Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
MALAMBAS . CCXXXI

UM CACTO CHAMADO XHOBA . XI15.09.2019

TEMPOS DE DIPANDA NO OKAVANGO - Boligrafando estórias e Missossos uuabuama da Dipanda* – Do ano de 1999, talvez 1997. Nossas vidas têm muitos kitukus…

Por

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Oshakati, ficava na direcção contrária à faixa de Kaprivi, uma faixa de linha recta saída do Divundo junto ao rio Cubango até o rio Zambeze com cerca de 405 km de comprimento e 30 km de largura. Tem a forma de frigideira e fica situada no nordeste da Namíbia formando as duas regiões namibianas denominadas de Kavango e Kaprivi. O senhor Rocha que fugido do Sul de Angola, ali perto, se estabeleceu com um restaurante e uma fiada de casas térreas. Alugava estas a baixo custo a refugiados; era em verdade um alojamento local tipo cortiço brasileiro. O senhor Bicho da ponte do Charuto seguiu-lhe as pisadas tornando-se ambos empresários com algum sucesso. A vida de fronteira é assim um pouco tumultuosa pois que sempre tem gente rufia misturada com gente boa que de outras paragens por ali passa fazendo compras ou desviando as compras dos outros; neste caso e, pelo facto de Angola estar envolvida numa guerra prolongada, as carências eram aqui suplantadas no possível.

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Os circuitos de comercialização através dos meios de administração portugueses no território angolano foram totalmente desmantelados e, daí haver lacunas preenchidas pelos mais astutos, vigaristas ou arranjadores de ocasião cazukutas. Junto com esta gente que esgadanhava formas de vida e, com mais-valias de câmbio ou outras, simplesmente ganhavam ganâncias em operações de logística, ajudando nos cambalachos e, até vendendo vidro por diamantes, ouro trocado por produtos da terra ou transaccionando por serviços de ajuda aqui e ali e, toma lá esta gasosa para almoçares. No meio de toda esta amálgama de gente havia informadores pagos pelo governo de Angola disfarçados de gente comum, atentos ao que se dizia e fazendo triagem com empolgadas excrescências valorativas…

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Foi por aqui que me refastelei com uma caldeirada de cabrito na pensão, hotel e convívio de rufias, espiões e camaradas com irmãos. Rocha era ainda um rapaz novo; sentou-se em minha mesa e conversamos um longo tempo, num diz que foi para saber o que é, da minha insistência na recolha de informações. Mas, Rocha falou abertamente do sonho em se fazer rico; estava a terminar um hotel com piscina criando condições de prosperar e negociar com diamantes quando lhe fosse possível, pois então. As falas eram abertas e num instante ficávamos a saber coisas de grandes lonjuras como o dito de é ali mesmo patrão! E, este ali ficava a uns duzentos quilómetros. Neste meio tempo de cavalgada esticávamos as orelhas do monangamba, chamando-o de nomes toparioba e sundiameno para cima com o apêndice de mentiroso de merda!

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Em África parece tudo ser perto pois que tudo se sabe; carências de notícias levam à união e a fraternidade dando a isto, uma característica única no mundo; em nenhum lado do grande globo se encontra esta postura e este facto é a razão por que ninguém se esquece desse viver, daqueles aromas dum “rust camp”, do som do mato, do chorar da hiena, o uivar do mabeco e até o cacarejar das capotas com o “tou-fraca, tou-fraca…” ao por do sol atrás duns chinguiços, cassuneiras ressequidas com mato aparentemente estéril - lugar da surucucu.

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Rocha estava a par da odisseia de João Miranda do Mukwé de Andara e acabei por ouvir um pouco mais da sua fuga: Quando Miranda chegou ao Mucusso e passou a fronteira para o Sudoeste Africano, as autoridades sul-africanas actuaram com rapidez. O comando Sul-africano do Rundu, enviou prontamente tropas para receber a família no Calai. A família Miranda estava salva. O comandante da polícia local, o inspector Erasmos, instalou os Miranda numa “guest house” do Governo. A Namíbia nesse então, estava sob gestão sul africana

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Estou a falar do Miranda, natural das terras Atrás dos Montes lá para Chaves, Miranda do Douro aonde as vacas têm cornos amplos, mas neste contexto de gente fugida havia muitos mais. Rocha diz que nessa mesma tarde apareceu o general Loots, reformado, combatente da II Guerra Mundial, acompanhado por um oficial português, madeirense, o tenente Silva. João Miranda foi entrevistado e no final informaram-no de que receberia no fim do mês um ordenado, relativo ao primeiro dia em que fugira de Angola.

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Bicho da Ponte do Charuto, reconfirmaria as falas de Rocha. Todos sabiam de tudo – uma vastidão de território e todos a conhecer as vírgulas de cada qual ao ínfimo pormenor, como se, se encontrassem todos os santos dias numa praça do Mundo. Um fascínio que nem a matemática quântica ultra moderna consegue explicar. A família Miranda foi depois transferida para Grootfontein, já no interior norte da colónia, para maior protecção e assim poderem levar uma vida de normal família. Nestas estórias repetidas nem sempre as coisas aparecem do mesmo jeito ou no mesmo lugar porque, cada cabeça sua sentença e cada qual acrescenta uma pequena casca ou muitas cabeças como aquele lobisomem dando tempero esmeradamente lendário.

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Alguns anos mais tarde, passagem de ano - 31 de Dezembro 2014 para Janeiro de 2015, a escassos metros do rio Okavango, sentado em meu chinchorro (rede de balouçar), divido-me entre os barulhos da chuva e os rápidos do rio, dos piares de pássaros na boca dos ninhos, das rolas sempre gemendo e dos muitos milhares de cigarras que abanam prolongados trinados. Estava no d´jango da Kikas filha de Miranda, Vanda Miranda Potgieter casada com um bohér de estrema simpatia, casa de N´duvu S´tores de Andara, também posso escutar a zoada de carros circulando ao longo da estrada de macadame, areia e pedras soltas. Um homem armado com uma arma de repetição, guardava as instalações em uma guarita, noite e dia; eram vários a revezar-se...

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A enfeitar o pátio entre a casa e o rio uma árvore frondosa que conheço por mulungu, ornamenta a cena com flores vermelhas na forma de laçarotes, coincidência na comemoração da passagem de ano de 2015. Uma marula de grande porte dá soberania ao local por via de sua fruta ser a rainha do Calahári. Do outro lado pastam os bois indiferentes à sua nacionalidade! Que importa isso – boi não tem pátria! Quase-quase me apetecia mugir com elas mas só o facto de suas vidas terminarem estripados num galho, fazia esquindivar minha velhice para outros sonhos resvalados no tempo.

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Neste lugar de Andara, entre mato verde e picos medonhos, vejo Angola salpicando-me na correnteza do rio sem sentir no abandono ou desespero, uma consolação de esperança, assim talhada na natureza para ali permanecer de forma perene como aquela pedra na forma de hipopótamo regada num afogamento. Ao iniciar o dia, sempre e na hora certa, lá está Dona Elisabette a dar ordem a tudo e a todos. Debaixo de um sol ardente, um abafado calor de crispar sobrancelhas em escondidos pensamentos, a estória do Cubango, das terras longínquas no fim do mundo do Rundu, do Dirico, Calai, Mucussu e Divundo. Cabe a mim transformar as coisas dispersas em adultas majestades, tornar as fábulas em lendas, coisas que só os pastores podem criar confundidos entre xirikwatas adulteras.

Namibia4.jpg Nota: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

GLOSSÁRIO:

Missosso – Conto beve de cariz popular em Angola; Kituku - mistério; Uuabuama - maravilhoso; Oshakati – Nome de terra ao Norte da Namíbia; Lodge – Hotel de superfície, conjunto de casas para turistas; Rundu – Cidade do Norte da Namíbia, fronteira com Angola no rio Okavango; Grootfontein- Cidade da Namíbia que acolheu os refugiados de Angola, Xirikwata – pássaro que come jindungo…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:18
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Domingo, 15 de Setembro de 2019
MALAMBAS . CCXXIX - A

UM CACTO CHAMADO XHOBA . IX 06.08.2019

MALAMBA NAS FRINCHAS DO TEMPO

- Boligrafando estórias e Missossos da Dipanda – Toma lá e anda - do ano de 1999, talvez 1997.

Por

soba24.jpg T´Chingange - No Alentejo do M´Puto

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Não deveria ter sido assim mas, desaconteceu! Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, no após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional chegando até os nossos dias na forma de Diáspora. Uma missanga de contos com lendas e coisas tão verdadeiras que assustam o crédulo. Sendo assim e na forma de espantados, tudo corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo a que chamo de Globália. No Missosso da literatura oral angolana, há contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e crenças dos povos de dialecto quimbundo entre os outros derivados do Povo Bantu - Óscar Ribas da Luua, foi o seu criador.

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No fogo do pó levantado do chão vermelho, margens do Kunene, os kandengues himbas dançavam com um jacaré domesticado; desconhecia que um jacaré podia ser domesticado mas, os olhos meus, me diziam no seu ver, que aquilo visto, era mesmo de verdade verdadeira. Vejo e aprendo que a natureza muito nos ensina com seu riso de muitas flores riscando no firmamento cinza com branco a azul, musgos de nossas velhices coloridas a vermelho com laranja. Pus a mão no meu cérebro buscando naqueles milhões de células apalpar qual daqueles cabelos feitos bissapas estavam fora do sítio para entender aquela cena inaudível, inacreditável! Sei que tudo em minha vida resulta de guardar sempre comigo a esperança monandengue; de espiá-la com olhinhos de a ver balouçada no arco de minha sobrancelha.

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Em África parece tudo ser perto pois que tudo se sabe; carências de notícias levam à união e a fraternidade, dando a isto uma característica única no mundo; Em nenhum lado do grande globo se encontra esta postura e este facto é a razão por que ninguém se esquece dessa vida, daqueles aromas, do som do mato, do chorar da hiena, o uivar do mabeco e até o cacarejar das capotas com o “tou-fraca, tou-fraca…” mais o pôr-do-sol, essa kúkia atrás duns chinguiços, cassuneiras ressequidas e mato estéril. No fogo do pó levantado do chão vermelho, margens do Kunene, os kandengues himbas dançavam com um jacaré domesticado; desconhecia que um jacaré podia ser domesticado mas, os olhos meus, me diziam no seu ver, que aquilo visto, era mesmo de verdade verdadeira. Vejo e aprendo que a natureza muito nos ensina com seu riso de muitas flores riscando no firmamento cinza com branco a azul, musgos de nossas velhices coloridas a vermelho com laranja.

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Pus a mão no meu cérebro buscando naqueles milhões de células apalpar qual daqueles cabelos feitos bissapas estavam fora do sítio para entender aquela cena inaudível, inacreditável! Sei que tudo em minha vida resulta de guardar sempre comigo a esperança monandengue; de espiá-la com olhinhos de a ver balouçada no arco de minha sobrancelha - Como se chama esse jacaré! Perguntei ao jovem mais próximo. - Chama-se de Sundiameno. Disse! Fiz uma cara feia, de nariz torcido e, ele, vendo-me embrutecido repetiu. É mesmo de Sundiameno porque não é de fiar! A gente lhe desconfia, acrescentou – Nem nele, nem no pai dele! Concluiu.

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Esta conversa tola seguia um rumo desclassificado e, foi neste então que vi sentado num banco de pau já feito pedra (…ali, as antigas árvores viraram pedra…), um mais-velho branco feito quase assombração de barbas credíveis e brancas – Um branco mais branco, feito preto (talvez um albino, Não! Albino mesmo mas, de lábios grossos com esfarelamento nas rugas…). Entabulei uma conversa séria, falamos do rio Kunene e de seus mistérios. Foi este mais-velho kota, já século, que me descreveu alguns mistérios e, que passo a referir: - Olha mwadié (branco) este rio tem muito cazumbi e muito feijão branco. Um dia ajudei um gweta, t´chindele Rocha, branco como nós, que domesticou desde criança, um jacaré a apanhar diamantes para ele. Saiu daqui muito de rico para Ot´xakati! Afirmou isto e, em seguida, apontando para suas muletas de fibra sintética disse: - Foi ele que mas ofereceu! Pensativo, num repente levou a mão ao seu templo e disse: Parece que ainda é vivo mas, eu nunca mais o vivi! (aconteceu que mais tarde estive com essa lenda a comer pirão em seu restaurante…)

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No lugar aonde o rio se esconde, fizemos acampamento por muitos anos até que chegou a guerra da libertação e, ele seguiu com a sua gente. Conclui na sua sabedoria filosófica com cat´chipemba, uma bolunga pura dos Xi-Colonos – Este segredo, eu conto a toda a gente, disse! Por ali passaram gado, camiões e máquinas amarelas de fazer estradas. Abriram umas picadas e depois seguiram para Walvis Bay e Swakopmund da Namíbia. O mistério daquele jacaré estava quase desvendado por mim, mas, na dúvida sobrante, perguntei: - Então este jacaré que sopra o pó do chão, é esse tal que o gweta Rocha usava para apanhar os feijões brilhantes?

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Talqualmente! Respondeu o kota num desclassificado português com pronúncia meio estalada e ao jeito de um khoisan… E, continuou: - Pois eu fiquei com estas muletas e esse jacaré Sundiameno. O mundo é por demais misterioso! Nunca que eu ia acreditar nisto se não visse! O mais velho de nome Cuca Oshakati, ainda me disse outra coisa em que não acreditei: - Sabes que mais, disse ele. Esse jacaré toca guitarra! Acompanhava muitas vezes seu antigo dono Rocha a cantar fados duma tal de Amália, uma sua prima muito conhecida lá do M´puto!

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Isto era demasiado para a minha camioneta; meti-me no four-bay-four e segui para Ot´xivarongo. Conversando com um velho amigo de Ot´xivarongo, psicólogo do Kalahári, disse-me já ser conhecedor desta estória e, surpresa das surpresas, aquele jacaré era gente! Gente boa que nasceu em corpo errado! Juro que tudo isto me transcende! Oshakati, ficava na direcção contrária à faixa de Kaprivi, uma faixa de linha recta saída do Divunda junto ao rio Cubango até o rio Zambeze com cerca de 405 km de comprimento e 30 km de largura. Tem a forma de frigideira e fica situada no nordeste da Namíbia formando as duas regiões namibianas denominadas de Kavango e Kaprivi.

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Tinha indicações que havia um tal senhor Rocha que fugido do Sul de Angola ali se estabeleceu com um restaurante e uma fiada de casas térreas que eram alugadas a baixo custo a refugiados; foi para ali que me dirigi e aonde me refastelei com uma caldeirada de cabrito e também uma funjada à maneira. Rocha era ainda um rapaz novo; sentou-se em minha mesa e conversamos um longo tempo, fruto da minha insistência na recolha de informações. Rocha falou abertamente do sonho em se fazer rico, construir um hotel em condições e negociar com diamantes quando lhe fosse possível. Aconselhou-me a ficar num dos quartos de Bicho da Ponte do Charuto do M´Puto, logo no fundo da rua, pois que ele estava com os alojamentos repletos de gente saída de Angola.

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Rocha estava a par da odisseia de João Miranda do Mukwé e acabei por ouvir um pouco mais da sua fuga: Quando Miranda chegou ao Mucusso e passou a fronteira para o Sudoeste Africano, as autoridades sul-africanas aturam com rapidez. O comando Sul-africano do Rundu, enviou prontamente tropas para receber a família no Calai. A família Miranda estava salva. O comandante da polícia local, o inspector Erasmos, instalou os Miranda numa “guest house” do Governo. Nessa mesma tarde apareceu o general Loots, reformado, combatente da II Guerra Mundial, acompanhado por um oficial português, madeirense, o tenente Silva. João Miranda foi entrevistado e no final informaram-no de que receberia no fim do mês um ordenado, relativo ao primeiro dia em que fugira de Angola. A família foi depois transferida para Grootfontein, já no interior norte da colónia, para maior protecção. Teria toda a noite para pensar como prosseguir no dia a seguir; agora iria à procura do senhor Bicho para me instalar. Foi assim que cheguei até eles, os Miranda do Divundo, uma gente cinco estrelas… Com esta informação a minha odisseia teria outro rumo e conto assim de trás para a frente e por vezes de patas pró ar…

(Continua…)

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:02
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Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019
MALAMBAS . CCXXX

UM CACTO CHAMADO XHOBA . X

NAS FRINCHAS DO TEMPO …– 13.09.2019

- Boligrafando estórias e Missossos uuabuama da Dipanda* – Do ano de 1999, talvez 1997. Nossas vidas têm muitos kitukus…

Por

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Ovamboland – Oshakati - Norte da Namíbia a fazer fronteira com Angola na povoação de Namacunde. Chegado à casa do Senhor Bicho, não muito longe do hotel e restaurante do Rocha e, após as habituais apresentações mostrou-me o quarto disponível; foi-me dizendo que ainda estava em obras e que teria de ficar em um colchão ainda embrulhado em plástico, recomendando-me não o tirar em virtude de poder vir a ser vendido como novo; bem ao jeitinho português. A porta deste quarto era toda ela, uma obra de arte perfeita; representava um búfalo em baixo-relevo – uma madeira de lindos veios que se salientavam pelo verniz usado, dando-lhe uma distinta nobreza.

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Este senhor Bicho, amigo do senhor Rocha era natural da Ponte do Charuto, um local situado entre a Cidade de Lagoa e Portimão; por este facto e sendo eu conhecedor destas paragens no M´Puto, tonou-se fácil prolongarmos as falas com a cordialidade de quem é amigo dum vizinho no lema conhecido de amigo do meu amigo, meu amigo é. Uma empatia sempre resvalando na flor da humanidade. Dormi mal, muito mal! Durante a noite a restolhada do plástico do colchão e a quentura não me proporcionou um absoluto descanso. Para além do mais nem um ventilador havia para colmatar esta tórrida e suarenta noite – áfrica em todo o seu esplendor com cheiros esvoaçados por mosquitos de longas patas e um longo aguilhão sugador de sangue.

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Valeu-me um duche de água fria pela manhã, reconfortado pelo canto das galinhas-de-angola – capotas e o arrulhar das pombas com o gemer das rolas. Também dos cheiros do matabicho que vinham do lado Norte do quintal, salsicha bóher com tiras de carne seca demolhada e passada na brasa. Havia ovos e umas verduras esquisitas tipo esparregado de folha de piteira, tabaibos. Assim foi mas, um empregado do Senhor Bicho comunicou-me em português ovambado com palavras de umbundo e estalos de língua no palato dele, largo e negróide, que podia ir até aquela varanda coberta a colmo. É lá mesmo patrão, no detrás do último quarto e, logo nas curva do corredor que dá nos pátio dos frôr. O patrão “Senhor Bispo” esperava a minha pessoa para tomar o matabicho com cascas de conversa do M´Puto.

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Numa mistura de linguajar com estalidos de permeio, apercebi-me que este mocancala tinha uma mistura de herero com khoisan. Até tinha um tique engraçado de rir só átoa por via de minhas brincadeiras patachuecas. Nestes trejeitos e fungações com muitos gestos, mostrava sua falha de dentes à posterioridade fontal. Seu amplo nariz e dentes alvos de brancura, esfregados com mateba languinhenta na mistura com carvão dos brais-assadas, davam-lhe um sortido rosto de puro kazungula, Bantu. Chegando lá encontrei o senhor Bicho dando ordens a uma gorda senhora que logo se adentrou na cozinha de onde se podia sentir o odor do café e, logo se sentou a meu lado cavaqueando sobre os muitos afazeres daquela hospedaria tipo lodge do mato.

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E, falamos da sua distante terra, a Ponte do Charuto do M´Puto, bem perto de Mexilhoeira Grande no Concelho de Lagoa. Mostrei admiração pela beleza das portas quase maciças da entrada para os quartos com baixos-relevos dos cinco grandes animais de África. A minha porta era uma cabeça de búfalo; em realidade era uma obra de mestre. Bicho, sem saber da minha vontade em ir ao Rundu, do outro lado do Calai foi-me inteirando que a pessoa com quem eu tinha em mente encontrar, João Miranda, já não estava na grande base de Grootfontein.

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Ele e família só por ali esteve o tempo suficiente para enquadrar legalidade em sua inclusão nas forças expedicionárias na guerra de Angola e naquela fase crucial de avançar até Luanda, tomá-la aos Russos, Cubanos e gentalha do MPLA e seus assessores, generais de aviário do MFA. As coisas não correram como o planeado sendo desmantelados de uma forma progressiva até se retirarem totalmente depois da Batalha do Kuito.

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Parece que os Americanos viraram suas atenções por via de negociações petrolíferas e, daí derivou auxiliarem o M´Puto na evacuação dos brancos e a entrega da Namíbia ao Samuel Daniel Shafiishuna, mais conhecido como Sam Nujoma. Com pequenas interjeições minhas, todo eu era ouvidos a escutar as palavras de Bicho da Ponte do Charuto do M´Puto. Bem! Eu também estava ávido de saber coisas escondidas nos meandros poderes da política. Num repente, diz Bicho, o Jonas Savimbi da UNITA, até aí amigo, passou a ser relegado por estes americanos; gente de túji mesmo, conclui.

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A Namíbia foi entregue ao revolucionário San, que como o amigo sabe (o amigo, era eu…) é o actual primeiro presidente da Namíbia e, desde 1990. Pois! Interferi eu: - Ele estava à frente da SWAPO; tinham uma actuação insípida mas eram os que estavam na linha da frente para a entrega deste que foi um protectorado Alemão. Isso mesmo! Remata Bicho acenando com a cabeça e dizendo: Tal-e-qual! As falas do “Senhor Bispo” despertaram-me curiosidade tão redobrada que resolvi recolher os detalhes possíveis sem até falhar os porras e caralhadas feitas vírgulas, num contesto assim tão relevante.

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Pois é, continua Bicho: - Com o mando dum General de Pretória, um dia chega um indivíduo sem nome, em Grootfontein, levando-lhe um visto de trabalho em nome de João Miranda; um Hércules C-130, levou a família inteira para Pretória. João Miranda que tinha todos os seus bens em Dírico, não queria por nada ir para o M´Puto. Deram-lhe um apartamento do tipo T4 totalmente equipado; o General viu nele o perfil certo para ser integrado no Batalhão Búfalo por ser um bom conhecedor do terreno e falar a língua local e, a dos bosquímanos.

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O Batalhão Búfalo estava nesse então, antes de 1974 e, até 1975 a ser organizada há algum tempo no intuito de intervir em Angola salvaguardando possíveis investidas terroristas e comunistas. Os Serviços de Informação Sul-africanos tinham boas ligações com o governo de Marcelo Caetano do M´Puto e, já em 1966, ano em que terminei meu serviço militar da incorporação de Angola, os sargentos e oficiais do exército português mas, e principalmente oriundos da Colónia, antes de sua desmobilização recebiam um convite para serem integrados em forças Sul-africanas – um embrião da formação do Batalhão Búfalo. Eles, os Sul-Africanos já previam o que iria acontecer em Angola e, assim o foi!

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Ovoboland seria um território tampão àquele avanço. Bicho, perante a minha incerteza foi-me reavivando a memória de que assim era. Recordo assim, de nos inícios do ano de 1975, estando eu na Caála, ter ido até o Safari Motel em Windhoek e ter falado com gente refugiada, alguns deles, agentes da PIDE e gente saída das Administrações e OPVDCA; convém relembrar que esta antiga província ultramarina portuguesa, a organização provincial de voluntários e defesa civil (OPVDC) - organização do tipo milícia constituía um corpo de voluntários de ambos os sexos encarregue de prestar auxílio às Forças Armadas e de garantir a defesa civil das populações e, que chegou a ter mais de 40.000 efectivos. A OPVDC era subordinada directamente ao governador-geral ou governador da província que tinham uma noção exacta das movimentações em curso e, no estremo sul do território particularmente, colaborava com a actuação militar sul-africana.

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Nota: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante os longos anos da crise Angolana, e após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional. Corresponde à diáspora de angolanos e afins espalhados por esse mundo.

GLOSSÁRIO:

Kituku - mistério; Uuabuama - maravilhoso; Matabicho – pequeno almoço, café da manhã; Ovamboland – Norte da Namibia, povo Ovambo – primos dos umbundos; Oshakati – Nome de terra ao Norte da Namíbia; Linguajar – forma de falar se regras de ortografia, fala popular dum matuto, fala de gente simples e inculta; Mocancala- gente do Sul de Angola que falam com estalidos guturais e guichos; Herero – povo da região do Cunene com tez quase branca; khoisan – Bosquímanos; Patachuecas – gíria de momento, raridades dum sítio; Fungações – enfase de cacaracá; Mateba – seiva de arbusto com características saponáceas com propriedades adstringentes; Languinhenta – babosa, que deita seiva grossa; Kazungula – Com várias falas, dialectos, próprio das terras que falam como na Zâmbia, Zimbabwé, Namíbia e Botswana mais português e dialectos de Angola, nome de terra na foz do rio Cubano; Bantu – Origem de todas as línguas ou dialectos de África; Lodge – Hotel de superfície, conjunto de casas para turistas; Rundu – Cidade do Norte da Namíbia, fronteira com Angola no rio Okavango tendo do outro lado a vila de Calai, lugar de difícil acesso; Grootfontein- Cidade da Namíbia que acolheu os refugiados de Angola, primeiro acampamento da diáspora maioritariamente brancos fugidos da guerra do Tundamunjila- Uns ficaram, outros seguiram destinos vários como o Brasil, o M´Puto, Austrália, Argentina e Estados Unidos Da América…;

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Batalha do Kuito - A Batalha de Kuito Cuanavale foi o maior confronto militar da Guerra Civil Angolana, ocorrido entre 15 de Novembro de 1987 e 23 de Março de 1988. Tanto a UNITA como o MPLA, se declararam vitoriosos...; SWAPO – Movimento de libertação da Namíbia liderada por San Nujoma; Batalhão Búfalo - Designação oficial do 32º Batalhão de Elite da África do Sul, nome original em africâner 32-Bataljon; em Angola ocasionalmente chamados. O batalhão foi fundado para trabalhar na operação Savana, inicialmente com o nome de "Força Operacional Zulu", como iniciativa do tenente-coronel sul-africano Jan Breytenbach, que recrutou, sobretudo, soldados da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que, derrotados no Sul de Angola por MPLA & Cuba, se refugiaram no Sudoeste Africano (hoje Namíbia)... Nela, foram integrados, elementos oriundos de Portugal, do Reino Unido, da então Rodésia, dos Estados Unidos, de Angoa, milícias de S. Tomé entre outros – o batalhão foi considerado como a Legião Estrangeira sul-africana…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:13
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Terça-feira, 10 de Setembro de 2019
MU UKULU – XXIV

MU UKULU... Luanda do Antigamente 10.09.2019

FEROMONAS DA VIDA - Saber do passado para melhor se entenderem os futuros...

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Alentejo do M´Puto

luis000.jpgLuís Martins Soares Falecido no Brasil em Julho de 2019 - (São Paulo)

maianga do araujo.jpg Abrindo o livro Mu Ukulu na página 61, posso ler que na Luua, Luanda do antigamente, no jogo de saltar à corda, as meninas eram muito mais ligeiras que os rapazes; tinham graciosidade, leveza nas kinambas e até cantavam enquanto com um só pé ou com os dois juntos, pisavam a terra do pátio da escola ou o asfalto do largo fronteiro ao correr de casas do bairro e assim, galgando o fio grosso e normalmente de sisal balouçado por duas jovens ou candengues meninos, para um só lado faziam passar o tempo! Uma soma de intervalos, infantário, escola, família, a terra, a empresa e o abrigo da idade de kota.

O balanço, tanto podia ser para a esquerda como para a direita mas, sempre em sintonia de como se faz com a manivela de impulso, tal e qual como se fazia nos carros Ford, Bedford, Chevrolett ou Nesh naqueles modelos dos anos de 1945 a 1950. Os meninos candengues jogavam ao botão, ao pião ou à macaca; uns mais espevitados ficavam de lado a soprar vento com os olhos para ver as calcinhas das meninas, apostar de qual era a cor com confirmação da tal de Mariana ou da tal de Fátima.

mai3.jpg Depois do despois, era assim como um campeonato - quando não havia calcinhas era “bingo” pró ganhador. Todos os outros tinham de fazer de burro e levar o ganhador laureado até ao pé de tamarindo; assim, um por um, até botarem seu ar de bofes inchados daquele vento de soprar nos olhos. As brincadeiras de antigamente não faziam as crianças reféns deles como os jogos electrónicos de hoje. Sem televisão e sem computadores, rádio insípido, tínhamos jogos para nos dar mobilidade para a vida de trabalho e social; jogávamos até à noite bem adentrada e até que lá da varanda ou muro viesse um grito grosso do pai ou num esganiçado som da Tia Micas: vem para casa menina - tomar banho, fazer xixi e cama!

As esteiras de loandos ou de caniço eram peças importantes nas casas dos remediados e pobres dos arrabaldes da Luua ou dos bairros periféricos como o Bairro da Vila Alice, Vila Clotilde, Bairro do Café, Bairro da Samba, Coqueiros ou Praia do Bispo entre muitos mais e, a sempre rainha da Luua - a Maianga do Malhoas com o Almeida das Vacas a terminar no Choupal das meninas do Kan-can lá no topo da Avenida António Barroso e que hoje se chama de Presidente Marien N´gouabi cruzando o nosso Rio Seco, uma mulola que nesse então era só areia para brincar, jogar à luta livre ou futebol de fintas n´areia…

Quantas e quantas vezes dormi na varanda, estendido num loando, apanhando o fresco do mar da Samba. Naqueles tempos ainda não havia ar condicionado; era tudo à unha, um abanador de palmeira a dar-a-dar feito leque, ou um ventilador daquelas pás de tecto rodando e guinchando chring…chring…chring…Esteiras e loandos eram peças indispensáveis em uma casa da Luua e, ora servia para nos sentarmos, ora era aonde o candengue filho da lavadeira dormia enquanto sua mãe esfregava as mãos na roupa dos patrões. Por vezes o nené ficava às costas da mãe gozando do balanço com esfrega e, num bate e, roda e …Pois! Era um carrossel bem melhor que a esteira.

Mu Ukulu37.jpg Por vezes num quase sempre de costume, os vizinhos juntavam-se levando suas esteiras enroladas ou suas cadeiras articuladas com uma lona entalada a montante e jusante do sono, do abre boca, abrenuncia dum deus queira ensonado entre o bate-papo falando besteiras ou, entre longas e inspiradas dissertações, do tipo filosofias de cacaracá entre virgulas de muxoxo e cuspidelas raivosas para o pé do mamoeiro ou da árvore de mandioca. Esta, a dar sombra ao tanque de cimento ou selha com uma tábua com ranhuras feito do tipo reco-reco para roçar as cuecas acastanhadas do uso e, talvez duma amarelada bufa de sem querer, digo eu!

Comecei estas falas para recordar as farras de quintal, daqueles candengues e meninas que já com barbas e bigodes macios que nem bigodes enrolados de lontra, curtiam a semana falando daquele e tal e coisa e ou daquela garina (magana) e coisa com tal num vai daí não sei se… e como vai ser - No baile combino! Naqueles tempos de espigadissamento os candengues já com jeito de Alain Delon (Além Delon), banga no estilo de ninita, peritos ao salto da macaca, saltavam os muros para de raspão dar só um beijo na Milocas até fazer cantar os passarinhos, malditos periquitos e… num raspa que se faz tarde, um despois de só mais um… e vai daí o outro dia nascia sempre muito cheio de Sol e do lado Nascente.

Mu Ukulu34.jpg  Assim num pisca-pisca os mais novos, ouviam estórias, missossos dos mais velhos, da labuta dos seu dia, tesourando no patrão, no filho da caixa do capataz, no enrolamento das leis porque a bota não batia com a perdigota; num de estão a lixar-nos a vida eram dissolvidas nas vírgulas desportivas com cabrões e com golos fenomenais descritas ao pormenor que nem os comentaristas de hoje podem exemplificar. Já naquele tempo eram o Sporting, o Benfica mais o Belenenses. Pois! Porque sempre havia uns vocábulos mais fortes de sundiameno do árbitro e, o filho do bandeirinha, cabrão toparioba mesmo; vesgo dos olhos e sei lá mais o quê, o cambuta de merda! Já ao fresco das dez da noite, os loandos eram enrolados e seguiam seus destinos debaixo do braço e, um até amanhã…

Não nos esqueceremos dos bailes onde a farra da música a gira-discos ou até com um conjunto local pago na forma de vaquinha pelos amigos dos amigos, vizinhos e afins dominava nos fundos de quintal até lá pelas quatro da manhã; quintal alisado com cimento na sua pura cor e, mas também de terra batida, molhada para não levantar pó. Até as aduelas de barril e as chapas de zinco se curvavam ao merengue cheirado a catinga misturada com Old Spice e sabão de côco cheiroso, cuca ou nocal - por vezes Sbell na forma de bolunga de whisky da Luua feito na fábrica da Catumbela. Às tantas a mistura de cheiros já eram todas muito iguais…

Mu Ukulu60.jpg  As celhas ficavam a um canto cheias de gelo com pirulitos, canadá dry, mission, seven-up, laranjadas e cerveja. Havia sempre bolos, tortas, rissóis de camarão, bolos de bacalhau levados pelas mães que não perdiam pitada cochichando suas sempre belas filhas casadoiras e o fulano mais beltrano, filho deste e daquele, um director lá da FTU e outro neto do Deslandes, que falam ir ser governador e muitos edecéteras preenchendo num depois as conversas da semana. O ponto alto era mesmo o chás da cinco e das seis, como pretexto de colocar as noticias em dia. Tu já sabes, a Alice que trabalha na Maria Armanda (costureira de fama…) está grávida! Como é!? Pois e tal, vida da Luua era assim um diz que vai ser ou foi, há isso já é velho! Tenho de fazer a janta pró meu Zé, e lá ia a costurar ideias na mistura com seus ideais…

Sábados e domingos eram religiosamente reservados para assistir às cowboiadas e outros filmes; tudo começava nas matinés seguindo-se uma ida ao baleizão para retemperar o físico com uma girafa, canhângulo ou pata, comer um prego no pão ou uma grande salsicha enfiada num pão pré aquecido e com muita mostarda. Isso! Tipo cachorro quente mas, gigante e com o sabor do Tarik.

minguito1.jpg Minguito

Depois combinar com a malta e seguir o rumo do Marítimo da Ilha, Clube do ferrovia, Casa das Beiras ou do Minho no Largo Serpa Pinto ou no Sporting Clube da Maianga com as garinas mais lindas do planeta. Lá estava a família Araújo sentada no palanque de convivas vendendo empatia a quem viesse… E, vinham sorteios do par mais simpático, da rainha do baile com votos de canudinho, prendas ou leilões por vezes e… As meninas sentavam-se em cadeiras dispostas em mesas e nós os gandulos da farra dávamos um toque de farpela, um piscar de orelhas, um puxar de colarinho e a noite escorria numa felicidade perdida…

minguito2.jpgGlossário

Kinambas – pernas; Bingo - a sorte grande da roleta; Girafa – copo grande e esguio de cerveja; Canhângulo – copo tubular e alto com cerveja – como se fosse um cano estriado duma arma tipo pederneira, assim de carregar pregos e limalha para amaciar, como um antigo arcabuz; Pata – copo com forma de pata grossa de elefante; Luua - Luanda; loando – esteira feita de papiro (loando do rio) atado com mateba; espigadissamento - fusão de espiga com astucia; Garina – moça, menina jovem já quase mulher; Tarik – Dono do Baleizão (alcunha, creio!); Estilo ninita – uma banga de puxacarrijoduro (tudo junto), um jeito de calcinhas fazer estilo tipo pavão; Mulola – Linha de água de leito seco, que só é rio quando chove; Sbell – Wisky da Catumbela; Old Spyc – cheirinho cheiroso…

(Continua…)

Recordando o Século Kota Mwata Luís Martins Soares

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:20
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Quarta-feira, 4 de Setembro de 2019
MU UKULU – XXIII
MU UKULU... Luanda do Antigamente 03.09.2019
FEROMONAS DA VIDA - Saber do passado para melhor se entenderem coisas do futuro...
Por

soba0.jpeg  T´ChingangeNo Alentejo do M´Puto

luis0.jpg Luís Martins Soares – Falecido no Brasil em Julho de 2019 - (São Paulo)

Mu Ukulu59.jpg Continuando nas recordações em forma de ongweva, surgem com um MU de Mutamba, um MU de antigamente ou um MU de árvore a saga “Pombalina” levada até Angola, colónia na governação de D. José I tendo como Primeiro-ministro José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. O Capitão Geral de Angola Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho a mando do Marquês de Pombal e, na qualidade de governador introduz reformas da maior importância naquele território ultramarino esquecido.

Convém recordar aqui que o título de Marquês de Pombal foi instituído por Decreto do Rei D. José I de Portugal a 16 de Setembro de 1769 a favor de Sebastião José de Carvalho e Melo, 1.º conde de Oeiras, diplomata e primeiro-ministro de Portugal. É este grande estadista, comentado por muitos como tal mas, e também, contestado por muitos, que nomeia Inocêncio de Sousa Coutinho como Capitão Geral da Colónia de Angola.
 
E, é com esse seu mandante que começa uma nova política para a Colónia. Por motivos outros adversos, este embalo de visão nova, não teve a continuidade desejável mas e, entretanto este fez melhorias aos acessos às feiras existentes criando as novas feiras do Galo, Bimbe, Calandula (onde se situam as quedas do Duque de Bragança ) e Encoje.

Mu Ukulu58.jpg Foi já dito que Luanda vivia exclusivamente dos produtos que vinham rio abaixo. A cidade possuía poucos poços rasos (denominados cacimbas ou maiangas) de fracos rendimentos e água um tanto de sabor salobra. No bairro da Maianga existia um poço a que se lhe deu o nome de Poço do Rei, poço que ainda está de pé, mas vetado ao abandono entre um desadequado caserio de casas sem os requisitos modernos de habitação.

Pelo que se sabe é um recanto de abandono depósito de dejectos e demais porcaria avulso - um total desrespeito ao património que se pretende preservar. Uma nítida desatenção das gentes do mando e, que só se pode entender como um absurdo sem as políticas correctas de reordenamento e enquadramento ou requalificação urbano da Luua. Aqui e ali gente da diáspora, mostra as modernidades da banga, sem a requerida sensibilidade para o vasto e rico património legado a custo zero pelos Tugas.
 
Por maus enquadramentos e desaforadas medidas, Luanda já não tem solução; é um amontoado de prédios que para além da orla marítima são em verdade um desconjunto de boa prática urbana. Esta insensatez só é visível quando chove, quando faz vento ou quando a merda dos musseques, vem lamber os citadinos e gente que sempre se esconde num “talvez, haja esperança”. Em resumo, naqueles idos tempos e após o aterro da lagoa do Kinaxixi, a cidade era árida, recebia muita água de fora, dos rios Bengo e Cuanza. As chuvas em Luanda eram e continuam a ser escassas e mal distribuídas.

Mu Ukulu53.jpg O Capitão Geral de Angola Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho cria as fábricas de cordoaria, estabelece o presídio de Novo Redondo (Sumbe), capital da província do Kwanza Sul, a mesma que se tornou conhecida ao Mundo por ter sido a cidade aonde o eclipse do Sol, durou mais tempo - foi em Junho de 2001. Foi criada a manufactura de carnes secas, couros e sabões com fábrica situada junto ao antigo Baleizão e prédio Tarik.

Finalmente, o empreendimento estrelado que marcou sua governação: a criação da fundição de Nova Oeiras, na confluência do rio Luinha com o rio Lucala (a 5 km a leste de Cassoalála). De aqui, chegou a ser extraído ferro, e exportado para a Metrópole, com grande sucesso; algo admirável para esta época – O primeiro empenho na construção maciça de ferro em toda a África. Chegaram a trabalhar nas minas 400 africanos “livres e sem constrangimento” segundo o dizer de Sousa Coutinho.

Mu Ukulu50.jpg Um dos muitos méritos de Sousa Coutinho foi o de ter acreditado na potencialidade dos africanos, tendo escrito: «… Sempre os negros trabalharão o ferro das minas de Nova Oeiras e dos muitos outros lugares do mesmo reino em que as há, e jamais comprarão algum ferro da Europa para as suas obras e serviços; e têm tal propensão estes povos para aquele trabalho que sobre os muitos fundidores ferreiros que conservam nas suas libatas ou povoações têm uma grande veneração pelo seu primeiro rei porque foi ferreiro, e finalmente toda aquela vastíssima região se serve do seu ferro, que jamais comprou algum aos nossos europeus…». Quem faz por esquecer isto, terá de ser apodado de hipocrisia!

Para esta fundição, um embrião de uma futura siderurgia, se continuada, foram para Angola quatro mestres de fundição, vindos do Brasil mas oriundos da Biscaia. Tiveram fins prematuros: um ano depois da chegada tinham falecido todos. Chegaram em 3 de Novembro de 1768, a 6 de Dezembro morre José de Retolaça, devido a exageros alimentares segundo o laudo mortuário, a 8 morre Francisco Zuloaga e a 29 Francisco de Chinique o chefe dos mestres. O último, José Echevarria veio a morrer um ano depois.

Mu Ukulu52.jpg A REAL FÁBRICA DO FERRO DE NOVA OEIRAS foi o maior empreendimento industrial do seu tempo na África. Deve-se ao governador e capitão general de Angola D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho (de 1764 a 1772 no cargo) a obra, uma antecipação ambiciosa para a sua época e, quando os meios técnicos eram ainda incipientes. Procurou com a exploração do ferro, reestruturar a economia de Angola de modo a poder dispensar o tráfico de escravos.

Foram nesse então, criados meios de trabalho e rendimento locais que supriam o recurso forçado a tal exportação. Os que se lhe seguiram, quiseram as mordomias que curiosamente os mwangolés actuais praticam (estamos em 2019). Para que conste, Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal e Conde de Oeiras foi um diplomata e estadista português de vulto. Foi secretário de Estado do Reino durante o reinado de D. José I, sendo ainda hoje considerado uma das figuras mais controversas e carismáticas da História Portuguesa. Angola teve o seu quinhão embora os vindouros Lusos e mwangolés os tivessem esquecido; talvez por ignorância!
(Continua…)

Mu Ukulu57.jpg

Recordando o Século Kota Mwata Luís Martins Soares

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:21
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Segunda-feira, 2 de Setembro de 2019
MU UKULU – XXII

MU UKULU... Luanda do Antigamente – 02.09.2019

FEROMONAS DA VIDA - Saber do passado para melhor se entender o futuro... Sousa Coutinho, por via do Ministro de D. José I,  começa a olhar para Angola com uma nova visão quanto ao seu desenvolvimento...

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Alentejo do M´Puto

luis000.jpg Luís Martins Soares – Falecido no Brasil em Julho de 2109 - (Rio de Janeiro)

ango0.jpgAleatoriamente, abro o livro do Mu Ukulu e, aqui e ali as recordações na forma de ongweva surgem com um MU de Mutamba, feita árvore com nome de praça “rua larga e areosa” com machimbombos ou, na forma de lembranças “da Luua do antigamente”. Aqueles tempos em que Luanda ainda tinha Assunção no nome com mais de quatrocentos anos, eram de um trágico marasmo, mesmo admitindo a breve presença holandesa entre 1641 e 1649 que por ali se estabeleceram aproveitando, também, “o manancial” escravista.

Os holandeses não levavam propósitos libertários e nada acrescentou à economia angolana a não ser deixar uma prole de gente com nome menos vulgares como os Van Dunem. Eles também queriam escravos para as suas possessões em outras partes do Mundo. Os portuguese tiveram assim de se refugiar no Rio Kwanza, fortaleza de Massangano que tiveram de construir na sua margem direita. “Aqui se retempera a Alta-Lusíada” escreveria um jornalista angolano.

muxima1.jpg Mas, pulando no tempo, eis que em 1764 há uma mudança brusca com a chegada de um novo governador-geral. Em Junho desembarca o Capitão Geral de Angola Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho a mando do Marquês de Pombal, “Primeiro-Ministro” em Portugal, a Metrópole. Sousa Coutinho era da família dos Condes de Redondo, trineto de Fernão de Sousa. Redondo é um concelho próximo de Évora. A cidade de Sumbe, cujo nome antigo era Novo Redondo, foi fundada por Sousa Coutinho e, daí o nome em homenagem ao seu fundador.

Recentemente estive em Cuba do Alentejo revendo no local as pegadas antropológicas de Cristóvão Colombo que ali nasceu e, pude verificar terem saído desta região de Portugal gente que permanece na história hodierna por via de seus feitos; entre estes está Inocêncio de Sousa Coutinho, conhecido como o “Pombal de Angola” e, ali chegado, de imediato executou os seus objectivos: Ocupação sistemática da costa entre os paralelos 14º e 18º Sul, com reconhecimento do Cabo Negro - até esse então, só existia ocupação até à latitude de Lucira (14º 30´Sul), ao norte de Moçâmedes.

moça2.jpg A nova “borda mar”, bombordo pretendida por Sousa Coutinho, dizia respeito à célebre Costa dos Esqueletos e abrangia uma faixa que ultrapassava a foz do rio Cunene, faixa que hoje pertence à Namíbia; os portugueses não tinham meios e gente para tão grande e exaustiva tarefa de ocupação. Já se tinha conhecimento da foz do rio Cunene, através dos relatos de um frade capuchinho de nom Cavazzi, que viveu em Angola por volta de 1678.

Portanto, só a partir da ida de Sousa Coutinho e, por via do Ministro de D. José I, se começa a olhar para Angola com uma nova visão quanto ao seu desenvolvimento. Bem! Logo a seguir foi votada de novo ao quase esquecimento e, até aos anos de 1885 quando da Conferência de Berlim. Preocupou-se na facilitação de colonos nos planaltos de Bié e Huíla, provenientes de Açores, Madeira e Brasil. Pouco ou nada se conseguiu porque as doenças dizimaram os poucos colonos que para lá foram. O actual Sumbe era até conhecido pelo  “Cemitério dos brancos”...

coutinho1.jpg Tinha também o propósito diminuir a exportação de escravos com melhoria nas condições de transporte destes. Foi o único Governador a proibir a guerra do kwata-kwuata (Agarra-Agarra), mas infelizmente mal virou costas, recrudesceu com mais ferocidade. A guerra do Kwata-Kwata era feita pelos caçadores de escravos que mandavam os seus sequazes agarrar tudo quanto fosse possível de escravizar. O próprio gentio escravizava-se entre eles, normalmente por via de aprisionamento das guerras entre tribos. E um facto ainda bem conhecido nos dias de hoje quanto se dá ordens a um cão para agarrar algo com a fala de kwata repetida.

coutinho2.jpg Criar incentivo à imigração estrangeira para substituir as levas de degredados que não cessavam de chegar do M´Puto e Brasil; também a criação de uma agricultura auto-suficiente. Devido à ausência de vitaminas, presentes nos vegetais e frutas frescas, em Luanda morria-se com escorbuto - uma doença comum nesse então, por não haver o hábito de come frutas e legumes frescos. Surtos normais nos embarcados em caravelas por ainda não existirem os métodos modernos de conservação pelo frio. Não obstante era possível cultivar todos os géneros alimentícios nas margens dos rios como o Kwanza, o Bengo  entre outros.

massangano1.jpg Estabelecimento de grandes armazéns de víveres para eliminar os ciclos de fome que atingiam a capital de Loanda, um ancestral formato dos Armazéns do Povo após a independência dada pelo MFA em 1975 ao MPLA (Movimento de Libertação de Angola), à revelia dos outros dois Movimentos e grande parte da população de regiões para além da grande Luanda com kwanza Icolo e Bengo na linha da frente.

kwanza1.jpg Também o desenvolvimento industrial local com extracção de enxofre (Benguela) cobre, sal e salitre e, talvez prata e ouro, que nunca apareceram mas, que se dizia existir nos rios Lucala e kwanza. Os diamantes e petróleo por desconhecimento ainda não tinham a cobiça do mundo, nem tampouco a importância do Nióbio entre outros minerais de características especiais em uso nos aparatos de aviação espacial e na comunicação. Construção do hospital de Luanda, edifício da Alfandega, Terreiro Público e fortaleza de Benguela.

(Continua…)

Recordando o Século Kota Mwata Luís Martins Soares

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:22
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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2019
XIPAMANINE . III

Vuzumunando a vida no Xipamanine – 3ª Parte

Moçambique - A diáspora lusófona28.08.2019

Escrito em Johannesburg a 10 de Fevereiro de 2005 – Reconstruido em Agosto de 2019

Por

soba0.jpegT´Chingange . Em Panoias do M´Puto

mano corvo.jpg Estava quase a chegar ao N´dumba Nengue quando um desempoeirado polícia vestido supra numerário a caqui azul e cinzento bamboleando o cassetete fez parar o carregador do t´xova xitaduma, Juka Lilás : -Que levas aí nesses garrafões camarada? Perguntou, sabendo de antemão que aquilo só podia ser água de defunto. Falava só de camarada porque assim recordava seus muitos dias passado na mata, na luta da libertação; por respeito mesmo.

Nos entretantos da averiguação o polícia queria mesmo adquirir aquela água milagrosa para adormecer a menina Josefa, já feita mulher e, de muitos atributos que lhe espicaçavam vontade. Era mesmo um costume dum pré alambamento, dos homens macho que tudo imaginavam para conseguir seus pacifistas fins - fazer amor. A vida sempre tem por detrás das calamidades de cada um, estórias fosseis feitas trilobites que por vezes aparecem e desaparecem em sonhos.

cipaio2.jpg Foi o que aconteceu neste caso do polícia Pancrácio da Silva a quem todos chamavam de Montanelas sem ser muito difícil saber dos porquês… Josefa desconfiava que isto bem podia acontecer com ela pelo que andava remexendo com sua tia Zéfinha um milongo de virar em luar as profecias negras que os búzios apontavam. Ché, num brincas, a vida não é para ser desperdiçada assim só átoa.

Ela que só desconfiava, nem queria nem deixava de querer mas e pelo sim pelo não tinha um preparo de milongo metido numa massala. Se porventura fosse atacada de supetão num agora estás lixada que te apanhei, ela sim que acederia a ele, esse tal de supranumerário polícia saído das matas e com a cabeça deslocada nas partes mais baixas de seus considerandos. Comigo estás mesmo maning de lixado.

Pois! Sim senhor que vou contigo para a cama mas, tinha um mas: - na condição de ele, autoridade, esfregar seu coiso com aquele milongo! O seguro morreu de velha; sim! A qui o seguro era uma velha estratégia simplificada no feminino. A razão com desculpa e entretantos, era de que tinha medo de sida, uma doença feia que por ali circulava com medo e que podia até levar à morte lenta! Uma moda bem corriqueiramente perigosa. Josefa na recusa permanente de curtir luar de janeiro porque não era gata de se entregar assim átoa para um qualquer sem prévia condição reflectia-se.

muralha7.jpg A ele, com a manobra de conquista difícil, só lhe deixava esta saída, usar o dormente dos espiríticos quânticos de água de lavar defunto ao redor de sua casa e de sua tia Zéfinha; Cubata meia chapa de zinco, meia bambu e paus chinguiços chapiscados de lama com palha e bosta de boi com cobertura de palha grossa do rio Limpopo.

Ele, Pancrácio da Silva, o supranumerário polícia, coisou daquele jeito jeitoso e teve até uma catrefada de filhos. O milongo da tia Zéfinha pegou mesmo e colou num amor muito fornicadeiro e, é agora, envolto numa nevoa de velhice que recorda os fenómenos de sua vida com pequenos prazeres e tudo a partir daquela água que regou um amor defuntado; água comprada por alguém que não ele, no Hospital José Macano. Ele sabia mas na condição de polícia tinha mesmo de abusar na sua reputação com baixo custo.

mucua9.jpg Nunca teria imaginado que tudo seguiria um rumo nunca por ele determinado. Já aposentado vai fazendo uns biscates ajudando o monhê indiano da loja na distribuição de produtos delicados. Estava de serviço extra lá na rua que dá para o Hotel Polana, Avenida Tenente General Osvaldo Tanzana, e depois que me trouxe uma caixa de Mac Mahom – 2M, cerveja fresca e uma dúzia de ovos aconteceu contar tudo isto num despois de lhe dar uma gasosa bassela, feita gorjeta.

Nesta estória simples de meus escritos, refiro-me por vezes a vidas periféricas em função dum estado de dependência, a vivências diferenciadas, conceitos entalados pela semântica no uso do uso e da palavra sobrevivente que sempre muda. Se não se levar em conta o meio, o tempo e o local na qual se vive ou se viveu, ficar-se-á exposto a equívocos e, quando é mais abrangente notar-se-á falas e linguajares com trejeitos locais… Pancrácio da Silva tinha sido um guerrilheiro da Renamo; nunca passou de polícia, só de cassetete…

moc3.jpg É necessário ter em conta os costumes no carácter dos povos que influem sobre as línguas. O sentido verdadeiro de certas palavras escapar-se-á sem este conhecimento. Em um certo tempo é uma coisa e passados anos, tudo mudou. De uma língua a outra, com linguajar de dialecto a mesma palavra tem mais ou menos energia, pode ser uma blasfémia ou uma injúria em uma e, não significar o mesmo em outra e, segundo a ideia que a ela se atribui. Os mitos têm muita força e quando se entra em superstições, não há entendimentos plausíveis.

Na mesma língua e, em países diferentes, certas palavras perdem seu significado alguns anos ou séculos depois. Uma tradução rigorosamente literal, não exprime sempre na perfeição um certo pensamento! É necessário por vezes empregar, não as palavras correspondentes, mas palavras equivalentes ou perífrases. Posso citar as muitas interpretações do livro maior chamado Bíblia mas, não quero ir por aqui metendo-me voluntariamente numa guerra de palavras canibais. Sabe-se que a língua hebraica não era rica e muitas das suas palavras tinham vários significados. Estou-me a lembrar do termo camelo que naqueles idos tempos se designava a um cabo (fio entrelaçado).

paulo7.jpg Glossário: Vuzumunando – contemplando, zurzindo; txova xitaduma - carro de mão - (Moçambique); Xipamanine – mercado; massala- Fruto de casca dura, maboque, maning ácido; maning – muito; boé - bom; mufana – rapaz, jovem; mafureira – árvore, o mesmo que mafumeira; bafunfar – dar-se ares, importante; cakuana – avô; madala – homem idoso; chicoxana – ancião com sabedoria, século (Angola); bassela – gorjeta; Ndumba Nengue – feira da ladra, confiar no pé e correr (produto roubado), maleita da descolonização; xipefo – candeeiro; bicuatas – tarecos (Angola).

Escrito em 10 de Fevereiro de 2005 – Reconstruido em 28.08.2019

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:25
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Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
MOAMBA . XXXII

PELO SIM PELO NÃO SOU "LENDA" - 21.08.2019

- Talvez as pessoas dos governos estejam a encher os bolsos, mas os políticos em África enchem sempre os bolsos! São os maiores…

Por

soba15.jpg T´Chingange - Em Panoias do M´Puto

lifune0.jpg Minha empregada Mery de Kampala é esperta, diligente e ladina como as raposas. Tem o seu clã que não é só familiar, pois abrangem os sobrinhos dos sobrinhos e amigos que consideram do peito. Alguns têm tentado fortuna em países limítrofes dos dela mas, o que contam por vezes é assombroso; andam em minas de metais raros para nós usarmos aqui e ali mas mais na Europa e Américas, nos iPad, andróides, sansungues e outros micro-ondas falantes, aonde quem não tem pelo menos dois, está desactualizado ou desmilinguido. É mesmo, falei! -Talvez por isso muitas pessoas dos governos de lá estejam a encher os bolsos, dando contractos de exploração onde há escravidão não é?

Sim! É verdade! Disse isto porque torci o nariz meio descrente da veracidade ao que repetiu: -Os políticos em África enchem sempre os bolsos, disse ela… Em todo o lado? Perguntei. Ela continuou assim com suas falas rápidas como quem, até tem medo da sombra das palavras e num foi dizendo ao seu jeito num claramente de que o africano foi é e vai ser sempre assim, quando é rico, é-o à fartazana, à lagardere, faz questão de que se saiba; compra coisas à toa só para fazer isitayela! Isso é o quê? É banga, vaidade com estilo – quase um tique geral de quem manda ou tem poder.

torres5.jpg Notei que ela a Mery estava mesmo nevosa e falou rápido coisas que nem entendi; coisas da língua dela: - Unembile, umphathi! Bona abavela kuhulumeni badla inkukhu futhi bathumele amathambo kubantu! Caramba, troca-me isso em miúdos. Pouco a pouco fui entendendo desta forma: - É assim mesmo patrão! Eles do governo comem a galinha e mandam os ossos para o povo! Nem fiquei embrutecido porque já sabia muito bem o que isso era e, neste entretanto notei que também tremia dos olhos, de raiva por nada podermos mudar. Deve ser do ADN deles!?

-Lá em teu kimbo, cada um vive das coisas extraídas das lavras, da t´xitaca, das hortas da mulola, da ñhaca, das galinhas e dos ovos e do porco que cria e mata!? Num fala assim patrão, meu coração está a bater com força. Fiquei só assim neste entretanto de conversa. O riso ainda me voa dentro do peito como um passarinho. Qualquer dia dão-lhe uma fisgada, patrão! Pópilas, não sou teu patrão! Ficamos assim mesmo com o futuro a prender-nos ao passado, pois, ganhando massa muscular…

Li em uma reportagem da «Time-revista» aonde revela que a função «vibrar» dos telemóveis é activada pelo uso de um mineral chamado wolframita, que é extraído na região do conflito que decorre no Congo; lá para as tuas terras. Um conflito que, é financiado pela exportação de metais usados em produtos tecnológicos de ponta; empresas multinacionais estão a proceder ao comércio de minerais, que estão a financiar a guerra na República Democrática do Congo e os “boco harans” para desestabilizar, ter os materiais a preço de uva mijona. Meus primos falam isso sim! Eles, os africanos bem ao seu jeito, vivem sempre pedindo mas, vão dizendo que os brancos sempre fingem que são o que não são!

chela4.jpg É por isso que tem muita maka! Tem os senhores da guerra, os intermediários, os compradores internacionais e nós que os usamos! Verdade, disse ela com os olhos húmidos. As ONG´s asseguram que, quando chegam à posse das tecnológicas, estes minerais podem já ter trocado de mãos até sete vezes com todos a ganhar. É bem possível que o leitor, ao colocar seu telemóvel no modo de vibrar, está usando esse tal de wolframita, originário da zona de conflito, lá aonde financiam essas guerras sangrentas que as televisões nem falam.

Todos andam a corromper uns aos outros, pedir favores em troca de favores e assim vivem, todos favorecidos. É isso digo eu - é a corruptocracia, talqualmente como no Brasil do Lula, Mary! O problema mesmo é que, neste favorecimento, uns vivem mais favorecidos que outros! Sabes, agora é isto, um de fazer-de-conta? Mas o wolframita não é o único mineral de utilização tecnológica com origem no centro do conflito e seu financiamento. Cassiterite, coltan, Nióbio e ouro que também são extraídos na região.

amazonas8.jpg Uma lista de minerais usados para os mais diversos fins, desde as vulgares lâmpadas eléctricas até os portáteis computadores, MP3 e consolas de jogos. Não demora, se Bolsonaro não abrir os zolhos, estarão no Amazonas do Brasil! Depois virá a luta entre os HP, Dell, Nokia e Motorola mais esse tal de Sansung duma lista ainda mais comprida. Depois esta gente do trabalho duro, ganha uns tostões e foge para a Europa e também para o Sul formando cidades em volta de outras cidades. As chamadas “townships”.

cabo01.jpg Eu vi, ninguém me contou: A poucos quilómetros das belas paisagens que transformam a Cidade do Cabo em um cartão-postal da África do Sul, ficam localizadas as “townships” sul-africanas. Elas cresceram de maneira desproporcionada após o início do Apartheid, em 1948, quando receberam milhares de negros, mulatos e indianos expulsos de suas residências. Há diferentes tipos de townships; algumas misturam raças com muitos indianos Monhês, Sirios s até Libios e outras reúnem apenas tribos específicas. O mundo está uma ervilha Mery!

arara1.jpg Esta gente em comum compartilham a miséria e a hostilidade aos sul-africanos brancos, funcionários despedidos bóhers e outros marginalizados no tempo pela acção afirmativa do ANC – dar primazia de trabalho aos negros. Mas temos disto ao redor do Rio de Janeiro, ao redor de Lisboa, Paris e aonde tu possas imaginar – Uma cidade grande com gente que ganha cumbú e emprega gente desfavorecida, tal como uma moderna escravatura aceite por todos! Olha vou ter de me encontrar com o John Wayne para ir desbundar ao festival de Paredes de Coura! O M´Puto está em crise mas só falam em festivais e, todos cheios… Isto vai dar prótorto… Dei um abraço a Mery e fui seguindo no pensamento…

O Soba T´Chigange

 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:58
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Terça-feira, 20 de Agosto de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXVI

 

O LIVRO ESCOLHIDO:

13 – HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho ... 20.08.2019

Por

soba24.jpg T´Chingange - No Alentejo do M´Puto

Livros em cima da mesa da cabeceira

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil.

11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassumal.

12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

booktique20.png… De epílogo em epílogo sigo-me como um sonho que ora está no M´Puto, ora está em Angola, em África, ora está na Pajuçara do Brasil lambendo as águas como quem lambe o tempo. Mas, em tempos idos, passei seis anos na Venezuela – Havia pleno emprego na governação de Andrés Peres. De tempo a tempos recomeço nos antigos trilhos dando-me mais tempo para beber a minha estória e, com ou sem profundidade, recordar alguns relâmpagos da minha lenda…

Com o tecto do sótão a se desmanchar, renovando tubos oxidados, regando o jardim com cravos túnicos e verduras cheirosas, reinvento isto e aquilo reformulando-me também no visual com chapéu saído da Namíbia e, ao jeito dum guerrilheiro do Calai, do Dírico, Mucusso ou Rundo bem à margem do Okavango recordando meu amigo Sam Nujoma. Lavo grelhas, pois é tempo de me atazanar com os remendos enjorcados a lembrar o pátio da tia Anicas e mudar a estética, retirar as bikuatas do pátio Andaluz sem uso que só juntam ratos. E assim, com tudo limpinho, apurar-me no assar das sardinhas que pingam na brasa apurando o sentido da gula. Aconteceu!

cuba 0.jpg Hugo Chaves era em seu tempo de presidente uma decepção para as pessoas que o rodeavam; assim o percebiam mas ninguém ousava abordar, comentar em cochichos porque esse, era mesmo um grande risco! Nos círculos próximos de conversas pseudo-palacianas, especulava-se a medo os motivos. Quase todos apostavam em uma tese de que o Presidente sempre se expunha em demasia transformando a política em um circo; no seu caso ultrapassava em muito, os limites toleráveis duma diplomacia a valer. Já todos o viam como um palhaço esbracejando em bolas de sabão invisíveis.    

Como é que alguém lhe poderia dizer, mesmo sendo terapeuta, que era feio deitar gases peçonhentos por via de sua flatulência frágil ou duvidosamente desclassificada ou até arrotar sem medir os decibéis certos de sua arrogância com laivos de droga energética. Para alem de ter chamado “Diabo” a Bush – presidente dos USA, fez comentários racistas e, ou conotações sexuais sobre a Secretária de Estado Condolezza Rice. Afrontou os parlamentares brasileiros chamando-lhes “papagaios dos americanos” por via de uma manifestação no Congresso Nacional em Brasília.

alema11.jpg Tudo, pelo facto daqueles parlamentares terem condenado a Venezuela com voto de censura – Tratava-se das restrições impostas por Venezuela ao trabalho da imprensa promovida pelo chauvinismo destes. Os brasileiros não quiseram deixar em claro o desagrado ao trato excessivo e abusivo de uma causa injusta fechando canais de televisão e rádios e encerrando jornais que sempre se tinham mantido até aí isentos aos cambalachos, arranjinhos e geringonças do governo de Venezuela.

Passei quase seis anos nessa terra trabalhando na Barragem Raúl Leone do Guri entre os anos de 1977 a 1982; uma gigantesca obra situada no Rio Caroni, um afluente do grande Orinoco. Tive a felicidade de ter como Presidente um senhor de alta postura, um verdadeiro estadista chamado de André Peres, antecessor ao Herrera Campins e a este ditador chamado de Hugo Chaves. Nesse então Venezuela era um paraíso, havia pleno emprego, paz e harmonia.

chaves0.jpg Naquele lapso de tempo, pude presenciar haver para além de pleno emprego, uma razoável senão boa qualidade de vida para a maioria do povo. Sentia-se isso em Caracas, em Ciudade Bolivar e nos demais estados. Meu trabalho era o de projectar e implantar estradas por toda a Venezuela e pude ao serviço de uma empresa de donos italianos, constatar isto desde Maracaibo perto de Colômbia até Roraima, na fronteira Norte do Brasil. Convém dizer aqui que fui para a Venezuela através do CIME.

CIME – Comissão Internacional de Migração Europeia. Estes anos de Venezuela foram o TOP na minha carreira de Topógrafo – Geómetra. Passei agruras mas, ganhei bom dinheiro e bastante experiência naqueles matos infestados de cobras, crocodilos e muitas iguanas. Nesse então existia a televisão CANTV e a RCTV que por serem incómodas ao governo de Hugo Chaves foram simplesmente fechadas. Este paranóico senhor não se cansava de tripudiar seus pares Latino-americanos como se fosse um Guru destes! E estes, logicamente, não lhe batiam palmas! Viu-se logo que tudo iria dar para o torto.

dracma6.jpg Em Novembro do ano de 2007, alvoroçou a Cúpula dos países Ibero-Americanos chegando ao ponto de o Rei D. Juan Carlos I de Espanha o mandar calar com a frase que ficou célebre: - “Por quê no te callas?”. Esta reprimenda proferida contra Chaves tentava impedir que o 1º Ministro espanhol José Luis Zapatero, defendesse o seu José Maria Aznar, por via das agressões proferidas e, de modo pouco cordial pelo Venezuelano Hugo Chaves! Suspeita-se que se tenha drogado para além do admissível (sendo ele um próximo aos senhores da droga, nada será de admirar…)

Tento ser o mais verdadeiro quando falo do ontem e no antes de anteontem, mesmo sem consultar qualquer terapeuta, nem ter uma qualificação de escritor. Aquela intervenção de Hugo – El Presidente levou a que na forma reservada tivesse dito algo contra o Rei D. Carlos I : “Quién piensa este viejo lo que és? E, acrescentou: - Olvida que fue Boolivar quien nos hizo libres? Seu aprumo ficou bem presente nas imagens que uma grande parte de nós viu em directo! Um palhaço arruaceiro sem jeito de líder dum povo. O tempo veio a provar que assim o era.

luis17.jpg Hugo Chaves, o narcotraficante e consumidor dessa erva  ditou um futuro negro para a Venezuela financiando o terrorismo assombrando seu país e  Mundo. E, Porque era que Lula e Dilma lhe deram tanta cobertura, tanto apoio!? É já a seguir! Chaves quis mudar o Mundo e, conseguiu. Tudo ficou muito pior! Seu sucessor de nome Maduro já conseguiu que mais de quatro milhões abandonassem o país para os vizinhos, Brasil e Colômbia.  A crise na Venezuela é apenas a face mais evidente de uma rede de organizações políticas e criminosas criadas ou alimentadas por Hugo Chávez e, depois Maduro como parte do seu sonho em desenhar uma nova ordem mundial. A explosão da violência na América Central e no México até ao financiamento de organizações terroristas como o Estado Islâmico.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:46
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Quinta-feira, 15 de Agosto de 2019
CAFUFUTILA . CXXVII

TEMPOS QUENTES – NO PARALÉM

- EM PANOIAS COM JOHN WAYNE15.08.2019

O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios; de novo, John, surge para visitar seus parentes como se nunca daqui tivesse ido – Uma fricção diferente…

Por

soba0.jpegT´CHINGANGE – Em Panoias do M´Puto.

para0.jpg John Wayne - Seu verdadeiro nome era Marion Michael Morrison. Ele detestava seu nome e ao entrar para o cinema mudou-o para John Wayne, que tinha mais a ver com um rapaz de 1,92 de ventas largas. Surgiu com destaque no cinema em 1930 em The Big Trail, faroeste dirigido por Raoul Walsh. Permaneceu vários anos estrelando filmes B até consagrar-se no papel de Ringo Kid em Stagecoach, clássico de 1939 de John Ford. A carreira de Wayne foi assim agraciada com esse divisor de águas inestimável, que o lançou ao estrelato. A relação com Panoias é mesmo só uma lenda. Esse filme tornou-se a obra que definiu todas as principais características do faroeste norte-americano.

Longe vai o tempo em que que eu e minha malta da Maianga, Vila Alice e Bairro do Café da Luua íamos ao cinema Colonial em São Paulo para gozarmos as cenas que se passavam dentro da sala de espectáculos. Todos fazíamos parte duma qualquer aventura que este astro levava até nós na pantalha gigante deste ou outro qualquer cine. Aqui era diferente, havia beatas feitas piriscas pelo ar para festejar cada uma das victórias deste nosso amigo fosse em duelos ou atrás duma bissapa aguardando em tocaia os vilões, ladrões de vacas.

Para além das piriscas havia avisos ao grande ídolo Wayne; Quando em surdina um bandoleiro com fúsil longo ou curto o queria apanhar, todos nós o avisávamos da tocaia: - Olha à tua trás! E, sempre ou quase sempre ele, virava-se com o revólver engatilhado e Pum, pum! Por vezes era sua Winchester que ele suportava entre os dois braços – o mauzão caía ali esparramado, gritando tardiamente o may good  e, nós… Eu bem que lhe avisei e, num eu avisei primeiro, não! Fui eu! - Passava a outra cena e a festa continuava. Nós, candengues da Luua tinhamos essa peculiar cultura do cinema…

mess7.jpg Aqui em Panoias, saí de mansinho da rua vinticinco do abril dez minutos para as sete; o silêncio rondava o lugar do Paralém e, nem o cão rafeiro da rua do Outeiro me ladrou, procedimento incomum, talvez por ser cedo ou por não querer mostrar seus caninos cariados e, voltei à esquerda na rua pisando o asfalto meio quente dos 33 graus, casas caiadas com barras azuis muito a condizer com o Paralém de Messejana, famosa por uma praia que nunca teve.

Passando o lugar aonde os tabaibos dão lugar aos eucaliptos cheiro as horas da manhã, batiam as sete badaladas no sino da igreja da Misericórdia, estando eu em frente do chafariz construído num ano em que quase estava para nascer mas que já não tem água - 1945. Via-se ao longe a ermida da Nossa Senhora de Assunção mas, meu destino era a Funcheira, o lugar da estação ferroviária e, aonde iria receber meu amigo da Luua, famoso John Wayne do Colonial, paredes meias com o B.O...

Pude ler no cruzamento que liga a Conqueiros um cartaz da CDU mencionando uma próxima festa do Avante na Atalaia e fazendo menção do PCP com uma estrela, uma foice e um martelo, e o PEV com um girassol. Eram coisas passadas que o muro exibia com agrados de comunas, socialistas e afins… Ouvi do lado sul e lá longe uns barulhos de petardo ecoando nos cabeços, talvez avisando da festa de Santa Luzia ou Garvão. Não seriam caçadores porque sendo hoje dia de Santa Maria os arcabuzes ficam trancados no mukifo dos fundos.

panoias5.jpg Um zumbido no ar e olhando o céu, lá estava o rasto dum avião nas alturas a caminho do Sul, Áfricas e, estando assim olhando o azul rasgado ouvi um convincente “Good Morning”… Como é possível, ele estar aqui e assim montado e tudo, estando eu a caminho da estação para o receber! Será ele? Estas coisas de gente que surge do paralém tudo é possível! Mas, que grande susto! Segundos antes não estava ali ninguém e, num repente, saído do nada ali estava o fulano vestido à vaqueiro com polainas, um autentico cowboy americano empanoiado de fantasma!

E, surpresa das surpresas… Ali estava este tal e qual John Waine, vestido como se aqui viesse fazer um western. Não te assustes, disse ele no seu jeito meio fanhoso: -Don´t be afraid! I heard gunshots and came to see!... Em inglês! E, perante o meu franzir de sobrolho continuou a falar, mas agora em português com sotaque de alentejano de Aljustrel, bem cantado e balouçado: - Foi quando falou: -Na minha anterior encarnação andei por aqui e venho agora matar saudades; tenho primos e afins mas quero que sejas tu a ajudar-me nos caminhos! É que isto está tudo bem diferente! Desta vez quero ir à tourada de Messejana.

panoias6.jpg Caramba! Num repentemente surgiu um puro lusitano a seu lado! Let's ride! Let´s let's go! Vamos, monta! Estava tolhido e, assim tremendo e com a sua ajuda pulei com alguma dificuldade para o lombo do lindo exemplar de cavalo com uma mancha branca na testa. E, lá fomos em direcção à Ermida de Nossa Senhora de Assunção… Foi neste entretanto que lhe dei a novidade de que recentemente roubaram os dois sinos grandes em bronze! Temos de procurar esses larápios, disse ele já espumando vontade de atirar. Calma, disse eu; isso já deve ter sido fundido e vendido! Isto está assim! Estás num M´Puto novo. A justiça anda de muletas…

panoias7.jpg Fiz um rodeio em direcção a Sargaçal porque sabia ir ali encontrar bois e, lá chegados vi o encanto nos olhos de John! Os bois com os rabos a dar e dar, um e outro lado afastando moscas enquanto a passo rápido se deslocavam da barragem de água para as gamelas de pasto com a suposta ração que nós lhe daríamos; pensaram que seriamos nós, seus cuidadores. Vou tentar reproduzir a imagem, o gado com crias seguiam o rumo da palha levantando o pó do chão, assim como uma mini boiada e mugidos de indicar presença aos bezerros e entretanto o moinho de vento rodando fazendo tric…tric…tric…tric…

mess01.jpg Nas palhetas duma pá desmazelada, o vento já riscava com sons de gonzos uma tabuleta que teimava em amachucar um outra torta chapa pelo chik…chuk…chik…chuk, vento de sudoeste que entretanto se levantou! Era mesmo uma cena dum filme e, se gozei na imagem dos muitos filmes que me alegraram, olhos colados ao grande ecrã! Sim, sou mesmo da geração do cinema, das matinés de ver gado despencando com pó, rifles, ladrões e tiros de colt de rodar tambor ou winchester. 

way0.jpg E curiosamente, o encanto não era só meu. John Wayne estava consolado! Sentia-se este mistério. A todo o momento recordava-me: - Já compraste o bilhete da tourada, desse tal de Rouxinol e dos Bastinhas mais os forcados de São Manços… Mas, como é que ele sabia serem estas as vedetas do dia quinze de Agosto!? – Tu nem necessitas de bilhete, disse eu! Notei por um muxoxo suave que só queria ter a sensação de estar vivinho da costa… Vou-vos dizer! Há coisas que nem contadas ao pormenor parecem ser verdadeiras, háka!…

(Talvez continue…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:31
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Terça-feira, 13 de Agosto de 2019
FRATERNIDADES . CXXII

ANDO ENKAFIFADO – 06.08.2019

“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para se dizer”. Cristóvão Colombo era um português de Cuba sim senhor!

Por

soba0.jpegT´Chingange – Na Cuba de Colombo, no Alentejo

Meus amigos, devagar que tenho pressa! Recordo-me de no acampamento aonde dormi com meu pai quando e como brigadeiro, trabalhava na construção da ponte sobre o Rio Lucala no grande país que então era a Província Ultramarina de Angola. De ter ouvido hienas a chorar e urros distantes de leões; relembro os bidons ao redor do acampamento contendo tochas de fogo pela noite para as afugentar no distante ano de 1954, teria eu meus nove anos.

cuba9.png Nisto de recordações acabo por chegar ao conceito de se escrever ao jeito de Graciliano Ramos! “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”. Com esse condão de elaborar um trabalho colocando no papel tudo aquilo que consegui observar na terra e nas pessoas, tentarei mostrar a sociedade actual, gente simples mas muito cheia de curiosidades. Foi um pouco a partir do nada que trabalhei a curiosidade ao descrever assuntos banais. E, fiquei também ciente de que o que toca a imortalidade é a obra e não o ser humano que perdura.

Afinal Cristóvão Colombo deu a volta ao Mundo! Suas cartas, reparos e pergaminhos devem ter ficado em um qualquer sótão que o tempo amareleceu. Vejam aqui tal ironia em seus procedimentos de honestidade, o estudo dos ventos e nós nos cordames das velas, das madeiras dos mastros e dos muitos segredos para justificar tanto sacrifício; longe estava de imaginar que numa parte deste mundo tanta gente daqui saída que agora se recorda com um Ginga Malaia, tradição trazida do Planalto do Sul de Angola pelos Xi-Colonos do Reino de Maconge; um reino que só existe em sonhos de candengues e, que no tempo se tornaram gente adulta…

Assim andei no meio de uma festa festejando a alegria, curtindo a juventude que resta, lembrando as farras do fundo do quintal da Luua, na Associação de Estudantes do Lubango e, vendo os netos dos amigos rodopiando em graçolas e risos contagiantes fingindo beber tinto e, terminando o engulo com um Plim-Plau. Assim deixando o tempo abraçar os cabelos grisalhos e os sulcos dos anos, a conversa começa do nada com um senhor na Tabena do Monte Pedral. Mais tarde seguiram-se as quase conferências nas tabernas do Arrufo, das Febras e do Lucas.

cuba4.jpg Nos últimos anos surgiram novos livros de investigação com a tese de que Cristóvão Colombo era português - de Cuba, no Alentejo - e não genovês, como conta a versão "oficial" da história. Será mesmo assim? O Núcleo de Amigos de Cuba e a Câmara Municipal organizam uma tarde de conferências no centro cultural da vila. Aqui, o luso-americano Manuel da Silva Rosa residente nos USA, argumentou que o documento aceite como testamento de Colombo, de 22 de Fevereiro de 1498, é falso.

Ora, este documento, sublinha Rosa, é o único em que Colombo aparece descrevendo-se como um tecelão de Génova. "Todos os outros documentos que falam de Génova são de terceiros", diz Manuel Rosa. "Há 200 ou 300 anos que os historiadores se apoiam neste testamento como prova de que ele era um tecelão de Itália – Um Genovês." Rosa, não está nada convencido desta tese, e explica porquê: um dia antes de morrer, a 19 de Maio de 1506, na cidade espanhola de Valhadolid, Colombo mandou chamar o notário e várias testemunhas para fazer uma adenda a um testamento que tinha feito em 1502.

Pedido a um morto - A adenda de 1506 ainda existe, no Arquivo Geral das Índias, em Sevilha; o testamento de 1502 é que já desapareceu. Em seu lugar, surgiu uma cópia do suposto testamento de 1498, apresentada por um Baltasar Colombo, cidadão de Génova, que dizia ser familiar do explorador. Afinal, estava a decidir-se uma das maiores heranças do mundo, no processo judicial que se seguiu à morte de Colombo. No testamento de 1498, Cristóvão Colombo pede a alguém já falecido, o príncipe D. Juan, filho dos reis de Espanha, que faça cumprir o documento, uma vez que o posto de almirante fazia parte da herança e eram os reis quem controlavam esses cargos.

cuba11.jpeg D. Juan morre a 6 de Outubro de 1497 - quatro meses e meio antes do testamento de 1498 ter sido escrito. "Se Colombo não soubesse que D. Juan tinha morrido, ficava a dúvida. Mas temos uma prova escrita de que ele sabia." Essa prova surgiu cerca de um mês depois da morte do príncipe: os filhos de Colombo, D. Fernando e D. Diego, tinham sido pajens de D. Juan, e existe o relato de um deles a dizer que o pai os enviou, a 2 de Novembro de 1492, para servir de pajens à rainha D. Isabel.

Portanto, conclui este historiador amador, Colombo soube da morte do príncipe pelo menos um mês depois e não iria assinar um documento três meses mais tarde a pedir a um morto para cumprir o testamento. Então, se não era de Génova, era de onde? "Com tudo o que sei hoje, só pode ter sido um nobre português ou estrangeiro que veio para Portugal muito novinho aprender a língua portuguesa como materna", diz Manuel Rosa. "Ele nunca escreveu em italiano. Escrevia em castelhano com palavras portuguesas. E quando escrevia para Itália, escrevia em castelhano."

cuba12.jpg Muitos mistérios em torno de Cristóvão Colombo continuam em aberto. Onde está sepultado - na República Dominicana? - É um deles. O que foi fazer para Espanha? Foi de facto trabalhar para os reis católicos, Fernando e Isabel? Ou era um agente secreto ao serviço do rei português D. João II, para desviar as atenções espanholas da costa africana e da descoberta do caminho marítimo para a Índia? Cristoval Colon, como era conhecido Colombo em Espanha, era o nome que inventou para se proteger?

Informático de profissão, a paixão de Manuel Rosa é investigar a vida do navegador. O resultado desse trabalho encontra-se nas 638 páginas da versão portuguesa do livro O Mistério Colombo Revelado (Ésquilo), publicado em 2006. Manuel Rosa continua na peugada de Colombo, e promete trazer alguns factos novos, numa nova edição do seu livro, mais concisa e clara. Esta tese sempre foi muito atacada, principalmente pelo facto de quem a investigou não ser licenciado em História. Também como ele estou convencido a "99 por cento" de que Colombo é português. Meus compadres assim confirmam.

cuca6.jpg O nome de Ilha de Cuba é em si uma razão de peso. Assim sendo, vou fazer mais o quê? As conversas das tabernas, misturam-se na memória e sai o que sai. O anteontem misturado com o amanhã num se Deus quiser. Hoje andam por aí feitos loucos procurando bichos chamados de pokémons debaixo dos chaparros esquecendo-se daquele grande navegador. Na excitação de contar coisas e partilhar ninharias, disparamos novas como se nos estivera, e está, na massa do sangue, o de sermos todos primos; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que por décadas estão por realizar. Os sonhos das pradarias como palhas retesando-se ao vento…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:34
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Segunda-feira, 12 de Agosto de 2019
PARACUCA . XXX

MULOLAS DO TEMPO - Fábrica de Letras do Kimbo com histórias da vida.

" D. Sebastião, esperado num dia de nevoeiro"  algures numa mulola...

- Mulola é um leito que só é rio quando chove (África Ultramarina) … Paracuca é um doce feito de ginguba e açúcar, rijo como o torrão de alicante, só que não fica branco …

Por

soba15.jpg T´Chingange - No M´Puto

araujo200.jpg Recentemente, visitei em Cuba do Alentejo a Quinta da Esperança e, em visita guiada por uma muito gentil menina, foi-nos explicando desde o pátio térreo junto ao aqueduto das águas aos quartos superiores da quinta-museu tudo o que de mais importante haveria a mostrar e a explicar. Dos muitos brasões que vi nos vários azulejos em fundo azul e baixos-relevos feitos em mármore e cantaria diversificada pude ver já na parte final um brasão com uma medalha por debaixo do mesmo, um prémio por ser aquela quinta a maior produtora de trigo.

cuba12.jpgAquela medalha foi obtida pelo Conde Cavaleiro, co-proprietário da quinta, pertença de um antigo Morgado, já no tempo do António Salazar. Mas, há uma outra por sobre a coroa muito comum nos brasões e heráldicas daquele tempo: -Um braço alado segurando uma espada partida. Muitas vezes erramos, simplesmente por não acalentarmos o silêncio do bom censo não discernindo sobre a qual espírito pertencemos; Desta feita não achei nada lógica a explicação por ser muito desadequada mas, mantive-me calado para não ferir honrarias e posturas prazenteiras; já lá iremos!

Falando do que vi e que calei, por vezes enchemos-nos de cantos piedosos com fervor religioso omitindo-nos das cenas de extermínio na ânsia de sermos poupados á cólera, das visões fanáticas muito cheias de sofismadas verdades, razões de fé descabidas de sustentada razão, fanáticas até. Não podia ali explicitar minhas dúvidas para não criar a falsa ilusão de que eu, era o tal perito porque decerto ficaria ali exposto como um vaidoso de prosápia. Irão calmamente entender à primeira o que me apraz dizer.

cubo7.jpg  Em idos tempos medievais as cruzadas furando o cerco a Jerusalém mataram setenta mil muçulmanos, ditos infiéis. Com a cruz alongada em forma de espada sangraram vidas arrebatando órgãos vitais que mumificados decoravam altares com a cruz de Jesus Cristo ali ao lado. Isto é tão plausível como a sopa de tengarrinhas que comi na seia com os Maconginos do Lubango, eu o Senhor dos anéis do Reino de Manikongo (gaba-te cesto…) gritando o Ginga Malaia…

Esta Quinta da Esperança situa-se em Cuba, Distrito de Beja do M´Puto. É uma casa senhorial datada do final do Século XVI (meados de entre 1555 e 1595; quase tão velha quanto a Sé de Braga). Toda a área em seu redor foi transformada com o tempo em um dos maiores campos de cultivo de trigo de Portugal. A partir de 1750 foi criando o Morgado da Esperança. Após vários casamentos com outras famílias oriundas de outros pontos do globo, como os Holandeses Braamcamp, e com a agregação dos apelidos Lobo, Gama, Fragoso, Cordovil, entre outros, é dado ao Sr. José Maria de Barahona Fragoso Cordovil da Gama Lobo, (primogénito do Capitão-Mor de Cuba, Francisco Cordovil de Barahona Fragoso da Gama Lobo de Brito), o título de 1º Conde da Esperança, criado por decreto de 22 de Setembro de 1878 do Rei D. Luís I de Portugal.

Não sei se é lenda mas logo na feitura desta quinta, em nome da Santíssima Trindade, D. Sebastião cheio de fervor religioso e militar, um pouco por todo o Portugal, incentivou os jovens a irem com ele à luta; através desta cruzada, dilatariam a fé e o império mais além das fronteiras da cristandade. E, foi no Alentejo que conseguiu reunir uma grande parte da força militar constituída por 17.000 homens, dos quais 5.000 eram mercenários estrangeiros. De Beringel, D. Sebastião levou toda a sua juventude, ficando ali, só os velhos.

beringel1.jpg  Revivendo as glórias do passado, a armada de D. Sebastião, partiu de Lisboa a 25 de Junho de 1578, fez escala em Cádis, aportou em Tânger, seguindo depois para Arzila e Alcácer-Quibir. A vida na quinta teve sua labuta mas, entretanto num hino à liberdade vislumbrei que a vida não faz sentido sem se ter um espaço próprio, de mente liberta; foi ali em Alcácer Quibir que toda aquela gente, nata de nobres e da arraia-miúda do Alentejo foi destroçada perante um exército de 60.000 muçulmanos. A Beringel, regressou um braço conservado em sal, um claro aviso para não mais ali voltarem. Entenderão agora do porquê ficar taciturno ao ver aquele braço alado segurando uma espada quebrada.

Na linha tortuosa das ruas, casas com barras azuis a limitar em branco as portas, os indícios moçárabes perfilam sombras dos telhados lusos. No turbilhão da história com foices, defini os limites da ordem de Santiago com os cristãos fustigando mouros com suas espadas em forma de cruz. E, foi em Alcácer Quibir que se deu início ao reverso da história e, já lá vão 440 anos; Aqui, tal como em Beringel, por volta do meio-dia, os perfumes do campo de funcho, poejo e espargo silvestre, adensam seus cheiros a recordar tais nobres tropelias… (nem falo das foices abrilistas para não ferir meus compadres…)

roxo135.jpg Naquela Quinta a vida seguiu seu curso! Creio que por falta de gente tiveram de laborar com escravos e será essa razão porque tanta gente tem a alcunha ou nome de Carapinha. Na quinta inicia-se assim um condado de cinco gerações de Condes e Viscondes, existente até os dias de hoje. Por ser o imóvel uma habitação da nobreza, teve o privilégio de hospedar três elementos da família real: a Rainha D. Maria II, o Rei D. Pedro V ( O tal primo do Maximiliano, Imperador do México…) e o Rei D. Luís, aquando das suas deslocações à cidade de Beja.

sebastião1.jpg Adquirida em 2015 por uma brasileira, naturalizada portuguesa, a casa actualmente encontra-se aberta ao público. Baseados em fotos, documentos e testemunhos, requalificam-na agora para que fique com a imagem que teriam na sua época áurea, no final do século XIX. São dezenas de painéis de azulejos, pintura mural a fresco, uma capela interna com talha Joanina e pinturas a óleo, uma nora funcional para tirar água do subsolo, método herdado dos árabes, aquedutos, entre outras curiosidades históricas. Um local que vale a pena visitar de forma a sentir o que era uma casa senhorial no Baixo Alentejo em meados de 1900. Disse o que queria dizer: Aquele braço alado é referente às mortes daqueles muitos mancebos – não encontrei outra explicação.

Ilustrações de Costa Araujo Araujo e Assunção Roxo 

ADENDAS

julio2.jpg- Do Professor Julio César Ferrolho:

Era costume os eis combaterem diretamente na batalha com uma tática defensiva claro. Nesta batalhe de Alcácer-Quibir combateram e morreram três reis como descrevo abaixo. É conhecido que 500 navios embarcaram as tropas do rei Sebastião em Lisboa. Fala-se sem certezas em 15.000 a 23.000 combatentes do lado português, o que daria uma média de cerca de 40 combatentes em cada navio, mais cavalos e materiais de guerra e equipamentos o que é razoável. Fala.se em 10.000 só cavaleiros do lado dos mouros não se informando quantos eram os combatentes a pé Mas deveriam ser outros tantos pelo menos, Forças em número equilibrado. Mas os portugueses chegaram ao local da batalha depauperados com fome e esgotados. Os mouros esperaram-nos em local que escolheram, logo grande vantagem à partida. Após 4 horas de combate a sorte de quem tinha vencido não estava declarada, Foi o desnorte e a falta de comunicação que levou os corpos do exército português a debandar desordenadamente com a completa derrota dos exércitos de D.Sebastião e do rei Abu Abdallah Mohammed II Saadi que lhe pedira apoio. Diz-se que, no conjunto dos três exércitos houve cerca de 9.000 mortos e 16.000 prisioneiros, nos quais se incluem grande parte da nobreza portuguesa. Talvez 100 sobreviventes tenham escapado, com custo, do local da batalha. Mulei Mohammed, aliado dos portugueses, tentou fugir ao massacre em que a batalha se convertera mas morreu afogado ao atravessar o rio Mocazim. O Sultão Abdal Malique (Mulei Moluco) que comandava as tropas dos mouros também morreu durante a batalha, mas de causas naturais, uma vez que o esforço da batalha foi demais para o seu estado, debilitado por um envenenamento que tinha sofrido uns meses antes. D. Sebastião, por sua vez, desapareceu liderando uma carga de cavalaria contra o inimigo, e seu corpo jamais foi encontrado...

- Em um esquema da disposição das forças do rei Sebastião na batalha aparecido numa publicação, é curioso verificar que havia uma secção de religiosos e outras pessoas que "não pelejavam". 

O Soba T´Chingange em terras do M´Puto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:43
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Sexta-feira, 9 de Agosto de 2019
MALAMBAS . CCXXIX

QUILOMBOS DA GLOBÁLIA

ALGURES NO BUCO-ZAU09.08.2019

- De uma das mãos lançou um ás de copas que baloiçou até meus pés e ouvi mesmo: La vitória és cierta! La lucha continua! O Gorigula tinha sido um companheiro de Ché Guevara…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No algarve do M´Puto

capulana1.jpg Naqueles longínquos anos de entre sessenta e setenta do século passado, o XX, todo metido na Mata do Maiombe, tropeçando na força das circunstâncias e num entretanto que só durou quatro anos, a guerra foi um conjunto de acidentes suados a paludismo. De um para outro lado, subindo e descendo rios procurando rastos com o soba Mateus à frente, barafustando com o ar e cortando capim à catanada, pisando charcos infestados de sanguessugas, larvas com milhões de patas e escorpiões pretos e pré-históricos a fingir de lagostins.

Buscando turras num secalhar perdido entre a bruma e o cacimbo, o gozo da liberdade corria como se a vida fosse um jogo de poker, num azar de tomar pastilhas vermelhas para anular maleitas com micróbios fosfóricos na única água estraganada ou estagnada. Com as costas das mãos afastávamos as bicharias visíveis e, em seguida engolíamos aquilo escorrendo da mão ou numa qualquer folha verde a jeito. Guardando soberania da pátria do M´Puto, camuflados ensopados até o tutano, assim seguíamos em fila de pirilau, duas granadas presas ao peito, uma G3 em riste e uma cartucheira repleta de balas para o que desse e, viesse.

angola colonial.jpg  Atrás uns dos outros, ouvíamos os gritos da floresta, o piar dos pássaros e o grasnar de fantasmosas sombras que se moviam como olharapos entre o ripado verde com troncos disformes e veias salientes segurando esguios troncos sequiosos de luz, outros disformes esfarelando-se na velhice como abatises para alimentar bichezas rastejantes; a mente medrosa fazia-se ali num jardim de cânticos surdinando mugidos e muxoxos numa raiva sossegada. O barulho do helicóptero chega zunindo e na forma de parafuso baixa suave até ao centro da mata, uma clareira junto ao rio Luáli, um afluente do Chiloango.

Buco-Zau era um lugar rodeado de um verde escandalosamente variado e húmido, um conjunto de casas e armazéns rodeados de árvores majestosamente nobres e, mais além um conjunto de cubatas unidas por um terreiro, uma quase colina rodeada de cacaueiros e um ou outo pé de cafeeiro aonde já se podiam distinguir bagas vermelhas. As casas grandes como as do M´Puto, umas com beira outras sem ela, pertença de administradores e capatazes T´chinderes, dispunham-se alinhadas com cobertura de zinco já na cor de um castanho enferrujado.

moka31.jpg Enquanto a casa principal da roça era coberta a quatro águas em telha de canudo luso ou marselha e sacadas a quase todo o seu redor, as outras, mais modestas, eram cobertas só a zinco mas, e também com folhas de palmeira ripada e entrelaçada na forma de loando. Pretos em tronco nu cruzam-se com bikwatas ou ferramentas pendendo dos ombros enquanto as mulheres envoltas em panos com a esfinge de Mobutu, Mogabe ou do Idi Amim, levam quindas na cabeça, acanguladas de grãos.

Dos corpos musculosos daqueles Fiotes Imbindas, a catinga suada escorre-lhes como brilhantina escura e luzidia como pele de mamba brilhante, pegando-se ao cacimbo intensamente chovediço. Depois de um gim com água tónica, numa daquelas paragens de soberania no Necuto, tirei uma foto com a Charlotte, uma negra que fugida do Congo Zaire pediu boleia ate ao sítio do primo, com quem tinha promessa de alambamento. A foto com aquela negra de feições árabes crê-se ter ficado em uma caixa de sapatos na guerra posterior do tundamunjila. Isso! A guerra do setentaecinco-pkp!

camionista 2.jpg Subindo o rio Inhuca, chegamos ao Sanga Mongo, um lugar para lá das traseiras do tempo, mais longínquo do que as Bitinas e a antiga Serração do Aníbal Afonso que só existe no nome. Naquela terra, este sítio, só o nome subsiste ao salalé; ficaram restos de troncos e, alguns já só eram tábuas avulso ladeadas ou cobertas por capim, abraçados por trepadeiras canibais. Naquele desalinhado jardim, um verdadeiro refúgio de cobras de mamba negra e cipó mais surucucu, kissonde e elefantes num fim de missão medalhada a medos, fiz amizade com um Gorila do Maiombe.

O dito cujo, sentado no topo das tabuas por aparar, olhando para mim de peito feito, sorrindo de susto ousado; Seguiram-se outros instantes muito cheios de adrenalina e assim na crescente empatia tornamo-nos amigos! Ao cair da noite o meu amigo gorila a quem dei o nome de Felizmino, lá estava naquele sítio, topo das tábuas; num cada vez mais aproximados fizemos amizade dando-nos ao luxo de trocar sons de guinchos e rapidamente aprendeu o dóremifasolasi com topariobé na mistura!

poluição.jpg Num jogo de esconde e foge comprava sua amizade oferecendo-lhe bananas ouro e prata mais de maça, Foi um entendimento superior às nossas competências chegando no escorrer do tempo em um tu-cá tu-lá de irmãos. Um dia fiz uso de um estratagema, meti numa cabaça uma boa quantidade de jinguba e prendi-a com um baraço e arame a um chinguiço saliente de entre as tábuas do Tal Ex-Anibal. Felizmino não resistiu à tentação, meteu a mão na cabaça, encheu seu punho e,…nada de largar; assim ficou prisioneiro da sua própria gula.

Reganhando o dente aos poucos amaciou empatia com minha pópia já não de todo desinteligivel. Soltei-o com afagos e carinho ficando a partir daqui amigos. Ele e eu guinchávamos amizade e por este acontecido dei ao Felizmino o sobrenome de Gorigula. Fora de portas d´armas e arame farpado eu e Gorigula fomo-nos isentando de medos, conservando gestos subservientes de baixar a cabeça procurando um afago de catar amizade.

may8.jpg Um dia apareci com um baralho de cartas e, na mesa improvisada espalhei os paus, as copas, os ouros e catanas e, num repente surpreendemo-nos a jogar sem regras. Entretanto falava-lhe das minhas alegrias, num faz de conta e, ele se desentendia largando as copas; entre paus cambalhotava-se como um doidão e, eu gesticulando graças sem coreografia como só mesmo para espantar suprimentos da fala. Estávamos com uma dança com doidos quando da mata veio grande alarido, rebentamento de granadas, rajadas e bazucadas; era uma emboscada!

Escorreguei entre lianas, cipós húmidos e folhagem impregnada de aranhas até que, parei na berma, justamente ali na curva da morte aonde os restos dos camaradas se dispunham desalinhavados ao longo da picada do Massabi. Morreu o Rodrigues mais o Junça! Estes tempos amachucados da estória, foram apertados - as vergonhas alheias da vitória ficaram na certa numa luta que continuou sempre muito traída. Até cheguei a pensar que Deus era ateu, uma heresia de todo o tamanho, diga-se em abono da verdade.

CABINDA5.png Do Felismino Gorigula ficou um sonho incompleto! Em verdade ele falava espanhol – o sacana enganou-me por completamente. Ele era do MPLA, um genuíno filho da mãe …Pulando em cima dos troncos da serração do Aníbal, com braços abertos gesticulava uma catana cortando o vento com fúria como se fosse um ninja. De uma das mãos lançou um ás de copas que baloiçou até meus pés e ouvi mesmo: La vitória és cierta! La lucha continua! O Gorigula tinha sido um companheiro do Ché Guevara; Quem ia adivinhar!? Vim a saber muito mais tarde. Desconsolado ainda pude ver-me na lagoa do Bumelambuto a fumar liamba com os Mpalabandas.

Glossário:

Fiote: -Natural de Cabinda, Imbinda; Bikwatas: - Coisas, trastes; Alambamento: - Casamento: Mpalanda: - Libertador de Cabinda, defensor de seus direitos; Salalé: -Formiga que se alimenta de madeira apodrecida; Turra: - Guerrilheiro; Muxoxo: - Um estalar de palato com queixo inferior descolando a língua formatando assim um desdém sonoro mas, sussurrado; T´chindere: - Branco; Topariobé: - Vai à tuge…  

O Sob T´Chingange        



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:23
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Terça-feira, 30 de Julho de 2019
MOKANDA DO SOBA . CL

TEMPOS PARA ESQUECER - NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA

Relembrando alguns factos do SETENTAECINCO30.07.2019

“Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Alguns dos heróis de túji afectos ao MPLA também deram à sola – dissimulados, claro!

Por

 soba15.jpg T´Chingange - (Otchingandji) No Alentejo do M´Puto

soba23.jpg Remexendo no meu baú encontrei o único e último documento que tenho do ESTADO DE ANGOLA e, do Governo de Transição assinado por António da Silva Cardoso – General das F.A. Trata-se de um Salvo-conduto para transitar pela Cidade de Luanda e Bairros Suburbanos. Revendo o mesmo, este refere que na condição de deslocado exercia a função de Colaborador na Comissão de Repatriamento. Está assinado pelo Alto-comissário de Angola, em Luanda, aos 29 de Julho de 1975 - Quinze dias antes do meu Voo Luualix…

Naquele então do ano de 1975, Gonçalves Ribeiro, o pai da “Ponte Luualix” fazia alarde ao mundo da periclitante situação em retirar todos os deslocados por via da descolonização, entenda-se uma anárquica guerra com vários intervenientes, movimentos emancipalistas impreparados para se governarem a si próprios. Ainda faltava ir buscar algumas pessoas a áreas aonde não havia qualquer segurança (…). Confirmo que assim era porque estando eu destacado como “adido” no Palácio do Governo da Cidade Alta da Luua, podia vivificar o que por ali se passava.

soba22.jpg Tinha por missão dar a conhecer a gente deslocada de seus sítios tais como Administradores, Chefes de Posto entre outros funcionários que fugidos dos movimentos, mais propriamente do MPLA se encontravam confinados em hotéis, pensões e afins. Preparava também as listas de embarque – Guias de Marcha sem retorno. Via telefone ou por estafeta, dava-lhes a conhecer qual a sua hora de embarque na ponte “Luualix”; para ultimarem sua presença no aeroporto ou esperar transporte ido do Palácio que os levaria ao aeroporto de Craveiro Lopes, também conhecido por Belas.

Alguns daqueles funcionários administrativos por estarem escondidos, por assim dizer, em casas de familiares eram recolhidos por um autocarro do Alto Comissariado que os transportava ao dito aeroporto. Havia promessas de morte, vinganças avulsas. Já neste início de Agosto podia ver-se milhares de famílias pernoitando de qualquer jeito junto aos seus haveres no largo frontal da zona do check-in e jardins do aeroporto, malas, caixotes e bugigangas. Ali permaneciam dia e noite cobertos com lonas presas a caixotes usando como banheiro áreas improvisadas ou as bissapas circundantes; o cheiro era nauseabundo.

guerra12.jpg Estando eu já no M´Puto com a família, ia sabendo dos efeitos de fuga lá no Ultramar. Coisas de partir o coração aconteciam como sendo coisa pouca – a frieza das pessoas, do governo, da Metrópole em um todo, afligiam-me sobremaneira. Minha revolta era imensa! No dia 4 de Agosto de 1975, na cidade da Gabela os partidos entram em confrontos e a população organiza uma caravana, com mais de duzentos veículos, acompanhados por militares portugueses e da UNITA, que com veículos e aviação fizeram escolta até a cidade de Nova Lisboa (Huambo).

O clima que já era de inferno aquecia ao rubro! O negro olhava-nos de lado e com cara de ódio pela fermentação das rádios, dos cabos que viriam as ser generais e outros que tais. Já há uma semana que tinham deixado de trabalhar para fabricarem armas artesanais. Outros recebiam-nas das mãos dos líderes políticos, dos militares de aviário do M´Puto mais os PREC para se dar início à matança um dia depois. Em meados de Outubro, o terminal aéreo de Nova Lisboa (Huambo) encerrava, e Luanda passou a receber entre quinze a vinte aviões por dia. Conto isto sem me situar no tempo ou local mas, pouco importa porque tudo estava por igual: - Descontrolado!

Os meios aéreos para fazer chegar a Luanda os refugiados do Lobito, Benguela e Moçâmedes, sendo insuficientes, o Comando Naval arranjou meios marítimos para fazer chegar a Luanda os cerca de 250 mil cidadãos brancos (maioritariamente) mas, tendo também milhares de mestiços e negros; enfim! Seguiam todos aqueles que o desejassem! Na vinda ou ida dos refugiados de um para outro lado (como kissondes) mas e, principalmente para os lugares de embarque da Luua, praticamente não havia triagem; o controlo era precário. Nunca pude entender esta falta de cuidado na logística das coisas.

guerra01.jpg Não havia tempo para decidir de quem estava ou não nas condições de perseguido, refugiado ou o que quer que fosse. Não importava ser-se quem era e de onde vinha ou do porquê de estar ali. Era tudo ao monte e seja o que Deus quiser, aos magotes na fé de Deus com o natural berreiro e choros de adultos e crianças, ordens e contra ordens desencontradas ou nem tanto. Cães, gatos e outros animais de estimação foram largados ao descaso como heresia apócrifa!

É confrangedor só de pensar em estas turbas de gente que às pressas colocaram umas peças de roupa, uns agasalhos, umas fotos de recordação e aí vão ao encontro dum desconhecido maior que o mundo. E, as despedidas de gente serviçal ou amiga, até mesmo um vizinho que por ali iam ficando; toma lá a chave do meu carro, da minha casa, cuida do gado meu amigo porque não sei quando voltarei nem se volte. Olha pelo meu cão, a aspirina mais o tarzan que ficam presos lá junto ao gerador e perto do galinheiro. Doeu e ainda dói!

moka25.jpg Era um Adeus dado aos trambolhões às coisas, ao motor da GMC a fazer de gerador, dos gansos guardadores mais o pavão e as galinhas fracas debaixo do DKV. Ele, Deus, era só uma questão de fé interior, a vontade de querer e acreditar mas Ele, não surgiu a muitos; a lei da vida e da morte era um traço disforme, desfeito em cotão a confirmar que só somos enquanto somos, uma ilusão! Desde sempre e, que me lembre de ser gente, observei que as leis foram inventadas pelos fortes para dominarem os fracos que são muito mais; mas aqui não havia fracos ou fortes, só deprimidos…

Sempre observei amizades incipientes desde o tempo em que os cuspidores de prata eram usuais e era admissível ou sem reparo; cuspir-se em público era feio e anti-higiénico mas agora e ali nem escarradores havia, era no barrento da terra, nosso infortúnio. Num repentemente viramos escarro, nada ou ninguém - triste; cada qual cuspia para onde quer que fosse que nem monandengues. E entre estes, surgiam os rufias catadores de desaconchegos, gente do MPLA usando prepotência com um extremo desprezo, pedindo relógios ou valores para ficar sem dissabores nesta hora de partir; uma forma de pressionar o medo ou resquícios deste.

picapau1.jpg Havia uma restea de ordem por alguns militares, Nossas Tropas mais conscientes! Valha-nos isso porque nem todos viam este desmando na forma do PREC, dos guedelhudos do M´Puto às ordens do diabo. As leis, as atitudes, o MFA, nossos patrícios do M´Puto, os generais de aviário, mesmo que absurdas, tornavam o impossível em admissível e hoje que penso muito e rezo pouco, recordo isto, procedimentos sem que ninguém averiguasse as diferenças aturdidos por pudor. Pudor, palavra complicada de entender - qual pudor qual quê!?

Nesse então, nós gente desavinda, podíamos ver já a força da crise com roubos subtraídos pela lei dos homens, pelas nossos guardiões militares com seus amigos, nossos inimigos – o MPLA, sem lei - nem velha nem nova ou tampouco ordinária ou arbitrária, nenhuma! Um salve-se quem puder! Era um acaso feito lei ali e a frio, ora marcial ora uma prepotente aberração feita de coisa feito gente, drogados no cérebro, nas kinambas ou nas matubas…Mas, ainda há quem use paninhos de flanela para amenizar o impossível…

monstro6.jpg E, muitos daqueles ali ao nosso lado a fugir do caos, tinham estado dias ou meses antes, também a fiscalizar nossas bagagens, bagulhos de sentimento a escolher os cristais, a parti-los num desdém e isto sim e isto não; Este ouro é nosso, do governo! Mas qual governo - do MPLA diziam… sim! Ao serviço do por eles chamado de glorioso MPLA… Agora, eram camuflados companheiros de viagem, de infortúnio e, já ninguém queria retaliar o que quer que fosse; uma entrega sem jeito nas mãos dum Nosso Senhor…

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:59
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Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
MALAMBAS . CCXXVIII

UM CACTO CHAMADO XHOBA . VIII – 24.07.2019

MALAMBA NAS FRINCHAS DO TEMPO é a palavra com asas…

- Boligrafando estórias do ano de 1999, talvez 1997.

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Alentejo do M´Puto

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Numa idade própria para cultivar flores, falar com elas, gozar do seu perfume, trato de fazer novas conquistas entre pessoas. Em verdade é mais gratificante conquistar gente do que atormentá-las, banir a raiva, emoções de rilhar dente duma mórbida ansiedade. Longe dos amilongados uso fracassos passados para lapidar emoções, separando o trigo do joio, lutando no corredor do tempo contra a síndroma de pensamento acelerado.

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Na solidão do vento Kuvale árido, soprando florestas petrificadas dos pastos dos Himbas dou-me conta de quanto a mente é fundamental para se gerir na sobrevivência, lá em Swakopmund também as hienas castanhas, sorrateiramente usam sua mente para de forma fácil sobreviver com o lixo dos humanos. Não querendo perder a minha capacidade de analisar e criticar com consciência soluço fantasmas passados para tentar saber o que já sei…

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Percorrendo os caminhos do ser, um dia vulgar nas terras do fim do mundo entre Oshakati e as quedas do Cunene encontramos um muito kota Himba sentado em cima duma velha mala em sua simples palhota - O que tens aí nessa mala? Perguntou-se-lhe - O tempo! Respondeu ele – Patrão, nem sei mesmo, faz quanto tempo estou em cima desta velha mala! Acrescentou o Himba - Dá uma olhada insistiu meu filho M´Fumo Manhanga.

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O Himba resolveu abrir a mala enferrujada e, mal consegui acreditar ao ver que a velha mala estava cheia de pedras, chifres de bois e muitas ervas, uma fortuna para ele pois que negociava com a desavinda sabedoria dos demais. Ora bolas! Era mesmo um Kimbanda feito kianda. Demos ao homem uma gasosa, um monte de kwanzas, e ele simplesmente olhou de forma desinteressada como se fosse mesmo muito rico e nos prestasse um divino favor. Deve ter dito, mas que vou eu fazer com isto?

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Navegando assim a vida, percorremos milhas redescobrindo entretantos diferentes mas o episódio deu-nos volta no moleirinha. E, falando do amanhã para completar o tempo já rodeados de caserio fomos matabichar no Spur de Swakopmund; veremos o quanto já cresceu esta terra dum nada que o deserto teima em tapar. A visita não ficaria completa sem uma ida ao famoso Café Anton com seu “coffe and cake” e seus clássicos e deliciosos como Schwartzwalder Kirsahtorte , Florentier e Apfelstrudel.

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Nomes nada usuais nas nossas dietas feitas com salsaparrilha, beldroegas e jimboa - muamba de chuço ou capota do rust camp. Nas calmas vamos até Walvis Bay ver a waterfront e também a área da lagoa, seu elevado número de flamingos que ali se juntam alimentando-se de crustáceos. Um natural maternidade de dançarinos vestidos a cetim vermelho; espécies residentes que ali se abrigam, juntando-se estes um elevado número de aves migrantes do intra-africano e Palearctic.

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Boligrafando estórias por aqui mas pensando no Ondundozonanandana, das muitas anotações e escritos em registos de memória de meu safari Xirikwata por Namíbia, sempre ficam por publicar textos que aos poucos vou relembrando como estando no alpendre de soalho e tecto em madeira da Guest House Willtotop de Vanda Potgieter. Repensar nos fins de tarde entre Okavango na Faixa de Kaprivi e os desertos de Swakopmund qui descritos depois de passar as quenturas dos morros de Ozakos e Kiribib.

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Activar as falas de Elisabeth Miranda da faixa de Kaprivi que com entrecortados e bonitos risos, recordam seus passados dias do outro lado do rio Okavango, um lugar chamado de Dírico, em Angola. Foi possível reconhecer em mim neste roteiro cinco marcas de destino, surpresa, curiosidade, saudade, benevolência e alguma temeridade. Também senti um desassossego de excitação. África é imprevisível na soma de angústias, incêndios com sinais de pavor, traficâncias com segredos de podridão - coisas que só África nos transmite…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:37
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Terça-feira, 23 de Julho de 2019
XICULULU . CXX

TEMPOS QUENTES 23.07.2019

Em um dia antigo encontrei no M´Puto uma pedra-de-raio; uma pedra portadora de superstições vindas do tempo neolítico… Um raio que os parta

Por

soba15.jpgT´Chingange – No Alentejo do M´puto

Envolto numa névoa de velhice, preencho os espaços da vida defuntando assuntos que já me não dão ânimo em falar. Num ápice, os n´guzos da juventude viram fenómenos, percorrendo-me a mente como se fosse um grande corredor feito varanda calçadão; já com pedras muito roçadas, sapateadas e dançadas na velocidade da luz, filósofo filmes que nunca antes tinha imaginado neste vácuo feito hiato como que para amainar ventanias ou anular rancores…

pedras parideiras.jpg Muito depois dos Etruscos, Plínio, um antigo escriba romano, comungava da crença de que a pedra polida tinha alguma cousa divina afirmando que elas caíam do céu com os raios das chuvas. Isto embrulhou-se-me no pensamento até os dias de hoje com quenturas anormalmente altas de trovoada. Tenho uma pedra destas desde o ano de 1983 e, apanhada exactamente no sítio de Vale das Lousas, sete anos, sete meses e sete dias depois de sair da guerra do tundamunjila da Luua - de Angola.

Derrubando-me nas trevas do desconhecimento, olho e ouço pela caixa mágica da televisão choros verídicos e de cortar a alma entre outros carregados de fingidas mágoas e excrescências mal alinhavadas. Pois e, foi assim bem ao lado duma trilobite petrificada que troquei por um kispo em Tetouan, no Atlas do Norte de Marrocos que, entro nas superstições que dominam muitas mentes e, entre estas, a minha!

pedras1.jpg São legados de subconsciente sem se saber ao certo se saíram de cristãos, judeus, libaneses ou sírios ou mesmo palestinianos e também toledanos ou etruscos. O certo é que ainda hoje são estas pedras denominadas línguas de S. Paulo; pedras de sílex, lisas e em forma de ponta de flecha. Diz a lenda que quando um camponês romano encontrasse uma dessas pedras, se ajoelharia de imediato e que, com toda a devoção, a apanharia não com a mão mas com a língua que, depois a colocaria no lugar mais respeitoso de sua casa para se precaver dos raios da chuva.

Não querendo quebrar este paradigma, coloquei esta bem no parapeito decorativo em azinho da minha lareira do M´Puto – M´Putolândia dos Al-Garbes. Eu não fiz isto naquele ano de 1983, sete anos, sete meses e sete dias depois de chegar a terras de M´Puto vindo da Luua num voo grátis e nesse lugar de Vale das Lousas. Estava ainda por saber por desconhecimento da tradição com lenda; já lá vamos!

lousas1.jpg Por engano das leituras por paralaxe das estrelas, estava em crer que foi a partir desse dia que se deu início à minha própria lenda - Março de 1983 mas, agora que estou mais capacitado e entendido com os ET´s, vejo que a lenda vem de muito mais atrás, de quando nem pastoreava, nem era um projecto de vida. E, porque a tradição manda, assim procedi! Sem a lamber, afagando-a somente, resguardei-a do mau-olhado da trivial onda xicululu e da comum avareza das gentes, entre outras que tais.

E, assim fui sabendo de antemão e até antepé, estar a singularidade das coisas impregnada de ruins olfactos; mesmo estando assim como esta, uma pedra gasta e na forma de um raio-que-parta! Quantas mãos não teriam já manipulado esta, agora meu património, assim fosse para matar e cortar coelhos, cortar línguas e narizes e até sacrifícios nesses antigos tempos dos Etruscos, nossos primos afastadíssimos do tempo neolítico.

lousas5.jpg Do tempo do Ferro, do cobre ou do bronze. O progresso com novas descobertas relegam estes instrumentos à semelhança de muita estórias, para as prateleiras de caves escuras e solitárias dos museus. O desprezo por via do não uso dos modernos desumidificadores, mofou-as mesmo sendo naquele então um artefacto com tecnologia de ponta.

No meu jeito de ver, sinto que tenho o dever de a agraciar porque, depois duma abrilada peçonhenta na mistura duma guerra de tundamunjila (Ponte da LuaLix sem retorno, nem estorno – Angola via M´puto) só me resta esta postura erecta. Não há forças que destruam lendas… Aos velhos será cruel deixá-los privados de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar gigantescas feridas.

lousas2.jpg Talvez daí venha o termo “um raio que os parta”. E, também daí, abrirem-se gavetas com alvissaras ranhosas, cuspidelas de heróis tísicos da cabeça, ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Por vezes fico esgravatando meus neurónios, ponho as mãos na testa como um pensador e, o curioso, quando tapo esta, sempre se vê uma bola roxa no centro esbatendo-se na amplitude dos diâmetros sem bordas. Foi assim na meditação profunda que recebi o legado de como matar lacraus e cobras com enxofre… Isto ficará para outro xicululu…

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:34
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Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
XICULULU . CXIX
PANOIAS VII - TEMPOS DORMIDOS20.07.2019
DE AL-CALÁ A BADAJAM
Por

soba15.jpg T´Chingange – No Alentejo do M´Puto

araujo88.jpg Revendo sempre estações da vida na ânsia de satisfazer desejos como um Aladino que busca uma lâmpada mágica, também me revi como filho dum alfaiate de nome Mustafá. Como coisa concertada dispus-me a seguir os escritos que não sendo secretos aludem a feitos de magos, feiticeiros ou bruxos. Em tempos de Mouros ir de Al-calá a Badajam a pé ou a cavalo seria em tempos idos uma aventura perigosa, não só pela inexistência de bons caminhos mas também pelos predadores, lobos e homens salteadores, flibusteiros que então existiam. Hoje existem outro tipo de salteadores como que vindos de lado nenhum mas, e curiosamente escolhidos por nós para usar suas supostas boas qualidades de novos magos.

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Não, não estamos em terras longínquas do Curdistão; estes eram os topónimos de então e, que agora têm o nomes de Castro da Cola e Beringel. Efectivamente alguns de nossos ancestrais já foram mouros. Eu mesmo casei com uma senhora de nome Ibib que em árabe corresponde a criança. Mas, falando dos topónimos e coisa e tal, direi que Castro da Cola (Al-Calá) fica não muito longe e a sul de Ourique; desenvolveu-se na bacia de meandros do rio Mira enquanto Beringel (Badajam), se situa na extensa planície de Beja, tendo a ribeira de figueira a uni-la ao rio Sado.

araujo68.jpg Desconseguindo fortuna, coçando-me de incertezas aos sons graves de uma melodia sertaneja do Nordeste brasileiro, procuro aqui acerto de ideias; alando-me em quenturas, voo para norte fugindo à agitada borda mar Algarvia. Metido num pego do leito do rio Mira, mergulhado até ao pescoço, quase chafurdando, observo refrescado lá no alto a fortaleza da Cola e a torre da ermida da Senhora do Castro da Cola. Mesmo ao lado já sem uso pode admirar-se um moinho de levada que com as suas duas bocas feitas a pedra xistosa espera recuperação ou morte desmoronada. Vi ali um potencial sítio para se dar a conhecer pedagogia do que era aquele rio em anos longínquos, vida que se desenvolvia com a moagem dos cereais entre os quais o milho e mais tarde o trigo; milho que era britado para matar a fome a muita gente.

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No labor de muitos ciclos, famílias sobreviveram anos e anos amanhando a terra que agora se vê estéril, quase só com estevas. Nas reminiscências do tempo, torrentes de água vergaram ali o destino aconchegado das gentes do Neolítico até à idade média. Daquela casa xistosa mais atrás, saíam noutros tempos cheiros fortes de combinações, mezinhas de carqueja, toucinho defumado, rezas e manigâncias impregnadas a manjerico e poejo; como eu imagino aqueles odores intensos!
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E, da figura grande de barranco quando por torrente virava rio! Saído dali voei, voei como um peneireiro... E, naquela paisagem de planície agreste, em tempos profundamente marcada pelo homem, embrenhado de visão, vi-os agricultando, pastoreando, pescando, caçando e explorando recursos minerais. Passando pelas idades do Bronze e Ferro, nos 2º e 3º milénio a. C. encontram-se necrópoles com nomes de Nora Velha, Alcaria e Atalaia, fundações de povoados em Fernão Vaz e Porto das Lajes ou monumentos funerários em Pego da Sobreira.
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Aladroei estes conhecimentos básicos dum prospecto caído no adro da ermida. Nele, diz ser aquele povoado de Castro da Cola uma fortificação medieval Islâmica e Cristã dos séculos X a XIII havendo referências a antigos escritos que mencionam o nome de Marachique como sendo a interpretação correcta de raiz árabe hispânica.

araujo 25.jpg Porque o meu destino era Beringel, rumei para ali mas, pouco a pouco fui-me transformando num braço alado à semelhança do braço doiro do brasão de lá; e de espada na mão cortei o ar num ápice, passando por terras de Messejana, Ervidel e Mombeja e, de novo, feito homem poisei ali. Terão de ver em mim uma kianda fantasma que num ápice, ora está aqui ou já se foi pró álem. Já em Beringel, como um alfarrabista iluminado, fiquei a saber que foi D. Dinis que deu a primeira carta de Foral a esta terra, tendo passado a vila por segundo foral no ano de 1519 no reinado de D. Manuel I.

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Liberto de alforrias, uni Castro da Cola a Beringel por setenta e seis quilómetros; a razão de ser desta ligação é, que neste espaço territorial e no ano de 1580, muitos jovens saídos daqui seguiram o também jovem rei D. Sebastião a fim de realizar seus sonhos africanos. Animados de incontida vontade para grandes feitos, rei e súbditos esbarraram com hordas de mouros e,... A refrega da batalha culminou no completo desastre em Alcácer Quibir.

araujo1.jpg A mira de prodigiosas riquezas em sonhos cristãs, desvaneceu ao encontrar oposição de magos portadores doutras vontades e, das mil e uma noites desejadas, num indefinido alvorecer, por lá ficaram desmembrados os jovens Lusos; morreram com o rei, numa expedição estúpida de vontade imberbe. Também por ideias sebastianistas andei numa guerra de tuji (merda) por vontade alheia de novos sebastianistas gwetas (brancos) como eu. Queriam coisas e desconseguiram tornando-me um participante porque era filho duma Nação. Nação que afinal nem era minha e feito tolo, assim andei quatro anos de minha juventude – Para nada!

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Em Alcácer Quibir, foi um mar de sangue! E, foi aqui o começo do declínio destas terras Ibéricas entre o rio Mira e a ribeira de Figueira, afluente do Sado; empapando de vermelho o chão quente do norte de África, a juventude daqui ficou toda lá. A recordá-la ficou o tal brasão d´armas, um braço doiro com asas, empunhando uma adaga, tendo como fundo um campo vermelho encimado por arabescos. Algures por estes sítios, creio haver um secreto esconderijo subterrâneo com uma lâmpada mágica. É só procurar um tal de Aladino! E, aqui estou eu em terras do M´Puto, espreitando pelo postigo da memória antropológica. Desde que me lembro de conhecer o mundo, cumprindo o curso da vida, obedeço sem outro querer à ordem astronómica das leis que me regem.Mas, era suposto não estar aqui…
Ilustrações de Costa Araújo
O Soba T´Chingange
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:16
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MUJIMBO . CXI

CICATRIZES DO TEMPO21.07.2019

-Mujimbos com borututu ou o interstício das falas… O drama da vida é a perspectiva mais comum da consciência – O sentido das palavras

Por

soba15.jpgT´Chingange - No Alentejo do M´Puto

roxo185.jpg Falando de costumes, torna-se necessário tê-lo em conta para definir os parâmetros do carácter dos muitos povos com influência sobre as línguas. O sentido verdadeiro de certas palavras escapar-se-há sem este conhecimento! Há uma semântica a dar rumo a isto ou aquilo porque de uma língua à outra, a mesma palavra tem mais ou menos energia, pode ser uma blasfémia ou uma injúria em uma e, não significar o mesmo em outra.

Teremos por via disso de analisar segundo o texto para retirar a ideia certa que a ela se atribui. Assim que sermos todos idiotas não é mau porque temos ideias mas o caminho desta palavra foi sendo deturpado porque hoje há mais idiotas do que bons ideólogos. Nossas ideias terão este ou aquele sentido segundo o parecer de cada qual que as lê ou ouve.

roxo146.jpg Na mesma língua e, em países diferentes, certas palavras perdem seu significado alguns anos ou séculos depois. Uma tradução rigorosamente literal, não exprime sempre na perfeição um certo pensamento! É necessário por vezes empregar, não as palavras correspondentes, mas palavras equivalentes ou perífrases. Por vezes rebusco meu dicionário “on line” saindo daí mais espevitado do que o nosso estimado Suassuma que jorra sabedoria como uma cascata de água borbulhenta.

Em meus escritos, refiro-me por vezes a vidas periféricas em função dum estado de dependência, a vivências diferenciadas, conceitos entalados pela semântica no uso dessa palavra. Se não se levar em conta o meio, o tempo e o local na qual se vive ou se viveu, ficar-se-á exposto a equívocos. Uso em meus escritos palavras próprias do local em que a cena se passa e, quando é mais abrangente notar-se-á falas e linguajares com jeitos e trejeitos locais…

roxo145.jpg Não creio que virá daqui mal ao Mundo, a não ser que se ponha a vírgula no errado sitio ou mal estacionada como é vulgar vermos as patinetes silenciosas atiradas a eito por todo o lado, coisas sem lei nem roque – ideia de puros idiotas. Uma coisa são alhos e na outra já serão bugalhos mas, nem quero ir por aqui metendo-me voluntariamente numa guerra de palavras canibais...

Posso citar as muitas interpretações do livro maior chamado Bíblia mas, isto de recorrer à boca ou boligrafo dos outros é bem desprestigiante segundo se diz, por via desse tal de paradigma estabelecido na ética com plágio e, ou outras nuances que nem um credível ET - Extra Terrestre sabe discernir. Sabe-se que a língua hebraica não era rica e muitas das suas palavras tinham vários significados. Estou-me a lembrar do termo camelo que naqueles idos tempos se designava a um cabo (fio entrelaçado).

roxo149.jpg Nas fases da criação e em géneses um cabo como hoje conhecemos era feito de pelos de camelo entrelaçados e, daqui chamar-se ao pequeno fio de camelo; conhecer-se a alegoria do buraco da agulha ajuda a entender o que vulgarmente se consideram de ditos: “ É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. Não posso assim reconhecer-me em mérito ou em plenitude se separar do aconchego da amizade, o entendimento das coisas! Não é esta a minha real afeição.

Quando digo em Portugal (M´Puto) que “a malta não gosta da bófia”, no Brasil não entenderão; irão pensar que me refiro a um grupo de gente bóia-fria (tarefeiros ou ganhões) que colocam carris ou solipas em um qualquer trem. O sentido vai assim para o brejo, o mesmo dizer-se que vai para o lixo ou para a basura. Estamos em permanente descoberta pois que só agora estão descobrindo que em nosso corpo há um novo órgão: o interstício, um espaço que incha e desincha, um grande órgão celular, sistema de comunicação que actua em órgãos diferentes como uma via de união entre todos os outros órgãos.

roxo135.jpg A partir de agora um inchaço será por culpa do interstício. Sem discutir as palavras, é aqui necessário procurar o pensamento que parece ser este com mais evidência: “Os interesses da vida futura sobrepõem-se a todos os interesses e todas as considerações humanas”. Por vezes largo meu corriqueiro linguajar, puxo pela memória e saem coisas ditas eruditas, com bom senso, dirão muitos alinhados e alinhavados em suas mentes. A mente e o corpo humano continuam a surpreender-nos.

O interstício já tinha sido definido como o “terceiro espaço”, mas nunca o tinham considerado um órgão. Cientistas, em pleno século XXI, propõem agora que o interstício, formado por um espaço com fluido em circulação, se torne um órgão do corpo humano. Eles, revelam-nos que temos um órgão que nunca tinha sido considerado como tal.

Roxo132.jpg Chama-se interstício e é formado por um espaço com fluido que está nos tecidos conjuntivos por baixo da superfície da pele, reveste o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário e rodeia as artérias, as veias ou a membrana entre os músculos – tudo numa única estrutura. Pela primeira vez, os cientistas descrevem este órgão e consideram-no um dos maiores do corpo humano. Coisa bem interessante.

Ilustração de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 03:18
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Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
MALAMBAS . CCXXVII

UM CACTO CHAMADO XHOBA . VII19.07.2019

– MALAMBA NAS FRINCHAS DO TEMPO é a palavra a voar

- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana. Já nem sei bem aonde estávamos… Foi no ano de 1999, talvez 1997.

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Alentejo do M´Puto

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NAMIBIA, em dialecto Ovambo significa terra do nada - Tudo quanto acontece, é na terra que sucede, num céu eterno e pacífico. Entregues assim ao destino, meu e de Ibib, cumpre-se na ordem natural aonde quer que estejamos – candengues por perto ou lá longe e sempre na nossa duna espacial chamada de coração; o vento sopra forte do lado de Dorop National Park trazendo areias por quilómetros e eu, galgava-os com receio de haver ali um furo de pneu, o carro teimava em desviar-se para a esquerda mas, em realidade era a força do vento quente que me forçava a preocupação.

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As nossas palavras são como sombras que nunca podem explicar por inteiro a luz de medos ou ansiedades que sempre transportamos connosco. Nunca isentos de culpas e formulando nossos destinos e, assim fomos deixando nosso ADN na mistura do vento, do pó e quenturas com adrenalina; culpados de muitas nenhumas coisas e assim formando castelos, íamos soprado vida na terra do nada. Lá atrás e mais acima do mapa, no Divundo ficaram as estórias velhas, as verdades minhas ou da lenda Miranda que para alguns, sempre serão trapaças; estórias do Batalhão Búfalo 32 da Á do Sul e edecéteras que se soltavam de nossas falas que como o vento chiavam a coisas desavindas no meio da tremulina da miragem.

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Deserto do Kalahári - Atravessando as terras de Erongo, suas montanhas secas com a areia subindo em suas encostas, pudemos atravessar as terras de Karibib, Usakos até Swakopmund e Walvis Bay pela nacional B2 da Namíbia, um calor abafador em sua máxima potência. Neste descobrir de novas coisas ficamos num aprazível mas modesto conjunto de bungalows situado junto ao mar e margem dum rio de areia, mulola de nome Swakop, o que deu origem a este nome à cidade tipicamente alemã aonde morou o ET, um amigo extraterrestre de nome Eduardo.

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E, assim atirando palavras desprendidas, recordamos terras com vazios aonde a verdade e a mentira passam pela mesma boca como rastos de picada que viram lendas. Aqui e ali no meio da secura do Karoo íamos pendurando como tufos de teias nas espinheiras do tempo nossos medos e angústias e coisas do mundo sem saber se tudo era o que parecia ser. Diz-se de que, quem quer falar de assuntos sigilosos vai para o deserto mas, nós, não arriscávamos limpar o lacre dos actos e pensamentos porque já tinhamos o coração endurecido na vulgaridade   vivida.

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Naquele outro momento em que escrevia isto, estava no modesto mas ventilado bungalow de Swakop, Ibib durma plenamente, talvez do cansaço pelo muito calor apanhado lá nas montanhas; agora com a porta entreaberta deixando o vento frio do Atlântico lamber seus pés, gostoso e frio, como quem só por ele passou. Mas então, quem vai acreditar no fogo do pó levantado do chão vermelho nas margens do Cunene, mais a norte, os candengues himbas dançavam com um jacaré domesticado; Ué, caté desconhecia que um jacaré podia ser domesticado mas, os olhos meus, me diziam no seu ver, que aquilo visto, era mesmo de verdade verdadeira; mas que agora parece mentira, lá isso parece!

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Vendo assim a natureza que tanto nos ensina no seu riso de muitas flores juntamos o agora que nem sei bem aonde fica, musgos espaciais de nossas velhices feito folhas coloridas a vermelho com laranja, ratadas nas pontas como que comidas por um kissonde, a formiga mistério. Pus a mão no meu cérebro buscando naqueles milhões de células apalpar qual daqueles cabelos feitos bissapas estavam fora do sítio para entender aquela cena do nada, inaudível, inacreditável! Dei uma chapada em mim e doeu. Pópilas era Euzinho da Costa!

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Sei que tudo em minha vida resulta de guardar sempre comigo a esperança monandengue; de espiá-la com olhinhos de a ver balouçada no arco de minha sobrancelha. Hoje mesmo, fins de Julho do ano 2019, tive de as cortar, as sobrancelhas – sobressaiam para além e por cima dos óculos cor de tartaruga, cor de pobre, a lembrar o Lenine ou Álvaro Cunhal, gente de sabedoria que torceu as ideias dos outros sem antever que cada qual tem o seu próprio faro, sua forma de lançar caganitas como as cabras, kiákiákiá (minha forma de rir com soluços…)…

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- Como se chama esse jacaré! Perguntei ao jovem mais próximo. – Com a boca! Respondeu o candengue. Pintado de coisa ruim consegui domesticar meu frenesim raivoso, e continuei: - Sim! Mas tem nome, não tem? – Chama-se de Sundiameno. Disse! Este gajo está a gozar com a minha cara, quem diria que aqui no fim do cú de judas encontraria um puto assim tão cheio de bolinhas de berlinde com abafa de gozar o kota- O fidamãe!  Fiz uma cara feia, de nariz torcido e, ele, vendo-me embrutecido repetiu. É mesmo de Sundiameno porque não é de fiar! Estava explicitado…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:19
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Domingo, 7 de Julho de 2019
MALAMBAS . CCXXVI

MALAMBAS . CCXXVI

UM CACTO CHAMADO XHOBA . VI – 07.07.2019

– MALAMBA é a palavra

- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana (Perto de Etosha). Estávamos em Sossusvlei, terra soprada com areia… Foi no ano de 1999 com texto agora reescrito em algumas partes...

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

:::::43 nauk01.jpg

NAMIBIA, em dialecto Ovambo significa terra do nada. Foi aqui que vi as melhores paisagens nas minhas viagens por África. Saindo de Luderitz atravessei com o clã T´Chingange todo o Naukluft Park para chegar às grandes dunas do Sossusvlei; acampamos em duas tendas em um espaço próprio no início da zona interdita, activamos uma fogueira comunitária e deliciamos o ouvido com os sons da noite.

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As noites neste deserto, aliás como em todos outros, ficam frescas assim que o sol desaparece no horizonte. Aqueles montes enormes de areia deixam em nós a sensação estranha do quanto somos pequenos. Tivemos de preencher uns papéis para recebermos autorização de entrar no parque dos diamantes, não nos era permitido afastar-nos do trilho com outras recomendações a cumprir. Iriamos sair ainda de noite para chegarmos ao nascer do dia á duna nº 45.

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Saímos ainda noite em comboio de carros, jeeps 4*4 e, turismos como o nosso. A claridade ia surgindo e, apanhamos o nascer do sol a meio da subida nessa duna quarenta e cinco; em fila indiana gente de muitas latitudes, falando línguas diferentes estavam ali, tal como nós para saborear a natureza em toda a sua plenitude. O sol com o seu disco grande e amarelo ia subindo no horizonte do lado esquerdo; uns mundos de sombras movíveis rodeavam-nos como coisa galáctica; o amarelo das dunas contrastava com o preto das sombras.

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As figuras sinuosas a mudarem a todo o instante - algo nunca antes visto e em um palco de grande espaço, aonde também parecia nos movermos como numa ilusão sem infinito. Naquele dia casei com Sossusvlei; a fina cortina de areia desprendida pelo vento mais parecia uma seda ondulante de noiva roçando o meu rosto, os meus olhos, a minha boca. Beijei a areia feita um véu, como se fora um deus menor e os sinos das cigarras disseminadas em esqueletos de árvores perpetuaram para sempre ao meu ouvido aquele som.

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Ali era um bom sítio para entregar a alma ao criador. Foi sem dúvida a mais bonita catedral que já visitei. Se por ventura viver 333 anos, quero lá voltar na segunda metade do meu percurso. Ali, o feitiço tem mais encanto, coisas que não se apagam da retina. É esta, uma das imagens que afagamos nos dias de indulgência, nos dias de amarguras involuntárias, nos dias impregnados de incontidas revoltas. Valeu a pena subir aquele morro de areia ondulante – figuras sobre milhões de grãos de areia ora amarela ora avermelhada; levou talvez uma hora a chegar ao topo, dois pés para a frente deslizando um para trás.

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Ali, e naquele momento, aquilo era o céu. Envoltos em azul vivo, escorregávamo-nos no vermelho longínquo tremelicando a cércea no horizonte das terras altas, o amarelo ouro das dunas e o preto das sombras, cada um de nós se sentia "um senhor do mundo". Sossusvlei ficou para sempre gravado na nossa memória. Para trás (dias antes), ficava aquele pedaço de coisa caído do céu, uma bola de fogo rija como o titânio; o tal de Meteorit caído no meio do nada, como que uma pequena recepção feito bolo num imenso Calahári.

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Na Namíbia a distância não se mede em quilómetros, mas em tempo e, percorrer todas aquelas distâncias é como completar uma missão impossível. Após pagarmos uns poucos "Randes" a um homem fardado, entramos no tal lugar. Lá estava aquela coisa com 60 toneladas, uma liga de fusão vinda do Universo, dum infinito lugar. Meteorit era o nome indicado com a referência de Hoba West, não muito longe de Grootfontein (em África tudo fica perto, é ali mesmo patrão, mwadié).

:::::50  nauk3.jpgnauk003.jpgMeteorit (foto de foto)

Toquei aquele titânio rijo e frio, embasbacado sentei-me observando-o por algum tempo. Sentado na duna recordava os anteriores dias anoitecidos num universo de estrelas – ali a noite cai rápido. Posso imaginar quantos fotógrafos desejariam estar ali no Sossusvlei sem ninguém à volta por dezenas de quilómetros, sem qualquer ruído e acompanhados apenas pelo último raio de sol, pelas primeiras estrelas no céu imaculado da Namíbia e, o brinde no topo deste cenário, numa noite de lua cheia…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:36
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Quinta-feira, 4 de Julho de 2019
N´GUZU . XXXV

CINZAS NO TEMPO – NA ROTA DAS FALÉSIAS - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade … 04.07.2019

N´GUZU é força, em Kimbundo

Por

soba0.jpegT´Chingange - No Algarve do M´Puto

praia.jpg Para ler até ao fim – São só DEZ itens…

Emagrecendo o tempo ao invés da barriga, uso suspensórios de encurtar chatices afiveladas e, em minhas caminhadas pelos promontórios da terra, uso-o mais para segurar o microondas-ipad a fim de ouvir música e balelas da rádio. Assim na divisa com o mar cuja vista pertence aos ricos porque os pobres assim vão ficando, engordando a imaginação e vendo passar os navios por entre as silhuetas das casas, daqueles. Com o tempo vão surgindo na cércea palmeiras a substituir alfarrobeiras e oliveiras importadas da arábia e, num repente o mar vai desaparecendo tapado pelos oásis e, por quem canta de galo.

CARVOEIRO01.jpg Ou por quem tem suficiente dinheiro para o mandar cantar, o galo de cima, o de poleiro feito de pau torto ou o granisé freguês da junta; manter uns jardineiros e um sem número de células de raios vermelhos e envernizados no disfarce para detectar intrusos, calar a boca aos patos e gansos com manias de empertigados, assim como eu. Raio que detectam quem tente entrar num parque quase temático, cercado quase até à falésia, assim fugindo ao rigor dos planos com projectos de ordenamento. As leis do Domínio Público Marítimo, pelo que é sabido, ainda não mudaram mas, deste jeito e quase fechando seus acessos ,parece que sim – que as há.

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Num lugar aonde as casas não deveriam ser mais altas que uma amendoeira, surgem palacetes com elas, as amendoeiras metidas em vasos nas açoteias, vulgo terraços, para inglês-ver, tá-se-a-ver! Amendoeiras, suficientemente grandes, para nos adulterar; a nós ou às leis que são seguramente untadas com bilhões como se permite dizer tão vulgarmente nos dias de hoje e, porque já ninguém rouba tostões assim como nos livros das vendas do antigamente. Em lugares destes, que o devem ou deveriam ser, nobres para toda a gente, não deveria ser permitido construir até 500 metros da costa ou falésia casas cuja cércea subisse mais alto do que uma alfarrobeira.

praia1.jpeg Mataram o Muammar Al-Gaddafi da Líbia, porque era um filho-da-mãe e déspota, mataram Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti que foi um político e estadista iraquiano, porque pelo que diziam era também déspota e andava a usar umas armas terrificamente maléficas (agora, tudo por li está pior...); E, na onda da subserviência do M´Puto aos DDT do Mundo, seguiram-se as estranhas façanhas made in USA; e assim como uma marionette comandada à revelia da gente (povo do M´Puto) e, agora o que se vê, é gente a imitar vidas espiraladas como se estivéssemos na Babilónia de há um quatrilhão de tempo. Andamos a ser enganados – Tambulakonta!

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Nem tanto um quatrilhão de anos mas mais propriamente no século VI a.C. e, que foi capital da principal potência da Mesopotâmia. Ainda se fosse o nosso José Manuel Rodrigues Berardo, habitualmente conhecido como Joe Berardo, um empresário conhecido coleccionador compulsivo com o dinheiro do povo, formatado numa tão ecléctica versão de misturar budas com caixas de fósforos ou postais de navios que atracavam na sua ilha de sonho. Sim! Ainda se fosse este senhor, vá que não vá! …

praia2.jpeg Mas, eu que saí bem cedo para apreciar coisas, emagrecendo o tempo, vejo-me de novo encavalitado nas arrudas que quando pisadas cheiram mal pra caraças - menos mal que ainda há calafito para curar todas as maleitas. Pois! Vamos ver se componho bem o ramalhete: O M´Puto, por via dum desenrasca nacional encarquilhado de crise, fez uma lei a que se se chamou de PIN – Projectos de Interesse Nacional tipo Visas Golden, para captar dinheiro vivo (Eles estavam todos, aflitos - EETA). Estão a ver o filme: Isto para permitir bizarrias desacostumadas entre nós a troco do tal PILIM – um desenrasca. Em qualquer cor de goveno, seremos sempre uma Geringonça

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Depois disto, das leis que provavelmente até já devem ter mudado, resultou em fraudes, em burlas e adjacências adjectivadas de coisas feias com derivados de descarado roubo e, assim, para porem em segundos ou dias, chineses a falar português, coisa quase inaudita e, como se fosse possível pôr gaivotas a ladrar e, ou cães a piar. Algo está mal! Por isso também ladro. Mas, e porque se trata dum passeio pedonal pelas arribas do cú da Europa, passo ao promontório que tão bonito é…

praia4.jpeg Chegado a uma das torres de vigia do tempo antigo conhecidas pelo linguajar popular de fachos, almenares ou atalaias, por aqui diviso o azul que se cola no horizonte com o céu. Estes, eram ocupados dia e noite e sobretudo durante o verão para dar alerta dum qualquer desembarque de piratas ou corsários vindos do norte de África e de outras paragens. Hoje vêm de todo o lado, coisa pouca para quem pensa pequenino.

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Estes flibusteiros pilhavam e faziam cativos, principalmente durante a secagem do figo e, de vez em quando, havia muita gente por aqui distribuídos em fazendas e, ou quintas. Há menos de um século ainda se faziam contractos com gente do Alentejo e até das Beiras do M´Puto para estes trabalhos sazonais da apanha do figo, da amêndoa ou alfarroba. Hoje quase tudo está ao abandono! A agricultura deste género é coisa de pobre e a água não é de fartura. Ou é por falta de diálogo com nosso Senhor ou falta de procissões a pedir chuva e também escravos da Mauritânia para trabalhar de borla.

praia3.jpeg Os tais flibusteiros, fitavam também as armações de atum e sardinha chegando com facilidade às alagoas; nestes tempos havia necessidade de se captar gente para escravizar lá naquelas arábias. Esta torre ou Atalaia da Lapa foi construída no século XVII; é uma estrutura maciça, em alvenaria de pedra e argamassa de forma circular, com cerca de cinco metros de diâmetro. O olheiro chamado de facheiro do mar, subia numa escada para este maciço que em caso de avistar barcos estranhos fazia uma fogueira de noite e, de dia provocava nuvens de fumo com lenha molhada; tal como o faziam os índios americanos Sioux nos sítios altos de lá; da forma como em pequenos líamos tal e qual nas bandas desenhadas e literatura de cordel brasileiras.

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Desta forma protegiam a barra do rio Arade por onde entravam esses tais de flibusteiros moiros, alertando com estes sinais as populações e as guarnições das fortificações da região costeira. Há bem perto daqui, deste vale suspenso, uma linha de água conhecida por Vale da Lapa, uma barragem aonde se retinha água no período das chuvas para poderem tratar, lavar olear e meter em ânforas o atum, cavala ou sardinha a enviar para toda a nossa costa Atlântica e até, mas também, ao Mediterrâneo. Cá para mim isto é do tempo dos Romanos  e muito antes do tal século  ZERO, de quando pregaram Cristo numa Oliveira com pregos artesanais (versão de espeleólogos, arqueólogos, geólogos e afins - todos agnósticos que não crêm em  SãoTomé)...

estombar2.jpeg Tenho aludido ao termo carso por ao longo deste promontório que vai desde a Ponta do Altar em Ferragudo até terras de Albufeira, porque é um relevo produzido pela dissolução das águas superficiais e subterrâneas sobre a rocha calcária. E, é assim que surgem grutas, arcos e algares que são poços naturais feitos pelo desgaste dos solos mais soltos e as lapiás, relevo plano de calcário do qual fazem "pias" de superfície  (algo quase raso) como se fossem eirados, diria ser assim uma cisterna que capta a água desse lajedo. Com tempo, vos darei mais conhecimentos que irei partilhar convosco porque vós sois, parceiros cinco estrelas! E, também porque são candidatos ao prémio “ Catana Doirada”…Mungweno!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:02
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Quarta-feira, 3 de Julho de 2019
CAZUMBI . LV

OS FALCÕES DE NOSSAS VIDAS - OS FALCÕES DAS MINHAS PRAIAS - 02.07.2019

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Na Lagoa do M´Puto - Algarve

Envaidecendo-me entre tufos de aroeiras, de orelhas e nariz arregaçados, espaireço-me com tudo com mais os olhos de ver recordando que as raposas daqui (que aqui havia) escasseiam mas, ao invés disso no outro M´Puto - Portugal, as raposas crescem duma forma muito inaudita, ladinas como nunca visto, nem previsto.

carv0.jpg Bufando minhas raivas pelos poros e no topo das falésias, olho e ouço barulhos de coelhos fintadores e assim num turbilhão de espairecer o físico e a mente, chego aos níveis de enriquecimento ilícito por via da corrupção. Portugal está negligenciando isto! Piso pedras agressivas neste caminho de sobe e desce pensando, quando só queria mesmo enxugar minhas lamurias por só ouvir tantas e demolidoras atitudes sem vislumbrar acções drásticas, o quanto baste.

Ao longo da minha vida gozei de muitas e belas praias; umas houve que ficaram no canto da retina, surgem às vezes em pensamentos ou sonhos. Em Angola a praia da Samba em Luanda aonde aprendi a nadar, a surfar, a pescar, a brincar às jangadas com bidons roubados nas obras públicas, coisas de candengue. Os falcões dali e agora, não são pássaros, são gente feitos “Falcão-kissonde”. Depois mudaram-se para o Mussulo, feitos já suas excelências com um pelotão de mocambos, auxiliares com bajulinhos embutidos em cheiro de aviário. Assim, vuzumunam ali a sua petulância, prepotência e poder com banga de mwngolé.

estombar3.jpeg Da Praia do Francês em pleno Nordeste Brasileiro não há falcões na forma de pássaros; em sua substituição há urubus pela costa, nos coqueirais, como se fossem gaivotas. Mas, há muito mais pelas urbes grandes, pelos municípios e com suas duas pernas fazem fintas com cambalaxos no jeito de borralheiro dão bassulas - remendador de pneus, remendando nosso kumbú, nosso pilim, nosso suor feito dinheiro.

Em todo o lado parece ser assim! Maldita confraria de larápios, falsos falcões - falcões do M´Puto, de N´Gola ou dos Brasis - predadores. Bem, agora e aqui, aqui aonde calcorreio falésias, são mesmo pássaros; acompanham-me por vezes. Assim é na Praia do Carvoeiro do Algarve com sua recortada costa cársica e aonde nidificam, ora roubando os ninhos já feitos à outra passarada, ora construindo-o em ranhuras de rasos arbustos; limitando-se a pôr os ovos directamente sobre a plataforma escolhida; não é raro encontrar ninhos de Falcões em buracos de ruínas ou na própria falésia.

bolota2.jpg Pensando e circundando com os cuidado requeridos por via de pedras roliças penso na treta de "Presunção de inocência" e dessas saídas manhosas que os DDT usam com seus bandos de doutores advogados que tudo fazem para se guindar na vida nessa mesma forma corrupta - Falcões ou Corvos especialistas em subtrair nossas migalhas. Outras vezes esperam tanto que a propósito a lei tal e seus edeceteras, expiram... Os colarinhos brancos sempre se safam e, por isso recordo um linguajar de pergunta, ao jeito brasileiro "Mas, quando é que um RICO vai para a cadeia?

Iniciei esta crónica para falar dos falcões e acabei por me debruçar nos predadores feitos homens que surgidos de muitas latitudes da Globália também para aqui vieram; só que alguns têm as garras demasiado afiadas e, falar deles é só criar contratempos. Falando desta costa com praias de maravilha que são património vivo, seria muito bom ficarmos resguardados da malvadez, humana, e da sua utópica sustentabilidade tão apregoada. Aqui direi: " Quem tem dinheiro vê o mar"; quem o não tem fica "A ver navios"...

zeca02.jpeg Passeando minha reforma entre carrascos, arruda, e espinheiras com arranha cão e quinambas, recolho espantos do mar vendo por vezes golfinhos entre os leixões ali tão perto; contornando algares sinto o restolhar de roedores, coelhos e perdizes que esgravatam entre as rosas- de-cão, orquídeas Ophrys lutea, speculum ou maios-roxos nos vales suspensos.

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Com mais tempo falarei destes caminhos dos promontórios e vales suspensos de carbonatadas rochas com mais de dezasseis milhões de anos e, do alvoroço das primeiras horas do dia. Das torres de vigia do tempo dos romanos Falarei entre coisas do nosso dia a dia com falcões de verdade ondulando o que seja com os cantares de rolas e pombos bravos, toutinegras, gralhas e até gaivotas.

CARVOEIRO01.jpg No Torreão da Atalaia, a nostalgia estava escrita com rasgos na pedra; sicrano e fulana aos tantos de tal, estiveram aqui com todo o amor do mundo. Um lindo sítio para perpetuar aventuras, apalpar os dígitos das luzernas como um farol de vida desenhada assim porque, uma vida sem memória não é uma verdadeira vida! No final as cigarras, já fantasmavam minhas antigas alforrias.

O Soba T´Chingange

 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:45
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Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
A CHUVA E O BOM TEMPO . CI

EXCESSO DE OPINIÃOParte UM - 23.06.2019

- As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local: -Nus e ateus…

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Algarve do M´Puto

cacu6.jpg  Entretido com a rega de minhas verduras espalhadas por aí a eito e sem jeito, salsa com jindungo e hortelã mais hortenses e boldo ao lado do doutorzinho, venho aos solavancos entre o tempo dado ou esquecido das nove tomas de rega, escrever algo entre o muito que desejo escrever antes que as ditas pensadas nuvens se esfumem num aquecimento ou puro esquecimento; Meus pensamentos por via de não o serem caligrafados ou psicografados de forma instantânea como o café mocambo, provocam atraso a tantas e, tantas estórias que me dá dó não o serem, contadas, xinguiladas! Nestas alturas queria mesmo ser um ET, carregar num botão só pensado e, logo num repentinamente, ver afluir como uma flor as notícias do T´Ching…

charula.jpgFoto: Angola - Revista 'NOTÍCIA', n. º 381, de 25 de Março de 1967 (A morte de João Charrula de Azevedo)

Umas inventações criam mofo no baú do meu sótão, outras surgem e logo desaparecem como obra do chifrudo com quem nem simpatizo que as leva para as catacumbas. O título destas crónicas começaram faz muito tempo pela mão de Charulla de Azevedo na revista Notícia da Luua – a Luanda doutros velhos tempos num Um Ukulu esquecido por muitos e, a propósito, para não ficarem aturdidos. Sim! Ficarem com ataques de asma e ou até caspa. Porque Charulla se afastou para parte incerta defuntando-se com seus dois elles, levando com ele sua sabedoria para a terra, tal como as sementes de orégão que por aí andei espalhando a eito. Venho assim e, a bem das gentes, muito sem peneiras e de uma forma aleatória botar falas, feitas faladuras, como um banal linguajar

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A opinião e o esclarecimento são principios da maior importância para uma qualquer sociedade que se preze ao desenvolvimento. Claro que todos deveríamos ter a capacidade de opinar com conhecimento e fundamentação mas, a realidade que nos é dada observar é bem diferente; em umas, a bota não bate com a perdigota mas, outras são falsas ou demasiado facilistas para um plausível entendimento – recomendo cuidados…

saramargo3.jpg Isto leva-nos a fazer uma triagem sem contudo eliminarmos as subtilezas de cada interesse porque as facilidades imperam e outos vendem a alma ao tal diabo chifrudo para contento de sua malvadez ou e também para originar desvios ao pensamento alheio. Como manobras de diversão, andam muitos mentirosos ao nosso redor vendendo gato por lebre, criticando átoa e, outros se lhe seguem transmitindo ignorância. O partilhamento, está hoje disponível a um simples clicar e, até faz lembra as comadres da época quase medieval dum recanto interior, lugar aonde Judas perdeu as botas.

maximilano0.jpg Comadres que com sua boca de trapo faziam de mulheres sérias umas putas de baixo coturno, baixo calibre ou desclassificadas. Isto poderá verificar-se nos dias de hoje pela boca de gente que deveria ser estadista mas, que com seus propósitos nos fazem inevitavelmente numa coisa nenhuma. Nenhures que nunca aceitarei porque não me quero mentir, simplesmente e assim tão só e sozinho sem recorrer a sofismas políticos, merdosos de cheirar mal às orelhas, irritar os entrefolhos do cerebelo e olear de mau cheiro nossos pelos. Cabelos e até pintelhos… É que nestas alturas apetece-me dizer asneiras fedorentas para que toquem no ponto nevrálgico da alma.

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É mesmo uma bosta; hoje as pessoas lêem cada vez menos, escrevem cadavez (cada vez) pior e sabem cadavez menos daquilo que é importante. Apesar disso têm mais opinião sobre tudo e são especialistas nas críticas com visão de ponta, afiadíssima. As redes sociais são o espelho mais fiel disso mesmo e o palco ideal onde os ignorantes, tudo criticam, quase nem sabendo escrever. Outros, baseados nestas falas, opinam construindo uma mentira porque nem sabem que a água ferve a 100 graus Celcius. Pópilas! Fervem-nos a mioleira a troco de vaidades, tropelias, enganos, engodos açucarados de mel ou simples matumbice…

arau154.jpg As redes sociais são assim e inevitavelmente uma caldeirada de coisas más havendo no meio destas, umas muito poucas a assegurarem alguma coerência, sem essa desmedida venda de ilusões, invejas, negatividade entre outras arbitrárias. Desqualidades na mistura de sexo com religião e, como se essas suas fotografias do reviralho tipo conde de Ficalho, sempre fossem as mais credíveis – ora bolas: ir para a cama futricar até ver o São Arcanjo e depois dizer, este foi o melhor momento da minha vida; no outo dia é do mesmo e por esse desamor, assim descartam a alma em detrimento da felicidade. Cumcamano!

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Assim, numa troca de galhardetes e ou fantasias numa oportunidade de um agora, brilham sua ignorância sem saber que o Maximiliano Austríaco de nascença foi também o imperador do México e que por lá morreu encostado a um muro, fuzilado a bem da nação! Se um dia eu o T´Ching… vier a se presidente da NIASSALAND, não se admirem; já esteve mais longe! Isso! Maximiliano de Habsburgo-Lorena foi o único monarca do Segundo Império Mexicano. Ele era o irmão mais novo do imperador Francisco I da Áustria. O mesmo a quem e, em meados do século XVI o rei D. João III oferece a seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V, um elefante indiano que já há dois anos se encontrava em Belém, vindo da Índia dos Tugas.

maximilano1.jpg Com uma poderosa imaginação, José Saramago coloca nas nossas mãos essa fricção - obra excepcional que é “A Viagem do Elefante”. Ele, Saramago fez-nos olhar a humanidade neste campo tão vasto de ironia com sarcasmo, marcas da lucidez implacável dele, combinando com a compaixão o desamor com que o autor observa as fraquezas dos homens. Sabe-se que ele também tinha um diabinho feito peluche dentro dele. Estou-me perdendo no fio enleado da meada mas, convém dizer-se a jeitos de saber mais que, aquele mesmo território aonde Maximiliano foi Imperador, foi vendido à América – vulgo USA. Creio que por um tal de Antonio López de Santa Anna, o Rosa Coutinho lá do sítio sem Tapurbana nem rio Zaire de permeio nem ter passeado numa jaula como um macaco.

saramargo0.png A Compra da Louisiana, concluída em 1803, foi negociada por Robert Livingston, durante a presidência de Thomas Jefferson, o território foi adquirido da França por US $ 15.000.000. Uma pequena parte deste território foi cedida ao Reino Unido em 1818 em troca da Bacia do Rio Vermelho. Mais desta área foi cedida à Espanha em 1819 com a compra da Florida, mas depois foi readquirida pela anexação do Texas e a Cessão Mexicana. Para terminar haverá a tecer duas importantes considerações a levar em conta: Fé e política, não se impõe nem se prescrevem porque mesmo recomendadas, ter-se-á em conta que ninguém que esteja privado de as possuir representará a verdade. É isto a democracia!... FUI!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:00
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Sexta-feira, 21 de Junho de 2019
MALAMBAS . CCXXV

UM CACTO CHAMADO XHOBA . V – 21 DE JUNHO - 2019

– MALAMBA é a palavra

- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana (Perto de Etosha). Estávamos ainda em Luderitz, terra soprada a frio e com areia, por Nosso Senhor … Foi no ano de 1999

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

luderitz26.jpg  Aqui em Luderitz, como as horas acordam cedo desfazendo-se em minutos gélidos pelos sopros do mar, gozando mais regradamente os bens da inteligência e da vida, remexo a chávena com meu especial milongo de adstringir triglicéridos, uma cachaça, aguardente do M´Puto trazida em contrabando; assim feito muambeiro, tomei com um agrado, aquele agora da vida na forma de café arábico. Desolando-me numa sinceridade gemida de tudo o que é ilusão, indeferia-me nos contornos que se transportam sempre às costas, um pessimismo que sempre se enrola no soalho do cerebelo.

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Assim taciturno, com o kispo enfiado pelas orelhas, todos os cinco, fomos ver o padrão de Luderitz numa ponta pedregosa colocado pelos Tugas naqueles tempos de quando ainda se alimentavam sonhos de grandeza com Diogo Can. Sei o quanto é difícil ler o indecifrável mas soe dizer-se que a teoria do pessimismo quando implodida num deserto, é bem consoladora para os que sofrem e eu, com meus sessenta e quatro anos nesse então, já não tinha fornalha para alimentar lentas combustões. Isso - Na forma de chatice!

luderitz8.jpg  Necessitando de renovar minha paz por mais uns dias em país que não o meu, insurgia-me contra essa maçada de pagar expedientes ou emolumentos numa terra com padrões de meus ancestrais situados um pouco mais a Sul e no lugar de Elizabeth Bay. Foi quando vimos as duas hienas esgueirar-se na esquina salitrosa dum prédio roído pela maresia; chafurdavam em um conjunto de bidons contentores contendo restos. Neste encanto de desespero entre o mar e o deserto, rendilhamos nossos sonhos com muitas pedras roliças, daquelas que já andaram e desandaram milhares de vezes a recordar que somos uns nada comandados por mistérios…  

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Mesmo que rumine uma harmonia que me favoreça a dormir embalado pela mão de Deus, esta paz fica-me cara porque aqui na terra, os homens pagam-se bem pelos expedientes. Regressando à teoria do pessimismo, terei de concordar que é certo o que se diz de que o que tiver que acontecer, acontece, e neste caso aproveitarei rever um oceano de acácias, desertos e bichos na firme vontade de não ser extorquido como um qualquer turista para ver pedras e ou atravessar uma curta ponte construída pelos colonos. Em áfrica tudo é possível (TIA - That is África).

luderitz16.jpg Coabitando com este gozo de incertezas, preencho a inspiração sem doçura, um veludo negro cuspilhando-me num desconsolo na alma. Mas como “há males que vêem por bem” acoitei minha curiosidade em ver cavalos selvagens por esta grande área aonde as areias foram tomando conta das casas; eram em tempos cavalgaduras dos alemães até que um dia em que os diamantes de sonho deixaram de aparecer a brilhar, Também a guerra grande que chegou até aqui destroçou vidas com brilhos cintilantes como as estrelas do céu que aqui e de noite são aos triliões.  

luderitz13.jpg Sem me assustar com a calma tremeluzente que carrego, trotei como aqueles cavalos a sobreviver alvoroços e, daqui segui, seguimos para Windhoek feito um naco grande de sabão p´ra macaco com almofadinhas de chita branca, carteira com dólares verdes numa forma de amaciar minha rigidez branca. Em terras de negro que, só parecem querer meu kumbú, irei rever meu Rundu, meus amigos fujões do outro lado chamado de Calai no Okavango, um rio de maravilha que desagua numa lagoa grande chamada de Delta. Outra corrida! Outra viagem! A vida é assim mesmo, como um carrossel.

luderitz15.jpg Recordar a estória do final do ano de 1975 de, quando um General de Pretória num dia intercalado das guerras independentistas, chega um indivíduo sem nome a Grootfontein; Este senhor levando um visto de trabalho em nome de João Miranda saído às pressas de Angola; um Hércules C-130, levou a família inteira para Pretória. João Miranda que tinha todos os seus bens em Dírico, não queria por nada ir para Portugal, seu Trás-os-Montes na Miranda do Douro. A este homem quase lendário, deram-lhe um apartamento do tipo T4 totalmente equipado; o General viu nele o perfil certo para ser integrado no batalhão Búfalo por ser um bom conhecedor do terreno e falar a língua local e dos bosquímanos, os Khoisans.

luderitz10.jpg A companhia Búfalo estava a ser organizada já algum tempo no intuito de intervir em Angola salvaguardando investidas comunistas. Ovoboland seria um território tampão àquele avanço. Dizia-se que estavam ali em Windhoek os recrutadores de possíveis militares a integrar naquele batalhão, eis PIDE-DGS. Tudo dependeria da aptidão e vontade de vir a ser um soldado da fortuna, vulgo mercenário, segundo os pontos de vista diferentes e diferenciados dos “mãos-limpas”. Foi lá no Hotel Safari que me instalei em diferentes fases da independência de Angola. Pela primeira vez comi ostras no gelo; ali, iria recolher elementos junto a muitos refugiados, alguns deles, agentes da PIDE que tinham uma noção exacta das movimentações em curso. Recordo um tal de Rocha de Oshakati, que me fez o especial favor de me dar abrigo numa casa em que a porta era uma autêntica obra de arte – Um imponente búfalo.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:05
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MALAMBAS . CCXXIV

UM CACTO CHAMADO XHOBA . IV21 DE JUNHO - 2019

– MALAMBA é a palavra

- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana. Estávamos ainda em Luderitz, terra soprada a frio e com areia, por Nosso Senhor … Foi no ano de 1999

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

luderitz7.jpg Com destino ao povoado de Ondundozonanandana, lugar perdido no Norte da Namíbia, não muito distante do Etosha Pan e marcado em círculo no mapa Michelin, lá prosseguimos viagem a partir de Ai-Ais do Fish River por estrada pavimentada rolando quilómetros na savana até Windhoek a capital da Namíbia. Era para assim ser mas, chegados ao cruzamento entre as estradas B1 e B4 em Keetmanshop, derivamos para Luderitz pela Estrada nacional B4.

luderitz6.jpg Andando por este mundo, mares, desertos, matos, savanas, anharas e terras agrestes com matutos e mamelucos de outras latitudes, estava agora a tornar-me um mestiço mazombo viajando na terra e no tempo, ora sem GPS porque ainda não existia ora perguntando aqui e ali ou riscando o mapa com esboços, nomes e cópias destes borradas de café, lama e até sarapintados de cafufutila, esses salpicos salivados de euforia que descuidadamente saltam das nossas falas eufóricas, entusiasmáticas.

etosha6.jpg Na minha vontade, parecia só querer ser uma lenda a comparar com o feito de Amyr Klink que sozinho e num barco a remos atravessou o Oceano Atlântico percorrendo sete mil quilómetros. Foi o primeiro feito a ser amplamente divulgado na imprensa internacional que ocorreu entre 10 de Junho e 19 de Setembro de 1984, entre Luderitz, na Namíbia (África) e Salvador, na Bahia (Brasil) – quinze anos atrás. Foi um feito invulgar a mostrar o quanto a tenacidade pode vencer um sonho.

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Juro que eu, em plena consciência nunca faria isto, meter-me ao mar sem balizas firmes assentes em algo de referência, como os padrões semeados ao longo da costa pelos Tugas, vendo só o horizonte curvo a confundir-se com o céu do Nosso Senhor! Menos mal que nesse tempo de lá para trás só se cogitava que o Universo não tinha bordos, era uma fumaça sem fim. Agora tenho a certeza que vou terminar meus dias sem saber aonde fica esse tal de cu-de-judas do fim do Mundo.

swakop5.jpg O mundo continuou a girar como sempre e, não mudou por este feito mas seus “Cem Dias entre Céu e Mar” ficaram nos anais da coragem marítima. Comparar-me assim minuciosamente com tamanhas aventuras é consolar-me com alheios fumos, fumos de charutos como se fossem pensamentos num tom cor-de-rosa que s perfilam em matemática quântica. Desfalecido nos ombros, um pouco mais tolo e muito mais míope, agora, já com a audição a não ouvir cantares de galo, coxeio-me em vozeados ambientes de cochichos frouxos. Coitado de mim! Bom - prá frente. Em Keetmanshop, procuramos em arcas carne de caça para fazer um brai-churrasco e acabamos por encontrar uma carne escura; era de órix, esse belo animal que se podem ver fazendo pose nas dunas de areia vermelha lá no horizonte.

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A senhora bóher do armazém-venda, queria impingir-nos outra carne porque aquela era de caça mas, mal sabia ela que era isto que procurávamos. Em seu conceito, não era normal os turistas comerem bichos-do-mato. Como podem verificar, missionando o toutiço, perdi inteiramente as minhas belas cores europeias, a cara sarapintada de funchos, crateras com rugas extravagantes. Isto só pode fazer confusão a quem anda sempre teso, com seus colarinhos engomados, cheio de obséquios e unhas estimadas, sem nunca sentir os medos indefinidos que arrepiam as carnes como pés de galinha. Desfigurado pelo tempo, cheio de cãs, estonteado pelos muitos calores, passeio pelo mundo o meu isolamento procurando entreter-me cada vez mais só; metido entre meus botões…

luderitz4.jpg Por vezes as companhias são obtusas e confusas, cheias de nove e onze horas como se fossem os donos de todos os relógios; já me aconteceu destas tormentas mas, agora interessa é falar de Luderitz. Chegamos ali ao fim duma tarde, um frio com vento de arrepiar para cima de nós; aqui nem pensar em ficar em camping. A areia era cuspida pelo Nosso Senhor como gente abençoada e, assim tinha sido até aqui na estrada que nos trouxe. Recolhemo-nos no Krabbehoft Guesthouse Catering e apartments embrulhados em nossos kispos tiritando das quinambas.

luderitz2.jpg Tudo ao molhe e fé em Deus! Havia gente jovem de muitos lados e na confusão do meu Inglês raspikui misturava-se com o je suis e falas com tremas na vontade de “seja o que Deus quiser”- Saravá! Dizia eu para desatarraxar as encrencas. Afinal não éramos os únicos malucos a andar soprados ao vento da aventura. Ao chegar ali, os hóspedes têm a sensação de ter caído repentinamente nas páginas de um romance de Hemingway, talvez Papillon. Bem! Uma mistura de tudo… Um espírito e, um ambiente ultra "bush", uma caserna bechuanaland com gente estendida pelos corredores dormindo em sacos cama. Lá fora as hienas castanhas farejavam os bidons de lixo, os restos, assim mesmo como se fossem cães…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:22
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Domingo, 16 de Junho de 2019
MALAMBAS .CCXXII

UM CACTO CHAMADO XHOBA . II13 DE JUNHO - 2019

– MALAMBA é a palavra

- Boligrafando estórias em cor antiga - do Mu Ukulu em lugares tão fantásticos que até o nome se alonga de gozo: Ondundozonanandana… Foi no ano de 1999

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

IMG_20170901_115753.jpg Foi nesse sítio de Mata-Mata, lugar ideal para se sepultar o passado que encontramos o milagroso cacto escondido entre tufos espinhosos, verde, gomoso e muito ornado de picos; agressivo no aspecto, engana no entanto a fome ao povo Bosquímano há séculos. A fronteira da coragem transpira incertezas naquele povo a quem Nelson Mandela cedeu 400 milhões de metros quadrados para mitigarem a fome explorando este milagroso cacto.

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O xhoba para além de surgir naturalmente na natureza, também é cultivado por esta etnia Bushmen, por algumas tribos nómadas que vivem sem fronteiras entre Angola, Namíbia, Botswana, Zâmbia, África do Sul e Zimbabwé. Este cacto torna-se agora conhecido, fruto de pesquisas nos laboratórios ocidentais e ao longo dos últimos tempos no intuito de controlarem o problema social da obesidade, consequentes problemas de colesterol com os triglicéridos.

xique xique3.jpg Lípidos que sendo importantes para o armazenamento de energia no organismo sob a forma de tecido adiposo, podem originar problemas cardíacos ou doenças coronárias em geral quando em quantidade elevada. Se bem se recordam da figura do bosquímano, ele é seco de carnes e, de estrutura perfeitamente musculada. Pois o xhoba que, também conhecido por Hoodia, é um cacto da família suculenta que cresce naturalmente na África do Sul, a norte, desde a Costa Atlântica até ao Limpopo.

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Tem a particularidade de eliminar a fome reduzindo duas mil calorias por naco e por dia; viscoso e azedo, quando ingerido, engana o cérebro até à linha zero, num gozo de deuses ladeados de chacais, caracais ou hienas. Entretanto vi-me obrigado a apaziguar inquietudes por evidente encantamento deste Kalahári. As noites frias daquela terra de Bushmanland crepitavam em fogueiras, alçadas labaredas do meio de tanta negrura. E, eles gente do Kalahári, embrulhados toscamente numa pele, numa tanga.

spring1.jpg O que despertou o interesse das grandes farmacêuticas no sentido de sintetizar o princípio activo da planta foi uma tal de “molécula P57”; a mesma que ajuda a suportar a fome e a sede durante suas longas caçadas, sem efeitos secundários. O fumo da fogueira dissipa-se num vazio de milhões de estrelas enquanto no retiro das precárias cubatas-choças, pelo que também se diz o frenesim do amor ou relações de corpos se desprende naturalmente pelo efeito afrodisíaco do mesmo xhoba (assim dizem).

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Existem cerca de 20 variedades desta planta mas é na variedade Hoodia Gordinii que é encontrado um supressor de apetite totalmente natural; assim se pode ler algures em uma publicação farmacêutica. No ano de 1997, a licença da descoberta foi vendida a uma empresa britânica, Phytofarm, que por sua vez vendeu os direitos de desenvolvimento e marketing à gigante Pfizer Corporation. Os interesses comerciais entram aqui com sua natural e exagerada relevância que nos levam ao género humano que somos hoje, estereotipo bem diferenciado dos Koysan, da etnia Bushmen, Bosquimanos ou da tribo nómada dos "San"…

swakop5.jpg De uma forma mais activa, a P57 tem um comportamento similar ao que a glucose tem ao nível das células nervosas, no cérebro, levando o corpo a pensar, que está cheio, mesmo quando não o está, cortando assim o apetite, como explica o Dr. Richard Dixey, da Phytofarm: “Existe uma parte do cérebro chamada hipotálamo. Dentro do hipotálamo, situado no centro do cérebro, existem células nervosas que detectam a presença de um açúcar chamado glucose".

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Quando comemos, os níveis de açúcar no sangue aumentam por causa da comida e estas células começam a lançar para o corpo a informação de que estamos cheios. Pois o que o xhoba parece conter é uma molécula que é cerca de 10 mil vezes mais activa que a glucose. A maturidade dos Bosquimanos mede-se pela idade, no encanto de estalar conversa em contos e, por isso, são a mais velha biblioteca oral do mundo. Os mais velhos, kotas, engalanados em contos de místicas com lendas de mussendos ou missossos, descrevem por estalos sua coragem despida de preconceitos porque os desconhecem.

namib5.jpg De sabedoria debruada em muitas rugas, olham num permanente espanto as coisas que nós os ocidentais inteligentes banalizam e, uma casca de fruta que pode ser um grande património para eles, torna um fio com uma linha uma tecnologia espacial. Para nós alienígenas ocidentais do mundo terreno, iremos dizer do quanto é maravilhoso ter comprimidos que permitirão encher o bandulho de pasteis de creme e baba de camelo às duas da manhã, ou sorvete na forma de gelado sem riscos de se ficar com um peso na consciência. E, tem mais, as mulheres não deixarão seus maridos à solta se souberem que ingeriram uma vitamina super de xhoba…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:43
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Sábado, 15 de Junho de 2019
MALAMBAS . CCXXI

UM CACTO CHAMADO XHOBA – 10 DE JUNHO - 2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor antiga - do Mu Ukulu … Foi no ano de 1999
Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

koisan5.jpg Na descoberta de África, chegar aonde os outros não chegam e, a partir de Cape Town, rumei às longínquas terras do fim do mundo, terra do nada que na língua Ovambo tem o nome de Namíbia. O destino do Rundu na Owamboland estava a 2500 quilómetros mais a norte, fazendo fronteira com Angola pelo rio Cubango ou Okavango. O mesmo que vai desaguar não no mar, mas numa vasta área chamada de Delta do Okavango.
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Cedendo a rogos do meu ego, não fiz mais do que executar um plano há muito preparado com Mapas do Cuco edições e mapas Guia Michelin, uma publicação turística destinada também a classificar restaurantes e hotéis; decidi-me a atravessar os grandes desertos do Karoo e Kalahári, na rota de fuga do povo Boher, sempre para norte. No ano de 1999, fim do século XX, regimentava minha vida acumulando sentimentos de muitas dúvidas amontoadas.

koisan7.jpg Já nesse tempo não estava bem aonde estava tal como o Variações, um cantor barbeiro e cabeleireiro que também sabia cortar palavras. Nesse tempo ser gay era uma afronta feia de maricas, hoje, até os que não são, dizem ser para ter acesso social!? E, têem-no na TV, no governo, no mundo da canção e o escambau e... mas o assunto é outro sem esse tal de orgulho gay. 
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Os montes de sentimentos com angustias de permeio a fazer de talvegues a formar rios, foram aumentando e, agora até serão serras mas, sem cura agendada, noto que as multidões fizeram por esquecer para não se tornarem suspeitas ou até marginalizadas. Isso! Só que meus assobios tinham de se dispersos no deserto. Por este motivo cheirava a terra depois da chuva e, a partir da Cidade do Cabo fiz-me ao caminho.

koisan9.jpg Levei a cabo a travessia desde Cape Town até à Cidade de Maputo, antiga Lourenço Marques. Passando por Windhoek, Walvis Bay, Victória Falls, Lago Kariba no Zambeze, Tete, Beira, Chimoio, Macia-Bilene e por fim Maputo. Voltei a repetir parte desta volta no ano recente de 2017, a qual ainda ando a digerir e escrever (tenho os apontamentos por aí...) mas, o desencanto levou-me a ver tudo mudado e, para pior. Talvez, se a tivesse feito do meu modo, teria sido bem melhor; andar à boleia de quem diz conhecer tudo, dá nisto, contrariedades. Ferrei-me!
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Percorrendo mais de treze mil quilómetros, perdido de amores por aquelas escaldantes terras, o sol esfregava a brisa assobiando cânticos quentes no nossos rostos, também nos sonhos agrestes de sedução trazendo-nos a areia fina. Lambuzando-nos pelas narinas, flagelava-nos de braveza por vezes humedecida pelo mar até Knysna na Costa do Ouro 
aonde desviei para norte para ver as grutas de Kango Caves e, redescobrir assim primitivas vidas.
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Seguiram-se outras terras até que parei em Upington, nas quedas de Augrabies em pleno rio Orange, o rio da integridade Boher, rio dos sonhos e fugas aos Ingleses. Ali, no meio da neblina matinal por entre fráguas gigantes como as Moon Rock, no Augrabies Falls National Park. Nestas águas quentes revi o passado, pecúlio de quem nada espera, esperando...

koisan12.jpg Finalmente passando dias de sensação esfarelando o tempo em velocidades porque o tempo "ruge" cheguei a twee Rivieren e Mata-mata mais a norte, sitio seco, penedos queimados pelo sol dispersos na areia e uns tufos por aqui e ali, fronteira com o Botswana e Namíbia, um fim de mundo com koisans, busquimanos. Sitio ideal de aventura para se enterrar o passada. Foi aqui que encontrei esse milagroso cacto Xhoba...
( Continua...) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:09
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Segunda-feira, 10 de Junho de 2019
FRATERNIDADES . CXXI

FRINCHAS DO TEMPO . 04.06.2019
NO DIA DO MEU ANIVERSÁRIO, QUASE VI RATOS A PIAR, GAIVOTAS A LADRAR E CÃES A GRASNAR...
Por

soba002.jpgT´Chingange - No Algarve - Reino das Aroeiras do M´Puto

tonito01.jpg Aconteceu pouco depois do nascer do sol neste Sul de promontórios, ver entre os matagais de aroeiras e mato indeterminado muitos coelhos aqui e mais além fugindo ao barulho de alguém que era eu, que caminhando na crista das encostas podia ver o horizonte do mar ligeiramente curvo, como que interligando céu com água num azul indiferente ao tom e às metáforas analíticas com equações quânticas. 
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O Infante D. Henrique que morreu em 1460 sem saber içar uma vela ou, toscamente ximbicar um remo duma qualquer canoa ou chata, não andou por aqui mas, no jeito que a história conta, ficou como sendo um grande navegador alterando o destino do mundo, descobrindo novas terras sem nunca lá ter posto os pés.
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Neste meu passeio foito entre gaivotas e toutinegras, gralhas e pombos bravos encimados em buracos escarafunchosos e esbarradoiros, as lagartixas miram-me curiosamente como se fosse um agente do além. A um escasso quilómetro do meu casulo - cubata, deparo com um bando de gaivotas que no meio dos muxitos de aroeira barulham voos, bem ao jeito de como se depenica comida numa algazarrada cobiça. 

lagoa2.jpgAqui, terras do meu latifúndio, ondulado por barrancos verdes e clareiras avermelhadas, por falsos outeiros secos e ressequidos de matagal, oliveiras bravas, carrascos, arranha-cão e zimbros entre pedregulhos calcários, corro o risco de apanhar carrapatos se no meio deles andar - nos muxitos. Mas, e caminhando deparo com a ladradeira de bem mais de dez cães, uma matilha. 
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Confuso, concluo que por aqui anda alguém dando comida aos bichos. As gaivotas às centenas disputam candeeiros para poiso e piam de forma lenta, aguda e longa, arranhando os tímpanos; arrepia saber que por aqui andam assim longe da costa, talvez por falta de comida no seu mar; ou é ausência de comida ou excesso populacional. Algo anda mal nestes confins da Ibéria aonde os cães disputam sobrevivência com as gaivotas. 
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Perante isto como posso ficar afoitado no desbravar de outras terras para além do meu viver?! Como adentrar-me além bombordo sem olhar neste aquém mirando o estibordo como esse tal de Cadamosto que às ordens do D. Henrique e de cabo em cabo chegou à Gâmbia?

lagoa7.jpg Chegando pela via asfaltada e com passeios pedonais ao lugar dos Torrados, da Freguesia de Ferragudo posso ouvir um restolhar de folhas e eis que do alto da amendoeira uns quantos ratos feitos passarinhos recolhem amêndoas para seu jantar. Estas coisas complicam-me a existência porque até eu à semelhança dos demais animais já faço coisas que nunca pensei fazer, remoer ou ruminar todo o tempo com as arbitrariedades duns quantos que tudo indica estarem apetrechados de sabedoria para me surpreender; assim deveria ser.
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Mas, pela negativa surpreendem-me sim! Tal como estes ratos que quase chilreiam, pelas gaivotas que quase ladram e até pelos cães que já grasnam em vez de rosnar. O mundo está a ficar às avessas. Anos atrás, nas alturas com lajedos rodeados de pinheiros pude ver raposas entre os charcos enrugados, pequenas piscinas aonde se alapavam coelhos e lebres e também os tais pombos-bravos das falésias. 
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Havia, e ainda há parcas codornizes, ouve-se o cantar de quando em vez, tordos e gralhas pretas em bandos enxotando-me dos seus ninhos. Nestes cimos eriçados com carreiros sinuosos, ainda me exercito alongando-me no mar ali bem perto e lá em baixo barulhando-se, ora perto, ora manso, ora encapelado por vezes a bater fúria.

lagoa5.jpg Por aqui ando esticando meus ossos, construindo a cada passo uma estória no meu jeito; um mussendo, um missosso entre Ave Marias mudas, encavalitadas de prefácios que se baralham e que logologo, se esquecem; hoje, perfaço-me em 74 anos revirando coisas nem sempre vistas e, do nada surge mais outro e mais outro muxoxo com ou sem mujimbo para afastar a saudade; se  assim sucede, é porque os sinos tocam. Valha-me isto!
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Como que cumprindo ordens dos meus espíritos a quem risco na areia os sinais do cho-ku-rei, do sei-he-ki e outros símbolos do reiki, vou-me tornando ermitão num lugar nobre e muito cheio de adrenalina; vidas que se vão transformando com mais ou menos iodo que nos torra a pele, que nos agiganta, mais outros que nos calcificam. 

lagoa4.jpg Aquele senhor Cadamosto, que descreveu as primeiras descobertas além-fronteiras da Ibéria cumprindo ordens do Senhor Rei e príncipes consortes, desconhecia todas estas modernas finuras de dialogar em coisas etéreas. Nesse então não havia Facebook nem Twitter nem Skype. Não falavam pelo WhatsApp como agora o faço para a conxichina, um lugar no cú de judas e aonde este, perdeu as botas.
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Chegado a casa escrevo os lembrados prefácios encavalitados nas arbitrárias e aleatórias recordações daqui e dali, do meu mundo, só para ginasticar a mente. Um dia de cada rascunho-me em cardos, arruda, estevas e chorões com flores em cores vistosas, subindo, arfando, resvalando ...

O Soba T´Chingange - Um genérico Niassalês



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:01
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Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
MOAMBA . XXXI

PELO SIM PELO NÃO SOU "COISA NENHUMA" 
- Talvez agnóstico! Talvez um ACRÓNIMO... Porque não posso ser MEIA coisa, MEIO Cristão, MEIO Ciclista, meio FUTEBOLEIRO ou MEIO matumbo... Saí um BATRÁQUIO...
Por 

soba0.jpeg T´Chingange - Em Coimbra
Andei a pé doze quilómetros e, enquanto caminhava por esta linda Coimbra fui ouvindo rádio pelo meu micro-ondas "android" e, volta e meia faziam referência a um grupo chamado de LGBT. Eu, matumbo de corpo inteiro, apercebi-me pela conversa, de que era uma sigla em que agregavam nela gente mal compreendida, gente marginalizada, mas em tempo algum disseram o que era isso de LGBT. E. eu queria saber!

amolador3.jpg Chegado a casa fui ao meu tio Google da Internet averiguar o que era isso de que eu desconhecia! Imaginei serem sapatonas, homens bichas, gente muito desencantada por ninguém entender como era isso de se andar de marcha atrás ou marcha à ré; gente que um dia o é e no outro, o deixa de ser... 
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Quando eu era puto candengue, a homens que gostavam de outros homens chamavam um nome de fazer panelas, num faz de conta porque não faziam tachos nem penicos ou cafeteiras. Bom! Canibais era e ainda é uma outra coisa. Mas, com o tempo fui-me dando conta que o rolar das incompreensões tomam novas formas a que todos chamam de preconceito...

araujo6.jpg E, fui-me tornando sábio, saber nos conformes a coisa mal compreendida; haveria que tomar tino! Pois!... Não falar à toa porque, afinal havia muita gente a usar o AMOR desta forma. Ele com ele, ela com ela, tudo misturado e os edecéteras que se possam imaginar. Não poderia ficar assim inocente todo o tempo. Tive de procurar meu ti Google que aparentemente sabe tudo e...
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E, fiquei a saber muita coisa: LGBT é a sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros. 
Pópilas! Dei-me conta que estava a ficar para trás - anormal mesmo, no meio destas novas adquirições ou aquisições. Assim; sem saber se ainda era um homo sapiens... Será que ainda sou!?

araujo34.jpg Que, desde os anos 1990, o termo é uma adaptação de LGB, que era utilizado para substituir o termo GAY para se referir à comunidade LGBT no fim da década de 1980.... Li mais que os activistas acreditam que o termo "gay" não abrange ou não representa todos aqueles que fazem parte da comunidade. Afinal, o escambau também teria de ser enumerado!
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Que, o LGBT, tornou-se popular como uma autodesignação e que tem sido adoptado pela maioria dos centros comunitários sobre sexualidade e género e em meios de comunicação nos USA, bem como alguns outros países anglófonos.... Tinha de ser! Tamanhos avanços não poderiam alhear estas nações de primeiríssimo mundo.

araujo35.jpg Fui também ao dicionário e fiquei a saber que o termo LGBT é usado também em alguns outros países, particularmente naqueles cujos idiomas usam acrónimos, tais como Argentina, Brasil, França e Turquia. Ora bem! Acrónimo é uma palavra formada com as letras ou sílabas iniciais de uma sequência de palavras, pronunciada sem soletração das letras que a compõem (exemplo: OVNI por objecto voador não identificado, PALOP por país africano de língua oficial portuguesa, etc.). Estão a acompanhar!...
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Pois então! A sigla LGBT destina-se a promover a diversidade das culturas baseadas em identidade sexual e de género. Ela pode ser usada para se referir a qualquer um que não é heterossexual ou não é cisgénero (que tem uma identidade de género idêntica àquela que foi atribuída à nascença), por oposição a transgénero), ao invés de exclusivamente se referir as pessoas que são lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneros....

araujo36.jpg Bem isto não é tudo!... Para reconhecer essa inclusão, uma variante popular, adicionou a letra Q para aqueles que se identificam como QUEER ou que questionam a sua identidade sexual; LGBTQ foi registado em 1996. Aqueles que desejam incluir pessoas intersexuais em grupos LGBT sugerem a sigla prolongada LGBTI... Estão a ver a coisa? Não é nenhuma marca de carro!...
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Algumas pessoas combinam as duas siglas e usam LGBTIQ ou LGBTQI. Outros, ainda, adicionam a letra A para os, arromânticos ou simpatizantes (aliados): LGBTQIA, LGBTA ou LGBTQA. Aderentemente há variações que incluem também pansexuais e polissexuais (adicionalmente pessoas não-binárias), como LGBTQIAP, LGBTQIAPN e LGBTPN.

araujo38.jpg Chegado aqui, já feito um BATRÁQUIO, reli de novo e fiquei OBTUSO +. Pois NÃO, Pois SIM! Finalmente, um sinal de + é por vezes adicionado ao final para representar qualquer outra pessoa que não seja coberta pelas outras sete iniciais: LGBTQIAP+. Caralho!... Já nem sei o que sou!....
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Para desconcluir: As pessoas podem ou não se identificar como LGBT+, dependendo das suas preocupações políticas ou se elas vivem em um ambiente discriminatório, bem como a situação dos direitos LGBT onde elas vivem. Vou-vos dizer fiquei mesmo complicado com esta visão... Quero ir prá ilha...

Ilustrações de Costa Araújo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:13
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Domingo, 19 de Maio de 2019
MOAMBA . XXX

MOAMBA AQUI É TRAMOIA 
TRAMOIA DE "SACOLEROS"... 19.05.2019
Por 

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra do M´Puto

berard3.png Hoje desacordei meio chateado. Até nem dormi bem por via de tanta pancada dada ao Senhor Joe Berardo. Com tanto camundongo safardana que anda por aí, custa-me muito ver tanta gente a atirar pedras, pedregulhos ao Joe. É na TV, é na tasca, é no café. Todos a zupar forte e feio num homem hábil que só teve a pouca sorte, quase infelicidade de se rir do Zé. Ontem, estando eu com meias descruzadas, quersedizer, não aparelhadas, na esquerda umas de riscas e na direita umas às bolinhas...
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Pois! Estando eu bem perto do mercado de Coimbra, chega uma senhora, pousa sua tralha e carrinho de compras à porta do café vão de escada bem perto do elevador panorâmico e, olhando de soslaio para seus bagulhos, assim um olho no cigano e outro na mercadoria...

Coimbra24.jpg Um olho aqui e outro além como o camaleão e, ouvindo gente transpirando pela boca desconhecimentos, falas só ouvidas, pede 3 sardinhas petinga para colocar na carcaça. Via-se nela ser uma desafortunada, uma velha senhora com acelgas e mastruços no bigode - assim, pobre mesmo! UMA PÉ-DE-CHINELO DE DEDÃO.
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Coitada, pensei cá comigo! Com sua reforma não pode decerto alongar-se nos gastos - deve ter um reforma de cacaracá. Do outro lado do balcão tia Micas, mulher do senhor Manel. diz: cada sardinha são vinte cêntimos! Não pode fazer por menos? Replica a velha senhora...

Coimbra12.jpg Tia Micas, entretanto põe-lhe quatro petingas num guardanapo e embrulhando, refere a carestia do produto. Não é que em seguida, ambas se põem a desancar forte e feio naquele senhor Berardo que nem sequer conhecem! Como se fossem entendidas destas engenharias financeiras, dizem o que todos dizem: - Não há direito! Comem-nos o dinheiro aos milhões e edecéteras que possam imaginar.
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Coitado do Joe! Tanta gente a pregá-lo na cruz, até sem nada saber do que é certo ou errado. Eu só espero que o "comendador" dê com a língua nos dentes e que diga tudo o que tem para dizer! Acho até, que quando ele abrir a boca, muita gente ira tropeçar na tramóia! Até acredito que ele, o fará - é bom que o faça! Que ponha alguém mais, a tremer! 

berard1.jpg Esta sociedade anda a bulir comigo! Tanto larápio por aí e, só este para desandarem! Não é que esteja com ele mas, tanta má gestão e, agora a zuparem nele - um bode expiatório, só posso pensar ser um meio ou mau juízo. E, porque Berardo sempre fez alguma coisa ao invés de outros que só deslapidaram! Que deu algum trabalho ao Povo. Lembrei-me de assim, solicitar-lhe amizade porque me custa ver correr desaforos e gratuitas falas....
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O Joe Berardo ficou rico por estar no lugar certo e na hora certa, comprou "tailings" das minas de ouro da África do Sul para as reprocessar com uma tecnologia mais moderna para recuperar o ouro. Depois, voltou para Portugal e, com muito dinheiro, comprou o titulo de "COMENDADOR" e dedicou-se a especular na bolsa. Lá na África do Sul isto é quase normal - há mais "comendadores" que pilotos de rebocadores...

Coimbra13.jpg Ajudou a sabotar a OPA da SONAE, a PT causando um prejuízo imenso ao accionistas porque os títulos nunca mais tiveram o valor da OPA, e comprou imensas acções do BCP com dinheiro emprestado por atrasados mentais (da CGD, e não só...) que aceitavam os títulos como garantia ! O Berado fez um rombo de 1000 milhões na BANCA, porque o povo Português (OS GESTORES) e muitos outros, e' BOÇAL...
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Um "povo" que dá mais valor a quem tem dinheiro e especula, do que a inovadores ue tentam arrancar com um negocio!
Berardo, está a ser o bode expiatório de uma camarilha - a que lhe concedeu os empréstimos com garantias patéticas e que só se entendem porque quem lhe emprestou (dinheiro da CGD) SE beneficiou. Não tenho duvidas!

caixa0.png Coincidentemente, uns quantos trutas da CGD - desses que decidiram o empréstimo em condições absurdas - foram por ele contratados para gerir o BCP. Um rombo no cano roto da trapacice, tal como um "lava-jacto" brasileiro. Num país a sério esta canalhada estaria presa há uma década. Por cá andamos em comichões parlamentares em que os canalhas que concederam o empréstimo se passeiam e o que recebeu o empréstimo (até ver incobrável) é diabolizado! Tenho dito!

bpn1.jpg Porque não vão analisar as fortunas dos VARAS e dos SANTOS FERREIRAS ?... Ah! O Varas já está preso por causa de uns robalos e, mais um sucateiro... Que belo administrador foi o robaleiro!!! Ele, há coisas! Mundo ingrato e maluco com tanta gente grafonola num gira o disco e toca igual,... E já no acto de pagar à tia Micas, não é que me cobra mais vinte cêntimos do que é habitual pagar ao seu Manel... 
O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:07
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Sexta-feira, 17 de Maio de 2019
KILUNDU . VIII

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O LEGADO DE PIETER - A bolunga de xylinoide -17.05.2019
O Cipaio Kukia Edu Mandinga em ALHAMBRA, assiste admirado à vassoura espacial a pairar no ar...
Por

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra 
O desanoitecer estava a chegar num dia novo de guardar memória; uma noite de minha alma arrependida de pena com contributos sentados na pedra do chão polido, raspado por tanto sapato retocidos de Aladino; sonhos alheios de tudo o mais de quando só era e, mal guardados pelo Cipaio Mor de nome Kukia Mandinga que os deixava fugir porque não os via. Seu spray de contornar kiandas invisíveis estava passado na data - Quer-se-dizer, não tinha sido fiscalizado pela suprema ASAE - Autoridade de Segurança Astral e Económica da Torre de N´Zombo. 

sapatos longos.jpg Foi quando aconteceu! Uma moderna trotinete feita vassoura, vinda do além, do futuro e, em turbo silencioso uma senhora chegou toda práfrentex, soprada por um vento cheiroso, sentou-se depois de encostar a mesma em lado nenhum seu estranho objecto parecido com uma vassoura de piaçaba; pairou assim no ar e ali ficou bem ao lado de sua dona como se fosse um cachorrinho amestrado. Chamaram por mim?  Olhando-nos dissemos: Não! Dissemos em uníssono mas ela, nem ligou e começou a falar e assim, nos compenetramos em seus dizeres.
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Tinha pena desses alheios medos fragmentados em porções, feitos pó mas, a vida dum T´Chingange, zelador dele mesmo - Soba, tem dessas periclitantes passagens pois que um M´fumo não pode em caso algum ser uma galinha depenicada na vontade de pra-esquecer: Por isso toma bolunga xylinium “legado de Januário Pieter” um alto dignitário, mano-corvo Mwata.
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Falaram em bicharocos de Kombucha e, esse, foi um toque mágico que aqui me trouxe, disse Ela, a Maga Patalucha voadora. Acabamos por anuir, ouvi-la depois de nos dizer que alguém a tinha designado de Fada Makota MSJ - Maria João sacagami, senhora dos anéis e do batom mais espelho com Oxumaré esperneando com Orixá velho e babando. No discurso directo dissecou: - Posso dizer que na verdade mesmo quem espionava por detrás dos imbondeiros dos meus caminhos era Iansã. Este Iansâ, nós desconheciamos por inteiro. 

sacag11.jpg Sim senhor, sou bem capaz de parar a chuva ou fazer chover - para gáudio e medinho de alguns que me chamam de macumbeira e nem sabem o tamanho da Minkisi ou de quem a acompanha! disse isto e riu-se, riu-se até quase entupir um canal estranho que lhe saía algures por detrás duma orelha que tremia na captação de sons e bactérias espaciais.
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E, é assim na directa fala de Majô:- As famílias de bactérias que só podem ser vistas ao microscópio são sobretudo a acetobactéria xylinium que a partir do sétimo dia começa a formar ácido acético, outras famílias xylinoides, a bactéria glucuranium e a acet ketogenum. Agora o milongo fica caté que parecido com uma kissangua de chá ehehehhehehehe tal como a kissangua pode ser mais doce, menos doce, com frutas ou não.

sacag8.jpg E, continuou: - A diferença é que tens (com nossos ouvidos escancarados na escuta, já ela a MJS, que nos tratava por tu...) que ter a tal da colónia dos bicharocos de Kombucha mais 100 mililitros da águeta onde os tios vivem para poderes criar tua mistela. Juntas teu chá (escolhes qual, pode ser kaxinde, chá branco, preto, mate, hibisco e verde). Daí podes juntar frutas ou especiarias do teu gosto - gosto de anis e canela, às vezes cardamomo ou um toque de noz moscada. 
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E, continuou: - Pode ser também grãos de café. As frutas se forem na forma de suco tem que ser apenas 100 mililitros. Deixas em pote coberto com pano fechado com elástico em temperatura ambiente e na sombra. Dependendo da temperatura ambiente entre 5 a 15 dias vai haver mudança no sabor ficando bem menos doce mas não avinagrado. Tiras 90% do líquido para uma garrafa e juntas as especiarias e/ou frutas. Fechas bem, deixando-o no ambiente até ter pressão; quando estiver pronto para tomar, se não for de imediato, terás de o colocar na geladeira para consumir em até 10 dias. 

sacag2.jpg O que fica no primeiro pote recebe mais chá. Se ficares cansado de tomar, juntas 500 mililitros de chá e deixas por até 2 meses na sombra fresca. Se ficar muito envinagrado, jogas fora 90% do chá e deixa-lo fermentar em menos tempo. Alerta para nunca se fechar o kombucha com rolhas; usa pano ou filtro de café com elástico. Ele, sem oxigénio morre! Usa açúcar daquele amarelinho. Se usares garrafa de vidro no processo final cuidado, porque tal como a kissângua, fermenta e explode.
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Ficamos todos encantados com tamanha explicação e nos detalhes meticulosos. Pois assim é disse Januário Pieter depois de agradecer sua vinda. Curiosamente até se curvou como se fosse uma "zeladora". Uma vez que Oxum fez vénia, só poderás entrar na estória como ZELADORA DOS ORIXÁS! E, coisa incomum, deu-lhe um beijo repuchado na mão direita... O Cipaio EDU - o lanceiro-poeta da Chibia,  um branco  de segunda  de N´gola já de terceira geração, estava simplesmente abuamado, espantado, olhando sem pestanejar para aquela vassoura espacial a pairar no ar. 

sacag1.jpg Januário acrescentou à coisa dita:- As famílias de bactérias que só podem ser vistas ao microscópio são sobretudo a acetobactéria xylinium que a partir do sétimo dia começa a formar ácido acético, outras famílias xylinoides, a bactéria glucuranium e a acet ketogenum.  Também ele, feito Mwata era um entendido nisso, coisa que desconhecia. As fermentações são processos muito complexos em que a menor alteração do liquido, chá verde e chá preto, pode produzir resultados muito diferentes e, daí a grande variedade de cervejas, vinhos, cidras e outros alimentos fermentados como o kéfir, pikles, queijo, tempeh, cshoyu, etc,etc...
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O chá é portanto o elemento principal desse liquido com cerca de 350 compostos químicos, distribuídos em: - 40% de glúcidos , 20% de proteína com aminoácidos (teanina), 2% de gorduras , 9% minerais de manganésio, potássio, magnésio, flúor e vitaminas B, B1, B2, B3, B6, B12, C e P; 29% são polifenois, flavonoides e catequinas do chá preto... Na prática fazemos um chá com água e açucar em quantidade por forma a produzir levedura com os nutrientes desses três elementos.

roxo60.jpg Háka! A conversa já ia longa mas haveria que ouvir na especialidade como deve ser. Para fabricar as enzimas que vão desdobrar o açúcar em glucose e frutose, o tamanho da placa de cultura deve estar proporcional ao volume do liquido pois que este se for em excesso diminui a produção de CO2. Deve portanto utilizar-se 10% do liquido “starter”, (inicial) no fundo do frasco aonde existem muitas leveduras e poucas bactérias.
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As leveduras, sendo muitas, respiram o O2 (Oxigénio) do ar porque também estão à superfície do frasco e, por isso, produzem três vezes mais CO2 mas, nenhum álcool. Convém dizer que o chá verde tem 2% de cafeína e o preto 5% pelo que, as culturas crescem melhor no chá preto. A cafeína e a teofilina são purinas usadas na construção dos ácidos nucleicos daí resultando em microorganismos como fonte de nitrogénio. Bom! Isto já ia longo. Por isso despedimo-nos temporariamente... Que seca! Disse eu, muito baixinho... Dei um ultimo gole e bazei! 
Continuaríamos neste “legado de Januário Pieter”- mais tarde
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:28
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019
MALAMBAS . CCXX

TEMPO DE CINZAS – Terça Feira - 14.05.2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor de Zebra… de várias partes
Por

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra do M´Puto

miai3.jpg Escrita no No Nordeste brasileiro Em Miauí de Cima - Alagoas... 
Eram umas seis horas e trinta minutos, um calor do caraças, corpo mole e pegajoso com um ventilador ronronando paciência na vagareza, gotas de suor a formarem rios e ribeiros até chegarem ao lençol e, vira que vira com a vagareza do soprador que não sublima minha transpiração. Levanto-me! Fui fazer o café da avó na cozinha do piso térreo, bem à maneira, com chaleira e coador. Roça, é roça... 
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Tia Jacira, era uma senhora muito especial e porque já a descrevi, só direi mais que era uma dedicada assistente social de formação e voluntária às rezas repetidas dos terços da vida na Igreja de São Pedro da Pajuçara na Ponta Verde, muito próximo de meu ninho da águia, do carcará Niassalês - eu próprio.

mike1.jpg Com os seus mais de oitenta anos, Tia Jacira distribui amor por todos; incluindo-me, claro. De café feito e coado vou buscar a caixa metálica do papagaio, um jacó verde e amarelo, brasileiro a cem por cento mas, pouco falador; abro a caixa e com um pau-xinguiço retiro o bicho colocando-o em seu altar encastrado no pilar, tendo ao redor uma série de copos com comida, fruta e outros de zingarelhos para palitar dentes feitos bico adunco e, raspar as patas carunchosas.
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Tia Jacira normalmente fala baixinho com o verde-amarelo e, ele trejeitando a cabeça, de curiosidade chama-lhe vóóó - palra coisas indefinidas grasnadas como se fosse um pato-marreco. Nada parecido com o meu papagaio da Cabinda de Angola que pintava a manta de tanto falar chamando filho da puta, assim direitinho ao sagwin-macaco que estava do outro lado da casamata do mecânico dos unimogues e, também minha. 

arara1.jpg Dei-lhe um bocado de painço, um pedaço de banana e uma mistura colorida, sementes de girassol, água limpa e o sacana, nome de como eu tratava, nem um agradecimento: - Matumbo, 
repeti várias vezes e, ele assim com a cabeça de lado como que gravando no seu disco de bicho mas, nada de repetir o tio carcará (eu, o T´Chingange). 
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Cortei um pedaço de jornal ali esquecido e com data de 23 de Dezembro de 2011, a fim de fazer de lençol ao jacó matumbo. Era um periódico da Gazeta de Alagoas a dizer bem e mal dum antigo prefeito de Maceió, Cícero Almeida, um papagaio feito gente civilizada que também desviava verbas para a lista secreta das boquinhas do PT e outros afins... 
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Mais logo este jornal também vai aparecer cagado, com destino inevitável do lixo bem igual à vida daqueles políticos que se lambuzam em devaneios, sabendo que as baratas correm em raly nos corredores dos hospitais para gáudio dos utentes. Os caras enchem-se de boémias, pintam e bordam e, a justiça que deve fazer parte da caixa dois ou mesmo três, nada diz e nada faz... 

miai5.jpg É isto e aquilo que o Bolsonaro quer acabar mas vai-se dar mal se não trilhar bem firme o seu carril. Tem inimigos pra xuxú! Tomara!... Meio Brasil, vivia da seiva dos carrapatos. Hó gentinha, vou zarpar porque dois mais dois podem não ser quatro e fico ferrado. Mas que gorjeavam lambugisses, lá isso era nítido mas, diga-se, a maior parte do povo nem via isso por conta da bolsa, da gasosa, do geito brasileiro. Vou-te-falar!? 
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Saí a comprar leite, pão e queijo de coalho e chegando à padaria um pouco mais a sul, digo Bom d´Jia, assim, um bom dia bem à maneira brasileira. A resposta veio rápida do mulatão, padeiro saído das quenturas dos fornos: - Bom d´Jia, meu irmão! Ué! É o trato... Para agradar ao meu novo mano comprei mais meia dúzia de ovos e uma porção de goiabada.
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Juntei mais uma dose de milho flocão Coringa para fazer no vapor ou talvez bolo; deu tudo somado vinte Reais e, junto o negócio nas sacolas, penduro nos meus dedos e digo Xau! Xau, meu irmão - obrigado! Volte sempre e, assim saí feliz e contente por ter arranjado mais um irmão - que negócio!? Era para ir à praia ali a escassos duzentos metros mas o pessoal estava todo mudo e quedo lá no primeiro andar. 

miai6.jpg O papagaio-fêmea matumbo nem grasnava... Lá fora a moto-táxi do Zacarias, também meu irmão, rompia a longitude e a penumbra das silhuetas matinais com ganas de o estrangular. Com seu escape livre, fazia finfias a ele mesmo botando banga de Coruripe, pois então! Eram sete horas e trinta minutos. 
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Como eu gosto destas vivências tão ricas, tão farfalhudas, tão familiares. Em verdade, senti aqui falta duma vassoura turbo de piaçaba para lambuzar-me de vaidade e até entortá-la em suas costeletas; Bem! Em verdade este especial veículo pertence a uma senhora que muito prezo... de verdade! Tem a marca já registrada, como se diz no braziu. MJS...(Maria Joao Sacagami)
Ilustrações de Assunção Roxo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:33
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019
MOAMBA . XXIX

TEMPOS CUSPILHADAS – 13.05.2019

MULUNGÚ COM LARANJA DO M´PUTO
Passeando o esqueleto no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves mais África, um reino outrora Tuga... Dou-me conta que me roubam laranjas, que me impingem telas de falsas Monalisas... 
Por

soba002.jpgT´Chingange - Em Coimbra 

bolor1.jpg Há uns tempos atrás e, estando eu no Brasil, pessoa amiga referiu-se ao facto de em Portugal país  visitado por ele nesse então, as pessoas serem disciplinadas, não terem o apetite do roubo ou cobiçar o alheio. Isto passou-se em uma praça da pequena cidade de Lagoa do Algarve; ele reparou que as pessoas passavam por aquelas laranjeiras carregadas de bonitas laranjas e o estranho, era que ninguém tocava nelas. Tomara, eram azedas!

berard1.jpg Lembro-me de ter dito: - No M´Puto tudo é muito sofisticado, até no roubo. Mansamente os bancos e afins destes, vendem-nos laranjas virtuais e endividando-se roubam-nos assim à socapa e, não é de repelão não! Num repentemente o governo passa nosso dinheirinho para esses salafrários Berardos e Salgados, que armados com grandes honorabilidades e honestidades, cortam-nos as gordurinhas feitas laranjas. 

salgado1.jpgcoimbra9.jpg Não sei se ele, meu interlocutor, brasileiro meio doutor, meio matuto entendeu mas, não desentendido de todo, quis compreender meu ponto de vista porque ele mesmo, tem uma boquinha do PT. O certo é de que isto sucede no M´Puto com o beneplácito do governo e até do nosso Tio Célito que feito Presidente sacode o pacote e abana seu chapéu com solidária condescendência com o Salgado e afins kazukuteiros branquelas como eu; com essa malvada banca que nos dá 0,005% nas contas ao prazo de um ano!
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Não havia qualquer impedimento por qualquer resguardo para as não alcançar - as laranjas da Lagoa do Al-Garbe e, não obstante estarem gulosas, bonitas a solicitar-nos esticar as mãos e recolhe-las, ninguém o fazia! Eu com a sede que tinha (disse o cara, brasileiro de Gravatá de Pernambuco) de até me apeteceu agarrar uma mas, retive-me mais por poder parecer mal do que outra causa; fiquei inibido proceder desse jeito disse ele; bonitas e nada de ladrões!? 

cruzios4.jpg A pessoa em causa, um nordestino juiz da comarca invisível da boquinha do PT que descreveu isto, desconhecia que as laranjinhas eram ácidas, azedas como trovisco e, nem me dei ao trabalho de esclarecer para subsistir na mente deles; que os Tugas não roubavam como era tão habitual, assim como eles o fazem no seu Brasil! Por isso têm muitos e muitas laranjas a fingir que o são mas, tudo uma mentira! Folhas inteiras de laranjas-gente a comer do fisco! Dos municípios, das bancas e instituições daqueles que agora metralham o Bolsonaro... 
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E, a propósito omiti a verdade porque já estava farto de tanto desaforo colocando os Tugas como os larápios da América, blá, blá, bla, do pau brasil e do ipê-roxo; coisa que insistentemente ouvia referindo tempos idos no roubo das matas, das muitas especiarias, ouro e prata, um sem fim de maleitas sociais do qual lhes foi legado! 

PAPAL4.jpg Porque dizem: - Que chegavam da Metrópole com uma mão atrás e outra à frente e passado bem pouco tempo já tinham seu próprio posto de trabalho, sua padaria, borracharia ou sua própria venda. O escambau, como sempre referem.... Normalmente nem replicava porque também tinha as minhas próprias queixas por fruto de uma descolonização de tugi mas eles nem iriam entender...

berard2.jpg Agora replico e até triplico e sextuplico minhas verdades para ver se os MADUROS de todo o Mundo caem de podres... Tal nefasta saga provocada por mariolas e traidores ao M´Puto e do M´Puto; desta feita contive-me para que ficassem com ideias edificantes sobre os Tugas e, que afinal, nem tudo neles era mau! 

lula02.jpg Quando tudo dava para o torto, simplesmente dizia que era Niassalêz, que tudo me passava ao largo mas, em verdade roía-me de pequenos ranhos moncosos de cor injustiçada. Para não ficarem na insolvência, nem me perguntavam que raio era isso de ser Niassalêz, só para não mostrarem sua ignorância endémica. De forma catedrática ia-lhes dizendo que o Brasil era quase um continente graças a terem sido um reino; que não foram desintegrados em vários países porque foram a sede do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. O Mundo é mesmo uma ervilha!
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E, mais, ... tendo D. João VI como o maior aglutinador dessa política; um estadista de valor e que eles sempre subestimaram e subestimam com charadas de mau gosto e desrespeito - o Rei das coxinhas de galinha. Que não obstante o Brasil já ser grande, invadiu a Cisplatina ficando alargado com o actual Uruguai a sul e o Guiana Francesa a Norte por estar em guerra com os franceses - A França de Napoleão.

D. JoãoVI.jpg E, quantas mais coisas tinham de ser ensinadas, porque infelizmente, mesmo gente formada a nível universitário, não tinham um perfeito conhecimento da real história. Fui eu a contar a muitos, as estórias do Caramuru, Do João Ramalho, do 1º Bispo do Brasil - da festa de arromba que aqueles índios Caetés fizeram em Julho de 1556 devorando Dom Pero Fernandes Sardinha e outros edecéteras.
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Agora, neste momento na minha roça de Coimbra, de doutorado faço jus às afirmações deles: - Conta mais Doutor! Imagina, eu um Niassalês contando coisas do Lampião, coisas que os caras desconheciam. Como não avera de ser Dôtor!? De tudo isto eu retirava ilações no fraco aprendizado nas escolas brasileiras! 

MAGA8.jpg Claro que os ladrões existem aqui e lá mas, nesta actualidade, nem digo nada para não amesquinhar aquele elogio das laranjas feito por um brasileiro das terras Tugas! Tomara que Bolsonaro extermine tanto LARANJA mentiroso, que rouba o povo
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Mulungu e Mulungú: É branco em língua Zulu; também é uma árvore de grande porte com flores vermelhas; existem no Brasil e um pouco por toda a África austral...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:25
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Sábado, 11 de Maio de 2019
MOAMBA . XXVIII

 
O CHOQUE DO PRESENTE - COIMBRA...11.05.2019
Aonde quer que se seja, é mesmo bom não se fazer contas ao tempo porque o bicho pega!… Basta-nos os doze meses de socialismo, social socialismo, ou isso entremeado com geringonças e matraquilhos mais diabruras para espairecer molezas…
Por 

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra... 

coimbra5.jpg É mesmo bom não se fazer contas ao tempo, aos meses, às horas e minutos, porque assim se tornam inexistentes, apreciando no seu melhor, as azáfamas dos outros ao nosso redor. Ouvir os "roncos - salvo seja" dos políticos feito barcos que sem os arrais de outrora, barulham os ares em tons diferentes aí Jesus que não há oiro! Pois! Lamberam-no todo. Se não for assim mais e desta forma e, tal e coisa, demito-me! 
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Até já sinto casquilhas ou cosquilhas nos meus calcanhares! 
E eu, curtindo o sol das doze horas ao toque das ave-marias que não o sendo agora, repicam na torre da Cabra desta tão bela Coimbra e aonde de tanto calcorrear me tornei doutor de bizarrias. Lembranças desse tempo de quando essas badaladas tinham som e até cheiro de bronze. Agora são fitas com musica a fingir que dão horas.

coimbra6.jpg Basta-nos os doze meses de socialismo ou social socialismo, ou isso entremeado com diabruras capitalistas, mais pão com chouriço e pata negra para espairecer as molezas dos imperialistas que sempre deixam correr o tempo, quando o não faz sair de feição... Coisas demasiado salgadas para mim que recebo uma miséria de patacas.
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Assim, desajustados à economia, com os burocráticos vícios da democracia, dão-se voltas às vicissitudes das suaves ou suadas angustias dos demais refastelando-se em caldeirões moles, e amolecidos como convêm nas desvirtudes corruptas do engano.
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E nós na impaciência, por não haver oportunidades iguais para todos, refilamos verificando serem os profissionais da política com banqueiros e seus mais próximos, os seus maiores beneficiados. Como todo o fenómeno é temporário teremos de purificar nossas almas tormentosas ou atormentadas sem nos apegarmos a coisa alguma... Meu Rio virou mulola...

coimbra2.jpg Não será portanto, caso de estranhar de muitos de nós andarem com um olho aqui e outro lá mais adiante, com a metade do raciocínio num sítio e a outra metade no ciberespaço. Com fenómenos de engenharia financeira dos bancos BPN ou BES entre outros, uns andarão muito cheios de fórmulas, outros simplesmente à boleia com vazios de ideias, enganados em tramóia de falácia mal explicadas.
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No meu caso muito pessoal, de tão inchado de espantos, desenho-me entre antigos esboços, revendo-me nos desenhos das sombras nos porões do meu Niassa, pois que sou Niassalês...
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Brincando até com o meu nariz achatado, relembro-me de que se de nada posso fazer de bom pelos meus mais próximos, também nada farei para os prejudicar. Não obstante terei de dizer aqui que o Senhor Costa, não nos será a salvação; não irei por isso e agora, vivinho e indisposto com muitas coisas querer guerras, fuzilar quem possa ter uma ideia mais original entre os diferentes deuses ou demónios.

dia185.jpg Demónios dos também diferentes comunismos, socialismos ou mesmo uma terceira sensação desconhecida, chinguiços com estralhos enredados de zingarelhos e outros complicados artifícios. Sim! Vivemos numa permanente mentira e, assim irá continuar. Ainda se visse a justiça andar para a frente e não de lado, ou para trás como o caranguejo!?
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:22
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2019
KILUNDU . VII

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O Cipaio Kukia Mandinga em ALHAMBRA, assiste ao pacto de Mano-Kilombelombe com Januário. Eu já era Mano-Corvo - Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal (México) com Araújo...
NA LAGOA DO M´PUTO - 10.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto - Na estepe Alentejana
Com a sensação de começar a penetrar na minha intranquila dependência da kianda, quase que me dou conta que meu pacto de sangue com o velho de mais de talvez 394 anos, começa a borbulhar-me no cocuruto da meninge. Os seguranças de serviço levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.
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Tratados como mustáfas por via da indumentária de Januário Pieter e seu guardião - lanceiro, um espanto de nos fazer sentir os maiores privilegiados. O Cipaio Kukia Mandinga muito vaidoso, banga ultra moderna fardanda de zuarte amarelo, balalaica com muitos bolsos e uma catrefada de zingarelhos pendurados à mistura com pequenos chifres de porco do mato.

araujo 42.jpg Coisas trazidas dos confins; lá duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia com nome de espantar pássaros xirikuatas. Cipaio Mandinga, direitinho que nem um fuso, a tudo olhava com vontade de saber. Muxuxou que era muita areia prá sua camioneta e que, teria de comer um chipe extra de memória e sistema integrado para fosforescer mais rápido na sabedoria.
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A partir daqui rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quartéis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitérios e jardins. O escambau de coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas junto às muitas ferraduras de muares e outros bicharocos espinhosos.

araujo34.jpg O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece não haver gravidade.
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Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu T´Chingange e Pieter selamos o nosso mais verdadeiro pacto de sangue. Esse cipaio Kukia que anda por aqui, até pode nem se lembrar mas assistiu direitinho com sua lança, feito Massai da Corongosa; um jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango. Uma mistura na cabeça dele que faz pena. Nunca no Lubango ouve caserna de bichos desses e, com esse nome!?

araujo10.jpg Por medo, as pessoas passavam de largo como se nós também fossemos daquele muitos idos anos e muito cheios de caruncho. Tínhamos em frente um belo claustro formado por muitas colunas, o lugar mais Pambu N´gila de todos os lugares aonde estivemos antes. Este sítio era em verdade um sem número de flocos dourados caídos do Duilo.
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E, foi ali que ambos picamos o centro da palma da mão esquerda de onde saiu uma bolha de sangue. Eu T´Chingange cuspi na mão esquerda de Pieter dissolvendo-se no sangue e ele fez o mesmo na minha mão esquerda; com a mão direita ambos acariciamos as cabeças dos leões e, eu primeiro e depois Pieter, desferimos com a direita em cutelo na mão esquerda do outro um enérgico movimento fazendo chispar sangue e cuspo no ar. 

araujo103.jpg Teve de ser ali porque o leão que pela boca deita água simboliza o Sol da qual brota a a vida. Os doze leões, são os doze Sois do Zodiaco, os doze meses que na eternidade existem em simultâneo. Eles, os leões sostêem a Kalunga como os doze torres de ferro no templo de Salomão. É este o depósito das águas celestes dessa Kalunga. 
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Este simbolismo único, venera a água como a pura vida e, foi ali que também, ambos choramos lágrimas de prata polindo o chão do Califa para ficarmos Manos-Kilombelombe. O Cipaio vaidoso sempre em guarda, sorria de vez em vez, inadequado para ser uma testemunha com carisma de Xi-Colono de terceira geração.
Em realidade ele era mesmo um genuíno africano, embora branco, mas era!
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Januário Pieter falou de que quando ficasse um antigamente, de mais tarde, eu um mais kota, me iria recordar deste selo de Mano-Kilombelombe enquanto ele, lá na ilha da ensandeira do Kwanza, recordaria os espíritos dos M´fumos Kia-Samba e Manhanga como um minkinsi.
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Pieter recordava as minhas próprias brincadeiras com os candengues no mar da Samba, os pactos de amizade feitos a cuspo e bisgo da mulemba nos subúrbios da Lua. A Kianda Pieter sabia tudo! Sukuama! 
- Deixa só, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir, disse eu batendo dedos no ar enxotando maus olhados.

araujo175.jpg Ilustrações aleatóias do mano Costa Araújo, nosso mestre 
Glossário:
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade)
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México)
M´fumos : - Chefes
Kukia: - Sol, pô do sol
Samba: - Lugar ente a Quissala e Futungo (Belas da Luanda de antigamente)
Manhanga: - Bairro da Maianga, lugar de cacimba, nome antigo já esquecido.
Amazulu: - Dialeto Zulu
Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cus diabos; Porra!
Bisgo: - Resina de mulemba usado para apanhar pássaros,da mulembeira (árvore de grande porte que dá uns figos pequenos)
Lua – Diminutivo de Luanda
(Continua ...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:12
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Quarta-feira, 8 de Maio de 2019
KILUNDU . VI
kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O Cipaio Kukia Mandinga em ALHAMBRA, assiste ao pacto de Mano-Kilombelombe com Januário. Eu já era Mano-Corvo - Uma fusão de homem com pássaro - Eu, Costa Araújo e o pássaro do tipo Kwetzal (México)...
NA LAGOA DO M´PUTO - 08.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto - Na estepe Alentejana

ÁFRICA7.jpg Com a sensação de começar a penetrar na minha intranquila dependência da kianda, quase que me dou conta que meu pacto de sangue com o velho de mais de talvez 394 anos, começa a borbulhar-me no cocuruto da meninge. Os seguranças de serviço levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.

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Tratados como mustáfas por via da indumentária de Januário Pieter e seu guardião - lanceiro, um espanto de nos fazer sentir os maiores privilegiados. O Cipaio Kukia  Edu Mandinga muito vaidoso, banga ultra moderna fardanda de zuarte amarelo, balalaica com muitos bolsos e uma catrefada de zingarelhos pendurados à mistura com pequenos chifres de porco do mato.

angola colonial.jpg Coisas trazidas dos confins; lá duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia com nome de espantar pássaros xirikuatas. Cipaio Mandinga, direitinho que nem um fuso,  tudo olhava com vontade de saber. Muxuxou que era muita areia prá sua camioneta e que, teria de comer um chipe extra de memória e sistema integrado para fosforescer mais rápido na sabedoria.

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A partir daqui rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quartéis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitérios e jardins. O escambau de coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas junto às muitas ferraduras de muares e outros bicharocos espinhosos ou cascarrudos.

araujo 25.jpg O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece não haver gravidade. Qualquer matumbo, ali, fica espevitado da cabeça, numa de jihadar cosigo próprio...

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Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu T´Chingange e Pieter selamos o nosso mais verdadeiro pacto de sangue. Esse cipaio Kukia Edu da Chibia que anda por aqui, até pode nem se lembrar mas assistiu direitinho com sua lança, feito Massai da Corongosa - um jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango. Uma mistura cafusa na cabeça dele que faz pena. Nunca no Lubango ouve caserna de bichos desses e, com esse nome!?

araujo 28.jpg Por medo, as pessoas passavam de largo como se nós também fossemos daqueles muitos idos anos e muito cheios de caruncho. Tínhamos em frente um belo claustro formado por muitas colunas, o lugar mais Pambu N´gila de todos os lugares aonde estivemos antes. Este sítio, era em verdade um sem número de flocos dourados caídos do Duilo.

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E, foi ali que ambos picamos o centro da palma da mão esquerda de onde saiu uma bolha de sangue. Eu T´Chingange cuspi na mão esquerda de Pieter dissolvendo-se no sangue e ele fez o mesmo na minha mão esquerda; com a mão direita, ambos acariciamos as cabeças dos leões e, eu primeiro e depois Pieter, desferimos com a direita em cutelo na mão esquerda do outro um enérgico movimento fazendo chispar sangue e cuspo no ar.
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Teve de ser ali porque o leão que pela boca deita água simboliza o Sol da qual brota a a vida. Os doze leões, são os doze Sois do Zodiaco, os doze meses que na eternidade existem em simultâneo. Eles, os leões sostêem a Kalunga como os doze torres de ferro no templo de Salomão. É este o depósito das águas celestes dessa Kalunga.

araujo17.jpg Este simbolismo único, venera a água como a pura vida e, foi ali que também, ambos choramos lágrimas de prata polindo o chão do Califa para ficarmos Manos-Kilombelombe. O Cipaio vaidoso sempre em guarda, sorria de vez em vez, inadequado para ser uma testemunha com carisma de Xi-Colono de terceira geração. Em realidade ele era mesmo um genuíno africano, embora branco, mas era! Sem nós t´Xinderes, a África fica incompleta! 

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Januário Pieter falou de que quando ficasse um antigamente, de mais tarde, eu, um mais kota, me iria recordar deste selo de Mano-Kilombelombe enquanto ele, lá na ilha da ensandeira do Kwanza, recordaria os espíritos dos M´fumos Kia-Samba e Manhanga como um minkinsi.
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Pieter recordava as minhas próprias brincadeiras com os candengues no mar da Samba, os pactos de amizade feitos a cuspo e bisgo da mulemba nos subúrbios da Lua. A Kianda Pieter sabia tudo! Sukuama!
- Deixa só, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir, disse eu batendo dedos no ar enxotando maus olhados.

 araujo155.jpg  Ilustrações do Mano Corvo Costa Araújo, nosso mestre (falecido recentemente...)

Glossaário:
Edu: De Eduardo Torres - Um amigo kota, poeta, prosador, branco de segunda com bitacaias nas orelhas , apátrida e vaidoso quanto baste... um amigo para sempre...
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade)
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México)
M´fumos : - Chefes
Kukia: - Sol, pô do sol
Samba: - Lugar ente a Quissala e Futungo (Belas da Luanda de antigamente)
Manhanga: - Bairro da Maianga, lugar de cacimba, nome antigo já esquecido.
Amazulu: - Dialeto Zulu
Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cus diabos; Porra!
Bisgo: - Resina de mulemba usado para apanhar pássaros,da mulembeira (árvore de grande porte que dá uns figos pequenos)
Lua – Diminutivo de Luanda
(Continua ...)an
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:23
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2019
KILUNDU . IV

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
Sentado no meu silêncio mastigando resposta calada, Pieter deu dois passos calçados no meu sobre-consciente. ..... Desta feita estávamos ainda em Granada...
NA LAGOA DO M´PUTO - 03.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto

araujo34.jpg Januário Pieter o excêntrico fora de tempo, hoje estava particularmente fértil em saudações. Como se nem tivéssemos estado juntos ou relativamente perto quiz dar-me um aperto de mão bem à maneira dos candengues de hoje: - Mão aberta, batida, depois de punho com punho, ambos fechados e no final uma mão espalmada batida no peito, no meu peito - no coração.
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Senti um calafrio, muita fartura como um três por um de borla, iria sair qualquer coisa muito mais diferente do que o habitual. A kianda estava cada vez mais imprevisível porque saudou-me pela segunda vez como que a ensaiar um truque. Só que desta vez foi em amazulu com um samboniani. Recordando-me de tal saudação, respondi um kunjani, meu!
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- E, porquê tudo isto? Interroguei-o enquanto sinalizava em gesto, o seu aspecto - Porque venho de visita aos mustafás de Alhambra. Tinha de condizer com os meus antepassados mouros, mostrar assim a estes mulungos....

arau155.jpg 

- E para quê, essa adaga aí na cintura? Perguntei.
- Para respeitar as tradições antigas, homem sem arma não é ninguém e eu, não atravessei a kalunga para fazer má figura. Também é uma homenagem aos meus mestres de Toledo, acrescentou. Depois de todas estas explicações sentou-se. Mandou-se vir uma taça de tinto “rioga”e umas quantas chamussas, pois o senhor kianda extra-planetário, estava com uma fome de leão da anhara.
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- Afinal, encontraste resquícios de teus familiares mulungos dinossauros? Perguntei eu com uma intimidade um tanto abusiva.
- Pois! È assim,... vou-te contar tudo: - Meu tio Antoine, o mais candengue, dedicou-se à igreja, foi para padre; esteve com meu pai Lestienne em Burgos a trabalhar nos jardins de “Cartuja de Miraflores” mas, depois roçou madraçamento pelas sacristias do convento até que num dia seguiu integrado numa comissão-à-doca de regulamentar segurança aos peregrinos e as novas visões da estrela-polar. 
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Depois de muitos anos tomando conta de seus fieis e a guarda do incensário da catedral, morreu sem deixar herdeiros. Tenho de lá ir, a Santiago de Compostela rogar preces à sua memória e assim ficar tranquilo na minha missão de kianda itinerante da Globália. Interrompi a descrição de Pieter para lhe mostrar vontade de por lá, em Santiago, nos encontrarmos de novo e, juntos decifrarmos coisas tão ligadas ao M´Puto, mais o “bota fumeiro” e a majestade daquele Pambu N´gila daquele lugar com ligação à nossa N´gola pelos seus símbolos; n´zimbos na forma da concha vieira, uma mabanga diferente das nossas kalungas.

arau158.jpg

- É uma boa. Eu mesmo te vou falar das imbambas cassumbuladas no nosso povo, nesse antigamente e nesse mesmo ali. Combinado, meu! E, Pieter continuou sua descriminação: - Meu pai, como já sabes, esteve em Pernambuco com Maurício de Nassau embarcando mais tarde para Loanda do reino N´gola com os Mafulos, casou com a minha mãe N´ga Maria Káfutila e, mais tarde, ficou como mercenário às ordens dos Tugas com Sá e Benevides, um rico comerciante de escravos. O resto já te contei, não vale a pena recordar por agora.
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Josué Pieter, o 3º mais velho dos meus tios, ficou no “Pais de Landes” tratando de vinhedos em “Vignobles Vallee du Loir” e, por lá deixou muitos primos. O 4º tio mais velho de nome Souston, ficou nos arredores de Paris roçando a vida em “Jablines du Marne”, lugar aonde nós nos encontramos pela primeira vez. Era verdade!
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O quinto tio, Charles Pieter, o mais velho de todos, seguiu o rumo de Burgos em “Leon e Castilla” como Lestienne e Antoine mas, singrou para Toledo aonde se tornou um homem de armas, vindo a ser mais tarde um militar da armada de “La Mancha e Andaluzia”. Foi em “Puerto de Santa Maria”, perto de Cádiz que pelo rio Guadalquivir, saiu numa armada de soberania às novas terras Espanholas de América.

araujo 29.jpg Seguindo escritos antigos, soube que já como capitão dos mares, avançou na descoberta de novos cerros de prata “puesto arriba” do rio da Prata; acabou por ficar num lugar conhecido de Sacramento, perto de Montevideu dedicando-se ao negócio de gado bovino e muares formando tropa de tropeiros, que transportavam mercadorias através dos matos ou vendendo charque aos novos colonos de Cisplatina e Rio Grande do Sul. 
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Esta estória está sopimpa! disse. Estou a gostar! Bem! Por lá deixou uma prole de primos matutos cujos descendentes governam agora o Uruguai. A história deste tio é comparada à do meu pai porque também atravessou a kalunga grande para fazer fortuna. Havia uma lendária “Sierra de la Plata” de nome Potossi procurada desde inícios do século XVI por Alego Garcia e sebastião Caboto.
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Em 1611, quase cem anos depois, Potossi era já a maior mina a céu aberto produtora de prata do mundo; nesse então já tinha à volta de 150 mil habitantes e, sendo o lugar mais rico do mundo originou uma corrida ao tesouro. Charles Pieter homem de guerra da têmpera de Toledo, ambicioso, seguiu naquela armada a pedido de Juan de Villarroel com expedição a partir de Cádiz e Sevilha conjuntamente com outros conquistadores tal como Nunez Cabeça de Vaca, Domingos Martinez de Iranda ou Juan de Ahumada. 

araujo 101.jpg Meu tio Charles seguiu para ali em meados de 1615 para compartilhar tesouros de sonho e pilhagens. A Espanha fez-se assim; com a prata que saiu dali, podiam fazer uma estrada física, uma ponte ligando-a à América - Como meus tios dinossauros, eu e tu (referia-se a mim), navegadores da Globália deixamo-nos alfabetizar na vida e prálem dela. É mesmo uma missão de cumprir dever sem ter ordem nem corpo-delito, à-doka no através da estória dos xicululos.
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Bolas! Fiquei barafundado naquela sapiência do kota Pieter.
Sentado no meu silêncio mastigando resposta calada, Pieter deu dois passos calçados no meu sobre-consciente. Num cadavez mais eufórico, Pieter falava todas as suas razões.
Eu só disse, simplesmente: - Tá bem meu!

araujo153.jpg Ilustrações  aleatórias de Costa Araújo 
Glossário:
Amazulu: - Dialeto Zulu
Samboniani: - Bom dia; como está (em Zulu)
Kunjani: - resposta a samboniani; tá se bem
N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga
Mulungo - M´zungo; branco em Zulu
Adaga: - Punhal em forma de foice usado por muçulmanos
Anhara: - Zona plana e, com plantação rasteira, de clima seco ou semi-desértico e tropical
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto.
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mabanga: - Bivalve do tipo ameijoa que sangra vermelho.
Imbambas cassumbuladas: - Coisas roubadas; riquezas arrebatadas; jogo de sacar por toque brusco.
Mafulo: - Holandês em quimbundo; Gente invasora da Companhia das Índias Orientais ou Ocidentais; flamengo.
Tropa de tropeiros: - Exército de condutores de burros (Brasil, Cisplatina); O tropeiro era um viajante das zonas agrestes ou do sertão.
Charque: - Tipo de sal; carne seca (Brasil)
Matuto: - Mestiço; filho de branco e índio.
Xicululo: - Gente de mau-olhado; olhar de lado; gente de dar azar.
N´ga: - Senhora
(Continua ...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:09
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2019
KILUNDU . III

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
Botando fumaça por meu arcabuz de outra geração chamado de canhangulo, fiquei assim matumbola mesmo ..... Desta feita estávamos em Granada...
NA LAGOA DO M´PUTO - 02.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto

Estava admirando os 15.000 mortos de Guernica quando com aura de santo-maior entrou uma figura pela porta frontal; era nem mais nem menos a Kianda Pieter que, varrendo com os olhos o salão “café solo” poisou em mim a ansiosa vontade do encontro. Porque ali, era um pambo n´jila especial de Granada.

granada4.jpg Efusivamente dirigiu-se-me com as duas mãos abertas ao espaço seu Duilo (Céu) mostrando todos os seus anéis. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contra-luz cintilando um desassossegado arco íris.
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Era agradável estar ali confraternizando com o passado que, nem sempre foi risonho; Entre um era-não-era em coisa acontecida mas não vista, assim como São Tomé, só relíamos poemas de Garcia Lorca referente à guerra de 1937 a 1939 com quadros dantescos quando do bombardeamento de Guernica e atrocidades de uma disputa civil.

guernica1.jpg Entalados na memória entre Nacionalistas de Franco e Republicanos que perfurou como uma faca sem fim toda a Espanha, nós só podíamos rever nossas próprias fugas em um mundo feito de muitas guerras.
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A sala espaçosa estava recheada de quadros sobre esses acontecidos passados como uma galeria de horrores de Granada da Espanha dos toureiros e muito olé-olé. Sentei-me num recanto em uma cadeira em madeira talhada com motivos de produtos da terra, pedi um “café solo” e uma tortilha de “manzana”.

guernica2.jpg O olhar não se desprendia dos corpos desmembrados em destroços retorcidos, gente e animais espalhados pelos campos; um treino de preparação à grande guerra que viria a acontecer em 1940. Ainda faltavam cinco anos para eu nascer e andava já tropeçando com os matumbolas coadjuvado pelo meu muito próximo Januário Pieter que conhecia todos os contornos ao pormenor. Há coisas que só acredito porque sou eu a contar! Fosse outro qualquer dava-lhe berrida no segundo.
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Sabes!? Eu não sabia ao certo mas ele falou: Os Alemães ajudando Franco a tomar o poder aprendendo aqui a matar, preparando-se para a guerra, essa que te viu nascer. E, arrepiei-me, sabem - Sentia-se desprender da tela o odor fétido da morte.

araujo19.jpg Nesta cidade tão cheia de memórias, havia felizmente, espaços retemperados à noite com flamengo, uma dança que reflecte o estado de espírito cigano. Estava aqui como que esperando aleatoriamente Januário Pieter, a assombração Kianda que pouco a pouco foi ficando o meu “Guru”.
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Entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, zuniam na minha cabeça legionários às ordens de Franco gritando “viva la muerte” mutilando o meu medo envidraçado de repugnância a todas as guerras.Estava agora, pronto a fazer com ele, Januário Pieter um pacto de sangue sem sangue - a seco, tornar-me um cipaio do seu arimo (lavra horta, n´nhaca).

araujo100.jpg O pacto foi feito, aceite e aprovado na maioria sábia de dois, a saber: T´Chingange, o próprio, com Januário de Sangano da Muxima de N´Gola. Foi quando explicou com detalhes de vôos rasantes. Aviões Nacionalistas matando indiscriminadamente gente impregnada de susto sem celeiro ou pontes para se esconderem; brigadas internacionais, idealistas lutando com armas diferentes de um credo sem culatra, munições encravadas em sonhos inúteis.
( Continua ... )
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:45
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2019
KILUNDU . II

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
MERCADO DO XIPAMANINE - Novo encontro com a kianda Januário Pieter, um verdadeiro N´Zambi N´kuluculu
NA ILHA DO CARLITOS - 29.04.2019
Por

soba002.jpg  T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Ontem, um novo dia, demos um forte abraço, convidei-o a sentar-se mas ele continuou de pé como a mostrar a sua nova indumentária e postura de muita banga. O penteado de Januário Pieter era um frisado afro com uma trança a retorcer no cocuruto por uma abertura do seu chapéu, uma quijinga do tipo Cumba-yá-lá tendo uma faixa zulu a contorná-la. 
::::: T´Ching2
Da orelha esquerda pendia um dente de facochero enquanto que a contornar o pescoço havia dois colares formando um conjunto colorido de missangas e n´zimbos; um destes tinha um circulo de madeira de pau preto com um desenho curioso de uma ranhura curva ascendente que entroncava numa helicoide de três circulos num crescendo para a direita e fechando por um cemi-circulo mais alongado indo quase fechar no mesmo sítio de início.

paz1.jpg :::::T´Ching3
Esta enigmática figura, ficou no meu consciente para mais tarde me ser decifrada. Nos pés, trazia umas sandálias em tiras de cabedal e atilhos que se iam amarrar a meio da canela. Vestido, tinha umas calças de vermelho berrante às bolas brancas; nas bolas brancas de forma estilizada aparecia aquele símbolo de curvas em elipse de caracol que quase fechando no mesmo lugar, mais parecia um bico aberto de papagaio. 
:::::T´Ching4
Eu estava estupefeito com tal estilo. Por cima das calças folgadas tinha uma camisa lilás com desenhos na forma de cornos de palanca de cangandala sem cinto a prender, tipo balalaika e, por cima de tudo isto tinha uma espécie de túnica com folhos brancos no final de umas largas mangas. 
:::::T´Ching5
Aquela túnica de uma seda especial tinha as cores preta e rubra como a bandeira de Angola e o mais curioso é que tinha em lugar da catana e a roda dentada, a esfinge de João Lourenço 
com o fundo esbatido de José Eduardo dos Santos. Háka! Eu estafa burro-feito com todo este aparato de n´kondi. Pieter estava um verdadeiro espantalho Xis-pe-te-Ó, super moderno e práfrentex.

luis44.jpg :::::T´Ching6
Até as sandálias estavam feitas em um cabedal firme, reviradas para cima como uma meia lua na forma dum genuíno aladino. Aquilo era demais, uma verdadeira mumia rejuvenecida de kalungas encrespadas. Um extra e vistoso camacoza carregado de zingarelhos. 
:::::T´Ching7
Mas, após a minha mirada, Kianda Pieter falou: - Meu camarada, mano kamba, como estás? Tu, continuas um tipo fixe! Seguiu-se uma pausa sem muxoxo, só por respeito com medo. Pieter mudou mesmo! Arrepiei-me. Que era isto? Mas nós vimo-nos ontem? O kota estava no literalmente. - Sabes meu, rejuvenesci à bessa, uns anos mesmo. Vou até te contar só. - É mesmo! Como foi isso? Perguntei engalfinhado em susto. 
:::::T´Ching8
- É assim, começou ele : - Estive na festa da Muxima, no entretanto esquindivei Kwanza acima, Kwanza abaixo relembrando meus tempos de candengue. Até fui numa rebita mas, mais tarde eu conto só. E Pieter continuou falando. Tinha muitas mocandas na cabeça para contar. - O mais importante nesta minha vida de matumbola mutalo, passou-se em Maputo. 

dia131.jpg

 

:::::T´Ching 9
Kianda é assim mesmo, os metros deles têm kilómetros! E, o tempo vira um era num era... Eu explico: - Por recomendação dum kamba muxiluanda, fui num vai-vem minkisi vip ao Xipamanine, lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine. Estás aver Meu !? 
:::::T´Ching10
O resultado é isto! Eu, só abanava a cabeça. E, ao dizer isto Pieter, fez um gesto longo com ambas as mãos envoltas nos folhados brancos, de cima abaixo indicava o estafermo de figura excêntrica numa simultânea adoração ao tal N´kuluculo. - Pópilas... Eu, estava feito um plimplau. 

dia23.jpg :::::T´Ching11
Glossaário: Quijinga: - gorro de autoridade tradicional Cumba-yá-lá: - ex- governanta da Guiné-Bissau Facochero: - javali preto com dois pares de dentes salientes N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga Palanca: - animal de grande porte e com esguios e longos chifres; simbolo de Angola (Quase em extinção) Cangandala: - local reserva natural em Angola háka: - Irra!,Caramba!, porra! n´kondi: - poder da magia em fetiche, boneco de maldades kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral camacosa: - maltrapilho kamba: - companheiro, amigo, camarada (de guerra) muxoxo: - sílvido produzido pelos lábios de vento aspirado entre dentes, estupfacto ou sinal de desprezo, sinal de desencanto esquindiva: - fazer revianga, finta, fazer piruetas, bazar dalí candengue: - moço, rapaz, pivete (Brasil), puto (Portugal) rebita: - baila na sanzala ou kimbo, dança de umbigada com as garinas mucanda: - carta, missiva, relatório matumbola: - morto vivo, uma assombração mutalo: - espíritos mortos sem ordem de n´zambi (Deus) muxiloanda/o: - natural de Luanda, camundongo, (quem bebeu água do bengo e apanhou paludismo ainda candengue) minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado cambuta: - homem baixo, atarracado N´kuluculu: - N´Zambi, Deus na língua Zulu Miama: - preto na língua Zulu Xi-lunguine: - nome aoriginal de Maputo Pópilas: sáfa! Caramba!, c´os diados! Plimplau: - pássaro saltitante, irrequieto (Continua ...) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:08
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KILUNDU . I

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
Botando fumaça por meu arcabuz de outra geração chamado de canhangulo, fiquei assim matumbola mesmo ..... 
NA ILHA DO CARLITOS - 27.04.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileio
Estou contente de saber dos meus antepassados, disse Januário Pieter meu escolhido como kianda das mulolas espaciais. Já tinha dito isto em outras vezes mas, agora estava só a preparar um discurso. Agora só quero mesmo ficar no pé duma mulembeira, lá no meu kimbo de Cabo Ledo e, de vez em quando subir com os mwenangolas até Muxima ou Massangano.
:::::
Sim, Ué... A esvoajar minha velhice; ir ao lugar do eco repartido, jangandeando com os maculos, perfurar outras sombras, outras kiandas desastradas que só fazem canvuanza, mesmo. Pópilas, estava falando pelos zingarelhos desconhecidamente familiares...

roxo79.jpg Pieter dava xinfrim de xoto em cima de mim, falando um amazulu impenetrável, banhos de àgua de defunto dum xova-xitaduma do Maputo; parecia ter saído dum d´jango esfumado em liamba com as lamparinas dum matumbola, que fica mesmo no corpo vazio ocupado por um ilundado; um grande chicoxana, mesmo.
:::::
Mazé caté o Zeca Mamoeiro do Rio Seco vai ficar abuamado sem entender nadica de nada... Mas tu já és uma kianda,...meu! Disse eu falando das minhas verdades - É mesmo, mas, no entretanto, é tempo de começar a esquecer e ser esquecido. No futuro, serei lembrado como a kianda n´kuluculu mulungo de toda a kalunga.

sorte2.jpg Meio dia eram já quase, quando acabando de subir a rampa de “Gomerez” e, estavamos a passar a porta “Puerta de las granadas” quando desviei na conversa para um tás-a-ver de visão árabe, ali aonde que a conversa da manhã nos tinha empurrado nesse linguajar de espíritos,...
:::::
Puxa catuta mesmo! Estamos esvoajando no tempo. Como então: Estão nos esperar dentro deste portão d´Alhambra, lugar de muitas sombras, espantos de califas. Chegados à “Puerta de la Justícia”, datada de 1348, reparamos que na pedra chave do primeiro arco estava gravada uma mão aberta chamada de “Al-Hanza” 

noval5.jpg Al-Hanza cujos dedos, significam os cinco fundamentos do Islão, a saber: - A crença de haver um só Deus em sua mensagem a Muhamad, a oração de cinco vezes ao dia, o imposto religioso (a limosna do dizimo), o jejum ou Ramadão e, a peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida. 
::::
Estou fodido! Nunca fui a Meca e vão-me zanguilar quando toparem que só sou mesmo um faz-de-conta. Assim branquela!
Esta porta aberta dava para uma outra fechada havendo no alto desta um espaço aberto de onde, em caso de cerco, os sitiados de “Al-Hamra” podiam fustigar, arrojando pedras, azeite fervente ou chumbo derretido em cima dos atacantes não dando assim, oportunidade a que forçasse a porta. 

granada3.jpg Esta originalidade da arquitectura Nazaríe explicada por mim a Pieter, fê-lo dar um estalido de lingua no céu da boca: - Sukwama! Mahezo!, grande muzua! De quilunza mesmo!
:::::
Passamos ao lado de “La puerta del Vino” um lugar em que funcionava o mercado do vinho lá pelo ano de 1554 e, era em verdade uma fronteira entre o núcleo militar de “Alcazába” e a cidade medieval aonde, em esse tempo, viviam 2000 habitantes; uma porta policromada num intricado rendilhado.

granada4.jpg Como mestre, continuei explicando:- Nesta terra de Árabes, Abd-Allah, instalou-se aqui no ano de 889 e por aqui permaneceram seus seguidores por 603 anos. Saíram ao fim desse todo tempo, quando governava o Califa Muhamad XII da dinastía Nasrí (Nazaríes) no tempo dos Reis Católicos de Espanha e Carlos VIII de França...
:::::
Nota: Tenho de consultar minha fada madrinha  de vassoura piaçaba.... Nem tomei nada, nem um pozinho, sequer... 
Glossaário:
Mwenangola: - Donos de Angola; reis de N´gola
Maculo: - Antepassado
Canvuanzaa: - Confusão; luta; xinfrim
Xinfrim de xoto: - Confusão de bufa; peido doido
Amazulu: - Dialeto Zulu
Xova-xitaduma: - Condutor de cangulo (Moçambique); um monangambé proletário; Condutor de carro de mão
D´jango: - Casa comunitária; forum; sitio de assembleia do povo ou de reunião; sítio só p´ra falar mesmo, ou cachimbar
Mulungo - M´zungo; branco em Zulu
Matumbola: - Morto vivo, uma assombração; um deus-me-livre; alma penada
Ilundado: - Espírito superior
Chicoxana: - Século (Angola); ancião com sabedoria, Kota com suko
N´`kuluculu mulungo: - Deus branco (Zulu)
Al-Hamra: - Alhambra em árabe
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cós diabos; Porra!
Mahezo!: - Tenho dito!
Muzua: - Armadilha; artefacto de prisionar
Quilunza: - Arma de fogo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:30
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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