que tenhamos sorte, pode ser porque estamos longe! O pensar caladíssimo do Ocidente perturba-me mesmo que elas as balas, não façam zumbido revoado em minha cabeça. E, se afinal todos estamos condenados à morte porquê omitirmos as dos outros. Escrevo esta missiva feita crónica para o Senhor Oficial, o Comandante em Chefe das Forças Armadas.

Não vale a pena ficar na retaguarda porque a morte não tem alçado frontal, nem tardoz – vem num aí, num ui e, juro, careço de querer calma. Os cacos continuam caindo do alto! Ando sofrido a espiar o desdém do Mundo. O Sol Kukia, não tem como se abraçar a nós, nem se pode esperar isto. O tempo escasseia-me muitas vezes, para poder redigir histórias escondidas, antigas, chamar nomes feios a gente que tem dois olhos, duas pernas e até duas orelhas como eu.

Nessas alturas de revolta subitamente levanto voo, plano como um albatroz e por aí vou fora, sem parágrafos ou pontos finais, com diálogos dinâmicos, que só o serão na ficção! Falo para o boneco! Creio que também aqui “ a guerra, que mata e estropia tantos, alimenta um punhado de pessoas, que se tornam ou tornarão insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam o Mundo (Ainda…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2022
N´NHAKA . XXVI

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . XII

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” - Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

Crónica 3323 de 01.08.2022  - Republicação a 13.12.2022, no Al.Gharb do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por angola6.jpeg T´Chingange – (Otchingandji)  

kapara2.jpgVoo TAP – Destino Luanda – Ano de 2002. A viagem de teimosia ao Lobito e Benguela respirou coerência porque queríamos sentir o ondulado de 180 mil buracos em oitenta quilómetros e, ficarmos zonzos no jeito de internar doidos na reclusão da paciência, mas valeu pela beleza das vistas além asfalto, além urbano, para lá do Morro do M´Gelo. Os sabores da antiga infância, sinuseavam aquela picada promovida a estrada trazendo à ideia o muxoxo da quitandeira lá do bairro e no tempo em que o contentor não era o mini- mercado de alguns desinfelizes.

Assim e sem luz, barulho engasgado do gerador Honda no fundo do quintal, entre queixas de uns e outros com muito sundiameno e toparioba pelo meio, tudo era intercalado com vírgulas de carvalhos sem vê, que isto assim não pode ser e, sem luz nem televisão havia silêncios misturados com prazer – a vida continua! Só o velho Pernambuco, o cozinheiro que sabia fazer lagosta suada como mais ninguém, se desfazia em queixumes silenciosos como essa dor de reumático que lhe entorpecia tudo e até o prazer de viver. Menino, estou nos finalmente, disse ele para mim e, eu fiquei bwé de triste, tristíssimo mentindo-lhe com falas baratas; falas de matrindindi…

baú de coiro1.jpg Na inventação disto tudo vejo que todos têm um forte compromisso na reconciliação dos direitos do homem, para no fundamental irem para além do marasmo, se solidarizarem com o comprimido aspro e paracetamol a que tudo acode, a tudo do quanto baste. Quinino, Kamoquina ou Rezoquina se houver tremuras com frio. Mas, o fado era mesmo deixa para lá que tudo passa com o que tiver que ser, missangas de vai ser com outras filosofias empoleiradas no varão da coisa fácil, amarrotadas no canto das alvissaras porque em tempo de crise urubu vira galinha, o chuço, talqualmente…

Só mesmo o Bien, engenheiro civil formado em Varadero e Matanças de Cuba, nos poderia levar a estes muitos lugares, em seu carro de muitas verguinhas soldadas no chassi, só mesmo metade do vidro retrovisor do lado dele, do outro só mesmo o espaço oco e enferrujado, era um carro de metades, biónico e ajustado nos ruídos de alerta, chiadeiras dos ferodos do travão com cheiros espaciais, com ajustes devido aos fumos saindo da carcaça sem reflectores, sem pára-choques, a mola da esquerda helicoidal com H e, da direita improvisada de molas de carrinha estiradas, batidas e ajustadas, Uma aranha andante que arrancava com gasolina e depois de virar o zingarelho de arame, gastava petróleo de candeeiro (Bien engenheiro, aprendeu isso em Matanças de Cuba)

IMBONDEIRO1.jpg Quase na foz do Cubal, junto à estrada das tormentas, o rio sai das alturas por um fundo canal com rápidos e margens escarpadas, cheias de vegetação nas vertentes; dos jacarés que dizem haver não vi nenhum mas, imaginei vislumbrar uns quantos em surdina da frescura. Bem perto, na antiga estrada para a praia do Kilombo lá estavam aqueles imbondeiros, referência da infância na viragem à direita naquela mesma picada. À vez cada qual dos ocupantes tinha vez de ir com a cabeça de fora para não intoxicar (verdade mesmo…)

Nas agressivas barrocas e antes dos tais penhascos misturavam-se um alcantarilha de cubatas feitas a taipa, cor da terra que desciam em presépio pobre terminando num terraço aonde se mantinha uma escola cuidada; na cornija desta podia ler-se “Havemos de Voltar”, penso eu que, uma alusão de que ali as crianças eram oriundas do planalto central de Angola, gente deslocada pela guerra. Recordar que tantas vezes repeti esta pequena referência como busca desenfreada que nunca se proporcionou, por uma qualquer razão até que entardeceu por demais…

nauk03.jpg  Como erva do diabo, o desejável raramente passa no mesmo sítio. Uma erva que existe no Calahári e deserto do Karoo muito para lá da Namíbia. Afinal, esta gente, tal como eu, também foram intornados para ali, lugar possível, foz de um rio chorado nas terras altas do Huambo. Como é necessário refazer os afectos, matutei.

 Saindo deste sapal aonde as mil formas de vida contemplam, a natureza sobrepõe-se à resiliência e, faço mais o quê!? - Sigo o rumo febril de cheirar por inteiro a mítica África que me viu nascer só de faz-de-conta no barco Niassa. Já no cair da noite, deixamos o kota da Vata de nome Diogo Cão, seu verdadeiro nome de pescador de lagostas naquele lindo lugar de Kilombo, lugar de antigas salgas de peixe seco; Fiquei a saber por ele que para além daqueles crustáceos há cacusso, também um bagre de nome tipioco e lagostim do bom, parecido com o “pitu” do Rio São Francisco do Brasil…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:00
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2022
MALAMBAS. CCLXXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO, NA PRAIA

– Crónica 3322 de 15.06.2022 – Republicada a 12.12.2022  - Quando tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza …

Por tonito15.jpg T´Chingange (Otchingandji) – No AlGharb do M´puto

sorte2.jpg O barulho no escuro da noite continuou mais intenso e, já levantado segui para a sala. Pude constatar que o ventilador maior estava soprando sua perene ventilação sem qualquer preâmbulo de coisa ruim; digo isto porque trabalha infindavelmente por meio de um relógio travado com um garrancho feito com rolha de cortiça para enganar o tempo. Sendo assim este dito cujo, trabalha sempre!

Os trinta e nove graus fizeram com que ficasse todo o santo-dia de ontem com as janelas tapadas; o escuro era tanto que tive de usar um pequeno candeeiro para poder ver as teclas do computador. Como devem saber a luz, transporta o calor e vai daí corri os ferrolhos artesanais vedando a luz e ar quente. Foi por isso que liguei os dois estropiados ventiladores que só lançam vento numa direcção – seus botões de rodar pifaram e servem assim mesmo dando vento aos cantos que rodopiam nas esquinas e nossos corpos…

A televisão das antigas com um TDT HD – DTB700PT adaptador, também deu o berro. Aparece o sinal verde mas a TV, nicles de bitocles – Ou alteraram as frequências ou fizeram um cambalacho governamental para nos extorquir mais uns cobres. Esta terra do M´Puto tem mais espertos que grilos no verão! Lá pendurada no tecto a TV, diz que não há sinal! Não dá nada, porra nenhuma – rodei a antena para o lugar de Santiago do Cacem e, nadica de nada! Está na hora de mudar por uma nova com ligação à internet por Bluetooth, uma moderna forma de ficarmos controlados pelos anjos, arcanjos e o capeta chifrudo – estamos feitos ao bife!

sorte3.jpg  Isto é importante saber porque no mundo de hoje o Bluetooth representa uma ameaça mais significativa, pois é um sinal sem fio frequente e constante emitido por todos os nossos dispositivos móveis pessoais. No futuro, que já o é, teremos de aprender como modificar a estrutura de nossa existência e forçar nossas vidas e nossa psicose em moldes novos, alguns ainda mal conhecidos.

Teremos assim de compreender como e porquê perante uma nova primeira vez, um novo potencial surge amolgando-nos no futuro. Todos os dispositivos sem fio têm pequenas imperfeições de fabrico no hardware que são exclusivas de cada dispositivo creio que a propósito – É a nova ordem das coisas!

Aquelas impressões digitais são um subproduto acidental do processo de produção. Estas imperfeições no hardware Bluetooth resultam em distorções únicas, que podem ser usadas como uma impressão digital para rastrear um dispositivo específico. Daqui eu dizer sempre que é muito perigoso pensar, falar, comentar e até muxoxar asneirentas verdades. Para o Bluetooth, isso permitiria que um invasor contorne técnicas anti-monitoriazação, como alterar constantemente o endereço que um dispositivo móvel usa para se ligar a redes da Internet.

torres2.jpg Os investigadores, engenheiros das sombras e almas, projectaram um novo método que não depende do preâmbulo, mas analisa todo o sinal Bluetooth. Eles desenvolveram um algoritmo que estima dois valores diferentes encontrados em sinais Bluetooth. Estes valores variam de acordo com os defeitos no hardware Bluetooth, dando aos investigadores a impressão digital exclusiva do dispositivo – nosso ADN

No silêncio da manhã, pardais chilreando, sigo até à padaria do Tonico a comprar o pão bom para se fazer as açordas de poejo ou coentros. Nas ruas daqui aonde estou, nascem poejos nas frinchas, nasce salsa e coentros que só não são usados porque os cães ali fazem javardices mijadas. Passo no antigo posto da GNR do tempo em que usavam cavalos; a porta larga por onde passava a tropa está encimada com um escudo de nobre lembrança e em cima duma cimalha há um leão segurando uma bola mundo – uma esfera armilar à semelhança do Leão de Ceilão. E, o futuro traz-nos senilidade, artérias endurecidas, pele enrugada por frouxas, calvície e uma apetência ao isolamento por não entendimento ou não aceitação. Amanhã será outro dia…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:26
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Domingo, 11 de Dezembro de 2022
VIAGENS . 2

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - Crónica 3321 - 24.06.2022 –Republicação a 11.12.2022.

Do Pantanal à Amazónia - parte

Por Soba T´Chingange brasil.jpgT´Chingange (Otchingandji) – No AlGharb do M´Puto

quilombo0.jpg Ainda na Fazenda do Pantanal pude recordar com Peixinho, nosso guia, o neto do rei do Império de Oyó com o título de “Dom Obá II” (Dom Obá, na língua do seu povo ioruba, significa “rei”). Então imaginei-o com fraque e cartola, a desfilar sua banga ninita, suas medalhas penduricalhos de mérito pelas ruas do Rio de Janeiro. Pois assim foi: Um príncipe africano, negro, que viveu no Brasil durante o período em que ainda havia escravidão e o país era governado por um imperador, Dom Pedro II.

Seu nome era Cândido da Fonseca Galvão, mas gostava mesmo era de ser chamado de Dom Obá II d’África. Nasceu no sertão da Bahia, na Vila dos Lençóis, por volta de 1845, filho de africanos forros, ou seja, ex-escravos que haviam conquistado a sua liberdade por meio da carta de alforria. Dizia-se descendente directo, neto legítimo, de um poderoso rei africano – Aláafin Abiodun, rei do Império de Oyó – daí o gostar de ser reconhecido como príncipe.

quilombo4.jpg É interessante conviver de perto com estas alvissaras mistificadas de fantasia na vida real, como sempre vivessem um perene carnaval, resquícios de memória das terras de África. Alistou-se voluntariamente para lutar na Guerra do Paraguai e, devido à sua bravura, foi condecorado como oficial honorário do Exército Brasileiro. Depois da Guerra, fixou-se no Rio de Janeiro, tornando-se numa figura conhecida da sociedade carioca.

Ficando amigo pessoal do Imperador D. Pedro II era entre os negros e mestiçagem do Rio de Janeiro, reverenciado por sua representatividade, como neto do Obá Abiodum. De notar aqui a necessidade das pessoas alimentarem sonhos alheios e de tempos passados que nunca viveram.

amazonas.jpg Aquela guerra do Paraguai foi a mais sangrenta ocorrida na América Latina no século XIX, envolvendo uma aliança entre Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, que terminou com a derrota dos paraguaios. Dom Obá II d´África foi promovido a alferes tendo sido desmobilizado por ter sido ferido na mão durante o conflito. Viveu no Rio de Janeiro, no Centro da cidade, região conhecida como Pequena África, um local historicamente habitado por africanos e seus descendentes.

Vindos de várias partes do país, a gente forra, iam ali como se assim o fosse uma peregrinação de romagem reafirmando-se em sua identidade. Uma Muxima na forma de Ongweva a alimentar uma fé inexplicável… Dom Obá tinha o hábito anualmente realizar uma visita oficial ao Paço, onde era recebido como herdeiro de seu avô. Foi defensor da monarquia brasileira, actuando na campanha abolicionista no combate ao racismo.  

amazonas2.jpg em Manaus de uma tremenda humidade, amanheci empoleirado em paus espetados no rio Negro. Aqui, quando chove de verdade o céu desaba. O Solimões, que é um rio, surge barrento mais abaixo. Em Alter do Chão o galo cantou despertando a neblina e, no balanço da palmeira entre fumo de fogueira, um novo dia chegou com paz saboreada a café, tapioca e maniçoba. Entretanto nós comprávamos bugigangas, cestos, catatuas de madeira e colares. E, o jabirú lá estava no meio da ilha alagada, dando soberania ao sítio do Alter, a terra do boto e da festa do “çairé”.

Sem saber que era um sonho à beira rio, cercado de Marabás, Caráraris, Ipixumas, Xaporis, Cajarás e Maués, dei comigo na festa do Carimbó comemorando vidas interrompidas num mundo de natureza hostil de onças pretas e pintadas. Estava tomando guarané Maué.: Como um caramuru de pele branca, transpirando forró, falando um português fluido entre garimpeiros, seringueiros e quebradeiras de coco, dei comigo a cantar:- Oi tira coco, solta coco - Vai descendo sem cessar – Bate-bate, racha coco - Quebra a palha devagar. Faz a roda, fecha a roda - Já é hora de cantar - Rapa coco, dança corpo - Na magia do lugar.

amazonas10.jpg Em visita à floresta e no quartel base do Batalhão Militar de Guardas da Amazónia, fiquei impressionado com a pantera negra que por ali estava presa; sua pele brilhante e seus olhos de um amarelo intenso, provocaram-me arrepios reluzindo medo. Já vi muito felino, mas este olhar do bicho andando de um para outro lado, marcou definitivamente este momento; era bicho com que não me queria cruzar no meio dessa densa mata. Por ali fiquei beira pântano, beira rio,... Descendo por cinco dias o rio grande, de Manaus até Belém com Nossa Senhora da Aparecida sofri a soltura prolongada feita disenteria.  Aiué, nem vos falo (por agora…)…

amazonas4.jpg

Glossário: Tuiuiú - pássaro pernalta símbolo do Pantanal; sucuri - cobra, jiboia; Jiboiei: - descansei em rede; Caimão - pequeno jacaré das Américas; Capivara - animal que parece um rato e é do tamanho de um porco, herbívoro; Kilombo (quilombo): o mesmo que quimbo, sanzala rural; Fujões - escravos fugidos das fazendas; Capitão-de-mato - cipaios ou guardas dos fazendeiros com alvará de busca ao infractor escravo; Obá II - escravo de linhagem que se tornou famoso entre outros; Caboclo - homem rude tarefeiro; Matuto - cruzamento entre índio e mulato (ou branco); Ipê-roxo: - árvore de grande porte, pau d´arco; Sukucaia - fruto do castanheiro do Pará; Manissoba - saca-saca, folha de mandioca fervida durante sete dias (para retirar a seiva venenosa); Jabirú - o mesmo que tuiuiú, pássaro do pantanal (nome popular usado em forma pejorativa); Boto: – golfinho do rio (toninha); “çairé” - festa anual em Alter do Chão, homenagem ao golfinho; Marabás, Xaporis:- tribos de índios; Carimbó - festa dos recolectores da floresta amazónica, seringueiros e agricultores de enxada e catana, pisteiro de onça; Guarané - o mesmo que guaraná em dialecto Maué; Caramuru - homem branco do sul, normalmente de Porto Seguro ou Santa Catarina; Forró – Farra batucada, excitação suada por ambiente festivo, que se traduz em alegria; Seringueiro – homem que extrai a borracha da árvore; Coxias: - herbívoros de pequeno porte; Cajá – taparabé, fruto tropical parecido com a nêspera, gajaja.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:00
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Sábado, 10 de Dezembro de 2022
VIAGENS . 1

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - Cónica 3320 a 21.06.2022

– Republicação a 10.12.2022, no AlGharb do M´Puto

Do Pantanal à Amazónia - 1ª parte

Por ObáII6.jpgT´Chingange (Otchingandji)  

obáII4.jpg E, porque hoje aqui no velho continente começa o Verão, cuidados redobrados nas regas de gota-a-gota e, porque a chuva é escassa, lá teremos de preservar o que cai do céu, uma dádiva que só chega quando Deus quer ou se o quiserem quando a natureza assim o determina. Sabendo que em uns sítios transborda e noutros escasseia rebusquei frescuras alheias em minhas parábolas antigas na forma de malambas.

Com pensamentos molhados através da transpantaneira brasileira chegámos a Poconé, capital do garimpo - no céu nuvens carregadas de escuro com um sol deslumbrante, raiando luzernas multicolores como se o fossem olharapos espaciais. O português Aleixo Garcia foi o primeiro a visitar estas terras baixas no ano de 1524 tendo alcançado o rio Paraguai através do rio Miranda, atingindo a região onde hoje se situa a cidade de Corumbá.  Num horizonte sem fim, araras, tuiuiús, mergulhões e minúsculos beija-flores davam-nos as boas vindas na fazenda Mato Grosso em mato Grosso do Norte..

ObáII1.jpg Na beira-rio embarquei sonhos escondidos à mistura com mistérios de sucuri e esperanças caldeadas em saudade; uma inconformidade de querer sempre estar nas terras de onde me tiraram. Ali no Pantanal, jiboiei na rede picado a mosquitos, pesquei piranha e cavalguei no charco entre caimões, capivaras, aves pernaltas, cuxias e lontras luzidias. Espelhadas ao pôr de sol nas quietas águas do rio Pixaím, as baladas choradas do Peixinho, nosso guia ocasional, saído dum kilombo bem perto da fronteira com a Bolívia, tinham um encanto de lembrar a Kukia da Luua, que não sei descrever mas, do que ouvi, apreendi…

Aprendi com ongweva: - Eu sou cria desta água - Meu olhar, corre sem fim - O meu canto, chora as mágoas - D’ um rio dentro de mim… Aiué -Percorrendo um trilho aguado entre muita água vi o pantanal de Poconé limitar-se, ao norte com a própria cidade de Poconé, zona mais alta de savana, ao sul com o rio São Lourenço, no limite com o pantanal de Paiaguás, a leste com o pantanal de Barão de Melgaço e a oeste com o rio Paraguai. A vegetação mostra charcos imensos, repletos de ciperáceas e juncáceas, além de campos, savanas e florestas. Elementos da vegetação amazónica ocorrem em menor frequência.

obáII3.jpg Com o vento norte, impregnado de odores gentios, deslizavam longos e escorridos cabelos pela nossa mente. Cruzando mantos de verdura, a espalmada água escorria lentamente entre cordilheiras de rasa altura, currais, fazendas e roças de quilombos. Naquela largueza, em terras de fujões, escravos sem eira nem beira, recordávamos a história dos bandeirantes e capitães-de-mato, levando aqueles lá mais para longe, atrás da chapada, fazendo soberania escondida; tempos idos dum império que subsiste nas crenças e no espírito aventureiro dos descendentes do rei Dom Oba´ II.

O Cândido da Fonseca Galvão que ficou conhecido como Dom Obá II D'África foi um fidalgo e militar brasileiro que morreu com 45 anos no ano de 1890. Filho de africanos forros, seu pai, Fonseca Galvão, era filho de Abiodum, o Obá do Império de Oió. Cândido intitulava-se “príncipe Dom Obá II”, referindo-se a seu pai como “príncipe Dom Obá I”. Saídos das negruras de África, ainda perdidos no tempo, ainda arranham a terra garimpando a vida sem saberem que afinal construíram um país a que se chama de Brasil.

obáII5.jpg O índio, o caboclo ou o matuto, continuam a cortar o ipê-roxo, o pau-brasil, a cajá e os castanheiros que dão a sukucaia e, na beira-rio, vão cantando: - Canoa que não tem quilha - Não atende o canoeiro - Um país fora da trilha - É navio sem paradeiro. Andando por aqui e, ao calhas, fiquei a saber ao que chamam de cordilheira. Quando me disseram eu olhei a 360 graus e vendo tudo plano e inundado quis saber e, soube! Está a ver aquele alto e aquele, disseram: é a cordilheira! E, o que vi foram elevações de talvez dois metros com currais cercados aonde e, nas cheias do rio Paraguai resguardam as manadas de gado (foi em Março de 2011).

O que aqui é descrito num tempo passado está hoje coberto de água. Os rios que dão origem ao bioma constituindo a savana estépica, devido às grandes chuvas inundaram pelo que muito gado está a morrer afogado (ano de 2011). Os fazendeiros tentam minimizar os prejuízos deslocando as manadas para sítios mais alto – as cordilheiras, que diga-se são poucas e distantes entre si…

obáII9.jpg

Glossário:

Tuiuiú - pássaro pernalta símbolo do Pantanal; sucuri - cobra, jiboia; jiboiei - descansar em letargia; capivara - animal que parece um rato e é do tamanho de um porco, herbívoro; kilombo – o mesmo que kimbo ou quilombo, sanzala rural; fujões – escravos fugidos das fazendas; capitão-de-mato – cipaios ou guardas dos fazendeiros com alvará de busca ao infractor escravo; Obá II – escravo de linhagem que se tornou famoso entre outros e, que se sublevou; caboclo – homem rude tarefeiro; matuto – cruzamento entre índio e mulato (ou branco); ipê-roxo – árvore de grande porte, pau d´arco; sukucaia – fruto do castanheiro do Pará; jabirú – o mesmo que tuiuiú, pássaro do pantanal (nome popular usado em forma pejorativa); coxias- herbívoros de pequeno porte; cajá – taparabé, fruto tropical parecido com a nêspera do M´Puto ou gajaja de N´Gola; ao calhas – ao acaso, aleatório; Kukia: Pôr-do-sol; Luua: d iminutivo de Luanda; Ongweva: Saudade (kimbundo) …

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:32
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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2022
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - UMA CHUVA ANTIGA

O mistério da vida... Não se deixe arrastar por ilusões...

Crónica 3319 de 19.06.2022 em PajuçaraRepublicação a 09.12.2022 na Lagoa do M´Puto

Por soba24.jpg  T´Chingange (Otchingandji)

ARAUJO222.jpg Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada. O destino da humanidade repousa irremediavelmente e, cada vez mais que nunca, sobre as forças morais do homem. Se se quiser uma vida livre e feliz, forçosamente haverá necessidade de se restringir ao essencial e renunciar a muitas tentações; daqui dizer-se estar sempre limitado! Estamos vivendo no século da luz – não nos podemos deixar arrastar por ilusões, embora o pareçam ser bem-intencionadas.

Raciocine imparcialmente não aceitando à partida algo que não entenda. Se porventura não compreender alguma coisa, não a rejeite de todo; procure aprofundá-la pelo estudo, pela pesquisa. Não se conforme com a pior das escravidões, que é a submissão mental. Hoje o destino da humanidade repousa sobre os valores morais que consegue suscitar em si mesma. Todos, ou quase, percebemos que o livre jogo das forças económicas, o esforço desordenado e sem freios dos indivíduos para dominar e adquirir a qualquer custo, nos conduzirão mais e de forma automática a uma solução insuportável deste problema: tanto roubo, tanta hipocrisia e corruptela. Nascemos para ser livres, e só o seremos quando raciocinarmos de forma livre.

araujo23.jpg Será necessário rever velhas ordens, planifica-las em novas para que a produção de bens do emprego da mão-de-obra e da repartição em bens de consumo, não sejam uma simples quimera; evitar a todo o custo o desaparecimento de importantes recursos produtivos com o inerente empobrecimento levado a uma vida ultrajante de subsistência e dependência… Em um qualquer momento de nossas vidas passamos por isto! Sempre haverá alguém pronto a explorá-lo em nome de um Deus - o dinheiro.

Esses mesmos irão dizer-lhe que fazem o que fazem na graça de Deus – nunca saberemos ao certo que Deus é esse que menospreza um servidor humilhando-o na serventia – explorando-o. Conheço isto, vivo isto porque tenho amigos que se dizem profetas escravizando o próximo tendo Deus na ponta da língua com a graça e edecéteras em que sua seita de crenças dá crédito – as falácias são muitas e até estes, parecem enganar-se a si próprios e a propósito… O estado deverá ser permanentemente inovador nas áreas de educação e pesquisa. Será com novas áreas de modernidade e novos paradigmas que se alcançará o bem-estar social. Se na vida económica de um povo, o egoísmo e corrupção persistirem - então o “monstro”, inevitavelmente derrotará a democracia tal como a conhecemos e concebemos.

araujo97.jpg A política tornar-se-á tão nefasta que no dia-a-dia perigará a condição em se ser um cidadão honesto. Vamos viver condicionados a gente que tudo vê por interesse, por voto, por simples vaidade ou capricho, mesmo que sendo ou parecendo fútil. Os estragos serão cada vez mais atrozes ao entendimento da gente que cada vez mais detestará a política e os políticos. Detestará também os sindicatos e sindicalistas manobradores. A menos que os homens descubram e bem depressa, os meios de se protegerem deste desequilíbrio ético, caminharemos rapidamente para guerras internas… Podemos assistir a isto hodiernamente!

As dispersões de opinião serão cada vez mais distribuídas, originando uma incerta forma de governo e, proporcionando na certa, o aparecimento de associações do tipo geringonça, governos feitos com gente despreparada, gente seguidora de uma conduta politica comprovadamente nefasta, cativando ideias e ideais, seguindo os métodos de se permanecer no poder mantendo a nomenclatura que lhe é afecta. Estas terão pela certa jogos de sociedade respeitando escrupulosamente sua visão ideológica, suas regras, suas normas, seus interesses; teremos lideres a bajular-se, presidentes a ser coniventes e, aqui e além darem sua ajuda à revelia de interesses nacionais. Faltam Estadistas!

araujo77.jpg E, a dúvida de todos ou de uma grande parte subsistirá porque, quando se trata de ser ou não ser, as regras e compromissos, nada valem. Sei-o por experiência própria em um tempo não tão distante: 1975 – Um tal de acordo de Alvor – lugar do M´Puto! Aonde então, se meteram os estadistas? Diriam como salvaguarda posterior serem medidas revolucionárias! A evolução dos últimos anos põe em foco o facto de termos muito poucas razões para confiar nos governos; em confiar na ética e responsabilidade…

A confiabilidade dissolve-se assim, em permanentes duvidas e, nisto de assim ser, não há objectores de consciência. Na verdade trata-se de um combate desigual ou ilegal; um combate pelo direito real dos homens contra seus governos já que estes, exigem de seus cidadãos actos criminosos de demasiados e injustos impostos, demasiadas leis e, desadequadas. Demasiados impostos com taxas em cima de taxas. Juro que ando descrente. Vejo a saúde numa lástima, a educação dada a coisas de menor importância. O fim do abecedário com a inclusão do mais na sigla da bandeira de todas as cores. Sejam felizes, o quanto possam…

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:12
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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2022
PARACUCA . LXII

MULOLAS DO TEMPO33

RECORDANDO: Em Komatipoort  e  Sudwala Caves…

Odisseia “HAJA PACIÊNCIA” – Recordando o 10 de Novembro de 2018 – no 54º - um Sábado… 

Crónica 3318 – 18.06.2022Republicação a 08.12.2022, na Lagoa do M´Puto

Por pedras00.jpgT´Chingange (Ochingandji)

papoila0.jpg Acomodados em um dos chalés do Komati River Chalets, na cidade de Kotmatipoort pudemos disfrutar da tranquilidade entre o variado arvoredo e a toalha de água dispersa pelos vários canais do Crocodile River bem na fronteira do Kruger National Park; situado muito perto da estação movimentada de comboios, podíamos ver de vez em quando, os quilómetros de extensão destes, cheios de minério ou carvão, passando pelo talude marginal e a ponte de ferro que bordeiam o condomínio desta agradável estância de turismo…

Havia bancos estrategicamente situados para apreciar as espraiadas e quietas águas do Crocodile, até de ver os peixes em sua moderada agitação e o crocodilo a jiboiar, bem na berma da ilha em frente e na direcção dos sons dos trens, agulhas de mudança e apitos, solavancos feitos de guinchos prolongadamente agudos, finas e compridas pancadas, os choques e as sonoridades da estação, barulhos diferenciados a agitar guarda freios, vigilantes das máquinas martelando o ferro, toques de ver e ouvir falhas, rachaduras ou frouxidões. Saudades de quem já trabalhou em uma estação, que cheirou e desenhou máquinas Garrett entre outras a vapor ou a diesel …   

alhambra3.jpgA jusante fica uma levada, rápidos envoltos em pedregais logo a seguir a uma ponte de mulola com guias na forma de pilares na lateral e, espraiando-se a seguir num rio de calado baixo pelo assoreamento; sucede então que os mais audazes animais tentam ultrapassar sua fronteira de reserva e por isso, ouve-se no ar barulho de pás de um helicóptero. O que é, o que não é e, dizem-nos estar a espantar uma manada de elefantes que tentavam passar seus limites de fronteira. Isto acontece por via de pastos mais agradáveis, grama verde e tentadora…   

Passando o dia entre leitura, escrita e passeio pelo jardim de matiz tropical, há também tempo para pescar com isca ou amostra ao longo das margens limpas de mato fechado. Há sim, um aviso a recordar não dar comida a macacos, não bulir com cágados ou tartarugas, nem dar comida a animais de pequeno porte que possam surgir. Sobressai o aviso de ficar atento a eventuais investidas de crocodilos. Nos sítios estratégicos há menção dos muitos pássaros que por ali possam ser avistados; saliento o Kingfisher bird – um pássaro ágil a pescar ao jeito de mergulho picado.

komati1.jpg Visitar o Kruger Park é sempre um momento alto na viagem para qualquer um de nós. Desta feita sugeri ao companheiro de odisseia, “O melhor condutor de África- Vissapa”, o dono da vontade, a visitarmos o Parque; tinha já sugerido irmos até às grutas de Sudwala Caves, lugar bem perto de Nelspruit, uma cidade situada na via N4 e a caminho do nosso destino final em Johannesburg, graças a Deus. A negativa foi peremptoriamente muxoxada de entretantos com considerandos e edecéteras – ali não havia bichos! Ponto final.

Lá atrás, ainda em Moçambique, também tinha sugerido irmos até Grascop uma bela e pequena cidade nas montanhas do lado Este do Kruger, lugar de muitas e bonitas quedas de água e das três mamas de África mais "God’s Window", cidade já minha conhecida. Mas, isso não estava no seu programa e, daí, nada a fazer – Tive de vestir a aldraba como se o fora um colete à prova de balas, enfiar a sugestão num saco, atá-lo para não feder e, deixar prevalecer na vontade do Big Chefe, o sabe-tudo para além de o ser: “O melhor condutor de África”…

komati6.jpg Pois assim é, assim foi! A escassos quilómetros de Nelspruit de Mpumalanga havia em tempos, gente refugiada nas grutas que tinham um kazumbi tão forte que até guardavam a morte no sovaco. Bem! Quando lá entrei, havia realmente um forte cheiro a catinga. Catinga que já cheirava a cadáver mas aquilo eram estromatólitos colados ao tecto, um pouco diferente das estalactites ou estalagmites. Mas o certo é que havia sim, uma imagem em um grande salão com o nome de Nossa Senhora da Muxima. Para uns já era de Lourdes e para outros de Nossa Senhora de Fátima. Bem! Descrevo isto porque fui lá mas desta feita, nadica de nada! O pedaço estava longe de ser meu…

komati4.jpg Os estromatólitos colados ao tecto por serem fósseis tão antigos, pensa-se que sejam testemunha dos primeiros organismos a realizar a fotossíntese oxigênica, responsáveis pelo gás oxigénio que surgiu no planeta há cerca de 3,5 bilhões de anos. Porém, a definição exacta, ainda é discutida podendo, por exemplo, excluir estruturas como oncólitos e trombólitos da lista dos estromatólitos. Compõem-se também de carbonatos calcita e dolomita. São formados a partir de uma sucessão de estágios, partindo de esteira microbiana, estromatólito estratiforme, para finalmente se consolidarem em uma rocha. Mas, o povo sempre acredita no que bem quer.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:00
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2022
KALUNGA . XXXVI

KIANDA COM ONGWEVA - XXI de várias partes…

– Crónica 3316 de 14.06.2022 – Republicada a 07.12.2022 na falsa savana do Alentejo do M´Puto

MUXIMA NAS FRINCHAS DO TEMPO - Falar do futuro, até para as kiandas é tabu…

Ongweva é saudade

Por koisan7.jpgT´Chingange (Ochingandji)

lualaba0.jpg Quem se mete com kiandas fica kiandado ou oxorizado. Morgan Tsvangirai o pai de Roxo ficou avençado pelos Mwana-Pwós com o posto de tenente de segunda linha mandando os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de soberania. Nesta tarefa de contar a estória lá teremos de ver para onde correm as águas de navegar na boleia da correnteza e eis que do lugar distante de Pernambuco e suas capitânias adjacentes, no reino de Terras de Vera Cruz, estavam carentes de braços para fazer o cultivo da cana para fazer andar os engenhos de assucar.

Os pormenores que podem até ser pensados insignificantes, têm de ser descritos para haver um melhor entendimento nos grandes gestos nos feitos, dos obreiros sertanejos e Mwana-Pwós em lados quase de mesma longitude mas afastados por um oceano na Latitude Mar kalunga dos iemanjás - os Orixás das águas salgadas, mãe dos demais orixás; Rainha do mar, Mãe das águas ou mãe dos filhos-peixe. Filha de Olokum, dum Iemanjá que foi casada com Oduduá, com quem teve dez filhos orixás. Bom! Latitude serão os movimentos destes ao longo dos meridianos; ao longo do equador ou linha paralela a este.

espiga1.jpg A preguiça na cultura dos índios americanos dos brasis não permitia seu uso no trabalho – isso era tarefa de mulher e gente, dada ao desprezo. Talvez por isto, seus lugares tenentes mantinham contacto com alguns negreiros portugueses que detinham este negócio, pagando-lhes ainda mais do que a antiga coroa determinava. Era um quase pacto de negócio mantendo-os como principais fornecedores de peças á margem dos interesses dos reis do M´Puto.

As ordens que vinham do Conde Maurício de Nassau a partir de Olinda eram de subornar a todo o custo os intervenientes funantes do mato de N´Gola no negócio escravo. Estava em causa a política comercial da Companhia das Índias Ocidentais... O lucro! E, Portugal que era agora pertença dos espanhóis não havia por isso empenho nestas políticas de tanto trabalho; preferiam estabelecer severas taxas de soberania aos amarídeos de seus territórios com pagas em ouro.

As mordomias dos reis Filipe de Castela, Astúrias, Galiza, Catalunha Portugal e Andaluzia eram muitas - isso impunha uma política restritiva, sem dispersão. A tia da Kianda Roxo, N´ga Maria Káfutila de linhagem nobre do reino do Kongo ajudava Januário Pieter na quinda do mercado da paliça vendendo malavo e quitoto ou permutando com os indígenas ou mesmo n´gwetas produtos da terra como ginguba e fuba de mandioca.

kianda2.jpg A fuba originava um prato apetecível chamado de funje ou pirão, um preparo a partir da mandioca. E, ela, a Roxo, tornou-se assim uma cozinheira de primeira mão mas, no correr do tempo preferiu lançar suas fluorescências em pinturas. Por obra desconhecida ou talvez de *Olokun rodou trezentos e sessenta graus confundindo essas tais de Latitude e de longitude; hoje dificilmente frita um ovo! A casa dela nem cozinha tem… Ainda intentou fazer uso das folhas do pau de mandioca que era passada por cinco fervuras para anular o veneno da coisa e, desistiu a favor da Saka-Saka.

Agora a isto chama-se assim de Saka-Saka sendo impregnada de azeite de palma, um prato mais típico e requintado. De saber que ainda hoje e do lugar natural dos Mafulos (Holanda), daí advém em latas deste produto enraizado naqueles idos tempos e que perdurou - um caso menor mas de importante e curiosidade de no decorrer do tempo, ali e em todos os povos de fala francesa.   

kianda03.jpg Kiandas e calungas! O tempo, na mística espiritual de N´Gola, não tem fidelidade à linha do tempo, anda do agora para trás e, se sabe no depois, nunca o diz! Também tem medo de virar poeira como o Plutão… O futuro é já a seguir… Como se diz, a calunga ou kianda é assim como um vírus de computador que sem se ver, se faz notar. Nossa kianda Roxo veio como Assunção por alguma razão que, nem ela própria sabe! Melhor seria Ascensão mas quis a semântica do uso dar-lhe esse quase igual nome. Podia ser só Maria mas quis o encontro com as calemas do destino encontrar o T´Chingange que estupfeito com suas bizarras cores do além e seus mágicos gatafunhos psicadélicos, simbiose de Naif com Dali, ascendeu aos espíritos. E, em viagem por esse Universo distribuindo alegrias tomando muito chá de funcho e oliveira a controlar sua intensidade de fazer gaifonas à vida, T´Chingange anda agora beulando porque não mais soube coisas da Oxor, a kianda espelho de  Roxo. Acho que sim! Seguiu o rumo de Plutão, fez uafo, uafou…

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*Do Olokun: Para as águas do mar, Olokun, Ye Olokun, Ya Olokun, são pontos de areia. Os destinos brilhando num só Olokun - Ye Olokun, Ya Olokun… Na cultura africana, Olokun possui diferentes representações, em alguns locais ele possui características do sexo masculino (Yorubá) e em outras, do feminino (Ifé). Mas em todas suas formas ele tem o corpo metade peixe e metade homem.

GLOSSÁRIO: Kalunga - mar; Kianda - sereia; Kituku - mistério; Kúkia – sol nascente; Ngana NZambi - Senhor, Deus; Mafulos - Holandeses; Kuatiça o ngoma! – Toquem os tambores;Tambulakonta – toma atenção, cuidado; matona – peixe da bahia da Luua; Luua – Diminutivo de Luanda; kifufutila ou kafufutila – perdigotos ao comer e falar ao mesmo tempo; Xipala, T´Xipala – foto; Malamba – palavra; átoa – de qualquer maneira; beulando – passeando o abandono; uafo – morte, morreu…

(Continua com “fricção”…)

Por: Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:23
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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2022
N´NHAKA . XXV

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . XI

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” - Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

Crónica 3315 de 12.06.2022 - Republicação a 06.12.2022, na falsa estepe alentejana do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

PorSBEL.jpg T´Chingange, (Otchingandji)

soba40.jpg Depois da Catumbela, do canavial de açúcar que já não era e da fábrica de whisky Sbel enferrujada por abandono seguiu-se a ponte que já o tinha sido, à entrada de Benguela. Este contratempo do tinha e havia mas, já não o é, forçou-nos a um pequeno desvio pela mulola seca mas, logologo aí estava a cidade das acácias. Aqui os crioulos em rebeldia de afazeres e dizeres ao rubro, reforçaram valores angolenses, não permitindo que os Cubanos levassem as acácias rubras para a sua marginal do Malecon de Havana.

Nesta cidade mestiça ficou algum aprumo e uma catedral em forma de bivaque do tempo dos Tugas. Aqui o caldeamento do mundo negro num predisposto protesto com os Lusos brancos gwetas do M´Puto e alguns Mazombos, nunca atingiu a negritude plena; ficou a mística de muitas castas, estímulos e sentimentos cantados ao som de chocalhos e espanta espíritos pendurados na alma como se o fossem hologramas da “Benguela, terra das acácias rubras".

bengela1.jpg Aqui me encontro; isto continua a ser Benguela! A Benguela mulata salientou-se nesta viagem odisseia de contrastes!...Em casa de gente mulata fiquei; a Dona Adelaide foi o máximo no carinho que nos reservou durante um escasso fim-de-semana e, por imperativos mútuos só ali ficamos o tempo que se quis mas, naquela casa do Amor (Amor é o nome de família) o almoço da muamba, o saca-saca, o muzungué, e os bolinhos de fabrico próprio deram conversa para animar aquele sábado de Julho do ano de 2002; Os mosquitos, também eles nos acariciaram de amores e, foram tantos que tive de me refugiar no quarto do 1º andar.

Ali no canto estava uma “kalashnikov“ a guardar-me ou talvez não, pois que pode ter sido com esta que o Amor esfacelou a sua perna em luta com um ladrão de quintal. Perna que agora já não tem! A muleta substituiu a perna - O tempo condicionou a vida de cada qual. Naquele quintal havia uvas, gajajeiras, sape-sape e até uma maçã da índia! Daqui os Cubanos, nada mais puderam levar para além das placas de mármore retiradas do cemitério e os machimbombos da City…

benguela3.jpg Pois assim foi: levaram-nas para Cuba tal como todos os autocarros de clubes e outros para servirem em e El Pinar, Matanzas perto de Varadero e em Cienfuegos perto da Baia dos Porcos. Anos mais tarde, quando fui a Cuba, pude constatar como verdade, alguns supostos mugimbos… em passeio, vi por lá um autocarro do Lobito Futebol Clube com alguma tinta ainda visível na marginal de Havana. Aquela avenida de Cuba chama-se Malecon; é o lugar aonde os noivos vão prometer o futuro risonho ao parceiro.

Dali, Malecon da Havana vê-se romântica mas, dentro dos prédios despintados há uma outra realidade: muita gente em lugares apertados e bafientos tentando superar a vida oca de todos os dias. É cruel! E, eu estive lá a comprar charutos Romeu e Julieta, fugido da feia guia Mercedes. Apreciei nos cemitérios os mesmos mármores usados em Angola idos de Vila Viçosa (estão lá para quem quiser ver). As pedras às vezes falam! No seu divino dom da conversa calada já não tinha mais razão de ser; de ver fugir alguém à frente dum barulho de metralha ensurdecedor.

mocanda8.jpg As estórias ficam sim gravadas nas veias de pedras e, esta viu: No fim da restinga, num Lobito carregado de medo, a brancura da pele tornando-se reaccionária. Passados uns anos ouvia na rádio: “morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela, será que ela mexe o chocalho ou o chocalho mexe com ela” …                                                     

Todos os dias são bons para se viver mas o espírito tem de estar em paz consigo próprio. Juntei as coisas simples numa montanha de ternura e quis entender a canção do Chico Buarque; pouco apouco fui conseguindo estar de bem com aquela musica cheia de transcensões – Verdade - As pedras, às vezes falam!  “A bela mulata remexendo,... Deixando requentar o feijão no tacho,... Na Catumbela”. Na Catumbela?! Haka! Não tem mais cana-de-açúcar, nem s´bell; a fábrica do açúcar da Cassequel é um montão de ferro velho e a praça do Império, tem uma traineira encalhada no meio; O postal mais actual daquela restinga, é aquele barco empoleirado, dando fim ao ciclo imperial dos Tugas.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:41
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2022
MU UKULU – XXIX

LUANDA DO ANTIGAMENTE

Crónica 3314 - 09-06-2022 – A2 - Recordando o Século Mwata Luís Martins Soares

– Republicação a 05.12.2022 no Alentejo do M`Puto

Por   namib3.jpg T´Chingange (Ot´chingandji)

maximbombo.jpeg Em sequência das falas recordadas do livro Mu Ukulu, ir-se-á transcrever o capítulo dos Sabores da Nossa Terra tendo como início uma síntese da estória. A cidade de Luanda foi fundada a 25 de Janeiro de 1576 pelo capitão Tuga chamado de Paulo Dias de Novaes após ter desembarcado na baia de Loanda com cerca de 700 homens (soldados, padres e almocreves). Em 1576 manda construir a igreja de são Sebastião na fortaleza aonde agora se encontra o museu das Forças Armadas Angolanas.

Antes da chegada dos portugueses, Luanda já era habitada pelas gentes do rei do N´Dongo concentrando-se no lugar seguro da ilha de Mazenga a que os portugueses chamaram de ilha das cabras por terem visto ali alguns destes caprinos. Viviam ali os Muxiloandas, oficiais do reino de N´dongo que recolhiam os n´zimbos para transaccioná-los como dinheiro. No ano de 1605 a Vila de São Paulo de Assunção de Loanda é elevada à categoria de cidade pelo governador Manoel Cerveira Pereira que exerceu seu cargo entre os anos de 1603 e 1606.

luis0.jpg Não obstante estes dados históricos, o Rei de N´Dongo vassalo do rei do Kongo era o dono e senhor daquele espaço, pois que era ali seu banco central! Isto, depois de N'Gola Kiluanji Inene ter dado independência ao Reino de N'Dongo separando-o do poderoso Reino do Kongo! Quanto ao banco de N´gola da moeda n´zimbo: Seus zeladores Muxiloandas, cipaios e gente miúda laboravam na apanha e sequente selecção atribuindo às conchas o respectivo valor monetário. Relembra-se que quando os portugueses deram início ao processo chamado de colonização que originou na Angola hodierna, diferenciaram grupos sociais com identidades próprias.

Os factores de diferenciação entre as etnias foram: a linguagem, vestuário, formas de penteado, estilos de construção das cubatas, sua forma de expressão musical, práticas fúnebres, e suas comidas entre outros detalhes. Quanto à cozinha angolana ela teve ao longo dos anos alterações por via de produtos levados para ali pelos portugueses; produtos trazidos das américas da ásia e da metrópole - M´Puto. Houve por este motivo miscigenação nos hábitos. Do Brasil Imperial foi levada a mandioca que se tornou básica e generalizada por toda a África.

luua24.jpgCom a introdução da mandioca levada pelos Tugas do Brasil os pratos de peixe eram acompanhados com fuba funje, um pirão espesso feito dessa fina farinha. Para alguns dos mwangolés esta nova, será uma surpresa - melhor seria que unissem sua sapiência repondo a verdade, não desconsiderando permanentemente o colonizador Tuga. Requer-se por isso mudanças futuras em sua Constituição e, por forma a reverem a lei da nacionalidade e tornarem as gentes brancas de pele da terceira e quarta geração em cidadãos de facto – Angolanos!

banco de angola1.jpg Com a chegada das traineiras abarrotadas de peixe, comerciantes brancos, juntavam-se no local de descarga e, ali, disputavam a compra do produto que era previamente separado de acordo com o destino a ser-lhe dado. Os peixes maiores eram destinados ao consumo de hotéis, pensões e casas de pasto. Lembro-me em candengue desta actividade no antigo porto de pesca situado bem em frente do Banco de Angola (1954/1955) e, aonde ia rebuscar sardinhas rejeitadas para utilizar como isco em minha pescaria na baia da Luua em companhia da minha turma da maré mansa da Maianga, Samba e Praia do Bispo…

Parte do peixe para venda ao público era levado para o mercado situado bem perto do Largo Bressane Leite, bem na baixa de Luanda; mais tarde mudou-se para o Kinaxixe, um belo edifício, património arquitectónico que os mwangolés ávidos de kumbú mandaram deitar abaixo, não sei se por parva retaliação ao colono, se só para encherem seus bolsos de dólares e, também agradarem a esses tantos generais de tugi do governo que surgiram por “feitos heróicos”. Bem! Falando do peixe, o de menor tamanho era arrematado para salgas de onde saía o preparo e seca do conhecido “Peixe Seco”, uma forma bem apreciada por nativos e brancos de segunda ou mazombos (filhos de colonos) como eu.

luis51.jpg Este peixe-seco, tão apreciado pelos nativos grunhos (pretos) e gwetas (Brancos) e, pelo facto de se ter tornado um costume, por via de ser barato, espalharam-se salgas um pouco por todo o lado e ao longo da costa desde o Ambriz mais a Norte, passando por Luanda até Benguela e ainda mais a Sul na Baía Farta. O peixe depois de processado, estripado e escalado era posto a secar ao sol usando loandos normalmente elevados do solo por estacas. Este peixe já seco, era depois levado em camionetas por, maioritariamente “candongueiros” até aos lugares distantes do interior na forma de fardos atados com fio de sisal ou mateba. O itinerário destas carrinhas ou camionetas podia ser-se seguido horas e até dias mais tarde pelas picadas seguindo o rasto do cheiro característico que estes lançavam para o mato circundante…

(Continua…)

Recordando o Século Kota Mwata Luís Martins Soares com algumas adendas acintosas de minha lavra…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:46
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Domingo, 4 de Dezembro de 2022
GUARARAPES - 7

A SAGA DO AÇÚCARAS AGRURAS DE OLINDA COM OS MAFULOS

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA

Crónica nº 3313 de 07.06.2022 – Repetição a 04.12.2022 na falsa savana Alentejana do M´Puto

Por paradi2.jpgT´Chingange (Ochingandji)

Os Mouros e Mazagão – Brasil no tempo de D. João IV do M´Puto

o vazio.JPG O mundo hoje tornou-se uma ervilha com milhares de satélites a enviar dados do espaço para a terra; as notícias estão ao segundo em todo o lado mas, naqueles idos Tempos de Caramuru na América, Kaprandanda ou Silva Porto em África ou Mouzinho de Albuquerque na Ásia (índia), a vida era uma ousadia. Levavam-se meses para chegar da Europa à Tapurbana da Índia; as agruras eram muitas e tinham de ser destemidas, ao sabor do vento, das correntes, da sorte com milagres - por vezes tinham de cozer solas de sapato para dar alento à vida. Nem sempre os peixes voadores caíam nas amuradas do convés. É hoje inimaginável o trabalho com resiliência que os marinheiros Tugas tinham para fazer a globalidade que hoje temos.

As descrições da história aqui descritas, tem especial acuidade, por parte dos portugueses a fim de, se compreender o elo de ligação entre América (Brasil), Angola (África) e a Ásia num oriente tão distante. Nem sempre a estória refere esta muito importante relação nos tempos. Os heróis de uns sempre serão os heróis dos demais e é um erro os estadistas e afins de hoje não entrelaçarem na estória esta tão grande Gesta Lusa.

palops2.jpg Não se dá a devida atenção às instituições de CPLP ou PALOP´s e, é um grave erro passar ao lado dos grandes feitos de então. O Brasil reconheceu em Guararapes o início de sua própria integridade. Angola demora a reconhecer os altos valores dos Tugas desprezando-os por despeito ou tonta hipocrisia. Quanto mais tarde o reconhecerem tanto maior serão as perdas de civilidade e identidade*. Posto isto, seguiremos a senda do conhecimento que legou grandeza a Portugal. Faltam-nos ESTADISTAS para cantarem bem alto esta mais-valia.

Continuando a Saga dos Mafulos e Guararapes, agora reforçados com os conhecimentos do terreno pelo mestiço Calabar, após o reforço de novas tropas elevadas nos efectivos para 5500 infantes e militares de armas, também apoiados por 42 embarcações conquistam a Capitânia de Rio Grande do Norte, Paraíba e Hamaracá. O Arraial do Bom Jesus, sitiado durante três meses e três dias, capitulou a 6 de Junho de 1635. Faltava nesse então tudo o que podia servir de sustento; consumiram-se cavalos, couros, cães, cobras, gatos, ratos e, porque não havia mais pólvora deram-se por perdidos.

nzi01.jpg Furtando-se ardilosamente ao cerco iniciaram uma marcha para a Bahia com uma tropa de 140 homens brancos, acrescidos dos negros de Henrique Dias e dos índios de Filipe Camarão com a qual a 19 de Julho de 1636, tomam a Vila de Porto Calvo situada a uns 30 quilómetros da praia de Maragogi, actual estado de Alagoas. Mesmo desfalecidos por tão penosa marcha, tiveram a força aliada à astúcia com ousadia de tomar tal praça com 4 companhias num total de 400 militares bem armados e municiados.

O comandante Mafulo Alexandre Picard, por ocasião da rendição (Porto Calvo), entregou como prisioneiro Domingos Fernando Calabar, o traidor mestiço que foi de imediato e sumariamente condenado à morte por garroteamento em 22 de julho daquele mesmo ano; o traidor pagou o preço certo e sem desconto para gaudio de toda a Gesta Luso-Brasileira no comando de Matias de Albuquerque. (Hoje, ao invés deste procedimento – no M´Puto, dão-se condecorações – um desaforo!...)

O Conde João Maurício de Nassau-Siegen chegando a 23 de Janeiro de 1637 trouxe consigo a mais importante missão cientifica que até então pisara em terras da América, ainda hoje é objecto de atenção de todos que se dedicam ao estuda das ciências e botânica daquele período. Em verdade a administração do Conde de Maurício de Nassau deu um surto de progresso estendendo fronteiras desde Maranhão à foz do Rio São Francisco.

Coimbra13.jpg A partir de 1640, quando da aclamação de D. João IV, diante da força armada da Companhia Holandesa das Indias Ocidentais, se torna evidente que o Império Colonial Português na Ásia era coisa do passado. Perdidos que estavam os territórios de Malaca, as feitorias e fortalezas na Índia como Mazagão, as ilhas de Colombo, Ceilão e os territórios Craganor, Cohim, e Bombaim e o abandono da Arábia e Golfo Pérsico com a mão “sempre amiga” dos Ingleses, o Arquipélago das Molucas, parte de Timor e o afastamento com massacre de missionários do Japão. Um despautério quase por completo…

*NOTA – Tendo como fomentadores e instigadores os generais de aviário após o VINTICINCO de SETENTA E QUATRO com o bando armado de cabeludos do MFA que até saquearam seus irmãos na debandada africana… Debandada FORÇADA …

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:07
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Sábado, 3 de Dezembro de 2022
MISSOSSO . LVIII

KILOMBO – NA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA…

FALA KALADO NA PROMESSA DOS KALUNDU**

- Crónica com ficção* 331223ª de Várias Partes 06.06.2022 – Republicada a 03.12.2022 na falsa estepe do M´Puto - Alentejo

Por negritas.jpg T´Chingange (Otchingandji)  

che0.jpg Ché Guevara depois de sete meses passados no Congo Brazaville e, após constatar a pouca unidade dos soldados africanos em especial os afectos ao MPLA e, dado o pouco interesse do apoio internacional, Che contrariado, decidiu encerrar a primeira missão internacional do regime cubano. Mandou uma carta a Fidel Castro dizendo que o Victor Dreke "era um dos pilares em que confiava" para prosseguir a luta…

Após deixar África, os companheiros de Ché não seguiram pelo mesmo caminho. Ché mantinha vivo o desejo de exportar a revolução e organizou uma nova expedição revolucionária. Na Bolívia, foi capturado e executado dez meses após sua chegada, em Outubro de 1967. Há quem afirme que foi o próprio Fidel a congeminar o fim de Guevara pois que este estaria a ser-lhe sombra em sua liderança (como se o fora uma pedra no sapato). A relação de Dreke com África manteve-se viva liderando missões bem-sucedidas nas guerras de libertação da Guiné/Cabo Verde e República da Guiné. Chegados aqui teremos de nos rever em estórias mais recentes do panorama angolano e, a partir do átrio do Kilombo-Fundação.

dia213.jpg Estando eu no D´Jango das alvissaras estivais no jardim tropical da Fundação Zumbi de N´Gola e falando com Rosa Casado, a chefe de protocolo, fui informado que o Comendador Fala Calado, ex-guerrilheiro e ex-Coronel, embora débil, estava dando mostras de evoluir bem aos tratamentos dos remédios provenientes do Laboratório gerido por Andrey Blazhe, o biólogo e médico oriundo da Bulgária; as drogas eram ministrados com atenções esmeradas pelo médico ainda novo Juka Kalandula recentemente chegado de áfrica.

E, enquanto falávamos, ouvíamos um grupo de marimbeiros a tocar melodias bonitas no largo das cassuneiras. Os mesmos que viajaram com este médico, oriundos exactamente do mesmo local: Kalandula de Malange. Fiquei com ideia que se exibiriam pelo estado de Alagoas alegrando em complemento à quadra dos santos populares nas festas Juninas. Aquele gigante negro, guarda costas do Comendador que eu chamei lá atrás de Lothar Mandrak, veio até nós saudar-nos com vénia rasgada acrescentando que seu Mwata FC, estava disposto a receber-me daí a três dias. Neste momento recompunha-se de uma anomalia surgida na forma de craca em sua orelha original (a boa).

luandino2.jpgAcabado de chegar, o professor de economia, gestor do kilombo, Arrais Castelo de Cantanhede a nós se dirigiu logo após seu gesto ao moço de serviço pedindo desse modo já bem conhecido o café Santa Clara que tanto apreciava! Pois assim que juntando o indicado com o polegar fez o sinal de querer beber algo, algo que só poderia se uma xicara média desse cheiroso café. Sentando-se junto a nós com um comprimento tipo nazi de punho fechado disse: Heil Covid! E, nós entendemos este já tão comum afastamento nesta guerra surda de lutar com bactérias pandémicas e outras salmoneloses de tubarão, também com a real guerra em curso de devastação czarenta, cruel a ponto de assustar o Ivan, o Teerivel… 

Posto isto falou-se da saúde do Mwata Comendador vindo-me à ideia do que então falámos lá na Ilha da Fantasia em Petrolina. Do laboratório que já em tempos e em Petrolina tinha encetado a investigação de uma membrana extraída do besouro que conservava por séculos a planta do Calahári de nome Welwitschia Mirabilis. Uma membrana que era capaz de desenvolver tecidos de pele, ossos e cartilagens… Podíamos adivinhar e até congeminar que Andrey Blazhe, o médico biólogo, já teria encontrado algo que minimizasse o problema de alzheimer do Comendador mas, o silêncio deu consistência ao segredo que o tempo fazia prolongar.

nauk01.jpg Pois, se os pesquisadores foram capazes de criar uma estrutura em plástico biodegradável na qual as células animais se desenvolvem e reproduziram no formato de orelha com a estrutura biológica e anatomia desejada, também seriam capazes de desvendar formas de ludibriar o organismo, por forma a minimizarem os efeitos dessa doença tão debilitadora da condição humana.

Tenho para ti uma tarefa especial, disse ele para mim, o Chefe Mwata Comendador! Assim directamente, lá naquele tempo em que não mostrava outras debilidades disse: Necessito de alguém que superintenda as novas frentes de guerra - Gerir a produção de crocodilos, rãs, borboletas e caracóis! E, porquê eu, um kota ressequido pelo sol? Perguntei-lhe nesse então! A resposta foi pronta: Porque tu és um mwangolé branco com kalundu** e, tal porque só o somos no sempre dum espírito único do futuro! Mas, eu não sou preto!… Respondi! Sim, é isto e maisnada, tudojunto! Falando no plural disse: O nosso pensamento sempre anda por lá, por N´Gola e, queiramos ou não agora seremos pretos de coração zebra! Falou, tá falado… Será que quer de novo falar-me disto! É que ele repetiu então assim e, em voz alta: Pópilas - não vale a pena morrer de véspera! Iremos ver o que vai dizer?!… É que para ele tudo, tudo é guerra…

nauk3.jpg

Notas: *Esta é uma estória inventada só no que concerne às mentiras…

**kalundu – É uma divindade ou espirito justiceiro, presente na natureza (A entrevista com o Brigadeiro N´Dachala, continuará lá mais para a frente- depois das eleições previstas neste ano de 2022…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:26
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2022
MALAMBAS. CCLXXI

DA PRAIA EM TEMPO COM FRINCHAS - Com 77 anos feitos ontem, sinto-me palhaço no particípio passado mas, não dono do circo…

Na savana alentejana sem abetardas. Crónica 3311 – 05.06.2022 - Republicada a 02.12.2022 na praia alentejana do M´Puto.

Malamba é a palavra

Por arau44.jpg Soba T´Chingange (Ochingandji)

messejana1.jpgPassada a horta do Torrica dobrando já a curva da ribeira de Messejana, no monte de Vasa Talegas interroguei-me sobre este nome já pouco usado na linguagem corrente; isto significa uma bolsa de ráfia ou pano-cru aonde se levam coisas normalmente comida, um pedaço de broa, chouriço e frutas a serem usadas como suprimentos em uma tarefa de ceifa, aqui em plena planície alentejana. Neste percurso doirado da falsa savana esperava ver abetardas, sisões, toutinegras ou grous bem ao nascer do dia, mas só consegui ver nas ruínas do Monte dos Reguengos os peneireiros das torres, gaviões pretos, o tartaranhão-caçador mais o cortiço de barriga negra.

O resultado do cultivo de cereais e sequeiro em regime de rotação origina a permanência de aves que não se vêem com frequência em outros lados. Nesta fingida estepe cerealífera pode com sorte, ver-se o roliceiro, o milhafre real em tempos mais frios, o peneireiro cinzento, garças boiadeiras, mas desta feita, vi em meu passeio matinal a presenteira cegonha branca e castanha no topo do convento de S. Francisco em ruinas. Na barragem do Reguengo pude apreciar os lindos patos-reais e mergulhões e até poupas mais a tarambola dourada.

messejana10.jpg Enfim, um felizardo libertado como aqueles corvos grandes e pretos ondulando seus voos entre mesetas, carros desventrados e trastes espalhados como num cinema de pradaria abandonada com muito funcho, muito carrasco e rascassos. A sombra do Alentejo é só a que vem do céu, abrigue-se aqui menina debaixo do meu chapéu. Pensei nisto no galgar de metros pensados e com o firme propósito de emagrecer, de ter saúde o quanto baste para desbaratar os triglicéridos no lugar dos Maldonados, gente que dizem ter-se endinheirado aqui e nas fazendas em áfrica.

Colhi umas quantas espigas de trigo e fiz um ramalhete com folhas de louro, colhidas no convento abandonado do tal de S. Francisco com um belo brasão na frontaria. Neste entretém deparei com um cão arrebanhando umas quantas cabras na direcção do Monte do Filipe; olhei ao redor e voltei olhar mais à frente procurando o pastor e, nada de gente! Era o rafeiro alentejano que só e mansarrão conduzia o rebanho pelas verduras, duma forma terna e eficaz, conduzindo-as até o lugar que ele, o cão, sabia ser o certo!

messejana2.jpg O alentejano cidadão, é terno e rude, é tudo ou um deserto; o que nós quisermos, comodistas, papistas ou comunistas; gente às direitas que por vezes se vê obrigado a andar às arrecuas, gente com honradez. De tudo tem como nos mistérios do Evangelho de Jesus Cristo que num domingo de missa, recorda o Martírio de sua morte no Monte Gólgota ao longo dos anos e dos séculos, como se por aqui tivesse andado como o fez na Galileia e Vale do Jordão.

Nunca ninguém o viu passar por aqui no Vale das Talegas mas, também daqui se faz ouvir o sino das Ave-Marias da Igreja Matriz da Praia (entenda-se por Messejana). Foi pena que este Nosso Senhor, o Jesus de Nazaré não tivesse dado uma mãozinha a Dom Sebastião que daqui levou mancebos para essa tal de Alcácer Quibir para matar gente com espadas na forma de cruzes alongadas e, para matar os infiéis - nem por misericórdia voltaram à sua aldeia azul e branca a não se Beringel.

messejana3.jpg Isto porque a Beringel, regressou um braço conservado em sal, um claro aviso dos Mustafás para não mais ali voltarem. Entenderão agora do porquê ficar taciturno ao ver aquele braço alado segurando uma espada quebrada – símbolo da Vila. Entro no adro da Misericórdia e abençoo-me na cruz que serviu para fingir mais uma vez a morte teatral da ascensão de Cristo! Ainda lá estavam os cordames que o amarraram; não sei se gosto destas representações, assim quase ao tipo dos sacrifícios das Filipinas e, porque estou farto de ver mortes via TV – acontecimentos inexplicados de terror da Ucrânia! Vamos andando, um dia de cada vez neste calvário real!

Na linha tortuosa das ruas, casas com barras azuis a limitar em branco as portas, os indícios moçárabes perfilam sombras dos telhados lusos. No turbilhão da história com foices, defini os limites da ordem de Santiago com os cristãos fustigando mouros com suas espadas em forma de cruz. E, foi em Alcácer Quibir que se deu início ao reverso da história e, já lá vão 443 anos; Aqui, tal como em Beringel, por volta do meio-dia, os perfumes do campo de funcho, poejo e espargo silvestre, adensam seus cheiros a recordar tais nobres tropelias… (nem falo das foices abrilistas para não ferir meus compadres…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:28
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2022
N´NHAKA . XXIV

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . X

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

Crónica 3310 de 02.05.2022  na Lagoa do M´Puto – Republicada a 01.12.2022 no Alentejo do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por  canguixe1.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

soba0.jpeg Na contingência de estar a falar para o boneco de coisas passadas, dos tempos de escândalos e dinheiro escondido na cueca, enterrado nos jardins ou até esquecidos em contentores ao sol impiedoso e, no meio de gente que sofre de resiliência e coisas ao desbarato pós colonial, lá teremos que contar sempre com essa gente do sistema que não obstante serem estupidamente fanatizadas no partido da governação, o são também por conveniência despiedosamente vazias de raciocínio na humanidade.

Por isso terei de falar banalidades do dia-a-dia de então sem me imiscuir a fundo nas debilidades de N´Gola e no seu imberbe sistema caducado, passados que são muitos anos e, desde então sem ver o emprego crescer, sem ver uma boa ordenação do território com os governantes a só fazerem banga com o que lhes é alheio, dinheiro oriundo do petróleo caindo do céu e a rodos como se o fosse chuva a cair só no seu quintal, sua n´nhaka ou fazenda. Não obstante tudo ter um início, só senti o permanente cuspir cacofonia de palavrões na sorte do colono.

Cristo continua a assobiar para o purgatório na mira de não desagradar aos olheiros da justiça, da educação, na ética e, por aí; como tal não nos cabe pretender agradar a alguns esquecendo a todos! Teremos de omitir falar de venenos especiais, críticas eventualmente justas, desoxigenando o nosso EU na defesa de torpes brutamontes; o importante é não alimentarmos ódios ou desejo de vingança porque isso, só torturará nosso bom censo, nossa liberdade. Nem é preciso estudar-se psicologia avançada para se concluir que o ódio ou desejo de vingança como um bumerangue, só deformará nossa personalidade.

canguixe2.jpg Naqueles idos tempos e ali, Cantinho do Inferno, centro produtor de algodão havia muita gente dependente a não ganhar fortunas, mas, até havia cinema e salão da ferrunfunfa, forró aonde se curtiam danças de farfalho, lugares aonde se esgotava parte do salário, dinheiro da jorna desbaratado em álcool de cerveja e outras afinidades à bebedeira; segunda-feira era dia certo de se comunicar as falsas mortes lá de casa por via de se justificar a não ida ao trabalho. Não levava muito tempo para se matar a família todo e até os tios morriam duas e três vezes. A arte da mentira era bem conhecida do patrão, coisa corriqueira até.

Os filhos do patrão Cunha, subornavam com frequência os condutores subalternos com umas Cucas, Nocais ou Ekas e até Mission, para os deixarem conduzir o tractor, a alfaia ou a carrinhas Bedford ou Ford e, era um gozo do caraças. Foi bem assim que Chiquinho, Zito e Toninho aprenderam a fazer esquindivas com as máquinas. Mais tarde e ainda naquele agora relembraram as finfias que faziam. Neste entretanto da visita verificamos as muitas carências em que viviam naquele ano de 2002. Eu, Zito e Chiquito resolvemos voltar àquela aldeia. Decidimos ir à Cruz Vermelha local pedir um fardo de roupa a fim de o distribuirmos àquela gente; os candengues andavam com trapos nos corpos meio desnudos.

Assim pensamos e assim o fizemos. Junto do representante da Cruz vermelha depois de muitas falas no convencimento de que não havia negócio em nossa vontade, compramos um balão de roupa, fardo como nós conhecíamos do antigamente. No desenrolar de conversas ultrapassadas e pagamento de 100 dólares, pedimos ao senhor Setas o Land Roover e lá fomos conduzidos por seu filho Cado de nome. Passadas todas as instâncias, cuvas e buracos, chegamos á dita aldeia.

pilão1.jpg Chegados cedo encontramos o padeiro que também chegava naquele momento e partindo de mim, disse ao Zito que compraria todo o pão para oferecer àquela gente. Pois foi dia de festa: nós mesmo distribuímos todo o pão segundo a ordem da fila e entregamos ao Soba o fardo de roupa para distribuir pelos necessitados que em verdade eram todos. Recordo que distribuímos o pão sendo a unidade ao preço de cinco kwanzas. Os mais velhos conheciam a Dina, o Zito, o Chiquinho e as festas de ongweva, foram mais que muitas. Bebemos marufo em latas amassadas e sem rótulo oferecido por um deles, sabor que já conhecia por via da guerra do Maiombe; foi esse dia, pelo dito, um bonito dia de bênção.

Deram-me um canguixe, utensilio de pisar grãos de milho em cima das locas, penedos já lisos de tanto uso; foi um agradecimento que preservo como se o fosse de oiro em minha sala e num lugar nobre em cima da estante. Esta ferramenta de trabalho chamam também de “huim” – é usado só com uma mão, enquanto com a outra, normalmente as mulheres batem e batem, sequentemente ajustando o monte e, até tudo ficar em farinha. Tem a forma de um braço curto, feito de pau-ferro e, sendo uma das extremidades com o formato de cabo anatómico e ajustado à mão. Linda, era o nome da mulher que me ofereceu tal instrumento. Quiseram que trouxéssemos, imaginem, gente carecida de tudo, um cabrito e galinhas mas, rejeitamos ficando de voltar mais tarde para os comprarmos. Resta dizer que ainda nesse então havia sim, paredes de pé, havia sim sinais de bazucadas jogadas a eito. Concluindo: Os matrindindes continuam livres como sempre se viram!

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:51
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Quarta-feira, 30 de Novembro de 2022
PARACUCA . LXI

MULOLAS DO TEMPO32

RECORDANDO: Em Komatipoort … Acho que Deus nunca foi a África!

Odisseia “HAJA PACIÊNCIA” – Recordando o 09 de Novembro de 2018 – no 53º dia, uma Sexta-feira…  

Crónica 3309 – 31.05.2022 – Republicada a 30.11.2022 em Lagoa do M´Puto

Por  tuiui3.jpgT´Chingange – No AlGharb do M´Puto

Malambas2.jpg Acho que Deus nunca foi a África! Tenho de deixar aqui minha revolta pelo facto de ficarmos bem convictos de sermos roubados por gente sujeita à sobrevivência mas, usando já as técnicas de ladroagem com abuso de resiliência. Atravessar Moçambique foi das piores experiências, pois fomos roubados ou enganados e, até por policiais; digo isto convicto de que a maioria de quem me lê, vai achar que estou a ser excessivo.

Também estou ciente de que o mundo ocidental vai continuar a dar ajuda sem fiscalizar o término destas ajudas e, que por norma, caem na mão de gente que se apodera indevidamente das dádivas (gangues de rapinagem). Antes de chegarmos à África do Sul, passagem por Maputo e já com o jeep estropiado por nos terem metido gasóleo com água, deparamos com obras na via principal de acesso a Ressano Garcia; as indicações na estrada eram por demasiado caóticas e perdidos, houve uns candengues que nos deram indicação por um lado que o não era.

Um Mais-Velho, mais à frente, acenou-nos para pararmos e, como já íamos quase parados pelo mau piso do desvio, parámos mesmo. O Kota disse que não seguíssemos esse rumo porque os candengues estavam a levar-nos para um sítio de tocaia ou de emboscada para nos roubarem: disse que nos atirariam pedras e roubariam tudo ao seu alcance. Ficamos atónitos e até desconfiados mas acreditamos na palavra deste senhor Mais-Velho.

komati2.jpg Cumprindo suas indicações, foi o melhor que fizemos mas, tudo por obra e graça dum Espirito Santo de quem até, já falávamos asneiras – as orelhas deste espirito deveriam estar a arder; por fim e, como já foi dito, podemos chegar ao paraíso aonde o carro deu misteriosamente ou por milagre o soluço final. Já dentro do Komati River Chalets de Mpumalanga, tendo a recepção bem ali ao lado de nós – Ufff!

Um Paraíso quanto à organização, beleza natural e qualidade em relação a tudo o que visitamos no resto de África. E, bem ao lado do Cruger National Park, foi uma bênção para quem necessitava de relaxar da odisseia, da prosápia alheia, da conversa mole com caganças balofas e coisas desaforadas -Turista sofre! Komatipoort é uma cidade situada na confluência dos rios Crocodilo e Incomati, na província de Mpumalanga na África do Sul.

dia141.jpg A cidade situa-se a 8 km da entrada Crocodile Bridge Gate do Parque Nacional Kruger, a apenas 5 km da fronteira com Moçambique e 65 km da fronteira com o Essuatíni (antiga Suazilândia). É uma pequena cidade, sossegada, com ruas arborizadas, uma das cidades mais quentes da África do Sul e, onde a temperatura do ar atinge por vezes os 50 °C com a temperatura de Inverno a rondar os 24 °C. Foi nesta cidade que em 1984 foi assinado o Acordo de N´komati*.

Komatipoort tem a dupla vantagem de estar perto de Essuatíni (em suázi: Swatini) e do Cruger; Essuatíni, anteriormente conhecido como Suazilândia, é um país pequeno mas bem interessante, pacífico e próspero, limitado a leste por Moçambique e em todas as outras direcções pela África do Sul. Suas capitais são M´babane (administrativa) e Lobamba (legislativa). O país e seu povo recebem seus nomes de Mswati II, um rei do século XIX em cujo reinado o território de Essuatíni foi expandido e unificado. Vale a pena cruzar este pequeno país encravado na África do Sul.

cruzeiro0.jpg Andados quase 10.000 quilómetros até aqui, quase fim da Odisseia, teríamos ainda de passar por uma última privação e desta feita nesta terra tão agradável em estar, mais um roubo feito por moçambicanos fora de portas, aqui em Komatipoort e na caixa multibanco. Um grupo organizado de rapazolas, bem vestidos, falando português fluentes, pretos com sotaque de Maputo, no subterfugio de uma diligência solicitando desculpas, não sei como, vêm o código PIN, trocam o cartão por outro igual e num repente vemo-nos sem o acesso ou interditados. De imediato telefonei para o banco a impedir o uso de meu cartão só para áfrica e emitido em Johannesburgo. Mesmo assim limparam-me 280 Euros! Foi o fim da picada e, ainda hoje me parece obra de muitos capetas a tapar-me os olhos, clonarem-me o cartão num repentinamente – Aconteceu e desaconteceu – bola práfrente…

Como curiosidade: *O Acordo de Nkomati foi assinado em 1984 entre o governo de Moçambique, liderado pelo então Marechal Samora Machel, Presidente da República Popular de Moçambique, e pelo Presidente da África do Sul, Pieter Botha. Este acordo tinha por intenção pôr termo à guerra civil em Moçambique. Para tal, os signatários do dito acordo concordaram em deixar de apoiar a RENAMO (responsabilidade da África do Sul); Deixar de apoiar o ANC (responsabilidade de Moçambique). Apesar disto, cada parte continuou a agir por conta própria, e os guerrilheiros da RENAMO prosseguiram com a guerra civil em Moçambique até que em 1992 foi assinado o Acordo Geral de Paz, em Roma, apoiado pela Comunidade de Santo Egídio.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:30
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2022
KWANGIADES .XXXVI

ANGOLA DOS MWENE-PUTO (M´Puto)

KUKIA DA VIDA - Crónica 3308 – 29.05.2022 – Republicada a 29.11.2022 em Lagoa do M´puto

Kukia é o nascer ou por do sol

Por araujo158.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Lagoa do M´puto (M´Putulândia)

amigo da onça.jpg Diáriamente, sempre vai haver escolhas a fazer; elas podem determinar nossa felicidade aqui, no futuro ou no álem. As escolhas que fazemos hoje, mesmo já sendo kotas, são vitalmente importantes e contumazes. Os amigos que escolheu e ainda escolhe, a todo o momento explodem na singularidade dum extraordinário proceder ou de pensar. Tudo terá muito a ver com sua vida tornando-a um esplêndido crepúsculo ou um velho celeiro sem graça; por vezes, muitas vezes desilude-se deste e daquele mas, é forçoso continuar a fabricar amigos, mesmo que num repente fiquem amigos da onça…

Os amigos podem levá-lo a concentrar-se naquilo que é passageiro, ou conduzi-lo para mais perto de coisas vaidosas e até fúteis. Todos os dias você precisa escolher entre o nascer e o pôr-do-sol - a KUKIA DA VIDA. Ontem eu, o Santos e o Eduardo Torres reunimo-nos no meu Pátio Andaluz para se falar de coisas e até comer algo entre os intervalos das falas, melhor, gritando como moucos. A pilha do ouvido direito do EDU pifou (o esquerdo já pifou, faz tempo…) e num repentemente tivemos de aumentar os decibéis e, o vozeirão decerto incomodou meu vizinho Lestienne, um francês de França, macambúzio como meu ex-cão Columbo…

silva00.jpg Como sempre nossa conversa de boi dormir, resvalou como sempre para as coisas de áfrica. Queiramos ou não, nós saímos d’África mas, África nunca saiu de nós! Pois, falo de Angola. A gente dá voltas e divaga, deita conversa fora mas, sempre iremos parar naquele item rasgado no tempo. A verdade, nunca o é de valor absoluto mas, na relatividade da afirmação o peso desta vem de quem a prefere num determinado tempo e, desta feita descarreguei nos meus amigos coisas do tempo do Carcamano com expedicionários, funantes, sertanejos e até negreiros.

Assim, contornando medrosas angústias, febres palustres, água estagnada, jacarés do Panguila ou do Cunene, exigiram-nos esforços na consolidação dum país que não pode ser nosso por via de coisas merdosas e, porque estávamos condenados ao esquecimento pelos governantes de hoje misturados com os idos e também estadistas emudecidos da cabeça; gente do M´Puto metropolitano e de Angola. Um Ex-combatente de Angola sofre agora de estresse de guerra; cumpriu o serviço militar sem saber até que tinha os pés chatos e agora a adicionar muitas mais mazelas à idade, vê-se à rasca com uma reforma de cacaracá…

araujo160.jpg CA - Angola ganhou condição de país quando na embala de Belmonte, Silva Porto, com 72 anos de idade se imolou envolvido à bandeira Portuguesa; isto foi muito antes de o arrastar da bandeira do M´Puto por muitos lados e pisoteada por gente que virou governante. Enquanto isso os resistentes daqueles tempos lambem as feridas de catanas ou G-três da história. Silva Porto desrespeitado pelo soba N´Dunduma, "O trovão", meteu-se numa barrica com pólvora e queimou-se - outros tempos! Em 11 de Novembro de 1975 concretizou-se um país cujas fronteiras foram delineadas por estes combatentes paulatinamente desprezados no tempo.

A maioria dos combatentes, fizeram o seu serviço em dose de camelo; viram morrer camaradas, ficaram apanhados do clima, mosquitagem, jibóias, gorilas e sanguessugas dos pântanos. Recalcados de tanta injustiça, perderam o medo naquelas florestas, chanas, e anharas, numa Angola tão rica e tão ingrata. Defenderam e mataram gente, construindo novas coisas, impondo regras sociais para conservar tal espaço.

E, foram Fiotes, Quiocos, Quimbundos, Umbundos. Hereros, Ganguelas, Muílas, Mucubais e Bosquímanos que, mudaram de alguma maneira o modo de estar dos magalas de Mwene-Puto; e tantas guerras para desenhar um mapa cor-de-rosa que nunca o chegou a ser, para nada*... Quantas mortes! O Mapa-Rosa africano começou a ser desenhado em 11 de Julho de 1890 com as campanhas de submissão do sobado do Bié e, passados 85 anos, em 11 de Novembro de 1975 concretizou-se um país cujas fronteiras foram delineadas por estes combatentes paulatinamente desprezados no tempo.

araujo174.jpg CA - Aquele chefe "O trovão", veio a sofrer represálias a 9 de Dezembro de 1890 por parte de Artur de Paiva, Paiva Couceiro e Teixeira da Silva- os Mwene-Puto com a ajuda do povo Ovibundo governado então pelo rei Ekuikui Segundo. Daí as boas relações com o povo do Bailundo que perduraram após esses 85 anos. Paiva Couceiro, foi em verdade o último sertanejo a percorrer as terras do fim do mundo, no Cuando - Cubango, Mucusso, Cuangar, Dírico e Sambia. Parece mentira mas, é verdade! Ao soba de Sambia de nome Palata de Massaca foi dado o nome de D. António Maria de Fontes Pereira de Mello, ao soba do Aimalua do Cuangar foi dado o nome de D. Luís Bondoso Pinto Ribeiro e Montes Claros e, N´Hangau do Dirico ficou a chamar-se D. Afonso Enriques de Aljubarrota Atoleiros e Valverde. Tudo o resto foi tempo perdido, Aos combatentes de ambos os lados ficou esta recordação como contentamento! As minhas falas de ontem foram mais que muitas caindo sempre no mesmo – Angola, Aiué…

*Nada: A complementar a Teoria do Nadismo; Carcamano: tempo de funantes e expedicionários no lidar com um filho de soba do Planalto Central revoltado, com esse nome; palavra castelhana carcamano, que na América Latina denota "pessoa decrépita"…

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:40
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022
N`NHAKA . XXIII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . IX

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3307 de 27.05.2022 (45 anos depois da morte de mais de 30.000 Nitistas – a matança)- Republicação a 28.11.2022 na Lagoa do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por n´tundo3.jpg T´Chingange – (Otchingandji)

n´tundo1.jpg Em terras de matrindindi! Matrindindi é uma carocha de perfil pré-histórico, talvez um normal insecto coleóptero do género do escaravelho, só que este é muito mais extravagante, de cor escura, dorso azul e com muitos picos e patas longas; mais parece obra duma formatada bruxa ruim promovida a grilo, salvo seja. O Land Rover do Cadinho do Sumbe, pisava-os sem alternativa, eram muitos a passear descuidadamente na picada, sucedendo-se os estalos como o de castanhas a rebentar ao calor do fogo. 

Era suposto falar hoje do 27 de maio de 1977 mas o tema ainda é “quase tabu” em Angola, desconhecido por muito jovens e, porque não quero hoje tocar em coisas nefastas vou passear pelos matos; o que mudou mesmo foi o ressurgir de novas formas de roubar ao erário público destroçando paulatinamente a economia angolana, levando o povo ao desemprego, usando formas tristes de rebuscar nas lixeiras os desperdícios dos ricos que mantêm o sistema…

A serra do Chamaco via-se ao longe como teta saliente na cordilheira e, no caminho de Seles com uma vasta região de floreta de espinheiras, acácias de picos medonhos, babosas, newas, matebas, uma ou outra cassuneira, lengues, lungwengué da qual se fazem cordas de muita resistência. Em terras e N´Gunza Kabolo, soba antigo que deixou bom nome, avançamos pelo matagal, por onda a guerra se fazia sentir escassos meses atrás; a comprovar lá estavam as carcaças enferrujadas de camionetas, machimbombos, Ifas e Urais de fabrico russo.

n´tundo4.jpg Calcorreando desvios, contornando maboques, upapas e lenwenue de bagas curativas das feridas de matacanhas, cheiramos a braveza da natureza a contornar o rio Lua e o Caçosso com n´nhacas de belas hortas até se chegar ao rio Cubal. Não vi os macacos pulando entre as bimbas, coisa normal de tempos idos mas, que a guerra decerto os fez correr para não serem comidos.

Havia sim goiabeiras mangueiras e gajajeiras que ainda serviam para alimentar as acantonadas tropas da UNITA. Num tom de saudosa lembrança a voz esganiçada de Vitória* tipo cana rachada fazia-se ouvir: Vou ti bater minina; pertencente à OMA – Liga da Mulher Angolana afecta ao MPLA foi sobrevivendo com o slogan de victória ou morte; ali estava ela anafada e impregnada de bolunga feita em álcool de caporroto, de casca de banana, mandioca ou batata mas, no entanto lembrava-se das tareias que levou por causa da menina Dina, filha do patrão Cunha.

caatinga2.jpg Um grande abraço selou a saudade, daqueles tempos em que perseguiam os macacos e metiam matrindindes em frascos de nescafé. Isso de quando iam apanhar minhocas do rio Caçosso colocando-as em latas de leite Nido para o tio Francisco ir à pesca lá na foz do Cubal. Apanhamos sape-sape (graviola) tirando deles as sementes, dispusemos em uns frascos de azeitona para plantar no M´Puto e também umas melancias gentias chamadas de tanga – vi estas em grande quantidade quando andei pelo Kalahári…

Os Bushmen usam-nas para fazer o “Kalahári thirstland Liqueur”. Aqui usam-nas para fazer de xuxú nos variados cozinhados: aproveitamos trazer uns cambungues (papaia) e ukeluá-muflé – folha de abóbora para fazer esparregado e, no regresso junto ao Caçosso apanhámos as tais bagas vermelhas que no tempo passado servia para colar os selos nas cartas - por isso ainda as conhecemos por árvore da cola. 

matrindindi00.jpg Da aldeia do Caçosso só existiam ruínas (não vem no mapa) mas, a mulembeira ainda lá estava, menos imponente porque a cortaram parcialmente. Dali seguimos até ao Cantinho do Inferno; o porquê deste sítio se chamar assim deve-se ao facto de numa baixa pantanosa as camionetas mercedes, chevrolletes, magiros e Fordes ficarem ali atascadas dias e dias na via que vinha do Planalto Central. A escassos quinhentos metros lá estava a casa mãe da fazenda de algodão (em abandono) que dava guarida a todos aqueles camionistas que por ali vinham com suas cargas e, ali tinham parada forçada pela chuva e atoleiro. Cantinho do Inferno, funcionava pois como pensão, restaurante e a boa-atenção do Patrão Cunha (Já falecido) …   * Nota: Vitória, entusiasta da OMA, morreu encharcada em cachaça no ano de 2004 - dois anos após esta odisseia…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)        

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:01
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Domingo, 27 de Novembro de 2022
KALUNGA . XXXV

KIANDA COM ONGWEVA - XX de várias partes…

– Crónica 3306 de 21.05.2022 – Republicação a 27.11.2022  em Lagoa do M´Puto

MUXIMA NAS FRINCHAS DO TEMPO - Falar do futuro, até para as kiandas é tabu…

Ongweva é saudade

Por  roxo3.jpg T´Chingange (Ochingandji)Em Arazede do M´Puto

roxo225.jpg Falar do futuro, até para as kiandas é tabu - metem-no em sapatos quedes envolto em meias já debotadas e assim abandonados ali ficam na poeira do tempo como se estivessem arrumados num canto da arrecadação. Aos comuns viventes não se pode transmitir o amanhã, só o agora, lei básica da vida; caso contrário aparecem uns lacraus vindos do álem, misteriosamente oxorizados (coisas de Oxor). O Universo tem regras que por mais que queiramos, não estão ao nosso alcance engravidá-las. É aqui que surgem os mambos longínquos com soldados Mafulos, por via das falas da Kianda Januário Pieter também este, tio tetravô de Roxo, nascido às margens do lago Niassa, um meu antiquíssimo patrício…

E, os mambos de Januário, o Pieter, nem sabermos como, quando e aonde ia, ou vai buscar tantas falas sem medo de gastar seu reservatório das magias como se houvesse lá na cuca-armazém, uma fábrica de empacotar chwingames; fala do tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda, n´gwetas e dos desentendimentos com a rainha N´Zinga, mais outros personagens do distante Kongo do Zombo, das terras de Kassange e da Matamba…

roxo223.jpg Parece que neste entretanto vazamos para outro lado que não era o tal de Museu do Prado. Estávamos no centro da antiga Madrid da época da Casa de Habsburgo em la Plaza Mayor, ladeados por pórticos. Nas proximidades ficavam o barroco Palácio Real mais o Arsenal Real, que exibe armas históricas mas, nem sei como do nada transladamos para aqui! Quem se mete com kiandas fica kiandado ou oxorizado.

O velho Januário Niassalês o tio das manas, descreve as festas axiluandas de então com kimbandas e t´chinganges pisoteando a terra, levantando poeira de encorajar kotas, jagas, sobas e m´fumos que iam chegando em alvoroço dos Dembos e de lá mais além do Kassange. Como se ali estivéramos senti que iam passando cabaças com malavo de cassoneira e, a cada grito dado pelos dançarinos guerreiros, o povo em uníssono gritava kwata mwana-pwó, kwata mwana-pwó. Arrepiei-me com medo como num repentemente estivesse rodeado de jacarés do kwanza, amarelados de muxima, pode!?

roxo224.jpg Era a preparação duma guerra contra os Tugas n´gwetas entrincheirados em Massangano por ordem dos Mafulos Holandeses. Morgan Tsvangirai o pai de Roxo ficou avençado pelos Mwana-Pwós com o posto de tenente de segunda linha; mandava os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de manutenção e limpeza ao forte, zelar pelos n´dongos de pesca e translado de coisas para a Kissama e das patrulhas de soberania aos mares parados com lagoas até o Morro dos Imbondeiros e dos Elefantes da Maianga e Samba. Também tinham a caça e a pesca ao seu cuidado.

Assim transladado naqueles tempos vi M´fumos; iam chegando aos poucos como emissários da rainha N´Zinga M´Bandi da Matamba e do rei do Kongo Garcia II que, embora sendo cristianizado pelos Portugueses, com eles andava desentendido após a chegada dos Mafulos. Teriam estes prometido a eles poderes maiores com auxílio de armas do tipo de canhangulos ou pederneiras. Eram preparativos duma união para fazerem o grande e final assalto a Massangano. Só podia ser!

Naquela fortaleza os Tugas resistiam aos holandeses tapando-lhes as vias de comunicação ao mercado de escravos lá do interior fazendo emboscadas ou tocaias usando azagaias venenosas, um método aprendido com os índios do brasil, uma cana comprida que depois de soprada, dela saia um dardo mortífero. Por isso aquele mato metia demasiado medo aos Mafulos. É aqui que entra o Senhor Maurício de Nassau que desde o Recife Brasileiro mantia o negócio das peças m´bikas para os seus engenhos de assucar.

roxo215.jpg Neste arraial com a vida acontecendo muito de repente Redufina Kabasa mãe negra da Kianda Roxo estremava-se ensinando a sua filha maneiras de comportamento e era vê-la brincar com candengues brancos e pardos no átrio da missão! Bem cedo se destacou nas habilidades de colorir os jogos de desenho, os riscos da cabra cega; qualquer argila era motivo para dali sair pintura ou escultura bem à moda dos trabalhadores de talha do pequeno altar da igreja da muxima!

Ilustrações de Assunção Roxo

Glossário: Kianda: Calunga, fantasma; Muxima: saudade, lugar de romagem; quedes: sapatos de pano; da macambira; Mafulos: Holandeses; Mambos: Atitudes, procedimentos; Cuca: cabeça; Chuingame: pastilha elástica; N´gweta: branco; axiluanda: nascido na ilha de Luanda; Kimbanda: Médico tribal, curandeiro;  T´Chingange: feiticeiro, secretário e cobrador do rei ou Mwata; malavo: vinho de palmeira; M´fumo: chefe da aldeia; Cassoneira: tipo de palmeira ; Kwata: agarra, Mwana-pwó: pombeiro branco, sertanejo, colonos; antigos taberneiros brancos; M´bika: escravo; N´dongo: canoa; Kissama: reserva animal, lugar com animais selvagens; Canhangulo: arma artesanal, de carregar pelo cano; Kiandado: enfeitiçado;  Oxorizado: virado do avesso, vaporizado…  

(Continua com “fricção”…)

Por: Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:43
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Sábado, 26 de Novembro de 2022
GUARARAPES - 6

A SAGA DO AÇÚCAR – AS AGRURAS DE OLINDA COM OS MAFULOS

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA

Crónica nº 3305 de 19.05.2022Republicação a 26.1.2022 em Lagoa do M´Puto

Por araujo 29.jpgT´Chingange (Ochingandji)Em Arazede do M´Puto

A figura pública de Figueiroa, revista como herói na tomada de Pernambuco -  Brasil

matias20.jpg  Matias de Albuquerque, 1° Conde de Alegrete, nasceu na Vila de Olinda, sede da Capitania de Pernambuco, no Estado do Brasil, da qual seu irmão era donatário, na última década século XVI.

Em tempo de D. João IV. Este monarca, deu ordens a Figueiroa que recrutasse 500 infantes da ilha da Madeira e Açores para tal envolvimento militar em terra de Pernambuco… Determinou aos oficiais de primeira linha fidalga, que “a gente vadia, ociosa, e de pouca utilidade à Coroa, fossem arregimentadas e levados à luta do Brasil” porque “ He grande o aperto e necessidade daquelle estado”. Convém dizer-se que não é verdade que o reino se tivesse esquecido dos revoltosos de Pernambuco; o que sucedeu foi de que não se tinha reunido toda a diplomacia para ter sucesso e só reactivou à pressa após Inglaterra* ter declarado guerra à Holanda.

Aqui D. João IV actuou rápido em força e a todo o custo sobrecarregando o povo em taxas de guerra adicionais. O açúcar fazia-lhe falta para custear tudo isso e ainda salvaguardar as fronteiras Ibéricas da impetuosidade dos vizinhos Castelhanos. Em 1647, Francisco de Figueiroa chega à Bahia. Em 4 de Agosto de 1648 reúne-se às tropas sob o comando de Francisco Barreto de Pernambuco e, é a 19 de Fevereiro de 1649 que toma parte na segunda batalha de Guararapes com o posto de Mestre-de-Campo do seu terço de guerra.

matias21.jpg Francisco Barreto, após aquela grande batalha, escreveria ao rei a 11 de Março de 1649 enaltecendo os três Mestres-de-Campo, Vieira, Figueiroa e Vidal da seguinte forma: - “Procederão com tão assinalado valor que depois de Deus, foram eles a causa de alcançar vitória pelo que merecem as mercês que justamente podem esperar tão “leaes vassalos”, por seus merecimentos”.

Figueiroa, tendo sido soldado, capitão, almirante, governador de Cabo Verde, ouvidor em Angola e Mestre-de-Campo na batalha de Guararapes, por rogo seu foi designado de fidalgo com a comenda da Ordem de Cristo depois das formalidades das “provanças” para a sua admissão na Ordem de Cristo e, após a consulta da Mesa da Consciência e Ordens o ter aprovado a tal merecimento. Coisas tiradas a ferros, sabe-se lá do porquê!

Recorde-se que em 1630, tropas mercenárias da Companhia das Índias Ocidentais invadem a capitânia de Pernambuco dominando toda a região do Nordeste do Brasil por vinte e quatro anos, ou seja, até ao ano de1654. Insatisfeito com a situação, os naturais da terra sob a liderança de João Fernandes Vieira, um senhor de engenho, nascido no Funchal, inicia em 1645 a reconquista do território devolvendo-o à soberania Lusa em 1654.

matias23.jpg Em Olinda sede da Capitânia de Pernambuco governava Matias de Albuquerque; este, procurava concertar os esforços da defesa no porto de Recife só que, o General Mafulo Theodoro Waerdenburch, seguindo o plano traçado com os mandatários da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, desembarcou suas forças na praia de Pau Amarelo a Sul do Recife num total de 3000 homens. Marchou sobre a vila de Olinda tendo vencido Matias de Albuquerque no combate de fogo à Vila de Olinda queimando nobres edifícios avaliados em milhares de cruzados.

Matias de Albuquerque, perante tamanha força, impossibilitado, e de coração esfrangalhado retirou para o lugar de Capiboaribe a uma légua de distância do Recife, fortificando o sítio com 4 peças de canhão e 200 homens de armas. Inicia-se assim a guerra da resistência pernambucana com a fundação da Arraial do Bom Jesus aonde permaneceram por cinco anos utilizando tácticas de guerrilha aprendidas com os indígenas (Índios da região)...

bruno27.jpg Naquele Arraial do Bom Jesus, compareceram com seus comandados, Luís Barbalho, Martins Soares Moreno, Filipe Camarão com seus índios e Henrique Dias com seus negros quilombolas resolutos a manter uma guerra de vinte e quatro horas por dia no espírito de todos com um sentimento nativista. Mas, entretanto há o revés de em Abril de 1632, Domingos Fernando Calabar, um mestiço cazucuteiro, dado ao embuste, com o desprezo dos demais, é acusado de contrabando, passando-se assim por acossado para o lado dos invasores Mafulos…

NOTAS: *INGLESES – observe-se aqui a interferência desta nova potência na Europa e Globália, estabelecendo regras de fiscalização DESDE ENTÃO aos demais países entre os quais PORTUGAL, que sempre manteve subserviente aos sus caprichos e, ao longo da história

 (Continua…)

O Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:56
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2022
MUJIMBO . CXXIX

ANGOLA – TESTEMUNHO DE ESTÓRIAS ANTIGAS... MICONGE VELHO, CABINDA

- Acreditei que estava a participar na revolução angolana - de 2 Partes

Crónica 3304 – 17.05.2022 – Republicação a 25.11.2022 na Lagoa do M´Puto.

Por  CABINDA2.jpg Soba T´Chingange em Arazede e Lgoa do M´Puto

CABINDA3.jpg Estávamos em 1968, em Maiombe de Cabinda. O alferes Martins das operações Especiais transparecia empatia logologo ao primeiro contacto. Sua pele mestiça indicava o quanto tinha de mazombo a condizer com nossas condições de singularidade, filhos de colonos. Nos seus crioulos procedimentos referia seu pai lá das terras de Barroso atrás dos montes no norte do M´Puto; sua mãe caluanda e descendente das gentes da Matamba, era também referida com orgulho envaidecido nas linhagens de nobreza N´Zinga em nossas conversas; nobreza que a administração colonial dissipou nos tempos após a rebelião de Mandume entre outros kaparandandas do Mu Ukulu (gentes do antigamente)… 

E, porque sua mãe era quase minha vizinha pois que morava fronteiras meias entre a minha rua da Maianga e o quase musseque de Catambor e muito perto até do colégio aonde andou antes de mim, João das Regras e também do mercado de Martins e Almeida – Martal. Este facto foi motivo de conversas a promover empatia repentista entre a guerra e seu transcurso. Este alferes Martins, veio acompanhado de mais três especialistas em tiro curvo de morteiro e bazuca com mais uma macaca Cheeta chamada de Grafanil.

CABINDA5.png A Cheeta talvez porque tenha sido nascida em um quartel com este nome de Grafanil, ganhou fama no Centro de Instrução de Comandos de Luanda e, como fiel companheira do alferes de Operações Especiais, destacou-se em operações ao lado de seu dono, instrutor e também fiel inseparável militar excêntrico. Desta feita e no lugar de Miconge*, antiga Administração do Sanga Planície; desconfiei haver maka a resolver por perto com o rótulo de “extraordinariamente secreta”.

Fiquei a saber que Martins, sempre era acompanhado em operações conjuntas com ex-turras designados de TE´s e GE´s- Tropas e grupos especiais que lidavam em Cabinda e Leste respectivamente. Fiquei a saber que a Cheeta “Grafanil” era perita de esperta, dom natural em antever perigos, detectar barulhos estranhos e cheirar à distância a catinga de guerrilheiros arregimentados nas clandestinas picadas do Maiombe e outras matas de Congos e Zâmbia…

Que eu saiba só ele Alferes Martins tinha uma autorização do Alto Comando Militar para se fazer acompanhar aonde quer que o fosse de uma macaca gorila, um primata selvagem (embora treinada…); vai daí, ficando curioso, observei Martins ter-se reunido com o Chefe Jorge dos TE´s. Ao final do dia foi-nos dito que a segunda secção do segundo pelotão e a quarta secção do quarto pelotão iriam fazer uma patrulha com este Oficial de operações especiais.

cabinda8.jpg O outro dia chegou e, ficamos em pulgas com as explicações caindo a conta-gotas para estas duas Secções. Eu, Furriel Mike comandaria a minha secção a quarta do quarto pelotão. Creio que esta decisão partiu do excêntrico alferes pois que curiosamente, éramos: a 2ª Secção do segundo pelotão (Furriel Liló, mestiço de Luanda…) e, a 4ª Secção (Furriel Mike, mazombo Niassalês de Luanda…) do quarto pelotão. Feita uma análise, os comandantes, eramos todos, os intervenientes da incorporação de Angola (Província).

O saber: - 1 Oficial de Luanda, 2 secções de ex-turras TE´s - Cabindas, 3 especialistas em tiro curvo e bazuca de Malange e nós, Mike e Filó, comandantes de Secção da Luua… No dia seguinte fomos dormir todos a Miconge Velho, lugar encostado à fronteira e tendo até ali bem peto um marco em ferro colocado por Gago Coutinho quando em tempos idos se marcaram os limites do território enclave de cabinda e, segundo o Tratado de Simulambuco e outros dois adstritos a este… Foi já aqui que o Alferes Martins explicou a todos como seria feita a operação com todos os detalhes: Eu, Mike ficaria em um lugar de encosta a cobrir a retaguarda e fuga ou retirada com os 3 peritos de Malange que tratavam por tu os morteiros e bazuca. Filó ficaria no sopé do morro e na picada de acesso à estrada principal aonde se faria a emboscada. Martins e Jorge dos TE´s fariam a emboscada no meio do capim alto ao longo do caminho e por onde chegaria a malta do MPLA para fazer investida ao quartel de Miconge em Sanga Planície…   

fig3.jpg Aconteceu: Naquele outro dia e no caminho que conduz a Dolizie (Congo Brazaville) o Alferes Martins e seus, nossos homens das NT fariam essa emboscada ao movimento que agora luta contra os Fiotes da FLEC; Os mesmos que ainda não atingiram a sua independência. Após aquela emboscada que originou catorze mortes do lado do inimigo MPLA, os dias que se seguiram foram de música empolgada relembrando até o Che Guevara. E, formam uns quantos dias a seguir choros de música fúnebre na emissora de Brazza… Não mais se levantaram depois desta façanha com o Alferes Martins e a Nossa Gente; correu tudo bem e sem baixas! A retirada foi rápida e ainda posso cheirar, 54 anos depois e ouvir aquela azáfama de guerra. De nada valeu, pois foi logologo e após o VINTICINCO que a NT – Nossas Tropas (Do M´Puto) o primeiro quartel a entregar-se ao inimigo! MICONGE ficará na estória por este feito, esquecendo aquele outro de 54 anos antes…

:::::

*Miconge: - Fronteira Norte de Cabinda perto do Dinge, o primeiro quartel a entregar-se ao MPLA pelas forças do M´Puto após o 25 de Abril de 75, lugar aonde a tropa do M´Puto entregou as Gê-três e botas aos guerrilheiros por ordem do Rosa Coutinho (O Vermelhão).

O 25 de Novembro de 1975 no M´Puto: A Crise de 25 de Novembro de 1975 foi uma movimentação militar conduzida por partes das Forças Armadas Portuguesas, cujo resultado levou ao fim do Processo Revolucionário em Curso - PREC e, a um processo de estabilização da democracia representativa em Portugal. Wikipédia

(Continua… 2ª Parte de Miconge Velho…)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:09
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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