Domingo, 19 de Maio de 2019
MOAMBA . XXX

MOAMBA AQUI É TRAMOIA 
TRAMOIA DE "SACOLEROS"... 19.05.2019
Por 

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra do M´Puto

berard3.png Hoje desacordei meio chateado. Até nem dormi bem por via de tanta pancada dada ao Senhor Joe Berardo. Com tanto camundongo safardana que anda por aí, custa-me muito ver tanta gente a atirar pedras, pedregulhos ao Joe. É na TV, é na tasca, é no café. Todos a zupar forte e feio num homem hábil que só teve a pouca sorte, quase infelicidade de se rir do Zé. Ontem, estando eu com meias descruzadas, quersedizer, não aparelhadas, na esquerda umas de riscas e na direita umas às bolinhas...
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Pois! Estando eu bem perto do mercado de Coimbra, chega uma senhora, pousa sua tralha e carrinho de compras à porta do café vão de escada bem perto do elevador panorâmico e, olhando de soslaio para seus bagulhos, assim um olho no cigano e outro na mercadoria...

Coimbra24.jpg Um olho aqui e outro além como o camaleão e, ouvindo gente transpirando pela boca desconhecimentos, falas só ouvidas, pede 3 sardinhas petinga para colocar na carcaça. Via-se nela ser uma desafortunada, uma velha senhora com acelgas e mastruços no bigode - assim, pobre mesmo! UMA PÉ-DE-CHINELO DE DEDÃO.
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Coitada, pensei cá comigo! Com sua reforma não pode decerto alongar-se nos gastos - deve ter um reforma de cacaracá. Do outro lado do balcão tia Micas, mulher do senhor Manel. diz: cada sardinha são vinte cêntimos! Não pode fazer por menos? Replica a velha senhora...

Coimbra12.jpg Tia Micas, entretanto põe-lhe quatro petingas num guardanapo e embrulhando, refere a carestia do produto. Não é que em seguida, ambas se põem a desancar forte e feio naquele senhor Berardo que nem sequer conhecem! Como se fossem entendidas destas engenharias financeiras, dizem o que todos dizem: - Não há direito! Comem-nos o dinheiro aos milhões e edecéteras que possam imaginar.
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Coitado do Joe! Tanta gente a pregá-lo na cruz, até sem nada saber do que é certo ou errado. Eu só espero que o "comendador" dê com a língua nos dentes e que diga tudo o que tem para dizer! Acho até, que quando ele abrir a boca, muita gente ira tropeçar na tramóia! Até acredito que ele, o fará - é bom que o faça! Que ponha alguém mais, a tremer! 

berard1.jpg Esta sociedade anda a bulir comigo! Tanto larápio por aí e, só este para desandarem! Não é que esteja com ele mas, tanta má gestão e, agora a zuparem nele - um bode expiatório, só posso pensar ser um meio ou mau juízo. E, porque Berardo sempre fez alguma coisa ao invés de outros que só deslapidaram! Que deu algum trabalho ao Povo. Lembrei-me de assim, solicitar-lhe amizade porque me custa ver correr desaforos e gratuitas falas....
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O Joe Berardo ficou rico por estar no lugar certo e na hora certa, comprou "tailings" das minas de ouro da África do Sul para as reprocessar com uma tecnologia mais moderna para recuperar o ouro. Depois, voltou para Portugal e, com muito dinheiro, comprou o titulo de "COMENDADOR" e dedicou-se a especular na bolsa. Lá na África do Sul isto é quase normal - há mais "comendadores" que pilotos de rebocadores...

Coimbra13.jpg Ajudou a sabotar a OPA da SONAE, a PT causando um prejuízo imenso ao accionistas porque os títulos nunca mais tiveram o valor da OPA, e comprou imensas acções do BCP com dinheiro emprestado por atrasados mentais (da CGD, e não só...) que aceitavam os títulos como garantia ! O Berado fez um rombo de 1000 milhões na BANCA, porque o povo Português (OS GESTORES) e muitos outros, e' BOÇAL...
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Um "povo" que dá mais valor a quem tem dinheiro e especula, do que a inovadores ue tentam arrancar com um negocio!
Berardo, está a ser o bode expiatório de uma camarilha - a que lhe concedeu os empréstimos com garantias patéticas e que só se entendem porque quem lhe emprestou (dinheiro da CGD) SE beneficiou. Não tenho duvidas!

caixa0.png Coincidentemente, uns quantos trutas da CGD - desses que decidiram o empréstimo em condições absurdas - foram por ele contratados para gerir o BCP. Um rombo no cano roto da trapacice, tal como um "lava-jacto" brasileiro. Num país a sério esta canalhada estaria presa há uma década. Por cá andamos em comichões parlamentares em que os canalhas que concederam o empréstimo se passeiam e o que recebeu o empréstimo (até ver incobrável) é diabolizado! Tenho dito!

bpn1.jpg Porque não vão analisar as fortunas dos VARAS e dos SANTOS FERREIRAS ?... Ah! O Varas já está preso por causa de uns robalos e, mais um sucateiro... Que belo administrador foi o robaleiro!!! Ele, há coisas! Mundo ingrato e maluco com tanta gente grafonola num gira o disco e toca igual,... E já no acto de pagar à tia Micas, não é que me cobra mais vinte cêntimos do que é habitual pagar ao seu Manel... 
O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:07
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Sexta-feira, 17 de Maio de 2019
KILUNDU . VIII

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O LEGADO DE PIETER - A bolunga de xylinoide -17.05.2019
O Cipaio Kukia Edu Mandinga em ALHAMBRA, assiste admirado à vassoura espacial a pairar no ar...
Por

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra 
O desanoitecer estava a chegar num dia novo de guardar memória; uma noite de minha alma arrependida de pena com contributos sentados na pedra do chão polido, raspado por tanto sapato retocidos de Aladino; sonhos alheios de tudo o mais de quando só era e, mal guardados pelo Cipaio Mor de nome Kukia Mandinga que os deixava fugir porque não os via. Seu spray de contornar kiandas invisíveis estava passado na data - Quer-se-dizer, não tinha sido fiscalizado pela suprema ASAE - Autoridade de Segurança Astral e Económica da Torre de N´Zombo. 

sapatos longos.jpg Foi quando aconteceu! Uma moderna trotinete feita vassoura, vinda do além, do futuro e, em turbo silencioso uma senhora chegou toda práfrentex, soprada por um vento cheiroso, sentou-se depois de encostar a mesma em lado nenhum seu estranho objecto parecido com uma vassoura de piaçaba; pairou assim no ar e ali ficou bem ao lado de sua dona como se fosse um cachorrinho amestrado. Chamaram por mim?  Olhando-nos dissemos: Não! Dissemos em uníssono mas ela, nem ligou e começou a falar e assim, nos compenetramos em seus dizeres.
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Tinha pena desses alheios medos fragmentados em porções, feitos pó mas, a vida dum T´Chingange, zelador dele mesmo - Soba, tem dessas periclitantes passagens pois que um M´fumo não pode em caso algum ser uma galinha depenicada na vontade de pra-esquecer: Por isso toma bolunga xylinium “legado de Januário Pieter” um alto dignitário, mano-corvo Mwata.
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Falaram em bicharocos de Kombucha e, esse, foi um toque mágico que aqui me trouxe, disse Ela, a Maga Patalucha voadora. Acabamos por anuir, ouvi-la depois de nos dizer que alguém a tinha designado de Fada Makota MSJ - Maria João sacagami, senhora dos anéis e do batom mais espelho com Oxumaré esperneando com Orixá velho e babando. No discurso directo dissecou: - Posso dizer que na verdade mesmo quem espionava por detrás dos imbondeiros dos meus caminhos era Iansã. Este Iansâ, nós desconheciamos por inteiro. 

sacag11.jpg Sim senhor, sou bem capaz de parar a chuva ou fazer chover - para gáudio e medinho de alguns que me chamam de macumbeira e nem sabem o tamanho da Minkisi ou de quem a acompanha! disse isto e riu-se, riu-se até quase entupir um canal estranho que lhe saía algures por detrás duma orelha que tremia na captação de sons e bactérias espaciais.
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E, é assim na directa fala de Majô:- As famílias de bactérias que só podem ser vistas ao microscópio são sobretudo a acetobactéria xylinium que a partir do sétimo dia começa a formar ácido acético, outras famílias xylinoides, a bactéria glucuranium e a acet ketogenum. Agora o milongo fica caté que parecido com uma kissangua de chá ehehehhehehehe tal como a kissangua pode ser mais doce, menos doce, com frutas ou não.

sacag8.jpg E, continuou: - A diferença é que tens (com nossos ouvidos escancarados na escuta, já ela a MJS, que nos tratava por tu...) que ter a tal da colónia dos bicharocos de Kombucha mais 100 mililitros da águeta onde os tios vivem para poderes criar tua mistela. Juntas teu chá (escolhes qual, pode ser kaxinde, chá branco, preto, mate, hibisco e verde). Daí podes juntar frutas ou especiarias do teu gosto - gosto de anis e canela, às vezes cardamomo ou um toque de noz moscada. 
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E, continuou: - Pode ser também grãos de café. As frutas se forem na forma de suco tem que ser apenas 100 mililitros. Deixas em pote coberto com pano fechado com elástico em temperatura ambiente e na sombra. Dependendo da temperatura ambiente entre 5 a 15 dias vai haver mudança no sabor ficando bem menos doce mas não avinagrado. Tiras 90% do líquido para uma garrafa e juntas as especiarias e/ou frutas. Fechas bem, deixando-o no ambiente até ter pressão; quando estiver pronto para tomar, se não for de imediato, terás de o colocar na geladeira para consumir em até 10 dias. 

sacag2.jpg O que fica no primeiro pote recebe mais chá. Se ficares cansado de tomar, juntas 500 mililitros de chá e deixas por até 2 meses na sombra fresca. Se ficar muito envinagrado, jogas fora 90% do chá e deixa-lo fermentar em menos tempo. Alerta para nunca se fechar o kombucha com rolhas; usa pano ou filtro de café com elástico. Ele, sem oxigénio morre! Usa açúcar daquele amarelinho. Se usares garrafa de vidro no processo final cuidado, porque tal como a kissângua, fermenta e explode.
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Ficamos todos encantados com tamanha explicação e nos detalhes meticulosos. Pois assim é disse Januário Pieter depois de agradecer sua vinda. Curiosamente até se curvou como se fosse uma "zeladora". Uma vez que Oxum fez vénia, só poderás entrar na estória como ZELADORA DOS ORIXÁS! E, coisa incomum, deu-lhe um beijo repuchado na mão direita... O Cipaio EDU - o lanceiro-poeta da Chibia,  um branco  de segunda  de N´gola já de terceira geração, estava simplesmente abuamado, espantado, olhando sem pestanejar para aquela vassoura espacial a pairar no ar. 

sacag1.jpg Januário acrescentou à coisa dita:- As famílias de bactérias que só podem ser vistas ao microscópio são sobretudo a acetobactéria xylinium que a partir do sétimo dia começa a formar ácido acético, outras famílias xylinoides, a bactéria glucuranium e a acet ketogenum.  Também ele, feito Mwata era um entendido nisso, coisa que desconhecia. As fermentações são processos muito complexos em que a menor alteração do liquido, chá verde e chá preto, pode produzir resultados muito diferentes e, daí a grande variedade de cervejas, vinhos, cidras e outros alimentos fermentados como o kéfir, pikles, queijo, tempeh, cshoyu, etc,etc...
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O chá é portanto o elemento principal desse liquido com cerca de 350 compostos químicos, distribuídos em: - 40% de glúcidos , 20% de proteína com aminoácidos (teanina), 2% de gorduras , 9% minerais de manganésio, potássio, magnésio, flúor e vitaminas B, B1, B2, B3, B6, B12, C e P; 29% são polifenois, flavonoides e catequinas do chá preto... Na prática fazemos um chá com água e açucar em quantidade por forma a produzir levedura com os nutrientes desses três elementos.

roxo60.jpg Háka! A conversa já ia longa mas haveria que ouvir na especialidade como deve ser. Para fabricar as enzimas que vão desdobrar o açúcar em glucose e frutose, o tamanho da placa de cultura deve estar proporcional ao volume do liquido pois que este se for em excesso diminui a produção de CO2. Deve portanto utilizar-se 10% do liquido “starter”, (inicial) no fundo do frasco aonde existem muitas leveduras e poucas bactérias.
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As leveduras, sendo muitas, respiram o O2 (Oxigénio) do ar porque também estão à superfície do frasco e, por isso, produzem três vezes mais CO2 mas, nenhum álcool. Convém dizer que o chá verde tem 2% de cafeína e o preto 5% pelo que, as culturas crescem melhor no chá preto. A cafeína e a teofilina são purinas usadas na construção dos ácidos nucleicos daí resultando em microorganismos como fonte de nitrogénio. Bom! Isto já ia longo. Por isso despedimo-nos temporariamente... Que seca! Disse eu, muito baixinho... Dei um ultimo gole e bazei! 
Continuaríamos neste “legado de Januário Pieter”- mais tarde
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:28
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019
MALAMBAS . CCXX

TEMPO DE CINZAS – Terça Feira - 14.05.2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor de Zebra… de várias partes
Por

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra do M´Puto

miai3.jpg Escrita no No Nordeste brasileiro Em Miauí de Cima - Alagoas... 
Eram umas seis horas e trinta minutos, um calor do caraças, corpo mole e pegajoso com um ventilador ronronando paciência na vagareza, gotas de suor a formarem rios e ribeiros até chegarem ao lençol e, vira que vira com a vagareza do soprador que não sublima minha transpiração. Levanto-me! Fui fazer o café da avó na cozinha do piso térreo, bem à maneira, com chaleira e coador. Roça, é roça... 
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Tia Jacira, era uma senhora muito especial e porque já a descrevi, só direi mais que era uma dedicada assistente social de formação e voluntária às rezas repetidas dos terços da vida na Igreja de São Pedro da Pajuçara na Ponta Verde, muito próximo de meu ninho da águia, do carcará Niassalês - eu próprio.

mike1.jpg Com os seus mais de oitenta anos, Tia Jacira distribui amor por todos; incluindo-me, claro. De café feito e coado vou buscar a caixa metálica do papagaio, um jacó verde e amarelo, brasileiro a cem por cento mas, pouco falador; abro a caixa e com um pau-xinguiço retiro o bicho colocando-o em seu altar encastrado no pilar, tendo ao redor uma série de copos com comida, fruta e outros de zingarelhos para palitar dentes feitos bico adunco e, raspar as patas carunchosas.
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Tia Jacira normalmente fala baixinho com o verde-amarelo e, ele trejeitando a cabeça, de curiosidade chama-lhe vóóó - palra coisas indefinidas grasnadas como se fosse um pato-marreco. Nada parecido com o meu papagaio da Cabinda de Angola que pintava a manta de tanto falar chamando filho da puta, assim direitinho ao sagwin-macaco que estava do outro lado da casamata do mecânico dos unimogues e, também minha. 

arara1.jpg Dei-lhe um bocado de painço, um pedaço de banana e uma mistura colorida, sementes de girassol, água limpa e o sacana, nome de como eu tratava, nem um agradecimento: - Matumbo, 
repeti várias vezes e, ele assim com a cabeça de lado como que gravando no seu disco de bicho mas, nada de repetir o tio carcará (eu, o T´Chingange). 
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Cortei um pedaço de jornal ali esquecido e com data de 23 de Dezembro de 2011, a fim de fazer de lençol ao jacó matumbo. Era um periódico da Gazeta de Alagoas a dizer bem e mal dum antigo prefeito de Maceió, Cícero Almeida, um papagaio feito gente civilizada que também desviava verbas para a lista secreta das boquinhas do PT e outros afins... 
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Mais logo este jornal também vai aparecer cagado, com destino inevitável do lixo bem igual à vida daqueles políticos que se lambuzam em devaneios, sabendo que as baratas correm em raly nos corredores dos hospitais para gáudio dos utentes. Os caras enchem-se de boémias, pintam e bordam e, a justiça que deve fazer parte da caixa dois ou mesmo três, nada diz e nada faz... 

miai5.jpg É isto e aquilo que o Bolsonaro quer acabar mas vai-se dar mal se não trilhar bem firme o seu carril. Tem inimigos pra xuxú! Tomara!... Meio Brasil, vivia da seiva dos carrapatos. Hó gentinha, vou zarpar porque dois mais dois podem não ser quatro e fico ferrado. Mas que gorjeavam lambugisses, lá isso era nítido mas, diga-se, a maior parte do povo nem via isso por conta da bolsa, da gasosa, do geito brasileiro. Vou-te-falar!? 
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Saí a comprar leite, pão e queijo de coalho e chegando à padaria um pouco mais a sul, digo Bom d´Jia, assim, um bom dia bem à maneira brasileira. A resposta veio rápida do mulatão, padeiro saído das quenturas dos fornos: - Bom d´Jia, meu irmão! Ué! É o trato... Para agradar ao meu novo mano comprei mais meia dúzia de ovos e uma porção de goiabada.
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Juntei mais uma dose de milho flocão Coringa para fazer no vapor ou talvez bolo; deu tudo somado vinte Reais e, junto o negócio nas sacolas, penduro nos meus dedos e digo Xau! Xau, meu irmão - obrigado! Volte sempre e, assim saí feliz e contente por ter arranjado mais um irmão - que negócio!? Era para ir à praia ali a escassos duzentos metros mas o pessoal estava todo mudo e quedo lá no primeiro andar. 

miai6.jpg O papagaio-fêmea matumbo nem grasnava... Lá fora a moto-táxi do Zacarias, também meu irmão, rompia a longitude e a penumbra das silhuetas matinais com ganas de o estrangular. Com seu escape livre, fazia finfias a ele mesmo botando banga de Coruripe, pois então! Eram sete horas e trinta minutos. 
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Como eu gosto destas vivências tão ricas, tão farfalhudas, tão familiares. Em verdade, senti aqui falta duma vassoura turbo de piaçaba para lambuzar-me de vaidade e até entortá-la em suas costeletas; Bem! Em verdade este especial veículo pertence a uma senhora que muito prezo... de verdade! Tem a marca já registrada, como se diz no braziu. MJS...(Maria Joao Sacagami)
Ilustrações de Assunção Roxo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:33
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019
MOAMBA . XXIX

TEMPOS CUSPILHADAS – 13.05.2019

MULUNGÚ COM LARANJA DO M´PUTO
Passeando o esqueleto no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves mais África, um reino outrora Tuga... Dou-me conta que me roubam laranjas, que me impingem telas de falsas Monalisas... 
Por

soba002.jpgT´Chingange - Em Coimbra 

bolor1.jpg Há uns tempos atrás e, estando eu no Brasil, pessoa amiga referiu-se ao facto de em Portugal país  visitado por ele nesse então, as pessoas serem disciplinadas, não terem o apetite do roubo ou cobiçar o alheio. Isto passou-se em uma praça da pequena cidade de Lagoa do Algarve; ele reparou que as pessoas passavam por aquelas laranjeiras carregadas de bonitas laranjas e o estranho, era que ninguém tocava nelas. Tomara, eram azedas!

berard1.jpg Lembro-me de ter dito: - No M´Puto tudo é muito sofisticado, até no roubo. Mansamente os bancos e afins destes, vendem-nos laranjas virtuais e endividando-se roubam-nos assim à socapa e, não é de repelão não! Num repentemente o governo passa nosso dinheirinho para esses salafrários Berardos e Salgados, que armados com grandes honorabilidades e honestidades, cortam-nos as gordurinhas feitas laranjas. 

salgado1.jpgcoimbra9.jpg Não sei se ele, meu interlocutor, brasileiro meio doutor, meio matuto entendeu mas, não desentendido de todo, quis compreender meu ponto de vista porque ele mesmo, tem uma boquinha do PT. O certo é de que isto sucede no M´Puto com o beneplácito do governo e até do nosso Tio Célito que feito Presidente sacode o pacote e abana seu chapéu com solidária condescendência com o Salgado e afins kazukuteiros branquelas como eu; com essa malvada banca que nos dá 0,005% nas contas ao prazo de um ano!
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Não havia qualquer impedimento por qualquer resguardo para as não alcançar - as laranjas da Lagoa do Al-Garbe e, não obstante estarem gulosas, bonitas a solicitar-nos esticar as mãos e recolhe-las, ninguém o fazia! Eu com a sede que tinha (disse o cara, brasileiro de Gravatá de Pernambuco) de até me apeteceu agarrar uma mas, retive-me mais por poder parecer mal do que outra causa; fiquei inibido proceder desse jeito disse ele; bonitas e nada de ladrões!? 

cruzios4.jpg A pessoa em causa, um nordestino juiz da comarca invisível da boquinha do PT que descreveu isto, desconhecia que as laranjinhas eram ácidas, azedas como trovisco e, nem me dei ao trabalho de esclarecer para subsistir na mente deles; que os Tugas não roubavam como era tão habitual, assim como eles o fazem no seu Brasil! Por isso têm muitos e muitas laranjas a fingir que o são mas, tudo uma mentira! Folhas inteiras de laranjas-gente a comer do fisco! Dos municípios, das bancas e instituições daqueles que agora metralham o Bolsonaro... 
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E, a propósito omiti a verdade porque já estava farto de tanto desaforo colocando os Tugas como os larápios da América, blá, blá, bla, do pau brasil e do ipê-roxo; coisa que insistentemente ouvia referindo tempos idos no roubo das matas, das muitas especiarias, ouro e prata, um sem fim de maleitas sociais do qual lhes foi legado! 

PAPAL4.jpg Porque dizem: - Que chegavam da Metrópole com uma mão atrás e outra à frente e passado bem pouco tempo já tinham seu próprio posto de trabalho, sua padaria, borracharia ou sua própria venda. O escambau, como sempre referem.... Normalmente nem replicava porque também tinha as minhas próprias queixas por fruto de uma descolonização de tugi mas eles nem iriam entender...

berard2.jpg Agora replico e até triplico e sextuplico minhas verdades para ver se os MADUROS de todo o Mundo caem de podres... Tal nefasta saga provocada por mariolas e traidores ao M´Puto e do M´Puto; desta feita contive-me para que ficassem com ideias edificantes sobre os Tugas e, que afinal, nem tudo neles era mau! 

lula02.jpg Quando tudo dava para o torto, simplesmente dizia que era Niassalêz, que tudo me passava ao largo mas, em verdade roía-me de pequenos ranhos moncosos de cor injustiçada. Para não ficarem na insolvência, nem me perguntavam que raio era isso de ser Niassalêz, só para não mostrarem sua ignorância endémica. De forma catedrática ia-lhes dizendo que o Brasil era quase um continente graças a terem sido um reino; que não foram desintegrados em vários países porque foram a sede do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. O Mundo é mesmo uma ervilha!
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E, mais, ... tendo D. João VI como o maior aglutinador dessa política; um estadista de valor e que eles sempre subestimaram e subestimam com charadas de mau gosto e desrespeito - o Rei das coxinhas de galinha. Que não obstante o Brasil já ser grande, invadiu a Cisplatina ficando alargado com o actual Uruguai a sul e o Guiana Francesa a Norte por estar em guerra com os franceses - A França de Napoleão.

D. JoãoVI.jpg E, quantas mais coisas tinham de ser ensinadas, porque infelizmente, mesmo gente formada a nível universitário, não tinham um perfeito conhecimento da real história. Fui eu a contar a muitos, as estórias do Caramuru, Do João Ramalho, do 1º Bispo do Brasil - da festa de arromba que aqueles índios Caetés fizeram em Julho de 1556 devorando Dom Pero Fernandes Sardinha e outros edecéteras.
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Agora, neste momento na minha roça de Coimbra, de doutorado faço jus às afirmações deles: - Conta mais Doutor! Imagina, eu um Niassalês contando coisas do Lampião, coisas que os caras desconheciam. Como não avera de ser Dôtor!? De tudo isto eu retirava ilações no fraco aprendizado nas escolas brasileiras! 

MAGA8.jpg Claro que os ladrões existem aqui e lá mas, nesta actualidade, nem digo nada para não amesquinhar aquele elogio das laranjas feito por um brasileiro das terras Tugas! Tomara que Bolsonaro extermine tanto LARANJA mentiroso, que rouba o povo
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Mulungu e Mulungú: É branco em língua Zulu; também é uma árvore de grande porte com flores vermelhas; existem no Brasil e um pouco por toda a África austral...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:25
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Sábado, 11 de Maio de 2019
MOAMBA . XXVIII

 
O CHOQUE DO PRESENTE - COIMBRA...11.05.2019
Aonde quer que se seja, é mesmo bom não se fazer contas ao tempo porque o bicho pega!… Basta-nos os doze meses de socialismo, social socialismo, ou isso entremeado com geringonças e matraquilhos mais diabruras para espairecer molezas…
Por 

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra... 

coimbra5.jpg É mesmo bom não se fazer contas ao tempo, aos meses, às horas e minutos, porque assim se tornam inexistentes, apreciando no seu melhor, as azáfamas dos outros ao nosso redor. Ouvir os "roncos - salvo seja" dos políticos feito barcos que sem os arrais de outrora, barulham os ares em tons diferentes aí Jesus que não há oiro! Pois! Lamberam-no todo. Se não for assim mais e desta forma e, tal e coisa, demito-me! 
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Até já sinto casquilhas ou cosquilhas nos meus calcanhares! 
E eu, curtindo o sol das doze horas ao toque das ave-marias que não o sendo agora, repicam na torre da Cabra desta tão bela Coimbra e aonde de tanto calcorrear me tornei doutor de bizarrias. Lembranças desse tempo de quando essas badaladas tinham som e até cheiro de bronze. Agora são fitas com musica a fingir que dão horas.

coimbra6.jpg Basta-nos os doze meses de socialismo ou social socialismo, ou isso entremeado com diabruras capitalistas, mais pão com chouriço e pata negra para espairecer as molezas dos imperialistas que sempre deixam correr o tempo, quando o não faz sair de feição... Coisas demasiado salgadas para mim que recebo uma miséria de patacas.
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Assim, desajustados à economia, com os burocráticos vícios da democracia, dão-se voltas às vicissitudes das suaves ou suadas angustias dos demais refastelando-se em caldeirões moles, e amolecidos como convêm nas desvirtudes corruptas do engano.
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E nós na impaciência, por não haver oportunidades iguais para todos, refilamos verificando serem os profissionais da política com banqueiros e seus mais próximos, os seus maiores beneficiados. Como todo o fenómeno é temporário teremos de purificar nossas almas tormentosas ou atormentadas sem nos apegarmos a coisa alguma... Meu Rio virou mulola...

coimbra2.jpg Não será portanto, caso de estranhar de muitos de nós andarem com um olho aqui e outro lá mais adiante, com a metade do raciocínio num sítio e a outra metade no ciberespaço. Com fenómenos de engenharia financeira dos bancos BPN ou BES entre outros, uns andarão muito cheios de fórmulas, outros simplesmente à boleia com vazios de ideias, enganados em tramóia de falácia mal explicadas.
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No meu caso muito pessoal, de tão inchado de espantos, desenho-me entre antigos esboços, revendo-me nos desenhos das sombras nos porões do meu Niassa, pois que sou Niassalês...
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Brincando até com o meu nariz achatado, relembro-me de que se de nada posso fazer de bom pelos meus mais próximos, também nada farei para os prejudicar. Não obstante terei de dizer aqui que o Senhor Costa, não nos será a salvação; não irei por isso e agora, vivinho e indisposto com muitas coisas querer guerras, fuzilar quem possa ter uma ideia mais original entre os diferentes deuses ou demónios.

dia185.jpg Demónios dos também diferentes comunismos, socialismos ou mesmo uma terceira sensação desconhecida, chinguiços com estralhos enredados de zingarelhos e outros complicados artifícios. Sim! Vivemos numa permanente mentira e, assim irá continuar. Ainda se visse a justiça andar para a frente e não de lado, ou para trás como o caranguejo!?
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:22
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2019
KILUNDU . VII

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O Cipaio Kukia Mandinga em ALHAMBRA, assiste ao pacto de Mano-Kilombelombe com Januário. Eu já era Mano-Corvo - Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal (México) com Araújo...
NA LAGOA DO M´PUTO - 10.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto - Na estepe Alentejana
Com a sensação de começar a penetrar na minha intranquila dependência da kianda, quase que me dou conta que meu pacto de sangue com o velho de mais de talvez 394 anos, começa a borbulhar-me no cocuruto da meninge. Os seguranças de serviço levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.
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Tratados como mustáfas por via da indumentária de Januário Pieter e seu guardião - lanceiro, um espanto de nos fazer sentir os maiores privilegiados. O Cipaio Kukia Mandinga muito vaidoso, banga ultra moderna fardanda de zuarte amarelo, balalaica com muitos bolsos e uma catrefada de zingarelhos pendurados à mistura com pequenos chifres de porco do mato.

araujo 42.jpg Coisas trazidas dos confins; lá duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia com nome de espantar pássaros xirikuatas. Cipaio Mandinga, direitinho que nem um fuso, a tudo olhava com vontade de saber. Muxuxou que era muita areia prá sua camioneta e que, teria de comer um chipe extra de memória e sistema integrado para fosforescer mais rápido na sabedoria.
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A partir daqui rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quartéis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitérios e jardins. O escambau de coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas junto às muitas ferraduras de muares e outros bicharocos espinhosos.

araujo34.jpg O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece não haver gravidade.
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Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu T´Chingange e Pieter selamos o nosso mais verdadeiro pacto de sangue. Esse cipaio Kukia que anda por aqui, até pode nem se lembrar mas assistiu direitinho com sua lança, feito Massai da Corongosa; um jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango. Uma mistura na cabeça dele que faz pena. Nunca no Lubango ouve caserna de bichos desses e, com esse nome!?

araujo10.jpg Por medo, as pessoas passavam de largo como se nós também fossemos daquele muitos idos anos e muito cheios de caruncho. Tínhamos em frente um belo claustro formado por muitas colunas, o lugar mais Pambu N´gila de todos os lugares aonde estivemos antes. Este sítio era em verdade um sem número de flocos dourados caídos do Duilo.
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E, foi ali que ambos picamos o centro da palma da mão esquerda de onde saiu uma bolha de sangue. Eu T´Chingange cuspi na mão esquerda de Pieter dissolvendo-se no sangue e ele fez o mesmo na minha mão esquerda; com a mão direita ambos acariciamos as cabeças dos leões e, eu primeiro e depois Pieter, desferimos com a direita em cutelo na mão esquerda do outro um enérgico movimento fazendo chispar sangue e cuspo no ar. 

araujo103.jpg Teve de ser ali porque o leão que pela boca deita água simboliza o Sol da qual brota a a vida. Os doze leões, são os doze Sois do Zodiaco, os doze meses que na eternidade existem em simultâneo. Eles, os leões sostêem a Kalunga como os doze torres de ferro no templo de Salomão. É este o depósito das águas celestes dessa Kalunga. 
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Este simbolismo único, venera a água como a pura vida e, foi ali que também, ambos choramos lágrimas de prata polindo o chão do Califa para ficarmos Manos-Kilombelombe. O Cipaio vaidoso sempre em guarda, sorria de vez em vez, inadequado para ser uma testemunha com carisma de Xi-Colono de terceira geração.
Em realidade ele era mesmo um genuíno africano, embora branco, mas era!
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Januário Pieter falou de que quando ficasse um antigamente, de mais tarde, eu um mais kota, me iria recordar deste selo de Mano-Kilombelombe enquanto ele, lá na ilha da ensandeira do Kwanza, recordaria os espíritos dos M´fumos Kia-Samba e Manhanga como um minkinsi.
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Pieter recordava as minhas próprias brincadeiras com os candengues no mar da Samba, os pactos de amizade feitos a cuspo e bisgo da mulemba nos subúrbios da Lua. A Kianda Pieter sabia tudo! Sukuama! 
- Deixa só, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir, disse eu batendo dedos no ar enxotando maus olhados.

araujo175.jpg Ilustrações aleatóias do mano Costa Araújo, nosso mestre 
Glossário:
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade)
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México)
M´fumos : - Chefes
Kukia: - Sol, pô do sol
Samba: - Lugar ente a Quissala e Futungo (Belas da Luanda de antigamente)
Manhanga: - Bairro da Maianga, lugar de cacimba, nome antigo já esquecido.
Amazulu: - Dialeto Zulu
Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cus diabos; Porra!
Bisgo: - Resina de mulemba usado para apanhar pássaros,da mulembeira (árvore de grande porte que dá uns figos pequenos)
Lua – Diminutivo de Luanda
(Continua ...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:12
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Quarta-feira, 8 de Maio de 2019
KILUNDU . VI
kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O Cipaio Kukia Mandinga em ALHAMBRA, assiste ao pacto de Mano-Kilombelombe com Januário. Eu já era Mano-Corvo - Uma fusão de homem com pássaro - Eu, Costa Araújo e o pássaro do tipo Kwetzal (México)...
NA LAGOA DO M´PUTO - 08.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto - Na estepe Alentejana

ÁFRICA7.jpg Com a sensação de começar a penetrar na minha intranquila dependência da kianda, quase que me dou conta que meu pacto de sangue com o velho de mais de talvez 394 anos, começa a borbulhar-me no cocuruto da meninge. Os seguranças de serviço levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.

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Tratados como mustáfas por via da indumentária de Januário Pieter e seu guardião - lanceiro, um espanto de nos fazer sentir os maiores privilegiados. O Cipaio Kukia  Edu Mandinga muito vaidoso, banga ultra moderna fardanda de zuarte amarelo, balalaica com muitos bolsos e uma catrefada de zingarelhos pendurados à mistura com pequenos chifres de porco do mato.

angola colonial.jpg Coisas trazidas dos confins; lá duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia com nome de espantar pássaros xirikuatas. Cipaio Mandinga, direitinho que nem um fuso,  tudo olhava com vontade de saber. Muxuxou que era muita areia prá sua camioneta e que, teria de comer um chipe extra de memória e sistema integrado para fosforescer mais rápido na sabedoria.

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A partir daqui rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quartéis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitérios e jardins. O escambau de coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas junto às muitas ferraduras de muares e outros bicharocos espinhosos ou cascarrudos.

araujo 25.jpg O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece não haver gravidade. Qualquer matumbo, ali, fica espevitado da cabeça, numa de jihadar cosigo próprio...

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Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu T´Chingange e Pieter selamos o nosso mais verdadeiro pacto de sangue. Esse cipaio Kukia Edu da Chibia que anda por aqui, até pode nem se lembrar mas assistiu direitinho com sua lança, feito Massai da Corongosa - um jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango. Uma mistura cafusa na cabeça dele que faz pena. Nunca no Lubango ouve caserna de bichos desses e, com esse nome!?

araujo 28.jpg Por medo, as pessoas passavam de largo como se nós também fossemos daqueles muitos idos anos e muito cheios de caruncho. Tínhamos em frente um belo claustro formado por muitas colunas, o lugar mais Pambu N´gila de todos os lugares aonde estivemos antes. Este sítio, era em verdade um sem número de flocos dourados caídos do Duilo.

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E, foi ali que ambos picamos o centro da palma da mão esquerda de onde saiu uma bolha de sangue. Eu T´Chingange cuspi na mão esquerda de Pieter dissolvendo-se no sangue e ele fez o mesmo na minha mão esquerda; com a mão direita, ambos acariciamos as cabeças dos leões e, eu primeiro e depois Pieter, desferimos com a direita em cutelo na mão esquerda do outro um enérgico movimento fazendo chispar sangue e cuspo no ar.
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Teve de ser ali porque o leão que pela boca deita água simboliza o Sol da qual brota a a vida. Os doze leões, são os doze Sois do Zodiaco, os doze meses que na eternidade existem em simultâneo. Eles, os leões sostêem a Kalunga como os doze torres de ferro no templo de Salomão. É este o depósito das águas celestes dessa Kalunga.

araujo17.jpg Este simbolismo único, venera a água como a pura vida e, foi ali que também, ambos choramos lágrimas de prata polindo o chão do Califa para ficarmos Manos-Kilombelombe. O Cipaio vaidoso sempre em guarda, sorria de vez em vez, inadequado para ser uma testemunha com carisma de Xi-Colono de terceira geração. Em realidade ele era mesmo um genuíno africano, embora branco, mas era! Sem nós t´Xinderes, a África fica incompleta! 

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Januário Pieter falou de que quando ficasse um antigamente, de mais tarde, eu, um mais kota, me iria recordar deste selo de Mano-Kilombelombe enquanto ele, lá na ilha da ensandeira do Kwanza, recordaria os espíritos dos M´fumos Kia-Samba e Manhanga como um minkinsi.
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Pieter recordava as minhas próprias brincadeiras com os candengues no mar da Samba, os pactos de amizade feitos a cuspo e bisgo da mulemba nos subúrbios da Lua. A Kianda Pieter sabia tudo! Sukuama!
- Deixa só, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir, disse eu batendo dedos no ar enxotando maus olhados.

 araujo155.jpg  Ilustrações do Mano Corvo Costa Araújo, nosso mestre (falecido recentemente...)

Glossaário:
Edu: De Eduardo Torres - Um amigo kota, poeta, prosador, branco de segunda com bitacaias nas orelhas , apátrida e vaidoso quanto baste... um amigo para sempre...
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade)
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México)
M´fumos : - Chefes
Kukia: - Sol, pô do sol
Samba: - Lugar ente a Quissala e Futungo (Belas da Luanda de antigamente)
Manhanga: - Bairro da Maianga, lugar de cacimba, nome antigo já esquecido.
Amazulu: - Dialeto Zulu
Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cus diabos; Porra!
Bisgo: - Resina de mulemba usado para apanhar pássaros,da mulembeira (árvore de grande porte que dá uns figos pequenos)
Lua – Diminutivo de Luanda
(Continua ...)an
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:23
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2019
KILUNDU . IV

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
Sentado no meu silêncio mastigando resposta calada, Pieter deu dois passos calçados no meu sobre-consciente. ..... Desta feita estávamos ainda em Granada...
NA LAGOA DO M´PUTO - 03.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto

araujo34.jpg Januário Pieter o excêntrico fora de tempo, hoje estava particularmente fértil em saudações. Como se nem tivéssemos estado juntos ou relativamente perto quiz dar-me um aperto de mão bem à maneira dos candengues de hoje: - Mão aberta, batida, depois de punho com punho, ambos fechados e no final uma mão espalmada batida no peito, no meu peito - no coração.
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Senti um calafrio, muita fartura como um três por um de borla, iria sair qualquer coisa muito mais diferente do que o habitual. A kianda estava cada vez mais imprevisível porque saudou-me pela segunda vez como que a ensaiar um truque. Só que desta vez foi em amazulu com um samboniani. Recordando-me de tal saudação, respondi um kunjani, meu!
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- E, porquê tudo isto? Interroguei-o enquanto sinalizava em gesto, o seu aspecto - Porque venho de visita aos mustafás de Alhambra. Tinha de condizer com os meus antepassados mouros, mostrar assim a estes mulungos....

arau155.jpg 

- E para quê, essa adaga aí na cintura? Perguntei.
- Para respeitar as tradições antigas, homem sem arma não é ninguém e eu, não atravessei a kalunga para fazer má figura. Também é uma homenagem aos meus mestres de Toledo, acrescentou. Depois de todas estas explicações sentou-se. Mandou-se vir uma taça de tinto “rioga”e umas quantas chamussas, pois o senhor kianda extra-planetário, estava com uma fome de leão da anhara.
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- Afinal, encontraste resquícios de teus familiares mulungos dinossauros? Perguntei eu com uma intimidade um tanto abusiva.
- Pois! È assim,... vou-te contar tudo: - Meu tio Antoine, o mais candengue, dedicou-se à igreja, foi para padre; esteve com meu pai Lestienne em Burgos a trabalhar nos jardins de “Cartuja de Miraflores” mas, depois roçou madraçamento pelas sacristias do convento até que num dia seguiu integrado numa comissão-à-doca de regulamentar segurança aos peregrinos e as novas visões da estrela-polar. 
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Depois de muitos anos tomando conta de seus fieis e a guarda do incensário da catedral, morreu sem deixar herdeiros. Tenho de lá ir, a Santiago de Compostela rogar preces à sua memória e assim ficar tranquilo na minha missão de kianda itinerante da Globália. Interrompi a descrição de Pieter para lhe mostrar vontade de por lá, em Santiago, nos encontrarmos de novo e, juntos decifrarmos coisas tão ligadas ao M´Puto, mais o “bota fumeiro” e a majestade daquele Pambu N´gila daquele lugar com ligação à nossa N´gola pelos seus símbolos; n´zimbos na forma da concha vieira, uma mabanga diferente das nossas kalungas.

arau158.jpg

- É uma boa. Eu mesmo te vou falar das imbambas cassumbuladas no nosso povo, nesse antigamente e nesse mesmo ali. Combinado, meu! E, Pieter continuou sua descriminação: - Meu pai, como já sabes, esteve em Pernambuco com Maurício de Nassau embarcando mais tarde para Loanda do reino N´gola com os Mafulos, casou com a minha mãe N´ga Maria Káfutila e, mais tarde, ficou como mercenário às ordens dos Tugas com Sá e Benevides, um rico comerciante de escravos. O resto já te contei, não vale a pena recordar por agora.
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Josué Pieter, o 3º mais velho dos meus tios, ficou no “Pais de Landes” tratando de vinhedos em “Vignobles Vallee du Loir” e, por lá deixou muitos primos. O 4º tio mais velho de nome Souston, ficou nos arredores de Paris roçando a vida em “Jablines du Marne”, lugar aonde nós nos encontramos pela primeira vez. Era verdade!
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O quinto tio, Charles Pieter, o mais velho de todos, seguiu o rumo de Burgos em “Leon e Castilla” como Lestienne e Antoine mas, singrou para Toledo aonde se tornou um homem de armas, vindo a ser mais tarde um militar da armada de “La Mancha e Andaluzia”. Foi em “Puerto de Santa Maria”, perto de Cádiz que pelo rio Guadalquivir, saiu numa armada de soberania às novas terras Espanholas de América.

araujo 29.jpg Seguindo escritos antigos, soube que já como capitão dos mares, avançou na descoberta de novos cerros de prata “puesto arriba” do rio da Prata; acabou por ficar num lugar conhecido de Sacramento, perto de Montevideu dedicando-se ao negócio de gado bovino e muares formando tropa de tropeiros, que transportavam mercadorias através dos matos ou vendendo charque aos novos colonos de Cisplatina e Rio Grande do Sul. 
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Esta estória está sopimpa! disse. Estou a gostar! Bem! Por lá deixou uma prole de primos matutos cujos descendentes governam agora o Uruguai. A história deste tio é comparada à do meu pai porque também atravessou a kalunga grande para fazer fortuna. Havia uma lendária “Sierra de la Plata” de nome Potossi procurada desde inícios do século XVI por Alego Garcia e sebastião Caboto.
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Em 1611, quase cem anos depois, Potossi era já a maior mina a céu aberto produtora de prata do mundo; nesse então já tinha à volta de 150 mil habitantes e, sendo o lugar mais rico do mundo originou uma corrida ao tesouro. Charles Pieter homem de guerra da têmpera de Toledo, ambicioso, seguiu naquela armada a pedido de Juan de Villarroel com expedição a partir de Cádiz e Sevilha conjuntamente com outros conquistadores tal como Nunez Cabeça de Vaca, Domingos Martinez de Iranda ou Juan de Ahumada. 

araujo 101.jpg Meu tio Charles seguiu para ali em meados de 1615 para compartilhar tesouros de sonho e pilhagens. A Espanha fez-se assim; com a prata que saiu dali, podiam fazer uma estrada física, uma ponte ligando-a à América - Como meus tios dinossauros, eu e tu (referia-se a mim), navegadores da Globália deixamo-nos alfabetizar na vida e prálem dela. É mesmo uma missão de cumprir dever sem ter ordem nem corpo-delito, à-doka no através da estória dos xicululos.
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Bolas! Fiquei barafundado naquela sapiência do kota Pieter.
Sentado no meu silêncio mastigando resposta calada, Pieter deu dois passos calçados no meu sobre-consciente. Num cadavez mais eufórico, Pieter falava todas as suas razões.
Eu só disse, simplesmente: - Tá bem meu!

araujo153.jpg Ilustrações  aleatórias de Costa Araújo 
Glossário:
Amazulu: - Dialeto Zulu
Samboniani: - Bom dia; como está (em Zulu)
Kunjani: - resposta a samboniani; tá se bem
N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga
Mulungo - M´zungo; branco em Zulu
Adaga: - Punhal em forma de foice usado por muçulmanos
Anhara: - Zona plana e, com plantação rasteira, de clima seco ou semi-desértico e tropical
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto.
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mabanga: - Bivalve do tipo ameijoa que sangra vermelho.
Imbambas cassumbuladas: - Coisas roubadas; riquezas arrebatadas; jogo de sacar por toque brusco.
Mafulo: - Holandês em quimbundo; Gente invasora da Companhia das Índias Orientais ou Ocidentais; flamengo.
Tropa de tropeiros: - Exército de condutores de burros (Brasil, Cisplatina); O tropeiro era um viajante das zonas agrestes ou do sertão.
Charque: - Tipo de sal; carne seca (Brasil)
Matuto: - Mestiço; filho de branco e índio.
Xicululo: - Gente de mau-olhado; olhar de lado; gente de dar azar.
N´ga: - Senhora
(Continua ...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:09
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2019
KILUNDU . III

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
Botando fumaça por meu arcabuz de outra geração chamado de canhangulo, fiquei assim matumbola mesmo ..... Desta feita estávamos em Granada...
NA LAGOA DO M´PUTO - 02.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto

Estava admirando os 15.000 mortos de Guernica quando com aura de santo-maior entrou uma figura pela porta frontal; era nem mais nem menos a Kianda Pieter que, varrendo com os olhos o salão “café solo” poisou em mim a ansiosa vontade do encontro. Porque ali, era um pambo n´jila especial de Granada.

granada4.jpg Efusivamente dirigiu-se-me com as duas mãos abertas ao espaço seu Duilo (Céu) mostrando todos os seus anéis. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contra-luz cintilando um desassossegado arco íris.
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Era agradável estar ali confraternizando com o passado que, nem sempre foi risonho; Entre um era-não-era em coisa acontecida mas não vista, assim como São Tomé, só relíamos poemas de Garcia Lorca referente à guerra de 1937 a 1939 com quadros dantescos quando do bombardeamento de Guernica e atrocidades de uma disputa civil.

guernica1.jpg Entalados na memória entre Nacionalistas de Franco e Republicanos que perfurou como uma faca sem fim toda a Espanha, nós só podíamos rever nossas próprias fugas em um mundo feito de muitas guerras.
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A sala espaçosa estava recheada de quadros sobre esses acontecidos passados como uma galeria de horrores de Granada da Espanha dos toureiros e muito olé-olé. Sentei-me num recanto em uma cadeira em madeira talhada com motivos de produtos da terra, pedi um “café solo” e uma tortilha de “manzana”.

guernica2.jpg O olhar não se desprendia dos corpos desmembrados em destroços retorcidos, gente e animais espalhados pelos campos; um treino de preparação à grande guerra que viria a acontecer em 1940. Ainda faltavam cinco anos para eu nascer e andava já tropeçando com os matumbolas coadjuvado pelo meu muito próximo Januário Pieter que conhecia todos os contornos ao pormenor. Há coisas que só acredito porque sou eu a contar! Fosse outro qualquer dava-lhe berrida no segundo.
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Sabes!? Eu não sabia ao certo mas ele falou: Os Alemães ajudando Franco a tomar o poder aprendendo aqui a matar, preparando-se para a guerra, essa que te viu nascer. E, arrepiei-me, sabem - Sentia-se desprender da tela o odor fétido da morte.

araujo19.jpg Nesta cidade tão cheia de memórias, havia felizmente, espaços retemperados à noite com flamengo, uma dança que reflecte o estado de espírito cigano. Estava aqui como que esperando aleatoriamente Januário Pieter, a assombração Kianda que pouco a pouco foi ficando o meu “Guru”.
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Entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, zuniam na minha cabeça legionários às ordens de Franco gritando “viva la muerte” mutilando o meu medo envidraçado de repugnância a todas as guerras.Estava agora, pronto a fazer com ele, Januário Pieter um pacto de sangue sem sangue - a seco, tornar-me um cipaio do seu arimo (lavra horta, n´nhaca).

araujo100.jpg O pacto foi feito, aceite e aprovado na maioria sábia de dois, a saber: T´Chingange, o próprio, com Januário de Sangano da Muxima de N´Gola. Foi quando explicou com detalhes de vôos rasantes. Aviões Nacionalistas matando indiscriminadamente gente impregnada de susto sem celeiro ou pontes para se esconderem; brigadas internacionais, idealistas lutando com armas diferentes de um credo sem culatra, munições encravadas em sonhos inúteis.
( Continua ... )
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:45
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2019
KILUNDU . II

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
MERCADO DO XIPAMANINE - Novo encontro com a kianda Januário Pieter, um verdadeiro N´Zambi N´kuluculu
NA ILHA DO CARLITOS - 29.04.2019
Por

soba002.jpg  T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Ontem, um novo dia, demos um forte abraço, convidei-o a sentar-se mas ele continuou de pé como a mostrar a sua nova indumentária e postura de muita banga. O penteado de Januário Pieter era um frisado afro com uma trança a retorcer no cocuruto por uma abertura do seu chapéu, uma quijinga do tipo Cumba-yá-lá tendo uma faixa zulu a contorná-la. 
::::: T´Ching2
Da orelha esquerda pendia um dente de facochero enquanto que a contornar o pescoço havia dois colares formando um conjunto colorido de missangas e n´zimbos; um destes tinha um circulo de madeira de pau preto com um desenho curioso de uma ranhura curva ascendente que entroncava numa helicoide de três circulos num crescendo para a direita e fechando por um cemi-circulo mais alongado indo quase fechar no mesmo sítio de início.

paz1.jpg :::::T´Ching3
Esta enigmática figura, ficou no meu consciente para mais tarde me ser decifrada. Nos pés, trazia umas sandálias em tiras de cabedal e atilhos que se iam amarrar a meio da canela. Vestido, tinha umas calças de vermelho berrante às bolas brancas; nas bolas brancas de forma estilizada aparecia aquele símbolo de curvas em elipse de caracol que quase fechando no mesmo lugar, mais parecia um bico aberto de papagaio. 
:::::T´Ching4
Eu estava estupefeito com tal estilo. Por cima das calças folgadas tinha uma camisa lilás com desenhos na forma de cornos de palanca de cangandala sem cinto a prender, tipo balalaika e, por cima de tudo isto tinha uma espécie de túnica com folhos brancos no final de umas largas mangas. 
:::::T´Ching5
Aquela túnica de uma seda especial tinha as cores preta e rubra como a bandeira de Angola e o mais curioso é que tinha em lugar da catana e a roda dentada, a esfinge de João Lourenço 
com o fundo esbatido de José Eduardo dos Santos. Háka! Eu estafa burro-feito com todo este aparato de n´kondi. Pieter estava um verdadeiro espantalho Xis-pe-te-Ó, super moderno e práfrentex.

luis44.jpg :::::T´Ching6
Até as sandálias estavam feitas em um cabedal firme, reviradas para cima como uma meia lua na forma dum genuíno aladino. Aquilo era demais, uma verdadeira mumia rejuvenecida de kalungas encrespadas. Um extra e vistoso camacoza carregado de zingarelhos. 
:::::T´Ching7
Mas, após a minha mirada, Kianda Pieter falou: - Meu camarada, mano kamba, como estás? Tu, continuas um tipo fixe! Seguiu-se uma pausa sem muxoxo, só por respeito com medo. Pieter mudou mesmo! Arrepiei-me. Que era isto? Mas nós vimo-nos ontem? O kota estava no literalmente. - Sabes meu, rejuvenesci à bessa, uns anos mesmo. Vou até te contar só. - É mesmo! Como foi isso? Perguntei engalfinhado em susto. 
:::::T´Ching8
- É assim, começou ele : - Estive na festa da Muxima, no entretanto esquindivei Kwanza acima, Kwanza abaixo relembrando meus tempos de candengue. Até fui numa rebita mas, mais tarde eu conto só. E Pieter continuou falando. Tinha muitas mocandas na cabeça para contar. - O mais importante nesta minha vida de matumbola mutalo, passou-se em Maputo. 

dia131.jpg

 

:::::T´Ching 9
Kianda é assim mesmo, os metros deles têm kilómetros! E, o tempo vira um era num era... Eu explico: - Por recomendação dum kamba muxiluanda, fui num vai-vem minkisi vip ao Xipamanine, lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine. Estás aver Meu !? 
:::::T´Ching10
O resultado é isto! Eu, só abanava a cabeça. E, ao dizer isto Pieter, fez um gesto longo com ambas as mãos envoltas nos folhados brancos, de cima abaixo indicava o estafermo de figura excêntrica numa simultânea adoração ao tal N´kuluculo. - Pópilas... Eu, estava feito um plimplau. 

dia23.jpg :::::T´Ching11
Glossaário: Quijinga: - gorro de autoridade tradicional Cumba-yá-lá: - ex- governanta da Guiné-Bissau Facochero: - javali preto com dois pares de dentes salientes N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga Palanca: - animal de grande porte e com esguios e longos chifres; simbolo de Angola (Quase em extinção) Cangandala: - local reserva natural em Angola háka: - Irra!,Caramba!, porra! n´kondi: - poder da magia em fetiche, boneco de maldades kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral camacosa: - maltrapilho kamba: - companheiro, amigo, camarada (de guerra) muxoxo: - sílvido produzido pelos lábios de vento aspirado entre dentes, estupfacto ou sinal de desprezo, sinal de desencanto esquindiva: - fazer revianga, finta, fazer piruetas, bazar dalí candengue: - moço, rapaz, pivete (Brasil), puto (Portugal) rebita: - baila na sanzala ou kimbo, dança de umbigada com as garinas mucanda: - carta, missiva, relatório matumbola: - morto vivo, uma assombração mutalo: - espíritos mortos sem ordem de n´zambi (Deus) muxiloanda/o: - natural de Luanda, camundongo, (quem bebeu água do bengo e apanhou paludismo ainda candengue) minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado cambuta: - homem baixo, atarracado N´kuluculu: - N´Zambi, Deus na língua Zulu Miama: - preto na língua Zulu Xi-lunguine: - nome aoriginal de Maputo Pópilas: sáfa! Caramba!, c´os diados! Plimplau: - pássaro saltitante, irrequieto (Continua ...) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:08
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KILUNDU . I

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
Botando fumaça por meu arcabuz de outra geração chamado de canhangulo, fiquei assim matumbola mesmo ..... 
NA ILHA DO CARLITOS - 27.04.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileio
Estou contente de saber dos meus antepassados, disse Januário Pieter meu escolhido como kianda das mulolas espaciais. Já tinha dito isto em outras vezes mas, agora estava só a preparar um discurso. Agora só quero mesmo ficar no pé duma mulembeira, lá no meu kimbo de Cabo Ledo e, de vez em quando subir com os mwenangolas até Muxima ou Massangano.
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Sim, Ué... A esvoajar minha velhice; ir ao lugar do eco repartido, jangandeando com os maculos, perfurar outras sombras, outras kiandas desastradas que só fazem canvuanza, mesmo. Pópilas, estava falando pelos zingarelhos desconhecidamente familiares...

roxo79.jpg Pieter dava xinfrim de xoto em cima de mim, falando um amazulu impenetrável, banhos de àgua de defunto dum xova-xitaduma do Maputo; parecia ter saído dum d´jango esfumado em liamba com as lamparinas dum matumbola, que fica mesmo no corpo vazio ocupado por um ilundado; um grande chicoxana, mesmo.
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Mazé caté o Zeca Mamoeiro do Rio Seco vai ficar abuamado sem entender nadica de nada... Mas tu já és uma kianda,...meu! Disse eu falando das minhas verdades - É mesmo, mas, no entretanto, é tempo de começar a esquecer e ser esquecido. No futuro, serei lembrado como a kianda n´kuluculu mulungo de toda a kalunga.

sorte2.jpg Meio dia eram já quase, quando acabando de subir a rampa de “Gomerez” e, estavamos a passar a porta “Puerta de las granadas” quando desviei na conversa para um tás-a-ver de visão árabe, ali aonde que a conversa da manhã nos tinha empurrado nesse linguajar de espíritos,...
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Puxa catuta mesmo! Estamos esvoajando no tempo. Como então: Estão nos esperar dentro deste portão d´Alhambra, lugar de muitas sombras, espantos de califas. Chegados à “Puerta de la Justícia”, datada de 1348, reparamos que na pedra chave do primeiro arco estava gravada uma mão aberta chamada de “Al-Hanza” 

noval5.jpg Al-Hanza cujos dedos, significam os cinco fundamentos do Islão, a saber: - A crença de haver um só Deus em sua mensagem a Muhamad, a oração de cinco vezes ao dia, o imposto religioso (a limosna do dizimo), o jejum ou Ramadão e, a peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida. 
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Estou fodido! Nunca fui a Meca e vão-me zanguilar quando toparem que só sou mesmo um faz-de-conta. Assim branquela!
Esta porta aberta dava para uma outra fechada havendo no alto desta um espaço aberto de onde, em caso de cerco, os sitiados de “Al-Hamra” podiam fustigar, arrojando pedras, azeite fervente ou chumbo derretido em cima dos atacantes não dando assim, oportunidade a que forçasse a porta. 

granada3.jpg Esta originalidade da arquitectura Nazaríe explicada por mim a Pieter, fê-lo dar um estalido de lingua no céu da boca: - Sukwama! Mahezo!, grande muzua! De quilunza mesmo!
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Passamos ao lado de “La puerta del Vino” um lugar em que funcionava o mercado do vinho lá pelo ano de 1554 e, era em verdade uma fronteira entre o núcleo militar de “Alcazába” e a cidade medieval aonde, em esse tempo, viviam 2000 habitantes; uma porta policromada num intricado rendilhado.

granada4.jpg Como mestre, continuei explicando:- Nesta terra de Árabes, Abd-Allah, instalou-se aqui no ano de 889 e por aqui permaneceram seus seguidores por 603 anos. Saíram ao fim desse todo tempo, quando governava o Califa Muhamad XII da dinastía Nasrí (Nazaríes) no tempo dos Reis Católicos de Espanha e Carlos VIII de França...
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Nota: Tenho de consultar minha fada madrinha  de vassoura piaçaba.... Nem tomei nada, nem um pozinho, sequer... 
Glossaário:
Mwenangola: - Donos de Angola; reis de N´gola
Maculo: - Antepassado
Canvuanzaa: - Confusão; luta; xinfrim
Xinfrim de xoto: - Confusão de bufa; peido doido
Amazulu: - Dialeto Zulu
Xova-xitaduma: - Condutor de cangulo (Moçambique); um monangambé proletário; Condutor de carro de mão
D´jango: - Casa comunitária; forum; sitio de assembleia do povo ou de reunião; sítio só p´ra falar mesmo, ou cachimbar
Mulungo - M´zungo; branco em Zulu
Matumbola: - Morto vivo, uma assombração; um deus-me-livre; alma penada
Ilundado: - Espírito superior
Chicoxana: - Século (Angola); ancião com sabedoria, Kota com suko
N´`kuluculu mulungo: - Deus branco (Zulu)
Al-Hamra: - Alhambra em árabe
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cós diabos; Porra!
Mahezo!: - Tenho dito!
Muzua: - Armadilha; artefacto de prisionar
Quilunza: - Arma de fogo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:30
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Domingo, 28 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXVII

N`ZINGA E O FALA KALADO 
NA ILHA DO CARLITOS de Várias Partes – 28.04.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Foi uma grande e boa surpresa ver-te em Guarulhos e, quis manter-te afastado das periclitâncias. Ainda temos alguma jornada pela frente aqui e lá! Disse isto apontando o dedo para cima como se ele, FK já tivesse alisado seu caminho que conduz ao mukifo do céu; até talvez seja natural que ele tivesse trazido uma bússola em sua anterior ida; refiro-me àquela morte que resultou numa lenda ainda não contada aqui com rigor mas, cada item no seu cronograma. 
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Se houver um anjo espião, que o há pela certa, porque estas nuvens são demasiado traiçoeiras, vai ter de fazer uma triagem de tudo para poder juntar nossos hologramas. Eles, lá no MPLA são peritos em festejar nosso contentamento mas, depois dão palmadinhas nas nossas costas e numa de paz e reconciliação às tantas, espetam um pico imperceptível de cacto tabaibo com veneno de cobra mamba.

monstro4.jpg Acabávamos de saborear um caldo de camarão com jindungo na ilha do Carlitos. Sim! Disse eu numa de mudar o rumo à conversa porque se sempre pensamos em vinho envenenado vamos ficar detestávelmente paranóicos: - Lá também deve haver forro de serra, deve ter um Dominguinhos para alegrar a malta, não é!? 
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FK riu-se como não o via rir faz tempo e, por momentos sua cicatriz mudou de cor, ficou vermelha ressaltando os pontos feitos com mateba de Catete e deu para assustar vendo sua orelha de plástico hibernado ficar pululando de tremura. Deu umas tossidelas com som estranhamente fino, coisa invulgar por sempre ter voz de trovão e, num repentemente tudo normalizou. Graças a Deus, muxoxei baixinho.

pombinho5.jpg Tu és muito astuto de picaro, disse FK: por isso é que o Mais-Velho te mudou de secretaria sem secretária, chupando na mandioca para fazeres teus poderes dialécticos como Secretário de Relações Públicas. Mesmo assim na merda de nossa vida encantada, nunca tivemos momentos altos de nos enaltecerem nas devidas proporções, mas, deixa para lá... A estória só nos anoiteceu! Conclui, dando um tremendo dum peido de assustar os bem-te-vi. Para eles! - disse.
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Sim! disse ele, o Fala Kalado depois de entornar a sua décima primeira cerveja skol, depois de ter tomado três caldinhos variados de sirí e dar umas mais de doze bufas sonoras para aliviar o "simsenhor", como ele chamava ao seu forever, mataco açambarcador de cheiros variados, de fugir com a mão no aspirador de aromas.

quip´02.jpg Chiça, o cara continua: Nada foi fácil para ninguém em N´Gola, todos pareciam salalé a fugir de cobra surucucu para lugar desconhecido; uns foram para o Sul outros para aqui no Brasil e a maior parte seguiu para o M´Puto. Para ti, T´Chingange, foi um vôo grátis para Lisboa depois de passares umas quantas guias de transporte na ponte do Tundamunjila lá no palácio do desgoverno!
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Minha lenda, diz FK: anda a ser descortinada por ti, resquícios de investigação e relações publicas mas, toma cuidado, nem todos os que parecem ser, assim o são. Como assim!? O que é que tu sabes que, eu não sei. Tambula konta meu irmão: tem gente que te quer fazer trepanação a frio e tu com teu kixibus todos, não vais aguentar... Anda pianinho - malembe melembe...

fuga6.jpg Realmente, só fui sabendo um pouco de ti aos poucochinhos, disse eu para dar finalidade a tanto retalho do tempo. Passando uma esponja sobre e sob tantos pormenores dir-te-ei que ajudei a reformular a ala do MPLA de Chipenda mas, por falta de consistência e também de coerência, estando eu já no sul, aderi à UNITA . Foi Salupeto Pena que me convenceu.
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Aí está uma afirmação que desconhecia, por isto é que a insatisfação tomava conta de mim tornando-me um gelo no estado sólido mas, curiosamente muito quente como quem apanha em cima um balde de água. Isto já era demais - ficando assim na dúvida se não seriamos uns hologramas, fizemos uma pausa na piscina, pischinando...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:26
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Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXV


O LIVRO ESCOLHIDO:

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee ... 26.04.2019 
Por 

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassumal. 
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

bookttique0.jpg De epilogo em epilogo sigo-me como um sonho que ora está no M´Puto, ora está em Angola, ora está na Pajuçara do Brasil lambendo as águas como quem lambe o tempo. De cavandela em cavandela sempre me vai dando mais tempo para beber a minha estória e, com ou sem profundidade recordar alguns relâmpagos.
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Lá se vai o tempo de me preocupar com o jardim a ficar cheio de grama ruim, o mato a crescer, as amêndoas por apanhar, os arames a enferrujarem e o tecto do sótão a se desmanchar. Renovando tubos oxidados para no mínimo ter água corrente, reinventando isto e aquilo tal como eu, reformulando-me...

roxo169.jpg O esmalte lascado do lava louças com suas manchas a ficar amareladas por via desse tempo que não para de me atazanar com remendos enjorcados para durar um pouco mais, retirar as bikuatas sem uso que só juntam ratos. Essa mania de amontoar coisas que não mais se vão usar.
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Tenta-se que as coisas sejam diferentes mas, tudo custa dinheiro e, este, está cada vez mais caro. Sim! Tentei que as coisas fossem diferentes mas, no suficiente de entre todas as oportunidades, foi o melhor. Assim falando com a minha empregada Mery de Kampala, vou-lhe dizendo que o tempo anda atulhar-me de velhice...

roxo184.jpg Que para isso necessito espairecer bebendo sua estória aqui ou ali, aonde quer que esteja porque cada vez mais, menos vontade tenho de ir ao seu Uganda. Sei ver o quanto sou cansativo quando falo do ontem e no antes de anteontem, mesmo sem consultar qualquer terapeuta.
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Como é que ia dizer a ele, terapeuta, que nestes últimos dias tenho andado cheio de gases, gases de peidos com flatulência duvidosa e desclassificada. Assim fazendo da escrita remédio para substituir o aspirina 100, torno o sangue mais fluido fazendo dele, o peido, a ponte entre o êxito e os cruzados abismos, ou de outro jeito de entre o breve e o já partido.

logica2.jpg De vez em quando falo com Mery: Eu (disse ela) andava na Universidade de Makerere, a melhor universidade de África; vim para aqui (Inglaterra) trabalhar porque foi através de um cartão que tomei contacto: «Família simpática precisa de mulher a dias qualificada» Qualificada? que quereria aquilo dizer? 
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Eu era qualificada para ser professora ou mesmo escritora! Disse assim para mim na primeiríssima pessoa. O que não levei a sério foi essa de dizeres que Makerere é a melhor universidade de África! disse eu, acrescentado: - Claro que é o que todos dizem, sobretudo quem lá andou!

vot3.jpeg O sorriso de Mery disse quase tudo: - Olha! sempre concordo com quem diz isso mas, aquilo está a cair aos pedaços! Mas, uma empregada a valer tem de saber aonde ficam todas as porcarias para limpar, esses hábitos secretos de aonde deixam o ranho, o penso higiénico, a fruta que apodrece nos cestos deles, os da casa e destinados a papeis... Está bem! disse eu para terminar a conversa nada relevante. 
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:43
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Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
XICULULU . CIII

TEMPOS QUENTES 24.04.2019 
MALAWI – NIASSA . No vale do Rift - De várias partes 
Por 

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 

rift16.jpg Mitologia de terremotos e vulcões ... Mitos, histórias e lendas sobre terremotos e vulcões de todo o mundo podem às vezes ser engraçados e elaborados. Antes da ciência moderna, os vulcões iriam explodir, as tempestades iriam romper-se e os terremotos tremeriam. 
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Tais incidentes hipnotizavam as pessoas, pois não sabiam do por quê e como. Como resultado, histórias para expor esses fenómenos foram desenvolvidas. Portanto, pessoas de todo o mundo têm usado mitos, lendas e histórias para explicar sobre terremotos e vulcões.
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Essas crenças e normas culturais foram à sua vez, uma maneira de tentar entender os poderosos fenómenos naturais que poderiam afectar muito a vida das pessoas. Eles evoluíram ao longo de milhares de anos em várias culturas e foram transmitidos ao longo de gerações.

rift14.jpg Em muitas culturas, no entanto, os animais, incluindo os seres sobrenaturais que vivem tanto na superfície da Terra como no subterrâneo, eram / são de se acreditar, estarem associados com terremotos e vulcões.
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Algumas culturas ampliaram esse tipo de história para incluir muitos animais que compartilham o fardo de carregar a terra. Em N´kwazi, rio Cubango, o Okavango da Namíbia, não muito longe do Rundu, pude saber esta interligação cultural pois que este nome corresponde a uma ave pesqueira e, tem o significado de liberdade. 
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Um peixe-gato gigante encontra-se enrolado sob o mar com uma ilha apoiada nas costas. O bagre, gostava de fazer brincadeiras e só podia ser contido por uma deusa chamada Kashima. 

rift13.jpg Enquanto Kashima mantivesse uma rocha poderosa com poderes mágicos sobre o peixe gato, a terra estava parada. Mas quando ele relaxou sua guarda, o peixe-gato se debateu, causando terremotos.
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A terra é considerada um disco plano, sustentado por uma enorme montanha a oeste e por um gigante a leste. A esposa do gigante segura o céu. a terra treme quando ele pára para abraçá-la. ´esta uma das lendas da África Ocidental. 

rift17.jpg Em Afar, o Vale da Fenda é todo coberto de pedras vulcânicas, o que indica que a litosfera é tão fina que pode estar a ponto de romper. Quando isso acontecer, um novo oceano começará a se formar pela solidificação do magma no espaço criado pelas placas quebradas.

rift15.jpg Eventualmente, em um período de dezenas de milhões de anos, o oceano vai se espalhar por todo o Vale. Por fim, a África ficará menor, e uma ilha gigante surgirá no Oceano Índico. Embora o processo seja acompanhado de terremotos, na maior parte do tempo ele se dará de forma silenciosa, sem que ninguém se aperceba.
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:02
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Terça-feira, 23 de Abril de 2019
CAZUMBI . LIV

CINZAS NO TEMPO - 23.04.2019
Todos somos actores num palco... Num grande palco da vida. O importante é inventar diferentes cenários sem nunca perder o fio à meada. 
Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 

soba002.jpg A maioria das pessoas prefere interpretar a historia como o desenrolar de um desígnio sobrenatural, tendo por norma sempre um ou mais autores a quem referenciamos. Esta nem sempre reconfortante interpretação, foi-se tornando menos sustentável à medida que o conhecimento do mundo real se foi dilatando.
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O conhecimento cientifico em particular, quando medido pelo número de cientistas e, de publicações cientificas, tem no decorrer de mais de um século, vindo a duplicar a cada dez ou vinte anos. Nas explicações tradicionais do passado, as estórias religiosas da criação, têm sido combinadas com as humanidades para atribuir sentido à existência da nossa espécie. Em cada época, sua exigência!
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E, tendo neste agora só o planeta terra para coabitarmos, teremos de dar sentido ao que falta desenvolver. Neste passo de nossa viagem, pretendido na condição humana, precisamos de uma definição de história bem mais ampla do que aquela que convencionalmente é usada; daqui a se poder dizer: Apenas a sabedoria baseada numa autocompreensão, e não a piedade, nos salvará (uma forma de falar...)

picasso3.jpg Sendo assim não se explica por que razão temos esta natureza especial e não outra qualquer de entre um vasto número de possíveis naturezas. Neste sentido as humanidades não alcançaram e, jamais alcançarão uma compreensão total no sentido da existência da nossa espécie.
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Tendo nós humanos a capacidade de nos exprimirmos nas artes criativas, deleitamo-nos de maneira instintiva com os relatos de estórias de ou acerca de terceiros, actores imaginados em um palco albergado em nosso interior, nossa ilusão.
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Nossos vastos "bancos de memoria" podem ser activados sem grande dificuldade conseguindo combinar o passado, o presente ou o futuro permitindo-nos até avaliar possibilidades de criarmos vínculos afectivos, promover rivalidades, fomentar o ódio e até o amor, enganos, lealdades ou traições.

p-brana3.jpg Na sequência de um desenvolvimento mental incessantemente dinâmicos, há sem duvida comportamentos dissonantes expressas em competição, cooperação ou ódios. Será necessário ter uma memória suficientemente boa para analizar as intenções de outros.
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Outros, pertencentes a um grupo social; prever as suas reacções num processo constante de suficiente plasticidade, ou maleabilidade.

p-brana4.jpg Ensaiar ou inventar diferentes cenários sem perder o fio nas interacções que se seguem, como se diz, o fio à meada. Tudo isto para afirmar que todos somos actores num palco... Num grande palco da vida e, aonde é a conversar que a gente se desentende... 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:28
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Domingo, 21 de Abril de 2019
MOAMBA . XXVI

MOAMBA . XXVI

Dizem que já estamos no século XXI... 
NA TEORIA DA APTIDÃO INCLUSIVA - 21.04.2019
Gente com quem me fiz gente... Moamba é cozido de galinha feito com azeite dendem. 
Por

soba03.jpg T´Chingange - No Nordeste do Brasil

himba3.jpg Para a generalidade da população brasileira, Exu, é o chifrudo, o cão, o tranca-ruas. Falando assim em tempo de Páscoa, até parece ser uma rebelião aos conceitos cristãos mas, e porque nem sempre domino as modas com rosas de magnólia estampadas na frontalidade, fico-me muitas vezes feito um analfabeto comendo iliteracia, lambuzando-me com um livro entre as mãos.
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Bem! É verdade que só se alcança a sabedoria reconhecendo a ignorância. Creio que já outros o disseram mas é deste jeito que a evolução na sociedade interage, somando amizades por afinidades ou hereditariedades. Caramba, até parece que engoli uma grafonola com palavras caras mas, se não é bem assim andarei por perto.
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Naquele dia que já passou, faz tempo, todos os jornais falam na participação de mercenários angolanos na guerra dos morros do Brasil. Genericamente, um morro é uma elevação aonde se amontoam como baralho de cartas construções que avançam para os matos; matos que normalmente pertencem à riqueza soberana do país - a floresta. 

moc1.jpg Fugir para o mato ou para o morro é um trocadilho que funciona na ilegalidade, construções ao deus-dará escorregando nas chuvas que até ipé-roxo levam, assim como um chá que ao invés de fazer bem mata; de novo, mata. O que resta é isso, vou fazer o quê: Os bandidos ou matam ou morrem, quer-se-dizer fogem pró morro. Portanto não é de admirar haver aí especialistas com tecnologia de ponta, angolanos! Eles são bons nisso!
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Há circunstâncias em que: - Ou mato, ou morro! Tudo a condizer com esse Exu, dia do cão! Separando os boatos das denúncias relevantes desde o topo até o disk-denúncia 181, teremos de somar as falsas noticias também conhecidas por Fake News, que em verdade podem interferir negativamente em vários sectores da sociedade tais como como a política, a saúde e a segurança.
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Assim pensando, não consigo desgrudar do Zumbi esta nova relação com os mwadiés de N´Gola porque, de numa ou mato ou morro Zumbi, ali se foi alojar - um reino chamado de "Morro da Barriga". É assim que encontro o Euclides, um jornalista benguelense a falar com paixão de tudo aquilo imaginado, ultrapassando a realidade; confundindo-me.

moça4.jpg Durante o ataque dos polícias ao Morro da Barriga, viu-se a si próprio com armas na mão, abrindo caminho a tiro, como se estivesse sentado tranquilamente no cinema Miramar da Luua, ou no seu quarto jogando um videojogo. 

nova.jpg O Jornalista da terra do siripipi, retira uns jornais da pasta e lê: - "A polícia procura mercenários angolanos envolvidos na guerra dos Anjos. Um dos polícias que participou no assalto ao morro contou ao nosso repórter ter visto um crioulo alto, vestido com elegância, assassinar com dois tiros certeiros um dos agentes".
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«O policial que pediu para não ser identificado, afirmou que o dito cujo individuo, seguramente um militar, gritava instruções aos bandidos com forte sotaque lusitano.» Seguramente era angolano pois que em seu sotaque abria todas as vogais! 

himba4.jpg Bom! Aquele angolano pelo menos era elegante, bem vestido, tinha um laçarote vermelho e preto parecendo uma bandeira pois que ainda se podia distinguir uma catana e uma roda desdentada. Até deu para ler um CV esvoaçando nas letras: Comando Vermelho. Estes mwadiés são muito matumbos! São incapazes de distinguir uma tomada eléctrica de um focinho de palanca.
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:22
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Quarta-feira, 17 de Abril de 2019
MOKANDA DO SOBA . CXLIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 17.04.2019
Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro
A ficção e a realidade serão coisas poucas se considerarmos que só somos uma ilusão. Tudo morre e, tudo revive em tempo que lhe é seu. Ontem assisti com imensa pena ao quase fim da Catedral de Notre Dame de Paris, uma obra de arte, monumento tão velho como a criação de Portugal, ou quase! Em 1139, depois da vitória na batalha de Ourique contra um contingente mouro, D. Afonso Henriques proclamou-se Rei de Portugal com o apoio das suas tropas.

paris01.jpg A Catedral Notre-Dame de Paris é uma das mais antigas catedrais francesas em estilo gótico. Iniciada sua construção no ano de 1163, é dedicada a Maria, Mãe de Jesus; situa-se na ilha da cidade de Paris, rodeada pelas águas do rio Sena. Entre estas datas há exactamente 24 anos de diferença - quase nada no contexto do Universo.
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Estive ali no ano de 2009, dez anos atrás e, pude apreciar desde o rio Sena a majestade daquela obra secular. Rio acima, rio abaixo pude apreciar o quanto tudo era belo. Fiquei muito triste ao ver aquelas labaredas queimando tão riquíssimo património; doeu, ver seu pináculo rendado acima da cúpula, cair rodeado das chamas vermelhas.

Paris1.jpg Interroguei-me do porquê de não haver ali automatismos para se apagar tal incêndio. Provavelmente até há, mas foi dito que estava em curso uma restauração, obras de conservação. Se foi ou não erro humano, o certo é que algo falhou e este descaso a ser assim, não deveria ter acontecido. Ouvi dizer que o ataque às chamas deveria ser cauteloso por via da água alterar as propriedades das velhas pedras podendo fragmentá-las em areia.
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É lógico pensar-se que as fracturas surgem pelas grandes variações térmicas mas, sabendo nós haver outros químicos alternativos repetimos o caso com demasiados talvez. Daqui poder dizer-se que até as pedras, no tempo se desfazem em desertos. Desertos que cada vez mais se estendem no mundo que habitamos - a Terra.
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Também daqui dizer-se que efectivamente somos uma ilusão e, só enquanto o somos! Tenho tomado consciência no tempo que é este "agora" que importa e, é neste agora que devemos dizer o que temos para dizer. Porque tal como uma infinidade de pontos formam uma recta, tudo terá sequência se se der sinal de existir adicionando um ponto à recta. Sabemos que o alinhamento de um azimute ou rumo só é definido por um terceiro ponto colinear 

paris2.jpg Sendo assim nos contactos que tenho na forma de gente, são poucos a assumir esta equação reduzida da recta (y = mx + c).
Isto porque e, principalmente vivem uma ilusão de vida que é a sua. E, porque não se assumem dizendo o que pensam, porque alguém supostamente pode julgar incorrecta ou não gostar.
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Quantos MAS existem em nossas vidas tão formuladas ou formatadas em normas, em paradigmas, em dogmas esquecendo-se que num amanhã tudo pode acabar ou acaba mesmo!
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Notre Dame decerto, irá renascer para se perpetuar nossa vontade de fazer, de fazer querer ou tão somente ver. Uma aranha que faz a sua teia, tem a intenção de apanhar uma mosca, quer tenha ou não consciência desse resultado - É esse o sentido da teia. O cérebro humano evolui segundo o mesmo conjunto de regras que a teia da aranha.

paris3.jpg Cada decisão tomada por um ser humano possui sentido, naquela primeira intencionalidade, o desenrolar da estória obedece apenas às leis gerais do Universo. Cada evento é aleatório ou alterado, na probabilidade de eventos posteriores. Quem se seguir a mim, por favor apague as luzes.

O Soba T´Chingange

sacag1.jpg EM TEMPO - ADENDA POR Maria Joao Sacagami

:::11.1

Vou fazer dois reparos ao teu texto de que gostei por demais. O primeiro diz respeito a quem Notre Dame foi dedicada. Foi construída pelos Templários, que encontraram em suas andanças pelo Oriente Médio documentos que hoje jazem (esse é o termo, dado que estão profundamente enterrados) no Vaticano, e que apoiados por tais documentos se tornaram os Guardiões de um Segredo relacionado com Jesus e Maria Madalena. Mais propriamente, foram os guardiões do segredo de Maria Madalena, a quem veneravam como a Grande Senhora. Seus mais ferozes perseguidores, os Dominicanos, são hoje os Guardiões.

santi2.jpg :::11.2

Seus seguidores, os maçons ou livre pedreiros, construíram a Catedral de Paris e outras na Europa, orientados pelos ensinamentos de grandes mestres pedreiros e da arte dos vitrais. Nas paredes e detalhes de Notre Dame foram embutidos milhares de símbolos. Um deles o duplo M que se vê em vários desses espaços chamados sagrados, MM, não significam Mãe Maria mas Maria Madalena. A Virgem Negra, porquanto oculta, portadora dos conhecimentos e rituais antigos. Tão antigos quanto os conhecimentos e rituais praticados nesses locais, antes que outros templos fossem erguidos. Uma das razões para a escolha do local aliás, sempre foi o fato de anteriormente terem sido templos dedicados à Grande Mãe. 

:::11.3
O segundo diz respeito ao que se perdeu. Além da simbologia e das técnicas que nos são hoje desconhecidas, perderam-se ornamentos e estruturas criadas de forma específica para auxiliarem a repercussão dos sons dos cânticos e órgão, que iriam influenciar as emoções e pensamentos dos que entravam na Catedral. Cada um deles trabalhado intencionalmente para emitir o som em ondas que reverberam em formas geométricas.

sacag4.jpg :::11.4

A Cimática, ainda que seja uma ciência recente, estuda essas ondas e formas, assim como o resultado sobre o equilíbrio humano. Estudava essa como estuda outras Catedrais. As ondas geradas criam aberturas sensoriais que permitem uma elevação extraordinária de pensamento e emoção, e quiçá portais de acesso espiritual, facilitado também pelo fato de ter sido a Catedral construída sobre um manancial de água, tal como os templos que a antecederam.

sacag2.jpg :::11.5
Ela foi reconstruída antes. E muito se perdeu. Mas não tanto quanto nos nossos dias em que as pessoas (engenheiros e arquitetos) que se envolverão com o processo, não possuem uma pálida ideia do que ali estava ancorado. E, possivelmente, nem se importam.
Notre Dame de Paris, infelizmente, nunca mais será a mesma.

Maria João Sacagami

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
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Terça-feira, 16 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXIV

N`ZINGA E O FALA KALADO  – 5ª de Várias Partes – 16.04.2019
Por

soba15.jpgT´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Depois de falarmos do calor, da brisa e tempestades, um pouco por todo o lado, Fala Kalado iniciou suas confrontações: - Estás gordo, meu! Gordo e velho - já somos dois, deixa para lá! Interessante tu ainda te recordares de Kalacata!? Já andava ansioso para te rever, depois daquele encontro em São Paulo mas, os motivos ponderosos estavam escaldando. Felizmente já me libertei desta carga. Assim com um chorrilho de perguntas, afirmações e interrogações, ambos fomos sublimando nossa empatia. Curiosamente, achei-o muito sereno, aliás surpreendentemente sereno para um morto.

 

kilo8.jpg Muito de cautela perguntei-lhe: - FK, como consegues conciliar tua vida depois de reviveres de um modo assim tão vivo, tua morte. Recentemente soube que um tal de Luís Neto Kiambata, dirigente do teu defuntado MPLA da LUUA, declarações à imprensa - uma palestra sobre “A Vida e Obra de Nelito Soares”, no âmbito do 27 de Julho de 1975, que assinala a tua morte... Ele fez menção de que não chegaste a ver a independência no dia 11 de Novembro.

missosso9.jpg FK, fez todos os possíveis para não me interromper pelo que continuei: -Até recordaram o 4 de Junho de 1969, por acaso dia do meu aniversário; falaram até em Diogo de Jesus, afectos ao MPLA, de quando desviaram para a República do Congo um avião da DTA, coisa já aqui falada, a predecessora das Linhas Aéreas de Angola (TAAG). 

missosso3.jpg Precisamente na altura e neste dia comemorava os meus anos no Miconge, lugar conhecido por Sanga Planicie. Mas diz qualquer coisa! Com um enorme trejeito de desagrado ao ponto de fazer tremelicar sua orelha esquerda de plástico falou: -Pois! - Esse tal de Nélito morreu mesmo. Vais desculpar-me mas terei de ficar mesmo calado nesta matéria de recordar o que não quero lembrar e, em verdade já nem me lembro porque virei matumbola.

missosso6.jpg OK! Se queres, assim será; para mim és o Coronel Fala Kalado e não se toca mais neste periclitante assunto. É melhor! - Diz ele assim na forma de muxoxo carregado de naftalina misturada com creolina; deu para notar que era mesmo um ponto morto, morrido, defuntado. Bem! Fazia-te em Curitiba, Poconé mas, nunca aqui. Falei assim para quebrar qualquer gelo metido nas frinchas enferrujadas e ainda não sublimado em nós.

missosso4.jpg Em verdade estive naquele lugar do qual te dei um cartão que dizia. Terei de aqui recordar: ONG FENIX – Rua de la Paz nº 184 - Edifício LOPANA. Bem ao centro em letras quase góticas: FALA KALADO - (Coronel Emérito), tendo por debaixo em letra romana e inclinada os dizeres: Relações Internacionais.

missosso7.jpg É certo! É FK que retoma as falas dizendo: Esse é o lugar de contacto que ainda se mantém mas, em realidade os matumbolas kiandas de Hoji-ya-Henda e Monstro Imortal, heróis da guerra do Tundamunjila mais a Rainha N´Zinga estão descansando sua eternidade junto dos seus antepassados, em um quilombo situado perto de Poconé, capital do garimpo.

missosso12.jpg Eles fizeram questão de ali permanecer junto a seus próceres de N´Gola preservados no tempo em um estado quase puro. Ficaram em uma especial Cubata - Jango no quilombo de Urubama. Tudo porque existe ao redor muitos outros com nomes bem curiosos tais como: Aranha/ Cágado/ Campina de Pedra/ Campina - Canto do Agostinho/ Capão Verde/ Céu Azul/ Chafariz .
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E porque são tantos enumero mais alguns para teres ideia de como ficam bem acompanhados: Chumbo/ Coitinho/ Curralinho/ Imbé/ Jejum/ Laranjal/ Minadouro - Monjolo/ Morrinhos/ Morro Cortado/ Pantanalzinho/ Passagem de Carro/ Pedra Viva/ Retiro/ Rodeio/ São Benedito/ São Gonçalo/ Sete Porcos/ Tanque do Padre Pinhal/ Varal. Acho que chega, não!?

missosso11.jpg Para teu sossego e conhecimento, o Brasil tem uma Portaria, incluída no Decreto Presidencial nº 4.887/2003, que regulamenta o procedimento para identificação e reconhecimento destes quilombolas.  A referida Portaria destaca em seu artigo Art. 2° - Para fins desta Portaria consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos os grupos étnicos raciais, segundo critérios de auto atribuição, com trajectória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com formas de resistência à opressão histórica sofrida. (FCP - Portaria 98/2007) . Como vez, não poderiam ficar em melhor lugar... 
( Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
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Domingo, 14 de Abril de 2019
MU UKULU – XIX

MU UKULU...Luanda do Antigamente14.04.2019 
MUXIMA E MASSANGANO - Uma visita à Fortaleza de S. Miguel. Saber do passado para melhor se entender o futuro...
Por 

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

Mu Ukulu44.jpg  Li uma tese da análise da Unicamp em Brasil e achei interessante continuar este tema sobre a instalação de uma fábrica de ferro na região da Ilamba, no interior de Angola. Na segunda metade do século XVIII, a partir do ponto de vista das sociedades africanas, as mudanças nas relações de trabalho foram bem impactantes. Acabaram assim, por deslindar haver modos de exploração do trabalho dos Ambundos, para além do da escravidão.
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O estudo das faces normativa e prática dessas transformações impostos desde a conquista, trazem para o centro da narrativa os problemas de se ser subalterno a um processo alheio à sociedade. Os representantes da elite política africana, reivindicavam seu estatuto de vassalos para denunciar abusos que sobre eles cometiam.

Mu Ukulu02.jpeg Outros aspectos das relações coloniais manifestos durante a construção da fundição de Nova Oeiras foram os conflitos em torno de minas e terras mais o controle da fabricação e comercialização de objectos de ferro. Esses recursos naturais e utensílios de ferro, tinham já para os africanos significados distintos do económico. 
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Os ferreiros e fundidores da Ilamba produziam um ferro de alta qualidade em fornos baixos, com seus instrumentos rústicos. Sua trajectória, enquanto grupo de artesãos, foi o fio condutor da pesquisa, pois permitiu compreender as disputas, e conflitos de poder. Costumes e tradições envolvendo tanto as estratégias do domínio colonial português, quanto as formas de resistência a ele. Daí a invenção de novas práticas, com elaboração de discursos articulados subjacentes à sua emancipação. 

Mu Ukulu27.jpg Nota-se que as determinações locais tiveram peso tão ou mais significativo nas decisões tomadas na sede do Império em Lisboa. As ideias surgem ilustradas na principal fortaleza colonial para marcarem esse período. Fortaleza de São Miguel, baluarte de poderio Luso. Como podem deixar agora arrefecer estes relacionamentos que determinaram a nação presente. Como podem agora desclassificar e menosprezar a gesta Lusa que também foi heróica. Aqui se forjaram ideias e ideais que simplesmente não podem ser arredados.
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Os embates entre as personagens do Sertão de Angola - sobas, os filhos, capitães-de-mato, ilamba, imbari, negociantes, pumbeiros, ferreiros e fundidores - todos, guiaram as directrizes governativas em Luanda e enfatizam, talvez sem o saber as complexas redes hierárquicas nas relações de domínio, embora o sendo no auge do negócio negreiro . 

Mu Ukulu43.jpg Por fim, na base de uma leitura das fontes que privilegia o ponto de vista africano, propõe-se uma nova interpretação sobre as narrativas dos fracassos de Nova Oeiras, considerando que os Ambundos elaboraram estratégias bem-sucedidas para manter em seu poder os conhecimentos e os benefícios que a metalurgia lhes conferia.
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Haverá dignidade na menção, porque em pleno século XX o Governo de Lisboa ainda tinha aversão a tudo o que fosse cultura em Angola. O revolucionário empreendimento de Inocêncio de Sousa Coutinho, foi liminarmente abandonado, e intencionalmente esquecido. Em Novembro de 1772, após 8 anos fecundos e únicos na governação de Angola, depois da sua partida para Portugal o que o sucedeu; o Governador António de Lencastre, simplesmente, ignorou toda a sua obra.

Mu Ukulu29.jpg  A fundição de Nova Oeiras, uma homenagem ao primeiro ministro de Portugal Conde de Oeiras depois Marquês de Pombal, acabou por se transformar num local turístico que desperta nostalgia a todos os estudiosos e desejosos de verem aquela terra como sendo de todos que nela nasceram sofrendo também tantas tragédias, abandonos e descaso ao ponto de serem relegados a coisa nenhuma. 

Mu Ukulu45.jpg Esta fundição foi a primeira em África, à frente de quase todos os países europeus. E, ainda existem canhões fundidos naquele tempo para falar verdades de trovão; a pura palavra de se dizer: A verdadeira vontade de fazer progredir Angola. Não basta dizer que a cerca de 150 km do Dondo entramos no reino da Rainha Ginga . Nossa memorias vão mais além dessa sintetica negritude que por ironia, nos querem tatuar na pele para enfatizar...

NOTA FINAL AO JEITO DE COMENTÁRIO

-Sempre vinco o direito da nacionalidade como nascimento ou por obras meritosas feitas e para Angola! Ao invés de proporcionarem este principio, os ditos angolanos "genuínos" que se dizem ser no topo da escala, desmereciam ser angolanos porque açambarcaram para além do poder a economia roubando desmedidamente.

Houvesse gente interveniente aqui que não se limitasse a dizer "esta bem" ou clicar no "gosto" para se apelar ao governo de Angola que: - Eram mais merecedores serem angolanos aqueles colonos que tanto labutaram, do que estes ladrões que açambarcaram por graciosidade de Portugal tamanha responsabilidade.

Quisesse eu ser um sociólogo, pegaria nisto para me tornar doutor por tese. Talvez Fernando Vumby na Diáspora possa pegar nesta matéria e dar-lhe o devido relevo... Ou também o professor Júlio César Ferrolho ou Edgar Neves entre outros .... GENTE DE CRÉDITOS E ACREDITADA...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:10
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Sábado, 13 de Abril de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXIII

De novo, estou com o nº DOIS - livro do Agualusa - A tua pele tem um cheiro estranho - cheira a sonhos... 
No Morro da Barriga... 13.04.2019 
Por 

soba001.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 
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Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassumal. 
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira. 

cazumbi2.jpeg::::224
A cadelinha, um animal mutilado sem as patas traseiras, o tronco preso a uma pequena plataforma com rodas. O meu novo amor, não é fofinha? Euclides, o jornalista benguelense diz que sim! Que se lembra do bicho ao lado de um homem gordo, em Ipanema. Encontrei-a à porta do meu prédio; a bichinha passava o dia inteiro ali, uivando, chorando que fazia dó.
:::::225
A cachorrinha tinha o nome na coleira: Maria Bonita, pode?! A moça do biquíni negro exaltando a brancura, fala: Felizmente achei você! Conversa puxa conversa e vem à baila o medo que que anda solto cheirando as emoções: - O presidente José Inácio continua preso. O Brasil mudou muito nos últimos tempos; o Comando Negro chamou a atenção do Mundo e nas eleições escolheram Bolsonaro! Espero que endireite este país - pois, que ele possa cheirar as emoções ...
:::::226
Muita desgraça junta diz. Barragens a deslizar, corpos por encontrar, chuvas a levar o o lixo pró mar, muito lixo, prédios que caem, corpos que não aparecem: Um cadáver faz muita falta; sem ele não há subsidio, não há renda, não há jurisdição. E, Jararaka desapareceu, sabes!? 

araujo169.jpg :::::227
Alguém disse que o viu a beber suco de acerola na Feira de Gravatá; mas na segunda roda de perguntas, os policias já tinha duvidas se não seria em Caruaru, na festa do Jesus de Nazaré na Nova Jerusalém. Outro foi dizendo que até conversou com ele num acampamento dos Sem Terra, no Espírito Santo; lugares bem distantes um do outro. 
:::::228
Um grupos de seringueiros tem a certeza de que o viu em Xapori, sublevando índios, numa aldeia dessas do Alto Xingu - está virando folclore disse a moça sorrindo num riso tristonho. Euclides sabe o que ela quer dizer: mula-sem-cabeça, caipora. Ela passa os dedos pelos cabelos, pelos olhos e fala em seguida 

araujo160.jpg :::::229
Vigora ainda uma espécie de desleixo socialista, sabes? Hó se sei, diz o benguelense: Como eu conheci Angola em outros tempos, quando NADA era de ninguém - e, portanto ninguém se preocupava com o que quer que fosse, NADA. 
:::::230
A moça, a brasileira, continua intensa e gloriosa, um pouco triste, diga-se mas por vezes sua voz perde o brilho, tem momentos de ausência, há uma espécie de cansaço ou de desengano, na forma de como fala no futuro. Continua a haver muitos feminicidios, muitos assaltos, muita ausência de justiça. 
:::::231
A brasileira debruça-se sobre a mesa pousando a mão na dele. Àquela hora havia mais gente a tomar o café da manhã. Que pensarão os demais clientes. Sabes do que vou ter mais saudades para além da tua companhia - Do grito da cuíca... das batucadas em caixinhas de fósforos.
:::::232
Com uma lágrima nos olhos ela disse assim sem pensar, até: - Lá em cima tem! Você acha? - Claro! Não é o Céu? E, acha que tem tapioca, banana assada com canela e açúcar ? Tem tudo diz ela como para o consolar - Até tem escolas de samba... A voz de Martinho da Vila faz-se ouvir : « Zumbi, Zumbi, Zumbi dos Palmares, Zumbi...Os grandes ideais não morrem jamais».

beldr7.jpg :::::233
Tens razão! A morte é uma bela aventura. Peter Pan! Não era ele que dizia isto? - Acho que sim, devia ser. Ele voava, lembras-te? Eu sempre quis seguir o Peter Pan. O jornalista benguelense fala pela última vez: - Tens razão - Não há finais felizes, mas há finais que anunciam tempos melhores
(FIM - para o livro DOIS) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:07
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Sexta-feira, 12 de Abril de 2019
MU UKULU – XVIII

MU UKULU...Luanda do Antigamente12.04.2019 
MUXIMA E MASSANGANO - Uma visita à Fortaleza de S. Miguel. Saber do passado para melhor se entender o futuro...
Por 

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil 

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro 

Mu Ukulu48.jpg Serpa pinto e Hermenegildo  na travessia de áfrica

Cabe aqui fazermos uma pequena visita rápida à Fortaleza de S. Miguel para revermos a chamada "Lusíada do Kwanza" em um tempo muito recuado - Massangano. Fazermos a leitura dos azulejos azuis mostrando a história de Angola que foram recuperados em uma data recente. Em 1764 há uma mudança brusca com a chegada de um novo governador geral. Era o Capitão Geral de Angola Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho a mando do Marquês de Pombal “primeiro-ministro” em Portugal. 
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A cidade de Sumbe, antiga Novo Redondo, foi fundada por Sousa Coutinho em homenagem a ele mesmo, por ser o Conde de Redondo. Sousa Coutinho, conhecido como o “Pombal de Angola” começou, de imediato, os seus objectivos com a
ocupação sistemática da costa entre os paralelos 14º e 18º Sul, com reconhecimento do Cabo Negro, pois que só existia ocupação até à latitude de Lucira (14º 30´Sul), ao norte de Moçâmedes. 

Mu Ukulu47.jpg A nova costa, pretendida por Sousa Coutinho, diz respeito à actual Costa dos Esqueletos e, abrangia uma faixa que ultrapassava a foz do rio Cunene, faixa que hoje pertence à Namíbia, perdida porque os portugueses não tiveram meios e gente para tão exaustiva tarefa de ocupação. Já se tinha conhecimento da foz do rio Cunene, através dos relatos (1678) de um frade capuchinho chamado Cavazzi e, que viveu em Angola mas, a sua ocupação estava longe de ser considerada a ideal.
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A fixação de colonos direccionou-se para os planaltos de Bié e Huíla, provenientes de Açores, Madeira e Brasil por via de haver aí um clima mais propicio à sua fixação. Junto à costa tudo foi mais difícil porque as doenças dizimaram os poucos aventureiros que para lá iam. Novo Redondo era por este motivo conhecida por ser o "cemitério dos brancos".

Mu Ukulu46.jpg Sousa Coutinho, foi o único Governador a proibir a guerra do Kwata-Kwata (Agarra-Agarra), mas infelizmente, mal ele virou costas, recrudesceu com mais ferocidade. Essa guerra, era feita pelos caçadores de escravos que mandavam os seus capatazes agarrar tudo quanto fosse possível de escravizar. Kwata ainda é a palavra que se grita aos cães para agarrarem qualquer coisa.
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Devido à ausência de vitaminas, presentes nos vegetais e frutas frescas, em Luanda, morria-se com escorbuto. As Delegacias de Saúde surgiram muito mais tarde tal como o começo do cultivo de hortas para daí se obterem os produtos alimentícios, verduras e, cereais nos rios relativamente próximos da cidade, o Kwanza e o Bengo. 

Mu Ukulu49.jpg Como complemento, criar estabelecimentos e grandes armazéns de víveres para alimentar a capital, uma ancestral forma de Armazéns do Povo ou grandes superfícies que surgiram após a independência, por via do escoamento de comerciantes maioritariamente brancos expulsos ou recambiados para seus eventuais destinos de origem no ano de 1975...
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E, foi naquele então que se deu início ao desenvolvimento industrial local com extracção de enxofre em Benguela assim como o cobre, o sal e salitre e, até ouro. Os diamantes surgiram mais tarde originando em exclusivo de exploração a uma empresa majestática com o nome de Diamang...
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Criação das fábricas de cordoaria. Estabelecimento do presídio de Novo Redondo que se tornou no tempo, a capital da província do Cuanza Sul. Criação da manufactura de carnes secas, couros e sabões, macaco e outros. Finalmente, o empreendimento que marcou o seu mandato: a criação da fundição de Nova Oeiras, na confluência do rio Luinha com o rio Lucala, a 5 km a leste de Cassoalala.

mU uKULU42.jpg Fote presidio de Massangano

Chegou a ser extraído ferro, e exportado para a Metrópole, com grande sucesso. Trabalharam nas minas 400 africanos “livres e sem constrangimento” segundo o dizer de Sousa Coutinho. Teve o condão de ter acreditado na potencialidade dos africanos, tendo escrito: «Sempre os negros trabalharam o ferro das minas de Nova Oeiras e dos muitos outros lugares do mesmo reino; e têm tal propensão para aquele trabalho que se sobressaíram como bons ferreiros. 

Mu Ukulu45.jpg Para esta fundição, um embrião de uma futura siderurgia, se continuada, foram para Angola 4 mestres de fundição, oriundos da Biscaia mas saídos do Brasil. Estes,tiveram fins prematuros - um ano depois da chegada! Também foram para ali mestres da Bahia; este, desembarcaram em Benguela, tendo desembarcando mais tarde em Luanda quase mortos, acabaram poucas horas depois com o tal de paludismo. Mas apesar destes infortúnios a fundição prosperou. Quando Sousa Coutinho regressou a Portugal em 1772 a fundição era um sucesso.
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:09
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXIII

N`ZINGA E O FALA KALADO – 4ª de Várias Partes – 10.04.2019
Por

soba15.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Nélito Soares foi assassinado à queima-roupa na Vila-Alice pelos comandos Tugas já depois do 25 de Abril de 1974, ainda debaixo da Administração de Portugal. Assim se pensava ter sido até o misterioso encontro entre o T´Chingange e o tal de FALA KALADO no aeroporto Internacional e do Terminal Doméstico numero DOIS de Guarulhos de São Paulo.

missosso2.jpeg E, graças ao “Morro da Maianga” consegui descortinar um pouco mais a minha alhada aqui comentada no meio de uma fricção ficcionada… Uma meia inventação em que só o tempo descortinará como verdadeira, essa morte do Nélito Soares, o mesmo FALA KALADO dos MISSOSSOS a virar lenda.
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Quanto ao Coronel FK, aparecerá nos próximos episódios mas em tempo de malembe malembe e da frente para trás porque os acontecimentos andaram muito mais rápidos do que a minha escrita e, recordar o passado, é forçosamente como fazer reverdecer erva sintética - uma trepanação complicada. 

oscar4.jpg Nesta tarefa de dar vida aos matumbolas plastificados, só mesmo o MPLA se pode considerar perito de primeira. Naquele então de 1974 e 1975 estes e os Tugas foram especialistas de dez estrelas. Mas, e, também porque nossas vidas assim foram determinadas, andarem para trás como o caminhar dum caranguejo robotizado. E, há muitos que continuam assim, robotizados, amaciando a podridão duma nação...
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Assim, só poderei dizer que FK (Fala Kalado) ingressou na UNITA posteriormente à sua própria morte (aparente) e tomou o nome de Fala Kalado (Fala como agradecimento às Forças Armadas de Libertação de Angola - FALA e Kalado por ser sua condição "sine qua non" secreta). 

paulo7.jpgAinda não eram seis horas da manhã, o sol estava erguendo-se ao nível do horizonte mas ia já nas silhuetas dum sexto andar e, eu na água fazendo exercícios. Hoje excepcionalmente fui abordado pelas alforrecas, águas vivas roçando seus fios raivosos nas minhas duas quinambas; coisa suportável e, segundo se diz benéfica para reduzir a artrite.
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Estive bem perto de duas horas dentro de água falando com um casal vindo de Pacatu de Minas Gerais, enquanto me mexia. Já sentado no banco corrido de cimento cru e à sombra dos coqueiros do calçadão, bebo minha água de coco comprada ao Jefferson. É bom lembrar aqui que este cidadão antes de iniciar suas tarefas e ainda, estando eu na água, correu a dar um mergulho de corpo inteiro. 

tonito16.jpg Jefferson após o mergulho levantou as mãos em adoração para o céu, orou ao seu Deus, ou ao paínho Cisso cantando um oração; de onde eu estava os dizeres eram monossilábicos, parecendo uma zoada carregada de muitos amém e estando eu assim pensativo nestas minudências da vida, aproximou-se um senhor já velho, camisa florida, cor e jeito de um cubano Caribenho.
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O chapéu de matuto do sertão não lhe conferia um esmerado gosto; fazia rodar em sua mão esquerda umas missangas feitas de pequenos búzios; Era assim pró moreno e dum perfil ginasticado, embora um pouco encarquilhado no rosto e na orelha esquerda. Sentado a meu lado e depois de uns curtos suspiros pude ouvir: Têm noticias de Kalacata? Não havendo mais ninguém ao nosso lado, deduzi que a pergunta era para mim.

nasc2.jpg Num repentemente minha massa encefálica, despertou meu astigmatismo e como um raio lazer caiu na realidade do nome afiando-me os olhos num só. Kalacata foi alguém de minha intimidade de quando eu fui Secretário de Informação e Propaganda do Comité da UNITA na Caála, também chamada de Robert Williams. Assim brutefeito, olhei para ele mais de frente e, tive um susto: - Era ele, o FK!
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Ambos nos levantamos e, sem nada dizer, nos apertamos num longo abraço. Minha cabeça convulsionava-se em desespero para entender este encontro assim tão inesperadamente esperado - tão súbito! Em verdade, sempre o seria em qualquer momento - estava ali a fera! O FK...

IMG_20170823_142728.jpg Titubeamos aos poucos as falas, assim como um motor com falta de ar no carburador e, desengasgando coisas recentes falamos coisas menores, como que a apalpar terreno e, lá me pediu desculpa por não me dar a atenção devida no aeroporto de Guarulhos. Disse-lhe que isso não era assim tão importante.
Em realidade mentia, agora com a fera ali tudo era importante. E, com tanta coisa para dizer, saímos dali para dar continuidade em outro lugar. Não é de admirar que estejam curiosos porque eu, também estou - e muito!
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:31
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Quarta-feira, 10 de Abril de 2019
MULUNGU . LXII

TEMPOS CUSPILHADOS 
A GUIANA JÁ FOI PORTUGUESA - 09.04.2019
Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco em língua Xhossa 
Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

caiena1.png Por aqui ando esticando os ossos, entre ave Marias encavalitadas de prefácios que se baralham mas, que logologo se esquecem. Em finais do século XVIII e inicio do XIX, a colónia francesa situada ao norte da América entre o Suriname e o Brasil, na fronteira com o Amapá, possuía uma população rarefeita, concentrada em Caiena, a Capital. Com uma economia esclavagista, era voltada para a produção de cana, um, café, algodão, canela e outras culturas tropicais.
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Sendo um ponto de penetração francesa na Amazónia e litoral norte brasileiro, foi sempre alvo da acção diplomática portuguesa no sentido de garantir a fronteira ao longo do rio Oiapoque. O Tratado de Utrecht de 1713, proibia o comércio entre o Pará e essa região. Portugal mantinha-se atento por via de os franceses fazerem incursões de pirataria a fim de surripiarem madeiras nobres e fazerem candonga.

caiena2.jpg  Havia um comércio incipiente em que a Guiana exportava escravos e cavalos recebendo em troca farinha de trigo, vinhos e outros produtos da região. Este fraco comércio não resistiu ao processo revolucionário francês porque desde o anos de 1801, a conjuntura se tornou desfavorável a Portugal. Após a chegada da corte portuguesa ao Brasil, D. João VI decretou a invasão em Março de 1808, ou seja há 211 anos atrás. 
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Não obstante Rodrigues de Sousa Coutinho se preocupar com Guiana, não foi suficiente para que o rei se desmobilizasse no vincular de sua atitude como uma declaração de guerra à França de Napoleão Bonaparte. Embora esta acção tivesse algum planeamento inglês, D. João VI manteve-se fiel a si mesmo sabendo que a pretensão inglesa era não permitir qualquer devaneio em se servir de Guiana para reconquista das Antilhas inglesas.

caiena3.jpg Assim, a 14 de Janeiro de 1809, Caiena foi ocupada por uma expedição anglo-lusa, maioritariamente com efectivos portugueses. A Corte portuguesa decidiu administrar este território como dependência do governo do estado do Pará. Foram nomeados: como comandantes das força - Manuel Marques como governador militar e, o intendente João Maciel da Costa para a justiça e Administração Civil, subordinado ao Capitão-Geral do Grão-Pará e Rio-Negro.
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A Inglaterra desejava arrasar as fortificações francesas na região de Guiana para não poder ter modo de ser reutilizara pelos francos mas, os portugueses por ordem de D. João VI, como é dito em item 5, não o permitiram. 

caiena9.jpg  As consequências da invasão resultou na libertação de todos os escravos que aderiram à nova administração; as propriedades aonde ocorreu resistência foram queimadas e saqueadas; três naus francesas com suprimentos foram apreendidas e os bens dos ausentes sequestrados. Os moradores da Guiana continuaram regidos em suas relações civis pelo Código Napoleónico.
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Foram preservados seus usos e costumes nunca tendo a Guiana sido declarada como parte integrante de Portugal.o Império Português. O Conde de Galveas da Corte indignou-se pela libertação de escravos mas, a maior preocupação de D. João VI era não onerar os cofres da Fazenda Real. 

pedras 002.jpg Pois recorde-se que para suprir o Banco Brasil de carências, vendeu avulso e por bom preço títulos de nobreza. Foi esta acção que deu maior consistência a tão grande país. Foi ali incentivada a importação de especiarias e da cana de Taiti que se passou a chamar de caiena - um jindungo, pimenta de especial qualidade utilizado para controlar a pressão arterial.
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Ocorreu também o envio de mudas para os Jardins Botânicos do Rio, de S. Paulo e de Belém no Pará. Em 1814, com a queda de Napoleão estabeleceu-se pelo acordo de Paris, devolver a Guiana à França. Em 1817, por via de novas negociações e devoluções, foi efectivada a linha de fronteira definida pelo rio Oiapoque. 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:02
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Terça-feira, 9 de Abril de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXII

- O PADRE CÍCERO - Na terra dos Cariris... 09.04.2019

Entender o Brasil por alturas de 1827 a 1856 

- Cada casa era um sítio de fandango, de saraus da breca feitas bodegas de cachaça com calor nos ânimos ainda por conhecer...
Entender o Brasil por alturas de 1827 a 1856 
Por 

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma criar loja virtual. 
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira. 

cazumbi0.jpg ::::::214
Juazeiro do Norte - Terra do Padre Cícero - "Uns doze graus abaixo da Linha Equinocial, aqui onde se encontra a Terra do Nordeste metida no Mar, mas entrando-se umas cinquenta léguas para o Sertão dos Cariris"... Construída a capelinha de Nossa Senhora das Dores, foi o padre Pedro Ribeiro nomeado seu Capelão, pelo Vigário do Crato, freguesia de Nossa Senhora da Penha, a que ficou pertencendo à capela de Juázeiro. 
:::::215
O padre Pedro era muito zeloso; cuidava dos poucos habitantes daquela aldeia, na maioria escravos de sua família, catequizando-os, ensinando-os a rezar e a trabalhar. Na época de inverno entregavam-se às fainas agrícolas; homens e mulheres iam para a roça empregando-se no cultivo de cereais variados, o milho, feijão, mandioca e algodão. 

CAFE5.jpg :::::216
Após a colheita, as mulheres ficavam em casa cuidando dos trabalhos domésticos e fiando algodão para tecer a roupa dos maridos e dos filhos ou delas mesmas, eram elas que costuravam à mão, pois que ainda não havia máquinas de costura.Hoje já não passamos sem o celular, o micro-ondas, a televisão ou um simples ferro de engomar mas, naquele tempo era tudo muito primário e, no entanto sempre nos queixamos da vida
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A felicidade é construída por cada um de nós nas pequenas virgulas do quotidiano. Com o desenvolvimento surgiram novas doenças e maneirismos com hábitos que enturvecem a cabeça dos mais velhos. Os homens dedicavam-se aos trabalhos das fazendas, alimentação do gado, da solta das rezes nos pastos, ordenha, vaquejada, desmancha de mandioca, caça ou pesca. 

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Os Coronéis davam ordens aos seu capatazes, seus jagunços de segurança, divertiam-se coleccionando donzelas na penumbra do aconchego sem querer dar nas vistas; no final era uma mistura de meios irmãos reclamando posses e edeceteras diferenciados. Nesse tempo eles era os advogados, os políticos, os Donos Daquilo Tudo. Um perfeito DDT.
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Todos ali aprendiam o catecismo, rezavam e trabalhavam orientados pelo Padre que não permitia a promiscuidade tão comum - o negócio gozado em realidade continua nos nossos dias mas, isto naquela altura era mais comum ou visível entre escravos e os senhores. Mas, ninguém via, ninguém escutava - eram tempos de muita penumbra porque ainda não havia jornalistas curiosos, nem reportagens de crimes, gráficos de simpatia e outras desavenças. 

booktique7.jpg :::::220
Mesmo sem haver tropa militar de carreira, já havia no civil, alferes, capitães, majores, coronéis e por aí. Tudo sem haver uma formal posse administrativa. Era o dinheiro que mandava. Nesse tempo, rico nunca ficava na prisão. E, vou-vos falar era foda ser pobre e preto, um fado que cantado faria chorar as pedras da calçada. Quando surgia uma escaramuça formavam os "volantes" - civis voluntários para eliminar os do "levante". 
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Mas, naquela altura, os padres não admitiam esse negócio de bebedeiras, de sambas e jogos com uso de armas. Isto era expressamente proibido. Só mesmo o coronel, o capitão ou o major da ordem dos abastados poderia usar uma arma. Quem estabelecia isso? Minino, cuida-te! - Eles estabeleciam, pintavam e bordavam; artistas completos! Também só assim poderia meter respeito. Os tempos eram outros; não havia essas frescuras de que é menor, de que é passado dos carretos. Ia prá choça e apodrecia por lá. Qual psicólogo e edeceteras de modernidade. Era o escambau! Topou! 

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Nesta atmosfera de muita paz e tranquilidade lá no ano de 1856, o Padre Pedro, cercado de muito respeito e amor, morreu. Deixou todos os seus escravos libertos e, na sua carta de alforria, apenas exigia uma condição: trabalharem sem recebe numerário todas as vezes que a Capelinha necessitasse de reparo. Não levou muito tempo a que os libertos sentissem o sabor da desobediência e degenerecência, entregando-se à folia. 
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Desacostumados, os negros libertos, entregaram-se ao vício porque é sempre o fruto proibido o mais apetecido e, daí, cada casa era um sítio de fandango, de saraus da breca feitas bodegas de cachaça com calor nos ânimos ainda por conhecer. Foi neste ambiente que chegou o Padre Cícero. Cada alpendre era um terreiro de samba, que terminava com pancada da braba, assim de "faca-fora". Senhores e escravos confundiam-se com as festas da mais criminosa criminalidade. Uma mais genuína concentração a comparar com os festivais modernos como Roque em Rio , ou Super Bok - Super rock ... e, outros sempre cheios de gente práfrentex...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:33
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2019
MALAMBAS . CCXIX

TEMPO DE CINZAS – Domingo - 07.04.2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor vermelha… 2ª de várias partes

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

soba22.jpg Sete horas horas e vinte minutos do dia 07 de Março. O sol queima a orelha e já bebi meu coco frio à beira da Kanoa; acabei de mudar meu chapéu de sol e cadeira mais para a berma da água porque o mar está a secar, maneira se de dizer aqui que a maré está a vazar. junto ao carro do coco encontro meu vizinho sozinhando sua velhice com um copo de coco de cor amarela. Será caipira? Será whisky? Xavier é o nome dele; um deste dias meti conversa perguntando que tal estava a caipirinha mas ele respondeu com cara de pau, que só era água de coco. Às tantas ele é evangélico e também abstémio... 
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Assim, fiquei quase amigo de Xavier, porque nossas conversas são aos solavancos sem pontuação nem ponto e virgula. Mas, hoje Xavier perguntou-me se a água de coco que levei para casa em uma garrafa de 1,5 litros estava sabendo bem. É que a dele, depois de esperar o resfriamento com seu whisky estava intragável. Disse-lhe que o produto dos cinco cocos estava só sabendo um pouco a coco velho. Que por esse facto tinham pouca água dentro.

araujo000.jpeg Xavier fala: Rapaz...: Quando botei o copo à boca, água de coco esfriado na geladeira o negócio estava, sabia mal, parecia veneno, sabe! Minino!... Lembrei-me de você, que ficou no prejuízo! Até disse pró meu filho: Aquele moço foi enganado... Tem cada gentinha, a gente paga e fica assim, noé!? Tá mal... Mas afinal o Senhor teve sorte.
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Negócio gozado, Seu Xavier começou por me chamar de moço, passou para o cara e minino, agora de Você e Senhor. Não demora Seu Xavier está me tratando por vosmecê, ou dôtor com mais vosselência, negócio gozado, mesmo! Estava assim taciturnado olhando os matutos de arredores de Palmeira dos Índios gozando a praia de água salgada e molhada, quando toca meu celular - telemóvel do M´Puto. Ólho - chamada internacional em roaming. Não fosse quem era e teria desligado na ora.

DIA107.jpg Era Agualusa a ligar-me de Swakopmund da Namíbia, pode!? Já em Curitiba, em uma apresentação em feira de livro me tinha telefonado. Pois, já estava avisado; não foi uma inteira surpresa porque nesse então disse que estava quase de partida para ir a Etosha Pan ver animais. Todo entusiasmado disse que estava quase a tomar o balão para ver as dunas em volta das milhas e particularmente da número 45 que em tempos eu mencionei. Pois! E aí... Em verdade já nem me lembrava de lhe ter dito. Foi ele na sua forma cusca que leu em meus rascunhos... também tem esse hábito de vir beber às minhas mulolas e t´ximpacas .
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Pois então, estava no Deserto do Naukluft a Sul de Swakopmund. Só me telefonou para desemperrar sua admiração: - O balão tinha meu nome escrito em letras coloridas "T´Chingange". Isto é de tua propriedade? Perguntou de forma repetida. Resposta minha, rápida: - É... Como devia estar a gozar comigo teve esta desconcertada resposta mas, pelo andar da conversa a coisa era mesmo a sério. E, como a curiosidade mata, deixei ficar por isso mesmo, talqualmente.

DIA106.jpg Isto há coisas! Quando do telefonema feito de Curitiba tinha-me dito que o Coronel Fala Kalado andava por aqui, em Brasil. Ora isto já era do meu conhecimento pois que nos tínhamos avistado em São Paulo, no aeroporto de Congonhas, terminais um e dois. O meu intriganço era o de saber o que é que ele, Agualusa, sabia de nossos relacionamentos. Mas, agora que chove - doze e trinta, não são horas de voltar atrás na descrição nem discrição. Talvez mais tarde
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Despedi-me dele assim: Cuida-te, andas a pôr o Cristo Rei sempre de costas e podes ter graves problemas. Deves saber que agora Ele, está acima de tudo. Bem! Já antes, aliás sempre esteve mas agora faz parte do slogan constitucional: isto acima de tudo e Deus acima de todos... 

agualusa2.jpg Não quis ir mais longe por modo a deixá-lo confuso com as particularidades e, se bem o conheço, irá direitinho falar com a osga gorda que nem um crocodilo depois de comer um veado. Conferenciará com ela como o Palmares com seu Anjo Azul. No fundo, no fundo, ainda bem que não arranjou uma louva-a-deus. Ora, porquê! Porque essas bichonas comem os machos depois de copular. Isso! Depois de rebolarem na cama...

Ilustrações de Costa Araújo
(Voltarei ao assunto...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:59
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Sábado, 6 de Abril de 2019
MU UKULU – XVII

MU UKULU...Luanda do Antigamente06.04.2019
Os candengues depois do banho lambuzavam-se com brilhantina ou vaselina dando uma de actor de cinema Errol Flynn...
Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil
Na Luanda antiga, após o uso das selhas surgiram os tanques de lavar roupa feitos em cimento. Eram da altura suficiente para se poder esfregar anatomicamente na rampa ondulada, a roupa que era molhado quanto baste, na bacia quadrada com água; este era colocado numa parte sombreada do quintal com telheiro ou árvore. Na parte mais baixa tinha um ralo que por meio de um tubo fazia despejar a água para o canteiro do pátio com chá caxinde, bananeiras ou plantas que tolerassem a água saponácea.

monangambé.jpg Na casa dos meus pais na Maianga, Rua Maria José Antunes, bem perto do Rio Seco, uma mulola que só levava água quando chovia, havia um destes tanques situado bem ao lado de um pombal e galinheiro, tendo como abrigo a sombra de uma mandioqueira. Havia uma mangueira que conduzia a água para um canteiro com chá príncipe ou caxinde, uma trepadeira de lufa e um alto mamoeiro.
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A grande maioria da população negra não dispunha de meios para ter o suficiente conforto; as suas cubatas não tinham água corrente no espaço habitacional, sua renda era insuficiente ou mesmo miserável. Os bairros populares começaram a surgir nos subúrbios de Luanda por iniciativas municipais mas, não dava para contemplar a grande afluência de gente do mato para a capital.

Mu Ukulu23.jpg A maioria da população luandense, maioritariamente preta dos musseques e cortiços de brancos nos arrabaldes, podia ser classificada como pobre ou remediada. De realçar que a maioria dos empregados de mesa dos cafés e restaurantes na área central de Luanda eram brancos. Eu cheguei a comprar jornais a ardinas brancos e até a engraxar os sapatos com engraxadores brancos também - em plena Mutamba.
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Houve a preocupação da administração colonial incentivar a miscigenação nestas humildes funções ocupando o branco em actividades de porteiros, contínuos, carteiros, pedreiros, coisas de escalão baixo levando até, a que visitantes de outras nações europeias criticassem tal comportamento. Tal submissão não mereceu minimamente a atenção quando da descolonização.

niassa5.jpg Como grande parte das casas não tinham rede eléctrica encanada da L.A.L., assim, nas mais modestas, o chuveiro quando não estava dentro de casa, era colocado fora dela em um canto do quintal, resguardado dos olhares curiosos pela construção de um cubículo com paredes de tijolo ou mesmo aduelas de barril. Para o banho o ritual era trabalhoso.
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A água era previamente aquecida em uma panela ou lata proveniente de azeite ou tinta que era posta em um fogão ou até uma fogueira montada no quintal com pedaços de gravetos bissapas ou chinguiços, restos de madeiras. Após aquecimento a água era derramada em um balde de chuveiro que depois ea misturada com água à temperatura ambiente.

Mu Ukulu34.jpg O chuveiro constava de um balde de chapa zincada ou mesmo lona apertada que era pendurada em uma trave ou estrutura de metal por meio de corda que corria em uma roldana. O crivo do chuveiro era metálico abrindo ou fechando por intermédio de um fio, uma torneira em latão. Era em tudo idêntica aos utensílios do geómetra Gago Coutinho quando da definição da fronteira angolana.
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A selha era outra opção para o banho, mas com a indispensável ajuda de uma caneca. Era normal em muitas casas de banho o tão familiar rolo de papel higiénico ser substituído por papel de jornal cortado em quadrados e pendurado por um arame afilado bem junto à sanita. Estes teriam de ser bem amassados para poder fazer a função com eficácia.

Mu Ukulu20.jpg Talvez só a partir de 1955 é que começaram a surgir os rolos de papel higiénico nas casas. Até então os jornais tinham a função de leitura e de limpeza. O pequeno comerciante também usava o papel de jornal para fazer embrulhos, acondicionar, feijão, milho, fuba e variados cereais. Que me lembre havia um só balneário público em toda a Luanda por alturas de 1965 a saber um que ficava no largo bem em frente dos Correios - bem perto da antiga "Porta do Mar".
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Para a lavagem de mãos e banhos usava-se os sabonetes lifebuoy e lux em substituição do sabão azul, também conhecido por "sabão macaco". Havia também o Clarim com mais potassa em sua composição. Os candengues depois do banho lambuzavam-se com brilhantina ou vaselina dando uma de actor de cinema Errol Flynn... Tempos do "pinto calçudo", calcinhas ou ainda "pipi - cheio de banga"... Para agrado das "garinas"...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:23
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Quinta-feira, 4 de Abril de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXI


-A cigana leva as mãos a cheirar e: Cheiram a fumo, a pólvora. Cheiram a sangue! - «Eu sou daqueles que vão até ao fim.» ...

Recorda ele só para si a frase de Mário de Sá Carneiro em carta a Fernando Pessoa... 04.04.2019
Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma criar loja virtual.
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira.

rio8.jpg ::::::204
De novo volto à escolha do livro DOIS do Agualusa, e entro num lugar da Luua com Euclides, o benguelense a espreitar através da janela do tempo e, ainda a tempo de ver os garotos (pioneiros do PP - Poder Popular) pontapeando o corpo do comerciante. Era na avenida Brasil da Luua. Outros candengues saem de dentro, carregando caixas, biscoitos, fruta e latas de refrigerantes.
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O adolescente que parece comandar o assalto arranca uma pequena placa branca de um passeio, num vaso já seco que em tempos tinha um ibisco vermelho e, pôe-se a dançar com ela. Nesta placa tem escrito em tinta negra: «Cuidado - Veneno». Debaixo destas palavras distingue-se o desenho de uma caveira com duas tíbias cruzadas. 

rio11.jpg :::::206
As parecidas tíbias com o sonho, que acabou em NADA naquela terra que nem madrasta foi, foram vistas por mim em 2002 além Sumbe, além Kanjala. Nossa cor denunciava-nos sobremaneira como os "filhos do colono" - Se não foste tu, foi teu pai! Tudo vinha ao de cima na forma de raiva, por via dos contratos das roças, das grilhetas passadas, das cangas, masmorras e tangas feitas quando no mundo, ainda tudo era feito de cipó e giesta de matebeira. 

soba03.jpg:::::207
Aquilo era Luanda. Na pele do Anjo Azul, de tão translucida viam-se as veias como rios à deriva. Palmares, o supranumerário da rede de candongueiros e vendedores de armas ligeiras, pesadas e de com e sem recuo, segue mansamente, com a ponta do dedo. Descobrindo-lhe as origens vai soletrando pensamentos em voz alta: Kwanza... Tombo... Cunhinga... Sumbe... Cabo ledo... Kangala.
:::::208
O Anjo Azul Cubana, ri-se. Assusta-a o mistério daquelas palavras - O que significa isso? - Estou a cartografar-te. Esta é a costa angolana. Do outro lado fica o Brasil. Aqui está agora o Japuará... o São Francisco... Piassabuçu... Jaraguá... Pajuçara... Jacaressica... Guaxuma... o Xingu

rolam0.jpg :::::209
O Amazonas perde-se na mata Atlântica húmida como um sexo.
Palmares beija-lhe o sol rodeando o umbigo. Porque não deixa tudo e fica só comigo, diz o Anjo Azul fervendo em calores - fica só assim, me abraçando... Assim de fervuras arrepanha-lhe os cabelos encaracolados do aconchego. 
:::::210
-Você tem de me dizer que me ama com convicção! Não é só dizer que me acha gostosa, não, visse! - Acho-te lindíssima...Tenho medo de me apaixonar por ti - diz isto de olhos fechados... Quando os reabre ela está em pé diante dele - É melhor você não aparecer mais aqui. Está bem, foi a resposta. 

sol4.jpeg :::::211
Palmares olha suas mãos. As palmas claras, a linha da vida quebrada a um centímetro do pulso; um perfeito M na antiga escrita romana. Uma vez, em Lisboa, uma cigana tentou ler-lhe o futuro. O que quer que tenha visto assustou-a. Perplexa olhou-o gritando: « Popilas - poças - cunkatano! Este Gajo não existe!» 
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A cigana leva as mãos a cheira e: Cheiram a fumo, a pólvora. Cheiram a sangue! - «Eu sou daqueles que vão até ao fim.» Recorda ele só para si a frase de Mário de Sá Carneiro em carta a Fernando Pessoa. Parece que nem falas nem pensamentos são seus porque o NADA, de novo se verificou nas muitas averiguações. Mas eu, não fui - Juro!

tabaibos estofo.jpg :::::213
Um rapaz de de grandes olhos negros, aliás, todo negro e com um chapéu de feltro na cabeça, encara-o com uma expressão gelada. Fala. Há uma voz de velho, kota e rouca, e aos soluços sibilantes: - Não há ninguém aqui...

tenerife7.jpg Do T´Chingange: - A vida é feita de NADAS, de grandes serras paradas à espera de movimento. Searas onduladas pelo vento... Relembro as palavras de Torga numa terra pintada de branco, barras azuis com cheiros de poejos...
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:30
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Terça-feira, 2 de Abril de 2019
MALAMBAS . CCXVIII

ORFÃOS DA TERRA - 02.04.2019
Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Encorujado nos meus farelos antigos, queimo as pestanas na praia da Pajuçara com sol intenso!… Sim! É tudo mais do mesmo! As algas, o mar verde e azul e edeceteras... Mas hoje passeando no calçadão, já quase chegando à Jatiuca um felizardo da terra todo vestido de azul, sapatos e meias azuis, calções e flanela azuis, chapéu tipo boné quico azul e, até uns óculos reluzentes azuis alocromáticamente fosfóricos, faz-me um rasgado cumprimento: - Bom dia Major!...
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Não é a primeira vez que o vejo sempre contente e falador saltitando passos com a ajuda duma muleta - no lado esquerdo. Seria falta de cortesia não responder com um Bom Dia mas, a chuva em verdade começava a cair de mansinho.

spi3.jpg Este tipo deve ser portista! disse cá para mim na certeza de que seria um outro clube aqui da terra do Brasil com ascendentes de dragão, bichos de cuspir fogo parecidos com outros pré-estóricos pintos da costa - dromedários o quanto baste para serem genuínos camelos.
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Nesta capacidade de repetir discursos já gastos para que tudo fique na mesma e, porque tenho ideias e ideais, passei o tempo da vida a perder amigos. Quando tudo me leva a crer que os amigos são o que penso, normalmente, a determinada altura já têm respostas para as perguntas que eu ainda não lhes fiz e isto, indispõe-me sobremaneira. 

spi0.jpg Por vezes também é o contrário disso sem eu ter as respostas adequadas ao momento. Assim com o meu peito séptico dispus-me a fazer o trajecto de hoje caminhando no calçadão contemplando as imprevistas contrariedades que sem culpa formada me fazem passar o tempo. Os sofistas sempre me desnortearam... E, assim fui galgando metros.
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Passei por muita gente de tanga e sunga que gozam sua vida em qualidade de 30 graus centígrados e, creio também até muita desta gente, ruminava como eu silêncios pelos erros alheios de muitos e zelosos assessores. Assim, entalado na charneira de entre a raiva e o vazio derramava-me aos poucochinhos perfilava-me assim como aquele outro cocho de mente azul, por cinco quilómetros. 

morte3.jpg Assim compenetrado no distraimento, ouvi de mansinho uma voz que sinceramente, não reconheci. Era um vulto com contornos de gente camuflado de assombração e com um monóculo encaixado na orbita ocular do olho direito: “ O destino faz muitas armadilhas à volta da gente e das suas intenções impedindo-as de se poder fazer o mais desejado”.
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Caramba! Era mesmo o autor de “Portugal e o futuro”, o livro premonitório do Vinticinco de Abril, isso mesmo! António de Spínola sem tirar nem pôr e até trazia uma boina e um pingalim, espécie de bengala flexível, de couro ou rabo de raia com a ponta a terminar em uma aselha de cabedal; spinolando o ar, batia seu pingalim, punho com mão e repetia; um gesto que me dava uma desconcertada indisposição. 

sorte4.jpg Gostava de saber a razão que leva alguém a usar um monóculo? É que, até um indivíduo que é cego de um olho, usa óculos normais! Interroguei-me sem levantar questão! Ora! Tarde piaste! Logo agora aparecer-me este general vaidoso para me relembrar as merdas que tanto quero esquecer. Não pode Ser! Você é o general Spínola? 
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Cá para mim o que o homem queria era ganhar carisma… Primeiro foi a boina! Mas, teve necessidade de um monóculo. Em termos práticos para que serviria? Para ver ao detalhe as minas e armadilhas ou para intimidação dos inimigos? Ando deveras preocupado porque parece que isto, só sucede comigo. 

sorte2.jpg Depois, só para chatear, mais tarde decidiu usar um pingalim! E, luvas de couro preto! Este absurdo só pode ser mesmo uma assombração! Pois bem, se o é, vá-se embora de vez porque o que tenho lembrado de si em filme e a preto e branco está descolorido e, até desfocado! Depois, a mesma vozinha falou: “Sabes! O passado vem sempre ajustar as contas antigas!” Disse isto, sem mais explicações, como se eu não o soubesse. Bem feito seu cara de pau.
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Tal como veio, assim se escafedeu! Ouvi assim uma chiadeira irritante como um berro de osga languinhenta a rir-se e, a figura difusa foi-se, como se foi no seu real pós-guerra de tugi, criando em nós, babancas, um orgulho nacional. Merda de orgulho este que me tornou num ORFÃO FORA DE PORTAS.

geringonça1.jpg Apeteceu-me perguntar-lhe: Viste a merda que fizeste? Mas, entretanto já nada ali estava, só pude ver o farol raiado de branco e vermelho na Ponta Verde a recordar aos patrões-de-costa e afins que ali há rochas chamadas de recifes. 
Tudo ficou assim, sem mais nem porquê!? Abril....
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:38
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Quarta-feira, 27 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XIX

PEDRA DO REINO de Ariano Suassuma - 25.03.2019
O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta Brasil – Género Romance, fantasia épica do Nordeste brasileiro - 1971
Por

soba0.jpeg T´Chingange - Com Suassuma - No Nordeste brasileiro
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Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma 

bordalo2.jpg:::::184
Estamos em Março de 2019 com talvez menos de dez milhões de Portugueses e, o estado vive cada vez mais à míngua sugado por corruptos e corruptores. As conquistas do povo foram direitinhas para a nova casta de políticos que dividem hoje, o bolo por quotas, tanto para ti, tanto para mim. Afinal, de nada valeu aquela caçada nos tempos loucos de agarrar fascistas. 
:::::185
Ainda hoje me arrepio de tal façanha vivida por mim com pesar e, em euforia de Abrilada pelos demais, mais que muitos, infelizmente! Acabei por me desterrar, abalado para um lugar distante chamado de Venezuela, mais tarde Brasil aonde estou por algum tempo - nada é eterno. Os tempos passaram mas os anos prósperos foram por má gestão mandados pró galheiro. Sebastião I de Portugal - Foi o décimo sexto rei de Portugal, cognominado O Desejado por ser o herdeiro esperado da Dinastia de Avis, mais tarde nomeado O Encoberto ou O Adormecido. 

 xique xique0.jpg:::::186
Assim fala Suassuma: -A qualquer momento, a Onça-Malhada do Divino pode se precipitar sobre nós, para nos sangrar, ungir e consagrar pela destruição. É meio-dia, agora, em nossa Vila de Taperoá. Estamos a 9 de Outubro de 1938 (Um ano antes da morte de Lampião, o Virgulino, no lugar de Angico, perto de Piranhas – Sergipe). É tempo de seca, e aqui, dentro da Cadeia onde estou preso, o calor começou a ficar insuportável desde as dez horas da manhã. Pedi então ao Cabo Luís Riscão que me deixasse sair lá de baixo, da cela comum, e vir cá para cima, varrer o chão de madeira do pavimento superior, onde funcionava, até o fim do ano passado, a Câmara Municipal. 
:::::187
D. Sebastião, os 14 anos assumiu a governação. Solicitado a cessar as ameaças às costas portuguesas e motivado a reviver as glórias do passado, decidiu a montar um esforço militar em Marrocos, planeando uma cruzada após Mulei Mohammed ter solicitado a sua ajuda para recuperar o trono. A derrota portuguesa na batalha de Alcácer-Quibir em 1578 levou ao desaparecimento de D. Sebastião em combate e da nata da nobreza. Isto, levou Portugal à perca da independência para a dinastia Filipina e ao nascimento do mito do Sebastianismo. 

quip´02.jpg :::::188 
O Cabo Luís Riscão é filho daquele outro, de nome igual, que morreu, aqui mesmo na Cadeia, em 1912, na chamada "Guerra de Doze", num tiroteio da Polícia contra as tropas de Sertanejos que, a mando de meu tio e Padrinho, Dom Pedro Sebastião Garcia-Barretto, atacaram, tomaram e saquearam nossa Vila. Tem, portanto, o Cabo todos os motivos de má vontade contra mim. Mas como sou "de família de certa ordem" e lhe dou pequenas gorjetas, abranda essa má vontade de vez em quando. Hoje, por exemplo, quando fiz o pedido, ele me concedeu o cobiçado privilégio de preso-varredor. 
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Mesmo fora de água, não é muito diferente do que se pensa dentro dela, em que ninguém quer saber da azáfama dos outros, cada qual por si. …iam destemidamente dar cabo dos Mouros, os hereges infiéis, Berberes e Tuaregues que não perfilavam com o Cristo e seus seguidores arianos. Alá, já nesse então, nada o fazia alinhar com o deus ariano que desfilava amor com armas em forma de cruz estilizada, a espada.

xique xique5.jpg :::::190
Assim fala T´Chingange: - Oxalá deles, mouros, não tinha seguramente o mesmo sentido que nós arianos lhe dávamos. Os jovens assediados pelo jovem rei D. Sebastião, com ele foram mas, jamais voltaram; por lá ficaram em Alcácer Quibir encharcando a terra árabe com seu sangue num amontoado de corpos. O vento Suão nunca os trouxe de volta e, por eles muitas mães choraram, muitas noivas enviuvaram prematuramente carregando dos pés à cabeça seus lutos. 
:::::191
- Esta aventura de conquista e submissão de África continuou através dos tempos e séculos. A riqueza soberana do M´Puto, era nesse então e, sempre, pequena demais para as ansiedades do povo Tuga e, foi assim que muitos dos nossos ancestrais, nossos avôs e pais se aventuraram a iniciar novas vidas para além do desconhecido em um terra que diziam também ser a sua. Tal como eu, branco de segunda, muitos foram o fruto desta estória sem agá, Angola, Moçambique, Guine entre os demais. Por má gestão e usura, nossos ditos irmãos deixaram-nos ao deus-dará; um dia a história fará justiça.

xique xique3.jpg :::::192
Diz Suassuma: - Abriu a porta de grades enferrujadas, trouxe-me para cá, deixou-me aqui sozinho, trancado, varrendo, e foi-se a cochilar na rede da sua casa, que fica no quintal da Cadeia. Aproveitei, então, o facto de ter terminado logo a tarefa e deitei-me no chão de tábuas, perto da parede, pensando, procurando um modo hábil de iniciar este meu Memorial, de modo a comover o mais possível com a narração dos meus infortúnios os corações generosos e compassivos que agora me ouvem. Pensei: - Este, como as Memórias de um Sargento de Milícias, é um "romance" escrito por "um Brasileiro". Posso começá-lo, portanto, dizendo que era, e é, "no tempo do Rei". Na verdade, o tempo que decorre entre 1935 e este nosso ano de 1938 é o chamado "Século do Reino", sendo eu, apesar de preso, o Rei de quem aí se fala. 
:::::193
Depois, porém, cheguei à conclusão de que, além de anunciar o tempo, eu devo ser claro também sobre o local onde sucederam todos os acontecimentos que me trouxeram à Cadeia. Não tendo muitas ideias próprias, lembrei-me então de me valer de outro dos meus Mestres e Precursores, o genial escritor-brasileiro Nuno Marques Pereira. Como todos sabem, o "romance" dele, publicado em 1728, intitula-se Compêndio Narrativo do Peregrino da América Latina. Ora, este meu livro é, de certa forma, um Compêndio Narrativo do Peregrino do Brasil. 

xique xique2.jpg :::::194
Por isso, adaptando ao nosso caso as palavras iniciais de Nuno Marques Pereira, falo do modo que segue sobre o lugar onde se passou a nossa estranha desaventura: "Uns doze graus abaixo da Linha Equinocial, aqui onde se encontra a Terra do Nordeste metida no Mar, mas entrando-se umas cinquenta léguas para o Sertão dos Cariris Velhos da Paraíba do Norte, num planalto pedregoso e espinhento onde passeiam Bodes, Jumentos e Gaviões sem outro roteiro que os serrotes de pedra cobertos de coroas-de-frade e mandacarus e babaçus.
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:20
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BOOKTIQUE DO LIVRO . XVIII

MIAÍ DE CIMA . CORURIPE - 27.03.2019 
Lugar aonde os índios Caetês comeram o primeiro bispo do Brasil - SARDINHA! - Também com este nome!? - estava a pedi-las...
Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores … Ariano Suassuma...
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira

miai0.jpg :::::174 - O Bispo Sardinha caricaturizado pelos seus, no Vaticano
Estávamos a 24 de Março deste ano de 2019 - um dia calorento, sem brisa, nem cheiro dela! Recordo! Fui em tempos como romeiro a Juazeiro e até se deu um milagre... dele falarei lá mais para a frente. Posso adiantar que havia no meio da clareira uma mulher integralmente nua, de cabelos pretos escorridos pelas costas e até quase à cintura. De cor morena e olhos de uma grandeza impressionante que rodava sua juventude.
:::::175
Assim esbelta girava ao redor do único salão disponível; talvez uma clareira, um simples terreiro. Não pode ser! Havia bananeiras a contornar a natureza. Só poderia ser mesmo um salão de um imenso tamanho, do tamanho do Mundo. No encontro da noite com a manhã, um "bem-te-vi", despertou-me da realidade ou para a realidade. Aquela mistura maluca de seiva de cacto com jenipabo fez-me viajar por muitos e variados lugares como um supremo e eterno jogo de amor, nuvem com donzela parda do Agreste. Pópilas, era mesmo vontade de mijar! Para vocês, desconsigo mentir - acontece!...

miai01.jpg :::::175 
Foi assim que sucedeu com todos os portugueses. Os Caetês comeram o primeiríssimo bispo do Brasil com o nome de Sardinha. Pode existir assimilação mais completa, pode!? Aplicando todos os impensáveis princípios de fraternidade, Sardinha e mais de oitenta marinheiros naufragados nesta costa aonde me encontro, foram comidos depois de esbracejarem auxilio aos índios. Eu nunca li assim deste jeito uma tão tamanha fraternidade. Agora, bem que poderíamos ser, todos uma única raça: -Brasileiros.
:::::176 
Pois! Os Portugueses iniciaram este país, afinal, deixando-se jantar pelos índios. Pela quantidade foi mais que um jantar, um café da manhã com almoço prolongado e ceia lá pela noite adentro. Depois disto fomos nos comendo uns aos outros e, eu acho lindo! Mas, sabe o que aconteceu? Alguns de entre nós descobriram-se negros e desataram a reclamar da cor. De repente cada qual começou desatando seu pavio e rápidamente já eram todos a reclamar casa, bolsa família e o escambau!

guerra22.jpg :::::177 - Pioneiros do MPLA - 1975
Os negros reclamavam de que não os deixavam ser brasileiros: Jacaré por exemplo veste uma camiseta preta com a inscrição "100% Negro". Euclides, o benguelense, pensando nisto,fala missangas com o General Catiavala. Este, vestido com o uniforme camuflado do Exército Angolano, suspira: - O senhor conhece Benguela de antigamente? Eu agora vivo só de lembranças, sabe? Já somos dois! ... os passeios nocturnos à Massangarala, ao Bairro do Benfica, ao luar - Tudo era bonito naquele tempo...
:::::178
Até o Salão Azul dos cubanos e o Lanterna Vermelha, o dancing do Quioche. Sabe aonde havia a melhor quissângua de Benguela? Euclides fala, fala sem obter qualquer muxoxo, qualquer resposta audível e plausível. Um dialogo chato de se fazer. Pois eu por detrás do bairro do caminho de Ferro, quando a gente ia na escola...lembra! Sem resposta, o jornalista ia ficando no pensamento dos tamarindeiros em flor... 

guerri6.jpg :::::179
Morrendo apenas, é que tudo acaba. O carro desliza através da tarde imóvel. Ao jornalista benguelense parece-lhe que estão parados - que é a cidade que desfila diante deles - um filme mudo. O Cristo Redentor de braços abertos continua de costas. Vai se entretendo a ler as placas das lojas e restaurantes: - Mocotô de Caetês,... grão de bico com bacalhau do M´Puto,... Sardinha grelhada à Coruripe.
:::::180
Pensa em outras tardes semelhantes àquelas, no Huambo, no Alto Hama ou em Benguela, assim mesmo de quando o tempo se aquieta no silêncio vastíssimo ou no meio da poeira vermelha da picada, apenas de onde o vento vira a curva, vindo de muito longe; lugar aonde se ouve o desespero dum motor, uma GMC ou Magiros, Scânia ou até uma Ural feia de assustar crianças. O desespero de um camião na picada.

guerri2.jpg :::::181 - Soldados do MPLA - 1975 
Porém, o país que amas, talvez já nem exista mais. Neste item, pode-se-lhe adivinhar os pensamentos na perfeição. - Você não tem saudade dos passarinhos, das flores da nossa terra? Isto da "nossa" é uma forma de dizer mas, lembro-me sim, dos rabos-de-junco, dos bicos-de-lacre, das celestes,, canários viuvinhas ou dos plim-plau cantando nas acácias rubras da minha rua. Às tantas nem sei se o cara fala comigo ou se só pensa.
:::::182
Eram tempos do visgo da mulembeira que a gente punha nas figueiras, umas palhinhas a colar as patas dos bichinhos - os siripipis de Benguela. Um dia, quando voltarmos, se voltarmos algum dia, haverá ainda acácias rubras florindo nos quintais? Ou estará tudo feito um cortiço de gente entaipada àtoa. Recordo ainda a fúria que esperava por alguém numa esquina. Não importa qual a esquina e quem era! Era alguém que na Luua, escuta violento rebentamento, violento estilhaçar de vidros e, logo a seguir a massa convulsa dos jovens pioneiros que gritam ódio.

savi6.jpg:::::183 - Jonas Savimbi - morto
Gente que faz tiros, que leva as balas directamente do produtor ao consumidor. Depois! Depois surge um homem ajoelhado no asfalto. Para aqui! Um adolescente alto e magro, de bermudas, uma camiseta com o rosto de jacaré e o título de seu disco - duma canção que editou "Preto de nascença". O candengue alto e magro, de bermudas descoloridas, sapatos quede, encosta uma pistola à cabeça do gordo e, dispara...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:51
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Segunda-feira, 25 de Março de 2019
MOKANDA DO SOBA . CXLVIII
CARTA ABERTA... De T´Chassanha
Com 4 adendas de T´Chingange (t) - 20.03.2019

t´chassamba1.jpgUrbano T´Chassamba (T) - O verdadeiro comandante das FALA 

t´chingange 0.jpg- T´Chingange (t) na Diáspora  (Miai de Cima de Couripe- Brasil)

-Em ANGOLA o racismo oriundo da burrice (matumbice) é que nos remete ao estado de miséria que vivemos .Você não sabe que para ser Angolano Genuíno é primaz nascer em solo pátrio e não ser, negro, branco,mulato ou cor de rosa.Um negro que nasce na Inglaterra é Angolano? Deve ser Africano!!

:::::t2

Obrigado brigadeiro T´Chassanha, sabe-se o quanto foste um combatente pela democracia. O verdadeiro comandante das FALA. Não desista, não deixe que os outros façam o que o senhor brigadeiro deveria fazer.
:::::t3
Não deixe que os oportunistas tomem o seu lugar. O Sr. é um herói vivo. O grande problema, e deve ser dito, é a incompetência de muitos quadros dirigentes. Cada um quer apenas estar nos lugares elegíveis na lista de deputados.
:::::t4
Deixam para traz os verdadeiros filhos de Angola que deram tudo que tinham para que a Unita fosse o que é hoje. Enquanto a ambição pessoal estiver acima da ambição colectiva, não haverá mudança.

arau45.jpg CARTA DE T´CHASSANHA  Carta Aberta aos militantes da UNITA e aos Angolanos em Geral - Angola não pode esperar mais...

:::::T1
Próximo de completar dois anos de mandato, Sua Excelência o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço parece ainda não ter percebido que a sua campanha eleitoral já acabou há muito tempo. Com o país atolado na pior crise económica de sua história – herança maldita da gestão criminosa do MPLA, (não apenas de Eduardo dos Santos) – esperávamos, que o Presidente da República descesse da tribuna e começasse a governar de facto.
:t´chassamba01.jpg::::T2
Esperávamos também que assumisse o papel principal na construção de consensos com os diversos Partidos representados na Assembleia Nacional e a Sociedade Civil para as reformas tão necessárias ao desenvolvimento de Angola. Por outras palavras, uma Angola para todos os seus filhos independentemente das suas filiações partidárias; independentemente de serem pretos ou brancos.
:::::T3
Se João Manuel Gonçalves Lourenço continuar teimosamente a fazer o papel de “eterno surpreendido” perante as provas incriminatórias da gestão danosa do seu Partido ao longo dos anos, demonstra, aliás como já vai sendo notório, que a estratégia dele, consiste apenas, num acerto de contas, no seio do MPLA, matando logo à partida todas as expectativas que criou, ao nos deixar sonhar por um lapso de tempo, que estávamos perante um presidente de todos os angolanos e que dali para a frente iria exercer uma governação participativa e inclusiva.
:::::T4
Se quem tem o poder para tomar providências continuar insistindo em não fazer nada, que mude o rumo do País de facto e de jure, será muito tarde. A delapidação do património público ocorreu sempre a olhos nus e já não surpreende ninguém. É, pois, confrangedor ouvir Sua Excelência o Sr. Presidente da República, sempre com o ar mais surpreendido do mundo dizer: Isto é repugnante!

t´chassamba2.jpg :::::T5 - Drs Jonas Savimbi e Carlos Morgado

Neste particular, o seu desempenho, Sr. Presidente, não augura nada de auspicioso...Mas, como diria alguém: - aqui não há inocentes! E outros mais, acrescentam: Faz parte do ADN do MPLA!
:::::T6
Nós não acreditamos que todos sejam culpados nem que a corrupção e roubalheira façam parte do ADN de todos os do MPLA. Porém há uma verdade que tem que ser dita com a máxima frontalidade possível: Angola não é o MPLA!
:::::T7
Angola que não pode esperar mais: espera acções concretas por parte da oposição e sociedade civil para mobilizar todos os Angolanos de Cabinda ao Cunene e na Diáspora, no sentido de Angola sair, já e agora, do Eixo do MPLA. Sim! Todos aqueles que nela nasceram! A Pátria não pode continuar refém da agenda de um único Partido ad eternum.

t´chassamba3.jpg:::::T8 - Adalberto da Costa Junior

A Angola que não pode esperar mais: esperou em vão por um pronunciamento acerca de uma eventual ALTERAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO com Despartidarização do Aparelho de Estado, mas infelizmente as notícias não são as melhores, pois não se vê nos referidos discursos destaque significativo para as questões relacionadas especificamente às reformas esperadas e/ou à modernização do estado. São sempre discursos genéricos, que inviabilizam uma análise mais apurada sobre o que realmente se pretende.
:::::T8
O tão propalado programa de estabilização macroeconómica, aprovado no ano passado, além das expectativas que criou, nada de substancial gerou que se reflectisse na vida dos angolanos. Não existe, pelo menos visível, uma estratégia em que o sector privado possa substituir o papel do governo como principal empregador do País, criando assim condições para que economia florescesse ao mesmo tempo que desemprego fosse debelado pouco a pouco.

t´chassamba4.jpg :::::T9 - Jonas Savimbi

Vivemos numa alegada transição em que se apregoa a transparência, mas que em contrapartida continuamos fechados às questões essenciais de interesse do País e continuamos a ter uma Presidência da República que tem uma ascendência notória sobre os outros poderes instituídos. Alguém por esta altura ainda duvida, que a partidarização está a destruir a qualidade e a independência da administração pública?
:::::T10
Mas a Angola que não pode esperar mais: pergunta se será possível resolver este tipo de casos, sem uma oposição e uma sociedade civil fortes? A Angola que não pode esperar mais: exige da oposição uma conduta exemplar na defesa intransigente dos princípios que norteiam um Estado democrático e de Direito sem quaisquer subterfúgios, nem hesitações.
:::::T11
A Angola que não pode esperar mais: exige que a UNITA deixe de sistematicamente alegar fraude em todas as eleições e seja suficientemente forte e tome providências para que elas, as eleições sejam organizadas de fio a pavio dentro das normas estabelecidas. Dizer que o bolo está envenenado para comê-lo em seguida não dignifica e demonstra uma falta de seriedade a toda a prova.

t´chassama6.jpg:::::T12

A Angola que não pode esperar mais: exige que a UNITA se deixe de desculpas e sem mais delongas, humildemente, mas com firmeza se coloque na dianteira de todos aqueles, Angolanas e Angolanos que pugnam por um País Livre, Democrático e Desenvolvido.

t´chassama5.jpg:::::T13 - Samakuva e José Cat´chiungo

A Angola que não pode esperar mais: pede, suplica, implora a Isaías Samakuva que dê lugar às gerações mais jovens e que não aceite ser o empecilho que inviabilize o projecto de transformar Angola num local aprazível onde todos as angolanas e angolanos se sintam em casa. A continuada intransigência de Isaías Samakuva de não clarificar se pretende ou não manter-se à frente do Partido impede que a UNITA se organize e se transforme no instrumento capaz de conduzir todos os angolanos sem excepção à Liberdade, à Democracia plena e ao Bem Estar Social.
Catumbela, 20 de Março de 2019
Urbano  T´Chassanha


PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Quinta-feira, 21 de Março de 2019
MU UKULU – XVI

MU UKULU...Luanda do Antigamente21.03.2019

Estas lavadeiras tinham o hábito de fumar um tabaco artesanal, viscoso e de cheiro intenso que era manufacturado a partir de um entrançado de folhas de tabaco, parecido como uma rodilha…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpg  Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

Na Luanda antiga, as máquinas de lavar roupas eram desconhecidas e o emprego da selha ou do tanque de lavar eram acessórios indispensáveis a qualquer lar. Os barris de vinho importados de Portugal, eram cortados a determinada altura da base mantendo no mínimo duas a três aduelas de chapa de ferro para manter sua estabilidade, obtendo assim a selha usada com uma tábua solta de lavar, adicional; nesta, eram feitas as ondulações necessárias para nela se esfregar a roupa ensaboada.

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Consoante a sujeira da roupa, operações diversas eram praticadas para lhes dar o acabamento final de roupa bem lavada e cheirosa. O sabão mais usado era o azul ou branco da Congeral que todos conheciam por sabão macaco. Mais tarde surgiu a marca clarim, um sabão com outro potencial de cloro e usado na lavagem de roupa oleosa, fatos-macacos e outra de trabalhos oficinais; Era feita uma barrela ou posta a corar, sendo necessário um coradouro. Este era construído em madeira em um espaço de quintal solarengo, um quadrado do tamanho de quanto bastasse com rede de galinheiro.

Mu Ukulu32.jpg Ali era estendida a roupa a ser corada; o conjunto era suportado por caibros que apoiando no chão dando consistência ao andor de forma horizontal ou inclinada a gosto e em conformidade com a incidência do sol. Par evitar que a roupa secasse alguém da casa deveria regá-la de vez em quando, evitando que a mesma secasse ensaboada. Claro que esta tarefa era por norma feita pela mãe de família, cultura ancestral reservada à mulher que para além disto tinha a tarefa de cuidar dos filhos, assim como fazer comida para todos.

Mu Ukulu35.jpg As mulheres brancas ou de um estrato social mediano, tinham uma lavadeira que fazia este serviço por ela a troco de um salário normalmente baixo; estas, comiam normalmente do rancho da família ou levavam consigo alguma funje ou milho cozido no carolo para se alimentar; por vezes faziam-se acompanhar de um filho de tenra idade que nas costas dormitava conforme o movimento de esfrega-esfrega, da mãe. Por vezes levava mais um ou dois filhos por não ter com quem ficarem lá no musseque.

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Estas lavadeiras tinham o hábito de fumar um tabaco artesanal, viscoso e de cheiro intenso que era manufacturado a partir de um entrançado de folhas de tabaco, parecido como uma rodilha. Para que estes charutos durassem, fumavam com o lume para dentro. De quando em vez lançavam uma baforada de cheiro intenso que se impregnava nas roupas  no nariz; creio que isto afugentava os mosquitos que eram muitos lá pelos anos ou até 1950.

Mu Ukulu37.jpg O Município de Luanda, por esta altura tinha várias equipas técnicas a lançar fumo DDT por todos os bairros periféricos e também no centro da cidade; os candengues conheciam o trabalhar dos carros-do-fumo TIFA que surgiam periodicamente. As donas de casa abriam janelas e portas para que este fumo se entranhasse por tudo quanto era canto e refúgio dos pernas-longas que provocavam o paludismo.

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As roupas já secas eram recolhidas e, na varanda ou em um espaço anexo, eram passadas a ferro. Antes do surgimento da corrente eléctrica, eram usados uns ferros fundidos ou forjados para passar lençóis e, toda as outras peças de vestuário. Estes ferros na forma de uma caixa pequena de sapatos terminando em quilha como se um barco fosse; embora pequeno, tinham superiormente uma tampa pivô que permitia a alimentação com carvão vegetal que depois de acesos aqueciam a base bem mais grossa que o resto do corpo.

Mu Ukulu38.jpg Estes artefactos com uso até a metade do século XIX, tinham umas quantas aberturas para manter viva a queima dos tições de carvão e, de vez em quando a engomadeira – lavadeira soprava por aí para avivar as brasas. Sua base era bem lisa. Na tampa existia um pegador tipo asa que servia para transportar e fazer correr o ferro para a frente e para trás no acto de engomar. Havia quem usasse um abanico de mateba para assoprar as brasas em substituição do sopro que por vezes intoxicava as mucosas e os olhos provocando um choro fungoso de como quem tem uma rinite persistentemente chata.

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Nos modelos mais avançados, tipo xis-pê-tê-hó para a época, tinham na parte frontal um tipo de chaminé de boca larga, o suficiente para que ao abanar o mesmo num vaivém balançado no ar, este, entrasse pela frente mantendo as brasas ao rubro e soltasse as cinzas acumuladas. Este objecto pesado requeria do manobrador alguma habilidade no seu manuseia. Era assim usada uma chapa suficientemente arejada para os descansos e entretantos parados do artefacto. A tarefa era bem cansativa.

Mu Ukulu36.jpg Haveria que se ter em atenção não deixar as brasas cair na roupa pois que obviamente as poderiam queimar. Havia necessidade de se calcular a temperatura ideal para passar cada tipo de roupa e, a técnica empregada, era passar rapidamente o dedo indicador pela base do ferro; nesta operação deveria sempre, molhar-se o dedo, na língua – é obvio que sem qualquer cuspo a humedecer o dedo, este se poderia queimar. Por vezes até se sentia o frigir das borbulhas como coisa crocante.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Quarta-feira, 20 de Março de 2019
XIPALABOOK . 3

Xipala é rosto, é cara e, book é livro. 20.03.2019

Eu e Mery, convivemos acumulando experiências como quem junta pacotes de arroz carolino e feijão preto, por via de uma qualquer revolução que possa surgir. Com sucesso, mudamos de rumo provocando barlaventos ocasionais nos pontos cardeais de nossos mistérios…

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

bookttique0.jpg  Minha empregada Mery de Campala anseia ir para sua terra e gozar o seu lar, doce lar. Dá-me a impressão que todos os dias de manhã se sente estéril fora da sua Uganda porque, tudo tem um porquê, embora ela, nada diga; sinto ou pressinto nela um espaço cinzento com um sorriso suficientemente grande para se iluminar e criar empatia ao seu redor. Por vezes somos muito íntimos e, até ficamos empolgados com nossa imaginação compartilhada e, que muitas vezes nos atormenta.

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Normalmente, acompanhamos nossas falas com um gim e água tónica, costume dos fins de tarde em áfrica para afastar mosquitos; eles, os mosquitos não gostam do quinino da água tónica que se nos mistura no sangue. Por vezes levanto um sobrolho interrogado em expressões de objectar pelo que, ela diz numa forma não surpreendida fazendo-se de boa ouvinte e, passando também a sacolejar pensamentos, inclina-se num vazio de sotavento.

CUBA LIBRE.jpg Faz tempo que Mery quer rever sua família e amigos do Uganda. Como eu, nasceu em quatro de Junho, uns anos posterior ao meu, sem isso impedir de juntos aprendermos a viver mantendo uma filosofia de sempre aprender. Apreender a sermos felizes o quanto baste. Pois assim é, para convivemos acumulando experiências como quem junta pacotes de arroz carolino e feijão preto e, também, por via de uma qualquer revolução que possa surgir; um aditamento permanente na nossa última vez relevando sempre o agora.

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Por vezes fala do Idi Amim, das convulsões desse então no seu Uganda. Idi Amin Dada foi um ditador militar e o terceiro presidente de Uganda entre 1971 e 1979. Amin juntou-se ao King's African Rifles, um regimento colonial britânico, em 1946, servindo na Somália e no Quénia… Tento disfarçar dizendo a ela que também nasci num mar turbulento num barco chamado de Niassa mas, ela sem o dizer nunca acreditou em pleno mas, o objectivo é alcançado. Para ela eu sou NIASSALÊZ – com sucesso, mudamos de rumo provocando barlaventos ocasionais nos pontos cardeais de nossos mistérios.

booktique13.jpg Repito: -mudamos de rumo provocando barlaventos ocasionais aos pontos cardeais de nossos mistérios. Como eu, ela também espera boatos contaminados e, até os contamos como se fossem missangas de caurins enfiadas num fio.

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Contou-me que muitas vezes lá na terra dela, comeu matooke, uns hambúrgueres feitos com vermes muito estrugidos com cebola, chamados de mopane, umas lagartas muito nutritivas sem dentes nem cascos duros e, que ficam junto com a cebola crocantes! Também entra nisto, alho, gengibre, jindungo, alface e jimboa. Parece que na tua terra, isso tem o nome de catato, ouvi algures, alguém dizer! Disse isto, assim de corrida misturando anseios com afirmações e desejos…

mopane19.jpg Pois, comi isso no IN-DA-BELLY vendo as Cataratas Vitória, ainda nem faz seis meses, um restaurante situado no conjunto de bungalows do Zimbabwé! Até que gostei disso, disse eu numa forma de quem faz um recado para si mesmo tirado da caixa postal do seu baú – nosso correio. Quem nunca provou pode arrepiar-se quando vê devido ao seu aspecto. Meus companheiros de viagem arrepiaram-se; admirei-me pois que eram portadores de bilhetes de identidade tirados na Luua (angolanos de gema). O Chinguiço gabarolas, tenho de dizer isto aos soluços: até se dizia ser, o melhor condutor de áfrica, ora bem…

booktique16.jpg Não obstante a má aparência, este bichinho raras vezes tocam no chão durante a sua vida que é feita em cima de certos arbustos alimentando-se de suas folhas com o mesmo nome mas, não exclusivamente; algo parecido com a lagarta ou bicho-da-seda que só come folhas de amoreira. Em Angola, esta espécie encontra-se nas províncias do Uíge, Malange e no Lubango, sendo esta última a origem dos catatos da D. Joana, que os cozinha e vende na praça do Prenda em Luanda. Uma boa ocasião para a Kianda  Roxo provar.

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Mery, ficou encantada com meus gostos “de preto” no dizer dela e lá tive de dizer como isto se prepara: - “Primeiro coze-se o catato e deixa-se a secar, depois de estar seco faz-se um refogado com cebola, óleo e bastante jindungo numa frigideira. Depois disso, está pronto para comer.”- Foi D. Joana que me ensinou; compra o produto nas mumuílas que vêm do Lubango. D. Joana, ao lado da bacia vermelha que tem por cima da banca de madeira, tem dois copos, um pequeno e um maior, o mais pequeno, cheio, custa 50 kwz e o maior custa 100 kwz.... Custava, conclui eu. Agora não sei…

booktique14.jpg - Tu, falando assim para mim, disse Mery: a felicidade connosco nunca petrifica; a felicidade brilha como a areia nas nossas mãos. Falando assim, até parece que os africanos têm um só progenitor – um pai sem cor. – E, tu vês-te assim na tua Kúkia de Campala? Perguntei de rompante. A resposta veio tão rápida como um qualquer relâmpago: - bazungus e negros vêm ao mundo pálidos como o gelo – quando crescem, uns ficam enigmáticos e outros querendo ser brancos, jogadores de futebol ou basquete. Cada qual fica uma fábrica de falas; porque dizem que só assim é, quem andou na melhor universidade de África – a universidade de Makerere!  

booktique15.jpg Não querendo deixar-me apodrecer entre linhas perguntei: Mas, que universidade é essa de que falas, essa de melhor de África?  Foi aonde estudei. E, é o que todos dizem, especialmente aqueles que nunca lá puseram os pés. Eu sorrio sempre concordando com eles, embora o edifício esteja a cair aos pedaços. Estendendo o braço ofereceu-me e, eu comi: -Dentro de uma folha de bananeira, um pacote de formigas, deliciosas enswa. Embora a folha estivesse amassada, recordei as tanajuras que em tempos comi em Colatina do Espirito Santo… Vais querer saber mas, isso só mesmo para outro capítulo…malembemalembe. Mery, assim ficou, com o sobrolho descaído…

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:19
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Terça-feira, 19 de Março de 2019
N´GUZU. XXXIII

CONHECER O BRASIL  – Recordar o que são os TROPEIROS

- Parte TRÊS … 19.03.2019

TROPEIRO, o herói, quase um bandeirante que enfrentava onças. SERTANEJO com lagartos e carcarás nas bordas dos caminhos ou lodaçais secos que nem tabletes de chocolate…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Numa sã convivência, é meu hábito relembrar os velhos tempos dando a conhecer a alguns aquilo que foi ou ainda o é, a maneira de se viver, os hábitos e alguns costumes fora de portas habituais aos demais, brasileiros, portugueses, sul-africanos e, ou angolanos. Esta iniciativa é acarinhada por uns e considerada foleira para outros mas, não virá mal ao mundo considerar ou não, outros conceitos!

tropeiro13.jpg Tenho uma amiga, minha empregada ugandesa, que nasceu em Campala que sempre fica extasiada com meus contos de cordel, minhas estórias encantadas do Xingó, do Xingrilá ou coisas do sertão africano, terra da qual ela tem muita saudade…Há entre os meus amigos um engenheiro especialista de obras feitas e carris paralelos de trem ou comboio, que sempre surge dando uma de sabichão, falando palavras de Domingos e quase desconsiderando minhas formas de expor. Nem se lembra ele, que fui eu que lhe ensinei a calcular volumes de terras, entender e ler os perfiz e, até saber na perfeição qual a função das solipas.

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Falando de tropeiros, sua figura ensimesmada, soturna, seria pouco integrada ao amanho do campo e, menos ainda à balburdia das cidades. Um pequeno artigo de jornal, com este mesmo nome, intitulava de “transportes arcaicos” recuperando-o como elo de aproximação entre o mundo rural e urbano, um carteiro portador de notícias variadas e recados, Novos modismos de caminhantes com gosto pela natureza, patrulheiros ou pombeiros modernos a comparar com os actuais aventureiros ou escuteiros e à semelhança das criações de Robert Baden-Powell

tropeiro14.jpg  Ter em conta que Baden-Powell aproveitou e adaptou suas experiências na Índia, na África entre os Zulus e outras tribos do sul da África e as guerras dos bóeres; Estes colonos de origem holandesa e francesa, opuseram-se ao ao exército britânico, que pretendia apoderar-se das minas de diamante e ouro recentemente encontradas naquele território. Em 1896 dirigiu uma expedição contra os Matabele em Rodésia. Desconfio bem que este novo conceito de estar também passou pelas áreas dos Pampas e Cisplatina.

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Todos estes modismos serviram para educar e adestrar os rapazes, a serem espartanos, antigos bretões, ou peles-vermelhas; Também aqui encaixam perfeitamente os tropeiros do Brasil. Procedimentos que foram renovados por Hitler com sua juventude higienista ou mesmo a Mocidade Portuguesa do tempo de Salazar em Portugal. Estes procedimentos com valores ao culto foram-se deteriorando no tempo pelo surgimento dos jogos virtuais, computadores e robótica que, cada vez se agudiza em nossa sociedade, de forma tão globalizada pelos jogos de mata-mata…

tuiui2.jpg Não é de admirar o que hoje se vive um pouco por todo o mundo: jovem que surgem apetrechados para a guerra e matando, simplesmente matando sem um proposito, como um jogo! Mas e, quanto aos tropeiros, foi nos lombos das mulas que a maior parte da produção agrícola chegou aos portos, para exportação ou consumo interno; isto alastrou-se por todo o Brasil. Em meados do século XIX, as tropas de mulas, foram um avanço no transporte do açúcar; cada mula podia carregar com sacos entre os sessenta e oitenta quilos.

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Em Minas, sem saída para o mar nem caminhos fluviais, todo o comércio era feito por mulas, inclusive o de produtos de difícil transporte, como o vidro. Por via deste s itinerários muares, surgiram estalagens nos caminhos, rústicos barracões abertos dos lados e sustentados por pilares. Ao redor destas infraestruturas acolhedoras, criaram-se roças de milho, plantio de feijão e comércio de outros géneros alimentares, vendas de tecidos e coisas a granel; sapatarias e afins de vestir com coiros e outros produtos da terra.

tropeiro12.jpg Os núcleos de população iam surgindo com necessidades de escolas, barbearias, ferradores, drogarias e casas de pasto. A partir de meados do século XIX, as topas de mulas sofreram a concorrência das carroças que se faziam locomover em picadas, como a estrada de Santa Clara, pioneira com seus 170 quilómetros ligando  a colonia de Filadélfia, em Minas Gerais ao litoral, iniciativa de Teófilo Ottoni  e a União Indústria, ligando Petrópolis a Juiz de Fora.

tropeiro10.jpg As estradas foram surgindo macadamizadas com pedra britada, aglutinada e comprimida. Surgiram as pontes e aquedutos em rios ou pequenos córregos com manilhas manufacturadas em novos estaleiros, os percursores da Odebrecht com novas engenharias misturando interesses com sabedoria financeira, corruptelas e manobradores de interesses dando gasosa como suborno e formas sociais criadoras de inveja, poder e manobrismo nas adjudicações; mais valias e caixa dois e até caixa três adulterando nossas vidas e criando falcatruas bancarias – a crise e o escambau como se diz aqui entre os vendedores camelós; práticas bem dificel  de se mudarem num Brasil que fez da corrupção um esquema modelo de gestão.    

tropeiro11.jpg Claro que tiveram de criar estações de muda, gabinetes de recursos humanos, um jeitinho daqui e outo de acolá e a necessidade de prisões para nela meterem os ladrões de alto coturno, descamisados e outros inocentes injustiçados. Pois! Sugiram as pontes metálicas, a industria dos interesses, o juro, os altos salários, os salafrários e vendedores da sorte, do bicho e da sogra - Também as ferrovias, as ciclovias, o lazer e os motéis de beira de estrada com Boralá, o Cêksabe, o fodaki entre outras inventações muito peculiares.  Um putedo carnavalesco de durar muito mais mais do que  quatro entrudos…

FIM

O Soba T´Chingange



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Domingo, 17 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XVII

PEDRA DO REINO de Ariano Suassuma - 17.03.2019

O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta Brasil – Género Romance, fantasia épica do Nordeste brasileiro - 1971

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil

11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores … Ariano Suassuma

xique xique0.jpg :::::164Ariano Suassuma nascido na Vila de Taperoá sentindo-se só em um momento de sua vida imaginou-se ser um rei - um lindo devaneio, diga-se! Também se imaginou ser um grande apreciador do jogo do Baralho (Cartas de Sueca, bisca e burro em pé). Talvez por isso, o mundo lhe pareça uma mesa e, a vida, um jogo, onde os fidalgos se cruzam como Reis-de-Ouro com donzelas Damas-de-Espada, onde passam Ases, Peniscas e Curingas, governados pelas regras desconhecidas de alguma velha Canastra esquecida.

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Também como ele, eu, que não sou rei nem pretendente a acender a qualquer trono, incompreendido, agora que os anos me deram o trampolim da sabedoria, venho com meus sonhos, com conhecimento e os instrumentos de informação avançados pretender ser escutado. Se assim não for que seja como em Abrantes, tudo como dantes. Ambos, cada qual em seu tempo, nos preocupamos com os muitos e fúteis devaneios que no dia-a-dia observamos das gentes envolventes ao nosso quotidiano mundo Terráqueo - desta galáxia.

xique xique01.jpg :::::166 - Teremos de voltar lá atrás ao tempo de D. Sebastião quando por volta de 1569 quis, em um acto de foito jovem imberbe, recuperar as praças de África perdidas e abandonadas por seu avô D. João III. Suassuna, é inspirado em um episódio ocorrido no século XIX, no município sertanejo de São José do Belmonte, a 470 quilómetros do Recife, onde uma seita, em 1836, tentou fazer ressurgir o rei Dom Sebastião - transformado em lenda em Portugal depois de desaparecer na África (Batalha de Alcácer-Quibir): sob domínio espanhol, os portugueses sonhavam com a volta do rei que restituiria a nação tomada à força.

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De insensatez em desvario e antes de morrer em Alcácer Quibir, ofereceu os préstimos de Portugal a D. Carlos IX de França para combater os huguenotes (Mafulos). Entre méritos de dilatação do império e da fé, a França ficou só por aí, porque entretanto os Calvinistas acabaram por tomar o poder do reino de França. Veio em seguida a tomada de possessões portuguesas pelos huguenotes holandeses (os tais Mafuls) após a queda do reino para os reis Filipinos. Os países baixos estavam em guerra com os reinos da Espanha com sede em Burgos e, como tal, criaram a companhia das Índias Orientais e Ocidentais para açambarcar todo o espólio português que nesse então formava a Ibéria com os reis Filipe I, II e III.

xique xique1.jpg :::::168O sentimento sebastianista ainda hoje é lembrado em Pernambuco, Brasil, durante a Cavalgada da Pedra do Reino, por manifestação popular que acontece anualmente no local onde inocentes foram sacrificados pela volta do rei (juro a pés juntos que desconhecia – pensei que estas maluqueiras eram só vistas no M´Puto). Ariano Suassuna iniciou o Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, seu nome completo, em 1958, para concluí-lo somente uma década depois, quando o autor percebeu o que o levou a escrever o romance: a morte do pai, quando tinha apenas três anos de idade

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A vulnerabilidade das possessões portuguesas tendo no comando os reis espanhóis, deu azo aos huguenotes holandeses, franceses e judeus perseguidos pela Santa Inquisição a que formassem a tal Companhia das Índias, Orientais e ocidentais, uma forma de através de corsários se apropriarem da soberania desguarnecida nesse tão vasto mundo que hoje conhecemos. Juntaram-se a estes corsários ricos judeus de Antuérpia e Roterdão que dominavam o mundo do negócio de especiarias e exotismos distantes. O mundo europeu exortava em luxúria entre lustre de diamantes e ouro Inca e tantas novas coisas. Mais tarde, dias de quase hoje, tudo isso se entregaria sem contrapartidas fruto de traições, um desmoronamento sepulcral (uma tragédia que o tempo despolitizará) …

xique xique6.jpg :::::170 - Também, uma tragédia pessoal presente na literatura de Suassuna, e a redenção do seu "rei" – uma reacção contra o conceito vigente na época, segundo o qual as forças rurais eram o obscurantismo - o mal, no urbano e no progresso - o bem. A história, baseada na cultura popular nordestina e inspirada na literatura de cordel, nos repentes e nas emboladas, é dedicada ao pai do autor e a mais doze “cavaleiros”, entre eles Euclides da Cunha, António Conselheiro e José Lins do Rego…

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Para os lados do poente, longe, azulada pela distância, a Serra do Pico, com a enorme e alta pedra que lhe dá nome, todos envoltos na CAATINGA , um  termo tupi-guarani. Perto, no leito seco do Rio Taperoá, cuja areia é cheia de cristais despedaçados que faíscam ao Sol, grandes Cajueiros, com seus frutos vermelhos e cor de ouro. Para o outro lado, o do nascente, o da estrada de Campina Grande e Estaca-Zero, vejo pedaços esparsos e agrestes de tabuleiro, cobertos de Marmeleiros secos e Xiquexiques (cactos).

xique xique5.jpg :::::172 Surge então o Conde Maurício de Nassau chefiando aquela forte Companhia das Índias, e que com forte armada debanda os Tugas de então de Olinda que fica sendo um seu bastião em terras de Pernambuco; estava em causa desbravar o interior profundo duma caatinga agreste e infestada de gente brava que comia seus inimigos para ainda ficar mais forte; os caetés e tapuias. Finalmente dizia assim: - Para os lados do norte, vejo pedras, lajedos e serrotes, cercando a nossa Vila e cercados, eles mesmos, por Favelas espinhentas e Urtigas, parecendo enormes Lagartos cinzentos, malhados de negro e ferrugem;

xique xique4.jpg :::::173 Lagartos venenosos, adormecidos, estirados ao Sol e abrigando Cobras, Carcarás, Gaviões e outros bichos ligados à crueldade da Onça do Mundo. Aí, talvez por causa da situação em que me encontro, preso na Cadeia, o Sertão, sob o Sol fagulhante do meio-dia, me aparece, ele todo, como uma enorme Cadeia, dentro da qual, entre muralhas de serras que lhe servissem de muro inexpugnável a apertar suas fronteiras, estivéssemos todos nós, aprisionados e acusados, aguardando as decisões da Justiça. As estórias sempre se repetem…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:09
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Sexta-feira, 15 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XVI

-Este grunho dos CV deve se de Angola – fala de gweta cangundo como os da Luua** - 15.03.2019

Escrito por – José Eduardo Agualusa

Por

soba15.jpg T´Chingange ...(ADENDAS). No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 

 2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

10 – O CORTIÇO  - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil

:::::154valentina3.jpg Euclides, o jornalista benguelense sai aturdido do Clube Francês, lugar da conferência de imprensa com negociações. Nesta zona libertada pelo CV – Comando Vermelho, Ernesto, o motorista, espera-o estendido de costas no passeio, uma garrafa de whisky servindo-lhe de almofada, as mãos cruzadas sobre o ventre. Nestes dias tumultuosos já quase não circulavam táxis nas ruas da zona Sul do Rio, zona libertada para o Comando Negro.

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(O Rio estava a passar por uma situação muito parecida com a Luua do ano de 1975, tempo do Poder Popular com intervenção dos Pioneiros, uma Criação dos Comunas Tugas como Rosa Coutinho e outros FDP, para Angola e, que resultou na fuga dos gwetas colonos – O medo aqui tal como lá, dissuadia o cérebro… Foi o que eu, relator anotei por ter ouvido e, que não vem escrito neste Zumbi que tomou o Rio.)

angola4.jpg:::::156 - Eu gostava de ser negro – diz o jornalista benguelense. Na sua voz melancólica pressente-se um arrebatamento que é nele pouco comum: - Sou sincero. Gostava de se um Leopold Senghor, um Aimé Sesaire ou mesmo Sam Nujoma. Gostava de saber dançar como um negro, ao som da música de Louis Armestrong… Entretanto a cidade ia ficando anoitecida; sombras remexem-se ao redor num bailado de espectros. Ao longo da praia, de quando em quando, as fogueiras tremelicam a escuridão. São as luzes dos soldados do morro; do CV – Comando Vermelho.

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Nas esquinas das ruas o lixo acumulado desprende um fedor insuportável. À medida que se aproximam da linha da frente da Glória – Frente Leste, surgem mais fogueiras, em pleno Calçadão multiplicando-se em número de homens armados. Um grupo de guerrilheiros com aspecto muito jovem, pioneiros afro-ameríndios-descendentes (de indígena do continente americano) manda parar o carro. Apontam a lanterna para o rosto de Ernesto: - Onde tu tá pensando que vai?

IMG_20170721_124807.jpg :::::158 - Euclides mostra a carteira de jornalista. Estende-lhe uma nota de cinquenta reais. Seguem. Quinhentos metros à frente a estrada, está cortada por pneus, rolos de arame farpado, uma cancela improvisada. Cinco ou seis carros aguardam na fila a vez para passar. Do lado de cá, formou-se uma feira livre, com gente a assar frango, em largas grelhas de ferro, a vender pasteis e cachorro-quente, cerveja fria e água - uma por três reais e duas por cinco.

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Vários jovens candengues, quase todos com uma metralhadora ao colo, estão sentados no asfalto diante de uma televisão. Há gente a jogar às cartas como se nada se passasse de anormalidade.  Do outro lado o rugido de um gerador, fazia-se ouvir por detrás dos mukifos, um zumbido que parecia meter pregos mas, que davam luz em holofotes resplandecendo dezenas de carrinhas da Policia, ambulâncias e quatro blindados.

dia143.jpg :::::160 - Euclides, o benguelense jornalista, salta do carro. Sabe que embora a fila de carros seja curta, a negociação de paz entre o Governo Estatal e do Rio com o Comando vermelho, pode demorar. Dois soldados do morro discutem com um policial. Escassos metros os separam. Toda uma vida parada num ritual de passagem: - Nós não somos o inimigo, não, malandro. Tu és bem pretinho, tu és um fodinha, feito agente… Com fobia de ser mulato, o benguelense ouvia já na dúvida de se era bom ser assim – um preto*.

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- Calma aí! Sou negro mas não sou bandido não. Trabalho duro. Não me meto em baderna (amigo de farra, considerado um inútil, desclassificado…*). Um outro policial, um tipo muito alto, rosto coberto por um capuz preto, apenas com uma estreita abertura para os olhos, aproxima-se do primeiro segredando-lhe qualquer coisa ao ouvido. O soldado do Comando Negro provoca: - Vais ser sempre um pau mandado do branco!? Se liga, meu, tu tá combatendo tua própria gente. Não ouviu o que o teu chefe Weissmann anda dizendo, não? O cara quer mandar todos os crioulos para África…

moka31.jpg :::::162 - O CV contínuo: - Teu chefe gweta vai ter de encontrar um barco do tamanho do Brasil… Dito isto ri com gosto levantando o punho esquerdo desenhando um “C” e o direito fazendo um “V”*. Euclides fica na dúvida pensando - este grunho dos CV deve se de Angola – fala de gweta cangundo como os da Luua**… E, assim no meio destas periclitãncias vê que o policial encapuzado reage enraivecido. Grita com um forte sotaque gaúcho, voz roca de muito “chá-mate”*: - Está rindo de quê seu banana!? Vou aí e quebro a tua cara, sua bicha*!...  

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Bartolomeu Katiavela surge nesse momento, vestido com o uniforme de general do Exército angolano, repreende o rapaz. O policial governamental volta-se contra ele: - E tu, porque não vais fazer a guerra no teu país? Katiavala enfrenta-o. Está ali tão firme, tão íntegro, tão prepotente, que parece ter sido aparafusado ao chão. Entretanto ainda ouve o outro a dizer: - Quanto dinheiro esses filhos da puta*, esses marginais estão te pagando? A voz de Katiavala, límpida e sem esforço, assim como a de Net King Cole, sai com decibéis, sotaque coimbrão, acima do ronco do gerador Honda: - Porque não tira essa mascara? – Assim como está, parece um bandido.

( Continua…)   

Notas: *Item da autoria de T´Chingange; **gweta é branco; cangundo é branco de baixa condição, do musseque…

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:31
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Quarta-feira, 13 de Março de 2019
SKUKUZA . I

Skukuza fica no Kruger National Park na África do Sul13.03.2019

Um santuário de animais em liberdade…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Há exactamente quatro meses e três dias, estava em fim de passeio por oito países africanos a saber: - África do Sul, Namíbia, Botswana, Zimbabwé, Zâmbia, Tanzânia, Malawi e Moçambique. Por convite do melhor condutor de África, assim relaxado na confiança alheia, fui andando na esperança de chegarmos a Dar és Salaam mas, o medo dos Boko Haram fizeram com que na Tanzânia inflectíssemos para sul atravessando o bonito país com o nome de Malawi.

SKUKUSA1.jpg As mensagens do M´Puto chegavam até nosso guia-condutor alvoraçadas em forma de raptos e comportamentos próprios de grupos rebeldes que actuavam supostamente nas zonas do rio Rovuma; haveríamos que correr riscos atravessando o rio em jangada e nada era abonatório, o medo chegava em mensagens empoladas de raptos de mulheres na fronteira entre a Tanzânia e Moçambique.

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Do que vi e vivi, posso dizer que os chineses estão chegando em força àquelas paragens, lugares aonde judas perdeu as botas. Lugares de cú-de-judas mal definidos no GPS, nomes diferentes, de escassa orientação ou insuficientemente credibilidade. Lugares esquecidos pelos próprios colonizadores, agora diversificados num novo arco-íris de raças. Lugares em que a tensão racial se torna no dia-a-dia agravada por discursos empolgados de maus lideres, pretos racistas.

SKUKUSA3.jpg Lideres que curiosamente clamam uma coesão racial nada virtuosa nem tão perfeita como seria desejável. A relação entre negros e brancos, sempre foi uma relação violenta, historicamente muito impregnada de expropriações desumanizadas e, isto é sempre profundamente brutal. De lamentar que os negros, não obstante não se terem conseguido organizar no quanto baste ser suficiente para dar uma resposta política, ainda ficam feridos quando são chamados de “negros”.

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Precisam continuar caminhando no sentido de se aceitarem a eles próprios como pretos. Obviamente que há segmentos de negros organizados buscando equacionar o problema racial mas nem todos formulam seus propósitos numa perspectiva pacifista; muitas vezes insinuam-se como tal mas, de suas bocas saem monstruosas atrocidades. Muitas vezes empunham armas brancas, catanas ou outras, para gesticularem a paz.

SKUKUSA6.jpg A sociedade nem sempre responde da forma mais concertada, também não se vislumbra de todo, impedimento a outras formas de luta. E, nem sempre o é de legitima defesa ou em salvaguarda de um princípio nobre, ou suficientemente plausível a esse entendimento. Desconhecemos em pleno e, assim, o que as próximas gerações vão responder a tamanha adversidade e, ou exclusão.

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Eu, que sou branco, sinto-me muitas vezes excluído por pensar e dizer o que sinto. Nunca me ofendi por me chamarem branco mas, reconheço que nos dias de hoje ser preto e pobre, é foda! Mas, também o será ser branco e pobre mas, nem isto se fala nas palestras com gente dita erudita, sábia e o escambau. Se porventura uma guerra estalar eu sei de que lado, vou estar. Não me pintarei de preto como tantos parecem indiciar, insinuar; nem tampouco deixarei de chamar preto ao negro! Estou-me pouco lixando nas regras ou leis descabidas…

fotos ZÂMBIA 037.jpg Não andarei à busca de um termo supostamente menos chocante como é agora tão comum quando arranjam estratagemas de afrodescendentes entre outras hipocrisias. Eu não sou euroafricano, sou branco! Nem tanto – sou só um pouco tostado do sol Não posso estender o céu, torcê-lo, sorvê-lo ou adaptá-lo no meu pedaço de raciocínio porque aqui e além, o sangue espirra e alastra, até se derramar em chuva dum fim de mundo sobre as ruas, as casas os bairros. Bairros de brancos e pretos – de gente!

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Posso espreitar tudo isto por um binóculo, posso chorar ou reclamar mas, pouco adiantará; não sou ninguém para alterar o curso da vida ou da estória de alguém. De mãos limpas e pés polidos dou-me a tréguas em desejos de somente resistir aos desmandos que me podem contagiar na mente ou no físico! O que posso garantir é de que nosso cérebro é verdadeiramente brilhante.

SKUKUSA4.jpgLi e entendi tudinho o texto que se segue: - 35T3 P3QU3NO T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 WO5T4R C0W0 4 N0554 C4B3Ç4 CON53GU3 F4Z3R CO1545 1WPR35510N4NT35! R3P4R3 N1550! NO C0M3Ç0 35T4V4 M35W0 C0WPL1C4D0, M45 N35T4 L1NH4 SU4 W3NT3 V41 DEC1FR4ND0 0 COD1G0 QUA53 4UTOWAT1C4W3NT3. 53W N3C3551T4R P3N54R WU1T0, C3RT0? P0D3 F1C4R B3W 0RGULH050 N15T0! P4R4B3N5! E5T4  53W 4LZE1W3R!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:20
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Domingo, 10 de Março de 2019
N´GUZU . XXXII

CONHECER O BRASIL

BRASIL – Recordar o que são os TROPEIROS - parte DOIS … 10.03.2019

Construiu-se no tempo uma imagem romântica de tropeiro, o herói, quase um bandeirante que enfrentava onças e outros animais entre agrestes caminhos ou lodaçais descritos e esboçados em livros de bandas desenhadas…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Analisando a zona cafeeira do Vale do Paraíba, pode avaliar-se o tropeiro como hierarquicamente inferior e dependente do proprietário de terras, posto que, itinerante, precisava dele para manter seus animais nas pastagens das fazendas. Os condutores de tropas, fariam parte do pessoal da fazenda, levando a produção de café até aos agentes intermediários em vilas ou cidades e, voltando com mercadorias para o bom funcionamento da fazenda, ficando assim mais subordinado ao proprietário, major, capitão ou até major segundo a gíria local que com o tempo se tonou regra.

tuiui3.jpg Fica assim incerto no tempo se o condutor, como “homem livre do povo”, seria comerciante ou tropeiro. Mas, no entanto nas funções de tropeiro, encontram-se pessoas de fortunas variadas. Para além de do comércio de muares e fazer frete de mercadorias, poderiam ser proprietários de terras e escravos, comercializando seus produtos muitas vezes conduzindo pessoalmente sua tropa.

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Reconhece-se a dificuldade de o tropeiro ascender socialmente a cargos públicos que lhe valesse prestígio, dada a extrema mobilidade de sua actividade embora alguns o fossem: abastados. Era evidente haver tendência para ocultar essa actividade segundos relatos biográficos descritos por homens cujas famílias “enobreceram”. Ser-se tropeira tinha com conotações com o ser-se pobre, coisa bem relegada ou escondida como uma pobreza nada enaltecedora ainda nos dias de hoje.

tropeiros5.jpg O crisma de se ser pobre é como uma doença cancerígena que se pega e, daí o querer parecer outra coisa num faz de contas. Por isso o garçon chama para agradar a todo o cliente: Siô Dôtor! Quem não conhece este tipo de comportamento social que tudo faz para parecer o que não é! Quantas desilusões têm, um ou outro, com gente que não valendo um caracol sem bicho, se arma e sobe na sociedade fingindo-se! Ninguém quer ser pobre, é uma realidade e, os tropeiros tinham também esta dificuldade de vencer noutras áreas sociais.

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A actividade de transporte de mercadorias assim como o comércio em si, no século XIX, ainda permaneciam malvistos. Quando D. João VI pôs em leilão a venda de títulos nobres com o fito de fazer nascer e crescer o banco do Brasil, foi um Deus nos acuda na pretensão de se ter um título e, assim foram vendidos escalões de nobreza distribuindo pelo Brasil a envaidecida vontade de se ser alguém: -Conde, Barão, Duque entre outros.

tropeiros2.jpg E, foi assim por algo quase fútil ou no mínimo curioso que se deu solidez ao grande país que é hoje sem se dividir em uns quantos fragmentos, outros tantos possíveis países tal como os demais existentes de língua espanhola do continente Sul-americano. O poder foi aparentemente distribuído por senhores que no tempo se iam debatendo por si próprios originando áreas de influência que mais tarde se tonaram estados como se condados o fossem e que hoje formam o Brasil, uma federação de Estados.

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No Brasil e desde tempos antigos, todos os que trabalham com as mãos, são considerados como portadores de “defeito mecânico” e, contra este preconceito nem os políticos de primeira linha, os pseudo nobres trabalham para se fazer a mudança, dando a si mesmas regalias majestáticas. Não é sem razão que existem descontentes formando gangues de mando nos arrabaldes, nos lugares de favelas, cortiços ou quilombos que traficam desde droga a coisas de primeira necessidade como gás ou água ou cobrando taxa de segurança a quem labuta em quiosques mercados de pouca monta, como se fosse um jogo de bicho.

tropeiros3.jpg Na função de tropeiro havia a agravante de alguns dos chefes de tropas serem ex-escravos; por isso ser tropeiro e mais tarde carreteiro, condutor de carretas com bestas ou motorizadas, chegando ao pau-de-arara, caminhão de caixa aberta fazendo de táxi colectivo, não era e, ainda não o é, um motivo de orgulho. Mas como já disse muitos ficaram ricos – ter dinheiro dava a condição de poder vir a ser nobre. Em verdade D. João VI foi de uma visão extraordinária mas, e infelizmente, é conotado como o rei da “coxinha de galinha”.

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Dois casos são exemplares, apesar de excepcionais. O barão de Iguape, António da Silva Prado (1788-1875) do Estado de São Paulo, provavelmente foi um dos maiores comerciantes de animais do século XIX; com seus negócios em Minas Gerais, chegou a actuar como arrematador de impostos de animais em Sorocaba. Tornou-se grande empresário, cafeicultor e patriarca de ilustre família paulista. Entre seus netos destaca-se o conselheiro, senador e ministro do Império, António da Silva Prado – entre 1840 e 1929.

lampião8.jpg David dos Santos Pacheco (1810-1893), que foi barão dos Campos Gerais, enriquecido com terras de invernada d animais no Paraná e pastos em Grande Rio do Sul e Sorocaba. Ele próprio conduzia as tropas no começo de sua actividade, tendo depois delegado a terceiros. Seu maior fornecedor de animais era também o barão de Jacuí. Construiu-se assim uma imagem romântica de tropeiro, o herói, quase um bandeirante que enfrentava onças e outros animais entre agrestes caminhos ou lodaçais.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:05
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Sábado, 9 de Março de 2019
XIPALABOOK . I

Xipala é rosto, é cara e, book é livro - 06.03.2019

Minha cara é um livro aberto – É assim que se diz mas, nem sempre o que parece ser, o é...

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

sacag1.jpg Esta palavra aglutinada espacial, foi inventada por Maria João Sacagami, uma insigne psicóloga dedicada às coisas do paralém, que trata os mistérios duma forma imperceptível num tu-cá tu-lá. Ela que Saca e interpreta a fúria das nuvens cavalgando nelas assim na forma fácil de como eu navego sentado num chassi vruum vruum como se fora uma zundap. Um especial veículo cabo de vassoura de pura piaçaba, volante cabo de pau-rosa e com um quase imperceptível motor movido por salalés…

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Pois! Uma coisa de outro mundo que nem o chefe da suprema corte do Xingrilá consegue definir na torpitude dum surreal quadro. Salalés de áfrica que zundrapão movendo seus pistons ortorrômbicos no eixo longitudinal e, usando óleo de amendoim reforçado com óleo fino de carnaúba espacial e, ainda mais uns aditivos e aplicativos tirados duma galáxia ainda não inventariada nos longínquos arrabaldes da Xirgosia.

sacag3.jpg Aparatos e zingarelhos, que se movem no retrogrado sentido do escape tardoz, muito recheado de minúsculos chips. Posso reler-me na contraluz do espelho convexo do veículo, uma muito complicada figura de muito para lá do paratrás, algo quase desentendível dum vulgar humanóide terreno. Relembro assim perturbado, minha singela proposição de quando só era um soba sem coturno, um sem eira nem beira, uma singularidade quase imperceptível com a presente figura plasmada.

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E, vi-me lá longe no início do meu funil do tempo: Assim vestido a rigor de cerimónia, com um manto adornado de conchas, vários colares com dentes de leão, contas de vidro missangando o pescoço, uns chifres de pacaça duros e pesados a fingir de cornos na dianteira testeira, dois olhos ressequidos de facochero colgando das orelhas – um em cada uma delas.

143.jpg Pude rever-me aqui, um soba de categoria super tutelado por N´Gola Kiluanji, meu rei saído dum raio de sol, duma kúkia manobrada com fumaça por N´Gola M´Bandi, o Kimbanda tribufu do meu Kimbo ancestral, pensava eu! Afinal era o fim da kúkia dele – Kiluanji, morreu todo inteirinho… Bom! Falando de mim, ao redor da cintura, uma pele de cobra surucucu simbolizando meu estatuto de soba. Como se tudo fosse pouco ainda tinha um chapéu tipo cartola, alto e, ao qual estavam presos pequenos ossos talhados, saídos da falange falanginha e falangeta do King Kong, algo inexplicável…

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N´Gola M´Bandi batendo palmas, cai um silêncio quase sepulcral, tal o respeito que dava para se sentir emanando daquele personagem tão cheio de estralhos e outros menores aplicativos sem descrever ao pormenor suas salientes tatuagens envolvendo seu umbigo do tamanho dum abrunho preto. Uma indumentária só mesmo de um Kimbanda supra numerário do reino. Logo a seguir vinham seus guardas pessoais, suas mulheres e filhos, uma multidão ao som de timbales e marimbas.

sacag2.jpg N´Gola sentou-se pesadamente no cadeirão bem no topo da encosta e depois de todos ficarem em silêncio pela segunda vez, após segunda batida de palmas. O que conto a seguir até a mim me repugnou. Após a secreção de sua laringe lhe afluir à boca, um dos seus atentos macotas aproximou-se, ajoelhou-se e á sua frente com os braços bem no alto e suas mãos abertas em forma de concha, aguardou que N´Gola, com um potente ronco e um rápido movimento de língua, projectasse nas mãos daquele seu vassalo uma massa viscosa verde que este recebeu com muitas seguidas vénias.

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Com um ar compungente, e logo após aquela viscosa massa ser guardada em um recipiente em forma de cabaça muito ornamentada, falou: “Por muito que me custe, terei de resignar-me aceitando a missão dos meus antepassados. Eu serei o rei que todos desejam!” – Ouviu-se um trovão saído do meio das bissapas, um fumo branco e em seguida um tremendo clamor sido de todos em uníssono. Estava concluída a tomada de posse do novo rei…

capeta0.jpg  Os músicos, marimbeiros e tocadores de tambores recomeçaram o batuque; é curioso referir aqui que até um chifre curvo apareceu tocado na forma de berrante, algo curioso que eu tinha assistido no paralém do futuro em uma terra distante aonde havia muito gado. A multidão dançava em círculos batendo os pés na terra e em simultâneo fazendo uma perfeita coreografia de tantãn zulu. Ainda bebi vinho das cabaças e até sangue de boi a borbulhar mas, num repente minha cor começou a ficar branca e sem mais, tratei de me por ao fresco. Bazei!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:53
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Sexta-feira, 8 de Março de 2019
XIPALABOOK . 2

Xipala é rosto, é cara e, book é livro. Mokanda de maldizer para EDU - 08.03.2019

– Eduardo Carvalho Torres – Meu amigo da Onça e POETA de Naukluft, amigo que muito prezo, que pico e cutuco, vindo da terra do NADA em plena África…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Esta é uma mokanda especial referente à terra do NADA cuja capital é em Swakopmund, lugar aonde o coração do EDU, se prendeu nas ondulações das miragens do Naukluft. Em dialecto Ovambo, Namíbia quer dizer: terra do nada. Os portugueses quando por ali andaram a plantar padrões acharam que por ali só havia deserto; não havia terra suficientemente boa para plantar o que quer que fosse. Não encontraram rios com enseadas suficientemente protegidas aos ventos e, sempre com deserto à vista, foram descendo para Sul até chegarem ao Cabo das Tormentas.

swakop1.png E, porque nada encontraram, que espicaçasse sua cobiça puseram um padrão em Cape Cross e outro em Luderitz; padrões que visitei nas minhas muitas idas a África. Tempo de quando ainda procurava um sítio para me acoitar na vida carregando às costas um imbondeiro - lugar nunca conseguido; até aqui o NADISMO a funcionar na perfeição. Namíbia terra de rios só quando chove é um conjunto de desertos e savanas de acácias dispersas até se perder de vista.

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Os rios são mulolas secas aonde pastam orixes, cavalos selvagens, leões, marinhos e outros; lugar de deslumbrações com manadas de elefantes, girafas, gazelas e zebras. Lugar de muitas miragens que fabricam sonhos, poemas e coisas de delírios que sobem as maiores dunas do mundo, três passos para cima e dois para baixo, num escorregamento cansativo. Levei bem mais de uma hora a subir à milha 45 do Sossusvlei no Naukluft Park.

edu33.jpg E, foi aqui neste fim de mundo paradisíaco que me encontrei com meu amigo da onça de nome Eduardo Torres, um santo de pau carunchoso. E, dando volta ao assunto, como gosto de sua poesia! Juro! Com ele atravesso estes desertos que se estendem muito para lá do horizonte e, nunca acontece nada. Afinal, escreve, escreve figas onduladamente poéticas dando em nada – um nadista retintamente genuíno. Ele, é o top do Nadismo…  

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Vejo-o fugir à minha frente assim como uma bola armilar igual à da bandeira do M´Puto, um conjunto de chinguiços rebolando ao vento como nos filmes de cowboys do oeste americano, enrolado na sua magreza como se fosse um rolo de papel amachucado de fazer volume só para parecer muito – o mesmo que nada. Em minhas visitas vejo-o austero, fingindo leveza peçonhenta e sempre olhando seu inexistente periquito que faz muito tempo fugiu daquela gaiola…

swakop01.jpg Viver assim num perfeito NADISMO titubeando versos amarelados ou mesmo cobertos de pó, envolto assim num mukifo de aposentos forrados com ele e, como se fossem azulejos enquadrados duma estação de caminho-de-ferro desactivada – Um NADA numa estação aonde já não passam comboios, faz muitos anos. Livros empilhados que morrem lentamente amarelecendo nas bordas por falta de manuseamento… uma ilusão! E, como gosto de o ler, de o espremer até mesmo apertar-lhe o gasganete até chiar que nem uma perereca…

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E, tu – falando no discurso directo: E, tu, indiferente ao caruncho, que escreves poemas como quem cospe flocos de aveia a um periquito que já deu às de vila diogo, que deu o fora da gaiola. Melhor seria comeres painço com lengalenga e massambala mais semente de abobora. Uma coisa desconcertante sobre tuas vividas vivências. Gosto de ti assim bonitinho que nem um sapo, assim saltitante no Naukluft por via de refrescar as glândulas lacrimais.

swakop02.jpg Depois de tantos anos nunca te deste conta de que os negros são pretos; de que os progenitores deles já o eram e nem reparas ou reparaste que sempre têm demasiada família, filhos, tios, tias, irmãs e avós. Nunca referiste que eles, os pretos faltam ao trabalho todas as segundas feiras porque foram ao óbito duma avó, dum primo ou tio; uma família que nunca acaba.

swakop03.jpg EDU, tens andado demasiado descuidado e tens agora de te regenerar usando pensos higiénicos fosforescentes quanto baste e bufares como os carroceiros hereros da tua terra; dos teus hábitos quase secretos e que só tu conheces num Deus te abençoe entre as porcarias pálidas que nunca se sublimam na evaporação. Precisas de uma mulher-a-dias qualificada, que tenha um especial curso superior como a minha Mery que contratei em Kampala. Hoje apeteceu-me fazer cocó no teu soalho porque és um grande amigo da onça.

swakop5.jpg Para recordar também, um senhor fardado com um pijama às riscas, sentado num sofá de orelhas olhando para o infinito, babando-se pelo canto esquerdo descaído, insensível ao cérebro abanado por uma trombose. Com a lentidão das coisas graves e titubeadas com muxoxos – Hum, pois, não sabe; a kalashnikov, os turras, a febre do poder… E, eram bolas de trapos, meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme!?

sussuvlei1.jpg Nota: Estas pérolas de maldizer são o fruto de muita encardida amizade, feitas para reactivar as antigas feituras de escarnio e, usando um aguilhão arguto e vetusto - respeitável pela sua ancianidade subtil e tão engenhoso quanto baste para espicaçar a medula…

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:49
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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