Sábado, 23 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CXC

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXVII

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS” – CAMPANHA ELEITURAL CONFLITUOSA…

Crónica 320822.10.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam…      

Por: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

1 ::::: No Gabão, em Libreville, Jonas Savimbi, Líder da UNITA, União Nacional para a Independência Total de Angola, José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola e Omar Bongo Ondimba reuniram-se dando as mãos e segundo o jornalista Carlos Albuquerque que fez a cobertura. A Savimbi foi-lhe proposta o lugar de Vice-Presidente e após este ter aceitado informalmente, a nomenclatura do MPLA, de imediato afirmou que haveria dois vice-presidentes: Um indicado pelo MPLA e ele, Savimbi que ficaria em segunda linha na hierarquia…. Só lhe restava recusar! O MPLA, sempre foi assim; inventam coisas tão diabólicas que nem lembram ao diabo…

Na óptica das probabilidades, haverá aqui uma situação incrível, pois que Savimbi poderia ter sido o primeiro Presidente de Angola eleito. Se ele tivesse aceitado, a realização da segunda volta das presidenciais, em 1992, nada nos garante que não tivesse ganho, ou mesmo, perdendo, nada nos diz que numa nova votação, saísse vencedor mas sempre o seria, uma perigosa suposição…

2 ::::: Estando a dias do termo da campanha eleitoral, a Conferência Episcopal Angolana, difunde uma mensagem intitulada “As portas da II República “. Nela, os bispos sublinham que “a Igreja não tem de apresentar nenhum candidato”, exortando ao voto consciente: “ Não devem merecer a preferência dos cristãos os que violam os direitos humanos e os que dilapidam os bens públicos, seja por que via for”. A UNITA entende que a mensagem é tendencialmente favorável ao governo do MPLA.

Ao mesmo tempo da intervenção do bispos na política, a UNITA dirige insultuosos ataques à representante das Nações Unidas Margaret Anstee, acusando-a de “estar comprada pelo MPLA, com diamantes e mercúrio”. As mulheres de Luanda, com blusas da OMA, saem à rua em defesa dos bispos e da própria Anstee. Numa grande manifestação, exigem “ a consciência democrática e perdão sem violência”, para que seus filhos cresçam numa Angola nova, sem luto, dor e lágrimas”.  

3 ::::: Passados já uns cinco anos dos recontros da Batalha do Cuíto Cuanavale o é dado a conhecer pelo toxicologista criminal belga Dr. Aubin Heyndrickx, o uso de gases na guerra. Ele, estudou supostas evidências, incluindo amostras de "kits de identificação" de gás de guerra encontrados após a batalha em Cuito Cuanavale, alegando que "não há mais dúvida de que os cubanos estavam usando gases nervosos contra as tropa Jonas Savimbi" - As tropas cubanas foram neste então acusadas formalmente de terem usado gás nervoso contra as tropas da UNITA durante a guerra civil.

O envenenamento por aquele agente nervoso leva a contracção de pupilas, salivação profusa, convulsões e micção e defecação involuntária, sendo que os primeiros sintomas aparecem segundos após a exposição. A morte por asfixia ou parada cardíaca pode ocorrer em minutos devido à perda do controle do corpo sobre os músculos respiratórios e outros. Os agentes nervosos também podem ser absorvidos através da pele, exigindo que aqueles que provavelmente sejam submetidos a tais agentes usem uma vestimenta completa, além de um respirador. Os agentes nervosos são geralmente líquido insípidos de coloração que varia entre o incolor e o âmbar e podem evaporar para um gás. Os agentes sarin e VX são inodoros; o tabun tem um odor ligeiramente frutado e o soman tem um leve odor de cânfora.

4 ::::: Na década após 1990 as mudanças políticas no exterior e vitórias militares em casa permitiram ao governo fazer a transição de um Estado nominalmente comunista para um Estado tendencialmente democrático. A declaração de independência da Namíbia a 21 de Março de 1990, eliminou a ameaça ao MPLA da África do Sul, quando a SADF se retirou de lá. O MPLA aboliu o sistema de partido único e rejeitou o marxismo-leninismo no terceiro Congresso do MPLA em dezembro, mudando formalmente o nome do partido de MPLA-PT para MPLA.

Com sua riqueza em petróleo e diamantes, Angola é como uma grande carcaça inchada com os abutres girando no alto. Os antigos aliados de Savimbi estão mudando de lado, atraídos pelo aroma da moeda forte". Savimbi também expurgou alguns dos membros da UNITA, que ele pode ter visto como ameaças à sua liderança ou como questionadores de seu curso estratégico. Entre os mortos no expurgo estavam Tito Chingunji e sua família em 1991. Savimbi negou seu envolvimento no assassinato de Chingunji e culpou os dissidentes da UNITA.

5 ::::: Um observador oficial escreveu que nas primeiras eleições em Angola, havia pouca supervisão da ONU, que 500 mil eleitores da UNITA foram desprivilegiados e que havia 100 assembleias de voto clandestinas. Savimbi enviou Jeremias Chitunda, vice-presidente da UNITA, a Luanda para negociar os termos do segundo turno. O processo eleitoral fracassou em 31 de Outubro, quando tropas do governo em Luanda atacaram os camados de rebeldes. Os sucessos militares do governo em 1994 forçaram a UNITA a negociar pela paz. Em Novembro de 1994, o governo havia assumido o controle de 60% do país.

6 ::::: Savimbi chamou a situação de "crise mais profunda" da UNITA desde a sua criação. Estima-se que talvez 120 mil pessoas tenham sido mortas nos primeiros dezoito meses após a eleição de 1992, quase metade do número de baixas dos dezasseis anos anteriores de guerra. Ambos os lados do conflito continuaram a cometer violações generalizadas e sistemáticas das leis de guerra, sendo que a UNITA, em particular, foi culpada de bombardeios indiscriminados de cidades sitiadas, o que resultou em um grande número de mortos civis. As forças do governo do MPLA usaram o poder aéreo de maneira indiscriminada, resultando também em várias mortes de civis…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:27
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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2021
MULUNGU LXV

TEMPOS CUSPILHADOS

Crónica 3207 21.10.2021 - *MILAGRE DO VENTRE - NOSSO GENES*

Por: T'Chingange. No AlGharb do M´Puto

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Com todo seu conhecimento científico, a SOCIEDADE moderna não pode explicar a origem da vida de modo satisfatório. Nos últimos anos, a ciência avançou muito, e foram feitas várias descobertas sobre os genes, o ADN, os hormônios e o desenvolvimento do embrião...

Mas a explicação sobre como os seres vivos passaram a existir ainda é um mistério. Porém, existe algo ainda mais misterioso para o ser humano: o nascimento do Filho de Deus.

:::::2

Ele, resolveu deixar Seu trono eterno e unir-se à raça humana, com a intrigante questão da maneira como ocorreu essa união. Isso constitui o milagre biológico do nascimento de Cristo, maior do que qualquer milagre que tenha realizado neste início da era moderna.

Seu ministério foi escrito mas os homens sempre quiseram saber tal como a dúvida de quem primeiro veio ao mundo, se o ovo ou a galinha...

:::::3

A explicação mais elucidativa da Escritura sobre o milagre do nascimento divino está no relato do médico Lucas, ao citar as palavras do anjo que anunciou as boas-novas a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o Ente santo que há-de nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1:35).

Muito boa gente manda palpites, descrente e querendo ter explicação para tudo e, nosso mistério de vida dura enquanto dura - muito pouco nesta imensidão galáctica que nos força a aceitar que nem um grão, na desconhecida grandiosidade da vida.

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Sou como sou e, a todo o momento posso deixar de o ser. Todos estamos embalados nesta singularidade e, nunca encontraremos explicações no conjunto de palavras por muito elaboradas e reboladas como se o fossemos uns calhaus que no tempo ficarão muito arredondados no rio da vida, assim chova...

Há uma analogia com esse milagre que, se não o explica, pelo menos o torna mais significativo. É o novo nascimento. Essa obra que também é realizada pelo Espírito Santo. Em ambos os casos, esse Espírito Santo “envolve-nos” por impregnação.

:::::5

A mesma palavra feita MALAMBA é usada em relação à nuvem que envolveu o pequeno grupo no monte da transfiguração quando o Espírito Santo Se apodera completamente de um pecador, regenerando-o com um novo nascimento.

E, o pecador renascerá participando na natureza divina. Há uma diferença entre os dois nascimentos: a nova e divina natureza ocorre no sentido espiritual. Quando Cristo nasceu, Ele Se tornou um de nós no sentido pleno.

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Ele assumiu a forma humana por toda a eternidade. Se calhar, já muito farto em suportar as gentes desta nossa terra, aos 33 anos quis ir para junto do Pai. Sendo Ele um "irmão consanguíneo da Humanidade", torna-nos maravilhosos? Diante de tanto amor, a atitude mais acertada para nós hoje, é colocarmo-nos inteiramente em suas mãos...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:34
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2021
MULUNGU . LXIV

TEMPOS CUSPILHADAS – (21.01.2018) – 20.10.2021

Cronica 3206O Espírito da China! Eles já chegaram …

Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco na língua Xhosa

Por: T´Chingange . No AlGharb do M´Puto

:::::1

Até há bem poucos anos atrás, o ocidente fechou as portas à possibilidade de compreender a China. Hoje, buscam formas de se entender diplomaticamente com estes, permitindo-lhes a entrada em seus territórios com obtenção de benesses e isenções em sua actividade comercial – vistos GOLD e outros edecéteras. Tome-se em conta que o peso de impostos que os demais cidadãos nacionais são obrigados a pagar, é bem menos vantajoso do que o oferecido a estes empresários vindos do outro lado do mundo.

Deduzir-se assim que os donos disto tudo, só o serão com os países de capital que nos compram divida. Um dia o futuro chega e quase sem se saber, as instituições que eram estatais formam-se de um conjunto de accionistas sem rosto e, dum qualquer país. Se neste futuro vamos ter de ficar entregues a um dragão, teremos de saber um pouco que seja, do que não nos une e divide!

:::::2

Se dali vieram há muitos anos atrás com o chá, a seda e o arroz, não será mau antevermos os significados de sua cultura, mitos e realidades. Como se pode ir a Setúbal sem se saber quem foi Bocage ou, ir a Inglaterra sem se saber quem foi Shakespeare? Pois corria o ano 220 da nossa era quando os Qin unificaram aqueles territórios para e, a partir daí a China passar-se a chamar de China.

E, foi Qin como primeiro imperador que colocou milhares de guerreiros feitos em barro e em tamanho natural para guardar sua sepultura. Marco Paulo, o primeiro ocidental a visitar estas terras longínquas curiosamente não referiu a existência destes milhares de guerreiros, nem tampouco referiu a muralha da China que pode ser vista da lua.

:::::3

Bem! A grande muralha da China é o símbolo da identidade da China mas, tudo é devida à sobrevalorização que os viajantes ocidentais dela fizeram; se em tempos foi útil para defesa tornou-se no tempo uma inutilidade, coisa supérflua. Este símbolo foi transformado em parque temático pois que à semelhança do Coliseu de Roma, estes mascaram-se aqui de falsos guerreiros armados com lanças de pau e escudos de cartão.

Criam atmosferas de uma Disneylândia onde em vez do Rato Mickey se pode encontrar o tal de Qin, primeiro imperador a vender camisolas e cuecas com estampas dele mesmo; tudo gerido por uma sociedade cotada na bolsa de Hong Kong. Não me convidem para ir à china ver um velho homem já careca com nome de Mao Tzé, uma barriga de melancia transportando a gaiola dum passarinho para apanhar ar e vir de lá uma bicicleta desenfreada e, atropelar-me.

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Parece que por lá nos sinais dos semáforos o verde é para parar e o vermelho para avançar! Ninguém se entende na balburdia porque o vermelho é a cor da revolução. Cozinham na rua, um beco cheio de gente que tosse e cospe e ali ao ar livre acendem o fogareiro, colocam-lhe carvão aonde estiram uma cobra despida ainda a rabiar! Deus-me-livre! Mas hoje, Pequim, a capital que foi criada por decreto imperial em 1404 por Yung Lo da dinastia Ming é uma cidade cheia de arranha-céus; alguns destes edifícios terão lá no alto do cubo de vidro ou concreto a fazer de tecto, um chapéu pagode.

Acabaram com os espaços interiores tipo pátios ao jeito da Andaluzia aqui do sul de Espanha; com o tempo os muros altos com aldrabas lacadas a vermelho para impedir os espíritos malignos de ali entrar estão sendo derrubados. Por livre iniciativa a Europa deu autorização a importarem de lá estes espíritos para e, com tempo compreendermos a China… Estamos feitos ao DRAGÃO…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:19
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXIX

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXVI

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS”CAMPANHA ELEITURAL CONFLITUOSA…

Crónica 320517.10.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam…                                                                                                                                        

Por: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

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Os chamados “três dias das bruxas” são referentes aos sequentes dias a 30 de Setembro de 1992, imediatamente após se saberem os resultados “fraudulentos” das eleições; estes eventos de matança aos homens da UNITA ocorreram até 1 de Novembro, já aqui descritos na parte XXIV desta “Angola da libertação”. Teria de haver uma segunda volta para as presidenciais para saber-se qual o verdadeiro vencedor e, segundo a óptica governamental com aconchavos internacionais, mas esta volta nunca se chegaria a realizar …     

:::::2

Em Setembro de 1992, três meses após a visita do Papa João Paulo II, no Huambo mais de uma centena de homens da UNITA fortemente armados “estacionam” frente à casa de Savimbi. A CCPM (Comissão Conjunta Político-Militar), interfere. A UNITA virá a dizer que são homens “da segurança pessoal de Savimbi”, mas a CMVF (Comissão Mista de Verificação e Fiscalização do Cessar-fogo), apura que o contingente e respectivo material bélico, havia entrado na cidade sem conhecimento da UNAVEM.

:::::3

Neste meio tempo, Luanda (e todo o país) estava pejada de um dispositivo policial desmesurado, como se tratasse de um estado de sítio - coisa a que os luandenses já não estavam habituados depois da guerra civil - dadas as preocupações com o acto eleitoral dos dias 29 e 30 de Setembro, para que tudo corresse bem. E correu. Correu muito bem, dada a afluência às urnas ter ultrapassado os 70% só no primeiro dia. O povo queria a paz e acreditava que a poderia conseguir pelo voto. Mas Angola, não era só Luanda.

:::::4

Os votos foram contados, mas a UNITA não concordando, exigiram a recontagem, pois os primeiros resultados deixavam de fora a possibilidade de uma segunda volta das presidenciais a Savimbi. Os acontecimentos precipitaram-se e Savimbi teve de fugir de novo para o Huambo levando atrás de si uns esperançosos 40% nas eleições com os dados viciados, segundo a UNITA. Lendo o Expresso do M´Puto: Savimbi ficou à espera por um curto tempo no Huambo e mais tarde, no seu refúgio da Jamba. Savimbi aguardava agora a marcação da segunda volta, que o levaria ao cume das suas aspirações.

:::::5

No terreno, à medida que decorria a campanha eleitoral, tropas da UNITA tomam posições no Centro/Sul de Angola, expulsando o MPLA de vários municípios. No Norte, em Caxito, soldados da UNITA envolvem-se com a polícia; em Benguela, a UNITA ataca uma caravana do Fórum Democrático de Angolano, ambos os incidentes causaram dezenas de feridos na população civil. No caso de benguela, a UNAVEM concluiu que “houve provocação por parte dos dissidentes e uma reacção exagerada por parte da UNITA”. Em Luanda a FNLA condena veementemente a agressão sofrida por Baptista Fula, seu membro, brutalmente agredido por militares e militantes da UNITA.

:::::6

Claro que sempre se verificou por parte das instâncias internacionais um certo acomodamento às visões do comportamento dos elementos afectos ao MPLA, o lado “governamental” por estes terem os donos da opinião com sua máquina da informação lubrificada de seu lado, dizendo o que mais lhe interessava; prosseguindo uma logística concertada de denegrir sempre a UNITA. Os posteriores conhecimentos dos factos vieram a confirmar em como a permanente contra-informação e métodos dissuasores das instituições e polícias de inteligência treinadas por peritos oriundos da cortina comunista.

:::::7 

Por via das eventuais mudanças políticas faz-se revisão da lei constitucional - Lei Nº 23/92 de 16 de Setembro, alterando a de Março de 1991, destinando-se principalmente à criação das premissas constitucionais necessárias à implantação duma democracia pluripartidária. Um cumprimento referido quando da assinatura a 31 de Maio de 1991 nos Acordos de Paz para Angola. É desta feita, a primeira vez na história do país, que levam à realização às eleições gerais multipartidárias assentes no sufrágio universal directo e secreto.

:::::8

O maior incidente da campanha eleitoral foi a captura, pela UNITA, de onze elementos da guarda pessoal de Eduardo Dos Santos. Savimbi justificaria que o comportamento de seus homens lhe foi “tardiamente comunicado”. Ainda em Setembro, chega a Lisboa uma queixa informal da UNITA, sobre o envolvimento de uma empresa portuguesa de distribuição alimentar, sediada no Porto, presumivelmente envolvida no fornecimento de material de guerra à Polícia anti-motim angolana - os 30 mil “NINJAS” do MPLA (assim foram chamados), treinados pelos espanhóis.

:::::9

Não houve grande desenvolvimento sobre o caso, assim como quase nada foi explicado, acerca do cargueiro “Cecil Lulo”, tripulado por dinamarqueses e filipinos, ostentando pavilhão das Bahamas e operado pela empresa dinamarquesa J. Pulsen, localizada no porto de Ponta Delgada nos Açores. O mesmo tinha um carregamento de armas, segundo se consta embarcadas numa base militar dos EUA – Estados Unidos da América e, com destino a Angola. Tudo que é descortinado no tempo, o é, de uma forma que surpreende, como tudo acontece numa altura tão crucial na tão desejada PAZ…

:::::10

A guerra de 27 anos pode ser dividida aproximadamente em três períodos de grandes combates - de 1975 a 1991, 1992 a 1994 e 1998 a 2002 - com períodos de paz frágeis. Quando o MPLA alcançou a vitória em 2002, mais de 500 mil pessoas morreram e mais de um milhão foram deslocadas internamente. A guerra devastou as infra-estruturas de Angola e danificou gravemente a administração pública, a economia e as instituições religiosas do país. Esta guerra terá de o ser, considerado um conflito por procuração da Guerra Fria, já que a União Soviética e os Estados Unidos, com seus respectivos aliados, prestaram assistência às facções em luta.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:12
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2021
A CHUVA E O BOM ATEMPO . CXX

A ADIÁFA DOS MOIRÕES E SALAZAR - I

ENTRE 1914 E 1945 E O AGORA 2021

Crónica 3203 de 10.10. 2021 - Em Cantanede do M´Puto

Por: T´Chingange

:::::1

Naqueles idos tempos, enquanto o estado confiscava bens à igreja, fidalgos ou aristocratas feitos políticos, sacrificavam imbecilmente os jovens mandando-os para morrer como tordos nas trincheiras da guerra. Do corpo expedicionário enviado para Flandres de França poucos regressaram e os que voltaram vinham de pulmões afectados pelas gazes ali utilizados. Nesse então, a 1ª República Portuguesa era composta por deputados que faziam absurdos e floreados discursos no parlamento sem sequência na realidade do dia-a-dia. Hoje, estamos quase iguais…

:::::2

Eram uns pavões que vendiam petulância nos cafés do Chiado; era ver qual deles tinha mais protagonismo na pópia faroleira do Rossio ou no Café da Arcádia. Neste aspecto, Portugal viveu sempre em crise, (e continua a enfermar desses resquícios) envolto em devaneios de gente acomodada à política de faz-de-conta, devaneios de gente que sempre se sentem insubstituíveis.

:::::3

Naquele então, senhores latifundiários, donos de muitos hectares, muito gado, muitos chaparros pavoneavam política em Lisboa enquanto seus ganhões ou moirões lhe garantiam os bolsos cheios. Lá na província, na lezíria, ou seara alentejana, no cortical, olival, nas chapadas de trigo, nas lameiras, enquanto nas courelas havia a míngua – nesse então, ainda não se falava na palavra resiliência…

:::::4

Enquanto isso decorria, a Angola distante aonde eu me encontrava, estava quase ao abandono. Estamos em 2021 com dez milhões de Portugueses e o estado ainda vive à míngua sugado por corruptos e corruptores. As conquistas do povo foram direitinhas para a nova casta de políticos que dividem o bolo por quotas, tanto para ti, tanto para mim e, estamos de novo naquela merda desses idos anos; o povo fugindo para o resto da Europa, lugares para onde ninguém pensava ir depois dum 25 de Abril de 1975.

:::::5

Será a sina do Portuga, andar pelo mundo subsistindo à tal de resiliência enquanto eleitos, maioritariamente incompetentes singram com grandes salários nas administrações? Gente que assim repartidas pelo Arco-íris político nos torcem e retorcem com impostos com mais taxas em cima de outras já taxadas. Toda a banda larga será inútil se esta gente de mente continuar na festa desta dita democracia.

:::::6

Não é normal meter-me nestas citações mas que ando revoltado lá isso ando! Revendo o panorama do após guerra por incapacidade de gestão, Angola após o Abril de 1975 ficou abandonada à sua sorte até que algures no início da Estrada de Catete em Luanda, deram o grito do “tundamunjila” festejando a independência com rajadas de kalashnikov.

:::::7

A República Portuguesa tinha sido tomada por panhares com militares empoleirados em sua carcaça agitando cravos na ponta das armas. Surgiram uns oficiais barbudos cheios de hormonas de aviário fazendo alarde duma valentia inexistente, em floreados discursos. Elaboraram regras dum criado MFA, Movimento das Forças armadas que logo desrespeitaram.

:::::8

Eles eram os donos da guerra, da opinião, e o povo levantava os punhos em aprovação de suas decisões democráticas – assisti a isto como destacado na Câmara Municipal de Torres Novas; o povo é quem mais ordena e, todos se olhavam entre si ao levantar o braço em reuniões magnas. E, havia por semana uma ou duas destas reuniões; entretanto o Sindicato dos Trabalhadores das Autarquias, por nada nos queriam lá. Passei por isto na fase de Vasco Gonçalves, vendo-o só esbracejar depois de lhe tirar o som da TV.

:::::9

O medo era farejado pela astúcia duns quantos autopromovidos a pavões. Guedelhudos que fingiam ser os Che Guevara duma Sierra Maestra, vendendo seu imaginário a custo zero. Desde esse tempo, Portugal viveu sempre em crise, (e continua a enfermar desses resquícios) envolto em devaneios de gente acomodada à política de faz-de-conta, com gente que teima em se sentir insubstituível.

:::::10

Em Angola, os ditos Movimentos, digladiavam-se pelo poder morrendo como tordos numa guerra a céu aberto. Recém-chegado a Portugal, com um bilhete de vinda sem regresso, ano de 1975, deram a mim e aos meus, 500 escudos por adulto. Com uma senha de viagem fornecida pelo IARN, Instituto de Apoio a Retornados levei meus dois filhos até o Alentejo. Na Funcheira tinha o meu concunhado Cailogo a receber-me e, lá fomos para a Panoias. Meus filhos ficariam aqui até que em terras do norte orientasse a vida em casa de outros familiares brancos de cor e nome...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:35
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Domingo, 10 de Outubro de 2021
N´GUZU . XLI

FEROMONAS DA VIDA

- Num cala-te a boca, acabei de emudecer o que em mim já estava arrependido…

Crónica 3202 – 08.10.2021

Por T´Chingange – em Cantanhede do M´Puto

:::::1

Estando eu no meu “Pátio Andaluz” da Lagoa do M´Puto, naquele dia de meados de Julho de 2021, escrevi com tal força de afeição que até o luar murchou a noite. Depois de dispor cinco manjericos em pequenos vasos para ofertar às cinco meninas do gabinete em que me fazem as declarações de IRS do M´Puto, tomei uns goles de pensamento passando as mãos ao de leve pelas folhas e, assim embuído nesse cheirinho, cocei o aviso em minhas fontes dizendo cá para mim: Esta vida está muito cheia de ocultos caminhos.

:::::2

E, de calor amolecido no esfriado puxadinho pátio andaluz, enraizei vontades sem fazer perguntas à natureza tão prestimosa. Em relação ao resto do que vai pelo Mundo e pelas nações falantes da língua de Camões, assim e no meio duma doença chata chamada de COVID-19, juro não ser portador de um ânimo de mentir nem de me caber calado. Por falta desse tal raso de paciência olhei para o ar vendo os rastos dos aviões tendo na primeira visão as amêndoas; vi então que algumas destas já estavam a abrir a casca, indicio de já poderem ser amanhadas, juntá-las aos figos secos e fazer os queijos à moda de morgadinhos.

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Com algumas alegrias do ar em meu pensamento, com vida tão séria, desconsegui remexer na velhice dos meus afectos por via de pequenos prazeres, vendo tanta gente a vender sombras no escuro, acomodados no estímulo governamental. Descomplicando, amanhã levarei estes cinco vazos às minhas amigas para concertar em mim os pernoitados desprocedimentos que em aflitos sonhos escorregam num esquecimento ficando assim sem substância narrável.

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Desde aquele amanhã, entretanto já se passaram três meses e, por isso nem falei na fuga de um tal de colarinho branco, banqueiro e afins de nome Rendeiro que nem se sabe para onde se escafedeu por via de desfalcar o fisco, e não só. Claro que hoje, dia 10 de Outubro já se desconfia que esteja no bombom de Belize.

:::::5

Escrevia então: agora, minha vontade de chegar a lugar nenhum por via dessa doença covidesca, inchou-se-me no lugar mais estranho chamado de escroto levando-me assim a vir até Coimbra e, a fim de ter opinião mais abalizada por um médico dermatologista. Mesmo sem ter feito e utilizado punhais de sete aços malhados e trouxados numa lâmina, só como se o fora um ferreiro de Toledo, que assim cercado por água do rio Tejo me alembro que só entrei no que imaginei, ilusãozinha que para mim tudo fica resolvido. É só uma carne mole, que sem tumores se expandiu formando uma hérnia inguinal segundo a ecografia; é o que penso…

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Numa de que o que tiver que ser assim o será e, da varanda da casa do Amieiro, encalho meus olhares para poente vendo as ovelhas empinar-se no pátio duma casa de alçado e cor nobre, um solar muito cheio de ervas, pois que o abandono tomou conta no tempo. Sendo assim tudo se recompõe num processo hodierno de deixar andar para ficar de bem com a nação, com o tempo, o governo, as pessoas e até com Nosso Senhor, que alguns dizem ter sido um ET e, que veio ao Mundo para nos endireitar nos modos e acções, uma teoria fora do alcance do “ Principio de Pieter”.

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Num cala-te a boca, acabei de emudecer o que em mim já estava arrependido no momento exacto em que Fátima, pelo telefone me disse assim: Senhor António seu IRS já está entregue e aceite; passe por cá assim que puder! Naquele então disse que passaria por lá quando fosse a caminho de ir até à recepção das análises. Tudo agendado por telefone e, lá fui ver se meu escroto. Para não morrer antes de acontecer fiquei aliviado só no suficiente para ouvir o médico de família que do pouco que disse, nada disse!

:::::8

Como vêem estou no desamparo de minha vergonha e, de novo irei mostrar meu rabo ao Professor Doutor Ricardo Vieira na firme convicção de que para se morrer basta estar vivo. Juro! Nesta singularidade, muito fico repetindo, remoendo em minha mente as palavras que nem digo, porque sou cristão, maior, emancipado e vacinado. Digo isto por modo de me acostumar sem receber certezas de como vai ser então, naquela força de afeição tal de que até o luar por vezes põe a noite inchada…Fui!

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:08
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXVIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXV

DEPOIS  DOS ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS” CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 320108.10.2021 - A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

Por: T´Chingange, em Cantanhede do M´Puto

:::::1

Após o 11 de Novembro de 1975, as casas abandonadas em Luanda maioritariamente pelos brancos, são entregues a “amigos” do MPLA e aos amigos dos amigos ou assim supostos; por toda a Angola se verificou o mesmo procedimento – fábricas, complexos desportivos, armazéns de géneros, bombas de gasolina, literalmente, tudo passou para a gestão do MPLA. Personalidades angolanas terão recebido apartamentos no Kilamba por terem apoiado o MPLA na campanha para as eleições gerais em Angola. Estas pessoas tiveram acesso privilegiado às casas mas, sendo propriedade do estado por confisco, supostamente, teriam de as pagar (digo eu…).

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Por tantas dúvidas no ar, tantas medidas arbitrárias, umas torpes outras sem explicação plausível, levam os jovens de agora a pedir explicações. Nos dois anos de 2019 e 2020 e, no actual 2021, protagonizam inéditas manifestações, estipulando como que uma espécie de moratória ao executivo angolano, antes de voltarem às ruas, uma e outra vez, pedindo eleições livres e sem batota, eleições municipais e o fim da mordaça e do estado policial, ditatorial na verdadeira versão da palavra; uma cleptocracia, um governo cujos líderes corruptos usam o poder político para se apropriar da riqueza de sua nação, com o desvio ou apropriação indevida de fundos do governo às custas da população em geral.

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Uns, declarados opositores, são pressionados, coagidos ou assediados, outros desaparecem misteriosamente e ainda outros são presos por se expressarem em desfavor do MPLA que se protagoniza como sendo eles, o país. Nas eleições parlamentares, a UNITA obteve uma votação de mais de 30%, portanto expressiva, mas que ficou aquém das suas expectativas. Nas eleições presidenciais, os cerca de 42% obtidos por Jonas Savimbi impediram que José Eduardo dos Santos, presidente em exercício que reuniu 59% dos votos, obtivesse na primeira volta a maioria absoluta, do modo que, pela legislação então em vigor, teria sido necessária uma segunda volta.

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Esta, não se chegou a realizar, porque a UNITA declarou de imediato que tinha havido fraude nas eleições presidenciais, e retomou as suas actividades militares - enquanto os deputados eleitos pela UNITA assumiam as suas funções de forma regular. A seguir a uma fase de êxitos militares, por exemplo a tomada temporária da cidade do Huambo, a UNITA passou a perder terreno de maneira dramática, devido ao reforço maciço das FAA (Forças Armadas de Angola), em pessoal, formação e equipamento, no essencial financiado pelas receitas do petróleo.

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Em paralelo, constitui-se uma dissidência da UNITA, designada "UNITA Renovada" e liderada por um dos deputados, Eugénio Manuvakola; esta corrente era a favor do abandono da luta armada e de uma concentração sobre a luta política. No fim dos anos 1990 era patente que a UNITA tinha perdido o combate, em termos militares. Perseguido por uma unidade das forças governamentais, Jonas Malheiro Savimbi é morto em Fevereiro de 2002. Segundo o jornal Público (do M´Puto): Jonas Savimbi morreu "de arma na mão", como "um militar", numa emboscada das Forças Armadas Angolanas (FAA), numa sexta-feira à tarde, junto ao rio Luio, sudeste da província do Moxico, ao fim de cinco dias de perseguição pelo mato. "Sete tiros foram suficientes para o abater". Foi assim que o brigadeiro Wala, na qualidade de dirigente da "força mista que matou o líder da UNITA", resumiu o fim de Savimbi aos jornalistas presentes no local em que o corpo foi exibido.

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Ano de 2002 - Após a sua morte, a UNITA tornou-se num partido civil e abandonou a luta armada. No congresso da fundação do partido, onde a UNITA Renovada e outros elementos dissidentes foram reintegrados, Isaías Samakuva foi eleito presidente. Concorrendo às eleições parlamentares de Setembro de 2008, a UNITA obteve pouco mais de 10%, tornando-se num partido com poucas condições para exercer funções efectivas de oposição. Em 2012, esta situação levou à saída de uma dos seus mais destacados dirigentes, Abel Epalanga Chivukuvuku que fundou um novo partido, CASA (Convergência Ampla de Salvação de Angola).

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Apesar desta perda, a UNITA aumentou muito significativamente, de cerca de 80%, nas eleições realizadas em 2012, duplicando o número dos seus deputados, enquanto a CASA obteve respeitáveis 6% com 8 deputados - constituindo-se, deste modo, uma oposição parlamentar significativa ao MPLA. Nas eleições de 2017, a UNITA quase duplicou outra vez o número de acentos no parlamento, saindo de 32 para 51 deputado, sendo que a CASA-CE passou de 8 para 6 deputados.

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A UNITA que tem tentado sempre demonstrar democracia interna realizando congressos de 4 em 4 anos, é hoje, o principal partido opositor ao partido que forma o governo afirmando-se como uma verdadeira alternativa a este. A morte de Savimbi também se reflectiu na mudança ideológica do partido, deixando o nacionalismo de esquerda e o socialismo humanitário (correntes maioritárias até então). Este facto alterou o espectro do partido, que, de situado mais a centro-esquerda, passou a um movimento sem ideologia dominante.

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Segundo Jofre Justino, o partido terá assim várias correntes, sendo a dominante, direitista, capitaneado por Isaías Samakuva. As demais correntes do Galo Negro seriam a da esquerda, dirigida por um general do terreno; e a do centro, capitaneada por Abel Chivukuvuku (que acabou por romper com a UNITA e formar um novo partido). O XIII Congresso da UNITA, realizado entre os dias 13, 14 e 15 de Novembro de 2019 foi o mais renhido da sua história, em relação à disputa da presidência.

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Concorreram 4 candidatos, todos eles dirigentes de proa do partido, como o diplomata Alcides Sakala Simões, na altura secretário para as relações internacionais, o deputado e académico José Pedro Katchiungo, na altura também vice-presidente da bancada parlamentar, José Abílio Kamalata Numa, um destacado General na reserva, o jornalista Manuel Raul Danda, na altura vice-presidente do partido e o Eng.º Adalberto Costa Júnior, então presidente da bancada parlamentar, que veio a ganhar as eleições, com pouco mais da metade dos votos. A UNITA é hoje composta por uma direcção coesa liderada por Adalberto Costa Júnior, Arlete Leona Chimbinda, primeira mulher a chegar ao cargo de vice-presidente do partido e Álvaro Daniel.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:22
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2021
KANIMAMBO - LXXVI

Crónica 3199 de 28.09.2021 - MEDITAÇÃO DE SEXTA-FEIRA

24 DE SETEMBRO - 2021- EM TEMPO DE ELEIÇÕES NO M´PUTO

- A ECOMPENSA DO CORAJOSO - Não se deixe levar pelas ondas da filosofia inebriante da BAZUCA... Vá pelas direitas!  Kanimambo é obrigado em dialecto Changana de Moçambique - Publicada em kizomba a 24.09.2021, (vésperas de eleições autárquicas)

Por: T'Chingange no AlGharb do M'Puto

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"Coragem” é uma palavra usada para caracterizar alguém arrojado, ousado e valente – qualidades necessárias a quem tem determinação e está disposto a vencer qualquer barreira para realizar seus planos. Essa palavra também pode ter uma conotação negativa e significar petulância, audácia e atrevimento, dependendo dos meios escolhidos para alcançar os objectivos.

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É muito fácil encontrar pessoas dispostas a pagar qualquer preço para obter vantagens; neste capítulo, os políticos sempre têm arte ou engenho para nos despacharem promessas. Isso é ousadia de má espécie mas, não temos outro remédio senão optarmos pelo MENOS MAU, menos ambicioso ou o que surge como o mais dentro da quadratura do nosso círculo.

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Nesta era de reactividade, de coisas esdrúxulas, não se fala muito em certo ou errado nem em pecado do corajoso. Então lá teremos de ir ver a crença para escalpelizar a noção de que não existe bem ou mal, mas uma acção adequada e dependendo das circunstâncias. Será assim, noé!?

Claro que há quem enfrente qualquer obstáculo para ajudar quem necessite;  esse tipo de pessoa, sempre é uma bênção pois que, não se satisfaz com a mediocridade, lançando-se em busca do que está mais para além da vulgaridade.

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Apesar da complexidade da vida e de nossa confusão, com as moléculas do cerebelo a dar voltas de remoinho, devemos distinguir o certo do errado, do mau e menos mau, para optar na escolha, sabendo de antemão que quase todos os políticos, se coçam para dentro, fazendo dum acto de cidadania uma forma-de-vida!

Convém saber-se que o pecado é um mal em todo o sentido da palavra extensivo à promessa fácil. Em relação a esse assunto sabemos dos livros e, como cristãos, que aquela definição que diz: “Pecado é a transgressão da Lei”- que o é, por vezes uma desregra na prática, noé!?

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Muitas vezes nos sentimos confusos pois nos parece que não é tão simples avaliar as situações para descobrir a atitude certa. Pelo sim pelo não votarei no amigo que conheço, bom chefe de família, trabalhador e que, até agora, não usou de falcatruas entre outras arbitrariedades.

Deveremos distinguir o certo do errado, como diz a Bíblia, livro que ainda me serve de padrão: saber que o pecado é um mal no verdadeiro sentido da palavra. Embora a Bíblia nos alerte: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo!”. Nós Tugas já conhecemos este fado com muitos intervenientes a gozar no bem-bom com boas reformas pelo fruto da falcatrua e, do Espírito Santo, noé!

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Esse verbo "roubar" é muito intrigante porque parece ser difícil chamar às trevas da luz, a luz de trevas, não é verdade? Como é que isso pode acontecer? Acontecendo, pois! Quando nos voltamos para nós mesmos, descobrindo que sim; é possível acontecer...

Que é possível fazermos o bem simplesmente motivados por um desejo de admiração. Isso corrompe nossa bondade. "Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: "Este é o caminho: siga-o". Não se deixe levar pelas ondas da filosofia inebriante deste tempo! Lembrem-se do "Principio de Peter" - Vote às direitas...

Nota: Hoje 28 de Setembro  de 2021, já se sabe que Lisboa mudou de mãos! Vamos ver se na tal de BAZUCA  que chamam de PRR - Plano de Resiliência, os DDT - Donos Disto Tudo, não usem da falácia  costumeira...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:16
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MOKANDA DO SOBA . CLXXXVII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIV

”OS DIAS DAS BRUXAS” – CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 3198 – 28.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por: T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

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Logo no dia a seguir à partida do Papa João Paulo II de Angola a 10 de Junho de 1992, MPLA e UNITA envolvem-se em violento combate verbal, só apaziguado com a interferência de Herman Cohen. No segundo dia da campanha eleitoral, soldados da UNITA atacam o governo provincial de Kuito. Os governamentais reagem. O incidente salda-se em 20 militares e 10 civis mortos. No mesmo dia, no Huambo, numa emboscada à caravana automóvel de Kundy Paihama, director de campanha do MPLA, falece o secretário provincial da juventude do MPLA e cinco pessoas ficam feridas com gravidade.

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Estes acontecimentos, motivam um comunicado dos observadores internacionais e membros da missão das Nações Unidas UNAVEM II, condenando a atitude do MPLA e da UNITA -Convém esclarecer que a UNAVEM I, fiscalizou a retirada das tropas expedicionárias cubanas. A 8 de Setembro de 1992, Eduardo dos Santos e Savimbi acordam no princípio da criação de um governo de unidade nacional, independentemente do resultado das eleições. Comprometem-se na extinção dos seus exércitos, antes do escrutínio. Dez dias depois aquele comprometimento, avisado pela sua representante em Angola, Margaret Anstee, Butros-Ghali envia um relatório ao Conselho de Segurança da ONU, denunciando que apenas 41% das forças armadas do governo da UNITA tinham sido desmobilizadas e apenas 19% das forças armadas unificadas tinham sido constituídas.

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O mesmo documento sublinha que o ritmo da desmobilização foi mais rápido do lado das forças governamentais – 54.747 soldados, correspondentes a 45%, contra 7.257 soldados da UNITA, correspondendo a 24%. Toda esta movimentação de vontades fica conspurcada pela má-fé de ambas as partes que não confiam em suas próprias sombras pois que sempre vem ao de cima mais de 10.000 mortes de partidários da UNITA e da FNLA que foram assassinados pelas forças do MPLA, principalmente dos grupos étnicos ovimbundos e bacongos.

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Os “3 DIAS DAS BRUXAS” sempre é relembrado com as mortes de muitos membros proeminentes da UNITA como Jeremias Chitunda, Elias Salupeto Pena e Aliceres Mango, entre muitos outros. Dia 30 de Outubro de 2021, completam-se 29 anos sobre o massacre iniciado a 30 de Outubro de 1992 na capital angolana, Luanda. Recorde-se: De 29 e 30 de Setembro de 1992 diz Filomena Lopes líder do Bloco Democrático, partido da oposição angolana: “foram naturalmente três dias horríveis", data em que se interrompeu o processo de paz em Angola. Fui apanhada de surpresa, sobretudo numa altura em que se tentava encontrar soluções políticas para o problema.

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Filomena diz: - “Matava-se tudo. Matavam-se todos os que tivessem alguma ligação com a oposição. ”Milhares de apoiantes e até dirigentes da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA) são assassinados em Luanda e em outras localidades do país. Também há vítimas da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). “É a primeira vez, na história da guerra civil angolana, que políticos morrem em combate”, escreve o jornalista Emídio Fernando no livro Jonas Savimbi, “No Lado errado da História”.

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Até hoje - 2021, permanece por esclarecer quem ordenou o massacre. O número de vítimas também nunca foi confirmado, mas estima-se que tenham morrido entre 10 mil e 50 mil pessoas. Outros gráficos, baseadas em números da Igreja Católica, estimam que foram mortos de 25.000 a 40.000 partidários da UNITA e da FNLA. Números que Mário Pinto de Andrade, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), contesta: “Acho que, às vezes, a comunidade internacional empola. Houve uma manipulação desses resultados. Eventualmente fala-se das pessoas que morreram pela UNITA, mas também morreu muita gente pelo lado do governo. A UNITA quando ocupou o Uíge matou muita gente do MPLA e quando ocupou o Huambo, fez o mesmo.”

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Nem o candidato do MPLA, José Eduardo dos Santos, nem o seu adversário, Jonas Savimbi, da UNITA, conseguiram maioria absoluta nas presidenciais. Mas, a segunda volta nunca se realizou. A guerra civil reacendeu-se com o massacre e, prolongar-se-ia até quatro de Abril de 2002. O massacre dizimou muitos membros dos grupos étnicos Ovimbundu e Bakongo, historicamente tidos como adversários do MPLA. O jornalista e analista político Orlando Castro afirma que, nessa altura, o MPLA tentou “neutralizar todos os que pensavam de maneira diferente do regime”.

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“Foi uma nova tentativa de decapitar a UNITA. Orlando Castro conta: "Na história do MPLA, os massacres, ou as purgas, ou o que se lhe quiser chamar, são uma regra estratégica do regime, mesmo até para os próprios simpatizantes do MPLA”. Essa prática vem-se verificando até aos dias de hoje segundo muitas versões contadas aqui e ali, em livros ou crónicas nos jornais e redes sociais e, até por gente fugida ao sistema que sempre acusam o MPLA na utilização de venenos para eliminar parceiros ou amigos considerados insuspeitos. Quem lê o “Fórum de Liberdade” nas redes sociais de Fernando Vumby exilado na Alemanha, um antigo elemento da DISA - a polícia política do governo de Agostinho Neto, fica com os cabelos em pé.

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O tema ainda é tabu em Angola e desconhecido por muito jovens. Daí a importância de uma boa estratégia de reconciliação, desde que não se branqueie a verdade, defende Orlando Castro: “Estes massacres são os mais visíveis, quer o de 27 de Maio de 1977, quer o de 1992, são os mais visíveis pelo número de vítimas, mas o MPLA tem muitas outras histórias porque ao longo da guerra – embora a UNITA obviamente também tenha cometido grandes erros – o MPLA, até pelo poder militar que tinha, massacrou muita gente inocente.

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Os jovens não conhecem esta história. E, a paz e reconciliação em Angola nunca se conseguirão com base na mentira”. Mário Pinto de Andrade recorda: “ninguém pode negar a História, mas tem de se falar com realismo. Apesar de Angola ter um grande potencial em recursos hídricos, nem toda a gente tem acesso a água e energia no país. O governo angolano quer mudar isso e está também aberto a cooperar com Portugal; assim se falava a em Outubro de.2012; o que mudou mesmo foi  o ressurgir de novas formas de roubar ao erário publico destroçando paulatinamente a economia e levando o povo ao desemprego, sobrevivendo da forma triste em rebuscar nas lixeiras, caixotes de lixo e coisas nauseabundas que só abutres praticam…  

(Continua…)

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:53
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXVI

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIII

”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”  TRAGÉDIA ANUNCIADA COM CAMPANHA CONFLITUOSA…

Crónica 3197 – 27.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em Março de 1992, representantes da Amnistia Internacional visitaram Angola lançando um apelo para a protecção dos direitos humanos – “Na ausência de providências imediatas para impedir novos assassinatos, verificava-se uma escalada da violência que vinha a pôr em risco os acordos de paz”. Crimes cometidos, nunca castigados, segundo pesquisa na imprensa angolana e portuguesa: Pelos governamentais, a morte de seis pessoas, numa manifestação pacífica de apoio aos separatistas de Cabinda, em 1991.

Ainda em Cabinda, no mesmo ano verifica-se a execução a tiro do diácono Arão. Também em Luanda, ocorre o assassinato do piloto governamental Sampaio Raimundo, pelo guarda-costas de um oficial da UNITA. No corrente ano de 1992, a morte de quatro oficiais da Força Aérea angolana, por membros da UNITA – dois deles, enterrados vivos, um queimado, outro espancado. Dá-se a morte de nove membros da UNITA, entre os quais o tenente José Segundo, na Província de Benguela, segundo representante da UNITA em uma comissão da CCPM - Comissão Conjunta Politico Militar. O mesmo, foi alvejado por um civil e por um outro com uniforme das FAPLA, em Junho do passado ano. Àquelas mortes, nenhuma investigação foi feita.

cronXXIII-5.jpg Dá-se o assassinato do representante da UNITA em Malange, coronel Pedro Makanga, vingado logo a seguir, com o assassinato de um tenente-coronel das FAPLA. Era esta a onda de insanidade e falta de rigor na fiscalização e ordem do território e, dizer-se por isso, estar-se a caminhar para uma tragédia anunciada, sem ter ninguém ou entidade fidedigna para superar com justiça quaisquer arbitrariedades. Na Província da Huíla dá-se assassinato de quatro turistas; este episódio transforma-se em mais um incidente político, quando Jonas Savimbi anuncia que prendera Celestino Sapalo, um agente de segurança governamental, por suspeita dos crimes. A ONU, vem a concluir que os crimes haviam sido cometidos pela tropa da UNITA; esta, concorda em permitir o interrogatório a Sapalo por uma comissão conjunta de inquérito, formada por seus representantes e do governo, mas isso nunca aconteceu.

cronXXIII-0.jpg Dá-se aqui conhecimento de várias altercações que um pouco por toda a Angola se vão verificando, para que se tenha uma ideia melhor formatada do todo o ambiente social em efervescência expectante da paz que, não chega… Em Cabo Ledo, arredores de Luanda, ocorre a morte por assassinato de uma família portuguesa. O governo apresenta um presumível autor dos crimes que anuncia ter actuado a mando da UNITA, por dinheiro e, embora tudo apontasse ser uma manobra política do MPLA, nenhuma investigação viria a ser feita. Por sete dias o Papa João Paulo II visita Angola, tendo-se despedido a 10 de Junho de 1992 do povo angolano no Aeroporto de Luanda e, tendo na primeira linha um grupo de escuteiros em fila.

cronXXIII-3.jpg O Papa João Paulo II junto de José Eduardo dos Santos, presta honras militares; arcebispos e bispos, em representação de vários países africanos; crianças com camisolas impressas com fotografia do Papa João Paulo II; O Papa João Paulo ao fazer discurso de despedida dá antecipadamente a bênção para um bom entendimento entre irmãos desavindos, o que teimará em não se verificar. As eleições gerais angolanas ocorreram nos dias 29 e 30 de Setembro de 1992 para eleger o Presidente da República e a Assembleia Nacional. Foram as primeiras eleições multipartidárias, supostamente democráticas e livres realizadas no país. Ocorreram na sequência da assinatura dos Acordos de Bicesse de 31 de maio de 1991, que pretendia pôr fim ao impasse militar com mais de dezassete anos.

O MPLA ganha as duas eleições; no entanto, os oito partidos de oposição, em particular a UNITA, rejeitaram os resultados como fraudulentos, o que se veio a verificar posteriormente segundo relatos de ocorrências, por impedimentos de fiscalização, destruição de urnas ou, por trâmites com bizarrias inconsequentes. Como resultado, a guerra civil seria retomada. Alguns milhares a dezenas de milhares de membros da UNITA ou apoiantes em todo o país seriam mortos pelas forças do MPLA em poucos dias, no que é conhecido como o MASSACRE DO DIA DAS BRUXAS, também conhecido como o Massacre de Outubro, referindo-se aos eventos que ocorreram de 30 de Outubro a 1 de Novembro de 1992 em Luanda, já como parte da Guerra Civil Angolana.

cronXXIII-2.jpg O massacre aconteceu após as primeiras eleições da história do país. O partido governante, o MPLA, reivindicou a vitória. A UNITA, questionou a equidade das eleições, apresentando provas das anomalias mas, a Comunidade Internacional e os países dos PALOPS assobiaram para o lado; era no Mundo, o início do barlavento esquerdista com a postura moderada de socialista! Podemos agora e à distância, ver a grande imagem, tomando como exemplo o ”Fórum de S. Paulo”- uma organização que reúne partidos políticos e organizações de esquerda, criada em 1990 para promover mudanças à esquerda com a capa suave de "neoliberais” como Cuba, Venezuela, Bolívia, Argentina entre outros…

Uma vez que nem o candidato do MPLA nem o candidato da UNITA obtiveram a maioria absoluta requerida nas eleições presidenciais, uma segunda volta seria necessária de acordo com a constituição mas, à medida que ambas as partes intensificaram a retórica da guerra, o MPLA ataca posições da UNITA em Luanda. Seguiram-se combates que levaram à morte de muitos membros proeminentes da UNITA como Jeremias Chitunda, Elias Salupeto Pena e Aliceres Mango Alicerces, que foram retirados do seu veículo e mortos a tiros. Milhares de eleitores da UNITA e da Frente Nacional de Libertação de Angola, FNLA,  foram massacrados em todo o país pelas forças do MPLA ao longo de três dias…

cronXXIII-4.jpg Em um atentado no Huambo, é assassinado o poeta Fernando Franco Marcelino. Neste atentado é ferido com gravidade a poetiza Zaida Daskalos. O “Terra Angolana” – o jornal da UNITA, em sua edição de 31 de Outubro, atribui ao MPLA a autoria deste crime, o que é duvidoso pois que eram pessoas muito conhecidas em Angola e, desde sempre ligadas ao MPLA. Neste meio tempo é também assassinado no Huambo o médico e escritor David Bernardino, homem ligado à esquerda pelo Movimento Democrático do Huambo – um apêndice do MPLA desde o seu nascimento…    

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:27
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXV

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXII

–”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO” – Tragédia anunciada

Crónica 319619.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em carta datada de 11 de Março de 1992 destinada ao Secretário de Estado Norte-Americano James Backer, Jonas Savimbi admitiu as execuções de Pedro N´Gueve Jonatão Chingunji, “Tito” - delegado da UNITA nos E.U.A. e de Fernando Wilson, delegado da UNITA em Lisboa, assim como toda a família, de ambos e, respectivos guardas pessoais, por via de “actos de alta traição” e, após julgamento. Ainda declara que haviam sido mortos em 1991 e não em 1992. A Amnistia Internacional contesta a Comissão de Inquérito da UNITA, fazendo saber ao movimento, que a mesma não obedecera aos “critérios geralmente aceites de independência e imparcialidade”.

Na carta dirigida a Backer, Savimbi acusou “Tito” e Fernando Wilson de pretenderem envenena-lo: “Depois do regresso à Jamba, a 11 de Novembro de 1988, promovi um encontro entre nós e, alguns de seus amigos para discutirmos o que se falava. Tito confessou que pretendia derrubar-me ou envenenar-me com um tipo de veneno de camaleão bem conhecido pelos angolanos”. “Na altura em que a estória emergiu, “Tito” que nomeou Wilson como conspirador, estava convencido de que um acordo poderia ser fechado com o MPLA, se eu fosse afastado.

kuito1.jpg Entretanto a UNITA chamava de “criminosos de guerra” a Almeida Santos, António Guterres, Jaime Gama e Durão Barroso. Em 1988, no Palácio de Belém, Mário Soares, na qualidade de Presidente da República, agracia com a Ordem do Infante Dom Henrique o empresário Horácio Roque, cuja mulher, Fátima Roque, acompanha Savimbi num périplo por vários países. Só em 1992, pela primeira vez, é que João Soares se demarca de Savimbi ao certificar-se de que este mandara fuzilar os dirigentes da UNITA Tito Chingunji e Wilson dos Santos.

Tito e uns quantos mais – entre eles Fred Bridgeland, um britânico, autor da biografia oficial de Savimbi e autor de outros artigos, denunciava a crueldade, associada a eventuais desvios mentais de Jonas Savimbi, e também uma tal de Olga Mundombe, estudante da UNITA nos EUA, e recentemente afastada do movimento – desenvolveram um plano para destruir a minha reputação, alegando violações dos direitos humanos com uso de drogas, numa tentativa de criar um clima favorável a “Tito” para tomar a presidência.

 bicesse2.jpgO plano alternativo era envenenar-me na Jamba e arregimentar jovens e outros indecisos à sua suposta bandeira. “A situação fica particularmente delicada porque “Tito” alegou que o seu plano beneficiava de apoio actuante da CIA”. São desconhecidas as movimentações de Backer mas, é conhecida a carta que o presidente e vice-presidente da “Senate Select Committee on Intelligence”, respectivamente David Boren e Frank Murkowski, enviaram a George Bush: “Os nossos membros estão profundamente preocupados com as repetidas acusações de abusos dos direitos humanos em Angola e, em particular, às mortes de Tito Chingunji, Wilson dos Santos e suas famílias.

Podemos nunca saber quem foram os responsáveis por estes crimes, mas o Dr. Savimbi tem de aceitar a responsabilidade pelo facto de terem ocorrido na jurisdição controlada pela sua organização politica e militar. O facto de estes acontecimentos, terem acontecido depois da paz ter chegado a Angola, deixa-nos apreensivos. Espera-se por isso que certas e especificas acções sejam tomadas por ele, Jonas Savimbi que comanda o movimento UNITA.

ong5.jpeg Com o título de Galo Negro em inglês (“The Black Cockerel”), existe uma peça teatral sobre Savimbi, da autoria do nigeriano Ademola Bello, o primeiro africano a obter um mestrado em arte dramática pela Universidade de New York.“The Black Cockerel” estreou em Junho de 2008 numa encenação da companhia do Out North Theatre de Anchorage, Alaska, onde o autor reside; esteve longe de ser um sucesso, mas teve pelo menos o mérito de atrair o interesse de Hollywood para a vida de um dos maiores líderes africanos. A acção da peça decorre entre 1985 e 1992 e os personagens são Savimbi e Tito Chingunji, secretário dos Negócios Estrangeiros da UNITA entre 1980 e 1990 e representante do movimento em Washington e o americano Jack Abramoff, lobista ligado ao Partido Republicano e que conseguiu que Savimbi fosse recebido com passadeira vermelha na Casa Branca.

Estando eu na odisseia da diáspora “ Kikas Xirikwata” por terras de Ovoboland e, no final do ano de 2014 no alpendre de soalho e tecto em madeira da Guest House Willtop de Vanda Potgieter, pude repensar em fim de tarde os últimos dias percorridos entre Okavango na Faixa de Kaprivi e os desertos de Swakopmund, pelas quenturas agrestes dos morros de Ozakos e Kiribib. Pude rever esta matéria com “João Miranda”, o chefe dos khoisans do batalhão Búfalo, quando da invasão a Angola naqueles primeiros tempos da invasão Sul-Africana.

guerra19.jpg Também senti um desassossego de excitação inquieta nos porquês mal respondidos e, que só África nos transmite; há fogos em guerrilhas escondidas com vinganças incompreendidas, queixas e gemidos, quiçá chorando nova dores, quebrando os hábitos dum quotidiano em noites de espaços perdidos. O que foi e, como foi que aconteceu é uma ideia que sempre nos acode e adianta ao acontecido. África é imprevisível na soma de angústias, incêndios com sinais de pavor, traficâncias com segredos de podridão. Deus não se vai fiar em qualquer um, por muito boas que sejam a recomendações. Esta temeridade advém de coincidências da África, de guerras subterrâneas do poder, do branco e do preto, das coisas que dão zebra.

São coisas dos últimos e antigos tempos e, embora seja cruel deixar os kotas velhos sem resposta, as pessoas, genericamente, não escolhem as sombras que têm e, também o amanhã que não pertence a ninguém! Isto acontece no “This is África”! Lugar, aonde tudo é possível.  Na voz do bom senso, terei de esperar o amanhã, sem mais nada ter que fazer e, em paz, divorciar-me de mim, dando a chave do cofre ao mestre da charrua da vida. E, porque foi que vim aqui, se não era necessário afastarmo-nos tanto, a um lugar tendo por testemunho absoluto o céu que nos cobre, para onde quer que se vá.

xiricuata2.jpg Como podemos nós acrescentar à ciência o entendimento de simplicidades tão abrangentes; uma mão amiga! As pedras surdas e mudas que não podem testemunhar porque elas têm seu próprio destino, transformar-se em pó, e nós, em coisa nenhuma. Para provar que o que tem de acontecer acontecerá, haverá sempre um milagre a alterar o curso do destino, pequeno grande! Desta feita tem o nome de “Kikas Xirikwata”, no feminino, que move vontades e ternuras a alterar este simples destino, seu toque milagreiro de bem-haja, pequenas grandes coisas que fazem a diferença!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:13
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Domingo, 19 de Setembro de 2021
CAZUMBI . LXXI
NAS FRINCHA DO TEMPO BILHETE DO ASTROLOGO ALADJE 
- Sonhajando a felicidade com Ongweva (saudade) - Crónica 3195 – 19.09.2021

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Por   soba k.jpg T´Chingange no AlGharb do M´Puto

O papel branco formatado num pequeno quadrado, cheio de letras e arabescos nos quatro cantos, surgiu de mistério seguro pela escova no para brisas do carro. Coisas de espiritualista avulso e vidente. No canto do topo tinha uma crescente lua no lado direito com estrela a acompanhar; da direita, a lua era decrescente e também tinha uma estrela ao lado. Guardei e li, uma literatura como que saindo de um afamado cientista, espiritualista e também curandeiro.

kimbanda1.jpg Para imprimir grandiosidade diz o “fulano” ser descendente de uma antiga e rica família com poderes. Diz ser um mestre conceituado na Magia Negra e Branca, originário dos impérios do mal, do Senegal, da Gâmbia e Guine-Conacri e Angola. Um grande signatário coordenador dos impérios daquele tal mal, mesmo das lonjuras de muitos anos…

Conhecedor de casos desesperados, requerendo ajuda e conselhos em qualquer problema, grande ou de difícil solução. Diz que tudo é feito em rapidez e sabedoria nos assuntos de amores, insucessos, depressão, saúde, negócios, impotência sexual, mau-olhado, invejas trancadas e atravessadas e, todo o tipo de doenças…

kimbanda3.jpg Este quadrado exíguo para tantas e, relevantes tarefas de pirilampo, ainda arranja e mantêm emprego, aproximação ou afastamento de pessoas amadas. Ué! Com enfado muito carregado de curiosidade, de texto longo, leio ainda que também lê a sorte pelo bom espirito com seu forte talismã; faz trabalhos à distância afirmando ser conhecido por toda a europa e áfrica.

Seu horário é de entre as 8 horas e 30 minutos e as 20 Horas. Nos cantos inferiores, esquerdo e direito, tem duas lamparinas de Alibabá; assim termina seu “patuá” indicando seus dois telefones portáteis e um fixo. Cumcamano, fiquei assim estupefeito com tantas alvissaras penduradas em seu carisma de Kimbanda…

saramargo01.jpg Desta feita verifico ser este “Aladje” muito superior ao nosso Primeiro-Ministro de nome António Costa. Deveria ser assessor deste “nosso” compatriota para acudir às mazelas do M´Puto pois que sua “lábia” é bem oleada nas muitas difíceis engrenagens do optimismo… Suas entidades vibram nas matas, cemitérios e encruzilhadas, com o "Povo da Rua" abrangendo os mensageiros ou guardiões (é dos livros…)

Estou a ver-me tirando uma senha a fim de ficar depenado nos trinques, talqualmente fazem os muitos políticos de “nosso” rectângulo. Mas, ele, há coisas… afinando as pestanas vê-se que é para além de um bom candidato a politico, um bom homem de ética apurada, enfim, um bom republicano, socialista…

sacag11.jpg Perante esta mokanda, acho que o espírito da gente é cavalo que relincha e até escolhe estrada. Que quando numa de para tristeza, e morte, vai não vendo o que é bonito e bom; seja!? Contando assim este episódio de quase resiliência, coloco até minha sobrada amizade, assim mesmo, um pouco para ele singrar, pois surge do nada em criatura de simples coração que em verdade, me fez desacreditar que o inferno é mesmo possível! Ainda estou sonhajando…

Nota: Sonhajando: - Viajar com sonho…
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:51
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2021
FRATERNIDADES . CXXXIII

11 DE SETEMBRO e as TORRES GÉMEAS dos EUA

Crónica 3193 de 11.09.2021 - *Aonde estava Deus naquele dia?*

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Por soba02.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Nenhum atentado causou mais impacto no Mundo do que o do dia 11 de Setembro de 2001, quando duas torres em Nova Iorque foram atingidas por dois aviões sequestrados e pilotados por terroristas suicidas. O estrago foi imenso; o prejuízo em vidas, incalculável e o mundo passou a viver uma era sob o impacto do terror. Nessas horas, uma pergunta se fez a nós mesmos: Por que Deus permitiu aquela tragédia? Onde estava Ele? Por que não fez nada? Ele tem culpa por não intervir?

roxo135.jpg Bom! Dias depois do desastre, a filha dum pastor, Billy Graham foi entrevistada no programa Early Show, em Nova Iorque, e respondeu à seguinte pergunta: “Como Deus permitiu que isso acontecesse?” Anne Graham deu uma resposta extremamente profunda e sábia: Creio que Deus ficou muito triste com o que aconteceu naquele fatídico dia, tanto, quanto nós. Por muitos anos, temos dito a Deus para que não interfira em nossas escolhas, para que saia de nossas vidas. Sendo cavalheiro que é, creio que Ele, respeitosamente saiu. Como podemos então esperar que nos dê a bênção e protecção se exigimos que Ele não se se envolva connosco?”

Os políticos, em sua maioria, dizem-se ateus ou agnósticos, remetendo-O para o isolamento, uma prisão sem grades físicas ou temporais dispensando até seus valores; ao invés disto dizem-se gays com orgulho sem o parecerem, inibidos em quanto baste... De repente ficamos sem chão, porque num repentinamente corremos riscos de "anormalidade", isto no sentido de sermos diferentes...

roxo137.jpg Nossos filhos vão para as universidades, entram homens e saem mulheres ou entram mulheres e saem homens sem preservar aqueles valores enaltecedores. Claro que generalizo isto mas felizmente ainda não é um conceito maioritário (até ver…) mas, no entanto esta postura, inibe-nos por silêncio, para não corrermos o risco de nos chamarem de preconceituosos, antiquados e outros edecéteras...

O problema do ser humano é que deseja paz, amor, justiça e respeito ao seu jeito jeitoso de modo próprio; assim deve ou deveria ser, noé!? Ele, o tal de Nosso Senhor, também não quer violência, guerras nem egoísmo. No entanto, se essas coisas são alcançadas somente com Deus, então fica claro: o ser humano quer as bênçãos divinas, mas regeita-O em ensinamentos. Não quer reconhecer que necessita Dele; prosápia pura de alguém que o diz por altruísmo torpe.

roxo103.jpg A Bíblia nos alerta, de que “como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem. Pois nos dias anteriores ao Dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, portando-se como cachorros, sem lei-nem-roque e até ao dia em que Noé entrou na arca”…

roxo27.jpg Não há problema algum em comer, beber ou casar-se, o erro está em fazer isso longe dos conceitos de civilidade de Deus. Desejar as bênçãos Dele, implica em andar em seus caminhos. Envolver-se com Ele significa seguir Suas orientações, obedecer a Suas leis e submeter-se a Seus cuidados. Só assim daremos liberdade a Deus para nos proteger e agir como se deseja.

Imagens aleatorias de Assunção Roxo

Feliz Domingo e todo o resto de Setembro ...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:03
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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXIV

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXI

ACORDO DE BICESSE - 30 DE MAIO DE 1991

–”O CESSAR-FOGO” - Crónica 3192 – 13.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por   soba02.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Após 15 anos de permanência em Angola, o último soldado cubano retorna à ilha no mês de Maio de 1991. Teremos aqui de fazer um curto desvio para descrever seu regresso e, de forma sucinta dar detalhes do que então se passou: Na madrugada de 14 de julho de 1989, o general Arnaldo Tomás Ochoa Sánchez o herói chefe das forças expedicionárias em Angola, a terceira figura militar mais poderosa da ilha de Cuba, depois do Comandante em Chefe Fidel Castro e do General Raúl Castro é fuzilado pelo crime de traição. O que se esperava ser uma verificação de antecedentes de rotina antes do anúncio, o governo acusou Ochoa de corrupção, na venda de diamantes e marfim de Angola e a apropriação indevida de armas na Nicarágua.

À medida que a investigação prosseguia, foram encontradas ligações com outros militares e funcionários do Ministério do Interior cubano que estavam envolvidos em crimes ainda mais graves: receber suborno de traficantes de drogas da América do Sul em troca de deixá-los usar as águas territoriais cubanas para colecta de drogas. O general Raúl Castro, que era muito próximo de Ochoa pediu várias vezes a Ochoa para confessar, revelar tudo, para que eles pudessem seguir em frente. Quando Ochoa se recusou a cooperar, em 12 de Junho, o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias anunciou sua prisão e investigação por graves actos de corrupção, uso desonesto de recursos económicos e cumplicidade no tráfico de drogas.

Ochoa2.jpg Ochoa foi colocado atrás das grades por um mês na base militar de Reloj Club Boinas Rojas. Durante este mesmo período, Patricio e Tony de la Guardia e outros foram presos e acusados, ​​também. Seu julgamento pelo Tribunal de Honra Militar, que forneceu ampla evidência dos crimes cometidos, incluindo datas, locais, quantias em dinheiro e drogas envolvidas, junto com os crimes menores de contrabando de diamantes e marfim para venda, foi exibido na televisão caribenha. O Tribunal Militar considerou-o culpado de todas as acusações, incluindo o crime capital de traição. Os promotores apresentaram evidências de que pelo menos um piloto envolvido na transferência de drogas foi contratado pela CIA e, argumentou que se o governo dos Estados Unidos em vez do governo cubano tivesse descoberto e revelado o envolvimento de militares cubanos de alto escalão no narcotráfico, isso teria fornecido uma desculpa para invadirem Cuba.

Menos de um ano depois, os EUA invadiram o Panamá usando o envolvimento de Noriega no tráfico de drogas como justificativa. Alternativamente, eles presumiram, se Cuba tivesse ido na frente e nomeado o General Ochoa como Chefe do Exército Ocidental, os EUA estariam em uma boa posição para chantagear e controlar uma das pessoas mais responsáveis ​​pela segurança do país. Quatro dos réus, incluindo Ochoa e Tony de la Guardia, foram condenados à morte pelo crime de traição. O regime vigente alegou que não apenas traíram o alto nível de confiança do governo e do povo cubano, declarou a Corte, mas colocaram todo o país em perigo por suas acções. Creio ter sido esta razão (entre outras…) de levar á morte o considerado herói Ochoa para salvar Cuba de um assalto humilhante pela forças dos Estados Unidos da América.

ochoa3.jpg O Conselho de Estado confirmou por unanimidade as condenações e a pena de morte. As acusações, condenações e sentenças de morte foram extremamente desagradáveis ​​para grande parte da população cubana, especialmente no caso de Arnaldo Ochoa, que foi considerado pela maioria das pessoas em Cuba um dos mais respeitados generais das Forças Armadas cubanas. Na madrugada de 14 de julho de 1989, Ochoa foi executado por um pelotão de fuzilamento na base militar "Tropas Especiales" em Baracoa, no oeste de Havana. Um relato amplamente reconhecido, conta como ele pediu para não ser vendado e para dar ele mesmo o comando ao pelotão de fuzilamento. Ambos os desejos foram atendidos.

Voltamos assim aos anos de oiro da diplomacia portuguesa comemorando em Março de 1990 a independência da Namíbia. Durão Barroso tem o primeiro encontro a sós com o presidente Dos Santos. Começa a desenhar-se o papel mediado de Portugal (M´Puto) na placa giratória que conduziu a Bicesse. O Prof. Cavaco Silva vai a S. Tomé encontrar-se com Eduardo Dos Santos e desloca-se a Paris para dialogar com Jonas Savimbi. Durão Barroso inicia viagens a Luanda e Washington; dois elementos do seu gabinete, António Monteiro e José Queirós de Ataíde, desdobram-se em contactos e esforços.

bicesse1.jpg Em 24 e 25 de Abril de 1990, dá-se o primeiro encontro das partes sob mediação portuguesa em Évora. De 16 a 18 de Junho de 1990 dá-se a segunda ronda negocial, no Forte de S. Julião da Barra, Oeiras. Discute-se a formação do futuro exército único de Angola e fiscalização do cessar-fogo. Durão Barroso afirma na altura: “ Os méritos ou desaires das negociações cabem exclusivamente aos angolanos”. A 23 de Julho de 1990, Jeffrey Davidow, subsecretário do gabinete de Cohen, encontra-se com Dos Santos. Logo a seguir, o governo angolano desencadeia uma ofensiva diplomática encabeçada por Venâncio de Moura e, pela primeira vez, em mais de quinze anos, fala da UNITA empregando a expressão “nossos irmãos”, em vez de “fantoches”.

nujoma0.jpg A terceira ronda negocial verifica-se entre 27 e 28 de Agosto de 1990, no Instituto de Altos Estudos Militares em Pedrouços. A 8 de Setembro chega a Lisboa o secretário de Estado norte-americano para os Assuntos Africanos, Herman Cohen confirmando-se assim a presença norte-americana nas conversações. De 24 a 27 de Setembro dá-se início à quarta ronda negocial na Base Aérea de Sintra. Pela primeira vez, com a presença dos observadores americano e soviético. A 22 de Outubro, Cohen volta a Lisboa para participar na discussão de um documento dirigido às partes angolanas, no qual se busca obter o consenso sobre pontos essenciais dos acordos de paz.

Ochoa + Otelo3.jpg No dia seguinte, Durão Barroso recebe uma delegação sul-africana chefiada por Rusty Evans, chefe do departamento de Assuntos Africanos do Ministério dos Negócios Estrangeiros para “análise de assuntos da África Austral”, tal como foi justificado. A quinta ronda negocial tem lugar na Escola de Hotelaria de Bicesse, No dia 21 deste mês, Durão Barroso afirma: “ Deparou-se com um ciclo vicioso. Não se avança nas questões politicam porque é necessário garantias militares e, não se avança no cessar-fogo, porque não há garantias políticas”. Em Dezembro, em Washington, há um encontro entre Chevardnaze e James Backer. A participação soviética está garantida.

luderitz14.jpg Em Janeiro de 1991, em conferência de imprensa em Washington, Cohen afirma que “um cessar-fogo para Angola, será possível dentro de dois meses, as eleições realizar-se-ão dentro de dois anos”. A UNITA contesta e propõe eleições no prazo de seis meses, após o cessar-fogo. O MPLA, avança três anos. Apraza-se ano e meio, mais ou menos, para agradar a ambos. A seis de Fevereiro de 1991, data prevista para a sexta ronda negocial, acaba por não se realizar. As discussões posteriores assentam em encontros exploratórios e, num documento elaborado numa reunião tripartida da mediação portuguesa com os observadores americano e soviético. Finalmente a 30 de Maio de 1991 dá-se a assinatura dos acordos de Bicesse. Em Angola, continuam os combates, com a UNITA tentando ocupar as cidades de Luena e Waku-Kungo, antiga Cela. Luena esteve sujeita a 45 dias de cerco e bombardeamentos diários.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:46
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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XX

A batalha final - MAVINGA - Gbadolite a Bicesse … - 1988/1989

–”TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”  - Crónica 3190 08.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por soba k.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

A 23 de Março de 1988, trava-se a batalha decisiva. O Alto Comando das tropas sul-africanas decidiu passar à ofensiva. As forças conjuntas SADF/UNITA, após intenso fogo de barragem, lançaram-se numa derradeira ofensiva contra as posições angolano-cubanas, mas o ataque foi rechaçado ao fim de 8 horas de combates, com as forças revolucionárias a desencadearam uma contra-ofensiva, obrigando-os a recuarem… Em Dezembro de 1988 o MPLA e a UNITA, assinam o Acordo Tripartido na cidade de Nova Iorque, acordando com a retirada das forças estrangeiras do conflito angolano.

Na mesa das negociações, o regime da África do Sul vê-se obrigada a aceitar os acordos de Nova Iorque, dando origem à implementação da Resolução 435/78, do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que levou à independência da Namíbia e ao fim do regime de segregação racial, que vigorava na África do Sul. A batalha de Cuíto-Cuanavale, ocorrida entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988, foi o confronto militar mais prolongado e mais sangrento de que há memória naquela região de África.

selos01.jpg Desfecho: -O impasse militar de Cuíto-Cuanavale foi reclamado por ambos lados como uma vitória. O lado angolano afirmou que, em situação inferior, impediram a invasão do território angolano, pelas forças da África do Sul. Porém na África do Sul os partidários da guerra proclamavam como triunfo o facto de o exército deles menos equipado mas melhor treinado ter impedido o avanço do comunismo. Em Janeiro de 1989 os cubanos iniciam a sua retirada de Angola, pelo que o representante Episcopal, Cardeal D. Alexandre do Nascimento difunde a mensagem de “Reconciliação e Paz”.

A 22 de Junho de 1989, Eduardo dos Santos e Savimbi encontram-se em Gbadolite, no Zaire, sobe mediação de Mobutu. No plano negocial apresentado por Luanda, o “caso especial Dr. Savimbi” é o ponto 5 da agenda que exige a retirada temporária do líder da UNITA da cena politica angolana. Inicialmente, Jonas Savimbi concorda em afastar-se. Chega a estabelecer-se um cessar-fogo, mas a euforia nas frentes de batalha de um e outro lado, foi breve. As armas voltam a crepitar, quando Savimbi dá o dito por não dito anunciando que não se retirará de Angola. O MPLA utilizando 20.000 homens e 400 tanques lança a “Operação Último Assalto” para recuperar Mavinga. O objectivo não é conseguido pelos governamentais pois que não conseguem o pretendido - atingir a Jamba.

bicesse2.jpg A UNITA contra-ataca desencadeando focos de luta por quase toda a Angola, obrigando as FAPLA governamentais a dispersarem e a abandonarem Mavinga. Poucos dias depois, pela primeira vez na história da guerra civil, aviões da FAPA, Força Aérea popular de Angola, bombardeiam a Jamba. Em retaliação a UNITA corta água e luz a Luanda, através de sabotagem nos postes de alta tensão de Cambambe e conduta central de água de Kifangondo.

Em Dezembro de 1990, no 3º Congresso do MPLA em Luanda, Eduardo dos Santos anuncia: “Teremos multipartidarismo no primeiro trimestre de 1991”. Antes, três meses após o encontro de Gbadolite, no Congresso Extraordinário da UNITA, Jonas Savimbi falara de negociações directas com o MPLA, governo de unidade nacional, revisão constitucional e eleições. Pode supor-se que ambos os beligerantes compreendem que a vitória militar de um deles é impossível, em um território com a extensão de Angola. Iria assim, começar a placa giratória que conduziu à assinatura dos acordos de Bicesse.

bicesse1.jpg Entra-se assim no capítulo de “TENTATIVAS DE RECONCILIAÇÃO”. Nos anos de 1990 a diplomacia portuguesa entra em acção pela mão de Durão Barroso enquanto Secretário de estado dos Assuntos Externos e Cooperação de Portugal, tendo como Presidente da Republica, Cavaco e Silva o propósito de levar a paz e reconciliação a Angola. Neste meio tempo, anos de 1990 1 1991, fala-se em esperança mas, na passagem do tempo falecm dois vultos da luta pela libertação: Mário Pinto de Andrade, em Londres e António Jacinto em Lisboa.

Bicesse foi o nome por que ficou conhecido o acordo de paz firmado a 31 de maio de 1991, no Estoril (Portugal), entre o presidente da República Popular de Angola, José Eduardo dos Santos, e o presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Jonas Malheiros Savimbi. Com a mediação portuguesa por Durão Barroso e a cooperação de observadores dos Estados Unidos da América (EUA) e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

bicesse3.jpg Este acordo visava pôr fim à guerra civil angolana. O seu texto estabelecia que o cessar-fogo devia ser inteiramente controlado pelo Governo angolano e pela UNITA. Para tal, devia ser formada uma Comissão Conjunta Político-Militar (CCPM) constituída por representantes do Governo angolano e da UNITA, tendo como observadores externos delegados de Portugal, dos EUA e da URSS. Ficou ainda agendada a realização de eleições, entre 1 de setembro e 1 de outubro de 1992, depois das quais cessariam os poderes da CCPM.

Os países observadores, EUA e URSS, comprometeram-se igualmente a pôr termo ao abastecimento de material bélico às facções envolvidas no conflito. Todas as forças beligerantes seriam integradas nas Forças Armadas Angolanas, cabendo ao Estado Português, através das suas próprias forças armadas, ministrar a formação necessária. Este Acordo permitira um armistício temporário na Guerra Civil de Angola entre MPLA e a UNITA. No entanto, os efeitos de Bicesse nunca se sentiram e a paz foi ténue e incompleta, para além de efémera, pois os conflitos logo em 1992 rebentaram numa espiral de violência ainda maior, não mais cessando. Seriam necessários mais dez anos para se pô termo à guerra…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:21
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Sexta-feira, 3 de Setembro de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXXI

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XVIII

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… FRACCIONISTAS DO 27 DE MAIO DE 1977

- Crónica 318803.09.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por soba k.jpg  T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em crónicas anteriores fiz referência à proclamação da Independência unilateral do MPLA do 11 de Novembro de 1975 como tendo sido no Largo Diogo Cão mas, em verdade, foi no início da Estrada de Catete, um largo com descampado bem perto do cinema Império e da antiga Escola Industrial de Luanda. Consultando um artigo de Gabriel García Márquez, extraído da 53ª edição da revista Tricontinental, de 1977, dá como início da primeira etapa da “Operação Carlota”, a cinco de Novembro, seis dias antes daquele pronunciamento por Agostinho Neto.

O autor Garcia Márquez, conclui com a derrota das forças que invadiram a nação angolana e o início da retirada gradual das tropas cubanas, em 1976, quando parecia que tudo tinha concluído. Contudo, tal como acordaram os presidentes Fidel Castro e Agostinho Neto, um número mínimo de tropas ficou em Angola para garantir sua soberania. A situação começou a complicar-se, e a luta se intensificou de novo, mais uma vez a África do Sul interveio, de maneira que se iniciou uma nova etapa da “Operação Carlota”, que concluiu só 14 anos depois, com a derrota definitiva dos sul-africanos e UNITA; o último soldado cubano retornou no mês de maio de 1991.

socie4.jpg Numa declaração oficial, os Estados Unidos revelam a presença de tropas cubanas em Angola, em Novembro de 1975. Calculavam que tinham sido enviados cerca de 15 mil homens. Três meses depois, durante uma visita breve a Caracas, Henry Kissinger disse em particular ao presidente Carlos Andrés Pérez: “Parece que nossos serviços de informação estão muito deteriorados porque só soubemos que os cubanos iam para Angola quando já estavam lá mesmo”. Contudo, nessa ocasião corrigiu que a cifra enviada por Cuba era de 12 mil homens. Naquele momento em Angola havia muitos soldados, especialistas militares e técnicos civis cubanos, muito mais do que Henry Kissinger supunha.

O primeiro contingente era composto de 4.000 homens que aumentaram rápidamente para 18.000. Em 1976 já eram 36.000 e em 1988 já totalizavam 55.000 quando da Batalha de Cuíto Cuanavale, o maior confronto militar da Guerra Civil Angolana, ocorrido entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988. O local da batalha foi na região do Cuíto Cuanavale, província de Cuando-Cubango, onde se confrontaram os exércitos de Angola (FAPLA) e Cuba (FAR) contra a UNITA e o exército sul-africano. Foi a batalha mais prolongada que teve lugar no continente africano desde a Segunda Guerra Mundial. Os cubanos saíram em 1991, enquanto a Guerra Civil Angolana teve continuidade até o ano de 2002. As baixas cubanas em Angola totalizaram cerca de 10.000 mortos, feridos ou desaparecidos.

mocanda33.jpg A DISA, a polícia política da altura do chamado “28 de maio”, alusão ao período logo após o 27 do golpe, sob a direcção de Ludi Kissassunda e Onambwée, tendo como principais executantes António Carlos Silva, Carlos Jorge, Pitoco, Inácio Osvaldo, Eduardo Veloso, Norberto Castro Pereira, Margoso, José Maria, Manuel Carmelindo, José Vale, Nascimento, Domingos Cadete, Victor Jeitoeira, Cristian André, José Baião, João e Henrique Beirão, Zeca França, José Baião, Júlio Rasgado, Miguel de Carvalho, entre outros, prende, tortura e mata sem qualquer controlo.

As cadeias ficam sobrelotadas; os presos são alvo de todo o tipo de sevícias: espancamentos com martelos, paus, barras de ferro, soqueiras, cintos, chicote, pedaços de mangueira cheios de areia, mesas, bancos, cadeiras, bancos; violentamente amarrados com os braços atrás das costas até perdem a sensibilidade dos braços e mãos; suspensos e deixados cair no chão, com os braços e as pernas amarradas; queimados com pontas acesas de cigarros, também um torniquete colocado na cabeça e, que à medida que é apertado, causa fortíssimas dores e a perda de consciência; choques eléctricos nos genitais, etc, etc… A imaginação dos algozes não tinha limites em sua bestialidade. O sangue corre às golfadas como um mar, os gritos de dor dos seviciados são insuportáveis…

mocanda31.jpg Ainda do relatório da Amnistia Internacional: - “ Segundo prisioneiros que foram enviados para um campo de “reeducação” em Calunda na Província do Moxico, muitos outros prisioneiros foram sumariamente executados, morreram à fome ou foram alvejados ao tentarem fugir – tiro ao alvo, dizem. A última execução em massa de pessoas presas em conexão com a tentativa de golpe e, que foi pelo menos, de 15 pessoas, terá ocorrido a 23 de Março de 1978. Alguns dos prisioneiros foram condenados à morte ou à prisão por um tribunal especial, mas nenhum foi submetido a nada que se assemelhasse a um julgamento imparcial.”  

O governo angolano negou alegações feitas em carta aberta por um partido politico, de que 30 mil pessoas haviam desaparecido durante os anos de 77 e 78, em consequência da Revolta dos Fraccionistas. Limitou-se a admitir “excessos” declarando compartilhar “ a legitima preocupação dos familiares das vítimas, interessadas em saber o que acontecera aos seus parentes”. O governo angolano disse ainda que talvez fosse criada uma comissão para tratar do assunto”. Em realidade, nada foi feito e, as indicações posteriores de gente desgarrada do processo e, despeitada com seus superiores, declarou no exílio da diáspora, aquele número ser de 80 mil…

mocanda32.jpg Ainda no ano de 1978, os rodesianos fizeram um ataque ao campo de refugiados da ZAPU de Joshua N´Komo, em Boma, Sul de Luena, onde foram massacradas centena de pessoas. Em um ataque ao Lubango no ano de 1979, por bombardeamento feito pelos sul-africanos, morrem 612 pessoas. Este foi também o ano do “massacre de Cassinga” quando militares sul-africanos atacam um campo de refugiados namibianos, chacinando 1.200 pessoas; e da morte,   em Moscovo , de Agostinho Neto, cujo corpo regressa embalsamado a Luanda. Na exéquias fúnebres, em quase histeria colectiva as pessoas gritam “mataram nosso Netinho”. Referiam-se aos soviéticos, mas a verdade é que Neto sofria de incurável cancro de fígado por via de tanto “chivas regal” – implodiu por dentro, simplesmente!… 

Na presidência de Angola, sucede o eng.º José Eduardo dos Santos, nascido no musseque Sambizanga, de pai pedreiro e mãe doméstica, foi aluno do Liceu Salvador Correia de Sá. Formou-se em engenharia de petróleos em Baku, ex-URSS, sendo a princípio contestado pelos radicais do MPLA, especialmente por ter decidido congelar todos os processos de condenações à morte; posteriormente aboliu a pena de morte em Angola. Sabe-se sim, por via de muitas denúncias que sofisticaram a forma de eliminar inimigos ou gente inconveniente com venenos de sofisticada elaboração entre outras formas dissimuladas… Entretanto a guerra continua com a UNITA fixada na Jamba – Cuando / Cubango…  

 (Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:08
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Quarta-feira, 1 de Setembro de 2021
KANIMAMBO - LXXV

* União, Ousadia, Talento e Loucura * 

Crónica 3187 de 01.09.2021 - O Mundo está feita um manicómio, noé?!

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Por   soba k.jpgT'Chingange no AlGharb do M'Puto

Certa vez, um senhor foi visitar um amigo médico que dirigia um manicómio. Ao chegar, foi recebido pelo amigo. Este mostrou-lhe as dependências de seu hospital. Após visitarem as acomodações e principais salas de tratamento, chegaram a uma porta com um vidro, de onde podiam observar o pátio em que os internos tomavam banho de sol e se socializavam.

Enquanto conversavam, dois homens se desentenderam e começaram a agredir-se. Vendo isso, o director do hospital pediu licença e foi até eles para separá-los e apaziguar a contenda. O amigo ficou surpreso com a coragem do médico ao vê-lo apartando a briga.

cubo 10.jpeg Quando ele voltou, o visitante perguntou intrigado: “Amigo, você não tem medo de entrar no pátio sozinho para separar duas pessoas brigando? Não tem medo de que os demais se unam em defesa dos colegas e avancem sobre você?”

O médico então respondeu: “Não, não tenho medo; sabe por quê? Porque os LOUCOS NUNCA SE UNEM” A união é uma característica de pessoas mentalmente sadias. Não é à toa que Satanás, o Diabo feito capeta, gosta de separar amigos, casais, colegas de trabalho e, principalmente, as pessoas que acreditam em Deus.

roxo92.jpgAR  - O inimigo não está interessado enquanto manobra o TALENTO, numa sociedade ou o que uma igreja contenha, desde que consiga manter as pessoas separadas. No entanto, treme quando dois ou três se unem em nome de Jesus...

Pouco antes de enfrentar a cruz, Cristo pediu em oração: “Rogo para que todos sejam um, Pai, como Tu estás em Mim e Eu em Ti. Que eles também estejam em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste”

Observe que Jesus não pediu que seus discípulos, fossem mais talentosos e educados. Ele pediu UNIÃO. Isso deveria fazer-nos pensar. Deus é maior do que nosso egoísmo ou qualquer espírito de separação que exista entre nós. Ele espera que você/nós, sejamos unidos às pessoas de seu convívio, reflectindo o amor verdadeiro...

dia167.jpg Quanto a OUSADIA, Elias era humano como nós. Ele orou fervorosamente para que não chovesse, e não choveu sobre a terra durante três anos e meio. Orou outra vez, e os céus enviaram chuva, e a terra produziu os seus frutos... Alguns personagens bíblicos foram tão corajosos que nos fazem sentir insignificantes. Um deles é Elias. A Bíblia afirma que, certa vez, ele suplicou a Deus que não chovesse sobre a terra, e foi atendido. “E não choveu sobre a terra durante três anos e meio".

Orou outra vez, e os céus enviaram chuva. ”Como poderíamos comparar-nos a um profeta que fez um pedido ousado a Deus e ainda assim foi atendido? Em primeiro lugar, é preciso notar que Elias pediu a Deus que não enviasse chuva. Por que ele fez esse pedido específico? Israel estava adorando Baal e acreditava que o regime de chuvas e a fertilidade da terra dependiam dessa divindade.

dia01.jpg Assim, o profeta, interessado em provar a inexistência do falso deus, pediu que o Deus verdadeiro retivesse a chuva, demonstrando Seu poder sobre todas as coisas. Outro ponto importante está no advérbio de modo utilizado para modificar o verbo “ORAR”. Tiago diz que Elias orou “fervorosamente”. Deus quer que oremos com essa intensidade. Jesus disse que, se insistirmos, o Justo Juiz nos ouvirá...

Finalmente, o verso diz que “Elias era humano como nós”. O profeta não era um super-herói da fé, mas alguém que tinha lutas, dores, sonhos, decepções, tentações, vitórias e fracassos como também temos. Ainda assim, depositou toda a sua confiança em Deus, por isso foi honrado por Ele. Portanto, não fique surpreso com a história de Elias.

mano corvo.jpgCA - Ela, a história, simplesmente nos mostra que poderíamos e podemos alcançar muito mais vitórias espirituais se formos ousados em nossas petições. A experiência do profeta demonstra que todo aquele que oram com fé, fervor e de acordo com a vontade de Fé, será ouvido e atendido...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:51
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Terça-feira, 31 de Agosto de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXX

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XVII

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… FRACCIONISTAS DO 27 DE MAIO DE 1977

- Crónica 3186 – 27.08.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – A independência era para isto!? - Nós e os mwangolés…

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Por   soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Sem a preocupação gramatical, com o sujeito cutucando o verbo mais o predicado…, sem a métrica do fado, uma emergência confusa deste tempo pandémico, sem a rima versejada, a metáfora triste e saudosa, bonançosa quanto baste mas, de alma torturada…, sem pátria idolatrada, jogando búzios na zuela do feitiço do tempo, com algum esforço intelectual, remexo nas panelas do esquecimento de N´Gola!

Muito me convenço da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia, por isso relembro o passado recente e longínquo para espairecer ressarcimentos que ainda podem chegar; que deveriam já ter acontecido mas, neste capítulo de descolonização as coisas só desacontecem - vou esperar deitado porque as kinambas, andam roídas pelo salalé. Sem ser convocado, assisto avulso só por assistir, às periclitãncias do socialismo, tendo até medo de comentar disparates grosseiros. Assim sendo, só poderei responder com muxoxos malcriados, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de vaidades.

kafu35.jpg Vamos situar-nos a 27 de Maio de 1977 e, em um após as insistências da URSS a Agostinho Neto a fim de aderir ao marxismo-Leninismo, o que veio a consumar-se com a criação do MPLA-PT. Não obstante Neto continua uma pedra no sapato do regime soviético, que na altura era chefiado pela “tróica” de Nicolau Podgorni/Kossinguine/Brejnev. Quatro homens da ala esquerdista do MPLA lideram um golpe de estado contra Agostinho Neto. Foram eles: Bernardo Alves - Nito, Jacob Caetano – “Monstro Imortal”, José Van Dunem e o Comandante Bakaloff.

O episódio é conhecido por Revolta dos Fraccionistas - “dos Frac´s” na linguagem popular. Num discurso após o golpe, Neto afirma que por detrás da rebelião, estivera “ uma embaixada estrangeira em Angola”. Para os analistas políticos não restaram dúvidas em apontar de forma comedida o embaixador Kalilnini como sendo o autor intelectual do episódio. Já dominando os pontos chaves na Capital – Luua, como a emissora de rádio, o golpe aborta porem, mercê da rápida intervenção militar cubana ao lado de Neto. “Monstro imortal”, armado com uma metralhadora, entra no Palácio da Cidade Alta de Luanda, com o propósito de dar ordens de prisão ao presidente angolano; assim não foi, porque Neto, estava no Futungo de Belas…

kalunga1.jpg Monstro Imortal é preso de imediato. Na onda posterior de repressão, são presos, torturados e passados pelas armas na forma sumária, seguindo-se-lhe milhares de pessoas, incluindo os mentores do golpe, depois de serem sujeitos a dolorosa tortura física. Conta-se que a Nito e a Monstro Imortal, lhes foram arrancados os olhos, ainda em vida. O último relatório da Amnistia Internacional sobre o golpe de 27 de Maio relata o desaparecimento de prisioneiros – “Noite após noite, durante os meses seguintes, ambulâncias e outros veículos saíam da prisão de Luanda e de outras cidades”.

monstro1.jpg Hermínio Escórcio, chefe do protocolo da presidência, descreve mais tarde como sucederam as manobras dessa revolução: “ Na manhã do dia 27 estava em casa quando me apercebi que a Rádio Nacional de Angola – RNA, havia sido tomada. Fui para o meu gabinete no Palácio e de lá telefonei para o Futungo de Belas (Presidência da República) mas de caminho pude avistar o Onambwé e o Delfim de Castro que, dentro de um tanque, se dirigiam para as instalações da RNA, onde já estava no ar o programa radiofónico “kudibanguela”. Depois da retomada da RNA fui o primeiro dirigente a lá entrar”. 

Continuando: “saí da rádio e fui até à Avenida Lisboa para ver se havia rastos de sublevação. Liguei o Neto, disse-lhe que estava tudo calmo e, ele prontamente afirmou: “Então posso ir até aí!” Disse-lhe que por uma questão de segurança, talvez fosse melhor ficar pelo Futungo. Dito isto, acrescentou que ia chamar a imprensa para fazer o ponto da situação.  Mal sabia ele que o Saidy Mingas, o Eurico e o Garcia Neto já tinham sido mortos. Também desconhecia que alguns comandantes haviam caído em emboscadas montadas pelos Fraccionistas à 9ª brigada. Neto, quando soube de tudo isto, ficou completamente transtornado”.

kani4.jpg Neto vai à televisão e proclama o salvo-conduto para o banho de sangue: “Não haverá contemplações…Certamente não vamos perder tempo com julgamentos”. Os fuzilamentos sumários passaram logo a ser norma. Convêm dizer aqui que os cubanos após retomarem a Rádio Nacional, abrem fogo sobre todos os amontoados de população que eventualmente estavam ao lado dos revoltosos e, acto contínuo retomam o controlo das cadeias. Mila Coelho, mulher de Rui Coelho fuzilado a 2 de Junho de 77 e, que na altura era chefe do gabinete do Primeiro-Ministro Lopo do Nascimento, conta assim: “ Esperava Rui, vindo de Argélia e a 1 de Junho com a tragédia do 27 a decorrer, notei nele muita intranquilidade. No dia seguinte, dois de Junho, vieram buscar-nos a casa”.

“Dois soldados armados de metralhadora, exigiram que fôssemos com eles. Levaram-nos para o Ministério da Administração Interna aonde permanecemos toda a tarde, sentados em um banco corrido. Nessas horas falamos pouco; estávamos horrivelmente destroçados. Era já noite quando nos foram buscar; meteram-nos num cubículo escuro e pela madrugada levaram-nos para a Cadeia de S. Paulo.  A separação de homens para um lado, mulheres para o outro afastou-nos definitivamente um do outro para nunca mais nos virmos”…

namib3.jpg Nos fios de gastas crenças, tão corcovado, tão enrodilhado em suas macias filosofias de mineiro de volfrâmio, recordo meu pai Manuel, embebido, travado e suspirando baixinho, revendo sua miúda indecisão de viver, vendendo volfrâmio a Hitler para sobreviver. Um dia de repente, com um trejeito de esforço, endireitou-se emperrado e cresceu! E, falou: - Amanhã vou à Companhia Colonial de Navegação inscrever-me - Vou para Angola! E, foi… Ora sucede que neste 27 de Maio veio da Luua inchado de porrada e com uma bala nos joelhos; esperei-o no Aeroporto da Portela de Lisboa. Seguro por duas muletas parecia um Cristo! Tirou essa bala e, não mais voltou… Impôs-se assim uma forçada regra de vida: - A liberdade de sermos saudáveis ou morrer por coisas impensáveis…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:29
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Quinta-feira, 26 de Agosto de 2021
KANIMAMBO . LXXIV

CAFUMFO - Crónica 3185 - *O BRILHO DOS DIAMANTES* - 25.08.3021

Kanimambo é obrigado em dialecto Changana de Moçambique

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Por   soba k.jpgT'Chingange - no M'Puto…

Celebridades, reis e rainhas gostam de diamantes porque eles brilham e são “eternos”. O nome da pedra vem de uma palavra grega (adamas) que significa “invencível” e se refere à sua incomparável dureza.

O povo esgravata a terra fazendo buracos para sobreviver ou enriquecer. Por vezes, muitas vezes, corre perigo de vida na busca de algo que possa vender e, assim realizar algum dinheiro para comprar pão para as bocas de familiares.

kafu28.jpg Nós sabemos que a Diamang de Angola provocou muitas prisões e mortes durante o período colonial de Portugal em Angola; fenómeno que recrudesceu no governo mwangolé com ainda mais mortes entre o povo sofredor...

Porém, para ser diamante, é preciso suportar pressão e calor. Isso sem falar no processo de lapidação. Ninguém acha um diamante e o mantém em estado bruto, com suas impurezas e imperfeições, pois não teria graça nenhuma. Os diamantes precisam ser lapidados, num trabalho artesanal em que raramente perdem menos do que 50% do peso original...

kafu33.jpg Para que sua beleza cintile diante de todos é necessário dizer-se ser esse, um processo doloroso e que leva tempo, o que o torna numa boa metáfora do trabalho que Deus realiza em nossa vida para que brilhemos em Seu suposto reino.

O lapidador não trabalha de qualquer maneira. Ele estuda a pedra, observa o cristal, analisa o índice de refracção (responsável pelo brilho), avalia o poder dispersivo (a capacidade de dividir as cores espectrais da luz branca) e desenha assim o melhor corte. Depois do corte, que às vezes consiste de 58 facetas, vem o polimento que o faz, um trabalho elevado ao lapidar no polir dos diamantes da natureza, ou do Deus se o quiserem... Que tal como cada pessoa se vê na melhor maneira de dar a si, a forma perfeita no revelar de seu esplendor.

Em geral, o olhar casual observa apenas a cor do diamante. No entanto, seu valor depende de outros factores. O Instituto Americano de Gemologia leva em conta quatro itens: o carat (quilate, peso), a claridade (ou pureza), a cor e o corte (ou lapidação).

kafu34.jpg Para o brilho, o corte pode ser mais importante do que a cor. O corte tem que ver com o estilo da lapidação, e não com a forma, que pode ser redonda, oval e rectangular, entre outras. O corte excelente, que maximiza a luminosidade, o fogo (ou brilho) e a cintilação, é aquele que reflecte quase toda a luz que penetra o diamante. Igualmente - o “diamante” que recebe o corte perfeito para reflectir a luz divina.

Depois do trabalho do lapidador, uma pedra de rara beleza pode atingir um preço muito elevado. Em Novembro de 2013, num glamoroso leilão em Genebra, a Sotheby’s bateu o martelo para a venda do Pink Star por 83 milhões de dólares. Se eu fosse pastor, diria que Deus sempre procura as pedras mais preciosas...

kafu35.jpg Bom DIA VINTICINCO... Então, com Sua habilidade de lapidador sem igual, DEUS, ALÁ ou BUDA, transformará essas pedras em jóias magníficas. Com ou sem fanatismo, pode dizer-se que o corte não é a destruição da pedra, mas sua redenção. Metaforicamente, se assim o for, quando você sentir a dor do polimento, não reclame. Você só poderá brilhar se for lapidado; só assim obviará a malamba básica...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:52
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Domingo, 22 de Agosto de 2021
MUJIMBO... CXXVI

AFEGANISTÃO - UM FIM DE CICLO

Crónica 3183 - 21-08-2021

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Por soba k.jpgT'Chingange - no M'Puto

Com este fim do poder hegemónico pela desistência da NATO e América, o mundo fica sem a referência necessária e dissuasora a novas e avulsas aventuras de poder. A estrutura da ORDEM, simplesmente cria um VAZIO; um perfeito anúncio para novos encontros de forças anárquicas...

O pântano é assim transladado para as Nações Unidas por desmembramento de conceitos com abandono deixando o caos neste vulcão chamado de Afeganistão - um descrédito total. A concepção religiosamente fundamentalista irá trazer até nós a céptica ORDEM MUNDIAL.

tio Sam3.jpg Os USA, com a batuta de Biden, estão a alhear-se do Mundo criando a este, a falta dessa NOVA ORDEM sem perspectivas, o que torna a HISTORIA, demasiado assustadora. Os americanos não querem ter mortos em teatros de guerra e a havê-los que o seja bem longe!

Fizeram isto em todo o Mundo; Saigão no Vietname, Síria, Líbia, Iraque, Irão, no Golfo, com a Emenda Clark em Angola e agora Kabul do Afeganistão. A Obama, seguiu-se Trump e a este, Biden. É assim o início de seu isolacionismo contra as torpes ideologias a mando do ópio que se espalha por todo o Ocidente Cristão...

talibâs2.jpgA NATO, simplesmente foi ridicularizada sem honra nem glória, fragmentando-se e, proporcionando o avanço dos MOUROS por via da falha demográfica e o avanço da emigração; o que estará por detrás destes movimentos de gente boa misturada com criminosos de guetos.

Nós no M'Puto não temos ninguém com força de impor o que quer que seja. Ficaremos vagando a onda de "vamos ver como fica" sem o "trinco" necessário e, sem gente com capacidade, sem gente para influenciar um cego, nem a força anímica social. Neste mar de anemia só me recordo de Adriano Moreira com um talvez: o último ESTADISTA TUGA.

OLHO3.jpg Ninguém está preparado para esta descontinuidade; daqui advirá a instabilidade com crise e pandemia num crescendo que ninguém pode ignorar. E, preocupa que ninguém com peso aqui ou no Mundo, possa fazer a necessária resistência aos MOUROS, os corta cabeças do talibãs, dos Mujahidins ou os Boko hHrans. Andamos distraídos na inércia num "isso é lá com ou outros".

Andamos distraídos com a atribuição de cotas para mulheres, para estudantes e sua cor e, bandalhices do "abecedário" com siglas de LGBTIQ, acrescentando amiudadamente mais uma letra ao grupo, como se tudo isto fosse o cerne do nosso TUDO – BalhameDeus!... E, temos aí a BAZUCA que tudo indica, vem juntar Dívida à dívida e, com dúvidas quanto baste...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:34
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXVIII

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XV

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… Crónica 318115.08.2021

-Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”… No meio do desespero, viria a confirmar-se o quanto era perigoso ter americanos como amigos…

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Por soba k.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Na Avenida Brasil, que dá para o musseque Marçal, havia ali perto uma sede da FNLA; até era considerada uma das sedes mais importantes mas a “porrada” também ali chegou com toda a cagança de militares nervosos. Na Vila Alice o Chico, amigo meu e do Zorba, punha-se deitado na varanda da casa para gravar o tiroteio, entre a F.N.L.A. da Avenida Brasil, no Marçal e o M.P.L.A. no António José de Almeida na Vila Alice. Parecia uma guerra de brincar mas, no tempo o cheiro do sangue, as carrinhas que passavam com mortos para a morgue ou sei lá, para onde fizeram nosso miolo ter medo. Era esse o propósito. Mandar os brancos para o M´Puto.

Em Luanda, os combates começavam do nada com trocas de tiros de armas ligeiras entre a sede do MPLA e a da FNLA. A casa do Zorba chegou a ter 46 buracos de bala na parede do quarto do sexto andar. Um dia ele espreitou - eles nem sequer levantavam a cabeça para ver onde atiravam; era mesmo só àtoa levantavam a arma acima do muro e despejavam o carregador. Quem é que com raciocínio podia ficar indiferente a isto. Rosa Coutinho, Melo Antunes e toda a pandilha tinham congeminado isto muito bem. O medo vai fazê-los sai! Terão dito os filhos da peste…

preto4.jpg Entretanto, nas horas daqueles dias a vida não valia um vintém; tudo ficava ao sabor da sorte. Nestas aflições sem controlo visível, surge a figura de Gonçalves Ribeiro batendo-se pela criação de estruturas àquela que se veio a chamar de “ponte aérea” e, que só se resolveu em pleno quando mais de cinco mil pessoas se juntaram no Largo fronteiro ao Cinema Miramar da Luua pedindo a todas as embaixadas que mandassem transportes aéreos ou marítimos a tirar-nos daquele inferno.

Um dia, a FNLA montou antiaéreas no terraço do prédio, e virou-as para baixo, em direcção à sede do MPLA. Avisaram o pessoal do prédio que era melhor ir embora, não se responsabilizavam pelo que pudesse acontecer e, a coisa aconteceu! E, lá foram embora, para casa de familiares que moravam no Maculussu. Quando o MPLA descobriu donde estavam, a maka recrudesceu com monacaxitos e o escambau! Tudo que tinham de destruir foi usado sem mais nem porquê.

pal4.jpg No dia seguinte, Zorba, quando lá voltou, o apartamento já tinha sido atingido por um roquete. Nos dias seguintes, o prédio iria ficar completamente destruído. A FNLA desde algum tempo, mesmo antes da assinatura formal do cessar-fogo com o Exército português, havia metido muita gente na capital, vinda de Kinshasa - Quadros políticos e tropa que falava em francês com sotaque de bumbo dos matos. Não falavam português, e pelo comportamento, eram já donos do pedaço, arrogantes, mais parecendo um exército de ocupação. A coisa não lhes saiu bem; isto já foi parcialmente contado lá atrás nas mokandas mas, não é demais relembrar.

Mês da Independência – Novembro de 1975, e da invasão zairense ao Enclave de Cabinda. O MPLA proclama a República Popular de Angola, no antigo Largo Diogo Cão, bem à entrada do Porto de Luanda. A FNLA e UNITA unem-se no projecto da edificação da República Democrática de Angola (RDA), com a capital na antiga Nova Lisboa (Huambo). Ainda hoje, nas chancelarias internacionais analisam aquela Angola dividida fazendo comparação entre as Coreias do Norte e do Sul.

Gonçalves Ribeiro.jpg Teremos de recordar aqui de forma sucinta o que foi a “Ponte LUALIX” que veio a suceder com a supervisão de Gonçalves Ribeiro, o pai da ponte. A CIA dizia nesse então que Lisboa não tinha um suporte adequado no terreno que lhe permitisse evacuar mais de trezentos mil brancos ainda no território, nem para manter os voos no ar. Era verdade! Mas também havia aqui pressões para em troca da ajuda, Costa Gomes retirasse o vermelho Vasco Gonçalves do governo. E, foi isso que veio a acontecer!

Aquele antigo internado na casa dos malucos, sector militar de Luanda andava esbracejando demais naquele M´puto desvairado de liberdade - Um Tigre de papel! Mas, em verdade, os americanos não dão nada de borla, teria de haver algo na cartola do tio Sam. Jogaram uma rolha e Costa Gomes agarrou-se àquela bóia, pois então, dava jeito! Os retornados, foram em verdade, a moeda de troca; com um só porrete mataram dois coelhos como se diz! Portugal inundado de retornados anticomunistas, vinha mesmo a calhar nesta hora (…ano de 1975). E, o mundo observando estas manobras com o abutre Carlucci a dar palpites ao estado português através de Mário Soares e outros desclassificados diplomatas de cordel que iam ficando agraudados de poder e dinheiro, pois!...

pombinho10.jpg P -Bom! Na N´Gola, as FAP já nem dispunham de bases aéreas para nos escoar; falo na primeira pessoa porque estava lá! Os confrontos permanentes entre todos os movimentos impediam o funcionamento dos aeródromos como o de São salvador, Cazombo, Maquela, Togo, Gago Coutinho, Cuíto Cuanavale e N´Riquita; Henrique de carvalho, Malange, N´Dalatando e Carmona já só tinham estruturas reduzidas, quase sem uso por falta de segurança e equipamento de apoio.  

A RDA de Savimbi, falha. No dia da tomada de posse, Holden Roberto e alguns de seus convidados, entre os quais jornalistas e um elemento da embaixada americana em Kinshasa, levantam voo de Carmona (Uíge), rumo a Huambo aonde chegam ao início da noite. A pista do aeroporto estava às escuras. O avião sobrevoa várias vezes a cidade, mas Jonas Savimbi não permite que este aterre, mesmo sabendo que o aparelho podia não ter combustível para o regresso, com a agravante de não poder abastecer em nenhum outro aeroporto, já nesse então em áreas controladas pelos governamentais.

Este relatório que Holden Roberto descreveu mais tarde, poderia ter custado a vida a dezenas de pessoas. Assim, Jonas Savimbi, viria a proclamar sozinho, a República Democrática de Angola. Comentaristas, viriam a chamar a esta como sendo a República Negra Democrática de Angola. Poucos dias depois, a UNITA envolve-se em confrontos com os militares da FNLA ali estacionados, acabando por expulsá-los da Cidade do Huambo.

pombinho9.jpgP - A invasão de Cabinda contou com a participação de mercenários franceses ao lado da FLEC – Frente de Libertação do Enclave de Cabinda, hoje dividida em várias facções e, segundo se consta, subsidiados por algumas companhias petrolíferas que operavam no Enclave e, um batalhão do exército zairense, portador de artilharia pesada. Os invasores foram combatidos e escorraçados pelas FAPLA do MPLA e cubanos, quando aqueles, estavam prestes a tomar  a Cidade de Cabinda.

Estamos em Dezembro de 1975. Cuba desencadeia a “Operação Carlota” que fez desembarcar em Angola sete mil militares deste país caribenho. O Senado norte-americano aprovou a “Emenda Clark”, que impede ajuda militar dos Estados Unidos da América à UNITA e FNLA. Viria mais uma vez a confirmar-se o quanto era perigoso ter os americanos como amigos; eles, sempre viriam seus interesses confirmando-se “americanos, são os amigos mais perigosos que se pode ter” – assim foi!

3 Ilustrações de Pombinho ( assinaladas com P)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:09
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Quinta-feira, 12 de Agosto de 2021
KAZUMBI . LXIX

MOKANDA DA LUUA – KAPIANGO - Luanda do Mu Ukulu Era uma vez … O tempo ruge - Crónica 317812.08.2021

- Kinguilas, as fugitivas da Independência - III de IV

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Por soba002.jpg Soba T´Chingange no AlGharb do M´Puto

kinguila1.jpg  Na Luua, algures... Não têm cartões multicaixa, levam um papelinho muito gasto ao balcão com nome e número da conta para averiguar. Começam a entrar às 8h00 e só param no início da tarde, comendo poeira e fome. A burguesinha, essa, trabalha nos Bancos enquanto não há despedimentos. Fatinhos com calças e casacos apertados, elas com boas roupas oferecidas por não se sabe quem, com vestidos parecendo que estão na “City” de Londres. Em comum, têm a vaidade, a arrogância, a jactância, a mente vazia.

Não dão confiança aos pobres, aos sujos, como que para enxotarem a sua consciência. Ah, os burguesinhos da Sonangol também não se misturam. Mas às 12h00 eles ficam com água na boca, quando os inexistentes aparecem no muro baixo com dezenas de recipientes de alumínio com almoço para venda, cada mil. Os pobres? Estão por todo o lado na Baixa de Luanda, imóveis. Pobres, é uma maneira de escrever, porque nem mesmo todo o dinheiro do mundo os tiraria da pobreza, porque, na verdade, têm medo da riqueza...

kinguila2.jpg Na ilha, de um lado e de outro, onde o Sol nasce e o Sol se põe, era o mundo dos pescadores, um povo que nunca se misturou com os continentais. Os homens, de panos, vinham à cidade dos brancos à tarde, vender ostras e eram exímios nadadores. Não se sabe como a Ilha de Luanda se degradou, foi rápido. De repente a Floresta foi invadida pelo lixo, por rapazes e delinquentes, pela Polícia Fiscal e por barcaças transformadas em empresas.

O hotel Panorama, único no mundo onde os quartos virados para o oceano eram mais baratos do que os quartos virados para a cidade, ninguém sabe como foi destruído, ninguém sabe de nada. Lá dentro há quadrilhas de miúdos, sobrevivem dia-a-dia, entre cheiro de gasolina, liamba e outros acessórios de morte, fugindo à Polícia que os vai rusgando de vez em quando. Assim, sem mais nem menos, os afortunados conseguiram boas casas. Foi só mandar fazer obras com o dinheiro do OGE.

kinguila3.jpg Outros, amancebados com o poder, construíram prédios que noutras partes do mundo são proibidos junto à praia. Os primos começaram a pedir para abrir bares e restaurantes. “São meus primos”, disse-me alguém, “que podia fazer senão autorizar?”.

Há muitos anos, a Ilha estava dividida. As praias não eram universais, havia as dos brancos e a dos “patrícios”. O Harlém era em frente da Marinha e os brancos não punham lá os pés, não se misturavam. Depois passou para os soviéticos que estavam na Marinha, iam todos de igual nadar.

No fundo da Ilha, de um lado e do outro, no Cabo e na Chicala, podia-se namorar dentro do carro, mesmo em 1980 havia segurança. À noite podia-se romantizar, mas depois tudo mudou. Os namoros foram para outros lados; o Cabo foi entaipado com obras, já não se chama assim, é o “Ponto Final”. A Chicala já não tem a rotunda nem asfalto e foi tomada por populações que sobrevivem de muitos negócios, desde venda de peixe, mufete, prostituição e, curiosamente, golpeando veleidades turísticas, o parque de recolha de viaturas do Governo Provincial de Luanda assentou arraiais na Praia do Sol, onde nós íamos com as nossas namoradas nos idos 1960.

kinguila5.jpg Hoje, já ninguém fala dos pescadores. Parece que foram tragados pelo mar. Diz-se "vamos à Ilha comprar peixe", mas não se diz a quem se compra, é a alguém indefinido. Na Ilha, hoje, coexistem sem se misturar os portugueses com as suas praias quase privadas e milhares de jovens que deambulam sem sentido, bebendo cerveja ou convivendo apenas, enchendo todos os espaços ao fim de semana e semeando as praias com cacos de garrafas de cerveja.

A Ilha descaracterizou-se, está entaipada. Do lado direito, infindáveis muros de chapa escondem as praias e a Baía, de noite, longos percursos da avenida estão ás escuras e não é agradável. De repente, encaramo-nos com as rotundas sem iluminação. Mas imperam os restaurantes de luxo, de um lado e de outro, com animação nocturnas, mas sem saneamento básico, tudo improvisado, come e os restos deita no mar.

(Continua…)

T´Chingange do kapiango na Diáspora dos AlGharb`s  do M´Puto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:54
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Quinta-feira, 5 de Agosto de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXVI

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XIII

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… Crónica 3174 05.08.2021

-Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”… “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes”

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Por   soba15.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Em Abril de 1975 Jomo Keniata organiza a Cimeira de Nakuru no Quénia, na qual a UNITA, MPLA e FNLA acordam na formação de um exército nacional único. Neste mesmo mês Savimbi chega a Luanda. Cerca de dois meses depois, o MPLA destrói um quartel da UNITA na capital., chacinando militares e civis ali bivacados – este episódio ficou conhecido por “MASSACRE DO PICA-PAU”, nome do bairro que albergou o quartel. Definitivamente o MPLA, pelas ordens de Rosa Coutinho, o cunhado de Agostinho Neto, não queria nenhum dos outros Movimentos intervenientes no “ACORDO DE ALVOR” em Luanda. Eu direi que este foi o mais escandaloso “DESACORDO” na estória recente que envolve países dos PALOPS.

picapau1.jpg Em Julho de 1975, começa a batalha pelo controlo de Luanda. MPLA e FNLA envolvem-se em violentos confrontos que originam a expulsão dos homens de Holden Roberto da capital, muitos deles zairenses com fardas do ELNA. O MPLA com ajuda das “NT - Nossas tropas - Tugas”, em logística e armas, utiliza todos os meios para combater a FNLA, incluindo a calúnia e mentiras absurdamente irreais como chamar antropófagos aos militares deste movimento. Vísceras supostamente retiradas das casas dos dirigentes da FNLA foram exibidas…

Coisa mais macabra, até parece mentira e, decerto não virá nos anais da estória contada por medíocres historiadores da praça Lusa. Assaltaram o Laboratório do Instituto de Medicina Legal de Luanda para retirar órgãos humanos e propagandearem a seguir em muitos posters, que a FNLA era um bando de antropófagos, que comiam fígados e corações de gente – Uns canibais, afirmavam eles! A médica responsável pelo Laboratório deu à língua e, misteriosamente desapareceu. Algum tempo depois foi encontrado um cadáver feminino calcinado pela cal, possivelmente o seu. Tudo valia para lançar o terror e, principalmente à população branca… Naqueles tempos da Luua, todos faziam o que lhe dava na gana com a “Kalash” na mão, saltando no tempo do tempo…

picapau6.jpg Sem definir datas ou horas exactas com gente impreparada e, miúdos “pioneiros” faziam querer tomar o controlo de tudo e, por modos de provocar a fuga de brancos e assimilados, mazombos como eu… A lei, a ordem, a justiça eram coisas quase inexistentes ou anedóticas pela pior das negativas… Um retrocesso ao tribalismo com todas as nuances, tudo muito carregado de misticismo e crenças de quimbandas ou sobas analfabetos e sem o mínimo de preparação para gerir o que quer que fosse.

Melo Antunes, Mário Soares e outros encarnados na vermelhidão, decerto lá nos areópagos internacionais, não dissertavam conversas destas com Kissinger porque para estes, tanto se lhe dava que fosse assim ou assado, logo que tivessem o controlo do ouro negro – o petróleo já a sair pelo tubo ladrão da Golf Oil Americana. Alguns de nós, manietados de todo, a tudo assistíamos martelando caixotes, rilhando o dente sem mais poder fazer, pois nossos magalas do M´Puto ajudavam as hordas de pseudo-revolucionários e, até ajudavam a pilhar nossas casas. Foram vistos e filmados nas avenidas Brasil e Combatentes a roubarem em dia claro…

picapau8.jpg Já não havia médicos em Luanda, eram escassos ou desactivados. Os géneros de primeira necessidade faltavam. Os assaltos a armazéns eram constantes e as cadeias de abastecimento não funcionavam – Era a candonga a funcionar. As filas nas padarias eram formadas a partir da uma da manha com sapatos, tijolos e marcas indicadoras de tal e tal pessoa. Um troca-me isto por aquilo e as bolachas num repentemente desapareceram, tal como a farinha e compotas – permutas de tudo o imaginário, uns roubados outros esticados daqui e dali formando um esquema nunca pensado. O bivalve chamado de mabanga, só usado para isca de pesca, passou a ser comido com arroz; a fome era negra… Num repente rebentava aqui e ali no meio dos bairros citadinos granadas de morteiro. Via-se o levantar de pó, terra e trastes, sei lá mais o quê!?

Um aiué; salve-nos Nossa Senhora da Muxima que os homens andam loucos, embalando corotos, fazendo caixotes, fazendo de carregadores, fazendo a estiva no porto de luanda e candongando coisas e pedras chamadas de feijão branco como salvaguarda, um aí Jesus que isto, como vai ser e, davam voltas em si mesmo ate tontear, para esmoer a fúria. As “NT -Nossas tropas” tinham ordens para ajudar na desordem! A raiva subia-nos em vapores com cheiros inexplicáveis…Era o medo, tal como tinha sido previsto pelo pai do terror chamado de Rosa Coutinho…

negro3.jpg E, quanto aos novos supostos dirigentes tinhamos muitos receios. Dos três líderes nacionalistas, era Savimbi o mais inteligente, o mais hábil e o mais forte politicamente para uns; também para mim – também o mais conotado com os militares portugueses no antes da Abrilada. O Agostinho Neto, cunhado do Rosa Coutinho era um desclassificado poeta, umas merdas escolhido para ser o chefe da nação. Os políticos da nova vaga vermelhusca do PREC não se cansavam de repetir isto e aquilo sobre Jonas Savimbi e sua colaboração com os militares antes do “vinticinco” de 74.

Para o MPLA, era incontestavelmente seu líder Agostinho Neto, um medíocre poeta com formação universitária em Coimbra – O homem escolhido pelos generais e afins do MFA (Dizem agora, ter sido o menos mau!). Quanto a Holdem Roberto não tinha solida formação política, era um fraco e facilmente corrompido; dependia de Mobutu e dos americanos de uma forma sorrateira mas sobejamente conhecida e, rastejante! Nos muitos dias insólitos daqueles tempos, na meditação actual, encontro factos mágicos na revisão de amigos que me fazem medir o tempo com quartilhos e rasas como se feijões o fossem. A UNITA também se retira de Luanda para o Huambo, antiga Nova lisboa. O MPLA fica dono e senhor da capital, a Luua.

gurra10.jpg Em Outubro de 1975, desembarcam supostamente os primeiros cubanos que passam  apoiar o MPLA contra a FNLA tal como o combinado entre Fidel de Castro e Otelo Saraiva de Carvalho, o pseudo-herói do VINTICINCO de Abril, conhecido como a rebelião dos capitães. Diz-se que já havia em Angola e Congo Brazaville cubanos em treinamento para ultimar sua entrada em Angola antes do 11 de Novembro. Esta força foi em ajuda ao MPLA contra a FNLA; esta força que avançava para tomar Luanda, uma coluna na qual se incluíam mercenários de várias nacionalidades, portuguesas incluídas tal como Santos e Castro um oficial superior; também havia um elevado número de zairenses - sete ingleses, dois americanos, um cipriota, um escocês e um sul-africano são feitos prisioneiros e num julgamento sumário, mais tarde, foram fuzilados…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:37
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Quarta-feira, 4 de Agosto de 2021
CAFUFUTILA CXXXI

A VIDA NUM PISCAR DE OLHOS... Cafufutila ou kifufutila – É deitar “gafanhotos” ou falrripos de farinha grossa pela boca quando se come kikwerra … O TEMPO02.08.2021- Crónica 3173 - O homem vive pouco tempo e passa por muitas dificuldades; brota como a flor e murcha; vai-se como a sombra passageira - não dura muito. Isto é bíblico...

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Por soba k.jpgT'Chingange no AlGharb do M'Puto.

Em 2015, a actriz Julie Andrews foi homenageada pelos 50 anos do lançamento do filme A Noviça Rebelde. Ao final de seu pequeno discurso, ela afirmou: “É estranho perceber que 50 anos se passaram desde que o filme foi lançado. Eu pisquei e, de repente, estou aqui.”

Assim é a vida: 50 anos se vão num piscar de olhos. Você consegue ter noção de como o tempo voa? De facto, é mais fácil perceber a velocidade do tempo quando já passamos por ele. É tão verdade como o desfragmentar de um átomo.

monteiro4.jpgNo início da vida, a impressão é de que vai levar muito tempo para alcançar a idade de nossos avós. Quando menos se imagina, isso ocorre. Num repentemente, já somos avôs e bisavós... Dessa maneira, a Bíblia nos aconselha a aproveitar a vida com sabedoria. E no entanto, só a leio de quando em vez, quando o rei oscila depois de tornar comendador um qualquer pé rapado... É a vida!

Na epístola de Tiago, há uma pergunta simples e importante: “Que é a sua vida?” (Tg 4:14). O próprio autor responde: “Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e, depois se dissipa.”

monteiro3.jpgBiblicamente, a vida é definida, em termos de tempo, como um vapor, ou seja, algo fugaz. Moisés escreveu: “Pois a vida passa depressa, e nós voamos!” (Sl 90:10). Nesta existência efémera é que tudo acontece. Escolhemos caminhos, realizamos sonhos e decidimos onde ou aonde vamos passar a eternidade no algodão. E, o salmista completa: “Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria”... Um coração sábio: esse é o segredo para transformar a vida em algo especial e produtivo. Devemos lembrar-nos de nossa singularidade: Hoje é o momento de tomar essa importante decisão. Independentemente do número de anos...

A vida passará rápidamente. Portanto, se você deseja viver de modo pleno e significativo, deve priorizar agora o essencial: deixe-se ocupar no primeiro lugar no seu templo. Lembre-se, a vida passa depressa, e “em breve, tão breve virá, e não demorará” Hoje, aproveite o tempo ao lado de sua FÉ

monteiro6.jpg Muitos dos descolonizados deixaram que a morte chegasse para os aquietar, outros também se tornaram políticos e salvo raras excepções corromperam-se, venderam-se e tornaram-se gatunos oficiosos. Com virtudes, poucos irão ficar enaltecidos na estória. Os direitos humanos foram direitinhos para o esgoto, o lixo bem abafado por ser tóxico. Muitos ficaram sem a vida ainda lá na dita Província Ultramarina do ”O escambau” tendo como carrascos patrícios do PREC e outros merdas que a estória terá de contar tim-tim por tim-tim.

Mas que leis foram estas para nos destinarem tal fim! Prometi-me não esquecer isto! Desta merda de leis sem ressarcimento feitas por estes Edis deputados de aviário cuja vastidão de seus maus desejos nos paralisou: E dizem-me que esqueça! Esqueço o escambau!…

Feliz semana e ano de 2021

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:34
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Terça-feira, 3 de Agosto de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXV

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIAXII

INDEPÊNDÊNCIA DIVIDIDA Crónica 3172- 31.07.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”…

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Por   soba k.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

A “Ponte LuuaLix” tem a participação de varias companhias de aviação tais como a soviética Aeroflot que se dispuseram a retirar um grande número de gente que até ali, só atrapalhava as directivas do MPLA. A criação do Quadro Geral de Adidos na Metrópole - Lisboa, veio acelerar o processo de escoar este elevado número de gente que detinha o controlo da Administração; tudo pensado para provocar a debandada. Era forçoso retirar os brancos pois seus lugares de direcção, teriam de ser ocupados pelos novos senhores. “Branco vai para a tua terra” era o que mais se podia ouvir, nas ruas, nas escolas e aonde quer que o fosse e se estivesse…

fotografo1.jpgEnquanto o controlo de Luanda se fazia ouvir pelo crepitar das armas, “desperdiçando” milhares de balas tracejantes para o ar, com o intuito claro de amedrontar a população acossada por comunicados das rádios ao serviço do MPLA, em Nova Iorque, o ex-agente da CIA Philipe Agee e o jornalista Steve Weisman, denunciam que a “Central” destinara 32 milhões de dólares “para apoiar o anticomunismo em Angola”. Os primeiros cubanos desembarcam no “país”. Uma coluna da FNLA, com mercenários e seus guerrilheiros, é derrotada às portas de Luanda.

Sul-africanos praticam a primeira invasão da Província do Cunene. A UNITA inicia a fuga para Sudeste. A República do Zaire invade o Enclave de Cabinda. O futuro estava terrivelmente comprometido. A 11 de Novembro festejam-se as duas independências no país que Portugal colonizou por quatro séculos, mas de onde nunca retirou o grosso da fatia das suas riquezas. O MPLA proclamou a República Popular de Angola em Luanda e, a UNITA e FNLA uniram-se no projecto da República Democrática de Angola, que veio a falhar. Antes de se falar da Batalha de Luanda, vai aqui recordar-se de forma breve a estória a partir de 18 de Junho do ano de 1974.

fuga6.jpg Nessa data, Silvino Silvério Marques é nomeado governador de Angola. Cerca de um mês depois, é substituído por Roa Coutinho, como Alto-Comissário. O “almirante vermelho” foi exonerado em Janeiro de 1975, sob pressão da UNITA e da FNLA, que o acusavam de beneficiar o MPLA. Neste meio tempo Rosa Coutinho traçou toda a trajectória para o MPLA alcançar a victória; foi ele o mestre das políticas que se seguiriam fornecendo àquele movimento todo o tipo de armas armazenadas nos paióis, mais logística e facilidades consideradas de “traição à pátria mãe” e aos outros dois movimentos que faziam parte do famigerado “Acordo de Alvor”.

A 27 de Julho de 1974, em Lisboa, Spínola reconheceu “o direito à independência dos territórios africanos”. Entretanto Joaquim Pinto de Andrade, fundador e presidente de honra do MPLA, adere à “Revolta Activa”. O Congresso, que visava a união das três facções do MPLA, fracassa. A caminhar muito rápido para a Batalha de Luanda, em Janeiro de 1975, dão-se três acontecimentos, a saber: Cimeira de Mombaça, Quénia, onde o MPLA, FNLA e UNITA acordam no reconhecimento mútuo; Acordos de Alvor que fixam a datam da independência para 11 de Novembro do mesmo ano; tomada de posse do Governo de Transição quadripartidário.

fuga8.jpg Em Fevereiro de 1975, a facção Agostinho Neto, dissidente do MPLA, expulsa de Luanda os membros da “Revolta do Leste”. Daniel Chipenda, seu presidente, vê-se forçado a aderir à FNLA. Pela primeira vez, entra em acção apoiando Neto, o “Pode Popular” uma criação do sempre presente Rosa Coutinho que, mais tarde é constituído na ODP – Organização de Defesa Popular, uma cópia politizada à esquerda, constituída por civis, OPV – Organização Provincial de Voluntários, de civis enquadrados por oficiais do Exército e que, na prática, funcionava nos territórios ultramarinos como uma milícia de defesa. Esta criação engloba os “pioneiros” enquadrados por guedelhudos do M´Puto que lhes dão treinos com armas de madeira a fingir metralhadoras.

Em Kampala, o presidente da OUA, idi Amim, insistia para que a data da independência fosse mantida sendo Portugal a responsabilizar os nacionalistas por um não acordo. O Secretário-geral da UNITA presente à conferência acusou as FAP de não se oporem à entrada de armamento e mercenários a ajudarem o MPLA no Lobito, Sá da Bandeira e Pereira D´Eça. Em Pereira D´Eça o comandante português entregou o aquartelamento a elementos do MPLA tendo-os vestido com camuflados do exército português, uma clara desobediência e afronta por ser esta região afecta à UNITA.

fuga7.jpg Este procedimento foi de uma nítida e grosseira degradação moral para as autoridades portuguesas. Manuel Resende Ferreira disse neste então: -Ainda havia esperança e soldados que não nos abandonavam. Referia-se ao Tenente Fernando Paulo e alguns dos seus homens que resolveram desobedecer ao comando para protegerem um grupo de refugiados no Chitado. Para o efeito criaram ali uma zona de segurança. São estes os heróis esquecidos, soldados de Portugal que abandonam o exército comunista Português para protegerem cidadãos e, lutar contra a anarquia comunista. E, que foi feito do Tenente Fernando Paulo?

As feras foram largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 do MFA. A Luua eclipsava-se! Tarde piaste! E, agora vamos fazer o quê para o M´Puto? As NT - Nossas Tropas já não eram nossas. Davam cunhetes, canhões e até carros de combate numa perfeita cooperação de entreajuda FAP- FAPLA mandando prólixo os acordos de Alvor, da Penina… O MPLA tendo como mentor Rosa Coutinho, na Luua inventava a maka! Inventava os pioneiros! Depois o Poder Popular! E surgiu o Kaporroto, o kuduro e a victória é certa. Eles já tinham inventado o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito…

gad2.jpg As makas organizadas com o objectivo de criar o caos, originar pancadaria e depois a vitimização já tinham características de sofisticada mentira; meter tudo no barulho, pressionar psicologicamente e criar condições de favorecimento por parte dos militares do MFA, as NT, o CCPA – Comissão de Coordenação do Programa do MFA e o Alto-Comissário…Já se fazia tudo às claras. Em um encontro de Melo Antunes com Henry Kissinger, aquele responsável português e a pedido do Secretário Americano disse que era difícil de lidar com Neto; que era difícil de o classificar politicamente como um comunista ortodoxo! À coisa dada (Angola) teve a desfaçatez de dizer que a liberdade, não se recebe, arranca-se! Com estes laivos de poeta, Neto, dava dicas torpes de mau agradecimento aos militares revolucionários do M´Puto. Bem feito, cambada! Alguns não gostaram…

(Continua…)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:50
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Domingo, 25 de Julho de 2021
XICULULU . CXXXIX

 

MULOLAS DA VIDA

CRÓNICA DE SÁBADO nº 316025.07.2021

BRECHAS DA LEI... TEMPOS SALGADOS

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Por: soba002.jpgT'Chingange, no AlGharb do M'Puto

No mundo jurídico, existem as chamadas “BRECHAS DA LEI”, das quais competentes advogados fazem uso para adiar ao máximo a condenação de algum cliente ou conquistar as mais surpreendentes absolvições de indiciados de NOMENCLATURA. Aqui no M'Puto todos sabem como isto da justiça funciona, das muitas maneiras de tudo se ir protelando até prescrever e ficar tudo em "ÁGUAS DE BACALHAU". Não sei o porquê disto ter este nome quando tudo termina em nada, mas posso acreditar que é pelo cheiro que este deita na forma de dessalar.

araujo200.jpg Enquanto que na prática jurídica se fazem recursos sobre recursos diluindo o tempo, na arte de cozinhar vai-se mudando águas sucessivas para amenizar e, até se pode usar leite no retirar do sal para ser mais perfeito o engenho de cozinhar.

Justiça - Nós, depois de demasiado atazanados, apuramos nas resteas dos pedaços de dúvida, a bem atilada arte de que tudo pode ser falso no viver, ou até, ninguém saber de nada com ataques pimbas de falsificadas amnésias. Deslealdade ou compadrio de acreditar que nunca mesmo, ou depois, rem que tudo fique cozinhado num ARRE ou num vulgar balhame Deus bem à maneira do Norte…

Que afinal os homens tiram seu prazer do medo dos outros, do sofrimento, levando uns e outros à moleza até se acreditar pelo cansaço que uns vão para o céu sem culpas e outros, ARRE, o inferno é-lhes mesmo possível! GRELHA, CHOÇA, PILDRA...

araujo27.jpg O que sempre vejo, mesmo sem querer, é que toda a acção chamada de processo, principia por uma gota de palavra pensada, que vai colando com outras guardadas, fazendo castelos que vão rompendo o rumo por despiste. Depois, a gente que não nasceu ontem, se ganha em experiência, pois sim, coça-se o queixo e aquilo que era deixa de ser, inteligênciando-nos com esses tais de recursos mais instâncias que se arrastam e, que até se perdem por querer querendo; por vezes os ilustres da toga até se dão ao luxo de cortar as folhas e, são mais os buracos do que as fissuras ficando tudo por “assim mesmo”.

E, desmerecidos da cachimónia, notamos a olhos vistos que a situação fica política, assim mesmo sem tino nem prosápia caindo num fundo de resolução, quando toca a dinheiro. E, eu quero mesmo achar a ideia, tomar o rumozinho das coisas, mas fico num houve, que não houve, que nem acredito no como contar, porque estou remexendo e, às vezes não é fácil porque fé, não é! Sempre MILHÕES... É ou não é, NOÉ!?

araujo155.jpg Na vida há sempre quem queira encontrar alguma “brecha”, ou até as crie, na tentativa de justificar atitudes que relativizam princípios, visando ao ganho pessoal ou material... Brechas mais Cunhas Lda... Muitos mascaram o apego ao poder e o interesse em viver sob os holofotes, com o argumento de prestação de serviço altruísta e o escambau. Isso! Voluntariado, associações indevidas, frequência de lugares impróprios e compartilhamento de interesses questionáveis, com motivos “politicamente correctos” - assim se justificam deste simples jeito pela falta do IN...

araujo172.jpg Por causa desse modo de agir, o que, a princípio soa insignificante, pode agigantar-se e, posteriormente causar muito sofrimento a todos nós, os TERCEIROS, por via do CHAKAZUL. Por isso, devemos estar atentos ao facto de que, quando Deus diz: “PARE!”, quer dizer exactamente isso. Mas, parece também que já ninguém vai à missa! Bom dia! Esta "não estória” nos ensina que só estaremos sob o sono de “assim diz o Senhor”. E, assim fica: O PERIGO ANDA SOLTO...

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T'Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:46
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Sábado, 24 de Julho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXIV

ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XI

- A INDEPENDÊNCIA DIVIDIDA… Crónica 3169 - 22.07.2021

-Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”…

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Por   t´chingange2.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Com botas de michelin ponta de ferro, calções de ganga, camisola de flanela e chapéu quico com os big-five, curto o calor do dia enquanto o sol se põe a pique com uns agradáveis vinte e dois graus no zénite. Ao cair da noite os chacais miam não muito longe e até posso ver seus olhos amarelos quando dirijo o farolim da varanda em sua direcção. As noites têm sido escuras, o céu fica todo a descoberto e posso ver com perfeição as estrelas do cruzeiro do Sul.

No M´Puto os ratos saiam das tocas! As divergências na CCPA - Comissão Coordenadora do Programa em Angola, atingiram seu clímax! A linha progressista partia nozes com o nariz! Entretanto, Otelo Saraiva de Carvalho chegava ao seu gabinete COPCOM com a prometida ajuda de Havana ao MPLA. Este militar, visto como o novo Ché Guevara, encontrava-se em Cuba desde o dia 21 de Julho para assistir no dia 26 à celebração do ataque ao quartel de Moncada. Isto era o que se fazia constar para não se depararem com embaraços diplomáticos em relações internacionais. Mas, afinal como é que Costa Gomes, o presidente de todos os portugueses alinhava nisto!? Lá iremos…

kianda05.jpg No M´Puto o ordenado mínimo nacional era de 3.300 escudos. Apesar disso os cinemas enchiam-se para ver dois filmes até então censurados: “Bob e Carol” e “A grande farra” Nestes dias em Angola era a aflição, fazendo caixas e caixotes a prever a debandada pelo “ forçado abandono”. Vejam bem esta grande preocupação de nossos “manos metropolitanos” que no M´Puto viam filmes incentivadores de ”Swing” - uma suposta terapia de grupo de todos na cama curtindo o sexo em conjunto – um novo tipo de relacionamento com os quatro, fazendo uma orgia para combater a velha moral. Uma coisa de levar as mãos à cabeça num “balha-me Deus”…

No M´Puto andava-se muito a pé pois que a gasolina estava racionada, devido ao embargo de petróleo pelos países árabes e, em retaliação ao apoio de Portugal aos Estados Unidos, aliados de Israel na guerra do Yom Kippur. Os jornais esgotavam-se rapidamente e, nos cafés e esplanadas falava-se do derrube iminente do regime, comentava-se o livro do general Spinola “Portugal e o Futuro”. Lançado a 22 de Fevereiro de 1974, também esgotou rapidamente. Existiam siglas políticas para todos os gostos: MIRN, LUAR, MRPP, MDP-CDE, e edecéteras. Fizeram-se saneamentos nas empresas. Foram os anos das fugas para o Brasil e de vendas ao desbarato das vivendas do Estoril e Restelo.

guerra12.jpg Silva Cardoso o Alto-Comissário depois do Acordo de Alvor, era constantemente atacado pelo MPLA em comunicados via rádio e panfletos por não ser suficientemente revolucionário. Afirmavam que já não servia à revolução Angolana. Em dado momento, Silva Cardoso perante a constante insistência do MPLA de que teria de ser substituído, sugeriu à Direcção do mesmo movimento que classificassem o seu sentido de revolução ao referirem claramente que os brancos não eram queridos em Angola; isto para que assim, Lisboa evacuasse essa etnia alvo de “um ataque sistemático” por eles. Era só um jogo de palavras para fazer actuar o CR do MFA de Lisboa…

Havia apropriação abusiva de veículos e instalações pertencentes ao Estado; já havia dificuldade em distinguir se aquele organismo antes estatal o era efectivamente, ou não. Em Malange quase toda a população civil se refugiara no quartel das NF e, em N´Dalatando verificou-se o total abandono de todas as lojas e residências que foram alvo de pilhagem pela população africana apoiada por elementos das FAPLA, forças armadas do MPLA.

Agostinho Neto, escudado pelo apoio militar de Brejnev, do marechal Tito e de Fidel de castro, já não necessitava de ser afável com grande parte dos militares portugueses; alguns, poucos deram-se conta mas, já era tarde para fazer marcha-à-ré. O MPLA iria liquidar os outros dois Movimentos fazendo tábua rasa da presença portuguesa e dos acordos que tinha estabelecido com todos. Neto era um salafrário e já era demasiado tarde para recuar o processo. Entretanto, na confusão de Angola e pelas suas estradas os angolanos fugiam levando apenas malas com roupa, fugindo das fazendas para as cidades.

spi3.jpg Famílias portuguesas, brancos de condição, alguns com três gerações de filhos africanos, como formigas kissonde tresmalhavam-se à procura de uma solução; uns iam para sul, outros para este e até para o Norte até que a PONTE- AÉREA começou a pairar como sendo a solução mais válida. Diversas companhias de aviação tais como a soviética Aeroflot, dispuseram-se a retirar este grande número de gente que, até então laborava em normalidade. Também ouve aqui, em Angola, saneamentos, ocupações selvagens, marchas silenciosas e “manif´s” de júbilo para milhares de negros a receberem Agostinho Neto e Jonas Savimbi.

Municípios foram ocupados formando comissões administrativas desastrosas, Liceus a serem ocupados por jovens guedelhudos brancos e negros de carapinhas ornadas com tranças, copiando Ângela Davis que personificava o movimento “black power”. A euforia transformou-se em crescente preocupação, com discursos agressivos dos supostos “pais da independência” e luto ditado pelo crepitar das armas na batalha pelo controlo de Luanda. Costa Gomes, conhecido popularmente por “o rolha”, aceitou a demissão de Silva Cardoso nomeando interinamente Alto-Comissário Ferreira de Macedo, o homem que Rosa Coutinho e a CCPA queriam para este cargo.

silva p0.jpg Este General e mais outro chamado de Carlos Fabião e um outro major de nome Canto e Castro iriam a Luanda estudar a situação. Nesta altura, as notícias eram desconexas e o tempo comia as palavras de ordem ventilando-as em desordens. Ninguém entendia o que se passava e quando sabia já aquilo que parecia ser, tinha alterado para coisa-outra. Não havia como gerir este estado de coisas pois o descomando era verificado naquele agora. Tudo se configurava para a fuga e neste entretém de ordens e alterações a estas, começa a configurar-se a “Ponte LuaLix”. Diversas companhias de aviação tais como a soviética Aeroflot dispuseram-se a retirar este grande número de gente que até ali só atrapalhava as directivas do MPLA. “Branco, vai para a tua terra” era o que mais se podia ouvir…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:35
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Segunda-feira, 19 de Julho de 2021
N'GUZU . XL

Crónica 3167 – Sábado, 17. 07.2021

FRAGRÂNCIA DA VIDA - Minha fragância é de CATINGA, da pura...

-N'GUZU em kimbundo quer dizer força...

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Por   tonito15.jpg  T'Chingange, no AlGharb do M'Puto

Tomando um café de cheiro longínquo de Timor, posso adivinhar toda a gente de pés varridos, lavando as mãos com água sanitária na forma de lixivia, de quarto em quarto de hora, esfregando com sabão macaco ou outro de cheiro para eliminar uma doença invisível que se agarra às pessoas...

Por via dessa praga invisível, esfrega-se a mesa, besuntam-se as mãos com gel, passa pano, borrifa as batatas, tira e põe-se a máscara para afugentar o invisível e vem a pergunta ao jeito de indefinida postura tal e qual é, de quem quer viver dono de si mesmo: - o mundo pode parar assim átoa!?

aramis2.jpg Um bom perfume tem a capacidade de atrair as pessoas. Inconscientemente, elas se deleitam com a subtil delicadeza de seu aroma se desejam estar por perto de quem o está usando. Por falta do "ARAMIS" uso um barato perfume feito de alecrim mas, seu efeito logologo se transforma nesse tal de "Catinga".

É exactamente isso que se pode extrair da metáfora que o apóstolo Paulo usou ao afirmar que somos o “Bom perfume de Cristo”. E, sendo assim como fico com minha genuína catinga exalada das próprias axilas...

aramis1.jpg Ser perfume de Cristo significa ter em nós o que há de mais atraente em Jesus. Nós, ao carregamos em nossa vida, se as pessoas são atraídas por sentirem que há um perfume especial em nossa maneira de ser, pois então que o seja: "CATINGA".

Não é necessário haver nenhum esforço de nossa parte para que se ACHEGUEM. Ao se relacionarem connosco, elas, as pessoas, perceberão no tempo e hábito que somos diferentes. Até os moscardos feitos besouros nos roçarão!

aramis0.jpg  Quem o suporta, sentir-se há feliz em nos conhecer como se pregássemos o evangelho mesmo sem palavras; só esse tal PERFUME! E, quando assim é com este requinte, nem precisamos de estratégias artificiais de aproximação. Nossas feromonas impregnadas desse suor perfumado, serão abençoadas com nossos actos de bondade...

As pessoas que querem estar ao nosso lado, simplesmente esperam ouvir nossas palavras, desfrutar nossa companhia e sê-lo na forma certa de permitir que se exale esse perfume legado por nossa singularidade; na fragrância de vida acertada com àqueles que se nos acerca.

aramis3.jpg Em resumo, “se o amor de Deus, Alá, o Sol ou Buda" estiver em seu coração, assim se manifestar em sua vida. Esse suave ou intenso perfume nos envolverá, e nossa influência será o perfeito enlevo e bênção dos que nos cercam”. Pude ler isto na Bíblia de um outro jeito. Por isso, poder dizer-se que não é difícil ser-se um missionário se o quiser ser; basta o querer!

Não precisamos ser pregadores nem saber muitas coisas para impressionar as pessoas, porque somos e temos essa mensagem de perfume. E, porque só mesmo quem trabalha exala esse auspicioso perfume chamado de CATINGA. Se permitirmos que Cristo exale Seu perfume por nosso intermédio, seremos fragrância de vida naqueles com quem convivemos... Comecei sem saber o que, e como o dizer e, aconteceu...

Feliz semana.

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:19
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Domingo, 18 de Julho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXIII

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - X

Crónica 3166 - 17.07.2021“SE BEM ME LEMBRO” - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo não sendo “preto”… Afinal, não o era e, continuo “branco”…

O carro de fumo da lua2.jpg

Por soba002.jpg T´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Ainda mergulhado na embriague do passado, o meu amigo Camundongo, Comando do Maculussu de outros passados, tem uma lança no estandarte da Kizomba e, assim, foi seu baptismo na cubata de Albandeira do M´Puto e, mesmo sem se lhe ver os cascos, os dentes, as unhas e as orelhas fizemos dele um afinadíssimo preto. Afinal tinha mesmo bitacaias nas orelhas! Tratando-o por tu, mandei-o pentear macacos com afinidades ao MPLA. Mas, no finalmente, ele, tal como eu, vivia e vive ainda no Ontem com quase 50 anos de intervalo…

O mwadié mulungo, continua um hoje cohabitando com os Mucubais - um sonho perene cheio de cacimbo pelas manhãs e, com aquela tremulina das quenturas tropicais que fazem tremelicar dedos. Enfim! Só que, eu tenho as coisas contadas de outro jeito, sem aquelas bravatas de Kifangondo aonde roubaram as culatras dos ”tirabikines”… Ondulando assim miragens das anharas, pasto de facocheros, mabecos e bandos de galinhas do mato feitas capotas, arranhando seu disco partido – tou fraca, tou fraca, estou fraca, conto sem lhe dar bola, a minha estória! Ué…

toledo20.jpg Kafundanga Neves é seu nome de branca alvura. Refém do seu ADN penetra na vida um dia de cada vez, penosamente candongando chinguiços como num conto insuficiente; Sendo assim, passo a contar meu capítulo. O padre António de Araújo Oliveira, um fervoroso defensor da UNITA, só o foi até tomar conhecimento de alguns crimes na Jamba. Em 1973, Savimbi volta a quebrar o segundo pacto com os Tugas, atacando de surpresa a guarnição de Santar em Moxico… As “NT – Tropa do M´Puto” reagem àquele ataque. O general Bettencourt Rodrigues é retirado de Angola para substituir o general Spínola na Guiné.

O novo comandante da Zona Militar do Leste, general Ferreira de Macedo, passa a atacar a UNITA sem piedade. Em Agosto, depois da realização do seu 3º Congresso em Lungwé-Bungo, a UNITA dispersa seus homens da guerrilha pelo Cuando-Cubango. O maior ataque daquele movimento contra os portugueses, é saldado em 19 baixas do lado das “NT -Tugas” no lugar de Alto Kuito N´honga, já depois do VINTICINCO de Abril de 1974, apanhando desprevenidas as novas tropas, magalas guedelhudos com a cabeça cheia de devaneios comunistas e, com a “vitória é certa” no cocuruto da mona.

zeka1.jpg Assim chegados a 1974, o Exército português, domina totalmente o território angolano já dotado de magnificas estradas construídas dela JAEA e Engenharia Militar. O território dito Ultramarino estava dotado de todas as infraestruturas como escolas com ensino para todos, universidade, hospitais, carreira aéreas e rodoviárias unindo todas as cidades e domínio administrativo. Havia também uma rede sanitária de apoio às muitas pecuárias de Norte a Sul e uma pesca e agricultura florescentes; Angola estava nos países do topo em África, com uma boa situação económica e, fornecendo à Metrópole os bens essenciais para manter sua economia em crescendo.

Lisboa estava em condições de negociar o futuro, algo que, anos antes, havia sido defendido por Kenneth Kaunda, ao enviar a Salazar um manifesto pedindo “uma solução multirracial para Angola” e contestando as teses integralistas que defendiam Portugal do Minho a Timor. Assim e abruptamente o ano de 1974 e 1975 é vivido com intensidade em Lisboa e alguma apreensão em Luanda. O Tempo diz-nos que se Portugal tivesse aceita aquela intermediação de Kenneth Kaunda, muito possivelmente a história de Angola seria outra. Entra-se assim em um outro capítulo: A INDEPÊNDENCIA ADIVIDIDA.

zeka15.jpg Em Lisboa desmantelava-se a PIDE. A televisão enche as cabeças do cidadão com novas ideologias e, os angolanos brancos a cada dia que passa, sentem que aquelas políticas do MFA precipitam a normalidade da vida em toda Angola e, em especial sua capital – Luanda. Começa aqui a “odisseia dos retornados” - saber como dar solução a uma nova vida largando tudo e todos. Começam aqui as noites mal dormidas com pressão e afastamento de nossos supostos irmãos do M´Puto. Estávamos sendo paulatinamente destinados ao abandono. As notícias chegadas de Lisboa até nós na dita “Província Ultramarina” eram por demais alarmantes; os comunistas tinham tomado as rédeas do comando na Metrópole – estávamos fritos! Trata de fazer caixotes e pôr passaportes em dia…

A 29 de Novembro de 1975, forma-se a DISA, Direcção de Informação e Segurança de Angola, Polícia política do MPLA, formada pelos soviéticos e alemães do Leste. A UNITA viria a criar a BRINDE – Brigada de Informação e Defesa, treinada pelos Sul-Africanos. O preparo de ambas as criadas instituições com gente autónoma era simplesmente nula. Os angolanos estavam a ser jogados às feras e da Metrópole sabia-se: A TV, iniciava as suas emissões ao meio-dia com desenhos do Pato Donald e do Rato Mikey, preenchendo as tardes com a Telescola. O saudoso Vitorino Nemésio acalentava os serões semanais com o programa “Se bem me lembro…”.  

luis33.jpg Nicolau Breyner e Simone de Oliveira subiam ao palco do Teatro Monumental do Saldanha, com a peça “ A menina Alice e o inspector”. Amália continuava suas viagens em digressão pelo mundo; o fado era levado ao Japão que, sem entender patavina de português, deliciavam-se com as farpas e lamúrias do canto nacional. No Parque Mayer, o Capitólio anunciava a estreia de Marco Paulo.  Em Angola abundavam as canções de intervenção do Rui Mingas com “porrada se refilares!” e peixe podre, fuba ruim com edecéteras de fazer raivas e makas – estávamos feitos!...

No M´Puto os guedelhudos e barbudos surgiram aos milhares a imitar o Ché Guevara, juntando-se no Coliseu dos Recreios, “hippies” aplaudindo de punhos fechados, bem ao jeito do símbolo do PS e entre pensamentos de Lenine com Marx e Mao, surgindo os desaparecidos Zeca Afonso e Ary dos Santos em espectáculos organizados pela Casa da Imprensa e, com as direcções das gentes ditas vanguardistas afectas ao Partido Comunista do Álvaro Cunhal. Em Angola numa ida de Zeca Afonso a Nova Lisboa, actual Huambo, a multidão era tanta para ver o Zeca Afonso que eu, fui literalmente rodado no ar para poder entrar no pavilhão descoberto. Nesta altura eu, que pertencia ao Comité da Caála da UNITA com o cargo de Secretário de Relações Públicas, fui convidado e, lá fui em minhas tarefas…

(Continua...)

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:42
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Sexta-feira, 16 de Julho de 2021
MUGIMBO . CXXV

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO  - Crónica 3165 - 16.07.2021

- FORMAS ENGANOSAS... CICATRIZES DO TEMPO - NEM SEMPRE É O QUE PARECE...

IMBONDEIRO1.jpg

Por   soba k.jpgT'Chingange . No AlGharb do M´Puto

Há algum tempo, no jornal "San Francisco", Georg relatou que um menino de sete anos de idade se aproximou da proprietária de uma mercearia, apontou um revólver para ela e exigiu que lhe entregasse o dinheiro contido na caixa registadora...

A mulher conhecia o menino e supôs que ele, estava brincando. Ela achava-se completamente enganada. Como se recusou a entregar o dinheiro, ele a matou! No inquérito, o menino, ainda incapaz de compreender a enormidade de seu acto, explicou que ele só o fizera assim, por ter visto na televisão cena igual...

mocanda12.jpg  Não é preciso dizer que a televisão era desconhecida no tempo do bíblico David; contudo, o verso certamente enuncia um princípio que deve ser adoptado em nossos lares como se o fora, uma metáfora de PARÁBOLA...

Numerosos estudos científicos demonstram, além de qualquer dúvida razoável, que há uma estreita correlação entre o que a televisão mostra, violência, crime, despeito por alguns valores e, das racionalizações no sentido oposto num sem fim de vicissitudes reais.

elvira4.jpg  Somos transformados pela contemplação! Sobre muitos de nós, gente comum, professores, comentadeiros, historiadores, advogados e políticos, na generalidade, exercem uma fascinação hipnótica sobre nós, ouvintes. E, tudo é feito a propósito com forma e jeito pensado.

Para nós ouvintes, ela, a TV, em si mesma, não é boa nem má para proclamar mensagens. Só que bons e maus cidadãos em número de milhões de pessoas, nem sempre têm o preparo para discernir no que é ou o não é, porque tal coisa, tal assunto o foi dito na TV.

MIRAN5.jpg Tal como Deus, Satanás também a usa, a TV para insinuar-se em lares que aparentemente são cristãos, ateus, agnósticos, ou de um outro pensar. Podemos estar certos de uma coisa: o inimigo continuará a praticar seus enganos por intermédio destes meios com a crescente eficácia e, à medida que nos aproximamos dum evento, uma eleição, tudo se agudiza! Por mim, já nem confio nas sondagens! Tornei-me assim, um descrente militante...

Também e, principalmente na politica nos tentam cativar deturpando a verdade ou omitindo o essencial. E, neste palco de vida fazem-se incestos nos interesses. Mas, haverá sempre um MAS, aonde se torna possível que todos, assim apegados à mídia percam a força de vontade para resistir à "TENTAÇÃO"...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:25
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Quinta-feira, 8 de Julho de 2021
MUJIMBO . CXXIV

SER OU NÃO SER COMENDADOR - FUNERAL SEM CHORO

- É costume ouvir-se dizer: " foi-se sem deixar de si saudades”...  Crónica 3063 - de 08.07.2021

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Por soba04.jpgT'Chingange, no AlGharb do M'Puto

Não me lembro de ter ouvido falar nem de ter assistido a alguma cerimónia fúnebre em que as faltas “ou pecados” da pessoa falecida tivessem sido destacadas pelos oradores. Elas podem até ser amplamente conhecidas, mas o bom senso manda que se realce só os aspectos positivos; afinal, todo mundo tem defeitos misturados nas virtudes e, nunca o inverso disto.

Certamente deixamos a marca do que fazemos positivamente, ou do que fazemos e que não deve ser imitado. Entretanto, é certo que ninguém quer imaginar ser mencionado em nenhuma ocasião, muito menos depois que tiver morrido ainda em vida, por causa dos seus defeitos ou procedimentos não usuais. Nem no livro sagrado da Bíblia, se escondem as falhas de nenhum de seus personagens, mesmo dos mais destacados heróis, entre os quais não está o rei mencionado em este nosso verso explanado em texto co o nome adulterado de Joe! A Joe, o que é de Joe… A Berardo o que é dele! Joe e Berardo são uma só pessoa…

soba21.jpeg E, lendo “ao calhas” ou aleatoriamente o livro dos livros camado de Bíblia, leio que Jeorão era filho primogênito de Josafá que reinou pouco tempo, mas deixou um histórico lamentável. Para começar, embora fosse rei e tivesse a maior parte no espólio deixado pelo pai, tão logo assumiu o reinado, de olho na herança dos irmãos, matou-os à espada. Já naqueles tempos havia formas bizarronas de tratar a vida...

A esposa de Jeorão, Atalia, filha dos ímpios Acabe e Jezabel, mais tarde tentou acabar com a linhagem de Davi. Jeorão rejeitou as advertências e promoveu a decadência moral e espiritual dos moradores de Jerusalém e de Judá. Finalmente morreu acometido de uma terrível enfermidade, que deixou suas entranhas expostas.

roxo135.jpg De acordo com um costume da época, os reis, ao morrerem, eram colocados em uma sepultura especial, em um local chamado “sepulcro dos reis”, algo como se fora um panteão. Não foi esse o caso de Jeorão. Quando morreu, não recebeu nenhuma homenagem por via de seus graves desvios às regras sociais de então.

O povo não lhe queimou incenso, ele não foi sepultado no sepulcro dos reis, e o cronista diz a respeito dele que “se foi sem deixar de si saudades”. Em contraste, Ezequias “foi sepultado na colina onde estão os túmulos dos descendentes de Davi. Todo Judá e o povo de Jerusalém lhe prestaram homenagens".

berard1.jpg Os bons exemplos, por norma, eram e ainda o são, enaltecidos pela sociedade. Por vezes leio a Biblia e, fico com vontade de não mais a ler porque são muitos desaires e até comportamentos bárbaros no meu entender. Em verdade, nem carece estarem esparramados no livro dos livros! Vejo no estágio de um qualquer curriculum, não ser pecaminoso desejar ser estimado, mas isso é resultado do bem que a pessoa espalha ou espalhou, difundiu ou influiu em seu meio, noé!? Será que posso entender este caso tão antigo com o de JOE BERNARDO, um ilustre cidadão português que, num repente, MORREU, estando vivo…

berard2.jpg Morreu, por fruto da hipocrisia dum povo que o bajulou, de governantes e gente com poder nas instâncias bancárias, que o embalaram e subsidiaram; mesmo de altos dignatários que lhe deram guarida e ajudaram, com dolo para todos NÒS, ao ponto de merecer medalhas de mérito e comendas como se o fora: um exemplo a seguir… Isso! Do amor e perdão que reparte, da acolhida que oferece e do serviço prestado, com altruísmo e lealdade - supostamente!

berard3.png Acima de tudo, é importante que sejamos conhecidos e lembrados por nossa fidelidade aos nossos com o beneplácito superior... Ele, Bernardo, lá terá a sua fé... O filme continuará com este e outros ilustres TRAPACEIROS… Com o suceder de TANTOS ERROS E AZARES, corremos o risco de ver O M´PUTO cair novamente, engolido num culto de personalidade com ataque á já frágil democracia…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:51
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MALAMBAS . CCLX

PÁGINAS SOCIAIS - CENSURA NO FB! – QUEM ORDENA?

-Neste PAÍS chamado M'PUTO Crónica 3162 - 08.06.2021

lobo1.jpg

Por soba k.jpgT'Chingange no AlGharb do M'Puto

Malamba é a palavra - origem do dialecto KIBUNDU. Não partilhei nada que justifique o BLOQUEIO e, creio andarem a limitar-me  no uso da malamba. A maioria dos portugueses ainda está muito longe de conseguir enxergar que há uma ditadura instalada neste PAÍS chamado M'PUTO. Há muito que há censura no FB - Facebook ,mas agora, estão a apertar o cerco conforme as ordens dos governos para garantir que Cabritas e outros GOVERNANTES ao mais alto nível, façam desmandos e, fiquem impunes de suas asneiras. É assim que me obrigam a pensar.

sacag9.jpgO coração humano é uma fábrica de desejos. Nem sempre discernido, o desejo é um poder que motiva, uma força que leva à acção, um ímã que atrai; é o que eu quero ter, fazer e experimentar em liberdade... Não quero algemas. O desejo, "janela da alma", mostra para onde estamos indo e, qual será seu destino. Obsessão por objectos, coisas e pessoas; o desejo é a tentativa de conseguir algo para preencher um vazio na vida. Segundo os psicólogos, os desejos não devem ser confundidos com as emoções, nem as emoções com os sentimentos, que estão para elas assim como as ondas para o oceano.

step6.jpg Enquanto a emoção nasce na mente, o desejo está enraizado na estrutura corporal; digo isto porque andei a ler umas coisas periclitantes. Por isso, romancistas e roteiristas o exploram em profusão, e os publicitários elaboram estratégias para criar um senso de necessidade e seduzir os consumidores – NÓS. E, em geral, a publicidade associa algo ou alguém com atributos ou indícios desejáveis ao produto. Procurar satisfazer os desejos do coração não é errado, pois essa é uma necessidade universal mas, o problema é contentarmo-nos com superficialidades ou vulgaridades. Querem fazer-nos de bobos, robôs sem vontade próprio! Está mal!

Há quem afirme que o verdadeiro conhecimento deriva daquilo que pode ser comprovado por meio da observação. Sim! Mas, como é que as pessoas reconhecem algo verdadeiro? Todos reconhecemos que existem várias fontes de conhecimento disponíveis. Uma delas é o mundo ao redor, que revela as digitais do Universo, ainda que estejamos em uma realidade de pecado pela já vulgar mentira. Outra razão, nos convida a sermos racionais e mantermo-nos dentro da lógica da experiência. Em verdade, mandam as boas regras que as fontes, devam ser analisadas sob as lentes do bom senso, um bem escasso no Mundo actual...

SACADURA2.jpeg Dinheiro, sexo, comida, conhecimento, popularidade, status, poder, desporto, influência, carros, aparelhos e milhares de itens! Não devemos negar os desejos, mas avaliá-los, hierarquizá-los e aprofundá-los. Cortá-los é uma má punição porque diz quem sabe que, assim como as células precisam do oxigénio, o girassol precisa do astro-rei e os pássaros precisam do céu - Haja Deus. Todos temos conhecimento de muitos e, de megas processos que se arrastam na justiça, tanto que até a vontade prescreve seu entendimento. Uns são rasgados, outros cortados a tesoura por republicanos procuradores e muitos outros, omitidos por conveniência de uma das partes. Por vezes, todos somos lesados e, a bem da Nação, assim ficamos, entenda-se…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:44
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Segunda-feira, 5 de Julho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXI

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - VIII

Crónica 3161 - 05.07.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

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Por soba24.jpg T´Chingange, no Algharb do M´Puto

Tenho andado a contar minha existência falando de lado para não resvalar em falsas alegrias, mexendo e virando-me para os pequenos prazeres, antes que me falte o raso da paciência com conversas compridas e até demasiado baralhadas. E, reunindo minhas fontes, coço os avisos de que meus suores na forma de catinga, se esfriem nos nadas ou medos de em tantas coisas pensar. Sendo assim e, com goles de muitos pensamentos engavelados, agarro o medo enraizado no gerúndio, porque na verdade esta vida está muito cheia de ocultos caminhos, também conhecidos por carreiros, veredas ou fiotes...

E, eles, os caminhos ficaram no tempo baralhados, porque se ultrapassaram em 47 e mais anos. De tudo o que falo sobre Angola, eu e ela, nós dois, eramos mesmo pertencentes! Agora com leis novas, o futuro foi tropeçando nelas, ditadas e formatadas pela nomenclatura vigente e assim, perdi meus requisitos ficando atazanado num frio feito cacimbo; mas a todo o tempo escuto tudo, seus cheiros de mato, de chuva em terra molhada com estalinho de estrelas no antes, durante e depois da kúkia descer no horizonte – Aiué…

massau5.jpg Decorria o ano de 1975 – Chipenda, então comandante militar do MPLA alia-se ao grupo de guerrilheiros descontentes que reclamam por “maus tratos”, no episódio conhecido por “Revolta do Leste”. Já sob o comando de Chipenda, o grupo ataca, sem sucesso, a “Base Vicy “ do MPLA, em Lusaca. Formam assim a “Revolta do Leste”, passando a combater contra a facção do MPLA de Neto e portugueses. Para agravar ainda mais a situação, surge nova dissidência no MPLA, com um grupo de intelectuais chefiados por Gentil Viana. Gentil Viana era conselheiro pessoal de Neto e de formação Chinesa em Pequim, entre os anos de 1970 e 1972; Em 1977 é preso e torturado pelo próprio MPLA.

Viana cria a “Revolta Activa” sem objectivo militar, com uma direcção demasiado fechada a Neto e, exigindo a este “direito da livre opinião”. Teremos de voltar ao ano de 1968 e acompanhar a situação no M´Puto para saber ao certo as implicações dos acontecimentos em relação à Província de Angola. Salazar é hospitalizado em Julho desse ano, depois de ter caído de uma cadeira no Forte de S. António em S. João do Estoril. Após a casca de banana ter funcionado na perfeição, novo ânimo invade os nacionalistas em Angola mas, o seu substituto, Professor Marcelo Caetano, aparece com um discurso suave, defendendo “novos brasis” na África Ultramarina.

chipenda.jpg No interior de Angola, os guerrilheiros respondem com o recrudescimento dos ataques. O Exército português forma novos GE – Grupos Especiais que passam a actuar no Leste; a PIDE cria os “Flechas”, os “TE-Tropas Especiais de Cabinda e “Milícias”- grupos de ataque essencialmente formados por guerrilheiros capturados e desintoxicados do ideal nacionalista, antigos “Turras”, ao que se juntam os “gendarmes catangueses” que haviam apoiado Moisés Tchombé e, que se refugiaram em Angola após a fracassada tentativa de secessão do Catanga, actual Shaba da República do Zaire.

É curioso o percurso e destino destes homens que, nos anos pós independência, serviram de instrumento de pressão do governo de Angola junto de Mobutu. Após o 25 de Abril, Rosa Coutinho pressiona-os a se integrarem no MPLA, sob a ameaça de expulsão para o Zaire, onde as suas vidas corriam perigo. Nos anos subsequentes à independência, armados por Angola, efectuam duas invasões goradas ao Shaba, rechaçados por pára-quedistas marroquinos, belgas e guerrilheiros da UNITA.

retornar6.jpg Pelo abrigo do acordo estabelecido entre Savimbi e Mobutu, a UNITA manteve no Shaba um batalhão por longo tempo. Os “gendarmes” preparavam-se para a terceira invasão do ex-Catanga, quando Neto intercedeu e acordou com Mobutu que a mesma não se efectuaria, na condição do Zaire expulsar Holden Roberto e a FNLA. E, assim aconteceu! Holden foi para o exílio na Costa do Marfim e, posteriormente França, aonde se manteve até à assinatura dos Acordos de Bicesse. Figuras de proa da FNLA, como Johny Pinock Eduardo, Paulo Tuba, Baltazar Manuel e Hendrick Vaal Neto passam-se para o MPLA.

Mesmo assim, no interior de Angola, não apoiados por qualquer país estrangeiro e sobrevivendo com o material bélico capturado aos cubanos e governamentais, bolsas do ELNA continuaram a resistir. Somente em Dezembro de 1985, a FNLA comunicou oficialmente que abandonava de vez a luta armada. Em Agosto de 1969 a UNITA realiza o 2º Congresso, durante o qual elege o imbinda Miguel N´Zau Puna para secretário-geral do movimento.

povo1.jpg Em 1970, o Papa Paulo VI, que em 1967 havia estado em Fátima de Portugal, recebe em Roma Amílcar Cabral. Este seria assassinado em Conacri em Janeiro de 1973, por dissidentes do PAIGC em conluio com elementos da PIDE. O Papa Paulo VI recebe também na mesma altura Agostinho Neto e Marcelino dos Santos. Portugal responde com uma grande ofensiva no Leste de Angola, onde o discurso moderado de Marcelo Caetano colhe frutos imediatos.

Após um ataque à primeira Região do MPLA, mais de quatro mil guerrilheiros entregam-se às tropas portuguesas passando a integrar os “Flechas”; os quarteis do ELNA também se rendem. O Norte de Angola está sob controlo do Exército português, que inicia em 1970/71, o avanço pelo leste, sob o comando dos generais Costa Gomes, comandante-Chefe das FA em Angola e Bettencourt Rodrigues, comandante da Zona Militar Leste.     

(Continua…)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:12
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Sexta-feira, 2 de Julho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXX

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - VII

Crónica 3160 - 01.07.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… Não lembra ao diabo que passou também a ser satanás e, eis que, Joseph Desirée do Zaire, passa a chamar-se Mobut N´Guendu Kukuwa Zabanga Sese Seko…

cubo 10.jpeg

Por   soba002.jpgT´Chingange, no Algharb do M´Puto

Jogando búzios relembro agora, muitos anos depois, a Luanda Capital de Angola Província colonial, para mim o centro do mundo de então. Tempos em que a Mutamba era o centro de tudo! Bem perto ficava o lugar aonde antigamente se refugiavam os escravos fujões, o seu primeiro refúgio. Em kimbundo refúgio é ingombota, e essa acção de ali se esconderem, pois assim ficou baptizado o local. Quando passou a ser habitado as pessoas diziam que moravam na n´gombota e os portugueses corromperam a expressão adicionando o “I” tendo ficado em Imgombota, do jeito actual.

E, é assim que darei continuação ao tema “DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA”. Em Março de 1964, Jonas Savimbi, Tony da Costa Fernandes, N´Zau Puna e o advogado Paulo Tjipilica, anunciam na capital zambiana, Lusaca, um novo movimento independentista: A União Nacional para a Independência Total de Angola – UNITA. Quatro meses depois, na reunião da OUA no Cairo, Savimbi afirma em clara alusão aos Estados Unidos da América, na altura apoiantes de Holden Roberto: “-Demito-me das minhas funções, que são do interesse do povo angolano e dos objectivos dos países irmãos.” Recorde-se que era até aqui, ministro do GRAE com o cargo de Ministro dos Estrangeiros…

negritas.jpg Savimbi recebe então uma proposta do MPLA, visando a criação de uma “Super-direcção Nacional de Luta” que incluiria membros de todos os movimentos já formados. Este concorda e escreve um texto de denúncia contra Holden Roberto, distribuído na reunião do Cairo mas, imprevisivelmente, parte para a China com mais onze companheiros aonde frequentam a Academia Militar de Nanquim. A partir de 1966/67, Mao Tzé-Tung passa a fornecer apoio militar à UNITA, então expulsa da Zâmbia por ter atacado um comboio do Caminho de Ferro de Benguela – CFB.

De facto, Jonas Savimbi havia abordado com o presidente Kaunda que a UNITA não atacaria os comboios do CFB que escoavam o minério zambiano para o porto do Lobito; a economia da Zâmbia dependia muito desta exportação. Por Savimbi não ter cumprido este acordo, quando se preparava para entrar clandestinamente em Angola a partir da Zâmbia, Kaunda manda-o prender. No decorrer da guerra colonial o portugueses aproveitaram habilmente esta situação e, conforme as conveniências, passam a fechar a linha férrea, atribuindo a paralisação a ataques feitos pela UNITA e MPLA; desta forma Kaunda ficou manietado às vontades do M´Puto.

Mu Ukulu57.jpg Com o apoio americano, no ano de 1965, o sargento Josp Desirée toma o poder no Zaire e instaura a “lei da autenticidade”. Absurdamente obriga os zairenses com nomes europeus a adoptarem nomes africanos. Não lembra ao diabo que passou também a ser satanás e, eis que, Joseph Desirée passa a chamar-se Mobut N´Guendu Kukuwa Zabanga Sese Seko. Este nome significa ser “o rei das árvores, dos rios, dos céus”. Não vem daí mal ao Mundo porque eu próprio, sendo relator destes acontecimentos tomei o nome de Soba T´Chingange com nascimento no vapor Niassa - portanto um Niassalês…

Neste ano de 1965, sob o comando de Jacob Caetano com o pseudónimo de guerra de Monstro Imortal, guerrilheiros do MPLA saem de Brazaville, atravessam o terreno hostil de Mobutu e pelas barreiras postas pela topa portuguesa ao longo da fronteira e, infiltram-se na riquíssima região dos Dembos, onde passam a praticar emboscadas na apelidada “estrada do café” – Luanda, Caxito, Carmona (Uíge). Chegam mesmo a atingir o Ucua e a Funda, muito próxima de Luanda.

monstro5.jpgmonstro1.jpgnito1.jpg Monstro Imortal, viria mais tarde a liderar juntamente com Bernardo Alves – “Nito”, José Van Dunen e o comandante Bakaloff, o golpe 27 de Maio de 1977 na tentativa de derrubar Agostinho Neto do poder (assunto a ser recuperado mais à frente). No auge da guerra-fria, com o Zaire de Mobutu transformado em centro de estratégia norte-americano, não somente para a África subsariana mas, de todo o continente. A ex-URSS e países do Leste redobram o seu apoio ao MPLA, apesar de Neto ter tentado apoios para a sua causa em países ocidentais.

Nesse ano de 1965, Che Guevara encontra-se com Agostinho Neto em Brazzaville. Desse encontro resultou a ajuda militar cubana às FAPLA – Força Armadas Populares de Libertação de Angola do MPLA. Pouco depois, onze oficiais cubanos entram em Cabinda, em uma coluna comandada por Pedalé, Nicolau Spencer e Chipenda. São atacados pela tropa portuguesa junto a Buco-Zau mas, eles e os cubanos escapam, permanecendo no enclave até final de 1966; de realçar aqui que nestas ocorrências, passaram a ser recordados pela sua indisciplina, dentro e fora do movimento...

mud22.jpg Em Março de 1966 no local de Mwangai, a UNITA realiza o seu primeiro Congresso. Em Dezembro, os homens de Savimbi atacam Cassamba e, no dia de Natal, Vila Teixeira de Sousa, actual Luena. Ao início da actividade militar da UNITA, o MPLA, responde com a abertura da Frente Leste, tendo o primeiro combate contra as tropas portuguesas ocorrido em Lumbala no saliente de Cazombo. O primeiro comandante da Frente leste foi Hoji ia-Henda, sobrinho de Mendes de Carvalho e, viria a perder a vida em Abril de 1968 no ataque a Caripande.

Em Setembro do mesmo ano, na mesma região e perto de do rio Lueji, num ataque helitransportado pela tropa Tuga, morre o médico Américo Boavida, o “Kimbanda”, nome de guerra, palavra que no dialecto kimbundo significa médico. Em resposta o Exército português instala no Bié o Grupo de Cavalaria nº 1 (CCAV 1), chamados regularmente por “Dragões” e, que foi reforçado no ano de 1970 com o primeiro Esquadrão Operacional a cavalo. Quase em simultâneo o MPLA cria a Norte, a chamada 4ª Região Político-Militar na região das Lundas para reforçar a 1ª Região dos Dembos que se mantinha bastante isolada. No Leste, ocorreram todos os acontecimentos que originaram a cisão do MPLA, a qual perdurou até 1975. Daniel Chipenda, então comandante militar do MPLA, passa a liderar esta cisão, que originou a fragmentação do MPLA tornando-o pouco expressivo em sua acção de guerrilha…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Domingo, 27 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXIX

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - VI

Crónica 3159 - 27.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

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Por soba0.jpeg T´Chingange, no Algharb do M´Puto

Jogando búzios na zuela do feitiço, com algum esforço intelectual, remexo panelas de caldeirada da estória, muito me convencendo da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia-a-dia, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de vaidades. Metendo num pão que vai ao forno os trocadilhos e chouriço e, enquanto espero, vejo os estudos feitos por organizações internacionais que apontam uma estatística mundial como havendo 300 milhões de pessoas, de todas as idades, com depressão, considerando ser este o mal do século…

Algum tempo atrás, desconhecia que podíamos fechar o tempo dentro de casa e, atazanado, comecei a beber dez gotas de cannabis para truncar as vicissitudes misturando o gosto estranho com kefir, um pouco de café pilão e um pouco de mel com um ou dois croissants para entulhar a malga. E assim, lá pela tarde, na kúkia do sol, meto também num pão tipo da avô os trocadilhos com chouriço, por vezes morcela, a fim de sentir algum prazer de viver matabichando resiliências e, outros desmandos com tantas maleitas sociais.

Mu Ukulu56.jpg Escrevo isto olhando para as roupas manchadas do tempo a abanar no quintal com os pássaros charnecos e melros a alegrar-me com seus voos, saídos de uma árvore gigante de meu vizinho alemão da Alemanha que também saiu de Angola, tal como eu. E, lá estão as duas máscaras que foram lavadas com sabão macaco, encharcando-se do sol tão necessário para queimar azedumes e bichezas, sem saber ao certo quanto tempo o capeta diabo pode ficar naquela superfície de pano definhado pelo hálito do hábito. Estamos no ano de dois mil e vinte e um e, a cinquenta e nove anos do surgimento em Angola do Movimento chamado de FNLA.

Nestas contingências relembro o Janeiro do ano de 1962, em que surge a FNLA. No exterior de Angola, os movimentos pró-independência desencadeiam forte campanha contra o M´Puto – Portugal, que segundo dados da Cruz Vermelha Internacional, denunciam a existência de quase meio milhão de refugiados angolanos no Congo, Zaire e Zâmbia. Em Dezembro de 1962, Agostinho Neto assume a presidência do MPLA em Leopoldeville, actual Kinshasa, durante aquela que foi a 1ª Conferência Nacional. Joaquim Pinto de Andrade, no final da década de 60, chanceler da Arquidiocese de Luanda, era nesse então o presidente de honra do Movimento, mantendo-se no cargo até 1973.   

mud7.jpg Neto, cria o “Grupo Tlemcem”, nome da cidade argelina, onde fizeram recruta os primeiros guerrilheiros do MPLA. Portugal por via desta postura, cria os Comandos, Tropas Especiais, Grupos Especiais e Grupos Especiais Pára-quedistas. Acontece que em Junho de 1963, o MPLA debate-se com problemas graves, entre os quais a expulsão de Viriato da Cruz, “por actos de indisciplina tendentes a minar a unidade”. Este, viria a falecer em Pequim, dez anos depois. Nesse então ocorre dentro do embrionário partido perseguições e prisões aos seus membros e apoiantes na República do Zaire, por ordem de Cirille Adoula, então primeiro-ministro e apoiante de Holden Roberto.

Aqueles acontecimentos levam o presidente ganês N´Krumah, a organizar uma conferência de “reconciliação e unidade”, na qual participam o MPLA, UPA e PDA (Partido Democrático Angolano). Holden Roberto abandona as discussões fundindo a UPA com o PDA dando assim origem à FNLA – Frente de Libertação Nacional de Angola, que mais tarde é apoiada no GRAE – Governo da República de Angola no Exilio e ELNA – Exército de Libertação Nacional de Angola.

savimbi1.jpg O MPLA reage patrocinando a criação da FDLA – Frente Democrática de Libertação de Angola. Esta criação morreu à nascença, pois que nem sequer foi apoiada pela Organização de Unidade Africana – OUA. Em Junho de 1963, o MPLA abre a Frente de Cabinda sob o comando militar de Manuel Lima, o operacional político de Agostinho Neto, Iko Carreira, Hoji-ia Henda, Lúcio Lara, Aníbal de Melo e Daniel Chipenda. A guerrilha do MPLA de imediato entra em confrontações com a FNLA. Este Movimento, estava apostado em evitar o avanço do MPLA no Enclave Norte de Cabinda, parte integrante de Angola.

Há um episódio de que Holden Roberto jamais poderá lavar as mãos pois que tendo aprisionado várias guerrilheiras em um ataque a uma coluna do MPLA, estas virão a ser fuziladas sumariamente numa base da FNLA, em Kinzuzu da República do Zaire. E, é em 1963 que Jonas Malheiro Savimbi surge como Ministro dos Estrangeiro do GRAE. Holden Roberto, envia Savimbi a Moscovo, na mira de obter apoio para a FNLA, mas o objectivo fracassa. É nesta altura que Jonas Savimbi começa a ser notado como uma figura carismática, de um grande poder dialéctico, diplomático e de grande força persuasora.

mud20.jpg Na capital soviética Savimbi acusa peremtóriamente Álvaro Cunhal de ter bloqueado todas as suas diligências; Álvaro Cunhal, tudo fez para tirar de cena Savimbi. O encontro de Savimbi com Gamal Nasser é também anulado por via da intervenção contra, do líder do PCP – Partido Comunista Português. Lembrar-se que neste então Nasser dominava a senda Politica internacional, especialmente por ter imposto a nacionalização do Canal de Suez, na qualidade de chefe supremo das Forças Armadas da extinta República Árabe-Unida.

niassa6.jpg Savimbi, como Ministro do Estrangeiro do GRAE, terá dito a Nasser que os israelitas treinavam militarmente a FNLA apesar de saber que aquele, era inimigo de Israel e que apoiava Holden Roberto. Depreende-se haver já alguma dissidência entre os elementos da FNLA pois que no ano de 1964 o Chefe do Estado-Maior do ELNA, José Kalundungo, abandona o movimento acusando Holden Roberto de “não favorecer a verdadeira unidade nacional, quando ataca os irmãos de luta”. Nesta mesma altura as cúpulas políticas do GRAE acusam o seu Ministro da Guerra, Alexande Tati, de pretender organizar um golpe contra Holden. Tati entrega-se com um numeroso grupo de homens ao Exercito Português passando a lutar com estes contra os demais movimentos nacionalistas, no intuito de apaziguamento com formação de um governo próprio para o Enclave de Cabinda por força e conforme o Tratado de Simulambuco (actual FLEC).  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Sexta-feira, 18 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXVIII

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - V

Crónica 3158 - 18.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… 

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Por   soba0.jpegT´Chingange, no Algharb do M´Puto

O ano de 1961, ficando a uma distância de sessenta anos, convêm relembrar mesmo de forma sucinta o que aconteceu na Colónia chamada de Província de Angola. O padre Franklin da Costa que não concordava com a politica colonial e, que foi mais tarde bispo do Lubango sofreu dissabores por admoestação ao longo de sua vida pastoral pela PIDE, tendo o militar operacional Neves Bendinha, nesse então, morrido às mãos dessa policia na Cadeia de S. Paulo de Luanda. Os intelectuais Belarmino Van-Dúnen, Noé Silva Saúde, Francisco Santana e Virgílio Sotto-Mayor foram presos e condenados, cumprindo pena no Campo Prisional do Tarrafal. Naquele período de entre 04 a 12 de Fevereiro de 1961, disse-se haver entre mortos e feridos e de parte a parte, um total de cinco mil …muilas3.jpg A Fortaleza de S. Pedro da Barra e a Cadeia de S. Paulo, encheram-se de presos. Pinto de Andrade foi desterrado para a ilha do Príncipe e Agostinho Neto é envido, primeiro para Lisboa e, mais tarde para Santo Antão e Santiago de Cabo Verde; Aqui, Neto, continuou a exercer medicina sob vigilância policial; viria a ser transferido para o Aljube e libertado no ano de 1962 com a condição de ficar com residência fixa em Portugal de onde consegue fugir clandestinamente com a família, refugiando-se em Leopoldville.

O ataque da UPA contra os fazendeiros brancos do Norte de Angola, abrangeu uma faixa extensa que vai desde a fronteira com o Congo Zaire até bem perto de Luanda, a maior parte do Distrito do Congo, Províncias do Uíge e Zaire, uma parte do Cuanza Norte e a região de Nambuangongo. Centenas de brancos e trabalhadores Bailundos, contratados, são barbaramente assassinados, incluindo mulheres e crianças. Nem os missionários escapam a esta onda contando-se entre estes os bem respeitados padres Lázaro e Pedro João; o primeiro morto na povoação de Pângala e, o segundo, na Damba.

mud23.jpgNo ataque a Quitexe, então Concelho de Ambaca com sede em Camabatela, foram assassinadas várias crianças. Podem ver-se muitas fotos com seus corpos seminus ou nus, retalhados por catanas; fotos que correram o mundo indignando na forma tão violenta de fazer terrorismo. A violência destes acontecimentos de quinze de Março e sequentes dias, motivou dos bispos angolanos, a publicação de uma “Exortação Pastoral” condenando as acções de terror de um e outro lado, apelando às autoridades não esquecerem as leis de justiça e caridade por forma a aproximar os homens e não originar um crescendo de inimigos. O texto da Pastoral enviado para Lisboa a ser publicado no jornal “Novidades” é desautorizado a sua publicação…

Salazar, detém a pasta da Defesa, por via da tentativa de golpe de Estado por Botelho Moniz. É neste então que prefere o tão propalado discurso em que diz: “ para Angola, rapidamente e em força”. Inicia-se imediatamente o envio regular, por via aérea e marítima. O primeiro contingente de militares embarca no navio Niassa, no cais de Santa Apolónia, em Lisboa. O império português estava ameaçado de morte como nunca em cinco séculos e, a resposta possível foi o envio imediato de um corpo expedicionário. O envio acontece a 21 de Abril, em reacção ao levantamento supostamente do MPLA em Luanda e aos massacres da UPA no Norte.

mugi4.jpg Ninguém imaginava que a guerra duraria mais de uma década terminando logo após o vinticinco de Abril de 1974. No cais de Santa Apolónia, em Lisboa, as famílias juntaram-se para a despedida aos militares. Estes embarcaram em fila ordenada no Niassa e da amurada gritavam "Viva Portugal". O Diário de Notícias de 22 de Abril dava honras de primeira página ao embarque das tropas. "Aclamando Portugal e o exército e cantando o hino nacional partiu ontem para Angola uma força expedicionária" - era o título, mostrando optimismo sobre uma rápida solução do conflito. Só que a Guerra Colonial duraria até esse ano de 1974, e seria combatida em três frentes africanas – Angola, Moçambique e Guiné Bissau. Entretanto na rádio cantava-se “Angola - é nossa”

Hoje, pode encontrar-se em Portugal, mais de 300 monumentos dedicados aos que combateram por um país que estava condenado a ser de novo só europeu. Angola e mais quatro nações africanas de língua portuguesa, são hoje independentes mas, terei aqui de me focar só a Angola a rainha do Império Luso. Os paquetes Niassa, Santa Maria, Vera Cruz, Pátria e Infante D. Henrique levam sucessivos contingentes sendo recebidos euforicamente pela população branca em grandiosos  desfiles ao longo na Avenida Marginal de Luanda com o nome de Diogo Cão e agora, com o nome de Avenida 4 de Fevereiro… Na Angola de 1961, a situação é crítica; cidades, vilas e pequenos lugares do Norte são saqueadas pelos guerrilheiros chamados por “Turras”, diminutivo de terroristas. Estes Turras, à sua passagem, destruíam as estruturas das fazendas de café, que até então eram o principal abastecedor do mercado internacional. Até 1974 saiam daí 330 mil toneladas por ano; hoje que são passados sessenta anos, esta produção decresceu para números muito inferiores.

mud26.jpg Pode ler-se actualmente (ano de 2021) que a produção do café ainda contínua irrisória e longe de alcançar lugares cimeiros em África, em particular, e no mundo em geral, devido ao fraco investimento e falta de políticas concretas para os produtores, segundo especialistas em agronomia. Em consequência do fraco investimento neste sector, tem sido variável e nivelada por baixo, comparativamente ao tempo colonial, período em que a Colonia, foi o terceiro maior produtor mundial desse “bago vermelho”. Voltando àqueles tempos em que aquela era a minha terra – assim o pensava, o Ministro do Ultramar Adriano Moreira desloca-se com frequência à Colonia adivinhando-se mudanças.  

O Governador Silva Tavares é substituído pelo General Venâncio Deslandes que acumula o Comando-Chefe das Forças Armadas. Face aos acontecimentos na Baixa de Cassange, o Ministro Adriano Moreira põe fim à desumana política da cultura compulsiva do Algodão e sua venda obrigatória à “Cotonang”. O general Deslandes inicia a retomada do Norte de Angola em Junho de 1961, pelo posto de Lucunga. Em Novembro, Deslandes anuncia o apaziguamento do Norte, saldado por 121 baixas de militares oriundos do M´Puto. Em Dezembro de 61, já se encontrava em Angola mais de 30 mil soldados magalas do M´Puto. Em 1966 já eram 60 mil e, em 1974 chegaram a mais de 65 mil. Diga-se que as guerrilhas do MPLA e FNLA eram quase inexistentes no ano de 1974 mas, urdia-se pela calada e, no M´Puto outras diligências singularizadas pelo Partido Comunista e suas células com mistura de traidores…

mud29.jpg As comunidades corporativas e intelectuais da Província em consonância com uma boa parte significativa de grande parte de comerciantes conceituados como Venâncio Guimarães, chegaram a propor a Venâncio Deslandes um golpe do tipo de Ian Smith da Rodésia tornando o território independente ou com uma autonomia progressiva mas, não houve a vontade necessária para tal. Perdeu-se uma grande oportunidade de mudar o rumo em Angola de uma forma controlada a favor de gente que se veio a revelar desclassificada, impreparada e ladra. Recorde-se que Ian Douglas Smith, foi um político, fazendeiro e militar que serviu como primeiro-ministro da colónia britânica da Rodésia do Sul entre 13 de Abril de 1964 e 11 de Novembro de 1965 e depois primeiro-ministro da Rodésia, depois da Declaração Unilateral de Independência, em 11 de Novembro de 1965, até 1 de Junho de 1979.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:47
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Segunda-feira, 14 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXVII

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - IV

Crónica 3157 – (08.06.2021) – 14.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… 

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Por   soba0.jpeg T´Chingange, no Algharb do M´Puto

Antes que me esqueça relembro: Ano de 1975 - A 9 de Julho, após três semanas de violentos combates, a FNLA é expulsa de Luanda, e Jonas Savimbi pede protecção ao Exército português ordenando aos seus apoiantes que deixem a capital - a LUUA. Foi neste então que recrudesceu o som do martelar: “tá, tá, tá" e, por toda a Luanda de noite e de dia a mente restolhava-se inibida de vontade, fazendo caixotes. Para mim, o porto de Luanda estava longe! Nada veio, nem as fotos de casamento na Sagrada Família.

moka25.jpg Deus, O Nosso Senhor, também andava distraído por muitos outros lados - de nada valia gritarmos “Valha-me-Deus” porque definitivamente todos estavam condenados, antes mesmo de qualquer definitivo julgamento. Em Muquitixe, terra dos ananases, já tinha visto as estrias duma Kalashe (kalashnikov)! E o soldado ébrio do MPLA segurando a arma de forma desajeitada deu-me o alerta final! Podia também ser um soldado da FNLA ou UNITA mas, assim me calhou: -Vai-te embora branco… Esta não é a tua terra! E quem vai dizer o contrário com um canhângulo nos olhos… 

Naquela mensagem messiânica de António Nunes Frade do Bondo da Baixa de Cassange podia ler-se: “Maria, a deusa protectora dos negros, a verdadeira deusa, há muito que anda preocupada com o sofrer dos angolanos e, assim, resolveu aparecer em Cassulo – Cuenda (…)”. Aquela santa por sinal era negra, talvez uma réplica de nossa Senhora da Aparecida… “Para que as balas das armas dos tugas não sejam mortíferas, é necessário vestir panos amarrados à cintura com uma trança de capim “caxinde” e, no pulso, uma pulseira do capim “seno”. Dá que pensar nesta misticidade, práticas usuais nos mentores de cariz religioso. 

monstro6.jpg Os protestos no velho Reino do Cassange tiveram origem na resistência à administração colonial anos antes mas, a 4 de Janeiro de 1961, na Baixa do Cassange, norte de Angola, os negros que trabalhavam nos campos de algodão iniciaram uma greve lançando a que foi chamada a “Guerra da Maria”, nome de um dos instigadores, António Mariano. Os protestos iniciaram-se à volta de Tembo Aluma, na proximidade do posto administrativo de Mangano e espalharam-se desta zona fronteiriça até ao coração do distrito de Malange.

mud11.jpg A Baixa de Cassange foi apaziguada pela Companhia de Caçadores Especiais, que ficou célebre pelas represálias exercidas naqueles dias que levou o arcebispo D. Manuel Nune Gabriel a comentar: “A acção dos militares, exaltada por alguns dos elementos da população citadina, lançou o terror nos arredores de Malange e, outros pontos do distrito, contribuindo param uma onda de ódio. O clima de medo e desconfiança originou mortes que só a irreflexão, podem explicar mas não justificar” 

A inconsciência foi tal que, não se tomaram em consideração as características dominadoras e guerreiras da tribo dos Maholos, habitantes da Baixa de Cassange, que já quando da pacificação portuguesa do século anterior se revelaram elementos dificilmente domináveis e extremamente perigosos. No dizer do General Fernando Pinto de Resende, Comandante da 2ª Região Aérea, pode ler-se: “Fizemos deles agricultores de algodão, claro que à força, e agora estamos nós a bombardeá-los do céu”

moka23.jpg Os agricultores africanos, uns 150.000 em 35.000 famílias, eram coagidos a cultivar o algodão em parcelas de terrenos designados para tal. Não havia salários para este trabalho e no final de cada campanha os africanos eram obrigados a vender o algodão à Cotonang e à Lagos & Irmão, a preços fixos, abaixo dos do mercado, num valor 5 a 6 vezes menor do que o preço mundial. A lucrativa economia do algodão na região era baseada nesse cultivo obrigatório, produzindo cerca de 5.000 toneladas por ano. Em empresas semelhantes, como a Companhia de Diamantes de Angola (DIAMANG), os trabalhadores ganhavam um salário abaixo do de subsistência e os accionistas obtinham resultados extraordinários pelo seu investimento.

A “cultura do algodão era uma exploração infame dos indígenas; portanto, geradora do maior antagonismo para com este tipo de trabalho obrigatório (lucro de 400$00 por ano nas piores áreas...), Para o agricultor, quando tinha o infortúnio de perder toda a cultura, recebiam zero por um ano de trabalho. Este é apenas um exemplo das muitas vilanagens que a tribo branca com a anuência do governo do M´Puto fazia à tribo negra”. Claro que a grande maioria de colonos e mazombos estavam à margem de todas estas arbitrariedades, diga-se! Os protestos iniciaram-se à volta de Tembo Aluma, na proximidade do posto administrativo de Mangano e espalharam-se desta zona fronteiriça até ao coração do distrito de Malange.

mud9.jpg Na madrugada de 04 de Fevereiro de 1961, em Luanda, “supostamente o MPLA” ataca a Casa de Reclusão, Esquadra da Policia Móvel e cadeia de S. Paulo sob a alçada da PIDE, com a intenção de libertar presos políticos, entre os quais Domingos Magalhães Paiva e Agostinho Mendes de Carvalho, politico e escritor, usando o pseudónimo de Uanhenga Xitu. A 11 do mesmo mês, repete-se o assalto. O Cónego Manuel das Neves entre outros esteve na organização destas acções permitindo que debaixo do altar da Sé Catedral se escondessem catanas.

Este diria mais tarde: “É suicida combater com catanas, mas romper-se-á assim o mito de que todos estamos satisfeitos com os portugueses”. Era suicida combater com catanas e ele, sabia-o na perfeição. Era óbvio que por esta via quereria criar mártires por forma a provocar um levantamento mais generalizado na sociedade luandense e, mais propriamente entre os moradores dos musseques, gente da periferia, que paulatinamente ia ficando mais focada para a luta de libertação. Em paralelo com a notória sublevação era já elevada a condição cultural da sociedade citadina. Em resposta a toda eta sublevação, as autoridades, distribuíram espingardas “Mauser” à população branca da capital e arredores…

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:18
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Sábado, 5 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXVI

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - III

Crónica 3156 – 03.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… 

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Por soba24.jpg  T´Chingange, no Algharb do M´Puto   

E, porque não sou só ossos dispersos, penso em kimbundo da Luua recordando as falas de nossa terra, também da deles, meus filhos e filhos dos outros também; assim repeti “ki tuexile tu ngó ifuba iatujunkura” - ainda não somos só ossos dispersos, “ifuba yetu iokune kala jimbuta” - Nossos ossos serão semeados como sementes… Assim no quizango, feitiço do livro de capa amarelecida, recordo aos mwadiés camundongos fingindo ser sapientes, que só mostram o Sputnik de Agostinho Neto, o que já passou! Assim, num jeito de perfumar ranço seboso, engraxando as cores sem conseguir dizer nada de novo, relembro caligrafias antigas. Falei!

O MAC - Movimento Anti Colonial, integrava membros estudante de todas as colónias portuguesas. Em 1960, autoridades políticas e militares do M´Puto, efectuam reuniões de emergência à porta fechada, no Comando da Região Militar, temendo a possibilidade de um ataque armado ao Norte de Angola, ainda nesse ano. A ordem pública era mantida nas cidades, pela Polícia de Segurança Pública; nas povoações do interior de menor importância, pelos cipaios às ordens das autoridades administrativas.

cipaios.jpg O Exército regular, então composto por cinco mil africanos e mil e quinhentos europeus, aquartelavam-se nas principais cidades - Luanda, Lobito, Nova Lisboa, actual Huambo, Sá da Bandeira, actual Lubango e pouco mais. Em 1960, a PIDE – Policia Internacional e Defesa do Estado, volta a prender Agostinho Neto, no seu consultório de Luanda. Como consequência o povo da Circunscrição vizinha de Icolo e Bengo, organiza uma manifestação de protesto em Catete, a escassos quilómetros da capital, a terra natal de Neto. Era eu nesse então, estudante na Escola Industrial de Luanda tendo como companheiro de turma Avelino Said (Dias) Mingas que mais tarde viria a ser o primeiro-ministro das Finanças, um dos criadores da moeda Kwanza - Angola.  

Naquela manifestação de Catete, a multidão é metralhada originando daí 30 mortos e 200 feridos. Conta-se que no seguinte dia se inicia o ataque a Icolo Bengo originando a destruição de várias aldeias. A prisão de Agostinho Neto motiva o MPLA, então aquartelado na Guiné-Conacry, a propor negociações a Portugal. Em resposta, 29 activistas do Movimento são fuzilados no pátio de uma prisão; simultaneamente, o general Monteiro Libório assina o “Primeiro Plano de Acção Psicológica do Comando Militar de Angola”.

cipaio4.jpg Em Dezembro de 1960, Mário Andrade, Viriato da Cruz e Américo Boavida, face ao fracasso negocial com Portugal, comunicam à Câmara dos Comuns de Londres, ”passarem à acção directa”, supostamente em nome do MPLA e por via destas manobras internacionais, no mesmo mês de Dezembro o Conselho de Segurança da ONU deixa de reconhecer as Provinciais Ultramarinas como sendo parte integrante de Portugal. Foi talvez a primeira pedra a ser lançada ao charco do processo descolonizador do “Império Luso”. Por via destas movimentações, o MPLA anuncia a sua primeira direcção no exterior formada por Mário Pinto de Andrade, Viriato da Cruz Hugo de Meneses, Lúcio Lara, Azevedo Júnior, Matias Miguéis, Eduardo Santos, Daniel Chipenda e França N´Dalu.

Eduardo Santos foi médio de futebol da equipa da Associação Académica de Coimbra que não obstante ter passado para a “Revolta Activa” conjuntamente com Daniel Chipenda e França N´Dalu assistiu como cardiologista Agostinho Neto até à sua morte. A figura de Agostinho Neto, jamais teve unanimidade dentro do movimento anticolonial. As fortes divergências que teve com Viriato da Cruz, em 1963, levaram Neto a torturá-lo e humilhá-lo diariamente numa prisão, somente saindo (quase morto), por intervenção de aliados externos da Argélia e China.

mud14.jpg Outra figura que questionou fortemente Neto, foi Matias Miguéis, sendo que este acabou morto após humilhantes torturas ordenadas por Neto, em 1965; foi enterrado vivo somente com a cabeça para fora, onde lhe jogavam secreções ao mesmo tempo em que recebia golpes. Historiadores, como William Tonet, apontam que nem mesmo os portugueses cometeram tais atrocidades. Houve graves conflitos internos no MPLA que puseram em causa a liderança de Agostinho Neto.

Entre estes, o mais grave consistiu no surgimento, no início dos anos 1970, de duas tendências opostas à direcção do movimento, a "Revolta Activa" constituída no essencial por elementos intelectuais, e a "Revolta do Leste" com Daniel Chipenda, formada pelas forças de guerrilha localizadas no Leste de Angola; estas divisões foram superadas num intrincado processo de discussão e negociação que terminou com a reafirmação da autoridade de Agostinho Neto.

mud10.jpg Seguindo a cronologia dos acontecimentos, em Janeiro de 1961, a capital angolana fervilha de jornalistas que aguardam a chegada do paquete “Santa Maria”, tomado de assalto por Henrique Galvão. Semanas depois, as atenções desviam-se para os três acontecimentos que marcaram o início da luta armada e, que conduziu à independência: A Revolta na Baixa de Cassanje de “4 a 11 de Fevereiro” e, “ a “15 de Março”. Impulsionados pela UPA, a Revolução na Baixa de Cassanje iniciou-se no posto do Milando da Circunscrição de Holo e Jinga, alastrando às circunscrições vizinha de Bondo e Bângala.

mud15.jpg Simão Toco, fundador do “Tocoismo” pertencente à igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, por ter influenciado aquela onda de terrorismo, foi desterrado para os Açores com residência fixa naquela congregação. Milhares de trabalhadores abandonaram seu trabalho nas fazendas algodoeiras que alimentavam a empresa monopolista “Cotonang”; armados de paus, canhangulos, catanas e azagaias, matam gado e destroem outros bens de brancos. Estes acontecimentos são relatados pelo “missionário” António José Nunes Frade que constam dos arquivos da Administração da Circunscrição de Bondo e Bângala do Distrito de Malange…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:47
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Segunda-feira, 31 de Maio de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXV

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - II

Crónica 3155 – 29.05.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, poucos  o sabiam…  

Mu Ukulu37.jpg

Por   soba 01.jpgT´Chingange, no Algharb do M´Puto

Cada um, chamado á razão, responde afirmativamente ao que pensa ser o certo, em uma terra que sempre pensou ser também a sua, Angola e, sem ter a certeza de nada nem do futuro, recorreu a N´Zambi - Deus, presumindo que a concórdia e a misericórdia seriam um factor a esperar mas, assim, o não foi. Tantos que foram para Angola, tantos que se situaram, se amigaram, enamoraram ou umbigaram, julgando que deveriam reinar sobre a dissensão e razoável desentendimento, harmonizar o essencial, perdoar nos pequenos costumes; eliminá-los, seria assim o futuro plausível.

mud4.jpgmud5.jpg Puro engano em nosso advir; aglutinar-se-iam raças, honrar-se-ia desta feita pais, avós, tetravós e, ene avôs mas, nada disto assim o foi. Já estamos longe daquele tempo, ano de 1958 de quando a PIDE se instalou em Angola. Esta, mereceu do arcebispo de Luanda, D. Manuel Nunes Gabriel, o seguinte comentário: “A PIDE estendeu agora sua actividade a todo o país, agindo de maneira arbitrária e demasiado severa, tornando-se temida, mas não respeitada”; tomar em conta a menção de país, englobando o Portugal Ultramarino numa mesma plataforma territorial.

Na Lisboa do M´Puto, pouca importância se dá ao aparecimento da UPNA, União dos Povos do Norte de Angola e, daquele manifesto de Viriato da Cruz, o tempo, o congeminou como sendo o primeiro evento de valia e, paulatinamente o foram atribuindo como afecto ao MPLA. Com dados aleatórios no tempo aqui se descrevem situações que agora nem interessa saber se foram antes ou depois. Aconteceram! Ainda no ano de 1958, no próprio dia em que concluiu o curso, Agostinho Neto casa com a portuguesa transmontana, Maria Eugénia.

MUD1.jpg Nada mais que a irmã de António Rosa Coutinho, um nome a destacar por ter sido o principal “pivot sinistro” no período da descolonização posterior, e figura preponderante por ter incitado à violência física e sexual contra mulheres e crianças portuguesas e angolanas - estratégia para obrigar os brancos a abandonar Angola. Agostinho Neto aceitava todos conselhos do cunhado como se fossem ordens.

Agostinho Neto sabia que seria Presidente de Angola com ajuda dos portugueses porque tinha um cunhado no seio da política Portuguesa! Rosa Coutinho nos momentos cruciais do futuro de Angola no após “Abril de 1974” veio a ter o papel de “mediador” falando com os Líderes do MPLA, FNLA e UNITA, mas dava ou vendia armas ao MPLA oferecendo a este, a logística de guerra suficiente na tomada ao poder à revelia de quase toda a sociedade angolana. Era um corrupto que envergonha todos políticos, e infelizmente, é mais um que não pagou pelos crimes cometidos.

Mu Ukulu49.jpg A imunidade é a mãe da impunidade, e Rosa Coutinho, apesar de ter sido o autor moral de vários crimes cometidos em Angola nunca foi responsabilizado por nenhum governo dos PALOPS. Pelo que ocorreu de forma silenciosa, cumpre aqui alertar aos governos de Angola e Portugal que o “vosso silêncio”, para que conste, significa cumplicidade. O que aconteceu em Angola provocou distúrbios mentais a muita gente, e deixou cicatrizes nos corações de todos envolvidos, por isso e, assim demonstramos solidariedade com todos aqueles que o foi, directa ou indirectamente afectados; gente de todas as cores e credos.

mud7.jpg Voltando a Neto, já casado com a irmã de Rosa Coutinho, ambos tomam o rumo de Luanda aonde chegam a 30 de Dezembro de 1959 já com um filho. Neto passa a ocupar a chefia do MPLA em Angola, numa altura em que os mentores do Movimento se encontravam exilados na República da Guiné-Conakry. 1958, foi também o ano em que, em Accra, capital do Gana, Holdn Roberto participa na 1ª Conferência dos Povos Africanos retirando à UPNA seu carácter regionalista, substituindo-a pela UPA, União dos Povos de Angola, supostamente de cariz nacional.

Em 1959, a PIDE inicia uma vaga repressiva no meio estudantil e intelectual luandense, no que ficou conhecido como por “Processo dos 50” e, alarga sua acção ao Sul, às Missões Protestantes, Baptistas e Metodistas. Era nestas Missões que os supostos nacionalistas beneficiavam de sua protecção. Apesar das prisões e perseguições, o fenómeno fermento da independência, leveda por todo o país de N´Gola. A partir da independência do Congo a 30 de Junho de 1960, os ânimos redobram com a realização da segunda Conferência dos Povos Africanos.

Mu Ukulu59.jpg E, foi na Conferência dos Povos Africanos que Lúcio Lara, Viriato da Cruz e Holden Roberto apresentam o Movimento Anticolonial MAC e, em cuja formação, participam Agostinho Neto e Amílcar Cabral, este último, natural da Guiné-Bissau e, que foi um dos fundadores e Secretário-geral do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, PAIGC. Amílcar Cabral e Agostinho Neto nutriam um pelo outro grande amizade, alicerçada nos tempos de estudantes em Portugal, onde foram entusiastas participantes na revitalização da “Casa dos Estudantes do Império”.

moka22.jpg A Casa dos Estudantes do Império integrava membros de todas as colónias portuguesas, os agora chamados povos dos PALOPS, de fala portuguesa; organizações legais de jovens estudantes que em convívio fermentavam sonhos. Como uma república estudantil, albergava os vários estudantes das colónias portuguesas que vinham estudar na metrópole, M´Puto. Foi criada em 1944, pelo regime salazarista, para fortalecer a "mentalidade imperial e do sentimento da portugalidade entre os estudantes das colónias", respondendo igualmente a uma necessidade de congregar num único espaço de convivência os estudantes das até então colónias portuguesas, que não possuíam instituições de ensino superior ou para auxiliar àqueles que necessitavam complementar os créditos académicos em Portugal. Foi fechada pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) a 6 de setembro de 1965.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Terça-feira, 25 de Maio de 2021
XICULULU . CXXXVIII

MULOLAS DA VIDA

Crónica 3153 - NÓS E OS GERENTES DE UM PLANETA CHAMADO TERRA... 25.05.2021

mulola1.jpg

Por soba24.jpg T´Chingange - no Algharb do M´Puto 

E, pensar que Deus colocou o HOMEM no jardim do Éden para o cultivar e o guardar (Gênesis 2:15) - São recorrentes os avisos de que o descuido com o meio ambiente pode levar o nosso planeta ao caos. Eles, os avisos, são veiculados pela mídia, em campanhas educativas promovidas por instituições governamentais e não governamentais. Já nos anos 1960, livros e artigos em revistas advertiam contra os danos naturais causados pelo uso de pesticidas químicos.

mulola2.jpg No início do ano 2000, pesquisadores norte-americanos do Fundo Mundial para a Natureza, esboçaram um cenário caótico para o planeta até o ano 2100: extinção de espécimes de aves e animais, inundações, nevascas, furacões, ciclones e outros fenômenos como o actual vírus covidesco, ceifarão milhares de vidas. Há cerca de quatro anos, Stephen Hawking, falecido em 2018, falando a estudantes da Universidade de Oxford, fez previsões sombrias para a Terra também para os próximos 100 anos. Como solução, sugeriu que o ser humano precisa encontrar outro lugar no espaço para sobreviver.

mulola4.jpg Posso adivinhar poder estar daqui a 100 anos, a ser perturbado pelas cavadelas de um qualquer paleontologista ou arqueólogo a fim de medir a estrutura da minha tíbia e, não será por causa da engenhosidade humana que me considerarão primo da Luzia,  um revolucionário zulu. E, pelas catanadas riscadas em seu, meu crâneo, dirão ter sido originadas na gruta de Cango Caves aonde  saberemos que a partir das nervuras, “toda a criação, a um só tempo gemeu e suporta ainda angústias, até agora”... Somos muitos a gemer, infelizmente...  Em meio a discursos sábios a favor da preservação ambiental, ouvidos com reservas por desenvolvimentistas, ou enfatizados com forte colorido ecumênico de grupos religiosos, precisamos relembrar nosso papel na qualidade de  subordinados aos tais gerentes deste planeta.

mulola3.jpg O Senhor confiou ao ser humano a tarefa de cuidar da natureza e preservá-la, não agindo como destruidores dela em benefício próprio, noé!?  Por isso, entre muitos, o filósofo Douglas Groothuis afirmou: “A visão cristã nem deifica a natureza nem denigre seu valor. A criação é divina e não deve ser cultuada. Porém, ela não é má nem ilusória  devendo ser tratada com respeito”...

Felizmente, demorando muito ou o suficiente, virá o fim, e tudo o que foi estragado pela desobediência e rebeldia dos "maus gestores" tudo virá a ser renovado de acordo com o plano original. A plena harmonia entre seres humanos, animais e o restante da natureza será restaurada pela eternidade - dizem!; será?

kuvale5.jpg Então, se me  transladarem para Marte, ficarei assim  nessa esperança de dar sentido à vida largado neste  mundo, vítima do egoísmo humano. Pelo sim pelo não, já tirei senha para ir até Marte! Só falta tratar do meu passaporte verde das vacinas...

O Soba T'Chingange

 



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