Domingo, 10 de Outubro de 2021
N´GUZU . XLI

FEROMONAS DA VIDA

- Num cala-te a boca, acabei de emudecer o que em mim já estava arrependido…

Crónica 3202 – 08.10.2021

Por T´Chingange – em Cantanhede do M´Puto

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Estando eu no meu “Pátio Andaluz” da Lagoa do M´Puto, naquele dia de meados de Julho de 2021, escrevi com tal força de afeição que até o luar murchou a noite. Depois de dispor cinco manjericos em pequenos vasos para ofertar às cinco meninas do gabinete em que me fazem as declarações de IRS do M´Puto, tomei uns goles de pensamento passando as mãos ao de leve pelas folhas e, assim embuído nesse cheirinho, cocei o aviso em minhas fontes dizendo cá para mim: Esta vida está muito cheia de ocultos caminhos.

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E, de calor amolecido no esfriado puxadinho pátio andaluz, enraizei vontades sem fazer perguntas à natureza tão prestimosa. Em relação ao resto do que vai pelo Mundo e pelas nações falantes da língua de Camões, assim e no meio duma doença chata chamada de COVID-19, juro não ser portador de um ânimo de mentir nem de me caber calado. Por falta desse tal raso de paciência olhei para o ar vendo os rastos dos aviões tendo na primeira visão as amêndoas; vi então que algumas destas já estavam a abrir a casca, indicio de já poderem ser amanhadas, juntá-las aos figos secos e fazer os queijos à moda de morgadinhos.

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Com algumas alegrias do ar em meu pensamento, com vida tão séria, desconsegui remexer na velhice dos meus afectos por via de pequenos prazeres, vendo tanta gente a vender sombras no escuro, acomodados no estímulo governamental. Descomplicando, amanhã levarei estes cinco vazos às minhas amigas para concertar em mim os pernoitados desprocedimentos que em aflitos sonhos escorregam num esquecimento ficando assim sem substância narrável.

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Desde aquele amanhã, entretanto já se passaram três meses e, por isso nem falei na fuga de um tal de colarinho branco, banqueiro e afins de nome Rendeiro que nem se sabe para onde se escafedeu por via de desfalcar o fisco, e não só. Claro que hoje, dia 10 de Outubro já se desconfia que esteja no bombom de Belize.

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Escrevia então: agora, minha vontade de chegar a lugar nenhum por via dessa doença covidesca, inchou-se-me no lugar mais estranho chamado de escroto levando-me assim a vir até Coimbra e, a fim de ter opinião mais abalizada por um médico dermatologista. Mesmo sem ter feito e utilizado punhais de sete aços malhados e trouxados numa lâmina, só como se o fora um ferreiro de Toledo, que assim cercado por água do rio Tejo me alembro que só entrei no que imaginei, ilusãozinha que para mim tudo fica resolvido. É só uma carne mole, que sem tumores se expandiu formando uma hérnia inguinal segundo a ecografia; é o que penso…

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Numa de que o que tiver que ser assim o será e, da varanda da casa do Amieiro, encalho meus olhares para poente vendo as ovelhas empinar-se no pátio duma casa de alçado e cor nobre, um solar muito cheio de ervas, pois que o abandono tomou conta no tempo. Sendo assim tudo se recompõe num processo hodierno de deixar andar para ficar de bem com a nação, com o tempo, o governo, as pessoas e até com Nosso Senhor, que alguns dizem ter sido um ET e, que veio ao Mundo para nos endireitar nos modos e acções, uma teoria fora do alcance do “ Principio de Pieter”.

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Num cala-te a boca, acabei de emudecer o que em mim já estava arrependido no momento exacto em que Fátima, pelo telefone me disse assim: Senhor António seu IRS já está entregue e aceite; passe por cá assim que puder! Naquele então disse que passaria por lá quando fosse a caminho de ir até à recepção das análises. Tudo agendado por telefone e, lá fui ver se meu escroto. Para não morrer antes de acontecer fiquei aliviado só no suficiente para ouvir o médico de família que do pouco que disse, nada disse!

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Como vêem estou no desamparo de minha vergonha e, de novo irei mostrar meu rabo ao Professor Doutor Ricardo Vieira na firme convicção de que para se morrer basta estar vivo. Juro! Nesta singularidade, muito fico repetindo, remoendo em minha mente as palavras que nem digo, porque sou cristão, maior, emancipado e vacinado. Digo isto por modo de me acostumar sem receber certezas de como vai ser então, naquela força de afeição tal de que até o luar por vezes põe a noite inchada…Fui!

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:08
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXVIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXV

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS” CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 320108.10.2021 - A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

Por: T´Chingange, em Cantanhede do M´Puto

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Após o 11 de Novembro de 1975, as casas abandonadas em Luanda maioritariamente pelos brancos, são entregues a “amigos” do MPLA e aos amigos dos amigos ou assim supostos; por toda a Angola se verificou o mesmo procedimento – fábricas, complexos desportivos, armazéns de géneros, bombas de gasolina, literalmente, tudo passou para a gestão do MPLA. Personalidades angolanas terão recebido apartamentos no Kilamba por terem apoiado o MPLA na campanha para as eleições gerais em Angola. Estas pessoas tiveram acesso privilegiado às casas mas, sendo propriedade do estado por confisco, supostamente, teriam de as pagar (digo eu…).

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Por tantas dúvidas no ar, tantas medidas arbitrárias, umas torpes outras sem explicação plausível, levam os jovens de agora a pedir explicações. Nos dois anos de 2019 e 2020 e, no actual 2021, protagonizam inéditas manifestações, estipulando como que uma espécie de moratória ao executivo angolano, antes de voltarem às ruas, uma e outra vez, pedindo eleições livres e sem batota, eleições municipais e o fim da mordaça e do estado policial, ditatorial na verdadeira versão da palavra; uma cleptocracia, um governo cujos líderes corruptos usam o poder político para se apropriar da riqueza de sua nação, com o desvio ou apropriação indevida de fundos do governo às custas da população em geral.

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Uns, declarados opositores, são pressionados, coagidos ou assediados, outros desaparecem misteriosamente e ainda outros são presos por se expressarem em desfavor do MPLA que se protagoniza como sendo eles, o país. Nas eleições parlamentares, a UNITA obteve uma votação de mais de 30%, portanto expressiva, mas que ficou aquém das suas expectativas. Nas eleições presidenciais, os cerca de 42% obtidos por Jonas Savimbi impediram que José Eduardo dos Santos, presidente em exercício que reuniu 59% dos votos, obtivesse na primeira volta a maioria absoluta, do modo que, pela legislação então em vigor, teria sido necessária uma segunda volta.

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Esta, não se chegou a realizar, porque a UNITA declarou de imediato que tinha havido fraude nas eleições presidenciais, e retomou as suas actividades militares - enquanto os deputados eleitos pela UNITA assumiam as suas funções de forma regular. A seguir a uma fase de êxitos militares, por exemplo a tomada temporária da cidade do Huambo, a UNITA passou a perder terreno de maneira dramática, devido ao reforço maciço das FAA (Forças Armadas de Angola), em pessoal, formação e equipamento, no essencial financiado pelas receitas do petróleo.

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Em paralelo, constitui-se uma dissidência da UNITA, designada "UNITA Renovada" e liderada por um dos deputados, Eugénio Manuvakola; esta corrente era a favor do abandono da luta armada e de uma concentração sobre a luta política. No fim dos anos 1990 era patente que a UNITA tinha perdido o combate, em termos militares. Perseguido por uma unidade das forças governamentais, Jonas Malheiro Savimbi é morto em Fevereiro de 2002. Segundo o jornal Público (do M´Puto): Jonas Savimbi morreu "de arma na mão", como "um militar", numa emboscada das Forças Armadas Angolanas (FAA), numa sexta-feira à tarde, junto ao rio Luio, sudeste da província do Moxico, ao fim de cinco dias de perseguição pelo mato. "Sete tiros foram suficientes para o abater". Foi assim que o brigadeiro Wala, na qualidade de dirigente da "força mista que matou o líder da UNITA", resumiu o fim de Savimbi aos jornalistas presentes no local em que o corpo foi exibido.

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Ano de 2002 - Após a sua morte, a UNITA tornou-se num partido civil e abandonou a luta armada. No congresso da fundação do partido, onde a UNITA Renovada e outros elementos dissidentes foram reintegrados, Isaías Samakuva foi eleito presidente. Concorrendo às eleições parlamentares de Setembro de 2008, a UNITA obteve pouco mais de 10%, tornando-se num partido com poucas condições para exercer funções efectivas de oposição. Em 2012, esta situação levou à saída de uma dos seus mais destacados dirigentes, Abel Epalanga Chivukuvuku que fundou um novo partido, CASA (Convergência Ampla de Salvação de Angola).

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Apesar desta perda, a UNITA aumentou muito significativamente, de cerca de 80%, nas eleições realizadas em 2012, duplicando o número dos seus deputados, enquanto a CASA obteve respeitáveis 6% com 8 deputados - constituindo-se, deste modo, uma oposição parlamentar significativa ao MPLA. Nas eleições de 2017, a UNITA quase duplicou outra vez o número de acentos no parlamento, saindo de 32 para 51 deputado, sendo que a CASA-CE passou de 8 para 6 deputados.

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A UNITA que tem tentado sempre demonstrar democracia interna realizando congressos de 4 em 4 anos, é hoje, o principal partido opositor ao partido que forma o governo afirmando-se como uma verdadeira alternativa a este. A morte de Savimbi também se reflectiu na mudança ideológica do partido, deixando o nacionalismo de esquerda e o socialismo humanitário (correntes maioritárias até então). Este facto alterou o espectro do partido, que, de situado mais a centro-esquerda, passou a um movimento sem ideologia dominante.

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Segundo Jofre Justino, o partido terá assim várias correntes, sendo a dominante, direitista, capitaneado por Isaías Samakuva. As demais correntes do Galo Negro seriam a da esquerda, dirigida por um general do terreno; e a do centro, capitaneada por Abel Chivukuvuku (que acabou por romper com a UNITA e formar um novo partido). O XIII Congresso da UNITA, realizado entre os dias 13, 14 e 15 de Novembro de 2019 foi o mais renhido da sua história, em relação à disputa da presidência.

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Concorreram 4 candidatos, todos eles dirigentes de proa do partido, como o diplomata Alcides Sakala Simões, na altura secretário para as relações internacionais, o deputado e académico José Pedro Katchiungo, na altura também vice-presidente da bancada parlamentar, José Abílio Kamalata Numa, um destacado General na reserva, o jornalista Manuel Raul Danda, na altura vice-presidente do partido e o Eng.º Adalberto Costa Júnior, então presidente da bancada parlamentar, que veio a ganhar as eleições, com pouco mais da metade dos votos. A UNITA é hoje composta por uma direcção coesa liderada por Adalberto Costa Júnior, Arlete Leona Chimbinda, primeira mulher a chegar ao cargo de vice-presidente do partido e Álvaro Daniel.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:22
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Terça-feira, 5 de Outubro de 2021
JINDUNGO. VIII

VERSÃO NOVA - *O TER-SE VANTAGEM EM TUDO*

Crónica 3200 - 01.10.2021

Por: T'Chingange, no Ribatejo do M'Puto

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Existe por aí uma filosofia não declarada de que “o mundo é dos espertos”. Esta frase sugere que passar os outros para trás é um grande negócio. Em Potugal (M'Puto), no Brasil, Angola e outros países dos PALOP's, as leis que regem o comportamento de gente no mando governamental, bancos e outras instituições públicas ou afins, no activo ou saídos delas, são desrespeitadas de tal forma que, somos obrigados a pensar estar a desonestidade no ADN de muitos. Claro que estou a rever o assunto do ex-banqueiro Rendeiro que “deu-à-sola” fugindo ao fisco e à justiça “abalroando” regras que se pensavam serem firmes para todos.

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Nos procedimentos de políticos e, gente supostamente de colarinho branco, esses verbos de mentir, furtar e roubar, são procedimentos comezinhos. Assim, esse mandamento de "não se enganem uns aos outros", é de pura ficção. Afinal, um camelo pode mesmo fugir pelo cu de uma agulha! Fugir com o rabo à seringa como Vitalino, evitando responsabilidades ou ficar com o rabo entre as pernas como Pinho, sem bazarem na forma invisível, tipo Sarmento… Enfim! Uma coisa de mandar o cumbú para paraísos fiscais a que, neste caso, deram o nome de “Pandora Papers”- Pandora, uma tal de caixinha de surpresas e também o nome de minha cadela quando eu era candengue…

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O “JEITINHO ” brasileiro, português ou angolano, torna-se assim, progressivamente num expediente criativo para forjar regras próprias com taxas, taxinhas e outros edecéteras que sempre se carregam em nosso lombo... Em geral, quem consegue levar alguma vantagem, se sente o máximo. Lamentável, noé!?

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Flexibilizando ou quebrando normas que deveriam aplicar-se a todos, essa coisa negativa de truncar a visão certa, geralmente coloca em perigo relações pessoais, sublevando no poder a equidade do dever adaptando a regra a um caso específico, por forma a deixá-la mais justa...

Precisamos parar de furar fila, pedir um atestado médico indevido, baixar músicas pirateadas, dar por fora uns dinheiros para se fazer um jeito, etc. Esta lista é quase infindável. Bem! Os velhos padrões de comportamento, tudo o indica, devem ter ficado lá no passado…

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A melhor coisa a fazer é viver pela fé, com lucros ou percas. Não adianta tentar colocar uma pedra em cima do pecado; se o que nos move é tirar proveito das situações e das pessoas, isso não passará despercebido. Cedo ou tarde, sempre haverá um observador mais atento...  Agora é o Rendeiro, o Canas e o Pinho mas tudo indica que amanhã aparecerão outros mecatrefes. Alguns até nos espantarão ficando com a boca aberta que nem chaminé de navio feito vapor transatlântico como o meu Niassa…  

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Você já percebeu que a vida depende de decisões, noé?! Bem; embora por vezes, sejamos prejudicados por sermos demasiado complacentes com a astúcia alheia ou, não denunciarmos as fraudes por forma a nos ilibarmos desse conhecimento. Desta feita, e bem, umas centenas de bons jornalistas de vários países resolveram colocar o dedo na ferida…

Desde que amanhece até quando anoitece, é uma decisão atrás da outra em cada novo dia. Algumas são comuns, e você pode se dar ao luxo de até errar, por exemplo na cor da roupa, no uso da gravata ou que meio de transporte usar, uma coisa menor. Mas, nos grandes desfalques, nessas arapucas digitais sem tocaias, se falhar, as consequências podem ser terríveis. E, é bom que assim o seja, noé! Justiça - faz falta, noé!?

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:55
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2021
KANIMAMBO - LXXVI

Crónica 3199 de 28.09.2021 - MEDITAÇÃO DE SEXTA-FEIRA

24 DE SETEMBRO - 2021- EM TEMPO DE ELEIÇÕES NO M´PUTO

- A ECOMPENSA DO CORAJOSO - Não se deixe levar pelas ondas da filosofia inebriante da BAZUCA... Vá pelas direitas!  Kanimambo é obrigado em dialecto Changana de Moçambique - Publicada em kizomba a 24.09.2021, (vésperas de eleições autárquicas)

Por: T'Chingange no AlGharb do M'Puto

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"Coragem” é uma palavra usada para caracterizar alguém arrojado, ousado e valente – qualidades necessárias a quem tem determinação e está disposto a vencer qualquer barreira para realizar seus planos. Essa palavra também pode ter uma conotação negativa e significar petulância, audácia e atrevimento, dependendo dos meios escolhidos para alcançar os objectivos.

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É muito fácil encontrar pessoas dispostas a pagar qualquer preço para obter vantagens; neste capítulo, os políticos sempre têm arte ou engenho para nos despacharem promessas. Isso é ousadia de má espécie mas, não temos outro remédio senão optarmos pelo MENOS MAU, menos ambicioso ou o que surge como o mais dentro da quadratura do nosso círculo.

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Nesta era de reactividade, de coisas esdrúxulas, não se fala muito em certo ou errado nem em pecado do corajoso. Então lá teremos de ir ver a crença para escalpelizar a noção de que não existe bem ou mal, mas uma acção adequada e dependendo das circunstâncias. Será assim, noé!?

Claro que há quem enfrente qualquer obstáculo para ajudar quem necessite;  esse tipo de pessoa, sempre é uma bênção pois que, não se satisfaz com a mediocridade, lançando-se em busca do que está mais para além da vulgaridade.

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Apesar da complexidade da vida e de nossa confusão, com as moléculas do cerebelo a dar voltas de remoinho, devemos distinguir o certo do errado, do mau e menos mau, para optar na escolha, sabendo de antemão que quase todos os políticos, se coçam para dentro, fazendo dum acto de cidadania uma forma-de-vida!

Convém saber-se que o pecado é um mal em todo o sentido da palavra extensivo à promessa fácil. Em relação a esse assunto sabemos dos livros e, como cristãos, que aquela definição que diz: “Pecado é a transgressão da Lei”- que o é, por vezes uma desregra na prática, noé!?

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Muitas vezes nos sentimos confusos pois nos parece que não é tão simples avaliar as situações para descobrir a atitude certa. Pelo sim pelo não votarei no amigo que conheço, bom chefe de família, trabalhador e que, até agora, não usou de falcatruas entre outras arbitrariedades.

Deveremos distinguir o certo do errado, como diz a Bíblia, livro que ainda me serve de padrão: saber que o pecado é um mal no verdadeiro sentido da palavra. Embora a Bíblia nos alerte: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo!”. Nós Tugas já conhecemos este fado com muitos intervenientes a gozar no bem-bom com boas reformas pelo fruto da falcatrua e, do Espírito Santo, noé!

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Esse verbo "roubar" é muito intrigante porque parece ser difícil chamar às trevas da luz, a luz de trevas, não é verdade? Como é que isso pode acontecer? Acontecendo, pois! Quando nos voltamos para nós mesmos, descobrindo que sim; é possível acontecer...

Que é possível fazermos o bem simplesmente motivados por um desejo de admiração. Isso corrompe nossa bondade. "Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: "Este é o caminho: siga-o". Não se deixe levar pelas ondas da filosofia inebriante deste tempo! Lembrem-se do "Principio de Peter" - Vote às direitas...

Nota: Hoje 28 de Setembro  de 2021, já se sabe que Lisboa mudou de mãos! Vamos ver se na tal de BAZUCA  que chamam de PRR - Plano de Resiliência, os DDT - Donos Disto Tudo, não usem da falácia  costumeira...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:16
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MOKANDA DO SOBA . CLXXXVII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIV

”OS DIAS DAS BRUXAS” – CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 3198 – 28.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

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Logo no dia a seguir à partida do Papa João Paulo II de Angola a 10 de Junho de 1992, MPLA e UNITA envolvem-se em violento combate verbal, só apaziguado com a interferência de Herman Cohen. No segundo dia da campanha eleitoral, soldados da UNITA atacam o governo provincial de Kuito. Os governamentais reagem. O incidente salda-se em 20 militares e 10 civis mortos. No mesmo dia, no Huambo, numa emboscada à caravana automóvel de Kundy Paihama, director de campanha do MPLA, falece o secretário provincial da juventude do MPLA e cinco pessoas ficam feridas com gravidade.

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Estes acontecimentos, motivam um comunicado dos observadores internacionais e membros da missão das Nações Unidas UNAVEM II, condenando a atitude do MPLA e da UNITA -Convém esclarecer que a UNAVEM I, fiscalizou a retirada das tropas expedicionárias cubanas. A 8 de Setembro de 1992, Eduardo dos Santos e Savimbi acordam no princípio da criação de um governo de unidade nacional, independentemente do resultado das eleições. Comprometem-se na extinção dos seus exércitos, antes do escrutínio. Dez dias depois aquele comprometimento, avisado pela sua representante em Angola, Margaret Anstee, Butros-Ghali envia um relatório ao Conselho de Segurança da ONU, denunciando que apenas 41% das forças armadas do governo da UNITA tinham sido desmobilizadas e apenas 19% das forças armadas unificadas tinham sido constituídas.

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O mesmo documento sublinha que o ritmo da desmobilização foi mais rápido do lado das forças governamentais – 54.747 soldados, correspondentes a 45%, contra 7.257 soldados da UNITA, correspondendo a 24%. Toda esta movimentação de vontades fica conspurcada pela má-fé de ambas as partes que não confiam em suas próprias sombras pois que sempre vem ao de cima mais de 10.000 mortes de partidários da UNITA e da FNLA que foram assassinados pelas forças do MPLA, principalmente dos grupos étnicos ovimbundos e bacongos.

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Os “3 DIAS DAS BRUXAS” sempre é relembrado com as mortes de muitos membros proeminentes da UNITA como Jeremias Chitunda, Elias Salupeto Pena e Aliceres Mango, entre muitos outros. Dia 30 de Outubro de 2021, completam-se 29 anos sobre o massacre iniciado a 30 de Outubro de 1992 na capital angolana, Luanda. Recorde-se: De 29 e 30 de Setembro de 1992 diz Filomena Lopes líder do Bloco Democrático, partido da oposição angolana: “foram naturalmente três dias horríveis", data em que se interrompeu o processo de paz em Angola. Fui apanhada de surpresa, sobretudo numa altura em que se tentava encontrar soluções políticas para o problema.

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Filomena diz: - “Matava-se tudo. Matavam-se todos os que tivessem alguma ligação com a oposição. ”Milhares de apoiantes e até dirigentes da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA) são assassinados em Luanda e em outras localidades do país. Também há vítimas da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). “É a primeira vez, na história da guerra civil angolana, que políticos morrem em combate”, escreve o jornalista Emídio Fernando no livro Jonas Savimbi, “No Lado errado da História”.

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Até hoje - 2021, permanece por esclarecer quem ordenou o massacre. O número de vítimas também nunca foi confirmado, mas estima-se que tenham morrido entre 10 mil e 50 mil pessoas. Outros gráficos, baseadas em números da Igreja Católica, estimam que foram mortos de 25.000 a 40.000 partidários da UNITA e da FNLA. Números que Mário Pinto de Andrade, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), contesta: “Acho que, às vezes, a comunidade internacional empola. Houve uma manipulação desses resultados. Eventualmente fala-se das pessoas que morreram pela UNITA, mas também morreu muita gente pelo lado do governo. A UNITA quando ocupou o Uíge matou muita gente do MPLA e quando ocupou o Huambo, fez o mesmo.”

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Nem o candidato do MPLA, José Eduardo dos Santos, nem o seu adversário, Jonas Savimbi, da UNITA, conseguiram maioria absoluta nas presidenciais. Mas, a segunda volta nunca se realizou. A guerra civil reacendeu-se com o massacre e, prolongar-se-ia até quatro de Abril de 2002. O massacre dizimou muitos membros dos grupos étnicos Ovimbundu e Bakongo, historicamente tidos como adversários do MPLA. O jornalista e analista político Orlando Castro afirma que, nessa altura, o MPLA tentou “neutralizar todos os que pensavam de maneira diferente do regime”.

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“Foi uma nova tentativa de decapitar a UNITA. Orlando Castro conta: "Na história do MPLA, os massacres, ou as purgas, ou o que se lhe quiser chamar, são uma regra estratégica do regime, mesmo até para os próprios simpatizantes do MPLA”. Essa prática vem-se verificando até aos dias de hoje segundo muitas versões contadas aqui e ali, em livros ou crónicas nos jornais e redes sociais e, até por gente fugida ao sistema que sempre acusam o MPLA na utilização de venenos para eliminar parceiros ou amigos considerados insuspeitos. Quem lê o “Fórum de Liberdade” nas redes sociais de Fernando Vumby exilado na Alemanha, um antigo elemento da DISA - a polícia política do governo de Agostinho Neto, fica com os cabelos em pé.

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O tema ainda é tabu em Angola e desconhecido por muito jovens. Daí a importância de uma boa estratégia de reconciliação, desde que não se branqueie a verdade, defende Orlando Castro: “Estes massacres são os mais visíveis, quer o de 27 de Maio de 1977, quer o de 1992, são os mais visíveis pelo número de vítimas, mas o MPLA tem muitas outras histórias porque ao longo da guerra – embora a UNITA obviamente também tenha cometido grandes erros – o MPLA, até pelo poder militar que tinha, massacrou muita gente inocente.

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Os jovens não conhecem esta história. E, a paz e reconciliação em Angola nunca se conseguirão com base na mentira”. Mário Pinto de Andrade recorda: “ninguém pode negar a História, mas tem de se falar com realismo. Apesar de Angola ter um grande potencial em recursos hídricos, nem toda a gente tem acesso a água e energia no país. O governo angolano quer mudar isso e está também aberto a cooperar com Portugal; assim se falava a em Outubro de.2012; o que mudou mesmo foi  o ressurgir de novas formas de roubar ao erário publico destroçando paulatinamente a economia e levando o povo ao desemprego, sobrevivendo da forma triste em rebuscar nas lixeiras, caixotes de lixo e coisas nauseabundas que só abutres praticam…  

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:53
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXVI

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIII

”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”  TRAGÉDIA ANUNCIADA COM CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 3197 – 27.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

cronXXIII.jpg

Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em Março de 1992, representantes da Amnistia Internacional visitaram Angola lançando um apelo para a protecção dos direitos humanos – “Na ausência de providências imediatas para impedir novos assassinatos, verificava-se uma escalada da violência que vinha a pôr em risco os acordos de paz”. Crimes cometidos, nunca castigados, segundo pesquisa na imprensa angolana e portuguesa: Pelos governamentais, a morte de seis pessoas, numa manifestação pacífica de apoio aos separatistas de Cabinda, em 1991.

Ainda em Cabinda, no mesmo ano verifica-se a execução a tiro do diácono Arão. Também em Luanda, ocorre o assassinato do piloto governamental Sampaio Raimundo, pelo guarda-costas de um oficial da UNITA. No corrente ano de 1992, a morte de quatro oficiais da Força Aérea angolana, por membros da UNITA – dois deles, enterrados vivos, um queimado, outro espancado. Dá-se a morte de nove membros da UNITA, entre os quais o tenente José Segundo, na Província de Benguela, segundo representante da UNITA em uma comissão da CCPM - Comissão Conjunta Politico Militar. O mesmo, foi alvejado por um civil e por um outro com uniforme das FAPLA, em Junho do passado ano. Àquelas mortes, nenhuma investigação foi feita.

cronXXIII-5.jpg Dá-se o assassinato do representante da UNITA em Malange, coronel Pedro Makanga, vingado logo a seguir, com o assassinato de um tenente-coronel das FAPLA. Era esta a onda de insanidade e falta de rigor na fiscalização e ordem do território e, dizer-se por isso, estar-se a caminhar para uma tragédia anunciada, sem ter ninguém ou entidade fidedigna para superar com justiça quaisquer arbitrariedades. Na Província da Huíla dá-se assassinato de quatro turistas; este episódio transforma-se em mais um incidente político, quando Jonas Savimbi anuncia que prendera Celestino Sapalo, um agente de segurança governamental, por suspeita dos crimes. A ONU, vem a concluir que os crimes haviam sido cometidos pela tropa da UNITA; esta, concorda em permitir o interrogatório a Sapalo por uma comissão conjunta de inquérito, formada por seus representantes e do governo, mas isso nunca aconteceu.

cronXXIII-0.jpg Dá-se aqui conhecimento de várias altercações que um pouco por toda a Angola se vão verificando, para que se tenha uma ideia melhor formatada do todo o ambiente social em efervescência expectante da paz que, não chega… Em Cabo Ledo, arredores de Luanda, ocorre a morte por assassinato de uma família portuguesa. O governo apresenta um presumível autor dos crimes que anuncia ter actuado a mando da UNITA, por dinheiro e, embora tudo apontasse ser uma manobra política do MPLA, nenhuma investigação viria a ser feita. Por sete dias o Papa João Paulo II visita Angola, tendo-se despedido a 10 de Junho de 1992 do povo angolano no Aeroporto de Luanda e, tendo na primeira linha um grupo de escuteiros em fila.

cronXXIII-3.jpg O Papa João Paulo II junto de José Eduardo dos Santos, presta honras militares; arcebispos e bispos, em representação de vários países africanos; crianças com camisolas impressas com fotografia do Papa João Paulo II; O Papa João Paulo ao fazer discurso de despedida dá antecipadamente a bênção para um bom entendimento entre irmãos desavindos, o que teimará em não se verificar. As eleições gerais angolanas ocorreram nos dias 29 e 30 de Setembro de 1992 para eleger o Presidente da República e a Assembleia Nacional. Foram as primeiras eleições multipartidárias, supostamente democráticas e livres realizadas no país. Ocorreram na sequência da assinatura dos Acordos de Bicesse de 31 de maio de 1991, que pretendia pôr fim ao impasse militar com mais de dezassete anos.

O MPLA ganha as duas eleições; no entanto, os oito partidos de oposição, em particular a UNITA, rejeitaram os resultados como fraudulentos, o que se veio a verificar posteriormente segundo relatos de ocorrências, por impedimentos de fiscalização, destruição de urnas ou, por trâmites com bizarrias inconsequentes. Como resultado, a guerra civil seria retomada. Alguns milhares a dezenas de milhares de membros da UNITA ou apoiantes em todo o país seriam mortos pelas forças do MPLA em poucos dias, no que é conhecido como o MASSACRE DO DIA DAS BRUXAS, também conhecido como o Massacre de Outubro, referindo-se aos eventos que ocorreram de 30 de Outubro a 1 de Novembro de 1992 em Luanda, já como parte da Guerra Civil Angolana.

cronXXIII-2.jpg O massacre aconteceu após as primeiras eleições da história do país. O partido governante, o MPLA, reivindicou a vitória. A UNITA, questionou a equidade das eleições, apresentando provas das anomalias mas, a Comunidade Internacional e os países dos PALOPS assobiaram para o lado; era no Mundo, o início do barlavento esquerdista com a postura moderada de socialista! Podemos agora e à distância, ver a grande imagem, tomando como exemplo o ”Fórum de S. Paulo”- uma organização que reúne partidos políticos e organizações de esquerda, criada em 1990 para promover mudanças à esquerda com a capa suave de "neoliberais” como Cuba, Venezuela, Bolívia, Argentina entre outros…

Uma vez que nem o candidato do MPLA nem o candidato da UNITA obtiveram a maioria absoluta requerida nas eleições presidenciais, uma segunda volta seria necessária de acordo com a constituição mas, à medida que ambas as partes intensificaram a retórica da guerra, o MPLA ataca posições da UNITA em Luanda. Seguiram-se combates que levaram à morte de muitos membros proeminentes da UNITA como Jeremias Chitunda, Elias Salupeto Pena e Aliceres Mango Alicerces, que foram retirados do seu veículo e mortos a tiros. Milhares de eleitores da UNITA e da Frente Nacional de Libertação de Angola, FNLA,  foram massacrados em todo o país pelas forças do MPLA ao longo de três dias…

cronXXIII-4.jpg Em um atentado no Huambo, é assassinado o poeta Fernando Franco Marcelino. Neste atentado é ferido com gravidade a poetiza Zaida Daskalos. O “Terra Angolana” – o jornal da UNITA, em sua edição de 31 de Outubro, atribui ao MPLA a autoria deste crime, o que é duvidoso pois que eram pessoas muito conhecidas em Angola e, desde sempre ligadas ao MPLA. Neste meio tempo é também assassinado no Huambo o médico e escritor David Bernardino, homem ligado à esquerda pelo Movimento Democrático do Huambo – um apêndice do MPLA desde o seu nascimento…    

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:27
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXV

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXII

–”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO” – Tragédia anunciada

Crónica 319619.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em carta datada de 11 de Março de 1992 destinada ao Secretário de Estado Norte-Americano James Backer, Jonas Savimbi admitiu as execuções de Pedro N´Gueve Jonatão Chingunji, “Tito” - delegado da UNITA nos E.U.A. e de Fernando Wilson, delegado da UNITA em Lisboa, assim como toda a família, de ambos e, respectivos guardas pessoais, por via de “actos de alta traição” e, após julgamento. Ainda declara que haviam sido mortos em 1991 e não em 1992. A Amnistia Internacional contesta a Comissão de Inquérito da UNITA, fazendo saber ao movimento, que a mesma não obedecera aos “critérios geralmente aceites de independência e imparcialidade”.

Na carta dirigida a Backer, Savimbi acusou “Tito” e Fernando Wilson de pretenderem envenena-lo: “Depois do regresso à Jamba, a 11 de Novembro de 1988, promovi um encontro entre nós e, alguns de seus amigos para discutirmos o que se falava. Tito confessou que pretendia derrubar-me ou envenenar-me com um tipo de veneno de camaleão bem conhecido pelos angolanos”. “Na altura em que a estória emergiu, “Tito” que nomeou Wilson como conspirador, estava convencido de que um acordo poderia ser fechado com o MPLA, se eu fosse afastado.

kuito1.jpg Entretanto a UNITA chamava de “criminosos de guerra” a Almeida Santos, António Guterres, Jaime Gama e Durão Barroso. Em 1988, no Palácio de Belém, Mário Soares, na qualidade de Presidente da República, agracia com a Ordem do Infante Dom Henrique o empresário Horácio Roque, cuja mulher, Fátima Roque, acompanha Savimbi num périplo por vários países. Só em 1992, pela primeira vez, é que João Soares se demarca de Savimbi ao certificar-se de que este mandara fuzilar os dirigentes da UNITA Tito Chingunji e Wilson dos Santos.

Tito e uns quantos mais – entre eles Fred Bridgeland, um britânico, autor da biografia oficial de Savimbi e autor de outros artigos, denunciava a crueldade, associada a eventuais desvios mentais de Jonas Savimbi, e também uma tal de Olga Mundombe, estudante da UNITA nos EUA, e recentemente afastada do movimento – desenvolveram um plano para destruir a minha reputação, alegando violações dos direitos humanos com uso de drogas, numa tentativa de criar um clima favorável a “Tito” para tomar a presidência.

 bicesse2.jpgO plano alternativo era envenenar-me na Jamba e arregimentar jovens e outros indecisos à sua suposta bandeira. “A situação fica particularmente delicada porque “Tito” alegou que o seu plano beneficiava de apoio actuante da CIA”. São desconhecidas as movimentações de Backer mas, é conhecida a carta que o presidente e vice-presidente da “Senate Select Committee on Intelligence”, respectivamente David Boren e Frank Murkowski, enviaram a George Bush: “Os nossos membros estão profundamente preocupados com as repetidas acusações de abusos dos direitos humanos em Angola e, em particular, às mortes de Tito Chingunji, Wilson dos Santos e suas famílias.

Podemos nunca saber quem foram os responsáveis por estes crimes, mas o Dr. Savimbi tem de aceitar a responsabilidade pelo facto de terem ocorrido na jurisdição controlada pela sua organização politica e militar. O facto de estes acontecimentos, terem acontecido depois da paz ter chegado a Angola, deixa-nos apreensivos. Espera-se por isso que certas e especificas acções sejam tomadas por ele, Jonas Savimbi que comanda o movimento UNITA.

ong5.jpeg Com o título de Galo Negro em inglês (“The Black Cockerel”), existe uma peça teatral sobre Savimbi, da autoria do nigeriano Ademola Bello, o primeiro africano a obter um mestrado em arte dramática pela Universidade de New York.“The Black Cockerel” estreou em Junho de 2008 numa encenação da companhia do Out North Theatre de Anchorage, Alaska, onde o autor reside; esteve longe de ser um sucesso, mas teve pelo menos o mérito de atrair o interesse de Hollywood para a vida de um dos maiores líderes africanos. A acção da peça decorre entre 1985 e 1992 e os personagens são Savimbi e Tito Chingunji, secretário dos Negócios Estrangeiros da UNITA entre 1980 e 1990 e representante do movimento em Washington e o americano Jack Abramoff, lobista ligado ao Partido Republicano e que conseguiu que Savimbi fosse recebido com passadeira vermelha na Casa Branca.

Estando eu na odisseia da diáspora “ Kikas Xirikwata” por terras de Ovoboland e, no final do ano de 2014 no alpendre de soalho e tecto em madeira da Guest House Willtop de Vanda Potgieter, pude repensar em fim de tarde os últimos dias percorridos entre Okavango na Faixa de Kaprivi e os desertos de Swakopmund, pelas quenturas agrestes dos morros de Ozakos e Kiribib. Pude rever esta matéria com “João Miranda”, o chefe dos khoisans do batalhão Búfalo, quando da invasão a Angola naqueles primeiros tempos da invasão Sul-Africana.

guerra19.jpg Também senti um desassossego de excitação inquieta nos porquês mal respondidos e, que só África nos transmite; há fogos em guerrilhas escondidas com vinganças incompreendidas, queixas e gemidos, quiçá chorando nova dores, quebrando os hábitos dum quotidiano em noites de espaços perdidos. O que foi e, como foi que aconteceu é uma ideia que sempre nos acode e adianta ao acontecido. África é imprevisível na soma de angústias, incêndios com sinais de pavor, traficâncias com segredos de podridão. Deus não se vai fiar em qualquer um, por muito boas que sejam a recomendações. Esta temeridade advém de coincidências da África, de guerras subterrâneas do poder, do branco e do preto, das coisas que dão zebra.

São coisas dos últimos e antigos tempos e, embora seja cruel deixar os kotas velhos sem resposta, as pessoas, genericamente, não escolhem as sombras que têm e, também o amanhã que não pertence a ninguém! Isto acontece no “This is África”! Lugar, aonde tudo é possível.  Na voz do bom senso, terei de esperar o amanhã, sem mais nada ter que fazer e, em paz, divorciar-me de mim, dando a chave do cofre ao mestre da charrua da vida. E, porque foi que vim aqui, se não era necessário afastarmo-nos tanto, a um lugar tendo por testemunho absoluto o céu que nos cobre, para onde quer que se vá.

xiricuata2.jpg Como podemos nós acrescentar à ciência o entendimento de simplicidades tão abrangentes; uma mão amiga! As pedras surdas e mudas que não podem testemunhar porque elas têm seu próprio destino, transformar-se em pó, e nós, em coisa nenhuma. Para provar que o que tem de acontecer acontecerá, haverá sempre um milagre a alterar o curso do destino, pequeno grande! Desta feita tem o nome de “Kikas Xirikwata”, no feminino, que move vontades e ternuras a alterar este simples destino, seu toque milagreiro de bem-haja, pequenas grandes coisas que fazem a diferença!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:13
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Domingo, 19 de Setembro de 2021
CAZUMBI . LXXI
NAS FRINCHA DO TEMPO BILHETE DO ASTROLOGO ALADJE 
- Sonhajando a felicidade com Ongweva (saudade) - Crónica 3195 – 19.09.2021

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Por   soba k.jpg T´Chingange no AlGharb do M´Puto

O papel branco formatado num pequeno quadrado, cheio de letras e arabescos nos quatro cantos, surgiu de mistério seguro pela escova no para brisas do carro. Coisas de espiritualista avulso e vidente. No canto do topo tinha uma crescente lua no lado direito com estrela a acompanhar; da direita, a lua era decrescente e também tinha uma estrela ao lado. Guardei e li, uma literatura como que saindo de um afamado cientista, espiritualista e também curandeiro.

kimbanda1.jpg Para imprimir grandiosidade diz o “fulano” ser descendente de uma antiga e rica família com poderes. Diz ser um mestre conceituado na Magia Negra e Branca, originário dos impérios do mal, do Senegal, da Gâmbia e Guine-Conacri e Angola. Um grande signatário coordenador dos impérios daquele tal mal, mesmo das lonjuras de muitos anos…

Conhecedor de casos desesperados, requerendo ajuda e conselhos em qualquer problema, grande ou de difícil solução. Diz que tudo é feito em rapidez e sabedoria nos assuntos de amores, insucessos, depressão, saúde, negócios, impotência sexual, mau-olhado, invejas trancadas e atravessadas e, todo o tipo de doenças…

kimbanda3.jpg Este quadrado exíguo para tantas e, relevantes tarefas de pirilampo, ainda arranja e mantêm emprego, aproximação ou afastamento de pessoas amadas. Ué! Com enfado muito carregado de curiosidade, de texto longo, leio ainda que também lê a sorte pelo bom espirito com seu forte talismã; faz trabalhos à distância afirmando ser conhecido por toda a europa e áfrica.

Seu horário é de entre as 8 horas e 30 minutos e as 20 Horas. Nos cantos inferiores, esquerdo e direito, tem duas lamparinas de Alibabá; assim termina seu “patuá” indicando seus dois telefones portáteis e um fixo. Cumcamano, fiquei assim estupefeito com tantas alvissaras penduradas em seu carisma de Kimbanda…

saramargo01.jpg Desta feita verifico ser este “Aladje” muito superior ao nosso Primeiro-Ministro de nome António Costa. Deveria ser assessor deste “nosso” compatriota para acudir às mazelas do M´Puto pois que sua “lábia” é bem oleada nas muitas difíceis engrenagens do optimismo… Suas entidades vibram nas matas, cemitérios e encruzilhadas, com o "Povo da Rua" abrangendo os mensageiros ou guardiões (é dos livros…)

Estou a ver-me tirando uma senha a fim de ficar depenado nos trinques, talqualmente fazem os muitos políticos de “nosso” rectângulo. Mas, ele, há coisas… afinando as pestanas vê-se que é para além de um bom candidato a politico, um bom homem de ética apurada, enfim, um bom republicano, socialista…

sacag11.jpg Perante esta mokanda, acho que o espírito da gente é cavalo que relincha e até escolhe estrada. Que quando numa de para tristeza, e morte, vai não vendo o que é bonito e bom; seja!? Contando assim este episódio de quase resiliência, coloco até minha sobrada amizade, assim mesmo, um pouco para ele singrar, pois surge do nada em criatura de simples coração que em verdade, me fez desacreditar que o inferno é mesmo possível! Ainda estou sonhajando…

Nota: Sonhajando: - Viajar com sonho…
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:51
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2021
FRATERNIDADES . CXXXIII

11 DE SETEMBRO e as TORRES GÉMEAS dos EUA

Crónica 3193 de 11.09.2021 - *Aonde estava Deus naquele dia?*

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Por soba02.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Nenhum atentado causou mais impacto no Mundo do que o do dia 11 de Setembro de 2001, quando duas torres em Nova Iorque foram atingidas por dois aviões sequestrados e pilotados por terroristas suicidas. O estrago foi imenso; o prejuízo em vidas, incalculável e o mundo passou a viver uma era sob o impacto do terror. Nessas horas, uma pergunta se fez a nós mesmos: Por que Deus permitiu aquela tragédia? Onde estava Ele? Por que não fez nada? Ele tem culpa por não intervir?

roxo135.jpg Bom! Dias depois do desastre, a filha dum pastor, Billy Graham foi entrevistada no programa Early Show, em Nova Iorque, e respondeu à seguinte pergunta: “Como Deus permitiu que isso acontecesse?” Anne Graham deu uma resposta extremamente profunda e sábia: Creio que Deus ficou muito triste com o que aconteceu naquele fatídico dia, tanto, quanto nós. Por muitos anos, temos dito a Deus para que não interfira em nossas escolhas, para que saia de nossas vidas. Sendo cavalheiro que é, creio que Ele, respeitosamente saiu. Como podemos então esperar que nos dê a bênção e protecção se exigimos que Ele não se se envolva connosco?”

Os políticos, em sua maioria, dizem-se ateus ou agnósticos, remetendo-O para o isolamento, uma prisão sem grades físicas ou temporais dispensando até seus valores; ao invés disto dizem-se gays com orgulho sem o parecerem, inibidos em quanto baste... De repente ficamos sem chão, porque num repentinamente corremos riscos de "anormalidade", isto no sentido de sermos diferentes...

roxo137.jpg Nossos filhos vão para as universidades, entram homens e saem mulheres ou entram mulheres e saem homens sem preservar aqueles valores enaltecedores. Claro que generalizo isto mas felizmente ainda não é um conceito maioritário (até ver…) mas, no entanto esta postura, inibe-nos por silêncio, para não corrermos o risco de nos chamarem de preconceituosos, antiquados e outros edecéteras...

O problema do ser humano é que deseja paz, amor, justiça e respeito ao seu jeito jeitoso de modo próprio; assim deve ou deveria ser, noé!? Ele, o tal de Nosso Senhor, também não quer violência, guerras nem egoísmo. No entanto, se essas coisas são alcançadas somente com Deus, então fica claro: o ser humano quer as bênçãos divinas, mas regeita-O em ensinamentos. Não quer reconhecer que necessita Dele; prosápia pura de alguém que o diz por altruísmo torpe.

roxo103.jpg A Bíblia nos alerta, de que “como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem. Pois nos dias anteriores ao Dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, portando-se como cachorros, sem lei-nem-roque e até ao dia em que Noé entrou na arca”…

roxo27.jpg Não há problema algum em comer, beber ou casar-se, o erro está em fazer isso longe dos conceitos de civilidade de Deus. Desejar as bênçãos Dele, implica em andar em seus caminhos. Envolver-se com Ele significa seguir Suas orientações, obedecer a Suas leis e submeter-se a Seus cuidados. Só assim daremos liberdade a Deus para nos proteger e agir como se deseja.

Imagens aleatorias de Assunção Roxo

Feliz Domingo e todo o resto de Setembro ...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:03
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Domingo, 12 de Setembro de 2021
MUGIMBO . CXXVII

Crónica 3191 de 12.09.2021 - *PRIORIDADE MÁXIMA*

 - Cada um de nós deveria ter uma BAZUCA sem a ilusão e, COMPADRIO carunchosamente facilitado pela fricção corrupta...

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Por  luis00.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Mergulhados em um mundo mediático, publicista e consumista, corremos todos os dias o risco de priorizar o que é secundário. Governo e vendedores de fantasias enchem-nos a paciência sem dó...

Muitas coisas são importantes, mas é fundamental estar-se constantemente vigilante na avaliação do topo da lista. Somos sempre estimulados a desejar aquilo que não é realmente necessário, a criar falsas necessidades.

relogio areia2.jpg Não podemos viver autocentrados quando o alerta nos torce a mente, enganando nossas urgências e necessidades. Assim, o que é mais importante na vida assume uma posição secundária e passamos a trabalhar, lutar e investir nosso tempo e energias a correr atrás daquilo que é supérfluo ou ilusório...

Sabemos que precisamos priorizar o que é autenticamente importante. O problema é que dar prioridade àquilo que é mais importante, nem sempre brotará espontaneamente de nós. Normalmente, o que pulsa em nós é o desejo de auto realização mas, corremos o risco de virar marionetas.

relogio sem.jpg Queremos afirmação e pensamos que sejam o fruto de nossas conquistas: “Minha beleza, minha inteligência, minha casa, meu celular, meus diplomas, minha profissão…” E, quanta decepção se encontra quando priorizamos o que não nos é prioritário!

Nossa única prioridade real na vida deve ser "viver com dignidade e liberdade". No fim de tudo, o que importa é se você colocou a sociedade, seu próximo ou vizinho e família em primeiro lugar...

Com fé, a prioridade surge; e, até encontrará forças e sabedoria para enfrentar qualquer tipo de circunstância! Ao dar o primeiro, o melhor e o mais importante é esse lugar de seu lado positivo no pensar; e, verá assim que tudo o mais se encaixará, naturalmente...

deserto5.jpg Sua realização e afirmação não estão no que dizem as vozes deste mundo cheio de propagandas vazias, mas no que diz a palavra da sua humilde e honrosa postura. Sempre é tempo para tomar um novo início com o rumo certificado em mente de progresso...

Comece agora a buscar o reino de seu templo, seu pensar como PRIORIDADE MÁXIMA. Faça disso seu maior interesse e veja cumprir-se em sua vida a promessa do verso com o certo verbo, em um qualquer novo dia: “Essas coisas lhes serão acrescentadas” sem a necessidade de se esquecer...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XX

A batalha final - MAVINGA - Gbadolite a Bicesse … - 1988/1989

–”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”  - Crónica 3190 08.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por soba k.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

A 23 de Março de 1988, trava-se a batalha decisiva. O Alto Comando das tropas sul-africanas decidiu passar à ofensiva. As forças conjuntas SADF/UNITA, após intenso fogo de barragem, lançaram-se numa derradeira ofensiva contra as posições angolano-cubanas, mas o ataque foi rechaçado ao fim de 8 horas de combates, com as forças revolucionárias a desencadearam uma contra-ofensiva, obrigando-os a recuarem… Em Dezembro de 1988 o MPLA e a UNITA, assinam o Acordo Tripartido na cidade de Nova Iorque, acordando com a retirada das forças estrangeiras do conflito angolano.

Na mesa das negociações, o regime da África do Sul vê-se obrigada a aceitar os acordos de Nova Iorque, dando origem à implementação da Resolução 435/78, do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que levou à independência da Namíbia e ao fim do regime de segregação racial, que vigorava na África do Sul. A batalha de Cuíto-Cuanavale, ocorrida entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988, foi o confronto militar mais prolongado e mais sangrento de que há memória naquela região de África.

selos01.jpg Desfecho: -O impasse militar de Cuíto-Cuanavale foi reclamado por ambos lados como uma vitória. O lado angolano afirmou que, em situação inferior, impediram a invasão do território angolano, pelas forças da África do Sul. Porém na África do Sul os partidários da guerra proclamavam como triunfo o facto de o exército deles menos equipado mas melhor treinado ter impedido o avanço do comunismo. Em Janeiro de 1989 os cubanos iniciam a sua retirada de Angola, pelo que o representante Episcopal, Cardeal D. Alexandre do Nascimento difunde a mensagem de “Reconciliação e Paz”.

A 22 de Junho de 1989, Eduardo dos Santos e Savimbi encontram-se em Gbadolite, no Zaire, sobe mediação de Mobutu. No plano negocial apresentado por Luanda, o “caso especial Dr. Savimbi” é o ponto 5 da agenda que exige a retirada temporária do líder da UNITA da cena politica angolana. Inicialmente, Jonas Savimbi concorda em afastar-se. Chega a estabelecer-se um cessar-fogo, mas a euforia nas frentes de batalha de um e outro lado, foi breve. As armas voltam a crepitar, quando Savimbi dá o dito por não dito anunciando que não se retirará de Angola. O MPLA utilizando 20.000 homens e 400 tanques lança a “Operação Último Assalto” para recuperar Mavinga. O objectivo não é conseguido pelos governamentais pois que não conseguem o pretendido - atingir a Jamba.

bicesse2.jpg A UNITA contra-ataca desencadeando focos de luta por quase toda a Angola, obrigando as FAPLA governamentais a dispersarem e a abandonarem Mavinga. Poucos dias depois, pela primeira vez na história da guerra civil, aviões da FAPA, Força Aérea popular de Angola, bombardeiam a Jamba. Em retaliação a UNITA corta água e luz a Luanda, através de sabotagem nos postes de alta tensão de Cambambe e conduta central de água de Kifangondo.

Em Dezembro de 1990, no 3º Congresso do MPLA em Luanda, Eduardo dos Santos anuncia: “Teremos multipartidarismo no primeiro trimestre de 1991”. Antes, três meses após o encontro de Gbadolite, no Congresso Extraordinário da UNITA, Jonas Savimbi falara de negociações directas com o MPLA, governo de unidade nacional, revisão constitucional e eleições. Pode supor-se que ambos os beligerantes compreendem que a vitória militar de um deles é impossível, em um território com a extensão de Angola. Iria assim, começar a placa giratória que conduziu à assinatura dos acordos de Bicesse.

bicesse1.jpg Entra-se assim no capítulo de “TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”. Nos anos de 1990 a diplomacia portuguesa entra em acção pela mão de Durão Barroso enquanto Secretário de estado dos Assuntos Externos e Cooperação de Portugal, tendo como Presidente da Republica, Cavaco e Silva o propósito de levar a paz e reconciliação a Angola. Neste meio tempo, anos de 1990 1 1991, fala-se em esperança mas, na passagem do tempo falecm dois vultos da luta pela libertação: Mário Pinto de Andrade, em Londres e António Jacinto em Lisboa.

Bicesse foi o nome por que ficou conhecido o acordo de paz firmado a 31 de maio de 1991, no Estoril (Portugal), entre o presidente da República Popular de Angola, José Eduardo dos Santos, e o presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Jonas Malheiros Savimbi. Com a mediação portuguesa por Durão Barroso e a cooperação de observadores dos Estados Unidos da América (EUA) e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

bicesse3.jpg Este acordo visava pôr fim à guerra civil angolana. O seu texto estabelecia que o cessar-fogo devia ser inteiramente controlado pelo Governo angolano e pela UNITA. Para tal, devia ser formada uma Comissão Conjunta Político-Militar (CCPM) constituída por representantes do Governo angolano e da UNITA, tendo como observadores externos delegados de Portugal, dos EUA e da URSS. Ficou ainda agendada a realização de eleições, entre 1 de setembro e 1 de outubro de 1992, depois das quais cessariam os poderes da CCPM.

Os países observadores, EUA e URSS, comprometeram-se igualmente a pôr termo ao abastecimento de material bélico às facções envolvidas no conflito. Todas as forças beligerantes seriam integradas nas Forças Armadas Angolanas, cabendo ao Estado Português, através das suas próprias forças armadas, ministrar a formação necessária. Este Acordo permitira um armistício temporário na Guerra Civil de Angola entre MPLA e a UNITA. No entanto, os efeitos de Bicesse nunca se sentiram e a paz foi ténue e incompleta, para além de efémera, pois os conflitos logo em 1992 rebentaram numa espiral de violência ainda maior, não mais cessando. Seriam necessários mais dez anos para se pô termo à guerra…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:21
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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2021
KANIMAMBO . LXXIV

CAFUMFO - Crónica 3185 - *O BRILHO DOS DIAMANTES* - 25.08.3021

Kanimambo é obrigado em dialecto Changana de Moçambique

kafu10.jpg

Por   soba k.jpgT'Chingange - no M'Puto…

Celebridades, reis e rainhas gostam de diamantes porque eles brilham e são “eternos”. O nome da pedra vem de uma palavra grega (adamas) que significa “invencível” e se refere à sua incomparável dureza.

O povo esgravata a terra fazendo buracos para sobreviver ou enriquecer. Por vezes, muitas vezes, corre perigo de vida na busca de algo que possa vender e, assim realizar algum dinheiro para comprar pão para as bocas de familiares.

kafu28.jpg Nós sabemos que a Diamang de Angola provocou muitas prisões e mortes durante o período colonial de Portugal em Angola; fenómeno que recrudesceu no governo mwangolé com ainda mais mortes entre o povo sofredor...

Porém, para ser diamante, é preciso suportar pressão e calor. Isso sem falar no processo de lapidação. Ninguém acha um diamante e o mantém em estado bruto, com suas impurezas e imperfeições, pois não teria graça nenhuma. Os diamantes precisam ser lapidados, num trabalho artesanal em que raramente perdem menos do que 50% do peso original...

kafu33.jpg Para que sua beleza cintile diante de todos é necessário dizer-se ser esse, um processo doloroso e que leva tempo, o que o torna numa boa metáfora do trabalho que Deus realiza em nossa vida para que brilhemos em Seu suposto reino.

O lapidador não trabalha de qualquer maneira. Ele estuda a pedra, observa o cristal, analisa o índice de refracção (responsável pelo brilho), avalia o poder dispersivo (a capacidade de dividir as cores espectrais da luz branca) e desenha assim o melhor corte. Depois do corte, que às vezes consiste de 58 facetas, vem o polimento que o faz, um trabalho elevado ao lapidar no polir dos diamantes da natureza, ou do Deus se o quiserem... Que tal como cada pessoa se vê na melhor maneira de dar a si, a forma perfeita no revelar de seu esplendor.

Em geral, o olhar casual observa apenas a cor do diamante. No entanto, seu valor depende de outros factores. O Instituto Americano de Gemologia leva em conta quatro itens: o carat (quilate, peso), a claridade (ou pureza), a cor e o corte (ou lapidação).

kafu34.jpg Para o brilho, o corte pode ser mais importante do que a cor. O corte tem que ver com o estilo da lapidação, e não com a forma, que pode ser redonda, oval e rectangular, entre outras. O corte excelente, que maximiza a luminosidade, o fogo (ou brilho) e a cintilação, é aquele que reflecte quase toda a luz que penetra o diamante. Igualmente - o “diamante” que recebe o corte perfeito para reflectir a luz divina.

Depois do trabalho do lapidador, uma pedra de rara beleza pode atingir um preço muito elevado. Em Novembro de 2013, num glamoroso leilão em Genebra, a Sotheby’s bateu o martelo para a venda do Pink Star por 83 milhões de dólares. Se eu fosse pastor, diria que Deus sempre procura as pedras mais preciosas...

kafu35.jpg Bom DIA VINTICINCO... Então, com Sua habilidade de lapidador sem igual, DEUS, ALÁ ou BUDA, transformará essas pedras em jóias magníficas. Com ou sem fanatismo, pode dizer-se que o corte não é a destruição da pedra, mas sua redenção. Metaforicamente, se assim o for, quando você sentir a dor do polimento, não reclame. Você só poderá brilhar se for lapidado; só assim obviará a malamba básica...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:52
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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXIX

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XVI

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… OFENSIVA NGOUABI - Crónica 318422.08.2021

- “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? -Nós e os mwangolés…

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Por tonito16.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Ainda anda por aqui e ali no M´puto e Diáspora, muita gente com quem temos amizade e que dão um encolher de ombros às lembranças de então, de há 46 a 47 anos atrás. A força de esquecer dos retornados, refugiados e afins, foi mais que muita e, ao ponto de até esquecerem o nome da lavadeira, da rua aonde moravam e até do cachorro e coisas que se fracturaram no tempo em sonhos de altas falésias com muitos e assombrosos pesadelos. Eu passei a ser Cidadão do Mundo nascido por opção a bordo do Niassa - um Niassalês. Sonhos de mirar o passado pelas estrias de uma kalashnikov, AK 47 entre outras, aquelas de tambor ultra revolucionário e até das G3 dadas pela NT (Nossas Tropas) aos bandalheiros e pioneiros do MPLA. Uma grande parte dos “tinhas*”, até se tornou comunas militantes; outros são socialistas envergonhados…

dachala1.jpg Prometi a mim mesmo não me enganar continuando a ser eu próprio peneirando as opiniões, gerindo silêncios e, mesmo no exterior de Angola, fiz trabalho fiel por quem acreditava ser o futuro em Angola. Saí da UNITA mas, ela continua comigo pois recordo grandes nomes com quem tive o privilégio de trabalhar como Carlos Morgado, Kalakata, Alcides Sakala, José Kachiungo Marcial Dachala ou Adalberto Júnior entre tantos e tantos. Tive e continuo a ter com orgulho de exibir, um galo em cerâmica que sempre ficou agarrado à lapela do meu terno de azul diplomático, oferta como se assim o fosse: um louvor medalhado, por essa gentil pessoa com o nome de Sakala que então representava a UNITA em Portugal, sendo eu coordenador da Zona Sul do M´Puto… 

Só a partir do 11 de Março de 1976 as coisas começaram a tomar outro rumo. Tive a sorte de ser colocado pelo IARN como destacado ADIDO (Ex-funcionário dos SPCFTA e Câmara da Caála em Robert Williams), em um município, tendo na presidência um elemento do MDP-CDE do Ribatejo, que tudo tentaram para me levar para as tomadas de “montes” no Alentejo – Era o PREC em curso. Nesta descrição andarei um pouco mais à frente e atrás para inserir o essencial dos problemas que afectavam milhares de seres como eu e, em iguais circunstâncias; gente que quis esquecer e, que acabou mesmo por assim ser… Perturbado com os punhos no ar e assembleias a toda a hora, em terra de Otelo Saraiva, zarpei, bazei, fugi de licença ilimitada rumando para a Venezuela de Andrés Peres…

dachala2.jpg Mas e, voltando a Angola e a Fevereiro de 1976, deparamos com o rápido avanço do MPLA com cubanos para a tomada do Lobito e Benguela à UNITA e Soyo, a antigo Santo António do Zaire no Norte, à FNLA. A República Popular de Angola é admitida na ONU e reconhecida por vários países. Portugal seria o 88º membro a reconhecê-la. Neste mesmo mês, o comité político da UNITA abandona Huambo e inicia a retirada par Sudeste, com cobertura de uma coluna Sul-africana. Savimbi está no Leste e inicia, juntamente com duas mil pessoas, aquilo a que se veio a chamar a “Longa Marcha”. O líder da UNITA, Jonas Savimbi, viria a atingir o Cuelei, a 28 de Agosto, milhares de quilómetros percorridos, apenas com 79 resistentes.

Curiosamente, um erro táctico do próprio MPLA catapulta a UNITA, em 1976, para o palco internacional. O sucedido conta-se em poucas palavras: pouco depois da tomada do Huambo, o MPLA organiza no Sul de Angola, a “aldeias modelo” em que nada parece faltar mas, esquece-se das muitas aldeias em redor, de pobreza extrema. Perto de Vila Flôr a cerca de 40 km do Huambo, na noite de sete para oito de Setembro de 1976, Canhala foi cercada, atacada e saqueada pelo povo das aldeias miseráveis limítrofes, que não poupou a vida àqueles  que pactuaram com o plano engendrado pelo governo de Luanda.

dachala3.jpg Não podendo admitir o erro, o MPLA atribuiu aos “fantoches da UNITA” a responsabilidade pelo massacre; quando, na verdade, a UNITA se encontrava desmantelando para Sudeste. Até final de 1976, embora desfalcada, a UNITA resiste a três operações dos cubanos e MPLA “Tigre” no Leste; “Kwenda” a Sueste; “Vakulukutu”, no Cunene. Neste ano, Savimbi envia para Marrocos 500 homens que, a coberto do apoio do Hassan II, recebem treino militar – em Março do ano seguinte, no 4º Congresso da UNITA, estes homens são nomeados comandantes do exército semi-regular da UNITA.

À coligação MPLA/cubanos juntam-se tropas congolesas com um total aproximado de 10 batalhões que passam a actuar no Centro/Sul de Angola, praticando a politica de terra queimada, na qual ficou a ser conhecida por “Ofensiva Ngouabi”, de Marien Ngouabi , presidente do Congo e que, em Setembro de 76, visitou oficialmente Angola. Entre as aldeias mártires da “Ofensiva Ngouabi”, contam-se Quissanquela, Capango, T´Chilonga, T´Chiuca e Mutiete. Nesta última, foi sumariamente executada toda a população masculina.

dachala4.jpg Acompanhando as notícias de Angola pelas notícias internacionais, passei quase seis anos na Venezuela trabalhando na Barragem Raúl Leone do Guri situada na grande área do Amazonas entre os anos de 1977 a 1982; uma gigantesca obra situada no Rio Caroni, um afluente do grande Orinoco. Tive a felicidade de ter como Presidente um senhor de alta postura, um verdadeiro estadista chamado de André Peres, antecessor ao Herrera Campins e ao ditador chamado de Hugo Chaves. Nesse então Venezuela era um paraíso, havia pleno emprego, paz e harmonia.

Naquele lapso de tempo, convivia com gente saída de Angola, topógrafos, grueiros e gente de todas as aptidões; uma obra que mantinha 18.000 trabalhadores de 82 nacionalidades. Em nossos encontros e farras falávamos da Angola distante e, ao som dos merengues e cantares de Paulo Flores ou Bonga e até Minguito batíamos o pé levantando pó no pé de serra. Primeiro, meu trabalho era o de projectar e implantar estradas por toda a Venezuela ao serviço de uma empresa italiana e mais tarde como chefe de departamento de topografia e projectos inerentes àquela grande barragem.

palops1.jpg A guerra civil angolana eternizava-se. Agostinho Neto, o medíocre poeta e Presidente de Angola por um acaso, tendo consciência do problema social, tenta uma abertura política, como modo de se libertar do cada vez mas fechado domínio soviético que estrangulava a olhos vistos o MPLA. Neste âmbito, encomenda uma sondagem para um possível acordo de paz com a UNITA. Em 1977, a embaixada soviética em Luanda é dirigida por Arnold Kalinini. Conhecem-se as pressões que o embaixador exerceu sobre Agostinho Neto, no sentido de o levar a adoptar o marxismo-leninismo. O presidente Neto resiste. Num discurso desse mesmo ano, afirma que “o MPLA deve continuar a ser um partido aberto a todas as correntes nacionalistas angolanas”. Mas, acaba por aceder em Dezembro de 77, transformando o MPLA em PT, Partido do Trabalho, realmente de cariz marxista-leninista.

Notas*: Tinhas – Cognome de alguns retornados por sempre repetirem: “ Lá, eu tinha” – Se era verdade para muitos , a maioria, não o era para os faroleiros que diziam ter o que nunca tiveram…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:13
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Domingo, 22 de Agosto de 2021
MUJIMBO... CXXVI

AFEGANISTÃO - UM FIM DE CICLO

Crónica 3183 - 21-08-2021

soba21.jpeg

Por soba k.jpgT'Chingange - no M'Puto

Com este fim do poder hegemónico pela desistência da NATO e América, o mundo fica sem a referência necessária e dissuasora a novas e avulsas aventuras de poder. A estrutura da ORDEM, simplesmente cria um VAZIO; um perfeito anúncio para novos encontros de forças anárquicas...

O pântano é assim transladado para as Nações Unidas por desmembramento de conceitos com abandono deixando o caos neste vulcão chamado de Afeganistão - um descrédito total. A concepção religiosamente fundamentalista irá trazer até nós a céptica ORDEM MUNDIAL.

tio Sam3.jpg Os USA, com a batuta de Biden, estão a alhear-se do Mundo criando a este, a falta dessa NOVA ORDEM sem perspectivas, o que torna a HISTORIA, demasiado assustadora. Os americanos não querem ter mortos em teatros de guerra e a havê-los que o seja bem longe!

Fizeram isto em todo o Mundo; Saigão no Vietname, Síria, Líbia, Iraque, Irão, no Golfo, com a Emenda Clark em Angola e agora Kabul do Afeganistão. A Obama, seguiu-se Trump e a este, Biden. É assim o início de seu isolacionismo contra as torpes ideologias a mando do ópio que se espalha por todo o Ocidente Cristão...

talibâs2.jpgA NATO, simplesmente foi ridicularizada sem honra nem glória, fragmentando-se e, proporcionando o avanço dos MOUROS por via da falha demográfica e o avanço da emigração; o que estará por detrás destes movimentos de gente boa misturada com criminosos de guetos.

Nós no M'Puto não temos ninguém com força de impor o que quer que seja. Ficaremos vagando a onda de "vamos ver como fica" sem o "trinco" necessário e, sem gente com capacidade, sem gente para influenciar um cego, nem a força anímica social. Neste mar de anemia só me recordo de Adriano Moreira com um talvez: o último ESTADISTA TUGA.

OLHO3.jpg Ninguém está preparado para esta descontinuidade; daqui advirá a instabilidade com crise e pandemia num crescendo que ninguém pode ignorar. E, preocupa que ninguém com peso aqui ou no Mundo, possa fazer a necessária resistência aos MOUROS, os corta cabeças do talibãs, dos Mujahidins ou os Boko hHrans. Andamos distraídos na inércia num "isso é lá com ou outros".

Andamos distraídos com a atribuição de cotas para mulheres, para estudantes e sua cor e, bandalhices do "abecedário" com siglas de LGBTIQ, acrescentando amiudadamente mais uma letra ao grupo, como se tudo isto fosse o cerne do nosso TUDO – BalhameDeus!... E, temos aí a BAZUCA que tudo indica, vem juntar Dívida à dívida e, com dúvidas quanto baste...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:34
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Quinta-feira, 19 de Agosto de 2021
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXIX

A VIDA É UM DESAFIO - ANDO ENKAFIFADO DE TANTO PENSAR NOS TALIBÂS DE CABUL…

PENSAR, POR VEZES É MUITO PERIGOSO. AMÉRICA, AIUÉ - Crónica 3182 de 18.08.2021

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Por soba k.jpg T´Chingange no AlGharb do M´Puto

Em momentos de aperto no tempo, ficamos contra, só por ficar! E, suprimimo-nos por vezes mas, muitas vezes somos suprimidos. Sim! Somo-lo por gente materialista, gente de meia-tigela, gente política flutuante. Alguns, muitos, sem consciência e consistência, incompetentes em verdade. Ninguém é de ninguém, na vida tudo passa; vamos fazer o quê? Como gostamos de andar embalados!...

Apercebemo-nos que sim! Há navalhas nos espíritos, gelo nas fisionomias! Será que ando a abusar do cloreto de magnésio! Dessa bulunga que tomo para eliminar os triglicéridos… Tudo anda assim num vai e vem num impossível de conjecturar se a explicação ouvida é falsa ou verdadeira. Agora é Cabul…

corona5.jpg Gasto meu tempo a espremer os miolos, compondo, inventando e eliminando e, no final fico sempre a remoer cada frase, com paciência de boi, de burro consumindo-me átoa no tempo! Ando preso a ele por pequenas minúcias. Ouvi dizer: “A Força do Direito deve superar o Direito da Força. Não há nada mais relevante para a vida social que a formação do sentimento da justiça. Eu não troco a justiça pela soberba. Eu não deixo o direito pela força. Eu não esqueço a fraternidade pela tolerância. Eu não substituo a fé pela superstição, a realidade pelo ídolo.

A injustiça, por ínfima que seja a criatura vitimada, revolta-me, transmuda-me, incendeia-me, roubando-me a tranquilidade e a estima pela vida. O homem que não luta pelos seus direitos tem um viver tumultuado. Quem não luta pelos seus direitos não é digno deles”. Não há nada mais relevante para a vida social que a formação do sentimento da justiça. A justiça, cega para um dos dois lados, já não é justiça.

talibâs3.jpg Cumpre-se por bem enxergar por igual à direita e à esquerda. A mais triste das vidas e a mais triste das mortes são a vida e a morte do homem que não tem coragem de morrer pelo bem, quando por ele não possa viver. Se os fracos não tem a força das armas, que se armem com a força do seu direito, com a afirmação do seu direito, entregando-se por ele a todos os sacrifícios necessários para que o mundo não lhes desconheça o carácter de entidades dignas de existência na comunhão internacional.

Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana-se a si mesma e prepara a sua própria queda”. Se porventura, isto falha, há Talibãs na jogada, pois que, os Talibãs não têm nação - têm um líder que lhes fornece sonhos em pó. Levo meu tempo a espremer os miolos, compondo, inventando e eliminando e, no final sempre fico a remoer cada frase, com paciência de boi, de burro consumindo-me átoa no tempo!

corimba4.jpg Porquê teve de acontecer, de novo CABUL; Ando preso a ele, no pensamento de pequenas minúcias. Ainda me lembro dos helicópteros serem lançados ao mar em terras de Vietname, Saigão, das falsidades em Angola com a tal de “Emenda Clark”, no Iraque, Irão, Síria, Líbia e agora Afeganistão. É por isso que terei de entrar numa viagem astral mesmo que seja aos solavancos, entrar nas ondas alfa e delta e, sem gravidade atravessar paredes como fazem ou parecem fazer os mágicos … Americanos – grandes amigos!?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:18
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Domingo, 15 de Agosto de 2021
KWANGIADES . XXXV

MOKANDA DO ZECA - NO MEU ANTIGAMENTE DA VIDA – Tou magrinho, bué triste nos loando muxima iami... já não posso ir na jihenda da Malta do Cú Tapado - Crónica 3180 (do Kimbo) - 13.08.2021Sexta Feira ... Kwangiades: - Derivado das musas do kwanza

ZECA MAMOEIRO.jpg

As escolas da kizomba   kimbo 0.jpgCom Jose Santos AGO 2021

TONITO UUABA! Aiué k Mano ué! A Jihenda tua é brasa de fogareiro de mama..., e pousado no meu kintal do uuabuama lugar do Rio Seco da Maianga! Tuas FALAS mexe comigo e sacode o meu salalé...! Eu, ando nos desgosto Mptukp pessoa trato dos cautela sekulu uafo ué átoa...! Nos passado dos tempo já bwé passado dos feitiço Malamba..., Le perdi os meu jeito nas minha fala e tenho andado nas minha fugas pelas barrocas..., por causa do ximba do kissonde...!

Tou magrinho, bwé triste nos loando muxima iami..., os xipala tem dentro andorinha que faz ninho, os auditório tem tugi reco-reco que não descansa e o tugi é finório..., os meu mano cristalino bwé catrapisca caté parece os pala catrapisca dos antigo VW no beulando pela Mutamba no galar os kilumba dos destino Maximba 3 para os Choupal..., dos mwadié cafezeiros e dos biacos controladores, dos mambo..., de copos de Sbell e de pratinhos de alumínio com jinguba.

zeca02.jpeg Tou proibido de comer atoa kifufutila por causa do coisa Colocolo... Só sopinha da horta do Miguel das Barbas feita na hora de "tasquinha" e peixinho; matona, cacusso, tainha..., e na chapa quente..., e, que nadam num encurralado de celha gigante de misturinha alimento que faz crescer atoa sem N´denge..., e, lellu, caro pra xuxu..., Tu vê só, agora os esperto dos merceeiro licenciado, que lellu pula-pula na berrida e também nos termo dos macroeconomia...

Quando nos Mu Ukulu num queria de saber katé bem dormia..., no colchão de espiga de milho, tinha chevrollet cheia dos atrozes e, agora t´xé tudo como manda a sapatilha...colchão Pikolin..., bruto jeep com tracção bwé decores e para passar por covas e subir picadas..., no lugar de pesca de truta, tordos arraçados e galinhas virgens de mato..., e, agora que acorda muito cedo por caso de aulas e bem nos distancia inventado pelo pula dos confinsna...

zeca01.jpeg Então, catravês ele aprende os orçamento, os despesa os lucro os ponto de equilíbrio satisfação dos budget, que no analisar, se tudo cobre bem e dá pra ajudar os economia, mas tabuada dos nove muito falha os resultado, os regra dos três dos simples, os equação dos segundo grau que dá bwé comichão... Ah! Não tambulakanta, muito embirra com os leitura dos estatística...

Os percentage dos curva sobe e desce, que diz que parece a linha, que vem do Bungo para a cidade Alta do uuabuama da Luua mesmo e, saudoso kurikutela... A tua prosa, o teu missosso é escola, é cultura..., e já tão longa...A tua obediência, o teu prazer diário de divulgar e levar até nós é extraordinário..., e que lá de cima do algodão N´Zambi te abençoe... Katé meu k mano e te acautela do tugi...tu e a IBib...

Araujo194.jpg Ximbicando n´dongu nos cânticos de bela kianda feita kapota, logologo no camenemene do Baleizão e, sob o olhar das palmeiras da Marginal, eu axiluanda como no tempo dos mafulos, dei com o sonho na praia de Loanda…! Aquele lugar que consolava o meu kituku de dilulu; minha kalunga. FUI!

:::GLOSSÁRIO: Atu/mutu - pessoas/a; Axiluanda - antigos pescadores de Loanda; Berridavam - fugiam; Dilulu - de sabor amargo; Kalunga - mar; Kapiango – roubo; Kianda - sereia; Kituku - mistério; Kúkia – sol nascente; N« dandu – parente; N´dongu - canoa; Ngana NZambi - Senhor, Deus; Malembelembe - muito devagar, com cautela; Mafulos - Holandeses; Mayanga - Maianga, um dos bairros antigos de Loanda; Trumunu - jogo de bola de trapos; Undenge ami um moamba - minha infância de moamba; Uuabuama - maravilhoso Kuatiça o ngoma! – Toquem os tambores; mafulos – holandeses; Ximbicar – remar com bordão; Kapota – galinha do mato; kurikutela – comboio vagaroso;k mano – mano do coração; Tambulakonta – toma atenção, cuidado; Um Ukulu – Do antigamente; Baleizão – gelado, picolé; Pikolin – Colchão de molas;matona – peixe da bahia da Luua; Luua – Diminutivo de Luanda;  Colocolo – Corona Virus; kifufutila ou kafufutila – perdigotos ao comer e falar ao mesmo tempo; Sbell – Wisky da Catumbela, cachaça; tugi – merda; maxima – autocarro, bus, machimbombo; Choupal – Cabaré, can-can, Bataklan; Xipala, T´Xipala – foto; Jihenda – luta , labuta; seculo – mais velho, idoso; Mtukp – M´Puto k pariu, Portugal; mwadié – brango, goeta, xindere (perjorativo);uafo – morte, morreu; Malamba – palavra; átoa – de qualquer maneira; Kissonde – formiga grande; ximba – bicho; beulando – passeandoo abandono…

ZECA 20210808



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:08
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Quinta-feira, 12 de Agosto de 2021
MISSOSSO. XLV

MEDITAÇÃO DO T'CHINGAS... A maioria de nós tem ou já teve um apelido… Crónica 3179 de 12.08.2021

dia204.jpg

Por   soba k.jpgSoba T'Chingange - no AlGharb do M´Puto

A maioria de nós tem ou já teve um apelido. Alguns gostam do apelido que recebem; outros, nem tanto. Estes apelidos têm diferentes origens. Uma delas associa características das pessoas com animais. Assim, alguém pode ser chamado de leão, porque é muito forte; raposa, porque é muito esperto; ou cobra, porque é muito astuta. Meu apelido é característico da terra que me viu crescer depois de minha singularidade no porão dum barco chamado de NIASSA; lugar escolhido por mim para nascer, mesmo antes de o ser, gente.

nyassa5.jpg Assim, meu primeirissimo apelido é esse, o de NIASSALÊS que tem como origem o lago que deu o nome ao VAPOR e, que agora se chama MALAWI. O mesmo que levou os primeiros militares para a Angola em levante com o chamado "terrorismo" no ano de 1961... Talqualmente, o mesmo navio, vapor, paquete, que fechou o círculo colonial transportando a última bandeira içada no dia 10 de Novembro de 1975 e retirada sem pompa nem fanfarra, embrulhada murcha e recambiado para a Metrópole em Lisboa. Antes do grito de "independência com vitória ou morte" no cerne do acontecido, a bandeira Lusa era retirada quase à surdina no Palácio da Luua Alta e, escapulida sorrateiramente numa lancha que a levou àquele barco, bem ao largo, no mar, desde o largo até aí chamado de Diogo Can.

nasc2.jpg Pude ler muito superficialmente nas Escrituras, que Deus usou alguns apelidos para designar Seu povo. Daí que não precisaríamos preocupar-nos por sermos conhecidos por águia, se leão ou até mabeco, Urubu ou abutre que é o mesmíssimo predador. Mas, porque essa Ave chamada de águia está associada com agilidade, soberania e imponência assim sendo, encontramos um clube do M'Puto com seu desenho no equipamento - O Benfica, com aqueles sempre auspiciosos encejos e desejos de ser campeão. Também não ficaremos tristes se nos chamarem de leão, sinónimo de força e poder também associado a outro grande clube chamado de Sporting. E, embora eu seja sportinguista, não deixo de querer ser também Pantera, por via da bandeira de minha singularidade, a NIASSALÂNDIA, símbolo de um país que já não o é!

mlibize kariba6.jpg Triste sina, esta de já não ter "meu país" e meu berço que agora é viveiro de cachuchos, corvinas, garoupas, pargos e patas-roxas entre outros peixes que me dão serventia por via das maravilhosas caldeiradas. As comezainas que me permitem alimentarem a vida gulosa neste lindo AlGharb do M'Puto. Bem! Também temos as chamadas raposas, ágeis e espertas. Entretanto, o Nosso Senhor escolheu um animal inexpressivo para nos apelidar: As ovelhas que são animais indefesas, pois não lutam nem correm e até servem de petisco... Trata-se de um bom apelido para quem carrega muitos medos, diga-se... Jesus, no entanto, insiste em chamar-nos dessa maneira: “Eu os estou enviando como ovelhas...”; “Eu sou o bom pastor; conheço as Minhas ovelhas, e elas Me conhecem...” (Jo 10:14); “As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz...” (Jo 10:27); “Pastoreie as Minhas ovelhas...” (Jo 21:16). E, mas então, porquê Ele nos chama assim?

Há muitos motivos. Talvez o melhor deles seja porque a ovelha parece ter aprendido algo que garante sua segurança: Depender totalmente do pastor. Naturalmente, o ser humano luta por independência; na juventude, experimentamos essa condição de maneira bem intensa. O problema neste processo, é o de que podemos nos atrapalhar na busca de independência pois que isso de ser-se livre é, bem perigoso... Está a ver-se...

O Soba T'Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:08
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Segunda-feira, 9 de Agosto de 2021
KAZUMBI . LXVIII

MOKANDA DA LUUA – KAPIANGO - Luanda do Mu Ukulu… Era uma vez … O temp ruge.

Da Luanda actual - Crónica 317709.08.2021

- Kinguilas, as fugitivas da Independência - II de IV

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Por tonito17.jpgT´Chingange no AlGharb do M´puto

Do BCI não é o urinol da esquina, que não funciona, nunca funcionou. Importado a peso de ouro do Brasil, a “casa de banho” faz parte de outras talvez centenas espalhadas pela cidade que nunca funcionaram. Ninguém conhece os contornos do negócio, apenas se sabe que nunca funcionaram, nem se conhece ninguém que tenha lá dentro urinado. O Rialto já não existe, só ficaram as saudades dos apetitosos pregos com jindungo e os finos tirados com a pressão exacta. Em seu lugar, recentemente, foi construído um alvo Monumento ao Soldado Desconhecido.

Os jovens não sabem o que isso seja, imaginam, segundo me disse um deles na rua, ser um soldado sem registo de nascimento. Ali ao lado estão os Correios, já centenários, mas de que ninguém parece tirar utilidade. Perguntámos a um jovem, vagabundeando por ali, o que são os correios. Ele olhou, tranquilo e respondeu muito sereno “não sei, pai”. Ninguém sabe nada, aqui nesta cidade. Também não precisam de saber. O tempo parou, sitiado entre a madrugada das 6 horas e o pôr-do-sol das 18 horas, vaivém, a cidade se povoa e despovoa, aqui se faz tudo, mas ninguém é daqui, as pessoas desabitam aqui, por isso não há tempo.

kinguila0.jpg As kinguilas, fugitivas da Independência e da puliça, andam nos extremos da extensa avenida N´Zinga ou Ginga dominadas pelo banco estatal BPC, a agência Kaponte e a agência lá do fundo perto do Eixo Viário, ao lado da Unitel. Ninguém sabe o que é Kaponte, os jovens, desempregados, não sabem nada, não lhes diz respeito. Mas Kaponte pode ser uma pequena ponte, aquela ponte que liga à Praia do Bispo e onde se mataram, dizem, brancos desesperados com dívidas ou com desamores, naqueles tempos remotos antes do setentaecinco, tudo junto…

Lá dentro do BPC, para onde os mais velhos espreitam, diz-nos o jovem M´Bambi, nunca há sistema nos computadores, especialmente, reforça, depois das 14h - 14h30. Os funcionários querem ir para casa e não toleram mesmo, ser retardados por clientes sem dinheiro, mas com problemas complexos deles, de primos e tios que obrigam a consultas demoradas. Lá fora, um mundo mudo, ninguém fala, toda a gente parada sentando-se onde pode ou polindo esquinas…

kinguila5.jpg É o mundo das kinguilas, as cambistas de rua, as verdadeiras bancárias do sistema, que também vendem recargas da Unitel, são dezenas largas de mamãs opulentas, vigilantes, carregadas de kwanzas e de divisas, inexistentes nos Bancos. Usam um balaio de mateba ou de plástico colorido; cada uma usa sua própria cor. A operação “Transparência” não lhes toca, parecem da família, tudo mancomunado com a grande máquina de lavar dinheiro; as purificadoras do sistema com adestramento no antigo “tira biquíni!” e mais suprimentos e até complementos do tal tão falado de “Roque Santeiro”. Um ar adstringente com cheiro a maboque derramado com mistura de tamarindo…  

kinguila3.jpgSó dão berrida nas pobres zungueiras que povoam a Baixa durante o dia, sempre com um olho aqui outro ali, já estrábicas, tipo ciganas na Europa, prontas a correr em defesa da mercadoria. São as fugitivas da esquindiva, da finfia com finta no aprendizado da Independência.

Mas é também o mundo dos pensionistas, centenas, ou milhares todos os dias desde manhã cedo, ainda quase escuro e ao som dos primeiros pio-pio dos agora raros pardais, seres ainda vivos se abeirando do óbito, tentando ver se a pensão já caiu…

O tempo clareou obscuridades trazendo o lixo na corrente da estória que os  fez junto com os saídos de Angola involuntárias marionetes – a tal de dipanda do tundamunjila. Podia já ter esquecido todo este assunto, um tema deprimente para muita gente e descendentes matutos de mescla escura com mazombos e virgula no entretanto mas, eu mesmo prometi não esquecer este lado negro em terra que por via da descolonização se branqueou… O dólar tem de ser com o tal George de cabeça grande. O próprio George Washington

kinguila1.jpg Num aiué, todos os mitos em torno da “Nação de N´Gola”, as coisas mudam na percepção independente, tudo mudou mesmo muito nos anos da dipanda. Na Luua num repente também passou a ter também pretos de primeira e de segunda só que não querem que isto se saiba por ser assim muito tão cruelmente cruel. A preocupação com a etnogénese podia e pode ser muito bem motivada com a preocupação na degenerescência racial, da “eugenia positiva”, tem mwangolés de primeira e gente de chinelo do pé, tipo rafeiros mas isto, nunca passarão dum tal mito de que África dos trópicos de Capricórnio nunca vai querer analisar com profundidade …

(Continua…)

T´Chingange do kapiango na Diáspora dos AlGharb`s  do M´Puto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:13
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Sábado, 7 de Agosto de 2021
PARACUCA . XXXIX
Crónica 3175  de 07.08.2021 - SALVAGUARDAS MORAIS
MEDITAÇÃO DO T'CHING . NAS CINZAS DO TEMPO

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Por soba k.jpgT´Chingange - no AlGharb do M´Puto

Há uma alarmante vulgaridade na conversação dos dias atuais, o que demonstra o estado baixo dos pensamentos e da moral. E, a classe política ao mais alto nível está enveredando por estes facilitismos populares ou populuxos.
A verdadeira dignidade de CARÁCTER é cada vez mais rara. Pouco se vê com verdadeira modéstia e reserva. Poucos são os puros e incorruptos. Pensamentos poluídos acariciados tornam-se hábito, e nosso coração é ferido e manchado por pura omissão ou indiferença do "deicha para lá"...

coroa de frade.jpg Pratique uma vez uma ação má e se formará uma mancha que nada a poderá remover, senão o sangue da mente; e, a falácia é má conselheira, se o hábito não for abandonado com firme resolução, a pessoa se corrompe e as correntes que fluem dessa fonte corruptora corromperão outros... Tudo virará uma vulgar missanga de vida. A existir Deus, este, decerto, olhará com desprezo essas coisas. Pensamentos poluídos acariciados tornar-se-ão hábito, e o coração é ferido e manchado vendendo ao desbarato seu carácter...

dia82.jpg Há pessoas que convidam à tentação; colocam-se nas posições em que serão tentadas, ou em que não podem deixar de o ser tentadas por sufoco, quando se colocam em associações objetáveis. A melhor maneira de conservar-se isento de pecado é agir sempre em todas as circunstâncias com a devida reflexão e recato.

Nunca agir ou proceder por impulso é o lema. Hajam tendo sempre presente o temor de um Deus qualquer, e estarão seguros de agir correctamente; então deixem que o senso certo, cuide de sua reputação. A calúnia não poderá manchar uma partícula do caráter. Ninguém o pode degradar senão nós mesmos, por nosso próprio procedimento, seja por vaidade ou de extasiado ego...

girasol1.jpg A mente tem de ser conservada meditando em assuntos puros. As sugestões impuras têm de ser despedidas imediatamente, entretendo-se nos pensamentos puros, elevados, santa contemplação e, obtendo assim mais e mais conhecimentos.

Pela educação da mente na contemplação de coisas celestiais ou mesmo terrestes, haverá meios simples na predisposição de todo caso individual, suficientes para assegurar o grande objetivo: a nossa salvação! Salvação do homem, da humanidade. Resolvam assim alcançar uma norma alta colocando alto seu alvo - hajam com propósito sincero, como o fez Daniel, que firmemente, segundo relatos bíblicos e, perseverantemente, por coisa alguma que o inimigo possa fazer. Impeça assim seu aperfeiçoamento. O futuro, é HOJE... Amanhã será tarde...
O Soba T'Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:35
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Terça-feira, 3 de Agosto de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXV

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIAXII

INDEPÊNDÊNCIA DIVIDIDA Crónica 3172- 31.07.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”…

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Por   soba k.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

A “Ponte LuuaLix” tem a participação de varias companhias de aviação tais como a soviética Aeroflot que se dispuseram a retirar um grande número de gente que até ali, só atrapalhava as directivas do MPLA. A criação do Quadro Geral de Adidos na Metrópole - Lisboa, veio acelerar o processo de escoar este elevado número de gente que detinha o controlo da Administração; tudo pensado para provocar a debandada. Era forçoso retirar os brancos pois seus lugares de direcção, teriam de ser ocupados pelos novos senhores. “Branco vai para a tua terra” era o que mais se podia ouvir, nas ruas, nas escolas e aonde quer que o fosse e se estivesse…

fotografo1.jpgEnquanto o controlo de Luanda se fazia ouvir pelo crepitar das armas, “desperdiçando” milhares de balas tracejantes para o ar, com o intuito claro de amedrontar a população acossada por comunicados das rádios ao serviço do MPLA, em Nova Iorque, o ex-agente da CIA Philipe Agee e o jornalista Steve Weisman, denunciam que a “Central” destinara 32 milhões de dólares “para apoiar o anticomunismo em Angola”. Os primeiros cubanos desembarcam no “país”. Uma coluna da FNLA, com mercenários e seus guerrilheiros, é derrotada às portas de Luanda.

Sul-africanos praticam a primeira invasão da Província do Cunene. A UNITA inicia a fuga para Sudeste. A República do Zaire invade o Enclave de Cabinda. O futuro estava terrivelmente comprometido. A 11 de Novembro festejam-se as duas independências no país que Portugal colonizou por quatro séculos, mas de onde nunca retirou o grosso da fatia das suas riquezas. O MPLA proclamou a República Popular de Angola em Luanda e, a UNITA e FNLA uniram-se no projecto da República Democrática de Angola, que veio a falhar. Antes de se falar da Batalha de Luanda, vai aqui recordar-se de forma breve a estória a partir de 18 de Junho do ano de 1974.

fuga6.jpg Nessa data, Silvino Silvério Marques é nomeado governador de Angola. Cerca de um mês depois, é substituído por Roa Coutinho, como Alto-Comissário. O “almirante vermelho” foi exonerado em Janeiro de 1975, sob pressão da UNITA e da FNLA, que o acusavam de beneficiar o MPLA. Neste meio tempo Rosa Coutinho traçou toda a trajectória para o MPLA alcançar a victória; foi ele o mestre das políticas que se seguiriam fornecendo àquele movimento todo o tipo de armas armazenadas nos paióis, mais logística e facilidades consideradas de “traição à pátria mãe” e aos outros dois movimentos que faziam parte do famigerado “Acordo de Alvor”.

A 27 de Julho de 1974, em Lisboa, Spínola reconheceu “o direito à independência dos territórios africanos”. Entretanto Joaquim Pinto de Andrade, fundador e presidente de honra do MPLA, adere à “Revolta Activa”. O Congresso, que visava a união das três facções do MPLA, fracassa. A caminhar muito rápido para a Batalha de Luanda, em Janeiro de 1975, dão-se três acontecimentos, a saber: Cimeira de Mombaça, Quénia, onde o MPLA, FNLA e UNITA acordam no reconhecimento mútuo; Acordos de Alvor que fixam a datam da independência para 11 de Novembro do mesmo ano; tomada de posse do Governo de Transição quadripartidário.

fuga8.jpg Em Fevereiro de 1975, a facção Agostinho Neto, dissidente do MPLA, expulsa de Luanda os membros da “Revolta do Leste”. Daniel Chipenda, seu presidente, vê-se forçado a aderir à FNLA. Pela primeira vez, entra em acção apoiando Neto, o “Pode Popular” uma criação do sempre presente Rosa Coutinho que, mais tarde é constituído na ODP – Organização de Defesa Popular, uma cópia politizada à esquerda, constituída por civis, OPV – Organização Provincial de Voluntários, de civis enquadrados por oficiais do Exército e que, na prática, funcionava nos territórios ultramarinos como uma milícia de defesa. Esta criação engloba os “pioneiros” enquadrados por guedelhudos do M´Puto que lhes dão treinos com armas de madeira a fingir metralhadoras.

Em Kampala, o presidente da OUA, idi Amim, insistia para que a data da independência fosse mantida sendo Portugal a responsabilizar os nacionalistas por um não acordo. O Secretário-geral da UNITA presente à conferência acusou as FAP de não se oporem à entrada de armamento e mercenários a ajudarem o MPLA no Lobito, Sá da Bandeira e Pereira D´Eça. Em Pereira D´Eça o comandante português entregou o aquartelamento a elementos do MPLA tendo-os vestido com camuflados do exército português, uma clara desobediência e afronta por ser esta região afecta à UNITA.

fuga7.jpg Este procedimento foi de uma nítida e grosseira degradação moral para as autoridades portuguesas. Manuel Resende Ferreira disse neste então: -Ainda havia esperança e soldados que não nos abandonavam. Referia-se ao Tenente Fernando Paulo e alguns dos seus homens que resolveram desobedecer ao comando para protegerem um grupo de refugiados no Chitado. Para o efeito criaram ali uma zona de segurança. São estes os heróis esquecidos, soldados de Portugal que abandonam o exército comunista Português para protegerem cidadãos e, lutar contra a anarquia comunista. E, que foi feito do Tenente Fernando Paulo?

As feras foram largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 do MFA. A Luua eclipsava-se! Tarde piaste! E, agora vamos fazer o quê para o M´Puto? As NT - Nossas Tropas já não eram nossas. Davam cunhetes, canhões e até carros de combate numa perfeita cooperação de entreajuda FAP- FAPLA mandando prólixo os acordos de Alvor, da Penina… O MPLA tendo como mentor Rosa Coutinho, na Luua inventava a maka! Inventava os pioneiros! Depois o Poder Popular! E surgiu o Kaporroto, o kuduro e a victória é certa. Eles já tinham inventado o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito…

gad2.jpg As makas organizadas com o objectivo de criar o caos, originar pancadaria e depois a vitimização já tinham características de sofisticada mentira; meter tudo no barulho, pressionar psicologicamente e criar condições de favorecimento por parte dos militares do MFA, as NT, o CCPA – Comissão de Coordenação do Programa do MFA e o Alto-Comissário…Já se fazia tudo às claras. Em um encontro de Melo Antunes com Henry Kissinger, aquele responsável português e a pedido do Secretário Americano disse que era difícil de lidar com Neto; que era difícil de o classificar politicamente como um comunista ortodoxo! À coisa dada (Angola) teve a desfaçatez de dizer que a liberdade, não se recebe, arranca-se! Com estes laivos de poeta, Neto, dava dicas torpes de mau agradecimento aos militares revolucionários do M´Puto. Bem feito, cambada! Alguns não gostaram…

(Continua…)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:50
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Sexta-feira, 30 de Julho de 2021
CAZUMBI . LXVII

MOKANDA DA LUUA – Luanda do Mu Ukulu, era uma vez . I de IV

A realidade da Luanda actual. Crónica 3171 – 30 de Julho de 2021

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kimbo 0.jpgAS ESCOLHAS DO KIMBO

Publicado a 5 de Outubro de 2019… Fonte Jornal de Angola

Ao domingo, entre o largo do Baleizão e a Lello, a avenida Rainha N´jinga, antiga avenida dos Restauradores, transforma-se numa pista. Apesar da sua proximidade com a principal esquadra da Polícia Nacional, a larga via não é patrulhada nem possui qualquer sinalética horizontal, num vasto percurso, nem passadeiras para peões. Quando cai a noite, um grande troço mergulha na escuridão por ausência de iluminação pública, mas ao lado do degradado e agora entaipado Baleizão a iluminação funciona sempre em quatro postes, dia e noite. No lado oposto, há troços sem iluminação, que só surge lá no fundo, nas imediações da empresa francesa Total. Não é raro ver-se, aos domingos, carros e motorizadas a alta velocidade e jovens a patinar nas faixas, tudo num zigue-zague despido de temor no meio de centenas ou milhares de jovens que vão ou vêm da Ilha a pé e passam rapidamente pela “cidade” ao encontro dos seus bairros.

Mu Ukulu52.jpg É a rua que liga a Fortaleza de S. Miguel, hoje Museu Militar, e anfitriã do centro comercial Fortaleza, ao centro da cidade. A encosta da fortaleza já foi poiso de macacos nos tempos idos do colonialismo e a rua que a circunda lugar de namoro romântico. O centro de Luanda onde imperam os altaneiros e novéis prédios da Sonangol, em vias de ser privatizada, a antiga livraria Lello, hoje fantasmagórica, o largo da Portugália, onde os portugueses faziam câmbio paralelo, com as suas duas árvores-avós, o prédio da Biker - ainda com alguns serviços, como a Foto N´gufo, e com um “restaurante típico", fechado com chapas e onde ratos e insectos convivem com o povo real que aí almoça por mil kwanzas, num ambiente “apocalíptico” -, que já albergou mesas de snooker e ambiente de tertúlia de jornalistas, outros tempos, pré-históricos, de que não restam escritos. Ali ao lado destruíram o largo e edificaram dois blocos de vidro com dezenas de andares, onde trabalha uma classe burocrática nacional-expatriada.

Mu Ukulu46.jpg Mas a grande avenida não se detém, na esquina onde era a Sonylândia e hoje é um banco, estreita-se, a Moviflor portuguesa substituiu o luxuoso Quintas & Irmão, cujo dono permaneceu na Independência, mas viu a sua casa ocupada ilegalmente, e o fundo da rua desemboca no Eixo-Viário, uma obra feita pelo colonialismo português, que liga o Kinaxixi à Marginal e ao Miramar, hoje quase toda castanha e sem verdura, com iluminação aqui e ali. As árvores começaram a ser arrancadas em 1975, quando começou a faltar o carvão para cozinhar, e o Largo do Ambiente é frio, nada acolhedor, quase escuro e sem presença humana. Eixo-Viário do antigo Benfica de Luanda do Victorino Cunha, onde os portugueses plantaram verdura nas barrocas e a Independência construiu arranha-céus da Sonangol e de outras empresas estatais majestáticas.

Mu Ukulu49.jpg Os abandonados e degradados edifícios coloniais, com janelas com persianas, são na maioria “fantasmas” mudos e quietos, desafiando o futuro da capital. Um mundo novo. Os colonos foram embora e o Estado tomou conta das suas propriedades, expropriou e começou a vender a si próprio ao desbarato. Os elevadores foram destruídos e transformados em contentores de lixo, os corrimãos das escadas desapareceram, divisões e mais divisões foram construídas sem qualquer plano ou segurança para albergar familiares vindos dos bairros e do mundo rural, nada oferecido, tudo pago. Os quintais foram apropriados por quem chegou primeiro e transformados em autênticas “pensões residenciais” surreais, com divisões precárias e sujas alugadas a bom preço, 40-50 mil kwanzas mensais, porque estão na cidade e Luanda é a cidade mais cara do mundo.

Os quintais, ou melhor, os cubículos mukifos, também são alugados ao dia às zungueiras para guardarem as mercadorias que não conseguem carregar para os seus casebres nos bairros. Mas não só, os quintais são pontos de grande tráfego comercial, sobretudo, de bebidas alcoólicas, quem os detém há mais tempo usufrui de tudo o que pode acrescentar dinheiro sem muito trabalho. Os terraços não existem. Em seu lugar surgiu uma miríade de cubículos, muitos de chapa, sem água e quase sempre com luz puxada de gatos e paga mensalmente a alguém, alugados por quem chegou primeiro ao prédio e se diz “dono”. O luandense é manso. Quando lhe falam “o dono”, se cala, se ajoelha, submisso, e paga, mesmo que o dinheiro não seja o seu, e depois diz em voz baixa “está mal”.

Mu Ukulu51.jpg Sem árvores… Só se encontram árvores com troncos muito grossos, sinal de longa vida, árvores coloniais, no Largo do Atlético, hoje largo sem nome definido, mas que 44 anos após a proclamação da Independência continua a celebrar a batalha de Ambuíla, que ditou a perda da soberania do Reino do Congo e a decapitação do rei, cuja cabeça foi transportada para a ermida da Nazaré, na Marginal, que este ano comemora 355 anos. Um largo agora fechado e em obras sem prazo. As vendedoras dizem-me que passou para a propriedade do banco BCI, "se apropriaram", diz-me um jovem que todos os dias me pede dinheiro para comer.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (o relator)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:20
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Domingo, 25 de Julho de 2021
XICULULU . CXXXIX

 

MULOLAS DA VIDA

CRÓNICA DE SÁBADO nº 316025.07.2021

BRECHAS DA LEI... TEMPOS SALGADOS

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Por: soba002.jpgT'Chingange, no AlGharb do M'Puto

No mundo jurídico, existem as chamadas “BRECHAS DA LEI”, das quais competentes advogados fazem uso para adiar ao máximo a condenação de algum cliente ou conquistar as mais surpreendentes absolvições de indiciados de NOMENCLATURA. Aqui no M'Puto todos sabem como isto da justiça funciona, das muitas maneiras de tudo se ir protelando até prescrever e ficar tudo em "ÁGUAS DE BACALHAU". Não sei o porquê disto ter este nome quando tudo termina em nada, mas posso acreditar que é pelo cheiro que este deita na forma de dessalar.

araujo200.jpg Enquanto que na prática jurídica se fazem recursos sobre recursos diluindo o tempo, na arte de cozinhar vai-se mudando águas sucessivas para amenizar e, até se pode usar leite no retirar do sal para ser mais perfeito o engenho de cozinhar.

Justiça - Nós, depois de demasiado atazanados, apuramos nas resteas dos pedaços de dúvida, a bem atilada arte de que tudo pode ser falso no viver, ou até, ninguém saber de nada com ataques pimbas de falsificadas amnésias. Deslealdade ou compadrio de acreditar que nunca mesmo, ou depois, rem que tudo fique cozinhado num ARRE ou num vulgar balhame Deus bem à maneira do Norte…

Que afinal os homens tiram seu prazer do medo dos outros, do sofrimento, levando uns e outros à moleza até se acreditar pelo cansaço que uns vão para o céu sem culpas e outros, ARRE, o inferno é-lhes mesmo possível! GRELHA, CHOÇA, PILDRA...

araujo27.jpg O que sempre vejo, mesmo sem querer, é que toda a acção chamada de processo, principia por uma gota de palavra pensada, que vai colando com outras guardadas, fazendo castelos que vão rompendo o rumo por despiste. Depois, a gente que não nasceu ontem, se ganha em experiência, pois sim, coça-se o queixo e aquilo que era deixa de ser, inteligênciando-nos com esses tais de recursos mais instâncias que se arrastam e, que até se perdem por querer querendo; por vezes os ilustres da toga até se dão ao luxo de cortar as folhas e, são mais os buracos do que as fissuras ficando tudo por “assim mesmo”.

E, desmerecidos da cachimónia, notamos a olhos vistos que a situação fica política, assim mesmo sem tino nem prosápia caindo num fundo de resolução, quando toca a dinheiro. E, eu quero mesmo achar a ideia, tomar o rumozinho das coisas, mas fico num houve, que não houve, que nem acredito no como contar, porque estou remexendo e, às vezes não é fácil porque fé, não é! Sempre MILHÕES... É ou não é, NOÉ!?

araujo155.jpg Na vida há sempre quem queira encontrar alguma “brecha”, ou até as crie, na tentativa de justificar atitudes que relativizam princípios, visando ao ganho pessoal ou material... Brechas mais Cunhas Lda... Muitos mascaram o apego ao poder e o interesse em viver sob os holofotes, com o argumento de prestação de serviço altruísta e o escambau. Isso! Voluntariado, associações indevidas, frequência de lugares impróprios e compartilhamento de interesses questionáveis, com motivos “politicamente correctos” - assim se justificam deste simples jeito pela falta do IN...

araujo172.jpg Por causa desse modo de agir, o que, a princípio soa insignificante, pode agigantar-se e, posteriormente causar muito sofrimento a todos nós, os TERCEIROS, por via do CHAKAZUL. Por isso, devemos estar atentos ao facto de que, quando Deus diz: “PARE!”, quer dizer exactamente isso. Mas, parece também que já ninguém vai à missa! Bom dia! Esta "não estória” nos ensina que só estaremos sob o sono de “assim diz o Senhor”. E, assim fica: O PERIGO ANDA SOLTO...

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T'Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:46
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXVIII

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - V

Crónica 3158 - 18.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… 

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Por   soba0.jpegT´Chingange, no Algharb do M´Puto

O ano de 1961, ficando a uma distância de sessenta anos, convêm relembrar mesmo de forma sucinta o que aconteceu na Colónia chamada de Província de Angola. O padre Franklin da Costa que não concordava com a politica colonial e, que foi mais tarde bispo do Lubango sofreu dissabores por admoestação ao longo de sua vida pastoral pela PIDE, tendo o militar operacional Neves Bendinha, nesse então, morrido às mãos dessa policia na Cadeia de S. Paulo de Luanda. Os intelectuais Belarmino Van-Dúnen, Noé Silva Saúde, Francisco Santana e Virgílio Sotto-Mayor foram presos e condenados, cumprindo pena no Campo Prisional do Tarrafal. Naquele período de entre 04 a 12 de Fevereiro de 1961, disse-se haver entre mortos e feridos e de parte a parte, um total de cinco mil …muilas3.jpg A Fortaleza de S. Pedro da Barra e a Cadeia de S. Paulo, encheram-se de presos. Pinto de Andrade foi desterrado para a ilha do Príncipe e Agostinho Neto é envido, primeiro para Lisboa e, mais tarde para Santo Antão e Santiago de Cabo Verde; Aqui, Neto, continuou a exercer medicina sob vigilância policial; viria a ser transferido para o Aljube e libertado no ano de 1962 com a condição de ficar com residência fixa em Portugal de onde consegue fugir clandestinamente com a família, refugiando-se em Leopoldville.

O ataque da UPA contra os fazendeiros brancos do Norte de Angola, abrangeu uma faixa extensa que vai desde a fronteira com o Congo Zaire até bem perto de Luanda, a maior parte do Distrito do Congo, Províncias do Uíge e Zaire, uma parte do Cuanza Norte e a região de Nambuangongo. Centenas de brancos e trabalhadores Bailundos, contratados, são barbaramente assassinados, incluindo mulheres e crianças. Nem os missionários escapam a esta onda contando-se entre estes os bem respeitados padres Lázaro e Pedro João; o primeiro morto na povoação de Pângala e, o segundo, na Damba.

mud23.jpgNo ataque a Quitexe, então Concelho de Ambaca com sede em Camabatela, foram assassinadas várias crianças. Podem ver-se muitas fotos com seus corpos seminus ou nus, retalhados por catanas; fotos que correram o mundo indignando na forma tão violenta de fazer terrorismo. A violência destes acontecimentos de quinze de Março e sequentes dias, motivou dos bispos angolanos, a publicação de uma “Exortação Pastoral” condenando as acções de terror de um e outro lado, apelando às autoridades não esquecerem as leis de justiça e caridade por forma a aproximar os homens e não originar um crescendo de inimigos. O texto da Pastoral enviado para Lisboa a ser publicado no jornal “Novidades” é desautorizado a sua publicação…

Salazar, detém a pasta da Defesa, por via da tentativa de golpe de Estado por Botelho Moniz. É neste então que prefere o tão propalado discurso em que diz: “ para Angola, rapidamente e em força”. Inicia-se imediatamente o envio regular, por via aérea e marítima. O primeiro contingente de militares embarca no navio Niassa, no cais de Santa Apolónia, em Lisboa. O império português estava ameaçado de morte como nunca em cinco séculos e, a resposta possível foi o envio imediato de um corpo expedicionário. O envio acontece a 21 de Abril, em reacção ao levantamento supostamente do MPLA em Luanda e aos massacres da UPA no Norte.

mugi4.jpg Ninguém imaginava que a guerra duraria mais de uma década terminando logo após o vinticinco de Abril de 1974. No cais de Santa Apolónia, em Lisboa, as famílias juntaram-se para a despedida aos militares. Estes embarcaram em fila ordenada no Niassa e da amurada gritavam "Viva Portugal". O Diário de Notícias de 22 de Abril dava honras de primeira página ao embarque das tropas. "Aclamando Portugal e o exército e cantando o hino nacional partiu ontem para Angola uma força expedicionária" - era o título, mostrando optimismo sobre uma rápida solução do conflito. Só que a Guerra Colonial duraria até esse ano de 1974, e seria combatida em três frentes africanas – Angola, Moçambique e Guiné Bissau. Entretanto na rádio cantava-se “Angola - é nossa”

Hoje, pode encontrar-se em Portugal, mais de 300 monumentos dedicados aos que combateram por um país que estava condenado a ser de novo só europeu. Angola e mais quatro nações africanas de língua portuguesa, são hoje independentes mas, terei aqui de me focar só a Angola a rainha do Império Luso. Os paquetes Niassa, Santa Maria, Vera Cruz, Pátria e Infante D. Henrique levam sucessivos contingentes sendo recebidos euforicamente pela população branca em grandiosos  desfiles ao longo na Avenida Marginal de Luanda com o nome de Diogo Cão e agora, com o nome de Avenida 4 de Fevereiro… Na Angola de 1961, a situação é crítica; cidades, vilas e pequenos lugares do Norte são saqueadas pelos guerrilheiros chamados por “Turras”, diminutivo de terroristas. Estes Turras, à sua passagem, destruíam as estruturas das fazendas de café, que até então eram o principal abastecedor do mercado internacional. Até 1974 saiam daí 330 mil toneladas por ano; hoje que são passados sessenta anos, esta produção decresceu para números muito inferiores.

mud26.jpg Pode ler-se actualmente (ano de 2021) que a produção do café ainda contínua irrisória e longe de alcançar lugares cimeiros em África, em particular, e no mundo em geral, devido ao fraco investimento e falta de políticas concretas para os produtores, segundo especialistas em agronomia. Em consequência do fraco investimento neste sector, tem sido variável e nivelada por baixo, comparativamente ao tempo colonial, período em que a Colonia, foi o terceiro maior produtor mundial desse “bago vermelho”. Voltando àqueles tempos em que aquela era a minha terra – assim o pensava, o Ministro do Ultramar Adriano Moreira desloca-se com frequência à Colonia adivinhando-se mudanças.  

O Governador Silva Tavares é substituído pelo General Venâncio Deslandes que acumula o Comando-Chefe das Forças Armadas. Face aos acontecimentos na Baixa de Cassange, o Ministro Adriano Moreira põe fim à desumana política da cultura compulsiva do Algodão e sua venda obrigatória à “Cotonang”. O general Deslandes inicia a retomada do Norte de Angola em Junho de 1961, pelo posto de Lucunga. Em Novembro, Deslandes anuncia o apaziguamento do Norte, saldado por 121 baixas de militares oriundos do M´Puto. Em Dezembro de 61, já se encontrava em Angola mais de 30 mil soldados magalas do M´Puto. Em 1966 já eram 60 mil e, em 1974 chegaram a mais de 65 mil. Diga-se que as guerrilhas do MPLA e FNLA eram quase inexistentes no ano de 1974 mas, urdia-se pela calada e, no M´Puto outras diligências singularizadas pelo Partido Comunista e suas células com mistura de traidores…

mud29.jpg As comunidades corporativas e intelectuais da Província em consonância com uma boa parte significativa de grande parte de comerciantes conceituados como Venâncio Guimarães, chegaram a propor a Venâncio Deslandes um golpe do tipo de Ian Smith da Rodésia tornando o território independente ou com uma autonomia progressiva mas, não houve a vontade necessária para tal. Perdeu-se uma grande oportunidade de mudar o rumo em Angola de uma forma controlada a favor de gente que se veio a revelar desclassificada, impreparada e ladra. Recorde-se que Ian Douglas Smith, foi um político, fazendeiro e militar que serviu como primeiro-ministro da colónia britânica da Rodésia do Sul entre 13 de Abril de 1964 e 11 de Novembro de 1965 e depois primeiro-ministro da Rodésia, depois da Declaração Unilateral de Independência, em 11 de Novembro de 1965, até 1 de Junho de 1979.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:47
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Segunda-feira, 14 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXVII

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - IV

Crónica 3157 – (08.06.2021) – 14.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… 

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Por   soba0.jpeg T´Chingange, no Algharb do M´Puto

Antes que me esqueça relembro: Ano de 1975 - A 9 de Julho, após três semanas de violentos combates, a FNLA é expulsa de Luanda, e Jonas Savimbi pede protecção ao Exército português ordenando aos seus apoiantes que deixem a capital - a LUUA. Foi neste então que recrudesceu o som do martelar: “tá, tá, tá" e, por toda a Luanda de noite e de dia a mente restolhava-se inibida de vontade, fazendo caixotes. Para mim, o porto de Luanda estava longe! Nada veio, nem as fotos de casamento na Sagrada Família.

moka25.jpg Deus, O Nosso Senhor, também andava distraído por muitos outros lados - de nada valia gritarmos “Valha-me-Deus” porque definitivamente todos estavam condenados, antes mesmo de qualquer definitivo julgamento. Em Muquitixe, terra dos ananases, já tinha visto as estrias duma Kalashe (kalashnikov)! E o soldado ébrio do MPLA segurando a arma de forma desajeitada deu-me o alerta final! Podia também ser um soldado da FNLA ou UNITA mas, assim me calhou: -Vai-te embora branco… Esta não é a tua terra! E quem vai dizer o contrário com um canhângulo nos olhos… 

Naquela mensagem messiânica de António Nunes Frade do Bondo da Baixa de Cassange podia ler-se: “Maria, a deusa protectora dos negros, a verdadeira deusa, há muito que anda preocupada com o sofrer dos angolanos e, assim, resolveu aparecer em Cassulo – Cuenda (…)”. Aquela santa por sinal era negra, talvez uma réplica de nossa Senhora da Aparecida… “Para que as balas das armas dos tugas não sejam mortíferas, é necessário vestir panos amarrados à cintura com uma trança de capim “caxinde” e, no pulso, uma pulseira do capim “seno”. Dá que pensar nesta misticidade, práticas usuais nos mentores de cariz religioso. 

monstro6.jpg Os protestos no velho Reino do Cassange tiveram origem na resistência à administração colonial anos antes mas, a 4 de Janeiro de 1961, na Baixa do Cassange, norte de Angola, os negros que trabalhavam nos campos de algodão iniciaram uma greve lançando a que foi chamada a “Guerra da Maria”, nome de um dos instigadores, António Mariano. Os protestos iniciaram-se à volta de Tembo Aluma, na proximidade do posto administrativo de Mangano e espalharam-se desta zona fronteiriça até ao coração do distrito de Malange.

mud11.jpg A Baixa de Cassange foi apaziguada pela Companhia de Caçadores Especiais, que ficou célebre pelas represálias exercidas naqueles dias que levou o arcebispo D. Manuel Nune Gabriel a comentar: “A acção dos militares, exaltada por alguns dos elementos da população citadina, lançou o terror nos arredores de Malange e, outros pontos do distrito, contribuindo param uma onda de ódio. O clima de medo e desconfiança originou mortes que só a irreflexão, podem explicar mas não justificar” 

A inconsciência foi tal que, não se tomaram em consideração as características dominadoras e guerreiras da tribo dos Maholos, habitantes da Baixa de Cassange, que já quando da pacificação portuguesa do século anterior se revelaram elementos dificilmente domináveis e extremamente perigosos. No dizer do General Fernando Pinto de Resende, Comandante da 2ª Região Aérea, pode ler-se: “Fizemos deles agricultores de algodão, claro que à força, e agora estamos nós a bombardeá-los do céu”

moka23.jpg Os agricultores africanos, uns 150.000 em 35.000 famílias, eram coagidos a cultivar o algodão em parcelas de terrenos designados para tal. Não havia salários para este trabalho e no final de cada campanha os africanos eram obrigados a vender o algodão à Cotonang e à Lagos & Irmão, a preços fixos, abaixo dos do mercado, num valor 5 a 6 vezes menor do que o preço mundial. A lucrativa economia do algodão na região era baseada nesse cultivo obrigatório, produzindo cerca de 5.000 toneladas por ano. Em empresas semelhantes, como a Companhia de Diamantes de Angola (DIAMANG), os trabalhadores ganhavam um salário abaixo do de subsistência e os accionistas obtinham resultados extraordinários pelo seu investimento.

A “cultura do algodão era uma exploração infame dos indígenas; portanto, geradora do maior antagonismo para com este tipo de trabalho obrigatório (lucro de 400$00 por ano nas piores áreas...), Para o agricultor, quando tinha o infortúnio de perder toda a cultura, recebiam zero por um ano de trabalho. Este é apenas um exemplo das muitas vilanagens que a tribo branca com a anuência do governo do M´Puto fazia à tribo negra”. Claro que a grande maioria de colonos e mazombos estavam à margem de todas estas arbitrariedades, diga-se! Os protestos iniciaram-se à volta de Tembo Aluma, na proximidade do posto administrativo de Mangano e espalharam-se desta zona fronteiriça até ao coração do distrito de Malange.

mud9.jpg Na madrugada de 04 de Fevereiro de 1961, em Luanda, “supostamente o MPLA” ataca a Casa de Reclusão, Esquadra da Policia Móvel e cadeia de S. Paulo sob a alçada da PIDE, com a intenção de libertar presos políticos, entre os quais Domingos Magalhães Paiva e Agostinho Mendes de Carvalho, politico e escritor, usando o pseudónimo de Uanhenga Xitu. A 11 do mesmo mês, repete-se o assalto. O Cónego Manuel das Neves entre outros esteve na organização destas acções permitindo que debaixo do altar da Sé Catedral se escondessem catanas.

Este diria mais tarde: “É suicida combater com catanas, mas romper-se-á assim o mito de que todos estamos satisfeitos com os portugueses”. Era suicida combater com catanas e ele, sabia-o na perfeição. Era óbvio que por esta via quereria criar mártires por forma a provocar um levantamento mais generalizado na sociedade luandense e, mais propriamente entre os moradores dos musseques, gente da periferia, que paulatinamente ia ficando mais focada para a luta de libertação. Em paralelo com a notória sublevação era já elevada a condição cultural da sociedade citadina. Em resposta a toda eta sublevação, as autoridades, distribuíram espingardas “Mauser” à população branca da capital e arredores…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:18
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Sábado, 5 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXVI

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - III

Crónica 3156 – 03.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… 

cipaio001.jpg

Por soba24.jpg  T´Chingange, no Algharb do M´Puto   

E, porque não sou só ossos dispersos, penso em kimbundo da Luua recordando as falas de nossa terra, também da deles, meus filhos e filhos dos outros também; assim repeti “ki tuexile tu ngó ifuba iatujunkura” - ainda não somos só ossos dispersos, “ifuba yetu iokune kala jimbuta” - Nossos ossos serão semeados como sementes… Assim no quizango, feitiço do livro de capa amarelecida, recordo aos mwadiés camundongos fingindo ser sapientes, que só mostram o Sputnik de Agostinho Neto, o que já passou! Assim, num jeito de perfumar ranço seboso, engraxando as cores sem conseguir dizer nada de novo, relembro caligrafias antigas. Falei!

O MAC - Movimento Anti Colonial, integrava membros estudante de todas as colónias portuguesas. Em 1960, autoridades políticas e militares do M´Puto, efectuam reuniões de emergência à porta fechada, no Comando da Região Militar, temendo a possibilidade de um ataque armado ao Norte de Angola, ainda nesse ano. A ordem pública era mantida nas cidades, pela Polícia de Segurança Pública; nas povoações do interior de menor importância, pelos cipaios às ordens das autoridades administrativas.

cipaios.jpg O Exército regular, então composto por cinco mil africanos e mil e quinhentos europeus, aquartelavam-se nas principais cidades - Luanda, Lobito, Nova Lisboa, actual Huambo, Sá da Bandeira, actual Lubango e pouco mais. Em 1960, a PIDE – Policia Internacional e Defesa do Estado, volta a prender Agostinho Neto, no seu consultório de Luanda. Como consequência o povo da Circunscrição vizinha de Icolo e Bengo, organiza uma manifestação de protesto em Catete, a escassos quilómetros da capital, a terra natal de Neto. Era eu nesse então, estudante na Escola Industrial de Luanda tendo como companheiro de turma Avelino Said (Dias) Mingas que mais tarde viria a ser o primeiro-ministro das Finanças, um dos criadores da moeda Kwanza - Angola.  

Naquela manifestação de Catete, a multidão é metralhada originando daí 30 mortos e 200 feridos. Conta-se que no seguinte dia se inicia o ataque a Icolo Bengo originando a destruição de várias aldeias. A prisão de Agostinho Neto motiva o MPLA, então aquartelado na Guiné-Conacry, a propor negociações a Portugal. Em resposta, 29 activistas do Movimento são fuzilados no pátio de uma prisão; simultaneamente, o general Monteiro Libório assina o “Primeiro Plano de Acção Psicológica do Comando Militar de Angola”.

cipaio4.jpg Em Dezembro de 1960, Mário Andrade, Viriato da Cruz e Américo Boavida, face ao fracasso negocial com Portugal, comunicam à Câmara dos Comuns de Londres, ”passarem à acção directa”, supostamente em nome do MPLA e por via destas manobras internacionais, no mesmo mês de Dezembro o Conselho de Segurança da ONU deixa de reconhecer as Provinciais Ultramarinas como sendo parte integrante de Portugal. Foi talvez a primeira pedra a ser lançada ao charco do processo descolonizador do “Império Luso”. Por via destas movimentações, o MPLA anuncia a sua primeira direcção no exterior formada por Mário Pinto de Andrade, Viriato da Cruz Hugo de Meneses, Lúcio Lara, Azevedo Júnior, Matias Miguéis, Eduardo Santos, Daniel Chipenda e França N´Dalu.

Eduardo Santos foi médio de futebol da equipa da Associação Académica de Coimbra que não obstante ter passado para a “Revolta Activa” conjuntamente com Daniel Chipenda e França N´Dalu assistiu como cardiologista Agostinho Neto até à sua morte. A figura de Agostinho Neto, jamais teve unanimidade dentro do movimento anticolonial. As fortes divergências que teve com Viriato da Cruz, em 1963, levaram Neto a torturá-lo e humilhá-lo diariamente numa prisão, somente saindo (quase morto), por intervenção de aliados externos da Argélia e China.

mud14.jpg Outra figura que questionou fortemente Neto, foi Matias Miguéis, sendo que este acabou morto após humilhantes torturas ordenadas por Neto, em 1965; foi enterrado vivo somente com a cabeça para fora, onde lhe jogavam secreções ao mesmo tempo em que recebia golpes. Historiadores, como William Tonet, apontam que nem mesmo os portugueses cometeram tais atrocidades. Houve graves conflitos internos no MPLA que puseram em causa a liderança de Agostinho Neto.

Entre estes, o mais grave consistiu no surgimento, no início dos anos 1970, de duas tendências opostas à direcção do movimento, a "Revolta Activa" constituída no essencial por elementos intelectuais, e a "Revolta do Leste" com Daniel Chipenda, formada pelas forças de guerrilha localizadas no Leste de Angola; estas divisões foram superadas num intrincado processo de discussão e negociação que terminou com a reafirmação da autoridade de Agostinho Neto.

mud10.jpg Seguindo a cronologia dos acontecimentos, em Janeiro de 1961, a capital angolana fervilha de jornalistas que aguardam a chegada do paquete “Santa Maria”, tomado de assalto por Henrique Galvão. Semanas depois, as atenções desviam-se para os três acontecimentos que marcaram o início da luta armada e, que conduziu à independência: A Revolta na Baixa de Cassanje de “4 a 11 de Fevereiro” e, “ a “15 de Março”. Impulsionados pela UPA, a Revolução na Baixa de Cassanje iniciou-se no posto do Milando da Circunscrição de Holo e Jinga, alastrando às circunscrições vizinha de Bondo e Bângala.

mud15.jpg Simão Toco, fundador do “Tocoismo” pertencente à igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, por ter influenciado aquela onda de terrorismo, foi desterrado para os Açores com residência fixa naquela congregação. Milhares de trabalhadores abandonaram seu trabalho nas fazendas algodoeiras que alimentavam a empresa monopolista “Cotonang”; armados de paus, canhangulos, catanas e azagaias, matam gado e destroem outros bens de brancos. Estes acontecimentos são relatados pelo “missionário” António José Nunes Frade que constam dos arquivos da Administração da Circunscrição de Bondo e Bângala do Distrito de Malange…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:47
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2021
XICULULU . CXXX
PARÁBOLA DE PORTUGAL
O PREÇO DA GRATUITIDADE - Subsidiodependência
Crónica 3103 - Para os portugueses –02.01.2021
Por: T´Chingange - No M´Puto ( A partir dum texto de M. Oliveira...)
  Continuem a ficar em casa, continuem a ver os estádios de futebol pela televisão e a não tirem selfies àtoa para não ficar na estória do PAPALAGUÌ da Polinésia… Lembrem-se: Não existe plano social grátis… Cá por mim, já como a terra há muito tempo, antes que ela me coma - Argila feita comprimidos ...
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Este texto é baseado numa excelente análise de um aluno... Não existe plano social grátis. Na metade de uma aula, em uma universidade, um dos alunos, sem mais nem porquê, perguntou ao professor: - O Professor sabe como os porcos selvagens são capturados? O professor achou que era uma piada e esperava uma resposta engraçada. O jovem respondeu que não era uma brincadeira, e com seriedade começou a sua  fala feita dissertação depois de ver algures um persongem levar pela rua um marrano javali e, depois de se dizer que os cidadãos poderiam sair de casa a passear seu boby:
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- Para capturar porcos selvagens, primeiro  localiza-se um lugar na floresta aonde os porcos selvagens costumam ir, e lá nesse lugar, coloca-se diáriamente um pouco de milho no chão. Assim, os porcos selvagens vêm todos os dias para comer o milho "GRÁTIS" e, quando se acostumam a vir diáriamente, você - Tu,  mais tu e aquele,  (pode ser até uma instituição ou mesmo o goveno...) vai construindo uma cerca ao redor do lugar onde os marranos se acostumaram a ir comer, um lado por vez para não espantar...
  Quando eles se acostumam a ver um lado da cerca, voltam para comer o milho, e você (ou o dono da coisa...), constrói um outro lado da cerca... Eles, os marranos, voltam a se acostumar àquilo e voltam a comer. Você vai construindo a cerca ao redor; pouco a pouco, até instalar os quatro lados do curral ao redor dos porcos. Até aqui na visão dos javalis, tudo vai numa boa! No final, instala uma porta no último lado. Os porcos que já estão habituados ao milho fácil e às cercas,  começam a vir sozinhos pela picada, carreiro, fiote ou vereda. É  neste então quando você fecha o portão capturando todo o grupo de porcos, marranos javaliz. Simples assim, passo a passo, até que no último segundo, os porcos perdem a sua liberdade ou até a vida se for o caso. Até à cachaporrada podem ser mortos noé! Estão a ver o filme...
    Eles, os marranos, começam a correr em círculos dentro da cerca, mas, lixaram-se - já estão presos. Depois, começam a comer o milho fácil e gratuito. Eles acostumam-se tanto com isso que se esquecem de como caçar por si mesmos, e por isso aceitam a escravidão - Estão a ver o filme, noé! Mesmo, mesmo, até eles se mostram gratos com os seus captores e, durante gerações vão felizes ao matadouro.... Nem desconfiam de que a mão que os alimenta é a mesma que os mata. O jovem comentou ao professor que era exactamente isso o que ele via que acontecia no seu PAÍS, na sua província, na sua cidade, com o seu povo. Bom! Isto é um faz-de-onta.  Os governos populistas, em seus projectos ditatoriais, escondidos sob o manto "Democrático",  estiveram lançando milho gratuito durante o tempo suficiente para alcançar a mansidão sistemática. 
:::::
E, assim talqualmente, cada novo "Governo Salvador" disfarça de "Programas sociais" as suas esmolas, dá dinheiro que tira do bolso do próprio trabalhador, realiza missões, planos, indulgências, leis de "protecção", subsídios para qualquer coisa, expropriações indevidas, programas de "Bem-estar social", festas, feiras ou festivais, luzes de Natal e muito, muito fogo armado, uniformes, pão e circo, transporte " Grátis " e, muitos outros edecéteras… Até com alguma condecorações pelo meio… Só nõ vê quem não quer...
  Todo esse "forrobodó" que nos oferecem tais golpistas, fantasiados de políticos, farta mão-cheia  de felicidade e, aí a desfelicidade acontece. Pois! Um povo mal acostumado, assim e tal e coisa, com as migalhas do milho fácil e "GRATUITO" feito "paracuca" (amendoim com assucar torrado...) nos ficará muito caro! Roubam-nos a capacidade de sermos críticos, pensantes e empreendedores. Em consequência: "NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS"! Pois! Cruze os braços, e coma também o milho... E, simplesmente, espere a matança...
M. Oliveira - 03.01.2020
T´Chingange - 21.01.2021


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:34
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2021
MUJIMBO. CXIX
O SOL morre sem sepultura e, todos os dias isto se repete…
Portanto, vou pôr o burro às costas e o arado a comer - 14.01.2021
Crónica 3101
Por
T'Chingange – No Algarve do M´Puto
:::::1
Ser dono definitivo de mim, é o que eu quero, na sequência de sempre o querer, mas por vezes muito amiudadas, estremecem dentro de mim, por se repetirem alvoroços nos meus arrabaldes e, como se quase o fossem, intimações! Acalmando meu fôlego de branco mazombo pálido ou até avermelhado, engrosso meu próprio nojo na vontade de pensar de mim uma decisão… E, quase sempre não sou nada nem alguém…
:::::2
Abro as quatro janelas de minha cubata para arejar, os quartos, a sala, o meu espaço de escritório e o meu espaço de lambiscar securas, lugar do café com leite para calar as tremuras que sobem dos tornozelos até aos zingarelhos a dar forças superiores e fazer funcionar os neurónios sem despairecer o cerebelo…
:::::3
Surripiando miúdas palavras legitimo-me nos silêncios picados das mutucas porque de tão fechado na minha sina, no meu mukifo, não haverá um sim no meu possível definitivo futuro mesmo que, adivinhado numa lei-fofa (off) simplificada. Não fora eu aposentado e estaria aflito nesta regra com prescrição de princípio e, cláusula de simplificar ou minimizar a resiliência de forma macia, almofadada ou elástica na tufada gravidade… O que tem de ser, será!
:::::4
Bolas!? Eu que nem sou homem de noitadas, vejo-me na contingência de purgar a paciência sem alcançar dois dias a fazer um tik tok personalizado; a não ser só, mascarar-me feito Zorro, sair à rua sem ter de assaltar que nem assim e, só; ter de viver enfileirado numa perigosa missanga. Permanecer assim duvidando de onde e aonde se apanha o tal tik do tok feito mutuca, sem nem ter o tamanho dum pernilongo - Filho do capeta gelatinoso, melga lambido de cuspo.
:::::5
Bom! Depois e, já na minha açoteia, estendo-me na cadeira de kota T´Ching, chamuscando-me ao sol da kúkia, literalmente a chupar a tal de vitamina D. Sem nuvens e, até que tirite de frio, ali fico até o desaparecer do Sol, lá para os lados do barlavento - feito brisa. Ficar assim repassado num creio que nada creio, num teste que me solta a venta, merdas e coisas sem loisas. Não fora meu entender, se por azia reumática, ou se por andar pingando medo feito água quente.
:::::6
Neste processo de desmudar os costumes, uns ficarão mais iguais e outros, logicamente, mais desiguais a indicar a todos que afinal ainda não fomos terminados… Ué, viver nste agora, torna-se mesmo muito perigoso. É aquela velha estória que aqui explicito: -Era um era e, não era; andava lavrando com dois carrapatos! Veio-lhe a notícia que o pai era morto e a mãe por nascer. Pôs o burro às cotas e o arado a comer… Hem! Hem! Hem… O que mais penso e testo em explicar: Todo o Mundo, é louco - o quanto baste…
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:37
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2021
MUJIMBO. CXVIII
A Palavra do dia é MEDO – (11.01.2021) -13.01.2021
Crónica 3100
Por: T'Chingange
  De acordo com o dicionário, um dos significados de medo é o de sentimento de inquietação com a ideia de um perigo real ou aparente. Estando eu na guerra, algures nos anos de 1967 e 1968 em Cabinda, por via de uma emboscada na Curva da Morte da Serra de Massabi, senti esse tal de medo, suava de frio em um calor tórrido. Foi uma emboscada na qual houve duas mortes, um cabo e um furriel. O Rodrigues que nunca saía porque seu lugar de vago-mestre estava ocupado por um segundo sargento do quadro e, logo nesse dia, escolheu ir fazer o reabastecimento ao Belize, sede do Batalhão - morreu.
:::::
Mas, por que carga de azar Rodrigues, sobrinho do Cardeal de Lisboa e, com o mesmo nome, foi querer passear a ver o verde do Maiombe para espairecer a vida entre o verde escandaloso desta grande mata. Ele que nunca saía do quartel do Miconge - Posto Administrativo de Tando Zinze... NÃO! Não era o seu dia de vida... Um tiro varreu-o prá morte... E, eu pergunto a quem nunca pegou num fúsil ou canhângulo: Já se sentiu, ou sente medo de algo? Uma coisa muito importante que nunca nos devemos esquecer, é de que quem nos fez e, quem fez o Mundo com tudo o que nele há, foi meu tio Nosso Senhor a quem chamam de Deus. Mas, pelo facto de ser seu sobrinho não me livrarei de ter o meu fim tal como o teve o Furriel RODRIGUES sobrinho do Cardeal...
  Bom! Não temas, porque sou teu primo e, não te assombres, porque eu só sou teu familiar. Posso até fortalecer teu carisma, ajudar-te ou, e até sustentar-te com a minha justiça mas, teu destino só será teu, inserido na justiça da natureza. Natureza aonde tudo que nasce, um dia, falece... Recordar aqui no meio desta morbidez, que o termo de serem “felizes” é uma tradução inadequada da palavra (malambas) oriunda do grego - makarios. Essa expressão é traduzida em português de várias maneiras, incluindo “bem-aventurados” (ARA, ARC, NVI) para além do “felizes” (NTLH, BV). 
:::::
De vez em quando, ouço pessoas, adultas anunciarem seu desligamento das redes sociais a fim de o serem, "mais felizes". Algumas descobriram que o tempo gasto na internet roubou delas porção ainda mais preciosa, que deviam empregar em comunhão com a Natureza, pois então... A maturidade sedo ou tarde, chega! Actividades mais frutíferas para si mesmas, para os semelhantes e para a eternidade, não se cumpre por omissão. Um deixa para lá porque Roma e Pavia não se fez num dia... Andamos a emancipar-nos agora neste inicio de 2021.  Não se diz vulgarmente: Ele ou ela já é maior e emancipado! Pois agora irá ser vacinado... Fica completo o circulo, noé!...
   Existe a ideia de que crentes em Jesus devem ser felizes, pois são cidadãos do reino de Deus, o Nosso Senhor, meu tio. Pois vos direi que o meu outro tio, que já faleceu (faleceram ambos...) tinha a alcunha de Cristo! Sentirmo-nos tristes ou felizes é um estado subjectivo. Isto é, felicidade é como nos sentimos, noé! A vida dum cristão não pode ser fundamentada em algo subjectivo. Enquanto existe a consciência de que posso ser feliz por causa dessa paz de coração, a bem-aventurança é mais do que felicidade.
Amanhã, é outro dia!
O Soba T'Chingange
 
 
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:46
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Domingo, 3 de Janeiro de 2021
MOAMBA . XLVI

Periclitãncias do dia-a-dia01.01.2021

Crónica 3097 - NOSSAS VIDAS - NOSSAS PEDRAS - NOSSA ATITUDE

Por

soba24.jpgT'Chingange – No Algarve do M´Puto

araujo27.jpg Não existe "pedra" em nosso caminho que não possa ser aproveitada para nosso próprio uso em crescimento. Muita sabedoria, luz e prudência, é necessária ter para saber o que fazer com cada pedra que se encontre, tornando-as alicerces de nossas vidas. Assim, teremos o distraído que nela tropeça; o bruto que a usará como arma; o empreendedor que a irá usar para construção. O camponês, que dela pode fazer um assento. Miguel Ângelo, fez dela uma escultura, entre muitas. David, com ela matou o gigante Golias. Observe-se que a diferença não está na pedra mas, na ATITUDE das pessoas perante as inerentes coisas!

ara10.jpg Terminamos o ano de 2020 sem saber ao certo o que fazer com cada pedra para o novo ano de 2021 e os que se lhe seguem mas, teremos de fazer delas, as pedras, alavancas para novos desafios e oportunidades que, decerto sempre surgirão... Assim, que venha 2021 - com vacina, saúde, persistência e resiliência. Às vezes pagamos caro pela tentativa de resolver situações complicadas agindo sob o calor das emoções negativas. Então, o que devemos fazer quando nos resta utilizar todos os recursos disponíveis!? Existem circunstâncias diante das quais tudo o que temos a fazer é esperar porque “na quietude e na confiança estará nosso vigor”. Será assim tão simples!?

arauo76.jpg Tenho uma sobrinha com dois filhos; ela e um dos filhos estão com COVID. Um deles deu negativo. Solicitou apoio porque está só e, para além do teste nada mais foi feito... O Governo e Instituições apregoam aos sete ventos via TV, que estão dando apoio a toda a gente mas, nem uma brigada por ali passou para recolher o lixo dos 3 confinados em um modesto apartamento na cidade de PORTIMÃO. Um dos filhos, o que tem covid, teve de sair à rua para acondicionar o lixo no contentor! (um risco para a sociedade mas, que fazer!?). O Tal de SOS - 24 não apareceu após várias tentativas desde a participação no dia 24 de Dezembro.

arau44.jpg Eu próprio, com 76 anos, levei viveres e comida para os auxiliar; Um cunhado dela nas proximidades e, vivendo no mesmo Concelho também ali se tem deslocado a levar-lhes comida. Podem calcular como será o estado de uma família assim, sem terem a devida atenção, nem da Autarquia nem tão pouco dos Serviços Sociais! Nada lhes restará, senão a expectativa do passar do tempo, tossindo, com dores de cabeça, dores do corpo esperando um milagroso livramento com paracetamol ou benuron; sem um apoio de quem de direito. Minha incredulidade leva-me a desacreditar nos apoios de que tanto apregoam...

Araujo116.jpg A não ser que o seja só para refugiados e as minorias, de que tanto falam... Sem querer visualizar o pior, chamo por esta via as autoridades de PORTIMÃO à razão para que daqui, não resultem lamentos fingidos ou hipócritas... Perante isto - A incredulidade cria ou supervaloriza as dificuldades, impedindo-nos de ver essa tão apregoada fé das autoridades. Não tivéssemos nós essa fé a elevar-nos a alma acima das dificuldades e, assim; assim nos teremos de colocar mais perto de Deus para nos habilitar a permanecer destemidos, firmes e serenos, esperando!... Mas, é natural que o medo se imponha a nós sem permitir que ele se assuma no controle!?

:::::

Moamba: pode ser prato típico em Angola ou negócio de candonga, coisa mal engendrada -  no Brasil.

Ilustrações de Costa Araujo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:44
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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2020
MOAMBA . XLV

Cónica 3096 - PARA ALÉM DAS APARÊNCIAS - 29.12.2020

NINGUÉM É SANTO - A VAIDADE é uma luz externa que imprime brilhos fantasiosos, atractivos e bonitos; mas não passa disso...

Por

soba24.jpg T'Chingange - no M'Puto (Algarve)

bra3.jpg Alguns de nossos líderes, tal como outros espalhados pelo Globo chamado de Mundo, buscam impressionar-nos pelas aparências e pelo autoritarismo; recursos vulgarizados por eles e afins da nomenclatura do poder. Para além do mero barulho que fazem, ficam muito semelhantes ao de uma lata vazia repetindo estridências vaidosas. Daí, recordar a propósito, o termo “vaidade” que tem origem nas palavras latinas vanitas - vanitatis. E, isto significa vacuidade, vazio - tal como um Big Brother que tudo indica, distrai muita gente…

FK10.jpg Como espuma de sabão, quando circula pelo ar, mostra-se preciosa, a luz externa que imprime brilhos fantasiosos, atractivos e bonitos; mas dentro, nada tem. Entre a dissimulada aparência de piedade e a escancarada vaidade ostentada, nada mais resta para além de sua própria complacência... Isso! Que satisfaz a vontade de alguém com intuito de se sentir elevado... Uma contramão ao genuíno modo de ser-se humilde na suficiente ética contida em um sensato coração.

Mu Ukulu32.jpg No início de nossa era DC, dizia-se: Guardai-vos dos jornalistas (escribas e politicos), que gostam de andar com "paramentos subservientes" ao poder, enaltecendo seus adjectivos nas saudações das praças, nos banquetes e casas de pasto... E, daqueles que usam as primeiras filas, cadeiras nos congressos, nas circunstâncias de lhes trazer mais-valias, devorando casos como quem devora as casas das viúvas, vasculhando cantos mofados para justificar mostrar aquela vaidade que traduz votos e, ou audiência benévola escondida do fundamental.

Mu Ukulu37.jpg Entre a dissimulada aparência de piedade e a escancarada vaidade de nossos líderes, dá para notar a ostentação sem aquele contraponto de brilho de autenticidade. Num ávido desejo de conquistar a simpatia do povo e mantê-lo submisso às suas ambições... Seu balão de sabão… Balão que em um instante, faz "PLAF", arrebenta, desaparece. Converte-se no que era: "NADA. Promovendo gente que deseja ocupar os primeiros lugares em eventos honoríficos. Que querem receber saudações para além dos sonoros títulos de "ministro”, “secretário”, “comendador” e até de "presidente"...

garrafão tuga.jpg Contudo, tão enganoso é o coração, que precisamos atentar para os reais motivos de nossos actos, de modo que não escorram por entre os dedos motivações secretas, impróprias, que tentamos esconder. Vem aí tempos ruins! "Utopia é muito bonita, nos contos de fadas e no imaginário”. Na ilusão do "homem bom" e na "santificação dos heróis"... Recordo que quando o gado começa a ser dizimado por lobos e leões e, ninguém tenta ensinar as ovelhas a correrem mais rápido fico encafifado. Bem! Depois, criam cães tão fortes e tão violentos quanto os predadores e os usam para os combater… Na vida real, é assim que o mundo funciona. E, a menos que nos perdoem a dívida estamos lixados; DÍ-VIDA...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:05
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Domingo, 27 de Dezembro de 2020
KALUNGA – XV

MOKANDAS XINGUILADAS NO TEMPO

Crónica 3095 Cada vez mais o enterro do amanhã começa no dia de ontem…

Estamos na era do medo, na meia curva da esperança divina 27.12.2020

Kalunga: Mar; divindade secundária de culto banto; a imagem ou fetiche dessa divindade. Calunga seria a Lunga ou Malunga, que é plural em quimbundo da palavra "lunga"…

Por

soba24.jpg T´Chingange – No Algarve do M´Puto

maian8.jpg Agora e, aqui em Sábado de pós Natal do ano 2020, pensando em um montão de coisas ou actos que parecem normais ou superficiais, repenicando meu manjerico em flor, penso nas excrescências sociais que se vão tornando um pouco por todo o lado, armas de desarmonia na resiliência, pelo medo da suposição e, fechando-nos voluntariamente na nossa prisão. Prisão orgulhosamente chamada de nossa casa!

No decorrer do tempo entre periclitãncias involuntárias, a maturidade do cidadão acompanha os comportamentos sociais que, perante tantas e tantas contrariedades, é obrigado a defender-se com evasivas distantes e distanciadas, antes que suceda algo de mal, faz-se a previsão a tudo o que eventualmente poderá suceder se… e, o “se” torna-se um martírio na antevisão de hipóteses e fuga em alternativas.

baú de coiro1.jpg Quando a oferta é grande de farta, o povo desconfia; esta prática que quase sempre arrasta suspeitas sub-reptícias, leva a sociedade a ser desconfiada. Por ter-se sofrido tantas frustrações entrelaçadas em injustiça, em roubos, desperdício e má gestão da cousa pública ninguém ou, uma minoria de nós acredita nos políticos, nas conspurcadas instituições muito impregnadas de corruptela e compadrio.

Quem mente gratuitamente, de uma forma permanente, ou é demasiado fantasioso, astucioso ou político ambicioso no condão de sempre raiar desvarios ou a seu tempo, prejudicarem-nos por via de nos exaurir o património na forma de impostos e taxas directas ou enviesadas e até por vezes encavalitadas no nosso modo de vida.

costa araujo4.jpeg Com lisura desmesurada fundamentam tudo tornando-nos inocentes crianças perdidas dos pais… Assim atolado numa pandemia feita pântano revivo com desagrado coisas que nunca deveriam ter sucedido atiçando-me a vontade de fugir a um qualquer longínquo sítio e assim me revejo numa vasta anhara…

Vestido de vermelho, tecido pindérico e seminu guardando meus bois, feito guerreiro e saltitando de lança em riste defendendo meu gado das feras, dum leão onça ou mabeco. Lugar aonde nem se sabe que era foi essa de AC ou DC… Lugar onde não se sabe o que é uma falácia e aonde nossas silhuetas furam o sol ondulante, uma kúkia grande formatando o horizonte em uma barra vermelha.   

Nota: Publicado em KIOMBA do FB  em 26.12.2020

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:58
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXVIII

“CONSOLADOR” EM GREGO, DIZ-SE PARAKLĒTOS ... 24.12.2020

- Cronica 3094 - Controlando minha missão de aguentar a austeridade, disponho-me a gozar mais um dia de sol no M´Puto, nesta beirada sul dum país que já foi metrópole dum Império.

Por

soba24.jpgT'Chingange - no Algarve do M'Puto...

capta0.jpg Nesta quadra natalícia do ano de 2020, aproveito falar um pouco do entrelaçado de malambas (palavras) já faladas entre nós a fim de arrumar os eventos vindouros para que se compreenda o desfecho de nossa estória; nosso futuro mussendo (estória longa). A palavra aqui traduzida como “Consolador” vem do termo grego Paraklētos, relacionando-se ao verbo PARAKALEŌ e, cujo significado é “chamado para estar ao lado de alguém”. Em latim, a palavra correspondente é ADVOCATUS (advogado) - Tudo a condizer...

DIA73.jpg E, na qualidade de Primeiro Ministro do M´Puto, António Costa deu as alvíssaras de Bom Natal ao lado do Presidente Marcelo como se fosse um ET, talqualmente como um Espírito Santo, PARACLÊTUS, vindo duma galáxia distante numa nave "COVID" ... Veio que nem um pirilampo como suposto defensor, conselheiro, consolador, intercessor e mediador das manigâncias em tamanho natural e, metido numa caixa de TV delgada de fina... Que nem um Flash Gordon feito astronauta aterrissa no Palácio de Belém como se estivera no planeta Mongo e, de onde um déspota vírus, ataca a Terra por puro tédio. Com a ajuda de alienígenas, Flash e seus pares, lutam para salvar seu país atacanhado no planeta Terra…

ET2.jpg Assim como numa das passagens do Evangelho de João em que Jesus fez referência ao Espírito Santo, este “Consolador” Primeiro-ministro, parece surgir como o “Espírito da Verdade”. Embora haja textos bíblicos referentes ao Espírito como agente divino de transformação, a ideia de “Consolador” neste evento de diplomacia, trâmites da cortesia portuguesa, nos remete a outros aspectos da função de ADVOCATUS em nosso suposto favor ou desfavor, na vertente de político...

Mesmo com sua ausência física, nós não estaremos entregues à própria sorte porque nos momentos mais difíceis de nossa experiência covidesca sempre surgirá o Marcelo feito Cristo, o homem estrela STAR, Senhor-mor das t´xipalas “selfie”. E, assim o PM-PARACLETO sofredor com seus discípulos se disporá a desafios incontáveis com o beneplácito dele - o Presidente. Isso! Também este, uma entidade, agente de PARACLETO, que veio como como se fora JESUS super STAR.

luua27.jpg Se a consciência me acusar, eles, os dois PARACLETOS, terão de me convencer de algum pecado, para assim me guiar rumo à confissão, arrependimento e, ou perdão! Cá para mim, com estes, estaremos feitos ao bife...

Tenham um Bom Natal!

Publicado em KIZOMBA (Versão I) do FB a 23.12.2020

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:32
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Sábado, 12 de Dezembro de 2020
MALAMBAS . CCLI
A PALAVRA É UMA ALEGRIA SEM LIMITES.
Palra a pega e o papagaio; os ternos pombos arrulham! Zurra o burro e geme a rola inocentinha...
Crónica 3091 - A galinha cacareja e come térmitas! As térmitas roem como o salalé…12.12.2020
Por

soba24.jpg T'Chingange - No M'Puto

roxo95.jpg AR - Recebidas as tuas palavras, logo as comi; elas, as malambas, tuas palavras, são a alegria para meu coração. Devemos ter em mente, que a beleza e a força da Palavra não estão apenas nas profecias, nas doutrinas, ensinamentos éticos ou mandamentos...

Elas são o electrocardiograma de nossa vida, valores, aventuras heróicas, cânticos, poesia e tudo o mais o que contém. Ao invés disto, o vírus expõe fragilidades e amplifica injustiças; por via disso até já ouvi panelas a falarem nas janelas e, isto não é ficção. Por vezes as urgências das raivas necessitam de dizer alguma coisa mesmo que o seja batendo panelas chilenas, brasileiras ou até do Ruanda-Urundi. Um dia lá no mato vi-me a falar com um imbondeiro, disse a ele quanto o admirava e, ele retribui-me com múcuas que me curam a glicémia!

IMBONDEIRO1.jpg Posso garantir a vocês que escrever esta meditação feita malamba foi uma experiência excepcionalmente rica! Redescobri o prazer de estar em contato com a Natureza e, chegada a noite fui para a cama levando-a na mente. Estava bem à beira do rio Okavango (Cubango)

Não importava quantas vezes eu acordasse durante a noite, ela a malamba, continuava no mesmo lugar. Já manhã, levantava-me com a sensação de que apenas havia fechado os olhos e continuado meditando na Palavra...

embo0.jpg Se você que me lê, imaginar que isso representava cansaço, garanto-lhe o contrário, só que, obviamente, não tenho poder para criar um “Ministério da Felicidade” mas, só assim, já é uma grande bênção. Que maravilha é a Palavra! Não vou meter Deus na matéria porque creio ser inerente ou evidente mas, o que vi e, com quem estive, foi tão só o imbondeiro...

Lembro-me de em certa ocasião, depois e durante a manhã, ter a ideia de aproveitar o pequeno espaço antes do almoço, para olhar os sentimentos enovelados vendo na TV a pilhas o noticiário, as makas e coisas truculentas do dia a dia. Estava na Ovambolândia…

papoila0.jpgAR - A diferença de sentimentos foi gritante. Pareceu-me ter estado voando anteriormente sobre nuvens e, em seguida, aterrizado num lixão feito terra, globo ou o que quer que o seja... Mas, em verdade, qualquer pessoa que se expressa, corre perigos vários.

Pensei: “Por que tantas vezes trocamos o tempo que deveríamos ocupar desfrutando plenamente o tesouro da Palavra, por coisas inúteis?” Não tarda, começarão a deturpar a malamba como se desintegrassem um átomo e virá a desacreditação, o distorcer delas, as palavras, tornando-nos suspeitos de algo…

imburana vermelha.jpg Por isso, a malamba feita palavra, é tão bem-vinda como o alimento é para qualquer faminto. E, assim, falando com o imbondeiro, alegremente, pude entender suas mãos feitas ramos secos, elevadas ao céu a implorar o remédio que me iria tratar - a múcua.

Embora tudo isto seja importante, a Natureza sempre será a personagem central e, que testificam os kitukos, mistérios do nosso imaginário no sentido de sempre renovar a alegria do coração, nossa máquina... Aiué!
Ilustrações de  AR - Assunção Roxo
O Soba T'Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2020
MISSOSSO . XXXVIII

Crónica 3090 - TENHAM RESPEITO COM OS KOTAS

Do meu kamba Keller Austriaco... 09.12.2020

Por

soba24.jpg T'Chingange - No M'Puto

araujo181.jpg Não seja difícil com os idosos, eles passaram a vida inteira aprendendo a habilidade de resolver as adversidades da vida. Começo assim, pela moral da história... "Uma senhora entregou seu cartão bancário ao balcão do banco e disse: — Por favor, quero levantar 50,00 €". O caixa disse à senhora : -"Para levantamentos inferiores a 100,00 €, por favor, use a caixa multibanco”...

Ora esta! A senhora queria saber do porquê...

O empregado do banco devolveu-lhe o cartão bancário dizendo: —"Essas são as regras! Por favor, saia, se não houver mais nada a tratar... Há uma fila de clientes atrás de si".

araujo165.jpg A senhora ficou em silêncio por alguns segundos, devolveu o cartão ao caixa e disse: - "Por favor, me ajude a retirar todo o dinheiro que eu tenho na minha conta". O caixa ficou surpreso, quando verificou o saldo da conta. O empregado acenou com a cabeça, inclinou-se e respeitosamente disse à senhora: - "A senhora tem 1.300.000,00 €uros em sua conta, mas o banco não dispõe de tanto dinheiro no momento. A senhora, pode marcar uma hora para amanhã?” Então, ela  perguntou:  Quanto posso retirar agora? O caixa disse a ela que podia levantar qualquer quantia  até ao montante de 5.000,00 €uros.

-"Bem! Por favor, faça um levantamento de 3.000,00 em notas de 50,00 €, agora". 0 caixa gentilmente entregou os 3.000,00 € em notas de 50,00, de forma amigável e com um sorriso amarelo claro!

A senhora guardou 50,00 € em sua bolsa e pediu ao caixa para depositar os restantes 2.950,00 €uros, de volta, em sua conta.

araujo6.jpg A moral deste missosso é: - "Seja compreensível com os idosos; porque eles passaram a vida inteira aprendendo a habilidade de resolver as adversidades da vida."

Ilustrações de Costa Aaújo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:53
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Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020
MALAMBAS . CCL

FALANDO COM UM CHARNECO

Crónica 3087 - Charneco é um pássaro - 30.11.2020

Por

soba0.jpeg T´Chingange - no M'Puto

charneco1.jpg Taciturnado no meu ovo feito casa, sentei-me bem a modos de ver esse pássaro de nome charneco para lá da janela. Assim sentado, podia vê-lo chiscando na terra humedecida, vacilando-me entre estar num sítio ou num estado de sítio.

Na veracidade dum estado perturbadamente vergonhoso, sinto que vivemos em um estranho tempo de vitimização sem aquele espaço próprio de também me poder chiscar, tal como este pássaro da família dos corvídeos.

koisan6.jpg Assim, estando como que entalado entre a ideologia e o manto da ciência, vejo-me enroscado nos zingarelhos covardes da melancolia ciscando no chiscar do charneco egoísta. Todos nos encontramos mergulhados na banalidade quotidiana dos gestos e das frases repetindo aquelas ansiosas falas de todos os tempos e, de todos os lugares. O Mundo está uma ervilha! E falam, falam pelos cotovelos. Assentes numa mesa quadrada todos explicam assuntos bicudos, periclitantemente covidesco…

Às vezes pagamos caro pela tentativa de resolver situações complicadas agindo sob o calor das emoções, especialmente negativas. Mas, neste estado catatónico deveremos utilizar todos os recursos disponíveis na solução de problemas, com a perspectiva de êxito.

caiena5.jpg Mas, existem circunstâncias diante das quais tudo o que temos a fazer é esperar. Convém lembrarmo-nos de que, é “na quietude e na confiança que está nosso vigor". Sempre que nos deparamos com grandes desafios ameaçadores, é natural que o medo se imponha a nós.

Entretanto, não devemos permitir que ele assuma o controlo. O medo enerva-nos, deixa-nos ansiosos, mas deve ser vencido com fervente e confiante oração. Quem sabe se movidos no medo, assim sairemos do mundo zumbi...

kota0.jpg Os negócios da economia estão sendo sacrificados num altar do suposto, aqui no M'Puto e, em muitos lados. No evidente estabelecimento de regras, assim é. Leis canibalizadoras de prosperidade causadas talvez pelo abuso de poder.

A situação é dificultada pelo cerco do mando e a ideologia mantendo a nomenclatura no controlo e, considerando os demais como um exército inimigo. Nada nos resta, senão a expectativa de destruição ou a operação de um milagre, supostamente.

charneco2.jpgEstamos perdendo o nosso capital, nossa prosperidade por via de decretos arbitrários que a seu tempo nos escravizarão ao subsídio.

Aqui e, no resto do Mundo, o abandono de milhões de empresas e sequente desemprego, são uma realidade. A ética do medo desune-nos sem uma verdadeira certeza de assim ser, pelo melhor! Resta - me falar com o charneco...

O Soba. T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:29
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2020
MUXOXO . LXI

MUXOXO DO T'CHING

LIXO ELECTRÓNICO... Nem o Espírito Santo escapa.

Crónica 3086 - Portugal e os bafos dos desabafos… 24-11.2020

Por

soba0.jpegT´Chingangeno Algarve do M´Puto

Fraternidades1.jpg Fiquei vários dias sem ler meus e-mails, por via da jardinagem e leituras para fazer. Meus amigos reclamam meus cazumbis, missossos e muxoxos com ou sem chuva no meio deste mau tempo pandémico. Hoje, tive um tempinho e, acedi à internet acabando por ficar irritado com a quantidade de lixo; bagunça que havia em minha geringonça, uma chatice...

Bom! Este é um tipo diferente de lixo! Não cheira mal, mas recebe o nome de "lixo electrónico" pois são mais que muitos e enleados assuntos de banha da cobra ou do dragão que fuma. Todos sabem que estas mensagens indesejáveis, conteúdos electrónicos, incomodam e atrapalham nossos afazeres ou lazer de até dar dores de dentes mesmo a quem nem os tem…

Fraternidades2.jpg E, surgem os famosos Spams - mensagens comerciais enviadas para muitos endereços ao mesmo tempo que para além de congestionarem nossos computadores saturam até os provedores...

A única defesa de nós, usuários, será os antivírus. Eles são capazes de filtrar a maioria das mensagens indesejáveis embora por vezes até estes fiquem fora do ar por incompatibilidade. Quem usa a internet, não pode dar-se ao luxo de não ter antivírus em sua máquina! Meu Kaspersky resolve quase tudo mas até ele, por vezes, tem de recorrer ao Espírito Santo...

sorte2.jpg Tudo isto, porque existe muita gente má recorrendo à inteligência artificial para separar o trigo do joio e a quem a usa, só no intuito de prejudicar os outros fazendo disso um prazer. Sua mente é como o HD de um computador com um “sistema operacional” que distingue você dos animais irracionais. Para além desses dados que fazem de você um ser único, existe espaço para muitas outras informações conforme os programas, o software que escolheu instalar.

Nós temos o direito de usar a máquina do jeito que se quiser; pode programar sua mente para ser uma bênção ou uma maldição - uma lixeira ou um local onde são guardadas informações úteis. Você é quem decide!

Meu “quase” vizinho que é evangélico, diz ter instalado o mais poderoso e gratuito antivírus do Universo: o Espírito Santo (palavras muito repetidas dele...), pode!? Bem! Acho que isso será uma forma de suprir carências intransponíveis (só ele saberá dos tractos que tem com o paralém...). Bem me parece estar ligada a uma parabólica celestial…

roxo135.jpg Pelo que sei, hardware são os componentes físicos de um computador, como o monitor, a placa-mãe, disco rígido (HD) e teclado, enquanto o software, é um termo técnico que foi traduzido para a língua portuguesa como sendo o suporte lógico. Uma sequência de instruções a serem seguidas e/ou executadas, na manipulação, redireccionamento ou modificação de um dado ou acontecimento, noé!?

Pois! Meu “quase” vizinho, evangélico militante, chato como a potassa, teima em afirmar que é “Ele” que nos guiará e ajudará a filtrar as informações recebidas. O "Ele", é o mesmo meu tio Nosso Senhor que tanto tenho aqui referido (só que não o sabe...). Ainda hoje me disse: Não deixe o diabo destruir seu HD...

roxo90.jpg

Nota1: Publicado em Página Kizomba do Facebook a 19.11.2020; Nota 2: o “quase” do vizinho, tem a ver com o seu malfadado feitio de fazer chinfrim por tudo e por nada e pensar ser um ser mais relevante por falar francês de França…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:26
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2020
MALAMBAS . CCXLIX

MALAMBA É A PALAVRA...

Crónica 3085 - Apaziguando rijezas adversas - 23.11.2020

Por

soba24.jpg T'Chingange – No M´Puto

araujo 42.jpg De acordo com um dito popular, há três coisas que são irrecuperáveis: a flecha atirada, a oportunidade perdida e a palavra falada. Pascal, filósofo e matemático francês, afirmava que “a maior parte dos problemas do ser humano é decorrente da incapacidade que tem de ficar calado"...

E, como cada qual tem no corpo um pecado de qualquer crime por pagar, de facto, uma verdade incómoda para todos nós é de que, muitas vezes, sabemos exactamente o que precisa ser dito em diversas situações, mas não dedicamos tempo suficiente para pensar na maneira acertada em como as coisas devem ser ditas, noé!?

Quando se trata de controvérsias, ou quando há necessidade de falar contra algum erro, sabemos o que deve ser dito, mas falhamos por vezes na forma como o dizemos... E, por isso, apresentamos o que nos parecerá plausível; porém, a palavra muitas vezes, sai desprovida, sem intenção ou sem o esforço de uma conversinha adulta na suficiência...

pombinho3.jpg Dizemos o que precisa ser dito, mas com aquela ponta de arrogância que causa agressão verbal nas malambas precipitadas ou até avermelhando os olhos por só se falar pedacinhos de palavras constipadas de angústia.

Muitas relações fracassam por via de agressões verbais ou palavras precipitadas. Sabe-se que, durante a infância, algumas, muitas pessoas desenvolveram uma personalidade complexada ao ser estigmatizada com termos pejorativos.

Quantos amigos já foram separados por causa de palavras inoportunas. Conflitos teriam sido pacificados, caso fossem usadas palavras brandas por uma das partes. Transgressores poderiam ter sido recuperados, caso a verdade lhes tivesse sido dita com palavras menos graves...

o vazio.JPG Não haveria tantas reputações destruídas e caracteres manchados se a palavra maledicente não fosse dita. Há tanta gente que poderia ser curada de suas feridas emocionais e espirituais se tivesse encontrado alguém que lhe dissesse a palavra sem abelhudice!

“A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” foi o que li e até retive que “A morte e a vida estão no poder da língua” - reli algures... Na ânsia de sempre arrumar alguma coisa, solicito-me mnemónicas próprias de antigos responsos: Por São Brás! Por São Jesus, passo aqui sem levar a cruz! Com mil outros assuntos vagos e sem interesse, entre muita tolice, tenho em mãos uma fútil preocupação espantando a visão de ver bolos-reis deitados ao lixo, tendo tanta gente passando fome!

araujo179.jpg Amanhã! Amanhã! Calculo eu, saberei tudo; nada de desanimar! Sem saber porquê reconheço-me muito mais depois das resistências postas ao meu futuro; mas que futuro? Qual a medida verdadeira do meu apreço às notícias que correm, das intrigas internas e externas, das guerras sem apreço e sem medida, tolas quanto baste  a somar aos muitos sacrifícios com desmandos…

Feliz semana...

Nota: Esta Crónica sai também publicada em Facebook na página Kizomba... 

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O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
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Sábado, 21 de Novembro de 2020
MUXOXO . LX

NUM TEMPO COM CINSAS - AZUCRINADOS - Portugal e os bafos dos desabafos… Crónica 3084

Meu futuro é amanhã! Ontem, foi meu prefácio… Termos de acreditar que algum visitante do futuro nos traga toneladas de esperança para se acabar com a crise… 21-11.2020

Por

soba24.jpg T´Chingange – no Algarve do M´Puto

eça2.JPG Despairecendo meu espírito, olhei-o escondido com medo do fogo e do capeta feito diabo que sai por toda a parte lambendo os beiços. Com modos sortidos, nas entrelinhas, esbarra em lugares de kotas mais velhos e, assim átoa feito peste, quebra a renitência da idade. E, porque não posso tomar medidas energéticas providenciais, requebro-me nas charadas alcoviteiras para enfeitar penicheiras provocatórias, estendendo a crítica a vulgares patifarias de caixeiros feitos doutores e, até políticos…

Engomando, cozinhando, ou limpando-nos o pó como se fôramos trastes dum estado só deles, precisamos de algo a que nos apegarmos para que a fé não vacile para além do suficiente. Na vontade de fugir espantado, remoçado, muito inchado de iguarias macabras, algumas idiotas, meus espíritos passeiam-se-me no cérebro às apalpadelas azucrinando-me.

eliseu0.png Sem a preocupação gramatical, com o sujeito cutucando o verbo mais o predicado…, sem a métrica do fado, uma emergência confusa deste tempo, sem uma rima versejada por poeta que se preze, esganiço-me a fazer conversa sem sobejar esforços de conversinhas, na fé da promessa e até, sem a vergonha de estar esmolando metáforas antiquíssimas. Ninguém ainda sabe, só umas raríssimas pessoas de olhos rasgados…

Jogando búzios na zuela do feitiço, com algum esforço intelectual, remexo panelas de caldeirada muito me convencendo da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de vaidades. Metendo num pão que vai ao forno os trocadilhos e chouriço e enquanto espero, vejo os estudos feitos pela OMS que apontam uma estatística mundial como havendo 300 milhões de pessoas, de todas as idades, com depressão, considerando ser este o mal do século…

etosha2.jpg Algum tempo atrás, desconhecia que podíamos fechar o tempo dentro de casa, atazanado comecei a beber dez gotas de cannabis para truncar as vicissitudes misturando o gosto estranho com kefir, um pouco de café pilão e um pouco de mel. E assim, meto também num pão tipo croissant os trocadilhos com chouriço, por vezes morcela, no fim de sentir algum prazer de viver…

Escrevo isto olhando para a árvore gigante que meu vizinho alemão da Alemanha construiu no seu quintal, a mesma que me tira o sol de inverno porque baixou demasiado no varão, agora ensombrado; lá estão as duas máscaras que foram lavadas com sabão macaco mas, ainda não sei quanto tempo o capeta pode ficar naquela superfície de pano.

enxada quioco1.jpegMenos mal que o meu outro vizinho que veio de França e, que tudo indica ser evangélico está com o Espirito Santo. Deste modo lá serei abrangido nessa coisa do wifi… O tal padrão Wi-Fi que opera em faixas de frequências que não necessitam de licença para instalação. Acho que também serei apanhado no leque de ondas embora o tipo, tenha subido o muro até aos limites da minha altura  só para não ver sua filhinha vinda das arábias a fumar por aqueles esquisitos cântaros  com uns tubos de fazer borbulhar  o Alibabá...

Ainda que eu falasse a linguagem dos santos, para além de me ser exigida a fé suficiente, teria de me posicionar diante da minha intuição; os meus olhos teriam de me fitar, de me desafiar a enrolar silêncios nas pretensões, sem me sentir temeroso e, quanto a isto, enfeito-me de liberdade com a suficiente e possível humanidade sabendo de antemão que viver, mesmo, é um descuido prosseguido…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2020
MALAMBAS . CCXLVIII

 

NAS FRINCHAS DO M´PUPO 16.11.2020

Crónica 3083 - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo

Por

soba24.jpg T´Chingangeno M´Puto

araujo18.jpg Manter a alegria acima de um certo limite, hoje, é quase crime porque dentro de quadrados ou círculos até a criança de forma precoce aprendem a geometria do mundo da peste. Teremos até de esquecer o natal que se aproxima, mantendo no topo o lema: “O corajoso escolhe o caminho certo”.

Euclides que foi o pai da geometria, um centro de excelência em cultura e conhecimento de sua época, convidado pessoalmente pelo próprio Ptolomeu I no largo período de A.C. hoje ficaria exuberante pelo uso de suas figuras como medida profiláctica. Ter coragem é prescindir da bússola porque o sentido de orientação virou e, caso tenhas pela frente um cruzamento, será bom rezar três pais-nossos e duas avé-marias porque os problemas podem surgir.

araujo19.jpg E, para completar nossa coragem, vem a OMS – Organização Mundial de Saúde, dizer que os humanos podem ter de conviver com a Covid-19 para sempre, tal como já se vive com o AIV e outras malazengas. Isto passa-se connosco afastando mesas e cadeiras para o meio da rua e, fazendo dos escritórios dormitórios.

E, é triste! A máquina da alegria abaixo de certa quantidade pára! Mas, basta dois dedos em funcionamento tenso para e num solavanco respiratório, colocar a liberdade no tremor do outro. Teremos forçosamente de modificar nosso caracter de existência para aprender esta permanente transitoriedade.

araujo12.jpg Por vezes as coisas mudam e, os vistos de trânsito caducam, quersedizer invalidam-se. Agora lá terei de esperar mais de três meses para revalidar meu passaporte; depois atestar que nas 72 horas antes, o bicho que ninguém vê, não pegou! Estamos forçosamente ligados por breves períodos na sucessão de objectivos que se suplantam. Coisas vindas do nada, viram para tudo.

Com um apagão brusco na possibilidade de movimento, subitamente o tudo, expira! O repleto ar cheio de informação, torna-se demasiado chato, teimoso. Demasiado concreto. Não obstante a curva não achata. De novo e com agrado, relembro aquela senhora a percorrer a praia de ponta a ponta de marcha-à-ré - andando para tráz para rejuvenescer-se, pode!?

araujo90.jpg As informações são variadas mas, sem brutalidade na delicadeza vão afirmando que o ar existente entre nós dois, seres humanos e, esse vazio de festa para manter cada qual, festivalando no seu círculo, no seu quadrado. A alegria fica assim verticalmente desenhada no vazio que permite abrir os braços na prumada do céu.

Só de pensar que o rádio 226 colado na minha mochila pode ficar activamente maldoso por 1600 anos, já me dá um certo alívio. O futuro desabriu depois de umas semanas trancado. Num qualquer destes dias viro pirilampo. Com tantos avanços tecnológicos, melhor seria que nos dessem um comprimido de seis meses de sonolência, enfiarem-nos num tubo de hibernação e despertar na hora certa de desembarque no lugar aprazado…

Ilustrações de Costa Araujo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:20
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Sábado, 14 de Novembro de 2020
MISSOSSO XXXVI

MEDITAÇÃO DO T'CHING

Crónica 3082Kiçondeando o OLHAR DA FÉ - 13.11.2020

Por 

soba24.jpg T'Chingange -  no M'Puto

sacag9.jpg O que não fazem os seres vivos, mesmos os irracionais, pela própria sobrevivência? Com o passar do tempo, cabras que habitam áreas desérticas de Marrocos tiveram que aprender a subir em grupos na árvore de argan, em busca do fruto para sua alimentação. Na Itália, cabras selvagens foram vistas tentando subir 50 metros de um paredão em busca de alimento. Como seres humanos, também não nos renderemos à possibilidade de morte. Enquanto houver hipótese de viver, não a descartaremos!

picasso3.jpg Kissondeando* sobre muitas picadas percorridas, revejo-me nas vivências porque não o sou, só ossos dispersos. Pensando em kimbundo da Luua recordo falas da terra que afinal não era minha; repeti assim: “ki tuexile tu ngó ifuba iatujunkura” - ainda não somos só ossos dispersos, “ifuba yetu iokune kala jimbuta” - Nossos ossos serão semeados como sementes…

Em 2003, Fernando Ivan Ostrowski tinha 18 anos e estudava na Rússia. Em certa madrugada de Novembro, ele foi acordado pelo som da sirene e, pelos gritos que anunciavam um incêndio no residencial da universidade aonde morava.

deserto1.jpeg Foi o último a acordar, mas, com muita serenidade e acalmando os demais, ele não hesitou em pular do quinto andar. Tendo a queda amortecida pela neve, mesmo assim sofreu alguns ferimentos. Com essa atitude, escapou da morte, que ceifou 36 estudantes nessa ocasião...

E, foi em um barco prestes a ser tragado pela tempestade que John Newton se libertou da vida imoral em que havia mergulhado. Na ocasião, clamou por socorro e foi ouvido. A força da fé tem milagres inexplicáveis; decerto, cada um de nós tem passagens desconcertantes em sua vida...

Mas, a incerteza faz parte de nossa natureza! "Senhor, se és Tu, manda-me ir ter Contigo, por sobre as águas!” Era este o clamor de Pedro, o pescador, discípulo de primeira linha de Jesus, o Nazareno.

intifada0.jpg Assim está escrito na Bíblia e, não se tratava de um teste! Ao convite de Jesus, Pedro começou a andar como em terra firme, até que o erro de desviar o olhar para a força do vento por pouco não o destruía. Eu, que já tive muitos kixibus, entendo que as dificuldades de meus, nossos ancestrais também kubasularam lumbus mal explicados e, conhecendo bem a ciência dos calundus, espantaram  maus olhados desses defuntos espíritos da Yanda.

Sem o olhar de fé, morreremos afogados no mar do medo e da dúvida. Claro que ao longo dos anos, as falas e os desafios mudaram; uma grande parte de nós não quer seguir estas parábolas e, todos se julgando sábios ou descrentes, atiram por terra ensinamentos úteis...

dia32.jpg Podemos assim rever isto para e, como aquele ditado popular que diz: "querendo, os homens movem montanhas". É certo que Pedro, o pescador, corria o risco de naufrágio no caminho proposto mas, ao convite de Jesus, começou a andar como em terra firme...

Repito: Sem o olhar da fé posto em nossa vida, morreremos afogados, não na água mas num mar do medo; medo da dúvida, medo de tudo... Creia ou não num qualquer Deus em que acredite, faça a sua parte e, não ponha em dúvida que o que tiver que acontecer vai acontecer... Mas e, sobretudo, não coloque outros em risco... Senão o bicho pega!

Glossário

Kiçondeando: andar como a formiga quiçonde; kixibus:- cacimbos, estação fria; kubasular:- passar bassula, dar a volta por cima; lumbu:- descendente por parte do pai; kalundu / kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto; Yanda: lugar especial, região pambun´jíla   

O Soba T'Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:16
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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