NAS FRINCHAS DO TEMPO
DOS TEMPOS DE DIPANDA * - Antes e Depois da “SEXTA-FEIRA SANGRENTA”
Crónica 3629 – 26.09.2024
- Escritos boligrafados, aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018 - “Missão Xirikwata”
Por: T´Chingange (Otchingandji)** – O NIASSALÊS em Lagoa do M´Puto
Em Março de 1992, representantes da Amnistia Internacional visitaram Angola lançando um apelo para a protecção dos direitos humanos – “Na ausência de providências imediatas para impedir novos assassinatos, verificava-se uma escalada da violência que vinha a pôr em risco os acordos de paz”.
Havia crimes cometidos, nunca castigados, segundo pesquisa na imprensa angolana e portuguesa: Pelos governamentais, a morte de seis pessoas, numa manifestação pacífica de apoio aos separatistas de Cabinda, em 1991. Ainda em Cabinda, no mesmo ano verifica-se a execução a tiro do diácono Arão.
Também em Luanda, ocorre o assassinato do piloto governamental Sampaio Raimundo, pelo guarda-costas de um oficial da UNITA. No corrente ano de 1992, dá-se a morte de quatro oficiais da Força Aérea angolana, por membros da UNITA – dois deles, enterrados vivos, um queimado, outro espancado. Dá-se também a morte de nove membros da UNITA, entre os quais o tenente José Segundo…
Na Província de Benguela, segundo representante da UNITA em uma comissão da CCPM - Comissão Conjunta Politico Militar. O mesmo, foi alvejado por um civil e por um outro com uniforme das FAPLA, em Junho do passado ano. Àquelas mortes, nenhuma investigação foi feita.
Dá-se o assassinato do representante da UNITA em Malange, coronel Pedro Makanga, vingado logo a seguir, com o assassinato de um tenente-coronel das FAPLA. Era esta a onda de insanidade e falta de rigor na fiscalização e ordem do território e, dizer-se por isso, estar-se a caminhar para uma longa tragédia anunciada, sem ter ninguém ou entidade fidedigna para superar com justiça quaisquer arbitrariedades.
Na Província da Huíla dá-se assassinato de quatro turistas; este episódio transforma-se em mais um incidente político, quando Jonas Savimbi anuncia que prendera Celestino Sapalo, um agente de segurança governamental, por suspeita dos crimes. A ONU, vem a concluir que os crimes haviam sido cometidos pela tropa da UNITA.
A ONU concorda em permitir o interrogatório a Sapalo por uma comissão conjunta de inquérito, formada por seus representantes e do governo, mas isso nunca aconteceu. Dá-se aqui conhecimento de várias altercações que um pouco por toda a Angola se vão verificando, para que se tenha uma ideia melhor formatada do todo o ambiente social em efervescência expectante da paz que, não chega…
Em Cabo Ledo, arredores de Luanda, ocorre a morte por assassinato de uma família portuguesa. O governo apresenta um presumível autor dos crimes que anuncia ter actuado a mando da UNITA, por dinheiro e, embora tudo apontasse ser uma manobra política do MPLA, nenhuma investigação viria a ser feita….
Nota 1: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes e, durante os longos anos da crise Angolana e, na diáspora de angolanos espalhados pelo mundo.
Nota 2: **Texto elaborado a partir das anotações do baú de T´Chingange e, da revista descartável do semanário Expresso do M´Puto …
Ilustração aleatória de asunção Roxo
(Continua…)
O Soba T'Chingange
NAS FRINCHAS DO TEMPO
DOS TEMPOS DE DIPANDA* - Depois da “SEXTA-FEIRA SANGRENTA”
Crónica 3627 – 19.09.2024
- Escritos boligrafados, aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018 - “Missão Xirikwata”
Por: T´Chingange (Otchingandji)** – O NIASSALÊS em Lagoa do M´Puto
Por via da 6ª Feira sangrenta de 22, 23 e 24 de Janeiro de 1993, Mobutu é acusado de ter enviado tropas para auxiliar o braço armado da UNITA. No entanto, quando as ex- FALA's ocupavam militarmente uma das cidades, a Rádio Nacional de Angola, noticiava o que aqui se cita: "tropas zairenses e da UNITA, ocuparam tal cidade", etc.
Alguns jornalistas do Jornal de Angola imprudentes, assinam artigos em que criticavam os supostos zairenses (na realidade, angolanos bakongos), com caricaturas, denegrindo-os de serem responsáveis da miséria do povo angolano. Em meados de Janeiro de 1993, todos os órgãos de comunicação Social de Angola, citam fontes militares que foram capturados no campo de batalha, tropas zairenses.
Essas afirmações da imprensa esquerdoida, no seu modo de ver, constituía prova suficiente da implicação de Mobutu no sucesso de tropas da UNITA no terreno, prometendo apresentá-las numa conferência de imprensa. Na preparação desta, um jornalista que quis saber quais as provas que tinham, a resposta foi simples: falavam lingala!
O jornalista insiste em saber se, nas forças armadas angolanas e da UNITA, não havia militares que falassem lingala, sendo logicamente considerados angolanos. A reunião com imprensa foi anulada "in-extremis", por ordens superiores. Soube-se mais tarde, que os supostos soldados zairenses, na realidade eram angolanos bakongos que falavam lingala, ligados ao partido no poder e recrutados para este efeito.
A campanha de difamação contra Mobutu e os zairenses era tão forte que obrigou o então general da UNITA, Demosthenes Chilingutila a desmentir na rádio portuguesa TSF, qualquer implicação das tropas do Zaire ao lado das suas tropas afirmando ainda que o próprio presidente do Zaire tinha problemas graves no interior de seu pais e, precisando ele sim, da ajuda da UNITA.
Nesse dia, 22 de Janeiro de 1993, um editorial da Rádio Nacional de Angola revela que os Zairenses infiltrados no seio da população angolana, preparavam um plano para assassinar o presidente da República, José Eduardo dos Santos.
E, foi esta a razão que no mesmo dia incutiram e accionaram seu conhecido Poder Popular junto de seus seguidores entre a população de Luanda munidas de armas de fogos pelo MPLA a assaltarem, violarem e matarem à revelia e com toda a impunidade, os bakongos da capital do país – Luanda.
Dias depois, os bakongos, impotentes e frustrados, reúnem-se algures em Luanda, redigem o famoso Manifesto da Sexta-Feira Sangrenta, um memorandum dirigido ao governo de Angola, ao parlamento e às embaixadas acreditadas em Angola. Neste documento, os activistas “bakongo” relatam com pormenor o que se passou nestes dias. O então deputado do partido PDP-ANA, Nfulumpinga Landu Víctor, toma conhecimento do manifesto e interpela a Assembleia para condenar os massacres e levar à justiça os autores.
:::::
Nota 1: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes e, durante os longos anos da crise Angolana e, na diáspora de angolanos espalhados pelo mundo.
Nota 2: **Texto elaborado a partir das anotações do baú de T´Chingange e, da revista descartável do semanário Expresso do M´Puto …
(Continua…)
O Soba T'Chingange
NAS FRINCHAS DO TEMPO
DOS TEMPOS DE DIPANDA* - Angola .“SEXTA-FEIRA SANGRENTA”
Crónica 3625 – 14.09.2024
- Escritos boligrafados, aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018 - “Missão Xirikwata”
Por: T´Chingange (Otchingandji)** – O NIASSALÊS em Lagoa do M´Puto
As organizações civís bakongo apontaram mais de 40 mil vítimas através do território nacional, por uma alegada acusação da dita rádio nacional e jornal de Angola, órgãos afectos ao partido da situação e inimigo do povo, que militares zairenses estariam a preparar um golpe de estado contra o presidente; apontavam o povo do norte (Congo), de zairenses, que pretendiam assassinar José Eduardo dos Santos.
Hoje passados 31 anos, o processo continua nas gavetas carunchosas do Miala ou no lixo, de forma tão humiliante, sem humildade, sem moral nem a mínima consideração de um ser humano. E nem os ditos jornalistas foram responsabilizados pela sua chacina criminosa.
De forma tão clara, estes ataques foram metodicamente e sistematicamente orquestrados de forma sínica, odiosa e, por motivos étnicos, por que o povo bakongo sempre foi visto como o primeiro inimigo dos estrangeiros trincheirados no MPLA, pela sua bravura defesa da independência e pelo facto de serem eles, os libertadores de Angola.
Não existe história em Angola, sem os Bakongo. O MPLA, nunca cessou de reduzir este povo afirmando que estes, representam nem 10% da população angolana e, isto não verdade. O Reino do Kongo estendia-se até à Republica Democrática do Congo-Brazzaville e Gabão; nenhum povo de Angola pode comparar-se com esse grande Reino.
Tudo começou, após Jonas Savimbi ter negado os resultados fraudulentos das primeiras e históricas eleições legislativas de Setembro de 1992, que deveriam marcar o fim das hostidades e a reconciliação entre os povos que formam este mosaico. Infelizmente o desejo do MPLA era de continuar subtraindo os autênticos filhos de Angola, humilhando-os a submeter-lhos a uma pobreza extrema, fora e qualquer controlo de poder.
Não só mas, após a fuga de Jonas Savimbi, nos fins de Novembro de 1992 para o Huambo, as FAPLA, a polícia ninja e milícias, fanáticos dos pioneiros e do Poder Popular, tomaram de assalto, as zonas habitadas pelos militantes e cargos da UNITA e, aonde também tombaram heroicamente quadros do auto nível da UNITA que se encontravam em Luanda: os já mencionados Jeremias Chitunda, Alicerces Mango e Elias Salupeto Pena sobrinho de Savimbi…
C,A. - Jonas Savimbi após estes desaires, reorganiza as suas bases militares que ainda se encontravam no norte e, ocupa novamente as cidades do Uige, Soyo, Mbanza Kongo, Caxito, Ndalatando após uma batalha que dura 55 dias. Ocupa a segunda cidade de Angola, Huambo e, aonde o MPLA bombardeia impiedosamente com aviões migs e variado material bélico de longa alcance.
A SEXTA-FEIRA SANGRENTA, para os Bakongo, permanece uma data histórica, dolorosa e de tristeza. Continuamos por isso, a chorar os nossos vitimas passados que são 31 anos. Nós, o povo Bakongo de Angola, continuamos a exigir a justiça, sobre a morte dos nossos irmãos, cujas mulheres foram violadas à vista nua de todo o povo angolano.
Estes ataques foram referidos como sendo ocasionados por motivos étnicos mas, em realidade, tratou-se de conflito pré-eleitoral. Os bakongos foram acusados pela imprensa oficial e afecta ao MPLA, de ter apoiado o partido do Galo Negro. Nasce daí, a campanha mediática contra o Zaire de Mobutu…
:::::
Nota 1: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes e, durante os longos anos da crise Angolana e, na diáspora de angolanos espalhados pelo mundo.
Nota 2: **Texto elaborado a partir das anotações do baú de T´Chingange e, da revista descartável do semanário Expresso do M´Puto …
C:A: - Costa Araújo
(Continua…)
O Soba T'Chingange
NAS FRINCHAS DO TEMPO
DOS TEMPOS DE DIPANDA* - “SEXTA-FEIRA SANGRENTA”
Crónica 3624 – 12.09.2024
- Escritos boligrafados, aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018 - “Missão Xirikwata”
Por: T´Chingange (Otchingandji)** – O NIASSALÊS em Lagoa do M´Puto
Nesta fase de descrição do tema da “sexta feira sangrenta” do ano de 1992 é oportuno dar a conhecer o que um velho amigo do “bairro Terra Nova da Luua” de nome Josué Pedrosa escreveu: « A técnica do MPLA, na eliminação de opositores, foi aprendida na ex-URSS e mantém-se até hoje. Quem não sabe o que A Neto fez para afastar Viriato da Cruz e assumir o poder no MPLA?...»
«… O envio dele á China constituiu uma sentença de morte, pois a China manteve-o em vigilância permanente e nunca o deixou sair de lá até á sua morte. Quando do congresso de Lusaka em que foi deposto e eleito Daniel Chipenda, de que adiantou? …»
«…Neto apresentou-se aos Tugas para negociar a independência como se fosse o líder e, a verdade, é que os corruptos/traidores do MFA, também só quiseram negociar com ele, constituindo o diálogo com Savimbi e Roberto, bem como os Acordos de Alvor, apenas formalidades para enganar a sociedade nacional e internacional…»
«… Neto foi um assassino e devia constar da história de Angola como tal. Nunca esquecerei as suas palavras no 27 de Maio de 1977: "não vamos perder tempo com julgamentos", faremos "justiça" imediata. E, há "pala" dessa decisão, aqueles que no MPLA, tinham ódio, rancor, inveja ou simplesmente cobiça e queriam apoderar-se de algo que lhes não pertencia, bastava acusar os donos de serem conspiradores… »
«… Leiam os livros de José Reis - Angola o 27 de Maio e Memórias de um Sobrevivente, um "sanguito" que se deixou embebedar pela revolução e que foi acusado de golpista, só não morrendo por mero acaso. Depois de libertado graças a um amigo que por mero acaso o viu preso, viria a descobrir que quem o acusou, o fez para se apoderar do apartamento que tinha nas Imgombotas… »
«…Ao tentar reavê-lo, disseram-lhe ao ouvido, é melhor deixares tudo como está, a vida é mais importante que um apartamento. Também de Carlos Taveira (Piri) S. Paulo, Prisões de Luanda, um bom relato do que então se vivia e fazia…»
«…Todos os que têm a escola Soviética, praticam os mesmos métodos para afastar os opositores, sejam eles Neto, JES, JL, Putin, Castro, Maduro ou outros que pertençam à mesma seita…» Fim de citação…
Partir do dia 22, 23 e 24 de Janeiro de 1993, os bairros da Petrangol, Labor e Palanca até as províncias onde bakongos eram radicados naquela data, foram atacados por parte de habitantes de Luanda, armados alguns dias antes pelo MPLA. Entretanto, o então governo dirigido pelo José Eduardo dos Santos, teria reconhecido oficialmente apenas 57 mortos.
:::::
Nota 1: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes e, durante os longos anos da crise Angolana e, na diáspora de angolanos espalhados pelo mundo.
Nota2: **Texto elaborado a partir das anotações do baú de T´Chingange e, da adenda de Josué Pedrosa …
(Continua…)
O Soba T'Chingange
NAS FRINCHAS DO TEMPO
DOS TEMPOS DE DIPANDA* . ELEIÇOES - “OS 3 DIAS DAS BRUXAS”
- Crónica 3621 – 02.09.2024
- Escritos boligrafados, aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018 - “Missão Xirikwata”
Por: T´Chingange (Otchingandji)** – O NIASSALÊS em Amieiro do M´Puto
… Números que Mário Pinto de Andrade, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), contesta: “Acho que, às vezes, a comunidade internacional empola. Houve uma manipulação desses resultados. Eventualmente fala-se das pessoas que morreram pela UNITA, mas também morreu muita gente pelo lado do governo. A UNITA quando ocupou o Uíge matou muita gente do MPLA e quando ocupou o Huambo, fez o mesmo.”
Uns, declarados opositores, são pressionados, coagidos ou assediados, outros desaparecem misteriosamente e ainda outros são presos por se expressarem em desfavor do MPLA que se protagoniza como sendo eles, o país. Nas eleições parlamentares, a UNITA obteve uma votação de mais de 30%, portanto expressiva, mas que ficou aquém das suas expectativas.
Nas eleições presidenciais, os cerca de 42% obtidos por Jonas Savimbi impediram que José Eduardo dos Santos, presidente em exercício que reuniu 59% dos votos, obtivesse na primeira volta a maioria absoluta, do modo que, pela legislação então em vigor, teria sido necessária uma segunda volta.
Neste meio tempo, Luanda (e todo o país) estava pejada de um dispositivo policial desmesurado, como se tratasse de um estado de sítio - coisa a que os luandenses já não queriam acreditar – preocupados, justificavam tal, dadas as preocupações com o acto eleitoral dos dias 29 e 30 de Setembro; pensava-se que, o facto de ser feito assim, o era para que tudo corresse bem.
E correu. Correu muito bem, dada a afluência às urnas ter ultrapassado os 70% só no primeiro dia. O povo queria a paz e acreditava que a poderia conseguir pelo voto. Mas Angola, não era só Luanda e, Luanda não era só a Mutamba, não era só a marginal e a sua baía que paulatinamente ia sendo mudada no visual para gaudio dos adoradores de cenários pomposos, futilidades.
Em uma exortação sobre a Sexta-Feira Sangrenta, Muana Damba publicou a 24 de Janeiro no recente ano de 2013: História do Reino do Kongo - Você é um N'kongo, filho desta terra legada pelos nossos antepassados. Se podemos considerar esta Angola um país de Cabinda ao Cunene, é porque nela estão inseridas todas as etnias do país.
Todas as etnias, assim sejam os arianos, todos os cafusos, os mazombos como eu, besugos, matutos ou mamelucos do M´Puto, europeus e, também os filhos destes, incluindo os Bakongos sejam eles de Cabinda, do Soyo, do Uíge, M'Banza Kongo e outros que falam com estalinhos mas, se essa realidade deixar de ser considerada, Angola deixa de ser aquilo que é, portanto. todos teremos de reflectir...
Luanda, nem tão pouco era o kinaxixe que viria a ser defenestrado, derrubado por obtusas mentes, obscuras e corruptas ganâncias do sistema instalado no seio do governo. Pelo tubo ladrão corria muito petróleo, muito ódio às obras virtuosas que faziam lembrar o colonialismo… E “a guerra, que até aqui, matou e estropiou tantos, alimentou uma nomenclatura, gente que se tornou insultuosamente rica e prepotente” – Os mesmos que agora governam (Ainda…)
:::::
Ilustrações de Costa Araujo
Nota 1: *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes e, durante os longos anos da crise Angolana e, na diáspora de angolanos espalhados pelo mundo.
Nota2: **Texto elaborado a partir das anotações do baú de T´Chingange e, da revista descartável do semanário Expresso do M´Puto …
(Continua…)
O Soba T'Chingange
NAS FRINCHAS DO TEMPO
"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3520 – 25.11.2023
“Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”
Às margens do Cubango - Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018
Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto
Nestas finchas do tempo, relembrado o 25 de Novembro*, no M´Puto, meus sentimentos, pensamentos e actos, têm uma única finalidade: falar a verdade à minha comunidade para que a história não se esmoreça; minha atitude determinará o juízo de bom ou de mau que há sobre os factos. Quero assim ser livre, criador e sensível o quanto baste sem pactuar com a imbecilidade que como dança infernal leva as massas sociais ao embrutecimento; algo que sistematicamente corrompe o bom senso dos homens.
No M´puto, Costa Gomes, o presidente rolha, titubeando indecisões, acabou por retirar o Brigadeiro, esse tal de José Valente, comandante da 2ª Região Aérea e que vivia em relações tensas como a CCPA (Conselho Coordenador do Programa do MFA para Angola e que, incluía o CCPA e o Estado maior de Angola). Entretanto os vapores Vietnam Heróico, o Coral Island e o La Plata, chegariam antes do fim de Setembro de 1975 em Brazaville e Porto Amboim -- Angola, levando a bordo mais de 1000 toneladas de gasolina, 300 instrutores para os quatro CIR do MPLA e ainda dois aviões cubanos.
Leonel Cardoso continuava apreensivo pedindo apoio a Lisboa e mantendo as FAPLA em suspense com uma hipotética chegada de tropas especiais, Comandos e Pára-quedistas. Leonel Cardoso perante este cenário blefava e, era só o que lhe restava porque Lisboa andava afanada com os sindicalistas das “Manif” de civis e militares guedelhudos. Leonel Cardoso andava sem saber como fazer na entrega do poder a 11 de Novembro de 75.
Com muxoxos de boca pequena sabia-se que Leonel Cardoso se queixava de estar rodeado de traidores à pátria ou à causa; a confiança, ruía-lhe algum aprumo. Ética, era uma coisa quase nefasta e os heróis das NT em sua maioria só viam o MPLA. A estes, o MPLA, entregavam tudo de mão beijada sem fiáveis contrapartidas mas, sempre havia uns quantos que buliam sua própria consciência. Aquilo não lhes parecia lá muito bem… Eram muito poucos, quase nenhuns. Em Angola, estávamos entregues à fé e ao acaso, à bicharada.
Entretanto Samora Machel de Moçambique e Július Nyerere da Tanzânia, perfilam-se também ao lado do MPLA. Otelo em viagem a Havana garantia a Fidel de Castro não retaliar com suas frotas e tropas, entenda-se como as NT (Nossas Tropas) a “invasão de Angola” em apoio ao MPLA. No M´Puto, pouco a pouco, Carlucci o embaixador Americano, ia alegando algum favoritismo para o MPLA.
O Gringo Carlucci da USA, com a nobre ajuda de Vasco Gonçalves, o primeiro-ministro português, um ex-doente mental da casa dos malucos de Luanda - sector militar. Este afiançava a pés juntos perante o Gringo que, não senhor, o MPLA não é comunista! Era uma boa base aos ditames de Frank Carlucci; a este, interessava-lhe sobremaneira o controlo do petróleo de Cabinda. Não era por acaso que já Cabinda estava inteiramente nas mãos do MPLA.
Podem ver agora e com clareza de 48 anos já passados que os retornados tiveram um desfecho muito parecido com o sucedido no Irão, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia e aonde quer que houvesse petróleo, a moeda americana suporte de sua supremacia. Costa Gomes, com esta decisão sentia-se agora mais confortável. Naquele então o segredo era manter tudo em banho-maria até o 11 de Novembro.
Muitos ou quase todos dos “libertadores” afectos ao MPLA, sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que aqueles gestores da Administração Ultramarina do tempo colonial. Desculpar-se-ão com a guerra. Só que a guerra, que matou tantos e estropiou, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas…
Nota*: O 25 de Novembro de 75, foi o golpe que retituiu a democracia a Portugal, apòs a rebelderia do PREC e a descolonização, em que se destacram Jaime Neves dos Comandos e Ramalho Eanes que forçaram Costa Gomes a mudar de rumo bem como o PCP com Álvaro Cunhal, na liderança…” O antigo Regimento de Comandos, na Amadora, evoca todos os anos, de um modo especial, dois dos seus combatentes, o tenente José Coimbra e o furriel Joaquim Pires, mortos no 25 de Novembro de 1975, numa acção militar para submeter o quartel da Polícia Militar, na Calçada da Ajuda, em Lisboa.
(Continua…)
O Soba T´Chingange
Luanda - Em fins de Julho de 1975, praticamente, já não havia médicos em Luanda, eram escassos ou desactivados. Alguns géneros de primeira necessidade, já escasseavam nos mercados . Os assaltos a armazéns eram constantes e as cadeias de abastecimento não funcionavam – Era a candonga a funcionar. As filas nas padarias começavam a ser formadas a partir da uma da manha com sapatos, tijolos e marcas indicadoras de tal e tal pessoa.
Num repente, rebentava aqui e ali no meio dos bairros citadinos granadas de morteiro. Via-se o levantar de pó, terra e trastes, sei lá mais o quê!? Um aiué; salve-nos Nossa Senhora da Muxima que os homens andam loucos, embalando corotos e bikwatas, fazendo caixotes, fazendo de carregadores, fazendo a estiva no porto de luanda e candongando; parecia que já poucos trabalhavam no que quer que fosse…
E, quanto aos novos supostos dirigentes, tínhamos muitos receios. Dos três líderes nacionalistas, era Savimbi o mais inteligente, o mais hábil, mais cordato e o mais forte politicamente para uns - também o mais contestado pelos equerdoidos; também o mais conotado com os militares portugueses no antes da Abrilada. O Agostinho Neto, cunhado do Rosa Coutinho era um desclassificado poeta, escolhido por esquerdistas militares, pelo Partico Comunista e uns quantos admiradores de Marx e um tal de Lenine. Supostos ideólogos afetos à URSS, politólogos da metuta refastelados no M´Puto ou Paris, que o escolhiam para ser o chefe da nação.
Quanto a Holdem Roberto não tinha solida formação política, era um fraco e facilmente corrompido; dependia de Mobutu, um seu familiar, e dos americanos de uma forma sorrateira mas sobejamente conhecida e, rastejante - matreiro! Nos muitos dias insólitos daqueles tempos, na meditação actual, encontro factos mágicos na revisão de amigos que me fazem medir o tempo com quartilhos e rasas como se feijões o fossem.
A UNITA retira-se de Luanda para o Huambo, antiga Nova lisboa. O MPLA fica dono e senhor da capital, a Luua. Em Outubro de 1975, desembarcam supostamente os primeiros cubanos que passam apoiar o MPLA contra a FNLA tal como o combinado entre Fidel de Castro e Otelo Saraiva de Carvalho, o pseudo-herói do VINTICINCO de Abril, data conhecida como sendo a rebelião dos capitães…
NAS FRINCHAS DO TEMPO
"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3517 – 15.11.2023
“Tropas cubanas para Angola, já”
Às margens do Cubango - “Missão Xirikwata”- Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018
Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto
Aleatoriamente, os acontecimentos de Luanda, descrevem-se sem seguir uma agenda temporal, o que nos leva a viajarmos no espaço da narrativa com datas anteriores ou posteriores. Dito isto, em Abril de 1975 Jomo Keniata organiza a Cimeira de Nakuru no Quénia, na qual a UNITA, MPLA e FNLA acordam na formação de um exército nacional único. Neste mesmo mês Savimbi chega a Luanda.Tonou-se mais que evidente de que o MPLA estava a mentir!
Cerca de dois meses depois (Junho de 75), o MPLA destrói um quartel da UNITA na capital., chacinando militares e civis ali bivacados – este episódio ficou conhecido por “MASSACRE DO PICA-PAU”, nome do bairro que albergou o quartel. Definitivamente o MPLA, pelas ordens de Rosa Coutinho, o cunhado de Agostinho Neto, não queria nenhum dos outros Movimentos intervenientes no “ACORDO DE ALVOR” em Luanda.
Eu direi que este foi o mais escandaloso “DESACORDO” na estória recente que envolve países dos PALOPS e, no Mundo moderno . Em Julho de 1975, começa verdadeiramente a batalha pelo controlo de Luanda. MPLA e FNLA envolvem-se em violentos confrontos que originam a expulsão dos homens de Holden Roberto da capital, muitos deles zairenses com fardas do ELNA.
O MPLA com ajuda das “NT - Nossas tropas - Tugas”, em logística e armas, utiliza todos os meios para combater a FNLA, incluindo a calúnia e mentiras absurdamente irreais como chamar antropófagos aos militares deste movimento. Vísceras supostamente retiradas das casas dos dirigentes da FNLA foram exibidas… Coisa mais macabra, até parece mentira e, decerto não virá nos anais da estória contada por medíocres ou falsos historiadores da praça Lusa.
Assaltaram o Laboratório do Instituto de Medicina Legal de Luanda para retirar órgãos humanos e propagandearem a seguir em muitos posters, que a FNLA era um bando de antropófagos, que comiam fígados e corações de gente – Uns canibais, afirmavam eles! A médica responsável pelo Laboratório deu à língua e, misteriosamente desapareceu. Algum tempo depois foi encontrado um cadáver feminino calcinado pela cal, possivelmente o seu.
Tudo valia para lançar o terror e, principalmente à população branca… Naqueles tempos da Luua, todos faziam o que lhe dava na gana com a “Kalash” na mão, saltando no tempo do tempo… Sem definir datas ou horas exactas com gente impreparada e, miúdos “pioneiros”, o MPLA, faziam querer tomar o controlo de tudo e, por modos de provocar a fuga de brancos e assimilados, mazombos como eu… Para álem do M´Puto, o Mundo todo, colaborava numa farsa
A lei, a ordem, a justiça eram coisas quase inexistentes ou anedóticas pela pior das negativas… Um retrocesso ao tribalismo com todas as nuances, tudo muito carregado de misticismo e crenças de quimbandas ou sobas analfabetos e sem o mínimo de preparação para gerir o que quer que fosse. Melo Antunes, Mário Soares e outros encarnados na vermelhidão, decerto lá nos areópagos internacionais, não dissertavam conversas destas com Kissinger mentindo-se …
Não, porque para estes (os países donos do Mundo – USA e não só), tanto se lhe dava que fosse assim ou assado, logo que tivessem o controlo do ouro negro – o petróleo. já a sair pelo tubo ladrão da Golf Oil Americana. Alguns de nós, manietados de todo, a tudo assistíamos martelando caixotes, rilhando o dente sem mais poder fazer, pois nossos magalas do M´Puto ajudavam as hordas de pseudo-revolucionários e, até ajudavam a pilhar nossas casas. Foram vistos e filmados nas avenidas Brasil e Combatentes a roubarem em dia claro…
(Continua…)
O Soba T´Chingange
ANGOLA DA LIBERTAÇÃO - XXIX
DEPOIS DE ”OS 3 DIAS DAS BRUXAS” – O VAZIO COM A 6ª FEIRA SANGRENTA DE 22 DE JANEIRO DE 1993
Crónica 3211 – 05.11.2021 - “A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam (Ainda…)
Por T´Chingange, no AlGharb do M´Puto
A 6ª Feira sangrenta, 22 de Janeiro 1993 - o dia que angolanos do grupo linguístico Kikongo, foram assassinados por razões xenófobas. Com efeito, na manhã do dia 23 de Janeiro de 1993, os bairros da Petrangol, Mabor e Palanca e outros habitados maioritariamente por Bakongos, foram atacados por parte de habitantes de Luanda. O Governo de Angola teria reconhecido oficialmente 57 mortos, mas as organizações civis bakongos apontaram mais de mil vítimas e acusaram jornalistas angolanos de serem os responsáveis da chacina.
Estes ataques foram referidos como sendo ocasionados por motivos étnicos mas, em realidade, tratou-se de conflito pré-eleitoral. Os bakongos foram acusados pela imprensa oficial de ter apoiado o partido do Galo Negro. Depois da fuga do Jonas Savimbi, nos fins de Novembro de 1992 para o Huambo, este reorganiza o comando da sua ala militar e, no espaço de poucos meses depois das primeiras eleições em Angola, ocupa as cidades do Uige, Mbanza Kongo, N´dalatando, Soyo, Caxito e mais tarde, depois de uma batalha de 55 dias, a segunda cidade de Angola, Huambo, obrigando o governo a ficar na defensiva.
Nasce daí, a campanha mediática contra o Zaire de Mobutu, acusado de ter enviado tropas para auxiliar o braço armado da UNITA. No entanto, quando as ex- FALA's ocupavam militarmente uma das cidades, a Rádio Nacional de Angola, noticiava o que aqui se cita: "tropas zairenses e da UNITA, ocuparam a tal cidade", etc. Alguns jornalistas de Jornal de Angola imprudentes, assinam artigos que criticavam os supostos zairenses (na realidade, angolanos bakongos), com caricaturas, denegrindo-os de ser responsáveis da miséria do povo angolano.
Em meados de Janeiro de 1993, todos os órgãos de comunicação Social de Angola, citam fontes militares que foram capturados no campo de batalha, tropas zairenses, o que constituía prova suficiente da implicação de Mobutu no sucesso de tropas da UNITA no terreno. Prometeram apresentá-las numa conferência de imprensa. Na preparação desta, um jornalista corajoso questiona sobre as provas que os militares estrangeiros africanos capturados fossem zairenses; a resposta foi simples: falavam lingala! O jornalista insiste em saber se, nas forças armadas angolanas e da UNITA, não havia militares que falassem lingala, sendo logicamente, angolanos.
A reunião com imprensa foi anulada "in-extremis", por ordens superiores. Soube-se mais tarde, que os supostos soldados zairenses, na realidade eram angolanos bakongos que falavam lingala, ligados ao partido no poder e recrutados para este efeito. A campanha de difamação contra Mobutu e os zairenses era tão forte que obrigou o então general da UNITA, Demosthenes Chilingutila a desmentir na rádio portuguesa TSF, qualquer implicação das tropas do Zaire ao lado das suas tropas afirmando ainda que o próprio presidente do Zaire tinha problemas graves no interior de seu pais e, precisando ele sim, da ajuda da UNITA.
Nesse dia, 22 de Janeiro de 1993, um editorial da Rádio Nacional de Angola revela que os Zairenses infiltrados no seio da população angolana, preparavam um plano para assassinar o presidente da República, José Eduardo dos Santos. E, foi esta a razão que no mesmo dia incutiram e accionaram seu conhecido Poder Popular junto de seus seguidores entre a população de Luanda munidas de armas de fogos pelo MPLA a assaltarem, violarem e matarem à revelia e com toda a impunidade, os bakongos da capital do país – Luanda.
Dias depois, os bakongos, impotentes e frustrados, reúnem-se algures em Luanda, redigem o famoso Manifesto da Sexta-Feira Sangrenta, um memorandum dirigido ao governo de Angola, ao parlamento e às embaixadas acreditadas em Angola. Neste documento, os activistas “bakongo” relatam com pormenor o que se passou nestes dias. O então deputado do partido PDP-ANA, Nfulumpinga Landu Víctor, toma conhecimento do manifesto e interpela a Assembleia para condenar os massacres e levar à justiça os autores.
Em uma exortação sobre a Sexta-Feira Sangrenta, Muana Damba publicou a 24 de Janeiro no recente ano de 2013: História do Reino do Kongo - Você é um N'kongo, filho desta terra legada pelos nossos antepassados. Se podemos considerar esta Angola um país de Cabinda ao Cunene, é porque nele estão inseridas todas as etnias do país* incluindo os Bakongos sejam eles de Cabinda, do Soyo, do Uige, M'banza Kongo e outros, mas se essa realidade deixar de ser considerada, Angola deixa de ser aquilo que é, portanto vamos todos reflectir...
*Abro aqui um parêntesis para prosseguir este pensamento de Muana Damba, ressaltando que a etnia Branca desde seu processo libertador pelos autodesignados mandatários dum autopoder, na gestão do todo-poderoso MPLA na governação, sempre a excluíram, subtraindo-lhe direitos de gerações por nascimento. Algo incomum e xenófobo, do qual tanto se fala hoje pelo mundo com refugiados de um e outro lado, passados que são quase 46 anos daquele 11 de Novembro de 1975, verificando-se sempre um provocado desleixo ao lidar com a etnia Branca, relegando-a para um submundo de indiferença e menosprezo…
Muana Damba continuando seu MANIFESTO refere: Queremos que as autoridades, outros irmãos angolanos saibam que Angola é um mosaico de tribos ou mesmo junção de tribos, nós temos a nossa terra, espaço terra tal como outros, assim sejam Kimbundos, Ovimbundos entre outros que o tempo ditará terem também os mesmos direitos de jus soli (lei do solo -"direito de solo") irrestrito, ou o direito à cidadania a quem nasça em solo nacional, independente de quaisquer outras condições. Se alguma lei assim o refere, urge modificá-la para bem de Angola…
(Continua…)
O Soba T´Chingange
EXCESSO DE OPINIÃO – Parte DOIS – 27.06.2019
- O cerne da corrupção surge-nos na forma mais agravada em instâncias superiores. É aí, que as leis têm de ser mais efectivas sem se cair num vulgar descaso judicial dando contas à democracia …
Por
T´Chingange – No Algarve do M´Puto
É verdade que todos temos direito a uma opinião mas, uma partilha ou notícia em uma qualquer rede social tem de ser fundamentada. No mínimo, convêm fazer uma triagem através dos vários motores de busca conhecidos. Pois! Isso dá trabalho mas, aprende-se bastante. Muito do que se lê nas redes sociais terão de ser interpretadas como trocas de galhardetes porque é aqui nos novos meios de comunicação que se proporciona a oportunidade de se fazer brilhar a ignorância ou sapiência.
:::::
O certo é que no tempo, tudo mudou e, muito rapidamente. O que interessa na mente de alguns utilizadores é a de “rasgar e ou esfolar”, com ou sem razão, com ou sem conhecimento, no intuito de se fazer notar. Não compreendo como é que não lendo, não interpretando e não pensando, se podem ter opiniões tão críticas e absolutas. Como sabemos, actualmente poucos lêem, poucos o fazem de cabo-a-rabo, pois isso dá trabalho e o tempo “ruge”.
Os motores de entretenimento e afins fazem quase tudo por nós e, basta o clicar em um rato para num repente sermos os donos do pedaço quando, em verdade somos tão só um veículo de propagação duma onda que nem sempre sabemos qual a sua origem. Na informação torna-se mais fácil ler só o título e, logo ali fica formada uma posição ou opinião sobre um qualquer assunto; em realidade teremos de usar os métodos de escrita usados em meados do século XX por Graciliano Ramos (1892-1953) o autor de Vidas Secas com episódios de superação à sobrevivência.
:::::
Ao concebermos um texto, uma crónica ou um acontecido, teremos de primeiro esboçar, pôr de molho, ensaboar, depois lavar, colocar a corar, curtir, enxaguar, e fazer com que nosso sol se aconchegue na secagem, a ideia final. Antes de a colocar no ar, de a escrever ou de a publicitar, haverá que dar uma última leitura para que já tudo engomado se possa dobrar e arrumar na gaveta correspondente!
Infelizmente nada disto é observado e, é lamentável que não se leia um artigo de fundo, um esboço ou síntese de um livro de que se goste, coisas acreditadas por busca consciente via internet ou em páginas credíveis e com senso comum; assuntos mais alargados, mostrando o substancial que nos levem a dizer: Valeu a pena! Interpretar preto no branco o que é de justeza ou dissertar sobre uma palestra – enfim, com assuntos de interesse e sem uma qualquer gratuita agressividade.
:::::
Estas duas crónicas versando o tema OPINIÃO surgem porque me cansa o excesso de “falas” e de sabedorias que por aqui e ali abundam. E, porque este assunto é deveras transcendente debruço-me neste tema que por vezes é mentira; assim, quase caindo do topo do cume, chego ao Imperador D. Pedro I, Imperador do Brasil e IV do M'Puto – Portugal, que fiquei a saber estar no cimo do galheteiro na Praça do Rossio de Lisboa. Pensava eu que era mesmo D. Pedro IV mas, este cara-de-pau feito bronze, é afinal esse tal de Maximiliano I, o imperador do México.
Faltou dizer que o Imperador Maximiliano I do México, era tão fajuto, um falsificado, de tão fraca qualidade que desmereceu confiança fazendo-o passar por um genérico! Não deve vir mal ao Mundo mas é queiramos ou, não uma falácia. Os Tugas não queriam gastar dinheiro e por isso a estátua ainda está por lá dando caldinhos de matumbo ao povão. Isto há coisas… Que tal seria a crise desse tempo para colocar em um lugar nobre alguém, e a custo baixo quem nada era no país da Lusofonia, dos PALOPS ou da CPLP- (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Talvez a gente desvenda com tempo estas bizarrias da governação daqueles idos tempos - fim de século XIX.
:::::
Consultei o Mwata Januário Peter para entrelaçarmos estas fricções da história e também falar de um rei dono dum território chamado Estado Livre do Congo e, ele confirmou que aquele, era tempo de muito cacau no conhecido Zaire e, que por via dessa abastança, ofereciam mãos de chocolate uns aos outros. As efemérides na suposta metrópole que era a Bélgica era um procedimento normal. Um horror! Coisa assim, como de quem oferece um sapo feito de açúcar a um estudante! A Policia de Leopoldo recebia soldo extra por cada mão de fujões! Entenda-se por escravos os negros que se escapuliam dessas obrigatórias colheitas. Iremos com tempo, pormenorizar este trato tão vil…
Mas, era ver cestos de mãos... Coisa macabra mas real! O que nós vamos descobrir! Andamos a colocar flores no falso D. Pedro IV na praça Maior do Rossio e, afinal é aquele Maximiliano, Imperador do México que nasceu na Áustria, familiar do outro a quem D. João III ofereceu um elefante e que foi obra literária do Nobel Saramago! Esta crise, já vem de longe! Estes acontecidos são assim descritos porque o labirinto das verdades tem muito silvado e ao invés de as cortar com DDT e ou outros venenos, aproveito comer as amoras.
:::::
A Kianda Roxo que se fez anunciar envolta em coloridas dúvidas de espanto confidenciou a mim e Januário estar muito intrigada nessas "trocas e baldrocas estatuárias" dizendo por fim: -São para mim, uma surpresa -"tadinho" do D. Pedro IV - trocado pelo Imperador do México... Ambos imperadores, ambos das Américas... "Prontus"- na viagem de barco trocaram tudo... SERÁ??!!! Mesmo sendo uma kianda Roxo confidenciou por fim que se a curiosidade matasse ela preferiria ser só uma assombração de Guaxuma aposentada.
Com o fim da Guerra Civil Americana em 1865, os Estados Unidos começaram a fornecer apoio directo e substancial ao Presidente deposto Juárez e seus comandados que as tropas francesas tinham apeado do poder. Já é o insigne professor Júlio da Figueira a falar seus conhecimentos, rematando: Os americanos do norte viam com muito maus olhos qualquer intervenção europeia em assuntos do continente americano e viam o México como parte vital da sua esfera de influência na região. Isso piorou consideravelmente a posição de Maximiliano I empossado por Napoleão e a situação começou a ficar insustentável a partir de 1866 quando as tropas franceses começaram a se retirar do México.
O império auto proclamado pelo Maximiliano rapidamente entrou em declínio e sem contar mais com apoio interno ou externo, foi capturado e executado por forças do governo republicano mexicano em 1867. Mas, coube-lhe a glória vã e falsa de ter merecido ser trocado pela estátua do rei Tuga e Imperador do Brasil e, ser ele e não o verdadeiro, que estaria bem lá no alto a olhar a baixa pombalina por cima do seu bem alto pedestal; Pois é! Este, chegou a estar sem estátua nenhuma ainda uns bons tempos aos que os lisboetas da época chamavam de "galheteiro"! Muito haverá a dizer mas fica para uma outra crónica; após esta intervenção graciosa do Profe, todos fomos ver a novela das oito – “Órfãos da Terra”…
(Continua…)
O Soba T´Chingange
MU UKULU...Luanda do Antigamente – 15.02.2019
Entre Monomotapa e Catanga corriam entre as classes dominantes dessa região uns lingotes de cobre com o nome de HANDA…
Por
T´Chingange – No Nordeste do Brasil
Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil
Tomando como base o livro de Mu Ukulu de Luís Soares, aqui se irá falar das moedas correntes desde o ano de 1641 a 1693, moedas-mercadoria que vigorariam desde a chegada dos portugueses à Ilha da Mazenga ou das Cabras e, que nos dias de hoje se chama somente de a ilha de Luanda. Será por assim dizer uma adenda a complementar o que se sabe daquele sistema monetário controlado pelos reinos de N´Dongo e Kongos e outros, em África.
Em sequência temos os zimbos, n´jimbu, pequenas conchas, propriedade do rei do Congo que apareciam por toda a costa de N´Gola mas com os mais belos exemplares colhidos na ilha de Loanda pelos m´bikas às ordens dos chefes m´fumos. Estes, mergulhavam na contra costa da ilha retirando-os por meio do arrastamento com cestos estreitos e compridos chamados “cofos”. Dos mesmos eram recolhidos os zimbos que podiam totalizar em média e por cofo, uns dez mil.
No correr do tempo foram surgindo outros meios de permuta tais como o sal, a cera, o cobre, os panos ou libongos, marfim, mel silvestre, as cruzetas e os escravos saídos das guerras entre tribos e depois entre estes e mercadores negreiros. Mas, sabe-se por ensaios numismáticos-arqueológicos que entre Monomotapa e o Catanga corriam entre as classes dominantes desta região uns lingotes de cobre com o nome de HANDA, (ref.ª de Octávio de Oliveira na revista Notícia do ano de 1966).
A palavra banta HANDA significa clã entre os ovimbundo e outros povos de Angola; por outro lado, Octávio de Oliveira refere que Leo Frobenius, explorador e fundador da etnografia belga, chamava aos mesmos objectos “handacreuse”, que poderá ser heterografia da palavra flamenga handelkruis, “cruzeta de comércio” ou “cruzeta de cobre”, uma provável origem deste termo.
Quanto ao sal era retirado das minas com o auxílio de escopros e cinzeis nas regiões de entre o baixo Kwanza e o médio Cuango aonde viviam os ambundos, falantes de língua kimbundo. Extraiam este cloreto de sódio das terras da Kissama, do Libolo, da baixa de Cassange e junto aos rios Quionga e Lutoa. Estas minas que eram controladas por chefes, sobas locais, consideravam o sal da Kissama como sendo de qualidade superior aos dos baixios da costa.
Teremos de falar de cruzetas ou lingotes indo à raiz da palavra Jimbamba - Palavra crioula e, referida pelo autor, Octávio de Oliveira como formada de jimbo, o nome dado em kimbundo à cíprea angolana (o zimbo, que corria até ao Catanga como moeda) - quantidade de zimbos, coisa de valor. Acrescente-se que o termo perdura no português falado em angola como “imbamba”, os pertences de alguém. Jimbo – do kimbundo yimbu, do Quioco N´zimbu, moeda; palavra que deu origem a jimbamba.
Curioso é o de referir que quando o governador Henrique Jaques de Magalhães fez circular esta primeira moeda em Angola, já ali corriam moedas de 20 e 10 reis – situação que originou um motim entre a soldadesca brasileira situada na guarnição de Luanda. Os luchazes eram hábeis na confecção de manilhas, usavam o cobre que os lobares lhes levavam da Lunda para permutar com cera.
O mais característico destes objectos foi a “lucana-bua-mwano” que circulou em N´Gola e no Kongo, peça com configuração da Cruz de Santo André com tamanho e espessura variadas. Foram produzidas e usadas a partir do século VIII e, utilizadas como moeda de troca em permutas comerciais, pagamento de impostos, tributos ou alambamento por uniões matrimoniais de umbigamento. Circularam por toda a África até finais do século XIX.
Depreende-se do trabalho de pesquisa em referência que o lingote de cobre africano ocorre em três formas: a barra cilíndrica, o “H longo” em forma de astrágalo – o “jogo das pedrinhas” – o objecto monomotápico assim denominado por Theodore Bent em The Ruined Cities of Mashonaland, e a cruzeta. E, nesta busca surge o Lerali - uma barra cilíndrica de 45 cm de comprimento com um cone de 160º tendo numa extremidade decorações protuberantes em forma de chifres.
Libongo foi o nome que veio a ser dado em kimbundo ao “paninho” tecido originário do Loango ou palmeira-bordão, semelhante ao “paninho do congo” ou likutu que circulou como moeda no princípio do século XVII; acrescente-se que é palavra do kimbundo calunda lu m´bongu,”moeda – m´bonge”. Um libongo valia 5 réis em 1695. O libongos de N´Gola dividiam-se em “bongós, sangos e infulas” enquanto os do Kongo eram chamados de “panos lim´kundis. Os panos conhecidos por sambu ou nollolevieri, tinham a condição de objecto-moeda e serviam apenas para vestir os nobres africanos.
(Continua…)
O Soba T´Chingange
ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO – 19ª parte
Kiandas e calungas! E foi nesta "Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe" da ilha dos Frades, que encontrei vestígios das Sereias Kiandas Roxo e Oxor. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…
Por
T´Chingange
Como a sombra, a história tem obscuridades que enganam os escribas e gente dada à escrita mas, eis que vasculhando escritos mofados, roídos e muito deteriorados da Torre do N´Zombo deparo com duas Aqualtunes sendo uma falsa; Eram disfarces provocados pelos negreiros para lançar a confusão entre os próprios escravos e, afim de lhes não ser prestada vassalagem lá para as terras desse mundo novo, desconhecido.
Foi já dito que havia rivalidade entre os holandeses (mafulos) e os portugueses baseada na disputa pela aquisição dos mesmos escravos mas, a seu modo, podiam manter segredo sobre suas peças humanas. Seus segredos eram a sua alma dum negócio que valia ouro, que enriquecia a corte do M´Puto e muitos cidadãos de várias nacionalidades; estes tinham frotas de caravelas e até vergantins com bocas de fogo que davam protecção a estes durante a travessia do mar profundo.
:::::
Pois, esgaravatando na estória, sabe-se agora que a verdadeira Aqualtune era uma outra mulher também ela princesa de um outro reino mais a norte de N´Dongo. A mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares era filha do rei do Congo. Esta Barbara da Silva de N´Gola acaba por morrer na ilha da engorda, a ilha dos Frades ao largo da costa brasileira, no centro da bahía de Todos os Santos, ou de São Salvador da Bahia. E, esta ilha é assim chamada porque nela foram assassinados dois frades pelos Tupinambás, os quais pretendiam catequizar. Foi o que se fez constar!
:::::
Mas, sucede que também estas mortes foram encomendadas pelo senhor negreiro Jeremias T´Chitunda. Em verdade as peças humanas sublevaram-se ao saber que a princesa Barbara da Silva de N´Gola ali estava entre eles. E, porque foram estes frades que deram a conhecer tal facto, a morte foi um arranjinho que ainda hoje, nos surge bem estranho. E foram os Tupinambás que às ordens de Jeremias T´Chitunda e através dum milongo estranho fizeram a princesa definhar numa morte aparentemente normal.
Só assim, e depois desta naturalidade falseada, eles, os escravos, começaram a ter condições para serem apresentados aos compradores no lugar de Porto de Galinhas pelos coronéis das roças. Isto, parecendo ser, pode não o ser, pois que se apresenta como uma nuvem de cacimbo lendário e, dizer a veracidade no meio de tanto borrão escrito, é um pouco difícil de afiançar! Em verdade sabe-se que era aquela a ilha da engorda.
:::::
Os escravos de N´Gola, simplesmente queriam morrer até que fossem dadas condições à sua nobre patrícia! Bem difícil de acreditar nos dias que correm e, aonde esse brilho de heroicidade se esconde no temor da morte! Hoje, isso é prática de muçulmanos fanáticos que se fazem explodir ou emplodir lançando carnes ao vento, o mesmo vento que os fará sultões ou gente monhé de mustafagem.
:::::
Os escritos consultados foram gatafunhados por um tal de Barão de Loreto que ali permaneceu entre 1836 e 1906; Um personagem política da época do Império e dado a costumeiras corruptelas, coisa endémica, quase doença dos brasileiros que apreenderam tudo de mal dos Tugas. Na tradição oral nativa conta-se que, durante décadas, a ilha dos Frades foi dominada por um fazendeiro denominado Gabriel Viana e, que ao estilo dos "coronéis" dos tempos da República Velha, agia como um verdadeiro senhor feudal.
Por hábito, ele decidia sem mais quê nem porquê sobre a vida e a morte dos moradores; ora sendo um benfeitor da comunidade local, através de práticas assistencialistas, ora sendo um dominador autoritário fazia tudo a seu belo prazer. Em visita a esta ilha ainda pude ver um antigo casarão e de uma igreja remontando ao século XVII, que está completamente arruinada. Foi de lá que retirei algumas sebentas furadas por ratos transladadas para a Torre de N´Zombo do Kimbo e, deles retirei os duvidosos apontamentos entre muitos números de cifrões.
:::::
E foi nesta "Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe", que encontrei vestígios das Sereias Kiandas Roxo e Oxor. As mesmas que mais tarde avistei em Guaxuma, lá mais a Norte de Maceió. Conversando neste então com os moradores dali soube das andanças destas kiandas. Dizem que vinha agarradas aos cascos das naus do senhor Jeremias T´Chitunda. Actualmente ainda por lá se encontram cerca de cinquenta e cinco cinco pessoas.
:::::
Foi entre estas parcas barracas que botando conversa com o velho Rufino Adamastor fiquei a saber que não só por ali passaram as kiandas Roxo e Oxor como também durante algum tempo por ali se manteve um tal de Zé Peixe, o mesmíssimo homem que nunca se lavou com água doce e que mais tarde se mudou para Aracaju de Sergipe. Este Senhor mais-velho Rufino apresentava-se com umas barba branca e laivos amarelos de tanto fumar charutos tipo cubano.
A pedido do velho Rufino Adamastor visitei a "Igreja de Nossa Senhora do Loreto" e um casarão centenário, ambos recentemente reformados e, agradeci a esta Nossa Senhora o ter-me guiado pelas terras tão dispares por onde andaram gentes feitas animais e conduzidas como gado entre luxuriantes verduras. Só podemos imaginar o que teria sido isto em esses idos tempos medievais. O curioso é o de que a Kianda Roxo, não se lembra disto; só podia mesmo ser sua alma, sempre em Assunção ou Asccensão ...
Durante minha permanência naquela ilha dos Frades fui ao cemitério com cruzes abandonadas e dizeres surrados no tempo, pedras raspadas pelo vento. Quem poderia dizer ter sido ali um entreposto comercial de negros escravos de N´Gola e N´Dongo com suas belas paisagens, praias paradisíacas, lagos, cachoeiras, montanhas e coqueirais; uma vegetação típica da Mata Atlântica, com árvores nativas, incluindo o pau-brasil.
(Continua… De novo iremos a Massangano…)
O Soba T´Chingange
TEMPO COM FRINCHAS - Na rota do Atlântico - Os N´guesso construíram uma das maiores fortunas da África… A nossa sociedade é uma ilusão fugaz …
XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo.
Na rota do Atlântico - Em conjunto com Suíça e França, Portugal prende director e devassa negócios suspeitos da brasileira Asperbras com a cleptocracia do Congo, país cuja dívida Dilma perdoou…
Denis Sassou Nguesso é um político congolês, actual presidente da República do Congo. Nascido no norte do país, é membro da tribo Mbochi.
Quinta-feira passada houve um pequeno alvoroço na sede do Banco Carregosa, na cidade do Porto (Portugal), quando policiais exibiram um mandado de busca. A casa bancária mais antiga da Península Ibérica entrou no mapa das investigações de corrupção e lavagem de dinheiro conduzidas de forma coordenada em Portugal, Suíça e França.
No alvo está o português António José da Silva Veiga, director da Asperbras, empresa paulista percebida na Europa e na África como um dos braços financeiros da cleptocracia comandada por Denis Sassou N´guesso, que há 47 anos domina o poder na República do Congo. Veiga foi preso na semana do carnaval, em Lisboa, junto com o sócio Paulo Santana Lopes, horas depois de oferecer 11 milhões de euros (R$ 48,9 milhões) pelo controle do Banco Internacional de Cabo Verde, espólio do falido Grupo Espírito Santo.
O director da empresa brasileira não declara bens em Portugal, onde enfrenta atribulações fiscais desde a época em que intermediava contractos de jogadores de futebol como Luís Figo e Jardel, entre outros. No entanto, foram apreendidos oito milhões de euros (R$ 35,5 milhões) em espécie, mais quatro Porsches, Mercedes e um Bentley, além de congelados saldos bancários de dez milhões de euros (R$ 44,4 milhões). Veiga actuava como agente plenipotenciário de José Roberto e Francisco Carlos Jorge Colnaghi, de Penápolis (SP) — sócios mais visíveis do grupo Asperbras. Sua intimidade com o clã N´guesso, em especial com Cláudia, filha do ditador, assegurou aos Colnaghi um bilhão de dólares (R$ 4 bilhões) em contractos públicos no Congo. A devassa interrompeu novos projectos, para uma rede bancária e hospitalar.
A Asperbras foi grande beneficiária do perdão concedido dois anos atrás por Dilma Rousseff para uma dívida de US$ 280 milhões que o Congo mantinha com o Brasil. Nessa amnistia, chancelada em tempo recorde e sem debate no Senado, ficou perceptível a influência de António Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e ex-chefe da Casa Civil de Dilma. Palocci tem relações fluidas com os Colnaghi. Chefe das campanhas de Lula (2002) e Dilma (2010), Palocci era usuário dos aviões da Asperbras. Um dos Colnaghi, José Roberto, foi personagem do inquérito do mensalão sobre pagamentos realizados (via Angola) ao publicitário Duda Mendonça, na campanha de Lula em 2002. Ano passado, em outra investigação, a Justiça identificou remessas da Asperbras, no Congo, para a agência Pepper, que atende ao PT desde a campanha de Dilma em 2010.
Alto risco é um derivativo natural dos laços com a cleptocracia N´guesso, hegemónica no país produtor de petróleo e de diamantes sem origem certificada - “de sangue", moeda corrente na lavagem de lucros do tráfico. No poder, os N`guesso construíram uma das maiores fortunas da África. Suas propriedades incluem 66 imóveis de luxo no eixo Paris-Provence-Riviera, segundo o Tribunal de Paris. A família cultua ostentação: Antoinette, primeira-dama, gastou um milhão de euros na celebração dos seus 70 anos em Saint-Tropez. Carla Bruni Sarkozy foi o destaque. A acção europeia que levou à prisão do director do grupo brasileiro Asperbras, sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro, desenvolve-se sob um sugestivo codinome policial: “Rota do Atlântico”.
Esta verdade parece até um conto de fadas!
O Soba T´Chingange
CINZAS DO TEMPO – Tento aprender a viver com o vazio das coisas … Fui para longe, no tempo, para ver bem os recantos que em política, não podem ser vistos de perto… II
T´Chingange
Estou a escrever três estórias em simultâneo para poder matar o tempo, uma forma de dizer, porque este nunca se extingue e nem eu sou um experto em matéria do buraco negro. Nesta forma de matar a monotonia reconduzi-me nas lonjuras do Kongo, no tempo e no espaço. Depois de vender a roça Boyoma a Mustafá Joshua Naili desci o rio Lualaba até chegar a Matadi, contornar os rápidos e quedas de água até chegar às cataratas Yelaba.
Entre Kisangani e Kinshasa a navegação foi tranquila; em Matadi far-se-ia o transbordo final para a saída ao atlântico, chegar a Lândana de Cabinda e vender a carga de cacau que transportava. O calor vermelho das margens com a zoada da fechada mata verde, entorpeciam-me numa embriagues desconhecida. Em língua Kikongo, Matadi significa “pedra” pois foi construída empinada nas colinas pedregosas. Entre mim e N´Zau Tati, meu colaborador saído dos rápidos Stanley Falls na fazenda Boyoma, cresciam conhecimentos novos em trocas de impressões quanto ao futuro de África.
Falávamos longamente sobre aquele enclave Imbinda, bastante húmido, um bom clima para o cultivo de cacau na região do Buco-Zau; revíamos com alguns pormenores o tratado de Simulambuco que tinha sucedido há dois anos, feito no intuito de Portugal ser reconhecido nas diplomacias que decorreram em Berlim. E, foi ali no labirinto de covas e pedregais, aonde o navegador português Diogo Cão em 1485 deixou marcas a justificar a sua passagem. O mesmo rio por onde avançou para o interior a partir da foz e, que por ser vasto, o induziu ao erro de que seria aquele o caminho marítimo para as Índias.
Bandeira do Estado livre do Congo e Leopoldo II - O Estado Livre do Congo foi um reino privado, propriedade pessoal deLeopoldo II da Bélgica entre 1877 e 1908
Custou-lhe caro esse erro perante o rei D. João II que o relegou na história para descobridor de segunda linha. Não obstante, depois de ter deixado inscrições comprovando a sua chegada na catarata Yelala, estabeleceu as primeiras relações com o Reino do Congo. Naquele então, dissertamos na incompreensão de a Bélgica ser contemplada com tão grande imensidão, o Congo. As artimanhas de Otto Von Bismarck a juntar aos países da linha da frente, menosprezaram os feitos de Portugal; isso preenchia a maior parte da nossa conversa. O Congo ou Zaire com toda aquela extensão era um país-fazenda, propriedade do rei Leopoldo da Bélgica mantido e explorado à revelia de seus súbditos, europeus e africanos.
O Soba T´Chingange
DESANOITECI EM ZANZIBAR - X
Verdade ficcionada
Por
T´Chingange
Da varanda da casa grande da roça Boyoma podia admirar a azáfama do terreiro, tomando a golos o café com chocolate enquanto conversava com mustafá Joshua Naili que me veio visitar. A sugestão deste ladino comerciante em fazer uma salga de peixe foi-se tornando bastante lucrativa. O rio Lualaba farto em bagres, tinham um alto valor calórico que devido às águas frias e profundas originavam peixes gordos; a rede de lojas de mustafá Joshua pelo interior do Congo não tinham mãos a medir com as encomendas sempre escassas para alimentar milhares de trabalhadores nesse longínquo mato ainda por desbravar.
O Estado Livre do Congo, propriedade do Rei Leopoldo II da Bélgica, nada fazia para o real desenvolvimento do povo Congolês; este, era tão-somente mão-de-obra escrava que se esgotava numa insípida vida que não vivia para além dos quarenta anos. Com o meu tratamento diferenciado no trato com os indígenas, comecei pouco a pouco a ter problemas no relacionamento com os esbirros de Leopoldo; graças à minha suave diplomacia e oferendas avultadas, tinha até alguma atenção e benesses por parte de seus administradores com inerente inveja de outros fazendeiros.
Enquanto isto, dois homens em tronco nuo iam rolando para cá e para lá os grãos de cacau estendidos no liso terreiro e em cima de caixas rasas de madeira por via de garantir a este, a humidade de oito por cento. Do lado das cubatas e quase por detrás do d´jango central e no lugar dos lajedos, um serviçal de Charllôtte amolava uma faquinha em uma aresta aspara. Enquanto isso, os gatos iam-se chegando um a um ao rapaz chamados pelo ruído da afiação do ferro; a escama de peixe era entendida como um repasto de viceras gordas pelos bichanos. Estes detalhes seriam até desperdiçados caso eu não começasse já a sentir uma certa nostalgia pela lonjura da civilidade; os anos começavam a pesar nesta espécie de angústia.
(Continua…)
O Soba T´Chingange
DESANOITECI EM ZANZIBAR - IX
Verdade ficcionada
Por
T´Chingange
E, continuava amiudadamente, pensando na proposta de mustafá Joshua Naili em fazer uma salga de peixe; a ideia andava girando em meu pensamento, mas nada de tomar consistência. Em verdade preocupava-me mais a questão de dar salubridade ao húmido lugar da roça de Boyoma; com o tempo tive de contratar um credenciado enfermeiro de nome N´Zau Tati Bumelambuto que mandei vir de Cabinda. Foi a ele que confiei a saúde e bem-estar dos muitos gentios que ali prestavam serviço. Acabou por ser uma brilhante ideia pois que o rodopio de gente a ir ao paupérrimo hospital de Kisangani diminuiu a olhos vistos. N´Zau, era um fiote de cultura mediana, filho de gente nobre, descendente dos que lavraram o tratado de Simulambuco com Portugal no ano de 1885.
Por via de ter ido a Lisboa tirar um curso rápido no ainda esboço de Hospital Ultramarino, aprendeu muito sobre as maleitas tropicais. Amiudadamente reunia-se no d´jango central da roça com o kimbanda Good Lukuga e das longas conversas que ali mantinham, decerto faziam triagem de muitos conhecimentos. Eu via isto com grande contentamento pois que as origens dos conhecimentos rudimentares de Lukuga, obrigava N´Zau Bumelambuto a fazer, não só pesquisa como também a executar ensaios em porquinhos da índia e bicharada de distintas espécies que, ali ia aprisionando em organizadas gaiolas.
Só passado algum tempo da chegada do enfermeiro N´Zau à roça de Boyoma é que me predispus a falar da política que corria no agitado mundo da Lusofonia e, foi sobre Cabinda que falamos longo tempo. A "colonização" de Cabinda foi pacificada pelo Tratado entre Portugal e Cabinda, um território separado de Angola. Um enclave entre os Congos, belga e Françês. A um de Fevereiro de 1885, o governo português representado por Guilherme Augusto de Brito Capello, então capitão-tenente da Armada e comandante da corveta Rainha de Portugal, assinou com vários príncipes, chefes e oficiais do reino de N'Goyo colocando Cabinda sob seu protectorado. Em realidade não é uma colónia de Portugal disse N´Zau Tati Bumelambuto, coisa distinta de Angola que, essa sim, é colónia. O tratado feito por meu pai, aconteceu antes da Conferência de Berlim, acrescentou N´Zau. Notando-se orgulho em seu porte, acrescentou que Portugal se obrigou a fazer manter a integridade dos territórios colocados sob o seu protectorado respeitando e fazendo cumprir os usos e costumes dos Imbindas.
(Continua…)
O Soba T´Chingange
DESANOITECI EM ZANZIBAR - VIII
Verdade ficcionada
Por
T´Chingange
Boyona Falls
Envolto em quentura húmida, balouçava ritmadamente ao som surdo das quedas de água. Apreciando o arco-íris quase permanente, bem por cima das cataratas Boyoma, dava chupadas divagadas em meu cachimbo de marfim feito de osso de corno. Apreciando os deliciosos biscoitos entre goles de uma bolunga feita por Charllôtte, empolgava-me no conforto de pai branco anafado de gordo e rodeado de muitos e leais serviçais. Kabila Kasavubu que zelava pelos cacaueiros era em bom dizer o feitor geral, mustafá T´shiluba que antes tomava conta da borracha, já mais-velho, tomava agora conta da granja, limpeza do terreiro, animais de estimação e galináceos; a mucamba Charllôtte ordenava as coisas da casa orientando a gente no amanho da casa grande e dirigia a cozinha no maior zelo.
::
Eu, tomava as minhas precauções contra as muitas maleitas da região e religiosamente zelava da manutenção do meu físico tomando os minerais e vitaminas adequadas para precaver infortúnios; Para a próstata tomava todos os dias uma colher com farinha de pevide de abóbora, para os ossos bebia diáriamente um copo com cloreto de magnésio, comia abacate para regular os triglicéridos e efeitos degenerativos, água com a baba de quiabos para regular o açúcar e muitos chás com ervas e cascas que o kimbanda Good Lukuga raizeiro, me fornecia amiudadamente. O paludismo era tratado com umas folhas de árvore que ficava a macerar uns dias e eram depois pisadas com casca de ovo de avestruz; O kimbanda Good observara que os animais doentes bebiam água nas lagoas onde essa árvore se encontrava. Mais tarde confirmou-se que as folhas daquela tal árvore Cinchona tinham muito quinino em sua seiva e, por isso o milongo tinha funções antitérmicas, antimaláricas e analgésicas. Ele dava-me periodicamente um pó dizendo que aquilo era para eu durar sempre; vim a saber ser bicarbonato de sódio e usado com frequência elimina as células cancerígenas. Como é que aquele Good sabia que este milongo inibia as metástases do bicho câncer.
Pensava agora na proposta de meu amigo mustafá Joshua Naili de Kisangani. Sugeriu-me que fizesse uma salga de peixe do rio Lualaba, pois que ele tinha muita procura em sua rede de lojas do interior do Congo; além do mais havia aqui, bagres muito apreciados na região a sul de Matadi. Eu, só teria de montar estruturas, armações de paus, escalar o peixe, colocar o sal e deixar passar uns quatro dias de sol. Os de Matadi e das regiões do Songo, Fiotes e Kiocos, gostavam de fazer um prato com óleo de palma a que chamavam de kalulu e mezungué. Para me convencer falou de espécies tais como o Alestidae (tetras Africano), Mochokidae (bagres squeaker) e Cichlidae (ciclídeos). Destes o mais procurado era o peixe-tigre-golia que feito em postas dava óptimas caldeiradas. Ainda estou pensando.
O Soba T´Chingange
DESANOITECI EM ZANZIBAR - VII
Verdade ficcionada
Por
T´Chingange
No intuito de estabelecer uma rota segura para o cacau de minha roça, desloquei-me a Kisangani, aonde o Rio Lualaba dá lugar ao caudaloso Rio Congo; falei com o mustafá Joshua Naili, que se mostrou muito gentil dando boa aceitação às minhas pretensões. Foi bem interessante o contacto com este comerciante com quem mantive uma longa conversa entrecortada com sorvos de chá menta e biscoitos bizantinos como ele referia. Tendo este, uma frota de barcos e contactos com comerciantes holandeses de Antuérpia e outras praças europeias, propôs-me colocar os produtos da roça, nomeadamente o cacau, ganhando ele uma comissão de 30 %, o que me pareceu justa. Na minha fazenda de Boyoma, eu só teria de secar as amêndoas de cacau e mantê-las em lugar seco e arejado, ensacadas em ráfia ou sisal até que as barcaças chegassem ao cais de Ubundu; no destino estas amêndoas seriam moídas e distribuídas para vários fins como fazer sumos, geleia, destilados finos e o tão desejado chocolate.
O produto chocolate, era conhecido desde o início da colonização da América. Em função das necessidades climáticas para o cultivo do cacau, não é possível o seu plantio na Europa e por isso as colónias americanas de clima tropical húmido forneciam a matéria-prima. Tendo a África Ocidental um clima quente e húmido com solo argilo-arenoso, e sendo uma planta umbrófila, foi só propagar as sementes nos sub-bosques e matas rareadas por lonjuras a perder de vista. Pouco mecanizada, tive de juntar muita gente em kimbos para o amanho deste fruto e o contracto de Kabila Kasavubu um negro forro fugido nem sei como, das terras da Bahia em Brasil, foi crucial. Kasabuvu, tinha uma larga experiência pois que enquanto escravo, era esse o seu trabalho, limpeza, uso de fumos e protectores a fungos que não raro surgiam nos pés de cacau; conhecedor desse processo e sistema de secagem foi em verdade este meu auxiliar, que promovi a capataz.
::::::::::::::::::::
Nas manhas de cacimbo intenso, sentava-me na sacada da casa colonial tomando café com chocolate quente. A minha mucamba Charllôtte, ao longo do tempo foi aprimorando sua arte de culinária e doçaria e fazia questão de presentear seu amo T´Chingange com tortas, biscoitos, mousses e bombons, muito antes de ser um hábito nos cafés europeus de Paris, Londres ou Lisboa. Nas meditações da vida amiudadamente recordava o quanto era bafejado pela sorte em terras de canibais; em outro lugar longínquo chamado de México, um outro continente, os nativos consumiam o cacau na forma duma bebida quente e amarga, de uso exclusivo da nobreza. Naquela roça grande de Boyoma no rio Lualaba, inalando a brisa em nuvem de cacimbo das cataratas próximas, eu era ali, também, além de pai branco, um verdadeiro nobre.
(Continua…)
O Soba T´Chingange
DESANOITECI EM ZANZIBAR - VI
Verdade ficcionada
Por
T´Chingange
Aquela Associação da Reforma do Congo tendo exposto abusos arbitrários e selvagens da força de trabalho pelo Rei Leopoldo II da Bélgica no Estado Livre do Congo, deu encaminhamento à anexação do Congo pela Bélgica o que se veio a verificar no ano de 1908. Eu, uma Kianda, portadora da crença de Camões, das suas Ninfas e Tágides do Puto Luso, entre matumbolas kwangiadas mais bitcaias adquiridas em pântanos insalubres do Kwanza, e kalungas do N´gunza, Queve e Bero, indignava-me da falácia dos povos europeus. Não tendo os Belgas feito algo de grandioso e sendo prevaricadores por desvios na conduta humana exterminando milhões de seres, tiveram no entanto como prémio, tomar conta dum tão vasto território chamado de Congo ou Zaire, banindo sarcasticamente o arrojo de gentes do Puto comprovadamente fixados àqueles sertões africanos.
Como se justifica que as nações europeias desse então tenham relegado o Puto ao desprezo, povo que se esgotou enviando levas de gente, ano após ano, a partir do ano de 1480; Como não levaram em consideração a implantação de gente que já ali labutava à mais de quatrocentos anos a partir da chegada de Diogo Cão à foz daquele grande rio Zaire. E, quantos, entretanto, morreram missionando os matos infestados de malária e tzé-tzé; morrendo sem glória, dando de bandeja aos Belgas um território tão vasto como o Congo. Leopoldo ofereceu uma reforma em seu regime, mas poucos levaram isso a sério. Todas as nações estavam de acordo que o domínio do Rei deveria ser extinto o mais rápido possível, mas nenhuma nação estava desejosa de assumir a responsabilidade, e nunca foi sugerido que as terras em questão fossem devolvidas ao povo da região. A Bélgica era a forte candidata à administração do Congo, mas os belgas não estavam ainda dispostos a isso. Por dois anos a Bélgica debateu a questão e foi às urnas decidir. Entretanto, Leopoldo, aumentava o “Domínio da Coroa” para com isso espremer a última gota de lucro.
Da minha fazenda podia ouvir o barulho dos rápidos de Boyoma Cataratas no rio Lualaba; lançando ao ar nuvens de partículas de água, amenizavam o tórrido clima inundando humidade no verde da roça com milhares de cacaueiros. Pouco a pouco fui-me afastando das lidas de gestão dos interesses do rei Leopoldo com a compreensão de Richard Mohun e o comprometimento da kianda Januário Pieter*. A fazenda ocupava-me já quase em absoluto; para espairecer, amiudadamente ia até aos rápidos com o cipaio fiel mustafá T´shiluba refrescar-me e pescar. Enquanto pescava, o cipaio fumava ervas mal cheirosas de adocicada liamba. Entretia-me vendo os pescadores tradicionais com suas engenhosas tarrafas encastradas nas rochas, juntar forças pela comunidade a qual amiudadamente eu era chamado a fazer justiça ou esclarecer assuntos que eles não dominavam. Decididamente a “era da borracha” estava acabada; O pai branco, decidiu por isso fazer um plantio de milhares de pés de cacau.
(Continua…)
Glossário: kianda : - fantasma das águas, espírito da Kalunga; Liamba: - droga de fumo, que leva a delírio; cipaio: - guarda indígena; segurança; Puto: - Portugal; matumbolas:- mortos vivos; kwangiadas: - Ninfas do rio Kwanza; bitacais: - bicho de pé
*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos que tem no seu ADN a picardia cutucada de malária.
O Soba T´Chingange
DESANOITECI EM ZANZIBAR - V
Verdade ficcionada
Por
T´Chingange
Telepáticamente entrei em contacto com Januário Pieter, a kianda mwata que nesse momento estava demasiado ocupado em terras de França, Vallée de la Loire. Recomendou que me alheasse da situação de mutilação do estado Livre, mas que no entanto elaborasse um relatório que mais tarde o faria encaminhar a Edmund Morel um jornalista de investigação; Este Edmund, fiquei a saber mais tarde, empenhava-se em acabar com os métodos desumanos do monopólio secreto de Leopoldo do Estado Livre do Congo. O contacto com o mato e muitos animais ferozes já naquele início do século XX, era para mim uma forma de liberdade, adrenalina do viver entre incertezas e perigos naquelas vastas regiões por explorar, longe dos interesses costumeiros e das coisas de vida civilizada. Continuava ali amarrado á rígida noção de dever de cavalheiro que me impedia de abandonar Richard Mohun, elaborando em surdina o prometido relatório de atrocidades.
A partir de certo momento senti-me o pai branco e, não raras vezes e à revelia das ordens de cima, reunia-me no jango com os macololos de fala Swahili a conversar sobre coisas comuns sentindo-me vagamente acompanhado; com o tempo e convivência situava as fisionomias distinguindo os mais amigos; quase todos faziam soltar de seus cachimbos um cheiro adocicado de liamba. Amiudadamente surgiam mulheres cafecos (novas e virgens) a recarregar seus cachimbos com mais erva. Junto às barricas de aguardente de palma, marufo, ensaiava vontade de fumaça e, nessa tentativa sublimava o inebriante fumo: “As cestas de mão cerradas, postas aos pés dos chefe de posto europeus, tornaram-se o símbolo do Estado Livre do Congo... A colecção de mãos tornou-se um fim em si mesmo. Os soldados da Força Pública traziam-nas em vez da borracha; eles, até mesmo iam colhê-las em lugar de borrachas... Os soldados dos Força Pública tinham seu bónus pagos de acordo com quantas mãos eles colectavam”.
Edmund Morel faiscou a notícia que em 1902, resultou no romance de Joseph Conrad intitulado “O Coração das Trevas”. Foi publicado com base na sua breve experiência como capitão de um navio a vapor no Congo, dez anos antes. Este livro encapsulava o pavor crescente do público, e em 1904, Sir Roger Casament, o cônsul britânico, entregou um longo e detalhado relatório testemunhal o qual tornara público. A Associação Britânica de Reforma do Congo, fundada por Edmund Morel, em considerandos de varias fontes incluindo o meu relatório fornecido por Januário Pieter, exigia acção. O Parlamento Inglês clamou por uma reunião das 14 potências signatárias a rever a Conferência de Berlim. O Parlamento Belga forçou Leopoldo a organizar uma comissão independente de inquérito, e apesar dos esforços desesperados do Rei, em 1905 foi confirmado o relatório de Casement em sórdidos detalhes.
(Continua…)
Glossário: kianda mwata: - O fantasma chefe, Espírito maior da Kalunga; Jango: - Casa assembleia, lugar de reunião dos mais-velhos. Macololos: - chefes, macotas, tribo;marufo: - vinho de palma cassoneira ou outra; Liamba: - droga de fumo, que leva a delírio; gweta: - branco; cipaio: -guarda indígena, polícia de 2ª linha; mwata: - guru, chefe carismático, Senhor dos senhores.
*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!
O Soba T´Chingange
DESANOITECI EM ZANZIBAR - IV
Verdade ficcionada
Por
T´Chingange
A linha telegráfica acabou de ser montada três anos depois no ano de 1902 na região de Boyoma Cataratas no rio Lualaba, Estado Livre do Congo. Os cipaios de fala Swahili referiam aquele sítio que não ficava muito longe de Kisangani como sendo a terra de Ubundu. Richard Mohun, além de mim na qualidade de kianda interina, foi o único branco a terminar aquela expedição sem sofrer as agruras do paludismo graças aos chás de milongo que criteriosamente tomávamos ao fim da tarde; porque amargavam como trovisco os demais gwetas (brancos), recusavam-se a tomar. Mohun terminada esta tarefa com sucesso foi convidado pela administração do rei Leopoldo da Bélgica a ficar por ali dirigindo a prospecção de minas de cobre, cobalto, estanho, rádio, urânio e até diamantes. Aquela região potencialmente rica em minerais era nesse então propriedade pessoal do rei Leopoldo, o homem mais rico da Europa.
Bandeira do Estado livre do Congo e Leopoldo II
O Estado Livre do Congo foi um reino privado, propriedade pessoal de Leopoldo II da Bélgica entre 1877 e 1908. Em 1908, esta propriedade privada passou a ser uma colónia da Bélgica, o Congo Belga. Ele criou uma série de organizações, culminando na Association Internationale du Congo, da qual só existia um accionista: o próprio Leopoldo. Incluía toda a área hoje conhecida como República Democrática do Congo e assentava na exploração do trabalho africano para extracção de borracha, marfim e minerais.
Por ali fui ficando assessorando Mohun em tarefas de relações com o povo de fala Swahili e Tshiluba, dialectos que dominava quase na perfeição mas, não demorei a revoltar-me em surdina com as regras de desumana disciplina que por ali vingavam por expressa ordem do rei Leopoldo II da Bélgica. Para impingir as cotas de borracha, foi instituida uma Force Publique (Força Pública) cujos cipaios, na sua maioria eram canibais do Lualaba armados com armas modernas e chicote. Esta “Força Pública” rotineiramente pegava e torturava reféns, açoitavam, estupravam, incineravam aldeias, a acima de tudo, extirpavam mãos humanas como troféus, castigo este, só porque as cotas de produção não eram cumpridas.
Um cipaio m´fumo (chefe) descreveu-me uma incursão para punir uma aldeia que havia protestado e fiquei muito intranquilo: "Ordenaram-nos a cortar as cabeças dos homens e a pendura-las nas cercas da aldeia, bem como seus membros sexuais, e pendurar as mulheres e crianças em forma de cruz", acrescentando: O oficial comissário prometeu-nos que se tivessemos muitas mãos, ele encurtaria nosso serviço. Januário Pieter, a kianda-mor mwata, desconhecia toda esta barbaridade; haveria que lhe fazer uma mensagem a dar conhecimento deste estado de coisas.
Leopold II, morreu sem ter pago pelo crime, de eliminar em sua sanha colonial cerca de 10 milhões de vidas. Alguns anos atrás podia-se comprar em quiosques, no centro de Bruxelas, mãozinhas de chocolate como recordação deste passado; coisa macabra.
(Continua…)
Glossário: gweta:- branco; milongo: -remédio indígena, de raizeiro; cipaio: -guarda indígena, polícia de 2ª linha; mwata: - guru, chefe carismático, Senhor dos senhores.
*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!
O Soba T´Chingange
DESANOITECI EM ZANZIBAR - III
Por
T´Chingange
Richard Mohun, o expedicionário soldado da fortuna com quem a kianda Januário Pieter*, fez o achamento do Lago Tanganica, veio efectivamente a ser nomeado cônsul dos EUA para Zanzibar a 25 de Maio de 1895, mantendo-se nesse cargo até fins de 1897. Por morte do Conde do Lavradio no ano de 1870, e após ter feito espólio fiz entrega de todo o património composto de porcelanas e marfim, ao comandante do vapor Mindello, o Capitão José Bernardo, que ali aportou em uma viagem de soberania a terras de Diu, Damão e Goa. Na condição de kianda interina, eu, tinha agora todo o tempo do mundo para me lançar em aventuras expedicionárias, desbravar terras gentias e viver experiências com o extravagante amigo Richard Mohun. Por via das indicações da kianda Pieter e seus segredos de kimbanda, a minha saúde era invejável; o uso de seus chás e mezinhas como o sulfato de virtude, cloreto de magnésio, soda de malvadez, citrato de sildenafila, baba de quiabos e estrato de quinino, mantinham-me um saudável e estável comerciante de cerâmica, marfim e curtumes.
Richard Mohun, tendo-se envolvido na Guerra Anglo-Zanzibar , entre o Sultão de Zanzibar e as autoridades britânicas, acabou por servir de intermediário entre estes e, pelo seu tacto diplomático em troca de serviços, acabou por se envolver como expedicionário na feitura de uma linha de telégrafo do Lago Tanganyika ao nascimento do rio Nilo, área já vasculhada por David Livingstone. Foi através do padre Bernardo do forte português que tive notícias desta expedição e, foi deste que recebi o recado em me aviar a falar com o ex-consul Richard. Ele estava a contar comigo para tal empreita. Eu, fiquei em pulgas, pois que alinhar numa dessas campanhas, era o meu maior sonho. Convite feito e aceite ajudo-o a seleccionar cem homens para acompanhá-lo e, foi entre os Askari de Zanzibar que recaiu a nossa escolha; a quinta parte destes já o havia servido numa outra expedição no ano de 1894. O expansionismo britânico não podia perder pontos nesta braveza pela posse de África e destinou-lhes uma escolta numerosa sob o comando do capitão Verhellen.
Andamos a pé, de tipóia, em carros de boi e em canoas. Nas aldeias, tratávamos os doentes, conquistando assim a amizade dos nativos podendo negociar com a população local ao longo do percurso. Mohun apetrechou-se de 100 caixas de bugigangas comerciais compostas de sinos, facas, trincos, espelhos, caixas de música, relógios, barretes, pentes e coisas para outros fins. A expedição incluía carregadores para levar rolos de fios de cobre e demais equipamento para a linha telegráfica. Para alegrar os ânimos entre expedicionários e indígenas faziam-se espectáculos com mágicas árabes trocando favores por panos, trastes e incenso; para aquelas gentes estas novidades eram a tecnologia de ponta. Mal sabiam eles que iria dali sair a matéria-prima para desenvolver o ocidente como o cobre, coltan e diamantes. O navio Sir Harry Johnson, entretanto fazia a ligação por cabo submarino entre a ilha de zanzibar e o continente africano na colónia alemã de Tanganica desde o recente acordo de Berlim de 1885. Cecil Rhodes desta forma, firmava estruturas para levar avante o seu sonho de unir o Cabo ao Cairo por via-férrea. Eu, desconhecia então que estava a ajudar a realização desse sonho alheio.
(Continua…)
*Januário Pieter:- Um personagem amigo, um sábio que me assiste e complementa conhecimentos...Um fantasma feito guia Kalunga; o homem que nasce da morte metaforizada com mais de 300 anos. Tem no seu ADN a picardia cutucada até a exaustão, Cruz credo!
O Soba T´Chingange
Corporações estrangeiras como a do Canadá de Mineração Anvil que se fundiu com TENTE Mineração, da África do Sul Anglogold Ashanti , e os EUA Phelps Dodge / Freeport McMoRun fornecem logística e finanças afim de apoiar os grupos armados permitindo a exploração ilegal de coltan. Recentemente Anvil e Phelps compraram uma mina por US $ 60 bilhões. A indústria de mineração, é controlada pela força das armas que mantêm reféns seus trabalhadores na ponta da baioneta. O mineiro do Congo, pela força, ou "voluntariamente” ganha apenas US $ 1 por cerca de dois quilos de coltan. A Bélgica, que ainda tem uma "mão" na riqueza do Congo na pessoa de George Floresta, proprietário do Katanga Mining que financiou o partido político do actual presidente do Congo, tendo estabelecido ali o maior complexo de mineração do mundo.
A mídia mundial enfeudada a interesses de métodos neo-coloniais no pior sentido, omitem os motivos da matança e escravidão no Congo. Os valores ocidentais, conspurcados na riqueza e rapina, não podem perder o controlo, expondo a verdade; Os ricos, estão demasiado embrenhados nesse banho de sangue. As pessoas não dão a face mostrando a balbúrdia do Congo porque são enormes as forças globais, vários governos, consorcios de mineração global, institutos e Ong´s coladas a elites da nomenclatura local. Todos esses, estão provocando o maior assalto do século XXI. Eles, os que arranham a terra, necessitam da nossa
ajuda, da nopssa denúncia.
Sabe-se o quanto é difícil deixar de usar essa ferramenta tão útil como o é o telemóvel celular mas você pode fazer pressão para que as coisas mudem e é importante saber disto, usar sua atitude no sentido de inverter procedimentos de devastação; parar de substituir os telefones celulares e laptops que ainda funcionam. O acordo de paz assinado na República Democrática do Congo em 2006, não acabou com a guerra. Estima-se que 400.000 mulheres foram estupradas nos últimos dez anos, um acto de puro femicídio - destruição planeada das mulheres de forma sistémica. As mulheres sofrem fístulas de estupros com facas, revólveres e pénis. É revoltante e até parece ousada fantasia quando se diz que mulheres foram forçadas a comer bebés mortos. É um mundo tão horrível que a continuar põe em risco o nosso sono de forma constante, assim se saiba. Soldados com HIV estupram mulheres na frente de seus maridos, as meninas na frente dos pais. Esses procedimentos são parte do plano; afrouxar o aperto da comunidade sobre seus recursos naturais, especialmente o coltan. O Congo é o país com maior oferta desse mineral.
Para mais informações, ir para friendsofthecongo.org.
XICULULO: - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo
(Final)
O Soba T´Chingange
“A GUERRA DO COLTAN” - O oculto no uso de telemóveis / Celulares O minério Coltan
A maioria de nós só pensa em seu telemóvel / celular; do quanto custa e do quanto se gasta por mês com esse aparato tornado indispensável. Raramente as pessoas se detêm a considerar o custo em vidas humanas que envolve este negócio; a grande maioria desconhece o que é essa guerra surda entre gente distante sobrevivendo nas minas, raspando com as mãos esse mineral. As República Democrática do Congo (RDC) detêm 80% das reservas mundiais desse mineral, o tatalum tão necessário à indústria electrónica. O tântalo é o metal essencial utilizado na produção de telefones celulares e computadores portáteis; permite que eles fiquem mais compactos e, serem também utilizados a temperaturas muito elevadas. A miniaturização desses utensílios, depende do coltan.
Os donos da guerra
Mais de dois bilhões de pessoas no mundo, usam agora telefones celulares ou “laptops”. Estes minúsculos celulares colocados ponta com ponta, atingiriam mais de metade do percurso para se chegar à lua. A demanda diminuiria se as pessoas não substituíssem os telefones celulares com tanta frequência mas, seus donos, mudam-nos no mínimo a cada 12 meses. A ânsia de lucros das quatro principais empresas de electrónica: Cingular, Sprint, T-Mobile e Verizon não é compatível com os padrões de reciclagem. É irónico que o povo do Kongo tendo sofrido a colonização Belga com elevados índices de atraso e inerente pobreza e morte, seja de novo envolvido por seu país ser rico em ouro, cobre, diamantes, borracha e agora o coltan. Eles enfrentam a batalha dos metais que compõem nossa sociedade usufruindo migalhas. A riqueza deste mineral dá o lucro de bilhões de dólares aos mercados financeiros de Paris, também de Londres, Nova York, Toronto e Austrália (Os primos exploradores da Commonwealth). O resto do mundo delicia-se com seu maravilhoso aparelhinho alheio a tudo. A Conferência de Berlim sob a égide de Otto von Bismarck, dando fim aos trabalhos a 26 de fevereiro de 1885 teve como objectivo organizar a ocupação de África pelas potências coloniais, que resultou numa divisão desrespeitando a história e as relações étnicas até então existentes. O Zaire ou Kongo ficou destinado a ser gerido pela Bélgica.
O rei Leopoldo da Bélgica colonizou o Kongo de acordo com o tratado citado. Em 23 anos, sob o seu reinado, morreram 10.000.000 de congoleses, e isso, foi a metade da população do país. Bélgica explorou borracha, cobre e marfim até à exaustão sem deixar qualquer infra-estrutura considerável. Chefes de mineração e exércitos cortariam a mão a trabalhadores por não produzir rápido e o suficiente; a educação foi incipiente a comparar com a vizinha Angola que prosperava mesmo no executivo colonial português. Hoje, talvez os donos das multi-nacionais de minas não sejam tão brutais como a gestão belga mas, o povo congolês ainda está esmagado pela pobreza confrangedora e guerras pelo mando e comando daquele metal. Consórcios de países ricos assinam acordos lucrativos com o governo corrupto e, em simultâneo, com os rebeldes armados por estes, para extrair esse mineral valioso. Todos somos cúmplices deste massacre, mas todos se ilibam na sombra da confortável ignorância.
XICULULO: -Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo
(Continua…)
O Soba T´Chingange
RECORDAÇÔES ANGOLA
fogareiro da catumbela
aerograma
NAÇÃO OVIBUNDU
ANGOLA - OS MEUS PONTOS DE VISTA
NGOLA KIMBO
KIMANGOLA
ANGOLA - BRASIL
KITANDA
ANGOLA MEDUSAS
morrodamaianga
NOTICIAS ANGOLA (Tempo Real)
PÁGINA UM
PULULU
BIMBE
COMPILAÇÃO DE FOTOS
MOÇAMBIQUE
MUKANDAS DO MONTE ESTORIL
À MARGEM
PENSAR E FALAR ANGOLA