Quarta-feira, 28 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXX

KIANDA COM ONGWEVA NAS FRINCHAS DO TEMPO - XV de várias partes…

– Crónica 3257 de 16.03.2022 na Pajuçara de Maceió – Republicada a 28.09.2022 em AlGharb do M´Puto

Episódio em Madrid com Jerónimo Pieter e, um tal de Conde de Sant German.

Ongweva é saudade  

Por  soba002.jpg T´Chingange (Ochingandji) – No PortVille da Pajuçara em Alagoas do Brasil e Lagoa do M´Puto

cafu15.jpg  Museu do Prado em Madrid com a kianda Zachaf Pigafetta, o irmão Januário Pieter, mais o Conde de San German. Não fosse o ipad e o andróide e, nos teríamos perdido entre tantos turistas a laurear a pevide, tanta gente sem fazer nada, a consumir o erário para verem pinturas e mais pinturas. Eles tinham compromissos no aquietar de almas desavindas e por isso acho que nem saborearam tanta arte. A todo o momento falavam com estalidos desassossegos com gente de longe, Talvez Orândia, Ovoboland, terra de khoisans Niassaland ou lá no Kwazulu…   

Aproveito por isso falar um pouco do entrelaçado de malambas já faladas entre nós a fim de arrumar os eventos vindouros, do futuro mesmo, para que se compreenda o desfecho da estória-mussendo. Sendo assim, relendo a origem de Saint Germain, sabe-se muito pouco pois ainda hoje é desconhecida, mas o que sabemos é que marcou presença a partir do século XVlll pelas cortes da Europa destacando-se como diplomata em Génova, Paris, Londres, São Petersburgo, Índia, África, China e outros lugares.

silva7.jpg E, logologo tinha de aparecer um cara de pau a fim de me atezanar a estória que até estava tão bem delineada de verosímil, pópilas… Ele, com frequência refere ser filho de um príncipe oriental talqualmente como eu ser Niassalês. O certo é de que sua idade tal como as demais kiandas, sendo indefinidamente falíveis, têm a particularidade de quando necessário tornar-se numa normal figura de gente.

Niassalândia (actual Malawi) foi assim denominada por causa do Lago Niassa de onde originaram Januário e Zachaf Roxo – tinha mesmo de o ser! Um carapau não anda só, tem seu cardume. Em setembro de 1859, o explorador e missionário escocês David Livingstone torna-se supostamente o primeiro europeu a avistar o lago*, o terceiro maior da África. Um dos encontros foi exactamente com o Conde de San German, que por ali se envolvia em actividades missionárias e comerciais britânicas.

silva p2.jpg Na década de 1880, Portugal reivindicou o território em virtude de sua presença na colónia vizinha de Moçambique mas a Grã-Bretanha, uma secular nação amiga da onça, resistindo às reivindicações portuguesas, a 14 de maio de 1891 proclamou um protectorado sobre Niassalândia. E, assim se tornou parte da Federação da Rodésia e Niassalândia em 1953. Após a dissolução da federação, alcançou independência total a 6 de julho de 1964 como a República do Malawi.

Acho que não vou ter tempo de dar meu parecer acerca do Museu do Prado porque esta gente só nas apresentações, perdem-se nos entretantos das suas reminiscências e assim e agora por intermédio destas três kiandas é-me é dado conhecer toda a arte de velhacaria que invadiu o dito mundo moderno através dos arautos da verdade. Vou-vos falar, a estória é toda ela muito mentirosa: Os primos Ingleses e Americanos que continuam a ditar leis aos outros povos, sabendo à partida que é tudo uma utopia ou farsa comem-nos a moleirinha.

silva00.jpg Nós, que estamos vivendo os problemas que nos cercam, podemos dar a importância devida ao que engloba este nosso recente passado para nos rectificarmos ou ponderarmos sobre o nosso futuro. Sabemos bem o que ocorre hoje nestes territórios de uma gestão catastrófica de puros ditadores. Terei de falar, o Prado ficará lá para o fim. A Grande Traição é o título das memórias publicadas em 1997 por Ian Smith, último primeiro-ministro da Rodésia.

Sua obra oferece um interessante panorama da história desta importante parte da África austral e relata minuciosamente como os nossos “amigos” britânicos e Estado-Unidenses não descansaram enquanto não lançaram o calvário naquele pedaço de chão. Fez-se luz! A requerida paz, lei e ordem, factores fundamentais para qualquer evolução autêntica e segura, foram sacrificados em favor da hipocrisia, da irresponsabilidade, da expediência.

cafu32.jpg As nossas três kiandas (Zachaf Pigafetta, Januário Pieter e Conde de San German) andavam por ali fazendo seminários, tentando introduzir nas mentes pensares pacifistas tendo sido logrados em toda a linha. A mais interveniente foi o Conde de San German mas mesmo esta, esfumou-se. Foram as memórias de Iam Smith que interessaram particularmente aos portugueses, euro-africanos genuínos e pioneiros, escandalosamente imolados e esbulhados pela traição doméstica a soldo de uma conspiração internacional - tragédia odiosa que brada aos céus e clama por justiça! Bem! Já estou no item oito e tenho de acabar por hoje…

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Nota* O sertanejo português Silva Porto já era conhecedor do lago Niassa e das Cataratas Vitória do Rio Zambeze pelo que deu posteriores indicações a David Livingstone! O feito de Silva Porto não ficou registado em papel tendo resultado nesta nova convicção de que foi Livingstone o primeiro europeu a lá chegar. Em interpretações posteriores àquele feito e dando resposta a um jornalista que mencionou Silva Porto como tendo sido o primeiro descobridor daquelas topografias, a isto respondeu que nunca dissera ter sido o primeiro homem a ali chegar mas sim que foi o primeiro branco europeu. Foi nítida a sua prosápia no rebaixar Silva Porto, colocando-o como um assimilado de segunda categoria; algo que os anais da história tentam relegar dando alvissaras aos sempre altivos ingleses, as cinco estrelas do Mundo… As novas leituras fazendo justiça à verdade já referem «« David Livingstone foi um missionário e explorador britânico que se tornou famoso por ter sido um dos primeiros europeus a terem explorado o interior da…»»»

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:08
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Terça-feira, 27 de Setembro de 2022
PARACUCA . LIII

MULOLAS DO TEMPO - 24

RECORDANDO: Nós, bazungus em INHAMBANE no hotel ÁFRICA TROPICAL – DE 29 A 31 DE OUTUBRO DE 2018 - Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”

Crónica 325615.03.2022 em PortVille  de MaceióRepublicada em 27.09.2022 na Lagoa do AlGharb

Por  soba40.jpg T´Chingange – No PortVille de Maceió do Brasil e AlGharb do M´Puto

monteiro9.jpg INHAMBANE, terça-feira, 30 de Outubro - No África Tropical de Inhambane, de novo conferenciei com a osga amiga que se passeia no tecto para lá da fechada malha de rede anti mosquito, curiosamente, igualzinha às de Vilanculos ou Chimoio. Meio recostado na cama com falta de ripas, acomodado com almofadas, leio o livro de Eduardo Agualusa e, releio aquele episódio duma mulher ambiciosa e ambicionada: “Ela despiu o corpo como se fosse um vestido, guardando-o num armário e, agora passeia-se pelo mundo com a alma nua”. Ela era uma professora que ensinava ética…

O hotel tem talvez o preço mais acessível da cidade, logo à chegada comi um prego no pão com bastante jindungo como se estivera sentado no Baleizão da antiga Luua. Do restaurante esplanada coberta podia ver-se o jardim interior com árvores grandes pelas quais sobem trepadeiras bem vistosas. O melhor do África Tropical é mesmo seu jardim com uma variedade razoável de plantas chamativas, buganvílias floridas.

Os quartos são bem rústicos; a TV não funciona  e a internet também não; as lâmpadas são de uma decoração pimba; Muito improviso nas coisas quebradas ou beliscadas por falta de manutenção. As tomadas eléctricas são perigosas, meio despedaçadas. No bar restaurante, não há muita escolha mas, pudemos contentar-nos com pregos com ovo a cavalo bem à maneira Tuga do M´Puto…

IMG_20170902_124708.jpg O proprietário, senhor Eduardo era um português ali radicado; podemos falar longamente com o senhor ouvindo suas estórias de quando estava metido na política da M´Putolândia; disse mal dos governantes, de seu partido PSD - o diálogo acabou por se prolongar noite adentro na companhia de uns whiskyes e gim com água tónica bem ao gosto de El Comandante. Era ver qual mais mentia… Deixei-os na penumbra de minhas interjeições desculpando-me com um afazer: que tinha de dar banho às osgas, porque cão, não havia. Em realidade, as osgas eram muitas, sinal de fartura de mosquitos; a rede, já um pouco amarelecida lá nos deu alguma tranquilidade mas, os zumbidos da “aviação do senegal” eram bem audíveis.

No outro dia para espairecer demos uma volta à cidade de traça colonial, um puco esfolada no tempo mas digna de se apreciar nos alçados - arquitectura peculiar da gente Tuga. Fomos só ver a praia do Tofo que fica a cerca de 20 km. No topo da alameda de Inhambane e bem à beira da marginal fixei-me na figura de Samora Machel, uma estátua com o dobro de sua real altura, apontando ao ocidente bem ao jeito de Lenine, talvez com aquela cartilha vermelha de ditar leis que ainda rolam e enrolam como bactérias o cerebelo de muita gente.

Entre tanta coisa vista, pude recordar àquela osga à espera no mukifo o quanto aquela terra era forte e, que tal como aquela mulher professora de ética, também se despiu ficando com a alma nua! Pude ver neste porém a osga a virar-se e assolapar-se no reposteiro a ouvir comodamente minhas falas revirando os olhos em 360 graus: -Sabes Papoila, foi este o nome que lhe dei, que me veio ao pensamento – Ando de terra em terra, por África, revendo sombras do passado e sonhos alheios com formas de bichos de cornos retorcidos mas, há momentos fui até à praça da revolução ou da independência…

tio sam03.jpg Verdade mesmo! Pude até sentar-me no canhão de outras guerras, canhões que os Tugas deixaram apontando a baía e, tendo do outro lado a vila de Maxixe… Surpresa mesmo… Lenine a saudar seu povo? Pópilas, esta osga fala – é inteligente! E continuou: não existe nada de semelhante entre uma larva e uma borboleta e, no entanto há sempre uma larva no passado de cada borboleta! Caramba! Até é filósofa! Bem dizia o Agualusa, é só dar um pouco de atenção e até derrapam nas conversas. Pois é, por vezes parece ser bom abandonar o corpo inteiro e trocá-lo por outro. Tenho visto muito disto, sabes! Disse eu. Num repente estava a falar com um jacaré gordo empoleirado no reposteiro – ela mesmo. Há coisas tão verdadeiras que até perecem mentiras.

Quanta gente também naqueles anos de 1961 e 1975, se despiu de vontade ficando com a sua alma nua! Ela, a osga engasgou-se de tanto rir; chiou que chiou até grunhir engasgada! Por momentos até pensei que gozava comigo - já quase pronto a atirar um chinelo à sua figura, parei quando ela retorquiu: - Já não quero falar desse tempo; Eu, fui essa mesma que durante muitos anos professorei a estória num centro de recuperação de mutilados e, posso afiançar-te que um homem, ao longo do tempo, ao longo de sua vida, muda muitas vezes de corpo. Frisou piscando-me seu olho enevoado de choro…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:22
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Domingo, 25 de Setembro de 2022
CAZUMBI LXXI

 

TEMPO DE SANFONASNo 19º dia da guerra da Ucrânia, 14.03.2022 em 7 coqueiros do Brasil – Republicação a 25.09.2022 no AlGharb do M´Puto

O Zé Barriga é mesmo pançudo – Crónica 3255CAZUMBI: É feitiço…

Por  Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange - Na Pajuçara de Maceió e Lagoa do AlGharb do M´Puto

paju1.jpg Alain Delon dos chapéus vermelhos apresentou-me o vizinho donatário dos chapéus amarelos chamando-o de João Barriga e, em verdade, o nome condizia com a protuberante barrigaça descaída sobre seu calção da LaCost às riscas de um suave verde. Vi-me nele e, momentaneamente, deixei de comer a ginguba que ia ingerindo mandando uma ou outra para o conjunto de pombas que debicavam a areia – por pouco tempo.

Dediquei atenção a uma coitada pomba com um toco de perna e a outra meio comida do rato; curioso, pois era ela a mais hábil pelo que dei-me a pensar que a natureza preenche-nos de outros atributos quando ficamos carecidos de algo. Acabei por arrumar o embrulho do amendoim na sacola da praia no momento exacto em que passava uma senhora esbelta e elegante, de chapéu amplo estilo de capelina em palha e, com uma rede de seda a cobrir parcialmente seu corpo.

Ao redor da cintura com essa seda esvoaçante, as mãos tracejavam o ar sustendo na esquerda um rosário com o cruxifixo balouçando conforme o andamento. Rosário com 53 Ave Marias, seis Pai-Nossos, quatro glórias ao Pai-nosso, uma Salve Rainha na medalha e um Credo na Cruz. Juro que nem sabia como era o rosário mas tentei aprofundar meus conhecimentos e compreendi assim, as paragens e mudança de mãos correspondentes aos cinco conjuntos das Ave Marias!

paju2.jpg

A meia volta era feita no credo com beijo no cruxifixo. Há coisas tão inusitadas que me dão volta às bizarrias que me levam logologo até aos labirintos apócrifos. Posso adivinhar que a simpática veraneante rezava muxoxos para que a guerra já com 19 dias acabasse quanto antes. Estamos agora em 25 de Setembro com sete meses e um dia de guerra chamada de “Intervenção especial” e ainda não acabou... Lá bem no meio da praia serena, um pescador em sua balsa interrompe a remagem de ximbico e, já no meio da rede de cerco, levanta o bordão, uma e outras vezes batendo com força na superfície da água.

Interroguei-me! Já sei, é para assustar o olho-de-cão, peixe-espada, tainha, xaréu, matona, roncador ou sardinha. Desta feita e provocando medo aos respectivos, estes fujam indo de encontro à rede e logicamente ali ficarem aprisionados. Pode bem ser esta técnica a prática de Putin na guerra; amedrontar e fazer ir pelos ares ou fazendo extinguir oxigénio aos habitantes da Ucrânia; ao invés do bordão usa bombas de maior estrago, secando o oxigénio, fragmentando morte, muito diferente das cirúrgicas bombas de perfuração usadas em outros lados pelos americanos e seus primos. 

Russos e americanos têm andado muito próximos em suas experimentações de como banir o ser humano, irmãos até, crianças e velhos e de uma forma ora requintada, ora bruta e estupida como esta malvadez muito mais sofisticada do que a do louco Hitler. Putin leva tudo a eito e até aleatoriamente, mesmo sem confirmar se aquilo é creche, asilo de mais velhos, hospital ou maternidade.

Pajuçara3.jpg Sempre terei de falar com os personagens de minhas inventações, nomeadamente o FK, ex-coronel que mesmo com uma dose de catolotolo na forma de alzheimer, ficaria horrorizado em momentos de lucidez, com o uso de bazucas lança foguetes dum qualquer jeito e, também económicas, diria ele; creio que recordaria assim as antigas guerras no nosso tempo em que havia granadas defensivas de só fazer susto com barulho e ofensivas que espalhavam pregos pelos corpos moles. Hoje usam todas numa só com cheiros mortais, letais.

As bombas dissuasoras noutro tempo, eram só de brincadeira. Para Putin tudo vale, ofensivas, defensivas, extractivas, perfurantes, de fragmentação com cheiro e a cores, calorificas ou tracejantes, com vinagre, mostarda e pimenta, tudo sem regras como assim estivesse fazendo uma caldeirada de morte! Mas não obstante, como se o fosse só um menino a brincar de jogador de poker, ameaça  o Mundo com a bomba atómica, essa mesmo de neutrões, protões com susto paralisante a lembrar o tempo de Ló em que a mulher deste vira estátua só de ver a assombração da luz. Uma força da ONU deveria ir ate lá ao seu mukifo, prendê-lo e julga-lo! Criaram um tribunal de Haia só para inglês ver…Tudo tarda e o “agora” está por um fio com o carapau ao preço da lagosta… Assim, não brinco.

O Soba T´Chingange          



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:51
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Sábado, 24 de Setembro de 2022
MALAMBAS. CCLXVIII

TEMPO DE CINZAS. 12.03.2022 na Pajuçara – Republicação a 24.09.2022 em AlGharb do M´Puto

Crónica 3254 - Lendo a “TEORIA DA INCERTEZA” no 7º dia da guerra em Ucrânia

MALAMBA: É a palavra.

Por soba002.jpg T´Chingange, na Pajuçara de Alagoas e Lagoa do M´Puto

mano corvo.jpg Alain Delon, o donatário de dez paços de areia na praia Pajuçara chega por volta das sete horas da manhã fazendo um grande alarido em minha direcção, eleva as duas mãos, diz bom dia patrão e finca os dois polegares no ar abanados e virados ao céu para me desejar saúde. Estando eu a fazer movimentos de talassoterapia respondo do mesmo modo, com água até o pescoço, de óculos e chapéu quico branco do Palmeiras. Entrei na água pelas 5,45 horas, tépida, serena e espelhada como é normal na maré baixa. As calemas esbatem-se lá atrás nos recifes na forma de espuma branca; pode ouvir-se o barulho.

O Alain ganhou comigo o sobrenome de Delon em memória ao artista de cinema que me transmitiu alegrias na juventude Luandina, no antigo cine do bairro Maianga, meu clube, ou em uma outra qualquer das muitas salas ou esplanadas existentes na Luua de Angola tai como o Miramar, Império ou Avis. Aqui as sesmarias de posse d´areia são contadas em dez passos segundo uma direcção já estipulada e segundo duas referências como se fossem faróis ou bandeirolas, um poste alinhado com uma equina e, bem vertical à língua de praia.

Como chego muito cedo, a vastidão é só minha mas, porque conheço as balizas destes donatários sempre faço os possíveis para aqui ficar, sentar-me depois da hidroginástica, dizer umas larachas de soberania, comer uma peça de fruta à sombra do meu sombreiro com gravuras de peixe-agulha e flores, pegar no livro do dia para fazer a leitura hodierna; ainda ando mastigando o livro Veredas de Guimarães Rosa, triturando lentamente as falas intrincadas, parar e fazer-me entender envolto na riqueza de tantos vocábulos estranhos e, inusuais na literatura de hoje.

maqui1.jpg Sendo assim Alain deu paz à minha ideia congeminada entre o bracejar, rodar, remar e saltar abstraindo-me do olhar co contorno das cérceas que em curva se dispõem ao longo da marginal, calçadão, passeio e pista de ciclovia que ondula a marginal desta orla. Hotéis e edifícios residenciais que bordeiam esta grande piscina natural na forma de uma pequena baía. Estou bem em frente ao pavilhão de artesanato; posso vê-lo por entre os coqueiros e amendoeiras de um frondoso verde. É o lugar de Sete Coqueiros mas, em realidade são muitos mais.

pajuç1.jpg Tenho agendado fazer compra de prendas neste artesanato, oiro de capim das chapadas de Tocantins; pequenas lembranças a levar para o M´puto. Por via da guerra da Ucrânia, embora longínqua, terrível, estupida e medonha, tudo me perfaz num quanto baste provocando-me desagasalhadas alegrias. O Alain passa e, mete-se comigo enquanto acaba de espetar seus grandes chapéus quadrados e vermelhos, num total de nove na sua sesmaria, dizendo:- Hoje é dia de escrita, patrão!? Sem esperar resposta, que nem era para isso, num entretanto acode a dois casais acomodando-os bem ao lado preenchendo assim a frontaria da maré…

Ver a praia desnuda e, do nada virar coisas, chapéus de múltiplas cores, cadeiras, mesas e arrepios de vida, se o quiserem resiliência também. Assim vi! Num repente veio um relance que também me arrepiou ideias. Minha rasa opinião sucumbe no braço d´armas da guerra que mata gente como quem mata coelhos. Putin, o dono da caça, ele tem olhos muito incertos e vesga-os sem sair qualquer suor pestanejado, cara de cera, sem lágrimas nas beiradas de sua testa, o filho da puta! Vou dizer mais o quê, apetece-me chamar-lhe nomes.

pajuçara1.jpg Cada um com a casa atrás da parede, tijolos desfeitos, atrás do nada, um zumbido, muitos mais, um estrondo e muitos mais, fragmentando mortes, o crepitar de labaredas, caibros que caem, muitos e mais muitos rebentamentos só átoa com cheiros, com fumos – ninguém tinha esperado – ninguém tinha pensado. E, depois, um silêncio tremido de medo com choro abafado e de novo, um segundo que vira século, aquele outro silêncio pior que um alarido, que dói…

No buraco escuro, escutando a rádio, opiniões, muitas até em que não me assopro, hipocrisia. Que crime? O homem veio guerrear com todo o mundo. Guerra! Crime que sei, de fazer traição; não cumprir a palavra, não a ter: Uma arte de intrujice, nunca vista, nunca sentida, nunca cheirada. E o resto do mundo? O resto do mundo ficando agachados, molengados, por nivelar sem diferir. Na ponta dos olhos da gente sai uma raiva, outra e mais outra, feitas lágrimas. Ideias que vão e vêm – a gente empurra para trás, mas a todo o momento elas voltam a rodear-nos nos lados. E o mundo, no mundo a gente que pode, tem muitos mais lados! E, não há lá no sítio da URSS, um filho da mãe que lhe ofereça um como de cicuta…

O Soba T´Chingange                   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:13
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2022
PARACUCA . LII

MULOLAS DO TEMPO - 23

RECORDANDO: Nós, bazungus em VILANCULOS no Samara Lodge – Do 39º dia (sexta feira dia 26 de Outubro) ao 42º dia (segunda feira dia 29 de Outubro de 2018) - Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”

Crónica 325309.03.2022 No PortVille de Maceió do Brasil – Republicação a 23.09.2022 em AlGharb do M´Puto

Por  tonito16.jpg T´Chingange

ÁFRICA1.jpg De 26 para 27 de Outubro de 2018 já pernoitamos aqui no Samara Lodge, propriedade do senhor Paulo, um português / moçambicano, casado com uma senhora indiana. Estamos no dia 27, um sábado e, logo ao matabicho resolvi comer um suculento bife com ovo a cavalo para tirar a barriga de misérias. As instalações são de primeira, agradáveis espaços de jardim com piscina e recantos de sereias, lugares de curtir o sol desde o nascente ao poente, situadas bem junto à praia e do lado Norte de Vilanculos. Depois de apreciar prospectos a indicar variados lugares de interesse a visitar por entre cartões de propaganda, massagens ao domicilio, transportes e cicerones avulso, escolas de mergulho e pesca ao corrico, entre variados edecéteras muito normais nas estâncias turísticas da europa, decidimos por ir à ilha. Depois do café da manhã bem nutrido, resolvi caminhar só, pela praia e até ao centro da povoação de Vilanculos a sul do Lodge Samara.

Esta tem as características iguais a muitas outras que nasceram na gestão portuguesa enquanto colonia ou Província Ultramarina; visitei o mercado bem apetrechado de víveres, bancas com peixes e bivalves; tratando-se de ser hoje um sábado o mercado apresentava-se com algum movimento. Regressei ao Savana em um táxi-moto, um modo de locomoção habitual e até muito usado pela população local. Pude observar aonde se situavam os bancos com as respectivas caixas multibanco, também aqui muito usadas pela população e, aonde sempre teremos de ir buscar o cumbú

Daqueles prospecto lidos, retive a minha atenção ao safari marítimo às ilhas de Bazaruto; inscrevemo-nos para ali passar o dia seguinte, um domingo, pelo que este resto de dia foi ocupado mergulhado nas águas baixas e mornas. Da água podíamos admirar a beleza daquela costa muito coberta de vegetação, palmeiras e coqueiros contornando lodges e casas de veraneio ou residências no meio daquela exuberante verdura em espaços dunares de areia branca. Esbracejando a água tépida, já ansiava o passeio a fazer no dia seguinte. E, o dia seguinte chegou depois de um sono retemperado nas ondulações suaves do mar de Samara. Após o matabicho fomos solicitados para entrarmos a bordo da chata veleiro com dois marujos e um capitão.

Mu Ukulu02.jpeg  Não estavam vestidos a rigor de marinheiros mas foram amáveis e diligentes em seu comportamento. Só depois de pagarmos as respectivas passagens com cartão multibanco, essas pequenas máquinas usadas em todo o lado ao empresário de sucesso que chegou montado em uma moto de quatro rodas; pagamento tendo como base o dólar – cinquenta “paus verdes” por cada tripulante – tudo incluído. Ida e regresso à ilha da fantasia com corais em algumas partes dos recifes, gozar da praia, almoçar garoupa grelhada, frutos do mar e lagosta transpirada com camarões gulosos saltilhados entre verdura e dispostos em travessas em uma mesa grande, dobrável e, tendo um grande sombreiro apoiado em quatro varas, a servir de protecção ao sol impiedoso do meio-dia.

Foi um bom espaço de tempo com troca de pilherias e saberes dos aspectos locais; em suma foi interessante e até pela primeiríssima vez ressalvo aqui em elogio esta predisposição entre os bazungus e eles, os tripulantes miamas. Fomos sempre usando a vela soprada pelo vento do canal; demoramos bem uma hora a chegar e, neste trajecto podemos apreciar os contornos das ilhas de Magaruque e de Benguerra. Foi nesta última que ficamos. Da costa do Samara dava ideia de ser uma só ilha mas em realidade são três, sendo Bazaruto a maior, mais a norte. Esta tem óptimas infraestruturas turísticas na qual se destaca pela qualidade o Pestana Bazaruto Lodge com aeroporto, lugar de escolha de turistas saídos da África do Sul mas e, também de outras latitudes – os bazungus ricos já aqui mencionados que fumam grossos charutos cohiba e Romeu e Julieta da ilha Caribenha vão para ali..

Entretanto, ainda nem sabia bem o que era isso de bazungus mas, porque nem sempre sou tolo, achei que era relacionado com muzungu que quer dizer branco em língua xhosa; Não sei como é mas os negros daqui todos se entendem e falam línguas com nomes raros de maxangana, isixhosa, Isizulu, Sesotho usando cliques como fonemas da língua bantu, características dos khoisans. Foi a minha empregada Mary de Campala do Uganda que me explicou estas formas comuns de falar muito enraizadas e, creio que, saídas dos povos bantu; relembro a ela ter feito um rascunho assim: “ O dinheiro que ganhei com meus patrões bazungus está a crescer como um caroço de manga caído no chão do mato do Uganda”

helder12.jpg Aquela frase de “em breve a minha vida estará cheia de mangas” apoquentou o meu mukifo do cerebelo. Porque razão Mary, escreveria isto? Talvez para preencher o tempo e não se esquecer de isto referir em suas conversas com seu boy friend de Kampala. Só pode! Eu também rascunho muito! Mas havia mais referências. “Meus patrões muzungus com a minha comida, já defecam como as cegonhas de Campala"… Ué…como pode?! Defecam caganitas mal cheirosas como aquelas cegonhas do Uganda!?

E, recordo aqui naquele então que bebendo de novo aquele café à mistura com leite do dia e aquele milhipap ou maizpap, perguntei: - Mary, lá no Uganda há muitos turistas como nós à busca de leões, fazendo safari? Haka patrão! No Uganda tem bwé de bazungus assim como vocês carregados de bikuatas, lentes, muitas imbambas. Fica esperto T´chindere, afinal, bazungu era mesmo o que pensava ser: Branco a fazer visita ao mato – fazer safari! Ando a tentar…

(Continua…)

O Soba T´Chingange 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:02
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2022
PARACUCA . LI

MULOLAS DO TEMPO - 22

RECORDANDO: No INHASSORO – Dias 37º e 38º, quarta e quinta-feira dias 24 e 25 de Outubro de 2018 da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África no Yellowfin lodge em Inhassoro (3 noites) …

Crónica 325106.03.2022 no PortVille de Maceió do Brasil - Republicada a 22.09.2011 no AlGharb do M´Puto

Por soba0.jpeg T´Chingange

mocanda9.jpg Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Alguns até são brancos… Porquê? "Hoje até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan T´Chavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabwano por onde passei recentemente neste ano de 2018, que respondendo ao guia imortal, o defuntado Robert Mugabe que se diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo.

O Zimbabwé, enquanto colónia era o celeiro de África, o povo era detentor de uma das maiores qualidades de vida no continente africano. Hoje e, em Angola por exemplo, quando por vezes, nas datas históricas, oiço e vejo pela TV indivíduos a mencionarem o que o “colono nos fazia”, sinceramente não sei se, chore de raiva ou se me mate de “risada” tomando por contraste as politicas actuais. "Porque o que o colono fazia… blá-blá-blá", dizem eles - hoje faz-se muito pior!

O colono, se fez, é certo que sim, quase que o desculpo: era ou foi colono, é branco, não é meu irmão de raça, etc.; agora quando o meu irmão Moçambicano ou Angolano, preto como eu, ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura, faz o que desaforadamente repudiávamos do colono - esta acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma. Porque se chegou à conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.

ngoi2.jpg Mudando o rumo à conversa, amanhã teremos de dar 7500 Mzm ao multifacetado gerente do Yellowfin lodge Sebastião, para pagar os três dias de hospedagem. Isto corresponde mais ou menos a 105 €uros; pela qualidade, não achei caro! Enquanto troco impressões com a osga empoleirada junto à rede mosquiteira, Ibib está preparando os três quilos de mexilhões que comprei a um conhecido de Sebastião. Os 3 quilos custaram-me 200 Mzm, o correspondente a 3 €uros do M´Puto. 

Tentando descansar com as kinambas levantadas para aliviar a tensão dos últimos dias, todo aberto à aragem da monção que vem do mar Índico, de novo vejo a mesma osga de olhar curioso, botando a língua de fora a ensaiar periclitãncias. Pópilas! Antes de poder vê-la, já a pressentia - a vida socorre à gente certos avisos. Antes que me julguem mal, eu até que nem queria mas com a solidão acabei por aceitar este mini crocodilo. Agora até já troco impressões com ela. A bichona estuda-me com seus olhos oblíquos de rodar amor a 360 graus.

Esta osga tornou-se-me familiar porque, num repentemente dou-me conta de que só ela tem o verdadeiro entendimento devido ao tão prolongado silêncio de aprovação. Sabe-se que há problemas que surgem com as tosses cheias de pulmões nas palavras mas, afinal, que está a acontecer? Ela, a osga riu-se avermelhando seus olhos por inteiro, colocando-me até numa situação embaraçosamente roscofe como se o estivera feito pulga entre as unhas dos polegares.

qutandeira1.jpg O cheio da fome, chegou até mim e por via destas alucinadas percepções saí do mukifo bungalow, chalé indo direitinho ao frigorífico fazer pazes com a 2M a cerveja Mac Mahom, larga e mais gorda que o jacaré La Cost. Agora queria até enxotar da ideia aquele diálogo com o bicho porque de repente a gente rosna, chia ou grasna…Até posso contar: Muito só, três meses atrás, resolvi abrir uma nova página no FB e… recordando um quatro de Fevereiro abri uma nova página no Facebook com o nome de Profeta Moisés…

E, acreditem ou não, com grande surpresa, um dos muitos pedidos de amizade vinha de Jesus Cristo. Intrigado fiquei uns dias retendo o pedido enquanto ia recebendo muitas outras, gente nitidamente ligada às coisas litúrgicas, eruditos até às pontas dos cabelos. Assim, assentando os contrafeitos nos factos com dúvidas na forma de gráfico, ora para cima, ora para baixo, fiquei espantado quase no estupefeito quando surge um novo evento: Era Nosso Senhor, adicionando-me de vez como amigo, mesmo sem eu ter confirmado o que quer que fosse. Belisquei-me para ter a certeza que ainda estava pela terra e fiquei extremamente cauteloso sem saber ao certo o que dizer!

 (Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:46
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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XIV de várias partes…

Crónica 3252 de 08.03.2022 em Pajuçara de MaceióRepublicada a 21.09.2022 em AlGharb do M´Puto

KIANDA COM ONGWEVAEm Córdova com Zachaf Pigafetta Roxo, kianda tetravó de Roxo e Oxor, seu mano Pieter e, um tal de Conde de Sant German.

Ongweva é saudade  

Por  soba40.jpg T´Chingange (Ochingandji) – No PortVille da Pajuçara do Brasil e, em Lagoa do M´Puto

koisan5.jpg A Kianda Zachaf que até ali se tinha mantido calada queria saber novas de sua descendente Kianda Assunção Roxo. Anda numa boa, curtindo a vida com suas psicadélicas pinturas, coisas de cores vistosas muito belas, virtuais ou digitais, disse eu. Vi nela os olhos arregalados de contentamento.

Quando estiveres com ela, dá-lhe um efusivo abraço, pode ser mesmo esse teu XXL, que desde já fica perfumado por mim, disse em conclusão. Na dúvida e tratando-a por vosmecê perguntei do porquê não ser ela a falar-lhe, uma vez que viaja no espaço-tempo com um simples estalar de dedos. – Eu sei, anda a preparar-se com suas aventuras de arte com roxomania mas, ainda não está na fase de termos um informal encontro! Creio ter-se referido ao estágio emocional e espiritual de Roxo.

Sei que ela, vai e vem para as terras de N´Gola, recomendo-lhe cuidado na terra dos kuzucutas kaluandas - eles andam um pouco carecidos de gasosa e quando não lhe dão, roubam, diz-lhe que ande com pouco cumbú; eu irei preservá-la mas, nem sempre controlo as tentações dos malvados, sabes! Disse ela em tom de remate!

toledo18.jpg  Andam por ali muitos simbis maldosos com espírito ancestral de origem Kikongo, do Zaire, antigos revolucionários que morreram sem o querer; guerrilheiros na diáspora. E, havia muito para falar mas isto de se ser turista, tem coisas! Não é que surge um tipo com trancinhas, moreno, quase preto, falando francês e uma outra língua estranha. Apresenta-se: diz ser o Sant German dessa forma também gelatinoso e invisível para as outras gentes.

O trancinhas, papagueou assim num tu-cá-tu-lá familiar; pelos vistos, até se conheciam, mas eu fiquei quase a zeros! Que vinha de Moçambique; que era um matumbola mutalo; um mestre da grande fraternidade branca, responsável do sétimo selo, com chama violeta e outros edecéteras intrincados, diga-se! Era demasiado para a minha camioneta - um quase preto a falar na grande fraternidade branca. Ui! Ai-iú-é

O curioso é que eles conheciam-se! Dualidades que não percebi por completo. Diz ele virando-se para Pieter: - Por recomendação dum kamba muxiloanda, fui num vaivém minkisi-vip ao Xipamanine (mercado de Moçambique), lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine.

toledo21.jpg  Estás a ver Meu!? O resultado é isto! Referia-se ao seu actual aspecto nada condizente com um Conde branco N´si. Perante a minha surpresa ambos manos tetravós, fizeram questão de me explicar mas, eu tinha um compromisso. Desculpem-me, tenho de ir, há gente à minha espera; temos de seguir para Madrid.

Vai! Disseram os três quase como se combinassem sintonia! – Está certo, tenho muito a falar com vocês mas agora, olhei o relógio e abanei o dedo em repetição para o meu Guru.

O tempo para nós não conta, disseram em conjunto (fiquei intrigado por falarem quase a uma só voz); ver-nos-emos em Madrid! Lá falaremos de N´Gola disse Zachaf. E, dos seres encarnados hoje no Planeta Terra a uma Nova Era, de Paz, Harmonia e União disse “a coisa” estranha de Sam German. Esta nova figura “Conde de San German”, veio complicar minha cabeça já de si azucrinada. Pareceu-me ser um fumador de pura liamba. Seria? Meio zonzo, dirigi-me ao Hotel situado em La Plaza tendilha, ali bem perto da Fénix… Como as coisas assim do nada, se complicam!?

roxo215.jpgAR -  GLOSSÁRIO

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos; Miama: - preto na língua Zulu de Xi-lunguine; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e Zaire; Kamba: amigo; Matumbola: um morto-vivo, tipo de assombração. Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, que vive de expedientes; Muxiloanda: O mesmo que kaluanda, natural de Luanda (Luua); Mafulo: nome dado aos Holandeses (Brasil); Mussendo: Um conto ou longa estória, biblioteca oral, conto dos mais-velhos ou kotas.

(Continua…)    

O Soba T´Chingange (Otchingandji)

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:30
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2022
PARACUCA . L

MULOLAS DO TEMPO - 21

RECORDANDO: De CHIMOIO a INHASSORO – Ainda no 36º dia da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África no Yellowfin Lodge em Inhassoro …

Crónica 325005.03.2022 em Pajuçara – Republicada a 20.09.2022 em AlGharb do M´Puto

Por soba40.jpg T´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e AlGharb do M´Puto

etosha2.jpg Entre Chimoio que fica perto da reserva Gorongosa e Inhassoro e, por cerca de 420 quilómetros, foi um autêntico desespero de calvário de roídas falésias nas margens de betume da estrada nacional N1. Ranhuras sucessivas de fazer virar carros, com buracos de não deixar alternativa – ter de pisar! Ou só mesmo passar devagar, devagarinho. Nos escassos quilómetros com piso bom, lá estava a polícia para exercer sua autoridade. Fizeram-nos alto lá num lugar do nada e, mostraram a máquina parecida como um megafone a marcar 85 Km em luz vermelho. Pois!

O senhor vinha a mais de sessenta, tem de pagar multa! O polícia, viu a carta e os demais documentos sem nada ler, fitando o pensamento só com os olhos do cerebelo, os dois mil meticais a sacar ao gweta bazungu, um genuíno angolano branco, esperto como a surucucu, uélélé. Ordens são ordens, disse o supranumerário filho da mãe em primeiríssima geração, disfarçado de um gordo polícia. Não há como fugir - fiquei fulo depois de andar tantos quilómetros com o eminente perigo de ficar ali numa qualquer pothole (buraco)!

INHASSORO 096.jpg Saí barafustando do carro – quase gritando que era um desaforo armar tocaia na única recta com bom piso em 420 quilómetros. Cá por mim não pago nada, levem-me preso! Saí e, sentei-me no muro da Vodacom, um mukifo promovido a quiosque entre milhares pintados de vermelho e pertencente à empresa de celulares telemóveis! Um negócio que deve ser bem próspero, pois toda a gente tem um “micro-ondas” por onde se pode comunicar e até assobiar com muxoxos espaciais! Salvo as naturais diferenças, rosnava como um cachorro…

Ué! Com palavrões dentro da cabeça, tento reconstruir minha disposição com estranhos nomes esvoaçando raiva de mim aos poucochinhos, buscando novidades sem figas nem juras por sangue de Cristo porque quem anda por gosto num cansa, tal como disse aquele mwadié do Chimoio! Assim deveria ser mas, não o é! No Yellowfin Lodje, a Rosália limpa nossos quartos e retira uma cobra escondida nos tapetes na varanda lateral – uma boa recepção. Sebastião é o administrador, jardineiro e pau pra toda a obra; foi ele que lavou o jeep Nissan 4x4 de el comandante já com uma soma de 7500 km nesta odisseia de bazungus.   

INHASSORO 139.jpg Já noite, fomos a pé e pela areia da praia até ao restaurante da Luna Park da Estrela do Mar de Inhassoro ali perto, propriedade dum arquitecto português já com a nacionalidade moçambicana e, que ali se fixou montando uma escola de hotelaria. Tanto a garoupa grelhada como a pescada cozida estavam de requinte; o jindungo era do bom, daquele de aquecer os neurónios no cocuruto do templo. No Yellowfin há um espaço de esplanada do tipo self-service para fazer comezainas e com um espaço bray (lugar de fazer churrasco) já fornecido de lenha. Também há mesas, geleira e fogões de uso comum com os artefactos usuais mas, deparamos com dois casais sul-africanos que açambarcaram quase todo o espaço.

Estes dois casais que tinham um carro apetrechado para safaris, levaram com eles arcas frigoríficas, um armazém de géneros e outos requisitos para dar suprimento a milionários gringos, carcamanos dos estate (EUA) que querem aventuras de caça, de pesca e da forma completa de gozar áfrica em sua plenitude. Bazungus ricos… Escrevo estas linhas tendo duas beatas de dois grossos charutos cohiba cubanos num cinzeiro, desperdícios de seus hóspedes oligarcas que por aqui andam bem assessorados, tomando whisky caro e a granel como se fosse água. Porventura serão até donos de petrolíferas que por aqui andam disfarçados de gente comum, vá-se lá saber! Nós nem perguntamos para não constranger os fechados personagens gringos.

INHASSORO 134.jpg Mas, sempre soubemos que seu trajecto foi planeado ao centímetro pois que foram de avião para Casane no Botswana do Shoba, Delta do Okavango em Maun, Victoria Falls, caçaram trofeus na Zâmbia e agora, aqui, pescando nos mares de Inhassoro usando rápidos gasolinas até Bazaruto – bazungus com muito cumbú. Pois! Há gente que já nasceu borboleta sem passar por larva. Mas isto é o menos pois que li recentemente que Salvador Dali em um momento de excrescente angustia atirou uma vaca de um avião sem ter ido para o livro do guinness book; se não for mentira, acho que a vaca deveria ir em um Nord Atlas. Digo isto porque, também estes gringos devem a andar em busca de actos exóticos…

Aqui temos feito levantamentos com cartão nas caixas multibanco mas, nem sempre aceitam o que tenho da África do Sul; Nesse então eu escrevia: Hoje tive de usar o meu cartão do Totta Santander do M´puto para levantar 10.000 meticais. Está escrito: hoje é 24 de Outubro, quarta-feira – iremos continuar aqui no Yellowfin Lodge até o dia 26, sexta-feira; depois seguiremos para sul, via Vilanculos. Já deitado de barriga virada ao tecto a osga gorda estuda-me com seus olhos oblíquos. Acena por várias vezes, parece cuspir qualquer coisa e depois refugia-se no escuro ficando a espreitar entre a esteira e o pau avermelhado da asna no tecto de capim. Já estávamos na mordomia do dia 24 no encanto do mato ao lado do grande Oceano Índico, seus cheiros e ruídos; em África, eles, os sonhos, são tão especiais que ofuscam a mente com espíritos.

(Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XIII de várias partes…

- KIANDA COM ONGWEVA – Em Córdova com Zachaf Pigafetta Roxo, kianda tetravó de Roxo e Oxor, seu mano Pieter e, um tal de Conde de Sant German - Crónica 3249 de 28.02.2022 Republicado a 19.09.2022 

Ongweva é saudade  

Por soba24.jpg T´Chingange (Ochingandji) – Na Pajuçara em Alagoas do Brasil e Lagoa do AlGharb do M´Puto

roxo168.jpg Recordo que este mussendo – saga, teve início no lugar de Guaxuma com a Kianda sereia Roxo; depois sua irmã vista ao espelho Oxor e Zé Peixe o marinheiro prático que levava grandes barcos desde alto mar até Aracaju de Sergipe. A estória foi evoluindo diluindo-se nas brumas do tempo com gente holográfica, muito antiga, conhecida de outras andanças como o Januário Pieter que nasceu em 1712, tendo agora seus 310 anos. Em Granada tendo Alhambra por perto, houve um encontro muito ansiado em "El Pátio Riconcillo" com a tetravó da Sereia Assunção Roxo.

Ela, a tetravó de Roxo chamava-se Zachaf Pigafetta e, em princípio, era visível só por mim e Januário Pieter. Foi de alguma cautela que falamos de coisas muito antigas do lago Niassa que antes era conhecido por seu primeiro nome de Zachaf; daquelas águas misteriosas tinham saído enredos que me prometeram contar de forma concisa pois que haveria que descrever com mais pormenor suas vidas nas águas do Kwanza, estórias de Massangano com Tugas e Mafulos. A surpresa das surpresas deu-se num repentemente, quando Januário disse: Eu e Zachaf Pigafetta somos irmãos!

roo124.jpg Podem imaginar a minha admiração de espanto quando ouvi isto. Andei tanto tempo subindo e descendo calçadas empinadas de Toledo, esperando que o concílio das Kiandas no palácio de Alcázer acabasse, eu ali com seu mano Pieter que nada me disse. Estes mistérios de kianda nunca se entenderão por completo e, foi necessário ir a Granada para retirar um pouco mais destas kalungas. Não esquecer que o mestre pintor Costa Araújo na sua ancestral passagem por ali, foi testemunha destas falas. Eu explico: Este mestre pintor em uma geração ida e lá paratrás foi ajudante de El Greco.

Tenho de rever estes episódios para não me mentir. Foram dias de maravilha, mas só em Granada e, tempos depois, é que Pieter me apresentou à irmã Zachaf. Falámos entre várias coisas das suas itinerâncias a partir de Cabo Ledo e Massangano, sua segunda terra, ficando no ar promessas de novas e velhas notícias. Sendo estes, uma junção de espíritos na forma de água, divindades abstractas tudo lhes é possível. Em pensamento navego com eles de vez em quando mas não me é permitido decidir quando e aonde.

roxomania1.jpg Minha mana tem outras estórias que decerto te encantarão, disse naquele então o irmão de Zachaf Pigafetta. Estamos aqui para isso; mungweno! Foi assim que nos despedimos. Passou algum tempo! Recentemente, visitei de novo Toledo com passagem por Córdova. Fiquei por aqui, Córdova, dois dias no Hotel Boston, um lugar bem aprazível e, aproveitei ver a toalha de água do rio Guadalquivir logo depois da cascata; via dali a ponte romana, Alcázar, a Mesquita com Catedral e o bonito Arco do Triunfo.

E, foi quando remexia as quinambas, pés descalços nas águas meio turvas do rio, que senti um ligeiro sopro na orelha direita. Vindo do espaço, seu duilo feito céu, com todos os seus anéis relampejantes, ali estava meu conselheiro das profundas angústias. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contraluz cintilando um desassossegado arco-íris. E, foi quando reparei um pouco mais atrás sua mana Zachaf acenando sua mão muito pintada com caracteres meus desconhecidos como se tivesse vindo de Marrocos. Naquele sopro inicial deu-me um arrepio de furto; não fosse uma cigana romena vendendo flores com seu umbigado capianguista de mão ligeira.

roxo107.jpg Um turista tem de andar sempre meio desconfiado porque as mochilas atraem mãos estranhas. Não era o caso mas, vi acontecer! Levantei-me saltitante entre pedrinhas afiadas e dei um grande abraço a ambos. Também andavam fazendo turismo e sabiam lá do seu jeito que eu, estaria por ali. Calcei-me e fomos direitinhos a uma esplanada aonde nos sentamos em El Campo de Los Martires. Conversamos coisas fúteis para preencher muxoxos suspensos.

Nunca mais voltei a ver o antigo Araújo mas o novo cidadão, o herdeiro dos pinceis daquele mais velho estava em Brácara Augusta do M´Puto naquele então. Nem foi necessário explicar aonde era esta Brácara; estava sabedor que ficava numa terra escandalosamente verde do Minho! Este meu “Guru”, já me tratava como se fosse da família, um cipaio do seu arimo (lavra, horta, n´nhaca). A Kianda Zachaf que até ali se tinha mantido calada queria saber novas de sua descendente Kianda Assunção Roxo. - Anda numa boa, curtindo a vida com suas psicadélicas pinturas, coisas de cores vistosas muito belas, virtuais ou digitais, disse eu. Vi nela os olhos arregalados de contentamento.

roxo135.jpg GLOSSÁRIO

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e Zaire; Kamba: amigo; Matumbola: um morto-vivo, tipo de assombração. Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, que vive de expedientes; Muxiloanda: O mesmo que kaluanda, natural de Luanda (Luua); Mafulo: nome dado aos Holandeses (Brasil); Mussendo: Um conto ou longa estória, biblioteca oral, conto dos mais-velhos ou kotas.    

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:38
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Domingo, 18 de Setembro de 2022
PARACUCA . XLIX

MULOLAS DO TEMPO - 20

RECORDANDO: Do dia 22 para o 23 de Outubro de 2018, na cidade de CHIMOIO – ANTIGA Vila Pery de Moçambique no hotel BIDJOU - 36º dia da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África …

Crónica 3248 – 02.03.2022 em Pajuçara de maceió e Republicada a 18.09.2022 na Lagoa do AlGharb do M´Puto

Porsoba24.jpg T´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e M´Puto no AlGharb

 paracuca1.jpgFicamos mesmo em frente ao quartel da tropa; pelas 6,15 horas da manhã deram o toque de alvorada mas, pelas 4 horas da manhã já estava acordado, conferindo mapas, vendo a rota que nos levaria mais a sul. Ontem fui bem cedo para a cama e devido ao cansaço e, ainda nem eram 9 horas, já estava ferrado mas, num dado momento ainda ouvi o comboio apitar ali bem perto, uma passagem de nível, depois uns barulhos de solavancos e guinchos de ferros e assim, lá entrei na 4ª mudança de levar o corpo ao infinito.

No dia de ontem e lá pelas 3 horas da tarde, eu e “el comandante” resolvemos ir a pé até bem ao centro do Chimoio. Apeteceu-nos comer um prego com ovo a cavalo seguindo indicações de gente do hotel; entramos no restaurante 2 L propriedade do senhor Couto. Não foi difícil arranjar conversa com um senhor grande e gordo de nome José que já ali estava ansioso de falas novas com gente de fora. Rapidamente, soubemos que tinha estado preso no Malawi, não disse do porquê mas foi dizendo que era ali o centro de drogas. 

Paracuca13.jpg Em seguida surgiu um sujeito mulatão de nome comum de Zé Manel, meio a dar para indiano, um meio monhê, meio mestiço a viver de expedientes na cidade do Chimoio, suponho eu pela forma de gingar as palavras; com colares de missangas penduradas ao pescoço e um cofió colorido – enfim, um mwadié fantasiado de africano a repetir-me: - Só quem anda por gosto, não descansa! Isto foi quando me queixei com azedume dos muitos buracos por que passamos ao longo do trajecto já feito, desde a fronteira Norte de Tete.

Surgiram outro e mais outro dando a entender serem todos da mesma tropa e tendo este restaurante 2 L como base de suas operações de bons-kazukuteiros e bem à maneira de África, os chamados calcinhas urbanos confundidos com empresários de sucesso. Referiram que os chineses tinham o comando e controlo da polícia da Zâmbia, mostrando vídeos e fotos de seus telelês. Nenhum dos cinco presentes referiu boas contendas em relação aos chinocas; os que comandam vários negócios (senti um misto de inveja ...).

Chimoio2.jpgPelo observado aqui, eu sempre caía no estremo de dizer só de pensamento e exclusivamente para mim o  quanto os angolanos e moçambicanos deveriam estar gratos por terem tido os Tugas como colonos pois que também e, de novo aqui, verifica-se que todas as infra-estruturas foram obras dos Tugas. Sempre caía naquela satírica forma de dizer: - Estes africanos dito genuínos das antigas colónias, estão cheios de razão, os Tugas deveriam não só ter levado para o M´Puto as suas estátuas, Mouzinho de Albuquerque, Vasco da Gama e muitos outros, como também os prédios, escolas, pontes, hospitais, igrejas, barragens e estações férreas com máquinas e tudo; tudo o que por lá se deixou nos 500 anos antes do achamento ... Estava pior que estragado quando descrevi isto!

Mas, e porquê digo isto! Porque os filhos-da-mãe, negociante de diligências, vendedores de picos de acácia com missangas de casca de massala e cajus ressequidos, pelos vistos não podiam conceber um branco como africano. Um deles, enfarpelado de polícia, gordo e sebeiroso de andrajoso matumbo virou-se para Vissapa, o comandante da odisseia e disse assim como cuspindo vinagre feito bolinhas de visgo de apanhar xirikwatas: - Tu, branco, quereres ser africano!? Isso é uma miragem tua, meu! Também, bem que o mereceu por andar a mostrar sua cédula de identidade angolana a qualquer borra-botas desclassificado…

Chimoio3.jpg Bem! Eram horas de bazar daquele centro de informação e propaganda, mistura de Frelimo e Renamo sem nos descartarmos nas tendências – Nós só éramos turistas. Disseram-nos que a Reserva da Gorongosa estava a ser apetrechada com felinos e impalas entre outros, saídos do Kruger da África do Sul mas ainda não havia a ordem no processo de poder ser visitado. Bom! Nossas mulheres esperavam-nos no Bidjou Vermelho de Chimoio, eram horas de dizer àqueles kazucutas, um até sempre e obrigado pelas informações, como assaltos da polícia e outras vicissitudes de ofício - Criar dificuldades para comprar facilidades na forma de gasosa entre outras alvissaras… Ali mesmo ao lado da linha do caminho-de-ferro, Já em casa por assim dizer, de papo para o tecto iria piscar o olho àquelas falantes osgas gordas …

Inteirei-me por aquela turma de preguiçosos que um €uro valia aqui 70 Mzm; um Rand valia 45 Mzm, e um dólar da USA 60 Mzm. Ali no Bidjon Hotel, havia uma boa recepção do sinal de internet pelo que aproveitamos mandar notícias pelo FB para amigos e conhecidos à mistura com a família dispersa por três continentes. Também aproveitar para recolher dados do rumo que seguíamos na via Sul. Escrevia então: amanhã dia 23, teremos de Chimoio até Inhassoro a distância de 414 km. Pelo que cálculo, levaremos umas sete horas neste percurso lunar (os buracos sempre o foram mais que muitos) …

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:45
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Sábado, 17 de Setembro de 2022
MISSOSSO . XLVIII
MOKANDA DO EDU - DA MAPUNDA À CHIBIA
- FANTASIA ANTIGA 
Crónica 3247 - Republicada a 17.09.2022
Porsoba0.jpeg T'Chingange (gasosa para o E. Carvalho Torres no M´Puto)

soba21.jpeg Era naquela hora de lusco-fusco em que o dia vai acabando feito entardecer; no alpendre da casa lá no mato, Zacarias, jiboiava numa rede, balouçado no sonho de caçar onça. Acordou num sobressalto gritando: - agarra agarra - kwata-kwata!

Colocou os pés no chão e ainda meio envolto na penumbra do medo e enquanto pulava, levava as mãos algures ao pescoço querendo libertar-se da cobra! Era sim, uma grande giboia enrroscada nele.
 
Saltitou meio ébrio à mistura de medo em direcção å saleta onde tinha uma arma de bala.
Mas, que podia ele fazer com aquele sonho? Foi quando despertou mesmo, num respiro longo de realidade. Pois! Estava só, tendo uma tremuras de pesadelo...

o vazio.JPG Construira aquela casa, metade habitação, metade tasca de vender peixe-frito, fuba e vinho baptizado do M'Puto. Naquele interior, isolado só tinha a companhia do Pernambuco, um já velho ajudante que cozinhava para eles.

Eles, eram o patrão Zacarias da Silva, ele próprio e sua velha senhora Maria do Ó e, mais um puto candengue faz-de-tudo, um sobrinho de Pernambuco chamado de Brututu... Naquele entretanto esta companheira de Zacarias da Silva, ausentara-se para a Mapunda onde tinha um filho a tomar conta da Padaria Lafões. Chamava-se Napumosseno da Silva

Este, tinha uma filha a estudar na Missão do padre Messias da Huila. Estas visitas da Dona do Ó da Silva a sua neta, filha do Napumosseno, eram periódicas pois que a sua linda Neta, era um propósito de esta se afincar à vida já bem encrustada - avó e neta davam-se às mil maravilhas - unha com carne seca...

chibia.jpg Zacarias, ficara assim na vida fazendo ganhos vendendo sua fuba, seu peixe frito e permutas de produtos com o povo de Mandumbe, nome derivado de seu m'fumo chefe mwata que ali vivia com sua nobreza, seu kimbo. O mesmo que fez a vida negra a Pereira D'eça, um oficial expedicionário do Reino...

Kota Zacarias, trocava cobertores, vinho baptizado, sal e outros produto, pelo milho, mel, grandes bolas de cera e algumas cabeças de gado - nemas gentias. Fornecia também cat'chipemba e outras bolungas feitas de massambala aos, óbitos! Umas defuntadas festas gentias. Isto dava-lhe muitos Angolares, Macutas com a esfinge de D. Maria, aquela que nasceu no Brasil.

Ao lado da casa, num chimbeko vivia Pernambuco e Brututu Sobrinho, bem ao lado do alpendre aonde ficava estacionada, a velha carrinha de caixa aberta DODGE. Muito enferrujada, ainda era o seu meio preferido de transporte...

angola colonial.jpg Duas vezes por semana punha suas alpercatas com polainas de lona e, com muita banga, envernizado e perfumado deslocava-se ora ao Lubango ora à Chibia. E, hoje era dia de ir a Pereira D'eça visitar seu compadre Cantanhede de Bustos. Já estava até um pouco atrasado - negócios não são de desperdiçar e, eis que neste despertar repentino sentiu um rosnar bem conhecido.

O sonho era um aviso; ouvia agora com nitidez o ronronar de um felino que andava rondando o curral, não de agora, mas de uns tempos àquela parte - lembrou-se! Misturadas com suas cabeças de gado, havia sempre alguns galináceos dispersos, que gostavam de andar debicando qualquer coisa encontrada no chão.
 
É desta! Pegando na arma e em algumas balas, dirigiu-se à porta de lá detrás, espreitou o som de fora, a ver se havia algum sinal da coisa! Saíu pé ante pé com abafados silêncios, caminhando em direcção ao local. Não se apercebendo de algo de anormal, regressou a casa, pendurou a arma, guardou as balas...

ANGOLA7.jpg Despendurou de novo a chifuta de estrias, meteu mais balas nas lonas e deu ordens de marcha a Brututu: despacha-te meu coirão. Acto continuo, na habitual tarefa deu arranque na sua DODGE! Destino, Xangongo na graça de Deus... E, eis que tratranquilamente no meu espaço de vida via Ondjiva no meu NASH carregado de candonga de peixe seco dou com o velho kota Zacarias atascado na lama até ao chassi! Ué! Claro que ajudei aquele unhas de fome!

Se não fosse eu ainda por lá estava gripando a paciência, um espaço de vida que escolhera para viver. Entretanto, ja noite, com ruídos insalubres da escuridão com sons distintos de feras e edecéteras acompanhei-o até Xangongo. Vida de comerciante no mato, era assim, nos meus tempos de antigamente. Agora, só temos resiliência com swift estatal aiué...
Soba T'Chingange no AlGharb do M´Puto


PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:15
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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2022
MISSOSSO . XLVII

COM FALA KALADO – NO KILOMBO DO ZUMBI

Crónica 324613ª de Várias Partes em Kizomba – 25.02.2022 em Pajuçara do Brasil; Republicada a 16.09.2022 para constar no Kimbo

Por Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e Lagoa do AlGharb, no M´Puto

Araujo002.jpg Em tempos andei curioso procurando toda a informação sobre esse tal escaravelho da Welwitschia Mirabilis pois sempre andei muito necessitado desses inventos para renovar toda a minha flora muito cheia de fungos e bitacaias escondidas em lugares tão recônditos que nem os médicos conseguem catrapiscar suas nuances de mutações biológicas.

Mas, também pensei na necessidade de melhorar o estado do meu amigo ex-Coronel FK das FAPLA, que saiu pela fronteira de Namacunde metido num caixão, mortinho da silva! Estes episódios já foram contados em crónicas anteriores e, não carece de as repetir (…) Sucede que, em acto continuo a ter falas com o Ex-Coronel FK, este mostrou-se doído de interessado e, após transmitir isto a ele, o FK, logologo contratou um conceituado investigador

dia85.jpg Pois assim foi! Contratou a preço de oiro um biólogo da Bulgária conceituado mundialmente de muito bom, com o nome de Andrey Blazhe para dar andamento na feitura do edifício-laboratório de investigação em genética e plástica de ADN. Creio que foi a ainda só amiga dele, Rita Fiuza que lhe deu todas as dicas quanto à escolha daquele conceituado investigador, biólogo …

Meu amigo cabra da peste FK, era de decisões ultra rápidas e, sem perder tempo montou em Petrolina às margens do rio São Francisco um laboratório com todo o equipamento de ponta, um investimento inimaginável naquele cú de mundo bem na margem do lago artificial de Sobradinho aonde se situa a Ilha da Fantasia… Só posteriormente, tive conhecimento disto; O Ex-Coronel das FAPLA era assim, usava de sofisma com astucia mantendo amigos e afins na penumbra do negócio, prática comum em seu Partido versos Governo da sua N´Gola.

koisan7.jpg Ele, o FK, tinha sempre em mente um plano base e, três alternativas com mais uma por-se-acaso: planos A,B,C e D – resquícios de sua antiga aptidão de matumbola (morto-vivo) que fez fortuna vendendo armas de última geração aos guerrilheiros do Morro de Rio de Janeiro e a gente do narcotráfico da Colômbia; estou falando isto de cor sem precisar nada, porque necessito dar paz à minha ideia sem ficar desagasalhado de alegria tal como um cão que consome raivas lambendo feridas alheias. 

Como teste, os desenvolvedores do projecto liderados pelo biologista investigador Andrey Blazhe fizeram uma orelha em impressora 3D e aplicaram as células, que formaram numa orelha animal. Vi isto ao vivo e a cores lá na Petrolina do Brasil, colada na lateral do meu amigo ex-Coronel FK – Fala Kalado com sua orelha parabólica no sistema de 5G. Poucas perguntas fiz acerca desta característica anatómica, pois que sempre me mantive coibido de grandes interrogações…

dia141.jpg Só sei e, por portas travessas que os estudos estão sendo realizados provisoriamente com células de ratos e que, os resultados são bem animadores na feitura de outros órgãos humanos. Fixe! Acerca dos besouros extraídos da Welwitschia Mirabilis lá terei de escarafunchar para saber bem a fundo seus segredos, agora na qualidade de Zelador-Mor da Fundação Zumbi de N´Gola…

Eu só estava ciente destes avanços científicos através da feitura de vinho nas vendas do Morais, do Hernâni, do Baia ou do Rente Cruz da Maianga lá na antiga minha cidade, bairro da Maianga, lugares extintos da Luua e, aonde da água do Bengo faziam vinho de qualidade do tipo “extra Camilo Alves” - vendiam esse milongo a granel sim senhor! Faziam vinho da água e permutavam alegrias em melancolias de cat´chipemba e, que agora só são recordadas para fortalecer os corações da gente…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:44
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MISSOSSO . XLVI

COM O FALA KALADO – NO KILOMBO DO ZUMBI

Crónica 324512ª de Várias Partes – 24.02.2022 na Pajuçara – Republicado a 16.09.2022 na Lagoa do M´Puto

Por  Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e Lagoa do M´Puto

Acácia rubra1.jpg Com N´gana N´Zambi (meu senhor), comendo saquinhos de muxima na forma de paracuca, relembro tim-tim por tim-tim, os passos dados entre nós: Com Fala Kalado, um antigo “cabra da peste de N´Gola” que, desde o passado se fez chegar à Serra da Barriga, precisamente no lugar do Kilombo dos Palmares. Tinhamos combinado na Ilha da Fantasia de Petrolina que iriamos ver-nos mais amiúde mas, no entretanto chegou uma matacanha chamada de covid da China que nos isolou…

Supostamente podendo atacar nossos pulmões, a mesma, levou-me ao repatriamento para o M´puto com perca de voos, obrigando-me até a cheirar o rio Tietê de São Paulo com pagamento extra… Enfim! Fala Kalado, por ali ficou embalado em seus projectos de muita valia em sua sustentação e economia. Esperando as doses de Pfizer- Vacina contra COVID-19 por três doses, acabei por obter um RT-PCR após pagamento de 80 €uros e, chegada a hora, fez-se a viagem até às terras quentes aonde me encontro (Fev. 2022).

baú1.jpg Refazendo nossos traços sem melancólicos choros de missangas feitas de feijão maluco, nem ranger de dentes, troçando até de nossas mazelas ou desgraças e, de forma muito escassa fomo-nos inteirando com mensagens do tipo pipoca de milho crocante. Assim num recordar de coisas da Luua e adjacências, cada qual foi falando de faz-de-conta com picadelas de sapiências de bulir na flor da pele sem aprofundamento, como caruncho, fomos comendo nossas algazarradas como a bitacaia que come nosso pé quando assim o é de descuido. Háka!

Lá na Ilha da Fantasia, naquele então falou-se num talvez: - Talvez tenha para ti uma tarefa - Necessito de alguém que superintenda as novas frentes de guerra (para ele e por defeito tudo era negócio de guerra…) - Gerir a produção de crocodilos, rãs, borboletas, caracóis eo ácaro da welwitschia mirabilis! Uau! Como disse, ele sempre falava como estivesse numa frente de guerra, numa batalha e, até nem estranhei – já estava habituado. E, porquê eu, um kota ressequido pelo sol, com o mapa-mundo de velhice desenhado na pele? Tudo ficou por isto mesmo. – Nada mudou!

lampião29.jpg O tempo passou e, agora, de novo, aqui preso no meu mukifo do PortVille, revejo estas falas sem poder alterar a evolução dos acontecimentos. Acontece que FK, foi apanhado pelo bicho covid e o susto levou-o a engendrar com uns quantos advogados uma fundação. Sua previsão de final de carreira levou-o a considerar afastar-se pelo que formou uma “holding de negócios” a decorrem e, uma outra com vertente de estímulo à cultura Bantu – Fundação Zumbi de N´Gola com Arrais Castelo de Cantanhede, um conceituado professor de economia gerindo o kilombo.

E, foi falando com este administrador-presidente que fiquei a saber que o corpo maltratado do ex-Coronel de N´Gola foi apanhado com essa tal doença de alzheimer. Já tenho agendada uma visita à sua casa no sopé do planalto da Serra da Barriga exactamente aonde se situa o Kilombo original. Tive um relatório completo de suas actividades tais como Seminários, Congressos, Centro de Estudos dos povos Khoisans, intercâmbio cultural com associações de N´Gola, Costa do Marfim e dum antigo território conhecido por Minas. Essa Costa da Minas corresponde a uma região do Golfo da Guiné de onde proveio grande parte dos escravos embarcados para as Américas. Corresponde aproximadamente à faixa litorânea dos atuais estados de Gana, Togo, Benim e Nigéria.

ama3.jpg Sua sede fica na Cidade de União dos Palmares bem perto do Museu da Escravatura, do Museu da Casa Maria Maria e, também a Casa da Cultura.  Neste primeiro encontro com o Presidente Executivo Arrais, fui convidado para dissertar sobre os missossos, mussendos e cartas de Óscar Ribas, um acérrimo defensor da língua portuguesa e suas palavras derivadas pela semântica linguística – “o linguajar caluanda”. Fiquei a saber num escrito quase testamentário que eu, o T´chingange, fui indicado como Zelador-Mor da Fundação Zumbi de N´Gola… Sinceramente, fiquei muito orgulhoso deste procedimento tão nobre do Ex-Coronel Cabra da Peste de N´Gola(…).

Inteirei-me sucintamente que fazem parte do elenco executivo da dita Fundação Zumbi de N´Gola a psicóloga Rita Fiuza, o Arquitecto Luiz Cateriangongo, o geólogo Patriniche de Gusmão e o historiador Vizeu Antunes. Penso seriamente inteirar-me do laboratório que já em tempos e em Petrolina tinha encetado a investigação de uma membrana extraída do besouro que conserva a planta do deserto do Calahári de nome Welwitschia Mirabilis - uma membrana que é capaz de desenvolver tecidos de pele, ossos e cartilagens… Lembrar-me agora do tempo da arqueológica sabedoria de matar pulgas com um cassetete. Pois! De verdade, os pesquisadores criaram uma estrutura em plástico biodegradável na qual as células animais se desenvolvem e reproduzem no formato da estrutura biológica desejada. Ainda ando cafuso… não vale mesmo a pena morrer de véspera…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:19
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XII de várias partes…

Crónica 3244 de 21.02.2022 na Pajuçara de maceióRepublicada a 07.09.2022 em Lagoa do AlGharb, M´Puto

 - KIANDA COM ONGWEVA – Com Zachaf Pigafetta Roxo a kianda tetravó de Roxo e Oxor vinda do Niassa…Quando eu fiquei Minkisi

Por:Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange – Na Pajuçara, Alagoas do Brasil e Lagoa do M´Puto

kimbanda1.jpg E, por fim tinha ali em frente dos olhos a Kianda Zachaf Pigafetta Roxo a tetravó da Assunção, uma mulher radiante de beleza, assim estonteante que se ondulava em imagem, ora era, ora não era nem deixava de o ser, quasequase um holograma falante. Depois daquele pulo desassombrado aquietei-me recordando-me estar entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, porque zunia na minha cabeça legionários pensamentos.

Recordo aqui que, involuntariamente houve em mim um ligeiro pestanejar de reluzir comoção, quasequase como um vaga-lume comovido de pirilampo. O meu espanto maior foi saber que ela a Kianda Zachaf sabia que eu era o T´Chingange relembrando que socorri no futuro, sua trineta lá na praia do Guaxuma do Brasil, assim e assado com todos os pormenores de barbatana com o Zé Peixe de Sergipe. Na descrição original desta saga das Kiandas, Zé Peixe ainda era vivo e continuava a tomar banho só com a água do mar, sua Kalunga…

araujo82.jpgCA  - Assim, e sem mais edecéteras e vírgulas espantadas de interrogação disse-lhes que sim! Era eu inteirinho da Costa, nascido e desfalecido num vapor chamado Niassa. Foram muitas as perguntas e interjeições com muxoxos de parte a parte! Era agora que íamos pôr os pontos nos iis rebuscados nos pensamentos apócrifos, atrofilados e outros oriundos de rebuliços. Sabes, temos algo em comum, disse ela: - Tu e eu nascemos em um lugar com o mesmo nome. Sei agora, neste ano pandémico de 2022 que àquele lago chamam de Malawi porque abraça totalmente aquele antigo país de Niassaland…

Niassa! E, isso torna-te também um agente kalunga porque tens um espírito forte; para além das águas, nascente num barco com o nome do meu lago tornando-te um Minkisi*, um agente de ligação entre seres humanos e o físico divindade ou espírito das águas, que somos nós. Referia-se a mim!? E, Januário Pieter ali caladinho ouvindo sem intervir, sem definir o verbo derrogar alterando a estrutura dum regime etéreo...

lagar2.jpg Sentia-me diluir nas pernas e de novo belisquei-me; doeu e, sendo assim e com dor, só podia ser um humano. Estava em pulgas! Foi quando Januário Pieter assim no seu jeito cavernoso me disse: Eu e Zachaf Pigafetta somos irmãos! Uau! Isto, eu não podia imaginar e, continuou: Nossos pais fizeram uma longa travessia desde o lago Niassa, nesse então chamado Zachaf e o Kwanza. Os nossos mais-velhos assentaram arraiais em Cabo Ledo e, foi a partir daí que o destino me fez kianda itinerante da Globália.

Esta estória para além de longa começava a ser demasiado intrincada. Encontrei Januário Pieter pela primeira vez em Jablines a nove quilómetros de Disneyland. Recordo que foi lá que este me contou coisas que desconhecia terem-se passado em Angola nos tempos recentes e, também lá detrás desde os tempos em que Luanda estava na posse dos Mafulos com os Tugas recolhidos em Massangano e do qual fizeram uma segunda capital de N´Gola nas margens do Kwanza. Bom! A estória decerto iria ser bem interessante.

kafu28.jpg

Acontece que a hora já era tardia, "El Pátio Riconcillo" estava para encerrar e, teríamos de fazer uma pausa, remoer o acontecido e ganhar folga para os próximos episódios. E Pieter foi dizendo que eles tinham muitas mokandas na cabeça para contar: - O mais importante nesta minha vida de kianda da Muxima é falar dos entretantos esquindivados de Kwanza acima, Kwanza abaixo relembrando meus tempos de candengue. Minha mana, disse Pieter, terá outras estórias que decerto te encantarão. Estamos aqui para isso; mungweno! Foi assim que nos despedimos por agora.

GLOSSÁRIO: Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Kalunga: Junção de espíritos na forma de água, divindade abstracta. O Soba T´Chingange muxoxo: - silvo produzido pelos lábios de vento aspirado entre dentes; esquindiva: - fazer revienga, finta, fazer piruetas, bazar dali.

ama3.jpg Nota*: Minkisi: Similar aos orixás dos candomblés de Angola e do Congo. No panteão dos povos de língua quimbunda originários do Norte de Angola, o deus supremo e criador é N´Zambi; abaixo dele, estão os Minkisi ou Mikisi, divindades da mitologia banta. Wikipédia

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:28
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2022
PARACUCA . XLVIII

MULOLAS DO TEMPO -19

RECORDANDO: Do dia 21 para o 22 de Outubro de 2018, na cidade de TETE em Moçambique - 35º dia da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África e no Hotel Zambeze, bem em frente da ponte sobre o rio que vem de Cabora Bassa…

Crónica 3243 a 18.02.2022 – Reeditada a 06.09.2022 no AlGharb do M´Puto

Por soba0.jpegT´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e Lagoa do AlGharb

cubo2.jpg Ainda sinto um ligeiro arrepio quando a maluca da gata caiu lá do 5º andar. E, como hoje é o dia dos gatos relembro que a dita cuja de nome Yacha com suas sete vidas só ficou meia tonta e com os olhos arregalados, depois deu-se-lhe uma cortisona do tipo KH3 e recuperou-se milagrosamente. Até há bem pouco tempo, dizia o quanto eu na primeiríssima pessoa, tinha de vocação para terrorista. Ouvi até em tempos e, em surdina alguém dizer referindo-se a mim:- Ele conhece muitas estórias, é um inconveniente. E, porque nunca me conformei por nunca me entenderem, fico aqui de novo pensando nesta insensata atitude daquela gata Yacha; acho que foi um descuido sim – foi ao inferno e voltou!

Saltar para o parapeito da janela, correndo o perigo de só parar lá em baixo, no passeio, esborrachada. Aquele dia aconteceu. Acho que a teoria do tal de Isak Newton também é válida para gatos mas bem tolerante, pois que até parece que têm paraquedas no lombo da alma. E, pelo facto passado, pelo observado também aqui em terra de bafanas, eu sempre caía no estremo de dizer o quanto os moçambicanos bem como os angolanos, deveriam estar gratos por terem os Tugas como colonos e, não andar a pedir gasosa por dá-cá-aquela-palha. Pois que aqui verifica-se que para além do mato que cresceu, pouco mais há feito de novo e, por eles.

dyo2.jpg Sempre caía naquela satírica forma de dizer: - Os moçambicanos tal como os angolanos estão cheios de razão, os Tugas deveriam não só ter levado para o M´Puto as suas estátuas, Diogo Cão, Maia da Fonte, Norton de Matos entre outras mas e, também os prédios, escolas, pontes, hospitais, igrejas, barragens; ter deixado tudo exactamente como a encontrou o próprio Vasco da Gama, em 1498, aquando da viagem marítima para a Índia fazendo cambalachos com o xeique árabe que ali governava - "Mussa Ben Mbiki" ou "Mussal A'l Bik" e também o tal de Diogo Cam, 500 anos antes do achamento do rio Congo ou Zaire que pensava ser a dobra do cabo Bojador a caminho da Índia…

Em áfrica sempre se tem de ponderar gastos para não irmos mais além do plausível mas, há lugares que nem raspas do plausível existe! Esta missão exploradora serviu para revestir-me de uma armadura contra as megalomanias daqueles que julgam possuir todas as chaves de abrir todos os becos, todas as quelhas, todas as picadas sem declarar seu próprio fisco à sua alma. Ali, é fundamental ter dólares! Nosso comandante Vissapa, desconhecia. Sem isto, a apologia de se ir ao acaso tolhe o instinto, cega a fé, mesmo que se repita muitas vezes “valha-me Deus”. As caixas electrónicas funcionam mas, tem um mas..., talvez lá mais para a frente o diga...

BILENE 001.jpg O Hotel Zambeze foi o lugar em que permanecemos; satisfatório para África mas não tão eficiente de como o era lá atrás na época colonial, diz-se! Ficamos instalados no 1º andar mas, para irmos ao refeitório panorâmico lá no 6º andar, tinhamos de subir escadas porque o elevador não funcionava; pópilas, não se compreende esta gestão economicista. Da vista do restaurante divisava-se a linda ponta sobre o rio Zambeze, a mesma que atravessamos pagando os respectivos meticais da portagem.

Aqui em Moçambique todas as pontes pagam portagem e, sempre se vai encontrar um militar parando-nos para contar uma estória de carência; e, porque não tem dinheiro para ir ao funeral do tio e edecéteras mais intrincados, solicita uma gasosa, pois claro!... Possivelmente, utilizando este método já deve ter morto toda a família, Ascendentes de Gungunhana e até descendentes que ainda estão por vir. Aldrabões que chegue!? Só mesmo o Mia Couto para contar amabilidades dos genuínos patrícios – kiákiákiá…

moça01.jpg Como recordo a minha empregada Mery, natural de Kampala no Uganda, das ditas verdades sobre nós bazungus, brancos turistas em África com montes de artelhos e zingarelhos e câmaras de fotos e mais caixas e caixinhas de lentes e binóculos, mais o tal de canivete que tudo resolve chamado de MacGyver com uma lanterna regulável para ler nos olhos dos mabecos... E assim andei, feito pateta gastando dinheiro a rodos para ver a bosta de camelo mais a outra de elefante com as carochas do egipto, fazendo bolinhas de merda para armazenar no seu mukifo ecológico, vou-te falar!?

De repente via a Mery, chispando muxoxos, meditando até que o troço de tabaco se apagasse com o tição feito morrão dentro da boca, como se fora um pavio de fazer explodir a pólvora dum canhão. Ué! Talqualmente a lavadeira lá do Caputo da Luua de N´Gola, a Joana Kitunda, que também o fazia assim fumando grossos charutos com o tição dentro da boca horas a fio. Creio que enquanto fumam meditam com os anjos e arcanjos e kalungas que desconheço. Sempre fingi que não sabia e, nunca a tinha visto matar saudades de Kampala desta forma tão invulgar ou peculiar. Tocou-me a vez de fumar por um matope de pau-ferro, fumando o futuro! Estas peculiaridades exóticas fazem meu coração bater desordenadamente, latejando-me nas têmporas com um puta-que-pariu, matumbo até morrer. A seguir, vamos para Chimoio…

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:49
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Domingo, 4 de Setembro de 2022
PARACUCA . XLVII

MULOLAS DO TEMPO -18

RECORDANDO: Dia 21 de Outubro de 2018, na fronteira entre o Malawi e Moçambique - 34º dia da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África… Crónica 3242 - 15.02.2022 na pajuçara do Brasil; 04.09.2022 no AlGharb do M´puto

Por  4 DE JUNHO.jpg T´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e agora, no  AlGharb do M´Puto

paracuca1.jpg Ainda sinto um ligeiro tremor de raiva a arrepiar-me as carnes, o cérebro, quando me lembro daquele polícia de fronteira, impecavelmente preto, impecavelmente vestido, impecavelmente sóbrio e com divisas de chefe reluzentes, que ali naquela fronteira de Bozwé, entrada de Moçambique dize que só aceitavam dólares; numa terra em que o dinheiro tem o nome de Meticais. Por seis horas e sentados num muro de pedra ao acaso, tivemos de esperar pelo visto que viria de Tete.

Assim, de braços moles, de mãos frouxas, pescoço bambo quase abotoado ao estomago, crepitando febres, olhava um desconsolo como coisa nunca vista. Ando assim, a tomar chá rooibos misturado com borututu para defumar as raivas mal contidas. Sim! Para me curtir das cólicas. Ontem, até dei comigo a examinar quinquilharias de artesanato, assim minuciosamente como se nunca as tivesse visto. Agora, lá terei de inventar lendas para neles, me improvisar airosamente como um holograma…

paracuca8.jpg Neste dia de 21 de Outubro de 2018 escrevia: Estamos na fronteira de Zobwé que liga o Malawi à cidade de Tete e Cabora Bassa em Moçambique. Já estamos há cinco horas esperando pelos vistos que em princípio irão chegar da Cidade de Tete. Nosso comandante, guia, o melhor condutor de África, empertigou-se com o polícia que nos atendeu ao balcão do lado de Moçambique e neste compasso de espera creio até ser de castigo por excesso de lábia de nosso angolano genuíno de nome, alcunha bangão Vissapa.

Armou-se aos cucos e desatou a dizer que era jornalista e que iria contar ao mundo, que fazia e acontecia, por este desaforo de espera; tinham passado duas horas e foi-nos explicado que os selos dos vistos acabaram ali e, então teríamos de esperar até que o funcionário chegasse vindo de Tete, lá na margem do Zambeze. Sucede que o comandante não aceitou estas explicações, como se não conhecesse estes procedimentos nas fronteiras de áfrica e vai daí, óspois, cinco a seis horas passadas, já muito próximo do fim de dia é que com outro polícia em um outro turno fomos chamados a pagar o visto: cinquenta dólares!

Paracuca13.jpg Como só eu estava apetrechado com dólares tive de proceder aos trâmites e, eis que chegada a vez do comandante Vissapa os dólares não serviam, eram demasiado velhos, sujos, teriam de ser novos. Vai daí procurei o bafana cambista de rua do tipo kinguila que me cambiou e nada de o encontrar. Tive de comprar novos dólares para libertar Vissapa. Ainda ando com estes sujos 50 dólares na carteira para recordar tamanha recheira muito impregnada de bazófia de m´bika dum m´putista bangão – Sucede que o prejuízo já foi pois nunca vi a cor, nem a hipótese dessa devolução pois que e, até já nem o quero pra não azarar meu parco futuro…

Escrevia nesse então: Zobwé - Fronteira muito cheia de kazukuteiros a esmifrar os mezungos ou bazungus brancos! 50 Dólares americanos não sujos custaram-me 1000 randes! Fiquei a arder… nunca pedi resgate disto mas ficou uma raiva que criou ranço de bolor neste tempo todo. As Exorbitâncias são feitas à sociedade - compadrio com as autoridades da fronteira... Há laia de rascunho: -São necessários muitos dólares para satisfazer a apatia reinante dos preguiçosos serviçais da lei... Moçambique, é terra para esquecer; iremos ter mais pela frente…

paracuca27.jpg Nossos bolsos esvaziam nas fronteiras... De todos e até aqui, os mais honestos foram os Malawianos...Os mais ladrões e prepotentes foram mesmo os Moçambicanos... É estranho isto, noé!? – Não é! No entanto, pelo que se vê as infraestruturas aceitáveis de agora foram aqui deixadas pelos Tugas. É bem melhor ver África pela Nacional Geográfica... O maior calor teve o maior preço... Foi no Malawi no Mvuu Liwonga subsidiado por fundações europeias (já aqui descrevi…)! No entanto não aceitam pagamentos em Euros! Ando encafifado! Turista t'chindere em África, sofre e paga para isso! Raiuspartaqueospariu (tudo junto)...

fotos ZÂMBIA 021.jpg Sem pretender vulgarizar o verdadeiro sentido das coisas, aqui estou escrevendo missossos, muxoxos, mujimbos ou mokandas nos trezenos e sessenta e cinco dias dos anos comuns, para arredondar abraços XXL aos verdadeiros gestores do bem-querer. Pelo que podem ler, áfrica é para esquecer! Nesta afirmação, existe uma inevitável armadilha, que chamamos de cultura subordinada a um outro potencial de fingimento, pois que o real entrelaça-se com o possível dando forma à fricção, uma nova forma de ficção. Coitadinhos deles, dizem… Amanhã estaremos em Chimoio… A ver vamos…

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:01
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Sábado, 3 de Setembro de 2022
PARACUCA . XLVI

MULOLAS DO TEMPO -17 - 12.02.2022 em Kizomba; 03.09.2022 em Kimbo Lagoa

RECORDANDO: Dia 20, no Sul do Malawi em Lilongwé 33º dia da Odisseia “HAJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus no PARK MVUU LODGE do MALAWI… manuscrito de 22 de Outubro de 2018 - Crónica 3241

Por tonito17.jpgT´Chingange Na Pajuçara do nordeste brasileiro e Lagoa do AlGharb no M´Puto

IMG_20170901_103102.jpg  Posso ainda recordar-me termos ficado em Mtawa Lodge no centro de Lilongwé que é, desde 1975, a Capital do Maláwi. Lilongwé foi fundada em 1906 às margens do rio com o mesmo nome; inicialmente como um assentamento para os comerciantes asiáticos, seu clima ameno atraiu rapidamente as empresas europeias, tornando-se um centro administrativo colonial britânico no início do século XX.

Devido à sua localização na rota norte-sul principal do país e na estrada rumo a Rodésia do Norte (actualmente Zâmbia), concluída em 1909, Lilongwé tornou-se a segunda maior cidade do Malwi e, foi a próspera comunidade asiática de negócios residente na cidade que a promoveu a esse estatuto. Foi oficialmente oficializada como capital pelo antigo presidente Hastings Kamuzu Banda, embora que, inicialmente somente concentrasse os poderes judiciário e executivo…

IMG_20181031_092629.jpg O presidente Bingu Wa Mutharika exigiu que todos os escritórios do governo se mudassem para Lilongwé após as eleições presidenciais e parlamentares de maio de 2004. De quando em vez, é bom falar um pouco dos lugares por onde passamos pois que após longos silêncios remoídos na sustentação das mentiras ou verdades sobre africanos, sua terra e sua origem, a gente acaba por agarrar nenhures; sem entender tudo na perfeição e, distanciados numa longínqua aridez de secura com investimentos de leveza. Ficando meios anestesiados, até falamos com osgas gordas que mais parecem crocodilos, revemos jeitos e trejeitos que mais ninguém consegue vislumbrar…

Posso agora recordar o susto que apanhei ao verificar ter dormido com um escorpião no camping do Park Mvuu Lodge. Ao desmontar a grande tenda azul, vi um escorpião preto ai com uns sete centímetros, sair bem por debaixo de minha esponja que me serviu de cama. Bem quentinho ali permaneceu nem sei quanto tempo sem pagar renda. Na saída para o “main gate” podemos apreciar manadas de búfalos, entre muitos outros e muitas capotas, rolas e perdizes. Nosso destino agora é pernoitar na Capital Lilongwé e seguir amanhã para a fronteira mais a norte de Tete de Moçambique, dia 22 de Outubro de 2018.

central-african-wilderness(2).jpg Terei de recordar aqui que nosso capitão do mato, el comandante Vissapa, o melhor condutor de África, enquanto permanecemos no Park Mvuu, decidiu sair a pescar nas margens do rio Shire River sabendo ser perigoso e, avisado do perigo que seria ultrapassar os limites de vigilância segurança. Não resultou avisar que ali havia mais hipopótamos que cassuneiras mas, de nada valeu. Um carro patrulha teve de o ir buscar, levando uma rabecada bem justificada por um dos seus patrícios africanos - um genuíno…

Vissapa - el comandante, ainda lhe disse que era angolano de gema, que edecéteras e tal e, até lhe mostrou o bilhete de identidade. Era um branco, sim senhor mas também genuinamente africano! Ele, o guarda com flechas nas divisas, torceu seu nariz achatado, deu uma baforada com rolos de índio no ar e disse que, tudo ali era para ser tal e qual conforme o regulamento. Filosoficamente disse que aqui em áfrica tudo é de todos, menos dos brancos. E, assim, engolindo desaforos ficávamos num nada, feitos genéricos. Menos mal que eu só era mesmo - melhor…sou Niassalês…

alfa1.jpg No M´Puto, na Venezuela, no Brasil, em Namíbia ou África do Sul e até no escambau aonde judas chorou desesperado com todos nós; mortais filhos da peste que nunca o deixam em descanso, pois, até em África aonde o ontem fica cada vez mais distante. Ué e, o que então era proibido, hoje já o não é, lugar de tundamunjila (thunda um n´jilla) corruptado até os fundilhos de toda a brancura. Lugares aonde agora predomina a gasosa com kumbú e fundamentalmente a postura governamental de BLACK EMPOWERMENT*; Isto quer dizer uma política de substituição do negro em detrimento do branco. Vou dizer mais o quê se foi o que vi, espoliado quanto baste pois só não o serei, ou serás se, se houver kitar yábule (ter muito dinheiro)…

Amanhã teremos de passar na fronteira de entre Malawi e Moçambique! A fronteira aqui em áfrica é sempre um grande problema, sempre criam dificuldades para vender facilidades; como eles negros de pai e mãe aprenderam tão bem estes procedimentos de brancos! Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas injustiças pode sem se querer, saírem à luz da kúkia, gigantescas feridas. Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot, em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto…

cape2.jpg Nota*: Black Economic Empowerment é uma política do governo sul-africano que visa facilitar a participação mais ampla na economia dos negros, especialmente para corrigir as desigualdades criadas pelo apartheid. (Wikipedia inglês). Na prática é a substituição do preto pelo branco, generalizada em toda a áfrica austral! As vagas são para os de cor escura, primeira os nativos, depois os indianos e no fim os brancos; estes só conseguem assegurar trabalho em empresas familiares… Isto verificado, também me foi dito por um sujeito mulatão de nome comum de Ferreira lá na Cidade do Cabo, meio a dar para indiano, um meio monhê a viver de expedientes; com colares de missangas penduradas ao pescoço e um cofió colorido, um mwadié fantasiado de africano a repetir-me: - Só quem anda por gosto, não descansa! Isto, foi quando me queixei com azedume de haver muitos arrumadores de carros, brancos nos centros comerciais (uma forma de solicitar esmola sem ferir o orgulho).

(Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:53
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Sexta-feira, 2 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XI de várias partes…

Crónica 3240 de 10.02.2022Republicada a 02.09.2022 em Lagoa do M´Puto

- KIANDA COM ONGWEVASalaam Aleikum. Continuamos em terras de “Castilla La Mancha” – tentando encontrar a Zachaf Pigafetta Roxo a kianda tetravó de Roxo e Oxor vinda do Lago Niassa…

Por Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange – No PortVille da Pajuçara e, em Alagoas e AlGharb do M´Puto

sorte2.jpg Repito o já dito para dar continuidade (..)  Dizia meu Mano Corvo, mestre Araújo: Os bispos através destas gravuras impõem o respeito ao povo e, sempre querem que nós façamos o que mandam as regras de não roubarás, não matarás, não cobiçarás a mulher do vizinho e, por ai! Os medos, as lendas aqui, têm de ficar sempre presentes… E, continuou: Faço isto nas horas vagas para ganhar uns trocos, umas patacas extras.

O Mestre, El Greco Doménikos Theotokópoulos, não nos paga e somos nós, eu e uns mais, que pintamos os mantos, as nuvens, as árvores mais os rios, os montes, o pôr-do-sol raiado nas incertezas, da chuva ou trovoada e, sempre após os traços rabiscos que ele, El Greco, traça daquela sua forma esguia. Houve uma cor em especial que me chamou a atenção e porque mostrei interesse ali fiquei especado a ouvir o meu Mano Primeiro a descrever que aquela cor purpura era só usada para determinadas figuras.

sorte6.jpg Era um roxo que ia dos matizes entre o vermelho e o azul. Esta cor ainda é obtida através de algumas espécies de moluscos nativos do Mar Mediterrâneo! Pela dificuldade na sua obtenção e seu alto preço, esta cor era um dos mais importantes e mais caros pigmentos naturais da Antiguidade, disse ele. Em Roma só os imperadores a podiam usar em vestes e, quem ousasse usa-las pagava com a morte ou ficava no cadafalso a apodrecer! Háka, exclamei no muxoxo habitual, akimbundando suas malambas sábias…

Neste entretém, deu para meditar sem nada falar da estória que estava obrigado a descrever sobre as kiandas Roxo e Oxor. Uma preocupação trazida do futuro, lá da América do Sul, um lugar chamado de Brasil e duma praia chamada de Guaxuma que já descrevi por aqui! As coisas não são assim tão fáceis de explicar porque neste retroceder do tempo esqueci-me de muitos pormenores. Por isso recorro à kianda Januário Pieter que me aviva a mente e, curiosamente até mostrando meus próprios escritos do século XXI.

toledo5.jpg Em verdade, nem sei bem porquê, só me dá a ver! Também, se não fosse assim, quereria voltar rápido para junto da minha TV o futuro e ver o futebol, o M´Puto com a Coxinchina, o golo do Ronaldo repetido vezes sem conta ou o Palmeiras do Brasil tentando ganhar aos Ingleses do Chelsea e, o outro pé de Quaresma a colocar na cabeça do Ronaldo um outro golo com um tal chute de trivela…

Sentado no meu silêncio mastigando perguntas e respostas caladas, Pieter deu dois passos calçados no meu sobreconsciente. Num cadavez mais eufórico, Pieter falava todas as suas razões, falava de seus muitos tios e edecéteras. Eu só fingia que entendia e ele, sabia-o, subentendia-o, mas também ficava moita-carrasco, armado em kianda finória!

socie2.jpg Eu só disse, simplesmente: - Tá bem! Ele via o meu desespero em saber das coisas vindouras mas, só pude obter dele a promessa de que ele, levaria ao final do Concílio de Alcázer a tal antiga progenitora, tetravó de Roxo, a tal kianda Zachaf Pigafetta Roxo vinda do lago Niassa, (Zachaf) bem nos caminhos que levavam às terras de Prestes João. Afinal, o futuro surgiu-me numa odisseia, atravessei a áfrica por muitos dias permanecendo no local de meu escolhido nascimento – Niassa.

Mas - Teremos de ir primeiro a Albayzin de Alhambra um Pambu N´jila especial, porque só lá, ela pode aparecer a gente do futuro como tu e eu que sou um aleatório andante nestes caminhos do senhor, dos caminhos minkisi! Na minha ideia, já cruzava os ares, as ruelas estreitas de aroma de mijo com tapetes molhados; misturas de cheiros de churros, las tapas de argolas de lulas e vendo do outro lado do vale as muralhas e torres de Alhambra. E, o rio Darro ali ao pé. Teria de esperar! O que não tem remédio remediado está! São as percepções que trago do futuro que me suportam as angustias simbis… Tenhamos paciência, pouco a pouco lá chegaremos.

 roxo122.jpg AR    sacag11.jpgMJS

Glossário:

N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga; Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto; kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral; Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos e permanece até o toque do medo, adrenalina, guardador de caminhos com saber do ontem, do hoje e do amanhã; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e África central; Albayzin: - Bairro Mouro de Granada…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:39
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Terça-feira, 30 de Agosto de 2022
MALAMBAS. CCLXVII

TEMPOS COM FRINCHAS... Faz falta fazer querer...

Crónica 3239  de 09.02.2022 – Republicada no M´Puto a 30.08.2022 no Kimbo Lagoa Blog

Por soba17.jpg T'Chingange no Nordeste brasileiro em 09.02.2022 ::: No AlGhab do M´Puto a 30.08.2022

Nossas palavras, queiramos ou não, sempre causam alguma reacção em quem nos ouve ou a quem nos lê. O mesmo se dirá de nossos escritos avulso, quase apócrifos, reflecções ou outros edcéteras quotidianos com ou sem fricção, ficção, coisas da estória ou história com inventação ... No caso das apresentações públicas, o objetivo é fazer com que as pessoas sejam transformadas com o que é dito, se efectivamente valer a pena.

Grandes discursos são aqueles que mobilizam multidões. Contudo, isso não significa necessariamente que sejam positivos.  Todos os santos dias deparamos com falas incongruentes, dizeres  que não têm sentido, coisas ditos por pessoas que em principio deveriam ser de alto coturno. Adolf Hitler, por exemplo, atraiu milhões de pessoas com suas palavras, mas todos sabemos que seu propósito eram outros e bem terríveis. Nos dias de hoje temos muita gente com responssbilidade  a dizer besteiras  aumentando assim nosso gráfico de espanto.  

alema11.jpg A  história regista vários discursos que impactaram positivamente a sociedade. Em 1942, Mahatma Gandhi impressionou o mundo com sua retórica pacifista, defendendo a não violência como estratégia de luta pela independência da Índia. Odiernamente a palavra  quase de nada vale  e mesmo aqueles que se deveriam posicionar como estadistas caem na lama como um qualquer, um vulgar cidadão.

Em 1947, o objetivo de Gandhi foi alcançado. Em 28 de agosto de 1963, quando os afrodescendentes dos Estados Unidos viviam segregados, o pastor Martin Luther King Jr. proferiu um discurso histórico em favor dos direitos civis que alcançou mais de 200 mil pessoas.

araujo 101.jpg Quase um ano depois, a Lei dos Direitos Civis foi promulgada em seu país - os Estados Unidos da América. Não obstante, o discurso mais revolucionário de todos os tempos e que mudou completamente a narrativa da humanidade foi proferido por Jesus e, por estranho que pareça o mundo anda a passar ao lado desses ensinamentos; Hoje pedominam as classes cleptocratas, ladrões mesmo que defraudam os demais, subornam, mandam matar, poem sob escuta  o cidadão, fazem da fraude  uma verdade, mentem com todos os dentes e  nós assim ficamos de braços cruzados com o medo do medo... 

Há quem sempre professe outras falas mas, sempre notamos não estarem buriladas nos valores  éticos do círculo que nos serviu de padrão de comportamento social. No Sermão do Monte,  Cristo apresenta os elementos essenciais a que chamou "o reino de Deus". Os temas como justiça, boa conduta, compaixão, fé, ética, sofrimento e felicidade, que interessam a qualquer pessoa, de qualquer época e em qualquer lugar, são tratados por Jesus de maneira magistral e, não devemos sair destes princípios com os quais crescemos. Para bem do mundo! 

araujo85.jpg Para além de nos ensinar como nos devemos comportar, faz-nos sonhar com um mundo de justiça, de paz e harmonia. E, o segredo para alcançar essa realidade está nas Escrituras. Conhecê-las não fará diferença e, não virá mal ao mundo.  Aplicar esses princípios e experimentar, hoje, amanhã ou em um qualquer dia, pode dar a necessária alegria de fazer parte dum reino de querer!  O futuro, que o é agora, anda a ficar muito perigoso . Faz falta fazer querer usando os ensinamentos de Jesus...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:00
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MOKANDA DO BRASIL . XVIII

SETE COQUEIROS DA PAJUÇARA - “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso - a palavra foi feita para se dizer”- Crónica 3238 - 05.02.2022 – Republicada no KIMBO a 30.08.22 no AlGharb do M´Puto

Portonito19.jpg T´Chingange – (Na Pajuçara de Maceió no Nordeste brasileiro)  

Hoje (05.02.2022) apreciei de dentro da água tépida de 28 graus o nascimento das capitânias d´areia – concessão aos empresários que vivem da venda de sombra aos turistas, uns cocos frios e pasteis feitos na hora e debaixo de uma amendoeira e também o açaí de Tocantins ou skol em lata. O empregado do capitão d´areia risca a areia segundo uma direcção já estipulada, depois conta dez passos para o lado concessionado e, com o pé risca na areia o término correspondente ao seu patrão, Seu Baldo.

bra4.jpg Entretanto o moço vai cantando uma lengalenga e, intercalando a mesma, mete-se com o vizinho, também mocambo do Comprido, nome de seu patrão; imagino que seja alcunha pois que ele é mesmo alto. O dito-cujo chegou mais tarde botando ordem na algazarrada feita forró de pé-de-serra da dupla sertaneja Chitãozinho e Chororó… Pode assim imaginar-se a divisão do Brasil em capitânias medidas em léguas no tempo em que os prémios de marear mares por Portugal lá pelas Índias, eram ficar com lonjuras de terras desconhecidas até seu limite e segundo o Tratado de Tordesilhas, seguindo uma linha paralela aos paralelos ou equador.

brasil0.jpg Recordando a história, temos que as capitanias hereditárias eram uma forma de administração do território colonial português na América. Basicamente eram formadas por faixas de terra que partiam do litoral para o interior, comandadas por donatários e cuja posse era passada de forma hereditária. Por motivos de melhor aproveitamento para a administração da colónia, a Coroa Portuguesa delegava a exploração e a colonização aos interesses privados, principalmente por falta de recursos de Portugal em manter tais territórios.

As capitanias iam do litoral até o limite estipulado pelo Tratado de Tordesilhas, um modelo de colonização que tinha obtido sucesso na Ilha da Madeira e em Cabo Verde e África. A iniciativa de colonização utilizando este modelo respondia à necessidade de protecção contra invasores, sobretudo franceses que deixaram algum legado pois não me situo muito longe da Praia do Francês onde vivi por oito anos (de 2006 a 2014) . Os escolhidos eram membros da baixa nobreza portuguesa que a Coroa acreditava terem condições para a empreitada de colonização ou gente que se destacou na odisseia em descobrir o caminho marítimo para a índia.

Martim Afonso de Sousabrasil04.jpg

Esses nobres foram denominados donatários e representavam a autoridade máxima da capitania. O donatário não era dono, mas deveria desenvolver a capitania com recursos próprios, responsabilizando-se por seu controle, protecção e desenvolvimento. Juridicamente se estruturava o controlo da capitania através de dois documentos: Carta de Doação e Carta Foral. Tomemos por exemplo a capitânia de Paulo Afonso bem a meio do curso do Rio São Francisco que deu origem há agora grande cidade com seu nome, lugar que visitei na peugada de Lampião, um dos meus heróis da banda desenhada lá pelos anos de 1960 em Luanda (Angola), conjuntamente com o Mandrak, Homem de Borracha, Tarzan, Zorro ou O Fantasma… Minha cultura advém daqui e do cinema…

A Carta de doação dava a posse da terra ao donatário e a possibilidade de transmitir essa terra aos filhos, mas não a autorização de vendê-la. O documento dava também uma sesmaria de dez léguas (50 Km.) da costa onde se deveria fundar vilas, construir engenhos, garantir a segurança e colonização através do povoamento. Nela definia-se que o donatário era a autoridade máxima judicial e administrativa da capitania. As capitanias hereditárias existiram até 1821. À medida que iam fracassando, voltavam às mãos da Coroa Portuguesa e eram redimensionadas, gerando novas estruturas de administração. O acto de redimensionar as fronteiras das capitanias hereditárias moldou alguns estados litorâneos actuais.

arau154.jpg Não obstante o sucesso administrativo, o sistema de capitanias sofreu com a falta de recursos, algumas foram abandonadas e em outras jamais seus donatários estiveram ali. Igualmente sofreram ataques indígenas, os quais lutavam contra a invasão de suas terras.

Desta maneira, o empreendimento das capitanias hereditárias fracassou. Somente duas foram bem-sucedidas a saber: A Capitania de Pernambuco, comandada por Duarte Coelho, responsável por introduzir o cultivo da cana-de-açúcar e a Capitania de São Vicente, comandada por Martim Afonso de Sousa, graças ao tráfico de indígenas que realizavam naquelas terras.

O foco da Coroa portuguesa na sua colónia da América Portuguesa era a extracção dos recursos da terra, como o pau-brasil. Isso devia-se ao facto de não terem sido encontrados metais preciosos como foi o caso dos espanhóis em suas possessões. Após a inviabilidade das Capitanias Hereditárias, a colónia do Brasil, passou por uma reforma administrativa sendo instituído o cargo de Governo-Geral, prática também iniciada nas possessões africanas de Angola e Moçambique.

brasil05.jpg Convém aqui nesta leitura da história do M´Puto – Portugal, falar de algumas curiosidades sobre as Capitanias Hereditárias. Elas impulsionaram o crescimento das vilas, que aos poucos se transformaram em províncias e, mais tarde constituíram alguns estados brasileiros. A herança dos sistemas de capitanias hereditárias pode ser sentida até hoje através do coronelismo e das famílias que seguem mantendo o poder em certos estados. Martim Afonso de Sousa permaneceu pouco tempo em sua capitania, pois foi deslocado para ocupar um posto nas Índias. Quem administrou a terra foi sua esposa, Ana Pimentel. Ando a rever isto vendo a novela “Escrava Isaura” que foi escrita pelo romancista Bernardo Joaquim da Silva Guimarães…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:08
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Domingo, 28 de Agosto de 2022
KALUNGA . XXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - X de várias partes… Crónica 3237 de (03.01.2021) - 28.08.2022 - No M´Puto

- KIANDA COM ONGWEVA  Salaam Aleikum. Continuamos em terras de “Castilla La Mancha” – Encontro com Zachaf Pigafetta Roxo a kianda tetravó de Roxo e Oxor

Por tonito16.jpgT´Chingange – No PortVille da Pajuçara em Alagoas ( Republicada em Kimbo a 28.08.2022 no  M´Puto)

A conversa a três, eu o T´Chingange mais o Januário Pieter e Costa Araújo Primeiro, auxiliar de El Greco o pintor, continuou da forma descrita com pormenores de verrugas e coisas de arte, segredos de tintas feitas com sangue de besouro, vísceras de moluscos, seiva de figueira e ovos galados! Esta dos ovos galados, não entendi na perfeição, mas o interesse foi tanto que resolvemos fazer visita guiada pelo futuro mestre auxiliar do El Greco, Costa Araújo.

toledo18.jpg Saindo da “plaza del ayuntamiento” o candidato a pintor, levou-nos por travessas empedradas, escorrendo borras de uva com mijo de burra prenha e palha de estrebarias. Passamos a taverna “Cuatro tempos”, cruzando à direita em direcção a Alcázer andamos pela Calle Del Locum e, seguimos por outra tão apertada que até duvido que fosse possível por ali passar um camelo com um fardo de palha que fosse. Paramos em um pátio muito cheio de trastes, imbambas com um cheiro acre e agressivo com montículos de alvaiade e potes com produtos variados, cheirando a óleos indistintos. E havia numa das paredes mais ou menos arrumadas, paletes, pinceis, trinchas, espátulas e até serrotes e martelos. Era naquela calle de la Calavera, um lugar lúgubre e não muito longe do Palácio Alcazar que ficavam os grandes galpões do pintor El Greco Doménikos Theotokópoulos.

Em uma dependência lateral entramos em um outro cubículo passando por um arco de paredes largas e um símbolo alusivo a artes, digo eu, e bem no cimo deste e, bem ao centro. Era aqui que o ainda auxiliar de pintura Araújo, um galego fora de portas, da Bracara Augusta, mantinha o seu mukifo de coisas encantadoras encostadas ou penduradas entre cacos antropológicos; numa placa encastrada na rustica parede podia ler-se “Pátio Andaluz Del Toro”.

toledo16.jpg E, como que fazendo um friso de museu, ali estavam colgados cornos retorcidos e caveiras com paletes borradas de muitas cores. Percorrendo a vista pelas telas, pranchas e cavaletes, mais ossadas de indistintos animais fiquei assim meio recolhido num soluço medroso sem saber que a arte neste tempo era algo de muita pesquiza pelas cores e formas bizarronas, de gente esguia, orelhudas e olhos de meter medo ao capeta!

Ainda me atrevi a fazer uma pergunta: - Para que pintam vocês e, para que servem estes painéis esguios e, … mesmo antes de acabar as perguntas meio amedrontadas O Araújo, meu Mano Corvo por divina indigitação disse-me: - São para colocar nas sacristias das igrejas. Vês aqui este, e apontou um quadro que mostrava um homem feio, horrível mesmo, desdentado, dedos longos e unhas de garras açambarcando um montão de moedas em oiro que escorriam para debaixo da cama.

toledo1.jpg Descrevendo isto recordo o medo que tive muitos anos depois quando e durante a catequese no mukifo da sacristia, via assustado em um quadro medonho, um feio homem de rabo grande e chifres retorcidos, feito macaco, retirando debaixo da cama um saco de moedas ao velho moribundo; sei lá se de peste bubónica ou outra covidesca e negra malazenga como a de agora (Covid 19,20,21,22). Aquilo era a usura no seu máximo expoente … Um pormenor que nesse então nem me falhou: O homem tinha os olhos rasgados, um sinistro chinocas vestindo um kimono repleto de serpentes com vários rabos…Ué, coisa medonha.

toledo7.jpg Isto, disse ele meu mano, simboliza a avareza e, este aqui meio diluído por detrás destas barricas é mesmo o diabo; tem este aspecto para amedrontar miúdos candengues como tu. Os bispos através destas gravuras impõem o respeito ao povo e, sempre querem que nós façamos o que mandam as regras de não roubarás, não matarás, não cobiçarás a mulher do vizinho e, por ai! Os medos, as lendas aqui, têm de ficar sempre presentes…

Glossário:

N´zimbo: Pambu N´jila:-Lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto; kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral; Mukifo: espaço de trabalho, lugar recolhido com coisas espalhadas ao acaso; Minkisi:- Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos e permanece até o toque do medo, adrenalina, guardador de caminhos com saber do ontem, do hoje e do amanhã; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e África central; Albayzin: - Bairro Mouro de Granada…

(Continua…)

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:59
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Domingo, 17 de Julho de 2022
MOKANDA DO BRASIL . XVII

PAJUÇARA - SETE COQUEIROS - “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso - a palavra foi feita para se dizer”- Crónica 3235 - 01.02.2022 em 7 coqueiros da Pajuçara

Republicada a 17.07.2022 do AlGharb

Por Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange (Otchingandji )– No AlGharb do M´puto

paju2.jpg Eram 5 horas e 45 minutos quando furei a areia para colocar meu chapéu-de-sol na praia de Sete Coqueiros. Fui o primeiro a colocar um chapéu naqueles 4 quilómetros de areal e bem em frente do Pavilhão de Artesanato. Após dispor as duas cadeiras bem aselhadas e, muito próximo do máximo espraiar das águas em maré decrescente, meti-me na água até meus ombro serem cobertos por esta.

O início de minha hidroginástica começa bem aqui, virado para a orla marítima e apreciando a azáfama matinal que é bem diversificada. Daqui posso ver como num anfiteatro todos os movimentos, sentir cheiros e os muitos sons que vão subindo ao longo do passar do tempo. Observo uma senhora que percorre a linha de ondulação da máxima maré com um saco de plástico e abaixando-se amiudadamente apanha algo com sua luva transparente; pareceu-me ser pequenos objectos, utensílios feitos em plástico como garfos, facas e canudos de plástico.

Pode até ser conchas mas tudo indica andar a cumprir uma promessa de limpar a praia de desperdícios deitados no bota fora na óptica do quero lá saber. Deve ser mesmo um compromisso de sonho de limpar os maus hábitos. O mesmo homem de sempre passa em corrida de passos ou pulos pequenos em direcção ao porto do Jaraguá. E, passa um tal de Mateus, um quase atleta de futvolei, conhecido de há anos e dizendo adeus, some-se na lonjura com suas passadas enérgicas.

pajuç1.jpg As ondas à medida da descida da maré vão ficando menos altas pois que suas antecedentes ficaram lá atrás retidas nos arrecifes. É um lençol de água de cor esmeralda, que depois, no meio e antes dos recifes vai fiando azul e mais escura a caminho do horizonte. Estranho não voltar a ver uma velha senhora que caminhava na via ré, andando às arrecuas para ganhar mocidade. Ou então, andará envolvida nos rolos do medo covidesco na progressão de delta para ó-mi-com ou, na pior análise já foi nessa leva abalroada para o jardim das tabuletas.

Posso ver daqui o trilho que sei estar pintado de vermelho, pista de bicicletas e aonde se cruzam donzelas de justas pregas e todos os demais e, até vendedores de café da manhã que com seus zingarelhos de caixas, de pastéis bem dentro de outras caixas de isopor, esferovite de onde se pode divisar as tampas dos termos com café, com leite e outras garrafas com suco e quenturas de caldo de feijão; tudo numa ordenação estudada na resiliência. Ao lado, a gente correndo no calçadão vão dando colorido por entre os muitos chapéus de praia que vão surgindo a partir das sete e meia…

Contornando o calçadão, há dispostos altos coqueiros a emparceirar com as largas copas verdes de amendoeira, do figo da índia como eu conhecia em Luanda, capital de Angola. E, pela marginal posso acompanhar com os ouvidos o andamento de um carro discoteca que lança uma música tracejada de comprimido, mistura de kuduro com pera abacate. Parece, não haver noção dos decibéis enfiados a contragosto em todos os demais e, tudo numa boa, ninguém parece importar-se. A batida correu na avenida soando em tracejado ao meu ouvido já de si dolorido e carecido…

piaçabuçu02.jpg E, passa junto á beira da água molhada o mesmo general, caricaturado por mim já lá vão uns três anos e, sem jeito de baixar sua proeminente barriga de ginguba. Com suas flanelas protectoras do rei sol lá vai variando do amarelo fosfórico ao azul reluzente, tudo num passo rápido e convincentemente só. Pelas sete e meia surgem os trabalhadores empresários de chapéus no suficientemente largos para cobrir uma família. Fazem rasgos com os pé na areia a condizer com o seu licenciamento de capitania de praia e depois com uns negócios de enxadas gémeas fazem buracos o suficientemente fortes para aguentar sua estrutura.

Num rápido, já tudo está enxameado de cadeiras multicolores, mesinhas e chapéus; bem na berma do calçadão estão seus carros cangulos gigantes de serem levados por mão ou empurrão, depósito de todos aqueles trastes de artelhos com corotos e também caixas com gelo e bebidas para vender ao povão, cocos, cerveja e licores de jenipapo a misturar com iguarias de suco de ananás, acarajé de dendém e doces mixórdias de animar um qualquer ateu.

Bem perto duas mulheres com chapéus de palas largas em suas cabeças, rezam e cantam com as mãos elevadas para a kalunga ou iemanjá; mais longe saem as balsas dos jangadeiros levando turistas para as piscinas naturais; lugar do recife aonde a água transparece mostrando variedades de peixes que acostumados, vêm picar e debicar restos de pão, bonito de ver aqui e em qualquer lugar que tenha este jeito de recifes.

pajuç1.jpg Escrevendo em verde o que vai por aqui, sei que lá fora todos andam inquietados com as movimentações, canhões de Putin na Ucrânia, ameaças da UE e a NATO, enfim. Desde a estória do Adão e a Eva que andamos assim em permanente transgressão. A culpa é mesmo da EVA que comeu o fruto proibido quando tinha tantos outros para se lambuzar… mais logo vou comer canjica e queijo de coalho no meio da tapioca, ver pela TV pela segunda vez “A escrava Isaura” e depois … Depois, amanhã será outro dia - FUI!

O Soba T´Chingange            



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:04
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2022
PARACUCA . XLIV

MULOLAS DO TEMPO . 15 28.01.2022 - Na Pajuçara do Nordeste brasileiro

RECORDANDO: 26º e 27º dias. Nós, bazungus no ALCON COTTAGE em MONKEY BAY às margens do lago NIASSA do MALAWI a 16 de Outubro de 2018

- Crónica 3234 – Republicada em Kimbo Lagoa a 14.07.2022

Porsoba15.jpg T´Chingange (Otchingandji) – No AlGharb do M´Puto

INHASSORO 092.jpg Por terra, andamos vendo um deslumbrante espelho de água até chegar aqui a Monkey Bay na parte Sul do Lago e no lugar de Alcon Cottage, um lodge de um indiano com piscina e árvores frondosas com o nome de Juliette. Sereno, selvagem, tranquilo, invade-nos com uma misteriosa paz e invulgar quietude. É o nosso 26º dia de viagem da “Odisseia Potholes”. Aqui, a intermete não funciona em pleno embora tivéssemos pago 2000 KwN (25 €).  

Por aqui, fiquei a saber que na língua chinyanja (ou chinhanja), falada na orla moçambicana do lago, Niassa significa "lago", tal como o próprio nome do povo que usa aquela língua, os Nyanjas, significa povo do lago. Em chichewa, uma das línguas do Malawi, a palavra malawi significa o nascer do sol, visto que, estando a ocidente do lago, é dessa forma que os malawianos vêem nascer o dia, sobre o lago.

INHASSORO 090.jpg É um lago único no mundo por formar uma província biogeográfica específica, com cerca de 400 espécies de ciclídeas descritas endémicas. O nível da água varia com as estações do ano e tem ainda um ciclo de longa duração, com os níveis mais altos em anos recentes, desde que existem registos. Estou a gozar o vento aprazível que vem do lago e debaixo de uma frondosa árvore chamada de Juliette.   

Nosso destino e, dentro de dois dias iremos para o Liwonde National Park mais a Sul, um lugar já muito próximo da fronteira com Moçambique e por ali iremos permanecer uns dois dias fazendo nosso bivaque com as tendas pois que ficaremos num lugar de camping. Elas foram compradas para isto mesmo mas até aqui sempre ficamos em lodges ou hotéis; uns em beira de estrada e outros com as características típicas de chalés com cobertura em palha.

INHASSORO 111.jpg E, porque já descrevi os lugares de nosso percurso, vou agora descrever qual o fenómeno de existir um conjunto de lagos, uma fiada disposta ao longo do centro de África. Temos os lagos Tanganyka, Victória, Rukwa e Albert entre outros. Estes, fazem parte do Grande Vale do Rift, também conhecido como Vale da Grande Fenda - um complexo de falhas tectónicas criado há cerca de 35 milhões de anos com a separação das placas tectónicas africana e arábica.

Esta estrutura estende-se no sentido norte-sul por cerca de 5000 km, desde o norte da Síria até ao centro de Moçambique, com uma largura que varia entre 30 e 100 km e, em profundidade de algumas centenas a milhares de metros. Ao pernoitar em Karonga pensei neste hífen da viagem periclitante, coisa pouca a comparar com a fractura do RIFT da África. Pernoitando também em M´Zuzu, pude alhear-me do cicerone chato como a potassa e, apreciar todo o lago Niassa ou Malawi em toda a sua costa ignorando o “El Comandante”.

INHASSORO 351.jpg Este Grande Vale do Rift, tem a característica de ser considerada como uma das maravilhas geológicas do mundo, um lugar onde as forças tectónicas da Terra estão actualmente tentando criar novas placas ao separar as antigas. Mas, como é que essas fendas se formaram? Uma revista de publicação local, diz-me que o mecanismo exacto da formação correta, é um debate contínuo entre os cientistas. Este East African Rifts, assume que o fluxo de calor elevado do manto está causando um par de "protuberâncias" térmicas no centro do Quénia e na região Afar do centro-norte da Etiópia.

De anotar aqui que a história da Etiópia está documentada como uma das mais antigas do mundo. Recorde-se Lucy, esse achado arqueológico importante que desvenda nossa natureza humana, descoberta no Vale de Awash nessa mesma região - Afar da Etiópia. À medida que a extensão continua, a ruptura litosférica ocorrerá dentro de 10 milhões de anos, a placa somali se romperá e uma nova bacia oceânica se formará. Aquelas protuberâncias podem ser facilmente vistas como planaltos elevados em qualquer mapa topográfico da área ou visualmente como o é este presente caso...

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:58
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2022
MOKANDA DO BRASIL . XVI

TEMPO COM CINZAS27.01.2022 - No Nordeste brasileiro

E, aqui na PAJUÇARA - Se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar COVIDADO…

Crónica 3233. Republicada a 13.07.2022 no M´Puto

PorSoba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

xique xique4.jpg Embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não nos ver, fazendo-nos sofrer por culpa de outrem. Na Praia da Pajuçara leio a notícia que é coisa que se tira a desejo, do fim do Sol espojando-se para o sono da noite. Foi um ontem transladado para hoje como um espelho preto. Da tristeza que sempre é notícia de toda a hora, o gráfico da ó·mi·cron que corresponde à letra “O” do alfabeto latino, subiu aqui e ali e, mais gente morreu.

Neste meio tempo de escrita, vou sendo rodeado de chapéus coloridos, cadeiras e mesas, caixas térmicas isopor ou esferovite com estampas de cerveja a estalar de frio, gulosas que chega, gente gira com barulhos de linguajar de Gravatá. Mais logo virão a música de forró e anedotas de repentistas caboclos, matutos e gente gira de cu-ao-léu, sereia mostrando a barbatana, os fios entalados na alegria dos olhos e cheiros de entaladinhos mais coxinhas de galinha e o acarajé da tia Alzira.

xique xique2.jpg E, assim e aqui na praia com algum aperto de desânimo aproveito para olhar para a banda de onde ainda se praz qualquer luz da manhã. Posso ver as velas enfornadas ao vento que vem do horizonte fazendo nadar as jangadas. Assim, mesmo sentado vou lambendo a fantasia de afinal quando é que a velhice começa surgindo de dentro da mocidade. Coisa endoidada de lembrar ao espaço pensamento em minha cabeça…

Lamber a maldição é castigo, mas a noticia que sempre a há, a gente tem de ir por ela, com ela e, entrar assim num mundo para buscá-la. A mulher caranguejo passa caminhando, bem, descaminhando ginástica de para trás, agarrando juventude na prática exercitada. Andando assim para trás diz-nos bom dia! Conhece-nos por temporada! Eu sou o que sou mas ela, mesmo andando à ré, continua a ser ela

paju1.jpg A mulher caranguejo já nem nos via há três anos mas, reconheceu-nos; quis saber notícias das maldades do mundo e, foi-lhe dito as balelas que todos sabem. Aos olhos da minha vazante, a maré já começava a subir, teria tempo de falar algo tal com falei e, eram 8 horas e 20 minutos, estava a meia hora de regressar ao meu mukifo no PortVille já ginasticado com a dose habitual de talassoterapia, escrever depois a minha crónica número 3233 para a Kizomba (esta).

Passar a limpo a mesma no computador, tomar o meu café da manhã “santa clara” e provar a canjica de milho branco com umas sementes de girassol e erva-doce porque a memória que Deus me deu não foi para palavrear às arrecuas; andando assim como a mulher caranguejo. E, sou mesmo forçado a criar tabus no meu espírito para me manter são na guerra da vida.

paju2.jpg Ou fico em silêncio, ou falo dizendo impropérios à falta do fervor alheia. De todo o modo, assim ou assado, com este ou aquele, no M´Puto ou aqui em terras de Vera Cruz, terei de aceitar o meu posto de cidadão, mesmo faltando-me a confiança; mesmo que daqui advenham tempos sombrios e confundidos. Terei de ir mandando pontapés aos espíritos, às arrecuas e de costas, pois!

Todos iremos morder o pó ou o fogo consoante a forma como desejarmos dispor do nosso bem-amado esqueleto. Toda a vez que vejo ou ouço "todo mundo usando máscara" impossível que minha mente não rebusque os estudos escatológicos da marca da besta que para mim é a mesma coisa. E falo isto agora, porque ainda me é permitido, porque eventualmente, em um futuro próximo já não me permitirão mais dizer o que penso. A vida anda muito perigosa...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:09
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PARACUCA . XLIII

MULOLAS DO TEMPO . 1426.01.2022 em Pajuçara do Nordeste brasileio

RECORDANDO: 25º dia. Nós, bazungus no SITIMA-IN de Nkotakota às margens do lago NIASSA do MALAWI… 15 de Outubro de 2018

- Crónica 3232 Republicada a 13.07.2022

Por soba17.jpg T´Chingange – No AlGharb do M´Puto

Malawi táxi.jpg Nkotakota era originalmente, no século XIX, um grupo de aldeias que a partir de seu porto, serviram como interposto comercial de escravos suaíli-árabes. David Livingstone convenceu o chefe Jumbe a parar com o comércio de escravos debaixo de uma árvore chamada de Nkotakota; este nome prevaleceu no tempo tendo o presidente do Malawi Hastings Banda discursado em 1960; supostamente nessa árvore ironicamente conhecida como a Árvore Livingstone.

A 100 metros do Sitima-in, experimentei entrar na água do lago e, andando até os joelhos pude apreciar estar a uns 23 graus; Eram 5,20 horas da tarde e os pescadores estavam chegando com seus barcos; logo começaram a vender seu produto a quem queria ao jeito de lota, tilápia, chissipa, bagres e uns outros muito semelhante a carapaus, mas mais esguios. Na pousada, foi dia de se comer piza variada. Não caí na tentação de comer carne porque parece sempre a prepararem demasiado torriscada e rija como chifres.

malawi2.jpg Por via disso o comandante Vissapa partiu sua esquelética e anda agora com toos os cuidados, metendo amiudadamente uma cola rápida de segurar ferraduras e coisas assim. Amanhã iremos para Sul em direcção a Monkey Bay. Isto aqui é um lugar surrealista ao lado de uma linha desactivada, que sem estação se situa junto a um desmoronado porto com as pilastras e lages tombadas a fazer de prancha de saltos para os candengues. É mais um lugar de Kiandas Roxas…

O edifício tem nele incrustadas peças de navios podendo vislumbrar-se estas incrustações tanto na fachada como dentro da mesma. Tem cambotas, bielas e chaminés do tipo de vapor. Logo à entrada tem duas grandes rodas, daquelas de conduzir navios por onde esvoaçam mosquitos e osgas gordas, dinossáuricas. A dona tem olhos azuis, veste cetim com rosas azuis e verdes. Veio de Upington lá no Orange River, Cabo Setentrional da África do Sul a 120 Kms. das Quedas de Augrabies, lugar que já visitei; por isso, trocamos algumas palavras de consertar empatia…

dia146.jpg Nas nossas congeminações fizemos desta estalagem um antigo bordel aonde os marinheiros brancos usavam seus ministérios. Nesta casa de sonho de tempo tempestuoso havia hélices, motores, portas e janelas de carros e vagonetes à mistura com gigantes parafusos-sem-fim e êmbolos de casas de máquinas de vapores naufragados.  Vissapa referiu terem sido de navios usados ali na segunda guerra mundial - talvez!? Já li descrições de enfrentamentos de alemães na parte Norte do Niassa de Moçambique mas não sou assim tão atreito em acreditar num talvez! Muito menos aqui em África e, no lago Karibe… Quem sabe!?     

Da superfície das águas elevam-se nuvens em espiral de transportar kiandas do kalunga. Um mistério que vai alimentar muitas conversas, originar escritos de sonhos com danças de boas vindas ao Niassa! Pois aqui, em Sitima de Nkhotakota, uma casa feita de assombro e restos dum barco encalhado com o nome do capitão Steve, são as fantasias de Vissapa a recordar estas coisas escondidas em seus sonhos. Almoçamos na sala do capitão mas este, não apareceu naquela forma de olho tapado com perna de pau e um gancho a fazer de mão…

luua04.jpg Andamos de sítio em sítio sem vermos o tal de “Ilala Boat “ que dizem andar pelo lago levando no 1º andar os turistas bazungus carregados de máquinas, binóculos e edecéteras com canivetes de Mack Guiver com mais de dez aplicações e um colete com bolsos secretos para guardas shillings, dólares, randes ou kwachas; pois! E, no andar inferior os que vivem nas margens do Niassa e que tem de transportar galinhas, mandioca e peixe seco t´chissipa. Era suposto haver um barco ali mas só ficamos pelo talvez sem fazer o desejado passeio.

Um barco que sempre nos traz à memória "A Curva do Rio" de V.S. Naipaul e também do Peter Pan… A divisão das fronteiras tem coisas surpreendidas; daqui não se avista a costa do Moçambique - o lago parece ter mais de 80 quilómetros de largura. Falam de uma ilha de nome Likoma terra de kiandas sábias que curam mazelas fazendo trepanação com seus dedos, muitos dedos mas nós, só pensamos por agora ir à ilha de Bazaruto em frente a Inhassoro já na costa do Oceano Indico. Talvez?

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:00
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Terça-feira, 12 de Julho de 2022
PARACUCA . XLII

MULOLAS DO TEMPO . 1325.01.2022 - No Nordeste do Brasil

RECORDANDO: Do 22º ao 24º dia. Nós, bazungus no Hotel SUKUMA-IN na cidade de Karonga, bem ao Norte do lago Niassa a que também chamam de MALAWI

Crónica 3231::: Republicada a 12.07.2022 no AlGharb do M´Puto

Por t´chingange 0.jpg T´Chingange (Ot´Chingandji)

kasane01.jpg  Passados que são três anos e meio, vou tentar relembrar os episódios mais marcantes da odisseia em África “Haja Paciência” depois da nossa passagem da Tanzânia para o Malawi. A sequência dos dias já se me vai ficando diluída na recordação mas, recorrendo ao caderno nº 11, revejo a data de 12 de Outubro do ano de 2018; interrogava-me neste então como seria o nosso práfrente coexistindo-me à distância de um “Haja Paciência” com “El Comandante - o melhor condutor de África” …

O Malawi é um país interior da África. Limita-se ao norte e a nordeste com a Tanzânia, ao sul, este e sudoeste com Moçambique e ao oeste com a Zâmbia. O traço mais marcante da sua geografia é o lago Malawi ou Niassa, terceiro mais extenso de África, que ocupa cerca de um quarto do país, com aproximadamente 31000 km², dividindo-o com Moçambique e fazendo a fronteira com a Tanzânia. O relevo varia entre as planícies do rio Shire, que origina-se no Lago Niassa que desagua no rio Zambeze já em território moçambicano. É para aí que “El Comandante V” aponta seu azimute. Em realidade eu já deveria ter voltado para trás apanhando um avião em Kasane (perto de victória Falls) no Botswana

kasane1.jpg Há uma cadeia montanhosa que se estende de Norte ao centro-oeste do país, com elevações entre 1000 e 2000 metros, que correspondem as montanhas que seguem o Vale do Rift da África Oriental. Na porção sudeste do país, a leste do vale do rio Shire, ergue-se o maciço de Mulanje (também pertencente às cadeias marginais do Vale do Rift) com o pico Sapitwa que, com 3002 m de altitude, é o ponto mais elevado do país. Andamos por aqui quase perdidos para ver uma reserva que poucos animais tinha. Havia sim muita árvore marula da qual se faz um dos melhores licores do mundo.

O clima é tropical na região central até ao Norte, com uma temperatura média anual de 30°C, e mais ameno (clima temperado) ao Sul, sob influência das correntes de ar frio (no inverno) do Sul do continente africano, com estações do ano mais bem definidas que o centro-norte do país. As gentes são bem amáveis, conservando valores católicos e pelo observado mais honestos no relacionamento com os turistas…

kasane2.jpg No Hotel SUMUKA-IN, viemos ocupar dois espaços de quartos de executivo ao preço de 40.000 Kwsm, algo como 50 €; as instalações são antigas, grandes espaços, bons moveis mas, dos seis pontos de luz, só um tem lâmpada. Não tem cafeteira eléctrica, nem chá, café e açúcar como foi habitual encontrar em África do Sul, Botswana, Namíbia, Zimbabwé, Zâmbia e Tanzânia. Há uma vela em lugar bem visível, indício de que a electricidade falta com frequência.

Há dois ares condicionados, um não trabalha e o outo só ventila. São duas horas da manhã e não consigo dormir pelo calor que faz; virando as patilhas do FAN para a cabeceira lá conseguimos dormir com os pés na cabeceira. Só desse modo conseguimos apanhar algum ar em movimento do estropiado aparelho. As estradas do Malawi apresentam-se melhores conservadas mas, o jeito da cidade é bem típica de áfrica, muito cheia de casas abarracadas a que chamo de cubatas chimbecos, muita coisa improvisada e muitas bicicletas. Algumas são bike-táxis. Por aqui, felizmente, nossos cartões de banco funcionaram e podemos assim, encher nossos baús com muitas notas Kwachas.  

busq6.jpg Nzuzu – 14.10.2018 – Vigésimo quarto dia da odisseia “Photoles”. Este foi o dia em que comi o bife mais duro do planeta à modica quantia de 4.500 Kwachas Malawianos. Turista sofre! Seguindo viagem neste ambiente de resiliência recordo as Vidas Secas de Graciliano Ramos. Algures no trajecto da fronteira de Songwe Border e, já no Malawi até Karonga atravessamos uma floresta de árvores seringueiras. Parámos e compramos bolas feitas de cauchu natural, rolos de muito fio de latex seco envolto e formando um globo saltitante. A bola por obra e graça do espirito santo desapareceu misteriosamente. Deve ter saltado do carro algures em uma das posteriores paragens. 

Com colares massai de contas azuis e bagos de feijão maluco de Angola penduradas ao pescoço, escrevo no imaginário, coisas loucas a condizer com o não menos chanfrado Ernest Emingway, salvo as proporções, claro! Sou um homem do mundo. Já viajei e vi muitas coisas; os anos e meses que passei noutros lugares assim como missangas, conto-os enfiados em um fio de náilon a fazer de pai-de-santo. Formando frases curtas e sinceras tento rematar-me nas voltas certas para driblar de outro jeito meu passado. Sim! De outro qualquer modo ele, o passado pode reconhecer-me. Aiué! Aprendo com as formigas grandes, kissondes que em andamento seguro, arrastam pelo pó do chão seus ventres escuros sem discutir com Deus por assim andarem, sempre se arrastando.

(Continua…)

O Soba T´Chingange      

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:23
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2022
KALUNGA . XXIV

 NAS FRINCHAS DO TEMPO - IX

- KIANDA COM ONGWEVA NO CONCILIO DAS KIANDAS Salaam Aleikum, com as kiandas Roxo, algures numa ânfora do tempo em Alcazar… 

Crónica 3230 de 20.01.2021em Kizomba no PortVille da Pajuçara em Alagoas Republicado no Kimbo Lagoa hoje: 11.07.2022

Por  t´chingange.jpeg T´Chingange (Ot´Chingandji)– No AlGharb do  M´Puto

t´xipala1.jpg As técnicas apuradas no trato do aço ali em Toledo, já vinham da idade média; N´kondis ancestrais a pedido de Simbas também antigos, num tempo mais recuado chamado na Ibéria de época medieval tinham trazido dedos de N´Zambi para retemperarem na dureza o tal aço batido, esfriado e de novo batido; tratava-se de pequenas pedras de meteorito trazidas das terras do fim-do-mundo, lá da Ovamboland, terras de Oshakati e Okaukuejo no reino dos Himbas.

Do Runda e Urunda que se designaram mais tarde por Cuango e Lualaba, que significam em umbundo terras abandonadas ou de difícil acesso, vulgo no cú-de-Judas. Terras remotas aonde os N´Dele Mwene-puto, Tugas, surgiram como “filhos do mar”; assim diziam os nativos pertencentes à corte do João Imperador, o Rei de Abexi de quem o Rei do Kongo tinha temor.

toledo10.jpg De lembrar aqui que o padre jesuíta D. Gonçalo da Silveira internando-se na Mocaranga e tendo baptizado o Monomotapa foi morto por este por intriga dos Mouros! Estes Mouros que ainda hoje continuam fazendo barbaridades. Até Camões daqueles idos tempos escreveu em verso: Vede do Monomotapa (Mwenemutapa) o grande império, de selvática gente, negra e nua, onde Gonçalo de morte e vitupério padecera pela fé, sua santa. Tudo tem uma explicação!

Em Toledo, eu o Soba T´Chingange, não resisti à mística; comprei uma destas facas. Como N´kondi e seus Bandokis que ainda andam por Toledo feitos bactérias, passo a descrever em síntese o poder de magia que estes ainda exercem: - Usam um boneco fetiche feito de pequenas conchas coladas com resina natural com dois espelhos receptores de encomendas mágicas, um na barriga, outro no topo da cabeça, coberto com uma pele de cobra.

ROXO186.jpg Na mão direita carrega uma lança de pedra tipo ónix mostrando agressividade no seu carácter. O boneco, todo ele, é encrustado de várias substâncias usadas durante as cerimónias envolventes ao Concílio e, em que os pacientes contam as suas estórias de infelicidade evocando a vingança que desejam infligir ao suposto culpado. Háka! Isto e tão mistico que até eu que sou feiticeiro fico enrrugado de cagufa...

- A vingança é feita espetando o prego num determinado sítio do corpo do fetiche - O N´Kondi também recorre ao imbondeiro chamado de N´kondo Ikuta M´vunbi espetando nele o prego; assim a vítima morrerá inchada como a árvore garrafa, o baobá - O descrito prego de aço é o mais eficaz pois nele tem impregnado todo o mal dos homens. N´Kondi quando das várias permanências nos aposentos subterrâneos de Alcazar de Toledo, foi consultado pela infortunada esposa de D. Pedro I do M´Puto, “El cruel”, a rainha Dona Branca, ali prisioneira.

eça6.jpgCA -  Vários bonecos fetiches de N´Kondi N´Gola ainda podem ser vistos graças ao meu antepassado Soba Aragonês Romero Ortiz. Um dia tinha de revelar isto… Isto pode maçar os não eruditos em áreas destas tão periclitantes, mas prometi a Assunção Roxo e seu espelho Oxor explicar tim-tim por tim-tim toda a estória lá detrás que antecedeu em suas vidas repetidas. Agora que me meti nesta perfilharia intrincada, terei de ir até ao fim dos desacontecimentos.

As coisas intrincadas são assim, mas tudo o que acontece de ruim é para melhorar, dizem! Tudo isto é tão verdadeiro que até parece mentira, mas não é! Deus N´Zambi, dá-nos força para seguir, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela!” As buscas da Torre do Zombo deram nisto…vou fazer mais o quê? Até o cronista Fernão Lopes, acerca do rei D. Pedro I do M´Puto, o cruel, dedicou um capítulo que intitulou "Como El-Rei D. Pedro mandou capar um seu escudeiro porque dormia com uma mulher casada".

ROXO134.jpgAR -  GLOSSÁRIO:

Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem divindade das águas; Monomotapa, situa-se na África austral, com ligações a portugueses e luso-africanos (antigos negros); N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; N´haka: lameiro, sítio de plantio húmido, horta; Rundu ou Runda: - Sítio de difícil acesso, vulgo no cú-de-Judas… 

Notas: Texto originário da N´Haka do sobado na Torre de N´Zombo do Kimbo com o nome de Cafufutila…

(Continua…)

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:42
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Domingo, 10 de Julho de 2022
PARACUCAS. XL e XLI

Actualização no Kimbo Lagoa Crónicas 3228 e 3229  por acerto com a numeração do blogue, prevalecendo a ordem deste:  Crónica 3229 como se o fora uma só…

MULOLAS DO TEMPO . 11 – 16.01.2022 - RECORDANDO: Nós, bazungus no povoado de Matumbo – Perto da Tanzânia Border… 16º dia - Óh mundo de túji, ainda teremos de atravessar a Tanzânia para chegar a Dar es Salaam… Crónica 3228 - (Escrita manual feita a 07 de Outubro de 2018 – Um domingo…)

Por soba17.jpgT´Chingange (Ot´Chingandji)  no  AlGharb do M´Puto  a 10.07.2022

Botswana 150.jpg Vissapa mostra sua identidade de angolano a qualquer bafana pé-rapado. Não sei porque nunca fez questão de me mostrar essa cédula esverdeada! Nem vocês que me lêem, saberão decerto o porquê deste procedimento tão bizarro, considerando termos já feito tantas viagens por tantos outros lados e, em outros tempos - até para sul dos montes Atlas nos confins de Elrrachidia; terra berbere, do sudeste de Marrocos… O comportamento das pessoas, quase  me levam no dia-a-dia a lamber pensamentos confusos, aonde faltam traços e virgulas no parágrafo de entendimento, sem índice nem prefácio…

Ali, longe de tudo, em um qualquer lado de África, manter a personalidade, seriedade e serenidade seria bem melhor para suportar o vento que soprando de várias latitudes, trazem areia para nossos olhos. Na área de serviço de M´Pika, uma bomba savana-rust-chop de novo o “my friend” mostra seu cartão de angolano aos bafanas lavadores de carro – terreiro de terra avermelhada e uma mangueira que encharca a lama. Na área de serviço com aspecto de uma velha e decadente mercearia, há prateleiras com latas e pacotes de farinha, feijão, ovos, vários cereais e até frascos com mopane, as larvas chamadas de catato em Angola.

Botswana 171.jpg Lá terei de descrever ao pormenor este sítio comum, para poderem absorver a fotografia com cheiros ladeados por pneus carecas a cercar espaços de bancas improvisadas e também ladeadas de sacos de carvão, pilhas de lenha, sacos de maças, laranjas, bananas e várias quindas com sal das minas. A secção de Car-Wash era suportada com vários baldes e paus a suportar tapetes, pedaços de pano para limpeza, usados pelos dois profissionais. Uma meia hora de espera e ficou completa a lavagem de nosso  (salvo seja) Jeep “ford by ford”. Levaram 150 kwachas pelo serviço que dentro das condicionantes, ficou perfeito.

Desapareceram as dedadas nos vidros, os riscos das rilheiras do pó e os pelos alheios de chacais presos na mistura com pasto fino, manchas de besouros esparramados na vidraça e até moscas e formigas cadáver. Bem que a minha empregada do Uganda Mery me avisou: Patrão! Tu vais sofrer andar nessas lonjuras de mato, garganta seca, a golos de água quente choca. Vais ver como até os espinhos vão ter contigo. Tambulakonta!

Botswana 176.jpg Háka! Senti mesmo isso pois que logologo e pelas manhãs o comandante “my  friend” já estava nervoso, desvairado da silva. Só podiam ser os espíritos dos “photoles”, buracos e mais buracos, os ziguezagues aos camiões e dos cabritos atravessando no momento errado. Patrão, tu vais sofrer! Vinha-me sempre ao pensamento esta sapiência de Mary de Campala. Minha sonolência ficava atormentada fingindo também que tinha sangue de barata – só por vezes debelava minhas farturas de matumbice – um homem não é de pau.     

Mandei um whatsApp a Mary de Campala do Uganda a recordar das suas razões ao que veio uma resposta seca: Quem anda por gosto, não cansa - aiué. E, entretanto já estávamos a chegar ao povoado de matumbo, um sítio mesmo a condizer com o panorama. Meu filho Ricar de Johannesburg mandava entretanto uma mensagem dando a indicação do câmbio da moeda na Tanzânia: Um Euro valia neste dia 2.637 Shillings tanzanianos… Fazendo contas em meus papeis coloridos, ia apaziguando meus conflitos de viagem, mudando no possível o humor! Será bem melhor.

Botswana 269.jpg Tratando das finanças do “ford by ford” ia anotando 1€ = 834,51 Malawi Kwachas – 1 rand = 59,56 Malawi Kwachas. No leka-leka-shop M´zuzu vi um barbeiro em seu mukifo cortando o cabelo com uso de uns cabos que saiam directo de uns pequenos painéis de sol, para sua máquina de cortar cabeças, entenda-se por cabelos, carapinha e, fui deixando de ficar enkafifado com estas tecnologias de ponta e com sol...

Estando em África, em um qualquer momento, ao se olhar para dentro de si mesmo, se deparará com um quadro que são mesmomesmo tecnologias de ponta, uma verdadeira resiliência como se diz hoje. Aiué patrão…é o ideal. Talvez se sinta o coração quebrantar-se pela consciência da própria fraqueza e se entristeça profundamente apesar de se saber que a alegria é um componente do fruto espiritual. Um dia virá em que na presença de um ser superior, a “plenitude de alegria surgirá, tirando até águas das mulolas com um cesto de vime, assim se acredite nos milagres da vida. Amanhã será outro dia!  - (Continua…)

O Soba T´Chingange

Botswana 055.jpg PARACUCA . XLI

MULOLAS DO TEMPO . 1218.01.2022

RECORDANDO: Nós, bazungus depois de TUNDUMA Border Zâmbia / tanzânia… 17º e 18º no Utengule Cauntry Hotel - Óh mundo de túji, ainda teremos de atravessar a Tanzânia para chegar a Dar és Salaam… Crónica 3229 - (Escrita manual feita a 11 de Outubro de 2018 …)– No Nordeste do Brasil

tanzânia II 005.jpg Chegamos já era noite fechada a M´Billize-M´Beya no itinerário que nos levaria a Dar és Salaam; a estrada estava entupida de motorizadas e, foi um grande problema chegar a este agradável Utengule Cauntry Hotel inaugurado com a visita de Kofi Atta Annan, um diplomata ganês que era nesse então o sétimo secretário-geral da Organização das Nações Unidas; o mesmo que foi laureado com o Nobel da Paz em 2001. Exerceu funções entre Janeiro de 1997 e Dezembro de 2006. Numa das paredes da recepção podia ver-se o grande quadro com este personagem. Ficamos aqui por indicação de um alemão quando tratávamos dos trâmites da fronteira em Tunduma.

Nós, quatro pessoas, pagamos por dois dias e dois jantares a quantia de 661 US$, dólares americanos. Achamos caro o preço de 150 US$ por noite mas, a paisagem circundante desvaneceu esta superficial arrelia. A partir desta operação fui destituído das funções de secretário da economia pois que havia dúvidas permanentes quanto ao câmbio que praticava tendo como base o Rand Sul-africano. Em realidade já estava farto de fazer as contas do deve e haver do “ four by four”. No meio de espontâneos obséquios seria fácil ser tomado por intrujão e, isso repuxava-me más raivas…

tanzânia II 053.jpg Por via das incursões dos jihadistas do Boko Haram que aterrorizavam a região de Rovuma a norte de Moçambique e, por via dos avisos que nos chegavam dos familiares do M´Puto o comandante do “four by four” decidiu fazer uma inflexão para sul cruzando todo o Malawi. Pagamos o dobro do que era normal para tirarmos o visto na fronteira da Tanzânia para aqui ficarmos uns escaços dois dias. O planeamento aqui falhou e eu, que tinha tanta vontade de ir até ao Norte ver o Serengeti caí em mim desiludido, numa lazeira de sertão com a alma meio adoecida…

A Tanzânia é um país da África Oriental conhecido por suas vastas áreas selvagens, como as planícies do Parque Nacional de Serengeti, uma das mecas do safari e habitada pelos cinco animais de grande porte mais difíceis de serem caçados (elefante, leão, leopardo, búfalo e rinoceronte). Outro destaque é o Parque Nacional de Kilimanjaro, onde fica a montanha mais alta da África. Em alto-mar, estão as ilhas de Zanzibar, de influência árabe, e de Mafia, com um parque marinho que abriga tubarões-baleia e recifes de corais. O sonho de ver parte disto, desvaneceu-se para calibre de cão sem trela.

carvão4.jpg Passadas as cidades de M´beya, Tukuyu e Ipinda, chegamos a Songwe Border, fronteira com o Malawi. Deste modo, forçado à ponderação, a ideia de ir a Arucha lá no Serengeti, ficou posta de lado. Quem vai até aqui de avião, é depois e sempre acompanhado por guias dos respectivos parques e em carros de tracção. Há por muitos lados filas de turistas que aceitam pagar caro por mordomias exóticas. Entretanto fui fazendo actualizações do câmbio pelo meu microondas e anotei: Um euro valia 835 kwachas malawianos e um Rand correspondia a 60 Kwachas malawianos.

De M´Beya até à fronteira, ainda na Tanzânia pode-se ver grandes plantações de chá embelezando as encostas daquele espaço montanhoso, muito bananal, campos de batata, café robusta, florestas de mangais, e lavras de mandioca. Estas terras altas pelo que se via, eram boas para qualquer agricultura pois que por ali a chuva, a bençoava. As fronteiras em África são sempre problemáticas e demoradas no trato de expedientes, pagamento de visa e o respectivo seguro obrigatório do carro; aqui, também não foi diferente!

Acácia rubra1.jpg Tivemos de usar nosso cartão multibanco por seis vezes a fim de obter a quantia certa para pagar os 75 US$ e ficar com mais algum. Uma vez que só eu tinha dólares, não seria conveniente desfazer-me deles pois poderiam vir a faze falta mais à frente, tal como veio a acontecer. O pagamento aqui poderia ser pago em Kwachas malawianos e, para o efeito ficamos com um bom molho de notas em carteira. Nestas três a quatro horas que ali permanecemos, ocorreu algo que me levou a considerar ser o povo malawiano mais honesto que dos demais países.   

Tive de faze uso dos balneários para urinar e procurando, fui dar a um cubículo sem tecto nem porta, tijolos sem reboco nem pintura e um pano encardido a fazer de porta; tinha uma pia turca como única peça e, tive de pagar pelo uso. Sucede que não tendo os 200 kwachas (mais ou menos 25 cêntimos do Euro$), paguei com uma nota de 5 US$ e, sem esperar o troco fui para as instalações da aduane do lado de Malawi aonde permaneci sentado. Qual o meu espanto quando passado pouco tempo surge o moço bafana com os 5 US$ trocados em kwachas. Aceitei e dei-lhe 1000 kwachas de gasosa! Gostei de no meio de tanta carência e tanta trambiquice, haver uma atitude de honestidade… Sim! vale a pena visitar o Malawi, é terra de gente boa!

(Continua…)

O Soba T´Chingange       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:34
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Sábado, 9 de Julho de 2022
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXII

MEDITAÇÃO DO T'CHING - Janelas para a VIDA com esse tal de Algoritmo.

-VOCÊ SABE O QUE FAZ? - 02.09.2020 em Kizomba em Alagoas do Brasil

Republicação a 09.07.2022 em Kimbo Lagoa, Crónica 3227A

Por Soba T´Chingange brasil.jpg T'Chingange, (Otchingandji) No AlGharb do M´Puto

ROXO197.jpgAR - A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho. Uma pessoa prudente é sábia por saber o que fazer naquela hora e, da forma certa; ponderar naquela decisão e, por forma a não tornar sua vida um permanente conflito. A vida, não é só uma sucessão de acontecimentos casuais! Ela pensa, medita, avalia seu procedimento, corrige seu rumo quando necessário e recua quando percebe que está errada. O termómetro para medir a “temperatura de suas acções é a Malamba”, a Palavra - a tocha que ilumina o seu destino.

Não basta apenas saber “como” realizar bem o seu trabalho. Fazendo as coisas com eficiência, o prudente, sempre será um bom empregado porque no tempo, pára para pensar no que faz e, porque o faz! Assim, acabará sendo um líder. O caminho dos tolos é diferente; eles, acham que sabem tudo e em realidade apenas pensam que sabem. O resultado só pode ser de frustração, e desapontamento. Vós porventura sabeis o que fazer, porque e, como o fazer?

ROXO196.jpgAR -  Não tema em aprender, aconselhar-se, consultar até concluir. A receita para permanecer na ignorância sobre qualquer assunto da vida é ficar satisfeito com suas próprias opiniões e, contente com o que sabe - Pode ser pouco para atingir a perfeição. A vida se encarregará de lhe provar o óbvio... Faça deste dia, de todo os dias, um dia de avaliação. Revise os seus procedimentos, analise sua trajectória. Nunca é tarde para começar de novo; sempre é tempo de aprender. Tenho feito muita burrada e ando sim, a tentar corrigir-me, uma tarefa dificilíssima.  

Como andam seus relacionamentos? O seu casamento? Está separando o tempo necessário para dialogar com seus filhos ou espera que tudo aconteça por acaso? Reflicta nestas perguntas. Reflectir e meditar, é próprio de gente sábia. Eu próprio ando a tentar superar-me mas sempre ficarei incompleto analisando as muitas vezes que sou castigado pelo Facebook – Não tem remédio sempre andarei em conflito com esse tal de ALGORITMO!

ROXO195.jpgAR - Ser sábio ou insensato? Eis a questão! Se for o caso recorra ao seu Deus, pois decerto lhe mostrará um caminho melhor - com humildade no coração, sempre! Recorro ao meu tio Nosso Senhor mas nem sempre me saio bem… Mas, não esqueça: “A sabedoria do prudente é entender o seu próprio andar e, ter sempre em conta que a estultícia dos insensatos é enganadora”. Em momentos de aperto no tempo, ficamos contra, só por ficar! E, suprimimo-nos por vezes mas, muitas vezes somos suprimidos. Sim! Somo-lo por gente materialista, gente de meia-tigela, gente política flutuante. Ninguém é de ninguém, na vida tudo passa; vamos fazer o quê? Como gostamos de andar embalados! O tempo ruge…

Ilustrações de Assunção Roxo (AR)

O Soba T'Chingange...



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:15
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MALAMBAS. CCLXVI

CINZAS DO TEMPO - Na vida, podemos ter experiência, inteligência, visão e até sabedoria, mas não conseguimos acertar sempre! Há sempre um algoritmo a reger-nos!

SOMOS FALIVEIS... Crónica 3226 de 15.01.2021 de Kizomba em Alagoas BR

Republicação em Kimbo Lagoa Crónica nº 3226 A em 09.07.2022

Por soba0.jpeg T´Chingange, (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

dracma4.jpg Suportem-se uns aos outros. Em geral, somos falíveis, mesmo sendo os mais perspicazes. Em geral, o que realmente funciona nas relações humanas é o amor e o respeito. Em cada povo, época e lugar, há boas formas de demonstrar isso, tanto aos mais velhos como aos mais jovens. Enquanto houver mundo, pessoas de distintas idades terão divergência de opinião, pois vêem a vida mediante “lentes” e sentimentos diferentes.

Para uns, o mais importante é ter conforto e estabilidade. Para outros, o que importa é rir, divertir-se, desfrutar o que é bom. Como lidar com essas diferenças? É aqui que entra a estória: - Certa vez, dois colegas de trabalho viajaram juntos. Ao chegarem à balsa, na borda rio, o mais velho disse ao mais jovem: “Não entre ainda com o carro.” O outro replicou: “Mas nós somos os primeiros! Por que não?” O colega explicou: “Os que entram primeiro serão os últimos a sair. Aprenda!” O jovem consentiu, contrariado. Ele queria entrar e curtir a viagem. Quando quase todo o espaço foi ocupado, diante da última vaga disponível, o mais velho disse: “Agora pode entrar. Aprenda!”

Mas, a balsa começando a se afastar do cais, ouviu-se o barulho estridente de uma ambulância que, com pressa, se aproximava. Foi dada a ordem para que a embarcação retornasse. Quando atracou, um funcionário apontou para o último veículo da fila e gritou: “De quem é esse carro aqui?!” O jovem respondeu: “Nosso!” O funcionário lhe disse: “Então tire-o. A ambulância tem prioridade.” Enquanto a balsa se afastava do porto, os dois colegas, frustrados, ali ficaram esperando a próxima. “Aprenda, ouviu? Aprenda!” Nenhum dos dois pôde, depois daquilo, esquecer essas palavras.

roxo3.jpgAR -  Em cada povo, época e lugar, há boas formas de demonstrar isso, tanto aos mais velhos como aos mais jovens. Pedir desculpas, dizer “obrigado”, assumir os erros cometidos, moderar o tom da voz ou não falar com ironia. Quem nunca teve um momento destes na vida terá tendência a tê-lo lá mais à frente e, tomara que o tenha.

Que o seja, parar com a pirraça e colocar-se na pele do outro, tentando entender seus sentimentos; tudo isso faz uma enorme diferença! A Bíblia até sugere que nos “suportemos uns aos outros” mas, poucos são os que a lêem... Isto terá acontecido na travessia do rio S. Francisco na cidade de Penedo ou Belém de S. Francisco, mais a montante mas, pode bem acontecer em um qualquer outro lugar e, até com outros contornos.

Mantenha em sua vida uma ou mais unidades de plano, um plano A, B e C para conseguir seus objectivos. Observe um colar de pérolas; missangas que estão todas presas por um fio. Se este rebentar, as pérolas, ou zimbros se espalharão. E, o que é o fio para o colar, missanga de pérolas ou zimbros – é a unidade de plano em nossa vida. Não permita que as pérolas de suas acções se percam, por lhes faltar o fio que lhes manterá a unidade.

picasso2.jpg *Se os resultados das acções humanas fossem instantâneos e determinísticos, seria fácil prever o futuro. Contudo, todas as acções na vida humana estão ligadas à incerteza e ao risco. Dos comportamentos e decisões humanas não se pode afirmar, com certeza, quais as consequências que se verificarão. O conhecimento com perfeita certeza é impossível de atingir*…

*Existe risco quando se podem associar probabilidades aos resultados de qualquer evento. Nestes casos, de risco, o decisor “conhece a distribuição das probabilidades” em relação às situações que são produzidas.*  

Estamos hoje, todos submetidos a esse Algoritmo que diz: Em Ciência da Computação, um algoritmo determinístico é um algoritmo em que, dada uma certa entrada, ela produzirá sempre a mesma saída, com a máquina responsável sempre passando pela mesma sequência de estados. Li isto na Wikipédia…   

Feliz sábado

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:05
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Sexta-feira, 8 de Julho de 2022
KALUNGA . XXIII

Crónica 3225 A de 14.01.2022 No PortVille da Pajuçara em Alagoas

- NAS FRINCHAS DO TEMPO - VIII

- KIANDA COM ONGWEVA NO CONCILIO DAS KIANDAS

Reedição a 08.07.2022 em Kimbo Lagoa Blogue

Por soba24.jpg T´Chingange , Otchingandji – No AlGharb do M´Puto

Kalunga6.jpg NO PAMBU N´JILA - Zé Peixe de Aracaju e as Sereias Roxo e Oxor surgiriam só no século XX e XXI algures num recife de Guaxuma de Alagoas mas, suas estórias vêm lá muito detrás; Assim, na saga de Salaam Januário Pieter e seu mustafá, adjunto Petróleo (O Alibabá aladino) … por aqui ficámos Aleikum em terras de “Castilla-La-Mancha” já na cidade de Toledo – Com a guia Kalunga um bom tempo.

O evento do Concílio das Kiandas era para durar… Meu Mano Corvo, o Mestre Araújo andava noutras lides com o tal grego de nome Doménikos Theotokópoulos, o El Greco… Pambu N´jila corresponde ao espaço físico de Toledo ligando este à mística das kiandas de Angola; uma ponte de inventação entre os seres humanos e o Minkisi, senhor dos caminhos que guardam os portões da nossa casa, do nosso espaço e, neste caso, os muitos portões de Toledo tais como “La Puerta del Sol” ou a ”del Cambron” ou ainda “La Puerta Nueva de Bisagra”.

kalunga1.jpg  Havia ali Kiandas, Ninfas Kwangiades vindas de todo o lado, de todos os continentes mas, havia uma em particular que me chamou logo a atenção; usava vestimentas africanas e tinha o nome estranho de Zachaf Pigafetta Roxo. Eu que vinha lá do futuro, do ano de 2016, de uma cidade esquecida com o nome de Marechal Deodoro, sabedor de coisas ainda não acontecidas, busquei em sua ficha qual a procedência e até nem foi surpresa, ela ser oriunda do lago Zachaf de Malawi em África.

Por terras de Monomotapa e na descoberta do caminho dum tal de Prestes João era esse o nome do grande lago que agora se chama de Malawi, Niassa; o mesmo que hoje se chama de Niassa; Ficou assim comprovado que nossas procedências vieram dali, pois que sempre fui e serei Niassalês. As estória de nossas vidas são por demais curiosas.

Kalunga7.jpg E, não é que muito mais tarde eu próprio já num outro evento renasci num paquete chamado desse jeito. Logologo, o lago Niassa bem no meio da África Central! Foi relativamente fácil deduzir que era esta a tal tetravó da agora Assunção Roxo, a sereia de Guaxuma. O Minkisi ocorre e corre com fluidez, tem o saber do ontem, do hoje e do amanhã. E, esta cidade mística de Toledo, guarda segredos que não estão escritos. Gozar a cidade e património, não é folhear só a história e ler um capítulo porque toda ela é história.

Nela, refresca-se a memória num rendilhado gerado de culturas diversas, encruzilhada de raças e encontro de feitiços e feiticeiros; t´chinganges que dominam silêncios desconhecidos. Kalungas longínquas de musas e gente de arte feitas pó, impregnadas de muito suko. No ar, pairava um feitiço de aço temperado e manobrado por um N´Kondi que espalha pregos feitos germes comedores de carne, pedra e pau.

kalunga5.jpg

N´Kondi de N´Gola, N´kosi de Imbinda e um cortejo de muitos Bandokis foram ao concílio de 1583 (há 439 anos…) à revelia de todos os outros espíritos convidados, embaixadores das kiandas das kalungas e seus mutakalombos. Os espíritos do mal N´Kondi e N´kosi ficaram desapontados por D. Filipe II não os ter convidado formalmente; os astrólogos do rei desaconselharam-no a fazer mistura entre mitológicas Ninfas e Nereidas conceituadas.

N´Kondi, o manobrador de pregos ficou encantado com as novas técnicas dum metal chamado de aço e do qual se faziam coisas pontiagudas; aço com técnica de Damasco de maior resistência à tração e à torção, espadas, facas cujas folhas nunca perdiam o fio de corte. Era esse o metal durável que tanto buscava para fazerem suas maldades aos homens e, até nos tempos mais vindouros.

Os pregos de cobre e alumínio espetados no boneco fetiche Kozo, tinham bons efeitos mas não eram totalmente eficazes; os de ferro rapidamente oxidavam e, quando sujeitos a rezas de Simbis perdiam o efeito desejado. N´Kondi e sua comitiva ajustaram-se no alto da montanha numa dependência de cave de Alcazar, e de fundição em fundição.

araujo166.jpgCA  Com expertos na arte de têmpera e espias de Damasco tornaram aquelas armas brancas nas mais eficazes em toda a Terra. Estava longe de supor que N´Gola, nosso genérico país teria uma catana como símbolo e, tudo partiu daqui: Toledo. Neste dia de hoje, pouco falo da Kianda Roxo porque estava lá, ocupada, dando cores com arco-íris aos participantes nobres do papado e outros cinco estrelas, idos da Globália, esse tal Concilio com o papa Gregório XIII que nesse então homologou por bula papal, o calendário que usamos hoje, …

GLOSSÁRIO:

Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; N´Haka: lameiro, sítio de plantio húmido, horta. Nereidas: na mitologia grega, são seres mitológicos, eram seres femininos (ninfas), que habitavam as águas do mar Egeu

Texto originário da n´Haka do sobado na Torre de N´Zombo do Kimbo com o nome de Cafufutila…

Kalunga8.jpg Nota à margem do texto: No dia de hoje faleceu em Barcelona o segundo presidente de Angola, José Eduardo dos Santos que governou Angola por 39 anos, tempo suficiente para levar à pobreza 50% de seu povo…

(Continua…)

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:39
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2022
KALUNGA . XXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO - VII

- KIANDA COM ONGWEVA … Às margens do Tejo em Toledo

Crónica 3222-A de (31.12.2021) – 29.06.2022 

Por soba24.jpg T´Chingange  (Otchingandji) - No AlGharb do M´Puto

tonito3.jpgCA -  AS TÁGIDES DE TOLEDO - Salaam Aleikum em terras de “ Castilla La Mancha” já na cidade de Toledo. Prometi a Roxo que iria socorrê-la com uma lenda do mar um verdadeiro golfinho feito homem. Tive de recorrer a Januário Pieter uma kianda que me serve - Passeamos por Alhambra mas, ambos voamos para Toledo pois que era ali que meu Mano Corvo Araújo nos esperava na ponte San Martin sobre o rio Tejo. Há dois mil anos atrás, Marco Fúlvio comandando as legiões Romanas conquistou a cidade de Toledo. O mesmo rio que então a contornava, o Tejo, continua correndo sendo atravessado pela ponte pela qual passam os peregrinos que se dirigem a Santiago; Trata-se da ponte de San Martin do Caminho de Alicante.

Era aqui o encontro e, com efusivos abraços os Manos Corvos aqui cruzaram águas quentes nas outras frias, que ali por debaixo corriam rumo a Lisboa. Até foi patética esta cena; bem cedo num treze de Maio dum ano falecido, Januário festejou connosco e como testemunha o pacto desta amizade. Cuspimos depois nas mãos e chispamos um aperto de união; voltaríamos a fazer isto muito mais tarde num tempo sine die. Em ambos, a kianda Pieter pousou sua mão em nossos templos, nossas testas, deixando um viscoso liquido parecido com azeite.

toledo20.jpgCA - Este sítio de Toledo estava destinado ao gozo de férias de primavera das ninfas do rio Tejo (Tajo). Aqui, a partir de 1580, os espíritos instigados por “El Greco” recordam momentos épicos na companhia dos novos membros da Kianda e Mutakalombo; estes, cheios de notícias frescas dos mares de N´Gola em África, conferenciavam com sereias, nereidas e musas tomando aqui, todos, o nome de tágides (rio Tajo) – as primitivas kiandas que surgiriam desde o Zaire ao Kwanza, lugar ainda mal conhecido neste então.               

Só muito mais tarde iriamos saber que entre estas estavam as primogénitas das kiandas Roxo e Oxor. Cantando, à gente nossa, gente vossa, que a Marte tanto ajuda, refrescavam-se nas águas com cantos de Camões recordando o Deus da guerra, filho de Juno e de Júpiter guardião dos exércitos troianos.

As tágides conciliavam-se aqui com a vida espiritual, trocavam experiências com as novas tendências da Globália, reciclando-se em congressos de cristandade ouvindo Simbi e N´kuuyu. Aquele lugar ficava um Pambu N´jila como se estivessem na Mazenga, a ilha do descanso dos muxiloandas, sombras de casuarinas e coqueiros. O exotismo dos trópicos espalmava-se ali, na Mancha de Cervantes. O maneta Manuel de Cervantes y Saavedra autor da obra “Dom Quixote” desencantado com a guerra e as gentes, lutava com moinhos na vasta planície de “La Mancha” com muito Suko e, associando-se a esta espiritualidade, retemperava os mudos intervalos divertindo a tertúlia com contos de ridículos cavaleiros  e paródias de entretimento.

toledo21.jpgCA -  Eram momentos retemperadores recuperando Mutalos desavindos recorrendo por vezes à kianda Koxo e o Mestre Costa, uma verdadeira arte estirada por “El Grego”, ele também impregnado de muito Suko - a kianda e Mano Corvo Araújo, o magnifico grego de nome Doménikos Theotokópoulos! Nesta rota peregrina, cruzando o caminho de Alicante imaginei Sancho Pança apaziguando seu amo dum ímpeto destemperado com moinhos de vento ridicularizando heróis da fancaria. Foi a partir daqui que se organizaram cursos de deformação (algumas grotescas), fantasias de mordaz parodia e ironia na escrita e cores com longos rostos na pintura contrapondo aquilo que se passou a designar de burlesco.

Pude admirar nesta terra de Aragão um quadro de “El Greco”, em que as tágides ou Kiandas se contorcem em risos aéreos, vendo-se em fundo a cidade de Toledo, a “la puente de San Martin” sobre o rio “Tajo” e, um arco iris assinalando o local daquela reunião de espíritos. E ali andava eu T´Chingange um feiticeiro acomodado a novas tarefas de agrado, partilhando e recebendo conhecimentos avondo.

tonito1.bmpAM - É este um assunto deveras interessante a deslindar ao mulato ressequido Januário Pieter pois que estão ali também as Kiandas da Mazenga, as tetravós de Roxo e Oxor e, dois negros Mutalos com grilhos presos a bolas pesadas e escuras alongando-os como que puxados para a terra. E, nos pescoços, umas barras redondas de ferro contornando-os por detrás de umas orelhas aladas amarradas às nuvens de Toledo; seriam escravos de N´Gola pela certa!

Ainda tinha na retina a imagem dum negro com semblante muçulmano que comigo cruzou em um lugar de nome “Bargas”. Este jovem senhor que se dirigia a terras de África através de Algeciras, tirou as meias, lavou os pés e, descalço refugiou-se numa sombra de alfarrobeira mais distanciada; estendeu a sua jaqueta no solo, ajoelhou-se colocando suas mãos sobre esta, baixou sua cabeça até tocar o solo por várias vezes orientando-a para um determinado ponto. Era a sua Meca distante com Kiandas diferentes, O seu Pambu N´jila.

roxo210.jpgAR -  Aquele muçulmano, talvez marroquino, talvez argelino, ao passar por mim, riu-se em cumprimento mostrando até seu dente escandalosamente dourado, fez uma suave vénia de uma simpatia diferenciada, cumprimentando-me: - Salaam Salaam. Eu era um privilegiado, cidadão Niassalês, cidadão do mar alto, cidadão do mundo. Ele, um mustafá, viu em mim a aura de Pieter, talvez, a Kalunga N´Gombe, o “ Sangue de cristo”, T´Chingange do mesmo Cristo vestido com cores de púrpura.  Eu, respondi: - Salaam Aleikum.             

tonito2.jpegAM - GLOSSÁRIO: Salaam Aleikum: - da fé islâmica, fique na paz de deus, que a paz esteja convosco; Kianda: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola; Mutakalombo: - Espírito das águas com incidência nos animais que nela vivem, divindade das águas; N´Gola: - Palavra bantu que quer dizer Angola; Marte: - Deus da guerra na mitologia Romana, filho de Juno e Júpiter, amou Vénus de forma adultera...; Simbi: - Espíritos ancestrais saídos do Kikongo com dois firmamentos, céu o lugar de deuses e terra, domínio dos mortais, na hierarquia espiritual são os avôs dos vivos; Nkuuyu: - são os espíritos pais dos vivos; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, Elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Mazenga. - Ilha das cabras, Ilha dos loandos, ilha dos N´zimbos ou Ilha de Luanda; Suko: - Pessoa prodigiosa ou alucinada; Mutalo: - espírito de morto por feiticeiro sem ordem de N´zambi; Kalunga / Calunga N´Gombe : - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas; Kozo: - Objecto que invoca um ou mais espíritos. T´Chingange: - Feiticeiro, cobrador de impostos, assessor do rei ou Mwata, ministro de todas as relações; N´Nhaka: - Plantação

Notas 1: Este episódio já foi publicado em KIZOMBA FB – trata-se de repor o texto no arquivo base de KIMBOLAGOA;  Nota 2: CA - Costa Araújo; AM - António Monteiro; AR - Assunção Roxo

Da N´Nhaka de: O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:35
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Terça-feira, 28 de Junho de 2022
MALAMBAS. CCLXV

TEMPO DE CINZAS. (24.09.2021) – 28.06.2022

Crónica 3221 - A “TEORIA DA INCERTEZA” e os BITCOINS - Oportunidades e pedidos…

MALAMBA: É a palavra.

Por soba0.jpeg T´Chingange – (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

malamba01.jpgCA -  Você já teve a oportunidade de fazer um pedido para alguém muito importante? Como foi atendido? Certa noite, Deus apareceu ao rei Salomão e disse que ele poderia pedir o que quisesse. Que acontecimento incrível! Você já imaginou se Deus aparecesse hoje à noite ao pé de sua cama e lhe fizesse essa proposta?

O que você diria? A resposta não parece ser tão simples. Instantaneamente, nos lembraremos de nossas necessidades. Alguns quererão entrar em uma boa faculdade, outros precisarão de um bom emprego, de um bom casamento e de coisas importantes como dinheiro, moradia entre milhares de opções…  

malamba1.jpgSelo do Soba -  Enfim, a lista é grande. Mas parece que Salomão não se assustou com a proposta nem pensou muito para pedir. Ele pediu sabedoria para conduzir seu povo. Ao ouvir o pedido de Salomão, o Senhor Se alegrou; assim está escrito... O jovem rei pediu sabedoria para cumprir a tarefa divina confiada a ele. Como resultado, Deus lhe concedeu muito mais do que ele sonharia: sabedoria, riqueza e glória incomparável.

Esse relato bíblico é fenomenal. Entretanto, por que apenas Salomão teve essa oportunidade? Se tivesse a mesma chance, que pedido você faria? Há uma grande probabilidade de que Deus não Se manifeste novamente dessa forma a uma pessoa.

No entanto, ele dá essa mesma oportunidade a você. Sabia? O que ocorreu a Salomão, pode acontecer também connosco. Não acredita? Veja o que Jesus falou em Mateus: “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.” Deus é justo e trata todos os Seus filhos com igualdade de possibilidades".

arau44.jpg CA -  Num suponhamos de metáfora quase podemos visualizar A NATUREZA falando por intermédio de Jesus: “Meu filho, peça o que você quiser”. O que você vai fazer com essa oferta? Pense em como você poderia usar essa bênção. Então peça, e A NATUREZA lhe dará muito mais... "Gratidão é o que temos para expressar por tudo que vivemos nos anos que se seguem". Gratidão pela vida, pela saúde, por nossa família, amigos e trabalho. Gratidão porque Deus esteve connosco e nos ajudou a vencer um dia de cada vez e nos trouxe até este último dia. Passamos também por momentos difíceis, mas teremos muito mais para agradecer com um obrigado! As guerras não podem durar todo o sempre…

Em 2022 continuemos com muita força, saúde e fé e, que seja pleno em realizações dos nossos sonhos e planos. " Bom e abençoado último minuto de cada tempo com esta natureza que ainda andamos a desbravar... Não esquecer que ainda andamos a nos construir... Lendo a “teoria da Incerteza” de Arlindo Donário e Ricardo do Santos sobre como aplicar pecúlios, acabei por ficar taciturno sem saber se fico como estou ou avanço para a aventura dos BITCOINS… O princípio de incerteza de Heisenberg é um dos pilares que conceituam a física quântica. De acordo com esse princípio, em sistemas de escalas reduzidas, como nos átomos e moléculas, grandezas relacionadas, tais como quantidade de movimento e posição, não podem ser medidas simultaneamente com exactidão…

ara10.jpgCA - Para se entender perfeitamente o alcance e o real significado do princípio da incerteza, é necessário que se distingam três tipos reconhecidos de propriedades dinâmicas em mecânica quântica: 1- Propriedades compatíveis: são aquelas para as quais a medida simultânea e arbitrariamente precisa de seus valores não sofram nenhum tipo de restrição básica. Exemplo: a medição simultânea das coordenadas x, y e z de uma partícula. A medição simultânea dos momentos px, py e pz de uma partícula; 2- Propriedades mutuamente excludentes: são aquelas para as quais a medida simultânea é simplesmente impossível. Exemplo: se um eléctron está em uma posição xi, não pode estar simultaneamente na posição diferente xj; 3- Propriedades incompatíveis: são aquelas correspondentes a grandezas canonicamente conjugadas, ou seja, aquelas cujas medidas não podem ser simultaneamente medidas com precisão arbitrária… Com calma lá chegarei – até já pedi ajuda a Salomão…

Ilustrações de Cosa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:55
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Segunda-feira, 27 de Junho de 2022
SUKUAMA .1

TEMPOS DE PERLIMPIMPIM

- Com Fala Kalado, o Ex-Coronel – agora General emérito da Luua...

Crónica 3220 - 27.06.2022 - Uma estória revisitada num passado recente

PorSoba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange (Otchingandji) - No AlGharb do M'Puto

ekuikui1.jpg Kambuéti - Contar estórias feitas missossos ou mussendos é muito, muito de dificultoso. Nelas, não convém a gente levantar escândalo de começo porque só aos poucos é que o escuro fica claro! Ando a tentar continuar a estória do Fala Kalado, o General emérito que antes de anteontem era só de ex-Coronel mas, aquele homem, ficou por demais indefinido; diz que já cansou de ser de ex e vai ser o que quiser e que ninguém mesmo tem nada com isso e, ponto final.

Acantonado naquele imenso Brasil, com sua orelha parabólica no sistema de G5, batuca o tempo na mistura de dendém com peixe-frito; não pelos anos que já se passaram mas, pela astúcia catucada, fico assim cafuso com as coisas a remexer em nós, nos lugares e nas nossas convicções. Carregado na mistura de mangonha com astúcia, ao fim da tarde, jiboiando na esteira, escorre catinga de suor com kimbombo. A sombra do tamarindo dava-lhes o alento de ficar ali conversando, espreguiçando balelas, inventariando feitos de guerra e capiango.

Na conversa dele espirravam canivetes do tamanho de catanas mas e num repentemente girava trezentos e sessenta graus nele mesmo. Não é que às vezes (…), até parecia chorar! Lágrima de crocodilo, só podia, só pode ser! Já a noite cobria nas sombras com barulho das cigarras a ficar sonso quando, da boca de Kambuéti, o sem-perna fazendo banga fécula, com a sua nova muleta de pau kibaba, espectaculava surgido do nada, ouvi a cena que se segue dum sonho gasto no tempo: - Sucuama! Te conto só!... Tenho de mudar minha vida e, emudecia passando logologo para uma maka qualquer que só era mesmo de sonho - (kambuéti deve ser o anjo da guarda dele com uma perna que lança petardos fragmentantes…)

poluição.jpg Assim que num agora, num repentemente, acho que nem não, porque são tantas coisas, tantas horas de pessoas e, tudo muito recruzado. Acho mesmo que fumou liamba para desbaralhar sua má memória, tempos de caganifobeticos acontecimentos. Os cientistas desenvolveram uma orelha em impressora 3D e aplicaram as células, que formaram uma orelha animal; tal e qual aplicada na face lateral do FK, o agora General (futuro Comendador)... E, estas altercações devem ser provocadas por tanta mistela, milongos de reconstruir fissuras…

Vi isto ao vivo e a cores lá na Petrolina do Brasil, colada na lateral do meu amigo ex-coronel FK promovido a General emérito - Fala Kalado com sua orelha parabólica no sistema de 5G! Devorando-nos até ao tutano, besuntamo-nos no visgo sem os contornos monstruosos de kalashnikov a tiracolo ou os monacaxitos de mata-mata porque ambos saímos na guerra do tunda-a-munjila xindere, titubeia ele com vírgulas de auié e asneiras de topariobé entre outras muito mais asneirentas…

zumbi6.jpg Zumbi -  As mazelas da guerra com estrondo de quando o espírito da gente é cavalo e escolhe entrar no sítio errado para se fincar, Aiué... Coisas passadas que se agarram no olhar, com ligação directa àquela orelha de plástico-moldável, amputada para matarem a surdez. Aos poucos apercebemo-nos que todos os órgãos estão ligados porque em verdade um pico no dedão do pé afecta a cabeça sim; nunca iremos entender-nos em perfeição dizia ele com frequência. No tentar compreender esta fricção sempre, sempre saio amachucado…

Sempre repete que não deu a devida estimação às palavras daquelas que sempre têm de ficar inteligênciaveis. Agora tem de agigantar-se com e, também com perna suplente de implante. Ficamos ambos combinados em ir ao Morro dos Macacos a visitar o Zumbi dos Palmares mas, o tempo desencontrou nossas vontades neste enfiar de ideias, no achar de seu rumozinho.

araujo1.jpg Sei de antemão que já tudo mudou, que no futuro até vai ser Comendador (só eu o sei), mas como e por agora ando repondo as prateleiras no tempo assim têm de ficar por não poder descontrolar o azimute da vida. Caminhos do que houve e, do que não houve porque não vale a pena morrer de vésperas. Às vezes não é fácil! Aquele homem, o Fala Kalado, continua indefinitivo... Só sei que tudo vai mudar porque na minha qualidade de “engenheiro espiritual” posso dar-me a esses luxos mesmo sem saber quando é que a guerra vai acabar… - “N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir… Foi assim que terminamos o encontro…

(Continua…)

O Soba T Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:05
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KALUNGA . XXI
UM HINO Á KALUNGA – VI
Crónica 3219 de 20.12.2021 em KIZOMBA - NAS FRINCHAS DO TEMPO
- KIANDA COM ONGWEVA … às margens do Tejo em Toledo…
– Com as kiandas Roxo e Oxor, algures na ânfora da nau do tempo …
Por soba0.jpeg T´ChingangeNo AlGharb do M´Puto

SOBA26.jpg Já era tarde naquele outro dia, Januário kianda fazia-se acompanhar com um personagem vestido de árabe bem ao jeito de Alibabá. Depois dos salamaleques ao jeito de confrades, logo após emborcar sua chávena de café Delta importado do M´Puto continuou: - Foi ela Isabel “la Católica”, que concedeu apoio a Cristóvão Colombo na busca das tão cobiçadas Índias ocidentais e, que o levou a descobrir as Américas, acontecimento que teve consequências na conquista dessas novas terras e a criação do Império Espanhol.

Estávamos noutras vidas, é verdade, mas desejosos que o rumo da conversa versasse coisas mais recentes e, por isso perguntei a Pieter o que é que ele pensava da nossa ida a Toledo a redescobrirmo-nos porque sei que pelos anais, também me formaram à sucapa “engenheiro espiritual” num lugar de Pambu N´jila da Fundação da Ordem da Imaculada Concepción, Palácio de Galiana. Neste mundo de Kalungas e Kiandas há coisas que sucedem  sem haver previsão;  esta minha ficha de espiritualidade caíu do nada... Enquanto isso e lá no palácio do Pambu N´jila, Costa Araújo I, seguiu as pisadas de um pintor Doménikos Theotokópoulos, mais conhecido como El Greco, pintor, escultor e arquitecto grego que desenvolveu a maior parte da sua carreira por ali.
  - TChingange meu amigo, falou Pieter: agora que nos reconhecemos avondo, pois que ambos o somos "engenheiros da kalunga" dir-te-ei que não será tão rápido que chegaremos à nossa N´Gola com  a banga fekula,  disse assim mesmo incluindo-se  nesta pretensão. E, continuou: Teremos de esperar até jorrar todo o petróleo pelo tubo ladrão. Falou assim para nós dois, ao qual nem dei  relevo na análise pensando referir-se ao seu assistente com nome de Petróleo (um aladino), e não àquele terra rica em alcatrão; era normal ele falar assim de coisas plasmosas com sofisticadas superstições, complicando-nos a veia pensadora! Nós, só ouvíamos!
Ele, a kianda, seguia para Cádiz com aquele coisa, seu adjunto Petróleo, mas decerto nos iria visitar a Toledo ou Alhambra de Granada para dias mais tarde. Assim falou sem definir datas com horas e minuto, se deste século ou qualquer outro como é vulgar nas kiandas ambulantes do espaço; Com dúvidas persistentes talvez aí pudéssemos pôr os assuntos em dia e saber dos nossos antepassados feitos em pó. Taciturnos, com um peso nos latifúndios, despedimo-nos de Pieter e seu adjunto Petróleo (O Alibabá aladino)… Nem sei como é que aquela coisa cheia de turbantes conseguia andar com aqueles sapatos kilométricos.

sapatos longos.jpg Sapatos do aladino Petróleio

As tágides, conciliavam-se aqui na vida espiritual íntima, trocando-nos resquícios, experiências com as novas tendências da Globália e, reciclando-se em congressos de cristandade, concílio, ouvindo Simbi e N´kuuyu. Aquele lugar ficava um Pambu N´jila como se estivessem na Mazenga, a ilha do descanso dos Muxiloandas, nas sombras de casuarinas e coqueiros. O exotismo dos trópicos espalmava-se ali, na Mancha de Cervantes.
O maneta Manuel de Cervantes y Saavedra autor da obra “Dom Quixote” desencantado com a guerra e as gentes, lutava com moinhos na vasta planície de “La Mancha” com muito Suko* e, associando-se a esta espiritualidade, retemperava os mudos intervalos divertindo a tertúlia com contos de ridículos cavaleiros e paródias de entretimento
Eram momentos retemperadores recuperando Mutalos* desavindos recorrendo por vezes à Kianda Koxo, uma verdadeira arte escangalhada por “El Grego” com mistura de Miró, eles também impregnados de muito Suko de cor - a Kianda do mestre Mano Corvo Araújo, o magnifico grego de nome Doménikos Theotokópoulos que nesta rota peregrina, cruzava também o caminho de Alicante. Imaginamos por isso Sancho Pança apaziguando seu amo dum ímpeto destemperado com moinhos de vento ridicularizando heróis da fancaria. Foi a partir daqui que se organizaram cursos de deformação (algumas grotescas), fantasias de mordaz parodia e ironia na escrita e cores com longos rostos na pintura, contrapondo aquilo que se passou a designar de burlesco.

dia186.jpgPetóleo - O Aladino

Pude admirar nesta terra de Aragão um quadro de “El Greco”, em que as Tágides ou Kiandas se contorcem em risos aéreos, vendo-se em fundo a cidade de Toledo, a “la puente de San Martin” sobre o rio “Tajo” e, um arco iris assinalando o local daquela reunião de espíritos. E ali andava eu T´Chingange um feiticeiro acomodado a novas tarefas de alforriado "engenheiro espiritual tirocinado", partilhando e recebendo conhecimentos avondo.
Mas, naquele dia de Maio estando eu na Igreja-Mosteiro de São João de los Reis católicos em pleno bairro Judio, parei o tempo para ler o que Santo António de Lisboa e Pádua escreveu lá para trás: “O grande perigo do cristão é predicar e não praticar; crer, mas não viver de acordo com o que se crê. Um cristão fiel, iluminado pelos raios da graça, é igual a um cristal; deverá iluminar aos demais com suas palavras e acções, com a luz de seu bom exemplo.”

toledo16.jpg  Lá em cima, nesse momento exacto a máquina do tempo solta um som metálico de bronze dando as doze badaladas do meio-dia. Um espírito bate num ferro que há lá dentro, fazendo-o ressoar. Noutro tempo as pessoas ajoelhar-se-iam; benzendo-se rezariam uma Ave-maria dando graças  de agradecimento. Aqueles momentos não poderiam ser analisados e vividos na primeira pessoa com as Kiandas Roxo e Oxor porque estavam em uma ânfora na nau da Kianda Pieter para retemperar reflexão pois que, iriam participar de um grande Concilio na tal Imaculada Concepción - Palácio de Galiana

:
Personagens da estória: A Sereia Roxo, (uma em duas - reflexo do espelho - Oxor que só vi em holograma); Mano Corvo - T´Chingange (O próprio); Mano Corvo I - Costa Araújo na 1ª encarnação; Januário Pieter - Uma kianda assombração dos mares, um velho amigo com mais de 500 anos de Cruz-Credo (criação do Soba); Petróleo Alibabá, assistente do Januário
GLOSSÁRIO:
KIANDA: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; ONGWEVA: saudade em português; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, encruzilhada elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga; Banga fecula: Um especial estilo, de cunho próprio...
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* Mutalo: - É o espírito das pessoas que são mortas pelos feiticeiros sem que N´Zambi mande. Este ordena-lhes que regressem aos seus corpos nas sepulturas, mas à noite dá-lhes a faculdade de matar quem eles bem entenderem.
* Suko: - de Sukuama, de muita admiração e surpresa…
Nota: nesta publicação a 27.06.2022 há pequenas alterações ao texto original publicado em  Facebook de Kizomba...
O Soba T´chingange
 
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:35
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2022
KALUNGA . XX

UM HINO À KALUNGA – V

Crónica 3218 de 13.12.2021 em Kizomba - NAS FRINCHAS DO TEMPO - KIANDA COM ONGWEVA em Burgos

Republicada no Kimbo Lagoa a 22.06.2022

Por Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange (Otchingandji) – No AlGharb do M´Puto

araujo62.jpgCosta Araujo (Mano Corvo)

É bom visitar-te, disse Januário Pieter, sentir que dás bom uso às migalhas que te dou, que me orgulhas como um rebuçado de doce vontade. Aqui ficarei até mastigares por inteiro esta estória que vinda do Brasil paira agora entre Portugal e Angola, teu triângulo de afinidades e até passando por Espanha aonde iremos espairecer por algum tempo! Num até amanha deixou-me liberto para outras tarefas largando o prefácio de hoje como um resquício de sua sabedoria perfumada: “- Não podemos fintar as leis que nos regem e, uma delas é fazermos a nós, o que fazemos aos outros”. Irónico, talvez, Pieter fintador despediu-se num mungweno. Espanto meu! Pieter já falava em Kimbundo….

E, aquele cheiro intenso a jasmim surgiu de novo quando a tarde se estendeu no escuro da noite envolvendo-me na azáfama duma multidão ávida de frescura “la movida”. Este Januário mais complicado que um chinguiço abrumado, naquela “Plaza Mayor“ de Burgos comendo agora, umas tapas de “boquerón” e argolas fritas de “calamares” regadas com cerveja “Dom Pepe” ia descrevendo o que sabia da Rainha Isabel de Portugal, assim sem mais nem porquê, ao meu futuro Mano Corvo, que ainda não era mestre pois andava a tirocinar artes esguias com Raphael, um artista local…

toledo7.jpgCA  - Digo futuro Mano Corvo, porque só dias depois, em cima da ponte de entrada de Toledo, cidade mais a Sul, fizemos um pacto de amizade perene e, dum modo bem peculiar: - cruzando nosso mijo-quente sobre o Tejo na primeiríssima encarnação (Neste meio tempo de lá para cá sem vice-versa o Mano Corvo, o Mestre do pincel, um importante personagem real de nossas vidas, faleceu na antiga Bracara Augusta do M´puto – Desde então nossos corações andam enferrujados de saudade - ongweva…) 

Com uma saudação de bater mãos como agora fazem os desportistas, Pieter chispou nas nossas com ardências viscosas; depois do susto lá nos alegramos com caras de fantasmas de inusitados viandantes, até um pouco comprometidos com os olhares incrédulos dos circundantes. E foi ele, Januário que acrescentou: - Isabel a portuguesa foi casada com João II de Castela tendo dado à luz uma menina que veio a ser Rainha consorte de Aragón, Mallorca, Valencia e Sicilia. Foi assim chamada “la Católica” pelo Papa Alexandre VI mediante a bula “Si convenit”, a 19 de Dezembro de 1496.

kimbo 0.jpg K - Claro que fui obrigado a interpelar respeitosamente a minha sapiente kianda pois que o que verdadeiramente queria saber eram as novidades sobre as sereias progenitoras de Assunção Roxo e Oxor, as tetranetas em mares da kalunga do Brasil, mais propriamente de Guaxuma das Alagoas. Tudo porque a Rainha de Castela desse então nada tinha a ver com estas kiandas Roxo e Oxor de Guaxuma. Cada coisa a seu tempo meu ilustre T´Chingas, teremos de circular por aqui algum tempo para irmos à profundeza das verdades do paratrás a fim de entender o paráfrente!

É bom que ponhas a trabalhar teu relógio de areia porque daí irá sair uma praia com características mesolíticas; no futuro aí te irás espanejar com teu Mano Corvo se for o caso, disse assim sem titubear – foi em verdade um grande puxão de orelhas. Tudo indicava estar a ficar bravo de fulo comigo por sempre o estar a interpelar, eu que ainda nem era um estagiário de feiticeiro

roxo69.jpgAR - Taciturnos, com um peso no coração, nos despedimos de Pieter; Os Manos-Corvos viviam agora nesse privilégio de ter um amigo com a sapiência de mais de 500 anos. E, ia eu jurar que ele só tinha 385 anos, pelo seu aspecto tão jovial. Como a gente se engana! Este interregno da estória de Roxo e Oxor tornam-se assim num foro de cariz quase internacional. Deste modo envoltos numa áurea fosfórica rápidamente nos desvanecemos na noite que caía abrupta naquela Burgos…

Ilustrações: CA - Costa Araujo; AR. - Assunção Roxo; K - Kizomba  do FB

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:59
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KALUNGA . XIX

UM HINO À KALUNGA – IV

Crónica 3217 de 01.12.2021 - NAS FRINCHA DO TEMPO

– Com as kiandas Roxo e Oxor, algures num recife, por vezes numa bóia…

Republicada no Kimbo Lagoa a 22.06.2022

Por Soba T´Chingange brasil.jpgT´Chingange (Ochingandji) – No AlGharb do M´Puto

araujo103.jpg CA ...Tudo teve início para a livrar Roxo do tormentoso “Princípio da Incerteza” que formata a matemática quântica no ano de 2016. Como em todas as novelas, os dramaturgos mudam no correr do suspense os episódios e, agora com este desafio de avançar com a estória de Zé Peixe e as Sereias Roxo e Oxor, vejo-me forçado a recorrer a um amigo tão, tão antigo, que anda por aqui e ali, volatilizado no tempo; chama-se Januário Pieter*.

Esta lendária figura, surge-me sem hora marcada nem outros entretantos, quando fico encafifado, descomplicando-me as verdadeiras vistas do paralém, paratrás e paracima com suas vertiginosas chiadeiras na fricção do tempo, subindo e descendo sem curvas, assim como se entrasse num portal muito tapado de cacimbo! Com o passar do tempo descubro que este espanto feito Holograma da Kalunga também vai ser o Tio ancestral das Kiandas; por agora ainda é uma suspeita…

sacag11.jpg Sac ...  Com ele, já será possível esticar a estória andando no espaço-tempo de forma aleatória e acrescentando mais episódios com sereias e kiandas da Kalunga com gente normalíssima da silva assim como um tal de Joaquim de Lisboa que em dada altura e para sobreviver em sua traineira teve de fazer uma caldeirada de peixe voador; que para variar o cardápio também fez uma mistela com solas variadas de sapatos mais quedes de pele de boi, marca macambira e umas cascas de mandioca que por norma serviam de isco na apanha desse tal peixe com asas.

Lá atrás expliquei que Sereias são Kiandas que fazem parte da Kalunga, "grande mar", entidades fortemente ligadas aos Orixás e Iemanjás das águas de um outro lado do mar, um poder regenerador no campo sentimental. Chamarei de kwangiadas às ninfas do Kwanza e de Zairiardes às do rio Zaire ou Congo em Angola. Lá mais para a frente iremos reencontrar as sereias ou kiandas de Guaxuma com quem tive a experiência mais recente e aonde pude ver sentada a Sereia Roxo, tetraneta daquelas, rogando socorro a um mortal como eu. Só mais tarde me dei conta de existir uma outra igual, uma kianda gémea vista por reflexo ao espelho.

roxo206.jpg Roxo ... Pois então, num pedaço de nada, acabado de cochilar na minha rede de Pambu N´jila a escassos metros da Kalunga, lugar de antigas Sesmarias do M´Puto jiboiando no sopro invernal ele, veio até mim. No cumprimento do sonho, dei-lhe um abraço de completo vácuo; era Januário Pieter, meu guia-surpresista. Quase chorei de comoção por uma tão grande e distinta deferência. Nós que vivemos no além (referindo-me a ele e, incluindo-me…), podemos fazer diversas coisas, mesmo sem entender como as realizamos tais como locomovermo-nos e plasmarmo-nos, disse em jeito de comovida explicação (pude ver isto pelo seu semblante e ruga de seu templo, testa).

Pieter falando: Neste meio tempo e depois de ter estado contigo em Zanzibar, formei-me “engenheiro espiritual” em Toledo; dizendo isto como se tudo tivesse acontecido escassos dias antes, disse que por via dessa formação e, através dos fluidos da natureza, conseguiria pelo pensamento, criar no espaço, paisagens de multicolores holografias. Só apareço porque as pinturas relampejantes de Assunção Roxo me chamaram a atenção – disse! Foi quando reparei no assunto embrulhado de cacimbo, em que nos metemos e, ainda nem sabia que era tio dela…

roxo79.jpg Roxo ... Desde que sou “engenheiro espírita”, explico o que custa a apreender às gentes desavindas mas, boas como tu (referia-se a mim) que nutres de paixões, orações e bons pensamentos. É um prazer, concluiu. Neste meu estado, luto contra atitudes de espíritos que não são evoluídos, que não possuem compreensão e que ainda estão arreigados em paixões inferiores. Apontando para o jardim, Januário foi falando: estás a ver aquele melro a esgadanhar tuas sementeiras, coisas que tu aprecias, e as gralhas que por aí vão passando em bandos?

São condicionantes a que eu recorri para teu exclusivo agrado e, porque agora estás virado às coisas terrenas de beira-mar, venho em tua ajuda. Conferenciaremos sobre esse tal de Zé Peixe e suas ancestrais gerações em conjunto com tuas amigas Roxo e Oxor que tu tanto referes quando te espraias nas reflexões de arco-íris, as cores de roxo.

Nunca antes, Januário Pieter, figura recriada por mim, se referiu assim tão directamente como um especial meu assessor. Enquanto isto, as notas de Dó a Si do espanta espíritos da varanda N´jila do pátio andaluz, saudavam-nos mas, creio que mais propriamente à kianda ilustre vinda do álem com ventos de futuras duvidas e dádivas.

araujo75.jpg  CA ...Sorrindo, indiquei-lhe o lugar da rede a meu lado, contente com sua desejada visita, dizendo-lhe que a minha principal procuração, era tentar ser útil, sentir a gratidão vendo sorrisos em olhares tranquilos, viver com dignidade e saber contribuir para alguém também ficar bem. Fabricando a felicidade com pouco mais que nada, ali estávamos prontos a desfrisar estórias de inventação, sem menosprezar a vontade de fazer ao querer fazer, sem sugar energias alheias.

GLOSSÁRIO:

KIANDA: - Espírito das águas na forma de sereia, ritos de Angola, fantasma, holograma; ONGWEVA: saudade em português; Pambu N´jila: - Espaço místico, agente de ligação entre o espaço físico e místico, encruzilhada elo que liga os seres aos Minkisi, os elementos fogo, água, ar e terra; Kalunga: - divindade abstracta podendo ter a forma humana que preside ao reino dos mortos, em Umbundo é um Deus, em Kimbundo é o mar, sereia na forma de homem musculoso tipo o Adamastor dos Lusíadas, quando alguém é levado pelo mar ou pela Kalunga faz Uafu (morreu nas águas), é uma jura de última instância apelando a kalunga

*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!

Ilustrações de Costa Araújo e Assunção Roxo ...

CA - Costa Araujo; Sac - Sacagami; Roxo - Assunção

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:29
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Segunda-feira, 22 de Novembro de 2021
MALAMBAS . CCLXIV

CINZAS DO TEMPO - As cristalinas tristezas embargam as dúvidas sombrias

Crónica 3216 de 20.11.2021

Por soba0.jpegT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Cada um de nós possui diversos tipos de conhecimento, sendo que alguns nascem connosco, como nosso instinto, enquanto outros são adquiridos e desenvolvidos no decorrer de nossas vidas. O conhecimento sobre algo pode ser adquirido de diferentes formas, como observando factos, com experiências pessoais ou sendo ensinado por alguém através de livros, vídeos, apresentações ou aulas.

vaca1.jpg É comum que aqueles que ensinem possuam conhecimento naquele tema, e você saberá quem é conhecedor de todas as coisas e disposto a nos ensinar em todas as etapas de nossas vidas? Por mais que a ciência tenha progredido, nossa vida continua cheia de mistérios e perguntas desafiadoras. Existe uma realidade além da que percebemos? O que é real e o que é irreal? Qual é a origem de tudo? Sou um ser espiritual ou apenas físico e químico? Nossa inteligência, nossas pesquisas ou o conhecimento acumulado dos estudiosos, pouco importam ao tratarmos de questões espirituais.

dia139.jpg Em nossa busca pela espiritualidade, muitas vezes substituímo-la por “grandes homens” subestimando a natureza que tanto nos ensina... “Ah! Esse escritor vai explicar-me isso, e aquele palestrante vai-me ajudar com aquilo”. Será que nos falta fé para obter a compreensão espiritual por intermédio do verdadeiro Espírito? E, temos Camões, Saramago, João Pessoa entre tantos outros ilustres. E, temos hoje, também, comentadores a granel, gente politiqueira ou futeboleira - um fartote...

“O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”. Nem todas as explicações dos mistérios divinos estão reservadas para o reino dos Céus. Os mistérios que “olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu”... Está noite veio um trovão forte! Um clarão e, a Luz, escafedeu-se, foi-se! Espero à seis horas pelo técnico que me irá dar a luz; embrulhado no meu kispo espero pacientemente!

papoila4.jpg A luz desapareceu, os disjuntores dispararam e creio ter o problema a montante... Como irei agora aquecer meus espargos vindos do Chile, assim sem esta luz terrena que gira o microondas? Ontem, não pude prever isto... Lá terei de ginasticar a mente para rever outra saída... Passaram quatro dias e o técnico da Luz que vai fixar o novo contador ainda não veio e, nem sei quando virá; lá terei de fazer um enxerto á minha resiliência.    

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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Quinta-feira, 11 de Novembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CXCIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXX

Ultima visão de Savimbi: “moscas pousando no rosto, feridas na cabeça e numa mão e, um buraco de bala na garganta”.

Crónica 321411.11.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que ainda governam…      Por soba24.jpg  T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Após o ano de 1994, haveria que manipular os espíritos inseguros, carregar nos botões certos das almas inocentes, com o fígado incompleto, candengues sem estrutura para os virar monstros desapiedados com o nome de pioneiros… Eram ideias desfibrilhadadas numa antiga dor e creio que se foi no tempo com um sentimento de culpa. Deveria iluminar-nos não é!? Amanhã será outro dia e, foi-se! O Sol não tinha como se abraçar a nós, nem se poderia esperar isto. O tempo escasseia-me muitas vezes, para poder redigir histórias escondidas, antigas, que até posso antever reais a tempo inteiro, real ou ficção. Nessas alturas subitamente levanto voo, plano como um albatroz e por aí vou fora, sem parágrafos ou pontos finais, com diálogos dinâmicos, que só o serão na ficção!

savimbi2.jpg  Fala o Soba, impõe as suas leis, fala o Luís que quer fugir aos ditames dos familiares próximos, subverte-se as leis, obtendo-se gozo nisso, e sabedoria, claro, que estas coisas, mesmo negativas são as que mais resultam e se aprumam na coluna vertebral de um indígena. O Protocolo de Lusaka de 1994 reafirmou os Acordos de Bicesse. Savimbi, não querendo assinar pessoalmente esse acordo, enviou o ex-Secretário Geral da UNITA Eugénio Manuvakola representando em seu lugar, o partido. Manuvakola e o Ministro das Relações Exteriores de Angola, Venâncio de Moura, assinaram o Protocolo de Lusaka em Lusaka, Zâmbia, em 31 de Outubro de 1994, concordando em integrar e desarmar a UNITA.

Ambos os lados assinaram um cessar-fogo como parte do protocolo em 20 de Novembro. Sob o acordo, o Governo e a UNITA cessariam os incêndios e desmobilizariam 5 500 membros da UNITA, incluindo 180 militantes, que se uniriam à polícia nacional angolana, 1 200 membros da UNITA, incluindo 40 militantes, que se uniriam à força policial de reacção rápida e os generais da UNITA, que se tornariam oficiais das Forças Armadas Angolanas. Mercenários estrangeiros retornariam aos seus países de origem e todas as partes parariam de adquirir armas estrangeiras.

ango1.jpgO acordo deu aos políticos da UNITA casas e uma sede. O governo concordou em nomear membros da UNITA para chefiar os ministérios de Minas, Comércio, Saúde e Turismo, além de sete vice-ministros, embaixadores, governos de Uíge, Lunda Sul e Cuando Cubango, vice-governadores, administradores municipais, vice administradores, e comuna de administradores. O governo libertaria todos os prisioneiros e amnistiaria todos os militantes envolvidos na guerra civil. O presidente do Zimbabwé, Robert Mugabe, e o presidente sul-africano, Nelson Mandela, reuniram-se em Lusaka a 15 de Novembro de 1994 para aumentar o apoio simbólico ao protocolo. Mugabe e Mandela disseram que estariam dispostos a encontrar-se com Savimbi e Mandela. Pediu que ele fosse à África do Sul, mas Savimbi não foi. O acordo criou uma comissão conjunta, composta por funcionários do governo angolano, da UNITA e da ONU, com os governos de Portugal, Estados Unidos e Rússia como observadores, para supervisionar sua implementação.

As violações das disposições do protocolo serão discutidas e revisadas pela comissão. As disposições do protocolo, integrando a UNITA nas forças armadas, um cessar-fogo e um governo de coligação, eram semelhantes às do Acordo do Alvor, que concedeu a Angola a independência de Portugal em 1975. Muitos dos mesmos problemas ambientais, desconfiança mútua entre a UNITA e o MPLA, falta de supervisão internacional, importação de armas estrangeiras e ênfase excessiva na manutenção do equilíbrio de poder, levariam ao colapso do protocolo…

savimbi3.jpg  E, chegados ao ano de 2002, tropas do governo matam Jonas Savimbi a 22 de Fevereiro deste ano, na província de Moxico. Jonas Savimbi morre "de arma na mão", como "um militar", numa emboscada das Forças Armadas Angolanas (FAA), sexta-feira à tarde, junto ao rio Luio, sudeste da província do Moxico, ao fim de cinco dias de perseguição pelo mato. "Sete tiros foram suficientes para o abater". Foi assim que o brigadeiro Wala, na qualidade de dirigente da "força mista que matou o líder da UNITA", resumiu o fim de Savimbi aos jornalistas presentes no local em que o corpo foi exibido - Lucusse, a 79 quilómetros do sítio da emboscada. O relato é do repórter da Lusa, Miguel Souto. O destino de Savimbi, calculou Wala, era a fronteira com a Zâmbia, onde contava ser reabastecido pelos seus homens.

savimbi5.jpg Acossado pelas tropas do Governo angolano desde o Andulo, Jonas Savimbi, dividiu a sua coluna em três. Seguiu com uma, e deixou o comando das restantes duas aos generais Abreu "Kamorteiro" (chefe de Estado-Maior das forças da UNITA) e António Dembo (vice-presidente do movimento do Galo Negro). A coluna de Savimbi iria ao encontro do General "Big Jo", que partira antes, em busca de víveres. Ainda de acordo com a versão das tropas angolanas, quando um ataque das tropas angolanas liquida "Big Jo", o líder da UNITA inflecte para norte, por uma mata densa que levaria ao rio Luio. "Deu muitas curvas e fintas, porque conhecia muito bem o terreno,pois que  a UNITA nasceu aqui", lembrou o brigadeiro Wala, acrescentando que os seus homens andaram "dia e noite numa perseguição que durou cinco dias", até à emboscada final de sexta-feira.

Nas palavras de Wala: "quando Savimbi viu os seus homens mortos, pegou na arma". Além dos "vários oficiais" atingidos, avia um "total de 21 ". Os generais Dembo, "Kamorteiro", Abílio Camalata Numa e Samy terão escapado ao ataque, e as forças governamentais dizem estar no seu "encalço". O paradeiro do secretário-geral do movimento, Paulo Lukamba Gato, permanecia desconhecido. Segundo o embaixador português em Luanda disse ao PÚBLICO, as primeiras imagens do corpo de Jonas Malheiro Savimbi foram exibidas na televisão estatal angolana por volta das 17h00 locais (16h00 em Lisboa), sem terem ocupado mais do que "um espaço normal" nos telejornais. A reportagem do jornalista da RTP Alves Fernandes, que foi ao Lucusse, mostrava o corpo de Savimbi deitado numa prancha ao ar livre, à beira de uma árvore, rodeado por centenas de homens mulheres e crianças, misturados com militares.

 savimbi6.jpgNinguém compusera o corpo para a última imagem: farda verde oliva desfraldada, deixando ver parte da roupa interior, os pés sem botas, só com meias, moscas pousando no rosto, feridas na cabeça e numa mão e um buraco de bala na garganta. Diz-se que Savimbi, ferido de morte teria sido o autor deste ultima tiro. Na sequência seguinte, o corpo, embrulhado na bandeira do Galo Negro, era levado da prancha para um caixão. Segundo o relato inicial deste jornalista, antes das imagens serem difundidas, Savimbi teria sido atingido sexta-feira à tarde não por sete mas por "quinze balas, duas na cabeça, as restantes no tronco, nos braços e nas pernas". Chegaram a correr versões que falavam em 52 tiros. A agência Reuters, por seu turno, ao princípio da tarde, citava fontes dos serviços secretos zambianos que contestavam a data da morte. De acordo com esses relatos, Savimbi teria sido morto já na segunda-feira, e as forças do Governo angolano teriam retardado a notícia da sua liquidação, de forma a poderem difundi-la, com outro impacto, nas vésperas da partida do Presidente José Eduardo dos Santos para Washington, onde dia 26 se reuniria com o seu homólogo norte-americano, George W. Bush.

tonito11.jpg As fontes zambianas sublinhavam que as tropas do Governo angolano tinham localizado a coluna de Savimbi no Moxico há duas semanas e que, tendo enviado reforços, se lançaram num ataque maciço no passado domingo. O vice-presidente da UNITA, António Dembo, assumiu o cargo, mas, enfraquecido pelas feridas sofridas na mesma escaramuça que matou Savimbi, morreu de diabetes 12 dias depois, a 3 de Março, e o Secretário-geral Paulo Lukamba torna-se naturalmente o líder da UNITA. A seguir a tudo isto, Angola viveu no descarado roubo de seus governantes, podendo por ora concluir-se: -“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes, que ainda governam - ano de 2021 - (Ainda…)

(Fim…)

O Soba T´Chingange



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Quarta-feira, 10 de Novembro de 2021
MALAMBAS - CCLXIII

Malambas, são palavras *OS COVARDES E OS FRACOS* - Do tempo das cowboiadas do Oeste americano...

- Crónica 3213 de 10.11.2021

Por  

soba24.jpg T'Chingange, no AlGharb do M'Puto

No capitólio do estado de Iowa, em Dês Moines, há um mural que retracta o espírito dos pioneiros colonizadores, os quais conquistaram o oeste. A cena mostra um jovem marido e esposa viajando em sua carroça por uma região hostil. Sempre aparecia a silhueta de muitos índios nos morros circundantes; viam-se sinais de fumo saindo em anéis de mensagens que só podiam ser, instruções de guerra...

A esposa tem em um dos braços seu bebé e com a outra mão, conduz a carroça. O marido leva nas mãos o rifle Winchester, pronto para enfrentar qualquer emergência. Também nós, nos dias que correm, vemos que temos a rodear-nos grandes nuvens, testemunhos que pairam no ar de nossa preocupação...

maria2.jpg Tentamos desembaraçar-nos de todo peso e até de algum pecado que tenazmente nos assedia a mente, correndo no rumo de perseverança que melhor se coaduna em nossos anseios e, assim sem sermos senhores absolutos de novas propostas, novas leis e arbitrárias decisões que nos são colocadas…

Pude imaginar aquele mural no meio daquele deserto do Oeste, um qualquer outro imaginário estado estadunidense a desbravar novos mundos; “Os covardes nunca tentaram, e os fracos desistiram a meio do caminho.”

nito01.jpeg  Para muitas pessoas, tomar posição ao lado da última mensagem que nos esbarra o pensamento é um acto de audácia. Para alguns, será abandonar uma boa posição, acomodados por se disporem a guardar mordomias adquiridas. Outros sentirão na pele a perseguição de carístias entre novas levas de “estrangeiros e pseudo peregrinos”.  Refugiados vindos de lugares de qual fomos obrigados a abandonar! Em alguns exemplos, homens e mulheres, sociedades em geral, terão de escolher entre a dúvida da verdade e a própria vivência. “Os covardes nunca tentaram.” Uma frase que nem sempre encaixa na verdadeira postura...

Não basta tentar um corajoso início pois os anos estrebucham na idade. É necessário perseverar, algumas vezes sob condições desanimadoras, pois, como no caso dos pioneiros da nação norte-americana, os fracos desistem a meio do caminho. É preciso poder espiritual constante para permanecer fiel às normas da mensagem nesta sofisticada sociedade moderna - a nossa! Certo - é mais fácil argumentar do que decidir; desejar do que praticar; desistir do que resistir...Bolas para isto, a força de querer esvai-se...

quem01.jpg Ser um fiel cidadão, adulto, vacinado e emancipada, em nossos dias permissivos requer-se uma santa resistência, ou resiliência como se diz agora, pois os fracos desistem. Para além do mais já se vislumbra como certa a tal eutanásia, uma morte assistida que sabe-se lá como funcionará na prática. Mas, no meio deste alvoroço, vamos assim rogar ao Nosso Senhor que nos promete socorro, pois que Ele assim nos disse: “Eis que estou convosco todos os dias”. Ainda bem que não estamos correndo sozinhos!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:56
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