Segunda-feira, 11 de Setembro de 2023
VIAGENS . 74

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3474 – 11.09.2023

- Escritos boligrafados da minha mochila, “de Maun a Francistown - Botswana ” – Entre os anos de 1999 e 2010

Por francistown02.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

Botswana 200.jpgAqui em Botswana,  Estrada Nacional A1, com colares massai de contas azuis e bagos de feijão maluco de Angola penduradas ao pescoço, escrevo no imaginário, coisas loucas a condizer com o não menos chanfrado Ernest Emingway, salvo as proporções, claro! Sou um homem do mundo. Já viajei e vi muitas coisas nos anos e meses que passei noutros lugares, assim como missangas, conto-os enfiados em um fio de náilon a fazer de pai-de-santo.

Formando frases curtas e sinceras, tento rematar-me nas voltas certas para driblar de outro jeito meu passado. Sim! De outro qualquer modo ele, o passado pode reconhecer-me. Aiué! Aprendo com as formigas grandes, kissondes que em andamento seguro, arrastam pelo pó do chão seus ventres escuros sem discutir com Deus por assim andarem, sempre se arrastando.

Botswana 239.jpgÁfrica de exotismo quanto baste com coisas e animais incomuns aonde a adrenalina delira em pavores loucos, inundados e imundos de situações fatídicas, substituindo o ar dos pneus por capim cortante de chá caxinde. A coragem indomável de conhecer a África profunda, surgia-me naturalmente desde que ainda moço me tornei kandengue de N´Gola, ao devorar um cacho de bananas oferecido por meu tio “Nosso Senhor” chegado do M´Puto, ao som do apito grave e  longo do vapor “Uige” da Companhia Nacional de Navegação.

Com meu pai colono de papel passado e creditado na tal CNN e, assim, crescido na idade, não foi necessário beber kat´chipemba com pólvora, uma mistela incendiária que deixa as entranhas em chamas para enfrentar os matos com coragem. Nestas voluntárias tarefas de aventura com aflição ou maka, os vómitos de radicais experiências foram surgindo entre bichos cambulando cacimbos com marufo de kassoneira,

Botswana 205.jpg Pois! Ofertas de N´zambi e gente com vestes de loando, amuletos reluzentes, tilintando seus toucados e penduricalhos nos artelhos; de muitos, por demais, zingarelhos. Então, falando com meus botões nas longas viagens, nas frinchas dos tempos e das falas, neste mundo confuso, serei sempre um genérico cidadão ou um sem-terra por não me poder definir como genuíno nessa escolha; assumidamente, não pertenço a lugar nenhum. Serei pois um Pai de Santo sem mukifo permanente.

Lendo na Wikipédia, Francistown aparece como a segunda maior cidade da Botswana, com uma população de cerca de 114 mil habitantes,  descrita como a "Capital do Norte". Está localizado a cerca de 400 km a norte da capital  Gaborone, na confluência dos rios Inchwe e Tati,  perto do rio Shashe (afluente do Limpopo) e a 90 km da fronteira internacional com o Zimbabwe.

Aqui, região do Delta do Okavango, a adrenalina delira loucos pavores, inundados e imundos de situações fatídicas, renovando o ar da coragem de conhecer a África profunda, surgindo-me naturalmente, sem o uso de uma bomba pneumática desde que ainda moço me tornei kandengue maduro conduzindo uma biscicleta aos solavancos da pequenez, um pé atravessando o quadro  do zingarelho para adultos mas, que eu dominava como se o fosse um matrindindi, feito gafanhoto, num vaivem de pernas sem concluir o curso do circulo.

Botswana 297.jpg As provas de habitação por humanos aqui em Francistown, remonta ao tempo de N´Debele, um M´Fumo (chefe) que surgiu na área em 1820 com sua cultura de Bulawayo e, trazendo o conhecimento  para o Kalanga, área do nordeste do Botswana. Reportado, Nyangabgwe, foi a aldeia mais próxima para Francistown de ter sido visitado pelos europeus, para prospector ouro, ao longo do rio Tati. A actual cidade foi fundada em 1897, como um assentamento perto da mina Monarch. Foi aqui exactamente que  me relembrei de ter renascido como Niassalês no bojo de um vapor que o tempo também enferrujou – NIASSA Francistown foi o centro da África Austral do primeiro ouro, encontrando-se ainda  rodeada  de antigas minas abandonadas.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:44
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Quinta-feira, 7 de Setembro de 2023
VIAGENS . 72

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3482 – 07.09.2023

- Escritos boligrafados da minha mochila - Em Maun Rest Camp, cidade de Maun no Delta do Okavango…

 Poraraujo10.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

maun6.jpg Nas terras do fim-do-mundo do Botswana, não se olham os prazos; é só deixar correr o tempo, tomar uns quantos cafés, à tardinha gim com rum ou cachaça e antes do deitar para retemperar um chá rooibos ao redor da grande fogueira situada ao centro do terreiro e roer biltong de olongue (Kudu) – os contornos da cubatas viam-se difusos com  noite adentrada pintada nos contornos das luzes parcas.

Um milhão de insectos a tremelicar ao seu redor como uma aurea despegada dum anjo negro imaginado no contorno do céu estrelado; Aqui, como em qualquer outro sítio de áfrica, convém que o anjo seja negro para tornar tudo genuíno. É natural  conveniente que os santos por aqui sejam negros, noé!? Estivéssemos nós no Atlas de Marrocos e tomariamos chá de menta saudando em Salame Alikan, Alikan Salame…

Cada terra tem seu uso, cada gente tem seu fuso. Em Maun, na paz de espírito desta áfrica profunda disse para mim mesmo: - Vou ter que me gramar desta forma, para o resto da minha vida. Agora, com ou sem pecados, travamos um combate incessante contra os poderes das trevas - um vírus .  A mente é o campo onde a batalha será decidida para o bem ou para o mal.

maun07.jpg Mas, o problema que vem sempre dos outros é aí que estamos tramados, mesmo sabendo que a hipotenusa é a raíz da soma do quadrado dos catetos... Isto pró vírus, já era... Estas impressões que comandam os sentimentos e medos, ditarão nossas escolhas direcionando as decisões... Impressões que comandam hoje os sábios que, queiramos ou não, ditam  a actual Intoxicação digital no Mundo... E, é a noite que chega com sonhos assombrosos.

Pensando na espera do sono, a noite é assim mesmo, dá para pensar e, o tempo não passa pela amargura mas, a amargura passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto existe! Alguns idosos, como eu, em outro fuso horário, vão á janela algures num dos tantos lugares a despedir-se do tempo vazio tendo como vizinho próximo a árvore, talvez um carvalho mas aqui, no Botswana,  será um imbondeiro chamado de baobá ou uma acácia de espinhos medonhos.

De dentro do imbondeiro, alguém pergunta: - Para onde estás a olhar? Para a árvore - é a reposta. E o que vais fazer agora? Olhar para o imbondeiro? Quem é esse imbondeiro? – É essa árvore gorda! No sonho num entretanto meu amigo Santos, natural de Pé-na-Cova, um ferrenho benfiquista, lá na Lagoa do M´Puto,  corre sua maratona entre os correios, a padaria do venezuelano e a peixaria junto da igreja matriz e, todos os santos dias repete a dose do anterior dia… Enfastiado, adormeço…

maun10.jpg Maun - Surge um outro dia. Há que lavar os dentes, banhar-me no WC dos caniços, cheirar o cacimbo da manhã, acompanhar-me do café com leite numa caneca de  esmalte e comer aquele pão biscoito duro chamado de rusk, meter as imbambas (bikwatas) na mochila, binóculos, o canivete e câmara fotográfica e contornar os hipopótamos da lagoa do Delta, uma entre muitas e,  bem de longe, o suficiente para não se sentirem perturbados segundo plavras do guia fardado de zuarte, com um lindo bordado com flexas, colorindo a manga esquerda.

Há dias e dias! Há dias de um irritado pessimismo e outros de tão naturalmente optimistas que como um carneiro jogamos orgulhos contra obstáculos de repetidas coisas, eternas repetições de males antigos, males de imaginações insatisfeitas, amargas desilusões sem fermento na tristeza. Sem vontade de tormentos, certo! E, aquelas muitas pedras na beirada verde mexem-se, levantam as cabeças e saúdam-nos com um fiquem longe que sou perigoso. Eram eles, os hipopótamos em dezenas, marcando seu território, literalmente cagando para nós – espargidos na água meia turva… Pelo anos deles, sai sua personalidade e, por fim, o dia na lagoa Xaxaba, acabou

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:06
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Segunda-feira, 4 de Setembro de 2023
VIAGENS . 70
 
NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)
"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 348004.09.2023
- Escritos boligrafados da minha mochila - Em Maun Rest Camp, cidade de Maun no Delta do Okavango…
Por tonito11.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

maun07.jpg Botswana, território que começou a ser desvendado por exploradores a partir do século XVIII, deram-lhe o nome de Bechuanaland mas, após a sua independência em Setembro de 1966, toma o nome de Botswana com junção do prefixo "bo" que quer dizer homem em língua Bantu a de "Tswana", nome da tribo mais numerosa daquelas paragens

Realizando regulares eleições ao invés de outros muitos povos de África, é considerado um exemplo de estabilidade política. Botswana é um grande planalto árido situado bem no interior de África meridional. É daqui que saem para o resto do mundo os mais puros diamântes dando ao povo um modo de vida melhor equilibradao do que a grande maioria dos países do continente negro.

maun8.jpg Os principais grupos étnicos são os Tswanas, Kalangas, Khoisan entre outros dos quais os brancos nativos dali e indianos que para ali foram idos do Quénia, Zâmbia, Tanzânia, Ilhas mauricias, África do Sul e principalmente do Zimbabwé aonde a instabilidade ditada por Robert Mugabe (já falecido) a isso obrigou.

Deitado de barriga virada ao tecto de lona da tenda, a osga gorda estuda-me com seus olhos oblíquos – também aqui há osgas gordas, indicação de que também aqui há mosquitos. Acena por várias vezes, parece cuspir qualquer coisa e depois refugia-se no escuro ficando a espreitar entre a costura do tecto e o pau avermelhado da espia tecto de sisal. Ainda não eram horas de dormir mas estava relaxando do almoço feito de chocos e mexilhões “apanhados” no supermercado Spar de Maun…

maun05.jpg Aquela osga era-me familiar, dei-me conta de que só ela sabia alguma coisa da minha origem, minhas andanças. Sim! Quase percebi, chamar-me de Niassalês – sentia-me reduzido a um ponto de interrogação; acho mesmo que aquela gorda osga via pessoas que mais ninguém via ou conseguiria ver. Nesta questão de instantes o tempo murchou-me a vontade de entender se o pior era eu não suportar o balanço das potholes (buracos) ou as quezílias do tipo de entre gémeos.

Convêm saber: -A Republic of Botswana, em tsuana é um país sem ligação ao mar. Sua capital é Gaborone, que é também a maior cidade do país; seu relevo é plano com o Kalahári ocupando 70% de seu territário. Sua fronteira com a Zâmbia ao norte, perto de Kazungula no rio Zambeze, com travessia feita por ferry-boat por onde já passei, é um lugar que destaco pela diversidade e beleza que marca a fronteira com este país.

IMG_20170720_104337.jpg O Botswana em 1966, era a segunda nação mais pobre do mundo. Desde então, transformou-se numa das economias mais consistente, com um alto rendimento nacional dando ao país um padrão de vida modesto. Apesar de sua estabilidade política e considerável prosperidade, o país está entre os mais atingidos pela epidemia do HIV/AIDS; estima-se que cerca de um quarto da população, seja seropositiva.

Lendo descrições antigas dos khoisans, revejo-me em Silva Porto a descrevê-los: Magros, ossudos, envoltos em peles de leopardos ou chitas e com os cabelos penteados em tranças longas. Também aqui, são os grandes caçadores desta parte de África; dóceis e selvagens no aspecto como sempre são referidos descendo e subindo ao longo das linhas de água aonde só corre água quando chove. Mulolas que lhes mata a sede com seus charcos (água do subsolo, a pouca profundidade). t´chimpacas naturais com nomes de t´chicapa e, em terra de mwene-mãe nos sertões com nomes de Lubuco ou Lubo, distantes do principal rio, o Cassai, aonde as manadas de elefantes são às centenas.
(Continua…)
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:34
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Domingo, 3 de Setembro de 2023
VIAGENS . 69

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3479 – 03.09.2023

- Escritos boligrafados da minha mochila - Em Maun Rest Camp, cidade de Maun no Delta do Okavango

 Por soba002.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

maun09.jpg À entrada da fronteira do Botswana em Popavalle ou Popa Falls, um posto fronteiriço, deparamos com o aprumo de agentes aduaneiros que nos atenderam duma forma surpreendentemente civilizada ao invés de outras anárquicas fronteiras aonde tudo se resolve com uns quantos dólares de gasosa.

Com os restos de murmúrios falsos, tinhamos a ideia formada de que o Botswana era um país esquecido com muitos burros mortos na estrada e desordenadas lixeiras, a comparar com outros países aonde impreparados chefes exibem arrogância impregnada de devaneios mal curtidos mas, foi um total engano.

Conhecer a terra é em verdade um laboratório de vida constante porque nos purifica e regenera. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções recolhidas da terra. Estes kimbos, na forma de quilombos com paliça em circulo e, a contornar palhotas redondas, rondáveis feitas a barro com bosta de boi chapados à mão nos entrelaçados chinguiços amarrados a mateba (casca de àrvore ou arbusto) - a taipa; numa vastidão de capim ralo, formavam conjuntos harmoniosos.

maun12.jpg Algumas cubatas, ficam circunscritas com cercas de paus, chinguiços duros dispostos em ciculo e, com uma só entrada, enterrados e afiados nas pontas viradas ao céu, com o  fim de proteger das feras a quem ali vive. As lembranças de coisas passadas podem confundir-se com o hodierno numa amalgama de engravidadas verdades e no exacto momento de sobrevoar o kimbo grande de Maun, feito cidade de paliças no Botswana, desfrisei essas visões à mistura com os horizontes verdes de água silenciosamente parada deste Delta do Okavango.

Falo na qualidade de gente feita  zebra, nem preto, nem mulato, nem branco de verdade porque o tempo desclassificou-me no quente vento da saudade. Saudade desnorteada no sonho encardido, juntando umas lágrimas ao Delta do Okavango e, lembrando a Angola da Lua da minha infância suburbana, amulatada do bairro da Maianga, inícios do Catambor…

maun001.jpg No Delta do Okavango, cidade de Maun instalámo-nos em duas tendas do tipo campanha militar no Maun Rest Camp. O Motsentsela Tree Lodge tinha melhores acomodações mas nós preferimos sentir a natureza mais próxima através duma lona esverdeada ao jeito daquelas vistas em filme do Tarzan e, assentes em um estrado de madeira; os banheiros eram uns caniços esparsos instalados a meio do Rest Camp, sem qualquer cobertura o que, para alguns utlizadores, os  inibia em usar, principalmente durante o dia destapado do escuro.

Maun é uma das cidades mais caracteristicas de África mantendo a tradição de construção redonda feitas em taipa de barro e paus cruzados, sendo cobertas a capim de canudo grosso caracterisico das margens do rio Okavango. No dia seguinte alugamos uma avionete e sobrevoamos o Delta a duzentos metros de altura vendo do ar, todo o tipo de animais desde o hipopótamo ao elefante, distribuidos em grupos naquela enorme extenção de charcos serpenteados por verdura, ora rasteira, ora de árvores de grande porte.

maun02.jpg O explendor da biodiversidade estava ali espalmado ao redor fazendo-nos imensamente pequenos num pantanal maravilhoso (opântano do Okavango). Vivendo os dias no limite, queriamos que as coisas perdurassem assim seduzidas. Já distantes do Sul de Angola, linha de Calai, Dirico ao Mucusso, extravasando a face oculta do meu personagem "espia", mantinha-me fiel aos princípios éticos recolhendo vivências dos povos circundantes a Angola.

 (Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:24
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Quarta-feira, 30 de Agosto de 2023
VIAGENS . 66

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)
"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3476 – 30.08.2023
- Escritos boligrafados da minha mochila - no “Estado Livre de Fiume” em Grootfontein – No Otjozondjupa da Namíbia…
Por FK2.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

fiume02.png Aconteceu em paz, divorciar-me de mim, dando a chave do cofre ao mestre da charrua da vida, pensei assim aqui e, neste lugar preciso aonde judas perdeu as botas. Às vezes fico meio periclitante com Ele, o Nosso Senhor. Mas, adicionando casos e acasos, coisas miúdas, estendo minhas quinambas, mexo os dedos grande e o pequeno do pé revendo-me no equilíbrio da realidade tão bem fabricada: com a destreza bóher de fugir intuitivamente aos espinhos das acácias dum tamanho quilométrico, um exagero de 99,999%! Isso, de uns bons 10 cm…
Até já estou ganhando olhos nos pés, talqualmente como o homem que teimou em plantar batatas no deserto e, que por via dum sonho, teve-as – um milagre feito em toneladas de tubérculos a que os cientistas não têm a devida competência opinativa para o subtrair – o milagre.
E, porque foi que viemos aqui, se não era necessário afastarmo-nos tanto, a um lugar tendo por testemunho absoluto o céu que nos cobre, para onde quer que se vá. Para provar, que o que tiver que acontecer acontece, haverá sempre o lema: um milagre em que as pessoas, não escolhem os sonhos que têm; foi em duas noites passadas em Windhoek seguindo um destino dormido na Guest House Willtotop de Vanda Potgieter, esperando assim seguir o rumo ainda por escrever.

fiume8.jpg E, numa singular legitimidade, partilho só um pouco de um reino emprestado, aonde todos são presumíveis herdeiros e arrendatários. Quem não acreditar que assim o é, que se lixe! Pois! Reino, aonde o tempo, também passa igual para todos - Segui na direcção de Okahandja, Otjivarongo, Otavi, Grootfontein com paragem neste Fiume Rust Camp de Otjikango com o rumo do Rundu no Okavango.
Pois foi a Vanda Kikas Miranda que amavelmente marcou minha reserva de estada no Rest Camp Fiume, o lugar que aqui descrevo com a surpresa de reavivar uma estória desconhecida. Bem! Aqui estou neste estado LIVRE de FAZ-DE-CONTA em África, em um lugar longe de tudo, Fiume Rust Camp situada na área administrativa de Otjikango.

khoisan02.jpg Pesquisando a Wikipédia pude assimilar: Os cidadãos de Fiume lá da Croácia actual, de etnia italiana, um grande número emigrou por motivos étnicos ou razões ideológicas, fundando aqui, como em outros lados, "Comunas Livres de Fiume no Exílio". Numerosos fiumanos e, não sómente italianos, surgiram aqui e, desta forma, montaram bivaque após a Segunda Guerra Mundial
Tenho a dizer que a todas as perguntas que me possam fazer, não poderei dar todas as respostas porque nem sempre as estórias e lendas, conservam alguma relação com os factos, transformando-se até em puras fábulas. Será o caso de uma “Croácia de 14 km 2” em pleno mato da terra do nada, para satisfazer um sonho de alguém. As guerras provocam estas diásporas; alguns estabelecem-se algures, outros procuram algo que nunca irão encontrar, como no meu caso… Eu, que saí de Angola também tive este sonho: acampar-me na foz do Amazonas…

fiume12.jpg E, assim ungido de guerra "tunda munjila" (branco, vai embora), agora era o tempo de me ver no principio do nada, nada que resvalou num sempre. Tomamos o breakfast às sete horas do seguinte dia confirmando o legitimo cuidado de Jorn Gresssmann, o zelador-mor do Free State, uma simbólica herança, um perfeito sonho de um primogénito em terra de nome bizarros como Omatako, Okavarumendu, Otjssondu, Okakamara, ou Otjinoko. Já só restavam 440 km para chegar à Andara do Okavango. Mas antes, terei de descrever pela via da cábula Wikipédia, essa terra de Fiume, lá na Europa, no Mar Adriático…
(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:39
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Segunda-feira, 21 de Agosto de 2023
VIAGENS . 60

NAS FRINCHAS DO TEMPO – DO KUNENE na terra do NADA

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3470 – 21.08.2023

- Boligrafando MISSOSSOS de OSHAKATI do KUNENE, mais a norte

- Foi no ano de 1999

Por jacaré1.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

jacaré.jpg NO KUNENE, Aquele jacaré era gente! Gente boa que nasceu em corpo errado em Ondjiva (antiga Pereira d´Deça) no lado de Angola!... Rodrigues, seu primeiro dono, deu-lhe o nome de SUNDIAMENO. Isto, quase-quase é um  missosso, da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto quimbundo e ovibundo. Óscar Ribas, um escritor cego que tive o prazer de conhecer na Luua, foi o seu criador.

No fogo do pó levantado do chão vermelho, margens do Kunene, os kandengues himbas dançavam com um jacaré domesticado; desconhecia que um jacaré podia ser domesticado mas, os olhos meus, me diziam no seu ver, que aquilo visto, era mesmo de verdade verdadeira. Vejo e aprendo que a natureza muito nos ensina com seu riso de muitas flores riscando no firmamento cinza com branco a azul, musgos de nossas velhices coloridas a vermelho com laranja.

ondjiva3.jpg Pus a mão no meu cérebro buscando naqueles milhões de células apalpar qual daqueles cabelos feitos bissapas estavam fora do sítio para entender aquela cena inaudível, inacreditável! Sei que tudo em minha vida resulta de guardar sempre comigo a esperança monandengue; de espiá-la com olhinhos de a ver balouçada no arco de minha sobrancelha.

Como se chama esse jacaré! Perguntei ao jovem mais próximo. – Com a boca! Respondeu o pivete. Pintado de coisa ruim consegui domesticar meu frenesim raivoso, e continuei: - Sim! Mas tem nome, não tem? – Chama-se de Sundiameno. Disse! Fiz uma cara feia, de nariz torcido e, ele, vendo-me embrutecido repetiu. É mesmo de Sundiameno porque não é de fiar! A gente lhe desconfia, acrescentou.

 – Nem nele, nem no pai dele! Concluiu. Esta conversa tola seguia um rumo desclassificado e, foi neste então que vi sentado num banco de pau feito e atado com matebas, um mais-velho de barbas credíveis e brancas, também chambeta de condição. Dirigi-me a ele e entabulei uma conversa séria, falamos do rio Kunene e de seus mistérios.

cunene01.jpg Foi este mais-velho kota, já século, que me descreveu alguns mistérios e, que passo a referir: - Olha mwadié (branco) este rio tem muito cazumbi e muito feijão branco. Um dia ajudei um gweta, t´chindele Rodrigues, branco assim como tu, que domesticou desde criança, um jacaré a apanhar diamantes para ele. Saiu daqui muito de rico! Afirmou isto e, em seguida, apontando para suas muletas de fibra sintética disse:

-Foi ele que mas ofereceu! No lugar aonde o rio se esconde, fizemos acampamento por muitos anos até que chegou a guerra da libertação e, ele seguiu com a sua gente (refugiados / retornados). Este segredo, eu conto a toda a gente! Conclui na sua sabedoria filosófica de cat´chipemba com bolunga Lubanguista. Por ali passaram gado, camiões e máquinas amarelas de fazer estradas. Abriram umas picadas e depois seguiram para Walvis Bay e Swakopmund da Namíbia. O mistério daquele jacaré estava quase desvendado por mim, mas, na dúvida sobrante, perguntei: - Então, este jacaré kianda, apanhava os feijões brilhantes? Talqualmente! Respondeu o kota num claríssimo português com pronúncia do norte do M´puto. E, continuou: - Pois, fui eu mesmo que fiquei com estas muletas e esse jacaré Sundiameno.

ondjiva2.jpg O mundo é por demais misterioso! Nunca que eu ia acreditar nisto se não visse! O mais velho de nome Oshakati Primeiro, ainda me disse outra coisa em que não acreditei (juro mesmo!): - Sabes que mais, disse ele. Esse jacaré toca guitarra! Acompanhava muitas vezes seu antigo dono a cantar fados duma tal de Amália, uma sua prima muito conhecida lá do M´puto! Isto era demasiado para a minha camioneta; meti-me no four-bay-four e segui para Ot´xivarongo. Conversando com um outro velho amigo de Oshakati Primeiro, piscólogo do Kalahári de nome Ot´xivarongo de Tuji, disse-me já ser conhecedor desta estória e, surpresa das surpresas, aquele jacaré era gente! Gente boa que nasceu em corpo errado! Juro que tudo isto me transcende! Agora que contei, está contabilizado…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:24
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Terça-feira, 15 de Agosto de 2023
VIAGENS . 55

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO ”ETOSHA PAN”

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3465 – 15.08.2023

- Boligrafando estórias em Okaukuejo do Etosha

–Ondundozonanandana -  Foi no ano de 1999

Por 4 DE JUNHO.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

etosha1.jpgVer África nesta sustentabilidade de Reserva Natural como o Etosha Park, requer não perder o bom senso e, sair  do carro para acariciar um leão; já muitos ficaram por lá, descuidadamente esqueceram-se que fazem parte da cadeia alimentar e podem até servir-lhe de pasto. “Dizem os leões” que a carne do humano é doce e uma vez degustada, volta a quere-la; é por isso que, leões que comam gente terão de ser abatidos porque algures, voltarão a atacar…

A noite, aqui no Okaukuejo do Etoscha desce rápido; no lusco-fusco das 18 horas os portões encerram e só em caso de força maior se autoriza a saída pela noite. O buraco de observação de animais ficava relativamente perto, e bem pouco tempo depois, deram indicação de que uma manada de elefantes sequiosos estava a chegar; todos os restantes animais e até dois rinocerontes deram espaço ao verdadeiro rei do Etoscha.

nauk16.jpg O quadrado do “Camp” é todo cercado e tem um único portão por onde se sai e entra. Foi bom termos ficado nas duas tendas porque nessa noite os leões, provavelmente os mesmos que estiveram a beber no buraco, através das lonas da tenda podemos ouvir os rugidos misturados com choros de hienas, tudo isto se estava a passar não muito longe de nós e do arame farpado, o que perturbou na forma de medo as mulheres da nossa tribo, Isabel e Ibib.

Aquele barulho de mato zunindo o silêncio estrelado em escuro céu, não permitiu que as donas, dormissem tranquilas que, só falavam em víboras, escorpiões, aranhas, cobras de todo o formato, grandeza e perigosidade, centopeias e nos chacais comendo moscardos, borboletas e bichezas rastejantes de milhentas patas, junto às luminárias do camp.

Foi um alívio passar a seguinte noite num chalé moderno envolto em espinheiras de grande porte. Estes chalés têm boas acomodações; Têem cozinha apetrechada com pratos, panelas e frigideiras e todos os demais requisitos como travessas. Há normalmente uma mesa para o preparo de ligeiras refeições com cafeteira eléctrica, pacotes de açúcar, chá e café solúvel com os demais acessórios para o preparo de café normal.

nauk13.jpg Existe em um lugar central do Park um pequeno mercado que tem viveras para as necessidades básicas; fruta, legumes, massas, conservas e molhos de lenha ou carvão para quem quiser fazer churrasco de “Brai”. Há gelo à venda, cervejas e carne seca “biltong” de boi ou antílopes como o kudu e outros antílopes que, creio serem provenientes do abate local, assim feito como controle no número de machos e do tamanho nas manadas.

Logo ao romper do dia, após as seis horas e já matabichados, constatamos que aqueles dois leões que rugiram toda a noite, tinham morto uma jovem girafa e de recente, ainda por ali estavam deitados guardando a presa enquanto hienas e chacais circulavam nervosos ao seu redor. Foi este ruido que ouvimos toda a noite, não muito longe da cercadura do recinto aonde estávamos.

nauk2.jpg Nunca tinha visto tanta espinheira junta como aqui nas vastas áreas planas da Namíbia, terra das acácias um semideserto a que chamam de grande Calahári Aquela, não seria a única noite passada quase ao relento com chacais ensombrando tremuras de ventos medrosas entre candeeiros e farejadas sobrevivências. Despedimo-nos do Camp pelas seis horas da manhã com a abertura do único portão “main camp”, fazendo já conjecturas para a próxima paragem em Otjikoto lake e Waterberg Plateau National Park

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:36
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Domingo, 13 de Agosto de 2023
VIAGENS . 54

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO ”ETOSHA PAN”

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3464 – 13.08.2023

- Boligrafando estórias em Okaukuejo do Etosha

–Ondundozonanandana -  Foi no ano de 1999

Por negro3.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

Namotoni2.jpg Assim foi: Pai António T´Chingange (condutor), mãe Ibib, dois filhos “angolanos” e Isabel a mãe de Lara, a caçula que ontem fez 22 anos (estamos em 2023 - o tempo ruge…). De Sul para Norte depois do Orange River, descansando no “Ai-Ais” e subindo o Canyon do “Fiche River” procurou-se pinturas rupestres, pegadas de dinossauro e vestígios de meteoritos.

No meio de triliões de anos petrificados, “rosnávamos em muxoxos” ininteligíveis admirações brilhando argumentos tirados à pressão duma nuvem feita visão. Há noite, entre zunidos e guinchos vindos da negra escuridão em assalto nocturno, olhávamos as fagulhas saltando da fogueira explodindo térmitas; improvisando jantar, assamos carne de “Orix” e “Biltong” que gulosamente deglutimos com rega de cerveja “Ansen”, “Whindooek Laager” e chá “Rooibos”.

No majestoso deserto do “Karoo”, um fragmento do Calahári. Já tinhamos passado por isto, mas num pois, e foi assim, e assado sempre recordávamos Upington, Augrabies e Moon Roc no Orange River: E aquilo! E, foi! Aconteceu! Assim repetíamos uma e outra vez o já muito descrito. E, dito e feito - fomos a caminho de Etoscha de Ondundozonanandana e Oshakati passando pelos buracos de Otjikoto lake bem ao lado da Estrada Nacional B.1 e, perto de Tsumeb – Por aqui andávamos…

monteiro6.jpg A vida em África desperta com o nascer do sol e, é nas primeiras horas matinais que deveremos buscar os vários antílopes e os “big five” tais como o gnu, girafa, elefante, rinoceronte, zebra, kudu (olongue), impala, macacos, hiena e até mabecos. Com sorte, assistiremos ao banho de terra dos elefantes que junto aos buracos (bebedouros) quase fazem um teatro de coreografia divina, cores de pó em múltiplas facetas e contrastes com o sol do poente com os cheiros fortes que deles tresandam.

Já dentro do Etoscha, no Buraco Okaukuejo  -  só gente do staff pode sair da área do arame farpado depois do cair da noite. Não havia chalés disponíveis para aquela noite e o recurso foi montar as duas tendas que levávamos na mala do “four bay four”, no espaço disponível entre a cercadura da reserva e os balneários do campismo e caravanismo. O buraco de observação de animais ficava relativamente perto.

aug12.jpg Pouco tempo depois deram indicação de que uma manada de elefantes sequiosos estava a chegar; todos os restantes animais e até dois rinocerontes deram espaço ao verdadeiro rei do Etoscha; cansado que estava da viagem não demorei muito a adormecer feito um cepo e fiquei muito indignado de não me terem acordado quando apareceram os leões a beber lá pelas dez horas da noite. O “Okaukuejo Camp“ em forma de quadrado deve ter uns 800 metros de lado, um agrupamento de chalés para turistas, uma zona de residências com telhados em capim para funcionários, e bem ao centro uma torre de onde se divisa o horizonte, ora mata, ora chana aberta em forma de clareiras.

Das várias vezes que por ali passei vi sempre os místicos leões, quase sempre em grupos de três ou quatro em lugares de vegetação rasteira. Em África, o sol põe-se depressa e de forma abrupta pelo que, convêm não se arriscar andar muito afastado do acampamento nas horas de quase fecho de portão escolhido para pernoitar, Okaukuejo, Halali ou Namotoni. Tenho ainda na retina, a planura de Okaukuejo, bem perto do acampamento base “main camp”, a agilidade de uma cheeta na perseguição de uma springbok

aug6.jpg Gazela que de rabo a abanar e orelhas atentas a qualquer ruído pastava; bem atrás, sorrateira, uma cheeta, pata ante pata, avançava com todos os cuidados de visão e barulho normalmente contra o vento; num dado momento e já muito perto da presa lança-se em correria; em simultâneo a gazela pula e pula em saltos coordenados ziguezagueando a linear corrida do felino. Desta fez a correria deu em nada pois o antílope soube sobreviver. Ali, a quebra de vigilância significa uma morte rápida.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:32
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Sábado, 5 de Agosto de 2023
VIAGENS . 47

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA  (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3457 – 05.08.2023

- Boligrafando estórias em Sossusvlei - Em direcção a Ondundozonanandana mais a Norte… Foi no ano de 1999

Por busq9.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

etosha2.jpg Naquele momento, aquilo era o céu. Envoltos em azul vivo, escorregávamo-nos no vermelho longínquo tremelicando a cércea no horizonte das terras altas, o amarelo ouro das dunas e o preto das sombras, cada um de nós se sentia "um senhor do mundo". Sossusvlei ficou para sempre gravado na nossa memória.

Para trás (dias antes), ficava aquele pedaço de coisa caído do céu, uma bola de fogo rija como o titânio; um tal de Meteorit caído no meio do nada, como que uma pequena recepção feito bolo num imenso Calahári e aquele funil vulcão chamado de Brukkaros com cactos feitos árvores em paisagem lunar…

koisan10.jpg Na Namíbia a distância não se mede em quilómetros, mas em tempo e, percorrer todas aquelas distâncias é como completar uma missão impossível. Após pagarmos uns poucos "randes" a um homem fardado, entramos no tal lugar no meio de uma descampada savana de tufos secos de capim, chinguiços com picos medonhos. Lá estava aquela coisa pegada ao chão com 60 toneladas, uma liga de fusão vinda do Universo, dum infinito lugar.

Meteorit era o nome indicado com a referência de Hoba West, não muito longe de Grootfontein (em África tudo fica perto, é ali mesmo patrão, mwadié). Por falta de rede tenho de recordar agora, aqueles dias atrás… Toquei aquele titânio rijo e frio, embasbacado sentei-me observando-o por algum tempo. Sentado na duna recordava os anteriores dias anoitecidos num universo de estrelas – ali a noite cai rápido.

na

nauk13.jpgPosso imaginar quantos fotógrafos desejariam estar ali no Sossusvlei sem ninguém à volta por dezenas de quilómetros, sem qualquer ruído e acompanhados apenas pelo último raio de sol, pelas primeiras estrelas no céu imaculado da Namíbia e, o brinde no topo deste cenário, numa noite de lua cheia…

Entretanto a rede via telefone chegou; o telelé dava sinais de vida. Fui assim ao computador ocupar o tempo, li poemas, reli baladas e muitas tretas de fazer caretas; ouvi cantigas, li desaforos, coisas choradas, lamuriadas do M´Puto, cânticos gospel humedecidos, vídeos foleiros, alguns brejeiros e fui à China comer baratas, grilos e gafanhotos. E, eis que num dado momento o écran do maldito computer surge a perguntar-me se este senhor “sou eu”? Estou feito ao bife – de novo! Mas, aquele era sim, o respectivo e, a um sim tudo se normalizou…

bruno28.jpg De novo, juntei umas madeiras; preparei a carne e as argolas de borrabôs, aquele chouriço bóher, ali bem junto às lareiras que existem para esse efeito. Dispus a carne e as argolas de elevado teor de gordura e o cheiro despertou a fome no clã T´Chingange. Com tudo já torriscado no brai, passa-se para uma improvisada tampa a servir de bandeja e, cada qual se serve com uma papa de milho típica daqui - o milhipap…

No calor do tempo queimo cansaços, fracassos vazios, decepções e até solidões, com Windhoek Premium Lager (cerveja namibiana)! Obrigado a mim, a ti e a tu também (o ti é um, o tu é um outro)… Estou feito ao mataco de afundear em sofás e, lá tenho de o conservar com sal e vinagre na forma enrolada numa espiral contínua porque tudo quanto acontece, é na terra que sucede, num céu eterno e pacífico cumprindo-se na ordem natural aonde quer que estejamos…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:21
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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2023
VIAGENS . 44

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA  (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3454 – 02.08.2023

- Boligrafando estórias em Brukkaros e Hardap Game Park. – Em direcção a Ondundozonanandana mais a Norte… Foi no ano de 1999

Por Brukkaros1.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

brukkaros01.jpg Já que ficava em caminho fizemos um desvio para ver um vulcão extinto que o mapa indicava com o nome de Brukkaros. Devido à ausência de água potável e ao difícil acesso rodoviário, houve um certo receio em ir àquela montanha que se avistava de longe naquelas infindáveis rectas mas, aventurámo-nos; a viagem à Montanha do Vulcão Brukkaros também é difícil por ser demasiado pedregoso. Qualquer avaria, forçar-nos-ia a regressarmos a pé pois que ali não havia telefones e, os celulares ainda nem existiam; bola para a frente e, vamos ver no que dá.

A montanha é um grande vulcão extinto, um cone vulcânico com um diâmetro de cerca de 4 km2 tendo sido formado por uma explosão quando o magma ascendente encontrou as águas subterrâneas e as superaqueceu. É formado por uma pequena brecha castanha, acentuadamente avermelhada com leito indistinto e, composta por rochas fragmentadas que foram ejectadas daquela chaminé vulcânica de há cerca de 80 milhões de anos.

brukkaros02.jpg Eu, Ricar, Marco e Tilinha, tivemos de alcançar o topo do anel na forma de montanha, uns quinhentos metros verdadeiramente escalados até bufar todas as asneiras conhecidas mas, com dificuldade lá chegámos. A cavidade é drenada por um riacho que corre para o sul através da montanha circular até um vale estreito – quando chove. À sua cabeceira encontra-se uma cascata seca sobre a qual o ribeiro desce cerca de 45 metros.

Isto só imaginado pois só o é coisa real após a chuva, acredito que sim, sendo o leito do rio imediatamente abaixo da cascata a principal fonte de água (água que não vimos) mas, notou-se um brilho de humidade sim! E, porque avistamos macacos deduzimos que ali, haverá água; só que não descemos. Já chegava a loucura de subir até quase ao céu para vermos penedias pintadas a ferrugem e umas soltas árvores a que chamam de Quiver´s que crescem ao longo da base da cratera na forma circular tipo funil invetido.

café anton1.jpg Já refastelados nas instalações da barragem Dam Hardap Game fico atento á chaleira que fumega por cima do fogão eléctrico. O sol entra pela janela da kitchenette que liga à sala aonde estou sentado, melhor, afundado numa poltrona cuja tábua deve ter fundeado no acostamento de matacos de um quilómetro quadrado. Aqui há muita gente gorda e o melhor mesmo é nem repararmos porque, senão os contratempos surgem de soslaio vindos dum desconhecido lugar cheio de biltong, boerewors e coldrinks de coca-cola…

Os vapores do meu chá trazido do M´Puto serpenteiam até ao tecto de pinho em desenhos enrolados e fazendo uma cortina com raios digitalizados. Trata-se de uma velha cura legada pelo meu tio avó de nome Guerra, um composto de barbas de milho, pés de cereja, ipê-roxo, também conhecido como pau de arco e rooibos indígena. Curiosamente, a osga gorda instalada no canto do tecto lambuza-se de contentamento pois que é suposto os mosquitos aparecerem para se banharem no vapor quente, que ali se concentra.

aug9.jpg Num espaço etéreo de virtual roxismo, o fumo enlaça visões de índios sioux, astecas ou apaches. O termo roxismo derivada de Roxo, o nome de uma senhora que pinta seus sonhos no computador metendo as pestanas em escandaloso verde e fazendo de óculos com adjacências estapafúrdicas, com madeixas de cabelo ruivos como se todos fossemos assim, vindos duma galáxia distante muito cheia de bolinhas translucidas e, numa forma espantada de arco-íris a condizer exataqualmente com a ideia de que efectivamente, somos uma ilusão.

Hoje mesmo, vou-me ensinando a ser gente tomando aqui e acolá, por onde calha, o saber dos mais sábios para ficar esperto. Nem sempre homem, nem sempre jovem, já mais velho, nos intervalos, aprendo a aprender a ser grande graças a esta aguda perspectiva de também ver e ler as coisas da frente para trás e tal como o camaleão, ter um olho aqui e outro mais longe para poder fazer selfies de mim mesmo (isto é só imaginação futura porque, a selfie surgiu anos depois…), bem ao jeito de Picasso. Lá fora as árvores têm formas de cactos pré-estóricos, aloe dichotoma (as tais Quiver´s)…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:02
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Domingo, 30 de Julho de 2023
VIAGENS . 41

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA  (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“  - Crónica 3451 – 30.07.2023

- Boligrafando estórias em Ondundozonanandana. Estávamos ainda em Luderitz, terra soprando a areia no caminho… Foi no ano de 1999

Por luderitz01.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

luderitz02.jpg Na minha vontade, parecia só querer ser uma lenda a comparar com o feito de Amyr Klink que sozinho e num barco a remos atravessou o Oceano Atlântico percorrendo sete mil quilómetros. Foi o primeiro feito a ser amplamente divulgado na imprensa internacional que ocorreu entre 10 de Junho e 19 de Setembro de 1984, entre Luderitz, na Namíbia (África) e Salvador, na Bahia (Brasil) – trinta e nove anos lá atrás.

 Foi um feito invulgar a mostrar o quanto a tenacidade pode vencer um sonho. Abro uma brecha na minha viagem para falar sucintamente de Amyr Klink, o navegador que desde Luderitz da Namíbia, provocou seu grande desafio - a travessia solitária do Oceano Atlântico a remo. Pois, com 29 anos na idade, ele zarpou dali, cidade vizinha à Costa dos Esqueletos - com ossos humanos e de animais espalhados pela praia.

“Favorecido pela corrente fria de Benguela afasta-se da orla e deflecte para dentro do Atlântico; no lugar onde começam os ventos alísios que sopram fortes e regulares até o Nordeste do Brasil”, descreve ele em seu livro. Algo idêntico ao procedimento na navegação Tuga entre Cabo Verde, Guiné Bissau, Angola e o Brasil em tempos idos, muito antes do achamento do tição com forma de Nossa Senhora que da fé imaginada se converteu em Nossa Senhora (Preta) da Aparecida…

luderitz03.jpg Amyr, virou um navegador respeitado, e sua paixão pela Namíbia jamais cessou. “É segura e económica”, analisou ele, que ali voltou várias vezes. Tal como ele, ambos verificamos em diferenciadas vertentes o interior, deserto do Karoo e Kalahári, preservado de bichos terrestres já tão vistos em safaris, enquanto no litoral, cidades como Lüderitz, Walvis Bay e Swakopmond o é, morada de focas, pinguins, flamingos, pelicanos e tubarões que fazem parte do círculo ou cadeia alimentar.

Ambos, matamos saudades dos acasos e singulares amizades que fizemos e, dos óptimos pitéus que usufruímos com frutos do mar ofertados pela natureza. Juro que eu, em plena consciência nunca faria isto, meter-me ao mar sem balizas firmes assentes em algo de referência, como os padrões semeados ao longo da costa pelos Tugas, vendo só o horizonte curvo a confundir-se com o céu do Nosso Senhor! Menos mal que nesse tempo de lá para trás, não se cogitava que o Universo não tinha bordos, era uma fumaça com cacimbo sem fim.

Agora tenho a certeza que vou terminar meus dias sem saber aonde fica esse tal de cu-de-judas do fim do Mundo. O mundo continuou a girar como sempre e, não mudou por este feito mas seus “Cem Dias entre Céu e Mar” ficaram nos anais da coragem marítima. Comparar-me assim minuciosamente com tamanhas aventuras é consolar-me com alheios fumos, fumos de charutos como se fossem pensamentos num tom cor-de-rosa que se perfilam em matemática quântica porque os índios Sioux e, todos os outros das antigas estórias de bordel, já foram extintos, não há muito tempo…

luderitz04.jpg Desfalecido nos ombros, um pouco mais tolo e muito mais míope, agora, já com a audição a não ouvir os cantares de galo no silêncio da noite, coxeio-me em vozeados ambientes de cochichos frouxos. Coitado de mim! Bom - prá frente. Em Keetmanshop, procuramos em arcas carne de caça para fazer um brai-churrasco lá acabamos por encontrar uma carne escura; era de órix, esse belo animal que se podem ver fazendo pose nas dunas de areia vermelha lá no horizonte.

A senhora bóher do armazém-venda, pouco mais que um cuca-chope, queria impingir-nos outra carne porque aquela era de caça mas, mal sabia ela que era isto que procurávamos. Em seu conceito, não era normal os turistas comerem bichos-do-mato. Como podem verificar, missionando o toutiço, perdi inteiramente as minhas belas cores europeias, a cara sarapintada de funchos, crateras com rugas extravagantes

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:29
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Quinta-feira, 27 de Julho de 2023
VIAGENS . 38

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“  - Crónica 3448 – 27.07.2023

- Boligrafando estórias tão fantásticas, que até o nome se alonga de gozo: Ondundozonanandana… Foi no ano de 1999

Por nauk2.jpg  T´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

nauk03.jpg Foi nesse sítio de Mata-Mata, lugar ideal para se sepultar o passado que encontramos o milagroso cacto escondido entre tufos espinhosos, verde, gomoso e muito ornado de picos; agressivo no aspecto, engana no entanto a fome ao povo Bosquímano há séculos. A fronteira da coragem transpira incertezas naquele povo a quem Nelson Mandela cedeu 400 milhões de metros quadrados para mitigarem a fome explorando este milagroso cacto.

O xhoba para além de surgir naturalmente na natureza, também é cultivado por esta etnia Bushmen, por algumas tribos nómadas que vivem sem fronteiras entre Angola, Namíbia, Botswana, Zâmbia, África do Sul e Zimbabwé. Este cacto torna-se agora conhecido, fruto de pesquisas nos laboratórios ocidentais e ao longo dos últimos tempos no intuito de controlarem o problema social da obesidade, consequentes problemas de colesterol com os triglicéridos.

nauk01.jpg Lípidos que sendo importantes para o armazenamento de energia no organismo sob a forma de tecido adiposo, podem originar problemas cardíacos ou doenças coronárias em geral quando em quantidade elevada. Se bem se recordam da figura do bosquímano, ele é seco de carnes e, de estrutura perfeitamente musculada. Pois o xhoba que, também conhecido por hoodia, é um cacto da família suculenta que cresce naturalmente na África do Sul, a norte, desde a Costa Atlântica até ao Limpopo.

Tem a particularidade de eliminar a fome reduzindo duas mil calorias por naco e por dia; viscoso e azedo, quando ingerido, engana o cérebro até à linha zero, num gozo de deuses ladeados de chacais, caracais ou hienas. Entretanto vi-me obrigado a apaziguar inquietudes por evidente encantamento deste Kalahári. As noites frias daquela terra de Bushmanland crepitavam em fogueiras, alçadas labaredas do meio de tanta negrura. E, eles gente do Kalahári, embrulhados toscamente numa pele, numa tanga.

nauk1.jpg O que despertou o interesse das grandes farmacêuticas no sentido de sintetizar o princípio activo da planta foi uma tal de “molécula P57”; a mesma que ajuda a suportar a fome e a sede durante suas longas caçadas, sem efeitos secundários. O fumo da fogueira dissipa-se num vazio de milhões de estrelas enquanto no retiro das precárias cubatas-choças, pelo que também se diz o frenesim do amor ou relações de corpos se desprende naturalmente pelo efeito afrodisíaco do mesmo xhoba (assim dizem).

Existem cerca de 20 variedades desta planta mas é na variedade Hoodia Gordinii que é encontrado um supressor de apetite totalmente natural; assim se pode ler algures em uma publicação farmacêutica. No ano de 1997, a licença da descoberta foi vendida a uma empresa britânica, Phytofarm, que por sua vez vendeu os direitos de desenvolvimento e marketing à gigante Pfizer Corporation. Os interesses comerciais entram aqui com sua natural e exagerada relevância que nos levam ao género humano que somos hoje, estereotipo bem diferenciado dos Koysan, da etnia Bushmen, Bosquimanos ou da tribo nómada dos "San"…

busq5.jpg De uma forma mais activa, a P57 tem um comportamento similar ao que a glucose tem ao nível das células nervosas, no cérebro, levando o corpo a pensar, que está cheio, mesmo quando não o está, cortando assim o apetite, como explica o Dr. Richard Dixey, da Phytofarm: “Existe uma parte do cérebro chamada hipotálamo. Dentro do hipotálamo, situado no centro do cérebro, existem células nervosas que detectam a presença de um açúcar chamado glucose".

Quando comemos, os níveis de açúcar no sangue aumentam por causa da comida e estas células começam a lançar para o corpo a informação de que estamos cheios. Pois o que o xhoba parece conter é uma molécula que é cerca de 10 mil vezes mais activa que a glucose. A maturidade dos Bosquímanos mede-se pela idade, no encanto de estalar conversa em contos e, por isso, são a mais velha biblioteca oral do mundo. Os mais velhos, kotas, engalanados em contos de místicas com lendas de *mussendos ou missossos, descrevem por estalos sua coragem despida de preconceitos porque os desconhecem.

spring1.jpg Bibliografia: * Mussendo – estória longa de cariz popular; Missosso – conto curto, de origem popular

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:38
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Domingo, 16 de Julho de 2023
VIAGENS . 27

CASSOALÁLA - ANGOLA. Outros tempos

Crónica 3437 – 16.07.2023 - TEMPOS DA DIPANDA*

- Estávamos em Junho de 1975; tinha 30 anos de idade…

Por dia63.jpgT´Chingange – OtchingandjiEm Arazede do M´Puto

café da avó1.jpg Eu só abanava a cabeça sem entrar no demasiado do desconhecido novo camarada e edecéteras complicativos; já tudo passou mesmo, disse eu, querendo dar solução ao meu conflito. Aquela noite comemos funje com peixe do rio, frito, bebemos umas cucas e um amigo do meu kamba, gentilizou-me um pouco de marufo ainda doce, que me satisfez do coração aos calcanhares.

Rejuvenesci! Amanhã, disse Zacarias meu kamba perna de pau, vais com o kota Alcides até Luanda, ele te desenrasca, te leva na Maianga e te deixa lá mesmo na Samba do rio Seco junto daquela cacimba do rei – tranquilo mano, muxoxei um sim! Os sonhos, naquela noite, foram por demais turbulentos no recordar dos últimos dias e, assim balouçados numa rede feita de mateba entrelaçada num desenrasca de guerrilheiro e, presa a duas árvores bem farfalhudas de verde, goteando cacimbo em cima de mim, todo o tempo – a humidade colava-se ao corpo pegajoso…

Os guerrilheiros de tuji, pseudo soldados do emepelá a fingir de governamentais, com camuflados oferecidos pelos Tugas, (meus patrícios), mais G3, granadas defensivas de estourar ouvidos e outras ofensivas de matar mesmo, lança roquetes de destroçar valentias, interditaram a passagem entre Zenza do Itombe e Malange, ninguém podia passar sem uma revista bem revirada, pisoteada de quebraduras; gente do sul fugia para norte e vice-versa…

ÁFRICA17.jpg Alguns morriam no vice, outros na versa, outros nem sabiam se iam, se vinham e dispersavam defuntados num espaço de céu louco num inferno de ódios fabricados a álcool barato e cigarros mata-ratos que, por vezes salvavam. Por vezes um cigarro valia uma vida com desaforo muxoxado – safaste-te meu! … Parece mentira mas, é a pura verdade.

Muitos como eu, fugiram para a mata sem vice nem versa, só confusão mesmo, maka à toa, muito tiro e barulho de afugentar. O senhor Alcides foi-me dando indicações muito negras da situação em Luanda, dizia-se que havia cinturas de protecção à Luua e que as pessoas levavam o tempo todo em filas para arranjar o que comer; o melhor para o meu caso era bazar para o M´Puto e esperar que tudo voltasse na normalidade! A normalidade nunca veio, quersedizer, nunca chegou – fugiu também, só pode…

araujo65.jpg Era mesmo melhor nem pensar muito profundamente! A minha vida estava em risco, meu pai já tinha sido recambiado para o M´Puto por ordem do doutor Boavida, do tiro que tinha levado na perna, os cubanos do hospital Maria Pia desconseguiram livrar-se da bala junto à rótula do joelho e, corria o risco de gangrenar. A mãe Arminda lá na Maianga era uma barata tonta a tentar reunir coragem dos filhos.  

Isto é mentira sonhada só num tempo que ainda não o era, mas veio a ser verdade sim senhor! Veio a acontecer de verdade mesmo, no 27 de Maio do 77 com a mãe Arminda já no M´puto! - Pronto, vou-me embora, acabou-se! África é dos Van Dunem, Mingas ou Punas e da puta que os pariu – Não dava para aguentar, mesmo! Com negócios candongados da Luua, desaconteceu, que fiquem assim mesmo na abundância de muitas asneiras para refrescar a raiva enraivecida de guerra, desabafei; pronto, já está, que pariu sem mãe nem nada.

- A Luua anda, dos deslocados, mendigos com chagas e meninos brincando entre jipes de jantes desmanteladas e bielas, empinados no lixo do quintal; lixo que abunda entre destroços, nos musseques. Água escura e malcheirosa que corre e escorre e a velha mamã Josefa, vendendo do outo lado mesmomesmo encostada no tapume de ripado a chapas de lata de leite Nido e azeite galo mais aduelas de barril de vinho Camilo Alves do M´Puto, a tapar buracos de escapamento de galináceos…. Por hoje chega, estou furibundo

dondo2.jpg Glossário

Bandalheiros – sem ordem; Imbambas – coisas, bikuatas; *Dipanda: acontecimentos após o onze de Nov.1975, sociais, políticos, das makas e posterior guerra; Maka – rixa, briga, barulho, confusão; emepelá – movimento popular de Angola MPLA; Banguista - vaidoso, com estilo; Camundongo - rato, natural de Luanda ou arredores; fubeiro – negociante de fuba, tasqueiro de mato em Angola; Pópilas: – expressão de admiração; flor-de-congo: – eczema na zona das virilhas, parecido com psoríase; esquindivado – escondido de forma fintada; caxinde – erva-do-chá príncipe (Angola); mugimbos – diz-que-diz, boatos, mexericos, conversa por conversar; NT – Nossas Tropas – Militares portugueses; kamba: amigo, conhecido de infância; Catetense – natural de Catete; kazucuta – que vive de expedientes, bandalheiro, dado a embustes; mabanga – bivalve; funje – farinha de mandioca; marufo – vinho, seiva de palmeira fermentada; bazar – dar o fora, fugir; haca! – Exclamação por admiração, espanto em Umbundo (generalizado por toda a Angola); t’ximbicando – acto de navegar com pau longo ou bordão, em zig-zag; candengue – criança, jovem; porrada – pancada; esquindivar: fugir com astucia; mateba: da matebeira que tem casca fibrosa, com que se fazem cordas: Muxoxo: trejeito de linguajar com estalido de palato, por recriminação ou aprovação; tuji: merda, desdém; Bazar: ir embora, ecapar-se; Luua: diminutivo de Luanda.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:25
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Domingo, 18 de Junho de 2023
N´GUZU . LXV

CONHECER MELHOR O BRASIL

– TROPEIROS

Parte - Crónica 3427 – 18.06.2023 - N´Guzu é força (Kimbundo)

Por:soba24.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

D. JoãoVI.jpg O Brasil não existia como país antes da chegada do Rei D. João VI. Em 1808, as terras de Vera Cruz, eram um conjunto de províncias com pouca ligação entre si. Não havia a ideia de unidade. Em verdade, a invasão de Portugal pelos generais de Napoleão, resultou na fuga apressada da corte portuguesa para o Brasil.

Na hora crucial do embarque, muitos nobres da corte, tiveram de embarcar só com a roupa do corpo. D. João VI que é tomado como um rei bobo, feio e gordo bonacheirão, baixo e desajeitado, foi ele, no entanto, o verdadeiro estadista que originou o Brasil de hoje. Foi para a sua época tão inovador que, as interpretações depreciativas chegaram ao ponto de o apontarem como o covarde “Dom João charuto”- uma ingratidão histórica

Desde meados do século XVII, havia o entendimento pelos países da frente ascendente da Europa, de que as colónias não deviam ser geridas pelas metrópoles e, a fim de alterar isto, D. João e o diplomata D. Rodrigo de Souza Coutinho, tiveram a astúcia de aproveitar o infortúnio para reformar o decadente Portugal em um Império; o país Brasil, foi elevado ao estatuto de Reino Unido com Portugal, os Algarves e terras d´aquém e, além-mar tendo D. João VI como Imperador.

tropeiro10.jpg Chegados aqui, teremos de ir agora ao inicialmente proposto, falar dos tropeiros que nesse então tinham tanta importância para estas terras tão carecidas de meios de comunicação neste tão grande território, o Brasil. Foi curiosamente, na área de gastronomia que os tropeiros ficaram referenciados nos dias que correm; os pratos por eles criados por uma necessidade ou resiliência como se reverencia hoje, têm o nome de “feijão tropeiro”, “carreteiro de charque” ou “ feijão carreteiro”…

Confecção derivada dos produtos que levavam no dorso das mulas xucras como já o foi dito – carne de charque, carne de sol e mandioca ou macaxeira como é aqui conhecida em Alagoas do Nordeste. Nestas filas de burros xucros e mulas, entre os companheiros da tropa da fila longa de pirilau corria de quando em tempo, uns frascos, garrafas com um líquido ardente e cheiroso: a cachaça! Esta bendita quentura de líquido estava sempre presente, ora para esquentar, ora para entorpecer a dor de dente ou para espantar a gripe e, ainda para desinfestar parasitas da pele e goela ou curar arranhões, um nítido protesto para ser bebida de forma regular.  

tropeiro13.jpg A cachaça de cana misturada com fumo (tabaco) era usada como emplastro contra picadas de mosquito, dos variados insectos ou cobras. O dono das tropas para fazer qualquer transporte, por norma ajustavam o frete; o condutor destas tropas não tinha de ser necessariamente o dono do pedaço. Algumas fazendas tinham sua orgânica de tropeiros que para além de condutor da tropa eram angariadores conhecidos por alguns como “homens pobre-livres” mas o mais justo, era serem vistos como “aqueles que vivem do negociar”. Ou aina como “negociantes de tropa”.

Estes condutores de tropa, faziam ponte das fazendas de café levando o produto até os agentes comerciantes intermediários que faziam a cotação pois tinham a vila ou cidade para negociar; os tropeiros estavam deste modo subordinados ao fazendeiro, no entanto havia sim, entre eles alguns proprietários de terras e escravos com algum poder de manobra; por vezes também conduziam sua própria tropa e eram ricos de verdade.

tropeiros6.png Alguns sociólogos de cordel reconheciam que os tropeiros, não ascendiam com facilidade nas sociedades ocupando cargos públicos. Cargos que lhes valesse de prestígio, dada a profusão de sua extrema mobilidade em suas actividades. Embora houvesse ricos nesta actividade, não há muitos relatos, notando-se até, certa tendência para ocultar sua actividade e, que segundo relatos de então ou posteriores biografias, o eram homens que originaram famílias que “enobreceram”.

(Continua…)

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:07
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Terça-feira, 13 de Junho de 2023
MUJIMBO . CXXII

FRINCHAS DO TEMPO – NO DIA DE CAMÕES

– Crónica 3422 – 13.06.2023

MINHA SINGULARIDADE POR UM DIA - “T´CHINGANGE”

PorARAUJO248.jpg T´Chingange (Otchingandji) na Pajuçara de Maceió

maianga0.jpg Por um dia fui Camões! Posso explicar: O quinto Centenário da morte do Infante D. Henrique teve dez anos de festividades um pouco por todo o mundo da lusofonia que culminou a dois de Junho de 1960 o ano de seu falecimento, Foi neste ano que se instituiu a Ordem do Infante D. Henrique. Depois deste intróito relembro o ano de 1954, ano em que em Luanda, toda a mocidade estudantil do nível preparatório participou em sua comemoração na Escola Primária nº 8, junto à Liga Africana da Vila Alice. Creio que tinha os meus nove anos de idade e, quando a minha capital do Império era a MUTAMBA…

Teria os meus nove anos quando me escolheram para ser a figura principal do teatro escolar da Luua na Escola nº 8 da Vila Alice – a figura teatral era a do Infante Dom Henrique, o propulsor da navegação portuguesa. Estudava eu na Escola de Aplicação e Ensaios situada na rotunda de D, Afonso Henriques, situada bem em frente do Sindicato dos Metalúrgicos, início da Rua do Cazuno que ligava a Mutamba à Cidade Alta com o Palácio do Governador, passando pela Casa dos Rapazes; era também o início da Avenida Álvaro Ferreira, que passava mais acima pelo Cine Restauração e a Escola José Anchieta aonde estudou meu irmão Zé Kitunda e, tendo na parte posterior o belo jardim do Parque Heróis de Chaves. A mesma terminava no alto e de frente do Hospital Maria Pia

maful3.jpg O Cine teatro Restauração passou a ser a Assembleia Nacional depois da independência a 11 d Novembro do ano de 1975. Bem perto ficava o Largo Serpa Pinto de onde saia uma rua que subindo, ia dar ao Liceu Salvador Correia, uma rampa bem acentuada e aonde os candengues da Maianga, iam fazer corridas de fórmula um de fingir em rodas de rolamentos. Esta Luanda antiga ainda só deveria ter uns 90.000 habitantes pois que todas as ruas da Maianga estavam por asfaltar desde o sinaleiro bem perto ao Colégio Moderno aonde também andei algum tempo.

Nesta escola ocorreu até então a maior concentração de alunos do ensino primário das escolas do distrito de Luanda da então Província Ultramarina de Angola. Sendo eu a figura de destaque em representação de Camões, tive de apresentar os vários cenários descritos na obra do maior poeta português. E, foram as cenas do Reino de Castela e de Leão, de Egas Moniz, do Adamastor com Bartolomeu Dias mais Vasco da Gama, da Índia e da Ilha dos Amores.

cine tropical1.jpgOs versos que já sabia de cor, fingia ler “As armas e os Varões assinalados, que da Ocidental praia Lusitana, por mares nunca dantes navegados, chegaram mais álem da Tapurbana”. O grande átrio da Escola nº 8, estava repleto de candengues de bata branca, batendo palmas, rindo e exercitando o conhecimento para lá dos horizontes da Mutamba. Posso ainda sentir o cheiro forte do grude da cola de marceneiro que colou ao meu rosto barbas e bigode, e também sentir o tecido branco de zuarte em foles, esticado com farinha de trigo e passado ao ferro de engomar; tecido teso que era a bonita coleira ondulada, que o poeta usava.

Involuntariamente, fui snifado com aquela cola que talvez evoluísse; contínuo sem saber se me alterou partículas dos músculos moles e, até do meu cerebelo. Ver o Tonito filho da Dona Arminda do Rio Seco da Maianga, vizinhos do Almeida das Vacas um antigo degredado colonial, naquele papel maior da história, era algo fora de previsão. Bom! Agora com os meus 78 anos de idade passo até recordar esse evento com um brilho no canto do olho. Ainda haverá gente por aí na diáspora que se lembrará desses idos tempos…

mouzinho1.jpg Nesse dia de festa, foi dado a cada um dos alunos assistentes ao teatro um saco de guloseimas e até houve distribuição de sapatos quedes, patrocínio de publicidade da fábrica Macambira. Gostava de usar estes quedes na gimnástica dada pelo Professor Montês na Escola Industrial de Luanda; em verdade sempre que se proporcionava, usava-os com agrado, pois eram leves e frescos.

mud13.jpg E, porque pude ser lembrado por mais um dia das Comunidades, posso falar ao de leve o quanto senti ser desgarrado de uma terra que era minha e, só porque era filho de colonos idos pela Companhia Nacional de Navegação num barco de nome Mouzinho de Albuquerque e, também por ser branco fui quase obrigado a abandonar. Só ao de leve posso lembrar que anos mais tarde (1975), me ofertaram um bilhete de avião na ponte Luualix, só de ida para o M´Puto! Algo feio que os generais de aviário fizeram, numa visão tão contrária àquela epopeia de Camões. Não tinha de o ser assim, pois foi mau para quem foi e para quem ficou. Fui!

O Soba T´Chingange         



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:56
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Segunda-feira, 12 de Junho de 2023
N´GUZU . LXIII

CONHECER MELHOR O BRASIL  QUILOMBOS

Parte - Crónica 3421 – 12.06.2023 - N´Guzu é força (Kimbundo)

Por spring1.jpgT´Chingange (Otchingandji)Na Pajuçara de Maceió

kil9.jpgNem sempre a relação entre quilombolas (moradores do quilombo) eram as melhores, dependendo muito do seu lí der ou do Concelho de Mais-Velhos que no d`jango (lapa grande) determinavam as leis ou regras. Por vezes havia contratempos com os escravos residentes de linhagem e, origem de parte diferentes, de onde eles, ou seus ancestrais, saíram.

Em geral, os quilombos possuíam economia própria e tinham algum sucesso no comércio de seus excedentes destacando-se destes o quilombo Moquim no norte fluminense entre outros espalhados pelo país em áreas de mineração a céu abeto, combinando com a agricultura de subsistência o garimpo de pedras preciosas e ouro. Entre estes e as sanzalas próximas, surgiam vendeiros e taberneiros dando aos quilombos melhor condição de fixação de vida.

kilo12.jpg Muitos quilombos do Maranhão envolveram-se em agitações políticas entre a população livre que, após a independência entre 1838 e 1841 foram intensas, designando-se na história com o nome de Balaiadas. Mais a norte de São Luiz do Maranhão, grupos de quilombolas organizaram-se em comunidades camponesas construindo sua memória com identidade protegidos pela imensidão das matas atlântica e amazónica.

E, sempre no sentido Norte, estenderam sua influência e organização aos quilombos vizinhos do vizinho território de Suriname e outros centros urbanos dispostos ao longo da costa marítima com uma forte interferência de índios indígenas com os quais se miscigenaram. A partir da metade do século XIX, estes grupos tomaram cada vez mais um carácter reivindicativo, reunindo escravos de uma mesma fazenda, negociando directamente as condições de cativeiro.

kilo01.jpgComo uma associação de Mais-Velhos, discutiam sua progressiva liberdade com o senhor “coronel”- o dono do sítio, ou um outro posto de mando social á revelia das instituições governamentais. Em outos casos os quilombos, passaram a desafiar a legitimidade da ordem esclavagista forçando os representantes da autoridade a alterarem os propósitos ou procedimentos que até aí não eram contestados.

Neste contexto as insurreições escravas, assessoradas pelos quilombolas forjavam técnicas de fuga colectiva quando a negociações ficavam emperradas; Manuel Congo, foi um dos líderes escravos que montava novas estratégias de fuga através das matas circundantes próximo ao lugar de Vassouras no vale da Paraíba – actual estado com a capital em João Pessoa. Em 1867 em Vianna do Maranhão, quilombos, desceram do morro para agitar a escravidão das sanzalas, exigindo a abolição na sua forma mais simples de soltura.

QUILOMBO5.jpg Na repressão aos quilombos actuavam milhares de capitães-do-mato (capatazes de fazenda), e a maior parte de efectivos policiais com ou sem volantes, das vilas e cidades de todo o Brasil. Os capitães-do-mato usavam cães de fila para perseguir fugitivos e, eram-no muito eficazes pelo faro, pelo porte e pela fúria. O quilombo de Vila Matias em Santos, liderado por Pai Filipe, sobressaiu em seu movimento abolicionista paulista tonando-se peça fundamental nas estratégias de soltura no eixo São Paulo - Santos. O quilombo urbano de Jabaquara situado em plena Cidade de Santos, foi símbolo maior pelas alianças assumidas entre escravos e movimentos abolicionistas tendo um forte peso no término de escravidão em todo o Brasil.

FIM

O Soba T´Chingange           



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:12
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Sábado, 10 de Junho de 2023
VIAGENS . 20

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA“MILAGRANDO A VIDA”

TEMPOS CUSPILHADAS – Crónica 3419 – 10.06.2023 

Por roxo138.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

roxo135.jpg A felicidade, a realidade do conhecimento, os fundamentos e a aplicação da justiça ou existência de Deus, cria conflitos intermináveis em opiniões na tentativa de se ultimarem todos os impasses. Uns, por virtude de inteligência, são prudentes, outros acreditam na resolução pela força e, outros sempre continuarão fanáticos desconhecendo a propósito, o lado da opção certa.

Agora mesmo ocorreu-me aquela estória de uma tal senhora estar a ser infiel ao marido; eles eram sim, casados de papel passado e no regime de adquiridos. Comentava-se que o marido sabia mas fingia não saber! Ora, ora, diz um comum amigo perante isto: “Cornos que dão de comer - deixá-los crescer”. Cismando nisto, até acabo por concordar que há gente bem metafórica. Vejo até neste acaso uma quase parábola certeiríssima – que serve como uma luva…

roxo145.jpg Achei assim que neste contexto, a paródia quase parábola é tão verdadeira que se pode aplicar a muitos outros casos, como fonte de razão. O modo como tudo fundamentamos, como construímos a imagem, contribuirá para se ver o mundo na perfeita razoabilidade em assim se viver no engano. Neste correr de ideias que coamos em nossos comportamentos “chifrudos”, não nos damos conta no quanto somos servis à opinião na forma de narrativas …

Quantas e quantas vezes, ficamos por dizer o que nos apraz para não contrariar a opinião de alguém a quem temos respeito, amizade ou simples obediência. Na maioria das vezes somos susceptíveis a abrir mãos de nossa própria vontade, vivência ou juízo de valor baseado num ponto de vista pessoal ou subjectivo, em troca de reproduzir um quadro geral de imagens, dizeres ou esquemas que consideramos insuportáveis; uma plausível explicação da realidade que pode ser física, social, histórica mas e, principalmente da realidade política.

Roxo155.jpg Posso jurar que tenho procurado ser o mais frontal mas, sempre evito machucar por subestimação quem pensa de forma diferente; a propósito, mudo o rumo da conversa optando por defraudar minha opinião para não desjustificar-me na convicção. Não raras vezes, me surpreendo procurando leituras que me justifiquem, sem usar um método de falsidade.

Critico-me muitas vezes e até procuro investigar-me da justeza, pelo surgimento duma qualquer ideia que me circunscreve. Talvez por isso, nem sempre consiga manter o brilho com o certo vigor na formulação desse sentido, o que nos descapacita pela mordaça. Quantas e quantas pessoas se portam assim e, por isso aqui transcrevo só para que conste porque daqui não virá mal á nação.

roxo151.jpg Para que conste e a bem da nação, era como se dizia antigamente, no tempo em que empenhavam as barbas pelo uso das palavras. Claro que me perturba analisar as raízes da mentira que tantos repetem até que pela força, se torne verdade – uma pura alquimia de falácia. Isto de assim viver sem tumulto, não é fácil; a tarefa de explicar os fundamentos de algumas visões no mundo, cada vez se torna mais difícil.

Mais difícil e, que nos obriga a construir uma ou mais narrativas por forma a nos ajudar a evitar replicar outras opiniões, que sabemos de antemão o serem verdades inequívocas. É demasiado enfadonho encolher ombros como um deixa andar, animado de voluntariedade na espontaneidade do pensamento, todo e qualquer frescor de concepção. Deve ser tarde para mudar!

Ilutrações aleatórias de Assunção Roxo...

O Soba T´Chingange     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:06
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Sexta-feira, 9 de Junho de 2023
N´GUZU . LXII

CONHECER MELHOR O BRASIL

– QUILOMBOS

Parte - Crónica 3418 – 09.06.2023 - N´Guzu é força (Kimbundo)

Por lluua04.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

luua12.jpg Antes de me alargar sobre os Quilombos no Brasil, convém saber que a palavra "Quilombo" tem origem nos termos "kilombo" do Quimbundo ou "ochilombo" do Umbundo de Angola, presente também em outras línguas faladas ainda hoje por diversos povos Bantus que habitam a região da Guiné, Congo, Zaire, Angola e quase toda a África Austral. Eram conjuntos de libatas, cubatas ou embalas - lugar aonde os funantes (exploradores), descansavam após andarem dias pelo mato recolhendo mel, cera, marfim e outros produtos adquiridos no interior de África.

Os funantes, negociantes portugueses que, abandonando a costa marítima de Angola, iam comercializar mato afora, ajudados por seus auxiliares pombeiros ou moçambazes que falavam a língua dos indígenas, utilizavam os kilombos para descansarem. No Brasil, foi em Alagoas na Serra da Barriga que se congregaram em sociedade e governo (à revelia) que de certo modo, guardavam os antigos sistemas organizativos africanos que foi o já falado Quilombo dos Palmares.

quilombo3.jpg Nos Quilombos, a vivência, seja em Angola ou Brasil não difere muito daquilo que hoje se chama de sanzala ou kimbo que, quando situadas na periferia de uma cidade tomam o nome de musseque (Angola) ou favela (Brasil). Em verdade, são efectivamente os “escravos modernos”, fornecendo mão-de-obra barata aos senhores da selva de cimento; é tão-somente uma outra forma de escravatura, mais livre, mas sendo os verdadeiros serviçais ou a “arraia-miúda” da urbe que reaproveitando desperdício dos ricos constroem seus bairros de lata, cartão e variados desperdícios de obras.

Embora a escravidão no Brasil tenha sido oficialmente abolida a 13 de maio de 1888, alguns desses agrupamentos chegaram aos nossos dias, por via do seu isolamento. Outros transformaram-se em localidades, como por exemplo Ivaporunduva, próximo ao rio Ribeira de Iguape, no estado de São Paulo. No Brasil, mais propriamente no estado nordestino de Alagoas, no correr do tempo, qualquer representação teatral de índole popular entre afro descendentes, maioritariamente negros, suas danças dramáticas, arraiais ou folguedos com autos de representação carnavalesca, chaganças, reisadas ou umbigadas, em tempos de festas, período dos Santos Populares (festas juninas) ou natal, atribuíram o nome de dança dos quilombos.

quilombo0.jpgNa realidade actual, um Quilombo do interior brasileiro, é um conjunto de casas dispersas aleatoriamente, em um aglomerado próximo de casas feitas em taipa e cobertas a capim rodeadas de currais e galinheiros ou mesmo paliça para rebanhos de ovelhas, porcos ou cabras e também currais para alojar muares ou outro gado; animais que dão o sustento a cada casa, a conjugar com os produtos da lavra ou n´haka (termo angolano) em terras mais húmidas junto a alguma nascente ou borda de rio e também na azáfama de garimpo na busca de ouro (Poconé no Pantanal ou Amazonas). Curiosamente há entre estes, alguns grupos, gente cigana com as características da antiga Hungria ou Croácia e, outros estados europeus de onde emigraram; nota-se na forma de vestir, na consanguinidade fechada entre eles e na forma de comercializarem seus pecúlios... 

No Brasil, os quilombos oitocentistas diferenciavam-se pelo tamanho e pelo tipo de relação que mantinham com a sociedade esclavagista. Um pouco por toda a parte, havia os pequenos quilombos próximos a fazendas e, de pequenas cidades; seus membros formavam grupos que viviam do saque de áreas vizinhas. Neste contexto, ainda hoje podemos verificar procedimentos análogos tanto nos meios rústicos, campos do interior, como urbanos, executados por gente das favelas ou cortiços dos arrabaldes.

QUILOMBO6.jpg Lugar aonde se acoitam gangues de meliantes bem organizados e armados, por vezes com potencial de fogo superior às polícias intervenientes. Surgem amiudadamente helicópteros e policiais actuando nesses sítios indicados que por norma ficam em encostas de morros, no leito de antigos riachos, terenos de má condição para se fazerem obras de boa execução segundo normas de segurança e, aonde tudo parece estar na ilegalidade; há gatos (geringonças) de ligações eléctricas fora do controlo, há tubos de água a abastecer grupos sociais sem contador e tubos de esgoto mal dimensionados, conduzidos para sargetas ou águas pluviais pertencentes à rede municipal. Na maior parte dos casos nem pagam IPTU (IMI) – imposto sobre imóveis…

O aqui descrito também se verifica no novo país de Angola, aonde prevalece o desenrasca com garranchos nas linhas eléctricas e gatos com gatinhos que por vezes produzem catástrofes derivados de curtos circuitos ou enchentes em tempos de chuvas intensas. Um deus dará, dirão mas, assim o é! E, surgem acampamentos de sem-terra, dos sem-tudo por lados que parecem pertencer à dita União, ou seja do Estado Federativo do Brasil, nas margens de rios ou de estradas nacionais; Quase em todos os casos, estes ajuntamentos estão refecidos com bandeiras vermelhas ou brancas e, parece que quase sempre há gente de colarinho branco a servir de tutores e, que por norma os usam como diversão política, tomando terras supostamente sem aproveitamento. Os órgãos de informação tratam este assunto com pinças delicadíssimas por via de poderem entrar num foro de cariz ideológico governamental e, colidindo com interesses mal assimilados pela grande maioria d moradores – jogos políticos…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:50
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2023
MUXOXO . LXV

TEMPO COM CINSASAquela coceira no dedão, será mesmo uma bitacaia?

Crónica 3404 – 26.05.2023

Por café da avó1.jpg T´Chingange (Otchingandji…) Na Pajuçara de Maceió - Brasil

sorte2.jpg Nesta vida, o que tiver que acontecer, acontece! E, ninguém está a salvo de ser o carrasco de si mesmo sem falar dos outros. Independentemente da ideologia que se defende, seja de esquerda, de direita ou do centro, sempre criaremos voluntariamente, jaulas; amaremos e, até por vezes idolatramos. Sim! Idolatramos até que nos devore.

Engana-se quem pensa que já sabe tudo; o risco será permanente se a mente não for fortalecida com o bastante raciocínio, numa busca de sabedoria a que podemos chama de “filosofia”. A radicalidade de se pensar estar certo a partir de crenças constituirá a chave de compreensão de sangrentas catástrofes políticas. Antes de se ser uma vontade, antes de se ser um movimento, antes de se ser um partido, antes de se ser poder, a mente alimenta o desejo.

Com o desejo reduz o corpo e o templo (cabeça) prosseguindo essa ideia tentadora até verificar que essa verdade, é totalitária. A nossa verdade pode assim morrer de desilusão segundo uma qualquer crença, ter um epílogo de morte daquela que era a grande verdade. E, como num livro escrevinhado por nós, em que se deu tudo por tudo, após um vistoso prólogo dando voto, dando veto e, definhando-se se defuntou só e, assim mesmo sem mais nem porquê.

balba2.jpg Durante a escritura do seu texto de vida fez correr um boligrafo por um tal de trajecto dizendo de si para si que assumir que a política, bem pode ser compreendida de muitas maneiras; que não implicará aceitar todas as suas formas. Não pode o meu boligrafo negligenciar suas, minhas convicções em nome de um suporte de almejada imparcialidade.

Os chavões estão aí para serem alardeados ou pisoteados por gente que pensa que tudo sabe tal como: stalinismo, maoismo, fascismo, salazarismo, socratismo, selfismo, costismo, cavaquismo ou sampaísmo entre muitos outros edecéteras. São fenómenos políticos que sempre o serão a dado momento, conhecidos como totalitarismo (imposição de alguém).

Num cala-te a boca, acabei de emudecer o que em mim já estava arrependido. Estando eu na varanda do Conde do Grafanil vendo a praia da Pajuçara de Maceió, boligrafei isto com tal força de afeição que até as nuvens escureceram o céu. Depois de ligar a TV na Globo, tomei uns goles de pensamento passando as mãos ao de leve pelo templo e, assim embuído, cocei o aviso em minhas fontes dizendo cá para mim: Esta vida está muito cheia de ocultos mistérios.

DIA41.jpg Peguei no livro “O Princípio de Peter”, ou o “princípio da incompetência” e pude ler: Num sistema hierárquico, todo funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência. Aí pude dar-me por satisfeito - de entre os exemplos indicados pude inserir os personagens reais conhecidos do M´puto relacionando-as com outras fictícias: - Macbeth foi um eficaz chefe militar, mas um rei incompetente; Adolf Hitler por sua vez foi um competente político, mas encontrou seu nível de incompetência como general; O Sócrates grego foi excepcional filósofo, mas péssimo advogado de defesa, O Sócrates Tuga, foi simplesmente um fracasso; O Marcelo actual foi um bom comentador mas revela-se um mau presidente pois actua como uma rolha a boiar ao sabor dos ventos.

Claro que não vou detalhar os níveis de incompetência dos governantes supra mencionados; considerando este Laurence Johnston Peter, o "pai da administração moderna", desde os tempos de Júlio César que vinga a máxima: "o soldado tem direito a um comando competente". O cidadão também noé!? As pessoas são promovidas até ao ponto no qual se tornam realmente incompetentes para a função; está explicado o busílis que vivenciamos no nosso mundo. Como vêem estou no desamparo de minha vergonha e, de novo irei mostrar meu dedão do pé ao doutor do SNS para ver se aquilo que me dá coceira no pé é uma bitacaia, na firme convicção de que para se morrer basta estar vivo. Juro! Fui…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:20
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2023
VIAGENS . 18

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA – “SONHAJANDO A VIDA”

TEMPOS CUSPILHADAS – Crónica 3402 – 24.05.2023 

- ATÉ CHEGAR AO PARAISO, TIVEMOS O PURGATÓRIO…

Por:chicor1.jpg T´Chingange (Otchingandji) – No Bom Concelho de Pernambuco

santi1.jpg Li algures de que a mortificação do corpo acontece para superação do espírito. Se para os cristãos ir desde longe para Fátima será sempre por uma promessa em troca de um benesse que se concretiza, uma cura, um milagre de mudança, uma esperança que se realiza. Os muçulmanos também necessitaram de inventar que Nossa Senhora era filha de Maomé. Anos a fio andei tentando seguir a pé pelos caminhos conhecidos até Santiago de Compostela mas tal desejo sempre se vetou ao esquecimento na hora que nunca surgiu.

Já fui de carro várias vezes a Santiago, mas não será de nenhum valor acrescentado o facto de ir na comodidade de um carro. Até fui lá no dia 25 de Julho, dia da consagração de São Tiago que calhando a um domingo, a porta santa da Catedral é aberta excepcionalmente nesse ano; foi o caso do ano de 2010. Juntei-me assim a histórias de cavaleiros Templários, um misto de religiosidade e desafio, buscando o autentico de si mesmo num percurso de estilos romântico e gótico, como um monge beneditino cruzando montanhas, rios, cidades e bosques de pinheiros, faias e trigais só em pensamento.

PAPAL4.jpgRecordar a Catedral de Santiago de Compostela aonde desde a idade média se juntavam peregrinos idos de toda a Europa. O Bota-fumeiro gigante balouçando no átrio principal-altar da Catedral, que era nem mais nem menos para fazer desaparecer o cheiro nauseabundo que acompanhava os viajantes. Hoje, não podemos imaginar o fedor que soprava então por entre aqueles antigos prédios das muitas cidades, do estrume acumulado nas travessas, becos com matilhas de cães mordiscando restos como se abutres fossem.

Também das centenas de carroças despejando toneladas de excrementos que por ali iam sendo pasto de milhares de moscas com milhões de bactérias. Pois foi assim que fizemos no chegar ao sítio da xácara do Senhor Ferreira, um homem que a vida curtiu entre bizarrias de superstições misturadas com aflições; e desta feita, eu, Arrais de Bustos e Ana de União dos Palmares, terras de Zumbi, da nação de N´gola lá no Morro dos Macacos numa serra chamada de Barriga. Agora a descrição passa a ser dele a relembrar seus artigos de antigamente com o nome de Arico Siarra:  

santiago3.jpeg COMO TRANSFORMAR UM Fim-de-semana NUMA EXPERIÊNCIA INESQUECÍVEL! - Tenho consciência de que escrevo este texto um tanto ou quanto húmido de tanta garoa (cacimbo). Por isso, concluo a recomendar que cada um o leia com o humor possível, já que a nós, nos bastam nossas roupas molhadas, os buracos e as lamas rupestres mas, as estrelas vão com prazer para a tão dedicada hospitalidade de Aldaide e António, pais de Quitèria. Pois, neste fim-de-semana (de 19 a 22/04/023) fomos até um município de Pernambuco divisa com Alagoas – “O Paraíso”…

Se tivéssemos ido por União teríamos demorado menos mas, tivemos que ir por Arapiraca, a fim de pegarmos uma pessoa da família que visitamos, o que nos exigiu mais tempo. Foi uma viagem muito desafiante. Destino? Cidade de Bom Conselho. Do centro daquela cidade até o sítio de nossos anfitriões, demoramos uma hora a chegar. Existem apenas quatro casas: moram lá, pais e filhos. Alto da montanha e, sempre subindo, sempre resvalando. 

santiago1.jpeg Faltou pouco para chegar ao céu! Passamos em seis porteiras por via da criação de gado pastando por lá. Depois que passamos a antepenúltima porteira, o carro começou a derrapar na bosta do gado e argila e parou. Tivemos que carregar nossas atrangalhas (bikuatas, tralhas) às costas, uns 800 metros de subida com o chão todo bosteado... E, tome chuva! Nunca pensei viver tão dignificante experiência pingando que nem um pinto no baptismo.

Nem sei, como agradecer esta oportunidade de podermos avaliar toda a nossa capacidade de resistência física e mental, com chuva durante três dias e duas noites (o diluvio). Sem dúvida nutrimos a certeza de que teremos condições de viver ainda bons anos, sem percalços fatais! Para a impecável hospitalidade encontrada, nota mil e um.... Conseguiram extrair água pura das pedras, para nos servir açucarada de cayena. Da parte de Deus, que a forneceu na forma de garoa cacimbada, um bem-haja para toda aquela família visitada a saber para além dos citados; Docas (o voluntário), e Francisco (o churrasqueio e bebedor de pitu) - filhos, assim como para com o nosso amigo Monteiro T´Chingange o coordenador-mor, desta desafiante aventura

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T´Chingange (O Zelador-Mor do Zumbi de N´Gola)

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:13
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Segunda-feira, 22 de Maio de 2023
VIAGENS . 17

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA – “SONHAJANDO A VIDA”

TEMPOS CUSPILHADAS - A natureza tem suas normas! Com tantas experiências o sapo Cururu tornou-se canibal …

Crónica 3400 – 22.05.2023  

Porsapo1.gifT´Chingange (Otchingandji) - Na Pajuçara de Maceió do Brasil

corimba4.jpg Desde que o mundo é mundo, milhares de milhões de seres humanos, armados de ramos, de mata-moscas milhares de venenos caseiros, acabaram por chegar aos sprays vaporizados para travar guerra implacável com formigas diligentes, carrapatos ousados, nojentos ratos e baratas furtivas mais escaravelhos insensatos. Lá na minha horta todos os santos dias tenho de mirar as folhas de couve senão, senão fico sem caldo verde.

Neste grande palco aonde se desenvolve a história da humanidade, o bicho homem acumulou cada vez mais coisas, uns classificados patrimónios de trastes e outros de difícil ou impossível locomoção. E, foi juntando muitos corotos, muitas imbambas que chegaram ao futuro. Para tal tiveram de inventar o planeamento para que tudo tivesse ordem no sentido da criação. As ligações de ele com ele e ela com ela com os desígnios de LGBTYL+ ainda não eram reconhecidos nos cartórios como uma união de facto.

DIA76.jpg Inventaram o comércio, a compra e a venda de coisas ou géneros distribuindo ou retraindo riquezas, favores, invejas, vinganças, ofensas e retaliações a estas. Inventaram o trabalho, a semana das 40 horas e depois 35; o trabalho em casa, o nomadismo digital recente, preguiça, a inveja, a cobiça e, deram início á economia, o apego ao poder mentindo socialisticamente com truques de encarecer a dívida. Formaram grupos a que chamaram partidos e como gangues fizeram roubo com repartição de benesses furando o saco de dinheiro.

Estranhamente surgiu a compra de divida, juntaram os impostos com taxas e alcavalas chegando ao tecto de gastos para vedar o despilfarro. Surgiu a ansiedade, a subsidiodependência, o cabaz de compras mais o auxílio extraordinário e normalizaram o preço dos ansiolíticos para superar as tensões, as mazelas ouvidas lidas e engolidas. Surgiram os especialistas da mente, peritos em trepanação em frio, especialistas do sono, do bocejo, da terapia do relax e da levitação, técnicos do riso e da clavícula.

Namibia4.jpg Surgiram vendedores de banha da cobra, quimbandas a granel, “personal trainer” e dentistas ao domicílio. Diversificaram as colheitas, as mudas e milhares de novas químicas para matar desde o pulgão à cochinilha mais fungos, parasitas e bichezas de toda a espécie com bichos de mil pés e filárias chamando a isto, maravilhas transgénicas; passaram a manusear as sementes, alterando-as, introduzindo-lhe logologo o veneno a só despontar na hora do desabrochar ou do florir …

Colocaram rosas e cravos nas fileiras de parreiras para antecipadamente se poder detectar as doenças nos bagos de uva, deram-lhe musica para adocicar a casta, anti ácaros, anti fungos e muitos edecéteras especificados por enólogos e carrapatologos. Coisas chamadas de fitogénicas a fim de se ter a máxima rentabilidade. Nesta evolução de coisas e tratamentos ouve desaires. Em um dado momento a Austrália levou do Canadá 102 sapos para matarem os besouros do milho; estes alimentando-se das pragas aumentaram vertiginosamente seu número, passando também a serem pragas.

monteiro4.jpg Já havia sapos por todo o lado, nas casas, nos demais pastos e o gado começou a morrer por via da baba destes que era venenosa. Então levaram milhares de cobras de um outro país que comiam aqueles sapos. Sucede que estas cobras que comiam sapos, ao degluti-las um que fosse, morriam envenenadas. Este tipo de sapos tinha um veneno no seu costado. Acabaram por ficar sem cobras e os milhões de sapos, aumentaram em número ao ponto de perderem o controlo. Acabaram por fazer caça aos mesmos triturando-os em grandes tanques para fazer biodiesel. Tudo isto começou lá no ano de 1930. Os sapos-cururus se multiplicaram “como praga” às custas de outras espécies. Suas glândulas de veneno são altamente tóxicas e assim, derrotam facilmente os oponentes predadores…

Agora, para surpresa dos cientistas, os mesmos sapos-cururus estão se transformando em canibais implacáveis. Segundo um novo estudo experimental, a selecção natural tem favorecido girinos que comem outros girinos da própria espécie. Os girinos do sapo-cururu que costumavam alimentar-se de algas e matéria orgânica em decomposição agora é o que é! Os iniciais 102 sapos individuais que foram originalmente introduzidos no passado agora, a espécie já soma mais de 200 milhões de exemplares. Para além de os usarem como combustível, testam outras hipóteses. Se tivessem cumprido com a lei de Deus na ordem natural das coisas, nada disto aconteceria noé!?  

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:41
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Quarta-feira, 17 de Maio de 2023
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXXII

NAS FRINCHAS DA VIDA

Crónica 3396 de 17.05.2023 - Na Pajuçara do Brasil

Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada…

O PERIGO É AMARELO – Vêm lentos e, com DISSIMULAÇÃO… 3ª Parte

Por berlim1.jpgT´Chingange (Otchingandji)

dia69.jpg A China, mais propriamente o Partido Comunista Chinês usa para manipular os americanos, o que chamamos de influência estrangeira maligna. Agora, a influência estrangeira tradicional é uma actividade diplomática normal e legal, tipicamente conduzida através dos canais diplomáticos. Mas os esforços malignos de influência estrangeira são tentativas subversivas, não declaradas, criminosas ou coercivas de influenciar as políticas de nosso governo (USA), deturpar o discurso público de nosso país e minar a confiança em nossos processos e valores democráticos. Isto é a prática em todo o Ocidente.

GRÈCIA DA EUROPA – PORTO DE PIREU - Percorrendo a costa em uma pequena lancha, encontramos uma fila de enormes navios porta-contentores alinhados no horizonte aguardando ancoradouro. Um gigantesco estacionamento aquático, cheio de centenas de milhares de toneladas de mercadorias chinesas, que em breve serão enviadas para todos os cantos da Europa. O boom no Pireu! Incluindo oportunidades de emprego para os habitantes locais, isto reflecte uma transformação mais ampla nas fortunas financeiras da Grécia. Por agora, o país tem uma das economias da União Europeia que mais crescem.

CHINOCAS2.jpg Mas, não é só na Grécia que os chineses estão investindo bilhões; tudo começa assim - o dinheiro que vai volta para se multiplicar. Na Sérvia em uma colina com vista para a cidade de Bor é possível pensar que fomos transportados para uma província chinesa. Há gritos em mandarim, as bandeiras são vermelhas e, estão colocados em casarões que lembram templos chineses. A mina de cobre que define a projecção cultural do local, está a ser inundada de dinheiro. Devido à extracção do metal, a água de alguns lagos e reservatórios locais, apresentam um tom carregado de ferrugem. Da fábrica de pneus Ling Long, organizações sem fins lucrativos, denunciaram a condições que ali se praticam: “é visível o tráfico de pessoas com exploração de trabalhadores, coisa nunca vivenciada por ali”. Esta prática deverá servir de alerta para o resto da Europa, diz um responsável local dessa ONG Sérvia.

Apesar de todas as críticas dirigidas à China, há quem na Croácia, dê boas referências a esta cooperação entre o Ocidente e a República Popular da China. Pode observar-se em um Domingo haver grande azáfama na ponte de Peljesac, camiões que passam colocando vigas no tabuleiro da mesma. O maior projecto de infraestruturas da Croácia que unirá a península de Peljesac ao continente Croata. Actualmente o percurso faz-se através da vizinha Bósnia. A maior parte da conta desta nova ponte foi paga por Bruxelas, capital financeira da Europa da qual a Croácia é membro! Para espanto, esta ponte foi construída em Pequim, até o último parafuso. Como se a Europa não tivesse as condições requeridas para a executar – brada aos céus! E, o exército de trabalhadores na obra, é todo Chinês! Sério que estou escandalizado e seriamente preocupado.

sardinha01.jpg

                                A licitação da estatal chinesa The China Road and Bridge Corporation, foi 20% mais barata que seu concorrente mais próximo. Rivais europeus, acusaram irregularidades, mas não conseguiram impedir o negócio. A Casa Branca de Biden herdando uma guerra comercial com a China do governo de Donald Trump, não suavizou sua postura sobre Pequim em muitas áreas e pediu à Europa que se afaste do financiamento da China. Houve diligências para recolher dados sobre o que pensa Pequim, a nível de alto escalão, mas nenhum dos cinco embaixadores chineses abordados, estavam disponíveis; nos momentos certos; eles, sabem gerir silêncios.  

Seja dentro da UE, como a Servia e a Croácia ou em sua periferia, como a Servia e Montenegro, as nações europeias, terão que pesar os prós e os contras de firmar acordos com os chineses. As análises por parte de Bruxelas têm de o ser mais firmes em defesa da Europa; com eles, todo o sofisma não será suficiente para acalmar sua dissimulação. Isto, já é uma guerra branca e, poucos se encorajam a fazer valer seus pontos de vista. Eu, que sou um pé-de-chinelo, vejo isto! O facto de o melhor amigo declarado do presidente Xi Jinping ser Vladimir Putin, o homem que mergulhou a Europa em sua maio crise de segurança desde a Segunda Guerra Mundial, é um factor que pesará em todas as decisões tomadas! Fiquem atentos…

ROXO165.jpg Os diplomatas chineses usam tanto a pressão económica aberta e crua, como intermediários aparentemente independentes para pressionar as preferências da China sobre as autoridades americanas. Quanto a Taiwan, a China não quer ver os Estados Unidos a planearem qualquer aproximação a este território por modo a legitimá-lo, algo naturalmente contrário à política chinesa de “Uma só China”. E, Então, o que faz a China? Bem, a China tem influência sobre os constituintes daquela autoridade - empresas americanas, académicos e membros da mídia em que todos têm razões legítimas e compreensíveis para querer ter acesso aos parceiros e mercados chineses – Hipocrisia!

E, devido à natureza autoritária do Partido Comunista Chinês, a China tem imenso poder sobre aqueles mesmos parceiros e mercados. Irá tentar influenciar as autoridades americanas e de Bruxelas da UE de forma ostensiva e directa. Pode advertir abertamente que, se um mandatário, funcionário americano prosseguir e, fizer viagem a Taiwan, ela, irá descontar em uma empresa do estado de origem dessa autoridade; irá reter a licença de fabricação da empresa na China o que, pode ser economicamente desastroso para uma qualquer suposta a empresa… A vingança serve-se fria!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Terça-feira, 16 de Maio de 2023
VIAGENS . 15

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA – “SONHAJANDO A VIDA”

Estado = Marcelo x Costa² - REINVENTANDO O FUTURO DO *M´PUTO

Crónica 3395 – 16.05.2023 – A EQUAÇÃO ATÓMICA

Por dia63.jpg T´Chingange (Otchingandji) Na Pajuçara de Maceió do Brasil

dy23.jpg Ainda não fui ao futuro! Ando só a vislumbrá-lo. O primeiro LAR, conhecido do homem nos primórdios, muito antes do AC - Antes de Cristo, foram os montes, os rios, os bosques e o firmamento. Progressivamente sua táctica recolectora mudou, fixando-se num espaço encurtado, domesticou lobos e outros animais que foram suporte de sua resiliência, coisa ainda desconhecida nesse então. Domesticaram ovelhas e vacas agasalhando-os próximo de seu lar para lhes proporcionarem aquecimento. As grutas e cavernas foram sendo abandonadas na procura de novos pastos para alimentação de seus animais domésticos; buscaram terras mais férteis para cultivar hortas e macieiras. Para além doutros indígenas, havia um tal de Adão umbigado com a Eva e, foram estes os percursores do futuro.

Este prólogo de vida teve mau inicio porque cometeram logologo o pecado original; a única coisa que lhes foi proibida! Lixaram tudo. Saltando este prólogo, todos tiveram de se disciplinar criando regras. A partir dai a ligação ao LAR requereu ajudas extras, recursos de vizinhos, tornando-se no traço distintivo psicológico de criatura humana. Nesses tempos ele, era ele e, ela era ela. Ele tinha um caroço no pescoço por castigo daquele tal erro e, que por isso ficou a “maça de Adão” e ela, castigada com dois contrapesos de procriação com o nome de seios ou mamas.

dia35.jpg Bom! A partir desse pecado, surgiu o stresse, a inveja, a mentira, o egoísmo e um sem número de coisas ainda desconhecidas mas, sempre com o sentido de melhorarem relações entre si, tornando-se até afáveis, solidários mas e também, raivosos ao ponto de usarem coisas afiadas e que, espetadas causavam morte. Utensílios em cobre, em ferro em madeira e até ossos como por exemplo tíbias.

Dentro dos lares meteram lajedos aonde queimavam lenha para aquecimento pois o frio era muito e, foi quando e porque dali saia fumo, passaram a se chamar de “fogos” – porque em verdade, não há fumo sem fogo! Ali havia gente. No decorrer dos anos e séculos, abriram clareiras pelo abate de árvores. Inventaram a enxada, fizeram canais, faziam monturos perto dos fogos com restos de comida e ramos juntando-lhe esterco dos animais. Esta compostura melhorava suas colheitas de legumes vários menos a batata porque se desconhecia tal tubérculo.

ARAUJO232.jpg Passaram a viver em lugares cada vez mais seguros protegendo-se nos píncaros das fráguas com ameias a que chamaram de castelos. A roda já era usada em cangulos, carros de mão e carretas puxadas por bois cornudos dando lugar ao ciclo da vida organizada com estratégias e segredos. As ervas daninhas foram arrancadas, nasceram cactos, folhas e raízes comestíveis, foram defumados fogos com arruda para espantar maus-olhados, outras para curar maleitas.

Os raizeiros testaram cascas de árvore como o ipê roxo, o doutor e o doutorzinho que tudo cura mais o samba caetá, a salsa e o coentro para dar cheios e sabores, outras para delas se fazer azeite, pomadas ou lamas de curar. Exterminaram bichos rastejantes, roedores, baratas e centopeias de mil pés. Das peles fizeram canoas a servir de sapatos, chapéus e alforges. Higienizaram com rudimentos de folhas com mamona, amaciaram as carnes com folhas de mamão. Com tudo isto, criaram ilhas artificiais.

dia65.jpg Fizeram artefactos e acumularam conhecimentos com tralhas fazendo vassouras de giestas e baldes pintados a verniz natural, cabazes entrançados com arte, fizeram cajados e bengalas e um sem número de coisas que hoje dão dinheiro a artesãos e no qual nem damos o real valor tais como agulhas feitas em madeira ou ossos, linhas entrançadas saídas de cascas. Foram tempos de superstição, ainda nem se falava em um Deus omnipresente ou omnipotente. É quando surge um homem que apregoa, faz milagres , das pedras saem peixes e pães para matar a fome.

E num mundo estranho aparecem astrólogos e outros cientistas a dizer que o mundo não tem bordos, não tem nem cinco nem quatro linhas, não tem fim, estudam as estrelas a anos-luz de distância. Entretanto matam aquele homem com o nome de Cristo que por coisa pouca cruxificam pregado numa cruz e com pregos artesanais de muito comprimento. E num repente um homem sábio e matemático, descobre a fórmula do epílogo com o nome de Albert Einstein. É ela: E=mc². Entre o início de prólogo e o fim de epílogo decorrem nossas vidas na espectativa de que Deus é forçoso que exista e, que por favor, venha cá abaixo meter ordem nisto…

Notas - * M´Puto é Portugal

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:42
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Segunda-feira, 15 de Maio de 2023
N´GUZU - LIII

CONHECER MELHOR O BRASIL – CORTIÇOS

Parte - Crónica 3394 – 15.05.2023 - N´Guzu é força (Kimbundo)

Por:missosso2.jpegT´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

booktique11.jpg Feito dramaturgo, do prólogo ao epílogo, sigo-me como um sonho de T´Chingange (feiticeiro), que ora está no M´Puto, ora está em Angola, em África, ora está na Pajuçara do Brasil lambendo as águas como quem lambe o tempo; é o caso de agora, da minha, nossa “hora extra” da vida. Com o tecto do sótão a se dismilinguir, renovo a testa e o mataco com pomadas anti fungos, desoxidando tubos com Cabernet Sauvignon - "a rainha das uvas tintas" feito de uva de vinho no rio da integração brasileira e conhecido ternamente como Velho Xico, no lugar de Petrolina.

Mas, quanto a cortiços – lugar de gente, lugar de residência, de segmentos da população livre, libertos, emigrantes de origem europeia, maioritariamente portugueses e italianos, sobretudo em Rio de janeiro, de negros e mestiços. Assim, os cortiços, constituíram o espaço fundamental para a construção de laços de solidariedade, ancorados nas tradições socioculturais comuns ou de proximidade. Coisas que pude presenciar…

aaa3.jpg Com a experiência dos brancos gwetas da astucia dos rufias, da rusticidade dos matutos ou mamelucos tornando-os pardos com a superstição dos africanos de N´Gola e Minas. Casos houve, de serem locais de excelência para esconderijos a perseguidos da justiça, ladrões, estropadores, marginais na generalidade e gente vivendo de expedientes, namoricos de horas altas com proxenetas e profissionais na arte antiga do sexo.

Neste período Imperial brasileiro, sobretudo a partir de 1870 e, quando os sinais de mudança no universo do trabalho já despontava na sociedade brasileira. Os cortiços seriam seriamente condenados com a prática republicana. Hoje, que estamos no fim do primeiro quarto do século XXI, ano de 2023, existem os mesmos problemas mas mais agravados pelas técnicas de Inteligência Artificial com a luta permanente pela segurança.

picasso3.jpg Pelo uso de celulares que nos dizem por onde andar, do conhecimento ao segundo do lugar, do semblante reflectido no ecrã, leitura labial, das rugas analogicamente decifradas da pessoa, algures em um dissimulado ponto do Globo, da colagem em algures, nossa etiqueta de ADN digital. Bem!

Mas e, nos cortiços com abastança ou carência de notícias há união e fraternidade na dose certa, uma característica quase única no mundo; em nenhum outro lado pude verificar esta postura, um facto da razão porque ninguém se esquece desse viver, daqueles aromas tão próprios. Pois existem hoje os problemas com abuso e, que levam a existir técnicas especiais de propaganda política com ou sem a actuação policial…

Por vezes, vivenciamos pela televisão acções filtradas de agentes de alto coturno virando a controvérsia no uso da dialéctica nas “rebaldarias” que confundem as gentes que votam, sem saber se há mesmo um ministério da verdade que prolifera mentiras e um ministério da paz que mostra filas de carros armados, helicópteros com infravermelhos e até com misseis de sofisticadas estruturas para furar o aço e as quatro ou mais linhas constitucionais.

dia97.jpg Gente do crime, gente da droga, estados de narcotráfico, caminhos livres, soltura de uns maus e prisão duns bons, putaria e pacotes de cheiro forte que viciam; muito dinheiro a correr com apostas oficiais no jogo do bicho, mentirosos cartões amarelos a jogadores que alteram as sortes e azar num jogo que ainda não existiam no tempo em que Aluízio de Azevedo de São Luís do Maranhão descreveu em seu livro, com este nome abelhudo. As coisas agora estão tão mal que só podem ficar pior… Faz parte da Guerra Global – Um Deusnosacuda, assim mesmo, tudojunto.

FIM  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:41
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Domingo, 14 de Maio de 2023
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXXI

NAS FRINCHAS DA VIDA

Crónica 3393 de 14.05.2023 - Na Pajuçara do Brasil

Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada…

O PERIGO É AMARELO – Vêm lentos e, com DISSIMULAÇÃO… Parte

Por pica2.jpgT´Chingange (Otchingandji) - No Nordeste Brasileiro

eleuterio4.jpg  (…) Em um dos aspectos mais desagradáveis e flagrantes do esquema, os conspiradores realmente patentearam na China o próprio processo de fabricação que tinham roubado, e então ofereceram à sua empresa americana vítima uma joint venture usando sua própria tecnologia roubada. Estamos falando de uma empresa americana que gastou anos e milhões de dólares desenvolvendo essa tecnologia, e a China não poderia replicá-la - então, em vez disso, pagaram por a terem roubado.

E recentemente, Hao Zhang foi condenado por espionagem económica, roubo de segredos comerciais e conspiração por roubar informações proprietárias sobre dispositivos sem fio de duas empresas americanas. Uma dessas empresas passou mais de 20 anos desenvolvendo a tecnologia que Zhang roubou. Estes casos estão entre mais de mil investigações que o FBI tem sobre roubos reais e tentativas de roubo de tecnologia americana pela China. Na Europa acontece o mesmo panorama - o que não quer dizer nada diante de mais de mil investigações de contra-inteligência em curso, de outros tipos periclitantes relacionados com a China.

dragão2.jpg Estamos conduzindo esse tipo de investigação em todos os nossos escritórios. Na última década, vimos casos de espionagem económica ligado à China aumentar em aproximadamente 1.300%. As apostas não poderiam ser maiores, e o potencial dano económico para as empresas em geral e a economia como um todo, desafia qualquer cálculo. A China, também está fazendo uso liberal de hackers para roubar nossos dados corporativos e pessoais - e eles estão usando hackers militares e não-estatais para fazê-lo. A intrusão da Equifax que mencionei lá atrás, que levou ao indiciamento de militares chineses, não foi a única vez que a China roubou as informações pessoais confidenciais de um grande número do público americano.

Por exemplo, algum de vocês tinha seguro de saúde da Anthem ou de uma de suas seguradoras associadas? Em 2015, os hackers da China roubaram os dados pessoais de 80 milhões de clientes actuais e antigos da empresa. O Ocidente que alimenta o Dragão tem o dever de progressivamente os mandar para os seus próprios guetos; seus campos de reabilitação que mais não são do que campos de concentração com escravos anti regime a trabalhar de borla. As coisas sucedem na calada entre o prólogo e o epílogo sem se saber o conteúdo. Talvez você até seja um funcionário federal - ou costumava ser um, ou se candidatou a um emprego no governo uma vez, assediado por um membro da família ou um colega de quarto. Bem, em 2014, os hackers da China roubaram mais de 21 milhões de registos do OPM, o Escritório de Gestão de Pessoas do governo federal (Nos EUA).

luua03.jpg E, porquê estão fazendo isso? Em primeiro lugar, a China tornou a liderança mundial em inteligência artificial como uma prioridade, e esses tipos de roubos alimentam-se apenas no desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial. Adicionando à ameaça, os dados que a China roubou são de valor óbvio enquanto tentam identificar pessoas para colecta secreta de informações. Nessa frente, a China está usando plataformas de mídia social - as mesmas que os americanos ou europeus usam para se manter ligados ou de encontrar empregos - para identificar pessoas com acesso a informações confidenciais dos vários governos e, em seguida, focar-se nessas mesmas pessoas para as tentar roubar.

Só para citar um exemplo, um oficial de inteligência chinês, passando-se por “headhunter” (Caçador de cabeças) em uma plataforma popular de mídia social recentemente, ofereceu a um cidadão uma quantia considerável de dinheiro em troca dos chamados serviços de “consultoria”. Isso soa benigno o suficiente até você perceber que esses serviços de “consultoria” estavam relacionados a informações confidenciais, que o alvo americano, teve acesso como especialista em inteligência militar dos EUA. Agora essa história em particular tem um final feliz: o cidadão americano fez a coisa certa relatando o contacto suspeito, e o FBI, trabalhando em conjunto com nossas forças armadas, tirou-o de lá. Será bom afirmar que todos esses incidentes terminaram assim.

dia01.jpg  Por meio de programas de recrutamento de talentos como o Programa Mil Talentos já mencionado, a China paga aos cientistas das universidades americanas para levar à China o conhecimento e inovação - incluindo pesquisas valiosas, financiadas pelo governo federal. Falando claramente, isto significa que os contribuintes OCIDENTAIS estão efectivamente pagando a conta do desenvolvimento tecnológico da própria China. A China, aproveita seus ganhos ilícitos para prejudicar as instituições de pesquisa e empresas ocidentais em geral, e as americanas em particular. E, estamos vendo este tipo de casos cada vez mais; somente em Maio, prendemos Qing Wang, um ex-pesquisador da Clínica Cleveland que trabalhava em medicina molecular e genética de doenças cardiovasculares, e Simon Saw-Teong Ang, um cientista da Universidade do Arkansas que fazia pesquisas para a NASA.

Aqueles dois pesquisadores, supostamente cometeram fraude ao ocultar sua participação em programas de recrutamento de talentos chineses, enquanto aceitavam milhões de dólares em fundos de financiamento federal americano. Nesse mesmo mês, o ex-professor da Universidade Emory Xiao-Jiang Li declarou-se culpado de ter apresentado uma falsa declaração de renda, por não ter relatado a renda recebida através do Programa Mil Talentos da China. A investigação, descobriu que, enquanto Li estava pesquisando a doença de Huntington na Emory ele, também estava embolsando meio milhão de dólares não declarados provenientes da China…

(Continua…)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:18
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Sábado, 13 de Maio de 2023
N´GUZU - LII

CONHECER MELHOR O BRASIL – CORTIÇOS

Parte - Crónica 3392 – 13.05.2023 - N´Guzu é força (Kimbundo)

Por lagar2.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

cortiço01.jpg Nos cortiços dos puxadinhos, era comum haver mutirões (voluntários ajudando) para fazer esses puxadinhos de varandas e espaço para mais um filho, fazer gatos de luz sem contador nem gastos adicionais, a amizade fabricava-se como família, havia trocas e baldrocas entre eles, permutava-se para além do feijão, a alegria e tristeza quando era necessário recorrer à solidariedade.

A água escassa, era armazenada em caixas redondas e azuis no topo e bem junto à antena da emissora da rádio (nos anos mais recentes). Havia calor humano à mistura com zumbidos, cheiros partilhados e zangas repartidas; havia namoros farfalhados e ensaios para o carnaval com a marchinha cantada no banheiro, raivas deslizantes untadas a boato e de deitar fora aparafusando uma profusão de gambiarras, uma geringonça com muitos estralhos e desaforos. O beija flor aparecia com encanto nas manhãs de sempre.

cortiço4.jpg Também havia vasos com avencas, samambaia e pé de goiabeira nascida só átoa porque Deus é grande. Acho até que vivia ali! Também havia uma orquídea alimentando-se do ar húmido. Havia redes colgadas zoando um agudo persistente, um raspar de olhal de baloiço, a zoada do relato de futebol com aqueles golos de espantar pardais, goooooolo. Mais vasos na beirada do terraço com coentros, salsa, doutor e doutorzinho.

Um feijão-maluco que trepava por qualquer lado fazendo comichão ao toque e acasalando com o feijão de corda e até chá caxinde ou capim doce ou cidreira, para fazer o chá da tarde a juntar a dona Alzira e a dona Josefa; Isso! Que contando novidades daquela outra que roubava descaradamente o marido da outra, outra! Línguas de trapo, visse!

roxo223.jpg Um forrobodó giro como dizem os Tugas recém-chegados, os caramurus excêntricos fumando erva do diabo, tranças de tabaco de cheiro forte, de efeito forte, droga pela certa. Queixas de um vizinho que anda a fazer uma máquina de avoar, faz chinelos, faz vassouras com uma máquina inventada por ele mesmo e, arranja sapatos na hora. Bem! Um outro fazia química de onde saiam cheiros fortes para limpar chão, sanitas e espantar bichezas rastejantes mais calangos das paredes sem reboco ou encrespadas de ranhuras com plantinhas a nascer.

Em principios de 1870, o termo cortiço, adquiriu um sentido cada vez mais estigmatizado das habitações colectivas servindo para dar nome de enfase aos defensores do higienismo. Modernamente, temos os condomínios, as vilas muradas, os alojamentos locais e hoteleiros com regras bem definidas, uma outra coisa com cheiros caos e mais diferentes!

olinda2.jpg Mas, voltando ao ano de 1873, foi feito um edital em Dezembro que proibia expressamente a construção de cortiços nas áreas centrais de Rio de Janeiro e São Paulo. As controvérsias em torno dos critérios desta tipologia de construção e habitação tornaram-se confusos, pelo que fortalecia os interesses dos pequenos e médios investidores, que controlavam a exploração daqueles.

Associados às epidemias, à malandragem, promiscuidade e desordem social, as habitações populares de um modo geral e, em particular os cortiços passaram a constituir o lugar privilegiado para a identificação entre classes pobres e classes perigosas, bem à semelhança do que sucede hoje na favela brasileira, musseques de Angola ou bairros de lata da Amadora, cidade cercana a Lisboa em Portugal…

(Continua…)

 O Soba T´Chingange

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PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:54
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Sexta-feira, 12 de Maio de 2023
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXX

NAS FRINCHAS DA VIDA

Crónica 3391 de 12.05.2023 - Na Pajuçara do Brasil

Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada…

O PERIGO É AMARELO – Vêm lentos e, com DISSIMULAÇÃO… Parte

Por malamba01.jpg T´Chingange (Otchingandji) - No Nordeste Brasileiro

CHINOCAS1.jpg Dos mais de trinta países devedores à CHINA, maioritariamente africanos, sobressaem: 1º- Angola com US$ 42,6 bilhões: 2º - Etiópia com US$ 13,7 bilhões; 3º- Zâmbia com US$ 9,8 bilhões e Quénia com US$ 9,2 bilhões. Não demorará que parte de seu património passem a ser geridos directamente pela China…Também na Europa há Bilhões de dólares em dinheiro chinês impulsionando algumas economias - Dos acordos que estão sendo fechados há um problema - muitos projectos são "ARMADILHAS DE DIVIDA", em que a China tem poder para decidir o que acontece quando os empréstimos não são pagos. Vivi isto no Zimbabwé… No dia de abertura de seus próprios Jogos Olímpicos de Inverno, a China declarou uma parceria "sem limites" com a Rússia e prometeu colaborar mais em uma posição contra o Ocidente. Desde então, a China se recusou a condenar o ataque do presidente Putin à Ucrânia seguindo-se-lhe outros líderes bajuladores como por exemplo o do Brasil. O maior cego será sempre aquele que não quer ver…

O destino da humanidade repousa irremediavelmente e, cada vez mais que nunca, sobre as forças morais do homem. A China está engajada em um esforço de todo seu Estado ditatorial para se tornar a única superpotência do mundo por qualquer meio. Entram mansamente e, irão com tempo, conseguir dominar o Ocidente se, se não abrirem os olhos! Christopher Wray, Director do Departamento Federal de Investigação Instituto Hudson, alerta na evidente tentativa da China influenciar instituições dos EUA e do resto do Mundo. Um caso ocorre no porto grego de Pireu, Europa, perto de Atenas. É um daqueles momentos de câmaras de segurança em que logo se percebe que um desastre está prestes a acontecer; mas há mais e parece que Bruxelas não está aí… Em toda a Europa, enquanto os governos se preocupam com a invasão da Ucrânia pela Rússia no pós-pandemia, Pequim está expandindo seu portfólio. Gerindo portos e minas na Europa, construindo estradas e pontes e investindo onde outros não investem.

paradi2.jpg Numa abordagem diversificada diz: A maior ameaça a curto prazo à informação e propriedade intelectual das nações Ocidentais, e suas vitalidades económicas, é a contra-inteligência e a ameaça de espionagem económica da China. Uma ameaça à segurança económica do resto do mundo - e, por extensão, à própria segurança usando a dissimulação. Disse em suas recentes observações: não podemos fechar os olhos e ouvidos para o que a China está fazendo - e hoje, à luz da importância desta ameaça, são aqui dados mais detalhes sobre a ameaça chinesa do que o FBI já apresentou em um fórum aberto. Essa ameaça é tão significativa que o procurador-geral e o secretário de Estado também abordaram muitas dessas questões. Mas se vocês acham que estas questões são apenas um caso de inteligência, ou um problema do governo, ou um incómodo para grandes corporações; vocês não poderiam estar mais errados.

São as pessoas dos Estados Unidos que são vítimas do que equivale ao roubo chinês em uma escala tão massiva que representa uma das maiores transferências de riqueza da história humana. Se você é um adulto americano ou outro, é bem provável que a China tenha já roubado seus dados pessoais. Em 2017, os militares chineses conspiraram para hackear a Equifax e fugiram com as informações pessoais confidenciais de 150 milhões de americanos - estamos falando de quase metade da população americana e da maioria dos adultos - e como discutirei em alguns momentos, este não foi um incidente independente e casual. Nossos dados não são a única coisa em jogo aqui - assim como nossa saúde, nossos meios de subsistência e nossa segurança.

CHINOCAS2.jpg Chegamos ao ponto em que o FBI está abrindo um novo caso de contra-espionagem relacionado à China a cada 10 horas. Dos quase 5.000 casos activos de contra-inteligência do FBI, actualmente em andamento em todo o país, quase metade está relacionada à China. E neste exacto momento, está trabalhando para comprometer organizações de saúde americanas, empresas farmacêuticas e instituições académicas que conduzem pesquisas essenciais em vários itens. Mas antes de continuar, deixem-me ser claro: isso não é sobre o povo chinês, e certamente não é sobre chineses; quando falo da ameaça da China, quero dizer do governo e do Partido Comunista Chinês.

O Mundo livre deve lembrar-se de três coisas: - Precisamos ser claros sobre a ambição do governo chinês. A China do Partido Comunista Chinês - acredita que está em uma luta geracional para superar o Ocidente. Isso já é preocupante o suficiente. Mas, está travando esta luta não através da inovação legítima, não através da concorrência justa e legal, e não dando aos seus cidadãos a liberdade de pensamento, discurso e criatividade que valorizamos aqui nos Estados Unidos e no mundo dito civilizado; - A segunda coisa que todos precisam saber é o de que a China usa uma gama diversificada de técnicas sofisticadas - desde invasões cibernéticas até corromper insiders confiáveis envolvendo-se até em roubo físico. - Eles foram pioneiros em uma abordagem expansiva para roubar inovação através de uma ampla gama de actores - incluindo não apenas serviços de inteligência chineses, mas empresas estatais, empresas ostensivamente privadas, certos estudantes de pós-graduação, pesquisadores, e uma variedade de outros actores trabalhando em seu nome.

maian1.jpg Para alcançar seus objectivos e superar o mundo livre, a China reconhece que precisa dar saltos em tecnologias de ponta. Mas o facto triste é que, em vez de se envolver no trabalho duro de inovação, rouba a propriedade intelectual usando-a depois para competir contra as próprias empresas americanas e no resto do mundo, que vitimou. Estão mirando pesquisas em tudo, desde equipamento militar a turbinas eólicas e até arroz ou sementes de milho. Por meio de seus programas de recrutamento de talentos, como o chamado Programa Mil Talentos, o Partido Comunista Chinês, atrai cientistas para levar secretamente nosso conhecimento e inovação à China, mesmo que isso signifique roubar informações ou violar controlos de exportação e regras de conflito de interesses.

ARAUJO235.jpg Veja-se o caso do cientista Hongjin Tan, por exemplo, um residente permanente legal chinês e americano. Ele se inscreveu no Programa de Mil Talentos da China e roubou mais de US$ 1 bilhão - ou seja, com um “b” - em segredos comerciais de seu antigo empregador, uma empresa de petróleo com sede em Oklahoma, e foi preso. Há alguns meses, ele foi condenado e enviado para a prisão. Ou, o caso de Shan Shi, uma cientista do Texas, também condenada à prisão no início deste ano. Shi roubou segredos comerciais sobre espuma sintética, uma importante tecnologia naval usada em submarinos. Shi, também, se aplicou ao Programa de Mil Talentos da China, e se comprometeu especificamente a “digerir” e “absorver” a tecnologia relevante nos Estados Unidos. Ela fez isso em nome de empresas estatais chinesas, que finalmente planeavam colocar a empresa americana fora do negócio e assumir-se no mercado.

(Continua…)

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:08
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Quinta-feira, 4 de Maio de 2023
MOAMBA . LV

A NUDEZ DA VIDA – SOMOS GALOS, OU GALINHAS!?

Crónica 338203.05.2023 na Pajuçara de Maceió - Brasil

Por GALO1.jpgT'Chingange – (Otchingandji) 

galo2.jpgHoje estou virado do avesso porque entre a maresia viva e a secura da maré, pago o preço da subjugação a um modo de vida, que nem sempre me deu azo a seguir completamente os impulsos dos desejos. Dirão alguns ser assim e assado, uma vida quase completamente estranha mas, sem aquele vento de arrepiar o frio, num acontecer de razoável presumir que se eu fosse um touro preferiria passar meus dias de tempo extra, a vaguear pelas pradarias na companhia de outros touros e vacas do que, puxando carroças e arados.

Assim cismado na canga do atrito da dor – um modo de falar, sob o jugo de um macaco munido com um chicote, juntando pedaços de estórias na cabeça, meio touro, meio homem, cheirando e vivendo ideias de idiotas que criaram armadilhas de luxo. Estórias que sempre trazem consigo a presença de uma vida mais fácil, num todavia, por parte da humanidade e num porém duma visão, dum talvez de faz-de-conta se libertarem forças de imensas mudanças; que modificarão o mundo do futuro em formas que ninguém imaginará ou desejará.

o vazio.JPG E, os governos, aquela gente que manda em nós, desenvolveram, desenvolvem técnicas em como encerrar os animais que somos, dentro de pocilgas ou gaiolas refreando-nos com arneses, e zingarelhos outros de apaziguamentos, treinando-nos com chicotes, aguilhões e, outras estralhos feitos letras, um conjunto de leis, bem à semelhança da tradicional prática de agricultores no manejo do ferro ou cornos para fazer arados, para arejar-nos, talqualmente.

Sim! É certo! É este um processo de domesticação com outras formas sofisticadas envolvendo-nos como animais que somos, com uma agressividade controlada e, de maneira a nos reformarem gradativamente com a selectividade requerida, também com a suficiente humanidade na procriação de muitas manadas, muitas famílias. Famílias domesticadas na suficiente medida em apoio de cabaz de resiliência garantindo-se na continuidade como um regalo adocicado que regularmente se dá aos mais obedientes! Lorpas, dirão alguns…

arau156.jpg Hoje, a riqueza de algumas pessoas que tradicionalmente era determinada no antigamente pelo número de porcos que possuía, já tudo é feito de outro jeito; embora com a exprimidinha ideia do sabe-se lá, fundamentalmente no continuar tudo na mesma, sempre ascendendo. Dirão na maioria: para pior, antes assim! Radicalizando estas falas numa vertente metafórica mais fácil de entender, perspectivando a política na forma que sabemos sem ética nem verdade, veremos em detrimento, que numa visão economicista nos levaria a perguntar nesta utopia de se ser touro, porco ou um galo! Sim! Um galo…

Isso – um galo! Nos levaria a perguntar: Porquê continuar a alimentar um galo durante três anos, se ele já atingiu o seu peso máximo ao fim de 3 meses!? Na forma que vivenciamos o hoje português, façamos a pergunta de outra forma: Porquê continuar com um governo chamado de socialista, durante seis anos se ele, nada tem feito para engrandecer a Nação!? Sei que está com uma maioria absoluta e então? Vamos continuar iludidos por gente impreparada e na permanente graça dum ilusionista que devia presidir?

arau45.jpg Via Internet ouvi as balelas vulgares da rolha presidente, a não saída do Galamba da TAP da desgovernamentação do Costa com Marcelo e Companhia e, das fantochadas tomadas com Lula presidente no Brasil, falar português com sotaque, coisa ridícula, enfim! Estão um para o outro, chefes mestrados na hipocrisia, dizendo merdas átoa como se fosse o João da horta do vinticinco. Ué-ué! Melhor ficar assim mesmo e falar com meus kambas nas falas de bangula.

E, para passar o tempo, comi bolinhas de suspiros, coxinhas de galinha, suco de sape-sape, graviola, e mangaba, esta, só de pensamento! Parti para outro e, mais outro lugar, sem me encontrar. Teci-me na linha dum destino criando a teoria do esquecimento, burilei-me nela e voei. No calor do tempo queimo cansaços, fracassos vazios, decepções e até solidões, também! Criei projectos, levantei paredes, plantei árvores, agora nem quero saber, só mesmo deixar o tempo rugir! Amanha será outro dia – Sexta-feira. Sem mais, mungweno…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:49
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Quarta-feira, 3 de Maio de 2023
N´GUZU - XLIX

CONHECER MELHOR O BRASIL – ALFORRIA 

Parte - Crónica 3381 - N´Guzu é força (Kimbundo) – 03.05.2023

Porpombinho5.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

pombinho6.jpg Pois então, havia as alforrias concedidas pela Coroa a seus próprios escravos, sobretudo pela lei de 11 de Agosto de 1837 que tornou mais fácil a compra da liberdade e da emancipação dos escravos das fazendas, que ocorreu em 1866. Os escravos que tinham mais hipótese de conseguir alforria, viviam nas cidades ou exerciam funções domésticas com relações estreitas com a família de seus senhores ou socialmente, com outos escravos libertos.

Sobrepunha-se a isto, a constituição de vínculos familiares dentro ou fora do cativeiro, que muitas vezes, resultava na libertação de mulheres e crianças, por conta do pagamento de seus valores por cônjuges e pais. Era por isso, muito maior a dádiva de libertação a mulheres. De facto, mulatos e pardos (termo oficial para definir uma pessoa multirracial no Brasil), tinham mais possibilidades de libertação do que os escravos negros e as mulheres, sempre tinham mais possibilidades de consegui-la do que os homens.

pombinho9.jpg E, principalmente porque em cidades como o Rio de Janeiro e São Salvador, perfazendo 60% do conjunto de libertos, embora só 40% fossem escravos. Muitos desses libertos eram Africanos habituados ao trabalho braçal, em mercados e nas profissões urbanas, portanto mais aptos a acumular pecúlio para poder comprar sua liberdade ou negociar uma alforria condicional. Embora as alforrias tenham ocorrido em todo o território nacional e ao longo de todo o século XIX, a forma de como era conseguida e a maior ou menos possibilidade de obtê-la, variou muito conforme a época e o local…

Na Corte, por exemplo, cerca de 20% da população era composta de libertos em 1799; em 1834, a proporção era já de 6%, chegando a cair em 1849 para 5%; isto deve-se a que ao longo do século, as possibilidades para a obtenção de alforrias mais comuns, como a compra da liberdade e a prestação de serviços, tornaram-se mais restritas na medida em que eram tomadas providências para restringir o tráfico atlântico de cativos, abolido em 1850.

pombinho12.jpg Uma das principais consequências da política de restrição ao tráfico foi o aumento do preço dos escravos que triplicou entre 1840 e 1860, dificultando a estes, acumularem seu próprio valor, especialmente se fossem homens adultos, os mais valorizados. Por essa razão, somente até cerca de 1850, predominaram as alforrias compradas, desde esse então e, cada vez mais raras seguidas pelas condicionantes e pelas gratuitas, concedidas sobretudo a crianças mas, também a idosos.

Porem, depois de 1850, o número absoluto de libertos, começou a aumentar no Brasil tanto por causa da intervenção do governo na abolição do tráfico e na promulgação de leis emancipacionistas, quanto por conta da própria acção dos escravos que começaram a questionar do poder moral de seu senhores. Até então, embora fosse de interesse fundamental dos escravos, a alforria também exercia uma função importante para os senhores que por meio dela, controlavam seus cativos obrigando-os a anos de serviço obediente, em troca da concessão da futura liberdade.

pombinho14.jpg A alforria exercia papel central na ideologia senhorial, representando segundo Hebe Martos “o principal recurso moral dos senhores na efectivação da denominação esclavagista” por via de erros cometidos na história. Na descrição destes muitos pormenores tão cheios de amarguras, tanto descaminho e desgraça relembro que quando o almirante holandês da Companhia das Índias Ocidentais tomou Luanda de N´Gola aos Tugas, estes fugiram para Massangano, e por ali permaneceram durante a ocupação, até à chegada do luso-brasileiro Salvador Correia de Sá e Benevides, que reconquistou a Fortaleza de S. Miguel, na baía de Luanda em 1648.

pombinho1.jpg Nesta onda do tempo e do outro lado do Atlântico, vim a saber que a construção daquele forte de Massangano tinha para além da natural defesa das redes comerciais de mercadorias tais como cera, peles, dentes de marfim, pedras preciosas, mas, e especialmente da venda de escravos às Américas, aos engenhos de açúcar do Brasil para além de também o ser, lugar de prisão para criminosos saídos da metrópole, o M´Puto e do Brasil; os chamados degradados. José Alvares Maciel era um dos nomes de entre aqueles degredados que veio mais tarde a ser solto para divagar como pombeiro (vendedor ambulante) nos matos da Matamba de N´Gola e, acabando por morrer lá para os lados de N´Dalatando, deixando uma prole de filhos com o nome de Alvares.

Ilustrações de Pombinho da EIL da Luua

(Continua…)

O Soba T´Chingange        



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:55
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Sábado, 29 de Abril de 2023
VIAGENS . 10

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA “SONHAJANDO A VIDA”

Crónica 3378 – 29.04.2023 - PAJUÇARA - Em Maceió como Zelador-Mor do Zumbi de N´Gola…

Por urubu.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Na da Ponta Verde de Maceió

dia147.jpg O boi, está entre os animais mais infelizes do planeta terra. Contemporaneamente, um vitelo em uma exploração industrial de carne, logo depois do nascimento, é separado da mãe e trancado numa jaula minúscula, pouco maior do que seu próprio corpo. Passará ali toda a sua vida, em média, cerca de quatro meses.

Nunca deixa a jaula nem lhe é permitido brincar com outros vitelos ou mesmo andar. E, para que os músculos não se tornem demasiado fortes – músculos fracos, significará que a carne fica mais macia e suculenta. A primeira vez que o vitelo tem uma hipótese de andar, esticar os músculos e tocar noutros vitelos é a caminho do matadouro.

pajuçara02.jpg Em termos evolutivos, o gado bovino representa uma das espécies animais mais bem-sucedidas no respeitante à sua evolução. Deveria ser assim mas, está entre os animais mais infelizes do globo. Tudo o aqui descrito, provem de uma forma de dizer, uma linguagem que nem sempre o é eficientemente comedida por obedecer a uma fórmula baseada em factos demonstráveis.

Depois, com as metáforas damos arranjo à justificação para tudo. E, se nós de repente fossemos vistos e tratados como bois, no criar normas de como acabar os dias, regularizar a morte pela eutanásia, a vida pelo uso do desagravo ao aborto, fazer conferências de conhecimento usando palavras mais carregadas de sentido por supostos especialistas ou científicos.

abobora2.jpg Obrigarem-nos a substituir a lei natural, a que nos foi legada pela natureza com Deus no topo da pirâmide ou hierarquia do entendimento. Tudo se torna muito complicado com derivações no culto da mentira e, sabendo de antemão que não sabemos tudo acerca de nós próprios. Este mundo de celebridades, da futilidade da bisbilhotice, romances e falta de justiça com negócio de assinaturas…

Também um estado cada vez mais estado, cuidando das regras, ajustando e regulando as leis a seu contento e dando origem a prescrições a contento de suas vontades ou pancadas ideológicas. Como todos podem verificar, andam a retirar-nos a capacidade de sobrevivência de grupo, deturpando e dividindo-nos na via normal de raciocínio.

missosso2.jpegSe os deuses da tradição grega da antiguidade estivessem a observar-nos, olhariam decerto para o erro humano, do mesmo modo que o fizeram em relação às comédias e às tragédias. Sim! Que diriam esses nossos antepassados ao observar nossas fraquezas, nossas muitas falhais que nos deixam constrangidos.

Do como somos orientados por governantes de alto coturno, do topo da hierarquia, a tomar atitudes que fazem de nós gatinhos, sempre jovens, a balouçar, correndo e saltando atrás de um novelo de fio que se arrasta pelo chão. Bem! Nesta crónica sempre é melhor ser gato que boi! Não é boiada!?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:25
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2023
VIAGENS . 8

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA – “SONHAJANDO A VIDA”

Crónica 3367 – 14.04.2023 - PAJUÇARA - Em Maceió como Zelador-Mor do Zumbi de N´Gola…

Por:aranha3.pngT´Chingange (Otchingandji) – No San Lorenzo da Ponta Verde.

caranguejo de areia.jpg Já sentado na cadeira emprestado pelo Conde do Grafanil, olho o buraco-casa do meu amigo cirí e, nada de ele aparecer. Só mesmo o buraco aberto, escancarado e virado ao céu com um montículo de areia mais avermelhada retirada bem do fundo da sua caverna e, disposta em volta do buraco como se o fosse uma cratera de vulcão.

Coloquei um bago de jinguba bem na entrada, fui fazer no mar a minha ginástica habitual e, quando regressei o bago de jinguba estava bem no sopé exterior da escarpa da cratera – rejeitou-o, simplesmente; sundiameno! De vez em quando olho o buraco bem do lado direito e tudo está igual. Neste entretanto e por acaso passa a mulher caranguejo, explico: na ginástica dela percorre alternadamente e repetidamente para trás; anda de marcha-a-ré para fazer recuar a velhice.

Assim, mesmo sentado vou lambendo a fantasia dela de afinal quando é que a velhice começa surgindo de dentro da mocidade. Descaminhando ginástica de para trás, ela que já é um pouco kota, agarra a juventude nesta prática exercitada. Eu sou o que sou mas ela, mesmo andando à ré, continua a ser ela… A mulher caranguejo já nem me via há dois anos mas, reconheceu-me; quis saber notícias das balelas que todos já sabem.

eça2.JPG Quis saber da senhora Ibib, quedê ela? De novo aos olhos da minha vazante, a maré já começava a subir, falei que minha senhora ficou no M´puto disse, em tratamento de paludismo. Falei só assim por falar pois já quase eram horas de regressar ao meu mukifo, passar na farmácia e comprar um negócio de eliminar a flor-do-congo que já dava coceira nas partes de entre o saturno e plutão e também nos braços, minha herança de Angola; eu saí dela mas ela, não saiu de mim…

Acho que é uma filária que anda passeando férias no meu corpo como se estivesse em Acapulco e até por vezes desce às matubas do meu descontentamento perturbando o plim-plau do Kwanza. Ela, a mulher Caranguejo após minha intrincada explicação com edecéteras muito periclitantes acabou por dizer: A vida é mesmo assim…

pajuçara02.jpg As melhoras para ela, inté! Agradeci-lhe com a convicção de que nem sabia o que era isso de paludismo; isso pouco interessa pois que nem havia verdade na conversa de simpatia… Chegado ao mukifo do conde do Grafanil, tomei o meu café da manhã “santa clara” e provei a canjica de milho branco com umas sementes de girassol com erva-doce porque a memória que Deus me deu não foi para palavrear às arrecuas; andando assim como a mulher caranguejo.

Todos iremos morder o pó ou o fogo consoante a forma como desejarmos dispor do nosso bem-amado esqueleto. E falo isto agora, porque ainda me é permitido, porque eventualmente, em um futuro próximo já não me permitirão mais dizer o que penso. A vida anda muito perigosa; minha mente não rebuscou os estudos escatológicos da marca da besta que para mim é a mesma coisa.

Pajuçara3.jpg Comecei esta crónica sem saber como ia acontecer e lendo um artigo de Majo Sacagami fiquei a saber que não é bom fazer amizade com um caranguejo e, assim matutando desconsegui concluir meu raciocínio perturbando até meus fios de cabelo já extintos do cocuruto da cuca. É bem verdade, o buraco negro está a cinquenta anos-luz, que se lixe… Pelo sim pelo não, o Sundiameno cirí, amanhã está prometido: vai ser tooparioba (com dois ós para se ler u) Como o mexilhão do mar, dentro duma concha dura, tenho de viver entre pedras, como a escolopendra (que deve ser caranguejo, lagartixa ou bicho com mil pés) entre as fendas da lava. Que até tem pedras a toda a volta, de lado e por cima. Fui!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:51
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2022
KAZUMBI DE BORUNDANGA . VII

A CAMINHA DA RECESSÃO - Os mecanismos de manipular o cérebro

Crónica 3337 – Em Coimbra do M´Puto a 29.12.2022

Por CUCO1.jpgT'Chingange

soba24.jpg Divididos entre a nossa alma eterna e nosso corpo efémero, teremos de definir o que vai ser importante saber, até se ter um tal de doutoramento e ser-se lançado à feroz competição social com lutas politicas até alcançar os luxos não básicos. Em verdade, tudo anda muito baralhado no que concerne à racionalidade humana. No tocante a países e lembrando a Grã-Bretanha em recentes episódios do tal chamado de Brexit, nunca o cidadão comum deveria ser chamado para se decidir escolha entre o SIM e o Não.

À esmagadora maioria destes, gente comum, faltava-lhes as necessárias bases de economia e o devido conhecimento de ciência política para serem chamados a votar! A iliteracia nesta área é voraz, até para quem se julga saber tudo… Esse livre arbítrio profundo e misterioso da liberdade, viu-se que nem Boris Johnson  tinha a afincada aptidão para interpretar a Europa. Pode agora concluir-se que o tal de referendo sempre se prendeu aos sentimentos humanos omitindo ou não observando com acuidade a racionalidade humana em questões económicas ou em políticas específicas.

palanca.jpg E, sendo assim, se um profissional recolector de lixo tiver esse tal de livre arbítrio, em todas as matérias, poderá dizer-se que a política democrática irá transformar-se paulatinamente em um espectáculo de marionetes; a fonte de autoridade muito rápidamente mudou das divindades para os homens de carne e osso e, tudo indica estar a mudar-se dos humanos para os Algoritmos.

A revolução tecnológica progressivamente irá instituir o ALGORITMO como a autoridade máxima; assim e em breve, a partir de antes de ontem, os algoritmos informáticos dar-nos-ão melhor concelhos do que os sentimentos humanos, destituindo o “livre arbítrio” destronando nosso mecanismo bioquímico. O nosso reino interior irá para o espaço porque o algoritmo biotecnológico será capaz de monitorizar e melhor compreender nossos sentimentos; melhor do que nós próprios.

O “livre arbítrio” irá desintegrar-se à medida que as instituições, governos, empresas e sindicatos condicionem nossas vontades, nossas escolhas. Isto já está a acontecer! Falando do nosso mundo envolvente relembro as falas de António Lobo Antunes. “Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento.

avillez00.jpg “Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal-agradecidos, protestamos”. Eles, os políticos, deixam de ser ministros e a sua vida vira um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados”.

“Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram ao litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão”.

lobo1.jpg “O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal”. Por hoje chega meus amigos…Fui!

O Sob T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:05
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Sábado, 24 de Dezembro de 2022
KAZUMBI DE BORUNDANGA . VI

O INÚTILISMO HUMANOA CAMINHA DA RECESSÃO - A ditadura digital e os mecanismos de manipular o cérebro

Crónica 3333No AlGharb do M´Puto a 25.10.2022 – Republicação a 24.12.2022

Por roxo97.jpgT'Chingange – Em Arazede do M'Puto

roxo93.jpg É interessante saber-se que o Algoritmo pode excluir ou adicionar emoções segundo o nosso batimento cardíaco e assim, ser-nos transmitido em algum momento, somente aquilo de que gostamos alterando-nos os níveis de oxitocina; segundo os nossos dados biométricos é alterado nosso mundo de relações, coisas íntimas que só nós conhecemos! Um qualquer sistema bioquímico humano poderá passar a ser uma figura pública como o Tarzan, Mandrak, Fantasma ou Putin, algo trabalhado sem que o próprio se visione.

A inteligência artificial pode perfeitamente ajudar a formar melhores jornalistas, melhores políticos, soldados e banqueiros com essa ajuda de robots inteligentes. O ano de 2017 foi esse marco, esse hiato decisivo com a victória da inteligência artificial pela disputa de um jogo de xadrez. Kasparove, o campeão mundial da modalidade perdeu uma partida com um robot. Lá para meados do presente século XXI à falta de consistência mental humana, aparecerão “classes inúteis” incrustadas na robotização.

roxo26.jpg Infelizmente e devido à guerra da Ucrânia que já vai com oito meses, ( hoje já passa dos 10) estamos assistindo à substituição da mente humana com requintes de generalizada destruição; generais, líderes mundiais, políticos e especialistas, estão sendo substituídos por drones inteligentes com a possibilidade de escolher o alvo, optar por um plano A, B ou C fugindo à perseguição de outras máquinas voadoras, pensantes, arrasando as infraestruturas necessárias a uma vida normal de um humano. Apetece-me chamar de inúteis a todos esses militares de craveira que com uma subestimação persistente não o são, capazes de encontrar meios de os anular, os drones. 

O impacto do uso de computadores nas muitas variantes será neste século XXI muito mais avassalador do que a era da industrialização e mecanização do século XX. Os cérebros das tácticas de guerra irão ser substituídos, subestimados por máquinas concebidas para matar. Eles, os generais falam, falam mas só supõem pensando nas trincheiras, nas emoções, nos calibres, nas hipóteses, no alcance; parece-me a mim que qualquer desvirtuador ou desfibrilhador de um GPS lançado ao ar por onda curta, onda modulada, ou outra onda artesiana poderia suprir carências de logística, de táctica e proporcionar um chapéu de defesa…

roxo184.jpg Cuidado com as palavras que outros usam, pois as hipotéticas falas na roda dentada e em um lugar e tempo previamente pensados por norma à nossa revelia, haverá um salto no contexto indiciando os possíveis utentes, consumidores, tornando-nos sensíveis a um conjunto de termos alterando o contexto das frases. É um pouco como se verifica em televisão, cortarem por apitos as aneiras inconvenientes ditas por alguém. Podem bem sair mentiras como se o fossem verdades. Estamos a assistir a algo assim na campanha presidencial do Brasil, na guerra da Ucrânia, no Reino Unido, em Angola e no dia-a-dia das peripécias políticas do governo de Portugal, folgado que está na maioria absoluta…

Por algum razão no nosso dia-a-dia verificamos a preocupação dos governos criarem na sociedade condições para que haja um rendimento mínimo de qualquer cidadão, uma cesta básica de dar ânimo aos pé-de-chinelo, por forma a que, os eleitos não percam o poder, A Nobel da literatura Yuval Harari, de forma interessante, refere: “…uma vez que os bebés de seis meses não pagam salários às respectivas mães, terá de ser o estado a assumir esse papel; uma mãe deveria ter um salário por cuidar de um futuro cidadão caso se mantivessem em casa nessa exclusiva tarefa”.

ROXO187.jpg O cidadão, futuro trabalhador ou dirigente, governante ou CEO (Chief Executive Officer - Conselheiro delegado ou Director executivo - o responsável máximo pela gestão e direcção administrativa da empresa.) sempre surgirá entre os milhares, no seio da família que no mínimo terá de ter um rendimento básico em detrimento dum subsídio temporário. Deveríamos assim ter: educação gratuita, transporte gratuito, serviços de saúde garantidos e, por aí… É discutível se será melhor dar às pessoas um rendimento básico, um paraíso capitalista ou os serviços universais segundo os modelos de matriz comunista porque ambas as opções podem bem ser vantajosas e também, inconvenientes.

roxo138.jpg Nos países do oriente médio onde o petróleo jorra pelo tubo ladrão e tendo uma densidade populacional baixa é garantido ao cidadão viver bem sem ter que saber o que é isso de apoio básico ou de universal. Se formos a Qatar ou Kwait ou, outro estado daquela zona do hemisfério o apoio está garantido pelo estado. Com o aparecimento da inteligência artificial de robots e impressoras 3D a mão-de-obra, mesmo qualificada, tornar-se-á muito menos importante. Com a alta tecnologia cada vez mais surgirá a super riqueza como a actual Silicon Valley nos EUA enquanto em países de terceiro mundo, empresas sucumbem por falência; a política democrática vira um pouco por todo o lado do hemisfério em espectáculo de marionetas…

Ilustrações de Assunçõ Roxo

O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2022
KAZUMBI DE BORUNDANGA . V

O INÚTILISMO HUMANO – A CAMINHA DA RECESSÃO - A ditadura digital e os mecanismos de manipular o cérebro

Crónica 3332 – No AlGharb do M´Puto a 21.10.2022 na Lagoa do M'Puto; Republicação a 23-12.2022 em Arazede do M´Puto

Por roxo170.jpgT'Chingange

ARAUJO221.jpgCA - Em meados do século XX o surgimento da mecanização resultou no desemprego de muita gente, tempos em que o ganha-pão no amanho das terras era quase o único meio de subsistência das famílias, Poucos eram os que tinham suas próprias terras, retirando o sustento trabalhando para um patrão latifundiário. Para o sustento da casa teria quando muito, um quintal de onde retirava suas couves, alfaces, um galinheiro ou até esporadicamente uns bácoros no fundo da courela quando fora ou, nos arredores de povoados para sustento próprio.

No tempo as máquinas foram substituindo o trabalho braçal nas lavouras, no plantio, na ceifa, recolha de cereais e toda a espécie de produtos, até mesmo tubérculos enterrados como as batatas, rizomas e frutas das árvores, retiro de azeitonas das oliveiras fazendo surgir por todo o lado as alfaias diversas e centros de fabrico destas mesmas. Paulatinamente o homem inserido num grupo social foi-se reciclando e mudando até com frequência sua actividade. A força física foi progressivamente sendo irradiada no correr dos dias.

arau163.jpgCA  - Agora que estamos no século XXI, são as máquinas de inteligência artificial que mudam as regras do trabalhos substituindo a rusticidade das antigas em elaborados zingarelhos de sensores, câmaras e pequenos circuitos eléctricos que fazem actuar num dado momento o movimento certo para apertar, soldar, furar ou estirar, máquinas que semeiam, que recolhem, seleccionam, calibram, lavam e encestam tudo numa rapidez estonteante, multiplicando por cem ou mais, a simples tarefa humana de usar uma chave, aperto de uma porca ou torneando até chegar ao produto final em cadeia de montagem…

A capacidade intelectual e tecnológica, em suma a inteligência humana foi sendo substituída pelo computador. O uso do conhecimento através de Universidades e escolas técnicas aperfeiçoando computadores introduziram a robótica, os circuitos integrados, os chipes, os códigos de acesso e num rápido todas as áreas profissionais desde o costureiro ao condutor, dos advogados, gestores, banqueiros foram sendo e continuam a ser substituídos por máquinas que usam milhares de fios e chipes substituindo os neurónios humanos, sem erros para uma dada função.

arau157.jpgCA - Elas, as novas máquinas fazem cálculos de probabilidade em fracções de segundo e, usando a teoria dos erros entre outras produzem vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas sem questionar o patrão com as horas extras, subsídios, férias ou regalias sociais com creches para seus descendentes e muitos outros edecéteras. Acabam-se os sindicatos, as mordomias, os jeitos e resmungos mais chantagem e corrupção. Então, qual é o patrão que não opta por esta mordomia de fazer fortuna de papo para o ar, dando quatro dias de laboração aos seus empregados mais fieis…

Eliminando os erros humanos deitando por terra a falibilidade da dita “intuição humana” entre outros interesses e emoções com compadrios, a máquina comandará não só o cidadão como as instituições, governos e reinados banalizando a acção do homem por isenção de morbidez, ambição, mau uso dos dinheiros públicos, actuando na economia com seus milhões de neurónios artificiais triando os artificialismos tão usados pelo homem; mantendo registos progressivos e permanentes, evitando desfalques, incompatibilidades, o manuseio das leis com proveito próprio, juntando acórdãos com despachos e aplicando no certo o labirinto infindável de variantes, probabilidades e emoções. Extirpando os erros do homem e usando com mestria o tal de ALGORITMO separando o trigo do joio, o falso do verdadeiro, o manobrador do manobrado, dos que acreditam em Deus e dos que acham ser balela…

arau3.jpgCA - Para além da democracia que temos, das suas incongruências, suas falhas e palpites, as máquinas irão sim, substituir os governos e principalmente no campo económico aonde a mentira é eivada de cativações, grosseiros cálculos, falsa teoria dos erros intuitivos e outos de lesa pátria, lesa família, também bluffs grosseiros de sabujos com escondidos interesses, coisas costumeiras, costumes das praxes e soturna tradição. Uma máquina assim, feito dum grande cérebro conseguirá fazer melhor e mais rápido os cálculos da economia global sem a criatividade falível do rigor que por vezes, muitas vezes o é paranóico ou trabalhado, torpe ou que nos cria reptícia dependência.

Que nos cria gastura, dívidas com taxas e sobretaxas misturando coisas do foro familiar como o aborto, quando nascer ou viver, identidade do género; fragilidades democráticas com escrutínios duvidosos, condicionando nossas capacidades, banalizando actos com corta fitas, selfies, subornando os agentes da concertação social e, o escambau…

arau1.jpgCA - E, surgem acordos em um fim de semana, falácias com aditamentos de fingimento, transferindo seu querer, seu parecer num facto de regime, a loucura de boicotar até a automatização em áreas de saúde. O regime não pode em caso algum ser representado por um partido; de crise em crise sempre e desta forma, nos levarão indubitavelmente para fracassos em cima de fracassos, activando a recessão por falta de estratégia a um cada vez de menos longo prazo, cativados. Mas, quem sou eu, um pé-de-chinelo para o dizer – FUI!

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:04
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Sábado, 17 de Dezembro de 2022
N´NHAKA . XXIX

ANGOLA, TERRA DA GASOSA : Parte XVI

-CORRIA O ANO DE 2002 – NA TERRA DE MATRINDINDES

- Crónica 3327 - 01.08.2022 – Republicada a 17.12.2022

 “Angola, quanto tempo falta para amanhã? Háka!” - Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Jonas Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002) - "O futuro anda empenhado ao diabo”...

Por amendo5.jpgT´Chingange No AlGharb do M´Puto

bengela1.jpg Escrevo agora: Aqui me encontro na Diáspora! A batota continua em Angola e, tudo é do MPLA: É a Comissão Nacional de Eleições, é o Tribunal Constitucional, são as Forças Armadas, é a Polícia Civil, são os Kazukuteiros, é sua opinião, são os Tribunais, é o escambau, como dizem nossos manos brasileiros. Angola deveria mudar o nome para “Terra da Batota”, “Terra do M” ou “Terra dos Matrindindes”; Também “Terra dos Marimbondos…Háka!

Depois deste interlúdio em dois compassos de raiva rilhada, feito prefácio assobiado em graves e gravíssimos tons aonde se vislumbram muitos jogos de luzes, telões que mudam o cenário, fogo e fumaça com os neurónios do povo a arder, surgem as poses estudadas dos DDT (Donos Disto Tudo), coreografias milimetricamente ensaiadas por assessores da mututa pagos em milhões.

Há, vídeos e silêncios que servem de interlúdio duma batuta única para manterem a mesma farpela. Ali o texto governamental, não tem contexto, não há prefácio nem postfácio; tudo é como eles querem, sem notas, sem sumário, sem introdução, nem capítulos. Lembro a minha empregada de Kampala, a Mery falando: - Patrão, aquilo mesmo vai ser só de faz-de-conta, rematando “This is áfrica”

pirulitos1.jpg Mary estava Certa! Escrevo agora: Ali continua a ser a terra da bagunça, terra do J.L. Sesse Seko Nkuku Ngbendu wa Za Banga. Háka… Naquela viagem de 2002, a Benguela mulata salientou-se de forma diferenciada. Em casa de gente mulata fiquei; a Dona Adelaide foi o máximo de carinho que nos reservou, seu fino trato em um escasso fim-de-semana.

Por imperativos mútuos só ali ficamos o tempo que se quis mas, naquela casa do Amor (nome de família) o almoço de muamba, o saca-saca com gimboa, o muzungué e os bolinhos de fabrico próprio deram tempo para matar as falas antigas com ongweva animando aqueles sábado e domingo de Julho (…há vinte anos atrás). Os mosquitos, também eles nos acariciaram de amores e, tantos eram que, tivemos de nos refugiar no quarto, exactamente o do dono da casa, no primeiro andar, janela a dar para o grande adro da catedral de Benguela na forma de V invertido. E, no canto da casa lá estava uma arma kalashnikov, municiada para qualquer contratempo – mosquitos de duas pernas. Amor esfacelou sua perna em luta com um ladrão de quintal, perna que agora, não tem!

marimba1.jpg A muleta substituiu a pena – os tempos condicionaram a vida da família amores ao rubro. Naquele quintal havia uvas, gajajeiras, sape-sape, tamarindo e goiabeira; também havia uma maça-da-índia. Os cubanos nada puderam levar daqui mas, foi dito que as lápides em mármore dos cemitérios despareceram sim! Recordei em falas que quando da minha ida a Cuba vi uma carrinha fechada aonde ainda se podia ler de forma sumida “Futebol Club do Lobito”.  

Em nossas conversas de fundo do quintal relembramos o tempo sem aprofundarmos em exagero porque cada qual, naturalmente teria suas próprias periclitãncias e, não convinha recordar cacimbos defuntados. A última vez que tinhamos estado com a família Amor tinha sido em um almoço no João do Grão, ali bem perto do Rossio de Lisboa. Formando frases curtas e sinceras rematávamos nas voltas certas, driblando de certo jeito nosso passado. Sim! Porque de outro qualquer modo ele, o passado podia, reconhecer-nos.

PUXASACO.jpg Tivemos de aprender com as formigas grandes, kissondes que em andamento seguro arrastam pelo pó do chão seus ventres escuros sem discutir com Deus por assim andarem, sempre se arrastando. É a vida, dizia o homem que mais tarde foi para a ONU; que ainda lá está… Se pudéssemos adivinhar o futuro sem o ter de deslocar, tê-lo-íamos beijado, sugar-lhe as energias, deixando-lhe um montão de problemas, porque cada vez que se respira agora, torna-se tudo mais caro e, nossa escrita que até podia ser criativa, fica lodosa; um pântano languinhento com taxas e taxinhas mais a água, a luz, revisão do carro ou pagamento ao jardineiro que quer ganhar como se o fora o primeiro-ministro…

Nossa vida, nossa prosa fica assim como um deserto, estendendo-se até ao horizonte da kúkia, sem nada acontecer; fica só uma vida de estórias com partidas e chegadas. É por isso que me regalo com as estórias alheias como a da minha empregada de Kampala chamada Mery. Na manhã de antes de anteontem disse-me que sua mãe mandou-lhe por correio expresso um pacote de formigas fritas, embrulhadas numas folhas de bananeira… Ele há coisas…Lá teremos de papar formigas.

(Continua…)

 O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:04
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2022
KWANGIADES .XXXVI

ANGOLA DOS MWENE-PUTO (M´Puto)

KUKIA DA VIDA - Crónica 3308 – 29.05.2022 – Republicada a 29.11.2022 em Lagoa do M´puto

Kukia é o nascer ou por do sol

Por araujo158.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Lagoa do M´puto (M´Putulândia)

amigo da onça.jpg Diáriamente, sempre vai haver escolhas a fazer; elas podem determinar nossa felicidade aqui, no futuro ou no álem. As escolhas que fazemos hoje, mesmo já sendo kotas, são vitalmente importantes e contumazes. Os amigos que escolheu e ainda escolhe, a todo o momento explodem na singularidade dum extraordinário proceder ou de pensar. Tudo terá muito a ver com sua vida tornando-a um esplêndido crepúsculo ou um velho celeiro sem graça; por vezes, muitas vezes desilude-se deste e daquele mas, é forçoso continuar a fabricar amigos, mesmo que num repente fiquem amigos da onça…

Os amigos podem levá-lo a concentrar-se naquilo que é passageiro, ou conduzi-lo para mais perto de coisas vaidosas e até fúteis. Todos os dias você precisa escolher entre o nascer e o pôr-do-sol - a KUKIA DA VIDA. Ontem eu, o Santos e o Eduardo Torres reunimo-nos no meu Pátio Andaluz para se falar de coisas e até comer algo entre os intervalos das falas, melhor, gritando como moucos. A pilha do ouvido direito do EDU pifou (o esquerdo já pifou, faz tempo…) e num repentemente tivemos de aumentar os decibéis e, o vozeirão decerto incomodou meu vizinho Lestienne, um francês de França, macambúzio como meu ex-cão Columbo…

silva00.jpg Como sempre nossa conversa de boi dormir, resvalou como sempre para as coisas de áfrica. Queiramos ou não, nós saímos d’África mas, África nunca saiu de nós! Pois, falo de Angola. A gente dá voltas e divaga, deita conversa fora mas, sempre iremos parar naquele item rasgado no tempo. A verdade, nunca o é de valor absoluto mas, na relatividade da afirmação o peso desta vem de quem a prefere num determinado tempo e, desta feita descarreguei nos meus amigos coisas do tempo do Carcamano com expedicionários, funantes, sertanejos e até negreiros.

Assim, contornando medrosas angústias, febres palustres, água estagnada, jacarés do Panguila ou do Cunene, exigiram-nos esforços na consolidação dum país que não pode ser nosso por via de coisas merdosas e, porque estávamos condenados ao esquecimento pelos governantes de hoje misturados com os idos e também estadistas emudecidos da cabeça; gente do M´Puto metropolitano e de Angola. Um Ex-combatente de Angola sofre agora de estresse de guerra; cumpriu o serviço militar sem saber até que tinha os pés chatos e agora a adicionar muitas mais mazelas à idade, vê-se à rasca com uma reforma de cacaracá…

araujo160.jpg CA - Angola ganhou condição de país quando na embala de Belmonte, Silva Porto, com 72 anos de idade se imolou envolvido à bandeira Portuguesa; isto foi muito antes de o arrastar da bandeira do M´Puto por muitos lados e pisoteada por gente que virou governante. Enquanto isso os resistentes daqueles tempos lambem as feridas de catanas ou G-três da história. Silva Porto desrespeitado pelo soba N´Dunduma, "O trovão", meteu-se numa barrica com pólvora e queimou-se - outros tempos! Em 11 de Novembro de 1975 concretizou-se um país cujas fronteiras foram delineadas por estes combatentes paulatinamente desprezados no tempo.

A maioria dos combatentes, fizeram o seu serviço em dose de camelo; viram morrer camaradas, ficaram apanhados do clima, mosquitagem, jibóias, gorilas e sanguessugas dos pântanos. Recalcados de tanta injustiça, perderam o medo naquelas florestas, chanas, e anharas, numa Angola tão rica e tão ingrata. Defenderam e mataram gente, construindo novas coisas, impondo regras sociais para conservar tal espaço.

E, foram Fiotes, Quiocos, Quimbundos, Umbundos. Hereros, Ganguelas, Muílas, Mucubais e Bosquímanos que, mudaram de alguma maneira o modo de estar dos magalas de Mwene-Puto; e tantas guerras para desenhar um mapa cor-de-rosa que nunca o chegou a ser, para nada*... Quantas mortes! O Mapa-Rosa africano começou a ser desenhado em 11 de Julho de 1890 com as campanhas de submissão do sobado do Bié e, passados 85 anos, em 11 de Novembro de 1975 concretizou-se um país cujas fronteiras foram delineadas por estes combatentes paulatinamente desprezados no tempo.

araujo174.jpg CA - Aquele chefe "O trovão", veio a sofrer represálias a 9 de Dezembro de 1890 por parte de Artur de Paiva, Paiva Couceiro e Teixeira da Silva- os Mwene-Puto com a ajuda do povo Ovibundo governado então pelo rei Ekuikui Segundo. Daí as boas relações com o povo do Bailundo que perduraram após esses 85 anos. Paiva Couceiro, foi em verdade o último sertanejo a percorrer as terras do fim do mundo, no Cuando - Cubango, Mucusso, Cuangar, Dírico e Sambia. Parece mentira mas, é verdade! Ao soba de Sambia de nome Palata de Massaca foi dado o nome de D. António Maria de Fontes Pereira de Mello, ao soba do Aimalua do Cuangar foi dado o nome de D. Luís Bondoso Pinto Ribeiro e Montes Claros e, N´Hangau do Dirico ficou a chamar-se D. Afonso Enriques de Aljubarrota Atoleiros e Valverde. Tudo o resto foi tempo perdido, Aos combatentes de ambos os lados ficou esta recordação como contentamento! As minhas falas de ontem foram mais que muitas caindo sempre no mesmo – Angola, Aiué…

*Nada: A complementar a Teoria do Nadismo; Carcamano: tempo de funantes e expedicionários no lidar com um filho de soba do Planalto Central revoltado, com esse nome; palavra castelhana carcamano, que na América Latina denota "pessoa decrépita"…

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:40
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Domingo, 20 de Novembro de 2022
MISSOSSO . LV

NO KILOMBO– NA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA…

COM FALA KALADO – NA SINGULARIDADE DOS KALUNDU

- Crónica com ficção 3300 – 20ª de Várias Partes – 13.05.2022 – Republicação a 20.11.2022 na Lagoa do M´Puto

Por mess04.jpgT´Chingange – Em Arazede de Coimbra do M´Puto

ROXO133.jpgAR - Na minha qualidade de Zelador-Mor da Fundação de Zumbi de N´Gola fiz uma visita relâmpago ao CDB - Centro de Documentações no lugar de Baobá (Imbondeiro) – lugar de entre União dos Palmares e o Morro da Barriga no estado de Alagoas do Brasil. O historiador Vizeu Antunes, responsável pelo sector, deu-me liberdade de poder consultar os arquivos da Fundação e assim, livre de outros deveres poder ver e analisar antigos dados para assim, prosseguir minha tarefa de entrevistar gente de nomeada na ainda estória recente de N´Gola. E, vasculhando cadernos de apontamentos entre múltiplas anotações recolhi dados ainda mal decifrados no contesto da semântica histórica. Fala Kalado, o agora Comendador - um Ex-Defunto de nome Nelito Soares e hoje, Ex-Coronel, recuperado em vivo e, que andou com o Che Guevara em um lugar perto de Ponta Negra chamado de Luvungi da RPC- República Popular do Congo lá para trás nos anos de 1964 ou 1965.

É aqui que ele encontra Jonas Savimbi, um negro bem negro e, os rumos, lentamente, viraram em novos azimutes. Ainda não tenho bem a exacta certeza de como tudo aconteceu mas e como diz Murphy em seu princípio, o que tiver de ser, assim será na convicção de que escrever o futuro dum morto matumbola* é bem periclitante, quase impossível. Nelito Soares era funcionário da Imprensa Nacional de Angola - Cidade Alta da LUUA… Para muitos é apenas o nome de bairro luandense; combateu, de armas na mão, contra o estado colonial, sem ter visto realizado o sonho da Angola independente, tendo sido morto pela tropa portuguesa no seu Bairro da Vila Alice. Tal como eu, foi estudante na EIL – Escola Industrial de Luanda e fez seu Curso de Sargentos Milicianos na Escola de Aplicação Militar de Nova Lisboa (EAMA)– Huambo.

roxo91.jpgAR - Bom! Nelito, um incorporado nas tropas regulamentares coloniais na região de Cabinda, tal como eu, T´Chingange, um seu colega de armas e, também incorporado na Companhia de Caçadores 1734 de Beja do M´Puto, protagonizou, com mais dois compatriotas, o desvio, para o Congo Brazzaville, de um avião comercial – um “Dacota da DTA” que seguia de Luanda para Cabinda, com passageiros a bordo no ano de 1969 (04 de Junho). O avião que deveria aterrar em Cabinda foi desviado para Ponta Negra. Longe estava, então, Nelito Soares de imaginar que, seis anos depois, num outro dia, com a Independência à porta, havia de ser morto por elementos Comandos das Forças do M´Puto – as únicas que dignificaram o M´Puto em Angola…

Nelito1.jpg NELITOEm frente à então sede nacional do MPLA, a cujos ideais aderiu numa altura conturbada de tomada do poder por este partido/movimento a maka, aconteceu! Ainda mal estruturado este Movimento do “M da vitória ou morte” aterroriza a população de Luanda às ordens “encapotadas” do General de Aviário Rosa Coutinho do MFA - um antigo prisioneiro da FNLA no rio Zaire. Nelito Soares, foi também no bairro da Vila Alice que cresceu e viveu até deixar o país para se juntar, em Brazzaville segundo a estória mal contada, à Luta Armada de Libertação Nacional, protagonizada pelo MPLA.

Era, então, funcionário da Imprensa Nacional. Eram tempos de clandestinidade, sem cartão de militante, nem discursos, muito menos promessas. Angola em um prazo muito curto, virou às avessas por força e graça do “glorioso MFA – salvo seja”. Havia falas surdinadas, salões de baile, ou bailes de jardim ou em locais de trabalho e, num repente depois dum VINTICINCO NO M´PUTO, tudo mudou – Cravos para uns, espinhos para outros, que num repente viram RETORNADOS. Mais tarde os boatos, os rebentamentos nos musseques, a rebelião SAIDA DO NADA, para trabalhar o medo, o apelo à fuga dos brancos

ROXO187.jpgAR -  Manuel Soares de Silva, nome de registo, filho de Luís João Soares da Silva e de Isabel Severina da Silva, nasceu em Luanda, a 19 de Setembro de 1943, tendo falecido em 27 de Julho de 1975. Assim se pensava mas, pelo que já foi contado, saiu morto pela fronteira Sul de Namacunde com o beneplácito de segredo do médico Kimbanda Kassessa. A parti daqui as intermitências da morte sugere segredo de resiliência e, do nada (…) instala-se em Brasil negociando com armas aos traficantes dos morros ao redor de S. Paulo e Rio de Janeiro mas e, sempre com seu novo nome de Fala Kalado.

Seu estudo secundário fê-lo na antiga Escola Industrial de Luanda, onde funciona agora o Instituto Médio Industrial de Luanda (Makarenko), na Vila Alice. Um militar de “veia lusa” afirma que: Esse Filho da Puta foi abatido em 75 nas escaramuças “escaramuças, é favor” – aonde o MPLA emboscou e assassinou vários militares… E, vêem-me agora com panfletos de merda em ode a um terrorista mal fabricado. Malditos reaccionários - fodam-se! Fantoches travestidos em progressistas.

roxo137.jpg AR - Comuna, é mentiroso compulsivo, seja da URSS seja da CHINA, Coreia do Norte ou o raio que os parta! Foram eles sim, quem arregimentou e armou uns quantos candengues “PIONEIROS” que metralharam um Jeep de Comandos Tugas PELAS COSTAS (confirmo que assim foi! Eu estava na Luua neste então), matando logo dois e ferindo gravemente outros dois. Mesmo assim conseguiram levar o Jeep até ao Quartel dos Comandos do Cazenga! Ali, mal viram o resultado desta enorme COBARDIA do MPLA os COMANDOS, a seguir, deram a resposta. A chegada de 2 Companhias dos Comandos desde o Cazenga dignificou o acto de afronta da Vila Alice; esta é a verdade!…Bem! Menos mal que só ressuscito o morto NELITO nesta estória como um Ex-defunto MATUMBOLA!

*Matumbola: - Na superstição de gente bantu, é um morto-vivo - indivíduo ressuscitado por artes mágicas, que cumpre ordens dum suposto feiticeiro kalundu que o trouxe à vida - Uma divindade ou espirito justiceiro, presente na natureza…

Ilustrações de A. Roxo - AR

 (Continua…)

 O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:46
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2022
MOAMBA . LI

MOAMBA DE QUINTA – ALGURES NO BUCO-ZAU2ª Parte

CABINDA NO ANO DE 1968 (FOI HÁ 54 ANOS) - ANGOLA

Crónica 3269 - No PortVille da Pajuçara de Maceió – Republicação a 11.10.2022 no AlGharb do M´Puto

Por CABINDA5.pngT'Chingange – Na Pajuçara de Maceió E AlGharb do M´puto

cabinda7.jpg Naquela terra, este sítio, só o nome subsiste ao salalé; ficaram restos de troncos e, alguns já só eram tábuas avulso ladeadas ou cobertas por capim, abraçados por trepadeiras canibais. Naquele desalinhado jardim, um verdadeiro refúgio de cobras de mamba negra e cipó mais surucucu, kissonde e elefantes num fim de missão medalhada a medos, fiz amizade com um Gorila do Maiombe.

O dito cujo, sentado no topo das tabuas por aparar, olhava para mim de peito feito, sorrindo de susto ousado; Seguiram-se outros instantes muito cheios de adrenalina e assim na crescente empatia tornamo-nos amigos! Ao cair da noite o meu amigo gorila a quem dei o nome de Felizmino, lá estava naquele sítio, topo das tábuas; num cada vez mais aproximados fizemos amizade dando-nos ao luxo de trocar sons de guinchos e rapidamente aprendeu o dóremifasolasi com topariobé na mistura!

Num jogo de esconde e foge comprava sua amizade oferecendo-lhe bananas ouro e prata mais de maça, Foi um entendimento superior às nossas competências chegando no escorrer do tempo em um tu-cá tu-lá de irmãos. Um dia fiz uso de um estratagema, meti numa cabaça uma boa quantidade de jinguba e prendi-a com um baraço e arame a um chinguiço saliente de entre as tábuas do tal ex-Anibal, o madeireiro. Felizmino não resistiu à tentação, meteu a mão na cabaça, encheu seu punho e,…nada de largar; assim ficou prisioneiro da sua própria gula.

maun8.jpg Reganhando o dente aos poucos amaciou empatia com minha pópia já não de todo desinteligivel. Soltei-o com afagos e carinho ficando a partir de então amigos. Ele e eu guinchávamos amizade e por este acontecido dei ao Felizmino o sobrenome de Gorigula. Fora de portas d´armas e arame farpado eu e Gorigula fomo-nos isentando de medos, conservando gestos subservientes de baixar a cabeça procurando um afago de catar amizade.

Um dia apareci com um baralho de cartas e, na mesa improvisada espalhei os paus, as copas, os ouros e catanas e, num repente surpreendemo-nos a jogar sem regras. Entretanto falava-lhe das minhas alegrias, num faz de conta e, ele se desentendia largando as copas; entre paus cambalhotava-se como um doidão e, eu gesticulando graças sem coreografia como só mesmo para espantar suprimentos da fala. Estávamos com uma dança com doidos quando da mata veio grande alarido, rebentamento de granadas, rajadas e bazucadas; era uma emboscada!

Escorreguei entre lianas, cipós húmidos e folhagem impregnada de aranhas até que, parei na berma, justamente ali na curva da morte aonde os restos dos camaradas se dispunham desalinhavados ao longo da picada do Massabi. Morreu o Rodrigues mais o Junça! Estes tempos amachucados da estória, foram apertados - as vergonhas alheias da vitória ficaram na certa numa luta que continuou sempre muito traída. Até cheguei a pensar que Deus era ateu, uma heresia de todo o tamanho, diga-se em abono da verdade.

mai7.jpg Do Felismino Gorigula ficou um sonho incompleto! Em verdade ele falava espanhol – o sacana enganou-me por completamente. Ele era do MPLA, um genuíno filho da mãe …Pulando em cima dos troncos da serração do Aníbal, com braços abertos gesticulava uma catana cortando o vento com fúria como se fosse um ninja. De uma das mãos lançou um ás de copas que baloiçou até meus pés e ouvi mesmo: La vitória és cierta! La lucha continua! O Gorigula tinha sido um companheiro do Ché Guevara; Quem ia adivinhar!? Vim a saber muito mais tarde. Desconsolado ainda pude ver-me na lagoa do Bumelambuto a fumar liamba com o Alexandre Tati e seus Mpalabandas, para consolidar infortúnios de salalé…

Agora, longe daquele lugar, revivendo juventude desperdiçada e por coisa nenhuma duma guerra que em nada resultou para além da independência, que virou de tundamunjila (thunda mu n´jilla), vai para a tua terra branco de segunda, gweta e mazombo, assim foi e assim segui meus rituais cristãos de missionação na diáspora botando cazumbis nas malambas e crenças de N´Zambi. Quase quatro anos perdidos… Encafifado num reencontro de meus folgados calções zuarte amarelos e as encarquilhadas sapatilhas de marca “michelin” ainda sigo com os olhos feito ouvidos e afiados, olhando a etiqueta do espólio feito no RI2O da Luua. Na etiqueta que tirei da caderneta militar consta o ano de 1966 – Escola de Aplicação Militar, Huambo… Fui!    

bay0.jpg  Glossário:

Fiote:- Natural de Cabinda, Imbinda; Bikwatas: - Coisas, trastes; Alambamento: - Casamento: M´palanda: - Libertador de Cabinda, defensor de seus direitos; Salalé: - Formiga que se alimenta de madeira apodrecida; Turra: - Guerrilheiro; Muxoxo: - Um estalar de palato com queixo inferior descolando a língua formatando assim um desdém sonoro mas, sussurrado; T´chindere: - Branco; Topariobé: - Vai à tuge; M´Puto: - Portugal… 

 O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:53
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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XIV de várias partes…

Crónica 3252 de 08.03.2022 em Pajuçara de MaceióRepublicada a 21.09.2022 em AlGharb do M´Puto

KIANDA COM ONGWEVAEm Córdova com Zachaf Pigafetta Roxo, kianda tetravó de Roxo e Oxor, seu mano Pieter e, um tal de Conde de Sant German.

Ongweva é saudade  

Por  soba40.jpg T´Chingange (Ochingandji) – No PortVille da Pajuçara do Brasil e, em Lagoa do M´Puto

koisan5.jpg A Kianda Zachaf que até ali se tinha mantido calada queria saber novas de sua descendente Kianda Assunção Roxo. Anda numa boa, curtindo a vida com suas psicadélicas pinturas, coisas de cores vistosas muito belas, virtuais ou digitais, disse eu. Vi nela os olhos arregalados de contentamento.

Quando estiveres com ela, dá-lhe um efusivo abraço, pode ser mesmo esse teu XXL, que desde já fica perfumado por mim, disse em conclusão. Na dúvida e tratando-a por vosmecê perguntei do porquê não ser ela a falar-lhe, uma vez que viaja no espaço-tempo com um simples estalar de dedos. – Eu sei, anda a preparar-se com suas aventuras de arte com roxomania mas, ainda não está na fase de termos um informal encontro! Creio ter-se referido ao estágio emocional e espiritual de Roxo.

Sei que ela, vai e vem para as terras de N´Gola, recomendo-lhe cuidado na terra dos kuzucutas kaluandas - eles andam um pouco carecidos de gasosa e quando não lhe dão, roubam, diz-lhe que ande com pouco cumbú; eu irei preservá-la mas, nem sempre controlo as tentações dos malvados, sabes! Disse ela em tom de remate!

toledo18.jpg  Andam por ali muitos simbis maldosos com espírito ancestral de origem Kikongo, do Zaire, antigos revolucionários que morreram sem o querer; guerrilheiros na diáspora. E, havia muito para falar mas isto de se ser turista, tem coisas! Não é que surge um tipo com trancinhas, moreno, quase preto, falando francês e uma outra língua estranha. Apresenta-se: diz ser o Sant German dessa forma também gelatinoso e invisível para as outras gentes.

O trancinhas, papagueou assim num tu-cá-tu-lá familiar; pelos vistos, até se conheciam, mas eu fiquei quase a zeros! Que vinha de Moçambique; que era um matumbola mutalo; um mestre da grande fraternidade branca, responsável do sétimo selo, com chama violeta e outros edecéteras intrincados, diga-se! Era demasiado para a minha camioneta - um quase preto a falar na grande fraternidade branca. Ui! Ai-iú-é

O curioso é que eles conheciam-se! Dualidades que não percebi por completo. Diz ele virando-se para Pieter: - Por recomendação dum kamba muxiloanda, fui num vaivém minkisi-vip ao Xipamanine (mercado de Moçambique), lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine.

toledo21.jpg  Estás a ver Meu!? O resultado é isto! Referia-se ao seu actual aspecto nada condizente com um Conde branco N´si. Perante a minha surpresa ambos manos tetravós, fizeram questão de me explicar mas, eu tinha um compromisso. Desculpem-me, tenho de ir, há gente à minha espera; temos de seguir para Madrid.

Vai! Disseram os três quase como se combinassem sintonia! – Está certo, tenho muito a falar com vocês mas agora, olhei o relógio e abanei o dedo em repetição para o meu Guru.

O tempo para nós não conta, disseram em conjunto (fiquei intrigado por falarem quase a uma só voz); ver-nos-emos em Madrid! Lá falaremos de N´Gola disse Zachaf. E, dos seres encarnados hoje no Planeta Terra a uma Nova Era, de Paz, Harmonia e União disse “a coisa” estranha de Sam German. Esta nova figura “Conde de San German”, veio complicar minha cabeça já de si azucrinada. Pareceu-me ser um fumador de pura liamba. Seria? Meio zonzo, dirigi-me ao Hotel situado em La Plaza tendilha, ali bem perto da Fénix… Como as coisas assim do nada, se complicam!?

roxo215.jpgAR -  GLOSSÁRIO

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos; Miama: - preto na língua Zulu de Xi-lunguine; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e Zaire; Kamba: amigo; Matumbola: um morto-vivo, tipo de assombração. Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, que vive de expedientes; Muxiloanda: O mesmo que kaluanda, natural de Luanda (Luua); Mafulo: nome dado aos Holandeses (Brasil); Mussendo: Um conto ou longa estória, biblioteca oral, conto dos mais-velhos ou kotas.

(Continua…)    

O Soba T´Chingange (Otchingandji)

 



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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XIII de várias partes…

- KIANDA COM ONGWEVA – Em Córdova com Zachaf Pigafetta Roxo, kianda tetravó de Roxo e Oxor, seu mano Pieter e, um tal de Conde de Sant German - Crónica 3249 de 28.02.2022 Republicado a 19.09.2022 

Ongweva é saudade  

Por soba24.jpg T´Chingange (Ochingandji) – Na Pajuçara em Alagoas do Brasil e Lagoa do AlGharb do M´Puto

roxo168.jpg Recordo que este mussendo – saga, teve início no lugar de Guaxuma com a Kianda sereia Roxo; depois sua irmã vista ao espelho Oxor e Zé Peixe o marinheiro prático que levava grandes barcos desde alto mar até Aracaju de Sergipe. A estória foi evoluindo diluindo-se nas brumas do tempo com gente holográfica, muito antiga, conhecida de outras andanças como o Januário Pieter que nasceu em 1712, tendo agora seus 310 anos. Em Granada tendo Alhambra por perto, houve um encontro muito ansiado em "El Pátio Riconcillo" com a tetravó da Sereia Assunção Roxo.

Ela, a tetravó de Roxo chamava-se Zachaf Pigafetta e, em princípio, era visível só por mim e Januário Pieter. Foi de alguma cautela que falamos de coisas muito antigas do lago Niassa que antes era conhecido por seu primeiro nome de Zachaf; daquelas águas misteriosas tinham saído enredos que me prometeram contar de forma concisa pois que haveria que descrever com mais pormenor suas vidas nas águas do Kwanza, estórias de Massangano com Tugas e Mafulos. A surpresa das surpresas deu-se num repentemente, quando Januário disse: Eu e Zachaf Pigafetta somos irmãos!

roo124.jpg Podem imaginar a minha admiração de espanto quando ouvi isto. Andei tanto tempo subindo e descendo calçadas empinadas de Toledo, esperando que o concílio das Kiandas no palácio de Alcázer acabasse, eu ali com seu mano Pieter que nada me disse. Estes mistérios de kianda nunca se entenderão por completo e, foi necessário ir a Granada para retirar um pouco mais destas kalungas. Não esquecer que o mestre pintor Costa Araújo na sua ancestral passagem por ali, foi testemunha destas falas. Eu explico: Este mestre pintor em uma geração ida e lá paratrás foi ajudante de El Greco.

Tenho de rever estes episódios para não me mentir. Foram dias de maravilha, mas só em Granada e, tempos depois, é que Pieter me apresentou à irmã Zachaf. Falámos entre várias coisas das suas itinerâncias a partir de Cabo Ledo e Massangano, sua segunda terra, ficando no ar promessas de novas e velhas notícias. Sendo estes, uma junção de espíritos na forma de água, divindades abstractas tudo lhes é possível. Em pensamento navego com eles de vez em quando mas não me é permitido decidir quando e aonde.

roxomania1.jpg Minha mana tem outras estórias que decerto te encantarão, disse naquele então o irmão de Zachaf Pigafetta. Estamos aqui para isso; mungweno! Foi assim que nos despedimos. Passou algum tempo! Recentemente, visitei de novo Toledo com passagem por Córdova. Fiquei por aqui, Córdova, dois dias no Hotel Boston, um lugar bem aprazível e, aproveitei ver a toalha de água do rio Guadalquivir logo depois da cascata; via dali a ponte romana, Alcázar, a Mesquita com Catedral e o bonito Arco do Triunfo.

E, foi quando remexia as quinambas, pés descalços nas águas meio turvas do rio, que senti um ligeiro sopro na orelha direita. Vindo do espaço, seu duilo feito céu, com todos os seus anéis relampejantes, ali estava meu conselheiro das profundas angústias. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contraluz cintilando um desassossegado arco-íris. E, foi quando reparei um pouco mais atrás sua mana Zachaf acenando sua mão muito pintada com caracteres meus desconhecidos como se tivesse vindo de Marrocos. Naquele sopro inicial deu-me um arrepio de furto; não fosse uma cigana romena vendendo flores com seu umbigado capianguista de mão ligeira.

roxo107.jpg Um turista tem de andar sempre meio desconfiado porque as mochilas atraem mãos estranhas. Não era o caso mas, vi acontecer! Levantei-me saltitante entre pedrinhas afiadas e dei um grande abraço a ambos. Também andavam fazendo turismo e sabiam lá do seu jeito que eu, estaria por ali. Calcei-me e fomos direitinhos a uma esplanada aonde nos sentamos em El Campo de Los Martires. Conversamos coisas fúteis para preencher muxoxos suspensos.

Nunca mais voltei a ver o antigo Araújo mas o novo cidadão, o herdeiro dos pinceis daquele mais velho estava em Brácara Augusta do M´Puto naquele então. Nem foi necessário explicar aonde era esta Brácara; estava sabedor que ficava numa terra escandalosamente verde do Minho! Este meu “Guru”, já me tratava como se fosse da família, um cipaio do seu arimo (lavra, horta, n´nhaca). A Kianda Zachaf que até ali se tinha mantido calada queria saber novas de sua descendente Kianda Assunção Roxo. - Anda numa boa, curtindo a vida com suas psicadélicas pinturas, coisas de cores vistosas muito belas, virtuais ou digitais, disse eu. Vi nela os olhos arregalados de contentamento.

roxo135.jpg GLOSSÁRIO

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e Zaire; Kamba: amigo; Matumbola: um morto-vivo, tipo de assombração. Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, que vive de expedientes; Muxiloanda: O mesmo que kaluanda, natural de Luanda (Luua); Mafulo: nome dado aos Holandeses (Brasil); Mussendo: Um conto ou longa estória, biblioteca oral, conto dos mais-velhos ou kotas.    

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:38
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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