Quarta-feira, 21 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XIV de várias partes…

Crónica 3252 de 08.03.2022 em Pajuçara de MaceióRepublicada a 21.09.2022 em AlGharb do M´Puto

KIANDA COM ONGWEVAEm Córdova com Zachaf Pigafetta Roxo, kianda tetravó de Roxo e Oxor, seu mano Pieter e, um tal de Conde de Sant German.

Ongweva é saudade  

Por  soba40.jpg T´Chingange (Ochingandji) – No PortVille da Pajuçara do Brasil e, em Lagoa do M´Puto

koisan5.jpg A Kianda Zachaf que até ali se tinha mantido calada queria saber novas de sua descendente Kianda Assunção Roxo. Anda numa boa, curtindo a vida com suas psicadélicas pinturas, coisas de cores vistosas muito belas, virtuais ou digitais, disse eu. Vi nela os olhos arregalados de contentamento.

Quando estiveres com ela, dá-lhe um efusivo abraço, pode ser mesmo esse teu XXL, que desde já fica perfumado por mim, disse em conclusão. Na dúvida e tratando-a por vosmecê perguntei do porquê não ser ela a falar-lhe, uma vez que viaja no espaço-tempo com um simples estalar de dedos. – Eu sei, anda a preparar-se com suas aventuras de arte com roxomania mas, ainda não está na fase de termos um informal encontro! Creio ter-se referido ao estágio emocional e espiritual de Roxo.

Sei que ela, vai e vem para as terras de N´Gola, recomendo-lhe cuidado na terra dos kuzucutas kaluandas - eles andam um pouco carecidos de gasosa e quando não lhe dão, roubam, diz-lhe que ande com pouco cumbú; eu irei preservá-la mas, nem sempre controlo as tentações dos malvados, sabes! Disse ela em tom de remate!

toledo18.jpg  Andam por ali muitos simbis maldosos com espírito ancestral de origem Kikongo, do Zaire, antigos revolucionários que morreram sem o querer; guerrilheiros na diáspora. E, havia muito para falar mas isto de se ser turista, tem coisas! Não é que surge um tipo com trancinhas, moreno, quase preto, falando francês e uma outra língua estranha. Apresenta-se: diz ser o Sant German dessa forma também gelatinoso e invisível para as outras gentes.

O trancinhas, papagueou assim num tu-cá-tu-lá familiar; pelos vistos, até se conheciam, mas eu fiquei quase a zeros! Que vinha de Moçambique; que era um matumbola mutalo; um mestre da grande fraternidade branca, responsável do sétimo selo, com chama violeta e outros edecéteras intrincados, diga-se! Era demasiado para a minha camioneta - um quase preto a falar na grande fraternidade branca. Ui! Ai-iú-é

O curioso é que eles conheciam-se! Dualidades que não percebi por completo. Diz ele virando-se para Pieter: - Por recomendação dum kamba muxiloanda, fui num vaivém minkisi-vip ao Xipamanine (mercado de Moçambique), lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine.

toledo21.jpg  Estás a ver Meu!? O resultado é isto! Referia-se ao seu actual aspecto nada condizente com um Conde branco N´si. Perante a minha surpresa ambos manos tetravós, fizeram questão de me explicar mas, eu tinha um compromisso. Desculpem-me, tenho de ir, há gente à minha espera; temos de seguir para Madrid.

Vai! Disseram os três quase como se combinassem sintonia! – Está certo, tenho muito a falar com vocês mas agora, olhei o relógio e abanei o dedo em repetição para o meu Guru.

O tempo para nós não conta, disseram em conjunto (fiquei intrigado por falarem quase a uma só voz); ver-nos-emos em Madrid! Lá falaremos de N´Gola disse Zachaf. E, dos seres encarnados hoje no Planeta Terra a uma Nova Era, de Paz, Harmonia e União disse “a coisa” estranha de Sam German. Esta nova figura “Conde de San German”, veio complicar minha cabeça já de si azucrinada. Pareceu-me ser um fumador de pura liamba. Seria? Meio zonzo, dirigi-me ao Hotel situado em La Plaza tendilha, ali bem perto da Fénix… Como as coisas assim do nada, se complicam!?

roxo215.jpgAR -  GLOSSÁRIO

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos; Miama: - preto na língua Zulu de Xi-lunguine; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e Zaire; Kamba: amigo; Matumbola: um morto-vivo, tipo de assombração. Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, que vive de expedientes; Muxiloanda: O mesmo que kaluanda, natural de Luanda (Luua); Mafulo: nome dado aos Holandeses (Brasil); Mussendo: Um conto ou longa estória, biblioteca oral, conto dos mais-velhos ou kotas.

(Continua…)    

O Soba T´Chingange (Otchingandji)

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:30
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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XIII de várias partes…

- KIANDA COM ONGWEVA – Em Córdova com Zachaf Pigafetta Roxo, kianda tetravó de Roxo e Oxor, seu mano Pieter e, um tal de Conde de Sant German - Crónica 3249 de 28.02.2022 Republicado a 19.09.2022 

Ongweva é saudade  

Por soba24.jpg T´Chingange (Ochingandji) – Na Pajuçara em Alagoas do Brasil e Lagoa do AlGharb do M´Puto

roxo168.jpg Recordo que este mussendo – saga, teve início no lugar de Guaxuma com a Kianda sereia Roxo; depois sua irmã vista ao espelho Oxor e Zé Peixe o marinheiro prático que levava grandes barcos desde alto mar até Aracaju de Sergipe. A estória foi evoluindo diluindo-se nas brumas do tempo com gente holográfica, muito antiga, conhecida de outras andanças como o Januário Pieter que nasceu em 1712, tendo agora seus 310 anos. Em Granada tendo Alhambra por perto, houve um encontro muito ansiado em "El Pátio Riconcillo" com a tetravó da Sereia Assunção Roxo.

Ela, a tetravó de Roxo chamava-se Zachaf Pigafetta e, em princípio, era visível só por mim e Januário Pieter. Foi de alguma cautela que falamos de coisas muito antigas do lago Niassa que antes era conhecido por seu primeiro nome de Zachaf; daquelas águas misteriosas tinham saído enredos que me prometeram contar de forma concisa pois que haveria que descrever com mais pormenor suas vidas nas águas do Kwanza, estórias de Massangano com Tugas e Mafulos. A surpresa das surpresas deu-se num repentemente, quando Januário disse: Eu e Zachaf Pigafetta somos irmãos!

roo124.jpg Podem imaginar a minha admiração de espanto quando ouvi isto. Andei tanto tempo subindo e descendo calçadas empinadas de Toledo, esperando que o concílio das Kiandas no palácio de Alcázer acabasse, eu ali com seu mano Pieter que nada me disse. Estes mistérios de kianda nunca se entenderão por completo e, foi necessário ir a Granada para retirar um pouco mais destas kalungas. Não esquecer que o mestre pintor Costa Araújo na sua ancestral passagem por ali, foi testemunha destas falas. Eu explico: Este mestre pintor em uma geração ida e lá paratrás foi ajudante de El Greco.

Tenho de rever estes episódios para não me mentir. Foram dias de maravilha, mas só em Granada e, tempos depois, é que Pieter me apresentou à irmã Zachaf. Falámos entre várias coisas das suas itinerâncias a partir de Cabo Ledo e Massangano, sua segunda terra, ficando no ar promessas de novas e velhas notícias. Sendo estes, uma junção de espíritos na forma de água, divindades abstractas tudo lhes é possível. Em pensamento navego com eles de vez em quando mas não me é permitido decidir quando e aonde.

roxomania1.jpg Minha mana tem outras estórias que decerto te encantarão, disse naquele então o irmão de Zachaf Pigafetta. Estamos aqui para isso; mungweno! Foi assim que nos despedimos. Passou algum tempo! Recentemente, visitei de novo Toledo com passagem por Córdova. Fiquei por aqui, Córdova, dois dias no Hotel Boston, um lugar bem aprazível e, aproveitei ver a toalha de água do rio Guadalquivir logo depois da cascata; via dali a ponte romana, Alcázar, a Mesquita com Catedral e o bonito Arco do Triunfo.

E, foi quando remexia as quinambas, pés descalços nas águas meio turvas do rio, que senti um ligeiro sopro na orelha direita. Vindo do espaço, seu duilo feito céu, com todos os seus anéis relampejantes, ali estava meu conselheiro das profundas angústias. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contraluz cintilando um desassossegado arco-íris. E, foi quando reparei um pouco mais atrás sua mana Zachaf acenando sua mão muito pintada com caracteres meus desconhecidos como se tivesse vindo de Marrocos. Naquele sopro inicial deu-me um arrepio de furto; não fosse uma cigana romena vendendo flores com seu umbigado capianguista de mão ligeira.

roxo107.jpg Um turista tem de andar sempre meio desconfiado porque as mochilas atraem mãos estranhas. Não era o caso mas, vi acontecer! Levantei-me saltitante entre pedrinhas afiadas e dei um grande abraço a ambos. Também andavam fazendo turismo e sabiam lá do seu jeito que eu, estaria por ali. Calcei-me e fomos direitinhos a uma esplanada aonde nos sentamos em El Campo de Los Martires. Conversamos coisas fúteis para preencher muxoxos suspensos.

Nunca mais voltei a ver o antigo Araújo mas o novo cidadão, o herdeiro dos pinceis daquele mais velho estava em Brácara Augusta do M´Puto naquele então. Nem foi necessário explicar aonde era esta Brácara; estava sabedor que ficava numa terra escandalosamente verde do Minho! Este meu “Guru”, já me tratava como se fosse da família, um cipaio do seu arimo (lavra, horta, n´nhaca). A Kianda Zachaf que até ali se tinha mantido calada queria saber novas de sua descendente Kianda Assunção Roxo. - Anda numa boa, curtindo a vida com suas psicadélicas pinturas, coisas de cores vistosas muito belas, virtuais ou digitais, disse eu. Vi nela os olhos arregalados de contentamento.

roxo135.jpg GLOSSÁRIO

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e Zaire; Kamba: amigo; Matumbola: um morto-vivo, tipo de assombração. Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, que vive de expedientes; Muxiloanda: O mesmo que kaluanda, natural de Luanda (Luua); Mafulo: nome dado aos Holandeses (Brasil); Mussendo: Um conto ou longa estória, biblioteca oral, conto dos mais-velhos ou kotas.    

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:38
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2022
KALUNGA . XXIV

 NAS FRINCHAS DO TEMPO - IX

- KIANDA COM ONGWEVA NO CONCILIO DAS KIANDAS Salaam Aleikum, com as kiandas Roxo, algures numa ânfora do tempo em Alcazar… 

Crónica 3230 de 20.01.2021em Kizomba no PortVille da Pajuçara em Alagoas Republicado no Kimbo Lagoa hoje: 11.07.2022

Por  t´chingange.jpeg T´Chingange (Ot´Chingandji)– No AlGharb do  M´Puto

t´xipala1.jpg As técnicas apuradas no trato do aço ali em Toledo, já vinham da idade média; N´kondis ancestrais a pedido de Simbas também antigos, num tempo mais recuado chamado na Ibéria de época medieval tinham trazido dedos de N´Zambi para retemperarem na dureza o tal aço batido, esfriado e de novo batido; tratava-se de pequenas pedras de meteorito trazidas das terras do fim-do-mundo, lá da Ovamboland, terras de Oshakati e Okaukuejo no reino dos Himbas.

Do Runda e Urunda que se designaram mais tarde por Cuango e Lualaba, que significam em umbundo terras abandonadas ou de difícil acesso, vulgo no cú-de-Judas. Terras remotas aonde os N´Dele Mwene-puto, Tugas, surgiram como “filhos do mar”; assim diziam os nativos pertencentes à corte do João Imperador, o Rei de Abexi de quem o Rei do Kongo tinha temor.

toledo10.jpg De lembrar aqui que o padre jesuíta D. Gonçalo da Silveira internando-se na Mocaranga e tendo baptizado o Monomotapa foi morto por este por intriga dos Mouros! Estes Mouros que ainda hoje continuam fazendo barbaridades. Até Camões daqueles idos tempos escreveu em verso: Vede do Monomotapa (Mwenemutapa) o grande império, de selvática gente, negra e nua, onde Gonçalo de morte e vitupério padecera pela fé, sua santa. Tudo tem uma explicação!

Em Toledo, eu o Soba T´Chingange, não resisti à mística; comprei uma destas facas. Como N´kondi e seus Bandokis que ainda andam por Toledo feitos bactérias, passo a descrever em síntese o poder de magia que estes ainda exercem: - Usam um boneco fetiche feito de pequenas conchas coladas com resina natural com dois espelhos receptores de encomendas mágicas, um na barriga, outro no topo da cabeça, coberto com uma pele de cobra.

ROXO186.jpg Na mão direita carrega uma lança de pedra tipo ónix mostrando agressividade no seu carácter. O boneco, todo ele, é encrustado de várias substâncias usadas durante as cerimónias envolventes ao Concílio e, em que os pacientes contam as suas estórias de infelicidade evocando a vingança que desejam infligir ao suposto culpado. Háka! Isto e tão mistico que até eu que sou feiticeiro fico enrrugado de cagufa...

- A vingança é feita espetando o prego num determinado sítio do corpo do fetiche - O N´Kondi também recorre ao imbondeiro chamado de N´kondo Ikuta M´vunbi espetando nele o prego; assim a vítima morrerá inchada como a árvore garrafa, o baobá - O descrito prego de aço é o mais eficaz pois nele tem impregnado todo o mal dos homens. N´Kondi quando das várias permanências nos aposentos subterrâneos de Alcazar de Toledo, foi consultado pela infortunada esposa de D. Pedro I do M´Puto, “El cruel”, a rainha Dona Branca, ali prisioneira.

eça6.jpgCA -  Vários bonecos fetiches de N´Kondi N´Gola ainda podem ser vistos graças ao meu antepassado Soba Aragonês Romero Ortiz. Um dia tinha de revelar isto… Isto pode maçar os não eruditos em áreas destas tão periclitantes, mas prometi a Assunção Roxo e seu espelho Oxor explicar tim-tim por tim-tim toda a estória lá detrás que antecedeu em suas vidas repetidas. Agora que me meti nesta perfilharia intrincada, terei de ir até ao fim dos desacontecimentos.

As coisas intrincadas são assim, mas tudo o que acontece de ruim é para melhorar, dizem! Tudo isto é tão verdadeiro que até parece mentira, mas não é! Deus N´Zambi, dá-nos força para seguir, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela!” As buscas da Torre do Zombo deram nisto…vou fazer mais o quê? Até o cronista Fernão Lopes, acerca do rei D. Pedro I do M´Puto, o cruel, dedicou um capítulo que intitulou "Como El-Rei D. Pedro mandou capar um seu escudeiro porque dormia com uma mulher casada".

ROXO134.jpgAR -  GLOSSÁRIO:

Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem divindade das águas; Monomotapa, situa-se na África austral, com ligações a portugueses e luso-africanos (antigos negros); N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; N´haka: lameiro, sítio de plantio húmido, horta; Rundu ou Runda: - Sítio de difícil acesso, vulgo no cú-de-Judas… 

Notas: Texto originário da N´Haka do sobado na Torre de N´Zombo do Kimbo com o nome de Cafufutila…

(Continua…)

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:42
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Sábado, 9 de Julho de 2022
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXII

MEDITAÇÃO DO T'CHING - Janelas para a VIDA com esse tal de Algoritmo.

-VOCÊ SABE O QUE FAZ? - 02.09.2020 em Kizomba em Alagoas do Brasil

Republicação a 09.07.2022 em Kimbo Lagoa, Crónica 3227A

Por Soba T´Chingange brasil.jpg T'Chingange, (Otchingandji) No AlGharb do M´Puto

ROXO197.jpgAR - A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho. Uma pessoa prudente é sábia por saber o que fazer naquela hora e, da forma certa; ponderar naquela decisão e, por forma a não tornar sua vida um permanente conflito. A vida, não é só uma sucessão de acontecimentos casuais! Ela pensa, medita, avalia seu procedimento, corrige seu rumo quando necessário e recua quando percebe que está errada. O termómetro para medir a “temperatura de suas acções é a Malamba”, a Palavra - a tocha que ilumina o seu destino.

Não basta apenas saber “como” realizar bem o seu trabalho. Fazendo as coisas com eficiência, o prudente, sempre será um bom empregado porque no tempo, pára para pensar no que faz e, porque o faz! Assim, acabará sendo um líder. O caminho dos tolos é diferente; eles, acham que sabem tudo e em realidade apenas pensam que sabem. O resultado só pode ser de frustração, e desapontamento. Vós porventura sabeis o que fazer, porque e, como o fazer?

ROXO196.jpgAR -  Não tema em aprender, aconselhar-se, consultar até concluir. A receita para permanecer na ignorância sobre qualquer assunto da vida é ficar satisfeito com suas próprias opiniões e, contente com o que sabe - Pode ser pouco para atingir a perfeição. A vida se encarregará de lhe provar o óbvio... Faça deste dia, de todo os dias, um dia de avaliação. Revise os seus procedimentos, analise sua trajectória. Nunca é tarde para começar de novo; sempre é tempo de aprender. Tenho feito muita burrada e ando sim, a tentar corrigir-me, uma tarefa dificilíssima.  

Como andam seus relacionamentos? O seu casamento? Está separando o tempo necessário para dialogar com seus filhos ou espera que tudo aconteça por acaso? Reflicta nestas perguntas. Reflectir e meditar, é próprio de gente sábia. Eu próprio ando a tentar superar-me mas sempre ficarei incompleto analisando as muitas vezes que sou castigado pelo Facebook – Não tem remédio sempre andarei em conflito com esse tal de ALGORITMO!

ROXO195.jpgAR - Ser sábio ou insensato? Eis a questão! Se for o caso recorra ao seu Deus, pois decerto lhe mostrará um caminho melhor - com humildade no coração, sempre! Recorro ao meu tio Nosso Senhor mas nem sempre me saio bem… Mas, não esqueça: “A sabedoria do prudente é entender o seu próprio andar e, ter sempre em conta que a estultícia dos insensatos é enganadora”. Em momentos de aperto no tempo, ficamos contra, só por ficar! E, suprimimo-nos por vezes mas, muitas vezes somos suprimidos. Sim! Somo-lo por gente materialista, gente de meia-tigela, gente política flutuante. Ninguém é de ninguém, na vida tudo passa; vamos fazer o quê? Como gostamos de andar embalados! O tempo ruge…

Ilustrações de Assunção Roxo (AR)

O Soba T'Chingange...



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:15
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MALAMBAS. CCLXVI

CINZAS DO TEMPO - Na vida, podemos ter experiência, inteligência, visão e até sabedoria, mas não conseguimos acertar sempre! Há sempre um algoritmo a reger-nos!

SOMOS FALIVEIS... Crónica 3226 de 15.01.2021 de Kizomba em Alagoas BR

Republicação em Kimbo Lagoa Crónica nº 3226 A em 09.07.2022

Por soba0.jpeg T´Chingange, (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

dracma4.jpg Suportem-se uns aos outros. Em geral, somos falíveis, mesmo sendo os mais perspicazes. Em geral, o que realmente funciona nas relações humanas é o amor e o respeito. Em cada povo, época e lugar, há boas formas de demonstrar isso, tanto aos mais velhos como aos mais jovens. Enquanto houver mundo, pessoas de distintas idades terão divergência de opinião, pois vêem a vida mediante “lentes” e sentimentos diferentes.

Para uns, o mais importante é ter conforto e estabilidade. Para outros, o que importa é rir, divertir-se, desfrutar o que é bom. Como lidar com essas diferenças? É aqui que entra a estória: - Certa vez, dois colegas de trabalho viajaram juntos. Ao chegarem à balsa, na borda rio, o mais velho disse ao mais jovem: “Não entre ainda com o carro.” O outro replicou: “Mas nós somos os primeiros! Por que não?” O colega explicou: “Os que entram primeiro serão os últimos a sair. Aprenda!” O jovem consentiu, contrariado. Ele queria entrar e curtir a viagem. Quando quase todo o espaço foi ocupado, diante da última vaga disponível, o mais velho disse: “Agora pode entrar. Aprenda!”

Mas, a balsa começando a se afastar do cais, ouviu-se o barulho estridente de uma ambulância que, com pressa, se aproximava. Foi dada a ordem para que a embarcação retornasse. Quando atracou, um funcionário apontou para o último veículo da fila e gritou: “De quem é esse carro aqui?!” O jovem respondeu: “Nosso!” O funcionário lhe disse: “Então tire-o. A ambulância tem prioridade.” Enquanto a balsa se afastava do porto, os dois colegas, frustrados, ali ficaram esperando a próxima. “Aprenda, ouviu? Aprenda!” Nenhum dos dois pôde, depois daquilo, esquecer essas palavras.

roxo3.jpgAR -  Em cada povo, época e lugar, há boas formas de demonstrar isso, tanto aos mais velhos como aos mais jovens. Pedir desculpas, dizer “obrigado”, assumir os erros cometidos, moderar o tom da voz ou não falar com ironia. Quem nunca teve um momento destes na vida terá tendência a tê-lo lá mais à frente e, tomara que o tenha.

Que o seja, parar com a pirraça e colocar-se na pele do outro, tentando entender seus sentimentos; tudo isso faz uma enorme diferença! A Bíblia até sugere que nos “suportemos uns aos outros” mas, poucos são os que a lêem... Isto terá acontecido na travessia do rio S. Francisco na cidade de Penedo ou Belém de S. Francisco, mais a montante mas, pode bem acontecer em um qualquer outro lugar e, até com outros contornos.

Mantenha em sua vida uma ou mais unidades de plano, um plano A, B e C para conseguir seus objectivos. Observe um colar de pérolas; missangas que estão todas presas por um fio. Se este rebentar, as pérolas, ou zimbros se espalharão. E, o que é o fio para o colar, missanga de pérolas ou zimbros – é a unidade de plano em nossa vida. Não permita que as pérolas de suas acções se percam, por lhes faltar o fio que lhes manterá a unidade.

picasso2.jpg *Se os resultados das acções humanas fossem instantâneos e determinísticos, seria fácil prever o futuro. Contudo, todas as acções na vida humana estão ligadas à incerteza e ao risco. Dos comportamentos e decisões humanas não se pode afirmar, com certeza, quais as consequências que se verificarão. O conhecimento com perfeita certeza é impossível de atingir*…

*Existe risco quando se podem associar probabilidades aos resultados de qualquer evento. Nestes casos, de risco, o decisor “conhece a distribuição das probabilidades” em relação às situações que são produzidas.*  

Estamos hoje, todos submetidos a esse Algoritmo que diz: Em Ciência da Computação, um algoritmo determinístico é um algoritmo em que, dada uma certa entrada, ela produzirá sempre a mesma saída, com a máquina responsável sempre passando pela mesma sequência de estados. Li isto na Wikipédia…   

Feliz sábado

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:05
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2022
KALUNGA . XXIII

Crónica 3225 A de 14.01.2022 No PortVille da Pajuçara em Alagoas

- NAS FRINCHAS DO TEMPO - VIII

- KIANDA COM ONGWEVA NO CONCILIO DAS KIANDAS

Reedição a 08.07.2022 em Kimbo Lagoa Blogue

Por soba24.jpg T´Chingange , Otchingandji – No AlGharb do M´Puto

Kalunga6.jpg NO PAMBU N´JILA - Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor surgiriam só no século XX e XXI algures num recife de Guaxuma de Alagoas mas, suas estórias vêm lá muito detrás; Assim, na saga de Salaam Januário Pieter e seu mustafá, adjunto Petróleo (O Alibabá aladino) … por aqui ficámos Aleikum em terras de “Castilla-La-Mancha” já na cidade de Toledo – Com a guia Kalunga um bom tempo.

O evento do Concílio das Kiandas era para durar… Meu Mano Corvo, o Mestre Araújo andava noutras lides com o tal grego de nome Doménikos Theotokópoulos, o El Greco… Pambu N´jila corresponde ao espaço físico de Toledo ligando este à mística das kiandas de Angola; uma ponte de inventação entre os seres humanos e o Minkisi, senhor dos caminhos que guardam os portões da nossa casa, do nosso espaço e, neste caso, os muitos portões de Toledo tais como “La Puerta del Sol” ou a ”del Cambron” ou ainda “La Puerta Nueva de Bisagra”.

kalunga1.jpg  Havia ali Kiandas, Ninfas Kwangiades vindas de todo o lado, de todos os continentes mas, havia uma em particular que me chamou logo a atenção; usava vestimentas africanas e tinha o nome estranho de Zachaf Pigafetta Roxo. Eu que vinha lá do futuro, do ano de 2016, de uma cidade esquecida com o nome de Marechal Deodoro, sabedor de coisas ainda não acontecidas, busquei em sua ficha qual a procedência e até nem foi surpresa, ela ser oriunda do lago Zachaf de Malawi em África.

Por terras de Monomotapa e na descoberta do caminho dum tal de Prestes João era esse o nome do grande lago que agora se chama de Malawi, Niassa; o mesmo que hoje se chama de Niassa; Ficou assim comprovado que nossas procedências vieram dali, pois que sempre fui e serei Niassalês. As estória de nossas vidas são por demais curiosas.

Kalunga7.jpg E, não é que muito mais tarde eu próprio já num outro evento renasci num paquete chamado desse jeito. Logologo, o lago Niassa bem no meio da África Central! Foi relativamente fácil deduzir que era esta a tal tetravó da agora Assunção Roxo, a sereia de Guaxuma. O Minkisi ocorre e corre com fluidez, tem o saber do ontem, do hoje e do amanhã. E, esta cidade mística de Toledo, guarda segredos que não estão escritos. Gozar a cidade e património, não é folhear só a história e ler um capítulo porque toda ela é história.

Nela, refresca-se a memória num rendilhado gerado de culturas diversas, encruzilhada de raças e encontro de feitiços e feiticeiros; t´chinganges que dominam silêncios desconhecidos. Kalungas longínquas de musas e gente de arte feitas pó, impregnadas de muito suko. No ar, pairava um feitiço de aço temperado e manobrado por um N´Kondi que espalha pregos feitos germes comedores de carne, pedra e pau.

kalunga5.jpg

N´Kondi de N´Gola, N´kosi de Imbinda e um cortejo de muitos Bandokis foram ao concílio de 1583 (há 439 anos…) à revelia de todos os outros espíritos convidados, embaixadores das kiandas das kalungas e seus mutakalombos. Os espíritos do mal N´Kondi e N´kosi ficaram desapontados por D. Filipe II não os ter convidado formalmente; os astrólogos do rei desaconselharam-no a fazer mistura entre mitológicas Ninfas e Nereidas conceituadas.

N´Kondi, o manobrador de pregos ficou encantado com as novas técnicas dum metal chamado de aço e do qual se faziam coisas pontiagudas; aço com técnica de Damasco de maior resistência à tração e à torção, espadas, facas cujas folhas nunca perdiam o fio de corte. Era esse o metal durável que tanto buscava para fazerem suas maldades aos homens e, até nos tempos mais vindouros.

Os pregos de cobre e alumínio espetados no boneco fetiche Kozo, tinham bons efeitos mas não eram totalmente eficazes; os de ferro rapidamente oxidavam e, quando sujeitos a rezas de Simbis perdiam o efeito desejado. N´Kondi e sua comitiva ajustaram-se no alto da montanha numa dependência de cave de Alcazar, e de fundição em fundição.

araujo166.jpgCA  Com expertos na arte de têmpera e espias de Damasco tornaram aquelas armas brancas nas mais eficazes em toda a Terra. Estava longe de supor que N´Gola, nosso genérico país teria uma catana como símbolo e, tudo partiu daqui: Toledo. Neste dia de hoje, pouco falo da Kianda Roxo porque estava lá, ocupada, dando cores com arco-íris aos participantes nobres do papado e outros cinco estrelas, idos da Globália, esse tal Concilio com o papa Gregório XIII que nesse então homologou por bula papal, o calendário que usamos hoje, …

GLOSSÁRIO:

Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; N´Haka: lameiro, sítio de plantio húmido, horta. Nereidas: na mitologia grega, são seres mitológicos, eram seres femininos (ninfas), que habitavam as águas do mar Egeu

Texto originário da n´Haka do sobado na Torre de N´Zombo do Kimbo com o nome de Cafufutila…

Kalunga8.jpg Nota à margem do texto: No dia de hoje faleceu em Barcelona o segundo presidente de Angola, José Eduardo dos Santos que governou Angola por 39 anos, tempo suficiente para levar à pobreza 50% de seu povo…

(Continua…)

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:39
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2022
KALUNGA . XXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - VII

- KIANDA COM ONGWEVA … Às margens do Tejo em Toledo

Crónica 3222-A de (31.12.2021) – 29.06.2022 

Por soba24.jpg T´Chingange  (Otchingandji) - No AlGharb do M´Puto

tonito3.jpgCA -  AS TÁGIDES DE TOLEDO - Salaam Aleikum em terras de “ Castilla La Mancha” já na cidade de Toledo. Prometi a Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem. Tive de recorrer a Januário Pieter uma kianda que me serve - Passeamos por Alhambra mas, ambos voamos para Toledo pois que era ali que meu Mano Corvo Araújo nos esperava na ponte San Martin sobre o rio Tejo. Há dois mil anos atrás, Marco Fúlvio comandando as legiões Romanas conquistou a cidade de Toledo. O mesmo rio que então a contornava, o Tejo, continua correndo sendo atravessado pela ponte pela qual passam os peregrinos que se dirigem a Santiago; Trata-se da ponte de San Martin do Caminho de Alicante.

Era aqui o encontro e, com efusivos abraços os Manos Corvos aqui cruzaram águas quentes nas outras frias, que ali por debaixo corriam rumo a Lisboa. Até foi patética esta cena; bem cedo num treze de Maio dum ano falecido, Januário festejou connosco e como testemunha o pacto desta amizade. Cuspimos depois nas mãos e chispamos um aperto de união; voltaríamos a fazer isto muito mais tarde num tempo sine die. Em ambos, a kianda Pieter pousou sua mão em nossos templos, nossas testas, deixando um viscoso liquido parecido com azeite.

toledo20.jpgCA - Este sítio de Toledo estava destinado ao gozo de férias de primavera das ninfas do rio Tejo (Tajo). Aqui, a partir de 1580, os espíritos instigados por “El Greco” recordam momentos épicos na companhia dos novos membros da Kianda e Mutakalombo; estes, cheios de notícias frescas dos mares de N´Gola em África, conferenciavam com sereias, nereidas e musas tomando aqui, todos, o nome de tágides (rio Tajo) – as primitivas kiandas que surgiriam desde o Zaire ao Kwanza, lugar ainda mal conhecido neste então.               

Só muito mais tarde iriamos saber que entre estas estavam as primogénitas das kiandas Roxo e Oxor. Cantando, à gente nossa, gente vossa, que a Marte tanto ajuda, refrescavam-se nas águas com cantos de Camões recordando o Deus da guerra, filho de Juno e de Júpiter guardião dos exércitos troianos.

As tágides conciliavam-se aqui com a vida espiritual, trocavam experiências com as novas tendências da Globália, reciclando-se em congressos de cristandade ouvindo Simbi e N´kuuyu. Aquele lugar ficava um Pambu N´jila como se estivessem na Mazenga, a ilha do descanso dos muxiloandas, sombras de casuarinas e coqueiros. O exotismo dos trópicos espalmava-se ali, na Mancha de Cervantes. O maneta Manuel de Cervantes y Saavedra autor da obra “Dom Quixote” desencantado com a guerra e as gentes, lutava com moinhos na vasta planície de “La Mancha” com muito Suko e, associando-se a esta espiritualidade, retemperava os mudos intervalos divertindo a tertúlia com contos de ridículos cavaleiros  e paródias de entretimento.

toledo21.jpgCA -  Eram momentos retemperadores recuperando Mutalos desavindos recorrendo por vezes à kianda Koxo e o Mestre Costa, uma verdadeira arte estirada por “El Grego”, ele também impregnado de muito Suko - a kianda e Mano Corvo Araújo, o magnifico grego de nome Doménikos Theotokópoulos! Nesta rota peregrina, cruzando o caminho de Alicante imaginei Sancho Pança apaziguando seu amo dum ímpeto destemperado com moinhos de vento ridicularizando heróis da fancaria. Foi a partir daqui que se organizaram cursos de deformação (algumas grotescas), fantasias de mordaz parodia e ironia na escrita e cores com longos rostos na pintura contrapondo aquilo que se passou a designar de burlesco.

Pude admirar nesta terra de Aragão um quadro de “El Greco”, em que as tágides ou Kiandas se contorcem em risos aéreos, vendo-se em fundo a cidade de Toledo, a “la puente de San Martin” sobre o rio “Tajo” e, um arco iris assinalando o local daquela reunião de espíritos. E ali andava eu T´Chingange um feiticeiro acomodado a novas tarefas de agrado, partilhando e recebendo conhecimentos avondo.

tonito1.bmpAM - É este um assunto deveras interessante a deslindar ao mulato ressequido Januário Pieter pois que estão ali também as Kiandas da Mazenga, as tetravós de Roxo e Oxor e, dois negros Mutalos com grilhos presos a bolas pesadas e escuras alongando-os como que puxados para a terra. E, nos pescoços, umas barras redondas de ferro contornando-os por detrás de umas orelhas aladas amarradas às nuvens de Toledo; seriam escravos de N´Gola pela certa!

Ainda tinha na retina a imagem dum negro com semblante muçulmano que comigo cruzou em um lugar de nome “Bargas”. Este jovem senhor que se dirigia a terras de África através de Algeciras, tirou as meias, lavou os pés e, descalço refugiou-se numa sombra de alfarrobeira mais distanciada; estendeu a sua jaqueta no solo, ajoelhou-se colocando suas mãos sobre esta, baixou sua cabeça até tocar o solo por várias vezes orientando-a para um determinado ponto. Era a sua Meca distante com Kiandas diferentes, O seu Pambu N´jila.

roxo210.jpgAR -  Aquele muçulmano, talvez marroquino, talvez argelino, ao passar por mim, riu-se em cumprimento mostrando até seu dente escandalosamente dourado, fez uma suave vénia de uma simpatia diferenciada, cumprimentando-me: - Salaam Salaam. Eu era um privilegiado, cidadão Niassalês, cidadão do mar alto, cidadão do mundo. Ele, um mustafá, viu em mim a aura de Pieter, talvez, a Kalunga N´Gombe, o “ Sangue de cristo”, T´Chingange do mesmo Cristo vestido com cores de púrpura.  Eu, respondi: - Salaam Aleikum.             

tonito2.jpegAM - GLOSSÁRIO: Salaam Aleikum: - da fé islâmica, fique na paz de deus, que a paz esteja convosco; Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Marte: - Deus da guerra na mitologia Romana, filho de Juno e Júpiter, amou Vénus de forma adultera...; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Nkuuyu: - são os espíritos pais dos vivos; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, Elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Mazenga. - Ilha das cabras, Ilha dos loandos, ilha dos N´zimbos ou Ilha de Luanda; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; Mutalo: - espírito de morto por feiticeiro sem ordem de N´zambi; Kalunga / Calunga N´Gombe : - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas; Kozo: - Objecto que invoca um ou mais espíritos. T´Chingange: - Feiticeiro, cobrador de impostos, assessor do rei ou Mwata, ministro de todas as relações; N´Nhaka: - Plantação

Notas 1: Este episódio já foi publicado em KIZOMBA FB – trata-se de repor o texto no arquivo base de KIMBOLAGOA;  Nota 2: CA - Costa Araújo; AM - António Monteiro; AR - Assunção Roxo

Da N´Nhaka de: O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:35
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Domingo, 16 de Maio de 2021
PARACUCA . XXXVIII

MULOLAS* DE TEMPOS DORMIDOSA LINGUAGEM DAS LÁGRIMAS COM FALAS INVIESADAS. (14.05.2021 em Kizomba) – 16.05.2021 em KIMBO

Crónica 3150 – Em um tempo de cinzas, tendo em vista a tristeza...  Paracuca é jinguba com açúcar torrado…

roxo116.jpgAR

Por soba24.jpg T´Chingange – No AlGharb do M´Puto

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Tudo o que fazemos na vida tem como objectivo a felicidade. Podemos até chorar de alegria, mas o choro costuma expressar tristeza. Porque se diz então “Bem-aventurados os que choram?”

Pesquisadores de muitos lugares deste Mundo, têm estudado os efeitos do choro e descoberto que ele faz bem. O bioquímico William Frey, da Universidade de Minnesota, por exemplo, estudou com sua equipe o sistema imunológico de muitas pessoas, o grau de stresse e raiva, e o humor daqueles que choram muito.

roxo135.jpgAR - Eles, os pesquisadores, descobriram que o humor dessas pessoas melhorou em quase 90% após um período de pranto. As lágrimas derramadas por elas fortaleceram o organismo e reduziram o stresse. O sentimento de culpa causa dor e abatimento mas, haverá aquele momento de viragem em que a paz e a alegria são restauradas - o consolo é experimentado e, desse modo, a vida passa da tristeza ao prazer, do pesar à felicidade... O que tiver de ser, irá acontecer.

araujo118.jpg CA - Num qualquer momento ao se olhar para dentro de si mesmo, se deparará com um quadro que não é o ideal. Talvez se sinta o coração quebrantar-se pela consciência da própria fraqueza e se entristeça profundamente apesar de se saber que a alegria é um componente do fruto espiritual. Um dia virá em que na presença de um ser superior, a “plenitude de alegria surgirá, tirando até águas das mulolas* com um cesto de vime, assim se acredite nos milagres da vida. Entretanto, não é esse tipo de alívio que caracteriza a felicidade mencionada para que se possa consolar todo o tipo de pranto; efectivamente, o choro aqui referido não é causado pela dor física, perda humana ou material, despedidas ou outras situações comuns. Será sim, um pranto que abre um novo caminho, da escravidão para a plena liberdade espiritual…

pombinho15.jpg P - Algo superior nos fará expressar sentimentos e emoções por meio da linguagem das lágrimas: por separação, luto, arrependimento, compaixão ou das lágrimas por insegurança, opressão política, solidão ou a aflição. Pensando nas condições prevalecentes no mundo, o teólogo e escritor alemão Heinz Zahrnt, falecido em 2003, expôs o paradoxo de se falar sobre mansidão na seguinte frase: “Ai dos mansos, porque eles serão colocados contra a parede!” E, de facto, estando o mundo tão engravidado de pessoas que tudo medem em termos de força, poderio e agressividade como meio de conquista, estaremos sim, encostados à parede… E, como diz a sombra esquerda do escritor Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó; é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente da memória.

Tonito04.jpeg  AM - Na procura de um porquê, uma vida cheia de mulolas*, só posso dizer que tudo será fruto do acaso como um milagre que sobe a rampa dum misterioso milagre. Sempre seremos manobrados e levados a pagar pelos erros alheios… Este, é um mundo no qual a competitividade é desejada, incentivada e buscada a qualquer preço. Um mundo em que as coisas parecem funcionar segundo a lei do mais forte, do mais rico, do mais descarado e mentiroso. E, chamam a isto de diplomacia e, ou “Paraíso Fiscal” – mas, não foi sempre assim! De acordo com essa mentalidade, quanto mais alguém se defende e luta por fazer valer seus direitos, tanto mais possibilidade terá para se frustrar. Por isso, a afirmação soa, no mínimo, singular. Serão os mansos que conquistarão o mundo tomando posse do Universo?

Nota*: Mulola só é um rio, quando chove.

Ilustrações de Assunção Roxo, Costa Araújo , A. Monteiro e Pombinho

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:22
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLVI

ANGOLA DA LUUA XLVI - TEMPOS PARA ESQUECER – 14.09.2018

Espreitando pelo postigo da memória antropológica ... Na ausência de estadistas, houve demasiados traidores…

Por

soba15.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

Já estamos a mais de 43 anos daquele então – ano de 1975. Durante quatro meses, entre Julho e Novembro de 1975, mais de 900 voos, a maior parte da TAP, levaram mais de 200 mil pessoas de Luanda e Nova-Lisboa (Huambo) para a capital portuguesa na ponte “LuuaLix”. Assim chamei por via de um amigo de nome Antunes, a ter escolhido; aqui tem sido referida para a distinguir de tantas outras de âmbito turístico. E, no total foram mais de um milhão de cidadãos que chegou a Lisboa – Lix, vindos da Luua.

torres5.jpg Foi uma das maiores operações de resgate de civis de todos os tempos e, que envolveu muitas centenas de voluntários. Muitos outros saíram de traineira ou indo de carro para os países limítrofes como a Namíbia e outros para onde seguiram directo, tais como por via aérea: o Brasil, Argentina, Austrália ou mesmo os Estados Unidos. A esta dispersão provocada pela guerra do “Tundamunjila” - Thundá mu n´jilla, chamou-se de DIPANDA a que podemos dar também o significado de DIÁSPORA.

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E, assim átoa sem rascunhos de contacto, chegavam a um qualquer lugar e se desenrascavam como soe dizer-se na gíria de cariz tão lusitano. Os ''retornados'' eram portugueses mas, para muitos Portugal era um país desconhecido, um país que tinha acabado de viver uma revolução e onde poucos estavam preocupados com quem chegava de África. Nem mesmo a família acalentou as angústias de tanta gente; verdade se diga que sempre houve alguém a prestar solidariedade e isso, marcou a diferença.

silva2.jpg Nós andávamos baralhados com tanto ódio, tanta insensatez e tanto desconhecimento das palavras como amor e ternura ou solidariedade. Fui cair num ninho de comunistas chamado de Torres Novas aonde a ordem do dia era sempre por unanimidade - levantando braços; eram as assembleias do povo. Não foi fácil passar dias e dias só falando em surdina para que não se apercebessem que eramos retornados - nossa pronúncia com sotaque, denunciava-nos. Podem calcular como era difícil andar entre “irmãos” trilhando o dente por não se poder expressar.

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Hoje os refugiados vindos da África, sem qualquer restea luso, a mesma que nos escorraçou, são melhor acolhidos em toda a europa, têm casa, vencimento, passe de transporte e até trabalho sazonal. Mesmo assim, pouco tempo depois e em surdina fogem para os países mais ricos vivendo uma grande parte dos subsídios estatais que a Europa decidiu dar sem retorno. Se é mau ou bom não interessa escalpelizar aqui mas, o tratamento é bem diferente do nosso naquele então, de quando chegamos ao aeroporto da Portela.

SBEL.jpg Zé Antunes refere em um blogue amigo que quando ia a Lisboa, sempre passava no Rossio, junto ao Pic-Nic - local de encontro de todos os oriundos de Angola. Eu que fiquei instalado em Torres Novas, em casa de uma irmã, também ali ia; normalmente comia uma sandes na “Tendinha” do Rossio, um panado ou posta de bacalhau e um penalti (um copo de vinho tinto) e, também me inteirava de notícias da Luua e de Angola em geral, pois que dali chegavam todos os dias refugiados na Ponte Aérea LuuaLix. Íamos assim, sabendo novidades de Angola e particularmente de Luanda onde ainda se encontravam meu pai e outros familiares.

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Outros, confraternizavam deitando conversa fora com boatos na forma de mujimbos e também para beber uns finos ou pancar uns petiscos no Pingo Bar, no Leão D’oiro na Rua 1º de Dezembro, na Praça do Chile em Arroios, Na estação de Santa Apolónia e outras, sempre na ânsia de saber mais e mais novidades de Angola. Entre muitos chegados ao M´Puto comentam coisas do género: Foi muito triste… Eu não queria vir! Era lá que eu vivia, era lá que estavam os meus amigos, a minha casa. Mas a família mostrava-se irredutível, pois nessa altura o cheiro a medo era muito.

sabão macaco1.jpg O metralhar dos bairros, as balas tracejantes lançadas pelo Poder Popular e o pregar de caixotes tornava a vida ensurdecedora. Corria notícias de violações, contados por quem tinha visto, ou proveniente de mujimbos contados com intervenção dos candengues Pioneiros do M.P.L.A. Cenas de rasgarem e pisarem a bandeira portuguesa em frente à tropa do M´Puto que ficava sem reagir. Isto, para os moradores, tornava-se muito triste, um mau indício e revoltante.

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Ninguém aguenta ver a sua Bandeira maltratada sem poder fazer nada; mas no m´Puto os procedimentos eram bem diferentes pois que nisto temos de excluir Mário Soares que até foi presidente e tem uma fundação subsidiada pelo erário público… Como lavagem de ética, diziam que era em repulsa a Salazar mas, disto não nos devemos esquecer para que não tenha direito a ir para um qualquer panteão (…O que mais tarde ou mais cedo vai acontecer!...). Baloiçando-me no d´jango do plot, muito perto da árvore n´vuluvulu de Benoni, olho seu fruto pesado de longas múcuas que pelo que dizem, só servem mesmo para fazer milongo de feitiços ao povo da Obovolândia.

silva p0.jpg Eu, quis saber mas parece ser segredo de raizeiros, porque talvez cada homem nasça com a verdade dentro de si e só para ele, e só não a dizem porque é muito só sua; e até, muitos haverá, que não acreditam que seja aquela a sua verdade. Porque cada homem é um mundo que se ao tempo der tempo, o tempo bastante, sempre o dia chega em que a verdade se tornará mentira e a mentira se fará verdade. Estamos a viver este momento de falácia mas voltando àquela certeza de que iriamos voltar para a Luua a refazer a vida, foi-se desvanecendo malembelembe como um sonho…Para pior, antes assim!

pombinho5.jpg Os sonhos ficaram a definir se a recta era mais curta no tempo ou se era a curva mais universal, com um mundo sem bordos e rebordos… Fui lá, a Angola em dois mil e dois mas, as tabuletas de caveiras ladeando os acantonados da UNITA, ainda eram muitas e por muitos lados. Também cheguei a Lisboa, como todos os demais, um outro Portugal, o tal Continental; afinal havia dois, o M´Puto e N´Gola mas nós estávamos por demais inocentes para entender aquela revolução dos cravos ao pormenor. No aeroporto duas senhoras da Cruz Vermelha comentavam em surdina estarem ali a perder seu sono por via destes ranhosos (eramos nós…). Felizmente que havia algumas Donas, estarem ali por amor e solidariedade… Bem-haja!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:21
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016
MAIANGA . XIX

UM MISSOSSO: A minha neta e eu, um contador de estórias avulso…

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por

soba15.jpg T´Chingange 

Andei na Escola Industrial de Luanda por uns nove anos desde o Ciclo Preparatório passando pelo Curso de Montador Electricista, Secção Preparatória aos Institutos e também o curso de Mestrança de Construção Civil. Qualquer um destes cursos, nada tem de formação no sentido das Letras, nem tampouco era bom à disciplina de Português com a professora Maria Amélia. Na escala de zero a vinte eu andaria sempre ao redor dos dez.

araujo13.jpg Na Secção Preparatória e em regime nocturno tive um professor à disciplina de História à Antologia Portuguesa do qual não me lembro o nome mas, sempre o alinhavei como sendo de Vergílio que era excepcional em nos fazer despertar do sono lá pelas dez horas da noite. Sempre que notava a turma desinteressada ele ia buscar matéria de nos fazer regalar o olho.

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Muitas vezes referia os cintos de castidade usados na idade média para salvaguardar ausências dos maridos militares que iam para guerras distantes deixando suas damas à solta. Tinha mais recursos pedagógicos como este astucioso recurso, o que levou a que sempre o lembrasse. Um dia manda-nos fazer um trabalho do tipo conto, mussendo, em que o tema era o mar. Recordo-me bem que no dia aprazado entreguei minha estória cujo tema era “o mar” bem contornada de pormenores. Na entrega da avaliação teve a gentileza de dizer à turma que estava ali uma estória muito boa, afirmando que eu seria no futuro um bom contador de Histórias. Iremos ver!

tonito3.jpg Não dei a importância ao facto e, passaram-se muitos anos até que tivesse tempo, vontade e paciência de escrever estórias; Em verdade não havia tempo mas, sempre pela minha cabeça rolavam inventações que ficavam desperdiçadas no labirinto de meu templo. Após a guerra do tundamunjila em Angola oferecem-me uma viagem grátis para o M´Puto, em troca de nada e, sem data de retorno. Não gostei nada disto!

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A minha cabeça era um mundo de revolução, sentia necessidade de me expandir, estravazar; através dos Adidos fui colocado como destacado na Câmara Municipal de Torres Novas, uma Câmara que nesse então tudo se resolvia de punho no ar! Uma chusma de comunistas desconvictos, diga-se Com gestão comunista e do MDP eu passava um senhor martírio a ouvir desaforos contra a minha gente “os retornados”.

tonito.jpg O PSD deu-nos um espaço para nos reunirmos e foi decisão minha darmos inicio a um jornal de folhetos tipo “em stencil” de modo a dar informações adicionais aos muitos desalojados, gente desenquadrada de tudo, da bagunça em que nos sentíamos e, chamamos a este esboço de jornal “o caixote”. Foi útil naqueles tempos conturbados e, estando nós em um meio adverso com as direitas a querer usar-nos como linha de frente. E, nós na merda, sem futuro nem cascas dele.

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Comecei a escrever em uma coluna para o jornal “Almonda” tendo como Director o Padre Amílcar; era o “Aqui e agora” falando de coisas triviais sem entrar nos detalhes políticos, usando sempre uma forma sátira de abordar coisas desabridas e, sempre com um rolo no estomago. Descontente com tudo, inscrevi-me para emigrar pelo CIME (Comité Internacional de Imigrações Europeias) concorrendo para qualquer país do Mundo! Tal e qual!

tonito8.jpg Um dia chamaram-me a Lisboa e perguntaram-me se queria ir para a Venezuela como Topógrafo mas, havia um senão: Teríamos de ir de barco! Disse-lhes que ia sim senhor, nem que fosse em um barco à vela e, fui! Estive por lá seis anos. Regressei a Portugal para poder dar uma educação firme a meus dois filhos. Neste entretanto algumas coisas mudaram no M´Puto.

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Regressado ao Algarve comecei a escrever no jornal Semanário “A Gazeta de Lagoa” com a coluna “Sanzala”. Este era pertença de Artur Lignhe, um já conhecido jornalista de Angola. Agora vou à conversa mais interessante e que me levou a descrever parte do meu percurso anterior. Os anos passaram e, eis que viro avô de uma linda neta com o nome de Lara; filha de meu filho Marco António umbigado com Isabel bibliotecária.

tonito7.jpg Os anos passam-se e Lara é educada da forma correcta com leitura de uma estória ao iniciar sua hora de ir para a caminha. As histórias a ela oferecidas eram muitas e variadas; seu quarto era uma biblioteca de livros aos quadradinhos desde o João Ratão aos sete anões e da Carochinha, do lobo e da Avozinha. Fosse em Coimbra ou no Algarve, a avó ou sua mãe Isabel levavam um tempo a ler estórias que ela já sabia de cor e salteado mas, era  esta a rotina certa.

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Um dia sou solicitado a ler uma estória a Lara, teria talvez uns cinco a seis anos e assim foi! Vai daí, deito-me a seu lado e começo a ler a estória escolhida por ela, previamente! Recordo ser uma estória descabelada, mal engendrada e eu lá pela terceira folha começo a fingir ler algo que eu ia inventando na hora! Nada daquilo, a dado momento, tinha a ver com o escrito!

toledo18.jpg Aquilo não tinha graça, não tinha jeito nenhum e desenvolvendo a minha versão fingindo ler o que não estava escrito. Eu só fingia! Criava personagens novos, outra envolvência. Num impulso interrompido por Lara, era o maior rebuliço. Não é assim avó! Dizia ela, a estória não é essa!

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 Pegava no livro e via que efectivamente o que eu dizia não estava ali escrito. Ficava tudo desarranjado. Sempre ficava alvoroçada e desinquieta nunca iniciava sua dormida com a minha leitura. Acabei por ser despedido desta tarefa no correr do tempo. Aquelas estórias eram tão brejeiras que me via obrigado a ler a versão que minha inventação produzia na hora.

volk.jpg Minha função de avô ficou assim votada ao fracasso. Gente próxima diz-me para escrever um livro mas este trauma sempre me diz que sou um embuste! E, como o Mundo já está tão cheio de mentirosos fico na minha, chorando na cama que é lugar quente e, porque águas passadas não movem moinhos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:13
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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