Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXVIII

NAS FRINCHAS DA VIDA . Kazumbi com kalunga… O mal fermenta-se na psicose gerada pela instabilidade…

Por

soba15.jpg T´Chingange

pana1.jpg Descendo as escadas do Vai Hassar, chegado à praia, espetei na fofa areia o chapéu-de-sol e, depois, ouvindo a trovoada a sul, caminhei um pouco a montante do Arade apreciando o barco de cruzeiro que leva gente a Tenerife das Ilhas Canárias e Açores. Sempre gostei de ver estes gigantes do mar num andar molengoso, ouvir os apitos e as chaminés vomitando cinzas barra adentro e, nesta admiração, dou-me conta de meu chapéu destapar minhas minudências, sair às cambalhotas até ficar emborcado na água, como se fosse uma jangada.

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Era uma jangada de palha de pobre tirando-me desta condição a fingir ser um iate, chapéu feito canoa saindo pelo vento adverso em direcção ao vapor já encostado no cais dos guindastes. Controlando minha missão de aguentar a austeridade, dispus-me a gozar mais um dia de clareiras de sol com previsão de chuva molhada e sons troantes do céu neste país que já foi metrópole dum império, de meio mundo, das índias e Brasis, da Etiópia ais este Algarve.

praia.jpg E, do Algarve, apreciando as frinchas de vida com vozes de marujos de folgar a corda, dá de ré e, amainando assim meu pensamento vadio, entro na fria água ao som dum trátrátrá de arrastão barulhento que entra na barra. É o Delphinus que ao provocar ondas fez deslocar ainda mais o chapéu chato para o lado de lá, mesmomesmo na direcção do raisteparta, nome dum barco preso à bóia amarela.

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Valeu-me um barco de pescadores à linha que aos gestos e gritos de duas garinas irlandesas, acudiram a este estranho acontecido de agitar flanelas com a esfinge do Cristian Ronaldo, o jogador de futebol melhor do Mundo; Cá de meia distância, vi o pequeno barco aproximar-se apanhar o chapéu do panamá e dirigir-se na direcção daquelas moçoilas que entretanto aplaudiam os heróis do momento, os pescadores do rio Arade.

dy28.jpg Alargado de agradecimentos de merci, thank you e obrigado, agradeci às turistas nesta forma de poliglota de praia, a ver navios com vapores e traineiras de sardinha, carapau e cavala. Saudaram-me numa língua estranha a juntar ao meu muito obrigado para os amáveis pescadores; um bom desfecho para quem não quer mesmo ficar na penúria de ficar pobre e sem chapéu. Estes pequenos incidentes dão azo a folgarmos as arrelias minúsculas, dar um sorriso e fazer umas gaifonas às turistas que felizes, continuam gingando suas formosuras…

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Como vêem, aqui noa Angrinha do castelo de Ferragudo, do outro lado de Portimão, acontecem coisas que não lembram ao diabo que sendo negro, tem obras de feitiço muito mais repleta de assombração branca por conta das lendas mouriscas. Meu chapéu foi atraído para o património de um antigo rio que barulhando em árabe, chafurda donzelas, kiandas de kazumbi com kalunga mareando esta metrópole da moda chamada de M´Puto.

papalagui11.jpg Tão sujeito às gravidades europeias na perene austeridade, não vou ficar assim pateta de braços cruzados vendo as gaivotas adaptando-se à gasosa do Delphinus. Deitando vísceras na mistura de peixe rejeitado borda fora, os restos dos restolhos que são pesca fácil para os passarões grasnantes. Um piar alvoroçado, lutas de depenicar a fome sem maior esforço, de ir lá a alto mar e mergulhar, ficar todo o tempo esperando dádivas da kalunga como o M´Puto da Europa.

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Também estas, as gaivotas, se vão ajustando ao protectorado dos mais fortes, exemplo que não devemos seguir em nossas normas de gente, estendendo a mão aos gestos alheios ou à caridade; porque, isto de comer sem esforço, à vontade dos demais, não é certamente um percurso correcto na cadeia do sucesso alimentar. Qualquer dia só comemos as cotas atribuídas pela comunidade a um mar que é tão nosso.

vasco3.jpg Sentei-me na cadeira exposto ao sol admirando os gestos de tira e atira, tira e atira linha para apanhar matonas ao rio, tainhas ou liças só com fateixa; os mesmos pescadores que salvaram meu chapéu. Pensei que ninguém tem o direito de tirar-lhes também essa condição de se continuar honestamente pobre; dos problemas de plafonamentos e, mais palavrões de enganar. E, foi nas 13 badaladas que arrumei a tralha, juntei o chapéu, a toalha e os zingarelhos deste manuscrito rumando a casa para assar duas postas de perca do Nilo…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:13
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
CAZUMBI . XLV

NO TEMPO DAS GRAFONOLAS - 20.06.2018

CAZUMBI D´ANGOLA: É feitiço… O estigma de branco de segunda…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Nos anos 30 do século passado, havia leis em Portugal que outorgavam estatutos de portugueses de segunda a todos aqueles que tinham nascido nos trópicos. Agora que estamos na hipocrisia da modernidade, tentam esconder o que era prática no Ultramar Colonial. Este estigma voltou, depois da descolonização, e muitos portugueses não estavam à vontade para confessar a sua origem angolana. Olha! Aquele fala à preto, cuidado!

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Daí vêm todos os mitos em torno da “Nação” portuguesa. As coisas mudam e a percepção da Angola independente, mudou muito nos últimos anos. Lá passou a haver também pretos de primeira e de segunda só que não querem que isto se saiba ser assim tão cruamente. Os termos da preocupação com a etnogénese podia e pode ser muito bem motivada com a preocupação na degenerescência racial, da “eugenia positiva”, mas isto, nunca passaram dum tal mito de que África dos trópicos de Capricórnio.

cazumbi0.jpg Ficaremos certos de que nas nossas veias, circula um caldo de culturas e de povos, no qual certamente se encontra o africano. Naquele então estes conceitos de eugenia corrompiam os pensadores sociólogos do Mundo e portugueses albinos que faziam dos t´chinderes dos trópicos gente mameluca. Será muita ousadia mas, apetece-me dizer ao Mundo de que quando eu morrer quero levar comigo um computador com internet e uma grafonola para espairecer periclitãncias.

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Por isso, quero agora mesmo, é adquirir uma grafonola, daquelas que tem um cachorro ouvindo no orelhão a musica do tempo, um tempo do qual eu não sei a verdadeira medida nem se, se mede com um relógio, um quartilho de emoções ou um suspiro de sonho, porque julgo que tudo é falso, que somos uma ilusão e, que o tempo nada mais é que uma moldura para nela tudo encerrarmos o que é estranho.

cazumbioo.jpg Pois, quero ficar ligado a um canal de música as 24 horas do dia com toque espacial das doze badaladas da meia-noite. A eternidade nunca nos dá a possibilidade de ser escolhida em vida e, são sempre os outros que gozam esse privilégio, nosso próprio responso e, sinceramente, eu acho mal! Dito assim, as palavras são tão certas e únicas que ninguém sente meus passos rebeldes a dançar verdades.

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Ontem consultei um professor kimbanda, preto de segunda a tentar sortes aqui no M´Puto. Chama-se Professor Facoli e, como espetou no pára bisas do meu carro um papel verde, tive de sentir a sensação do encontro entre um branco de segunda e um preto de segunda. E, porque estávamos numa segunda-feira, este grande espiritualista, cientista, descendente de uma antiga raça albina, tinha poderes para alterar meu estado! Agora ando atestando sua magia negra de astrólogo genuinamente genérico.

cazumbi01.jpg Os lugares que carrego comigo também se riem dos silêncios do meu pensar ondulando-se em meu aprumo ou capricho e, é neste então que reparo nos brilhos vermelhos do mar quase calado, no azul do céu misturando-se na água em tons vermelhos fazendo pazes, capitulando-se na frente de minha alegria.

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É neste preciso momento que as n´nhufas das kúkias (os medos do sol poente) se marimbam nas cagufas do mundo e nas cerimónias em que todos mandam pró céu cunhas ao santo António ou mesmo ao são Pedro com regras e protocolo. Talvez este chá Caxinde com ervas de funcho receitado pelo astrólogo de segunda funcione na plenitude, mas ando desconfiado que é mesmo um aldrabão de primeira! Um preto de segunda a enganar um gweta de segunda…Aonde já se viu nestes dias tão áureos de Cristiano Ronaldo com pés de ouro que, diga-se em abono da verdade também tem sangue preto na veia.

cazumbi5.jpg Queria acreditar que sim! Porque um desejo uterino é para ser devidamente respeitado nos conformes da decência do malembelembe (devagar, devagarinho) compassado do caminho de todos os dias. Caxinde, oié! Vadio-me assim na sabedoria cristalizada em comprimidos que tomo matinalmente para segurar a pressão acompanhados com uns quantos goles de xá caxinde, erva-cidreira, de príncipe ou ainda capim santo; um monte de noms para uma só planta do mato.

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Prendendo meus malefícios à pele enrugada e, pelo lado de dentro, dissolvo as ureias, o colesterol, os triglicéridos e os aminoácidos com água tónica e gim de cinco estrelas que fazem sair mazelas às postas pela sola dos pés. Com borbotos floridos de ácido úrico lá vou aguentando de pé firme minhas mazelas jurássicas, assassinadas no desprezo caligrafado em olhinhos amarelados; deve ser desta iguaria de camarão vindo das Maldivas, lá do sítio aonde as próprias águas  se banham no emporcalhado canal de bactérias e outras malazengas humanoides…

cazumbi1.jpeg Minhas condecorações são minoradas com o flúor e o iodo, deitando a perder minhas vulgares salmonelas, minhas cicatrizes que se bangulam átoa (que me gozam) nas terras  marafadas do Sul do m´puto. Se milagres desejais, recorrei a Santo António; Vereis fugir o demónio e as tentações infernais. Este kimbanda chamado de Facoli assim na segunda visão, bem que me parece um trapaceiro corriqueiro. Veio de áfrica pra gozar com os ex-bancos de segunda; filho de uma mãe parda! Repitam agora comigo a oração chave: Recupere-se o perdido... Pela sua intercessão… Foge a peste, o erro, a morte… O fraco torna-se forte E torna-se o enfermo são… Não deixe de usar seu cadeado verde!

O soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:30
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Domingo, 17 de Junho de 2018
MALAMBA . CCVI

TEMPO DE CINZAS. 17.06.2018

-Ser cleptomaníaco é ter a doença de fanar aquilo que não é seu, um jeito de gamar. A tecnologia do blockchain* é uma promessa de solução para todos os problemas ao criar o que se chama de “interventor de valor”.

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

A tecnologia mais impactante desta geração já chegou. Não se trata de uma inovação de big data ou inteligência artificial, robótica ou de armazenamento em nuvem. É isto, o blockchain ou tecnologia com moedas digitais, como o bitcoin. Este avanço tem o potencial de se transformar no modo de como se lida não só com o dinheiro e negócios mas e, também com o governo e a própria sociedade como um todo.

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A tecnologia do blockchain é uma promessa de solução para todos os problemas ao criar o que se chama de “interventor de valor”. Esta rede via internet é construída para transmitir e armazenar informações de NÃO VALORES (coisas)! O Facebook e outras redes de suporte motor na comunicação hodierna, pouco fazem para se mudar a maneira em como lidamos com o dinheiro, e de como fazemos um negócio.

bitcoin1.png Estas vias de comunicação, entre outros mais, usam seus servidores (nós-NODOS) por forma a poderem piratear com facilidade seus usuários. Estes motores de busca tais como o Sapo, Twiter, Facebook, Digg, Google, Windows, Bebo, MySpace entre outros, têm nesta prática, a maneira airosamente suave de cobrarem por nossos serviços; são intermediários que nos cobram este grande valor que lhes concedemos segundo regras deles.

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Falo por mim que tenho sido invadido em minha privacidade sem que me dêem no mínimo, garantias de estabilidade e stresse! O modelo de negócio do Google e os outros mencionados, é encurralar-nos como porcos em pocilga, controlarem-nos com seus padrões de interesse, colectarem nossos trabalhos de busca, pesquisa de informação, nossas estórias, mussendos, mokandas, missossos e coisas cabeludas para depois revendê-las. Eu tenho noção disto mas, porque sou cusca, deixo correr a película da vida…

araujo30.jpg Visto isto, a economia mundial cresce sim mas, muito pouca gente se beneficia disto! Nossos paradigmas estão por força destes controla eliminando dores fanáticas, paulatinamente, sendo alterados. A chegada deste blockchain a estes empreendedores, será da maior importância pois que eliminando intermediários aí sim, se criará uma verdadeira economia de compartilhamento sem os mega sabichões de SALGADOS E COMPANHIA que nos levam os pecúlios em falsos investimentos. Também ando a tentar fanatizar-me com esse tal de dinheiro virtual.

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Isso! O dinheiro invisível; para que não seja necessário manuseá-lo atascado de vírus e fungos que as notas-porcas, nojentas, transferem para mim, para todos, sem que se dê conta! Quero assim saber tudo sobre os bitcoins para não andar vai-não-vai, com a garganta, os olhos, os ouvidos e a pele numa irritante coceira. Ele, são vírus, bactérias e fungos nas estirpes mais medonhas. De mão-em-mão transportam a gripe, a enxaqueca, a rinite, as pintalgadelas carunchosas e as unhas encortiçadas com fungos dinossáuricos emporcalhados.

bitcoin2.jpg Usar dinheiro papel-moeda é a coisa mais nojenta que temos. É tempo de passarmos a outras vias de não lidar com a máquina da doença deste papel nauseabundo que nos leva aos tempos carunchosos e medievais. Estou farto de alimentar esta indústria da doença com impinges, flor-do-congo, o lupo, as bitacaia e minhocas perniciosas, a filária, os bichos barrizinhos brancos que penetram na vida trazendo a caspa e a morte!

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Pópilas! Coisas a nos percorrer, como se em vida, já fossemos coisa morrida. Pois está explicada a minha contravolta fanática nesta urgente mudança da vil moeda-papel. Bem! Tanto quanto sei o fanatismo é uma doença da mente que se transmite da mesma forma como a Varíola. E, assim pela ânsia exacerbada para alguns preconizo que a mudança deste paradigma mude nossas vidas sem a necessidade de a todo o momento correr ao médico, à farmácia aos corvos da nossa sociedade complicadíssima.

bitcoin5.png Em verdade, é um contágio mais propenso a afectar rebanhos ou manadas do que a eremitas. Agora que já ando tão cheio de mazelas, por via do dinheiro-papel de dar cobiça a tantos fanáticos propensos a enricar, quero efectivamente enveredar pelo anti calote, antidoto à praga de ladrões; usar nova ampulheta do tempo que a todos regule com estes tais de bitcoins.

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Quero assim, distinguir-me desta vidinha de vulgaridade, olhar com quantus a fantástica evolução para manipular as saudáveis regras da vida. Deixar de tossir malezas novas como o ébola, a catinga do deus-me-livre e o câncer, coisa ruim. Por circunstâncias que nem os governos querem controlar, é tempo de extinguir este velho e nojento estilo de vida sem dinheiro de passa-pulga e cacareja a galinha… Este estado do mais-ou-menos - juro que já não me agrada!

araujo160.jpg *Bitcoin é uma criptomoeda descentralizada, constituindo um sistema económico alternativo. Inicialmente apresentada em 2008 na lista de discussão The Cryptography Mailing por um programador ou grupo... (Wikipédia) - É considerada a primeira moeda digital mundial descentralizada, e responsável pelo ressurgimento do sistema bancário livre. Permite transacções financeiras sem intermediários, mas verificadas por todos usuários (nodos) da rede, que são gravadas em um banco de dados distribuídos, chamado de blockchain. Ando a consultar a teoria da incerteza para me meter a fundo no BLOCKCHAIN…

 O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:52
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXVII

O COLONO – 2ª de 2 Partes

Para os MWANGOLÉS, todos os que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”...

kimbo 0.jpgAs escolhas de T´Chingange

canhot1.jpg António José Canhoto...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna...

… Mão-de-obra negra, quase que escrava para enriquecer... A forma comportamental desse tipo de “colono”, nada tinha a ver com todos aqueles que para Angola debandaram ou nasceram depois dos anos 50 com uma mentalidade aberta e diferente iniciando a construção de uma sociedade moderna e multirracial a qual se reflectia em todos os aspectos da comunidade. Se um empresário negro português tivesse emigrado para Angola, montasse uma empresa e tivesse empregados negros seria considerado um “colono”?

colono3.jpg Sinto-me no dever e direito de desmontar e desmistificar esta falsa questão do “colono” que não pode ser vista interpretada, generalizada com o epiteto de que COLONO BRANCO é RACISTA e EXPLORADOR. “Colonos” e colonizadores foram todos os países que nos séculos XV e XVI descobriram á volta do globo terreste novos territórios habitados por índios nas Américas, indígenas em África e aborígenes na Austrália, num estágio primário civilizacional com perto de 500 anos.

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Com um atraso tecnológico em relação aos europeus, que no entender destes descobridores precisavam não só de ser roubados, explorados, assimilados, cristianizados e infectados com todas as doenças que estes para lá exportaram. Diogo Cão chegou á foz do Zaire em 1483 sendo a partir desta data que se inicia a conquista pelos portugueses desta região de África a qual era constituída por vários reis e reinos étnica e linguisticamente diferentes que se guerreavam pelo expansionismo regional.

canmionista 1.jpg O primeiro passo pelo Reino de Portugal foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o do Reino de N´Dongo e o de Matamba, os quais não tardam a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola em 1559.

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As fronteiras de Angola só são definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos Ambundo, a cuja língua o termo Angola anda associado. A Rainha Ginga seu nome Dona Ana se Sousa “N´gGola”, seu titulo real em quimbundo foi o nome utilizado pelos portugueses para denominar a região conhecida hoje por Angola.

boer carro1.jpg Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, na minha opinião também foi a sua primeira grande colonizadora e eu explico porquê? Esta rainha guerreira que morreu aos 80 anos durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submeteu e escravizou os seus habitantes vendendo-os aos portugueses que os levavam para o Brasil tornando-se cúmplice no esclavagismo, bem como os utilizava como escravos trabalhadores nos territórios que controlava.

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"N´Zinga" formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe. Subsequentemente conquistou o reino de Matamba e em 1635 coligou-se com os reinos do Congo, Kassange, Dembos e Kissama. Este pequeno intróito sobe a Rainha Ginga tem apenas e unicamente a finalidade de demonstrar que o processo colonizativo sempre existiu em todos os continentes.

araujo173.jpg Acontecia, quando as tribos ou etnias mais fortes e apetrechadamente melhor armadas dominavam as mais fracas fora dos seus territórios submetendo-as com o objectivo expansionista, esclavagista, para sacrifícios religiosos ou para se apropriarem das suas riquezas, concubinas gado, e ou rebanhos.

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Os portugueses não foram certamente santos pelos territórios que descobriram e colonizaram, mas também não foram totalmente pecadores na miscigenação que desenvolveram e cultivaram com os autóctones. Não confundamos ou associemos a palavra “colono” apenas com a cor branca e muito menos só com nacionalidade portuguesa.

António José Canhoto - 13-12-2016



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:18
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Segunda-feira, 11 de Junho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXVI

O COLONO – 1ª de 2 Partes

Para os MWANGOLÉS, todos os que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”...

kimbo 0.jpg:::::As escolhas de T´Chingange

Porcanhot1.jpg António José Canhoto...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna...

A definição de “colono” para alguns brancos residentes em Angola afectos directa ou indirectamente ao partido que governa este país desde 1975, bem para como para muitos negros da velha guarda o termo “colono”, tem sempre cor branca e, a finalidade de como objectivo é especificamente explorar negros. Nada podia estar mais errado nesta forma generalista e radical de definir a palavra “colono” seja o visado de que raça étnica, como um explorador oportunista de negros, índios ou aborígenes.

camionista1.jpg Filologicamente o vocábulo “colono” pode ser definido como a um individuo que faz parte de uma colónia, que emigra do seu país de origem para uma terra estrangeira além-mar, ou que pode ser no mesmo continente e de um país vizinho para a povoar, cultivar por conta própria ou de outrem independentemente da raça do seu proprietário e se este nasceu ou imigrou para o território.

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Este acto migratório pode ter duas vertentes a primeira é quando um outro país exerce o controlo ou a autoridade sobre um território ocupado e administrado por um grupo de indivíduos com poder militar, ou por representantes do governo de um país ao qual esse território não pertence e contra a vontade dos seus habitantes quando o país é colonizado que, muitas vezes, são desapossados de parte dos seus bens (como terra arável ou de pastagem) e de eventuais direitos tribais, culturais e ancestrais que detinham.

cinzas8.jpg Na segunda vertente emigram a pedido do governo do país ou de empresas privadas que pela falta de conhecimento tecnológico dos naturais se vêem obrigados a procurar mão-de-obra especializada no estrangeiro, para suprir as suas deficiências naturais.

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Para uma certa classe de portugueses e angolanos brancos e negros enfeudados ao partido do governo a sua atitude maniqueísta é a de que todos que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal” das sombras e da subversão politica, e os que afinam pelo diapasão governamental vivem no “Reino da Luz do bem da razão, da paz e da tranquilidade.

dia23.jpg Na minha opinião se estes reaccionários brancos e demais mwangolés, cuja forma de pensar ficou parada na idade da pedra lascada, pretendem continuar a usar o termo “colono” indiscriminadamente para ofenderem todos os portugueses que viveram em Angola até 1975 ou que para lá emigraram depois desta data, aconselho-os a olharem retrospectivamente para o seu passado e de seus pais ou avós antes de 1975 antes de atirarem a primeira pedra.

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Muito ingenuamente, pensei que o termo “colono” estivesse a cair em desuso, mas vejo que continua bem vivo nas bocas de alguns energúmenos brancos quando comentam alguns dos meus textos sobre Angola. Não podemos enganar a história nem nos desresponsabilizarmos do mal e injustiças que cometemos, mas também nos devemos orgulhar das coisas boas que fizemos e que lá deixamos intactas. Fomos certamente “colonos” durante os séculos que se seguiram à descoberta desse território o qual ainda nem nome tinha.

selo11.jpg Muitos milhares de portugueses emigraram para Angola na procura de melhores condições de vida com a finalidade de trabalharem para empresários de várias nacionalidades incluindo negros e governo! Será que ainda continuam a ser tratados como “colonos”?

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Acredito que até finais do século XIX e princípios do século XX muitos dos portugueses que emigraram para as nossas antigas províncias ultramarinas o fizeram na qualidade de verdadeiros “colonos” aproveitando-se da exploração desumana e da mão-de-obra negra quase que escrava para enriquecerem.

(Continua…)

António José Canhoto - 13-12-2016



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:59
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Domingo, 10 de Junho de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLIII

ANGOLA DA LUUA XLIII - TEMPOS PARA ESQUECER - 10.06.2018

“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – Nós e os mwangolés…

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No M´Puto

fuga1.jpg «Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão com a guerra do TUNDAMUNJILA formando esquemas para transgredir os limites da legalidade. Uns quantos, continuam a roubar o país quarenta e três anos depois, enquanto o povo olhando as velhas fotos amarelecidas, passam-nas em sua máquina de pensar. Já desbotadas, tombam com elas, a vontade de querer, definhando-se desmilinguidos em camadas de pó de sonho.

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Na Luua, de Kalash na mão, a lei e a ordem, a justiça eram coisas transgredidas, inexistentes ou mesmo anedóticas pela pior das negativas…Estávamos na segunda metade do ano da desgraça de 1975 - Vai haver maka, porrada mesmo! E era virar a arma para o ar e despejar cunhetes átoa; balas oferecidas pelas nossas gloriosas forças - NT do M´Puto. O medo controlava a população desorientada, assustada como um kissonde pisoteado com o apoio e fervor revolucionariamente denso do MFA - O povo unido jamais será vencido!

fuga3.jpg Generais de aviário do MFA, alinhando em esquemas maquiavélicos proporcionavam os meios, geriam as tácticas e logística e, até contratando gente da informação, mercenários da comunicação social para fazer entrega de tudo e de todos ao MPLA… As feras eram largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 para nos massacrar, roer até o tutano! Esses cabrões dos colonos vão ver como elas cantam; eram as falas dos guedelhudos magalas besugos chegados à Luua. Dos episódios esquecidos ainda recordamos dizermos uns aos outros: -E, vamos fazer o quê para o M´Puto?

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Haveria que juntar pecúlios num caixote para levar a um qualquer sítio longe dali; não se sabia bem ao certo para onde e como mas, durante dias e durante noites só se ouvia o barulho do martelo furando taipais do baú-caixão para guardar a saudade, a foto do cachorro, do louro, da vizinha quando da pesca lá na barra do Kwanza, no Lifune ou Panguila. Foram tempos de se fazer caixotes, uma empreitada, percurso da tumba via kalunga ou pelos ares, peidando ou bufando desesperos na ponte LuuaLix que ninguém queria ouvir.

fuga6.jpg Num tempo em que ninguém media consequências, a moralidade em Angola e na Cidade de Luanda-Luua, era uma batata apodrecida. O ambiente era de se cortar à faca-catana escaldante na insegurança generalizada no presente do indicativo, tornando o gerúndio numa incerta loucura de futuro. O amanhã transtornava a sociedade numa ginasticada ideia de sem se saber como iria ser a fuga. Os locais mais concorridos eram o Aeroporto de Belas e o Porto de Luanda. Destino: Um qualquer seja aonde for!

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Naquele tempo surgiram do nada, muitos rambos com fitas de cunhetes a tiracolo passeando desaforo e medo na companhia daqueles magalas, oficiais alferes, praças e salvo-seja nossos irmãos que diziam com frequência: Vocês colonos, vão-se foder! E, foi… Aconteceu! A cidade suja, pegajosa e desnorteada, cheirava a cansaço, a suor, a medo e coisas mortas esfrangalhadas pelos cães vadios. Naqueles dias de catinga ouvia-se noite note fora os martelos encerrando vidas, encafifando pertences e recordações. Também se ouviam rajadas lá para cima, mais ao lado e na outra banda das barrocas, no Caputo e Sambizanga.

fuga9.jpg Não! Não havia naquela terra de N´Gola, mais lugar para os Tugas e assimilados a estes! Não venham agora com tretas e esquecimentos! Se antes era perigoso ser preto, agora era muito perigoso ser-se branco. Dia para dia, viam-se menos caras conhecidas; médicos, engenheiros, padeiros, contínuos, bancários davam o fora de um momento para o outro – não queriam ficar para assistir aos dez e onze de Novembro. Para trás iam ficando cidades fantasmas aonde só o vento uivava com alguns cães deixados ao abandono.

fuga4.jpg A poeira fétida esvoaçava nos bairros. Por lá ficavam casas habitáveis e com recheio, carros, camiões entre a tralha dos jardins, cinemas, lojas, armazéns, restaurantes; edifícios intactos como se uma epidemia tivesse ceifado a vida. Viaturas prontas a andar deixadas ali ao acaso, famílias inteiras aventurando-se em uma odisseia de centenas ou milhares de quilómetros, correndo iscos, andando à sorte fintando cadáveres amontoados nas bermas das estradas, das picadas. Com cheiro de virar tripas afastavam-se vendo fazendas abandonadas, gado perdido e gente andando para sul, para leste, rumo desconhecido

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:28
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Domingo, 3 de Junho de 2018
CAFUFUTILA . CXXIII

TEMPOS DE FRINCHAS MORNAS – 03.06.2018

Por

 soba15.jpgT´Chingange . Em Coimbra

Coimbra - Sai a dar um passeio matinal lá pelas nove horas e quinze minutos, desde os Olivais até o Solum, zona do estádio de futebol de Coimbra e já descendo a Rua António Jardim, desci duzentos e vinte e quatro degraus até à rotunda dos patos. Entre pinheiros, urzes e maias, pensava em fúteis caprichos, esmiuçando o tempo para saber a verdadeira razão dos paradoxos do agora a pensar no futuro.

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Não será portanto, caso de estranhar de muitos de nós andarem com um olho aqui e outro lá mais adiante, com a metade do raciocínio num sítio e a outra metade no ciberespaço. Mas eu tinha de galgar estes degraus com método sem me distrair com os tempos de socialismo, comunismo ou das entremeadas diabruras capitalistas, para espairecer as molezas dos europeístas e anarquistas que sempre deixam correr o tempo até lhes sair de feição.

trump3.jpg E, assim inchado de espantos, desenhava-me entre antigos esboços, revendo-me nos desenhos das verduras, escorregadias dos esverdeados fungos. Detive-me a apreciar aquela velha urze com musgo do neolítico, muito rachada e a pedir um acordo lógico nas alterações climatéricas, nos novos inventos piromaníacos e técnicas de assustar novas loucuras.

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Assim andando, olhando a quietude no meio de prédios e roncos recordei os tempos em que as pessoas tinham pesadelos com o roncar dos primeiros automóveis nos fins do século dezanove, para aí no ano de 1876 quando do nascimento do automóvel moderno como um tal chamado de Benz Patent-Motorwagen, inventado pelo alemão Karl Benz.

carro0.jpg Lembrar-me eu na minha primeiríssima geração, lá pelo ano de 1807, ter nascido o primeiro carro movidos por um motor de combustão interna a gás antes de surgir o combustível chamado hoje genericamente de petróleo e, que levou à introdução em 1885 do moderno motor a gasolina ou com combustão a gasolina.

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E, que mais tarde os homens com o delírio de voar fizeram experiências com asas de palha, atirando-se de torres e medonhos penhascos a imitar as modernas asas delta. Com asas mecânicas às costas abanavam-se na torpitude furiosamente até se esborracharem lá embaixo.

carro1.png E neste frenesim de voar em pensamento cheguei a Donald Trump que anda a experimentar o resto do mundo com malucas inventações só para fazer diferente; surgindo com os olhos esbugalhados, sem pestanas e ar trocista com sua caneta gigante e grossa, assassina o papel amarfanhando uns rabiscos que mais parecem um gráfico de pulsações do coração. Com riso de sacana, vira o livro rígido pró mundo mostrando sua assassinatura, coisas dum inimaginável louco a governar a Big América USA…

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O senhor gajo, olhando para o resto das suas possessões, mira a União Europeia com um sarcástico desdém forçando a lógica mediação com medidas legislativas e afins de enriquecer americanos. Com caneta de feltro assume unilateralmente medidas restritivas na importação do aço, aplicando tarifas e taxas a seu belo prazer. E, os Europeus às voltas em formar governação em Itália, em Espanha com outros edecéteras à perna.

carro2.jpg A França com Macron fazendo olhinhos bonitos à Angola. Um salve-se quem poder sem uma concertada coligação de esforços. Fiquei espantado quando na Kizomba do Facebook surgiu a notícia de que o presidente João Lourenço estava em França; tive dúvidas que assim fosse e, afinal lá estava ele descendo dum avião chinocas pago há hora à modica quantia de 74.000 dólares… Decerto, não irá comprar champanhe!?

TRUMP2.jpg Quase chegando ao Centro Comercial Alma, dou-me conta que o futuro anda muito enevoado; os países a se governarem em contas negativas com todo o mundo assobiando pró lado. E, são bilhões! Sacaneando-se uns aos outros sem conta nem medida. Bom!... Já no Alma, comprei o jornal Expresso, pedi um café, um copo de leite frio, mais uma queijadinha. Que se lixe! Menos mal que em Portugal temos um Marcelo a olhar por nozes (plural de nós)! Mas, até quando (não é pergunta)…    

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:31
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Sábado, 2 de Junho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXV

DESCOLONIZAÇÃO DO IMPÉRIO  DO M´PUTO . SINTESE – II

DESCOLONIZAÇÃO - (Continuação)

kimbo 0.jpg As escolhas de T´Chingange

Porcanhot1.jpg António José Canhoto...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna...

Quando escrevi o texto (Síntese.I) sobre o titulo em epigrafe escalpelizando o papel de Mário Soares no processo de descolonização não pretendi ilibar todos aqueles que no palco deram a cara, mas sim acusar todos aqueles que permaneceram por detrás da cortina puxando os cordelinhos ou fazendo o papel de “PONTO” que é aquele que escondido num alçapão do palco lembra aos artistas as suas falas e deixas do texto ou guião da peça.

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No caso da descolonização a peça deveria ter tido pelo menos 3 actos, mas infelizmente tudo se resumiu a um só, tendo os artistas sofrido uma enorme pateada e insultos vendo-se obrigados a abandonar o teatro pela porta do cavalo tendo sido ao longo de 40 anos vituperados pelo seu catastrófico desempenho. Não me compete a mim escrever a história sobre essa mancha negra que ensombra o período politico que Portugal atravessou entre 1974 e 1975, contudo quem já o fez de forma isenta foi-lhe fácil encontrar os responsáveis.

vasco gonç.0.jpg Quando iniciei a feitura do texto, já pressentia que iria abrir uma “Caixa de Pandora” e muita gente se iria atirar a mim como gato a bofe. Surpreendentemente o texto foi bem aceite pela grande maioria, mas houve pessoas que o descontextualizaram sem terem tido a capacidade de separar a missão politica de que Mário Soares foi incumbido de realizar atribuindo a este senhor todos os problemas pessoais que afectaram os “colonos” na sua generalidade.

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A minha crónica foi feita depois de muita reflexão e pesquiza e para quem não saiba o processo de descolonização foi desenhado pelo ideólogo do grupo dos 9 o major Melo Antunes que foi a eminência parda marxista do Movimento das Forças Armadas (MFA). Óbvio que a grande maioria dos retornados teve de encontrar alguém para descarregar as suas frustrações e Mário Soares foi o homem escolhido como ministro dos negócios estrangeiros do governo provisório bem como António de Almeida Santos ministro da Coordenação interterritorial, para darem a cara como forcados e pegarem os 2 touros mais perigosos de nome Angola e Moçambique.

spi0.jpg Em consequência de os touros terem sido mal lidados e estarem ainda cheios de energia ambas as pegas falharam e os touros desembolados ficaram incontroláveis. Os pegadores viram-se forçados a arcar com todas as responsabilidades de uma “corrida” programada em cima do joelho e a martelo sem acautelar a integridade física dos aficionados. Em 22 de Fevereiro de 1974 O general António de Spínola publica o livro "Portugal e o Futuro" pouco mais de um mês depois de ter sido empossado como vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

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As páginas do livro abriram um fosso de incompatibilidade com o primeiro ministro da altura Marcelo Caetano que afirmou tratar-se de um verdadeiro "manifesto de oposição" ao regime e de um golpe militar anunciado o que efectivamente veio a acontecer semanas depois. Na sequência da publicação do "Portugal e o Futuro", e perante a recusa dos generais Francisco da Costa Gomes e António de Spínola, os dois principais chefes militares do país em prestar vassalagem a Marcelo Caetano, tanto Spínola como Costa Gomes são demitidos a 14 de Março.

soares1.jpg A 25 de Abril de 1974 os capitães do Movimento das Forças Armadas levam a cabo o golpe militar que liquidou o regime do Estado Novo tendo escolhido uma Junta de Salvação Nacional para preparar a transição do país para um regime democrático. Na madrugada de 26 de Abril de 1974 Spínola é anunciado como chefe da Junta Militar e, a 15 de Maio, toma posse como primeiro Presidente da República do pós-25 de Abril.

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A História e o movimento revolucionário avançaram muito rápido para uma esquerda marxista radical contra a qual Mário Soares ferozmente lutou. O livro publicado por Spínola constituía um poderoso repto ao regime do Estado Novo. Basicamente afirmava que as guerras coloniais, que duravam desde 1961, não tinham solução militar, sendo imperativo que a Nação debatesse o problema. Spínola tinha ideias muito concretas de como o processo de descolonização se deveria processar as quais dissecou pormenorizadamente no seu livro.

rev8.jpg Spínola acaba mais tarde por se demitir como Presidente da Republicam quando se sente atraiçoado pelos seus camaradas de armas e pela forma de como o processo revolucionário e de descolonização que tinha sido esquematizado por Melo Antunes o qual o grupo dos 9 pretendia implementar. O traidor não foi Soares, mas sim a Junta Militar e o governo provisória infestado de esquerdistas comunistas, que governaram Portugal a seu belo prazer tendo em Vasco Gonçalves o seu expoente máximo.

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A situação só começou a mudar quando a feitura da nova Constituição Portuguesa deu origem às primeiras eleições livres em Portugal, as quais só aconteceram em 25 de Abril de 1975 para a eleição dos deputados para a Assembleia Constituinte. Conforme disse no meu texto (Sintese.I) todo o processo de descolonização foi uma aberração e as consequências do mesmo devastadoras e traumáticas, mas esse não foi o objectivo do meu texto, mas sim desvendar quem puxou os cordelinhos fazendo de Mário Soares e os seus pares os peões de brega, aos quais foi incumbida a triste sina de levar a cabo uma tarefa odiosa que todos sabíamos pelo andar da carruagem que iria acabar mal.

rev7.jpg Os verdadeiros traidores de Portugal não aparecem nas fotos de Argel, Lusaca ou Alvor, por ocasião das assinaturas dos acordos ou tratados de independência. Sejamos honestos e não assaquemos culpas nem manchemos com o labéu de traidores ou ladrões todos aqueles como Almeida Santos, Costa Gomes, Mário Soares e outros que pelas funções governativas que ocupavam ao tempo personificaram a função de carrascos no processo de descolonização.

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Todos os países com impérios coloniais Inglaterra, França, Holanda e Bélgica concederam as suas independências no principio dos anos 60 e hoje têm óptimas relações com os países que colonizaram, infelizmente os nossos políticos não tiveram a mesma visão e prolongaram no tempo e no espaço um desfecho que a partir de 15 de Março de 1961 passou a ter os dias contados.

António Canhoto 12-1-2017



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:21
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXIV

DESCOLONIZAÇÃO DO IMPÉRIO  DO M´PUTO . SINTESE - I

::As escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto...  Um polémico cronista saido da Luua, que tem o diabo à perna...

Todos os portugueses, onde me incluo, que viveram nas ex-colónias portuguesas e que sofreram na pele o processo de descolonização, atribuíram as culpas ao ministro dos negócios estrangeiros da altura Mário Soares que se finou há um ano, para gaudio de muitos dos retornados e para pesar de muitos democratas. Foi Mário Soares pelo cargo que ocupava na altura que carregou e conduziu o referido e complicado dossier do processo de descolonização que ficará como uma das mais tristes nódoas na história de Portugal.

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As tendências ideológicas marxistas que o processo revolucionário em Portugal atravessou não auguravam um desfecho feliz para os residentes nas províncias ultramarinas. A pressa era muita e, de modo que Mário Soares foi encarregue de atalhar e encurtar caminhos e forçado a abreviar o calendário das independências para o ano de 1975.

áfrica19.jpg As conversações para esse desiderato começaram de imediato com os líderes dos movimentos independentistas das colónias Portuguesas em Africa, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola tendo como interlocutores Luís Cabral, Samora Machel, Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi. A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC que foi reconhecida pela comunidade internacional, mas não pela potência colonizadora o que só aconteceu nas negociações de Argel em 25 de agosto de 1974, seguido de Moçambique em Lusaca a 7-9-1974 e do Angola no Alvor a 15-1-1975.

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Logo que Angola e Moçambique obtiveram oficialmente as suas independências instauraram um regime de partido político único pró-soviético, enquanto em Portugal, o modelo socialista pós-revolução era progressivamente abandonado, dando lugar a um regime democrático. Só um tolo ou imbecil poderia pensar que seria possível a manutenção de uma guerra colonial em 3 frentes até aos dias de hoje, para assegurarmos a continuidade dos privilégios de alguns em África intemporalmente.

ama3.jpg Os grandes coveiros e responsáveis da repatriação dos mais de 750 mil portugueses naturais e colonos que ao tempo residiam em Moçambique e Angola não foi Mário Soares, mas sim, Salazar e Marcelo Caetano, pois a descolonização das nossas colónias deveria ter sido iniciada nos finais dos anos 50 antes de se ter iniciado o terrorismo em 15 de Março de 1961 em Angola pela UPA, em 24 e 25 do mesmo ano em Setembro pela Frelimo em Moçambique e finalmente em 23 de janeiro de 1963 na Guiné.

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Se o processo de descolonização tem sido feito atempadamente de forma ordeira cívica e civilizada assegurando a permanência dos europeus nas colonias, a revolução do 25 de abril de 1974 apenas tinha tido efeitos práticos ou visíveis em Portugal continental. Mário Soares estava manietado e limitado pelas directrizes imanadas pelo Conselho da Revolução e pelo desejo que os militares tinham em baixar as armas o mais depressa possível e abandonar África á sua sorte.

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O governo provisório da altura em Portugal estava em conluio com os líderes independentistas uma vez que defendiam a mesma ideologia politica, portanto Mário Soares muito pouco poderia ter feito para alterar o “status quo” dos eventos catastróficos que o processo de descolonização atravessou. Mário Soares foi um intermediário facilitador que seguiu um programa que lhe foi imposto, mas não o ideólogo do mesmo.

dyo2.jpg Eu sei e compreendo que a grande maioria dos retornados atribuem a Mário Soares toda a culpa da descolonização, pois acabou sendo o bode expiatório e o alvo mais fácil para arcar com as culpas devido a sua liderança nas negociações. Do contexto político vivido em Portugal destaca-se a divergência entre o então Presidente da República (PR), António de Spínola, e a Comissão Coordenadora (CC) do MFA em relação ao modelo de descolonização a seguir e que teve repercussões negativas nos processos de negociação e nos posteriores acordos de independência com os movimentos independentistas.

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A descolonização portuguesa dos territórios ultramarinos em África constituiu um dos aspectos centrais da política portuguesa após o 25 de Abril, tendo tido consequências sociais profundas em Portugal. Quando Mário Soares entabulou negociações com os líderes nacionalistas de Angola e Moçambique com vista á independência dessas colónias fazia parte como ministro dos negócios estrangeiros de um Governo de Transição empossado pelo MFA sem a legitimidade do povo português, pois ainda não tinham havido eleições gerais em Portugal nem sequer tínhamos uma nova Constituição aprovada que lhe outorgassem a legitimidade para assumir essa decisão histórica particularmente nos moldes em que foi feita.

spi3.jpgMARIO1.jpg Não tenho a veleidade, ousadia ou arrogância de colocar Mário Soares sozinho no banco dos réus, nada me move pessoal ou particularmente contra a sua pessoa, muito embora tenha deixado em África terra onde nasci tudo o que construí com o suor do meu rosto. Tenho a capacidade de separar o trigo do joio e fazer uma análise lucida e racional dos acontecimentos sem cegueiras ou fanatismos e atribuir as responsabilidades históricas a quem de facto as teve 20 anos antes de 1975, bem como no período pós-revolucionário. Se Portugal tem tido líderes com visão estratégica e politica para terem iniciado o processo de descolonização na época adequada teriam preservado a permanência e a continuidade de todos os colonos suas famílias e descendentes nesses territórios.

(Continua…)

António Canhoto 11-01-2017



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:22
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXIII

REFLEXÃO -  NEURÓNIOS SELECTIVOS

::::: As escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpg António José Canhoto... Um polémico cronista saido da Luua, que tem o diabo à perna...

Na vida, temos sempre dois caminhos a seguir: o das verdades duras ou o das mentiras confortáveis; é uma opção proposta a todos os seres humanos logo que atingem a idade da razão. Há várias visões sobre diferentes formas comportamentais de como as pessoas podem reagir quando confrontadas na sua zona de conforto, as quais, na maioria das vezes, não foram conquistadas por moto próprio pelo conhecimento e questionamento, mas sim adquiridas por indução venosa muitas vezes sem a permissão do recipiente.

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Se o mundo não aceita a minha opinião pela falta de conhecimento ou ignorância, também não lhes concedo o direito de criticarem ou julgarem as minhas decisões. Como livre-pensador que sou não me encontro subordinado a nada nem a ninguém, pois quando renegamos ao direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de sermos livres.

abraço0.jpg Nunca devemos seguir ou obedecer aos cânones impostos por terceiros uma vez que todos devem ter a faculdade de pensar, analisar, dissecar todo o lixo tóxico que nos é incutido desde que nascemos. Os gurus pretensamente donos de diferentes verdades pululam em todas as áreas da sociedade e como predadores buscam vítimas indefesas e ignorantes com o objectivo de se tornarem seus mentores apressando-se a persuadi-las e arregimenta-las para as suas hostes religiosas, politica ou desportivas, logo que atinjam os escalões etários para serem doutrinados.

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Nunca devemos permitir que o nosso raciocínio lógico e a nossa clarividência intelectual sejam afectados pela incapacidade e embotamento cerebral de ficarmos anestesiados pela forma policromática e sedutora de como nos querem ministrar o soro ou o veneno da mentira.

araujo30.jpg Pensar é como ter-se vivido num quarto escuro desde que se nasceu e um dia acordar abrir essa porta, que pensamos estar trancada, sair e ver o sol pela primeira vez. Mantenho uma isenção, ausência e afastamento pessoal dos meus sentimentos em relação a tudo o que escrevo, o que me permite escolher sem segregar os temas que pretendo debater mesmo que possa existir uma conflitualidade pessoal.

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A escrita resume-se a juntar letras ou caracteres que formam palavras e frases, as quais de uma forma racional e estruturada se conjugam para formar um texto que eventualmente desperte interesse ou a curiosidade de quem o lê. Não sou mercenário da minha pena e muito menos de alguém que me pague para definir critérios ou bandeiras que não sejam as minhas, sintetizando, não escrevo por encomenda, a metro ou a peso.

dracma6.jpg Escrevo o que quero, quando quero ou quando sinto que tenho algo para transmitir ou partilhar, mesmo que o conteúdo da mensagem seja rejeitado pela maioria, ou me crie inimigos. Não procuro agradar, quer a Gregos ou Troianos, cair nas boas graças de ninguém em particular ou percorrer os caminhos mais fáceis que proporcionam mais exposição, recompensa ou unicidade de pensamento.

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Escolho de forma aleatória e indiscriminada os temas mesmo sabendo antecipadamente que os mesmos possam ter o condão de despertar paixões, provocar conflitos, acicatar sensibilidades, desafiar crenças e dogmas de fé, criticar gostos ou fanatismo radicais, sejam eles de que teor forem.

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A minha intransigência e consistência de princípios, faz-me sentir como as velhas árvores ou soldados que morrem de pé e não de joelhos implorando perdão ou renegando as suas convicções. Não abdico de argumentar quando sinto que faço parte dos 2% daqueles que pensam e não dos 3% daqueles que julgam que pensam ou dos 95% daqueles que se encontram destituídos da capacidade de pensar e como tal nem sequer têm consciência que existem.

quem3.png Essa grande massa anónima dos 98% encontra-se nivelada pela sua mediocridade e a sua existência oficial de nados vivos apenas é reflectida pelo número do seu cartão de cidadão até que a sua certidão de óbito seja emitida. A todos estes que passam pela vida sem deixar qualquer rasto e que só contam estatisticamente para o censo apenas servem para consumir o oxigénio que oxigena os neurónios dos que verdadeiramente pensam e fazem história.

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Assim, os 98% da população mundial que é peso morto, é carregada pelos 2% de pensantes que detêm o poder e dinheiro que os alimenta! Estes cidadãos passam as suas vidas como sanguessugas a chupar quem os alimenta. Não me surpreendendo que a era robótica seja mais rapidamente implementada, pois “robots” não precisam de férias, não ficam de baixa como doentes ou grávidos, portanto os seres humanos apenas como força trabalhadora num futuro próximo, estarão condenados a sua obsolescência e descontinuidade.

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Todos eles seguem de forma ordenada e decalcada os caminhos da religião, politica e clube desportivo que eu considero como comer bacalhau cozinhado em diferentes restaurantes, por diferentes cozinheiros de modos diferentes. A grande maioria das pessoas precisam de muletas metafisicas para se movimentarem ao longo das suas vidas pois actuam como nascessem sem pés para andar, tal como um pássaro criado numa gaiola desde pequeno que quando fora dela muito embora tenha asas não sabe que consegue voar.

roxo116.jpg O céu paraíso e o inferno existem, mas nada tem a ver com a concepção religiosa descrita nos livros sagrados ou punição divina. Quer um quer outro habitam dentro de nós somos pessoais e intransferíveis e as sentenças de recompensas ou remorsos são ditadas pelas nossas consciências.

António José Canhoto – 05.01.2016

Nota de T´Chingange - (editor): Concordo com grande parte do que é aqui dito! São palavras que têm a sua força; Por defeito cultural, não o diria deste jeito! 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:09
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2018
CAZUMBI . XLIV

MIAI – CORURIPE DO BRASIL - COMO SINTO O MUNDO - VIII21.05.2018

Brasil – o dia da mudança…

Por

soba15.jpgT´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Assisti aos debates televisivos do STF – Supremo Tribunal Federal, Rede Globo nos dois dias que antecederam a prisão de Lula e, de assombro em assombro fui ficando translucido com a flexibilidade da justiça brasileira, sua peculiaridade de protelar “o facto” rebuscando inexistentes frinchas da lei. Foi quase horrível para não dizer repugnante testemunhar o vigor retórico de ministros ditos conceituados, tais como Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Toffoli, e Lewandowski, alegando defender os pobres.

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Votando favoravelmente nos corruptos bilionários, já de si, defendidos em demasiado nos seus interesses por dispendiosos advogados; no abono a Lula, claro! Um dia marcado pela mudança através dos votos de Carmem Lúcia, a presidente do STF e Rosa Weber, duas mulheres que marcaram a diferença em defesa da Constituição Brasileira. Um cinco a quatro pela legalidade.

lampi2.jpg Eu estava em pulgas! A eloquência demagógica e populista daqueles quatro ministros estava a ser escutada na certa, pela nata prisional dos maiores mafiosos; arrepiado dos artelhos ao cocuruto do cerebelo, via o quanto isto não seria um abre-te-sésamo para criminosos de alto e baixo gabarito.  

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Mas, foi com agrado de susto que tudo alterou com o voto da Ministra Presidente Lúcia. O resultado de cinco contra quatro na não execução do tal de Habeas Corpus; de todo o modo, transparece a triste ideia de um país aonde a lei anda manca. Não consegui arregimentar em mim a suficiente alegria para comemorar com a devida efusão, fechando assim o círculo de impunidade, descaso e bagunça.

lampião7.jpg Sérgio Moro, só demorou vinte minutos para lavrar o mandato de pisão ao ex-presidente Lula; sem algema, sem confronto, e esperando até às 17 horas de Sexta-feira, em um dia seis de Abril. Não foi assim mas, por fim os kazukuteiros da lei, lá acordaram que seria só após a missa em homenagem à sua esposa, de Lula, lá pelas dez horas de domingo.

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E, assim foi, bem do outro lado da sede dos Metalúrgicos de São Bernardo dos Campos em São Paulo. O dia da mudança surgiu por fim! As hostes do PT - Partido do Trabalhador em momento algum baixaram os braços em defesa do seu mártir argumentando ser claramente por acção distorcida duma Constituição estrupada! Foi um filme ruim de assistir; o cangaço no seu mais elevado expoente quase vencia. Viva Lampião! Só sou eu a dizê-lo, aqui no meu mukifo que ninguém me ouve…

dracma5.jpg Visto de longe, este espectáculo dá para ficar preocupado com o manuseamento da lei. Triste sina a minha de cruzar o mar entre Brasil, Portugal, Angola e África do Sul assistindo a esta falta de credibilidade incestuosa de quem faz a lei. Cambada de gente que estuda para nos escravizar!

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Fiquei ciente de que o aviso do General Villas Boas, Comandante em Chefe das Forças Militarizadas na tarde do dia quatro de Abril de 2018, era no sentido de que se tudo descambasse o exército entraria em cena para repor em seu lugar as instituições. Gostaria que o nosso chefe das Forças Armadas e Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tomasse esta postura. Angola é para esquecer por enquanto! ….  Ainda bem que por cá, foi como foi! Assim deste jeito débil! Mas que a coisa esteve preta, lá isso esteve!

Nota: Crónica escrita em Miai a 07.04.2018

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:23
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Domingo, 20 de Maio de 2018
MOAMBA . XX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 20.05.2018

O INTERESSE manobra tudo e todos. O rim de Peralta estava para lá de escumbalhado…

 Muamba: É um prato típico de Angola preparado com galinha e dendém mas pode ser também negócio ilícito com venda de contrabando (Brasil) …

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Balouçando minha rede para roçar o escasso vento, derreto banhas na forma de gotas que correm costado abaixo. Oiço o bater das ondas e o farfalhar dos coqueiros. O sacana do vento vem tão de mansinho que feito brisa me transtorna o humor. Mas, ouvindo estórias, as quenturas dos 29 graus vão-se dissipando entre conversas de quintal. É assim que surge a estória de Manoel Peralta Barros que teve recentemente seus rins paralisados.

araujo146.jpg Mourejando guerras brabas foi ficando boémio laureado com o figado avariado e os pulmões estragados; muito azar para um só cristão. Sem outra alternativa, Peralta teve de cair numa tremenda horizontal hospitalar… Os médicos que o assistiam de tudo fizeram para tentar recuperá-lo.

miai2.jpg

Submetido a várias sessões de hemodiálise e, o rim que estava para lá de escumbalhado, voltou a funcionar – devagar mas, voltou! Pelo menos um dos seus pulmões foi extraído e, como consequência sua respiração melhorou consideravelmente. Só não teve mesmo jeito, foi o fígado. A pinga derreteu essa importante glândula quase toda, comprometendo as suas funções metabólicas.

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Daí a um mês, Peralta estava nas últimas – abriu os olhos, piscou pró médico e apelou: - Já sei que estou com um pé na cova doutor…Mas, o que é isso Peralta? O doutor esculápio tentou animá-lo – Tó lascado, doutor! Eu só queria que o senhor me fizesse um último favor… Penalizado e emocionado, o médico retorquiu: Pois não, pode dizer.

dy8.jpg - Eu gostaria que o senhor escrevesse na declaração de óbito que morri de AIDS (SIDA). O doutor alarmou-se: - Impossível, Peralta! Eu não posso fazer uma coisa dessas, por uma questão de ética. O seu problema é cirrose braba, com falência múltipla de órgãos como rins, pulmões, vesicula …e, não de SIDA! Não posso mentir.

araujo27.jpg -Pelo amor de Deus, doutor. A um moribundo não se pode negar o último pedido! – Mas, me diga por que você quer que todos pensem que está morrendo de SIDA? E, o Peralta, nos últimos suspiro: - É para nenhum macho se atrever a chegar perto da minha mulher, que aqui para nós, é boa de gostosa!

Crónica escrita em Miai – Coruripe – Brasil a 13.04.2018

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:00
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Sábado, 19 de Maio de 2018
MOKANDA DO BRASIL . XI

METÁFORA DA VIDA . NAS CINZAS DO TEMPO – 19.05.2018

Por

soba0.jpeg T´Chingange No Nordeste brasileiro

No Brasil de hoje as perspectivas não são das melhores. São mesmo tristes, considerando o facto da instabilidade política. O brasileiro perdeu a confiança em todos os políticos tornando imprevisível o destino próximo do país. A percepção de falta de confiança na escolha de um novo presidente, abre caminho a neófitos que devido à falta de competência para o cargo, pode daí advir muito dano para o país.

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As duas maiores vitórias de Fernando Henrique Cardoso, foram a estabilidade económica e a previsibilidade política. Será agora ridículo apostar em um cidadão sem revisar seu curriculum até se chegar à conclusão de ter ficha limpa para exercer o cargo. O êxito da justiça brasileira dos últimos tempos não pode afrouxar mais recorrendo a soluções de entorpecimento d ontem por compadrio com o poder do PT.

brasil1.jpg Lula é o passado que falhou e aqui, têm de se pôr um ponto final e tirarem ilações dos polvos que a promiscuidade corrupta pode originar; Lula é um passado que falhou. O brasil, por ser quase um continente em suas lonjuras, fronteiras demasiado permissivas e por ter muita desigualdade, requer um modelo de governo não populista, talvez do centro- esquerda porque por ora, a social-democracia foi imensamente atingida neste escândalo de corrupção, mensalão e petrolão com lava-jato. 

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O Mundo está a mudar e tirem-se ilações a partir da opção do Brexit na Inglaterra, da escolha de Emmanuel Macron em França, do surgimento, geringonça em Portugal e da dificuldade de formar governo tanto na Alemanha como em Espanha. Neste momento é a Itália que está em palpos de aranha e até mesmo a escolha de Trump para governar os E.U.A. um perfeito exemplo de populismo de direita. Isto tem seus riscos, porque as pessoas já não aderem por ideologia mas pelas promessas que lhes mudarão a vida no quotidiano.

bra5.jpg Há o grande risco desse populismo, se não for combatido pelo esclarecimento, poder tombar para a esquerda como a gestão de Hugo Chaves e seu sucessor Maduro. Ao Brasil parece-me não ser útil, nem um nem outro. O actual Presidente Michel Temer tem tentado fazer reformas mas, não consegue completar seu trabalho, por não ter legitimidade para o fazer e, de forma mais drástica, já que não foi eleito.  

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É preciso um novo presidente com capital político para fazer as reformas de que o Brasil necessita. Inteirando-me das ideias de um economista e comentarista do Financial Times, Martin Wolf o trabalho é grande e, este, não está certo de que um próximo presidente esteja apto a faze-las: reforma tributária e trabalhista, investir em infraestruturas e criar políticas públicas que aumentem a poupança privada.

bra4.jpg Mas, e também tocar na reforma fiscal, nas aposentadorias e previsão de gastos no futuro. Quando a Martim Wolf se lhe perguntou sobre possíveis candidatos para Outubro, para estranheza minha disse que Bolsonaro, um candidato que se alinha na frente, lhe parece completamente maluco. Quando os adivinhadores apostam nele, este conceituado cronista afirma que este é capaz de levar o país à ruina.

pal01.jpg E, diz que Donald Trump beira a normalidade ao lado de Bolsonaro. Trata-se de alguém que não sabe o que diz e, que parece não ter noção do que significa governar. Esta perspectiva é algo muito trágico e muito triste, pois que representa uma grande perda de potencial para o Brasil que tem recursos abundantes; conclui mesmo dizendo: colossais. Finalmente remata – é uma pena!…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXII

A ILITERACIA EM ANGOLA . 17-05-2018

:::::As escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpg António José Canhoto... Um polémico cronista saido da Luua, que tem o diabo à perna...

Relutantemente terei que voltar a escrever sobre Angola, mas não pelas melhores razões e muito menos quando me sinto na obrigação de fazer comparações com o tempo colonial que com todos os seus imensos defeitos tinha em alguns dos seus aspectos grandes virtudes. Foi durante o sistema colonial que se processou a minha meninice, puberdade e adolescência e durante a qual experienciei a qualidade dos bons professores portugueses existentes no território e aos quais tiro o chapéu pois por eles fui instruído durante o período da minha escolaridade que perdurou em Angola entre os anos de 1948 e 1959.

ÁFRICA1.jpg Posteriormente prossegui o meu percurso académico na República da África do Sul pois nessa altura não havia ainda Universidades em Angola e Joanesburgo estava mais perto de Luanda do que de Lisboa. Mas foi em Luanda desde a primária até à conclusão do meu 7º ano que percorri a minha vida académica miscigenada com outros colegas caucasianos, mulatos e negros.

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Muitos deles após independência atingiram posições de destaque no regime político, militar e diplomático que tal como eu tiveram a oportunidade de usufruir de um sistema educacional que 40 anos depois por aquilo que me é dado constatar não chega nem sequer às unhas dos pés daquele que tivemos o privilégio de beneficiar nos anos da colonização Portuguesa. Para justificar esta minha reflexão dei-me ao trabalho de iniciar uma colectânea dos erros gramaticais no uso da sintaxe que vou anotando das imensas páginas criadas no Facebook por angolanos, às quais aderi para delas avaliar as tendências e preocupações críticas dos seus autóctones.

ÁFRICA18.jpg Tudo isto por via do sistema político em que vivem e, à falsa democracia que têm por quem os governou e governa. Nas várias páginas que criaram no Facebook abordam temas e problemas políticos, sociais, musicais, generalistas e religiosos o que me permite sociologicamente chegar a várias conclusões interessantes. Fico muito surpreendido pelos tópicos que abordam, perguntas que fazem e às imaturas conclusões a que chegam pela impreparação, ingenuidade e desconhecimento que demonstram ter sobre a vida, amor, sexo, política, tribalismo e mundo em geral, mas sobretudo pela parte história da sua herança genética e cultural.

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Contudo, surpreendentemente mostram uma tremenda religiosidade cristã e um notável conhecimento bíblico devido que penso ser devido à implantação de missões religiosas baptistas, metodistas geridas por missionários estrangeiros e freiras católicas portuguesas espalhadas pelo sertão angolano onde foram e são por estes e estas doutrinados. Hoje em dia, os angolanos têm ao seu dispor as ferramentas necessárias que lhes permite facilmente responder às suas questões para as quais pretendem respostas que são a Internet e o Google.

ÁFRICA2.jpg A minha experiência no que respeita ao criticismo que faço sobre a iliteracia angolana, advém da aderência que fiz às muitas páginas do Facebook criadas por angolanos e da leitura dos seus conteúdos. Existem outras, mas de portugueses ex-residentes em Angola onde continuam dolorosamente a carpir as suas saudosas mágoas dos belos tempos que lá passaram. As páginas genuinamente angolanas proliferam pelo Facebook, umas mais radicais do que outras, mas em todas elas se nota a dificuldade e deficiência no comando da língua de Queirós e Camões.

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Sem querer perder ou divagar para outras áreas a razão deste texto centra-se na forma como os angolanos se expressam por escrito e pela iliteracia que demonstram ter após passados 40 anos de independência. No tempo colonial o sistema escolar era tão bom em Luanda como em Lisboa, mas hoje em dia a forma como os angolanos trucidam e assassinam a língua portuguesa deixa muito a desejar e deveria envergonhar quer o ministro que superintende ao sistema educacional angolano bem como a todos os usuários que que a ela recorrem para comunicar.

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ango0.jpg Com toda a honestidade nem dá para acreditar nas postagens que leio pelos erros gramaticais nelas contido de como se pode chegar a um estado de degradação linguístico quase de puro analfabetismo generalizado. Não é caso para o governo de Angola se orgulhar do sistema educacional que está a proporcionar aos seus cidadãos, pois a imagem que estes projectam para o mundo da língua portuguesa nas suas publicações é degradante revelando um estágio primário evolutivo. Comparativamente ao tempo colonial o sistema médico, hospitalar, saneamento básico, rodoviário, e educação estavam muito melhores do que hoje 40 anos depois, e nunca Luanda esteve tão soterrada em lixo como está hoje.

António José Canhoto - 17-5-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:58
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MOKANDA DO BRASIL . X

ANDO ENKAFIFADO – 17.05.2018

Crime politico? Em nenhum regime democrático deste planeta existe isto, ou deveria existir!…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

O Brasil não tem a menor hipótese de ser confundido com um país sério. Tem um tal de “FP - Foro Privilegiado” que protege nada menos do que 55000 pessoas em todo o Brasil; e, não se limita só a políticos. É assim impossível pensar num país sério, na qual existam tantos cidadãos que têm uma licença virtual de cometer crimes, pois o tal de FP, na vida real, torna praticamente impunes os criminosos que contam com esse privilégio.

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Já o presidente Charles de Gaulle dizia há muitos anos atrás que o Brasil não era país para ser tomado a sério. Nunca aconteceu em nenhuma democracia do Mundo, em qualquer época um caso de político que tenha sido preso por fazer política. Nem se vai ouvir dizer isto porque, numa democracia, a actividade política é livre; a menos que tenha a ficha suja! 

beldr7.jpg Nenhum político precisa de FP ou “IP - Imunidade Parlamentar” para se proteger de qualquer tipo de perseguição quando está no exercício legítimo de seus direitos e funções. A lógica certa é a de ser processado como todos os demais cidadãos, se roubar o cofre do governo, dar um tiro num qualquer sem-eira-nem-beira ou camelô do bairro.

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Agora crime politico, isso não existe! Existe sim é o crime apontado num Código Penal, e quando alguém comete um crime, tem de responder por ele na justiça comum. Tanto faz que seja deputado, governador ou astronauta. Sendo acusado de um acto criminoso, que arrume um advogado e se defenda. Se nada disto sucede de proibido nas leis penais, não é necessária qualquer imunidade.

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Qualquer pé-de-chinelo, Joaquim ou Manel, entende isso num instante! Só não entende isto os políticos, alguns intelectuais adstritos e, que aparecem na imprensa ensinando como funciona o Mundo. Em verdade não querem entender. O que eles querem, isso sim, é impedir que os homens públicos corram o risco de ir para a cadeia. Falo do Brasil, mas em Portugal é a mesma vrgonha…

brasil5.jpg E, as anomalias sucedem não apenas por corrupção, como é normal esperar dum novo individuo que através dum partido-gang entra na vida política mas, por qualquer crime já concebido e praticado pelo ser humano e, desde que Caim matou Abel com um pontapé nos tomates!

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Neste cardume prodigioso de imunitários entram o Presidente, todos os ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas, governadores, senadores, deputados, prefeitos e os ministros dos “tribunais superiores“ como o STF (Supremo Tribunal Federal) ou o STJ (Supremo Tribunal de Justiça). E, até os concelheiros dos tribunais de contas, procuradores federais e estatais ou desembargadores…

brasil2.jpg - Enfim, é mesmo um milagre que não tenham enfiado aí os juízes e bandeirinhas de futebol. Em lugar nenhum está dito que há dois tipos de roubo – o cometido por um qualquer meu vizinho ou o cometido por um desses 55000 portadores de “Foro privilegiado”. Crime é crime! Não há crime político, ou há!? Pode até ser daí derivado mas, uma coisa é uma coisa e outra coisa é uma outra coisa, certo!

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Ando por aqui encafifado com as “últimas instâncias”- “segundas e terceiras instâncias“ e, agora para cúmulo, surgem os “embargos de declaração” mais os “embargos infringentes”. Se o senador, deputado ou desembargador praticar algum crime, deveria ter de percorrer os trâmites da justiça comuns a todos os outros. Deveria!?

garças7.jpg Vão ter de ser indiciados, proceder ao inquérito policial, denunciados, julgados e punidos. Tudo o mais, o povo não vai entender. Ou as leis, são feitas para os senhores juízes mostrarem sua sapiência enrolando os demais numa conversa de não acabar nunca! Conversa de faz-de-conta em língua da patagónia ou Conchinha de  baixo, que ninguém entende patavina.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:23
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2018
CAZUMBI . XLIII

MIAI – CORURIPE DO BRASIL

- COMO SINTO O MUNDO - VII16.05.2018

Grande filho da mãe …

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Estivesse eu na Lagoa do M´Puto e seria neste dia 13 convidado pagante ao jantar das Sextas-feiras, o dia das bruxas promovido pelo Professor Herrero com a participação de ilusionistas, mentirosos e outros malabaristas. Decerto iria assistir a coelhos saindo das cartolas de copa alta e pombas brancas de finos lenços de cetim; confettis voando como borboletas por cima de nossas cabeças entre luzes de pirilampos digitais.

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Mas, estando eu em Cururipe, no lugar aonde paparam o primeiro bispo do Brasil com o nome de Sardinha, irei descrever uma passagem ortodoxa de um padre chamado Nildo (Onildo Tenório Vilanova). Prestes a ingressar na aposentadoria, o padre Nildo, velho malcriado e com uma língua afiadíssima, por assim dizer de trapo, licenciou-se da paróquia, quersedizer, saiu de sua função de prior por via da idade.

balba1.jpg O dizer licenciou-se, é no sentido de obter licença para, ao invés do político português chamado de Rangel, um ministro governamental do PSD que se licenciou na cátedra da política depois de tanto bater à porta do poder. Um dia deram-lhe mesmo licença para entrar e assim desta forma simples ficou licenciado. Parece uma coisa cómica mas com pontos e vírgulas de compadrio, lá formataram sua licença à medida de ficar um senhor Ministro.

lampião35.jpg Abandonemos este transbordar de palavras cochas e voltemos ao assunto do padre Nilo, licenciado da paróquia que comandava no agreste pernambucano. A fim de resolver problemas de administração, trâmites relacionados com os seus paroquianos no rol da fé em Cristo, entre outros de seu interesse particular, desceu do velho e poeirento ónibus no antigo terminal rodoviário do Recife que ficava bem no subúrbio.

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Optou por tomar um táxi para chegar mais rápido à sede da Arquidiocese, aonde se reuniria com o Senhor Arcebispo. No ponto respectivo, padre Nildo, tomou o táxi dizendo ao motorista: - Por favor, leve-me até ao centro da cidade (…). O taxista, um sujeito mal-encarado e fedorento, arrancou com o carro puxando a mil cavalos e, começou a dar voltas e mais voltas, por tudo quanto era de praça e pracinha mais alamedas até estacionar minutos mais tarde na porta da Arquidiocese.

Cicero2.jpg Vai que padre Nildo botou o olho no taxímetro e tomou o maior susto, pelo que protestou: - Mas, isso é um absurdo, meu filho! Esse valor que o taxímetro está marcando é uma exorbitância! Na maior cara de pau o taxista respondeu ao sacerdote: - Olhe seu prior, estou cansado de pagar a vosmicês tudo para a igreja – É baptizado, é casamento, é crisma, é missa do sétimo dia, é funeral mais santinho, quermesse e o escambau, sabe!

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Por isso o Senhor Padre, vai ter que pagar o que deu no taxímetro, visse! Padre Nildo respirou fundo, tirou a mão do bolso da batina preta, retirou uma carteira de notas e separou as cédulas na conta dando ao cara dizendo: - Muito bem meu filho…. Aqui está! O motorista de cara fechada pegou o dinheiro, passou o troco ao religioso e, quando ele descia do veículo, virou-se pró sujeito e disse:

roxo90.jpg Háhh, quando a sua mãe resolver largar aquela vida do garimpo, lá no Bataklan, visse… Pode levá-la à minha paróquia que eu faço o casamento dela de graça, ouviu!? Pude imaginar o padre no átrio da Arquidiocese olhando pró céu, falando com Seu Senhor superior, muxoxando baixinho: Grande filho da Puta!       

Nota: Crónica escrita em Miai a 13.04.2018

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:50
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Terça-feira, 15 de Maio de 2018
KALUNGA V

MOKANDAS XINGUILADAS

- A DOENÇA DA DEMOCRACIA E A ECONOMIA DA CORRUPÇÃO – 15.05.2018

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi. 

Por

soba15.jpg T´Chingange – Desde o Nordeste brasileiro

O combate à corrupção deve ser feito em prol da justiça social, da dignidade dum povo e seu desenvolvimento humano e económico. É o avesso da vingança porque o Estado ao sangrar uma empresa até à morte devido a procedimentos judiciais e da incapaz indeminização, causam inevitavelmente muitos danos. Em vários países com este cancro social mas especialmente em Portugal, a acção repressiva, nosso modo de combate à corrupção, não actua sobre as causas.

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Ou as leis existentes são inadequadas ou faltam leis que racionalizem com moralidade as inevitáveis pressões que a sociedade civil (nós) exerce de forma organizada ou nem tanto sobre os governos, governantes e demais agentes públicos. A corrupção resume a profunda indisciplina jurídica das relações entre Estados ou entre estes e as empresas.

temer4.jpg Veja-se como exemplo as operações judiciárias de Lava-Jato no Brasil e da Fizz em Portugal. Das pressões que o M´Puto sofreu no caso de Manuel Vicente por parte do Presidente JL de Angola, entre várias figuras de destaque que mereciam ser chamados de figurões dum Mundo Cão. Pressões que levaram à deturpação nas atitudes dos nossos directos dignatários, digo eu!

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Não há trabalho sem empresas, não há empresas sem Estado e, não haverá Estado sem trabalho e sem empresários. É uma afronta ou ataque a um outro Estado que por via diplomática nos dá ideia de um grosseiro descuido que em benefício de uns poucos salafrários, prejudicar-se empresas, gente em geral, arriscando fortemente a economia global e respectivas instituições.

dracma6.jpg O lado mais fraco lá terá de ceder, mesmo correndo o risco da aparente ou real deterioração. Assim, com um estado tomado pela corrupção, o Executivo administrará os serviços dos corruptores, o Legislativo vende leis e o Judiciário sentenças! Daqui depreender-se facilmente que a corrupção rouba a energia vital dos trabalhadores, que flui para o Estado através dos impostos que cimentam o seu bem-estar social.

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A concorrência da corrupção entra as empresas torna entre estas, a mais corrupta em líder do mercado deteriorando serviços e produtos. Assim, como é possível depurar as empresas sem as destruir? Elas dão emprego, gerem renda, garantem o consumo.

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É deste modo imprescindível repensar a forma de como combater a corrupção para que os efeitos adversos colaterais, não o sejam mais danosos que o crime que se pretende liminar. Não é fácil, não!

vaca0.jpg Combater a corrupção é como lutar contra um câncer. É forçoso matar o cancro sem matar o paciente, com a dificuldade extraordinária de que ambos, o câncer e o paciente habitam o mesmo corpo – O paciente necessita livrar-se do mal mas não vive sem seu corpo.

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E, o câncer quanto mais se espalha, mais difícil se torna extinguir as células doentes separando-as das sadias. Pagar gorjeta, propina ou gasosa para ganhar uma licitação é ilícito, construir pontes, barragens, hospitais e escolas, em si, não o é! A economia de corrupção floresce num ambiente de crescimento económico e de normalidade política.

bolor1.jpg E, o problema está na deturpação da política com os principais três poderes, do funcionamento dos mercados e, não com sua instabilidade. O busílis da “doença da democracia” está em esta aumentar a desigualdade sem impedir o crescimento do endividamento. Uns ficam com a carne e muitos só com os ossos! A democracia anda doente na honorabilidade; na prática, falta a ética e o uso correcto das leis justas. Marcelo R. de Sousa, Presidente que estimo, por favor, fique atento!...

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:21
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Domingo, 13 de Maio de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLII

ANGOLA DA LUUA XLII - TEMPOS PARA ESQUECER - 13.05.2018

“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas” - Quase morri antes desta guerra em Kaluquembe; acho mesmo que fui para o além durante um pequeno espaço de tempo…

Por

soba15.jpg T´Chingange

Quando no ano de 1974, se deu o 25 de Abril em Portugal, estava eu exercendo as funções de Topógrafo da Câmara Municipal da Caála (Robert Williams); chefiava a Secção de cadastro no referente a terras, urbanismo e obras já licenciadas. Minha mulher que era professora do ensino básico dava aulas no bairro Popular nº 1 confinando com o bairro Madame Bergman, muito próximo da estrada de Catete e confinando com o Bairro do Caputo perto da Terra Nova e Cemitério Novo.

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Ela, Maria Emília dava aulas a 40 crianças dos quais, só duas eram brancas; filhos do merceeiro situado bem perto desta escola com o nº 22. Maria Emília imediatamente a seguir ao 25 de Abril ouvia alguns alunos em surdina, e na forma de muxoxos dizerem coisas desaforadas como: Vamos ficar com a casa da professora- Vamos ficar com o carro da professora, Vai para a tua terra, entre outras frases que ela fazia por não querer ouvir. Era um indício da tempestade que se aproximava. Três meses depois do vinticinco, em Julho de 1974 é destacada para a escola da Caála. Um alivio - a família Monteiro reunia-se de novo.

kafu19.jpg Aquelas crianças dos bairros suburbanos de Luanda eram a propósito instruídas em casa para assustarem seus professores; uma forma de rebeldia independentista curtida no seio de suas famílias; logicamente que seriam os pais senão a induzir os filhos, no mínimo eram conversas escutadas por estes. Fabricavam boatos que desencontravam a vida de todos. Eram já ensaios na preparação do Poder Popular. Maria Emília, já na Caála, contando isto a mim, dava para antever uma grande borrasca lá pela capital. Era o início da Guerra do Tundamunjila…

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Após os primeiros encontros, negociações de cessar-fogo e acordos com os movimentos rebeldes e, já após aceitação da UNITA o professor Liuanhica da Catata, director de um colégio-missão, entra em contacto com vários elementos desta pequena cidade para formar o Comité da UNITA da Caála. Não me vou alongar muito nesta descrição mas, foi assim que fui eleito Secretário de Informação e Propaganda até que em uma remodelação dos Quadros, o próprio Jonas Savimbi me indigitou para Secretário de Relações Publicas do Comité.

zeça14.jpg Tenho contra vontade de expor isto para que todos vejam o empenho que fazia em permanecer em Angola e de uma forma activa. Nunca me arrependi de assim ter procedido até ter saído da Caála em Agosto de 1975; a UNITA teve ali, um comportamento exemplar. De forma breve posso dizer que o meu carro foi sabotado e, tudo indica por gente afecta ao MPLA. A carcaça do meu carro, um Renault major lá ficou na curva da morte do Cruzeiro de Kaluquembe.

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Quase morri, acho mesmo que fui para o além durante um pequeno espaço de tempo mas, regressei com uma clavícula partida! Do carro nada se aproveitou e, tudo ardeu! Literalmente! Foi naquele acidente que o galo pintado de branco, símbolo da UNITA em fundo vermelho morreu! Foi o Doutor Parson, seu filho David e esposa da Missão do Bongo para lá do Longonjo, que me ataram uma ligadura a dar firmeza ao osso; osso que soldou por si, só com o tempo. Meu ombro esquerdo, por via disto, ficou mais curto em um centímetro. Aonde quer que estejam os Parson, mando os meus agradecimentos.

áfrica19.jpg Porque já foram escritas 41 mokandas em um dilatado tempo convém aqui e agora recordar a cronologia da ENTREGA DE ANGOLA AO MPLA NO ANO DE 1975: 15 de janeiro . 1975 – Portugal, MPLA, FNLA e UNITA assinam os Acordos de Alvor, estabelecendo um governo de transição para a independência de Angola, o poder seria dividido entre as partes assinantes dos acordos. A independência ficou marcada para o dia 11 de Novembro do mesmo ano. - 31 de Janeiro . 1975 – Posse do Governo de Transição de Angola Como previsto pelos Acordos de Alvor. - 21 de Março . 1975 – Início dos confrontos entre MPLA e FNLA em Luanda e no norte de Angola.

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- 13 de Junho . 1975 – Aprovação da Lei Fundamental pelo Governo de Transição de Angola. - 9 a 20 de julho . 1975 – Confrontos armados entre FNLA, UNITA e MPLA resultando na expulsão da FNLA e da UNITA de Luanda. – Agosto . 1975 – Suspensão dos Acordos de Alvor por Portugal. O governo passa a ser exercido por um alto-comissário. - 3 de Agosto . 1975 – Início da “Operação Iafeature”, consistindo numa aliança militar entre FNLA, UNITA, forças zairenses e sul-africanas, coordenada pela CIA, para combater o MPLA e conquistar o poder em Luanda no dia marcado para a independência. O governo caberia a uma coligação entre FNLA e UNITA.

suku0.jpg - 4 de Agosto . 1975 – Jonas Savimbi anuncia oficialmente a entrada da UNITA na guerra civil. - 17 de setembro . 1975 – Chegada das primeiras forças regulares da África do Sul em apoio à UNITA. - 7 de Novembro . 1975 – Deslocamento aéreo de novas forças cubanas para Angola, através da Operação Carlota. - 11 de Novembro – Retirada das autoridades portuguesas de Angola. - O MPLA proclama em Luanda a independência da República Popular de Angola. - UNITA e FNLA proclamam a República Democrática de Angola, no Huambo.

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Situemo-nos de novo a 10 de Novembro de 1975. A 100 metros da ponte de Quifangondo, dois camiões carregados de soldados zairenses morriam sem defesa possível. Uma Panhard foi atingida em cheio! Desta leva de soldados quase todos por ali ficaram mortos ou feridos com gravidade. Sem explicação a artilharia pesada Sul-africana abandonou a luta rebocando os obuses para lá do Caxito. Segundo Santos e Castro os Sul-africanos retiraram-se pelas 16 horas e 30 minutos com todo o material.

pioneiros.jpg Deixaram os obuses sem culatras tendo sido recolhidos por um helicóptero que os levou até uma embarcação fundeada ao largo da costa do Ambriz. A Batalha de Quifangondo estava perdida. A FNLA fugiu mato adentro sem comando. No vale de Quifangondo os artilheiros cubanos que manobravam os “Órgãos Stálin” – lança foguetes 122 mm, tinham aniquilado a FNLA. As Brigada da FAPLA e da força Cubana estavam agora livres para enfrentar as tropas Sul-africanas e a UNITA que se aproximavam pelo lado Sul de Luanda.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:05
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KALUNGA . IV

O PESADELO DA DEMOCRACIA - 12.05.2018

Falácias no mundo dos PALOPS - Dos CPLP

Por

soba15.jpg T´Chingange

Hoje, o homem honesto vê-se verdadeiramente diante de um destino quase trágico pois que quer e deseja a verdade com a profunda independência mas, os governos, governantes, instituições e empresas assimiladas ao estado, por interesse, fazem esforços para e, na forma enganosa de falácia da mais pura, surripiarem nosso dinheiro e nossos planos. Os métodos são variados e com os pretextos mais esdrúxulos.

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Aniquilam nosso íntimo condicionando até nossa ideia de Pátria, de Nação. Os representantes do poder político amordaçam-nos subtilmente a sacrifícios absurdos, fazendo como que uma trepanação à desejável inteligência do cidadão, alterando ou condicionando o clima estórico. Este panorama oscila entre as várias instituições de poder judicial, do executivo ou deliberativo, tendo a Assembleia Nacional no topo. Eles não nos dão os necessários exemplos de idoneidade…

costa5.jpg Encarnando no Poder Económico, juntam-se num sistema de Geringonça e, como um gangue dão novos moldes à ordem jurídica que deveria ser supranacional, o máximo exemplo de isenção no trato da lei e justiça, por via de interesses políticos ou económicos, são simplesmente engavetados. Será que estamos no fim de um ciclo?

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Que democracia se vai permitir no futuro se na prática actual do poder, aniquilam o homem interiormente livre; do cidadão que vive seguindo sua consciência. É tal a governação neste lado vesgo que, o homem do povo suporta passivamente sua própria condenação à condição de escravo. Falo do que se passa em Portugal mas, outros há que são talvez piores, como o Brasil ou Angola.

chicor4.jpg Está sendo inevitável porque a sociedade se degrada tão profundamente que de taxa em taxa, de fisco em fisco, de sonho em sonho, de roubo em roubo, submete-se ao mandado aperfeiçoado com meios que destinam sua vida à própria destruição; sua e de seus semelhantes.

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Pelo aperfeiçoamento de técnicas requintadas para dirigir em nós uma pressão intelectual e moral, ela impedirá o aparecimento de novas gerações por paradigma, de seres humanos de valor sem independência. Afinal qual deverá ser a meta que devemos escolher para nossos esforços?

olho roxo.jpg Será o conhecimento da verdade ou, em termos mais modestos, a compreensão do Mundo experimental, graças ao pensamento lógico, coerente e construtivo? Será a subordinação do nosso conhecimento racional a qualquer outro fim de prática! Viver assim, é um verdadeiro acto de fé! Com a evidente condição de que nosso pensamento e nossas reflexões, terão de se condicionar na evidência de se estar possuído de uma inabalável convicção!

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Sem esta fé, a convicção de valor independente do conhecimento não existirá assim, coerente ou indestrutível. As leis do pensamento dirigem-se por si mesmas! No Portugal de agora, fazem falta estadistas e juristas de craveira e éticas inconfundíveis! Eu próprio ando sem fé! A teoria da causalidade venceu na relação com Angola liberando um criminoso chamado de Manuel Vicente.

abac1.jpg Conhecida que é a decisão do Tribunal da Relação, envergonha e enoja qualquer cidadão português. O acórdão foi político em vez de jurídico revelando uma atitude colaboracionista, subserviente e sabuja, apoiado de forma encapotada pelo Governo de Portugal corporizada pelo Primeiro-ministro, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Presidente da Republica. Tudo por questões económicas e diplomacia de baixo estofo. Estamos lixados ou cada vez mais na mesma…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:43
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2018
KWANGIADES . XXXI

 

MOKANDA DO ZECA - As falas de Zeca – 09.05.2018

Por

zeca00.jpgJosé Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga. Tornou-se ali professor katedrático e agora lecciona no M´Puto quando não fica com o catolotolo… Kwangiades: - sáo as musas, kiandas ou kalungas do Kwanza

As ecolhas de T´Chingange (TONITO era o meu nome de candengue da Luua)

DOIS HOMENS UMBIGARAM-SE NO M´PUTO - MATUTANDO ESTES TEMPOS!!!

Eu só lamento..., o tempo do antigamente, que aqui era tão escondido..., de figuras proa deste Condado Portucalense..., e, escondidos nos arbustos, canteiros..., do Parque Eduardo VII! De repente o pensamento aberto do Sec XXI abriu a janela..., de um novo pombal que cada vez é maior, é colossal!!! Para os grandes países da CEE, a (alguns) braços com excesso população, não há problema..., agora para o M´putu kp, é que é grande problema futuro...

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Dizem as estatísticas caras e bem medidas por cientistas, que temos há muito, o índice mais baixo de natalidade..., o desequilíbrio entre os nascidos e os falecidos é grande!!! Os Kotas/Macotas morrem atoa e o seu passado sustento contributivo tão excelente e não de mangonha enchia as barricas da Casa Grande..., e é sabido que depois do Velho ficou ao alcance da mão do kapiango..., que na TV da falação do "então pá como é", dançam o Tango...

ZECA MAMOEIRO.jpg Sabe-se que os Monas, os nascidos do Condado são cada vez menos, a semente de vindouros é muito pouca caída no valado... Então, como vai ser a produção, sem a produtiva placenta da mãe e kinda de semente de cordão de rebento e de biberão natural - O NASCER, esta a dádiva da criação do ser tão biológica na Terra!

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Ninguém questiona a possibilidade de um dia a Terra se tornar frágil e ser evadido por aqueles gajos esquisitos, mas bwé espertos de disquinho falante dos ENCONTROS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU..., o filme que vi dezenas de vezes e de difícil saber quem é o macho e a fémea ..., porque todos são iguaizinhos no fato casal de corpo cara olhos corte de cabelo (careca moda) roupa sapatos luva branca...!!!

soba03.jpg Remeto este meu pensar, sociológico, antropológico, filosófico...para o meu kerido kamba de carteira da Universidade do Rio Seco da Maianga..., o Sábio T'chingange. Ele, que tem formação industrial de massas e de terras, muito trabalho de ensaio no laboratório, e, grande conhecedor do mundo do asfalto, do mato escovado, do mato poeira, do mato tsé-tsé, estes três últimos que contém a maravilhosa flora, fauna..., a nossa África esplendorosa que pouco a pouco a contaminam...

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Ele, o famoso pisteiro de condução de Land Rover caixa aberta e cheia de pakassas abatidas na koka do bebedouro na Cacimba do Peixe Gato, bwé gasosa pelo seu canhangulo de culatra coice de bufalo cheia de pregos, parafusos, taxas, grampos, clipes, esferas dos carrinhos de rolamentos... Ele, o medidor das famosas terras do cangaço, e o celebre estoriador do Robin Lampião e da bela Maria Bonita...

zeca e eu.jpg Finalmente, o famoso discípulo de vídeos dos passos e dos ensaios de Charles Darvin...na anhara dos Herero, Himba, Quioco... Recordo aqui a sua tese maravilhosa de mestrado e sem o copianço de muiiiitas páginas atoa escritas da Net, sim de apenas do seu exaustivo estudo e de ensaio sobre a bela a bela verdinha do Mu ukulu, a MOPANE..., que Lelu vai no prato Michelin...

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A Mopane, ela que é um Milagre da Natureza..., em que gerações de selvagens dizem nos seus estalinhos ao civilizado biaco: - "Minino num precisa operação..., o povo tem kamba Mopane! Tambula conta! É cirurgião, mas sem facão, azagaia, bota apenas a sua massinha e o kissonde aiaiai logologo faz o uafo interra na covinha" Merecia o Nobel, pena este ano não poder concorrer, por um mambo descoberto de "doença que contaminou" muitos dos seus membros...

mopne1.jpg Deixem voar o beija-flor para dentro do mosqueteiro, de pétalas do belo estilete namoradeiro da peónia a bela de esplendor!!!

Ambanine

ZECA 20180508



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:50
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2018
KALUNGA III

MOKANDAS XINGUILADAS

– A VIDA É UMA MÁSCARA – 07.05.2018

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.  Foi assim que cheguei a Guernica...

Por

soba15.jpg T´ChingangeDesde o Nordeste brasileiro

Xinguilado assim, qualquer um de nós pode ser qualquer outra coisa mas, quando é então que nossos comportamentos transvazam a fronteira da vida em uma excêntrica mentira? Porque há quem nunca mate a criança que existe dentro de si e, que por vezes rompe seu equilíbrio de propósito sem um qualquer filtro ou sem se aperceber.

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Se me raparem as sobrancelhas com o pretexto de extinguir a caspa, minha cabeça pode muito bem transformar-se numa espécie de volume branco de manequim, aonde sobre esta, se pode pintar uma qualquer outra figura que não a minha.

picasso0.jpg Vamos supor que me quero xinguilar na pessoa de Picasso. Este não viveu para ver os tempos em que certas celebridades se valem de plásticas e botox para transformar seu rosto em máscaras supostamente à prova do tempo. Posso lembrar seu cabelo lambido de brilhantina para mal disfarçar sua calvície com feições endurecidamente acastanhadas.

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Posso alisar seus cabelos untosos ao jeito de malandro lá dos finais de 1930, um boi sagrado com sua inebriada e sagrada figura mudando de mulher como quem muda de camisa, puteando as madames de fina estirpe e, sempre nessa sua estrema segurança que no tempo se transparecem de arrogância ou egoísmo.

picasso01.jpg Fazer delas beldades distorcidas um pouco à imagem de gente bonita que pela vaidade se torna hoje em beiçuda, mamuda ou bolachuda na cara, no cú ou nas mamas atrofiando o bom senso, só pelo facto de querer ser o que não é. Picasso nasceu em Málaga, tornando-se um homem complicado.

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Desafiador, tornou-se um génio, um monstro da arte e um homem complicado. Atraía as mulheres de forma irresistível para a sua especial órbitra e, como um vampiro que necessita de sangue fresco, tudo torce, esquarteja. Suas belas mulheres saiam quebradas, com um olho no sítio e outro no cocuruto da cabeça.

picasso3.jpg Rompendo seu equilíbrio e a propósito, desvirtuava-se como um defeito de sua própria vida pessoal. Aliou-se aos nazis durante a segunda guerra e acusado de oportunista e, alienado, ele quis demonstrar ao seu jeito que só era alguma coisa no meio disto.

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Como artista degenerado e assistindo ao ataque de Guernica quis dizer, talvez mostrar ao mundo que ele era simplesmente um mal incompreendido estroina. Como disse, ele não tinha filtros, se não queria, simplesmente repelia com um vai-te embora! Nesse, não gosto mais de você, acabou por ficar com um único amigo - seu barbeiro.

picasso2.jpg Quando seu amigo e poeta Max Jacob, judeu e homossexual foi preso pelos nazis, Picasso negou-se a assinar sua libertação. Não assinou aquele abaixo-assinado pela libertação dele, alegando que sua própria liberdade era um símbolo de resistência e seria por isso ameaçado caso assinasse aquilo. Este génio difícil por via disto - digo eu! Legou-nos esse tal quadro de Guernica.

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:54
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Domingo, 6 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXI

FRINCHAS DA VIDA – 06.05.2018

- Angústias de modernidade…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Nunca li a Ilíada tim-tim por tim-tim mas, sei pela antologia grega que li, ser um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga, supostamente escrita pelo poeta Homero por volta do século VIII antes de Cristo. Descreve o conflito de Troia, um lugar da actual Turquia e que se chamava nesse então de Jónia. Constitui o mais antigo e extenso documento literário grego existente.

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Quando passei por Esmirna (Izmir) da Turquia anos atrás, pude inteirar-me por leitura de cordel pra turista, da grandeza de Homero, da fúria de Aquiles e da humanidade dos troianos. Ilíada, sendo uma das mais importantes da literatura mundial tornou-se, juntamente com a Odisseia modelo épico, seguido pelos autores clássicos, como Virgílio no poema Eneida, entre outros.

afon6.jpg Satirizando alguns procedimentos de modernidade, teremos de nos mobilizar na erudição de modo a vermos os aspectos positivos dos muitos avanços tecnológicos sem nos humilharmos nos conceitos que sempre mudam na semântica do uso e pelo tempo. Do que conheço, a Ilíada do século VIII antes de Cristo, entrarmos em seus labirintos, é receber um perfume de conhecimento, o de vida.

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E, como uma ampulheta que marca passagem do tempo, um contraste que se destaca na natureza um tanto distinta, sempre marca a determinação que nos iguala a todos; um triunfo de vida através dos séculos. Camões encafifado em seus neurónios, apoiou-se nessas leituras para nos legar pensamentos entendidos mesmo pelo “incomum leitor”.

araujo87.jpg Em um escritor comum que escreve partilhas do conhecimento sem nenhuma paixão desperdiçada, tende a levar o tal leitor incomum a ensaiar erudição a partir de antigas meditações passadas ao papel. E, assim os aquivos do Éden tendem a queimar as pestanas da sociedade de consumo; num ápice de clique no microondas para agitar sua mente.

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E, por muito que se fale, todos os que queimam livros, fazem-no porque reconhecem o imenso poder dos objectos que destroem. Não são tolos, os que queimam livros! Controlando minha missão de aguentar a austeridade dispus-me a gozar da leitura dispondo uma ampulheta no inverso, com a areia caindo.

arau4.jpg Tem forçosamente de haver uma cadeia de mando no nosso inconsciente que vive deste comportamento, umas vezes verdadeiro, em outras, enganoso! Devem ser muitos a querer trepar na vida de forma rápida, subir nos escalões sociais sem que para isso preparem o seu lado acautelado: Atenção usuário, ao entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado nesse andar. Isto deve ser próprio de um incomum escritor, um escrevinhador…

araujo63.jpg Ensinaram-me que os homens de boa vontade devem tentar em seu meio e, tornar a vida humanamente viável considerando ser esta sagrada, porque representa o supremo valor a que se ligam todos os demais. Tenha em atenção posição do elevador porque pode sim, ir para o espaço passando directamente pelo inferno sem passar no purgatório…

Ilustrações  de Costa Araujo (Mano Corvo)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:46
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Sábado, 5 de Maio de 2018
KALUNGA II

MOKANDAS DO REINO XINGUILA – 05.05.2018

- Fui à Torre do Zombo buscar jóias literárias do Reino do Kimbo na  Kizomba. Esta é uma delas com o nome de MUSSULO... Xinguilado no ano de 1486

– Ver glossário no final (Palavras sublinhadas) -xinguilar: Palavra Angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.

Por

soba 01.jpgT´ChingangeDesde o Nordeste brasileiro

- Estávamos em Janeiro de 1486. Eu, não era eu, retrocedi no tempo! Pela incorporação dum espírito de nome N´gesso voltei àquele ano, em plena kiangala. Os nomes eram diferentes, falava outra língua que não era a de hoje e, por isso vou ter de explicar no fim deste desassombro o que todas estas velhas palavras querem dizer naquele dialecto banto, o  m´bundu.

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Meu pai, Miconge N´futila o kota da vata, decidiu abandonar terras do Kifangondo e, para tal saiu bem cedo para trocar impressões com o Umbanda e, só depois falaria com o M´fumu; sopado com minha mãe Kilua N´zinga desde candengue, entrara agora nas dificuldades da velhice, não podia mais sustentar a família como kibinda; seus pés estavam pesando demais e o espírito dos kijikus estava na trapalhação.

cronicas mano corvo2.jpg Foi no M´fumo e explicou que era por demais kazumbi para aguentar, tinha na obrigação de levar o candengue (eu) na habituação da apanha dos n´zimbos na terra dos Ku-luanda. Eu, que já tinha treze kixibus, entendi que as dificuldades de meu pai era kubasular aquela vida de bitacaia.

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Miconge N´futila tinha no lumbu um irmão que era m´banda bem visto aos olhos do m´fumu-a-vata, que conhecia a ciência dos kalundu; este, podia muito bem dar trabalho para mim e espantar o mau-olhado dos defunto espíritos da YandaNa entrevista do velho kikongo chefe M´fumo com meu pai, as explicações foram aceites na retiçência e, de satisfeito, quando chegou preparou os corotos, a uanda, os kofus e a mukuali, sentou-se debaixo do m´bondo (embondeiro) e bebeu todo o marufo que tinha na kubata; ainda teve tempo de arrastar as quinambas para se despedir do mwani kazuca, amigo de muitas andanças.

MONA4.jpg No primeiramente ficamos no ka-kuaco, passadas as kalembas da barra do rio  com a kalunga do mar; dificultadamente ximbicamos e remamos na vista de terra, minha mãe Kilua chorava de medo, os muandu brincavam na nossa volta. Ficamos ali uns dias na reparação pequena no n´dongo pois as calemas fizeram estrago; entretanto consegui apanhar duas  kiangus na minha lança  que  por ali se esconderam nas águas baixas; no seguidamente preparamos com  n´tondo a acompanhar.

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Naquela noite estava frio, as hienas choravam de fome e eu metia lenha na fogueira por medo; não preguei olho toda a noite, o meu lumbu estava agora a compor-se, mas o meu medo era por demais, só as kalembas abafavam os meus soluços debaixo daquela n´sanda; Uma manada de n´zaus passou por ali perto e só nesse meio tempo as hienas de manchas feias me deixaram em paz.

zedu4.jpg Depois daquela noite ganhei coragem e, se calhar já nem ia para o layoteso pois que nos costumes do sítio para aonde íamos, eu não tinha amizades; assim passei aqueles longos dias até avistarmos a Mazanga. O vento enchia as n´dele do n´dongo com força e rapidamente passamos a baia do m´bungo. Sei que paramos por ali e meu pai N´futila foi tirar informações de aonde podia encontrar o seu irmão e, meu tio m´banda de profissão e kadinguila de nome.

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No entretanto da espera vi na observância que aquela ilha era demasiado comprida e, dias depois chegamos na xicála sítio da dibata, dos seguranças do reino de N´dongo aonde meu tio tinha pré-ponderância. A partir daquele dia por direito de Kanda passei a ser ka-mundongo, apanhar búzios de n´zimbo na ponta da Mazanga e lá mais no longe, os caurins da Korimba e muito n´tadi no Mussulo.

canoa0.jpg Muitos  anos mais tarde ressuscito maiombolado, mundele (t´xindere) em plena Korimba; Já não havia hienas nem n´zaus e ali estava eu esperando lugar no kapossoka, atravessar o mar baixo e regressar no kitoco.  Com cinco angolares (uá cinquimoche wandala)  na Samba, lembro-me de ter comprado um grade peixe espada (kinbiji). Se um n´zimbo valia cinco caurins, naquela primeira encarnação 5 angolares seriam talvez uma canoa cheia de kinbijisEstamos a 05.05 de 2018, 532 anos depois daquelas makas de vida.

toledo18.jpg GLOSSÁRIO: 

Candengue:-rapaz; corotos:- trastes; caurins:- búzios pequenos, cêntimos do zimbo; cafeco: - donzela;   libata: - palhota; kanda:- descendente por via matrilinear; ka-mundongo: - nascido no reino n´dongo (Luanda) ou súbditos do chefe N´gola kitunda; ka-luanda: - nascido em Luanda, calcinha;  kazumbi:- feitiço; kiangala:- pequena estação seca; kifangondo:- aldeia; kibinda:- caçador; kijucos:- gente de outras tribos, de fora; kalundu / kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto; kixibus:- cacimbos, estação fria; kubasular:- passar bassula, dar a volta por cima; kicongo:- natural do Congo; korimba:- lugar de costa, ancoradouro; kapossoca:- nome de barco com motor; kitoco: - traineira trnsformada; kota:- mais velho; kofu:- cesto estreito e comprido para apanhar conchas;

cafu39.jpg ku-luanda:- a ocidente, mais importante e sabedor; ka-kuaco: - sítio, lugar; kalemba: - ondas de mar bravo; kalunga:- abismo, sitio de muita morte; kiangu:- raia; lumbu:- descendente por parte do pai; layoteso:- casa da puberdade para rapazes; m´bundu:- de fala banto, em quinbundo; m´banda:- guarda, sub chefe; m´fumu:- chefe; mfumu-a-vata:- chefe da aldeia; matacanha:-pulga da terra, o mesmo que bitacáia; mukuali:- catana, facão; muandu: - tubarão; N´dongo: - reino da Matamba, parte central de Angola de ambos os lados do rio Kwanza, nome dado pelos portugas às canoas ou pirogas desta gente do reino; kinbijis: - peixe espada; n´tondo: - batata doce; n´sanda: cobertura improvisada de pescador com folhas da vegetação à mão; Mazanga (Mazenga): - Illha de Luanda; sopada/o: - casada/o; makas: conflitos, porrada, jeito de dizer  dos azares...

O Soba T´chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:22
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Sexta-feira, 4 de Maio de 2018
MALAMBAS . CCIII

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBERLEY –  5ª de Várias Partes

- XOXOLOSA TREM . JÁ EM CAPE TOWN31.08.2018 – Na Waterfront e Shopping de Cape Town…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estamos a 04.Maio.2018; Continuando a passar a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo do Xoxolosa Trem, irei desde Maceió do Nordeste brasileiro até Cape Town, uma das cidades mais lindas do Mundo. Os antigos armazéns do porto no Watwerfront, são agora modernos espaços de lazer com uma vasta área comercial; envolvendo os canais com acesso aos lagos têm comportas desniveladas para chegar de iates aos hotéis de gente VIP, maioritariamente saídos dos Emiratos árabes. Pode notar-se pelas roupagens…

xoxolosa6.jpg Neste espaço que antes era mar, ali fomos passar o dia com a neta, lugar aonde nos distraímos assistindo a grupos itinerantes de animação, música e folclore africano: sempre diferente nos gestos e na forma de vestir, cultura ubuntu-xhosa e Zulu aonde nós, certamente, eramos vistos como mulungus do kumbú (brancos com dinheiro). Lugar bem aprazível, tendo sempre presente lá no alto a sua majestosa Mesa da Montanha e a Cabeça do Leão, lugar que já escalei até seu topo, há dezoito anos atrás. 

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Tendo nós, já dado uma volta pelo centro da cidade, podemos verificar uma degradação na vida citadina, fazendo relação com o tempo de há dezoito ou vinte anos atrás! Nesse então pude reparar haver muito indiano e muito mulato; seus nomes eram bem portugueses como Pereira, Moreira, Cerejeira ou Manuel da Silva. Eram tempos em que a Academia do Bacalhau abrilhantava o quotidiano daquele corno sul de África com grupos de danças saídos do Minho ao Algarve do M´Puto.

xoxolosa5.jpg Eramos agora a embaixada da diáspora dum povo aventureiro; pelo que observei, os tempos já não são os mesmos de então; entre edifícios de beleza impar há degradações, montes de desalojados da vida, emigrantes do Zimbabwé, do Malawi, Tanzânia, Congo  ou Moçambique. Viam-se por todas as ruas, arrumadores de carros, brancos, mulatos ou negros retintos, desfrisando seus gestos de capatazia, deslocando baldes e panos num desenrasca de tarefa, os coroinhas da urbe, das gasosas.

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Gente pedindo dinheiro para comer, fora e dentro dos restaurantes, um vigia à coca enxotando estes milhares de homens ou mulheres que vieram à rédea solta para dar votos aos seus manos do ANC. Gente amontoada nos subúrbios de qualquer jeito entre amonturas de lixo e barracas apertadas na sobrevivência insalubre aonde as ruas são becos de gatos ramelosos. Passar assim pelo centro da cidade, assediados a todo o momento e, a cada esquina dá um desconforto bolorento. Cruzamo-nos com muitos brasileiros que não estranham tanto este reboliço urbano…

oxo136.jpg Rapidamente, regressamos ao solar rosa vitoriano a fim de apreciar as pombas gordas que quase comem na mão do senhor Amadeu. Enquanto escrevo esta memória de recordo a Dona Cora Esteves vinda da Luua de Angola, dona da agência Mundial e, a quem paguei em dinheiro vivo, 3.858 Rands para os três nómades da minha tribo; viagem de rape Town para Johannesburg: Eu, Bibi e Lara Mendes, minha neta (chata como a potassa).

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Na própria rua da mansão Rosada de Don Elaine, na Iaton Road notei algo de curioso, um senhor negro sentado bem no início, no nº 3, vestido com um colete amarelo igual ao dos muitos outros arrumadores de carros nas ruas, tinha a particularidade de ir a cada uma das casas impares saltitando em suas muletas pedir um café. Era seu pretexto para solicitar qualquer sobejo das lidas de cozinha de cada qual.

cape2.jpg As moradias tinham suas próprias garagens mas este, também recebia propina cidadã de quem ali estacionasse o carro. Calculo que era um ex-soldado do exército Sul-africano desmobilizado por ter ficado sem uma perna. Em Moçambique já tinha passado por algo semelhante. O Sr. Amadeu referia-se ao desaforo deste em solicitar lanche! Nada disto pude verificar nas anteriores idas à cidade de cape Town. Creio que a AD – Aliança democrática que governa agora o Cabo, deu facilidades a estes para colmatar a falta de trabalho.

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Só faço menção destes pormenores para demonstrar a gravidade de não poder ser dada assistência a tanto cidadão sem ocupação. Por outro lado, dificultam ao máximo qualquer cidadão não negro a obter o visto de trabalho, mesmo que tenha formação superior e curriculum dos melhores. Só por portas travessas e com propina se consegue aligeirar tal pretensão.  Fazendo ali tanto frio de noite, observei haver gente a dormir em terreno descampado tendo como tecto uma manilha, uma alcantarilha como tecto.

cape8.jpg E, por mais que tente compreender esta transitoriedade de África, fico apreensivo por ver as ondas de detestabilidade governamental agravando os empresários maioritariamente brancos; Parece seguir as burradas de Robrt Mugab, numa ânsia negra e doentia de obter as mordomias dos brancos; tal e qual como sucedeu em Angola! Mas, se estes saírem em massa, como vai ficar o país? Correm o risco de seguirem as passadas erradas de Angola, Zimbabwé,  Moçambique  entre outros países africanos…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:53
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2018
CAZUMBI . XL

MIAI – CORURIPE DO BRASIL

- COMO SINTO O MUNDO - IV02.05.2018

- A teoria da casualidade por reflexão de ressonância … Um grilo que canta, grila…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

A teoria da casualidade por reflexão de ressonância sucedeu ouvindo um grilo que canta, que grila…Ele canta, estridula, guizalha, trila ou tritina num zumbido que se interrompe. Com estes silvidos, chego à via especulativa no ser capaz de me ajudar a compreender o Mundo.

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A partir de factos simples, tento compreender com a maior exactidão, analisando isto e aquilo e, no possível, o meu próprio desenvolvimento do pensamento - Dar atenção a um, descuidando um outro que o precedeu.

grilo0.png Aqui em Miai de Alagoas, saído da rede da varanda, entrei na sala a dar com a cozinha e, cheirou-me a gaz, um cheiro diferente; o meu subconsciente alertou-me preocupando o instinto de que havia ali algo anormal. A Dona Jacira, já com 85 anos, ouviu meu chamado mas, este entrou no mesmo tubo ladrão da mente, aonde tudo entra e sai sem se fazer triagem.

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Podia ser perigoso mas e, porque fechei o botão, logo verificamos após dissipação das gazes que o mesmo estava indevidamente rodado e situado com a seta invertida. Por coisa pouca, poderia ter surgido uma explosiva tragédia.

fotografo1.jpg Temos então de reconhecer que nossa concepção da realidade jamais apresentam outra coisa a não ser soluções momentâneas; Teoria de Casualidade em que o pensamento, aliado a outros sentidos, mudam os factos perceptíveis.

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Teremos então de reconhecer que nossas concepções da realidade jamais apresentam outra coisa a não ser as soluções momentâneas - as do agora. Dizer-se assim que tal acontecimento foi “num repente” ou “num ai”. Temos assim nesta percepção dos sentidos uma via especulativa capaz de nos ajudar a compreender o Mundo.

ROXO164.jpg Este tema pode não ser argumento de valor mas, sempre será um limite na utilização de todos os sistemas, acontecimentos prestigiosos ou esporádicos e, que nos levam a que por vezes em reflexão por ressonância; um postulado fundamental que nos liga à natureza do grilo que estridula com guizalhas, um zumbido nunca devidamente estudado.

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Tudo isto tem sido um vasto campo que nem sempre é exposto por via de uma outra lei - “a lei do constrangimento”. Albert Einstein concebeu isto em fórmulas. Eu que já ando enrolado com postulados, aforismos e axiomas chego ao agora com quantas…

roxo127.jpg Pois! -“Quanta duvida”; assim a constatar pelo grilo lá chegarei à cigarra, que tudo indica ter uma ressonância superior. Uma diferente lei que satisfará a necessidade de explicação causal a um físico-matemático contemporâneo…

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Nota: Crónica escrita em Miai a 09.04.2018

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2018
CAZUMBI . XXXIX

MIAI – CORURIPE DO BRASIL 

COMO SINTO O MUNDO - III … 30.04.2018

- Afinal os bispos, tal como as sardinhas, também se comem…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

A alegria é um medicamento para ser usado e exercitado como algo divino para matar a tristeza. Permanecendo eu na terra aonde os índios Caetés comeram o bispo Sardinha, é algo para recordar sem lagrimar esses salpicos nefastos da história. Venho pescar arabaianas na terra aonde este bispo e mais de oitenta marinheiros tugas naufragaram suas naus em uns recifes traiçoeiros.

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Posso agora dizer que manter esta tristeza, será como alimentar uma lagoa de lama que salpica e suja aos que de nós se aproximam porque eles, nada sabem disto; dum antigo laudémio pago à Santa Sé. Será um estado enfermiço sem um perfeito remédio nem um adequado raciocínio para se dizer não aceitar nada sem se poder entender.

miai0.jpg  Caricatura em arquivo no vaticanofeita por seus colegas bispos - O bispo e cerca de mais 90 tripulantes teriam conseguido chegar à costa, mas, ao serem capturados pelos índios caetés, (perto da foz do Rio  São Francisco, de linhagem próxima aos tupinambás foram devorados em um banquete antropofágico. Apenas três tripulantes teriam conseguido fugir e relataram o que aconteceu....

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Assim e, aplicando os princípios da fraternidade, relembro meus últimos pensamentos de aforismos - “Seria cómico se não fosse trágico”. Recordando que é feliz quem atravessa a vida prestativa sem medo estranho à agressividade e ao ressentimento; assim, da mesma forma que uma floresta não se pode expandir se apenas contiver trepadeiras.

miai6.jpg  As leis gerais da natureza ambicionam ser validas para todos os factos dela. E, é graças a estas leis, com todos os fenómenos, que poderemos encontrar a teoria da vida que diz: “A vida é breve, a velhice é longa”. E, se este processo de dedução não superar essa capacidade, então “O tempo não durará o bastante para aqueles que não sabem aproveitá-lo”.

miai01.jpg A alegria é o estado de alma, a suprema tarefa do físico e da mente em procurar as leis elementares a partir das quais e por pura dedução, se adquire a imagem do Mundo.

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E, nenhum caminho lógico leva a tais leis elementares alegradas a partir dum facto; a da morte dum Bispo que se chamava Sardinha! A nostalgia da visão persiste em nosso espírito sem se deixar atraso por objectivos mais lucrativos e mais fáceis de serem tingidos. Logo hoje que com tripa de galinha, quero apanhar arabaianas!

miai4.jpg A perseverança diária não se constrói sobre uma intenção ou um programa, mas sim numa necessidade imediata de pescar sem isco de sardinha, arabaianas em terras de Caetés… Quase sem me dar conta, a pesca passou dum aforismo a um axioma, constituindo-se duma simples verdade em uma nova demonstração: Os bispos também se comem…

Nota: Crónica escrita em Miai a 08.04.2018

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:58
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Domingo, 29 de Abril de 2018
MOKANDA DO BRASIL . IX

ANDO ENKAFIFADO - 29.04.2018

- Os órfãos da FARC – Forças Armadas Colombianas andam por aí…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Por via da revista Veja fiquei a saber que cerca de 1000 ex-membros das FARC seguem cuidando do negócio bilionário da organização na produção de drogas, não obstante no ano de 2016, terem celebrado o fim de uma das mais longas guerrilhas dos tempos modernos. Os seus mais de 7000 combatentes depuseram as armas entregando seu arsenal. Conseguiram amnistia entrando supostamente para a legalidade, só que aqueles alguns mantiveram o controlo do negócio.

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Com uma receita de 34 biliões de reais, algo como oito biliões de Euros controlam o tráfico na permissiva fronteira entre o Brasil e a Bolívia, Peru, Equador e Venezuela. É em verdade uma extensão de fronteira demasiado grande para ser vigiada com rigor. Ela entra por terra, por rios e pela floresta do grande amazonas e pantanal.

amazonas.jpg Esta gente do crime usa o fuzil AKM, uma actualização da AK47 e também as FAL tiradas do uso pelo exército venezuelano; suspeita-se que o regime chavista as tenha fornecido aos guerrilheiros e que posteriormente estes as contrabandearam para os grupos de jagunços ditos de “freelancers” para prestarem serviços em quadrilhas locais e ao serviço de gente do mando. Os “coronéis” ainda não acabaram!

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Em Janeiro de 2017 as página dos jornais só falavam sobre a execução de 56 homens no interior do Complexo penitenciário Anísio Jobim em Manaus. Os criminosos dum bando fizeram questão de filmar e difundir pelo WhatsApp as cenas de selvageria vitimando seus supostos rivais. Eles fazem uso de telemóveis dentro da prisão e as autoridades prisionais recuaram no bloqueio destes por via de ameaças; não é segredo, a televisão assim o disse recentemente, para espanto meu!

amazonas7.jpg Uma autoridade que foi ao local da cena na prisão, descreveu o que encontrou: Piso recoberto de sangue, cabeças decepadas a eito, vísceras expostas e até um coração que fora arrancado a uma das vítimas e jogado para um corredor. No tráfico da cocaína, estas práticas de expor troféus servem para demonstrar sua crueldade ao adversário. Em 2016 foram registados mais de 61000 assassinatos no Brasil.

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Crimes de acerto de contas ou vítimas colaterais movidas pelas organizações movidas pela cocaína. Isto sucede em todos os estados, nas grandes cidades formando até milícias mesmo ao lado de quarteis!  Na Floresta Amazónica 90 % ds mortes têm vinculo com o tráfico.

amazonas6.jpg As mortes por rixas, pistolagem, questões de terras e brigas de garimpo, mudaram seu padrão, dando lugar aos crimes de tráfico. Em 2017 os satélite do Sistema de  de Protecção da Amazónia (Sipam), detectaram no lado da fronteira com o Peru uma ára desmatada de 9000 hectares, algo como 20000 campos de futebol. Isto, dá em um potencial na feitura de 270 toneladas de cocaína por ano.

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Os rios da bacia do Amazonas são os preferidos na expansão do produto. Temos os rios Madeira, o Branco, o Solimões, Rio Negro, Rio Urani e outros formando uma rede de difícil penetração e controlo. A sul teremos os Rios Paraguai e Paraná que proporciona o transvase do grande Pantanal.  

amazonas2.jpg O estado brasileiro, na intenção de colonizar lugares distantes, levou muita gente para lugares remotos que agora ficam nas mãos de bandidos disse um director do Departamento de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Amazonas. Podemos ver entre os matutos descendentes de África desde a Guiné passando por Angola até à costa do Índico e, que através dos tempos ali chegaram e assentaram raízes em sanzalas ou quilombos; os chamados quilombolas…

amazonas3.jpg Sendo o Brasil a terceira potência carcereira do Mundo não é de estranhar o medo a guardar a vinha quando não tem jagunços por perto. Percorri o Pantanal pela Transpantaneira até à Bolívia, subi e desci o Amazonas, dormindo e comendo a bordo dum barco entre Manaus e Belém do Pará e, posso afirmar que fazer segurança num país aonde cabe toda a Europa, grande pracaraças, não é pera-doce.  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:52
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2018
MUXIMA . LXX

UMA ANTIGA MUKANDA

Ando desmilinguido nas falas – 27.04.2018

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Subjugado à nobreza do acaso processei um mar de sensações, novas amizades. Adão, lá no paraíso, comeu a maçã da árvore da tentação; Eva deu-lhe a maçã, o fruto proibido do jardim celestial e, desse pecado original, ficou-lhe um caroço no pescoço que o distingue da mulher na sua anatómica forma. Até hoje ninguém sabe ao certo se era branco ou preto. A Eva sai maltratada coitada! Dizem que foi o assédio de Adão que transtornou o Mundo…

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Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; o ontem fica cada vez mais distante e, o que então era proibido, hoje já o não é mais. Agora temos o FB - É a evolução! Hoje mesmo, bem cedo, disse que a partir de agora não sou mais branco! Branco é a cal do muro da frente! Andam com coisas e leis enviesadas de que chamar preto é ofensivo. Ai é!? E, branco não?

himba1.jpeg Inventaram que o preto agora e, para não ofender vai ser de Afrobrasileiro, Afroportuguês, Afrocantonês; tudo por causa do preconceito. Pois então quero que se refiram a mim e meus filhos como aqueles afrobrancos! Não somos nenhum monte de cal! Quero os meus direitos, talqualmente! Andam para aí a inventar coisas de negatividade porque negro é um monte de carvão e edecéteras muito estapafúrdios. Que nas escolas vão ficar reservados xis lugares para afros e, porque, coisa e tal… Será melhor então no mínimo chamarem-me de euroafricano.

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Sem amigos, é um céu sem andorinhas. Estes governantes andam a chamar nomes ao Adão! Mas, vamos ao que interessa; convosco, exploro os recantos da amizade para fazer da vida um espectáculo. Querendo extrair alegria das pequenas coisas da vida, recusei várias armadilhas duma efémera fama. Fugindo sempre dessa escravidão, mantive a auto estima elevada recusando ser um modelo doentio de snobe imagem dum reflexo petulante.

colo1.jpg Em criança sofria pela timidez exacerbada que tinha; levou muitos anos a sair dessa claustrofobia dizendo a mim mesmo que o pior inimigo que tinha, era eu próprio! Deveria gerir os meus pensamentos de forma a não ter medos mas, nada disso acontecia até conhecer as agruras de se ser emigrante. Falando portunhol e coisas caricatas como gestos os dias correram. Podem imaginar-me fazendo caretas com a língua de fora a espetar dois dedos como cornichos e dizer muuhmuuuhm para pedir um bife de vaca lá nos esteites (EUA).

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No decorrer dos anos, fui dominando a timidez, rindo dos meus anseios e outros absurdos obstáculos, aprendendo sempre coisas novas com uma curiosidade libertadora. O saber não ocupa lugar e, adquirindo isso, soltava a depressiva visão de mim próprio encorajando-me: Tu não és besta! Isto muitas vezes repetido foi ficando verdadeiro…

mutopa2.jpg Que ninguém tenha a veleidade de pensar que pode controlar o ciclo da vida, e muito menos sair vencedor das batalhas que com ela temos desde que somos trazidos ao mundo. Podemos sim, ganhar algumas delas, mas a guerra final, essa sempre a perdemos na hora em que nos finalizamos! Aprendi isto com Canhoto, um tipo a viver no Algarve assim a dar pró anarquista e ateu até ás raízes mais profundas da sua coexistência.

paiva5.jpg Lutar sempre contra qualquer medo, contrariando-o, adquiri tranquilidade no meu registo de memória e emoções. Convosco tenho compartilhado o passado que não se desvia do meu caminho, os sonhos e metas duma simples vida. Rejeito a teoria do esquecimento! Aliás já nem acredito em teorias! Uns querem que seja santo, outros que me faça escritor e outros ainda andam a tapear-me com palavras do um de maio… Encarquilhado num feitiço louco, aproprio-me do vento num qualquer arraial para viver a Kizomba! Estamosjunto!

O Soba T´chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:52
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Terça-feira, 24 de Abril de 2018
MALAMBAS . CCII

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - KIMBERLEY –  4ª de V Partes

- XOXOLOSA TREM .  EM CAPE TOWN – 24.04.2018A Montanha Table Mountain manteve-se tapada com nuvens dos dias, depois destapou…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estamos a 24 de Abril de 2018; Continuando a passar a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo do Xoxolosa Trem irei desde Maceió no Nordeste brasileiro até Cape Town uma das cidades mais lindas do Mundo mas, sempre a seguir ao Rio de Janeiro. De forma sucinta direi o quanto fiquei preocupado com o Senhor Seca que com seus 87 anos conduz um Toyota Corola de quase 2000 de cilindrada.

IMG_20170829_143846.jpg Nossa bagagem teve de ir no banco de trás porque simplesmente o Sr. Seca se esqueceu de onde ficava a tal patilha de abrir a coisa. Dias mais tarde achamos a tal patilha quando tivemos de meter gasolina, pois ela ali estava mesmo ao lado do sinal com um depósito; uma mala enorme! Lara, minha neta andava espantada com este desassossego. Derivado a isto, fui dizendo que o Sr. Seca não estava em condições nem de conduzir um cangulo.

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E lá fui eu agarrando o espelho lateral com a mão esquerda enquanto com a direita e do lado de dentro firmava uns improvisados fios de computador que seguravam este. Uma engenharia de ponta de arranhar o cerebelo dum qualquer piloto de fórmula-um. Já em casa no Iaton Road, falando com sua esposa Dona Eliane esta, disse tê-lo debaixo de olho a todo instante. Verifiquei que assim não era, porque ele, viaja pela cidade sozinho. Ele vai bem longe buscar o Século de Johannesburg em português pois que, é ele o distribuidor dali…

IMG_20170901_103102.jpg A casa fica bem enquadrada a meio da Iaton Road e, embora se note estar um pouco deteriorada, mantem seu estilo vitoriano em cor rosa. Dias 29 e 30 de Agosto de 2017, terça e quarta feiras, choveu pela manhã e a Montanha Table Mountain manteve-se tapada com nuvens todo o tempo. Isto pode ser visto a partir do quintal da casa da Dona Elaine e Amadeu Seca.

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Aqui e no quintal da casa do ex-presidente da Academia do Bacalhau de Cape Town posso ver junto ao passadiço da garagem um pessegueiro com lindas flores rosa e uma ameixeira com flores brancas; são os indicadores da primavera no estremo de áfrica. Há um terraço com dois socalcos, tendo o inferior uma piscina que por via do inverno, embora cheia de água, está sem indicação de uso, por assim dizer, desactivada. Entre esta e a rua há um caramanchão de nobre estilo e de onde despontam flores na forma de cachos; são bonitas glicínias.

IMG_20170830_155338.jpg Bem na frente ampla, vidrado do alçado, um anexo que dá para a piscina, fica a sala do barbecue - brai ou churrasqueira. Recordo, termos aqui comido em 1997 uma garoupa no forno em companhia da filha do Sr. Seca e a nossa vizinha do M´Puto - Algarve, a Tilinha com Marco e Ricardo, meus flhos. Estivemos aqui uma segunda vez, eu e Bibi (Ibib) no ano de 1999 mas eles, Dona Elaine e Sr. Amadeu Seca nem se recordam.

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Nesse então, muita gente vinda de Angola ou Moçambique e também de Portugal tinham aqui um pouso lusitano, mas agora pelo factor da crise, da escassez de dólares entre outras dificuldades, a coisa está mais preta! Estamos a 31 de Agosto. Fomos buscar os bilhetes de avião de regresso a Johannesburg e, de novo fiquei preocupado porque logo ao sair da rua Iaton Road, o Sr. Seca, meteu-se por uma travessa que não tinha saída. Uf!

cabo1.jpg Fomos até um beco a dar com um colégio de missionários, lugar que ele deveria conhecer bem, pois que vivia ali à uns bons cinquenta anos. Preocupante!… Estamos a 31 e a quatro dias para andarmos pelas rotas do Cityrama, a rede de ónibus City Tur  que nestes próximos dias 1 e 2 de Setembro - assim haja boas condições, nos levará a vários destinos, começando sempre pela Table Mountain.

cacto xoba1.jpg Ontem passamos o dia na Waterfront, lugar bem aprazível aonde o tempo passa rápido ouvindo-se música, vendo gaivotas e focas a espreguiçar-se ali por perto ou comprando lembranças no grande shopping. Tiramos fotos nos vários canais com suas marinas, dois níveis de água manobráveis por comportas e plantas exóticas a contornar hotéis, casinos e figuras do jet-set; gente de todo o Mundo. Por hoje e, depois de passar a ponte móvel, fico aqui sentado a olhar o relógio vitoriano… Também fico atento ao canhão que todos os dias dá uma salva de um só tiro a dar ao meio dia… E, depois almoçar por aí…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:19
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2018
MULUNGU . LXI

TEMPOS CUSPILHADAS – 24.04.2018

Palavrório no Wi.Fi – 2ª Parte - conflito de gerações e as Take News

Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco em língua Xhossa

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Por aqui ando esticando os ossos, construindo a cada passo uma estória ao meu modo; um mussendo, um missosso entre ave Marias encavalitadas de prefácios que se baralham e que logologo se esquecem; ainda não eram sete horas da manhã quando iniciei a marcha do dia por duas horas na linda marginal de Maceió. Reparei que pela muita chuva caída nas duas últimas noites, a praia estava muito cheia de sargaços e, andando pude reparar em senhoras que enquanto caminhavam, iam rezando o terço.

araujo10.jpg Ao invés disso, eu fazia rodar dois pequenos cocos verdes, um em cada mão e, lá teria de me entreter no tempo esperando estar a praia mais propícia a nela poder fazer minha hidroginástica. Andando pude rever o termo de palavrório no Facebook e, o que deste resultou falar dos conflitos de Take News no Mundo com as consequências ou sequelas óbvias no nosso curso de vida.

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Não tivesse sido Assunção Roxo a lembrar este termo de PALAVRÓRIO no Facebook e, passaria despercebido sem o sequente desenvolvimento nos muitos e desconexos discursos ou sem nexo, conversa de deitar fora. Pois é a ela que agradeço ao me ter lembrado esse termo e, rebuscar daí os conflitos e alterações que fazem por coisa pouca, mudar o Mundo.

amigo1.jpg Por isso, ter referido a eleição de Trump nos USA, as implicações no Brexit em Inglaterra e as interferências nas eleições de tantos países como a de Aécio Neves no Brasil. Não dei resposta às desculpas que tece no Facebook por eventualmente ter referido este termo com aspas em qualquer lado e, para exprimir seu desagrado a algo escrito por mim. Nesta normalidade nem posso relevar suas desculpas porque não as há. Tenho sim de agradecer!

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E, é tão curioso ler as palavras de socorro tão enlevadas de solidaria amizade vindas de um outro continente na pessoa de Matias, soldando assim na perfeição a fraternidade que deve coexistir entre nós. Um triângulo perfeito tendo nos cantos a América, a Europa e a África. O Mundo é mesmo uma ervilha! Esta “Não estória” culmina desta forma tão bela que me apraz registar que para álem da crença temos a fé e fraternidade… Aqui não cabem desculpas mas sim agradecimentos! Obrigado a ambos!

bruno27.jpg Um tema a desenvolver, a crença. Uma ideia ou convicção que alguém aceita como verdadeira, como “passar por debaixo de escada - dá azar”. Creio assim que o mais importante é um argumento, não se tornar nem numa luta, nem em um debate ou desacordo entre as pessoas mas, uma busca constante pela verdade.

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As leis são feitas, tanto quanto se saiba, para melhorar a vida das pessoas. Sendo assim, que sentido poderá ter uma lei que piore a nossa existência. Nosso lema é aceitar o princípio pelo qual uma lei só fica de pé se fizer nexo. Nada disto é desgarrado da fraternidade que temos o dever de curtir, de praticar.

REPU5.jpg No entanto e, como diz Matias (e, foi um cego que lhe disse): não temos outro Evangelho a anunciar que não seja a cruz de Cristo e qualquer desvio que façamos deste Evangelho perde-se o poder ou virtude que só Ele nos pode dar. Ando buscando! O desencanto do Cristianismo é porque não está baseado em sabedoria humana e por esta razão, o homem, aquele que não crê na obra Redentora do Cristo, não pode aceitar porque lhe parece loucura. 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:43
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Domingo, 22 de Abril de 2018
MULUNGU . LX

TEMPOS CUSPILHADAS – 22.04.2018

Palavrório no Wi.Fi - conflito de gerações e os Take  News

Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco em língua Xhossa

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Pelo que sei há 1,4 bilhões de pessoas que recorrem ao Facebook diariamente. Esta enormidade de gente cede informações pessoais em troca de serviço gratuito. É a regra do jogo, engrossar o caldo de sabedoria ou conhecimento na forma de textos bem ordenados ou, reunindo palavras desconexas, discurso sem nexo ou conversa de deitar fora como recentemente afirmou uma amiga chamando de PALAVRÓRIO a algumas das minhas publicações.

cinzas10.jpg De maneira alguma altera meu conceito quanto ao continuar com meu linguajar na forma de palavrório porque simplesmente, não pretendo beliscar a força da palavra em proveito próprio, embora julgue ser despropositado ou desproporcionado.

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Entro assim num capitulo de conflitos que a todos toca por via do desconhecimento ou protagonismo afectando as regras do jogo de privacidade ou liberdade no Facebook. É por esta via, encavalitando palavras, conceitos, aprovações ou reprovações, que surge a gestão de um mercado que atinge os 485 bilhões de dólares.

cauny0.jpg Tal como o Big Brother na sociedade televisiva, nós no Facebook fazemos a festa de forma desinteressada focando assuntos mal ou bem sustentados. Sabemos hoje que por via do Facebook ou do Twitter surgirem falsas ideias – as Take News que influíram as eleições presidenciais nos E. U. A. com a eleição de Trump, da viragem da opinião a favor do Brexit.

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Brexit que originou a saída de Inglaterra da União Europeia e, até seu uso na eleição de Aécio Neves na campanha turbinada para presidente da República Brasileira.  A “fábrica de robôs” espalhadas pelo Mundo ajudou a disseminar a propaganda de Aécio na Internet no ano de 2014. Pude ler na conceituada revista Veja terem sido detectadas 700 falsos perfis, uns chamados de “bots” usando nomes bem brasileiros.

avillez00.jpg E, há indícios que levam em crer que essas contas eram controladas por usuários da Rússia e do Leste Europeu; empresas contratadas, para prestar serviço a agências e empresas brasileiras. Onde quer que seja, lá teremos de ficar atentos a tanto “palavrório”. Com ou sem ressonância em outras pessoas, dificilmente saberemos dizer onde o nosso entendimento termina e começa o de outros…

O Soba T´Chingange              



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:33
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLI

ANGOLA DA LUUA XLI - TEMPOS PARA ESQUECER – 20.04.2018

- O Ataque a Luanda só seria desferido na alvorada do dia seguinte, 10 de Novembro, dia em que as FAP sairiam de Luanda…

Por

soba15.jpg T´Chingange

A situação de descontrole por toda a Angola a partir da ponte aérea de LuuaLix, desencadeou uma sequência de acontecimentos que não corresponderam a um processo de descolonização, mas sobretudo, na apropriação gradual de prerrogativas do estado por parte dos movimentos independentistas, destacando-se o MPLA. Em nome da defesa das comunidades, usaram e abusaram de violência. A partir de Agosto, os acontecimentos ditaram na prática o fim do Governo de Transição e do Acordo de Alvor.

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Até ao dia 9 de Setembro, o MPLA reconstituiu o governo, colocando os seus representantes em cargos anteriormente ocupados por elementos designados pela UNITA e pela FNLA. Uma informação da CIA registou que responsáveis do MPLA tinham colocado «grande empenho em criar a impressão de que a sua organização seria o único grupo de libertação capaz de coordenar um governo angolano independente». Os Americanos estavam à coca! Deles sairia o último suspiro…

guerri6.jpg Assim, cada vez que a tropa portuguesa abandona determinada cidade ou posição, a população branca igualmente abandona essa cidade ou posição. A população negra, não afectada ao movimento que controla a zona em questão, acompanha as tropas portuguesas no momento da retirada. Em Outubro, a invasão em grande escala da África do Sul alterou profundamente os contornos do conflito. Uma unidade da UNITA comandada por um major sulafricano e assessorada por consultores sul-africanos conteve o avanço do MPLA sobre o Huambo a partir de Benguela.

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A pedido da UNITA seguiuse a entrada em Angola da coluna Zulu da SADF, a 14 de Outubro, que expulsou as forças do MPLA estacionadas ao longo da faixa costeira até Novo Redondo (Sumbe), a norte do território. As Forças Especiais cubanas travaram o avanço das tropas sulafricanas fazendo explodir a ponte do rio Queve. Entretanto, o exército da FNLA, que marchava em direcção a Luanda, vindo do Norte, foi destroçado por mísseis cubanos.

gurra10.jpg Agostinho Neto, presidente do MPLA, proclamou a independência da República Popular de Angola, em Luanda, enquanto, no Huambo, Savimbi anunciava a criação da República Democrática de Angola. A iniciativa militar passou, então, a pertencer ao MPLA, levando à retirada da SADF de Angola, entre Janeiro e Março de 1976, e à fuga da UNITA das cidades do interior do país, no início de Fevereiro.”

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Recorde-se que no meio de tantos desencontros ainda havia esperança e soldados que não abandonavam gente que se queria manter no território. Assim, o ex-tenente Fernando Paulo e alguns dos seus homens já na condição de refractários, protegem um grupo de refugiados no Chitado aonde criaram uma zona de segurança. Era a frente para a fuga ao invés da fuga práfrente, algo não estudado a fim de se efectuar o abandono, tácticas nunca vista nos anais da lusofonia.

guerra23.jpg O MPLA era o movimento da burguesia luandina; aparentemente mais evoluído e com mais quadros abalizados, supostamente teriam mais capacidade para governar; seus sombrios e divididos intelectuais alinharam à partida mais na linha da esquerda só que, seu comportamento no terreno era adulterado por radicalização pela força revolucionária do MFA – os mesmos que deveriam garantir-nos segurança.

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Aqueles generais de aviário de fraca experiência eram manobrados por Rosa Coutinho, verdadeiro dono daquilo, cedendo tudo ao MPLA e dificultando os demais. Rápidamente o MPLA inventou a maka e o Poder Popular zombando até dos revolucionários tugas que tudo lhe davam. Eles inventaram o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito…Tudo parecia ser um jogo de guerra aonde a morte era só de brincadeira…

guerri4.jpg Luanda tornava-se uma imensa lixeira fétida com o calor e humidade acelerando a decomposição de detritos, gente e animais mortos. Uma cena apocalíptica que agora tentam repintar com cores de arco-íris. Entretanto os Cubanos iam chegando pela calada com conhecimento e consentimento dos governantes do M´Puto. Calcula-se que só nos últimos dias de Setembro tenham entrado aproximadamente 3500 cubanos. No dia cinco de Novembro de 1975, quatro grupos de comandos ao serviço do ELNA colocaram-se no Morro da Cal.

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A infantaria surgiu a seguir descendo para os baixios da lagoa. O comando estava ao cuidado de um general zairense em substituição de Gilberto Santos e Castro do qual lhe foi retirado o comando dias antes e, enviado para N´Dalatando (Cidade de Salazar). Gilberto Santos e Castro era um antigo oficial do exercito português e irmão de um ex-Governador de Angola. Flagelados pelos misseis cubanos, as baixas do ELNA foram tão significativas que optaram por se retirar dali.

guerra22.jpg Na madrugada do dia 9 de Novembro, dois dias antes do dia aprazado para a proclamação-entrega do território, chegou uma guarnição de 20 africâneres vindos do Ambriz. Com eles traziam os obuses de tiro de longo alcance e 1200 granadas. O Ataque a Luanda só seria desferido na alvorada do dia seguinte, 10 de Novembro, dia em que as FAP sairiam de Luanda. Cento e quarenta sul-africanos em silêncio, posicionaram-se ao lado das peças, bem antes da hora de fogo que estava prevista ser pelas cinco horas ao alvorecer do dia.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:44
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Domingo, 15 de Abril de 2018
CAZUMBI . XXXVII

MIAI –BRASL : COMO SINTO O MUNDO - I  -12.04.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Relembrando o livro de “Como vejo o Mundo” da autoria de Albert Einstein também me revejo nos limites da minha existência sem ignorar o pressentimento de que estou nesta terra convicto de que, como eu, haverá milhões de seres! Recordando uma máxima de Schopenhawer, também direi que o homem pode, é certo, fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.

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Hoje diante do espectáculo d impunidades, a justiça deixa-me apreensivo, taciturno e mal-humorado. No tempo aprende-se a tolerar muito daquilo que nos faz sofrer melhorando por aí meu sentimento de responsabilidade. Pois é… A humanidade cada vez mais se apaixona por devaneios irrisórios, futilidades sem ideal entretenimentos absurdos com indevida apropriação de glória, de luxo, riqueza ou até desvio em sua condição natural de vida.

ROXO164.jpg Integro-me sob protesto e muita dificuldade aos desmandos governamentais, na falta de ética e justiça justa. Também meu coração diante de tantas anomalias, experimento um quase descomprometimento com a sociedade por via deste, laços de estranheza; coisas que se agravam a contragosto com o distanciamento da idade.

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Por vias travessas e atravessadas, não me sinto ligado ao Estado, ao “orgulho gay”, nem tampouco à pátria; coisas que se me apegaram á lucidez sem resguardar fronteiras, embora convicto que não é este o perfeito ideal. Serei assim cidadão do Mundo! Sei o quanto necessito de comunicar em harmonia com outras gentes e, mesmo havendo uma ou outra clareira de desilusão sei o que não sou: “comunista”. Quem não gostar, passe de lado…

ROXO163.jpg Perco deste jeito minha inocência ou ingenuidade, formulando-me em novas opiniões, minha dependência. E, porque testei o homem e a sociedade, nem sempre firmo uma opinião ou um julgamento fazendo disto um hábito inconsistente. E, tudo, porque as massas, o grande público, as gentes do bairro, do prédio, cidade ou país, continuam arrastados por uma dança de insalubre imbecilidade ou embrutecimento.

Roxo155.jpg Um Big Brother – meu irmão! Se alguém não pode ou não quer experimentar esta sensação, não pode mais experimentar o espanto ou surpresa. Ou eu brinco com o acaso ou será ele a brincar comigo…

Ilustrações: Pintura digitar de Assunção Roxo

(Continua…)

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:11
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Quinta-feira, 29 de Março de 2018
MUGIMBO . CVIII

CICATRIZES DO TEMPO – 29.03.2018

-Mujimbos com borututu ou o interstício das falas… O drama da vida é a perspectiva mais comum da consciência – O sentido das palavras

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brsaileiro

É necessário ter em conta os costumes e o carácter dos povos que influem sobre as línguas. O sentido verdadeiro de certas palavras escapar-se-á sem este conhecimento. De uma língua a outra, a mesma palavra tem mais ou menos energia, pode ser uma blasfémia ou uma injúria em uma e, não significar o mesmo em outra e, segundo a ideia que a ela se atribui.

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Na mesma língua e, em países diferentes, certas palavras perdem seu significado alguns anos ou séculos depois. Uma tradução rigorosamente literal, não exprime sempre na perfeição um certo pensamento! É necessário por vezes empregar, não as palavras correspondentes, mas palavras equivalentes ou perífrases.

4 DE JUNHO.jpg Em meus escritos, refiro-me por vezes a vidas periféricas em função dum estado de dependência, a vivências diferenciadas, conceitos entalados pela semântica no uso da palavra. Se não se levar em conta o meio, o tempo e o local na qual se vive ou se viveu, ficar-se-á exposto a equívocos. Uso em meus escritos palavras próprias do local em que a cena se passa e, quando é mais abrangente notar-se-á falas e linguajares com jeitos e trejeitos locais…  

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Posso citar as muitas interpretações do livro maior chamado Bíblia mas, não quero ir por aqui metendo-me voluntariamente numa guerra de palavras canibais. Sabe-se que a língua hebraica não era rica e muitas das suas palavras tinham vários significados. Estou-me a lembrar do termo camelo que naqueles idos tempos se designava a um cabo (fio entrelaçado).

IMG_20170823_133524.jpg Nas fases da criação e em géneses um cabo como hoje conhecemos era feito de pelos de camelo entrelaçados e, daqui chamar-se ao pequeno fio de camelo; conhecer-se a alegoria do buraco da agulha ajuda a entender o que vulgarmente consideramos de ditos: “ É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

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Não posso assim reconhecer-me em mérito ou em plenitude se separar do aconchego da amizade, o entendimento das coisas! Não é esta a minha real afeição. Quando digo em Portugal que “a malta não gosta da bófia”, no Brasil não entenderão; irão pensar que me refiro a um grupo de gente bóia-fria (tarefeiros ou ganhões) que colocam carris ou solipas em um trem.

IMG_20170615_143611.jpg O sentido vai assim para o brejo, o mesmo dizer-se que vai para o lixo ou para a basura. Estamos em permanente descoberta pois que só agora estão descobrindo que em nosso corpo há um novo órgão: o interstício, um espaço que incha e desincha, um grande órgão celular, sistema de comunicação que actua em órgãos diferentes como uma via de união entre todos os outros órgãos.

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A partir de agora um inchaço será por culpa do interstício. Sem discutir as palavras, é aqui necessário procurar o pensamento que parece ser este com mais evidência: “ Os interesses da vida futura sobrepõem-se a todos os interesses e todas as considerações humanas”.

IMG_20170823_134917.jpg A mente e o corpo humano continuam a surpreender-nos. O interstício já tinha sido definido como o “terceiro espaço”, mas nunca o tinham considerado um órgão. Cientistas, em pleno século XXI, propõem agora que o interstício, formado por um espaço com fluido em circulação, se torne um órgão do corpo humano. Eles, revelam-nos que temos um órgão que nunca tinha sido considerado como tal.

roxo168.jpgDe Assunção Roxo 

Chama-se interstício, é formado por um espaço com fluido e está nos tecidos conjuntivos por baixo da superfície da pele, reveste o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário e rodeia as artérias, as veias ou a membrana entre os músculos – tudo numa única estrutura. Pela primeira vez, os cientistas descrevem este órgão e consideram-no um dos maiores do corpo humano.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Sábado, 24 de Março de 2018
ROXOMANIA . III

Mussendo - Um óbito no Huambo

Por

soba0.jpegT´Chingange - No Nordest brasileiro

Uma homenagem aos meus auxiliares em campo da Câmara Municipal da Caála: - Pumuma, Jamba, Otaca, kumuna, Botomona, Francisco e Zacarias. A ferrugem do tempo calcinou projectos ali ao lado da pedra do sargento Canas a caminho do Quipeio, a ilha dos amores. O presidente Casimiro Gouveia nunca soube que era o Caluviáviri.

ÁFRICA17.jpg Jaka kapiango num mês bolorento, muita chuva, pouco dinheiro, maka na família, dívidas sem pagar no senhor Zeca gweta da loja do kimbo lá na Vila Flôr. Teve de dar nome na administração aonde devia impostos; quinze dias depois, seguia de contrato para a roça em Samtomé no vapor “Mouzinho”.

ÁFRICA11.jpg Na vida dele toda negra, só engordoreceu vontade de fazer seu sonho pois, só ajuntou no insuficiente para comprar uma junta de bois. Nem quase só, nenhuma coisa mesmo, nada ki kima n´go

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Foi no Longonjo trabalhar terreno bom no plantio de milho mas, a velhice chegou antes do tempo certo. Ele, só desconseguia viver melhor do que queria; sempre escorria sua fraca sombra fazendo encontro com o sonho que tinha andado dormido no seu coração.

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O tempo foi comendo lembranças da roça lá no Samtomé que, de muita sorte voltou no seu kimbo, suas botas, sua lavra, sua primeira, segunda e terceira mulher.

ÁFRICA18.jpg Num dia mais tarde, Jaka Capiango foi ficar só envelhecido de seco, castigos e fomes. Seu nome ficou de sucesso no livro de contratados no angariador da administração; um exemplo de sucesso apontado na palavra do senhor governador de distrito na Nova Lisboa.

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Jaka morreu contraminado sugando cinzas em estória de saudade antiga, sua dicunji dos mares verdes de Samtomé; uma vida de nó em três voltas. No Santomé já só juntou mesmo chuva grossa mais mil chuvisquinhos e berros do capataz tuga peidador de bufas importadas do M´Puto.

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Por muitas vezes saiu voando sombra negra de raiva no toque, zunido e uivo dum longo chicote; lentamente ia-se morrendo. Seus kambas kwachas lhe lembraram, boa pessoa, inchados de bolunga doce e t´xiçângua fermentada com paracuca a acompanhar.

áfrica19.jpg Neste entretanto, o choro de lágrimas carpidadas, encarquilhavam mulheres de velhos rostos, simplesmente! Saí só falando calado “ m´bika ia kaputo, caputo ué*”. O Sol de Jaka se apagou entornado de escuridão que lhe torceu por demais seu coração.

* Escravo de branco, também é branco

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:37
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Quinta-feira, 22 de Março de 2018
MOAMBA . XVIII

PENSAMENTOS ESPECULATIVOS - 22.03.2018

Bingo! O mundo está diferente - bem-vindo a uma nova era…

Por

soba0.jpegT´Chingange - No Nordeste brasileiro

Fazendo minha talassoterapia nas águas mornas da Pajuçara em Maceió do Brasil, fui pensando nas muitas coisas que se encavalitam em mim de forma desordenada. Maceió em língua Tupi-Guarani quer dizer lodo, terreno de sedimentos que na forma de lama também se chama de massapé. Em verdade, há milhares de anos este lugar era composto de manguezais, terrenos de aluvião situados entre o mar e a Serra do Mar.

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Seus limites do lado do mar terminam em recifes de corais que se estendem ao longo da costa; é aqui que as ondas se esbatem formando uma lagoa de águas rasas com piscinas naturais e de pouca ondulação. É o sítio ideal para enterrado até o pescoço fazer deambulações enquanto me movo, pedalo ou dou pontapés na água.

menino2.jpg Em compreensão meus pensamento e por agora, fluíram para uma situação de maleável condição e convicção passada no rio Tejo do M´Puto com o actual Presidente da Republica Dr. Marcelo Rebelo de Sousa. Eu explico! Em sua campanha para se tornar presidente do Município de Lisboa, este lançou-se ao rio e, com os focos da imprensa em cima, tentou passar a mensagem de que o rio estava despoluído.

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Ele nadou, fez gaifonas de foca, de marinheiro nadador e sorriu para as câmaras com seu olhar de xicululu. Talvez fosse um acto de fé ao dizer ao povo que aquela era uma água com condições para nela molharmos o toutiço, o esqueleto e a moleirinha mas em verdade poucos o seguiram.

roxo116.jpg Talvez fosse um acto de fé ao dizer ao povo estarem aquelas águas em boas condições de nelas nos banharmos. Provavelmente fez uma pesquisa  a inteirar-se dos lodos enteroparasitas ou talvez tendo areias Monazíticas; estou a especular, mas provavelmente encontraria a presença de fungos e bactérias que proliferam por conta de lixo, sujeira em geral deixada nas margens ou descargas de químicos de fábricas “fiáveis” a montante.

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Pelos vistos, poucos ou nenhuns foram ali molhar seu toutiço, sua moleirinha por inteiro, porque o seguro morreu de velho. Sem esta fé, a convicção do valor pelo seu conhecimento não existiria assim tão coerente e tão indestrutível. Marcelo não ganhou a Câmara de Lisboa e sua fé enveredou para comentador de televisão tornando-se um homem de ciência em face das periclitãncias dos outros, dos fracassos alheios.

araujo90.jpg Ele testava a verdade através de suas próprias experiências, leis do pensamento pretendendo mostrar sua verdade; a fé em que acreditava! O tempo de antena tinha inicia mostrando-o a tirar seu relógio “Rolex” com pulseira niquelada, colocando-o na sua frontalidade. Perseguia o tempo desta forma singela entregando sua energia inteira a experiências objectivas encarando-se numa função social de sábio, pois então!

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Como Professor Universitário Marcelo credenciava seu individualismo na dose suficiente para inspirar confiança ao interlocutor invisível, seu povo! Granjeou simpatia graças ao pensamento lógico, coerente e construtivo e, foi assim que o povo o escolheu como máximo representante da Nação. Eu aqui pedalando numa água distante do Tejo, pergunto-me de qual a meta que deveríamos escolher para nossos esforços na verdade da fé? Uma fé nossa!

rolex0.jpg Creio que o poder politica baseado ou criado sobre estas bases pertencem a ínfimas minorias que governam a vontade, e completamente, uma multidão anónima cada vez mais privada de qualquer reacção. Copiaram? Em realidade o Professor Marcelo, alcançou a ciência concreta em que, o nosso cotidiano, jamais seria mantida viva se este homem de ciência não tivesse aparecido.

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Mas, toda a fé tem sempre um mas, tenho uma grande dúvida ou até, nem entendo do porquê Marcelo R. de Sousa nunca reconheceu valor a quem tirou o país da forca: Passos Coelho! Não entendo esta omissão de alguém que reduziu o índice de endividamento de 13 para 3 por cento! Do homem que mesmo assim, ganhou as eleições.

GALO0.jpg Em um qualquer momento o seu relógio “Rolex” parou! Sua frontalidade ficou molemente a naufragar nas águas translucidas do Tejo. Há coisas em política que não são para entender - Surgem ou demasiado Salgadas ou demasiado insonsas. A não ser que me expliquem tim-tim por tim-tim estes fenómenos de fé cientifica do pensamento.

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As leis da natureza são as mesmas em todos os tempos e em todos os países; as leis humanas mudam segundo os lugares, os tempos o progresso da inteligência. Faz-me falto um “Rolex” assim!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:59
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Quarta-feira, 21 de Março de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXL

ANGOLA DA LUUA XL - TEMPOS PARA ESQUECER – 20.03.2018

- «Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes… »

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Desde o Nordeste brasileiro

Em Kampala, o presidente da OUA, idi Amim, insistia para que a data da independência fosse mantida sendo Portugal a responsabilizar os nacionalistas por um não acordo. O Secretário-geral da UNITA presente à conferência acusou as FAP de não se oporem à entrada de armamento e mercenários a ajudarem o MPLA no Lobito, Sá da Bandeira e Pereira D´Eça. Em Pereira D´Eça o comandante português entregou o aquartelamento a elementos do MPLA tendo-os vestido com camuflados do exército português, uma clara desobediência e afronta por ser esta região afecta à UNITA.

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Este procedimento foi de uma nítida e grosseira degradação moral para as autoridades portuguesas. Manuel Resende Ferreira disse neste então: -Ainda havia esperança e soldados que não nos abandonavam. Referia-se ao Tenente Fernando Paulo e alguns dos seus homens que resolveram desobedecer ao comando para protegerem um grupo de refugiados no Chitado. Para o efeito criaram ali uma zona de segurança.

mocanda13.jpg São estes os heróis esquecidos, soldados de Portugal que abandonam o exército comunista Português para protegerem cidadãos e, lutar contra a anarquia comunista. E, que foi feito do Tenente Fernando Paulo? Pesando nele dei-me conta que era o fim do império colonial. As feras foram largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 do MFA. A Luua eclipsava-se! Tarde piaste! E, agora vamos fazer o quê para o M´Puto?

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As NT - Nossas Tropas já não eram nossas. Davam cunhetes, canhões e até carros de combate numa perfeita cooperação de entreajuda FAP- FAPLA mandando prólixo os acordos de Alvor, da Penina… O MPLA da Luua inventava a maka! Inventava os pioneiros! Depois o Poder Popular! E surgiu o Kaporroto, o kuduro e a victória é certa. Eles já tinham inventado o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito…

mocanda14.jpg As makas organizadas com o objectivo de criar o caos, originar pancadaria e depois a vitimização já tinham características de sofisticada mentira; meter tudo no barulho, pressionar psicologicamente e criar condições de favorecimento por parte dos militares do MFA, as NT, o CCPA – Comissão de Coordenação do Programa do MFA e o Alto-Comissário…Já se fazia tudo às claras.

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Em um encontro de Melo Antunes com Henry Kissinger, aquele responsável português e a pedido do Secretário Americano disse que era difícil de lidar com Neto; que era difícil de o classificar politicamente como um comunista ortodoxo! À coisa dada (Angola) teve a desfaçatez de dizer que a liberdade, não se recebe, arranca-se! Mas que pulha! Com estes laivos de poeta dava dicas torpes de mau agradecimento aos militares revolucionários do M´Puto. Bem feito, cambada! Alguns não gostaram…

mocanda16.jpg Quanto a Holdem Roberto não tinha solida formação política, era um fraco e facilmente corrompido; dependia de Mobutu! Dos três líderes nacionalistas, era Savimbi o mais inteligente, o mais hábil e o mais forte politicamente. Cada qual fazia o que lhe dava na gana com a Kalash na mão. A lei e a ordem, a justiça eram coisas inexistentes ou anedóticas pela pior das negativas… Disto, o Melo Antunes nem falou mas, nós assistíamos martelando caixotes com raiva, rilhando o dente; naquele agora, mais não podíamos fazer.

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A tropa portuguesa continuaria a fazer segurança nos terminais de comunicações marítimas e aéreas de Luanda, aeroporto civil e militar do porto e Ilha do Cabo controlando o eixo Ilha – Fortaleza de S. Miguel, Palácio da Cidade Alta e Quartel-general. Nova Lisboa, a cinco de Outubro de 1975 era uma cidade morta, aonde ficaram somente trinta brancos. Na terceira semana de Outubro a evacuação do Lobito, benguela e Moçâmedes estava concluída. 

mocanda17.jpg Em Luanda a quantidade de deslocados era já muita; superior à capacidade diária de escoamento. O conflito não parecia afectar a produção da Golf Oil Americana que continuava a extrair mais de cem mil barris de petróleo por dia. As obrigações financeiras iam direitinhas para o Banco de Angola com a gestão do MPLA na pessoa de Said Mingas, um antigo colega meu por cinco anos, na Escola Industrial de Luanda.

mocanda21.jpg Nenhum daquele rendimento ia no momento para Portugal. No dia 23 de Outubro a pretexto da invasão Sul-africana e a incursão Zairense, o Estado-maior das FAPLA decreta a mobilização geral de todos os homens entre os 18 e os 35 anos. Este recrutamento abrangia todos os naturais de Angola ou lá radicados. Os estrangeiros teriam de se apresentar nos Postos Policiais para validar e autenticar os documentos a fim de registar sua permanência. Era-lhes dado três dias!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:59
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Domingo, 18 de Março de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 18.03.2018

- Nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado….  Ela, não era negra, não era pobre, não era feminista, não era militante de partidos políticos e, não frequentava os círculos LGBT; Também não era do MST...

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

- O Pastor Cláudio Duarte falou e disse: -“Gisele Palhares Gouveia, 34 anos, cuja profissão era salvar vidas actuando como médica foi assassinada na Linha Vermelha (RJ) com dois tiros na cabeça após uma tentativa frustrada de assalto. Gisele, embora mulher, não era negra, não era pobre, não era feminista, não era militante de partidos políticos, não frequentava os círculos LGBT, não era do MST, CUT ou PSOL, não estava dentro dos programas de assistência e cotas do governo.

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Enfim, não preenchia os requisitos necessários para uma mobilização nacional, tampouco que merecesse a menor atenção dos Direitos Humanos. Ela, como eu e você, não era ninguém!” – Fim de citação - Obs: Este texto é referente ao facto ocorrido em 2016, o que não muda a realidade na actualidade de seu conteúdo. O texto coloca em contraste o que foi propalado nos últimos dias pela morte de Marielle Franco, uma deputada da prefeitura de Rio de Janeiro e activista em defesa dos negros e das minorias sociais.

ardinas branos.jpeg A humanidade perfeita não existe! Assisto hoje a guerras dispersas pelo Mundo e, é a televisão que nos mostra isto a todo o instante. Nem sempre a clareza surge como se pretende parecer e assim surge turva e sub-reptícia matando nossos neurónios activos. A suspeita é lançada como forma de configurar a desconfiança de quem e de onde vem o mal ou a culpa; mas nem tudo o que parece, o é…

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Interrogo-me no porquê dos acontecimentos sucederem duma certa forma; uma arma AK-47 que custa 60.000 reais é usada por marginais nas favelas do Rio ou de São Paulo. O preço desta arma corresponde ao de um bom carro na cotação social brasileira; mas então como é que esta coisa proibida pode ser transportada de forma legal até chegar à favela, se de carro, de avião, de barco, chegar a um lugar que nem porto tem.

brasil2.jpg Como é que as AK-47 e todas as outras armas chegam ali sem serem detectadas numa alfândega de fronteira, pelas polícias de todo o território sejam elas municipais, estaduais ou federais. Alguém a troco de fazer vista grossa, recebendo propina, facilita esta mercadoria até chegar ao destino. Tem forçosamente de haver uma cadeia de mando que vive deste falacioso comportamento!

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Devem ser muitos a querer ganhar e de forma rápida, subir nos escalões sociais sem que para isso preparem o seu lado bom ou honesto, fingindo que o são! Ensinaram-me que os homens de boa vontade devem tentar em seu meio e, tornar a vida humanamente viável considerando ser esta sagrada porque representa o supremo valor a que se ligam todos os demais. 

demo1.jpg Os meios de comunicação sempre dizem ou recomendam o princípio do respeito à vida mas, os exemplos são falsificados!  Aqui, em Portugal, em Angola ou na Cochinchina. A fineza e a graça morrem numa bala perdida, em outros nem tanto porque ela lhes entra na carne, mata e lhes leva o espirito para um além dconhecido. Há uma cadeia de mando! Tem de haver! Se querem manter o espirito, terão de se preocupar com o corpo que é seu involucro… Certo!

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As gerações anteriores a nós, talvez tenham julgado que os progressos intelectuais e sociais apenas representariam uma vida mais fácil e mais bela nos dias de hoje mas, as provocações deste tempo, mostram haver uma ilusão cheia de más consequências. É uma bala perdida dum marginal do Rio ou um veneno sofisticado a lembrar os velhos tempos da guerra fria entre o leste e o oeste. Lembram-se? Recentemente mataram por envenenamento um ex-espião em Londres; os britânicos, porque não tiveram uma explicação, expulsaram mais de vinte diplomatas Russos. Estava na cara! A evidência era só deles. Os Russos sabem matar assim!

Gisele0.jpg De lá da Rússia, retaliaram do mesmo jeito. Assim, Russos e Ingleses perigam as nossas vidas; o filme está a decorrer! Ela, a vida sempre vai estar suspensa por uma bala que entra na frincha errada ou como um veneno de mamba negra e, mais uns pozinhos do cumcamano! O perigo está em cada um de nós; Sem fazer nada, todos esperam que se aja em seu favor. Isto não é comigo! Dirão, diremos… Todos dirão!

adiafa1.jpeg A coexistência pacífica dos homens baseia-se em primeiro lugar na confiança mútua e, só depois nas instituições tais como os tribunais, a justiça, a polícia, a força tarefa ou de bairro assim seja estatal, governamental ou federal. A Ordem e o Progresso escritos na bandeira são para todos; não é a Ordem  para os cidadãos e o Progresso só para os governantes.  Ao Mundo, faltam estadistas!…

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:22
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Segunda-feira, 12 de Março de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXIX

ANGOLA DA LUUA XXXIX - TEMPOS PARA ESQUECER – 12.03.2018

- «Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão agora com a guerra…»

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Pois! Desculpar-se-ão com a guerra. Só que a guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente e incestuosamente ricas…» Os brancos de Angola, no geral, culpam o MPLA com seus grupos de Poder Popular, culpam também os seus irmãos Tugas capitães de aviário e uns tantos civis apanhados na teia do PREC pelos males que atingiram aquele território chamado de Província ultramarina, a actual Angola.

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A fim de desbloquear situações, verbo fácil de fazer milagres, olhos vivaços para resolver problemas fúteis e bizarros, os chamados retornados, entre o desespero e a morte tiveram o condão de tocar a vida prá frente desafiando pormenores de sobrevivência. Alguns detalhes, são demasiado trágicos e outros, muitos, demasiado sofríveis…

zeka9.jpg E, os colonos? Os colonos, uns morreram num ai, repentinamente e sem saber do porquê; porque MPLA e MFA haveriam de manipular os espíritos, carregar nos botões das almas inocentes, com o fígado incompleto tornando candengues em militares de primeira linha. A esta milícia sem estrutura criada por Rosa Coutinho e Agostinho Neto e, que viraram monstros desapiedados, deram-lhe o nome de pioneiros…

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Apesar das NT - nossas Tropas, serem de pouca utilidade para os colonos, muitos dests, tinham e têm afinidades que os prendem ao silêncio sendo benevolentes com a situação do antes, durante e depois do TUNDAMUNGILA – a guerra de tuji que culminou na ponte LuuaLix. Para não me mentir é o que posso analisar derivado da triagem feita entre os silêncios e da benevolência com a situação, agora que são passados já mais de 43 anos de independência. Quando não se calam dizem enormidades versejadas com poesias….enfim!

zeka3.jpg Os soldados de outrora, diferenciaram-se com os cabeludos abrilistas por não verem no terreno o tão propalado pelo MFA, pelos “revolucionários com o Ché na flanela”… ainda bem que subsiste este senão… Estes mais velhos e conscientes militares do M´Puto, ajudaram a consolidar um sentimento de última hora das NT. Algo mudou mas esta hora, chegou demasiado tardia. Tudo porque o MPLA usava uma táctica que não caiu de todo por “bem vista” a alguns militares portugueses. Estes deram-se conta que a cúpula e o Poder Popular do MPLA eram cães sarnosos; não reconheciam seu dono nem sabiam ser camaradas…

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Os Navios Hermenegildo Capelo, N´Gola e Açores, faziam chegar a Luanda deslocados de todo o litoral Sul como Novo Redondo, Lobito, Benguela e Moçâmedes. Para Moçâmedes e, em fins de Setembro uma companhia de Pára-quedistas seguiu para esta cidade a fim de controlar o embargue de bagagem dos refugiados. As FAPLA, só permitiam os embarques com a sua presença obrigando os trabalhadores da estiva a só cumprirem cinco horas por dia.

vasco gonç.0.jpg Faziam o que bem lhes dava nas ganas retirando parte da bagagem que estava dentro das viaturas. O MPLA e pessoal adstrito a este movimento fazia obstrução para ver o que os brancos levavam para o M´Puto. Em Portugal e posteriormente, contactei com gente desta que passaram a pertencer aos Adidos; afinal suas afinidades eram de falsidade. Como lidar com isto!? Isto tem de ser mencionado porque a traição ocorreu no antes, no durante e no depois… Mas, só eu vejo isto! Há por ai gente muito acomodada que ao ler isto ou nada diz ou se sublinha num banal: gosto!

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Pois foi aquela companhia de Pára-quedistas que pós fim a esta situação. Diga-se em verdade que Savimbi prometeu enviar de Nova Lisboa para Luanda todas as bagagens ou pertences dos Adidos ou desalojados; colocou guardas a montar vigilância das mesmas, assegurando que iria evacuar todos os brancos ainda dispersos pelas áreas da UNITA se assim o desejassem.

vasco1.jpg Savimbi declarou ter havido ingenuidade de sua parte em acreditar que todos os Movimentos só receberiam as armas que Portugal lhes desse. A única coisa que pedia a Portugal era a de que Lisboa não legitimasse o MPLA num reconhecimento de declaração unilateral de independência; e frisou bem: mesmo que outros países o fizessem!

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Holden Roberto, confiante que iria tomar Luanda nas vésperas do 11 de Novembro aceitou que a entrega do poder fosse dada ao Movimento que nessa altura estivesse na posse de Luanda. Este bluff era senão demasiado inocente, demasiado estupido! Em verdade, esta espécie de estadista ficou no lodo da estória. No dia cinco de Outubro, o Almirante Leonel Cardoso queixava-se por ainda não ter sido informado.

mouzinho1.jpg E, no caso de todas as diligências para um entendimento com o MPLA, falharem, o que fazer? A quem vamos entregar o poder ao chegar o onze de Novembro se, se mantiver esta situação de impasse? Diria ele numa forma de interrogação… No M´Puto andavam demasiado distraídos; as sedes dos COMUNISTAS, começavam a ser queimadas…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:18
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Sexta-feira, 9 de Março de 2018
XICULULU . CVIII

NAS CINZAS DO TEMPO – 09.03.2018

- Um homem sem religião é como um hipopótamo sem bicicleta… Eu e a Talassoterapia riscando o tempo com uma velha grafonola…

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estava na água ginasticando minha talassoterapia, os peixinhos mordiscando minhas velhas e cascudas peles dos pés, quando recebo uma mensagem telepática oriunda da muito longínqua galáxia de pedra virada, uma estrela super esquecida na nebulosidade cósmica. Era Frank Sinatra que, muito saudoso queria saber novas e velhas, recordando belos momentos passados com a turma da maré rasa na praia de Messejana do M´Puto.

john01.jpg Fiquei assim um pouco destranslucido dos neurónios vendo ziguezagues de minhocas percorrendo meu olho esquerdo. Sem mesmo saber do meu estado, se bem se mal, pergunta-me de rajada se tinha as pranchas de surf preparadas para a faena de tubular ondas gigantes na praia de Messejana.

roxo161.jpg Em sonho já tinha sido avisado que algo iria surgir de anómalo pois que toda a santa noite andei de feira em feira e cumcamano, nas contas todas, sempre tinha de multiplicar com uma constante de pi que corresponde a uma catrefada de números sendo 3,1415926 elevado à raiz quadrada. Era um sério aviso de que rolava no ar uma mensagem percorrendo ano-luz de contratempos ou alegrias porque o dia ainda estava por nascer.

frank1.jpg Era aquele zunir de ouvidos com eco espacial que antecipava ondas da longínqua pedra virada e, logologo do Frank Sinatra. Tens a minha prancha encerada? Quase com medo disse: tenho! Mas em verdade já nem sabia aonde estava tal artefacto de rolar ondas cibernéticas duma praia que só o era digital! Agora lixado, pensei também à velocidade da luz e disse ao calhas que estava por cima da palha do celeiro, mesmo ao lado do lagar de azeite.

roxo43.jpg Mas já estás a caminho? Perguntei! Não, foi a resposta. Respirei fundo já a pensar em ensaboar a coisa que estava na certa cagada e arranhada pelos galináceos da Assunção Cailogo. No meio de raspagens no espaço com fotões carregados de cargas negativas apercebi-me que não estava só. Frank leu nem sei como, minha interrogação e, disse estar acompanhado de nosso comum amigo ET 325 de olhos grande e achinesados.

frank2.jpg Pois disse ter ficado profundamente agradado com aquelas festas quase natalícias que eu promovi lá na Funcheira, Garvão e Barragem de Santa Clara. Das festas com balões na companhia de nossos amigos John Wayne, Jack Palance, Sammy Davis Jr Dean Martin., e o cómico Silva. Fazia anos que não andava em comboio a lenha e vapor e, até recordou a fagulha que inadvertidamente lhe entrou num olho no exacto momento em que apitava.

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Estava animado e deixei-o falar; parecia ter saudades de cantar carências afectivas até. Recordou também o encontro com as meninas da Ribeira do Sado. E, pôs-se a cantar em inglês: "The girls of the Ribeira do Sado are what they are, they dig the earth with their toenails, the girls of Ribeira do Sado are like the sheep, they have ticks behind their ears." (“As meninas da Ribeira do Sado é que é, cavam a terra com as unhas dos pés, as meninas da Ribeira do Sado são como as ovelhas, têm carrapatos atrás das orelhas”). Só me pude rir a bandeiras pregadas para não sair água quente pelas turbulências.

frank3.jpg Que quando viesse pra cá, lá no M´Puto (Ele nem sabia que minha pessoa, estava no Nordeste brasileiro). Mas como ele é bruxo que adivinhe, pois então!  Como dizia queria encontrar-se com os mineiros de Aljustrel para ondear pra lá e pra cá o cante da planície; gostou muito de partilhar com estes seus cantes e também as borgas com escolha de carne das cabeças dos borregos. Do que ele se lembrou! Só faltou recordar as comezainas de caracóis e açordas de poejos da ribeira de Panoias e os secretos de porco preto de Santa Luzia.

roxo 160.jpg Mando daqui uma saudação a Assunção Roxo, à Zita Falcão, ao Zeca Mamoeiro da Maianga e aos meus compadres de Ourique. Como é então!? Sabia lá eu quem eram os compadres dele! Disse-lhe que só lá para o fim do verão do M´Puto poderíamos juntar esta catrefada de gente para gozarmos umas férias à maneira. Sim! De fazer um grande piquenique na praia do Brito Camacho… Estava assim um pouco perplexo pois que nem sabia essas relações de amizade com estes meus amigos Xis-Pê-Tê-Hó.

jack1.jpg Olhando agora o barco grande que desde o horizonte do alto mar leva turistas para Recife de Pernambuco, pensei que talvez fosse melhor sugerir-lhe irmos todos para aí: a Nova Jerusalém de Caruaru e festejarmos a Paixão de Cristo, o maior teatro ao ar livre do Mundo nesta época de páscoa! Mas, nada disse. Só pensei! Julquei melhor por agora deixar as coisas assim mesmo. Em despedida cantou-me o Strangers in the Night por um megafone que riscava o tempo; talvez por estar a muitos anos-luz de mim! Corações ao alto; eram horas de ir comprar o rolo de fita beije à retrosaria da Jatiúca para ornamentar o abajur de dar luzes na minha Pajuçara… Sucede-me cada uma que parece meia dúzia…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:24
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