Domingo, 31 de Maio de 2020
XICULULU . CXXV

TEMPOS ARREFECIDOS 29-05.2020

E, nós aqui no covidamento, como uns moiros de cara tapada, escondendo as lacunas que, os impostos nos irão impingir no esqueleto com se fora energia exogénica… Meus dentes já abanam todos, de tanto mitigar ansiedade futurista…

Crónica 3027

Por

soba15.jpg T´Chingange, no Sul dos Al-Garbes

longe0.jpg Como diz a sombra esquerda de Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó como faziam nossos antigos marinheiros para definir profundidades em batimétricas; é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente da memória. Uns têem, outros dizem ter, outros, é só de faz-de-conta fingindo que sabem mais do que Zaratustra ou Nostradamo. O sol, o ar, a água, e a terra, têm de ser considerados permanentemente parte de nós. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo, como um veneno mortal. Vivemos momentos de medo, de imposições e uma baralhada de novas posturas, e assim mais assado, fique ali e… tudo como se tivéssemos quatro anos e, perdidos dos pais.

O sol é a verdadeira fonte da vida e, ao invés do que alguns conceituados doutorados dizem, ele não é prejudicial; não é o sol que provoca o câncer de pele mas sim os muitos venenos que ingerimos sendo queimados ao serem expelidos para ela. Ando a ficar mouco e até estrábico de olhar para a televisão a ouvir e ver coisas que não pensava; Para ver melhor, subi minha bitola colocando um calço de cortiça para definir melhor os contornos. Ora vivemos em bicha de pirilau como se estivéssemos a treinar para uma guerra, ora mandam-nos ficar em quadrados num aprendizado de novas geometrias. Uma aprendizagem precoce quanto baste para no tontear a mioleira.

máscaras2.jpg Isto é mesmo uma teoria de conflitos que só sairá com cromoterapia e acupunctura desde os calcanhares à frontalidade do templo – nossa testa. Ontem espetei um pico no dedão do pé, ali ficou a fazer-me a cura de vamos-ver-o-que dá, se minhas defesas linfáticas e limbosféricas estão nos conformes com o gráfico da curva e, considerando sempre que a terra feita argila, tudo cura…Manter a alegria acima de certo limite é crime, retira a orientação de coragem ponderadamente equilibrada. Mas, abaixo de certo calibre entre uis e ais ou um silêncio mudo, a máquina pára – sepulcra-se!…

A terra na forma de argila é um laboratório de vida porque purifica, regenera e dá energia. Repito: corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo como um veneno mortal. Teremos por isso de nos fixarmos na fé, uma qualquer que contenha hídroxicloroquina sem aquela inquietude de afligir o próximo, de que dá, num dá, mas pode ser! Ou ficar nesse estranho silêncio, uma forma de ver o princípio do nada e lerpar!

máscaras5.jpg Ou então esperar sentado, as mudanças no tempo e suas modas; adaptando-nos ao luto de preto ou branco enquanto não houver uma droga eficaz retirada da raiz da Welwitschia Mirabilis – talvez, digo eu! A nova medida deste tempo covidesco é o “talvez”. Tanta tecnologia de ponta que até desaponta… Andam a curtir mortes, picos e curvas com teorias georreferenciadas no Bill Gates e outros filantrópicos muito carregados de anfetaminas para curtir seu sono. E, o pessoal num desespero a ver lerpar os kotas mais-velhos com os dentes a abanar, sem tesão de vida para erguerem sua moralidade, a mijarem-se todos pelos retentores descalibrados ou frouxos. Pópilas, assim não brinco…  

E, porque se diz que a justiça é cega e surda, pelo que se sabe também anda meia calçada e meia descalça para fingir que agrada a humildes descamisados e ricos encoirados. Como se a coragem fosse também uma medida de orientação pois a todos se diz para seguirem no caminho certo, mas ninguém sabe o rumo, ninguém sabe qual o azimute. Estamos lixados, entregues à bicharada! Pelo sim pelo não, usamos amuletos da sorte para nos enganarmos nas figas, no corno, na meia-lua, na estrela de David penduradas ao pescoço ou uma ferradura velha de burro.

haida art.jpg O místico, junta-se com a Cruz e o Cristo numa caixa, asfixiando-O o tempo todo e, sempre picado em sua coroa de medonhos espinhos com um credo na ponta das falas, uma cruz e credo com interrogação e exclamação juntas sem obedecer a qualquer confinamento. O ar inteiro repleto de informação em excesso, torna-se coisa teimosa, ora viçosamente manuseada ora ficando solidamente concreta. Pelo sim e pelo não, também tenho uma ferradura de burro manco pendurada por detrás da porta da dispensa mas, estou em crer que deveria estar bem á mostra por via do mau-olhado, esse tal de xicululu ou olho gordo.

Passando da alegria horizontal para a vertical, cada qual festeja sua sombra e seu quadrado, por vezes círculos num vazio salvador pensando que o mal, se o houver vem limpo com álcool gel, água sanitária, sabão macaco; num repente o mal elimina-se limpando e é ver todo o Mundo esfregando corrimões, alavancas, caixas e espelhos com caixilhos, mais vidros e pisos; No Brasil a noite não passa, a manha vem, vira tarde e de novo o sol apaga a terra, as casotas mal enjorcadas, a favela, o mukifo aonde vivem famílias de muita gente sem torneiras, sem água nem aonde cagar! Eles, sabem disto mas Bolsonaro é que está a mais, não eles! Sempre a mesma merda de política a desviar milhões - os comilões.

dia121.jpg Tem gente neste aborrecido Mundo, que matam só para ver alguém fazer careta; também não queria acreditar até que um dia captei: Cada homem é um mundo que tem que ao tempo, dar-se-lhe tempo na descoberta de pegadas, cheiros encarquilhados, suor de catinga numa densidade molecular desconhecida. Nem nos anos da leitura de carbono irão desbravar as ondas de crimes de colarinho branco, rusgas e detecção de contas surpreendidas. Serão sempre eternos vaga-lumes que darão luz até que se prescreva seu passado. 

E, se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado e, embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não olhar para nós; Assim distraído, lá teremos por isso de nos fixarmos na fé do catanas ou dos calhas com sorte, sem aquela inquietude de afligir o próximo. Cá por mim que sou Niassalês de coração, sempre ficarei na duvida de que a lei se cumpre em plenitude, pois que que são os julgadores juízes que agora estão a ser julgados. Por enquanto só são arguidos mas, já sabemos que andou por ali mãozinhas estranhas a depositar às mijinhas parcelas de somar milhões.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:52
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2020
XICULULU . CXXIV

VIVA SIMPLESMENTE! - MÊS DE ROSAS -21.05.2020

Tempos de “covidamento” – um termo novo demasiado repentista  

Por

soba002.jpg T´Chingange – A Sul do M´Puto

papoila0.jpgA simplicidade é uma virtude que anda de mãos dadas com outras. A ela, estão ligadas a franqueza, naturalidade e transparência dos nossos actos, embora nos dias de hoje nos deparemos com muita hipocrisia, muito faz de conta porque ser-se pobre, é doença. Infelizmente a sociedade e, num repente, vê-se ainda mais pobre e, medindo o tempo em uma nova medida: o “COVID 1,5 m” – a distância do medo em metros.   

Nada de lamúrias! Isto, até parece trafegar na direcção contrária ao pensamento hodierno, que nos impõe a ideia de que o melhor da vida se resume no acúmulo de coisas e na sofisticação do comportamento de parecer ser o que não se é... Agora, neste repente os paradigmas mudam por vontade alheia e ainda desconhecida.

papoila01.jpg Esta falta de paz, origina excesso de ansiedade a todos mas mais a quem se mente, a quem nos mente, originando prejuízos colaterais, que tendem a aprofundar-se em esquizofrénicas atitudes... Estes são apenas alguns resultados pouco queridos mas, que podem ser colhidos numa prática de uso e, num vulgarmente.

Estas pessoas, (talvez todos nós), necessitarão reencontrar o caminho da simplicidade que nos liberte dessa pressão consumista. Num qualquer dia, adentra-se permitindo tirar-lhe ou tirar-nos a paz de espírito e, de depressão em repressão, ficar-se com as ideias frouxas, passado dos carretos, correia de transmissão e pneus carecas… (uma comparação metafórica…)

papoila1.jpg Contudo, há o risco de se levar a simplicidade ao extremo, associando-a à conduta ascética, de renúncia dos recursos que conferem relativa qualidade à vida. Muitos moradores de rua não querem voltar para casa; incompreensível - mas, alguns, o dizem! Talvez por um orgulho demasiadamente pisoteado.

No livro dos livros é dito que o Senhor falou ao povo: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Estas falas eram no sentido de ajudar a colocar as coisas materiais em sua verdadeira perspectiva. Permitindo assim, possuí-las na medida em serem úteis para seu, nosso bem-estar e, sem deixar que elas nos possuam ou nos escravizem.

papoila2.jpg Portanto, segundo estes ditames, devemos exercer vigilância, a fim de que o interesse pelo material não seja um obstáculo em nossa corrida na busca do que nos satisfaz espiritualmente. Podemos sim, ser libertos do labirinto das coisas por modo a encontrar a verdadeira alegria na simplicidade que a Natureza nos transmite neste mês de rosas, cravos e papoilas confinados ao aperto da casa. Uns dirão: na providência que aquele Nosso Senhor nos conceder, mas talqualmente, cada qual tem de fazer sua parte. Porquê? Porque Aquele Senhor tem mais em que pensar!

papoila5.jpg Pois é! Mas a sociedade sempre é cobiçosa. Ele (alguém feito gente) está rico! Um outro - alguém o diz! Só porque comprou um carro novo e sempre gasta dinheiro na compra de dois sacos de pipocas para dar às pombas lá na praça do Restelo. Quanta dureza de má-língua nessa expressão de descontentamento nas coisas simples que podem fazer alguém feliz! Alguém já velho no suficiente do tempo. Precisamos aprender a viver contentes e agradecidos pelo que temos sem cobiçar o alheio! Sempre é tempo de se formatar num novo princípio…

Tenham um bom fim-de-semana!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:37
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Sábado, 16 de Maio de 2020
XICULULU . CXXIII

PONTOS DE VISTA - Aqui no M´Puto, continua a aprofundar meus conhecimentos descodificando as origens da mentira…

MÊS DE ROSAS … 16 de Maio de 2020

Crónica 3023 - Pensares do T'Ching...

Por:

soba03.jpg T´Chingange – A Sul do M´Puto

rosa.jpg A simplicidade é uma virtude que anda de mãos dadas com outras. A ela, estão ligadas a franqueza, naturalidade e transparência dos nossos actos, embora nos dias de hoje nos deparemos com muita hipocrisia, muito faz de conta porque, ser-se pobre, é doença.

Nada de lamúrias! Mas, isso parece trafegar na direcção contrária ao pensamento hodierno, que nos impõe a ideia de que o melhor da vida se resume no acúmulo de coisas e na sofisticação do comportamento de parecer ser o que não se é... 

cazumbi0.jpg Esta falta de paz, origina excesso de ansiedade a quem se mente, originando prejuízos colaterais e, que tendem a aprofundar-se em esquizofrénicas atitudes... Estes são apenas alguns resultados pouco desejados mas, que podem ser colhidos numa prática de uso permanente.

Estas pessoas necessitam reencontrar o caminho da simplicidade que liberta dessa pressão consumista porque num qualquer dia se permitira tirar-lhe a paz de espírito e, de depressão em repressão, ficar com as ideias frouxas, passado dos carretos, correia de transmissão e pneus carecas como se fossem feitos máquinas, autómatos…  

rosa 1.jpg Contudo, há o risco de se levar a simplicidade ao extremo, associando-a à conduta ascética, de renúncia dos recursos que conferem relativa qualidade à vida. Muitos moradores de rua não querem voltar para casa; incompreensível sim mas, alguns, o diz! Talvez por um orgulho esganiçadamente pisoteado.

No livro dos livros é dito que o Senhor falou ao povo: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Estas falas eram no sentido de ajudar a colocar as coisas materiais em sua verdadeira perspectiva embora nesse tempo ido, muito antigo, não houvesse 3D em perspectivas de mais um 5G. Pois, permitindo assim, possuí-las na medida em serem úteis para seu, nosso bem-estar e, sem se deixar que elas nos possuam ou nos escravizem; isto enquanto dois mais dois forem quatro!...

dia27.jpg Portanto, segundo estes ditames, devemos exercer vigilância, a fim de que o interesse pelo material não seja um obstáculo em nossa corrida na busca do que nos possa satisfazer espiritualmente. Podemos sim, ser libertos do labirinto das coisas por modo a encontrar a verdadeira alegria na simplicidade que a Natureza nos transmite. Uns dirão: na providência que aquele Nosso Senhor nos conceder, mas… talqualmente, cada qual tem de fazer sua parte. Aquele senhor tem mais em que pensar! E, nós sabemos bem que há espíritos Salgados que são sagrados…

-E, ele está rico! Alguém diz. Só porque comprou um carro novo e sempre gasta dinheiro na compra de dois sacos de pipocas para dar às pombas lá na praça do Restelo. Quanta dureza de má-língua nessa expressão de descontentamento nas coisas simples que fazem alguém feliz! Precisamos aprender a viver contentes e agradecidos pelo que temos sem cobiçar o alheio!

Tenham um bom fim-de-semana!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:17
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Domingo, 10 de Maio de 2020
XICULULU . CXXII

TEMPOS CINZENTOS - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios…

TEMPOS DE COVIDAMENTO…- 10.05.2020

Xicululu:  Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo...

Por

soba0.jpegT´Chingange a Sul do M´Puto

roxo135.jpg Com fúteis caprichos de ver o Mundo pela janela, esmiúço os tempos de ficção para saber a verdadeira razão dos paradoxos que irão aparecer lá mais no futuro. Sim! O futuro de um mundo ainda mais surreal. Vejo o loureiro abanar junto ao jacarandá tentando talvez compreender melhor a essência dos seus divinos. Será que uma árvore tem sentimentos, tem amarguras, ânsia e amor? A ter um papel na vida, condimentando minha comida, não deve saber também o sentindo duma guerra sorrateiramente caseira, confundido como nós na incompreensão. Não! Não pode ser – ele só cresce, absorve a chuva e depois, morre…

Na incompreensão de como o mundo se pode mudar num ÁI esquecendo que o ontem é igual ao hoje e o amanhã assim será de igual, tento a custo interpretar o vento Suão e do porquê do cão quando este sopra, deitar-se rodando três vezes no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Mas, há afinal outros ventos com laivos de maldades e decapitações, que nem a esquerda comunista estalinista e maoista no seu lado mais negro, traz consigo!

roxo123.jpg Alto lá! Aqui uma carga negativa do passado cultural, com olhos rasgados e amareladamente esticados trazem a peste sorrateiramente invisível quanto baste aos países redondos na perfeição dos silêncios – Quais? O Ocidente… Sim! A Europa, seus mais que muitos países, todos alinhadinhos a querer ver somente o admissível segundo as cartilhas aprendidas no rigor da ética. Ética!? Eles leram por ventura as cartilhas do Mao Tzé Tung, das picadelas de moscas tzé- tzé e dos meandros sórdidos do  Xi Jimping – o líder actual da China… Será esta pandemia uma guerra eugénica?

Bom! Embora os princípios da eugenia tenham sido elaborados por um cientista e pastor anglicano inglês, foi nos Estados Unidos e na Alemanha, a partir do início do século XX, que começaram a ser colocados em prática. Sob a designação de “eugenia positiva”, adoptavam-se medidas de incentivo financeiro a casamentos considerados favoráveis, implantando-se programas educacionais para reprodução planeada e concursos na descoberta de famílias e indivíduos talentosos. Hoje os talentos de repente ficaram trancafiados e, não se sabe aonde estão esses sábios que conseguem desmembrar um vírus a fim de obter uma vacina… E é agora que os velhos morrem, muito estranho Noé?

zep1.jpg Neste ainda recente passado, praticamente um ontem, faziam parte da “eugenia negativa” acções de esterilização, eutanásia, segregação e de restrição à imigração. Isto também sucedeu na China mas, curiosamente quase nenhum perito da área fala! Poucos jornalistas de investigação se arriscam a desbravar! A primeira lei de esterilização americana foi aprovada em 1907, no estado de Indiana. Tantos cientistas tão bom a destruir e tão poucos a inocular esse mal que nos ataca… Só pode ser descuido do Ocidente! Países redondos na perfeição dos silêncios. Só pode!

Posto isto, quero conservar a memória de tudo o que fui, que não fui e o que poderia ter sido. Teci-me na linha dum destino só meu; muitos estarão assim pensando que afinal tivemos uma vida de canseira e num repentemente num ÀI, tudo muda. Está mal! Criei-me na teoria do esquecimento, burilei-me nela e desconsegui ficar imune a esta rebelião que me rebola no cerebelo e contamina os cabelos. Estou careca de refilar; tudo continua na mesma como a lesma.

CUCO1.jpg Lá fora um carro municipal com dois altifalantes, diz-me para ficar assim em casa olhando a televisão, aonde repetidamente dizem as coisas que mudam nos números, nos gráficos subindo e descendo e, eu à espera que os sábios cientistas, descubram uma bolunga qualquer para endireitar o esqueleto, fintar com bassula ou esquindiva esse bicho voador e invisível vindo do raio que o parta.

Também voo - voo entre nuvens turbinadas de sucção, aspiração, compulsão e impulsão, vida de cão. No calor do tempo queimo cansaços, fracassos vazios, decepções e até solidões, também! Mas nem tudo foi assim tão mau – houve também bons momentos. Passei os vinte e oito, sessenta e oito e quase, quase nos setenta e cinco, vejo minhas unhas crescer.

Xi Jimping1.jpg Após o término da Segunda Guerra Mundial, a eugenia foi desacreditada como ciência e condenada como postura política. Entretanto, a última lei de esterilização americana foi revogada apenas na década de 70. É necessário mantermo-nos atentos a novas tentativas de oferecer soluções ideológicas a problemas cujas causas são económicas e sociais.

Reconhecendo estudos urbanos, temos que a reflexão sobre o espaço e a interacção entre grupos não pode ser reduzida a uma questão de “competição” ou “selecções” biológicas. Não conseguindo estabelecer maiores pontos de contacto entre a cultura Oriental e a Europeia subsistem meandros mal detectados na nossa vivência étnica. Nem sempre homem, nem sempre jovem, já mais velho, nos intervalos, aprendi a aprender… Esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos e dos fúteis caprichos de poder. Sim! Talvez tenhamos no futuro uma nova “Ordem Mundial”…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:57
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Sábado, 9 de Maio de 2020
FRATERNIDADES . CXXV

ANDO ENKAFIFADO“ Medo, não, mas perdi a vontade de ter coragem.” Já em tempos idos, Guimarães Rosa, o tinha dito, ou escrito...

Crónica 3021- 09.05.2020

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soba002.jpgT´Chingange – No Algarve e em confinamento voluntário…

urubu.jpg O tempo não passa pela amargura mas, a amargura passa pelo tempo. O TEMPO é preciso segurá-la enquanto existe! Alguns idosos, como eu, vão á janela algures num dos tantos lugares a despedir-se do tempo vazio tendo como vizinho próximo a árvore, um loureiro. De dentro da casa, alguém pergunta: - Para onde estás a olhar? Para a árvore - é a reposta. E o que vais fazer hoje? Olhar para o loureiro? Quem é esse Loureiro? – É uma árvore! Entretanto meu amigo Aristides Arrais, natural de Bustos e um ferrenho Petista, lá na Praia do Francês, Concelho do Marechal Deodoro do Brasil, corre sua maratona em volta de um coqueiro…

Sai à rua. E, em pouco tempo, o medo põe o homem a aceitar a pergunta dum fardado feito autoridade: para onde vai? Num rapidamente todos ficamos com 5 anos! Ele, o Arrais, com mais de oitenta anos, de repentemente vê-se na rua perdido do pai e da mãe. Ué!? Volta para casa por intuição e pensa variar o itinerário de sua maratona. Dá voltas à mesa, dá voltas a um prato e ao seu tamarindeiro; o saguim, lá do alto do coqueiro, muito admirado arrefinfa os olhos, treme as longas pestanas e quase se ri em sua perfeita inteligência de macaco…

uruguai3.jpg No vinticinco de Abril, segundo dia após a minha vinda de São Paulo em um voo especial da TAP, assisto pela televisão dois médicos beijando-se com máscaras postas – Os amantes! No parque, um homem e uma mulher também se beijam com um pano a envolver suas cabeças. Nesta guerra sem fisgas, sem bazucas, sem misseis nem bombas H, nem me dá a hipótese de usar minha pressão de ar “diana” arrumada faz tempo num tubo oleado por trapos.

Na tristeza dos dias, esta pandemia pós a nu a fragilidade das relações entre seres humanos. Viu-se na clareza, e por parte de quem já se esperava, a pérfida decisão de eliminar os mais velhos, os mais frágeis, mais dependentes e, com resquícios de eugenismo que se pensava estarem soterrados com o 3º Reich. Recentemente, recordei o mentor desta filosofia, um tal de Tomas Malthus que transmitiu a Hitler as ideias macabras de mudar o mundo por selecção de gente não desejada; gente que foi eliminada em milhões nos campos de concentração já por demais conhecidos por todos.

vaca0.jpg Teremos de ser todos capazes de nos reinventarmos na responsabilidades e funções que desempenhamos, uma solução de forma justa e solidária com aqueles que arriscando a vida nos tratam desse mal conhecido vírus, que permuta como se tivesse formas de nos ludibriar num para sempre e que leva lideres a dizer disparates muito fora do contexto; isto revela-me do quanto se é pequeno nesta imensidão de desconhecimento da Globália, do Universo e da esfera aonde coabitamos chamada de Terra.

E verdade que esta pandemia apanhou o SNS de Portugal – Serviço Nacional de Saúde de calças na mão mas, países ouve que se portaram duma forma pouco intendível e pouco profissional na forma de salvar gente. Deram-se conta depois que afinal tinham cuecas. Verdade se diga que os profissionais de saúde portugueses deram e, continuam a dar uma resposta digna, não obstante lhes faltar em alguns momentos o equipamento de segurança. Pelo que me é dado saber, foi em todo o tipo de patologias atendendo ricos e pobres, valha-nos isto.

zorro2.jpg Pior, esteve o Governo que titubeando decidiu prioridades mal equacionadas e não recorrer de imediato a tantos lares de idosos que se sabiam não estar nas condições optimizadas de salubridade. Má calendarização e até descaso no cuidado com esses muitas casas depósito de mais-velhos e o não recurso às muitas associações de bombeiros que estavam na linha da frente no conhecimento das debilidades. Ouve um mau aproveitamento desta rede voluntária ou municipal tão conhecedora do meio social por sua natural proximidade.

Na Suíça, artistas de circo fizeram malabarismos em frente a um lar de idosos. No Equador o sistema funerário entra em colapso e os corpos são abandonados na via pública. Os Urubus voam em círculos na cidade de Guayaquil. Nestas palavras assustadoras até os urubus se tornam mais agoirentos do que os abutres que são a mesmíssima ave de agoiro. Teremos de fazer os possíveis para aparentar calma, não mostrar medo porque, por enquanto, assim parados, podemos ouvir o cantar do melro e do pintassilgo, o cantar do galo e do granisé…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:59
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Quinta-feira, 7 de Maio de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXI
Portugal e o COVID 19
Crónica 3020 – A “Ditadura das Máscaras” - 07.05.2020
Por

soba03.jpg T´Chingange – No Sotavento do Algarve em distanciamento social…

A crise gerada pelo Coronavírus em Portugal acelerou e facilitou a adopção de medidas de Engenharia Social para testar os limites do controlo estatal sobre nossas vidas. O estado de calamidade não pode dar aso a toda e qualquer medida. Curiosamente todo o mundo fica acabrunhado em dizer qualquer coisa; estarei assim tão errado? O teste é quase mundial! Vejamos. - Enquanto as máscaras em Espanha são oferecidas ao cidadão no uso de transportes públicos, aqui, em Portugal, multam em 350 Euros quem não as levar no rosto - Uma multa pandémica!
Se eu fosse Presidente, derrogaria muito rapidamente tal alarvidade por ser uma multa torpe! O que devem sim, é impedi-os de viajar em "colectivos". Em Portugal, país no qual as instituições parecem “funcionar normalmente” para impor a vontade do Estado surgem aqui e ali uns oportunistas a fazer negócio de milhões… por simples troca de favores sofismados de filantropia que no meio de tanto medo e, mais alvissares dissonantes, a rapidez e o calculado propósito que  concretiza a oportunidade.  Assistimos assim, a mais um espectáculo pitoresco exigindo rever as gravuras do Bordalo Pinheiro numa visão tão ao gaudio dos historiadores da banda desenhada, que num futuro próximo, poderão chamar a isto a “Ditadura das Máscaras”.

bordallo.jpgEm nome de uma suposta “ciência”,  gestores da causa pública e afins, driblam com apurada tecnoburocracia estatal produzindo decretos ou posturas, obrigando os cidadãos a usarem máscaras, sob a “tese” de que elas são efectivas na prevenção à contaminação pelo maldito COVID-19. Pode até estar certos mas, poupem-nos a  coisas bizarras! Uma coisa tão simples de se fazer, a causar tanto alvoroço. Concordo sim que se usem em recintos fechados, em transportes publicos, nas escolas mas, nosso "despilfarro" não pode ser lucrativo ao estado ou instituições… Um desplante, máscaras de um Euro a serem vendidas a preço d´oiro..

Sobre o assunto, a retórica usa o argumento de que “o uso da máscara” já foi incorporado socialmente, no mundo todo. Autoridades e a midia hegemónica, vendem à população a suposta teoria de que o uso obrigatório das máscaras impede o contágio da doença. Para dar força a tal narrativa, as empresas de comunicação copiam a medida extrema falando ao microfone golfadas de gargarejos até desentendíveis. É um recado psicológico ao povo - que tem de obedecer como carneirinho, em nome da “emergência em saúde pública”.

bordalo5.jpgA máquina estatal aliada às mediadas municipais com a boa vontade dos Costistas, aproveitam a pandemónica COVID para cumprir um tríplice objectivo: 1) testar medidas extremas de controlo da população com a anuência da oposição; 2) arrecadar com multas  cobradas de quem ousar desobedecer as regras de excepção; 3) promover gastos em questionáveis licitações, em regime de emergência ou calamidade, adquirindo máscaras a preços superfacturados… A picaretagem vence a honestidade aonde o medo supera a razão sem ninguém ter a certeza efectiva de como acontece a contaminação.

Os supostamente entendidos, dizem que a COVID-19 não é uma doença respiratória – e sim sistémica, com característica hematológica (afecta o sangue). O bicho acomete diferentes partes do corpo. Ataca a hemoglobina. O vírus derruba o nível de oxigénio nos glóbulos vermelhos. Quebra uma barreira e liberta o ferro que “intoxica” as células. Cientistas estão próximos de achar o anticorpo produzido pelo sistema imunológico, para produzir a vacina que neutralizará o Sars COV-2 (causador do COVID-19, o KungFlu).

bordalo0.jpg Definitivamente, isto não é uma “gripezinha”... É grave!... Nalguns países , promoveu-se um “lockdown” (a paralisação quase total das actividades produtivas).  O pior efeito colateral pós-pandemia já se manifesta aqui e outros países como o Brasil, de modo muito assustador - o surto de autoritarismo aliado à fome. A “doença”  polariza-se assim mais grave, na população subserviente, de mão estendida ao estado. Os “infectados” ora se comportam como carneirinhos, ora como cães raivosos. Neste clima de medo, são interpretadas e obedecidas as “ordens” e regras para isolamento, distanciamento, bloqueios com uso obrigatório de máscaras, “fique em casa” e por aí vai... permitindo excepções como o UM DE MAIO, essa coisa linda duma Alameda pintalgada de bandeirinhas vermelhuscas levadas de concelhos supostamente estanques à vialidade… Em nome da “ciência”  titubente e duvidosa e da “saúde pública” também  se soltam os presos.

bordalo3.jpg Creio que iremos ter esta pandemia, anos pela frente... Fabricantes e vendedores de máscaras são os únicos que lucram com ela junto com gente dada à subtracção das verbas públicas na área de saúde, revelando pelo que me é dado saber, haver descaso na testagem de casas de terceira idade. 35000, são os casos apontados de casas de repouso ilegais… Como vamos então enfrentar e sobreviver ao vírus com falta de dinheiro? Haja paciência e sangue frio como tem de ser “Na Ditadura do Consenso”. A inexperiência dos italianos deveria ser útil a toda a Europa e todos os demais países com cada qual ensaiando sua forma de mandar, mas ouve descuido...

Nota: Barlavento é de onde o vento sopra
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:25
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Quinta-feira, 9 de Abril de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CX

África e o COVID 19… Opinião do T´Ching... - 09.04.2020

Crónica 3015

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro em distanciamento social…

áfrica19.jpg África está a intrigar a comunidade médica por contrariar as previsões da OMS, com os seus baixíssimos números de casos de infecção e morte por coronavírus. Esperava-se que assim que surgissem os primeiros casos de coronavírus seria uma catástrofe sem igual; parece até ser humilhante para a midia ocidental, perceber que o coronavírus mata milhares de pessoas em países do primeiro mundo ao invés dos países africanos. Segundo especialistas, há factores que sopram a favor de África.

Os porquês:

a - É um continente maioritariamente composto por jovens.

b - A cloroquina que serve para o combate à malária, supostamente tenha imunizado os africanos, que aparentam imunização contra o coronavírus (vamos acreditar que sim embora sem provas!)

c - O clima quente de África faz com que o vírus seque rapidamente no ambiente natural, ao contrário da Europa, Ásia e partes das Américas que têm zonas frias.

d - Em algum momento da vida de um africano já sofreu infecções como malária, sarampo, febre-amarela, leishmaniose, dengue, paludismo, tifo, disenteria, bronquites, infecções renais e estomacais, enfisema, tuberculose, pneumonia. Eu próprio já tive paludismo várias vezes e como prevenção tomava como toda a gente: - Quinino, Camoquina e rezoquina …

e - Uns sem número de vírus, como o perigoso Ébola, já passaram por eles, sem esquecer as DST's e tantas outras que fazem parte do nosso dia-a-dia e, que de uma certa maneira no seu conjunto dificultarão a entrada em força do coronavírus.

cinzas8.jpg Os grandes países, como Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Holanda, Bélgica, Itália, Suíça, sem esquecer os Estados Unidos que neste momento lideram em termos de infecções, nunca pensaram que alguma vez na sua existência iriam ser "castigados" dessa maneira, pensando até que só os outros estariam destinados a sofrer com este maldito vírus.

Vírus que atingiu em pleno coração as nações mais ricas e mais poderosas do planeta; é de admirar que em África seja diferente, embora lamentando profundamente que coisas dessas aconteçam no mundo... Algumas versões cientificas na imprensa internacional dizem que o vírus não foi criado artificialmente por ninguém, mas subsiste a duvida! Dizem ser uma versão do antigo SARS, que sofreu as devidas mutações impossíveis de replicar ou criar em laboratório – será!?

Que passou do mundo animal para o ser humano fruto da inapetência de alguns países nomeadamente a China em proibir o consumo de animais selvagens; pode ser até que seja uma oportunidade para se acabar de vez com a caça e o consumo de espécies exóticas. Mas, esse coronavírus, parece ser apenas o primeiro de muitas mais pandemias que segundo muitos, beira a aniquilação. Tal é a rapidez com que aparecem novas designações por via de mutações tais como: Pneumónica, SARS 1, MERS 2, H1N1 tudo num nome de INFLUENZA e, este COVID 19.

ama3.jpg Os números são assustadores, no momento em que o vírus está espalhado por mais de duzentos países do mundo - números confirmados pelas autoridades que segundo dizem rondam os 75% de margem de abrangência. Os países divergem nas estratégias a aplicar na luta contra a pandemia e, nem todos estão de acordo com as orientações dadas pela Organização Mundial de Saúde. Alguns criticam até a idoneidade do seu presidente! Há até quem reme contra a maré, como os exemplos de Trump e Bolsonaro, dizendo que o confinamento arrasa com as economias dos países e que ficar em casa é uma perda de tempo. É uma faca de dois gumes em verdade.

O presidente da Bielorrussa Lukashenko juntou-se aos já mencionados, tendo sido visto visto jogando hóquei no gelo e, num pavilhão a abarrotar pelas costuras. Numa vulgar linguagem afirmou que o vírus não é resistente ao frio e que a bebida vodka faz o favor de eliminar o malvado. Trump e Bolsonaro, aos poucos vão dando o braço a ceder, porque o número de mortos não para de aumentar em seus países, acabando por tomar medidas afectivas na contenção e prevenção. Esta tardia medida nos EUA originaram baterem o recorde de mortos em apenas um dia, 1186 falecidos em 24 horas (dia 6 de Março) – demasiado triste!

Como consequência, a economia mundial parou; a única que parece carburar é a chinesa, vá-se lá adivinhar do porquê!? Porque deduz-se ter aplicado o maior golpe da história mundial, levando os países ao colapso e apatia em sua reorganização com o beneplácito do presidente da OMS. A ordem mundial está virando o MUNDO do avesso. Os seus índices de desemprego chegam ao pico, milhões de pessoas foram dispensadas de seus empregos recorrendo aos serviços de segurança social, aonde os há! Os vários governos tentam proibir despedimentos multando as empresas que o façam, mas isso não trava o caos. O desemprego, só nos EUA ronda já mais de 10 milhões…

luderitz14.jpg As companhias de transporte aéreas e terrestres têm as suas frotas paradas, que sem gastarem combustíveis provocam a queda do preço do petróleo a preços negativos; agora são as companhias e países petrolíferos a pagarem para quem simplesmente pode armazenar os barris sem os comprar, as indústrias param de produzir. Umas foram obrigadas a produzir material médico por decretos presidenciais e outros fazem-no de livre vontade. As vendas e encomendas desceram na ordem dos 90% e, o comércio mundial actual, baseia-se apenas a materiais de consumo alimentar, electrónico ou de lazer e, todos recorrem à China para obter o material médico que precisam.

Os EUA recentemente enviaram 30 aviões à China para trazer de lá material hospitalar e, porque  pagaram a dobrar, a China cancelou encomendas de outros países. A Rússia ofereceu ajuda a América doando varias toneladas de material médico que o Trump agradeceu; outrora inimigos hoje amigos na salvação geral. Outros países como América do sul e África verão as suas dificuldades aumentadas… Num destes casos tão agudos na gravidade chega-se à conclusão que petróleo e diamantes não servem para comer.

alfa2.jpgA vacina demora a aparece, embora existam países que já anunciaram a cura mas ainda não provaram a sua eficácia, adoptando as medidas de confinamento e emergência, encerraram-se a sete chaves e fecharam as principais instituições da cada país assegurando apenas as que são imprescindíveis à sobrevivência geral, tais como hospitais, farmácias, supermercados, alguns transportes e alguns serviços para manterem minimamente a funcionar. Ficar em casa é a melhor medida para abrandar os contágios. Nem todos estão a cumprir com as regras, sem sequer respeitarem o esforço dos outros para atenuarem o sofrimento de todos.

O apelo agora é que todos nós façamos campanha nas nossas comunidades para que adoptem medidas que nos possam salvar. É com regozijo que se observa na maioria dos países africanos adoptarem as medidas de emergência e confinamento no combate ao vírus, fechando o país a estrangeiros, aeroportos e portos, controlando as entradas terrestres, adoptando algumas medidas de controlo social, sanitário, politico e económico.

ÁFRICA4.jpgInsistindo nas medidas de higiene geral e pessoal, controlando algumas pessoas nas entradas do país e forçando a quarentena da maioria pessoas não podemos deixar de saudar a o governos africanos, pelo menos estarem a tentar... Os africanos são um alvo porque pertencem a uma sociedade desorganizada, nem sempre unida e até desrespeitosa entre si. Como resultado, os ocidentais podem sim condenar por ainda não se ter feito o suficiente esforço para criar as instituições e condições necessárias no aspecto sanitário. Fique em casa, se o seu trabalho ou ocupação não seja imprescindível na manutenção da saúde ou sobrevivência geral. Sobreviver, é importante…

Kandandus

O Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 8 de Abril de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CIX

GUERRA HÍBRIDA . AFINAL QUEM COMEÇOU ESTA FARÇA? INFORMAÇÃO E CONTRA INFORMAÇÃO 2ªParte – 08.04.2020

Por

pneum10.jpgPepe Escobar Asia Times

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbo

Artigo | Como o exército dos EUA pode ter levado o vírus à China, por Pepe Escobar - 18 de Março de 2020 

- Após crise gerada pelo coronavírus, Pequim passou a considerar abertamente os EUA como ameaça… 

pneum16.jpg O poder brando (soft power) é essencial. Pequim mandou para a Itália um avião da Air China com 2.300 grandes caixas de máscaras cirúrgicas. Nas caixas lia-se: “Somos ondas do mesmo mar, folhas da mesma árvore, flores do mesmo jardim”. A China também enviou um grande pacote humanitário ao Irã, a bordo de oito aviões da Mahan Air – companhia aérea que está sob sanções ilegais e unilaterais do governo Trump. O presidente sérvio, Aleksandar Vucic, não poderia ter sido mais explícito: “O único país que pode nos ajudar é a China. Até agora, todos vocês entenderam que a solidariedade europeia não existe. Nunca passou de conto de fadas no papel.”

pneum11.jpg Sob duras sanções e demonizada desde sempre, Cuba ainda é capaz de realizar avanços gigantes – até em biotecnologia. O antiviral Heberon – ou Interferon Alfa 2b – medicamento, não vacina, tem sido utilizado com grande sucesso no tratamento de pacientes contaminados por coronavírus. Uma “joint venture” na China está produzindo versão inaliável do medicamento e pelo menos 15 nações já estão interessadas em importá-lo. Agora comparem tudo isso, e o governo Trump, que oferece US$ 1 bilhão para subornar cientistas alemães que trabalham na empresa de biotecnologia Curevac, com sede na Turíngia, em uma vacina experimental contra o covid-19, contando com "reservar" a vacina para ser usada “apenas nos Estados Unidos”.

pneum12.jpg Sandro Mezzadra, coautor, com Brett Neilson, do seminal The Politics of Operations: Excavating Contemporary Capitalism , já está tentando determinar conceitualmente em que ponto estamos actualmente em termos de combate ao covid-19. Estamos diante de uma escolha entre uma vertente malthusiana – inspirada no darwinismo social – “liderada pelo eixo Johnson-Trump-Bolsonaro” e, por outro lado, uma vertente que aponta para a “requalificação da saúde pública como ferramenta fundamental”, exemplificada pelo que fazem China, Coreia do Sul e Itália. Há lições importantes a serem aprendidas de Coreia do Sul, Taiwan e Singapura. A opção forte, observa Mezzadra, é entre admitir uma “selecção natural da população”, com milhares de mortos, e “defender a sociedade”, empregando “graus variáveis de autoritarismo e controle social”. Fácil imaginar quem pode beneficiar-se dessa reengenharia social, remix, para o século 21, de “A Máscara Rubra da Morte”, de Allan Poe, de 1842 (Consortium News)¹ .

Em meio a tanta desgraça e tristeza, conte com a Itália para nos oferecer tons de luz, à Tiepolo. A Itália escolheu a opção Wuhan, com consequências imensamente graves para sua economia já frágil. Os italianos em quarentena reagiram notavelmente cantando das varandas: um verdadeiro acto de revolta metafísica. Sem mencionar a justiça poética de a verdadeira Santa Corona (“coroa” em latim) estar enterrada na cidade de Anzu desde o século 9º. Santa Corona foi morta no governo de Marcus Aurélius em 165 dC, e já há séculos é um dos santos padroeiros das vítimas de pandemias. Nem mesmo triliões de dólares chovendo do céu por um acto de misericórdia divina do Fed – o banco central estadunidense – foram capazes de curar doentes do covid-19. Os “líderes” do G-7 tiveram que recorrer a uma videoconferência para perceber o quanto não têm noção de o que fazer – mesmo quando a luta da China contra o coronavírus garantiu ao Ocidente uma vantagem inicial de várias semanas.

pneum14.jpg O Dr. Zhang Wenhong, que trabalha em Xangai, um dos principais especialistas da China em doenças infecciosas, cujas análises foram até aqui certeiras, diz que a China emergiu dos dias mais sombrios da “guerra do povo” contra o covid-19. Mas o Dr. Wenhong não acha que a coisa acabe no verão. Agora, a mesma ideia, para o mundo ocidental. Ainda nem é primavera, e já sabemos que basta um vírus para destruir sem piedade a Deusa do Mercado. Na última sexta-feira, Goldman Sachs disse a nada menos que 1.500 empresas que não havia risco sistémico. Falso! Fontes bancárias de Nova Iorque contaram-me a verdade: o risco sistémico tornou-se muito mais grave em 2020, que em 1979, 1987 ou 2008, devido ao risco mais alto de colapso do mercado de derivativos, de US $ 1,5 bilhão. Como dizem as fontes, a história jamais viu coisa semelhante à intervenção do Fed via a eliminação, ainda pouco compreendida, das exigências de reservas bancárias nos bancos comerciais, desencadeando uma expansão potencialmente ilimitada de crédito, para evitar uma implosão dos derivativos, decorrente de um colapso total de bolsas de mercadorias e acções em todo o mundo.

pneum13.jpg Aqueles banqueiros pensaram que funcionaria, mas, como sabemos agora, nem todo aquele som e fúria jamais significou coisa alguma. E permanece aí o fantasma de uma implosão dos derivativos – nesse caso não causada pelo que antes se temia (que o Estreito de Ormuz fosse fechado). Apenas começamos a compreender as consequências do covid-19 para o futuro do turbo-capitalismo neoliberal. Certo é que toda a economia global foi atingida por interruptor de circuitos insidioso, literalmente invisível. Pode ser só “coincidência”. Ou pode ser, como alguns estão argumentando corajosamente, parte de uma maciça operação psicológica, que crie o ambiente geopolítico e de engenharia social perfeito para a dominação de pleno espectro.

pneum15.jpg Além disso, ao longo da árdua caminhada, com imenso sacrifício humano e económico, com ou sem um reboto do sistema mundial, permanece uma pergunta mais premente: as elites imperiais continuarão insistindo em fazer guerra híbrida contra a China, pela dominação de pleno espectro?

1 -Em port. trad. José Paulo Paes, in A causa secreta: e outros contos de horror (VVAA). São Paulo: Boa Companhia, 2013, transcrito na íntegra em Revista Prosa e Verso).

GUERRA HÍBRIDA. AFINAL QUEM COMEÇOU ESTA FARÇA? Foi a China? Foi os USA? INFORMAÇÃO E CONTRA INFORMAÇÃO… ESTAMOS FEITOS AO BIFE… porquê esse event 201? Que saiu daí?

O Soba T´Chingange - No Nordeste brasileiro



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Sábado, 4 de Abril de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CVIII
GUERRA HÍBRIDA . AFINAL QUEM COMEÇOU ESTA FARÇA? INFORMAÇÃO E CONTRA INFORMAÇÃO… ESTAMOS FEITOS AO BIFE…  04.04.2020Crónica 3012
Por: Pepe Escobar - Asia Times
Artigo | Como o exército dos EUA pode ter levado o vírus à China, por Pepe Escobar
- Após crise gerada pelo coronavírus, Pequim passou a considerar abertamente os EUA como ameaça…18 de Março de 2020.

tonito19.jpgAs escolhas de T´Chingange - No Nordeste brasileiro

corona10.png O presidente chinês Xi Jinping tornou a sua posição clara - Xie Huanchi / XINHUA / AFP… De entre os inumeráveis efeitos geopolíticos tectónicos do coronavírus, que são impressionantes, um já é claramente evidente. A China reposicionou-se. Pela primeira vez desde o início das reformas de Deng Xiaoping em 1978, Pequim considera abertamente os EUA como ameaça, declarou há um mês o ministro de Relações Exteriores Wang Yi na Conferência de Segurança de Munique, no pico da luta contra o coronavírus. Pequim está modelando passo a passo, com todo o cuidado, a narrativa segundo a qual, desde os primeiros casos de doentes infectados pelo coronavírus, a liderança já sabia que estava sob ataque de guerra híbrida. A terminologia de que se serviu o presidente chinês é eloquente. Xi disse abertamente que se tratava de guerra. E que foi necessário iniciar uma “guerra do povo”, como contra-ataque. E descreveu o vírus como “um diabo”.

Xi é, por formação, confuciano. E, diferente de outros pensadores chineses antigos, Confúcio não admitia discussões sobre forças sobrenaturais e julgamentos depois da morte. Contudo, no contexto cultural chinês, “diabo” designa os “diabos brancos” ou “diabos estrangeiros”: guailo em mandarim, gweilo em cantonês. Xi, aí, fez forte denúncia, em código. Quando Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, expressou num tuíte incandescente que “é possível que 'o Exército dos EUA tenha trazido a epidemia a Wuhan' – primeiro tiro nessa direcção, vindo de alto funcionário – Pequim lançava um balão de ensaio, sinalizando que a luva havia sido jogada. Zhao Lijian fez a conexão directa com os Jogos Militares em Wuhan em Outubro de 2019, que incluiu uma delegação de 300 militares dos EUA.

corona01.jpg Lijian citou directamente o director dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (ing. CDC) dos EUA, Robert Redfield, o qual, quando perguntado na semana passada se foram descobertas postumamente mortes por coronavírus nos EUA, respondeu que “alguns casos foram realmente diagnosticados desse modo, hoje, nos EUA”. A explosiva conclusão de Zhao é que o covid-19 já estava activo nos EUA, antes de ser identificado em Wuhan – devido à incapacidade dos EUA, hoje já completamente documentada, para testar e verificar as diferenças que houvesse, na comparação com a gripe.

Acrescentando tudo isso ao fato de que os genomas dos coronavírus recolhidos no Irã e na Itália já foram sequenciados, e já se sabe que não são a mesma cepa de vírus que infectou Wuhan, a midia chinesa já fez e já pergunta abertamente por uma conexão com o fechamento, em agosto do ano passado, de um laboratório militar de armas biológicas declarado “inseguro” em Fort Detrick, com os Jogos Militares e com a epidemia de Wuhan. Algumas dessas perguntas têm sido feitas – e continuam sem resposta – dentro dos próprios EUA. Perguntas extras permanecem, sobre o nada transparente Event 201 em Nova Iorque, dia 18 de Outubro de 2019: um ensaio-simulação para uma pandemia mundial causada por vírus mortal – precisamente o coronavírus. Essa magnífica coincidência aconteceu um mês antes do surto em Wuhan.

corona6.jpg O Evento 201 foi patrocinado por Fundação Bill & Melinda Gates, Fórum Económico Mundial (WEF), CIA, Bloomberg, Fundação John Hopkins e ONU. Os Jogos Militares Mundiais começaram em Wuhan, no mesmo dia. Independentemente de sua origem, que ainda não está conclusivamente estabelecida, tal como os tuítes de Trump sobre o “vírus chinês”, o covid-19 já impõe questões imensamente sérias sobre biopolítica (onde está Foucault quando se precisa dele?) e bioterrorismo. A hipótese de trabalho, de o coronavírus ser uma arma biológica muito poderosa, mas não provocadora do Armagedom, revela essa arma como veículo perfeito para controle social generalizado – em escala global.

Xi com o rosto coberto por uma máscara cirúrgica, em visita à linha de frente de Wuhan semana passada, foi demonstração gráfica para todo o planeta de que a China, com imenso sacrifício, está vencendo a “guerra do povo” contra covid-19. Assim também, o movimento dos russos, de Sun Tzu, contra Riad, cujo resultado final foi o barril de petróleo muito mais barato, ajudou, para todos os fins práticos, a iniciar a inevitável recuperação da economia chinesa. Eis como opera uma boa parceria estratégica. O tabuleiro de xadrez muda a uma velocidade vertiginosa. Depois que Pequim identificou o coronavírus como ataque por armas biológicas, a “guerra do povo” disparou, com toda a potência do Estado. Metodicamente. Na base do “tudo que for necessário”. Agora estamos entrando em nova etapa, que será usada por Pequim para calibrar substancialmente a interacção com o Ocidente, e sob padrões muito diferentes no que tenham a ver com EUA e União Europeia.
O poder brando (soft power) é essencial. Pequim mandou para a Itália um avião da Air China com 2.300 grandes caixas de máscaras cirúrgicas. Nas caixas lia-se: “Somos ondas do mesmo mar, folhas da mesma árvore, flores do mesmo jardim”. A China também enviou um grande pacote humanitário ao Irã, a bordo de oito aviões da Mahan Air – companhia aérea que está sob sanções ilegais e unilaterais do governo Trump. O presidente sérvio, Aleksandar Vucic, não poderia ter sido mais explícito: “O único país que pode nos ajudar é a China. Até agora, todos vocês entenderam que a solidariedade europeia não existe. Nunca passou de conto de fadas no papel.”

corona5.jpg Sob duras sanções e demonizada desde sempre, Cuba ainda é capaz de realizar avanços gigantes – até em biotecnologia. O antiviral Heberon – ou Interferon Alfa 2b – medicamento, não vacina, tem sido utilizado com grande sucesso no tratamento de pacientes contaminados por coronavírus. Uma “joint venture” na China está produzindo versão inaliável do medicamento e pelo menos 15 nações já estão interessadas em importá-lo. Agora comparem tudo isso, e o governo Trump, que oferece US$ 1 bilhão para subornar cientistas alemães que trabalham na empresa de biotecnologia Curevac, com sede na Turíngia, em uma vacina experimental contra o covid-19, contando com "reservar" a vacina para ser usada “apenas nos Estados Unidos”.

Sandro Mezzadra, coautor, com Brett Neilson, do seminal The Politics of Operations: Excavating Contemporary Capitalism , já está tentando determinar conceitualmente em que ponto estamos actualmente em termos de combate ao covid-19. Estamos diante de uma escolha entre uma vertente malthusiana – inspirada no darwinismo social – “liderada pelo eixo Johnson-Trump-Bolsonaro” e, por outro lado, uma vertente que aponta para a “requalificação da saúde pública como ferramenta fundamental”, exemplificada pelo que fazem China, Coreia do Sul e Itália. Há lições importantes a serem aprendidas de Coreia do Sul, Taiwan e Singapura. A opção forte, observa Mezzadra, é entre admitir uma “selecção natural da população”, com milhares de mortos, e “defender a sociedade”, empregando “graus variáveis de autoritarismo e controle social”. Fácil imaginar quem pode beneficiar-se dessa reengenharia social, remix, para o século 21, de “A Máscara Rubra da Morte”, de Allan Poe, de 1842 (Consortium News)¹ .
Em meio a tanta desgraça e tristeza, conte com a Itália para nos oferecer tons de luz, à Tiepolo. A Itália escolheu a opção Wuhan, com consequências imensamente graves para sua economia já frágil. Os italianos em quarentena reagiram notavelmente cantando das varandas: um verdadeiro acto de revolta metafísica. Sem mencionar a justiça poética de a verdadeira Santa Corona (“coroa” em latim) estar enterrada na cidade de Anzu desde o século 9º. Santa Corona foi morta no governo de Marcus Aurélius em 165 dC, e já há séculos é um dos santos padroeiros das vítimas de pandemias. Nem mesmo triliões de dólares chovendo do céu por um acto de misericórdia divina do Fed – o banco central estadunidense – foram capazes de curar doentes do covid-19. Os “líderes” do G-7 tiveram que recorrer a uma videoconferência para perceber o quanto não têm noção de o que fazer – mesmo quando a luta da China contra o coronavírus garantiu ao Ocidente uma vantagem inicial de várias semanas.

corona7.jpg O Dr. Zhang Wenhong, que trabalha em Xangai, um dos principais especialistas da China em doenças infecciosas, cujas análises foram até aqui certeiras, diz que a China emergiu dos dias mais sombrios da “guerra do povo” contra o covid-19. Mas o Dr. Wenhong não acha que a coisa acabe no verão. Agora, a mesma ideia, para o mundo ocidental. Ainda nem é primavera, e já sabemos que basta um vírus para destruir sem piedade a Deusa do Mercado. Na última sexta-feira, Goldman Sachs disse a nada menos que 1.500 empresas que não havia risco sistémico. Falso! Fontes bancárias de Nova Iorque contaram-me a verdade: o risco sistémico tornou-se muito mais grave em 2020, que em 1979, 1987 ou 2008, devido ao risco mais alto de colapso do mercado de derivativos, de US $ 1,5 bilhão. Como dizem as fontes, a história jamais viu coisa semelhante à intervenção do Fed via a eliminação, ainda pouco compreendida, das exigências de reservas bancárias nos bancos comerciais, desencadeando uma expansão potencialmente ilimitada de crédito, para evitar uma implosão dos derivativos, decorrente de um colapso total de bolsas de mercadorias e acções em todo o mundo.

Aqueles banqueiros pensaram que funcionaria, mas, como sabemos agora, nem todo aquele som e fúria jamais significou coisa alguma. E permanece aí o fantasma de uma implosão dos derivativos – nesse caso não causada pelo que antes se temia (que o Estreito de Ormuz fosse fechado). Apenas começamos a compreender as consequências do covid-19 para o futuro do turbo-capitalismo neoliberal. Certo é que toda a economia global foi atingida por interruptor de circuitos insidioso, literalmente invisível. Pode ser só “coincidência”. Ou pode ser, como alguns estão argumentando corajosamente, parte de uma maciça operação psicológica, que crie o ambiente geopolítico e de engenharia social perfeito para a dominação de pleno espectro.

corona14.jpg Além disso, ao longo da árdua caminhada, com imenso sacrifício humano e económico, com ou sem um reboto do sistema mundial, permanece uma pergunta mais premente: as elites imperiais continuarão insistindo em fazer guerra híbrida contra a China, pela dominação de pleno espectro?

1 -Em port. trad. José Paulo Paes, in A causa secreta: e outros contos de horror (VVAA). São Paulo: Boa Companhia, 2013, transcrito na íntegra em Revista Prosa e Verso).
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GUERRA HÍBRIDA. AFINAL QUEM COMEÇOU ESTA FARÇA? Foi a China? Foi os USA? INFORMAÇÃO E CONTRA INFORMAÇÃO… ESTAMOS FEITOS AO BIFE… porquê esse event 201? Que saiu daí?
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:30
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Sexta-feira, 27 de Março de 2020
KWANGIADES . XXXII

MOKANDA DO ZECA  - As falas do baú de Zeca – 27.03.2020

FALAS BONITAS AI.U.É…. Crónica 3008

Por

zeca1.jpg José Santos - O Senhor do Koilo - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga. Tornou-se ali professor katedrático e agora lecciona no M´Puto quando não fica com o catolotolo… Kwangiades: - são as musas, kiandas ou kalungas do Kwanza

kimbo 0.jpg As escolhas de T´Chingange ... No Nordeste brasileiro - (TONITO era seu nome de candengue da Luua)

Só mesmo nós no catravês do ximbico da Luua…

lua1.jpeg Tu mereces TOTEM..., teres todos na tua volta...! Pessoa Igual sabido neste minha vida de Lellu de bué de salalé..., num conheço pessoa de igualmente igual..., dos teu predicados, que cheira a katinga de África, que a deixa ficar, diz é Amuleto.., de T'Chingange! Tu és espécie de chão de poeira em extinção pelo avanço do alcatrão do Mundele de expropriação de exploração..., dos mano dos licenciado.

Alembamento kiavuluvulu cumbu!!! Tu és pessoa do fantástico..., que N' Zambi na tua koka bem Sabe o que as tuas fala, fala mesmo, que são as fala de ÁFRICA, que bué acredito que também te protege, que quando tem O Cambotermo te quer fazer mal, Ele bota Grito de protecção..., num precisa não, desse tocos dos musculus de elevação nos ramos do Imbondeiro...! Sim, te protege, desde esses tempo dos Pés Descalço, que avilo Kandengue coleccionava na sombra da Mulemba, santinhos e beijava crucifico de verdade...!!! Uaué!

lua7.jpg Tambula conta! Ele ficava do mais O Mufulame yê!!! Amam'ééé! O que tu divulgas nas tua malamba no teu jeito único de Rio Grande de nado de teu MUXIMA e igual ao meu..., que bué mazé é abraço.., .e, é laço de capim do nosso kuuaba Rio Seco N´denge Yetu, do território sagrado do Poço da Mayanga do Rey..., e de Vata de beija mão.., do kapiango do N`zimbu... úi.

Para comprar lancha de bordão para ir nas Kilumba..., do afamado bairro da kazukuta do Rio Seco..., da Praia do Bispo, Samba, Mussulu, Xicala, Ilha da Cazanga..., também dos cheiro dos mamilo da kianda dos baixinho de celha morninha (Baía)..., de bué pirão, torresmo de Jacaré do Panguila, também dos tuqueia mais do t´chissipa..., de Mopane dos Herero, de estufado do peixinho dos mais saboroso de África, os Cacussu..., uau!

arau162.jpg Do Mu Ukulu de lagoa de manos que de único matumbo jeito, os acariciava..,. tratava os mona espelho..., para não os perder, antes nos deixar no bandozinho crescer em liberdade de água do mais saudável, a água do Bengo de então..., nos dizer dos nome cientifico dos Mundele biológico do kalunga..., o tratar no saudável.., pópilas mano!

Num ter nunca o extinção pelo tuji do aspirador..., de não ser levado para as celha de cimento dos moderno criação atoa de jimbolo com os fermento, os glúten, os sacarose, pastilha nos bué rápido crescer engordar barrinha de escamas fraquinhas, barbatanas-guiador, e barbatanas leme..., Ai.iu.é, mesmo…

luua10.jpg Ser feliz fazer os seus filhos na sua kubata de folhas de chá Príncipe do fundão que vai buscar no parar a respiração e trazer na kapanga da barbatana peitoral... PARA TI, QUE MUITO TE ADMIRO E QUE MAIS VIDA EM DIANTE O N´ZAMBI NO SEU OLHADO DO KOIILO TÃO BEM TE PROTEGE!  ZECA2020030123H50 NA MINHA KUBATA

GLOSSÁRIO:

Luua - Luanda (diminutivo em gíria) Mocanda - carta;  Mu Ukulu - Do antigamente; Atu/mutu - pessoas/a; Axiluanda - antigos pescadores de Loanda; Berridavam - fugiam; Dilulu - de sabor amargo; Kalunga - mar; Kapiango – roubo; Kianda - sereia; Kituku - mistério; Kúkia – sol (nascente); N´dandu – parente; N´dongu - canoa; N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Malembelembe - muito devagar, com cautela; Trumunu - jogo de bola de trapos; Undenge ami um moamba - minha infância de moamba; Uuabuama - maravilhoso Kuatiça o ngoma! – Toquem os tambores… Totem - monumento; Lellu – de cigano; katinga- suor, transpiração; Mundele, T´Chindele – branco; tuji – merda, excremento; Alembamento – casamento; kiavuluvulu – muito, por demais; ávilo – amigo;  Kandengue – jovem, rapaz, pivete; Uaué!- Admiração; Tambula – atenção, ficar atento; Mufulame yê!!! Amam'ééé! – coisas do catolotolo; kuuaba – adorável; capiango - roubo; N`zimbu – Buzio, dinheiro; Vata – chefe, grande m´fumo; Kilunda – lugar; Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, mentiroso, faz manigância; kianda – Sereia; jimbolo – bolo com farinha de mandioca; Kubata – casa de taipa; Kapanga –protecção; Koilo - Céu



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:33
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Quinta-feira, 19 de Março de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLII

A mente humana é demasiado periclitante… Crónica nº 3006

- Não vale a pena morrer de véspera… – 18.03.2020

Por

tonito16.jpg T´Chingange - (Otchingandji) No Nordeste brasileiro

fuga1.jpg Recordando-me quarenta e cinco anos atrás com uma pequena mala na mão com os meus documentos pessoais, alguns escudos angolanos, dinheiro de tugi mais a guia passada pela comissão organizadora de repatriação, uns quantos calções de zuarte, camisas e a família dita nuclear: Mãe, pai e dois filhos na flor da idade. Eramos quatro! Tudo o mais ficou lá nos caixotes que nunca chegaram. Deram-me 5.000$00 de borla, sem quererem receber o dinheiro macaco, angolares que para nada serviram; nem para limpar o fiofó!

Nunca esquecerei os primeiros dias após a chegada ao M´Puto, ano de 1975. Nem as noites, nem os dias seguintes, porque ainda hoje sinto a dormência pela forma fria como fomos recebidos. Tínhamo-nos só a nós, sem saber como seguir em frente - só havia incertezas. Os governantes omitiam-nos e até a própria família do M´Puto nos tratava com indiferença; preferiam andar ao peito com uma tal de Catarina Eufémia, coisa pouca mas, que tocou fundo!

fuga10.jpg Sem aquele calor próprio, inerente sentia-me displicente - ficou-me no corpo e na mente; gente do nosso sangue. Nessa altura não havia terapias de acompanhamento com psicólogos. Os sociólogos comentavam de longe com medo de se tropeçarem nas palavras… Uma Tristeza! E, muitos se foram, feridos, sangrados, percebendo que a estrada não é, nunca foi uma linha recta serena e aberta como pensávamos. Gosto muito das pessoas com quem privo, dos amigos, suponho que tenho muitos, mas isso sou eu a supor.

Neste momento eles, os amigos, encontram-se nas quatro partidas do mundo e detêm na ponta do dedo uma luzinha, quiçá feitos num ET que se assomam à vida e ao coração de cada um na forma digital. Já falei um coxito meus caros, gente do face que nem nunca senti seu bafo a não ser nossas semelhanças de vidas. Senti e sinto! Não excluo ninguém, mas não tenho já espaço e memória, a partir deste meu ximbeco do Nordeste brasileiro, para citar a todos. Não quero nunca é que se desentusiasmem da vida, desconsigam de analisar, sorrindo pela esperança, a sagrada esperança que é a vida.

Fiz batota, botei pontos e baralhei-me na sagrada esperança! É difícil entender esta gente inteligente e num mesmo dum ái, nem sei se tudo é sagrado e se há esperança. A Bolsa desaba... O Dólar sobe... Retalhista esperto, ganha...Chinocas mente rindo. Minoritário bobinho perde... Coronavírus deita e rola na carona (boleia…) ... A cada dia infecta e mata mais gente. Quem não está em pânico, no mínimo, anda preocupado.

negro3.jpg A economia mundial foi quem primeiro entrou em quarentena. Desconfio que fizeram batota - alguém fez!... Depois nós, quarentamo-nos… Está, estamos contagiados pela incerteza. O Presidente Donald Trump já admitiu que os EUA podem entrar em recessão. The cow is going to the swamp? Parece que sim... E agora? O preocupante para nós dos PALOPS é que o Brasil tal como Portugal entra em um perigoso e inconveniente ritmo de parada, paragem mesmo!

Cancelaram meu vôo da TAP, amanhã é outro dia… Valha-me meu tio Nosso Senhor que tinha olho azul e também era carpinteiro chamado de José Loureiro. Este meu tio fazia pistolas tipo canhângulo e em madeira para brincar com os sobrinhos… Será que os idiotas da elite política e económica não perceberam que o modelo “capimunista” tupiniquim ou tipo Zé do Telhado se esgotou, com ou sem crise de coronavírus?

angola6.jpeg Se as imprescindíveis reformas na estrutura estatal não forem feitas o mais depressa possível, vamos afundar, ainda mais, em um processo autofágico, autodestrutivo. Lá e cá tal como cá e lá, cumcamano! A situação é insustentável. A guerra de todos contra todos é apenas o começo do terror psicossocial. Aqui, Brasil, os deputados e senadores já avisaram que não vão ao plenário diante da ameaça do Coronavírus.

Eles têm o apoio integral – e conveniente de Rodrigo Maia e David Alcolumbre. Merda para isto, andam a brincar com o povo, Noé? Nada mais “conveniente” em um momento de guerra entre Executivo e Legislativo (ou vice-versa). Tudo adequado para parlamentares muito bem remunerados que não queriam trabalhar muito, no qual a prioridade é ficar nas bases, e não em Brasília. Creio que no M´Puto a Assembleia Nacional de Lisboa vai andar balançando-se nos dias com o Presidente baralhado por sua máquina de selfies que já não poder laborar.

guerra1.jpg O mais assustador e intrigante é que os principais “líderes” mundiais não conseguem, até agora, apontar soluções sincronizadas para tantos problemas derivados do chinavírus, mas que, na verdade, são falhas económicas que estavam aí na prateleira, só aguardando alguma tragédia imprevisível para eclodir. Pois desaconteceu acontecendo! Até agora, os governantes e a midia foram excelentes em produzir pânico, histeria e insegurança. Meto num só saco o aqui e o ali – Brasile Portugal mas coma a balança a descair, e muito para o dito primeiro mundo- O M´Puto.

Como se diz aqui, estou de saco cheio do noticiário ao qual sou obrigado a assistir por dever clausto mas, concordo que instruam, que informem, que forneçam água a quem não tem! E, são tantos mas tantos que nem dá para perder a conta…Esqueçam! Escrever sobre esta crise é mais de álcool-gel. As paralisações são péssimas para todos. Até agora, fica claro que o falatório, as “fake news” e o clima de pessimismo com histeria nada resolvem.

guerra13.jpg Vamos ver até que ponto as pessoas aguentarão o esquema de “confinamento” em casa, sem convivência com grupos de amigos. Não pode dar beijo, não pode abraçar, não pode dar aperto de mão... Isto contraria nossas culturas milenares... Ainda não sabemos como, mas é necessário levantar a cabeça e seguir em frente, com ou sem mascara. Não vale a pena morrer de véspera. Optimismo realista, sem babaquice, nunca foi tão necessário... O futuro da medicina está cada vez mais próximo do presente pois no Panamá, já foi criada uma membrana que é capaz de desenvolver tecidos de pele, ossos e cartilagem… Cristo, por favor vem cá abaixo ver isto!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:01
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Terça-feira, 17 de Março de 2020
MUJIMBO . CXIV

MUJIMBO . CXIV

Meditação do T'Ching... Esta é a crónica nº 3005

T´CHIPALABOOK do “caronavirus” e suas implicações…. Nem Só de Pão vive a mulher! - Talaqualmente o homem... 17.03.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

araujo 42.jpg Vivemos hoje sob o permanente assédio da propaganda, algo sem precedentes na história humana. Sua artilharia troveja pesadamente, com força persuasiva. Para além disso dizem-nos o que comprar, usar, comer ou vestir, além de nos dizer o que é prioritário. Uns chatos!

A indústria da propaganda, ponta de lança do consumismo, criou uma lista enorme de necessidades falsas, que as pessoas buscam satisfazer. Exercite dizer NÃO àquilo que não solicitou e à força, lhe querem impingir. Há empresas especialistas neste tipo de marketing - é assim que lhe chamam! Deveria ser mentiring, Noé!?

Agora, teremos de nos cuidar, um chega para lá e pensar em nossas debilidades não respirando ares viciados e mentes desavindas, porque para além destes "ácaros" há os invisíveis "miruins". Miruins, feitos perdigotos que voam sem asas que nos querem roer a vida numa tossidela de um qualquer ou através dum corrimão... Cumprimente-se com o pé vestido de sapato. Se tiver a minha idade, 75 anos, o melhor é ficar em casa e pedir tudo pelo "microondas Android"...

fumo de caricoco.jpg Nada de paranóias mas, não facilite, converse pelo microondas chamado de celular ou tablet, o seu sansung e, ou seu Vodafone, mais essa caixa magica do Android... Por ironia, à medida que buscamos satisfazer as necessidades artificiais, criadas pela propaganda, mais vazios nos tornamos das necessidades reais. Em verdade o perigo da fome materialista é uma realidade...

Pois então, se “não só de pão vive o homem" porquê e para o quê lutará tendo hoje esta coisa ruim chamada de pandemia que sem vacina nos atormenta tanto? Pense! O que é que realmente é importante? De acordo com Cristo, questões espirituais devem ter precedência sobre as de carácter material. Em análise, as coisas materiais, embora várias delas necessárias, não podem satisfazer a alma humana.

A vida é muito mais do que as meras comodidades oferecidas no mercado. As pessoas que amamos e que nos amam são mais importantes do que roupas de grife, carros sofisticados ou móveis novos. Pense agora no sabão macaco! Lavar as mãos e a cara é muito importante, quando sair à rua ao chegar a casa e logo à entrada de casa colocar a sola dos sapatos ou chinelos numa mistura parte em cloro, e 5 partes de água … Use dinheiro em uma bolsa só para isto e ao usar logologo, a seguir, passar gel nas mãos e bolsa… Usar de preferência o cartão

araujo181.jpg Realmente não vale a pena ter aquelas outras coisas se, para obtê-las, sacrificamos o convívio familiar ou aquilo que é realmente essencial. Dê um compasso de espera e espere... Karl Marx, em sua crítica ao cristianismo, afirmou que “a religião é o ópio dos povos”. Estava errado! Necessita ter fé porque para Jesus, a verdade é outra mas, você tem de fazer a sua parte. O materialismo é o grande narcótico que anestesia as pessoas contra a realidade de nossa verdadeira condição, transitoriedade e mortalidade.

O mau uso da mente impede-nos de ver as coisas que realmente têm importância final. Em última análise, em nossa ânsia pelas coisas, estamos apenas correndo atrás do vento. De todo o modo lembre-se: no Universo, nos somos só uma imagem... O materialismo condiciona as pessoas a ver a vida presas dentro dos limitados horizontes da pequena concha em que se vivem, incapazes de perceber qualquer coisa acima desse nível.

araujo187.jpg Por desejarem sempre mais, tal insatisfação faz delas, pobres. Tudo o que o materialismo consegue é alimentar a espiral do desejo de aquisição, que é insaciável. Agostinho estava correto ao afirmar o seguinte: “Quem tem Deus tem tudo; quem não tem Deus não tem nada". Vale a pena acreditar neste sossego... Embora Este Deus na natureza, no seu todo não seja tudo! Você tem de colaborar. Reflicta nisto em sua luta pela vida sem se abandonar e, sem medos, faça a sua parte - cuidem-se porque o que tiver de acontecer, vai suceder... Que a Boa mão do TEU Senhor esteja contigo, bom dia! Boa Semana...

O Soba T'Chingange...



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:53
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BOOKTIQUE DO LIVRO . XXXIII

Agora que estou de range rede, sabe!

De caronavirus com Pitu, ciriguela na goela 17.03.2020

15.III – GINGA – Rainha de Angola de Manuel Ricardo Miranda 2ª de várias partes

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

GALO0.jpgÚltimos 3 Livros em cima da mesa da cabeceira, o criado mudo.

12 - O PADRE CÍCERO - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

14.II – GRANDE SERTÃO: VEREDAS – de João Guimarães Rosa

booktique14.jpg Em tempo de antigas cinzas, N´Zinga crescia. Com dez anos já subia de fraga em fraga em terras que ficaram místicas por sua causa – Terras de Pungo Andongo. Pois naquele ano de 1583 ela corria por carreiros estreitos entre as espaldas de penedias de granito com depressões de argila. Argila que no decorrer do tempo virava pedra. Assim saltando de pedra em pedra legou-nos suas marcas, pé de gente que a lenda da ficção tomou como legado de N´Gola. Um acervo que por lá, ainda se encontra como se fora um carimbo mwangolé das terras, reinos de N´Dongo do N´Kongo da Matamba.

Aquelas pegadas até que poderiam ser as minhas se, por ali tivesse andado descalço naquele tempo. Meus sentidos apurados nas depressões daqueles lajedos, acreditam que assim foi! Ela, N´Zinga cabriolando juventude, envolveu-me na ideia de que num certo talvez de “já estive aqui numa outra gestação”. E, assim peneirado na soma dos tempos, me fui tornando espírito pintado na exclusividade penetrada nos sonhos, das interrogações esvoaçantes.

araujo158.jpg Naquele um dia de três luas de muitas estrelas, alguns guardas reais filhos de Macotas Kilombolas, aprendiam de condição e obrigação aos desejos da rainha de muitos encantos de uma inesperada trepadeira mundondo. Trepadeira verde que num rápido envolvimento de crescimento, fazia e fez de si natureza, umas muralhas, uma fortaleza que enrijou na secura de trezentos e setenta e quatro anos. Bem na base, lá estará também uma outra marca de pé chispada nessa lama ressequida, um pé de t´chingange, a minha, a provar que num finalmente, não era tal fortaleza, assim tão inexpugnável.

Assim rodeando rachas com n´bondos a espreitar estes que foram trezentos e setenta e quatro anos, após ter ido a Massangano, senti tudo o que podia imaginar assim sentado, sentindo o mataco quente do lajedo aquecido pela kúkia num poispois de que assim tudo o teria sido. Elas, as pedras, introduziam-me a curiosidade de observar aquelas pequenas aves roliças ligeiramente acastanhadas que entre elas saltitavam na amostragem dos caminhos. Agora sim que vejo a N´Zinga M´Bandi N´Gola apontando lá do alto esse pássaro feito galinha a que chamava de “sanji” e que cantava ”estou fraca, estou fraca”… A galinha de Angola a que chamámos agora, de capota.

booktique25.jpg Entretanto N´Gola Kiluanji acomodara-se em Cabassa, bem no interior de seu reino. Resistir ao avanço dos portugueses era tudo quanto poderia fazer, utilizando os meios disponíveis ao alcance de seus monangambas para emboscar os invasores, os contratadores de escravos. Aos ambaquistas, pretos calçados, auxiliares que ajudavam os tugas, quando apanhados eram mortos de imediato sem piedade, coisa de nome que ainda nem sabiam o que e como era – piedade!? Isso! Aquela primeira guerra de kwata-kwata, era tarefa difícil porque os portugueses estavam melhor organizados e também tinham canhãngulos potentes.

O Rei Kiluanji aguardava uma embaixada do povo Libolo, que vinha das terras a sul do rio Kwanza; era um povo de origem bantu com dialecto próprio, amigos prontos a lutar do lado desta tribo de Cabassa. Estes, ao chegarem ao povoado, largaram num canto suas imbambas destacando-se da caravana dois musculosos jovens que com submissão protocolar se dirigiram ao Rei. Um deles, o Kanjila com voz firme falou: Estamos perante vós felizes por vos ajudar. Somos filhos de Ganzula, senhor do Libolo e, um grande amigo vosso.

cazumbi02.jpg Os Libolos, um grupo de trinta, eram altos, musculados, cabelos encarapinhados e feições de compostura negróide. Esse jovem na forma expedita de embaixador foi dizendo: Os tempos que correm não são os mais favoráveis para os nossos povos mas, os vossos inimigos, serão também os nossos; não nos deixaremos oprimir. Estamos aqui para não só fortalecer nossa amizade como dar lutas sem tréguas ao inimigo comum, os Tugas! Dito isto lançou um grito de guerra “kwata-kwata” que todos repetiram de forma enérgica.

 

Rebeubeu com pardais ao ninho, esta descrição é uma forma erudita de supor duma forma optimizada o que teria sido naquele então mas, o mais certo foi todos ficarem aos pulos que nem uns tontons zulus, bebendo marufo e cat´chipemba até perderem o tino. A disciplina não tinha contornos de gente formada na luta e, o mais certo era os portuguese aprisionarem uma grande quantidade de homens e mulheres, arrebatá-los como peças escravas e entalá-los numa cave bafienta como porcos, até chegarem à costa do Brasil.

busq2.jpg Ficarem uns quantos dias na engorda em uma ilha litorânea e, depois serem exibidos para venda nos pelourinhos da Baia de Salvador ou em Olinda de Pernambuco. Nestes actos N´Zinga recolhia ensinamentos para dar comportamento de maior dignidade a seu povo num futuro próximo. Sentada num banco forrado com uma pele solta de leopardo não tirava os olhos daquele candengue Libolo que falou com seu pai. N´Zinga que já era moça espigada e, como todas as mulheres de instinto, procurava ler no fundo dos olhos daquele macho, magnetizada e até confusa. Florescia nela uma paixão ardente…

Para os Libolos os portugueses, seus adversários, eram os mais temidos mas, para além destes havia os jagas do interior, principalmente os de Kassange que de vez em quando faziam surtidas nos seus territórios semeando a destruição. Com gritos de guerra de kwa-kuvale aprisionavam muita gente que depois vendiam como escravos ou segundo relatos, comiam os mortos em combate e os mais velhos. Enquanto as mulheres faziam lavra, estes matumbos antropofgos, só pensavam em matar o vizinho. Pouco a pouco N´Zinga foi verificando isto e em lições com o Kimbanda doutor Kalandula, ia recolhendo valores de servidão ao futuro.

(Continua… Ginga IV…)

O Soba T´Chingange     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:48
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Domingo, 15 de Março de 2020
MISSOSSO . XLIV
EU E O FALA KALADO – PETROLINA . PE
NA ILHA DA FANTASIA 11ª de Várias Partes15.03.2020
Por

soba002.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)

FK04.jpg Como já foi dito, tive um encontro com Fala Kalado no meio de um grande vinhedo no território da Baía e, não muito longe de Juazeiro do São Francisco. Comi a melhor muqueca de que me lembre e do que perguntei, fiquei a saber que para além de peixe do rio Velho Chico chamado de surubi, tinha pitu, um camarão também do rio, delicioso. O molho era feito de óleo de dendém e admirei-me de em nosso repasto íntimo de recolhido, bebermos uma cerveja caseira ao invés de bebermos o vinho da casa Miolo de tão boa qualidade.

Não estava aqui para fazer muitas perguntas mas e em função dos meus reticentes muxoxos, F K foi dizendo que também está experimentando lançar esta cerveja na região. Não se admirem de eu manter reticentes silêncios com o agora General Emérito FK porque ele, tem o condão de só por si, descobrir nossas interrogações muito orvalhadas de recatado medo. Se bem se lembram, lá na Ilha de Carlitos situada no meio da Lagoa Mundaú, não longe do mar, fomos atendidos por um garçon muito finório, usando terno e laçarote chamado de Patrinichi, esse tal empregado de origem kosovar.

FK01.jpg Pois desta feita reparei que esta figura passava por ali na azáfama de provas e, atenção de mesuras distantes com o General - deu-me um Ói simplesmente; num instante tirei ilações: de certeza que seria este o feitor desta cerveja deliciosa – eles, Kosovares, lá na sua procedência, no seu país, têm fama de fazer estas bebidas em qualidade superior; em verdade relacionei o nome da cerveja com seu nome, pois a garrafa castanha tinha um rótulo com essa mesma graça - Bento Patrinichi. Tenho de fazer estas triagens e deduzir sem levantar poeiras. FK nem sempre diz o que pensa e nem sempre diz o que sabe usando labirintos de segredos com incógnitas, como um nato sofista. Isso chateia-me sobremaneira e, ele sabendo, pior faz; estando com ele, estou permanentemente em pulgas… Falar com um vivo que já foi morto, não é pera doce!

Fala Calado, o General que antes só o era Coronel, falou de coisas passadas misturando o quotidiano com assunto dos vinhos aqui no Vale de São Francisco, daqueles tempos de N´Gola e assim como quis, lá foi dizendo que essa sua vida antiga só pode ser falada comigo relembrando sua frase: o antigamente, agora só serve para manter meus labirintos do cerebelo suficientemente activos e, tu (eu) que és um bom interlocutor tens de suportar estas longas conversas. Para além dos vinhos falou dum empreendimento de viveiro de peixes, de rãs, de borboletas, de carcarás, de caracóis e até de crocodilos…

FK18.jpg Numa primeira curiosidade o vinho sobrepunha-se ao resto do que já me tinha sido dito, e foi neste capítulo que me deu algumas pistas tendo a ajuda de Rogério Rocha Pereira, um empresário de sucesso do Rio Velho Chico. Do que ouvi de Rogério, fiquei encantado porque em seus inícios usaram as barcas Santa Maria, Pinta e Nina, nas suas actividades fluviais; como é sabido foram os três nomes que Cristóvão Colombo usou em suas naus na primeira volta ao Mundo. No final de 2017, Rogério inaugurou o mais novo desafio: a Barca Vapor do São Francisco - barco que me levou à tal ilha da Fantasia com o Comandante Bartolomeu com quem dialoguei marinhagem…

Quanto aos vinhos: Recordou-se a Escola do Vinho, um projecto do Grupo Miolo que há mais de 15 anos difunde o hábito e o prazer da degustação de vinhos e espumantes, através de cursos de degustação e programas especiais. O meu “curso” foi rápido e eficiente tendo como mestre o Enólogo Tiago com quem troquei palavras de muito apreço. O projecto nasceu no intuito de promover o consumo e a cultura dos vinhos… A Escola do Vinho está localizada na Vinícola Miolo, em Bento Gonçalves/RS. Aqui em Juazeiro pude apreciar a impecável estrutura na oportunidade de desfrutar da deslumbrante paisagem do Vale dos Vinhedos, enquanto se aprendeu de forma sucinta os mistérios da elaboração e da degustação desta bebida milenar.

FK23.jpg Neste mini curso de manejamento de vinhos e conhecimento de castas, após a visitação completa, o grupo de Rogério da Barca do Vinho foi conduzido a uma sala de degustação moderna e climatizada para descobrir as regiões brasileiras produtoras de vinho e suas particularidades. Sendo assim minha harmonização enogastronômica subiu a outro patamar de conhecimento, entre outros assuntos próprios da azáfama e cultura de vinhos com a supervisão do enólogo da família, Adriano Miolo.

Em verdade estava longe de reconhecer este lugar do Sertão de Juazeiro com características especiais para terem dez castas de vinho (as principais e a laborar…). Dito isto e já bem lançados na beberagem, eu e Fala Kalado ficamos sós, mocambos e kilombolas ambaquences fazendo suas tarefas à distância dum tiro ou talvez até uma azagaia, tendo a supervisão de Bento Patrimichi o fazedor da cerveja tipo kosovo. Era o momento de perguntar: - Afinal FK, chamaste-me aqui para quê? Não foi só para ver isto!

FK28.jpg Em resposta FK disse: - Não! Tenho para ti uma tarefa especial. Necessito de alguém que superintenda as novas frentes de guerra: Gerir a produção de crocodilos, rãs, borboletas e caracóis! Ele sempre fala como estivesse numa frente de guerra, numa batalha e, até nem estranhei – já estava habituado. E, porquê eu, um kota ressequido pelo sol? Porque tu és um Mwangolé preto e, gente tal que só o somos dum espírito único! Mas, eu não ou preto…, Nem tu? Sim! O nosso pensamento sempre anda por lá e, queiramos ou não agora seremos pretos de coração zebra! Falou, tá falado…

A isto nada podia reclamar – notei sua orelha biónica tremer e disse cá para mim que o melhor era ouvir as falas e gerir meu silêncio de forma silenciosamente muda, mesmo! E, continuou: Tu, tal como eu és um Kwacha, já tiveste patente equiparada de Major quando foste Secretário das Relações Públicas depois de o teres sido também Secretário de Informação e Propaganda e até seres companheiro do Adalberto Júnior lá no M´Puto como Coordenador, edecetraetal – sei de teus atributos e estou agora como amigo a requerer tua intervenção.

vinhos9.jpg Dizer não, nem pensar! Pois ele estava todo compenetrado em suas crenças e dissesse eu e agora algo de negativo cairia o Carmo e a Trindade! Falei: - Agradeço tua amabilidade mas, tenho de pensar até te dar a resposta de sim em definitivo. As palavras para FK teriam de ser medidas ao milímetro porque, qualquer desvio meu, poderia provocar uma revolução e eu, estava longe de abrir qualquer frente de combate; era sabedor desta psicose de levar a água ao moinho tornando-a suave o quanto baste no tempo. Iremos ver!

Tem mais, disse ele! Aqui ficas com a patente de Tenente-Coronel! Sei o quanto nós ainda não fomos reconhecidos lá na nossa terra mas, também já pouco importa porque aqueles mwangolés, têm muito com que se entreter; dava para entender o quanto ele estava a par da situação de falência económica e moral de N´Gola com governantes formados na ladroagem… Águas passadas - repetiu isto, umas três vezes dando comigo a acenar que sim só com a cabeça (triste…). Não demores a pensar, arranja essa equipa de gente, as kiandas de quem tanto falas, o teu amigo Januário Pieter e quem tu aches capacitado de tocar o negócio… Pois! Tudo ficou por aqui com abertura a outros campos de vida e, que agora, nem dá aqui espaço para se falar do negócio de Guarulhos, da Welwitschia Mirabilis e seus escaravelhos do qual continuo em cacimbo de nevoeiro de fumaça…
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:27
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Sexta-feira, 13 de Março de 2020
KANIMAMBO . LXVIV

O PERIGO É AMARELO...

Kanimambo:  é Obrigado em Moçambique...

XEQUE-MATE - Não me fio nos homens... Sexta Feira 13 .03.2020

soba00.jpgPensem com T'Chingange... No Nordeste brasileiro

Xi0.jpg Nos últimos dias, a China bateu muitos recordes, ganhou absolutamente tudo, US $ 20 bilhões nas primeiras notícias e comprou cerca de 30% das acções de empresas pertencentes ao Ocidente com sede na China. Xi Jinping superou os europeus e os democratas americanos inteligentes.

Ele jogou um jogo "maravilhoso" diante dos olhos do mundo inteiro. Devido à situação em Wuhan, a moeda chinesa começou a declinar, mas o banco central chinês não tomou nenhuma acção para impedir esse colapso.

Xi1.jpg Havia rumores de que a China nem tinha máscaras suficientes para combater o coronavírus. Esses rumores e a declaração de Xi Jinping de que ela está pronta para proteger os residentes de Wuhan ao bloquear as fronteiras levaram a um forte declínio nos preços das acções (44%) na tecnologia chinesa e na indústria química.

Os tubarões financeiros começaram a vender todas as acções chinesas, mas ninguém queria comprá-las e elas foram completamente desvalorizadas. Xi Jinping fez uma "grande jogada" nesse momento, esperando uma semana inteira e sorrindo para as colectivas de imprensa como se nada de especial estivesse a acontecer...

Xi2.jpg E, quando o preço caiu abaixo do limite permitido, ele ordenou a compra de TODAS as acções de europeus e americanos ao mesmo tempo! Então, os "tubarões financeiros" perceberam que haviam sido enganados e falidos. (Tarde piaste!)

Pois! Já era tarde demais, porque todas as acções haviam passado para a China, que naquele momento não apenas facturou US $ 2000 bilhões. Graças à simulação, tornou-se novamente o accionista maioritário de empresas construídas por europeus e americanos.

Xi3.jpg As acções agora pertencem às suas empresas tornando-se proprietários da indústria pesada da qual a UE, a América e o mundo inteiro dependem. A partir de agora, a China fixará o preço e a receita de suas empresas; assim, não sairá das fronteiras chinesas. Permanecerá em casa e manterá todas as reservas de ouro chinesas.

Portanto, os "tubarões financeiros" americanos e europeus foram tomados por estúpidos e em poucos minutos os chineses colectaram a maior parte de suas acções, que agora produzem bilhões de dólares em lucros!

FK04.jpg Eles, aprenderam bem as manigâncias de engenharia financeira do mundo dito ariano. A Europa, com todos esses cérebros financeiros não vislumbraram esta falácia. Com esta moleza de trato vão ajoelhar e rezar - aliás, já estão – estamos rezando!

O mundo está roto! Chove como na rua... Você não se lembra de um movimento  de golpe-baixo e "tão brilhante" na história do mercado de acções!  ... Paga ZÉ -  XEQUE-MATE!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:29
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MOKANDA DO SOBA . CLI

 

A mente humana é demasiado periclitante…

- Melhor mesmo, é ser governado por um POLVO13.03.2020

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange - (Otchingandji) No Nordeste brasileiro

polvo1.jpg A mente humana é muito periclitante por via de sua permanente presença nas coisas que vê e analisa; assim pensando do nada, lembrei-me na muita inteligência que o polvo tem e o quanto nós temos de aprender com eles, no entanto comemo-los. A notícia, divulgada em Abril de 2016, de que um polvo conseguiu escapar do Aquário Nacional da Nova Zelândia surpreendeu muita gente mas, só veio a confirmar o que muitos cientistas já suspeitavam: que essa espécie é uma das mais inteligentes do planeta. Inky, o polvo evadido, aproveitou ter a tampa de seu tanque entreaberta e, durante a noite, conseguiu sair, atravessou uma sala até encontrar um ralo aberto e espremeu-se nele por um cano de 50 metros de extensão até chegar a mar aberto.

Não obstante, nós aprisionamo-lo, cortamo-lo em pedaços pequenos para serem comidos como tapas num tira gosto ou refeição num qualquer lar ou restaurante! E, será uma aberração quase fenómeno se um homem for comido por um polvo, embora na natureza isto se possa considerar normal segundo uma cadeia alimentar formatada em lista e segundo a lógica; não a que os homens estabeleceram como sendo a comum no estágio civilizacional; a que os paradigmas humanos estabelecem.

sardinha2.jpg É assim que formatando-me nesta lógica no meu cerebelo com fumegantes ideias, me pergunto e interrogo do porquê um homem não pode comer outro homem no sentido lato e vernáculo da palavra. Os índios Caetês comeram o primeiro bispo do Brasil em Julho do ano de 1556 e, no churrasco com cerca de mais 80 homens acharam sua carne gostosa! Eu sei! Vocês não querem acreditar mas, ainda hoje a Santa Sé, cobra taxa de laudémio na região aonde o bispo Sardinha foi devorado - antiga capitânia de Pernambuco – Coruripe; na foz do rio São Francisco. Isto pode ser confirmado na Folha de S. Paulo (Consultado em 6 de Junho de 2018).

Até que era no prelado dos portugueses um sacerdote consagrado a Deus, mas o certo é o de que foi abatido e devorado como uma outra qualquer sardinha ou maça, junto de seus companheiros e tripulantes por via de um naufrágio. E, afinal o mundo não parou! Dom Pero Fernandes Sardinha foi sucedido na Sé Primacial do Brasil por Dom Pedro Leitão (1519-1573). E, só em 1928, Oswald de Andrade se utilizou do episódio para datar o Manifesto Antropofágico. Estas curiosidades levam-nos a rever os muitos comportamentos já observados nos polvos e dizer sem duvida que são muito mais espertos do que pensamos.

coroa de frade.jpg Por exemplo, observou-se que um polvo-comum (Octopus vulgaris) caça caranguejos levando-os para sua toca afim de os comer. Antes da refeição, no entanto, o animal catou algumas pedras para criar uma espécie de barreira e impedir que as presas fugissem. Estes e outros exemplos mostram que o polvo tem a capacidade de fazer previsões e de sequenciar acções. Em 2009, Julian Finn e seus colegas do Museu Victoria, em Melbourne, na Austrália, conseguiram demonstrar que polvos sabem usar objectos como ferramentas.

Um grupo de polvos-venosos (Amphioctopus marginatus) desenterra cascas de coco jogadas no mar e, em seguida, limpa-as com jactos de água; empilham cuidadosamente as cascas e carregavam-nas por até 20 metros para as usar para montar um abrigo. Finn chamou a atenção para o facto de essa movimentação deixar o animal mais vulnerável a predadores, por ser mais lenta e dispendiosa. "Isso mostra que o polvo está disposto a aceitar riscos em troca de protecção para o seu futuro". Não é deslumbrante!?

DIA107.jpg Pois! Isto é um mito de horrível e deslumbrante! Mas os Romanos que nos serviram de padrão em nossa civilização, que nos legaram as leis de justiça entre outras regras que perduram nos dias de hoje, faziam grandes festas no Coliseu para verem não só os escravos gladiadores lutarem até à morte, como e em seguida faziam subir em elevadores os leões, para correr atrás de grupos de cristãos, seguidores de Cristo; tudo isto para gaudio de toda aquela assistência bêbada de êxtase que aplaudiam essa tamanha atrocidade, gente igual a nós.

Quanto ao polvo, em um estudo subsequente, encontraram indícios de que transmite traços de sua personalidade à cria. "Essas variações de personalidade permitem que o animal aprenda e se adapte rapidamente". Também são muito bons em resolver problemas, pois têm diversas estratégias para atingir o mesmo objectivo, e utilizam primeiro a que for mais fácil, diz o pesquisador Mather. As diferenças entre o polvo e o homem são ainda mais fascinantes do que as semelhanças. Mais da metade dos 500 milhões de neurónios do animal concentram-se em seus tentáculos. Isso significa que cada um deles pode agir sozinho ou em coordenação com os demais. Nós não temos cérebro nos pés, eles sim! E, enquanto o cérebro humano é visto como um controlador central, a inteligência do polvo pode estar distribuída em uma rede de neurónios, um pouco como a internet. Isto nos obrigar a enxergar a essência da inteligência de uma maneira totalmente nova. Não mais comerei POLVO.

pedras00.jpg Quanto ao Coliseu dos Romano vemos Leões a descarnar literalmente, braços e penas de gente como nós, mulheres, homens e crianças e, aquilo era aplaudindo de pé. Não! Não acredito nos homens nem em suas leis! Hoje há novos Neros! Hoje há novos Hitleres. Eles andam por ai disfarçados de cinco estrelas mas são merda cursada em universidades, pagos por nós e que engravatados/as, falam bonito. O mundo tem de reagir a esta onda de gangues que se dizem partidos e que nos governam. E, governam porque nós os pusemos lá! Dá raiva, muita raiva e, creio que para isto só a pena de morte para os prevaricadores, poderá de novo dar tranquilidade aos de boa índole…

Acabe-se com esta hipocrisia de escalonarem o crime em função dos emolumentos que pagam a advogados urubus da sociedade, que fazem soltar criminosos reincidentes sabendo que o são! Que protegem ladrões para tirarem dividendos do saque. Daí a dizer e repetir que a vida está cada vez mais, mais perigosa. Eliminem todos os sofismas porque tão ruim é o que rouba ou mata como o que lhe dá cobertura de protecção! Sim, somos todos culpados porque tão ruim é quem faz como quem consente! Não podemos desculparmo-nos permanentemente como se andássemos a ser reconstruidos em cada dia que passa. Por tudo o dito, prefiro reger-me pelos dez mandamentos – são muito mais credíveis.

coliseu1.jpg Posso imaginar o que diriam os comentadores da treta da televisão do M´Puto de hoje, num tempo de lá para trás, no assistir àquelas ditas mortes no Coliseu de Roma! Uma diversão macabra, a de então e a de agora, mais sofisticada… E, ainda por ressalva, comentadores que não servem de exemplo a ninguém porque eles mesmos são prevaricadores e, a gente sabe. Senhores do mando, tenham juízo, cuidado como nos usam, deixem-se de artimanhas e falácias. Casos!? Todos sabem, muitos calam, outos dizem: isso não é comigo. Um edecéteras e tal, que nos faz moerem a paciência. Arranjem um vírus para esta gente mafiosa até o cocuruto. Chega! Esta merda tem mesmo de mudar! Se o que vejo é democracia, vou ali a Peniche e já volto…

O Soba T´Chingange            



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:59
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Terça-feira, 10 de Março de 2020
MISSOSSO . XLIII

EU E O FALA KALADO – PETROLINA . PE

NA ILHA DA FANTASIA10ª de Várias Partes10.03.2020

Por

soba0.jpeg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)

pedras001.jpg Devem recordar-se do telefonema misterioso do General (que por vezes só é chamado de Coronel, coisa que não gosta…) a convidar-me para ir a Petrolina de Pernambuco; pois bem isto já aconteceu - exactamente no recente dia da graça de 08 de Março de 2020. Recordo aqui como foi o caso na voz de FK – Fala Kalado. Nessa data especial composta de quatro dois e quatro zeros (02.02.2020), tinha de acontecer o inesperado e, sucedeu que meu celular telemóvel no exacto momento de sair para a praia, tiniu e retiniu esguichado de som.

E, falou: - Pois então, é pra te convidar a um encontro, não aqui em Garanhuns, por ora, mas em Petrolina, um lugar a montante da barragem do Sobradinho, no Rio São Francisco no Velho Chico! Eu sei, disse. E, porquê aí? Porque assim tem de ser; só vais ter de ir até à cidade de Marechal Deodoro para embarcares com meu velho amigo Kelerico o Tecelão. Falou na data e de como seria, assim e assado. Tudo por minha conta, referiu (o tanas, nada de fiar…). Que mais poderia fazer a uma quase ordem na forma enganosa de convite.

araujo164.jpg Pois então, ajustei-me com Ricardo Keller, o Tecelão na via WhatsApp; Ricardo com aspecto de alemão, alto e louro de cabelo pró branco pela idade, cursou de licenciamento na Suíça e, tudo nos trinques, no pago eu pagas tu, na mira de tudo recebermos do Coronel que agora só quer ser de General, lá fomos na beirada do São Francisco num percurso de mais de oitocentos quilómetros, pista boa mas muito cheia de cabras atravessando, também burros e cavalos.

FK03.jpg Só faltou ver aquele tal de padre com seus petrechos, escapulário e cruz na imagem da igreja, seguindo passo lento ao som da bandinha de música como se todos o fossem de uma nação Maracatu…Dia 08 de Março 2020 – Neste dia FK ficou invisível... Quersedizer, não quis ser mostrado em nenhuma foto; lá terá suas muitas razões para andar com uns óculos relampejando cores fosfóricas como aquele cantor Tuga portuense Pedro Abrunhosa!

FK08.jpg E, eu não sou louco para contrariar sua vontade e, logologo na ilha da Fantasia no meio do Rio Chico entre Petrolina de Pernambuco e Juazeiro da Baia... Claro que isto tem muito de verídico porque é uma estória vivida na Fricção rebolada e elaborada na areia feita ouro daquela ilha que nem sempre o é. Quando a água sobe a ilha fica só água com a kalunga das lagoas geminando sapos às ordens de kiandas...

A vida é uma experiência feliz. Sabemos que, às vezes, o céu de nossa existência escurece, e nos deparamos com dificuldades insolúveis, sendo tentados a duvidar. Nesta Fricção de quase tudo ser meia mentira ou se o quiserem, meia verdadeira. Eu estive lá noé!?... FK não quer ser visto, nem com óculos psicadélicos... Já estive com ele! O General emérito! Foi uma grande alegria na companhia de uma moqueca de surubim com camarão em molho de dendém...

FK01.jpg Aonde podemos encontrar respostas para nossas indagações, quando temos a sensação de que nossas inventações não podem passar sem levar um crivo de realeza? Quando parece não haver solução, a saída é esperar na companhia dum frisante branco, miolo Sauvignon Almadén com o espírito de São Francisco... De um vale com muitas uvas, várias castas e com duas safras anuais - explicarei mais tarde; agora não tenho tempo!

Isto significa ter paciência com o matumbola de um passado alternado entre ser vivo ou morto com um presente que nos aguarda no futuro; uma fantasia de fazer por nós o bem que nos falhou no passado! Misteriosamente FK disse que Deus tem um plano para cada um de nós a ajudar-nos a esperar no que vier! É assim, vamos numa de ou mato ou morro! Já experimentei isso e fugi pró mato. Este fulano do FK neste plano, pode ser - acho que é um meio às provações, ele quer ser quase um deus tornando-nos instrumentos para passar à estória na glória.

FK06.jpg Vou ter de descrever isto com algo de novidade, Noé!? Fala Kalado, afinal tem um império que eu desconhecia! Tem muitos hectares de várias castas de uvas. Tudo alinhavado em quarteirões, num lado é Outono e noutro é Primavera; o Grenache com Syrah mais o Mourvèdre que faz um vinho 5 estrelas - tinto seco e, o frisante Verdejo… Surpreendeu-me! Eu vinha ao encontro desse cacto da Welwitschia Mirabilis e esse tal de escaravelho e deparei com outras coisas; milagres de gota-a-gota, uvas verdes com outras ao lado prontas a deglutir num deserto designado de Sertão com caatinga e carcarás... Isto é quase um milagre! Assim como um juvenescimento inclinado de abelhudice.

FK11.jpg De facto, isto aconteceu como um milagre, um vive num descuido prosseguido. Talvez por isso ele, o FK, tenha referido José que nunca imaginou governar o Egipto. Sua jornada de provações o levou a esse posto para saciar minha (e, dele) sede de conhecer alguns fenómenos do mundo - num Sertão, agreste também, plantar uvas que dão bom vinho... Mas, FK, não pode passar à frente de Deus, nem atropelar seu caminho, nem que o fora Coronel ou General; mas, o certo é que, o que vi aqui, é uma concessão de bênção estranha graças ao rio Velho Chico (penso eu!?)... Em verdade o General Fala Kalado disse e, eu ouvi: O Senhor dá mais do que pedimos ou pensamos. Ainda estou a matutar nisto! Até que pensava que ele era um ateu…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:31
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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXXII
Agora que estou de range rede, sabe! Pitu, ciriguela na goela - é ela, é ela…25.02.2020
15.II – GINGA – Rainha de Angola de Manuel Ricardo Miranda1ª de 2 Partes

soba15.jpg T´Chingange - No Carnaval do Nordeste brasileiro

Últimos 3 Livros em cima da mesa da cabeceira, o criado mudo.

12 - O PADRE CÍCERO - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...
13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho
14.II – GRANDE SERTÃO: VEREDAS – de João Guimarães Rosa

n´zinga.jpg Pitu, ciriguela na muela - é ela, é ela! E, era em cantoria que o povo da CAPOTA DA KUKIA cantava repetidamente. Já tinha passado na avenida da Pajuçara o Galo e o Pinto da madrugada – agora era a Capota da Madrugada a recordar um lugar muito antigo recordando a festa da massemba, uma umbigada de um carnaval que o tempo fez mudar. Era um lugar ainda por conhecer chamado de Cabassa. Aonde? Angola pois então!

E, foi no ano de 1589, exactamente oito anos depois do nascimento da Rainha N´Zinga e seis depois do nascimento de sua irmã Cambu. E, foi nesse ano de 1581que Filipe II de Espanha foi reconhecido pelas Cortes de Tomar como o primeiro de Portugal. N´Gola Kiluanji é Rei dos M´Bundos no território de N´Dongo e Matamba. Pois é aqui que nasce N´Zinga M´Bandi N´Gola, filha desse Kiluanji.

PAPAL4.jpg Já esquecidos de tudo isto por via desta singularidade entrapada nas falas e distância temporal, todos pulam ou dão dois para a esquerda e dois para a direita arrebitando o mataco tal como é de lei a recordar os orixás na senda umbanda com urubanda do mundos perdidos e, para lá do iemanjá - kalungas dos tempos perdidos. Pitu, ciriguela na muela - é ela é ela! A bateria composta de mais que muitos tambores, repica sem freios num agora feito antes.

Há um ano atrás, 1588, a armada de Filipe, o espanhol, é derrotado com sua armada invencível e, com ela toda a Marinha Portuguesa numa perda total. Foram-se assim as kalungas deixando Portugal nas lonas nessa distância de já quase com 432 anos. Uma crise de Valhamo-nos Nossa Senhora da Ajuda! A multidão concentrava-se junto à onganda, cubata grande real a redor do grande embondeiro cobrindo parte do recinto, como se fosse um imenso chapéu.

kissan6.jpg Junto ao tronco, que teria um diâmetro de muitos metros, destacavam-se grosas raízes que mergulhavam no solo assemelhando-se a colunas de uma autêntica catedral. Tinha sido montada um estrado, sobre o qual se erguia um imponente cadeirão de madeira dourada, forrada com ricos panos de seda carmesim. De ambos os lados, estavam colocados na vertical dois enormes dentes de elefante. O chão estava atapetado com peles de leopardo. Era noite.

carn1.jpg Notavam-se já sinais de impaciência nos presentes, ansiosos pelo início da cerimónia para o qual tinham sido convidados. Naquele então isto era representado agora em um carro alegórico alto como aquele imbondeiro e, os negros eram retintamente pretos parecendo pintura. Em dado momento ouviram-se os sons peculiares de marimbas e tambores, e um pequeno cortejo rompeu pela multidão em direcção ao palanque.

À frente, vários guardas armados, alguns munidos de archotes fumegantes abriam caminho, logo seguidos de N´Gola Kiluanji, rei dos ambundos. Em passos lentos e ritmados o rei avançava rodeado pelos seus macotas curandeiros e quimbandas, dirigindo-se para o seu trono. Kiluanji estava coberto com um manto, inteiramente bordado com contas de vidros coloridos, brilhando à luz dos archotes em miríades de cintilantes prateados.

carn2.jpg Uma pele de naja enrolada à cintura e vários colares de dentes de leão adornavam-lhe o peito. Finalmente, uma bengala de ouro maciço conferia-lhe a dignidade da sua autoridade. Um pouco trás do rei e deitada numa liteira, uma criança era transportada por escravos num estado que faria supor adormecida. A seu lado, como que protegendo-a, destacava-se uma figura bizarra. Parecia ser muito velha e magra. As peles pendiam-lhe em pregas sobre os ossos, porém movia-se com agilidade, braços e pernas rijas e finas.

Vestia somente um reduzido saiote de pano e usava o cabelo em canudos empastados de barro colorido. Vários sacos com amuletos e pequenas cabaças a tiracolo completavam a indumentária. Chegados ao local, Kiluanji sentou-se no cadeirão, e a seus pés, rodeados pelos familiares mais próximos, depositaram a criança totalmente nua sobre uma manta. Kiluanji interrogava-se sobre os resultados do cerimonial.

carn3.jpg Já não era a primeira vez que a intervenção dos espíritos se fazia sentir sobre sua filha primogénita. Com várias mulheres e muitos filhos, Kiluanji nutria pela filha uma especial afecção. Apesar da sua pouca idade, oito ou nove anos, N´Zinga tinha já um porte altivo de princesa, pouco dada às tropelias dos garotos. Era ágil, decidida e destemida. 432 anos depois, revivíamos uma estória nunca contada. Hoje em dia, eu, T´Chingange, nem me queixo de nenhuma coisa para não tirar sombras dos buracos que relembro. E, dessa, mesmas sombras, o que tenho é só medo de cagufa! Já que minha vida não deixa benfeitorias vamos gozar o carnaval, dizia-me a mim mesmo…

(Continua…)
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:34
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Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CV

TEMPO DE CINZAS – MEDITAÇÕES

- M´Puto - kambada de hipócritas  - 19.02.2020

- As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local: - Nus, ateus e brancos…

As escolhas do T´Ching

Por

soba k.jpg José Pedro

A revolta dos porcos... Qual constituição? Por acaso o senhor papagaio Sousa e a serpente encantadora Costa têm conhecimento de uma fábrica em Gaia que poderá colocar 100 trabalhadores no desemprego? Racismo?

Chamar filho da puta, foste criado aqui numa linguagem típica e característica do "bom" futebol?... Bom, porque é que estes canalhas nunca se insurgiram da má educação que passam nos programas desportivos das TV´s em que só falam de futebol?...

balba2.jpg A clareza da constituição é assim tão clara que só se consegue ver o preto? Aonde ficam todos os outros que com o suor do seu trabalho mantém estes senhores hipócritas pomposamente em lugares de destaque com direito a palavra para falarem do que não sabem... A linguagem usada e dirigida a MAREGA, não são mais nem menos do que o normal no futebol, aqui ou na cochinchina.

Como é que tantos idiotas "brancos" seguem cegamente um Indiano, uma negra Ministra da justiça num País que suponho seja maioritariamente "branco", onde está o racismo?

fuga1.jpgEstes merdas hipócritas, estúpidos idiotas preocupados com a imagem e não com um povo que os sustenta, tem ideia de quantos destes trabalhadores são humilhados diariamente para ganhar 500 euros e não abandonam os seus empregos porque são honestos e tem família para sustentar?... Tenham vergonha e que os Milhões do MAREGAS não vos segurem politicamente...

fuga8.jpg Já agora para que fique claro porque da Constituição a clareza só abrange alguns, deixem-me que lhes diga, racismo é trabalhar e ver metade do seu ordenado roubado em impostos, racismo é sair de casa a pé com frio e chuva para ir trabalhar, ser humilhado e ganhar 500 euros por mês, racismo é assistir o MAMADU a insultar os "brancos", a incitar a violência em praças públicas sem que os cobardes que tem o poder actuem...

fuga11.jpg Senhores políticos a dignidade da pessoa humana não pode estar só na visibilidade social mas naqueles que com dignidade trabalham, contam os trocos para sustentar os seus filhos...

Quantos neste País do M´Puto gostariam de receber os "mimos" que MAREGA recebeu e fazer birra depois tomar um banho de imersão numa mansão paga pelos "estúpidos" que ganham 500 euros e depois no seu porches vai pelas ruas do Porto mostrar o que é racismo...

Mu Ukulu06.jpgEntrar em sítios onde para muitos "brancos" apenas é uma miragem... CHEGA e BASTA!  Tenham decência e alguma vergonha quando falam de "RACISMO" cambada de hipócritas! As coisas nem sempre são como tentam fazer crer... As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local: - Nus, ateus e brancos…

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:12
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Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020
MALAMBAS . CCXLIII

MOMENTOS CRITICOS 16.02.2020

- Quando o impensável acontece em nossos domínios?  Um CHEGA, será que chega?... Quando os penumbristas tomam conta de nossas bagunças, lixamo-nos ... Isso! 

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

desenr1.jpg Crises. Quem não as têm? Só mesmo quem está morto. Assim, se você está lendo isto, é sinal de que já enfrentou e enfrenta crises. Para além das pessoas, elas, as crises afectam também os governos, empresas, instituições e a igreja de Roma; em verdade, todas! E, em verdade, o próprio Mundo começou com uma crise – a de Adão e Eva que desobedeceram à única imposição que lhes foi imposta comendo a maçã da tentação, o fruto proibido.

A partir daí, as proibições foram no correr do tempo uma tábua morta levando até o dizermos que as leis são criadas para o serem, descumpridas… E, essas leis, foram sendo cada vez mais descumpridas usando para tal, meios tão sofisticados de interpretação que os antigos detalhes de diversão já prescreveram ou se desusaram; de acórdão em acórdão, de regulamento em regulamento, de leis cada vez mais reguladoras para a gente ver, tudo fazem para fazer espairecer o importante, se sofisticaram para além do plausível e também do conhecimento da maioria de nós, os pacóvios…

dia66.jpg E, de tal forma o são que os processos judiciais formam-se cabalas relinchadoras a exigir especialistas em sua interpretação. Hoje há técnicas e técnicos especialistas para disfuncionar o sistema numa fuga à fiscalidade, lavagem de dinheiros vindos do roubo, da corrupção, da droga e de algo ainda por descortinar. Não é por acaso que existem os paraísos fiscais aonde a trapaça é camuflada dos nossos olhares na segurança de uma impunidade aceite por governos e gangues de governação.

Entidades idealizadas no topo e na terra, compostas por cidadãos proporcionam novas crises originando aos governos posições erradas, agendas erradas e adoptadas em proveito próprio ou até servindo gente no escuro - invisível. Se perguntarmos a um qualquer membro de um partido qual é a pior crise de sua ideologia, as repostas poderão incluir dificuldades financeiras, escassez de liderança ou falta de carisma.

dia95.jpg Isto, inevitavelmente provocará queda no número de membros, gente cada vez mais alheia ou abstencionista e, por estes motivos e outros que não faltam, tudo irá de mal a pior tornando-se em algo inevitável, tipo um Deus nos acuda. Lá no fundo sempre haverá um departamento, uma secretaria, um ministério e por aí, até ao topo da hierarquia trabalhando num submundo do diabo – trabalhando noite e dia para idealizarem suas estranhas invencionices! Sim! Sem o parecerem ser – penumbristas!

E, estas coisas sucedem, chegam até nós nos momentos sempre piores surgindo sempre tradicionalistas de boa cotação a dizer que tudo assim acontece por crise vocacional na politica da fé… Dezenas de comentaristas virão dizer-nos o que teria de ser. É para endoidar gente comum como eu, outros confundirão tudo, lançando-nos em dúvida se o Papa de Roma será mesmo católico?

dia123.jpg Baralham-nos com as adjacências dos escândalos sexuais, roubos, fraudes e outras a nós dirigidas. Nós, “povo de Deus”… Entretanto nem podemos olhar para outros quintais, outros países que nem o nosso porque afinal todos estão conspurcados, alguns surgidos e nutridos nos extremos da fé socialista ou social-democracia. Pois! As crises sempre irrompem quando os governos se seguem por caminhos errados e o povo falha em ser democrata. Por isso, TALVEZ - “Movimentos suficientemente rápidos no momento critico, podem desarmar o insuspeito inimigo”.

No fundo, a questão nem será a existência de crises mas, como o povo as encara. Em palestras motivacionais, virou ser comum dizer-se que os ideogramas chineses para a crise, usarem um tal palavrão de “wein-ji” que significa “perigo ou oportunidade”, se bem que “ji” indica mais propriamente um “ponto crítico” em que as coisas acontecem dum “TALVEZ” ... CHEGA ...ou “oportunidade”.

dia183.jpg Daqui pode dizer-se que para melhor ou pior, grande crises desencadeiam enormes mudanças… TALVEZ!... CHEGA!...Se a dor da crise aqui do M´Puto, não levar a uma fé mais robusta nesta coisa de esconde-esconde, de brincarmos às democracias, a esperança mais forte numa vida de mais qualidade, ela foi, é e continuará a ser: inútil.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:31
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Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXXI
 

Agora que estou de range rede, sabe! Era um era, num era, um preto que sabia o seu lugar sim doutor, sim doutor…

14.II – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa...13.02.2019

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Últimos 3 Livros em cima da mesa da cabeceira - criado mudo.

12 - O PADRE CÍCERO - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

15 – GINGA – Rainha de Angola de Manuel Ricardo Miranda

booktique21.jpg Guimarães Rosa não escreve sobre o sertão – Ele, é o sertão! Estórias de barrancos escritas aos solavancos numa língua inventada por ele. Uma literatura diferente de todas as que já li com inventações, mentiras e verdades numa língua polifónica de linguajar surreal. Não! Nunca li coisa assim! Coisa linda descoberta e inventada numa imperfeita perfeição. Há mais de um mês que leio e releio saboreando os trocadilhos que sublinho e, volto atrás porque nem de patavina eu entendo.

Sublime no arranjo das palavras, elas se encavalitam empolgando meu relinchar no cerebelo. Combinações lindas e, nunca lidas por mim que sou cusca e que também escrevo de atravessadiço. Proporcionando-me um juvenescimento ressarcido dos capinzais agrestes e com uma inclinação forte de abelhudice assim como um vive num prosseguido descuido de deixa para lá entre latas de formicidas, creolinas e até arsénico; tudo envolto em ferramentas roscofes. Assim é!

lagar5.jpg Pois é! Tudo junto e ao molhe na fé de Deus, com enxadas e facões de aço. O dicionário não comporta esta escrita dum sertão em veredas tortuosas como as picadas ladeadas de securas; uma obra literária de tirar o folego, que nos envolve numa nova forma de revolucionária caipirice. Assim enredado entre tantos e compridos caminhos vejo-me sem rumo, sem norte, sem o escambau muito rodeado de edecéteras das veredas.

Se é romance, ainda não apanhei o fio à meada mas como obra-prima deve ser bem de primeiríssimo grau, obra literária que nos parte o coco e nos enreda numa direcção sem rumo. Já perdi o Norte e ainda vou na página sessenta num total de 439 – Quantas vezes terei de voltar atrás; dou-me conta que minha matumbice é por demais de fina estirpe, visse! O narrador é um tal de jagunço chamado de Riobaldo, que tem o diabo no corpo.

lampião27.jpg Entre o bem e o mal das trevas, a força do sofrimento ultrapassa a violência. De chapéus desabados nos avoantes passos a chuva repega descendo o rio Paracatú que nem uma mulola de angola humedecida, caída das nuvens. Às tantas, matam um macaco para matarem a fome que era mais que muita e, nem se dão conta que este dito cujo sujo e peludo não tem rabo. Dão-se conta que é gente, minhanossa! Algo de maldito que só mesmo a penumbra da mente pode alcançar. A jagunçada só soube que era homem quando alguém falou que aquilo não tinha rabo, pode!? Isto, só podia ser mesmo coisas do diabo…

Então e relendo, directamente leio: - E ele umbigava um principio de barriga barriguda, que me criou desejos… Com minha brandura, alegre que eu matava. Mas, as barbaridades que esse delegado fez e aconteceu, o senhor nem tem calo em coração para poder me escutar. Conseguiu de muito homem e mulher chorar sangue, por este simples universozinho nosso aqui. Sertão. O senhor sabe: sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado! E bala é um pedacinhozinho de metal…

lampião13.jpg Hoje em dia, não me queixo nenhuma coisa. Não tiro sombras de buracos. Mas, também, não há jeito de me baixar em remorso. Sim, que só duma coisa. E, dessa, mesma, o que tenho é medo. Enquanto se tem medo, eu acho até que o bom remorso não se pode criar, não é possível. Minha vida não deixa benfeitorias. Mas me confessei com sete padres, acertei sete absolvições. No meio da noite eu acordo e pelejo para rezar.

Seja sem espera, quando já estão meio no mio, aquilo sucrepa: pega a se abalar, ronca, treme escapulindo, feito gema de ovo na frigideira. Ei! Porque, debaixo da crôsta seca, rebole ocultado um semifundo, de brejão engolidor… Poi, em roda dali, João Goanhá, um dos jagunços dispôs que a gente se anoitasse – três golpes de homens – tocaiando. Dos nossos, uns, acolá, deram tiros, por disfarçação. Iscas! Ave, e pronto de repente foi: a casca da terra sacudida, se rachou em cruzes, estalando, em muito metros – balofou…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:45
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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2020
MISSOSSO . XLI

NA BEACH  DO FRANCÊS1ª Parte

No tempo da grafonola… Aqui se chama de vitrola…12.02.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

grafonola1.jpgEstávamos em Março de 2007, dia da Mulher. Para lá do recife via-se o infinito redondo formando uma linha mais azul a tocar os dois fluidos, água e ar; uma jangada de vela triangular ondulava depois da espuma entre o reflexo do sol e o refluxo das ondas espumando brancura nos rochedos escuros de corais  

Às seis da manhã as cores são bem mais azuis e as nuvens mancham o mar de escuras sombras. Os grilos e cigarras da terra, parecem estar numa tensão desmedida zunindo insistentemente nos dois ouvidos, um cão algures uiva. As cadeiras, chapéus e mesas iam surgindo ao longo da língua de areia que crescia conforme a secura da maré na Praia do Francês.

grafonola2.jpg Uma gorda velha furava a areia contorcendo o pau suporte da sombrinha num vai e vem de vice-versa até completar a correcta fundura a fim de suportar na verticalidade o vento persistente que sempre se fazia sentir. Esta mulher, curiosamente tinha uma perna branca e outra preta; coisa a raiar o anormal – não podia ser!

Mas era! Embora fugindo das características habituais, mas era. Entrei na água entonado de curiosidade e fui-me acercando até que pude perfeitamente definir uma prótese, branca e mais fina desajustada na forma estrutural; o sapato também desdizia com o resto e, fiquei até com muita pena e desejando que as suas bóias fossem todas alugadas p´ra suprir carência tão óbvias.

grafonola4.jpg Não restavam agora dúvidas, a senhora não tinha uma perna e sobrevivia alugando inflados pneus de carro e camião mais uma baleia riscada de Moby Dick, dois golfinhos azuis para os pivetes que surgiam pelas mãos de seus progenitores; O negócio assim e deste jeito transparecia; a vida não é fácil mesmo estando num paraíso tropical como este.

Esfregam-se ternuras com próteses para encanto de tantos que se apercebem disso; aquela perna branca e fina era tão parte integrante da senhora que a vi coçar bem junto ao joelho como se um moscardo a tivesse importunado. Como é possível ter tanta familiaridade no apego àquilo que é nosso. É que eu, por vezes também tenho dor de dentes; dentes que só são meus porque os comprei!

AMADEU3.jpg A balsa já tinha contornado o recife, podia ver-se a silhueta do homem ximbicando para norte até às piscinas baixas entre os contornos do recife. Também ele, senhor Moisés, o pescador, estava esfolando a vida de todos os santos dias; tarefa que só ele sabia fazer daquele jeito – pescando frutos do mar no recife.

Já sentado no patamar do “Tarrafas Bar” do meu amigo Carlos de Foz de Iguaçu, acarinhado na sombra dum jango de folhas de coqueiro, com outros mais a rodear o espaço, podia ouvir a cantoria dum sabiá e, não muito distante misturava-se com insistência a cantoria de um bem-te-vi. Estes sons conjugados com os sons do mar eram em verdade, um hino à vida…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:00
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Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2020
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXX

Estou de range rede…! O tempo da Kalunga, ruge…

Em Cabassa de Angola nasceu N´Zinga M´Bandi N´Gola que mais tarde ficou conhecida como Rainha Ginga09.02.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Últimos 3 Livros em cima da mesa da cabeceira - criado mudo.

12 - O PADRE CÍCERO - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

14 – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa editado pela Companhia das Letras

15 – GINGA – Rainha de Angola de Manuel Ricardo Miranda

booktique25.jpg Em Cabassa de Angola nasceu N´Zinga M´Bandi N´Gola que mais tarde ficou conhecida como Rainha Ginga. Foi de 15 para 16 de Janeiro do ano de 2009 que eu e minha cara-metade de nome Ibib, passamos a noite na Residência Camões, uma residencial modesta situada bem perto da Praça também de Camões e, tendo mesmo em frente a Embaixada do Brasil. Ficamos na Rua do Poço dos Negros, Bairro Alto, um lugar em que os escravos de tempos passados levavam em baldes a merda e o mijo dos Nobres de Lisboa.

As barricas de penicadas eram despejadas num poço ou directamente no Rio Tejo. Neste então havia no ar um cheiro constante de bosta com coisas nauseabundas à mistura como gatos e cães mortos e vísceras indiscriminadas. Arrepia até escrever isto mas assim era naquela época medieval da qual saíram pestes negras e de outras indefinidas “cores”. A toponímia local faz-nos lembrar também o mar, a kalunga distante com kiandas, gaivotas e pescadores mas, o sítio será sempre restos de má memória porque assim se caracterizou.

lisboa0.jpg Fala-se na existência de uma carta régia de D. Manuel I, datada de 13 de Novembro de 1515, escrita em Almeirim e dirigida à cidade de Lisboa, sobre a necessidade de ali se depositarem os corpos dos escravos mortos, sobretudo aquando de surtos epidérmicos que diga-se, deveriam ser muitos. Diz a carta que os escravos eram mal sepultados e muitos seriam mesmo lançados na lixeira Cruz da Pedra na actual, Rua Marechal Saldanha que está no Caminho que vai da porta de Santa Catarina para Santos, ou para a praia, onde ficavam à mercê da voracidade dos cães. Posso imaginar a nojeira que era nesse então.

Se falar de Paris daquele tempo talvez tenha uma visão ainda mais aterradora se rebuscarmos nas Tulherias esse então tão revolucionário aonde os cavalos relinchavam entre valas escorrendo negrura para o rio Sena; por este motivo os franceses apuraram cheiros tornando-se os melhores fabricantes de perfumes. Esses tempos medievais eram tão nojentos que o ar era empestado pelas fezes dos muitos cavalos que talvez aos milhares salpicavam o agora Arco do Triunfo ou os Campos Elísios.

lisboa1.jpg Foi no dia seis de Janeiro que obtive o visto de residência no Brasil e, com a assinatura dum tal senhor adjunto do Cônsul de nome M. Novaes que me pareceu muito cheio de nove horas. Nesse então já era proprietário há três anos de uma casa na Praia do Francês. Bom! Mas vamos então à descrição muito parcial do livro do dia e sem maka porque diz um provérbio do Catambor da Luua que em maka de brancos, só os burros se metem! E, assim chegamos aos engenhos de assucar num mês de Agosto, a altura certa da moagem da cana.

A moagem tinha início logo pós o despontar do dia e ia até o pôr-do-sol; durante os três meses de trabalho intenso tudo teria d funcionar como um relógio. Quando algo corria mal, haveria sempre um culpado a apontar! Munidos de foices, catanas ou facões, os homens cortavam a cana e as mulheres amarravam-nas em feixes de doze unidades. Cada escravo era obrigado a cortar diariamente trezentos e sessenta feixes, que as mulheres a seguir, teriam de amarrar.

lisboa4.jpg O sonho da liberdade não se desvanecera, contudo a fuga do engenho só era possível em direcção ao agreste e depois sertão. Kanjila, já por várias vezes vira o que acontecia aos escravos fujões; eles voltavam quase sempre ao engenho, normalmente ao fim de alguns dias, debilitados e até feridos pelas dentadas dos cães de fila que acompanhavam o guardas nas buscas. Vinham carregados de ferros!

eça6.jpg Por último, quando regressavam ao engenho, eram submetidos a castigos no tronco. Eram chicoteados e por vezes ou quase sempre era-lhes aplicado um ferro em brasa na cara gravando-lhes um “F” de fugitivo. Os que não regressavam eram possivelmente capturados pelos índios selvagens e, certamente comidos. Kanjila interrogava-se muitas vezes sobre qual seria a situação do seu reino do outro lado da kalunga.

E, sempre que chegavam novos escravos ao engenho, procurava sabe por eles, notícias da Matamba, do seu Kongo de N´Dongo mas nem sempre com resultados pois que ou eram de Minas, gente do Zaire, ou Muçulmanos e, muito raramente da sua etnia. Assim pensando e metidos num atoleiro apareceu o capataz, um encorpado mulato mazombo que por via deste empate e quebra de rendimento, logo o ameaçou levar ao pelourinho, o tal tronco das calamidades…

lisboa5.jpg Assim e afastando-se o capataz ainda deu para ver seu sorriso maldoso, batendo o chicote no cano alto de sua bota. Naquele engenho era prática em cada qual fazer sua comida, farinha de mandioca, feijão de corda numa mistura de charque trazido das terras do sul, Cisplatina; Pampas aonde havia muitos animais em estado de soltura. Hoje podemos apreciar esta carne na forma de sarapatel ou carne de sol mastigando por vezes gengibre em defesa dos muitos infestantes na forma de parasitas; este costume ficou e, recomenda-se quando se come o tal de sururu (mabangas da lagoa…).

ADENDA DO PROFESSOR  JÚLIO FERROLHO

julio2.jpgGostei muito desta crónica tropical-afro-lusa do nosso Soba mas a questão (do Poço dos Negros) é muito polémica. Interessei-me por esta matéria porque vivi a minha juventude de estudante naquele bairro de Santa Catarina, Bairro Alto, S. BENTO nas décadas de 1960-70. Percorri a pé milhares de vezes nos anos de solteiro e depois de carro a Rua do Poço dos Negros. Há quem afirme que o Poço dos Negros não deve o seu nome ao facto de se atirarem para dentro dele os ditos mortos, mas sim a uns frades. (Devo confessar que não tirei ainda a limpo a Carta Régia de D. Manuel que o António cita). O que é certo é que no séc.XVI, quando Lisboa era assolada por epidemias de peste, sabe-se que o rei D. Manuel mandou abrir valas comuns para recolher cadáveres pestíferos, quer pelo facto das igrejas estarem sobrelotadas, quer para evitar contágios. Sabe-se mesmo que uma dessas valas foi aberta não longe desta zona do atual Poço dos Negros, então área erma na periferia da cidade. Após o concílio de Trento, os dois ramos dos frades beneditinos (patrono mor S. Bento), ordens até então instaladas no mundo rural, começaram a construir conventos dentro das cidades. Os cistercienses, ditos os Brancos dada a cor das suas capas, abriram no convento do Desterro uma "sucursal" da casa-mãe de Alcobaça. Quanto aos cluniacenses, chamados os Negros, por ser dessa cor a sua larga capa, vieram de Tibães e Santo Tirso para a capital. Adquiriram uma enorme propriedade na encosta que hoje chamamos a Estrela, limitada em baixo pelo vale que rapidamente se chamou de São Bento. No princípio da encosta, construíram, a partir de finais do século XVI, um enorme mosteiro, dito de São Bento, que hoje é a Assembleia ds República, que já foi as Cortes e a Assembleia Nacional do estado novo. Como é sabido a zona ocidental de Lisboa foi sempre carenciada de água, pelo menos até D. João V construir o Aqueduto.

kunene.jpgPor isso qualquer nascente era uma bênção. Acontece que os padres Negros, como todos lhes chamavam, dispunham, no limite sul da propriedade, mesmo no vale verdejante, de um poço farto que rapidamente - talvez até para ganhar simpatias - puseram à disposição da vizinhança. Daí, agradecidos, os beneficiários usufruíam a água preciosa que os padres lhes ofereciam, chamando-lhe por isso o Poço dos Padres Negros, ou, para encurtar, o Poço dos Negros. Pela lógica das coisas e dos usos e costumes destas gentes parece-me pouco provável que se atirassem para dentro de um poço com água para beber e cozinhar cadáveres empestados. Acresce que os negros escravos de que se fala eram normalmente batizados pela igreja católica, como era costume e como condição prévia para serem negociados. Não se compreende que se atirassem para poços cadáveres de criaturas crentes de Deus sem os sepultar. Daí a minha convicção de que esses deveriam ser enterrados nas grandes valas comuns que o rei Manuel mandou construir.

J.F.

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:11
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Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2020
MULUNGU . LXIII

TEMPOS CUSPILHADAS

– Passeando correia sem cachorro no reino da perfeição do M´Puto... 05.02.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

chicor4.jpg De longe, tal como ver uma paisagem das do género “vista panorâmica”, posso ver sombras de definir melhor os contornos ao crime organizado, às regras de diluírem as gravidades dos corruptos e corruptores; assim como feridas na natureza na forma de fogos e minas em céu aberto, em um país já manchado pela tradição de impunidade; da implementação de medidas dilatórias como fábricas de dissolver o mal, amenizando-o até se esfumar no tempo e, na forma de prescrição.

De longe dessa paisagem dum país a que chamo de M´Puto, diminutivo até carinhoso de Portugal, posso ver os tropeços das falas “de quem de direito” numa perfeita tradição de clarear o que sempre me pareceu escuro. Neste maravilhoso país do M´Puto, o tempo até parece estar ao lado, mancomunado com os que roubam descaradamente o nosso património assim seja por via bancos, entre outras manigâncias em que a engenharia financeira é mestra de sábia.

CUCO1.jpg Com esse tempo correndo e, de longe, vejo que se vão arranjando leis a eito, jeito e preceito para quase tudo amenizarem ficando no pouco a pouco e, na forma de paulatinamente, tal e tal crime tornar-se em coisa pouca. Coisa de nenhures que se evapora a partir desse fragmentado estado sólido. Alguns há, que passam daquele estado sólido ao sublimado; esfumam-se sem mais nem porquê e, de jeito, numa lei a contento, sublimando-se assim um crime – fácil!

Nós - “a gente precisa garantir que as decisões de magistrados e procuradores sejam isentas ou, sem a contaminação da política partidária ou ideológica”. Que se afastem todas as hipóteses de manipulação. Acho assim, que deve ser criado uma Comissão de Reconciliação com o povo no sentido de lhe restituir a dignidade e fazer-se justiça num tempo que nunca seja prescrito nem dilatado para lá do razoável.

Deste modo e como se verifica, a justiça só irá dar tiros em alvos bem definidos, alvos sem defesa, débeis ou corriqueiros, ninharices; alguns, só o serão para transparecer e, a justificar o injustificável com manobras avançadíssimas em diversão ou dispersão. As leis, os acordos, os regulamentos, as tretas, sempre chegarão até nós despoluídos por purga ao criminoso, se isso o for de conveniência a quem tem o mando, nesses tais conflitos de interesse. E, nós, o comum dos cidadãos ficamos a “ver navios”; um convénio chato. E, nisto de navios o meu berço - “o Niassa” já nem ferrugem o é!

niassa02.jpg Num dia após outro dia, tudo anda na mesma, como a lesma num poço escorregadio - subindo dois e descendo três conceitos (como se isto se pudesse medir aos palmos); nuns casos, os processos são exíguos, noutros referem ser de “mega processos” como se isso só por si fosse razão para ficar numa de deixa para lá num logo se verá…

E, como a justiça é hábil e ágil com os fracos e tão lerdos com os de alto coturno! Óh gente, gentinha, gentalha da nossa terra, morcões que nada fazem para tudo isto mudar - mudar os paradigmas estabelecidos que são tabua morta e só prejudicam nosso aprumo. Que só servem para os arranjinhos e afins duma qualquer geringonça ou aranhonça.  Até me apetece dizer que vós estais acomodados porque andais ainda a ser construídos.

GALO02.jpg Mereceis, porque sedes coniventes! Depois à boca pequena choramingam-se apelando a Deus como se este não tivesse também mancomunado com as sortes; como se Ele não tivesse mais coisas com que se preocupar para além da mega-sena. Neste torpor os juízes sempre irão fazer prevalecer as leis dos seus pares do avental, dos lóbis dos danados Espíritos, do seu poder extremo mais as rebaldarias de um qualquer Sócrates com mais recursos do que o bicho-da-seda, com infindáveis casulos e rolos de fios que se empecilham… 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:13
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Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2020
MUXOXO . LIX

VUZUMUNANDO A VIDA NOS MEUS KITUKUS - T´Ching: 04.02.2020

N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Kitukus - mistérios

Nos mistérios do tempo em que as palavras picavam em mim uma grande gastura mas que só o tempo deu justa noção nesse pensar desconjuntado.

Por

soba15.jpg T´chingange na Mulola Nordestina do Brasil

sertão0.jpg Muito só, dez dias atrás, resolvi abrir uma nova página no FB e… recordando este quatro de Fevereiro… Pois é! Abri uma nova página no Facebook com o nome de Profeta Moisés e, como surpresa imediata, um dos muitos pedidos de amizade vinha de Jesus Cristo. Intrigado fiquei uns dias retendo o pedido enquanto ia recebendo muitas outras, gente nitidamente ligada às coisas litúrgicas, eruditos até às pontas dos cabelos.

Gente de muita religiosidade; uns abraçados a santos, outros acendendo velas botando fumo pró céu, e outros ainda mostrando o Espírito Santo na forma de pomba. Fiquei assim a saber que existem aqui mais igrejas do que hospitais e, nas mais diversas formas a começar na Quadrada-não-sei-das-Quantas…

cão4.jpg Assim, assentando os contrafeitos nos factos com dúvidas na forma de gráfico, ora para cima, ora para baixo, fiquei espantado quase no estupefeito quando surge um novo evento: Era Nosso Senhor, adicionando-me como amigo. Belisquei-me para ter a certeza que ainda estava pela terra e fiquei extremamente cauteloso sem saber ao certo o que dizer!

dia155.jpg Lembrei-me em seguida que tinha mencionado dias antes, algo de que Jesus cansado das trapaceirices humanas quis ir para o pé dele, seu Pai, aos 33 anos. Um contador de estórias faz o tempo passar entre os pingos da chuva ajudando a preencher os buracos do ócio ou da árdua tarefa da existência. Fazendo assim gaifonas com as palavras recria um outro jeito de levar a vida, aliviando as tensões que a sociedade nos impõe.

Só falo isto porque minha família é toda ela santa a começar pelos nomes. Eu explico: Minha avó era Madalena Topeta, meu tio Zé era o Cristo de alcunha e meu tio Tonito o nosso Senhor. Não vem mal ao mundo, mas isto sempre me sofragou entre os desprevenidos; Mas, então vou fazer como se em verdade não sou de meio-dia com orvalhos e, que saiba também não tenho essa fraca natureza.

lampião17.jpg Fazendo assim e assado malabarismo com palavras, componho ramalhetes de flores de falas; coisa nenhuma ou frito mais cozido! Por vezes posso ser levado a sério mas, convém sempre reflectir na mensagem subjacente às entrelinhas das boas farsas. Não! Não há boas farsas! Vejamos: Conforme Deus mandou, Moisés lançou sua vara ao chão e ela se transformou em uma cobra, então Faraó chamou seus feiticeiros, que fizeram o mesmo, porém, a cobra de Moisés engoliu as cobras dos feiticeiros de Faraó – gostei!

Mas isto não convenceu Faraó, que por não acreditar em Moisés, mandou aumentar o castigo sobre o povo de Israel mas, o Faraó perdeu em toda a linha com umas quantas pragas. Sei que Deus falava com os demais profetas por meio de sonhos e visões.

lampião10.jpg Nesse tempo, é lógico, não contactavam por telefone, celular ou email ou nesta ferramenta do Facebook lançada só a 4 de Fevereiro de 2004 por Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin. Sei porque li no livro sagrado de que o encontro de Moisés com Deus foi real e em 3D e, não um encontro indirecto, casual ou virtual mas, neste mundo conturbado de agora, tenho receio que não seja este, o mesmo Deus venerado por bilhões, muitos mais do que os utilizadores do Facebook. Fiquem com Ele…

O Soba T´Chingange

 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:48
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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2020
KALUNGA . VI

MOKANDAS XINGUILADAS

- A DOENÇA DA DEMOCRACIA E A ECONOMIA DA CORRUPÇÃO – 03.02.2020

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais de Nkisi/Mukisi.

Por

soba24.jpg T´Chingange – Desde o Nordeste brasileiro

n´tundo2.jpg Undenge ami mu moamba – já passou! Agora que todos falam, que todos partilham despilfarros dos milhões alheios, gostaria de ter uma conversa com meu amigo General Emérito FK, retirado das manobras de engenharia financeira, nas trocas e baldrocas mais os desvia na forma de roubo capiangado na sua cada vez mais longínqua N´Gola. Falo claro, da já muito badalada Isabel dos Santos a filha do presidente “Edu da ínclita geração”, segundo na linha do tempo e primeiro na forma de roubos qualificados.

Isabel dos Santos a mulher mais rica de África, assim se tornou por mágica de expontânea vontade e a partir do nada. Agora muito cobiçada, dizem e desdizem como se tudo fosse um equívoco de devaneio mas, descrito por ilustres personalidades do M´Puto e não só, como uma odisseia levada a cabo por uma respeitável e inteligente senhora engenheira.

Falas impregnadas de numa pegajosa e conspurcada subalternidade e, com vistas demasiado largas para não se vislumbrar as muitas irregularidades. Tudo muito natural nas habituais práticas de governação em África mas que em Angola tomou foros de um poder nunca visto, imaginado ou mesmo adivinhado. Anseio a presença deste meu amigo General Emérito Fala Kalado pelo facto de também ele ser perito nestas pisadas agrestes…

n´tundo1.jpg Falcatruas iniciadas em candengue num estágio único de saltar hortas para roubar gajajas, sape-sape, maças da índia e goiabas; roubo de formação, um estágio primário em que também participei, diga-se… Em idos tempos de colónia de quando o kumbú era tão por demasiado caro que sempre dizíamos de kitare malé. Isso!

Nesses idos tempos em que nem nunca falávamos em milhões; esse mesmo em que havia brancos e negros trabalhadores morando de vizinhos, carpinteiros, serventes, comerciantes ou funcionários raspando a vida do mesmo jeito: trabalhando! Tempos em que os jornalistas escreviam nos jornais. Jornais que eram até de muita importância, de valia quase vital porque nesse então.

Naquele nosso velho tempo os jornais tinham três funções: leitura, limpeza do fiofó ou para embrulhar nas mercearias o feijão, milho, fuba ou qualquer outro tipo de cereal; tempos em que nem se pensava numa tal de AZAE, reguladora de quase tudo no M´Puto. Eram tempos de banga de um estilo muito próprio. Um tempo em que Deus comia escondido atrás de um nem sei quê, e o diabo saia por tudo quanto era canto lambendo pratos.

namib3.jpg Tempo em que as palavras picavam em mim uma grande gastura mas que só o tempo deu justa noção nesse pensar desconjuntado. Tempo ainda de antes de surgir o transístor e andar na praia com o rádio colado na orelha pra fazer furor entre os amigos “pitos calçudos” da Luua; bangar mesmo… Assim botando tudo numa caixinha de sapatos junto com fotos, bilhetinhos de amores e mambos que o tempo desexistiu porque, sim, porquê!?

Ora! Porque era novo e o inferno já era velho só que não sabia mesmo, nem mesmo lhe podia adivinhar. Oh! Ngana Nzambi! Numa de lama, kapiango pés de patranha, engenhosa máquina infernal, Mwangolè edificam-se em poleiros de nossos antigos celeiros. Ué-ué! Agora muito provido de ideias, de noções de ruindades ate entrelaçadas nos restolhos, de conceitos assim, escapulo-me entre espaços, nos chinguiços do tempo que nunca chegaram a madrugar.

nauk11.jpg Porquê? Ora porquê, porquê! Porque a vida é muito perigosa. Ximbicando n´dongo feito canoa nos cânticos de bela kianda feita kapota assento-me naquele lugar que consolava naquele então o meu kituku de dilulu; minha kalunga. Assim, eu esbanjado na noção do tempo e muito farto, cheio de “excessos de ideias” que assim ficou desse jeito: Num tempo em que tudo desaconteceu! Esse filho da mãe, esse mesmo de General FK só está assim de calado miudinho com seus matrindindes saídas da Welwitschia Mirabilis.

nauk01.jpg Terei de ir a Garanhuns de Pernambuco e sentir de perto esse novo segredo que me trás encafifado… Na Welwitschia Mirabilis, que ele chama de N´Tundo com o tempo, as folhas podem atingir mais de dois metros de comprimento e tornam-se esfarrapadas nas extremidades. É difícil avaliar a idade que estas plantas atingem, mas pensa-se que possam viver mais de 1000 anos. E, aqui está o busílis, há uns pequenos escaravelhos que são atraídos do nada até elas; escaravelhos do género de matrindindes, que levou o FK a os explorar e retirar deles, algo precioso! Vou ter de descobrir – malembelembe…  

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GLOSSÁRIO

Mwangolé – Que manda em Angola, os donos do pedaço; Banga: estilo;  Dilulu - de sabor amargo; Kalunga - mar; Kumbú: dinheiro; Ngana NZambi - Senhor, Deus; Kapiango – roubo; Kapota. Galinha de Angola; Kianda - sereia; Kituku - mistério; N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Malembelembe - muito devagar, Undenge ami mu moamba - minha infância de muamba.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:40
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Sábado, 1 de Fevereiro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CIV

TEMPO DE CINZASMEDITAÇÕES DO T´CHING 01.02.2020

No último dia do BREXIT… Se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

angola colonial.jpg Afinal, a libertação por entrega de Angola no onze de Novembro de 1975, serviu a quem? Se serviu ao povo como seria lógico, nada do que acontece hoje nos levaria a depreender que passados que são 44 anos e picos, o que mudou na vida da maioria, não dá para se notar na qualidade de vida; Mas, então porquê? Porque a independência, serviu e continua a servir um sem fim de cidadãos que se firmaram como elite - uma gangue que com sua duvidosa integridade, gerem a Nação.

Eles são oficiais generais, juízes, gestores de entidades públicas mais afins e governantes em geral que se auto elegeram (sem o aval do povo). Se existe uma nomenclatura de gente dita capaz, deveria agora e no ano de 2020 ser visível o estado da Nação Independente com as condições requeridas, de sempre se estar melhor do que no tempo em que era colónia, certo! No ensino, na agricultura, na economia em geral, na  vialidade e na forma de governação.

angola na moda1.png É lícito perguntar agora: - Afinal para além de mudarem o visual na capital com atropelos ao património, diga-se, o que é que mais fizeram de Cabida ao Cunene na forma de melhoria no dia-a-dia das pessoas? A reposta é um quase-nada se levarmos em consideração o grande potencial da riqueza soberana de Angola. Agora há gente incompetente que simplesmente baralha as normas de decência; o Mundo está estupefacto e, os que nada dizem é por incesto de interesses com compadrio aberrantemente nojento – caso do M´Puto com gente que se diz ou pretende ser ilustre; até admirada. Não é de espantar agora que a antiga metropoke, o M´Puto, seja a terceira foça corrupta da Europa...

ANGOLA7.jpg E, se foi para formarem uma elite de gangues no sentido de explorar as riquezas à revelia dos interesses do povo não se justificaria na prática a mudança de mãos pelo simples motivo de a grande maioria não se rever nisto! Ficou-se livre da canga colonial mas, e agora… Agora e antes podemos verificar uma usurpação sistemática às riquezas que deveriam ser quinhão de todos.

E, o povo não se pode rever nisto, no descaso e procedimentos que a todos mancham e, também porque o Mundo diz e muito bem: Eles não são capazes - os cabos de guerra ficaram oficiais, os auxiliares viraram directores, os advogados venderam ao desbarato sua já fraca reputação, os políticos floresceram na mediocridade. E, os que nada dizem, pensam!

araujo42.jpg As sequelas económicas foram proporcionando uma muito periclitante senão ultrajante qualidade de vida para o angolano – com mágoa o digo! Posto isto, o povo deve debelar-se por forma a substituir de raiz todo esse mal que o MPLA de forma premeditada, e sofismadamente ardilosa e sistemática numa orgânica ultra mafiosa, fez crer ser o Deus da salvação; ou nós ou o fim, como se não houvesse alternativa mais credível no panorama nacional. Um puro engano!

Rosa Coutinho e Melo Antunes entre muitos outros, agentes do comando intitulado de “descolonização” não mais fizeram do que a entrega de um manancial de riqueza a uns quantos filhos da mãe postos a propósito à frente dum governo previamente escolhido. Quem? O MPLA! A descolonização, posta assim e na prática sequente foi uma farsa pura feita falácia trabalhada a contento pela corja de políticos portugueses, provocando uma guerra e proporcionando um despropositado saque com sequelas ainda por apurar.

ANGOLA10.jpg As chaves de Angola foram entregues a quem não estava preparado para ser porteiro quanto mais tutor. Todos, sem excepção fomos enganados de forma vil ou torpe. Posto isto faz-se destas falas, um documento apócrifo mas sentido, para consciencializar quem com direito e com a requerida capacidade, derrube o governo na terceira geração de ilegalidade na pessoa de JL. Deste simples modo “declaro” a rebeldia total a fim de ultimar esta tirana postura de governação.

E, que seja reconhecido como “Libertador” do hacker (nome giro) Rui Pinto, indevidamente preso no M´Puto – Chega de mordaças! João Lourenço, o presidente da burlesca trupe em terceira geração, até se poderá regenerar se, se anuir a esta mudança com um mas, sem nunca poder chegar a “Santo”.

chaves0.jpg Nisto de uma Angola-de Faz-de-Konta, convêm relembrar aos mwangolés ressalvarem de culpas tinhosas os que de forma inesperada tiveram de sair do território como se fossem os maiores tiranos naquele ano de 1975. Nenhum suposto “chicote” de capataz branco, feriu tanto Angola como o que estes algozes do mando fizeram e, ainda fazem. É tempo de se aclararem mentiras e palavrórios mal usados ao longo destes 44 anos depois das metralhas cantarem a ”vitória ou morte” no largo Diogo Cam. Nunca falei tão certo como agora (tarde piaste…)…

Do Soba T´Chingange         



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:55
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Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2020
MUXOXO . LVIII

KIBOM. IV - Quem viaja, necessita de mala ...NOÉ!?

- Divagações do T'Ching - 28.01.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

an2.jpeg Ao viajar, é importante ter uma mala para carregar a bagagem; convém que seja boa porque os tombos são mais que muitos. Fiquei a saber que a mala mais cara deste nosso mundo vale quatro milhões de dólares! É a chamada mala de “Diamantes das 1.001 Noites”... NOÉ, desconhece...

Tem o formato de um coração e vem cravejada com 105 diamantes amarelos, 56 diamantes cor-de-rosa e 4.356 diamantes transparentes. Todo metal dessa bolsa é feito de ouro puro de 18 quilates. Para sua confecção foram necessários 10 artesãos, dedicando quatro meses de trabalho exclusivo,NOÉ!?

arau44.jpg O resultado final é uma bela obra de arte que, até agora, ninguém ousou comprar. Pelo que sei nem Isabel dos Santos a comprou; Nem Manuel Vicente! Creio que nem sabiam mas, às tantas aqueles diamantes saíram de N'Gola, NOÉ!?

A minha é o contrário dessa; mesmo demasiada mixuruca para ser mencionada neste entretém feito estória. É daquelas compradas em saldo, com rodinhas gastas de tantos embarques e desembarques, riscada nos topos e lastimosa no aspecto.

eseves2.jpg Distingo-a porque tem uns quantos laçarotes da Bahia amarrados em seu fecho; desses com variadas cores que se põem no pulso para dar sorte nas ousadias de orixás e oxalás e talvez o xiritung da xirgósia mais o xogum... NOÉ!?

Na alça tem mais uma fita verde fosforescente de escandalosa para que a possa reconhecer na esteira do aeroporto. Para mim, o que realmente importa é o que vai dentro da mala; os queijos disfarçados de prendas e prendas na forma de figos ou chouriços, coisas inofensivas, NOÉ!?

papalagui11.jpg Na vida verdadeira da gente também é assim. Não importa parecer um cidadão valioso se o seu interior é vazio e sem aquela coisa que nos identificam nos valores morais ou mesmo tudo ali ser oco - isto é quase uma metáfora NOÉ!?

Preencha por isso sua vida de boas coisas como se sempre viajasse! Que tal uma lista exclusiva de itens imprescindíveis para sua viagem? NOÉ dirá: Prepara-te pois para tua viagem pro Céu, isso, pró espaço! É isso, NOÉ!?

ong5.jpeg Se for o caso, junte à Bíblia de viagem um bom livro para os demais entretantos. Leve todas as informações do roteiro a fim de ser mais feliz em seus caminhos. Siga os conselhos da gente experiente, todos não serão demais! A sabedoria dos mais velhos, normalmente mostram detalhes de como ir pelos melhores caminhos. Mas, lembre-se que existe um NOÉ...

Tenha presente que na vida, ou você puxa os outros para cima, ou os outros puxarão você para baixo. Fique esperto e siga sempre este princípio porque nem sempre o interesse dos outros batem certo na bota com a perdigota... NOÉ!?

step6.jpg Creio que com um azar do caraças, foi isto que sucedeu com Rui Pinto, o herói actual do pedaço e no M'Puto aonde os larápios são também mais que muitos, com nomes de Santos e Espíritos. Este Rui puxou a brasa à sua sardinha pedindo uns kumbús e, viu-se com um cardume de tubarões...NOÉ!?

Esqueça-se daquilo que Deus já esqueceu dando cobertura aos Espíritos e aos Santos... mas, sorria mais porque um qualquer dia a coisa acontece! Já aconteceu! Seus, nossos dentes, não existem somente para mastigar couve-flor. Temos de os ranger se vez em quando, NOÉ!?

rui1.jpg Com uma mala cheia dessas coisas, valores, ela pode não ser a mais cara, mas, sem dúvida, será a mala mais valiosa ou justa do mundo... JUSTIÇA... Cá para mim este Rui Pinto tem sim, de ser condecorado! Isto termina em 13 para lhe dar sorte, NOÉ!?

T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:31
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Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2020
CAFUFUTILA . LVIII

TEMPOS DE KIBOM. O Pão, a vida e NOÉ ... Divagações do T'Ching – 30.01.2020

Cafufutila /kifufutila: Farinha de bombô com açúcar; Kibom é um sorvete do Nordeste brasileiro

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

(Estas falas já foram publicadas em Kizomba do FB a 27.01.2020)

Meu amigo Quissanje foi para a guerra e, passou-se! Por abandono de todos, virou cantor repentista. Naquele tempo de lucidez ele chamava-se de Céu dos Santos, agora, só tem nuvens no seu sótão…

cipaio1.jpgO principal alimento dos hebreus desde os tempos mais remotos, o pão, é ainda o nosso principal alimento. Na minha infância fui alimentado com broa de milho e leite de cabra. O hábito de comer pão teve talvez seu início com o cultivo do trigo na região da Mesopotâmia. A Bíblia menciona 319 vezes o vocábulo pão; isto dá ideia de seu uso em nossa civilização, NOÉ!?

A palavra pão traz à nossa mente a ideia de satisfação, sustento e saciedade. Pois no corre-corre da vida, todos os esforços empreendidos pelo ser humano parecem centralizar-se em um objectivo: ganhar o pão, a fim de garantir a sobrevivência.

lucala3.jpg Com este propósito, patrões, empregados, líderes e liderados, instrutores e aprendizes, homens e mulheres trabalham árdua e honestamente, de sol a sol. Alguns usam outros métodos, NOÉ!? Uns buscam no máximo de seu aprimoramento intelectual no rumar a vida de forma aprumada porque acham isso necessário, outros não, NOÉ!?

Cada vez mais, alguns pretendem ganhar o pão utilizando meios censuráveis; há quem pense que pode adquirir o pão sem trabalho algum e, usando os demais para o obter e, isto obviamente não é nada bom; sendo assim organizam-se em grupos ou partidos para nos esmifrar e, quase sempre o conseguem como se fossem gangues, NOÉ!?

PUXASACO.jpg É justo e necessário que trabalhemos pela obtenção do pão mas, a queda da humanidade nos procedimentos, alterou a dinâmica de execução do trabalho estabelecendo novos paradigmas, NOÉ!?

Nos dias de Jesus, os habitantes da Galileia sabiam o que significava trabalhar com diligência, e isso eles faziam servindo aos ricos proprietários de terras de quem recebiam salários, até que, chegados aos muitos nossos novos dias, se debelaram, NOÉ!?

junho2.jpg Mesmo assim, em aquele tempo, não eram capazes de empregar esforços na busca espiritual porque as metáforas davam-lhes volta à mioleira, NOÉ! Por isso, o Mestre aconselhou: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que subsiste para a vida eterna”. – Isso só por si já era um grande conforto mas, surgiram sindicatos com regulamentos dando volta às nossas cabeças, NOÉ!?

Com ou sem NOÉ as práticas mudaram em novas engenharias financeiras e hoje suavemente levam-nos os ganhos, NOÉ!? E, é por isso, o mais certo de tudo - por isso, aquilo e aqueloutro que ando a ficar encafifado no meio de tantos milhões, NOÉ!...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:57
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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2020
MU UKULU – XXVIII

FEROMONAS DA VIDA ... CINZAS DA LUUA29.01.2020

- Saber do passado para melhor se entender o futuro...

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

embo0.jpg Sentindo os sabores da nossa terra nas falas de Luís Martins e nossas lembranças, recordamos a mistura de hábitos alimentares por via das duas etnias preponderantes da N´Gola e sequente miscigenação vivenciada ao longo de muitos anos. E, porque a Luua é litorânea, o consumo de peixe no território, sempre foi elevado. A costa angolana rica em espécimes dava assim forma em abarrotar traineiras que se faziam ao mar em sua faina diária.

Recorda-se que era tanto, que dava para secar todo o excedente ou fazer farinha para utilizar como alimento para animais e, na forma de ração; também como adubo para uso da agricultura. Nesse então já na China se usava um peixe a cada árvore replantada para formar florestas - a uma pequena árvore era disposto na raiz um peixe como início de alimento ao seu crescimento.

Mu Ukulu57.jpgO peixe seco sempre foi muito apreciado pelos nativos grunhos e gwetas pelo facto de se ter tornado um costuma e, por via de ser barato no mercado das salgas espalhadas um pouco por todo o lado e ao longo da costa desde o Ambriz, passando por Luanda até Benguela e ainda mais a Sul na Baía Farta. O peixe depois de processado, estripado e escalado é posto a secar ao sol usando loandos normalmente elevados do solo por estacas.   

Este peixe já seco era depois levado em camionetas até os lugares distantes do interior na forma de fardos atados com fio de sisal ou mateba. O itinerário destas carrinhas ou camionetas podia ser-se seguido horas e dias mais tarde pelas picadas seguindo o rastro do cheiro característico que estes lançavam para o mato circundante. A partir de algum tempo as picadas começaram a ser muitas, para despistar os fiscais – posso explicar…

peixe seco1.jpg É que a dado momento o governo do M´Puto em sua governação colonial lançou um imposto sobre o peixe seco. Isto originava a candonga como concorrência e, por motivo de fornecerem preços mais competitivos aos taberneiros chamados de fubeiros instalados em locais bem isolados, competiam berrida de vida; vida que nem sempre era fácil. A extensão do território que se constituía pelos postos administrativos tornava o trabalho de recenseamento, cobrança de impostos e resolução de contendas, muito difícil e até demorado.

As insuficiências materiais, a indigência dos meios disponibilizados e a multiplicidade das tarefas acometidas aos funcionários administrativos eram factores que entravavam a máquina estatal. Ou seja, o facto do próprio corpo administrativo colonial sentir grandes dificuldades logísticas, a sua presença reduzida e isolamento físico, indiciam a incompletude do domínio colonial, agravada já a seguir à Segunda Guerra Mundial.

mucua9.jpg Em Luanda, as quitandeiras abasteciam-se no porto de pesca situado em plena marginal, Avenida de Paulo Dias de Novais e também em lugares como a Chicala, Samba, Corimba ou Bungo directamente dos pecadores que ximbicavam canoas nas águas rasas; um ou outro, metia velas triangulares feitas de sacos de farinha, aventurando-se na pesca de maiores peixes em águas mais profundas. Com a introdução da mandioca levada pelos Tugas do Brasil os pratos de peixe eram acompanhados com fuba funje, um pirão espesso feito dessa fina farinha. Para alguns dos mwangolés esta nova, será uma surpresa - melhor seria que unissem sua matumbice a estes conhecimentos…

Tudo começava com a farinha amolecida na água que já na fase final e no preparo das iguarias tropicais era cozida em água fervente e, sempre mexida de forma vigorosa com pau ou colher bem grossa a fim de desfazer os caroços do cozimento. Sempre mexendo, surgem bolhas de ar empolado que fazendo plof-plof por modo a ficar naquele aspecto pegajoso de “cola de sapateiro” conhecido entre outros nomes, também de pirão.

muralha01.jpg No sul de Angola era mais comum usarem o pirão de milho amarelo ou branco por haver aí mais condições para a cultura do milho. Depois, a esta espessa cola de funje junta-se óleo de dendém e de mãos molhadas juntando um bolo, leva-se à boca; pode ser-se mais civilizado na forma de comer usando a colher tradicional mas, o gozo de degustar não parece ser o mesmo! Isto pode ser acompanhado por aquele peixe seco passado na brasa e só depois de ser demolhado mas e, também acompanhando com carne de frango ou outra, ou mesmo miúdos de galinha ou vísceras de outro qualquer animal.

A tudo aquilo juntam-se as verduras como a abobrinha, o quiabo languinhento, folha de abóbora ou jimboa. O melhor preparo desta muamba é feito com inclusão de saca-saca picada, saído das folhas de mandioca previamente escaldada várias vezes. A isto chama-se a kizaca. Tudo isto convém ser envolto em jindungo ou onoto ao jeito de fazer transpirar no sótão da cabeça e na fronte para dar n´guzo. Para total contento é bom que se sinta na dita moleirinha essas cosquilhas, um tremer fino da musculatura.  No Brasil esta iguaria já é quase habitual na Bahia – um costume oriundo da antiga Matamba, os N´zingas e afins matumbos e matumbolas. A seguir virá o mufete, o kalulu, a kifufutila, o muzungué e a kikwanga. Será bom ter um “palhinhas” por perto a recordar momentos idos e que não voltam mais; ora para quê!? Para esfriar goelas ardentes…    

(Continua…)

Recordando o Século Kota Mwata Luís Martins Soares

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:23
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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020
MUXOXO . LVII

KIBOM . IIÉ um sorvete gostoso

TEMPOS  BRABOS DE CALOR… Sexta-feira - 17.01.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

ara3.jpg O dia dezassete passou passando mas, escrevo agora no computador o acontecido nesses dois dias de paratrás fazendo horas com o boligrafo inquieto oferecido em um tempo antigo numa campanha do PSD do M´Puto e, num entretanto mais futuro, o de hoje que é domingo, lá terei de salvar o escrito em plena inspiração da maresia, tão só para não desacontecer perder o fio da meada desse árduo trabalho de puxar pela cachimónia.

Minhas tarefas daqueles agoras, atrasaram-me o futuro porque a internet da Vivo só me foi facultada na Quinta-feira dia dezasseis e, assim comprometido com minhas falas já passadas, moribundas no papel, translado-as agora para o vivo arquivo, tudo porque o pen drive dessa Vivo de 4 G já me dá acesso ao satélite.

Mu Ukulu03.jpeg Sem querer mentir-me e, porque assim o é, meus firmamentos no Kimbo, na kizomba, na Roxomania e na página do Mano Corvo Costa Araújo, porfiarão a fezada fantasiação das ânsias e desassossegos do que já foi ou que ainda vais ser – ainda! Ué-Ué!? Cheguei pelas treze horas e trinta minutos no lugar da macarronaria do Isaac levando comigo uma prenominada teimosia de que hoje sim, iria ser um diferente dia.    

Pois é! É raro eu comer macarrão porque os hábitos condicionados de minha alimentação não se conjugam na perfeição com os açúcares de minha parceira de 49 anos e, quando sou eu a fazer preparos faço-o com misturas tão rebuscadas que nem sempre resultam na perfeição dos conformes. Bom! Seu Isaac estava lá nos fundos por detrás de um mukifo balcão de madeira acupimzado cheio de trecos, latas, grades, e um sem fim de potes em barro preto de Penedo.

Isaac, o pescador macarroneiro, conhecendo-me, assim me deu grátis um amplo ”Oi” muito repleto de empatia. Apertou-me a mão numa desmedida força dos cinco grossos dedos e falou: - Então! Sempre resolveu vir até o meu recanto da felicidade – pergunta feita de resposta certa mostrando sua varanda de dentes alvos e um olhar pícaro como de quem adivinha o pensamento através da iris do interlocutor, neste caso eu, o turista encorpado em pessoa residente.

tuiui3.jpg Em verdade, minha refinada intuição da vertente premonição dizia-me que algo de insólito aconteceria e, na cordialidade, dei resposta adequada por também ser a primeiríssima alegria do dia! Meu amigo, é verdade! – Estava espumando baba gulosa por sua massa desde aquele dia da pesca do xaréu, da arabaiana e da carapeba, esses nomes de peixe que nem sei bem se assim o são no sotaque... 

Seu Isaac, venho na minha gulosa vontade para provar esse tal de macarrão com camarão, sabe! Seu Isaac abriu as mãos sapudas como que a divinar sua fé implorando minha atenção dizendo um “ouça” tão convictamente misterioso que até fiquei estupefeito na inquieta soslaia ansiedade de escutar e, escutei: - Sabe seu António, esteve aqui um negão, negro como a noite de breu perguntando por alguém com as suas características. Espere, se aquiete – disse que seu nome era António T´Ching, algo de tão raro me ficou gravado na moleirinha mas, no entanto ele deixou escrito num envelope, sabe! Com esta peculiaridade fiquei espantado pois que só mesmo O General Emérito retirado, de nome Fala kalado me dá esse espacial tratamento. Só pode ser! Mas como é que ele adivinha!?  

alhambra3.jpg O coirão! Só pode ser bruxo. Assim encafifado com tamanha incoincidência, olhei deslumbrado para Seu Isaac: - Pois e, então, que mais? Olhe! Assim continuou… O negão deixou mesmo um recado escrito. Acto contínuo chamou um moleque, creio que um seu neto, disse-lha para ir lá acima buscar um envelope meio preto, meio vermelho e com um facão amarelo bem no centro e na diagonal daquelas cores. Que não tinha que enganar, era o único, disse: - vai, vai, vai…

Caramba, só pode ser mesmo desse lendário General FK. Não demorou nada, já eu estava retirando uma folha do subscrito aonde pude ler no topo: Companheiro A.T´Ching, por debaixo e sem linha: Impossível ter estado contigo no combinado dia DEZ. Aguarda por mim aí na Pajuçara - Um destes dias apareço. Estou em Caruaru junto com uma donzela mwangolé. Trata-se de um negócio de plantação de Welwitschia Mirabilis e, um especial aloé do Karoo com fungos… Kandandus…

araujo85.jpg Fiquei até apreensivo por saber o quanto ele, F. Kalado eu é evasivo ou mesmo restritivo e, assim taciturno dos neurónios com tanta claridade nos aprumos de quase relatório, larguei tais minudências olhando já para o prato quase fervente, o macarrão com os camarões a saltitar-me na vontade dos olhos. Enchi dois copos de skol fria, ofertei um ao meu amigo Isaac e, com um longo obrigado, fizemos uma umbigada de copos, da amizade nova, crua e desinteressada... Mas! O que é que virá por aí…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:28
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Sábado, 18 de Janeiro de 2020
MUXOXO . LVI

KIBOM . I – É um sorvete gostoso

TEMPOS  BRABOS DE CALOR… 16.01.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

engraxador2.jpg Espetei meu chapéu verde e branco bem junto à Kanoa na pequena enseada da Pajuçara da Ponta Verde. Ainda não eram seis horas da manhã e, meu chapéu era o primeiro a ser fincado na areia de cor amulatada. Um homem bem moreno, cambuta de baixote no atarracado, mas ágil nos movimentos, espeta na areia bem junto de mim e no final da borda do beijo molhado da maré cheia, suas canas de genuíno bambu.

Galho recto e nodoso de simples natureza quanto baste, um escasso metro e meio de seda de nylon enrolada a partir do fino extremo e presa com um atilho saído dum vulgar pneu de bicicleta. Nada de sofisticados carretos a dar ares de pescador abastado. Ajustou seus dois baldes com letras de tintas de pintar paredes bem ao lado das esguias canas, meteu seus chinelos de dedão junto dos trapos dentro das mesmas e deu-se aos preparos finais.

Calçou sua cabeça com um chapéu camuflado de cobrir orelhas, pescoço e pala saliente a encobrir seus olhos e, em actos contínuos de mestria conhecedora, entrou na água de mansidão verde, cor de esmeralda, iscou seu ínfimo anzol na ponta dos cento e cinquenta centímetros, mais coisa menos coisa e, apontou a água num indefinido ponto de horizonte bem na curva como se fora num longínquo paralém. O pedaço de quase nada penetrou na água.

maceio1.jpg Assim e num repentemente, daquele lençol aguado, não demorou muito a puxar da água um peixe reluzindo pintura de prata chamado de xexéu. A cada lançada, novo peixe metido em seu pequeno balde pendurado no pescoço com um baraço de tira larga. Não demorou a ficar bem cheio com outros pequenos  variados peixes daqueles que depois de fritos na forma crocante fazem babar vontades de apetite.

No transbordo do peixe da lata pequena para a outra grande na areia e, muito perto de mim, o senhor olhando para minha ansiedade falou: - Moço, quer pescar? - Quero! Foi a resposta. Já com meio corpo dentro de água, apercebi-me da pequenez do anzol na forma de unha de gato quando enfiei um pedaço de camarão cru passado na pega entre os grossos polegar e indicador do senhor pardo matuto.

maceio3.jpg Enfiando pedacitos de camarão cru, fui lançando frustrações seguidas de ansiedade do vai ser agora e, bolas, pica, pica e num lança e tira e mete o isco, dá repelão e fugiu o filho da peste; assim num nadica de nada de só mesmo a picada, talvez por falta de jeito ou mesmo sorte fui lançando muxoxos de sundiameno aos pequenos roncadores. Assim apontando o horizonte fui ficando cansado dos pedaços frustrados de coisa nenhuma até que resolvi dar continuidade à minha talassoterapia.

Num meche perna, num torce e estica e roda, alonga braço e salta endurecendo músculos meus aperreados de tempo, idade e moleza, ele o senhor fala de novo: - Como é seu nome? À pergunta feita e respondida iniciámos falas de aproximação, nome de peixes, este é bom, este é espinhoso e assim por diante sem recta definida.

kanoa1.jpg Meu nome é Isaac, estou meio aposentado e ainda vou mexendo com minha macarronaria, sabe! Deduzi que isto tinha algo que ver com macarrão, massa de comer mas e, entretanto enquanto lança o caniço acrescenta: - Macarronaria do Isaac! Fica ali mesmo na paralela da Durval Guimarães, depois do Bom Preço, vira à direita, vira à esquerda e, é logo ali.

Negócio na parte baixa e residência no lado de cima. Hoje tenho de levantar dinheiro no banco para pagar aos meus seis empregados, visse! Agora, eu só fico entre as dezoito e vintiuma horas – meu tempo já foi, noé!? Pois! Disse eu poupando as falas entre outras ouvidas bem mais interessantes. Vá até lá seu António – vá provar minha macarronada de camarão, gostosa de roer vontade! Acredito seu Isaac, irei sim senhor!

kanoa2.jpg Já quase no ir, foi-me dizendo que voltaria sábado a horas de maré alta que é quando o peixe pega. Hoje é quinta-feira e, talvez no sábado próximo lhe pergunte pelo biónico personagem, o tal de General Emérito Fala Kalado, meu amigo de velhas antiguidades; quem sabe não é seu freguês lá na sua venda tasca ou lá o que seja, talvez restaurante. Quem é chambeta de pena falsificada e tem uma orelha plastificada decerto, sempre ficará preso na retina da ideia.

kanoa3.jpg Sabendo eu das particularidades de FK, dos gostos de matumbola reciclado em gente, dissimulado nas manhas e sempre prazeroso no trato, que gosta de whisky puro como quem só é fanático de água, bem pode ser um seu dissimulado cliente mesmo que o seja no incerto pois que, o personagem não é muito de usar roteiros rotineiros, um defeito desses propícios modos de surtidas com tocaias.  O hábito faz o monge talqualmente os tempos sangrados servem para assossegar segurança. Tomei um gelado Kibom com sabor a graviola e segui o rumo de casa a pensar de como vai ser o futuro, dos altos prazeres…

kanoa4.jpg Muxoxo é uma espécie de estalo que se dá com a língua aplicada ao palato, em sinal de contrariedade. No M´puto costumam chamar de “chocho", com o sentido de beijo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:15
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Sexta-feira, 3 de Janeiro de 2020
MUXOXO . LV

MUXOXO PARA 2020

TEMPO COM CINZAS . M´Puto e os bafos dos desabafos… 03.01.2020

M´Puto é Portugal

Por

soba k.jpg T´Chingange – No M´Puto

araujo183.jpg De que vale ter um perfume enfrascado se não fizermos uso dele? Não havendo fuga, prefiro mesmo ser uma pulga de leão a cheirar lavanda do cacimbo. Isto vem a propósito de dizer que quem assim procede, pode vir a ser menosprezado pelas tonterias que escreve ou que fala. Escrever para mim, tornou-se um trabalho, obsessão e terapia.

Nem eu nem ninguém podemos exigir que os outros acreditem naquilo que eu ou você acredita! Ninguém precisa seguir minha cartilha mas façam isso também, libertem seu perfume! Bufem-se com odores de arruda ou cheiro de rosas sem perturbar outros dizeres e com outras cores.

araujo172.jpg Sim! Faça qualquer coisa a favor de outros sem ter medo de parecer anedótico ou ser-se palhaço porque isso é também uma nobre missão. Pela certa, isso se tornará um remédio milagroso, porque quem acumula tempo dedicado aos outros, receberá provisões extras. Aonde será que li isto!…

Trejeitando sorriso expressivo quando não entendo, finjo que compreendo perfeitamente os escândalos que nem sempre se me calam no bico, passarinho-me pintado de anjo de procissão, metendo o nariz em tudo da praça pública, engordando os miolos de enxúndias, gorduras de escândalos por toda as instituições dessa grande porca com muitas tetas, com nome de macho: - Portugal.

araujo166.jpg Com paciência medida, opino sobre assuntos inesperados amparado nas dúvidas por indemnizar, usando muito a miúdo entorpecentes para entender o bafo dos desabafos. Nem sempre posso assumir com desenvoltura o papel de comentarista avulso, conselheiro ou soba porque, nem sempre tenho à mão a receita própria para espantar cobras ou lagartos.

E, porque não posso tomar medidas energéticas providenciais, requebro-me nas charadas alcoviteiras para enfeitar penicheiras provocatórias, estendendo a critica a vulgares patifarias de caixeiros feitos doutores roubando o patrão, engomando, cozinhando, ou limpando-nos o pó como se fôramos trastes dum Estado só deles.

araujo161.jpg Na vontade de fugir espantado, remoçado, muito inchado de iguarias macabras, algumas idiotas, meus espíritos passeiam-se-me no cérebro às apalpadelas acitrinando-me. Será uma questão de brio? Parvoíce simples e simplória? Entre sussurros de indignação com tosse e escarros secos coloridos, espirros diversos, continuo nos meus passos sem nada de solene, nem ar de religião conformado do é como Deu quer!

– Esta gente do governo, quando não tisna, suja! Com um galho de arruda na mão, sigo os acontecimentos que desfilam numa procissão vertiginosa e extravagante do meu país do M´Puto. Como cidadão do mundo, um tanto comovido, contemplo à distância as ruínas da minha terra, da minha aldeia, do meu kimbo, os restos mudos e emporcalhados dessas terrinhas que antes, só o era da intriga miúda e, das invejas pequeninas!

araujo182.jpg Agora tudo é grande! E os roubos, aos milhões…Tal como a divida que aumenta calando os gráficos ou arredondando os picos. Porque daí, nem vem mal ao mundo, exponho-me sabendo poder representar muita gente que se descuida nas minhas leituras; assim como uma cobaia, submeto-me voluntariamente, espolinhando-me na demagógica vaidade. Um dia não são dias...

:::::

Muxoxo é uma espécie de estalo que se dá com a língua aplicada ao palato, em sinal de desdém ou contrariedade. No M´puto costumam chamar de "xoxo (chocho)", com o sentido de beijo.

Ilustrações: Costa Araújo, Meu Mano Corvo, falecido em Abril de 2019

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:34
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Sábado, 28 de Dezembro de 2019
XICULULU . CXXI

OUTROS TEMPOS Na zona do Largo de Sansão o “Darracq” de Armando Gonsalves choca com o “Benz” de Joaquim Refóios… Ambos, médicos de ofício …

– M´Puto - Coimbra no início do século XX -29.12.2019

Xicululu: Mau-olhado

Por

soba0.jpeg T´Chingange, na Coimbra do M´Puto

tonito3.jpg Aconteceu ir até Tentúgal e bem à margem do Mondego, em tempo de cheias e diques rebentados pela muita água libertada das represas e, chuvas pedidas ao S. Pedro que pude ver e cheirar todo o envolvente das terras de Montemor-o-Velho mis o Paço com suas vistas. Fui lá em companhia de Marco António, meu filho que está apresentando tese na área de arquitectura. Observei, aqui e ali aonde a linhas do tempo se quebraram nas vontades eclécticas de seus proprietários, rococó e gostos góticos com renascentismo ou maneirismo.

Entre coisas feitas a eito e sem um bem definido traço, vi quase tudo a cair em ruinas; mas, pude ouvir estórias deveras interessantes. Já lá iremos! Trata-se de uma quinta que pertenceu à Casa Cadaval durante séculos e que, desde o século XIV do tempo a D. Pedro, 1º Duque de Coimbra, da dinastia de Avis, filho do rei João I e de Filipa de Lencastre. O Infante tomou o paço inicial com uma torre a ver o Mondego como sua residência mas, o tempo foi voraz…

tentugal02.jpg Aquilo que foi o Paço dos Condes de Tentúgal, dos Duques do Cadaval, do Infante D. Pedro, Quinta do Paço ou, simplesmente o Paço, agora são ruinas com cimalhas encastradas mostrando as armas das gerações. Parte foi incendiada, depois reconstruída, para voltar a conhecer o declínio a partir de meados do século XX. Foi casa de nobres, terreno de cultivo e consultório dos mais necessitados. Hoje está devoluta - melhor, abandonada.

Posso imaginar o médico Armando Leal Gonsalves percorrendo a galeria de fotografias que conserva. O cardiologista, que aos 80 anos continuava a dar consultas, foi o último caseiro daqueles paços e é com ele de forma pensada, que revivo o primeiro acidente entre dois carros na Cidade de Coimbra. Note-se: Só havia dois carros. Vale a pena decifrar esta atribulação. Envolto numa névoa de velhice, preencho os espaços da vida defumando assuntos que ainda me não dão ânimo em contar.

tentugal03.jpg Assim, num calçadão feito a pedras com cores e desenhos de relembrar, entro na família Gonsalves (cujo S foi sobrevivendo às mudanças de grafia), que dirigiu o Paço durante gerações. O último da linhagem foi Armando Gonsalves, de quem o neto herdou o nome e seguiu a profissão, que administrou o Paço desde o início do século XX até 1955, data da sua morte.

Antes dele, o pai Francisco já tinha desempenhado igual função ao serviço da família Alvares Pereira de Melo (Duques do Cadaval), mas o filho, que também era médico pneumologista, deixaria uma marca mais duradoura, chegando até hoje nas bocas dos mais antigos de Tentúgal. Tanto que o seu nome baptizou uma alameda em Coimbra  e uma das principais ruas da vila de Tentúgal, onde há um busto em sua memória.

tentugal2.jpg José Craveiro, um jornaleiro, vai desenrolando histórias que dão corpo à reputação do antigo administrador como figura generosa. Mas sublinha que ele não dava esmolas, embora por vezes procurasse as tarefas mais inócuas como pretexto para distribuir uns escudos. Se durante a semana o médico exercia a profissão em Coimbra (foi director do Hospital dos Covões, de 1935 a 1949), aos domingos, das 7h às 13h, dava consultas no Paço às pessoas com menos posses. Era muitas vezes recompensado com ovos, bolos e outros géneros, conta Armando Leal Gonsalves. “Mas não levava dinheiro de ninguém”, pelo contrário.

Armando Gonsalves morreu em 1955, com menos três dedos devido à falta de protecção adequada durante as radiografias e sem fortuna. O espólio que deixou esteve para ir a leilão, tendo acabado por ficar na posse da família - uma casa de nobres. Isto pode, em parte ser lido no Jornal Público! O professor catedrático de História da Arte, José Custódio Vieira da Silva, escreve que apesar de o edifício conservar “elementos importantes da fundação quatrocentista”, o paço foi “muito adulterado nas sucessivas reconstruções”. Uma dessas intervenções tornou-se necessária após 1834, ano em que as tropas liberais incendiaram a casa por conta do apoio do sexto duque do Cadaval, Nuno Caetano Álvares Pereira de Melo, à facção absolutista.

tentugal7.jpg Mas, vamos agora à descrição que hoje pode ser admirada por assombro: A quinta foi garagem do primeiro carro de Coimbra, um Darracq de 12 cavalos que, em 1902, entrou pela alfândega da Figueira da Foz como máquina agrícola, por ainda não haver registo para automóveis. No ano seguinte, o Darracq com a matrícula “Coimbra-1” foi um dos protagonistas do primeiro acidente rodoviário da cidade, quando havia apenas registo de duas viaturas.

tentugal6.jpg Na zona do Largo de Sansão (hoje a pedonal  - Praça 8 de Maio), o carro de Armando Gonsalves choca com o Benz- matricula Coimbra 2 de Joaquim Refóios, também médico de ofício e lente na Universidade de Coimbra. O Darracq, que ficaria na posse da família Gonsalves até 1952, pode ainda ser visto hoje, restaurado, no Museu do Caramulo, ficou então com danos no valor de 15$80 e o Benz de Joaquim Refóios com estragos contabilizados em 37$60. A questão foi resolvida em tribunal a favor do administrador… Derrubando-me nas trevas do desconhecimento, olho e ouço pela caixa mágica da mente coisas verídicas do tempo, que parecem mentiras, como se tudo, coisas e gente, fossemos pedras parideiras…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:31
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Quinta-feira, 26 de Dezembro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXIX

Agora feita a folga que me vem, e sem pequenos desassossegos, estou de range rede, sabe! O tempo ruge…

14 – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa ... 26.12.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No M´Puto

booktique22.jpg 

Últimos 4 Livros em cima da mesa da cabeceira - criado mudo.

11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma.

12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

14 – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa editado pela Companhia das Letras

booktique21.jpg E, porque o sertão é do tamanho do Mundo, não encontrei por lá, lugar do Nordeste brasileiro o livro que há tanto procurava de Guimarães Rosa. Calhou ser agora ofertado à minha pessoa em época natalícia e assim, na Coimbra do M´Puto me embrenhei logologo na leitura; uma quase língua nova, entrando nos trilhos sulcados pelo gado nos terrenos áridos, uma rede complexa de caminhos feitos veredas e, na qual é fácil perder o rumo às falas. Assim e, duma tão revolucionária forma inventiva dá-se conta no sentir que “Viver é negócio muito perigoso”.

Lá aonde os pastos carecem de fechos, onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; lá onde criminoso vive seu cristo – jesus, arredado do arrocho de autoridade. Uns querem que não o seja, que situado sertão é por os campos gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas demais do Urucúia mais Toleima. Terras de puta que pariu sem saber de como foi! De como nasceu. Acho que desaconteceu…

booktique24.jpg Numa missanga de contos com lendas e coisas tão verdadeiras que assustam o capeta, leio e releio de trás para a frente e vice-versa assim na forma de espanto lá nesses montões oestes. Perco o norte e volto atrás esperando a nuvem, vendo as almargens de vargens de mau render, as vazantes; culturas de só mata sem tamanho que param nas mulolas, rios sem água como se diz em Angola. Quersedizer, a água, corre quando chove.

Enfim, cada um o que quer aprova, como o senhor sabe, vós sabeis: pão ou pães, é questão de opiniães. No falar de matuto, o sertão está em toda a parte com contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros de cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e crenças da bagunça, povos de dialecto linguajado entre outros derivados – O sertão está em toda a parte.

booktique23.jpg Cumcamano! Vou ter de pisotear este livro para patavinar mesmo que amarfanhado nos porquês! Conversando com um seminarista deste dito cujo livro, muito condizente, conferido no livro de rezas e revestido de paramentas, com uma vara de maria-preta na mão, proseou que ia adjutorar o padre, para extraírem o Cujo, do corpo vivo de uma velha, na Cachoeira-dos-Bois. Ele ia com o vigário do Campo-Redondo. Pópilas, digo eu! Não o acreditei patavim, como eles dizem – Me concebo como então?

Mas compadre!? O que revela efeito são os baixos espíritos descarnados, de terceira, fuzuando nas piores trevas e com ânsias de se travarem com os viventes – dão encosto. Arres, me deixe lá, que – Pois não sim? Insiste: O senhor (que soeu) deverá ter conhecido diversos, homens, mulheres; por mim, tanto vi que aprendi: O Facho-Bode, o Muitos-Beiços, o Rasga-em-Baixo, o Puxa-Cueca e outros edecéteras…

lampião8.jpg Olhe compadre disse euzinho: Não sou amansador de cavalos, muito menos de homens mulheres! Nesse punhadão de gente feito cavalos do vice-versa e até mesmo que fora jagunço, não tenho na minha pessoa competência entrante de demónio. De primeiro, eu nem mexia e nem fazia, sabe! E, pensar não pensava. Quem mói no asp´ro não fantasêia. Vivi puxando vida difícil de difícil. Agora feita a folga que me vem, e sem pequenos desassossegos, estou de range rede, sabe!

Sim! Me inventei neste posto e assim nessa coisa do diabo de existe, não existe dou meu dito de abrenuncia. Tudo bem, diz ele numa de afirmar-se não ser homem dos avessos nem tampouco homem arruinado: Diabo vige dentro do homem, nos crespos do homem. Fiquei pensando nesta dos crespos sem saber mesmo se eram coisas eriçadas, coisas franzidas ou algo difícil de entender. Talvez tudo junto - Viver é negócio muito perigoso. Cheguei à página 19 sem querer ir mais longe por hoje; Hem? Hem? Áh o diabo anda na rua, no meio do remoinho…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:19
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Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2019
MU UKULU – XXVII

MISSOSSOS DA VIDA... De Luanda – Sabores com falas da Nossa Terra – 18.12.2019

- Saber do passado para melhor se entender o futuro... Recordando o Século Mwata Luís Martins Soares falecido na Diáspora do Brasil em Julho de 2019 - (São Paulo)

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soba002.jpg T´Chingange – No M´Puto

luis1.jpg Revi hoje as falas de Zeca Mamoeiro do tempo em que este dito cujo, senhor do Rio Seco katedrático da Maianga me via transportado em uma tipóia de loando como um makota de Ambaca. Na verdade, por vezes também me é difícil entender o que risco para todos, do que vai no meu muxima e, num linguajar que é nosso BI – Bilhete de identidade. Do meu risco, do risco dele, do nosso corpo riscado feitos de feijão maluco. E, é estranho que com tanto estudo, não cheguemos à licenciatura e, nos conformes, virarmos num repentemente sábios da estirpe do Mwata Luís Soares.

Sem já saber escrever direito e sem glossário, kimbundamos-nos na jihenda, duvidado que nem sabemos usar a pena molhada no tinteiro de Camões ou do Pessoa. Num saudosismo de matumbo feito esperto, bangamos paixão de estirpe quase extinta. Falas da Luua que caducaram num tempo que se nos alheou. É como quem lê o livro de T´Ching debaixo de um coqueiro de plástico, balouçando na rede, gozarmos nossas barrigas de Jinguba como se num acaso e num já não vale a pena.

mu ukulu15.jpg Batucando sentimentos do nosso coração abrimos adereços de bate palmas só num pula como um zulu em um só pé ao jeito de ermitão Massai. Com a RAIZ que alimenta a árvore com dedos no ar feito embondeiro, muito cavamos para contar quantos dedos são, como se arranham evitando ervas daninhas que crescem só átoa nos veios da vida. Entro assim de novo após meu prólogo com o Zeca no livro do Mu Ukulu da Luanda de antigamente peneirando no tempo as memórias, mexendo vigorosamente a fuba cozida na água fervente.

Vigorosamente com uma colher de pau desfazem-se os caroços da farinha que depois de pronta fica cinzenta no aspecto de “cola de sapateiro” pegajosa, como diria a tia Arminda. Depois come-se com bastante molho de dendém acompanhada de peixe, frango, ou outro tipo de carne, miúdos ou mesmo um verdura como a couve, a kizaca (folha de mandioca / saca-saca) ou a jimboa que nasce a eito pelo quintal regado, junto com a beldroega; tudo picado e cozido com o tal de óleo de palma.

Muamba de galinha ou peixe, servida com pirão de milho ou funje é um prato de sabor inigualável. Nesta, entra o óleo de palma tal como os quiabos, o jindungo apanhado no fundo do quintal. Mufete é um prato típico da ilha de Luanda, dos axiluandas, constituído por peixe assado na brasa como o carapau, peixe-galo, cachucho ou cacusso do rio, bombô, sumo de limão, jindungo e uma pitada de sal.

forró 1.jpg Outros pitéus gostosos são o calulu, a quiteta, o muzungué e a kikwanga, que é um tipo de bolo feito de fuba, massa de mandioca fermentada, embrulhada numa folha larga e cozida ao vapor, muito apropriada a levar em viagens por via de sua prolongada salubridade; tudo isto se podia levar ou fazer nos piqueniques debaixo de cajueiros ou mangueiras na via que nos levava ao Cacuaco, a Viana na estrada de Catete ou no caminho da Barra do Kwanza.

O radiozinho de pilhas era imprescindível para alegrar o arraial, fosse junto ao mar a ver o Mussulo do outro lado da baía ou, bem coberto na sombra da frondosa mangueira, uma ou outra cassuneira, umas quantas n´hiwas ou embondeiros. Assim poisados, haveria que tirar da arca com gelo as cucas, nocais ou ekas para refrescar as vontades; também a mission, as coca-colas e bolungas várias como a seven-up. Por vezes era o palhete feito garrafão empalhado com vinho do M´Puto tapado com rolha coberta por um gargalo coberto de gesso, um resguardo a garantir qualidade.

xiricuata5.jpg Quem não ia ao piquenique de fim-de-semana abastecia-se no Bar Bitoque perto da Mutamba. Sempre havia para os mais novos, eles e elas, os tais bailes de quintal dos bairros citadinos da Vila Alice, Ingombotas ou bairro do café e ainda muitas vezes no subúrbio rodeado de muxitos e vedados com aduelas de barril ou chapa zincada, piso de terra molhada a propósito ou cimento rapado. Era ali que se desenrolavam os confettis de bilhetinhos namoradeiros com a vigilância das respectivas mãezinhas.

Nos anos sessenta e setenta o Merengue estava sempre presente na voz de Carlitos Vieira Dias, faixas de gravação como "Ngi kalakala mivu ioso", "Pensando Conforme o Tempo"e "Kwanza" que abraçam euforia de nova angolanidade intercalada com a suavidade de Gianni Morandi, Roberto Carlos, Gigliola Cinquetti ou Frank Sinatra. Para além destes tinhamos o Bartolomeu, os Kiezos liderados pelo solo de guitarra de Marito Arcanjo entre outros…

za8.jpg Canções como "Ngandala ku nganhala ò fuma", "Varias Moças de Luanda", "Ngui mona mi kima", "Arrancando o capim" ou "Merengue do Escorrega-lo". E surge o Minguito com "Eme Ngo Kofele" e o início da música electrificada, também os solos escaldantes. Vamos então ao Marítimo da Ilha, à Vila Clotilde, ao Ferrovia, Clube Transmontano ou o Clube da Maianga. Relatos quase coloniais em palcos desconcertante, letras humoradas, mais o aparecimento da concertina. Tudo mais nos passava ao lado…

minguito1.jpg GLOSSÁRIO: Missosso – conto popular; banga – estilo; cazumbi - feitiço; loando – esteira feita de folha de coqueiro ou palmeira e atado com matebas, ximbica - rema com bordão; missanga – colar; batucam- dançam ao som do tambor; matumbo – burro, palerma; makota – chefe tribal, que tem poder; muxima – saudade, recordação; Luua - Luanda; Kicuerra: farinha de mandioca com açúcar; Axiluanda – naturais de Luanda; Tuga- diminutivo de português; Mu Ukulu – do antigamente; Mwata – velho com sabedoria; n´hiwas – árvore que se confunde com imbondeiro quando pequena; Jihenda – acção de luta, resquícios de terrorismo…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:51
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Terça-feira, 17 de Dezembro de 2019
MU UKULU – XXVI

FEROMONAS DA VIDA... De Luanda – Sabores da Nossa Terra  – 17.12.2019

- Saber do passado para melhor se entender o futuro... Recordando o Século Mwata Luís Martins Soares falecido na Diáspora do Brasil em Julho de 2019 - (São Paulo)

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soba15.jpgT´Chingange – No M´Puto

peixe seco1.jpg Cada um de nós foi o que foi ou é o que é por uma coisa pequena, que sem se lembrar do primeiro choro, outros choros se lhe seguiram e, como um risco feito no chão, nem sempre se escolheu dedo ou arado nem por onde fazer o rego que por coisa pouca mudou nossas vidas. Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos da Luua, apagando os rastos dos passos que nos conduziram à diáspora, de novo volto a remover os ossos do passado, condescendo sem alvoroçar espeleólogos ou espíritos, esquecendo as leis e acordos não cumpridos!

Baloiçando-me no d´jango da memória como se estivera junto da árvore m´vuluvulu do kavango, olho seu fruto pesado de longas múcuas que pelo que dizem, só servem mesmo para fazer milongo de feitiços do povo Ovambo. Eu, quis saber mas parece ser segredo de raizeiros, porque talvez cada homem nasça com a verdade dentro de si e só para ele, e só não a dizem porque é muito pessoal; muitos haverá até, que não acreditam que seja aquela a sua verdade.

Porque cada homem é um mundo que se ao tempo der tempo, o tempo bastante, sempre o dia chega em que a verdade se tornará mentira e a mentira se fará verdade. Entro assim e após meu prólogo na parte principal do Mu Ukulu da luanda de antigamente peneirando no tempo as ténues ou vivas memórias dos acontecimentos; afins descobridores de pegadas, cheiros encarquilhados misturados com iões ou densidade molecular dos anos na leitura de carbono e edecéteras complicadíssimos ou sem explicação.

araujo159.jpg E, quando nos Sabores da Nossa Terra os portugueses deram início o processo de colonização, encontraram no território que deu origem a Angola, diferentes grupos sociais na forma de tribos; com sua própria identidade, diferenciavam-se entre eles por vários factores tal como a linguagem, o vestuário, formas de pentear, estilo de construção de suas cubatas, suas expressões musicais e fundamentalmente hábitos com diversificados hábitos alimentares.

A cozinha angolana sendo bem variada teve no decorrer do tempo alterações nos gostos e condimentos por via da miscigenação das várias etnias. E, porque Luanda é litorânea, o consumo de peixe sempre foi elevado. Com a chegada das traineiras em substituição dos dongos ou canoas, estas vinham abarrotadas de peixe juntando comerciantes tugas na disputa e comercialização do produto. Logo ali no porto era feita uma lota precária que separava o peixe segundo a espécime.

luua40.jpg Enquanto os peixes maiores eram destinados ao consumo local, os de menor tamanho eram arrematados para secagem nas salgas. O peixe-seco que sempre foi uma iguaria apreciada pelos indígenas por ser mais económico, paulatinamente também foi sendo consumido pelas novas gerações de brancos mazombos, talvez pelo antigo hábito de seus pais no uso do bacalhau do M´Puto. Este peixe saído da lota para a salga, depois do processo de limpeza, era escalado e posto a secar ao sol em loandos, esteira ou bases elevadas feitas com varas de pau em malha apertada.

Este peixe seco era depois de seco comercializado em fardos e levados em camiões para o interior, cidades, loja de mato, vendas ou fazendas de café com gente do contrato, nas grandes plantações de algodão e outras que iam aparecendo no correr dos anos, exploração do sisal ou plantações de ananás. Parte deste peixe era comercializado pelas quitandeiras nas ruas de Luanda e, era ouvir o pregão de pargo ou “garoupa fresca, minha senhola” e logo ali se comercializava o peixe a fritar.

Luua28.jpg E, quem já nem se lembra do cacusso de Kifangondo, peixe do rio assado com feijão de óleo de palma, pirão ou funge com o caldo do cozido. Dos piqueniques no Mussulo e, seus barcos kapossoka e kitoco a acalmar as agruras dum fim-de-semana; acalmia, sossego e paz no encanto da embriaguez de um outro mundo na voz do tempo comendo peixe grelhado, choco com tinta relançando um tempo de cazumbi perturbando no limiar do nada, num vazio dum oculto fogo ximbicado!

A agora conhecida mandioca, lá na Luua foi levada pelos Tugas passando a ser quase a principal alimentação dos axiluandas ou camundongos. O tempo fingiu que isto só foram obras do acaso mas é uma realidade com funge, pirão da fuba; a mesma farinha feita com a mandioca amolecida na água e seca ao sol. Aiiué! Saudades do bangasumo do kimbombo do marufo da cassoneira, da t´chissângwa e a bolunga de milho. Aiué Catonho-Tonho! Aiué Gajajeira! Aiué Robert-Hudson, Biker, Quintas e Irmão, Armazéns do Minho e do Bungo. Tudo na fragrância da Catinga, do Mufete, da garoupa, peixes galo, pungo, corvina e caxuxo.

luua17.jpg Que saudades dos meus tempos de candengue! Da malta com quem ia ao Cine-Colonial ver o John Wine, das beatas pelo ar e dos avisos aos heróis de cena, cuidados e “olha na tua trás” da plateia cheia de grunhos, mazombos e alguns gwetas como eu. Que saudades das sandes de peixe frito do velho Campino, e daquele seu "boteco" defronte da Farmácia São Paulo! Do Sr. Brito que tratava da "flor do Congo"! Que saudades dos doces da paracuca, pirolitos, kicuerra e kafufutila!

luua30.jpg Glossário

Luua - Luanda; loando – esteira feita de papiro (luando do rio) atado com mateba; Kicuerra: farinha de mandioca com açucar; Kafufutila: falrripos, perdigotos; gweta –branco; T´chissângwa e kimbombo – bebidas fermentadas de milho; Axiluanda, camundngos – Naturais de Luanda; Ximbicar – remar com bordão; Kapossoca e kitoco – Nomes de baco, traineiras transformadas; Loando – esteira de papiro do Lifune; Tuga- Diminutivo de português; Múcua – fruto do embondeiro; Mu Ukulo – do antigamente; Mwata – Velho com sabedoria; M´vuluvulu – árvore frondosa da beira rio do Cubango…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:03
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Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
MU UKULU – XXV

FEROMONAS DA VIDA... De Luanda do Antigamente até Benguela – 16.12.2019

- Saber do passado para melhor se entender o futuro...

(Este texto já foi publicado em Kizomba a 04.09.2019 e, é agora remetido ao Kimbo para constar na Torre do N´Zombo…)

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soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto

matipa-tipa.jpg Na busca de Catumbela, Lobito e Benguela ao Sul de Luanda pude recolher alguma informação através do blogue “Pensar Angola” e, na minha busca blaguista, tenho de relembrar que os blogues de antigamente eram chamados de blagues, segredos da arte de navegar usada pelos Tugas no achamento das terras. Já naquele tempo e com instrumentos singelos, os portugueses usavam a modernidade de hoje através dos ouvidores e blaguistas; gente que escutando nos portos de Cabo Verde o segredo desses ventos, nas datas de sua fúria, tempestades e as marés, assim passavam a palavra…

Aqueles olheiros e ouvidores eram investigadores espiões ao serviço de Castela dos portos de Antuérpia e praças-fortes da Holanda do comércio em expansão no Mundo! Nesta voluntariosa missão de arrumar as terras nas cartas, quase todos os dias observo a latitude a bordo e, conferenciando andamentos com o piloto fictício, dou compasso às singraduras, prevendo as léguas, a influência dos ventos e das correntes.

fuga1.jpg Espalhamos padrões com a cruz de Cristo por toda a redondeza da terra, em caravelas, naus, bergantins ou canoas, navegando à bolina, com o Siroco ou Alisado, percorrendo as costas dos mares e, neste caso concreto as de Angola, com seus rios largos e boas enseadas para ali se abrigarem. Por tudo isto, os Portugueses são os grandes culpados da globalidade de hoje. Las Casas, cronista conceituado, dito portador da verdade, confidenciou-me em sonhos, que Duarte Pacheco, antes de 1494, já tinha descoberto não só terras brasileiras como também a Flórida só que, tal não podia ser revelado pois o destino do caminho marítimo para a Índia era segredo absoluto.

A arte de navegar de hoje “via Internet” não tem nem de longe a audácia daqueles portadores, dum veículo chamado agora de globalização… Com mar cavado, perfurando os medos, ultrapassavam baixios, conquistavam terras a “uma boca não he mais de hum tiro d’arcabuz”. Com o progressivo descobrimento da costa africana, os Tugas iam-se fixando em seu litoral, fundando povoações ou feitorias e, num acto civilizacional conviviam com o gentio - Na comitiva das naus, sempre ia um padre da Igreja Católica levando a bênção do Papa, a maior figura, Juiz do Mundo e Chefe dos Reis. Um Mwata da Globália…

37.jpg Com espírito aventureiro e mercantilista portadores das ordens régias e na senda do cristianismo, as gentes lusas palmilharam como funantes as vastas regiões dos matos observando a fauna, as espécimes vegetais e modos de vida do gentio. Isto levou muitos a embrenharem-se pelo sertão tendo como armas de defesa uns arcabuzes do tipo canhangulo ou pederneira, muitos carregadores e, em fila, lá iam desbravando o conhecimento, o mel silvestre, o marfim, carne e muito deslumbramento…

Nesta busca pelo interior, é incontestável que os primeiros contactos foram-no através do Bailundo; nestas terras, comerciou o Capitão-General D. Manuel Pereira Forjaz, em 1610, seguido pouco depois pelos funantes de Benguela e Catumbela, estabelecendo-se em lugares como Caconda ou Kaluquembe. Em 1770 ou 1771, o governador Sousa Coutinho fundou a povoação de Nova Golegã, aonde se instalou um Juiz-Regente – género de Mordomo, representando o Governo do Rei junto do Soba.

candomblé.jpg Parece ter sido José Francisco da Cunha o primeiro a desempenhar estas funções; outros se lhe seguindo, com frequentes intervalos, até que, em 1885, Silva Porto, nomeado Capitão-Mor do Bié e Bailundo, estabelece definitivamente a autoridade civil naquelas paragens, com carácter de permanência. Três anos depois, é substituído por Teixeira da Silva, que vai residir para Belmonte, fixando-se mais tarde no Catape, a partir de 1891, quando se dá o desmembramento da capitania.

A 16 de Julho de 1902 é criado o concelho do Bailundo, com os postos militares do Balombo, Huambo, Luimbale, Galanga, Cassongue, Sambo e Bimbe, transformados em postos de polícia civil no ano de 1911. Em 1769, aquele já falado governador pombalino, Sousa Coutinho funda no Quipeio a povoação de Paço de Sousa. Nada se sabe quanto à sua existência, pois que deve ter sido efémera. É de crer que o primeiro regente da província do Huambo tenha sido João dos Santos Moura, em actividade nos fins do século XVIII e princípios do XIX.

kalu9.jpg Em meados deste, deixou de existir autoridade civil nesta região, o que permitiu o regresso à desordem e anarquia. Após a campanha de 1902, foi instalado na Quissala um posto militar, sob a jurisdição do Bailundo. Elevado a comando em 1909, foi em 1911 transformado em concelho. Neste mesmo ano foi também estabelecida a primeira comissão municipal. Do concelho do Huambo se desmembraram sucessivamente os da Caála (Robert Williams) mas, que se diga (primeiro, foi o Lépi), em 1922; o da Bela Vista, em 1957; e o da Vila Nova, em 1960. Em 1934, surgiu o Distrito, integrado na província de Benguela, da qual se desintegrou em 1954.

Foi ainda Sousa Coutinho o fundador da povoação de Linhares, no Galangue, em 1769, ignorando-se a identidade do primeiro regente, cuja jurisdição se estendia ao Sambo. Em 1806, Francisco Lucas da Fonseca passou a intitular-se Juiz-Regente da província do Galangue e Sambos, neste último sobado tendo sua residência e ali exercendo sua autoridade até 1821. A partir desta data, deixou o Governo de ter representante qualificado nesta região. Em 1902, foi criado o posto militar do Sambo, mais tarde transformado em civil, e posteriormente pertencente ao concelho da Vila Nova.

kalu7.jpg A fundação da Vila da Catumbela data-se em 1836, por D. Maria II, rainha de Portugal. Mas o certo é a de que o Porto do Lobito sempre teve a Catumbela como uma extensão deste porto. Ter em atenção que em 1846 foi construída a fortaleza da Catumbela (Reduto de São Pedro), que hoje é um monumento histórico. Entre os anos 1856 e 1864, começaram a surgir as primeiras fazendas, como São Pedro, Fazenda Maravilha do Cassequel, Fazenda do Lembeti, e ambas exerciam actividades relacionadas ao cultivo do algodão e mais tarde cana sacarina para o fabrico de aguardente.

Entre o Lobito e Catumbela e, antes da fundação desta, existiam povos desta localidade. Povos que se dedicavam à agricultura, ao cultivo do milho, feijão, abóbora, batata-doce e outros produtos agrícolas mas, e também à criação de gado. Em 1883 iniciou-se a construção da estrada que liga Benguela a Catumbela, cuja actividade foi concluída em 1889, e ainda em 1889, foi o ano em que construiu o actual cemitério, por José Lourenço Ferreira. A Cana Sacarina foi introduzida de forma intensiva no século XX mas, com a participação dos Cubanos na guerra civil que terminou no ano de 2002, esta cultura foi abandonada por via de sua influência; Aqui, compreende-se o interesse em Cuba gozar de privilégios com a importação do ouro branco de sua ilha no Caribe…

kafu28.jpg NOTA: Esta descrição foge um pouco ao descrito no livro de Mu Ukulu, por via de se dar a conhecer o que se passava em um todo, numa vasta Angola. Voltaremos ao livro de Luís Soares assim que for oportuno… Este texto já foi publicado em Kizomba a 04.09.2019 e é gora remetido ao Kimbo para constar na Torre do N´Zombo…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:46
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Domingo, 15 de Dezembro de 2019
PARACUCA . XXXIII

MULOLAS DO TEMPO . 7 – 15.12.2018

Nós, bazungus no lugar da N´Kwazi (águia pesqueira) – NINGUÉM É SANTO - 02 de Outubro de 2018 – Terça-feira …

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soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto

kariba6.jpgEstamos no dia 02 de Outubro no lugar de M´Libizi no Zambezi Resort – P.O. Box 1511 de Bulawayo no lugar do “DEAD SLOW” (morte lenta). 12º dia de Odisseia -Tinha de ser assim mesmo num lugar aonde o tempo morre a admirar o lago Kariba. Ficar aqui dez dias sem podermos usar nossos cartões de crédito cria-nos forçosamente problemas logísticos! E, entretanto vamos fazer mais o quê para além de pescarmos ou olhar o lago? This is África … This is África …

Ali ficamos duas noites para espairecer pois que as instalações eram verdadeiramente satisfatórias mas, tendo um pequeno senão – não havia ali WiFi. Demos mesmo com os burros na água como é costume dizer e, ainda com a agravante de não termos a gasolina suficiente para regressarmos até a Vitória Falls. Aqui não havia nenhuma bomba para abastecimento e, isso era grave!

fotos ZÂMBIA 022.jpg Havia também o inconveniente de temos de pagar tudo em dinheiro vivo na moeda local, o dólar zimbabwano ou em randes. Isto era um grande desaforo pois que nosso comandante RV não prevendo estes inconvenientes só levava para além do cartão de crédito, notas de 500 Euros; isto era nitidamente impraticável neste fim de mundo e, eu era conhecedor de que isto assim era pois que, nem no Banco do Brasil, estando no Nordeste, consegui trocar tal nota. Nesse então tive de ir a um cambista e pagar caro pelo descuido devido às taxas exageradas de lucro…

Pois, como tudo falhou, teremos de voltar para trás uns 260 quilómetros até chegar ao Rest Camp Victória e tentar obter gasolina em Cross Dete que fica a uns 95 quilómetros daqui. Nós, já tinhamos reparado haver grandes filas de carros nas bombas de combustível mas não nos apercebemos que havia mesmo escassez deste líquido - o Zimbabwé estava a ser abastecido por camiões chineses – podia ler-se nos carros de abastecimento de combustível, aqueles seus normais arabescos de sua escrita.

fotos ZÂMBIA 028.jpg Haveria agora de encontrar solução para nos desenrascarmos e, havia sim! Razão tinha a minha empregada Mery de Campala ao dizer que nós bazungus ao pensar só em safaris, eramos chupados até ao tutano pagado por tudo, os olhos da cara! Havia um homem que ficava ali perto da portaria e que tinha no seu mukifo gasolina de socorro em jerricans de plástico, só que, iria ficar um pouco mais caro.

Ela, a Mery, bem disse que os bafanas não alinham nessas tolas correrias de fantasia e aventura dos t´chinderes, brancos gwetas. Assim teria que ser: comprar no mínimo dez litros para chegar à estrada A8, uma estrada comum, em que se paga portagem. Já tinhamos reparado ao longo do trajecto haver latas e plásticos amontoados aqui e além nos bordos da estrada e, em lugares próximos de agrupamentos de casas e cubatas mas na nossa ilógica do costume sempre pensamos serem de mel ou água. Esta lógica do TALVEZ atrapalhava-nos a visão.

fotos ZÂMBIA 002.jpgPois aquelas latas e jerricans não tinham outro qualquer produto, afinal era mesmo gasolina a fornecer aos imprevidentes como nós, guiados pelo nosso condutor e comandante fumador de cigarrilhas tipo cohiba… Haja paciência! Isto era dito com bastante frequência entre fumarolas de anéis percorrendo nossos esqueletos. Os bafanas que não pastoreiam cabras, montam “cuca-shops” (vendas) vendendo milho-papo e, entre outras iguarias locais o pequeno peixe t´chissipa do qual fazem comidas untadas de óleo de palmeira.

Lá atrás no Hwange National Park ainda vimos este prato a ser executado pelo guarda dos taxos e panelas, o mesmo que me forneceu a troco de gasosa a palavra passe do WiFi mas, sucede que o prato de alumínio estava tão encarquilhado que meteu algum nojo de arrepiar a moleirinha ao comandante RV. Por via disso acabei por comer o bife mais duro que alguma vez já comi no restaurante que até tinha bom aspecto mas, deveria ser dum gnu dinossáurio da região.  

kariba8.jpg Agora, e de regresso a Victória Falls teremos de recuperar o dinheiro dado pela compra do bilhete do ferry fantasma ao manager do Turist Information Centre no knowledge Nyoni. O dono do ferry algures noutras lonjuras assim disse por telefone ao dono do “DEAD SLOW” (morte lenta), um grande e gordo bóher que por ali assentou arraiais no Kariba. Dia 02 de Outubro fomos os quatro, ali bem perto, ao M´Libizi Hotel almoçar; pagamos 52 dólares.

kariba9.jpg Acabados de almoçar apareceu o homem a quem se tinha encomendado a gasolina Pagamos pelos dez litros de gasolina no jerrican mas de tão desfalcado pareceu-nos só ter oito litros, enfim! Feitas as contas o litro do precioso líquido deve ter ficado pelos 1, 70 euros mas e pelo que eram todos conhecidos, pagamos tudo junto tendo ficado no total em 1000 randes. Neste M´Libizi  Kariba não se aceitam cartões…Óh mundo de túji e, ainda temos de atravessar a Zâmbia para chegarmos à Tanzânia…   

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019
CAZUMBI . LVII

MOKANDAS DO REINO XINGUILA08.12.2019

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - “BULUNGA DO ULTRAMAR . “Nos reinos de Maconge e Huambo”

Por

soba0.jpegT´Chingange - No M´Puto

batalha01.jpg Foi no dia 23 de Novembro de 2019 e num lugar chamado de Cidade de LEIRIA do M´Puto. Assim, em terras Ultramarinas, reuniram-se em kizomba, nobres, altos dignatários e plebeus dum reino perene, liderados por um Vice-rei - D. ROBERTO DA SILVEIRA, III VICE-REI DE MACONGE; neste reino de Faz-de-conta aonde ninguém morre e, aonde os africanos se tornam brancos e vice-versa, reúnem-se vivências com recordações de peregrina amizade. Desta feita com a organização da Sobeta Maria Amália - Mali.

Por via do frio e com uma preguicite aguda só agora me dispus a relembrar aquela ida às terras lindas do Rio Liz fazendo-me uma pergunta: E, para quê peregrinar no tempo? - Para ratificar a vida! Foi deste jeito jeitoso que me vi a cantar o hino, taciturnando-me entre a malta vinda da Huila, do Lubango, prensado num texto assim cantado: -“A malta ganhou a taça, sem ter nada que fazer; quem quiser ganhar à malta tem um osso p´ra roer, roer, roer”.

Neste reino de sonho e fantasia dão-se vivas à vida, num vira, vira, regado a tinto ou espumante morganheira. Como um funante mazombo, suspeitoso e camundongo, divagarei em pensamento: Naqueles idos tempos do Diogo Cam “Se houvesse uma revolta em Angola, movida pelos colonos, não era preciso tropa para a debelar; chegava um bom orador, romântico, sentimental, que lhes  falasse de Portugal,  que todos se abraçariam com lágrimas nos olhos”.

cronicas mano corvo.jpg Foi assim o que disse Henrique Galvão no ano de 1937 em visita de soberania a Angola - “ Há quem viva de teu perfume e dent´routros matos e espinheiras rasgando-se em sonhos, por ti ruma!”. Num torpor de antigas Kizombas, paisagem do deserto Namibe agachei-me por detrás da bissapa,… era o soba Cunhangâmua que aí vinha.

-“ Há quem, nas águas de salina, se purifique em lágrimas cristalizadas por em teu ventre não cumprir sina”. Ué, no meio da farra vi-me sonhando, bebia bulunga, antes da grande caminhada para sul e, eu também ali estava a seu lado como conselheiro real em assuntos de brancos; neste agora tinha um Vice-rei de nome Silveira e senti-me com muita cagança a recordar velhos tempos.

Num repentemente, deu-lhe vontade de cuspir um pigarro encravado entre as ferraduras e os gorgomilos. Fosse eu esse tal de Cunhangâmua, a um primeiro esboço de lançar cuspo, logo um gentio se acocoraria submisso, curvando-se a jeito p´ra receber tamanha cuspidela. Parece disparatado mas, era assim que as submissões eram, ríspidas e sem lamúrias.

MACONGE0.jpg Cuspo de soba, com aquela estirpe, não podia ser desperdiçado numa terra só de pó. Cheio de honrarias, o súbdito de arrecuas balançaria a cabeça, umas quantas vezes, em jeito de agradecimento. Que mais posso fazer eu um plebeu de pé rapado nestas festas tão cheias de doutores do clero e nobres de alto coturno, senão com eles sonhar.

Da t´ximpaca soou um som forte ferindo o silêncio da planura e, bastou o soba dizer que aquele boi tinha um bom “berro” para ser anexado aos tributos, que mais atrás seguiam em caravana. Claro que estou divergindo e, em pensamentos vou até lá longe aonde as clarinetas são chifres retorcidos de boi que rasgam seu canto entre penedias e ecos de montes.

maconge01.jpg Num repentinamente, restolhando o silêncio, surgiu do mato, um T´chingange agitando um pote de barro preto e, dizendo coisas desconexas, abeirou-se do soba; de seguida, ambos se esgueiraram para trás dum muxito denso. O Kimbanda, cumprindo o ritual, tinha naquela hora de recolher, a urina do grande soba .

Neste espaço de fantasia e verdade, invadi a rota que desembocava na paliçada do Kimbo maior e, numa noite de lua cheia, aconteceu assistir à circuncisão dos candengues daquele outo arraial; crepitava o lume em ondas de cores quentes pelas palhotas quando, de uma delas, trouxeram o rapaz,… sentaram-no num cepo e, no meio de inebriante batuque, um M´fumu, auxiliar de Kimbanda, com uma pequena faca passada pelo lume, cortou o prepúcio do pénis do rapaz.

De seguida, com as bochechas cheias de álcool, borrifou para o órgão despilado. O grito mal se notou no meio da algazarrada, aquele seria um guerreiro umbundo p´ra valer! A bulunga de massambala tinha naquele dia uma mistura especial - a urina do soba Cunhangâmua! Menos mal que é mesmo só pensamento pois que bebo morganheira do M´Puto.

luua38.jpg Assim se tornariam homens de têmpera nobre. Tudo foi feito nos verdadeiros conformes, na roda da grande fogueira, batuque, sangria de boi berrante e bulunga. Na contraluz da perdida imensidão, naquela noite especial, dormi com um cafeco de feição N’nhaneca, enfeitada de trancinhas e cortes no rosto com forma de avião. Tinha cabaço,… mesmo!

Naquela outra manhã, as mulheres surgiram em algazarra, levantando os braços, chocalhando discos de lata, batiam com os pés no chão; do peito, pendiam couros, das orelhas escorridas, pesadas argolas. Festejavam! Ué,... Alambamentado no costume virei M´fumo de T´Chingange. Do Cunhangâmua ao Kuvale, a pedra do trovão, nesse tão único lugar mítico troou. Acordei aturdido às margens do Liz, um rio do M´Puto no lugar Leiria. Háka! “Há quem viva entoando nos batuques, há quem nunca esqueça o chão, os cheiros do coração”. Hoje fiquei promovido. De candengue a Kota; de kota a Século…

NOTA: -xinguilar: Palavra Angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.

Glossário:

Bissapas - arbustos; Muxito - tufo de mato; M´fumu - chefe, homem de respeito; T´ximpaca - cacimba de água de chuva; Kizomba - festa com álcool; Bulunga - bebida suave fermentada de massambala; T´chingange - feiticeiro, cobrador de impostos e jurista auxiliar do soba; Kimbanda - médico tribal; Candengue - rapaz; Cafeco – catorzinha, menina virgem; Cabaço - virgindade; Kuvale - zona do sul (Angola); Soba - Chefe – Xissa, porra, caramba.

O Soba T`Chingange



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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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