Segunda-feira, 7 de Maio de 2018
KALUNGA III

MOKANDAS XINGUILADAS

– A VIDA É UMA MÁSCARA – 07.05.2018

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.  Foi assim que cheguei a Guernica...

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soba15.jpg T´ChingangeDesde o Nordeste brasileiro

Xinguilado assim, qualquer um de nós pode ser qualquer outra coisa mas, quando é então que nossos comportamentos transvazam a fronteira da vida em uma excêntrica mentira? Porque há quem nunca mate a criança que existe dentro de si e, que por vezes rompe seu equilíbrio de propósito sem um qualquer filtro ou sem se aperceber.

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Se me raparem as sobrancelhas com o pretexto de extinguir a caspa, minha cabeça pode muito bem transformar-se numa espécie de volume branco de manequim, aonde sobre esta, se pode pintar uma qualquer outra figura que não a minha.

picasso0.jpg Vamos supor que me quero xinguilar na pessoa de Picasso. Este não viveu para ver os tempos em que certas celebridades se valem de plásticas e botox para transformar seu rosto em máscaras supostamente à prova do tempo. Posso lembrar seu cabelo lambido de brilhantina para mal disfarçar sua calvície com feições endurecidamente acastanhadas.

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Posso alisar seus cabelos untosos ao jeito de malandro lá dos finais de 1930, um boi sagrado com sua inebriada e sagrada figura mudando de mulher como quem muda de camisa, puteando as madames de fina estirpe e, sempre nessa sua estrema segurança que no tempo se transparecem de arrogância ou egoísmo.

picasso01.jpg Fazer delas beldades distorcidas um pouco à imagem de gente bonita que pela vaidade se torna hoje em beiçuda, mamuda ou bolachuda na cara, no cú ou nas mamas atrofiando o bom senso, só pelo facto de querer ser o que não é. Picasso nasceu em Málaga, tornando-se um homem complicado.

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Desafiador, tornou-se um génio, um monstro da arte e um homem complicado. Atraía as mulheres de forma irresistível para a sua especial órbitra e, como um vampiro que necessita de sangue fresco, tudo torce, esquarteja. Suas belas mulheres saiam quebradas, com um olho no sítio e outro no cocuruto da cabeça.

picasso3.jpg Rompendo seu equilíbrio e a propósito, desvirtuava-se como um defeito de sua própria vida pessoal. Aliou-se aos nazis durante a segunda guerra e acusado de oportunista e, alienado, ele quis demonstrar ao seu jeito que só era alguma coisa no meio disto.

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Como artista degenerado e assistindo ao ataque de Guernica quis dizer, talvez mostrar ao mundo que ele era simplesmente um mal incompreendido estroina. Como disse, ele não tinha filtros, se não queria, simplesmente repelia com um vai-te embora! Nesse, não gosto mais de você, acabou por ficar com um único amigo - seu barbeiro.

picasso2.jpg Quando seu amigo e poeta Max Jacob, judeu e homossexual foi preso pelos nazis, Picasso negou-se a assinar sua libertação. Não assinou aquele abaixo-assinado pela libertação dele, alegando que sua própria liberdade era um símbolo de resistência e seria por isso ameaçado caso assinasse aquilo. Este génio difícil por via disto - digo eu! Legou-nos esse tal quadro de Guernica.

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:54
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Terça-feira, 4 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXIX

NAS FRINCHA DO TEMPO -30.11.2016 KIANDA COM ONGWEVA - 14ª com várias partes… Com Zachaf Pigafetta Roxo, Januário Pieter irmão desta e o Conde de Saint Germain.
Ongweva é saudade

Nota: Esta 14ª Parte não foi publicada em seu devido tempo. Deveria ter surgido depois de 5 de Outubrodo ano de 2016 e por descuido só veio a ser publicada no facebook em Kizomba a 30 do 11 de 2016
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Tinha sido combinado encontrar-me em Madrid com as kiandas o Conde de Saint Germain, Zachaf Pigafetta e o irmão Januário Pieter no Museu do Prado, mas não foi possível faze-lo na data aprazada, no entanto mantínhamos contacto através do ipad! Eles tinham compromissos no aquietar de almas desavindas em desassossegos antigos e oriundos da África Austral. Aproveito por isso falar um pouco do entrelaçado de malambas já faladas entre nós a fim de arrumar os eventos vindouros para que se compreenda o desfecho da estória-mussendo.
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A origem de Saint Germain ainda hoje é desconhecida, mas o que sabemos é que marcou presença a partir do século XVlll pelas cortes da Europa destacando-se como diplomata em Génova, Paris, Londres, São Petersburgo, Índia, África, China e outros lugares. Ele, com frequência refere ser filho de um príncipe oriental. O certo é de que sua idade tal como as demais kiandas, sendo indefinida, tem a particularidade de quando necessário tornar-se numa normal figura de gente.

cafu15.jpg Niassalândia (actual Malawi) foi assim denominada por causa do Lago Niassa de onde originaram Januário e Zachaf Roxo. Em setembro de 1859, o explorador e missionário escocês David Livingstone tornando-se supostamente o primeiro europeu a avistar o lago, o terceiro maior da África. Um dos encontros foi exactamente com o Conde de Saint Germain, que por ali se envolvia em actividades missionárias e comerciais britânicas.

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Na década de 1880, Portugal reivindicou o território em virtude de sua presença na colónia vizinha de Moçambique mas a Grã-Bretanha resistindo às reivindicações portuguesas, em 14 de maio de 1891 proclamou um protectorado sobre Niassalândia tornando-se parte da Federação da Rodésia e Niassalândia em 1953. Após a dissolução da federação, alcançou independência total a 6 de julho de 1964 como a República do Malawi.
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A Grande Traição é o título das memórias publicadas em 1997 por Ian Smith, último primeiro-ministro da Rodésia. Sua obra oferece uma interessante panorâmica da história desta importante parte da África austral e relata minuciosamente como os nossos “amigos” britânicos e Estado-Unidenses não descansaram enquanto não lançaram o calvário naquele pedaço de chão. A requerida paz, lei e ordem, factores fundamentais para qualquer evolução autêntica e segura, foram sacrificados em favor da hipocrisia, da irresponsabilidade, da expediência.

cafu17.jpg As nossas três kiandas andavam por ali tentando introduzir nas mentes pensares pacifistas mas foram logrados em toda a linha. A mais interveniente foi o Conde de Saint Germain mas mesmo esta, esfumou-se. As memórias de Iam Smith interessam particularmente aos portugueses, euro-africanos genuínos e pioneiros, escandalosamente imolados e esbulhados pela traição doméstica a soldo de uma conspiração internacional - tragédia odiosa que brada aos céus e clama por justiça!

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Cumpre ressaltar as páginas elogiosas que Ian Smith dedica a Salazar e a Portugal a quem rende sincera homenagem à nação euro-ultramarina que, com a nobreza da simplicidade e a força do carácter, cumpria a sua missão histórica de povo, defendendo com determinação os seus legítimos direitos e interesses perante os mais fortes do mundo. Sobre Salazar, dizia ser este um estadista excepcional, cuja craveira intelectual e moral deixaram nele uma impressão única e indelével.
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Foi o Conde de Saint Germain que destrinçou esta parte da estória que os historiadores pulam por conveniência ou falta de caracter. A Grã-Bretanha, empenhada na sua demissão histórica, anuncia a dissolução da Federação das Rodésias e do Niassalândia com vista à formação de Estados “independentes governados por maioria negra. Smith é o único do seu partido a manifestar oficialmente a sua desconfiança em relação à proposta explicitada por Londres.

cafu18.jpg Para ele, a Inglaterra, no afã de obter a simpatia de afro-asiáticos, Estado-Unidenses e Soviéticos, estaria disposta a liquidar o seu “problema colonial” com o abandono puro e simples da população branca - os mesmos indivíduos que no conflito mundial de 39-45 deixaram a paz dos seus lares para irem arriscar as próprias vidas no socorro à Grã-Bretanha. Foi o caso dele.

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Em 1964, dez anos antes da abrilada portuguesa, Ian Smith é eleito primeiro-ministro. Numa visita oficial a Lisboa encontra-se demoradamente com Salazar e este diz-lhe declaradamente que os rodesianos seriam traídos pelos ingleses; que Portugal prestaria o auxílio necessário a Salisbúria. Pouco depois, aqueles a quem Fialho de Almeida chamou de “carrascos ruivos do Tamisa”, concretizavam o que o estadista português sentenciara.

SALAZAR 2.jpg A lembrança deste encontro profético em São Bento ficou para sempre gravada na sua memória, plenamente convencido de que, se Salazar tivesse vivido dez anos mais, a Rodésia teria sobrevivido. Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. Sua vida política passa então a reger-se quase que exclusivamente por duas constantes: a neutralização dos efeitos das sanções impostas pela ONU, sob a batuta de Londres e Washington; e o combate ao terrorismo e à guerrilha de obediência comunista que faziam a sua desumana entrada no território.

cafufu7.jpgE é agora e por intermédio destas três kiandas que me é dado conhecer toda a arte de velhacaria que invadiu o dito mundo moderno através dos arautos da verdade, os primos Ingleses e Americanos que continuam a ditar leis aos outros povos, sabendo à partida que é tudo uma utopia ou farsa. Nós, que estamos vivendo os problemas que nos cercam, podemos dar a importância devida ao que engloba este nosso recente passado para rectificarmos ou ponderarmos sobre o nosso futuro. Sabemos bem o que ocorre hoje nestes territórios de uma gestão catastrófica de puros ditadores.

(Continua…)
O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:13
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Sábado, 8 de Outubro de 2016
MALAMBAS . CXLIII

CINZAS DO TEMPO08.10.2016 - Faz falta aceitar que para além do mais temos instintos - O tempo é uma grave doença. «O tempo escapa-se entre os dedos! dis-se...» O eterno conflito não é um teste imposto por Deus, mas por nós...

MALAMBA: É a palavra

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soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

relog0.jpg Para manter algum interesse em estórias humanas, os escritos de ficção têm de supor que um dia se irá descobrir como viajar mais rápido do que a luz. Cada um de nós tem sua própria medida de tempo e quase ninguém fica contente com o tempo que lhe coube acrescentando-o ou cortando-o aos pedaços como se fosse um pudim; divide e subdivide-o em cada dia segundo seus planos de vida.

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Segundo a relatividade, nada pode viajar mais rápido do que a luz. Se enviarmos uma espaço-nave à nossa estrela mais próxima, Alfa Centauri, que está a quatro anos-luz de distância, esperaríamos pelo menos oito anos até que os viajantes voltassem e nos contassem o que por lá encontraram.

regua.jpg Mas, aqui na terra o segundo continua a ser mais pequeno que o minuto e este mais pequeno que a hora. Se uma vida é engolida em um século, como vamos então fazer as contas com anos-luz e barafustar com o Nosso Senhor porque não nos deu o tempo certo! Porque reclamamos nós de que o tempo não nos chegou para fazer isto ou aquilo. A todo o momento olhamos a pequena máquina achatada em nosso pulso e redonda onde podemos ler o tempo, reclamando que tal tempo já se passou.

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Muito cedo, o homem fica escravo dessa coisa do tempo e, é ele mesmo que se prende às peles de coiro ou pulseira doirada do relógio. Que são os avanços da tecnologia diz-se! Por todo lado se vêm suspensas máquinas dessas com um dedo grande e outro pequeno para nos lembrar que essa coisa anda e, todos correm; só tenho onze minutos e edecéteras de se calhar, atrasou.

relogio areia.jpg Mas, naquele dia de Setembro estando eu em Toledo e na Igreja-Mosteiro de São João de los Reis católicos em pleno bairro Judio, parei o tempo para ler o que Santo António de Lisboa e Pádua escreveu lá para trás: “O grande perigo do cristão é predicar e não praticar; crer, mas não viver de acordo com o que se crê. Um cristão fiel, iluminado pelos raios da graça, é igual a um cristal; deverá iluminar aos demais com suas palavras e acções, com a luz de seu bom exemplo.”

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Lá em cima nesse momento exacto a máquina do tempo solta um som metálico de bronze dando as doze badaladas do meio-dia. Um espírito bate num ferro que há lá dentro, fazendo-o ressoar o tempo. Noutro tempo as pessoas ajoelhar-se-iam; benzendo-se rezariam uma Ave-maria dando graças de agradecimento.

relogio sem.jpg Mas alguém disse e eu ouvi! “Mais uma hora, bolas! Necessito de tempo para ver o museu Sefardi e o de El Greco…” E, havia um ar quase triste, como alguém condenado a uma tragédia mas, logo a seguir, principia uma nova hora! Foi quando me detive a pensar nesta grave doença do tempo. «O tempo escapa-se entre os dedos!» - «Escapa-se como um cavalo». «Dá-me um pouco mais de tempo». Estes, são os queixumes de todos nós. Estava na hora de almoçar.

O Soba T´Chingange (Otchingandji)

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:24
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016
MALAMBAS . CXXXIX

CINZAS DO TEMPO – 22.09.2016 - Não há maior religião do que a verdade! Somos o que somos enquanto o somos!

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpgT´Chingange

cordova11.jpg Subjugado à nobreza do quase acaso, processei um mar de sensações, novos conhecimentos nas cidades históricas de Córdova e Toledo. Adão, lá no paraíso, comeu a maçã da árvore da tentação; é o que consta nos nossos livros de catequese e outras fontes do jardim celestial. A partir dum pecado original que originou ter eu ficado com um caroço, seguiram-se algazarradas aos sentidos das palavras. E sem gritos nem cânticos gregorianos, segui-me na vontade de apalpar uma insatisfeita curiosidade pela Mesquita Catedral de Córdova.

cordova10.jpg Neste monumento singular do mundo temos o testemunho da aliança milenar entre a arte e a fé. A arquitectura islâmica com resquícios helénicos, românicos e bizantinos, funde-se com a cristã numa das suas expressões mais belas. Entre uma floresta de colunas, arcos e cúpulas, surpreendem-nos extraordinárias obras de arte a testemunhar as pegadas dos séculos seculorum.

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Procurando a verdade, nem sempre achamos a resposta mais lógica e, nem sempre merecedora de ser levada ao cutelo ou ao fogo da veracidade porque, simplesmente nós num repente ficamos embebidos num caldo de culturas sem poder beber toda a água deste rio de vida, porque não somos guardiões de todas as heranças legadas.

cordova9.jpg A Mesquita-Catedral de Córdova mostra ao mundo a grandeza de sua estória que começou por ser uma basílica visigoda, que se desbordou em esplendor califal, e culminou com a arte do Gótico, do Renascimento e do Barroco. Não podemos aqui, fazer previsões na estratégia de criar valor de satisfação e fidelização nos parâmetros do tempo sem ferir dignidades vendidas ou dadas, no interesse de dar continuidade à vida, ao ser humano.

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Nós aqui não contemplamos uma preciosa relíquia do passado, nem nos encontramos no meio de um museu; entramos sim num lugar sagrado aberto ao mundo inteiro. Este conjunto monumental da antiga Mesquita foi consagrado de forma definitiva como Catedral de Santa Maria no ano de 1236. A parir desse dia num parasempre e seculorum, se celebra a Santa Liturgia para a comunidade cristã.

cordova8.jpg É necessário respirar o ar de espiritualidade que se diz dali, ser luz divina; assim é evocado! Ouça estes relatos e leia nos relevos da silharia do coro percorrendo a elegância dos muitos arcos bicolores. Ande com os cuidados recomendados entre multidões, porque até aqui os larápios filhos do mesmo Nosso Senhor andam cuidando de sua tarefa recolectora. O mundo é assim, e só temos mesmo de recolher com segurança nosso património se, se não quiser andar entretido em diligências policiais.

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Pois aqui está um edifício vivo, que foi transformado por homens de cultura e religiões diferentes ao longo da história; Os registos de roubos casuais, são casuais e na admiração ou indignação do acontecido, o que fica gravado mesmo no coração é este templo que para além de seus muros nos convida a contemplar os mistérios do sagrado.

O Soba T´Chingange em terras de Castilla de La Mancha

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:24
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016
MALAMBAS . CXXXVIII

TEMPOS CINZENTOS . Apalpando as medidas da natureza, sarar as feridas do corpo - Teremos de tornear a palavra sentido … Nem oito, nem oitenta!...

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba0.jpegT´Chingange

arau44.jpg A humanidade ergueu-se inteiramente pelo próprio pé através de uma série de eventos que ao longo da evolução se foram acumulando. Hoje, em Toledo, tive uma visita guiada para ver as termas dos Romanos e logo ao lado na capela de El Salvador pude ver na parede as evoluções civilizacionais desde o tempo dos Visigodos, passando pelos Romanos e depois os Muçulmanos. Está estampado na parede; os Muçulmanos construíram-nas encastrando nelas pedras de monumentos romanos tais como vigas, pilastras e cachorros.

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Mais por cima surgem as construções barrocas da idade média e, uns e outros foram aproveitando tudo o que lhes servia para se edificarem culturalmente; as formas de construção são bem distintas. No caso da Igreja de El Salvador está construída sobre uma antiga mesquita muçulmana, pelo que está orientada al sudeste, em direcção a Meca.

capeta0.jpg Teremos de tornear a palavra sentido para saber quanta intenção implica este conceito na evolução da humanidade, porque forçosamente necessita da existência de alguém que o conceba; o sentido! Pressupõe-se que na humanidade, os indivíduos têm esse sentido e, sempre o fazem com um propósito bem definido.

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Na construção da actual igreja reutilizaram-se diferentes elementos arquitectónicos visigodos, graças ao qual se conservaram com seus arcos de ferradura apoiados sobre pilastras visigodas e romanas com decoração esculpida com temas figurativos, nada habituais em este tipo de restos de construção. Tal como uma aranha, o sentido é aqui tecido como uma teia na intenção de apanhar uma mosca, tenha-se ou não 

pap2.jpg Na igreja de El Salvador foram baptizados Juana I de Castilla, la Loca, e o dramaturgo Francisco de Rojas Zorrilla. Não conheci nem um nem outro, mas o sentido disto é conjuntamente presentado em uma de suas caras nas  diversas cenas milagrosas da vida de Jesus, nesses registos sobrepostos: A cura do Cego, a Ressurreição de Lázaro, a Samaritana e outros temas de matiz eucarística que aludem a Cristo como Salvador.

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Neste sentido, o cérebro humano evolui segundo o mesmo conjunto de regras que a teia de aranha. E, a iconografia parece retomada de um sarcófago paleocristão podendo servir-nos de modelo porque o tosco no tratamento mostra-nos o abandono em que num dado momento e numa determinada razão, caiu o trabalho da pedra.

salvador1.jpg Nos marasmos de trabalhos árduos antigos, damo-nos conta agora, que o sentido mais amplo da existência humana é aquele que é baseado na ciência, uma vida mis longa, uma memória ampliada, uma visão melhorada com um comportamento menos agressivo. Enfim, uma capacidade atlética superior que me vai faltando. Mas, no mínimo que se mantenha um odor corporal agradável, sem catinga. Enfim! Uma lista de finuras fúteis.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:49
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Domingo, 18 de Setembro de 2016
MUXOXO . XXXVII

TEMPO COM CINSASQuando os heróis ficam bronze - A vida, é uma falácia - também, uma descoberta.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

cordova1.jpg Até certa idade, todos temos um bichinho-carpinteiro que é necessário matar antes que ele nos mate,… a curiosidade! Estando eu nessa idade, esta noite andei ao redor da estátua dum tal Capitão Gonzalo Córdova y Aguilar tentando saber o que terá sido  ele para o meterem ali numa eternidade de bronze, em um largo denominada de Plaza de Las Tendilhas de Espanha.

cordova8.jpg Já quase onze horas da noite e com 28 graus no escuro da noite, fico admirado de ver tanta gente movendo-se e, outros sentados comendo tapas de chouriço, bebendo seus tragos de copa de vino rioja com outras misturas batidas e efervescidas importadas das Américas, Cuba e outros exóticos países aonde o sonho poisa sadio na imaginação.

cordova2.jpg Os repuxos de água coloridos dão frescura ao conjunto. Emoldurado na azáfama de convívio surgem os tocadores de violino, os saltimbancos rolando habilidades recolhendo sobrevivências turísticas e, quem sabe uns larápios de permeio sondando o alheio. Uma coroa aqui outra mais ali no meio de gentis galanteios, uns trocos de simpatia a suprir as mínguas.

cordova4.jpg Creio que nada disto estava previsto por El Capitan Córdova entre os anos de 1453 a 1516 em seus comandos de campanhas militares que deram início à hegemonia da Espanha sobre a Itália nos primeiros anos da idade moderna.

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Chegado ao hotel perguntei ao senhor Hernandes, balconista em serviço de quem era aquele homem feito bronze da praça frontal e, ele só me soube dizer ser El Gran Capitán (O Grão-Capitão). Recolhi dados e fiquei a saber ter sido um notável fidalgo que com fidelidade serviu os Reis Católicos que lhe deram muito prestígio na corte de Espanha.

cordova5.jpg Filho de uma ilustre família, aos 13 anos de idade foi enviado à corte de Castela onde se tornou pajem da princesa Isabel, depois rainha de Castela. Que desempenhou importante papel na guerra contra o reino muçulmano de Granada, negociando a rendição da cidade em1492, antes sob domínio mouro. Justificação mais que merecida para constar em uma Plaza guapa.

cordova6.jpg O povoado que viria a dar origem à cidade de Córdova já tinha ganho importância no ano de 206 A.C. quando foi conquistado pelos romanos mas, por estes feitos tornou-se então a capital da província da Hispânia Ulterior. Dessa época, subsiste a Ponte Romana, com 16 arcos, que liga a parte central da cidade da Catedral e mesquita ao Campo da Verdade, no outro lado do Rio Guadalquivir.

cordova7.jpg A Reconquista de Córdova durou toda a Idade Média mas, só terminou no início da Idade Moderna em 1492, por este nobre Capitam quando os muçulmanos foram definitivamente expulsos pelos Reis Católicos, Fernando e Isabel. É agora uma cidade considerada património mundial pela UNESCO. Esta manhã ao aqui chegar nada sabia disto! Matei assim a curiosidade. Amanhã será outro dia.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:14
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016
CAFUFUTILA . CXVII

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA  - 12ª com várias partes…

AS TÁGIDES DE TOLEDO – Em Alhambra com Zachaf Pigafetta Roxo, a kianda tetravó de Roxo e Oxor.

Ongweva é saudade

Por

soba15.jpgT´Chingange

roxo69.jpg E, por fim tinha ali em frente dos olhos a Kianda Zachaf Pigafetta Roxo a tetravó da Assunção, uma mulher radiante de beleza, assim estonteante que se ondulava em imagem, ora era, ora não era nem deixava de o ser, quasequase um holograma falante. Depois daquele pulo desassombrado aquietei-me recordando-me estar entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, porque zunia na minha cabeça legionários pensamentos.

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Recordo aqui que, involuntariamente houve em mim um ligeiro pestanejar de reluzir comoção, quasequase como um vaga-lume comovido de pirilampo. O meu espanto maior foi saber que ela a Kianda Zachaf sabia que eu era o T´Chingange relembrando que socorri sua trineta lá na praia do Guaxuma do Brasil, assim e assado com todos os pormenores de barbatana com o Zé Peixe de Sergipe.

roxo70.jpg Assim, e sem mais edecéteras e vírgulas espantadas de interrogação disse-lhes que sim! Era eu inteirinho da Costa, nascido e desfalecido num vapor chamado Niassa. Foram muitas as perguntas e interjeições com muxoxos de parte a parte! Era agora que íamos pôr os pontos nos iis. Sabes, temos algo em comum, disse ela: - Tu e eu nascemos em um lugar com o mesmo nome.

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Niassa! E, isso torna-te também um agente kalunga porque tens um espírito forte; para além das águas nascente num barco com o nome do meu lago tornando-te um Minkisi, um agente de ligação entre seres humanos e o físico divindade ou espírito das águas, que somos nós. Referia-se a ela e Januário Pieter ali caladinho ouvindo sem intervir.

roxo72.jpg Sentia-me diluir nas pernas e de novo belisquei-me; doeu e, sendo assim e com dor, só podia ser um humano. Estava em pulgas! Foi quando Januário Pieter assim no seu jeito cavernoso me disse: Eu e Zachaf Pigafetta somos irmãos! Isto, eu não podia imaginar e, continuou: Nossos pais fizeram uma longa travessia desde o lago Niassa, nesse então chamado Zachaf e o Kwanza. Os nossos mais-velhos assentaram arraiais em Cabo Ledo e, foi a partir daí que o destino me fez kianda itinerante da Globália.

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Esta estória para além de longa começava a ser demasiado intrincada. Encontrei Januário Pieter pela primeira vez em Jablines a nove quilómetros de Disneyland. Recordo que foi lá que este me contou coisas que desconhecia terem-se passado em Angola nos tempos recentes e, também lá detrás desde os tempos em que Luanda estava na posse dos Mafulos com os Tugas recolhidos em Massangano e do qual fizeram uma segunda capital de N´Gola. às margens do Kwanza. Bom a estória decerto iria ser bem interessante.

roxo73.jpg Acontece que a hora já era tardia,"El Pátio Riconcillo" estava para encerrar e, teríamos de fazer uma pausa, remoer o acontecido e ganhar folga para os próximos episódios. E Pieter foi dizendo que eles tinham muitas mocandas na cabeça para contar: - O mais importante nesta minha vida de kianda da Muxima é falar dos entretantos esquindivados de Kwanza acima, Kwanza abaixo relembrando meus tempos de candengue. Minha mana tem outras estórias que decerto te encantarão. Estamos aqui para isso; mungweno! Foi assim que nos despedimos por agora.

cronicas mano corvo2.jpg GLOSSÁRIO :

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Kalunga: Junção de espíritos na forma de água, divindade abstracta. O Soba T´Chingange muxoxo: - silvo produzido pelos lábios de vento aspirado entre dentes; esquindiva: - fazer revienga, finta, fazer piruetas, bazar dali.

Ilustrações de Assunção Roxo

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:09
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Quarta-feira, 8 de Junho de 2016
CAFUFUTILA . CXIII

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA  -  8ª de várias partes

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

AS TÁGIDES DE TOLEDO - PAMBU N´JILA - Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor surgiriam só no século XX e XXI algures num recife de Guaxuma de Alagoas

Salaam Aleikum em terras de “ Castilla-La Mancha” já na cidade de Toledo – Com a guia Kalunga Pieter, por aqui ficámos um bom tempo. O evento do Concílio das Kiandas era para durar…Meu mano Corvo andava noutras lides com o tal grego de nome Doménikos Theotokópoulos, o El Greco…

toledo6.jpg Pambu N´gila corresponde ao espaço físico de Toledo ligando este à mística das kiandas de Angola; uma ponte entre os seres humanos e o Minkisi, senhor dos caminhos que guardam os portões da nossa casa, do nosso espaço e neste caso, os muitos portões de Toledo tais como “La puerta del Sol” ou a ”del Cambron” ou ainda “ La puerta nueva de Bisagra”. Havia ali Kiandas Ninfas vindas de todo o lado, de todos os continentes mas, havia uma em particular que me chamou logo a atenção; usava vestimentas africanas e tinha o nome estranho de Zachaf Pigafetta Roxo.

toledo11.jpg Eu que vinha lá da frente, do ano de 2016, sabedor de coisas ainda não acontecidas busquei em sua ficha qual a procedência e até nem foi surpresa, ela ser oriunda do lago Zachaf. Por terras de Monomotapa e na descoberta do caminho dum tal de Prestes João era esse o nome do grande lago; o mesmo que hoje se chama de Niassa. As estória de nossas vidas são por demais curiosas. Não é que muito mais tarde eu próprio já num outro evento renasci num paquete chamado desse jeito. Logologo o lago Niassa bem no meio da África Central!?

toledo16.jpg Foi fácil deduzir que era esta a tal tetravó da agora Assunção Roxo, a sereia de Guaxuma. Minkisi ocorre e corre com fluidez, tem o saber do ontem, do hoje e do amanhã. E, esta cidade mística guarda segredos que não estão escritos. Gozar a cidade e património, não é folhear a história e ler um capítulo porque toda ela é história. 

araujo17.jpg Nela refresca-se a memória num rendilhado gerado de culturas diversas, encruzilhada de raças e encontro de feitiços e feiticeiros que dominam silêncios desconhecidos. Kalungas longínquas de musas e gente de arte feitas pó, impregnadas de muito suko. Pairava no ar  feitiço de aço temperado e manobrado por um N´Kondi que espalha pregos feitos germes comedores de carne, pedra e pau. N´Kondi de N´Gola, N´kosi de Imbinda e um cortejo de muitos Bandokis foram ao concílio de 1583 à revelia de todos os outros espíritos convidados, embaixadores das kiandas das kalungas e seus mutakalombos.   

toledo17.jpg Os espíritos do mal N´Kondi e N´kosi ficaram desapontados por D. Filipe II não os ter convidados formalmente; os astrólogos do rei desaconselharam-no a fazer mistura entre mitológicas Ninfas e Nereidas conceituadas. N´Kondi, o manobrador de pregos ficou encantado com as novas técnicas dum metal chamado de aço e do qual se faziam coisas pontiagudas, espadas, facas cujas folhas nunca perdiam o fio de corte. Era esse o metal durável que tanto buscava para fazer suas maldades aos homens.

toledo19.jpg Os pregos de cobre e alumínio espetados no boneco fetiche Kozo, tinham bons efeitos mas não eram totalmente eficazes; os de ferro rapidamente oxidavam e, quando sujeitos a rezas de Simbis perdiam o efeito desejado. N´Kondi e sua comitiva ajustaram-se no alto da montanha numa dependência de cave de Alcazar, e de fundição em fundição com expertos na arte de têmpera e espias de Damasco tornaram aquelas armas brancas nas mais eficazes em toda a Terra. Estava longe de supor que N´Gola, nosso genérico país teria uma catana como símbolo e, tudo partiu daqui: Toledo.

toledo18.jpg As técnicas apuradas no trato do aço ali, em Toledo já vinham da idade média; N´kondis ancestrais a pedido de Simbas também antigos, num tempo mais recuado chamado na Ibéria de época medieval tinham trazido dedos de N´Zambi para retemperarem na dureza o tal aço batido, esfriado e de novo batido; tratava-se de pequenas pedras de meteorito trazidas das terras do fim-do-mundo, lá da Ovobolandia, terras de Oshakati e Okaukuejo no reino dos Himbas. Do Runda e Urunda que se designaram mais tarde por Cuango e Lualaba, que significam em umbundo terras abandonadas.

toledo20.jpg Terras remotas aonde os N´Dele, Tugas, surgiram como “filhos do mar”; assim diziam os nativos pertencentes à corte do João Imperador, o Rei de Abexi de quem o Rei do Kongo tinha temor. De lembrar aqui que o padre jesuíta D. Gonçalo da Silveira internando-se na Mocaranga e tendo baptizado o Monomotapa foi morto por este por intriga dos Mouros! Estes Mouros que ainda hoje continuam fazendo barbaridades. Até Camões escreveu em verso: Vê do Monomotapa o grande império, de selvática gente, negra e nua, onde Gonçalo morte e vitupério padecerá pela fé santa sua. Tudo tem uma explicação!

toledo15.jpg Em Toledo, eu o Soba T´Chingange, não resisti à mística, comprei uma destas facas. Como N´kondi e seus Bandokis ainda andam por Toledo feitos bactérias, passo a descrever em síntese o poder de magia que estes ainda exercem: - Usam um boneco fetiche feito de pequenas conchas coladas com resina natural com dois espelhos receptores de encomendas mágicas, um na barriga, outro no topo da cabeça, coberto com uma pele de cobra. Na mão direita carrega uma lança de pedra tipo ónix mostrando agressividade no seu carácter. O boneco, todo ele, é encrustado de várias substâncias usadas durante as cerimónias em que os pacientes contam as suas estórias de infelicidade evocando a vingança que desejam infligir ao suposto culpado. Háka!

toledo10.jpg - A vingança é feita espetando o prego num determinado sítio do corpo do fetiche - O N´Kondi também recorre ao imbondeiro chamado de N´kondo Ikuta M´vunbi espetando nele o prego; assim a vítima morrerá inchada como a árvore garrafa, o baobá - O descrito prego de aço é o mais eficaz pois nele tem impregnado todo o mal dos homens. N´Kondi quando das várias permanências nos aposentos subterrâneos de Alcazar foi consultado pela infortunada esposa de D. Pedro I “El cruel”, rainha Dona Branca ali presa. Vários bonecos fetiches de N´Kondi N´Gola ainda podem ser vistos graças ao meu antepassado Soba Aragonês Romero Ortiz. Um dia tinha de revelar isto…

toledo14.jpg Isto pode maçar os não eruditos em áreas destas tão periclitantes, mas prometi a Assunção Roxo e seu espelho Oxor explicar tim-tim por tim-tim toda a estória. As coisas intrincadas são assim, mas tudo o que acontece de ruim é para melhorar. Tudo isto é tão verdadeiro que até parece mentira, mas não é! Deus N´Zambi, dá-nos força para seguir, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela!” As buscas da Torre do Zombo deram nisto…vou fazer mais o quê? 

GLOSSÁRIO:

Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; N´nhaka: lameiro, sítio de plantio húmido, horta; Rundu e Runda: - Sítio de difícil acesso, vulgo no cú-de-Judas…  

(Continua…)

Na n´nhaka do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:25
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2016
XICULULU . LXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

crúzios 2.jpg Andei uns dias por terras onde em tempos D. Manuel mandou publicar uma lei que permitia às gentes ficar com o “gado do vento” sem que lhes fosse imputada culpa de roubo. “O gado do vento hé do senhorio quando este se há perdido”. E, nesses tempos os senhorios eram os Crúzios, os frades afectos à igreja de Santa Cruz! A Paróquia de Santa Cruz situa-se praticamente no centro histórico da cidade de Coimbra e é uma das mais antigas de Portugal, pois os seus limites primitivos foram delimitados por Dom Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, cujos restos mortais se encontram num mausoléu desta igreja.

cruzio3.png Uma marca distintiva dos Crúzios é a cruz vermelha e branca, usado no escapulário de seu hábito religioso. A designação refere-se à cruz e à espiritualidade da Ordem. A festa principal dos Crúzios era a Exaltação da Cruz reflectindo uma espiritualidade centrada na cruz triunfal de Cristo, o Senhor glorificado. Estes Crúzios tinham largas terras que iam desde Coimbra até o mar abrangendo as áreas de mato, as gândaras acima do rio Mondego, Montemor-o-Velho, Arazede, Amieiro, Cadima e Cantanhede.

cruzios11.jpg A igreja paroquial de Cadima, já existia em 1181, cujo concelho foi criado pelo Foral de 23 de Agosto de 1514, dado por D. Manuel I, em Lisboa. Sua antiguidade comprova-se pela existência da antiga freguesia de Nossa Senhora do Ó, pois as Igrejas hispano-visigóticas celebravam a festa da Expectação do Parto ou Santa Maria do Ó, por determinação do X Concílio de Toledo, no ano de 656. Os terrenos de Cadima e Tocha foram domínio do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, que entregava as terras como aforamento a rendeiros sob a sua jurisdição. Por vezes surgiam destroços de barcos, motivo de batalhas marítimas entre piratas; estes haveres eram recolhidos pelos rendeiros e também entregues ao seu Senhorio, os Crúzios. 

cruzios5.jpg Esta vasta região só teve desenvolvimento por via de plantações de milho grosso e batatas trazidas da América pelas novas descobertas de além-mar, terras dum novo mundo; novas sementes foram chegando dando engrandecimento à região. Mas, eis que um dia, narra a lenda que um fidalgo de nome João Garcia Bacelar, em uma das suas viagens pelas charnecas e gândaras muito extensas e desertas, chega à Quinta da Fonte Quente. Diz que vai ali construir uma capela por devoção a uma Nossa Senhora. Ajustando uma troca com o lavrador que ali rompia o mato solicitou ao Mosteiro de Santa Cruz, os Crúzios seus Senhorios, ali edificar uma ermida dedicada a Nossa Senhora D' Atocha.

cruzios9.jpg A estória fala dum tombo de morte que o Fidalgo Bacelar teria dado dum burro e, que já dado como finado por ter caído num precipício em Madrid, prometeu que se algum dia viesse a ser pessoa importante, edificaria uma ermida em honra da senhora que ele evocou no susto da queda. A essa Senhora vinda de Bizâncio, seu primitivo lugar de culto, deu origem a que para ali se dirigissem peregrinações de sesmeiros. Desde então, D´Atocha não parou de fazer muitos milagres! Essas grandes romarias deram oportunidade aos frades Crúzios, Senhorios daquelas gândaras de expandir sua fé. Assim surgiu a Tocha que hoje conhecemos como uma praia, ventosa, batida por ondas grandes, enraivecidas permanentemente.

cruzios0.jpg Os milagres da Santa fizeram crescer o culto da cruz e daqui concluir-se sua ligação com os Crúzios da Inglaterra medieval, também conhecidos como os frades Crutched (cruzados). Nossa Senhora D' Atocha, a mais antiga padroeira de Madrid, é uma imagem de Santa Maria Sentada com o Menino no braço esquerdo. As expressões "peregrinação" e "guerra santa” termo Cruzada surgiu porque seus participantes se consideravam soldados de Cristo, distinguidos pela cruz aposta em suas roupas. As Cruzadas de tempos anteriores eram também peregrinações, uma forma de pagamento a alguma promessa com luta contra os infiéis sarracenos, mouros, ou uma forma de pedir alguma graça, e também uma penitência. Os Crúzios surgem mais tarde mas com esta filosófica postura de devoção.

cruzios8.jpg Recordar aqui que a espada dos cruzados, antigos crúzios era uma cruz com uma lâmina alongada e, assim continuou a ser. Os cruzados levavam seu credo na ponta da lâmina, uma forma bizarra de impor a fé pela submissão ou medo. E, foi daqui de Santa Cruz de Coimbra que saíram os primeiros Crúzios para aquele novo mundo chamado de Brasil; Três Crúzios desembarcaram em Belém do Pará, em terras amazónicas, encontraram muitos desafios, incluindo doenças e a morte de um membro da comunidade. Perseverantes, fundaram a paróquia da Santa Cruz em Belém, e só em 1948 deram um passo significativo ao ir para o sudeste do Brasil.

cruzios12.jpg Fundaram comunidades e começaram a servir nas cidades de Juiz de Fora, Belo Horizonte, Campo Belo, Leopoldina, e Rio de Janeiro. Mas, foram os padres holandeses que mais deram seu testemunho de trabalho e dedicação ao povo brasileiro. Foram eles grandes evangelizadores e construtores de bons cidadãos, através de trabalhos sociais. Hoje depois de muitos anos de Brasil, os Crúzios estão presentes apenas em Campo Belo e Belo Horizonte. Desbravei por curiosidade, estes conhecimentos em terras também peregrinadas por mim nesta data e no ano de 2016

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:41
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2016
MOAMBA . XI

EM MALAKA - A NUDEZ DA VIDA - Contanto que o Universo tenha tido um início, podemos supor que houve um criador. Não sei se assim pensavam no tempo dos Fenícios!…

Por   

t´chingange 0.jpgT´Chingange

malaka1.png Entre as nossas galácticas ternuras, encontramos terras muito carregadas de estrelas mumificadas. Desta feita e em Málaga de Espanha, com o sol límpido da manhã, cruzamo-nos com gente guapa e, falando língua de outros lados recuamos ao século VIII Antes de Cristo. Tempo dos Fenícios! Pisando pedras em lugares com mofo, recuamos ao tempo de gentes que por aqui aportavam fazendo disto uma sua colónia. As colónias sempre foram uma constante forma de transpor conhecimentos novos e, um lógico sequente aproveitamento de suas riquezas. Neste jeito de espotricar, os homens mudaram o mundo sem contemplar outras periclitãncias tornando-o no que é hoje.

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Vinham de Tiro do actual Líbano recolher vísceras de peixe da qual faziam uma iguaria apreciada em esse então. Foram estes os primeiros mercadores a se a aventurarem a navegar através das águas mediterrânicas. Fundaram colónias na Península Ibérica desde o mar Egeu até à vizinha Cádis nos tempos de David bordeando terra até à costa que hoje se chama Algarve. Vieram a seguir-se-lhe os Romanos que continuaram a explorar os mares fazendo o tal condimento designado de gorum, feito de sangue, vísceras e de outras partes seleccionadas do atum ou da cavala misturadas com peixes pequenos, crustáceos e moluscos esmagados.

malaka2.jpg Em princípio era para apreciar as obras de Pablo Picasso no museu de família em Granada mas frustrado por não ver ali o quadro guernica, desci às escavações aonde me inteirei dos achados arqueológicos dos tempos fenícios e romanos. Inteirei-me que para além do gorum também exploraram jazigos de prata e cobre mas e sobretudo, era a busca de moluscos que mais os preenchia, para daí fazerem a tinta de cor purpura. A busca intensa dessas espécies de moluscos nativos do mar Mediterrâneo causou extinção de alguns deles.

malaka5.JPG Apreciei favoravelmente as modernas infraestruturas para a exploração turística, as artes, os espaços ajardinados, as espécies raras de árvores em suas praças, o tratamento excelente da zona portuária com obras escultóricas antigas e modernas, lado a lado. Sua gastronomia com variados gostos na forma de tapas mas, foi no seu subsolo escavado que encontrei os rascunhos de nossos longínquos antepassados com ânforas que supostamente seguiam para Tiro e Roma cheias de garum. Se naquele tempo o gorum ido do Algarve chegou a ser uma especialidade atingindo os mil denários em Roma, hoje a sardinha tão apreciada pelos portugueses terá de igual modo, considerar-se uma “esquisita” especiaria. Restar-nos-á a sarda, a cavala e o carapau chicharro.  

malaka3.jpg Pela dificuldade na obtenção de moluscos Murex no mar mediterrânico, a tinta de cor purpura, em esses idos tempos, ficaram a um muito alto preço. Púrpura era um dos mais importantes e mais caros pigmentos naturais da Antiguidade, preparada com tintas de vários moluscos. Quantidades enormes destes moluscos eram usados para tingir tecidos e ainda são encontradas hoje, pilhas de cascas desses moluscos em alguns sítios da costa mediterrânica. A curiosidade levou a inteirar-me de que a secreção do molusco está contida dentro de uma pequena veia ou cisto e que, quando quebrada ou partida pela mão, segrega um fluido branco. Os tecidos eram banhados neste fluido branco e postos a secar ao sol para "revelar" a tintura púrpura brilhante.

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Pode apreciar-se hoje a figura do Imperador Bizantino Justiniano I ornado de púrpura de Tiro, representado num mosaico do Século VI na Basílica de São Vital. O melhor pigmento era extraído em Tiro, no Mediterrâneo oriental, e era a cor utilizada nas vestes reais romanas, cor que até aos dias de hoje simboliza realeza. A púrpura foi sem dúvida o corante de maior renome e mais caro de todos os corantes antigos. Na Roma antiga só o imperador tinha o direito de a usar pois era um símbolo de riqueza e distinção.

malaka7.jpg O imperador Nero chegou a punir com a morte o seu uso. Cada espécie do molusco dava a sua variedade de púrpura. O pigmento está presente numa secreção mucosa produzida pela glândula hipocondrial situada junto do tracto respiratório. Esta secreção é incolor enquanto fresca mudando de cor quando exposta ao sol, passando pelo amarelo, em seguida pelo verde e só depois surgindo a cor púrpura característica. Desconhecia esta particularidade!

malaka6.jpg O método geral de produção do corante consistia em esmagar os moluscos inteiros, ou abri-los e retirar a glândula, em seguida salgar essa massa durante três dias e finalmente ferver o conjunto em água durante dez dias. O resultado, era uma solução clara, concentrada do corante. Restos da carne do molusco eram separados por decantação. O tecido era mergulhado na solução do corante e em seguida posto ao sol para que a cor aparecesse. O que eu fui aprender em Málaga, antiga Malaka!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:07
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Segunda-feira, 2 de Maio de 2016
CAFUFUTILA . CXI

NAS FRINCHA DO TEMPOKIANDA COM ONGWEVA - Com Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia… 6ª e várias partes…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Prometi a Assunção Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem; uma parcial inventação falando do personagem que vi em vida, e com quem falei algures em Aracaju de Sergipe. Tive que recorrer a Januário Pieter - Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos e que tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão de Cruz credo!

afon0.jpg Após januário Pieter ter falado dos resquícios: - Não podemos fintar as leis que nos regem e, uma delas é o de só “fazermos a nós, o que fazemos aos outros”, escafedeu-se sem mais nem porquê ficando dele só essa sua sabedoria perfumada. E, esse cheiro intenso a jasmim surgiu de novo quando a tarde se estendeu no escuro da noite envolvendo-me na azáfama duma multidão ávida de frescura. Naquela “Plaza Mayor“ de Burgos comendo umas tapas de “boquerón” e argolas fritas de “calamares” regadas com cerveja “Dom Pepe” ia descrevendo o que sabia da Rainha Isabel de Portugal ao meu futuro Mano Corvo. Digo futuro, porque só dias depois, em cima da ponte de entrada de Toledo, cidade mais a Sul, fizemos um pacto de amizade perene dum modo bem peculiar: - cruzando nosso mijo-quente sobre o Tejo.

toledo1.jpg Recordava-lhe quem era a Rainha de Castela desse então quando, eis que num repentemente surge a kianda Januário Pieter envolta numa áurea fosfórica que rapidamente se esvaneceu. Com uma saudação de bater mãos como agora fazem os desportistas, chispou as nossas com ardências viscosas; depois do susto lá nos alegramos com caras de fantasmas viandantes, um pouco comprometidos com os olhares incrédulos dos circundantes. E foi ele, Januário que acrescentou: - Isabel a portuguesa foi casada com João II de Castela tendo dado à luz uma menina que veio a ser Rainha consorte de Aragón, Mallorca, Valencia e Sicilia. Foi assim chamada “la Católica” pelo papa Alexandre VI mediante a bula “Si convenit”, a 19 de Dezembro de 1496.

arau4.jpg E, continuou: - Foi ela Isabel, que concedeu apoio a Cristóvão Colombo na busca das tão cobiçadas Índias ocidentais e, que o que levou a descobrir as Américas, acontecimento que teve consequências na conquista dessas novas terras e a criação do Império Espanhol. Estávamos noutras vidas, é verdade mas desejoso que o rumo da conversa versasse coisas mais recentes e, por isso perguntei a Pieter o que é que ele pensava da nossa ida a Toledo a redescobrirmo-nos porque sei que pelos anais, formei-me “engenheiro espiritual” num lugar de Pambu N´jila da Fundação da ordem da Inmaculada Concepción, palácio de Galiana. Enquanto isso e lá no palácio do Pambu N´jila, o Costa Araújo I, seguiu as pisadas de um pintor Doménikos Theotokópoulos, mais conhecido como El Greco, pintor, escultor e arquitecto grego que desenvolveu a maior parte da sua carreira por ali.

toledo5.jpg Claro que fui obrigado a interpelar respeitosamente a minha kianda porque queria saber mais sobre as sereias progenitoras de Assunção Roxo e Oxor, as tetranetas em mares da kalunga do Brasil, mais propriamente de Guaxuma das Alagoas.  Cada coisa a seu tempo meu ilustre T´Chingange, teremos de circular por aqui algum tempo para irmos à profundeza das verdades do paratrás. É bom que ponhas a trabalhar teu relógio de areia porque daí irá sair uma praia com características mesolíticas; no futuro aí te irás espanejar com teu Mano Corvo se for o caso, disse assim sem titubear.   

araujo 41.jpg - Tchingange, meu amigo, agora que nos conhecemos melhor, dir-te-ei que não será tão rápido que chegaremos à tua, melhor, vossa Angola. Tereis de esperar até jorrar petróleo pelo tubo ladrão. Falou assim para nós dois, e nem demos muita importância a falar de algo desconhecido, pensando até ser um seu assistente com nome de petróleo; era normal ele falar assim de coisas plasmosas! Nós só ouvíamos! Naquele dia de Maio, despedimo-nos.

toledo4.jpg Ele, a kianda, seguia para Cádiz, mas decerto nos iria visitar por uns dias a Toledo e Alhambra de Granada. Combinamos desta forma um encontro para dias mais tarde em Granada; talvez aí pudéssemos pôr os assuntos em dia e saber dos nossos antepassados feitos em pó. Taciturnos, com um peso no coração, despedimo-nos de Pieter; Os Manos-corvos viviam agora nesse privilégio de ter um amigo com a sapiência de mais de 500 anos. E, ia eu jurar que ele só tinha 385 anos, pelo seu aspecto tão jovial. Como a gente se engana!

Personagens da estória: Assunção Roxo e a Sereia Roxo, (uma em duas - reflexo do espelho - Oxor); Joquim de Lisboa: O homem da traineira  inspirado em Diogo Cam; Mano Corvo - T´Chingange (O próprio); Mano corvo I - Costa Araújo na 1ª encarnação; Ze Peixe - O homem golfinho de Aracajú em Sergipe; Januário Pietrer - Uma kianda assombração dos mares, um velho amigo com mais de 500 anos de Cruz-Credo (criação do Soba).

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:02
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Domingo, 24 de Abril de 2016
XICULULU. LXXIV

EUROPA - ENGENHARIA FINANCEIRA - Para ler com tempo! - Assim vai esta EUROPA a cair aos pedaços...  (noticia atrasada, só como como indiciadora dos paraísos fiscais)

Holanda: um cínico paraíso fiscal

t´chingange.jpegAs escolhas de T´Chingange

   xicu10.jpgVicenç Navarro* ::: Um artigo de um catalão* -  merecedor de leitura. A pessoa em causa, prejudicou com imensa perfídia (não só aos espanhóis e gregos...). Das empresas Portuguesas para já, que me lembre temos a Sonae e a Jerónimo Martins.

xicu 1 - Jeroen_Dijsselbloem.jpg Jeroen Dijsselbloem** – Nome do ministro holandês que pressionou Espanha e Grécia para adoptarem as medidas de austeridade tem transformado a Holanda num grande paraíso fiscal. Qualquer leitor que tenha seguido de perto as notícias sobre a Grécia recordará que uma figura crucial da imposição das políticas de austeridade ao povo grego, as que tiveram um impacto devastador para aquele país, foi o Presidente do Eurogrupo, o ministro da Fazenda da Holanda, o Sr. Jeroen Dijsselbloem, que liderou o ataque (e não há outra forma de descrever o que ele fez) contra a Grécia, forçando o país a aplicar as receitas neoliberais, que causaram dano, não só às classes populares gregas, mas às de todos os países – incluindo a Espanha – cujos governos adoptaram as mesmas receitas.

xicu13.jpg Tal personagem foi especialmente duro nas exigências fiscais, acusando o governo do Syriza de não fazer o trabalho que tinha que fazer, ou seja, recolher fundos públicos para pagar as dívidas herdadas do governo conservador liberal anterior. E este mesmo senhor vem pressionando o governo espanhol, com extrema insistência, para que faça mais cortes e ajustes do gasto público, aplicando as mesmas políticas públicas que causaram efeitos danosos ao povo grego, liderando o sector mais duro do Eurogrupo, conformado pelos ministros de Economia e Finanças dos países da Zona Euro, que ele preside. Depois da Grécia, Dijsselbloem escolheu a Espanha como seu alvo principal exigindo cortes de nada menos que de 9 bilhões de euros, que desmantelariam ainda mais o já bastante subfinanciado Estado de bem-estar espanhol.

 

way4.jpg A Espanha é um dos países com mais baixo gasto público social por habitante entre os quinze mais importantes países da União Europeia, em saúde, em educação, em pré-escolas, em serviços domiciliários, em moradia social, em serviços sociais e um longo etc. Mas tal personagem colocou como prioridade um trabalho para que esse gasto seja ainda menor – segundo ele, o deficit público da Espanha é hoje o maior problema o país tem, ponto de vista que, por certo, é amplamente sustentado pela maioria dos economistas neoliberais, os quais possuem grande projecção mediática nos meios de informação e persuasão espanhóis (incluindo os catalães).

urubu.jpgQuem é este personagem, o Sr. Dijsselbloem?

O que não se sabe – porque não se publica em nenhum dos maiores meios de informação – é quem realmente é este senhor. Esse personagem jogou um papel crucial no trabalho de transformar a Holanda num paraíso fiscal onde as maiores empresas europeias (incluindo algumas espanholas) e norte-americanas evitam pagar seus impostos nos países onde se realiza a produção, a distribuição ou o consumo dos seus produtos. A política impositiva desse país está desenhada para atrair as companhias multinacionais, que estabelecem suas sedes na Holanda. As vantagens fiscais e subsídios públicos, assim como seu tratamento favorável às rendas do capital, são bem conhecidas no mundo financeiro e empresarial.

carambola5.jpg Isso explica que existam muitas companhias que estabelecem sua sede na Holanda (desde a mineira canadense Gold Eldorado à estadunidense Starbucks, a lista é enorme). Na verdade, algumas dessas companhias possuem na Holanda somente um endereço postal, sem sequer um edifício de referência, como é o caso dos grupos musicais Rolling Stones e U2, do Sr. Bono Vox, que se fez famoso e rico supostamente defendendo os pobres do mundo. Muitos desses benefícios fiscais e subsídios, assim como as transacções financeiras, não têm transparência, e até mesmo os membros do Parlamento holandês não têm acesso a essa informação.

xicu14.png É surpreendente como a Holanda, porém, não aparece na lista de paraísos fiscais. E isso se deve à activa mobilização da coalizão governante na Holanda, formada pelo partido social democrata, ao qual pertence o ministro da Fazenda, o Sr. Dijsselbloem, dirigindo a política económica e financeira do país, e pelo partido radical de directa, os quais aprovaram juntos uma lei no ano de 2013, que indica que a Holanda não é um paraíso fiscal, por mais que se pareça. Assim, o governo holandês praticamente proibiu o uso de tal termo, o que não foi um obstáculo para que esse mesmo governo apoiasse a realização de seminários para empresários estrangeiros (realizados em países estrangeiros, a Ucrânia foi o último deles) para lhes ensinar como evitar pagar impostos na Holanda.

tzi1.jpg pal3.jpg

Como bem indica o estudioso economista David Hollanders, a Holanda é um exemplo clássico e ilustrativo sobre o que é um paraíso fiscal. Ele aponta, em um de seus estudos, que há 12 mil empresas (que fazem circular um total de 4 bilhões de euros) que possuem uma sede postal na Holanda, que incluem 80% das cem maiores empresas do mundo e 48% das maiores companhias que aparecem na revista Fortune.

CAPITALISTA.jpg Entre tais empresas com sedes holandesas, estão empresas portuguesas, espanholas (como a empresa que se beneficiou da privatização da empresa pública Aigües Ter Llobregat, realizada pelo governo da Catalunha), gregas e outras, o que significa que Grécia, Espanha, Portugal e outros países deixam de arrecadar impostos (milhões e milhões de euros) e que os cofres desses Estados perdem dinheiro devido às políticas aprovadas pelo governo holandês, políticas essas que tiveram como um dos principais responsáveis justamente o Sr. Dijsselbloem, o mesmo personagem que acusa a Grécia e a Espanha de apresentarem excessivos deficits públicos, os quais talvez não existiriam se as grandes empresas pagassem os impostos que deveriam pagar se não tivessem suas sedes fora do país, em países como a Holanda. Portanto, este senhor foi um dos que favoreceu essa situação, a qual ele agora condena.

xicu11.jpgSabe-se que o Sr. Jean-Claude Juncker***, hoje Presidente da Comissão Europeia, é outro personagem que fez o mesmo quando foi presidente e ministro da Fazenda de Luxemburgo, outro paraíso fiscal onde um grande número de empresas internacionais, incluindo espanholas, possuem sua sede. O Sr. Jean-Claude Juncker também é dos que usa todos os meios para pressionar em favor da aplicação de políticas de austeridade na Grécia e na Espanha. Mas não se sabia tanto desta outra figura, o Sr. Dijsselbloem. O cinismo e a indecência – para não dizer falta de ética - ambos os sujeitos alcançam níveis sem precedentes. E esta é a Europa à qual nós pertençamos.

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*…..Vicenç Navarro - Catedrático de Economia Aplicada na Universidade de Barcelona. Professor de Ciências Políticas e Sociais na Universidade Pompeu Fabra de Barcelona e professor de Políticas Públicas na The Johns Hopkins University (Baltimore, EUA).

**…..Jeroen René Victor Anton Dijsselbloem é um político Holandês do Partido do Trabalho. Actualmente é Ministro das Finanças dos Países Baixos e presidente do Eurogrupo.

***….. Jean-Claude Juncker é um político luxemburguês, tendo sido o primeiro-ministro do Luxemburgo, de 20 de janeiro de 1995 até dezembro de 2013

As Opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:11
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Sábado, 9 de Fevereiro de 2013
MULUNGU . XXXIII

HISTÓRIA REAL DO MAIOR JOGADOR DO MUNDO NA ACTUALIDADE....

Lionel Messi2ª de 2 partes

 

E com a bola quase a dar-lhe pelos joelhos, aquela habilidade enorme logo maravilhou os treinadores do Barça. Carles Rexach, director do centro de formação do Barcelona, ficou maravilhado com o prodigiosíssimo argentino. Ao cabo de dois treinos, não hesitou e logo tratou de arranjar contrato. E ficou espantado com a proposta do pai do craque: o Barça só tinha de lhe pagar os tratamentos que os médicos argentinos sugeriam. Foi dito e feito. Durante 42 meses, Lionel levou, todos os dias, injecções de somatropina, hormônio de crescimento inscrito na tabela de produtos proibidos pela Agência Mundial Antidopagem, e só autorizada para fins terapêuticos. Em 2003, o milagroso hormônio fizera de Lionel o que ele é hoje, um rapagão de... 1,69 metros!

 No Verão de 2004, acabadinho de fazer 17 anos, e já com contrato profissional, entrou para a equipe B do Barça. Mas fez só cinco jogos, porque aquele enorme talento não cabia no "Miniestadi". Reclamava palcos maiores. E rapidamente começou a jogar no Camp Nou, na equipe principal. Em 16 de Outubro de 2004, o prodígio fez a grande estreia na liga espanhola, num derby com o Espanhol. Em 1º de Maio de 2005 entrou para a história do Barça: marcou no Albacete e tornou-se no mais jovem jogador a marcar um golo pelo Barcelona. Aos 17 anos, dez meses e sete dias, começou a lenda. Cinco anos depois, Messi teve a consagração absoluta. Foi eleito Melhor Jogador do Mundo de 2009, após uma época de sonho, concluída com um feito inédito do Barça "de las seis copas": campeão de Espanha, da Taça do Rei, da Super taça Espanhola, da Super taça Europeia, da Liga dos Campeões, do Mundial de Clubes. Ufff!

 O craque que o Barça contratou pelo custo da terapia de crescimento é, hoje, a maior jóia do futebol mundial, segurada por uma cláusula de rescisão de... 250 milhões de euros! E é, também, o mais bem pago de todos: o menino pobre do bairro de La Heras é, agora, multimilionário, recebendo qualquer coisa como 33 milhões de euros anuais em salários e publicidade. Nem em contos... Lionel Andrés Messi 23 anos (24/06/1987) Nacionalidade: Argentina (os argentinos têm vergonha de não terem tratado do rapaz). Títulos: campeão Espanha (2005, 2006, 2009, 2010 e 2011), taça do rei (2009); super taça Espanha (2005, 2006, 2009 e 2010); liga dos campeões (2006, 2009); supertaça europeia (2009); mundial de clubes (2009).  "GRANDE LIÇÃO DOS PAIS QUE NÃO DESISTIRAM DO SONHO: CURAR O FILHO." Não se focaram só no problema, mas sim na solução e sem a ajuda dos clubes argentinos.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:11
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013
MULUNGU . XXXII

HISTÓRIA REAL DO MAIOR JOGADOR DO MUNDO NA ACTUALIDADE....

Lionel Messi 1ª de 2 partes

 Mesmo que você não goste de futebol, ou não gosta dele, leia para ver como são certas passagens da vida. Para os adeptos do Barça, a oitava maravilha é Messi. Eis uma história, uma lição de vida, que encanta Camp Nou. É uma desforra bem pessoal, a história do menino autista aos 8 anos, anão aos 13, que via o mundo a 1,10m do solo. É esse mesmo, , que botou o corpo à base de tratamentos hormonais e que, 59 centímetros depois, encanta o mundo do futebol, naquele jeito singularíssimo de conduzir a bola colada ao genial pé esquerdo, como se o couro redondo fosse um mano siamês, uma mera extensão corporal, um órgão vital, inseparável.

 Barcelona rende-se ao talento de "La Pulga" e os adversários caem aos pés de um talento puro e raro. E por muito talento que tivesse para jogar a bola, estaria o rapaz consciente do destino glorioso que lhe estava reservado? O miúdo de 16 anos que vestiu pela primeira vez a camisola da equipe principal do Barcelona num jogo com o F. C. Porto, a 16 de Novembro de 2003, na inauguração do Estádio do Dragão, o Lionel Messi que agora caminha sobre a água, é ainda o mesmo menino que sobrevoou o Atlântico, em 2000, para se curar de uma patologia hormonal. Lá na Argentina, na Rosário natal, os prognósticos médicos eram arrasadores: sem tratamento eficaz contra o nanismo, Lionel chegaria à idade adulta com 1,50 metros, no máximo.

 Os diagnósticos alarmaram os Messi. E o custo dos curativos também: mil euros mensais, ou seja, quatro meses de rendimentos da família de La Heras, um bairro pobre de Rosário. Mas o pai de Lionel não se resignou. Sabia que o filho, pequeno no corpo, era gigante no talento. E não aceitou a fatalidade. Nessa altura, o prodígio de dez anos despontava no Newells Boys, fintando meninos com o dobro do tamanho e marcando golos atrás de golos. O pai sugeriu ao clube que pagasse os tratamentos de Lionel. A resposta foi negativa. E o mesmo sucedeu quando os Messi foram bater à porta do grande River Plate. Na adversidade, a família Messi teve mais força, com a ajuda de uma tia de Lionel, emigrada na Catalunha. E foi assim, em 2000, ainda antes de completar 13 anos, que Lionel e os pais viajaram até Lérida. Dias depois, o pequeno prodígio foi fazer testes no Barcelona...  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:10
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Terça-feira, 26 de Abril de 2011
MUJIMBO . XV

{#emotions_dlg.meeting} AS ESCOLHAS DO EMBAIXADOR DO KAKUAKU – “Boni”
         El Confidencial. Espanha

 Bloco de Esquerda

El eurodiputado que desencadenó la cruzada contra los viajes en clase business de los políticos comunitarios ha caído bajo su propia munición. El portugués Miguel Portas, del Bloque de Izquierda, ha sido cazado volando plácidamente en primera tras haber exigido a sus colegas que renunciaran a este privilegio. La fotografía a la que ha tenido acceso este diario fue en un vuelo de la compañía TAP por otro eurodiputado luso, víctima de la campaña desatada por Portas. Una venganza política de manual.
Portas defendió el pasado 6 de abril en el Parlamento Europeo diversas medidas de austeridad, como acabar con los viajes en primera clase, pero la mayoría de grupos votaron en contra, alegando que esta institución mantiene acuerdos con agencias de viajes para obtener descuentos en la compra de billetes de clase business. No obstante, esta decisión provocó un auténtico incendio entre los usuarios españoles de Twitter, que no tardó en saltar a los medios de comunicación.
La controversia se extendió también a los diputados nacionales, poniéndose de manifiesto el convenio del Congreso con Iberia para que sus señorías vuelen en business más barato que en turista, o su afición a viajar en preferente en AVE a cargo de la Cámara. Pero la polémica que ha irrumpido en la agenda política española poco tenía que ver con los verdaderos intereses de Portas. El izquierdista portugués pretendía golpear a sus adversarios conservadores lusos, dada la proximidad de las elecciones generales en ese país, que tendrán lugar el 5 de junio. De hecho, este eurodiputado llegó a confeccionar un video sarcástico en el que ponía cara, nombre y apellido a sus colegas portugueses que se habían opuesto a su iniciativa de austeridad.
Efecto bumerán. Sin embargo, la indignación ciudadana no prendió en Portugal, sino en España, siendo prácticamente el único país de la Unión Europea donde se ha abierto el debate sobre los privilegios de los eurodiputados a raíz de esta votación. Por si fuera poco, Portas ha sido cazado por uno de sus rivales políticos cuando dormía placenteramente en un asiento de primera de regreso a su país.

 A soneca do Eurodeputado
Portas se ha puesto en contacto con este diario para asegurar que la fotografía podría corresponder en realidad a un viaje oficial que realizó en octubre de 2009 a Mozambique como observador electoral de la Eurocámara. “Las delegaciones oficiales fuera de Europa viajan en clase ejecutiva. Es una regla que no discuto”, señaló a través de correo electrónico. Además, quiso matizar su posición contraria a los vuelos en primera indicando que utiliza esta clase cuando compra el billete con bastante antelación, y cuando no encuentra sitio en turista. “Yo no critico a quien utiliza actualmente la clase ejecutiva. No me considero diferente ni mejor”, expresó. Asimismo, tachó de “basura” y “calumnia” la fotografía.
Su maniobra ha tenido un inesperado efecto búmeran que puede acabar con su credibilidad política. Aunque, de paso, puede llevarse por delante parte del crédito que le resta a los parlamentarios europeos, a ojos de los ciudadanos españoles. Y es que, habrá quién se sienta decepcionado por que el azote de los gastos de los eurodiputados practique justamente aquello contra lo que presume de combatir. Mientras, los representantes españoles en Bruselas se han pasado a la clase turista, aunque sea a costa de billetes más caros, para escapar de las críticas. Al menos, hasta que pase la campaña electoral o se desvanezca el clima creado por eurodiputadoscaraduras

Que coisa! isto é politica!?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:38
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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010
SANTIAGO . II

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

           "2010 - Ano Jacobeo"

FLORES . NA ROTA DE MANUTENÇÃO  DO SOBA

A industria do turismo aliada a grupos ecologistas, lançam novo vigor aos caminhos de Santiago recuperando percursos, elaborando mapas e editando roteiros com mapas e guias culminando na classificação como patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Neste século XXI, o objectivo de chegar a Santiago começa a partir da porta da casa de cada um que, percorrendo as sinalizações da “Vieira” se pode lá chegar a pé, de carro, a cavalo, de bicicleta ou comboio.

Porque já lá fui três vezes, guardo no meu museu de recordações uma Vieira, um cajado e uma cabaça, símbolos do peregrino.

Nos tempos medievais, a concha “vieira” funcionava como um certificado de que a peregrinação tinha sido feita cosendo-a à roupa.

São oito os principais caminhos de Santiago: - O Frances passando por Burgos, O Inglês , O do Norte ou o Cantábrico, o Primitivo, o de Finisterra - Muxia, a Via da Prata, a rota do Mar de Arouca e o Português.

O Caminho Francês é talvez o mais destacado e popular pelo legado histórico, cultural e beleza das paisagens que têm início em em Saint Jean Pied de Pôrt, nos Pirineus franceses prolongando-se por 800 quilômetros.

 

CATEDARL DE BURGOS . CAMINHOS DE SANTIAGO

O Caminho Luso ou Português tem vários trilhos pedestres com intrincados itinerários Jacobeus com sinalização a partir do Braga, Valença e Porto ligando-se a Tui e Pontevedra na Galiza espanhola.

A rainha Santa Isabel, o rei D. Manuel I e São Francisco de Assis, utilizaram este caminho a partir de Coimbra.

Os viajantes, almocreves, aventureiros, bandidos e contrabandistas utilizaram estas rotas pernoitando em albergues tendo em tempos idos os Templários como guardiões. Hoje pode consultar-se na NET os vários grupos de caminhantes e assim agendarem um programa conforme o seu meio de locomoção, ficarem em albergues e até terem guias de grupo patrocinados pelas autarquias localizadas ao longo do percurso.

Ao longo do caminho português existem centros de apoio ao peregrino mas, quem se aventure nesta longa caminhada faça-o por etapas de não mais de trinta quilômetros por dia; leve uma mochila anatômica com peso não superior a 10 % do seu peso levando um saco cama, uma esteira leve, capa de chuva, botas de montanha resistentes à água e meias de algodão. Os albergues existentes, na maioria são gratuitos havendo apoio aos pedestres nas épocas altas de visitação. É conveniente levar cremes hidratantes, um chapéu de aba larga, um cantil e preparar-se psicologicamente para sofrer com agrado. 

(continua)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:38
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Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010
SANTIAGO . I

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

   “2010 Ano Jacobeu”

 Catedral de Compostela

 

Em ano Jacobeu, todos os caminhos vão dar a Santiago de Compostela. Desde o descobrimento do túmulo do apóstolo Tiago no século IX, Compostela passou a ser a mais importante rota de peregrinação na Europa medieval.

Ao longo dos Caminhos de Santiago podem encontrar-se testemunhos monumentais, relíquias e lendas que sobrevivem até aos dias de hoje.

Sempre que o dia 25 de Julho, dia da consagração de São Tiago, calha a um domingo, aporta santa da Catedral abre excepcionalmente nesse ano; é o caso do ano de 2010.

Com histórias de cavaleiros Templários, um misto de religiosidade e desafio, busca-se o autentico de si mesmo num percurso de estilos românticos e góticos, monges beneditinos cruzando montanhas, rios, cidades e bosques de pinheiros, faias e trigais.

A viagem no empo, tem início no ano de 812, quando um eremita reparou em um campo aonde não paravam de cair milagrosas estrelas; o lugar do túmulo do apóstolo.

Entre os vários caminhos de santiago, destaca-se o caminho primitivo que sai de Oviedo constando ter sido D. Afonso II, o castro rei Asturiano o primeiro dos peregrinos.

Este monarca mandou construir uma igreja e um mosteiro em Compostela e, encarregou os monges Beneditinos de conservar o sepulcro do Santo a assegurar o culto.

Este lugar sagrado foi reforçado na reconquista Cristã contra o Califado de Córdova muçulmana (moura) fazendo de Compostela um destino tão importante como Roma ou Jerusalém tendo os templários como guardiões e os cruzados como conquistadores e propagadores da fé Cristã.

 

 Os Caminhos de Santiago

 

A partir do século X, as rotas vão-se consolidando com a construção de igrejas, mosteiros, hospedarias, pontes e calçadas com forte intercâmbio cultural e artístico da Idade Média até ao século XIII.

Devido a pestes e divisões religiosas a peregrinação a Compostela decaiu até ganhar de novo notoriedade nos finais do século XX.

 

BURGOS . T´Chingange com sua neta e um peregrino

 

Paulo Coelho, escritor brasileiro e tantos outros, aliados aos muitos grupos de caminhantes contribuíram no rejuvenescer da mística, crença que move milhões de seres; um estado de espírito a que os humanos estão cada vez mais sujeitos por via das muitas e variadas contrariedades na vivência do mundo actual.

 

(continua)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:35
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
ALHAMBRA DE GRANADA . VI

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

             5º encontro com a  kianda . o pacto de sangue

 ALHAMBRA

 

Os seguranças de serviço levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.Tratados como mustáfas por via da indomentária de Januário Pieter, o espanto fez-nos sentir os maiores previligiados. A partir daqui rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quarteis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitários e jardins.

O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas  de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece não haver gravidade.

 

Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu T´Chingange e Pieter selamos o nosso pacto de sangue. Tinhamos em frente um belo claustro formado por muitas colunas, o lugar mais Pambu N´gila de todos os lugares aonde estivemos antes. Este sítio era em verdade um sem número de flocos dourados caídos do Duilo e, foi ali que ambos picamos o centro da palma da mão esquerda de onde saíu uma bolha de sangue. Eu T´Chingange cuspí na mão esquerda de Pieter dissolvendo-se no sangue e ele fez o mesmo na minha mão esquerda; com a mão direita ambos acariciamos as cabeças dos leões e ,eu primeiro e depois Pieter, desferimos com a direita em cutelo na mão esquerda do outro um enérgico movimento fazendo chispar sange e cuspo no ar. Teve de ser ali porque o leão que pela boca deita água simboliza o Sol da qual brota a a vida. Os doze leões, são os doze Sois do Zodiaco, os doze meses que na eternidade existem em simultâneo. Eles, os leões sostêem a Kalunga  como os doze torros de ferro no templo de Salomão. É este o depósito das águas celestes dessa Kalunga. Este simbolismo único, venera a água como a pura vida e, foi ali que também, ambos choramos lágrimas de prata pulindo o chão do Califa para ficarmos Manos-Kilombelombe.

Januário Pieter falou de que quando ficasse um antigamente, de mais tarde, eu um mais candengue,  me iria recordar deste selo de Mano-Kilombelombe enquanto ele, lá na ilha da ensandeira do Kwanza, recordaria os espíritos dos M´fumos Kia-Samba e Manhanga como um minkinsi.

Pieter recordava as minhas próprias brincadeiras com os  candengues no mar da Samba, os pactos de amizade feitos a cuspo e bisgo da mulemba nos suburbios da Lua. A Kianda Pieter sabia tudo! Sukuama!

- Deixa só, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir, disse eu batendo dedos no ar enxotando maus olhados.

 

Glossaário:

Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade)

kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral

Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México)

M´fumos : - Chefes

Samba: - Lugar ente a Quissala e Futungo (Belas da  Luanda de antigamente)

Manhanga: - Bairro da Maianga, lugar de cacimba

Amazulu: - Dialeto Zulu

Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado

Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cós diabos; Porra!

Bisgo: - Resina de mulemba usado para apanhar pássaros,da mulembeira (árvore de grande porte que dá uns figos pequenos)

Lua – Diminutivo de Luanda

 

(Continua ... Alhambra de Granada VII)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:35
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
A IMPORTÂNCIA DA NOTÍCIA . I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

             GOMERA . Ilha Colombina

 

ILHA DE GOMERA

 

Querendo ou não, não podemos ficar indiferentes ou alhearmo-nos da noticia do que nos cerca e, relegarmo-nos  para um lugar do nada, sitio de extrema apatia aonde nada floresce.

Em Gomera, estive no meio dum bosque de laurissilvas, parque património mundial e, no cume da montanha no meio de intenso nevoeiro lembrei-me das estórias de meter medo que meu pai contava aos serões; estórias de lobisomens, bruxas com quem disse ter namorado e  ter feito cavalgadas entre pinheiros que se curvavam ao vento dos espíritos.

Nesse então ainda não conhecia a kianda de Cabo Ledo do outro lado da kalunga de nome Januário Pieter.

O livre exercício da escrita é um gozo que todos nós podemos exercitar e, por via desse gosto de empilhar palavras, amassamos estas entre verbos e adjectivos sublimados em gente que respira no dia a dia incertezas, preocupações e outros tormentos.

Entre inebriante inquietude de permeio com algumas alegrias, a nova coisa da escrita torna-se de um investimento gratuito em um bem colectivo. Casuisticamente as coisas sucedem em translado de bicuatas e, descobre-se no meio do mundo ou do nada  num lugar distante, cumplicidades.

 

Quase sem querer, querendo, tornei-me súbdito dum alograma em forma de gente e a quem recorro para falar a homens que se comunicam por assobios circunscritos numa ilha empinada de morros e ravinas. Isto é Gomera!

A comunicação via espírito num lugar daqueles tão arredio a inovações, à mais de quinhentos anos atrás, deu-me o mote  das descobertas e os amores de Colombo.

Acostumei os meus leitores a escritos torcidos de invulgaridade e nem sempre respeitando a semântica natural da palavra; a rebeldia no jeito de dizer as coisas  desconhecem imperativos e, como me encontrei naquele sitio de aguçada curiosidade, uma gruta de lava em terras Canárias, na Ilha dos ventos alíseos, pedras roçadas por cordas das naus de Cristóvão, o Colombo, vou ter de me apoiar nesses costumes de antanho, aonde os homens se comunicavam por roncos, grunhidos ou silvos.

 

Em Gomera, uma das sete  bonitas ilhas que compõem o arquipélago das  Canárias tentei  entender o que se passou quando da sua descoberta até aos dias de hoje.

O mundo em geral pouco sabe acerca do povo Guanche, mas  foram estes os aborígenes que os Espanhóis encontraram quando acharam esta ilha a cerca de 80 quilómetros da costa Marroquina.

Em 1402 Juan de Bettencourt achou a ilha de Lançarote, e passaram quase cem anos até se descobrir as restantes ilhas; constatou-se daí que, entre elas não se fazia navegação por simples desconhecimento dessa mesma gente.

Não obstante os Guanches terem rasgos iguais de fisionomia e costumes similares nas várias ilhas, tinham no entanto diferença no modo de falar; havia palavras idênticas mas, desconheciam-se entre si, o que leva a supor muitos séculos de separação entre eles.

( continua... charruas de corno de cabra - notícia II )

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:08
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Sábado, 17 de Outubro de 2009
INVENTAÇÕES DA HISTÓRIA . I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

Cristovão Colombo e as Ilhas de Porto Santo e Gomera

 CRISTOVÃO COLOMBO

 

Em Porto Santo  da Madeira visitei a suposta casa aonde Colombo viveu e, fiquei confuso com isto porque, numa visita à ilha de Gomera das Canárias, anos antes, tinha retido a informação de que, em San Sebastián, vila capital desta ilha, o mesmo Cristovão se tinha perdido de amores por uma bela donzela.

Vamos esmiuçar superficialmente esta globália.

Do reconhecimento oficial de Porto Santo em 1418 até à chegada à ilha Tanegashima em 1543 percorre-se mais de um século de abertura ao mundo, uma esperiência pioneira de globalização até um extremo oriental nunca sonhado. Sucede que àquela ilha vai parar uma estante de missal Japonesa do periodo Edo, início do século XVII que serve a rituais liturgicos católicos com uma arte que então se chamava de Namban. Os Namban não era senão os bárbaros do sul, os estrangeiros exóticos, os portuguêses que de elmo à cabeça, vestidos de ferro e latão dourado levavam uma cruz processional de bronze dourado; hábitos de militares e conquistadores na força da fé cristã.

 

Tem mais: - O Tratado de Tordecilhas estabelecido em 1494 dividindo o mundo entre as duas maiores potências do Ocidente era proposto por Portugal  a divisão do mundo por uma linha merediana passando 370 léguas (1184 milhas) a Oeste das Ilhas de Cabo Verde. Esta exigência é bem reveladora do conhecimento secreto da existência do continente Sul-Americano, nomeadamente do Brasil.

 

Cristovão Colombo (1451-1506), o Genoves, desde cedo dedica-se á arte de navegação e, em 1476 seu navio precário naufraga na costa portuguesa salvando-se a nado. Àvido no contacto com gente conhecedora da arte de marear encontra apoio em Lisboa de um descendente de patricio de nome Bartolomeu Perestrelo Moço; este, presumivelmente seria neto de Filipo Pallastrelli, um comerciante de origem italiana que chegara a Lisboa nos finais do século XIV tornando-se um cavaleiro da casa do Infante D.João e, mais tarde da do Infante D. Henrique. Foi em Portugal que Colombo estudou as rotas maritimas, efeito dos ventos, correntes marítimas e o conceito de terra redonda.

D. Henrique, na qualidade de Mestre da Ordem de Cristo, titular das ilhas, entrega a administração da capitânia de Porto Santo a Bartolomeu Perestrelo (pai) enquanto as do Funchal e de Machico ficam  respectivamente entregues a João Gonçalves Zarco e a Tristão Vaz da Teixeira.

Continua...II...casamento com Filipa Moniz)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:07
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
ALHAMBRA DE GRANADA . V

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

         5º encontro com a  kianda Januário Pieter

 

ALHAMBRA 

 .                      PÁTIO DOS LEÕES

 

Estou contente de saber dos meus antepassados, disse Januário Pieter. Agora só quero mesmo ficar no pé duma mulembeira, lá no meu kimbo de Cabo Ledo e, de vez em quando subir com os mwenangolas até Muxima ou Massangano a esvoajar minha velhice; ir ao lugar do eco repartido, jangandeando com os maculos, perfurar outras sombras, outras kiandas desastradas que só fazem canvuanza, mesmo.

Pieter dava xinfrim de xoto em cima de mim, falando um amazulu impenetrável, banhos de àgua de defunto dum xova-xitaduma do Maputo; parecia ter saído dum d´jango esfumado em liamba  com as lamparinas dum matumbola, que fica mesmo no corpo vazio ocupado por um ilundado; um grande chicoxana, mesmo.

- Mas tu já és uma kianda,...meu! Disse eu falando das minhas verdades.

- É mesmo, mas, no entretanto, é tempo de começar a esquecer e ser esquecido. No futuro, serei lembrado como a kianda n´kuluculu mulungo de toda a kalunga.

 

Meio dia eram já quase, quando acabando de subir a rampa de “Gomerez” e, estavamos a passar a porta “Puerta de las granadas”  quando desviei a conversa para um tás-a-ver de visão árabe, ali aonde que a conversa da manhã nos tinha empurrado nesse linguajar de espíritos,... nos estão esperar dentro deste portão d´Alhambra, lugar de muitas sombras, espantos de califas.

Chegados à “Puerta de la Justícia”, datada de 1348, reparamos que na pedra chave do primeiro arco estava gravada uma mão aberta chamada de “Al-Hanza” cujos dedos, sigificam os cinco fundamentos do Islão, a saber: - A crença de haver um só Deus em sua mensagem a Muhamad, a oração de cinco vezes ao dia, o imposto religioso (a limosna do dizimo), o jejum ou Ramadão e, a peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida. 

 

Esta porta aberta dava para uma outra fechada havendo no alto desta um espaço aberto de onde, em caso de cerco, os sitiados de “Al-Hamra”podiam fustigar, arrojando pedras, azeite fervente ou chumbo derretido em cima dos atacantes não dando assim, oportunidade a que forçasse a porta. Esta originalidade da arquitectura Nazaríe explicada por mim a Pieter, fê-lo dar um estalido de lingua no céu da boca:

- Sukwama! Mahezo!, grande muzua! De quilunza mesmo!

Passamos ao lado de “La puerta del Vino” um lugar em que funcionava o mercado do vinho lá pelo ano de 1554 e, era em verdade uma fronteira entre o núcleo militar de “Alcazába” e a cidade medieval aonde, em esse tempo, viviam 2000 habitantes; uma porta policromada num entricado rendilhado.

E, continuei explicando:

- Nesta terra de Árabes, Abd-Allah, instalou-se aqui no ano de 889 e por aqui permaneceram seus seguidores por 603 anos. Sairam ao fim desse todo tempo, quando governava o Califa Muhamad XII da dinastía Nasrí (Nazaríes) no tempo dos Reis Católicos de Espanha e Carlos VIII de França.

Glossaário:

Mwenangola: - Donos de Angola; reis de N´gola

Maculo: - Antepassado

Canvuanzaa: - Confusão; luta; xinfrim

Xinfrim de xoto: - Confusão de bufa; peido doido

Amazulu: - Dialeto Zulu

Xova-xitaduma: - Condutor de cangulo (Moçambique); um monangambé proletário; Condutor de carro de mão

D´jango: - Casa comunitária; forum; sitio de assembleia do povo ou de reunião; sítio só p´ra falar mesmo, ou cachimbar

Mulungo - M´zungo; branco em Zulu

Matumbola: - Morto vivo, uma assombração; um deus-me-livre; alma penada

Ilundado: - Espírito superior

Chicoxana: - Século (Angola); ancião com sabedoria, Kota com suko

N´`kuluculu mulungo: - Deus branco (Zulu)

Al-Hamra: - Alhambra em árabe

Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cós diabos; Porra!

Mahezo!:  - Tenho dito!

Muzua: - Armadilha; artefacto de prisionar

Quilunza: - Arma de fogo

 

(Continua ... Alhambra de Granada VI)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:23
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
ALHAMBRA DE GRANADA . IV

     FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

5º encontro com a kianda Januário Pieter

 COLÓNIA DE SACRAMENTO . URUGUAI

 

Januário Pieter o excêntrico fora de tempo, saudou-me pela segunda vez só que, em amazulu com um samboniani. Recordando-me de tal saudação respondi um kunjani, meu.

- E, porquê tudo isto? Interroguei-o enquanto sinalizava em gesto, o seu aspecto.

- Porque venho de visita aos mustafás de Alhambra. Tinha de condizer com os meus antepassados mouros a estes mulungos.

- E para quê, essa adaga aí na cintura? Perguntei.

- Para respeitar as tradições antigas, homem sem arma não é ninguém e eu, não atravessei a kalunga para fazer má figura. Tambem é uma homenagem aos meus mestres de Toledo, acrescentou.

Depois de todas estas explicações sentou-se. Mandou-se vir uma taça de tinto “rioga”e umas quantas chamussas, pois o senhor kianda extra-planetário, estava com uma fome de leão da anhara.

- Afinal, encontraste resquícios de teus familiares mulungos dinossauros? Perguntei eu com uma intimidade um tanto abusiva.

- Pois! È assim,... vou-te contar tudo: - Meu tio Antoine, o mais candengue, dedicou-se à igreja, foi para padre; esteve com meu pai Lestienne em Burgos a trabalhar nos jardins de “Cartuja de Miraflores” mas, depois roçou madraçamento pelas sacristias do convento até que num dia seguiu integrado numa comissão-à-doca de regulamentar segurança aos peregrinos e as novas visões da estrela-polar. Depois de muitos anos tomando conta de seus fieis e a guarda do incensário da catedral, morreu sem deixar herdeiros. Tenho de lá ir, a Santiago de Compostela rogar preces à sua memória e assim ficar tranquilo na minha missão de kianda itinerante da Globália.

Interrompi a descrição de Pieter para lhe mostrar vontade de por lá, em Santiago, nos encontrarmos de novo e, juntos decifrarmos coisas tão ligadas ao Puto, mais o “bota fumeiro” e a majestade daquele Pambu N´gila daquele lugar com ligação à nossa N´gola pelos seus símbolos; n´zimbos na forma da concha vieira, uma mabanga diferente das nossas kalungas.

- É uma boa. Eu mesmo te vou falar das imbambas cassumbuladas no nosso povo, nesse antigamente e nesse mesmo ali. Combinado, meu!


E, Pieter continuou sua descriminação:

- Meu pai, como já sabes, esteve em Pernambuco com Maurício de Nassau embarcando mais tarde para Loanda do reino N´gola com os Mafulos, casou com a minha mãe N´ga Maria Káfutila e, mais tarde, ficou como mercenário às ordens dos Tugas com Sá e Benevides, um rico comerciante de escravos. O resto já te contei, não vale a pena recordar por agora.

Josué Pieter, o 3º mais velho dos meus tios, ficou no “Pais de Landes” tratando de vinhedos em “Vignobles Vallee du Loir” e, por lá deixou muitos primos.

O 4º tio mais velho de nome Souston, ficou nos arredores de Paris roçando a vida em “Jablines du Marne”, lugar aonde nós nos encontramos pela primeira vez.

O quinto tio, Charles Pieter, o mais velho de todos, seguiu o rumo de Burgos em “Leon e Castilla” como Lestienne e Antoine mas, singrou para Toledo aonde se tornou um homem de armas, vindo a ser mais tarde um militar da armada de “La Mancha e Andaluzia”. Foi em “Puerto de Santa Maria”, perto de Cádiz que pelo rio Guadalquivir, saiu numa armada de soberania às novas terras Espanholas de América.

Seguindo escritos antigos, soube que já como capitão dos mares, avançou na descoberta de novos cerros de prata “puesto arriba” do rio da Prata; acabou por ficar num lugar conhecido de Sacramento, perto de Montevideu dedicando-se ao negócio de gado bovino e muares formando tropa de tropeiros, que transportavam mercadorias através dos matos ou vendendo charque aos novos colonos de Cisplatina e Rio Grande do Sul. Por lá deixou uma prole de primos matutos cujos descendentes governam agora o Uruguai. A história deste tio é comparada à do meu pai porque também atravessou a kalunga grande para fazer fortuna. Havia uma lendária “Sierra de la Plata” de nome Potossi procurada desde inícios do século XVI por Alego Garcia e sebastião Caboto. Em 1611, quase cem anos depois, Potossi era já a maior mina a céu aberto produtora de prata do mundo; nesse então já tinha à volta de 150 mil habitantes e, sendo o lugar mais rico do mundo originou uma corrida ao tesouro. Charles Pieter homem de guerra da têmpera de Toledo, ambicioso, seguiu naquela armada a pedido de Juan de Villarroel com expedição a partir de Cádiz e Sevilha conjuntamente com outros conquistadores tal como Nunez Cabeça de Vaca, Domingos Martinez de Iranda ou Juan de Ahumada. Meu tio Charles seguiu para ali em meados de 1615 para compartilhar tesouros de sonho e pilhagens. A Espanha fez-se assim; com a prata que saiu dali, podiam fazer uma estrada física, uma ponte ligando-a à América

- Como meus tios dinossauros, eu e tu (referia-se amim), navegadores da Globália deixamo-nos alfabetizar na vida e prálem dela. É mesmo uma missão de cumprir dever sem ter ordem nem corpo-delito, à-doka no através da estória dos xicululos.


Bolas! Fiquei barafundado naquela sapiência do kota Pieter.

Sentado no meu silêncio mastigando resposta calada, Pieter deu dois passos calçados no meu sobre-consiente. Num cadavez mais eufórico, Pieter falava todas as suas razões.

Eu só disse, simplesmente: - Tá bem meu!


Glossário:

Amazulu: - Dialeto Zulu

Samboniani: - Bom dia; como está (em Zulu)

Kunjani: - resposta a samboniani; tá se bem

N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga

Mulungo - M´zungo; branco em Zulu

Adaga: - Punhal em forma de foice usado por muçulmanos

Anhara: - Zona plana e, com plantação rasteira, de clima seco ou semi-desértico e tropical

Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto.

kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral

Mabanga: - Bivalve do tipo ameijoa que sangra vermelho.

Imbambas cassumbuladas: - Coisas roubadas; riquezas arrebatadas; jogo de sacar por toque brusco.

Mafulo: - Holandês em quimbundo; Gente invasora da Companhia das Índias Orientais ou Ocidentais; flamengo.

Tropa de tropeiros: - Exército de condutores de burros (Brasil, Cisplatina); O tropeiro era um viajante das zonas agrestes ou do sertão.

Charque: - Carne de Sol; carne seca (Brasil)

Matuto: - Mestiço; filho de branco e índio.

Xicululo: - Gente de mau-olhado; olhar de lado; gente de dar azar.

N´ga: - Senhora

  (Continua ... Alhambra de Granada V)

  O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:53
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009
ALHAMBRA DE GRANADA . II

 

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

 5º encontro com a kianda Januário Pieter

Pátio de Alhambra

 

 

Era agradável estar ali confraternizando com o passado que, nem sempre foi risonho; poemas de Garcia Lorca referem a guerra de 1937 a 1939 com quadros dantescos no bombardeamento de Guernica e atrocidades de uma disputa civil entre Nacionalistas de Franco e Republicanos que perfurou como uma faca sem fim, toda a Espanha.

A sala espaçosa estava recheada de quadros sobre esses acontecidos passados como uma galeria de horrores de Granada. Sentei-me num recanto em uma cadeira em madeira talhada com motivos de produtos da terra, pedi um “café solo” e uma tortilha de “manzana”.



O olhar não se desprendia dos corpos desmembrados em destroços retorcidos, gente e animais espalhados pelos campos; um treino de preparação à grande guerra que viria a acontecer em 1940, Alemães ajudando Franco a tomar o poder.

Sentia-se desprender da tela o odor fétido da morte.

Nesta cidade tão cheia de memórias, havia felizmente, espaços retemperados à noite com flamengo, uma dança que reflete o estado de espírito cigano.

Eu, estava aqui para o quinto previsto e ansiado encontro com Januário Pieter, a assombração Kianda que pouco a pouco foi ficando o meu “Guru” e, estava agora, pronto a fazer com ele um pacto de sangue, tornar-me um cipaio do seu arimo ( lavra horta, n´nhaca).


Entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, zuniam na minha cabeça legionários às ordens de Franco gritando “viva la muerte” mutilando o meu medo envidraçado de repugnância a todas as guerras. Aviões Nacionalistas matando indiscriminadamente gente impregnada de susto sem celeiro ou pontes para se esconderem; brigadas internacionais, idealistas lutando com armas diferentes de um credo sem culatra, munições encravadas em sonhos inúteis.

Estava entre os 15.000 mortos de Guernica quando com aura de santo-maior entrou uma figura pela porta frontal; era nem mais nem menos a Kianda Pieter que, varrendo com os olhos o salão “café solo” poisou em mim a ansiosa vontade do encontro.

Efusivamente dirigiu-se-me com as duas mãos abertas ao espaço seu Duilo (Céu) mostrando todos os seus anéis. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contra-luz cintilando um desassossegado arco íris.

( Continua ... Alhambra de Granada III )

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:56
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Terça-feira, 29 de Setembro de 2009
ALHAMBRA DE GRANADA . I

  FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

5º encontro com a  kianda Januário Pieter

 

GUERNICA

 

Com a sensação de começar a penetrar na minha própria inconciência, enrolando dedos e retesando músculos, cruzei o bairro mouro Albayzin bem cedo; de forma aleatória como um senhor dos caminhos minkisi cruzei ruelas estreitas de aroma de mijo ou tapetes molhados misturados com cheiros de churros vendo do outro lado do vale as muralhas e torres de Alhambra. O rio Darro, corria na depressão à semelhança dos meus pensamentos que rolavam entre mulheres gitanas guapas bailando o flamengo em as mil e uma noites em companhia de Aladino e N´si, o guardião negro da terra. Este carregado de espanta espíritos, vendia ternuras na forma de raminhos de alecrim e farrapos enternecidos de recordações.

 

Tinha combinado encontrar-me com Januário Pieter, um velho de 384 anos e, aquele era um bom dia para me encontrar com ele, a kianda itenerante da Globália, natural de Cabo Ledo, sítio distante da kalunga.

Cruzei para Sul em ruas e avenidas modernas de patéticas angústias feitas estátuas na busca de um lugar mais próximo do "Arco de las granadas", o ponto de encontro, nosso Pambu N´jila das antigas muralhas mouras. É ali que os espaços físico e e místico juntam simbis com gente de suko ou alucinados como eu.

 

Na "Calle Bodegoncillo" , já um pouco encalorado, entrei em "El Pátio Riconcillo" e, busquei acento apropriado; o lugar era arejado dando para a "Plaza Nueva" podendo ver mais acima a "Plaza de Santa Ana". As paredes estavam cobertas de cartazes anunciando espaços de "Flamenco" e cartazes de cores amarelecidas com datas ultrapassadas de eventos tauromárqicos, bestas de bois cornudos e esbeltos toureiros enfiados em apertados fato vistosos de lantejoulas zurzindo farpas ou bandarilhas coloridas; estavam encaixilhados em madeira sarapintada de minúsculos furos de térmitas, resquícios das pestes de Guernica.

 

GLOSSÁRIO ( Palavras sublinhadas ):

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; Gitanas guapas: - Ciganas bonitas; Aladino: O sábio árabe das lâmparinas;  N´si: -  Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha ( maiaca kianguim) que guarda os pórticos e permanece até o toque do medo, adrenalina, guardador de caminhos com saber do ontem, do hoje e do amanhã;  Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Kalunga: Junção de espíritos na forma de água, simpesmente água ou mar, espírito forte no reino dos mortos, divindade abstrata podendo ter a forma humana, quando alguém é levado pelo mar, foi Kalunga que lhe levou porque fêz uafa, uafou (wafou= morreu); Globália. - O Mundo; Pambu N´Jila: Espaço físico em conjunção com o campo místico; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e àfrica central.

 

( Continua ... Alhambra de Granada II )

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:20
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Domingo, 23 de Agosto de 2009
PAMBU N´JILA

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

TOLEDO . 2009

 BLOGS DE ANGOLA

Pambu N´gila nesta crónica, corresponde ao espaço fisico de Toledo ligando este à mistica das kiandas de Angola; uma ponte entre os seres humanos e o Minkisi, senhor dos caminhos que guardam os portões da nossa casa, do nosso espaço e neste caso os muitos portões de Toledo tais como “La puerta del Sol” ou a ”del Cambron” ou ainda “ La puerta nueva de Bisagra”.

Minkisi, ocorre e corre com fluidez, tem o saber do ontem, do hoje e do amanhã.

Esta cidade mística, guarda segredos que não estão escritos. Gozar a cidade e património, não é folhear a história e ler um capítulo porque toda ela é história. Nela refresca-se a memória num rendilhado gerado de culturas diversas, encruzilhada de raças e encontro de feitiços e feiticeiros que dominam silêncios desconhecidos. Kalungas longinquas  de musas e gente de arte feitas pó, impregnadas de muito suko.

Paira no ar um feitiço de aço temperado e manobrado pr um N´Kondi que espalha pregos feitos germes comedores de carne, pedra e pau.

N´Kondi de N´Gola, N´kosi de Imbinda e um cortejo de muitos Bandokis foram ao concílio de 1583 à revelia de todos os outros espíritos convidados, embaixadores das kiandas das kalungas e seus mutakalombos.      

Os espíritos do mal N´Kondi e N´kosi ficaram desapontados por D. Filipe II não os ter convidados formalmente; os astrólogos do rei desaconcelharam-no a fazer mistura entre mitológicas Ninfas e Nereidas conceituadas.

N´Kondi, o manobrador de pregos ficou encantado com as novas técnicas dum metal chamado de aço e do qual se faziam coisas pontiagudas, espadas, facas cujas folhas nunca perdiam o fio de corte. Era esse o metal durável que tanto buscava para fazer suas maldades aos homens. Os pregos de cobre e aluminio espetados no boneco fetiche Kozo, tinham bons efeitos mas não eram totalmente eficázes; os de ferro rápidamente oxidavam e, quando  sugeitos a rezas de Simbis perdiam o efeito desejado.

N´Kondi e sua comitiva ajustou-se no alto da montanha numa dependência de cave de Alcazar, e de fundição em fundição com expertos na arte de tempera e espias de Damasco tornaram aquelas armas brancas nas mais eficázes em toda a Terra.

As técnicas apuradas no trato do aço ali, em Toledo já vinham da idade média; N´kondis ancestrais a pedido de Simbas também antigos,  num tempo mais recuado chamado na Ibéria de Época medieval tinham trazido dedos de N´Zambi para retemperarem na dureza o tal aço batido, esfriado e de novo batido; tratava-se de pequenas pedras de meteorito trazidas das terras do fim-do-mundo, do Kwanhama e mais para lá da Ovobolandia, terras de oshakati e okaukuejo no reino dos Himbas.

Em toledo, eu o Soba T´Chingange, não resisti à mistica, comprei uma destas facas.

Como N´kondi e seus Bandokis ainda andam por Toledo feitos bactérias  passo a descrever em síntese o poder de magia que estes ainda exercem:

- Usam um boneco fetiche feito de pequenas conchas coladas com resina natural com dois espelhos receptores de encomendas mágicas, um na barriga, outro no topo da cabeça, coberto com uma pele de cobra. Na mão direita carrega uma lança de pedra tipo ónix mostrando a gressividade no seu carácter. O boneco, todo ele, é encrustado de várias substâncias usadas durante as cerimónias em que os pacientes contam as suas estórias de infelicidade evocando a vingança que desejam infligir ao suposto culpado.

- A vingança é feita espetando o prego num determinado sítio do corpo do fetiche.

- O N´Kondi também recorre ao imbondeiro chamado de N´kondo Ikuta M´vunbi espetando nele o prego; assim a vítima morrerá inhada como a árvore garrafa, o baobá.

- O descrito prego de aço é o mais eficaz pois nele tem impregnado todo o mal dos homens.

N´Kondi quando das várias permanências nos aposentos subterrâneos de Alcazar foi consultado pela infortunada esposa de D. Pedro I “El cruel”, rainha Dona Branca ali presa. Vários bonecos fetiches de N´Kondi N´Gola ainda podem ser vistos graças ao meu antepassado Soba Aragonês Romero Ortiz.

Tudo isto é tão verdadeiro que até parece mentira, mas não é! Deus N´Zambi, dá-nos força para seguir, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela!”

 

GLOSSÁRIO: Todas as palavras em cõr azul

Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada;  (lêr crónicas anteriores...)

 

Da n´nhaka do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:37
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
AS TÁGIDES DE TOLEDO

 Marte, o deus da guerra

 

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

Salaam Aleikum . 2009

 

Há dois mil anos atrás Marco Fulvio comandando as legiões Romanas conquistou a cidade de Toledo. O mesmo rio que então a contornava, o Tejo, continua correndo sendo atravessado pela ponte pela qual pasam os peregrinos que se dirigem a Santiago; Trata-se da  ponte de San Martin do Caminho de Alicante.  

Este sítio de Toledo estava destinado ao gozo de férias de verão das ninfas do rio Tejo (Tajo).  Aqui, a partir de 1580, os espíritos instigados por  “El Greco” recordam momentos épicos na companhia dos novos membros da Kianda e Mutakalombo; estes, cheios de notícias frescas dos mares de N´Gola em África, conferenciavam com sereias, nereidas e musas tomando aqui, todos,  o nome de tágides (rio Tajo).

Cantando, à gente nossa, gente vossa, que a Marte tanto ajuda, refrescavam-se nas águas com cantos de Camões recordando o deus da guerra, filho de Juno e de Júpiter guardião dos exércitos troianos.

As tágides, conciliavam-se aqui com a vida espiritual, trocavam esperiências com as novas tendências  da Globália,  reciclando-se em congressos de cristandade ouvindo Simbi e N´kuuyu. Aquele lugar ficava um Pambu N´jila como se estivessem na Mazenga, a ilha do descanso, sombras de casuarinas e coqueiros. O exotismo dos trópicos espalmava-se ali, na Mancha de Cervantes.

O maneta Manuel de Cervantes y Saavedra autor da obra “Dom Quixote” desencantado com a guerra e as gentes,  lutava com moinhos na vasta planície de “La Mancha” com muito Suco e, associando-se a esta espíritualidade, retemperava os mudos intervalos divertido a tertúlia com contos de ridículos cavaleiros  e paródias de entretimento. Em suma eram momentos retemperadores recuperando Mutalos desavindos recorrendo por vezes à kianda Kozo, uma verdadeira arte estirada por “El Grego”, ele também impregnado de muito Suko ; magnifico!

Nesta rota peregrina, cruzando o caminho de Alicante imaginei Sancho Pança apaziguando seu amo dum ímpeto destemperado com moinhos de vento ridicularizando herois da fancaria. Foi a partir daqui que se organizaram cursos de deformação (algumas grotescas), fantasias de mordáz parodia e ironia  na escrita e cores com longos rostos na pintura contrapondo aquilo que se passou a designar de burlesco.

 Marte e Vénus

Pude admirar nesta terra de Aragão um admirável quadro de “El Greco”, em que as tágides ou Kiandas se contorcem em risos aéreos, vendo-se em fundo a cidade de Toledo, a “puente de San Martin” sobre o rio “Tajo” e, um arco iris assinalando o local daquela reunião de espíritos.

É este um asunto deveras interessante a contar ao mulato ressequido Januário Pieter pois que estão ali também as Kiandas da Mazenga, dois negros Mutalos com grilhos presos a bolas pesadas e escuras que os alongava como que puxando-os para a terra, e, nos pescoços, umas barras redondas de ferro contornando-os por detrás de umas orelhas aladas amarrando-os às nuvens de Toledo; são escravos pela certa.

Ainda tinha na retina a imagem dum negro com semblante mussulmano que comigo cruzou em um lugar de nome “Bargas”. Este jovem senhor que se dirigia a terras de África através de Algeciras, tirou as meias, lavou os pés e, descalço refugiou-se numa sombra de alfarrobeira mais distânciada; estendeu a sua jaqueta no solo, ajoelhou-se colocando suas mãos sobre esta, baixou sua cabeça até tocar o solo por várias vezes orientando-a para um determinado ponto. Era a sua Meca distante com Kiandas diferentes, O seu Pambu N´jila.

Aquele mussulmano, ao passar por mim, riu-se  em cumprimento, fêz uma suave vênia  de uma simpatia diferênciada, cumprimentando-me: - Salaam Salaam.

Eu, era um preveligiado. Ele, um mustafá, viu em mim a aura de Pieter, talvez, a Kalunga N´Gombe, o “ Sangue de cristo”, o mesmo Cristo.

Eu, respondi . - Salaam Aleikum 

GLOSSÁRIO. Todas as palavras em cõr azul:

Salaam Aleikum: - da fé islâmica, fique na paz de deus, que a paz esteja convosco; Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Marte: - Deus da guerra na mitologia Romana, filho de Juno e Júpiter, amou Vénus de forma adultera pois esta era mulher de Vulcano, foram presos por uma rede por Vulcano, tiveram um filho de nome Cúpido, o amor prendeu-os na eternidade; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Nkuuyu: - são os espíritos pais dos vivos; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, Elo que liga os seres aos Minkisi , os elementos fogo, água, ar e terra; Mazenga. - Ilha das cabras, Ilha dos loandos, ilha dos N´zimbos ou Ilha de Luanda, aqui, não é uma  Provincia da Lunda; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; Mutalo: - espírito de morto por feiticeiro sem ordem de N´zambi; Kalunga / Calunga N´Gombe : - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusiadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga; Kozo: - Objecto que invoca um ou mais espíritos.

Da n´nhaka do

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:48
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Domingo, 16 de Agosto de 2009
MUQUITIXE

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

A KIANDA PIETER FALOU DA GAZOSA

  MUKANDAS DO MONTE

A tarde estendeu-se no escuro da noite envolvendo a azafama duma multidão ávida de frescura naquela “Plaza Mayor“ de Burgos. Ao longo deste espaço fomos comendo tapas de “boquerón” e argolas fritas de “calamares” regadas com cerveja “Dom Pepe”.

Estava desejoso que o rumo da conversa versasse coisas mais recentes e, por isso perguntei a Pieter o que é que ele pensava da nova corrida para Angola independentemente do fenómeno da crise, ao qual me respondeu com ternura:

- Tchingange, meu amigo, agora que nos conhecemos melhor, tenho a dizêr-te o que já para ti não é novidade; Há em Angola muitas riquezas por explorar mas, o petróleo já jorra pelo tubo ladão e é isto que torna a vivência social diferente do último estágio colonial.

Pieter tinha agora um falar rico, curioso notar que o linguajar dele, aos poucos, foi-se tornando coerente e até erudito nas conclusões; talvês fruto da ávida atenção que eu inalava naquelas conversas.

A kianda Pieter, foi falando:

- Os Angolanos ricos de agora, os novos empresárioe, mancomunados com os políticos acomodados, são borjeços, enfatuados, pedantes e, só falam do kumbu, da gasosa, da percentagem. A primeira reação a um negócio é, “quanto me toca”. Os corruptos adoram esta postura e levam-lhes caramelos na forma de “gasosa”: Jeepes  esfumados de tecnologia de ponta com GPS acoplado, charutos “Cohiba e Romeo e Julieta”, uma casa de veraneio no Mussulo ou oferta de uma piscina para o seu resort na margem duma lagoa ou rio. Espaços de muitos hectares descolonizados, apropriados com direitos especiais da nomenclatura do poder, vastas zonas unindo rios.

 A kianda Pieter foi falando:

- Mudaram de penico mas a merda fede na mesma.

A emancipação, tem desta coisas, disse eu contemporizando com a nova onda de retornados, refugiados ou urubus da retoma.

Tentei levar a conversa para o “Muquitixe”, falar das terras mesmo que abandonadas, esperando chuva, as gentes, charruas e governantes competentes.

Naquele recente quinze de Julho longo, despedimo-nos. Ele, a kianda, seguia para Cádiz, Puerto de Santa Maria e eu, iria ficar em terras de “ Castilla-La Mancha”, na cidade de Toledo.

Combinamos um encontro para dias mais tarde em Granada, mais propriamente em Alhambra e, talvez aí podessemos pôr os assuntos em dia e saber dos seus antepassados feitos em pó.

Taciturno, com um peso no coração despedi-me de Pieter; era um previlégiado têr agora um amigo com 384 anos.

O Soba T´chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:15
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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
BURGOS, CAPITAL DOS PEREGRINOS . I

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO

 

CAMINHOS DE SANTIAGO . BURGOS

 

MIRAFLORES EM ESPANHA, 15 DE JULHO DE 2009

 

As aventuras não têm tempo, não têm principio nem fim, são uma permanente descoberta de novos pedaços de infinito.

Imaginando estórias de verdades multifacetadas no convívio da natureza, metaforizo o rigor de paradoxos e, às vezes translado-me como um alograma, quase sempre com kiandas viajando ao meu redor; apanhados de curibotas, mugimbos que dão carícias às pequenas coisas da vida.

Gente gira do mundo cósmico recorda-me lembranças batucadas, xingam mambos e lançam palpites que registo; algumas verdades parecem mentiras e o inverso também se verifica.

Desta vez o encontro entre mim e Januário Pieter não foi surpresa. Sentado na amurada do rio Arlazón, na quina da “Puente de Santa Maria” admirava o arco com o mesmo nome, uma das principais portas de entrada aos peregrinos que se dirigem a Santiago de Compostela.

Pieter apareceu vindo do “Paseo Espolón” ficando a admirar a figura de uma velha senhora em bronze assando castanhas à entrada daquele parque.

Pieter e eu, deslocamo-nos à “Plaza del Rei San Fernando” e tiramos uma foto ao lado do peregrino que ali se mantem indefinidamente sentado, bronzeado e segurando um cajado, uma cabaça e uma concha de vieira, símbolos de Compostela; por detrás de nós ficava a imponente catedral.

Pieter, falou-me de novo na visita que iria fazer a Cartuja de Santa Maria de Miraflores, não só para detectar vestígios de seu pai nos escritos da sacristia do monte, como também, para admirar a obra desse remoto primo Gil de Siloe.

Senti impaciência em Pieter e, sugeri-lhe que fosse pela fresca e em tempo, pois que o sacrista monge Bruno que o aguardava, deveria ser muito metódico e pontual como todo o bom monge.

Enquanto a Kianda Pieter seguia seu rumo, detive-me a admirar a catedral e pensar com meus botões no fenómeno dos Caminhos de Santiago; não resisto a descrever de forma simples de como surgiu.

Os homens sempre alimentaram mitos mas, este, carregado de vaga-lume e lusco-fusco e é assim:

- O monge Pelayo e o bispo Teodomiro após terem visto uma chuva de estrelas em terras de Galiza, souberam ambos, interpretar o significado e dirigindo-se para o lugar compreenderam que era ali, no sítio de Compostela, que se situava a tumba do apóstolo Santiago. Decorria o século IX quando esta chuva de estrelas estabeleceu as mais importantes rotas de peregrinação na Europa medieval.

Santiago “O Mayor”, foi um dos discípulos mais próximos a Jesus. Junto a Pedro e seu irmão João, os três estiveram junto a Cristo nos momentos mais importantes de sua vida. Santiago, no ano 44, morreu atravessado pela espada dum soldado às ordens de Herodes; este queria a todo o custo travar os ânimos dos Cristãos, que excessivamente, faziam afronta às suas ordens.

Os discípulos de Santiago, seguindo a tradição, recolheram o cadáver, puseram-no num caixão e navegaram em barca ao longo do Mediterrâneo e Atlântico até às terras Galegas aonde o apóstolo havia pregado e, aonde se lhe deu sepultura. Não foi fácil essa viagem e, quase ao chegar ao destino, tiveram um naufrágio junto à costa de Portugal, lugar que ficou sempre conhecido como Vieira do Minho.

A vieira, simboliza assim a salvação. O caixão com suas relíquias conseguiu salvar-se graças à ajuda de populares que com cordas e bois daquela região, puxaram os salvados para terra firme. Os bois de grandes cornos, foram a partir daí, abençoados como raça nobre.

Continua ...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:04
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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