Terça-feira, 22 de Novembro de 2022
MUGIMBO CXXVIII

*PRIORIDADE MÁXIMA*

- Crónica 3302 em 16.05.2022 – Republicada a 22.11.2022 em Lagoa do M´Puto

Por MUJIMBO01.jpgT'Chingange em Arazede de Coimbra do M'Puto

Introdução: - Cada um de nós deveria ter uma BAZUCA sem a ilusão e, COMPADRIO carunchosamente facilitado pela fricção corrupta...

MUJIMBO2.jpg Mergulhados em um mundo mediático, publicista e consumista, corremos todos os dias o risco de priorizar o que é secundário. Governo e vendedores de fantasias enchem-nos a paciência sem dó. Muitas coisas são importantes, mas é fundamental estar-se constantemente vigilante na avaliação do topo da lista. Somos sempre estimulados a desejar aquilo que não é realmente necessário, a criar falsas necessidades.

Não podemos viver autocentrados quando o alerta nos torce a mente enganando  nossas urgências e necessidades. Assim, o que é mais importante na vida assume uma posição secundária e passamos a trabalhar, lutar e investir nosso tempo e energias a correr atrás daquilo que é supérfluo ou ilusório...

Sabemos que precisamos priorizar o que é autenticamente importante. O problema é que dar prioridade àquilo que é mais importante, nem sempre brotará espontaneamente de nós. Normalmente, o que em nós pulsa, é o desejo de auto realização correndo o risco de virarmos marionetas.

MUJIMBO3.jpg Queremos afirmação e pensamos que sejam o fruto de nossas conquistas: “Minha beleza, minha inteligência, minha casa, meu celular, meus diplomas, minha profissão…” E, quanta decepção se encontra quando priorizamos o que não nos é assim tão necessário…

Nossa única prioridade real na vida deve ser o de "viver com dignidade e liberdade". No fim de tudo, o que importa é se você colocou a sociedade, seu próximo ou vizinho e família em primeiro lugar...

Com fé, a prioridade surge; e, até encontrará forças e sabedoria para enfrentar qualquer tipo de circunstância! Ao dar o primeiro, o melhor e o mais importante é esse lugar de seu lado positivo no pensar; e, verá assim que tudo o mais se encaixará, naturalmente...

ama3.jpg Sua realização e afirmação não estão no que dizem as vozes deste mundo cheio de propagandas vazias, mas no que diz a palavra da sua humilde e honrosa postura. Sempre é tempo para tomar um novo início com o rumo certificado em mente de progresso.

Comece agora a buscar o reino de seu templo, seu pensar como PRIORIDADE MÁXIMA. Faça disso seu maior interesse e veja cumprir-se em sua vida a promessa com o verbo certo, em um qualquer novo dia: “Essas coisas lhes serão acrescentadas” sem a necessidade de se esquecer...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:48
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Sábado, 19 de Novembro de 2022
N´NHAKA . XXII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . VIII

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3299 de 12.05.2022 – Republicação a 19.11.2022 na Lagoa do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por kota0.jpg T´ChingangeEm Arazede de Coimbra do M´Puto

roxo201.jpg Passando o dia nas quedas da Binga e já quase noite, retornamos ao Sumbe, a casa do Sr. Pais da Cunha, pai de Balbina, nosso anfitrião e sogro do Jimba; pela noite teríamos os jogos do Mundial de Futebol 2002. Situada na rua da Resistência, sector impar; o kota Pernambuco estava nos fundos do quintal queixando-se de dores e tremuras - tudo indicava que fosse paludismo, tomara! Dormia ali no relento da sacada no anexo.

Pernambuco, sempre foi um dedicado serviçal mas, agora a idade tornou-o corcunda mais propriamente depois de ser submetido a uma intervenção no hospital de Luanda por pseudo médicos cubanos. A vida por ali andava testada no fastio de sem cerimónias de consciência, andava muito próximo da morte como se assim o fosse coisa normal. Este comportamento social estava muito mudado para pior e em relação aos anos que por ali vivi e até o 13 de Agosto de 1975, quando da minha saída na ponte “Lualix”.

piram3.jpg Disse cá para mim nessa altura, que se calhar não voltaria a ver o kota Pernambuco e, em verdade, morreu pouco tempo depois envolto creio numa apatia de deixa andar para ver como fica, quando se sentia já o cheiro do além ainda em vida. Quando me lembro ainda fico triste. Jimba, marido de Balbina veio a morrer tempos depois e, após ter andado a ser tratado nos hospitais do M´Puto mas seu destino aligeirou-se entre fragilidades, fraquezas de coração e das bichezas cancerígenas…

Aquele velho de nome Pernambuco que tanto se dedicou lá na cozinha do Cantinho do Inferno, anos e anos a fio fazendo comezainas de gente fina como lagosta suada entre outras maravilhas pantagruélicas, ali estava que nem um enjeitado, definhando-se nas carnes dia após dia sem uma atenção mais esmerada pelos circundantes; aquela falta de atenção pelos demais fez-me ver a cruel postura da vida naquela angola acabada de sair da guerra dos misseis monacaxitos.

mirangolos.jpg Apercebi-me que a morte chegava mais rápido ali do que em outro qualquer lado, coisa de pensamento ainda envolto naqueles tempos em que a Novo Redondo se chamava “o cemitério dos brancos” e sem aquela atenção dos demais, a morte já vulgarizada de comum como se assim fosse uns continuados descuidos de humanidade que num repentemente levou Pernambuco… Lá naquele quintal, vou continuar a vê-lo na insignificância dos fundos, para sempre. Mas e agora, o casula Xingu e a Fati também estavam com indicio de febre; foram ao hospital e deram-lhe medicação para a febre tifóide. Tive dúvidas de ser isso e, creio terem-lhe dado este medicamento pelas águas insalubres do rio Cambongo.

A febre tifóide é uma doença infecciosa, transmissível e desencadeada pela bactéria Salmonella Typhi. Isso deixou-me na altura preocupado pelo que beber água só mesmo engarrafada. A doença, que apresenta gravidade variável, está relacionada directamente com as condições de saneamento básico em uma região e com os hábitos de higiene de cada indivíduo. Assim sendo, sua incidência é maior em áreas associadas a baixos níveis socioeconómicos, ocorrendo num maior número de casos nas regiões quentes e sem o devido tratamento.

mocanda9.jpg Numa destas noites Chiquinho saiu a ver novidades pelas ruas mal iluminadas do Sumbe e ao chegar teve a expressão: o holocausto está escuro! Nas noites que ali permanecemos, o galo do vizinho Cadinho cantou a todas as horas ímpares, começou à uma e terminou lá pelas cinco da manhã. Com o calor a apertar de noite tive de me levantar e banhar-me com o caneco de esmalte e, espreitando lá para o quintal do Cadinho pude localizar o galo cantor no meio de uns carros desarranjados com os motores descarnados, vielas soltas com os pistões a servir de varas aos galináceos, restos de geleiras, fogões e corotos vários todos caiados de neve saída dos galináceos, perus e patos…

Pude também ver já com o dia a despontar, no meio daquele conjunto de estralhos e zingarelhos o esqueleto de uma máquina de costura Oliva entre outras imbambas misturados com as baterias, cambotas, restos de macaco e chatarra de pneus, motores de arranque com muito fio enrolado em cima de uma mesa escura de óleo queimado, esqueletos de motorizadas e bicicletas e até um said-car. Também havia um fogão desmantelado, uma geleira que fazia de prateleira a latas besuntadas de óleos a granel. Enfim, todas as imbambas a um qualquer momento davam jeito e tanto que, em um dos dias o Bien, Humberto Cunha, foi lã buscar uma mola helicoidal para adaptar no seu carro hibrido, o mesmo talqualmente, que nos levou ao Lobito.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:04
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2022
KAZUMBI ANTIGO
FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA
“AS INTERMITÊNCIAS AMARGAS DA MORTE”
Crónica 3298 de 11.05.2022 - Republicada a 18.11.2022  em Lagoa do M´puto
“CAZUMBI: - Feitiço; coisas azaradas; má sorte; milongo envenenado; azar".
Pordia183.jpgT´Chingange – Em Arazede do M´Puto

cazumbi6.jpgDesfolhando aleatoriamente o álbum de família e amigos, torna-se evidente que a morte não arredou pé do seu compromisso com a humanidade e, eis que exactamente num dia, dão-me a notícia de que algures numa rua de Johannesburg um amigo próximo vitimou-se de morte em acidente, de carro, varado por um tubo solto, mal acondicionado dentro de seu carro; não sei mais pormenores porque não é nesta periclitante situação de infortúnio que se perguntam detalhes "de como foi".

Tinha que ser! Fugiu da África do Sul com medo de morrer nas mãos dos novos senhores no após a independência e, logologo numa visita ocasional à família morre em um acidente quase descabido. Não foi noticiado nos meios de comunicação mas, nem toda a gente do mundo pode abanar a tranquilidade dum país decretando dois dias de luto nacional ou ter referência especial nas manchetes do dia nos écrans da TV. As obras de Deus sempre são assinadas com o cunho da adversidade.

cazumbi7.jpg Lembrar agora que no Portugal prófundo que se pensava ter dado morte ao carrasco primeiro-ministro, o povo maior, vacinado e emancipado após ter vilipendiado o "engenheiro" um líder tão contestado, ao invés do veto sagrado dão-lhe o voto sondado. Por vezes as coisas não são loisas, nem todos os Sócrates os são genuinamente. Aquele amigo defuntado na África do Sul, originário da Madeira, decerto não tinha pensado estacionar ali seus ossos. Ele que pelo seguro era um tri-cidadão, resguardado na vida com três passaportes, não previu a morte desta forma.

Português da Madeira por nascimento, brasileiro por crescimento, veio a usar seu fim de vida com o terceiro passaporte, o da África. Meu amigo de nome Moreira não se precaveu com um quarto passaporte para o paraíso e irei sempre recordá-lo por uma frase dirigida a mim, e que ao longo de muitos anos me martelou negativamente. Dizia ele com experiência que "amigo, é aquele que me mete dinheiro ao bolso"; não contestei em sua vida essa afirmação mas, decerto, do muito que arrecadou, nada, agora levou.

cazumbi2.jpg A espada de Dâmocles (o que foi rei por um dia) no dizer de Saramago – o Nobel, suspensa por um fio, cairá um dia nas nossas cabeças. Só peço que não me surpreenda ela, a espada, como um velho mísero, nem tão pouco me apanhe num qualquer asilo como indigente. Quantas pessoas, estóicas, dignas, corajosas, optam pelo suicídio estando assim a dar uma lição de civilidade. Porque é que os políticos (alguns de topo) não seguem esse estoicismo dando-nos uma bofetada sem mãos, morrendo politicamente, entenda-se!

Porque não o fazem, se são tão honestos nas convicções. Já sei! Iriam ser afectados no seu foro ético e moral! O povo Tuga, afortunado por seus ancestrais, encerram-se agora numa malcheirosa penumbra de confessionário optando em sondagem na escolha do seu carrasco. É demais, e do mesmo. Vá-se lá entender tal estirpe! Tanta treta para tudo terminar em maioria absoluta…

cazumbi0.jpg E, ainda falam em uma geração àrrasca - Geração àrrasca foi a minha. Foi uma geração que viveu numa terra que teve de abandonar porque afinal já tinha dono. Uns eram turras e outros filhos do Puto, besugos. Também era proibido ser diferente ou pensar que todos eram iguais com acesso à saúde, ao ensino e à segurança social. Meu amigo de nome Moreira não se precaveu com um quarto passaporte para o paraíso acabando por ficar lá na África…

O Soba T´Chingange (Ochingandji)


PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:36
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2022
GUARARAPES - 4

RECIFE – A SAGA DO AÇÚCAR

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA – CAXEIROS E O OURO BANCO

Crónico nº 3296 de 09.05.2022 – Republicação a 15.11.2022 para o Kimbo Blogue

Por Fraternidades3.jpgT´Chingange (Ochingandji)

vieira2.jpg Os Tugas, resgataram a prática do uso escravo podendo de forma sintética mencionar o padre António Vieira quando refere “Sem açúcar não há escravos e sem escravos não há açúcar”. Como já foi dito, a Madeira como berçário de novas práticas sociais foi nos primórdios da expansão Lusa, o primeiro e mais importante mercado receptor de escravos africanos. À ilha chegaram os primeiros escravos guanches e marroquinos que contribuíram para o arranque económico do arquipélago e a diáspora Lusa.

Depois, foi o pau-brasil, e os caixotes de nobres madeiras que serviam para transporte do ouro branco. Nos dias de hoje, ainda se podem apreciar mobílias feitas de boas madeiras levadas do Brasil como o jatobá, jacarandá, sucupira ou angico; estas madeiras, curiosamente eram tão-somente a estrutura dos “caixões” para transportar 300 quilos de açúcar. Talvez por isso se designe aos contadores ou administradores das remessas de “caixeiros” pois, mais não eram somente do que zeladores dessas caixas de açúcar.

Os maiores e melhores organizados destes caixeiros eram os imigrantes ou colonos de ascendência judaica, essa grande diáspora unida à semelhança dos Ilhéus que por via da inquisição levaram famílias inteiras a se refugiarem nas praças do Norte da Europa como Amsterdão, Antuérpia, Rochela, Londres ou Bordéus. Por iniciativa própria e por sobrevivência, estabeleceram redes de negócio familiares que vieram a ser considerados como o principal suporte da rede comercial resultante dos descobrimentos.

olinda4.jpg Esta rede comercial é em realidade uma verdadeira contradição com os comportamentos da expansão cristã, o que me leva a salvar a teoria de que em negócios tudo é possível. Nesta rede comercial, Angola, aparece como principal consumidor de vinho da Madeira a par com o Brasil, país irmão. Há escritos de caixeiros referindo fornecimento de 100 pipas de vinho da Madeira no ano de 1651, poucos anos após Salvador Correia de Sá e Benevides ter escorraçado os Mafulos de Loanda.

No Funchal, em São Vicente do Brasil, Pernambuco, Bahia, Luanda e Santiago de Cabo Verde por via do negócio do vinho, há novas apetências surgindo por isso uma chusma de pequenos burgueses. São estes os vértices do mundo Português, a Lusofonia actual que dá agora importância com consciência às praças dum antigo recheio colonial. Muitos de nós de genes mestiça, somos o fruto deste fado chamado de diáspora; o fruto desses antigos mestiços, capitães, mestres e serviçais, escravos duma sanzala qualquer, servindo sempre um senhor.

vieira1.jpg O senhor do engenho ou navegador aventureiro da rota do cabo, de um sonho, uma saga. A retórica com manipulação de novos discursos, para serem históricos, terão de se basear nessas evocações, fundamentos na reposição da verdade. É para isso que servem os grandes homens, a quem vulgarmente chamamos de estadistas. Pernambuco com o contributo da Madeira foi a capitânia que gerou o nativismo mais virulento da história brasileira.

A batalha de Guararapes com João Fernandes Vieira mestre de campo nomeado pelo rei D. João IV, virá sempre à tona quando se relembra esse distante passado que deu nome ao futuro luso-brasileiro e angolano. Também há um importante factor de mudança em termos de tonalidade democrática pois que aqui começa a mistura do povo, lavradores e trabalhadores braçais com fidalgos, funcionários do reino, comerciantes, ouvidores e artesãos entre fiorentinos, genovezes ou flamengos originando um modelo especial com apego à terra e o conceito de brasileiro.

guararapes3.jpg Esta saga que originou a Globália, foi e continuará a ser uma característica sem igual da colonização missegenada de Portugal no Mundo. O mundo das nações do G7 e outros que advirão, deverão obrigatoriamente enaltecer este predicado na história da colonização do povo português ao invés de os menosprezar. Tudo o exposto demonstra bem a mescla de gentes, e também o surgir de um linguajar de escravaria com estratos subalternos do engenho e a relação entre o patrão, coronel ou fazendeiro. Surge assim a par de João Fernandes Vieira outros nomes como Gerónimo de Ornellas e Francisco de Figueiroa, todos eles Madeirenses a não esquecer porque engrandeceram o mundo Lusófono. A figura pública de Figueiroa foi contestada quando ainda era governador de Cabo Verde mas, na saga Atlântica, como herói na tomada de Pernambuco, passou a ter uma forte ligação com a história…

reci1.jpg 

GLOSSÁRIO: Mafulo: - Holandês em dialecto kimbundo de Angola

NOTA: A reconquista de Angola virá logo a seguir à Saga do Açúcar pois que foi do Recife que saiu Salvador Correia de Sá e Benevides com uma frota de naus, que libertou Loanda do jugo Mafulo

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:09
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2022
PARACUCA . LX

MULOLAS DO TEMPO31

RECORDANDO: Nós, bazungus no COMPLEXO PALMEIRAS de BILENE

- Odisseia “HAJA PACIÊNCIA” – Recordando o 08 de Novembro de 2018 – no 52º dia

Crónica 3290 24.04.2022, no PortVille de Maceió do Brasil – Republicação a 09.11.2022 em Lagoa do M´Puto

Por dia23.jpgT´Chingange

FK2.jpg Este episódio que agora descrevo foi escrito na Praia da Pajuçara do Brasil, no ano de 2019. Porque foi neste agora que vi no verso da nota de pagamento no Utengule Coffee Lodge na cidade de Mbeye da Tanzânia. Pagamos 333 dólares (duas Pessoas) por duas noites e dois dias - 8 e 9 do mês de Outubro do ano de 2018. Fiquei com a referência de ter sido Kofi Annan, o representante da ONU que inaugurou suas instalações - na recepção a sua foto ocupa lugar de destaque. Ora, como este manuscrito não o fiz passado a limpo na altura, descrevo-o agora por ter alguma relevância em pormenores quase esquecidos. Dito isto passo à descrição daquele dia  08 de Novembro do ano 2008 de saída para Moçambique.

Por engarrafamento, a uns escassos quilómetros da fronteira de Ressano Garcia, o medo de ficarmos no caminho apoderou-se de nós, condutor e passageiros. Isto porque o Nissan 4x4, foi abastecido em uma bomba de um chinocas com uma elevada percentagem de água misturada no gasóleo. O jeep deixou de corresponder ao acelerador, engasgava-se e andávamos aos supetões. Desligou e pegou por várias vezes mas, tornava-se evidente que iriamos parar por aí em um qualquer sítio.

moça4.jpg Muito à rasca conseguimos chegar até à recepção do Lodge bem perto da fronteira e logo ali do lado esquerdo do Crocodile River em Komatiport de Mpumalanga. O carro ali ficou parado em definitivo mas, a sorte, fez com que o marido de uma funcionária da recepção, mecânico de profissão, auxiliasse no busílis e, logologo acontecer ao melhor condutor de áfrica! Este senhor mecânico, depois de verificar com um computador o problema, conclui que teria de se tirar todo o combustível porque um sensor ficou totalmente desactivado – pifou!

Felizmente o problema ficou sanado com a instalação desse novo sensor, graças a Deus para que nada se escape destas periclitãncias com ajudas milagrosas. Atravessar Moçambique foi das piores experiências, fomos roubados ou enganados, até por polícias… Antes que me esqueça, terei de lembrar que em todas a fronteiras africanas surgem gentes oferecendo facilidades, acostumados que estão a ludibriar o branco, inventam dificuldades para vender facilidades. Bom, prosseguindo!

Mu Ukulu37.jpg Também posso ver por todo o mundo este procedimento, advogados do diabo que se aperfeiçoaram em tramóias de rocambolescos procedimentos e, que feitos com o mundo do crime lavam em seguida todas as instâncias de criminalidade… Nas fronteiras de África surgem uns bafanas assessores de turistas, normalmente com um crachá pendurado no pescoço e, assim que paramos o carro, cercam-nos literalmente e, na forma de alcateias de mabecos, que mesmo sem nosso consentimento nos dão indicação do que fazer e como fazer, pedindo papéis do carro e edecéteras pessoais.

Às tantas, estamos entregues a uns quantos que tratam das mesmas diligências. Ficamos sem saber se estes, estão ou não feitos no compadrio com os funcionários da Aduane porque entram e saem dos espaços administrativos, como se dali o fossem, parecendo-nos agilizarem os trâmites para daí, obterem uma gasosa…

kamangula4.jpg Queiramos ou não, isto perturba sobremaneira o turista europeu não habituado a estas práticas aparentemente desordenadas e, sempre nos vêm à ideia estarmos a ser surripiados exactamente pelo facto de sermos brancos. Entretanto na Europa, ao mínimo incidente com gente não ariana será motivo de muito falatório em TV e jornais, como se todos os fossem os paladinos da verdade. Acho que Deus não vai salvar áfrica! Tenho de deixar aqui minha revolta pelo facto de ficarmos bem convictos de sermos roubados por gente sujeita à sobrevivência usando as técnicas de ladroagem com abuso da tão propalada  resiliência. Trafulhas, enfim!

Não andem de carro por áfrica; usem só a via aérea… E, nunca acredite num talvez! Pela certa vai ter muitos mais prejuízos; saiba dizer não – é fundamental. O maior talvez foi o do Ferry que nunca chegou para podermos atravessar o lago Caribe; e, foi o dono da instalação, aonde ficamos, na beira do lago, um bóher que nos disse: Em África nunca acreditem em um talvez! Bem! Nosso guia “el comandante”, muito habituado a estes pormenores, segundo sua pópia nobre, um nato filantrópico deu 10 Euros e 200 Kwachas a uns vendedores de diligências… Um valha-me-Deus pago por actos dispensáveis que me infernalizou toda a viagem…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2022
UCRÂNIA . I-II-III-IV-V

 

A GUERRA DOS ABSURDOS, DAS RUINAS . Partes I.II.III.IV.V

UCRÂNIA - Espiando algum desdém duma parte do Mundo...

Cronica 3284 - 17.04.2022, no FortVille da Pajuçara de Maceió – Republicação a 31.10.2022 com actualizações

Porucrania1.jpgT'Chingange

ucrania2.jpg PARTE I - Viver é muito perigoso!…

Nesta guerra da Ucrânia, Putin, está vendendo a alma ao diabo. Está vendendo também a alma dos outros, do Mundo! Viver, que seja só um sentimento de cada vez, dá para ver sim que este mundo está louco! Mas, todos estaremos loucos neste Mundo? Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são mais que muitas, muito maiores e diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça para entender seu total…

Tudo, nem imaginado, sucede acontecendo e o sentir forte da gente de só se puder viver perto dos outros, sem perigo de ódio. Qualquer amor nesta guerra maldita, já é um pouquinho de saúde, um descanso de loucura… Conforme a crença de que Deus está em tudo! Mas tudo se vai vivendo demais, remexendo-se. Tudo o que foi é o começo do que vai vir, toda a gente está num “ai Jesus”… E, aumentando o desamparo da minha vergonha, digo e repito: Viver é muito perigoso!

Ucrania7.jpg PARTE II – Reflexão ortogonal!...

Imagine-se que eu fosse sacerdote, e um dia tivesse de ouvir os horrores provocados por Putin em confissão na primeiríssima pessoa. O facto de um morrer em vez do outro e, o de um viver em vez do outro, ou todos morrerem numa fragmentação, assim do nada, então!?

Há gente que morre, gente que luta, há gente que se estilhaça, gente que se apaga e … mire e veja, que tenho medo porque todo o caminho da gente é resvaladiço. Deus resvala? Ah, para não chorar, para no mínimo ter um pouco de felicidade, é preciso sabermos tudo, formar alma, formar consciência porque para penar, melhor não a ter.

Mire? Veja? Debaixo deste extraordinário, mesmo longe, a gente lambe a guerra. E porque Deus resvala, nós no rasto dos misseis, acompanha a morte com drones assassinos sem os poder perseguir… De dia é um horror visível, a noitinha refresca e no escorropichar do frio as labaredas fumegam-nos como se o fôramos um tição lagrimando fagulhas. Não se tem onde se acostumar firmando os olhos - toda a firmeza se dissolve indispondo-se num enjoo sem poder conservar um nojo.. Morreu, enterra!

Mas o mundo fala com tanto sonho desmanchado, que se esfiapa na neblina das nuvens de bombas, no movente frio de Abril… O demónio anda na rua… Quando rezo penso nisso tudo; até na Santíssima Trindade. Eu, padre de confessionário, de faz-de-conta acabei assim nesta tristonha estória: Como já tinha comprado meu pano preto de luto manejável pedi desculpa ao Nosso Senhor, peguei na Kalashnikov e descarreguei toda a minha fúria nele, o Putin

Ucrania8.jpg PARTE III – No momento exacto em que espeitava as estrias…

Espiando o Mundo com excepções, esbarrando no arrebentar nas manivelas da vida e, sem a mira certa de enviar um grão de morte ao certo lugar... Espalha-se o terror entre fumaças dançantes nas labaredas de fogo do inferno, de muitos enfeites, de destruição...  Entre um e mais outro zumbido e muitos estrondos, dentro daquele quarto, desventrado, ouvia gritos de matar e súplicas de morrer...

Esperando que a guerra não passasse ali de novo, sufoca-se na espera. Ansiado no desespero estrelejava, sentado na beira da mesa com o revólver pronto, ao alcance da mão, com bala na câmara espera-se para matar a guerra. Em último caso para se matar! Caiu num pasmo... Escrever num momento destes? O revólver era o comando no constante revirar no remexer da guerra transpirando medo...

Não sou coisa, nem cão mas, uivo o que me força mesmo a ter ódio da vida, que me leva a ser covarde e corajoso em simultâneo. Háh o que não pode entender nesta hora, isso de ser capaz de se, me matar!... O zum-zum da guerra acontecendo era o que lhe estorvava o direito de pensar... Fui salvo no momento exacto em que espreitava as estrias daquela arma de cano curto! Nome dela, da arma, esueci…

Ucrania9.jpg Parte IV - Há dias em que confio em Deus.

- O Provérbios 3:5, 6 do livro sagrado assim o diz! Há razões de sobra para confiar em Deus, pois Seu amor por nós é total. Sendo assim, é tempo de confundir os mísseis e drones de Putin e alterar suas coordenadas para caírem lá fora de portas e, não para onde vão... Sendo assim ando à espera de um milagre que confunda as letras Z de Zorro e V de Vitória e, se matarem lá entre eles...

O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e afrouxa, sossega e desinquieta. O que a vida quer da gente, é coragem! O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e ainda mais alegre no meio da tristeza. Pode!?

Pópilas! Só de olhar para ele, o diabo Putin, nele vejo o vulto da guerra. Apesar de tudo o que sabemos sobre Deus, sobre Sua fidelidade, Seu cuidado e amor por nós, ainda assim, às vezes, temos - tenho dificuldades para confiar; este é o caso! E, porque tem que ser assim Dizem os livros! E, não somos nós que fazemos esses livros!

Há dias em que confio em Deus. Então acordo com a doce sensação de que Ele está sorrindo para mim. Mas, em outros, não consigo confiar. Em geral, não volto para casa ao final do dia porque estou nela todo o dia mexendo os pés, cansado de pouco fazer a não ser escrever, e estressado pelo que vejo só porque o não deveria ver, deprimido quando me esqueço de o não estar, sobrecarregado à toa, em verdade! Coisas de velho...

É tão fácil - esquecermo-nos de que Deus é grande e poderoso, de que Ele Se preocupa connosco, supre e resolve nossos problemas. Aí é!? Qualquer dificuldade nos rouba a paz e nos tira o sono. Isto é comum a todos e, por coisa pouca se podermos colocarmo-nos no lugar daquela gente com frio, com fome, sem coisa alguma! Digo para Ele como se o fora ainda candengue, criança...

Posso adivinhar que você ou eu, já passamos por isso sem o querer. Que por vezes, seus dias amanhecem sombrios por semanas. Que de repente, uma nuvem num manto cinzento cai sobre seus dias. E, fica com a estranha sensação de que tem coisas demais para fazer e não vai dar conta de tudo ou nada tem para fazer e, entorpece na pasmaceira.

Ucrania10.jpg PARTE V – Espiei o desdém do mundo…

Dois meses de assassinatos na Ucrânia, sob o olhar compassivo do resto do mundo, estamos vendo um "sete de filmagem" de uma guerra ao vivo e ninguém faz nada de concreto para fazer o agressor mudar de ideia. Bem me parece que a ONU deverá ter um braço armado para fazer cumprir suas determinações...Ufa! Por fim lá aparecem armas inteligentes vindas do Ocidente, às mijinhas…

O maior medo da humanidade é abrir a cortina do conhecimento e descobrir que tudo o que acreditava nunca existiu! Tudo o que ouvimos são opiniões e não factos comprovados... Tudo o que vimos são perspectivas, não são verdades ou realidades; dirão que são narrativas – mentiras e mortes andam juntas.

E, quando a noite chega, um qualquer, apaga a luz ao deitar-se, culpa-se de problemas com a família ou algo pior, esquecendo ser o objecto mais precioso do amor Dele, da Natureza. Confiar em Deus não significa que Ele fará sua vontade, significa que você confia que a vontade Dele é a melhor para você. Um dia, não são dias...Aiué, então?! Hó Deus, juro mesmo, acho que Nosso Senhor, vai-te castigar!

Pópilas! Só de olhar para ele, o diabo Putin, nele vejo o vulto da guerra. Apesar de tudo o que sabemos sobre Deus, sobre Sua fidelidade, Seu cuidado e amor por nós, ainda assim, às vezes, temos - tenho dificuldades para confiar; este é o caso! E, porque tem que ser assim Dizem os livros! E, não somos nós que fazemos esses livros!

Todos nascemos mais ou menos errados e imperfeitos, mas só os conscientes e racionais procuram ao longo dos tempos ter consciência dos seus aspectos negativos e aperfeiçoá-los.

O tempo não passa pela amargura mas, a amargura passa pelo tempo… Hoje que chove, aqui e álem, 31 de Outubro de 2022, passados que são mais de oito meses, ainda não chegaram os tais chapéus genuínos protectores dos drones, desses paráguas de anular neutrões ou coordenadas do GPS. A guerra é um negócio.

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:31
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Sábado, 29 de Outubro de 2022
MALAMBAS . CCLXX

TEMPOS CINZENTOS – GERINGONCIÁVEIS. Ando a semear assobios mas, nos intervalos da vida, durmo!

Crónica 3282 de 15.04.2022 em PortVille da Pajuçara em Maceió – Republicada a 29.10.2022 em Lagoa do M´puto

Por GALO1.jpg T´Chingange

roxo117.jpgAR - Quando o capim cresce num jardim, só pode ser mesmo por efeito de abandono. Esta noite, no meio de bois, vacas e capim, ouvi sumido nos sussurros por entre trastes do conforto dum sonho, uma perereca a coaxar e, notei até que estava lambendo com gosto a cal de paredes cafeladas, saboreando seu bolor, um mofo, como se o fosse um pão de sete dias esquecido algures num escuro húmido, já com estalactites e estalagmites penicilinicas. Será que é mesmo uma perereca? Será que é mesmo uma necessidade da perereca?

Nós sempre queremos respostas para tudo que não entendemos na perfeição como por exemplo esta: “Qual o tipo de gafanhoto que João comia no deserto?”. Vale a pena conferir! Para uma resposta curta e simples podemos encontrar no texto bíblico de Marcos 1,6: “João vestia-se de pelos de camelo e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.” (Marcos 1,6) Bíblia de Jerusalém. Eram cortadas as cabeças e pernas desses insectos, que depois de secados ao sol era salgado e servido com uma espécie de "manteiga", uma espécie de gordura vinda do leite. Hoje temos o conhecimento, pelo dizer dos nutricionistas que no gafanhoto, cerca de 75% são proteínas.

Os sonhos são assim mesmo, imprevisíveis, Alexandre Fleming: o pesquisador que descobriu o poder dos fungos do género Penicillium, não lambeu fungos porque não era sapo ou perereca mas foi assim de forma acidental que se descobriu a penicilina. Alexander Fleming, em 1928, pesquisando substâncias capazes de combater bactérias em feridas, esqueceu seu material de estudo sobre a mesa enquanto saía de férias. Ao retornar, observou que suas culturas de Staphylococcus aureus estavam contaminadas por mofo e que, nos locais onde havia o fungo, existiam halos transparentes em torno deles, indicando que este poderia conter alguma substância bactericida

roxo3.jpgAR -  Não sabemos se o sabor era apetitoso, mas o sustento do organismo humano como alimento era satisfatório ao comer gafanhotos. Provavelmente o gafanhoto Locustra que devorava as plantações, foi o tipo de gafanhoto com que João se alimentou no deserto. Estes gafanhotos devoradores que apareciam em nuvens atacando as poucas plantações da Palestina foi à espécie que João encontrou no deserto e lhe serviu de alimento para saciar sua fome. O texto de Joel 1,4 narra à presença desta praga em Israel.

Podemos assim conhecer os segredos da vida nos hábitos de João Batista e concluir: Vivendo uma vida simples, sem desperdício de alimentos, nos aproximaremos dos caminhos de Deus… A penicilina de Fleming tornou-se disponível para a população civil na década de 40 do século XX. Tal achado, comprovadamente inofensivo para as células animais, foi isolado, concentrado e purificado em laboratório alguns anos depois, por Howard Florey e Ernst Chain: mesma época em que estes três pesquisadores ganharam o prémio Nobel de Medicina por suas descobertas, estas capazes de impedir a morte e complicações de doenças como pneumonia, sífilis, difteria, meningite, bronquite, dentre outras.

fotografo1.jpg Na época da Segunda Guerra Mundial, esta substância foi produzida em larga escala, por fermentação, salvando milhares de vidas. Actualmente a penicilina é utilizada de forma menos frequente em razão de seu uso indiscriminado – causando a selecção das bactérias e consequentemente, ao longo do tempo, resistência a este antibiótico.

Assim, hoje a Amoxicilina é o antibiótico mais amplamente utilizado no tratamento de doenças bacterianas. Como é que num sonho poderia eu saber ou não saber, se era eu mesmo e se estava até em ocasião de boa-sorte. Porque diz o ditado que nossa vida tem sempre um rumo de linhas tortas, coisa até já confirmada matematicamente com teorias encavalitadas da relatividade e, aonde o fim, não é fim!

Que numa evolução quântica não há fim de mundo, não há fronteiras nem bordas nem tampouco redondez e, porque na azáfama da vida, o deve e haver não existe – é uma fantasia de vida… Assim de repente parei; fiquei devendo sem me lembrar de pagar. A gente de agora anda tão devolvida de tudo que nem pode adivinhar a honestidade de cada qual. Tudo passa, noé!? O sofrimento do passado pode sim virar glória, assim como sal em cinza, geringonciável!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:12
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2022
N´NHAKA . XVIII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . IV

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças actuais de escritos antigos - “Angola, quanto tempo falta para amanhã?” – Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi – 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3280 de 12.04.2022 – Republicada a 26.10,2022 na Lagoa do M´puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por  ÁFRICA11.jpg T´Chingange – Em PortVille da Pajuçara de Maceió

A lufada de ar quente da chegada a Luanda foi há dias atrás; neste meio tempo li levemente a obra do sociólogo Paulo de Carvalho com o subtítulo desta crónica e que, só por si, revela a preocupação na mudança das coisas. O desejo de Kianda do Maurício dos Santos Pestana (Pepetela) também vem demonstrar que hoje as vivências fazem-se num confronto de ambivalência e das coisas confundidas no seio deste povo; o mesmo sol da secura e aridez que amadurece os produtos e, a chuva que tudo inunda, é a mesma que os rega.

dia207.jpg A linguagem mitológica, a verdade das coisas é colhida entre o falso e o verdadeiro, baralhando o conceito da razão; no entretanto destas divagações de um Niassalês, que sou eu, vamos a caminho do Sumbe, (Ex Novo Redondo), lá aonde se situa o Cantinho do Inferno. Até ao Sumbe são 320 quilómetros. Passada a Samba, vem o Rocha Pinto, a Corimba, o Benfica, o Futungo, os Morros dos Veados e da Cruz. Aqui, a capela foi promovida a Museu da História da Escravatura.

Em verdade, a criação deste Museu tem razão de o ser pois que foi dali, pertença do reino de N´Gola que saíram milhares de escravos para o Brasil. Chegados aqui, que fique claro que quando o Diogo Cam chegou à foz do rio Kongo surpreendeu-se com a prática dos indígenas comercializarem as suas gentes; usavam os prisioneiros de outras tribos, das guerras constantes que mantiam entre si, transaccionando-os como uma qualquer mercadoria.

Esta prática usada entre as muitas tribos em África e particularmente em Angola, veio a calhar para colmatar a falta de mão-de-obra para nas muitas culturas em expansão no grande território do Brasil; os engenhos da cana-de-açúcar estavam carentes de gente no seu trato, no amanho das longas extensões de terras como o café, algodão ou cacau. A partir daqui surgiram empresários negreiros que sem controlo, fizeram fortunas tratando as gentes oriundas de várias partes, ocasionando riquezas desmedidas de agentes em Angola e Brasil. A palavra infortúnio ainda não estava inventada…

cos0.jpg Foi esta disseminação de gente de tez negra para as américas que originou a grande diáspora alterando os conceitos de raça por via normal de miscigenação. Na escola básica, aprendi que no Mundo havia quatro principais raças, a branca, a negra, a amarela e a vermelha. Os sociólogos tiveram muita dificuldade em estabelecer padrões na sua classificação e, muito rápidamente o conceito de raça humanizou-se simplesmente em raça humana; nesta questão fica bem evidente a globalização com a forte participação portuguesa.

Continuando a viagem, usando a visível marcação do meio-fio e, quase sem buracos chegamos ao rio Kwanza. Aqui o controlo é mais refinado, mais pelos veículos do que propriamente pelos passageiros, a ponte suspensa tem alguma relevância mas, a destoar sucede o facto de alguns militares que por ali estavam espairecendo preguiça, nos terem abordado pedindo gasosa, a mesma pedinchice que sempre nos acompanhou por todo o lado e, desta feita perante o nosso semblante de surpresa, o militar de camuflado ao jeito explicativo e indicando os demais companheiros, encostado ao varão da ponte disse:

- Kota, ajuda só… é para levantar a moral! E, com este pretexto desinibido de vergonha escorregamos com cinquenta kwanzas correspondendo a duas frescas cucas e ainda sobram cinco kwanzas para o engraxador do Sumbe… Cabo Ledo fica em plena reserva da Quiçama mas, até aqui não vimos qualquer espécie de bicho. Acerca da área de serviço aonde paramos, a de Cabo Ledo, trata-se de um amontoado de chinguiços amarrados com mateba e cobertos a capim e, só simplesmente amontoado.

dia141.jpg Estas estruturas da área de serviço, têm “empresárias de sucesso” que superintendem caixas térmicas com gelo e frias sagres, taifel, hansen ou cuca. A acompanhar há galinha assada no espeto, talqualmente e, umas batatas-doces assadas no fogo. É quase uma paragem obrigatória pois que o calor é intenso. As empresárias de sucesso, amigas de Bien e Xico seu primo, com rudimentos falíveis de higiene aprendidas no funaná Bye Bye My Love, cursadas em sobrevivência, transformam a fome em petico de espanto. O frango no espeto marchou sem entretantos e, com muito jindungo; deu para notar as onduladas conversas de sussurradas popias de muitos atarraxados encantos…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:30
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2022
N´NHAKA . XV

ANGOLA, TERRA DA GAZOSA . I

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças actuais de escritos antigos - “havemos de voltar”  

Crónica 3272 em Coimbra – Republicação a 14.10.2022 em Lagoa do M´Puto

N´nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios em zona plana e húmida, horta…

Por roxo135.jpgT´Chingange no AlGharb do M´Puto

roxo92.jpg Matrindindi é uma carocha de perfil pré-histórico, talvez um normal insecto coleóptero do género do escaravelho, só que este é muito mais extravagante, de cor escura e com muitos picos; mais parece obra deformada de bruxa ruim; O Land Rover pisava-os sem alternativa e sucediam-se estalos chocantes como de castanhas a rebentar no calor da fogueira (estávamos no ano de 2005, em Porto Amboim)

Quatro anos depois - Coimbra. Já estávamos quase, quase no ano de 2009. O tipo tinha pinta de kazukuteiro, barba grisalha com mancha ruiva de mata ratos ou maconha. Falava com um casal de meia-idade na paragem do machimbombo do mercado municipal; todos esperávamos o nº 7 do Tovim.

matrindindi00.jpgO dito casal tentava não lhe dar atenção e fiquei com a nítida impressão que o sicrano estava cambulando uma gasosa para alimentar o vício. Subiram no machimbombo. O fulano deu-me prioridade e eu, sério, recusei com um obrigado e, vi com os meus olhos que este dito cujo, tirou a carteira de couro, fingiu passar um cartão no traga bilhetes e na maior, seguiu para um banco lá atrás, depois de cumprimentar um perneta de muletas ao lado.

Fiquei intrigado e com raiva pensativa dele, pois que me distraiu de pensamentos recentes de coisas vistas, e que tentava reter em memória. Uma voz suave de senhora falou do tejadilho, Floriano Peixoto número um e, seguiu-se a dois mais a Cruz de Celas. O casal desceu. Aquele tipo, quando viu a saída do casal também se levantou e com estes, saiu. Reparei com mais pormenor no rabo-de-cavalo amarrado por um elástico fazendo banga de estilo ladino. Deixei de os ver na esquina da Caixa Geral de Depósitos.

roxo90.jpg Como os pensamentos voam mais rápido que caneta com dedos, anotei no telemóvel o que antes tinha lido no muro perto da Universidade para não esquecer: - A morte serve-se a quente! E havia um A com um círculo a circunscrevê-lo, tudo em cor azul - Não a deixes arrefecer! Logo por debaixo a tinta preta.

Ao sair da Dolce Vita vi uma carrinha de caixa aberta pintada a camuflado apetrechada para a mata tendo nas portas os seguintes dizeres em círculo a contornar um coração vermelho com uma mola curva, varando este: - “Corpo especial de vigilância. VERGAMOLAS”; tal e qual como a carrinha 4 * 4 que eu idealizei para o “Kimbo Ot´xicoto Lodge” em terras de Sumbe bem perto do rio Cubal.

Aida em pleno centro histórico de Coimbra, tirando uma foto à torre Almedina alguém querendo uma informação perguntava-me se eu era dali ao que respondi não. Repeti mentalmente, só para mim: - Não sou daqui, não sou daqui, não sou daqui! Mentia-me.

roxo102.jpg Lembrei-me do livro que tinha na mesinha de cabeceira do meu mais contemporâneo amigo José Eduardo Agualusa. Parecia estar a fazer-me uma entrevista: Pópilas! Mas, tu cantas o hino do puto “ os meus egrégios avós”. Logo, logo…, os teus avós eram angolanos. E, a falação continua comigo a responder: - Não! Eu sou mesmo daqui! Sou um Tuga Niassalês! Deixa-te de finfias meu. Tu és um angolano nascido no M´Puto.

roxo213.jpg Já estava noutra, lembrando-me do sonho futuro que ainda era presente, a minha cubata no platô do Cantinho do Inferno muito perto da foz do rio Cuvo, na praia dos matrindindes. A serra do Chamaco via-se ao longe, como teta saliente na cordilheira, no caminho de Seles e, na vasta região uma floresta de espinheiras, acácias com picos medonhos, pau-ferro, babosas, newas, matebas, lengues e lungwengus e um letreiro na escola da Canjala “havemos de voltar”

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:56
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2022
PARACUCA. LVI

MULOLAS DO TEMPO 27

RECORDANDO: Nós, bazungus no XAI-XAI no Blue Dolphin Resort, Praia - 1ª de 2 Partes

- Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA” - 4 de Novembro de 201848º dia - (um Domingo)

Crónica 3271 – 04.04.2022 em Maceió – Republicada a 13.10.2022 em AlGharb do M´Puto

Por xai xai02.jpg T´Chingange – No PortVille de Maceió do Brasil e Lagoa do AGharb

tuiui3.jpg Fomos para lá para ficar junto ao índico e assim tomamos bivaque no aprazível Blue Dolphin Resort… Xai-Xai é a capital da província de Gaza em Moçambique. A povoação foi fundada em 1897 com o nome de Chai-Chai, sendo elevada a vila em 1911. Em 1922 passou a designar-se como Vila Nova de Gaza para logo em 1928 mudar o nome para Vila de João Belo, em homenagem a um antigo administrador português. A vila foi elevada a cidade em 1961, para depois da independência nacional voltar ao nome original, desta vez com a grafia Xai-Xai.

Dista 224 km, a nordeste, de Maputo, situada no vale do rio Limpopo, sendo banhada por este rio alguns quilómetros a montante da sua foz. Moçambique tem uma costa fenomenal e, para além de bonita tem como que um perfume preso em um frasco que se não o usarmos naquele tempo e espaço próprio, ficaremos com dormências na saudade dum porquê não viu isto e aquilo. Pelas muitas carências e falta de trabalho, os habitantes inventam ganhar dinheiro fazendo falcatruas, desenterrando carros, cobrando e, logo a seguir tapam o buraco para outro incauto cair na rede; se me contassem nem acreditava…

Numa vasta planície aonde o Limpopo transborda seu leito quando abunda a chuva, a natureza trata de si: morre um capim, nasce outro. Silenciando alguns instantes, abasteci de calma o estouro da ira em pequenos contratempos; nesta pequena coisa, Chico Xavier, o espirita, possivelmente neutralizou-me os actos com seu perfume metido num frasco de nitrofuranos. A partir dos setenta anos, as pequenas coisas da vida gratificam na continuidade; é o cheiro matinal do café que fumega num alpendre aonde caem flores de cajueiro mais o sol que nasce com quentura por detrás de um trilião de acácias de picos medonhaveis…

xai xai5.jpg Surge o rio Limpopo e naquela curta ponte tivemos de pagar a respectiva "quinhenta", portagem estabelecida por quem de direito, fazendo justiça à nobreza do rio adicionando carecidas necessidades. Em Chiboma paramos p´ra fazer necessidades e meter conversa com amigos de tempos antepassados. As mulheres de capulanas garridas cercaram-nos oferecendo produtos vários, o negócio sobrepunha-se à vontade de comer, talvez sim, ou não, porque elas estavam em algazarrada diversão; no chão estavam desordeiramente expostos os produtos da Machamba.

Demos boleia a Lussinga deixando-a na machamba, um mistério de mulher procurando o fantasma de seu marido e da família só falada porque o resto esfumou-se no tempo das falas dela como a luz fumegando no branco frio do capim, as rolas que gemem, capotas que riscam chão desprendo dele calor de cazumbi. África dos grandes espaços, mulheres curvadas plantando milho nas lezírias contornadas com verdes arbustos de massalas. De pé lançavam uma sachola, cabo comprido, o ferro ancho furando o nó do pau sem cunhas, abrindo buraco no chão, atirava um milho para lá, a seguir tapa com o pé, tudo sem dobrar a espinha, técnica apurada na experiência do pontapé…

Xai-Xai no Blue Dolphin Resort Praia, é um óptimo destino de mergulho, especialmente para iniciantes e crianças com seu recife calmo e protegido, dizia assim num poster grande já semi esfolado pelo arenoso vento. Após se ter percorrido uns quantos quilómetros a passo de caracol, seguindo carrinhas de caixa aberta com suas cargas de colchões, cadeiras de plástico, penicos e plásticos coloridos encimados por bicicletas; tudo queria saltar pela força do vento com areia quente das terras sem chuva por vezes e, noutras com demasiada.

xai xai6.jpg Se és um mergulhador entusiasmado, então vais adorar mergulhar em Xai-Xai O recife offshore corre paralelo à costa por quase um quilómetro e, na maré baixa, expõe um enorme poço de rica vida marinha. Vários pequenos afloramentos rochosos é o lar de uma variedade de peixes incluindo borboleta, wrasse, peixe leão, enguias morais, estrelas-do-mar e até tartarugas que são vistas com regularidade. Xai-Xai é um óptimo destino de mergulho, especialmente para iniciantes e crianças com seu recife calmo e protegido. Apanhei e comi ostras metidas em conchas da Shell – nas mesmas formas que vi em Santiago de Compostela encimando a porta de Portugal 

Nas cidades e lugarejos, ao longo da via principal e demais artérias, desordenadamente vende-se de tudo, coisas de comer do lado esquerdo e apetrechos de casas ou indústrias artesanais do lado direito, tudo se encontra exposto ao tórrido sol. Peixe seco, batatas, quiabos, pimentos e demais géneros são amontoados em bacias, antigos baldes de tinta ou amachucadas latas de azeite galo com preço certo para facilitar trocos; ao lado dos moveis um mukifo de esteiras mostrando quadros com queimadas do mato, moldes em ferro para fazer tijolos em barro ou argila, pneus usados já com jantes e por detrás de tudo um amontoado de carcaças de velhos carros indicando haver ali um mecânico. Isto é áfrica (this is áfrica…)…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:28
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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2022
MOAMBA . L

MOAMBA DE QUINTA – ALGURES NO BUCO-ZAU1ª Parte

CABINDA NO ANO DE 1968 (FOI HÁ 54 ANOS) - ANGOLA

Crónica 3268 - No PortVille da Pajuçara de Maceió – Republicação a 10.10.2022 no AlGharb do M´Puto

Por CABINDA2.jpg T'Chingange – Na Pajuçara de Maceió

CABINDA3.jpg Algures no Buco-Zau -- De uma das mãos lançou um ás de copas que baloiçou até meus pés e ouvi mesmo: La vitória és cierta! La lucha continua! O Gorigula tinha sido um companheiro de Ché Guevara… Naqueles longínquos anos de entre sessenta e setenta do século passado, o XX, todo metido na Mata do Maiombe, tropeçando na força das circunstâncias e num entretanto que só durou quatro anos, a guerra foi um conjunto de acidentes suados a paludismo.

De um para outro lado, subindo e descendo rios procurando rastos com o soba Mateus à frente, barafustando com o ar e cortando capim à catanada, pisando charcos infestados de sanguessugas, larvas com milhões de patas e escorpiões pretos e pré-históricos a fingir de lagostins. Buscando turras num secalhar perdido entre a bruma e o cacimbo, o gozo da liberdade corria como se a vida fosse um jogo de poker, num azar de tomar pastilhas vermelhas para anular maleitas com micróbios fosfóricos na única água estraganada que havia.

CABINDA5.png Com as costas das mãos afastávamos as bicharias visíveis e, em seguida engolíamos aquilo escorrendo da mão ou numa qualquer folha verde a jeito com um comprimido vermelho de mataratos. Guardando soberania da pátria do M´Puto, camuflados ensopados até o tutano, assim seguíamos em fila de pirilau, duas granadas presas ao peito, uma G3 em riste mais uma cartucheira repleta de balas para o que desse e, viesse.

Atrás uns dos outros na forma de pirilau, ouvíamos os gritos da floresta, o piar dos pássaros e o grasnar de fantasmosas, sombras que se moviam como olharapos entre o ripado verde com troncos disformes e veias salientes segurando esguios troncos sequiosos de luz, outros disformes esfarelando-se na velhice como abatises para alimentar bichezas rastejantes; a mente medrosa fazia-se ali num jardim de cânticos surdinando mugidos e muxoxos numa raiva sossegada.

CABINDA4.jpg O barulho do helicóptero chega zunindo e na forma de parafuso baixa suave até ao centro da mata, uma clareira junto ao rio Luáli, um afluente do Chiloango. Buco-Zau era um lugar rodeado de um escandalosamente verde variado e húmido, um conjunto de casas e armazéns rodeados de árvores majestosamente nobres e, mais além um conjunto de cubatas unidas por um terreiro, uma quase colina rodeada de cacaueiros e um ou outro pé de cafeeiro aonde já se podiam distinguir bagas vermelhas.

As casas grandes como as do M´Puto, umas com beira outras sem ela, pertença de administradores e capatazes T´chinderes, dispunham-se alinhadas com cobertura de zinco já na cor de um castanho enferrujado. Enquanto a casa principal da roça era coberta a quatro águas em telha de canudo luso ou marselha e sacadas a quase todo o seu redor, as outras, mais modestas, eram cobertas só a zinco mas, e também com folhas de palmeira ripada e entrelaçada na forma de loando.

cabinda8.jpg Pretos em tronco nu cruzam-se com bikwatas ou ferramentas pendendo dos ombros enquanto as mulheres envoltas em panos com a esfinge de Mobutu, Mugabe ou do Idi Amim, levam quindas na cabeça, acanguladas de grãos. Dos corpos musculosos daqueles Fiotes (Imbindas), a catinga suada escorre-lhes como brilhantina escura e luzidia como pele de mamba brilhante, pegando-se ao cacimbo intensamente chovediço.

Depois de um gim com água tónica, numa daquelas paragens de soberania no Necuto, tirei uma foto com a Charlotte, uma negra que fugida do Congo Zaire pediu boleia ate ao sítio do primo, com quem tinha promessa de alambamento. A foto com aquela negra de feições árabes crê-se ter ficado em uma caixa de sapatos na guerra posterior do tundamunjila. Isso! A guerra do setentaecinco-pkp! Subindo o rio Inhuca, chegamos ao Sanga Mongo, um lugar para lá das traseiras do tempo, mais longínquo do que as Bitinas e a antiga Serração do Aníbal Afonso que naquele agora só existia no nome.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:44
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2022
MOKANDA DO SOBA . CXCIV

ANDAMOS A VIVER DIAS MENTIROSOS

Crónica  3365 de 07.10.2022

Por  arau1.jpg T´Chingange (Otchingandji) em Lagoa do M´Puto

UCRANIA4.jpg Andamos a viver dias mentirosos. Acho que Deus Nosso Senhor, não quer consertar nada a não ser pelo completo contrato da morte pois permite que seus súbditos na terra descumpram a palavra dada sem que o Sol se ponha, uma espada de aflição muito cheia de ranhuras de aflição. Dou conta disto por ver o que se descumpre quebrando qualquer regra de bom entendimento – cuspir repetidamente no próprio verbo.

Numa de diabo contra satanás, Putin contra o cidadão comum que nada fez para ficar arruinado com pontaria GPS de um míssil, dum obus que aleatoriamente manda um tiro curvo a cair aonde calha. Quantos de nós estão consumindo a palavra piedade, sofrendo com a urgência de não entender a dor.

ucrania1.jpg  Qualquer, um pacato cidadão lá no lugar de sua moradia, no dar dois passos no eirado que lhe resta repentinamente a morte surge; do nada e na forma de fuzilamento esvai-se da vida varado com muitas balas, muitos estilhaços, restos de destruição, uma outra Guernica que ninguém acreditava acontecer de novo e, por nada, talvez um quase nada…

E, quem somos nós para excomungar Nosso Senhor e os chefes da Guerra, se nós nem escapulário temos para tornar os olhos avessos, sem púlpito nem qualquer poder de estilhaçar um Não! Os donos da Guerra sem temor a Deus, sem justiça no coração que surgem a judiar o Mundo, a estragar e rasgar o que há de rasgável na alma das gentes. Tiros altos, revoantes, que surgem como pássaros de balas a cair num aleatório lugar.

araujo1.jpgCA -  Coisa nunca vista ou prevista, bombas caindo ao calhas, também em sítios prévios, um sítio destinado, matando conforme o querem, matança de genocídio de arruinar, só por arruinar; e, atiram nos bois, nas vacas, no gado tão manso. Nesta hora a gente força um escape, pode ser que sim, que se tenha sorte mas, mesmo assim sofrendo muitas mortes…

Sim! Pode ser até que tenhamos sorte, pode ser porque estamos longe! O pensar caladíssimo do Ocidente perturba-me mesmo que elas as balas, não façam zumbido revoado em minha cabeça. E, se afinal todos estamos condenados à morte porquê omitirmos as dos outros. Escrevo esta missiva feita crónica para o Senhor Oficial, o Comandante em Chefe das Forças Armadas.

Não vale a pena ficar na retaguarda porque a morte não tem alçado frontal, nem tardoz – vem num aí, num ui e, juro, careço de querer calma. Os cacos continuam caindo do alto! Ando sofrido a espiar o desdém do Mundo. O Sol Kukia, não tem como se abraçar a nós, nem se pode esperar isto. O tempo escasseia-me muitas vezes, para poder redigir histórias escondidas, antigas, chamar nomes feios a gente que tem dois olhos, duas pernas e até duas orelhas como eu.

UCRANIA6.jpg Nessas alturas de revolta subitamente levanto voo, plano como um albatroz e por aí vou fora, sem parágrafos ou pontos finais, com diálogos dinâmicos, que só o serão na ficção correndo o risco de se tornarem fissão com neutrões atómicos! Falo para o boneco! Creio que também aqui “A guerra, que mata e estropia tantos, alimenta um punhado de pessoas, que se tornam ou tornarão insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam o Mundo.

Convém agora saber que uma bomba nuclear é um dispositivo explosivo que deriva sua força destrutiva das reacções nucleares, tanto de fissão (bomba atómica) ou de uma combinação de fissão e fusão (bomba termonuclear) – Destruição mutua assegurada…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:28
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2022
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXIII

MALAMBAS DA GLOBÁLIA – M´Puto, cativações, guerras e os infiéis

Crónica 3261 21.03.2022 na Pajuçara de Alagoas do Brasil. Republicada a 03.10.2022 em Lagoa do M´Puto

Por dia220.jpg T'Chingange

garrafão tuga.jpg Começo por dizer que o acto ou efeito de cativar, é a retenção de parte das verbas orçamentadas para despesas com a consequente redução do orçamento disponível para determinados serviços ou organismos. É em verdade um instrumento de controlo orçamental que de certa forma logra o cidadão. É a vida real de todos nós, o dedo duro governamental que mantem os políticos na pedinchice mantendo assim o barco-nação a flutuar na divida e, sem chegar ao nível zero da linha de manobra.

Prometo-te 100, faço publicidade desta monta mas, só levas 60! E, todos ficamos com aquela pulga na orelha, dos tais 100. A maior parte de nós está-se olhando no umbigo, isso são técnicas financeiras e edecéteras mas, em realidade os serviços por encolhimento de verbas não prestam um bom serviço e nós, sempre nós, reclamando demoras, encafifados na casa, no curral como diz meu compadre. Assim é, por via dum covid 19, 20, 21 e 22, até ver. Aceitamos aquilo que os políticos nos impingem por ser um regime de excepção e, assim ficamos lisos e sendo como se requere e a bem da nação porque parece que nem vêm tão mal ao Mundo.

edu12.jpg Bem! No caso do M´Puto, estes políticos do governo têm tido a ajuda “made in selfie” do próprio presidente conhecido pelo “Celito”. Assim, a pandemia deu formato ao medo a conter-se na contestação, dando jeito aos gestores de topo encapelarem seu pedantismo. Num acto cívico do quanto baste, mesmo sem portarem vestes de escapulário, também e de forma sistemática em um acto cínico no quanto baste trambicam-nos dando-nos missa!

Prometem até mais que uma vez dizendo-nos a palavra certa para nos tolher num pseudo “tabu do endividamento” – Vamos gastar e, quem vier a seguir que feche a porta. Tivemos um Guterres que foi prá ONU depois dum pântano, um Sócrates que está por ir, um Barroso que foi para a Comissão Europeia, um Gaspar que foi para o FMI e agora um Costa que se prepara para ir para a tribuna da Europa… É assim!  Claro que há mais mas, em verdade, o molho de brócolos fica para todos nós porque eles, sabem como se resolver… 

E, assim, depois de Bagdad, do Afeganistão, da Síria, da Líbia, do covid x 3, agora com a guerra da Ucrânia; menos mal que sempre teremos os submarinos do Paulo Portas para nos assegurar as águas territoriais, os “barrigas de jinguba” para lançar tambores de napalm e os migues entregues à GNR para cobrir o espaço aéreo. Estamos safos e habilitados a mais umas “bazucas financeiras“ de apoio aos muitos refugiados que virão, e ainda bem, dar jeito ao reequilíbrio financeiro. Terra, mar e ar estão razoavelmente representados…

dia82.jpg Tudo se está descomplicando seguindo num deixa ver como fica, não obstante as opiniões estapafúrdias de uns quantos generais armados em comentaristas nas televisões sensacionalistas no quanto baste, falando besteiras, heróis que ninguém sabiam existir e agora mandam palpites a favor de Putin (estamos bem entregues…) como se este fosse um santo. Merda para estes tantos míopes que à nossa custa dão ares de sabichões; melhor seria ficarem no silêncio de suas palermices. Enquanto isto para descomplicar as muitas e variadas sanções, tornam o Paquistão no quintal traseiro da China.

Esquecem-se que ainda por aí andam os chiítas, os sunitas, os ìsis, os talibãs e os boko harams. Já nem acredito em ninguém. Para além do Costa só o Costa prontíssimo para mais uma corrida, uma maratona afinando-se nos jogos de aprimorarem a nossa liberdade de movimentos, fabricando manobras de diversão e coisas comezinhas como a energia, a TAP, a Refer dos comboios, barragens e centrais de carvão desactivadas que de novo se têm de reabilitar. Tudo num mesmo saco para suprir a fragilidade da nossa democracia, nossa cultura, mentiras ecológicas, também estórias que dão a facilidade de tudo proibir e tudo se taxar.

costa13.jpg O Estado cada vez mais engravidado, é que nos diz o que podemos ou não fazer, alterando a vulnerabilidade nos conceitos definidos no genérico paradigma; a demagogia misturada com a propaganda que sempre nos leva ao princípio da condescendência. Assim condicionados aos ziguezagues, se condicionam os ditames sancionados em nosso pensamento – toma e embrulha! Engodos a aposentados, mais uns tostões aos funcionários e promessas aos desempregados de longa duração. Tudo muito igual – pois se até o Biden dos USA entrou com os dois pés e se está saindo perneta! Ainda se queixam da SHARIA; vamos estrepar-nos…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:13
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Sábado, 1 de Outubro de 2022
MOAMBA . XLIX

O MUNDO ESTÁ ENGRAVIDADO DE PROMESSAS... Muamba de Domingo

– ASSINAR EM CRUZ - 20.03.2021 em Pajuçara de Maceió

Crónica 3260Republicada a 01.10.2022 no AlGharb do M´puto

- O MUNDO ESTÁ ENGRAVIDADO DE MEDOS COM  PROMESSAS...

Por baú1.jpgT'Chingange – No Nordeste brasileiro e no AlGharb do M´Puto

Zelensky.jpg Virando notícias do Mundo neste domingo, 25º dia da invasão à Ucrânia, a Rússia, para além de massacrar a Ucrânia na maioria das cidades com variadas formas de matar, dá a notícia de poder enviar um engenho supersónico, uma bomba de alto poder de morte que atinge em 5 vezes mais que a velocidade do som. Uma nítida provocação a todo o Ocidente que recriminou em uníssono monstruosa intervenção. Hoje, um outro dia primeiro de Outubro, que republico este texto a fim de ficar nos arquivos da Torre de N´Zombo do Kimbo e perfazendo 220 dias de guerra estupida, dá para notar que com a farsa dos referendos em Donetsk e Lugansk no leste e Kherson e Zaporizhzhia no sul, a Rússia, a paz no mundo, estará longínqua.

Depois da tomada a Crimeia em 2014 com a passividade do resto da Europa e do Mundo, deste modo, Rússia toma de assalto cerca de mais 15% do território total da Ucrânia anexando como terra sua estes novos territórios. Nesta grosseira forma de amedrontar os países da Europa e do resto do Mundo, frisa que esta coisa de matar pode atingir Londres em escassos 25 minutos e um pouco mais Nova Iorque

baú2.jpg Desta forma piso espaços fazendo todas as estradas, mas quando o vento dá para trás pode bem trazer tristezas nas fumaças agravando as labaredas e brasas. Que o pariu! Por vezes, não muitas, pego no silêncio, meto-o ao colo e, sem abrir boca vou dizendo: Eu, não sou donde nasci; sou de outro lugar – silêncio de um sentimento quase feito em decreto.

E foi!? E, é!? Foi sim nesse lugar de nenhures assinado com uma cruz que meus destinos foram fechados. Ontem, dia 31 de Setembro, Volodymyr Zelensky pediu oficialmente adesão à NATO. Se eu mandasse aceleraria o processo para assim o vir a ser, rápidamente - membro da NATO! Mas estou em crer que o medo vai tolher a moleirinha de nossos dirigentes acagaçando-se com um maluco que diz querer acabar com o Mundo não Russo. Sendo assim, que o seja, vá de retro Satanás ou inventem um escaravelho que encha de moscas o cérebro daquele verme feito gente chamado de Putin…

bordalo5.jpg Guardo sim, tudo em um baú de lata cor verde, com pequenas flores, forro já amarelecido pela cola em tecido de chita, umas ripas encastradas com cravos de tremoço, carcomidas, segurando um fecho pregado com pontas de paris, pregos e percevejos de cabeça chata já enferrujados.

Tábuas de cipreste ou eucalipto para dar cheiro e espantar traças, um aloquete a dar silêncio às memórias trancadas em seu miolo. Um fecho de enfeites com um lado macho e outro de fêmea onde aquele encastra; vaidades singelas de humildade destinadas a um porão junto com demais caixotes.

Todos os becos e travessas saindo das picadas da minha vida, guardo ali com os ventos de todas as almas. Vou vos dizer: Isto é algo sitiado dum estado que antes doía e prazia e, hoje no relembrar daquele antes, daqueles anos com tempos de estropelias, com guerras e gentes militares ou militarizadas que influíram um sentir que de somas em soma, só subtraíram no espairecimento.

baú de coiro2.jpg Assim fazendo em alguns casos, do mofo uma raiva, minha penicilina dali saiu, das estalactites dos fungos do baú, substância antibiótica “penicillium notatum” propriedades descobertas por Fleming em 1929, mas só divulgadas em 1941, quatro anos ante da minha singularidade acontecer … Lembram-se do “Evangelho da Esposa de Jesus”, um papiro controverso que sugere que Jesus era casado com Maria Madalena? Novas pesquisas sobre a tinta do documento parecem apontar para a possibilidade de que ele seja autêntico. Porém, os resultados ainda não foram publicados e a origem do papiro continua sendo questionada. E, enquanto andamos entretidos com malambas apócrifas enredadas em mentiras e interesses de resiliência, o Diabo feito gente de nome Putin come-nos as raspas de misericórdia metendo jindungo para espairecer vaidade

baú3.jpg Se é o que é, estou quase perdido! É qua a vida está assim, vou explicar: Eu, nós, vocês, vosmecês, o senhor ou senhora, vossas excelências, empurram tudo para trás mas, e num repentemente, tudo nos volta a rodear fincando-se bem em frente feito fantasma, caveira segurando uma foice. Termino dormindo nos ventos, fazer agora mesmo o sinal da cruz, a assinatura real e oficial do nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques… Fui!

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:09
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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2022
MALAMBAS . CCLXIX

ANDO ENKAFIFADO COM A GUERRA DA UCRANIA

PENSAR, POR VEZES É MUITO PERIGOSO - PUTIN, AIUÉ

Crónica 3258 de 18.03.2022 no 23º dia da guerra – Republicação a 29.09.2022 com 218 dias de guerra - em AlGharb do M´Puto

Por t´chingange2.jpg T´Chingange no PortVille da Pajuçara em Maceió – e, em Lagoa do M´Puto

ucrania1.jpg A 18 de agosto de 2021 escrevia o quanto andava encafifado com a guerra do Afeganistão, com os talibãs de Cabul e, em momentos de aperto no tempo, ficava contra, só por ficar! Não conseguia entender este brusco procedimento. As tropas americanas deixariam o Afeganistão numa segunda-feira – 30 de Agosto de 2021

Segundo o governo dos Estados Unidos, este corria contra o tempo para concluir a retirada de diplomatas, militares, aliados e colaboradores até a data limite de 31 de Agosto e, um dia antes, saiu! Porquê teve de acontecer, de novo CABUL; Ando preso a ele, o pensamento por pequenas minúcias. Ainda me lembro dos helicópteros serem lançados ao mar em terras de Vietname, naquela saída apressada de Saigão…

Das falsidades em Angola com a tal de “Emenda Clark”, no Iraque, Irão, Síria, Líbia, Afeganistão e agora KIEV. Dizia então: Eu, pé de chinela do Mundo, terei de entrar numa viagem astral mesmo que seja aos solavancos, entrar nas ondas alfa e delta e, sem gravidade atravessar paredes como fazem ou parecem fazer os mágicos. Estava atonitamente desconcertante.

ucrania3.jpg E, assim suprimido ficava. Sim! Ninguém é de ninguém, na vida tudo passa, foi o lema de uma canção de que já quase ninguém lembra; vamos fazer o quê? Ouvi dizer: “A Força do Direito deve superar o Direito da Força”. Não há nada mais relevante para a vida social que a formação do sentimento da justiça. Não troco a justiça pela soberba - nem deixo o direito pela força. Não esqueço a fraternidade pela tolerância nem substituo a fé pela superstição, ou a realidade pelo ídolo.

E agora esta inexplicável guerra inventada, invasão dum pais soberano chamado de Ucrânia por um louco chamado de Putin; a injustiça, por ínfima que seja, a criatura vitimada, revolta-me, transmuda-me, incendeia-me, roubando-me a tranquilidade e a estima pela vida. O homem que não luta pelos seus direitos tem um viver tumultuado. “Quem não luta pelos seus direitos não é digno deles”.

Não há nada mais relevante para a vida social que a formação do sentimento da justiça. A justiça, cega para um dos dois lados, já não é justiça. Na Europa frouxa, como se gostássemos de andar embalados, vamos ver como isto fica, como isto para, para ver um Deusdará!...Somo-lo por via de gente materialista, gente de meia-tigela, gente política flutuante - alguns, muitos, sem consciência e consistência, incompetentes em verdade. Que se enxergue por igual à direita e à esquerda mas, aqui e agora nem é isto – um absurdo com peso atómico…

ucrania2.jpg Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana-se a si mesma preparando a sua própria queda. Se porventura isto falha há Talibãs na jogada, pois estes, os Talibãs não têm nação; têm sim, um líder que lhes fornece sonhos em pó. Levo meu tempo a espremer os miolos, compondo, inventando, eliminando e, no final fico sempre a remoer cada frase, com paciência de burro consumindo-me átoa no tempo!

araujo1.jpg A mais triste das vidas e a mais triste das mortes são a vida e a morte do homem que não tem coragem de morrer pelo bem, quando por ele não possa viver. Se os fracos não tem a força das armas, que se armem com a força do seu direito, entregando-se por com os sacrifícios necessários para que o mundo não lhes desconheça o carácter de entidades dignas de existência na comunhão internacional. Porquê teve de acontecer, de novo CABUL, de novo KIEV. Em fins de Setembro de 2022 e com 218 dias de guerra, dá para notar que com a farsa dos referendos em Donetsk e Lugansk no leste e Kherson e Zaporizhzhia no sul, a Rússia, a paz no mundo, estará longínqua. Deste modo Rússia toma de assalto cerca de 15% do território total da Ucrânia anexando como terra sua estes novos territórios – a ver vamos!...  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:14
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Domingo, 25 de Setembro de 2022
CAZUMBI LXXI

 

TEMPO DE SANFONASNo 19º dia da guerra da Ucrânia, 14.03.2022 em 7 coqueiros do Brasil – Republicação a 25.09.2022 no AlGharb do M´Puto

O Zé Barriga é mesmo pançudo – Crónica 3255CAZUMBI: É feitiço…

Por  Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange - Na Pajuçara de Maceió e Lagoa do AlGharb do M´Puto

paju1.jpg Alain Delon dos chapéus vermelhos apresentou-me o vizinho donatário dos chapéus amarelos chamando-o de João Barriga e, em verdade, o nome condizia com a protuberante barrigaça descaída sobre seu calção da LaCost às riscas de um suave verde. Vi-me nele e, momentaneamente, deixei de comer a ginguba que ia ingerindo mandando uma ou outra para o conjunto de pombas que debicavam a areia – por pouco tempo.

Dediquei atenção a uma coitada pomba com um toco de perna e a outra meio comida do rato; curioso, pois era ela a mais hábil pelo que dei-me a pensar que a natureza preenche-nos de outros atributos quando ficamos carecidos de algo. Acabei por arrumar o embrulho do amendoim na sacola da praia no momento exacto em que passava uma senhora esbelta e elegante, de chapéu amplo estilo de capelina em palha e, com uma rede de seda a cobrir parcialmente seu corpo.

Ao redor da cintura com essa seda esvoaçante, as mãos tracejavam o ar sustendo na esquerda um rosário com o cruxifixo balouçando conforme o andamento. Rosário com 53 Ave Marias, seis Pai-Nossos, quatro glórias ao Pai-nosso, uma Salve Rainha na medalha e um Credo na Cruz. Juro que nem sabia como era o rosário mas tentei aprofundar meus conhecimentos e compreendi assim, as paragens e mudança de mãos correspondentes aos cinco conjuntos das Ave Marias!

paju2.jpg

A meia volta era feita no credo com beijo no cruxifixo. Há coisas tão inusitadas que me dão volta às bizarrias que me levam logologo até aos labirintos apócrifos. Posso adivinhar que a simpática veraneante rezava muxoxos para que a guerra já com 19 dias acabasse quanto antes. Estamos agora em 25 de Setembro com sete meses e um dia de guerra chamada de “Intervenção especial” e ainda não acabou... Lá bem no meio da praia serena, um pescador em sua balsa interrompe a remagem de ximbico e, já no meio da rede de cerco, levanta o bordão, uma e outras vezes batendo com força na superfície da água.

Interroguei-me! Já sei, é para assustar o olho-de-cão, peixe-espada, tainha, xaréu, matona, roncador ou sardinha. Desta feita e provocando medo aos respectivos, estes fujam indo de encontro à rede e logicamente ali ficarem aprisionados. Pode bem ser esta técnica a prática de Putin na guerra; amedrontar e fazer ir pelos ares ou fazendo extinguir oxigénio aos habitantes da Ucrânia; ao invés do bordão usa bombas de maior estrago, secando o oxigénio, fragmentando morte, muito diferente das cirúrgicas bombas de perfuração usadas em outros lados pelos americanos e seus primos. 

Russos e americanos têm andado muito próximos em suas experimentações de como banir o ser humano, irmãos até, crianças e velhos e de uma forma ora requintada, ora bruta e estupida como esta malvadez muito mais sofisticada do que a do louco Hitler. Putin leva tudo a eito e até aleatoriamente, mesmo sem confirmar se aquilo é creche, asilo de mais velhos, hospital ou maternidade.

Pajuçara3.jpg Sempre terei de falar com os personagens de minhas inventações, nomeadamente o FK, ex-coronel que mesmo com uma dose de catolotolo na forma de alzheimer, ficaria horrorizado em momentos de lucidez, com o uso de bazucas lança foguetes dum qualquer jeito e, também económicas, diria ele; creio que recordaria assim as antigas guerras no nosso tempo em que havia granadas defensivas de só fazer susto com barulho e ofensivas que espalhavam pregos pelos corpos moles. Hoje usam todas numa só com cheiros mortais, letais.

As bombas dissuasoras noutro tempo, eram só de brincadeira. Para Putin tudo vale, ofensivas, defensivas, extractivas, perfurantes, de fragmentação com cheiro e a cores, calorificas ou tracejantes, com vinagre, mostarda e pimenta, tudo sem regras como assim estivesse fazendo uma caldeirada de morte! Mas não obstante, como se o fosse só um menino a brincar de jogador de poker, ameaça  o Mundo com a bomba atómica, essa mesmo de neutrões, protões com susto paralisante a lembrar o tempo de Ló em que a mulher deste vira estátua só de ver a assombração da luz. Uma força da ONU deveria ir ate lá ao seu mukifo, prendê-lo e julga-lo! Criaram um tribunal de Haia só para inglês ver…Tudo tarda e o “agora” está por um fio com o carapau ao preço da lagosta… Assim, não brinco.

O Soba T´Chingange          



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:51
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Sábado, 24 de Setembro de 2022
MALAMBAS. CCLXVIII

TEMPO DE CINZAS. 12.03.2022 na Pajuçara – Republicação a 24.09.2022 em AlGharb do M´Puto

Crónica 3254 - Lendo a “TEORIA DA INCERTEZA” no 7º dia da guerra em Ucrânia

MALAMBA: É a palavra.

Por soba002.jpg T´Chingange, na Pajuçara de Alagoas e Lagoa do M´Puto

mano corvo.jpg Alain Delon, o donatário de dez paços de areia na praia Pajuçara chega por volta das sete horas da manhã fazendo um grande alarido em minha direcção, eleva as duas mãos, diz bom dia patrão e finca os dois polegares no ar abanados e virados ao céu para me desejar saúde. Estando eu a fazer movimentos de talassoterapia respondo do mesmo modo, com água até o pescoço, de óculos e chapéu quico branco do Palmeiras. Entrei na água pelas 5,45 horas, tépida, serena e espelhada como é normal na maré baixa. As calemas esbatem-se lá atrás nos recifes na forma de espuma branca; pode ouvir-se o barulho.

O Alain ganhou comigo o sobrenome de Delon em memória ao artista de cinema que me transmitiu alegrias na juventude Luandina, no antigo cine do bairro Maianga, meu clube, ou em uma outra qualquer das muitas salas ou esplanadas existentes na Luua de Angola tai como o Miramar, Império ou Avis. Aqui as sesmarias de posse d´areia são contadas em dez passos segundo uma direcção já estipulada e segundo duas referências como se fossem faróis ou bandeirolas, um poste alinhado com uma equina e, bem vertical à língua de praia.

Como chego muito cedo, a vastidão é só minha mas, porque conheço as balizas destes donatários sempre faço os possíveis para aqui ficar, sentar-me depois da hidroginástica, dizer umas larachas de soberania, comer uma peça de fruta à sombra do meu sombreiro com gravuras de peixe-agulha e flores, pegar no livro do dia para fazer a leitura hodierna; ainda ando mastigando o livro Veredas de Guimarães Rosa, triturando lentamente as falas intrincadas, parar e fazer-me entender envolto na riqueza de tantos vocábulos estranhos e, inusuais na literatura de hoje.

maqui1.jpg Sendo assim Alain deu paz à minha ideia congeminada entre o bracejar, rodar, remar e saltar abstraindo-me do olhar co contorno das cérceas que em curva se dispõem ao longo da marginal, calçadão, passeio e pista de ciclovia que ondula a marginal desta orla. Hotéis e edifícios residenciais que bordeiam esta grande piscina natural na forma de uma pequena baía. Estou bem em frente ao pavilhão de artesanato; posso vê-lo por entre os coqueiros e amendoeiras de um frondoso verde. É o lugar de Sete Coqueiros mas, em realidade são muitos mais.

pajuç1.jpg Tenho agendado fazer compra de prendas neste artesanato, oiro de capim das chapadas de Tocantins; pequenas lembranças a levar para o M´puto. Por via da guerra da Ucrânia, embora longínqua, terrível, estupida e medonha, tudo me perfaz num quanto baste provocando-me desagasalhadas alegrias. O Alain passa e, mete-se comigo enquanto acaba de espetar seus grandes chapéus quadrados e vermelhos, num total de nove na sua sesmaria, dizendo:- Hoje é dia de escrita, patrão!? Sem esperar resposta, que nem era para isso, num entretanto acode a dois casais acomodando-os bem ao lado preenchendo assim a frontaria da maré…

Ver a praia desnuda e, do nada virar coisas, chapéus de múltiplas cores, cadeiras, mesas e arrepios de vida, se o quiserem resiliência também. Assim vi! Num repente veio um relance que também me arrepiou ideias. Minha rasa opinião sucumbe no braço d´armas da guerra que mata gente como quem mata coelhos. Putin, o dono da caça, ele tem olhos muito incertos e vesga-os sem sair qualquer suor pestanejado, cara de cera, sem lágrimas nas beiradas de sua testa, o filho da puta! Vou dizer mais o quê, apetece-me chamar-lhe nomes.

pajuçara1.jpg Cada um com a casa atrás da parede, tijolos desfeitos, atrás do nada, um zumbido, muitos mais, um estrondo e muitos mais, fragmentando mortes, o crepitar de labaredas, caibros que caem, muitos e mais muitos rebentamentos só átoa com cheiros, com fumos – ninguém tinha esperado – ninguém tinha pensado. E, depois, um silêncio tremido de medo com choro abafado e de novo, um segundo que vira século, aquele outro silêncio pior que um alarido, que dói…

No buraco escuro, escutando a rádio, opiniões, muitas até em que não me assopro, hipocrisia. Que crime? O homem veio guerrear com todo o mundo. Guerra! Crime que sei, de fazer traição; não cumprir a palavra, não a ter: Uma arte de intrujice, nunca vista, nunca sentida, nunca cheirada. E o resto do mundo? O resto do mundo ficando agachados, molengados, por nivelar sem diferir. Na ponta dos olhos da gente sai uma raiva, outra e mais outra, feitas lágrimas. Ideias que vão e vêm – a gente empurra para trás, mas a todo o momento elas voltam a rodear-nos nos lados. E o mundo, no mundo a gente que pode, tem muitos mais lados! E, não há lá no sítio da URSS, um filho da mãe que lhe ofereça um como de cicuta…

O Soba T´Chingange                   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:13
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2022
PARACUCA . LII

MULOLAS DO TEMPO - 23

RECORDANDO: Nós, bazungus em VILANCULOS no Samara Lodge – Do 39º dia (sexta feira dia 26 de Outubro) ao 42º dia (segunda feira dia 29 de Outubro de 2018) - Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”

Crónica 325309.03.2022 No PortVille de Maceió do Brasil – Republicação a 23.09.2022 em AlGharb do M´Puto

Por  tonito16.jpg T´Chingange

ÁFRICA1.jpg De 26 para 27 de Outubro de 2018 já pernoitamos aqui no Samara Lodge, propriedade do senhor Paulo, um português / moçambicano, casado com uma senhora indiana. Estamos no dia 27, um sábado e, logo ao matabicho resolvi comer um suculento bife com ovo a cavalo para tirar a barriga de misérias. As instalações são de primeira, agradáveis espaços de jardim com piscina e recantos de sereias, lugares de curtir o sol desde o nascente ao poente, situadas bem junto à praia e do lado Norte de Vilanculos. Depois de apreciar prospectos a indicar variados lugares de interesse a visitar por entre cartões de propaganda, massagens ao domicilio, transportes e cicerones avulso, escolas de mergulho e pesca ao corrico, entre variados edecéteras muito normais nas estâncias turísticas da europa, decidimos por ir à ilha. Depois do café da manhã bem nutrido, resolvi caminhar só, pela praia e até ao centro da povoação de Vilanculos a sul do Lodge Samara.

Esta tem as características iguais a muitas outras que nasceram na gestão portuguesa enquanto colonia ou Província Ultramarina; visitei o mercado bem apetrechado de víveres, bancas com peixes e bivalves; tratando-se de ser hoje um sábado o mercado apresentava-se com algum movimento. Regressei ao Savana em um táxi-moto, um modo de locomoção habitual e até muito usado pela população local. Pude observar aonde se situavam os bancos com as respectivas caixas multibanco, também aqui muito usadas pela população e, aonde sempre teremos de ir buscar o cumbú

Daqueles prospecto lidos, retive a minha atenção ao safari marítimo às ilhas de Bazaruto; inscrevemo-nos para ali passar o dia seguinte, um domingo, pelo que este resto de dia foi ocupado mergulhado nas águas baixas e mornas. Da água podíamos admirar a beleza daquela costa muito coberta de vegetação, palmeiras e coqueiros contornando lodges e casas de veraneio ou residências no meio daquela exuberante verdura em espaços dunares de areia branca. Esbracejando a água tépida, já ansiava o passeio a fazer no dia seguinte. E, o dia seguinte chegou depois de um sono retemperado nas ondulações suaves do mar de Samara. Após o matabicho fomos solicitados para entrarmos a bordo da chata veleiro com dois marujos e um capitão.

Mu Ukulu02.jpeg  Não estavam vestidos a rigor de marinheiros mas foram amáveis e diligentes em seu comportamento. Só depois de pagarmos as respectivas passagens com cartão multibanco, essas pequenas máquinas usadas em todo o lado ao empresário de sucesso que chegou montado em uma moto de quatro rodas; pagamento tendo como base o dólar – cinquenta “paus verdes” por cada tripulante – tudo incluído. Ida e regresso à ilha da fantasia com corais em algumas partes dos recifes, gozar da praia, almoçar garoupa grelhada, frutos do mar e lagosta transpirada com camarões gulosos saltilhados entre verdura e dispostos em travessas em uma mesa grande, dobrável e, tendo um grande sombreiro apoiado em quatro varas, a servir de protecção ao sol impiedoso do meio-dia.

Foi um bom espaço de tempo com troca de pilherias e saberes dos aspectos locais; em suma foi interessante e até pela primeiríssima vez ressalvo aqui em elogio esta predisposição entre os bazungus e eles, os tripulantes miamas. Fomos sempre usando a vela soprada pelo vento do canal; demoramos bem uma hora a chegar e, neste trajecto podemos apreciar os contornos das ilhas de Magaruque e de Benguerra. Foi nesta última que ficamos. Da costa do Samara dava ideia de ser uma só ilha mas em realidade são três, sendo Bazaruto a maior, mais a norte. Esta tem óptimas infraestruturas turísticas na qual se destaca pela qualidade o Pestana Bazaruto Lodge com aeroporto, lugar de escolha de turistas saídos da África do Sul mas e, também de outras latitudes – os bazungus ricos já aqui mencionados que fumam grossos charutos cohiba e Romeu e Julieta da ilha Caribenha vão para ali..

Entretanto, ainda nem sabia bem o que era isso de bazungus mas, porque nem sempre sou tolo, achei que era relacionado com muzungu que quer dizer branco em língua xhosa; Não sei como é mas os negros daqui todos se entendem e falam línguas com nomes raros de maxangana, isixhosa, Isizulu, Sesotho usando cliques como fonemas da língua bantu, características dos khoisans. Foi a minha empregada Mary de Campala do Uganda que me explicou estas formas comuns de falar muito enraizadas e, creio que, saídas dos povos bantu; relembro a ela ter feito um rascunho assim: “ O dinheiro que ganhei com meus patrões bazungus está a crescer como um caroço de manga caído no chão do mato do Uganda”

helder12.jpg Aquela frase de “em breve a minha vida estará cheia de mangas” apoquentou o meu mukifo do cerebelo. Porque razão Mary, escreveria isto? Talvez para preencher o tempo e não se esquecer de isto referir em suas conversas com seu boy friend de Kampala. Só pode! Eu também rascunho muito! Mas havia mais referências. “Meus patrões muzungus com a minha comida, já defecam como as cegonhas de Campala"… Ué…como pode?! Defecam caganitas mal cheirosas como aquelas cegonhas do Uganda!?

E, recordo aqui naquele então que bebendo de novo aquele café à mistura com leite do dia e aquele milhipap ou maizpap, perguntei: - Mary, lá no Uganda há muitos turistas como nós à busca de leões, fazendo safari? Haka patrão! No Uganda tem bwé de bazungus assim como vocês carregados de bikuatas, lentes, muitas imbambas. Fica esperto T´chindere, afinal, bazungu era mesmo o que pensava ser: Branco a fazer visita ao mato – fazer safari! Ando a tentar…

(Continua…)

O Soba T´Chingange 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:02
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2022
PARACUCA . LI

MULOLAS DO TEMPO - 22

RECORDANDO: No INHASSORO – Dias 37º e 38º, quarta e quinta-feira dias 24 e 25 de Outubro de 2018 da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África no Yellowfin lodge em Inhassoro (3 noites) …

Crónica 325106.03.2022 no PortVille de Maceió do Brasil - Republicada a 22.09.2011 no AlGharb do M´Puto

Por soba0.jpeg T´Chingange

mocanda9.jpg Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Alguns até são brancos… Porquê? "Hoje até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan T´Chavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabwano por onde passei recentemente neste ano de 2018, que respondendo ao guia imortal, o defuntado Robert Mugabe que se diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo.

O Zimbabwé, enquanto colónia era o celeiro de África, o povo era detentor de uma das maiores qualidades de vida no continente africano. Hoje e, em Angola por exemplo, quando por vezes, nas datas históricas, oiço e vejo pela TV indivíduos a mencionarem o que o “colono nos fazia”, sinceramente não sei se, chore de raiva ou se me mate de “risada” tomando por contraste as politicas actuais. "Porque o que o colono fazia… blá-blá-blá", dizem eles - hoje faz-se muito pior!

O colono, se fez, é certo que sim, quase que o desculpo: era ou foi colono, é branco, não é meu irmão de raça, etc.; agora quando o meu irmão Moçambicano ou Angolano, preto como eu, ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura, faz o que desaforadamente repudiávamos do colono - esta acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma. Porque se chegou à conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.

ngoi2.jpg Mudando o rumo à conversa, amanhã teremos de dar 7500 Mzm ao multifacetado gerente do Yellowfin lodge Sebastião, para pagar os três dias de hospedagem. Isto corresponde mais ou menos a 105 €uros; pela qualidade, não achei caro! Enquanto troco impressões com a osga empoleirada junto à rede mosquiteira, Ibib está preparando os três quilos de mexilhões que comprei a um conhecido de Sebastião. Os 3 quilos custaram-me 200 Mzm, o correspondente a 3 €uros do M´Puto. 

Tentando descansar com as kinambas levantadas para aliviar a tensão dos últimos dias, todo aberto à aragem da monção que vem do mar Índico, de novo vejo a mesma osga de olhar curioso, botando a língua de fora a ensaiar periclitãncias. Pópilas! Antes de poder vê-la, já a pressentia - a vida socorre à gente certos avisos. Antes que me julguem mal, eu até que nem queria mas com a solidão acabei por aceitar este mini crocodilo. Agora até já troco impressões com ela. A bichona estuda-me com seus olhos oblíquos de rodar amor a 360 graus.

Esta osga tornou-se-me familiar porque, num repentemente dou-me conta de que só ela tem o verdadeiro entendimento devido ao tão prolongado silêncio de aprovação. Sabe-se que há problemas que surgem com as tosses cheias de pulmões nas palavras mas, afinal, que está a acontecer? Ela, a osga riu-se avermelhando seus olhos por inteiro, colocando-me até numa situação embaraçosamente roscofe como se o estivera feito pulga entre as unhas dos polegares.

qutandeira1.jpg O cheio da fome, chegou até mim e por via destas alucinadas percepções saí do mukifo bungalow, chalé indo direitinho ao frigorífico fazer pazes com a 2M a cerveja Mac Mahom, larga e mais gorda que o jacaré La Cost. Agora queria até enxotar da ideia aquele diálogo com o bicho porque de repente a gente rosna, chia ou grasna…Até posso contar: Muito só, três meses atrás, resolvi abrir uma nova página no FB e… recordando um quatro de Fevereiro abri uma nova página no Facebook com o nome de Profeta Moisés…

E, acreditem ou não, com grande surpresa, um dos muitos pedidos de amizade vinha de Jesus Cristo. Intrigado fiquei uns dias retendo o pedido enquanto ia recebendo muitas outras, gente nitidamente ligada às coisas litúrgicas, eruditos até às pontas dos cabelos. Assim, assentando os contrafeitos nos factos com dúvidas na forma de gráfico, ora para cima, ora para baixo, fiquei espantado quase no estupefeito quando surge um novo evento: Era Nosso Senhor, adicionando-me de vez como amigo, mesmo sem eu ter confirmado o que quer que fosse. Belisquei-me para ter a certeza que ainda estava pela terra e fiquei extremamente cauteloso sem saber ao certo o que dizer!

 (Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:46
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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XIV de várias partes…

Crónica 3252 de 08.03.2022 em Pajuçara de MaceióRepublicada a 21.09.2022 em AlGharb do M´Puto

KIANDA COM ONGWEVAEm Córdova com Zachaf Pigafetta Roxo, kianda tetravó de Roxo e Oxor, seu mano Pieter e, um tal de Conde de Sant German.

Ongweva é saudade  

Por  soba40.jpg T´Chingange (Ochingandji) – No PortVille da Pajuçara do Brasil e, em Lagoa do M´Puto

koisan5.jpg A Kianda Zachaf que até ali se tinha mantido calada queria saber novas de sua descendente Kianda Assunção Roxo. Anda numa boa, curtindo a vida com suas psicadélicas pinturas, coisas de cores vistosas muito belas, virtuais ou digitais, disse eu. Vi nela os olhos arregalados de contentamento.

Quando estiveres com ela, dá-lhe um efusivo abraço, pode ser mesmo esse teu XXL, que desde já fica perfumado por mim, disse em conclusão. Na dúvida e tratando-a por vosmecê perguntei do porquê não ser ela a falar-lhe, uma vez que viaja no espaço-tempo com um simples estalar de dedos. – Eu sei, anda a preparar-se com suas aventuras de arte com roxomania mas, ainda não está na fase de termos um informal encontro! Creio ter-se referido ao estágio emocional e espiritual de Roxo.

Sei que ela, vai e vem para as terras de N´Gola, recomendo-lhe cuidado na terra dos kuzucutas kaluandas - eles andam um pouco carecidos de gasosa e quando não lhe dão, roubam, diz-lhe que ande com pouco cumbú; eu irei preservá-la mas, nem sempre controlo as tentações dos malvados, sabes! Disse ela em tom de remate!

toledo18.jpg  Andam por ali muitos simbis maldosos com espírito ancestral de origem Kikongo, do Zaire, antigos revolucionários que morreram sem o querer; guerrilheiros na diáspora. E, havia muito para falar mas isto de se ser turista, tem coisas! Não é que surge um tipo com trancinhas, moreno, quase preto, falando francês e uma outra língua estranha. Apresenta-se: diz ser o Sant German dessa forma também gelatinoso e invisível para as outras gentes.

O trancinhas, papagueou assim num tu-cá-tu-lá familiar; pelos vistos, até se conheciam, mas eu fiquei quase a zeros! Que vinha de Moçambique; que era um matumbola mutalo; um mestre da grande fraternidade branca, responsável do sétimo selo, com chama violeta e outros edecéteras intrincados, diga-se! Era demasiado para a minha camioneta - um quase preto a falar na grande fraternidade branca. Ui! Ai-iú-é

O curioso é que eles conheciam-se! Dualidades que não percebi por completo. Diz ele virando-se para Pieter: - Por recomendação dum kamba muxiloanda, fui num vaivém minkisi-vip ao Xipamanine (mercado de Moçambique), lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine.

toledo21.jpg  Estás a ver Meu!? O resultado é isto! Referia-se ao seu actual aspecto nada condizente com um Conde branco N´si. Perante a minha surpresa ambos manos tetravós, fizeram questão de me explicar mas, eu tinha um compromisso. Desculpem-me, tenho de ir, há gente à minha espera; temos de seguir para Madrid.

Vai! Disseram os três quase como se combinassem sintonia! – Está certo, tenho muito a falar com vocês mas agora, olhei o relógio e abanei o dedo em repetição para o meu Guru.

O tempo para nós não conta, disseram em conjunto (fiquei intrigado por falarem quase a uma só voz); ver-nos-emos em Madrid! Lá falaremos de N´Gola disse Zachaf. E, dos seres encarnados hoje no Planeta Terra a uma Nova Era, de Paz, Harmonia e União disse “a coisa” estranha de Sam German. Esta nova figura “Conde de San German”, veio complicar minha cabeça já de si azucrinada. Pareceu-me ser um fumador de pura liamba. Seria? Meio zonzo, dirigi-me ao Hotel situado em La Plaza tendilha, ali bem perto da Fénix… Como as coisas assim do nada, se complicam!?

roxo215.jpgAR -  GLOSSÁRIO

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos; Miama: - preto na língua Zulu de Xi-lunguine; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e Zaire; Kamba: amigo; Matumbola: um morto-vivo, tipo de assombração. Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, que vive de expedientes; Muxiloanda: O mesmo que kaluanda, natural de Luanda (Luua); Mafulo: nome dado aos Holandeses (Brasil); Mussendo: Um conto ou longa estória, biblioteca oral, conto dos mais-velhos ou kotas.

(Continua…)    

O Soba T´Chingange (Otchingandji)

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:30
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2022
PARACUCA . L

MULOLAS DO TEMPO - 21

RECORDANDO: De CHIMOIO a INHASSORO – Ainda no 36º dia da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África no Yellowfin Lodge em Inhassoro …

Crónica 325005.03.2022 em Pajuçara – Republicada a 20.09.2022 em AlGharb do M´Puto

Por soba40.jpg T´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e AlGharb do M´Puto

etosha2.jpg Entre Chimoio que fica perto da reserva Gorongosa e Inhassoro e, por cerca de 420 quilómetros, foi um autêntico desespero de calvário de roídas falésias nas margens de betume da estrada nacional N1. Ranhuras sucessivas de fazer virar carros, com buracos de não deixar alternativa – ter de pisar! Ou só mesmo passar devagar, devagarinho. Nos escassos quilómetros com piso bom, lá estava a polícia para exercer sua autoridade. Fizeram-nos alto lá num lugar do nada e, mostraram a máquina parecida como um megafone a marcar 85 Km em luz vermelho. Pois!

O senhor vinha a mais de sessenta, tem de pagar multa! O polícia, viu a carta e os demais documentos sem nada ler, fitando o pensamento só com os olhos do cerebelo, os dois mil meticais a sacar ao gweta bazungu, um genuíno angolano branco, esperto como a surucucu, uélélé. Ordens são ordens, disse o supranumerário filho da mãe em primeiríssima geração, disfarçado de um gordo polícia. Não há como fugir - fiquei fulo depois de andar tantos quilómetros com o eminente perigo de ficar ali numa qualquer pothole (buraco)!

INHASSORO 096.jpg Saí barafustando do carro – quase gritando que era um desaforo armar tocaia na única recta com bom piso em 420 quilómetros. Cá por mim não pago nada, levem-me preso! Saí e, sentei-me no muro da Vodacom, um mukifo promovido a quiosque entre milhares pintados de vermelho e pertencente à empresa de celulares telemóveis! Um negócio que deve ser bem próspero, pois toda a gente tem um “micro-ondas” por onde se pode comunicar e até assobiar com muxoxos espaciais! Salvo as naturais diferenças, rosnava como um cachorro…

Ué! Com palavrões dentro da cabeça, tento reconstruir minha disposição com estranhos nomes esvoaçando raiva de mim aos poucochinhos, buscando novidades sem figas nem juras por sangue de Cristo porque quem anda por gosto num cansa, tal como disse aquele mwadié do Chimoio! Assim deveria ser mas, não o é! No Yellowfin Lodje, a Rosália limpa nossos quartos e retira uma cobra escondida nos tapetes na varanda lateral – uma boa recepção. Sebastião é o administrador, jardineiro e pau pra toda a obra; foi ele que lavou o jeep Nissan 4x4 de el comandante já com uma soma de 7500 km nesta odisseia de bazungus.   

INHASSORO 139.jpg Já noite, fomos a pé e pela areia da praia até ao restaurante da Luna Park da Estrela do Mar de Inhassoro ali perto, propriedade dum arquitecto português já com a nacionalidade moçambicana e, que ali se fixou montando uma escola de hotelaria. Tanto a garoupa grelhada como a pescada cozida estavam de requinte; o jindungo era do bom, daquele de aquecer os neurónios no cocuruto do templo. No Yellowfin há um espaço de esplanada do tipo self-service para fazer comezainas e com um espaço bray (lugar de fazer churrasco) já fornecido de lenha. Também há mesas, geleira e fogões de uso comum com os artefactos usuais mas, deparamos com dois casais sul-africanos que açambarcaram quase todo o espaço.

Estes dois casais que tinham um carro apetrechado para safaris, levaram com eles arcas frigoríficas, um armazém de géneros e outos requisitos para dar suprimento a milionários gringos, carcamanos dos estate (EUA) que querem aventuras de caça, de pesca e da forma completa de gozar áfrica em sua plenitude. Bazungus ricos… Escrevo estas linhas tendo duas beatas de dois grossos charutos cohiba cubanos num cinzeiro, desperdícios de seus hóspedes oligarcas que por aqui andam bem assessorados, tomando whisky caro e a granel como se fosse água. Porventura serão até donos de petrolíferas que por aqui andam disfarçados de gente comum, vá-se lá saber! Nós nem perguntamos para não constranger os fechados personagens gringos.

INHASSORO 134.jpg Mas, sempre soubemos que seu trajecto foi planeado ao centímetro pois que foram de avião para Casane no Botswana do Shoba, Delta do Okavango em Maun, Victoria Falls, caçaram trofeus na Zâmbia e agora, aqui, pescando nos mares de Inhassoro usando rápidos gasolinas até Bazaruto – bazungus com muito cumbú. Pois! Há gente que já nasceu borboleta sem passar por larva. Mas isto é o menos pois que li recentemente que Salvador Dali em um momento de excrescente angustia atirou uma vaca de um avião sem ter ido para o livro do guinness book; se não for mentira, acho que a vaca deveria ir em um Nord Atlas. Digo isto porque, também estes gringos devem a andar em busca de actos exóticos…

Aqui temos feito levantamentos com cartão nas caixas multibanco mas, nem sempre aceitam o que tenho da África do Sul; Nesse então eu escrevia: Hoje tive de usar o meu cartão do Totta Santander do M´puto para levantar 10.000 meticais. Está escrito: hoje é 24 de Outubro, quarta-feira – iremos continuar aqui no Yellowfin Lodge até o dia 26, sexta-feira; depois seguiremos para sul, via Vilanculos. Já deitado de barriga virada ao tecto a osga gorda estuda-me com seus olhos oblíquos. Acena por várias vezes, parece cuspir qualquer coisa e depois refugia-se no escuro ficando a espreitar entre a esteira e o pau avermelhado da asna no tecto de capim. Já estávamos na mordomia do dia 24 no encanto do mato ao lado do grande Oceano Índico, seus cheiros e ruídos; em África, eles, os sonhos, são tão especiais que ofuscam a mente com espíritos.

(Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XIII de várias partes…

- KIANDA COM ONGWEVA – Em Córdova com Zachaf Pigafetta Roxo, kianda tetravó de Roxo e Oxor, seu mano Pieter e, um tal de Conde de Sant German - Crónica 3249 de 28.02.2022 Republicado a 19.09.2022 

Ongweva é saudade  

Por soba24.jpg T´Chingange (Ochingandji) – Na Pajuçara em Alagoas do Brasil e Lagoa do AlGharb do M´Puto

roxo168.jpg Recordo que este mussendo – saga, teve início no lugar de Guaxuma com a Kianda sereia Roxo; depois sua irmã vista ao espelho Oxor e Zé Peixe o marinheiro prático que levava grandes barcos desde alto mar até Aracaju de Sergipe. A estória foi evoluindo diluindo-se nas brumas do tempo com gente holográfica, muito antiga, conhecida de outras andanças como o Januário Pieter que nasceu em 1712, tendo agora seus 310 anos. Em Granada tendo Alhambra por perto, houve um encontro muito ansiado em "El Pátio Riconcillo" com a tetravó da Sereia Assunção Roxo.

Ela, a tetravó de Roxo chamava-se Zachaf Pigafetta e, em princípio, era visível só por mim e Januário Pieter. Foi de alguma cautela que falamos de coisas muito antigas do lago Niassa que antes era conhecido por seu primeiro nome de Zachaf; daquelas águas misteriosas tinham saído enredos que me prometeram contar de forma concisa pois que haveria que descrever com mais pormenor suas vidas nas águas do Kwanza, estórias de Massangano com Tugas e Mafulos. A surpresa das surpresas deu-se num repentemente, quando Januário disse: Eu e Zachaf Pigafetta somos irmãos!

roo124.jpg Podem imaginar a minha admiração de espanto quando ouvi isto. Andei tanto tempo subindo e descendo calçadas empinadas de Toledo, esperando que o concílio das Kiandas no palácio de Alcázer acabasse, eu ali com seu mano Pieter que nada me disse. Estes mistérios de kianda nunca se entenderão por completo e, foi necessário ir a Granada para retirar um pouco mais destas kalungas. Não esquecer que o mestre pintor Costa Araújo na sua ancestral passagem por ali, foi testemunha destas falas. Eu explico: Este mestre pintor em uma geração ida e lá paratrás foi ajudante de El Greco.

Tenho de rever estes episódios para não me mentir. Foram dias de maravilha, mas só em Granada e, tempos depois, é que Pieter me apresentou à irmã Zachaf. Falámos entre várias coisas das suas itinerâncias a partir de Cabo Ledo e Massangano, sua segunda terra, ficando no ar promessas de novas e velhas notícias. Sendo estes, uma junção de espíritos na forma de água, divindades abstractas tudo lhes é possível. Em pensamento navego com eles de vez em quando mas não me é permitido decidir quando e aonde.

roxomania1.jpg Minha mana tem outras estórias que decerto te encantarão, disse naquele então o irmão de Zachaf Pigafetta. Estamos aqui para isso; mungweno! Foi assim que nos despedimos. Passou algum tempo! Recentemente, visitei de novo Toledo com passagem por Córdova. Fiquei por aqui, Córdova, dois dias no Hotel Boston, um lugar bem aprazível e, aproveitei ver a toalha de água do rio Guadalquivir logo depois da cascata; via dali a ponte romana, Alcázar, a Mesquita com Catedral e o bonito Arco do Triunfo.

E, foi quando remexia as quinambas, pés descalços nas águas meio turvas do rio, que senti um ligeiro sopro na orelha direita. Vindo do espaço, seu duilo feito céu, com todos os seus anéis relampejantes, ali estava meu conselheiro das profundas angústias. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contraluz cintilando um desassossegado arco-íris. E, foi quando reparei um pouco mais atrás sua mana Zachaf acenando sua mão muito pintada com caracteres meus desconhecidos como se tivesse vindo de Marrocos. Naquele sopro inicial deu-me um arrepio de furto; não fosse uma cigana romena vendendo flores com seu umbigado capianguista de mão ligeira.

roxo107.jpg Um turista tem de andar sempre meio desconfiado porque as mochilas atraem mãos estranhas. Não era o caso mas, vi acontecer! Levantei-me saltitante entre pedrinhas afiadas e dei um grande abraço a ambos. Também andavam fazendo turismo e sabiam lá do seu jeito que eu, estaria por ali. Calcei-me e fomos direitinhos a uma esplanada aonde nos sentamos em El Campo de Los Martires. Conversamos coisas fúteis para preencher muxoxos suspensos.

Nunca mais voltei a ver o antigo Araújo mas o novo cidadão, o herdeiro dos pinceis daquele mais velho estava em Brácara Augusta do M´Puto naquele então. Nem foi necessário explicar aonde era esta Brácara; estava sabedor que ficava numa terra escandalosamente verde do Minho! Este meu “Guru”, já me tratava como se fosse da família, um cipaio do seu arimo (lavra, horta, n´nhaca). A Kianda Zachaf que até ali se tinha mantido calada queria saber novas de sua descendente Kianda Assunção Roxo. - Anda numa boa, curtindo a vida com suas psicadélicas pinturas, coisas de cores vistosas muito belas, virtuais ou digitais, disse eu. Vi nela os olhos arregalados de contentamento.

roxo135.jpg GLOSSÁRIO

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e Zaire; Kamba: amigo; Matumbola: um morto-vivo, tipo de assombração. Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, que vive de expedientes; Muxiloanda: O mesmo que kaluanda, natural de Luanda (Luua); Mafulo: nome dado aos Holandeses (Brasil); Mussendo: Um conto ou longa estória, biblioteca oral, conto dos mais-velhos ou kotas.    

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:38
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Domingo, 18 de Setembro de 2022
PARACUCA . XLIX

MULOLAS DO TEMPO - 20

RECORDANDO: Do dia 22 para o 23 de Outubro de 2018, na cidade de CHIMOIO – ANTIGA Vila Pery de Moçambique no hotel BIDJOU - 36º dia da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África …

Crónica 3248 – 02.03.2022 em Pajuçara de maceió e Republicada a 18.09.2022 na Lagoa do AlGharb do M´Puto

Porsoba24.jpg T´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e M´Puto no AlGharb

 paracuca1.jpgFicamos mesmo em frente ao quartel da tropa; pelas 6,15 horas da manhã deram o toque de alvorada mas, pelas 4 horas da manhã já estava acordado, conferindo mapas, vendo a rota que nos levaria mais a sul. Ontem fui bem cedo para a cama e devido ao cansaço e, ainda nem eram 9 horas, já estava ferrado mas, num dado momento ainda ouvi o comboio apitar ali bem perto, uma passagem de nível, depois uns barulhos de solavancos e guinchos de ferros e assim, lá entrei na 4ª mudança de levar o corpo ao infinito.

No dia de ontem e lá pelas 3 horas da tarde, eu e “el comandante” resolvemos ir a pé até bem ao centro do Chimoio. Apeteceu-nos comer um prego com ovo a cavalo seguindo indicações de gente do hotel; entramos no restaurante 2 L propriedade do senhor Couto. Não foi difícil arranjar conversa com um senhor grande e gordo de nome José que já ali estava ansioso de falas novas com gente de fora. Rapidamente, soubemos que tinha estado preso no Malawi, não disse do porquê mas foi dizendo que era ali o centro de drogas. 

Paracuca13.jpg Em seguida surgiu um sujeito mulatão de nome comum de Zé Manel, meio a dar para indiano, um meio monhê, meio mestiço a viver de expedientes na cidade do Chimoio, suponho eu pela forma de gingar as palavras; com colares de missangas penduradas ao pescoço e um cofió colorido – enfim, um mwadié fantasiado de africano a repetir-me: - Só quem anda por gosto, não descansa! Isto foi quando me queixei com azedume dos muitos buracos por que passamos ao longo do trajecto já feito, desde a fronteira Norte de Tete.

Surgiram outro e mais outro dando a entender serem todos da mesma tropa e tendo este restaurante 2 L como base de suas operações de bons-kazukuteiros e bem à maneira de África, os chamados calcinhas urbanos confundidos com empresários de sucesso. Referiram que os chineses tinham o comando e controlo da polícia da Zâmbia, mostrando vídeos e fotos de seus telelês. Nenhum dos cinco presentes referiu boas contendas em relação aos chinocas; os que comandam vários negócios (senti um misto de inveja ...).

Chimoio2.jpgPelo observado aqui, eu sempre caía no estremo de dizer só de pensamento e exclusivamente para mim o  quanto os angolanos e moçambicanos deveriam estar gratos por terem tido os Tugas como colonos pois que também e, de novo aqui, verifica-se que todas as infra-estruturas foram obras dos Tugas. Sempre caía naquela satírica forma de dizer: - Estes africanos dito genuínos das antigas colónias, estão cheios de razão, os Tugas deveriam não só ter levado para o M´Puto as suas estátuas, Mouzinho de Albuquerque, Vasco da Gama e muitos outros, como também os prédios, escolas, pontes, hospitais, igrejas, barragens e estações férreas com máquinas e tudo; tudo o que por lá se deixou nos 500 anos antes do achamento ... Estava pior que estragado quando descrevi isto!

Mas, e porquê digo isto! Porque os filhos-da-mãe, negociante de diligências, vendedores de picos de acácia com missangas de casca de massala e cajus ressequidos, pelos vistos não podiam conceber um branco como africano. Um deles, enfarpelado de polícia, gordo e sebeiroso de andrajoso matumbo virou-se para Vissapa, o comandante da odisseia e disse assim como cuspindo vinagre feito bolinhas de visgo de apanhar xirikwatas: - Tu, branco, quereres ser africano!? Isso é uma miragem tua, meu! Também, bem que o mereceu por andar a mostrar sua cédula de identidade angolana a qualquer borra-botas desclassificado…

Chimoio3.jpg Bem! Eram horas de bazar daquele centro de informação e propaganda, mistura de Frelimo e Renamo sem nos descartarmos nas tendências – Nós só éramos turistas. Disseram-nos que a Reserva da Gorongosa estava a ser apetrechada com felinos e impalas entre outros, saídos do Kruger da África do Sul mas ainda não havia a ordem no processo de poder ser visitado. Bom! Nossas mulheres esperavam-nos no Bidjou Vermelho de Chimoio, eram horas de dizer àqueles kazucutas, um até sempre e obrigado pelas informações, como assaltos da polícia e outras vicissitudes de ofício - Criar dificuldades para comprar facilidades na forma de gasosa entre outras alvissaras… Ali mesmo ao lado da linha do caminho-de-ferro, Já em casa por assim dizer, de papo para o tecto iria piscar o olho àquelas falantes osgas gordas …

Inteirei-me por aquela turma de preguiçosos que um €uro valia aqui 70 Mzm; um Rand valia 45 Mzm, e um dólar da USA 60 Mzm. Ali no Bidjon Hotel, havia uma boa recepção do sinal de internet pelo que aproveitamos mandar notícias pelo FB para amigos e conhecidos à mistura com a família dispersa por três continentes. Também aproveitar para recolher dados do rumo que seguíamos na via Sul. Escrevia então: amanhã dia 23, teremos de Chimoio até Inhassoro a distância de 414 km. Pelo que cálculo, levaremos umas sete horas neste percurso lunar (os buracos sempre o foram mais que muitos) …

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:45
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Sábado, 17 de Setembro de 2022
MISSOSSO . XLVIII
MOKANDA DO EDU - DA MAPUNDA À CHIBIA
- FANTASIA ANTIGA 
Crónica 3247 - Republicada a 17.09.2022
Porsoba0.jpeg T'Chingange (gasosa para o E. Carvalho Torres no M´Puto)

soba21.jpeg Era naquela hora de lusco-fusco em que o dia vai acabando feito entardecer; no alpendre da casa lá no mato, Zacarias, jiboiava numa rede, balouçado no sonho de caçar onça. Acordou num sobressalto gritando: - agarra agarra - kwata-kwata!

Colocou os pés no chão e ainda meio envolto na penumbra do medo e enquanto pulava, levava as mãos algures ao pescoço querendo libertar-se da cobra! Era sim, uma grande giboia enrroscada nele.
 
Saltitou meio ébrio à mistura de medo em direcção å saleta onde tinha uma arma de bala.
Mas, que podia ele fazer com aquele sonho? Foi quando despertou mesmo, num respiro longo de realidade. Pois! Estava só, tendo uma tremuras de pesadelo...

o vazio.JPG Construira aquela casa, metade habitação, metade tasca de vender peixe-frito, fuba e vinho baptizado do M'Puto. Naquele interior, isolado só tinha a companhia do Pernambuco, um já velho ajudante que cozinhava para eles.

Eles, eram o patrão Zacarias da Silva, ele próprio e sua velha senhora Maria do Ó e, mais um puto candengue faz-de-tudo, um sobrinho de Pernambuco chamado de Brututu... Naquele entretanto esta companheira de Zacarias da Silva, ausentara-se para a Mapunda onde tinha um filho a tomar conta da Padaria Lafões. Chamava-se Napumosseno da Silva

Este, tinha uma filha a estudar na Missão do padre Messias da Huila. Estas visitas da Dona do Ó da Silva a sua neta, filha do Napumosseno, eram periódicas pois que a sua linda Neta, era um propósito de esta se afincar à vida já bem encrustada - avó e neta davam-se às mil maravilhas - unha com carne seca...

chibia.jpg Zacarias, ficara assim na vida fazendo ganhos vendendo sua fuba, seu peixe frito e permutas de produtos com o povo de Mandumbe, nome derivado de seu m'fumo chefe mwata que ali vivia com sua nobreza, seu kimbo. O mesmo que fez a vida negra a Pereira D'eça, um oficial expedicionário do Reino...

Kota Zacarias, trocava cobertores, vinho baptizado, sal e outros produto, pelo milho, mel, grandes bolas de cera e algumas cabeças de gado - nemas gentias. Fornecia também cat'chipemba e outras bolungas feitas de massambala aos, óbitos! Umas defuntadas festas gentias. Isto dava-lhe muitos Angolares, Macutas com a esfinge de D. Maria, aquela que nasceu no Brasil.

Ao lado da casa, num chimbeko vivia Pernambuco e Brututu Sobrinho, bem ao lado do alpendre aonde ficava estacionada, a velha carrinha de caixa aberta DODGE. Muito enferrujada, ainda era o seu meio preferido de transporte...

angola colonial.jpg Duas vezes por semana punha suas alpercatas com polainas de lona e, com muita banga, envernizado e perfumado deslocava-se ora ao Lubango ora à Chibia. E, hoje era dia de ir a Pereira D'eça visitar seu compadre Cantanhede de Bustos. Já estava até um pouco atrasado - negócios não são de desperdiçar e, eis que neste despertar repentino sentiu um rosnar bem conhecido.

O sonho era um aviso; ouvia agora com nitidez o ronronar de um felino que andava rondando o curral, não de agora, mas de uns tempos àquela parte - lembrou-se! Misturadas com suas cabeças de gado, havia sempre alguns galináceos dispersos, que gostavam de andar debicando qualquer coisa encontrada no chão.
 
É desta! Pegando na arma e em algumas balas, dirigiu-se à porta de lá detrás, espreitou o som de fora, a ver se havia algum sinal da coisa! Saíu pé ante pé com abafados silêncios, caminhando em direcção ao local. Não se apercebendo de algo de anormal, regressou a casa, pendurou a arma, guardou as balas...

ANGOLA7.jpg Despendurou de novo a chifuta de estrias, meteu mais balas nas lonas e deu ordens de marcha a Brututu: despacha-te meu coirão. Acto continuo, na habitual tarefa deu arranque na sua DODGE! Destino, Xangongo na graça de Deus... E, eis que tratranquilamente no meu espaço de vida via Ondjiva no meu NASH carregado de candonga de peixe seco dou com o velho kota Zacarias atascado na lama até ao chassi! Ué! Claro que ajudei aquele unhas de fome!

Se não fosse eu ainda por lá estava gripando a paciência, um espaço de vida que escolhera para viver. Entretanto, ja noite, com ruídos insalubres da escuridão com sons distintos de feras e edecéteras acompanhei-o até Xangongo. Vida de comerciante no mato, era assim, nos meus tempos de antigamente. Agora, só temos resiliência com swift estatal aiué...
Soba T'Chingange no AlGharb do M´Puto


PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:15
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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2022
MISSOSSO . XLVII

COM FALA KALADO – NO KILOMBO DO ZUMBI

Crónica 324613ª de Várias Partes em Kizomba – 25.02.2022 em Pajuçara do Brasil; Republicada a 16.09.2022 para constar no Kimbo

Por Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e Lagoa do AlGharb, no M´Puto

Araujo002.jpg Em tempos andei curioso procurando toda a informação sobre esse tal escaravelho da Welwitschia Mirabilis pois sempre andei muito necessitado desses inventos para renovar toda a minha flora muito cheia de fungos e bitacaias escondidas em lugares tão recônditos que nem os médicos conseguem catrapiscar suas nuances de mutações biológicas.

Mas, também pensei na necessidade de melhorar o estado do meu amigo ex-Coronel FK das FAPLA, que saiu pela fronteira de Namacunde metido num caixão, mortinho da silva! Estes episódios já foram contados em crónicas anteriores e, não carece de as repetir (…) Sucede que, em acto continuo a ter falas com o Ex-Coronel FK, este mostrou-se doído de interessado e, após transmitir isto a ele, o FK, logologo contratou um conceituado investigador

dia85.jpg Pois assim foi! Contratou a preço de oiro um biólogo da Bulgária conceituado mundialmente de muito bom, com o nome de Andrey Blazhe para dar andamento na feitura do edifício-laboratório de investigação em genética e plástica de ADN. Creio que foi a ainda só amiga dele, Rita Fiuza que lhe deu todas as dicas quanto à escolha daquele conceituado investigador, biólogo …

Meu amigo cabra da peste FK, era de decisões ultra rápidas e, sem perder tempo montou em Petrolina às margens do rio São Francisco um laboratório com todo o equipamento de ponta, um investimento inimaginável naquele cú de mundo bem na margem do lago artificial de Sobradinho aonde se situa a Ilha da Fantasia… Só posteriormente, tive conhecimento disto; O Ex-Coronel das FAPLA era assim, usava de sofisma com astucia mantendo amigos e afins na penumbra do negócio, prática comum em seu Partido versos Governo da sua N´Gola.

koisan7.jpg Ele, o FK, tinha sempre em mente um plano base e, três alternativas com mais uma por-se-acaso: planos A,B,C e D – resquícios de sua antiga aptidão de matumbola (morto-vivo) que fez fortuna vendendo armas de última geração aos guerrilheiros do Morro de Rio de Janeiro e a gente do narcotráfico da Colômbia; estou falando isto de cor sem precisar nada, porque necessito dar paz à minha ideia sem ficar desagasalhado de alegria tal como um cão que consome raivas lambendo feridas alheias. 

Como teste, os desenvolvedores do projecto liderados pelo biologista investigador Andrey Blazhe fizeram uma orelha em impressora 3D e aplicaram as células, que formaram numa orelha animal. Vi isto ao vivo e a cores lá na Petrolina do Brasil, colada na lateral do meu amigo ex-Coronel FK – Fala Kalado com sua orelha parabólica no sistema de 5G. Poucas perguntas fiz acerca desta característica anatómica, pois que sempre me mantive coibido de grandes interrogações…

dia141.jpg Só sei e, por portas travessas que os estudos estão sendo realizados provisoriamente com células de ratos e que, os resultados são bem animadores na feitura de outros órgãos humanos. Fixe! Acerca dos besouros extraídos da Welwitschia Mirabilis lá terei de escarafunchar para saber bem a fundo seus segredos, agora na qualidade de Zelador-Mor da Fundação Zumbi de N´Gola…

Eu só estava ciente destes avanços científicos através da feitura de vinho nas vendas do Morais, do Hernâni, do Baia ou do Rente Cruz da Maianga lá na antiga minha cidade, bairro da Maianga, lugares extintos da Luua e, aonde da água do Bengo faziam vinho de qualidade do tipo “extra Camilo Alves” - vendiam esse milongo a granel sim senhor! Faziam vinho da água e permutavam alegrias em melancolias de cat´chipemba e, que agora só são recordadas para fortalecer os corações da gente…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:44
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2022
PARACUCA . XLVIII

MULOLAS DO TEMPO -19

RECORDANDO: Do dia 21 para o 22 de Outubro de 2018, na cidade de TETE em Moçambique - 35º dia da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África e no Hotel Zambeze, bem em frente da ponte sobre o rio que vem de Cabora Bassa…

Crónica 3243 a 18.02.2022 – Reeditada a 06.09.2022 no AlGharb do M´Puto

Por soba0.jpegT´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e Lagoa do AlGharb

cubo2.jpg Ainda sinto um ligeiro arrepio quando a maluca da gata caiu lá do 5º andar. E, como hoje é o dia dos gatos relembro que a dita cuja de nome Yacha com suas sete vidas só ficou meia tonta e com os olhos arregalados, depois deu-se-lhe uma cortisona do tipo KH3 e recuperou-se milagrosamente. Até há bem pouco tempo, dizia o quanto eu na primeiríssima pessoa, tinha de vocação para terrorista. Ouvi até em tempos e, em surdina alguém dizer referindo-se a mim:- Ele conhece muitas estórias, é um inconveniente. E, porque nunca me conformei por nunca me entenderem, fico aqui de novo pensando nesta insensata atitude daquela gata Yacha; acho que foi um descuido sim – foi ao inferno e voltou!

Saltar para o parapeito da janela, correndo o perigo de só parar lá em baixo, no passeio, esborrachada. Aquele dia aconteceu. Acho que a teoria do tal de Isak Newton também é válida para gatos mas bem tolerante, pois que até parece que têm paraquedas no lombo da alma. E, pelo facto passado, pelo observado também aqui em terra de bafanas, eu sempre caía no estremo de dizer o quanto os moçambicanos bem como os angolanos, deveriam estar gratos por terem os Tugas como colonos e, não andar a pedir gasosa por dá-cá-aquela-palha. Pois que aqui verifica-se que para além do mato que cresceu, pouco mais há feito de novo e, por eles.

dyo2.jpg Sempre caía naquela satírica forma de dizer: - Os moçambicanos tal como os angolanos estão cheios de razão, os Tugas deveriam não só ter levado para o M´Puto as suas estátuas, Diogo Cão, Maia da Fonte, Norton de Matos entre outras mas e, também os prédios, escolas, pontes, hospitais, igrejas, barragens; ter deixado tudo exactamente como a encontrou o próprio Vasco da Gama, em 1498, aquando da viagem marítima para a Índia fazendo cambalachos com o xeique árabe que ali governava - "Mussa Ben Mbiki" ou "Mussal A'l Bik" e também o tal de Diogo Cam, 500 anos antes do achamento do rio Congo ou Zaire que pensava ser a dobra do cabo Bojador a caminho da Índia…

Em áfrica sempre se tem de ponderar gastos para não irmos mais além do plausível mas, há lugares que nem raspas do plausível existe! Esta missão exploradora serviu para revestir-me de uma armadura contra as megalomanias daqueles que julgam possuir todas as chaves de abrir todos os becos, todas as quelhas, todas as picadas sem declarar seu próprio fisco à sua alma. Ali, é fundamental ter dólares! Nosso comandante Vissapa, desconhecia. Sem isto, a apologia de se ir ao acaso tolhe o instinto, cega a fé, mesmo que se repita muitas vezes “valha-me Deus”. As caixas electrónicas funcionam mas, tem um mas..., talvez lá mais para a frente o diga...

BILENE 001.jpg O Hotel Zambeze foi o lugar em que permanecemos; satisfatório para África mas não tão eficiente de como o era lá atrás na época colonial, diz-se! Ficamos instalados no 1º andar mas, para irmos ao refeitório panorâmico lá no 6º andar, tinhamos de subir escadas porque o elevador não funcionava; pópilas, não se compreende esta gestão economicista. Da vista do restaurante divisava-se a linda ponta sobre o rio Zambeze, a mesma que atravessamos pagando os respectivos meticais da portagem.

Aqui em Moçambique todas as pontes pagam portagem e, sempre se vai encontrar um militar parando-nos para contar uma estória de carência; e, porque não tem dinheiro para ir ao funeral do tio e edecéteras mais intrincados, solicita uma gasosa, pois claro!... Possivelmente, utilizando este método já deve ter morto toda a família, Ascendentes de Gungunhana e até descendentes que ainda estão por vir. Aldrabões que chegue!? Só mesmo o Mia Couto para contar amabilidades dos genuínos patrícios – kiákiákiá…

moça01.jpg Como recordo a minha empregada Mery, natural de Kampala no Uganda, das ditas verdades sobre nós bazungus, brancos turistas em África com montes de artelhos e zingarelhos e câmaras de fotos e mais caixas e caixinhas de lentes e binóculos, mais o tal de canivete que tudo resolve chamado de MacGyver com uma lanterna regulável para ler nos olhos dos mabecos... E assim andei, feito pateta gastando dinheiro a rodos para ver a bosta de camelo mais a outra de elefante com as carochas do egipto, fazendo bolinhas de merda para armazenar no seu mukifo ecológico, vou-te falar!?

De repente via a Mery, chispando muxoxos, meditando até que o troço de tabaco se apagasse com o tição feito morrão dentro da boca, como se fora um pavio de fazer explodir a pólvora dum canhão. Ué! Talqualmente a lavadeira lá do Caputo da Luua de N´Gola, a Joana Kitunda, que também o fazia assim fumando grossos charutos com o tição dentro da boca horas a fio. Creio que enquanto fumam meditam com os anjos e arcanjos e kalungas que desconheço. Sempre fingi que não sabia e, nunca a tinha visto matar saudades de Kampala desta forma tão invulgar ou peculiar. Tocou-me a vez de fumar por um matope de pau-ferro, fumando o futuro! Estas peculiaridades exóticas fazem meu coração bater desordenadamente, latejando-me nas têmporas com um puta-que-pariu, matumbo até morrer. A seguir, vamos para Chimoio…

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:49
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Domingo, 4 de Setembro de 2022
PARACUCA . XLVII

MULOLAS DO TEMPO -18

RECORDANDO: Dia 21 de Outubro de 2018, na fronteira entre o Malawi e Moçambique - 34º dia da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África… Crónica 3242 - 15.02.2022 na pajuçara do Brasil; 04.09.2022 no AlGharb do M´puto

Por  4 DE JUNHO.jpg T´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e agora, no  AlGharb do M´Puto

paracuca1.jpg Ainda sinto um ligeiro tremor de raiva a arrepiar-me as carnes, o cérebro, quando me lembro daquele polícia de fronteira, impecavelmente preto, impecavelmente vestido, impecavelmente sóbrio e com divisas de chefe reluzentes, que ali naquela fronteira de Bozwé, entrada de Moçambique dize que só aceitavam dólares; numa terra em que o dinheiro tem o nome de Meticais. Por seis horas e sentados num muro de pedra ao acaso, tivemos de esperar pelo visto que viria de Tete.

Assim, de braços moles, de mãos frouxas, pescoço bambo quase abotoado ao estomago, crepitando febres, olhava um desconsolo como coisa nunca vista. Ando assim, a tomar chá rooibos misturado com borututu para defumar as raivas mal contidas. Sim! Para me curtir das cólicas. Ontem, até dei comigo a examinar quinquilharias de artesanato, assim minuciosamente como se nunca as tivesse visto. Agora, lá terei de inventar lendas para neles, me improvisar airosamente como um holograma…

paracuca8.jpg Neste dia de 21 de Outubro de 2018 escrevia: Estamos na fronteira de Zobwé que liga o Malawi à cidade de Tete e Cabora Bassa em Moçambique. Já estamos há cinco horas esperando pelos vistos que em princípio irão chegar da Cidade de Tete. Nosso comandante, guia, o melhor condutor de África, empertigou-se com o polícia que nos atendeu ao balcão do lado de Moçambique e neste compasso de espera creio até ser de castigo por excesso de lábia de nosso angolano genuíno de nome, alcunha bangão Vissapa.

Armou-se aos cucos e desatou a dizer que era jornalista e que iria contar ao mundo, que fazia e acontecia, por este desaforo de espera; tinham passado duas horas e foi-nos explicado que os selos dos vistos acabaram ali e, então teríamos de esperar até que o funcionário chegasse vindo de Tete, lá na margem do Zambeze. Sucede que o comandante não aceitou estas explicações, como se não conhecesse estes procedimentos nas fronteiras de áfrica e vai daí, óspois, cinco a seis horas passadas, já muito próximo do fim de dia é que com outro polícia em um outro turno fomos chamados a pagar o visto: cinquenta dólares!

Paracuca13.jpg Como só eu estava apetrechado com dólares tive de proceder aos trâmites e, eis que chegada a vez do comandante Vissapa os dólares não serviam, eram demasiado velhos, sujos, teriam de ser novos. Vai daí procurei o bafana cambista de rua do tipo kinguila que me cambiou e nada de o encontrar. Tive de comprar novos dólares para libertar Vissapa. Ainda ando com estes sujos 50 dólares na carteira para recordar tamanha recheira muito impregnada de bazófia de m´bika dum m´putista bangão – Sucede que o prejuízo já foi pois nunca vi a cor, nem a hipótese dessa devolução pois que e, até já nem o quero pra não azarar meu parco futuro…

Escrevia nesse então: Zobwé - Fronteira muito cheia de kazukuteiros a esmifrar os mezungos ou bazungus brancos! 50 Dólares americanos não sujos custaram-me 1000 randes! Fiquei a arder… nunca pedi resgate disto mas ficou uma raiva que criou ranço de bolor neste tempo todo. As Exorbitâncias são feitas à sociedade - compadrio com as autoridades da fronteira... Há laia de rascunho: -São necessários muitos dólares para satisfazer a apatia reinante dos preguiçosos serviçais da lei... Moçambique, é terra para esquecer; iremos ter mais pela frente…

paracuca27.jpg Nossos bolsos esvaziam nas fronteiras... De todos e até aqui, os mais honestos foram os Malawianos...Os mais ladrões e prepotentes foram mesmo os Moçambicanos... É estranho isto, noé!? – Não é! No entanto, pelo que se vê as infraestruturas aceitáveis de agora foram aqui deixadas pelos Tugas. É bem melhor ver África pela Nacional Geográfica... O maior calor teve o maior preço... Foi no Malawi no Mvuu Liwonga subsidiado por fundações europeias (já aqui descrevi…)! No entanto não aceitam pagamentos em Euros! Ando encafifado! Turista t'chindere em África, sofre e paga para isso! Raiuspartaqueospariu (tudo junto)...

fotos ZÂMBIA 021.jpg Sem pretender vulgarizar o verdadeiro sentido das coisas, aqui estou escrevendo missossos, muxoxos, mujimbos ou mokandas nos trezenos e sessenta e cinco dias dos anos comuns, para arredondar abraços XXL aos verdadeiros gestores do bem-querer. Pelo que podem ler, áfrica é para esquecer! Nesta afirmação, existe uma inevitável armadilha, que chamamos de cultura subordinada a um outro potencial de fingimento, pois que o real entrelaça-se com o possível dando forma à fricção, uma nova forma de ficção. Coitadinhos deles, dizem… Amanhã estaremos em Chimoio… A ver vamos…

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:01
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Terça-feira, 30 de Agosto de 2022
MALAMBAS. CCLXVII

TEMPOS COM FRINCHAS... Faz falta fazer querer...

Crónica 3239  de 09.02.2022 – Republicada no M´Puto a 30.08.2022 no Kimbo Lagoa Blog

Por soba17.jpg T'Chingange no Nordeste brasileiro em 09.02.2022 ::: No AlGhab do M´Puto a 30.08.2022

Nossas palavras, queiramos ou não, sempre causam alguma reacção em quem nos ouve ou a quem nos lê. O mesmo se dirá de nossos escritos avulso, quase apócrifos, reflecções ou outros edcéteras quotidianos com ou sem fricção, ficção, coisas da estória ou história com inventação ... No caso das apresentações públicas, o objetivo é fazer com que as pessoas sejam transformadas com o que é dito, se efectivamente valer a pena.

Grandes discursos são aqueles que mobilizam multidões. Contudo, isso não significa necessariamente que sejam positivos.  Todos os santos dias deparamos com falas incongruentes, dizeres  que não têm sentido, coisas ditos por pessoas que em principio deveriam ser de alto coturno. Adolf Hitler, por exemplo, atraiu milhões de pessoas com suas palavras, mas todos sabemos que seu propósito eram outros e bem terríveis. Nos dias de hoje temos muita gente com responssbilidade  a dizer besteiras  aumentando assim nosso gráfico de espanto.  

alema11.jpg A  história regista vários discursos que impactaram positivamente a sociedade. Em 1942, Mahatma Gandhi impressionou o mundo com sua retórica pacifista, defendendo a não violência como estratégia de luta pela independência da Índia. Odiernamente a palavra  quase de nada vale  e mesmo aqueles que se deveriam posicionar como estadistas caem na lama como um qualquer, um vulgar cidadão.

Em 1947, o objetivo de Gandhi foi alcançado. Em 28 de agosto de 1963, quando os afrodescendentes dos Estados Unidos viviam segregados, o pastor Martin Luther King Jr. proferiu um discurso histórico em favor dos direitos civis que alcançou mais de 200 mil pessoas.

araujo 101.jpg Quase um ano depois, a Lei dos Direitos Civis foi promulgada em seu país - os Estados Unidos da América. Não obstante, o discurso mais revolucionário de todos os tempos e que mudou completamente a narrativa da humanidade foi proferido por Jesus e, por estranho que pareça o mundo anda a passar ao lado desses ensinamentos; Hoje pedominam as classes cleptocratas, ladrões mesmo que defraudam os demais, subornam, mandam matar, poem sob escuta  o cidadão, fazem da fraude  uma verdade, mentem com todos os dentes e  nós assim ficamos de braços cruzados com o medo do medo... 

Há quem sempre professe outras falas mas, sempre notamos não estarem buriladas nos valores  éticos do círculo que nos serviu de padrão de comportamento social. No Sermão do Monte,  Cristo apresenta os elementos essenciais a que chamou "o reino de Deus". Os temas como justiça, boa conduta, compaixão, fé, ética, sofrimento e felicidade, que interessam a qualquer pessoa, de qualquer época e em qualquer lugar, são tratados por Jesus de maneira magistral e, não devemos sair destes princípios com os quais crescemos. Para bem do mundo! 

araujo85.jpg Para além de nos ensinar como nos devemos comportar, faz-nos sonhar com um mundo de justiça, de paz e harmonia. E, o segredo para alcançar essa realidade está nas Escrituras. Conhecê-las não fará diferença e, não virá mal ao mundo.  Aplicar esses princípios e experimentar, hoje, amanhã ou em um qualquer dia, pode dar a necessária alegria de fazer parte dum reino de querer!  O futuro, que o é agora, anda a ficar muito perigoso . Faz falta fazer querer usando os ensinamentos de Jesus...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:00
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MOKANDA DO BRASIL . XVIII

SETE COQUEIROS DA PAJUÇARA - “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso - a palavra foi feita para se dizer”- Crónica 3238 - 05.02.2022 – Republicada no KIMBO a 30.08.22 no AlGharb do M´Puto

Portonito19.jpg T´Chingange – (Na Pajuçara de Maceió no Nordeste brasileiro)  

Hoje (05.02.2022) apreciei de dentro da água tépida de 28 graus o nascimento das capitânias d´areia – concessão aos empresários que vivem da venda de sombra aos turistas, uns cocos frios e pasteis feitos na hora e debaixo de uma amendoeira e também o açaí de Tocantins ou skol em lata. O empregado do capitão d´areia risca a areia segundo uma direcção já estipulada, depois conta dez passos para o lado concessionado e, com o pé risca na areia o término correspondente ao seu patrão, Seu Baldo.

bra4.jpg Entretanto o moço vai cantando uma lengalenga e, intercalando a mesma, mete-se com o vizinho, também mocambo do Comprido, nome de seu patrão; imagino que seja alcunha pois que ele é mesmo alto. O dito-cujo chegou mais tarde botando ordem na algazarrada feita forró de pé-de-serra da dupla sertaneja Chitãozinho e Chororó… Pode assim imaginar-se a divisão do Brasil em capitânias medidas em léguas no tempo em que os prémios de marear mares por Portugal lá pelas Índias, eram ficar com lonjuras de terras desconhecidas até seu limite e segundo o Tratado de Tordesilhas, seguindo uma linha paralela aos paralelos ou equador.

brasil0.jpg Recordando a história, temos que as capitanias hereditárias eram uma forma de administração do território colonial português na América. Basicamente eram formadas por faixas de terra que partiam do litoral para o interior, comandadas por donatários e cuja posse era passada de forma hereditária. Por motivos de melhor aproveitamento para a administração da colónia, a Coroa Portuguesa delegava a exploração e a colonização aos interesses privados, principalmente por falta de recursos de Portugal em manter tais territórios.

As capitanias iam do litoral até o limite estipulado pelo Tratado de Tordesilhas, um modelo de colonização que tinha obtido sucesso na Ilha da Madeira e em Cabo Verde e África. A iniciativa de colonização utilizando este modelo respondia à necessidade de protecção contra invasores, sobretudo franceses que deixaram algum legado pois não me situo muito longe da Praia do Francês onde vivi por oito anos (de 2006 a 2014) . Os escolhidos eram membros da baixa nobreza portuguesa que a Coroa acreditava terem condições para a empreitada de colonização ou gente que se destacou na odisseia em descobrir o caminho marítimo para a índia.

Martim Afonso de Sousabrasil04.jpg

Esses nobres foram denominados donatários e representavam a autoridade máxima da capitania. O donatário não era dono, mas deveria desenvolver a capitania com recursos próprios, responsabilizando-se por seu controle, protecção e desenvolvimento. Juridicamente se estruturava o controlo da capitania através de dois documentos: Carta de Doação e Carta Foral. Tomemos por exemplo a capitânia de Paulo Afonso bem a meio do curso do Rio São Francisco que deu origem há agora grande cidade com seu nome, lugar que visitei na peugada de Lampião, um dos meus heróis da banda desenhada lá pelos anos de 1960 em Luanda (Angola), conjuntamente com o Mandrak, Homem de Borracha, Tarzan, Zorro ou O Fantasma… Minha cultura advém daqui e do cinema…

A Carta de doação dava a posse da terra ao donatário e a possibilidade de transmitir essa terra aos filhos, mas não a autorização de vendê-la. O documento dava também uma sesmaria de dez léguas (50 Km.) da costa onde se deveria fundar vilas, construir engenhos, garantir a segurança e colonização através do povoamento. Nela definia-se que o donatário era a autoridade máxima judicial e administrativa da capitania. As capitanias hereditárias existiram até 1821. À medida que iam fracassando, voltavam às mãos da Coroa Portuguesa e eram redimensionadas, gerando novas estruturas de administração. O acto de redimensionar as fronteiras das capitanias hereditárias moldou alguns estados litorâneos actuais.

arau154.jpg Não obstante o sucesso administrativo, o sistema de capitanias sofreu com a falta de recursos, algumas foram abandonadas e em outras jamais seus donatários estiveram ali. Igualmente sofreram ataques indígenas, os quais lutavam contra a invasão de suas terras.

Desta maneira, o empreendimento das capitanias hereditárias fracassou. Somente duas foram bem-sucedidas a saber: A Capitania de Pernambuco, comandada por Duarte Coelho, responsável por introduzir o cultivo da cana-de-açúcar e a Capitania de São Vicente, comandada por Martim Afonso de Sousa, graças ao tráfico de indígenas que realizavam naquelas terras.

O foco da Coroa portuguesa na sua colónia da América Portuguesa era a extracção dos recursos da terra, como o pau-brasil. Isso devia-se ao facto de não terem sido encontrados metais preciosos como foi o caso dos espanhóis em suas possessões. Após a inviabilidade das Capitanias Hereditárias, a colónia do Brasil, passou por uma reforma administrativa sendo instituído o cargo de Governo-Geral, prática também iniciada nas possessões africanas de Angola e Moçambique.

brasil05.jpg Convém aqui nesta leitura da história do M´Puto – Portugal, falar de algumas curiosidades sobre as Capitanias Hereditárias. Elas impulsionaram o crescimento das vilas, que aos poucos se transformaram em províncias e, mais tarde constituíram alguns estados brasileiros. A herança dos sistemas de capitanias hereditárias pode ser sentida até hoje através do coronelismo e das famílias que seguem mantendo o poder em certos estados. Martim Afonso de Sousa permaneceu pouco tempo em sua capitania, pois foi deslocado para ocupar um posto nas Índias. Quem administrou a terra foi sua esposa, Ana Pimentel. Ando a rever isto vendo a novela “Escrava Isaura” que foi escrita pelo romancista Bernardo Joaquim da Silva Guimarães…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:08
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Domingo, 10 de Outubro de 2021
N´GUZU . XLI

FEROMONAS DA VIDA

- Num cala-te a boca, acabei de emudecer o que em mim já estava arrependido…

Crónica 3202 – 08.10.2021

Por T´Chingange – em Cantanhede do M´Puto

:::::1

Estando eu no meu “Pátio Andaluz” da Lagoa do M´Puto, naquele dia de meados de Julho de 2021, escrevi com tal força de afeição que até o luar murchou a noite. Depois de dispor cinco manjericos em pequenos vasos para ofertar às cinco meninas do gabinete em que me fazem as declarações de IRS do M´Puto, tomei uns goles de pensamento passando as mãos ao de leve pelas folhas e, assim embuído nesse cheirinho, cocei o aviso em minhas fontes dizendo cá para mim: Esta vida está muito cheia de ocultos caminhos.

:::::2

E, de calor amolecido no esfriado puxadinho pátio andaluz, enraizei vontades sem fazer perguntas à natureza tão prestimosa. Em relação ao resto do que vai pelo Mundo e pelas nações falantes da língua de Camões, assim e no meio duma doença chata chamada de COVID-19, juro não ser portador de um ânimo de mentir nem de me caber calado. Por falta desse tal raso de paciência olhei para o ar vendo os rastos dos aviões tendo na primeira visão as amêndoas; vi então que algumas destas já estavam a abrir a casca, indicio de já poderem ser amanhadas, juntá-las aos figos secos e fazer os queijos à moda de morgadinhos.

:::::3

Com algumas alegrias do ar em meu pensamento, com vida tão séria, desconsegui remexer na velhice dos meus afectos por via de pequenos prazeres, vendo tanta gente a vender sombras no escuro, acomodados no estímulo governamental. Descomplicando, amanhã levarei estes cinco vazos às minhas amigas para concertar em mim os pernoitados desprocedimentos que em aflitos sonhos escorregam num esquecimento ficando assim sem substância narrável.

:::::4

Desde aquele amanhã, entretanto já se passaram três meses e, por isso nem falei na fuga de um tal de colarinho branco, banqueiro e afins de nome Rendeiro que nem se sabe para onde se escafedeu por via de desfalcar o fisco, e não só. Claro que hoje, dia 10 de Outubro já se desconfia que esteja no bombom de Belize.

:::::5

Escrevia então: agora, minha vontade de chegar a lugar nenhum por via dessa doença covidesca, inchou-se-me no lugar mais estranho chamado de escroto levando-me assim a vir até Coimbra e, a fim de ter opinião mais abalizada por um médico dermatologista. Mesmo sem ter feito e utilizado punhais de sete aços malhados e trouxados numa lâmina, só como se o fora um ferreiro de Toledo, que assim cercado por água do rio Tejo me alembro que só entrei no que imaginei, ilusãozinha que para mim tudo fica resolvido. É só uma carne mole, que sem tumores se expandiu formando uma hérnia inguinal segundo a ecografia; é o que penso…

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Numa de que o que tiver que ser assim o será e, da varanda da casa do Amieiro, encalho meus olhares para poente vendo as ovelhas empinar-se no pátio duma casa de alçado e cor nobre, um solar muito cheio de ervas, pois que o abandono tomou conta no tempo. Sendo assim tudo se recompõe num processo hodierno de deixar andar para ficar de bem com a nação, com o tempo, o governo, as pessoas e até com Nosso Senhor, que alguns dizem ter sido um ET e, que veio ao Mundo para nos endireitar nos modos e acções, uma teoria fora do alcance do “ Principio de Pieter”.

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Num cala-te a boca, acabei de emudecer o que em mim já estava arrependido no momento exacto em que Fátima, pelo telefone me disse assim: Senhor António seu IRS já está entregue e aceite; passe por cá assim que puder! Naquele então disse que passaria por lá quando fosse a caminho de ir até à recepção das análises. Tudo agendado por telefone e, lá fui ver se meu escroto. Para não morrer antes de acontecer fiquei aliviado só no suficiente para ouvir o médico de família que do pouco que disse, nada disse!

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Como vêem estou no desamparo de minha vergonha e, de novo irei mostrar meu rabo ao Professor Doutor Ricardo Vieira na firme convicção de que para se morrer basta estar vivo. Juro! Nesta singularidade, muito fico repetindo, remoendo em minha mente as palavras que nem digo, porque sou cristão, maior, emancipado e vacinado. Digo isto por modo de me acostumar sem receber certezas de como vai ser então, naquela força de afeição tal de que até o luar por vezes põe a noite inchada…Fui!

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:08
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXVIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXV

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS” CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 320108.10.2021 - A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

Por: T´Chingange, em Cantanhede do M´Puto

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Após o 11 de Novembro de 1975, as casas abandonadas em Luanda maioritariamente pelos brancos, são entregues a “amigos” do MPLA e aos amigos dos amigos ou assim supostos; por toda a Angola se verificou o mesmo procedimento – fábricas, complexos desportivos, armazéns de géneros, bombas de gasolina, literalmente, tudo passou para a gestão do MPLA. Personalidades angolanas terão recebido apartamentos no Kilamba por terem apoiado o MPLA na campanha para as eleições gerais em Angola. Estas pessoas tiveram acesso privilegiado às casas mas, sendo propriedade do estado por confisco, supostamente, teriam de as pagar (digo eu…).

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Por tantas dúvidas no ar, tantas medidas arbitrárias, umas torpes outras sem explicação plausível, levam os jovens de agora a pedir explicações. Nos dois anos de 2019 e 2020 e, no actual 2021, protagonizam inéditas manifestações, estipulando como que uma espécie de moratória ao executivo angolano, antes de voltarem às ruas, uma e outra vez, pedindo eleições livres e sem batota, eleições municipais e o fim da mordaça e do estado policial, ditatorial na verdadeira versão da palavra; uma cleptocracia, um governo cujos líderes corruptos usam o poder político para se apropriar da riqueza de sua nação, com o desvio ou apropriação indevida de fundos do governo às custas da população em geral.

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Uns, declarados opositores, são pressionados, coagidos ou assediados, outros desaparecem misteriosamente e ainda outros são presos por se expressarem em desfavor do MPLA que se protagoniza como sendo eles, o país. Nas eleições parlamentares, a UNITA obteve uma votação de mais de 30%, portanto expressiva, mas que ficou aquém das suas expectativas. Nas eleições presidenciais, os cerca de 42% obtidos por Jonas Savimbi impediram que José Eduardo dos Santos, presidente em exercício que reuniu 59% dos votos, obtivesse na primeira volta a maioria absoluta, do modo que, pela legislação então em vigor, teria sido necessária uma segunda volta.

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Esta, não se chegou a realizar, porque a UNITA declarou de imediato que tinha havido fraude nas eleições presidenciais, e retomou as suas actividades militares - enquanto os deputados eleitos pela UNITA assumiam as suas funções de forma regular. A seguir a uma fase de êxitos militares, por exemplo a tomada temporária da cidade do Huambo, a UNITA passou a perder terreno de maneira dramática, devido ao reforço maciço das FAA (Forças Armadas de Angola), em pessoal, formação e equipamento, no essencial financiado pelas receitas do petróleo.

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Em paralelo, constitui-se uma dissidência da UNITA, designada "UNITA Renovada" e liderada por um dos deputados, Eugénio Manuvakola; esta corrente era a favor do abandono da luta armada e de uma concentração sobre a luta política. No fim dos anos 1990 era patente que a UNITA tinha perdido o combate, em termos militares. Perseguido por uma unidade das forças governamentais, Jonas Malheiro Savimbi é morto em Fevereiro de 2002. Segundo o jornal Público (do M´Puto): Jonas Savimbi morreu "de arma na mão", como "um militar", numa emboscada das Forças Armadas Angolanas (FAA), numa sexta-feira à tarde, junto ao rio Luio, sudeste da província do Moxico, ao fim de cinco dias de perseguição pelo mato. "Sete tiros foram suficientes para o abater". Foi assim que o brigadeiro Wala, na qualidade de dirigente da "força mista que matou o líder da UNITA", resumiu o fim de Savimbi aos jornalistas presentes no local em que o corpo foi exibido.

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Ano de 2002 - Após a sua morte, a UNITA tornou-se num partido civil e abandonou a luta armada. No congresso da fundação do partido, onde a UNITA Renovada e outros elementos dissidentes foram reintegrados, Isaías Samakuva foi eleito presidente. Concorrendo às eleições parlamentares de Setembro de 2008, a UNITA obteve pouco mais de 10%, tornando-se num partido com poucas condições para exercer funções efectivas de oposição. Em 2012, esta situação levou à saída de uma dos seus mais destacados dirigentes, Abel Epalanga Chivukuvuku que fundou um novo partido, CASA (Convergência Ampla de Salvação de Angola).

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Apesar desta perda, a UNITA aumentou muito significativamente, de cerca de 80%, nas eleições realizadas em 2012, duplicando o número dos seus deputados, enquanto a CASA obteve respeitáveis 6% com 8 deputados - constituindo-se, deste modo, uma oposição parlamentar significativa ao MPLA. Nas eleições de 2017, a UNITA quase duplicou outra vez o número de acentos no parlamento, saindo de 32 para 51 deputado, sendo que a CASA-CE passou de 8 para 6 deputados.

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A UNITA que tem tentado sempre demonstrar democracia interna realizando congressos de 4 em 4 anos, é hoje, o principal partido opositor ao partido que forma o governo afirmando-se como uma verdadeira alternativa a este. A morte de Savimbi também se reflectiu na mudança ideológica do partido, deixando o nacionalismo de esquerda e o socialismo humanitário (correntes maioritárias até então). Este facto alterou o espectro do partido, que, de situado mais a centro-esquerda, passou a um movimento sem ideologia dominante.

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Segundo Jofre Justino, o partido terá assim várias correntes, sendo a dominante, direitista, capitaneado por Isaías Samakuva. As demais correntes do Galo Negro seriam a da esquerda, dirigida por um general do terreno; e a do centro, capitaneada por Abel Chivukuvuku (que acabou por romper com a UNITA e formar um novo partido). O XIII Congresso da UNITA, realizado entre os dias 13, 14 e 15 de Novembro de 2019 foi o mais renhido da sua história, em relação à disputa da presidência.

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Concorreram 4 candidatos, todos eles dirigentes de proa do partido, como o diplomata Alcides Sakala Simões, na altura secretário para as relações internacionais, o deputado e académico José Pedro Katchiungo, na altura também vice-presidente da bancada parlamentar, José Abílio Kamalata Numa, um destacado General na reserva, o jornalista Manuel Raul Danda, na altura vice-presidente do partido e o Eng.º Adalberto Costa Júnior, então presidente da bancada parlamentar, que veio a ganhar as eleições, com pouco mais da metade dos votos. A UNITA é hoje composta por uma direcção coesa liderada por Adalberto Costa Júnior, Arlete Leona Chimbinda, primeira mulher a chegar ao cargo de vice-presidente do partido e Álvaro Daniel.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:22
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Terça-feira, 5 de Outubro de 2021
JINDUNGO. VIII

VERSÃO NOVA - *O TER-SE VANTAGEM EM TUDO*

Crónica 3200 - 01.10.2021

Por: T'Chingange, no Ribatejo do M'Puto

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Existe por aí uma filosofia não declarada de que “o mundo é dos espertos”. Esta frase sugere que passar os outros para trás é um grande negócio. Em Potugal (M'Puto), no Brasil, Angola e outros países dos PALOP's, as leis que regem o comportamento de gente no mando governamental, bancos e outras instituições públicas ou afins, no activo ou saídos delas, são desrespeitadas de tal forma que, somos obrigados a pensar estar a desonestidade no ADN de muitos. Claro que estou a rever o assunto do ex-banqueiro Rendeiro que “deu-à-sola” fugindo ao fisco e à justiça “abalroando” regras que se pensavam serem firmes para todos.

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Nos procedimentos de políticos e, gente supostamente de colarinho branco, esses verbos de mentir, furtar e roubar, são procedimentos comezinhos. Assim, esse mandamento de "não se enganem uns aos outros", é de pura ficção. Afinal, um camelo pode mesmo fugir pelo cu de uma agulha! Fugir com o rabo à seringa como Vitalino, evitando responsabilidades ou ficar com o rabo entre as pernas como Pinho, sem bazarem na forma invisível, tipo Sarmento… Enfim! Uma coisa de mandar o cumbú para paraísos fiscais a que, neste caso, deram o nome de “Pandora Papers”- Pandora, uma tal de caixinha de surpresas e também o nome de minha cadela quando eu era candengue…

:::3

O “JEITINHO ” brasileiro, português ou angolano, torna-se assim, progressivamente num expediente criativo para forjar regras próprias com taxas, taxinhas e outros edecéteras que sempre se carregam em nosso lombo... Em geral, quem consegue levar alguma vantagem, se sente o máximo. Lamentável, noé!?

:::4

Flexibilizando ou quebrando normas que deveriam aplicar-se a todos, essa coisa negativa de truncar a visão certa, geralmente coloca em perigo relações pessoais, sublevando no poder a equidade do dever adaptando a regra a um caso específico, por forma a deixá-la mais justa...

Precisamos parar de furar fila, pedir um atestado médico indevido, baixar músicas pirateadas, dar por fora uns dinheiros para se fazer um jeito, etc. Esta lista é quase infindável. Bem! Os velhos padrões de comportamento, tudo o indica, devem ter ficado lá no passado…

:::5

A melhor coisa a fazer é viver pela fé, com lucros ou percas. Não adianta tentar colocar uma pedra em cima do pecado; se o que nos move é tirar proveito das situações e das pessoas, isso não passará despercebido. Cedo ou tarde, sempre haverá um observador mais atento...  Agora é o Rendeiro, o Canas e o Pinho mas tudo indica que amanhã aparecerão outros mecatrefes. Alguns até nos espantarão ficando com a boca aberta que nem chaminé de navio feito vapor transatlântico como o meu Niassa…  

:::6

Você já percebeu que a vida depende de decisões, noé?! Bem; embora por vezes, sejamos prejudicados por sermos demasiado complacentes com a astúcia alheia ou, não denunciarmos as fraudes por forma a nos ilibarmos desse conhecimento. Desta feita, e bem, umas centenas de bons jornalistas de vários países resolveram colocar o dedo na ferida…

Desde que amanhece até quando anoitece, é uma decisão atrás da outra em cada novo dia. Algumas são comuns, e você pode se dar ao luxo de até errar, por exemplo na cor da roupa, no uso da gravata ou que meio de transporte usar, uma coisa menor. Mas, nos grandes desfalques, nessas arapucas digitais sem tocaias, se falhar, as consequências podem ser terríveis. E, é bom que assim o seja, noé! Justiça - faz falta, noé!?

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:55
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2021
KANIMAMBO - LXXVI

Crónica 3199 de 28.09.2021 - MEDITAÇÃO DE SEXTA-FEIRA

24 DE SETEMBRO - 2021- EM TEMPO DE ELEIÇÕES NO M´PUTO

- A ECOMPENSA DO CORAJOSO - Não se deixe levar pelas ondas da filosofia inebriante da BAZUCA... Vá pelas direitas!  Kanimambo é obrigado em dialecto Changana de Moçambique - Publicada em kizomba a 24.09.2021, (vésperas de eleições autárquicas)

Por: T'Chingange no AlGharb do M'Puto

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"Coragem” é uma palavra usada para caracterizar alguém arrojado, ousado e valente – qualidades necessárias a quem tem determinação e está disposto a vencer qualquer barreira para realizar seus planos. Essa palavra também pode ter uma conotação negativa e significar petulância, audácia e atrevimento, dependendo dos meios escolhidos para alcançar os objectivos.

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É muito fácil encontrar pessoas dispostas a pagar qualquer preço para obter vantagens; neste capítulo, os políticos sempre têm arte ou engenho para nos despacharem promessas. Isso é ousadia de má espécie mas, não temos outro remédio senão optarmos pelo MENOS MAU, menos ambicioso ou o que surge como o mais dentro da quadratura do nosso círculo.

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Nesta era de reactividade, de coisas esdrúxulas, não se fala muito em certo ou errado nem em pecado do corajoso. Então lá teremos de ir ver a crença para escalpelizar a noção de que não existe bem ou mal, mas uma acção adequada e dependendo das circunstâncias. Será assim, noé!?

Claro que há quem enfrente qualquer obstáculo para ajudar quem necessite;  esse tipo de pessoa, sempre é uma bênção pois que, não se satisfaz com a mediocridade, lançando-se em busca do que está mais para além da vulgaridade.

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Apesar da complexidade da vida e de nossa confusão, com as moléculas do cerebelo a dar voltas de remoinho, devemos distinguir o certo do errado, do mau e menos mau, para optar na escolha, sabendo de antemão que quase todos os políticos, se coçam para dentro, fazendo dum acto de cidadania uma forma-de-vida!

Convém saber-se que o pecado é um mal em todo o sentido da palavra extensivo à promessa fácil. Em relação a esse assunto sabemos dos livros e, como cristãos, que aquela definição que diz: “Pecado é a transgressão da Lei”- que o é, por vezes uma desregra na prática, noé!?

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Muitas vezes nos sentimos confusos pois nos parece que não é tão simples avaliar as situações para descobrir a atitude certa. Pelo sim pelo não votarei no amigo que conheço, bom chefe de família, trabalhador e que, até agora, não usou de falcatruas entre outras arbitrariedades.

Deveremos distinguir o certo do errado, como diz a Bíblia, livro que ainda me serve de padrão: saber que o pecado é um mal no verdadeiro sentido da palavra. Embora a Bíblia nos alerte: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo!”. Nós Tugas já conhecemos este fado com muitos intervenientes a gozar no bem-bom com boas reformas pelo fruto da falcatrua e, do Espírito Santo, noé!

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Esse verbo "roubar" é muito intrigante porque parece ser difícil chamar às trevas da luz, a luz de trevas, não é verdade? Como é que isso pode acontecer? Acontecendo, pois! Quando nos voltamos para nós mesmos, descobrindo que sim; é possível acontecer...

Que é possível fazermos o bem simplesmente motivados por um desejo de admiração. Isso corrompe nossa bondade. "Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: "Este é o caminho: siga-o". Não se deixe levar pelas ondas da filosofia inebriante deste tempo! Lembrem-se do "Principio de Peter" - Vote às direitas...

Nota: Hoje 28 de Setembro  de 2021, já se sabe que Lisboa mudou de mãos! Vamos ver se na tal de BAZUCA  que chamam de PRR - Plano de Resiliência, os DDT - Donos Disto Tudo, não usem da falácia  costumeira...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:16
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MOKANDA DO SOBA . CLXXXVII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIV

”OS DIAS DAS BRUXAS” – CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 3198 – 28.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

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Logo no dia a seguir à partida do Papa João Paulo II de Angola a 10 de Junho de 1992, MPLA e UNITA envolvem-se em violento combate verbal, só apaziguado com a interferência de Herman Cohen. No segundo dia da campanha eleitoral, soldados da UNITA atacam o governo provincial de Kuito. Os governamentais reagem. O incidente salda-se em 20 militares e 10 civis mortos. No mesmo dia, no Huambo, numa emboscada à caravana automóvel de Kundy Paihama, director de campanha do MPLA, falece o secretário provincial da juventude do MPLA e cinco pessoas ficam feridas com gravidade.

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Estes acontecimentos, motivam um comunicado dos observadores internacionais e membros da missão das Nações Unidas UNAVEM II, condenando a atitude do MPLA e da UNITA -Convém esclarecer que a UNAVEM I, fiscalizou a retirada das tropas expedicionárias cubanas. A 8 de Setembro de 1992, Eduardo dos Santos e Savimbi acordam no princípio da criação de um governo de unidade nacional, independentemente do resultado das eleições. Comprometem-se na extinção dos seus exércitos, antes do escrutínio. Dez dias depois aquele comprometimento, avisado pela sua representante em Angola, Margaret Anstee, Butros-Ghali envia um relatório ao Conselho de Segurança da ONU, denunciando que apenas 41% das forças armadas do governo da UNITA tinham sido desmobilizadas e apenas 19% das forças armadas unificadas tinham sido constituídas.

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O mesmo documento sublinha que o ritmo da desmobilização foi mais rápido do lado das forças governamentais – 54.747 soldados, correspondentes a 45%, contra 7.257 soldados da UNITA, correspondendo a 24%. Toda esta movimentação de vontades fica conspurcada pela má-fé de ambas as partes que não confiam em suas próprias sombras pois que sempre vem ao de cima mais de 10.000 mortes de partidários da UNITA e da FNLA que foram assassinados pelas forças do MPLA, principalmente dos grupos étnicos ovimbundos e bacongos.

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Os “3 DIAS DAS BRUXAS” sempre é relembrado com as mortes de muitos membros proeminentes da UNITA como Jeremias Chitunda, Elias Salupeto Pena e Aliceres Mango, entre muitos outros. Dia 30 de Outubro de 2021, completam-se 29 anos sobre o massacre iniciado a 30 de Outubro de 1992 na capital angolana, Luanda. Recorde-se: De 29 e 30 de Setembro de 1992 diz Filomena Lopes líder do Bloco Democrático, partido da oposição angolana: “foram naturalmente três dias horríveis", data em que se interrompeu o processo de paz em Angola. Fui apanhada de surpresa, sobretudo numa altura em que se tentava encontrar soluções políticas para o problema.

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Filomena diz: - “Matava-se tudo. Matavam-se todos os que tivessem alguma ligação com a oposição. ”Milhares de apoiantes e até dirigentes da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA) são assassinados em Luanda e em outras localidades do país. Também há vítimas da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). “É a primeira vez, na história da guerra civil angolana, que políticos morrem em combate”, escreve o jornalista Emídio Fernando no livro Jonas Savimbi, “No Lado errado da História”.

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Até hoje - 2021, permanece por esclarecer quem ordenou o massacre. O número de vítimas também nunca foi confirmado, mas estima-se que tenham morrido entre 10 mil e 50 mil pessoas. Outros gráficos, baseadas em números da Igreja Católica, estimam que foram mortos de 25.000 a 40.000 partidários da UNITA e da FNLA. Números que Mário Pinto de Andrade, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), contesta: “Acho que, às vezes, a comunidade internacional empola. Houve uma manipulação desses resultados. Eventualmente fala-se das pessoas que morreram pela UNITA, mas também morreu muita gente pelo lado do governo. A UNITA quando ocupou o Uíge matou muita gente do MPLA e quando ocupou o Huambo, fez o mesmo.”

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Nem o candidato do MPLA, José Eduardo dos Santos, nem o seu adversário, Jonas Savimbi, da UNITA, conseguiram maioria absoluta nas presidenciais. Mas, a segunda volta nunca se realizou. A guerra civil reacendeu-se com o massacre e, prolongar-se-ia até quatro de Abril de 2002. O massacre dizimou muitos membros dos grupos étnicos Ovimbundu e Bakongo, historicamente tidos como adversários do MPLA. O jornalista e analista político Orlando Castro afirma que, nessa altura, o MPLA tentou “neutralizar todos os que pensavam de maneira diferente do regime”.

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“Foi uma nova tentativa de decapitar a UNITA. Orlando Castro conta: "Na história do MPLA, os massacres, ou as purgas, ou o que se lhe quiser chamar, são uma regra estratégica do regime, mesmo até para os próprios simpatizantes do MPLA”. Essa prática vem-se verificando até aos dias de hoje segundo muitas versões contadas aqui e ali, em livros ou crónicas nos jornais e redes sociais e, até por gente fugida ao sistema que sempre acusam o MPLA na utilização de venenos para eliminar parceiros ou amigos considerados insuspeitos. Quem lê o “Fórum de Liberdade” nas redes sociais de Fernando Vumby exilado na Alemanha, um antigo elemento da DISA - a polícia política do governo de Agostinho Neto, fica com os cabelos em pé.

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O tema ainda é tabu em Angola e desconhecido por muito jovens. Daí a importância de uma boa estratégia de reconciliação, desde que não se branqueie a verdade, defende Orlando Castro: “Estes massacres são os mais visíveis, quer o de 27 de Maio de 1977, quer o de 1992, são os mais visíveis pelo número de vítimas, mas o MPLA tem muitas outras histórias porque ao longo da guerra – embora a UNITA obviamente também tenha cometido grandes erros – o MPLA, até pelo poder militar que tinha, massacrou muita gente inocente.

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Os jovens não conhecem esta história. E, a paz e reconciliação em Angola nunca se conseguirão com base na mentira”. Mário Pinto de Andrade recorda: “ninguém pode negar a História, mas tem de se falar com realismo. Apesar de Angola ter um grande potencial em recursos hídricos, nem toda a gente tem acesso a água e energia no país. O governo angolano quer mudar isso e está também aberto a cooperar com Portugal; assim se falava a em Outubro de.2012; o que mudou mesmo foi  o ressurgir de novas formas de roubar ao erário publico destroçando paulatinamente a economia e levando o povo ao desemprego, sobrevivendo da forma triste em rebuscar nas lixeiras, caixotes de lixo e coisas nauseabundas que só abutres praticam…  

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:53
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXVI

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIII

”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”  TRAGÉDIA ANUNCIADA COM CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 3197 – 27.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

cronXXIII.jpg

Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em Março de 1992, representantes da Amnistia Internacional visitaram Angola lançando um apelo para a protecção dos direitos humanos – “Na ausência de providências imediatas para impedir novos assassinatos, verificava-se uma escalada da violência que vinha a pôr em risco os acordos de paz”. Crimes cometidos, nunca castigados, segundo pesquisa na imprensa angolana e portuguesa: Pelos governamentais, a morte de seis pessoas, numa manifestação pacífica de apoio aos separatistas de Cabinda, em 1991.

Ainda em Cabinda, no mesmo ano verifica-se a execução a tiro do diácono Arão. Também em Luanda, ocorre o assassinato do piloto governamental Sampaio Raimundo, pelo guarda-costas de um oficial da UNITA. No corrente ano de 1992, a morte de quatro oficiais da Força Aérea angolana, por membros da UNITA – dois deles, enterrados vivos, um queimado, outro espancado. Dá-se a morte de nove membros da UNITA, entre os quais o tenente José Segundo, na Província de Benguela, segundo representante da UNITA em uma comissão da CCPM - Comissão Conjunta Politico Militar. O mesmo, foi alvejado por um civil e por um outro com uniforme das FAPLA, em Junho do passado ano. Àquelas mortes, nenhuma investigação foi feita.

cronXXIII-5.jpg Dá-se o assassinato do representante da UNITA em Malange, coronel Pedro Makanga, vingado logo a seguir, com o assassinato de um tenente-coronel das FAPLA. Era esta a onda de insanidade e falta de rigor na fiscalização e ordem do território e, dizer-se por isso, estar-se a caminhar para uma tragédia anunciada, sem ter ninguém ou entidade fidedigna para superar com justiça quaisquer arbitrariedades. Na Província da Huíla dá-se assassinato de quatro turistas; este episódio transforma-se em mais um incidente político, quando Jonas Savimbi anuncia que prendera Celestino Sapalo, um agente de segurança governamental, por suspeita dos crimes. A ONU, vem a concluir que os crimes haviam sido cometidos pela tropa da UNITA; esta, concorda em permitir o interrogatório a Sapalo por uma comissão conjunta de inquérito, formada por seus representantes e do governo, mas isso nunca aconteceu.

cronXXIII-0.jpg Dá-se aqui conhecimento de várias altercações que um pouco por toda a Angola se vão verificando, para que se tenha uma ideia melhor formatada do todo o ambiente social em efervescência expectante da paz que, não chega… Em Cabo Ledo, arredores de Luanda, ocorre a morte por assassinato de uma família portuguesa. O governo apresenta um presumível autor dos crimes que anuncia ter actuado a mando da UNITA, por dinheiro e, embora tudo apontasse ser uma manobra política do MPLA, nenhuma investigação viria a ser feita. Por sete dias o Papa João Paulo II visita Angola, tendo-se despedido a 10 de Junho de 1992 do povo angolano no Aeroporto de Luanda e, tendo na primeira linha um grupo de escuteiros em fila.

cronXXIII-3.jpg O Papa João Paulo II junto de José Eduardo dos Santos, presta honras militares; arcebispos e bispos, em representação de vários países africanos; crianças com camisolas impressas com fotografia do Papa João Paulo II; O Papa João Paulo ao fazer discurso de despedida dá antecipadamente a bênção para um bom entendimento entre irmãos desavindos, o que teimará em não se verificar. As eleições gerais angolanas ocorreram nos dias 29 e 30 de Setembro de 1992 para eleger o Presidente da República e a Assembleia Nacional. Foram as primeiras eleições multipartidárias, supostamente democráticas e livres realizadas no país. Ocorreram na sequência da assinatura dos Acordos de Bicesse de 31 de maio de 1991, que pretendia pôr fim ao impasse militar com mais de dezassete anos.

O MPLA ganha as duas eleições; no entanto, os oito partidos de oposição, em particular a UNITA, rejeitaram os resultados como fraudulentos, o que se veio a verificar posteriormente segundo relatos de ocorrências, por impedimentos de fiscalização, destruição de urnas ou, por trâmites com bizarrias inconsequentes. Como resultado, a guerra civil seria retomada. Alguns milhares a dezenas de milhares de membros da UNITA ou apoiantes em todo o país seriam mortos pelas forças do MPLA em poucos dias, no que é conhecido como o MASSACRE DO DIA DAS BRUXAS, também conhecido como o Massacre de Outubro, referindo-se aos eventos que ocorreram de 30 de Outubro a 1 de Novembro de 1992 em Luanda, já como parte da Guerra Civil Angolana.

cronXXIII-2.jpg O massacre aconteceu após as primeiras eleições da história do país. O partido governante, o MPLA, reivindicou a vitória. A UNITA, questionou a equidade das eleições, apresentando provas das anomalias mas, a Comunidade Internacional e os países dos PALOPS assobiaram para o lado; era no Mundo, o início do barlavento esquerdista com a postura moderada de socialista! Podemos agora e à distância, ver a grande imagem, tomando como exemplo o ”Fórum de S. Paulo”- uma organização que reúne partidos políticos e organizações de esquerda, criada em 1990 para promover mudanças à esquerda com a capa suave de "neoliberais” como Cuba, Venezuela, Bolívia, Argentina entre outros…

Uma vez que nem o candidato do MPLA nem o candidato da UNITA obtiveram a maioria absoluta requerida nas eleições presidenciais, uma segunda volta seria necessária de acordo com a constituição mas, à medida que ambas as partes intensificaram a retórica da guerra, o MPLA ataca posições da UNITA em Luanda. Seguiram-se combates que levaram à morte de muitos membros proeminentes da UNITA como Jeremias Chitunda, Elias Salupeto Pena e Aliceres Mango Alicerces, que foram retirados do seu veículo e mortos a tiros. Milhares de eleitores da UNITA e da Frente Nacional de Libertação de Angola, FNLA,  foram massacrados em todo o país pelas forças do MPLA ao longo de três dias…

cronXXIII-4.jpg Em um atentado no Huambo, é assassinado o poeta Fernando Franco Marcelino. Neste atentado é ferido com gravidade a poetiza Zaida Daskalos. O “Terra Angolana” – o jornal da UNITA, em sua edição de 31 de Outubro, atribui ao MPLA a autoria deste crime, o que é duvidoso pois que eram pessoas muito conhecidas em Angola e, desde sempre ligadas ao MPLA. Neste meio tempo é também assassinado no Huambo o médico e escritor David Bernardino, homem ligado à esquerda pelo Movimento Democrático do Huambo – um apêndice do MPLA desde o seu nascimento…    

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:27
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXV

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXII

–”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO” – Tragédia anunciada

Crónica 319619.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em carta datada de 11 de Março de 1992 destinada ao Secretário de Estado Norte-Americano James Backer, Jonas Savimbi admitiu as execuções de Pedro N´Gueve Jonatão Chingunji, “Tito” - delegado da UNITA nos E.U.A. e de Fernando Wilson, delegado da UNITA em Lisboa, assim como toda a família, de ambos e, respectivos guardas pessoais, por via de “actos de alta traição” e, após julgamento. Ainda declara que haviam sido mortos em 1991 e não em 1992. A Amnistia Internacional contesta a Comissão de Inquérito da UNITA, fazendo saber ao movimento, que a mesma não obedecera aos “critérios geralmente aceites de independência e imparcialidade”.

Na carta dirigida a Backer, Savimbi acusou “Tito” e Fernando Wilson de pretenderem envenena-lo: “Depois do regresso à Jamba, a 11 de Novembro de 1988, promovi um encontro entre nós e, alguns de seus amigos para discutirmos o que se falava. Tito confessou que pretendia derrubar-me ou envenenar-me com um tipo de veneno de camaleão bem conhecido pelos angolanos”. “Na altura em que a estória emergiu, “Tito” que nomeou Wilson como conspirador, estava convencido de que um acordo poderia ser fechado com o MPLA, se eu fosse afastado.

kuito1.jpg Entretanto a UNITA chamava de “criminosos de guerra” a Almeida Santos, António Guterres, Jaime Gama e Durão Barroso. Em 1988, no Palácio de Belém, Mário Soares, na qualidade de Presidente da República, agracia com a Ordem do Infante Dom Henrique o empresário Horácio Roque, cuja mulher, Fátima Roque, acompanha Savimbi num périplo por vários países. Só em 1992, pela primeira vez, é que João Soares se demarca de Savimbi ao certificar-se de que este mandara fuzilar os dirigentes da UNITA Tito Chingunji e Wilson dos Santos.

Tito e uns quantos mais – entre eles Fred Bridgeland, um britânico, autor da biografia oficial de Savimbi e autor de outros artigos, denunciava a crueldade, associada a eventuais desvios mentais de Jonas Savimbi, e também uma tal de Olga Mundombe, estudante da UNITA nos EUA, e recentemente afastada do movimento – desenvolveram um plano para destruir a minha reputação, alegando violações dos direitos humanos com uso de drogas, numa tentativa de criar um clima favorável a “Tito” para tomar a presidência.

 bicesse2.jpgO plano alternativo era envenenar-me na Jamba e arregimentar jovens e outros indecisos à sua suposta bandeira. “A situação fica particularmente delicada porque “Tito” alegou que o seu plano beneficiava de apoio actuante da CIA”. São desconhecidas as movimentações de Backer mas, é conhecida a carta que o presidente e vice-presidente da “Senate Select Committee on Intelligence”, respectivamente David Boren e Frank Murkowski, enviaram a George Bush: “Os nossos membros estão profundamente preocupados com as repetidas acusações de abusos dos direitos humanos em Angola e, em particular, às mortes de Tito Chingunji, Wilson dos Santos e suas famílias.

Podemos nunca saber quem foram os responsáveis por estes crimes, mas o Dr. Savimbi tem de aceitar a responsabilidade pelo facto de terem ocorrido na jurisdição controlada pela sua organização politica e militar. O facto de estes acontecimentos, terem acontecido depois da paz ter chegado a Angola, deixa-nos apreensivos. Espera-se por isso que certas e especificas acções sejam tomadas por ele, Jonas Savimbi que comanda o movimento UNITA.

ong5.jpeg Com o título de Galo Negro em inglês (“The Black Cockerel”), existe uma peça teatral sobre Savimbi, da autoria do nigeriano Ademola Bello, o primeiro africano a obter um mestrado em arte dramática pela Universidade de New York.“The Black Cockerel” estreou em Junho de 2008 numa encenação da companhia do Out North Theatre de Anchorage, Alaska, onde o autor reside; esteve longe de ser um sucesso, mas teve pelo menos o mérito de atrair o interesse de Hollywood para a vida de um dos maiores líderes africanos. A acção da peça decorre entre 1985 e 1992 e os personagens são Savimbi e Tito Chingunji, secretário dos Negócios Estrangeiros da UNITA entre 1980 e 1990 e representante do movimento em Washington e o americano Jack Abramoff, lobista ligado ao Partido Republicano e que conseguiu que Savimbi fosse recebido com passadeira vermelha na Casa Branca.

Estando eu na odisseia da diáspora “ Kikas Xirikwata” por terras de Ovoboland e, no final do ano de 2014 no alpendre de soalho e tecto em madeira da Guest House Willtop de Vanda Potgieter, pude repensar em fim de tarde os últimos dias percorridos entre Okavango na Faixa de Kaprivi e os desertos de Swakopmund, pelas quenturas agrestes dos morros de Ozakos e Kiribib. Pude rever esta matéria com “João Miranda”, o chefe dos khoisans do batalhão Búfalo, quando da invasão a Angola naqueles primeiros tempos da invasão Sul-Africana.

guerra19.jpg Também senti um desassossego de excitação inquieta nos porquês mal respondidos e, que só África nos transmite; há fogos em guerrilhas escondidas com vinganças incompreendidas, queixas e gemidos, quiçá chorando nova dores, quebrando os hábitos dum quotidiano em noites de espaços perdidos. O que foi e, como foi que aconteceu é uma ideia que sempre nos acode e adianta ao acontecido. África é imprevisível na soma de angústias, incêndios com sinais de pavor, traficâncias com segredos de podridão. Deus não se vai fiar em qualquer um, por muito boas que sejam a recomendações. Esta temeridade advém de coincidências da África, de guerras subterrâneas do poder, do branco e do preto, das coisas que dão zebra.

São coisas dos últimos e antigos tempos e, embora seja cruel deixar os kotas velhos sem resposta, as pessoas, genericamente, não escolhem as sombras que têm e, também o amanhã que não pertence a ninguém! Isto acontece no “This is África”! Lugar, aonde tudo é possível.  Na voz do bom senso, terei de esperar o amanhã, sem mais nada ter que fazer e, em paz, divorciar-me de mim, dando a chave do cofre ao mestre da charrua da vida. E, porque foi que vim aqui, se não era necessário afastarmo-nos tanto, a um lugar tendo por testemunho absoluto o céu que nos cobre, para onde quer que se vá.

xiricuata2.jpg Como podemos nós acrescentar à ciência o entendimento de simplicidades tão abrangentes; uma mão amiga! As pedras surdas e mudas que não podem testemunhar porque elas têm seu próprio destino, transformar-se em pó, e nós, em coisa nenhuma. Para provar que o que tem de acontecer acontecerá, haverá sempre um milagre a alterar o curso do destino, pequeno grande! Desta feita tem o nome de “Kikas Xirikwata”, no feminino, que move vontades e ternuras a alterar este simples destino, seu toque milagreiro de bem-haja, pequenas grandes coisas que fazem a diferença!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:13
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Domingo, 19 de Setembro de 2021
CAZUMBI . LXXI
NAS FRINCHA DO TEMPO BILHETE DO ASTROLOGO ALADJE 
- Sonhajando a felicidade com Ongweva (saudade) - Crónica 3195 – 19.09.2021

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Por   soba k.jpg T´Chingange no AlGharb do M´Puto

O papel branco formatado num pequeno quadrado, cheio de letras e arabescos nos quatro cantos, surgiu de mistério seguro pela escova no para brisas do carro. Coisas de espiritualista avulso e vidente. No canto do topo tinha uma crescente lua no lado direito com estrela a acompanhar; da direita, a lua era decrescente e também tinha uma estrela ao lado. Guardei e li, uma literatura como que saindo de um afamado cientista, espiritualista e também curandeiro.

kimbanda1.jpg Para imprimir grandiosidade diz o “fulano” ser descendente de uma antiga e rica família com poderes. Diz ser um mestre conceituado na Magia Negra e Branca, originário dos impérios do mal, do Senegal, da Gâmbia e Guine-Conacri e Angola. Um grande signatário coordenador dos impérios daquele tal mal, mesmo das lonjuras de muitos anos…

Conhecedor de casos desesperados, requerendo ajuda e conselhos em qualquer problema, grande ou de difícil solução. Diz que tudo é feito em rapidez e sabedoria nos assuntos de amores, insucessos, depressão, saúde, negócios, impotência sexual, mau-olhado, invejas trancadas e atravessadas e, todo o tipo de doenças…

kimbanda3.jpg Este quadrado exíguo para tantas e, relevantes tarefas de pirilampo, ainda arranja e mantêm emprego, aproximação ou afastamento de pessoas amadas. Ué! Com enfado muito carregado de curiosidade, de texto longo, leio ainda que também lê a sorte pelo bom espirito com seu forte talismã; faz trabalhos à distância afirmando ser conhecido por toda a europa e áfrica.

Seu horário é de entre as 8 horas e 30 minutos e as 20 Horas. Nos cantos inferiores, esquerdo e direito, tem duas lamparinas de Alibabá; assim termina seu “patuá” indicando seus dois telefones portáteis e um fixo. Cumcamano, fiquei assim estupefeito com tantas alvissaras penduradas em seu carisma de Kimbanda…

saramargo01.jpg Desta feita verifico ser este “Aladje” muito superior ao nosso Primeiro-Ministro de nome António Costa. Deveria ser assessor deste “nosso” compatriota para acudir às mazelas do M´Puto pois que sua “lábia” é bem oleada nas muitas difíceis engrenagens do optimismo… Suas entidades vibram nas matas, cemitérios e encruzilhadas, com o "Povo da Rua" abrangendo os mensageiros ou guardiões (é dos livros…)

Estou a ver-me tirando uma senha a fim de ficar depenado nos trinques, talqualmente fazem os muitos políticos de “nosso” rectângulo. Mas, ele, há coisas… afinando as pestanas vê-se que é para além de um bom candidato a politico, um bom homem de ética apurada, enfim, um bom republicano, socialista…

sacag11.jpg Perante esta mokanda, acho que o espírito da gente é cavalo que relincha e até escolhe estrada. Que quando numa de para tristeza, e morte, vai não vendo o que é bonito e bom; seja!? Contando assim este episódio de quase resiliência, coloco até minha sobrada amizade, assim mesmo, um pouco para ele singrar, pois surge do nada em criatura de simples coração que em verdade, me fez desacreditar que o inferno é mesmo possível! Ainda estou sonhajando…

Nota: Sonhajando: - Viajar com sonho…
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:51
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2021
FRATERNIDADES . CXXXIII

11 DE SETEMBRO e as TORRES GÉMEAS dos EUA

Crónica 3193 de 11.09.2021 - *Aonde estava Deus naquele dia?*

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Por soba02.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Nenhum atentado causou mais impacto no Mundo do que o do dia 11 de Setembro de 2001, quando duas torres em Nova Iorque foram atingidas por dois aviões sequestrados e pilotados por terroristas suicidas. O estrago foi imenso; o prejuízo em vidas, incalculável e o mundo passou a viver uma era sob o impacto do terror. Nessas horas, uma pergunta se fez a nós mesmos: Por que Deus permitiu aquela tragédia? Onde estava Ele? Por que não fez nada? Ele tem culpa por não intervir?

roxo135.jpg Bom! Dias depois do desastre, a filha dum pastor, Billy Graham foi entrevistada no programa Early Show, em Nova Iorque, e respondeu à seguinte pergunta: “Como Deus permitiu que isso acontecesse?” Anne Graham deu uma resposta extremamente profunda e sábia: Creio que Deus ficou muito triste com o que aconteceu naquele fatídico dia, tanto, quanto nós. Por muitos anos, temos dito a Deus para que não interfira em nossas escolhas, para que saia de nossas vidas. Sendo cavalheiro que é, creio que Ele, respeitosamente saiu. Como podemos então esperar que nos dê a bênção e protecção se exigimos que Ele não se se envolva connosco?”

Os políticos, em sua maioria, dizem-se ateus ou agnósticos, remetendo-O para o isolamento, uma prisão sem grades físicas ou temporais dispensando até seus valores; ao invés disto dizem-se gays com orgulho sem o parecerem, inibidos em quanto baste... De repente ficamos sem chão, porque num repentinamente corremos riscos de "anormalidade", isto no sentido de sermos diferentes...

roxo137.jpg Nossos filhos vão para as universidades, entram homens e saem mulheres ou entram mulheres e saem homens sem preservar aqueles valores enaltecedores. Claro que generalizo isto mas felizmente ainda não é um conceito maioritário (até ver…) mas, no entanto esta postura, inibe-nos por silêncio, para não corrermos o risco de nos chamarem de preconceituosos, antiquados e outros edecéteras...

O problema do ser humano é que deseja paz, amor, justiça e respeito ao seu jeito jeitoso de modo próprio; assim deve ou deveria ser, noé!? Ele, o tal de Nosso Senhor, também não quer violência, guerras nem egoísmo. No entanto, se essas coisas são alcançadas somente com Deus, então fica claro: o ser humano quer as bênçãos divinas, mas regeita-O em ensinamentos. Não quer reconhecer que necessita Dele; prosápia pura de alguém que o diz por altruísmo torpe.

roxo103.jpg A Bíblia nos alerta, de que “como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem. Pois nos dias anteriores ao Dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, portando-se como cachorros, sem lei-nem-roque e até ao dia em que Noé entrou na arca”…

roxo27.jpg Não há problema algum em comer, beber ou casar-se, o erro está em fazer isso longe dos conceitos de civilidade de Deus. Desejar as bênçãos Dele, implica em andar em seus caminhos. Envolver-se com Ele significa seguir Suas orientações, obedecer a Suas leis e submeter-se a Seus cuidados. Só assim daremos liberdade a Deus para nos proteger e agir como se deseja.

Imagens aleatorias de Assunção Roxo

Feliz Domingo e todo o resto de Setembro ...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:03
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Domingo, 12 de Setembro de 2021
MUGIMBO . CXXVII

Crónica 3191 de 12.09.2021 - *PRIORIDADE MÁXIMA*

 - Cada um de nós deveria ter uma BAZUCA sem a ilusão e, COMPADRIO carunchosamente facilitado pela fricção corrupta...

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Por  luis00.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Mergulhados em um mundo mediático, publicista e consumista, corremos todos os dias o risco de priorizar o que é secundário. Governo e vendedores de fantasias enchem-nos a paciência sem dó...

Muitas coisas são importantes, mas é fundamental estar-se constantemente vigilante na avaliação do topo da lista. Somos sempre estimulados a desejar aquilo que não é realmente necessário, a criar falsas necessidades.

relogio areia2.jpg Não podemos viver autocentrados quando o alerta nos torce a mente, enganando nossas urgências e necessidades. Assim, o que é mais importante na vida assume uma posição secundária e passamos a trabalhar, lutar e investir nosso tempo e energias a correr atrás daquilo que é supérfluo ou ilusório...

Sabemos que precisamos priorizar o que é autenticamente importante. O problema é que dar prioridade àquilo que é mais importante, nem sempre brotará espontaneamente de nós. Normalmente, o que pulsa em nós é o desejo de auto realização mas, corremos o risco de virar marionetas.

relogio sem.jpg Queremos afirmação e pensamos que sejam o fruto de nossas conquistas: “Minha beleza, minha inteligência, minha casa, meu celular, meus diplomas, minha profissão…” E, quanta decepção se encontra quando priorizamos o que não nos é prioritário!

Nossa única prioridade real na vida deve ser "viver com dignidade e liberdade". No fim de tudo, o que importa é se você colocou a sociedade, seu próximo ou vizinho e família em primeiro lugar...

Com fé, a prioridade surge; e, até encontrará forças e sabedoria para enfrentar qualquer tipo de circunstância! Ao dar o primeiro, o melhor e o mais importante é esse lugar de seu lado positivo no pensar; e, verá assim que tudo o mais se encaixará, naturalmente...

deserto5.jpg Sua realização e afirmação não estão no que dizem as vozes deste mundo cheio de propagandas vazias, mas no que diz a palavra da sua humilde e honrosa postura. Sempre é tempo para tomar um novo início com o rumo certificado em mente de progresso...

Comece agora a buscar o reino de seu templo, seu pensar como PRIORIDADE MÁXIMA. Faça disso seu maior interesse e veja cumprir-se em sua vida a promessa do verso com o certo verbo, em um qualquer novo dia: “Essas coisas lhes serão acrescentadas” sem a necessidade de se esquecer...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XX

A batalha final - MAVINGA - Gbadolite a Bicesse … - 1988/1989

–”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”  - Crónica 3190 08.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por soba k.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

A 23 de Março de 1988, trava-se a batalha decisiva. O Alto Comando das tropas sul-africanas decidiu passar à ofensiva. As forças conjuntas SADF/UNITA, após intenso fogo de barragem, lançaram-se numa derradeira ofensiva contra as posições angolano-cubanas, mas o ataque foi rechaçado ao fim de 8 horas de combates, com as forças revolucionárias a desencadearam uma contra-ofensiva, obrigando-os a recuarem… Em Dezembro de 1988 o MPLA e a UNITA, assinam o Acordo Tripartido na cidade de Nova Iorque, acordando com a retirada das forças estrangeiras do conflito angolano.

Na mesa das negociações, o regime da África do Sul vê-se obrigada a aceitar os acordos de Nova Iorque, dando origem à implementação da Resolução 435/78, do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que levou à independência da Namíbia e ao fim do regime de segregação racial, que vigorava na África do Sul. A batalha de Cuíto-Cuanavale, ocorrida entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988, foi o confronto militar mais prolongado e mais sangrento de que há memória naquela região de África.

selos01.jpg Desfecho: -O impasse militar de Cuíto-Cuanavale foi reclamado por ambos lados como uma vitória. O lado angolano afirmou que, em situação inferior, impediram a invasão do território angolano, pelas forças da África do Sul. Porém na África do Sul os partidários da guerra proclamavam como triunfo o facto de o exército deles menos equipado mas melhor treinado ter impedido o avanço do comunismo. Em Janeiro de 1989 os cubanos iniciam a sua retirada de Angola, pelo que o representante Episcopal, Cardeal D. Alexandre do Nascimento difunde a mensagem de “Reconciliação e Paz”.

A 22 de Junho de 1989, Eduardo dos Santos e Savimbi encontram-se em Gbadolite, no Zaire, sobe mediação de Mobutu. No plano negocial apresentado por Luanda, o “caso especial Dr. Savimbi” é o ponto 5 da agenda que exige a retirada temporária do líder da UNITA da cena politica angolana. Inicialmente, Jonas Savimbi concorda em afastar-se. Chega a estabelecer-se um cessar-fogo, mas a euforia nas frentes de batalha de um e outro lado, foi breve. As armas voltam a crepitar, quando Savimbi dá o dito por não dito anunciando que não se retirará de Angola. O MPLA utilizando 20.000 homens e 400 tanques lança a “Operação Último Assalto” para recuperar Mavinga. O objectivo não é conseguido pelos governamentais pois que não conseguem o pretendido - atingir a Jamba.

bicesse2.jpg A UNITA contra-ataca desencadeando focos de luta por quase toda a Angola, obrigando as FAPLA governamentais a dispersarem e a abandonarem Mavinga. Poucos dias depois, pela primeira vez na história da guerra civil, aviões da FAPA, Força Aérea popular de Angola, bombardeiam a Jamba. Em retaliação a UNITA corta água e luz a Luanda, através de sabotagem nos postes de alta tensão de Cambambe e conduta central de água de Kifangondo.

Em Dezembro de 1990, no 3º Congresso do MPLA em Luanda, Eduardo dos Santos anuncia: “Teremos multipartidarismo no primeiro trimestre de 1991”. Antes, três meses após o encontro de Gbadolite, no Congresso Extraordinário da UNITA, Jonas Savimbi falara de negociações directas com o MPLA, governo de unidade nacional, revisão constitucional e eleições. Pode supor-se que ambos os beligerantes compreendem que a vitória militar de um deles é impossível, em um território com a extensão de Angola. Iria assim, começar a placa giratória que conduziu à assinatura dos acordos de Bicesse.

bicesse1.jpg Entra-se assim no capítulo de “TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”. Nos anos de 1990 a diplomacia portuguesa entra em acção pela mão de Durão Barroso enquanto Secretário de estado dos Assuntos Externos e Cooperação de Portugal, tendo como Presidente da Republica, Cavaco e Silva o propósito de levar a paz e reconciliação a Angola. Neste meio tempo, anos de 1990 1 1991, fala-se em esperança mas, na passagem do tempo falecm dois vultos da luta pela libertação: Mário Pinto de Andrade, em Londres e António Jacinto em Lisboa.

Bicesse foi o nome por que ficou conhecido o acordo de paz firmado a 31 de maio de 1991, no Estoril (Portugal), entre o presidente da República Popular de Angola, José Eduardo dos Santos, e o presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Jonas Malheiros Savimbi. Com a mediação portuguesa por Durão Barroso e a cooperação de observadores dos Estados Unidos da América (EUA) e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

bicesse3.jpg Este acordo visava pôr fim à guerra civil angolana. O seu texto estabelecia que o cessar-fogo devia ser inteiramente controlado pelo Governo angolano e pela UNITA. Para tal, devia ser formada uma Comissão Conjunta Político-Militar (CCPM) constituída por representantes do Governo angolano e da UNITA, tendo como observadores externos delegados de Portugal, dos EUA e da URSS. Ficou ainda agendada a realização de eleições, entre 1 de setembro e 1 de outubro de 1992, depois das quais cessariam os poderes da CCPM.

Os países observadores, EUA e URSS, comprometeram-se igualmente a pôr termo ao abastecimento de material bélico às facções envolvidas no conflito. Todas as forças beligerantes seriam integradas nas Forças Armadas Angolanas, cabendo ao Estado Português, através das suas próprias forças armadas, ministrar a formação necessária. Este Acordo permitira um armistício temporário na Guerra Civil de Angola entre MPLA e a UNITA. No entanto, os efeitos de Bicesse nunca se sentiram e a paz foi ténue e incompleta, para além de efémera, pois os conflitos logo em 1992 rebentaram numa espiral de violência ainda maior, não mais cessando. Seriam necessários mais dez anos para se pô termo à guerra…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:21
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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