Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
MOAMBA . XXI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 23.05.2018

O INTERESSE manobra tudo e todos – Ao ser contador de estórias fico dividido entre um postulado e um axioma…

Muamba: É um prato típico de Angola preparado com galinha e dendém mas pode ser também negócio ilícito com venda de contrabando (Brasil) …

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Foi na Grécia antiga que se inventou a obra-prima do pensamento humano, um campo de dedução, que segundo uma proposição de sequência a um sistema lógico o quanto baste, na exactidão e na provocação da dúvida. É esta razão humana que autoriza o espírito a ter confiança em si mesmo para qualquer nova arquitectura na forma de construção de uma ideia.

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É despertar aos demais com sua inteligência, sua astucia e poder criativo desfrisar entusiasmo no ser capaz de com um pensamento lógico ou nem tanto, por si mesmo, mostrar uma resposta com alguma realidade. Os poetas, tal como os feitores de assuntos, arrumando suas palavras fazem coincidir o belo com o sonho; a partir do nada desmontam castelos pedra por pedra a partir do topo, implodindo-o ou fazendo uma grande explosão.

roxo150.jpg O destino de cada individuo que se entrega apaixonadamente ao mundo das deias, encavalitando as letras na lógica da semântica, falando de gíria, anexando sufixos e prefixos e até misturando línguas moribundas ou mortas, condena-se a fugir de casa se entra pela política mascarada de democracia.

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Numa condenação sem definitiva ou suficiente salvação ou, simplesmente para sarar as feridas do corpo e mente, vai-se dilatando no tempo, apalpando as intenções de filhos, seus anseios, sua felicidade, a permanência com o varão primogénito, suas indecisões, turbulências e devaneios; um turbilhão de anseios que se misturam com sarcásticas ideias, um maldizer de idiota com adjacências escumbalhadas…

araujo 25.jpg Apalpando as medidas da natureza do Senhor, daquelas alheias ao homem e, porque cada um tem de viver o seu destino procurando os carreiros por onde se levar e, para onde há-de levar suas acções, suas palavras sem certificados ou procurações de intenção e pretensão ruma

-se na imensidão da solidão.

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É assim o que se espera de um contador de estórias ao organizar os factos ou não, de um modo inconsciente e, em função de ideias subjectivas que a sociedade envolvente lhe sugere. Juntar amor e angústias, raivas ou ódios e até boatos com inventação de todo o conhecimento numa triagem da realidade e da experiência.

roxo106.jpg Por isso dizer-se não dar crédito ao que se diz mas, julgue-se isso sim, naquilo que alguém produz! Tal como a abelha produz mel e própolis, o contador de estórias produz lazer, formula opinião, inventa, mente para transmitir algo de sua lavra. Ao se analisar o desenvolvimento de um pensamento sempre surgirá um confronto de várias componentes tais como a razão, o empirismo ou a ficção.

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Até hoje ninguém teve coragem de dizer que o Adão matou o Abel com um pontapé nos tomates! E, todos ficam espantados de se dizer isto desta forma mas, é logico que o matou duma qualquer forma, esta é até a mais plausível! Nesse tempo não havia urólogos para medir a ejaculação precoce, a falta de estímulo, apalpação nas mazelas do saco da próstata! Infelizmente o homem não pode ter tudo no mesmo lote: Tempo, dinheiro e tesão…

araujo92.jpg Quando tem tesão não tem dinheiro - é a juventude; quando tem dinheiro, não tem tempo - pelo trabalho; quando tem tempo e dinheiro já não tem tesão - porque está velho! Todos sabem disto mas, raramente o dizem sem ficarem livres da chacota. Diga-se o que melhor aprouver sem se desprezar alguns conceitos ou principios…

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Principios que se revelam como invenções espontâneas do espírito humano; um simples casualismo, causalismo ou uma outra qualquer razão. Até é possível que isto se possa transformar em uma equação matemática de uma ordem por conhecer, pois que só sei que juntando zero com zeros, zeros dá!... Na lógica tradicional, um axioma ou postulado é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria…. ( Estas duas última linhas  são a logica da Wikipédia)

Ilustrações de Assunção Roxo e Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:26
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2018
CAZUMBI . XLIV

MIAI – CORURIPE DO BRASIL - COMO SINTO O MUNDO - VIII21.05.2018

Brasil – o dia da mudança…

Por

soba15.jpgT´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Assisti aos debates televisivos do STF – Supremo Tribunal Federal, Rede Globo nos dois dias que antecederam a prisão de Lula e, de assombro em assombro fui ficando translucido com a flexibilidade da justiça brasileira, sua peculiaridade de protelar “o facto” rebuscando inexistentes frinchas da lei. Foi quase horrível para não dizer repugnante testemunhar o vigor retórico de ministros ditos conceituados, tais como Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Toffoli, e Lewandowski, alegando defender os pobres.

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Votando favoravelmente nos corruptos bilionários, já de si, defendidos em demasiado nos seus interesses por dispendiosos advogados; no abono a Lula, claro! Um dia marcado pela mudança através dos votos de Carmem Lúcia, a presidente do STF e Rosa Weber, duas mulheres que marcaram a diferença em defesa da Constituição Brasileira. Um cinco a quatro pela legalidade.

lampi2.jpg Eu estava em pulgas! A eloquência demagógica e populista daqueles quatro ministros estava a ser escutada na certa, pela nata prisional dos maiores mafiosos; arrepiado dos artelhos ao cocuruto do cerebelo, via o quanto isto não seria um abre-te-sésamo para criminosos de alto e baixo gabarito.  

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Mas, foi com agrado de susto que tudo alterou com o voto da Ministra Presidente Lúcia. O resultado de cinco contra quatro na não execução do tal de Habeas Corpus; de todo o modo, transparece a triste ideia de um país aonde a lei anda manca. Não consegui arregimentar em mim a suficiente alegria para comemorar com a devida efusão, fechando assim o círculo de impunidade, descaso e bagunça.

lampião7.jpg Sérgio Moro, só demorou vinte minutos para lavrar o mandato de pisão ao ex-presidente Lula; sem algema, sem confronto, e esperando até às 17 horas de Sexta-feira, em um dia seis de Abril. Não foi assim mas, por fim os kazukuteiros da lei, lá acordaram que seria só após a missa em homenagem à sua esposa, de Lula, lá pelas dez horas de domingo.

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E, assim foi, bem do outro lado da sede dos Metalúrgicos de São Bernardo dos Campos em São Paulo. O dia da mudança surgiu por fim! As hostes do PT - Partido do Trabalhador em momento algum baixaram os braços em defesa do seu mártir argumentando ser claramente por acção distorcida duma Constituição estrupada! Foi um filme ruim de assistir; o cangaço no seu mais elevado expoente quase vencia. Viva Lampião! Só sou eu a dizê-lo, aqui no meu mukifo que ninguém me ouve…

dracma5.jpg Visto de longe, este espectáculo dá para ficar preocupado com o manuseamento da lei. Triste sina a minha de cruzar o mar entre Brasil, Portugal, Angola e África do Sul assistindo a esta falta de credibilidade incestuosa de quem faz a lei. Cambada de gente que estuda para nos escravizar!

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Fiquei ciente de que o aviso do General Villas Boas, Comandante em Chefe das Forças Militarizadas na tarde do dia quatro de Abril de 2018, era no sentido de que se tudo descambasse o exército entraria em cena para repor em seu lugar as instituições. Gostaria que o nosso chefe das Forças Armadas e Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tomasse esta postura. Angola é para esquecer por enquanto! ….  Ainda bem que por cá, foi como foi! Assim deste jeito débil! Mas que a coisa esteve preta, lá isso esteve!

Nota: Crónica escrita em Miai a 07.04.2018

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:23
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Domingo, 20 de Maio de 2018
MOAMBA . XX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 20.05.2018

O INTERESSE manobra tudo e todos. O rim de Peralta estava para lá de escumbalhado…

 Muamba: É um prato típico de Angola preparado com galinha e dendém mas pode ser também negócio ilícito com venda de contrabando (Brasil) …

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Balouçando minha rede para roçar o escasso vento, derreto banhas na forma de gotas que correm costado abaixo. Oiço o bater das ondas e o farfalhar dos coqueiros. O sacana do vento vem tão de mansinho que feito brisa me transtorna o humor. Mas, ouvindo estórias, as quenturas dos 29 graus vão-se dissipando entre conversas de quintal. É assim que surge a estória de Manoel Peralta Barros que teve recentemente seus rins paralisados.

araujo146.jpg Mourejando guerras brabas foi ficando boémio laureado com o figado avariado e os pulmões estragados; muito azar para um só cristão. Sem outra alternativa, Peralta teve de cair numa tremenda horizontal hospitalar… Os médicos que o assistiam de tudo fizeram para tentar recuperá-lo.

miai2.jpg

Submetido a várias sessões de hemodiálise e, o rim que estava para lá de escumbalhado, voltou a funcionar – devagar mas, voltou! Pelo menos um dos seus pulmões foi extraído e, como consequência sua respiração melhorou consideravelmente. Só não teve mesmo jeito, foi o fígado. A pinga derreteu essa importante glândula quase toda, comprometendo as suas funções metabólicas.

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Daí a um mês, Peralta estava nas últimas – abriu os olhos, piscou pró médico e apelou: - Já sei que estou com um pé na cova doutor…Mas, o que é isso Peralta? O doutor esculápio tentou animá-lo – Tó lascado, doutor! Eu só queria que o senhor me fizesse um último favor… Penalizado e emocionado, o médico retorquiu: Pois não, pode dizer.

dy8.jpg - Eu gostaria que o senhor escrevesse na declaração de óbito que morri de AIDS (SIDA). O doutor alarmou-se: - Impossível, Peralta! Eu não posso fazer uma coisa dessas, por uma questão de ética. O seu problema é cirrose braba, com falência múltipla de órgãos como rins, pulmões, vesicula …e, não de SIDA! Não posso mentir.

araujo27.jpg -Pelo amor de Deus, doutor. A um moribundo não se pode negar o último pedido! – Mas, me diga por que você quer que todos pensem que está morrendo de SIDA? E, o Peralta, nos últimos suspiro: - É para nenhum macho se atrever a chegar perto da minha mulher, que aqui para nós, é boa de gostosa!

Crónica escrita em Miai – Coruripe – Brasil a 13.04.2018

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:00
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Sábado, 19 de Maio de 2018
MOKANDA DO BRASIL . XI

METÁFORA DA VIDA . NAS CINZAS DO TEMPO – 19.05.2018

Por

soba0.jpeg T´Chingange No Nordeste brasileiro

No Brasil de hoje as perspectivas não são das melhores. São mesmo tristes, considerando o facto da instabilidade política. O brasileiro perdeu a confiança em todos os políticos tornando imprevisível o destino próximo do país. A percepção de falta de confiança na escolha de um novo presidente, abre caminho a neófitos que devido à falta de competência para o cargo, pode daí advir muito dano para o país.

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As duas maiores vitórias de Fernando Henrique Cardoso, foram a estabilidade económica e a previsibilidade política. Será agora ridículo apostar em um cidadão sem revisar seu curriculum até se chegar à conclusão de ter ficha limpa para exercer o cargo. O êxito da justiça brasileira dos últimos tempos não pode afrouxar mais recorrendo a soluções de entorpecimento d ontem por compadrio com o poder do PT.

brasil1.jpg Lula é o passado que falhou e aqui, têm de se pôr um ponto final e tirarem ilações dos polvos que a promiscuidade corrupta pode originar; Lula é um passado que falhou. O brasil, por ser quase um continente em suas lonjuras, fronteiras demasiado permissivas e por ter muita desigualdade, requer um modelo de governo não populista, talvez do centro- esquerda porque por ora, a social-democracia foi imensamente atingida neste escândalo de corrupção, mensalão e petrolão com lava-jato. 

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O Mundo está a mudar e tirem-se ilações a partir da opção do Brexit na Inglaterra, da escolha de Emmanuel Macron em França, do surgimento, geringonça em Portugal e da dificuldade de formar governo tanto na Alemanha como em Espanha. Neste momento é a Itália que está em palpos de aranha e até mesmo a escolha de Trump para governar os E.U.A. um perfeito exemplo de populismo de direita. Isto tem seus riscos, porque as pessoas já não aderem por ideologia mas pelas promessas que lhes mudarão a vida no quotidiano.

bra5.jpg Há o grande risco desse populismo, se não for combatido pelo esclarecimento, poder tombar para a esquerda como a gestão de Hugo Chaves e seu sucessor Maduro. Ao Brasil parece-me não ser útil, nem um nem outro. O actual Presidente Michel Temer tem tentado fazer reformas mas, não consegue completar seu trabalho, por não ter legitimidade para o fazer e, de forma mais drástica, já que não foi eleito.  

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É preciso um novo presidente com capital político para fazer as reformas de que o Brasil necessita. Inteirando-me das ideias de um economista e comentarista do Financial Times, Martin Wolf o trabalho é grande e, este, não está certo de que um próximo presidente esteja apto a faze-las: reforma tributária e trabalhista, investir em infraestruturas e criar políticas públicas que aumentem a poupança privada.

bra4.jpg Mas, e também tocar na reforma fiscal, nas aposentadorias e previsão de gastos no futuro. Quando a Martim Wolf se lhe perguntou sobre possíveis candidatos para Outubro, para estranheza minha disse que Bolsonaro, um candidato que se alinha na frente, lhe parece completamente maluco. Quando os adivinhadores apostam nele, este conceituado cronista afirma que este é capaz de levar o país à ruina.

pal01.jpg E, diz que Donald Trump beira a normalidade ao lado de Bolsonaro. Trata-se de alguém que não sabe o que diz e, que parece não ter noção do que significa governar. Esta perspectiva é algo muito trágico e muito triste, pois que representa uma grande perda de potencial para o Brasil que tem recursos abundantes; conclui mesmo dizendo: colossais. Finalmente remata – é uma pena!…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXII

A ILITERACIA EM ANGOLA . 17-05-2018

:::::As escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpg António José Canhoto... Um polémico cronista saido da Luua, que tem o diabo à perna...

Relutantemente terei que voltar a escrever sobre Angola, mas não pelas melhores razões e muito menos quando me sinto na obrigação de fazer comparações com o tempo colonial que com todos os seus imensos defeitos tinha em alguns dos seus aspectos grandes virtudes. Foi durante o sistema colonial que se processou a minha meninice, puberdade e adolescência e durante a qual experienciei a qualidade dos bons professores portugueses existentes no território e aos quais tiro o chapéu pois por eles fui instruído durante o período da minha escolaridade que perdurou em Angola entre os anos de 1948 e 1959.

ÁFRICA1.jpg Posteriormente prossegui o meu percurso académico na República da África do Sul pois nessa altura não havia ainda Universidades em Angola e Joanesburgo estava mais perto de Luanda do que de Lisboa. Mas foi em Luanda desde a primária até à conclusão do meu 7º ano que percorri a minha vida académica miscigenada com outros colegas caucasianos, mulatos e negros.

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Muitos deles após independência atingiram posições de destaque no regime político, militar e diplomático que tal como eu tiveram a oportunidade de usufruir de um sistema educacional que 40 anos depois por aquilo que me é dado constatar não chega nem sequer às unhas dos pés daquele que tivemos o privilégio de beneficiar nos anos da colonização Portuguesa. Para justificar esta minha reflexão dei-me ao trabalho de iniciar uma colectânea dos erros gramaticais no uso da sintaxe que vou anotando das imensas páginas criadas no Facebook por angolanos, às quais aderi para delas avaliar as tendências e preocupações críticas dos seus autóctones.

ÁFRICA18.jpg Tudo isto por via do sistema político em que vivem e, à falsa democracia que têm por quem os governou e governa. Nas várias páginas que criaram no Facebook abordam temas e problemas políticos, sociais, musicais, generalistas e religiosos o que me permite sociologicamente chegar a várias conclusões interessantes. Fico muito surpreendido pelos tópicos que abordam, perguntas que fazem e às imaturas conclusões a que chegam pela impreparação, ingenuidade e desconhecimento que demonstram ter sobre a vida, amor, sexo, política, tribalismo e mundo em geral, mas sobretudo pela parte história da sua herança genética e cultural.

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Contudo, surpreendentemente mostram uma tremenda religiosidade cristã e um notável conhecimento bíblico devido que penso ser devido à implantação de missões religiosas baptistas, metodistas geridas por missionários estrangeiros e freiras católicas portuguesas espalhadas pelo sertão angolano onde foram e são por estes e estas doutrinados. Hoje em dia, os angolanos têm ao seu dispor as ferramentas necessárias que lhes permite facilmente responder às suas questões para as quais pretendem respostas que são a Internet e o Google.

ÁFRICA2.jpg A minha experiência no que respeita ao criticismo que faço sobre a iliteracia angolana, advém da aderência que fiz às muitas páginas do Facebook criadas por angolanos e da leitura dos seus conteúdos. Existem outras, mas de portugueses ex-residentes em Angola onde continuam dolorosamente a carpir as suas saudosas mágoas dos belos tempos que lá passaram. As páginas genuinamente angolanas proliferam pelo Facebook, umas mais radicais do que outras, mas em todas elas se nota a dificuldade e deficiência no comando da língua de Queirós e Camões.

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Sem querer perder ou divagar para outras áreas a razão deste texto centra-se na forma como os angolanos se expressam por escrito e pela iliteracia que demonstram ter após passados 40 anos de independência. No tempo colonial o sistema escolar era tão bom em Luanda como em Lisboa, mas hoje em dia a forma como os angolanos trucidam e assassinam a língua portuguesa deixa muito a desejar e deveria envergonhar quer o ministro que superintende ao sistema educacional angolano bem como a todos os usuários que que a ela recorrem para comunicar.

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ango0.jpg Com toda a honestidade nem dá para acreditar nas postagens que leio pelos erros gramaticais nelas contido de como se pode chegar a um estado de degradação linguístico quase de puro analfabetismo generalizado. Não é caso para o governo de Angola se orgulhar do sistema educacional que está a proporcionar aos seus cidadãos, pois a imagem que estes projectam para o mundo da língua portuguesa nas suas publicações é degradante revelando um estágio primário evolutivo. Comparativamente ao tempo colonial o sistema médico, hospitalar, saneamento básico, rodoviário, e educação estavam muito melhores do que hoje 40 anos depois, e nunca Luanda esteve tão soterrada em lixo como está hoje.

António José Canhoto - 17-5-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:58
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MOKANDA DO BRASIL . X

ANDO ENKAFIFADO – 17.05.2018

Crime politico? Em nenhum regime democrático deste planeta existe isto, ou deveria existir!…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

O Brasil não tem a menor hipótese de ser confundido com um país sério. Tem um tal de “FP - Foro Privilegiado” que protege nada menos do que 55000 pessoas em todo o Brasil; e, não se limita só a políticos. É assim impossível pensar num país sério, na qual existam tantos cidadãos que têm uma licença virtual de cometer crimes, pois o tal de FP, na vida real, torna praticamente impunes os criminosos que contam com esse privilégio.

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Já o presidente Charles de Gaulle dizia há muitos anos atrás que o Brasil não era país para ser tomado a sério. Nunca aconteceu em nenhuma democracia do Mundo, em qualquer época um caso de político que tenha sido preso por fazer política. Nem se vai ouvir dizer isto porque, numa democracia, a actividade política é livre; a menos que tenha a ficha suja! 

beldr7.jpg Nenhum político precisa de FP ou “IP - Imunidade Parlamentar” para se proteger de qualquer tipo de perseguição quando está no exercício legítimo de seus direitos e funções. A lógica certa é a de ser processado como todos os demais cidadãos, se roubar o cofre do governo, dar um tiro num qualquer sem-eira-nem-beira ou camelô do bairro.

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Agora crime politico, isso não existe! Existe sim é o crime apontado num Código Penal, e quando alguém comete um crime, tem de responder por ele na justiça comum. Tanto faz que seja deputado, governador ou astronauta. Sendo acusado de um acto criminoso, que arrume um advogado e se defenda. Se nada disto sucede de proibido nas leis penais, não é necessária qualquer imunidade.

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Qualquer pé-de-chinelo, Joaquim ou Manel, entende isso num instante! Só não entende isto os políticos, alguns intelectuais adstritos e, que aparecem na imprensa ensinando como funciona o Mundo. Em verdade não querem entender. O que eles querem, isso sim, é impedir que os homens públicos corram o risco de ir para a cadeia. Falo do Brasil, mas em Portugal é a mesma vrgonha…

brasil5.jpg E, as anomalias sucedem não apenas por corrupção, como é normal esperar dum novo individuo que através dum partido-gang entra na vida política mas, por qualquer crime já concebido e praticado pelo ser humano e, desde que Caim matou Abel com um pontapé nos tomates!

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Neste cardume prodigioso de imunitários entram o Presidente, todos os ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas, governadores, senadores, deputados, prefeitos e os ministros dos “tribunais superiores“ como o STF (Supremo Tribunal Federal) ou o STJ (Supremo Tribunal de Justiça). E, até os concelheiros dos tribunais de contas, procuradores federais e estatais ou desembargadores…

brasil2.jpg - Enfim, é mesmo um milagre que não tenham enfiado aí os juízes e bandeirinhas de futebol. Em lugar nenhum está dito que há dois tipos de roubo – o cometido por um qualquer meu vizinho ou o cometido por um desses 55000 portadores de “Foro privilegiado”. Crime é crime! Não há crime político, ou há!? Pode até ser daí derivado mas, uma coisa é uma coisa e outra coisa é uma outra coisa, certo!

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Ando por aqui encafifado com as “últimas instâncias”- “segundas e terceiras instâncias“ e, agora para cúmulo, surgem os “embargos de declaração” mais os “embargos infringentes”. Se o senador, deputado ou desembargador praticar algum crime, deveria ter de percorrer os trâmites da justiça comuns a todos os outros. Deveria!?

garças7.jpg Vão ter de ser indiciados, proceder ao inquérito policial, denunciados, julgados e punidos. Tudo o mais, o povo não vai entender. Ou as leis, são feitas para os senhores juízes mostrarem sua sapiência enrolando os demais numa conversa de não acabar nunca! Conversa de faz-de-conta em língua da patagónia ou Conchinha de  baixo, que ninguém entende patavina.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:23
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2018
CAZUMBI . XLIII

MIAI – CORURIPE DO BRASIL

- COMO SINTO O MUNDO - VII16.05.2018

Grande filho da mãe …

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Estivesse eu na Lagoa do M´Puto e seria neste dia 13 convidado pagante ao jantar das Sextas-feiras, o dia das bruxas promovido pelo Professor Herrero com a participação de ilusionistas, mentirosos e outros malabaristas. Decerto iria assistir a coelhos saindo das cartolas de copa alta e pombas brancas de finos lenços de cetim; confettis voando como borboletas por cima de nossas cabeças entre luzes de pirilampos digitais.

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Mas, estando eu em Cururipe, no lugar aonde paparam o primeiro bispo do Brasil com o nome de Sardinha, irei descrever uma passagem ortodoxa de um padre chamado Nildo (Onildo Tenório Vilanova). Prestes a ingressar na aposentadoria, o padre Nildo, velho malcriado e com uma língua afiadíssima, por assim dizer de trapo, licenciou-se da paróquia, quersedizer, saiu de sua função de prior por via da idade.

balba1.jpg O dizer licenciou-se, é no sentido de obter licença para, ao invés do político português chamado de Rangel, um ministro governamental do PSD que se licenciou na cátedra da política depois de tanto bater à porta do poder. Um dia deram-lhe mesmo licença para entrar e assim desta forma simples ficou licenciado. Parece uma coisa cómica mas com pontos e vírgulas de compadrio, lá formataram sua licença à medida de ficar um senhor Ministro.

lampião35.jpg Abandonemos este transbordar de palavras cochas e voltemos ao assunto do padre Nilo, licenciado da paróquia que comandava no agreste pernambucano. A fim de resolver problemas de administração, trâmites relacionados com os seus paroquianos no rol da fé em Cristo, entre outros de seu interesse particular, desceu do velho e poeirento ónibus no antigo terminal rodoviário do Recife que ficava bem no subúrbio.

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Optou por tomar um táxi para chegar mais rápido à sede da Arquidiocese, aonde se reuniria com o Senhor Arcebispo. No ponto respectivo, padre Nildo, tomou o táxi dizendo ao motorista: - Por favor, leve-me até ao centro da cidade (…). O taxista, um sujeito mal-encarado e fedorento, arrancou com o carro puxando a mil cavalos e, começou a dar voltas e mais voltas, por tudo quanto era de praça e pracinha mais alamedas até estacionar minutos mais tarde na porta da Arquidiocese.

Cicero2.jpg Vai que padre Nildo botou o olho no taxímetro e tomou o maior susto, pelo que protestou: - Mas, isso é um absurdo, meu filho! Esse valor que o taxímetro está marcando é uma exorbitância! Na maior cara de pau o taxista respondeu ao sacerdote: - Olhe seu prior, estou cansado de pagar a vosmicês tudo para a igreja – É baptizado, é casamento, é crisma, é missa do sétimo dia, é funeral mais santinho, quermesse e o escambau, sabe!

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Por isso o Senhor Padre, vai ter que pagar o que deu no taxímetro, visse! Padre Nildo respirou fundo, tirou a mão do bolso da batina preta, retirou uma carteira de notas e separou as cédulas na conta dando ao cara dizendo: - Muito bem meu filho…. Aqui está! O motorista de cara fechada pegou o dinheiro, passou o troco ao religioso e, quando ele descia do veículo, virou-se pró sujeito e disse:

roxo90.jpg Háhh, quando a sua mãe resolver largar aquela vida do garimpo, lá no Bataklan, visse… Pode levá-la à minha paróquia que eu faço o casamento dela de graça, ouviu!? Pude imaginar o padre no átrio da Arquidiocese olhando pró céu, falando com Seu Senhor superior, muxoxando baixinho: Grande filho da Puta!       

Nota: Crónica escrita em Miai a 13.04.2018

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:50
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Terça-feira, 15 de Maio de 2018
KALUNGA V

MOKANDAS XINGUILADAS

- A DOENÇA DA DEMOCRACIA E A ECONOMIA DA CORRUPÇÃO – 15.05.2018

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi. 

Por

soba15.jpg T´Chingange – Desde o Nordeste brasileiro

O combate à corrupção deve ser feito em prol da justiça social, da dignidade dum povo e seu desenvolvimento humano e económico. É o avesso da vingança porque o Estado ao sangrar uma empresa até à morte devido a procedimentos judiciais e da incapaz indeminização, causam inevitavelmente muitos danos. Em vários países com este cancro social mas especialmente em Portugal, a acção repressiva, nosso modo de combate à corrupção, não actua sobre as causas.

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Ou as leis existentes são inadequadas ou faltam leis que racionalizem com moralidade as inevitáveis pressões que a sociedade civil (nós) exerce de forma organizada ou nem tanto sobre os governos, governantes e demais agentes públicos. A corrupção resume a profunda indisciplina jurídica das relações entre Estados ou entre estes e as empresas.

temer4.jpg Veja-se como exemplo as operações judiciárias de Lava-Jato no Brasil e da Fizz em Portugal. Das pressões que o M´Puto sofreu no caso de Manuel Vicente por parte do Presidente JL de Angola, entre várias figuras de destaque que mereciam ser chamados de figurões dum Mundo Cão. Pressões que levaram à deturpação nas atitudes dos nossos directos dignatários, digo eu!

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Não há trabalho sem empresas, não há empresas sem Estado e, não haverá Estado sem trabalho e sem empresários. É uma afronta ou ataque a um outro Estado que por via diplomática nos dá ideia de um grosseiro descuido que em benefício de uns poucos salafrários, prejudicar-se empresas, gente em geral, arriscando fortemente a economia global e respectivas instituições.

dracma6.jpg O lado mais fraco lá terá de ceder, mesmo correndo o risco da aparente ou real deterioração. Assim, com um estado tomado pela corrupção, o Executivo administrará os serviços dos corruptores, o Legislativo vende leis e o Judiciário sentenças! Daqui depreender-se facilmente que a corrupção rouba a energia vital dos trabalhadores, que flui para o Estado através dos impostos que cimentam o seu bem-estar social.

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A concorrência da corrupção entra as empresas torna entre estas, a mais corrupta em líder do mercado deteriorando serviços e produtos. Assim, como é possível depurar as empresas sem as destruir? Elas dão emprego, gerem renda, garantem o consumo.

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É deste modo imprescindível repensar a forma de como combater a corrupção para que os efeitos adversos colaterais, não o sejam mais danosos que o crime que se pretende liminar. Não é fácil, não!

vaca0.jpg Combater a corrupção é como lutar contra um câncer. É forçoso matar o cancro sem matar o paciente, com a dificuldade extraordinária de que ambos, o câncer e o paciente habitam o mesmo corpo – O paciente necessita livrar-se do mal mas não vive sem seu corpo.

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E, o câncer quanto mais se espalha, mais difícil se torna extinguir as células doentes separando-as das sadias. Pagar gorjeta, propina ou gasosa para ganhar uma licitação é ilícito, construir pontes, barragens, hospitais e escolas, em si, não o é! A economia de corrupção floresce num ambiente de crescimento económico e de normalidade política.

bolor1.jpg E, o problema está na deturpação da política com os principais três poderes, do funcionamento dos mercados e, não com sua instabilidade. O busílis da “doença da democracia” está em esta aumentar a desigualdade sem impedir o crescimento do endividamento. Uns ficam com a carne e muitos só com os ossos! A democracia anda doente na honorabilidade; na prática, falta a ética e o uso correcto das leis justas. Marcelo R. de Sousa, Presidente que estimo, por favor, fique atento!...

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:21
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Domingo, 13 de Maio de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLII

ANGOLA DA LUUA XLII - TEMPOS PARA ESQUECER - 13.05.2018

“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas” - Quase morri antes desta guerra em Kaluquembe; acho mesmo que fui para o além durante um pequeno espaço de tempo…

Por

soba15.jpg T´Chingange

Quando no ano de 1974, se deu o 25 de Abril em Portugal, estava eu exercendo as funções de Topógrafo da Câmara Municipal da Caála (Robert Williams); chefiava a Secção de cadastro no referente a terras, urbanismo e obras já licenciadas. Minha mulher que era professora do ensino básico dava aulas no bairro Popular nº 1 confinando com o bairro Madame Bergman, muito próximo da estrada de Catete e confinando com o Bairro do Caputo perto da Terra Nova e Cemitério Novo.

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Ela, Maria Emília dava aulas a 40 crianças dos quais, só duas eram brancas; filhos do merceeiro situado bem perto desta escola com o nº 22. Maria Emília imediatamente a seguir ao 25 de Abril ouvia alguns alunos em surdina, e na forma de muxoxos dizerem coisas desaforadas como: Vamos ficar com a casa da professora- Vamos ficar com o carro da professora, Vai para a tua terra, entre outras frases que ela fazia por não querer ouvir. Era um indício da tempestade que se aproximava. Três meses depois do vinticinco, em Julho de 1974 é destacada para a escola da Caála. Um alivio - a família Monteiro reunia-se de novo.

kafu19.jpg Aquelas crianças dos bairros suburbanos de Luanda eram a propósito instruídas em casa para assustarem seus professores; uma forma de rebeldia independentista curtida no seio de suas famílias; logicamente que seriam os pais senão a induzir os filhos, no mínimo eram conversas escutadas por estes. Fabricavam boatos que desencontravam a vida de todos. Eram já ensaios na preparação do Poder Popular. Maria Emília, já na Caála, contando isto a mim, dava para antever uma grande borrasca lá pela capital. Era o início da Guerra do Tundamunjila…

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Após os primeiros encontros, negociações de cessar-fogo e acordos com os movimentos rebeldes e, já após aceitação da UNITA o professor Liuanhica da Catata, director de um colégio-missão, entra em contacto com vários elementos desta pequena cidade para formar o Comité da UNITA da Caála. Não me vou alongar muito nesta descrição mas, foi assim que fui eleito Secretário de Informação e Propaganda até que em uma remodelação dos Quadros, o próprio Jonas Savimbi me indigitou para Secretário de Relações Publicas do Comité.

zeça14.jpg Tenho contra vontade de expor isto para que todos vejam o empenho que fazia em permanecer em Angola e de uma forma activa. Nunca me arrependi de assim ter procedido até ter saído da Caála em Agosto de 1975; a UNITA teve ali, um comportamento exemplar. De forma breve posso dizer que o meu carro foi sabotado e, tudo indica por gente afecta ao MPLA. A carcaça do meu carro, um Renault major lá ficou na curva da morte do Cruzeiro de Kaluquembe.

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Quase morri, acho mesmo que fui para o além durante um pequeno espaço de tempo mas, regressei com uma clavícula partida! Do carro nada se aproveitou e, tudo ardeu! Literalmente! Foi naquele acidente que o galo pintado de branco, símbolo da UNITA em fundo vermelho morreu! Foi o Doutor Parson, seu filho David e esposa da Missão do Bongo para lá do Longonjo, que me ataram uma ligadura a dar firmeza ao osso; osso que soldou por si, só com o tempo. Meu ombro esquerdo, por via disto, ficou mais curto em um centímetro. Aonde quer que estejam os Parson, mando os meus agradecimentos.

áfrica19.jpg Porque já foram escritas 41 mokandas em um dilatado tempo convém aqui e agora recordar a cronologia da ENTREGA DE ANGOLA AO MPLA NO ANO DE 1975: 15 de janeiro . 1975 – Portugal, MPLA, FNLA e UNITA assinam os Acordos de Alvor, estabelecendo um governo de transição para a independência de Angola, o poder seria dividido entre as partes assinantes dos acordos. A independência ficou marcada para o dia 11 de Novembro do mesmo ano. - 31 de Janeiro . 1975 – Posse do Governo de Transição de Angola Como previsto pelos Acordos de Alvor. - 21 de Março . 1975 – Início dos confrontos entre MPLA e FNLA em Luanda e no norte de Angola.

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- 13 de Junho . 1975 – Aprovação da Lei Fundamental pelo Governo de Transição de Angola. - 9 a 20 de julho . 1975 – Confrontos armados entre FNLA, UNITA e MPLA resultando na expulsão da FNLA e da UNITA de Luanda. – Agosto . 1975 – Suspensão dos Acordos de Alvor por Portugal. O governo passa a ser exercido por um alto-comissário. - 3 de Agosto . 1975 – Início da “Operação Iafeature”, consistindo numa aliança militar entre FNLA, UNITA, forças zairenses e sul-africanas, coordenada pela CIA, para combater o MPLA e conquistar o poder em Luanda no dia marcado para a independência. O governo caberia a uma coligação entre FNLA e UNITA.

suku0.jpg - 4 de Agosto . 1975 – Jonas Savimbi anuncia oficialmente a entrada da UNITA na guerra civil. - 17 de setembro . 1975 – Chegada das primeiras forças regulares da África do Sul em apoio à UNITA. - 7 de Novembro . 1975 – Deslocamento aéreo de novas forças cubanas para Angola, através da Operação Carlota. - 11 de Novembro – Retirada das autoridades portuguesas de Angola. - O MPLA proclama em Luanda a independência da República Popular de Angola. - UNITA e FNLA proclamam a República Democrática de Angola, no Huambo.

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Situemo-nos de novo a 10 de Novembro de 1975. A 100 metros da ponte de Quifangondo, dois camiões carregados de soldados zairenses morriam sem defesa possível. Uma Panhard foi atingida em cheio! Desta leva de soldados quase todos por ali ficaram mortos ou feridos com gravidade. Sem explicação a artilharia pesada Sul-africana abandonou a luta rebocando os obuses para lá do Caxito. Segundo Santos e Castro os Sul-africanos retiraram-se pelas 16 horas e 30 minutos com todo o material.

pioneiros.jpg Deixaram os obuses sem culatras tendo sido recolhidos por um helicóptero que os levou até uma embarcação fundeada ao largo da costa do Ambriz. A Batalha de Quifangondo estava perdida. A FNLA fugiu mato adentro sem comando. No vale de Quifangondo os artilheiros cubanos que manobravam os “Órgãos Stálin” – lança foguetes 122 mm, tinham aniquilado a FNLA. As Brigada da FAPLA e da força Cubana estavam agora livres para enfrentar as tropas Sul-africanas e a UNITA que se aproximavam pelo lado Sul de Luanda.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:05
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KALUNGA . IV

O PESADELO DA DEMOCRACIA - 12.05.2018

Falácias no mundo dos PALOPS - Dos CPLP

Por

soba15.jpg T´Chingange

Hoje, o homem honesto vê-se verdadeiramente diante de um destino quase trágico pois que quer e deseja a verdade com a profunda independência mas, os governos, governantes, instituições e empresas assimiladas ao estado, por interesse, fazem esforços para e, na forma enganosa de falácia da mais pura, surripiarem nosso dinheiro e nossos planos. Os métodos são variados e com os pretextos mais esdrúxulos.

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Aniquilam nosso íntimo condicionando até nossa ideia de Pátria, de Nação. Os representantes do poder político amordaçam-nos subtilmente a sacrifícios absurdos, fazendo como que uma trepanação à desejável inteligência do cidadão, alterando ou condicionando o clima estórico. Este panorama oscila entre as várias instituições de poder judicial, do executivo ou deliberativo, tendo a Assembleia Nacional no topo. Eles não nos dão os necessários exemplos de idoneidade…

costa5.jpg Encarnando no Poder Económico, juntam-se num sistema de Geringonça e, como um gangue dão novos moldes à ordem jurídica que deveria ser supranacional, o máximo exemplo de isenção no trato da lei e justiça, por via de interesses políticos ou económicos, são simplesmente engavetados. Será que estamos no fim de um ciclo?

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Que democracia se vai permitir no futuro se na prática actual do poder, aniquilam o homem interiormente livre; do cidadão que vive seguindo sua consciência. É tal a governação neste lado vesgo que, o homem do povo suporta passivamente sua própria condenação à condição de escravo. Falo do que se passa em Portugal mas, outros há que são talvez piores, como o Brasil ou Angola.

chicor4.jpg Está sendo inevitável porque a sociedade se degrada tão profundamente que de taxa em taxa, de fisco em fisco, de sonho em sonho, de roubo em roubo, submete-se ao mandado aperfeiçoado com meios que destinam sua vida à própria destruição; sua e de seus semelhantes.

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Pelo aperfeiçoamento de técnicas requintadas para dirigir em nós uma pressão intelectual e moral, ela impedirá o aparecimento de novas gerações por paradigma, de seres humanos de valor sem independência. Afinal qual deverá ser a meta que devemos escolher para nossos esforços?

olho roxo.jpg Será o conhecimento da verdade ou, em termos mais modestos, a compreensão do Mundo experimental, graças ao pensamento lógico, coerente e construtivo? Será a subordinação do nosso conhecimento racional a qualquer outro fim de prática! Viver assim, é um verdadeiro acto de fé! Com a evidente condição de que nosso pensamento e nossas reflexões, terão de se condicionar na evidência de se estar possuído de uma inabalável convicção!

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Sem esta fé, a convicção de valor independente do conhecimento não existirá assim, coerente ou indestrutível. As leis do pensamento dirigem-se por si mesmas! No Portugal de agora, fazem falta estadistas e juristas de craveira e éticas inconfundíveis! Eu próprio ando sem fé! A teoria da causalidade venceu na relação com Angola liberando um criminoso chamado de Manuel Vicente.

abac1.jpg Conhecida que é a decisão do Tribunal da Relação, envergonha e enoja qualquer cidadão português. O acórdão foi político em vez de jurídico revelando uma atitude colaboracionista, subserviente e sabuja, apoiado de forma encapotada pelo Governo de Portugal corporizada pelo Primeiro-ministro, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Presidente da Republica. Tudo por questões económicas e diplomacia de baixo estofo. Estamos lixados ou cada vez mais na mesma…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:43
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2018
CAZUMBI . XLII

MIAI – CORURIPE DO BRASIL

- COMO SINTO O MUNDO - VI … 10.05.2018

Torcer enxugar e corar - Acabei com as caganças secando a palavra ao sol …

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Já tinha lido nos jornais mas, estando no restaurante a “Peixada da Maria!” pude inteirar-me que também a televisão falava das Fake News- falsas notícias, como se toda a gente entendesse o que isso era! Em terras aonde grassa a iliteracia e analfabetismo introduzem sem mais nem porquê novos dizeres, que mesmo sendo referentes a coisas velhas, genuinamente nos tornam genéricos.

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Li no Jornal de Coruripe Tribuna Independente, um jornal pró comunista, pró dos sem-terra, dos sem-tecto e fervoroso defensor do Lula que as fake News será tema de um ciclo de palestras com nomes conhecidos da região tais como Énio Lins ou Valdir Sales. Não seria de estranhar que na lista de nomes surgisse o Albert Eintein ou o Whisky John Walker ou mesmo um tal francês de nome Louis De Broglie…

t´chiku2.jpg Isto porque existe por aqui essa mania de botar nome de gente ou coisa famosa preferencialmente estrangeira na estória familiar; um património de embrutecer as cartilagens sensíveis. Quem aqui vai entender esse tal de Louis Broglie  na sua adivinhação da existência de um campo de ondas, ondas que podem explicar certas propriedades quânticas da matéria.

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Dessa matéria que levaram aos “spins” propriedades de eléctrones e mais blábláblá, conversa pra boi dormir. Aqui nesta terra de Caetés, falar de ventos ou semiventos será o mesmo que oferecer uma bicicleta a um cirí, caranguejo do mangue! E, dizem - isso a gente sabe, que as falsas notícias espalham-se pelas redes sociais de forma cada vez mais rápida e sofisticada.

serrão5.jpg Este ciclo de palestras adivinho eu, serem para alertar o cidadão a não ir no conto do vigário, não aceitar santinhos e balelas por via da campanha eleitoral de Outubro. Depois da prisão de Lula no dia 7 de Abril é previsível, ou é o mais certo, surgirem notícias facciosas que irão ponderar no voto do novo mandante à nação Brasil.

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Adivinha-se uma disputa e, é agora a hora de explicar o quanto as notícias nas redes sociais mentirosas suplantam outras bem à semelhança dos EUA aonde o Trump se diz ter ganho com trapaças vencendo assim sua rival Hilary Clinton, com ajuda de empresas Russas! Por isso aqui na terra aonde paparam o primeiro bispo do Brasil, um náufrago chamado Sardinha, nada será de admirar!

malucos2.jpg Neste ciclo de palestras também vai ter a intervenção do Ronaldo Bispo, coadjuvante de Énio Lins que na qualidade de Secretário de Comunicação do Estado de Alagoas, escalpelizará o assunto. Nesta comunicação irá surgir o tema “Neurolinguística” e o poder do convencimento pelas “Redes Sociais”.  Menos mal que não convidaram o já tão famoso Sócrates, um ex-primeiro ministro português perito em convencimentos enviesados.

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Eu, até que poderia aproveitar adquirir um certificado digital do SENAE como participante, assim para acumular pontos a um doutoramento tipo “Rangel” tão comum em terras Lusas ou mesmo um licenciamento nas novas áreas de enganação universitária com diploma da Universidade do Rio Seco do lugar das bananeiras da Luua no Estado de Angola.

morgan1.jpg Se recusei pertencer à Academia de Escritores Nordestinos e outros mentirosos que só fazem alarde do que não são efectivamente, prefiro ficar no meu canto com a Dona Jacira e seus 85 anos de labuta social, ouvindo suas periclitãncias. Não é agora que tenho amigos na Luua e nos confins da Galáxia que irei fazer triagem das verdades políticas dos homens.

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Vou meter meus 395 Reais, valor da inscrição no bolso e comprar um abacaxi recheado de fruta tropical e cachaça pitu pra dar gosto.  Ora não tinha mais nada que fazer, inchar-me com mais um curso de cacaracá para engravidar os olhos de alguém pra me tornar gente fina! Senão, comprarei umas arabaianas, ou uns tambaquis, peixe gostoso para comer com cebolada no forno! Acabei com as caganças!… Mas conheço muitos e próximos que fazem alarde de coisas do arco-da-velha…

Nota: Crónica escrita em Miai a 11.04.2018

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:46
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2018
KWANGIADES . XXXI

 

MOKANDA DO ZECA - As falas de Zeca – 09.05.2018

Por

zeca00.jpgJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga. Tornou-se ali professor katedrático e agora lecciona no M´Puto quando não fica com o catolotolo… Kwangiades: - sáo as musas, kiandas ou kalungas do Kwanza

As ecolhas de T´Chingange (TONITO era o meu nome de candengue da Luua)

DOIS HOMENS UMBIGARAM-SE NO M´PUTO - MATUTANDO ESTES TEMPOS!!!

Eu só lamento..., o tempo do antigamente, que aqui era tão escondido..., de figuras proa deste Condado Portucalense..., e, escondidos nos arbustos, canteiros..., do Parque Eduardo VII! De repente o pensamento aberto do Sec XXI abriu a janela..., de um novo pombal que cada vez é maior, é colossal!!! Para os grandes países da CEE, a (alguns) braços com excesso população, não há problema..., agora para o M´putu kp, é que é grande problema futuro...

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Dizem as estatísticas caras e bem medidas por cientistas, que temos há muito, o índice mais baixo de natalidade..., o desequilíbrio entre os nascidos e os falecidos é grande!!! Os Kotas/Macotas morrem atoa e o seu passado sustento contributivo tão excelente e não de mangonha enchia as barricas da Casa Grande..., e é sabido que depois do Velho ficou ao alcance da mão do kapiango..., que na TV da falação do "então pá como é", dançam o Tango...

ZECA MAMOEIRO.jpg Sabe-se que os Monas, os nascidos do Condado são cada vez menos, a semente de vindouros é muito pouca caída no valado... Então, como vai ser a produção, sem a produtiva placenta da mãe e kinda de semente de cordão de rebento e de biberão natural - O NASCER, esta a dádiva da criação do ser tão biológica na Terra!

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Ninguém questiona a possibilidade de um dia a Terra se tornar frágil e ser evadido por aqueles gajos esquisitos, mas bwé espertos de disquinho falante dos ENCONTROS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU..., o filme que vi dezenas de vezes e de difícil saber quem é o macho e a fémea ..., porque todos são iguaizinhos no fato casal de corpo cara olhos corte de cabelo (careca moda) roupa sapatos luva branca...!!!

soba03.jpg Remeto este meu pensar, sociológico, antropológico, filosófico...para o meu kerido kamba de carteira da Universidade do Rio Seco da Maianga..., o Sábio T'chingange. Ele, que tem formação industrial de massas e de terras, muito trabalho de ensaio no laboratório, e, grande conhecedor do mundo do asfalto, do mato escovado, do mato poeira, do mato tsé-tsé, estes três últimos que contém a maravilhosa flora, fauna..., a nossa África esplendorosa que pouco a pouco a contaminam...

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Ele, o famoso pisteiro de condução de Land Rover caixa aberta e cheia de pakassas abatidas na koka do bebedouro na Cacimba do Peixe Gato, bwé gasosa pelo seu canhangulo de culatra coice de bufalo cheia de pregos, parafusos, taxas, grampos, clipes, esferas dos carrinhos de rolamentos... Ele, o medidor das famosas terras do cangaço, e o celebre estoriador do Robin Lampião e da bela Maria Bonita...

zeca e eu.jpg Finalmente, o famoso discípulo de vídeos dos passos e dos ensaios de Charles Darvin...na anhara dos Herero, Himba, Quioco... Recordo aqui a sua tese maravilhosa de mestrado e sem o copianço de muiiiitas páginas atoa escritas da Net, sim de apenas do seu exaustivo estudo e de ensaio sobre a bela a bela verdinha do Mu ukulu, a MOPANE..., que Lelu vai no prato Michelin...

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A Mopane, ela que é um Milagre da Natureza..., em que gerações de selvagens dizem nos seus estalinhos ao civilizado biaco: - "Minino num precisa operação..., o povo tem kamba Mopane! Tambula conta! É cirurgião, mas sem facão, azagaia, bota apenas a sua massinha e o kissonde aiaiai logologo faz o uafo interra na covinha" Merecia o Nobel, pena este ano não poder concorrer, por um mambo descoberto de "doença que contaminou" muitos dos seus membros...

mopne1.jpg Deixem voar o beija-flor para dentro do mosqueteiro, de pétalas do belo estilete namoradeiro da peónia a bela de esplendor!!!

Ambanine

ZECA 20180508



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:50
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Domingo, 6 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXI

FRINCHAS DA VIDA – 06.05.2018

- Angústias de modernidade…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Nunca li a Ilíada tim-tim por tim-tim mas, sei pela antologia grega que li, ser um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga, supostamente escrita pelo poeta Homero por volta do século VIII antes de Cristo. Descreve o conflito de Troia, um lugar da actual Turquia e que se chamava nesse então de Jónia. Constitui o mais antigo e extenso documento literário grego existente.

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Quando passei por Esmirna (Izmir) da Turquia anos atrás, pude inteirar-me por leitura de cordel pra turista, da grandeza de Homero, da fúria de Aquiles e da humanidade dos troianos. Ilíada, sendo uma das mais importantes da literatura mundial tornou-se, juntamente com a Odisseia modelo épico, seguido pelos autores clássicos, como Virgílio no poema Eneida, entre outros.

afon6.jpg Satirizando alguns procedimentos de modernidade, teremos de nos mobilizar na erudição de modo a vermos os aspectos positivos dos muitos avanços tecnológicos sem nos humilharmos nos conceitos que sempre mudam na semântica do uso e pelo tempo. Do que conheço, a Ilíada do século VIII antes de Cristo, entrarmos em seus labirintos, é receber um perfume de conhecimento, o de vida.

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E, como uma ampulheta que marca passagem do tempo, um contraste que se destaca na natureza um tanto distinta, sempre marca a determinação que nos iguala a todos; um triunfo de vida através dos séculos. Camões encafifado em seus neurónios, apoiou-se nessas leituras para nos legar pensamentos entendidos mesmo pelo “incomum leitor”.

araujo87.jpg Em um escritor comum que escreve partilhas do conhecimento sem nenhuma paixão desperdiçada, tende a levar o tal leitor incomum a ensaiar erudição a partir de antigas meditações passadas ao papel. E, assim os aquivos do Éden tendem a queimar as pestanas da sociedade de consumo; num ápice de clique no microondas para agitar sua mente.

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E, por muito que se fale, todos os que queimam livros, fazem-no porque reconhecem o imenso poder dos objectos que destroem. Não são tolos, os que queimam livros! Controlando minha missão de aguentar a austeridade dispus-me a gozar da leitura dispondo uma ampulheta no inverso, com a areia caindo.

arau4.jpg Tem forçosamente de haver uma cadeia de mando no nosso inconsciente que vive deste comportamento, umas vezes verdadeiro, em outras, enganoso! Devem ser muitos a querer trepar na vida de forma rápida, subir nos escalões sociais sem que para isso preparem o seu lado acautelado: Atenção usuário, ao entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado nesse andar. Isto deve ser próprio de um incomum escritor, um escrevinhador…

araujo63.jpg Ensinaram-me que os homens de boa vontade devem tentar em seu meio e, tornar a vida humanamente viável considerando ser esta sagrada, porque representa o supremo valor a que se ligam todos os demais. Tenha em atenção posição do elevador porque pode sim, ir para o espaço passando directamente pelo inferno sem passar no purgatório…

Ilustrações  de Costa Araujo (Mano Corvo)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:46
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Sábado, 5 de Maio de 2018
KALUNGA II

MOKANDAS DO REINO XINGUILA – 05.05.2018

- Fui à Torre do Zombo buscar jóias literárias do Reino do Kimbo na  Kizomba. Esta é uma delas com o nome de MUSSULO... Xinguilado no ano de 1486

– Ver glossário no final (Palavras sublinhadas) -xinguilar: Palavra Angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.

Por

soba 01.jpgT´ChingangeDesde o Nordeste brasileiro

- Estávamos em Janeiro de 1486. Eu, não era eu, retrocedi no tempo! Pela incorporação dum espírito de nome N´gesso voltei àquele ano, em plena kiangala. Os nomes eram diferentes, falava outra língua que não era a de hoje e, por isso vou ter de explicar no fim deste desassombro o que todas estas velhas palavras querem dizer naquele dialecto banto, o  m´bundu.

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Meu pai, Miconge N´futila o kota da vata, decidiu abandonar terras do Kifangondo e, para tal saiu bem cedo para trocar impressões com o Umbanda e, só depois falaria com o M´fumu; sopado com minha mãe Kilua N´zinga desde candengue, entrara agora nas dificuldades da velhice, não podia mais sustentar a família como kibinda; seus pés estavam pesando demais e o espírito dos kijikus estava na trapalhação.

cronicas mano corvo2.jpg Foi no M´fumo e explicou que era por demais kazumbi para aguentar, tinha na obrigação de levar o candengue (eu) na habituação da apanha dos n´zimbos na terra dos Ku-luanda. Eu, que já tinha treze kixibus, entendi que as dificuldades de meu pai era kubasular aquela vida de bitacaia.

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Miconge N´futila tinha no lumbu um irmão que era m´banda bem visto aos olhos do m´fumu-a-vata, que conhecia a ciência dos kalundu; este, podia muito bem dar trabalho para mim e espantar o mau-olhado dos defunto espíritos da YandaNa entrevista do velho kikongo chefe M´fumo com meu pai, as explicações foram aceites na retiçência e, de satisfeito, quando chegou preparou os corotos, a uanda, os kofus e a mukuali, sentou-se debaixo do m´bondo (embondeiro) e bebeu todo o marufo que tinha na kubata; ainda teve tempo de arrastar as quinambas para se despedir do mwani kazuca, amigo de muitas andanças.

MONA4.jpg No primeiramente ficamos no ka-kuaco, passadas as kalembas da barra do rio  com a kalunga do mar; dificultadamente ximbicamos e remamos na vista de terra, minha mãe Kilua chorava de medo, os muandu brincavam na nossa volta. Ficamos ali uns dias na reparação pequena no n´dongo pois as calemas fizeram estrago; entretanto consegui apanhar duas  kiangus na minha lança  que  por ali se esconderam nas águas baixas; no seguidamente preparamos com  n´tondo a acompanhar.

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Naquela noite estava frio, as hienas choravam de fome e eu metia lenha na fogueira por medo; não preguei olho toda a noite, o meu lumbu estava agora a compor-se, mas o meu medo era por demais, só as kalembas abafavam os meus soluços debaixo daquela n´sanda; Uma manada de n´zaus passou por ali perto e só nesse meio tempo as hienas de manchas feias me deixaram em paz.

zedu4.jpg Depois daquela noite ganhei coragem e, se calhar já nem ia para o layoteso pois que nos costumes do sítio para aonde íamos, eu não tinha amizades; assim passei aqueles longos dias até avistarmos a Mazanga. O vento enchia as n´dele do n´dongo com força e rapidamente passamos a baia do m´bungo. Sei que paramos por ali e meu pai N´futila foi tirar informações de aonde podia encontrar o seu irmão e, meu tio m´banda de profissão e kadinguila de nome.

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No entretanto da espera vi na observância que aquela ilha era demasiado comprida e, dias depois chegamos na xicála sítio da dibata, dos seguranças do reino de N´dongo aonde meu tio tinha pré-ponderância. A partir daquele dia por direito de Kanda passei a ser ka-mundongo, apanhar búzios de n´zimbo na ponta da Mazanga e lá mais no longe, os caurins da Korimba e muito n´tadi no Mussulo.

canoa0.jpg Muitos  anos mais tarde ressuscito maiombolado, mundele (t´xindere) em plena Korimba; Já não havia hienas nem n´zaus e ali estava eu esperando lugar no kapossoka, atravessar o mar baixo e regressar no kitoco.  Com cinco angolares (uá cinquimoche wandala)  na Samba, lembro-me de ter comprado um grade peixe espada (kinbiji). Se um n´zimbo valia cinco caurins, naquela primeira encarnação 5 angolares seriam talvez uma canoa cheia de kinbijisEstamos a 05.05 de 2018, 532 anos depois daquelas makas de vida.

toledo18.jpg GLOSSÁRIO: 

Candengue:-rapaz; corotos:- trastes; caurins:- búzios pequenos, cêntimos do zimbo; cafeco: - donzela;   libata: - palhota; kanda:- descendente por via matrilinear; ka-mundongo: - nascido no reino n´dongo (Luanda) ou súbditos do chefe N´gola kitunda; ka-luanda: - nascido em Luanda, calcinha;  kazumbi:- feitiço; kiangala:- pequena estação seca; kifangondo:- aldeia; kibinda:- caçador; kijucos:- gente de outras tribos, de fora; kalundu / kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto; kixibus:- cacimbos, estação fria; kubasular:- passar bassula, dar a volta por cima; kicongo:- natural do Congo; korimba:- lugar de costa, ancoradouro; kapossoca:- nome de barco com motor; kitoco: - traineira trnsformada; kota:- mais velho; kofu:- cesto estreito e comprido para apanhar conchas;

cafu39.jpg ku-luanda:- a ocidente, mais importante e sabedor; ka-kuaco: - sítio, lugar; kalemba: - ondas de mar bravo; kalunga:- abismo, sitio de muita morte; kiangu:- raia; lumbu:- descendente por parte do pai; layoteso:- casa da puberdade para rapazes; m´bundu:- de fala banto, em quinbundo; m´banda:- guarda, sub chefe; m´fumu:- chefe; mfumu-a-vata:- chefe da aldeia; matacanha:-pulga da terra, o mesmo que bitacáia; mukuali:- catana, facão; muandu: - tubarão; N´dongo: - reino da Matamba, parte central de Angola de ambos os lados do rio Kwanza, nome dado pelos portugas às canoas ou pirogas desta gente do reino; kinbijis: - peixe espada; n´tondo: - batata doce; n´sanda: cobertura improvisada de pescador com folhas da vegetação à mão; Mazanga (Mazenga): - Illha de Luanda; sopada/o: - casada/o; makas: conflitos, porrada, jeito de dizer  dos azares...

O Soba T´chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:22
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2018
MALAMBAS . CCIII

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBERLEY –  5ª de Várias Partes

- XOXOLOSA TREM . JÁ EM CAPE TOWN31.08.2018 – Na Waterfront e Shopping de Cape Town…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estamos a 04.Maio.2018; Continuando a passar a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo do Xoxolosa Trem, irei desde Maceió do Nordeste brasileiro até Cape Town, uma das cidades mais lindas do Mundo. Os antigos armazéns do porto no Watwerfront, são agora modernos espaços de lazer com uma vasta área comercial; envolvendo os canais com acesso aos lagos têm comportas desniveladas para chegar de iates aos hotéis de gente VIP, maioritariamente saídos dos Emiratos árabes. Pode notar-se pelas roupagens…

xoxolosa6.jpg Neste espaço que antes era mar, ali fomos passar o dia com a neta, lugar aonde nos distraímos assistindo a grupos itinerantes de animação, música e folclore africano: sempre diferente nos gestos e na forma de vestir, cultura ubuntu-xhosa e Zulu aonde nós, certamente, eramos vistos como mulungus do kumbú (brancos com dinheiro). Lugar bem aprazível, tendo sempre presente lá no alto a sua majestosa Mesa da Montanha e a Cabeça do Leão, lugar que já escalei até seu topo, há dezoito anos atrás. 

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Tendo nós, já dado uma volta pelo centro da cidade, podemos verificar uma degradação na vida citadina, fazendo relação com o tempo de há dezoito ou vinte anos atrás! Nesse então pude reparar haver muito indiano e muito mulato; seus nomes eram bem portugueses como Pereira, Moreira, Cerejeira ou Manuel da Silva. Eram tempos em que a Academia do Bacalhau abrilhantava o quotidiano daquele corno sul de África com grupos de danças saídos do Minho ao Algarve do M´Puto.

xoxolosa5.jpg Eramos agora a embaixada da diáspora dum povo aventureiro; pelo que observei, os tempos já não são os mesmos de então; entre edifícios de beleza impar há degradações, montes de desalojados da vida, emigrantes do Zimbabwé, do Malawi, Tanzânia, Congo  ou Moçambique. Viam-se por todas as ruas, arrumadores de carros, brancos, mulatos ou negros retintos, desfrisando seus gestos de capatazia, deslocando baldes e panos num desenrasca de tarefa, os coroinhas da urbe, das gasosas.

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Gente pedindo dinheiro para comer, fora e dentro dos restaurantes, um vigia à coca enxotando estes milhares de homens ou mulheres que vieram à rédea solta para dar votos aos seus manos do ANC. Gente amontoada nos subúrbios de qualquer jeito entre amonturas de lixo e barracas apertadas na sobrevivência insalubre aonde as ruas são becos de gatos ramelosos. Passar assim pelo centro da cidade, assediados a todo o momento e, a cada esquina dá um desconforto bolorento. Cruzamo-nos com muitos brasileiros que não estranham tanto este reboliço urbano…

oxo136.jpg Rapidamente, regressamos ao solar rosa vitoriano a fim de apreciar as pombas gordas que quase comem na mão do senhor Amadeu. Enquanto escrevo esta memória de recordo a Dona Cora Esteves vinda da Luua de Angola, dona da agência Mundial e, a quem paguei em dinheiro vivo, 3.858 Rands para os três nómades da minha tribo; viagem de rape Town para Johannesburg: Eu, Bibi e Lara Mendes, minha neta (chata como a potassa).

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Na própria rua da mansão Rosada de Don Elaine, na Iaton Road notei algo de curioso, um senhor negro sentado bem no início, no nº 3, vestido com um colete amarelo igual ao dos muitos outros arrumadores de carros nas ruas, tinha a particularidade de ir a cada uma das casas impares saltitando em suas muletas pedir um café. Era seu pretexto para solicitar qualquer sobejo das lidas de cozinha de cada qual.

cape2.jpg As moradias tinham suas próprias garagens mas este, também recebia propina cidadã de quem ali estacionasse o carro. Calculo que era um ex-soldado do exército Sul-africano desmobilizado por ter ficado sem uma perna. Em Moçambique já tinha passado por algo semelhante. O Sr. Amadeu referia-se ao desaforo deste em solicitar lanche! Nada disto pude verificar nas anteriores idas à cidade de cape Town. Creio que a AD – Aliança democrática que governa agora o Cabo, deu facilidades a estes para colmatar a falta de trabalho.

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Só faço menção destes pormenores para demonstrar a gravidade de não poder ser dada assistência a tanto cidadão sem ocupação. Por outro lado, dificultam ao máximo qualquer cidadão não negro a obter o visto de trabalho, mesmo que tenha formação superior e curriculum dos melhores. Só por portas travessas e com propina se consegue aligeirar tal pretensão.  Fazendo ali tanto frio de noite, observei haver gente a dormir em terreno descampado tendo como tecto uma manilha, uma alcantarilha como tecto.

cape8.jpg E, por mais que tente compreender esta transitoriedade de África, fico apreensivo por ver as ondas de detestabilidade governamental agravando os empresários maioritariamente brancos; Parece seguir as burradas de Robrt Mugab, numa ânsia negra e doentia de obter as mordomias dos brancos; tal e qual como sucedeu em Angola! Mas, se estes saírem em massa, como vai ficar o país? Correm o risco de seguirem as passadas erradas de Angola, Zimbabwé,  Moçambique  entre outros países africanos…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:53
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2018
CAZUMBI . XL

MIAI – CORURIPE DO BRASIL

- COMO SINTO O MUNDO - IV02.05.2018

- A teoria da casualidade por reflexão de ressonância … Um grilo que canta, grila…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

A teoria da casualidade por reflexão de ressonância sucedeu ouvindo um grilo que canta, que grila…Ele canta, estridula, guizalha, trila ou tritina num zumbido que se interrompe. Com estes silvidos, chego à via especulativa no ser capaz de me ajudar a compreender o Mundo.

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A partir de factos simples, tento compreender com a maior exactidão, analisando isto e aquilo e, no possível, o meu próprio desenvolvimento do pensamento - Dar atenção a um, descuidando um outro que o precedeu.

grilo0.png Aqui em Miai de Alagoas, saído da rede da varanda, entrei na sala a dar com a cozinha e, cheirou-me a gaz, um cheiro diferente; o meu subconsciente alertou-me preocupando o instinto de que havia ali algo anormal. A Dona Jacira, já com 85 anos, ouviu meu chamado mas, este entrou no mesmo tubo ladrão da mente, aonde tudo entra e sai sem se fazer triagem.

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Podia ser perigoso mas e, porque fechei o botão, logo verificamos após dissipação das gazes que o mesmo estava indevidamente rodado e situado com a seta invertida. Por coisa pouca, poderia ter surgido uma explosiva tragédia.

fotografo1.jpg Temos então de reconhecer que nossa concepção da realidade jamais apresentam outra coisa a não ser soluções momentâneas; Teoria de Casualidade em que o pensamento, aliado a outros sentidos, mudam os factos perceptíveis.

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Teremos então de reconhecer que nossas concepções da realidade jamais apresentam outra coisa a não ser as soluções momentâneas - as do agora. Dizer-se assim que tal acontecimento foi “num repente” ou “num ai”. Temos assim nesta percepção dos sentidos uma via especulativa capaz de nos ajudar a compreender o Mundo.

ROXO164.jpg Este tema pode não ser argumento de valor mas, sempre será um limite na utilização de todos os sistemas, acontecimentos prestigiosos ou esporádicos e, que nos levam a que por vezes em reflexão por ressonância; um postulado fundamental que nos liga à natureza do grilo que estridula com guizalhas, um zumbido nunca devidamente estudado.

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Tudo isto tem sido um vasto campo que nem sempre é exposto por via de uma outra lei - “a lei do constrangimento”. Albert Einstein concebeu isto em fórmulas. Eu que já ando enrolado com postulados, aforismos e axiomas chego ao agora com quantas…

roxo127.jpg Pois! -“Quanta duvida”; assim a constatar pelo grilo lá chegarei à cigarra, que tudo indica ter uma ressonância superior. Uma diferente lei que satisfará a necessidade de explicação causal a um físico-matemático contemporâneo…

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Nota: Crónica escrita em Miai a 09.04.2018

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2018
CAZUMBI . XXXIX

MIAI – CORURIPE DO BRASIL 

COMO SINTO O MUNDO - III … 30.04.2018

- Afinal os bispos, tal como as sardinhas, também se comem…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

A alegria é um medicamento para ser usado e exercitado como algo divino para matar a tristeza. Permanecendo eu na terra aonde os índios Caetés comeram o bispo Sardinha, é algo para recordar sem lagrimar esses salpicos nefastos da história. Venho pescar arabaianas na terra aonde este bispo e mais de oitenta marinheiros tugas naufragaram suas naus em uns recifes traiçoeiros.

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Posso agora dizer que manter esta tristeza, será como alimentar uma lagoa de lama que salpica e suja aos que de nós se aproximam porque eles, nada sabem disto; dum antigo laudémio pago à Santa Sé. Será um estado enfermiço sem um perfeito remédio nem um adequado raciocínio para se dizer não aceitar nada sem se poder entender.

miai0.jpg  Caricatura em arquivo no vaticanofeita por seus colegas bispos - O bispo e cerca de mais 90 tripulantes teriam conseguido chegar à costa, mas, ao serem capturados pelos índios caetés, (perto da foz do Rio  São Francisco, de linhagem próxima aos tupinambás foram devorados em um banquete antropofágico. Apenas três tripulantes teriam conseguido fugir e relataram o que aconteceu....

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Assim e, aplicando os princípios da fraternidade, relembro meus últimos pensamentos de aforismos - “Seria cómico se não fosse trágico”. Recordando que é feliz quem atravessa a vida prestativa sem medo estranho à agressividade e ao ressentimento; assim, da mesma forma que uma floresta não se pode expandir se apenas contiver trepadeiras.

miai6.jpg  As leis gerais da natureza ambicionam ser validas para todos os factos dela. E, é graças a estas leis, com todos os fenómenos, que poderemos encontrar a teoria da vida que diz: “A vida é breve, a velhice é longa”. E, se este processo de dedução não superar essa capacidade, então “O tempo não durará o bastante para aqueles que não sabem aproveitá-lo”.

miai01.jpg A alegria é o estado de alma, a suprema tarefa do físico e da mente em procurar as leis elementares a partir das quais e por pura dedução, se adquire a imagem do Mundo.

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E, nenhum caminho lógico leva a tais leis elementares alegradas a partir dum facto; a da morte dum Bispo que se chamava Sardinha! A nostalgia da visão persiste em nosso espírito sem se deixar atraso por objectivos mais lucrativos e mais fáceis de serem tingidos. Logo hoje que com tripa de galinha, quero apanhar arabaianas!

miai4.jpg A perseverança diária não se constrói sobre uma intenção ou um programa, mas sim numa necessidade imediata de pescar sem isco de sardinha, arabaianas em terras de Caetés… Quase sem me dar conta, a pesca passou dum aforismo a um axioma, constituindo-se duma simples verdade em uma nova demonstração: Os bispos também se comem…

Nota: Crónica escrita em Miai a 08.04.2018

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:58
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Domingo, 29 de Abril de 2018
MOKANDA DO BRASIL . IX

ANDO ENKAFIFADO - 29.04.2018

- Os órfãos da FARC – Forças Armadas Colombianas andam por aí…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Por via da revista Veja fiquei a saber que cerca de 1000 ex-membros das FARC seguem cuidando do negócio bilionário da organização na produção de drogas, não obstante no ano de 2016, terem celebrado o fim de uma das mais longas guerrilhas dos tempos modernos. Os seus mais de 7000 combatentes depuseram as armas entregando seu arsenal. Conseguiram amnistia entrando supostamente para a legalidade, só que aqueles alguns mantiveram o controlo do negócio.

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Com uma receita de 34 biliões de reais, algo como oito biliões de Euros controlam o tráfico na permissiva fronteira entre o Brasil e a Bolívia, Peru, Equador e Venezuela. É em verdade uma extensão de fronteira demasiado grande para ser vigiada com rigor. Ela entra por terra, por rios e pela floresta do grande amazonas e pantanal.

amazonas.jpg Esta gente do crime usa o fuzil AKM, uma actualização da AK47 e também as FAL tiradas do uso pelo exército venezuelano; suspeita-se que o regime chavista as tenha fornecido aos guerrilheiros e que posteriormente estes as contrabandearam para os grupos de jagunços ditos de “freelancers” para prestarem serviços em quadrilhas locais e ao serviço de gente do mando. Os “coronéis” ainda não acabaram!

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Em Janeiro de 2017 as página dos jornais só falavam sobre a execução de 56 homens no interior do Complexo penitenciário Anísio Jobim em Manaus. Os criminosos dum bando fizeram questão de filmar e difundir pelo WhatsApp as cenas de selvageria vitimando seus supostos rivais. Eles fazem uso de telemóveis dentro da prisão e as autoridades prisionais recuaram no bloqueio destes por via de ameaças; não é segredo, a televisão assim o disse recentemente, para espanto meu!

amazonas7.jpg Uma autoridade que foi ao local da cena na prisão, descreveu o que encontrou: Piso recoberto de sangue, cabeças decepadas a eito, vísceras expostas e até um coração que fora arrancado a uma das vítimas e jogado para um corredor. No tráfico da cocaína, estas práticas de expor troféus servem para demonstrar sua crueldade ao adversário. Em 2016 foram registados mais de 61000 assassinatos no Brasil.

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Crimes de acerto de contas ou vítimas colaterais movidas pelas organizações movidas pela cocaína. Isto sucede em todos os estados, nas grandes cidades formando até milícias mesmo ao lado de quarteis!  Na Floresta Amazónica 90 % ds mortes têm vinculo com o tráfico.

amazonas6.jpg As mortes por rixas, pistolagem, questões de terras e brigas de garimpo, mudaram seu padrão, dando lugar aos crimes de tráfico. Em 2017 os satélite do Sistema de  de Protecção da Amazónia (Sipam), detectaram no lado da fronteira com o Peru uma ára desmatada de 9000 hectares, algo como 20000 campos de futebol. Isto, dá em um potencial na feitura de 270 toneladas de cocaína por ano.

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Os rios da bacia do Amazonas são os preferidos na expansão do produto. Temos os rios Madeira, o Branco, o Solimões, Rio Negro, Rio Urani e outros formando uma rede de difícil penetração e controlo. A sul teremos os Rios Paraguai e Paraná que proporciona o transvase do grande Pantanal.  

amazonas2.jpg O estado brasileiro, na intenção de colonizar lugares distantes, levou muita gente para lugares remotos que agora ficam nas mãos de bandidos disse um director do Departamento de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Amazonas. Podemos ver entre os matutos descendentes de África desde a Guiné passando por Angola até à costa do Índico e, que através dos tempos ali chegaram e assentaram raízes em sanzalas ou quilombos; os chamados quilombolas…

amazonas3.jpg Sendo o Brasil a terceira potência carcereira do Mundo não é de estranhar o medo a guardar a vinha quando não tem jagunços por perto. Percorri o Pantanal pela Transpantaneira até à Bolívia, subi e desci o Amazonas, dormindo e comendo a bordo dum barco entre Manaus e Belém do Pará e, posso afirmar que fazer segurança num país aonde cabe toda a Europa, grande pracaraças, não é pera-doce.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:52
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Sábado, 28 de Abril de 2018
FRATERNIDADES . CXX

FRINCHAS DO TEMPO . 28.04.2018

- Um milagre para você! A religião é sempre um refúgio de medrosos – (Diz António José Canhoto*)

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

che5.jpg Documentei-me muito superficialmente para dar em síntese uma breve resposta a alguns dos artigos escritos por Canhoto. Tenho de concordar com a quase totalidade do que me é possível reconhecer * A religião é sempre o refúgio do moralmente medroso e fraco, bem como do intelectualmente cobarde que receia em pânico ver a sua verdade destruída pela razão. A mentira estará condenada a existir enquanto houverem imbecis e idiotas que se sintam confortáveis em viver e dormir com ela.”

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Nisto de crenças e o direito de acreditar ou não, só poderei dizer que um argumento pode buscar a verdade mas, nem sempre é uma opinião. Quando as crenças se materializam em opinião originam um problema; por assim dizer as opiniões não podem ser substituídas pelos argumentos. O “ Eu tenho o direito às minhas crenças” podem transformar-se em “Eu tenho direito à minha opinião”. * “Também existem livros religiosos que misturam algumas realidades com mitos, plágios e lendas mitológicas incluindo algumas fábulas ridículas e anedóticas que só por esse facto os descredibilizam. Para esse efeito deus e o diabo foram criados como sócios essenciais num negócio rentável, porco e sujo…”

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Pelo dito, crenças e opiniões não serão argumentos porque diferem nos factos. Então lá terá de se dizer que um facto é algo que pode ser provado verdadeiro. Se acreditar que “passar debaixo de uma escada dá azar” por ideia ou convicção posso perfeitamente aceitar como verdadeira esta crença! Dizer-se por isso que a crença é de foro íntimo.  

cronicas mano corvo2.jpg * “Gostaria de ouvir da boca de um crente dizer vou morrer “Graças a Deus”, ou na eventualidade de um grave acidente de carro dizer ao médico do INEM, levem-me para uma igreja em vez de um hospital, ou ainda “Agradecer a Deus” ter tido um filho nado-morto, anormal ou deficiente mental ou ainda quando aos 7 anos morre atropelado á porta de casa onde andava de bicicleta...”

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O mais importante neste imbróglio é saber que um argumento não é luta, nem tampouco debate ou desordem entre as pessoas. Um argumento é uma busca pela verdade! Ninguém poderá exigir que outro sacrifique a própria crença para salvaguardar o direito à sua. A defesa da crença estará restrita ao uso de métodos que pertencem ao espaço das razões, enquanto o argumento será a presunção de convencimento.

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Quem trabalha com temas da ética, teoria de acção ou filosofia politica, vai ter de dizer que tem o direito moral de acreditar no que quiser, mesmo que sejam crenças falsas. Neste direito em acreditar, as grandes perdedoras, serão a liberdade de expressão e a democracia. Andei a ler os propósitos de Walter Carnielli, um matemático e professor de lógica e filosofia de Campinas - Brasil e, por via disto darei razão a todos os que por direito evidencial à sua crença, se apresentam dispostos a formar apropriadas evidências a ela, a crença.

dracma4.jpgNão posso em tempo algum forçar a retórica no sentido de alterar a verdade de alguém. Sabemos hoje haver diversa técnica, de levar avante notícias falsas – as fake news. Isto também porque as pessoas acreditam que sabem mais do que realmente sabem; o que lhes permite persistir nessa crença com eventuais ressonâncias em outros.

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* “Contudo por várias razões e medos, a partir de certa altura o homem sentiu a necessidade de criar divindades politeístas e monoteístas, mas sem a existência da humanidade esses inexistentes deuses nunca teria visto a luz do dia e o dinheiro que foi gasto em templos, santuários e igrejas teria sido muito mais bem aplicado em hospitais, creches e lares da terceira idade.”

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Divididos assim em comunidades de interesse nós usuários do instrumento de ligação, redes sociais, facebook e outros, agregar-nos-emos com os ecos de uns, as vozes e sonhos de outros e, numa bolha, ficaremos entoando no que cremos. E, pode nem ser a verdade verdadeira porque as redes sociais deram voz a uma legião de fanáticos ou imbecis; ou até mesmo gente que usa a palavra no estrito sentido de palavrório – um amontoado de conceitos …

DIA76.jpg O livro de Tobias foi aceite no velho testamento pelos católicos romanos mas rejeitado pelos protestantes. Pelo que li, tudo não deve passar de acumulação de lendas porque enquanto se aceitam os anjos Gabriel e Miguel, rejeita-se o arcanjo Rafael. São sete os livros apócrifos que não foram incluídos na Bíblia dos apostólicos romanos. Li que o Tobias, humilde deixou-se dormir debaixo de um alpendre e cegou porque os pombos defecaram em seus olhos… Só pode ser lenda ou fábulas ridícula e anedótica!

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:09
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Terça-feira, 24 de Abril de 2018
MALAMBAS . CCII

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBERLEY –  4ª de V Partes

- XOXOLOSA TREM .  EM CAPE TOWN – 24.04.2018A Montanha Table Mountain manteve-se tapada com nuvens dos dias, depois destapou…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estamos a 24 de Abril de 2018; Continuando a passar a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo do Xoxolosa Trem irei desde Maceió no Nordeste brasileiro até Cape Town uma das cidades mais lindas do Mundo mas, sempre a seguir ao Rio de Janeiro. De forma sucinta direi o quanto fiquei preocupado com o Senhor Seca que com seus 87 anos conduz um Toyota Corola de quase 2000 de cilindrada.

IMG_20170829_143846.jpg Nossa bagagem teve de ir no banco de trás porque simplesmente o Sr. Seca se esqueceu de onde ficava a tal patilha de abrir a coisa. Dias mais tarde achamos a tal patilha quando tivemos de meter gasolina, pois ela ali estava mesmo ao lado do sinal com um depósito; uma mala enorme! Lara, minha neta andava espantada com este desassossego. Derivado a isto, fui dizendo que o Sr. Seca não estava em condições nem de conduzir um cangulo.

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E lá fui eu agarrando o espelho lateral com a mão esquerda enquanto com a direita e do lado de dentro firmava uns improvisados fios de computador que seguravam este. Uma engenharia de ponta de arranhar o cerebelo dum qualquer piloto de fórmula-um. Já em casa no Iaton Road, falando com sua esposa Dona Eliane esta, disse tê-lo debaixo de olho a todo instante. Verifiquei que assim não era, porque ele, viaja pela cidade sozinho. Ele vai bem longe buscar o Século de Johannesburg em português pois que, é ele o distribuidor dali…

IMG_20170901_103102.jpg A casa fica bem enquadrada a meio da Iaton Road e, embora se note estar um pouco deteriorada, mantem seu estilo vitoriano em cor rosa. Dias 29 e 30 de Agosto de 2017, terça e quarta feiras, choveu pela manhã e a Montanha Table Mountain manteve-se tapada com nuvens todo o tempo. Isto pode ser visto a partir do quintal da casa da Dona Elaine e Amadeu Seca.

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Aqui e no quintal da casa do ex-presidente da Academia do Bacalhau de Cape Town posso ver junto ao passadiço da garagem um pessegueiro com lindas flores rosa e uma ameixeira com flores brancas; são os indicadores da primavera no estremo de áfrica. Há um terraço com dois socalcos, tendo o inferior uma piscina que por via do inverno, embora cheia de água, está sem indicação de uso, por assim dizer, desactivada. Entre esta e a rua há um caramanchão de nobre estilo e de onde despontam flores na forma de cachos; são bonitas glicínias.

IMG_20170830_155338.jpg Bem na frente ampla, vidrado do alçado, um anexo que dá para a piscina, fica a sala do barbecue - brai ou churrasqueira. Recordo, termos aqui comido em 1997 uma garoupa no forno em companhia da filha do Sr. Seca e a nossa vizinha do M´Puto - Algarve, a Tilinha com Marco e Ricardo, meus flhos. Estivemos aqui uma segunda vez, eu e Bibi (Ibib) no ano de 1999 mas eles, Dona Elaine e Sr. Amadeu Seca nem se recordam.

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Nesse então, muita gente vinda de Angola ou Moçambique e também de Portugal tinham aqui um pouso lusitano, mas agora pelo factor da crise, da escassez de dólares entre outras dificuldades, a coisa está mais preta! Estamos a 31 de Agosto. Fomos buscar os bilhetes de avião de regresso a Johannesburg e, de novo fiquei preocupado porque logo ao sair da rua Iaton Road, o Sr. Seca, meteu-se por uma travessa que não tinha saída. Uf!

cabo1.jpg Fomos até um beco a dar com um colégio de missionários, lugar que ele deveria conhecer bem, pois que vivia ali à uns bons cinquenta anos. Preocupante!… Estamos a 31 e a quatro dias para andarmos pelas rotas do Cityrama, a rede de ónibus City Tur  que nestes próximos dias 1 e 2 de Setembro - assim haja boas condições, nos levará a vários destinos, começando sempre pela Table Mountain.

cacto xoba1.jpg Ontem passamos o dia na Waterfront, lugar bem aprazível aonde o tempo passa rápido ouvindo-se música, vendo gaivotas e focas a espreguiçar-se ali por perto ou comprando lembranças no grande shopping. Tiramos fotos nos vários canais com suas marinas, dois níveis de água manobráveis por comportas e plantas exóticas a contornar hotéis, casinos e figuras do jet-set; gente de todo o Mundo. Por hoje e, depois de passar a ponte móvel, fico aqui sentado a olhar o relógio vitoriano… Também fico atento ao canhão que todos os dias dá uma salva de um só tiro a dar ao meio dia… E, depois almoçar por aí…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:19
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2018
MULUNGU . LXI

TEMPOS CUSPILHADAS – 24.04.2018

Palavrório no Wi.Fi – 2ª Parte - conflito de gerações e as Take News

Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco em língua Xhossa

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Por aqui ando esticando os ossos, construindo a cada passo uma estória ao meu modo; um mussendo, um missosso entre ave Marias encavalitadas de prefácios que se baralham e que logologo se esquecem; ainda não eram sete horas da manhã quando iniciei a marcha do dia por duas horas na linda marginal de Maceió. Reparei que pela muita chuva caída nas duas últimas noites, a praia estava muito cheia de sargaços e, andando pude reparar em senhoras que enquanto caminhavam, iam rezando o terço.

araujo10.jpg Ao invés disso, eu fazia rodar dois pequenos cocos verdes, um em cada mão e, lá teria de me entreter no tempo esperando estar a praia mais propícia a nela poder fazer minha hidroginástica. Andando pude rever o termo de palavrório no Facebook e, o que deste resultou falar dos conflitos de Take News no Mundo com as consequências ou sequelas óbvias no nosso curso de vida.

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Não tivesse sido Assunção Roxo a lembrar este termo de PALAVRÓRIO no Facebook e, passaria despercebido sem o sequente desenvolvimento nos muitos e desconexos discursos ou sem nexo, conversa de deitar fora. Pois é a ela que agradeço ao me ter lembrado esse termo e, rebuscar daí os conflitos e alterações que fazem por coisa pouca, mudar o Mundo.

amigo1.jpg Por isso, ter referido a eleição de Trump nos USA, as implicações no Brexit em Inglaterra e as interferências nas eleições de tantos países como a de Aécio Neves no Brasil. Não dei resposta às desculpas que tece no Facebook por eventualmente ter referido este termo com aspas em qualquer lado e, para exprimir seu desagrado a algo escrito por mim. Nesta normalidade nem posso relevar suas desculpas porque não as há. Tenho sim de agradecer!

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E, é tão curioso ler as palavras de socorro tão enlevadas de solidaria amizade vindas de um outro continente na pessoa de Matias, soldando assim na perfeição a fraternidade que deve coexistir entre nós. Um triângulo perfeito tendo nos cantos a América, a Europa e a África. O Mundo é mesmo uma ervilha! Esta “Não estória” culmina desta forma tão bela que me apraz registar que para álem da crença temos a fé e fraternidade… Aqui não cabem desculpas mas sim agradecimentos! Obrigado a ambos!

bruno27.jpg Um tema a desenvolver, a crença. Uma ideia ou convicção que alguém aceita como verdadeira, como “passar por debaixo de escada - dá azar”. Creio assim que o mais importante é um argumento, não se tornar nem numa luta, nem em um debate ou desacordo entre as pessoas mas, uma busca constante pela verdade.

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As leis são feitas, tanto quanto se saiba, para melhorar a vida das pessoas. Sendo assim, que sentido poderá ter uma lei que piore a nossa existência. Nosso lema é aceitar o princípio pelo qual uma lei só fica de pé se fizer nexo. Nada disto é desgarrado da fraternidade que temos o dever de curtir, de praticar.

REPU5.jpg No entanto e, como diz Matias (e, foi um cego que lhe disse): não temos outro Evangelho a anunciar que não seja a cruz de Cristo e qualquer desvio que façamos deste Evangelho perde-se o poder ou virtude que só Ele nos pode dar. Ando buscando! O desencanto do Cristianismo é porque não está baseado em sabedoria humana e por esta razão, o homem, aquele que não crê na obra Redentora do Cristo, não pode aceitar porque lhe parece loucura. 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:43
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Domingo, 22 de Abril de 2018
MULUNGU . LX

TEMPOS CUSPILHADAS – 22.04.2018

Palavrório no Wi.Fi - conflito de gerações e os Take  News

Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco em língua Xhossa

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Pelo que sei há 1,4 bilhões de pessoas que recorrem ao Facebook diariamente. Esta enormidade de gente cede informações pessoais em troca de serviço gratuito. É a regra do jogo, engrossar o caldo de sabedoria ou conhecimento na forma de textos bem ordenados ou, reunindo palavras desconexas, discurso sem nexo ou conversa de deitar fora como recentemente afirmou uma amiga chamando de PALAVRÓRIO a algumas das minhas publicações.

cinzas10.jpg De maneira alguma altera meu conceito quanto ao continuar com meu linguajar na forma de palavrório porque simplesmente, não pretendo beliscar a força da palavra em proveito próprio, embora julgue ser despropositado ou desproporcionado.

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Entro assim num capitulo de conflitos que a todos toca por via do desconhecimento ou protagonismo afectando as regras do jogo de privacidade ou liberdade no Facebook. É por esta via, encavalitando palavras, conceitos, aprovações ou reprovações, que surge a gestão de um mercado que atinge os 485 bilhões de dólares.

cauny0.jpg Tal como o Big Brother na sociedade televisiva, nós no Facebook fazemos a festa de forma desinteressada focando assuntos mal ou bem sustentados. Sabemos hoje que por via do Facebook ou do Twitter surgirem falsas ideias – as Take News que influíram as eleições presidenciais nos E. U. A. com a eleição de Trump, da viragem da opinião a favor do Brexit.

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Brexit que originou a saída de Inglaterra da União Europeia e, até seu uso na eleição de Aécio Neves na campanha turbinada para presidente da República Brasileira.  A “fábrica de robôs” espalhadas pelo Mundo ajudou a disseminar a propaganda de Aécio na Internet no ano de 2014. Pude ler na conceituada revista Veja terem sido detectadas 700 falsos perfis, uns chamados de “bots” usando nomes bem brasileiros.

avillez00.jpg E, há indícios que levam em crer que essas contas eram controladas por usuários da Rússia e do Leste Europeu; empresas contratadas, para prestar serviço a agências e empresas brasileiras. Onde quer que seja, lá teremos de ficar atentos a tanto “palavrório”. Com ou sem ressonância em outras pessoas, dificilmente saberemos dizer onde o nosso entendimento termina e começa o de outros…

O Soba T´Chingange              



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:33
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLI

ANGOLA DA LUUA XLI - TEMPOS PARA ESQUECER – 20.04.2018

- O Ataque a Luanda só seria desferido na alvorada do dia seguinte, 10 de Novembro, dia em que as FAP sairiam de Luanda…

Por

soba15.jpg T´Chingange

A situação de descontrole por toda a Angola a partir da ponte aérea de LuuaLix, desencadeou uma sequência de acontecimentos que não corresponderam a um processo de descolonização, mas sobretudo, na apropriação gradual de prerrogativas do estado por parte dos movimentos independentistas, destacando-se o MPLA. Em nome da defesa das comunidades, usaram e abusaram de violência. A partir de Agosto, os acontecimentos ditaram na prática o fim do Governo de Transição e do Acordo de Alvor.

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Até ao dia 9 de Setembro, o MPLA reconstituiu o governo, colocando os seus representantes em cargos anteriormente ocupados por elementos designados pela UNITA e pela FNLA. Uma informação da CIA registou que responsáveis do MPLA tinham colocado «grande empenho em criar a impressão de que a sua organização seria o único grupo de libertação capaz de coordenar um governo angolano independente». Os Americanos estavam à coca! Deles sairia o último suspiro…

guerri6.jpg Assim, cada vez que a tropa portuguesa abandona determinada cidade ou posição, a população branca igualmente abandona essa cidade ou posição. A população negra, não afectada ao movimento que controla a zona em questão, acompanha as tropas portuguesas no momento da retirada. Em Outubro, a invasão em grande escala da África do Sul alterou profundamente os contornos do conflito. Uma unidade da UNITA comandada por um major sulafricano e assessorada por consultores sul-africanos conteve o avanço do MPLA sobre o Huambo a partir de Benguela.

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A pedido da UNITA seguiuse a entrada em Angola da coluna Zulu da SADF, a 14 de Outubro, que expulsou as forças do MPLA estacionadas ao longo da faixa costeira até Novo Redondo (Sumbe), a norte do território. As Forças Especiais cubanas travaram o avanço das tropas sulafricanas fazendo explodir a ponte do rio Queve. Entretanto, o exército da FNLA, que marchava em direcção a Luanda, vindo do Norte, foi destroçado por mísseis cubanos.

gurra10.jpg Agostinho Neto, presidente do MPLA, proclamou a independência da República Popular de Angola, em Luanda, enquanto, no Huambo, Savimbi anunciava a criação da República Democrática de Angola. A iniciativa militar passou, então, a pertencer ao MPLA, levando à retirada da SADF de Angola, entre Janeiro e Março de 1976, e à fuga da UNITA das cidades do interior do país, no início de Fevereiro.”

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Recorde-se que no meio de tantos desencontros ainda havia esperança e soldados que não abandonavam gente que se queria manter no território. Assim, o ex-tenente Fernando Paulo e alguns dos seus homens já na condição de refractários, protegem um grupo de refugiados no Chitado aonde criaram uma zona de segurança. Era a frente para a fuga ao invés da fuga práfrente, algo não estudado a fim de se efectuar o abandono, tácticas nunca vista nos anais da lusofonia.

guerra23.jpg O MPLA era o movimento da burguesia luandina; aparentemente mais evoluído e com mais quadros abalizados, supostamente teriam mais capacidade para governar; seus sombrios e divididos intelectuais alinharam à partida mais na linha da esquerda só que, seu comportamento no terreno era adulterado por radicalização pela força revolucionária do MFA – os mesmos que deveriam garantir-nos segurança.

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Aqueles generais de aviário de fraca experiência eram manobrados por Rosa Coutinho, verdadeiro dono daquilo, cedendo tudo ao MPLA e dificultando os demais. Rápidamente o MPLA inventou a maka e o Poder Popular zombando até dos revolucionários tugas que tudo lhe davam. Eles inventaram o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito…Tudo parecia ser um jogo de guerra aonde a morte era só de brincadeira…

guerri4.jpg Luanda tornava-se uma imensa lixeira fétida com o calor e humidade acelerando a decomposição de detritos, gente e animais mortos. Uma cena apocalíptica que agora tentam repintar com cores de arco-íris. Entretanto os Cubanos iam chegando pela calada com conhecimento e consentimento dos governantes do M´Puto. Calcula-se que só nos últimos dias de Setembro tenham entrado aproximadamente 3500 cubanos. No dia cinco de Novembro de 1975, quatro grupos de comandos ao serviço do ELNA colocaram-se no Morro da Cal.

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A infantaria surgiu a seguir descendo para os baixios da lagoa. O comando estava ao cuidado de um general zairense em substituição de Gilberto Santos e Castro do qual lhe foi retirado o comando dias antes e, enviado para N´Dalatando (Cidade de Salazar). Gilberto Santos e Castro era um antigo oficial do exercito português e irmão de um ex-Governador de Angola. Flagelados pelos misseis cubanos, as baixas do ELNA foram tão significativas que optaram por se retirar dali.

guerra22.jpg Na madrugada do dia 9 de Novembro, dois dias antes do dia aprazado para a proclamação-entrega do território, chegou uma guarnição de 20 africâneres vindos do Ambriz. Com eles traziam os obuses de tiro de longo alcance e 1200 granadas. O Ataque a Luanda só seria desferido na alvorada do dia seguinte, 10 de Novembro, dia em que as FAP sairiam de Luanda. Cento e quarenta sul-africanos em silêncio, posicionaram-se ao lado das peças, bem antes da hora de fogo que estava prevista ser pelas cinco horas ao alvorecer do dia.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:44
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Terça-feira, 17 de Abril de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXX

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 17.04.2018

- Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado… Quanto mais me esforço mais me viro ao espírito…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

De ontem para hoje meditei na resposta a dar ao meu amigo “pastor da palavra de Deus” em terras de África do Sul. Aqui no paraíso da Pajuçara do Brasil, lugar que escolhi para viver e, na Praia de Sete Coqueiros, já fui assediado para fazer parte da Igreja Maná, da Igreja Adventista do Sétimo dia, da Igreja Quadrangular e da Igreja da Nossa Senhora da Lagoa do Pau; um sem fim de gente a oferecer sua verdade. Indiferente a todas, continuei tendo Messias no pensamento cozendo-me ideias nos meus neurónios.

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Com o mar Iemanjá a arrumar meu colesterol, firmando-se a mim num jeito espírita de lixar verrugas e outras maleitas, explanarei minha missiva a José Matias em resposta ao seu texto bem formulado e formatado e, também para me induzir à sua verdade. Assim transcrevo com itens de “J”… o dito por Matias e com “M” o dito por Monteiro (T´Chingange)…

matias j.jpg ::::J…1  

Acreditas no Messias? Mas há sempre um mas, visto Ele não resolver os problemas deste mundo que nos rodeia. Ele, o Cristo chamado Messias, não veio para nos resolver os problemas; Ele sim veio para nos mostrar o Caminho que devemos seguir afim de nós podermos herdar os novos céus e nova terra que Deus tem preparado para aqueles que o amam. No entanto todos aqui estamos sujeitos a ter problemas tanto os que confiam em Deus para a salvação, como os que impiamente conduzem outros para a condenação.

::::::J….2

O Diabo é o primeiro a acreditar em Deus, e na sua presença até estremece, e só faz o que por Deus lhe é permitido fazer, visto na cruz ter sido derrotado, foi limitado no seu poder, para agora todos os que querem alcançar a misericórdia de Deus o façam sem entraves. Mas... há sempre um mas!... O homem antes quer agrada-lo do que ouvir e atentar à voz de Deus. Logo culpam Deus das desgraças a que estão sujeitos enquanto vivem, se esquecendo que de boas vontades está o mundo cheio, os mesmos. Seu destino quer se sintam mais bonzinhos que os que criam desgraças, o caminho será o mesmo... Inferno.

:::::J…3

Visto não existir mérito algum em nós, que nos justifique diante daquele que nos criou. Somente Cristo o Messias tão anunciado é a justiça para todo aquele que crê na obra consumada na cruz. Será que falo chinês? Será que é assim tão difícil de entendimento? Alguém mais capaz de entendimento do politicamente correto, que me explique outro caminho mais esplêndido que possamos alcançar depois que a morte chegue, tenha ele a coragem.

DIA76.jpg:::::J…4

Mais uma vez, aqui estou anunciando aos meus amigos que um só Caminho existe, para sermos aceites por Deus, esse se chama o Cristo Glorificado, que ao céu voltou de onde tinha vindo, pois Ele mesmo se fez carne e habitou entre nós, Ele mesmo é o Deus todo-poderoso. Religião alguma pode nos esclarecer, mas Ele mesmo o pode fazer, quando no nosso aposento dobramos os joelhos e clamamos por socorro...

:::::J…5

Aí sim! Ele logo nos atende, e ficaremos sem dúvida sobre a sua presença, passamos finalmente a entender que antes nunca O haviam conhecido, e logo encontramos em nós, a luz que nos dissipa as trevas que nos envolve neste mundo tenebroso. Nunca mais vamos culpar a Deus pelas desgraças, pois nós mesmos somos os culpados delas.

:::::J…6

Ao amigo Monteiro e aos meus amigos desta página, assim o desejo… Que esta leitura ao correr da pena ilumine os olhos do entendimento, acerca deste Deus maravilhoso, que tive o grande prazer de conhecer á cerca de 43 anos, e hoje, o sirvo com muito prazer, razão porque O apresente sem rodeios e sem melaços, ou lisonjas, na expectativa que Ele mesmo conceda arrependimento para conhecerem a Verdade; sem isso nada feito, vamos continuar cegos!

soba0.jpeg:::::M…1

Li... Gostei mas... Vou dar-te uma resposta mais pensada. Talvez amanhã... Anexarei este teu texto muito bem elaborado ao meu, sem a pretensão de ir para o céu... O titulo será : A chuva e o bom tempo! ... Fica por aí - Com um ramo de manjerico e outro de arruda por se acaso...

:::::M…2

Cada religião pretende estar na posse exclusiva da verdade - Preconizar a fé cega sobre um ponto de crença, é confessar impotência em demonstrar que se tem razão. Não cabe à fé ir a eles, mas a eles (nós) irem ao encontro da fé e, se a procuram com sinceridade, a encontrarão. A fé não se prescreve e o que ainda é mais justo dizer: a fé não se impõe! Não! Ela, não se recomenda: - Adquire-se!

:::::M…3

E, não há ninguém que esteja privado de possui-la, mesmo entre os mais refractários! A resistência dum incrédulo vai mais pela maneira como se lhe apresentam as coisas - os factos.

À fé é necessária uma base e, essa base é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer; e, para crer, não basta ver, é necessário sobretudo, compreender!

araujo 101.jpg:::::M…4

A fé cega não é mais deste século XXI; é precisamente o dogma da fé cega que faz hoje o maior número de incrédulos, porque quer se impor e, até exigir a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: O raciocínio e o livre-arbítrio. Ao não se prescrever deixa- nos no espírito algo vago de onde nasce a dúvida.

:::::M…5

 A fé raciocinada, a que se apoia sobre os factos e a lógica, não deixa para trás nenhuma obscuridade. Não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão, agora e sempre, em todas as épocas da humanidade. Quanto mais me esforço mais me viro ao espírito… Receio assim, me levares para o espiritismo!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:52
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Terça-feira, 3 de Abril de 2018
MOAMBA . XIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 03.04.2018

O INTERESSE manobra tudo e todos. Cada um de nós foi o que foi por uma coisa tão pequena, que sem se lembra do primeiro choro… Alô Brasil! Alô Angola! Alô Portugal...

Moamba: É um prato típico de Angola preparado com galinha e dendém mas pode ser também negócio ilícito com venda de contrabando (Brasil)

Por

soba15.jpg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

Porque estabelecemos em nossas vidas viver com leis, também nestas se estabeleceu que há algumas que se sobrepõem a outras. As leis têm por isso hierarquias; umas suplantam outras e, cada qual tem a sua interpretação para se fazer valer. No meio destes dizeres existem também de permeio as crenças, as lembranças, a saudade e o amor debatendo-se entre, contra ou a favor das luzes da razão.

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Assim, estas leis juntas e misturadas com arbitrariedades, surge o INTERESSE como uma força tenaz. Digladiando-se em palavras surgem recursos, acórdãos, previdências cautelares, Habeas Corpus com uma constante busca - numa primeira instância, segunda e outras ainda por saber. E, mesmo depois de se esgotarem as posturas, as leis os decretos, recorre-se a liminares, instâncias de sofisma federal …

pal01.jpg O sofisma alega o adiantado da hora, o compromisso inadiável e muitos edecéteras para se decidir por uma liminar ministerial e temporal; Decerto que já se deram conta de que estou a falar do Brasil embora o panorama dentro dos PALOPS, (Povos de Língua Oficial Portuguesa) tenham a mesma problemática; métodos de protelar e, ou uma reflexão, alegando motivos ponderosos nunca antes pensados ou usados.

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O INTERESSE que é tenaz jamais cede à evidência e, que se irrita quando o raciocínio se lhe opõe. A dado momento surge um tal de sigilo impondo silêncio, a bem da Nação. Com tantas medidas dilatórias, tanto recurso e tretas impensáveis, embargos, escutas, delações e edecéteras, é caso para se dizer: nem o pai morre nem a gente almoça!

pal3.jpg A justiça é tão lenta, mas tão lenta, que até a prescrição, uma coisa inaudita do tempo mata o próprio tempo. O INTERESSE é a lei mais forte dum sistema, a lei que mais luz tem; o INTERESSE é a lei que feita jogo, abre os olhos aos cegos ou cega os pensadores, legisladores eruditos, juízes ou ministros da Lei.

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A sociedade de hoje pelas interpretações do INTERESSE, conseguem assassinar quem ainda não morreu ou salvar gente defuntada. As sociedades de hoje perante tanto descredito pelas aptidões nobres, começam a sentir o vazio da justiça. Sim! Também a justiça começa a sentir o vazio em que as leis e as crenças ao se tornarem vulgares segundo o INTERESSE moldável delas, levam a alma de cada qual a não descortinar nela, a razão das coisas.

justiça1.jpg A razão de ser, a Justiça dos tribunais, seu elo maior, ser das mais cabíveis ou credíveis das instituições. Afinal as doutrinas também mudam segundo os INTERESSES de alguns. Surgem manobras de diversão, novos dados a confundir a teia, novos recursos com um regresso à estaca zero.

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Infelizmente, até a caridade, a fraternidade, e o amor ao próximo se estão submetendo aos INTERESSES de seitas politicas e, ou religiosas. Seitas que trocam anátemas que se arrojam, umas sobre as outras.

DIA41.jpg Sim! Todos os homens são irmãos mas, há sempre uns mais irmãos do que outros. Concluo que tal como em Angola, em Portugal ou aqui no Brasil a justiça é tão lenta, tão lenta que me leva a repetir: -Nem o pai morre, nem a gente almoça! Que me leva a perder as estribeiras e dizer asneira grossa: -Nem fodem, nem saem de cima! Hó gente!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:09
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Segunda-feira, 12 de Março de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXIX

ANGOLA DA LUUA XXXIX - TEMPOS PARA ESQUECER – 12.03.2018

- «Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão agora com a guerra…»

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Pois! Desculpar-se-ão com a guerra. Só que a guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente e incestuosamente ricas…» Os brancos de Angola, no geral, culpam o MPLA com seus grupos de Poder Popular, culpam também os seus irmãos Tugas capitães de aviário e uns tantos civis apanhados na teia do PREC pelos males que atingiram aquele território chamado de Província ultramarina, a actual Angola.

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A fim de desbloquear situações, verbo fácil de fazer milagres, olhos vivaços para resolver problemas fúteis e bizarros, os chamados retornados, entre o desespero e a morte tiveram o condão de tocar a vida prá frente desafiando pormenores de sobrevivência. Alguns detalhes, são demasiado trágicos e outros, muitos, demasiado sofríveis…

zeka9.jpg E, os colonos? Os colonos, uns morreram num ai, repentinamente e sem saber do porquê; porque MPLA e MFA haveriam de manipular os espíritos, carregar nos botões das almas inocentes, com o fígado incompleto tornando candengues em militares de primeira linha. A esta milícia sem estrutura criada por Rosa Coutinho e Agostinho Neto e, que viraram monstros desapiedados, deram-lhe o nome de pioneiros…

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Apesar das NT - nossas Tropas, serem de pouca utilidade para os colonos, muitos dests, tinham e têm afinidades que os prendem ao silêncio sendo benevolentes com a situação do antes, durante e depois do TUNDAMUNGILA – a guerra de tuji que culminou na ponte LuuaLix. Para não me mentir é o que posso analisar derivado da triagem feita entre os silêncios e da benevolência com a situação, agora que são passados já mais de 43 anos de independência. Quando não se calam dizem enormidades versejadas com poesias….enfim!

zeka3.jpg Os soldados de outrora, diferenciaram-se com os cabeludos abrilistas por não verem no terreno o tão propalado pelo MFA, pelos “revolucionários com o Ché na flanela”… ainda bem que subsiste este senão… Estes mais velhos e conscientes militares do M´Puto, ajudaram a consolidar um sentimento de última hora das NT. Algo mudou mas esta hora, chegou demasiado tardia. Tudo porque o MPLA usava uma táctica que não caiu de todo por “bem vista” a alguns militares portugueses. Estes deram-se conta que a cúpula e o Poder Popular do MPLA eram cães sarnosos; não reconheciam seu dono nem sabiam ser camaradas…

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Os Navios Hermenegildo Capelo, N´Gola e Açores, faziam chegar a Luanda deslocados de todo o litoral Sul como Novo Redondo, Lobito, Benguela e Moçâmedes. Para Moçâmedes e, em fins de Setembro uma companhia de Pára-quedistas seguiu para esta cidade a fim de controlar o embargue de bagagem dos refugiados. As FAPLA, só permitiam os embarques com a sua presença obrigando os trabalhadores da estiva a só cumprirem cinco horas por dia.

vasco gonç.0.jpg Faziam o que bem lhes dava nas ganas retirando parte da bagagem que estava dentro das viaturas. O MPLA e pessoal adstrito a este movimento fazia obstrução para ver o que os brancos levavam para o M´Puto. Em Portugal e posteriormente, contactei com gente desta que passaram a pertencer aos Adidos; afinal suas afinidades eram de falsidade. Como lidar com isto!? Isto tem de ser mencionado porque a traição ocorreu no antes, no durante e no depois… Mas, só eu vejo isto! Há por ai gente muito acomodada que ao ler isto ou nada diz ou se sublinha num banal: gosto!

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Pois foi aquela companhia de Pára-quedistas que pós fim a esta situação. Diga-se em verdade que Savimbi prometeu enviar de Nova Lisboa para Luanda todas as bagagens ou pertences dos Adidos ou desalojados; colocou guardas a montar vigilância das mesmas, assegurando que iria evacuar todos os brancos ainda dispersos pelas áreas da UNITA se assim o desejassem.

vasco1.jpg Savimbi declarou ter havido ingenuidade de sua parte em acreditar que todos os Movimentos só receberiam as armas que Portugal lhes desse. A única coisa que pedia a Portugal era a de que Lisboa não legitimasse o MPLA num reconhecimento de declaração unilateral de independência; e frisou bem: mesmo que outros países o fizessem!

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Holden Roberto, confiante que iria tomar Luanda nas vésperas do 11 de Novembro aceitou que a entrega do poder fosse dada ao Movimento que nessa altura estivesse na posse de Luanda. Este bluff era senão demasiado inocente, demasiado estupido! Em verdade, esta espécie de estadista ficou no lodo da estória. No dia cinco de Outubro, o Almirante Leonel Cardoso queixava-se por ainda não ter sido informado.

mouzinho1.jpg E, no caso de todas as diligências para um entendimento com o MPLA, falharem, o que fazer? A quem vamos entregar o poder ao chegar o onze de Novembro se, se mantiver esta situação de impasse? Diria ele numa forma de interrogação… No M´Puto andavam demasiado distraídos; as sedes dos COMUNISTAS, começavam a ser queimadas…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:18
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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2018
XICULULU . CVI

TEMPOS QUENTES – 26.02.2018

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Os homens coçam preguiça debaixo de uma acácia, cortam a mata para fazer lenha, caçam e cuidam do gado mas… sempre há uns mais iguais que outros…

Por

soba15.jpg T´Chingange No Nordeste brasileiro

Pregar o evangelho deve ser bem mais fácil do que vivê-lo; tenho deparado na vida com gente que não faz o que diz! Todos os dias lêem o livro sagrado pois então – e, não é acidentalmente que assim procedem, daí tirando proveito. Gente que se diz estar dentro dos desígnios de Deus mas, que na prática, santificam acima de tudo o dinheiro.

mercedes.jpg  Talvez por isso, tenha levado o mwata Mahatma Gandhi a dizer um dia que gostava de Cristo mas não gostava dos cristãos! Ele disse: Vocês cristãos são tão diferentes de Cristo! Palavras duras de ouvir e que revelam a verdade de que muitas pessoas só o seguem para tirar proveito.

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E, assim a vida neste sofisma, leva muitos a se considerarem agnósticos; e porque somos uma ilusão não temos tempo suficiente para levarmos a análise ao fim na união dos preceitos e do tudo que somamos nas reflexões de todos os dias. Acidentalmente em um dia, sou cristão, e num outro, já não sou o que digo ser ou não o sou tanto…

dia89.jpg  As transacções da vida, porque vejo e reflicto, não me surgem com o mesmo aroma da presença de Deus, de que tanto ouço falar com veemência, aos outros. Gosto de fazer amigos, ter experiencia salutar, de dar risadas, boas conversas, boas comidas e oportunidade de partilhar com pessoas de empatia e que conhecem o saber ou o sabor da generosidade.

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Não sei se você que me lê já encontrou sua maneira de ser generoso o quanto baste; acho até que se o quiser, não lhe faltarão oportunidades para o demonstrar. Posto isto, espero que Deus se surpreenda comigo e até me mande um recado pelo Watsap ou o e-mail usando uma das senhas que miraculosamente regatei do espaço: PLUTÃO.

dia123.jpg Ou ainda uma outra que achei no baú esquecido da Luua: CALUVIAVIRI. Nada será suficiente para frustrar os planos da pólvora divina e do cepticismo. É o meu jeito extraordinário de me animar mas em verdade, em verdade vos digo que quando me faltam recursos de força e coragem a Ele, me submeto! Não me quero mentir! Coisas do subconsciente…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:47
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Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXVII

ANGOLA DA LUUA XXXVII - TEMPOS PARA ESQUECER – 23.02.2018

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA

Angola - 43 anos depois da independência. Já ninguém acreditava que era só uma pequena parcela dos nossos militares a dar a mão ao MPLA. Eram todos!

Por

soba15.jpg T´Chingange

Nestas mokandas, meus sentimentos, pensamentos e actos, têm uma única finalidade: falar a verdade à minha comunidade para que a história não se esmoreça; minha atitude determinará o juízo de bom ou de mau que há sobre os factos. Quero assim ser livre, criador e sensível o quanto baste sem pactuar com a imbecilidade que como dança infernal leva as massas sociais ao embrutecimento; algo que sistematicamente corrompe o bom senso dos homens.

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Costa Gomes, o presidente rolha do M´Puto, titubeando indecisões, acabou por retirar o Brigadeiro, esse tal de José Valente, comandante da 2ª Região Aérea e que vivia em relações tensas como a CCPA (Conselho Coordenador do Programa do MFA para Angola e que, incluía o CCPA e o Estado maior de Angola). Os vapores Vietnam Heróico, o Coral Island e o La Plata, chegariam antes do fim de Setembro de 1975 em Brazaville e Porto Amboim levando a bordo mais de 1000 toneladas de gasolina, 300 instrutores para os quatro CIR do MPLA e ainda dois aviões cubanos.

carlu1.jpg O Presidente do Congo Brazaville N´Gwabi aceitando esta forma de apoio e dando também hospedagem a mais 142 instrutores cubanos, declarava-se oficialmente apoiante incondicional ao MPLA de Neto. Este apoio tinha sido concertado em uma viagem que N´Gwabi fez a La Havana. Havia fortes indícios de que o MPLA estivesse a preparar uma declaração de independência unilateral, sem consulta a Portugal e aos outros dois movimentos conformes no Tratado de Alvor.

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Pode assim apreciar-se o comportamento de insubordinação ou má-fé com os colaborantes militares de aviário de Abril que tudo lhe faziam numa óptica de práfrente camarada, avante! Nitidamente estavam a mijar nas graças revolucionárias daqueles imberbes militares do PREC.

Estávamos em inícios de Outubro.

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Leonel Cardoso continuava apreensivo pedindo apoio a Lisboa e mantendo as FAPLA em suspense com uma hipotética chegada de tropas especiais, Comandos e Pára-quedistas. Leonel Cardoso perante este cenário blefava e, era só o que lhe restava porque Lisboa andava afanada com os sindicalistas das “Manif” de civis e militares guedelhudos. Leonel Cardoso andava sem saber como fazer na entrega do poder a 11 de Novembro de 75.

cruzeiro2.jpg Com muxoxos de boca pequena sabia-se que Leonel Cardoso se queixava de estar rodeado de traidores à pátria ou à causa; a confiança, ruía-lhe algum aprumo. Ética era uma coisa quase nefasta e os heróis das NT em sua maioria só viam o MPLA. A estes, o MPLA, entregavam tudo de mão beijada sem fiáveis contrapartidas mas, sempre havia uns quantos que buliam sua própria consciência. Aquilo não lhes parecia lá muito bem… Eram muito poucos, quase nenhuns. Em Angola, estávamos entregues à fé e ao acaso, à bicharada.

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Entretanto Samora Machel de Moçambique e Július Nyerere da Tanzânia, perfilam-se também ao lado do MPLA. Otelo em viagem a Havana garantia a Fidel de Castro não retaliar com suas frotas e tropas, entenda-se como as NT (Nossas Tropas) a “invasão de Angola” em apoio ao MPLA. No M´Puto, pouco a pouco, Carlucci o embaixador Americano, ia alegando algum favoritismo para o MPLA.

melo4.jpg Carlucci, com a nobre ajuda de Vasco Gonçalves, o primeiro-ministro português, um ex-doente mental da casa dos malucos de Luanda - sector militar. Este afiançava a pés juntos perante o Gringo que, não senhor, o MPLA não é comunista! Era uma boa base aos ditames de Frank Carlucci; a este, interessava-lhe sobremaneira o controlo do petróleo de Cabinda. Não era por acaso que já Cabinda estava inteiramente nas mãos do MPLA.

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À margem das negociações os ditos retornados, cidadãos nacionais e da Província Ultramarina de Angola, estavam a ser moeda de troca no fornecimento de aviões para a ponte LuuaLix se realizar no tempo aprazado. Nesta guerra de tundamunjila (brancos, fora - para a sua terra) a estória ainda anda a ser fabricada!

demo2.jpg Podem ver agora e com clareza de 43 anos já passados que os retornados tiveram um desfecho muito parecido com o sucedido no Irão, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia e aonde quer que houvesse petróleo, a moeda americana suporte de sua supremacia. Costa Gomes, com esta decisão sentia-se agora mais confortável. Naquele então o segredo era manter tudo em banho-maria até o 11 de Novembro.

valentina5.jpg Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão com a guerra. Só que a guerra, que matou tantos e estropiou, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas…

(Continua…) 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:08
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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018
FRATERNIDADES . CXIX

METÁFORAS DA VIDA – 21.02.2018

- FOTOS AMARELECIDASSe, em um aleatório lugar vires um oprimido, não te surpreendas - Tem outro mais alto que o vigia… Estória dedicada ao poeta Eduardo Torres da Chibia, na Kizomba…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Em um antigo dia fui passear com Edu a Ondjiva (Pereira Déça), uma fazenda de seu pai aonde vendiam carne de alongue e vendiam peixe frito ao pessoal da lavra e amanho das nemas; isto é do que me recordo. Íamos em um carro com a última tecnologia de ponta, meio madeira, meio lata grossa e pneus maciços, borracha do Amazonas com o nome de Nash que pegava no arranque com manivela. Mochilas no carro, acomodados, partimos ao som duma betoneira botando fumarolas às prestações.

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Tudo seria como o planeado e prometia até ser inesquecível; disfrutando da paisagem com uma nuvem de pó e gazes para assustar mosquitos das lonjuras, nós gozávamos das terras do fim-do-mundo; vistas secas das anharas via Rundu, início da Damaralãndia do Calahári. A luz que indica o super aquecimento do motor acendeu no painel frontal de nogueira encerada. Aquele vehículo estórico, propriedade de se pai, dizia-nos daquele jeito que algo estava errado. Estávamos uns bons quilómetros além Chibia.

nash6.jpg Mesmo entendendo pouco de mecânica, sabíamos que a luz do aquecimento aceso era sinal de algo errado e lá tivemos de encostar junto a uma n´nhiwa para sabermos a gravidade do sucedido. Decidimos abrir o capot e, assim ficamos a olhar o motor como um boi olha para um palácio; seria do radiador? Talvez! Seria da correia de distribuição? Talvez! Seria da biela? Seria da tíbia? Talvez? Talvez!

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No meio de tanto talvez, nosso monangamba Nepomuceno sugeriu assim: - Minino patrão Edu, melhor mesmo é fazer oração no nosso N´Zambi. Os minino, num sabe mesmo coisa nenhuma, eu acho melhor no então, catravêz … Catravêz o caraças disse Edu para o seu mona chateado da silva mas e, reconsiderando, pediu que cada qualmente rezasse no seu Santo ou Santa.

Torres0.jpg Bem! Eu rezei para Nossa Senhora da Muxima. Ele mesmo, Edu rezou para a Nossa Senhora de Fátima e Nepomuceno rezou ao seu rei N´Zambi. Ia na metade da minha inventada oração a Muxima quando num repentemente Nepomuceno descomplica nossos muxoxos de reza dizendo: -Olha só Patrãozinho…Vem lá uma carrinha Dodge! Assim era! No centro duma poeira medonha lá vinha um vehículo de tração a motor soprando pó prámata.

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Um homem moreno, alto e calvo com pronúncia de carcamano gweta parou atrás e acto repentino perguntou se necessitávamos de ajuda! As meias palavras de Edu foram suficientes para ele deduzir qual era a avaria. Sem muitos rodeios começou a espreitar o motor, ver tubos e, com cuidado foi folgando o tampão do radiador. Saiu dali uma fumaça quente do caraças.

nash4.jpg Deitou-se bem por debaixo do motor e apalpando o fundo do radiador disse: -Está qui! Não ficamos a saber bem o que quereria dizer e retirando da boca uma bola de chicle xwingame pressionou o negócio naquele que era o busílis da causa. Já de pé voltou a olhar umas borrachas, foi buscar à Dodge uns arames e com um alicate universal deu uns apertos no arame.

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Com um jerrican encheu nosso radiador (melhor dizendo do vehículo Nash) de água tapando o recipiente e ao concluir disse simplesmente: -Já está! Sem dizer mais nada tirou do bolso um cartão e, deu-o a Edu! Ele leu e, guardou! Claro que eu fiquei intrigado! O senhor carcamano disse goodbaye e, meteu-se a caminho logo após ter posto o Nash a trabalhar! Pareceu ser agora menos betoneira do que lá atrás.

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Já o Dodge ia longe quando pedi a Edu que me mostrasse o cartão que ele lhe dera! E, pude ler com surpresa “Mecânico assistente de Nossa Senhora de Fátima”. Podem acreditar, fiquei num deslumbramento de boca aberta! Afinal a oração do Edu resultou mesmo. Sem aceitar um centavo sequer, chegou, meteu o chicle no lugar, fez o que tinha de fazer e bazou! Foi-se!

chibia.jpg E, olhem que por ali havia leões, solitários e hienas esfomeadas; os terroristas mesmo, só chegaram ali depois de 1975, feitos outros ET´s cavalgando cavalos de ferro marca M´Puto com bazucas e granadas Braço de Prata. Agora e à distância do estórico vehícuo Nash pergunto-me se aquele mecânico era mesmo gente, um santo, uma kianda, assombração ou o meu amigo ET da galáxia EC-325… E, porquê as rezas não tiveram resultado neste mais recente tempo com guerrilheiros emancipalistas da terra. O que não faz a fé!?…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:36
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
MALAMBAS . CXCVII

A CHUVA E O BOM TEMPO - 20.02.2018

- Apaziguando rijezas adversas num salve-se quem puder…

Por

soba15.jpg T´Chingange No Nordeste Brasileiro

Ontem fui ao centro da cidade tratar de um assunto com a contabilista, coisas de imposto de renda que têm de ser demonstrado por compras ou aplicações financeiras em todos os anos civis. A lei é para ser cumprida segundo o que está escrito na bandeira do Brasil: Ordem e Progresso – Ordem para os debaixo, o povão e, progresso para os decima, os que mandam ou são donos disto tudo.

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Começo assim só para justificar-me do assunto que irei aqui escalpelizar com bisturi rombudo. E, pude ver quase todo o tipo de negócio a correr nas ruas da cidade; digo correr porque as bancas têm rodas e com facilidade estarão aqui ou ali conforme a conveniência ou por via da fuga ao fiscal zelador das coisas da via pública, digo eu.

araujo99.jpg E, dum quase tudo, posso mencionar raquetes de matar mosquitos, chapéus-de-chuva, pensos rápidos e água fresca e metidas no gelo em caixas de isopor, esferovite, jogos de chaves de bocas, alicates, destornilhador ou frutas variadas como graviola, fruta-do-conde, goiaba, macaxeira e edecéteras. Tudo isto a laborar em azáfama, sem fiscalização aparente…

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E afinal, como seria o Brasil se a cada esquina estivesse um fiscal municipal, federal e outros supra numerários do sistema a ver a higiene, a balança e a licença para vender os produtos? Tornar-se-ia impossível gerir estes milhões de pessoas que sobrevivem desta forma. Dito isto entro nas lojas americanas e trago de lá um ventilador de marca “arno” por cento e trinta e nove reais com noventa cêntimos.

ROXO167.jpg Deparo com uma banca carregada de boa macaxeira, mandioca recentemente retirada da terra; Bem no centro e no topo das raízes tinha o preço fixado, escrito em um pedaço de isopor: 1,50 reais. Está barato, vou comprar! Moço dá-me dois quilos! Entretanto uma senhora faz o reparo de que aquela balança está desregulada, uns dias atrás levou dois quilos e em casa na sua balança só tinha 1, 160 Kg.

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Em voz baixa foi dizendo para eu ouvir que mesmo assim valia a pena porque estava em bom preço. Bem, a balança de mola de enrolar estava oxidada, quebrada no plástico frontal e até se poderia ajustar o peso por entre a parte inexistente do transparente. Toda ela era uma obscura e desconfiável balança, xucra mesmo! O Dono, moço Isac era de bom trato e bem falante, um ser de Deus e pagador de dizimo na igreja do sétimo dia, pensei cá para mim. Vou experimentar sussurrei à senhora! E, foi, embrulha, e fui!

araujo114.jpg Chegado a casa vou direito à balança de pesar bolos e era certo! O cabra-da-peste, evangélico do sétimo dia, enganou-me. O negócio pesava só 1,160 quilos. Quersedizer que faltava só 840 gramas. E o cara-da-peste evangélico que disse para mim na maior belezura: Deus esteja contigo, feliz dia! O cara-de-pau a meter Deus nesta pequena trapaça hein! No final vi o papel de custo duma compra no super Bom Preço e a mesma quantia ali seria de sete reais! Afinal ganhei 4 reais!

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Putamerda; fui roubado e ainda estou contente porque não perdi assim tanto, melhor ate ganhei! Pópilas! O mundo anda mesmo com os paradigmas invertidos. Mas, um destes dias vou levar um pacote de quilo de açúcar para servir de peso; fiquei só meio fulo, meio bravo porque me tapearam e, eu não gosto de ser tomado por lorpa. É que todo o mundo quer ficar ganhando, ficar por cima e também nesta, até  eu fiquei por cima, visse!

ROXO164.jpg Bem! Em verdade este é até um caso menor, senão vejamos: Esta manha e na TV Globo, pude ouvir que uma tal senhora juíza desembargadora foi eleita deputada por um partido, não interessa qual (tudo é igual) ficou descontente com a sua baixa de ordenado. Apurei-me na escuta e fiquei a saber que esta senhora recebia o ordenado de desembargadora com mais o de deputada! Até aqui tudo bem! Será? Como se verificou ganhar mais do que o tecto salarial da Nação, baixaram seu salário que era só de 60.000 (sessenta mil) reais!

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E, não é de que a senhora se estava a queixar de que agora ia passar necessidades, pois que abaixo dos sessenta mil era passar mal. Isto é mesmo uma invulgaridade! Disse para mim… Bom! Ouvindo isto, fiquei indignado. Ganhando 60 vencimentos mínimos e lamentando-se! Haja vergonha! Depois disto até senti satisfação por ter dado a ganhar uns pequenos cobres ao moço Isac da macaxeira.

araujo 43.jpg Estou aqui a falar do Brasil mas este filme já o vi em Portugal quando o Ex-Presidente Cavaco e Silva se queixou de que a sua aposentadoria somada à da mulher, não lhe dava para cobrir os gastos! Cumcamano! O mundo anda a ser gerido por incompetentes e ladrões e eu, aqui a gastar minha tinta, meu suco a custo zero! É mesmo um Deus me livre! Que dizem Vocês? Falem! Não fiquem aí com a língua agarrada aos dentes! É chato falar sozinho…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:15
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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXVI

ANGOLA DA LUUA XXXVI - TEMPOS PARA ESQUECER – 19.02.2018

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA ... Angola - 43 anos depois da independência. Já ninguém acreditava que era só uma pequena parcela dos nossos militares a dar a mão ao MPLA. Eram todos!

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Doeu, dói, e continuará doendo recordar aqueles dias em que por um longo tempo fomos uns tinhas, uns retornados, uns ranhosos como ouvi dizer a uma senhora da Cruz Vermelha que deveria ter amor ao próximo mas, assim não o era; uma senhora que ali estava numa missão de mostrar solidariedade, um frete só para parecer-se numa dama de alto coturno com ternas maneiras de lidar com o cidadão irmão.

monstro4.jpg Tinham-lhe tirado o sono e, em missão de voluntariado teve o desplante de dizer isto na minha chegada ao Aeroporto da Portela em Agosto de 1975; estamos aqui por causa destes ranhosos, disse! Era essa tal ponte de LuuaLix na guerra do tundamunjila que todos parecem querer esquecer e, porque só teve o mérito de nos tirar do fogo cruzado dos guerrilheiros e fraternas ajudas das NF (Nossas Forças) ao movimento que não nos queria lá, aonde quer que fosse!

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Seria talvez a esposa dum oficial superior e que naquele agora mostrava ao povo de abril o quanto lhe fazia mal aquela ascensão de benesses por via de uma guerra colonial, das muitas comissões ultramarinas que lhe proporcionaram subir na sociedade do M´Puto. Dinheirinho, pois! Mas, muitos mais militares de carreira assim o queriam; as transferências de angolares para escudos faziam-lhe falta.

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Era a compra de mais um andar na zona nobre de Lisboa (Lix), um carro novo de fazer inveja, uma vida muito cheia de pacto com o sistema, mais um talhão de terra para fazer engravidar a usura, a capitalização de valores. Perpetuar as aplicações financeiras por via de uma guerra de kwata-kwata que não desejávamos, que não queríamos! Mas em verdade andávamos distraídos lá na Província Ultramarina de Angola. E, estes dias têm de ser reescritos, revividos porque a história não o dirá deste jeito magoado, sem enaltecer um herói que a existir, só o poderia ser de túji… Inventado!

monstro6.jpg Divagando num após quarenta e três anos, podemos recordar o quanto os americanos queriam apagar com compensação os desaires tidos na derrota do Vietname. Fazendo manobras diplomáticas que só eles sabem fazer na perfeição, queriam garantir o petróleo do golfo de Cabinda. Aquilo para eles era um jogo menor e, pouco importava se o interlocutor era de esquerda ou direita. Haveria que garantir sua altivez na forma de petrodólares, condição necessária de perpetuar no serem os senhores do mundo.

NDOZI.jpg Aqueles, tornaram-se assim, senão aliados, pactuantes com o MPLA abandonando a FNLA mandando até na fase crucial duma possível mudança da guerra, retirar órgãos vitais como sendo as culatras dos potentes obuses que estes tinham posicionado no lugar de Kifangondo. Mas eles, os americanos, já tinham dado ordens para os Sul-Africanos se retirarem em sua campanha de tomar a Luua, a capital do novo estado chamado de Angola.

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Os americanos são efectivamente os piores amigos que se pode ter! Só digo isto por cruzar em triagem tanta manobra que fazem em todo o mundo para perpetuar sua supremacia; aliados com seus primos da Inglaterra, do Canadá, da Austrália e outros de sua comunidade, fazem girar o globo ao seu ritmo. Fazer guerras lá longe, abater quem atrapalhe seus interesses e manter-se na altivez do quero, posso e mando! Um dia isto vai acabar, mas já nem será no meu tempo!

moka23.jpg Pelo petróleo de Cabinda além de abandonarem a FNLA de Mobutu Sesse Seco, deram ordens de retiro à Africa do Sul, abandonaram Savimbi e os portugueses… Bem! Estes, para além de tudo foram moeda de troca a custo zero para o M´Puto. Usaram muito bem seu poderio! Subestimando uns, apadrinhando e chantageando outros, abandonaram-nos com o beneplácito dos novos generais de aviário da onda abrilista e vários políticos.

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No dia sete de Setembro a “Nova Brigada” das FAPLA (Forças Armadas do MPLA chefiada pelo comandante N´Dozi ataca o Caxito, obrigando a FNLA a recuarem no terreno. A Vila do Caxito, torna-se uma cidade como aquelas dos filmes do oeste americano, fantasma! Uns velhos acocorados e acolhidos no antigo quartel das forças portuguesas que também foi do ELNA (Forças militares da FNLA) e que agora era do MPLA; uma doação menor no contexto global.

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As FAPLA tinham atingido os montes dos libongos em quarenta e oito horas. Neste desastre do Caxito pode admirar-se o comandante N´Dozi de óculos escuros, fumando um cachimbo com liamba e levantando as mãos com o sinal de V de victória, assim como uma cena dum filme à americana. A Força Aérea das NT estava senhora da situação pois detectava do ar todos os movimentos na região do Kifangondo registando tudo em fotos tiradas do ar.

mdp01.jpg A Força Aérea Portuguesa tinha vídeos dos avanços e recuos das movimentações do exército da FNLA em terra e, estes dados apareciam nas mãos dos comandantes do MPLA. Os comandos de NT diziam desconhecer esta prática; a ser verdade havia militares do M´Puto infiltrados só para extrair informes cruciais no avanço das batalhas em terra e, no intuito de serem fornecidas ao partido de opção, O MPLA. 

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Já ninguém acreditava que era só uma pequena parcela dos nossos militares a dar a mão ao MPLA. Eram todos! Os simpatizantes pela FNLA ou tutelados como tal eram relegados à não permanência activa das operações sendo muitos enviados para a metrópole. Era o plano estratégico do MFA na entrega incondicional ao MPLA. Quem referir o contrário está a mentir com os dentes todos. Soube-se ser o Brigadeiro Valente o oficial das NT mais colaborante com o MPLA e deduzir-se daqui que a maioria de seus subordinados também o eram.

(Continua…) 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:45
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXIV

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 17.02.2018

- Nova maneira de aprender antigas verdades!... Com atitude….

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Em minha luta constante para me aperfeiçoar, tenho percebido haver uma oportunidade de redescobrir antigas verdades, que nem sempre o foram sequentes nas promessas, nas adendas, nas falaciosas intenções porque nunca viraram num facto ou já eram facciosas de nascimento. Assim, as pérolas que havia decorado no passado e esquecido ganham uma nova forma, ou nova roupagem.

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Satisfazendo-me o ego e, na forma de dar fôlego, descubro-me na escrita!  Tornando-me um contador de estórias crio personagens como um dramaturgo, que me animam e até confidenciam numa forma de perpetuar este vigor na vida; de dar sequência, sem me motivar na corrupta ideia de vulgarização nas coisas que todos dizem, e todos opinam.

GALO0.jpg Sim! Segredam-me coisas sem se definir bem no mistério de não permitir que me mecanize nessa rotina brejeira ou superficial. É decerto uma nova forma de reconstruir a comunicação, como bem explicita o nosso Profe Júlio Cesar Ferrolho, dando sentido às falas do mundo, renovadas e fortalecidas.

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Sem entender muito bem meus próprios planos e, sem vislumbrar conjecturas, dou comigo a dar satisfação aos personagens que me indagam: - Porque não tentas uma nova maneira de aprender antigas verdades? Posta assim a pergunta, nego-me ao periclitante papel de explorar novos caminhos revendo a vida e o espírito desprezando as parábolas ou recados da mente. Tenho-me em verdade surpreendido na recolha e pesquiza de pérolas que simplesmente ficaram de lado no tempo, como que armazenadas num baú de lata, que mofam, que se oxidam!

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É quando no passado esquecido ou forçado por se querer, se ganha uma “nova roupagem”. Na cultura em que estamos inseridos não é comum que as pessoas falem determinadas coisas sem esperar algo em troca! Pois! Vendem sonhos e adivinhações a granel, por grosso ou de atacado e por vezes em saldo! Leve três e pague dois…

roxo135.jpg Mas, a amizade por exemplo, é também ela, uma permanente construção. E, ela, a amizade pode surgir muda, sem falar qualquer língua ou dialecto e, porque nem sempre as falas se traduzem nos actos.

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Poderíamos entender-nos na perfeição por assobios, por um estalar de dedos tipo morse, por estalidos como os bosquímanos e macancalas, por gestos e muxoxos até; aqui as regras estabelecidas, normalizadas, viram paradigmas como os dogmas, crenças e cismas sem cabimento prático. É essa a prova real de que estamos permanentemente a reconstruirmo-nos como parte de um retracto inacabado, naturalista, na sordidez do vício humano.

pomba roxa.gif Sem me querer tornar mercenário, faço o meu dever de partilha sem nada pedir em troca e porque me dá prazer, trazer à luz a ciência duma época, falar das mazelas sociais que infelizmente, nunca atingiram a maturidade perfeita. Assim e, reconstruindo-me também, aprendendo, gratifico-me. É utópico dizer-se que que o valha-me Deus é o tudo mas, que nos faz falta, lá isso faz.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:41
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2018
MALAMBAS . CXCV

A CHUVA E O BOM TEMPO - 03.02.2018

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade num mundo exótico … De novo e com agrado irei ver aquela senhora percorrer a praia de ponta a ponta de marcha-à-ré para rejuvenescer…

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 

Cruzei o Atlântico no Boing D. Maria II em sete horas e vinte minutos. Pedro Alvares Cabral deve ter levado um mês ou mais, considerando o vento de Bolina na feição e soprando no rumo sueste; deste jeito não teriam de mudar as velas permanentemente para percorrer todo o percurso sem ter de fazer os ziguezagues por forma a embolar os grandes panos propulsores. Eram tempos de escorbuto por via de não comerem legumes e frutas frescas.

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Hoje, os novos processos de catering, manuseiam milhões de refeições ao redor do mundo para abastecerem milhares de naves que cruzam os céus em diversas direcções. Cada companhia aérea tem contractos com empresas vocacionadas a fim de condicionar em embalagens próprias as variantes gastronómicas, frutas, saladas e sobremesas pré escolhidas por nutricionistas e dietistas por modo a não causticar o organismo humano.

tapete verm..jpg Não posso imaginar todos os passageiros a entupir os minúsculos banheiros depois de comer uma feijoada, cozido ou um sarapatel deteriorados. Ali presos num escasso espaço assim como capota enfiada num espaço anatómico para nem poder sequer abanar as asas, os braços neste caso sem se correr o risco de dar um sopapo ao vizinho de ouvidos entupidos por um fio que lhe entorna musica nos neurónios…

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Já andei pelos ares o suficiente em horas de voo para dar três voltas ao globo e sempre refilo com estes apertos de não poder cruzar as quinambas maçando o corpo encolhido, entupindo os gazes nas curvas, obstruídas para além da traqueia o hiato e as muitas nervuras coarctadas de fazer seus peristálticos movimentos. Melhor seria que nos dessem um comprimido de seis horas de sonolência, enfiarem-nos num tubo de hibernação e despertar na hora certa de desembarque.

zumbi7.jpg Desta feita tive de comer três fusos horários deduzindo na máquina do tempo os três por forma a equilibrar o invento da vida chamado relógio. E, o carnaval de Guaxuma com sua sereia espreguiçando tempo, espera por mim rodeada de águas tépidas chispando suas quenturas de 28 graus em seu corpo rebrilhante desde a cauda à ponta de seus cabelos.

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Já estava farto de usar ceroulas até o pescoço a fim de aguentar o frio do M´Puto, dois pares de meias, chapéu a cobrir as orelhas para dormir, luvas com pele genuína de ovelha da Serra da estrela. Depois, assim que o sol baixa, ligar as quenturas da casa, a botija de água para aquecer as pontas e desumidificadores para chupar o orvalho invisível da humidade roedora de ossos! Tudo fica que nem cordão de sapato; até a paciência se esvai para o canto dos tornozelos…

araujo65.jpg Como diz o Papalagui das longínquas ilhas de Samoa, ficamos que nem cebolas, cheios de cascas, uma por cima de outra para tapar as vergonhas e adjacências. Por isso escolhi o Brasil para armazenar meu esqueleto das frieiras, untá-lo com o sol do nordeste, empreguiçar-me por horas nas quenturas esmeralda - águas das piscinas naturais da Pajuçara, untar-me de cerveja skol, água de coco ou cachaça pitu enrolada em pedaços de doce abacaxi.

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De novo e com agrado ver aquela senhora percorrer a praia de ponta a ponta de marcha-à-ré, isso, andando para tráz para rejuvenescer-se em juventude e uma outra andando em ziguezagues, parando na água, chutá-la e depois ficar virada para o mar alto, abrir os braços e acenar a Nosso Senhor! Eu bem que olho e volto a olhar e, até semicerrando os olhos e, nada! Não vejo o que ela deve ver! Há gente que tudo consegue e segundo dizem, com fé sempre alcançam suas ousadias…

roxo123.jpg Irei passear até o largo do Ganga Zumba, uma pedra com feitio de gente quase primitiva, com uma lança a olhar o céu do lado nascente! O primeiro líder do Quilombo dos Palmares. Um herói de libertação vindo do Reino do Kongo e morto por seu sobrinho Zumbi, o mesmo que foi agendado como o patrono do Dia da Consciência Negra; assim ficou no calendário brasileiro. Coisas que aconteceram no longínquo ano de 1678…

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Os dias ficarão enfartados de fantasia com contos de outros tempos e, que agora surgem avivados nas memórias das escolas de samba! Lá terei de ir à terra de Palmares descobrir, porque é uma terra tão carregada de misticismo com Coronéis e majores, donos de grandes fazendas, senhores de tudo e de todos e, que em tempos idos faziam a lei… estórias do agreste e sertão com feitiçarias de mulheres que exageram seu adventismo… mulheres que conseguem ver sempre que querem, o Nosso Senhor…

O Soba T´Chingange no Nordeste brasileiro

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:13
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Domingo, 28 de Janeiro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . Angola, os Mwangolés e os Chinocas – 28.01.2018

Ruptura com o passado. Cada um de nós é uma nota musical única … Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado….

Mwangolés:  Os donos de Angola; Kapianguista: é ladrão.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Controlando minha missão de aguentar as austeridades dispus-me a gozar mais um dia de sol no M´Puto, nesta beirada sul dum país que já foi metrópole dum império. Agora que aqueço motores para ir para o Brasil, tomo nota do que tenho a levar para a minha praia da Pajuçara. Cada cabeça sua sentença e, o facto de se ir de A para B no espaço, ou seu inverso no tempo, obtêm-se um conjunto ou a soma de ondas para todas as trajectórias comportamentais.

CHINOCAS4.jpg Em minha vida, surgirão terroristas e anarquistas que por debaixo de suas flanelas ou cetim, se mostravam conformistas indecentes com colarinhos abotoados para e, no tempo, verificarem ser anarquistas, pastores ateus, adventistas ou budistas. E, no meio da minha chuva, surge o swing com anfetaminas e tranquilizantes juntos com a bruteza e maneirismos, calão em abundância com muito esquecimento porque nem todos os amigos gostam de relembrar makas antigas.

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Agora, tudo indica que na Angola hodierna a recuperação da memória é coisa insuportavelmente dolorosa. Também sucede isto na diáspora com a tal fabricação da “teoria do esquecimento”, não tão grave quanto os primeiros que formam o bando dos donos de N´Gola, os da nomenclatura da Luua, ou os bófias governamentais.

CHINOCAS3.jpg Com carros de borla, choffer, engraxador, empregados vários e viagens pagas pelo estado a Johannesburg. Pois! Para fazerem suas compras no picknpay… Os mwangolés governamentais reivindicam constantemente apropriação do seu poder sabendo de antemão o sentido de sua insensatez numa fuga para a frente e em direcção à utopia.

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Nenhum destes reconhece as suas próprias responsabilidades ou se declaram arrependidos, ajudando a perpetuação do mau uso da verdade, dando um salto na memória do tempo. Eles, governo e oposição, gostam de fazer banga em seus four-by-four com vidros esfumados; um dia isto vai acabar!

CHINOCAS2.jpg Eles, os mwangolés, surgem com um verbo fácil de fazer milagres, olhos vivaços para resolver problemas fúteis ou bizarros… Escondem os detalhes mais sórdidos, engenhosos e enganosos dos anos loucos de suas vidas desde antes do tundamunjila de 1974/75. Em Angola, como se todos tivessem sido simultaneamente vitimas e verdugos sem nenhum procedimento penal, relegam a denúncia em nenhures. Nenhum arrependimento e consequentemente, nenhum perdão!

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Sem nenhum sentimento de justiça viram a conjuntura a seu favor fazendo até leis cómicas, esquecendo-se a propósito de que representam o povo. Ainda se fosse uma revolução cultural!  Sendo assim pergunto-me: - Como é possível que estes governantes não tenham vergonha ao se confessarem socialistas ou capitalistas quando em verdade são kapianguistas.

poluição.jpg E, só falam daqueles que os contestam, dos gatos que apanham ratos; brancos ou pretos, pouco importa. Pois! O rato rico contra o rato pobre tornando-os donos dum livre-arbítrio; com um poder resguardado por “insuspeitos” bajuladores que os ligam aos chinocas sem qualquer concepção de práticas democráticas, quando se trata de marcar o estilo.

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E, o mundo não responde aos problemas dos direitos humanos, da certeza das leis, ficando também no seu livre-arbítrio e, dando-lhes obviamente mais prepotência. Quero, mando e posso! Assim progridem no tempo sem nunca acertarem as contas sem cultivar as virtudes de benevolência ou de sabedoria!

CHINOCAS1.jpg Nesta zoada de comportamentos e muito carregados de prosápia metem-se com os chineses sem nada saberem sobre estes! Os chineses têm dentro de si um vazio e, cada qual o preenche à sua maneira. O pitoresco, a liberdade e o exótico são conceitos estranhos  à sua cultura… E, eu aqui a recordar-me que as feras foram largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 do MFA do M´Puto; nesse tempo em que os partidos-movimentos chegaram à Luua com mais armas do que bagagens…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:16
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CXCI

AS RELAÇÕES ANGOLA – PORTUGAL – 24.01.2018

Já se passaram quase 43 anos depois da independência. Muxoxos de lusofodiaste…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Um senhor fardado com um pijama às riscas, sentado num sofá de orelhas olhando para o infinito, babando-se pelo canto esquerdo descaído, insensível ao cérebro abanado por uma trombose. Com a lentidão das coisas graves e titubeadas com muxoxos – Hum, pois, não sabe; a kalashnikov, os turras, a febre do poder… E, eram bolas de trapos, meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme?

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Nesses tempos ainda nem sabíamos que isso era uma liberdade linda! Nem conhecíamos as filosofias do mal… Nos intervalos dos lapsos de memória quase petrificado ele, o velho Tenente-Coronel fala tudo desencontrado no tempo e no espaço; efeitos da Luua no quarto decrescente, penso eu-de-que!

MIRAN1.jpg A juntar pedaços de memória com Pattex de cola pregos, tentando reconstituir acontecimentos escondidos nas costas, enclausuradas… Não perguntava mas queria saber e inventava – Quando que fui Tenente-Coronel… Pois! Queres ver que agora é preciso ser preto para se ser angolano. Tens duvidas ou quê? Nem correndo na diagonal ou vivendo em tecto de zinco, taipa ou de bosta chapada… e, havia uma mistura de coisas com acontecimentos, tudo no mesmo molhe. Ordenei-as como pude!

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Entre a vida e a morte as diferenças estão nos pormenores pois algumas são demasiado trágicas e outras muito, por demais sofríveis… Ele teve a sorte de morrer num ai, repentinamente (falava dum monstro, talvez um tal de imortal do MPLA); nem a viu aparecer, a bala do mona-caxito… Movimentos das FA com seus militares guedelhudos e revolucionários esquerdistas do M´Puto…

jatiu3.jpg A tempestade vingativa dos habitantes da Luua, dos musseques, abateu-se sobre os comerciantes brancos. E foram primeiro os fubeiros, depois os taxistas e a seguir já o eram todos os brancos. Os fubeiros tinham fama de trapaceiros e os taxistas de reaccionários. Entre a vida e morte as diferenças estão nos pormenores, repetiu… Sua cuca estava mesmomesmo pifada mas, eram coisas passadas, reais.

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Quitandeira de filho atados com lenços do Mobutu com quindas cheias de loengos, gajajas ou sape-sape… candengue ranhoso abanado no caminhar, dando cabeçadas na mãe por entorpecimento entre apertos de multidão pra apanhar os chapas (táxis populares da quinhenta) do Zambizanga…. - Pois! Queres ver que agora é preciso ser preto para se ser angolano! Repetia isto a todo o instante como se fizesse funje numa lata de leite Nido nas obras da Brito Godins.

ciga5.jpg Os primeiros foram expulsos dos musseques, à força e com o medo a estalar em fogos de very-lites, arcos-íris de granadas às centenas produzindo efeitos imediatos – É agora ou morres! Pópilas, ou morro ou mato! Mas ali só havia prédios. Creio que estava a ver a avenida Brasil da Luua! E, eram centenas; despojados dos pecúlios foram pedir ao lobo mau das NT – o mesmo que MFA a ajuda que nunca lhes chegou.

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Era a frente para a fuga ao invés da fuga práfrente, algo já estudado pelos frentistas a fim de se efectuar o abandono, uma táctica nunca vista nos anais da lusofonia. Esta tornava-se conhecida aos poucos entre muxoxos de lusofodiaste; uma teoria que funcionou átoa, mas resultou mesmo.…

vazio1.JPG Havia que manipular os espirito inseguros, carregar nos botões certos das almas inocentes, com o fígado incompleto, candengues sem estrutura para os virar monstros desapiedados com o nome de pioneiros… Eram ideias desfibrilhadadas numa antiga dor e creio que se foi no tempo com um sentimento de culpa. Deveria iluminar-nos não é!? Amanhã será outro dia e, foi-se! O Sol não tinha como se abraçar a nós nem podia esperar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CXC

CINZAS DO TEMPO - 19.01.2018
NO TEMPO DAS CARTAS DE CHAMADA PARA A LUUA - ANGOLA DEVE TER SIDO UM SONHO!
- O vapor Mouzinho levou meu pai para Angola; ele levava uma mala caixão de lata com bolinhas verdes e tiras de madeira pregadas com taxas douradas…
MALAMBA: É a palavra.
Por

soba0.jpeg T´Chingange

Há dias e dias! Há dias de um irritado pessimismo e outros de tão naturalmente optimistas que como um carneiro jogamos orgulhos contra obstáculos de repetidas coisas, eternas repetições de males antigos, males de imaginações insatisfeitas, amargas desilusões sem fermento na tristeza. Sem vontade de tormentos, certo! 
O certo é o de que quanto mais se sabe mais se sofre. Há fastio de inteligência! Há tédio! Há vontade de mandar tudo fora e partir vidraças, emudecer brilhos, despedaçar bocejos. Mas, desde quando um carneiro tem orgulho? 

mouzinho1.jpg Tão abarrotado de civilização espreito os meses farejando raças sob o abrigo de suas telhas vãs no calor da lareira, panela atestada de couves tronxas, frigideiras com unto branco de porco, uns chouriços de pendão, panelas tisnadas, trempes de ferro sempre aquecidas entre troncos de oliveira e borralho esparramado:

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Uns traços de números esgravatados na cinza. É meu pai fazendo contas de feira passando os dedos papudos e peludos ora nas frieiras, ora sobre a face pendida, apalpando a testa e aludindo ganhos minguados. Nos fios de gastas crenças, tão corcovado, tão gasto, enrodilhado em suas macias filosofias de mineiro de volfrâmio, lembranças do M´puto, da guerra.

baú3.jpg Embebido, travado e suspirando baixinho, revia sua miúda indecisão de viver recordando-se dum dia. De repente, com um trejeito de esforço endireitou-se emperrado e cresceu! E, falou (é ele a recordar): - Amanhã vou à Companhia Colonial de Navegação inscrever-me! -Vou para Angola! Corria o ano de mil novecentos e troca o passo. E, o tempo passou...

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Falo de meu pai que esgadanhando a vida retirava volfrâmio nos granitos da beira no lugar do Cornelho, freguesia de Rio-de-Loba, terras altas e frias nos arrabaldes de Viseu - terras de Viriato e Sertório...

niassa0.jpg Os gases da segunda guerra ainda lhe amedrontavam os pensamentos. E, até eu sonhei dias depois que ainda pequeno, nos interregnos da brincadeira, guardava as chibitas, cabras que forneciam leite à família com aquele maluco carneiro que se encavalitava para marrar no farrusco, meu cachorro também guardador. Cabrão do animal!

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A Dona Micas barafustava a gritos a cada investida das cabras aos rebentos de suas videiras; eram os meus grandes problemas de vigília com arremesso de pedras e o busca-busca de farrusco. Meus sonhos transladavam-me para as frias terras aonde meu pai em tempos lá no M´Puto disse ter namorado com uma bruxa. Eu até me arrepiava quando falava de lobisomens de um tal de Nesprido... Eu candengue e aquilo a meter medo aos putos, que nem as recentes Urais soviéticas da guerra e, também depois do tundamunjila branco! As guerras aqui ou lá são sempre de kwata-kwata...

baú2.jpg Sentado no muro de pedra solta e no lugar da Maianga da Luua, um dia, vi meu pai seguir na carreira via Cais de Alcântara em Lisboa (de novo aquele sonho duma terra ainda desconhecida); levava uma mala de lata, um caixão de esperança sarapintada de bolinhas verdes sobre um xadrez de riscas pretas reforçada com umas tiras de ripas de madeira pregadas com taxas douradas. 

baú1.jpg O velho vapor de guerra Mouzinho de Albuquerque esperava-o ancorado no rio Tejo. Vendo agora a foto amarelada desse velho barco com meus dedos curtos e papudos, afago a caveira através da face também sarapintada nos anos. Essa mala de bolinhas verdes nunca voltou; lá ficou com outras muitas fotos numa Angola que ele tanto queria. Foi quando decidi ser Niassalês; nascido num barco que agora só é ferrugem...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:14
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXV

ANGOLA DA LUUA XXXV - TEMPOS PARA ESQUECER - 12.01.2018  

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA - Os directores da comunicação social, os poetas activistas do MPLA falavam barbaridades contornadas com apelos à paz…

Por    

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

(Continuação da crónica Mokanda do Soba CXXIX – Angola da Luua XXXIV)

Passados que são 42 anos após a descolonização de Angola, ainda anda por aqui e ali gente a dar um encolher de ombros às lembranças de então, uma opção que não posso recriminar porque são penosas e revoltantes. Prometi a mim mesmo não me enganar continuando a ser eu próprio peneirando as opiniões, falando ou gerindo silêncios. Fale como fale, sempre serei uma carta fora do baralho!

ÁFRICA10.jpg Pelo andar da carruagem revejo-me como um elemento da riqueza soberana do M´Puto dando gorduras aos governos do M´Puto para nos poder gerir. O estado vendeu tudo o que dava lucro a empresas de gestão tais como os CTT, a EDP, as comunicações e surgiram os projectos PIN mais os Visa Golden e, não demorara a venderem também as autarquias e Juntas de freguesia. Nada me admirara depois da nossa entrega ao acaso com a entrega ao MPLA de Angola.  

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Recordo que já muito farto de atropelos, inscrevi-me para uma organização em Lisboa, CIME, Comissão Internacional de Migração Europeia e pouco tempo depois fui para a Venezuela de barco aonde me mantive por seis anos. Continuo a ver que os angolanos da nomenclatura, os mesmos que nos escalpelizaram, continuam a engordar-se nos aconchegos das vicissitudes da porca política.

guerra11.jpg Para não me mentir, terei de continuar esta senda por modo a ser no mínimo, ressarcido moralmente dos muitos desmandos, porque outra coisa não posso esperar! Não estou a ver mudanças palpáveis na conduta dos novos governantes porque estes, sobem até atingir sua verdadeira pretensão: Servir-se da máquina estatal para se acomodarem sugando-nos subestimando a vocação em detrimento dum meio de vida - o seu!

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Não tenho devaneios, este arquivo vai ficar morto como coisas do passado!… No já distante ano de 1975 e sequentes da mesma abrilada, pude ver os latifúndios da lezíria e savana alentejana acabarem sendo destelhados tornando-se montes abandonados. Fizeram festas revolucionárias comendo o gado, roubaram portas e janelas e, enquanto deu foram levantando o punho revolucionário da bestialidade.

guerra12.jpg Seus donos não tiveram alternativa e formavam fila a caminho do Brasil. Vasco Gonçalves lançava cravos à multidão; a mesma que nos cuspia no rosto porque nós, os retornados, eramos uns exploradores de negros! Comíamos seus miolos ao pequeno-almoço e das sobras ainda se fazia panados com pezinhos de coentrada como se borregos o fossem. Alguns envergonhados, dizem agora (ano de 2018) que não era assim!

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Isto tem de ser dito para que os angolanos que por lá ficaram na Luua sofrendo, entendam que nossa sobrevivência também o foi, penosa! Depois de termos sido dados como ferro velho ainda nos retiram raspas de ranho ressequido fora da coisa dada, nossa N´Gola. Em Angola, no dia 17 de Setembro de 1975 começa a evacuação de Sá da Bandeira para Luanda. As condições adversas de futuros incertos, com dificuldades de toda a ordem, seriam sentidas no M´Puto sem bombordo. Uma nau à deriva…  

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Podíamos sentir nossos amigos, vizinhos acampados no porto da Luua para fazerem a estiva de seu pecúlio, suas imbambas; as Kalashnikoves continuavam a cantar por todo o lado traduzindo os dias em centenas de mortos, gente presa, fuzilamentos sumários. O MPLA agrupava seus pioneiros para fazer maka aqui e ali. O Poder Popular agrupava seus militantes como carne para canhão sem o saber divertindo-se também como se tratasse de um festival de pirotecnia.

guerra13.jpg Da ilha da Mazenga podia ver-se lá longe as balas tracejantes riscando o dia e a noite com colunas de fumo negro e branco a excitar o medo duns e os corações de outros. Do lado de cá ainda sonhávamos com um “havemos de votar” mas, n imprevisibilidade a lei e a ordem eram uma fantasia escura, a justiça uma anedota trágica de porrada átoa.

guerra20.jpg Os directores da comunicação social, os poetas activistas do MPLA falavam barbaridades contornadas com apelos à paz; com novas rimas, cantavam makas perfilando sua falas com o MFA, libertando o povo com chavões transformando a rádio num grande megafone desordenando as cabeças. No aeroporto o medo cheirava-se com loucos gritos intercalados com silêncios tornando a moralidade numa batata podrida…   

(Continua…)

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Domingo, 7 de Janeiro de 2018
PARACUCA XXV

MOKANDA DO EDU – 07.01.2018

No tempo em que os chícharos se chamavam de feijão-frade - Uma estória contada doutro jeito

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Não posso falar todos os santos dias em coisas menos boas e, muito menos contigo meu amigo! Tenho de distribuir carinhos mesmo que pareçam carunchosos. Se queres ficar nos trinques com tua saúde bebe bolunga de massambala, enquanto relés. Já te recomendei tremoços, o camarão dos pobres que comidos com casca fazem bem ao reumático! Kiákiákiá…. Pois! O tremoço é um alimento óptimo para o metabolismo, um conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior de nosso organismo. Só que tu não ligaste peva!

camionista1.jpg Nas histórias que podes contar da tua vivência em Angola tens de meter jindungo do bom para apaladar o gosto tropical! Não vem mal ao mundo dizer que essas terras do teu tempo de criança, das estradas poeirentas e esburacadas, ou lamacentas transbordavam de água porque se fossem quimbombo só com os vapores ficaríamos pirucas.

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Depois das tempestades tipicamente tropicais, em que os relâmpagos sulcavam o céu em várias direcções, sempre aparecia a kukia brilhando o firmamento. Aquele cheiro da terra molhada e muito cheia de cazumbi perfumada, brincava com nossas sensações de esquecer o cheiro do chícharo quando ainda nem era feijão-frade. O apetite surgia na curva da nossa vida feito funje com kiabos mais dendém nadado com tukeyas panadas ou peixinhos da horta.

camioneta 3.jpg Com a vida a resplandecer, a natureza impunha-se com suas regras para que isso acontecesse com sentido de vontade. Bom! Há assuntos dessa Angola de asfalto, de progresso, que não deixam de ser uma contradição com as carretas bóhers do tempo da minha avó natural da Madeira. Vejo-a com seu lencinho amarrado em volta as orelhas, ainda desligada do progresso mantendo a tipicidade do seu nascer.

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Tal como ela, minha avó nasceu rude, jeito não burilado como o interior das savanas, das mulolas, das picadas, daquela Angola tão grande. Andando pra trás no tempo convenço-me de que o progresso nunca virá a atingir toda sua imensidão, permitindo assim que fique este genuíno retracto de quando eu era um puto de calções de zuarte e, sem cucas. Assim, os profundos contrastes, poderem permanecer-me feitos selva com os seus profundos mistérios dos maboques, das nochas e dos nombis do Humbe.

bessangana4.jpg Claro que o progresso não se compadeceu com minhas saudades continuando a medrar no seu habitat natural. Além do mais as cidades, as vilas, as povoações ganharam direitos que não podiam ser impedidos. Mas, e tanto quanto sei, as mulolas e t´ximpacas, continuaram por lá com os direitos que a natureza do mato não pode perder.

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Quem se enterrou no barro preto, atravessou rios em jangadas, ou ficou preso nas mulolas, recorda agora o ter sido rebocado para poder sair delas, uma angústia que não se compraz com um passeio turístico por uma estrada asfaltada. Sei que muitos dos Xi-Colonos sintam prazer em relembrar isso com preferência em o fazer naquelas condições; facto que não se esquece a comparar com os tempos de hoje, em que viajar era uma 

Torres0.jpg E, havia os candongueiros a vender fardos de peixe seco levados de Baia Farta e deixando um sulco e cheiro por quilómetros já depois de ter passado. A adrenalina de sair dum lugar sem nunca saber da chegada ao contrário do que acontece hoje com uma panóplia de instrumentos com JPS e telemóvel era coisa! Horários pré-estabelecidos não eram parte do projecto; haveria que levar isso sim, umas patilhas elásticas caso o radiador furasse.

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Levar uns arames para um qualquer suposto imprevisto, umas latas de atum, panela, frigideira, arroz mais batatas para curtir as fomes que no mato são mais agrestes. Levar também uma caçadeira por-se-acaso e também para matar o bâmbi, depois cortá-lo e preservá-lo em sal. As condições de viajar mudaram radicalmente, muito por força das estruturas rodoviárias e ainda pela própria evolução tecnológica das camionetas.

tambaqui6.jpg Recordo em 2013, a ultima vez que estive em África e naturalmente em Angola, o prazer imenso que senti em viajar num four-by-four tendo o recordo daquela magiros roncadora, rompendo picadas, enxotando as capotas e afastando o capim próximo; de novo viver aquela terra de outros tempos, momentos únicos que me trouxeram à lembrança essas outras fases da minha vida e, na qual fiquei colado com grude…

Nota: usando um texto matriz do EDU – Eduardo Torres

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:09
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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018
MOAMBA . XVI

AMIZADES - CRUZES CANHOTO - Bingo! O mundo está diferente. Bem-vindo a uma nova era…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Foi este o Lema que li ao levantar-me; escrito por José Canhoto da Quarteira com o qual me identifico. Tal como ele, aqui em KIZOMBA, ultimamente sem saber a razão e porquês, começamos a receber dezenas de pedidos de amizade diariamente no Facebook de angolanos, brasileiros/as, gente da mauritânia e arredores, dos países do leste europeu entre outros do globo.

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A percentagem pode ser distribuída da seguinte forma: 95% de mulheres e os restantes 5% de homens. Tal como Canhoto, cheguei a várias conclusões: Todas elas têm idade inferior a 30 anos, a grande maioria tem filhos sem serem casadas, outras fazem publicidade á venda de sexo explicitando os diferentes menus e os “saldos” respectivos a pagar. Cumcamano!

etosha6.jpg E, os petiscos são “variadississimos”. Definitivamente neste aspecto de venda de sexo nota-se uma evolução negativa nestas redes sociais. Eu bem digo que ando carunchoso mas, contudo, o facto que mais me surpreende, assusta, causa pena e dó pelo nível educacional como escrevem.

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É sempre uma escrita em desacordo com as habilitações literárias que dizem ter e das várias universidades angolanas e outras que frequentam ou dizem ter frequentado. No tocante a Angola, os erros de sintaxe são arrepiantes em cada duas palavras ofendendo a língua de Camões. Choram dolorosamente da forma como a sociedade, maioritariamente angolana, as crucificam e maltratam (entenda-se aqui como sendo os homens).

amigo0.jpg E, no que toca a Angola, acho também que o Governo deveria ter abolido todos os resquícios do colonialismo português incluindo a língua e optar por um dos mais populares dialecto angolanos o umbundo, o kimbundo ou quicongo, só que tiveram receio de ficarem sozinhos a falar uns com os outros sem nunca se poderem entender

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Compreendo assim, a razão por que Angola vai ficar condenada a viver num sistema neocolonialista pelos próximos 200 anos e terem que ter profissionais estrangeiros competentes a fazer os trabalhos que lhes competiria. Infelizmente, não me parece que consigam atingir a sua maioridade neste espaço de tempo.

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Se em todas as outras actividades profissionais a ignorância dos angolanos é idêntica á forma como escrevem a língua de Camões, a diferença entre hoje e de quando foram achados em 1482, pouca diferença faz no que respeita á sua literacia.

louva8.jpg Qualquer aluno do ensino primário em Portugal escreve bem melhor do que os angolanos a frequentarem as universidades. O Brasil também enferma desta visão. Tal como Canhoto, estudei em Angola e, a qualidade do sistema educacional que os colonialistas portugueses tinham lá implantado, não tinha qualquer comparação com os que os angolanos usufruem 42 anos depois a independência.

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Esta constatação leva-me também a concluir que os angolanos nem sequer ainda gatinham depois de 42 anos de bafunfa. Continuam reféns e dependentes de tudo e todos como bebés que precisam de pais adoptivos estrangeiros sendo a maioria e agora, de chineses que os preenchem, fazendo tudo o que estes precisam para sobreviver. Não demorará a saírem da esfera do dólar e entrar na do Yuan.

paulo0.jpg Retirem todos os estrangeiros de Angola e deixem de importar tudo o que precisam para viver e, veremos o tempo que demorará a que todos voltem para os campos tal como sempre o fizeram ao longo de 500 anos plantando o necessário para comer. Não é preciso ser sábio para adivinhar o destino dos angolanos se rapidamente não definirem as suas prioridades e, sendo a primeira o de se verem livres do partido que os governa desde 11/11/1975. Deixo aqui as minhas vénias a Canhoto por este interessante alarme…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:52
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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2018
KIANDA LII

“O mito dos Santos“ - Trata-se de um conto vulgar com uma notória lacuna: Os Santos nascem brancos!

Por

soba0.jpegT´Chingange

Foi mesmo no prefácio que a vida de Sexta Feira começou a ser utopia! Ele aconteceu vir nuínho da silva, gritar logo sem que ninguém lhe entendesse. O labirinto de suas falas ainda não eram verdadeiras, de nariz achatado e ainda branco, um pouco para o vermelho e, já lhe diziam ser parecido com seu pai, Domingo de nome.

ÁFRICA3.jpg Sua verdadeira mãe ali do lado já era Segunda e, todos juntos eram Santos. Como então? O pai se chamava Domingo dos Santos, sua mãe, Segunda dos Santos e, ele vinha assim mesmo Sexta Feira dos Santos. Nunca que ninguém lhe vou esquecer, que nasceu branco; depois virou preto mesmo!

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Na sua pele enrugada Sexta Feira já arrastava sua missão de vida com dificuldade de premonição quando os olhos dos outros se comoveram feito chuva de Colomboloca e Zenza do Itombe só porque sua cor se tornou mais retinta que a do seu pai Sãotomense. Que assim seu livro de vida mesmo sem prefácio, já era mesmo no gerúndio!

ama3.jpg Ele, Sexta Feira fez assim, assim com sua mão pequena e já sua tia mandava palpite de que você vi ser engenheiro. Como é!? Porquê falas isso, perguntou sua mãe de Segunda Feira dos Santos. Porque sua mão logologo, disse Lurdinha dos Santos na resposta elogiosa: seus traços que viu na ternura e da firmeza de sua mão como no rodar duma chave de busca-pólos.:::::5Sim! Vai ser engenheiro de electricidade e dos petróleos! Afirmou quase peremtóriamente como supra numerária das linhas mestras no futuro do candengue. Tem gente assim, predestinada a grandes falas! O mito é assim mesmo, um nada que é tudo como o sol que abre nos céus.

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Eu, T´Chingange amigo só de vizinho lá no Caputo, fronteira da madame Bergman e Bairro Popular número um, machimbombo numero vintidois da Terra Nova, branco de segunda mesmo, assombrava-me com os compromissos, palavras só faladas para não ficar assim sem compreensão de nada dizer! Entendem? Pópilas, não kopelipem! Tem muita gente assim; fala, fala, mas não diz nada mesmo!

maianga do araujo.jpg Cá para mim, era mesmo uma criança de um indefinido feio, mais parecendo ao Mobutu Sese Seko Kuku Ngbendu Wa Za Banga muito mais ainda que o seu Patrice Okí Assombro Lumumba; ambos do Kongo. O primeiro que foi presidente feito onça comedor de coração de macaco e o segundo que também foi, mas morreu com um tiro nas partes, lá por 1961. Há assombros que batem certo!

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Estava mesmo a ver Sexta Feira correr descalço, pisar nos tabaibos da gente, e ficar assim fulo, mesmo de lixado, e só átoa. Cada um tem seu caminho e não foi em vão que só ainda nem acabou. N´Zambi é que sabe de como fazer, agora só mesmo falar de elogios, dos traços e coisa e tal, da geração e nem sei que mais - está mal!

menino2.jpg Porque às tantas, vai ser presidente, ficar dono do nosso kumbú e, nós aqui olhar o vínculo de suas linhas com palavras sem glossário nem nada. Juro! Foi nesse então que disse: Este caminho de antes que seja, vai ficar muito mais pior e, de Santos mesmo, só o nome se vai salvar. O diabo mesmo é que ele pode vir a ser.

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Depois de muitos anos concretizou-se a profecia. Dos Santos era um filho da mãe Segunda! Como vai então um povo andar práfrente, ir ser assim um Santo que nunca mesmo o foi?! Não foi em vão porque só ainda não aconteceu. Tambulakonta, a história mesmo, é muito mentirosa.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:14
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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