Sábado, 19 de Outubro de 2019
MALAMBAS . CCXL

UM CACTO CHAMADO XHOBA . XX – 18.10.2019

TEMPOS DE DIPANDA NO OKAVANGO - Boligrafando estórias com a Kianda Januário Pieter e missossos - Na Dipanda*, nossas vidas têm muitos kitukus

Por

soba001.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

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Nos dias que se seguiram na beirada do rio Cuando que aqui tem o nome de Okavango e, do outro lado da margem, no lugar de Ovambolândia da Namíbia, Januário Pieter - a kianda, já aparecia no D´jango de Mukwé sem fazer aquela fumaçada com cheiro a mofo de trezentos e noventa e quatro anos. Embora tivesse sempre aquele jeito e forma de holográfica figura, assim como uma máscara de cera repenicada de minúsculas partículas fosforescentes encarquilhadas de velhice, era cordato e sempre aparecia com um cheiro silvestre diferente, misteriosamente mais penetrante do que o perfume “Aramis”.

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As tardes continuavam a fazer-se vermelhas no horizonte poente e, de vez em quando, umas bátegas fortes de água precedidas de trovões que rebolavam o sótão de nossas cabeças até esconderem entre carregadas nuvens; estas, refrescavam o ar muito áspero de tórrido calor sentindo-se em seguida aquele cheiro que sai da terra. João Miranda do Mukwé, o branco quase lenda que também sabe falar com estalidos como os khoisans, fazia por estar sempre presente. As conversas eram bem variadas mas o mote mais interessante dos diálogos vinham da sapiente Kianda.

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Januário, tinha o condão de nos prender às descrições com efeitos de arrepios, uma reacção de outro mundo, sensações tão estranhas que até parecia navegarmos numa dimensão quântica, coisa que nem sei bem definir porque for vezes nosso corpo ficava num formigueiro agridoce. Nesta conversa rebrilhando actos antigos, Pieter sempre buscava recordar coisas de Angola. Claro que eu e Miranda estávamos propensos a coisas acontecidas e, que o tempo embrulhou junto dos mujimbos embrutecidos. Nossos sentidos apurados ouviram então:

- Carlos Fabião, o general vermelho designado para lidar com o PAIGC e Flávio Bravo, membro do bureau político de Cuba, em Julho de 1975, encontram-se com Agostinho Neto no Congo Brazaville.

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Demos em sintonia uma golada de supetão no café saído quentinho da chaleira ali na fogueira do D´jango. Aquelas gotas de cachaça do M´Puto no café mistura de Amboim com S. Tomé eram mesmo as requeridas para os ouvidos, uma comunicação interna entre estes e o canal digestivo. Januário depois de um compasso de espera continuou: - Fabião, Flávio Bravo e Agostinho neto, acordam os pormenores da participação Cubana na Operação Carlota e que ficou conhecida como a Batalha de Luanda. Entre Maio e Junho Fidel de Castro inicia a concentração de unidades em Cabinda e em Julho, acelera a infiltração de seus legionários em Angola, jovens da Academia Militar de “Ceiba del Água”.

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Castro, pede ao Coronel Saraiva de Carvalho mais recursos para o MPLA e condições de infiltração em Angola em sítios estratégicos ao redor de Luanda. Assim, a partir de 26 de Julho de 1975, começam a chegar ao Ambriz em aviões C-130, batalhões de Catangueses que antes actuavam na Lunda contra o MPLA: Estes guerrilheiros Catangueses, dissidentes do então governo de Kinshasa, num total de 6000, foram aliciados a servir o MPLA em um acordo secreto em terras do Leste de Angola; o vermelhão Rosa Coutinho liderava estas diligências.

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Embevecido, João Miranda do Mukwé era todas orelhas! Resmungava como que rosnando e eu ali em pulgas tremendo de ansiedade numa overdose, mais um trago e escutando: -Esta complexa Operação Carlota, consistia em assistir ao MPLA a fim de tomar a liderança na tomada de Angola, formando uma ponte entre Cuba e Angola. Tropas e material eram embarcadas em velhos aviões Britannia na base de Holguim, a ocidente de Cuba; estes aviões faziam escala em Barbados no aeroporto de Bridgetown.

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A intervenção Cubana em Angola, nos inícios de 1975, não foi uma reacção à invasão Sul-Africana remata Miranda saído da letargia aparente; isto é posteriormente afirmado pelo General Cubano Rafael Del Pino, concluiu. Neste relato da conversa com Januário Pieter recordo agora que até lhe tinha tirado o rumo da conversa pois que o interrompi ao perguntar de como é que foi desmantelada a força da FNLA. A isto, a Kianda respondeu-nos: - Diaz Arguelles responde às forças de Holdem Roberto com a artilharia reactiva de 122mm (misseis).

A partir de cinco de Novembro, 650 tropas especiais de artilharia às ordens do General Pascual Martinez Gil, chegam durante 13 dias ao aeroporto de Luanda directamente de Havana.

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- Migs 21, saídos do antigo Aeroporto Craveiro Lopes à guarda dos Tugas, picam sobre as forças de Holden Roberto além Kifangondo, chacinando-os, ... Um massacre, ... Morreram como coelhos. – Meus amigos, se quereis saber mais pormenores, têm de falar com gente Kianda de Bom Jesus, Catete e claro da Praia do Sangano em Cabo Ledo. Talvez alguns kotas de lá, vos possam contar estórias desses primeiros e últimos dias da Operação Carlota pois que tiveram de conviver com os Cubanos, oficiais que por ali passaram tais como: Abelardo Colomé Ibarra, Lopes Cubas, Freitas Ramirez, Leopoldo Cintras Frias ou Romário Sotomayor. De todo o modo a Kianda Mr. Google vai dando mais alguns detalhes! (... Mr. Google? …)

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Fidel de Castro ao enviar suas tropas a 14.000 km da costa cubana, respondeu ao trato com seu amigo Agostinho Neto e seu Movimento para a Libertação de Angola (MPLA), que acabava de chegar ao poder após a retirada portuguesa. Neto enfrentava a ameaça das guerrilhas de Holden Roberto “apoiado pelo Zaire” e da União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), de Jonas Savimbi, que agia com o respaldo e participação da “África do Sul”. Velhos e novos aviões e navios mercantes entram em cena. Castro em Outubro de 1975, enviou um contingente militar por avião através do Congo-Brazzaville, para impedir que aquelas forças tomassem Luanda antes de 11 de Novembro, dia que se proclamou a independência. Mais uma vez, adiamos nossas odisseias com os khoisans…

áfrica19.jpg Nota: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

GLOSSÁRIO: Boligrafando – escrevendo com esferográfica; Januário Pieter – Uma assombração, kianda assistente, calunga das águas; Mujimbo – boato, diz-que,diz; Khoisan - bosquímano, homem do mato; Missosso – Conto breve de cariz popular em Angola; Kituku - mistério; D´jango – Casa de reunião, lugar de assembleias do povo;

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:35
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Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019
MALAMBAS . CCXXXIX

UM CACTO CHAMADO XHOBA . XIX – 11.10.2019

TEMPOS DE DIPANDA NO OKAVANGO - Boligrafando estórias com a Kianda Januário Pieter e missossos - Na Dipanda*, nossas vidas têm muitos kitukus (mistérios)

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

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A verdade é como o azeite, vem à tona de água com o tempo; as memórias que antes eram mugimbos, tornam-se agora verdadeiras. Já a tarde se fazia noite quando eu e Januário Pieter nos voltamos a encontrar na beirada do Okavango e desta feita com João Miranda do Mukwé, o branco quase lenda que também sabe falar com estalidos como os khoisans. Foi este o homem que chefiou esses especialistas do arco e flecha na invasão dos Sul-Africanos do Batalhão Búfalo- 32 tendo chegado às margens do rio Cuvo - Keve junto às quedas da Binda, entre a Gabela e o Sumbe… Após um pequeno estampido, um fumo feito holograma faz-se gente, e nós, num surpreendido susto, demos cada qual seu salto entornando os copos de cerveja Windhoek em nossos zuartes. Este inesperado susto deu lugar aos comprimentos perante a admiração espacial de Miranda. Tive de, muito na calma dizer-lhe ser este velho senhor uma Kianda que me acompanha desde nosso primeiro encontro em Jablines de Paris de França e quando pela primeira vez fui ao famoso parque da Disneylândia com minha neta!

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Surgindo de quando em vez, ali está ele a clarear coisas obscuras que ocorrem em nossas cabeças, coisas ainda por falar entre nós mas que ele desbravou em sua lanterna fosfórica do tempo. E sem mais nem porquê ali está ele pronto a falar connosco por via de pensamentos dúbios que normalmente vociferamos nas conversas banais. Essas coisas da arca-da-velha a fazer de vírgula nos acontecimentos. Só direi que este kota Kianda, seco de carcomidas carnes tem a bela idade de 394 anos. Como o tempo não nos rugia, recordei depois dum abraço longo e largo do tempo em que sentados em uma esplanada “Plaza Mayor” de Burgos de Espanha, ouvi Pieter descrever as descobertas feitas na sacristia do “Monastério de la Cartuja”.

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Recordo dez anos trás teres-me dito que um teu tio seguindo as pisadas de seu pai Lestienne não sei das quantas, francês, poderia escrever em um livro sobre as judiarias ainda não reveladas da estória difusa e confusa do início da reviravolta em Angola. Não me esclareceste isto nessa altura porque estavas com pressa. Também afirmaste ser isso tarefa para mercenários da escrita ou fazedores de mambos, recordas? Miranda assistia à nossa conversa sem vislumbrar peva de qual era o objectivo desta longa introdução assim sem capítulos nos preâmbulos mas, logo espevitou as orelhas quando se falou na alteração do rumo à história da guerra daquele tempo no lugar de Cabo Ledo e na praia de Sangano. Pois disse eu abrindo as duas mãos solicitando atenção Pieter! Em verdade tu (ele) falaste das meias verdades contadas por Pepetela e um tal de Tchiweka, o homem segredo conhecido por Lúcio Lara, o grande ajudante em campo do Vermelho Rosa Coutinho, o Almirante.

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Não! Não é bem assim como dizes, disse abanando seu templo reluzente de sapiência: Esse meu tio de há quatrocentos e dez anos atrás, rumou até Cádis e no Puerto de Santa Maria no Sul de Espanha embarcou à descoberta das Américas. Ele nunca esteve em África! Agora essa estória de Cabo Ledo, minha terra natal, é só minha! Fui eu que a vivi! Diz peremtóriamente para ficar claro na minha debilidade. Pois é, fiz confusão pela certa, disse eu fazendo um trejeito de muxoxo mal disfarçado para Miranda do Mukwé inclinando a cabeça na forma de dizer aconteceu… Pude ler seu pensamento: - Aguenta parceiro!

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Mas, o que é que esta Kianda de trezentos e noventa e quatro anos sabia das artimanhas do glorioso PREC - Processo de Revolução em Curso, do MFA – Movimento das Forças Armadas do M´Puto, combinado unha com carne com o glorioso MPLA? Isso! Das coisas que desconhecíamos ao pormenor por tão bem escondido de todos. A verdade é como o azeite! Rosa Coutinho marinheiro, foi o oficial de aviário mais verdadeiro na história recente dos Tugas pois que teve o seu início numa gaiola. Em verdade, foi Holden Roberto como patrulheiro da fronteira do Zaire que fez passear em jaula como um macaco, o Vermelho General. Bem! Isto já era do nosso conhecimento, meu e de Miranda…

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Como já disse, as aventuras não têm tempo, não têm princípio nem fim, são uma permanente descoberta de novos pedaços de infinito. E, Pieter descreve: - Por entre os cactos das barrocas, entre a bruma da maresia e clareando, vi centenas de militares percorrer o areal, reunir apetrechos de guerra, subir para carros do tipo unimog e galgarem a montanha da costa a caminho do quartel, uns galpões construídos lado a lado e que seriam as primeiras casernas daquela gente que vim a saber pouco depois serem Cubanos. Estávamos em fins de Julho do ano de mil novecentos e setenta e cinco.

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Mas, interrompo: - Os Cubanos, pelo que consta, só a cinco de Outubro desse ano, é que chegam a Angola. Foi o que sempre disseram quanto à ajuda pela União Soviética através de Cuba - Pois, (...) vocês souberam o que Rosa Coutinho queria que soubessem. Foi na praia de Sangano um pouco a norte de Cabo Ledo que desembarcaram os primeiros homens comandados pelo General Raul Diaz Arqueles. Ali descarregaram os primeiros complexos móveis de defesa antiaérea “Strela”; os instrutores deste equipamento sofisticado estava a ser coordenado pelo Coronel Trofimenko que a partir da Republica do Congo Brazaville eram enviados numa primeira fase em aviões mais pequenos para a pista de aviação da Kissama em Cabo Ledo.

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Andrei Tokarev afirmou que o seu comando enviou oficiais e sargentos que se aquartelaram em instalações abandonadas pelos Tugas: estes quarteis contornavam Luanda que em sequência das orientações do agente vermelho Rosa estavam ao abandono. Por esta altura desde Kifangondo passando por Katete, Colomboloca, Kassoalála, Kassoneca, Dondo, Massangano, Muxima, e descendo o rio até a foz do Kwanza e Cabo Ledo já estava tudo queimado: Ficaram algumas estruturas de pé para assegurar bivaque aos novos guerrilheiros e instrutores do MPLA.

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- Tudo o descrito só é possível a partir da chegada a Luanda do Vermelhão Rosa como Presidente da Junta Governativa de Angola precisamente em Julho de 1975 -Estava tudo traçado, continua Januário Peter. Rosa Coutinho, tempos antes como Alto-comissário escreve uma carta timbrada do antigo Gabinete do Governo Geral de Angola a Agostinho Neto, presidente do MPLA nos seguintes termos: “ Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do processo: Aterrorizar por todos os meios os brancos, matando, pilhando, e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos,...” A Carta é datada a 22 de Dezembro de 1974, terminando com saudações revolucionárias, a vitória é certa, seguindo-se a assinatura, Alves Rosa Coutinho, Vice-Almirante.

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Recorde-se que a tropa Tuga, foi proibida de entrar nos musseques a fim de proporcionar “O poder popular”, simultaneamente retirando as armas em posse dos brancos. Há muitos buracos por preencher. Lúcio Lara, o “Tchiweka”, já pode desvendá-los, antes que se deturpem. Isso é verdade sim! Mas, nessa altura o assunto tinha explodido as veles de ignição de nossos medos, nossas preocupações; nossas cabeças eram uma revoada de coisas ruins…Vivi esta estória amigo Januário, disse. E, acrescentei: - O medo tomou conta de todos com ajuda da FUA, liderada por um tal chamado de Falcão, acrescento eu para a Kianda do Cabo Ledo. Falcão ou falsão? Disse João Miranda do Mukwé. Neste início de noite ficamos assim sem mais falar dos Khoisan…

miran03.jpg Nota: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:27
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Quinta-feira, 10 de Outubro de 2019
MALAMBAS . CCXXXVIII

UM CACTO CHAMADO XHOBA . XVIII – 26.09.2019

TEMPOS DE DIPANDA NO OKAVANGO - Boligrafando estórias e missossos - Na Dipanda*, nossas vidas têm muitos kitukus

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

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Falando dos Khoisans neste ano de 2019, não sei se os exploradores Tugas de outros tempos davam importância a alguns factos mas, se o fizeram ficaram relegados para segundas núpcias de estudo nos cadernos africanos do tempo da tzé-tzé. Serpa Pinto recebeu a missão de estudar no Alto Zambeze a construção de uma linha de caminho-de-ferro que assegurasse a ligação do lago Niassa com o mar; apoiado com uma forte coluna militar, junta-se mais tarde no baixo Catanga a outra coluna portuguesa vinda do Bié, sob o comando de Paiva Couceiro.

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Portugal deu assim início a várias acções de ocupação naquela área de África entre 1887 e 1890; Artur de Paiva ocupou o Bié e Paiva Couceiro foi enviado para o Barotze aonde numerosos sobas prestaram vassalagem a Portugal, procedimentos daquele tempo. Tendo isto em vista, os ingleses começaram a aliciar os chefes indígenas das regiões visadas, incluindo aqueles que já tinham prestado vassalagem a Portugal como os Macololos e os Machonas e até o célebre régulo de Gaza, Gungunhana. Os resultados da Conferência de Berlim, acordaram Portugal para a realidade – Sua força estava depauperada…

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Se bem que o esforço estratégico tivesse sido orientado para África após a perda do Brasil, pouco se tinha feito por via da instabilidade da vida político-social da Metrópole, o M´Puto e das extensas vulnerabilidades existentes. Tendo eu atravessado o Botswana em inícios do século XXI retive da estória que este país começou a ser desvendado por exploradores a partir do século XVIII, dando-lhe o nome de Bechuanaland mas, após a sua independência a 30 de Setembro de 1966, toma o nome de Botswana com junção do prefixo "bo" que quer dizer homem em língua Bantu a de "Tswana", nome da tribo mais numerosa daquelas paragens.

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Antes dos pormenores descritivos da viagem em terras do fim do mundo saindo e chegando ao Divundo de Caprivi, lugar dos Miranda do Mukwé e, um entroncamento de vivência de diferentes países, convêm relembrar que os aborígenes habitantes ancestrais do Botswana foram os bosquímanos (bushmen), khoisans, caçadores-recolectores que se espalharam pelo grande Kalahári e deserto do karoo. Em uma outra viagem anterior tive oportunidade de observar estes indígenas errantes no seu meio natural; foi no Kalahári Gemsbok National Park entre Twee Rivieren e Bokspits, um lugar ermo, divisão de fronteira que os vi pela primeira vez e, em uma situação não previsível..

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Ali estava um grupo entre a picada usada na mulola de um rio seco e, que paramos para fornecer água a esses pequenos seres de tês parda, secos de carnes, vestindo pequena tanga taparabos; deslocavam-se em pequeno grupo com algumas lanças e flechas mais apetrechos simples. As mulheres distinguiam-se por levarem ornamentos na forma de pulseiras nos tornozelos. Enchemos suas cabaças ouvindo um linguajar de estalidos do jeito de macancala que creio ter sido de agradecimento, misturados com sopros de suspiros e aspirações guturais do qual nada se entendeu. As mulheres levavam imbambas de cozinha, enxadas de ferro afiado e enfiado no nó de um tronco robusto a fazer de cabo e trastes envoltos num saco em cabedal. Tudo estava suportado nas costas por uma tira ornamental e larga com bonitos desenhos que se ajustava à testa.

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Realizando regulares eleições o Botswana, ao invés de outros povos de África, é considerado um exemplo de estabilidade política. É um grande planalto árido situado bem no interior de África meridional. É daqui que saem para o resto do mundo os mais puros diamantes dando ao povo um modo de vida melhor equilibrada do que a grande maioria dos países do continente negro. Os principais grupos étnicos são os Tswanas, Kalangas, Khoisan entre outros dos quais os brancos nativos dali e indianos que para ali foram saídos do Quénia, Zâmbia, Tanzânia, Ilhas Maurícias, África do Sul e principalmente do Zimbabwé aonde a instabilidade ditada por Robert Mugabe a isso os obrigava.

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Lendo descrições antigas dos khoisans revejo-me como se fosse Silva Porto a descrevê-los. Magros, ossudos, envoltos em peles de panteras ou chitas e com os cabelos penteados em tranças longas. São estes os grandes caçadores desta parte de África; dóceis e selvagens no aspecto como sempre os referem, descendo e sobindo ao longo das linhas de água, rios que os mata a sede com seus charcos; T´chimpacas naturais com nomes de t´chicapa e, em terra de mwene- mãe nos sertões com nomes de Lubuco ou Lubo, distantes do principal rio, o Cassai, aonde as manadas de elefantes são às centenas.

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Os cadernos coloniais referem que nestas suas correrias e naquele tempo de descobertas, estes, vendiam ao desbarato dentes de elefantes, borracha e mel. O major de infantaria, Alexandre de Serpa Pinto, realizou a viagem de Luanda ao Natal, em 1879; e os oficiais de marinha Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, em 1885 exploraram todo o sertão de Moçâmedes a Quelimane, num percurso de 4.500 milhas no intuito de ligar Benguela de Angola à Beira passando por Tete e, terminando na Beira Moçambique no Oceano Indico. Estas viagens causaram a admiração na Europa e glorificaram o nome de Portugal mas…Mas, tem sempre um mas! Naquele tempo havia um Inglês que dizia que aquilo era tudo dele; chamava-se Cecil Rodes e, este pretendia fazer uma linha de caminho-de-ferro desde a Cidade do Cabo nas terras descritas pelos portugueses como do Adamastor ou das Tormenta até ao cairo no Egipto.

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Pois este, não fez, nem deixou fazer. Um imbróglio que mete o tal mapa Côr-de-Rosa que nunca desabrochou como Flôr. E, tudo apenas para numa farsa diplomática cortar o mapa Tuga a meio... Sabemos agora que este rail chega à Tanzânia mas, diga-se que mais depressa chegaram os portugueses com o CFB à fronteira do Zaire no rio Luau... Com destino à cidade de Fracistown, lá prosseguimos viagem a partir de Maun por estrada pavimentada rolando quilómetros na savana, vendo de quando em vez, aglomerados de kimbos. Com os restos de murmúrios falsos, tinhamos a ideia formada de que o Botswana era um país esquecido com muitos burros mortos na estrada e desordenadas lixeiras, a comparar com outros países aonde impreparados chefes exibem arrogância impregnada de devaneios mal curtidos mas, foi um total engano.

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Logo à entrada em Popavalle ou Popa Falls, um posto fronteiriço, deparamos com o aprumo de agentes aduaneiros que nos atenderam duma forma surpreendentemente civilizada ao invés de outras anárquicas fronteiras aonde tudo se resolve com uns quantos dólares de gasosa. Estes, na forma de quilombos com palhiça em circulo e, a contornar palhotas redondas, rondáveis feitas a barro, bosta de boi e chinguiços, formavam conjuntos harmoniosos numa vastidão de capim ralo. Conhecer a terra é em verdade um laboratório de vida constante porque nos purifica e regenera. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções recolhidas na terra…

lifune0.jpg Nota: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

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GLOSSÁRIO: Mwangolés – os donos de angola, os generais que se apossaram da Nação Angola por via de seu poder libertário; Khoisan - bosquímano, homem do mato; Missosso – Conto breve de cariz popular em Angola; Kituku - mistério; Rundu, – Cidade do Norte da Namíbia, fronteira com Angola no rio Okavango; Potcheftsroom – Cidade sul africana; D´jango – Casa de reunião, lugar de assembleias do povo; Kuito: - Cidade de Angola, epicentro da guerra civil angolana… Taparabo -Tanga pequena; N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Undenge ami mu muamba - minha infância de muamba; mulola – Linha de água que só leva água quando chove; muxito – concentração de árvores ou zona verde no meio de secura generalizada...

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:12
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Sábado, 28 de Setembro de 2019
MALAMBAS . CCXXXVII

UM CACTO CHAMADO XHOBA . XVII 28.09.2019

TEMPOS DE DIPANDA NO OTJOZONDDJIUPA DO OKAVANGO - Boligrafando estórias e missossos– Perto do Okavango, em Fiume- estado livre,  dou-me conta do quanto meu sovaco cheira a catinga… Na Dipanda*, nossas vidas têm muitos kitukus

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

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Andando por terras da Namíbia e antes de chegar ao Rundu, pernoitei no “Estado Livre de Fiume”, uma fazenda quase tão grande como o original Fiume, uma terra situada na Europa, que já foi Italiana, já foi Croata e, desde 1947, pertence à Iugoslávia. Pois isto parece irreal em África mas aconteceu! Dado que os homens para tudo querem explicações, eu também quis saber um pouco da história do lugar aonde passei a noite de 29 de Dezembro de 2014 - cinco anos atrás; surpreendi-me, pois que a este lugar com 14 km2 foi dado o nome de Fiume Rust Camp situada na área administrativa de Otjikango.  

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Ora bem, Fiume foi uma cidade-estado da história contemporânea, que existiu entre 1920 e 1924, actual cidade de Rijeka, na Croácia pelo tratado de Paris e integrada na Jugoslávia no ano de 1947. Este Fiume Lodge e Game Farm, mantêm sua excêntrica soberania ostentando a bandeira da Croácia de forma simbólica. Com metade da área daquela parcela europeia tinha Jorn Gresssmann, um jovem alemão como zelador-mor de uns quantos habitantes khoisans residentes e uns quantos turistas ocasionais que por ali chegaram. Por uma noite fui um fiumano…

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Os demais habitantes são bichos tais como girafas, elands, kudus, orixes, zebras, springboks e avestruzes entre outros de mais pequeno porte como a capota. Tive de abrir três portões até chegar ao conjunto de lapas, chalés bem ornamentados e cobertos a capim do okavango formando um complexo de apartamentos e um outro conjunto formando a recepção, bar, restaurante e cozinha. Entre o bloco de serviços e os chalés lapa em forma oval está disposto um agradável jardim com grama e plantas exóticas ornamentais enfeitando o conjunto com piscina, d´jango de descanso, lugar de braseiro e árvores de porte bonito autóctones. 

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É deveras curioso encontrar assim vastos territórios com uma aparente autonomia especial! Já deparei com isto às margens do Orange com um território chamado de Orândia com moeda própria, bandeira e outros requisitos de gestão diferente do resto do país; do espaço casino de Sun City e Pilanesberg com um estatuto especial e do espaço Farm Parys- Free State às margens do rio Vaal perto de Potcheftsroom.

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Em realidade Fiume Lodge e Game Farm é um oásis no meio de um nada, oceano verde de espinheiras, acácias e muitas outras árvores como a tão conhecida amarula e, da qual é de suas bagas extraído o melhor licor do mundo. Até este núcleo habitacional, tive o cuidado de ir a passo de morrocoi - tartaruga tendo-me desviado de um cágado passeando ao longo da picada. A receber-nos lá estava Jorn desfiando seu austero calendário; deu-nos dez minutos para início do jantar que impreterivelmente era servido às sete horas.

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E, foi muito agradável este início da noite, nós comendo um jantar supimpa, deliciando-nos entre outros acepipes com carne de gnu e de eland fechando com creme de manteiga escocesa, assim ao jeito de baba de camelo. Mas, o mais admirável era podemos ver dali através duma larga vitrina os muitos kudus que ali vinham beber entre avestruzes e springboks como se sentissem obrigação de se exibirem a nós. Foi mais um fim de dia com surpresa inesperada, um “enjoy you stay” no requinte da sempre agradável Windhoek lager.

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Mas e voltando à estória daquele espaço, sabendo que entre os cidadãos de Fiume de etnia italiana, um grande número emigrou por motivos étnicos já quase nos finais da segunda guerra mundial; também para fugir às ideologias de Hitler e suas perseguições aos judeus com outras razões ideológicas, que hoje nos causam forte repulsa. E, sendo a Namíbia um território colonial alemão, aqui fundaram suas "Comunas Livres de Fiume no Exílio" e, à qual aderiram numerosos fiumanos; surgir assim de aqui, um território colonial mais brando nas questões politicas, penso eu, neste nome e, num lugar tão distante.

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Tenho a dizer que a todas as perguntas que me possam fazer, não poderei dar todas as respostas porque nem sempre as estórias e lendas, conservam alguma relação com os factos, transformando-se até em puras fábulas, que será o caso de uma Croácia de 14 km 2 em pleno mato na terra do nada, para satisfazer um sonho de alguém fugido da guerra. A tempo de eu ver o principio do nada, tomei o breakfast às sete horas do outro dia confirmando o legitimo cuidado do Free State, uma simbólica herança, um perfeito sonho de um primogénito em terra de nome bizarros como Omatako, Okavarumendu, Otjssondu, Okakamara, ou Otjinoko. Já só restavam 440 km para chegar à Andara do Okavango.

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Estando já com João Miranda de Mukwé relembrando tudo o que vi no Fiume, aventei a hipótese de se nós saídos de Angola, os brancos maioritariamente, tivéssemos um espaço assim em uma qualquer parte do Mundo, Amazónia na cidade de Fordilândia, um Vale do Vaal em Potcheftsroom ou Okavando, numa área como a do Khaudum National Park, aqui bem perto, talvez hoje pertencêssemos a um “Free State”. Isso é muita areia para minha camioneta, diz-me João Miranda. O Mundo não reconheceria tal coisa! Ou reconhecia? Também creio que não, mas seria bem melhor! E rematei: - Os filósofos, necessitam tanto da morte como das religiões porque, filosofar é aprender a morrer entorpecido.

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Para todos os efeitos, sempre seriamos uns carcamanos brancos a rever os cheiros e sabores de áfrica dos negros. Não é isso o que sempre dizem! Dos slogans dos dois países, Portugal e Angola dissipadas as verdades, ouvidos os verdugos, definitivamente a Vitória ficou para alguns e a Morte para os demais. A gadanha da morte feito catana, para muitos, chegou antes do tempo. Por isso a necessidade de filosofar e, porque no consciente do povo subjugado- NÒS, fica a repulsa, nojo, repugnância e asco de governantes que se perpetuaram imerecidamente no poder…

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Nota: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

okakau1.jpg GLOSSÁRIO: Mwangolés – os donos de angola, os generais que se apossaram da Nação Angola por via de seu poder libertário; Khoisan - bosquímano, homem do mato; Missosso – Conto breve de cariz popular em Angola; Kituku - mistério; Rundu, – Cidade do Norte da Namíbia, fronteira com Angola no rio Okavango; Potcheftsroom – Cidade sul africana; D´jango – Casa de reunião, lugar de assembleias do povo; Kuito: - Cidade de Angola, epicentro da guerra civil angolana… Taparabo -Tanga pequena; N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Undenge ami mu muamba - minha infância de muamba; mulola – Linha de água que só leva água quando chove; muxito – concentração de árvores ou zona verde no meio de secura generalizada;

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:09
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Sexta-feira, 27 de Setembro de 2019
MALAMBAS . CCXXXVI

UM CACTO CHAMADO XHOBA . XVI27.09.2019

TEMPOS DE DIPANDA NO OKAVANGO - Boligrafando estórias e missossos antes e depois do século XX – No rio Okavango, dou-me conta do quanto meu sovaco cheira a catinga… Nossas vidas têm muitos kitukus… um uuabuama da Dipanda*

Por

soba15.jpgT´Chingange - No Algarve do M´Puto

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Indiferente ao tempo e às nossas vidas, estando num lugar chamado Algarve do M´Puto ou Miranda do Mukwé na Namíbia ou em Chaves de Trás-os-Montes, a maioria do povo bushmen – khoisan, o povo mais antigo do Mundo, continuará a viver em choças, cubatas ou libatas cobertas a capim e, em pequenos aglomerados; por vezes estes sítios encontram-se a centenas de quilómetros de distância da cidade mais próxima. Para sua execução juntam uma boa quantidade de paus direitos e de alguma flexibilidade que depois são curvados e enterrados no solo pelas extremidades.

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Estes são amarrados ao centro com mateba ou outras raízes que se rasgam dos caules, uma tira de casca retirada de uma árvore ou arbusto, mas e, também raízes soltas da areia e, que entrelaçada dela fazem cordame. Atravessando eu o Karoo a Sul do Botswana, no Kagalagedi Transfontir Park, cruzei com khoisans avermelhados e secos de pele, só com uma tanga e taparabo. Nem sei como conseguem aguentar tamanho frio que faz de noite naquele deserto aonde até o vento, nem se vê bulir. A temperatura baixa drasticamente assim que o Sol se põe, podendo ir abaixo dos zero graus.

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Depois de passar Askham ainda na África do Sul e, na estrada R31, pude apanhar um susto quando olhei para o conta-quilómetros e vi o ponteiro demasiado baixo; fiz contas e roguei que encontrássemos uma bomba de gasolina mas, nadica de nada, nem carros a cruzarem comigo! – Estamos tramados, disse ao resto dos passageiros, minha mulher, a enfermeira Tilinha e meus dois filhos na idade da felicidade. Não devia ter dito nada porque de repente todos estavam a fazer figas para que a gasolina desse até o purgatório; Desligando o carro nas descidas e balanceando-o na mente, Nosso Senhor, meu tio que está no Céu ajudou e bem até avistarmos a milagrosa bomba do cú do Mundo e onde Judas perdeu as botas…

luderitz14.jpg:::::141

Creio que foi na Via C16 e perto de Aroab da Namíbia que respiramos fundo e de alívio pelo néctar do Nissan 1600. Nosso destino era o cruzamento de Keetmanshoop não muito distante da linha do Trópico de Capricórnio. Percorrendo o deserto do Karoo africano, normalmente vêem-se milhares de acácias com espinheiras do tamanho dum lápis mas, aqui elas eram escassas; havia sim, tufos de arbustos secos junto às pedras, pedregulhos e pedrinhas junto com cactos ressequidos, talvez e em um ou outro sítio a tal planta chamada de shoba…

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Podia ver em 350º, perto e longe morros suaves de um e outro lado da estrada mas, nada de casas, vestígios de gente. De muitos em muitos quilómetros víamos entre um tufo de vegetação, muxito verde, um moinho de vento, daqueles de retirar água do subsolo mas nem gado, nem animais selvagens – um desespero lunar com o calor a desprender-se em ondas do chão. Nestas condições de apaziguar rijezas adversas do mundo, relembro a minha própria singularidade ainda não totalmente definida fazendo-me também num seixo redondo no meio do nada – estou feito ao bife!

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Assim feito seixo embrutecido que rebola no tempo só quando levado pela enxurrada duma mulola penso nas finas e longas varas que formam os arcos daquelas cubatas choças dos bosquímanos, arcos que progressivamente ficam maiores até chegar ao chão. Paus tipo verguinhas mais finas e, que são amarrados aos outros mais grossos na vertical como se fossem os meridianos dum mapa feito mukifo. Na choça é deixado um pequeno rectângulo por forma a permitir a sua entrada e saída – é a porta! Dentro destas terão quando muito umas cabaças de água e umas poucas peles para se agasalharem; não pode ser muita tralha porque em curtos espaços de tempo, mudam de local – seguem o rumo da caça, da sobrevivência, da água e pouco mais para seu sustento.

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Os seus instrumentos são mesmo bem escassos; têm lanças com ponta de ferro como nossos primitivos ascendentes que envenenam com a banha de um verme que apanham ainda em casulo. Chegam a matar girafas com o uso de sua astucia e seu modo felino de andar na mata, pé ante pé e sempre nas mesmas pegadas sem fazer estalar qualquer tronco seco. É mais vulgar usarem lanças e arcos de flechas, transportando mantas para suportarem o frio já referido das noites que chega a graus negativos. Seus pratos são feitos de abóboras e os copos de massala ou maboque. São óptimos pisteiros e conhecedores de raízes cheias de água que espremem para vasilhas ou ovos de avestruz.

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Assim falando com Miranda na borda do Okavango, naqueles dias longos e quentes recordamos vidas e coisas depois das tarefas de todos os dias de malembelembe. Coisas de nossas caixinhas do tempo, muitas fotos, falando até dos bilhetinhos de amores, agora sem mambos nem rancores enferrujados ou bolorentos… Nestes estados de kotas, coleccionamos saudades com se fossem cromos engraçados da caricatura de Matateu, Yauca, do Zé do Telhado ou do Lampião e do Mandrak, mais o Homem de Borracha e o Fantasma. Neste tempo de estupor, terra do fiado “civilizado”, de sem respeito, currículo suspeito, como diz meu amigo Zeca: Oh! N´gana N´Zambi! Hoje nem quero falar da “Batalha do Kuito”…

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Estando eu no Reino Xhoba, reino sem rei com cerca de 100.000 súbditos, pertença de vários países de África não posso deixar de falar deles. Gente de palhotas coma a altura certa de uma pessoa no seu centro. Com tão pouco, pensamos loucuras que nem lhes passa a eles pela cabeça e, naturalmente devem ser felizes pois amam, kohisam e têm filhos e falam estalidos ou gesticulam sons guturais com guinchos e expressões milenares que nos fazem reflectir: -Os sentimentos mais genuinamente humanos sucumbem nas cidades; nelas existem milhares, milhões de seres que se tumultuam num sempre desejar sem nunca se fartarem, padecendo incessantemente de desilusão, de desesperança ou derrota sem se poderem libertar do bacalhau, do pastel de Nata e da televisão comandada por gente gira – gays e afins…

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E, Miranda do Mukwé ri-se que nem um perdido com os meus perfumosos linguajares, meus dissabores e muitas contrariedades dizendo: Tu não és deste Mundo! Deixa lá, eu também não sou - Ambos, somos lendas, remata! Undenge ami um moamba… E, Elisabette, sua esposa, dona das xirikwatas, ri-se com o riso mais lindo da savana. Enredos de uma sociedade de tradições, preceitos, etiquetas, cerimoniais, praxes, ritos e um sem fim de serviços e vaidades. Redobrando famílias, o homem vê na cidade a base de toda a sua grandeza e, em verdade, só nela tem a fonte de toda a sua miséria…

Nota: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

araujo65.jpgMáscara de Costa Araújo

GLOSSÁRIO: Askham - povoação da África do Sul; Aroab, Keetmanshoop - Povoação da Namíbia Mwangolés – os donos de angola, os generais que se apossaram da Nação Angola por via de seu poder libertário; Muxoxo- expressão com som de língua com palato em forma de estalo em desdém pelo dito; Maka – confusão, rixa, alvoroça; Khoisan - bosquímano, homem do mato; Missosso – Conto breve de cariz popular em Angola; Kituku - mistério; Uuabuama - maravilhoso; Rundu – Cidade do Norte da Namíbia, fronteira com Angola no rio Okavango; Xirikwata – pássaro que come jindungo; Kuito: - Cidade de Angola, epicentro da guerra civil angolana… Taparabo -Tanga pequena; N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Malembelembe - muito devagar, com cautela; Undenge ami um muamba - minha infância de muamba; mulola – Linha de água que só leva água quando chove; muxito – concentração de árvores ou zona verde no meio de secura generalizada...

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:11
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Quarta-feira, 25 de Setembro de 2019
MALAMBAS . CCXXXV

UM CACTO CHAMADO XHOBA . XV24.09.2019

TEMPOS DE DIPANDA NO OKAVANGO - Boligrafando estórias e missossos antes e depois do fim do século XX  – Recordando o início da Tundamunjila (tunda a mujila). Nossas vidas têm muitos kitukus… um uuabuama da Dipanda*

Por

soba24.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

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Com João Miranda do Mukwé, algures no Shitemo, acabamos as falas da tarde com uns goles de gim com água tónica para espantar mosquitos; o dia a seguir começava ao romper do dia, com o piar dos pássaros, o coaxar das rãs que nem pavarotis a repetir-se com ecos misturados nos ruídos de bichezas como um espreguiçar da natureza. E pela tarde, nossas conversas voltavam a recordar o que foi o tundamunjila (o vai embora), já com a tropa portuguesa chamada de NT – Nossas Tropas, que não o pareciam ser, a dar alguma ordem à desordem. Nos primeiros dias de Novembro de 1975 já era efectivamente o Movimento MPLA que mandava.

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As NT-Nossas Tropas, que tudo cederam ao MPLA, num dever mínimo e institucional, fizeram nos últimos dias a segurança possível nos terminais de comunicações marítimas e aéreas de Luanda, aeroporto civil e militar do porto e Ilha do Cabo controlando o eixo Ilha – Fortaleza de S. Miguel, Palácio da Cidade Alta e Quartel-general. A saída dos portugueses ditos colonos e uma grande parte de gente descrente e medrosa de outras etnias, maioritariamente funcionários brancos, incentivadas a sair por coacção e medo, assim o fizeram como carneiros dirigidos ao matadouro; tiveram assim e deste modo peculiarmente vergonhoso um futuro embrulho de um vazio em troca de uma passagem para a metrópole – o M´puto. Muitos saíram para o Mundo de avião, de traineira, de carro ou tractor e até a pé sem saber qual o destino final. Nova Lisboa, a cinco de Outubro de 1975 era uma cidade morta, aonde ficaram somente trinta brancos. Na terceira semana de Outubro a evacuação do Lobito, Benguela e Moçâmedes estava concluída. Em Luanda a quantidade de deslocados era já muita; superior à capacidade diária de escoamento.

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O conflito não parecia afectar a produção da Golf Oil Americana que continuava a extrair mais de cem mil barris de petróleo por dia. As obrigações financeiras iam direitinhas para o Banco de Angola já com a gestão do MPLA na pessoa de Said Mingas, um antigo colega meu por cinco anos, na Escola Industrial de Luanda. Nenhum daqueles rendimentos iam nesse momento para Portugal. No dia 23 de Outubro a pretexto da invasão Sul-africana e a incursão Zairense, o Estado-maior das FAPLA decreta a mobilização geral de todos os homens entre os 18 e os 35 anos. Este recrutamento abrangia todos os naturais de Angola ou lá radicados. Os estrangeiros teriam de se apresentar nos Postos Policiais para validar e autenticar os documentos a fim de registar sua permanência. Era-lhes dado três dias para tal!

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Naqueles tempos da Luua, todos faziam o que lhe dava na gana com a Kalash na mão disse eu, saltando um pouco no tempo sem definir datas ou horas exactas. Miranda referia algumas agruras do mato da região do Calai, Dírico e Mucusso, posturas de gente impreparada a querer tomar o controlo de tudo e, que originou a sua fuga. A lei, a ordem, a justiça eram coisas quase inexistentes ou anedóticas pela pior das negativas… Um retrocesso ao tribalismo com todas as nuances, tudo muito carregado de misticismo e crenças de quimbandas ou sobas analfabetos e sem o mínimo de preparação para gerir o que quer que fosse. Melo Antunes, Mário Soares e outros encarnados na vermelhidão, decerto lá nos areópagos internacionais, não dissertavam conversas destas com Kissinger porque para estes, tanto se lhe dava que fosse assim ou assado, logo que tivessem o controlo do ouro negro – o petróleo já a sair pelo tubo ladrão da Golf Oil Americana. Alguns de nós, manietados de todo. a tudo assistíamos martelando caixotes, rilhando o dente sem mais poder fazer.

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Ter-se em conta que num vale tudo, o MPLA deu-se ao desplante de meses antes, ir ao Laboratório do Instituto de Medicina Legal de Luanda retirar órgãos humanos para propagandearem em muitos posters, que a FNLA era um bando de antropófagos, que comiam fígados e corações de gente – Uns canibais, afirmavam eles! Já não havia médicos, escasseavam os géneros de primeira necessidade e quanto aos novos supostos dirigentes tinhamos receios. Dos três líderes nacionalistas, era Savimbi o mais inteligente, o mais hábil e o mais forte politicamente para uns; também para mim – também o mais conotado com os militares portugueses no antes da Abrilada.

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Os políticos da nova vaga vermelhusca do PREC não se cansavam de repetir isto e aquilo sobre Jonas Savimbi e sua colaboração com os militares antes do “vinticinco” de 74; para o MPLA, era incontestavelmente seu líder Agostinho Neto, um medíocre poeta com formação universitária em Coimbra – O homem escolhido pelos generais e afins do MFA (Dizem agora, ter sido o menos mau!). Quanto a Holdem Roberto não tinha solida formação política, era um fraco e facilmente corrompido; dependia de Mobutu e dos americanos de uma forma sorrateira mas sobejamente conhecida! Nos muitos dias insólitos daqueles tempos, na meditação actual, encontro factos mágicos na revisão de amigos que me fazem medir o tempo com quartilhos e rasas como se feijões o fossem.

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Amigos, vendendo-se a inverdades ou recorrendo ao esquecimento e, ao não me lembro como se tivessem levado com um martelo amnésico! Nesta minha tirada, recordo o quanto João Miranda riu e riu, engasgando-se. Em um novo dia, internamo-nos numa sinuosa picada de areia a visitar um lugar já conhecido como Suclabo Lodge propriedade duma madame de nome Suzi mas, agora com o nome de Divava Okavango Lodge e Spa, cinco estrelas de “elegant style and luxury”. Cumcamano, disse eu depois de pisar o paradisíaco sítio cheio de coisas “good” logo a seguir a cubatas feitas de barro e capim com dois por dois metros, e muito matutar de como caberia ali um par de gente sem os pés encolhidos.

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Eu, João, Bruno, filhos de Ana Maria e seu tio Alemão Franz lá fomos em uma pequena balsa com motor à popa e um bafana enfarpelado de caqui, seu chapéu de carcamano do Divava, um surtido de águas, refrescos e cervejas na caixa térmica, ate á base dos rápidos do Popa Falls. Naquela turbulência e com nossas canas de carretos, estralhos, amostras bizarras e bizarronas, farfalhudas ou reluzentes, atiramos e recolhemos, atiramos e recolhemos e, por aí, repetido sem nada pescar e, eis que o campeão João num truz recolhe um peixe tigre cheio de dentes pontiagudos aí com uns dois quilos que, foi tudo na soma da pescaria, um tigre e três nadas.

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Pela picada de macadame encrespada de ondinhas já para lá do Divundo, dos vários cuca-shops e cola-colas dos chineses, passamos locais de kimbos dispersos e lodges junto ao rio como o Rainbow Lodge,  Nunda River,  Ngepi Camp ou Ndhovu Safari. Mas foi no Mahango Safari Lodge escondido no denso arvoredo verde e bem na margem do rio que subimos numa barcaça. Passear ao longo do Kavango até quase o Botswana; visitar depois os rápidos e remansos, já com as águas do kuito, águas que inundam o Delta do Okavando; um mar muito antigo a dar vida aos muitos n´dovus ou jambas que conhecemos por elefantes, entre hipopótamos búfalos e outras muitos espécimes.

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Num outro dia, um outro ano e noutro entretanto e, já depois da guerra acabar, João Miranda é convidado a abrir um estabelecimento na capital do Kuando Kubango, Menongue mas, depois de concretizar o envio de géneros de primeira necessidade para um super mercado, vê-se na periclitante situação de ficar sem nada pois que os senhores da nomenclatura local afectos ao MPLA, cada qual tratou de se apetrechar desordenadamente, remetendo o pagamento para o estado, uma coisa assim parecida como um saque. Aqui, eu ri-me em surdina, mas, deu para perceber meu silencioso lixaste-te! Miranda, de novo, ficou a apitar em seco. Disto, nada vim a receber, disse Miranda já muito habituado a estas truculências de dirigentes mwangolés do JES. Sabendo de antemão que neste mundo só os anjos não têm costas, ouço de novo João Miranda: -Isto é mato, amigo!

div4.jpg Nota: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

GLOSSÁRIOBafana – serviçal africano com indumentária de lugar turístico; Mwangolés – os donos de angola, os generais que se apossaram da Nação Angola por via de seu poder libertário; Muxoxo- expressão com som de língua com palato em forma de estalo em desdém pelo dito; Maka – confusão, rixa, alvoroço; Missosso – Conto breve de cariz popular em Angola; Kituku - mistério; Uuabuama - maravilhoso; Rundu – Cidade do Norte da Namíbia, fronteira com Angola no rio Okavango; Xirikwata – pássaro que come jindungo; candengue: - moço, rapaz; Luua: - Luanda, capital de Angola; kuito: - Cidade de Angola, epicentro da guerra civil angolana…

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:08
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Terça-feira, 24 de Setembro de 2019
MALAMBAS . CCXXXIV

UM CACTO CHAMADO XHOBA . XIV 21.09.2019

TEMPOS DE DIPANDA NO OKAVANGO - Boligrafando estórias e Missossos uuabuama da Dipanda* – Recordando o início da Tundamunjila (tunda a mujila). Nossas vidas têm muitos kitukus…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

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TEMPOS PARA ESQUECER – Sentados no alpendre da casa do Mukwé, totalmente feita com madeira de primeira das matas do Cubango, e ainda no século XX, olhando o rio Cubango (Okavango), ao sabor de um café colhido, secado, torrado e moído no local, eu e João Miranda conversávamos sobre a terra de que fomos obrigados a abandonar. Eramos ambos da mesma opinião: Muitos dos “libertadores de 75” os mwangolés de hoje, sonhavam com a casa, o lugar de director, o carro, os privilégios e as posições dos colonos que vendiam peixe frito ou carne seca lá no mato.

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Por vezes em muxoxos, referiam também ficar com a mulher do colono – um desvario alimentado pela midia do M´Puto, pelo MFA e seus generais da mututa. Em Angola “conquistaram” isso, a independência e, tornaram-se piores do que os colonos…Em Kampala, o presidente da OUA, Idi Amim Dada, insistia para que a data da independência fosse mantida sendo Portugal a responsabilizar os nacionalistas por um não acordo. O Secretário-geral da UNITA presente à conferência acusou as FAP- MFA de não se oporem à entrada de armamento e mercenários a ajudarem o MPLA no Lobito, Sá da Bandeira e Pereira D´Eça.

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Em Pereira D´Eça (a actual Onjiva) o comandante português entregou o aquartelamento a elementos do MPLA tendo-os vestido com camuflados do exército português, uma clara desobediência e afronta por ser esta região afecta à UNITA - um povo Ovambo ou Ovibundo. Este procedimento foi de uma nítida e grosseira degradação moral para as autoridades portuguesas ali sediadas e uma declarada provocação ao Movimento da UNITA. Manuel Resende Ferreira disse neste então: -Ainda havia esperança e soldados que não nos abandonavam (uma população maioritariamente branca e assimilados).

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Referia-se ao Tenente Fernando Paulo e alguns dos seus homens que resolveram desobedecer ao comando para protegerem um grupo de refugiados no Chitado. Para o efeito criaram ali uma zona de segurança à revelia de seus comandantes do MFA. O comportamento da UNITA teve forçosamente de mudar de táctica e, seu posterior comportamento no Lubango e áreas do Sul que, levaram a desconsiderar tanto o Movimento como o seu Presidente Jonas Savimbi que por ali esteve em tempos de estudante.

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São aqueles os heróis esquecidos, soldados de Portugal que abandonam o exército comunista Português para protegerem cidadãos e, lutar contra a anarquia comunista. Eu e Miranda ressaltamos bem esta nossa postura; mas, quem éramos nós para vaticinar e politicar a enviesada saída do M´Puto pelos homens que antes tinham sido heróis, como esse do Spínola da banga desmedidamente parva e até caricata, usando luva, monóculo tipo Eça de Queirós, botas de montar lustradas e um pingalim – fetiches de túji que também por vaidade o levou a escrever isso de “Portugal e o Futuro”.

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E, que foi feito do Tenente Fernando Paulo? Pensando nele demo-nos conta que era o fim do império colonial. E isso, nós (Eu e João Miranda) queríamos que acontecesse sim! Mas, e mais mas, tão seguidos mostraram de forma paulatina as feras sendo largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 do MFA. A Luua eclipsava-se! Tarde piaste! Momentos de muita inocente incerteza; abandonar tudo, entregar a chave do carro ao jardineiro da casa, o cão pastor alemão à Mariana, uma exemplar serviçal ao nosso serviço, na Caála, no Kuito, um qualquer lugar com picada de acesso. E, agora vamos fazer o quê para o M´Puto? Talvez Brasil!? Quem sabe – Austrália ou Argentina!

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As NT - Nossas Tropas, já não eram nossas, davam cunhetes, canhões, paióis inteiros e até carros de combate numa perfeita cooperação de entreajuda FAP- FAPLA mandando prólixo os acordos de Alvor, da Penina, Nakuru… Mostravam ao MPLA abertamente as fotos aéreas em progressão do “inimigo”; davam-lhe as coordenadas, organizavam planos de voo com dados de meteorologia e até furtavam casas aos colonos e afins em apoio ao MPLA: Isso! Saque dos haveres de colonos que saíam desordenadamente de suas casas, abandonando tudo.

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Uma frieza ímpar na história de Portugal. O MPLA da Luua inventava a maka! E, eram makas sobre makas, paralisações descabidas. Inventavam os pioneiros que eram trabalhados em marcha no esquerdo e direita por jovens estudantes do M´Puto! Estudantes que regressados à Metrópole tinham passagem administrativa garantida; o tal de PREC. Depois o Poder Popular! E surgiu o Kaporroto, o kuduro e a vitória é certa. Eles já tinham inventado o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito… Tudo era planificadamente certíssimo! Melo Antunes, Rosa Coutinho e uns quantos mais que ainda não deram à sola pró álem.

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As makas organizadas com o objectivo de criar o caos, originar pancadaria e depois a vitimização com características de sofisticada mentira; meter tudo no barulho, pressionar psicologicamente e criar condições de favorecimento por parte dos militares do MFA, as NT, o CCPA – Comissão de Coordenação do Programa do MFA e o Alto-Comissário. Às tantas, já se fazia tudo às claras. Até o Idi Amim Dada se dava conta de tudo isto! Em um encontro de Melo Antunes com Henry Kissinger, aquele responsável português e a pedido do Secretário Americano disse que era difícil de lidar com Neto (era só mesmo para agradar àquele diplomata da USA…).

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Esse cérebro guia dos demais, chamado de Melo Antunes, foi dizendo a Kissinger que era difícil de classificar politicamente Agostinho Neto como um comunista ortodoxo! Agostinho Neto, à coisa dada (Angola) teve a desfaçatez de dizer que a liberdade, não se recebe, arranca-se! Mas, que grandes mentirosos! Neto, com laivos de poeta (diga-se de baixo coturno…), dava dicas torpes de mau agradecimento aos militares revolucionários do M´Puto, quando em verdade, tudo teve destes (traidores…) Mas que pulha! Bem feito, cambada! Alguns não gostaram, diga-se… Assim e com João Miranda do Mukwé, algures no Shitemo, acabamos as falas da tarde com uns goles de gim com água tónica para espantar mosquitos…

fuga3.jpgNota: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

GLOSSÁRIO:

Banga – estilo, vaidade excessiva; Tuji – excremento, merda; Mwangolés – os donos de angola, os generais que se apossaram da Nação Angola por via de seu poder libertário; Muxoxo- expressão com som de língua com palato em forma de estalo em desdém pelo dito; Mututa – da bosta, de ralé; Maka – confusão, rixa, alvoroço; Missosso – Conto breve de cariz popular em Angola; Kituku - mistério; Kapooto – Vinho bolunga feito a martelo, de fermentação rápida com pilhas de lanterna; Uuabuama - maravilhoso; Oshakati – Nome de terra ao Norte da Namíbia; Lodge – Hotel de superfície, conjunto de casas para turistas; Rundu – Cidade do Norte da Namíbia, fronteira com Angola no rio Okavango; Grootfontein- Cidade da Namíbia que acolheu os refugiados de Angola, Xirikwata – pássaro que come jindungo…

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:13
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Domingo, 22 de Setembro de 2019
MALAMBAS . CCXXXII

UM CACTO CHAMADO XHOBA . XII17.09.2019

TEMPOS DE DIPANDA NO OKAVANGO - Boligrafando estórias e Missossos uuabuama da Dipanda* – Do ano de 1999, talvez 1997. Nossas vidas têm muitos kitukus…

Por

soba24.jpg T´Chingange - No Alentejo do M´Puto

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Percorrendo os muxitos da África com a família, passando por tantos desertos, um mundo a perder de vista e cidades desconhecidas do mundo, subimos para norte até o Rundu na margem do Cubango e seguir mais tarde para lá de Catima Mulillo às margens do rio Zambeze. Nós, uns gwetas com olhos de águia, íamo-nos tornando mwatas na interpretação das terras do fim-do-mundo conciliando no antes e no agora daquela região de Okavango. De novo revisitamos as mulembas de N’Zambi com os kambas daqui, mais dali, ouvindo suas falas de espanto. Mostraram-nos aquele arbusto parecido com rebentos novos de loureiro de onde cortam umas varas para introduzir na boca dos sobas ovambos defuntados. Se apontei seu nome, deve estar agora a zunir-me por tal esquecimento

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Sim, lembrei! Apontei algures seu nome mas, com o ronco da pacaça fazendo frente ao leão, meu coração pulou de medo juntamente com o papel de embrulho gorduroso de envolver manteiga no lugar do Mukwé; ficou no mato vadiando-se com o vento portador das primeiras chuvas, águas que dão cheiro à terra fantasiando nossas lembranças – um cheiro difícil de descrever – só mesmo cheiro de chuva. E, foi João Miranda que nos acolheu às margens do Okavango; uma casa totalmente construída em madeira no lugar de Andara em Mukwé; um lugar com ocultos mistérios do canto Xirikwata - um pássaro comedor de jindungo.

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João Miranda, um chefe do mato, senhor dos anéis num lugar esquecido mas muito especial pelo envolvente mistério de sua fuga de Angola. Que depois veio a fazer parte do batalhão Búfalo chefiando os bushmens na investida Sul-africana a Angola, naquele distante ano de 1975. Sabendo de antemão que neste mundo só os anjos não têm costas, João Miranda contou com detalhes esses dias de guerra! Isto é mato, amigo! Disse após longas falas como dando um finalmente àquele passado, falando virgulas desse conturbado tempo. Este lugar de fim-do-mundo deve por certo haver um Deus, que nos julga em cada dia e diferentemente, de acordo com o que viermos a ser em cada dia. João Miranda era agora um bem-sucedido empresário, amigo de San Nujoma.

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Este quase lendário homem, pouco a pouco recorda com raspas de esquecimento propositado peripécias e, ainda no segredo de sua intervenção no avanço até Luanda; Vezes repetidas afirmou que após tomarem posições ao inimigo, leia-se cubanos e militares do MPLA, deixavam grupos da UNITA ou da FNLA a assumirem o controlo dessas zonas libertadas e, em que estes eram influentes. No meio dum rio longínquo chamado Okavango podíamos admirar dum e doutro lado deste, a exuberante verdura, alguns vestígios da base daquela que foi o Batalhão Búfalo nº 32 da África do Sul que é agora uma reserva com esses mesmo nome inserida no Bwabwata National Park.

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No mapa pode ler-se no lugar do Omega Um, Military Ruins – lugar aonde chiam segredos de ferrugem abandonada, coisas mal oleadas com negócios de madeiras, diamantes, chifres de elefntes e muita aventura em frente dos olhares de hipopótamos. É Miranda que me chama à atenção das muitas infra-estruturas militares que ali existiam e que tiveram grande intervenção no desenrolar da guerra em Angola. Seguimos viagem rumo a Nascente deixando esta gente que como nós, saíram dessa imensidão de Angola, de lonjuras percorridas em velhos Dodges, GMC, Willis, Land-Rover, Fords ou Chevroletes, terra de onde se parte sem querer partir e já partindo, arrependido depois por não ter ficado.

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Com jeito de filosofia, assim foi dito por Elizabete Miranda sua esposa. Como vamos nós próprios destrinçar a verdade dentro da nossa própria imensidão, nos assuntos de crenças e impiedades de bens tão profusos nas regras do Mundo. Uns salvaram-se na cobardia, outros ficaram heróis chamando a si toda a petulante força de seu poder. O povo – ai.iu.ééé, ficou assim mesmo, pobre! Relembro nestes milhões de espinheiras ressequidas de para além de Okahanja, e Divundo atravessarmos terras despidas de gente, uma casa aqui outra lá, longe por quilómetros de distância. Casas de colmo ou zinco tendo como sombra as acácias espinhosas; as mesmas que dão sombra aos muitos bichos, felinos dormindo com moscas a perturbar sua paz.

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Ficou-nos bem ciente que podemos sobreviver aos idiotas e até gananciosos que nos governaram nesses lapsos de tempo e, aqui estamos nós velhos resistentes, a retemperar ideias com a heineken lager beer, balouçando o tempo em uma balsa do Nunda Lodge. Cientes de que não podemos sobreviver à traição gerada dentro de nós, que fomos no tempo assistindo ao movimento de traidores que não o pareciam ser, um deus-me-livre dos mortais, cohabitando com hienas, chacais e bichos rastejantes de arrepiar o pêlo. Lugares muito diferentes de Ovambo aonde os guetos não juntam brancos com pretos.

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Sucede que um dia e a convite de João Miranda, assisti bem na margem do rio Okavango (Cubango) a uma reunião de empresários e militares presidida por San Nujoma, o primeiro presidente da Namíbia. Um helicóptero chegou bem perto da escola local do Shitemo no N´donga Linena River Lodge, dele desceu um velho senhor de barba branca, alpercatas e um chabéu de palha já com falripas soltas. Também trazia um bastão, que julgo ser feito de um distinto pau, o mesmo de entalar nos dentes depois de morto. Com seus pés e olhos grandes, caminhou em direcção às autoridades locais, depois veio cumprimentar os convivas e suas visitas aonde me encontrava.

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Foi muito agradável em suas palavras, sua característica de humilde, postura e atitude. Naquela reunião, referiu a guerra que grassava do outro lado do rio – Angola. Pediu que não dessem guarida aos militares da Unita, tendo mesmo dito aos militares com estrelas que os ripostassem com fogo de morte. Ele era o líder do povo do Sudoeste Africano, (Ovamboland People's Organization) e eu, um cidadão disfarçado de turista caçador de elefantes. Tenho uma foto deste cumprimento, por aí!

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Soubesse ele que eu era um responsável coordenador da Unita no exterior e, teria apontado o dedo em minha direcção. Em realidade era um turista como tantos outros e, nada havia em concreto sobre a minha pessoa a não ser muxoxos escutados pela contra-informação, sem o peso necessário para me apontarem algo. Bem! Também N´Zambi era meu amigo! Assim não sucedeu embora as estruturas de informação e inteligência pudessem saber de algo; minha missão era ver os pontos de reabastecimento à Jamba a partir da Namíbia. O tempo fez diluir estas contrariedades de estar sob escuta mas ficou bem presente o que disse: “Unita soldiers crossing the river, fire on them”; No M´Puto, José Pedro Cachiungo, tinha-me feito advertência de poder ter algumas contrariedades e, mesmo sem salvo-conduto meu comportamento foi de singela observação… Têm mais kitucus mas, o melhor é ficar só assim mesmo!

etosha2.jpgNota: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

GLOSSÁRIO: Missosso – Conto breve de cariz popular em Angola; Kituku - mistério; Uuabuama - maravilhoso; Oshakati – Nome de terra ao Norte da Namíbia; Lodge – Hotel de superfície, conjunto de casas para turistas; Rundu – Cidade do Norte da Namíbia, fronteira com Angola no rio Okavango; Grootfontein- Cidade da Namíbia que acolheu os refugiados de Angola, Xirikwata – pássaro que come jindungo… 

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:57
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Sábado, 21 de Setembro de 2019
MALAMBAS . CCXXXIII

UM CACTO CHAMADO XHOBA . XIII 19.09.2019

TEMPOS DE DIPANDA NO OKAVANGO - Boligrafando estórias e Missossos uuabuama da Dipanda* – Ainda no século XX. Nossas vidas têm muitos kitukus…

Por

soba24.jpg T´Chingange - No Alentejo do M´Puto

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No decurso da guerra civil que se seguiu após os gritos de Agostinho Neto em Luanda, MPLA é o POVO, o POVO é o MPLA e, a LUTA…CONTINUA, assim foi por demasiado tempo. “Durante esses longos anos, quantidades indefinidas de pedras preciosas, milhares de animais liquidados, elefantes e rinocerontes, milhões de toneladas de madeira foram traficadas de Angola desde a Floresta do Maiombe até às chanas do Moxico e Cuando-Cubango, Em troncos ou serradas em tábuas seguiram rumos para Oriente e Ocidente…

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Também nas áreas controladas pela UNITA este tráfico de património natural, se fazia sentir por via de se custear a guerra. Milhões de árvores foram derrubadas nas savanas do Cuando Cubango para traficar madeira, uma catástrofe ambiental com os mesmos tristes requisitos do desbaste de nobres madeiras de Cabinda. Os carros com toros faziam fila por quilómetros entre Lândana e Buco-Zau. Pode ter havido precedentes em outras partes do Mundo mas aqui, tudo ficou sem castigo para os infractores e há revelia do povo.

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Em uma serração pertencente à InterFrama, em Bwabwata que se estende pela Coutadas Públicas do Mucussu Luengué, Luiana e Longa Mavinga, também saíram milhares de toros; árvores milenares. Parte dos diamantes viajavam no avião de Joaquim da Silva Augusto, considerado um dos homens mais ricos da África do Sul a residir na Namíbia. O mesmo que pilotava a avioneta em que João Soares sofreu um grave desastre. Augusto tinha uma cadeia de supermercados e um grande armazém no Rundu, cidade fronteiriça com Angola na margem do rio Okavango.

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Era aqui o ponto de partida para os abastecimentos logísticos à UNITA. Sendo de um e outro lado o mesmo povo Ovambo, autoridades e ordens religiosas, faziam vista grossa ao grande movimento que por ali se fazia num regime de candonga institucionalizada e, por ambos os lados do rio Cubango. Miranda foi por algum tempo um funcionário de Joaquim da Silva Augusto até que se estabeleceu com várias lojas do mato ao longo do Cubango, comércio com padaria, casa de forragem e alfaias, materiais de construção -“Bottle shop, Bottle Store and Liquor Store”; um super mercado, estilo venda boteco com tudo o necessário.   

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No rasto das memórias lembra-se que “foram liquidados 100.000 elefantes para ajudar a financiar a guerra”. As presas dos elefantes e os chifres dos rinocerontes foram armazenados na Jamba. As máfias, colocavam o marfim em Hong Kong, os diamantes em Pretória e na Europa e a madeira preciosa na Namíbia. Os turistas da Jamba, entre os quais a família Soares do M´puto, moviam-se de maravilha entre “embaixadores”. Entre este, havia um comerciante português, Arlindo Manuel Maia, dono de uma empresa de transportes em Joanesburgo com “filial” no Rundu. Nunca Miranda me disse o que aqui digo porque sempre nos distanciamos de suspeições incómodas. Cada qual com sua vida! Mas, foi peremptório em dizer que a queda da avioneta foi motivada por um susto de Augusto; o que dizem acerca dos dentes de elefante é invenção.

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Outro comerciante nestas lides de contrabando se assim se pode dizer, era José Francisco Lopes, com escritórios no Rundu, tido como multimilionário. Isto que já se tornou público, poderia até ser falado com meu amigo João Miranda do Mukwé mas, a propósito, não quis penetrar em periclitantes caminhos respeitando a ética de quem sempre me recebeu de braços abertos, um homem do mato que me merece todo o respeito; em suma direi que simplesmente não quis bulir com antigos constrangedores fantasmas. Tem mais, sempre me disse mal da Unita mas, estou em crer ser uma deslavada mentira. A dado momento, a mentira, é uma forma de coçar a flor do kongo – aparece e desaparece num mistério muito africano.   

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A Environmentand Animal Welfare explicou que o contrabando de marfim se fazia através da Faixa de Caprivi. O coronel Breytenbach teria denunciado isto: “descobri uma máfia que contrabandeava dentes de elefante e chifres de rinoceronte, diamantes, madeira e droga”. Uma catástrofe ambiental sem precedentes nesta zona" disse ele. Ninguém agora pode mudar o rumo àquilo porque se passou, dizia eu a Miranda naquele fim do mundo, palco da acção montada pela África do Sul à que foi dado o nome de “Operação Savannah”.

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Esta operação, que estava destinada a apoiar uma frente entre a FNLA e a UNITA com quadros da extinta PIDE/DGS, não logrou seus fins; Também estes búfalos foram traídos por outras forças e, do qual saíram acordos secretos que mudaram o rumo à historia, origem de outra politicas. O capitão américa já tinha o nosso rumo traçado. Sobressaíram uns quantos na luta medonha a quem deram de espólio aquilo que eles bem quiseram roubar a começar pelo presidente de Angola JES que com seus capangas do MPLA, usaram de farta vilanagem. Nós, naquele então, não entendíamos o que estava a acontecer sem nunca podermos conceber que estava a ser forjada a maior traição de portugueses contra portugueses. Foi assim que tudo começou.

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Muita gente dita liberal, historiadores mancomunados à esquerda, afirmam a todo o momento que isso é para ser arquivadodo, uns porque estão mancomunados com os governos de agora, outros porque são nitidamente engraxadores no sentido mais degradante da palavra e, outros que querem ideologicamente tapar o sol com a peneira; também tapar nossos olhos com a desfaçatez de, o quanto baste. Nem a própria oposição em Angola a fim de tranquilizar os homens de bem, com sede de justiça, teve a coragem de fazer valer seus apregoados trejeitos de verdade.

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Todos sem excepção, se tornaram em uns trastes corruptos, corja ou bando de larápios que enrijaram suas organizações de criar inveja aos cartéis do mal! Uma cambada de ambiciosos sem escrúpulos que engana ainda o povo tanto do lado português como do angolano, sem tibiezas ou despudor! Competia a Portugal assegurar tranquilidade a todos os patriotas mas, em verdade foram os brancos militares e líderes portugueses que proporcionaram tudo o que se verificou! Gente do PREC, militares de aviário do MFA, irresponsáveis imberbes ou incompetentes políticos que nos entregaram ao diabo. No correr dos tempos nenhum político de nomeada se dignou dizer a merda que fizeram e pedir desculpas! Atitudes que não serviram nem aos portugueses nem aos angolanos.

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Nota: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

maga2.jpgGLOSSÁRIO:

Missosso – Conto breve de cariz popular em Angola; Kituku - mistério; Uuabuama - maravilhoso; Oshakati – Nome de terra ao Norte da Namíbia; Lodge – Hotel de superfície, conjunto de casas para turistas; Rundu – Cidade do Norte da Namíbia, fronteira com Angola no rio Okavango; Grootfontein- Cidade da Namíbia que acolheu os refugiados de Angola, Xirikwata – pássaro que come jindungo… 

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:47
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Sábado, 15 de Setembro de 2018
MU UKULU – IV

MU UKULU...Luanda do Antigamente – 15.09.2018

O tempo dos Mafulos ou Holandeses… Os Talatonas geriam os cipaios no transporte de água das maiangas em barricas a fim de apetrechar as naus…

Por

macuta com soba.jpgT´Chingange – Em Johannsburg

luis49.jpgLuís Martins Soares – No Brasil

A Vila de Loanda foi fundada a 25 de Janeiro de 1576 pelo capitão Tuga chamado de Paulo Dias de Novaes após ter desembarcado na baia de Loanda com cerca de 700 homens (soldados, padres e almocreves). Em 1576 manda construir a igreja de são Sebastião na fortaleza aonde agora se encontra o museu das Forças Armadas Angolanas. Antes da chegada dos Tugas, Loanda já era habitada pelas gentes do rei do N´Dongo concentrando-se no lugar seguro da ilha de Mazenga a que os portugueses chamaram de ilhas das cabras por ter visto ali alguns destes caprinos. Viviam ali os Muxiloandas, oficiais do reino de N´dongo que recolhiam os n´zimbos para transaccioná-los como dinheiro.

luis01.jpg No ano de 1605 a vila de São Paulo de Assunção de Loanda é elevada à categoria de cidade pelo governador Manoel Cerveira Pereira que exerceu seu cargo entre os anos de 1603 e 1606. Não obstante estes dados históricos, o Rei de N´Dongo ou Kongo era o dono e senhor daquele espaço, pois que era ali seu banco central! O banco de N´gola. Seus zeladores Muxiloandas, cipaios e gente miúda laboravam na apanha e sequente selecção atribuindo às conchas o respectivo valor monetário.

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Para se ter uma ideia da relação de valores de então temos que para o Manikongo, 1 galinha valia 30 n´zimbus e uma vaca cerca de 300 n´zimbus, 3000 caurins ou 6000 lufuzus. Podemos então estabelecer uma escala de valores para as unidades monetárias de N´zimbos, Caurins e lufuzus na proporção de 1,1/10 e 1/200. Qualquer invasor daquele espaço era retaliado com severidade ou morte em caso de insubmissão às ordens do reino ou reincidência em actos de roubo. Era esta a lei conhecida por kikongo que se confundia com a morte e de quem os súbditos tinham o maior medo.

luis02.jpg Todos estes funcionários dormiam em libatas feitas de folhas de coqueiro dormindo em loandos ou esteiras feitas por folhas entrelaçadas da mesma árvore. Foi assim e, daqui, que mais tarde se começou a designar aquele como o lugar dos loandos exportando para o reino este uso de estar, dormir e espreguiçar.

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Mas, Loanda de então já tinha sete povoados e foi só em 1576 que o rei N´gola Kiluanji Kiassamba autorizou a fundação de São Paulo de Loanda passando de certo modo a autoridade para Paulo Dias Novaes que aportou ali na ilha da Mazenga levando presentes da coroa de Portugal para o Reino de N´gola e, por intermédio do fidalgo negro Dom Pedro da Silva, que estabeleceu uma aliança entre os N´Gola e o M´Puto.

luis04.jpg Um daqueles sete povoados ou sanzalas de então, era as Ingombotas, caserio que no correr do tempo foram armazéns depósito de negros escravos enquanto esperavam embarque para terras de Vera Cruz o Novo Mundo também chamado de Brasil; um outro povoado era conhecido por Maculussu e, assim se chamava por ser o sítio das cruzes reservado aos Tala-tona que já entendiam e falavam algum português, os chamados assimilados maioritariamente Kicongos.

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Também viviam ali os fiéis macotas do reino de N´dongo ou N´gola; Os mesmos que traziam prisioneiros das guerras tribais, feitos escravos e com quem os Tugas de então negociavam. Bem assim dizer, os cipaios eram destacados pelo rei amigo a fim de serem levados nas naus e tendo os Talatonas como seus administradores mais directos. Eram os M´Fumos, qualquer coisa parecida como capataz e, obedecendo às ordens de Kiluanji Kiassamba seu rei.

luua7.jpg Os Talatonas, geriam os cipaios no transporte de água das maiangas em barricas a fim de apetrechar as naus e a fortaleza bivaque de água potável. Faziam outros trabalhos como a limpeza dos terreiros, fazer os enterros no alto das cruzes ou largar os corpos nas lonjuras do kazenga para pasto de onças e leões. As águas para lavagens na higiene doméstica eram levadas da lagoa do kinaxixe que lá pelos anos sessenta, trezentos e poucos anos depois foi soterrada para dar lugar ao mercado que ficou conhecido com esse nome no tempo colonial.

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Todo aquele caserio era composto de cubatas amontoadas ou dispersas com tufos de vegetação começando a surgir entre os imbondeiros, tufos de bissapas e n´hiwas, pequenas lavras de mandioca e até árvores não autóctones trazidas pelos navegadores negreiros tal com a mangueira, laranjeira, pessegueiro e outros que se foram adaptando como a goiaba, ou o tamarindo. A manga por exemplo é nativa do sul desde o leste da Índia até as Filipinas, e foi através dos anos sendo introduzida com sucesso no Brasil, em Angola, e em Moçambique, mas também em outros países tropicais.

luis40.jpg O nome da fruta manga vem da palavra do idioma malaiala e foi popularizada na Europa pelos portugueses, que conheceram a fruta em Kerala (que conseguiram pelas trocas de temperos). Tenha-se em mente que nos anos e séculos que se seguiram, Portugal era o dono das rotas para as Índias e, dali traziam para o resto do mundo árvores e tubérculos ainda não conhecidos no resto do mundo; um verdadeiro início da chamada globalidade.

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Estando agora emperrado na estória de Loanda no tempo dos Mafulos, terei de partilhar estórias verdadeiras que o tempo lambeu com vagas de esquecimento. Trata-se do Mafulu que deu gente nobre a Angola como a dinastia mestiça de Baltazar Van Dum. Durante os sete anos da presença holandesa e, com o objectivo do fortalecimento do tráfico negreiro rumo às lavouras de cana-de-açúcar no Brasil e ilhas do Caribe sobre seu domínio, o projecto da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais afirma-se aqui em N´Gola com alguma dificuldade.

luis54.jpg Nota: É esta um participação para a verdadeira estória de Angola a custo zero… Luís Martins Soares e T´Chingange vão ter de ser incluídos na antologia Angolana…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:02
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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2018
MU UKULU – III

MU UKULU...Luanda do Antigamente10.09.2018

Entra-se num outro capitulo - o tempo dos Mafulos ou Holandeses enviados a propósito para conquistar terras de N´Gola…

De

luis49.jpgLuís Martins SoaresNo Brasil

soba15.jpgT´ChingangeEm Johannsburg

O Governador Pedro César de Menezes no dia seguinte, 25 de Agosto de 1641, abandonou o arraial de bivaque no Morro de S. Miguel de Loanda, deixando a povoação de trincheiras no poder dos Mafulos Neerlandeses. A coroa portuguesa que neste então estava sob o domínio espanhol não pode manter os entrepostos comerciais e possessões que mantinha ao longo de toda a Costa Africana. Assim, estando em guerra com os Holandeses, estes atacaram todos os lugares aonde estavam os Tugas com principal incidência na costa de África.

Mu Ukulu7.jpg Pedro César de Menezes retirou-se para o lugar de Bembem não muito longe do lugar a ser conhecido por Massangano bem à beira do rio Kwanza e na zona de Kambambe aonde os portugueses mantinham suas áreas de influência. Era um ponto de excelente posição estratégica por proporcionar para além da defesa a acostagem de naus, canoas e outras barcaças desde a barra até Muxima da Kissama.  

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O Padre António Vieira interrogava-se de como poderia Portugal prevalecer contra Holanda e Castela? Nesse então os Holandeses tinham onze mil navios de gávea mais outros três mil navios e duzentos e cinquenta mil marinheiros adiantando: “…os dois nervos da guerra são gente e dinheiro; e que gente e que dinheiro temos nós hoje? A gente é tão pouca, que para qualquer rebate de Alentejo é necessário tirar os estudantes das universidades, os oficiais das tendas e os lavradores do arado.

Mu Ukulu9.jpg Vejam o quanto é interessante vasculhar na história para entendermos as dificuldades dum país tão pequeno! E dizia o Padre Vieira: - Pois com que gente havemos de acudir às quatro partes do mundo, e em cada partes destas a tantas partes? Os Mafulos em Holanda têm quatorze mil barcos; nós em Portugal não temos treze. Na Índia têm cem naus de guerra de 24 até 50 peças; nós na Índia não temos uma só.

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No Brasil têm mais de sessenta navios na maior parte poderosos vasos de guerra e nós temos sete, se ainda os temos”. Os Holandeses estão livres do poder da Espanha; nós, temos todo o poder de Espanha contra nós. É curioso ler os relatórios e missivas do padre António Vieira por sua arguta visão mostrando ser um observador mais militar do que a maioria dos mestres de guerra de então e, refere “Os holandeses em Europa não tem nenhum inimigo; nós não temos nenhum amigo. Isto veio a acontecer muito mais tarde à mistura com traições em 1975 que, de forma desavinda tiveram de abandonar Angola como escorraçados.

Mu Ukulu8.jpg Eles, os Mafulos, têm mais de duzentos mil marinheiros; nós em Portugal não temos quatro mil”. Reconhecia que “um sucesso quase milagroso” a saber da vitória de Guararapes em 1648 no Brasil, tinha mudado a opinião de muitos até então favoráveis à entrega, mas ninguém deveria contar com milagres, “pois os milagres são sempre mais seguro merecê-los que esperá-los.

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Os milagres! Fiar-se neles, ainda depois de os merecer, é tentar a Deus”. Reconhecia que a companhia estava economicamente exausta mas, a melhor solução era a da entrega de Pernambuco, pois os Holandeses não admitiam a proposta de compra. Os documentos mostram porém que a memória erudita do Padre Vieira traiu o Jesuíta. Sempre o M´puto teve em simultâneo grandes homens de grandes feitos e grandes traidores. Traidores que só a estória sem agá fala.

vieira1.jpg Felizmente que a propaganda de tristes alvitre não teve eco em Fernandes Vieira e essa saga de Luso-brasileiros, os verdadeiros próceres do Brasil. De notar que refiro Fernandes vieira como o herói de Guararapes que tendo nascido na Madeira aqui elevou nossa condição de gente ilustre. Só relembro isto porque foi do Brasil que mais tarde saiu uma campanha capitaneada por Salvador Correi de Sá e Benevides para retirar os Mafulos de Loanda. Angola e Brasil sempre estiveram ligados e, daqui poderão extrair nota do muito desconhecimento que temos da nossa posição Lusa no Mundo.

Mu Ukulu10.jpg O Padre António Vieira em 29 de Julho de 1648, transmitia por carta ao Marquês de Niza as notícias do sucesso da primeira batalha de Guararapes do seguinte modo: “… de maneira Senhor, que temos Pernambuco vitorioso, o Rio-de-Janeiro socorrido, a Bahia com armada e Angola com a esquadra de Salvador Correia (….), todo o debate agora é sobre Angola e, é matéria em que os Mafulos, não hão-de ceder, porque sem negros, não há Pernambuco e sem Angola não há negros e, como nós temos o comércio do sertão, ainda que eles tenham a cidade de Loanda, temem que nós tomemos outros portos”.

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O poder da Holanda unido ao da Companhia das índias (Ocidentais e Orientais) era o maior da Europa, pois a história mostrava que a Espanha sem guerras externas, abundante de dinheiro e armas e agora, em paz com toda a Europa, ainda tinha Portugal sobre sua sujeição. Por este acontecido que durou sessenta anos com os reinados dos Filipes I, II e III, Portugal, perdera a soberania que tinha sobre o Ultramar.

maful2.jpg Em pouco tempo os Mafulos ficaram com as possessões daquele Portugal debilitado perdendo muitas praças nas Índias Orientais, na costa africana, na Bahia, e por último Pernambuco. Os danos para Portugal pela perda de soberania a favor de Espanha e por via daquela companhia das Índias, foram-no na índia, Ceilão, Angola, S. Tomé, Maranhão, Bahia e Pernambuco. De notar que João Pessoa tinha o nome derivado do nome Filipe – chamava-se Filipeia. Nem os brasileiros, mais se lembram disto.

junho0.jpg Fugi um pouco do tema de Mu Ukulu da Luua de Luís Martins Soares mas, em seu tempo voltarei às malambas do século (mais-velho)…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2018
MALAMBAS . CCX

MOKANDA PARA KUVALE 

Refem do medo, penetra na vida um dia de cada vez - 05.09.2018

Crónica sempre actual – Inicialmente foi para o Kamundongo do Maculussu, o Cipaio Comando mas, hoje é para fecho de mala com ida para Tanzânia com Vissapa, o homem do Okavango…

Por

soba0.jpegT´Chingange

O Camundongo Comando do Maculussu tem uma lança no estandarte da Kizomba e, assim, foi seu baptismo na cubata-restaurante do marinheiro de Albandeira, mesmo sem lhe ver os cascos, os dentes, as unhas e as orelhas. Ficamos sem saber se as bitacaias o tratam por tu. Ele vive ainda no Ontem com o hoje cohabitando com os Mucubais; um sonho perene cheio de cacimbo pelas manhãs e aquela tremulina nas quenturas ondulando miragens das anharas, pasto de facocheros, mabecos e bandos de galinhas do mato arramhando seu disco partido – estou fraca, estou fraca, estou fraca! Kafundanga Neves é seu nome de branca alvura.

ÁFRICA11.jpg Refém do medo, penetra na vida um dia de cada vez, penosamente candongando chinguiços como num conto insuficiente; como se tratasse de uma vida que já só serve para ser contada, queima lenha para vender carvão na cidade; não é verdade mas, faz-de-conta! Eles que sempre pastaram gado, agora, as cercas de arame farpado levantadas pelos generais mwangolés, barram-lhe a passagem!

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A democracia perdeu-se no labirinto das manipulações e interesses, não diferindo em nada das piores regras do colonialismo ai iú éé! É pior!... A nomenclatura da Luua (Luanda) distribui entre si o espólio espalhando condomínios pelo mato, uma t´ximpaca com água e uns quantos animais mostrando sua durabilidade na debilidade. Assim na banga, o general XIS, baloiça seu chinchorro, rede dos Andes, fazendo bafunfa a seu 

ÁFRICA18.jpg Vai um whisky, vai um conhaque, vai um gim? Pode ouvir-se estas conversas dos curibotas cazucutas a gozar férias e gastar seu cumbú governamental… No meio de uma grande ilusão, possibilitou-se a vida numa sobrevivência corruptada na obtenção de dinheiro num qualquer preço, mesmo que tapando o acesso dos bois à água que sempre foi do povo. São os DDT – Os Donos Disto Tudo…

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Acabaram com as leis restritivas do tempo do xi-colono mwene M´Puto e, agora constroem cercas só à toa e, pois não há mais t´ximpaca nem mulola nem tanque para lavar o gado, nem os pesticidas com cheiro a medicamento defuntado. Está mal, patrão!? Num está! Eu não sou teu patrão; para quê me estás a queixar?! Nas antigas leis do colono gweta do M´Puto não era assim mesmo, repete o cipaio comando kamundongo Branco das Neves.

ama3.jpg Ainda andam de tanga, dizem estes promovidos generais saídos duma guerra de kwata-kwata entre irmãos! Claro que são pretos! Mas... Afinal patrão, quando acaba mesmo a independência? Pópilas, primeiro que nem sou teu patrão e segundamente eu não sou teu soba nem talqualmente nem nos entretantos. Angola é livre, tu és livre, já te falei. Pois! Levou a mão à cabeça e olhando-me no presente do indicativo falou: Isso é uma coisa muito perigosa! Verdade mesmo que não era assim, juro! Não digo mais nada; vou fazer mais o quê!?

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As Organizações e uma grande parte dos mwangolés, não entendem porquê aqueles pastores andam quase sem roupa – incivilizados, dizem; desconhecem que quando o sol cai de cima e o calor sai do chão, este, é o próprio modo de estar do pastor Kuvale. Tratar astutos guerreiros, altivos homens como se fossem indigentes pelo facto de aparecerem vestidos com um pano á frente e outro atrás, é desprezar outros valores. Xiií, o próprio irmão, escuro mesmo!

ÁFRICA14.jpg Kuvale!... Kuvale, governador de vastas áreas e muitos bois, controlador da aridez das terras que circundam o Bero, Geral, Kuroka e também o Iona aquém do Cunene. De mulola em mulola, de t´ximpaca em t´ximpaca, só estes sabem abeberar o gado, ajustando-se no tempo transumando na altura certa. Só eles sabem alimentar e manter acesa a fogueira naquelas noites frias, sangrar os bois na veia certa.

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Alterar isto com argumentações técnicas ou científicas, é promover a inviabilidade de sociedades antigas. Mudar tudo isto, é torná-los dependentes, proletarizá-los na miséria envoltos em arame farpado. Ali no Karacul, ideólogos, políticos e agentes humanitários de forma aberrante distribuem caridade em nome da civilização. Que é que os levará a advogar que esta gente é pobre e vagabunda nesta forma de estar!

ÁFRICA3.jpg Não é por usarem tanga que são pobres. Ter ar, sal, leite, água, é tudo do que necessitam. Dormir sobre uma pele de boi, habitar em casas de barro e bosta, usar sandálias de tiras de couro, ter um pau especialmente curvo para assentar com dignidade sua cabeça e alimentar-se de malulu (leite azedo), isto é ser Mucubal e assim vai ter de continuar. Os seus actos heróicos de adquirir gado, sempre foram designados como roubo; mesmo no tempo dos Tugas; mas estes faziam respeitar sua natureza própria e agreste. África é isto!

ÁFRICA13.jpg Glossário: Mokanda:- Carta; Kuvale/ Mucubal:- Zona sul de Angola, a norte do rio Cunene; Bero, Giraul, Kuroka:- Rios de Angola; Mulola:- cheia ocasional na linha de água; t´ximpaca: Cacimba de águas de chuva, poça ou charco; Chinguiço:- Pau seco e retorcido, problemas;

O Soba T´chingange



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Terça-feira, 4 de Setembro de 2018
CAZUMBI . LII

TEMPOS CINZENTOSSER-SE ANGOLANO04.09.2018

 - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios

Por

soba0.jpegT´Chingange

O Alvará de 19 de Setembro do ano de 1761 providenciado pelo Marquês de Pombal dá fim à entrada de escravos em Portugal. Neste ano e apenas nas províncias a sul do Tejo ainda trabalham nos campos 4.000 a 5.000 escravos. Há muito branquela no M´Puto que tem ADN negro sem o saberem; daqui derivaram os nomes de Carapinha ou Negro; conheço alguns.

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O motivo da substituição do jornaleiro livre pelos escravos, não poderia ser a falta de gente em Portugal mas sim, o regime da grande propriedade, do latifúndio, que imperava no Alentejo que se arrastaria por centenas de anos. A utilização incessante dessa mão-de-obra, de meados do século XV até à segunda metade do século XVII, fixou-se e estabilizou-se em certas áreas do mundo agrícola, declinando, porém, no século XVIII, em virtude da gradual redução no ritmo da substituição desse tipo específico de trabalho.

mulata1.jpg Mas, mesmo em declínio, não cessou de existir, alimentada pela circunstância cruel de o filho de escravos herdar a condição dos pais, coisa que só findou com o tal decreto Pombalino de Setembro. Não conseguindo estabelecer maiores pontos de contacto entre a cultura africana e a portuguesa que subsistam e, que possam ser detectados na nossa etnografia, fica aqui o contributo para algo que nos parece importante, a presença dos Negros na nossa cultura.

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Embora os princípios da eugenia tenham sido elaborados por um cientista inglês, foi nos Estados Unidos e na Alemanha, a partir do início do século XX, que começaram a ser colocados em prática. Sob a designação de “eugenia positiva”, adoptaram-se medidas de incentivo financeiro a casamentos mistos, considerados favoráveis à tese; para isso implantavam-se programas educacionais numa via de reprodução planeada.

to3.jpg Até eram realizados concursos para a descoberta de famílias e indivíduos talentosos oriundos desta miscigenação. Tenha-se em conta que esta prática de incitamento já era bem conhecida pelos portugueses pois que as autoridades tinham no intuito, a fixação do colono à terra; assim sucedeu no Brasil e em Angola mas, este facto não proporcionou aos Tugas o serem considerados modelo nesta nova e independente sociedade. Antes pelo contrário, o que se verificou foi o não reconhecimento deste tão natural umbigamento pelas novas Nações e o Mundo.

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Por outro lado, faziam parte da “eugenia negativa” acções de esterilização, eutanásia, segregação e de restrição à imigração. A primeira lei de esterilização americana foi aprovada em 1907, no estado de Indiana. Se houve um povo que sempre cultivou a “eugenia positiva”, esses foram sem dúvidas os portugueses espadas-machos, que lá aonde quer que fosse se umbigavam com qualquer buraco de prolifera fêmea. Parece grosseiro dizer isto deste jeito mas é a pura verdade!

angola4.jpg Os defensores da eugenia encontraram suporte nas teorias raciais de meados do século XIX: para o racismo científico, os brancos europeus representavam a superioridade biológica, negros e amarelos eram considerados inferiores e a miscigenação era criticada por causar supostos danos irreversíveis na descendência. O movimento eugénico rapidamente se transformou em campanha nacionalista agressiva contra negros e imigrantes.

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Em parte os grandes culpados são os génios generais negros que com sapiência de cabos tomaram o mando em suas mãos impulsados pelo ódio, a vingança, a torpitude da incompetência. Falo claramente do estado Angolano aonde a maior preocupação foi extorquir o património dos brancos, seu lugar de trabalho, sua fábrica, seu carro, sua casa, seu estatus! São ondas de intolerância conforme as necessidades; uma prática indesculpável ou de deixa para lá! Uma conveniente conivência dos novos políticos.

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Após o término da Segunda Guerra Mundial, a eugenia foi desacreditada como ciência e condenada como postura política. Entretanto, a última lei de esterilização americana foi revogada apenas na década de 70. É necessário manter-se alerta a novas tentativas de oferecer soluções ideológicas a problemas cujas causas são económicas, sociais e, ou incompetência.

angolar5.jpgReconhecendo isto desta forma e, em relação aos estudos urbanos tomando por exemplo Lisboa ou Luanda, há que reflectir sobre o espaço e a interacção entre grupos por modo a que esta relação não se reduza a uma questão de “competição” ou “selecção biológica”. Os termos em que hoje falamos em origem, ainda são aqueles definidos pelo colonialismo.

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João Leal, um conceituado antropólogo português, escreveu um livro sobre a preocupação da sua disciplina, durante o Estado Novo, com os estudos sobre etnogénese. Para aqueles que nunca se darão ao trabalho de viver como os angolanos vivem, Angola é ainda um território mítico nesta visão: a terra trazida à civilização pelo esforço e engenho dos portugueses não tem sido enaltecida por esta via e, deveria ser! Ao invés disto restringem o direito à nacionalidade por questões de puro egoísmo.

ango1.jpg Eles, os mwangolés, querem castas genuínas e nesta leva o branco sempre vai ser preterido. A áfrica tem esta embirrante tendência de só considerar genuínos os negros. Está mal! Assim nunca irão longe… tenho dito! Não estou a dizer que este seja o caso de quem quer que seja. O que me parece interessante é identificar a existência de tal discurso pelas altas esferas da nova Nação que é Angola. E quando por vezes se diz que se é angolano, o que se está simplesmente a fazer é habitar o espaço em que é possível tal discurso tomado sobre a origem dos avós e tetravós mas sem seus direitos cívicos…

ANGOLA10.jpg Há que ter um papel na vida, tentando a todo o custo interpretar o lado positivo mas, os laivos de maldade dos novos governantes decapitam, que nem a esquerda comunista estalinista e maoista no seu lado mais negro, traz consigo! Uma carga negativa do passado cultural colonial, arredondada na perfeição dos silêncios ou na pura omissão. Com fúteis caprichos de poder, esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos futuros. Sim! O futuro de um mundo surreal tentando compreender melhor a essência dos seus divinos filhos. Uns são filhos da mãe e outros filhos da Puta...Falei!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:34
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2018
MU UKULU – II

MU UKULU ... Luanda do Antigamente - 03.09.2018

Neste e próximos episódios vamos dar uma volta pela Luua reavivando memórias do baú do kota Luís Martins Soares com adendas também elas minuciosas de T´Chingange…

De

luis49.jpgLuís Martins Soares No Brasil

soba15.jpgAs escolhas de  T´ChingangeNo M´Puto

Foi com grande satisfação que recebi uma mokanda no ano de 2017 do meu amigo kota, mais-velho da Luua residente no Brasil dizendo ter escolhido o título por mim indicado para seu livro de “Mu Ukulu”. No dia dois de Agosto de 2018, autografou seu livro que me foi remetido recentemente por correio pela amiga comum Assunção Roxo. A pintora mais fosforescente da EIL por nós reconhecida mestra em pintura digital e, que teve o privilégio de o contactar lá na terra grande da "ORDEM E PROGRESSO" no lugar de Sampas do Rio de Janeiro – Brasil.

diogo1.jpg Os relatos verídicos de Luís Martins Soares são uma contribuição para todos aqueles que se interessam por saber como em outros tempos era o dia-a-dia naquela cidade de Luanda entre seus habitantes camundongos, muxiluandas ou mwadiés do M´Puto, que com o tempo, passaram a considerar aquela terra como sua. Algo valioso para nos preencher o vazio que a saudade alimenta e, também para todos aqueles que contribuíram de alguma forma para a valorizar. E, assim mesmo, completando ou não um sonho acalentado pela maioria mas e, na qual a estória para alguns, ficou sem o agá!    

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Angola foi uma Nação que como tal já nasceu feita, burilada na labuta por alguém. Este e alguém, fomos todos nós, angolanos do coração. Dizeres que só o tempo reconhecerá como sendo verdadeiros e, porque neste nosso curso de enfrentar os conhecimentos com verdade, todos os dias serão uma prova à adaptabilidade humana com o manuseio de instituições e gentes que nos governam ou governaram. Sempre foi assim e assim continuará a ser!

diogo3.jpg No nascimento de Angola, teremos forçosamente de modificar nosso caracter de existência para aprender esta permanente transitoriedade pois que sempre seremos um fruto de mudança. A aceleração do conhecimento é uma das mais importantes e talvez a menos compreendida de todas as formas sociais e, que naturalmente abala as nossas instituições e a nós mesmos. O ritmo crescente de mudança perturba o nosso equilíbrio interior e, até modifica a própria maneira de como experimentar a vida acelerando a integridade de cada qual. Mas diga-se em abono da verdade, é difícil ficar-se indiferente…

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Esta aceleração de mudança que foi longa e lenta, teve quinhentos anos de complicada vivência mudando muito a estrutura de nossas vidas, na vida de nossos ancestrais, diversificando-nos nas formas que temos de representar e o número de papéis com uma inerente opção de obrigatoriedade. Assim, a breve resenha de cariz colonial de Luís, tem início a 3 de Maio de 1560 com a chegada à baia de M´Bungu de Paulo Dias de Novais sua primeira viagem, tendo sido preso por alguns anos no reino de N´Dongo. Em uma segunda ida, a 11 de Fevereiro de 1575, Paulo Dias de Novais, já encontrou 40 portugueses estabelecidos e com sete embarcações fundeadas na baia da Luua.

diogo5.jpg Aquelas naus eram destinadas ao transporte de escravos, uma prática social e comercial corrente entre tribos negras daquela parte do mundo, reinos de N´Dongo e N´Gola; a necessidade passou a partir daqui a ser gerida com coisa pouca - como um negócio de búzios, zimbros, caurins e libongos como mão barata para os novos empreendimentos agrícolas nas américas – o chamado Novo Mundo em terras de Brasis.

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Era a nova era do Ouro Branco, do açúcar a ser extraído da cana a que se lhes seguiu a cultura e manufactura do cacau, do café, do garimpo, afazeres menores a troco de comida de sarapatel, muitas chicotadas e nenhures da vida. Numa labuta diplomática de encantamento o rei N´Jinga N´Gola também conhecido por Kilwange Kazenda, envia uma amistosa embaixada a Paulo Dias a 2 de Junho de 1575 – era em verdade uma forma de iniciação comercial com os Mwene-Putos, donos da sabedoria e portadores do pau-trovão que cuspia fogo.

adam2.jpg Foi neste então que ali montaram bivaque fundando a vila de São Paulo de Loanda; isto a 25 de Janeiro de 1576. Aquela vila teve início na forma de fortificação no morro de São Miguel composta por trincheiras de pipas cheias de areia e, por forma a guarnecer o lugar de acostagem ou precário porto, local aonde se situavam as naus – baia de Loanda e à distância protectora de peças de canhão situadas no bivaque-trincheira; com a água batendo no sopé do Morro as naus estariam à distância de um grito de marinheiro e tiro de arcabuz.

diogo6.jpg A 24 de Agosto do ano de 1641 aparece ao largo da larga embocadura da baia entre a ilha da mazenga ou das cabras e as falésias do M´Bungu, lugar designado mais tarde por Barra de São Pedro, uma poderosa armada composta de vinte e uma naus e dois mil homens de tropa flibusteiros, arqueiros cobertos de metais e portando arcabuzes de cuspir fogo, cavalgaduras e peças de troar ventos para além da guarnição. Entra-se num outro capitulo - o tempo dos Mafulos ou Holandeses enviados a propósito para conquistar terras de N´Gola. O M´Puto estava agora debaixo do mando dos Filipes de Espanha – Filipe I era o novo monarca da terra Metrópole…

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2018
CAZUMBI . L

RAÍZES – 3 de 3 Partes… 30.08.2018

Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol …

kimbo 0.jpg As escolhas de Kizomba

Por: canhot1.jpgAntónio José Canhoto

Poucos terão a oportunidade de ouvir os aplausos da vitória, sentir os odores caros das fragâncias de um bom perfume os cheiros de um belo cozinhado gourmet ou sentarem o cu e conduzir um Ferrari, Porsche ou Lamborghini. A maioria dos prazeres da vida está apenas reservados aos eleitos ou às castas superiores elitistas que se alternam no poder das nações, comunidades ou empresas quem lideram pelo poder social ou financeiro.

mandrak5.jpg Só aqueles lacaios que vivem na sombra dos poderosos lambendo as botas e curvando a espinha beneficiam das suas indulgências usufruem de alguns privilégios que os diferenciam do “formigueiro” humano. A grande maioria das pessoas nascem para obedecer, cumprir regras e directrizes, não para as fazer, por isso são abusadas, violentadas, denegridas, esquecidas e marginalizadas na sua dignidade por este grande e monstruoso picador de carne que as vai moendo destruindo sentimentos, sonhos e anos de vida sem contemplações.

CAPITALISTA.jpg Por outro lado, temos que admitir que estes cidadãos homúnculos, obedientes, resignados, amorfos nada ousados ou imaginativos e pouco ambiciosos para correrem riscos, gostam de se sentir no lado seguro da vida, nos seus minúsculos mundos e casulos que lhes permitem aparentes zonas de conforto recusando-se a aceitar desafios ou aproveitar oportunidades para fazerem o mundo girar, saltar ou progredir.

EIL2.jpg As pessoas de sucesso e com poder são as únicas que não precisam de escrever a sua própria história, pois esta fará lembrar aos vindouros a notoriedade dos seus antepassados que se notabilizaram por diferentes razões. Estas pessoas têm motoristas que lhes guiam os seus carros, nunca estão perdidos no seu percurso ou perguntam a terceiros que lhes indiquem qual a estrada que devem tomar para chegarem ao seu destino.

cornos1.jpg Pessoas de sucesso assumem o comando das operações e para elas não se aplica o Princípio de Peter que se define quando alguém atinge o princípio da sua incompetência. Existe claramente um abismo entre vencidos e vencedores, entre leaders e seguidores, escravos e senhores que jamais será eliminado ou alterará a hierarquia mundial desta pirâmide sociológica em que o mundo se encontra escalonado e alicerçado.

FIM

António José Canhoto - 23-8-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:17
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MU UKULU - I

MOKANDA  DE LUÍS - 26.08.2018

De

luis000.jpgLuís Martins Soares para A. Monteiro - (T´Chingange)

 - Da LUUA - Mu Ukulu: - outrora, noutro tempo... Luanda do Antigamente

:::Luis1

António: Não estou lembrado em que ano o meu amigo lendo as minhas cronicas, a exemplo de outros, incentivou-me a publicá-las. Consegui resgatá-las dos Grupos de relacionamento, e em um processo que se arrasta há dois anos, consegui com o patrocínio do meu filho Luís Cláudio uma editora brasileira que interessou-se em editar o livro em Portugal e no Brasil.

:::Luis2

O António, não sei se está lembrado, incentivou-me a dar o titulo de " MU UKULU" ao livro. O livro que vai ser editado terá o título de "Mu ukulu, Luanda do Antigamente". Obrigado pela sugestão António Monteiro. Depois poste no meu e-mail

:::Luis3

luis.m.soares@bol.com.br  - o seu endereço que terei imenso prazer em ofertá-lo.

Abraços.

luis00.jpgAntónio Monteiro - O T´Chingange...

Foi com grande satisfação que recebi esta mokanda de 2017 do meu amigo kota, mais-velho da Luua residente no Brasil. No dia dois de Agosto de 2018, autografou seu livro que me foi enviado recentemente. Foi a amiga comum Assunção Roxo que mo trouxe porque teve o privilégio de contactá-lo pessoalmente lá na terra grande da "ORDEM E PROGRESSO" - É o que vem escrito na bandeira do BRASIL... Terra irmã que nos acolheu de bom grado.

Mu Ukulu04.jpgMu Ukulu0.jpg Roxo com Luís e Livro

Recordo-me deste evento recorrendo ao meu baú de lata muito coberto de ferrugem. Lembro-me perfeitamente de solicitar-lhe a publicação de Luanda antiga na página de Memorias da Maianga. Entre o Kimbo blogue e Memórias da Maianga encontrei referências entre as muitas mokandas!

baú1.jpgBaú da Luua

Luís Martins Soares falava dos Caminhos-de-ferro, da Cidade Alta e Hospital Maria Pia e costumes da Luua nas "Memorias da Maianga", uma página social a que estamos ligados de forma umbilical e, tendo como administrador-mor o Edgar Neves um bastonário do Rio Seco e Malhoas.

mai5.jpg Agora e, em posse do livro MU UKULU Irei dar início aos relatos nele contados que são de maior valia. Serão adendas em retalho e misturadas sem adulterar o tema do texto, seu princípio e sua ética. Assim, será numa forma sintética, com inclusão de pormenores adicionais já contados por mim e outros em  KIMBO LAGOA, Kimbolagoa Blogue, KIZOMBA e outras páginas Sociais tais como KIMBO online ou FEKA YETU,  amigos da E.I.L. Memórias da Maianga e, Roxomania entre tantas coisas por contar.

MAGA10.jpg Avivado agora pelos escritos de Luís Martins Soares, novos afloramentos surgirão no tempo das memórias. Luís, dedica o MU UKULU a todos os angolanos e Tugas com alma de angolanos que por lá labutaram e, com esforços e sacrifícios, irmanados no mesmo amor pela terra, mesmo ideal, tentaram fazer daquela N´Gola, um lugar de excelência.

maximbombo.jpegMaximbombo nº 3 da maianga

Um lugar aonde todos sem distinção de credos e raças pudessem conviver harmoniosamente para o nascimento e engrandecimento de uma Nova Nação, sonho de todos nós. Sendo assim, Luís Soares nosso KOTA MWATA deu início com um poema de Neves e Sousa dando a definição de Angolano. Um belo começo, diga-se!

maianga do araujo.jpg A Maianga com Costa Araújo

SER ANGOLANO

Ser angolano é meu fado e meu castigo

Branco eu sou e pois já não consigo

Mudar jamais de cor e condição

Mas, será que tem cor o coração?

:::

Ser africano não é questão de cor

É sentimento, vocação, talvez amor.

Não é questão, nem mesmo de bandeiras,

De mínguas, de costumes ou maneiras...

:::

A questão é de dentro, é sentimento

E nas parecenças doutras terras,

Longe das disputas e das guerras

Encontro na distância esquecimento.

Mu Ukulu05.jpgDe Neves e Sousa no ano de 1979

Um abraço ao mano Kota Mwata Luís Martins Soares

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:34
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2018
CAZUMBI . XLIX

RAÍZES – 2 de 3 Partes… 28.08.2018

Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol …

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kizomba

Porcanhot3.jpg António José Canhoto

EDU63.jpg Peneiras que avaliarão o potencial e calibre intelectual dos candidatos para um eventual debate. Os meus olhos já viram o melhor e o pior mundo bem como o nascer e pôr-do-sol em todos os continentes e dos sistemas políticos e religiosos que neles vigoram e os diferenciam pelos deuses que adoram. Preenchi a minha mente com todas as verdades que precisava para adquirir o conhecimento que hoje me permite deixar de ter interrogações sobre a vida e morte.

sol4.jpeg E, por esse facto encontrei o equilíbrio, paz e tranquilidade necessárias para deixar de me atormentar ou preocupar com questionamentos metafísicos ou espirituais. Por vezes sinto o desejo de saltar para a garupa do meu ginete alado e viajar para os espaços infinitos da minha África que continua a ser o elemento catalisador, inspirador e o elixir revigorante da essência do meu viver.

:::

Infelizmente o tempo não volta para trás e as Áfricas aonde vivi, sofreram grandes transformações infelizmente algumas para pior. Hoje a viver nesta superlotada Europa onde o espaço é cada vez menor e o oxigénio que respiramos é cada vez mais conspurcado pelos milhões de emigrantes que aqui procuraram vida, sinto a falta de percorrer na minha África centenas de quilómetros por picadas poeirentas sem ver ninguém a não serem os ocasionais animais selvagens.

sol3.jpeg Alguns deles também existem na Europa, mas de duas patas cometendo diariamente actos de terror em nome do seu deus e religião. A grande maioria dos refugiados que diariamente chegam á Europa fogem de África por diversas razões, procurando aqui um lugar ao sol o que raramente acontece e consequentemente nunca conseguem sair da sombra e da pobreza.

:::

O aumento de refugiados no continente europeu reduz o espaço e o oxigénio que os autóctones necessitam para viverem sem que os governos nos imponham a obrigatoriedade de nos miscigenarmos com estes refugiados alienígenas com os quais nada, temos em comum.

nauk13.jpg A população dos 28 países da Comunidade Europeia soma 741.4 milhões de pessoas e mais de 80% compreendem a massa trabalhadora que há muito deixaram de ser gente para passarem a “números”. Números pares ou ímpares nos computadores governamentais ou das empresas que os desnudam, escravizam, espremem que nem limões ou laranjas para fazer sumo do seu suor. Muito poucos serão aqueles que alguma vez terão a oportunidade de serem reconhecidos pelos superiores hierárquicos informalmente pelo seu nome e não pelo apelido.

(Continua…)

António José Canhoto - 23-8-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:39
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXV

ANGOLA DA LUUA XXXV - TEMPOS PARA ESQUECER - 12.01.2018  

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA - Os directores da comunicação social, os poetas activistas do MPLA falavam barbaridades contornadas com apelos à paz…

Por    

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

(Continuação da crónica Mokanda do Soba CXXIX – Angola da Luua XXXIV)

Passados que são 42 anos após a descolonização de Angola, ainda anda por aqui e ali gente a dar um encolher de ombros às lembranças de então, uma opção que não posso recriminar porque são penosas e revoltantes. Prometi a mim mesmo não me enganar continuando a ser eu próprio peneirando as opiniões, falando ou gerindo silêncios. Fale como fale, sempre serei uma carta fora do baralho!

ÁFRICA10.jpg Pelo andar da carruagem revejo-me como um elemento da riqueza soberana do M´Puto dando gorduras aos governos do M´Puto para nos poder gerir. O estado vendeu tudo o que dava lucro a empresas de gestão tais como os CTT, a EDP, as comunicações e surgiram os projectos PIN mais os Visa Golden e, não demorara a venderem também as autarquias e Juntas de freguesia. Nada me admirara depois da nossa entrega ao acaso com a entrega ao MPLA de Angola.  

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Recordo que já muito farto de atropelos, inscrevi-me para uma organização em Lisboa, CIME, Comissão Internacional de Migração Europeia e pouco tempo depois fui para a Venezuela de barco aonde me mantive por seis anos. Continuo a ver que os angolanos da nomenclatura, os mesmos que nos escalpelizaram, continuam a engordar-se nos aconchegos das vicissitudes da porca política.

guerra11.jpg Para não me mentir, terei de continuar esta senda por modo a ser no mínimo, ressarcido moralmente dos muitos desmandos, porque outra coisa não posso esperar! Não estou a ver mudanças palpáveis na conduta dos novos governantes porque estes, sobem até atingir sua verdadeira pretensão: Servir-se da máquina estatal para se acomodarem sugando-nos subestimando a vocação em detrimento dum meio de vida - o seu!

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Não tenho devaneios, este arquivo vai ficar morto como coisas do passado!… No já distante ano de 1975 e sequentes da mesma abrilada, pude ver os latifúndios da lezíria e savana alentejana acabarem sendo destelhados tornando-se montes abandonados. Fizeram festas revolucionárias comendo o gado, roubaram portas e janelas e, enquanto deu foram levantando o punho revolucionário da bestialidade.

guerra12.jpg Seus donos não tiveram alternativa e formavam fila a caminho do Brasil. Vasco Gonçalves lançava cravos à multidão; a mesma que nos cuspia no rosto porque nós, os retornados, eramos uns exploradores de negros! Comíamos seus miolos ao pequeno-almoço e das sobras ainda se fazia panados com pezinhos de coentrada como se borregos o fossem. Alguns envergonhados, dizem agora (ano de 2018) que não era assim!

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Isto tem de ser dito para que os angolanos que por lá ficaram na Luua sofrendo, entendam que nossa sobrevivência também o foi, penosa! Depois de termos sido dados como ferro velho ainda nos retiram raspas de ranho ressequido fora da coisa dada, nossa N´Gola. Em Angola, no dia 17 de Setembro de 1975 começa a evacuação de Sá da Bandeira para Luanda. As condições adversas de futuros incertos, com dificuldades de toda a ordem, seriam sentidas no M´Puto sem bombordo. Uma nau à deriva…  

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Podíamos sentir nossos amigos, vizinhos acampados no porto da Luua para fazerem a estiva de seu pecúlio, suas imbambas; as Kalashnikoves continuavam a cantar por todo o lado traduzindo os dias em centenas de mortos, gente presa, fuzilamentos sumários. O MPLA agrupava seus pioneiros para fazer maka aqui e ali. O Poder Popular agrupava seus militantes como carne para canhão sem o saber divertindo-se também como se tratasse de um festival de pirotecnia.

guerra13.jpg Da ilha da Mazenga podia ver-se lá longe as balas tracejantes riscando o dia e a noite com colunas de fumo negro e branco a excitar o medo duns e os corações de outros. Do lado de cá ainda sonhávamos com um “havemos de votar” mas, n imprevisibilidade a lei e a ordem eram uma fantasia escura, a justiça uma anedota trágica de porrada átoa.

guerra20.jpg Os directores da comunicação social, os poetas activistas do MPLA falavam barbaridades contornadas com apelos à paz; com novas rimas, cantavam makas perfilando sua falas com o MFA, libertando o povo com chavões transformando a rádio num grande megafone desordenando as cabeças. No aeroporto o medo cheirava-se com loucos gritos intercalados com silêncios tornando a moralidade numa batata podrida…   

(Continua…)

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Domingo, 7 de Janeiro de 2018
PARACUCA XXV

MOKANDA DO EDU – 07.01.2018

No tempo em que os chícharos se chamavam de feijão-frade - Uma estória contada doutro jeito

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Não posso falar todos os santos dias em coisas menos boas e, muito menos contigo meu amigo! Tenho de distribuir carinhos mesmo que pareçam carunchosos. Se queres ficar nos trinques com tua saúde bebe bolunga de massambala, enquanto relés. Já te recomendei tremoços, o camarão dos pobres que comidos com casca fazem bem ao reumático! Kiákiákiá…. Pois! O tremoço é um alimento óptimo para o metabolismo, um conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior de nosso organismo. Só que tu não ligaste peva!

camionista1.jpg Nas histórias que podes contar da tua vivência em Angola tens de meter jindungo do bom para apaladar o gosto tropical! Não vem mal ao mundo dizer que essas terras do teu tempo de criança, das estradas poeirentas e esburacadas, ou lamacentas transbordavam de água porque se fossem quimbombo só com os vapores ficaríamos pirucas.

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Depois das tempestades tipicamente tropicais, em que os relâmpagos sulcavam o céu em várias direcções, sempre aparecia a kukia brilhando o firmamento. Aquele cheiro da terra molhada e muito cheia de cazumbi perfumada, brincava com nossas sensações de esquecer o cheiro do chícharo quando ainda nem era feijão-frade. O apetite surgia na curva da nossa vida feito funje com kiabos mais dendém nadado com tukeyas panadas ou peixinhos da horta.

camioneta 3.jpg Com a vida a resplandecer, a natureza impunha-se com suas regras para que isso acontecesse com sentido de vontade. Bom! Há assuntos dessa Angola de asfalto, de progresso, que não deixam de ser uma contradição com as carretas bóhers do tempo da minha avó natural da Madeira. Vejo-a com seu lencinho amarrado em volta as orelhas, ainda desligada do progresso mantendo a tipicidade do seu nascer.

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Tal como ela, minha avó nasceu rude, jeito não burilado como o interior das savanas, das mulolas, das picadas, daquela Angola tão grande. Andando pra trás no tempo convenço-me de que o progresso nunca virá a atingir toda sua imensidão, permitindo assim que fique este genuíno retracto de quando eu era um puto de calções de zuarte e, sem cucas. Assim, os profundos contrastes, poderem permanecer-me feitos selva com os seus profundos mistérios dos maboques, das nochas e dos nombis do Humbe.

bessangana4.jpg Claro que o progresso não se compadeceu com minhas saudades continuando a medrar no seu habitat natural. Além do mais as cidades, as vilas, as povoações ganharam direitos que não podiam ser impedidos. Mas, e tanto quanto sei, as mulolas e t´ximpacas, continuaram por lá com os direitos que a natureza do mato não pode perder.

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Quem se enterrou no barro preto, atravessou rios em jangadas, ou ficou preso nas mulolas, recorda agora o ter sido rebocado para poder sair delas, uma angústia que não se compraz com um passeio turístico por uma estrada asfaltada. Sei que muitos dos Xi-Colonos sintam prazer em relembrar isso com preferência em o fazer naquelas condições; facto que não se esquece a comparar com os tempos de hoje, em que viajar era uma 

Torres0.jpg E, havia os candongueiros a vender fardos de peixe seco levados de Baia Farta e deixando um sulco e cheiro por quilómetros já depois de ter passado. A adrenalina de sair dum lugar sem nunca saber da chegada ao contrário do que acontece hoje com uma panóplia de instrumentos com JPS e telemóvel era coisa! Horários pré-estabelecidos não eram parte do projecto; haveria que levar isso sim, umas patilhas elásticas caso o radiador furasse.

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Levar uns arames para um qualquer suposto imprevisto, umas latas de atum, panela, frigideira, arroz mais batatas para curtir as fomes que no mato são mais agrestes. Levar também uma caçadeira por-se-acaso e também para matar o bâmbi, depois cortá-lo e preservá-lo em sal. As condições de viajar mudaram radicalmente, muito por força das estruturas rodoviárias e ainda pela própria evolução tecnológica das camionetas.

tambaqui6.jpg Recordo em 2013, a ultima vez que estive em África e naturalmente em Angola, o prazer imenso que senti em viajar num four-by-four tendo o recordo daquela magiros roncadora, rompendo picadas, enxotando as capotas e afastando o capim próximo; de novo viver aquela terra de outros tempos, momentos únicos que me trouxeram à lembrança essas outras fases da minha vida e, na qual fiquei colado com grude…

Nota: usando um texto matriz do EDU – Eduardo Torres

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:09
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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018
MOAMBA . XVI

AMIZADES - CRUZES CANHOTO - Bingo! O mundo está diferente. Bem-vindo a uma nova era…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Foi este o Lema que li ao levantar-me; escrito por José Canhoto da Quarteira com o qual me identifico. Tal como ele, aqui em KIZOMBA, ultimamente sem saber a razão e porquês, começamos a receber dezenas de pedidos de amizade diariamente no Facebook de angolanos, brasileiros/as, gente da mauritânia e arredores, dos países do leste europeu entre outros do globo.

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A percentagem pode ser distribuída da seguinte forma: 95% de mulheres e os restantes 5% de homens. Tal como Canhoto, cheguei a várias conclusões: Todas elas têm idade inferior a 30 anos, a grande maioria tem filhos sem serem casadas, outras fazem publicidade á venda de sexo explicitando os diferentes menus e os “saldos” respectivos a pagar. Cumcamano!

etosha6.jpg E, os petiscos são “variadississimos”. Definitivamente neste aspecto de venda de sexo nota-se uma evolução negativa nestas redes sociais. Eu bem digo que ando carunchoso mas, contudo, o facto que mais me surpreende, assusta, causa pena e dó pelo nível educacional como escrevem.

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É sempre uma escrita em desacordo com as habilitações literárias que dizem ter e das várias universidades angolanas e outras que frequentam ou dizem ter frequentado. No tocante a Angola, os erros de sintaxe são arrepiantes em cada duas palavras ofendendo a língua de Camões. Choram dolorosamente da forma como a sociedade, maioritariamente angolana, as crucificam e maltratam (entenda-se aqui como sendo os homens).

amigo0.jpg E, no que toca a Angola, acho também que o Governo deveria ter abolido todos os resquícios do colonialismo português incluindo a língua e optar por um dos mais populares dialecto angolanos o umbundo, o kimbundo ou quicongo, só que tiveram receio de ficarem sozinhos a falar uns com os outros sem nunca se poderem entender

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Compreendo assim, a razão por que Angola vai ficar condenada a viver num sistema neocolonialista pelos próximos 200 anos e terem que ter profissionais estrangeiros competentes a fazer os trabalhos que lhes competiria. Infelizmente, não me parece que consigam atingir a sua maioridade neste espaço de tempo.

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Se em todas as outras actividades profissionais a ignorância dos angolanos é idêntica á forma como escrevem a língua de Camões, a diferença entre hoje e de quando foram achados em 1482, pouca diferença faz no que respeita á sua literacia.

louva8.jpg Qualquer aluno do ensino primário em Portugal escreve bem melhor do que os angolanos a frequentarem as universidades. O Brasil também enferma desta visão. Tal como Canhoto, estudei em Angola e, a qualidade do sistema educacional que os colonialistas portugueses tinham lá implantado, não tinha qualquer comparação com os que os angolanos usufruem 42 anos depois a independência.

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Esta constatação leva-me também a concluir que os angolanos nem sequer ainda gatinham depois de 42 anos de bafunfa. Continuam reféns e dependentes de tudo e todos como bebés que precisam de pais adoptivos estrangeiros sendo a maioria e agora, de chineses que os preenchem, fazendo tudo o que estes precisam para sobreviver. Não demorará a saírem da esfera do dólar e entrar na do Yuan.

paulo0.jpg Retirem todos os estrangeiros de Angola e deixem de importar tudo o que precisam para viver e, veremos o tempo que demorará a que todos voltem para os campos tal como sempre o fizeram ao longo de 500 anos plantando o necessário para comer. Não é preciso ser sábio para adivinhar o destino dos angolanos se rapidamente não definirem as suas prioridades e, sendo a primeira o de se verem livres do partido que os governa desde 11/11/1975. Deixo aqui as minhas vénias a Canhoto por este interessante alarme…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:52
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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2018
KIANDA LII

“O mito dos Santos“ - Trata-se de um conto vulgar com uma notória lacuna: Os Santos nascem brancos!

Por

soba0.jpegT´Chingange

Foi mesmo no prefácio que a vida de Sexta Feira começou a ser utopia! Ele aconteceu vir nuínho da silva, gritar logo sem que ninguém lhe entendesse. O labirinto de suas falas ainda não eram verdadeiras, de nariz achatado e ainda branco, um pouco para o vermelho e, já lhe diziam ser parecido com seu pai, Domingo de nome.

ÁFRICA3.jpg Sua verdadeira mãe ali do lado já era Segunda e, todos juntos eram Santos. Como então? O pai se chamava Domingo dos Santos, sua mãe, Segunda dos Santos e, ele vinha assim mesmo Sexta Feira dos Santos. Nunca que ninguém lhe vou esquecer, que nasceu branco; depois virou preto mesmo!

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Na sua pele enrugada Sexta Feira já arrastava sua missão de vida com dificuldade de premonição quando os olhos dos outros se comoveram feito chuva de Colomboloca e Zenza do Itombe só porque sua cor se tornou mais retinta que a do seu pai Sãotomense. Que assim seu livro de vida mesmo sem prefácio, já era mesmo no gerúndio!

ama3.jpg Ele, Sexta Feira fez assim, assim com sua mão pequena e já sua tia mandava palpite de que você vi ser engenheiro. Como é!? Porquê falas isso, perguntou sua mãe de Segunda Feira dos Santos. Porque sua mão logologo, disse Lurdinha dos Santos na resposta elogiosa: seus traços que viu na ternura e da firmeza de sua mão como no rodar duma chave de busca-pólos.:::::5Sim! Vai ser engenheiro de electricidade e dos petróleos! Afirmou quase peremtóriamente como supra numerária das linhas mestras no futuro do candengue. Tem gente assim, predestinada a grandes falas! O mito é assim mesmo, um nada que é tudo como o sol que abre nos céus.

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Eu, T´Chingange amigo só de vizinho lá no Caputo, fronteira da madame Bergman e Bairro Popular número um, machimbombo numero vintidois da Terra Nova, branco de segunda mesmo, assombrava-me com os compromissos, palavras só faladas para não ficar assim sem compreensão de nada dizer! Entendem? Pópilas, não kopelipem! Tem muita gente assim; fala, fala, mas não diz nada mesmo!

maianga do araujo.jpg Cá para mim, era mesmo uma criança de um indefinido feio, mais parecendo ao Mobutu Sese Seko Kuku Ngbendu Wa Za Banga muito mais ainda que o seu Patrice Okí Assombro Lumumba; ambos do Kongo. O primeiro que foi presidente feito onça comedor de coração de macaco e o segundo que também foi, mas morreu com um tiro nas partes, lá por 1961. Há assombros que batem certo!

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Estava mesmo a ver Sexta Feira correr descalço, pisar nos tabaibos da gente, e ficar assim fulo, mesmo de lixado, e só átoa. Cada um tem seu caminho e não foi em vão que só ainda nem acabou. N´Zambi é que sabe de como fazer, agora só mesmo falar de elogios, dos traços e coisa e tal, da geração e nem sei que mais - está mal!

menino2.jpg Porque às tantas, vai ser presidente, ficar dono do nosso kumbú e, nós aqui olhar o vínculo de suas linhas com palavras sem glossário nem nada. Juro! Foi nesse então que disse: Este caminho de antes que seja, vai ficar muito mais pior e, de Santos mesmo, só o nome se vai salvar. O diabo mesmo é que ele pode vir a ser.

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Depois de muitos anos concretizou-se a profecia. Dos Santos era um filho da mãe Segunda! Como vai então um povo andar práfrente, ir ser assim um Santo que nunca mesmo o foi?! Não foi em vão porque só ainda não aconteceu. Tambulakonta, a história mesmo, é muito mentirosa.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:14
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Sábado, 2 de Dezembro de 2017
XICULULU . CCVIII
 
PANOIAS III - TEMPOS DORMIDOS - 02.12.2017
-NAS CINZAS DO TEMPO - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Na magia do Natal
Por

soba0.jpeg T´Chingange

Eram quase dez horas quando me levantei; estava um frio de matar passarinhos! A noite deve ter chegado aos cinco graus mas, pelo sim pelo não, lá pela meia-noite levei uma botija com água quente para me aquecer os pés e as quinambas. Foi da trempe que retirei esta água; para quem não souber, a trempe é de ferro forjado, tem três pés como o próprio nome diz. Era normal e ainda o é, mas não tanto, deixar esta na lareira da aldeia para se ter sempre água quente e, também para lançar alguma humidade no ambiente.

roxo159.jpg Durante a noite fiz uso do meu quico toytoy-zulu com as cores garridas da África do Sul espetado até às orelhas; Após as diligências de arrumo pessoal, coloquei as minhas botas de Uzinto de Durban e dispus-me a ir comprar torresmos de flor mais costeletas do cachaço de porco preto em Santa Luzia. Tive de parar bem no centro da vila para comprar dois pães de cabeça ao senhor António padeiro.

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Como uma magia de Natal fui vendo correr os suaves morros ondulados, salpicados de verdura tenra, mais os pontos brancos mexendo-se na forma de ovelhas nas chapadas. Estas vistas largas da savana alentejana com um e outro morro em ruinas, em tempos idos, frustravam-me; pouco tempo passava aqui, sempre de rabo alçado para rumar outros destinos mas agora, talvez pela idade, vejo esta paz carregada de nova percepção de perceber o vazio.

jack2.jpg Enquanto percorri este espaço de caminho fui pensando nesta crónica analisando em conjunto a natureza real, interrogando-me se este vazio era também uma ausência de existência. Não o era! Num lugar em que toda a gente cumprimenta toda a gente, o Bom-Dia surge com magia diferente. A sociedade, tão mudada neste mundo actual alterou regras sem zero e, sem o zero é impossível contar! Magia de natal.

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O prazer de ver depende muito da nossa atitude mental; assim encorujado nos meus farelos antigos, queimo as pestanas das muitas e antigas lembranças!… Foi mesmo ao sair do carro no talho da Abelhinha da Suzel e bem junto a uma roulotte com a bandeira dos USA que ao abrir a porta traseira do carro que alguém me dirigiu a palavra num português defeituoso: - Senhor, aqui vender…has black pig? Olhei a figura e fiquei espantalho; era nem mais nem menos que o Jack Palance, um ruivo cavalheiro que me inchou de felicidade nas peliculas de cinema lá do passado da Luua!
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Engasgado de assombro, frente a ele e na descrente veracidade do facto, lembrei num meio segundo suas vozes roucas, beata no lábio, artista principal azedo da vida e com uma cicatriz famosa em seu rosto. Será que estou mesmo neste mundo, nem pedindo licença para entrar no outro; só assim sem mais nem menos!?

roxo135.jpg Mal refeito aparentemente, olhei de arregalado sua pessoa, seu perfil altivo e respondi enquanto olhava seu cão negro e peludo, um cão-de-água de raça tuga. - Sim! Aqui os perros podem quedar-se sim problemas! Bolas! No estupefeito do caso dei por mim a falar espanhol confundindo cães com porcos. Sim! Repeti cirurgiando a sua figura: - Sim, here is a black pig.

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Eu também vinha comprar essa delícia de comezaina. Sempre mais alto e agora mais kota ali estava esta kianda assombração, reganhando competência antiga nas adivinhações do meu silêncio. Obligado! Tank You! Duas vezes repetiu agradecimento e na forma de saudade antiga consegui ainda dizer: - OK! Pode comprar o pig preto e até passear seu perro! Até ir pescar na barragem do Monte da Rocha; aqui tem liberdade de apalpar o sabor dos silêncios e até os ventos que sopram de Panoias: - Podes mirar las sierras, volver en los tempos viejos e até encontrares o John Wayne. Num repentemente já o tratava por tu.

jack1.jpg  Ele, Jack Palance deu um pulo de satisfação. O quê: - John Wayne está aqui!? Pois, ainda ontem estive com ele em Aljustrel disse eu; mas bazou, nem sei para onde em seu cavalo holográfico. No seu sentido de eloquente grandeza, girou seu espaço em cento e oitenta graus e fez estalar os dedos de contentamento! Sua alegria era mais que muita. Enquanto fui comprar os lombinhos, ele ali ficou solitariamente taciturno afagando seu cão de água, creio que jogando inúmeras tristezas ao vento semi quieto dizendo, este mundo é mesmo uma ervilha.

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O perro, ia e vinha alegrando seu dono solidário com seu contentamento e, eu já ali estava especado segurando a microondas para lhe mostrar as imagens de Assunção Roxo, uma kianda viva jogando roxomanias na forma de imagens fosfóricas. Meu chapéu dos big-five verde descalibrado neste sonho, bulia com meus neurónios. Ando preocupado com estas minhas visões mas, por agora ali fiquei apreciando os talentos de Jack Palance fazendo gaifona a seu cão.

roxomania1.jpgMeu artista preferido nos filmes de índios e gente robusta do frio norte, lugar meu desconhecido, aproximou-se ao meu chamamento. Foi quando lhe mostrei as ilustrações do John feitas por Roxo. De novo rodopiou 360 graus de contentamento, tirou seu chapéu e, com energia bateu-o em sua perna direita. Bem! Mostrei-lho no mapa o caminho para a Barragem de senhora da Rocha aonde ele Wayne, deveria estar a comer churrasco à mbukusho… My friend, thank you! Deu-me um grande braço e lá seguiu munido de suas carnes de black pig de santa Luzia…

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Jack Palance (Vladimir Palahniuk). Actor norte-americano falecido a 10 de Novembro de 2006. Antes, foi lutador de boxe, acreditando-se que sua face desfigurada se devesse aos golpes recebidos, mas em verdade a desfiguração foi causada por um acidente de aviação.
O Soba T´Chingange
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017
MONANGAMBA . XLVII

RELEMBAR ANGOLA - Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também devemos orgulharmo-nos das coisas boas que fizemos…

As escolhas de T´Chingange

Por 

canhot1.jpgANTONIO JOSÉ CANHOTO

O COLONO

A definição de “colono” para alguns brancos residentes em Angola afectos ao MPLA, partido que governa este país desde 1975, bem para como para muitos negros, o termo “colono” tem sempre cor branca. Para estes o colono teve sempre como objectivo explorar negros, dizem! Nada pode estar mais errado nesta forma radical de definir a palavra “colono” seja o visado de que raça étnica for como um explorador oportunista de negros, índios ou aborígenes.

angola6.jpegFilologicamente o vocábulo “colono” pode ser definido como a um individuo que faz parte de uma colónia, que emigra do seu país de origem para uma terra estrangeira ou no mesmo continente e de um país vizinho para a povoar, cultivar por conta própria ou de outrem independentemente da raça do seu proprietário e, se este nasceu ou imigrou para o território.

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Este acto migratório pode ter duas vertentes: a primeira é quando um outro país exerce o controlo ou a autoridade sobre um território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país ao qual esse território não pertence e contra a vontade dos seus habitantes quando o país é colonizado e, que muitas vezes, são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) ou eventuais direitos tribais, culturais e ancestrais que detinham.

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Na segunda vertente emigram a pedido do governo do país ou de empresas privadas que pela falta de conhecimento tecnológico dos naturais se vêem obrigados a procurar mão-de-obra especializada no estrangeiro, para suprir as suas deficiências naturais. Para uma certa classe de portugueses e angolanos brancos e negros enfeudados ao partido do governo a sua atitude maniqueísta é a de que todos que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”, os maus da fita.

suku0.jpg Na minha opinião este reaccionário pensamento vindo de negro ou branco chamando indiscriminadamente “colono” de forma ofensiva para todos os portugueses que viveram em Angola até 1975 ou que para lá emigraram depois desta data, aconselho-os a olharem retrospectivamente para os seus passados e dos seus pais ou avós antes de 1975 antes de atirarem a primeira pedra.

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Ingenuamente, pensei que o termo “colono” estivesse a cair em desuso, mas vejo que continua bem vivo nas bocas de alguns, quando comentam alguns textos meus e de outros sobre Angola. Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também devemos orgulharmo-nos das coisas boas que por lá fizemos deixamos. Fomos certamente “colonos” durante os séculos que se seguiram à descoberta desse território o qual, ainda nem nome tinha.

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Muitos milhares de portugueses ainda hoje emigram para Angola na procura de melhores condições de vida trabalhando para empresários de várias nacionalidades negros ou brancos. Sedo assim porquê o governo actual de Angola não os trata como “colonos”?

chicor2.jpg É certo que até finais do século XIX e princípios do século XX muitos dos portugueses que emigraram para as nossas antigas províncias ultramarinas o fizeram na qualidade de verdadeiros “colonos” dando a Portugal benefícios económicos e, a partir da exploração desumana de mão-de-obra negra, contractos quase de escravatura mas, não era esta prática generalizada na última metade do século XX.

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A forma comportamental de alguns “colonos”, nada tinha a ver com todos aqueles que para Angola debandaram ou nasceram depois dos anos 50 com uma mentalidade aberta, iniciando a construção de uma sociedade moderna e multirracial e na qual se reflectia em todos os aspectos da comunidade. Se um empresário negro português tivesse emigrado para Angola, montasse uma empresa e tivesse empregados negros seria considerado um “colono”?

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Sinto-me no dever e direito de desmontar e desmistificar esta falsa questão do “colono” que não pode ser vista interpretada, generalizada com o epiteto de que colono branco é racista e explorador. “Colonos” e colonizadores foram todos os países que nos séculos XV e XVI descobriram à volta do globo, novos territórios habitados por índios nas Américas, indígenas em África e aborígenes na Austrália, num estágio primário civilizacional com perto de 500 anos de atraso tecnológico em relação aos europeus.

chela2.jpg Que por via disto, os descobridores precisavam não só de explorar, assimilar, cristianizar e os infectar, mesmo que involuntariamente, com todas as doenças que para lá exportaram. Diogo Cão chegou á foz do Zaire em 1483 sendo a partir desta data que se inicia a conquista pelos portugueses desta região de África a qual era constituída por vários reis e reinos étnica e linguisticamente diferentes que se guerreavam pelo expansionismo regional.

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O primeiro passo pelo Reino de Portugal foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o do Reino de N´Dongo e o de Matamba, os quais não tardaram a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola em 1559. As fronteiras de Angola só serão definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos Ambundos, a cuja língua o termo Angola anda associado.

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A Rainha Ginga, seu nome Dona Ana se Sousa “N´Gola”, seu título real em quimbundo foi o nome utilizado pelos portugueses para denominar a região conhecida hoje por Angola. Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, na minha opinião também foi a sua primeira grande colonizadora e eu explico porquê? Esta rainha guerreira que morreu aos 80 anos, durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submeteu e escravizou os seus habitantes vendendo-os aos portugueses que os levavam para o Brasil.

n´zinga.jpg N´´Zinga ou Ginga, torna-se assim cúmplice no esclavagismo, pois que também os usava como trabalhadores escravos nos territórios controlados por ela."N´Zinga" formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe. Subsequentemente conquistou o reino de Matamba e em 1635 coligou-se com os reinos do Congo, Kassange, Dembos e Kissama. Este pequeno intróito sobe a Rainha Ginga tem apenas e única finalidade, demonstrar que o processo colonizador sempre existiu em todas as latitudes.

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As tribos ou etnias mais fortes, melhor apetrechadas e com melhor armamento dominavam as mais fracas fora dos seus territórios, submetendo-as com o objectivo expansionista, esclavagista e até para sacrifícios religiosos com práticas desumanas e, por via de suas superstições. E, também para se apropriarem das suas riquezas, concubinas, gado, e rebanhos.

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Os portugueses não foram certamente santos pelos territórios que descobriram e colonizaram, mas também não foram totalmente pecadores na miscigenação que desenvolveram e cultivaram com os autóctones. Mais nenhum país o fez do mesmo modo! Aliás, por lá deixaram tudo sem nunca terem sido ressarcidos pelo roubo chamado de descolonização.

lubango1.jpg A história a ser bem contada, sempre terá de recordar a má utilização que o governo de Angola independente deram ao património que à força foi expurgado os portugueses tais como, casas, aeroportos, portos, cidades, estrada, equipamento, tractores, uma satisfatória rede de escolas e hospitais e administração em geral e, tendo dali saído unicamente com a roupa do corpo. Não confundamos ou associemos a palavra “colono” apenas com a cor branca e muito menos só com nacionalidade portuguesa.

Escrito em 13-12-2016 por A. Canhoto

O Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:49
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