Terça-feira, 23 de Julho de 2019
XICULULU . CXX

TEMPOS QUENTES 23.07.2019

Em um dia antigo encontrei no M´Puto uma pedra-de-raio; uma pedra portadora de superstições vindas do tempo neolítico… Um raio que os parta

Por

soba15.jpgT´Chingange – No Alentejo do M´puto

Envolto numa névoa de velhice, preencho os espaços da vida defuntando assuntos que já me não dão ânimo em falar. Num ápice, os n´guzos da juventude viram fenómenos, percorrendo-me a mente como se fosse um grande corredor feito varanda calçadão; já com pedras muito roçadas, sapateadas e dançadas na velocidade da luz, filósofo filmes que nunca antes tinha imaginado neste vácuo feito hiato como que para amainar ventanias ou anular rancores…

pedras parideiras.jpg Muito depois dos Etruscos, Plínio, um antigo escriba romano, comungava da crença de que a pedra polida tinha alguma cousa divina afirmando que elas caíam do céu com os raios das chuvas. Isto embrulhou-se-me no pensamento até os dias de hoje com quenturas anormalmente altas de trovoada. Tenho uma pedra destas desde o ano de 1983 e, apanhada exactamente no sítio de Vale das Lousas, sete anos, sete meses e sete dias depois de sair da guerra do tundamunjila da Luua - de Angola.

Derrubando-me nas trevas do desconhecimento, olho e ouço pela caixa mágica da televisão choros verídicos e de cortar a alma entre outros carregados de fingidas mágoas e excrescências mal alinhavadas. Pois e, foi assim bem ao lado duma trilobite petrificada que troquei por um kispo em Tetouan, no Atlas do Norte de Marrocos que, entro nas superstições que dominam muitas mentes e, entre estas, a minha!

pedras1.jpg São legados de subconsciente sem se saber ao certo se saíram de cristãos, judeus, libaneses ou sírios ou mesmo palestinianos e também toledanos ou etruscos. O certo é que ainda hoje são estas pedras denominadas línguas de S. Paulo; pedras de sílex, lisas e em forma de ponta de flecha. Diz a lenda que quando um camponês romano encontrasse uma dessas pedras, se ajoelharia de imediato e que, com toda a devoção, a apanharia não com a mão mas com a língua que, depois a colocaria no lugar mais respeitoso de sua casa para se precaver dos raios da chuva.

Não querendo quebrar este paradigma, coloquei esta bem no parapeito decorativo em azinho da minha lareira do M´Puto – M´Putolândia dos Al-Garbes. Eu não fiz isto naquele ano de 1983, sete anos, sete meses e sete dias depois de chegar a terras de M´Puto vindo da Luua num voo grátis e nesse lugar de Vale das Lousas. Estava ainda por saber por desconhecimento da tradição com lenda; já lá vamos!

lousas1.jpg Por engano das leituras por paralaxe das estrelas, estava em crer que foi a partir desse dia que se deu início à minha própria lenda - Março de 1983 mas, agora que estou mais capacitado e entendido com os ET´s, vejo que a lenda vem de muito mais atrás, de quando nem pastoreava, nem era um projecto de vida. E, porque a tradição manda, assim procedi! Sem a lamber, afagando-a somente, resguardei-a do mau-olhado da trivial onda xicululu e da comum avareza das gentes, entre outras que tais.

E, assim fui sabendo de antemão e até antepé, estar a singularidade das coisas impregnada de ruins olfactos; mesmo estando assim como esta, uma pedra gasta e na forma de um raio-que-parta! Quantas mãos não teriam já manipulado esta, agora meu património, assim fosse para matar e cortar coelhos, cortar línguas e narizes e até sacrifícios nesses antigos tempos dos Etruscos, nossos primos afastadíssimos do tempo neolítico.

lousas5.jpg Do tempo do Ferro, do cobre ou do bronze. O progresso com novas descobertas relegam estes instrumentos à semelhança de muita estórias, para as prateleiras de caves escuras e solitárias dos museus. O desprezo por via do não uso dos modernos desumidificadores, mofou-as mesmo sendo naquele então um artefacto com tecnologia de ponta.

No meu jeito de ver, sinto que tenho o dever de a agraciar porque, depois duma abrilada peçonhenta na mistura duma guerra de tundamunjila (Ponte da LuaLix sem retorno, nem estorno – Angola via M´puto) só me resta esta postura erecta. Não há forças que destruam lendas… Aos velhos será cruel deixá-los privados de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se querer saírem à luz do tempo a mostrar gigantescas feridas.

lousas2.jpg Talvez daí venha o termo “um raio que os parta”. E, também daí, abrirem-se gavetas com alvissaras ranhosas, cuspidelas de heróis tísicos da cabeça, ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Por vezes fico esgravatando meus neurónios, ponho as mãos na testa como um pensador e, o curioso, quando tapo esta, sempre se vê uma bola roxa no centro esbatendo-se na amplitude dos diâmetros sem bordas. Foi assim na meditação profunda que recebi o legado de como matar lacraus e cobras com enxofre… Isto ficará para outro xicululu…

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:34
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Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
XICULULU . CXIX
PANOIAS VII - TEMPOS DORMIDOS20.07.2019
DE AL-CALÁ A BADAJAM
Por

soba15.jpg T´Chingange – No Alentejo do M´Puto

araujo88.jpg Revendo sempre estações da vida na ânsia de satisfazer desejos como um Aladino que busca uma lâmpada mágica, também me revi como filho dum alfaiate de nome Mustafá. Como coisa concertada dispus-me a seguir os escritos que não sendo secretos aludem a feitos de magos, feiticeiros ou bruxos. Em tempos de Mouros ir de Al-calá a Badajam a pé ou a cavalo seria em tempos idos uma aventura perigosa, não só pela inexistência de bons caminhos mas também pelos predadores, lobos e homens salteadores, flibusteiros que então existiam. Hoje existem outro tipo de salteadores como que vindos de lado nenhum mas, e curiosamente escolhidos por nós para usar suas supostas boas qualidades de novos magos.

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Não, não estamos em terras longínquas do Curdistão; estes eram os topónimos de então e, que agora têm o nomes de Castro da Cola e Beringel. Efectivamente alguns de nossos ancestrais já foram mouros. Eu mesmo casei com uma senhora de nome Ibib que em árabe corresponde a criança. Mas, falando dos topónimos e coisa e tal, direi que Castro da Cola (Al-Calá) fica não muito longe e a sul de Ourique; desenvolveu-se na bacia de meandros do rio Mira enquanto Beringel (Badajam), se situa na extensa planície de Beja, tendo a ribeira de figueira a uni-la ao rio Sado.

araujo68.jpg Desconseguindo fortuna, coçando-me de incertezas aos sons graves de uma melodia sertaneja do Nordeste brasileiro, procuro aqui acerto de ideias; alando-me em quenturas, voo para norte fugindo à agitada borda mar Algarvia. Metido num pego do leito do rio Mira, mergulhado até ao pescoço, quase chafurdando, observo refrescado lá no alto a fortaleza da Cola e a torre da ermida da Senhora do Castro da Cola. Mesmo ao lado já sem uso pode admirar-se um moinho de levada que com as suas duas bocas feitas a pedra xistosa espera recuperação ou morte desmoronada. Vi ali um potencial sítio para se dar a conhecer pedagogia do que era aquele rio em anos longínquos, vida que se desenvolvia com a moagem dos cereais entre os quais o milho e mais tarde o trigo; milho que era britado para matar a fome a muita gente.

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No labor de muitos ciclos, famílias sobreviveram anos e anos amanhando a terra que agora se vê estéril, quase só com estevas. Nas reminiscências do tempo, torrentes de água vergaram ali o destino aconchegado das gentes do Neolítico até à idade média. Daquela casa xistosa mais atrás, saíam noutros tempos cheiros fortes de combinações, mezinhas de carqueja, toucinho defumado, rezas e manigâncias impregnadas a manjerico e poejo; como eu imagino aqueles odores intensos!
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E, da figura grande de barranco quando por torrente virava rio! Saído dali voei, voei como um peneireiro... E, naquela paisagem de planície agreste, em tempos profundamente marcada pelo homem, embrenhado de visão, vi-os agricultando, pastoreando, pescando, caçando e explorando recursos minerais. Passando pelas idades do Bronze e Ferro, nos 2º e 3º milénio a. C. encontram-se necrópoles com nomes de Nora Velha, Alcaria e Atalaia, fundações de povoados em Fernão Vaz e Porto das Lajes ou monumentos funerários em Pego da Sobreira.
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Aladroei estes conhecimentos básicos dum prospecto caído no adro da ermida. Nele, diz ser aquele povoado de Castro da Cola uma fortificação medieval Islâmica e Cristã dos séculos X a XIII havendo referências a antigos escritos que mencionam o nome de Marachique como sendo a interpretação correcta de raiz árabe hispânica.

araujo 25.jpg Porque o meu destino era Beringel, rumei para ali mas, pouco a pouco fui-me transformando num braço alado à semelhança do braço doiro do brasão de lá; e de espada na mão cortei o ar num ápice, passando por terras de Messejana, Ervidel e Mombeja e, de novo, feito homem poisei ali. Terão de ver em mim uma kianda fantasma que num ápice, ora está aqui ou já se foi pró álem. Já em Beringel, como um alfarrabista iluminado, fiquei a saber que foi D. Dinis que deu a primeira carta de Foral a esta terra, tendo passado a vila por segundo foral no ano de 1519 no reinado de D. Manuel I.

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Liberto de alforrias, uni Castro da Cola a Beringel por setenta e seis quilómetros; a razão de ser desta ligação é, que neste espaço territorial e no ano de 1580, muitos jovens saídos daqui seguiram o também jovem rei D. Sebastião a fim de realizar seus sonhos africanos. Animados de incontida vontade para grandes feitos, rei e súbditos esbarraram com hordas de mouros e,... A refrega da batalha culminou no completo desastre em Alcácer Quibir.

araujo1.jpg A mira de prodigiosas riquezas em sonhos cristãs, desvaneceu ao encontrar oposição de magos portadores doutras vontades e, das mil e uma noites desejadas, num indefinido alvorecer, por lá ficaram desmembrados os jovens Lusos; morreram com o rei, numa expedição estúpida de vontade imberbe. Também por ideias sebastianistas andei numa guerra de tuji (merda) por vontade alheia de novos sebastianistas gwetas (brancos) como eu. Queriam coisas e desconseguiram tornando-me um participante porque era filho duma Nação. Nação que afinal nem era minha e feito tolo, assim andei quatro anos de minha juventude – Para nada!

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Em Alcácer Quibir, foi um mar de sangue! E, foi aqui o começo do declínio destas terras Ibéricas entre o rio Mira e a ribeira de Figueira, afluente do Sado; empapando de vermelho o chão quente do norte de África, a juventude daqui ficou toda lá. A recordá-la ficou o tal brasão d´armas, um braço doiro com asas, empunhando uma adaga, tendo como fundo um campo vermelho encimado por arabescos. Algures por estes sítios, creio haver um secreto esconderijo subterrâneo com uma lâmpada mágica. É só procurar um tal de Aladino! E, aqui estou eu em terras do M´Puto, espreitando pelo postigo da memória antropológica. Desde que me lembro de conhecer o mundo, cumprindo o curso da vida, obedeço sem outro querer à ordem astronómica das leis que me regem.Mas, era suposto não estar aqui…
Ilustrações de Costa Araújo
O Soba T´Chingange
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:16
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MUJIMBO . CXI

CICATRIZES DO TEMPO21.07.2019

-Mujimbos com borututu ou o interstício das falas… O drama da vida é a perspectiva mais comum da consciência – O sentido das palavras

Por

soba15.jpgT´Chingange - No Alentejo do M´Puto

roxo185.jpg Falando de costumes, torna-se necessário tê-lo em conta para definir os parâmetros do carácter dos muitos povos com influência sobre as línguas. O sentido verdadeiro de certas palavras escapar-se-há sem este conhecimento! Há uma semântica a dar rumo a isto ou aquilo porque de uma língua à outra, a mesma palavra tem mais ou menos energia, pode ser uma blasfémia ou uma injúria em uma e, não significar o mesmo em outra.

Teremos por via disso de analisar segundo o texto para retirar a ideia certa que a ela se atribui. Assim que sermos todos idiotas não é mau porque temos ideias mas o caminho desta palavra foi sendo deturpado porque hoje há mais idiotas do que bons ideólogos. Nossas ideias terão este ou aquele sentido segundo o parecer de cada qual que as lê ou ouve.

roxo146.jpg Na mesma língua e, em países diferentes, certas palavras perdem seu significado alguns anos ou séculos depois. Uma tradução rigorosamente literal, não exprime sempre na perfeição um certo pensamento! É necessário por vezes empregar, não as palavras correspondentes, mas palavras equivalentes ou perífrases. Por vezes rebusco meu dicionário “on line” saindo daí mais espevitado do que o nosso estimado Suassuma que jorra sabedoria como uma cascata de água borbulhenta.

Em meus escritos, refiro-me por vezes a vidas periféricas em função dum estado de dependência, a vivências diferenciadas, conceitos entalados pela semântica no uso dessa palavra. Se não se levar em conta o meio, o tempo e o local na qual se vive ou se viveu, ficar-se-á exposto a equívocos. Uso em meus escritos palavras próprias do local em que a cena se passa e, quando é mais abrangente notar-se-á falas e linguajares com jeitos e trejeitos locais…

roxo145.jpg Não creio que virá daqui mal ao Mundo, a não ser que se ponha a vírgula no errado sitio ou mal estacionada como é vulgar vermos as patinetes silenciosas atiradas a eito por todo o lado, coisas sem lei nem roque – ideia de puros idiotas. Uma coisa são alhos e na outra já serão bugalhos mas, nem quero ir por aqui metendo-me voluntariamente numa guerra de palavras canibais...

Posso citar as muitas interpretações do livro maior chamado Bíblia mas, isto de recorrer à boca ou boligrafo dos outros é bem desprestigiante segundo se diz, por via desse tal de paradigma estabelecido na ética com plágio e, ou outras nuances que nem um credível ET - Extra Terrestre sabe discernir. Sabe-se que a língua hebraica não era rica e muitas das suas palavras tinham vários significados. Estou-me a lembrar do termo camelo que naqueles idos tempos se designava a um cabo (fio entrelaçado).

roxo149.jpg Nas fases da criação e em géneses um cabo como hoje conhecemos era feito de pelos de camelo entrelaçados e, daqui chamar-se ao pequeno fio de camelo; conhecer-se a alegoria do buraco da agulha ajuda a entender o que vulgarmente se consideram de ditos: “ É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. Não posso assim reconhecer-me em mérito ou em plenitude se separar do aconchego da amizade, o entendimento das coisas! Não é esta a minha real afeição.

Quando digo em Portugal (M´Puto) que “a malta não gosta da bófia”, no Brasil não entenderão; irão pensar que me refiro a um grupo de gente bóia-fria (tarefeiros ou ganhões) que colocam carris ou solipas em um qualquer trem. O sentido vai assim para o brejo, o mesmo dizer-se que vai para o lixo ou para a basura. Estamos em permanente descoberta pois que só agora estão descobrindo que em nosso corpo há um novo órgão: o interstício, um espaço que incha e desincha, um grande órgão celular, sistema de comunicação que actua em órgãos diferentes como uma via de união entre todos os outros órgãos.

roxo135.jpg A partir de agora um inchaço será por culpa do interstício. Sem discutir as palavras, é aqui necessário procurar o pensamento que parece ser este com mais evidência: “Os interesses da vida futura sobrepõem-se a todos os interesses e todas as considerações humanas”. Por vezes largo meu corriqueiro linguajar, puxo pela memória e saem coisas ditas eruditas, com bom senso, dirão muitos alinhados e alinhavados em suas mentes. A mente e o corpo humano continuam a surpreender-nos.

O interstício já tinha sido definido como o “terceiro espaço”, mas nunca o tinham considerado um órgão. Cientistas, em pleno século XXI, propõem agora que o interstício, formado por um espaço com fluido em circulação, se torne um órgão do corpo humano. Eles, revelam-nos que temos um órgão que nunca tinha sido considerado como tal.

Roxo132.jpg Chama-se interstício e é formado por um espaço com fluido que está nos tecidos conjuntivos por baixo da superfície da pele, reveste o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário e rodeia as artérias, as veias ou a membrana entre os músculos – tudo numa única estrutura. Pela primeira vez, os cientistas descrevem este órgão e consideram-no um dos maiores do corpo humano. Coisa bem interessante.

Ilustração de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 03:18
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Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
MALAMBAS . CCXXVII

UM CACTO CHAMADO XHOBA . VII19.07.2019

– MALAMBA NAS FRINCHAS DO TEMPO é a palavra a voar

- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana. Já nem sei bem aonde estávamos… Foi no ano de 1999, talvez 1997.

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Alentejo do M´Puto

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NAMIBIA, em dialecto Ovambo significa terra do nada - Tudo quanto acontece, é na terra que sucede, num céu eterno e pacífico. Entregues assim ao destino, meu e de Ibib, cumpre-se na ordem natural aonde quer que estejamos – candengues por perto ou lá longe e sempre na nossa duna espacial chamada de coração; o vento sopra forte do lado de Dorop National Park trazendo areias por quilómetros e eu, galgava-os com receio de haver ali um furo de pneu, o carro teimava em desviar-se para a esquerda mas, em realidade era a força do vento quente que me forçava a preocupação.

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As nossas palavras são como sombras que nunca podem explicar por inteiro a luz de medos ou ansiedades que sempre transportamos connosco. Nunca isentos de culpas e formulando nossos destinos e, assim fomos deixando nosso ADN na mistura do vento, do pó e quenturas com adrenalina; culpados de muitas nenhumas coisas e assim formando castelos, íamos soprado vida na terra do nada. Lá atrás e mais acima do mapa, no Divundo ficaram as estórias velhas, as verdades minhas ou da lenda Miranda que para alguns, sempre serão trapaças; estórias do Batalhão Búfalo 32 da Á do Sul e edecéteras que se soltavam de nossas falas que como o vento chiavam a coisas desavindas no meio da tremulina da miragem.

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Deserto do Kalahári - Atravessando as terras de Erongo, suas montanhas secas com a areia subindo em suas encostas, pudemos atravessar as terras de Karibib, Usakos até Swakopmund e Walvis Bay pela nacional B2 da Namíbia, um calor abafador em sua máxima potência. Neste descobrir de novas coisas ficamos num aprazível mas modesto conjunto de bungalows situado junto ao mar e margem dum rio de areia, mulola de nome Swakop, o que deu origem a este nome à cidade tipicamente alemã aonde morou o ET, um amigo extraterrestre de nome Eduardo.

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E, assim atirando palavras desprendidas, recordamos terras com vazios aonde a verdade e a mentira passam pela mesma boca como rastos de picada que viram lendas. Aqui e ali no meio da secura do Karoo íamos pendurando como tufos de teias nas espinheiras do tempo nossos medos e angústias e coisas do mundo sem saber se tudo era o que parecia ser. Diz-se de que, quem quer falar de assuntos sigilosos vai para o deserto mas, nós, não arriscávamos limpar o lacre dos actos e pensamentos porque já tinhamos o coração endurecido na vulgaridade   vivida.

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Naquele outro momento em que escrevia isto, estava no modesto mas ventilado bungalow de Swakop, Ibib durma plenamente, talvez do cansaço pelo muito calor apanhado lá nas montanhas; agora com a porta entreaberta deixando o vento frio do Atlântico lamber seus pés, gostoso e frio, como quem só por ele passou. Mas então, quem vai acreditar no fogo do pó levantado do chão vermelho nas margens do Cunene, mais a norte, os candengues himbas dançavam com um jacaré domesticado; Ué, caté desconhecia que um jacaré podia ser domesticado mas, os olhos meus, me diziam no seu ver, que aquilo visto, era mesmo de verdade verdadeira; mas que agora parece mentira, lá isso parece!

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Vendo assim a natureza que tanto nos ensina no seu riso de muitas flores juntamos o agora que nem sei bem aonde fica, musgos espaciais de nossas velhices feito folhas coloridas a vermelho com laranja, ratadas nas pontas como que comidas por um kissonde, a formiga mistério. Pus a mão no meu cérebro buscando naqueles milhões de células apalpar qual daqueles cabelos feitos bissapas estavam fora do sítio para entender aquela cena do nada, inaudível, inacreditável! Dei uma chapada em mim e doeu. Pópilas era Euzinho da Costa!

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Sei que tudo em minha vida resulta de guardar sempre comigo a esperança monandengue; de espiá-la com olhinhos de a ver balouçada no arco de minha sobrancelha. Hoje mesmo, fins de Julho do ano 2019, tive de as cortar, as sobrancelhas – sobressaiam para além e por cima dos óculos cor de tartaruga, cor de pobre, a lembrar o Lenine ou Álvaro Cunhal, gente de sabedoria que torceu as ideias dos outros sem antever que cada qual tem o seu próprio faro, sua forma de lançar caganitas como as cabras, kiákiákiá (minha forma de rir com soluços…)…

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- Como se chama esse jacaré! Perguntei ao jovem mais próximo. – Com a boca! Respondeu o candengue. Pintado de coisa ruim consegui domesticar meu frenesim raivoso, e continuei: - Sim! Mas tem nome, não tem? – Chama-se de Sundiameno. Disse! Este gajo está a gozar com a minha cara, quem diria que aqui no fim do cú de judas encontraria um puto assim tão cheio de bolinhas de berlinde com abafa de gozar o kota- O fidamãe!  Fiz uma cara feia, de nariz torcido e, ele, vendo-me embrutecido repetiu. É mesmo de Sundiameno porque não é de fiar! Estava explicitado…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:19
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Domingo, 7 de Julho de 2019
MALAMBAS . CCXXVI

MALAMBAS . CCXXVI

UM CACTO CHAMADO XHOBA . VI – 07.07.2019

– MALAMBA é a palavra

- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana (Perto de Etosha). Estávamos em Sossusvlei, terra soprada com areia… Foi no ano de 1999 com texto agora reescrito em algumas partes...

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

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NAMIBIA, em dialecto Ovambo significa terra do nada. Foi aqui que vi as melhores paisagens nas minhas viagens por África. Saindo de Luderitz atravessei com o clã T´Chingange todo o Naukluft Park para chegar às grandes dunas do Sossusvlei; acampamos em duas tendas em um espaço próprio no início da zona interdita, activamos uma fogueira comunitária e deliciamos o ouvido com os sons da noite.

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As noites neste deserto, aliás como em todos outros, ficam frescas assim que o sol desaparece no horizonte. Aqueles montes enormes de areia deixam em nós a sensação estranha do quanto somos pequenos. Tivemos de preencher uns papéis para recebermos autorização de entrar no parque dos diamantes, não nos era permitido afastar-nos do trilho com outras recomendações a cumprir. Iriamos sair ainda de noite para chegarmos ao nascer do dia á duna nº 45.

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Saímos ainda noite em comboio de carros, jeeps 4*4 e, turismos como o nosso. A claridade ia surgindo e, apanhamos o nascer do sol a meio da subida nessa duna quarenta e cinco; em fila indiana gente de muitas latitudes, falando línguas diferentes estavam ali, tal como nós para saborear a natureza em toda a sua plenitude. O sol com o seu disco grande e amarelo ia subindo no horizonte do lado esquerdo; uns mundos de sombras movíveis rodeavam-nos como coisa galáctica; o amarelo das dunas contrastava com o preto das sombras.

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As figuras sinuosas a mudarem a todo o instante - algo nunca antes visto e em um palco de grande espaço, aonde também parecia nos movermos como numa ilusão sem infinito. Naquele dia casei com Sossusvlei; a fina cortina de areia desprendida pelo vento mais parecia uma seda ondulante de noiva roçando o meu rosto, os meus olhos, a minha boca. Beijei a areia feita um véu, como se fora um deus menor e os sinos das cigarras disseminadas em esqueletos de árvores perpetuaram para sempre ao meu ouvido aquele som.

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Ali era um bom sítio para entregar a alma ao criador. Foi sem dúvida a mais bonita catedral que já visitei. Se por ventura viver 333 anos, quero lá voltar na segunda metade do meu percurso. Ali, o feitiço tem mais encanto, coisas que não se apagam da retina. É esta, uma das imagens que afagamos nos dias de indulgência, nos dias de amarguras involuntárias, nos dias impregnados de incontidas revoltas. Valeu a pena subir aquele morro de areia ondulante – figuras sobre milhões de grãos de areia ora amarela ora avermelhada; levou talvez uma hora a chegar ao topo, dois pés para a frente deslizando um para trás.

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Ali, e naquele momento, aquilo era o céu. Envoltos em azul vivo, escorregávamo-nos no vermelho longínquo tremelicando a cércea no horizonte das terras altas, o amarelo ouro das dunas e o preto das sombras, cada um de nós se sentia "um senhor do mundo". Sossusvlei ficou para sempre gravado na nossa memória. Para trás (dias antes), ficava aquele pedaço de coisa caído do céu, uma bola de fogo rija como o titânio; o tal de Meteorit caído no meio do nada, como que uma pequena recepção feito bolo num imenso Calahári.

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Na Namíbia a distância não se mede em quilómetros, mas em tempo e, percorrer todas aquelas distâncias é como completar uma missão impossível. Após pagarmos uns poucos "Randes" a um homem fardado, entramos no tal lugar. Lá estava aquela coisa com 60 toneladas, uma liga de fusão vinda do Universo, dum infinito lugar. Meteorit era o nome indicado com a referência de Hoba West, não muito longe de Grootfontein (em África tudo fica perto, é ali mesmo patrão, mwadié).

:::::50  nauk3.jpgnauk003.jpgMeteorit (foto de foto)

Toquei aquele titânio rijo e frio, embasbacado sentei-me observando-o por algum tempo. Sentado na duna recordava os anteriores dias anoitecidos num universo de estrelas – ali a noite cai rápido. Posso imaginar quantos fotógrafos desejariam estar ali no Sossusvlei sem ninguém à volta por dezenas de quilómetros, sem qualquer ruído e acompanhados apenas pelo último raio de sol, pelas primeiras estrelas no céu imaculado da Namíbia e, o brinde no topo deste cenário, numa noite de lua cheia…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:36
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Quinta-feira, 4 de Julho de 2019
N´GUZU . XXXV

CINZAS NO TEMPO – NA ROTA DAS FALÉSIAS - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade … 04.07.2019

N´GUZU é força, em Kimbundo

Por

soba0.jpegT´Chingange - No Algarve do M´Puto

praia.jpg Para ler até ao fim – São só DEZ itens…

Emagrecendo o tempo ao invés da barriga, uso suspensórios de encurtar chatices afiveladas e, em minhas caminhadas pelos promontórios da terra, uso-o mais para segurar o microondas-ipad a fim de ouvir música e balelas da rádio. Assim na divisa com o mar cuja vista pertence aos ricos porque os pobres assim vão ficando, engordando a imaginação e vendo passar os navios por entre as silhuetas das casas, daqueles. Com o tempo vão surgindo na cércea palmeiras a substituir alfarrobeiras e oliveiras importadas da arábia e, num repente o mar vai desaparecendo tapado pelos oásis e, por quem canta de galo.

CARVOEIRO01.jpg Ou por quem tem suficiente dinheiro para o mandar cantar, o galo de cima, o de poleiro feito de pau torto ou o granisé freguês da junta; manter uns jardineiros e um sem número de células de raios vermelhos e envernizados no disfarce para detectar intrusos, calar a boca aos patos e gansos com manias de empertigados, assim como eu. Raio que detectam quem tente entrar num parque quase temático, cercado quase até à falésia, assim fugindo ao rigor dos planos com projectos de ordenamento. As leis do Domínio Público Marítimo, pelo que é sabido, ainda não mudaram mas, deste jeito e quase fechando seus acessos ,parece que sim – que as há.

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Num lugar aonde as casas não deveriam ser mais altas que uma amendoeira, surgem palacetes com elas, as amendoeiras metidas em vasos nas açoteias, vulgo terraços, para inglês-ver, tá-se-a-ver! Amendoeiras, suficientemente grandes, para nos adulterar; a nós ou às leis que são seguramente untadas com bilhões como se permite dizer tão vulgarmente nos dias de hoje e, porque já ninguém rouba tostões assim como nos livros das vendas do antigamente. Em lugares destes, que o devem ou deveriam ser, nobres para toda a gente, não deveria ser permitido construir até 500 metros da costa ou falésia casas cuja cércea subisse mais alto do que uma alfarrobeira.

praia1.jpeg Mataram o Muammar Al-Gaddafi da Líbia, porque era um filho-da-mãe e déspota, mataram Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti que foi um político e estadista iraquiano, porque pelo que diziam era também déspota e andava a usar umas armas terrificamente maléficas (agora, tudo por li está pior...); E, na onda da subserviência do M´Puto aos DDT do Mundo, seguiram-se as estranhas façanhas made in USA; e assim como uma marionette comandada à revelia da gente (povo do M´Puto) e, agora o que se vê, é gente a imitar vidas espiraladas como se estivéssemos na Babilónia de há um quatrilhão de tempo. Andamos a ser enganados – Tambulakonta!

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Nem tanto um quatrilhão de anos mas mais propriamente no século VI a.C. e, que foi capital da principal potência da Mesopotâmia. Ainda se fosse o nosso José Manuel Rodrigues Berardo, habitualmente conhecido como Joe Berardo, um empresário conhecido coleccionador compulsivo com o dinheiro do povo, formatado numa tão ecléctica versão de misturar budas com caixas de fósforos ou postais de navios que atracavam na sua ilha de sonho. Sim! Ainda se fosse este senhor, vá que não vá! …

praia2.jpeg Mas, eu que saí bem cedo para apreciar coisas, emagrecendo o tempo, vejo-me de novo encavalitado nas arrudas que quando pisadas cheiram mal pra caraças - menos mal que ainda há calafito para curar todas as maleitas. Pois! Vamos ver se componho bem o ramalhete: O M´Puto, por via dum desenrasca nacional encarquilhado de crise, fez uma lei a que se se chamou de PIN – Projectos de Interesse Nacional tipo Visas Golden, para captar dinheiro vivo (Eles estavam todos, aflitos - EETA). Estão a ver o filme: Isto para permitir bizarrias desacostumadas entre nós a troco do tal PILIM – um desenrasca. Em qualquer cor de goveno, seremos sempre uma Geringonça

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Depois disto, das leis que provavelmente até já devem ter mudado, resultou em fraudes, em burlas e adjacências adjectivadas de coisas feias com derivados de descarado roubo e, assim, para porem em segundos ou dias, chineses a falar português, coisa quase inaudita e, como se fosse possível pôr gaivotas a ladrar e, ou cães a piar. Algo está mal! Por isso também ladro. Mas, e porque se trata dum passeio pedonal pelas arribas do cú da Europa, passo ao promontório que tão bonito é…

praia4.jpeg Chegado a uma das torres de vigia do tempo antigo conhecidas pelo linguajar popular de fachos, almenares ou atalaias, por aqui diviso o azul que se cola no horizonte com o céu. Estes, eram ocupados dia e noite e sobretudo durante o verão para dar alerta dum qualquer desembarque de piratas ou corsários vindos do norte de África e de outras paragens. Hoje vêm de todo o lado, coisa pouca para quem pensa pequenino.

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Estes flibusteiros pilhavam e faziam cativos, principalmente durante a secagem do figo e, de vez em quando, havia muita gente por aqui distribuídos em fazendas e, ou quintas. Há menos de um século ainda se faziam contractos com gente do Alentejo e até das Beiras do M´Puto para estes trabalhos sazonais da apanha do figo, da amêndoa ou alfarroba. Hoje quase tudo está ao abandono! A agricultura deste género é coisa de pobre e a água não é de fartura. Ou é por falta de diálogo com nosso Senhor ou falta de procissões a pedir chuva e também escravos da Mauritânia para trabalhar de borla.

praia3.jpeg Os tais flibusteiros, fitavam também as armações de atum e sardinha chegando com facilidade às alagoas; nestes tempos havia necessidade de se captar gente para escravizar lá naquelas arábias. Esta torre ou Atalaia da Lapa foi construída no século XVII; é uma estrutura maciça, em alvenaria de pedra e argamassa de forma circular, com cerca de cinco metros de diâmetro. O olheiro chamado de facheiro do mar, subia numa escada para este maciço que em caso de avistar barcos estranhos fazia uma fogueira de noite e, de dia provocava nuvens de fumo com lenha molhada; tal como o faziam os índios americanos Sioux nos sítios altos de lá; da forma como em pequenos líamos tal e qual nas bandas desenhadas e literatura de cordel brasileiras.

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Desta forma protegiam a barra do rio Arade por onde entravam esses tais de flibusteiros moiros, alertando com estes sinais as populações e as guarnições das fortificações da região costeira. Há bem perto daqui, deste vale suspenso, uma linha de água conhecida por Vale da Lapa, uma barragem aonde se retinha água no período das chuvas para poderem tratar, lavar olear e meter em ânforas o atum, cavala ou sardinha a enviar para toda a nossa costa Atlântica e até, mas também, ao Mediterrâneo. Cá para mim isto é do tempo dos Romanos  e muito antes do tal século  ZERO, de quando pregaram Cristo numa Oliveira com pregos artesanais (versão de espeleólogos, arqueólogos, geólogos e afins - todos agnósticos que não crêm em  SãoTomé)...

estombar2.jpeg Tenho aludido ao termo carso por ao longo deste promontório que vai desde a Ponta do Altar em Ferragudo até terras de Albufeira, porque é um relevo produzido pela dissolução das águas superficiais e subterrâneas sobre a rocha calcária. E, é assim que surgem grutas, arcos e algares que são poços naturais feitos pelo desgaste dos solos mais soltos e as lapiás, relevo plano de calcário do qual fazem "pias" de superfície  (algo quase raso) como se fossem eirados, diria ser assim uma cisterna que capta a água desse lajedo. Com tempo, vos darei mais conhecimentos que irei partilhar convosco porque vós sois, parceiros cinco estrelas! E, também porque são candidatos ao prémio “ Catana Doirada”…Mungweno!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:02
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Quarta-feira, 3 de Julho de 2019
CAZUMBI . LV

OS FALCÕES DE NOSSAS VIDAS - OS FALCÕES DAS MINHAS PRAIAS - 02.07.2019

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Na Lagoa do M´Puto - Algarve

Envaidecendo-me entre tufos de aroeiras, de orelhas e nariz arregaçados, espaireço-me com tudo com mais os olhos de ver recordando que as raposas daqui (que aqui havia) escasseiam mas, ao invés disso no outro M´Puto - Portugal, as raposas crescem duma forma muito inaudita, ladinas como nunca visto, nem previsto.

carv0.jpg Bufando minhas raivas pelos poros e no topo das falésias, olho e ouço barulhos de coelhos fintadores e assim num turbilhão de espairecer o físico e a mente, chego aos níveis de enriquecimento ilícito por via da corrupção. Portugal está negligenciando isto! Piso pedras agressivas neste caminho de sobe e desce pensando, quando só queria mesmo enxugar minhas lamurias por só ouvir tantas e demolidoras atitudes sem vislumbrar acções drásticas, o quanto baste.

Ao longo da minha vida gozei de muitas e belas praias; umas houve que ficaram no canto da retina, surgem às vezes em pensamentos ou sonhos. Em Angola a praia da Samba em Luanda aonde aprendi a nadar, a surfar, a pescar, a brincar às jangadas com bidons roubados nas obras públicas, coisas de candengue. Os falcões dali e agora, não são pássaros, são gente feitos “Falcão-kissonde”. Depois mudaram-se para o Mussulo, feitos já suas excelências com um pelotão de mocambos, auxiliares com bajulinhos embutidos em cheiro de aviário. Assim, vuzumunam ali a sua petulância, prepotência e poder com banga de mwngolé.

estombar3.jpeg Da Praia do Francês em pleno Nordeste Brasileiro não há falcões na forma de pássaros; em sua substituição há urubus pela costa, nos coqueirais, como se fossem gaivotas. Mas, há muito mais pelas urbes grandes, pelos municípios e com suas duas pernas fazem fintas com cambalaxos no jeito de borralheiro dão bassulas - remendador de pneus, remendando nosso kumbú, nosso pilim, nosso suor feito dinheiro.

Em todo o lado parece ser assim! Maldita confraria de larápios, falsos falcões - falcões do M´Puto, de N´Gola ou dos Brasis - predadores. Bem, agora e aqui, aqui aonde calcorreio falésias, são mesmo pássaros; acompanham-me por vezes. Assim é na Praia do Carvoeiro do Algarve com sua recortada costa cársica e aonde nidificam, ora roubando os ninhos já feitos à outra passarada, ora construindo-o em ranhuras de rasos arbustos; limitando-se a pôr os ovos directamente sobre a plataforma escolhida; não é raro encontrar ninhos de Falcões em buracos de ruínas ou na própria falésia.

bolota2.jpg Pensando e circundando com os cuidado requeridos por via de pedras roliças penso na treta de "Presunção de inocência" e dessas saídas manhosas que os DDT usam com seus bandos de doutores advogados que tudo fazem para se guindar na vida nessa mesma forma corrupta - Falcões ou Corvos especialistas em subtrair nossas migalhas. Outras vezes esperam tanto que a propósito a lei tal e seus edeceteras, expiram... Os colarinhos brancos sempre se safam e, por isso recordo um linguajar de pergunta, ao jeito brasileiro "Mas, quando é que um RICO vai para a cadeia?

Iniciei esta crónica para falar dos falcões e acabei por me debruçar nos predadores feitos homens que surgidos de muitas latitudes da Globália também para aqui vieram; só que alguns têm as garras demasiado afiadas e, falar deles é só criar contratempos. Falando desta costa com praias de maravilha que são património vivo, seria muito bom ficarmos resguardados da malvadez, humana, e da sua utópica sustentabilidade tão apregoada. Aqui direi: " Quem tem dinheiro vê o mar"; quem o não tem fica "A ver navios"...

zeca02.jpeg Passeando minha reforma entre carrascos, arruda, e espinheiras com arranha cão e quinambas, recolho espantos do mar vendo por vezes golfinhos entre os leixões ali tão perto; contornando algares sinto o restolhar de roedores, coelhos e perdizes que esgravatam entre as rosas- de-cão, orquídeas Ophrys lutea, speculum ou maios-roxos nos vales suspensos.

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Com mais tempo falarei destes caminhos dos promontórios e vales suspensos de carbonatadas rochas com mais de dezasseis milhões de anos e, do alvoroço das primeiras horas do dia. Das torres de vigia do tempo dos romanos Falarei entre coisas do nosso dia a dia com falcões de verdade ondulando o que seja com os cantares de rolas e pombos bravos, toutinegras, gralhas e até gaivotas.

CARVOEIRO01.jpg No Torreão da Atalaia, a nostalgia estava escrita com rasgos na pedra; sicrano e fulana aos tantos de tal, estiveram aqui com todo o amor do mundo. Um lindo sítio para perpetuar aventuras, apalpar os dígitos das luzernas como um farol de vida desenhada assim porque, uma vida sem memória não é uma verdadeira vida! No final as cigarras, já fantasmavam minhas antigas alforrias.

O Soba T´Chingange

 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:45
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Segunda-feira, 24 de Junho de 2019
A CHUVA E O BOM TEMPO . CI

EXCESSO DE OPINIÃOParte UM - 23.06.2019

- As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local: -Nus e ateus…

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Algarve do M´Puto

cacu6.jpg  Entretido com a rega de minhas verduras espalhadas por aí a eito e sem jeito, salsa com jindungo e hortelã mais hortenses e boldo ao lado do doutorzinho, venho aos solavancos entre o tempo dado ou esquecido das nove tomas de rega, escrever algo entre o muito que desejo escrever antes que as ditas pensadas nuvens se esfumem num aquecimento ou puro esquecimento; Meus pensamentos por via de não o serem caligrafados ou psicografados de forma instantânea como o café mocambo, provocam atraso a tantas e, tantas estórias que me dá dó não o serem, contadas, xinguiladas! Nestas alturas queria mesmo ser um ET, carregar num botão só pensado e, logo num repentinamente, ver afluir como uma flor as notícias do T´Ching…

charula.jpgFoto: Angola - Revista 'NOTÍCIA', n. º 381, de 25 de Março de 1967 (A morte de João Charrula de Azevedo)

Umas inventações criam mofo no baú do meu sótão, outras surgem e logo desaparecem como obra do chifrudo com quem nem simpatizo que as leva para as catacumbas. O título destas crónicas começaram faz muito tempo pela mão de Charulla de Azevedo na revista Notícia da Luua – a Luanda doutros velhos tempos num Um Ukulu esquecido por muitos e, a propósito, para não ficarem aturdidos. Sim! Ficarem com ataques de asma e ou até caspa. Porque Charulla se afastou para parte incerta defuntando-se com seus dois elles, levando com ele sua sabedoria para a terra, tal como as sementes de orégão que por aí andei espalhando a eito. Venho assim e, a bem das gentes, muito sem peneiras e de uma forma aleatória botar falas, feitas faladuras, como um banal linguajar

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A opinião e o esclarecimento são principios da maior importância para uma qualquer sociedade que se preze ao desenvolvimento. Claro que todos deveríamos ter a capacidade de opinar com conhecimento e fundamentação mas, a realidade que nos é dada observar é bem diferente; em umas, a bota não bate com a perdigota mas, outras são falsas ou demasiado facilistas para um plausível entendimento – recomendo cuidados…

saramargo3.jpg Isto leva-nos a fazer uma triagem sem contudo eliminarmos as subtilezas de cada interesse porque as facilidades imperam e outos vendem a alma ao tal diabo chifrudo para contento de sua malvadez ou e também para originar desvios ao pensamento alheio. Como manobras de diversão, andam muitos mentirosos ao nosso redor vendendo gato por lebre, criticando átoa e, outros se lhe seguem transmitindo ignorância. O partilhamento, está hoje disponível a um simples clicar e, até faz lembra as comadres da época quase medieval dum recanto interior, lugar aonde Judas perdeu as botas.

maximilano0.jpg Comadres que com sua boca de trapo faziam de mulheres sérias umas putas de baixo coturno, baixo calibre ou desclassificadas. Isto poderá verificar-se nos dias de hoje pela boca de gente que deveria ser estadista mas, que com seus propósitos nos fazem inevitavelmente numa coisa nenhuma. Nenhures que nunca aceitarei porque não me quero mentir, simplesmente e assim tão só e sozinho sem recorrer a sofismas políticos, merdosos de cheirar mal às orelhas, irritar os entrefolhos do cerebelo e olear de mau cheiro nossos pelos. Cabelos e até pintelhos… É que nestas alturas apetece-me dizer asneiras fedorentas para que toquem no ponto nevrálgico da alma.

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É mesmo uma bosta; hoje as pessoas lêem cada vez menos, escrevem cadavez (cada vez) pior e sabem cadavez menos daquilo que é importante. Apesar disso têm mais opinião sobre tudo e são especialistas nas críticas com visão de ponta, afiadíssima. As redes sociais são o espelho mais fiel disso mesmo e o palco ideal onde os ignorantes, tudo criticam, quase nem sabendo escrever. Outros, baseados nestas falas, opinam construindo uma mentira porque nem sabem que a água ferve a 100 graus Celcius. Pópilas! Fervem-nos a mioleira a troco de vaidades, tropelias, enganos, engodos açucarados de mel ou simples matumbice…

arau154.jpg As redes sociais são assim e inevitavelmente uma caldeirada de coisas más havendo no meio destas, umas muito poucas a assegurarem alguma coerência, sem essa desmedida venda de ilusões, invejas, negatividade entre outras arbitrárias. Desqualidades na mistura de sexo com religião e, como se essas suas fotografias do reviralho tipo conde de Ficalho, sempre fossem as mais credíveis – ora bolas: ir para a cama futricar até ver o São Arcanjo e depois dizer, este foi o melhor momento da minha vida; no outo dia é do mesmo e por esse desamor, assim descartam a alma em detrimento da felicidade. Cumcamano!

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Assim, numa troca de galhardetes e ou fantasias numa oportunidade de um agora, brilham sua ignorância sem saber que o Maximiliano Austríaco de nascença foi também o imperador do México e que por lá morreu encostado a um muro, fuzilado a bem da nação! Se um dia eu o T´Ching… vier a se presidente da NIASSALAND, não se admirem; já esteve mais longe! Isso! Maximiliano de Habsburgo-Lorena foi o único monarca do Segundo Império Mexicano. Ele era o irmão mais novo do imperador Francisco I da Áustria. O mesmo a quem e, em meados do século XVI o rei D. João III oferece a seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V, um elefante indiano que já há dois anos se encontrava em Belém, vindo da Índia dos Tugas.

maximilano1.jpg Com uma poderosa imaginação, José Saramago coloca nas nossas mãos essa fricção - obra excepcional que é “A Viagem do Elefante”. Ele, Saramago fez-nos olhar a humanidade neste campo tão vasto de ironia com sarcasmo, marcas da lucidez implacável dele, combinando com a compaixão o desamor com que o autor observa as fraquezas dos homens. Sabe-se que ele também tinha um diabinho feito peluche dentro dele. Estou-me perdendo no fio enleado da meada mas, convém dizer-se a jeitos de saber mais que, aquele mesmo território aonde Maximiliano foi Imperador, foi vendido à América – vulgo USA. Creio que por um tal de Antonio López de Santa Anna, o Rosa Coutinho lá do sítio sem Tapurbana nem rio Zaire de permeio nem ter passeado numa jaula como um macaco.

saramargo0.png A Compra da Louisiana, concluída em 1803, foi negociada por Robert Livingston, durante a presidência de Thomas Jefferson, o território foi adquirido da França por US $ 15.000.000. Uma pequena parte deste território foi cedida ao Reino Unido em 1818 em troca da Bacia do Rio Vermelho. Mais desta área foi cedida à Espanha em 1819 com a compra da Florida, mas depois foi readquirida pela anexação do Texas e a Cessão Mexicana. Para terminar haverá a tecer duas importantes considerações a levar em conta: Fé e política, não se impõe nem se prescrevem porque mesmo recomendadas, ter-se-á em conta que ninguém que esteja privado de as possuir representará a verdade. É isto a democracia!... FUI!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:00
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Sexta-feira, 21 de Junho de 2019
MALAMBAS . CCXXV

UM CACTO CHAMADO XHOBA . V – 21 DE JUNHO - 2019

– MALAMBA é a palavra

- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana (Perto de Etosha). Estávamos ainda em Luderitz, terra soprada a frio e com areia, por Nosso Senhor … Foi no ano de 1999

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

luderitz26.jpg  Aqui em Luderitz, como as horas acordam cedo desfazendo-se em minutos gélidos pelos sopros do mar, gozando mais regradamente os bens da inteligência e da vida, remexo a chávena com meu especial milongo de adstringir triglicéridos, uma cachaça, aguardente do M´Puto trazida em contrabando; assim feito muambeiro, tomei com um agrado, aquele agora da vida na forma de café arábico. Desolando-me numa sinceridade gemida de tudo o que é ilusão, indeferia-me nos contornos que se transportam sempre às costas, um pessimismo que sempre se enrola no soalho do cerebelo.

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Assim taciturno, com o kispo enfiado pelas orelhas, todos os cinco, fomos ver o padrão de Luderitz numa ponta pedregosa colocado pelos Tugas naqueles tempos de quando ainda se alimentavam sonhos de grandeza com Diogo Can. Sei o quanto é difícil ler o indecifrável mas soe dizer-se que a teoria do pessimismo quando implodida num deserto, é bem consoladora para os que sofrem e eu, com meus sessenta e quatro anos nesse então, já não tinha fornalha para alimentar lentas combustões. Isso - Na forma de chatice!

luderitz8.jpg  Necessitando de renovar minha paz por mais uns dias em país que não o meu, insurgia-me contra essa maçada de pagar expedientes ou emolumentos numa terra com padrões de meus ancestrais situados um pouco mais a Sul e no lugar de Elizabeth Bay. Foi quando vimos as duas hienas esgueirar-se na esquina salitrosa dum prédio roído pela maresia; chafurdavam em um conjunto de bidons contentores contendo restos. Neste encanto de desespero entre o mar e o deserto, rendilhamos nossos sonhos com muitas pedras roliças, daquelas que já andaram e desandaram milhares de vezes a recordar que somos uns nada comandados por mistérios…  

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Mesmo que rumine uma harmonia que me favoreça a dormir embalado pela mão de Deus, esta paz fica-me cara porque aqui na terra, os homens pagam-se bem pelos expedientes. Regressando à teoria do pessimismo, terei de concordar que é certo o que se diz de que o que tiver que acontecer, acontece, e neste caso aproveitarei rever um oceano de acácias, desertos e bichos na firme vontade de não ser extorquido como um qualquer turista para ver pedras e ou atravessar uma curta ponte construída pelos colonos. Em áfrica tudo é possível (TIA - That is África).

luderitz16.jpg Coabitando com este gozo de incertezas, preencho a inspiração sem doçura, um veludo negro cuspilhando-me num desconsolo na alma. Mas como “há males que vêem por bem” acoitei minha curiosidade em ver cavalos selvagens por esta grande área aonde as areias foram tomando conta das casas; eram em tempos cavalgaduras dos alemães até que um dia em que os diamantes de sonho deixaram de aparecer a brilhar, Também a guerra grande que chegou até aqui destroçou vidas com brilhos cintilantes como as estrelas do céu que aqui e de noite são aos triliões.  

luderitz13.jpg Sem me assustar com a calma tremeluzente que carrego, trotei como aqueles cavalos a sobreviver alvoroços e, daqui segui, seguimos para Windhoek feito um naco grande de sabão p´ra macaco com almofadinhas de chita branca, carteira com dólares verdes numa forma de amaciar minha rigidez branca. Em terras de negro que, só parecem querer meu kumbú, irei rever meu Rundu, meus amigos fujões do outro lado chamado de Calai no Okavango, um rio de maravilha que desagua numa lagoa grande chamada de Delta. Outra corrida! Outra viagem! A vida é assim mesmo, como um carrossel.

luderitz15.jpg Recordar a estória do final do ano de 1975 de, quando um General de Pretória num dia intercalado das guerras independentistas, chega um indivíduo sem nome a Grootfontein; Este senhor levando um visto de trabalho em nome de João Miranda saído às pressas de Angola; um Hércules C-130, levou a família inteira para Pretória. João Miranda que tinha todos os seus bens em Dírico, não queria por nada ir para Portugal, seu Trás-os-Montes na Miranda do Douro. A este homem quase lendário, deram-lhe um apartamento do tipo T4 totalmente equipado; o General viu nele o perfil certo para ser integrado no batalhão Búfalo por ser um bom conhecedor do terreno e falar a língua local e dos bosquímanos, os Khoisans.

luderitz10.jpg A companhia Búfalo estava a ser organizada já algum tempo no intuito de intervir em Angola salvaguardando investidas comunistas. Ovoboland seria um território tampão àquele avanço. Dizia-se que estavam ali em Windhoek os recrutadores de possíveis militares a integrar naquele batalhão, eis PIDE-DGS. Tudo dependeria da aptidão e vontade de vir a ser um soldado da fortuna, vulgo mercenário, segundo os pontos de vista diferentes e diferenciados dos “mãos-limpas”. Foi lá no Hotel Safari que me instalei em diferentes fases da independência de Angola. Pela primeira vez comi ostras no gelo; ali, iria recolher elementos junto a muitos refugiados, alguns deles, agentes da PIDE que tinham uma noção exacta das movimentações em curso. Recordo um tal de Rocha de Oshakati, que me fez o especial favor de me dar abrigo numa casa em que a porta era uma autêntica obra de arte – Um imponente búfalo.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:05
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MALAMBAS . CCXXIV

UM CACTO CHAMADO XHOBA . IV21 DE JUNHO - 2019

– MALAMBA é a palavra

- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana. Estávamos ainda em Luderitz, terra soprada a frio e com areia, por Nosso Senhor … Foi no ano de 1999

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

luderitz7.jpg Com destino ao povoado de Ondundozonanandana, lugar perdido no Norte da Namíbia, não muito distante do Etosha Pan e marcado em círculo no mapa Michelin, lá prosseguimos viagem a partir de Ai-Ais do Fish River por estrada pavimentada rolando quilómetros na savana até Windhoek a capital da Namíbia. Era para assim ser mas, chegados ao cruzamento entre as estradas B1 e B4 em Keetmanshop, derivamos para Luderitz pela Estrada nacional B4.

luderitz6.jpg Andando por este mundo, mares, desertos, matos, savanas, anharas e terras agrestes com matutos e mamelucos de outras latitudes, estava agora a tornar-me um mestiço mazombo viajando na terra e no tempo, ora sem GPS porque ainda não existia ora perguntando aqui e ali ou riscando o mapa com esboços, nomes e cópias destes borradas de café, lama e até sarapintados de cafufutila, esses salpicos salivados de euforia que descuidadamente saltam das nossas falas eufóricas, entusiasmáticas.

etosha6.jpg Na minha vontade, parecia só querer ser uma lenda a comparar com o feito de Amyr Klink que sozinho e num barco a remos atravessou o Oceano Atlântico percorrendo sete mil quilómetros. Foi o primeiro feito a ser amplamente divulgado na imprensa internacional que ocorreu entre 10 de Junho e 19 de Setembro de 1984, entre Luderitz, na Namíbia (África) e Salvador, na Bahia (Brasil) – quinze anos atrás. Foi um feito invulgar a mostrar o quanto a tenacidade pode vencer um sonho.

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Juro que eu, em plena consciência nunca faria isto, meter-me ao mar sem balizas firmes assentes em algo de referência, como os padrões semeados ao longo da costa pelos Tugas, vendo só o horizonte curvo a confundir-se com o céu do Nosso Senhor! Menos mal que nesse tempo de lá para trás só se cogitava que o Universo não tinha bordos, era uma fumaça sem fim. Agora tenho a certeza que vou terminar meus dias sem saber aonde fica esse tal de cu-de-judas do fim do Mundo.

swakop5.jpg O mundo continuou a girar como sempre e, não mudou por este feito mas seus “Cem Dias entre Céu e Mar” ficaram nos anais da coragem marítima. Comparar-me assim minuciosamente com tamanhas aventuras é consolar-me com alheios fumos, fumos de charutos como se fossem pensamentos num tom cor-de-rosa que s perfilam em matemática quântica. Desfalecido nos ombros, um pouco mais tolo e muito mais míope, agora, já com a audição a não ouvir cantares de galo, coxeio-me em vozeados ambientes de cochichos frouxos. Coitado de mim! Bom - prá frente. Em Keetmanshop, procuramos em arcas carne de caça para fazer um brai-churrasco e acabamos por encontrar uma carne escura; era de órix, esse belo animal que se podem ver fazendo pose nas dunas de areia vermelha lá no horizonte.

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A senhora bóher do armazém-venda, queria impingir-nos outra carne porque aquela era de caça mas, mal sabia ela que era isto que procurávamos. Em seu conceito, não era normal os turistas comerem bichos-do-mato. Como podem verificar, missionando o toutiço, perdi inteiramente as minhas belas cores europeias, a cara sarapintada de funchos, crateras com rugas extravagantes. Isto só pode fazer confusão a quem anda sempre teso, com seus colarinhos engomados, cheio de obséquios e unhas estimadas, sem nunca sentir os medos indefinidos que arrepiam as carnes como pés de galinha. Desfigurado pelo tempo, cheio de cãs, estonteado pelos muitos calores, passeio pelo mundo o meu isolamento procurando entreter-me cada vez mais só; metido entre meus botões…

luderitz4.jpg Por vezes as companhias são obtusas e confusas, cheias de nove e onze horas como se fossem os donos de todos os relógios; já me aconteceu destas tormentas mas, agora interessa é falar de Luderitz. Chegamos ali ao fim duma tarde, um frio com vento de arrepiar para cima de nós; aqui nem pensar em ficar em camping. A areia era cuspida pelo Nosso Senhor como gente abençoada e, assim tinha sido até aqui na estrada que nos trouxe. Recolhemo-nos no Krabbehoft Guesthouse Catering e apartments embrulhados em nossos kispos tiritando das quinambas.

luderitz2.jpg Tudo ao molhe e fé em Deus! Havia gente jovem de muitos lados e na confusão do meu Inglês raspikui misturava-se com o je suis e falas com tremas na vontade de “seja o que Deus quiser”- Saravá! Dizia eu para desatarraxar as encrencas. Afinal não éramos os únicos malucos a andar soprados ao vento da aventura. Ao chegar ali, os hóspedes têm a sensação de ter caído repentinamente nas páginas de um romance de Hemingway, talvez Papillon. Bem! Uma mistura de tudo… Um espírito e, um ambiente ultra "bush", uma caserna bechuanaland com gente estendida pelos corredores dormindo em sacos cama. Lá fora as hienas castanhas farejavam os bidons de lixo, os restos, assim mesmo como se fossem cães…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:22
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Domingo, 16 de Junho de 2019
MALAMBAS .CCXXII

UM CACTO CHAMADO XHOBA . II13 DE JUNHO - 2019

– MALAMBA é a palavra

- Boligrafando estórias em cor antiga - do Mu Ukulu em lugares tão fantásticos que até o nome se alonga de gozo: Ondundozonanandana… Foi no ano de 1999

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

IMG_20170901_115753.jpg Foi nesse sítio de Mata-Mata, lugar ideal para se sepultar o passado que encontramos o milagroso cacto escondido entre tufos espinhosos, verde, gomoso e muito ornado de picos; agressivo no aspecto, engana no entanto a fome ao povo Bosquímano há séculos. A fronteira da coragem transpira incertezas naquele povo a quem Nelson Mandela cedeu 400 milhões de metros quadrados para mitigarem a fome explorando este milagroso cacto.

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O xhoba para além de surgir naturalmente na natureza, também é cultivado por esta etnia Bushmen, por algumas tribos nómadas que vivem sem fronteiras entre Angola, Namíbia, Botswana, Zâmbia, África do Sul e Zimbabwé. Este cacto torna-se agora conhecido, fruto de pesquisas nos laboratórios ocidentais e ao longo dos últimos tempos no intuito de controlarem o problema social da obesidade, consequentes problemas de colesterol com os triglicéridos.

xique xique3.jpg Lípidos que sendo importantes para o armazenamento de energia no organismo sob a forma de tecido adiposo, podem originar problemas cardíacos ou doenças coronárias em geral quando em quantidade elevada. Se bem se recordam da figura do bosquímano, ele é seco de carnes e, de estrutura perfeitamente musculada. Pois o xhoba que, também conhecido por Hoodia, é um cacto da família suculenta que cresce naturalmente na África do Sul, a norte, desde a Costa Atlântica até ao Limpopo.

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Tem a particularidade de eliminar a fome reduzindo duas mil calorias por naco e por dia; viscoso e azedo, quando ingerido, engana o cérebro até à linha zero, num gozo de deuses ladeados de chacais, caracais ou hienas. Entretanto vi-me obrigado a apaziguar inquietudes por evidente encantamento deste Kalahári. As noites frias daquela terra de Bushmanland crepitavam em fogueiras, alçadas labaredas do meio de tanta negrura. E, eles gente do Kalahári, embrulhados toscamente numa pele, numa tanga.

spring1.jpg O que despertou o interesse das grandes farmacêuticas no sentido de sintetizar o princípio activo da planta foi uma tal de “molécula P57”; a mesma que ajuda a suportar a fome e a sede durante suas longas caçadas, sem efeitos secundários. O fumo da fogueira dissipa-se num vazio de milhões de estrelas enquanto no retiro das precárias cubatas-choças, pelo que também se diz o frenesim do amor ou relações de corpos se desprende naturalmente pelo efeito afrodisíaco do mesmo xhoba (assim dizem).

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Existem cerca de 20 variedades desta planta mas é na variedade Hoodia Gordinii que é encontrado um supressor de apetite totalmente natural; assim se pode ler algures em uma publicação farmacêutica. No ano de 1997, a licença da descoberta foi vendida a uma empresa britânica, Phytofarm, que por sua vez vendeu os direitos de desenvolvimento e marketing à gigante Pfizer Corporation. Os interesses comerciais entram aqui com sua natural e exagerada relevância que nos levam ao género humano que somos hoje, estereotipo bem diferenciado dos Koysan, da etnia Bushmen, Bosquimanos ou da tribo nómada dos "San"…

swakop5.jpg De uma forma mais activa, a P57 tem um comportamento similar ao que a glucose tem ao nível das células nervosas, no cérebro, levando o corpo a pensar, que está cheio, mesmo quando não o está, cortando assim o apetite, como explica o Dr. Richard Dixey, da Phytofarm: “Existe uma parte do cérebro chamada hipotálamo. Dentro do hipotálamo, situado no centro do cérebro, existem células nervosas que detectam a presença de um açúcar chamado glucose".

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Quando comemos, os níveis de açúcar no sangue aumentam por causa da comida e estas células começam a lançar para o corpo a informação de que estamos cheios. Pois o que o xhoba parece conter é uma molécula que é cerca de 10 mil vezes mais activa que a glucose. A maturidade dos Bosquimanos mede-se pela idade, no encanto de estalar conversa em contos e, por isso, são a mais velha biblioteca oral do mundo. Os mais velhos, kotas, engalanados em contos de místicas com lendas de mussendos ou missossos, descrevem por estalos sua coragem despida de preconceitos porque os desconhecem.

namib5.jpg De sabedoria debruada em muitas rugas, olham num permanente espanto as coisas que nós os ocidentais inteligentes banalizam e, uma casca de fruta que pode ser um grande património para eles, torna um fio com uma linha uma tecnologia espacial. Para nós alienígenas ocidentais do mundo terreno, iremos dizer do quanto é maravilhoso ter comprimidos que permitirão encher o bandulho de pasteis de creme e baba de camelo às duas da manhã, ou sorvete na forma de gelado sem riscos de se ficar com um peso na consciência. E, tem mais, as mulheres não deixarão seus maridos à solta se souberem que ingeriram uma vitamina super de xhoba…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:43
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Sábado, 15 de Junho de 2019
MALAMBAS . CCXXI

UM CACTO CHAMADO XHOBA – 10 DE JUNHO - 2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor antiga - do Mu Ukulu … Foi no ano de 1999
Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

koisan5.jpg Na descoberta de África, chegar aonde os outros não chegam e, a partir de Cape Town, rumei às longínquas terras do fim do mundo, terra do nada que na língua Ovambo tem o nome de Namíbia. O destino do Rundu na Owamboland estava a 2500 quilómetros mais a norte, fazendo fronteira com Angola pelo rio Cubango ou Okavango. O mesmo que vai desaguar não no mar, mas numa vasta área chamada de Delta do Okavango.
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Cedendo a rogos do meu ego, não fiz mais do que executar um plano há muito preparado com Mapas do Cuco edições e mapas Guia Michelin, uma publicação turística destinada também a classificar restaurantes e hotéis; decidi-me a atravessar os grandes desertos do Karoo e Kalahári, na rota de fuga do povo Boher, sempre para norte. No ano de 1999, fim do século XX, regimentava minha vida acumulando sentimentos de muitas dúvidas amontoadas.

koisan7.jpg Já nesse tempo não estava bem aonde estava tal como o Variações, um cantor barbeiro e cabeleireiro que também sabia cortar palavras. Nesse tempo ser gay era uma afronta feia de maricas, hoje, até os que não são, dizem ser para ter acesso social!? E, têem-no na TV, no governo, no mundo da canção e o escambau e... mas o assunto é outro sem esse tal de orgulho gay. 
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Os montes de sentimentos com angustias de permeio a fazer de talvegues a formar rios, foram aumentando e, agora até serão serras mas, sem cura agendada, noto que as multidões fizeram por esquecer para não se tornarem suspeitas ou até marginalizadas. Isso! Só que meus assobios tinham de se dispersos no deserto. Por este motivo cheirava a terra depois da chuva e, a partir da Cidade do Cabo fiz-me ao caminho.

koisan9.jpg Levei a cabo a travessia desde Cape Town até à Cidade de Maputo, antiga Lourenço Marques. Passando por Windhoek, Walvis Bay, Victória Falls, Lago Kariba no Zambeze, Tete, Beira, Chimoio, Macia-Bilene e por fim Maputo. Voltei a repetir parte desta volta no ano recente de 2017, a qual ainda ando a digerir e escrever (tenho os apontamentos por aí...) mas, o desencanto levou-me a ver tudo mudado e, para pior. Talvez, se a tivesse feito do meu modo, teria sido bem melhor; andar à boleia de quem diz conhecer tudo, dá nisto, contrariedades. Ferrei-me!
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Percorrendo mais de treze mil quilómetros, perdido de amores por aquelas escaldantes terras, o sol esfregava a brisa assobiando cânticos quentes no nossos rostos, também nos sonhos agrestes de sedução trazendo-nos a areia fina. Lambuzando-nos pelas narinas, flagelava-nos de braveza por vezes humedecida pelo mar até Knysna na Costa do Ouro 
aonde desviei para norte para ver as grutas de Kango Caves e, redescobrir assim primitivas vidas.
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Seguiram-se outras terras até que parei em Upington, nas quedas de Augrabies em pleno rio Orange, o rio da integridade Boher, rio dos sonhos e fugas aos Ingleses. Ali, no meio da neblina matinal por entre fráguas gigantes como as Moon Rock, no Augrabies Falls National Park. Nestas águas quentes revi o passado, pecúlio de quem nada espera, esperando...

koisan12.jpg Finalmente passando dias de sensação esfarelando o tempo em velocidades porque o tempo "ruge" cheguei a twee Rivieren e Mata-mata mais a norte, sitio seco, penedos queimados pelo sol dispersos na areia e uns tufos por aqui e ali, fronteira com o Botswana e Namíbia, um fim de mundo com koisans, busquimanos. Sitio ideal de aventura para se enterrar o passada. Foi aqui que encontrei esse milagroso cacto Xhoba...
( Continua...) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:09
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Segunda-feira, 10 de Junho de 2019
FRATERNIDADES . CXXI

FRINCHAS DO TEMPO . 04.06.2019
NO DIA DO MEU ANIVERSÁRIO, QUASE VI RATOS A PIAR, GAIVOTAS A LADRAR E CÃES A GRASNAR...
Por

soba002.jpgT´Chingange - No Algarve - Reino das Aroeiras do M´Puto

tonito01.jpg Aconteceu pouco depois do nascer do sol neste Sul de promontórios, ver entre os matagais de aroeiras e mato indeterminado muitos coelhos aqui e mais além fugindo ao barulho de alguém que era eu, que caminhando na crista das encostas podia ver o horizonte do mar ligeiramente curvo, como que interligando céu com água num azul indiferente ao tom e às metáforas analíticas com equações quânticas. 
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O Infante D. Henrique que morreu em 1460 sem saber içar uma vela ou, toscamente ximbicar um remo duma qualquer canoa ou chata, não andou por aqui mas, no jeito que a história conta, ficou como sendo um grande navegador alterando o destino do mundo, descobrindo novas terras sem nunca lá ter posto os pés.
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Neste meu passeio foito entre gaivotas e toutinegras, gralhas e pombos bravos encimados em buracos escarafunchosos e esbarradoiros, as lagartixas miram-me curiosamente como se fosse um agente do além. A um escasso quilómetro do meu casulo - cubata, deparo com um bando de gaivotas que no meio dos muxitos de aroeira barulham voos, bem ao jeito de como se depenica comida numa algazarrada cobiça. 

lagoa2.jpgAqui, terras do meu latifúndio, ondulado por barrancos verdes e clareiras avermelhadas, por falsos outeiros secos e ressequidos de matagal, oliveiras bravas, carrascos, arranha-cão e zimbros entre pedregulhos calcários, corro o risco de apanhar carrapatos se no meio deles andar - nos muxitos. Mas, e caminhando deparo com a ladradeira de bem mais de dez cães, uma matilha. 
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Confuso, concluo que por aqui anda alguém dando comida aos bichos. As gaivotas às centenas disputam candeeiros para poiso e piam de forma lenta, aguda e longa, arranhando os tímpanos; arrepia saber que por aqui andam assim longe da costa, talvez por falta de comida no seu mar; ou é ausência de comida ou excesso populacional. Algo anda mal nestes confins da Ibéria aonde os cães disputam sobrevivência com as gaivotas. 
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Perante isto como posso ficar afoitado no desbravar de outras terras para além do meu viver?! Como adentrar-me além bombordo sem olhar neste aquém mirando o estibordo como esse tal de Cadamosto que às ordens do D. Henrique e de cabo em cabo chegou à Gâmbia?

lagoa7.jpg Chegando pela via asfaltada e com passeios pedonais ao lugar dos Torrados, da Freguesia de Ferragudo posso ouvir um restolhar de folhas e eis que do alto da amendoeira uns quantos ratos feitos passarinhos recolhem amêndoas para seu jantar. Estas coisas complicam-me a existência porque até eu à semelhança dos demais animais já faço coisas que nunca pensei fazer, remoer ou ruminar todo o tempo com as arbitrariedades duns quantos que tudo indica estarem apetrechados de sabedoria para me surpreender; assim deveria ser.
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Mas, pela negativa surpreendem-me sim! Tal como estes ratos que quase chilreiam, pelas gaivotas que quase ladram e até pelos cães que já grasnam em vez de rosnar. O mundo está a ficar às avessas. Anos atrás, nas alturas com lajedos rodeados de pinheiros pude ver raposas entre os charcos enrugados, pequenas piscinas aonde se alapavam coelhos e lebres e também os tais pombos-bravos das falésias. 
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Havia, e ainda há parcas codornizes, ouve-se o cantar de quando em vez, tordos e gralhas pretas em bandos enxotando-me dos seus ninhos. Nestes cimos eriçados com carreiros sinuosos, ainda me exercito alongando-me no mar ali bem perto e lá em baixo barulhando-se, ora perto, ora manso, ora encapelado por vezes a bater fúria.

lagoa5.jpg Por aqui ando esticando meus ossos, construindo a cada passo uma estória no meu jeito; um mussendo, um missosso entre Ave Marias mudas, encavalitadas de prefácios que se baralham e que logologo, se esquecem; hoje, perfaço-me em 74 anos revirando coisas nem sempre vistas e, do nada surge mais outro e mais outro muxoxo com ou sem mujimbo para afastar a saudade; se  assim sucede, é porque os sinos tocam. Valha-me isto!
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Como que cumprindo ordens dos meus espíritos a quem risco na areia os sinais do cho-ku-rei, do sei-he-ki e outros símbolos do reiki, vou-me tornando ermitão num lugar nobre e muito cheio de adrenalina; vidas que se vão transformando com mais ou menos iodo que nos torra a pele, que nos agiganta, mais outros que nos calcificam. 

lagoa4.jpg Aquele senhor Cadamosto, que descreveu as primeiras descobertas além-fronteiras da Ibéria cumprindo ordens do Senhor Rei e príncipes consortes, desconhecia todas estas modernas finuras de dialogar em coisas etéreas. Nesse então não havia Facebook nem Twitter nem Skype. Não falavam pelo WhatsApp como agora o faço para a conxichina, um lugar no cú de judas e aonde este, perdeu as botas.
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Chegado a casa escrevo os lembrados prefácios encavalitados nas arbitrárias e aleatórias recordações daqui e dali, do meu mundo, só para ginasticar a mente. Um dia de cada rascunho-me em cardos, arruda, estevas e chorões com flores em cores vistosas, subindo, arfando, resvalando ...

O Soba T´Chingange - Um genérico Niassalês



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:01
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Segunda-feira, 20 de Maio de 2019
MOAMBA . XXXI

PELO SIM PELO NÃO SOU "COISA NENHUMA" 
- Talvez agnóstico! Talvez um ACRÓNIMO... Porque não posso ser MEIA coisa, MEIO Cristão, MEIO Ciclista, meio FUTEBOLEIRO ou MEIO matumbo... Saí um BATRÁQUIO...
Por 

soba0.jpeg T´Chingange - Em Coimbra
Andei a pé doze quilómetros e, enquanto caminhava por esta linda Coimbra fui ouvindo rádio pelo meu micro-ondas "android" e, volta e meia faziam referência a um grupo chamado de LGBT. Eu, matumbo de corpo inteiro, apercebi-me pela conversa, de que era uma sigla em que agregavam nela gente mal compreendida, gente marginalizada, mas em tempo algum disseram o que era isso de LGBT. E. eu queria saber!

amolador3.jpg Chegado a casa fui ao meu tio Google da Internet averiguar o que era isso de que eu desconhecia! Imaginei serem sapatonas, homens bichas, gente muito desencantada por ninguém entender como era isso de se andar de marcha atrás ou marcha à ré; gente que um dia o é e no outro, o deixa de ser... 
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Quando eu era puto candengue, a homens que gostavam de outros homens chamavam um nome de fazer panelas, num faz de conta porque não faziam tachos nem penicos ou cafeteiras. Bom! Canibais era e ainda é uma outra coisa. Mas, com o tempo fui-me dando conta que o rolar das incompreensões tomam novas formas a que todos chamam de preconceito...

araujo6.jpg E, fui-me tornando sábio, saber nos conformes a coisa mal compreendida; haveria que tomar tino! Pois!... Não falar à toa porque, afinal havia muita gente a usar o AMOR desta forma. Ele com ele, ela com ela, tudo misturado e os edecéteras que se possam imaginar. Não poderia ficar assim inocente todo o tempo. Tive de procurar meu ti Google que aparentemente sabe tudo e...
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E, fiquei a saber muita coisa: LGBT é a sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros. 
Pópilas! Dei-me conta que estava a ficar para trás - anormal mesmo, no meio destas novas adquirições ou aquisições. Assim; sem saber se ainda era um homo sapiens... Será que ainda sou!?

araujo34.jpg Que, desde os anos 1990, o termo é uma adaptação de LGB, que era utilizado para substituir o termo GAY para se referir à comunidade LGBT no fim da década de 1980.... Li mais que os activistas acreditam que o termo "gay" não abrange ou não representa todos aqueles que fazem parte da comunidade. Afinal, o escambau também teria de ser enumerado!
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Que, o LGBT, tornou-se popular como uma autodesignação e que tem sido adoptado pela maioria dos centros comunitários sobre sexualidade e género e em meios de comunicação nos USA, bem como alguns outros países anglófonos.... Tinha de ser! Tamanhos avanços não poderiam alhear estas nações de primeiríssimo mundo.

araujo35.jpg Fui também ao dicionário e fiquei a saber que o termo LGBT é usado também em alguns outros países, particularmente naqueles cujos idiomas usam acrónimos, tais como Argentina, Brasil, França e Turquia. Ora bem! Acrónimo é uma palavra formada com as letras ou sílabas iniciais de uma sequência de palavras, pronunciada sem soletração das letras que a compõem (exemplo: OVNI por objecto voador não identificado, PALOP por país africano de língua oficial portuguesa, etc.). Estão a acompanhar!...
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Pois então! A sigla LGBT destina-se a promover a diversidade das culturas baseadas em identidade sexual e de género. Ela pode ser usada para se referir a qualquer um que não é heterossexual ou não é cisgénero (que tem uma identidade de género idêntica àquela que foi atribuída à nascença), por oposição a transgénero), ao invés de exclusivamente se referir as pessoas que são lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneros....

araujo36.jpg Bem isto não é tudo!... Para reconhecer essa inclusão, uma variante popular, adicionou a letra Q para aqueles que se identificam como QUEER ou que questionam a sua identidade sexual; LGBTQ foi registado em 1996. Aqueles que desejam incluir pessoas intersexuais em grupos LGBT sugerem a sigla prolongada LGBTI... Estão a ver a coisa? Não é nenhuma marca de carro!...
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Algumas pessoas combinam as duas siglas e usam LGBTIQ ou LGBTQI. Outros, ainda, adicionam a letra A para os, arromânticos ou simpatizantes (aliados): LGBTQIA, LGBTA ou LGBTQA. Aderentemente há variações que incluem também pansexuais e polissexuais (adicionalmente pessoas não-binárias), como LGBTQIAP, LGBTQIAPN e LGBTPN.

araujo38.jpg Chegado aqui, já feito um BATRÁQUIO, reli de novo e fiquei OBTUSO +. Pois NÃO, Pois SIM! Finalmente, um sinal de + é por vezes adicionado ao final para representar qualquer outra pessoa que não seja coberta pelas outras sete iniciais: LGBTQIAP+. Caralho!... Já nem sei o que sou!....
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Para desconcluir: As pessoas podem ou não se identificar como LGBT+, dependendo das suas preocupações políticas ou se elas vivem em um ambiente discriminatório, bem como a situação dos direitos LGBT onde elas vivem. Vou-vos dizer fiquei mesmo complicado com esta visão... Quero ir prá ilha...

Ilustrações de Costa Araújo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:13
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Domingo, 19 de Maio de 2019
MOAMBA . XXX

MOAMBA AQUI É TRAMOIA 
TRAMOIA DE "SACOLEROS"... 19.05.2019
Por 

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra do M´Puto

berard3.png Hoje desacordei meio chateado. Até nem dormi bem por via de tanta pancada dada ao Senhor Joe Berardo. Com tanto camundongo safardana que anda por aí, custa-me muito ver tanta gente a atirar pedras, pedregulhos ao Joe. É na TV, é na tasca, é no café. Todos a zupar forte e feio num homem hábil que só teve a pouca sorte, quase infelicidade de se rir do Zé. Ontem, estando eu com meias descruzadas, quersedizer, não aparelhadas, na esquerda umas de riscas e na direita umas às bolinhas...
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Pois! Estando eu bem perto do mercado de Coimbra, chega uma senhora, pousa sua tralha e carrinho de compras à porta do café vão de escada bem perto do elevador panorâmico e, olhando de soslaio para seus bagulhos, assim um olho no cigano e outro na mercadoria...

Coimbra24.jpg Um olho aqui e outro além como o camaleão e, ouvindo gente transpirando pela boca desconhecimentos, falas só ouvidas, pede 3 sardinhas petinga para colocar na carcaça. Via-se nela ser uma desafortunada, uma velha senhora com acelgas e mastruços no bigode - assim, pobre mesmo! UMA PÉ-DE-CHINELO DE DEDÃO.
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Coitada, pensei cá comigo! Com sua reforma não pode decerto alongar-se nos gastos - deve ter um reforma de cacaracá. Do outro lado do balcão tia Micas, mulher do senhor Manel. diz: cada sardinha são vinte cêntimos! Não pode fazer por menos? Replica a velha senhora...

Coimbra12.jpg Tia Micas, entretanto põe-lhe quatro petingas num guardanapo e embrulhando, refere a carestia do produto. Não é que em seguida, ambas se põem a desancar forte e feio naquele senhor Berardo que nem sequer conhecem! Como se fossem entendidas destas engenharias financeiras, dizem o que todos dizem: - Não há direito! Comem-nos o dinheiro aos milhões e edecéteras que possam imaginar.
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Coitado do Joe! Tanta gente a pregá-lo na cruz, até sem nada saber do que é certo ou errado. Eu só espero que o "comendador" dê com a língua nos dentes e que diga tudo o que tem para dizer! Acho até, que quando ele abrir a boca, muita gente ira tropeçar na tramóia! Até acredito que ele, o fará - é bom que o faça! Que ponha alguém mais, a tremer! 

berard1.jpg Esta sociedade anda a bulir comigo! Tanto larápio por aí e, só este para desandarem! Não é que esteja com ele mas, tanta má gestão e, agora a zuparem nele - um bode expiatório, só posso pensar ser um meio ou mau juízo. E, porque Berardo sempre fez alguma coisa ao invés de outros que só deslapidaram! Que deu algum trabalho ao Povo. Lembrei-me de assim, solicitar-lhe amizade porque me custa ver correr desaforos e gratuitas falas....
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O Joe Berardo ficou rico por estar no lugar certo e na hora certa, comprou "tailings" das minas de ouro da África do Sul para as reprocessar com uma tecnologia mais moderna para recuperar o ouro. Depois, voltou para Portugal e, com muito dinheiro, comprou o titulo de "COMENDADOR" e dedicou-se a especular na bolsa. Lá na África do Sul isto é quase normal - há mais "comendadores" que pilotos de rebocadores...

Coimbra13.jpg Ajudou a sabotar a OPA da SONAE, a PT causando um prejuízo imenso ao accionistas porque os títulos nunca mais tiveram o valor da OPA, e comprou imensas acções do BCP com dinheiro emprestado por atrasados mentais (da CGD, e não só...) que aceitavam os títulos como garantia ! O Berado fez um rombo de 1000 milhões na BANCA, porque o povo Português (OS GESTORES) e muitos outros, e' BOÇAL...
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Um "povo" que dá mais valor a quem tem dinheiro e especula, do que a inovadores ue tentam arrancar com um negocio!
Berardo, está a ser o bode expiatório de uma camarilha - a que lhe concedeu os empréstimos com garantias patéticas e que só se entendem porque quem lhe emprestou (dinheiro da CGD) SE beneficiou. Não tenho duvidas!

caixa0.png Coincidentemente, uns quantos trutas da CGD - desses que decidiram o empréstimo em condições absurdas - foram por ele contratados para gerir o BCP. Um rombo no cano roto da trapacice, tal como um "lava-jacto" brasileiro. Num país a sério esta canalhada estaria presa há uma década. Por cá andamos em comichões parlamentares em que os canalhas que concederam o empréstimo se passeiam e o que recebeu o empréstimo (até ver incobrável) é diabolizado! Tenho dito!

bpn1.jpg Porque não vão analisar as fortunas dos VARAS e dos SANTOS FERREIRAS ?... Ah! O Varas já está preso por causa de uns robalos e, mais um sucateiro... Que belo administrador foi o robaleiro!!! Ele, há coisas! Mundo ingrato e maluco com tanta gente grafonola num gira o disco e toca igual,... E já no acto de pagar à tia Micas, não é que me cobra mais vinte cêntimos do que é habitual pagar ao seu Manel... 
O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:07
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Sexta-feira, 17 de Maio de 2019
KILUNDU . VIII

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O LEGADO DE PIETER - A bolunga de xylinoide -17.05.2019
O Cipaio Kukia Edu Mandinga em ALHAMBRA, assiste admirado à vassoura espacial a pairar no ar...
Por

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra 
O desanoitecer estava a chegar num dia novo de guardar memória; uma noite de minha alma arrependida de pena com contributos sentados na pedra do chão polido, raspado por tanto sapato retocidos de Aladino; sonhos alheios de tudo o mais de quando só era e, mal guardados pelo Cipaio Mor de nome Kukia Mandinga que os deixava fugir porque não os via. Seu spray de contornar kiandas invisíveis estava passado na data - Quer-se-dizer, não tinha sido fiscalizado pela suprema ASAE - Autoridade de Segurança Astral e Económica da Torre de N´Zombo. 

sapatos longos.jpg Foi quando aconteceu! Uma moderna trotinete feita vassoura, vinda do além, do futuro e, em turbo silencioso uma senhora chegou toda práfrentex, soprada por um vento cheiroso, sentou-se depois de encostar a mesma em lado nenhum seu estranho objecto parecido com uma vassoura de piaçaba; pairou assim no ar e ali ficou bem ao lado de sua dona como se fosse um cachorrinho amestrado. Chamaram por mim?  Olhando-nos dissemos: Não! Dissemos em uníssono mas ela, nem ligou e começou a falar e assim, nos compenetramos em seus dizeres.
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Tinha pena desses alheios medos fragmentados em porções, feitos pó mas, a vida dum T´Chingange, zelador dele mesmo - Soba, tem dessas periclitantes passagens pois que um M´fumo não pode em caso algum ser uma galinha depenicada na vontade de pra-esquecer: Por isso toma bolunga xylinium “legado de Januário Pieter” um alto dignitário, mano-corvo Mwata.
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Falaram em bicharocos de Kombucha e, esse, foi um toque mágico que aqui me trouxe, disse Ela, a Maga Patalucha voadora. Acabamos por anuir, ouvi-la depois de nos dizer que alguém a tinha designado de Fada Makota MSJ - Maria João sacagami, senhora dos anéis e do batom mais espelho com Oxumaré esperneando com Orixá velho e babando. No discurso directo dissecou: - Posso dizer que na verdade mesmo quem espionava por detrás dos imbondeiros dos meus caminhos era Iansã. Este Iansâ, nós desconheciamos por inteiro. 

sacag11.jpg Sim senhor, sou bem capaz de parar a chuva ou fazer chover - para gáudio e medinho de alguns que me chamam de macumbeira e nem sabem o tamanho da Minkisi ou de quem a acompanha! disse isto e riu-se, riu-se até quase entupir um canal estranho que lhe saía algures por detrás duma orelha que tremia na captação de sons e bactérias espaciais.
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E, é assim na directa fala de Majô:- As famílias de bactérias que só podem ser vistas ao microscópio são sobretudo a acetobactéria xylinium que a partir do sétimo dia começa a formar ácido acético, outras famílias xylinoides, a bactéria glucuranium e a acet ketogenum. Agora o milongo fica caté que parecido com uma kissangua de chá ehehehhehehehe tal como a kissangua pode ser mais doce, menos doce, com frutas ou não.

sacag8.jpg E, continuou: - A diferença é que tens (com nossos ouvidos escancarados na escuta, já ela a MJS, que nos tratava por tu...) que ter a tal da colónia dos bicharocos de Kombucha mais 100 mililitros da águeta onde os tios vivem para poderes criar tua mistela. Juntas teu chá (escolhes qual, pode ser kaxinde, chá branco, preto, mate, hibisco e verde). Daí podes juntar frutas ou especiarias do teu gosto - gosto de anis e canela, às vezes cardamomo ou um toque de noz moscada. 
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E, continuou: - Pode ser também grãos de café. As frutas se forem na forma de suco tem que ser apenas 100 mililitros. Deixas em pote coberto com pano fechado com elástico em temperatura ambiente e na sombra. Dependendo da temperatura ambiente entre 5 a 15 dias vai haver mudança no sabor ficando bem menos doce mas não avinagrado. Tiras 90% do líquido para uma garrafa e juntas as especiarias e/ou frutas. Fechas bem, deixando-o no ambiente até ter pressão; quando estiver pronto para tomar, se não for de imediato, terás de o colocar na geladeira para consumir em até 10 dias. 

sacag2.jpg O que fica no primeiro pote recebe mais chá. Se ficares cansado de tomar, juntas 500 mililitros de chá e deixas por até 2 meses na sombra fresca. Se ficar muito envinagrado, jogas fora 90% do chá e deixa-lo fermentar em menos tempo. Alerta para nunca se fechar o kombucha com rolhas; usa pano ou filtro de café com elástico. Ele, sem oxigénio morre! Usa açúcar daquele amarelinho. Se usares garrafa de vidro no processo final cuidado, porque tal como a kissângua, fermenta e explode.
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Ficamos todos encantados com tamanha explicação e nos detalhes meticulosos. Pois assim é disse Januário Pieter depois de agradecer sua vinda. Curiosamente até se curvou como se fosse uma "zeladora". Uma vez que Oxum fez vénia, só poderás entrar na estória como ZELADORA DOS ORIXÁS! E, coisa incomum, deu-lhe um beijo repuchado na mão direita... O Cipaio EDU - o lanceiro-poeta da Chibia,  um branco  de segunda  de N´gola já de terceira geração, estava simplesmente abuamado, espantado, olhando sem pestanejar para aquela vassoura espacial a pairar no ar. 

sacag1.jpg Januário acrescentou à coisa dita:- As famílias de bactérias que só podem ser vistas ao microscópio são sobretudo a acetobactéria xylinium que a partir do sétimo dia começa a formar ácido acético, outras famílias xylinoides, a bactéria glucuranium e a acet ketogenum.  Também ele, feito Mwata era um entendido nisso, coisa que desconhecia. As fermentações são processos muito complexos em que a menor alteração do liquido, chá verde e chá preto, pode produzir resultados muito diferentes e, daí a grande variedade de cervejas, vinhos, cidras e outros alimentos fermentados como o kéfir, pikles, queijo, tempeh, cshoyu, etc,etc...
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O chá é portanto o elemento principal desse liquido com cerca de 350 compostos químicos, distribuídos em: - 40% de glúcidos , 20% de proteína com aminoácidos (teanina), 2% de gorduras , 9% minerais de manganésio, potássio, magnésio, flúor e vitaminas B, B1, B2, B3, B6, B12, C e P; 29% são polifenois, flavonoides e catequinas do chá preto... Na prática fazemos um chá com água e açucar em quantidade por forma a produzir levedura com os nutrientes desses três elementos.

roxo60.jpg Háka! A conversa já ia longa mas haveria que ouvir na especialidade como deve ser. Para fabricar as enzimas que vão desdobrar o açúcar em glucose e frutose, o tamanho da placa de cultura deve estar proporcional ao volume do liquido pois que este se for em excesso diminui a produção de CO2. Deve portanto utilizar-se 10% do liquido “starter”, (inicial) no fundo do frasco aonde existem muitas leveduras e poucas bactérias.
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As leveduras, sendo muitas, respiram o O2 (Oxigénio) do ar porque também estão à superfície do frasco e, por isso, produzem três vezes mais CO2 mas, nenhum álcool. Convém dizer que o chá verde tem 2% de cafeína e o preto 5% pelo que, as culturas crescem melhor no chá preto. A cafeína e a teofilina são purinas usadas na construção dos ácidos nucleicos daí resultando em microorganismos como fonte de nitrogénio. Bom! Isto já ia longo. Por isso despedimo-nos temporariamente... Que seca! Disse eu, muito baixinho... Dei um ultimo gole e bazei! 
Continuaríamos neste “legado de Januário Pieter”- mais tarde
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:28
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2019
MALAMBAS . CCXX

TEMPO DE CINZAS – Terça Feira - 14.05.2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor de Zebra… de várias partes
Por

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra do M´Puto

miai3.jpg Escrita no No Nordeste brasileiro Em Miauí de Cima - Alagoas... 
Eram umas seis horas e trinta minutos, um calor do caraças, corpo mole e pegajoso com um ventilador ronronando paciência na vagareza, gotas de suor a formarem rios e ribeiros até chegarem ao lençol e, vira que vira com a vagareza do soprador que não sublima minha transpiração. Levanto-me! Fui fazer o café da avó na cozinha do piso térreo, bem à maneira, com chaleira e coador. Roça, é roça... 
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Tia Jacira, era uma senhora muito especial e porque já a descrevi, só direi mais que era uma dedicada assistente social de formação e voluntária às rezas repetidas dos terços da vida na Igreja de São Pedro da Pajuçara na Ponta Verde, muito próximo de meu ninho da águia, do carcará Niassalês - eu próprio.

mike1.jpg Com os seus mais de oitenta anos, Tia Jacira distribui amor por todos; incluindo-me, claro. De café feito e coado vou buscar a caixa metálica do papagaio, um jacó verde e amarelo, brasileiro a cem por cento mas, pouco falador; abro a caixa e com um pau-xinguiço retiro o bicho colocando-o em seu altar encastrado no pilar, tendo ao redor uma série de copos com comida, fruta e outros de zingarelhos para palitar dentes feitos bico adunco e, raspar as patas carunchosas.
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Tia Jacira normalmente fala baixinho com o verde-amarelo e, ele trejeitando a cabeça, de curiosidade chama-lhe vóóó - palra coisas indefinidas grasnadas como se fosse um pato-marreco. Nada parecido com o meu papagaio da Cabinda de Angola que pintava a manta de tanto falar chamando filho da puta, assim direitinho ao sagwin-macaco que estava do outro lado da casamata do mecânico dos unimogues e, também minha. 

arara1.jpg Dei-lhe um bocado de painço, um pedaço de banana e uma mistura colorida, sementes de girassol, água limpa e o sacana, nome de como eu tratava, nem um agradecimento: - Matumbo, 
repeti várias vezes e, ele assim com a cabeça de lado como que gravando no seu disco de bicho mas, nada de repetir o tio carcará (eu, o T´Chingange). 
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Cortei um pedaço de jornal ali esquecido e com data de 23 de Dezembro de 2011, a fim de fazer de lençol ao jacó matumbo. Era um periódico da Gazeta de Alagoas a dizer bem e mal dum antigo prefeito de Maceió, Cícero Almeida, um papagaio feito gente civilizada que também desviava verbas para a lista secreta das boquinhas do PT e outros afins... 
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Mais logo este jornal também vai aparecer cagado, com destino inevitável do lixo bem igual à vida daqueles políticos que se lambuzam em devaneios, sabendo que as baratas correm em raly nos corredores dos hospitais para gáudio dos utentes. Os caras enchem-se de boémias, pintam e bordam e, a justiça que deve fazer parte da caixa dois ou mesmo três, nada diz e nada faz... 

miai5.jpg É isto e aquilo que o Bolsonaro quer acabar mas vai-se dar mal se não trilhar bem firme o seu carril. Tem inimigos pra xuxú! Tomara!... Meio Brasil, vivia da seiva dos carrapatos. Hó gentinha, vou zarpar porque dois mais dois podem não ser quatro e fico ferrado. Mas que gorjeavam lambugisses, lá isso era nítido mas, diga-se, a maior parte do povo nem via isso por conta da bolsa, da gasosa, do geito brasileiro. Vou-te-falar!? 
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Saí a comprar leite, pão e queijo de coalho e chegando à padaria um pouco mais a sul, digo Bom d´Jia, assim, um bom dia bem à maneira brasileira. A resposta veio rápida do mulatão, padeiro saído das quenturas dos fornos: - Bom d´Jia, meu irmão! Ué! É o trato... Para agradar ao meu novo mano comprei mais meia dúzia de ovos e uma porção de goiabada.
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Juntei mais uma dose de milho flocão Coringa para fazer no vapor ou talvez bolo; deu tudo somado vinte Reais e, junto o negócio nas sacolas, penduro nos meus dedos e digo Xau! Xau, meu irmão - obrigado! Volte sempre e, assim saí feliz e contente por ter arranjado mais um irmão - que negócio!? Era para ir à praia ali a escassos duzentos metros mas o pessoal estava todo mudo e quedo lá no primeiro andar. 

miai6.jpg O papagaio-fêmea matumbo nem grasnava... Lá fora a moto-táxi do Zacarias, também meu irmão, rompia a longitude e a penumbra das silhuetas matinais com ganas de o estrangular. Com seu escape livre, fazia finfias a ele mesmo botando banga de Coruripe, pois então! Eram sete horas e trinta minutos. 
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Como eu gosto destas vivências tão ricas, tão farfalhudas, tão familiares. Em verdade, senti aqui falta duma vassoura turbo de piaçaba para lambuzar-me de vaidade e até entortá-la em suas costeletas; Bem! Em verdade este especial veículo pertence a uma senhora que muito prezo... de verdade! Tem a marca já registrada, como se diz no braziu. MJS...(Maria Joao Sacagami)
Ilustrações de Assunção Roxo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:33
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019
MOAMBA . XXIX

TEMPOS CUSPILHADAS – 13.05.2019

MULUNGÚ COM LARANJA DO M´PUTO
Passeando o esqueleto no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves mais África, um reino outrora Tuga... Dou-me conta que me roubam laranjas, que me impingem telas de falsas Monalisas... 
Por

soba002.jpgT´Chingange - Em Coimbra 

bolor1.jpg Há uns tempos atrás e, estando eu no Brasil, pessoa amiga referiu-se ao facto de em Portugal país  visitado por ele nesse então, as pessoas serem disciplinadas, não terem o apetite do roubo ou cobiçar o alheio. Isto passou-se em uma praça da pequena cidade de Lagoa do Algarve; ele reparou que as pessoas passavam por aquelas laranjeiras carregadas de bonitas laranjas e o estranho, era que ninguém tocava nelas. Tomara, eram azedas!

berard1.jpg Lembro-me de ter dito: - No M´Puto tudo é muito sofisticado, até no roubo. Mansamente os bancos e afins destes, vendem-nos laranjas virtuais e endividando-se roubam-nos assim à socapa e, não é de repelão não! Num repentemente o governo passa nosso dinheirinho para esses salafrários Berardos e Salgados, que armados com grandes honorabilidades e honestidades, cortam-nos as gordurinhas feitas laranjas. 

salgado1.jpgcoimbra9.jpg Não sei se ele, meu interlocutor, brasileiro meio doutor, meio matuto entendeu mas, não desentendido de todo, quis compreender meu ponto de vista porque ele mesmo, tem uma boquinha do PT. O certo é de que isto sucede no M´Puto com o beneplácito do governo e até do nosso Tio Célito que feito Presidente sacode o pacote e abana seu chapéu com solidária condescendência com o Salgado e afins kazukuteiros branquelas como eu; com essa malvada banca que nos dá 0,005% nas contas ao prazo de um ano!
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Não havia qualquer impedimento por qualquer resguardo para as não alcançar - as laranjas da Lagoa do Al-Garbe e, não obstante estarem gulosas, bonitas a solicitar-nos esticar as mãos e recolhe-las, ninguém o fazia! Eu com a sede que tinha (disse o cara, brasileiro de Gravatá de Pernambuco) de até me apeteceu agarrar uma mas, retive-me mais por poder parecer mal do que outra causa; fiquei inibido proceder desse jeito disse ele; bonitas e nada de ladrões!? 

cruzios4.jpg A pessoa em causa, um nordestino juiz da comarca invisível da boquinha do PT que descreveu isto, desconhecia que as laranjinhas eram ácidas, azedas como trovisco e, nem me dei ao trabalho de esclarecer para subsistir na mente deles; que os Tugas não roubavam como era tão habitual, assim como eles o fazem no seu Brasil! Por isso têm muitos e muitas laranjas a fingir que o são mas, tudo uma mentira! Folhas inteiras de laranjas-gente a comer do fisco! Dos municípios, das bancas e instituições daqueles que agora metralham o Bolsonaro... 
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E, a propósito omiti a verdade porque já estava farto de tanto desaforo colocando os Tugas como os larápios da América, blá, blá, bla, do pau brasil e do ipê-roxo; coisa que insistentemente ouvia referindo tempos idos no roubo das matas, das muitas especiarias, ouro e prata, um sem fim de maleitas sociais do qual lhes foi legado! 

PAPAL4.jpg Porque dizem: - Que chegavam da Metrópole com uma mão atrás e outra à frente e passado bem pouco tempo já tinham seu próprio posto de trabalho, sua padaria, borracharia ou sua própria venda. O escambau, como sempre referem.... Normalmente nem replicava porque também tinha as minhas próprias queixas por fruto de uma descolonização de tugi mas eles nem iriam entender...

berard2.jpg Agora replico e até triplico e sextuplico minhas verdades para ver se os MADUROS de todo o Mundo caem de podres... Tal nefasta saga provocada por mariolas e traidores ao M´Puto e do M´Puto; desta feita contive-me para que ficassem com ideias edificantes sobre os Tugas e, que afinal, nem tudo neles era mau! 

lula02.jpg Quando tudo dava para o torto, simplesmente dizia que era Niassalêz, que tudo me passava ao largo mas, em verdade roía-me de pequenos ranhos moncosos de cor injustiçada. Para não ficarem na insolvência, nem me perguntavam que raio era isso de ser Niassalêz, só para não mostrarem sua ignorância endémica. De forma catedrática ia-lhes dizendo que o Brasil era quase um continente graças a terem sido um reino; que não foram desintegrados em vários países porque foram a sede do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. O Mundo é mesmo uma ervilha!
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E, mais, ... tendo D. João VI como o maior aglutinador dessa política; um estadista de valor e que eles sempre subestimaram e subestimam com charadas de mau gosto e desrespeito - o Rei das coxinhas de galinha. Que não obstante o Brasil já ser grande, invadiu a Cisplatina ficando alargado com o actual Uruguai a sul e o Guiana Francesa a Norte por estar em guerra com os franceses - A França de Napoleão.

D. JoãoVI.jpg E, quantas mais coisas tinham de ser ensinadas, porque infelizmente, mesmo gente formada a nível universitário, não tinham um perfeito conhecimento da real história. Fui eu a contar a muitos, as estórias do Caramuru, Do João Ramalho, do 1º Bispo do Brasil - da festa de arromba que aqueles índios Caetés fizeram em Julho de 1556 devorando Dom Pero Fernandes Sardinha e outros edecéteras.
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Agora, neste momento na minha roça de Coimbra, de doutorado faço jus às afirmações deles: - Conta mais Doutor! Imagina, eu um Niassalês contando coisas do Lampião, coisas que os caras desconheciam. Como não avera de ser Dôtor!? De tudo isto eu retirava ilações no fraco aprendizado nas escolas brasileiras! 

MAGA8.jpg Claro que os ladrões existem aqui e lá mas, nesta actualidade, nem digo nada para não amesquinhar aquele elogio das laranjas feito por um brasileiro das terras Tugas! Tomara que Bolsonaro extermine tanto LARANJA mentiroso, que rouba o povo
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Mulungu e Mulungú: É branco em língua Zulu; também é uma árvore de grande porte com flores vermelhas; existem no Brasil e um pouco por toda a África austral...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:25
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Sábado, 11 de Maio de 2019
MOAMBA . XXVIII

 
O CHOQUE DO PRESENTE - COIMBRA...11.05.2019
Aonde quer que se seja, é mesmo bom não se fazer contas ao tempo porque o bicho pega!… Basta-nos os doze meses de socialismo, social socialismo, ou isso entremeado com geringonças e matraquilhos mais diabruras para espairecer molezas…
Por 

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra... 

coimbra5.jpg É mesmo bom não se fazer contas ao tempo, aos meses, às horas e minutos, porque assim se tornam inexistentes, apreciando no seu melhor, as azáfamas dos outros ao nosso redor. Ouvir os "roncos - salvo seja" dos políticos feito barcos que sem os arrais de outrora, barulham os ares em tons diferentes aí Jesus que não há oiro! Pois! Lamberam-no todo. Se não for assim mais e desta forma e, tal e coisa, demito-me! 
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Até já sinto casquilhas ou cosquilhas nos meus calcanhares! 
E eu, curtindo o sol das doze horas ao toque das ave-marias que não o sendo agora, repicam na torre da Cabra desta tão bela Coimbra e aonde de tanto calcorrear me tornei doutor de bizarrias. Lembranças desse tempo de quando essas badaladas tinham som e até cheiro de bronze. Agora são fitas com musica a fingir que dão horas.

coimbra6.jpg Basta-nos os doze meses de socialismo ou social socialismo, ou isso entremeado com diabruras capitalistas, mais pão com chouriço e pata negra para espairecer as molezas dos imperialistas que sempre deixam correr o tempo, quando o não faz sair de feição... Coisas demasiado salgadas para mim que recebo uma miséria de patacas.
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Assim, desajustados à economia, com os burocráticos vícios da democracia, dão-se voltas às vicissitudes das suaves ou suadas angustias dos demais refastelando-se em caldeirões moles, e amolecidos como convêm nas desvirtudes corruptas do engano.
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E nós na impaciência, por não haver oportunidades iguais para todos, refilamos verificando serem os profissionais da política com banqueiros e seus mais próximos, os seus maiores beneficiados. Como todo o fenómeno é temporário teremos de purificar nossas almas tormentosas ou atormentadas sem nos apegarmos a coisa alguma... Meu Rio virou mulola...

coimbra2.jpg Não será portanto, caso de estranhar de muitos de nós andarem com um olho aqui e outro lá mais adiante, com a metade do raciocínio num sítio e a outra metade no ciberespaço. Com fenómenos de engenharia financeira dos bancos BPN ou BES entre outros, uns andarão muito cheios de fórmulas, outros simplesmente à boleia com vazios de ideias, enganados em tramóia de falácia mal explicadas.
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No meu caso muito pessoal, de tão inchado de espantos, desenho-me entre antigos esboços, revendo-me nos desenhos das sombras nos porões do meu Niassa, pois que sou Niassalês...
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Brincando até com o meu nariz achatado, relembro-me de que se de nada posso fazer de bom pelos meus mais próximos, também nada farei para os prejudicar. Não obstante terei de dizer aqui que o Senhor Costa, não nos será a salvação; não irei por isso e agora, vivinho e indisposto com muitas coisas querer guerras, fuzilar quem possa ter uma ideia mais original entre os diferentes deuses ou demónios.

dia185.jpg Demónios dos também diferentes comunismos, socialismos ou mesmo uma terceira sensação desconhecida, chinguiços com estralhos enredados de zingarelhos e outros complicados artifícios. Sim! Vivemos numa permanente mentira e, assim irá continuar. Ainda se visse a justiça andar para a frente e não de lado, ou para trás como o caranguejo!?
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:22
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2019
KILUNDU . VII

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O Cipaio Kukia Mandinga em ALHAMBRA, assiste ao pacto de Mano-Kilombelombe com Januário. Eu já era Mano-Corvo - Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal (México) com Araújo...
NA LAGOA DO M´PUTO - 10.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto - Na estepe Alentejana
Com a sensação de começar a penetrar na minha intranquila dependência da kianda, quase que me dou conta que meu pacto de sangue com o velho de mais de talvez 394 anos, começa a borbulhar-me no cocuruto da meninge. Os seguranças de serviço levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.
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Tratados como mustáfas por via da indumentária de Januário Pieter e seu guardião - lanceiro, um espanto de nos fazer sentir os maiores privilegiados. O Cipaio Kukia Mandinga muito vaidoso, banga ultra moderna fardanda de zuarte amarelo, balalaica com muitos bolsos e uma catrefada de zingarelhos pendurados à mistura com pequenos chifres de porco do mato.

araujo 42.jpg Coisas trazidas dos confins; lá duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia com nome de espantar pássaros xirikuatas. Cipaio Mandinga, direitinho que nem um fuso, a tudo olhava com vontade de saber. Muxuxou que era muita areia prá sua camioneta e que, teria de comer um chipe extra de memória e sistema integrado para fosforescer mais rápido na sabedoria.
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A partir daqui rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quartéis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitérios e jardins. O escambau de coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas junto às muitas ferraduras de muares e outros bicharocos espinhosos.

araujo34.jpg O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece não haver gravidade.
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Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu T´Chingange e Pieter selamos o nosso mais verdadeiro pacto de sangue. Esse cipaio Kukia que anda por aqui, até pode nem se lembrar mas assistiu direitinho com sua lança, feito Massai da Corongosa; um jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango. Uma mistura na cabeça dele que faz pena. Nunca no Lubango ouve caserna de bichos desses e, com esse nome!?

araujo10.jpg Por medo, as pessoas passavam de largo como se nós também fossemos daquele muitos idos anos e muito cheios de caruncho. Tínhamos em frente um belo claustro formado por muitas colunas, o lugar mais Pambu N´gila de todos os lugares aonde estivemos antes. Este sítio era em verdade um sem número de flocos dourados caídos do Duilo.
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E, foi ali que ambos picamos o centro da palma da mão esquerda de onde saiu uma bolha de sangue. Eu T´Chingange cuspi na mão esquerda de Pieter dissolvendo-se no sangue e ele fez o mesmo na minha mão esquerda; com a mão direita ambos acariciamos as cabeças dos leões e, eu primeiro e depois Pieter, desferimos com a direita em cutelo na mão esquerda do outro um enérgico movimento fazendo chispar sangue e cuspo no ar. 

araujo103.jpg Teve de ser ali porque o leão que pela boca deita água simboliza o Sol da qual brota a a vida. Os doze leões, são os doze Sois do Zodiaco, os doze meses que na eternidade existem em simultâneo. Eles, os leões sostêem a Kalunga como os doze torres de ferro no templo de Salomão. É este o depósito das águas celestes dessa Kalunga. 
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Este simbolismo único, venera a água como a pura vida e, foi ali que também, ambos choramos lágrimas de prata polindo o chão do Califa para ficarmos Manos-Kilombelombe. O Cipaio vaidoso sempre em guarda, sorria de vez em vez, inadequado para ser uma testemunha com carisma de Xi-Colono de terceira geração.
Em realidade ele era mesmo um genuíno africano, embora branco, mas era!
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Januário Pieter falou de que quando ficasse um antigamente, de mais tarde, eu um mais kota, me iria recordar deste selo de Mano-Kilombelombe enquanto ele, lá na ilha da ensandeira do Kwanza, recordaria os espíritos dos M´fumos Kia-Samba e Manhanga como um minkinsi.
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Pieter recordava as minhas próprias brincadeiras com os candengues no mar da Samba, os pactos de amizade feitos a cuspo e bisgo da mulemba nos subúrbios da Lua. A Kianda Pieter sabia tudo! Sukuama! 
- Deixa só, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir, disse eu batendo dedos no ar enxotando maus olhados.

araujo175.jpg Ilustrações aleatóias do mano Costa Araújo, nosso mestre 
Glossário:
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade)
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México)
M´fumos : - Chefes
Kukia: - Sol, pô do sol
Samba: - Lugar ente a Quissala e Futungo (Belas da Luanda de antigamente)
Manhanga: - Bairro da Maianga, lugar de cacimba, nome antigo já esquecido.
Amazulu: - Dialeto Zulu
Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cus diabos; Porra!
Bisgo: - Resina de mulemba usado para apanhar pássaros,da mulembeira (árvore de grande porte que dá uns figos pequenos)
Lua – Diminutivo de Luanda
(Continua ...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:12
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Quarta-feira, 8 de Maio de 2019
KILUNDU . VI
kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O Cipaio Kukia Mandinga em ALHAMBRA, assiste ao pacto de Mano-Kilombelombe com Januário. Eu já era Mano-Corvo - Uma fusão de homem com pássaro - Eu, Costa Araújo e o pássaro do tipo Kwetzal (México)...
NA LAGOA DO M´PUTO - 08.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto - Na estepe Alentejana

ÁFRICA7.jpg Com a sensação de começar a penetrar na minha intranquila dependência da kianda, quase que me dou conta que meu pacto de sangue com o velho de mais de talvez 394 anos, começa a borbulhar-me no cocuruto da meninge. Os seguranças de serviço levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.

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Tratados como mustáfas por via da indumentária de Januário Pieter e seu guardião - lanceiro, um espanto de nos fazer sentir os maiores privilegiados. O Cipaio Kukia  Edu Mandinga muito vaidoso, banga ultra moderna fardanda de zuarte amarelo, balalaica com muitos bolsos e uma catrefada de zingarelhos pendurados à mistura com pequenos chifres de porco do mato.

angola colonial.jpg Coisas trazidas dos confins; lá duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia com nome de espantar pássaros xirikuatas. Cipaio Mandinga, direitinho que nem um fuso,  tudo olhava com vontade de saber. Muxuxou que era muita areia prá sua camioneta e que, teria de comer um chipe extra de memória e sistema integrado para fosforescer mais rápido na sabedoria.

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A partir daqui rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quartéis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitérios e jardins. O escambau de coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas junto às muitas ferraduras de muares e outros bicharocos espinhosos ou cascarrudos.

araujo 25.jpg O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece não haver gravidade. Qualquer matumbo, ali, fica espevitado da cabeça, numa de jihadar cosigo próprio...

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Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu T´Chingange e Pieter selamos o nosso mais verdadeiro pacto de sangue. Esse cipaio Kukia Edu da Chibia que anda por aqui, até pode nem se lembrar mas assistiu direitinho com sua lança, feito Massai da Corongosa - um jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango. Uma mistura cafusa na cabeça dele que faz pena. Nunca no Lubango ouve caserna de bichos desses e, com esse nome!?

araujo 28.jpg Por medo, as pessoas passavam de largo como se nós também fossemos daqueles muitos idos anos e muito cheios de caruncho. Tínhamos em frente um belo claustro formado por muitas colunas, o lugar mais Pambu N´gila de todos os lugares aonde estivemos antes. Este sítio, era em verdade um sem número de flocos dourados caídos do Duilo.

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E, foi ali que ambos picamos o centro da palma da mão esquerda de onde saiu uma bolha de sangue. Eu T´Chingange cuspi na mão esquerda de Pieter dissolvendo-se no sangue e ele fez o mesmo na minha mão esquerda; com a mão direita, ambos acariciamos as cabeças dos leões e, eu primeiro e depois Pieter, desferimos com a direita em cutelo na mão esquerda do outro um enérgico movimento fazendo chispar sangue e cuspo no ar.
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Teve de ser ali porque o leão que pela boca deita água simboliza o Sol da qual brota a a vida. Os doze leões, são os doze Sois do Zodiaco, os doze meses que na eternidade existem em simultâneo. Eles, os leões sostêem a Kalunga como os doze torres de ferro no templo de Salomão. É este o depósito das águas celestes dessa Kalunga.

araujo17.jpg Este simbolismo único, venera a água como a pura vida e, foi ali que também, ambos choramos lágrimas de prata polindo o chão do Califa para ficarmos Manos-Kilombelombe. O Cipaio vaidoso sempre em guarda, sorria de vez em vez, inadequado para ser uma testemunha com carisma de Xi-Colono de terceira geração. Em realidade ele era mesmo um genuíno africano, embora branco, mas era! Sem nós t´Xinderes, a África fica incompleta! 

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Januário Pieter falou de que quando ficasse um antigamente, de mais tarde, eu, um mais kota, me iria recordar deste selo de Mano-Kilombelombe enquanto ele, lá na ilha da ensandeira do Kwanza, recordaria os espíritos dos M´fumos Kia-Samba e Manhanga como um minkinsi.
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Pieter recordava as minhas próprias brincadeiras com os candengues no mar da Samba, os pactos de amizade feitos a cuspo e bisgo da mulemba nos subúrbios da Lua. A Kianda Pieter sabia tudo! Sukuama!
- Deixa só, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir, disse eu batendo dedos no ar enxotando maus olhados.

 araujo155.jpg  Ilustrações do Mano Corvo Costa Araújo, nosso mestre (falecido recentemente...)

Glossaário:
Edu: De Eduardo Torres - Um amigo kota, poeta, prosador, branco de segunda com bitacaias nas orelhas , apátrida e vaidoso quanto baste... um amigo para sempre...
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade)
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México)
M´fumos : - Chefes
Kukia: - Sol, pô do sol
Samba: - Lugar ente a Quissala e Futungo (Belas da Luanda de antigamente)
Manhanga: - Bairro da Maianga, lugar de cacimba, nome antigo já esquecido.
Amazulu: - Dialeto Zulu
Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cus diabos; Porra!
Bisgo: - Resina de mulemba usado para apanhar pássaros,da mulembeira (árvore de grande porte que dá uns figos pequenos)
Lua – Diminutivo de Luanda
(Continua ...)an
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:23
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2019
KILUNDU . IV

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
Sentado no meu silêncio mastigando resposta calada, Pieter deu dois passos calçados no meu sobre-consciente. ..... Desta feita estávamos ainda em Granada...
NA LAGOA DO M´PUTO - 03.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto

araujo34.jpg Januário Pieter o excêntrico fora de tempo, hoje estava particularmente fértil em saudações. Como se nem tivéssemos estado juntos ou relativamente perto quiz dar-me um aperto de mão bem à maneira dos candengues de hoje: - Mão aberta, batida, depois de punho com punho, ambos fechados e no final uma mão espalmada batida no peito, no meu peito - no coração.
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Senti um calafrio, muita fartura como um três por um de borla, iria sair qualquer coisa muito mais diferente do que o habitual. A kianda estava cada vez mais imprevisível porque saudou-me pela segunda vez como que a ensaiar um truque. Só que desta vez foi em amazulu com um samboniani. Recordando-me de tal saudação, respondi um kunjani, meu!
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- E, porquê tudo isto? Interroguei-o enquanto sinalizava em gesto, o seu aspecto - Porque venho de visita aos mustafás de Alhambra. Tinha de condizer com os meus antepassados mouros, mostrar assim a estes mulungos....

arau155.jpg 

- E para quê, essa adaga aí na cintura? Perguntei.
- Para respeitar as tradições antigas, homem sem arma não é ninguém e eu, não atravessei a kalunga para fazer má figura. Também é uma homenagem aos meus mestres de Toledo, acrescentou. Depois de todas estas explicações sentou-se. Mandou-se vir uma taça de tinto “rioga”e umas quantas chamussas, pois o senhor kianda extra-planetário, estava com uma fome de leão da anhara.
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- Afinal, encontraste resquícios de teus familiares mulungos dinossauros? Perguntei eu com uma intimidade um tanto abusiva.
- Pois! È assim,... vou-te contar tudo: - Meu tio Antoine, o mais candengue, dedicou-se à igreja, foi para padre; esteve com meu pai Lestienne em Burgos a trabalhar nos jardins de “Cartuja de Miraflores” mas, depois roçou madraçamento pelas sacristias do convento até que num dia seguiu integrado numa comissão-à-doca de regulamentar segurança aos peregrinos e as novas visões da estrela-polar. 
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Depois de muitos anos tomando conta de seus fieis e a guarda do incensário da catedral, morreu sem deixar herdeiros. Tenho de lá ir, a Santiago de Compostela rogar preces à sua memória e assim ficar tranquilo na minha missão de kianda itinerante da Globália. Interrompi a descrição de Pieter para lhe mostrar vontade de por lá, em Santiago, nos encontrarmos de novo e, juntos decifrarmos coisas tão ligadas ao M´Puto, mais o “bota fumeiro” e a majestade daquele Pambu N´gila daquele lugar com ligação à nossa N´gola pelos seus símbolos; n´zimbos na forma da concha vieira, uma mabanga diferente das nossas kalungas.

arau158.jpg

- É uma boa. Eu mesmo te vou falar das imbambas cassumbuladas no nosso povo, nesse antigamente e nesse mesmo ali. Combinado, meu! E, Pieter continuou sua descriminação: - Meu pai, como já sabes, esteve em Pernambuco com Maurício de Nassau embarcando mais tarde para Loanda do reino N´gola com os Mafulos, casou com a minha mãe N´ga Maria Káfutila e, mais tarde, ficou como mercenário às ordens dos Tugas com Sá e Benevides, um rico comerciante de escravos. O resto já te contei, não vale a pena recordar por agora.
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Josué Pieter, o 3º mais velho dos meus tios, ficou no “Pais de Landes” tratando de vinhedos em “Vignobles Vallee du Loir” e, por lá deixou muitos primos. O 4º tio mais velho de nome Souston, ficou nos arredores de Paris roçando a vida em “Jablines du Marne”, lugar aonde nós nos encontramos pela primeira vez. Era verdade!
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O quinto tio, Charles Pieter, o mais velho de todos, seguiu o rumo de Burgos em “Leon e Castilla” como Lestienne e Antoine mas, singrou para Toledo aonde se tornou um homem de armas, vindo a ser mais tarde um militar da armada de “La Mancha e Andaluzia”. Foi em “Puerto de Santa Maria”, perto de Cádiz que pelo rio Guadalquivir, saiu numa armada de soberania às novas terras Espanholas de América.

araujo 29.jpg Seguindo escritos antigos, soube que já como capitão dos mares, avançou na descoberta de novos cerros de prata “puesto arriba” do rio da Prata; acabou por ficar num lugar conhecido de Sacramento, perto de Montevideu dedicando-se ao negócio de gado bovino e muares formando tropa de tropeiros, que transportavam mercadorias através dos matos ou vendendo charque aos novos colonos de Cisplatina e Rio Grande do Sul. 
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Esta estória está sopimpa! disse. Estou a gostar! Bem! Por lá deixou uma prole de primos matutos cujos descendentes governam agora o Uruguai. A história deste tio é comparada à do meu pai porque também atravessou a kalunga grande para fazer fortuna. Havia uma lendária “Sierra de la Plata” de nome Potossi procurada desde inícios do século XVI por Alego Garcia e sebastião Caboto.
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Em 1611, quase cem anos depois, Potossi era já a maior mina a céu aberto produtora de prata do mundo; nesse então já tinha à volta de 150 mil habitantes e, sendo o lugar mais rico do mundo originou uma corrida ao tesouro. Charles Pieter homem de guerra da têmpera de Toledo, ambicioso, seguiu naquela armada a pedido de Juan de Villarroel com expedição a partir de Cádiz e Sevilha conjuntamente com outros conquistadores tal como Nunez Cabeça de Vaca, Domingos Martinez de Iranda ou Juan de Ahumada. 

araujo 101.jpg Meu tio Charles seguiu para ali em meados de 1615 para compartilhar tesouros de sonho e pilhagens. A Espanha fez-se assim; com a prata que saiu dali, podiam fazer uma estrada física, uma ponte ligando-a à América - Como meus tios dinossauros, eu e tu (referia-se a mim), navegadores da Globália deixamo-nos alfabetizar na vida e prálem dela. É mesmo uma missão de cumprir dever sem ter ordem nem corpo-delito, à-doka no através da estória dos xicululos.
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Bolas! Fiquei barafundado naquela sapiência do kota Pieter.
Sentado no meu silêncio mastigando resposta calada, Pieter deu dois passos calçados no meu sobre-consciente. Num cadavez mais eufórico, Pieter falava todas as suas razões.
Eu só disse, simplesmente: - Tá bem meu!

araujo153.jpg Ilustrações  aleatórias de Costa Araújo 
Glossário:
Amazulu: - Dialeto Zulu
Samboniani: - Bom dia; como está (em Zulu)
Kunjani: - resposta a samboniani; tá se bem
N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga
Mulungo - M´zungo; branco em Zulu
Adaga: - Punhal em forma de foice usado por muçulmanos
Anhara: - Zona plana e, com plantação rasteira, de clima seco ou semi-desértico e tropical
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto.
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mabanga: - Bivalve do tipo ameijoa que sangra vermelho.
Imbambas cassumbuladas: - Coisas roubadas; riquezas arrebatadas; jogo de sacar por toque brusco.
Mafulo: - Holandês em quimbundo; Gente invasora da Companhia das Índias Orientais ou Ocidentais; flamengo.
Tropa de tropeiros: - Exército de condutores de burros (Brasil, Cisplatina); O tropeiro era um viajante das zonas agrestes ou do sertão.
Charque: - Tipo de sal; carne seca (Brasil)
Matuto: - Mestiço; filho de branco e índio.
Xicululo: - Gente de mau-olhado; olhar de lado; gente de dar azar.
N´ga: - Senhora
(Continua ...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:09
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2019
KILUNDU . III

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
Botando fumaça por meu arcabuz de outra geração chamado de canhangulo, fiquei assim matumbola mesmo ..... Desta feita estávamos em Granada...
NA LAGOA DO M´PUTO - 02.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto

Estava admirando os 15.000 mortos de Guernica quando com aura de santo-maior entrou uma figura pela porta frontal; era nem mais nem menos a Kianda Pieter que, varrendo com os olhos o salão “café solo” poisou em mim a ansiosa vontade do encontro. Porque ali, era um pambo n´jila especial de Granada.

granada4.jpg Efusivamente dirigiu-se-me com as duas mãos abertas ao espaço seu Duilo (Céu) mostrando todos os seus anéis. Vinha carregado de magnetismo, feitiços de contra-luz cintilando um desassossegado arco íris.
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Era agradável estar ali confraternizando com o passado que, nem sempre foi risonho; Entre um era-não-era em coisa acontecida mas não vista, assim como São Tomé, só relíamos poemas de Garcia Lorca referente à guerra de 1937 a 1939 com quadros dantescos quando do bombardeamento de Guernica e atrocidades de uma disputa civil.

guernica1.jpg Entalados na memória entre Nacionalistas de Franco e Republicanos que perfurou como uma faca sem fim toda a Espanha, nós só podíamos rever nossas próprias fugas em um mundo feito de muitas guerras.
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A sala espaçosa estava recheada de quadros sobre esses acontecidos passados como uma galeria de horrores de Granada da Espanha dos toureiros e muito olé-olé. Sentei-me num recanto em uma cadeira em madeira talhada com motivos de produtos da terra, pedi um “café solo” e uma tortilha de “manzana”.

guernica2.jpg O olhar não se desprendia dos corpos desmembrados em destroços retorcidos, gente e animais espalhados pelos campos; um treino de preparação à grande guerra que viria a acontecer em 1940. Ainda faltavam cinco anos para eu nascer e andava já tropeçando com os matumbolas coadjuvado pelo meu muito próximo Januário Pieter que conhecia todos os contornos ao pormenor. Há coisas que só acredito porque sou eu a contar! Fosse outro qualquer dava-lhe berrida no segundo.
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Sabes!? Eu não sabia ao certo mas ele falou: Os Alemães ajudando Franco a tomar o poder aprendendo aqui a matar, preparando-se para a guerra, essa que te viu nascer. E, arrepiei-me, sabem - Sentia-se desprender da tela o odor fétido da morte.

araujo19.jpg Nesta cidade tão cheia de memórias, havia felizmente, espaços retemperados à noite com flamengo, uma dança que reflecte o estado de espírito cigano. Estava aqui como que esperando aleatoriamente Januário Pieter, a assombração Kianda que pouco a pouco foi ficando o meu “Guru”.
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Entre o desejo de saber a verdade e o pavor que lhe tinha, zuniam na minha cabeça legionários às ordens de Franco gritando “viva la muerte” mutilando o meu medo envidraçado de repugnância a todas as guerras.Estava agora, pronto a fazer com ele, Januário Pieter um pacto de sangue sem sangue - a seco, tornar-me um cipaio do seu arimo (lavra horta, n´nhaca).

araujo100.jpg O pacto foi feito, aceite e aprovado na maioria sábia de dois, a saber: T´Chingange, o próprio, com Januário de Sangano da Muxima de N´Gola. Foi quando explicou com detalhes de vôos rasantes. Aviões Nacionalistas matando indiscriminadamente gente impregnada de susto sem celeiro ou pontes para se esconderem; brigadas internacionais, idealistas lutando com armas diferentes de um credo sem culatra, munições encravadas em sonhos inúteis.
( Continua ... )
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:45
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2019
KILUNDU . II

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
MERCADO DO XIPAMANINE - Novo encontro com a kianda Januário Pieter, um verdadeiro N´Zambi N´kuluculu
NA ILHA DO CARLITOS - 29.04.2019
Por

soba002.jpg  T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Ontem, um novo dia, demos um forte abraço, convidei-o a sentar-se mas ele continuou de pé como a mostrar a sua nova indumentária e postura de muita banga. O penteado de Januário Pieter era um frisado afro com uma trança a retorcer no cocuruto por uma abertura do seu chapéu, uma quijinga do tipo Cumba-yá-lá tendo uma faixa zulu a contorná-la. 
::::: T´Ching2
Da orelha esquerda pendia um dente de facochero enquanto que a contornar o pescoço havia dois colares formando um conjunto colorido de missangas e n´zimbos; um destes tinha um circulo de madeira de pau preto com um desenho curioso de uma ranhura curva ascendente que entroncava numa helicoide de três circulos num crescendo para a direita e fechando por um cemi-circulo mais alongado indo quase fechar no mesmo sítio de início.

paz1.jpg :::::T´Ching3
Esta enigmática figura, ficou no meu consciente para mais tarde me ser decifrada. Nos pés, trazia umas sandálias em tiras de cabedal e atilhos que se iam amarrar a meio da canela. Vestido, tinha umas calças de vermelho berrante às bolas brancas; nas bolas brancas de forma estilizada aparecia aquele símbolo de curvas em elipse de caracol que quase fechando no mesmo lugar, mais parecia um bico aberto de papagaio. 
:::::T´Ching4
Eu estava estupefeito com tal estilo. Por cima das calças folgadas tinha uma camisa lilás com desenhos na forma de cornos de palanca de cangandala sem cinto a prender, tipo balalaika e, por cima de tudo isto tinha uma espécie de túnica com folhos brancos no final de umas largas mangas. 
:::::T´Ching5
Aquela túnica de uma seda especial tinha as cores preta e rubra como a bandeira de Angola e o mais curioso é que tinha em lugar da catana e a roda dentada, a esfinge de João Lourenço 
com o fundo esbatido de José Eduardo dos Santos. Háka! Eu estafa burro-feito com todo este aparato de n´kondi. Pieter estava um verdadeiro espantalho Xis-pe-te-Ó, super moderno e práfrentex.

luis44.jpg :::::T´Ching6
Até as sandálias estavam feitas em um cabedal firme, reviradas para cima como uma meia lua na forma dum genuíno aladino. Aquilo era demais, uma verdadeira mumia rejuvenecida de kalungas encrespadas. Um extra e vistoso camacoza carregado de zingarelhos. 
:::::T´Ching7
Mas, após a minha mirada, Kianda Pieter falou: - Meu camarada, mano kamba, como estás? Tu, continuas um tipo fixe! Seguiu-se uma pausa sem muxoxo, só por respeito com medo. Pieter mudou mesmo! Arrepiei-me. Que era isto? Mas nós vimo-nos ontem? O kota estava no literalmente. - Sabes meu, rejuvenesci à bessa, uns anos mesmo. Vou até te contar só. - É mesmo! Como foi isso? Perguntei engalfinhado em susto. 
:::::T´Ching8
- É assim, começou ele : - Estive na festa da Muxima, no entretanto esquindivei Kwanza acima, Kwanza abaixo relembrando meus tempos de candengue. Até fui numa rebita mas, mais tarde eu conto só. E Pieter continuou falando. Tinha muitas mocandas na cabeça para contar. - O mais importante nesta minha vida de matumbola mutalo, passou-se em Maputo. 

dia131.jpg

 

:::::T´Ching 9
Kianda é assim mesmo, os metros deles têm kilómetros! E, o tempo vira um era num era... Eu explico: - Por recomendação dum kamba muxiluanda, fui num vai-vem minkisi vip ao Xipamanine, lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine. Estás aver Meu !? 
:::::T´Ching10
O resultado é isto! Eu, só abanava a cabeça. E, ao dizer isto Pieter, fez um gesto longo com ambas as mãos envoltas nos folhados brancos, de cima abaixo indicava o estafermo de figura excêntrica numa simultânea adoração ao tal N´kuluculo. - Pópilas... Eu, estava feito um plimplau. 

dia23.jpg :::::T´Ching11
Glossaário: Quijinga: - gorro de autoridade tradicional Cumba-yá-lá: - ex- governanta da Guiné-Bissau Facochero: - javali preto com dois pares de dentes salientes N´zimbo: - concha, dinheiro antigo do reino de N´gola da ilha Mazenga Palanca: - animal de grande porte e com esguios e longos chifres; simbolo de Angola (Quase em extinção) Cangandala: - local reserva natural em Angola háka: - Irra!,Caramba!, porra! n´kondi: - poder da magia em fetiche, boneco de maldades kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral camacosa: - maltrapilho kamba: - companheiro, amigo, camarada (de guerra) muxoxo: - sílvido produzido pelos lábios de vento aspirado entre dentes, estupfacto ou sinal de desprezo, sinal de desencanto esquindiva: - fazer revianga, finta, fazer piruetas, bazar dalí candengue: - moço, rapaz, pivete (Brasil), puto (Portugal) rebita: - baila na sanzala ou kimbo, dança de umbigada com as garinas mucanda: - carta, missiva, relatório matumbola: - morto vivo, uma assombração mutalo: - espíritos mortos sem ordem de n´zambi (Deus) muxiloanda/o: - natural de Luanda, camundongo, (quem bebeu água do bengo e apanhou paludismo ainda candengue) minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado cambuta: - homem baixo, atarracado N´kuluculu: - N´Zambi, Deus na língua Zulu Miama: - preto na língua Zulu Xi-lunguine: - nome aoriginal de Maputo Pópilas: sáfa! Caramba!, c´os diados! Plimplau: - pássaro saltitante, irrequieto (Continua ...) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:08
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KILUNDU . I

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
Botando fumaça por meu arcabuz de outra geração chamado de canhangulo, fiquei assim matumbola mesmo ..... 
NA ILHA DO CARLITOS - 27.04.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileio
Estou contente de saber dos meus antepassados, disse Januário Pieter meu escolhido como kianda das mulolas espaciais. Já tinha dito isto em outras vezes mas, agora estava só a preparar um discurso. Agora só quero mesmo ficar no pé duma mulembeira, lá no meu kimbo de Cabo Ledo e, de vez em quando subir com os mwenangolas até Muxima ou Massangano.
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Sim, Ué... A esvoajar minha velhice; ir ao lugar do eco repartido, jangandeando com os maculos, perfurar outras sombras, outras kiandas desastradas que só fazem canvuanza, mesmo. Pópilas, estava falando pelos zingarelhos desconhecidamente familiares...

roxo79.jpg Pieter dava xinfrim de xoto em cima de mim, falando um amazulu impenetrável, banhos de àgua de defunto dum xova-xitaduma do Maputo; parecia ter saído dum d´jango esfumado em liamba com as lamparinas dum matumbola, que fica mesmo no corpo vazio ocupado por um ilundado; um grande chicoxana, mesmo.
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Mazé caté o Zeca Mamoeiro do Rio Seco vai ficar abuamado sem entender nadica de nada... Mas tu já és uma kianda,...meu! Disse eu falando das minhas verdades - É mesmo, mas, no entretanto, é tempo de começar a esquecer e ser esquecido. No futuro, serei lembrado como a kianda n´kuluculu mulungo de toda a kalunga.

sorte2.jpg Meio dia eram já quase, quando acabando de subir a rampa de “Gomerez” e, estavamos a passar a porta “Puerta de las granadas” quando desviei na conversa para um tás-a-ver de visão árabe, ali aonde que a conversa da manhã nos tinha empurrado nesse linguajar de espíritos,...
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Puxa catuta mesmo! Estamos esvoajando no tempo. Como então: Estão nos esperar dentro deste portão d´Alhambra, lugar de muitas sombras, espantos de califas. Chegados à “Puerta de la Justícia”, datada de 1348, reparamos que na pedra chave do primeiro arco estava gravada uma mão aberta chamada de “Al-Hanza” 

noval5.jpg Al-Hanza cujos dedos, significam os cinco fundamentos do Islão, a saber: - A crença de haver um só Deus em sua mensagem a Muhamad, a oração de cinco vezes ao dia, o imposto religioso (a limosna do dizimo), o jejum ou Ramadão e, a peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida. 
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Estou fodido! Nunca fui a Meca e vão-me zanguilar quando toparem que só sou mesmo um faz-de-conta. Assim branquela!
Esta porta aberta dava para uma outra fechada havendo no alto desta um espaço aberto de onde, em caso de cerco, os sitiados de “Al-Hamra” podiam fustigar, arrojando pedras, azeite fervente ou chumbo derretido em cima dos atacantes não dando assim, oportunidade a que forçasse a porta. 

granada3.jpg Esta originalidade da arquitectura Nazaríe explicada por mim a Pieter, fê-lo dar um estalido de lingua no céu da boca: - Sukwama! Mahezo!, grande muzua! De quilunza mesmo!
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Passamos ao lado de “La puerta del Vino” um lugar em que funcionava o mercado do vinho lá pelo ano de 1554 e, era em verdade uma fronteira entre o núcleo militar de “Alcazába” e a cidade medieval aonde, em esse tempo, viviam 2000 habitantes; uma porta policromada num intricado rendilhado.

granada4.jpg Como mestre, continuei explicando:- Nesta terra de Árabes, Abd-Allah, instalou-se aqui no ano de 889 e por aqui permaneceram seus seguidores por 603 anos. Saíram ao fim desse todo tempo, quando governava o Califa Muhamad XII da dinastía Nasrí (Nazaríes) no tempo dos Reis Católicos de Espanha e Carlos VIII de França...
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Nota: Tenho de consultar minha fada madrinha  de vassoura piaçaba.... Nem tomei nada, nem um pozinho, sequer... 
Glossaário:
Mwenangola: - Donos de Angola; reis de N´gola
Maculo: - Antepassado
Canvuanzaa: - Confusão; luta; xinfrim
Xinfrim de xoto: - Confusão de bufa; peido doido
Amazulu: - Dialeto Zulu
Xova-xitaduma: - Condutor de cangulo (Moçambique); um monangambé proletário; Condutor de carro de mão
D´jango: - Casa comunitária; forum; sitio de assembleia do povo ou de reunião; sítio só p´ra falar mesmo, ou cachimbar
Mulungo - M´zungo; branco em Zulu
Matumbola: - Morto vivo, uma assombração; um deus-me-livre; alma penada
Ilundado: - Espírito superior
Chicoxana: - Século (Angola); ancião com sabedoria, Kota com suko
N´`kuluculu mulungo: - Deus branco (Zulu)
Al-Hamra: - Alhambra em árabe
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cós diabos; Porra!
Mahezo!: - Tenho dito!
Muzua: - Armadilha; artefacto de prisionar
Quilunza: - Arma de fogo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:30
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Domingo, 28 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXVII

N`ZINGA E O FALA KALADO 
NA ILHA DO CARLITOS de Várias Partes – 28.04.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Foi uma grande e boa surpresa ver-te em Guarulhos e, quis manter-te afastado das periclitâncias. Ainda temos alguma jornada pela frente aqui e lá! Disse isto apontando o dedo para cima como se ele, FK já tivesse alisado seu caminho que conduz ao mukifo do céu; até talvez seja natural que ele tivesse trazido uma bússola em sua anterior ida; refiro-me àquela morte que resultou numa lenda ainda não contada aqui com rigor mas, cada item no seu cronograma. 
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Se houver um anjo espião, que o há pela certa, porque estas nuvens são demasiado traiçoeiras, vai ter de fazer uma triagem de tudo para poder juntar nossos hologramas. Eles, lá no MPLA são peritos em festejar nosso contentamento mas, depois dão palmadinhas nas nossas costas e numa de paz e reconciliação às tantas, espetam um pico imperceptível de cacto tabaibo com veneno de cobra mamba.

monstro4.jpg Acabávamos de saborear um caldo de camarão com jindungo na ilha do Carlitos. Sim! Disse eu numa de mudar o rumo à conversa porque se sempre pensamos em vinho envenenado vamos ficar detestávelmente paranóicos: - Lá também deve haver forro de serra, deve ter um Dominguinhos para alegrar a malta, não é!? 
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FK riu-se como não o via rir faz tempo e, por momentos sua cicatriz mudou de cor, ficou vermelha ressaltando os pontos feitos com mateba de Catete e deu para assustar vendo sua orelha de plástico hibernado ficar pululando de tremura. Deu umas tossidelas com som estranhamente fino, coisa invulgar por sempre ter voz de trovão e, num repentemente tudo normalizou. Graças a Deus, muxoxei baixinho.

pombinho5.jpg Tu és muito astuto de picaro, disse FK: por isso é que o Mais-Velho te mudou de secretaria sem secretária, chupando na mandioca para fazeres teus poderes dialécticos como Secretário de Relações Públicas. Mesmo assim na merda de nossa vida encantada, nunca tivemos momentos altos de nos enaltecerem nas devidas proporções, mas, deixa para lá... A estória só nos anoiteceu! Conclui, dando um tremendo dum peido de assustar os bem-te-vi. Para eles! - disse.
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Sim! disse ele, o Fala Kalado depois de entornar a sua décima primeira cerveja skol, depois de ter tomado três caldinhos variados de sirí e dar umas mais de doze bufas sonoras para aliviar o "simsenhor", como ele chamava ao seu forever, mataco açambarcador de cheiros variados, de fugir com a mão no aspirador de aromas.

quip´02.jpg Chiça, o cara continua: Nada foi fácil para ninguém em N´Gola, todos pareciam salalé a fugir de cobra surucucu para lugar desconhecido; uns foram para o Sul outros para aqui no Brasil e a maior parte seguiu para o M´Puto. Para ti, T´Chingange, foi um vôo grátis para Lisboa depois de passares umas quantas guias de transporte na ponte do Tundamunjila lá no palácio do desgoverno!
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Minha lenda, diz FK: anda a ser descortinada por ti, resquícios de investigação e relações publicas mas, toma cuidado, nem todos os que parecem ser, assim o são. Como assim!? O que é que tu sabes que, eu não sei. Tambula konta meu irmão: tem gente que te quer fazer trepanação a frio e tu com teu kixibus todos, não vais aguentar... Anda pianinho - malembe melembe...

fuga6.jpg Realmente, só fui sabendo um pouco de ti aos poucochinhos, disse eu para dar finalidade a tanto retalho do tempo. Passando uma esponja sobre e sob tantos pormenores dir-te-ei que ajudei a reformular a ala do MPLA de Chipenda mas, por falta de consistência e também de coerência, estando eu já no sul, aderi à UNITA . Foi Salupeto Pena que me convenceu.
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Aí está uma afirmação que desconhecia, por isto é que a insatisfação tomava conta de mim tornando-me um gelo no estado sólido mas, curiosamente muito quente como quem apanha em cima um balde de água. Isto já era demais - ficando assim na dúvida se não seriamos uns hologramas, fizemos uma pausa na piscina, pischinando...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:26
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Sábado, 27 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXVI

N`ZINGA E O FALA KALADO 
NA ILHA DO CARLITOS de Várias Partes27.04.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Ele, Fala Kalado, quis ficar longe das vistas e já na Ilha do Carlitos foi-me dizendo que tem andado recatado, metido na sombra e no mato, para fugir de toda aquela vida de kazucuteiro, da venda e compra de armas. Kamanguista, já era - trespassei por bom dinheiro! Agora só quero mesmo gozar minha velhice com a tranquilidade permitida pelo reumático.

lampião10.jpg Quero ir à Serra da barriga depositar em selo, as vontades dos próceres matumbolas (mortos vivos) de N´Gola, N´Zinga, Hoji-ya-Henda e Monstro Imortal, heróis da guerra do Tundamunjila descansando sua eternidade junto dos seus antepassados, no Quilombo de Poconé; aliás já falei nisso! Pois, quero ir lá contigo porque sei que conheces bem, as antigas terras de Zumbi dos Palmares.
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Quer-se dizer, vais acabar cm a minha estória do Fala Kalado! disse-lhe eu. Tu é que sabes! Foi a resposta. Mas, há muito que contar - assim queiras, conclui... Por agora vou lá deixar as placas comemorativas, última vontade daqueles tais, para culminar esta etapa de familiaridade muito relegada no tempo.

flor6.jpg T´Chingange fala: Tua vida tem sido complicada depois que o Mais-Velho Jonas te mandou "fazer a folha". Também, a desviares tanto "feijão branco", daquele jeito, só poderia dar nisso. Só quando te vi no terminal de Guarulhos é que fiquei a saber e, com muito espanto que estavas vivinho da costa. Para mim, tu já estavas no eternamente do mukifo do céu...
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Recordo-te quando nos vimos de relance em ótxicoto lake da Namibia, faz tempo, com um tal de Mike Guiver, angolano preto, mas depois escafedeste-te da minha memória - tua t´xipala ficou baça e grudada no cerebelo como torrão de alicante preto. 

lampião23.jpg Durante algum tempo até recordei esse ximbicador de mambos, tocador de viola e baladas das anharas mas tudo se foi esbatendo. fazia-te morto naqueles confins, terras do fim do Mundo do Dirico, Divundu ou Rundu... Pois! Como disse (era o FK a falar) tu, T´Chingange ainda tens muito para contar pois que, foste Secretário de Informação e Propaganda naquela fase embrionária do Comité da Caála do Huambo aonde estava nosso comum amigo Kalacata. 
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É verdade - falei eu: Nesse tempo ambos sonhávamos com imagens inteiras mas, depois nossos destinos foram-se fragmentando, tal e qual como aquelas molas helicoidais das granadas ofensivas.

nito01.jpeg Lembro, disse! Ficavam quase em nada quando estilhaçavam. Tal como nossas vidas, rematou FK. A conversa estava boa de lembranças recordando aquele passado feito "NADA" neste "TUDO" de agora a falar de outros tempos... Soube que o Mais-Velho Jonas, reformando o Comité da Caála deu-te novas funções de Secretário de Relações Publicas, que quase morreste em Kalukembe na curva da morte. 
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Hó, se lembro! Desse tempo em que me mataram junto com o galo desenhado no capôt do meu renault major - em Kalukembe! Pensavas que eras o único morto nesta estória? Já relembrei por aqui e por ali o que foi essa minha vida; como dizes ainda haverá muito para dizer - de forma aleatória correndo no tempo para lá e para cá.

lampião19.jpg Afinal, ambos fomos abençoados. Estarmos aqui a contar isto que é uma estória quase igual à do Lampião, muito cheia de espinhos. Temos de andar com cuidado porque os cactos têm acerados picos, os mesmos que o cegaram sem nunca ter vingado a morte de seu pai Virgulino Ferreira. Virgulino, que nome mais traiçoeiro - cheio de virgulas...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:11
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Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
XICULULU . CIII

TEMPOS QUENTES 24.04.2019 
MALAWI – NIASSA . No vale do Rift - De várias partes 
Por 

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 

rift16.jpg Mitologia de terremotos e vulcões ... Mitos, histórias e lendas sobre terremotos e vulcões de todo o mundo podem às vezes ser engraçados e elaborados. Antes da ciência moderna, os vulcões iriam explodir, as tempestades iriam romper-se e os terremotos tremeriam. 
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Tais incidentes hipnotizavam as pessoas, pois não sabiam do por quê e como. Como resultado, histórias para expor esses fenómenos foram desenvolvidas. Portanto, pessoas de todo o mundo têm usado mitos, lendas e histórias para explicar sobre terremotos e vulcões.
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Essas crenças e normas culturais foram à sua vez, uma maneira de tentar entender os poderosos fenómenos naturais que poderiam afectar muito a vida das pessoas. Eles evoluíram ao longo de milhares de anos em várias culturas e foram transmitidos ao longo de gerações.

rift14.jpg Em muitas culturas, no entanto, os animais, incluindo os seres sobrenaturais que vivem tanto na superfície da Terra como no subterrâneo, eram / são de se acreditar, estarem associados com terremotos e vulcões.
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Algumas culturas ampliaram esse tipo de história para incluir muitos animais que compartilham o fardo de carregar a terra. Em N´kwazi, rio Cubango, o Okavango da Namíbia, não muito longe do Rundu, pude saber esta interligação cultural pois que este nome corresponde a uma ave pesqueira e, tem o significado de liberdade. 
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Um peixe-gato gigante encontra-se enrolado sob o mar com uma ilha apoiada nas costas. O bagre, gostava de fazer brincadeiras e só podia ser contido por uma deusa chamada Kashima. 

rift13.jpg Enquanto Kashima mantivesse uma rocha poderosa com poderes mágicos sobre o peixe gato, a terra estava parada. Mas quando ele relaxou sua guarda, o peixe-gato se debateu, causando terremotos.
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A terra é considerada um disco plano, sustentado por uma enorme montanha a oeste e por um gigante a leste. A esposa do gigante segura o céu. a terra treme quando ele pára para abraçá-la. ´esta uma das lendas da África Ocidental. 

rift17.jpg Em Afar, o Vale da Fenda é todo coberto de pedras vulcânicas, o que indica que a litosfera é tão fina que pode estar a ponto de romper. Quando isso acontecer, um novo oceano começará a se formar pela solidificação do magma no espaço criado pelas placas quebradas.

rift15.jpg Eventualmente, em um período de dezenas de milhões de anos, o oceano vai se espalhar por todo o Vale. Por fim, a África ficará menor, e uma ilha gigante surgirá no Oceano Índico. Embora o processo seja acompanhado de terremotos, na maior parte do tempo ele se dará de forma silenciosa, sem que ninguém se aperceba.
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:02
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Terça-feira, 23 de Abril de 2019
CAZUMBI . LIV

CINZAS NO TEMPO - 23.04.2019
Todos somos actores num palco... Num grande palco da vida. O importante é inventar diferentes cenários sem nunca perder o fio à meada. 
Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 

soba002.jpg A maioria das pessoas prefere interpretar a historia como o desenrolar de um desígnio sobrenatural, tendo por norma sempre um ou mais autores a quem referenciamos. Esta nem sempre reconfortante interpretação, foi-se tornando menos sustentável à medida que o conhecimento do mundo real se foi dilatando.
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O conhecimento cientifico em particular, quando medido pelo número de cientistas e, de publicações cientificas, tem no decorrer de mais de um século, vindo a duplicar a cada dez ou vinte anos. Nas explicações tradicionais do passado, as estórias religiosas da criação, têm sido combinadas com as humanidades para atribuir sentido à existência da nossa espécie. Em cada época, sua exigência!
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E, tendo neste agora só o planeta terra para coabitarmos, teremos de dar sentido ao que falta desenvolver. Neste passo de nossa viagem, pretendido na condição humana, precisamos de uma definição de história bem mais ampla do que aquela que convencionalmente é usada; daqui a se poder dizer: Apenas a sabedoria baseada numa autocompreensão, e não a piedade, nos salvará (uma forma de falar...)

picasso3.jpg Sendo assim não se explica por que razão temos esta natureza especial e não outra qualquer de entre um vasto número de possíveis naturezas. Neste sentido as humanidades não alcançaram e, jamais alcançarão uma compreensão total no sentido da existência da nossa espécie.
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Tendo nós humanos a capacidade de nos exprimirmos nas artes criativas, deleitamo-nos de maneira instintiva com os relatos de estórias de ou acerca de terceiros, actores imaginados em um palco albergado em nosso interior, nossa ilusão.
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Nossos vastos "bancos de memoria" podem ser activados sem grande dificuldade conseguindo combinar o passado, o presente ou o futuro permitindo-nos até avaliar possibilidades de criarmos vínculos afectivos, promover rivalidades, fomentar o ódio e até o amor, enganos, lealdades ou traições.

p-brana3.jpg Na sequência de um desenvolvimento mental incessantemente dinâmicos, há sem duvida comportamentos dissonantes expressas em competição, cooperação ou ódios. Será necessário ter uma memória suficientemente boa para analizar as intenções de outros.
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Outros, pertencentes a um grupo social; prever as suas reacções num processo constante de suficiente plasticidade, ou maleabilidade.

p-brana4.jpg Ensaiar ou inventar diferentes cenários sem perder o fio nas interacções que se seguem, como se diz, o fio à meada. Tudo isto para afirmar que todos somos actores num palco... Num grande palco da vida e, aonde é a conversar que a gente se desentende... 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:28
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Domingo, 21 de Abril de 2019
MOAMBA . XXVI

MOAMBA . XXVI

Dizem que já estamos no século XXI... 
NA TEORIA DA APTIDÃO INCLUSIVA - 21.04.2019
Gente com quem me fiz gente... Moamba é cozido de galinha feito com azeite dendem. 
Por

soba03.jpg T´Chingange - No Nordeste do Brasil

himba3.jpg Para a generalidade da população brasileira, Exu, é o chifrudo, o cão, o tranca-ruas. Falando assim em tempo de Páscoa, até parece ser uma rebelião aos conceitos cristãos mas, e porque nem sempre domino as modas com rosas de magnólia estampadas na frontalidade, fico-me muitas vezes feito um analfabeto comendo iliteracia, lambuzando-me com um livro entre as mãos.
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Bem! É verdade que só se alcança a sabedoria reconhecendo a ignorância. Creio que já outros o disseram mas é deste jeito que a evolução na sociedade interage, somando amizades por afinidades ou hereditariedades. Caramba, até parece que engoli uma grafonola com palavras caras mas, se não é bem assim andarei por perto.
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Naquele dia que já passou, faz tempo, todos os jornais falam na participação de mercenários angolanos na guerra dos morros do Brasil. Genericamente, um morro é uma elevação aonde se amontoam como baralho de cartas construções que avançam para os matos; matos que normalmente pertencem à riqueza soberana do país - a floresta. 

moc1.jpg Fugir para o mato ou para o morro é um trocadilho que funciona na ilegalidade, construções ao deus-dará escorregando nas chuvas que até ipé-roxo levam, assim como um chá que ao invés de fazer bem mata; de novo, mata. O que resta é isso, vou fazer o quê: Os bandidos ou matam ou morrem, quer-se-dizer fogem pró morro. Portanto não é de admirar haver aí especialistas com tecnologia de ponta, angolanos! Eles são bons nisso!
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Há circunstâncias em que: - Ou mato, ou morro! Tudo a condizer com esse Exu, dia do cão! Separando os boatos das denúncias relevantes desde o topo até o disk-denúncia 181, teremos de somar as falsas noticias também conhecidas por Fake News, que em verdade podem interferir negativamente em vários sectores da sociedade tais como como a política, a saúde e a segurança.
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Assim pensando, não consigo desgrudar do Zumbi esta nova relação com os mwadiés de N´Gola porque, de numa ou mato ou morro Zumbi, ali se foi alojar - um reino chamado de "Morro da Barriga". É assim que encontro o Euclides, um jornalista benguelense a falar com paixão de tudo aquilo imaginado, ultrapassando a realidade; confundindo-me.

moça4.jpg Durante o ataque dos polícias ao Morro da Barriga, viu-se a si próprio com armas na mão, abrindo caminho a tiro, como se estivesse sentado tranquilamente no cinema Miramar da Luua, ou no seu quarto jogando um videojogo. 

nova.jpg O Jornalista da terra do siripipi, retira uns jornais da pasta e lê: - "A polícia procura mercenários angolanos envolvidos na guerra dos Anjos. Um dos polícias que participou no assalto ao morro contou ao nosso repórter ter visto um crioulo alto, vestido com elegância, assassinar com dois tiros certeiros um dos agentes".
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«O policial que pediu para não ser identificado, afirmou que o dito cujo individuo, seguramente um militar, gritava instruções aos bandidos com forte sotaque lusitano.» Seguramente era angolano pois que em seu sotaque abria todas as vogais! 

himba4.jpg Bom! Aquele angolano pelo menos era elegante, bem vestido, tinha um laçarote vermelho e preto parecendo uma bandeira pois que ainda se podia distinguir uma catana e uma roda desdentada. Até deu para ler um CV esvoaçando nas letras: Comando Vermelho. Estes mwadiés são muito matumbos! São incapazes de distinguir uma tomada eléctrica de um focinho de palanca.
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:22
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Quarta-feira, 17 de Abril de 2019
MOKANDA DO SOBA . CXLIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - 17.04.2019
Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro
A ficção e a realidade serão coisas poucas se considerarmos que só somos uma ilusão. Tudo morre e, tudo revive em tempo que lhe é seu. Ontem assisti com imensa pena ao quase fim da Catedral de Notre Dame de Paris, uma obra de arte, monumento tão velho como a criação de Portugal, ou quase! Em 1139, depois da vitória na batalha de Ourique contra um contingente mouro, D. Afonso Henriques proclamou-se Rei de Portugal com o apoio das suas tropas.

paris01.jpg A Catedral Notre-Dame de Paris é uma das mais antigas catedrais francesas em estilo gótico. Iniciada sua construção no ano de 1163, é dedicada a Maria, Mãe de Jesus; situa-se na ilha da cidade de Paris, rodeada pelas águas do rio Sena. Entre estas datas há exactamente 24 anos de diferença - quase nada no contexto do Universo.
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Estive ali no ano de 2009, dez anos atrás e, pude apreciar desde o rio Sena a majestade daquela obra secular. Rio acima, rio abaixo pude apreciar o quanto tudo era belo. Fiquei muito triste ao ver aquelas labaredas queimando tão riquíssimo património; doeu, ver seu pináculo rendado acima da cúpula, cair rodeado das chamas vermelhas.

Paris1.jpg Interroguei-me do porquê de não haver ali automatismos para se apagar tal incêndio. Provavelmente até há, mas foi dito que estava em curso uma restauração, obras de conservação. Se foi ou não erro humano, o certo é que algo falhou e este descaso a ser assim, não deveria ter acontecido. Ouvi dizer que o ataque às chamas deveria ser cauteloso por via da água alterar as propriedades das velhas pedras podendo fragmentá-las em areia.
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É lógico pensar-se que as fracturas surgem pelas grandes variações térmicas mas, sabendo nós haver outros químicos alternativos repetimos o caso com demasiados talvez. Daqui poder dizer-se que até as pedras, no tempo se desfazem em desertos. Desertos que cada vez mais se estendem no mundo que habitamos - a Terra.
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Também daqui dizer-se que efectivamente somos uma ilusão e, só enquanto o somos! Tenho tomado consciência no tempo que é este "agora" que importa e, é neste agora que devemos dizer o que temos para dizer. Porque tal como uma infinidade de pontos formam uma recta, tudo terá sequência se se der sinal de existir adicionando um ponto à recta. Sabemos que o alinhamento de um azimute ou rumo só é definido por um terceiro ponto colinear 

paris2.jpg Sendo assim nos contactos que tenho na forma de gente, são poucos a assumir esta equação reduzida da recta (y = mx + c).
Isto porque e, principalmente vivem uma ilusão de vida que é a sua. E, porque não se assumem dizendo o que pensam, porque alguém supostamente pode julgar incorrecta ou não gostar.
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Quantos MAS existem em nossas vidas tão formuladas ou formatadas em normas, em paradigmas, em dogmas esquecendo-se que num amanhã tudo pode acabar ou acaba mesmo!
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Notre Dame decerto, irá renascer para se perpetuar nossa vontade de fazer, de fazer querer ou tão somente ver. Uma aranha que faz a sua teia, tem a intenção de apanhar uma mosca, quer tenha ou não consciência desse resultado - É esse o sentido da teia. O cérebro humano evolui segundo o mesmo conjunto de regras que a teia da aranha.

paris3.jpg Cada decisão tomada por um ser humano possui sentido, naquela primeira intencionalidade, o desenrolar da estória obedece apenas às leis gerais do Universo. Cada evento é aleatório ou alterado, na probabilidade de eventos posteriores. Quem se seguir a mim, por favor apague as luzes.

O Soba T´Chingange

sacag1.jpg EM TEMPO - ADENDA POR Maria Joao Sacagami

:::11.1

Vou fazer dois reparos ao teu texto de que gostei por demais. O primeiro diz respeito a quem Notre Dame foi dedicada. Foi construída pelos Templários, que encontraram em suas andanças pelo Oriente Médio documentos que hoje jazem (esse é o termo, dado que estão profundamente enterrados) no Vaticano, e que apoiados por tais documentos se tornaram os Guardiões de um Segredo relacionado com Jesus e Maria Madalena. Mais propriamente, foram os guardiões do segredo de Maria Madalena, a quem veneravam como a Grande Senhora. Seus mais ferozes perseguidores, os Dominicanos, são hoje os Guardiões.

santi2.jpg :::11.2

Seus seguidores, os maçons ou livre pedreiros, construíram a Catedral de Paris e outras na Europa, orientados pelos ensinamentos de grandes mestres pedreiros e da arte dos vitrais. Nas paredes e detalhes de Notre Dame foram embutidos milhares de símbolos. Um deles o duplo M que se vê em vários desses espaços chamados sagrados, MM, não significam Mãe Maria mas Maria Madalena. A Virgem Negra, porquanto oculta, portadora dos conhecimentos e rituais antigos. Tão antigos quanto os conhecimentos e rituais praticados nesses locais, antes que outros templos fossem erguidos. Uma das razões para a escolha do local aliás, sempre foi o fato de anteriormente terem sido templos dedicados à Grande Mãe. 

:::11.3
O segundo diz respeito ao que se perdeu. Além da simbologia e das técnicas que nos são hoje desconhecidas, perderam-se ornamentos e estruturas criadas de forma específica para auxiliarem a repercussão dos sons dos cânticos e órgão, que iriam influenciar as emoções e pensamentos dos que entravam na Catedral. Cada um deles trabalhado intencionalmente para emitir o som em ondas que reverberam em formas geométricas.

sacag4.jpg :::11.4

A Cimática, ainda que seja uma ciência recente, estuda essas ondas e formas, assim como o resultado sobre o equilíbrio humano. Estudava essa como estuda outras Catedrais. As ondas geradas criam aberturas sensoriais que permitem uma elevação extraordinária de pensamento e emoção, e quiçá portais de acesso espiritual, facilitado também pelo fato de ter sido a Catedral construída sobre um manancial de água, tal como os templos que a antecederam.

sacag2.jpg :::11.5
Ela foi reconstruída antes. E muito se perdeu. Mas não tanto quanto nos nossos dias em que as pessoas (engenheiros e arquitetos) que se envolverão com o processo, não possuem uma pálida ideia do que ali estava ancorado. E, possivelmente, nem se importam.
Notre Dame de Paris, infelizmente, nunca mais será a mesma.

Maria João Sacagami

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
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Terça-feira, 16 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXIV

N`ZINGA E O FALA KALADO  – 5ª de Várias Partes – 16.04.2019
Por

soba15.jpgT´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Depois de falarmos do calor, da brisa e tempestades, um pouco por todo o lado, Fala Kalado iniciou suas confrontações: - Estás gordo, meu! Gordo e velho - já somos dois, deixa para lá! Interessante tu ainda te recordares de Kalacata!? Já andava ansioso para te rever, depois daquele encontro em São Paulo mas, os motivos ponderosos estavam escaldando. Felizmente já me libertei desta carga. Assim com um chorrilho de perguntas, afirmações e interrogações, ambos fomos sublimando nossa empatia. Curiosamente, achei-o muito sereno, aliás surpreendentemente sereno para um morto.

 

kilo8.jpg Muito de cautela perguntei-lhe: - FK, como consegues conciliar tua vida depois de reviveres de um modo assim tão vivo, tua morte. Recentemente soube que um tal de Luís Neto Kiambata, dirigente do teu defuntado MPLA da LUUA, declarações à imprensa - uma palestra sobre “A Vida e Obra de Nelito Soares”, no âmbito do 27 de Julho de 1975, que assinala a tua morte... Ele fez menção de que não chegaste a ver a independência no dia 11 de Novembro.

missosso9.jpg FK, fez todos os possíveis para não me interromper pelo que continuei: -Até recordaram o 4 de Junho de 1969, por acaso dia do meu aniversário; falaram até em Diogo de Jesus, afectos ao MPLA, de quando desviaram para a República do Congo um avião da DTA, coisa já aqui falada, a predecessora das Linhas Aéreas de Angola (TAAG). 

missosso3.jpg Precisamente na altura e neste dia comemorava os meus anos no Miconge, lugar conhecido por Sanga Planicie. Mas diz qualquer coisa! Com um enorme trejeito de desagrado ao ponto de fazer tremelicar sua orelha esquerda de plástico falou: -Pois! - Esse tal de Nélito morreu mesmo. Vais desculpar-me mas terei de ficar mesmo calado nesta matéria de recordar o que não quero lembrar e, em verdade já nem me lembro porque virei matumbola.

missosso6.jpg OK! Se queres, assim será; para mim és o Coronel Fala Kalado e não se toca mais neste periclitante assunto. É melhor! - Diz ele assim na forma de muxoxo carregado de naftalina misturada com creolina; deu para notar que era mesmo um ponto morto, morrido, defuntado. Bem! Fazia-te em Curitiba, Poconé mas, nunca aqui. Falei assim para quebrar qualquer gelo metido nas frinchas enferrujadas e ainda não sublimado em nós.

missosso4.jpg Em verdade estive naquele lugar do qual te dei um cartão que dizia. Terei de aqui recordar: ONG FENIX – Rua de la Paz nº 184 - Edifício LOPANA. Bem ao centro em letras quase góticas: FALA KALADO - (Coronel Emérito), tendo por debaixo em letra romana e inclinada os dizeres: Relações Internacionais.

missosso7.jpg É certo! É FK que retoma as falas dizendo: Esse é o lugar de contacto que ainda se mantém mas, em realidade os matumbolas kiandas de Hoji-ya-Henda e Monstro Imortal, heróis da guerra do Tundamunjila mais a Rainha N´Zinga estão descansando sua eternidade junto dos seus antepassados, em um quilombo situado perto de Poconé, capital do garimpo.

missosso12.jpg Eles fizeram questão de ali permanecer junto a seus próceres de N´Gola preservados no tempo em um estado quase puro. Ficaram em uma especial Cubata - Jango no quilombo de Urubama. Tudo porque existe ao redor muitos outros com nomes bem curiosos tais como: Aranha/ Cágado/ Campina de Pedra/ Campina - Canto do Agostinho/ Capão Verde/ Céu Azul/ Chafariz .
:::::
E porque são tantos enumero mais alguns para teres ideia de como ficam bem acompanhados: Chumbo/ Coitinho/ Curralinho/ Imbé/ Jejum/ Laranjal/ Minadouro - Monjolo/ Morrinhos/ Morro Cortado/ Pantanalzinho/ Passagem de Carro/ Pedra Viva/ Retiro/ Rodeio/ São Benedito/ São Gonçalo/ Sete Porcos/ Tanque do Padre Pinhal/ Varal. Acho que chega, não!?

missosso11.jpg Para teu sossego e conhecimento, o Brasil tem uma Portaria, incluída no Decreto Presidencial nº 4.887/2003, que regulamenta o procedimento para identificação e reconhecimento destes quilombolas.  A referida Portaria destaca em seu artigo Art. 2° - Para fins desta Portaria consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos os grupos étnicos raciais, segundo critérios de auto atribuição, com trajectória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com formas de resistência à opressão histórica sofrida. (FCP - Portaria 98/2007) . Como vez, não poderiam ficar em melhor lugar... 
( Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
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Domingo, 14 de Abril de 2019
MU UKULU – XIX

MU UKULU...Luanda do Antigamente14.04.2019 
MUXIMA E MASSANGANO - Uma visita à Fortaleza de S. Miguel. Saber do passado para melhor se entender o futuro...
Por 

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

Mu Ukulu44.jpg  Li uma tese da análise da Unicamp em Brasil e achei interessante continuar este tema sobre a instalação de uma fábrica de ferro na região da Ilamba, no interior de Angola. Na segunda metade do século XVIII, a partir do ponto de vista das sociedades africanas, as mudanças nas relações de trabalho foram bem impactantes. Acabaram assim, por deslindar haver modos de exploração do trabalho dos Ambundos, para além do da escravidão.
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O estudo das faces normativa e prática dessas transformações impostos desde a conquista, trazem para o centro da narrativa os problemas de se ser subalterno a um processo alheio à sociedade. Os representantes da elite política africana, reivindicavam seu estatuto de vassalos para denunciar abusos que sobre eles cometiam.

Mu Ukulu02.jpeg Outros aspectos das relações coloniais manifestos durante a construção da fundição de Nova Oeiras foram os conflitos em torno de minas e terras mais o controle da fabricação e comercialização de objectos de ferro. Esses recursos naturais e utensílios de ferro, tinham já para os africanos significados distintos do económico. 
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Os ferreiros e fundidores da Ilamba produziam um ferro de alta qualidade em fornos baixos, com seus instrumentos rústicos. Sua trajectória, enquanto grupo de artesãos, foi o fio condutor da pesquisa, pois permitiu compreender as disputas, e conflitos de poder. Costumes e tradições envolvendo tanto as estratégias do domínio colonial português, quanto as formas de resistência a ele. Daí a invenção de novas práticas, com elaboração de discursos articulados subjacentes à sua emancipação. 

Mu Ukulu27.jpg Nota-se que as determinações locais tiveram peso tão ou mais significativo nas decisões tomadas na sede do Império em Lisboa. As ideias surgem ilustradas na principal fortaleza colonial para marcarem esse período. Fortaleza de São Miguel, baluarte de poderio Luso. Como podem deixar agora arrefecer estes relacionamentos que determinaram a nação presente. Como podem agora desclassificar e menosprezar a gesta Lusa que também foi heróica. Aqui se forjaram ideias e ideais que simplesmente não podem ser arredados.
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Os embates entre as personagens do Sertão de Angola - sobas, os filhos, capitães-de-mato, ilamba, imbari, negociantes, pumbeiros, ferreiros e fundidores - todos, guiaram as directrizes governativas em Luanda e enfatizam, talvez sem o saber as complexas redes hierárquicas nas relações de domínio, embora o sendo no auge do negócio negreiro . 

Mu Ukulu43.jpg Por fim, na base de uma leitura das fontes que privilegia o ponto de vista africano, propõe-se uma nova interpretação sobre as narrativas dos fracassos de Nova Oeiras, considerando que os Ambundos elaboraram estratégias bem-sucedidas para manter em seu poder os conhecimentos e os benefícios que a metalurgia lhes conferia.
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Haverá dignidade na menção, porque em pleno século XX o Governo de Lisboa ainda tinha aversão a tudo o que fosse cultura em Angola. O revolucionário empreendimento de Inocêncio de Sousa Coutinho, foi liminarmente abandonado, e intencionalmente esquecido. Em Novembro de 1772, após 8 anos fecundos e únicos na governação de Angola, depois da sua partida para Portugal o que o sucedeu; o Governador António de Lencastre, simplesmente, ignorou toda a sua obra.

Mu Ukulu29.jpg  A fundição de Nova Oeiras, uma homenagem ao primeiro ministro de Portugal Conde de Oeiras depois Marquês de Pombal, acabou por se transformar num local turístico que desperta nostalgia a todos os estudiosos e desejosos de verem aquela terra como sendo de todos que nela nasceram sofrendo também tantas tragédias, abandonos e descaso ao ponto de serem relegados a coisa nenhuma. 

Mu Ukulu45.jpg Esta fundição foi a primeira em África, à frente de quase todos os países europeus. E, ainda existem canhões fundidos naquele tempo para falar verdades de trovão; a pura palavra de se dizer: A verdadeira vontade de fazer progredir Angola. Não basta dizer que a cerca de 150 km do Dondo entramos no reino da Rainha Ginga . Nossa memorias vão mais além dessa sintetica negritude que por ironia, nos querem tatuar na pele para enfatizar...

NOTA FINAL AO JEITO DE COMENTÁRIO

-Sempre vinco o direito da nacionalidade como nascimento ou por obras meritosas feitas e para Angola! Ao invés de proporcionarem este principio, os ditos angolanos "genuínos" que se dizem ser no topo da escala, desmereciam ser angolanos porque açambarcaram para além do poder a economia roubando desmedidamente.

Houvesse gente interveniente aqui que não se limitasse a dizer "esta bem" ou clicar no "gosto" para se apelar ao governo de Angola que: - Eram mais merecedores serem angolanos aqueles colonos que tanto labutaram, do que estes ladrões que açambarcaram por graciosidade de Portugal tamanha responsabilidade.

Quisesse eu ser um sociólogo, pegaria nisto para me tornar doutor por tese. Talvez Fernando Vumby na Diáspora possa pegar nesta matéria e dar-lhe o devido relevo... Ou também o professor Júlio César Ferrolho ou Edgar Neves entre outros .... GENTE DE CRÉDITOS E ACREDITADA...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:10
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Sábado, 13 de Abril de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXIII

De novo, estou com o nº DOIS - livro do Agualusa - A tua pele tem um cheiro estranho - cheira a sonhos... 
No Morro da Barriga... 13.04.2019 
Por 

soba001.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 
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Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassumal. 
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira. 

cazumbi2.jpeg::::224
A cadelinha, um animal mutilado sem as patas traseiras, o tronco preso a uma pequena plataforma com rodas. O meu novo amor, não é fofinha? Euclides, o jornalista benguelense diz que sim! Que se lembra do bicho ao lado de um homem gordo, em Ipanema. Encontrei-a à porta do meu prédio; a bichinha passava o dia inteiro ali, uivando, chorando que fazia dó.
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A cachorrinha tinha o nome na coleira: Maria Bonita, pode?! A moça do biquíni negro exaltando a brancura, fala: Felizmente achei você! Conversa puxa conversa e vem à baila o medo que que anda solto cheirando as emoções: - O presidente José Inácio continua preso. O Brasil mudou muito nos últimos tempos; o Comando Negro chamou a atenção do Mundo e nas eleições escolheram Bolsonaro! Espero que endireite este país - pois, que ele possa cheirar as emoções ...
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Muita desgraça junta diz. Barragens a deslizar, corpos por encontrar, chuvas a levar o o lixo pró mar, muito lixo, prédios que caem, corpos que não aparecem: Um cadáver faz muita falta; sem ele não há subsidio, não há renda, não há jurisdição. E, Jararaka desapareceu, sabes!? 

araujo169.jpg :::::227
Alguém disse que o viu a beber suco de acerola na Feira de Gravatá; mas na segunda roda de perguntas, os policias já tinha duvidas se não seria em Caruaru, na festa do Jesus de Nazaré na Nova Jerusalém. Outro foi dizendo que até conversou com ele num acampamento dos Sem Terra, no Espírito Santo; lugares bem distantes um do outro. 
:::::228
Um grupos de seringueiros tem a certeza de que o viu em Xapori, sublevando índios, numa aldeia dessas do Alto Xingu - está virando folclore disse a moça sorrindo num riso tristonho. Euclides sabe o que ela quer dizer: mula-sem-cabeça, caipora. Ela passa os dedos pelos cabelos, pelos olhos e fala em seguida 

araujo160.jpg :::::229
Vigora ainda uma espécie de desleixo socialista, sabes? Hó se sei, diz o benguelense: Como eu conheci Angola em outros tempos, quando NADA era de ninguém - e, portanto ninguém se preocupava com o que quer que fosse, NADA. 
:::::230
A moça, a brasileira, continua intensa e gloriosa, um pouco triste, diga-se mas por vezes sua voz perde o brilho, tem momentos de ausência, há uma espécie de cansaço ou de desengano, na forma de como fala no futuro. Continua a haver muitos feminicidios, muitos assaltos, muita ausência de justiça. 
:::::231
A brasileira debruça-se sobre a mesa pousando a mão na dele. Àquela hora havia mais gente a tomar o café da manhã. Que pensarão os demais clientes. Sabes do que vou ter mais saudades para além da tua companhia - Do grito da cuíca... das batucadas em caixinhas de fósforos.
:::::232
Com uma lágrima nos olhos ela disse assim sem pensar, até: - Lá em cima tem! Você acha? - Claro! Não é o Céu? E, acha que tem tapioca, banana assada com canela e açúcar ? Tem tudo diz ela como para o consolar - Até tem escolas de samba... A voz de Martinho da Vila faz-se ouvir : « Zumbi, Zumbi, Zumbi dos Palmares, Zumbi...Os grandes ideais não morrem jamais».

beldr7.jpg :::::233
Tens razão! A morte é uma bela aventura. Peter Pan! Não era ele que dizia isto? - Acho que sim, devia ser. Ele voava, lembras-te? Eu sempre quis seguir o Peter Pan. O jornalista benguelense fala pela última vez: - Tens razão - Não há finais felizes, mas há finais que anunciam tempos melhores
(FIM - para o livro DOIS) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:07
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Sexta-feira, 12 de Abril de 2019
MU UKULU – XVIII

MU UKULU...Luanda do Antigamente12.04.2019 
MUXIMA E MASSANGANO - Uma visita à Fortaleza de S. Miguel. Saber do passado para melhor se entender o futuro...
Por 

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil 

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro 

Mu Ukulu48.jpg Serpa pinto e Hermenegildo  na travessia de áfrica

Cabe aqui fazermos uma pequena visita rápida à Fortaleza de S. Miguel para revermos a chamada "Lusíada do Kwanza" em um tempo muito recuado - Massangano. Fazermos a leitura dos azulejos azuis mostrando a história de Angola que foram recuperados em uma data recente. Em 1764 há uma mudança brusca com a chegada de um novo governador geral. Era o Capitão Geral de Angola Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho a mando do Marquês de Pombal “primeiro-ministro” em Portugal. 
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A cidade de Sumbe, antiga Novo Redondo, foi fundada por Sousa Coutinho em homenagem a ele mesmo, por ser o Conde de Redondo. Sousa Coutinho, conhecido como o “Pombal de Angola” começou, de imediato, os seus objectivos com a
ocupação sistemática da costa entre os paralelos 14º e 18º Sul, com reconhecimento do Cabo Negro, pois que só existia ocupação até à latitude de Lucira (14º 30´Sul), ao norte de Moçâmedes. 

Mu Ukulu47.jpg A nova costa, pretendida por Sousa Coutinho, diz respeito à actual Costa dos Esqueletos e, abrangia uma faixa que ultrapassava a foz do rio Cunene, faixa que hoje pertence à Namíbia, perdida porque os portugueses não tiveram meios e gente para tão exaustiva tarefa de ocupação. Já se tinha conhecimento da foz do rio Cunene, através dos relatos (1678) de um frade capuchinho chamado Cavazzi e, que viveu em Angola mas, a sua ocupação estava longe de ser considerada a ideal.
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A fixação de colonos direccionou-se para os planaltos de Bié e Huíla, provenientes de Açores, Madeira e Brasil por via de haver aí um clima mais propicio à sua fixação. Junto à costa tudo foi mais difícil porque as doenças dizimaram os poucos aventureiros que para lá iam. Novo Redondo era por este motivo conhecida por ser o "cemitério dos brancos".

Mu Ukulu46.jpg Sousa Coutinho, foi o único Governador a proibir a guerra do Kwata-Kwata (Agarra-Agarra), mas infelizmente, mal ele virou costas, recrudesceu com mais ferocidade. Essa guerra, era feita pelos caçadores de escravos que mandavam os seus capatazes agarrar tudo quanto fosse possível de escravizar. Kwata ainda é a palavra que se grita aos cães para agarrarem qualquer coisa.
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Devido à ausência de vitaminas, presentes nos vegetais e frutas frescas, em Luanda, morria-se com escorbuto. As Delegacias de Saúde surgiram muito mais tarde tal como o começo do cultivo de hortas para daí se obterem os produtos alimentícios, verduras e, cereais nos rios relativamente próximos da cidade, o Kwanza e o Bengo. 

Mu Ukulu49.jpg Como complemento, criar estabelecimentos e grandes armazéns de víveres para alimentar a capital, uma ancestral forma de Armazéns do Povo ou grandes superfícies que surgiram após a independência, por via do escoamento de comerciantes maioritariamente brancos expulsos ou recambiados para seus eventuais destinos de origem no ano de 1975...
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E, foi naquele então que se deu início ao desenvolvimento industrial local com extracção de enxofre em Benguela assim como o cobre, o sal e salitre e, até ouro. Os diamantes surgiram mais tarde originando em exclusivo de exploração a uma empresa majestática com o nome de Diamang...
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Criação das fábricas de cordoaria. Estabelecimento do presídio de Novo Redondo que se tornou no tempo, a capital da província do Cuanza Sul. Criação da manufactura de carnes secas, couros e sabões, macaco e outros. Finalmente, o empreendimento que marcou o seu mandato: a criação da fundição de Nova Oeiras, na confluência do rio Luinha com o rio Lucala, a 5 km a leste de Cassoalala.

mU uKULU42.jpg Fote presidio de Massangano

Chegou a ser extraído ferro, e exportado para a Metrópole, com grande sucesso. Trabalharam nas minas 400 africanos “livres e sem constrangimento” segundo o dizer de Sousa Coutinho. Teve o condão de ter acreditado na potencialidade dos africanos, tendo escrito: «Sempre os negros trabalharam o ferro das minas de Nova Oeiras e dos muitos outros lugares do mesmo reino; e têm tal propensão para aquele trabalho que se sobressaíram como bons ferreiros. 

Mu Ukulu45.jpg Para esta fundição, um embrião de uma futura siderurgia, se continuada, foram para Angola 4 mestres de fundição, oriundos da Biscaia mas saídos do Brasil. Estes,tiveram fins prematuros - um ano depois da chegada! Também foram para ali mestres da Bahia; este, desembarcaram em Benguela, tendo desembarcando mais tarde em Luanda quase mortos, acabaram poucas horas depois com o tal de paludismo. Mas apesar destes infortúnios a fundição prosperou. Quando Sousa Coutinho regressou a Portugal em 1772 a fundição era um sucesso.
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:09
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXIII

N`ZINGA E O FALA KALADO – 4ª de Várias Partes – 10.04.2019
Por

soba15.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Nélito Soares foi assassinado à queima-roupa na Vila-Alice pelos comandos Tugas já depois do 25 de Abril de 1974, ainda debaixo da Administração de Portugal. Assim se pensava ter sido até o misterioso encontro entre o T´Chingange e o tal de FALA KALADO no aeroporto Internacional e do Terminal Doméstico numero DOIS de Guarulhos de São Paulo.

missosso2.jpeg E, graças ao “Morro da Maianga” consegui descortinar um pouco mais a minha alhada aqui comentada no meio de uma fricção ficcionada… Uma meia inventação em que só o tempo descortinará como verdadeira, essa morte do Nélito Soares, o mesmo FALA KALADO dos MISSOSSOS a virar lenda.
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Quanto ao Coronel FK, aparecerá nos próximos episódios mas em tempo de malembe malembe e da frente para trás porque os acontecimentos andaram muito mais rápidos do que a minha escrita e, recordar o passado, é forçosamente como fazer reverdecer erva sintética - uma trepanação complicada. 

oscar4.jpg Nesta tarefa de dar vida aos matumbolas plastificados, só mesmo o MPLA se pode considerar perito de primeira. Naquele então de 1974 e 1975 estes e os Tugas foram especialistas de dez estrelas. Mas, e, também porque nossas vidas assim foram determinadas, andarem para trás como o caminhar dum caranguejo robotizado. E, há muitos que continuam assim, robotizados, amaciando a podridão duma nação...
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Assim, só poderei dizer que FK (Fala Kalado) ingressou na UNITA posteriormente à sua própria morte (aparente) e tomou o nome de Fala Kalado (Fala como agradecimento às Forças Armadas de Libertação de Angola - FALA e Kalado por ser sua condição "sine qua non" secreta). 

paulo7.jpgAinda não eram seis horas da manhã, o sol estava erguendo-se ao nível do horizonte mas ia já nas silhuetas dum sexto andar e, eu na água fazendo exercícios. Hoje excepcionalmente fui abordado pelas alforrecas, águas vivas roçando seus fios raivosos nas minhas duas quinambas; coisa suportável e, segundo se diz benéfica para reduzir a artrite.
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Estive bem perto de duas horas dentro de água falando com um casal vindo de Pacatu de Minas Gerais, enquanto me mexia. Já sentado no banco corrido de cimento cru e à sombra dos coqueiros do calçadão, bebo minha água de coco comprada ao Jefferson. É bom lembrar aqui que este cidadão antes de iniciar suas tarefas e ainda, estando eu na água, correu a dar um mergulho de corpo inteiro. 

tonito16.jpg Jefferson após o mergulho levantou as mãos em adoração para o céu, orou ao seu Deus, ou ao paínho Cisso cantando um oração; de onde eu estava os dizeres eram monossilábicos, parecendo uma zoada carregada de muitos amém e estando eu assim pensativo nestas minudências da vida, aproximou-se um senhor já velho, camisa florida, cor e jeito de um cubano Caribenho.
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O chapéu de matuto do sertão não lhe conferia um esmerado gosto; fazia rodar em sua mão esquerda umas missangas feitas de pequenos búzios; Era assim pró moreno e dum perfil ginasticado, embora um pouco encarquilhado no rosto e na orelha esquerda. Sentado a meu lado e depois de uns curtos suspiros pude ouvir: Têm noticias de Kalacata? Não havendo mais ninguém ao nosso lado, deduzi que a pergunta era para mim.

nasc2.jpg Num repentemente minha massa encefálica, despertou meu astigmatismo e como um raio lazer caiu na realidade do nome afiando-me os olhos num só. Kalacata foi alguém de minha intimidade de quando eu fui Secretário de Informação e Propaganda do Comité da UNITA na Caála, também chamada de Robert Williams. Assim brutefeito, olhei para ele mais de frente e, tive um susto: - Era ele, o FK!
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Ambos nos levantamos e, sem nada dizer, nos apertamos num longo abraço. Minha cabeça convulsionava-se em desespero para entender este encontro assim tão inesperadamente esperado - tão súbito! Em verdade, sempre o seria em qualquer momento - estava ali a fera! O FK...

IMG_20170823_142728.jpg Titubeamos aos poucos as falas, assim como um motor com falta de ar no carburador e, desengasgando coisas recentes falamos coisas menores, como que a apalpar terreno e, lá me pediu desculpa por não me dar a atenção devida no aeroporto de Guarulhos. Disse-lhe que isso não era assim tão importante.
Em realidade mentia, agora com a fera ali tudo era importante. E, com tanta coisa para dizer, saímos dali para dar continuidade em outro lugar. Não é de admirar que estejam curiosos porque eu, também estou - e muito!
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:31
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Quarta-feira, 10 de Abril de 2019
MULUNGU . LXII

TEMPOS CUSPILHADOS 
A GUIANA JÁ FOI PORTUGUESA - 09.04.2019
Mulungu: Pode ser árvore de grande porte com flores grandes e vermelhas e homem branco em língua Xhossa 
Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

caiena1.png Por aqui ando esticando os ossos, entre ave Marias encavalitadas de prefácios que se baralham mas, que logologo se esquecem. Em finais do século XVIII e inicio do XIX, a colónia francesa situada ao norte da América entre o Suriname e o Brasil, na fronteira com o Amapá, possuía uma população rarefeita, concentrada em Caiena, a Capital. Com uma economia esclavagista, era voltada para a produção de cana, um, café, algodão, canela e outras culturas tropicais.
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Sendo um ponto de penetração francesa na Amazónia e litoral norte brasileiro, foi sempre alvo da acção diplomática portuguesa no sentido de garantir a fronteira ao longo do rio Oiapoque. O Tratado de Utrecht de 1713, proibia o comércio entre o Pará e essa região. Portugal mantinha-se atento por via de os franceses fazerem incursões de pirataria a fim de surripiarem madeiras nobres e fazerem candonga.

caiena2.jpg  Havia um comércio incipiente em que a Guiana exportava escravos e cavalos recebendo em troca farinha de trigo, vinhos e outros produtos da região. Este fraco comércio não resistiu ao processo revolucionário francês porque desde o anos de 1801, a conjuntura se tornou desfavorável a Portugal. Após a chegada da corte portuguesa ao Brasil, D. João VI decretou a invasão em Março de 1808, ou seja há 211 anos atrás. 
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Não obstante Rodrigues de Sousa Coutinho se preocupar com Guiana, não foi suficiente para que o rei se desmobilizasse no vincular de sua atitude como uma declaração de guerra à França de Napoleão Bonaparte. Embora esta acção tivesse algum planeamento inglês, D. João VI manteve-se fiel a si mesmo sabendo que a pretensão inglesa era não permitir qualquer devaneio em se servir de Guiana para reconquista das Antilhas inglesas.

caiena3.jpg Assim, a 14 de Janeiro de 1809, Caiena foi ocupada por uma expedição anglo-lusa, maioritariamente com efectivos portugueses. A Corte portuguesa decidiu administrar este território como dependência do governo do estado do Pará. Foram nomeados: como comandantes das força - Manuel Marques como governador militar e, o intendente João Maciel da Costa para a justiça e Administração Civil, subordinado ao Capitão-Geral do Grão-Pará e Rio-Negro.
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A Inglaterra desejava arrasar as fortificações francesas na região de Guiana para não poder ter modo de ser reutilizara pelos francos mas, os portugueses por ordem de D. João VI, como é dito em item 5, não o permitiram. 

caiena9.jpg  As consequências da invasão resultou na libertação de todos os escravos que aderiram à nova administração; as propriedades aonde ocorreu resistência foram queimadas e saqueadas; três naus francesas com suprimentos foram apreendidas e os bens dos ausentes sequestrados. Os moradores da Guiana continuaram regidos em suas relações civis pelo Código Napoleónico.
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Foram preservados seus usos e costumes nunca tendo a Guiana sido declarada como parte integrante de Portugal.o Império Português. O Conde de Galveas da Corte indignou-se pela libertação de escravos mas, a maior preocupação de D. João VI era não onerar os cofres da Fazenda Real. 

pedras 002.jpg Pois recorde-se que para suprir o Banco Brasil de carências, vendeu avulso e por bom preço títulos de nobreza. Foi esta acção que deu maior consistência a tão grande país. Foi ali incentivada a importação de especiarias e da cana de Taiti que se passou a chamar de caiena - um jindungo, pimenta de especial qualidade utilizado para controlar a pressão arterial.
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Ocorreu também o envio de mudas para os Jardins Botânicos do Rio, de S. Paulo e de Belém no Pará. Em 1814, com a queda de Napoleão estabeleceu-se pelo acordo de Paris, devolver a Guiana à França. Em 1817, por via de novas negociações e devoluções, foi efectivada a linha de fronteira definida pelo rio Oiapoque. 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:02
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Terça-feira, 9 de Abril de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXII

- O PADRE CÍCERO - Na terra dos Cariris... 09.04.2019

Entender o Brasil por alturas de 1827 a 1856 

- Cada casa era um sítio de fandango, de saraus da breca feitas bodegas de cachaça com calor nos ânimos ainda por conhecer...
Entender o Brasil por alturas de 1827 a 1856 
Por 

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma criar loja virtual. 
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira. 

cazumbi0.jpg ::::::214
Juazeiro do Norte - Terra do Padre Cícero - "Uns doze graus abaixo da Linha Equinocial, aqui onde se encontra a Terra do Nordeste metida no Mar, mas entrando-se umas cinquenta léguas para o Sertão dos Cariris"... Construída a capelinha de Nossa Senhora das Dores, foi o padre Pedro Ribeiro nomeado seu Capelão, pelo Vigário do Crato, freguesia de Nossa Senhora da Penha, a que ficou pertencendo à capela de Juázeiro. 
:::::215
O padre Pedro era muito zeloso; cuidava dos poucos habitantes daquela aldeia, na maioria escravos de sua família, catequizando-os, ensinando-os a rezar e a trabalhar. Na época de inverno entregavam-se às fainas agrícolas; homens e mulheres iam para a roça empregando-se no cultivo de cereais variados, o milho, feijão, mandioca e algodão. 

CAFE5.jpg :::::216
Após a colheita, as mulheres ficavam em casa cuidando dos trabalhos domésticos e fiando algodão para tecer a roupa dos maridos e dos filhos ou delas mesmas, eram elas que costuravam à mão, pois que ainda não havia máquinas de costura.Hoje já não passamos sem o celular, o micro-ondas, a televisão ou um simples ferro de engomar mas, naquele tempo era tudo muito primário e, no entanto sempre nos queixamos da vida
:::::217
A felicidade é construída por cada um de nós nas pequenas virgulas do quotidiano. Com o desenvolvimento surgiram novas doenças e maneirismos com hábitos que enturvecem a cabeça dos mais velhos. Os homens dedicavam-se aos trabalhos das fazendas, alimentação do gado, da solta das rezes nos pastos, ordenha, vaquejada, desmancha de mandioca, caça ou pesca. 

booktique14.jpg :::::218
Os Coronéis davam ordens aos seu capatazes, seus jagunços de segurança, divertiam-se coleccionando donzelas na penumbra do aconchego sem querer dar nas vistas; no final era uma mistura de meios irmãos reclamando posses e edeceteras diferenciados. Nesse tempo eles era os advogados, os políticos, os Donos Daquilo Tudo. Um perfeito DDT.
:::::219
Todos ali aprendiam o catecismo, rezavam e trabalhavam orientados pelo Padre que não permitia a promiscuidade tão comum - o negócio gozado em realidade continua nos nossos dias mas, isto naquela altura era mais comum ou visível entre escravos e os senhores. Mas, ninguém via, ninguém escutava - eram tempos de muita penumbra porque ainda não havia jornalistas curiosos, nem reportagens de crimes, gráficos de simpatia e outras desavenças. 

booktique7.jpg :::::220
Mesmo sem haver tropa militar de carreira, já havia no civil, alferes, capitães, majores, coronéis e por aí. Tudo sem haver uma formal posse administrativa. Era o dinheiro que mandava. Nesse tempo, rico nunca ficava na prisão. E, vou-vos falar era foda ser pobre e preto, um fado que cantado faria chorar as pedras da calçada. Quando surgia uma escaramuça formavam os "volantes" - civis voluntários para eliminar os do "levante". 
:::::221
Mas, naquela altura, os padres não admitiam esse negócio de bebedeiras, de sambas e jogos com uso de armas. Isto era expressamente proibido. Só mesmo o coronel, o capitão ou o major da ordem dos abastados poderia usar uma arma. Quem estabelecia isso? Minino, cuida-te! - Eles estabeleciam, pintavam e bordavam; artistas completos! Também só assim poderia meter respeito. Os tempos eram outros; não havia essas frescuras de que é menor, de que é passado dos carretos. Ia prá choça e apodrecia por lá. Qual psicólogo e edeceteras de modernidade. Era o escambau! Topou! 

sacag4.jpg:::::222
Nesta atmosfera de muita paz e tranquilidade lá no ano de 1856, o Padre Pedro, cercado de muito respeito e amor, morreu. Deixou todos os seus escravos libertos e, na sua carta de alforria, apenas exigia uma condição: trabalharem sem recebe numerário todas as vezes que a Capelinha necessitasse de reparo. Não levou muito tempo a que os libertos sentissem o sabor da desobediência e degenerecência, entregando-se à folia. 
:::::223
Desacostumados, os negros libertos, entregaram-se ao vício porque é sempre o fruto proibido o mais apetecido e, daí, cada casa era um sítio de fandango, de saraus da breca feitas bodegas de cachaça com calor nos ânimos ainda por conhecer. Foi neste ambiente que chegou o Padre Cícero. Cada alpendre era um terreiro de samba, que terminava com pancada da braba, assim de "faca-fora". Senhores e escravos confundiam-se com as festas da mais criminosa criminalidade. Uma mais genuína concentração a comparar com os festivais modernos como Roque em Rio , ou Super Bok - Super rock ... e, outros sempre cheios de gente práfrentex...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:33
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Segunda-feira, 8 de Abril de 2019
MALAMBAS . CCXIX

TEMPO DE CINZAS – Domingo - 07.04.2019
– MALAMBA é a palavra 
- Boligrafando estórias em cor vermelha… 2ª de várias partes

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

soba22.jpg Sete horas horas e vinte minutos do dia 07 de Março. O sol queima a orelha e já bebi meu coco frio à beira da Kanoa; acabei de mudar meu chapéu de sol e cadeira mais para a berma da água porque o mar está a secar, maneira se de dizer aqui que a maré está a vazar. junto ao carro do coco encontro meu vizinho sozinhando sua velhice com um copo de coco de cor amarela. Será caipira? Será whisky? Xavier é o nome dele; um deste dias meti conversa perguntando que tal estava a caipirinha mas ele respondeu com cara de pau, que só era água de coco. Às tantas ele é evangélico e também abstémio... 
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Assim, fiquei quase amigo de Xavier, porque nossas conversas são aos solavancos sem pontuação nem ponto e virgula. Mas, hoje Xavier perguntou-me se a água de coco que levei para casa em uma garrafa de 1,5 litros estava sabendo bem. É que a dele, depois de esperar o resfriamento com seu whisky estava intragável. Disse-lhe que o produto dos cinco cocos estava só sabendo um pouco a coco velho. Que por esse facto tinham pouca água dentro.

araujo000.jpeg Xavier fala: Rapaz...: Quando botei o copo à boca, água de coco esfriado na geladeira o negócio estava, sabia mal, parecia veneno, sabe! Minino!... Lembrei-me de você, que ficou no prejuízo! Até disse pró meu filho: Aquele moço foi enganado... Tem cada gentinha, a gente paga e fica assim, noé!? Tá mal... Mas afinal o Senhor teve sorte.
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Negócio gozado, Seu Xavier começou por me chamar de moço, passou para o cara e minino, agora de Você e Senhor. Não demora Seu Xavier está me tratando por vosmecê, ou dôtor com mais vosselência, negócio gozado, mesmo! Estava assim taciturnado olhando os matutos de arredores de Palmeira dos Índios gozando a praia de água salgada e molhada, quando toca meu celular - telemóvel do M´Puto. Ólho - chamada internacional em roaming. Não fosse quem era e teria desligado na ora.

DIA107.jpg Era Agualusa a ligar-me de Swakopmund da Namíbia, pode!? Já em Curitiba, em uma apresentação em feira de livro me tinha telefonado. Pois, já estava avisado; não foi uma inteira surpresa porque nesse então disse que estava quase de partida para ir a Etosha Pan ver animais. Todo entusiasmado disse que estava quase a tomar o balão para ver as dunas em volta das milhas e particularmente da número 45 que em tempos eu mencionei. Pois! E aí... Em verdade já nem me lembrava de lhe ter dito. Foi ele na sua forma cusca que leu em meus rascunhos... também tem esse hábito de vir beber às minhas mulolas e t´ximpacas .
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Pois então, estava no Deserto do Naukluft a Sul de Swakopmund. Só me telefonou para desemperrar sua admiração: - O balão tinha meu nome escrito em letras coloridas "T´Chingange". Isto é de tua propriedade? Perguntou de forma repetida. Resposta minha, rápida: - É... Como devia estar a gozar comigo teve esta desconcertada resposta mas, pelo andar da conversa a coisa era mesmo a sério. E, como a curiosidade mata, deixei ficar por isso mesmo, talqualmente.

DIA106.jpg Isto há coisas! Quando do telefonema feito de Curitiba tinha-me dito que o Coronel Fala Kalado andava por aqui, em Brasil. Ora isto já era do meu conhecimento pois que nos tínhamos avistado em São Paulo, no aeroporto de Congonhas, terminais um e dois. O meu intriganço era o de saber o que é que ele, Agualusa, sabia de nossos relacionamentos. Mas, agora que chove - doze e trinta, não são horas de voltar atrás na descrição nem discrição. Talvez mais tarde
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Despedi-me dele assim: Cuida-te, andas a pôr o Cristo Rei sempre de costas e podes ter graves problemas. Deves saber que agora Ele, está acima de tudo. Bem! Já antes, aliás sempre esteve mas agora faz parte do slogan constitucional: isto acima de tudo e Deus acima de todos... 

agualusa2.jpg Não quis ir mais longe por modo a deixá-lo confuso com as particularidades e, se bem o conheço, irá direitinho falar com a osga gorda que nem um crocodilo depois de comer um veado. Conferenciará com ela como o Palmares com seu Anjo Azul. No fundo, no fundo, ainda bem que não arranjou uma louva-a-deus. Ora, porquê! Porque essas bichonas comem os machos depois de copular. Isso! Depois de rebolarem na cama...

Ilustrações de Costa Araújo
(Voltarei ao assunto...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:59
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Sábado, 6 de Abril de 2019
MU UKULU – XVII

MU UKULU...Luanda do Antigamente06.04.2019
Os candengues depois do banho lambuzavam-se com brilhantina ou vaselina dando uma de actor de cinema Errol Flynn...
Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil
Na Luanda antiga, após o uso das selhas surgiram os tanques de lavar roupa feitos em cimento. Eram da altura suficiente para se poder esfregar anatomicamente na rampa ondulada, a roupa que era molhado quanto baste, na bacia quadrada com água; este era colocado numa parte sombreada do quintal com telheiro ou árvore. Na parte mais baixa tinha um ralo que por meio de um tubo fazia despejar a água para o canteiro do pátio com chá caxinde, bananeiras ou plantas que tolerassem a água saponácea.

monangambé.jpg Na casa dos meus pais na Maianga, Rua Maria José Antunes, bem perto do Rio Seco, uma mulola que só levava água quando chovia, havia um destes tanques situado bem ao lado de um pombal e galinheiro, tendo como abrigo a sombra de uma mandioqueira. Havia uma mangueira que conduzia a água para um canteiro com chá príncipe ou caxinde, uma trepadeira de lufa e um alto mamoeiro.
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A grande maioria da população negra não dispunha de meios para ter o suficiente conforto; as suas cubatas não tinham água corrente no espaço habitacional, sua renda era insuficiente ou mesmo miserável. Os bairros populares começaram a surgir nos subúrbios de Luanda por iniciativas municipais mas, não dava para contemplar a grande afluência de gente do mato para a capital.

Mu Ukulu23.jpg A maioria da população luandense, maioritariamente preta dos musseques e cortiços de brancos nos arrabaldes, podia ser classificada como pobre ou remediada. De realçar que a maioria dos empregados de mesa dos cafés e restaurantes na área central de Luanda eram brancos. Eu cheguei a comprar jornais a ardinas brancos e até a engraxar os sapatos com engraxadores brancos também - em plena Mutamba.
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Houve a preocupação da administração colonial incentivar a miscigenação nestas humildes funções ocupando o branco em actividades de porteiros, contínuos, carteiros, pedreiros, coisas de escalão baixo levando até, a que visitantes de outras nações europeias criticassem tal comportamento. Tal submissão não mereceu minimamente a atenção quando da descolonização.

niassa5.jpg Como grande parte das casas não tinham rede eléctrica encanada da L.A.L., assim, nas mais modestas, o chuveiro quando não estava dentro de casa, era colocado fora dela em um canto do quintal, resguardado dos olhares curiosos pela construção de um cubículo com paredes de tijolo ou mesmo aduelas de barril. Para o banho o ritual era trabalhoso.
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A água era previamente aquecida em uma panela ou lata proveniente de azeite ou tinta que era posta em um fogão ou até uma fogueira montada no quintal com pedaços de gravetos bissapas ou chinguiços, restos de madeiras. Após aquecimento a água era derramada em um balde de chuveiro que depois ea misturada com água à temperatura ambiente.

Mu Ukulu34.jpg O chuveiro constava de um balde de chapa zincada ou mesmo lona apertada que era pendurada em uma trave ou estrutura de metal por meio de corda que corria em uma roldana. O crivo do chuveiro era metálico abrindo ou fechando por intermédio de um fio, uma torneira em latão. Era em tudo idêntica aos utensílios do geómetra Gago Coutinho quando da definição da fronteira angolana.
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A selha era outra opção para o banho, mas com a indispensável ajuda de uma caneca. Era normal em muitas casas de banho o tão familiar rolo de papel higiénico ser substituído por papel de jornal cortado em quadrados e pendurado por um arame afilado bem junto à sanita. Estes teriam de ser bem amassados para poder fazer a função com eficácia.

Mu Ukulu20.jpg Talvez só a partir de 1955 é que começaram a surgir os rolos de papel higiénico nas casas. Até então os jornais tinham a função de leitura e de limpeza. O pequeno comerciante também usava o papel de jornal para fazer embrulhos, acondicionar, feijão, milho, fuba e variados cereais. Que me lembre havia um só balneário público em toda a Luanda por alturas de 1965 a saber um que ficava no largo bem em frente dos Correios - bem perto da antiga "Porta do Mar".
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Para a lavagem de mãos e banhos usava-se os sabonetes lifebuoy e lux em substituição do sabão azul, também conhecido por "sabão macaco". Havia também o Clarim com mais potassa em sua composição. Os candengues depois do banho lambuzavam-se com brilhantina ou vaselina dando uma de actor de cinema Errol Flynn... Tempos do "pinto calçudo", calcinhas ou ainda "pipi - cheio de banga"... Para agrado das "garinas"...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:23
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