Quarta-feira, 19 de Abril de 2023
MOAMBA . LIII

MORAL DE HOJE – O FALSO, O VERDADEIRO E OS CACOS

Crónica 3372 - a 19.04.2023 na Pajuçara de Maceió

Pornoé001.jpgT'Chingange – Otchingandji 

noé3.jpgNa história breve da humanidade escrita por Yuval Harari, é referido que a presença de um osso humano, uma ponta de lança quebrada ou um caco de louça partida ocupam o centro do palco das extinções de muito animais. Diz que em Madagáscar, como exemplo, as aves elefantes, lémures gigantes e todos os outros animais de grande porte desapareceram de súbito há cerca de 1 500 anos, tempo coincidente com a chegada dos primeiros humanos à ilha.

Que por esse tempo quando agricultores se instalaram na ilha de Salomão, na Indonésia, nas ilhas Fidji e na Nova Caledónia, levaram à extinção directa ou indirectamente centenas de espécies de pássaros, insectos, caracóis entre outros animais nativos. Nos dias de hoje e em pleno Algarve do M´Puto, seguindo esta lógica de raciocínio, em que o homem surge como o maior predador do mundo, irá na certa extinguir esses pequenos gastrópodes. E, antes que isto aconteça lembra-se que os caracóis são essencialmente herbívoros pois comem verduras como a couve e a alface (uma praga).

arau155.jpg Esse camarão dos pobres, comem frutos carnosos como a melancia, banana e maçã e ração rica em cálcio. São animais de hábitos nocturnos e vorazes, pois comem uma grande quantidade de alimentos. Essa voracidade está directamente relacionada ao clima e às estações do ano; não se alimentam por vários dias em clima seco e quente sem chuva mas, consomem diariamente cerca de 40% de seu peso nos dias frescos. Fazem-nos tantos estragos nas hortas que merecem ser comidos e regados para vingança de tanto desaforo. Na vila de Porches do Algarve, todos os fins de verão se faz o já muito conhecido “Festival do Caracol”. Este ano de 2023, em fins de Julho, far-se-á o 29º festival.

Caracóis e caracoletas, por este andar, serão lembrados como uns vagarosos e estranhos bichos metidos numa concha e assim serão lembrados, como se comiam com edecéteras antropológicos. Eles, os antropólogos, estudarão ao detalhe, esses fosseis amontoados num torrão de argila quase petrificada e, tendo ao lado cacos de grandes garrafas conhecidas por garrafão que em tempos idos tiveram vinho de uva pela análise das grainhas da uva parreira, tintureira caramujeira.

noé003.jpg Deduzirão pela pesquiza, uso da escova e espátula serem aquelas cascas de santola, de lagosta e até um dístico ainda legível nos cacos de vidro, garrafa branca com o nome de “Casal Garcia” entre muita ferrugem a ser verificada pelo teste de carbono. Era uma farturinha, dirão os técnicos. Ao invés destas descobertas, lá longe num ilha chamada de Gomera, dirão ter havido ali grande penúria por não haver utensílios de cobre ou ferro pois descobriram que ali usavam cornos de cabra para lavrarem as terras. Uma ilha misteriosa com giestas de sete metros de altura.

E, Laurissilva, da família das lauráceas e endémico da Macaronésia, região formada pelos arquipélagos que para além das Canárias as há também na Madeira, Açores, e Cabo Verde. Irão dizer que nós e outros ainda mais antepassados, vivíamos em harmonia com a natureza, antes duma tal de Revolução Industrial e uma outra de atómica. Pois se hoje detemos a duvidosa intuição de sermos a espécie mais mortífera nos anais da biologia, amanhã tudo pode mudar.

noé002.jpg Dividirão o tempo em vagas de homo-sapiens, no AC – antes de Cristo e do AC – depois de Cristo e, as vagas serão tantas que relembrarão também a era do plástico, do macro plástico pois que encontrarão em nosso sangue pequenas partículas desse produto, tanto nas pessoas como nos peixes e até encrustados em troncos de árvores que retorceram sua resistência uma nova matéria que tanto se vulgarizou no período das guerras usando canhões de ferro com ligas e volfrâmio e outros materiais de dar dureza e elasticidade a estes.

Concluir-se que tendo havido vários dilúvios e guerras de uso com material atómico, mais outros raros minérios como nióbio, o lítio e muitos mais como o cério, disprósio, érbio, europium, gadolínio, holmium, lantânio, lutetium, neodímio, praseodímio, proménio, samarium, terbium, thulium, ytterbium, ítrio e escandium. Tantos e diversos a serem traficados a preço de sangue em países que desconhecem que já não existe o planeta Plutão. Nesta altura dos acontecimentos desconhece-se se as vindouras vagas serão de AP – após Putin a recordar, a outra anterior de AP – antes Putin, sem haver menção por parte dos Putinologos de uma outra arca – a de Noé nº 2 …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:31
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Segunda-feira, 13 de Março de 2023
MOAMBA . LII

MORAL DE HOJE – O FALSO E O VERDADEIRO

Crónica 3355 - a 13.03.2022 no AlGharb do M´Puto

Poraraujo188.jpgT'Chingange Otchingandji 

fay3.png A maioria de nós já não é capaz de compreender hoje, os grandes problemas morais do Mundo. Já lá vai o tempo em que era só separar o joio do trigo, rezar um pai-nosso ou uma ave-maria para suspender as preocupações circunscritas, porque o longe era-o em demasia e no cercano, o senhor padre comunicava na missa avisos de alvissaras e outros recados pé-de-chinelo com umas quantas defuntações, pois que sabia de tudo e até sabia encobrir o que era para não ser sabido. Parece que hoje, já muito poucos se acercam do confessionário pois que têm o facebook e muitas distracções que os telelês, nos oferecem a troco de umas publicações não desejadas que até impingem os bitcoins como sendo a fartura do século vigente. Aleluia! Até o bataklam vem até nós para desvirtuar-nos nos agrafos de valores.

Para se lidar com problemas morais de grande escala, fabricam-se teorias da conspiração dando azo a muitas e controversas falas dos milhares de comentaristas, comentadeiros que sempre surgem como especialistas, alguns não o parecem pelo perfil e silhueta mas, desempoeiradamente falam pelos cotovelos suplantando o mestre dos mestres no lugar de Presidente da Réspublica. Nossas capacidades de gestão são limitadas ou menosprezadas pelos grupos reivindicativos a coberto dum taxo ou filiados num tal de sindicato, partido ou lá o que seja; uma nojeira de pura porcaria.

Eles, esses tais que nos fazem gatafunhos à mente, movem os cordelinhos conchavados com o senhor que manda no executivo mais o outro que consente porque está no poleiro mais alto ou o é, chefe dos apitos ou do deliberativo, por vezes um safado de todo o tamanho que sabe como ordenhar ideias bestiais. Eles fazem connosco tricot, bordam e costuram-nos em croché ou fazem intrincados arabescos para pendurar nos nossos sete sentidos ou tapetes algodoados para nos aquecer os pés. Por vezes confundem-se com grupos de tropeiros carregadores de droga a contento da chusma que se inebria no deixa andar para ver como fica ( daí a maioria absoluta).

praia3.jpeg Os dogmas religiosos ou ideológicos ainda são muito apelativos na nossa era cretina, cínica, hipócrita ou cientifica e, assim forçam-nos paulatinamente (gosto deste termo…), a acreditar numa qualquer teoria que através duma instituição ou afins, como essa coisa de “observatórios”, nos arranjam um líder despoluído que nos convence a seguir e, seguimo-lo como um dos muitos burros ou muares de tropeiros (carroceiros). E, surpreendentemente, seguimo-lo até aonde nos leve. A contento de todos dão-nos uns rebuçados em dinheiro ou retiram horas ao nosso trabalho. Coisa que nunca entendi de isso o ser “a bem da Nação”. Observe-se isso no SNS e nos muitos balcões de atendimento deste estado, cada vez mais senhor de tudo e de todos. Paulatinamente levam a água ao moinho usando-nos de carneiros…

Embora por um tempo, por teorias ou doutrinas ideológicas, se ofereça à turba de gente (o povo) algum conforto intelectual, não será tão certo que nos entretantos, se garanta justiça porque, a omnisciente visão dos teóricos lideres políticos, não conseguem de todo, oferecer refugio à face frustrante na prática e, porque todos os dias nos tentam tramar. A interpretação da realidade, por variadíssimos motivos, com a falta da ética, a venda de valores e a usura das soluções; a realidade dificilmente será fiável. A todo o momento é possível dizer e atestar que tal e tal figura tem problemas de Alzheimer sem que o seja, possível confirmar. Os arranjos do sistema sempre irão salvaguardar tal afirmação.

No conforto intelectual do deixa andar, torna-se no dia-a-dia tão esmagadora que nos leva à rejeição de todos os dogmas. Estamos assim na era do Pós- Verdade com muitos “talvez o seja” com mentiras e ficções que muitas vezes e até, infantilmente somos envolvidos nos olhos de esquecimento do “ não sei” ou “não me lembro”, ficando-nos um sabor amargo  do “fui enganado”.

ucrania2.jpg Com tanta fartura de coisas destas, não é difícil encontrar exemplos no nosso país do governo do M´Puto, na nossa autarquia e, nosso silêncio cúmplice. Teremos assim de graduar as mentiras, catalogar as plausíveis verdades e traçar um rumo de consciência do género “ que posso eu fazer”. A guerra fria entre a NATO, os EUA e a EU, culminou com o desmantelamento da Rússia. Por sua vez, estes, os Russos deceparam partes de seu corpo tornando-as “Países Falsos” Estes países não querem fazer parte dessa antiga mentira e, é óbvio que lutam afincadamente para se tornarem verdadeiros.

As leis aceites anteriormente pela Rússia de Putin, que salvaguardavam a soberania com fronteiras independentizadas, foram simplesmente deitadas ao lixo. Putin e alguns algozes, países correligionários de puxa-saco, interesseiros, ignoram a propósito sobre o que milhões de ucranianos pensam sobre si mesmos.  Não terão eles o direito de decidir quem são? A Ucrânia não é em verdade um Falso País. A República “Popular de Donetsk e a República Popular de Luhansk” que a Rússia criou foi-o só para disfarçarem a sua invasão unilateral da Ucrânia. Assim, não me apetece brincar estando tantos milhares a morrer, todos os dias. Irra!

Soba T´Chingange        



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:37
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Sexta-feira, 10 de Março de 2023
KAZUMBI DE BORUNDANGA . XIII

O Mundo actual tornou-se um espaço muito complicado. A justiça, é uma treta…

Crónica 3354 - a 10.03.2023.

Por barao1.jpg T'Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

araujo1.jpg Os cidadãos hodiernos são fartos de valores; o difícil é a aplicação desses valores num mundo globalizado complexo. Mesmo que fique quietinho no meu canto sempre haverá um socialista muito perfumado em valores a perturbar a minha quietude, retirando cotação à minha tranquila vida, sem ter nada a ver com essa tal de exploração infantil, ou actos violentos cometidos por soldados do tempo colonial.

Os defensores dos direitos dos animais lembrar-me-ão que dar ossos ao cão pode ser perigoso, bem como dar espinhas de sardinha ou sargo ao tareco, porque podem causar ulceras; os naturalistas irão insistir com persistência que devo lavar os dentes com seiva filtrada de aloé vera feita baba-de-camelo e por aí vaí, sem mencionar as lambisgóias oferecidas que surgem do nada na minha página escancaradas a oferecerem alvissaras – Cruzes credo!

Os activistas de esquerda lembrar-me-ão que minha reforma foi criada a custo de exploração de alguém e sem mais nem menos, lembrarão a exploração de gente desmilinguida com crimes hediondos da História incluindo-me no rol de engravidados de fortuna arregimentada no exercício de cargos, cargos dum tal de sistema que nunca exerci. E, afinal que culpa terei eu? Não é fácil desfazer o conceito pois que minha existência depende de uma grande rede de ligações económicas e politicas nas ideias causais com ideais que outros formataram por mim, mesmo sem delegação firmada .

dia94.jpg E, uma vez que essas ideias causais do mundo se misturam tanto, é-me difícil responder às perguntas simples, tais como de onde veio o meu jantar ou de quem fez as minhas botas que tenho calçadas. Também se metem com a minha minguada aposentação querendo saber qual o fundo financeiro e a cor dele, do meu pecúlio. Já velho, pois quase sou do tempo em que as pessoas só tinham um fundo de pensões chamado de “filhos”, dá voltas ao cerebelo. Hoje que há escritórios repletos de advogados conciliando os cofres do estado estudam parâmetros, redescobrem furos da lei e modos de fanar, de como fazer no esmiuçar matemático das taxas para suprirem suas necessidades governamentais, uns finórios…

Esmiuçando um tal e um qual, até querem saber qual o destino das galinhas de cujos ovos comi ontem ao jantar. Estruturam o esquema da economia estatal do modo de quem não faz esforço de investigar o quanto gastei na chocadeira sem averiguar as reais dificuldades. Depois de tudo só poderei ter alguma ganho se criar aos fiscais as certas dificuldades em descobrirem a verdade. Penetram na minha casa ajustando-a e dando fins ao modo de como posso explorá-la a contento dos “lóbis hoteleiros” como se o fossem, donos dela! Estalinistas!

E, então como é possível evitar o roubo ou lucro quando o sistema nacional tabelado com a economia mundial, estar constantemente a roubar em meu nome e sem o meu conhecimento. Como é!?  O mandamento que nos dita que não devo roubar, dizem que vindo de Deus, acredito piamente, foi formatado num tempo em que roubar significava apoderarmo-nos fisicamente de algo que não nos pertencia.  Hoje, porem, as discussões importantes sobre os roubos dizem respeito a cenários bem diferentes pois que com chancela do governo retiram de nosso pecúlio somando milhões para dar vida a uma CP – Comboio de Portugal ou de uma TAP – Transportes Aéreos de Portugal, mantendo legiões de advogados ajustados com políticos dados à corruptela para protegerem os deslizes.

dy28.jpg Posso então ser eu o responsável pelo roubo, pelo desvio, pelo despifarrar, corruptela ou compadrio!? E, como podemos agir moralmente, com sucesso e sem custos, se não temos forma de conhecer todos os factos de traquinices?

A amarga verdade é a de que o mundo se tornou demasiado complicado para o nosso cérebro de cidadão, gente de pé-de-chinelo. E, afinal todos seremos cúmplices por acreditarmos nos valores daqueles tais senhores, daquele grupo político, do presidente rolha, da chusma de gente com rabos-de-palha que nunca deve nada ao fisco, gente de falsa “Ficha Limpa”. Não vale a pena! A elite que nos comanda, que domina o discurso, torna-se quase impossível ignorar suas perspectivas. Eles, os grupos políticos, têm subgrupos, labirintas barreiras, critérios e ambiguidades e até insultos a nozes (plural de nós); insultos mesmo, codificados com discriminação institucional.  Eles, sempre irão fazer de nozes: Totós.

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:06
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Segunda-feira, 6 de Março de 2023
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXVIII

ENTRE OS PINGOS DA CHUVA

Crónica 3353 de 06.03.2023 no AlGharb do M´Puto

Porcazumbi2.jpegT´Chingange (Otchingandji)

araujo108.jpg Nos dias de hoje, como poderemos descobrir a verdade acerca do mundo e evitar cair nas garras da propaganda dos Fake News e de desinformação - notícias falsas ou informações mentirosas que são compartilhadas como se fossem reais e verdadeiras, divulgadas em contextos virtuais, especialmente em redes sociais ou em aplicativos para compartilhamento de mensagens. O termo, embora largamente usado, ainda não foi formalmente integrado à lista de palavras da Língua Portuguesa, tratando-se portanto de um estrangeirismo.

E, sempre iremos ficar com a incómoda sensação de que tudo é demais para nosso cabal conhecimento pois decerto, não iremos assimilar tudo; acho mesmo que ninguém o irá conseguir sem recorrer à inteligência artificial. A democracia, baseia-se na ideia de que o eleitor é que sabe, que o capitalismo de mercado livre considera que o cliente tem sempre razão e, que o sistema educativo ensina os alunos a pensarem pela própria cabeça.

Em verdade, é um erro depositar tanta confiança no individuo racional. Este suposto individuo pode muito bem ser uma fantasia que glorifica a autonomia e o poder dos homens de classe alta ou de suposto alto coturno. O Mundo anda frustrado e ninguém sozinho, sabe tudo o que é preciso para fazer uma catedral gótica ou romana, assim como uma bomba nuclear ou um avião supersónico.

marcelo1.png Pude mais ou menos, ler estas dissertações nas 21 lições pra o século XXI de Yuval Harari que um caçador da idade da pedra sabia fabricar sua própria roupa, seu sapatos, fazer fogo, caçar javalis e fugir dos leões mas hoje, pensando que sabemos muito mais, como indivíduos, em realidade sabemos muito menos. Dependemos dos conhecimentos especializados dos outros no que diz respeito a quase todas as nossas necessidades.

Todos temos a ilusão de conhecimento embora individualmente saibamos muito pouco pois tratamos o conhecimento nas mentes dos outros como se fosse nosso. Numa perspectiva evolutiva, confiar no conhecimento dos outros trouxe evolução ao homem mas, e porque o Mundo está a tornar-se cada vez mais complexo, os seres humanos não conseguem compreender a extensão de sua ignorância quanto ao que se passa em seu redor, das leis de seu governo e amolgadelas em seu cofre económico com taxas subterfugias.

garrafão tuga.jpg Por sequência, técnicos genuínos que nada sabem de metereologia ou biologia, propõem políticas sobre as alterações climáticas, advogados falam sobre os alimentos transgénicos ou genéticamente modificados, ao passo que outros, sempre classificados como especialistas, ou graduados peritos militares, têm pontos de vista muito fortes sobre o que se deve fazer no Iraque, no Irão ou na Ucrânia em guerra. É raro as pessoas (algumas), contemplarem a sua ignorância pois que se fecham numa caixa-de-ressonância de amigos que pensam como eles ou canais noticiosos que reforçam suas convicções mesmo sem o serem questionados. Alguns propalam-se no sentido de se alcandorarem a cargos mais altos no gabarito da gestão pública.

A maioria de nossos pontos de vista é moldada pelo pensamento de grupo e, não pela individualidade racional; convém dizer que também nos agarramos ao erro, narrativas ou perspectivas devido à lealdade ao grupo. Mutas vezes caímos no logro deste ou daquele personagem e, ficamos defraudados com tal figura decepcionante, gente que deveria ter o porte de estadista e sai um vulgar pé-de-chinelo com truques de cacaracá e até falsidades. A maioria dos seres humanos não gosta de factos em excesso e, certamente não gosta de se sentir estupidamente enganado.

bordalo2.jpg As democracias modernas estão cheias de multidão a aplaudir e a seguir como ovelhas, gente supostamente sábia e que só diz besteira para bode dormir. E, todos repetem: “o eleitor é que sabe!”, “o eleitor é que sabe!”. Explorando becos sem saída aparente crio muitos esparadrapos de fricção de muita dúvida. Surge daqui o tédio em sempre esperar que as pequenas sementes de lucidez cresçam e floresçam. Agora, mais velho, sei que o poder em grande quantidade (muitas paletes), isso da maioria absoluta, distorce a verdade inevitavelmente e, muito repetidamente! É um Ai Jesus nos acuda. Quando temos uma marreta na mão tudo nos parece um prego. Bem! O poder engravidado funciona como um buraco negro que distorce todo o espaço ao seu redor. Para além do Acosta, o Selfito põe-me CAFUZO…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:48
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2023
MALAMBAS . CCLXXVI

NAS FRINCHAS DO TEMPO

Crónica 3352 – 25.02.2023 em AlGharb do M´Puto

Poraraujo41.jpgT´Chingange (Otchingandji)

dia 135.jpg Pude ler e, agora transcrevo ao meu jeito, que todos os mamíferos em sociedade como macacos, golfinhos ou lobos, têm códigos éticos adaptados pela evolução, para se promoverem na cooperação de um grupo. Os mamíferos humanos também têm esses códigos mas, ao longo de milénios foram sacrificando sua prática usando inverdades para subirem de estatuto no grupo social usando derivações e modos de falar com sofismas e maneirismos nada comparáveis com o aprumo dos demais animais ditos irracionais.

Uns serão safados, bestas, ladrões mas todos, em geral, aspiram subir na escala, mesmo que seja atrapalhando os outros. Usam a mentira ou a fraude acomodando-se quando têm descaramento, lata ou dialéctica para se superarem perante a tibieza dos demais. Enquanto os lobos usam regras de “jogo limpo” os homens mordem o adversário com agressivos dizeres, acções de pintar e bordar julgando em casa própria e até (quando políticos), refazem as leis a seu contento com a satisfação inerente ao seu ego. Todos serão iguais mas, sempre há uns mais diferentes…

A democracia tão badalada fica assim eivada de truques enganadores com falácias recobertas em creme doce ou baba-de-camelo. Entre os macacos nem o alfa-macho retira a banana que um outro encontra para se alimentar. “Não matar” e “Não roubar” eram principios bem conhecidos dos códigos legais e ética das cidades estado sumérias do Egipto faraónico e do Império babilónico. Lembrar Hamurabi que dizia ter recebido dos grandes deuses a instrução: “demonstrar-se justiça sobre a terra, destruir-se o mal e malevolência, e impedir os fortes de explorarem os fracos”.

florido3.png Ao invés de tudo isto a corrupção oficial sufoca-nos com entupimento de taxas e muitas mais alcavalas entupindo-nos as narinas, olhos e orelhas secando-nos os bolsos. Em verdade, entre os judeus já havia mandamentos para amar o próximo não havendo qualquer mandamento para amar os gentios.

A Bíblia ordenava (e ainda ordena aos judeus) que exterminar certos povos como os amalaquitas, e os cananeus - "Contudo, nas cidades das nações que o Senhor, o seu Deus, dá a vocês por herança, não deixem vivo nenhum ser que respira”; “Conforme a ordem do Senhor, o seu Deus, destruam totalmente os hititas, os amorreus, os cananeus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus – assim o diziam: como Deus seu senhor, ordenou”… Podemos ler isso em Deuteronómio, 20.16-17. 

Putin, o senhor da Rússia, deve ter esta passagem bem por debaixo de seu travesseiro pois que segue a descrição desse “Velho Testamento. Testamento que detesto com dentes rilhados, sendo em verdade o primeiríssimo registo da história humana e, em que o genocídio foi apresentado como um dever religioso. Vejamos: O cristianismo divergiu do judaísmo exactamente por isso! Tudo mudou com o surgir do apóstolo S. Paulo em sua Epistola aos Gálatas - Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Jesus Cristo (Gálatas 3:28)

araujo69.jpg Pópilas! Caramba…ainda bem que surgiu S. Paulo que pela primeiríssima vez afirmou que como um ser humano, pregou uma ética universal. Desta feita e em consideração a esta postura santa, deduzo por reflexão que a Bíblia está, ela também, longe de ser uma fonte exclusiva de moralidade humana. Confúcio, São Tomé, Buda e Mahavira estipularam códigos éticos em outros moldes e muito antes de S. Paulo e Jesus, sem nada saberem sobre a terra de Canaã ou sobre os profetas de Israel.  

Pelo dito, não tem qualquer sentido atribuir ao judaísmo e aos seus descendentes cristãos e muçulmanos a criação da moral humana. Por via disto não venero ninguém para não ser apodado de preconceituoso! Só sei que ainda ando a reconstruir-me revendo a moral como uma utopia.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:01
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2023
KAZUMBI DE BORUNDANGA . XII

O Mundo actual tornou-se um espaço muito complicado…

Crónica 3351 - a 21.02.2023. Dia de ENTRUDO

Por soba50.jpgT'Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

araujo58.jpg O Mundo actual tornou-se um espaço muito complicado; muito mais que um jogo de xadrez e, a racionalidade humana não consegue entender na perfeição. A estupidez humana tornou-se numa das forças mais importantes na hodierna história mas, todos tendem a desvalorizá-la: a estupidez! Vários líderes do Globo, frequentemente acabam por fazer coisas estupidas ou ridiculamente impensáveis.

E, todos estamos errados em pensar que não irá existir um líder suficientemente louco a pontos de provocar uma guerra de âmbito mundial. Mesmo que uma guerra seja catastrófica para todos nós, não haverá Deus nem lei da natureza que nos proteja da estupidez humana. Sempre se salientará a falta de humildade a esses líderes; a arrogância só piorará pondo o seu interesse à frente da dos outros e, sempre irão entender que a sua cultura, religião ou estória, terá o factor de querer fazer girar o Mundo à sua volta.

Os norte-americanos, os russos, britânicos, franceses ou portugueses e uma infinidade de outros tais como os brasileiros da linha Lula ou Bolsonaro, estão convencidos de que a Humanidade viveria numa ignorância bárbara ou imoral se não existissem os feitos espectaculares de sua nação. Deste conceito podemos salientar os britânicos com a sua sempre arrogância com laivos de superioridade e, de sempre se afirmarem como os senhores donos da verdade.

moirões 2.jpg A saída da Comunidade Europeia da Grã-Bretanha por referendo e, por esta maneira de estar altiva, originou a sua saída da UE pelo designado BREXIT. Relembrar que os Aztecas acreditavam que sem os sacrifícios que faziam todos os anos, o sol não se ergueria e, todo o Universo se desintegraria. Os judeus também se julgam a coisa mais importante no Mundo pois que sempre reclamaram autoria dos valores e invenções da humanidade. De forma cautelosa entra agora na contenda a China com suaves avisos ao Ocidente mandando balões espias e, não só…

E, o grande erro ou mal, para o resto do Mundo é o de que estas nações desaforadas, estão genuinamente convencidas de suas fofocas. Bem! Neste capítulo convém relembrar a postura dos americanos que são useiros e vezeiros em suas prosápias.  No entanto, a Rússia pela mão de Putin tem saltado a mais alta fasquia de insolência, blefando a todo o momento como se, pelo medo nos pudesse tolher. Sem duvida é o campeão do desaforo…

capeta0.jpg Se o Mundo ceder a esta provocação com terror e carnificina praticadas todos os dias na Ucrânia, iremos ficar mal e sem a necessária Liberdade; se nossos líderes se agacharem estamos feitos ao bife! Que fique claro que o Yoga foi inventado pelos judeus, eles assim o dizem; Os indianos irão dizer que o inventor desse jogo foi Buda e os Cristãos que foi Santo Inácio de Loiola. Provavelmente até foi o Abraão ou o Noé – Juro que não sei…

Os britânicos acreditam veementemente que são eles os heróis, o centro da estória e a fonte última da moralidade, espiritualidade e do conhecimento humano na generalidade. Eles, fazem de nós genuínos, uma grande multidão de genéricos… Quando os portugueses chegaram à Austrália antes de 1500, depararam-se com tribos aborígenes com uma mundividência ética apurada apesar de desconhecerem totalmente Jesus, Moisés e Maomé.

pinto3.jpg Seria difícil defender-se que como colonos cristãos expropriaram com violência os nativos que tinham padrões éticos superiores. O tempo de “jogo limpo” e de “fixa limpa” só muito recentemente chegaram à política com a vitória de Lula na presidência do Brasil que ganhou por uma “unha negra” a Bolsonaro que usava a palavra virada para o céu “Deus acima de todos e Brasil acima de tudo”. No meio de tanta fraude e mentiras descaradas, vou antes gozar os últimos suspiros do carnaval…

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:51
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2023
KAZUMBI DE BORUNDANGA . XI

AS GUERRAS DE HOJE SÃO MANOBRADAS PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Crónica 3350 – a 19.02.2023, em um Domingo

Por garrafão tuga.jpgT'Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

sorte2.jpg Lendo as lições das 21 medidas para o século XXI vou relembrando coisas recentes que nos ficam esquecidas num canto da nossa cuca. Os EUA e o Iraque envolveram-se numa guerra que lhes destruiu o apetite em fazer confrontos no chamado Médio Oriente e permitindo ao Irão ficar com os despojos da guerra; este episódio fez-me lembrar a saída apressada do Vietname.

Até o início da guerra na Ucrânia a 24 de Fevereiro de 2022, os países na sua maioria seguiram a estratégia de se abster em conflitos deixando que outros o fizessem em seus lugares. A Haver guerra, que o fosse lá longe seguindo as pisadas dos carcamanos gringos americanos e, com a anuência de todos os seus primos da Commonwealth. A haver guerra que o fosse entre outros bem longe das casas deles…

A invasão da Crimeia pela Rússia em Fevereiro de 2014 resultou na anexação desta sem tomar em conta o não reconhecimento da grande maioria dos países ditos civilizados. Quase sem combates, a Rússia ganhou um território de grande valor estratégico mundial. O Mundo ficou mudo e quedo de calado com as pernas tapando as tremuras dos teodósios. Grande façanha de Putin, do jogador de poker nas horas vagas e chefe por inteiro daquela grande nação. Qual ONU! Qual diplomacia de fortes e engrossadas atitudes? Nada – Nadica de nada…

mamoeiro.jpg Aquele aviso foi sério para as Potências ditas Ocidentais, civilizadas potências que só tardiamente reagiram por via da invasão da Ucrânia – Potências que levaram oito anos para suscitar antipatia mundial, dentro e fora do território massacrado para não dizer assassinado. Vilipendiados o quanto baste para provocar revolta e fazer acordar os lideres do mundo dito livre. Os russos de novo tomaram e anexaram quatro parcelas do leste da Ucrânia salientando o Lugansk e Donetsk. Aqui, o Ocidente, arrebitou as orelhas, abriu os olhos com crepitação por detrás das vontades com medo.

Foi necessário anexarem para além da Crimeia, Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson para que o Ocidente civilizado se unisse contra esta nação predadora e terrorista chamada de Rússia. O Ocidente moribundou-se na apatia. Se o exército russo tivesse o espírito de Estaline, de Pedro, o Grande ou Genghis Khan, à muito que os tanques russos tinham tomado Kiev ou Tbilisi.

A guerra que parecia ser aqui fácil e rápida, teve um efeito não esperado por Vladimir Putin. A resistência Ucraniana foi sofrida mas, deitou por terra a ideia inicial russa de fazer da sua hipócrita “intervenção especial” num passeio de fim-de-semana. As acções militares da Rússia, na Geórgia e na Ucrânia revelaram claramente ter a Rússia, um impulso imperial ousado e, não fosse a posição heróica de Volodymyr Zelensky, Putin já teria tomado a Ucrânia.

Zelensky.jpg Os EUA e a UE, que têm cinco vezes mais habitantes do que a Rússia com dez vezes mais dólares fazem passar o tempo com reuniões atrás de reuniões pra dissidir o óbvio; mas o óbvio custa a chegar às frentes de combate. A Rússia torna-se assim num estado terrorista sem olhar a meios para alcançar seus objectivos de expansão.

Se o Ocidente assobiar para o lado e deixar andar sem acudir às necessidades militares da Ucrânia, podemos bem preparar-nos para o pior! Podemos sim, ter em conta que as bombas de lógica de malware podem parar o tráfego aéreo em Dallas, Moscovo, Paris ou Lisboa, provocar colisões de comboios em Filadélfia ou Londres e até desligar a energia eléctrica em Washington. Pode-se assim usar ferramentas para destruir países à distância. Isto está para durar.    

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:22
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2023
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXVII

ENTRE A ESPADA E A PAREDE - Os “ELES” e “NÒS”

Crónica 3349 de 04.02.2023 no AlGharb do M´Puto

Por ong8.jpgT´Chingange (Otchingandji)

aranha3.png No século XXI as religiões não fazem chover, não curam doenças e não constroem bombas mas, são elas que determinam quem faz parte de “Nós” e quem faz parte de “Eles”; de quem devemos curar, e a quem devemos bombardear. Hoje o mundo que não anda ao sabor dos abades, bispos e profetas, sente o medo ao terrorismo mas, o mundo no geral não estava preparado de todo para ver uma nação do topo dos Grandes, do G7 mundial, virasse uma grande potência terrorista com práticas genocidas – a Rússia!

No estado actual da guerra fratricida levada a cabo pela Rússia na Ucrânia numa operação que dizem ser “especial”, o sucesso ou o fracasso nessa prática terrorista de tudo destruir aleatoriamente, vai depender de todos “Nós”- o Ocidente! Se permitirmos que nossa imaginação fique refém desta nação terrorista e, depois exagerarmos os nossos medos, o terrorismo, triunfará.

pirulitos1.jpg Se libertarmos a nossa imaginação do terrorismo e reagirmos de uma forma equilibrada e calma, o terrorismo Russo fracassará. Hoje que vivemos esta guerra de invasão sem justa causa, leva-nos a recordar o ano de 1846, 177 anos atrás em que os EUA invadiram o México por “coisa pouca” com cariz de expansão.

Esse foi o primeiro grande conflito impulsionado pelas ideias do Destino Manifesto (coisa vaga), ou seja, na crença de que os Estados Unidos tinham o direito, dado por Deus, de expandir suas fronteiras por toda a América, civilizando-a. Os Estados Unidos ampliaram o seu território em cerca de um quarto (25%), em 2,3 milhões de quilómetros quadrados.

Enquanto o México perdeu aproximadamente metade do seu (50%). Os EUA tomaram ao México partes do Colorado, do Kansas, do Wyoming, do Alabama e do Texas. Toda essa área soma mais do que a França, a Grã-Bretanha, Alemanha, Espanha e Itália juntas.

balba2.jpg Esta pechincha do milénio, aconteceu! O futuro surge-nos cada vez mais incerto e há sempre latente a ousadia de lançarem mãos das armas nucleares. Sabemos bem das recentes tentações desperdiçadas em biliões de dólares em vários fiascos militares, humilhantes até, levados a efeito no Iraque, e Afeganistão. Loucos, surgem a todo o instante!

Nenhum major General ou político tem o condão de adivinhar o que aí virá. Estes comentadeiros e especialistas terão o condão de nos distrair e nada mais do que isto aparecendo nos écrans de nossas casas vendendo palpites a troco de euros. Irradiam também suas prosápias petulantes como se tivessem o condão de falar verdades.

luis45.png Isto está muito difícil pois temos um país a morrer por todos “nós”. No entanto os pseudo mágicos especialistas e outros com galões vão conseguindo ter o condão de prosapiar seus egos contornando nossos medos com resultados carnificinicos. Recordem-se que recentemente o Irão ficou com os despojos e, tão-somente porque os EUA ficaram sem apetite na continuação do confronto. Isto dá mesmo muita volta! Dá que pnsar…

O Soba T´Chingange             

 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:18
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Sábado, 28 de Janeiro de 2023
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXVI
FALAR PELOS COTOVELOS – ENTRE A ESPADA E A PAREDE
Crónica 3348 de 28.01.2023 no AlGharb do M´Puto
Por ucrania2.jpgT´Chingange (Otchingandji)
:::::
Hoje a humanidade constitui uma única civilização, e os problemas como a guerra nuclear, colapso económico e a disrupção tecnológica só podem ser resolvidos a nível global. Estamos então presos entre a espada e a parede. A União Europeia criada com base na promessa de valores liberais universais, está a beira da desintegração devido entre outras menores causas, à dificuldade de integração e imigração. Posso ler o dito supra, no livro das 21 lições para o século XXI de Yuval Harari.
 
Hoje, as potências com aptidão de estarem no topo do mundo estudam meios sofisticados de matar na forma massiva. Muito antes dos EUA terem criado a bomba inteligente, numa altura em que a alemanha nazi estava a começar a usar misseis V-2 nada inteligentes, o Japão afundou dezenas de navios aliados com misseis de altíssima precisão. Esses misseis ficaram conhecidos como os kamikazes.

Ucrania9.jpg Hoje as munições de precisão são comandadas por computadores mas, os kamikazes eram aviões banais cheios de explosivos, comandados por pilotos dispostos a morrerem nessas missões suicidas. Era um espírito de sacrifício levado à morte pela crença Shinto; quem sabe se os russos nesta guerra actual com a Ucrânia não obrigarão prisioneiros a enveredar por esta versão de sacrifício humano. Tudo pode acontecer! Nas guerras nunca se sabe como vai ser seu fim.

Os kamikazes combinaram tecnologia de ponta com doutrinação de ponta espiritual; não estou a ver cristãos a alinharem nesta forma de se tornarem heróis mas, que há loucos, lá isso há! O destino da humanidade repousa irremediavelmente e, cada vez mais que nunca, sobre as forças morais do homem.

ucrania3.jpg Convém recordar que o Shinto estatal japonês deriva do cristianismo ortodoxo praticado na Rússia, pelo cristianismo da Polónia, pelo islão xiita do Irão e pelo judaísmo de Israel. Pela lei da vida ou obrigado a relembrar que o mesmo oxigénio que nos dá a vida, também nos leva à morte por oxidação; é uma questão de tempo. O mesmo oxigénio necessário para fazer o vinho, o torna ácido em contacto com o ar; o mesmo sucede com o ferro que em escassos anos se desfaz em ferrugem.

Os terroristas kamikazes e gente comum forçados por rapto em um grande avião, demoliram as torres gémeas nos EUA, no World Trade Center, foi uma prática terrorista com intenso efeito audiovisual. A actual guerra na Ucrânia por invasão russa, tem como função macabra mudar o equilíbrio do poder político através da destruição maciça de pontos de infraestruturas civis. É o medo levado ao extremo sacrificando o comum cidadão.

cabul1.jpg Centenas de organizações terroristas foram extintas nas últimas décadas mas, o mundo nunca se deparou com um estado terroristadestruindo aleatoriamente infraestruturas não militares, vitimando o povo a não poder fazer uma vida normal, não se aquecer, a sequente fome e todos os transtornos inimagináveis. O líder Putin, a todo o custo tem de ser abatido com um tiro certeiro. Esta besta tem-se revelado como um jogador de poker, que tem na mão um conjunto de cartas e que tenta a todo o momento convencer com bluff os rivais no embaralhar das cartas.

Para a Ucrânia, para o mundo civilizado, é difícil suportar estas provocações. A legitimidade de um estado moderno baseia-se na esfera política de liberdade com paz. A resposta mais eficiente a esta guerra terrorista talvez o sejam com bons serviços secretos e acções clandestinas contra as redes financeiras que dão sustento a esta guerra. Mas, isto não pode ser visionado pelos cidadãos pela televisão com comentadores “especialistas”, militares aposentados ou gente já gasta em diplomacias comezinhas. Há muito lixo nas informações que nos chegam. Por dinheiro, falam, falam e repetem sem conta o já visto. Falam pelos cotovelos.
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:24
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Sábado, 21 de Janeiro de 2023
KAZUMBI DE BORUNDANGA . X

O 0LEIRO Meu pai foi de tudo um pouco! Até vendeu volfrâmio a Hitler na 2ª  GUERRA para seguir em frente...

Crónica 3347 – a 21.01.2023, em um Sábado

Por burundanga1.jpg T'Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

vaso4.jpg Geralmente, as mais belas peças artísticas que arrebatam sentidos e dão asas à imaginação são moldadas a partir de algo que parecia desprovido de maior importância - um vaso. Mas, neste caso são vasos só em barro simples, que me dão gosto no sustento do confinamento - porque têm algo que me refaz na vontade... Esses outros vasos do antigamente, com rabiscos que são transformados em belíssimos quadros, formam notas a compor as mais impressionantes peças. Da matéria bruta, fundida em fogo ardente, o artesão cria a partir do barro, areia, delicadas figuras de cristal. Do barro, o oleiro fabrica objectos de cerâmica, vasos riquíssimos em todos os sentidos. Neles, coloco sementes que trazem cheiro à vida!

Tendo em mente o símbolo do vaso de barro, na vida o “conhecimento da glória na face de Cristo”, da Natureza. Trata-se de mais uma bênção resultante da graça; graça que só damos conta nos momentos de reflexão, ou num confinamento forçado pelo desconhecido. Quem somos nós para merecer esse prémio de podermos apreciar um simples “vaso de barro” com umas verduras que nos felicitam quando regadas! Tanto quanto podemos imaginar, o barro é, em si mesmo, desprovido de valor; é matéria-prima frágil que depende da intervenção do oleiro. Do nada na forma de bola, sai algo que se torna útil, assim seja para ver, guardar azeite ou doces de compota. Mas também uma orquídea ou uma ervilheira...

Assim, é ele, o oleiro, que determina a forma para a utilidade do vaso, e o resultado contém a assinatura do artista anónimo que o faz, para só ganhar sua tarefa. Essa é sua - nossa condição. No texto bíblico, os vasos de barro contêm justamente esta ideia: utensílios frágeis, sujeitos a se despedaçar com facilidade, de pouca duração e de pouco valor. Mas, nosso destino, estará sempre disposto a usar as pessoas como fragmentos de barro num qualquer momento! Somos pedaço de terra sim!

fifa3.jpg Existem pessoas que, com o olhar voltado para elas mesmas, não conseguem ver nada além do que consideram irrecuperável. De forma alguma aceitam serem fragmentos de vasos, de barro! Os corações despedaçados que carregam profundas feridas resultantes de tropeços e quedas sempre estarão mais preparados... Muitos achando serem um barro diferente, cobrem-se de porcelanas vidradas, coisas envernizadas! Outros, perdem  a esperança,  ficando nos sonhos evaporando  seu  sentimento de fracasso...

Aparentemente, a voz da consciência de uns quantos, lhes dirá que algo quebrado não pode ser consertado e, por isso mesmo, deve ser jogado fora. Contudo, o Oleiro pode tomar nas mãos o barro disforme, juntar os cacos, e formar a partir dele um vaso precioso e útil ou fazer uns gatos unindo as parte! Meu pai Manuel, jeitoso em tudo fazia isto! Ele, era um bom Oleiro! Juro que era! Mas, também de uma vareta de guardas chuva fazia sovela para consertar sapato! Agora é meu herói, nem sempre o foi assim...

vaso2.jpg Nesta estória teremos de chegar a Jeremias da Bíblia a lembrar o que  escreveu aos israelitas: “Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu" isto deve estar escrito algures. Parte-se um vaso, outro se fará! Pensem, um dia vai acontecer... A Natureza pode criar vasos novos e recriar vasos estragados.

xique xique4.jpg Toda a pessoa que sofra nesta quadra de pandemia de valores e altercações na governação, um dia sim, outro dia não, um dia é e no outo deixa de o ser, pode sentir-se em Oleiro, mas também fazer um sovela e virar sapateiro embora a grande maioria curtam a mentira... Meu pai foi de tudo um pouco! Até vendeu volfrâmio a Hitler para seguir em frente... Era outra guerra! Nossa infinita graça, se transformará dia após dia, até um dia!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:17
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2023
MALAMBAS . CCLXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO

Crónica 334618.01.2023 em AlGharb do M´Puto

Por soba002.jpgT´Chingange (Otchingandji)

barata1.jpg  Se não tivermos cuidado acabaremos desactualizados usando mal os computadores avançados por provocação, provocando o caos com a ajuda dos algoritmos, originando ditaduras digitais que nos impingirão liberdade desprovida de realidade. Posso constatar que muitas notícias são truncadas a contento dos DDT - Donos Disto Tudo, abraçados a políticos com Maioria Absoluta. No presente século XXI podemos ser divididos em “castas biológicas” e elites monopolizadoras de riqueza, que nós gente comum, passaremos a aceitar como algo natural.

Malucos e políticos incompetentes ficarão no topo da hierarquia prometendo algo que nunca farão. Da forma como tudo vai ficando, só pode piorar. Hoje, os 0.9 por cento mais ricos do mundo, detêm metade da riqueza mundial. Alguns destes, tal como Cristiano Ronaldo, para além de ricos, ficam símbolos de estatuto social.

Assim sendo, o futuro do povo “massa”, dependerá da boa vontade de uma pequena elite. Tambulakonta!? (vamos ficar atentos). Como uma catástrofe será muito tentador e fácil, mandar as pessoas supérfluas borda fora da Nau-Nação; a eutanásia em rigor, irá servir de justificativa como se o fora coisa comum.

DIA76.jpg É claro que o mundo está sempre em mudança; na década de 1970 os teólogos da América Latina inventariaram a Teologia da Libertação apresentando Jesus Cristo como um Che Guevara. E, afinal Jesus pode também ser recrutado para analisar o aquecimento global pois os princípios religiosos sempre surgirão eternos e usados em novas posturas políticas.

Enquanto o Papa Francisco lidera a luta contra o “aquecimento global” em nome de Cristo, sermões exaltados de pastores evangélicos, resistem à regulação ambiental com sermões exaltados. Ao invés de outros tempos, no século XXI as religiões não farão chover com procissões.

As mesmas, não curarão doenças com mezinhas, benzeduras e rezas com oxalá nem construirão bombas de matar mas, ainda serão elas, as religiões que determinarão quem faz parte de “Nós” e quem fará parte de “Eles”; quem devemos curar e quem devemos bombardear.

jindungo0.jpg Seja a Arábia Saudita, o Irão, o Congo, Israel ou os USA, todas as Nações seguirão políticas mais ou menos capitalistas, todas vacinarão crianças contra o tétano ou sarampo, todas recorrerão a químicas e físicas e todos fabricarão bombas. Os Russos continuarão a fabricar misseis inteligentes, para delinearem fronteiras a seu gosto, matando gente e destruindo infraestruturas civis.

E, todas as sextas-feiras à noite as famílias judias sentar-se-ão à mesa para em família partilharem uma refeição especial vivida em alegria, gratidão e união. Na história, na política, na religião de cada qual, as pequenas diferenças podem originar grandes efeitos. O Mundo, ainda anda a reconstruir-se…

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:59
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Domingo, 15 de Janeiro de 2023
KAZUMBI DE BORUNDANGA . IX

A CAMINHA DA RECESSÃO – De cada 100 euros de PIB, 39% vão para o estado

Crónica 3345 – a 15.01.2023, em um Domingo

Portonito 20.jpgT'Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

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Winston Churchill afirmou que a democracia é o pior Sistema político, à excepção de todos os outros. Nesta e em muitas outras situações, as emoções humanas sobressaem às teorias filosóficas. Quantos cristãos, judeus ou budistas estarão imunes às singularidades do ego amando em realidade o próximo como a si mesmos!?

:::::2

Seres humanos, zangados, raivosos ou anciosos matam milhões de outras pessoas em desavenças, guerras ou acidentes rodoviários. Recentemente morreu um pensador nascido Joseph Aloisius Ratzinger e tornado Papa com o nome de Bento XVI; teremos de reflectir de vez em quando, pelo menos, em como depurar nossos programas de vida para nos livrarmos dos muitos e variados preconceitos humanos.

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Ao longo da estória, a dificuldade em fazer cumprir as leis foi uma boa protecção contra os preconceitos e erros dos legisladores. Se assim não acontecer, deve o estado intervir regulando o código de ética?

:::::4 -

karoo1.jpg Sim! Pois queremos um sistema em que as decisões de políticos falíveis, se tornem inexoráveis! Que não cedam a rogos nem a lágrimas se tiverem curriculum de FICHA LIMPA! Caso contrário será melhor ficarem no seu canto gerindo seu galinheiro. Que o seja como prescreve a Lei de Peter ou como o é a lei da gravidade de Murphy. Pude ler isto de outro jeito no livro de Ywal Harari em seu livro das 21 lições para o século XXI.

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E, também li algures que não estamos a fazer grande coisa para investigar e desenvolver as capacidades humanas, segundo as necessidades do sistema económico e político em detrimento de favores e benesses indevidas…

:::6 

dia122.jpg Pode aperceber-se assim, que será possível que toda a riqueza de uma Nação e todo o poder fiquem concentrados nas mãos de uma elite ínfima, um Governo de Maioria Absoluta, famílias e afins, enquanto a maioria das pessoas, os cidadãos, sofrem não de exploração mas, algo muito pior: -De Irrelevância…  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:12
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Sábado, 14 de Janeiro de 2023
MALAMBAS . CCLXXIV

A TEORIA DA MENTIRA

Crónica 3344 14.01.2023 em AlGharb do M´Puto

Por CACHORRO FELIZ.jpg T´Chingange (Otchingandji)

dia20.jpg Pesquisando vários pensadores acerca do tema da mentira, facilmente cheguei ao cerne da pesquisa: Mentir é dizer algo que não é certo, ou algo que é parcialmente certo de acordo com uma parcela muito pequena da realidade que a pessoa escolhe para discutir. Quando a estratégia de comunicação deliberada é baseada neste tipo de argumento para construir relacionamentos, constitui-se uma mentira através de manipulação, o que constitui uma grave violação à ética no trabalho (Pedace, 2011, p.109).

O mentiroso, antes de tudo, omite a verdade e, em seguida, elabora uma declaração alternativa plausível para o ouvinte, ao mesmo tempo em que oculta os sinais do nervosismo. Tal processo implica em um maior uso dos recursos cognitivos do que quando se diz a verdade (Williams, Bott, Patrick, & Lewis, 2013). Para filtrar as inverdades os novos candidatos a fazer parte do governo português, estes, ficarão sujeitos a um escrutínio por formulário composto de 37 perguntas ao qual responderão com um sim ou não. Isto não vai aquecer nem arrefecer e será simplesmente um mecanismo interno para poder ilibar o Primeiro-ministro nas responsabilidades de escolha co-responsabilizando de certa forma o Presidente Marcelo.

costao.jpg A proposta do tal formulário foi discutida na reunião semanal do Governo, em Conselho de Ministros, aprovada pelo Partido da Maioria Absoluta sem avançar detalhes sobre este mecanismo de escrutínio, dos nomes escolhidos para o elenco governativo com muitos edecéteras e por forma a “tapear” a opinião pública já tão saturada de inverdades, arranjos e práticas incestuosas no uso da palavra. O PM Costa socorreu-se da interpretação do "constitucionalista" Marcelo Rebelo de Sousa para clarificar os poderes dos órgãos de soberania.

"Devemos ser muito rigorosos nas competências próprias de cada órgão de soberania, a Constituição é muito clara", lembrando que os "membros do Governo são nomeados pelo Presidente da República sob proposta do Primeiro-ministro". E recorreu à interpretação de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o facto de o Presidente da República ter nisto "um poder substancial". Tudo indica que as futuras comissões parlamentares deverão, anunciar quais os géneros de mentiras que aceitam por parte dos convocados e quais os géneros de mentiras que, por parte dos convocados, não aceitam.

costa13.jpg Tudo indica que aqui, vai funcionar um ardil para que o PM se iliba das escolhas sob o risco de serem elas, as comissões parlamentares, responsáveis por falta de adequada sinalização, e de o serem por elas convocados vítimas de um logro. Mas, lendo a teoria da mentira segundo Marcelo Rebelo de Sousa: As mentiras são substanciais e insubstanciais. Dividindo-se, porventura, as mentiras substanciais em mentiras muito substanciais, mentiras medianamente substanciais e mentiras pouco substanciais. E, porventura, dividindo-se as mentiras insubstanciais em mentiras muitíssimo insubstanciais, mentiras medianamente insubstanciais e mentiras quase substanciais. Pelo que as comissões parlamentares não deverão exorbitar. Será justo colocar todas as mentiras ao mesmo nível? Por exemplo, dizer que as mentiras muito substanciais valem o mesmo que as mentiras medianamente substanciais e as mentiras pouco substâncias?

Relendo o artigo de Artur Portela, escritor e jornalista chega-se à dúvida: “Não é justo. E será justo, por exemplo, dizer que as mentiras insubstanciais valem o mesmo que as mentiras muitíssimo insubstanciais e que as mentiras quase, mas só quase, substanciais? Que Eu (Artur Portela) permito antecipar-me ao meu querido e velho amigo desde os anos 70 e poucos, arriscando que, para ele, são aceitáveis, em sede de comissão parlamentar, quase todas as mentiras insubstanciais. Vamos, todas. E arriscando que são inaceitáveis, para ele, boa parte das mentiras excessivamente substanciais. Embora, porventura, não todas. Deixando passar as mentiras medianamente substanciais. E as mentiras pouco substanciais. Há que ser generoso. O Povo é sereno. E importa que a verdade não exagere”.

costa02.jpg Metido neste molho de brócolos mais me certifico que a Mentira reina sobre o Mundo, digamos que é a frase que paira neste espectáculo encenado por António Costa, o dono do pedaço chamado de PMM - Partido da Maioria Absoluta. Hoje a mentira tem vários nomes, utiliza o utilitarismo, ordem social, senso prático. Ela, a mentira, como ordem social, pode praticar impunemente, todos os assassinatos; é preciso estar alertaOnde estão então os limites entre a verdade e a mentira? Não são só factos que as caracterizam, mas a maneira como são vistos ou apreendidos, neste espectáculo que vivenciamos.

RESUMO: No contexto da interacção interpessoal, no qual são utilizados recursos comportamentais como gestos, expressões faciais, postura corporal e modulação de voz, destaca-se o fenómeno da mentira, que é caracterizada pela dissimulação de ideias, sentimentos e emoções. Mentir é um processo psicológico pelo qual um indivíduo deliberadamente tenta convencer outra pessoa a aceitar aquilo que o próprio indivíduo sabe que é falso, em benefício próprio ou de outros, para maximizar um ganho ou evitar uma perda (…). A mentira é um acto instintivo e funciona como uma arma de preservação social, no entanto, do ponto de vista jurídico, ela é avaliada por seu dolo, ou seja, pela intenção e pelo prejuízo moral ou material que causa (Castilho, 2011). Um indivíduo pode mentir por ocultação, quando omite informações verdadeiras, mas não apresenta informações falsas, e também por dissimulação, quando apresenta falsas informações como se fossem verdadeiras, retendo aquilo que sabe que é verdade… Fui!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:55
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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2023
KAZUMBI DE BORUNDANGA . VIII

A GRAÇA - A CAMINHA DA RECESSÃO

Crónica 3343 – a 13.01.2023, em uma Sexta-feira - Ando a interpretar a Bíblia; só alguns trechos...

Porcosta01.jpgT'Chingange no AlGharb do M´Puto

costa araujo4.jpeg Verifico que tal como Pedro, sou Impulsivo, irreflectido por vezes e, nem sempre vou na diapasão dos demais - penso por mim; não vou em cartilhas, em posturas mal desenhadas ou leis descabidas como este recente escrutínio formulado com trinta e tal perguntas para averiguar se, se tem Ficha Limpa em seu curriculum e, daí poder a vir a ter um lugar no Governo. Sou cada vez mais desconfiado porque nem sempre o que parece, transparece! O homem, não me infunde confiança...juro!

Pedro em sua sinceridade também friccionava sua mente com novos parâmetros e análise de paradigmas. Até segundo se diz e, porque se lê, parecia difícil vê-lo com alguém equilibrado, coisa diferente em mim que sempre ando com gente desclassificada dos carretos! E, ando por isso, muito descrente! Como ele Pedro, ora estou em um lado, ora estou num outro distante mas, agora tenho de ficar agarrado ao sofá ouvindo coisas repetidas na exaustão para preencher o tempo! Mas, vale a pena estar informado, sim! Em meus altos e baixos, nós os dois, em épocas longínquas falamos quando teria sido melhor permanecermos calados, curtir o NADISMO em sua plenitude, pois!

cos3.jpg Ou também fazendo afirmações inspiradas, à semelhança da que vimos ontem e antes de anteontem, ou quando Jesus quis saber o que todos pensavam a Seu respeito: “Tu és o Cristo?!”. Ao ouvir o Mestre Messias falar da própria morte e do abandono de que seria vítima, Pedro falou: “Ainda que todos Te abandonem, eu nunca Te abandonarei!” - Esse, era seu problema: Queria mostrar-se forte, quando deveria expressar dependência; era rebelde! Foi quando então aconteceu o que Jesus, o Messias, previu: Pedro O negou. Tendo caído em si, arrependeu-se e por isso ganhou uma nova chance. Lembro esse meu tempo de fantasma que era noite, e a lua brilhava intensamente.

No entanto, recordo o ambiente pesado. O passado havia sido decepcionante, o presente parecia incerto, e o futuro, ameaçador. Pópilas! Agora acontece a mesma coisa, ando aqui metendo tudo na água sanitária, esfregar-me com gel, gargarejar com água salgada e usar muito sabão só para eliminar um invisível e extremamente perigoso diabinho... Também usar alho cru, que afasta as minudencias. Será? Pedro, naquele tempo, estava deprimido, moralmente caído. Se é verdade que a pescaria o ajudava a relaxar, talvez tenha sido essa a intenção dele quando disse: “Vou pescar”, no que foi acompanhado pelos outros parceiros. Isso, agora no 2022, não o poderia fazer sem ter uma especial licença retirada no caça niqueis estatal chamada de Caixa Multibanco. Naquela tentativa, Pedro fracassou. Todos temos um tempo, Noé!?

costao.jpg Aqueles pescadores profissionais tentaram pescar a noite inteira sem apanhar nenhum peixe. Eu pesquei no Auchan a troco dum crédito que o cartão cuspilhou! Dinheiro, hoje, assusta! Contudo, a noite de fracasso com Pedro, chegou ao fim, e os raios do Sol trouxeram-lhe mais do que um novo dia; veremos... Na casa de Caifás, um outro personagem, ele Pedro, pois então, havia negado conhecer Jesus, mas na praia, naquele alvorecer, o Mestre o esperava orientando o método correto para o êxito na pescaria. Naquele tempo não existia um Costa, um Primeiro-ministro auxiliado por um Merdina, cobrador de impostos; era tudo assim mesmo, governamentalizado na palavra…

Pedro teve azar, mesmo; porquê?! O Costa actual, explicou e bem tim-tim por timtim como pescar com máscara no Auxan, assim e assado e só depois frito ou cozido; de preferência português porque peixe chinês, está provado, trás vermes! Naquele tempo de há 2022 anos, mais coisa menos coisa, um tal de João O reconheceu, Pedro se apressou a encontrá-Lo. Porque precisava Dele naquele momento! Pedro sentiu que Jesus ainda o amava e se interessava por ele. Ficou taciturno... E, quando os demais chegaram, o desjejum já estava pronto.

costa13.jpg Foi naquele ambiente restaurador que Jesus fitou profundamente os olhos e o coração de Pedro e lhe perguntou três vezes: “Você Me ama?” E tantas vezes quantas O havia negado, o discípulo respondeu: “O Senhor sabe que eu O amo, Senhor!”. E recebeu a missão! Cuidar de nós vindouros... Pedro ainda estava nos planos do Mestre, apesar de suas fraquezas...

Bom dia de Sexta Feira 13 com uma feliz semana. Curioso ser aquele encontro animador para nós, porque nos identificamos com Pedro, digo eu. Eu explico: Somos trambiqueiros por natureza, dizemos hoje o que amanhã reclamamos; somos inconstantes e até outras coisas nada abonatórias mas... E, afinal Pedro também o era! Se em Jesus vemos nossas possibilidades, em Pedro vemos nossas fraquezas! E, foi ele Pedro o fiel depositário das chaves de nosso curral - este nosso Mundo, Noé?! Afinal, existe algo que a GRAÇA não possa superar?

 O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:25
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Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2023
OT´CHIPULULU . 4

UM POR TODOS, TODOS POR UM - Meditação do T'Ching

Depois da SEXTA-FEIRA vem o SÁBADO... Vamos ver se nos toca algum desse tal pacote de RESILIÊNCIA…

Mau-olhado – Xicululu – Crónica 334106.01.2023 dia de REIS

Por t´chiku2.jpgT´Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

t´chiku1.jpg Se um membro sofre, todos sofrem - deveria ser assim! Poucas coisas na vida, são tão tristes quanto alguém insinuar a disposição de deixar de estar... Algumas vezes, o motivo apresentado é de abandono, desiludido, amargurado e, um sem numero de adjectivos ou e, também o de ficar sem vintém. Isso! Sem ver a cor do dinheiro...

Em muitos, é a falta de apoio e solidariedade, quando a pessoa enfrenta momentos extremamente difíceis, sem trabalho, sem ânimo por falta de condições para continuar. Essa indiferença com alguém ou grupos de gente, em especial como os muitos velhos, creio que 35.000 em lares ilegais, que é sempre desoladora. E, perguntar-se do porquê do estado, ter descuidado esta gravidade!

E, os políticos da oposição que nem tudo apontam à gestão do Costa! Que dizem amém a tudo fazendo de avestruz nos casos cruciais. O PCP só lembra os trabalhadores, o PSD anda na concórdia, os outros andam distraídos não falando de outros desvios que voam na TAP. Isso! Daqueles preços super facturados na compra de aviões, na ordem de 20 a 30 % perfazendo milhões em luvas, desvios para as contas de alguns. Aqueles tão falados 500 mil dados a troco de silêncio a uma alta funcionária, é só um entretém!

t´chiku3.jpg Justificativas defensivas e bolinhas de sabão por parte da comunidade e grupos do poder não ajudam a clarificar o que tantos sabem e teimam em não querer saber! Mariolas, afinal, somos todos irmãos em Cristo e devemos nos importar uns com os outros, Noé? Charles Swindoll, um sociólogo, cita um pensamento profundo de John Donne, poeta e pregador inglês do século XVII: “Nenhum homem é uma ilha inteira em si mesmo; todo homem é uma parte do continente, um pedaço do todo”.

Antes da criação de Eva e do Adão declarou-se: “não é bom que o homem esteja só” – a fim de que todos sejam um” São símbolos que devem estar sempre presentes! São estas e apenas, algumas das referências que se indicam na pertinência do envolvimento entre cristãos; mesmo entre gente que se diga ateu - porque o ser ou não ser, não o isentará de só ser mais UM

Não parece haver dúvidas de que este envolvimento será um dos grandes efeitos da conversão e necessidade de comunhão tendo como fundamento o amor sincero. Sobre os dons espirituais, também nos podemos comparar a um corpo cujas famílias que compõem uma tribo, uma nação, neste caso o M'Puto - Portugal, todos diferentes e com funções distintas, são tão interdependentes a ponto de um ser afectado pelo sofrimento do outro ou pela honra a esse outorgado.

t´chingange 0.jpg “Se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um membro é honrado, com ele todos gozarão de honrarias. Assim deveria ser mas não, Noé! Temos o simples, o lei-off com empresas que necessitam e outras contempladas que não o necessitariam! E, muitos aproveitamentos! Convém que nos envolvamos mutuamente, alegrando-nos com os que se alegram, chorando com os que choram, e não que vivamos como ilhas.

Como diz o livro dos livros: “Acima de tudo isto, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição... Instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em sabedoria” num distanciamento salutar, obrigando os perdigotos a ficarem isolados! Tenham um Bom dia de REIS no sofá, na poltrona, na butaca, no mukifo, na cubata, no chalé ou no chulé com parede de taipa... Conforta saber que, em um mundo indiferente, talvez alguém nos ame e se importe connosco. É bom pensar assim! Em algum lugar, outro alguém precisa sentir que fazemos diferença em sua vida. Vamos ver se nos toca algum desse tal pacote de RESILIÊNCIA…

O Soba T'Chingange...



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:06
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2023
OT´CHIPULULU – 3

A GRANDE TRAGÉDIA - Depois da QUINTA vem a SEXTA-FEIRA...

Mau-olhado – Xicululu – Crónica 334005.01.2023 na Meditação do T'Ching

Por abac1.jpgT´Chingange (Otchingandji) no AlGharb do M´Puto

booktique14.jpg Harmonizar a existência do sofrimento com a realidade é talvez, o mais antigo dilema da mente humana. Em busca de respostas, mergulhamos em especulações que resultam normalmente em dúvida e descrença. Com o pensamento voltado na busca de satisfação de alguma coisa pequena, alargamos sua importância de forma desmedida. Calma! Tudo irá passar...

Epicuro, filósofo grego, não entendia o que lhe parecia ser a inércia de Deus diante do sofrimento humano. Hoje, perante esta pandémica situação covidesca, que ainda por aí anda, muitos apelam a Ele como recurso e, as respostas não chegam como se pretendia! Numa amostra de descrença e irreverência em uma argumentação na qual se questiona o poder, a bondade e a existência do Senhor, adentram-se em considerações que nada têm de humilde seguidor...

bimbo4.jpg Cá por mim, já estou comendo terra antes que ela me coma. Verdade! Argila verde com radioactividade e, que tem zinco entre outros minerais espaciais. De facto, não podemos entender plenamente todas as nuances do sofrimento, pintando-O como injusto e até tirano, mandando às urtigas os ensinamentos; isso é com os outros, digo eu ao diogo. Se o sofrimento continua a magoar não será causa de inércia, conivência ou impotência da parte da Natureza porque as perdas e singularidade são-nos inerentes; teremos de ser nós a cuidar-nos com a integridade e confiança possível ou admissível. O mesmo ar que respiramos com seu oxigénio, oxida-nos no tempo como se o fossemos um tubo de ferro.  

Por mais cruel que seja o sofrimento com todas as suas perdas, a maior tragédia é sempre deixar de confiar nessa fé que sempre dizem mover montanhas... Ou mato, ou morro! Para onde ir? Como é? Como foi? Pois se até o ferro que é duro enferruja! Mas sempre consciente ou não, levaremos a Ele as cargas que nos oprimem, enquanto aguardamos... Quantos pára-brisas de carro, pau de arara, camião TIR têm pintado: "Deus, é fiel"

carocha4.jpg Malembemalembe! Cada qual tem de esperar na beira da vida pelo seu machimbombo. Quer se dizer: devagar se vai ao longe... Hoje ou amanhã sempre haverá aquele momento em que, “desde o minúsculo átomo até o maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza sucumbirão". Sempre irá ser assim! Na imperfeita alegria, na leveza do ser, teremos de encarar normal esse conflito - Nem grande, nem pequeno! Sempre foi assim… Amanhã será SEXTA-FEIRA, teremos futebol, depois virá mais bola até fim do campeonato! Vamos aproveitar o Sol, a chuva e um dia novo que como missangas lhe seguirá um outro. É a vida...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:29
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2023
MOKANDA DO SOBA . CXCV

MEDITAÇÃO DO NOVO ANO DE 2023  

*PLANO ÚNICO* - UM DIA DEPOIS DA MORTE DE BENTO XVI AOS 95 ANOS DE IDADE...

Crónica 3339 de 01.01.2023

Porsoba50.jpg T´Chingange (Otchingandji) em Lagoa do M´Puto

sesmarias1.jpg De acordo com uma lenda, quando Jesus ascendeu ao Céu, alguns anjos se mostraram curiosos para saber algo mais a respeito da experiência Dele na Terra e foram interrogá-Lo a respeito: “O Senhor fundou um grande movimento! Quantos seguidores deixou?”

Jesus teria respondido: “Geralmente Eu atraía grandes multidões, mas deixei apenas 11 discípulos, alguns poucos amigos e dedicados seguidores.”- Bem, continuaram os anjos: “sendo tão poucos, certamente devem ter sido seres humanos excepcionais, dotados de excelente carácter, pessoas influentes em suas comunidades e de sucesso profissional.”

ara3.jpgCA -  A resposta teria sido: “Realmente, eram fora do comum: alguns pescadores, um colector de impostos, pessoas simples. Os anjos continuaram: “Nesse caso, formavam um grupo extremamente leal e confiável!” Jesus: “Eles tinham uma vontade imensa de ser leais, mas, no momento mais crítico, um Me traiu, outro Me negou, e quase todos os outros fugiram.”

“E o Senhor ainda espera que esse grupo continue Seu trabalho? Tem algum plano alternativo?” - Jesus teria respondido: “Não, não tenho plano alternativo. Esse é o grupo com que posso contar.”- À parte da lenda, o facto é que os discípulos aos quais o Mestre incumbiu a tarefa de pregar o evangelho e estabelecer Sua igreja eram repletos de limitações. Mas não foram limitados na esperança de que Ele cumpriria a promessa de enviar o Espírito Santo que os capacitaria com poder para testemunhar.

sesmarias2.jpg Esperaram conforme a ordem (Lc24:49), “unânimes em oração”, em profundas e sentidas confissões, conscientes de sua incapacidade, até que, no Pentecostes, foram cheios do Espírito. O livro de Actos está cheio de factos reveladores da ousadia com que pregavam, do poder com que realizavam milagres e da pureza de vida que os caracterizava. Somente no poder do Espírito foram capazes de cumprir seu papel missionário, apesar da oposição. Para alguns, nem a vida era tão preciosa que não pudesse ser deposta no altar do sacrifício. A transformação foi radical. A igreja débil se tornou invencível!

Bom dia, feliz ANO. Com aquele grupo, Jesus iniciou o trabalho. Com o grupo do qual fazemos parte, Ele planeja concluí-lo. Não há plano B. A promessa contínua a mesma: “receberão poder”. A busca desse poder é uma experiência diária e individual. O Espírito Santo não será derramado sobre papéis, cofres, computadores, câmaras, edifícios, mas sobre pessoas como você, eu, ou o Papa Francisco

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:27
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Terça-feira, 20 de Dezembro de 2022
KAZUMBI DE BURUNDANGA . III

A INTERNET - A ditadura digital e os mecanismos de manipular o cérebro

Crónica 3330No AlGharb do M´Puto a 20.12.2022

Por roxo10.jpgT'Chingange - no M'Puto

roxo2.jpg A Internet a partir da última década do século XX mudou o Mundo; os políticos ainda andam a descobrir as novas tecnologias tentando perceber as muitas aplicações que rápidamente mudam o sistema democrático. Andam agora a enfrentar os combates da liderança com esta revolução da chamada inteligência artificial. 

O prémio Nobel da Literatura Yuval Harari coloca em causa se os políticos conseguirão gerir esta crise antes de ficarem sem dinheiro. Citando-o: “se os mosquitos nos zumbirem nos ouvidos e nos perturbarem o sono, saberemos como matá-los, mas se um pensamento zumbir na nossa mente mantendo-nos acordados durante a noite, a maioria de nós, não saberá como matar esse pensamento”. 

roxo213.jpg Hoje já se aprende a conceber o cérebro, sabe-se que a alma afinal tem peso na casa de mícrones e, também de prolongar vidas congelando até no lado do álem; também de matar pensamentos à nossa vontade. Verificamos na actualidade que as mudanças verificáveis não devem manipular o nosso mundo reconfigurando-nos a seu belo prazer mas, é isto que vivenciamos duma forma nua e crua, e como não entendemos sua complexidade, baralhamos nossas mentes.

As mudanças que aí vêm em um futuro próximo poderão afectar o nosso sistema mental e, até entrar-se em falência. Custou-me entender até recentemente de qual era o interesse em comprar uma divida mas tanto que pode, que andamos todos a nadar no molhado e, isto até nem é calote! Sempre há uns poderosos oligarcas que vivem dos juros! Quando entendi esta mecânica emprestei dinheiro a prazo ao Estado através dos CTT e a cada seis meses dão-me uns trocos; o mais certo é todo o lucro ser comido pela inflação, mas parado, seria maior a perca.

Roxo221.jpg As eleições brasileiras ficaram emaranhadas numa engenharia electrónica como se o fora um laboratório com algoritmos mentirosos usando a tecnologia da informação até nos rasparem todo o tutano da compreensão. Menos mal que surgiu o tal de PIX que é um meio de pagamento electrónico instantâneo e gratuito oferecido pelo Banco Central do Brasil a pessoas físicas e jurídicas, sendo o mais recente meio de pagamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro – salvé!                                 

Verifica-se também o arredondamento da mentira que chutada até à exaustão vira verdadeira; um colapso na perca da fé, da narrativa liberal que adultera todo o processo democrático, desmultiplica multidões dando-nos a liberdade de pressentir que há fraude sem burla e burla sem fraude; tantas manobras que nós gente comum, que o futuro está a deixar-nos de lado. Num paulatino repente que se repete, todos ficamos robotizados, feitos numoito e cada vez mais irrelevantes. Surgem até misteriosas palavras, novas no suficiente mistério com difícil interpretação! Aló meu irmão…

roxo222.jpg E, agora e num repente que já dura em demasia, surge vindo do inferno um tal de Vladimir Putin com manias de que é deus mas, que não passa dum grande filho da puta que quer acabar com a lógica das coisas. Cumpre-me avisar ao Nosso Senhor, meu tio por parte de mãe, que se vier à terra sanar este desarranjo, por favor que venha armado, muito bem armado, senão pode lixar-se! Fui…

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:05
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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2022
KAZUMBI DE BURUNDANGA . II

O ALGORITMO - A ditadura digital e os mecanismos de manipular o cérebro.

Crónica 3329No AlGharb do M´Puto a 19.12.2022

Por4 DE JUNHO.jpg T'Chingange - no M'Puto

soba24.jpg O Mundo anda confuso! Com tanta informação irrelevante tona-se difícil mantermos a clareza do pensamento com a necessária lucidez de entender o futuro, o amanhã. Nossa espécie, cada vez mais parece estar na mão de gentes que se julgam deuses e, nosso destino que anda demasiado enevoado, pode ficar bem pior, manipulado no cérebro.

Nossos paradigmas ficarão aprisionados subtilmente nos palpos de hodiernos mecanismos tecnológicos de desinformação como se o fossem, aranhas. Usando a informação deformada a propósito, alteram-nos por sútil sabotagem o raciocínio lógico das coisas, acontecimentos que inevitavelmente mudam o pensar de milhões, fazendo de todos nós escravos de uma ditadura digital.

A liberdade num repentemente, fica perigosamente periclitante e nas mãos de uma pequena elite que nos ditará o que, como e quando a devemos usar ou desvirtuar. Os meios que são mais que muitos, surgem como sondagens, estatísticas tiradas não se sabe como e de onde, opiniões nitidamente deturpadoras da realidade, opinião vendida em supostas obras literárias.

arau45.jpgCA -  Também prosas mentirosas e panaceias em que se relata um suposto acontecimento ou um conjunto de inventações, com intervenção de uma ou mais personagens, figuras ditas publicas para se dar credibilidade num espaço e num determinado tempo. Narrativas! Os casos são muitos e por todo o Mundo relatados pela televisão, jornais e comentadeiros que dão enfase a comissões de averiguação a supostas inverdades!

Estamos feitos num oito na forma de fita de nióbios que não tem como parar, sem fim. No M´puto andamos todos muito inchados de narrativas com factos aprisionados pelas cativações com políticos de primeira instância a assobiar pró lado; no Brasil a mentira é tão arrasadora que adoecemos de tanto nos torcerem a mente e, Lula com magia algoritma sai às escuras, vencedor.

araujo44.jpgCA - Nosso destino pode assim ser apalpado pelo futuro feito novelo de teias de aranhas, aranhiços e carrapatos servis; para culminar surge essa manipulação do cérebro por mecanismos novos chamados de algoritmos que coarctam nosso comportamento alterando de forma sútil nosso contacto social, nosso voto, nossa ambição. De forma ostensiva os governos democráticos restringem a liberdade chamando-lhe de traição; são numerosos os casos do Supremo Tribunal Federal no Brasil e das muitas prescrições na justiça em Portugal…

O sistema judiciário é minado na sua independência proporcionando aos donos do poder o poder, à custa do erário público, das massas, uma elite que tende a ultrapassar a fasquia do aceitável. Com a construção de muros e “firewals” pelo mundo, corre-se o risco de subitamente ficar-se sem narrativa nenhuma e isso, não é nem será bom pois contribuirá para termos algo apocalipto, a lembrar o assassino Putin… 

araujo 43.jpgCA -  As pessoas devem no amanhã pensar por si mesmas seguindo a sua vontade ao invés de obedecerem cegamente a um pastor preconceituoso ou um político com erros vincados em seus procedimentos e, tendo sempre presente os direitos humanos. Chegados aqui terei de mencionar Yural Harari (prémio Novel da Literatura em 2017) ao perguntar: “Consegue imaginar um governo que espera com humildade que um algoritmo aprove o seu orçamento ou uma reforma fiscal?” – FUI!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:01
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Sábado, 17 de Dezembro de 2022
N´NHAKA . XXIX

ANGOLA, TERRA DA GASOSA : Parte XVI

-CORRIA O ANO DE 2002 – NA TERRA DE MATRINDINDES

- Crónica 3327 - 01.08.2022 – Republicada a 17.12.2022

 “Angola, quanto tempo falta para amanhã? Háka!” - Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Jonas Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002) - "O futuro anda empenhado ao diabo”...

Por amendo5.jpgT´Chingange No AlGharb do M´Puto

bengela1.jpg Escrevo agora: Aqui me encontro na Diáspora! A batota continua em Angola e, tudo é do MPLA: É a Comissão Nacional de Eleições, é o Tribunal Constitucional, são as Forças Armadas, é a Polícia Civil, são os Kazukuteiros, é sua opinião, são os Tribunais, é o escambau, como dizem nossos manos brasileiros. Angola deveria mudar o nome para “Terra da Batota”, “Terra do M” ou “Terra dos Matrindindes”; Também “Terra dos Marimbondos…Háka!

Depois deste interlúdio em dois compassos de raiva rilhada, feito prefácio assobiado em graves e gravíssimos tons aonde se vislumbram muitos jogos de luzes, telões que mudam o cenário, fogo e fumaça com os neurónios do povo a arder, surgem as poses estudadas dos DDT (Donos Disto Tudo), coreografias milimetricamente ensaiadas por assessores da mututa pagos em milhões.

Há, vídeos e silêncios que servem de interlúdio duma batuta única para manterem a mesma farpela. Ali o texto governamental, não tem contexto, não há prefácio nem postfácio; tudo é como eles querem, sem notas, sem sumário, sem introdução, nem capítulos. Lembro a minha empregada de Kampala, a Mery falando: - Patrão, aquilo mesmo vai ser só de faz-de-conta, rematando “This is áfrica”

pirulitos1.jpg Mary estava Certa! Escrevo agora: Ali continua a ser a terra da bagunça, terra do J.L. Sesse Seko Nkuku Ngbendu wa Za Banga. Háka… Naquela viagem de 2002, a Benguela mulata salientou-se de forma diferenciada. Em casa de gente mulata fiquei; a Dona Adelaide foi o máximo de carinho que nos reservou, seu fino trato em um escasso fim-de-semana.

Por imperativos mútuos só ali ficamos o tempo que se quis mas, naquela casa do Amor (nome de família) o almoço de muamba, o saca-saca com gimboa, o muzungué e os bolinhos de fabrico próprio deram tempo para matar as falas antigas com ongweva animando aqueles sábado e domingo de Julho (…há vinte anos atrás). Os mosquitos, também eles nos acariciaram de amores e, tantos eram que, tivemos de nos refugiar no quarto, exactamente o do dono da casa, no primeiro andar, janela a dar para o grande adro da catedral de Benguela na forma de V invertido. E, no canto da casa lá estava uma arma kalashnikov, municiada para qualquer contratempo – mosquitos de duas pernas. Amor esfacelou sua perna em luta com um ladrão de quintal, perna que agora, não tem!

marimba1.jpg A muleta substituiu a pena – os tempos condicionaram a vida da família amores ao rubro. Naquele quintal havia uvas, gajajeiras, sape-sape, tamarindo e goiabeira; também havia uma maça-da-índia. Os cubanos nada puderam levar daqui mas, foi dito que as lápides em mármore dos cemitérios despareceram sim! Recordei em falas que quando da minha ida a Cuba vi uma carrinha fechada aonde ainda se podia ler de forma sumida “Futebol Club do Lobito”.  

Em nossas conversas de fundo do quintal relembramos o tempo sem aprofundarmos em exagero porque cada qual, naturalmente teria suas próprias periclitãncias e, não convinha recordar cacimbos defuntados. A última vez que tinhamos estado com a família Amor tinha sido em um almoço no João do Grão, ali bem perto do Rossio de Lisboa. Formando frases curtas e sinceras rematávamos nas voltas certas, driblando de certo jeito nosso passado. Sim! Porque de outro qualquer modo ele, o passado podia, reconhecer-nos.

PUXASACO.jpg Tivemos de aprender com as formigas grandes, kissondes que em andamento seguro arrastam pelo pó do chão seus ventres escuros sem discutir com Deus por assim andarem, sempre se arrastando. É a vida, dizia o homem que mais tarde foi para a ONU; que ainda lá está… Se pudéssemos adivinhar o futuro sem o ter de deslocar, tê-lo-íamos beijado, sugar-lhe as energias, deixando-lhe um montão de problemas, porque cada vez que se respira agora, torna-se tudo mais caro e, nossa escrita que até podia ser criativa, fica lodosa; um pântano languinhento com taxas e taxinhas mais a água, a luz, revisão do carro ou pagamento ao jardineiro que quer ganhar como se o fora o primeiro-ministro…

Nossa vida, nossa prosa fica assim como um deserto, estendendo-se até ao horizonte da kúkia, sem nada acontecer; fica só uma vida de estórias com partidas e chegadas. É por isso que me regalo com as estórias alheias como a da minha empregada de Kampala chamada Mery. Na manhã de antes de anteontem disse-me que sua mãe mandou-lhe por correio expresso um pacote de formigas fritas, embrulhadas numas folhas de bananeira… Ele há coisas…Lá teremos de papar formigas.

(Continua…)

 O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:04
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2022
N´NHAKA . XXVII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA -.XII -" Alto Liro. Lobito à vista" - Crónica 3325 - 03.08.2022 – Republicada a 15.12.2022

CORRIA O ANO DE 2002 - CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

 “Angola, quanto tempo falta para amanhã?” - Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por dia220.jpgT´Chingange – (Otchingandji) – No Al.Gharb do M´Puto

soba24.jpg Rumo a Sul, na geografia natural, segue-se o rio Evale, fronteira do Quanza Sul e não muito longe o rio Colango aonde paramos e provamos cocoto, fruto da matebeira; cá para mim aquilo de tão rijo só dá mesmo para enfeitar centros de mesa ou chapéus de dama exótica e, brasonada. Foi aqui, no Colango que vimos indicação de minas em tabuletas vermelhas de caveiras brancas.

Havia pedras pintadas de branco a dar indicação do lado ruim além berma em ambos os lados da ponte. Aqui compramos aos acantonados da UNITA umas quantas perdizes por 50 kwanzas cada e, mais uma tua; estes faziam por ali desesperos de nada recheados de moleza rota e mal paga. Mais à frente - muitos buracos... Os táxis e candongueiros das "piruas" passavam por nós desafiando a gravidade, como batiscafos. Alguns ultrapassaram as indefinidas bermas e desmantelaram-se nos capins e cajueiros.

benguela2.jpg Os condutores das “piruas” andam que nem louco; estes chapas kazukuteiros trabalham no futuro condicional, juro, vai correr tudo bem “tio”- falam só assim com os mais velhos; vimos vários nos capins ainda cheirando de desastre fresco. Foi a partir do rio Balombo ou, melhor, lá atrás na Kanjala, aonde começou a dança, aonde parámos para provarmos as frias Nocal, Eka ou Cuca à sombra de uma grande mulembeira; mesmo ao lado do hotel aonde o Jimba (Peixoto, já falecido) passou a sua lua-de-mel e, do outro lado do rio lá estava o bananal do Setas.

Demoramos seis horas contornando buracos nos 180 quilómetros, sendo os últimos oitenta os piores. A cassete enquanto desprendia música na perplexidade de tanto solavanco e, no recordar de palavras memorizadas de sal sujo, com as matubas (testículos) pisadas o “havemos de voltar “ incubava-se de vontade.

DIA76.jpg Entretanto as canções dos Irmãos verdade “Deixa eu entrar no teu coração “ ou o “Ka Bu Fronton“ do Jota Neto e mesmo “Os amigos da Onça” do D.J. Rafa e Isidora, perturbavam-me, juro mesmo!... Talvez pelo fumo do petróleo que entrava pela chapa do zingarelho –lastro do fundo sem fundo, misto de carrinha com ximbeco colado com chwingame nos muitos buracos do escape e periferias.

Carro chinguiço do engenheiro de Matanças, o Bien, francês de faz-de-conta. E, também com adjacências estranhas e estrambólicas que talvez, de certeza, perturbava nossos sete sentidos virados num oito de indefinida duração. Se não morrer por aí lá chegarei – aiué. Passado o cruzamento da estrada que liga ao planalto central através do Bocoio via Bailundo segue-se o desvio para a barragem do Biópio no rio Catumbela a montante dali, o Alto Liro do Lobito já estava próximo.

acácia rubra2.jpeg Era um era num era neste caminho de destino às acácias rubras e buganvílias de Benguela. Se Deus quiser, vamos chegar; pelo menos uma vez, olhe pelas nossas carcaças Tio do Ceu, viu! Sem saber se viu ou ouviu, lá fomos, sem ter chegado à nascente do Nilo ou Zambeze, tal como Livingstone e, ressalvada a lonjura no tempo e no espaço, também parte do meu coração foi ficando por ali em dedicação com fidelidade canina a África, terra de largos gestos! Saí de Angola mas ela nunca saiu de mim... Bien?... Prego no fundo que já cheira a maresia.

DIA199.jpg “Benguela, terra das acácias rubras". O lixo era por demais naquela descida para o sapal do Lobito, era-o de um lado e outro nas encostas do morro que nos levava lá abaixo. A estrada no final não se distinguia do resto e a gente era mais que muita no meio de uma suja poeira e fumo desmaiado de tendas mal-amanhadas; ali bem perto e do lado esquerdo corriam umas águas vindas do Alto Liro, dos esgotos claro! Ou, nem tanto, pois que talvez estivessem filtradas pela terra ou então, uma rotura nas águas domésticas porque estava a ser recolhida em baldes e já se via um Jeep luzidio da lavagem! Tudo indicava ser de um Libanês – aqui tem gente daí pra caramba. Até Sírios, tem…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:19
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2022
MOKANDA DO SOBA . CXCIV

ANDAMOS A VIVER DIAS MENTIROSOS

Crónica 3324  de 27.07.2022 – Republicada a 14.12.2022, em Lagoa do M´Puto

Por coelho5.jpgT´Chingange (Otchingandji)

dia204.jpg Andamos a viver dias mentirosos. Acho que Deus Nosso Senhor, não quer consertar nada a não ser pelo completo contrato da morte pois permite que seus súbditos na terra descumpram a palavra dada sem que o Sol se ponha, uma espada muito cheia de ranhuras de aflição. Dou conta disto por ver o que se descumpre quebrando qualquer regra de bom entendimento – cuspir repetidamente no próprio verbo.

Numa de diabo contra satanás, Putin contra o cidadão comum que nada fez para ficar arruinado com pontaria GPS de um míssil, dum obus que aleatoriamente manda um tiro curvo a cair aonde calha. Quantos de nós estão consumindo a palavra piedade, sofrendo com a urgência de não entender a dor.

dia206.jpg Qualquer, um pacato cidadão lá no lugar de sua moradia, no dar dois passos no eirado que lhe resta repentinamente a morte surge; do nada e na forma de fuzilamento esvai-se da vida varado com muitas balas, muitos estilhaços, restos de destruição, uma outra Guernica que ninguém acreditava acontecer de novo e, por nada, ou talvez dum quase nada…

E, quem somos nós para excomungar Nosso Senhor e os chefes da Guerra, se nós nem escapulário temos para tornar os olhos avessos, sem púlpito nem qualquer poder de estilhaçar um Não! Os donos da Guerra sem temor a Deus, sem justiça no coração que surgem a judiar o Mundo, a estragar e rasgar o que há de rasgável na alma das gentes. Tiros altos, revoantes, que surgem como pássaros de balas a cair num aleatório lugar.

Coisa nunca vista ou prevista, bombas caindo ao calhas, também em sítios prévios, um sítio destinado, matando conforme o querem, matança de genocídio de arruinar, só por arruinar; e, atiram nos bois, nas vacas, no gado tão manso. Nesta hora a gente força um escape, pode ser que sim, que se tenha sorte mas, mesmo assim sofrendo muitas mortes…

dia01.jpg Sim! Pode ser até que tenhamos sorte, pode ser porque estamos longe! O pensar caladíssimo do Ocidente perturba-me mesmo que elas as balas, não façam zumbido revoado em minha cabeça. E, se afinal todos estamos condenados à morte porquê omitirmos as dos outros. Escrevo esta missiva feita crónica para o Senhor Oficial, o Comandante em Chefe das Forças Armadas.

Não vale a pena ficar na retaguarda porque a morte não tem alçado frontal, nem tardoz – vem num aí, num ui e, juro, careço de querer calma. Os cacos continuam caindo do alto! Ando sofrido a espiar o desdém do Mundo. O Sol Kukia, não tem como se abraçar a nós, nem se pode esperar isto. O tempo escasseia-me muitas vezes, para poder redigir histórias escondidas, antigas, chamar nomes feios a gente que tem dois olhos, duas pernas e até duas orelhas como eu.

Nessas alturas de revolta subitamente levanto voo, plano como um albatroz e por aí vou fora, sem parágrafos ou pontos finais, com diálogos dinâmicos, que só o serão na ficção! Falo para o boneco! Creio que também aqui “ a guerra, que mata e estropia tantos, alimenta um punhado de pessoas, que se tornam ou tornarão insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam o Mundo (Ainda…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2022
N´NHAKA . XXVI

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . XII

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” - Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

Crónica 3323 de 01.08.2022  - Republicação a 13.12.2022, no Al.Gharb do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por angola6.jpeg T´Chingange – (Otchingandji)  

kapara2.jpgVoo TAP – Destino Luanda – Ano de 2002. A viagem de teimosia ao Lobito e Benguela respirou coerência porque queríamos sentir o ondulado de 180 mil buracos em oitenta quilómetros e, ficarmos zonzos no jeito de internar doidos na reclusão da paciência, mas valeu pela beleza das vistas além asfalto, além urbano, para lá do Morro do M´Gelo. Os sabores da antiga infância, sinuseavam aquela picada promovida a estrada trazendo à ideia o muxoxo da quitandeira lá do bairro e no tempo em que o contentor não era o mini- mercado de alguns desinfelizes.

Assim e sem luz, barulho engasgado do gerador Honda no fundo do quintal, entre queixas de uns e outros com muito sundiameno e toparioba pelo meio, tudo era intercalado com vírgulas de carvalhos sem vê, que isto assim não pode ser e, sem luz nem televisão havia silêncios misturados com prazer – a vida continua! Só o velho Pernambuco, o cozinheiro que sabia fazer lagosta suada como mais ninguém, se desfazia em queixumes silenciosos como essa dor de reumático que lhe entorpecia tudo e até o prazer de viver. Menino, estou nos finalmente, disse ele para mim e, eu fiquei bwé de triste, tristíssimo mentindo-lhe com falas baratas; falas de matrindindi…

baú de coiro1.jpg Na inventação disto tudo vejo que todos têm um forte compromisso na reconciliação dos direitos do homem, para no fundamental irem para além do marasmo, se solidarizarem com o comprimido aspro e paracetamol a que tudo acode, a tudo do quanto baste. Quinino, Kamoquina ou Rezoquina se houver tremuras com frio. Mas, o fado era mesmo deixa para lá que tudo passa com o que tiver que ser, missangas de vai ser com outras filosofias empoleiradas no varão da coisa fácil, amarrotadas no canto das alvissaras porque em tempo de crise urubu vira galinha, o chuço, talqualmente…

Só mesmo o Bien, engenheiro civil formado em Varadero e Matanças de Cuba, nos poderia levar a estes muitos lugares, em seu carro de muitas verguinhas soldadas no chassi, só mesmo metade do vidro retrovisor do lado dele, do outro só mesmo o espaço oco e enferrujado, era um carro de metades, biónico e ajustado nos ruídos de alerta, chiadeiras dos ferodos do travão com cheiros espaciais, com ajustes devido aos fumos saindo da carcaça sem reflectores, sem pára-choques, a mola da esquerda helicoidal com H e, da direita improvisada de molas de carrinha estiradas, batidas e ajustadas, Uma aranha andante que arrancava com gasolina e depois de virar o zingarelho de arame, gastava petróleo de candeeiro (Bien engenheiro, aprendeu isso em Matanças de Cuba)

IMBONDEIRO1.jpg Quase na foz do Cubal, junto à estrada das tormentas, o rio sai das alturas por um fundo canal com rápidos e margens escarpadas, cheias de vegetação nas vertentes; dos jacarés que dizem haver não vi nenhum mas, imaginei vislumbrar uns quantos em surdina da frescura. Bem perto, na antiga estrada para a praia do Kilombo lá estavam aqueles imbondeiros, referência da infância na viragem à direita naquela mesma picada. À vez cada qual dos ocupantes tinha vez de ir com a cabeça de fora para não intoxicar (verdade mesmo…)

Nas agressivas barrocas e antes dos tais penhascos misturavam-se um alcantarilha de cubatas feitas a taipa, cor da terra que desciam em presépio pobre terminando num terraço aonde se mantinha uma escola cuidada; na cornija desta podia ler-se “Havemos de Voltar”, penso eu que, uma alusão de que ali as crianças eram oriundas do planalto central de Angola, gente deslocada pela guerra. Recordar que tantas vezes repeti esta pequena referência como busca desenfreada que nunca se proporcionou, por uma qualquer razão até que entardeceu por demais…

nauk03.jpg  Como erva do diabo, o desejável raramente passa no mesmo sítio. Uma erva que existe no Calahári e deserto do Karoo muito para lá da Namíbia. Afinal, esta gente, tal como eu, também foram intornados para ali, lugar possível, foz de um rio chorado nas terras altas do Huambo. Como é necessário refazer os afectos, matutei.

 Saindo deste sapal aonde as mil formas de vida contemplam, a natureza sobrepõe-se à resiliência e, faço mais o quê!? - Sigo o rumo febril de cheirar por inteiro a mítica África que me viu nascer só de faz-de-conta no barco Niassa. Já no cair da noite, deixamos o kota da Vata de nome Diogo Cão, seu verdadeiro nome de pescador de lagostas naquele lindo lugar de Kilombo, lugar de antigas salgas de peixe seco; Fiquei a saber por ele que para além daqueles crustáceos há cacusso, também um bagre de nome tipioco e lagostim do bom, parecido com o “pitu” do Rio São Francisco do Brasil…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:00
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2022
MALAMBAS. CCLXXII

NAS FRINCHAS DO TEMPO, NA PRAIA

– Crónica 3322 de 15.06.2022 – Republicada a 12.12.2022  - Quando tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza …

Por tonito15.jpg T´Chingange (Otchingandji) – No AlGharb do M´puto

sorte2.jpg O barulho no escuro da noite continuou mais intenso e, já levantado segui para a sala. Pude constatar que o ventilador maior estava soprando sua perene ventilação sem qualquer preâmbulo de coisa ruim; digo isto porque trabalha infindavelmente por meio de um relógio travado com um garrancho feito com rolha de cortiça para enganar o tempo. Sendo assim este dito cujo, trabalha sempre!

Os trinta e nove graus fizeram com que ficasse todo o santo-dia de ontem com as janelas tapadas; o escuro era tanto que tive de usar um pequeno candeeiro para poder ver as teclas do computador. Como devem saber a luz, transporta o calor e vai daí corri os ferrolhos artesanais vedando a luz e ar quente. Foi por isso que liguei os dois estropiados ventiladores que só lançam vento numa direcção – seus botões de rodar pifaram e servem assim mesmo dando vento aos cantos que rodopiam nas esquinas e nossos corpos…

A televisão das antigas com um TDT HD – DTB700PT adaptador, também deu o berro. Aparece o sinal verde mas a TV, nicles de bitocles – Ou alteraram as frequências ou fizeram um cambalacho governamental para nos extorquir mais uns cobres. Esta terra do M´Puto tem mais espertos que grilos no verão! Lá pendurada no tecto a TV, diz que não há sinal! Não dá nada, porra nenhuma – rodei a antena para o lugar de Santiago do Cacem e, nadica de nada! Está na hora de mudar por uma nova com ligação à internet por Bluetooth, uma moderna forma de ficarmos controlados pelos anjos, arcanjos e o capeta chifrudo – estamos feitos ao bife!

sorte3.jpg  Isto é importante saber porque no mundo de hoje o Bluetooth representa uma ameaça mais significativa, pois é um sinal sem fio frequente e constante emitido por todos os nossos dispositivos móveis pessoais. No futuro, que já o é, teremos de aprender como modificar a estrutura de nossa existência e forçar nossas vidas e nossa psicose em moldes novos, alguns ainda mal conhecidos.

Teremos assim de compreender como e porquê perante uma nova primeira vez, um novo potencial surge amolgando-nos no futuro. Todos os dispositivos sem fio têm pequenas imperfeições de fabrico no hardware que são exclusivas de cada dispositivo creio que a propósito – É a nova ordem das coisas!

Aquelas impressões digitais são um subproduto acidental do processo de produção. Estas imperfeições no hardware Bluetooth resultam em distorções únicas, que podem ser usadas como uma impressão digital para rastrear um dispositivo específico. Daqui eu dizer sempre que é muito perigoso pensar, falar, comentar e até muxoxar asneirentas verdades. Para o Bluetooth, isso permitiria que um invasor contorne técnicas anti-monitoriazação, como alterar constantemente o endereço que um dispositivo móvel usa para se ligar a redes da Internet.

torres2.jpg Os investigadores, engenheiros das sombras e almas, projectaram um novo método que não depende do preâmbulo, mas analisa todo o sinal Bluetooth. Eles desenvolveram um algoritmo que estima dois valores diferentes encontrados em sinais Bluetooth. Estes valores variam de acordo com os defeitos no hardware Bluetooth, dando aos investigadores a impressão digital exclusiva do dispositivo – nosso ADN

No silêncio da manhã, pardais chilreando, sigo até à padaria do Tonico a comprar o pão bom para se fazer as açordas de poejo ou coentros. Nas ruas daqui aonde estou, nascem poejos nas frinchas, nasce salsa e coentros que só não são usados porque os cães ali fazem javardices mijadas. Passo no antigo posto da GNR do tempo em que usavam cavalos; a porta larga por onde passava a tropa está encimada com um escudo de nobre lembrança e em cima duma cimalha há um leão segurando uma bola mundo – uma esfera armilar à semelhança do Leão de Ceilão. E, o futuro traz-nos senilidade, artérias endurecidas, pele enrugada por frouxas, calvície e uma apetência ao isolamento por não entendimento ou não aceitação. Amanhã será outro dia…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:26
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Domingo, 11 de Dezembro de 2022
VIAGENS . 2

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - Crónica 3321 - 24.06.2022 –Republicação a 11.12.2022.

Do Pantanal à Amazónia - parte

Por Soba T´Chingange brasil.jpgT´Chingange (Otchingandji) – No AlGharb do M´Puto

quilombo0.jpg Ainda na Fazenda do Pantanal pude recordar com Peixinho, nosso guia, o neto do rei do Império de Oyó com o título de “Dom Obá II” (Dom Obá, na língua do seu povo ioruba, significa “rei”). Então imaginei-o com fraque e cartola, a desfilar sua banga ninita, suas medalhas penduricalhos de mérito pelas ruas do Rio de Janeiro. Pois assim foi: Um príncipe africano, negro, que viveu no Brasil durante o período em que ainda havia escravidão e o país era governado por um imperador, Dom Pedro II.

Seu nome era Cândido da Fonseca Galvão, mas gostava mesmo era de ser chamado de Dom Obá II d’África. Nasceu no sertão da Bahia, na Vila dos Lençóis, por volta de 1845, filho de africanos forros, ou seja, ex-escravos que haviam conquistado a sua liberdade por meio da carta de alforria. Dizia-se descendente directo, neto legítimo, de um poderoso rei africano – Aláafin Abiodun, rei do Império de Oyó – daí o gostar de ser reconhecido como príncipe.

quilombo4.jpg É interessante conviver de perto com estas alvissaras mistificadas de fantasia na vida real, como sempre vivessem um perene carnaval, resquícios de memória das terras de África. Alistou-se voluntariamente para lutar na Guerra do Paraguai e, devido à sua bravura, foi condecorado como oficial honorário do Exército Brasileiro. Depois da Guerra, fixou-se no Rio de Janeiro, tornando-se numa figura conhecida da sociedade carioca.

Ficando amigo pessoal do Imperador D. Pedro II era entre os negros e mestiçagem do Rio de Janeiro, reverenciado por sua representatividade, como neto do Obá Abiodum. De notar aqui a necessidade das pessoas alimentarem sonhos alheios e de tempos passados que nunca viveram.

amazonas.jpg Aquela guerra do Paraguai foi a mais sangrenta ocorrida na América Latina no século XIX, envolvendo uma aliança entre Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, que terminou com a derrota dos paraguaios. Dom Obá II d´África foi promovido a alferes tendo sido desmobilizado por ter sido ferido na mão durante o conflito. Viveu no Rio de Janeiro, no Centro da cidade, região conhecida como Pequena África, um local historicamente habitado por africanos e seus descendentes.

Vindos de várias partes do país, a gente forra, iam ali como se assim o fosse uma peregrinação de romagem reafirmando-se em sua identidade. Uma Muxima na forma de Ongweva a alimentar uma fé inexplicável… Dom Obá tinha o hábito anualmente realizar uma visita oficial ao Paço, onde era recebido como herdeiro de seu avô. Foi defensor da monarquia brasileira, actuando na campanha abolicionista no combate ao racismo.  

amazonas2.jpg em Manaus de uma tremenda humidade, amanheci empoleirado em paus espetados no rio Negro. Aqui, quando chove de verdade o céu desaba. O Solimões, que é um rio, surge barrento mais abaixo. Em Alter do Chão o galo cantou despertando a neblina e, no balanço da palmeira entre fumo de fogueira, um novo dia chegou com paz saboreada a café, tapioca e maniçoba. Entretanto nós comprávamos bugigangas, cestos, catatuas de madeira e colares. E, o jabirú lá estava no meio da ilha alagada, dando soberania ao sítio do Alter, a terra do boto e da festa do “çairé”.

Sem saber que era um sonho à beira rio, cercado de Marabás, Caráraris, Ipixumas, Xaporis, Cajarás e Maués, dei comigo na festa do Carimbó comemorando vidas interrompidas num mundo de natureza hostil de onças pretas e pintadas. Estava tomando guarané Maué.: Como um caramuru de pele branca, transpirando forró, falando um português fluido entre garimpeiros, seringueiros e quebradeiras de coco, dei comigo a cantar:- Oi tira coco, solta coco - Vai descendo sem cessar – Bate-bate, racha coco - Quebra a palha devagar. Faz a roda, fecha a roda - Já é hora de cantar - Rapa coco, dança corpo - Na magia do lugar.

amazonas10.jpg Em visita à floresta e no quartel base do Batalhão Militar de Guardas da Amazónia, fiquei impressionado com a pantera negra que por ali estava presa; sua pele brilhante e seus olhos de um amarelo intenso, provocaram-me arrepios reluzindo medo. Já vi muito felino, mas este olhar do bicho andando de um para outro lado, marcou definitivamente este momento; era bicho com que não me queria cruzar no meio dessa densa mata. Por ali fiquei beira pântano, beira rio,... Descendo por cinco dias o rio grande, de Manaus até Belém com Nossa Senhora da Aparecida sofri a soltura prolongada feita disenteria.  Aiué, nem vos falo (por agora…)…

amazonas4.jpg

Glossário: Tuiuiú - pássaro pernalta símbolo do Pantanal; sucuri - cobra, jiboia; Jiboiei: - descansei em rede; Caimão - pequeno jacaré das Américas; Capivara - animal que parece um rato e é do tamanho de um porco, herbívoro; Kilombo (quilombo): o mesmo que quimbo, sanzala rural; Fujões - escravos fugidos das fazendas; Capitão-de-mato - cipaios ou guardas dos fazendeiros com alvará de busca ao infractor escravo; Obá II - escravo de linhagem que se tornou famoso entre outros; Caboclo - homem rude tarefeiro; Matuto - cruzamento entre índio e mulato (ou branco); Ipê-roxo: - árvore de grande porte, pau d´arco; Sukucaia - fruto do castanheiro do Pará; Manissoba - saca-saca, folha de mandioca fervida durante sete dias (para retirar a seiva venenosa); Jabirú - o mesmo que tuiuiú, pássaro do pantanal (nome popular usado em forma pejorativa); Boto: – golfinho do rio (toninha); “çairé” - festa anual em Alter do Chão, homenagem ao golfinho; Marabás, Xaporis:- tribos de índios; Carimbó - festa dos recolectores da floresta amazónica, seringueiros e agricultores de enxada e catana, pisteiro de onça; Guarané - o mesmo que guaraná em dialecto Maué; Caramuru - homem branco do sul, normalmente de Porto Seguro ou Santa Catarina; Forró – Farra batucada, excitação suada por ambiente festivo, que se traduz em alegria; Seringueiro – homem que extrai a borracha da árvore; Coxias: - herbívoros de pequeno porte; Cajá – taparabé, fruto tropical parecido com a nêspera, gajaja.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:00
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Sábado, 10 de Dezembro de 2022
VIAGENS . 1

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - Cónica 3320 a 21.06.2022

– Republicação a 10.12.2022, no AlGharb do M´Puto

Do Pantanal à Amazónia - 1ª parte

Por ObáII6.jpgT´Chingange (Otchingandji)  

obáII4.jpg E, porque hoje aqui no velho continente começa o Verão, cuidados redobrados nas regas de gota-a-gota e, porque a chuva é escassa, lá teremos de preservar o que cai do céu, uma dádiva que só chega quando Deus quer ou se o quiserem quando a natureza assim o determina. Sabendo que em uns sítios transborda e noutros escasseia rebusquei frescuras alheias em minhas parábolas antigas na forma de malambas.

Com pensamentos molhados através da transpantaneira brasileira chegámos a Poconé, capital do garimpo - no céu nuvens carregadas de escuro com um sol deslumbrante, raiando luzernas multicolores como se o fossem olharapos espaciais. O português Aleixo Garcia foi o primeiro a visitar estas terras baixas no ano de 1524 tendo alcançado o rio Paraguai através do rio Miranda, atingindo a região onde hoje se situa a cidade de Corumbá.  Num horizonte sem fim, araras, tuiuiús, mergulhões e minúsculos beija-flores davam-nos as boas vindas na fazenda Mato Grosso em mato Grosso do Norte..

ObáII1.jpg Na beira-rio embarquei sonhos escondidos à mistura com mistérios de sucuri e esperanças caldeadas em saudade; uma inconformidade de querer sempre estar nas terras de onde me tiraram. Ali no Pantanal, jiboiei na rede picado a mosquitos, pesquei piranha e cavalguei no charco entre caimões, capivaras, aves pernaltas, cuxias e lontras luzidias. Espelhadas ao pôr de sol nas quietas águas do rio Pixaím, as baladas choradas do Peixinho, nosso guia ocasional, saído dum kilombo bem perto da fronteira com a Bolívia, tinham um encanto de lembrar a Kukia da Luua, que não sei descrever mas, do que ouvi, apreendi…

Aprendi com ongweva: - Eu sou cria desta água - Meu olhar, corre sem fim - O meu canto, chora as mágoas - D’ um rio dentro de mim… Aiué -Percorrendo um trilho aguado entre muita água vi o pantanal de Poconé limitar-se, ao norte com a própria cidade de Poconé, zona mais alta de savana, ao sul com o rio São Lourenço, no limite com o pantanal de Paiaguás, a leste com o pantanal de Barão de Melgaço e a oeste com o rio Paraguai. A vegetação mostra charcos imensos, repletos de ciperáceas e juncáceas, além de campos, savanas e florestas. Elementos da vegetação amazónica ocorrem em menor frequência.

obáII3.jpg Com o vento norte, impregnado de odores gentios, deslizavam longos e escorridos cabelos pela nossa mente. Cruzando mantos de verdura, a espalmada água escorria lentamente entre cordilheiras de rasa altura, currais, fazendas e roças de quilombos. Naquela largueza, em terras de fujões, escravos sem eira nem beira, recordávamos a história dos bandeirantes e capitães-de-mato, levando aqueles lá mais para longe, atrás da chapada, fazendo soberania escondida; tempos idos dum império que subsiste nas crenças e no espírito aventureiro dos descendentes do rei Dom Oba´ II.

O Cândido da Fonseca Galvão que ficou conhecido como Dom Obá II D'África foi um fidalgo e militar brasileiro que morreu com 45 anos no ano de 1890. Filho de africanos forros, seu pai, Fonseca Galvão, era filho de Abiodum, o Obá do Império de Oió. Cândido intitulava-se “príncipe Dom Obá II”, referindo-se a seu pai como “príncipe Dom Obá I”. Saídos das negruras de África, ainda perdidos no tempo, ainda arranham a terra garimpando a vida sem saberem que afinal construíram um país a que se chama de Brasil.

obáII5.jpg O índio, o caboclo ou o matuto, continuam a cortar o ipê-roxo, o pau-brasil, a cajá e os castanheiros que dão a sukucaia e, na beira-rio, vão cantando: - Canoa que não tem quilha - Não atende o canoeiro - Um país fora da trilha - É navio sem paradeiro. Andando por aqui e, ao calhas, fiquei a saber ao que chamam de cordilheira. Quando me disseram eu olhei a 360 graus e vendo tudo plano e inundado quis saber e, soube! Está a ver aquele alto e aquele, disseram: é a cordilheira! E, o que vi foram elevações de talvez dois metros com currais cercados aonde e, nas cheias do rio Paraguai resguardam as manadas de gado (foi em Março de 2011).

O que aqui é descrito num tempo passado está hoje coberto de água. Os rios que dão origem ao bioma constituindo a savana estépica, devido às grandes chuvas inundaram pelo que muito gado está a morrer afogado (ano de 2011). Os fazendeiros tentam minimizar os prejuízos deslocando as manadas para sítios mais alto – as cordilheiras, que diga-se são poucas e distantes entre si…

obáII9.jpg

Glossário:

Tuiuiú - pássaro pernalta símbolo do Pantanal; sucuri - cobra, jiboia; jiboiei - descansar em letargia; capivara - animal que parece um rato e é do tamanho de um porco, herbívoro; kilombo – o mesmo que kimbo ou quilombo, sanzala rural; fujões – escravos fugidos das fazendas; capitão-de-mato – cipaios ou guardas dos fazendeiros com alvará de busca ao infractor escravo; Obá II – escravo de linhagem que se tornou famoso entre outros e, que se sublevou; caboclo – homem rude tarefeiro; matuto – cruzamento entre índio e mulato (ou branco); ipê-roxo – árvore de grande porte, pau d´arco; sukucaia – fruto do castanheiro do Pará; jabirú – o mesmo que tuiuiú, pássaro do pantanal (nome popular usado em forma pejorativa); coxias- herbívoros de pequeno porte; cajá – taparabé, fruto tropical parecido com a nêspera do M´Puto ou gajaja de N´Gola; ao calhas – ao acaso, aleatório; Kukia: Pôr-do-sol; Luua: d iminutivo de Luanda; Ongweva: Saudade (kimbundo) …

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:32
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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2022
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO - UMA CHUVA ANTIGA

O mistério da vida... Não se deixe arrastar por ilusões...

Crónica 3319 de 19.06.2022 em PajuçaraRepublicação a 09.12.2022 na Lagoa do M´Puto

Por soba24.jpg  T´Chingange (Otchingandji)

ARAUJO222.jpg Um homem sem a liberdade de ser e agir, por mais que conheça ou possua, não é nada. O destino da humanidade repousa irremediavelmente e, cada vez mais que nunca, sobre as forças morais do homem. Se se quiser uma vida livre e feliz, forçosamente haverá necessidade de se restringir ao essencial e renunciar a muitas tentações; daqui dizer-se estar sempre limitado! Estamos vivendo no século da luz – não nos podemos deixar arrastar por ilusões, embora o pareçam ser bem-intencionadas.

Raciocine imparcialmente não aceitando à partida algo que não entenda. Se porventura não compreender alguma coisa, não a rejeite de todo; procure aprofundá-la pelo estudo, pela pesquisa. Não se conforme com a pior das escravidões, que é a submissão mental. Hoje o destino da humanidade repousa sobre os valores morais que consegue suscitar em si mesma. Todos, ou quase, percebemos que o livre jogo das forças económicas, o esforço desordenado e sem freios dos indivíduos para dominar e adquirir a qualquer custo, nos conduzirão mais e de forma automática a uma solução insuportável deste problema: tanto roubo, tanta hipocrisia e corruptela. Nascemos para ser livres, e só o seremos quando raciocinarmos de forma livre.

araujo23.jpg Será necessário rever velhas ordens, planifica-las em novas para que a produção de bens do emprego da mão-de-obra e da repartição em bens de consumo, não sejam uma simples quimera; evitar a todo o custo o desaparecimento de importantes recursos produtivos com o inerente empobrecimento levado a uma vida ultrajante de subsistência e dependência… Em um qualquer momento de nossas vidas passamos por isto! Sempre haverá alguém pronto a explorá-lo em nome de um Deus - o dinheiro.

Esses mesmos irão dizer-lhe que fazem o que fazem na graça de Deus – nunca saberemos ao certo que Deus é esse que menospreza um servidor humilhando-o na serventia – explorando-o. Conheço isto, vivo isto porque tenho amigos que se dizem profetas escravizando o próximo tendo Deus na ponta da língua com a graça e edecéteras em que sua seita de crenças dá crédito – as falácias são muitas e até estes, parecem enganar-se a si próprios e a propósito… O estado deverá ser permanentemente inovador nas áreas de educação e pesquisa. Será com novas áreas de modernidade e novos paradigmas que se alcançará o bem-estar social. Se na vida económica de um povo, o egoísmo e corrupção persistirem - então o “monstro”, inevitavelmente derrotará a democracia tal como a conhecemos e concebemos.

araujo97.jpg A política tornar-se-á tão nefasta que no dia-a-dia perigará a condição em se ser um cidadão honesto. Vamos viver condicionados a gente que tudo vê por interesse, por voto, por simples vaidade ou capricho, mesmo que sendo ou parecendo fútil. Os estragos serão cada vez mais atrozes ao entendimento da gente que cada vez mais detestará a política e os políticos. Detestará também os sindicatos e sindicalistas manobradores. A menos que os homens descubram e bem depressa, os meios de se protegerem deste desequilíbrio ético, caminharemos rapidamente para guerras internas… Podemos assistir a isto hodiernamente!

As dispersões de opinião serão cada vez mais distribuídas, originando uma incerta forma de governo e, proporcionando na certa, o aparecimento de associações do tipo geringonça, governos feitos com gente despreparada, gente seguidora de uma conduta politica comprovadamente nefasta, cativando ideias e ideais, seguindo os métodos de se permanecer no poder mantendo a nomenclatura que lhe é afecta. Estas terão pela certa jogos de sociedade respeitando escrupulosamente sua visão ideológica, suas regras, suas normas, seus interesses; teremos lideres a bajular-se, presidentes a ser coniventes e, aqui e além darem sua ajuda à revelia de interesses nacionais. Faltam Estadistas!

araujo77.jpg E, a dúvida de todos ou de uma grande parte subsistirá porque, quando se trata de ser ou não ser, as regras e compromissos, nada valem. Sei-o por experiência própria em um tempo não tão distante: 1975 – Um tal de acordo de Alvor – lugar do M´Puto! Aonde então, se meteram os estadistas? Diriam como salvaguarda posterior serem medidas revolucionárias! A evolução dos últimos anos põe em foco o facto de termos muito poucas razões para confiar nos governos; em confiar na ética e responsabilidade…

A confiabilidade dissolve-se assim, em permanentes duvidas e, nisto de assim ser, não há objectores de consciência. Na verdade trata-se de um combate desigual ou ilegal; um combate pelo direito real dos homens contra seus governos já que estes, exigem de seus cidadãos actos criminosos de demasiados e injustos impostos, demasiadas leis e, desadequadas. Demasiados impostos com taxas em cima de taxas. Juro que ando descrente. Vejo a saúde numa lástima, a educação dada a coisas de menor importância. O fim do abecedário com a inclusão do mais na sigla da bandeira de todas as cores. Sejam felizes, o quanto possam…

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:12
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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2022
PARACUCA . LXII

MULOLAS DO TEMPO33

RECORDANDO: Em Komatipoort  e  Sudwala Caves…

Odisseia “HAJA PACIÊNCIA” – Recordando o 10 de Novembro de 2018 – no 54º - um Sábado… 

Crónica 3318 – 18.06.2022Republicação a 08.12.2022, na Lagoa do M´Puto

Por pedras00.jpgT´Chingange (Ochingandji)

papoila0.jpg Acomodados em um dos chalés do Komati River Chalets, na cidade de Kotmatipoort pudemos disfrutar da tranquilidade entre o variado arvoredo e a toalha de água dispersa pelos vários canais do Crocodile River bem na fronteira do Kruger National Park; situado muito perto da estação movimentada de comboios, podíamos ver de vez em quando, os quilómetros de extensão destes, cheios de minério ou carvão, passando pelo talude marginal e a ponte de ferro que bordeiam o condomínio desta agradável estância de turismo…

Havia bancos estrategicamente situados para apreciar as espraiadas e quietas águas do Crocodile, até de ver os peixes em sua moderada agitação e o crocodilo a jiboiar, bem na berma da ilha em frente e na direcção dos sons dos trens, agulhas de mudança e apitos, solavancos feitos de guinchos prolongadamente agudos, finas e compridas pancadas, os choques e as sonoridades da estação, barulhos diferenciados a agitar guarda freios, vigilantes das máquinas martelando o ferro, toques de ver e ouvir falhas, rachaduras ou frouxidões. Saudades de quem já trabalhou em uma estação, que cheirou e desenhou máquinas Garrett entre outras a vapor ou a diesel …   

alhambra3.jpgA jusante fica uma levada, rápidos envoltos em pedregais logo a seguir a uma ponte de mulola com guias na forma de pilares na lateral e, espraiando-se a seguir num rio de calado baixo pelo assoreamento; sucede então que os mais audazes animais tentam ultrapassar sua fronteira de reserva e por isso, ouve-se no ar barulho de pás de um helicóptero. O que é, o que não é e, dizem-nos estar a espantar uma manada de elefantes que tentavam passar seus limites de fronteira. Isto acontece por via de pastos mais agradáveis, grama verde e tentadora…   

Passando o dia entre leitura, escrita e passeio pelo jardim de matiz tropical, há também tempo para pescar com isca ou amostra ao longo das margens limpas de mato fechado. Há sim, um aviso a recordar não dar comida a macacos, não bulir com cágados ou tartarugas, nem dar comida a animais de pequeno porte que possam surgir. Sobressai o aviso de ficar atento a eventuais investidas de crocodilos. Nos sítios estratégicos há menção dos muitos pássaros que por ali possam ser avistados; saliento o Kingfisher bird – um pássaro ágil a pescar ao jeito de mergulho picado.

komati1.jpg Visitar o Kruger Park é sempre um momento alto na viagem para qualquer um de nós. Desta feita sugeri ao companheiro de odisseia, “O melhor condutor de África- Vissapa”, o dono da vontade, a visitarmos o Parque; tinha já sugerido irmos até às grutas de Sudwala Caves, lugar bem perto de Nelspruit, uma cidade situada na via N4 e a caminho do nosso destino final em Johannesburg, graças a Deus. A negativa foi peremptoriamente muxoxada de entretantos com considerandos e edecéteras – ali não havia bichos! Ponto final.

Lá atrás, ainda em Moçambique, também tinha sugerido irmos até Grascop uma bela e pequena cidade nas montanhas do lado Este do Kruger, lugar de muitas e bonitas quedas de água e das três mamas de África mais "God’s Window", cidade já minha conhecida. Mas, isso não estava no seu programa e, daí, nada a fazer – Tive de vestir a aldraba como se o fora um colete à prova de balas, enfiar a sugestão num saco, atá-lo para não feder e, deixar prevalecer na vontade do Big Chefe, o sabe-tudo para além de o ser: “O melhor condutor de África”…

komati6.jpg Pois assim é, assim foi! A escassos quilómetros de Nelspruit de Mpumalanga havia em tempos, gente refugiada nas grutas que tinham um kazumbi tão forte que até guardavam a morte no sovaco. Bem! Quando lá entrei, havia realmente um forte cheiro a catinga. Catinga que já cheirava a cadáver mas aquilo eram estromatólitos colados ao tecto, um pouco diferente das estalactites ou estalagmites. Mas o certo é que havia sim, uma imagem em um grande salão com o nome de Nossa Senhora da Muxima. Para uns já era de Lourdes e para outros de Nossa Senhora de Fátima. Bem! Descrevo isto porque fui lá mas desta feita, nadica de nada! O pedaço estava longe de ser meu…

komati4.jpg Os estromatólitos colados ao tecto por serem fósseis tão antigos, pensa-se que sejam testemunha dos primeiros organismos a realizar a fotossíntese oxigênica, responsáveis pelo gás oxigénio que surgiu no planeta há cerca de 3,5 bilhões de anos. Porém, a definição exacta, ainda é discutida podendo, por exemplo, excluir estruturas como oncólitos e trombólitos da lista dos estromatólitos. Compõem-se também de carbonatos calcita e dolomita. São formados a partir de uma sucessão de estágios, partindo de esteira microbiana, estromatólito estratiforme, para finalmente se consolidarem em uma rocha. Mas, o povo sempre acredita no que bem quer.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:00
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2022
KALUNGA . XXXVI

KIANDA COM ONGWEVA - XXI de várias partes…

– Crónica 3316 de 14.06.2022 – Republicada a 07.12.2022 na falsa savana do Alentejo do M´Puto

MUXIMA NAS FRINCHAS DO TEMPO - Falar do futuro, até para as kiandas é tabu…

Ongweva é saudade

Por koisan7.jpgT´Chingange (Ochingandji)

lualaba0.jpg Quem se mete com kiandas fica kiandado ou oxorizado. Morgan Tsvangirai o pai de Roxo ficou avençado pelos Mwana-Pwós com o posto de tenente de segunda linha mandando os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de soberania. Nesta tarefa de contar a estória lá teremos de ver para onde correm as águas de navegar na boleia da correnteza e eis que do lugar distante de Pernambuco e suas capitânias adjacentes, no reino de Terras de Vera Cruz, estavam carentes de braços para fazer o cultivo da cana para fazer andar os engenhos de assucar.

Os pormenores que podem até ser pensados insignificantes, têm de ser descritos para haver um melhor entendimento nos grandes gestos nos feitos, dos obreiros sertanejos e Mwana-Pwós em lados quase de mesma longitude mas afastados por um oceano na Latitude Mar kalunga dos iemanjás - os Orixás das águas salgadas, mãe dos demais orixás; Rainha do mar, Mãe das águas ou mãe dos filhos-peixe. Filha de Olokum, dum Iemanjá que foi casada com Oduduá, com quem teve dez filhos orixás. Bom! Latitude serão os movimentos destes ao longo dos meridianos; ao longo do equador ou linha paralela a este.

espiga1.jpg A preguiça na cultura dos índios americanos dos brasis não permitia seu uso no trabalho – isso era tarefa de mulher e gente, dada ao desprezo. Talvez por isto, seus lugares tenentes mantinham contacto com alguns negreiros portugueses que detinham este negócio, pagando-lhes ainda mais do que a antiga coroa determinava. Era um quase pacto de negócio mantendo-os como principais fornecedores de peças á margem dos interesses dos reis do M´Puto.

As ordens que vinham do Conde Maurício de Nassau a partir de Olinda eram de subornar a todo o custo os intervenientes funantes do mato de N´Gola no negócio escravo. Estava em causa a política comercial da Companhia das Índias Ocidentais... O lucro! E, Portugal que era agora pertença dos espanhóis não havia por isso empenho nestas políticas de tanto trabalho; preferiam estabelecer severas taxas de soberania aos amarídeos de seus territórios com pagas em ouro.

As mordomias dos reis Filipe de Castela, Astúrias, Galiza, Catalunha Portugal e Andaluzia eram muitas - isso impunha uma política restritiva, sem dispersão. A tia da Kianda Roxo, N´ga Maria Káfutila de linhagem nobre do reino do Kongo ajudava Januário Pieter na quinda do mercado da paliça vendendo malavo e quitoto ou permutando com os indígenas ou mesmo n´gwetas produtos da terra como ginguba e fuba de mandioca.

kianda2.jpg A fuba originava um prato apetecível chamado de funje ou pirão, um preparo a partir da mandioca. E, ela, a Roxo, tornou-se assim uma cozinheira de primeira mão mas, no correr do tempo preferiu lançar suas fluorescências em pinturas. Por obra desconhecida ou talvez de *Olokun rodou trezentos e sessenta graus confundindo essas tais de Latitude e de longitude; hoje dificilmente frita um ovo! A casa dela nem cozinha tem… Ainda intentou fazer uso das folhas do pau de mandioca que era passada por cinco fervuras para anular o veneno da coisa e, desistiu a favor da Saka-Saka.

Agora a isto chama-se assim de Saka-Saka sendo impregnada de azeite de palma, um prato mais típico e requintado. De saber que ainda hoje e do lugar natural dos Mafulos (Holanda), daí advém em latas deste produto enraizado naqueles idos tempos e que perdurou - um caso menor mas de importante e curiosidade de no decorrer do tempo, ali e em todos os povos de fala francesa.   

kianda03.jpg Kiandas e calungas! O tempo, na mística espiritual de N´Gola, não tem fidelidade à linha do tempo, anda do agora para trás e, se sabe no depois, nunca o diz! Também tem medo de virar poeira como o Plutão… O futuro é já a seguir… Como se diz, a calunga ou kianda é assim como um vírus de computador que sem se ver, se faz notar. Nossa kianda Roxo veio como Assunção por alguma razão que, nem ela própria sabe! Melhor seria Ascensão mas quis a semântica do uso dar-lhe esse quase igual nome. Podia ser só Maria mas quis o encontro com as calemas do destino encontrar o T´Chingange que estupfeito com suas bizarras cores do além e seus mágicos gatafunhos psicadélicos, simbiose de Naif com Dali, ascendeu aos espíritos. E, em viagem por esse Universo distribuindo alegrias tomando muito chá de funcho e oliveira a controlar sua intensidade de fazer gaifonas à vida, T´Chingange anda agora beulando porque não mais soube coisas da Oxor, a kianda espelho de  Roxo. Acho que sim! Seguiu o rumo de Plutão, fez uafo, uafou…

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*Do Olokun: Para as águas do mar, Olokun, Ye Olokun, Ya Olokun, são pontos de areia. Os destinos brilhando num só Olokun - Ye Olokun, Ya Olokun… Na cultura africana, Olokun possui diferentes representações, em alguns locais ele possui características do sexo masculino (Yorubá) e em outras, do feminino (Ifé). Mas em todas suas formas ele tem o corpo metade peixe e metade homem.

GLOSSÁRIO: Kalunga - mar; Kianda - sereia; Kituku - mistério; Kúkia – sol nascente; Ngana NZambi - Senhor, Deus; Mafulos - Holandeses; Kuatiça o ngoma! – Toquem os tambores;Tambulakonta – toma atenção, cuidado; matona – peixe da bahia da Luua; Luua – Diminutivo de Luanda; kifufutila ou kafufutila – perdigotos ao comer e falar ao mesmo tempo; Xipala, T´Xipala – foto; Malamba – palavra; átoa – de qualquer maneira; beulando – passeando o abandono; uafo – morte, morreu…

(Continua com “fricção”…)

Por: Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:23
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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2022
N´NHAKA . XXV

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . XI

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” - Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

Crónica 3315 de 12.06.2022 - Republicação a 06.12.2022, na falsa estepe alentejana do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

PorSBEL.jpg T´Chingange, (Otchingandji)

soba40.jpg Depois da Catumbela, do canavial de açúcar que já não era e da fábrica de whisky Sbel enferrujada por abandono seguiu-se a ponte que já o tinha sido, à entrada de Benguela. Este contratempo do tinha e havia mas, já não o é, forçou-nos a um pequeno desvio pela mulola seca mas, logologo aí estava a cidade das acácias. Aqui os crioulos em rebeldia de afazeres e dizeres ao rubro, reforçaram valores angolenses, não permitindo que os Cubanos levassem as acácias rubras para a sua marginal do Malecon de Havana.

Nesta cidade mestiça ficou algum aprumo e uma catedral em forma de bivaque do tempo dos Tugas. Aqui o caldeamento do mundo negro num predisposto protesto com os Lusos brancos gwetas do M´Puto e alguns Mazombos, nunca atingiu a negritude plena; ficou a mística de muitas castas, estímulos e sentimentos cantados ao som de chocalhos e espanta espíritos pendurados na alma como se o fossem hologramas da “Benguela, terra das acácias rubras".

bengela1.jpg Aqui me encontro; isto continua a ser Benguela! A Benguela mulata salientou-se nesta viagem odisseia de contrastes!...Em casa de gente mulata fiquei; a Dona Adelaide foi o máximo no carinho que nos reservou durante um escasso fim-de-semana e, por imperativos mútuos só ali ficamos o tempo que se quis mas, naquela casa do Amor (Amor é o nome de família) o almoço da muamba, o saca-saca, o muzungué, e os bolinhos de fabrico próprio deram conversa para animar aquele sábado de Julho do ano de 2002; Os mosquitos, também eles nos acariciaram de amores e, foram tantos que tive de me refugiar no quarto do 1º andar.

Ali no canto estava uma “kalashnikov“ a guardar-me ou talvez não, pois que pode ter sido com esta que o Amor esfacelou a sua perna em luta com um ladrão de quintal. Perna que agora já não tem! A muleta substituiu a perna - O tempo condicionou a vida de cada qual. Naquele quintal havia uvas, gajajeiras, sape-sape e até uma maçã da índia! Daqui os Cubanos, nada mais puderam levar para além das placas de mármore retiradas do cemitério e os machimbombos da City…

benguela3.jpg Pois assim foi: levaram-nas para Cuba tal como todos os autocarros de clubes e outros para servirem em e El Pinar, Matanzas perto de Varadero e em Cienfuegos perto da Baia dos Porcos. Anos mais tarde, quando fui a Cuba, pude constatar como verdade, alguns supostos mugimbos… em passeio, vi por lá um autocarro do Lobito Futebol Clube com alguma tinta ainda visível na marginal de Havana. Aquela avenida de Cuba chama-se Malecon; é o lugar aonde os noivos vão prometer o futuro risonho ao parceiro.

Dali, Malecon da Havana vê-se romântica mas, dentro dos prédios despintados há uma outra realidade: muita gente em lugares apertados e bafientos tentando superar a vida oca de todos os dias. É cruel! E, eu estive lá a comprar charutos Romeu e Julieta, fugido da feia guia Mercedes. Apreciei nos cemitérios os mesmos mármores usados em Angola idos de Vila Viçosa (estão lá para quem quiser ver). As pedras às vezes falam! No seu divino dom da conversa calada já não tinha mais razão de ser; de ver fugir alguém à frente dum barulho de metralha ensurdecedor.

mocanda8.jpg As estórias ficam sim gravadas nas veias de pedras e, esta viu: No fim da restinga, num Lobito carregado de medo, a brancura da pele tornando-se reaccionária. Passados uns anos ouvia na rádio: “morena de Angola que leva o chocalho amarrado na canela, será que ela mexe o chocalho ou o chocalho mexe com ela” …                                                     

Todos os dias são bons para se viver mas o espírito tem de estar em paz consigo próprio. Juntei as coisas simples numa montanha de ternura e quis entender a canção do Chico Buarque; pouco apouco fui conseguindo estar de bem com aquela musica cheia de transcensões – Verdade - As pedras, às vezes falam!  “A bela mulata remexendo,... Deixando requentar o feijão no tacho,... Na Catumbela”. Na Catumbela?! Haka! Não tem mais cana-de-açúcar, nem s´bell; a fábrica do açúcar da Cassequel é um montão de ferro velho e a praça do Império, tem uma traineira encalhada no meio; O postal mais actual daquela restinga, é aquele barco empoleirado, dando fim ao ciclo imperial dos Tugas.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:41
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2022
N´NHAKA . XXIV

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . X

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

Crónica 3310 de 02.05.2022  na Lagoa do M´Puto – Republicada a 01.12.2022 no Alentejo do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por  canguixe1.jpgT´Chingange - (Otchingandji)

soba0.jpeg Na contingência de estar a falar para o boneco de coisas passadas, dos tempos de escândalos e dinheiro escondido na cueca, enterrado nos jardins ou até esquecidos em contentores ao sol impiedoso e, no meio de gente que sofre de resiliência e coisas ao desbarato pós colonial, lá teremos que contar sempre com essa gente do sistema que não obstante serem estupidamente fanatizadas no partido da governação, o são também por conveniência despiedosamente vazias de raciocínio na humanidade.

Por isso terei de falar banalidades do dia-a-dia de então sem me imiscuir a fundo nas debilidades de N´Gola e no seu imberbe sistema caducado, passados que são muitos anos e, desde então sem ver o emprego crescer, sem ver uma boa ordenação do território com os governantes a só fazerem banga com o que lhes é alheio, dinheiro oriundo do petróleo caindo do céu e a rodos como se o fosse chuva a cair só no seu quintal, sua n´nhaka ou fazenda. Não obstante tudo ter um início, só senti o permanente cuspir cacofonia de palavrões na sorte do colono.

Cristo continua a assobiar para o purgatório na mira de não desagradar aos olheiros da justiça, da educação, na ética e, por aí; como tal não nos cabe pretender agradar a alguns esquecendo a todos! Teremos de omitir falar de venenos especiais, críticas eventualmente justas, desoxigenando o nosso EU na defesa de torpes brutamontes; o importante é não alimentarmos ódios ou desejo de vingança porque isso, só torturará nosso bom censo, nossa liberdade. Nem é preciso estudar-se psicologia avançada para se concluir que o ódio ou desejo de vingança como um bumerangue, só deformará nossa personalidade.

canguixe2.jpg Naqueles idos tempos e ali, Cantinho do Inferno, centro produtor de algodão havia muita gente dependente a não ganhar fortunas, mas, até havia cinema e salão da ferrunfunfa, forró aonde se curtiam danças de farfalho, lugares aonde se esgotava parte do salário, dinheiro da jorna desbaratado em álcool de cerveja e outras afinidades à bebedeira; segunda-feira era dia certo de se comunicar as falsas mortes lá de casa por via de se justificar a não ida ao trabalho. Não levava muito tempo para se matar a família todo e até os tios morriam duas e três vezes. A arte da mentira era bem conhecida do patrão, coisa corriqueira até.

Os filhos do patrão Cunha, subornavam com frequência os condutores subalternos com umas Cucas, Nocais ou Ekas e até Mission, para os deixarem conduzir o tractor, a alfaia ou a carrinhas Bedford ou Ford e, era um gozo do caraças. Foi bem assim que Chiquinho, Zito e Toninho aprenderam a fazer esquindivas com as máquinas. Mais tarde e ainda naquele agora relembraram as finfias que faziam. Neste entretanto da visita verificamos as muitas carências em que viviam naquele ano de 2002. Eu, Zito e Chiquito resolvemos voltar àquela aldeia. Decidimos ir à Cruz Vermelha local pedir um fardo de roupa a fim de o distribuirmos àquela gente; os candengues andavam com trapos nos corpos meio desnudos.

Assim pensamos e assim o fizemos. Junto do representante da Cruz vermelha depois de muitas falas no convencimento de que não havia negócio em nossa vontade, compramos um balão de roupa, fardo como nós conhecíamos do antigamente. No desenrolar de conversas ultrapassadas e pagamento de 100 dólares, pedimos ao senhor Setas o Land Roover e lá fomos conduzidos por seu filho Cado de nome. Passadas todas as instâncias, cuvas e buracos, chegamos á dita aldeia.

pilão1.jpg Chegados cedo encontramos o padeiro que também chegava naquele momento e partindo de mim, disse ao Zito que compraria todo o pão para oferecer àquela gente. Pois foi dia de festa: nós mesmo distribuímos todo o pão segundo a ordem da fila e entregamos ao Soba o fardo de roupa para distribuir pelos necessitados que em verdade eram todos. Recordo que distribuímos o pão sendo a unidade ao preço de cinco kwanzas. Os mais velhos conheciam a Dina, o Zito, o Chiquinho e as festas de ongweva, foram mais que muitas. Bebemos marufo em latas amassadas e sem rótulo oferecido por um deles, sabor que já conhecia por via da guerra do Maiombe; foi esse dia, pelo dito, um bonito dia de bênção.

Deram-me um canguixe, utensilio de pisar grãos de milho em cima das locas, penedos já lisos de tanto uso; foi um agradecimento que preservo como se o fosse de oiro em minha sala e num lugar nobre em cima da estante. Esta ferramenta de trabalho chamam também de “huim” – é usado só com uma mão, enquanto com a outra, normalmente as mulheres batem e batem, sequentemente ajustando o monte e, até tudo ficar em farinha. Tem a forma de um braço curto, feito de pau-ferro e, sendo uma das extremidades com o formato de cabo anatómico e ajustado à mão. Linda, era o nome da mulher que me ofereceu tal instrumento. Quiseram que trouxéssemos, imaginem, gente carecida de tudo, um cabrito e galinhas mas, rejeitamos ficando de voltar mais tarde para os comprarmos. Resta dizer que ainda nesse então havia sim, paredes de pé, havia sim sinais de bazucadas jogadas a eito. Concluindo: Os matrindindes continuam livres como sempre se viram!

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:51
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Quarta-feira, 30 de Novembro de 2022
PARACUCA . LXI

MULOLAS DO TEMPO32

RECORDANDO: Em Komatipoort … Acho que Deus nunca foi a África!

Odisseia “HAJA PACIÊNCIA” – Recordando o 09 de Novembro de 2018 – no 53º dia, uma Sexta-feira…  

Crónica 3309 – 31.05.2022 – Republicada a 30.11.2022 em Lagoa do M´Puto

Por  tuiui3.jpgT´Chingange – No AlGharb do M´Puto

Malambas2.jpg Acho que Deus nunca foi a África! Tenho de deixar aqui minha revolta pelo facto de ficarmos bem convictos de sermos roubados por gente sujeita à sobrevivência mas, usando já as técnicas de ladroagem com abuso de resiliência. Atravessar Moçambique foi das piores experiências, pois fomos roubados ou enganados e, até por policiais; digo isto convicto de que a maioria de quem me lê, vai achar que estou a ser excessivo.

Também estou ciente de que o mundo ocidental vai continuar a dar ajuda sem fiscalizar o término destas ajudas e, que por norma, caem na mão de gente que se apodera indevidamente das dádivas (gangues de rapinagem). Antes de chegarmos à África do Sul, passagem por Maputo e já com o jeep estropiado por nos terem metido gasóleo com água, deparamos com obras na via principal de acesso a Ressano Garcia; as indicações na estrada eram por demasiado caóticas e perdidos, houve uns candengues que nos deram indicação por um lado que o não era.

Um Mais-Velho, mais à frente, acenou-nos para pararmos e, como já íamos quase parados pelo mau piso do desvio, parámos mesmo. O Kota disse que não seguíssemos esse rumo porque os candengues estavam a levar-nos para um sítio de tocaia ou de emboscada para nos roubarem: disse que nos atirariam pedras e roubariam tudo ao seu alcance. Ficamos atónitos e até desconfiados mas acreditamos na palavra deste senhor Mais-Velho.

komati2.jpg Cumprindo suas indicações, foi o melhor que fizemos mas, tudo por obra e graça dum Espirito Santo de quem até, já falávamos asneiras – as orelhas deste espirito deveriam estar a arder; por fim e, como já foi dito, podemos chegar ao paraíso aonde o carro deu misteriosamente ou por milagre o soluço final. Já dentro do Komati River Chalets de Mpumalanga, tendo a recepção bem ali ao lado de nós – Ufff!

Um Paraíso quanto à organização, beleza natural e qualidade em relação a tudo o que visitamos no resto de África. E, bem ao lado do Cruger National Park, foi uma bênção para quem necessitava de relaxar da odisseia, da prosápia alheia, da conversa mole com caganças balofas e coisas desaforadas -Turista sofre! Komatipoort é uma cidade situada na confluência dos rios Crocodilo e Incomati, na província de Mpumalanga na África do Sul.

dia141.jpg A cidade situa-se a 8 km da entrada Crocodile Bridge Gate do Parque Nacional Kruger, a apenas 5 km da fronteira com Moçambique e 65 km da fronteira com o Essuatíni (antiga Suazilândia). É uma pequena cidade, sossegada, com ruas arborizadas, uma das cidades mais quentes da África do Sul e, onde a temperatura do ar atinge por vezes os 50 °C com a temperatura de Inverno a rondar os 24 °C. Foi nesta cidade que em 1984 foi assinado o Acordo de N´komati*.

Komatipoort tem a dupla vantagem de estar perto de Essuatíni (em suázi: Swatini) e do Cruger; Essuatíni, anteriormente conhecido como Suazilândia, é um país pequeno mas bem interessante, pacífico e próspero, limitado a leste por Moçambique e em todas as outras direcções pela África do Sul. Suas capitais são M´babane (administrativa) e Lobamba (legislativa). O país e seu povo recebem seus nomes de Mswati II, um rei do século XIX em cujo reinado o território de Essuatíni foi expandido e unificado. Vale a pena cruzar este pequeno país encravado na África do Sul.

cruzeiro0.jpg Andados quase 10.000 quilómetros até aqui, quase fim da Odisseia, teríamos ainda de passar por uma última privação e desta feita nesta terra tão agradável em estar, mais um roubo feito por moçambicanos fora de portas, aqui em Komatipoort e na caixa multibanco. Um grupo organizado de rapazolas, bem vestidos, falando português fluentes, pretos com sotaque de Maputo, no subterfugio de uma diligência solicitando desculpas, não sei como, vêm o código PIN, trocam o cartão por outro igual e num repente vemo-nos sem o acesso ou interditados. De imediato telefonei para o banco a impedir o uso de meu cartão só para áfrica e emitido em Johannesburgo. Mesmo assim limparam-me 280 Euros! Foi o fim da picada e, ainda hoje me parece obra de muitos capetas a tapar-me os olhos, clonarem-me o cartão num repentinamente – Aconteceu e desaconteceu – bola práfrente…

Como curiosidade: *O Acordo de Nkomati foi assinado em 1984 entre o governo de Moçambique, liderado pelo então Marechal Samora Machel, Presidente da República Popular de Moçambique, e pelo Presidente da África do Sul, Pieter Botha. Este acordo tinha por intenção pôr termo à guerra civil em Moçambique. Para tal, os signatários do dito acordo concordaram em deixar de apoiar a RENAMO (responsabilidade da África do Sul); Deixar de apoiar o ANC (responsabilidade de Moçambique). Apesar disto, cada parte continuou a agir por conta própria, e os guerrilheiros da RENAMO prosseguiram com a guerra civil em Moçambique até que em 1992 foi assinado o Acordo Geral de Paz, em Roma, apoiado pela Comunidade de Santo Egídio.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:30
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2022
KWANGIADES .XXXVI

ANGOLA DOS MWENE-PUTO (M´Puto)

KUKIA DA VIDA - Crónica 3308 – 29.05.2022 – Republicada a 29.11.2022 em Lagoa do M´puto

Kukia é o nascer ou por do sol

Por araujo158.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Lagoa do M´puto (M´Putulândia)

amigo da onça.jpg Diáriamente, sempre vai haver escolhas a fazer; elas podem determinar nossa felicidade aqui, no futuro ou no álem. As escolhas que fazemos hoje, mesmo já sendo kotas, são vitalmente importantes e contumazes. Os amigos que escolheu e ainda escolhe, a todo o momento explodem na singularidade dum extraordinário proceder ou de pensar. Tudo terá muito a ver com sua vida tornando-a um esplêndido crepúsculo ou um velho celeiro sem graça; por vezes, muitas vezes desilude-se deste e daquele mas, é forçoso continuar a fabricar amigos, mesmo que num repente fiquem amigos da onça…

Os amigos podem levá-lo a concentrar-se naquilo que é passageiro, ou conduzi-lo para mais perto de coisas vaidosas e até fúteis. Todos os dias você precisa escolher entre o nascer e o pôr-do-sol - a KUKIA DA VIDA. Ontem eu, o Santos e o Eduardo Torres reunimo-nos no meu Pátio Andaluz para se falar de coisas e até comer algo entre os intervalos das falas, melhor, gritando como moucos. A pilha do ouvido direito do EDU pifou (o esquerdo já pifou, faz tempo…) e num repentemente tivemos de aumentar os decibéis e, o vozeirão decerto incomodou meu vizinho Lestienne, um francês de França, macambúzio como meu ex-cão Columbo…

silva00.jpg Como sempre nossa conversa de boi dormir, resvalou como sempre para as coisas de áfrica. Queiramos ou não, nós saímos d’África mas, África nunca saiu de nós! Pois, falo de Angola. A gente dá voltas e divaga, deita conversa fora mas, sempre iremos parar naquele item rasgado no tempo. A verdade, nunca o é de valor absoluto mas, na relatividade da afirmação o peso desta vem de quem a prefere num determinado tempo e, desta feita descarreguei nos meus amigos coisas do tempo do Carcamano com expedicionários, funantes, sertanejos e até negreiros.

Assim, contornando medrosas angústias, febres palustres, água estagnada, jacarés do Panguila ou do Cunene, exigiram-nos esforços na consolidação dum país que não pode ser nosso por via de coisas merdosas e, porque estávamos condenados ao esquecimento pelos governantes de hoje misturados com os idos e também estadistas emudecidos da cabeça; gente do M´Puto metropolitano e de Angola. Um Ex-combatente de Angola sofre agora de estresse de guerra; cumpriu o serviço militar sem saber até que tinha os pés chatos e agora a adicionar muitas mais mazelas à idade, vê-se à rasca com uma reforma de cacaracá…

araujo160.jpg CA - Angola ganhou condição de país quando na embala de Belmonte, Silva Porto, com 72 anos de idade se imolou envolvido à bandeira Portuguesa; isto foi muito antes de o arrastar da bandeira do M´Puto por muitos lados e pisoteada por gente que virou governante. Enquanto isso os resistentes daqueles tempos lambem as feridas de catanas ou G-três da história. Silva Porto desrespeitado pelo soba N´Dunduma, "O trovão", meteu-se numa barrica com pólvora e queimou-se - outros tempos! Em 11 de Novembro de 1975 concretizou-se um país cujas fronteiras foram delineadas por estes combatentes paulatinamente desprezados no tempo.

A maioria dos combatentes, fizeram o seu serviço em dose de camelo; viram morrer camaradas, ficaram apanhados do clima, mosquitagem, jibóias, gorilas e sanguessugas dos pântanos. Recalcados de tanta injustiça, perderam o medo naquelas florestas, chanas, e anharas, numa Angola tão rica e tão ingrata. Defenderam e mataram gente, construindo novas coisas, impondo regras sociais para conservar tal espaço.

E, foram Fiotes, Quiocos, Quimbundos, Umbundos. Hereros, Ganguelas, Muílas, Mucubais e Bosquímanos que, mudaram de alguma maneira o modo de estar dos magalas de Mwene-Puto; e tantas guerras para desenhar um mapa cor-de-rosa que nunca o chegou a ser, para nada*... Quantas mortes! O Mapa-Rosa africano começou a ser desenhado em 11 de Julho de 1890 com as campanhas de submissão do sobado do Bié e, passados 85 anos, em 11 de Novembro de 1975 concretizou-se um país cujas fronteiras foram delineadas por estes combatentes paulatinamente desprezados no tempo.

araujo174.jpg CA - Aquele chefe "O trovão", veio a sofrer represálias a 9 de Dezembro de 1890 por parte de Artur de Paiva, Paiva Couceiro e Teixeira da Silva- os Mwene-Puto com a ajuda do povo Ovibundo governado então pelo rei Ekuikui Segundo. Daí as boas relações com o povo do Bailundo que perduraram após esses 85 anos. Paiva Couceiro, foi em verdade o último sertanejo a percorrer as terras do fim do mundo, no Cuando - Cubango, Mucusso, Cuangar, Dírico e Sambia. Parece mentira mas, é verdade! Ao soba de Sambia de nome Palata de Massaca foi dado o nome de D. António Maria de Fontes Pereira de Mello, ao soba do Aimalua do Cuangar foi dado o nome de D. Luís Bondoso Pinto Ribeiro e Montes Claros e, N´Hangau do Dirico ficou a chamar-se D. Afonso Enriques de Aljubarrota Atoleiros e Valverde. Tudo o resto foi tempo perdido, Aos combatentes de ambos os lados ficou esta recordação como contentamento! As minhas falas de ontem foram mais que muitas caindo sempre no mesmo – Angola, Aiué…

*Nada: A complementar a Teoria do Nadismo; Carcamano: tempo de funantes e expedicionários no lidar com um filho de soba do Planalto Central revoltado, com esse nome; palavra castelhana carcamano, que na América Latina denota "pessoa decrépita"…

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:40
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022
N`NHAKA . XXIII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . IX

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3307 de 27.05.2022 (45 anos depois da morte de mais de 30.000 Nitistas – a matança)- Republicação a 28.11.2022 na Lagoa do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por n´tundo3.jpg T´Chingange – (Otchingandji)

n´tundo1.jpg Em terras de matrindindi! Matrindindi é uma carocha de perfil pré-histórico, talvez um normal insecto coleóptero do género do escaravelho, só que este é muito mais extravagante, de cor escura, dorso azul e com muitos picos e patas longas; mais parece obra duma formatada bruxa ruim promovida a grilo, salvo seja. O Land Rover do Cadinho do Sumbe, pisava-os sem alternativa, eram muitos a passear descuidadamente na picada, sucedendo-se os estalos como o de castanhas a rebentar ao calor do fogo. 

Era suposto falar hoje do 27 de maio de 1977 mas o tema ainda é “quase tabu” em Angola, desconhecido por muito jovens e, porque não quero hoje tocar em coisas nefastas vou passear pelos matos; o que mudou mesmo foi o ressurgir de novas formas de roubar ao erário público destroçando paulatinamente a economia angolana, levando o povo ao desemprego, usando formas tristes de rebuscar nas lixeiras os desperdícios dos ricos que mantêm o sistema…

A serra do Chamaco via-se ao longe como teta saliente na cordilheira e, no caminho de Seles com uma vasta região de floreta de espinheiras, acácias de picos medonhos, babosas, newas, matebas, uma ou outra cassuneira, lengues, lungwengué da qual se fazem cordas de muita resistência. Em terras e N´Gunza Kabolo, soba antigo que deixou bom nome, avançamos pelo matagal, por onda a guerra se fazia sentir escassos meses atrás; a comprovar lá estavam as carcaças enferrujadas de camionetas, machimbombos, Ifas e Urais de fabrico russo.

n´tundo4.jpg Calcorreando desvios, contornando maboques, upapas e lenwenue de bagas curativas das feridas de matacanhas, cheiramos a braveza da natureza a contornar o rio Lua e o Caçosso com n´nhacas de belas hortas até se chegar ao rio Cubal. Não vi os macacos pulando entre as bimbas, coisa normal de tempos idos mas, que a guerra decerto os fez correr para não serem comidos.

Havia sim goiabeiras mangueiras e gajajeiras que ainda serviam para alimentar as acantonadas tropas da UNITA. Num tom de saudosa lembrança a voz esganiçada de Vitória* tipo cana rachada fazia-se ouvir: Vou ti bater minina; pertencente à OMA – Liga da Mulher Angolana afecta ao MPLA foi sobrevivendo com o slogan de victória ou morte; ali estava ela anafada e impregnada de bolunga feita em álcool de caporroto, de casca de banana, mandioca ou batata mas, no entanto lembrava-se das tareias que levou por causa da menina Dina, filha do patrão Cunha.

caatinga2.jpg Um grande abraço selou a saudade, daqueles tempos em que perseguiam os macacos e metiam matrindindes em frascos de nescafé. Isso de quando iam apanhar minhocas do rio Caçosso colocando-as em latas de leite Nido para o tio Francisco ir à pesca lá na foz do Cubal. Apanhamos sape-sape (graviola) tirando deles as sementes, dispusemos em uns frascos de azeitona para plantar no M´Puto e também umas melancias gentias chamadas de tanga – vi estas em grande quantidade quando andei pelo Kalahári…

Os Bushmen usam-nas para fazer o “Kalahári thirstland Liqueur”. Aqui usam-nas para fazer de xuxú nos variados cozinhados: aproveitamos trazer uns cambungues (papaia) e ukeluá-muflé – folha de abóbora para fazer esparregado e, no regresso junto ao Caçosso apanhámos as tais bagas vermelhas que no tempo passado servia para colar os selos nas cartas - por isso ainda as conhecemos por árvore da cola. 

matrindindi00.jpg Da aldeia do Caçosso só existiam ruínas (não vem no mapa) mas, a mulembeira ainda lá estava, menos imponente porque a cortaram parcialmente. Dali seguimos até ao Cantinho do Inferno; o porquê deste sítio se chamar assim deve-se ao facto de numa baixa pantanosa as camionetas mercedes, chevrolletes, magiros e Fordes ficarem ali atascadas dias e dias na via que vinha do Planalto Central. A escassos quinhentos metros lá estava a casa mãe da fazenda de algodão (em abandono) que dava guarida a todos aqueles camionistas que por ali vinham com suas cargas e, ali tinham parada forçada pela chuva e atoleiro. Cantinho do Inferno, funcionava pois como pensão, restaurante e a boa-atenção do Patrão Cunha (Já falecido) …   * Nota: Vitória, entusiasta da OMA, morreu encharcada em cachaça no ano de 2004 - dois anos após esta odisseia…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)        

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:01
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Sábado, 26 de Novembro de 2022
GUARARAPES - 6

A SAGA DO AÇÚCAR – AS AGRURAS DE OLINDA COM OS MAFULOS

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA

Crónica nº 3305 de 19.05.2022Republicação a 26.1.2022 em Lagoa do M´Puto

Por araujo 29.jpgT´Chingange (Ochingandji)Em Arazede do M´Puto

A figura pública de Figueiroa, revista como herói na tomada de Pernambuco -  Brasil

matias20.jpg  Matias de Albuquerque, 1° Conde de Alegrete, nasceu na Vila de Olinda, sede da Capitania de Pernambuco, no Estado do Brasil, da qual seu irmão era donatário, na última década século XVI.

Em tempo de D. João IV. Este monarca, deu ordens a Figueiroa que recrutasse 500 infantes da ilha da Madeira e Açores para tal envolvimento militar em terra de Pernambuco… Determinou aos oficiais de primeira linha fidalga, que “a gente vadia, ociosa, e de pouca utilidade à Coroa, fossem arregimentadas e levados à luta do Brasil” porque “ He grande o aperto e necessidade daquelle estado”. Convém dizer-se que não é verdade que o reino se tivesse esquecido dos revoltosos de Pernambuco; o que sucedeu foi de que não se tinha reunido toda a diplomacia para ter sucesso e só reactivou à pressa após Inglaterra* ter declarado guerra à Holanda.

Aqui D. João IV actuou rápido em força e a todo o custo sobrecarregando o povo em taxas de guerra adicionais. O açúcar fazia-lhe falta para custear tudo isso e ainda salvaguardar as fronteiras Ibéricas da impetuosidade dos vizinhos Castelhanos. Em 1647, Francisco de Figueiroa chega à Bahia. Em 4 de Agosto de 1648 reúne-se às tropas sob o comando de Francisco Barreto de Pernambuco e, é a 19 de Fevereiro de 1649 que toma parte na segunda batalha de Guararapes com o posto de Mestre-de-Campo do seu terço de guerra.

matias21.jpg Francisco Barreto, após aquela grande batalha, escreveria ao rei a 11 de Março de 1649 enaltecendo os três Mestres-de-Campo, Vieira, Figueiroa e Vidal da seguinte forma: - “Procederão com tão assinalado valor que depois de Deus, foram eles a causa de alcançar vitória pelo que merecem as mercês que justamente podem esperar tão “leaes vassalos”, por seus merecimentos”.

Figueiroa, tendo sido soldado, capitão, almirante, governador de Cabo Verde, ouvidor em Angola e Mestre-de-Campo na batalha de Guararapes, por rogo seu foi designado de fidalgo com a comenda da Ordem de Cristo depois das formalidades das “provanças” para a sua admissão na Ordem de Cristo e, após a consulta da Mesa da Consciência e Ordens o ter aprovado a tal merecimento. Coisas tiradas a ferros, sabe-se lá do porquê!

Recorde-se que em 1630, tropas mercenárias da Companhia das Índias Ocidentais invadem a capitânia de Pernambuco dominando toda a região do Nordeste do Brasil por vinte e quatro anos, ou seja, até ao ano de1654. Insatisfeito com a situação, os naturais da terra sob a liderança de João Fernandes Vieira, um senhor de engenho, nascido no Funchal, inicia em 1645 a reconquista do território devolvendo-o à soberania Lusa em 1654.

matias23.jpg Em Olinda sede da Capitânia de Pernambuco governava Matias de Albuquerque; este, procurava concertar os esforços da defesa no porto de Recife só que, o General Mafulo Theodoro Waerdenburch, seguindo o plano traçado com os mandatários da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, desembarcou suas forças na praia de Pau Amarelo a Sul do Recife num total de 3000 homens. Marchou sobre a vila de Olinda tendo vencido Matias de Albuquerque no combate de fogo à Vila de Olinda queimando nobres edifícios avaliados em milhares de cruzados.

Matias de Albuquerque, perante tamanha força, impossibilitado, e de coração esfrangalhado retirou para o lugar de Capiboaribe a uma légua de distância do Recife, fortificando o sítio com 4 peças de canhão e 200 homens de armas. Inicia-se assim a guerra da resistência pernambucana com a fundação da Arraial do Bom Jesus aonde permaneceram por cinco anos utilizando tácticas de guerrilha aprendidas com os indígenas (Índios da região)...

bruno27.jpg Naquele Arraial do Bom Jesus, compareceram com seus comandados, Luís Barbalho, Martins Soares Moreno, Filipe Camarão com seus índios e Henrique Dias com seus negros quilombolas resolutos a manter uma guerra de vinte e quatro horas por dia no espírito de todos com um sentimento nativista. Mas, entretanto há o revés de em Abril de 1632, Domingos Fernando Calabar, um mestiço cazucuteiro, dado ao embuste, com o desprezo dos demais, é acusado de contrabando, passando-se assim por acossado para o lado dos invasores Mafulos…

NOTAS: *INGLESES – observe-se aqui a interferência desta nova potência na Europa e Globália, estabelecendo regras de fiscalização DESDE ENTÃO aos demais países entre os quais PORTUGAL, que sempre manteve subserviente aos sus caprichos e, ao longo da história

 (Continua…)

O Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:56
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2022
MUJIMBO . CXXIX

ANGOLA – TESTEMUNHO DE ESTÓRIAS ANTIGAS... MICONGE VELHO, CABINDA

- Acreditei que estava a participar na revolução angolana - de 2 Partes

Crónica 3304 – 17.05.2022 – Republicação a 25.11.2022 na Lagoa do M´Puto.

Por  CABINDA2.jpg Soba T´Chingange em Arazede e Lgoa do M´Puto

CABINDA3.jpg Estávamos em 1968, em Maiombe de Cabinda. O alferes Martins das operações Especiais transparecia empatia logologo ao primeiro contacto. Sua pele mestiça indicava o quanto tinha de mazombo a condizer com nossas condições de singularidade, filhos de colonos. Nos seus crioulos procedimentos referia seu pai lá das terras de Barroso atrás dos montes no norte do M´Puto; sua mãe caluanda e descendente das gentes da Matamba, era também referida com orgulho envaidecido nas linhagens de nobreza N´Zinga em nossas conversas; nobreza que a administração colonial dissipou nos tempos após a rebelião de Mandume entre outros kaparandandas do Mu Ukulu (gentes do antigamente)… 

E, porque sua mãe era quase minha vizinha pois que morava fronteiras meias entre a minha rua da Maianga e o quase musseque de Catambor e muito perto até do colégio aonde andou antes de mim, João das Regras e também do mercado de Martins e Almeida – Martal. Este facto foi motivo de conversas a promover empatia repentista entre a guerra e seu transcurso. Este alferes Martins, veio acompanhado de mais três especialistas em tiro curvo de morteiro e bazuca com mais uma macaca Cheeta chamada de Grafanil.

CABINDA5.png A Cheeta talvez porque tenha sido nascida em um quartel com este nome de Grafanil, ganhou fama no Centro de Instrução de Comandos de Luanda e, como fiel companheira do alferes de Operações Especiais, destacou-se em operações ao lado de seu dono, instrutor e também fiel inseparável militar excêntrico. Desta feita e no lugar de Miconge*, antiga Administração do Sanga Planície; desconfiei haver maka a resolver por perto com o rótulo de “extraordinariamente secreta”.

Fiquei a saber que Martins, sempre era acompanhado em operações conjuntas com ex-turras designados de TE´s e GE´s- Tropas e grupos especiais que lidavam em Cabinda e Leste respectivamente. Fiquei a saber que a Cheeta “Grafanil” era perita de esperta, dom natural em antever perigos, detectar barulhos estranhos e cheirar à distância a catinga de guerrilheiros arregimentados nas clandestinas picadas do Maiombe e outras matas de Congos e Zâmbia…

Que eu saiba só ele Alferes Martins tinha uma autorização do Alto Comando Militar para se fazer acompanhar aonde quer que o fosse de uma macaca gorila, um primata selvagem (embora treinada…); vai daí, ficando curioso, observei Martins ter-se reunido com o Chefe Jorge dos TE´s. Ao final do dia foi-nos dito que a segunda secção do segundo pelotão e a quarta secção do quarto pelotão iriam fazer uma patrulha com este Oficial de operações especiais.

cabinda8.jpg O outro dia chegou e, ficamos em pulgas com as explicações caindo a conta-gotas para estas duas Secções. Eu, Furriel Mike comandaria a minha secção a quarta do quarto pelotão. Creio que esta decisão partiu do excêntrico alferes pois que curiosamente, éramos: a 2ª Secção do segundo pelotão (Furriel Liló, mestiço de Luanda…) e, a 4ª Secção (Furriel Mike, mazombo Niassalês de Luanda…) do quarto pelotão. Feita uma análise, os comandantes, eramos todos, os intervenientes da incorporação de Angola (Província).

O saber: - 1 Oficial de Luanda, 2 secções de ex-turras TE´s - Cabindas, 3 especialistas em tiro curvo e bazuca de Malange e nós, Mike e Filó, comandantes de Secção da Luua… No dia seguinte fomos dormir todos a Miconge Velho, lugar encostado à fronteira e tendo até ali bem peto um marco em ferro colocado por Gago Coutinho quando em tempos idos se marcaram os limites do território enclave de cabinda e, segundo o Tratado de Simulambuco e outros dois adstritos a este… Foi já aqui que o Alferes Martins explicou a todos como seria feita a operação com todos os detalhes: Eu, Mike ficaria em um lugar de encosta a cobrir a retaguarda e fuga ou retirada com os 3 peritos de Malange que tratavam por tu os morteiros e bazuca. Filó ficaria no sopé do morro e na picada de acesso à estrada principal aonde se faria a emboscada. Martins e Jorge dos TE´s fariam a emboscada no meio do capim alto ao longo do caminho e por onde chegaria a malta do MPLA para fazer investida ao quartel de Miconge em Sanga Planície…   

fig3.jpg Aconteceu: Naquele outro dia e no caminho que conduz a Dolizie (Congo Brazaville) o Alferes Martins e seus, nossos homens das NT fariam essa emboscada ao movimento que agora luta contra os Fiotes da FLEC; Os mesmos que ainda não atingiram a sua independência. Após aquela emboscada que originou catorze mortes do lado do inimigo MPLA, os dias que se seguiram foram de música empolgada relembrando até o Che Guevara. E, formam uns quantos dias a seguir choros de música fúnebre na emissora de Brazza… Não mais se levantaram depois desta façanha com o Alferes Martins e a Nossa Gente; correu tudo bem e sem baixas! A retirada foi rápida e ainda posso cheirar, 54 anos depois e ouvir aquela azáfama de guerra. De nada valeu, pois foi logologo e após o VINTICINCO que a NT – Nossas Tropas (Do M´Puto) o primeiro quartel a entregar-se ao inimigo! MICONGE ficará na estória por este feito, esquecendo aquele outro de 54 anos antes…

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*Miconge: - Fronteira Norte de Cabinda perto do Dinge, o primeiro quartel a entregar-se ao MPLA pelas forças do M´Puto após o 25 de Abril de 75, lugar aonde a tropa do M´Puto entregou as Gê-três e botas aos guerrilheiros por ordem do Rosa Coutinho (O Vermelhão).

O 25 de Novembro de 1975 no M´Puto: A Crise de 25 de Novembro de 1975 foi uma movimentação militar conduzida por partes das Forças Armadas Portuguesas, cujo resultado levou ao fim do Processo Revolucionário em Curso - PREC e, a um processo de estabilização da democracia representativa em Portugal. Wikipédia

(Continua… 2ª Parte de Miconge Velho…)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:09
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2022
MISSOSSO . LVII

KILOMBO – NA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA

FALA KALADO NA SINGULARIDADE DOS KALUNDU**

"A história de um fracasso"- Crónica com ficção 330322ª de Várias Partes – 16.05.2022Republicação a 23.11.2022 na Lagoa do M´Puto

Por malamba1.jpg T´Chingange Em Arazede de Coimbra do M´Puto

n´guzo1.jpg

Voltando à singularidade do Nelito e de sua façanha em desviar um dacota da DTA para Brazaville na Republica Popular do Congo, diga-se: Numa altura em que Angola e os angolanos já não queriam mais viver sob domínio colonial português, não se compreende que o 4 de Junho de 1969 nunca tenha merecido a importância devida por parte da direcção do MPLA, porque foi uma iniciativa saída da sua base clandestina da Luua. Pois foi assim que apanhou completamente de surpresa os “camaradas” no bombom de Brazaville.

A PIDE fez circular nas instituições da governação Tuga, que “no dia 4/6/69, pelas 15.30, o avião C-3 matrícula CR-LCY, da DTA, da carreira Luanda/Sazaire, com 5 tripulantes e 12 passageiros a bordo, foi obrigado a mudar de rumo para Ponta Negra”. Aquela acção foi levada a cabo por três “criminosos armados”, a saber: -Luís António Neto, luandino, o “Lóló” Kiambata, luandino; Diogo Lourenço de Jesus, funcionário do Laboratório de Engenharia de Angola, Luandino e Manuel Caetano Soares da Silva, vulgo NELITO, luandino, solteiro e funcionário da Imprensa Nacional de Angola.

DTA1.jpg Dos três kamundongos nacionalistas que participaram nesta acção de luta contra o colonialismo português, apenas Luís Neto Kiambata se encontra vivo, tendo em Novembro de 2020 afirmado seu desencanto com o actual presidente João Lourenço subestimando-o com muxoxos no termo de matumbo; Diogo de Jesus e Nelito Soares, por ironia do destino, foram mortos pelas tropas Tugas, poucos anos depois e, em circunstâncias distintas.

O Diogo de Jesus, foi atingido por um obus no leste de Angola antes de 1974 e o segundo, Nelito Soares o FK* foi assassinado à queima-roupa na Vila-Alice pelos comandos Tugas já depois do 25 de Abril de 1974. Assim se pensava ter sido, até o misterioso encontro entre o T´Chingange Niassalês nos aeroportos Internacional e do Terminal Doméstico numero dois de Guarulhos. Foi, e ainda o é, graças ao “Morro da Maianga” que consegui descortinar um pouco mais a minha alhada… uma meia inventação saída do meu bairro…

DTA2.jpg Aqueles três Camundongos queriam vir a ser reconhecidos ao jeito de como o foi Ché Guevara na Ilha de Cuba. Também eu em candengue seguia de forma empolgada a estória quase épica duma tão lendária figura, descrita duma forma que o tempo desmanchou na verdade que conhecemos hoje; sabemos assim que de grandioso, este médico frustrado argentino só o foi na figura de livros de comiquitas tal como o foi “Lampião” do cangaço brasileiro, o Zé do Telhado do M´Puto ou o Bill Kid nos Estados Unidos da América.

E, é aqui que um ex-defunto de nome Nelito Soares e hoje, Ex-Coronel, recuperado em vivo como Fala Kalado se diz ter andado com o Che Guevara em um lugar perto de Ponta Negra com o nome de Luvungi da RPC- República Popular do Congo - lá para trás no tempo. E, foi exactamente no 25 de Abril de 65 que Nelito se encontrou nesse lugar com um grupo de 14 guerrilheiros; três dos quais, Ramón, Dreke e Tamayo saídos de Cuba com passaportes falsos e, desde Moscovo via Dar-es-Salam na Tanzânia com termino em Luvungi do Congo Braza.

Do grupo original formado pelos três idealistas internacionais Ramón, Dreke e Tamayo, nomes fictícios importados de Cuba por Fidel de Castro e a mando de Moscovo só “Dreke” liderou missões bem-sucedidas em África, a saber, nas guerras de libertação da Guiné/Cabo Verde e República da Guiné. Ficara acertado que, no início, Dreke se iria apresentar como o chefe; Guevara seria o "doutor Tatu", médico e tradutor…

zumbi8.jpg Pois foi na chamada 2ª Região Militar, Zona B. que se deu o encontro de Ernesto «Che» Guevara com o MPLA de Brazzaville. Nelito aqui ficou, na designada “Base das Pacaças” - base guerrilheira do MPLA em território do Congo mas, supostamente designada de Cabinda - de 1965. Estavam lá, Henrique «Iko» Carreira, Daniel Chipenda, Jonas Savimbi, Tomás Medeiros, Nelito Soares, Jorge Serguera - o "Papito" e, o piloto cubano Samidey, Benigno Vieira Lopes «Ingo». Quanto a Ché e segundo um relato de Dreke: "Não ficou ali famoso como guerrilheiro, mas como médico. Como fazem os nossos na ilha em Cuba e outros países, saindo pela manhã, visitando os lugares e distribuindo os poucos medicamentos que tínhamos – kamoquina, rezoquina e bolachas amarelas de quinino"…

Notas: *Esta é uma estória inventada só no que concerne às mentiras…

**kalundu – É uma divindade ou espirito justiceiro, presente na natureza

(A entrevista com o Brigadeiro N´Dachala, continuará…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:12
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Terça-feira, 22 de Novembro de 2022
MUGIMBO CXXVIII

*PRIORIDADE MÁXIMA*

- Crónica 3302 em 16.05.2022 – Republicada a 22.11.2022 em Lagoa do M´Puto

Por MUJIMBO01.jpgT'Chingange em Arazede de Coimbra do M'Puto

Introdução: - Cada um de nós deveria ter uma BAZUCA sem a ilusão e, COMPADRIO carunchosamente facilitado pela fricção corrupta...

MUJIMBO2.jpg Mergulhados em um mundo mediático, publicista e consumista, corremos todos os dias o risco de priorizar o que é secundário. Governo e vendedores de fantasias enchem-nos a paciência sem dó. Muitas coisas são importantes, mas é fundamental estar-se constantemente vigilante na avaliação do topo da lista. Somos sempre estimulados a desejar aquilo que não é realmente necessário, a criar falsas necessidades.

Não podemos viver autocentrados quando o alerta nos torce a mente enganando  nossas urgências e necessidades. Assim, o que é mais importante na vida assume uma posição secundária e passamos a trabalhar, lutar e investir nosso tempo e energias a correr atrás daquilo que é supérfluo ou ilusório...

Sabemos que precisamos priorizar o que é autenticamente importante. O problema é que dar prioridade àquilo que é mais importante, nem sempre brotará espontaneamente de nós. Normalmente, o que em nós pulsa, é o desejo de auto realização correndo o risco de virarmos marionetas.

MUJIMBO3.jpg Queremos afirmação e pensamos que sejam o fruto de nossas conquistas: “Minha beleza, minha inteligência, minha casa, meu celular, meus diplomas, minha profissão…” E, quanta decepção se encontra quando priorizamos o que não nos é assim tão necessário…

Nossa única prioridade real na vida deve ser o de "viver com dignidade e liberdade". No fim de tudo, o que importa é se você colocou a sociedade, seu próximo ou vizinho e família em primeiro lugar...

Com fé, a prioridade surge; e, até encontrará forças e sabedoria para enfrentar qualquer tipo de circunstância! Ao dar o primeiro, o melhor e o mais importante é esse lugar de seu lado positivo no pensar; e, verá assim que tudo o mais se encaixará, naturalmente...

ama3.jpg Sua realização e afirmação não estão no que dizem as vozes deste mundo cheio de propagandas vazias, mas no que diz a palavra da sua humilde e honrosa postura. Sempre é tempo para tomar um novo início com o rumo certificado em mente de progresso.

Comece agora a buscar o reino de seu templo, seu pensar como PRIORIDADE MÁXIMA. Faça disso seu maior interesse e veja cumprir-se em sua vida a promessa com o verbo certo, em um qualquer novo dia: “Essas coisas lhes serão acrescentadas” sem a necessidade de se esquecer...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:48
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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2022
MISSOSSO . LVI

NO KILOMBO – NA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA…

NA SEDE BAOBÁ de FALA KALADO

– NA SINGULARIDADE DOS KALUNDU***

- Crónica com ficção 330121ª de Várias Partes15.05.2022 – Republicação a 21.11.2022 em Lagoa do M´puto

Por araujo18.jpg T´Chingange – Em Arazede de Coimbra do M´Puto

dachala1.jpg Rosa Casado, a chefe de protocolo da Fundação Zumbi de N´Gola na sede do baobá - lugar do Imbondeiro entre União dos Palmares e o Morro da Barriga, telefonou-me para o número da secreta dando-me indicações que o senhor Brigadeiro e Porta-Voz da UNITA, Marcial Adriano N´Dachala, iria estar à minha espera no d´jango do jardim Imbondeiro. Fiquei verdadeiramente ansioso por este encontro já agendado mas sem data prévia. Há bem uns trinta e dois anos que não nos víamos; era eu nesse então, Presidente do Comité da Lagoa do M´Puto na Diáspora…

Neste agora e, desde a morte de Jonas Savimbi que Marcial N´Dachala se encontrava distante da politica activa. Reapareceu na véspera do Congresso da UNITA como director da campanha do candidato Lukamba Paulo “Gato” de quem é muito próximo. Ao longo da sua trajectória política, N´Dachala, desempenhou funções diplomáticas como representante adjunto da UNITA em Portugal, depois de ter estado no Senegal como bolseiro. Regressou ao país (Angola), na sequência dos acordos de Bicesse, tendo sido colocado como Secretario Provincial do Huambo.

É agora o brigadeiro reformado e responsável da pasta da Informação na sua função de Porta-voz do Partido do Galo Negro que, fez saber recentemente ter valido a pena ter “fé” num desfecho realista: O parecer favorável por parte do Tribunal Constitucional ao seu 13º congresso que foi, apesar do “pouco” tempo que restou para início da campanha eleitoral, a saída lógica, após tanta insensatez, embargo e procedimentos inauditos dentro do que é a lógica institucional…

Dachala5.jpg Ao som de marimbas tocadas por gente ao vivo que aprendeu seu manuseamento bem á maneira de Cangandala, demos um forte abraço; abraço de manos velhos que a estória desavisou no tempo de inquietude, na perseguição e outros contratempos a que agora chamam de resiliência – um colorido de romantismo de vulgar pieguice. Mais kotas, recordamos momentos passados, reuniões frutíferas, muitas falas e, resiliências propositadas!

Recordei-lhe assim, olho no olho como auto felicitação por chegarmos até aqui com um galo de cerâmica no peito cantando nossa margem de intervenção. Eu como um Major Niassalês dentro das instâncias honoríficas, e ele, muito justamente como Brigadeiro aposentado em exercício político… de todos os itens agendados em minha cabeça, por agora só lhe fiz quatro perguntas:

garças7.jpg

P1. de T´Ching…: - Apesar de o TC se ter desmarcado de um alegado projecto de acórdão que foi posto a circular nas redes sociais, a UNITA tenciona agilizar mecanismos de fiscalização à ética deste poder?

  1. de N´Dachala: - Decerto que sim! Iremos formatar numa declaração acusando as autoridades de “terrorismo institucional ao banalizar o poder jurisdicional”, pedindo que o Procuradoria-Geral da República instaure um inquérito para imputar responsabilidades

P2. do T´Ching…: - É sabido; “aliás, a exemplo do Congresso anulado, o TC levou meses até o anotar”, salientei… Isto tem alguma normalidade?

  1. de N´Dachala: - Não mas, não podemos comer nossos próprios fígados (numa postura diplomática continuou…): mas, deixar claro que o processo foi “bem encaminhado”. (Outrossim, explicou…) que, a exemplo do nosso partido, as organizações políticas que também realizaram congressos ordinários depois da UNITA, como são os casos do MPLA, FNLA e PDP-ANA, também ainda, não o tinham sido anotados pelo Tribunal Constitucional. “Estávamos calmos; esse processo de espera não atrapalhou de forma nenhuma o nosso programa”, frisou.

DTA4.jpg

P3. do T´Ching…: - Dá para perceber que o companheiro está um refinado diplomata com essa contenção de impulsos sem chamar o nome certo aos bois?!

  1. de N´Dachala: - Para mim, para o Partido, foram cumpridos, escrupulosamente, tudo aquilo que mandam os estatutos do Galo Negro. Na sequente abertura do ano político 2022, o Presidente, Adalberto da Costa Júnior, proferiu uma mensagem à Nação, no pavilhão multiusos do complexo Sovsmo, em Viana – Um momento alto de nossa existência!

P4. do T´Ching…: - Nossas intervenções irão continuar mas, eu que tenho estado vendo o panorama de longe e coadjuvado por gente precavida como Fernando Vumby aconselho prudência à nossa UNITA…! Depois desse discurso à nação por Adalberto da Costa Júnior, o brutamontes de João Lourenço, ficou muito cheio de raiva. Provavelmente vai até recorrer ao CAP =Tribunal Constitucional, para se vingar do banho que levou do ACJ...! O Indivíduo é rancoroso e vingativo...! Nada de excessos de confiança nestas instituições de Angola…! Este regime do M é capaz de tudo!

  1. de N´Dachala: - Sabemos disso sim; que o sistema judicial Angolano está DOENTE. Na senda do que fez o presidente fundador, Jonas Savimbi, do que fez o general Lukamba, do que fez o doutor Samakuva, a UNITA actuará! É um reiterar com um naturalmente - outros adjectivos terão de dar corpo a este pronunciamento.”

***Kalundu: - Uma divindade ou espirito justiceiro, presente na natureza…

(A entrevista,  pode continuar…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:13
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Domingo, 20 de Novembro de 2022
MISSOSSO . LV

NO KILOMBO– NA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA…

COM FALA KALADO – NA SINGULARIDADE DOS KALUNDU

- Crónica com ficção 3300 – 20ª de Várias Partes – 13.05.2022 – Republicação a 20.11.2022 na Lagoa do M´Puto

Por mess04.jpgT´Chingange – Em Arazede de Coimbra do M´Puto

ROXO133.jpgAR - Na minha qualidade de Zelador-Mor da Fundação de Zumbi de N´Gola fiz uma visita relâmpago ao CDB - Centro de Documentações no lugar de Baobá (Imbondeiro) – lugar de entre União dos Palmares e o Morro da Barriga no estado de Alagoas do Brasil. O historiador Vizeu Antunes, responsável pelo sector, deu-me liberdade de poder consultar os arquivos da Fundação e assim, livre de outros deveres poder ver e analisar antigos dados para assim, prosseguir minha tarefa de entrevistar gente de nomeada na ainda estória recente de N´Gola. E, vasculhando cadernos de apontamentos entre múltiplas anotações recolhi dados ainda mal decifrados no contesto da semântica histórica. Fala Kalado, o agora Comendador - um Ex-Defunto de nome Nelito Soares e hoje, Ex-Coronel, recuperado em vivo e, que andou com o Che Guevara em um lugar perto de Ponta Negra chamado de Luvungi da RPC- República Popular do Congo lá para trás nos anos de 1964 ou 1965.

É aqui que ele encontra Jonas Savimbi, um negro bem negro e, os rumos, lentamente, viraram em novos azimutes. Ainda não tenho bem a exacta certeza de como tudo aconteceu mas e como diz Murphy em seu princípio, o que tiver de ser, assim será na convicção de que escrever o futuro dum morto matumbola* é bem periclitante, quase impossível. Nelito Soares era funcionário da Imprensa Nacional de Angola - Cidade Alta da LUUA… Para muitos é apenas o nome de bairro luandense; combateu, de armas na mão, contra o estado colonial, sem ter visto realizado o sonho da Angola independente, tendo sido morto pela tropa portuguesa no seu Bairro da Vila Alice. Tal como eu, foi estudante na EIL – Escola Industrial de Luanda e fez seu Curso de Sargentos Milicianos na Escola de Aplicação Militar de Nova Lisboa (EAMA)– Huambo.

roxo91.jpgAR - Bom! Nelito, um incorporado nas tropas regulamentares coloniais na região de Cabinda, tal como eu, T´Chingange, um seu colega de armas e, também incorporado na Companhia de Caçadores 1734 de Beja do M´Puto, protagonizou, com mais dois compatriotas, o desvio, para o Congo Brazzaville, de um avião comercial – um “Dacota da DTA” que seguia de Luanda para Cabinda, com passageiros a bordo no ano de 1969 (04 de Junho). O avião que deveria aterrar em Cabinda foi desviado para Ponta Negra. Longe estava, então, Nelito Soares de imaginar que, seis anos depois, num outro dia, com a Independência à porta, havia de ser morto por elementos Comandos das Forças do M´Puto – as únicas que dignificaram o M´Puto em Angola…

Nelito1.jpg NELITOEm frente à então sede nacional do MPLA, a cujos ideais aderiu numa altura conturbada de tomada do poder por este partido/movimento a maka, aconteceu! Ainda mal estruturado este Movimento do “M da vitória ou morte” aterroriza a população de Luanda às ordens “encapotadas” do General de Aviário Rosa Coutinho do MFA - um antigo prisioneiro da FNLA no rio Zaire. Nelito Soares, foi também no bairro da Vila Alice que cresceu e viveu até deixar o país para se juntar, em Brazzaville segundo a estória mal contada, à Luta Armada de Libertação Nacional, protagonizada pelo MPLA.

Era, então, funcionário da Imprensa Nacional. Eram tempos de clandestinidade, sem cartão de militante, nem discursos, muito menos promessas. Angola em um prazo muito curto, virou às avessas por força e graça do “glorioso MFA – salvo seja”. Havia falas surdinadas, salões de baile, ou bailes de jardim ou em locais de trabalho e, num repente depois dum VINTICINCO NO M´PUTO, tudo mudou – Cravos para uns, espinhos para outros, que num repente viram RETORNADOS. Mais tarde os boatos, os rebentamentos nos musseques, a rebelião SAIDA DO NADA, para trabalhar o medo, o apelo à fuga dos brancos

ROXO187.jpgAR -  Manuel Soares de Silva, nome de registo, filho de Luís João Soares da Silva e de Isabel Severina da Silva, nasceu em Luanda, a 19 de Setembro de 1943, tendo falecido em 27 de Julho de 1975. Assim se pensava mas, pelo que já foi contado, saiu morto pela fronteira Sul de Namacunde com o beneplácito de segredo do médico Kimbanda Kassessa. A parti daqui as intermitências da morte sugere segredo de resiliência e, do nada (…) instala-se em Brasil negociando com armas aos traficantes dos morros ao redor de S. Paulo e Rio de Janeiro mas e, sempre com seu novo nome de Fala Kalado.

Seu estudo secundário fê-lo na antiga Escola Industrial de Luanda, onde funciona agora o Instituto Médio Industrial de Luanda (Makarenko), na Vila Alice. Um militar de “veia lusa” afirma que: Esse Filho da Puta foi abatido em 75 nas escaramuças “escaramuças, é favor” – aonde o MPLA emboscou e assassinou vários militares… E, vêem-me agora com panfletos de merda em ode a um terrorista mal fabricado. Malditos reaccionários - fodam-se! Fantoches travestidos em progressistas.

roxo137.jpg AR - Comuna, é mentiroso compulsivo, seja da URSS seja da CHINA, Coreia do Norte ou o raio que os parta! Foram eles sim, quem arregimentou e armou uns quantos candengues “PIONEIROS” que metralharam um Jeep de Comandos Tugas PELAS COSTAS (confirmo que assim foi! Eu estava na Luua neste então), matando logo dois e ferindo gravemente outros dois. Mesmo assim conseguiram levar o Jeep até ao Quartel dos Comandos do Cazenga! Ali, mal viram o resultado desta enorme COBARDIA do MPLA os COMANDOS, a seguir, deram a resposta. A chegada de 2 Companhias dos Comandos desde o Cazenga dignificou o acto de afronta da Vila Alice; esta é a verdade!…Bem! Menos mal que só ressuscito o morto NELITO nesta estória como um Ex-defunto MATUMBOLA!

*Matumbola: - Na superstição de gente bantu, é um morto-vivo - indivíduo ressuscitado por artes mágicas, que cumpre ordens dum suposto feiticeiro kalundu que o trouxe à vida - Uma divindade ou espirito justiceiro, presente na natureza…

Ilustrações de A. Roxo - AR

 (Continua…)

 O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:46
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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