Terça-feira, 4 de Setembro de 2018
CAZUMBI . LI

O TEMPO - Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol … 04.09.2018

kimbo 0.jpg As escolhas de Kizomba

Por :::canhot2.jpg::: António José Canhoto - O genérico James Spencer

IMG_20170902_113837 (2).jpg Ao longo da minha vida sempre lutei com falta de tempo, passei longos anos numa corrida desenfreada, andei apressado, assoberbado, sobrecarregado, pois apesar de todos os meus esforços para tentar racionalizar o tempo este nunca chegava e dificilmente conseguia geri-lo adequadamente pois as solicitações eram muitas e a minha omnisciência limitada. Cheguei a pensar que desde a criação do mundo tinha havido um tremendo erro na configuração do tempo e da forma como o mesmo tinha sido congeminado. Os dias eram pequenos, as horas passavam depressa, o prazer era efémero, a vida curta e as noites demasiado longas.

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Mas com o decorrer dos anos as minhas prioridades começaram a mudar a minha selectividade sobre onde e como aplicar o tempo alterou-se, os meus critérios e opções refinaram-se, de modo que fui chegando a conclusões diferentes sobre a utilização do tempo. As pessoas têm opiniões diferentes como aplicar o tempo, para alguns, o tempo é dinheiro, para outros utilizam-no apenas para prazer, gozar e viajar, outros dedicam-no a deuses e religião, política ou enfiados em bibliotecas a adquirir conhecimento. O tempo foi alocado às pessoas para que estas o utilizem o melhor que podem e sabem, mas é preciso evitar matar o tempo, pois ele é uma dádiva, um presente, por vezes envenenado, outras vezes muito saboroso, que nos é concedido diariamente, mas perecível pois não volta atrás nem pode ser revivido.

matipa-tipa.jpg O tempo, não pode nem deve ser esbanjado em projectos fúteis e inconsequentes ou com as pessoas erradas, pois infelizmente é algo que não podemos conservar indefinidamente. O jamais volta atrás, poderá eventualmente ser comprado ou vendido quando se é contratado com tarifa horária, mas não pode ser parado ou guardado para ser usado mais tarde. O tempo esgota-se como grãos de areia fina metidos numa ampulheta posta a funcionar para contar o tempo de um exame oral. Nesta provecta idade que atravesso, tenho todo o tempo que preciso e quero, para viver e sonhar. Também dar a volta ao mundo no meu barquinho de papel numa poça de água deixada pela chuva.

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Nunca fui escravo do tempo, usei-o para me enriquecer academicamente, culturalmente, financeiramente, socialmente e ideologicamente. Hoje em dia permito-me passar alguns dias de verão á beira-mar construindo castelos na areia com os meus amigos, e em qualquer competição ou desafio que aceite não irão para além do jogo do avião, malha, escondidas, berlinde ou pião. Quero a todo o custo voltar a acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos afectos, ternuras, beijos e carinhos. Quero voltar a acreditar nas palavras gentis, na solidariedade e condição humana, na fraternidade, na justiça e exclusão social, pois tudo isso tem muito mais valor do que todo o dinheiro do mundo.

flor de maracuja1.jpg Hoje, seja qual for o tempo de vida que me resta e espero que ainda seja muito, cá o vou triturando ao meu ritmo e no meu “timing” numa contagem inexorável e decrescente como se eu fosse um foguetão na rampa de lançamento aguardando a contagem para a minha partida, não para a estratosfera numa viagem de dias, mas para a eternidade num crematório a fim de ser reduzido a pó. A existência ou não de deus é algo que não me preocupa pois não lhe reconheço existência, portanto prefiro como herege e impio não ter que prestar contas a ninguém e muito menos de me preocupar se irei para o paraíso ou para as profundezas dos infernos.

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Nunca fui santo e como pecador as minhas fraquezas não foram relevantes. Nunca me coibido de fazer o que me agradava vivendo intensamente a vida de acordo com as minhas convicções e valores morais. Tudo o que fiz, foi de forma consciente o que eventualmente me levou a incorrer na fúria de terceiros por não obedecer ou cumprir dogmas religiosos, políticos, culturais ou tradicionais seguidos pelas maiorias. Eu sei, reconheço e tenho consciência absoluta de que em muitas ocasiões os meus pés de barro cederam e fraquejaram perante a luxúria e outros pecados veniais, pois as tentações eram de tal modo irresistíveis que acabei por soçobrar às ofertas tentadoras que me fizeram e, esse foi o meu calcanhar de Aquiles, contudo não lamento nem alteraria o meu procedimento se pudesse recuar no tempo.

acácia1.jpg Passados alguns anos quando o vento finalmente amainou dentro do meu coração, e, o calor que me corroía as entranhas se acalmou depois de me ter rasgado como raios as penumbras do meu ser queimando a fogosidade que me consumia pelas minhas viscerais paixões passei para uma fase de reflexão contemplativa e mais humanista e os arrebatamentos episódicos de rebeldia deixaram de tomar conta da minha existência. Metaforicamente, poderei dizer que os meus pecadilhos foram escolhidos a dedo como um cliente escolhe as mercadorias mais caras de um supermercado, foram transgressões escolhidas pelo exotismo das fragâncias perfumadas que atiçavam a libido, pelo sabor obtido por deixar viajar a nossa língua pelos locais mais recônditos dos corpos, estimulando a sensualidade e volúpia.

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Estas infracções não deixaram nodoa, rasto ou nexo de casualidade, contudo ficaram coladas á minha pele por muitos anos. Não tenho feitio para autoflagelações nem para me deixar imolar nos altares ou templos dos críticos raivosos e invejosos do meu sucesso. Quando a minha consciência toca a rebate eu paro para pensar, pois é sinal que estou a percorrer caminhos perigosos ou a ter comportamentos desviantes o que implica que retroceda reparando os danos causados. Tempos houve em que a minha vida era conduzida a alta velocidade, mas essa fúria de viver e coleccionar histórias passou, contudo, o meu instinto predatório ainda reside e resiste nas profundezas do meu ser controlado e açaimado.

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Esta alquimia que se processou na mente, corpo e sexo, era composta de ingredientes e componentes inflamáveis os quais podem ainda ocasionalmente a espaços incendiados. Na vida não há empates como no futebol, ou se ganha ou se perde. Não devemos nem por brincadeira esconjurar o demónio sem sabermos como terminar a missa negra. Usando letras para formar palavras, e juntar palavras que que de forma harmónica traduzem ideias ou pensamentos, tento contextualizá-las de forma a sublimar as minhas paixões ou a extravasar a bílis nas decepções.

grafonola2.jpg O que a grande maioria do mundo anda agora a ver ou viver já eu o fiz há muito tempo, e, isso, torna-me quase que insensível às convulsões do quotidiano, pois são apenas, reconstruções, simulações, imitações das verdadeiras e originais situações que já enfrentei no passado. A vida de uma pessoa pode alterar-se ao voltar da primeira esquina, por alguém que nos roube a carteira ou o coração, portanto devemos estar prontos para reagir a qualquer eventualidade antes de aceitarmos “Bona fide” as intenções de intrusos nas nossas vidas.

António José Canhoto.... 3-9-2019



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:27
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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLIV

ANGOLA DA LUUA XLIV - TEMPOS PARA ESQUECER27.08.2018

“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – Nós e os mwangolés…

Por

soba 01.jpgT´Chingange - No M´Puto

Estávamos em fins de Julho do ano de mil novecentos e setenta e cinco. Costa Gomes - o Presidente Rolha da República do M´Puto (Portugal), nunca se comprometeu quanto ao concordar com Otelo Saraiva de Carvalho no envio de e, em força (uma intensidade Salazarenta) dos expedicionários cubanos para Angola. Garcia Marques do Alto Comando Caribenho refere isto mais tarde. A estória dum novo país a chamar-se de Angola, vai sendo desvendada aos poucos como coisa envergonhada e muito cheia de traições, tractos falaciosos e sucessivas enganações aos chamados colonos.

mdp01.jpg Agustin Quintana da 10ª Direcção e mais cinco oficiais cubanos chefiados por Argwelles, fazendo escala em Lisboa, chegavam a Luanda a 3 de Agosto de 1975. Estando já em Luanda com a família como desalojado e inscrito no Quadro Geral de Adidos, foi mais ou menos nesta proximidade de datas que me inscrevi na 13ª viajem da ponte “LuuaLix” por meio de uma Guia de Marcha a fim de embarcar para Lisboa. Nesta altura, ainda tinha esperanças fortes de voltar à Luua quando tudo ali acalmasse mas, ao invés disto fui cadastrado e crismado como Retornado assim que desci do avião no Aeroporto da portela em Lisboa. De branco de segunda fui promovido a Retornado. Haja Deus!

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Dizia eu que estava em Luanda como deslocado de guerra e colocado no Palácio do Governo como Adido auxiliando como “destacado” nas tarefas de “repatriação” de cidadãos perseguidos pelos Movimentos ditos de Libertação com a principal envolvência do MPLA muito carregado de ódio e, que fomentado ou não, provocava escaramuças em todo o território, com maior incidência na capital - Luanda. Os desalojamentos em áreas suburbanas da Luua eram em catadupa incidindo sobre comerciantes fubeiros, taxistas, administrativos e genericamente todo aquele que tinham a tez de pela mais clara – brancos! Gente condenada a serem tratados como “OS TINHAS”, um palavreado que nem o gerúndio da língua pátria comportava …

melo3.jpg Como “destacado” no palácio da Cidade Alta e com um Cartão de Identidade assinado por Leonel Cardoso, tinha permissão de me deslocar após o recolher obrigatório. Meu normal itinerário hera feito entra a Rua José Maria Antunes junto ao Rio Seco da Maianga com o número 22 e o Palácio do Governo com um Alto-Comissário a gerir a “Bagunça de Angola” que mais tarde apelidei de “Tundamunjila” – Thundá mun n´jila – vai prá tua terra, branco T´Chindere, seguido de “kwata-kwata” ou agarra, agarra que é branco.

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Minha tarefa era essa, a de telefonar para o endereço certo a avisar que tal Fulano tinha embarque marcado na PONTE LUUALIX para tal dia e a tal hora; para que se preparasse e de modo próprio ou através de transporte fornecido pelo Alto-Comissário. Era uma viagem sem volta, só ida mesmo! Tudo era apontado para que a logística de meios proporcionassem sua saída. Eram normalmente Administradores de Concelho, Directores de serviços estatais, Chefes de posto Administrativo, jornalistas e ou individualidades refugiadas em pensões, hotéis, suas próprias casas ou em casa de familiares e amigos. Tudo gente hostilizada pelos Movimentos, assim fosse o MPLA, a UNITA ou a FNLA.  

demo1.jpg Havia outros cidadãos perseguidos e, por razões diversas. A bagunça instalada mais fazia lembrar uma escaramuça de formigas “kissonde” que anarquicamente e aleatoriamente procediam de forma desconexa; sem regras de protecção ou outras a adivinhar com agentes da PIDE misturados com os membros traidores da FUA (um pseudo movimento branco), colaboradores da Defesa Civil, Guardas de Fronteira e Reservas Estatais, Polícias brancos ou Fiscais de Caça. Os ódios raspavam um rancor desmedido e sem controlo.

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Costa Gomes aceitou a demissão de Silva Cardoso nomeando interinamente Alto-Comissário Ferreira de Macedo, o homem que Rosa Coutinho e a CCPA queriam para este cargo. Este General e mais outro chamado de Carlos Fabião e um outro major de nome Canto e Castro iriam a Luanda estudar a situação. Nesta altura, as notícias eram desconexas e o tempo comia as palavras de ordem ventilando-as em desordens. Ninguém entendia o que se passava e quando sabia já aquilo que parecia ser tinha alterado para coisa-outra. Não havia como gerir este estado de coisas pois o descomando era verificado naquele agora.

spi3.jpg Esta barafunda mais parecia ser propositada para confundir o medo que crescia em todos e, a cada dia, a cada hora, a cada minuto! Coisa diabólica difícil de se conceber. O maior herói de Angola e para a visão do MPLA deverá ser este traidor à pátria Lusa do M´Puto. A história de Portugal, para ser justa, terá de dar o título de traidor-maior a este Almirante Vermelho. Foi ele o feitor principal da página mais negra na história de Portugal, coisa nunca vista e com sequente lavagem em purificação pelos seus apaniguados do m´Puto.

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Uma cambada da pior espécie que ainda hoje a quarenta e três anos de distância mantêm estatutos de gente VIP. E, não surge ninguém de peso a clarificar esta história de merda – de tugi, como se diz em kimbundo da Luua. Mais tarde veio a saber-se que assim era! Rosa Coutinho era o cérebro diabólico que tudo urdia, tudo subvertia para vingar sua tenaz heroicidade invertida em traidor de primeiríssima filiação, ele traía seus colegas de armas, seus patrícios para favorecer o Movimento MPLA.

CHAIMITE1.jpg Havia que atemorizar os brancos a fim de fazê-los fugir para aonde quer que fosse; o problema era de que não havia uma voz de comando fiável! Os governantes ali postos - em Angola, Generais de Aviário e gentes do PREC afecta ao PCP português, tinham em mente fazer sair os brancos de Angola. Costa Gomes deu plenos poderes a Rosa Coutinho que junto com Carlos Fabião e o major Canto e Castro para ir a Luanda estudar a situação.

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Preparavam tudo para que a intervenção do exército expedicionário de Cuba não tivesse qualquer impedimento com a sub-reptícia desculpa e com o sufismo necessário para parecer o que não era para assim ser, porque o factor de tudo se fazer à “revelia do estado” era só uma coisa para tapear, enganar os inocentes opositores – nós, os indesejáveis colonos! Evidentemente!  

retornar9.jpg No dia 28 de Julho de 1975 a FNLA e o MPLA aceitaram a saída dos deslocados desde que a evacuação fosse feita exclusivamente pelo Exército Português. Os primeiros a partir foram os cerca de duzentos militares da UNITA, funcionários do chamado Governo de Transição e familiares dos mesmos. No dia 31 de Julho havia uma coluna de 300 viaturas com cerca de meio milhar de refugiados em Nova Lisboa (actual Huambo).

rev2.jpg Aqui não havia água ao domicílio e os cinco médicos temiam um surto de peste na cidade, devido aos inúmeros corpos mortos espalhados um pouco por todo o lado. O material e armamento do ELNA (exército da FNLA) decorrentes das rendições de Malange, seriam entregues pelas NT (Nossas Tropas) ao MPLA. A cidade de Malange foi abandonada por toda a população branca e preta que morava no asfalto. A 7 de Agosto de 1975, as mais de duzentas viaturas fizeram seu regresso a Luanda com todo o pessoal do Batalhão das NF ( Nossas Forças)…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:22
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Domingo, 26 de Agosto de 2018
CAZUMBI . XLVIII

RAÍZES – Iª de 3 Partes… 26.08.2018

Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol …

Por canhot3.jpgAntónio José Canhoto

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kizomba

A minha biblioteca sobre África onde se encontram as minhas raízes e pegadas de carbono é vasta abrangendo várias áreas desde a arte africana, antropologia ou livros sobre os relatos descritivos dos primeiros grandes caçadores maioritariamente Ingleses, tais como, Courtney Selous, Cummings, Stigand, Neuman, Baldwin ou ainda as caminhadas feitas pelos primeiros grandes pioneiros que se atreveram a atravessar os sertões Africanos como Du Chaillu, Burton, Speke, Livingston e os portugueses Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens que merecem ser igualmente lidos.

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As minhas fundações e raízes encontram-se em África e muito embora vários anos já tenham passado desde quando a abandonei e não me estou particularmente a referir a Angola onde nasci, ainda lhe sinto o cheiro da terra molhada depois de uma boa chuvada que muitas vezes nem poças de água fazia pela sofreguidão da sede que o solo ressequido e gretado tinha por anos de seca. Sinto a falta do por do sol, que é do mais maravilhoso de todos os continentes que visitei.

zeca12.jpgÁfrica corre nas minhas veias e ocasionalmente, tenho lá voltado como turista por razões diversas. Como a grande maioria dos mortais vivi na idade das trevas até que despertei para várias realidades que me forçaram a questionar narrativas que me fizeram crer serem verdades absolutas.

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Decidi partir e procurar respostas por moto próprio educando-me quer pela investigação através da leitura como recorrer às fontes e delas beber directamente. Fiz longas e variadas viagens pelo mundo tendo passado 6 meses de vivência permanente e continua com um líder espiritual nas montanhas do Nepal em meditação, reflexão e limpeza cerebral de todo o lixo tóxico que tinha acumulado ao longo da vida por indução de terceiros.

ÁFRICA10.jpg Este período de auto conhecimento introspectivo trouxeram-me uma liberdade, técnicas de sistematização e racionalização da vida bem como os ensinamentos para a criação de uma terceira visão (glândula pineal ou epífise) que me permitiu passar a ver outras dimensões do Universo interior e exteriormente, de ligar o mundo físico com o espiritual ou simbólico.

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Ver é interpretar aquilo que se sente, fazendo a ligação entre a energia de cada um e aquela que o envolve. Uma terceira visão bem equilibrada traz a sincronicidade dos hemisférios, a capacidade de discernimento, e a sagacidade que compreende a profundidade da vida. Este chacra é o espaço da nossa consciência e a residência da sabedoria, permite-nos compreender o nosso guia interior e ter a plena ligação entre todas as coisas.

luis44.jpg A terceira visão permite-nos alcançar a vibração necessária para a elevação da consciência. Este treino transformou a minha concepção vivencial trazendo-me o conhecimento necessário para separar o trigo do joio. Todas essas toneladas de conhecimento que contribuíram para enriquecer o meu património cultural permitem-me hoje em dia defrontar qualquer doutrinador-manipulador por mais persuasivo que seja na eventualidade de me abordar para mostrar, vender, convencer ou seduzir.

matias9.jpg Também a conceder o meu tempo a não ser que nele reconheça um adversário á altura de esgrimir o seu florete com o meu seja em que arena da vida, se considere sapiente e competente. Hoje em dia já não me desloco a montanha nenhuma por muito boa que seja a cromática panorâmica vista do seu cume. Hoje com a minha idade, conhecimento e experiência o Maomé sou eu, e todos aqueles que desejarem debater comigo terão que subir uma ingreme e penosa montanha onde pelo caminho serão sujeitos à graduação cada vez mais fina das minhas peneiras.

(Continua…)

António José Canhoto - 23-8-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:02
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
INVENTAÇÕES DA HISTÓRIA . XII

EM TERRAS DE SANTA MARIA DE GOMERA 

Tempo de Macutas - Verdade ficcionada – 17.08.2018

GOMERA- La Gomera de las islas españolas

Por

soba15.jpg T´Chingange - Em terras de M´Puto

A 3 de agosto de 1492, as caravelas Santa Maria, Pinta e Nina partiram de Palos de la Frontera com destino às Ilhas Canárias, o último porto antes de partirem em busca de uma rota alternativa até às Índias. A 12 de Outubro de 1492, após 36 dias de viagem, o marinheiro Rodrigo de Triana canta do alto da Pinta o “ cesto do caralho* ” o esperado “Terra à vista”. Cristóvão Colombo tinha mudado o curso da história.

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Duas circunstâncias transformaram as Ilhas Canárias na zona de passagem obrigatória na rota para o novo mundo: estar no centro das correntes dos Alísios, e ser o último bastião ocidental da Europa. E desde que Colombo se apercebeu de ambas, a história das Ilhas Canárias e da América estiveram estreitamente ligadas. Entenda-se que com os ventos alíseos as velas não necessitavam de ser alteradas com os ziguezagues habituais porque o vento sopra de feição, na direcção do rumo a seguir!

tenerife7.jpg Em termos náuticos, navegar à bolina, bolinar ou velejar de contravento é marear (ou seja, navegar) com vento afastado o máximo 6 quartas da proa (± 45 graus). É uma técnica empregada por embarcações que consiste em ziguezaguear contra o vento, o que permite navegar por zonas onde o vento não é favorável.  As primeiras embarcações que se têm notícia a utilizar esta técnica com sucesso são as caravelas portuguesas, durante a Era dos Descobrimentos marítimos.

 

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O termo bolina é empregado no Brasil como sinónimo de patilhão. Para se navegar contra o vento, a vela é colocada de modo a que o seu plano divida aproximadamente em partes iguais o ângulo formado pela direcção do barco e a direcção do vento. O vento empurra a vela sempre segundo um ângulo perpendicular ao plano que ela define. Com os ventos Alísios as velas ficam enfonadas todo o tempo; por isso Pedro A. Cabral não teve muito trabaho de virar velas porque foi só seguir em frente até o Brasil.

tenerife0.jpg Diz-se que Cristóvão Colombo ficou fascinado na primeira vez que pisou a ilha de La Gomera. Até existe uma lenda que conta que na cidade de San Sebastian se viveu uma grande história de amor entre o marinheiro e a Senhora da ilha, Beatriz de Boadilla. Esta rota não poderia começar noutro lugar que não fosse a Torre do Conde, onde os insulares comentavam que os apaixonados se viam às escondidas. Eu estive lá e pude sentir essa sensação de apaixonado, sempre!

tenerife001.jpgHoje é um dos monumentos mais visitados e no seu interior conserva-se uma interessante exposição cartográfica. A poucos metros dela encontra-se a Casa de la Aguada, a primeira habitação dos Senhores da ilha. Conta-se que Colombo extraiu do seu poço a água para a sua primeira viagem; tive o previlegio de beber dsta água. Esta pequena rota termina muito perto dali, na igreja da Assunção, onde, segundo a tradição, Colombo rezou para que a sua viagem fosse um sucesso. Pelo sim, pelo  não também rezei um Pai Nosso e uma Avé Maria, para que minhas aventuras vindouras possam sair nos trinques, quersedizer, que tudo corr bem, com ventos Alísios...

sorte2.jpg Chegaram às ilhas a 9 de Agosto, onde aproveitaram para acabar de acondicionar as naves e recrutar alguns marinheiros canários conhecidos pela sua destreza e conhecimentos das águas. Por fim, a 6 de Setembro, a expedição de Cristóvão Colombo parte com destino às costas orientais da Ásia. Naquele dia ninguém podia prever o que estava a pontos de acontecer. Após várias semanas de viagem começa a crescer a tensão entre os tripulantes, ocorrendo mesmo alguma tentativa de motim.

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Foi das ilhas de onde partiram as primeiras sementes de cana-de-açúcar e bananeira para as Índias. O mesmo aconteceria com o porco, a cabra, o cão e a ovelha, que cedo se estenderiam também pelas Antilhas. Pelo contrário, a batata americana passaria pelas Ilhas Canárias, onde se adaptaram rapidamente, antes de serem exportadas para toda a Europa. Poucos sabem que estas ilhas Canárias eram portuguesas ante do primeiro tratado de Tordesilhas.

tenerife4.jpg Além disso, muitos canários acabaram por embarcar nas viagens que terminariam por fundar cidades como Buenos Aires, em 1535, ou outras como Santa Marta, Caracas, Montevideo e La Havana onde ainda hoje a sua influência é visível. Quem visitar a ilha de Tenerife vai sentir que em tempos idos naquele lugar de Orotava, lugar de sacadas em madeira e vinhedos a perder de vista andaram portugueses a viver dos ventos alíseos…

Nota* - Segundo autores conceituados, nomeadamente da Academia das Ciências de Lisboa, a palavra caralho designava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das Caravelas, também conhecida como Gávea -Naqueles tempos não era bem com a conotação de que se tem a intensão nos dias de hoje

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:53
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCIV

A HIERARQUIA MUNDIAL - 13.08.2018

- As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local, nus e ateus… A ESPERANÇA é a fronteira que consegue manter a condição social e financeira de pobres, pensando ilusoriamente de que um dia, o euro milhões o fará rico e assim, comprar uma vivenda em Cascais…

Por 

canhot1.jpgAntónio J. CANHOTO...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna... Um cronista 5*****

soba k.jpgAs escolhas de T´Chingange 

OPINIÃO

A única verdade que impera neste mundo é a teoria do evolucionista Darwin, quando dizia que os mais fortes sobreviverão sempre aos mais fracos. Pelas minhas constatações e análises também concluí que os mais ricos e fortes em circunstâncias adversas sobreviverão quase sempre aos mais pobres e fracos. Dentro desta mesma linha de pensamento os mais bem preparados academicamente ou como artesãos vencerão sempre os oponentes menos municiados e qualificados nos desafios ou oportunidades que a vida ou o mercado de trabalho tiver para lhes oferecer.

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Não existem segredos existenciais ou filosofias de vida que nos levem ao sucesso pois estes não dependem daquilo que possamos aprender pela forma doutrinária ou pelo nosso autodidactismo nos assegurem um êxito ou triunfo garantido quer nas nossas actividades pessoais ou profissionais. Para quem não nasce rico num berço de ouro, com ama e “chauffeur” não frequenta escolas e universidades privadas de renome internacional, a vida é dura, mas simples de entender, pois obedece a um teorema ou equação onde o logaritmo não permite que ninguém fuja ao conceito de que esta apenas lhe proporcionará sete estatutos vivenciais.

avillez00.jpg Na hierarquia da vida ou se é empregado ou patrão, vencido ou vencedor, rico, remediado ou pobre. As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental todos nascem pelo mesmo local, nus e ateus, contudo a sociedade alicerçada nas leis do país do qual somos cidadãos juntamente com os nossos progenitores reservam-se ao direito de nos diferenciar pelos berços que nos esperam, a casta social a que iremos pertencer e a religião que iremos seguir.

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Alguns privilegiados têm o condão de nascer e viver desde o berço no topo da pirâmide social e financeira rodeados de todo o luxo que o dinheiro pode comprar. A grande maioria dos recém-nascidos é parida do meio da pirâmide para a base num escalonamento que obedece a um lato e variado conjunto de regras rígidas que abarcam características culturais, tradicionais, regionais, sociais, académica, financeiras, rácicas, xenofobicas, politicas, religiosas e homofóbicas durante todo o nosso percurso existencial. Tal como se fosse um sinal de nascença visível numa parte do corpo difícil de ocultar.

bordallo.jpg Todos nós sabemos que quem vive nos chamados rés-do-chão em prédios de vários andares e que têm pátios ou quintais que estes se tornam os caixotes do lixo de quem nos andares superiores que são sempre os mais caros devido á vista que proporcionam aos seus proprietários. No sistema das hierarquias do organigrama social sucede exactamente o mesmo, os pobres e remediados encontram-se sempre em posições de vulnerabilidade e na dependência de um salário para viver o que implica sofrer na pele os humores, caprichos, autoritarismo daqueles que usufruem do poder para os admitir ou tornar obsoletos e descartáveis.

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Metaforicamente falando, os pobres que vivem na base da pirâmide é como se vivessem no rés-do-chão os quais usualmente têm pátios ou varandas em prédios de ricos e que enquanto estejam nas suas varandas apanhem com as cuspidelas, beatas de cigarros ou os restos de charutos ainda fumegantes nas cabeças. Alguns mais corajosos ainda têm o atrevimento de se aventurarem a reclamar batendo á porta do vizinho rico, mas se o fizerem terão que se preparar para sofrer as consequências retaliatórias.

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Alguns mais atrevidos e ousados pensam reunir as condições que lhes permitam encetar solitariamente alpinismo social na tentativa de chegarem ao topo da pirâmide, mas a grande maioria fica pelo caminho pois os trilhos estão armadilhados e minados. Alguns conseguem heroicamente chegar ao topo, mas nunca serão aceites ou integrados pelas elites que lá nasceram e vivem consequentemente esse ostracismo a que serão vetados como infecto-contagiosos acabará por os fazer descer a pirâmide para uma zona de maior conforto e aceitação pelos residentes.

poluição.jpg O único factor que mantem o equilíbrio mundial, impedindo revoltas e que as massas trabalhadoras se apoderem das riquezas que geram para terceiros o que já aconteceu em Portugal logo após o 25 de Abril de 1974, é a ESPERANÇA de que um dia possam eles também estar no poleiro e usufruir dos privilégios das elites minoritárias. A ESPERANÇA é a única vedação e fronteira que consegue manter as massas trabalhadoras de condição social e financeira de parias e pobres contidas pensando ilusoriamente de que um dia devido a um golpe de sorte por herança, lotaria ou euro milhões se possam autopromover subindo mais degraus na pirâmide da vida trocando a aldeia pela cidade, o exíguo apartamento na Picheleira por uma vivenda em Cascais.

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Passar de pedestre a locomover-se num Lexus, deixar de ir á praia em Caxias e ir para Maldivas, Seicheles e Bali. Como ninguém enriquece apenas pelo suor do seu rosto e fruto do seu trabalho, só existem três formas de chegar ao desiderato de nos considerarmos ricos. A primeira é de forma licita como empresários, explorando empregados e pagar-lhes ordenados miserabilistas, a segunda de forma ilícita e fraudulenta e a terceira devido á sorte. O segredo para matar a inveja ou o desejo de todos quererem ser ricos foi o de lhes inteligentemente criar a ilusão de que podem ser iguais aqueles que gostariam de emular e que no mundo existe sempre o lugar para mais UM poder vestir Cristian Dior ou comer caviar, faisão e lagosta.

nzi01.jpg Pois! Regando a sua opípara refeição com D. Peringnon se tiver dinheiro, bom gosto e um palato refinado. Se todos viverem na esperança e ilusão de que mais tarde ou mais cedo poderão triunfar, o mundo funciona muito mais calmamente sem agitações, atritos, revoltas ou greves, e as pessoas não se magoam umas às outras nem se atropelam, pois, vivem nessa falsa expectativa de que a sua hora também chegará. A ideia que norteia toda esta massa anónima que vive e labuta dentro e fora do seu país é a de que um dia irão voltar à cidade, aldeia, vila ou rua, ricos e poder mostrar que também eles cidadãos anónimos, passaram a ter um nome que todos conhecem, veneram e respeitam, por se terem alcandorado para patamares que os diferenciam do resto dos habitantes do seu burgo.

paulo0.jpg Quando não se nasce rico, o que acontece à grande maioria das pessoas, existem para os pobres períodos entre o nascer, viver e morrer onde a pobreza e o luxo podem em circunstâncias muito especificas ocasionalmente conviver. Nesses pequenos intervalos de luxúria libidinosa onde os pobres podem usufruir do gozo e prazer das secreções e clímaxes orgásmicos que o dinheiro pode proporcionar, os ricos vivem com elas desde que nascem até morrer numa ligação umbilical permanente. As leis pela qual mundo está organizado, feito e construído, são apenas duas: as imutáveis com que a física e a natureza nos premiaram ou as criadas pelos humanos que força a plebe e o proletariado a cumprir e obedecer.

António J. Canhoto . 28-7-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:02
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCII

FRINCHAS DA VIDA30.07.2018

VIVER OU EXISTIR - Óscar Wilde dizia: “Viver é a coisa mais rara e difícil do mundo, a maioria das pessoas apenas existe”

Por

canhot3.jpg António José CANHOTO...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna...

soba15.jpgAs escolhas de T´Chingange 

Óscar Wilde dizia: “Viver é a coisa mais rara e difícil do mundo, a maioria das pessoas apenas existe, Por sua vez o filósofo Francês Rene Descartes afirmava “Cogito Ergo Sum” que traduzido do latim significa “Se penso logo existo”. Esta máxima dá origem a duas situações distintas, há pessoas que existem porque pensam e há pessoas que apenas existem, mas cujas capacidades cognitivas são inexistentes, portanto na minha opinião é o que separa estes dois verbos.

oscar6.jpg Viver implica viajar, ler, evoluir, ter brilho nos olhos, sorriso nos lábios e emoções no coração, não se deixar escravizar por doutrinas ou ideologias, hábitos ou vícios, ter pensamento próprio e rejeitar tornar-se seguidista ou prosélito, enriquecer o seu património cultural, arriscar o certo pelo incerto, nunca desistir antes de começar qualquer projecto, parar de sonhar maldizendo sempre a sua má sorte queixando-se que a chuva, vento, neve ou granizo justificam o seu imobilismo, não ter coragem para quebrar rotinas, tornar-se religioso com medo da morte esquecendo-se de que estar vivo exige um esforço muito maior do que apenas respirar para existir.

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O segredo da existência humana não reside apenas em viver, mas saber-se para que se vive. Acho que a maior tristeza para quem não vive a vida é morrer-se vivo. Só há duas formas de viver, uma é revisitar o passado e vasculhar no baú das recordações, a outra é projectar o futuro planeando e sonhando. Viver e existir não andam de mãos dadas nem se encontram dentro dos mesmos parâmetros vivenciais, para existir basta respirar e estar vivo enquanto para viver é preciso pensar, reagir, ginasticar o corpo e a mente alimentando os nossos neurónios com problemas que os levem a cogitar e não viver hibernado.

araujo1.jpg Pensar permite-nos tomar opções, escolher caminhos, definir o nosso posicionamento e lugar no mundo, mantendo um distanciamento independente, saudável e periférico, sem filiações ou crenças em nada ou ninguém. Não é apenas por respirarmos que todos os seres humanos existem, há pessoas que nascem, vivem e morrem sem nunca terem sabido o que era viver, existiram como se tivessem nascido nado-mortos.

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Viver exige sangue, suor e lágrimas, implica aprender, e para ser aprendiz, é preciso humildade para reconhecer a própria ignorância. Viver implica educar-se, instruir-se e preparar-se o melhor possível para enfrentar a vida com sucesso em todos os aspectos com que somos diariamente confrontados. Precisamos de experimentar a angústia de saber-se iluminado sem nos sentirmos a luz do mundo, vivenciar as dores e venturas de sentir-se completo sem poder ser pleno.

ara3.jpgViver implica dinâmicas de movimento, e não há movimento sem esforço e atrito. Para existir, basta estar plantado como uma árvore, inerte, deixar que o nosso corpo se movimente automatizado, tipo robot. Para vivermos em toda a plenitude, é preciso que nos entreguemos, por inteiro, sem condicionalismos ou reticências. Para existir basta ter um coração que bombeie o sangue para as várias partes do corpo e isso tanto pode acontecer quando estamos no pleno uso das nossas faculdades ou em coma vegetativo.

Ilustrações de Cota Araújo Araújo

António J. Canhoto . 29-7-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:52
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Terça-feira, 17 de Julho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XC

FRINCHAS DA VIDA17.07.2018

- Angústias de modernidade… Na teoria do NADISMO…

Por

soba0.jpeg T´Chingange  – Na Quinta das Telheiras de Vila Real de Trás os Montes

Controlando minha missão de aguentar a austeridade disponho-me a gozar mais um dia de sol nesta beirada de piscina a ver lá longe os moinhos de vento no topo da serra e, as encostas de vinhedos que descem para o rio Douro, pinhais, urzes e medronheiros com pássaros a chilrear vida e, andorinhas vindas do Sul, das Áfricas que já foram parte dum Império, de meio mundo, das índias e Brasis, da Etiópia e dum mais além do Algarve sem falar na Tapurbana, lugar aonde não fui e, que nem sei bem aonde fica.

vacas voadoras.jpg Uma vez que estou aqui apetece-me falar da Nação que está cada vez mais na mesma mas, com os desejos dos governantes em movimento pelo que posso ler na imprensa. Olhando-se entre eles e também para o ar, apreciam suas proezas de geringonça que em verdade é o que se chama, um governo minoritário dum PS - Partido Socialista. Isso! Um PS que diz caminhar na convergência possível. Sim! Eles olham para a vaca voadora com o beneplácito do Presidente do M´puto que muito presente e beijoqueiro, a todos agrada.

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A todos vai dizendo que as coisas estão a ser apuradas e nós até podemos sentir o esturro de tanto apuro, tão sedentos que estamos de cheirar as verdades que o tempo fazem azedar. Isto encaixa perfeitamente na teoria do NADISMO que ando a laborar no meu cerebelo, meu templo sarapintado de velhice de tanta topetude.

vaca0.jpg Assunção Cristas vem-nos dizer que o estado da Nação é uma treta, aldrabice! Efectivamente nota-se que o milagre não tem as estrelinhas fosforescentes que normalmente deslumbram o consciente do cidadão. O estado de graça é jogado na sobrevivência e, dá para ver a degradação que vai por aí nos Serviços Públicos, na saúde, e de tanto emprego precário a fingir que quase estamos no pleno emprego; assim-assim, uma uva mijona de verão…

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Agora vêm descontar nas portagens; tomara! Desde o Algarve até aqui - Vila Real de Trás-os-Montes, mais ou menos uns quase 700 quilómetros paguei de tarifa-um, mais de trinta euros. Em Espanha andei em autovias iguais, muito mais do que o dobro sem pagar NADA. É este o Portugal práfrente que se diz termos. Mostram as sondagens que a grande maioria olha para o ar, assobia para o lado numa perspectiva de milagre em forma de VACA VOADORA. Dá para ver que este país está muito cheio de FANÁTICOS! Hó Cristo vem cá abaixo ver isto!

vazio1.JPG O PC – Partido Comunista, reclama em grandes pósteres que a Saúde anda doente, que é um direito e não um negócio; exige que esta tenha muitos mais profissionais. Ora eles que pertencem ao governo, vêm com esta demagogia brincar com a nossa inteligência como se o não fosse, do governo - uma UTOPIA! Até me atrevo a perguntar:- Quanto custa um daqueles pósteres colocados em todos os cruzamentos da estrada dos INDIOS chamada de EN125? A rua mais comprida e comprimida de toda a Europa – agora melhorada com milhares de pinos, um à vez e de cada vez …

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Sem pudor O PC- Partido Comunista, anda a mijar nas patas da VACA VODORA como se não fossem parte dela, da milagrosa! Exigem assim mais e mais despesa Pública gritando contra o montante da dívida como se uma coisa não decorresse da outra. Como são bons a instrumentalizar quem neles acredita, sempre vêm cortejar as gentes como se todos fossemos seus militantes! Hó gente madura, ide bugiar para a Mongólia de Cima.

vaca1.jpg Não demorará a colocarem pósteres gigante na RUA DOS ÍNDIOS a pedir ao Governo (a eles…) o cancelamento da dívida Pública à Europa, sem explicar como viveríamos depois. O Costa deve com isto, estar a aprender que a tal solução milagrosa era e é, apenas PROVISÓRIA. Lá terá de fazer olhinhos bonitos ao Rio do PSD - Partido Social Democrata, que já deu provas evidentes de ajudar a compor as suas caixinhas de surpresas e ambição. Como detesto estes políticos que para alcançar o poder até vendem a alma ao diabo! Serão todos ateus ou agnósticos? Fico-me só no PRÓGNOSTICO que, nem é carne nem peixe – é NADA!

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Dá para afirmar que a demagogia é uma coisa muito perigosa porque é uma forma de mentir, que a seu tempo alguém destapará da testa, o testo do caldeirão da sua própria memória; a não ser assim, lá terei de chamar de ignorância raiando a falta de pudor ou do nem querer saber nada disso. O Senhor Presidente Marcelo de quem muito prezo, vai ter de ser mais cauteloso e, não fazer olhinhos de carneiro mal morto às falhas do seu amigo da onça chamado de Costa que por um acaso é o nosso Primeiro-Ministro.

marcelo1.png Não lhe cairá bem, fazer olhinhos de complacência a um qualquer inqualificado politico magarefe que ao invés de nos servirem, se servem! Não foi para isso que nós os elegemos para o poleiro! Com muitas lacunas e tanta precaridade dá para se aprender que o caminho da convergência sempre tão esbugalhado, caminha para um beco. E, num sempre já agora, o que é que não funciona bem na justiça? Pois é Senhora VanDunem! Os arguidos andam a ser culpados na praça pública das redes sociais porque a demora é tal ou tanta que o povo ajuíza o finalmente; isto, sempre na espectativa de que a prescrição corre mais rápido que a decisão.

mess5.jpg Está mal! Estamos cansados de referirem este ou aqueles megaprocesso, de tanta demora, tanta revienga da justiça que no crucifixam, ao invés do presunto, presumível implicado. Neste presumível há a tendência para a culpa morrer solteiríssima da silva, dando azo ao enriquecimento ilícito, ao faz-de-conta com investigadores a se atafulharem nas mentiras, que tanto, mas tanto investigam gastando nosso dinheirinho para NADA! Andam nitidamente a surripiar-nos. Assim não brinco!

O Soba T´Chingange (O Soba é que sabe…)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:47
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Domingo, 15 de Julho de 2018
MUJIMBO . CVI

CICATRIZES DO TEMPO - NEUTRINOS

A UTOPIA DE ONTEM É A REALIDADE DE HOJE - 15.07.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange Na Quinta das Telheiras de Vila Real de Trás os Montes

Os físicos ficaram surpresos ao verificarem que os “Neutrinos não respeitam o limite de velocidade cósmica da luz” porque o resultado de suas experiências parece violar a previsão de Einstein de que nada pode viajar mais rápido que a luz. Essa ideia jaz no coração de sua teoria da relatividade especial – a base de grande parte de nossa tecnologia moderna e compreensão científica.

neutrinooo.jpg No ano passado, o Opera, um credenciado laboratório internacional mediu que os neutrinos faziam a viagem subterrânea de 730 km entre dois laboratórios de investigação mais rápido que a luz, chegando ao destino final 60 nanosegundos antes de um raio de luz. Cautelosos, afirmam hoje que a medição original possa ter sido errónea devido a um elemento defeituoso no sistema de cronometragem de fibra óptica do experimento.

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Começo a ficar preocupado com a minha futura viagem espacial até os confins dum buraco negro sem ter a certeza absoluta de poder cohabitar com os NEUTRINOS situados de forma simulada a quatro mil milhões de anos-luz no lugar deste infinito buraco.

roxo123.jpg As novas descobertas vêm de quatro experimentos que analisam feixes de neutrinos enviados do Laboratório Cern para o Nacional Gran Sasso do INFN, na Itália. Os quatro, incluindo o experimento por trás das primeiras suspeitas, de que os neutrinos são mais rápidos que a luz, chamado Opera, descobriram dessa vez que as partículas quase sem massa viajaram rápido, mas não tão rápido.

tonito15.jpg Uf! Fiquei um pouco mais tranquilo em saber que afinal posso com a mente concorrer com este olharapo do NEUTRINOS até prova em contrário. Os pesquisadores do Opera não tinham certeza em relação às possíveis explicações para resultados anómalos, então divulgaram suas descobertas para a comunidade de físicos, esperando que especialistas do mundo todo pudessem ajudá-los.

144.jpg Ando a tentar colaborar seguindo a teoria do NADISMO só mesmo para ver como é possível conceber a velocidade do pensamento para e a fim de apagar a luz do meu candeeiro só com a ordem telepática de abre-te sésamo e ou apaga-te sésamo.  Quero assim e a partir do NADA obter resultados surpreendentes de à boleia revolucionar  a física moderna.

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Com uma xícara de café fumegante, tento a maneira de enganar o tempo a fim de não sucumbir à solidão ao invés de passar o tempo em um passe-vite esgotando os nanosegundos dos meus obstinados e silenciosos e abismos. Roçar assim nas perspectivas ortorrômbicas para e, dali extrair ausentes sentimentos. No intuito de mostrar o que ninguém viu antes, despojo intuídas ideias preconcebidas no dito de que no já e agora, “só vemos o que queremos ver”.

neutrino0.jpg Comecei a averiguar obsessivamente os segredos de estado misturando a utopia e, entre grossas curiosidades sufoquei o meu espírito num estreito: conclui que muita gente inteligente não rouba por vício ou por necessidade mas pelo mau hábito de querer ser rico, dono da vaidade deles e senhor das alheias. É este o confuso laboratório da vida que passa ao lado de muitos sem terem a devida comiseração com eles mesmos (Compaixão por males alheios que sentimos como nossos).

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Segundo os dados do Google, o neutrino é uma partícula subatómica sem carga eléctrica e que interage com outras partículas apenas por meio da gravidade e da força nuclear fraca. É a segunda partícula mais abundante do Universo conhecido, depois do fóton e, interage com a matéria de forma extremamente débil (cerca de 65 bilhões de neutrinos atravessam cada centímetro quadrado da superfície da Terra voltada para o Sol a cada segundo) …

roxo146.jpg Embora preferisse uma guerra declarada aos meus obstinados silêncios trato com cortesia as reticências do meu envergonhado orgulho, erigindo uma muralha à volta de estabelecidos conceitos tidos como certos. Assim, no laboratório da vida deixo de lado minha personalidade para sonhar com um paraíso, humilho-me deliberadamente para driblar-me em golpes de liberdade; com recursos à imaginação, combato assim, o tédio das horas que sempre sobram.

Ilustraçõe de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:25
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Sábado, 30 de Junho de 2018
MONANGAMBA XLIX

O CARMO E A TRINDADE

 - A nossa própria estória não pode ser enganada – 30.06.2018

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

Na Luua, antes do último suspiro do Império Tuga surgiu uma corja de comunistas dum tal de MFA a desarmar os brancos e armar os pretos. Quando a independência chegou, os camaradas do MPLA não permitiram que um único português tivesse um lugar de destaque na sociedade da Luua. Num repente ficaram sem o direito de ser donos de uma empresa, donos de uma fazenda ou que continuassem a ocupar um emprego na administração pública.

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Sem mais nem menos, o MFA apoiava o MPLA sem ter, mãos neles. O MFA ajudou um movimento que sabia ir expulsar todos os portugueses de Angola, que os iriam aterrorizar, que os iriam confiscar, roubar seus bens, prender, interrogar e matar. De repente os laboriosos colonos, eram simplesmente: - inimigos! Isto fez algum sentido?

mfa2.jpg Da repressão proibitiva do regime anterior salazarento, passava-se sem mais nem menos para a bandalheira total com os excessos daqueles intitulados revolucionários de fingir, heróis saídos duma fábrica como assim de fazer bolas de trapo metidos em meias, para desenrascar como daquelas meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme?

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Uma bola é de caucho e a outra é de trambolhos saios da doença do cholé; ver guerreiros de fingir ensinados a espumar de raiva. Raiva para só se convencerem numa prova de coragem em suas empedernidas visões comunistas; solidificar suas empedernidas reputações de putos maus, putos contra o governo. Sim! Destes macacos de zuarte que fazem o mal para que os outros lhe confiram respeito. Infelizmente o que parecia ser era!

CHAIMITE1.jpg O processo de revolução em curso abreviado em PREC, como disse uma bola fazendo de nós cidadãos do Ultramar um novelo de trapos. Eram mesmo os monangambas no poder de decidir o que fazer para desfazer. Tento não me esquecer de nada - por vezes isso é bom mas, comigo há ocasiões que se tornam em tormento, tormentoso e, em que o titulo a dar ao texto foge do contexto, assim como um poema que só rima juntando alhos com bogalhos.

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Depois do ano setentaecinco do século passado, uma grande borracha histórica trabalhava, trabalhou e trabalha incessantemente para apagar a presença de Portugal e dos portugueses em terras de África. Foi o início da desfabricação dum tempo, formatando poços de incógnita de mandar borda fora os últimos portugas num inventado Ultramar.

25-1.jpg Os grandes borracheiros da praça do Império empenhando-se numa chamada saudável política de cooperação, desgarantiram estorno num firme propósito de fingir que afinal não vinham com uma mão à frente e outra atrás, decerto deveriam trazer uns feijanitos do Kafunfo a rebrilhar a escuridão da mala. Qual estorno? Quais vitimas!? Continuamos nesta…

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Entretanto atravessando o recolher obrigatório da Luua pouco antes da meia-noite o silêncio aquietava o intervalo das rajadas com tracejantes pintando o ar. Num repentemente tudo se aquietava no silêncio do medo como se fosse um mundo no além, uma cidade fantasma. Um claro enturvamento do olhar, entortamento das costas, encurvamento das sobrancelhas alteravam a cor das até então, firmes mãos.

eseves2.jpg O MFA alinhavado no pacote das boas intenções, perdera-se totalmente no controlo militar do M´Puto e do Ultramar deixando no deus-dará todos sem excepção com os três moimentos negros digladiando-se com a feracidade canina, selvagem sem ser capaz de deter os instintos destruidores. Aquele pacote de boas intenções foi revertido no financiamento das hostilidades.

refu2.jpg Genericamente os brancos tornavam-se nos maiores inimigos ferozes, no bombo das festas com fogo de tracejantes para acalmar os ânimos. E, entretanto o discurso mais directo eram o indiscreto descarregamento de fogo para o ar, caixotes de arma, paletes de cunhetes e perversões de guerra, operações de marqueting modernizado decorrendo com afinação milimétrica pelos agora heróis da descolonização. Uma cambada de generais urubus- Nossos heróis! …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:50
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Domingo, 24 de Junho de 2018
MALAMBAS . CCVII

TEMPO COM FRINCHAS  - 23.06.2018

-Sinto-me palhaço no particípio passado mas, vou fazer mais o quê, agora!…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

O ar está a mais de 30 graus, as cigarras algarvias riscam no ar sua permanente cantoria, quente e opressiva; as rolas gemem do cipreste num exercício de respiração flutuando-me no sufoco de antigos sonhos, de quando jovem. Vêem ao de cima os minúsculos insectos da alma com penosidades não esclarecidas naquele outro tempo. Ouço o trote de dois cavalos que batem ferraduras no asfalto, zumbidos de carros a unirem-se aos de meus ouvidos e latidos de cães que farejam estes nos quintais de seus donos.

eleutero4.jpg É a tarde que cai, gritos do café pelo golo do Brasil, no outro dia tinha sido o Portugal, os copos tilintam saudações, carros anunciando folguedos para a noite preta e branca no Scy Bar com o tributo oficial de Elton John. Às tantas só vai aparecer cosmopolita sem rugas, de óculos avermelhados em um poster grande, cantando canções velhas em um gramofone como a sé de Braga que toca o sino em gravação das aves-marias e, coisas conhecidas na balburdia de verão como que para assustarem diabos moiros sem sonhos cristãos

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Borrifados com vénias a Alá calções curtos esfarelados e rotos dando ares de alta-roda da moda ai estão os turistas avermelhados, falando francês de França, Salut, comment allez-vous, mon ami avant-hier? - Eh bien, merci! Queimados nas testas e pescoço muito carregado de grafitis ao jeito de tatuagens chanfradas sempre com os raios do microondas agarrados às orelhas.

sorte6.jpg E, elas, as moçoilas, cheirosas com vestes de suavidade, condições da atmosfera propicias prá noite, ao engate com risos pré-preparados e guinchos estereofónicos de engolir gorjeios de pintassilgo molhado em granizo de whisky ou água tónica e gim; de pestanas longas e escorridas em tinta preta reluzindo o latejar dum coração de leão ou hiena e, eu aqui macambuzio falando das fricções zumbidas falas de cumcamano, meu!

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Na descoberta de gestos novos e olhares reluzentes sem gestos de enfado ele pisca a estupidez falando inglês das maldivas: You look great! Do not you want this one? It gives a fucking mess ... Este, quer trepar a moça, pelos vistos - subir pela parede com uns pós xis-pê-tê-hó de ver o paraíso penumbrado de retoiçadas quenturas.

sorte5.jpg Trocando memórias comigo mesmo, de repente sinto que nem todos os turistas estão num paraíso como este e, eu aqui recordando os bailes de quintal na Maianga da Luua. Tá-se-bem aqui, sim senhor! Só ontem, noticiaram mais de trinta mortes numa praia do Xingrilá, um lugar distante de faz-de-conta. Tudo estava calmo quando num repente, um diabo saca de uma kalas AK 47 e dispara aleatoriamente para as gentes.

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Umas pessoas tomavam sol, outros, chá ou whisky, de repente surge a morte no meio de ingénuas vontades de viver a vida; ir até lá tão longe para se morrer, faz favor, se é pra morrer vou ficando por aqui… Pintados de islâmicos com a simples estratégia de matar vidas surge do nada o cheiro vermelho da morte metida nas memórias limpas que correm à frente da chuva preta.

sorte4.jpg Abanei a cabeça para afastar estas imagens que são só uma vaga, fragilidades ou forma de minha eternidade. Assim como uma pessoa que anda feliz da sua vidinha e, um belo dia numa consulta de rotina o médico diagnostica-lhe um cancro! Assim sem mais nem menos antes do último suspiro, melhor é mesmo nem ir ao médico e ficar a dar pontapés às circunstâncias chatas que ninguém controla.

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Melhor mesmo é ficar no espanto trocando memórias, bebendo chás, comendo biscoitos com cheiro de alecrim. Será que o anjo da verdade nos vai apareceu sem mais nem menos? Se houver uma mudança, ai Jesus, que o M´Puto não nos acode!? Por via de duvida uso um amuleto da sorte na forma duma nota de dólar com a cabeça grande de Washington. Podia ser até um santinho ou uma vagem envernizada de feijão maluco; serve para o efeito - um credo na ponta das falas ou só um cruz-credo.

cinzas8.jpg Sempre, sempre a mesma arrogância com um GPS muito cheio de funções com geringonça. Que se lixe – estamos a sair da crise! Quem fala não sabe; quem sabe não fala… E mesmo agora em última hora o Presidente do M´Puto Marcelo Rebelo de Sousa tem uma quebra de tensão e desmaia com o calor. Será que também anda com um amuleto de mãozinha fechada e uma meia-lua? Tomara que não seja nada!

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:18
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Domingo, 17 de Junho de 2018
MALAMBA . CCVI

TEMPO DE CINZAS. 17.06.2018

-Ser cleptomaníaco é ter a doença de fanar aquilo que não é seu, um jeito de gamar. A tecnologia do blockchain* é uma promessa de solução para todos os problemas ao criar o que se chama de “interventor de valor”.

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

A tecnologia mais impactante desta geração já chegou. Não se trata de uma inovação de big data ou inteligência artificial, robótica ou de armazenamento em nuvem. É isto, o blockchain ou tecnologia com moedas digitais, como o bitcoin. Este avanço tem o potencial de se transformar no modo de como se lida não só com o dinheiro e negócios mas e, também com o governo e a própria sociedade como um todo.

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A tecnologia do blockchain é uma promessa de solução para todos os problemas ao criar o que se chama de “interventor de valor”. Esta rede via internet é construída para transmitir e armazenar informações de NÃO VALORES (coisas)! O Facebook e outras redes de suporte motor na comunicação hodierna, pouco fazem para se mudar a maneira em como lidamos com o dinheiro, e de como fazemos um negócio.

bitcoin1.png Estas vias de comunicação, entre outros mais, usam seus servidores (nós-NODOS) por forma a poderem piratear com facilidade seus usuários. Estes motores de busca tais como o Sapo, Twiter, Facebook, Digg, Google, Windows, Bebo, MySpace entre outros, têm nesta prática, a maneira airosamente suave de cobrarem por nossos serviços; são intermediários que nos cobram este grande valor que lhes concedemos segundo regras deles.

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Falo por mim que tenho sido invadido em minha privacidade sem que me dêem no mínimo, garantias de estabilidade e stresse! O modelo de negócio do Google e os outros mencionados, é encurralar-nos como porcos em pocilga, controlarem-nos com seus padrões de interesse, colectarem nossos trabalhos de busca, pesquisa de informação, nossas estórias, mussendos, mokandas, missossos e coisas cabeludas para depois revendê-las. Eu tenho noção disto mas, porque sou cusca, deixo correr a película da vida…

araujo30.jpg Visto isto, a economia mundial cresce sim mas, muito pouca gente se beneficia disto! Nossos paradigmas estão por força destes controla eliminando dores fanáticas, paulatinamente, sendo alterados. A chegada deste blockchain a estes empreendedores, será da maior importância pois que eliminando intermediários aí sim, se criará uma verdadeira economia de compartilhamento sem os mega sabichões de SALGADOS E COMPANHIA que nos levam os pecúlios em falsos investimentos. Também ando a tentar fanatizar-me com esse tal de dinheiro virtual.

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Isso! O dinheiro invisível; para que não seja necessário manuseá-lo atascado de vírus e fungos que as notas-porcas, nojentas, transferem para mim, para todos, sem que se dê conta! Quero assim saber tudo sobre os bitcoins para não andar vai-não-vai, com a garganta, os olhos, os ouvidos e a pele numa irritante coceira. Ele, são vírus, bactérias e fungos nas estirpes mais medonhas. De mão-em-mão transportam a gripe, a enxaqueca, a rinite, as pintalgadelas carunchosas e as unhas encortiçadas com fungos dinossáuricos emporcalhados.

bitcoin2.jpg Usar dinheiro papel-moeda é a coisa mais nojenta que temos. É tempo de passarmos a outras vias de não lidar com a máquina da doença deste papel nauseabundo que nos leva aos tempos carunchosos e medievais. Estou farto de alimentar esta indústria da doença com impinges, flor-do-congo, o lupo, as bitacaia e minhocas perniciosas, a filária, os bichos barrizinhos brancos que penetram na vida trazendo a caspa e a morte!

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Pópilas! Coisas a nos percorrer, como se em vida, já fossemos coisa morrida. Pois está explicada a minha contravolta fanática nesta urgente mudança da vil moeda-papel. Bem! Tanto quanto sei o fanatismo é uma doença da mente que se transmite da mesma forma como a Varíola. E, assim pela ânsia exacerbada para alguns preconizo que a mudança deste paradigma mude nossas vidas sem a necessidade de a todo o momento correr ao médico, à farmácia aos corvos da nossa sociedade complicadíssima.

bitcoin5.png Em verdade, é um contágio mais propenso a afectar rebanhos ou manadas do que a eremitas. Agora que já ando tão cheio de mazelas, por via do dinheiro-papel de dar cobiça a tantos fanáticos propensos a enricar, quero efectivamente enveredar pelo anti calote, antidoto à praga de ladrões; usar nova ampulheta do tempo que a todos regule com estes tais de bitcoins.

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Quero assim, distinguir-me desta vidinha de vulgaridade, olhar com quantus a fantástica evolução para manipular as saudáveis regras da vida. Deixar de tossir malezas novas como o ébola, a catinga do deus-me-livre e o câncer, coisa ruim. Por circunstâncias que nem os governos querem controlar, é tempo de extinguir este velho e nojento estilo de vida sem dinheiro de passa-pulga e cacareja a galinha… Este estado do mais-ou-menos - juro que já não me agrada!

araujo160.jpg *Bitcoin é uma criptomoeda descentralizada, constituindo um sistema económico alternativo. Inicialmente apresentada em 2008 na lista de discussão The Cryptography Mailing por um programador ou grupo... (Wikipédia) - É considerada a primeira moeda digital mundial descentralizada, e responsável pelo ressurgimento do sistema bancário livre. Permite transacções financeiras sem intermediários, mas verificadas por todos usuários (nodos) da rede, que são gravadas em um banco de dados distribuídos, chamado de blockchain. Ando a consultar a teoria da incerteza para me meter a fundo no BLOCKCHAIN…

 O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:52
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Quinta-feira, 31 de Maio de 2018
MUGIMBO . CIX

CICATRIZES DO TEMPO – 31.05.2018

- Mito do Caminhoneiro - O Brasil é um caminhão sem motorista, descendo a ladeira... Cientistas Políticos - divirtam-se..

PorJorge Serrão - serrao@alertatotal.net

kimbo 0.jpg As escolhas T´Chingange via Alerta Total

O Movimento dos Caminhoneiros vai entrar para a História como um fenómeno de mobilização dos brasileiros contra a sacanagem praticada pelo regime de impostos do Estado-Ladrão brasileiro. É por isso que, apesar dos prejuízos económicos e dos transtornos individuais e colectivos, aquilo que a imprensa sacanamente chama de “greve” conquista um gigantesco apoio popular.

caminhon0.jpg Um vídeo do cantor Roberto Carlos, em um show, apoiando os caminhoneiros não é um mero acto oportunista de marketing. É a legitimação de um movimento que vai muito além dele mesmo e que tem tudo para derrubar um desgoverno que já caiu e finge que não sabe. O que acontece agora é um repique do vem acontecendo desde 2013, incluindo a combustão (nem tão espontânea) que “golpeou” a Dilma.

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Os ideólogos tradicionais foram atropelados pela realidade. Geralmente a serviço de partidos (sobretudo da “esquerda revolucionária”), os autoproclamados intelectuais orgânicos foram ultrapassados pelo pragmatismo da massa. No vácuo de “pensamentos” e ideologias que foram ultrapassadas pela evolução dos tempos, surgem movimentos populares legítimos e espontâneos.

caminhon5.png O “Caminhoneirismo” é uma destas novidades que mistura mais emoção que razão, mais pragmatismo que academicismo. A figura lírica do caminhoneiro desperta no coração dos brasileiros um alento de esperança. O motorista parado e mobilizada via Internet passa por cima das manipulações de sindicalistas. Os brasileiros os enxergam como “heróis” que enfrentam um governo corrupto e incompetente.

caminhon1.jpg Se faltou combustível caríssimo na bomba do posto, sobrou combustível para incendiar a opinião pública. O Movimento dos Caminhoneiros conseguiu popularizar, ainda mais, a “tese” da “Intervenção Militar Directa” – que incomoda 11 entre 10 oficiais-generais das Forças Armadas e que também apavora os controladores mediáticos e a esquerda que não consegue entender o que realmente acontece no Brasil. Tanto que nem deu certo – e nem podia dar – a infeliz ideia do governo botar os militares para reprimirem os “grevistas”...

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No momento, o único perigo é o caos gerado. Oportunistas revolucionários já promovem acções de terrorismo. Cedinho, em São Paulo, “colocaram” fogo em pneus na rodovia Raposo Tavares, no sentido da capital. Certamente, o acto criminoso não foi praticado por caminhoneiros. Esta táctica de terror é geralmente adoptada pela extrema-esquerda, tipo MST, MTST e porra-loucas afins. Sabotagens assim são previsíveis... O objectivo táctico é gerar medo na população...

caminhon3.jpg O governo apostou conforme o previsto nos paliativos. Determinou um desconto de R$ 0,46 centavos do gasóleo por 60 dias. A promessa é reduzir em R$ 0,11 o PIS/Cofins e R$ 0,05 a Cide do gasóleo. Depois, haverá reajustes mensais. Também foi determinada a isenção da gratuidade n a portagem (pedágio) para caminhões com eixo elevado. Michel Temer fez um pronunciamento na TV para anunciar as principais medidas. A reacção popular foi na base dos panelaços em várias cidades.

brasil2.jpg Importante é que as pessoas percebam que tudo que acontece agora é apenas o prenúncio da mais grave crise nunca antes vista na História desse País. Já estão em andamento (com ou sem combustível) os indicativos do caos no presente de um futuro cada vez próximo... O Brasil é um caminhão sem motorista, descendo a ladeira nas barrocas (banguela)... 

Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Relator: T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:02
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2018
MOKANDA DO BRASIL . X

ANDO ENKAFIFADO – 17.05.2018

Crime politico? Em nenhum regime democrático deste planeta existe isto, ou deveria existir!…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

O Brasil não tem a menor hipótese de ser confundido com um país sério. Tem um tal de “FP - Foro Privilegiado” que protege nada menos do que 55000 pessoas em todo o Brasil; e, não se limita só a políticos. É assim impossível pensar num país sério, na qual existam tantos cidadãos que têm uma licença virtual de cometer crimes, pois o tal de FP, na vida real, torna praticamente impunes os criminosos que contam com esse privilégio.

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Já o presidente Charles de Gaulle dizia há muitos anos atrás que o Brasil não era país para ser tomado a sério. Nunca aconteceu em nenhuma democracia do Mundo, em qualquer época um caso de político que tenha sido preso por fazer política. Nem se vai ouvir dizer isto porque, numa democracia, a actividade política é livre; a menos que tenha a ficha suja! 

beldr7.jpg Nenhum político precisa de FP ou “IP - Imunidade Parlamentar” para se proteger de qualquer tipo de perseguição quando está no exercício legítimo de seus direitos e funções. A lógica certa é a de ser processado como todos os demais cidadãos, se roubar o cofre do governo, dar um tiro num qualquer sem-eira-nem-beira ou camelô do bairro.

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Agora crime politico, isso não existe! Existe sim é o crime apontado num Código Penal, e quando alguém comete um crime, tem de responder por ele na justiça comum. Tanto faz que seja deputado, governador ou astronauta. Sendo acusado de um acto criminoso, que arrume um advogado e se defenda. Se nada disto sucede de proibido nas leis penais, não é necessária qualquer imunidade.

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Qualquer pé-de-chinelo, Joaquim ou Manel, entende isso num instante! Só não entende isto os políticos, alguns intelectuais adstritos e, que aparecem na imprensa ensinando como funciona o Mundo. Em verdade não querem entender. O que eles querem, isso sim, é impedir que os homens públicos corram o risco de ir para a cadeia. Falo do Brasil, mas em Portugal é a mesma vrgonha…

brasil5.jpg E, as anomalias sucedem não apenas por corrupção, como é normal esperar dum novo individuo que através dum partido-gang entra na vida política mas, por qualquer crime já concebido e praticado pelo ser humano e, desde que Caim matou Abel com um pontapé nos tomates!

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Neste cardume prodigioso de imunitários entram o Presidente, todos os ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas, governadores, senadores, deputados, prefeitos e os ministros dos “tribunais superiores“ como o STF (Supremo Tribunal Federal) ou o STJ (Supremo Tribunal de Justiça). E, até os concelheiros dos tribunais de contas, procuradores federais e estatais ou desembargadores…

brasil2.jpg - Enfim, é mesmo um milagre que não tenham enfiado aí os juízes e bandeirinhas de futebol. Em lugar nenhum está dito que há dois tipos de roubo – o cometido por um qualquer meu vizinho ou o cometido por um desses 55000 portadores de “Foro privilegiado”. Crime é crime! Não há crime político, ou há!? Pode até ser daí derivado mas, uma coisa é uma coisa e outra coisa é uma outra coisa, certo!

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Ando por aqui encafifado com as “últimas instâncias”- “segundas e terceiras instâncias“ e, agora para cúmulo, surgem os “embargos de declaração” mais os “embargos infringentes”. Se o senador, deputado ou desembargador praticar algum crime, deveria ter de percorrer os trâmites da justiça comuns a todos os outros. Deveria!?

garças7.jpg Vão ter de ser indiciados, proceder ao inquérito policial, denunciados, julgados e punidos. Tudo o mais, o povo não vai entender. Ou as leis, são feitas para os senhores juízes mostrarem sua sapiência enrolando os demais numa conversa de não acabar nunca! Conversa de faz-de-conta em língua da patagónia ou Conchinha de  baixo, que ninguém entende patavina.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:23
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2018
KALUNGA III

MOKANDAS XINGUILADAS

– A VIDA É UMA MÁSCARA – 07.05.2018

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.  Foi assim que cheguei a Guernica...

Por

soba15.jpg T´ChingangeDesde o Nordeste brasileiro

Xinguilado assim, qualquer um de nós pode ser qualquer outra coisa mas, quando é então que nossos comportamentos transvazam a fronteira da vida em uma excêntrica mentira? Porque há quem nunca mate a criança que existe dentro de si e, que por vezes rompe seu equilíbrio de propósito sem um qualquer filtro ou sem se aperceber.

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Se me raparem as sobrancelhas com o pretexto de extinguir a caspa, minha cabeça pode muito bem transformar-se numa espécie de volume branco de manequim, aonde sobre esta, se pode pintar uma qualquer outra figura que não a minha.

picasso0.jpg Vamos supor que me quero xinguilar na pessoa de Picasso. Este não viveu para ver os tempos em que certas celebridades se valem de plásticas e botox para transformar seu rosto em máscaras supostamente à prova do tempo. Posso lembrar seu cabelo lambido de brilhantina para mal disfarçar sua calvície com feições endurecidamente acastanhadas.

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Posso alisar seus cabelos untosos ao jeito de malandro lá dos finais de 1930, um boi sagrado com sua inebriada e sagrada figura mudando de mulher como quem muda de camisa, puteando as madames de fina estirpe e, sempre nessa sua estrema segurança que no tempo se transparecem de arrogância ou egoísmo.

picasso01.jpg Fazer delas beldades distorcidas um pouco à imagem de gente bonita que pela vaidade se torna hoje em beiçuda, mamuda ou bolachuda na cara, no cú ou nas mamas atrofiando o bom senso, só pelo facto de querer ser o que não é. Picasso nasceu em Málaga, tornando-se um homem complicado.

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Desafiador, tornou-se um génio, um monstro da arte e um homem complicado. Atraía as mulheres de forma irresistível para a sua especial órbitra e, como um vampiro que necessita de sangue fresco, tudo torce, esquarteja. Suas belas mulheres saiam quebradas, com um olho no sítio e outro no cocuruto da cabeça.

picasso3.jpg Rompendo seu equilíbrio e a propósito, desvirtuava-se como um defeito de sua própria vida pessoal. Aliou-se aos nazis durante a segunda guerra e acusado de oportunista e, alienado, ele quis demonstrar ao seu jeito que só era alguma coisa no meio disto.

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Como artista degenerado e assistindo ao ataque de Guernica quis dizer, talvez mostrar ao mundo que ele era simplesmente um mal incompreendido estroina. Como disse, ele não tinha filtros, se não queria, simplesmente repelia com um vai-te embora! Nesse, não gosto mais de você, acabou por ficar com um único amigo - seu barbeiro.

picasso2.jpg Quando seu amigo e poeta Max Jacob, judeu e homossexual foi preso pelos nazis, Picasso negou-se a assinar sua libertação. Não assinou aquele abaixo-assinado pela libertação dele, alegando que sua própria liberdade era um símbolo de resistência e seria por isso ameaçado caso assinasse aquilo. Este génio difícil por via disto - digo eu! Legou-nos esse tal quadro de Guernica.

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:54
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Domingo, 15 de Abril de 2018
CAZUMBI . XXXVII

MIAI –BRASL : COMO SINTO O MUNDO - I  -12.04.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Relembrando o livro de “Como vejo o Mundo” da autoria de Albert Einstein também me revejo nos limites da minha existência sem ignorar o pressentimento de que estou nesta terra convicto de que, como eu, haverá milhões de seres! Recordando uma máxima de Schopenhawer, também direi que o homem pode, é certo, fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.

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Hoje diante do espectáculo d impunidades, a justiça deixa-me apreensivo, taciturno e mal-humorado. No tempo aprende-se a tolerar muito daquilo que nos faz sofrer melhorando por aí meu sentimento de responsabilidade. Pois é… A humanidade cada vez mais se apaixona por devaneios irrisórios, futilidades sem ideal entretenimentos absurdos com indevida apropriação de glória, de luxo, riqueza ou até desvio em sua condição natural de vida.

ROXO164.jpg Integro-me sob protesto e muita dificuldade aos desmandos governamentais, na falta de ética e justiça justa. Também meu coração diante de tantas anomalias, experimento um quase descomprometimento com a sociedade por via deste, laços de estranheza; coisas que se agravam a contragosto com o distanciamento da idade.

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Por vias travessas e atravessadas, não me sinto ligado ao Estado, ao “orgulho gay”, nem tampouco à pátria; coisas que se me apegaram á lucidez sem resguardar fronteiras, embora convicto que não é este o perfeito ideal. Serei assim cidadão do Mundo! Sei o quanto necessito de comunicar em harmonia com outras gentes e, mesmo havendo uma ou outra clareira de desilusão sei o que não sou: “comunista”. Quem não gostar, passe de lado…

ROXO163.jpg Perco deste jeito minha inocência ou ingenuidade, formulando-me em novas opiniões, minha dependência. E, porque testei o homem e a sociedade, nem sempre firmo uma opinião ou um julgamento fazendo disto um hábito inconsistente. E, tudo, porque as massas, o grande público, as gentes do bairro, do prédio, cidade ou país, continuam arrastados por uma dança de insalubre imbecilidade ou embrutecimento.

Roxo155.jpg Um Big Brother – meu irmão! Se alguém não pode ou não quer experimentar esta sensação, não pode mais experimentar o espanto ou surpresa. Ou eu brinco com o acaso ou será ele a brincar comigo…

Ilustrações: Pintura digitar de Assunção Roxo

(Continua…)

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:11
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Domingo, 4 de Março de 2018
XICULULU . CVII

TEMPOS QUENTES – 04.03.2018

- Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo… Um dia no M´Puto encontrei uma pedra-de-raio; uma pedra portadora de superstições vindas do tempo neolítico…

Por

soba15.jpg T´Chingange

Muito depois dos Etruscos, Plínio, um antigo escriba romano, comungava da crença de que a pedra polida tinha alguma cousa divina afirmando que elas caíam do céu com os raios das chuvas.  Isto embrulhou-se-me no pensamento até os dias de hoje. Tenho uma pedra destas desde ano de 1983 e apanhada exactamente sete anos, sete meses e sete dias depois de sair da guerra do tundamunjila da Luua de Angola.

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Está na minha sala da casa do M´Puto do Algarve, bem ao lado duma trilobite petrificada que troquei por um kispo em Tetouan, uma terra situada no Atlas do Norte de Marrocos, não muito longe de Marraquexe. As superstições dominam muitas mentes sem se saber ao certo suas proveniências.

etruscos0.jpg São legados de subconsciente sem se saber ao certo se saíram de cristãos, judeus ou mouros. Fiquem a saber que ainda hoje são estas pedras denominadas línguas de S. Paulo; pedras de sílex, lisas e em forma de ponta de flecha.

etruscos2.jpg Diz a lenda que quando um camponês romano encontrasse uma dessas pedras, se ajoelharia de imediato e que, com toda a devoção, a apanharia não com a mão mas com a língua e, depois a colocasse no lugar mais respeitoso de sua casa para a preservar dos raios da chuva.

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Eu não fiz isto naquele ano de 1983, sete anos, sete meses e sete dias depois de chegar a terras de M´Puto e no lugar de Vale de Lousas. Estava ainda por saber por desconhecimento da tradição com lenda. Creio que foi a partir deste dia que se deu início à minha própria lenda - Março de 1983!

etruscos01.jpg E, porque a tradição manda, assim procedi! Sem a lamber, resguardei-a do mau-olhado da trivial onda xicululu e da comum avareza das gentes, entre outras que tais, sabendo de antemão e até antepé, estar a singularidade das coisas impregnada de ruins olfactos; mesmo estando assim como esta, uma pedra gasta e na forma de um raio-que-parta.

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Quantas mãos não teriam já manipulado esta, agora meu património, assim fosse para matar e cortar coelhos, cortar línguas e narizes e até sacrifícios nesses antigos tempos dos Etruscos, nossos primos afastadíssimos do tempo neolítico. Do tempo do Ferro, do cobre ou do bronze. O progresso com novas descobertas relegam estes instrumentos para as prateleiras de caves escuras e solitárias.

etrusco4.jpg O desprezo mofou-as mesmo sendo naquele então um artefacto com tecnologia de ponta. No meu jeito de ver, sinto que tenho o dever de a agraciar porque, depois duma abrilada peçonhenta na mistura duma guerra de tundamunjila (Ponte da LuaLix sem retorno, nem estorno – Angola / M´puto) só me resta esta postura erecta. Não há forças que destruam lendas…

etruscos1.jpg Talvez daí venha o termo “um raio que os parta”. Por vezes fico esgravatando meus neurónios, ponho as mãos na testa como um pensador e, o curioso, quando esta tapo, sempre vejo uma bola roxa no centro esbatendo-se na amplitude dos diâmetros sem bordas, o mesmo dizer sem fim. Foi assim na meditação profunda que recebi o legado de como matar lacraus e cobras… Isto ficará para outro xicululu…

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:45
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Sexta-feira, 2 de Março de 2018
MOAMBA . XVII

PENSAMENTOS ESPECULATIVOS - Bingo! O mundo está diferente; bem-vindo a uma nova era…

Por

soba15.jpg T´Chingange

O género humano está fabricado em conceitos fictícios e, por via disso poder dizer-se que somos “uma soma de aspas (“…..”) – São raros os espíritos com suficiente domínio de si mesmo para verem as fraquezas e loucuras de seus contemporâneos sem cair nas mesmas armadilhas.

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As armadilhas de sempre, aonde as ilusões parecem também perder a esperança da melhoria moral; isto, porque também aprendem a conhecer a dureza dos humanos que no tempo viram pedras (uma estátua) a recordar o que eram, isto e aquilo, atascando bibliotecas com sapiência.

pedras0.jpg Leis de acórdãos, despachos e outras regram estabelecidas por posturas e assinaturas. E, somente a uns quantos, quase poucos, é dado um estado de graça. Assim sendo, a nós -“aspas espirituais”, corresponder-nos-ão uma desordem de opiniões filosóficas que nos baralham nas intensões.   

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Filosofias que desordenam os neurónios com “aspas inimagináveis”. E, porque somos setenta e cinco por cento feitos de água, resta-nos o pó dos restantes vinte e cinco por cento menos uns doze gramas correspondentes à alma que se volatizará no espaço. Isto está comprovado cientificamente: depois de fazer uafa (morte) o peso fica com menos doze gramas.

pedras00.jpg Pode observar-se que para um filósofo clássico estas aspas são manuseadas para indicar o conceito fictício das coisas, apesar das críticas supostamente refutadas. E, porque sem esta ilusão, não será possível haver pensamento filosófico tal como não se pode fazer migas de bacalhau com carapau.

 

A mesma água que nos molha quando liquido, pode matar-nos no descuido ou quando sólida. Nunca ninguém contou a experiência de esmagamento com 1/2 tonelada de gelo porque deverá ser difícil sobreviver antes de se sublimar.

vacas voadoras.jpg Pode até usar de um realismo ingénuo que segundo o qual os objectos “são” a pura verdade dos sentidos. Nesta linha de pensamento e numa forma real lá seguiremos a doutrina de que as coisas objecto são assim como o que parecem ser ou seja, a água pura é incolor, não tem cheiro nem sabor. Em verdade, a erva verde é verde, o gelo é frio e as pedras são rijas.

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Não queiram então sentir o efeito real e físico de se abraçar a uma pedra porque ela é dura… A ciência parece estar em contradição consigo mesma porque assim sendo é extremamente verdadeira para se falar de subjectividade e relatividade.

regua.jpg Não há razão alguma para impor qualquer coisa entre o objecto e o acto de isolando na relação entre o objecto e a problemática da tese “ a existência das coisas”. Se complicarmos isto por ora entendível entraremos num campo de “metafisica”. Neste final de crónica, ao calor das pedras, sublime-se na ideia dum leitor coerente: “ quem é este coitado?” - Pois! Eis-me “entre aspas”…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:46
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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXVIII

ANGOLA DA LUUA XXXVIII - TEMPOS PARA ESQUECER – 27.02.2018

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA

Angola - 43 anos depois. Um tal de Capitão Macedo perguntou ao Alto-comissário Leonel Cardoso se podia entregar ao CPA do MPLA o armamento dos paióis do Grafanil? Pode sim! Respondeu o Almirante, mas sem as culatras retorquiu!

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Nestas mokandas, quando analiso mais atentamente os mestres da política do M´Puto no após abrilada de 1974, duvido intensamente do sentido profundo da sua actividade porque não o foi com elevação! Não tendo a menor hesitação em chamá-los de mercenários, uns regredidos ao primário ser de vendilhões. As memórias desse então, não fazem crer agora passados 44 anos o poder propiciatório dessas suas urdidas façanhas de criação. Eles queriam uma coisa mas surgiu um monstro! Era sua intenção não o ser assim (dizem agora) - mas foi!

selo13.jpg E, tudo fica num suave esquecimento como coisa que deu pró torto e, retirando até poder ao sentido mais forte da palavra traidor. É necessário a isto, dever-se adquirir um sentimento de senso prático daquilo que vale a pena ser compreendido: a independência de Angola era um desejo da maioria que de quem de lá saiu; mas, não desta forma.

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Aqueles políticos deveriam saber que isto era verdade mas tudo ficou numa merda de jogo político como se nós (leia-se retornados) fossemos as pedras dum tabuleiro de xadrez. As pedras brancas, diga-se… Para Carlucci, o diplomático americano, a questão fulcral era: saber se Portugal continuaria a permitir a expansão do MPLA no propósito de lhe entregar o poder? A resposta estava de caras: claro que sim! Tudo o mais não interessava. Os americanos só viam o petróleo de Cabinda; a viragem ia ser feita. Uns cá, outros lá.

selos01.jpg Das NT (Nossas Tropas) só restavam em fins de Setembro unidades em Cabinda, Luanda, Lobito, Nova Lisboa e Sá da Bandeira já com limitadíssimas capacidades. Agostinho Neto de forma descarada mostrou o desejo de em fins de Setembro ter as FAP (Forças Armadas Portuguesas) desarmadas em Luanda. Já dizia abertamente que a independência não se dá, arranca-se!…Um descaramento torpe vindo dum sofrível poeta de tasca ou uma descarada afronta aos seus amigos abrilistas; os tais político-militares de túji do MFA…  

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Neto dizia que ele, o MPLA asseguraria o controlo de Luanda com a segurança ao palácio da cidade alta da Luua, bairros dos ministros e do Saneamento. Nem pensem nisso! Foi a resposta do CCPA na pessoa de Leonel Cardoso. Era óbvio que queriam o absoluto comando de Luanda e o controlo do Comandante-Chefe. Esta proposta estava fora de questão, foi segundo as contingências, a resposta mais plausível do Comandante-Chefe.

selos1.jpg A preocupação de Neto, o sofrível poeta, era o que Leonel Cardoso tinha dito à imprensa estrangeira: a de que Portugal admitia recorrer à ONU porque continuava a reconhecer legitimidade aos três movimentos. Quem sabe se isto não teria sido melhor para Angola? Não para Neto, claro! Também aqui o Alto-comissário fazia bluff pois que nada mais lhe restava do que jogar desta forma, como se tudo fosse um jogo de King ou poker.

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Astucia com astucia, falácia com falácia! Portugal não aceitaria uma unilateral proclamação de independência e, nem a ONU ou a OUA iriam aceitar! Neto hiena, pensou melhor, consultou seus parceiros de copos do M´Puto e recuou a contragosto! Preferiu fazer de cabra cega e berrar como uma cabra doida aos seus pares de imortais e outros que tais.

selos3.jpg Para demover qualquer outra tentativa de poder, Agostinho Neto, disse não admitir qualquer entendimento com a UNITA. Constava-se em muxoxos de revolução capianguista que havia sugestões dos heróis de aviário do m´Puto para coligar-se com a UNITA para facilitar os expedientes e, dar uma visão moderada ao mundo. Neto, o sofrível poeta cachaceiro de então e líder do glorioso MPLA, com desfaçatez, sugeriu ao Alto-Comissário entregar o poder só ao MPLA.  A golpada possível do MPLA foi assim, protelada.

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Acabaram por achar melhor continuar a dar uns tiros para o ar ao jeito de fogo-de-artifício de amedrontar, umas rastejantes a pintar o céu da Luua e deixar a declaração de independência para a data aprazada, o 11 de Novembro. Tudo isto depois da largada do último reduto das NT; com a bandeira embrulhada no sovaco dum qualquer militar. Para descaramento torpe, Neto, o futuro presidente, lastimava-se do estado degradado em como eram entregues as instalações militares da Luua. Era mesmo muita cara-de-pau; muita lata!

selos8.jpg Em dado momento de bandalheira, um tal de Capitão Macedo do M´Puto, perguntou ao Alto-comissário Leonel Cardoso se podia entregar ao CPA do MPLA o armamento dos paióis do Grafanil? Pode sim! Respondeu o Almirante, mas sem as culatras, retorquiu! As culatras foram mandadas retirar ficando na Fortaleza de São Miguel para evitar qualquer dissabor. Não sei se este capitão de túji veio a receber alguma medalha de mérito; Nada me admira para revolta de tantos que como eu, foram picados até ao tutano na indignação…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:42
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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2018
XICULULU . CVI

TEMPOS QUENTES – 26.02.2018

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Os homens coçam preguiça debaixo de uma acácia, cortam a mata para fazer lenha, caçam e cuidam do gado mas… sempre há uns mais iguais que outros…

Por

soba15.jpg T´Chingange No Nordeste brasileiro

Pregar o evangelho deve ser bem mais fácil do que vivê-lo; tenho deparado na vida com gente que não faz o que diz! Todos os dias lêem o livro sagrado pois então – e, não é acidentalmente que assim procedem, daí tirando proveito. Gente que se diz estar dentro dos desígnios de Deus mas, que na prática, santificam acima de tudo o dinheiro.

mercedes.jpg  Talvez por isso, tenha levado o mwata Mahatma Gandhi a dizer um dia que gostava de Cristo mas não gostava dos cristãos! Ele disse: Vocês cristãos são tão diferentes de Cristo! Palavras duras de ouvir e que revelam a verdade de que muitas pessoas só o seguem para tirar proveito.

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E, assim a vida neste sofisma, leva muitos a se considerarem agnósticos; e porque somos uma ilusão não temos tempo suficiente para levarmos a análise ao fim na união dos preceitos e do tudo que somamos nas reflexões de todos os dias. Acidentalmente em um dia, sou cristão, e num outro, já não sou o que digo ser ou não o sou tanto…

dia89.jpg  As transacções da vida, porque vejo e reflicto, não me surgem com o mesmo aroma da presença de Deus, de que tanto ouço falar com veemência, aos outros. Gosto de fazer amigos, ter experiencia salutar, de dar risadas, boas conversas, boas comidas e oportunidade de partilhar com pessoas de empatia e que conhecem o saber ou o sabor da generosidade.

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Não sei se você que me lê já encontrou sua maneira de ser generoso o quanto baste; acho até que se o quiser, não lhe faltarão oportunidades para o demonstrar. Posto isto, espero que Deus se surpreenda comigo e até me mande um recado pelo Watsap ou o e-mail usando uma das senhas que miraculosamente regatei do espaço: PLUTÃO.

dia123.jpg Ou ainda uma outra que achei no baú esquecido da Luua: CALUVIAVIRI. Nada será suficiente para frustrar os planos da pólvora divina e do cepticismo. É o meu jeito extraordinário de me animar mas em verdade, em verdade vos digo que quando me faltam recursos de força e coragem a Ele, me submeto! Não me quero mentir! Coisas do subconsciente…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:47
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Sexta-feira, 2 de Fevereiro de 2018
XICULULU . CV

TEMPOS QUENTES – 02.02.2018

- E, nós aqui a trabalharmos como uns moiros para tapar as lacunas que, os impostos nos vão impingindo no corpo com se fora energia exogénica…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Como diz a sombra esquerda de Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó; é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente da memória. O sol, o ar, a água, e a terra, têm de ser considerados permanentemente parte de nós. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo, como um veneno mortal.

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O sol é a verdadeira fonte da vida e, ao invés do que alguns conceituados doutorados dizem, ele não é prejudicial; não é o sol que provoca o câncer de pele mas sim os muitos venenos que ingerimos sendo queimados ao serem expelidos para ela. Ando a ficar mouco e até estrábico de olhar para a televisão a ouvir e ver coisas que não pensava; isto é mesmo uma teoria de conflitos que só sairá com cromoterapia e acupunctura. Ontem espetei um pico no dedão do p e ali ficou a fazer-me a cura…

justiça1.jpg A terra na forma de argila é um laboratório de vida porque purifica, regenera e dá energia. Repito:  corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo como um veneno mortal. Teremos por isso de nos fixarmos na fé, sem aquela inquietude de afligir o próximo, ou ficar nesse estranho silêncio, uma forma de ver o princípio do nada, esperando as mudanças no tempo e suas modas adaptando-nos ao luto de preto, que em tempo idos foi branco.

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E, porque se diz que a justiça é cega e surda, pelo que se sabe também anda meia calçada e meia descalça para fingir que agrada a humildes descamisados e ricos encoirados. Mas, pelo sim pelo não, usamos amuletos da sorte para nos enganarmos nas figas, no corno, na meia-lua, na estrela de David penduradas ao pescoço ou uma ferradura velha de burro ou cavalo.

justiça2.jpg O místico junta-se com a Cruz e o Cristo numa caixa, asfixiando-O o tempo todo e, sempre picado em sua coroa de medonhos espinhos com um credo na ponta das falas, um cruz e credo com interrogação e exclamação juntas. Pelo sim e pelo não, também tenho uma ferradura de burro manco pendurada por detrás da porta da dispensa mas estou em crer que deveria estar bem á mostra por via do mau-olhado, esse tal de xicululu ou olho gordo.

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Com esta onda de crimes de colarinho branco, rusgas e detecção de contas surpreendentes para um M´Puto que se diz o mais seguro dos países no Mundo, ficamos na duvida de que a lei se cumpra em plenitude, uma vez que são os julgadores juízes que agora estão a ser julgados. Por enquanto só são arguidos mas, já sabemos que andou por ali mãozinhas estranhas a depositar às mijinhas parcelas de somar milhões.

justiça3.jpg E, se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado e, embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não olhar para nós; teremos por isso de nos fixarmos na fé, sem aquela inquietude de afligir o próximo.

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Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo num faz de conta de etnólogo e entre outros afins descubro pegadas, cheiros encarquilhados misturados com suor de catinga de desporto na densidade molecular dos anos na leitura de carbono, com indícios de que afinal a coisa vem de longe e,  com edecéteras complicadíssimos. E, nós aqui a trabalharmos como uns moiros para tapar as lacunas que os impostos nos vão impingindo o corpo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:57
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Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018
MALAMBAS . CXCIV

A CHUVA E O BOM TEMPO - 31.01.2018

- Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade num mundo exótico …

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Falando de pessoas, se o passado para alguns surge falso e é coisa de se esquecer, o futuro de hoje parece ser uma mentira. E, se a esperança está no futuro, direi que virá muito cheia de medos esquizofrénicos com o terror de se ser comido por um semelhante. É esta a lei da vida? Lá terá de ser!

ant4.jpg Numa metafórica visão rocambolesca, tento reeducar-me de modo a não ferir susceptibilidades reduzindo-me a um infra numerário, numa passividade contemplativa do quanto baste e, no estritamente necessário; sem me tornar em uma múmia de sempre dizer sim, e nem lá vou nem faço nada, ou então, que seja o que Deus quiser.

sacag4.jpg Tem muita gente assim que manda tudo para o Nosso Senhor como se Ele não tivesse mais nada para fazer; Graças a Deus que o Benfica ganhou! Mas que é isto!? Nem procuram saber se Ele é do Benfica ou do Belenenses. Desta vez lixaram-se porque no último minuto veio o empate!

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Vejo assim a arte das coisas como um meio de transmiti-las, sem me inibir nem renunciar por completo dos principios e regras estabelecidas. Por vezes não consigo ter o bom senso necessário e destapo a tampa recorrendo à literatura que, é ainda um bom meio de se alcançar a reinventacão na transmissão de princípios da luta pela renovação na sociedade.

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Todos nos encontramos mergulhados na banalidade quotidiana dos gestos e das frases repetindo aquelas ansiosas falas de todos os tempos e, de todos os lugares. O Mundo está uma ervilha! E falam, falam pelos cotovelos. Assentes numa mesa quadrada todos explicam assuntos bicudos, periclitantes.

moita2.jpg É a cultura da televisão com cento e cinquenta canais sem contar os desportivos. E, com tudo simples e anti-heróico clico no botão das minhas benevolências: Que é isto!? Falam das mamonas assassinas! Clico de novo: Dormiste bem? Amor, queres que te faça um chá? Uma torrada com doce de pitanga?

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Numa vida a dois, clico nos três das notícias, é ali que desperta a zona franca da memória. A operação XIZ resultou na prisão de três presumíveis implicados, um presidente de um clube, um juiz de instância superior e um deputado da nação! Os presumíveis implicados têm cadastro já do tempo da outra senhora e, repetem, repetem e, eu mudo de zona…

144.jpg A minha zona franca está a ficar um porto inseguro! Respira-se por fim um ar tranquilo com o computador a dizer: esperam-se aguaceiros na sua zona – leve o guarda-chuva porque pode molhar-se! O vento sopra frio do lado do mar. Uma luz sobre a realidade; este computador anda a comer-me os às…  

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:11
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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018
XICULULU . CIV

TEMPOS QUENTES – 30.01.2018

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Há mulheres e há gajas com vestidos às tiras e, sem cuecas…

soba k.jpgAs escolhas do Soba T´Chingange

Por: Cristina Miranda

Há por detrás desta onda de indignação de certas mulheres uma hipocrisia monumental. Se por um lado se queixam do assédio sexual por parte dos homens, do outro exibem-se praticamente nuas apelando aos instintos reprodutores dos machos. Não me venham dizer que o fazem de forma ingénua só por “gostarem” da indumentária ou para se “sentirem bonitas”. Balelas!

modas2.jpg Mulher que é mulher com “M” grande sente-se bonita e atraente até com umas simples calças de ganga. Sou mulher e sei muito bem do que falo. Cresci num tempo em que incomodar uma miúda na paragem de autocarro com graçolas era MÁ EDUCAÇÃO com direito a dois tabefes bem dados nas trombas desses garotos após queixa ao pai. Não era assédio sexual.

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Um tempo em que mandar um piropo por passar uma rapariga bonita, não era assédio, era fazer a corte. Atacar violentamente uma mulher abusando dela sexualmente era crime de violação sexual. Tudo era muito bem definido. Agora tudo é assédio. Hoje até um simples “olá, estás boa!” pode ser perigoso. É a doideira total.

modas1.jpg Como mulher também eu fui largamente “assediada” dentro deste contexto “moderno” da palavra. E isso nunca me incomodou. Porque os galanteios sabiam-me bem ao ego pois demonstravam o meu grau de sedução sobre o sexo oposto. Mas sempre com cuidado com as indumentárias para não transmitir uma imagem errada daquilo que pretendia: atrair pessoas, não predadores sexuais.

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Quantas vezes me perguntaram: “Posso me sentar? Está acompanhada?” Dando uma resposta imediata conforme minha conveniência. Que mal tem atrair os homens e receber uma abordagem por isso quando até os passarinhos (esses animais tão fofos) provocam as passarinhas com rituais para as atrair sexualmente? Porque não nos indignamos igualmente com a natureza? Bem, deixa-me estar calada, não vá alguém ter ideias…

modas3.jpg Mas a hipocrisia cresce ainda mais quando ninguém refere os homens como vítimas desse mesmo assédio de que tanto se queixam! Não oiço nada, mesmo nada sobre isso e é muito estranho. Ao longo da minha vida vi coisas incríveis protagonizadas por mulheres predadoras sexuais. Não estou a brincar. Autênticos filmes, alguns quase de terror psicológico com elas a rodear vítimas masculinas desesperadamente.

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Quando dava aulas em Ponte de Lima havia um colega que era muito popular do mulherio. Sempre rodeado por elas, alunas e professoras. Tinha o dom de saber ouvi-las e elas encantavam-se com ele! E eu, achava aquilo muito engraçado, porque meu colega, fosse num café ou na escola, nunca se via com homens. Parecia ter mel que só atraia o sexo feminino. E muitas! Até que um dia nos tornamos amigos e ele começa a contar-me o seu drama.

cabi1.jpg Fiquei a saber que ele era perseguido, molestado, “armadilhado” com esquemas onde apareciam nuas na sua cama, lhe ligavam para casa a toda a hora, enfim, não o deixavam em paz. Vivia num inferno! Mas, como vivíamos num tempo diferente deste, nunca viu nisso um crime. Apenas azar de atrair tanto o sexo feminino. Como este, conheci muitos mais exactamente com o mesmo problema: assédio feminino. Alguém fala nisto? Claro que não. Não convém…

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Esta raiva aos homens é patológica. Não faz sentido em mulheres saudáveis e bem resolvidas com a vida. Porque estas sabem sempre avaliar as situações separando o que é efectivamente crime do que não passa de galanteios, mais ou menos felizes (sim, porque nem todos nascem com o mesmo dom para a sedução). Saberá estar à altura de dizer “não” e se esse “não” for desrespeitado, resolvê-lo.

dy27.jpg Porque a hipocrisia não deixa ver que no dia em que estas senhoras todas com mais ou menos nudez à mostra, não obtiverem qualquer reacção masculina (por receio destes) serão elas a questionar a virilidade dos homens e acaba-se o glamour dos vestidos às tiras sem cuecas.

Cristina Miranda

Ilustrações de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:16
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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2018
XICULULU . CIII

TEMPOS QUENTES – 29.01.2018

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Pobre mesmo, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos!

Por

calças rotas0.jpgJosé António Saraiva

- Aqui está a realidade! Há diversas provas de que a nossa civilização está a chegar ao fim. Uma delas consiste na perda de referências que durante séculos permitiram organizar o pensamento.

calças rotas1.jpg Isso verifica-se na pintura, por exemplo. Quando era figurativa, a pintura tinha um referencial – que era a realidade. Era possível dizer se um quadro estava ‘bem’ ou ‘mal’ pintado, confrontando-o com a realidade que pretendia retractar. Claro que isso não bastava. Tinha de haver algo mais, um estilo, um toque de génio que diferenciasse um pintor dos outros. Mas esse ‘referencial da realidade’ perdeu-se. Hoje temos quadros todos pretos ou todos brancos. Não é possível saber se estão bem ou mal pintados.

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E o mesmo pode dizer-se para a escultura, para a literatura, para o cinema ou para a música. A melodia – ou seja, uma linha de continuidade que o ouvinte seguia e ia acompanhando – desapareceu da maior parte das músicas contemporâneas. Muitos delas são conjuntos de sons dispersos, aparentemente sem ligação entre si.

calças rotas2.jpg Na escrita verifica-se o mesmo. Um romance contava uma história – que podia ser a história de uma pessoa, de uma família ou de um grande amor. Mas muitos dos romances que hoje se escrevem não têm história. As frases são agrupamentos de palavras que podem fazer ou não sentido. Também aqui o ‘referencial da realidade’ desapareceu. Não se pode dizer se a história é boa ou má, verosímil ou inverosímil, porque deixou de haver história.

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 Com o cinema passa-se a mesmíssima coisa. O chamado ‘enredo’ perdeu-se. O filme negro de João César Monteiro é o exemplo extremo de não-cinema. Mas não só nas artes se perderam as referências. Em muitas outras áreas se nota essa ausência de nexo, ou de sentido, ou de lógica. Por exemplo, nos cabelos cuidadosamente despenteados; na fralda da camisa por fora das calças; nos sapatos a que se retiram os atacadores.

calças rotas3.jpg Tudo sinais que pretendem transmitir às pessoas um ar negligé, desimportado, de desprezo em relação às convenções – mas que no fundo representam exactamente o contrário: um seguidismo cego em relação à moda… Neste tema da falta de sentido das coisas – ou de uma cultura do absurdo – o exemplo mais ridículo são as calças rotas. As calças compradas na loja já rotas constituem o exemplo máximo de uma civilização que chegou ao fim da linha e já não consegue inventar mais nada. Então põe-se a rasgar deliberadamente a roupa nova. É o nonsense no seu máximo esplendor!

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Tudo começou com os ‘jeans lavados’. Quando os blue-jeans apareceram, tinham naturalmente a cor da ganga azul. E assim viveram uns bons anos. Mas a dada altura alguém se lembrou de dar aos jeans novos um ar usado – e aí apareceram nas lojas os ‘jeans lavados’. Os jeans novos, com ar de acabadinhos de sair da fábrica, tornaram-se um sinal de parolice, de pessoa pouco ‘vivida’. E os jovens queriam parecer ‘vividos’...

calças rotas4.jpg Mas, como todas as modas, os jeans lavados banalizaram-se – obrigando os criadores a puxarem pela cabeça. Mas não tiveram grande imaginação. Dos ‘jeans lavados’ passaram aos ‘jeans puídos’, ou seja, gastos em certas zonas para parecerem muito usados.

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E a machadada final foram os rasgões. Primeiro nos joelhos, mas depois em toda a parte. Hoje vêem-se jeans a que faltam praticamente as coxas – substituídas por gigantescos buracões! As pessoas que as vestem tornam-se cómicas. Dão imensa vontade de rir, parecendo palhaços pobres!

calças rotas5.jpg Entretanto, para dar algum sentido útil a uma moda sem sentido nenhum, arrisco-me a fazer uma sugestão. Sugiro às empresas de confecção têxtil que façam convénios com ONGs actuando em países do terceiro mundo para enviarem para lá jeans novos – recebendo em troca jeans velhos e usados. Que têm mais valor do que os que se vendem nas lojas, porque foram envelhecidos pelo uso e não de modo artificial.

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E que podem inclusive ter andado na guerra, exibindo rasgões feitos em combate ou mesmo buracos de balas. Que tal? Os consumidores ocidentais poderiam satisfazer assim sua ânsia de frivolidade – e as populações desses países pobres teriam o prazer de usar calças novas. Isto deve ser doença de rico pobre! Porque pobre mesmo , quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos noé?

As escolhas de

Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:02
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Sábado, 27 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CXCII

TEMPOS PARA ESQUECER – 27.01.2018

Já se passaram quase 43 anos depois da independência. Muxoxos de lusofodiaste com fricção dum Monstro Imortal…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Aquele Tenente-Coronel fardado com um pijama às riscas sentado num sofá de orelhas, era preto. Era alto em sua juventude mas agora curvado com o peso da vida e das traquinices tornou-se em um espeto seco, desmilinguido, invulgarmente marreco e bexigoso fruto de tantas ruindades frutificadas na violência da vicissitude da política.

monstro6.jpg Em um momento de lucidez perguntei por seu nome e veio de lá a resposta: Monstro Imortal! Fiquei de boca aberta pois que este figurão tinha sido morto na guerra dos fraccionistas no ano de 1977, ano em que meu pai Manel veio para o M´Puto com uma bala no corpo. Só pode ser um matumbola (morto vivo) pensei cá para mim e até me belisquei para ter a certeza de que isto não era um sonho. Eu sabia bem que João Jacob Caetano, o lendário Monstro Imortal, tinha morrido com um garrote do n´guelelo.

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Isto, há coisas que só acontecem comigo! Constava-se que o tinham cegado mas nada lhe perguntei porque o delírio da velhice pode bem dar para estas divagações; ele via mal, mas via! Sendo assim deixei-o a falar entre dentes; -Aquele cabrão do Pedalé (Pedro Tonha) nem teve coragem para me fazer perguntas. Deixaram-me ali a gemer para um gravador, enquanto apertavam o garrote - Iam e vinham; iam e vinham. Atiraram-me ao mar de um avião mas sobrevivi! Será?

cabo ledo4.jpg A história coincidia com os muxoxos mas aqui no mato, num lugar do cú de Judas da Zâmbia já ninguém lhe dava ouvidos. Todos sabiam que tinha chegado em uma avioneta trazido por um homem loiro, cor de cenoura que pagou a preço d´oiro seu salvamento a um grupo de gente que por ali estava. Talvez uma ONG! Pensei eu.  Deve ter sido salvo por um submarino soviético, só pode! 

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Agora que diz coisa sem coisa, todos os desculpam de coitado, nem sabe o que diz, nem sabe o que fala! Muito cheio de catolotolo a dado momento fica apontando a miragem do mato referindo-se ao porto da Luua; que dinamizava a paralisação dos homens que deveriam fazer estiva, carregar as bikwatas dos colonos brancos e mazombos. E, isto de dinamizar a paralisação é um contra censo mas é mesmo assim, dinamizar o nada-fazer para parar a economia dos brancos.

guerri4.jpgHoje vai haver maka! Repetia a  todo o instante. E, punha-se a rir no canto do beiço contando centenas de mortos e ordens de carrega nos unimogues dos Tugas do MFA - leva na vala. Nosso Coronel, fazemos como com os feridos? - Leva tudo junto e, bota neles cokteil molotov! Ordens são ordens e,  rapidamente dali e acolá saiam frotas de carros goteando sangue nas ruas da Luua.

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E li algures de que «As forças de segurança prenderam muita gente jovem que, na manhã de 27 de Maio de 1977, andava nas ruas de Luanda. Centenas deles foram levados para um Centro de Instrução Revolucionária na Frente Leste e os dirigentes locais assassinaram-nos friamente.» - Nas Faculdades desapareceram cursos inteiros. No Lubango, dirigentes e quadros da juventude foram atados de pés e mãos e atirados do alto da Tundavala.»

guerri6.jpg Você não colabora - vejo-me obrigado a entregá-lo aos militares. «Os detidos passavam para os militares, e para as torturas.» Foi assim mesmo, dizia isto para mim com duas lágrimas estancadas no rosto, que secavam ao vento da chana, uma anhara sem fim. E continuou: - «Presos atirados pelas escadas e, no pátio, espancados só átoa. Berravam e pediam por amor de Deus, não fiz nada. Quase sem vida eram atirados para dentro de viaturas. Até um mercenário norte-americano, lembro bem, comentou: -Vi muita coisa na minha vida mas nunca uma coisa assim.

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«Carlos Jorge, Pitoco e Eduardo Veloso chicoteiam o Costa Martins, batem-lhe com um pau com espigão de ferro, massacram-lhe as costas com correias de uma ventoinha de camião. Ao chicote chamavam Marx e, ao espigão, Lenine. Também o puseram numa sala, junto a uma máquina de choques eléctricos. Só cheirava a carne queimada.» Este Tenente-Coronel estava mesmo nas últimas; nem sei se estes nomes existem mesmo.

monstro1.jpg Junto com o ranho e as excrescências tossicadas pude ver grossas pastas de sangue. Os cuidados esmerados daquele grupo de gente já não alcançariam êxito de vida para aquele imortal. Saí daquele lugar de Chokola num jeep willis até Catima Mulillo aonde apanhei um voo até Lusaka. Ainda estou em crer que aquele velho senhor não era esse tal de Monstro Imortal do MPLA mandado matar por Agostinho Neto. Seja como for, para mim o Tenente-Coronel fardado de pijama às riscas deixou de ser Imortal. Defuntou-se imortalizado…   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:03
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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2018
XICULULU . CII

NAS CINZAS DO TEMPO – 26.01.2017 – Eu e a Talassoterapia … Um homem sem religião é como um hipopótamo sem bicicleta…

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Um grupo de cientistas do Instituto Salk, na Califórnia (EUA), conseguiu pela primeira vez fazer o tempo voltar para trás para um grupo de ratinhos, reduzindo os sinais de envelhecimento e prolongando o seu tempo de vida. O artigo, publicado na revista Cell, mostra que, afinal, o envelhecimento pode não ser irreversível mas ainda é preciso muita investigação até experiências em humanos.

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O envelhecimento é o maior factor de risco para muitas doenças que nos afectam. Porém, ainda teremos de esperar por uma possível aplicação nos humanos destes conhecimentos adquiridos com a reprogramação celular, tal como se constatou nas experiências anteriores com animais em que a “interferência” nas células acabou por resultar em cancro ou morte.

celulas1.jpgCélulas renovadas

As células nesta fase inicial para a qual são levadas com estas técnicas adquirem uma capacidade de proliferação que pode ser prejudicial. Não é por acaso que a grande capacidade de divisão e multiplicação é uma das características das células cancerígenas.

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“É óbvio que os ratinhos não são humanos e sabemos que será muito mais complexo rejuvenescer uma pessoa”, reconhece o investigador Juan Carlos Belmonte, acrescentando que, no entanto, o “estudo mostra que o envelhecimento é um processo muito dinâmico e com plasticidade e que, por isso, será mais receptivo a intervenções terapêuticos do que pensávamos”.

ceu1.jpg Apesar das reservas, os cientistas parecem determinados em conseguir que o envelhecimento deixe de ser algo irreversível e imaginam que os ensaios clínicos (em humanos) possam começar num prazo de dez anos. Os bons resultados iriam, seguramente, agradar a muita gente. Afinal, quem não gostaria de rejuvenescer ou “apenas” viver mais tempo saudável?

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Levantei-me mais cedo para tomar meu chá espacial de me fazer permanecer até aquelas descobertas serem mais efectivas. Assim, pouco passava das seis da manhã, envolvi-me numa manta de conforto, introduzi na cafeteira umas bagas de zimbo, uma casca de ipê-roxo que trouxe do pantanal, folhas da planta doutor do sertão e umas quantas folhas já secas de erva Luiza roubadas no quintal do vizinho ao por do sol.

certo.jpg Ando a fermentar algo que um Tenente-Coronel me disse de como dar dinamismo às coisas e como exemplo referiu que as greves têm de ser dinamizadas para correrem na perfeição. Isto de dinamizar a paralisação é um contra censo mas é mesmo assim, dinamizar o nada-fazer para tirarmos dividendos das arbitrariedades. O mundo anda confúcio…Hoje vai haver maka!

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:38
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CXCI

AS RELAÇÕES ANGOLA – PORTUGAL – 24.01.2018

Já se passaram quase 43 anos depois da independência. Muxoxos de lusofodiaste…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Um senhor fardado com um pijama às riscas, sentado num sofá de orelhas olhando para o infinito, babando-se pelo canto esquerdo descaído, insensível ao cérebro abanado por uma trombose. Com a lentidão das coisas graves e titubeadas com muxoxos – Hum, pois, não sabe; a kalashnikov, os turras, a febre do poder… E, eram bolas de trapos, meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme?

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Nesses tempos ainda nem sabíamos que isso era uma liberdade linda! Nem conhecíamos as filosofias do mal… Nos intervalos dos lapsos de memória quase petrificado ele, o velho Tenente-Coronel fala tudo desencontrado no tempo e no espaço; efeitos da Luua no quarto decrescente, penso eu-de-que!

MIRAN1.jpg A juntar pedaços de memória com Pattex de cola pregos, tentando reconstituir acontecimentos escondidos nas costas, enclausuradas… Não perguntava mas queria saber e inventava – Quando que fui Tenente-Coronel… Pois! Queres ver que agora é preciso ser preto para se ser angolano. Tens duvidas ou quê? Nem correndo na diagonal ou vivendo em tecto de zinco, taipa ou de bosta chapada… e, havia uma mistura de coisas com acontecimentos, tudo no mesmo molhe. Ordenei-as como pude!

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Entre a vida e a morte as diferenças estão nos pormenores pois algumas são demasiado trágicas e outras muito, por demais sofríveis… Ele teve a sorte de morrer num ai, repentinamente (falava dum monstro, talvez um tal de imortal do MPLA); nem a viu aparecer, a bala do mona-caxito… Movimentos das FA com seus militares guedelhudos e revolucionários esquerdistas do M´Puto…

jatiu3.jpg A tempestade vingativa dos habitantes da Luua, dos musseques, abateu-se sobre os comerciantes brancos. E foram primeiro os fubeiros, depois os taxistas e a seguir já o eram todos os brancos. Os fubeiros tinham fama de trapaceiros e os taxistas de reaccionários. Entre a vida e morte as diferenças estão nos pormenores, repetiu… Sua cuca estava mesmomesmo pifada mas, eram coisas passadas, reais.

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Quitandeira de filho atados com lenços do Mobutu com quindas cheias de loengos, gajajas ou sape-sape… candengue ranhoso abanado no caminhar, dando cabeçadas na mãe por entorpecimento entre apertos de multidão pra apanhar os chapas (táxis populares da quinhenta) do Zambizanga…. - Pois! Queres ver que agora é preciso ser preto para se ser angolano! Repetia isto a todo o instante como se fizesse funje numa lata de leite Nido nas obras da Brito Godins.

ciga5.jpg Os primeiros foram expulsos dos musseques, à força e com o medo a estalar em fogos de very-lites, arcos-íris de granadas às centenas produzindo efeitos imediatos – É agora ou morres! Pópilas, ou morro ou mato! Mas ali só havia prédios. Creio que estava a ver a avenida Brasil da Luua! E, eram centenas; despojados dos pecúlios foram pedir ao lobo mau das NT – o mesmo que MFA a ajuda que nunca lhes chegou.

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Era a frente para a fuga ao invés da fuga práfrente, algo já estudado pelos frentistas a fim de se efectuar o abandono, uma táctica nunca vista nos anais da lusofonia. Esta tornava-se conhecida aos poucos entre muxoxos de lusofodiaste; uma teoria que funcionou átoa, mas resultou mesmo.…

vazio1.JPG Havia que manipular os espirito inseguros, carregar nos botões certos das almas inocentes, com o fígado incompleto, candengues sem estrutura para os virar monstros desapiedados com o nome de pioneiros… Eram ideias desfibrilhadadas numa antiga dor e creio que se foi no tempo com um sentimento de culpa. Deveria iluminar-nos não é!? Amanhã será outro dia e, foi-se! O Sol não tinha como se abraçar a nós nem podia esperar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Domingo, 21 de Janeiro de 2018
MULUNGU . LIX

TEMPOS CUSPILHADAS – 21.01.2018 - Por livre iniciativa, a Europa deu autorização a importarem os espíritos da China! Eles estão chegando…

Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco em língua Xhossa

Por

soba0.jpegT´Chingange

Até há bem poucos anos atrás, o ocidente fechou as portas à possibilidade de compreender a China. Hoje, buscam formas de se entender diplomaticamente com estes, permitindo-lhes a entrada em seus territórios com obtenção de benesses e isenções em sua actividade comercial – vistos gold e outros edecéteras. Tome-se em conta que o peso de impostos que os demais cidadãos nacionais são obrigados a pagar, é bem menos vantajoso do que o oferecido a estes empresários vindos do outro lado do mundo.

MULUNGU1.jpg Deduzir-se assim que os donos disto tudo, só o serão com os países de capital que nos compram divida. Um dia o futuro chega e quase sem se saber, as instituições que eram estatais formam-se de um conjunto de accionistas sem rosto e, dum qualquer país. Se neste futuro vamos ter de ficar entregues a um dragão, teremos de saber um pouco que seja do que não nos une e divide!

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Se dali vieram há muitos anos atrás o chá, a seda e o arroz, não será mau antevermos os significados de sua cultura, mitos e realidades. Como se pode ir a Setúbal sem se saber quem foi Bocage ou, ir a Inglaterra sem se saber quem foi Shakespeare? Pois corria o ano 220 da nossa era quando os Qin unificaram aqueles territórios para e, a partir daí a China passar-se a chamar de China.  

pequim1.jpg E, foi Qin como primeiro imperador que colocou milhares de guerreiros feitos em barro e em tamanho natural para guardar sua sepultura. Marco Paulo, o primeiro ocidental a visitar estas terras longínquas curiosamente não referiu a existência destes milhares de guerreiros, nem tampouco referiu a muralha da China que dizem ver-se da lua.

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Bem! A grande muralha da China é o símbolo da identidade da China mas, tudo é devida à sobrevalorização que os viajantes ocidentais dela fizeram; se em tempos foi útil para defesa tornou-se no tempo uma inutilidade, coisa supérflua. Este símbolo foi transformado em parque temático pois que à semelhança do Coliseu de Roma, estes mascaram-se aqui de falsos guerreiros armados com lanças de pau e escudos de cartão.

pequim2.jpg Criam atmosferas de uma Disneyland onde o em vez do Rato Mickey se pode encontrar o tal de Qin, primeiro imperador a vender camisolas e cuecas com estampas dele mesmo; tudo gerido por uma sociedade cotada na bolsa de Hong Kong. Não me convidem para ir à china ver um velho homem já careca com nome de Mao Tzé, uma barriga de melancia transportando a gaiola dum passarinho para apanhar ar e vir de lá uma bicicleta desenfreada e, atropelar-me.

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Parece que por lá nos sinais dos semáforos o verde é para parar e o vermelho para avançar! Ninguém se entende na balburdia porque o vermelho é a cor da revolução. Cozinham na rua, um beco cheio de gente que tosse e cospe e ali ao ar livre acendem o fogareiro, colocam-lhe carvão aonde estiram uma cobra despida ainda a rabiar! Deus-me-livre!

pequim3.jpg Mas hoje Pequim a capital que foi criada por decreto imperial em 1404 por Yung Lo da dinastia Ming é uma cidade cheia de arranha-céus; alguns destes edifícios terão lá no alto do cubo de vidro ou concreto a fazer de tecto, um chapéu pagode.

MULUNGU2.jpg Acabaram com os espaços interiores tipo pátios ao jeito da Andaluzia aqui do sul de Espanha; com o tempo os muros altos com aldrabas lacadas a vermelho para impedir os espíritos malignos de ali entrar estão sendo derrubados. Por livre iniciativa a Europa deu autorização a importarem de lá estes espíritos para e, com tempo compreendermos a China…

O soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:02
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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CLXXXIX

 

NAS FRINCHAS DA CHINA . YUAN I - 16.01.2018 - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade num mundo exótico - a China…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Liberdade é um conceito que não é característico da cultura Chinesa. Se tivesse de dizer liberdade em chinês teria de pronunciar “Zi You” que é um neologismo que se tornou necessário modernizar na relação com as culturas ocidentais. Uma ponte do pensamento chinês para se subtraírem da indiferença que mantêm em relação ao nosso mundo ocidental.

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O chinês é de facto uma estranha língua porque em teoria se poderá aprender apenas escrevendo e lendo como se cada signo seja um emblema. A nossa “lógica”, nunca foi traduzida em chinês! Talvez por isso nunca tenham tido grandes oradores como Demóstenes ou Cícero e, do que se conhece em obras literárias, só o Livro Vermelho de Mao se salientou tal como um catecismo.

yuan0.jpg Mesmo tendo a china sido revista em seu pensamento e à luz do marxismo, continuou indiferente aos nossos conceitos. É costume dizer-se que a China é diferente mas em verdade e em relação a nós, é acima de tudo “indiferente”. Quando dois chineses não se compreendem a falar, escrevem!

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O termo “analfabeto” deriva do grego e significa “desprovido de alfabeto” mas, uma vez que na China não há alfa nem beta, o mesmo conceito exprime-se unindo o signo que significa “cego” ao signo que significa “escrita”. Sua escrita pictográfica “árvore” é desenhada com uma árvore tal como um “sol” que assim se desenha mas, torna-se para nós ocidentais difícil reproduzir uma ideia em uma imagem com sons, acções, emoções ou sugestões.

yuan2.jpg Os caracteres chineses em uso são cerca de oito mil embora bastem três mil para se poder ler e escrever correctamente. Não me estou a ver lá, malbaratando o tempo com coisas de crise, dinheiro mal parado ou desandado, repreensivas orgias de falatório mal contido, sexo, drogas e álcool ou desmedidos excessos para tapar o colapso fulminante em chinês.

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Se na China eu dizer que gostava de fazer uma pergunta, isso vai significar para eles que há ali um problema! Quem ali levanta questões logo levanta problemas, maka e logo, e assim, fica mal visto! Pois então! É melhor nunca colocar questões, nunca levantar problemas! Será que o presidente Trump dos USA estudou estas recções dos amarelos baixotes?

yun1.jpg Será que ele, o Trump, sabe que lá no sudeste asiático se tem verdadeiramente a impressão de que o mundo já não gira em torno dos estates -“Estados Unidos”- mas da China. Vai ser bonito quando o mundo tiver de revalidar o subvalorizado YUAN. Vai-se dar uma crise mundial e de tal modo que nos tornaremos lixo como já o 

yuan3.jpg Em verdade o dólar irá revelar-se um Tigre de Papel! O dólar não vai ter suporte financeiro para se aguentar nas canetas amarelas; o dólar é bluff! Eles, os chineses não desperdiçam a imagem de Mao numa nota de Um Yuan; esta é dedicada às silhuetas austeras dos operários, camponeses e soldados. O mundo ocidental anda demasiado distraído! Tambulakonta (cuidado em kimbundo)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:20
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXV

ANGOLA DA LUUA XXXV - TEMPOS PARA ESQUECER - 12.01.2018  

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA - Os directores da comunicação social, os poetas activistas do MPLA falavam barbaridades contornadas com apelos à paz…

Por    

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

(Continuação da crónica Mokanda do Soba CXXIX – Angola da Luua XXXIV)

Passados que são 42 anos após a descolonização de Angola, ainda anda por aqui e ali gente a dar um encolher de ombros às lembranças de então, uma opção que não posso recriminar porque são penosas e revoltantes. Prometi a mim mesmo não me enganar continuando a ser eu próprio peneirando as opiniões, falando ou gerindo silêncios. Fale como fale, sempre serei uma carta fora do baralho!

ÁFRICA10.jpg Pelo andar da carruagem revejo-me como um elemento da riqueza soberana do M´Puto dando gorduras aos governos do M´Puto para nos poder gerir. O estado vendeu tudo o que dava lucro a empresas de gestão tais como os CTT, a EDP, as comunicações e surgiram os projectos PIN mais os Visa Golden e, não demorara a venderem também as autarquias e Juntas de freguesia. Nada me admirara depois da nossa entrega ao acaso com a entrega ao MPLA de Angola.  

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Recordo que já muito farto de atropelos, inscrevi-me para uma organização em Lisboa, CIME, Comissão Internacional de Migração Europeia e pouco tempo depois fui para a Venezuela de barco aonde me mantive por seis anos. Continuo a ver que os angolanos da nomenclatura, os mesmos que nos escalpelizaram, continuam a engordar-se nos aconchegos das vicissitudes da porca política.

guerra11.jpg Para não me mentir, terei de continuar esta senda por modo a ser no mínimo, ressarcido moralmente dos muitos desmandos, porque outra coisa não posso esperar! Não estou a ver mudanças palpáveis na conduta dos novos governantes porque estes, sobem até atingir sua verdadeira pretensão: Servir-se da máquina estatal para se acomodarem sugando-nos subestimando a vocação em detrimento dum meio de vida - o seu!

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Não tenho devaneios, este arquivo vai ficar morto como coisas do passado!… No já distante ano de 1975 e sequentes da mesma abrilada, pude ver os latifúndios da lezíria e savana alentejana acabarem sendo destelhados tornando-se montes abandonados. Fizeram festas revolucionárias comendo o gado, roubaram portas e janelas e, enquanto deu foram levantando o punho revolucionário da bestialidade.

guerra12.jpg Seus donos não tiveram alternativa e formavam fila a caminho do Brasil. Vasco Gonçalves lançava cravos à multidão; a mesma que nos cuspia no rosto porque nós, os retornados, eramos uns exploradores de negros! Comíamos seus miolos ao pequeno-almoço e das sobras ainda se fazia panados com pezinhos de coentrada como se borregos o fossem. Alguns envergonhados, dizem agora (ano de 2018) que não era assim!

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Isto tem de ser dito para que os angolanos que por lá ficaram na Luua sofrendo, entendam que nossa sobrevivência também o foi, penosa! Depois de termos sido dados como ferro velho ainda nos retiram raspas de ranho ressequido fora da coisa dada, nossa N´Gola. Em Angola, no dia 17 de Setembro de 1975 começa a evacuação de Sá da Bandeira para Luanda. As condições adversas de futuros incertos, com dificuldades de toda a ordem, seriam sentidas no M´Puto sem bombordo. Uma nau à deriva…  

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Podíamos sentir nossos amigos, vizinhos acampados no porto da Luua para fazerem a estiva de seu pecúlio, suas imbambas; as Kalashnikoves continuavam a cantar por todo o lado traduzindo os dias em centenas de mortos, gente presa, fuzilamentos sumários. O MPLA agrupava seus pioneiros para fazer maka aqui e ali. O Poder Popular agrupava seus militantes como carne para canhão sem o saber divertindo-se também como se tratasse de um festival de pirotecnia.

guerra13.jpg Da ilha da Mazenga podia ver-se lá longe as balas tracejantes riscando o dia e a noite com colunas de fumo negro e branco a excitar o medo duns e os corações de outros. Do lado de cá ainda sonhávamos com um “havemos de votar” mas, n imprevisibilidade a lei e a ordem eram uma fantasia escura, a justiça uma anedota trágica de porrada átoa.

guerra20.jpg Os directores da comunicação social, os poetas activistas do MPLA falavam barbaridades contornadas com apelos à paz; com novas rimas, cantavam makas perfilando sua falas com o MFA, libertando o povo com chavões transformando a rádio num grande megafone desordenando as cabeças. No aeroporto o medo cheirava-se com loucos gritos intercalados com silêncios tornando a moralidade numa batata podrida…   

(Continua…)

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Domingo, 7 de Janeiro de 2018
PARACUCA XXV

MOKANDA DO EDU – 07.01.2018

No tempo em que os chícharos se chamavam de feijão-frade - Uma estória contada doutro jeito

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Não posso falar todos os santos dias em coisas menos boas e, muito menos contigo meu amigo! Tenho de distribuir carinhos mesmo que pareçam carunchosos. Se queres ficar nos trinques com tua saúde bebe bolunga de massambala, enquanto relés. Já te recomendei tremoços, o camarão dos pobres que comidos com casca fazem bem ao reumático! Kiákiákiá…. Pois! O tremoço é um alimento óptimo para o metabolismo, um conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior de nosso organismo. Só que tu não ligaste peva!

camionista1.jpg Nas histórias que podes contar da tua vivência em Angola tens de meter jindungo do bom para apaladar o gosto tropical! Não vem mal ao mundo dizer que essas terras do teu tempo de criança, das estradas poeirentas e esburacadas, ou lamacentas transbordavam de água porque se fossem quimbombo só com os vapores ficaríamos pirucas.

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Depois das tempestades tipicamente tropicais, em que os relâmpagos sulcavam o céu em várias direcções, sempre aparecia a kukia brilhando o firmamento. Aquele cheiro da terra molhada e muito cheia de cazumbi perfumada, brincava com nossas sensações de esquecer o cheiro do chícharo quando ainda nem era feijão-frade. O apetite surgia na curva da nossa vida feito funje com kiabos mais dendém nadado com tukeyas panadas ou peixinhos da horta.

camioneta 3.jpg Com a vida a resplandecer, a natureza impunha-se com suas regras para que isso acontecesse com sentido de vontade. Bom! Há assuntos dessa Angola de asfalto, de progresso, que não deixam de ser uma contradição com as carretas bóhers do tempo da minha avó natural da Madeira. Vejo-a com seu lencinho amarrado em volta as orelhas, ainda desligada do progresso mantendo a tipicidade do seu nascer.

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Tal como ela, minha avó nasceu rude, jeito não burilado como o interior das savanas, das mulolas, das picadas, daquela Angola tão grande. Andando pra trás no tempo convenço-me de que o progresso nunca virá a atingir toda sua imensidão, permitindo assim que fique este genuíno retracto de quando eu era um puto de calções de zuarte e, sem cucas. Assim, os profundos contrastes, poderem permanecer-me feitos selva com os seus profundos mistérios dos maboques, das nochas e dos nombis do Humbe.

bessangana4.jpg Claro que o progresso não se compadeceu com minhas saudades continuando a medrar no seu habitat natural. Além do mais as cidades, as vilas, as povoações ganharam direitos que não podiam ser impedidos. Mas, e tanto quanto sei, as mulolas e t´ximpacas, continuaram por lá com os direitos que a natureza do mato não pode perder.

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Quem se enterrou no barro preto, atravessou rios em jangadas, ou ficou preso nas mulolas, recorda agora o ter sido rebocado para poder sair delas, uma angústia que não se compraz com um passeio turístico por uma estrada asfaltada. Sei que muitos dos Xi-Colonos sintam prazer em relembrar isso com preferência em o fazer naquelas condições; facto que não se esquece a comparar com os tempos de hoje, em que viajar era uma 

Torres0.jpg E, havia os candongueiros a vender fardos de peixe seco levados de Baia Farta e deixando um sulco e cheiro por quilómetros já depois de ter passado. A adrenalina de sair dum lugar sem nunca saber da chegada ao contrário do que acontece hoje com uma panóplia de instrumentos com JPS e telemóvel era coisa! Horários pré-estabelecidos não eram parte do projecto; haveria que levar isso sim, umas patilhas elásticas caso o radiador furasse.

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Levar uns arames para um qualquer suposto imprevisto, umas latas de atum, panela, frigideira, arroz mais batatas para curtir as fomes que no mato são mais agrestes. Levar também uma caçadeira por-se-acaso e também para matar o bâmbi, depois cortá-lo e preservá-lo em sal. As condições de viajar mudaram radicalmente, muito por força das estruturas rodoviárias e ainda pela própria evolução tecnológica das camionetas.

tambaqui6.jpg Recordo em 2013, a ultima vez que estive em África e naturalmente em Angola, o prazer imenso que senti em viajar num four-by-four tendo o recordo daquela magiros roncadora, rompendo picadas, enxotando as capotas e afastando o capim próximo; de novo viver aquela terra de outros tempos, momentos únicos que me trouxeram à lembrança essas outras fases da minha vida e, na qual fiquei colado com grude…

Nota: usando um texto matriz do EDU – Eduardo Torres

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:09
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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXIV

TEMPO COM FRINCHAS - 18.12.2017 - Em terras de M´Puto . IV

“Os donos disto tudo - DDT” - “ Não há confiança ilimitada em amigos. Há a amizade”; coisas escritas no berbicacho traseiro do meu chapéu…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Estávamos em Abril de 2016 e recebendo propostas para a venda do Novo Banco mas, o que se recebia eram somente manifestações de intenção que alem de oferecerem valores demasiado baixos exigiam determinadas condições com garantias do Estado para cobertura de riscos futuros e outros edecéteras de provocar urticária ao enquadramento politico entre a presidência e o governo.

mocanda12.jpg Com as barbas a arder, o governo e presidência queriam desfazer-se do Novo Banco muito rapidamente, custasse o que custasse pois que o prazo de venda do Novo Banco pelas regras da União Bancária terminaria em Agosto de 2017. Corria-se o risco do aparecimento de um novo movimento de lesados do herdeiro do BES e, mais perigoso ainda, o sacrifício dos depositantes com depósitos acima dos cem mil euros. Isto já corria de boca em boca e todos se andavam encolhendo e, até retirando o dinheiro para o colocar debaixo do colchão.

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No último dia de Março de 2017, o Governo anuncia a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star mas, não foi uma qualquer venda não! O contrato de compra e venda futura do capital do Novo Banco era rubricado no monto de zero euros. Zero euros!? Sim! Mário Centeno constrangido, espicaçado pelo seu primeiro-ministro teve de dizer isto de forma acabrunhada, forçado ao poder político para por outras palavra nos dizer que sim! Aquele negócio foi mesmo tudo, menos uma venda!

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Como diz Gomes Ferreira em seu livro já aqui mencionado várias vezes, “A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros” realmente, só há uma área da vida pública que consegue ultrapassar o inimaginável em política: o inimaginável no sector financeiro!

mess5.jpg O mesmo Estado que já tinha emprestado 3.900 (três mil e novecentos) milhões de euros ao Fundo de Resolução em Agosto de 2014 e que nunca recebeu um cêntimo de volta. Mas, há sempre um mas apaziguador, os outros bancos do sistema financeiro nacional, não teriam de contribuir imediatamente com esse dinheiro e, caso fosse necessário.

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Apenas teriam de o começar a pagar muito mais tarde, por várias décadas e em suaves prestações. Entendo agora o porquê do um escasso pecúlio estar a render 0,001 (por cento, claro!), monto este que nem dá para mandar cantar um cego porque este, decerto já terá morrido. Agora, todos teremos de pagar ao banco para nos guardar a gita, o cacau, o kumbú, aquilo com que se compra os melões!

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Pelo dito, confirma-se a atitude de proactividade e de voluntarismo do governo de Costa e Centeno na resolução de problemas, à custa do contribuinte, subsidiando instituições de solidariedade com fundos da Misericórdia e, jogos de fortuna na ajuda a banqueiros imprudentes. Este voluntariosamente governamental da geringonça, sempre irá referir que tudo isto foi herdado do governo de Passos Coelho, uma mentira demasiado mentirosa!

ara3.jpg Sim! Sim! Tudo se resolverá à nossa custa, à custa dos nossos filhos e netos que sempre irão trabalhar por conta destas resoluções, por muitos e longos anos passando uma esponja sobre o passado recente de promiscuidade e compadrio metendo Montepios, Caixa Geral de Depósitos, Banif e, sempre encobrindo-se os responsáveis pela tragédia e, saber-se afinal quem em realidade saiu beneficiado.

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Em tudo o aqui dito ao longo de quatro crónicas e tendo como suporte o livro “A Vénia”, ficaram bem claras as atitudes de dissimulação, de esconder, de contornar, de minimizar os problemas dos bancos que, com o Governo Socialista apoiado no parlamento pelo Bloco de Esquerda e Comunistas do PCP e, também o apoio de Marcelo De Sousa.

geri0.png Só ficaremos a ter a certeza de que no meio de todas estas simulações, a dúvida perdurará entre influências e modos aonde a culpa não terá culpados! E, deixo aqui um grande agradecimento a José Gomes Ferreira por tanto esclarecimento neste período tão conturbado em que as pessoas que se dizem decentes, se inibem de falar no que sentem.

(Fim…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:32
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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXXI

TEMPO COM FRINCHAS – 12.12.2017Em terras de M´Puto.

Podemos dizer-nos independentes, porque nos podemos mentir mas, com os “DDT”, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos

Por

soba15.jpg T´Chingange

Já quase acabei de ler o livro “A Vénia de Portugal ao Regime dos Banqueiros” escrito por José Gomes Ferreira dirigido a todos os contribuintes, que suportam o Estado português em pagar mais impostos do que o devido, por causa dos erros de uma boa parte da elite financeira dos “DDT - Os donos disto tudo” com o compadrio de nossos governantes.

dia82.jpg E, por mais que no mostrem que os governantes portugueses e os responsáveis europeus, prometem aos contribuintes que já não serão mais chamados salvar bancos em dificuldades, estes sempre acabarão por pagar os desmandos dos banqueiros, de uma ou outra forma. É o que se pode ler, logo no início, como que num ajoelhar com vénia a esses estupores que nos arruinaram.

coimbra2.jpg Foi necessário surgir um Passos Coelho que dissesse um NÃO a um Ricardo Salgado e, se agora estamos melhor economicamente, a ele o devemos. Não gosto de traidores nem bajuladores e pelo que li, anda muita gente por aí pavoneando sua habilidade, irresponsabilidade e falsidade e, até assobiando para o lado, dizendo do mérito de quem se lhe seguiu, António Costa, emudecendo provocatoriamente o nome do verdadeiro feitor.

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Mas, sinto que a grande maioria dos portugueses não têm percepção das encenações do poder, da grande obediência dos políticos aos interesses e benesses que os senhores do dinheiro “os DDT”, dão em troca de modelos de governação. Tenho uma grande admiração pelo actual Ministro das Finanças Mário Freitas Centeno que considero ser um bom economista desde 26 de Novembro de 2015 mas, também ele irá fugir do pântano a seu tempo.

amilcar 02.jpg Já António Seguro antes de passar a pasta a António Costa dizia: «Há em Portugal um partido invisível, que tem secções nos partidos de Governo incluindo o PS (referia-se ao “DDT- Donos disto tudo” com Ricardo Salgado no mando). Partido esse que tem um aparelho legislativo paralelo com grandes escritórios de advogados a influenciar ou comandar os destinos do país. Não tem rosto, não tem estatutos (…) mas quando descobrimos que há um banco em que as coisas correram mal, que há um investimento do Estado, em que as coisas não são totalmente claras, vai-se percebendo quem são as pessoas desse “partido”» – (É claramente o partido do DDT).

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Mas, disse mais: «O país tem zonas de podridão». Não é difícil chegar-se ao Grupo Espirito Santo e ao Banco Espirito Santo com as suas cadeias de empresas! Salgado em 2014 só queria 2,5 mil milhões de euros e Passos Coelhos disse NÃO! Mas pelo que se sabe não era só isto! Havia muito mais e outros bancos com buracos financeiros sem fundo que sempre tinham um saco azul para agradar a Paulos irrevogáveis e Costas.

ardinas branos.jpeg Basta cruzar as falas dos políticos para se entender o azimute dos actos. Maria Albuquerque já com António Costa como primeiro-ministro diria: «Fosse António Costa primeiro-ministro em 2014 e teriam sido entregues milhares de milhões de euros dos contribuintes a Ricardo Salgado para evitar o colapso do BES». E, Marcelo o comentador, falou sobre o caso sim! Falou como o Marcelo-cidadão, não fosse amigo de Ricardo Salgado… No que toca a Passos Coelho nem uma palavra meritória, também aqui, assobiou para o lado…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:22
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXIII

MOKANDA DO DIA – 10.12.2017Tukya I . Peixe da chana - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo . É o nosso pensamento que cria a nossa realidade…

Por

t´chingange2.jpgT´Chingange

Na voragem dinâmica da vida, procuro actualizar-me no dia-a-dia e, ao longo da minha vida registei em meus arquivos de memória muitas notas, alguma que nem quereria registar mas, nem sempre as borrachas do tempo e da singularidade do facto se destroem com um estalar de dedos. Em África também há rios que se apagam na terra, nunca chegam ao mar como o Cuando e o Cubango que formam o Delta do Okavango ou o Etosha Pan e outros que desaguam em desertos de areia fina e, que em tempos foram pântanos ou lagos rasos.

etosha4.jpg O Etosha Pan, é um lago seco de 120 quilómetros formando o chamado Parque Nacional Etosha, um dos maiores parques da vida selvagem da Namíbia. A vasta área é principalmente seca, mas após uma chuva forte, ela adquirirá uma fina camada de água, que é fortemente salgada pelos depósitos minerais na superfície desta grande panela. O Etosha Pan é principalmente lama de barro seco dividida em formas hexagonais que à medida que seca, racha, e raramente é vista com uma fina camada de água cobrindo-a.

etosha6.jpg Foi no Etosha que vi a maior diversidade de animais. Supõe-se que o rio Cunene alimentasse o lago em idos tempos, mas os movimentos tectónicos da placa ao longo do tempo causaram uma mudança na sua direcção, resultando em um lago seco e deixando a referida panela salgada. Agora, o rio Ekuma, o rio Oshigambo e o rio Omurambo Ovambo são a única fonte sazonal de água para o lago.

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Tipicamente, pequenas águas do rio ou sedimentos atingem o lago seco porque a água penetra no leito do rio ao longo de seu curso de 250 quilómetros, reduzindo a descarga ao longo do caminho. Estas vastas zonas de poucos declives formam as chamadas planícies africanas, chanas ou anharas de clima extremamente seco. E, o curioso é de que a esta mesma latitude e para o lado poente temos os desertos junto a costa do Sul de Angola e Norte da Namíbia que são banhadas pela corrente fria de Benguela.

etosha2.jpg Refiro a corrente fria de Benguela porque constitui um dos mais importantes factores de moderação climática desta zona de África com introdução na fauna as focas e pinguins transportados em icebergues que vindos da Antártida aqui são largados. No Namibe, Tômbua, Baia dos Tigres e a Costa dos Esqueletos. Pode até verificar-se famílias de golfinhos na Angra dos Negros a actual Moçâmedes, lugar aonde os albatrozes ou alcatrazes voam baixinho junto aos barcos pesqueiros.

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Cabe qui referir que ante da independência de Angola, em 1975, a pesca tinha importância no mundo porque chegou a ocupar o segundo lugar na escala dos maiores produtores, logo a seguir à República do Perú. Vasculhando minha memória recordo os muitos contadores de estórias de caça e pesca e, até dum amigo meu de nome Araújo ter andado a passear uma pacaça em pleno centro de Luanda; em plena Mutamba. Era muito vulgar entre 1950 e 1960 comprarmos carne de caça a vizinhos que se internavam pelo mato em aventura de caça.

etosha0.jpg Para milhões de pessoas que vivem no mato e nunca viram o mar, o mar não passa de um mistério longínquo e insondável naqueles idos tempos mas no entanto, estes comiam peixe seco saído do mar. Na era colonial e a partir da costa eram enviadas “malas” de peixe para o interior; estas malas iam por comboio ou levadas por camionistas praticando no seu dia-a-dia uma aventura. O peixe sem cabeça, fosse corvina ou carapau, depois de seco e salgado era acomodado em camadas sobrepostas e em zig-zag simétrico, cabeça com rabo – rabo com cabeça.

etosha5.jpg Formavam blocos compactos atados e contidos em esteiras feitas com fibras de grossa mateba. Estas malas de peixe tinham tanta popularidade e valor comercial no interior de Angola que a partir dos anos cinquenta se transformaram no principal produto de candonga no interior do território. E, por que razão se contrabandeava o peixe seco? Vais ser assunto da próxima mokanda cujas falas vão incidir sopre o peixe capim nascido do pântano …

Nota: Alguns dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXV

O CHOQUE DO PRESENTE17.08.2017 - (Revisado a 21.11.2017)

- “O PRIMEIRO BRANCO” e a higiene racial...III

- Os portugueses “cruzaram-se” com os negros africanos. Isso resultou numa mudança profunda do carácter e da psicologia da nação lusitana.

Por

soba 01.jpgT´Chingange

Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos! As escolas já não ensinam isto ao pormenor e, de qualquer modo, os manuais são feitos por gente…Muitos têm ADN preto como a Catarina Furtado que tem ascendência Angola mas, para quê rever isto!? Só mesmo para compreender que a raça humana é mesmo assim, ao correr da pena!

valdir5.jpg (…) Prosseguindo com a publicação do jornal National Vanguard Tabloid, este refere que a culpa desta estagnação no trato da eugenia com a “pureza da raça branca” e, segundo aquela organização inglesa de tendências neonazis, reside na liberdade com que os portugueses se “cruzaram” com os negros africanos. Isso resultou numa mudança profunda do carácter e da psicologia da nação lusitana.

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O “National Vanguard” não tem nenhuma dúvida ao afirmar: “os portugueses do século XVII e os dos séculos seguintes são duas raças diferentes”. Os articulistas advogam obviamente a favor da separação racial. Sociedades como a americana que contiveram e contém uma percentagem considerável de negros. Mas, essas “souberam” manter uma céptica fronteira entre os grupos raciais. Não houve cruzamento nem mestiçagens; assim diz o jornal.

maqui1.jpg Foi essa separação que, segundo a racista publicação, ajudou a manter a capacidade de progresso em países como os Estados Unidos da América. E conclui: não existe evidência nenhuma que a integração dos negros e dos judeus tenham trazido alguma vantagem em qualquer parte do mundo.

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Embora estas publicações sejam casos isolados e representem uma faixa desprezível da opinião pública, a verdade é que não é por acaso que o jornal escolheu Portugal como um caso paradigmático. Podemos até lembrar-nos do que escreveu Kaulza de Arriaga, quando explicava as maiores capacidades dos europeus do Norte em relação aos do Sul.

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Os trópicos como evidência de degradação e desumanização é um estereótipo antigo e, essa atitude de arrogância não é sequer nova. No calor do Sul de África, com sol primaveril de Agosto, rodopiando as horas, vendo os novos rebentos das acácias, aqui estou numa espera tardia, ciente que nada sou para alterar as vontades alheias, desejando somente que tudo siga sua normalidade entre a raça humana.

DIA107.jpg Agora, já kota mais-velho, apercebo-me do joguete das lutas de tantas portas ou portais desconhecidos. Retornando à estória, em “Álbum de Costumes Portugueses”, Fialho de Almeida descreve o “Preto de S. Jorge”, como membro de uma confraria que teria direito a incorporar a procissão do CORPUS CHRISTI, com os demais ofícios.

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A presença negro-africana também se verifica nos topónimos de muitas ruas, como por exemplo: Rua das Pretas, Rua do Poço dos Negros … ou no nome de muitas povoações como a de Santa Eulália de Negreiros dum lugar chamado do Preto, de Santa Maria de Negrelos. Vale de Negros e tantas outras vivenciadas por todo o Portugal (M´Puto).

onco2.jpg Em 1551 a capital lusitana teria cerca de 100.00 habitantes, dos quais 9.900 eram escravos, ou seja 9,9% da população. Ao longo dos seculos XVI e XVII a mão-de-obra escrava representava já 10% da população total do Algarve e Alentejo e também era visível no Norte de Portugal e, em outras regiões. No concelho de Loulé há o lugar chamado Cerro dos Negros, no de Almeirim há uma povoação com o nome Paços de Cima ou dos Negros.

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Dois povoados dos concelhos de Albufeira e de Silves chamam-se Guiné, no concelho de Alvito existe a povoação chamada Horta de Guiné. A dos Pretos, Monte dos Pretos e Quinta da Preta são os nomes de povoações dos concelhos de Leiria, Estremoz e Alcobaça…; enfim, demonstra-se assim a importância que estas populações teriam em determinadas regiões para que servissem de referência a um determinado lugar.

eusebio1.jpg Portugal é, afinal, o país de Eusébio, de Ricardo Chibanga, de Sara Tavares. Um episódio antigo ligado ao explorador britânico Livingstone ilustra bem como essa Europa olhava e olha para Portugal. Livinsgtone vangloriava-se ter sido o primeiro branco a atravessar a África Austral. Um dia alguém lhe chamou publicamente a atenção que isso não era verdade. Antes dele já o português Silva Porto tinha realizado tal travessia. Imperturbável, o inglês ripostou: - Eu nunca disse que fui o primeiro homem a fazê-lo. Disse apenas que fui o primeiro branco.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:43
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Sábado, 18 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXIV

O CHOQUE DO PRESENTE17.08.2017 - (Revisto a 18.11.2017)

- “O PRIMEIRO BRANCO” e a Higiene racial…II

- Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos!

Por

soba 01.jpgT´Chingange

No século XV, os mapas foram queimados, as informações escondidas porque era urgente provar uma superioridade da civilização ariana. São modas ou maneiras de estar! Antigamente os escravos dos cristãos eram muçulmanos e os escravos dos muçulmanos eram cristãos! Não dava para se dizer “vamos evangelizar os africanos, tornar os negros escravos e baptizá-los.” E, isto sucedeu ou foi sucedendo!

kota0.jpg No século XV decidiu-se que os africanos faziam parte da descendência de Cham, filho de Noé e deviam viver uma vida de sofrimento para afastar o castigo, padecer a Paixão de Cristo, o que lhes permitia entrar no paraíso; foi isto recuperado da Bíblia por conveniência, creio eu. Apesar de a mestiçagem constar no discurso harmonioso da lusofonia, visionam-se razões ao dar um carácter de excepção ao colonialismo português. Mesmo entre negros, era preferível importar mais escravos de África do que manter seus filhos.

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Rebuscando novas, soube que Cristiano Ronaldo nasceu na ilha da Madeira; que Isabel Rosa da Piedade é natural da ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Os pontos em comum entre eles não são apenas o facto de ambos terem nascido numa ilha. Segundo o "Diário de Notícias da Madeira", Isabel Rosa é bisavó de Ronaldo, o que faz com que o Jogador do Ano FIFA em 2008, ou o melhor jogador do Mundo em 2017, tenha no seu ser um ADN de Cabo-verdiano.

bruno27.jpgClaro que vão ficar todos surpreendidos porque as ideias concebidas em cada qual são confusas em si! Não há aqui nada de extraordinário! Aos 16 anos, Isabel abandonou a sua terra natal para tentar a sorte noutra ilha do oceano Atlântico, a Madeira. A jovem Cabo-verdiana acabou por casar com José Aveiro, natural do Santo da Serra, e bisavô de Ronaldo. Da união entre o casal, nasceu Humberto, que viria a casar com Filomena.

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Humberto e Filomena, avós do futebolista do Sporting de Portugal e agora no Real Madrid, tiveram seis filhos. Dinis, um dos rebentos do casal, acabaria por casar com Maria Dolores, natural do concelho de Machico. Dinis (que faleceu em 2006) e Maria tiveram três filhos entre 1974 e 1976. Nove anos mais tarde, o casal volta a conceber e, nasce Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro.

ariano0.jpg Poucos poderiam adivinhar que este filho, 23 anos mais tarde, se tornaria no melhor jogador de futebol do Mundo. E, que aos 32 anos (nasceu a 5 de Fevereiro de 1985) ainda continuava a ser o melhor do Mundo! E, se todos sabem que Ronaldo é português, mais concretamente madeirense, as origens cabo-verdianas da sua família permanecem ocultas.

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A informação já foi difundida na imprensa de Cabo Verde, suscitando grande curiosidade no arquipélago. Isto foi contado ao Expresso por um jornalista do diário "A Semana". Portanto, naqueles idos tempos os brancos entravam no caniço e tinham a negra que quisessem.

ariano1.jpg Na Luua de N´Gola (Angola) era no BO - Bairro Operário em plena cidade de Luanda e, em São Romão do Sado do M´Puto era no canavial do rio Tejo, uma das aldeias existentes no Ribatejo. Mas também poderia ser em Coimbra, Mirandela ou Tavira do Algarve. A diáspora Lusa tornou Paris de França na segunda cidade portuguesa pois que o número de falantes da língua de Camões, é superior à cidade do Porto. E, por lá também há canaviais.

ariano3.png Quem agora for passear pela Ribeira do Sado, já não verá gente verdadeiramente negra, de lábios grossos e carapinha. A cidade de Alcácer do sal, decorreu do tráfico de escravos entre os séculos XV e XIX. Em verdade, somos uma caldeirada de gente de cores diversas e de todo o Mundo; Os portugueses foram os iniciadores da globalidade no mundo moderno e, haverá muita gente que pensa ser um puro ariano quando afinal tem em seu ADN sangue preto.

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Esta miscigenação tornou-nos em realidade seres diferentes; os turdetanos, os suevos, romanos, cartagineses ou zulus estão no sangue de todos nós. Recentemente, encontrei na Cidade do Cabo, muitos mestiços de cor mais morena com nomes de Oliveira, Pereira e Silva descendentes de portugueses; gente zebra ou mazombos como eu. Quando no futuro vierem a habitar a Lua, talvez todos fiquem bem surpresos ao encontrarem lá num qualquer buraco taberna um Tuga a vender peixe frito aos marcianos.   

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
CAZUMBI . XXXIII

O CHOQUE DO PRESENTE - 16.08.2017 - “O PRIMEIRO BRANCO” e a Higiene racial…

- O que se vê hoje em Portugal é o resultado de uma mistura não selectiva e uniforme de 10 por cento de pretos e 90 por cento de brancos, um todo homogéneo.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Li em tempos em uma entrevista com Mia Couto na qual este se referia que o jornal National Vanguard Tabloid, afirmava em publicação oficial, que uma organização inglesa defendia a “pureza da raça branca”. E dizia este, ser curioso que o editorial da publicação tivesse escolhido Portugal como o exemplo dos malefícios na contribuição do “sangue negro” para as sociedades europeias e americanas. Racismo assim, às claras, é muito pouco frequente poder-se ler em um jornal e, muito menos em um, assim tão conceituado nas referências políticas hodiernas (digo eu).

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Esta notícia é reportada ao ano de 2011, uma data muito recente e que reascende as afirmações do pastor anglicano Thomas Malthus na sua visão religiosa de ver o mundo a nuo e, na qual teve inúmeros seguidores políticos tais como Hitler em Alemanha e as técnicas segregacionistas do Apartheid na África do sul para não falar dos próprios americanos e, os seus primos. E esse jornal afirmava que os portugueses teriam de ser vistos de facto como uma nova raça - uma raça que estagnou na apatia nada produzindo de novo nos últimos 400 anos na História do Mundo.

lobo1.jpgNo meu olhar de xicululu, assim um olhar de esguelha ou olho gordo, martelei por cima do meu sobrolho a frase de que “Os portugueses são o povo mais atrasado da Europa porque há séculos que se misturam com os negros” e fiquei assim um pouco a remoer muxoxos asneirentos por o caso ter raspas melindrosas e, também por ser raro, vale a pena revisitá-lo.

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O jornal assenta a sua argumentação em “factos históricos”. Portugal recebeu os primeiros escravos negros em meados do século XV. Dezenas de anos depois, os negros já eram 10 por cento do total da população lisboeta. Essa percentagem viria a crescer para 13 por cento no século seguinte. A pergunta imediata é a seguinte: Que destino tiveram estes africanos? Regressaram a África? A resposta é não!

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Eles foram absorvidos, misturaram-se do ponto de vista genético, social e cultural. Eles ajudaram a construir a Portugalidade introduzindo valores e dados culturais novos. A palavra minhoca é apenas uma de dezenas de outras marcas no domínio linguístico. No Ribatejo havia aldeias cuja população era maioritariamente negra. Nossa amiga Maria Carapinha tem este nome porque seus trisavôs eram negros retintos e, hoje já nem os traços negróides têm.

dia142.jpg Basta ir beber uma ginjinha ao largo S. Domingos em Lisboa para termos esta sensação; no Cais do Sodré já não resta nenhum sinal das negras que ali vendiam mexilhões. Podemos descobrir testemunhos dessa presença em quadros, azulejos e cerâmicas variadas. Falando com meus amigos em comezainas de cachupa, amigos cabo-verdianos confirmam do “porquê haver tantos africanos em Lisboa e Algarve”.

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Eles referem-me haver confrarias negras da Nossa Senhora do Rosário e “os negros no Coração do império”. Que viram isso quando da exposição nos Jerónimos no ano 2000. Os Negros em Portugal têm sido de uma presença silenciosa e aonde só os investigadores nos mostram os negros não só como braços de trabalho, mas legando á sociedade expressões de nossa vida quotidiana.

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Pois assim é! Influência na cultura, na religião, tourada e até o fado, a canção dita nacional. Tudo isto se reveste de uma crítica à manipulação e branqueamento da história que tem servido para a anulação do contributo africano em nosso país! O autor de tal prosa racista do tal tablóide inglês não tem dúvida em identificar nesta mistura de raças e de culturas a razão daquilo que eles chamam de “declínio da sociedade portuguesa”.

kunene.jpgPasso a citar: Os portugueses eram, até então, uma raça altamente civilizada, imaginativa, inteligente e corajosa. Mas devido ao rápido crescimento da população negra e o correspondente declínio dos brancos (cujos machos estavam em viagem para longe da Europa) todo esse património de pureza foi adulterado. Reconhece-se neste caso uma forma de conceber preconceitos rácicos com múltiplas facetas.

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O mundo não obedece a uma fronteira simples que divide os racistas dos não racistas e que separa vítimas e culpados. Vale a pena, pois, continuar a citar as razões invocadas pelo “National Vanguard”, para a chamada degradação da cultura e enfraquecimento da raça: O que se vê hoje em Portugal é o resultado de uma mistura não selectiva e uniforme de 10 por cento de pretos e 90 por cento de brancos um todo homogéneo. Trata-se de, facto, de uma nova raça – uma raça que estagnou na apatia e nada produziu de novo em 400 anos de História (estou citando).

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:24
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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVIII
NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 24.08.2017 : Parte 4 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também, homem branco em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Estando eu no Reino Xhoba, reino sem rei com cerca de 100.000 súbditos, pertença de vários países de África não posso deixar de falar deles. Soube porque li em algum lugar que o anterior presidente da África do Sul, Nelson Mandela atribui a estes um território de quarenta mil hectares. Ora se um hectare tem dez mil metros quadrados, quatrocentos ha darão 400 Km quadrados. Se para aí transplantarem o cacto Xhoba, vai dar muito cacto para amaciar barrigas inchadas por esse mundo.

fiume5.jpgA maioria do povo bushmen continua a viver em casas cobertas a capim em pequenos aglomerados, por vezes a centenas de quilómetros de distância da cidade mais próxima. Estas palhotas são circulares tendo a altura de uma pessoa no seu centro. Para sua execução juntam uma boa quantidade de paus direitos que depois são curvados e enterrados no solo pelas extremidades. Estes são amarrados ao centro com mateba, uma casca retirada de uma árvore que entrelaçada faz de corda.

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Com outras varas mais finas e longas formam uns arcos progressivamente maiores à medida que são postos do centro da cobertura para o solo; estes paus tipo verguinhas mais finas, são amarrados aos outros mais grossos que estão na vertical tipo meridianos. É deixado um pequeno rectângulo por forma a permitir a entrada e saída de uma pessoa.

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Os seus instrumentos são bem escassos pois com muita frequência, mudam de sítio por via de seguir a caça, seu sustento. Têm lanças com ponta de ferro como nossos primitivos ascendentes que envenenam com a banha de um verme que apanham ainda em casulo. Chegam a matar girafas com o uso de sua astucia e modo felino de andar na mata, pé ante pé e sempre nas mesmas pegadas sem fazer estalar qualquer tronco seco.

koisan12.jpg Usam lanças e arcos de flexas, transportando mantas para suportarem o frio das noites que chega a graus negativos. Seus pratos são feitos de aboboras e os copos de massala ou maboque. São óptimos pisteiros e conhecedores de raízes cheias de água que espremem para vasilhas ou ovos de avestruz.

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As autoridades estão dando alguns apoios por meio de lhes facilitar a fixação colocando em sítios estratégicos poços de água alimentados por energia solar! Creio também que lhes fornecem mantas e facilidades de transporte para levar seus frutos a postos de venda.  Fazem artesanato a partir de espinhos de porco, ovos de avestruz, cascas de massala e lindos colares de missangas e frutos do mato. Usam uma quinda ou balaio maleável aonde colocam seus parcos pertences.

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Seus conhecimentos milenares estão sendo estudados ao pormenor em algumas universidades da África do Sul por forma a conhecerem melhor sua tradição de estórias verbais com lendas e dando a estes benefícios na forma sustentável sem os viciar. O Xhoba cacto inibidor do apetite vai através de convénio governamental contribuir para lhes criar hábitos de sedentarismo.

koisan10.jpg Não sei se os exploradores Tugas de outros tempos davam importância a alguns factos e se o fizeram ficaram relegados para segundas núpcias de estudo. Serpa Pinto recebeu a missão de estudar no Alto Chire a construção de uma linha de caminho de ferro que assegurasse a ligação do lago Niassa com o mar, apoiado numa forte coluna militar, que mais tarde se ligaria no baixo Catanga a outra coluna portuguesa vinda do Bié, sob o comando de Paiva Couceiro

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Portugal deu início a várias acções de ocupação: entre 1887 e 1890; Artur de Paiva ocupou o Bié e Paiva Couceiro foi enviado para o Barotze. Numerosos sobas prestaram vassalagem a Portugal. Tendo isto em vista, os ingleses começaram a aliciar os chefes indígenas das regiões visadas, incluindo aqueles que já tinham prestado vassalagem a Portugal como os Macololos e os Machonas e até o célebre régulo de Gaza, Gungunhana.

cacto xoba2.jpg O envio de tropas e de funcionários para todos os lugares onde se fazia sentir a sua falta era, porém, virtualmente impossível para Portugal. Por outro lado, o acordado na Conferência de Berlim dizia respeito fundamentalmente aos territórios junto á costa, já que o “hinterland” africano era muito mal conhecido. Daí as numerosas expedições organizadas de reconhecimento.

nauk03.jpg Os resultados da Conferência acordaram Portugal para a realidade. Se bem que o esforço estratégico tivesse sido orientado para África após a perda do Brasil, pouco se tinha feito por via da instabilidade da vida político-social da Metrópole, M´Puto e das extensas vulnerabilidades existentes.

FIM

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:45
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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017
MONANGAMBA . XLVII

RELEMBAR ANGOLA - Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também devemos orgulharmo-nos das coisas boas que fizemos…

As escolhas de T´Chingange

Por 

canhot1.jpgANTONIO JOSÉ CANHOTO

O COLONO

A definição de “colono” para alguns brancos residentes em Angola afectos ao MPLA, partido que governa este país desde 1975, bem para como para muitos negros, o termo “colono” tem sempre cor branca. Para estes o colono teve sempre como objectivo explorar negros, dizem! Nada pode estar mais errado nesta forma radical de definir a palavra “colono” seja o visado de que raça étnica for como um explorador oportunista de negros, índios ou aborígenes.

angola6.jpegFilologicamente o vocábulo “colono” pode ser definido como a um individuo que faz parte de uma colónia, que emigra do seu país de origem para uma terra estrangeira ou no mesmo continente e de um país vizinho para a povoar, cultivar por conta própria ou de outrem independentemente da raça do seu proprietário e, se este nasceu ou imigrou para o território.

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Este acto migratório pode ter duas vertentes: a primeira é quando um outro país exerce o controlo ou a autoridade sobre um território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país ao qual esse território não pertence e contra a vontade dos seus habitantes quando o país é colonizado e, que muitas vezes, são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) ou eventuais direitos tribais, culturais e ancestrais que detinham.

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Na segunda vertente emigram a pedido do governo do país ou de empresas privadas que pela falta de conhecimento tecnológico dos naturais se vêem obrigados a procurar mão-de-obra especializada no estrangeiro, para suprir as suas deficiências naturais. Para uma certa classe de portugueses e angolanos brancos e negros enfeudados ao partido do governo a sua atitude maniqueísta é a de que todos que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”, os maus da fita.

suku0.jpg Na minha opinião este reaccionário pensamento vindo de negro ou branco chamando indiscriminadamente “colono” de forma ofensiva para todos os portugueses que viveram em Angola até 1975 ou que para lá emigraram depois desta data, aconselho-os a olharem retrospectivamente para os seus passados e dos seus pais ou avós antes de 1975 antes de atirarem a primeira pedra.

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Ingenuamente, pensei que o termo “colono” estivesse a cair em desuso, mas vejo que continua bem vivo nas bocas de alguns, quando comentam alguns textos meus e de outros sobre Angola. Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também devemos orgulharmo-nos das coisas boas que por lá fizemos deixamos. Fomos certamente “colonos” durante os séculos que se seguiram à descoberta desse território o qual, ainda nem nome tinha.

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Muitos milhares de portugueses ainda hoje emigram para Angola na procura de melhores condições de vida trabalhando para empresários de várias nacionalidades negros ou brancos. Sedo assim porquê o governo actual de Angola não os trata como “colonos”?

chicor2.jpg É certo que até finais do século XIX e princípios do século XX muitos dos portugueses que emigraram para as nossas antigas províncias ultramarinas o fizeram na qualidade de verdadeiros “colonos” dando a Portugal benefícios económicos e, a partir da exploração desumana de mão-de-obra negra, contractos quase de escravatura mas, não era esta prática generalizada na última metade do século XX.

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A forma comportamental de alguns “colonos”, nada tinha a ver com todos aqueles que para Angola debandaram ou nasceram depois dos anos 50 com uma mentalidade aberta, iniciando a construção de uma sociedade moderna e multirracial e na qual se reflectia em todos os aspectos da comunidade. Se um empresário negro português tivesse emigrado para Angola, montasse uma empresa e tivesse empregados negros seria considerado um “colono”?

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Sinto-me no dever e direito de desmontar e desmistificar esta falsa questão do “colono” que não pode ser vista interpretada, generalizada com o epiteto de que colono branco é racista e explorador. “Colonos” e colonizadores foram todos os países que nos séculos XV e XVI descobriram à volta do globo, novos territórios habitados por índios nas Américas, indígenas em África e aborígenes na Austrália, num estágio primário civilizacional com perto de 500 anos de atraso tecnológico em relação aos europeus.

chela2.jpg Que por via disto, os descobridores precisavam não só de explorar, assimilar, cristianizar e os infectar, mesmo que involuntariamente, com todas as doenças que para lá exportaram. Diogo Cão chegou á foz do Zaire em 1483 sendo a partir desta data que se inicia a conquista pelos portugueses desta região de África a qual era constituída por vários reis e reinos étnica e linguisticamente diferentes que se guerreavam pelo expansionismo regional.

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O primeiro passo pelo Reino de Portugal foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o do Reino de N´Dongo e o de Matamba, os quais não tardaram a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola em 1559. As fronteiras de Angola só serão definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos Ambundos, a cuja língua o termo Angola anda associado.

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A Rainha Ginga, seu nome Dona Ana se Sousa “N´Gola”, seu título real em quimbundo foi o nome utilizado pelos portugueses para denominar a região conhecida hoje por Angola. Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, na minha opinião também foi a sua primeira grande colonizadora e eu explico porquê? Esta rainha guerreira que morreu aos 80 anos, durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submeteu e escravizou os seus habitantes vendendo-os aos portugueses que os levavam para o Brasil.

n´zinga.jpg N´´Zinga ou Ginga, torna-se assim cúmplice no esclavagismo, pois que também os usava como trabalhadores escravos nos territórios controlados por ela."N´Zinga" formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe. Subsequentemente conquistou o reino de Matamba e em 1635 coligou-se com os reinos do Congo, Kassange, Dembos e Kissama. Este pequeno intróito sobe a Rainha Ginga tem apenas e única finalidade, demonstrar que o processo colonizador sempre existiu em todas as latitudes.

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As tribos ou etnias mais fortes, melhor apetrechadas e com melhor armamento dominavam as mais fracas fora dos seus territórios, submetendo-as com o objectivo expansionista, esclavagista e até para sacrifícios religiosos com práticas desumanas e, por via de suas superstições. E, também para se apropriarem das suas riquezas, concubinas, gado, e rebanhos.

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Os portugueses não foram certamente santos pelos territórios que descobriram e colonizaram, mas também não foram totalmente pecadores na miscigenação que desenvolveram e cultivaram com os autóctones. Mais nenhum país o fez do mesmo modo! Aliás, por lá deixaram tudo sem nunca terem sido ressarcidos pelo roubo chamado de descolonização.

lubango1.jpg A história a ser bem contada, sempre terá de recordar a má utilização que o governo de Angola independente deram ao património que à força foi expurgado os portugueses tais como, casas, aeroportos, portos, cidades, estrada, equipamento, tractores, uma satisfatória rede de escolas e hospitais e administração em geral e, tendo dali saído unicamente com a roupa do corpo. Não confundamos ou associemos a palavra “colono” apenas com a cor branca e muito menos só com nacionalidade portuguesa.

Escrito em 13-12-2016 por A. Canhoto

O Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:49
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 23.08.2017: Parte 3 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também, homem branco em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpegT´Chingange

O Xhoba rebaptizado pela indústria farmacêutica em um produto P57 suscitou todo o interesse pela empresa multinacional Pfitzer que pagou algo como 32 milhões de dólares à Pythopharm para desenvolver um medicamento para não engordar. Os ocidentais dirão ser maravilhoso empanturrarem-se de comezainas e depois tomarem um comprimido para lhes tirar as calorias reduzindo os coiros michelins caindo das faldas da barriga.

koisan9.jpg Tentam afirmar que o Xhoba também tem efeitos afrodisíacos e se assim for vai ser sucesso certo! Não vai ser necessário tomar o tal pau de Cabinda ou raspas de rinoceronte para ter a musculatura certa no músculo viril! Não sei é se esses tais 100.000 bosquímanos existentes num vasto território que abrange Angola, Namíbia, Botswana, South África e Zimbabwé, serão mesmo beneficiados conforme ditam as promessas. Não sei não!

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Eles, os bosquímanos eram felizes antes de conhecer estes milagres da civilização; não sei se o serão mais daqui para a frente com tanta gente a ter pena dos coitadinhos quando afinal esse modo de estar já lhes está no sangue há muitos milhares de anos. Sempre aparecerá uma Ong a lhes dar cobertura, apoio e educação e de vício em vício serão levados a formar chagas sociais no mundo que dizemos civilizado! Encharcar-se-ão de cachaça até arrumarem o tédio entre as sandálias  e a esperança. Mas, será bom que as instituições ajudem da forma certa estes nossos ancestrais...

koisan7.jpg As terras que os Tugas ambicionavam em África supunha-se não pertencerem a ninguém em particular e, a nosso favor, na Conferência de Berlim de 1885, podíamos alinhar as diversas explorações feitas em várias épocas por portugueses, mas os ingleses, nossos grandes amigos da onça, como soe dizer-se, tinham outros interesses, dos quais se destacam o desejo de Cecil John Rhodes.

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Ele, Cecil Rhodes, desejava construir seu sonho em um corredor que ligava o Cabo ao Cairo e a descoberta de diamantes em Kimberley e ouro no vale de Kaap, abriu-lhe a pestanas e o prazer de ser grande. Estas áreas só poderiam ser tomadas pelo torneamento dos estados bóheres do Orange e do Transval (como veio a acontecer). Além do mais um sonho deste senhor era por si só uma grande limitação aos avanços de Portugal. Em todas estas politicas os khoisan (bosquimnos), nunca foram tomados em consideração... 

koisan1.jpg Que nem cordeirinhos os diplomatas do M´Puto, subestimavam-se àqueles por via dum tratado que só nos tramava. Sempre tramou! Pois deste sonho do Inglês Cecil Rhodes e do devaneio imperial de Bismark, derivou o maior esforço militar no Sul Angola, nas margens do rio Cunene, onde existiam duas tribos aguerridas: os Cuanhamas e os Cuamatos.

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Os historiadores sempre de forma suave abordam esta questão sem chamarem os nomes certos aos bois e, se Angola tem as fronteiras que tem hoje é aos abnegados militares de outrora que devem honrarias e não a buçais sobas que se vendiam aos alemães e ingleses por cachaça, pólvora mais uns canhangulos à mistura. E, os khoisan continuavam ignorados na história

koisan11.jpg É tempo de os mwangolés da Luua, assentarem ideias de que nem tudo vindo dos Tugas foi mau. Muitos ali ficaram na terra que agora os desmerece. Em 1890 tinha sido morto o herói Silva Porto, atraiçoado pelo soba local, que acabou preso por Artur de Paiva em 1893; o mesmo oficial dirigiu a expulsão dos Hotentotes (Holandeses) e mais tarde em 1898 comandou as operações no Humbe durante sete meses para vingar a morte do Conde de Almoster e dos seus dragões. Derivei um pouco para se entender o que efectivamente se passava neste então naquela áfrica até então esquecida; tanto assim que o rei Belga ficou dono dum país - o Kongo Zaire.

macuta 1.jpg A insubordinação destes povos era fomentada pelos missionários luteranos e o assassinato de dois comerciantes portugueses, em 1904, levou ao envio de uma expedição para “bater” o território “Ovambo”. Mas um grave revés, em Pembe fez abortar toda a operação colocando toda a região Sul numa situação perigosa. Foi então nomeado Governador da Huíla o Capitão Alves Roçadas, em 1905.

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Este notável militar desenvolveu um conjunto de operações militares, coroadas de êxito, destacando-se os combates de Mufilo e Aluendo, em 1907. Em Angola dá-se a pacificação dos Dembos, pelo Capitão João de Almeida, (concluída em 1913 por Norton de Matos), e Roçadas pune os Cuamatos. A seu tempo voltaremos a falar dos bosquimanos e seu cacto xhoba...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:16
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Sexta-feira, 3 de Novembro de 2017
MULUNGU . LVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . REINO SHOBA . Warrenton - 23.08.2017 : Parte 2 de IV

- Escritos da minha mochila

-Um amigo receitou-me Pimenta Caiena para controlar a pressão arterial – Por agora passeio o esqueleto no reino bushmen...

Mulungu: Pode ser árvore, mas também homem branco, em língua Xhosa (Cosa)

Por

soba0.jpegT´Chingange

As viagens de exploração em África sucederam-se por parte de Portugal, Inglaterra, Bélgica, França e até a Alemanha de Bismark. Toda esta actividade veio a culminar na Conferência de Berlim de 1884/5, onde se fez a partilha do continente desencadeando-se assim uma autentica corrida a África. As possessões portuguesas de África eram quase apenas ponto de passagem, interpostos comerciais ou lugar de expiação de condenados durante três séculos e meio.

PAI7.jpg As estruturas sociais eram assim, muito débeis. Foi, portanto, um povo desmoralizado e um governo hesitante e fraco, que em meados do século XIX teve de passar a olhar para África, por um lado para encontrar alternativas à perda do Brasil; por outro, para fazer face às potências que nos queriam esbulhar. Em verdade nunca se conseguiu pôr de pé um plano global de actuação com políticas encetadas e, foram-no quase sempre reactivos e nunca por antecipação.

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A Portugal faltava-lhe gente para dar envergadura a um projecto de colonização mais eficiente e rápido. Era o Brasil que verdadeiramente absorvia todas as apetências Lusas. Dos sucessos ultramarinos destacam-se a travessia de África de Angola a Moçambique, e volta entre 1804 e 1814! Mas, isto foi muito para tudo mais tarde, passados que foram cento e sessenta anos resultar em nada! Para esses fazedores de novas sociedades, as epopeias culminaram em 1974.

chai4.jpgUns quantos ditos progressistas, militares misturados com civis e por traição, decidiram entregar aqueles territórios de mão beijada sem garantir a permanência dos brancos; Mas teremos de voltar atrás noventa anos para descrever sucintamente outros episódios. A seguir à Conferência de Berlim, o governo  português desencadeou um conjunto de acções de âmbito militar, administrativo, de investigação, de delimitação de fronteiras e também de melhoria de infra-estruturas, comunicações e de comércio.

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As campanhas militares de pacificação em Angola iriam estender-se até meados dos anos 30 do século XIX. Ocorreram numerosas acções das quais se destacam: a pacificação dos Dembos que se arrastou de 1872 até 1907, situação resolvida pelo Capitão João de Almeida. Os Dembos revoltaram-se novamente, em 1913, e de novo foram derrotados por Norton de Matos nos combates de Kindangue e Kingola.

guerra3.jpg Outras regiões necessitadas de ocupação efectiva eram Malange e Lunda e, para o efeito várias acções foram levadas entre 1889 e 1907. Em 1908, pacificou-se a região de Boudos, e no ano seguinte as regiões entre Bongue Angola e Duque de Bragança que se prolongaram até 1913 e, de modo a permitir a construção do caminho-de-ferro de Malange.

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Em 1902 declarou-se a revolta nos povos do Bailundo. Para lhe fazer face organizaram-se duas colunas. Uma saiu de Luanda sob o comando de Massano de Amorim, e a outra saiu de Benguela sendo comandada por Teixeira Moutinho. Ambas suportaram longas marchas e duros combates, todos eles contados por vitórias.

diogo6.jpg Perdi-me nesta contenda derivando do cacto linha zero dos bosquímanos para as diabruras dos Tugas de N´Gola com Tugas do M´Puto e assim volto aos registos históricos que dão conta de que há mais de vinte mil anos por aqui, sul do deserto do Calahári, vagueiam os bosquímanos, caçadoras por natureza, cujo trabalho é procurarem comida. No nosso modo de ver só podemos confronta-los com a tese mitológica para justificar seu destino sempre incerto.

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Desde sempre os deuses gozam com esta terra e com quem a povoa. Mas se dos céus não vem a farta chuva, da terra brota um cacto que lhes engana a fome, o cacto xhoba! Espinhoso e viscoso, azedo como trovisco, é capaz de cortar em 2000 calorias a necessidade diária de energia de um ser humano. Será sem dúvida uma oportunidade de os muitos milhões de obesos no mundo eliminarem sua excedentária gordura.

zeka7.jpg Dizer-se que os bosquímanos terão aqui uma forma de subsistirem economicamente e, por venda deste produto é talvez uma fantasia, senão tendenciosa no mínimo falaciosa. Encontrando-me eu aqui nas bordas do reino dos bushmens, um lugar cercano ao rio Vaal, não dou por falta de comida quer ande para norte ou nascente. Há capotas, patos, warthogs, mopane (catato) e um sem numero de plantas e raízes comestíveis.  Só quem não conhece o mato e suas gentes pode afirmar esta excentricidade.

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O xhosa (ou IsiXhosa), ou aportuguesando, cosa é uma das onze línguas oficiais da África do Sul. É falada por aproximadamente 7,9 milhões de pessoas (cerca de 18% de sul-africanos), principalmente nas províncias do Cabo e sul do KwaZulu-Natal, mas também nos países vizinhos de Botswana e Lesoto. As consoantes clicantes são uma característica proeminente dos sons desta língua e mesmo o nome "Xhosa" que se inicia com um "clique". Estima-se que cerca de 15% do vocabulário é de origem Khoisan e, mesmo as consoantes clicantes podem ser dessa origem. Existem jornais e programas de rádio nesta língua.

(continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:41
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MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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