Terça-feira, 20 de Julho de 2021
MALAMBAS . CCLXI

N'ZAMBI ... TEMA EM EXECUÇÃO, PORQUE AINDA ESTOU EM CONSTRUÇÃO...

FALAR POR FALAR - Crónica 3168 - 20.07.2021

CARVOEIRO2.jpg

Por:   soba0.jpeg T'Chingange - no AlGharb do M'Puto

N'ZAMBI tem o mesmo nome de Deus mas só pode ser nomeado por quem o conhece e sabe amar na plenitude. A mim sempre me foi interdito, um apócrifo por parte de mãe, pai, terra, mar e até ar. E, porque simplesmente já nasceu assim e depois, no estudo do pai-nosso, encafifado na sacristia, os quadros ali pendurados, acho que até metiam medo ao menino Jesus Messias. Suponho por isso, bem ser um ET, pois li e ouvi relatos desconsiderados por apócrifos...

O espaço, Kalunga, as árvores que falam com assobios de vento; falas de velho cego contando viagens, olhando o pequeno cesto de adivinhação, apalpando o tempo com suspirosas lamúrias. Vou vos dizer: Minhas falas têm um passado fermentado nos dias de futuro, de por-viver, porque nasci num tempo que ainda não o era. Isto parece loucura mas, meu tio do lado de mãe que era Nosso Senhor por alcunha, destinou-me às viagens só sonhadas por ele porque nunca, que eu saiba, saiu de sua terra feita kimbo de barro chapado nos ripados. Taipa de atados com lianas de chinguiços do mato, matebas...

araujo49.jpg Andei, com meus próprios pés no mundo inteiro, pelos pequenos caminhos que se rasgaram para mim; na guerra eram fiotes, carreiros ou pistas. Com a onça aprendi a colocar no chão um pé diante de um outro, com passos de sumaúma, sem barulho e sempre na fila do pirilau. Desconsegui voar, mas mantive sonhos de penas e uma boca em forma de bico, para colher da madrugada as gotas cacimbadas da noite, e mel silvestre, único alimento de muitos dias de peregrinação só mesmo de imaginação porque as abelhas ferram, não sei se o sabem...

Morri na Curva e renasci várias vezes, deixando o corpo fermentar nesta fala da vida que agora uso, por vezes sem vírgula e às vezes tudojunto. Com esta fala e as mãos percebi-me um T'Chingange sem cajado de nobreza, assim mesmo de feitiço, nem menino, nem mabeco, noutra fala de kandengue: exerci todo o poder da terra e agora o que me sobra é a impossibilidade da morte, garantida por uma mutopa cheia e fumegante, mais uma taça de sangue das minhas próprias verrugas feitas uvas.

ÁFRICA13.jpg O T'Xipilika avisou:- Este menino não é gente... Mas meu coração é, ainda! Uma vez, quando uma seta turra encontrou ninho no meu peito, provei o coração para não morrer. Sabia a nada feito pedra, dura como ela, como a dos túmulos seca e enervada com a terra do Panguila, do Bengo e Icolo mais outros Kifangondo e Fundas, tudo água de cu-lavado, preparado mulato dos morros de Catete e mais a montante do rio, também chamado de Zenza, com nascente no Planalto do Uíge, passando por Quiculungo e Samba Caju…

Minha mãe Arminda Loureiro, preparou-me mal para mudar o curso das coisas, criando-me com o leite das nossas cabras, chamadas de chibitas e deixando-me à solta quando já era no tempo de mokandar, bebia nas directas tetas das cabritinhas pois, do produtor directo ao consumidor... No respectivamente, recebi o mukuali sagrado, com o qual me perdi na submissão aos velhos e à tradição. Com dendém e barro vermelho segurei a vida por entre os dedos, gritei todos os gritos e, entreguei minha singularidade ao espírito mais branco e assim foi, vim coradamente esbranquiçado, um mwadié, mulungu e t'chindere num país futuramente alheio de mentiroso... Tudo mesmo de só fingir.

baú3.jpg Branco mesmo de mwene-putu de um país longínquo, de tanto que nem se via, nem sentia! Ué! Tio Kaluviaviri me disse que esse espírito era o DIABO feito gente de assustar minino... Construí e desconstrui depois e antes da minha vida ficar estória no  torno dum punhal com nome de catana. Assim a guardei numa capa chamada de bainha, feita de pele de crocodilo e, na esperança de ali sempre ficar - embainhada. E, todas as gargantas se ousaram usar, só de gritos contra mim próprio... Porque a noite era escura, as pessoas ficaram talqualmente escuras e tudo mesmo escureceu. Um dia tracei dois caminhos: um em direcção à mata, o outro voltado ao morro.

Por este, encontrou o mukuali grande na direcção e, então num vou fazer como, vi-me nas agruras de decidir: Ou MATO ou MORRO! Agora que a cinza cobriu as guerras, tudo ficou como num mar de palha, quersedizer numa vinha-d’alhos no jeito banho maria oraipronobis e, vamos ver como termina para saber como é que fica, que ninguém mesmo, te darão ouvidos na hora e na morte - ámen. Teus gemidos ficam altos como o riso da hiena, o latido agudo do mabeco na confusão de se chorar, se rir ou até cacarejar pois que até o galo feito prosperidade entra na contenda... Teus, meus, nossos gemidos são o eco quebrado de palavras que já não existem. Verdade mesmo!

ÁFRICA4.jpg Ninguém te ouviu, te ouve, nem ouvirá... Nem mesmo a coruja com uma espada afiada. O mukuali sagrado que precisas para morrer, não regressa - vais ter de viver meu! O destino nem é teu! Pópilas. Karamba, por cima de nossas cabeças caem as gotas da maldição com Ruína, Ruína, Ruína das cinzas da cidade! Grito, Grito, Grito de raiva enraivecida! Choro, Choro, Choro das lágrimas dos crocodilos! Estás lixado, tramado, vais morrer sozinho, e morto, ué, não vais poder cuidar do teu próprio enterro. T'Xipilika e KaluviaviriI tinham suas razões. Filhos-da-caixa! Estragaram minha defuntação...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:26
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Sexta-feira, 16 de Julho de 2021
MUGIMBO . CXXV

OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO  - Crónica 3165 - 16.07.2021

- FORMAS ENGANOSAS... CICATRIZES DO TEMPO - NEM SEMPRE É O QUE PARECE...

IMBONDEIRO1.jpg

Por   soba k.jpgT'Chingange . No AlGharb do M´Puto

Há algum tempo, no jornal "San Francisco", Georg relatou que um menino de sete anos de idade se aproximou da proprietária de uma mercearia, apontou um revólver para ela e exigiu que lhe entregasse o dinheiro contido na caixa registadora...

A mulher conhecia o menino e supôs que ele, estava brincando. Ela achava-se completamente enganada. Como se recusou a entregar o dinheiro, ele a matou! No inquérito, o menino, ainda incapaz de compreender a enormidade de seu acto, explicou que ele só o fizera assim, por ter visto na televisão cena igual...

mocanda12.jpg  Não é preciso dizer que a televisão era desconhecida no tempo do bíblico David; contudo, o verso certamente enuncia um princípio que deve ser adoptado em nossos lares como se o fora, uma metáfora de PARÁBOLA...

Numerosos estudos científicos demonstram, além de qualquer dúvida razoável, que há uma estreita correlação entre o que a televisão mostra, violência, crime, despeito por alguns valores e, das racionalizações no sentido oposto num sem fim de vicissitudes reais.

elvira4.jpg  Somos transformados pela contemplação! Sobre muitos de nós, gente comum, professores, comentadeiros, historiadores, advogados e políticos, na generalidade, exercem uma fascinação hipnótica sobre nós, ouvintes. E, tudo é feito a propósito com forma e jeito pensado.

Para nós ouvintes, ela, a TV, em si mesma, não é boa nem má para proclamar mensagens. Só que bons e maus cidadãos em número de milhões de pessoas, nem sempre têm o preparo para discernir no que é ou o não é, porque tal coisa, tal assunto o foi dito na TV.

MIRAN5.jpg Tal como Deus, Satanás também a usa, a TV para insinuar-se em lares que aparentemente são cristãos, ateus, agnósticos, ou de um outro pensar. Podemos estar certos de uma coisa: o inimigo continuará a praticar seus enganos por intermédio destes meios com a crescente eficácia e, à medida que nos aproximamos dum evento, uma eleição, tudo se agudiza! Por mim, já nem confio nas sondagens! Tornei-me assim, um descrente militante...

Também e, principalmente na politica nos tentam cativar deturpando a verdade ou omitindo o essencial. E, neste palco de vida fazem-se incestos nos interesses. Mas, haverá sempre um MAS, aonde se torna possível que todos, assim apegados à mídia percam a força de vontade para resistir à "TENTAÇÃO"...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:25
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Segunda-feira, 12 de Julho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXXII

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - IX

Crónica 3164 - 10.07.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha, mesmo sendo “branco mazombo” Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

guerri6.jpg

Por soba24.jpgT´Chingange, no AlGharb do M´Puto

Mergulhado numa embriaguez de galinheiro, bocejada de silêncios na forma de galo capado, entrecortados pelos sussurros dela, a embriaguez, pude discernir uma repentina agonia sobrenatural dum anjo violentado por uma catrefada de diabos, uma vermelhidão de labaredas de inferno, tentáculos apertando-me a garganta, o corpo a tremer-me dos pés ao cerebelo inesperando-me os sentidos. Uf! Acordei de boca aberta, seca, corpo tenso e dedos inteiriçados de brasa palpitante com o bicho do tempo a bulir-me coisas do passado; coisas de Angola…

Coisas atazanadas contra vontade no cerebelo com adjacências pontiagudas de hérnias covidescas, coisas hodiernas muito cheias de putrefactos factos e, já lá vão uns largos anos. O regime instaurado em Portugal a 25 de Abril de 1974 durante, após e agora, tudo tem feito e, assim continua, escondendo crimes contra a humanidade pelos quais é directamente responsável. A independência que era desejada pela grande maioria de gente “branca” que estava na Colónia, não viu nem de longe, nem de perto, respeitados os tratados do MFA, de Portugal e outras violentadas traquinices…

guerri3.jpg Assim, Portugal, promovendo por isso e, a propósito, o mito de que a Revolução dos Cravos foi uma “revolução sem sangue”, eu, como muitos milhares de rotulados e “silenciados retornados”, relembra-se o que se tenta esquecer passados que são 47 anos. Quando um alto mandatário do Governo do M´Puto – Portugal, mencionar este desaire que foi a “DESCOLONIZAÇÃO” e, pedir desculpas pelo facto de isto ter sucedido duma forma tão trágica eu, me remeterei a um defuntado silêncio, juro!…

No ano de 1970 e 1971 com o lançamento da operação “Siroco” e “Rojão RH” a região do Leste de Angola é completamente dominada após a realização de operações especiais aos quais participaram Comandos, Páras, Fusos e o Esquadrão a Cavalo estacionado em Silva Porto, actual cidade do Cuíto. As autoridades portuguesas instauram um prémio de 100 contos a quem entregasse Jonas Savimbi, vivo e, outro de 50 contos, pela cabeça de Antunes Kahali, um comandante da UNITA conhecido pela sua crueldade.

guerra5.jpg Kahali, decepava os órgãos sexuais dos militares portugueses abatidos, expondo-os com frases insultuosas nas aldeias e carreiros ali chamados de picadas. Diz-se que o major Vitor Alves arrecadou o prémio apresentando uma cabeça que não era a de Kahali  pois este soube-se ter falecido na Jamba em uma data posterior. Nesta mesma altura, o MPLA cria um grupo chefiado por Manuel Muti que tinha a obsessão de matar Savimbi. Fracassada essa tarefa, Muti adere à “Revolta do Leste” e acabando por mais tarde se entregar às “NT- Nossas Tropas” como se davam a conhecer as tropas do M´Puto em seus relatórios. Foi no lugar de Ninda que este aventureiro da guerrilha se entregou. Com o MPLA derrotado militarmente no Leste, Portugal desencadeia nova operação especial contra as bases de Savimbi, saldada por elevado número de baixas entre os guerrilheiros…   

Acontece a partir desta data a “Operação Madeira” por via de Jonas Malheiro Savimbi originar variadas tentativas na aproximação aos militares portugueses. Face ao domínio português no leste, o MPLA de Chipenda alia-se à FNLA. Em Kinshasa, estes, criam o Conselho Supremo de Libertação de Angola (CSLA), presidido por Holden Roberto. Esta criação foi efémera pois que nesta altura o MPLA dependia quase exclusivamente da ex-URSS e seus satélites. A FNLA , dependia dos Estados unidos da América e Europa e esta combinação não resultaria como é óbvio.

guerra13.jpg A tal de “Operação Madeira” teve como intermediários Jonas Savimbi e o general Bettencourt Rodrigues e, tendo como mediador o madeiro da povoação de Cangumbe chamado Duarte Oliveira. O tenente Sabino apareceu sempre como o negociador por parte da UNITA. A UNITA comprometeu-se a não atacar os madeireiros e a tropa instalada naquele vasto Leste. Por esta via reptícia ambas as partes faziam seu jogo do gato e rato. Á UNITA, era-lhe dado bens logísticos a fim de sobreviver em banho-maria como e vulgar afirmar. Este acordo beneficiava os madeireiros, a qum a UNITA com muita frequência, incendiava suas serrações e camiões de transporte.

Mas, Savimbi com a conhecida sua habilidade de manobra atacava por vezes e de surpresa; o diálogo entre as “NT do M´Puto” Savimbi, foi retomado numa segunda fase que é agora conhecida pelo “pacto de não-agressão”. Savimbi e o então Secretário-Geral do Governo da Província Ultramarina de Angola, coronel Soares Carneiro auspiciam-se em contactos tendo por intermediário o padre António de Araújo Oliveira, um fervoroso defensor da UNITA mas, só até este tomar conhecimento de alguns crimes na Jamba, nomeadamente pela queima de pessoas vidas.

guerra22.jpg E, foi aquele padre que da parte do “loby português, se levantou para lamentar  e condenar os assassínios das famílias Pedro N´Gueve Jonatão Chingunji, o “Tito” e Fernando Wilson dos Santos. Mais tarde o padre Oliveira, já director do Colégio Universitário Pio XII em Lisboa confessou: “-Reflecti muito e concluí que a UNITA se serve das pessoas para atingir os seus fins. Assim sendo, não posso deixar de os condenar”. O padre Antonio Araújo  não estava só  neste pensar!

O “pacto de não-agressão” confinava a actividade da UNITA a uma determinada zona, pré-estabelecida com os portugueses. O movimento recebia das NT – Exército Português armamento, com a condição de combater novas escaladas do MPLA do Leste. A própria FNLA pede uma coluna que tenta infiltrar-se na região. Holden Roberto conta que recebeu uma carta de Savimbi, advertindo-o para “não ultrapassar certa linha”; ignorando o aviso, a coluna do ELNA foi atacada e destroçada pela tropa portuguesa. Pressupõe-se assim que seguindo métodos de Mao Tzé Tung o  astuto Savimbi avisou as NT Tugas da sua localização. Em 1973, Savimbi volta a quebrar o segundo pacto com os Tugas, atacando de surpresa a guarnição de Santar em Moxico...       

(Continua…)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Quinta-feira, 8 de Julho de 2021
MUJIMBO . CXXIV

SER OU NÃO SER COMENDADOR - FUNERAL SEM CHORO

- É costume ouvir-se dizer: " foi-se sem deixar de si saudades”...  Crónica 3063 - de 08.07.2021

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Por soba04.jpgT'Chingange, no AlGharb do M'Puto

Não me lembro de ter ouvido falar nem de ter assistido a alguma cerimónia fúnebre em que as faltas “ou pecados” da pessoa falecida tivessem sido destacadas pelos oradores. Elas podem até ser amplamente conhecidas, mas o bom senso manda que se realce só os aspectos positivos; afinal, todo mundo tem defeitos misturados nas virtudes e, nunca o inverso disto.

Certamente deixamos a marca do que fazemos positivamente, ou do que fazemos e que não deve ser imitado. Entretanto, é certo que ninguém quer imaginar ser mencionado em nenhuma ocasião, muito menos depois que tiver morrido ainda em vida, por causa dos seus defeitos ou procedimentos não usuais. Nem no livro sagrado da Bíblia, se escondem as falhas de nenhum de seus personagens, mesmo dos mais destacados heróis, entre os quais não está o rei mencionado em este nosso verso explanado em texto co o nome adulterado de Joe! A Joe, o que é de Joe… A Berardo o que é dele! Joe e Berardo são uma só pessoa…

soba21.jpeg E, lendo “ao calhas” ou aleatoriamente o livro dos livros camado de Bíblia, leio que Jeorão era filho primogênito de Josafá que reinou pouco tempo, mas deixou um histórico lamentável. Para começar, embora fosse rei e tivesse a maior parte no espólio deixado pelo pai, tão logo assumiu o reinado, de olho na herança dos irmãos, matou-os à espada. Já naqueles tempos havia formas bizarronas de tratar a vida...

A esposa de Jeorão, Atalia, filha dos ímpios Acabe e Jezabel, mais tarde tentou acabar com a linhagem de Davi. Jeorão rejeitou as advertências e promoveu a decadência moral e espiritual dos moradores de Jerusalém e de Judá. Finalmente morreu acometido de uma terrível enfermidade, que deixou suas entranhas expostas.

roxo135.jpg De acordo com um costume da época, os reis, ao morrerem, eram colocados em uma sepultura especial, em um local chamado “sepulcro dos reis”, algo como se fora um panteão. Não foi esse o caso de Jeorão. Quando morreu, não recebeu nenhuma homenagem por via de seus graves desvios às regras sociais de então.

O povo não lhe queimou incenso, ele não foi sepultado no sepulcro dos reis, e o cronista diz a respeito dele que “se foi sem deixar de si saudades”. Em contraste, Ezequias “foi sepultado na colina onde estão os túmulos dos descendentes de Davi. Todo Judá e o povo de Jerusalém lhe prestaram homenagens".

berard1.jpg Os bons exemplos, por norma, eram e ainda o são, enaltecidos pela sociedade. Por vezes leio a Biblia e, fico com vontade de não mais a ler porque são muitos desaires e até comportamentos bárbaros no meu entender. Em verdade, nem carece estarem esparramados no livro dos livros! Vejo no estágio de um qualquer curriculum, não ser pecaminoso desejar ser estimado, mas isso é resultado do bem que a pessoa espalha ou espalhou, difundiu ou influiu em seu meio, noé!? Será que posso entender este caso tão antigo com o de JOE BERNARDO, um ilustre cidadão português que, num repente, MORREU, estando vivo…

berard2.jpg Morreu, por fruto da hipocrisia dum povo que o bajulou, de governantes e gente com poder nas instâncias bancárias, que o embalaram e subsidiaram; mesmo de altos dignatários que lhe deram guarida e ajudaram, com dolo para todos NÒS, ao ponto de merecer medalhas de mérito e comendas como se o fora: um exemplo a seguir… Isso! Do amor e perdão que reparte, da acolhida que oferece e do serviço prestado, com altruísmo e lealdade - supostamente!

berard3.png Acima de tudo, é importante que sejamos conhecidos e lembrados por nossa fidelidade aos nossos com o beneplácito superior... Ele, Bernardo, lá terá a sua fé... O filme continuará com este e outros ilustres TRAPACEIROS… Com o suceder de TANTOS ERROS E AZARES, corremos o risco de ver O M´PUTO cair novamente, engolido num culto de personalidade com ataque á já frágil democracia…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:51
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Domingo, 27 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXIX

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - VI

Crónica 3159 - 27.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia…

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Por soba0.jpeg T´Chingange, no Algharb do M´Puto

Jogando búzios na zuela do feitiço, com algum esforço intelectual, remexo panelas de caldeirada da estória, muito me convencendo da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia-a-dia, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de vaidades. Metendo num pão que vai ao forno os trocadilhos e chouriço e, enquanto espero, vejo os estudos feitos por organizações internacionais que apontam uma estatística mundial como havendo 300 milhões de pessoas, de todas as idades, com depressão, considerando ser este o mal do século…

Algum tempo atrás, desconhecia que podíamos fechar o tempo dentro de casa e, atazanado, comecei a beber dez gotas de cannabis para truncar as vicissitudes misturando o gosto estranho com kefir, um pouco de café pilão e um pouco de mel com um ou dois croissants para entulhar a malga. E assim, lá pela tarde, na kúkia do sol, meto também num pão tipo da avô os trocadilhos com chouriço, por vezes morcela, a fim de sentir algum prazer de viver matabichando resiliências e, outros desmandos com tantas maleitas sociais.

Mu Ukulu56.jpg Escrevo isto olhando para as roupas manchadas do tempo a abanar no quintal com os pássaros charnecos e melros a alegrar-me com seus voos, saídos de uma árvore gigante de meu vizinho alemão da Alemanha que também saiu de Angola, tal como eu. E, lá estão as duas máscaras que foram lavadas com sabão macaco, encharcando-se do sol tão necessário para queimar azedumes e bichezas, sem saber ao certo quanto tempo o capeta diabo pode ficar naquela superfície de pano definhado pelo hálito do hábito. Estamos no ano de dois mil e vinte e um e, a cinquenta e nove anos do surgimento em Angola do Movimento chamado de FNLA.

Nestas contingências relembro o Janeiro do ano de 1962, em que surge a FNLA. No exterior de Angola, os movimentos pró-independência desencadeiam forte campanha contra o M´Puto – Portugal, que segundo dados da Cruz Vermelha Internacional, denunciam a existência de quase meio milhão de refugiados angolanos no Congo, Zaire e Zâmbia. Em Dezembro de 1962, Agostinho Neto assume a presidência do MPLA em Leopoldeville, actual Kinshasa, durante aquela que foi a 1ª Conferência Nacional. Joaquim Pinto de Andrade, no final da década de 60, chanceler da Arquidiocese de Luanda, era nesse então o presidente de honra do Movimento, mantendo-se no cargo até 1973.   

mud7.jpg Neto, cria o “Grupo Tlemcem”, nome da cidade argelina, onde fizeram recruta os primeiros guerrilheiros do MPLA. Portugal por via desta postura, cria os Comandos, Tropas Especiais, Grupos Especiais e Grupos Especiais Pára-quedistas. Acontece que em Junho de 1963, o MPLA debate-se com problemas graves, entre os quais a expulsão de Viriato da Cruz, “por actos de indisciplina tendentes a minar a unidade”. Este, viria a falecer em Pequim, dez anos depois. Nesse então ocorre dentro do embrionário partido perseguições e prisões aos seus membros e apoiantes na República do Zaire, por ordem de Cirille Adoula, então primeiro-ministro e apoiante de Holden Roberto.

Aqueles acontecimentos levam o presidente ganês N´Krumah, a organizar uma conferência de “reconciliação e unidade”, na qual participam o MPLA, UPA e PDA (Partido Democrático Angolano). Holden Roberto abandona as discussões fundindo a UPA com o PDA dando assim origem à FNLA – Frente de Libertação Nacional de Angola, que mais tarde é apoiada no GRAE – Governo da República de Angola no Exilio e ELNA – Exército de Libertação Nacional de Angola.

savimbi1.jpg O MPLA reage patrocinando a criação da FDLA – Frente Democrática de Libertação de Angola. Esta criação morreu à nascença, pois que nem sequer foi apoiada pela Organização de Unidade Africana – OUA. Em Junho de 1963, o MPLA abre a Frente de Cabinda sob o comando militar de Manuel Lima, o operacional político de Agostinho Neto, Iko Carreira, Hoji-ia Henda, Lúcio Lara, Aníbal de Melo e Daniel Chipenda. A guerrilha do MPLA de imediato entra em confrontações com a FNLA. Este Movimento, estava apostado em evitar o avanço do MPLA no Enclave Norte de Cabinda, parte integrante de Angola.

Há um episódio de que Holden Roberto jamais poderá lavar as mãos pois que tendo aprisionado várias guerrilheiras em um ataque a uma coluna do MPLA, estas virão a ser fuziladas sumariamente numa base da FNLA, em Kinzuzu da República do Zaire. E, é em 1963 que Jonas Malheiro Savimbi surge como Ministro dos Estrangeiro do GRAE. Holden Roberto, envia Savimbi a Moscovo, na mira de obter apoio para a FNLA, mas o objectivo fracassa. É nesta altura que Jonas Savimbi começa a ser notado como uma figura carismática, de um grande poder dialéctico, diplomático e de grande força persuasora.

mud20.jpg Na capital soviética Savimbi acusa peremtóriamente Álvaro Cunhal de ter bloqueado todas as suas diligências; Álvaro Cunhal, tudo fez para tirar de cena Savimbi. O encontro de Savimbi com Gamal Nasser é também anulado por via da intervenção contra, do líder do PCP – Partido Comunista Português. Lembrar-se que neste então Nasser dominava a senda Politica internacional, especialmente por ter imposto a nacionalização do Canal de Suez, na qualidade de chefe supremo das Forças Armadas da extinta República Árabe-Unida.

niassa6.jpg Savimbi, como Ministro do Estrangeiro do GRAE, terá dito a Nasser que os israelitas treinavam militarmente a FNLA apesar de saber que aquele, era inimigo de Israel e que apoiava Holden Roberto. Depreende-se haver já alguma dissidência entre os elementos da FNLA pois que no ano de 1964 o Chefe do Estado-Maior do ELNA, José Kalundungo, abandona o movimento acusando Holden Roberto de “não favorecer a verdadeira unidade nacional, quando ataca os irmãos de luta”. Nesta mesma altura as cúpulas políticas do GRAE acusam o seu Ministro da Guerra, Alexande Tati, de pretender organizar um golpe contra Holden. Tati entrega-se com um numeroso grupo de homens ao Exercito Português passando a lutar com estes contra os demais movimentos nacionalistas, no intuito de apaziguamento com formação de um governo próprio para o Enclave de Cabinda por força e conforme o Tratado de Simulambuco (actual FLEC).  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:47
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXVIII

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - V

Crónica 3158 - 18.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… 

muilas2.jpg

Por   soba0.jpegT´Chingange, no Algharb do M´Puto

O ano de 1961, ficando a uma distância de sessenta anos, convêm relembrar mesmo de forma sucinta o que aconteceu na Colónia chamada de Província de Angola. O padre Franklin da Costa que não concordava com a politica colonial e, que foi mais tarde bispo do Lubango sofreu dissabores por admoestação ao longo de sua vida pastoral pela PIDE, tendo o militar operacional Neves Bendinha, nesse então, morrido às mãos dessa policia na Cadeia de S. Paulo de Luanda. Os intelectuais Belarmino Van-Dúnen, Noé Silva Saúde, Francisco Santana e Virgílio Sotto-Mayor foram presos e condenados, cumprindo pena no Campo Prisional do Tarrafal. Naquele período de entre 04 a 12 de Fevereiro de 1961, disse-se haver entre mortos e feridos e de parte a parte, um total de cinco mil …muilas3.jpg A Fortaleza de S. Pedro da Barra e a Cadeia de S. Paulo, encheram-se de presos. Pinto de Andrade foi desterrado para a ilha do Príncipe e Agostinho Neto é envido, primeiro para Lisboa e, mais tarde para Santo Antão e Santiago de Cabo Verde; Aqui, Neto, continuou a exercer medicina sob vigilância policial; viria a ser transferido para o Aljube e libertado no ano de 1962 com a condição de ficar com residência fixa em Portugal de onde consegue fugir clandestinamente com a família, refugiando-se em Leopoldville.

O ataque da UPA contra os fazendeiros brancos do Norte de Angola, abrangeu uma faixa extensa que vai desde a fronteira com o Congo Zaire até bem perto de Luanda, a maior parte do Distrito do Congo, Províncias do Uíge e Zaire, uma parte do Cuanza Norte e a região de Nambuangongo. Centenas de brancos e trabalhadores Bailundos, contratados, são barbaramente assassinados, incluindo mulheres e crianças. Nem os missionários escapam a esta onda contando-se entre estes os bem respeitados padres Lázaro e Pedro João; o primeiro morto na povoação de Pângala e, o segundo, na Damba.

mud23.jpgNo ataque a Quitexe, então Concelho de Ambaca com sede em Camabatela, foram assassinadas várias crianças. Podem ver-se muitas fotos com seus corpos seminus ou nus, retalhados por catanas; fotos que correram o mundo indignando na forma tão violenta de fazer terrorismo. A violência destes acontecimentos de quinze de Março e sequentes dias, motivou dos bispos angolanos, a publicação de uma “Exortação Pastoral” condenando as acções de terror de um e outro lado, apelando às autoridades não esquecerem as leis de justiça e caridade por forma a aproximar os homens e não originar um crescendo de inimigos. O texto da Pastoral enviado para Lisboa a ser publicado no jornal “Novidades” é desautorizado a sua publicação…

Salazar, detém a pasta da Defesa, por via da tentativa de golpe de Estado por Botelho Moniz. É neste então que prefere o tão propalado discurso em que diz: “ para Angola, rapidamente e em força”. Inicia-se imediatamente o envio regular, por via aérea e marítima. O primeiro contingente de militares embarca no navio Niassa, no cais de Santa Apolónia, em Lisboa. O império português estava ameaçado de morte como nunca em cinco séculos e, a resposta possível foi o envio imediato de um corpo expedicionário. O envio acontece a 21 de Abril, em reacção ao levantamento supostamente do MPLA em Luanda e aos massacres da UPA no Norte.

mugi4.jpg Ninguém imaginava que a guerra duraria mais de uma década terminando logo após o vinticinco de Abril de 1974. No cais de Santa Apolónia, em Lisboa, as famílias juntaram-se para a despedida aos militares. Estes embarcaram em fila ordenada no Niassa e da amurada gritavam "Viva Portugal". O Diário de Notícias de 22 de Abril dava honras de primeira página ao embarque das tropas. "Aclamando Portugal e o exército e cantando o hino nacional partiu ontem para Angola uma força expedicionária" - era o título, mostrando optimismo sobre uma rápida solução do conflito. Só que a Guerra Colonial duraria até esse ano de 1974, e seria combatida em três frentes africanas – Angola, Moçambique e Guiné Bissau. Entretanto na rádio cantava-se “Angola - é nossa”

Hoje, pode encontrar-se em Portugal, mais de 300 monumentos dedicados aos que combateram por um país que estava condenado a ser de novo só europeu. Angola e mais quatro nações africanas de língua portuguesa, são hoje independentes mas, terei aqui de me focar só a Angola a rainha do Império Luso. Os paquetes Niassa, Santa Maria, Vera Cruz, Pátria e Infante D. Henrique levam sucessivos contingentes sendo recebidos euforicamente pela população branca em grandiosos  desfiles ao longo na Avenida Marginal de Luanda com o nome de Diogo Cão e agora, com o nome de Avenida 4 de Fevereiro… Na Angola de 1961, a situação é crítica; cidades, vilas e pequenos lugares do Norte são saqueadas pelos guerrilheiros chamados por “Turras”, diminutivo de terroristas. Estes Turras, à sua passagem, destruíam as estruturas das fazendas de café, que até então eram o principal abastecedor do mercado internacional. Até 1974 saiam daí 330 mil toneladas por ano; hoje que são passados sessenta anos, esta produção decresceu para números muito inferiores.

mud26.jpg Pode ler-se actualmente (ano de 2021) que a produção do café ainda contínua irrisória e longe de alcançar lugares cimeiros em África, em particular, e no mundo em geral, devido ao fraco investimento e falta de políticas concretas para os produtores, segundo especialistas em agronomia. Em consequência do fraco investimento neste sector, tem sido variável e nivelada por baixo, comparativamente ao tempo colonial, período em que a Colonia, foi o terceiro maior produtor mundial desse “bago vermelho”. Voltando àqueles tempos em que aquela era a minha terra – assim o pensava, o Ministro do Ultramar Adriano Moreira desloca-se com frequência à Colonia adivinhando-se mudanças.  

O Governador Silva Tavares é substituído pelo General Venâncio Deslandes que acumula o Comando-Chefe das Forças Armadas. Face aos acontecimentos na Baixa de Cassange, o Ministro Adriano Moreira põe fim à desumana política da cultura compulsiva do Algodão e sua venda obrigatória à “Cotonang”. O general Deslandes inicia a retomada do Norte de Angola em Junho de 1961, pelo posto de Lucunga. Em Novembro, Deslandes anuncia o apaziguamento do Norte, saldado por 121 baixas de militares oriundos do M´Puto. Em Dezembro de 61, já se encontrava em Angola mais de 30 mil soldados magalas do M´Puto. Em 1966 já eram 60 mil e, em 1974 chegaram a mais de 65 mil. Diga-se que as guerrilhas do MPLA e FNLA eram quase inexistentes no ano de 1974 mas, urdia-se pela calada e, no M´Puto outras diligências singularizadas pelo Partido Comunista e suas células com mistura de traidores…

mud29.jpg As comunidades corporativas e intelectuais da Província em consonância com uma boa parte significativa de grande parte de comerciantes conceituados como Venâncio Guimarães, chegaram a propor a Venâncio Deslandes um golpe do tipo de Ian Smith da Rodésia tornando o território independente ou com uma autonomia progressiva mas, não houve a vontade necessária para tal. Perdeu-se uma grande oportunidade de mudar o rumo em Angola de uma forma controlada a favor de gente que se veio a revelar desclassificada, impreparada e ladra. Recorde-se que Ian Douglas Smith, foi um político, fazendeiro e militar que serviu como primeiro-ministro da colónia britânica da Rodésia do Sul entre 13 de Abril de 1964 e 11 de Novembro de 1965 e depois primeiro-ministro da Rodésia, depois da Declaração Unilateral de Independência, em 11 de Novembro de 1965, até 1 de Junho de 1979.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:47
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Sábado, 5 de Junho de 2021
MOKANDA DO SOBA . CLXVI

ANGOLA – DA LIBERTAÇÃO À INDEPENDÊNCIA - III

Crónica 3156 – 03.06.2021 - Na libertação e independência de uma terra que pensava também ser minha… Afinal, não o era e, juro que não o sabia… 

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Por soba24.jpg  T´Chingange, no Algharb do M´Puto   

E, porque não sou só ossos dispersos, penso em kimbundo da Luua recordando as falas de nossa terra, também da deles, meus filhos e filhos dos outros também; assim repeti “ki tuexile tu ngó ifuba iatujunkura” - ainda não somos só ossos dispersos, “ifuba yetu iokune kala jimbuta” - Nossos ossos serão semeados como sementes… Assim no quizango, feitiço do livro de capa amarelecida, recordo aos mwadiés camundongos fingindo ser sapientes, que só mostram o Sputnik de Agostinho Neto, o que já passou! Assim, num jeito de perfumar ranço seboso, engraxando as cores sem conseguir dizer nada de novo, relembro caligrafias antigas. Falei!

O MAC - Movimento Anti Colonial, integrava membros estudante de todas as colónias portuguesas. Em 1960, autoridades políticas e militares do M´Puto, efectuam reuniões de emergência à porta fechada, no Comando da Região Militar, temendo a possibilidade de um ataque armado ao Norte de Angola, ainda nesse ano. A ordem pública era mantida nas cidades, pela Polícia de Segurança Pública; nas povoações do interior de menor importância, pelos cipaios às ordens das autoridades administrativas.

cipaios.jpg O Exército regular, então composto por cinco mil africanos e mil e quinhentos europeus, aquartelavam-se nas principais cidades - Luanda, Lobito, Nova Lisboa, actual Huambo, Sá da Bandeira, actual Lubango e pouco mais. Em 1960, a PIDE – Policia Internacional e Defesa do Estado, volta a prender Agostinho Neto, no seu consultório de Luanda. Como consequência o povo da Circunscrição vizinha de Icolo e Bengo, organiza uma manifestação de protesto em Catete, a escassos quilómetros da capital, a terra natal de Neto. Era eu nesse então, estudante na Escola Industrial de Luanda tendo como companheiro de turma Avelino Said (Dias) Mingas que mais tarde viria a ser o primeiro-ministro das Finanças, um dos criadores da moeda Kwanza - Angola.  

Naquela manifestação de Catete, a multidão é metralhada originando daí 30 mortos e 200 feridos. Conta-se que no seguinte dia se inicia o ataque a Icolo Bengo originando a destruição de várias aldeias. A prisão de Agostinho Neto motiva o MPLA, então aquartelado na Guiné-Conacry, a propor negociações a Portugal. Em resposta, 29 activistas do Movimento são fuzilados no pátio de uma prisão; simultaneamente, o general Monteiro Libório assina o “Primeiro Plano de Acção Psicológica do Comando Militar de Angola”.

cipaio4.jpg Em Dezembro de 1960, Mário Andrade, Viriato da Cruz e Américo Boavida, face ao fracasso negocial com Portugal, comunicam à Câmara dos Comuns de Londres, ”passarem à acção directa”, supostamente em nome do MPLA e por via destas manobras internacionais, no mesmo mês de Dezembro o Conselho de Segurança da ONU deixa de reconhecer as Provinciais Ultramarinas como sendo parte integrante de Portugal. Foi talvez a primeira pedra a ser lançada ao charco do processo descolonizador do “Império Luso”. Por via destas movimentações, o MPLA anuncia a sua primeira direcção no exterior formada por Mário Pinto de Andrade, Viriato da Cruz Hugo de Meneses, Lúcio Lara, Azevedo Júnior, Matias Miguéis, Eduardo Santos, Daniel Chipenda e França N´Dalu.

Eduardo Santos foi médio de futebol da equipa da Associação Académica de Coimbra que não obstante ter passado para a “Revolta Activa” conjuntamente com Daniel Chipenda e França N´Dalu assistiu como cardiologista Agostinho Neto até à sua morte. A figura de Agostinho Neto, jamais teve unanimidade dentro do movimento anticolonial. As fortes divergências que teve com Viriato da Cruz, em 1963, levaram Neto a torturá-lo e humilhá-lo diariamente numa prisão, somente saindo (quase morto), por intervenção de aliados externos da Argélia e China.

mud14.jpg Outra figura que questionou fortemente Neto, foi Matias Miguéis, sendo que este acabou morto após humilhantes torturas ordenadas por Neto, em 1965; foi enterrado vivo somente com a cabeça para fora, onde lhe jogavam secreções ao mesmo tempo em que recebia golpes. Historiadores, como William Tonet, apontam que nem mesmo os portugueses cometeram tais atrocidades. Houve graves conflitos internos no MPLA que puseram em causa a liderança de Agostinho Neto.

Entre estes, o mais grave consistiu no surgimento, no início dos anos 1970, de duas tendências opostas à direcção do movimento, a "Revolta Activa" constituída no essencial por elementos intelectuais, e a "Revolta do Leste" com Daniel Chipenda, formada pelas forças de guerrilha localizadas no Leste de Angola; estas divisões foram superadas num intrincado processo de discussão e negociação que terminou com a reafirmação da autoridade de Agostinho Neto.

mud10.jpg Seguindo a cronologia dos acontecimentos, em Janeiro de 1961, a capital angolana fervilha de jornalistas que aguardam a chegada do paquete “Santa Maria”, tomado de assalto por Henrique Galvão. Semanas depois, as atenções desviam-se para os três acontecimentos que marcaram o início da luta armada e, que conduziu à independência: A Revolta na Baixa de Cassanje de “4 a 11 de Fevereiro” e, “ a “15 de Março”. Impulsionados pela UPA, a Revolução na Baixa de Cassanje iniciou-se no posto do Milando da Circunscrição de Holo e Jinga, alastrando às circunscrições vizinha de Bondo e Bângala.

mud15.jpg Simão Toco, fundador do “Tocoismo” pertencente à igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, por ter influenciado aquela onda de terrorismo, foi desterrado para os Açores com residência fixa naquela congregação. Milhares de trabalhadores abandonaram seu trabalho nas fazendas algodoeiras que alimentavam a empresa monopolista “Cotonang”; armados de paus, canhangulos, catanas e azagaias, matam gado e destroem outros bens de brancos. Estes acontecimentos são relatados pelo “missionário” António José Nunes Frade que constam dos arquivos da Administração da Circunscrição de Bondo e Bângala do Distrito de Malange…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:47
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2021
MISSOSSO . XLIV

Crónica 3151 - MISSOSSO DO EDU

DIVAGAÇÃO ANTIGA . Penso - logo... EXISTO! - 16.05.2021

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Por   Torres0.jpg Eduardo Torres                                         

Estou a pensar, que se por qualquer motivo, acontecesse um acidente natural, que obrigasse, por causas improváveis e nem remotamente previstas, nós ficássemos neste nosso mundo real, apenas com a vida salvaguarda por circunstâncias favoráveis, mas que levassem a desaparecer todos os desenvolvimentos e a própria tecnologia em si, a ponto de voltarmos a uma fase da civilização, que nos obrigasse por falta de meios, a ter de começar tudo quase do principio.

torres14.jpg Quem surgiria a comandar o mundo? Recordo-me, a propósito, ainda jovem, de ter visto um filme com uma história muito interessante: Baseava-se o seu argumento nas famílias de alta linhagem da época, formados alguns, todos eles especializados nas boas maneiras que uma alta sociedade impunha, e como não podia faltar, uma descendência de lindas jovens, todas elas preparadas, com uma educação esmerada, para não desmerecer das regras da alta fidalguia a que pertenciam. Não lhes faltava um séquito de servidores, todos eles escolhidos a dedo e segundo o padrão que a própria alta linhagem impunha como medida.

dy15.jpgEntre os servidores, destacava-se um mordomo que, quer pela sua presença, pelo fino trato e toda a elegância que usava em cada movimento que fazia no seu serviço prestado, uma mostra que definia toda a sua eficiência. Sucedeu então, que várias dessas famílias baronesas, empreenderam uma viagem para poderem beneficiar das suas vantagens sociais, num chamado "vapor" numa volta praticamente ao mundo de então.

Com eles seguiu também o mordomo, pessoa imprescindível no relacionamento com todo o restante pessoal que fazia parte da tripulação de bordo. Após muitos dias de muito navegar, aconteceu uma grande tempestade, e o barco acabou por naufragar, tendo-se salvo quase todos os viajantes, incluindo naturalmente o mordomo.

mouzinho1.jpg Tiveram a sorte de tudo ter acontecido junto de uma ilha deserta, e todos eles em barcos a remos, conseguiram aportar à praia e assim, se instalaram na referida ilha. Foi então, que por falta de conhecimentos e experiência da vida, os tais personagens bem-falantes, formados e consagrados pela sua sabedoria na alta sociedade que ficava longe daquela ilha linda e selvagem, se aperceberam de toda a sua incapacidade de vencer todas as contrariedades surgidas.

Só o mordomo, pela sua sagacidade, pela sua experiência, ganha na luta diária que tivera de travar durante toda a sua vida, era o único homem capaz, naqueles momentos e naquele lugar, de tomar decisões, de improvisar processos, de utilizar a inteligência.

cinzas3.jpg Para conseguir tirar partido de situações, de que só ele, com a sua capacidade de engenharia, improvisava e fazia com que resultassem; Foi por isso nomeado o chefe daquela "tribo"! E, passou assim a dar ordens a todos aqueles que haviam pertencido às famílias a quem tinha servido - a serem seus servidores por necessidade de sobrevivência. Tornou-se noivo da mais gentil senhorita a quem tinha servido; e, geralmente como acontece em tudo na vida, no dia em que se ia efectuar o casamento, aproximou-se um navio no horizonte. Todos foram unânimes em que se deveria assinalar a sua presença na ilha...

ROXO192.jpg Foram salvos e, tudo voltou ao princípio. O mordomo voltou a ser mordomo; toda restante gente voltou a ser gente da alta sociedade - já não era possível haver um casamento entre duas pessoas de classes tão distintas, e as histórias de sobrevivência acontecidas na ilha passaram a ser protagonizadas pelos figurantes da alta sociedade. O mordomo continuou a ouvir, servindo aqueles desonestos, histórias que ele tinha sabido extrair de todo o seu manancial de conhecimentos, ganhos com experiência e inteligência.

Infelizmente o mundo ainda tem gente que sobrevive beneficiando do valor que os outros lhe dão mas, que não abdicam da aparência de se fazer parecer. *Felizmente também há muito boa gente que tem a humildade de contar os factos como realmente acontecem tal como Luís Filipe Vieira, noé? Ele há coisas!

Nota: A adição do LFV, Presidente do Benfica, é de minha autoria - (*blábláblá*) - T'Chingange

ECT



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:22
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Domingo, 16 de Maio de 2021
PARACUCA . XXXVIII

MULOLAS* DE TEMPOS DORMIDOSA LINGUAGEM DAS LÁGRIMAS COM FALAS INVIESADAS. (14.05.2021 em Kizomba) – 16.05.2021 em KIMBO

Crónica 3150 – Em um tempo de cinzas, tendo em vista a tristeza...  Paracuca é jinguba com açúcar torrado…

roxo116.jpgAR

Por soba24.jpg T´Chingange – No AlGharb do M´Puto

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Tudo o que fazemos na vida tem como objectivo a felicidade. Podemos até chorar de alegria, mas o choro costuma expressar tristeza. Porque se diz então “Bem-aventurados os que choram?”

Pesquisadores de muitos lugares deste Mundo, têm estudado os efeitos do choro e descoberto que ele faz bem. O bioquímico William Frey, da Universidade de Minnesota, por exemplo, estudou com sua equipe o sistema imunológico de muitas pessoas, o grau de stresse e raiva, e o humor daqueles que choram muito.

roxo135.jpgAR - Eles, os pesquisadores, descobriram que o humor dessas pessoas melhorou em quase 90% após um período de pranto. As lágrimas derramadas por elas fortaleceram o organismo e reduziram o stresse. O sentimento de culpa causa dor e abatimento mas, haverá aquele momento de viragem em que a paz e a alegria são restauradas - o consolo é experimentado e, desse modo, a vida passa da tristeza ao prazer, do pesar à felicidade... O que tiver de ser, irá acontecer.

araujo118.jpg CA - Num qualquer momento ao se olhar para dentro de si mesmo, se deparará com um quadro que não é o ideal. Talvez se sinta o coração quebrantar-se pela consciência da própria fraqueza e se entristeça profundamente apesar de se saber que a alegria é um componente do fruto espiritual. Um dia virá em que na presença de um ser superior, a “plenitude de alegria surgirá, tirando até águas das mulolas* com um cesto de vime, assim se acredite nos milagres da vida. Entretanto, não é esse tipo de alívio que caracteriza a felicidade mencionada para que se possa consolar todo o tipo de pranto; efectivamente, o choro aqui referido não é causado pela dor física, perda humana ou material, despedidas ou outras situações comuns. Será sim, um pranto que abre um novo caminho, da escravidão para a plena liberdade espiritual…

pombinho15.jpg P - Algo superior nos fará expressar sentimentos e emoções por meio da linguagem das lágrimas: por separação, luto, arrependimento, compaixão ou das lágrimas por insegurança, opressão política, solidão ou a aflição. Pensando nas condições prevalecentes no mundo, o teólogo e escritor alemão Heinz Zahrnt, falecido em 2003, expôs o paradoxo de se falar sobre mansidão na seguinte frase: “Ai dos mansos, porque eles serão colocados contra a parede!” E, de facto, estando o mundo tão engravidado de pessoas que tudo medem em termos de força, poderio e agressividade como meio de conquista, estaremos sim, encostados à parede… E, como diz a sombra esquerda do escritor Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó; é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente da memória.

Tonito04.jpeg  AM - Na procura de um porquê, uma vida cheia de mulolas*, só posso dizer que tudo será fruto do acaso como um milagre que sobe a rampa dum misterioso milagre. Sempre seremos manobrados e levados a pagar pelos erros alheios… Este, é um mundo no qual a competitividade é desejada, incentivada e buscada a qualquer preço. Um mundo em que as coisas parecem funcionar segundo a lei do mais forte, do mais rico, do mais descarado e mentiroso. E, chamam a isto de diplomacia e, ou “Paraíso Fiscal” – mas, não foi sempre assim! De acordo com essa mentalidade, quanto mais alguém se defende e luta por fazer valer seus direitos, tanto mais possibilidade terá para se frustrar. Por isso, a afirmação soa, no mínimo, singular. Serão os mansos que conquistarão o mundo tomando posse do Universo?

Nota*: Mulola só é um rio, quando chove.

Ilustrações de Assunção Roxo, Costa Araújo , A. Monteiro e Pombinho

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:22
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Domingo, 9 de Maio de 2021
MALAMBAS . CCLIX

NÃO É FÁCIL VIVER-SE EM TEMPOS FALACIOSOS

Crónica 3147 – (07.05.2021 em KIZOMBA DO FB) – 09.05.2021 no KIMBO

O CONHECIMENTO DA VERDADE... Malamba é a palavra no boligrafar de nossas vidas

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Porsoba0.jpeg  T'Chingange no M'Puto

Para se ser sábio, é necessário antes de mais ser-se humilde na justa medida. Alguns se embasam em tradições culturais, no senso comum ou em sua intuição. A existência de conhecimento por meio de dados sensoriais não pode ser negada, contudo, o perigo de abraçar estas abordagens é que os dados obtidos a partir dos sentidos humanos não são completos e incontestáveis. Há milhares de maus exemplos entre nós... Óh, se há...

Há quem afirme que o verdadeiro conhecimento deriva daquilo que pode ser comprovado por meio da observação. Sim! Mas, como é que as pessoas reconhecem algo verdadeiro? Todos reconhecemos que existem várias fontes de conhecimento disponíveis. Uma delas é o mundo ao redor, que revela as digitais do Universo, ainda que estejamos em uma realidade de pecado pela já vulgar mentira. Outra razão, nos convida  a sermos racionais e mantermo-nos dentro da lógica da experiência. As fontes, porém, devem ser analisadas sob as lentes do bom senso,  um bem escasso no Mundo actual...

roxo91.jpg Os cristãos procuram seguir os ensinamentos das Sagradas Escrituras, seu centro de busca pelo conhecimento do verdadeiro. Isso! Pois compreender a realidade sempre será uma premissa básica considerando a existência do mal; coisa comum no nosso meio originando um constante conflito narrado entre Cristo e Satanás!

Pois é! Talqualmente como aquela cowboiada "o mau, o bom, e o vilão" que atinge odiernamente a todas as pessoas deste mundo periclitante, noé!? Esta controvérsia é apresentada na Gênesis e Apocalipse  do qual depende nossa salvação, segundo Paulo. Esse tal de apóstolo...

roxo135.jpg Ele, Paulo, escreveu assim: “Toda a Escritura é inspirada por Ele e útil para, nosso ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem seja apto no suficiente e plenamente preparado para toda a boa obra” - Mas, poucos são os que traçam rumo por esta via. Muito menos os políticos militantes do M'Puto e dos ditos PALOPS.

Se você tem dificuldade em compreender o que lê, siga o conselho inspirado: “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a, que a todos será dada livremente, de boa vontade e com fé; e lhe será concedida” - Quando se quer  ser sábio, noé!?  Você gostaria de crescer no conhecimento que conduz à vida eterna; então porque não acreditar? Abra o coração à sensatez usando-o um dia de cada vez, para não saturar...

roxo161.jpg Claro! O amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviam da fé e a si mesmos se atormentam com muitas dores. Pois ouçam: - Um banqueiro riquíssimo disse a Alexandre Dumas:

– Todos os escritores deviam viver na miséria, pois a pobreza aguça a inteligência.

– Bem se vê que o senhor tem muito dinheiro – respondeu Dumas, tranquilamente...

roxo157.jpg Não podemos condenar o dinheiro, mas adverte-se sobre o apego aos bens materiais, tão em moda. Um trato tão vulgar entre nossos políticos, nossos banqueiros, nossos gestores. Sobre isto, Ame Gorborg escreveu: - “O dinheiro por si só não tem o valor absoluto que lhe atribuem, mas é coisa boa para quem o usa bem"!  Com dinheiro pode-se conseguir tudo, assim se diz.

Isso, porém, não o é totalmente verdade. Com dinheiro pode-se comprar comida, mas não o apetite; medicamentos, mas não a saúde; almofadas fofas, mas não um sono reparador; paz com a sociedade, mas não a paz da consciência; distrações, mas não a alegria; ostentação e luxo, mas não a felicidade... Resumindo: Dinheiro e sapiência convém serem condimentadas com a suficiente honestidade....

sacag9.jpg Há mais: - Podes ter conhecidos interesseiros, mas não amigos desinteressados; empregados, mas não fidelidade; alegria, mas não tranquilidade de espírito. A casca de todas as coisas pode ser comprada com dinheiro, mas não a medula, a ALMA.

Hoje deu-me para aqui...

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:39
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Quarta-feira, 28 de Abril de 2021
MISSOSSO . XLI

TEMPO COM CINZAS- A estória, não é assim tão linear, noé!? – (26.04.2021 EM Kizomba do FB) 28.04.2021 no KIMBO

Crónica 3143 - O Mundo parece ter-se tornado ilógico, surrealista e, vêm agora tornar heróis os Otelos, e tantos guedelhudos a fingir que nos libertaram no VINTICINCO.

Missoso é um pequeno conto - (Kimbundo)

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Por   soba24.jpg T'Chingange - No AlGharb do M'Puto

"Precisa-se de homens para uma viagem arriscada. Salário pequeno, frio intenso, longos meses de trevas completas, constante perigo, sem garantia de volta. Honra e reconhecimento em caso de êxito.” Foi o singularíssimo anúncio que apareceu um dia no jornal Times de Londres, no longínquo ano de1900...

Era notável por sua clareza e positividade. Nada de desenhos nem gravuras de homens ou mulheres chamando a atenção. Mesmo assim, recebeu respostas de todo o lado. Assinado por Sir Edward Shakleton, explorador do Polo Norte.

colono3.jpg Esse, bem poderia ser um anúncio de um departamento estatal português, dizendo outras coisas, na tentativa de recrutar pessoas para ir para os trópicos evangelizar ou colonizar em prol da nação! Foi assim que meu pai decidiu ir para o outro lado do mundo para ter uma vida mais decente, dando aos filhos hipóteses de uma melhor vida do que naquela santa terrinha com o nome de Barbeita, uma berça acocurada entre encostas de vertentes graníticas a ver a Serra da Estrela e pinhais a perder de vista.

colono35.jpgcolono32.jpg A ver difuso, lá bem no alto da serra, o manto branco de neve que perenava esfriando ousadias - Ir para África. Existem hoje muitos jovens que se unem a novas ideias, tão-somente por amor ao conforto; conforto que nos leva a um modo de vida respeitável e nos salva do tumulto e da fúria do mundo exterior...

Decisões que nos tiram das agruras e guerras medonhas e, tal como comprarmos ouro provado no fogo, sair da inércia ou deixar de escavar a terra em busca do volfrâmio para enrijar os canhões de Hitler. Era isto que meu pai fazia antes de ser chamada pela Companhia Nacional de Navegação do M'Puto.

colono33.jpg E, essa questão de comprar ouro provado no fogo, pode ser perigoso e, foi mesmo! Se você pensa na obra de Cristo como algo confortável ou “sombra e água fresca”, então essa não é “sua praia”. Isso mesmo! Meu pai Manel foi para a praia errada chamada de Angola num vapor chamado de Mouzinho de Albuquerque, como COLONO aonde passou coisas inimagináveis e, já kota, teve de voltar com a vontade de ficar e, por força de um dia 27 de Maio no ano de 1977. Estava pintado de manchas já negras de sangue, guiado por duas canadianas.

Assim o vi, no aeroporto da Portela de Lisboa, perna pendurada e ainda com uma bala junto à rótula do joelho. Lá na Luua os mortos eram tantos que o médico Boavida do Banco de Angola o mandou para o M'Puto; não fossem os pseudo médicos cubanos cortarem a mesma! E foi no Hospital de Torres Novas que tirou a dita cuja - a bala! Teve sorte de não gangrenar!

colono31.jpg E, vêm agora tornar heróis os Otelos, e tantos guedelhudos a fingir que nos libertaram no VINTICINCO. Não posso entender o significado de nossas vidas, fingindo ou imaginando ter sido como um colchão coberto de cravos vermelhos e rosas e, dizerem-me agora que Cristo nos chama para as mais exigente e ousadas obras do mundo! E, as FP-25 - Que negócio foi esse?

É verdade que Ele, o Nosso Senhor nos dá Sua paz, mas isso só se trata de uma paz interior, aquela espécie de paz que provém do conhecimento profundo que nos leva a desdizer: “isso está certo? É isso mesmo o que eu devo entender?”. Será que em cada dia tenho de incentivar meu ânimo para resistir àquilo que sei estar errado!? A Cezar o que é de Cezar... Tudo farei em busca da verdade. E, claro, alegrar-me-ei no caminho cristão legado por meu pai Monteiro de sobrenome, juntando-as às verdadeiras riquezas da eternidade... Bom resto de Abril

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:49
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Sexta-feira, 23 de Abril de 2021
MUJIMBO . CXXI

OS ACTOS ESTRANHOS ACONTECEM... TEMPO COM CINZAS

Cronica 3142 - Deus tem que livrar o Universo do pecado, senão estamos quilhados!

MUJIMBO é boato, má-língua – (20.04.2021 em Kizomba do FB) 23.04.2021

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Porsoba24.jpg T'Chingange . No AlGharb do M´Puto

A Bíblia tem muitos e bons ensinamentos; para realizar a obra do Senhor, e para executar o Seu acto, no Seu ato inaudito teremos de ir até Isaías (28:21). Assim, no blábláblá dos acontecido chegamos ao livro de Bitter Harvest - Amarga Colheita. Este, fala de um empregado de uma firma de grãos em Michigan, lá nos USA que, inadvertidamente, pegou um veneno mortal e, achando que fosse um complemento vitamínico, misturou-o com os grãos...

Os grãos envenenados contaminaram o gado, as galinhas e os porcos de muitas fazendas. Os fazendeiros não tiveram escolha a não ser isolar os animais contaminados, sacrificá-los e queimar os corpos para evitar que a contaminação se espalhasse podendo alcançar os homens. Eles sabiam que, se não sacrificassem os animais, toda a indústria de gado de Michigan dos USA, estaria ameaçada. No dizer de Isaías, o Profeta, diz que a vontade de Deus é a de que “todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2:4).

arau161.jpgMas, há pessoas a quem nem mesmo Deus pode salvar. Claro que estou a pensar nos muitos trapaceiros que andam a driblar-nos com esquindiva de fintas, nossas vidas, saindo-se de fininho, sempre num bem-bom com paraísos fiscais e, edecéteras e, deixando-nos a falar só átoa com o sabugueiro, uma árvore nobre e espalhável...

Sócrates, o ex primeiro do M'Puto e mentiroso que chegue, escolheu o pecado em vez da justiça boa, que junto com a tropa fandanga e até o Espírito Salgado (o Santo…), provocam nossa rebelião em vez da compreensão, impregnados que estavam com a justiça má... Seus egoísmos, assim mesmo no plural, em vez do amoroso serviço aos seus patrícios, provocaram esta desobediência dum modo natural e resiliente. Se Deus Se arriscasse a levá-los para o Céu, eles infectariam por lá o ambiente Santo com o vírus do pecado, usando aquele engano das sementes como se o fora uma parábola, noé!?

araujo13.jpg Mas, com todas estas periclitãncias, se Nosso Senhor não agir para erradicar seus pecados, com mais uma catrefada de gente de aparente alto-coturno, seus efeitos malignos acabarão por destruir o Universo inteiro. Entenda-se aqui como universo, o do âmbito do M'Puto com dez milhões de papalvos, simplório e patetas, tudojunto...

Deus oferece perdão por nossos pecados passados e, poder para vivermos a vida cristã no presente. Essa coisa de que Sua graça conceder perdão quando falhamos e força para que não venhamos a repetir as mesmas falhas outras vezes, só com um certo juiz de nome de Rosa... Doutro jeito jeitoso, estamos quilhados; ponto final.

araujo158.jpg Não, não pode ser, em última análise, Deus tem mesmo que agir. Ele tem que livrar o Universo do pecado. “Nosso Deus é fogo consumidor” tal como se diz (Hebreus 12:29). Um Deus santo tem que consumir o pecado e transformá-lo em cinzas...Noé!?

Hoje, Deus, oferece-nos uma escolha: ou deixamos que Ele consuma o pecado dentro de nós com a abrasadora presença de Seu Santo Espírito, ou seremos nós consumidos  no blábláblá com nosso pecado na abrasadora presença de Sua iminente na próxima volta – Ora isto pode demorar tanto que nossos ossos também estarão em cinza, noé!?

araujo146.jpgFeliz semana. A destruição do perverso é um acto incomum e estranho, mas inevitável, pois ocorrerá para que o Universo fique seguro para sempre. Nós vamos permitir que Jesus faça Sua obra purificadora, tenhamos calma para permitir que o fogo da Sua presença purifique os malandros por inteiro... Amém, também se diz...

Com fúteis caprichos de escritor avulso, esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos de agora e futuros recolhendo feitos e lendas tornando tudo passado. Sim! Porque num futuro, de um mundo surreal, compreenderemos melhor a essência dos acontecimentos. Inevitavelmente, observo agora, já kota mais-velho, estar num joguete de tantos portais desconhecidos como se o fora: uma carta solta do baralho, seja numa jogatana de sueca, ou de jogo de póquer …

Ilustrações  aleatória de Costa Araujo (falecido há dois anos)

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
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Domingo, 4 de Abril de 2021
FRATERNIFADES . CXXXII

EM TEMPO DE PÁSCOA

Crónica 3136 - Andam Barrabás à solta... Estórias antigas e esquecidas com chás de camomila para espairecer – 04.04.2021

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Por   tonito18.jpgT'Chingange - No AL Gharb do M'Puto

Lendo a Bíblia, verificamos que os quatro evangelhos fazem referência a Barrabás, uma figura misteriosa que surge em conexão com o julgamento de Cristo. A tradição a seu respeito é reticente. Prisioneiro, ele aguardava a execução. Desejando libertar Jesus, talvez influenciado pela mensagem de sua esposa, Pilatos sugere uma escolha entre os dois: Jesus ou Barrabás?

Ele, Pilatos, é colhido por uma estarrecedora surpresa: “Solte Barrabás”, grita a multidão. Qual é a razão para uma escolha como essa? Os líderes religiosos daquele tempo sabiam que poderiam prender Barrabás novamente, quando necessário.

araujo2.jpg Mas como poderiam silenciar alguém como Jesus Cristo? Como parar um Homem que, sem qualquer arma, representava um perigo revolucionário capaz de subverter o judaísmo e todo o Império Romano? O que fariam com Alguém cujas armas eram Suas novas ideias sobre Deus e as pessoas, capazes de explodir as velhas categorias religiosas? Barrabás poderia explorar seus conterrâneos, mas ele não ameaçava governar a vida de ninguém.

Por outro lado, Jesus apresentou um reino que governa de dentro para fora. Sem imposição, conduzindo uma lealdade superior à vida e à morte. Naquela tarde da Páscoa, três ladrões, talvez do mesmo grupo, deveriam ser crucificados: Dimas, Gestas e Barrabás.

araujo12.jpg Barrabás é liberto no último instante, e Jesus é crucificado em seu lugar. Aqui encontramos a mais perfeita ilustração do princípio da substituição. A história de Barrabás é a história da salvação por meio da morte de Jesus Cristo. Seu nome, “Bar Abba”, significa “filho do pai”. Como ele, todos nós, filhos do pai Adão, somos culpados de rebelião e sedição contra Deus, ladrões de Sua glória, assassinos de nós mesmos e dos outros, prisioneiros do pecado. No corredor da morte, Barrabás apenas aguardava a execução...

Ele deve ter olhado para as palmas de suas mãos, imaginando como seria a dor dos cravos rasgando a carne, dilacerando a cartilagem e os ossos. Ouviu então o sinistro barulho da chave abrindo a pesada porta de ferro. Escutou os passos dos guardas. Posso assim imaginar, noé!?

araujo63.jpg “Chegou minha hora”, pensou. Sua cabeça estava pesada e confusa. Parecia até ouvir seu nome gritado pela enorme multidão. Ainda não sabia exatamente o que estava acontecendo. Abismado, recebeu a sentença: “Pode ir para casa.” Isso é substituição: Jesus tomou nosso lugar.

Estando aqui e agora, num lugar chamado de M'Puto, lugar aonde a justiça anda lenta e confusa na mão de interesses políticos e conflituosos quanto baste,  lendo aqui e ali coisas da Bíblia e, confrontando o Mundo também  daqui e dali, relembra-se: Ele foi feito pecado para que sejamos feitos justiça...Ninguém está livre de morrer; é só esperar tranquilamente, tomando uns paracetamol e bebendo uns chás de camomila...

Bibliografia: Bíblia - Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:44
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Sábado, 3 de Abril de 2021
MALAMBAS - CCLVIII

NÓS E A RELATIVIDADE

HOJE, O ALGORITMO, ATRAPALHA MEU SEXTO SENTIDO…

- Crónica 3135 - Meditação de T'Ching – (31.03.2021) - 03.04.2021

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Por soba24.jpg  T´Chingange – No Al Gharb do M´Puto

Boligrafando nossas vidas, imaginamo-nos numa pena de ponta romba escrevendo nossa picada, pensando neste alguém que a segura, como se fôramos uma ilusão que afasta as bissapas espinhosas e, escolhendo por onde levar o nosso azimute ou seja, o ângulo certo entre o norte e um ponto aleatório, de um outro qualquer lado de preferência e, assim, coordenarmos o quadrante da vida como se o fossemos, um jogo de matemática adicionando mais com mais, mais com menos ou menos com menos, emparelhando os símbolos.

Se porventura nos julgarmos um grão, teremos de pensar que ele, o grão não morre se lhe dermos um destino, lançando-o à terra para originar mais grãos, assim chova! Esta noção de estabilidade com sustentabilidade pode ser comparada naquilo que faz parte da nossa concepção comum e, que resulta no facto de possuirmos as dimensões que temos e, de vivermos num planeta com água, o verdadeiro factor de vida.

macaco5.jpg E, ao explorarmos o lugar Terra aonde estamos, valer-nos-emos de todos os nossos sentidos em especial os do tacto e da visão. Sendo assim e na medição de distâncias, empregamos desde sempre ou a partir duma época pré-histórica, partes do corpo humano como padrões tal como o pé, o passo, o cúbito ou o palmo mas, para maiores distâncias lançaremos mão do tempo para irmos de um sítio a outro lugar, noé!

Assim, e de forma aproximada aprendemos a avaliar uma distância confiando naquela primária noção do tacto e, porque temos dois focos, nosso cérebro calcula a distância de forma natural; trigonometricamente calcula o ponto xis por intercepção dos vectores saídos dos dois focos com cálculo imediato dos ângulos e respectiva lonjura. Dois olhos permitem-nos ter sensação espacial das imagens. E, com duas orelhas conseguiremos localizar de onde vem o som.

ong5.jpeg E qual a vantagem de ter duas narinas? Se mantivermos uma narina fechada enquanto se respira pela outra e depois fizermos o contrário, perceberemos que uma delas fornece bem mais ar do que a outra... Isso, faz toda a diferença! Todos os mamíferos têm duas narinas, com excepção das baleias, que tem apenas uma. As duas narinas têm importância fundamental na sobrevivência de alguns animais, como as toupeiras. Nos humanos, elas são resquícios dos tempos pré-históricos. Mas será que daria para abrir mão de uma delas? Não, porque ficaríamos sem o cheiro certo.

Em tudo, podemos alterar o quadro imaginário mas, o tacto é que nos dá a sensação de “realidade”. No entanto os nossos próprios reflexos num espelho não podem ser tocados. Estas coisas intrigam-nos desde a infância porque não detínhamos a noção de imagem. Posto isto, toda a nossa geometria ou nosso físico é baseado no sentido do tacto. Sabemos agora pela metafisica que o que se vê num espelho, “não é real”.

sorte2.jpg Sendo assim, movemo-nos em duas metáforas: - as coisas concretas ou “solidas” e as outras, aéreas, adensando-nos a sensação de algo não real. As coisas, más e boas sempre se irão colidir em nossos sentidos. Quando Copérnico disse que a terra não era estacionária e que o céu não girava à sua volta uma vez por dia, foi-nos exigido uma alteração ao nosso hábito mental. E, foi com as ideias de Einstein que nossos conceitos se deram conta de outros paradigmas. Assim, envolvidos num tecnicismo matemático, nenhum de nós pelo efeito de repetição iremos encontrar a mínima dificuldade em perceber as novas ideias que paulatinamente nos mudam os hábitos.

Hoje, há novas e incontáveis coisas que nos forçam a uma nova e permanente reconstrução imaginativa. Ando por isso a tentar fabricar um portal que me leve a abraçar o meu eu, no espelho e, dizer-lhe que afinal ambos somos ilusões. Quando tal suceder, ficarei a saber o que é isso da “alma”. Entretanto ando como entalado entre os palpos-de-aranha para entender em profundidade essa noção do tal “Sexto sentido”. Lá erei de virar aracnídeo para chegar a essa peça sensorial?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:44
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Quarta-feira, 31 de Março de 2021
N´GUZU - XXXIX

CONHECER O BRASIL – CANDOMBLÉ O culto dos santos, promessas e bênçãos, bentinhos e patuá com bolsas de mandinga, o feiticeiro…

- Crónica 3134  - N´Guzu é força (Kimbundo) - 31.03.2021

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Por soba15.jpg T´Chingange – No Algarve do M´Puto

Em torno de cânticos e ritos, temos animais para sacrifícios, alimentos, velas e, um altar com Nossa Senhora e do Senhor do Bomfim, muitos tambores chamados de macumbas e ervas mais amuletos para o preparo de banhos. Assim, envolto nesta superstição africana chamada de candomblé, também conhecido por Xangô em Recife e Alagoas, aqui me encontro com descendentes de ancestrais africanos; Um culto organizado oriundo dos escravos e libertos do tempo Imperial brasileiro, trazendo as crenças do sobrenatural de outras vidas e outros lugares. 

No Rio Grande do Sul estes eventos são chamados de batuque com muitos e diferentes sons de tambores animando o culto dos santos, promessas e bênçãos, bentinhos e patuá com bolsas de mandinga, o feiticeiro que fala coisas num Idioma africano de nigero-congolês ou coisa assim, linguajando felicidades de sorte e protecção com manuseio de objectos com poder.

quilombo4.jpg Numa perspectiva actual poder-se-á definir o candomblé como uma das maiores instituições religiosas criadas pelos afro-brasileiros na Bahia desde o início do século XIX, quando pela primeira vez foram feitas referências a essa expressão em documentos policiais. Assim, com a cumplicidade de vizinhos próximos aos quilombos, foram localizados em alguns bairros citadinos líderes de rebelião ligados a estas irmandades religiosas Xangós com macumbeiros.

A vitalidade destas crenças com extraordinária resistência, tomaram grande impulso a partir da data de abolição da escravidão no ano de 1888 - (A Lei Áurea, oficialmente Lei n.º 3 353 de 13 de maio de 1888, foi a lei que extinguiu a escravidão no Brasil). Os candomblés do século XX já um pouco modificados após a morte dos velhos africanos, tornaram-se uma das maiores manifestações desta religiosidade tendo como base de afirmação a especifica identidade com o culto aos orixás e santos católicos.

quilombo3.jpg Através dos seus ritos, executavam festas, iniciações e incorporações dos santos com cânticos e tambores sagrados de diferentes tradições tais como o jeje de tradição daomeana e os n´golas de cultura banto a juntar aos nagôs, os mais autênticos na tradição africana da Bahia. Verificando-se diferentes tipos de candomblés, não impediram no passar dos anos a união tecida entre crioulos, escravos, homens livres, entre negros e brancos de alguma posse e, até autoridades.

A fim de lutarem contra a opressão e discriminação, os afro-brasileiros criaram com tolerante flexibilidade os cultos como uma reinvenção cultural de negociação dos negros, como se o fora, uma representação politica As autoridades da época viam estas agremiações como seitas de bárbaros costumes religiosos a que designavam de calundus, baseando-se na suspeição de que havia neles a prática de feitiçaria.

quilombo1.jpg A base institucional para a censura aos candomblés ancorava-se no artigo 179 da Constituição fixando a condição para exercício desse direito, que garantia a “todos” a liberdade religiosa no respeito à religião do Estado e à “moral pública”. Foi a partir de 1830 que legislaram sobre a proibição ou o cerceamento de candomblés, batuques, zungus, maracatus, “danças de pretos e casas de fortuna”.

Entre os muitos “feiticeiros” da Cidade do Rio de Janeiro no século XIX, destacou-se na década de 1870 um tal de Juca Rosa, um famoso curandeiro e adivinho. Em suas cerimónias havia práticas de diferentes origens como iorubás, católicas e bantas. Sua casa-terreiro, era frequentada por muitas pessoas, em geral negros e pobres, mas também representantes da elite. 

Bibliografia consultada: Brasil Imperial de Ronaldo Vainfas

Crónica publicada em KIMBOLAGOA do FB a 29.03.2021

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:29
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Domingo, 28 de Março de 2021
N´GUZU . XXXVIII

CONHECER O BRASILQuilombos ou Mocambos, uma forma de resistência à opressão esclavagista…

Crónica 3133  - 28.03.2021 - N´Guzu é força (Kimbundo)

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Posoba24.jpg T´Chingange – No Algarve do M´Puto

A resistência e opressão escravista com fuga e formação de grupos ficaram conhecidas na história do Brasil como quilombos. A conjuntura do século XIX conferiu algumas características específicas aos Quilombos do Brasil monárquico, Imperial. Se os quilombos sempre estabeleceram algum tipo de relação com a sociedade escravista, no século XIX essa interacção fez-se ainda mais notória por via do desenvolvimento económico e social.

No que concerne ao crescimento das cidades e da população dita livre e pobre, de uma maneira geral, originou o surgimento de uma opinião pública antiescravagista que, posteriormente deu origem a vários movimentos abolicionistas. Alguns quilombos organizaram-se próximo a grandes cidades, como os quilombos de Iguaçu, no Rio de Janeiro.

quilombo2.jpg  No século XIX, escravos aquilombados, beneficiando da topografia da região, criaram acampamentos provisórios às margens dos rios Sarapuí e Iguaçu, áreas cercadas por matos e manguezais. Mantinham assim contactos permanentes com barqueiros, taberneiros, mascates e comunidades de sanzala das fazendas vizinhas, fazendo desta forma, chegar seus produtos aos mercados da cidade.

O Quilombo do Malunguinho, nas proximidades do Recife, reuniu não só escravos fugidos, mas também índios e brancos fora-da-lei, entre os anos de 1817 a 1835. Numa organização mais militarizada, esses quilombos mantinham-se nas matas do Catucá por quase duas décadas; estabeleceram assim uma série de relações de apoio com sectores da população que os acoitavam, informando-os sobre os movimentos das tropas, os ditos macacos com quem até, negociavam.

quil5.jpg Os quilombos oitocentistas um pouco por todo o lado e, próximo a pequenos povoados e fazendas, seus membros formavam grupos que viviam do saque dessas áreas vizinhas provocando até relações não amistosas com os escravos residentes. Quilombos maiores e mais afastados de regiões habitadas, possuíam em geral uma economia própria negociando seus excedentes como se fossem vulgares camponeses.

Em áreas de mineração, os quilombos combinavam agricultura de subsistência com o garimpo mantendo relações de colaboração com as comunidades de escravos das sanzalas bem como com vendeiros e taberneiros das vilas e cidades. Milhares de quilombolas maranhenses envolveram-se directamente nas agitações políticas da população livre da província após a independência, com intensa participação nas lutas da Balaiada entre 1838 e 1841.

quilombo4.jpg  No extremo norte do país, organizados em comunidades camponesas, protegidos pela imensidão das matas amazónicas, faziam chegar à costa seus produtos por via fluvial alcançando também os quilombolas independentes do Suriname por intermédio de grupos indígenas, índios. Em 1838, a fuga colectiva de centenas de escravos liderados por Manuel Congo para as florestas próximas de Vassouras, no Vale do Paraíba, resultou na morte do seu líder por enforcamento, condenado pelo crime de insurreição.

A repressão os quilombos consumia milhares de capitães-do-mato e a maior parte dos efectivos das força policiais e volantes das cidades e vilas. As fugas em massa multiplicaram-se nas décadas de 1860 a 1870 sendo mais notórias na última década da escravidão estabelecendo ligações com diversos grupos abolicionistas. O Quilombo urbano de Jabaquara, em plena cidade de Santos, constituir-se-ia no símbolo mais poderoso dessa aliança entre escravos fugidos e movimento abolicionista, determinante para a abolição definitiva no Brasil com a assinatura da Lei Áurea a 13 de maio de 1888.

Nota: Já publicado em KIZOMBA do FB em 24.03.2021

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:24
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Quinta-feira, 18 de Março de 2021
LAGOA DO PUTO (M´Puto) . VIII

Fábrica de letras da kizomba (Kimbo) - 17.03.2021

Crónica 3130 . “ A Torre da Lapa e seus cazumbis antigos com piratas ”

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Por    soba002.jpgT´Chingange – No Al Gharb do M´Puto

Dando continuidade aos meus passeios ora matinais, ora vespertinos pela orla marítima de Lagoa do algarve no M´Puto, dou aqui conta da beleza em daqui se vislumbrar o horizonte curvo de só mar a dilui-se com o céu a sul. E, assim entre moitas de aroeiras, vislumbro rastos de coelhos, lírios, gladíolos, tulipas do mato com zimbro, maios-roxos, tomilho, arruda, estevas de flor branca ou vermelha e várias espécies de ophrys speculum entre muitas outras variedades que atraem abelhas com seu florido colorido.

O garum ou liquamen supostamente feito no lugar de Presa de moura, era um género de condimento muito utilizado na Antiguidade, especialmente na Roma Antiga. É feito de sangue, vísceras e de outras partes seleccionadas do atum ou da cavala misturadas com peixes pequenos, crustáceos e moluscos esmagados; tudo isto era deixado em salmoura e ao sol durante cerca de dois meses ou então aquecido artificialmente. Este produto era exportado para várias partes do Mediterrâneo.

lapa9.jpg Há notícias de exportação de garum para Atenas, no século V a.C. A existência de numerosos vestígios de fábricas detectados no litoral mediterrânico da península Ibérica, provam um nítido crescimento desta indústria conserveira. Em Roma, o garum chegou a ser um produto de luxo, chegando a atingir 1 000 denários…

Em Portugal, a maior concentração de vestígios de unidades de fabrico de garum localiza-se no litoral algarvio. Na região atlântica há a referir os restos descobertos na baixa pombalina de Lisboa. No Alto de Martim Vaz (Póvoa de Varzim), na praia de Angeiras (Matosinhos) e no estuário do rio Sado, em Creiro, Rasca, Comenda, Ponta da Areia, Moinho Novo, Troia, um dos mais importantes centros conserveiros da Hispânia.

lapa11.jpg Mais recentemente (2007), foram descobertas vestígios de cetárias romanas sob a marginal nascente da vila de Sesimbra. As ruínas destas fábricas, até agora achadas em território português são constituídas pelos tanques ou cetárias (tanque de forma rectangular de dimensão variável, destinado à salga e fabrico de diversos molhos e outros preparados de peixe), na época romana destinados à salga de peixe e à preparação de conservas, normalmente de alvenaria. As conservas de peixe destinadas à exportação eram embaladas em recipientes de cerâmica, as ânforas

Apesar das fontes clássicas serem pródigas em referências aos molhos e pastas de peixe, eram muitos e variados os métodos de processamento de peixe com vista à sua conservação. Se o peixe fumado não era prática corrente no mundo mediterrânico e no sul hispânico, já a secagem ao sol era empregue, embora as fontes sejam escassas a este respeito. Eliano refere a secagem do peixe para produção de farinha. São, todavia, os “salsamenta” e os molhos e pastas de peixe salgado os produtos mais comuns, até porque o comércio de peixe ou seus derivados salgados era uma forma de assegurar boa parte das necessidades de sal das populações (refere Plínio)

lapa12.jpg De terra, é visível neste ecossistema costeiro a avifauna marinha podendo avistar-se nestas arribas, muitos pombos bravos das rochas, gralhas, gaivotas, a andorinha real, o ganso-patola, o corvo-marinho, com sorte pode avistar-se o falcão peregrino. Avistam-se nas falésias muitas fissuras inacessíveis a predadores pelo que constituem o local seguro para repouso e nidificação. Abaixo da linha da maré, a biodiversidade pode ser apreciada na complexa forma dos fundos ou baixios com calhaus, bolsas de areia e vertentes rochosas com pradarias de erva marinhas aonde se alojam peixes juvenis invertebrados e até espécimes emblemática como os cavalos-marinhos; pode avistar-se variedades de algas, lapas e búzios assim como caranguejos das pedras.

LAPA03.jpeg Chegado à Torre da Lapa, posso certificar-me ter sido construída no século XVII. De forma circular, com seus cinco metros de diâmetro e 4 de altura, era do seu topo que se vigiava este mar. Os facheiros  faziam fogueiras no seu topo com ramos verdes para que através do fumo durante o dia e fogo nas noites, alertassem as guarnições e população da região.  Para terminar, esta costa era muito cobiçda por piratas muçulmnos que se abastecim aqui de gente escrava e géneros de alimentação tais como figos, amêndoas, azeite e alfarroba…

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:41
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Domingo, 14 de Março de 2021
MALAMBAS. CCLVI

TEMPO DE CINZAS 12.03.2021

Crónica 3128 - À medida que aumentam as provações ao nosso redor, lá terei de me libertar dos espíritos coloniais…

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Por  t´chingange2.jpgT'Chingange - no M'Puto

Escrevendo, esgadanho fantasmas feitos traças sem as afugentar definitivamente porque algumas até afloram minha consciência, juvenescendo em mim, uma inclinada abelhudice de, poder viver num descuido prosseguido e mascarado. Bem que podia recorrer a remédios de arruda queimada, a remédios roscofes mais latas de formicida com arsénico e creolinas mas prefiro assim ir moendo casca de laranja, distribuir pelos cantos de mim e da cubata afim de só afugentar caracóis e lesmas desmilinguidas e nojentas, que babam meu património átoa…

E, porque o boligrafo se move como se fora um autómato, deixo que corra seu tédio rolando zumbidos grilados muito diferentes que nem com osciloscópio se sentem como sempre estivéramos nessas tépidas noites de primavera, conversa entre ralos e lesmas. Um, sendo o eixo vertical (y) representando a intensidade do sinal, nossa tensão em rrrrssss; a outra (a lesma), o eixo horizontal (x) representando o tempo, como ultra-sons de submarino atómico arrepiando o tímpano…

88445879_2622183321350803_5260403226049511424_n.jp Há sempre um momento estranho quando nossos olhos se encontram bem por detrás de nossos dentes postiços sobressaindo como um portal de nossa sombria caverna, tornando aquele instrumento útil para mostrar nossos sinais periódicos, relaxando nossa apatia como que num tempo que tudo cura, num longo tempo, tempo em que nunca fomos os donos de nossas coisas!

Não! A verdade me reconheceu afirmando que não, aquele era mais um estetoscópio a medir meus azares, minha turbulência com arritmias do coração. É que por vezes falando assim tão profundamente nosso coração saltita tocando sinos como se fora o cadenciado tom das avé-marias da torre da igreja de Nossa Senhora da Assunção.

O meu património, lembro-me daquela banheira já com pés enferrujados como pata de leão velho e a máquina de costura situada na varanda, uma Olivetti com pés em ferro forjado e tendo um deles um nódulo de soldadura por se ter partido. Também da sanita anatómica com uma caixa por cima para armazenar a água; era sim o autoclismo suspenso que descarregava quando se

isabel lacuerda.jpg A corrente treliça de arame enferrujado até já estava remendada com uma união feita de fio de sisal, todo desmanchado, esfarelado e com muitos nós pra lembrar as sacudidelas; barbelas a terminar numa argola bem ao jeito de se enfiar o dedo pra descarregar o dito-cujo; depois aquele barulho da água a despencar lá do alto para empurrar aquilo. Era este o tal de ponto que clicado de cima para baixo fazia descer a gravidade varrendo a tela adentrada e na forma de tubo. Afinal nada daquilo era meu!

Tenho de me libertar dos espíritos coloniais mas, os sonhos não deixam. Embrulhado numa folha de bananeira das hortas do Malhoas, de novo me vi comendo pacotes avulso de formigas kissonde como se fossem tanajuras da Bahia nas margens da mulola do Rio Seca da Maianga – Maianga da Luua de N´Gola. E, como vou acabar com isto se, quando acordo, tudo fugiu. Nestas etapas de transformação reponho a verdade de “um quase sempre” em “um quase nunca” vestindo-me a alma de travesti num suponhamos que o vai ser, talvez o seja.

IPÉ ROXO.jpg Sabem! Mesmo assim parado num quase só, ainda necessito de tempo para estar sozinho! O mundo está mesmo a mudar-se muito no profundamente. Quis entender essa coisa de estetoscópio e vi-me grego (στηθοσκόπιο, de στήθος, stéthos - peito and σκοπή, skopé - exame), foi assim que o revi: instrumento utilizado por diversos profissionais, como médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas e veterinários, para amplificar sons corporais de humanos ou animais.

Ele, o estetoscópio, geralmente ressona, com forma de disco e dois tubos conectados a auriculares. Usado para escutar sons provenientes do pulmão, coração e intestinos, presença de gases, líquidos e movimentos peristálticos. Quando combinado a um esfigmomanômetro, serve para aferir a pressão sanguínea do examinado. Um estetoscópio que amplifica os sons auscultatórios é chamado de fonendoscópio. Ando periodicamente a substituir meu boligrafo por esta geringonça… tomara que só seja uma ligeira discinesia (um desarranjo) …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:48
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Terça-feira, 9 de Março de 2021
LAGOA DO PUTO . VII

Fábrica de letras da kizomba (Kimbo - M´Puto) - 07.03.2021

Crónica 3125 . “ A presa da Moura e seus cazumbis do GARUM” Em tempo de pandemia. Meu passeio de hoje, para espairecer…

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Por soba24.jpg T´Chingange – No Al Gharb do M´Puto

Este passeio pela orla algarvia do M´Puto, já é uma rotina de longos anos e, é sempre muito agradável vivificar a natureza acompanhando o rendilhado de falésias definindo a fronteira sul com o oceano. Subindo e descendo por entre fragas e milhares de flores de variadas plantas, carrego as energias tão desmilinguidas por via dum vírus COVARDE XIX que nos tolhe ao confinamento de nossa kubata, nosso mukifo.

Desta feita e no correr do sotavento pude rever sítios já conhecidos mas que, sempre renovam nossa vontade de observar e cheirar dando felicidade à vida… Em tempos, já vi por aqui raposas mas com o alastramento da urbanidade, foram desaparecendo; vê-se sim caganitas em restolhos de coelhos. Desta feita vou repor aqui o já descrito em parte e, em tempos com outras novas falas de minha lavra, para ginasticar a mente a modos de não criar mofo nela, em demasia ou avondo como se diz por aqui entre linguajares marafados.

LAPA02.jpeg Nesta pequena bacia dos barrancos de Vale da Lapa, há no “reino da aroeira”, a palmeira anã, a erva rasca, trevisco, arruda, zimbro, os gladíolos e tantas outras a que chamamos no seu todo de carrascos, resistindo ao calor tórrido de verão pela brisa húmida do mar que entra no lugar da presa, junto à praia. Se houver consciência na preservação dos coutos, reservas naturais e legados históricos, poderemos ainda passear por este património ecológico pertença dos mourinhos, gralhas, melros pegas e cucos. Até há bem pouco tempo havia zorras (raposas) mas, nos últimos sete anos, deixei de as avistar

Foi a partir do século VIII que as lendas das mouras encantadas que guardavam tesouros, se associaram florestas, rochedos, serras e fontes, numa tradição oral. Cultura que prevalece nos cultos pré-cristãos, chegando até os nossos dias. Podemos assim encontrar lendas de mouras em toda a costa Sul da Ibéria como a lenda da Moura Salúquia por exemplo e, que em 1554 deu origem à actual cidade de Moura. Depois da invasão árabe, entre a lenda e a história, constatou-se em vários lugares a importância duma Moura.

LAPA1.jpeg Desta feita irei descrever esta “Presa da Moura” no lugar de Vale da Lapa que advém de umas quantas levadas nas encostas pedregosas, construídas desde então, que serviam para irrigar pequenas hortas dos socalcos separados por muros de suporte, em pedra solta. Estas levadas terminavam nos barrancos existentes, agora uma densa mata de mato de aroeiras, tomilho e arranha-cão. Creio que a água armazenada nesta represa daria para gerir durante todo o ano as irrigações dos produtos hortícolas numa fase recente e, lá longe em tempo de Romanos, lugar de tratamento de conservas.

Dos vestígios da ocupação romana, neste litoral algarvio, talvez as mais emblemáticas sejam estes tanques em forma de represa para lhes garantir a salga e conservação de peixe associados à produção do tão apreciado GARUM, um condimento confeccionado a partir da salmoura de sangue e vísceras de atum ou cavala, triturado com crustáceos e moluscos. A represa da Presa de Moura (salmoura), teria sido o apoio ao complexo industrial de salga e conservação de peixe, com estruturas de apoio hoje desaparecidas em consequência do recuo da linha da costa.

LAPA01.jpeg Anda se podem ver nos topos das falésias lajedos formando poças de água e, aonde se desenvolvem plantas como a beldroega e poejo; lugar de bebedouro de coelhos e outros pequenos rastejantes. Aqui teria sido construído um paredão com uns 3 metros de largura na base tendo blocos irregulares de calcário do tempo miocénico marinho e cimentados com uma argamassa muito dura de cal e ouros aditivos. Pelas argamassas usadas juntando as pedras, ainda visível no pequeno troço existente, tudo leva a crer remontarem a esse período de dominação romana. As técnicas usadas em construção nos séculos I a III antes de Cristo e o coliseu de Roma que se manteve em funções até à queda do Império no ano de 476, são em tudo semelhantes a esta argamassa.

Esta, tinha em sua composição uma percentagem de gesso e cal aérea ao que se juntava aditivos de gordura animal, ceras e resinas do látex da figueira que aqui havia em abundância. Pode perfeitamente ter sido construída quando das reconquistas de localidades importantes tais como Évora, Beja, Badajoz e Sevilha. Originalmente deveria ter uns seis a sete metros de altura o que me leva a supor pela sua bacia, provocar uma reserva de 15.000 metros cúbicos de água potável.

LAPA4.jpeg Porque a costa era frequentemente fustigada por ataques de mouros, leoneses e portugueses da Lusitânia; como um primeiro aviso às invasões por mar havia as vigias, “as torres de vigia”  que se alinhavam ao longo da costa em toda a bacia Sul do Mediterrâneo e costas da Ibéria. Em caso de ataques vindos do mar eram atiçadas fogueiras de aviso aos militares olheiros e à população. Com estes avisos os populares refugiavam-se em castelos ou lugares de resguardo; Esta costa era em tempos muito dada a ataques de corsários com intuito de roubar depósitos de frutos secos e vasos dessa tal conserva chamada de GARUM mas, e também para fazer escravos e abastecerem-se de cereais       

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:15
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Quinta-feira, 4 de Março de 2021
MOAMBA . XLVII

PERICLITÂNCIAS DO DIA-A-DIA – 04.03.2021

Crónica 3122No chirilimlim governamental  

Por 

roxo91.jpgsoba24.jpg T'Chingange – No Algarve do M´Puto

Encostado ao frio, calorifico a tostar-me as matubas, orelhas enfiadas num carapuço cheio de ácaros que borrifam caspa nas sobrancelhas brancas e pretas, escuto o orvalho feito chuva miudinha pela janela virada ao sul, que jorra até mim uma luz mirrada de sol dissipando, o ar entre o miósporo, o loureiro do alemão da alemanha e a buganvília que sode desordenada pela alta parede amarela do carcamano.

Este familiar dum tal barão também veio do sul de Angola por via da guerra do tundamunjila; um bóher descendente desse herói barão vermelho, um tal aviador destemido da segunda guerra mundial chamado de Manfred Von Richthofen que tinha seu avião cheio de riscas – cada risco correspondia a um avião abatido. Quando candengue da Luua, lembro ler as odisseias desta figura com seu lenço vermelho a ondular fora do pescoço e saindo até, da carlinga dum teco-teco de duas asas…

dia206.jpg E, enquanto é dia e de janela aberta, aqui no Barlavento, vejo o gato branco grande, tisnado de sujo e gordo que em cima do muro, se aproxima cauteloso até ao granulado de carne e peixe com restos de comida que ali é posta, na fronteira entre o que é meu e dele, o carcamano da Chibia; dissimulado entre o verde do loendro e o muro branco, surge o bicho feito pai, leopardo sem pintas. E, para alimentar uma ninhada de gatos emigrantes nascidos à-toa entre os cocorotes amontoados na empena da encosta tardoz do alemão, dispus-me a comprar no Auxan pacotes de comida, pois então- um de carne, outro de peixe!

Esta ninhada de gatos, dois pardos e dois brancos, vigiados de perto pela mãe farrusca de parda, vão aparecendo quando calha. A noite chega com inúmeros relatos de televisão mostrando seringas de agulhas quilométricas a espetar carnes – a tal de vacina que preenche o espaço de notícias semeadas de poeiras pandémicas com os grilos do chirilimlim governamental que se enfolipam nas regras já muito dobradas em plissado… Cumcamano…

edu43.jpg Mais à noite chegam os debates de comenteiros mostrando as crinas e até rabos sacudidos com vários barulhos de boa goela dando-me vontade de rosnar. Assim, encostando o frio com a mão bem junto aos teodósios esfrego as frinchas abelhudas de frio com as pontas dos dedos gélidos práquecer … Chega a hora de ligar o ar quente do condicionado, regular para os vintiquatro graus e esperar que normalize o espaço grande da sala cheia de trecos, bem nos vinte graus Celcius; os outros quatro graus escapam-se pelas fissuras porosas, sei lá - desacontecem.  

Mesmo sem querer espiar, lá vejo os garganeiros esgadanhando-se ou bajulando suas traições com beijos felizes e, assim, fazendo-me representar em meus olhos, revejo o tempo em que tudo o era; antes de poder ver assim, já pressentia! Tudo vai ficar na mesma. Lá vem o Fulano que parecia ser homem de tão justa regra e, de tão possivelmente o parecer, não poupa ninguém na aprazível e escorregadia omissão…

dia35.jpg Esperto que ele, Suaexcelência (tudojunto), chegue no quanto baste, sem se separar da saudade da direita; sem sobejo de esfoço, fala sem mudança afiançando sua fé de promessa, mas escapando-se entra nos entretantos canhotos… Não me dá tranquilidade, juro por sangue de Cristo porque também sou cristão, o quanto baste e, para além do mais, já sou suficiente graúdo e manteúdo – quersedizer, crescido emancipado e à espera de ser vacinado. 

Isto é como o jogo do baralho “a pátria não pode nada com a velhice” como do gato e do rato. Sei que estou dizendo algo deveras dificultoso e muito entrançado na doença do toque. Ninguém me pergunte nada – coisas destas não se perguntam bem porque, quando tudo está muito mal, só pode melhorar. Pois! De costas guardadas, o poder de minhas rezas vão-me rendendo aos poucos feito favas contadas entre o madrugar e o anoitecer.

DIA199.jpg Gato, mesmo tisnado ou queimado de água fria tem medo. Estou farto de ser mandado daqui para ali como se fosse uma criança de colo perdido do pai e da mãe. Pópilas! Quem é pobre pouco se apega a este continuo ver anoitecer sem amanhecer ou no vice-versa, chato de andar ao trambolhões, contando o sombrio das coisas. É e não é, num xissa, que enfim lá teremos de continuar comento pão com chouriço. Assim mesmo, o espaço é tão clausurado que assim pode acontecer, no sussurro da meia-noite, pode perfeitamente às nove horas, vir o diabo lamber o prato do gato…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:58
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2021
MALAMBAS. CCLV

TEMPO DE CINZAS - 26.02.2021

À medida que aumentam as provações ao nosso redor, será visto em nossas fileiras tanto de separação como unidade...

Crónica 3120 - ASSIM VAI O MUNDO, CADA VEZ MAIS DESCARTÁVEL...

Por roxo135.jpgT'Chingange - no M'Puto

soba24.jpg Ano da COVID-SARS de 2021. Muitos que agora estão dispostos a empunhar as armas da LUTA, em tempos de real perigo, tornarão manifesto que não edificaram seus alicerces sobre a rocha parideira...  Os que tiveram grande luz e preciosos privilégios, mas não os aproveitaram, sairão de mansinho, sob um pretexto ou outro. Não tendo dado ou recebido o amor da verdade, serão apanhados nos embustes do inimigo; e, não há como definir esse inimigo.

malambas1.jpg À procura da felicidade, uns e outros mostram o caminho que nos liga à vida. A Tua presença enche de alegria tua família e próximos mas convenhamos, sempre vai ser efémera. Não há felicidade para sempre! Podes sim manter uma filosofia de vida que te apraz. Em 24 de fevereiro de 1981, o Palácio de Buckingham, na Inglaterra, anunciava o noivado do filho da rainha Elizabeth II, príncipe Charles, com lady Diana Spencer. Meses depois, em 29 de julho, na Catedral de Saint Paul, em Londres, realizava-se o que veio a ser conhecido como o casamento do século.

acacia karoo.jpg Com transmissão mundial, a cerimónia foi assistida por mais de 700 milhões de pessoas. Tímida, filha de pais separados, de origem nobre, mas vida comum, Diana usava um anel de noivado de safira, um sapato cravejado de pedras preciosas, uma tiara de ouro com diamantes e um vestido de seda, marfim. A partir daquele momento, “Sua Alteza Real, a princesa de Gales” se tornaria uma das princesas mais amadas de todos os tempos. A história com jeito de conto de fadas, que poderia terminar com um “felizes para sempre”, sucumbiu às dores e lutas do mundo real. Acabou em separação apenas 11 anos depois.

monteiro5.jpg Embora as pesquisas mostrem que os divórcios têm aumentado em todo o Mundo, curiosamente o casamento é sempre algo auspicioso para os nubentes, quando estão envoltos no cacimbo da ternura, noé? Mas, tem sempre um mas, apesar de muitos lares aparentemente perfeitos serem desfeitos; apesar de muitos serem vítimas dos traumas causados pelo divórcio dos pais, os jovens daqui ou dali, ainda querem casar-se provando que, de alguma maneira, a busca pelo amor verdadeiro e felicidade ainda está presente em seus corações. O anseio pelo “felizes para sempre” habita o imaginário humano desde que o primeiro casal foi expulso do Éden. Esse ideal de vida só poderá ser concretizado sob uma condição: “Os que Te amam encontrem a felicidade em Ti”...

lua7.jpg Nossa vontade em se ser feliz decorre, na verdade, de nosso desejo mas, se o lar formado não for regado como se um jardim o fosse, as flores murcham; isto de felicidade, tem de ser trabalhada! Não se fie em Nosso Senhor que Ele tem outras coisas para o preencher. Fixe isso: A FELICIDADE NÃO CAI DO CÉU - TRABALHA-SE!...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:38
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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
XICULULU . CXXXIII

FALAS VADIAS E ATRAVESSADAS 25.02.2021

Crónica 3119Minha vizinha anda com medo de viver; ela não está nas listas VIP…

Xicululu: - Olho gordo; Avareza

Por 

araujo158.jpg  T´Chingange – No M´Puto

silas3.jpg Na mitologia Grega era de mau sinal olhar para trás mas, em realidade nunca ninguém mediu o tempo de duração desse mito. Assim, com incompleta confiança embrulhada em metades medrosas, pergunto: O que está a acontecer com toda uma multidão que feito país, protesta calada em casa!?

Sabe-se que há problemas que surgem com as tosses cheias de pulmões nas palavras mas, afinal que está a acontecer? É a pergunta de qual, quando e como, vai ser o rendimento mínimo a atribuir para um cidadão continuar vivo! Pópilas! Lá teremos de sufocar ou sufragar as regras e os mitos sem obedecer aos muitos minutos andando às voltas pelo quintal olhando as nuvens, negras cheias de água num chove, não chove.

way4.jpg A mulher de Ló sabia que não deveria olhar para trás para poupar a própria vida (Gn 19:17), mas mesmo assim olhou! Ver assim os ramos do loureiro árvore, tombar a indicar de onde vem o vento e, se vem triste, húmido, feliz ou de jacto. As noites mal dormidas a ampliarem coisas e loisas que passam em nossa cabeça e, porque na generalidade dos sentimentos o medo não tem um interruptor para os ligar e, desligar.

Se estás mal da bexiga, irás ficar mal dos sentimentos; em verdade quem tem cu tem medo; isto também se aplica ao baço, ao fígado, outros sistemas do esqueleto e, vai por aí… É que numa malazenga destas, só se consegue saber tudo dela quando a mesma acabar.

xiricuata4.jpg  Assim, andando em círculos, passando pela décima vez pelo canteiro das hortenses, lá pela décima terceira, paro e pergunto; pergunto, não! Afirmo-lhe: Este Mundo está perdido, noé? A fazer perguntas sem respostas com a natureza tão honrosa, tal e tanta que nem eu que sou feiticeiro, tenho ânimo de mentir, nem de me caber calado.

Mas, sei o que é importante, viver em estado de emergência é marcar consulta por computador, esperar a hora certa ou renovar a receita por meios digitais. Minha vizinha Augusta, recentemente disse que anda com medo de viver. Num enfim mas também, o que é que vale, o que é que não vale? Como assim! Estou falando demais.

xinguila4.jpg No que é que a velhice faz. Juro! Estou querendo ser cincerro… mas hoje, ou até hoje, representando os meus olhos, acho até que tenho de aprender a estar alegre e triste em simultâneo rindo das próprias folhudas pestanas muito parecidas com as de Cunhal. Assim fixamente, digo a mim: Em cada dia, de cada hora, a gente aprende uma nova qualidade de medo.

Com mais de oitenta anos, minha vizinha Augusta, deveria estar na área VIP. Bem! Poderia fazer como a conhecida Ana Gomes do PS do M´puto que fez candonga comprando, nem se sabe como, uma vacina à Conxinhina. O medo é que guarda a vida noé? Não é bem assim o tal ditado; o medo é que guarda a vinha. É mesmo um escambau - (…mandam eles é o escambau, aqui mando eu…).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:17
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2021
N´GUZU . XXXVII

CONHECER O BRASIL – LUNDU - Era uma dança de escravos “angolanos crioulos”, muito indecente na qual se faziam mil espécies de movimento com o corpo. Corria o ano de 1878  …19.02.2021 .....  N´Guzu é força (Kimbundo) – Crónica 3117

lundu05.jpgPor: T´Chingange – No Algarve do M´Puto

Lundu, era a dança mais difundida do século XIX no Brasil. Levada pelos escravos da Matamba de N´Gola e África Central, era cantado e dançado na forma original de umbigadas, movimento de ancas acompanhado por batuque em que os corpos se encostavam num movimento a que mais tarde, século XX, se veio a chamar de massemba; Nos domingos de folga, os escravos, nos recantos rurais e nas praças públicas das cidades, divertiam-se num remexo das partes inferiores do corpo ao jeito a que recentemente se deu o nome de corrumba…

As gentes da Metrópole, M´Puto, descreviam esta manifestação como de cavalhadas, dança afandangada onde se lhe reconhecia traços portugueses e até espanhóis com o estalar de dedos como se castanholas o fossem, acompanhando os violões e bombos de batuque. Os folcloristas de então tinham o dilema ao definir o enlace de misturas de chulas ou fados, acompanhados de requebros com alguns indícios ibéricos em roda e, desgarradas graciosas com palmas ritmadas no acompanhamento…  

lundu1.jpg Os mestiços ou libres pobres alforriados saracoteavam passos ondulados e engraçados marcados ao ritmo de palmas, até apitos e assobios a acompanhar cavaquinhos, flautas, violas, urucungos na forma moderna de berimbau e até marimbas improvisadas na forma tradicional de áfrica feitas de cabaça. Qualquer coisa que soasse, caixa, caixinha, pau oco ou casca de fruta seca como a vagem seca da acácia rubra…  

O lundu terá chegado aos salões aristocráticos da europa lá pela segunda metade do século XIX, por via da atracção dos finórios, calcinhas dançarinas que queriam fazer estilo de banga entre seus pares urbanos, atritos a excentricidades. Estes, quando tocados e dançados em salões chiques, teatros, circos ou casas de diversão ou alterne, meninas morenas do quebra ou racha, eram acompanhadas ao piano, um género de modinhas humorísticas.

lundu2.jpg Os compositores ávidos de variação diferenciada compunham assim música de teatro numa mistura de modas eruditas para atrair público mais refinado. Os salões mais requintados faziam questão de mobilizar serenatas, canções sentimentais com contrabaixo e até violinos. Temos assim a presença de difícil delimitação nos estilos com batuque, as chulas, as chibas (é sinónimo de samba no Norte e de Cateretê no Sul, reunindo damas e cavalheiros para dançar e cantar), fados, modinhas de novela com queixumes e choros com diferentes segmentos sociais. Chiba ou xiva que “é uma dança de roça, ao ar livre”, com violão, viola de arame, pratos, pandeiros e cavaquinho.

Os músicos negros barbeiros, anunciavam pela cidade de S. Paulo as festas religiosas, públicas, eventos com circos populares e artistas de rua. Para além destas festividades juntavam-se em locais próprios do teatro, os intelectuais misturados com boémios exprimindo-se com variantes de valsas e um tal de batuque rasgado. Estas trocas culturais eram intensas inviabilizando a circunscrição de um grupo étnico, ou social especifico em alguns destes estilos.

lundu06.jpg Pelo dito fica clara esta afirmação moderna do espectáculo maior no que é, e se sofisticou no carnaval actual, como o maior espectáculo do mundo. Gente observadora podia naquele então fins do século XIX, descrever lavadeiras negras e escravos cantando e farfalhando-se com polcas e barbeiros afandangados e dobrados em requebrados de quadrilhas, batuques em barracas, terreiros de cortiços e diversão em ajuntamentos públicos.

lunu0.jpgNa última década do século XIX surge então um novo género influência de todos os outros, esse tal de maxixe com choros de flauta, misturando violão, flauta e cavaquinho nos teatros de revista. A capital do Império S. Paulo, seguia assim as tradições de música lundu com batuque apesar de muito condenada pelos moralistas, defensores de uma civilização europeia. Tudo muito distinto desses candomblés e forrós de negros, mestiços e mazombos saídos duma fusão de raças, costume e superstições de três continentes mas, mantendo seu cunho de matriz africana de N´Gola e outras negruras.

Bibliografia: - Brasil Imperial

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:29
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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2021
MISSOSSO . XXXIX

DO TITANIC AO NIASSA

Crónica 3116 - Kifufutila - Quarta-feira de Cinzas, 17.02.2021

- O poder da oração é importante! Kifufutila é farinha de mandioca grada, com açúcar...

Por   tonito15.jpgT'Chingange. No AL-Gharb do M'Puto

 titanic.jpgNo dia 10 de abril de 1912, ainda eu nem era projecto de vida, o famoso navio TITANIC partiu da Inglaterra para Nova Iorque. Era sua primeira viagem, e ninguém imaginava que também seria a última. Os técnicos estavam enfeitiçados de auspiciosos poderes e, as gentes assombradas com tanto avanço tecnológico, quase adorando o mostrengo bonito...

Em 14 de abril, às 23h40, o navio chocou-se contra um bloco de gelo, um iceberg desgarrado da grande calote gelada do Polo. Abriu-se um enorme buraco em seu casco, e a embarcação começou a afundar lentamente. De repente, desapareceu nas águas frias.

titanic2.jpgMais de 1.500 pessoas morreram naquela noite; pude ver no filme as aflições, um ai-jesus de quem nos acode. Posso imaginar o cagaço meu, caso lá estivesse e, do quanto seria difícil ter os zingarelhos todos cientes e bem definidos nos estralhos dum cérebro em aflição aflitiva... Às vezes os sonhos andam por perto...

O coronel Archibald Gracie era um dos passageiros. Sua esposa o aguardava a milhares de quilómetros do local do acidente. Porém, naquela noite, ela não conseguia dormir. Uma estranha sensação pairava no ar. Por isso, resolveu orar, mal sabendo que seu esposo lutava entre a vida e a morte nas águas do Atlântico Norte.

modas4.jpg Finalmente, a senhora Gracie sentiu paz. Mais tarde, ela disse: “Foi como se os braços de Deus me envolvessem. Voltei para a cama e dormi.” Naqueles momentos, quando o coronel pensou que ia morrer e, sem forças, já estava desistindo de lutar, quando um barco salva-vidas apareceu, como se viesse do nada.

Em desespero, ele agarrou-se ao barco e sentiu braços fortes a puxarem-no para dentro. Deus responde às orações de sua esposa. Feliz é a família cujos membros oram uns pelos outros. A oração intercessória é bíblica. Quando fui para a guerra do Massabi e Miconge do Maiombe de Cabinda, minha mãe Arminda Topeta, colou uma lengalenga responso dirigida à Nossa Senhora do Parto e, os mistérios, foram acontecendo. Eu, lá na Luua, desconhecia!

ISI0.jpg Em verdade, tenho andado um pouco esquivo a isto mas, desde que ressuscitei na Curva da Morte em Kaluquembe, na Guerra do Tundamunjila de Angola, por via de uma armadilha montada em meu Renault "major", fiquei enkafifado nestes mistérios misteriosos.

Refugiando-me no porão do NIASSA... Posso agora ver o galo pintado no capot do carro que ficou em cinza de churrasco mas eu, só pude ver mais tarde essas cinzas. Até o macaco se fundiu em nada! Isto, foi visto já com a clavícula atada ao peito e, ao jeito do Dr. Roy Parson e filho David, da Missão do Bongo no Kipeio, Longonjo, do Huambo...

Os anjos e arcanjos perseguem minhas alvíssaras e, a miúde, belisco-me, para confirmar que dói; ando por isso e, desde então assim a modos de acreditar em milagres e, desta feita acho que acreditar na fé é coisa supranumerário que nos  transcende...

REPU6.jpg  Paulo, o apóstolo, acreditava na oração. Ellen White também acreditava no poder da intercessão. Ela nos incentivou a orar mais ao escrever: “Não apreciamos como devemos o poder e a eficácia da oração. A oração e a fé farão o que nenhum poder da Terra conseguirá realizar!” (A Ciência do Bom Viver, p. 509).

Mesmo os ateus, agnósticos, semterra e, semnada mais derivados, quando se sentem à rasca dizem: "Valha-me Deus". Por vezes são ouvidos mas, por vezes a sorte passa ao lado, porque decerto as minudescências esdrúxulas do seu cerebelo entopem-lhe a visão estereoscópica. Assim sua dimensão 3D fica disforme porque as fotos não emparelham na perfeição...

Pelo sim pelo não ando calculando minha visão ortogonal para que as t'xipalas não saiam muito distorcidas, meto um calço de cortiça nos óculos de tartaruga, bifocais, adstringentes e antinuvem para ver as fosforescências colaterais. Um espectáculo, como diz meu amigo SP do Cafumfo de cima...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:10
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Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2021
XICULULU . CXXXII

VÍRUS COVID19-SARS16.01.2021

Crónica 3115 - NA DESCOBERTA FUI ATÉ WIKIPÉDIA...

Xicululu: - Olho gordo; Havareza

Por soba15.jpgT´Chingange - No Al Gharb do M´puto

ET2.jpg Pude ler que já estamos a viver no FUTURO. Que este VÍRUS MUTANTE, pode ser ALIANIGENA, um mecanismo preliminar de nosso salto genético espacial. Partir a gente feitos pedras parideiras exige especial atenção para descortinar os pensamentos de querer fazer rebelião como algo inerente às "torpes" eficácias cientificas e também duma covarde gravidade vinda de GOVERNANTES - gente igual a nós.  Não podemos condescender com aqueles que bestializam a cultura e o conhecimento, elevando-a de parvidades nem consentir com tolices ou pecados, por assim andarmos cativados numa burlesca depravação e também enfrascados numas quantas hipóteses de vontade libertadora...

step6.jpg Li que, somos um projecto de bioengenharia e, que tudo começou algures há 75 mil anos atrás, muito antes de Cristo surgir e, muito antes de quando saímos das algas como micróbios alienígenas. Deve pois, ter sido a cauda de um cometa ou meteorito a espargir pelo globo Terra estes organismos gelatinosos, unicelulares como TARGIGRADAS, viajantes espalhando-os no globo Terra, aleatoriamente. Afinal, os peritos da OMS que foram a "WUHAN" recentemente - Janeiro de 2021, vieram cheios de NADA...

haida art.jpg São 800 milhões de vírus vindos do espaço a cair na Terra que nos alteram ou corrigem moléculas que eventualmente provocaram a morte de 20 milhões de pessoas aquando da gripe de 1930 - espanhola"; ninguém certificou ainda os vírus do ÉBOLA, da doença das VACAS LOUCAS, PESTE NEGRA e até à doença das GALINHAS a que chamam de SARS. A PANSPERMIA sideral talvez explique isto que nos trás ASSUSTADOS mas, em verdade somos hospedeiros de ADN's em mutação virótica que resulta da nossa história evolutiva - que sempre daí resultou.

NA PESQUISA WIKIPÉDIA...    PANSPERMIA explica a hipótese de que a vida existe em todo o Universo, distribuída por meteoros, asteróides e PLANETOIDES. Ela propõe que seres vivos que podem sobreviver aos efeitos do espaço, ao estilo dos EXTREMÓFILOS ou TARDÍGRADOS, ficam presos nos escombros que são ejectados ao espaço ou por colisões entre pequenos corpos do sistema estelar e planetas que abriguem vida, ou mesmo por catástrofes maiores de natureza similar. Os TARDÍGRADOS ou similares viajariam dormentes nos destroços por um longo período de tempo antes desses colidirem aleatoriamente com outros planetas ou misturarem-se com discos protoplanetários de outros sistemas estelares. A hipótese da PANSPERMIA cósmica é uma das hipóteses acerca de como surgiram as primeiras formas de vida no planeta Terra. Essa ideia surgiu pela primeira vez no século V a.C., na Grécia, remontando a autoridade a Anaxágoras, e foi colocada novamente em evidência no século XIX por Hermann von Helmholtz, no ano de 1879.

kimbo4.jpg A hipótese baseia-se na ideia de que a vida foi trazida à Terra do espaço em meteoritos que abrigavam formas de vida PRIMÁRIAS. Cientificamente, já foi encontrada matéria de natureza orgânica em METEOROIDES e METEORITOS; e de que há organismos microscópicos conhecidos suficientemente resistentes para, em hipótese, suportar uma viagem espacial até a Terra, mesmo considerado que as condições que esses teriam de enfrentar sejam as mais extremas já cogitadas. O DESCRÉDITO da teoria da PANSPERMIA atrela-se sobretudo ao facto dessa hipótese simplesmente transferir para lugares remotos do universo a questão sobre a abiogénese química da vida; ao passo que, factualmente verificável, tem-se ciência de que a vida desenvolveu-se e prosperou, até o momento, apenas na Terra.

fig3.jpg Embora a existência de vida extraterrestre possa cientificamente ser cogitada, creditar de antemão a origem da vida a fenómenos que ocorreram fora do sistema solar transcende a realidade factual actual. Os resultados científicos até hoje alcançados transferem à Terra os mecanismos responsáveis pela origem e evolução da vida conforme definida e conhecida... A hipótese científica aceita actualmente atrelar-se à abiogénese química terrestre da vida; essa suportada em limite cronológico anterior pelas experiências de OPARIN e HALDANE e teorias derivadas, como a teoria do mundo do ARN, e em limite cronológica- mente posterior - "convergência da árvore da vida a um ponto e pela teoria da evolução biológica como um todo", onde a realidade factual actual.

Nota: T: De T'Chingange; W: de Wikipédia

Do Soba em Algarve do M'Puto

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:20
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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2021
MOKANDA . CCLIV
A RACIONALIZAÇÃO DO MEDO - 04.03.3021
"ELES" atiram primeiro a AGULHA da decisão e só depois traçam os círculos da racionalização.
Crónica 3110 - Tenham cuidado para não fazerem o mesma que ELES...
Por    T'Chingange - No Algarve do M'Puto...
   Qual é seu objectivo na vida? Você tem decerto um alvo bem definido; aliás, todos temos: - VIVER! Li certa vez que um homem, ao entrar pela primeira vez numa aldeia, viu uma porção de alvos com uma flecha no centro de cada um deles. Ele deduziu que deveria haver um bom atirador nessa aldeia e pediu informações a seu respeito. Disseram-lhe que aquilo fora efetuado por um TOLO. Ao encontrar o responsável por aquela proeza, o visitante o cumprimentou: – Você deve ser um bom atirador.
  Como consegue acertar sempre bem no centro do alvo? – Oh, isso é fácil, replicou o TOLO. Atiro a flecha primeiro e, só depois traço os círculos! Foi neste TOLO que pensei assim que tive conhecimento de que gente com algum poder institucional, exacerbou sua astúcia furando a prioridade na VACINA PFIZER...
Pois então! Não é assim que muitos procedem na vida? Que fazem primeiro o que bem entendem e, traçam depois círculos de racionalização em suas acções pondo-as ao jeito; convencendo-se de que acertaram no alvo fazendo-nos de gente dismilinguida (tola..)
  A racionalização neste item, é um membro dissidente de uma sociedade respeitável. É bom ser-se racional, mas é perigoso racionalizar desta forma tão torpe e por demais, quando se toma alguém por responsável. Furar regras de ética não o é de bom senso - Nem um pouco...
Racional significa: “Que faz uso da razão; que raciocina; que se concebe pela razão; conforme a razão; aquilo que é de razão.” Por sua vez, racionalizar também quer dizer “inventar explicações ou desculpas" superficialmente racionais ou plausíveis para certos actos, crenças, desejos, etc.
As justificativas insatisfatórias que apresentamos para se ser melhores cidadãos constituem em grande parte uma racionalização. Razões são uma coisa; desculpas são outra bem diferente. Tive um exemplo aqui bem perto de mim na pessoa de Presidente de um Município de nome Isilda... que titubeou minha moleirinha...
  Um bom exemplo serão as respostas dos dez milhões de convidados do M'Puto, que como parábola, também não querem morrer antes da hora. Agora, idealizar tentativas para ocultar a triste realidade em que todos estamos metidos boas ou falsas desculpas, não são as melhores razões para escapar à ordem! Tentativas para ocultar a triste realidade é crime... Ou não o será!?
À semelhança do homem TOLO desta estória - narrativa, ELES atiram primeiro a AGULHA da decisão e traçam então os círculos da VERDADE. Tenhamos cuidado para não fazermos a mesma coisa noé!? Esse Senhor da tal Task Force "Francisco Ramos" também tem o dever de não parecer ser tolo...   :::::    PS... Este senhor do Task Force, de ontem para hoje, já se demitiu deste cargo. Falta demitir-se da Cruz Vermelha! Entretanto espera-se a decisão da Presidente do Município de Portimão que tudo indica vai passar na FARSA . Engana-me que eu gosto...
O Soba T'Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:18
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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2021
MALAMBAS . CCLIII
A importância da PALAVRA CERTA - Segredo das três palavras - Lá tive de ler os PROVÉRBIOS para quase virar SANTO - 02.01.2021
Crónica 3109 - Malamba é a palavra...
Por    T'Chingange - No Algarve do M´Puto
 
::::: Muitos acontecimentos que nos foram ou nos estão AFECTOS em vida fracassaram por causa de agressões verbais com palavras precipitadas. Amigos íntimos, já foram separados por causa de palavras inoportunas.
De facto, uma verdade incomoda para todos nós é a de que, muitas vezes, sabemos exactamente o que precisa ser dito em diversas situações, mas não dedicamos tempo suficiente para pensar na maneira como as coisas devem ser ditas.
::::: De acordo com um dito popular, há três coisas que são irrecuperáveis: a FLECHA atirada, a OPORTUNIDADE perdida e a PALAVRA falada. O filósofo e matemático francês Blaise Pascal, afirmava que “a maior parte dos problemas do ser humano é decorrente da incapacidade que ele tem de ficar calado”. Eusinho, tenho este problema!
Nos dias que correm até fico transtornado só de pensar ser acutilante na palavra e, contra gente que nos governa, sabendo de antemão que eles não fazem o melhor. Mas, eu faria melhor? Pergunto-me. E, os dias repetem-se vendo e ouvindo coisas desastrosas da PANDEMIA.
::::: Supostamente apresentamos a nossa verdade; porém, muitas vezes, desprovida do óleo do bom senso. Alguns de nós, dizem o que julgam ou precisa ser dito ou feito, com tanta altivez ou prosápia que os ouvintes ou leitores, nem ligam à mensagem (pensam ser por despeito...).
Sabe-se que, durante a infância, muitos de nós, desenvolvemos uma personalidade por vezes complexada e recalcada ao ser estigmatizada com termos pejorativos. Cada qual terá a sua própria estória - é só uma suposição!
::::: Não haveria tantas reputações destruídas se a palavra maledicente não fosse dita. Há tanta gente que poderia ser curada de suas feridas emocionais e espirituais se tivesse encontrado alguém que lhe dissesse a palavra certa! Então, quanto a política, vou ali e já venho - falo por mim!
Sendo assim, lá terei de referir o livro de Provérbios. tão repleto de conselhos a respeito da palavra oportuna: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” - “A morte e a vida, estão no poder da língua”. Enfim, hoje, final de Janeiro, a caneta veio para este outro lado do azimute... Hoje certamente, encontraremos em nós estas particularidades...
O Soba T'Chingange
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:22
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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2021
N`GUZU . XXXVI
CINZAS NO TEMPO - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade30.01.2021
N´Guzu é força (Kimbundo) Crónica 3108
Por    T´Chingange – No Algarve do M´Puto
Ache ou não ache, tenho de aprender a estar alegre e triste em simultâneo, justamente porque num deveras dum ai, num calhas dum entretanto dum agora, se vê que o nosso viver não é assim tão certinho. Orabolas! Mesmomesmo sendo promessa de só assim se poder vislumbrar cantarolando o verbo sarar! Há dias para tudo…
    E, hoje que é o dia do croissant, gostaria de ensanduichar numa prensa essa tal doença com pestanas feitas flores que se apegam, cruzam e recruzam voando átoa. Que avermelhando-se em forma de picos pegajosos, ziguezagueiam nossa quietude sordidamente. Que sem avisar, pode chegar desatravessado de rumo e caridade.
Sendo cristianizado, pode assim mesmo vislumbrar-se a cura sem formalizar um responso feito promessa no tempo e nas voltas dum rosário feito terço com cinco partes de dez avé-marias, antes dos sinos tocarem naquele repique de arrepiar.
  Fazendo da gente um numero como se fora um algoritmo do álem que numa hora, cada qual, num deve de ver e ser – um judas de cada vez, porque o grosso do resto maior, só mesmo com Deus… Pois! Num lamber frio de que o senhor já sabe – viver, é um etcétera, ponto final. Afinal qual é o caminho certo da gente? Foi assim mesmo que perguntei ao Nosso Senhor.
Nem para a frente, nem para trás, foi o que ouvi dum auxiliar acólito, sacristão, coroinha de gasosa sem vulto nem bata ou paramentos, só feito assombração como santo gordo invisível, flutuando, muxoxando na orelha direito - repetir o já ouvido; nem para a frente nem para trás, só para cima!
 Assim mesmo - Pópilas! Disse-me: De agora em diante vou só ser Ah-Oh-Ah; Cumcamano! Cada hora, cada dia, a gente aprende uma qualidade nova de medo. Numa calma pior que sisudez das escuras, engulo cuspo revendo quenturas nas ideias; revendo muito por cima de minhas capacidades: Viver assim, bolas, é um descuido prosseguido.
  Falando assim de atravessado senti que o melhor mesmo, é nem pensar em sentir ficar pior da sorte, assim que nem pulga entre dois dedos. A coisa está das caraças; a gente vive no repetido, no repetido e escorregável, com um minuto empurrando outro, caté que me perguntei: - Pensar na vida. Penso?
E, não dá para entender se o penso é verdadeiro, se falso. Que vida esta de mais ou menos, esponjosa. Bom! Tudo corre e chega tão ligeiro e, o tempo aquietando-se de vagareza; Bom! Sózinhozinho, não estou. Para concluir, revejo-me assim: As pessoas, não nascem para sempre…
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2021
KALUNGA . XVI
MOKANDAS XINGUILADAS
A DOENÇA DA DEMOCRACIA E A PANDEMIA 25.01.2021
Crónica 3106 - Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.
Por     T´Chingange – Desde o Barlavento Algarvio do M´Puto
O busílis da “doença da democracia” está em esta aumentar a desigualdade sem impedir o crescimento do endividamento que sobe à semelhança da pandemia e, que em flecha sobe para o espaço - na vertical. Agora que estamos em uma crescendo medonho de infectados com o vírus, com tudo encerrado e hospitais saturados, como iremos sair então deste beco apertado de sanidade.
Sem empresas laborando, não haverá trabalho e, sem estas, não haverá Estado nem empresários. Aquele de “Por favor ajudem-nos todos” que ecoou por aqui e ali, foi o grito da Ministra da Saúde de nome Temido, que veio tirar da letargia o próprio Governo que teimava e teima em conciliar o inconciliável medo, como se todos eles, no poder, tenham frieiras de tolher decisões. Parece não haver os suficientes recursos nem técnicos suficientes no momento; infelizmente parece ser um facto!
  Um dia tinha de acontecer isto por via das restrições ao Curso de Medicina e, por via das altas notas exigidas pelas Universidades mais os condicionamentos exigidos pela Ordem dos Médicos. Também pela forma como os Enfermeiros foram tratados, vendo-se na contingência de abandonar o país para sobreviver em essas outras paragens. Verifica-se assim a democracia andar doente na honorabilidade da prática, por falta de ética ou por uso incorrecto das leis. E, seja o P.M. Costa, seja o P.R. Marcelo, cometem deslizes – eles não são bruxos…
  É fácil acertar no totoloto à segunda-feira mas, era de prever que isto em um dado instante não daria certo. Falharam! Falhamos! Mas, sempre há tempo para se morrer! Sempre é tempo para se fazer outro início! Não sei se por egoísmo ou se por outras quaisquer periclitãncias, hoje os SNS – Serviço Nacional de Saúde, está a sofrer na pele algumas daquelas posturas egoístas que as classes quase sempre teimam em preservar a contento lixando-se nos demais. Eles, os governantes que idealizam, que mandam e desmandam fazem com que andemos tiritando medos pelas pontas das unhas, dos pés e das mãos…Também e, de momento, as ajudas nas chegadas de vacinas parecem estar a passo de caracol.
 E, sendo assustador, somos levados a fazer a pergunta: Porque se demorou tanto a reagir? Pude ler no Expresso pela caneta de seu Director que António Costa como gestor deste País se esqueceu de que a prioridade dum condutor de um barco é diversificada. Induzindo isto em metáfora, sempre será mais fácil apreender a cena duma outra forma: A preocupação fundamental dum PM ou PR, não é a de se chegar ao destino mantendo-se ao leme como timoneiros ou de garantir o bom estado do barco. Não! As suas obrigações principais, serão garantir a segurança de todos os passageiros, nem que para isso tenha de se parar a embarcação num bom porto.
Nesta guerra pandémica será mais fácil uma afronta ou ataque directo às hipóteses segundo a opinião dos cientistas, de epidemiologistas e analistas sem dúvidas grosseiras, ao invés de daí, se retirarem benefícios políticos. Sempre aquela mancha ideológica de que os políticos enfermam e, que naturalmente nos confundem. Com os holofotes mal direccionados misturam ou deturpam nossas preocupações. Como diz a sombra esquerda de Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó como faziam nossos antigos marinheiros para definir baixios.
  O tempo, é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente dos actos ou feitos. Uns fazem, outros dizem fazer, outros, é só de faz-de-conta, fingindo que sabem mais do que Zaratustra ou Nostradamus. O sol, o ar, a água, e a terra, têm de ser considerados permanentemente parte de nós. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo, como um veneno mortal. Vivemos momentos de medo, de imposições e uma baralhada de posturas com cães à trela, e assim mais assado, fique ali e… Tudo fica por aqui, na incerteza…
Não nos cairá bem, fazer olhinhos de complacência a um qualquer inqualificado político, magarefe que ao invés de nos servirem, se servem! Não é para isso que nós os elegemos! Com muitas lacunas e tanta precaridade dá para se aprender que o caminho da convergência, da união, sempre tão esbugalhado, caminhará para um beco se não derem rumo certo ao barco. E, num sempre já agora, o que é que não funciona bem? O povo ajuizará por finalmente: sempre na expectativa de que a prescrição corre mais rápido que a decisão…
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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Sábado, 23 de Janeiro de 2021
MUXOXO . LXII
MUXOXO . LXII - Crónica 3104
- Vuzumunando a vida nos meus kitukus -(30.11.2020) - 23.01.2021
N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Kitukus - mistérios :::Nos mistérios das palavras, estas picam em mim, uma grande gastura…
Por:         ,,, T´chingange na Mulola do Barlavento Algarvio - M´Puto
...Na guerra ultramarina são apontadas cerca de 10 700 vítimas mortais, a maior parte em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique ... Os Militares portugueses que combateram os Movimentos de Libertação em 3 frentes na guerra que durou 13 anos, tiveram menos mortes do que a PANDEMIA COVID em cerca de 11 meses
Pode ler-se: As mortes provocadas pela Covid-19 deverão, até ao final do mês de Janeiro de 2021, serão em número superior às vítimas mortais da Guerra do Ultramar.
  ... Abri uma nova página no Facebook com o nome de Profeta Moisés e, como surpresa imediata, um dos muitos pedidos de amizade vinha de Nosso Senhor. Intrigado fiquei uns dias retendo o pedido enquanto ia recebendo muitas outras, gente nitidamente ligada às coisas litúrgicas, eruditos até às pontas dos cabelos. Gente de muita religiosidade; uns abraçados a santos, outros acendendo velas botando fumo pró céu, outros ainda mostrando o Espírito Santo na forma de pomba e, outros jogando búzios no terreiro como se sempre o fosse de Quarta Feira de Cinzas.
 ... Assim, assentando nos contrafeitos dos factos com dúvidas na forma de gráfico, ora para cima, ora para baixo, fiquei espantado quase no estupefeito quando surge um novo evento: Era Nosso Senhor, adicionando-me como amigo! Belisquei-me para ter a certeza que ainda estava pela terra e fiquei extremamente cauteloso sem saber ao certo o que dizer! A vida da gente tem coisas!
... Lembrei-me em seguida que tinha mencionado dias antes, algo de que Jesus cansado das trapaceirices humanas quis ir para o pé dele, seu Pai, aos 33 anos. Um contador de estórias faz o tempo passar entre os pingos da chuva ajudando a preencher os buracos do ócio fazendo assim gaifonas com as palavras e, recriando um outro jeito de levar a vida, para aliviar as tensões que a sociedade nos impõe… Só falo isto porque minha família é toda ela santa e santificada mas, isto sempre me sufragou entre os desprevenidos.
 ... Não! Não há boas farsas! Vejamos: Conforme Deus mandou, Moisés lançou sua vara ao chão e ela se transformou em uma cobra, então o Faraó chamou seus feiticeiros, que fizeram o mesmo, porém, a cobra de Moisés engoliu as cobras dos feiticeiros de Faraó – gostei da cena, bem feito! Só que isto, não convenceu o Faraó, que por não acreditar em Moisés, mandou aumentar o castigo sobre o povo de Israel. Resumindo: o Faraó perdeu em toda a linha com umas quantas pragas.
... Sei porque li no livro sagrado de que o encontro de Moisés com Deus foi real e em 3D e, não um encontro indirecto, casual ou virtual mas, neste mundo conturbado de agora, tenho receio que não seja este, o mesmo Deus venerado por bilhões, muitos mais do que os utilizadores do Facebook…
 O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:01
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2021
XICULULU . CXXX
PARÁBOLA DE PORTUGAL
O PREÇO DA GRATUITIDADE - Subsidiodependência
Crónica 3103 - Para os portugueses –02.01.2021
Por: T´Chingange - No M´Puto ( A partir dum texto de M. Oliveira...)
  Continuem a ficar em casa, continuem a ver os estádios de futebol pela televisão e a não tirem selfies àtoa para não ficar na estória do PAPALAGUÌ da Polinésia… Lembrem-se: Não existe plano social grátis… Cá por mim, já como a terra há muito tempo, antes que ela me coma - Argila feita comprimidos ...
:::::
Este texto é baseado numa excelente análise de um aluno... Não existe plano social grátis. Na metade de uma aula, em uma universidade, um dos alunos, sem mais nem porquê, perguntou ao professor: - O Professor sabe como os porcos selvagens são capturados? O professor achou que era uma piada e esperava uma resposta engraçada. O jovem respondeu que não era uma brincadeira, e com seriedade começou a sua  fala feita dissertação depois de ver algures um persongem levar pela rua um marrano javali e, depois de se dizer que os cidadãos poderiam sair de casa a passear seu boby:
:::::
- Para capturar porcos selvagens, primeiro  localiza-se um lugar na floresta aonde os porcos selvagens costumam ir, e lá nesse lugar, coloca-se diáriamente um pouco de milho no chão. Assim, os porcos selvagens vêm todos os dias para comer o milho "GRÁTIS" e, quando se acostumam a vir diáriamente, você - Tu,  mais tu e aquele,  (pode ser até uma instituição ou mesmo o goveno...) vai construindo uma cerca ao redor do lugar onde os marranos se acostumaram a ir comer, um lado por vez para não espantar...
  Quando eles se acostumam a ver um lado da cerca, voltam para comer o milho, e você (ou o dono da coisa...), constrói um outro lado da cerca... Eles, os marranos, voltam a se acostumar àquilo e voltam a comer. Você vai construindo a cerca ao redor; pouco a pouco, até instalar os quatro lados do curral ao redor dos porcos. Até aqui na visão dos javalis, tudo vai numa boa! No final, instala uma porta no último lado. Os porcos que já estão habituados ao milho fácil e às cercas,  começam a vir sozinhos pela picada, carreiro, fiote ou vereda. É  neste então quando você fecha o portão capturando todo o grupo de porcos, marranos javaliz. Simples assim, passo a passo, até que no último segundo, os porcos perdem a sua liberdade ou até a vida se for o caso. Até à cachaporrada podem ser mortos noé! Estão a ver o filme...
    Eles, os marranos, começam a correr em círculos dentro da cerca, mas, lixaram-se - já estão presos. Depois, começam a comer o milho fácil e gratuito. Eles acostumam-se tanto com isso que se esquecem de como caçar por si mesmos, e por isso aceitam a escravidão - Estão a ver o filme, noé! Mesmo, mesmo, até eles se mostram gratos com os seus captores e, durante gerações vão felizes ao matadouro.... Nem desconfiam de que a mão que os alimenta é a mesma que os mata. O jovem comentou ao professor que era exactamente isso o que ele via que acontecia no seu PAÍS, na sua província, na sua cidade, com o seu povo. Bom! Isto é um faz-de-onta.  Os governos populistas, em seus projectos ditatoriais, escondidos sob o manto "Democrático",  estiveram lançando milho gratuito durante o tempo suficiente para alcançar a mansidão sistemática. 
:::::
E, assim talqualmente, cada novo "Governo Salvador" disfarça de "Programas sociais" as suas esmolas, dá dinheiro que tira do bolso do próprio trabalhador, realiza missões, planos, indulgências, leis de "protecção", subsídios para qualquer coisa, expropriações indevidas, programas de "Bem-estar social", festas, feiras ou festivais, luzes de Natal e muito, muito fogo armado, uniformes, pão e circo, transporte " Grátis " e, muitos outros edecéteras… Até com alguma condecorações pelo meio… Só nõ vê quem não quer...
  Todo esse "forrobodó" que nos oferecem tais golpistas, fantasiados de políticos, farta mão-cheia  de felicidade e, aí a desfelicidade acontece. Pois! Um povo mal acostumado, assim e tal e coisa, com as migalhas do milho fácil e "GRATUITO" feito "paracuca" (amendoim com assucar torrado...) nos ficará muito caro! Roubam-nos a capacidade de sermos críticos, pensantes e empreendedores. Em consequência: "NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS"! Pois! Cruze os braços, e coma também o milho... E, simplesmente, espere a matança...
M. Oliveira - 03.01.2020
T´Chingange - 21.01.2021


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:34
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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2021
CAZUMBI . LXVI
Crónica 3102
Nos tempos bíblicos, a lepra era a “MAIS TEMIDA” das ENFERMIDADES – (16.01.2021- Kizomba) – 18-02.2021
-Só JESUS a curava! Ele, que eu saiba, não era nenhum bruxo nem médico especialista ou KIMBANDA!...
Por: T´Chingange
 

T'Chingange - No Algjarve do
:::::1
A LEPRA “profundamente arraigada e mortal, era considerada símbolo do pecado”... Tudo o que o leproso tocava era considerado impuro - acreditava-se que até sua respiração era contaminada. Era e é muito pior que a COVID que hoje nos atormenta... Certa vez, quando Jesus estava ensinando no lago, um LEPROSO, observava de longe. Ao ver que o coxo, o cego e o paralítico eram curados, sua fé foi fortalecida em seu coração. Esquecendo-se de todas as restrições, o leproso aproximou-se; seu corpo estava em terrível decomposição...
Um leproso, nesse então, era banido da sociedade, da família e dos amigos; sua presença era considerada como contaminadora. Se alguém se aproximasse dele, exigia-se que o doente gritasse: “Imundo! Imundo!”. Conto isto porque li e, porque sei quando kandengue crescido, saber dos kitucus milagrosos que o médico Albert Schweitzer praticou em Lambarére no Gabão...
:::::2
Até á poucos anos a lepra era chamada de “doença anestésica”. Em sua fase inicial não existe nenhum sofrimento, tornando-se na mais mortal de todas as doenças. Gradativamente ela, consome o corpo da pessoa. Os cabelos e as unhas caem de podres. As juntas dos dedos reduzem-se e, em geral desaparecem. Todo o corpo é atingido.
Naquele então, o tal supra leproso, ao abrir caminho por entre a multidão e, até chegar junto ao Senhor, as pessoas recuaram cheias de terror (hoje um espirro faz quase o mesmo efeito...). Estamos a vivenciar muita semelhança e, por isso, convém recordar o quanto andamos esquecidos ou adormecidos...
:::::3
Lançando-se aos pés de Jesus, o leproso exclama: “Senhor, se quiserdes, podes purificar-me.” Jesus coloca a mão sobre ele e diz: “Quero sim - fica limpo!”. Imediatamente a carne do leproso adquire vigor, os nervos se tornam sensíveis de novo e, os músculos se fortalecem.
“A aspereza e escamosidade características da pele atingida por lepra desapareceram, sendo substituídas por um tom suave, como o da pele de uma criança saudável” (Ellen G. White, assim o descreve no Desejado de Todas as Nações, pag.201)...
::::::4
Mas, naquele tempo, dizia-se que o pecado era semelhante à lepra - Isaías o afirmava: Quando “Toda cabeça está doente, e todo o coração, enfermo não há nele coisa sã, senão feridas”,... Karamba, vistas as coisas deste modo, terei de pensar que afinal fui mesmo feito de barro e também uso chinelo de pé...
Se olharmos apenas para nós, poderemos até perder o brilho sem levar uma mensagem preciosa em vasos de barro, assim mesmo e sem adornos. Isto é para impedir que alguém pense que o incomparável poder de meu tio, Nosso Senhor, fora de brincadeiras, nos pertence, mesmo que não o queiramos ou nos chamemos de Canhoto... Isso - Cruzes Canhoto...
:::5
Cristãos, são pessoas comuns que fazem coisas extraordinárias quando se lembram, se é que lembram, ser gente com aspecto de humanos e tendo sua graça como se o fossem, simples vasos de barro, depositários dum poder que tudo indica, ser divino com falhas, com fraquezas e, até intrigas... Para o mundo expectante pode parecer algo totalmente enfadonho, mas aos olhos da Natureza, será belo, noé?! Sendo assim, direi também ao meu Tio Nosso Senhor: Toma este vaso de barro que sou eu e, usa-o como te aprouver… Vou fazer mais o quê!?
O Soba T'Chingange
 

 

 
 
 
 
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:27
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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2021
MUJIMBO. CXIX
O SOL morre sem sepultura e, todos os dias isto se repete…
Portanto, vou pôr o burro às costas e o arado a comer - 14.01.2021
Crónica 3101
Por
T'Chingange – No Algarve do M´Puto
:::::1
Ser dono definitivo de mim, é o que eu quero, na sequência de sempre o querer, mas por vezes muito amiudadas, estremecem dentro de mim, por se repetirem alvoroços nos meus arrabaldes e, como se quase o fossem, intimações! Acalmando meu fôlego de branco mazombo pálido ou até avermelhado, engrosso meu próprio nojo na vontade de pensar de mim uma decisão… E, quase sempre não sou nada nem alguém…
:::::2
Abro as quatro janelas de minha cubata para arejar, os quartos, a sala, o meu espaço de escritório e o meu espaço de lambiscar securas, lugar do café com leite para calar as tremuras que sobem dos tornozelos até aos zingarelhos a dar forças superiores e fazer funcionar os neurónios sem despairecer o cerebelo…
:::::3
Surripiando miúdas palavras legitimo-me nos silêncios picados das mutucas porque de tão fechado na minha sina, no meu mukifo, não haverá um sim no meu possível definitivo futuro mesmo que, adivinhado numa lei-fofa (off) simplificada. Não fora eu aposentado e estaria aflito nesta regra com prescrição de princípio e, cláusula de simplificar ou minimizar a resiliência de forma macia, almofadada ou elástica na tufada gravidade… O que tem de ser, será!
:::::4
Bolas!? Eu que nem sou homem de noitadas, vejo-me na contingência de purgar a paciência sem alcançar dois dias a fazer um tik tok personalizado; a não ser só, mascarar-me feito Zorro, sair à rua sem ter de assaltar que nem assim e, só; ter de viver enfileirado numa perigosa missanga. Permanecer assim duvidando de onde e aonde se apanha o tal tik do tok feito mutuca, sem nem ter o tamanho dum pernilongo - Filho do capeta gelatinoso, melga lambido de cuspo.
:::::5
Bom! Depois e, já na minha açoteia, estendo-me na cadeira de kota T´Ching, chamuscando-me ao sol da kúkia, literalmente a chupar a tal de vitamina D. Sem nuvens e, até que tirite de frio, ali fico até o desaparecer do Sol, lá para os lados do barlavento - feito brisa. Ficar assim repassado num creio que nada creio, num teste que me solta a venta, merdas e coisas sem loisas. Não fora meu entender, se por azia reumática, ou se por andar pingando medo feito água quente.
:::::6
Neste processo de desmudar os costumes, uns ficarão mais iguais e outros, logicamente, mais desiguais a indicar a todos que afinal ainda não fomos terminados… Ué, viver nste agora, torna-se mesmo muito perigoso. É aquela velha estória que aqui explicito: -Era um era e, não era; andava lavrando com dois carrapatos! Veio-lhe a notícia que o pai era morto e a mãe por nascer. Pôs o burro às cotas e o arado a comer… Hem! Hem! Hem… O que mais penso e testo em explicar: Todo o Mundo, é louco - o quanto baste…
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:37
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2021
MUJIMBO. CXVIII
A Palavra do dia é MEDO – (11.01.2021) -13.01.2021
Crónica 3100
Por: T'Chingange
  De acordo com o dicionário, um dos significados de medo é o de sentimento de inquietação com a ideia de um perigo real ou aparente. Estando eu na guerra, algures nos anos de 1967 e 1968 em Cabinda, por via de uma emboscada na Curva da Morte da Serra de Massabi, senti esse tal de medo, suava de frio em um calor tórrido. Foi uma emboscada na qual houve duas mortes, um cabo e um furriel. O Rodrigues que nunca saía porque seu lugar de vago-mestre estava ocupado por um segundo sargento do quadro e, logo nesse dia, escolheu ir fazer o reabastecimento ao Belize, sede do Batalhão - morreu.
:::::
Mas, por que carga de azar Rodrigues, sobrinho do Cardeal de Lisboa e, com o mesmo nome, foi querer passear a ver o verde do Maiombe para espairecer a vida entre o verde escandaloso desta grande mata. Ele que nunca saía do quartel do Miconge - Posto Administrativo de Tando Zinze... NÃO! Não era o seu dia de vida... Um tiro varreu-o prá morte... E, eu pergunto a quem nunca pegou num fúsil ou canhângulo: Já se sentiu, ou sente medo de algo? Uma coisa muito importante que nunca nos devemos esquecer, é de que quem nos fez e, quem fez o Mundo com tudo o que nele há, foi meu tio Nosso Senhor a quem chamam de Deus. Mas, pelo facto de ser seu sobrinho não me livrarei de ter o meu fim tal como o teve o Furriel RODRIGUES sobrinho do Cardeal...
  Bom! Não temas, porque sou teu primo e, não te assombres, porque eu só sou teu familiar. Posso até fortalecer teu carisma, ajudar-te ou, e até sustentar-te com a minha justiça mas, teu destino só será teu, inserido na justiça da natureza. Natureza aonde tudo que nasce, um dia, falece... Recordar aqui no meio desta morbidez, que o termo de serem “felizes” é uma tradução inadequada da palavra (malambas) oriunda do grego - makarios. Essa expressão é traduzida em português de várias maneiras, incluindo “bem-aventurados” (ARA, ARC, NVI) para além do “felizes” (NTLH, BV). 
:::::
De vez em quando, ouço pessoas, adultas anunciarem seu desligamento das redes sociais a fim de o serem, "mais felizes". Algumas descobriram que o tempo gasto na internet roubou delas porção ainda mais preciosa, que deviam empregar em comunhão com a Natureza, pois então... A maturidade sedo ou tarde, chega! Actividades mais frutíferas para si mesmas, para os semelhantes e para a eternidade, não se cumpre por omissão. Um deixa para lá porque Roma e Pavia não se fez num dia... Andamos a emancipar-nos agora neste inicio de 2021.  Não se diz vulgarmente: Ele ou ela já é maior e emancipado! Pois agora irá ser vacinado... Fica completo o circulo, noé!...
   Existe a ideia de que crentes em Jesus devem ser felizes, pois são cidadãos do reino de Deus, o Nosso Senhor, meu tio. Pois vos direi que o meu outro tio, que já faleceu (faleceram ambos...) tinha a alcunha de Cristo! Sentirmo-nos tristes ou felizes é um estado subjectivo. Isto é, felicidade é como nos sentimos, noé! A vida dum cristão não pode ser fundamentada em algo subjectivo. Enquanto existe a consciência de que posso ser feliz por causa dessa paz de coração, a bem-aventurança é mais do que felicidade.
Amanhã, é outro dia!
O Soba T'Chingange
 
 
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:46
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2021
MUJIMBO . CXVII

ANDAR EM VÃO SEM PULAR - Crónico nº 3099

- Se o teu pé te faz tropeçar, corta-o... Um exagero feito forma de falar... Lá para Junho de 2021 seremos todos vacinados - 12.01.2021

Por: T'Chingange – No M´Puto do Al-Garbe

:::::1

A vida humana é frágil como uma flor. Hoje é, amanhã não o é mais. Como um capim murcha como qualquer erva do campo; desaparece como uma nuvem que o vento leva; tem frio com um vento polar e calor num anticiclone. Somos o que somos... Ainda hoje tive de meter um dedo de cada mão, o indicador da esquerda é o médio da direita em água bem quente, suportando os graus elevados porque surgiu uma dor de frieira entre a unha e a carne.

:::::2

Poderia ter ido ao quintal sombrio recolher umas urtigas, macerá-las e, usar seu líquido para passar este desagradável efeito de inexplicável dor mas, desta vez usei o plano B pois tenho-me dado bem em infecções superficiais. O homem do campo ara a terra e planta a semente mas, se não fizer sol e cair chuva, de que servirá todo esse trabalho? A natureza é a verdadeira sentinela que faz acontecer e desacontecer. “Sou o rei do mundo, sou o maior”, gritava o jovem boxeador no dia 25 de Fevereiro de 1964;diante das câmaras de TV no quadrilátero do Miami Beach Convention Hall, congratulava-se

:::::3

Mohamed Ali acabava de se tornar campeão dos pesos pesados com apenas 22 anos. “O mundo inteiro está a meus pés, escrevam isso”, disse ele aos jornalistas. E era verdade! Naquele ano, o mundo inteiro estava a seus pés. Mas, em 1996, o mundo inteiro viu o mesmo Mohamed Ali, por ocasião das Olimpíadas de Atlanta, enfraquecido; mal conseguiu acender a tocha olímpica. Evidentemente, não o era mais "o rei do mundo” nem o “melhor”. Estava envelhecido e deteriorado pelo mal de Parkinson.

:::::4

Pense grande; olhe longe; trabalhe, mas pergunte-se: Quem está no centro dos meus planos? Isso é vital para recordar-se que só é um capim, uma ilusão e, enquanto o é... Outro dia, um milionário excêntrico, reuniu seus amigos para passar o fim de ano em seu iate de 10 milhões de dólares tendo gasto a bagatela de um milhão de dólares na festa. Naquela noite, os fogos-de-artifício iluminaram a escuridão no mar do Caribe. Todos levantaram as taças de champanhe, desejando “saúde, dinheiro e amor” tal como o foi recentemente no Funchal da Madeira de Ronaldo.

:::::5

Foi ou é o trivial em nossos dias tal acontecido e, enquanto gozamos este estar olhando, cheirando, mexendo deveremos estar felizes sem contestar por falta de ninharias porque decerto uma multidão ao nosso redor, não terá isso! Aquele tal milionário do iate de 10 milhões, o Dezembro do ano seguinte, não chegou para ele. Um enfarte fulminante ceifou sua vida a meio do ano. Poderia ainda andar por aqui mas, desaconteceu!

:::::6

Ao nascermos, não tínhamos ideia dos erros e acertos, desafios e conquistas que experimentaríamos nesta vida. Ainda nem eramos gente, note-se! Contudo, ao trilharmos o caminho da maturidade, eles, os erros, apareceram... E, foram muitos! Num dia chove, noutro haverá frio e num outro sol... Provavelmente, pessoas, não discursarão em nosso funeral, um qualquer, pois que é perigoso; porém o mais eloquente discurso será feito por nós mesmos, paradoxalmente, no silêncio de nosso sono... Lá para Junho de 2021, no melhor dos cenários seremos vacinados à covid. Talvez - Um dia de cada vez...

Crónica publicada em KIZOMBA do FB  em 10.01.2021

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:52
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Domingo, 27 de Dezembro de 2020
KALUNGA – XV

MOKANDAS XINGUILADAS NO TEMPO

Crónica 3095 Cada vez mais o enterro do amanhã começa no dia de ontem…

Estamos na era do medo, na meia curva da esperança divina 27.12.2020

Kalunga: Mar; divindade secundária de culto banto; a imagem ou fetiche dessa divindade. Calunga seria a Lunga ou Malunga, que é plural em quimbundo da palavra "lunga"…

Por

soba24.jpg T´Chingange – No Algarve do M´Puto

maian8.jpg Agora e, aqui em Sábado de pós Natal do ano 2020, pensando em um montão de coisas ou actos que parecem normais ou superficiais, repenicando meu manjerico em flor, penso nas excrescências sociais que se vão tornando um pouco por todo o lado, armas de desarmonia na resiliência, pelo medo da suposição e, fechando-nos voluntariamente na nossa prisão. Prisão orgulhosamente chamada de nossa casa!

No decorrer do tempo entre periclitãncias involuntárias, a maturidade do cidadão acompanha os comportamentos sociais que, perante tantas e tantas contrariedades, é obrigado a defender-se com evasivas distantes e distanciadas, antes que suceda algo de mal, faz-se a previsão a tudo o que eventualmente poderá suceder se… e, o “se” torna-se um martírio na antevisão de hipóteses e fuga em alternativas.

baú de coiro1.jpg Quando a oferta é grande de farta, o povo desconfia; esta prática que quase sempre arrasta suspeitas sub-reptícias, leva a sociedade a ser desconfiada. Por ter-se sofrido tantas frustrações entrelaçadas em injustiça, em roubos, desperdício e má gestão da cousa pública ninguém ou, uma minoria de nós acredita nos políticos, nas conspurcadas instituições muito impregnadas de corruptela e compadrio.

Quem mente gratuitamente, de uma forma permanente, ou é demasiado fantasioso, astucioso ou político ambicioso no condão de sempre raiar desvarios ou a seu tempo, prejudicarem-nos por via de nos exaurir o património na forma de impostos e taxas directas ou enviesadas e até por vezes encavalitadas no nosso modo de vida.

costa araujo4.jpeg Com lisura desmesurada fundamentam tudo tornando-nos inocentes crianças perdidas dos pais… Assim atolado numa pandemia feita pântano revivo com desagrado coisas que nunca deveriam ter sucedido atiçando-me a vontade de fugir a um qualquer longínquo sítio e assim me revejo numa vasta anhara…

Vestido de vermelho, tecido pindérico e seminu guardando meus bois, feito guerreiro e saltitando de lança em riste defendendo meu gado das feras, dum leão onça ou mabeco. Lugar aonde nem se sabe que era foi essa de AC ou DC… Lugar onde não se sabe o que é uma falácia e aonde nossas silhuetas furam o sol ondulante, uma kúkia grande formatando o horizonte em uma barra vermelha.   

Nota: Publicado em KIOMBA do FB  em 26.12.2020

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:58
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXVIII

“CONSOLADOR” EM GREGO, DIZ-SE PARAKLĒTOS ... 24.12.2020

- Cronica 3094 - Controlando minha missão de aguentar a austeridade, disponho-me a gozar mais um dia de sol no M´Puto, nesta beirada sul dum país que já foi metrópole dum Império.

Por

soba24.jpgT'Chingange - no Algarve do M'Puto...

capta0.jpg Nesta quadra natalícia do ano de 2020, aproveito falar um pouco do entrelaçado de malambas (palavras) já faladas entre nós a fim de arrumar os eventos vindouros para que se compreenda o desfecho de nossa estória; nosso futuro mussendo (estória longa). A palavra aqui traduzida como “Consolador” vem do termo grego Paraklētos, relacionando-se ao verbo PARAKALEŌ e, cujo significado é “chamado para estar ao lado de alguém”. Em latim, a palavra correspondente é ADVOCATUS (advogado) - Tudo a condizer...

DIA73.jpg E, na qualidade de Primeiro Ministro do M´Puto, António Costa deu as alvíssaras de Bom Natal ao lado do Presidente Marcelo como se fosse um ET, talqualmente como um Espírito Santo, PARACLÊTUS, vindo duma galáxia distante numa nave "COVID" ... Veio que nem um pirilampo como suposto defensor, conselheiro, consolador, intercessor e mediador das manigâncias em tamanho natural e, metido numa caixa de TV delgada de fina... Que nem um Flash Gordon feito astronauta aterrissa no Palácio de Belém como se estivera no planeta Mongo e, de onde um déspota vírus, ataca a Terra por puro tédio. Com a ajuda de alienígenas, Flash e seus pares, lutam para salvar seu país atacanhado no planeta Terra…

ET2.jpg Assim como numa das passagens do Evangelho de João em que Jesus fez referência ao Espírito Santo, este “Consolador” Primeiro-ministro, parece surgir como o “Espírito da Verdade”. Embora haja textos bíblicos referentes ao Espírito como agente divino de transformação, a ideia de “Consolador” neste evento de diplomacia, trâmites da cortesia portuguesa, nos remete a outros aspectos da função de ADVOCATUS em nosso suposto favor ou desfavor, na vertente de político...

Mesmo com sua ausência física, nós não estaremos entregues à própria sorte porque nos momentos mais difíceis de nossa experiência covidesca sempre surgirá o Marcelo feito Cristo, o homem estrela STAR, Senhor-mor das t´xipalas “selfie”. E, assim o PM-PARACLETO sofredor com seus discípulos se disporá a desafios incontáveis com o beneplácito dele - o Presidente. Isso! Também este, uma entidade, agente de PARACLETO, que veio como como se fora JESUS super STAR.

luua27.jpg Se a consciência me acusar, eles, os dois PARACLETOS, terão de me convencer de algum pecado, para assim me guiar rumo à confissão, arrependimento e, ou perdão! Cá para mim, com estes, estaremos feitos ao bife...

Tenham um Bom Natal!

Publicado em KIZOMBA (Versão I) do FB a 23.12.2020

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:32
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXVII

FUI Á RUA DIREITA NESTE DOMINGO – PARECE UM HOLOCAUSTO

Crónica 3092 - Janelas para A VIDA13.12.2020

Por

soba24.jpgT'Chingange - No Barlavento Algarvio do M'Puto

cozinha1.jpg Confinado na minha casa, ouvindo as ondas batendo na rocha da falésia quando o mar fica bravio, telefonei para o take away a Cozinha a encomendar um frango assado com jindungo e outro sem jindungo. A moça que me atendeu, de sotaque brasileiro, riu da forma como falei e daí, ter-lhe dado o meu nome para registar no livro. Sucede que por via da pandemia, vão fechar às três da tarde e a minha encomenda que era para as sete da tarde terá de ser embalada de forma diferente.

Disse à moça que me atendeu que era o T´Chingange de Maceió e ela riu. Fala da rua Direita! Pois! Não é a casa do senhor Álvaro que cacareja? Óh, agora, riu ainda mais pois que seu patrão de nome Álvaro Faustino, em realidade ri duma forma especial ao jeito de guinchos solavancados. Uma forma de rir única e espacial. Assim foi! Antes das três horas da tarde, lá fui até Portimão, para lá do outro lado do rio Arade e, lá chegado, tudo estava embalado; era só pagar.

poluição.jpg Este senhor Álvaro estabeleceu-se há mais de quarenta anos em Portimão a assar churrasco bem à maneira de Angola e, sempre que lá vou sou contemplado com uma simpatia única tal como seu riso que enlaça qualquer tipo de empatia. Ele chegou com uma mão atrás e outra a fazer pala para adstringir o brilho do vinticinco, entalaram-no em um hotel da região assim como tantos outros e, logologo começou a fazer contas à vida. Não era gente de coçar preguiça e aconteceu montar seu ximbeco assando frangos com piripiri à maneira dos trópicos.

Meu nome da lista teve de ficar o “senhor das sete” porque a moça de Minas Gerais não soube escrever tão difícil feitiçaria de T´Chingange. Sucede que como cliente especial tive de dar meu nome do M´Puto e número de telefone, tudo em uma senha azul, numerada para ficar habilitado a um faisão feito capota a distinguir o Natal de 2020. Não sei bem o que seja mas deve ser qualquer coisa assim; a menos que seja uma trotinete automática.

pombinho2.jpgP - Regressando a casa do outro lado do rio Arade, pude ver lá no alto dos candeeiros eléctricos das rotundas e chaminés de extintas fábricas de enlatar sardinhas, atuns e cavalas, as cegonhas agraciando-nos de forma permanente com sua beleza. Com a chegada dos expatriados, refugiados, desalojados e retornados das ex-colónias, estas, parece terem feito um pacto de por aqui permanecer a fim de alegrar nossas vistas, nossas vidas também entre mistérios feitos kitukos de colono, xi-coronho, chicoronho, caluandas e outros até, vindos de Xi-Língwine ou antigo Maputo do Oceano Índico.

Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada. O amigo Álvaro deu-se conta disto como milhares de outos pensando no mesmo jeito e, meteu mãos à obra. O destino da humanidade repousa irremediavelmente e, cada vez mais que nunca, sobre as forças morais de ser-se homem. Se se quiser uma vida livre e feliz, forçosamente haverá necessidade de se restringir ao essencial e renunciar a muitas tentações; daqui dizer-se estar sempre limitado ao tempo que surge, às manigâncias dos governos e gente que comanda os sem-eira-nem-beira…  

pombinho12.jpgP - Hoje o destino da humanidade repousa sobre os valores morais que consegue suscitar em si mesma. Todos, ou quase, percebemos que o livre jogo das forças económicas, o esforço desordenado e sem freios dos indivíduos para dominar e adquirir a qualquer custo, nos conduzirão mais e de forma automática a uma solução insuportável deste problema: tanto roubo, tanta hipocrisia e corruptela - Vou dizer mais o quê?

pombinho14.jpgP - Hoje mesmo, vou-me ensinando a ser gente tomando aqui e acolá, por onde calha, o saber dos mais sábios para ficar esperto. Nem sempre homem, nem sempre jovem, já mais velho, nos intervalos, aprendo a aprender a ser grande como o Álvaro das capotas vindo de Porto Alexandre. Esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos e dos fúteis caprichos de poder. Sim! Tal como estando num mato de capim tombado pelo vento tiro aqui e ali umas fotos sem pau de selfie, surfando a vida… Quase a chegar a casa, dei-me conta do holocausto Covide 19. As ruas, desertas! Um ou outro ciclista colorido a dizer adeus, talvez por necessidade, assim, tal como o fiz acenando às gaivotas e cegonhas…

Ilustrações: P - Pombinho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:55
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Sábado, 12 de Dezembro de 2020
MALAMBAS . CCLI
A PALAVRA É UMA ALEGRIA SEM LIMITES.
Palra a pega e o papagaio; os ternos pombos arrulham! Zurra o burro e geme a rola inocentinha...
Crónica 3091 - A galinha cacareja e come térmitas! As térmitas roem como o salalé…12.12.2020
Por

soba24.jpg T'Chingange - No M'Puto

roxo95.jpg AR - Recebidas as tuas palavras, logo as comi; elas, as malambas, tuas palavras, são a alegria para meu coração. Devemos ter em mente, que a beleza e a força da Palavra não estão apenas nas profecias, nas doutrinas, ensinamentos éticos ou mandamentos...

Elas são o electrocardiograma de nossa vida, valores, aventuras heróicas, cânticos, poesia e tudo o mais o que contém. Ao invés disto, o vírus expõe fragilidades e amplifica injustiças; por via disso até já ouvi panelas a falarem nas janelas e, isto não é ficção. Por vezes as urgências das raivas necessitam de dizer alguma coisa mesmo que o seja batendo panelas chilenas, brasileiras ou até do Ruanda-Urundi. Um dia lá no mato vi-me a falar com um imbondeiro, disse a ele quanto o admirava e, ele retribui-me com múcuas que me curam a glicémia!

IMBONDEIRO1.jpg Posso garantir a vocês que escrever esta meditação feita malamba foi uma experiência excepcionalmente rica! Redescobri o prazer de estar em contato com a Natureza e, chegada a noite fui para a cama levando-a na mente. Estava bem à beira do rio Okavango (Cubango)

Não importava quantas vezes eu acordasse durante a noite, ela a malamba, continuava no mesmo lugar. Já manhã, levantava-me com a sensação de que apenas havia fechado os olhos e continuado meditando na Palavra...

embo0.jpg Se você que me lê, imaginar que isso representava cansaço, garanto-lhe o contrário, só que, obviamente, não tenho poder para criar um “Ministério da Felicidade” mas, só assim, já é uma grande bênção. Que maravilha é a Palavra! Não vou meter Deus na matéria porque creio ser inerente ou evidente mas, o que vi e, com quem estive, foi tão só o imbondeiro...

Lembro-me de em certa ocasião, depois e durante a manhã, ter a ideia de aproveitar o pequeno espaço antes do almoço, para olhar os sentimentos enovelados vendo na TV a pilhas o noticiário, as makas e coisas truculentas do dia a dia. Estava na Ovambolândia…

papoila0.jpgAR - A diferença de sentimentos foi gritante. Pareceu-me ter estado voando anteriormente sobre nuvens e, em seguida, aterrizado num lixão feito terra, globo ou o que quer que o seja... Mas, em verdade, qualquer pessoa que se expressa, corre perigos vários.

Pensei: “Por que tantas vezes trocamos o tempo que deveríamos ocupar desfrutando plenamente o tesouro da Palavra, por coisas inúteis?” Não tarda, começarão a deturpar a malamba como se desintegrassem um átomo e virá a desacreditação, o distorcer delas, as palavras, tornando-nos suspeitos de algo…

imburana vermelha.jpg Por isso, a malamba feita palavra, é tão bem-vinda como o alimento é para qualquer faminto. E, assim, falando com o imbondeiro, alegremente, pude entender suas mãos feitas ramos secos, elevadas ao céu a implorar o remédio que me iria tratar - a múcua.

Embora tudo isto seja importante, a Natureza sempre será a personagem central e, que testificam os kitukos, mistérios do nosso imaginário no sentido de sempre renovar a alegria do coração, nossa máquina... Aiué!
Ilustrações de  AR - Assunção Roxo
O Soba T'Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2020
MISSOSSO . XXXVIII

Crónica 3090 - TENHAM RESPEITO COM OS KOTAS

Do meu kamba Keller Austriaco... 09.12.2020

Por

soba24.jpg T'Chingange - No M'Puto

araujo181.jpg Não seja difícil com os idosos, eles passaram a vida inteira aprendendo a habilidade de resolver as adversidades da vida. Começo assim, pela moral da história... "Uma senhora entregou seu cartão bancário ao balcão do banco e disse: — Por favor, quero levantar 50,00 €". O caixa disse à senhora : -"Para levantamentos inferiores a 100,00 €, por favor, use a caixa multibanco”...

Ora esta! A senhora queria saber do porquê...

O empregado do banco devolveu-lhe o cartão bancário dizendo: —"Essas são as regras! Por favor, saia, se não houver mais nada a tratar... Há uma fila de clientes atrás de si".

araujo165.jpg A senhora ficou em silêncio por alguns segundos, devolveu o cartão ao caixa e disse: - "Por favor, me ajude a retirar todo o dinheiro que eu tenho na minha conta". O caixa ficou surpreso, quando verificou o saldo da conta. O empregado acenou com a cabeça, inclinou-se e respeitosamente disse à senhora: - "A senhora tem 1.300.000,00 €uros em sua conta, mas o banco não dispõe de tanto dinheiro no momento. A senhora, pode marcar uma hora para amanhã?” Então, ela  perguntou:  Quanto posso retirar agora? O caixa disse a ela que podia levantar qualquer quantia  até ao montante de 5.000,00 €uros.

-"Bem! Por favor, faça um levantamento de 3.000,00 em notas de 50,00 €, agora". 0 caixa gentilmente entregou os 3.000,00 € em notas de 50,00, de forma amigável e com um sorriso amarelo claro!

A senhora guardou 50,00 € em sua bolsa e pediu ao caixa para depositar os restantes 2.950,00 €uros, de volta, em sua conta.

araujo6.jpg A moral deste missosso é: - "Seja compreensível com os idosos; porque eles passaram a vida inteira aprendendo a habilidade de resolver as adversidades da vida."

Ilustrações de Costa Aaújo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:53
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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