Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
XICULULU . CXIV

– BOOKTIQUE DO LIVRO – IV19.09.2018

O Adão e a Eva eram africanos! Disse a minha empregada Mary de Kampala… Também disse: - Leão que ruge muito, não caça nada…

Xicululu: Mau-olhado

Por

soba0.jpeg T´Chingange Em Johannesburg

Ainda não eram seis horas e a minha empregada Mary de Kampala já andava pela casa saracoteando afazeres nos preparos do matabicho. Cheirava-me a mutton do rynfield, um grande mercado que tem várias qualidades de boerewors. Desfrisei meus parcos cabelos com os papudos dedos e, foi quando reparei, ter as unhas demasiado grandes; como crescem, aqui no altiplanalto de África!? Por agora afaguei minhas sobrancelhas que esbarravam contra a lente dos óculos; lá tive de as limpar da gordura com o pensamento no alicate para as cortar.

araujo179.jpg Estes pelos grossos e brancos cada vez se parecem mais com os de Álvaro Cunhal. E eu que sempre eu o via na televisão do M´Puto sempre reparava naqueles entrelaçados arames quilométricos que saíam dos olhos de abutre; e estas condiziam até com os pelos longos a sair das narinas como pinceis. Não é que agora também me sucede este pormenor e, quando noto isso corro para o banheiro apetrechado dum especial alicate que até arame ou linha de pesca corta.

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Levantei-me e frente ao espelho aparei-me destas estranhezas lavando também o alçado principal da minha t´xipala. O cheiro do café santa clara trazido do Brasil, espalhava seu aroma bom pela casa. Já afeitado e aromatizado com meu preferido perfume aramis seguia meu roteiro da manhã; sempre acontece tomar em primeiro lugar um café para lubrificar as mucosas e micoses do meu istmo da felicidade. 

pombinho3.jpg Enquanto isso, olho da varanda as xiricuatas que apanham fagulhas e raspas de comida na grama meio ressequida! Quando os jindungueiros pintam seus frutos de vermelho, são as primeiras consumidoras. De regresso ao quarto e antes de trincar o boerewors de mutton apanho do chão um amarrotado papel; entro no quarto meu e de Ibib, minha cara-metade e, já sentado na cama ainda por fazer, desdobro o papel das conta do rynfield supermarket.

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Pude ver num esboço, uma escrita misturada com contas de somar e subtrair. Por vezes também faço isto para ver quanto gastei em Euros mas este não sendo meu, agudizou-me a curiosidade pois que mencionava uma conta de números altos em randes e xilins; bom! Se não era um gatafunho meu, só poderia ser de Mary e, dai, ainda mais curioso fiquei. Dizia assim: “ O dinheiro que ganhei com meus patrões bazungus está a crescer como um caroço de manga caído no chão do mato do Uganda”

ROXO166.jpg Fiquei assim meio brutefeito com isto, pois que os bazungus só poderiam ser eu e a Ibib. Nem sabia bem o que era isso de bazungu mas, porque nem sempre sou tolo, achei que era relacionado com muzungu que quer dizer branco em língua xhosa; Não sei como é mas os negroas daqui todos se entendem e falam línguas com nomes raros de maxangana, isixhosa, isiZulu, seSotho usando cliques como fonemas da língua bantu,  características dos khoisans.

araujo181.jpg Aquela frase de “em breve a minha vida estará cheia de mangas” apoquentou o meu mukifo do cerebelo. E, porque razão Mary, escrevia isto? Talvez para preencher o tempo e não se esquecer de isto referir em suas conversas com seu boy friend de Kampala. Só pode! Mas havia mais referências. “ Meus patrões muzungus com a minha comida, já defecam como as cegonhas de Campala… Ué…como pode?! Defecam caganitas mal cheirosas como aquelas cegonhas do Uganda!? 

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Escondi o esboço amarrotado no livro do Mu Ukulu e, de calções e flanela dos bafanas do n´Zinpeto, fui tomar o meu breakfast com o tal café de Santa Clara mais o mutton de fazer caganitas de cabra ugandesa, o maizpap ( papa de milho), afadigando-me em nada dizer do que  li no papel – contas de Mary e edecéteras de mulungu. Bom dia patrão! Bom dia Mary, respondi na maior das quietudes. Foi quando reparei nas mangas de cores gulosas encavalitadas cuidadosamente numa grande fruteira de vidro!

massau4.jpg Foi neste então que bebendo de novo aquele café à mistura com leite do dia e aquele milhipap ou maizpap, perguntei: - Mary, lá no Uganda há muitos turistas como nós à busca de leões, fazendo safari? Assim como nós, que gostamos de ouvir os leões a rugirem? Haka patrão! No Uganda tem bué de bazungus assim como vocês carregados de bikuatas. Fica esperto T´chindere, afinal, bazungu era mesmo o que pensava ser: Branco a fazer visita ao mato – fazer safari!

pombinho2.jpg Mas, a gente de Kampala não vai em safaris patrão; só mesmo os bazungus que gostam mais dos animais do que as pessoas!   Gostam de leões, de crocodilos, springboks e até das cobras! N´Zambi me livre, só mesmo de pensar já estou de arrepiada. Eu não gosto, diz Mary e, continua com suas falas: tornei-me até muito amiga das cabras que dão leite de beber, porque só gostava mesmo do meu namorado que as guardava. Pois! Disse eu, aquele bafana para quem tu tanto falas ao telefone…

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Mas, os bazungus velhos assim como o patrão e, seu amigo Reis das Vissapas com seus carros de tracção às quatro rodas, vestidos com roupas muito cheias de bolsos que parecem soldados antigos expedicionários, e com o equipamento de combate pendurados, binóculos, máquinas de vídeo, celulares, bengalas e garrafas de água. Ué, como é então? Eu sou assim mesmo? Ela, nada disse, só mesmo oscilou os braços e fez um muxoxo a comprovar ser verdade com um sorriso de quem canta victória.

tonito16.jpg Patrão (só faltou dizer muzungu) nós no Uganda não temos kitar de xelin, dinheiro para bafunfar férias como os europeus; só mesmo fazendo companhia aos muzungus para limpar as cagadelas dos brais (assadas de churrasco). Agora entendi essa do cagar como as cegonhas ugandesas. Pois! Pelos vistos ela não conhece mais nada para além de Campala. Para terminar disse-lhe: - Um dia vais ter dinheiro para ver os leões! Haka! – Para quê patrão; Leão que ruge muito não apanha caça! Tudo ficou assim; eles são imprevisíveis, tambulakonta – disse-me assim mesmo e, baixinho…   

 (Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:33
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Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
CAZUMBI . LIII

TEMPOS DE ESPERA - Johannesburg – (16.09.2018 dia do apagão) - 18.09.2018

- Nos intervalos da vida, durmo! - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…

Por

soba0.jpegT´Chingange

A chaleira fumega por cima do fogão eléctrico. O sol entra pela janela da kitchenette que liga à sala aonde estou sentado, melhor, afundado numa poltrona cuja tábua deve ter fundeado no acostamento de matacos de um quilómetro quadrado. Aqui há muita gente gorda e o melhor mesmo é nem repararmos porque, senão os contratempos surgem de soslaio vindos dum desconhecido lugar cheio de biltong, boerewors e coldrinks de cocacola…

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Os vapores do meu chá trazido do M´Puto serpenteiam até ao tecto de pinho em desenhos enrolados e fazendo uma cortina com raios digitalizados. Trata-se de uma velha cura legada pelo meu tio avó de nome Guerra e composto de barbas de milho, pés de cereja e ipé-roxo, também conhecido como pau de arco.

CAPOTA1.jpg Num espaço etéreo de virtual roxismo, o fumo enlaça visões de índios sioux, astecas ou apaches. O termo roxismo derivada de Roxo, o nome de uma senhora que pinta seus sonhos no computador metendo as pestanas verdes fazendo de óculos e, com madeixas de cabelo ruivos como se todos fossemos assim, uma forma espantada de arco-íris a condizer com a ideia de que efectivamente, somos uma ilusão.

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Hoje mesmo, vou-me ensinando a ser gente tomando aqui e acolá, por onde calha, o saber dos mais sábios para ficar esperto. Nem sempre homem, nem sempre jovem, já mais velho, nos intervalos, aprendo a aprender a ser grande graças a esta aguda perspectiva de também ver e ler as coisas da frente para trás e tal como o camaleão, ter um olho aqui e outro mais longe para poder fazer selfies de mim mesmo, bem ao jeito de Picasso.

ROXO134.jpg Esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos e dos fúteis caprichos duma vida cheia de gente, uma multidão que grita, que gasta o que não tem simulando normalidades e carregando um vazio dentro de si. Sim! Neste mato de capim tombado pelo vento tiro aqui e ali umas fotos sem pau de selfie tendo como companhia aqueles cheiros e sabores do boerewors, uma salsicha fresca tradicional da culinária da África do Sul.

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E, porque estou aqui, averiguo o saber na deriva dos vocábulos boere e wors, oriundos do africânder, significando respectivamente "agricultor" e "salsicha". Vi-me na foto do meu android e fiz-me gaifonas vendo as rugas enquadradas num diferente tempo, nem sempre alegre, nem sempre triste. Naquele chá pus umas três gotas de canábis para encurtar pesadelos e restituir-me a lucides, enfim, para equilibrar meu físico e mantê-lo ligado aos espirito.

boer carro5.jpg Aqui há plantas de canábis-liamba pelos jardins e o comércio de sementes é livre. Há pouco deitei água numa situada na varanda e, que aparenta ir morrer se o esquecimento não lhe der água. Neste compasso de espera a fim de rumar ao tal de Kariba, embarque em M´bibizi, um lago no meio dum altiplanalto, sonho que parto para outro e, mais outro e outro lugar, sem encontrar o meu poiso certo, juntando a praia, o rio, o deserto e tudo o resto; uma impossibilidade. Iremos juntos na companha de Vissapa para o calor do Limpopo, rever os baobás ou árvore garrafa que nas nossas angústias, tem o nome de imbondeiro…

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Ontem comi frango frito esfarelado com arroz integral e aquecido no forno e, para variar, gelado com amarula. Comi biltong de kudu, de boi ou vaca e olongo, e bebi suco de goiaba e massala de Moçambique. Percorro assim um caminho com gente chegando e partindo dizendo good morning mesmo sem muito mais dizer, sem muito mais saber; missangas de vida com malas atafulhadas de coisas: coisas que podem ser úteis tais como o canivete, a lanterna junto com as cuecas e, os cremes de amaciar as peles mais o pincel de amaciar as carunchosas unhas …

boer carro6.jpg Fui ao computador ocupar o tempo, li poemas, reli baladas e muitas tretas de fazer caretas; ouvi cantigas, li desaforos, coisas choradas, lamuriadas, cânticos gospel humedecidos, vídeos foleiros, alguns brejeiros e fui à China comer baratas, grilos e gafanhotos. E, eis que num dado momento o écran do maldito computer surge a perguntar-me se este senhor “sou eu”? Estou feito ao bife – de novo!

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Outra vez! Sempre sucede isso quando mudo de continente e telefone. Acho que ando demasiado vigiado; deve haver um anjo da guarda que me persegue mas, em qualquer momento falha sua visão e entro nos cadafalsos da penumbra. Estou assim a pensar como irei restituir-me. Lá terei de largar isto e fazer meu brai com o boerewors com carne de bovino e especiarias, sementes de coentro torradas, pimenta preta, noz-moscada e cravinho. Depois disto veio um vazio, estavam a estudar meu problema pois que mandaram o código de seis números para um telefone que nem era meu embora tivesse o mesmo nome. Creio que era um bafana muzungu destas lonjuras e eu, esperei dois dias soprando ventanias.

bra2.jpg Com este  elevado teor de gordura, estou feito ao mataco  de afundear sofás e lá tenho de o conservar com sal e vinagre na forma enrolada numa espiral contínua. Estou a falar da salsicha bóher que após ser temperada no invólucro comestível e já torriscada no brai, é servida com pap, uma papa de milho típica daqui - África do Sul. No calor do tempo queimo cansaços, fracassos vazios, decepções e até solidões, com Windhoek premium lager! Obrigado a mim, a ti e a tu também (o ti é um, o tu é um outro)…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:06
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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2018
XICULULU . CXIII

BOOKTIQUE DO LIVRO – III17.09.2018

No Muquitixe da Munenga vi as estrias duma kalax bem à frente dos olhos… Patrão, o seu azar mesmo… o seu azar, foi ser branco! 

Xicululu: Mau-olhado

Por

soba0.jpeg T´ChingangeEm Johannesburg

A minha empregada Mary de Kampala empanturrou-me com um prato feito com jinguba guisado em lume brando, com pimentos da guiné konacry, gengibre e mandioca fibrosa que no Nordeste Brasileiro se chama de macaxeira; também juntou inhame. É um prato tão cheio, tão forte que me fez peidar que nem um trombone de varas, um pouco diferente do som originário da feijoada tuga ou da cachupa de Cabo Verde que por vezes mais parece um clarinete desafinado.

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Ruídos periclitantes e, um tudo-nada diferentes dos de Kampala, que cheiram a penas de galinha-capota, depois de escaldadas em água quente. Os condimentos para aquela muamba de Kampala, encontram-se em toda a parte; aqui lugar de Benoni de Johannesburg, em Lisboa ou Londres pois que a globalidade está cheia de africanos, indianos monhês e chinocas.

valdir5.jpg Observo tudo isto para onde quer que vá, mesmo que não me mergulhe nos metropolitanos, mantendo os olhos em baixo, a fim de rever os gestos menos amistosos. Assim enrugado num branco muzungu, ando pelas picadas aéreas, e terrestres, caminhando meu esqueleto pelas streets do mundo porque minha vida e, desde 1975, é uma estória de partidas e chegadas. Agora é áfrica!

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Por onde quer que ande, minhas prateleiras ficam muito cheias de livros, lápis e canetas de riscar com cores várias; as cortinas são agora de um branco rendado vindo de Hong Kong que combinam com outras pretas e sobrepostas para contrastar e amenizar a intensa luminosidade. Aqui neste altiplanalto de áfrica, o céu fica todo azul, o sol escalda gretando a pele porque o vento sopra frio e seco.

telemoveis0.jpg Nos próximos dias o possível vai desafiar o inimaginável e de cócoras, lá terei de me embrenhar na tenda, estender o colchão de amaciar as costeletas tomando o cuidado devido para que os macacos abusadores da selva e outras bichezas que irão pulular nos arrabaldes do Choba ou um outro lugar como Maum no Delta do Okavango, no Botswana, lugar cujo dinheiro tem o nome de PULA. Vou colocar à frente da tenda de lona minha cadeira de cineasta com um buraco no espaldar direito.

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Naquele buraco meterei um copo longo cheio de água tónica e gim para afastar os mosquitos; eles não gostam de quinino pelo que lá terei de usar medicinas do tempo de kaparandanda usadas nos lugares em que os brancos morriam sem cura, febres palúdicas dos mosquitos de Novo Redondo, Dombe Grande ou Kaluquembe. Já comprei umas quantas espirais verdes feitas de bosta de boi para espantar os pernas-longas da tenda ou bungalow, rondável ou o que nos sirva de muquifo…  

valdir4.jpg Haverá sempre por aqui e ali, um cheiro a frango morno ou de um rump stake de quadrupede para me fazer esquecer o plácido e organizado frio mundo das europas aonde o agora sempre é deprimido com muitas palavras de código benevolente, noticias repetidas até à exaustão e mostrando vagas de emigrantes famintos. Gente sem passaporte, sem eira nem beira levados por corsários que só falam com estalinhos, indício de algo ruim para acontecer!

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No M´Puto, talvez não precisasse de ouvir essas patranhas, essas verdades e essas mentiras, pedaços de telenovelas tristes, toneladas de solenidade e rebentamentos de guerra que põem o coração a dar murros no peito. Ao som nem sempre cordial dos anúncios da televisão juntam-se os cheiros de refogados com arroz de tomate com jaquinzinhos, como calores de aquecedores a provocar fungos nos cantos da nossa paciência.  

alema11.jpg Não sei se você que me lê, já encontrou sua maneira de ser generoso o quanto baste; acho até que se o quiser, não lhe faltarão oportunidades para o demonstrar. Posto isto, espero que Deus se surpreenda comigo e até me mande um recado pelo Watsap ou o e-mail usando uma das senhas que miraculosamente resgatei do espaço de Plutão um antigo planeta que já não existe tal como o esquecimento que me contemplou no pedido da senha através do Facebook…  

papalagui11.jpg E, afinal, quando lhes convêm, eles os ilegais emigrantes dizem-nos que o Adão e a Eva eram africanos. Falam assim porque foi no Vale do Rift que surgiu o primeiro homem e a primeira mulher de nome Luzia. A minha empregada do Uganda, também o confirma: - Adaemus e Eva pertenciam-nos! Cumcamano, ando a perder massa muscular no meu cerebelo!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:20
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Terça-feira, 11 de Setembro de 2018
MALAMBAS . CCXII

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBERLEY –  7ª de Várias Partes

- EM CAPE TOWN – HÀ UM ANO ATRÁS – 03.09.2017 – No Kirstenbosch – National Botanical Gardens de Cape Town…

Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Johannesburg - 11.09.2018

Este bairro de Imizamo Yethu em Hout Bay e outro mais que proliferam ao redor da Cidade do Cabo, são muito semelhantes às favelas do Brasil mas muito mais carecidas e feitas de uma grande variedade de materiais. São em chapas zincadas e outras achatadas a partir de tambores mais madeira e pranchas de fibras com variadas cores. É um mundo visto a duas distintas velocidades mais por via de refugiados que aqui chegam do resto de África.

cape10.jpg Na encosta Sul da Table Mountain fica um vale chamado de Constantia e, é daqui que sai o melhor “Pinotage”- vinho tinto; a melhor casta de uvas devido ao especial clima daqui por reunir as melhores condições. Há dezoito anos atrás visitei Stellenbush, fui a caves e nesse então inteirei-me haver ali um clima favorável a uma grande variedade de castas sobressaindo o cabernet sauvignon tão da minha preferência, mas e também o Shiraz – todos excelentes!

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Em toda a propaganda escutada a bordo do red-bus é dada enfase às populações supostamente autóctones (os primitivos KoyKoy) mas, pelo que sei, estes nunca tiveram qualquer preponderância no aspecto empresarial. A qualidade de vida que pode ser apreciada deve-se aos primeiros e sequentes pioneiros bóheres que desbravaram terras. Nota-se agora uma multiplicidade racial de gente laboriosa que a torna bem cosmopolita.

cape7.jpg Não devem agora os novos dirigentes da África do Sul propalarem discursos negativos subtraindo as mais-valias que o Mwata Mandela legou. Os discursos quanto às leis de terras têm sido bem negativos para o desejável desenvolvimento da África do Sul; não podem no calor das refregas políticas caírem no mesmo erro de outros países, tentando lavar e purificar a mentira com a demagogia que a ninguém favorecerá.

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Sei porque ouço e vivi, são arbitrariedades não desejáveis num qualquer lado. As práticas erradas estão originando fugas, desemprego, corruptas atitudes com favorecimentos pela cor da pele entre muitas mazelas escandalosas de roubos, matanças, incitamento o descontrolo duma sociedade de forma pervertida e invertida.

cape9.jpg Matança aqui e além para de forma encapotada fabricar o medo entre os brancos, como se a áfrica não lhes pertencesse também. É nítida a forma em como o património do homem branco é cobiçado e estimulado por dirigentes arruaceiros. Os discursos estão aí para todos escutarem, populistas negros a clamar com pretextos quando o que pretendem é simplesmente esmifrá-los; isto quer dizer: rasgar ou desfazer em pedaços, cravar, esforricar ou extorquir dinheiro por qualquer banalidade! Não me posso mentir! 

cape6.jpg Reestruturar e restruturar são duas formas possíveis em português, aonde e, em politica não deve originar o “esmiframento”. Esta é uma palavra inventada agora por mim para fazer sentir que esta estranheza pode de novo acontecer tal como já me sucedeu junto com mais de meio milhão por via do “descolonizamento”, outra palavra inventada para elucidar uma pseudo descolonização (falo de Angola). Desde sempre e, que me lembre de ser gente, observei que as leis foram inventadas pelos fortes para dominarem os fracos que são muitos mais.

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Sempre observei entre os políticos amizades incipientes desde o tempo em que os cuspidores de prata eram usuais e era admissível ou, sem reparo, cuspir-se em público. E, anda muita gente de alto coturno e responsabilidade a cuspir pró ar sem que ninguém de peso conteste. Falo do mundo todo! Vejo isto por todo o lado e em particular aqui em África.

cacto xoba3.jpg Hoje que penso muito e, rezo pouco, sinto os tempos subtraídos nas leis dos governos, e, logicamente, averiguo sem pudor, as diferenças. Para não me mentir, resgatando pedaços de lembranças, chupo a acidez da múkua (fruto do imbondeiro), abraço os meus amigos, muitos deles sem a t´xipala de candengues visível no cardápio das mokandas, das muitas malambas do facebook. Já kotas, de cabelos brancos ou grisalhos, o tempo esquindiva-se nas vontades de juventude perene. O que tiver de acontecer, vai acontecer!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:49
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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2018
XICULULU . CXI

TEMPOS QUENTES – ÁFRICA DO SUL - 01.08.2018

Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo… Eu entro no FaceBook para me rir, brincar e aprender algo! Se fosse para chorar, entrava na minha conta bancaria!

soba15.jpgAs escolhas de T´Chingange

Pormatias j.jpgJosé Matias - Um homem de fé, que do seu modo quer mudar o mundo; mas o mundo roda noutros rolos... 

Público aqui o que tenho escrito sobre os povos da S.A. e suas origens para quem ainda tem dúvidas. Se o homem branco na África deve ser forçado a deixar a África do Sul, então deve o homem branco do Canadá, Austrália, Nova Zelândia, EUA, Uruguai, Argentina, acautelar-se com as piores visões de gente como esse tal de Malema que se quer fazer ouvir.

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A ser assim o Brasil e todos os outros países aonde o homem branco se instalou, terão de rever sua política de coexistência pacífica dentro dos padrões modernos e pensarem voltar para a Europa de onde saíram!? Claro que isto é um desproposito da maior aberração mas convêm dizer-se que o Mundo anda bem distraído no eu toca a isto. Angola foi uma das últimas aberrações em termos da enorme fraude a que chamaram de descolonização.

áfrica19.jpg Não obstante saber-se do tudo como aconteceu, ainda se reconhece a perturbação dum silêncio que faz por calar a verdade da mentira. Quando o homem branco aqui chegou, a África, em partes desta mesma terra do Sul do continente, não existia esta gente que agora apregoam ser os donos disto e daquilo, cometendo os mesmos desaires das descolonizações recentes.

matipa-tipa.jpg Tudo resvala para o mesmo erro de outros povos que, nem sabiam quem eram, e onde estavam, pois nem fronteiras existiam; quem as marcou, foram povos que fizeram desta terra a sua e, construíram todas as estruturas, que faz inveja a muitos países europeus.

araujo2.jpgIncitados pelos pseudo liberais esquerdistas, paulatinamente vão destruindo as fontes de trabalho, matando fazendeiros, promovendo aqui e ali insurreição gratuita, queimando pneus na estrada, impedindo o progresso e influenciado estes povos, cantando-lhes canções de entorpecer a vida de todos, patrões, funcionários e gente laboriosa que só pretende subir com seu próprio suor.

koisan5.jpg Querem forçosamente destruir e aprisionar este povo, mantendo ditaduras corruptas, em que só eles mesmos, os da nomenclatura se servem a belo prazer com enriquecendo ilícito. Também aqui o caso de Angola é gritante! Não me venham contar histórias de embalar, pois que por aqui ando há 52 anos; sei bem qual o pensamento destes em detrimento dos que desejam cohabitar com os brancos, que jamais saiam desta terra – África do Sul; muitos sabem o quanto será difícil sobreviver sem o potencial branco.

matias14.jpg Os influenciados, por estas castas manhosas ou diabólicas de cariz esquerdista e, sendo até alguns deles riquíssimos, até milionários, sabe-se que fizeram sua riqueza por intermédio do branco. Têm carros do último modelo, casas com torneiras de ouro, palácios financiados pelos brancos, suas roupas que não são mais peles de animais, relógios dos mais caro do mercado, calçado vistoso, o verdadeiramente apropriado para um digno senhor ou senhora.

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Há escolas para todos, em um número muito superior ao resto da África. Não me venham dizer que os brancos quando aqui chegaram, encontraram todas estas criatividades sociais! Que falar de terras de quilómetros e quilómetros, lavradas com 40 a 50 máquinas a par umas das outras, desbravando terras, plantando milho e tantos géneros essenciais ao povo; para dar comida a 40 milhões de pretos e 5 milhões de brancos.

matias15.jpg Seria possível cavar á enxada este quilómetros a perder de vista? Este é um mundo cada vez mais hipócrita, cheio de mentiras, onde o mal é falseado em um suposto bem. Estamos na realidade dos fins dos tempos, pois ninguém mais irá parar a trapalhada, onde se poderá prever fome, uma crise como nunca houve desde que aqui chegou o primeiro branco. Pensai, é tempo de olhar para o alto de onde nos vem o socorro! Deus que nos criou, e que nos deu regras para fazer a vida nas cores de cada qual sem O desprezar porque nos fez do pó desta terra.

José Matias 01.08.2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:56
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Segunda-feira, 26 de Março de 2018
MALAMBAS . CCI

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBELEY –  3ª de V Partes

- EM VIAGEM NO XOXOLOSA TREM – 26.03.2018 – Nas frinchas do tempo e atravessando o Karoo, olho o deserto pela janela do mukifo…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estamos a 26 de Março de 2018. Passando a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo do Xoxolosa Trem; eram 14 horas e 30 minutos quando o Xoxolosa parou na cidade de Touwsrivier; uma cidade situada a 1382 metros de altitude. A partir daqui começamos a ver os pastos verdes, as terras encharcadas pela água das chuvas e fiadas de parreiras, extensas vinhas, boas terras para o cultivo de vinhedos que no mundo são conhecidos como o vinho do Cabo, uma marca de qualidade.

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Os cardos do pasto mostravam suas características flores de cor laranja do Orange; estas, surgem logo a seguir às primeiras chuvas, indícios de primavera. Os charcos sucedem-se até chegarmos a um lugar apeadeiro de nome Matroosberg  aonde me surpreendo com uma vasta zona de painéis solares, um mar de brilho.

ximbica2.jpg Atravessamos uns quatro tuneis com uns bons 30 quilómetros na soma de sua extensão; As montanhas começam aqui a ser afiladas e como serrotes descaem suas chapadas para vales férteis e bem regados, autênticos paraísos com lameiros de hortas e pomares. É a cordilheira que separa o Karoo, o grande Kalahari das áreas verdes do cabo.

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Vê-se o gelo nos carrapitos das alturas com fios rebrilhando tortuosas quedas que descem nas encostas a água do degelo. Dum e doutro lado dos trilhos podem ver-se olivais alinhados, latadas com pessegueiros, pereiras e outras árvores de fruto. Chegados a Wellington podemos observar milhares de casotas do tipo mukifo sem janelas.

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De pequnos tubos saem fumos que se espalham pelo bairo musseque, favela sem ruas  de aspecto lúgubre. O cheiro entra nauseabundo, podrido de fermentação doentia a ferir nossas narinas. Cape Tawn está próxima. Recordo que a primeira vez que aqui vim, antes do ano 2000 havia sim, um pequeno e ordenado bairro de cubatas; agora é um sem fim de indefinidas chapas fazendo casas de uns 9 a 15 metros quadrados, madeira, cartões, chapas onduladas de fibra e cimento e restos de obras.

mandela1.jpg Notei que aqui, em Wellington, tem início o metro de superfície que leva e trás esta gente; pelo que notei só esperam que um qualquer louco dirigente do ANC proceda como em Angola. Sim! Fazer como Agostinho Neto e seu amigo e compadre Rosa Coutinho, fingir uma guerra de medo e empurrar os brancos para a Ilha - Para a Austrália.

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As ultimas noticias vindas de África, dizem que um tal de Cyril Ramaphosa, presidente do ANC disse ir retirar as fazendas aos brancos sem lhes dar nenhuma indeminização. Isto é áfrico - This is áfrica! Tudo é possível! Depois acontece que os bancos fogem e, eles os negros, daqui e refugiados de todos os outros países, vão atrás deles, os brancos. Custa dizer isto mas é a realidade e o Mundo anda a tentar passar de lado sem fazer reparo a estes estadistas de mei-tijela, de tuji, mesmo!

IMG_20170830_155840.jpg África do Sul não está longe desta tentação. Eles acham que aquela terra é só deles! Vai haver muita gente a torcer o nariz, chamar-me de muitas coisas mas é esta a realidade e a mim não me posso mentir. O manager Silas passou a avisar que iremos chegar pelas 18.30 horas  à Cidade do cabo e, na plataforma número 24.

IMG_20170831_130245.jpg O Senhor Amadeu Seca, ex-Presidente da Academia do Bacalhau ali nos esperava com seus 85 anos de idade; pude vê-lo no seu jeito, quico de azul desbotado com a letra A espinicada sobra a alva pala. Seus 85 anos já lhe pesam nos procedimentos, sua surdez está em grau avançado bem como o esquecimento, reflexos e outras coisas; Achei mesm que não estava em condições de conduzir, nem  um cangulo, quanto mais um carrão quase rabo de peixe e sem macaco.

IMG_20170829_143846.jpg Tivemos de ir desde a Estação Central de Trens para a Iaton Road com as malas, sacos e sacolas de acessórios afiados no banco detrás do carro. O Senhor Seca não foi capaz de se lembrar aonde estava a tal patilha de abrir a porta bagageira. Vê daqui e dali e nada de encontrar a dita cuja patilha de abrir a coisa lá detrás. Juro que fiquei preocupado com tanto desalinhamento dos neurónios. Seria alzeimer!? Também tive de ir a segurar o espelho lateral desuerdo destroçado recentemente em uma manobra de maus cálculos... Chegamos a Cape Town... Ufa - Que perigo!... 

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:51
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Segunda-feira, 5 de Março de 2018
MALAMBAS . CXCVIII

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - 19.08.2017

- Apaziguando rijezas adversas … Camp bush, Alpha One de Northern Cape … (Crónica escrita no mato e a meio do Calahári mas, só agora passada a limpo - 05.03.2018)

Por

soba15.jpg T´Chingange Desde o Nordeste Brasileiro

Esta manhã (19.08.2017) saí pelas dez horas e vinte minutos da base Alpha One enquanto os kampas da família Lourenço mais o italiano Roberto mecânico, faziam uma visita guiada às instalações ainda em execução. Disse-lhes que ia dar uma volta à farm e assim o fiz vestido com minhas botas papa-léguas de biqueira de aço, um calção folgado de caqui e blusão balalaica amarelo com bolsos para tudo e ainda para meter cartuchos de chumbos de matar capotas e, no lugar das balas de matar elefantes. Um canivete Mike Giver era a minha arma!

IMG_20170628_065517.jpg Desta feita, somente levava comigo um telefone com ligação à Vodafone da África do Sul, que por arrelia, sempre me diz estar fora de área. A cada nova tentativa o FB sempre m pede uma nova chave e, ou não sei lidar com este microondas ou a equipa técnica do dito cujo FB andam baralhados com minhas andanças pelos três continentes.

samuel0.jpg Ainda não tinha chegado aos 200 metros da “fence” (vedação) quando deparei com um bando de mais de cem galinhas de angola; sempre junto à rede e bem na picada que segue paralela à fence e nuns dois quilómetros, pude ginasticar os músculos do pescoço sem nada ver até à esquina da farm. Virei à esquerda e passados uns 500 metros e do outro lado da rede vejo mais de vinte gnus e quatro springboks.

IMG_20170628_084847.jpg Ali ficaram especados a olhar para mim que estava a uns 700 metros deles. O vento soprava de norte e a favor de ser captado por eles; por isso assim ficaram em suspense a olhar o bicho raro que era eu. Junto à vedação havia uns buracos na rede de arame por onde decerto passariam chacais e outros felinos de pequeno porte como o caracal ou lince; foi então que apanhei um canudo branco e castanho, espeto de um porco-espinho. Entre outros, estes também usariam estas saídas.

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Não muito longe, vi um morro de salalé desactivado e já desmoronado por papa-formigas; pude ver pelas marcas na terra vermelha, suas pegadas. Depois do primeiro canto da fence andei mais um quilómetro e meio; aqui a rede tinha uns bons três metros de altura, o que me levou em crer haver ali kudus (olongos), pois que estes saltam bem alto.

IMG_20170819_182554.jpg Foi a partir deste segundo canto da rede que observai uns sete buracos com marcas de recente passagem de antílopes de pequeno porte entre outros. Pelo modo de destruição dos arames avaliei terem sido feitos por javalis, ou facocheros; pude verificar isto a uns dois quilómetros do regresso. Quatro javalis, dois grandes e dois pequenos cruzaram pela vedação a uns 40 metros à minha frente; porque o vento estava a meu favor só se aperceberam da minha presença quando se viraram na aberta picada.

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Fugindo entre o capim de mediana altura podia ver-se os quatro rabos pretos com uma boneca na ponta e, na rápida deslocação em direcção à cacimba dos bois. A todo o momento parava a ver se divisava a manada de oito springboks vista uns dias antes por ali mas, se por ali andavam, estavam bem camuflados entre os chinguiços e outros gravetos no meio do alto capim da savana.

IMG_20170823_140827.jpg Ainda me passou pela cabeça haver por ali predadores de maior porte como o leão ou leopardo mas não tinha recebido qualquer indício destes felinos. Os farmeiros não permitiriam cohabitar seu gado com estes big-five ou a cheeta. Pelas marcas no terreno verifiquei haver por ali além dos já mencionados macacos beduínos e outros de menor porte do tipo saguins.

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Andei duas horas e dez minutos, o que corresponde a uns oito quilómetros; pude ver esquilos e suricatas a esconderem-se mal pressentiam a minha presença. Para além de terem vigias à superfície, apercebem-se pelo compacto da terra que vem lá coisa, sons de diferentes passadas; podem reconhecer que estes passos eram bem diferentes dos cascos da boiada.

IMG_20170823_134851.jpg Neste dia 19 de Agosto de 2017, pude participar do aniversário de Samuel, filho mais velho de Lourenço e administrador do pequeno império deste seu pai. Dei graças ao Nosso Senhor e, com eles, aquecer-me à grande tocha feita a propósito para atenuar o frio da noite. O frio do deserto é impiedoso, faz tremer! Assim desprendido de tudo, olhava o escuro horizonte ao som de balidos ou choros de chacais. Pois! Participando do brai e comendo carne suculenta acompanhada de bom vinho do Cabo Two Oceans.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:47
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Sábado, 8 de Julho de 2017
MALAMBAS CLXXV

NAS FRINCHAS DO KAROO - 08.07.2017 Aqui no Karoo de África, apaziguando rijezas adversas, relembro a singularidade do mundo.

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Não existe ninguém que encontrando um espinho em seu pé não o retire após as primeiras dores; se não o fizer é porque é masoquista ou anda a treinar para o Guinessbook, um clube de excêntricos. Um amigo próximo disse-me que os pés dos bóeres têm olhos. Só entendi essa fala quando observei in situ um farmeiro de kimberley a andar de sandálias de pano colorido no meio do capim repleto de aranhas, centopeias, cobras e um sem fim de outros bichos rastejantes sem contar com os muitos picos espalhados a esmo pela terra barrenta.

BATATAS2.jpg Percorrendo o mato do Karoo africano, milhares de acácias com espinheiras do tamanho dum lápis, posso ver ao longe morros suaves de um e outro lado dos rios Orange e Vaal. Nestas condições de apaziguar rijezas adversas do mundo, relembro a singularidade ainda não totalmente definida fazendo-me num seixo redondo do Vaal. Seixo embrutecido que rebola no tempo só quando levado pela enxurrada desta mulola aonde me situo. Aqui há diamantes, dizem!

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Aqui há diamantes? Perguntei à suricata empinada numa pequena elevação que nada me disse, pudera! Sem se importar com essa brilhante pedra que ofusca gentes, fugiu para um dos muitos buracos ali espalhados; terra fresca denotando trabalho árduo para assim se refrescar daquele calor tórrido; calor que chega a ir a mais de cinquenta graus no pico do verão. Coisa para se dizer, Pópilas!

BATATAS1.jpg Pois aqui, damo-nos conta de que afinal, sempre há povos a descrever teorias ou filosofias novas clareadas por meio de metáforas que a natureza lhes ensina. Aquela de os pés dos bóeres têm olhos vuzumunava minha koca com lantejoulas rupestes. Nestes espaços abertos dissociamo-nos dos conflitos sociais; das metáforas criadas pelo homem a justificar coisas sempre compreendidas numa forma de agradar.

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As artes criativas dos homens continuarão a florescer com brilhantes expressões saídas da imaginação; novos níveis de conflito ou sedução e, porque a arte por vezes é a mentira a nos mostrar a verdade. Ué… Lembrei-me do professor Souares, um espiritualista com manias de mwata a enfeitar minha testa com unguentos de salsaparrilha e xixi de guaxinim fedorento, tentando resolver meus problemas de mau-olhado.

BATATAS6.jpg Este eterno conflito foi-nos legado pela inteligência que tende a evoluir no tumulto com velhas ou novas criticas - velhas teses ou teorias diferentes deste mwata Kimbanda da mututa que me quer desfrisar uns kumbús como assim, na saúde, na doença e o escambau… Um teste de vida de tendência evolutiva legada por Deus, porque pensar o contrário disto, será decerto uma imperdoável heresia.

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Este problema sempre presente e cada vez mais remanescente, não reside na natureza nem na existência de Deus mas, nas origens biológicas que pela mente cataloga o auge evolutivo na biosfera. Poderá dizer-se nesta pequena imagem de vida real que cada homem está por assim dizer num estreito nicho como numa burocracia de curral. A parede deste nicho esmaga-nos individualmente a personalidade levando-nos a não poder extravasar nossa euforia como se fossemos bois confinados a só a mugir até ser defuntados com um urro levado na ponta dum facão.

BATATAS5.jpg As nossas atitudes em relação às coisas, reflectem critérios de valor fundamentais tornando a relação homem-coisa em algo cada vez mais transitório. Se eu fosse professor catedrático teria de vasculhar os termos para não falar tão fora dos parâmetros convencionais. A ideia de usar um produto-coisa uma única vez ou durante um curto espaço de tempo, substitui-lo ou deitá-lo ao lixo, contraria a sociedade ou os indivíduos com uma herança de pobreza.

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As gentes do meu tempo, septuagenárias, que nasceram antes da invenção do plástico não estão tão habituadas a produtos de utilizar e deitar fora; até conservam seus casamentos para lá dos cinquenta anos; preferem reciclar a vontade de fazer querer em detrimento do só querer. Já nem vou a casamentos para não me sentir defraudado com a curta duração do umbigamento.

BATATAS7.jpg Em meus anexos do M´Puto tenho uma quantidade de quinquilharia porque sempre guardei na mira de amanhã vir a necessitar num amanhã mas dei-me conta que as coisas se suplantam todos os dias e tudo modifica num ápice. Esta resistência ao descartável está em vias de extinção em todo o mundo dito desenvolvido. Os lenços de pano são hoje considerados anti-higiénicos e, já pouca gente os usa. Agora há toalhetes e lenços cheirosos com adstringentes e de cheiros balsâmicos enxotadores de mosquitos.

arte3.jpg Comecei esta em querer falar no homem das batatas da África do Sul mas tudo escorregou na ladeira mais fácil a fim de não perturbar as mentes, pois sempre ouvi dizer que a fé move montanhas. E, num lugar ermo como este do Calahári, aonde o estio é brutal, um homem semeou batatas no deserto e, porque acreditou em Seu Senhor, foi abençoado com toneladas de tubérculos. Ao seu redor havia descrença e a surpresa apanhou-os de boca aberta. Este bóer do Vaal devia ter mesmo, olhos nos pés!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:12
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Segunda-feira, 26 de Junho de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXVII

AI.IÚ.É - TAMBULAKONTA – 26.06.2017  - Isto é África! O futuro está a ficar doente! É a doença negra da mudança…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; muito menos aqui em África aonde o ontem fica cada vez mais distante e, o que então era proibido, hoje já o não é. Lugares aonde agora predomina a gasosa e fundamentalmente a postura governamental de BLACK EMPOWERMENT; Isto quer dizer uma política substituição do negro em detrimento do branco. O branco tem de investir e, quando da necessidade de contratar gente tem por lei de dar trabalho em primeiro lugar ao negro em detrimento de um outro e de outra cor bem melhor preparado para exercer uma qualquer função.

aug1.jpg Se isto não é racismo selectivo digam-me então o que é? Os tempos mudam rapidamente e para alguns é de consequências pessoais e psicológicas dramáticas. Na administração Sul-africana os brancos foram substituídos pelos negros, mandados para casa sem a necessária subsistência aos anos vindouros.

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Vá-se lá entender a pedagogia de produzir surpresas em novas experiências sociais como esta tão desagradável. Esta concepção de racionalismo opõe-se à filosofia que professa que as ideias se deterioram quando aplicadas às coisas e procedimentos, depois vem a ineficácia com sequente deterioração na coisa pública e privada. Na contraluz da sorte e no “Empera´s Palace” de Johannesburg ouvi o grito de “bingo” quando só me faltavam três números dos nove escolhidos. Meu primeiro domingo foi assim prorrogando a fome até bem á noite saciando-me com uma pizza margarita; esta gente aqui em Sud’África não almoça!

aug4.jpg O conhecimento da realidade moldada pelas teorias modificam-se assim como numa paisagem vista num nascer ou em um pôr-do-sol que se confundem pela ordem das razões e segundo uma teoria desadequada: Um bingo! A ordem das razões, valorizam a ordem dos factos em detrimento do bem social. Foi esta a minha primeiríssima apreciação  no primeiro domingo e, em companhia de minha mais próxima família. Tudo isto, também em companhia da dor de dentes persistente desde a minha visita ao M´Puto dos pequeninos na Coimbra dos doutores.

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E, o Facebook não dá tréguas à minha t´xipala desde que alguém publicou em minha página algo que nem consenti enviando para muitos amigos a virose cibernética que me atacou. É só dizer mal do EDU e logologo surgem uns bajuladores a cuspir-me na cara com ácido sulfídrico. O Facebook torna-se assim numa armadilha de estragar amizades e, pedem senhas, contra-senhas mais o século do nascimento trancando-nos em quarentena por quatro dias.

aug5.jpg Decidi por este meio não mais aceitar amizades da conxinhina por via do Facebook com nomes super inflados num zepelim com ácido escorbútico pois que, é esta a sexta vez que me mancham a dignidade por trilhos desconhecidos e demasiado rendilhados de maleficência. Mas estando eu num planalto africano e a mais de 1600 metros de altitude pude em conversa saber que a áfrica fica a cada dia que passa, mais longínqua para os bancos.

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Não há maior religião do que a verdade! Com este pensar de Dalai Lama na cabeça e passeando, aproveitei fazer uma viagem ao paraíso e vi gente branca, (também negros) a pedir nos semáforos, nos parques de estacionamento, um pouco por todo o lado. Trazia na minha mochila palavras de apreço mas, jamais as poderei usar aqui no bom sentido! Os seguidores de Jacob Zuma estão a seguir as absurdas posturas de Robert Mugab, essa decadente figura presidente do Zimbabwé, uma múmia racista, um bruxo que ensombra a áfrica do cocuruto até os tornozelos, numa forma simples de falar metáfora.

aug2.jpg E a Europa, o ocidente em geral, submissa a seus autoconceitos éticos e, dando guarida a todos os refugiados idos do corno e resto de áfrica, suportando estes desmandos de governos tontos; dando até tratamento diferenciado só porque são negros em detrimento do branco! Não posso concordar! Sempre este conceito de coitadinhos sem exigir de forma enérgica ou mesmo com bloqueios a estes desclassificados gurus, governantes africanos de tuji!  

aug3.jpg Passeio por terras edílicas que contrastam suas belezas, doirados e arredondados montes com seu verde, flores de Augrabies, penedias com secura e ainda o azul do mar; dos sargaços bailados em meus sonhos como ondas aonde se pode ver o redondo do horizonte nublado por ideias e ideais torpes de governantes perpétuos. Sendo este o meu passeio preferido, andar nos trilhos de entre bissapas, funchos, cassuneiras suas muitas flores do Orange desde Upington até Springbok.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:19
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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