Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020
MALAMBAS . CCL

FALANDO COM UM CHARNECO

Crónica 3087 - Charneco é um pássaro - 30.11.2020

Por

soba0.jpeg T´Chingange - no M'Puto

charneco1.jpg Taciturnado no meu ovo feito casa, sentei-me bem a modos de ver esse pássaro de nome charneco para lá da janela. Assim sentado, podia vê-lo chiscando na terra humedecida, vacilando-me entre estar num sítio ou num estado de sítio.

Na veracidade dum estado perturbadamente vergonhoso, sinto que vivemos em um estranho tempo de vitimização sem aquele espaço próprio de também me poder chiscar, tal como este pássaro da família dos corvídeos.

koisan6.jpg Assim, estando como que entalado entre a ideologia e o manto da ciência, vejo-me enroscado nos zingarelhos covardes da melancolia ciscando no chiscar do charneco egoísta. Todos nos encontramos mergulhados na banalidade quotidiana dos gestos e das frases repetindo aquelas ansiosas falas de todos os tempos e, de todos os lugares. O Mundo está uma ervilha! E falam, falam pelos cotovelos. Assentes numa mesa quadrada todos explicam assuntos bicudos, periclitantemente covidesco…

Às vezes pagamos caro pela tentativa de resolver situações complicadas agindo sob o calor das emoções, especialmente negativas. Mas, neste estado catatónico deveremos utilizar todos os recursos disponíveis na solução de problemas, com a perspectiva de êxito.

caiena5.jpg Mas, existem circunstâncias diante das quais tudo o que temos a fazer é esperar. Convém lembrarmo-nos de que, é “na quietude e na confiança que está nosso vigor". Sempre que nos deparamos com grandes desafios ameaçadores, é natural que o medo se imponha a nós.

Entretanto, não devemos permitir que ele assuma o controlo. O medo enerva-nos, deixa-nos ansiosos, mas deve ser vencido com fervente e confiante oração. Quem sabe se movidos no medo, assim sairemos do mundo zumbi...

kota0.jpg Os negócios da economia estão sendo sacrificados num altar do suposto, aqui no M'Puto e, em muitos lados. No evidente estabelecimento de regras, assim é. Leis canibalizadoras de prosperidade causadas talvez pelo abuso de poder.

A situação é dificultada pelo cerco do mando e a ideologia mantendo a nomenclatura no controlo e, considerando os demais como um exército inimigo. Nada nos resta, senão a expectativa de destruição ou a operação de um milagre, supostamente.

charneco2.jpgEstamos perdendo o nosso capital, nossa prosperidade por via de decretos arbitrários que a seu tempo nos escravizarão ao subsídio.

Aqui e, no resto do Mundo, o abandono de milhões de empresas e sequente desemprego, são uma realidade. A ética do medo desune-nos sem uma verdadeira certeza de assim ser, pelo melhor! Resta - me falar com o charneco...

O Soba. T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:29
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2020
MUXOXO . LXI

MUXOXO DO T'CHING

LIXO ELECTRÓNICO... Nem o Espírito Santo escapa.

Crónica 3086 - Portugal e os bafos dos desabafos… 24-11.2020

Por

soba0.jpegT´Chingangeno Algarve do M´Puto

Fraternidades1.jpg Fiquei vários dias sem ler meus e-mails, por via da jardinagem e leituras para fazer. Meus amigos reclamam meus cazumbis, missossos e muxoxos com ou sem chuva no meio deste mau tempo pandémico. Hoje, tive um tempinho e, acedi à internet acabando por ficar irritado com a quantidade de lixo; bagunça que havia em minha geringonça, uma chatice...

Bom! Este é um tipo diferente de lixo! Não cheira mal, mas recebe o nome de "lixo electrónico" pois são mais que muitos e enleados assuntos de banha da cobra ou do dragão que fuma. Todos sabem que estas mensagens indesejáveis, conteúdos electrónicos, incomodam e atrapalham nossos afazeres ou lazer de até dar dores de dentes mesmo a quem nem os tem…

Fraternidades2.jpg E, surgem os famosos Spams - mensagens comerciais enviadas para muitos endereços ao mesmo tempo que para além de congestionarem nossos computadores saturam até os provedores...

A única defesa de nós, usuários, será os antivírus. Eles são capazes de filtrar a maioria das mensagens indesejáveis embora por vezes até estes fiquem fora do ar por incompatibilidade. Quem usa a internet, não pode dar-se ao luxo de não ter antivírus em sua máquina! Meu Kaspersky resolve quase tudo mas até ele, por vezes, tem de recorrer ao Espírito Santo...

sorte2.jpg Tudo isto, porque existe muita gente má recorrendo à inteligência artificial para separar o trigo do joio e a quem a usa, só no intuito de prejudicar os outros fazendo disso um prazer. Sua mente é como o HD de um computador com um “sistema operacional” que distingue você dos animais irracionais. Para além desses dados que fazem de você um ser único, existe espaço para muitas outras informações conforme os programas, o software que escolheu instalar.

Nós temos o direito de usar a máquina do jeito que se quiser; pode programar sua mente para ser uma bênção ou uma maldição - uma lixeira ou um local onde são guardadas informações úteis. Você é quem decide!

Meu “quase” vizinho que é evangélico, diz ter instalado o mais poderoso e gratuito antivírus do Universo: o Espírito Santo (palavras muito repetidas dele...), pode!? Bem! Acho que isso será uma forma de suprir carências intransponíveis (só ele saberá dos tractos que tem com o paralém...). Bem me parece estar ligada a uma parabólica celestial…

roxo135.jpg Pelo que sei, hardware são os componentes físicos de um computador, como o monitor, a placa-mãe, disco rígido (HD) e teclado, enquanto o software, é um termo técnico que foi traduzido para a língua portuguesa como sendo o suporte lógico. Uma sequência de instruções a serem seguidas e/ou executadas, na manipulação, redireccionamento ou modificação de um dado ou acontecimento, noé!?

Pois! Meu “quase” vizinho, evangélico militante, chato como a potassa, teima em afirmar que é “Ele” que nos guiará e ajudará a filtrar as informações recebidas. O "Ele", é o mesmo meu tio Nosso Senhor que tanto tenho aqui referido (só que não o sabe...). Ainda hoje me disse: Não deixe o diabo destruir seu HD...

roxo90.jpg

Nota1: Publicado em Página Kizomba do Facebook a 19.11.2020; Nota 2: o “quase” do vizinho, tem a ver com o seu malfadado feitio de fazer chinfrim por tudo e por nada e pensar ser um ser mais relevante por falar francês de França…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:26
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Sábado, 21 de Novembro de 2020
MUXOXO . LX

NUM TEMPO COM CINSAS - AZUCRINADOS - Portugal e os bafos dos desabafos… Crónica 3084

Meu futuro é amanhã! Ontem, foi meu prefácio… Termos de acreditar que algum visitante do futuro nos traga toneladas de esperança para se acabar com a crise… 21-11.2020

Por

soba24.jpg T´Chingange – no Algarve do M´Puto

eça2.JPG Despairecendo meu espírito, olhei-o escondido com medo do fogo e do capeta feito diabo que sai por toda a parte lambendo os beiços. Com modos sortidos, nas entrelinhas, esbarra em lugares de kotas mais velhos e, assim átoa feito peste, quebra a renitência da idade. E, porque não posso tomar medidas energéticas providenciais, requebro-me nas charadas alcoviteiras para enfeitar penicheiras provocatórias, estendendo a crítica a vulgares patifarias de caixeiros feitos doutores e, até políticos…

Engomando, cozinhando, ou limpando-nos o pó como se fôramos trastes dum estado só deles, precisamos de algo a que nos apegarmos para que a fé não vacile para além do suficiente. Na vontade de fugir espantado, remoçado, muito inchado de iguarias macabras, algumas idiotas, meus espíritos passeiam-se-me no cérebro às apalpadelas azucrinando-me.

eliseu0.png Sem a preocupação gramatical, com o sujeito cutucando o verbo mais o predicado…, sem a métrica do fado, uma emergência confusa deste tempo, sem uma rima versejada por poeta que se preze, esganiço-me a fazer conversa sem sobejar esforços de conversinhas, na fé da promessa e até, sem a vergonha de estar esmolando metáforas antiquíssimas. Ninguém ainda sabe, só umas raríssimas pessoas de olhos rasgados…

Jogando búzios na zuela do feitiço, com algum esforço intelectual, remexo panelas de caldeirada muito me convencendo da inutilidade das bagatelas que nos preenchem o dia, refugiando-me atrás do balcão de minha modesta venda de vaidades. Metendo num pão que vai ao forno os trocadilhos e chouriço e enquanto espero, vejo os estudos feitos pela OMS que apontam uma estatística mundial como havendo 300 milhões de pessoas, de todas as idades, com depressão, considerando ser este o mal do século…

etosha2.jpg Algum tempo atrás, desconhecia que podíamos fechar o tempo dentro de casa, atazanado comecei a beber dez gotas de cannabis para truncar as vicissitudes misturando o gosto estranho com kefir, um pouco de café pilão e um pouco de mel. E assim, meto também num pão tipo croissant os trocadilhos com chouriço, por vezes morcela, no fim de sentir algum prazer de viver…

Escrevo isto olhando para a árvore gigante que meu vizinho alemão da Alemanha construiu no seu quintal, a mesma que me tira o sol de inverno porque baixou demasiado no varão, agora ensombrado; lá estão as duas máscaras que foram lavadas com sabão macaco mas, ainda não sei quanto tempo o capeta pode ficar naquela superfície de pano.

enxada quioco1.jpegMenos mal que o meu outro vizinho que veio de França e, que tudo indica ser evangélico está com o Espirito Santo. Deste modo lá serei abrangido nessa coisa do wifi… O tal padrão Wi-Fi que opera em faixas de frequências que não necessitam de licença para instalação. Acho que também serei apanhado no leque de ondas embora o tipo, tenha subido o muro até aos limites da minha altura  só para não ver sua filhinha vinda das arábias a fumar por aqueles esquisitos cântaros  com uns tubos de fazer borbulhar  o Alibabá...

Ainda que eu falasse a linguagem dos santos, para além de me ser exigida a fé suficiente, teria de me posicionar diante da minha intuição; os meus olhos teriam de me fitar, de me desafiar a enrolar silêncios nas pretensões, sem me sentir temeroso e, quanto a isto, enfeito-me de liberdade com a suficiente e possível humanidade sabendo de antemão que viver, mesmo, é um descuido prosseguido…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:27
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2020
MISSOSSO . XXXV

MEDITAÇÃO DO T'CHING

Crónica 3081 - VIVA A VIDA! - 09.11.2020

Por

soba24.jpg T'Chingange - no Barlavento algarvio do M´Puto

saramargo03.jpg Normalmente a morte, não é um assunto sobre o qual escolhemos conversar. Ela é repulsiva, triste e pavorosa. Entretanto, à semelhança de alguém indiferente ao que se pensa e diz a seu respeito, a morte continua sua marcha, apagando sorrisos, silenciando vozes, interrompendo sonhos...

Em seu trilho, separa amigos e familiares. Ela escolhe suas vítimas sem levar em consideração a idade, a raça ou a condição social. Às vezes, é previsível; outras vezes, não! Na prevalecente banalização da violência, ela chega pelos caminhos mais estranhos. Mas seu reinado cruel não o será para sempre.

sacag9.jpg Ela, foi enfatizada  nessa certeza em sua primeira carta aos cristãos de Corinto. Faz falta sentir a segurança na continuidade. Sem isso, nossa esperança futura perde seu significado....

Assim, virá o dia em que “por entre as oscilações da terra, o clarão do relâmpago e o estrondo do trovão", a voz da Natureza nos chamará. Uns ouvirão mas, nem todos seguirão revestidos das glórias obtidas em vida, penso eu... Se o for, ficarei desiludido lá no paralém...

O sono eterno chegará inexoravelmente a todos sem distinguir nação, tribo, kimbo ou língua de falar. É sim, o conflito dum cárcere que ninguém ousa decidir ou até clamar: ‘Onde estás ó morte, qual é a tua vitória? Ou, onde está,  o teu aguilhão? Aí acabará nossa ilusão...

SACADURA2.jpeg É assim que a morte deixa de significar uma tragédia absoluta. Um dia, será cumprida “a palavra que está escrita”. A realidade da vida futura requer que a vida no presente seja digna dela. Se te portares mal, estarás lixado...

Longe de nós a ideia de que tudo o que cremos, pregamos, cantamos, ensinamos e fazemos venha a ser desperdício por causa da morte! Em vista dessa confortadora verdade, não precisamos deixar de planear e executar, sonhar e realizar... Sem desvarios, claro! Pela graça da Natureza ou de Deus, como o queiras, continuemos firmes, estáveis e dedicados. Celebremos a vida, não a morte! Ela não nos tornará seus prisioneiros para sempre.

sanchas2.jpg Nossas acções farão subsistir a certeza de que o não trabalharmos inutilmente, pressupõe a existência do galardão que receberemos quando o merecermos... Claro que nem todos irão conhecer meu tio "O nosso Senhor". Em vida chamava-se José...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:44
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Domingo, 8 de Novembro de 2020
KALUNGA . XIV

MOKANDA DO EDU - Nós e os bichos - Crónica nº 3078

Eles, os Leões, não sabem o que é isso de “paradigmas”

HISTÓRIAS DE VIDA - SELVA - 08.11.2020

soba k.jpg As escolhas do Kimbo

Por: Eduardo Carvalho Torres – No Barlavento Algarvio do M´Puto

Leão7.jpg Estou a pensar no ser humano, no animal selvagem e na inteligência. E do animal selvagem, vou falar do leão, o rei da selva, e da leoa, sua companheira; das semelhanças e diferenças de procedimento entre um, o animal selvagem, e o outro, o ser humano.

Este, é dotado de inteligência, pensa, cria condições de vida, vive em sociedade organizada, estabelece um padrão de vida que evolui de acordo com o avanço da tecnologia, muda sistemas, cria interesses que muitas vezes se sobrepõem à vida para determinar a morte, tão depressa é um salvador como se torna num assassino!

:

 edu43.jpgO homem tanto pode ser egoísta, como solidário, julga poder salvar o nosso planeta sendo que na maior parte dos casos está a destruí-lo. Fabrica guerras para conseguir a paz, e muitas vezes, arranja guerras porque não consegue viver em paz. E o animal selvagem? Como procede ele? Cuida do ambiente, do seu "habitat ", sabe que tem de preservar para poder sobreviver, destrói o indispensável, não polui o ambiente e procura viver de acordo com as suas conveniências.

Pratica sexo nos períodos indicados para o efeito, não é egoísta relativamente à fêmea e respeita os principios da sua própria criação. Será que ele pensa? Eu acredito que sim. O leão, mais a leoa que é verdadeiramente  a caçadora, quando estendida à sombra duns arbustos, com os olhos semicerrados, de boca entreaberta, que o calor abrasa, não estará ela a pensar porque deixou escapar a presa, no cerco prudentemente efectuado e que resulta quase sempre? Porque terá falhado então?

Leão4.jpg Será precisa uma nova estratégia? O animal que escapou, esse pensará decerto que foi um golpe de mestre, que conseguiu enganar a companheira do rei, por que foi mais esperto, usou a rapidez como o trunfo forte para combater a força e a técnica da opositora. É a lei sobrevivência. O leão, ou leoa, matam apenas para saciar a fome.

Não destroem indistintamente a vida, pelo prazer ou necessidade de destruí-la. Apenas por necessidade de comer. Respeitam as leis da selva, a leoa ensina as crias a caçar, para quando adultas, seguirem o seu caminho, defende-as enquanto sob a sua protecção; o leão cumpre uma das suas funções, procriando, num ambiente da liberdade e de respeito. E o ser humano, com a sua inteligência, a sua capacidade de criar e de inovar, quem será que vive verdadeiramente na selva?

roxo116.jpgBasta olhar em nosso redor, perceber de que é capaz o ser humano para atingir os seus objectivos, matar se para isso acontecer desimpedir o caminho que o leve a atingir determinada finalidade, e quantas vezes sem a certeza de o conseguir.

A nível individual ou colectivo pode ser solidário, criar associações humanitárias, mas pode matar, criar guerras por questões politicas ou comerciais, e destruir nações em nome de uma paz inventada. Não sei mesmo onde se situará a verdadeira selva de procedimentos.

ECT



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:35
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020
PARACUCA . XXXVII

MULOLAS DO TEMPO . 10 22.10.2020

Nós, bazungus no povoado de Mpica –  A 348 Km da Tanzânia border… 15º dia

Óh mundo de túji, ainda teremos de atravessar a Tanzânia para chegar a Dar es Salaam…  

- 06 de Outubro de 2018 – Sexta-feira … Crónica 3071

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto

fotos ZÂMBIA 054.jpg Com um interregno de dois anos volto a falar na ODISSEIA HAJA PACIÊNCIA – NINGUÉM É SANTO. Estamos no Northern Roch Hotel a Norte da Zâmbia aonde pernoitamos na noite de 6 de Outubro de 2018. Tenho como auxiliares meus pequenos papéis quadrados em cores laranja e magenta como auxiliares de memória e os recibos de pagamento em que mencionam o Room 1635 no valor de 456 Kwachas.

Antes que me esqueça, terei de lembrar que em todas a fronteiras africanas surgem uns bafanas assessores a turistas normalmente com um crachá pendurado no pescoço e, assim que paramos o carro cercam-nos literalmente e, na forma de alcateias de mabecos que mesmo sem nosso consentimento nos dão indicação do que fazer e como fazer, pedindo papéis do carro e edecéteras pessoais. Ficamos sem saber se estes, estão ou não feitos no compadrio com os funcionários da Aduane porque entram e saem dos espaços administrativos, como se dali o fossem, parecendo-nos agilizarem os trâmites para daí, obterem uma gasosa…

Paracuca13.jpg Queiramos ou não, isto perturba sobremaneira o turista europeu não habituado a estas práticas aparentemente desordenadas e, sempre nos vem à ideia estarmos a ser surripiados pelo facto de sermos brancos. Até porque não vi nenhum destes darem apoio a gente da sua cor. Bem! Nosso guia muito habituado a estes pormenores, segundo sua pópia nobre, um nato filantrópico deu 10 Euros e 200 Kwachas a estes vendedores de diligências. Uma exorbitância no valor de 25 Euros… Um valha-me-Deus pago por actos dispensáveis…

Acho que Deus não vai salvar áfrica! Tenho de deixar aqui minha revolta pelo facto de ficarmos bem convictos de sermos roubados por gente sujeita à sobrevivência usando as técnicas de ladroagem. Trafulhas, enfim! Não andem de carro por áfrica; usem só a via aérea… Estamos seis dias adiantados em relação ao plano inicial por falha do Ferry de Cariba.

paracuca17.jpgEntre Mkush e Chissenga da Estrada Nacional da Zâmbia designada de T2, passamos a escassa distância do ponto mais meridional da República Democrática do Congo passando rum ao Norte por Kanona, Chimutanda, e Chironga antes de Mpica. Depois passamos por Matumbo, Isoka, Mpangala até chegarmos à fronteira entre Nakond da Zâmbia e Tunduma da Tânzania.

Nesta fase da viagem, era suposto irmos até Dar es Salaam e descermos na via paralela ao Oceano Indico até Mtwara. Aqui passaríamos o rio Rovuma em ferry para Moçambique no lugar de Quiong (Ferry My Kilambo). A informação de lugares com segurança na fronteira entre a Tanzânia e Moçambique era escassa e de frágil confiança. Estava no ar a dúvida de ser este o rumo a seguir porque as mensagens falavam dos Boko Haram (Estado Islâmico na África Ocidental) - uma organização jihadista fundamentalista islâmica sunita, usando métodos terroristas de cortar cabeças…

paracuca8.jpg Esse grupo, Fundado por Mohammed Yusuf em 2002, é liderado por Abubakar Shekau desde 2009. Quando o Boko Haram se formou, suas acções foram não-violentas mas, a prática neste então era raptar e negociar. Imaginava-se como cristãos, sermos o objectivo ideal para "purificar o Islão"; as mensagens que chegavam ao nosso patrulheiro-mor Vissapa eram assustadoras…Senti o medo a bulir nos garranchos do cerebelo e tudo indicava mudança de planos. Um dia de cada vez!

O edifício Zâmbia Border de Nakond era um edifício moderno, instalações condignas e de boa orientação sem os antes descritos assessores de túji mais os kinguilas do câmbio. Retiramos da caixa multibanco o dinheiro em xelins tanzanianos, supostamente necessário para acudirmos a despesas. Um bafana mais-velho – polícia, retirou a pirisca de cigarro a Dy dizendo ser um charro de droga e, vai daí, dar-se um passageiro burburinho quase diplomático. Faltava um traço e uma vírgula no parágrafo de entendimento. Aquilo era só um cigarro longo e marron …     

(Continua…)

O Soba T´Chingange       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:06
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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2020
KALUNGA . XI

 

MOKANDA DO EDU

A HISTÓRIA DA VIDA - Apalpando as medidas recordadas – 14.10.2020

- Crónica 3068

Por

torres23.jpgEduardo Torres

kimbo 0.jpgAs escolhas do KIMBO.

lub2.jpg Sete anos depois. Sete anos se passaram em que eu e as minhas duas filhas viajámos até África, com destino à Namíbia aproveitando para nos deslocarmos Angola. Tivemos assim a oportunidade de voltar ao Lubango, Benguela, Lobito e Moçâmedes. Claro que encontrei diferenças, volvidos tantos anos passados, desde aquele domingo de Agosto de 1975 em que deixei definitivamente a minha terra.

Deixei desgostosamente a minha terra para garantir segurança e sustentabilidade económica à família; foi uma aventura que felizmente teve um desfecho optimizado e, até ultrapassando as minhas próprias expectativas. Encontrei diferenças suficientes para já não me identificar com aquela cidade que sempre amara e continuo a amar.

lub1.jpg Ao deixá-la, também o meu nome ligado a inúmeras moradias nos vários bairros, prédios e, essencialmente na colaboração de obras municipais, ficaria solto ao vento do tempo e das politicas de governação. Entre outras aponto o edifício do Pavilhão de Exposições, a esplanada capela à entrada da feira, Pavilhão da Tundavala, tudo projectos do arquitecto Ludovice, como urbanizações dos bairros de Sto. António, Benfica, da Serra, e outras espalhadas pela cidade fruto de sua expansão.

Sá da Bandeira, a actual Lubango, era uma cidade ordenada e limpa, porque obedecia a normas urbanísticas e de projecção de expansão futura; o que encontrei nesse então foi uma cidade desmesuradamente grande e suja, com um crescimento atabalhoado e sem disciplina. Compreende-se, devido ao acolhimento de quem fugira a uma guerra incontrolada, como incontrolada era a construção de casotas feitas a qualquer preço, em qualquer espaço vago e sem regras urbanísticas.

lub6.jpg Uma cidade que deixei com cerca de 100.000 habitantes, e que fui encontrar, segundo informação, com quase um milhão. Uma cidade envolvida por uma outra envolvente que se formara em seu redor, tornando-a grande. Manifestamente muito pouco ou nada já tinha a ver com a outra que deixara às pressas. Hoje não sei como funciona, mas penso que uma integração harmoniosa o quanto baste, não será fácil de conseguir.

Sei agora, pelos documentos fotográficos que tenho recebido, estar com um aspecto diferente para melhor do quando a visitei à sete anos (2013), Noto estar a ser recuperada, crescendo de forma mais ordenada com bairros novos bem integrados e, que o governador tem feito um trabalho merecedor da minha gratidão.

lub8.jpg E, porque no meu corpo continua a correr o sangue da terceira geração da descendência da primeira colónia madeirense, relembro o suor com dor, lágrimas e amor com que se abriu os caboucos que delinearam a cidade que viria a ser o Lubango, cidade aonde nasci. Aos velhos será cruel deixá-los privados de respostas e será de bom senso até, não se lhes fazer perguntas de passados não amistosos porque dos muitos dias, das muitas noites, das muitas injustiças pode sem se o querer, saírem à luz do tempo a mostrar às gigantescas presenças de gente que foi ferida.

lub7.jpg E, daí abrirem-se gavetas com choros, ou mesmo gavetões, com ossários feitos pó. Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot, em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto se neste agora, sabemos nada poder mudar. Agora temos alternativas e até podemos ajudar sem rancor, os vindouros sem nunca esquecer os obreiros que tudo começaram a partir de singelos barracões cobertos a colmo…

ECT



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:42
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Terça-feira, 13 de Outubro de 2020
KALUNGA . X

MOKANDAS XINGUILADAS NO TEMPO . Crónica 3067 - 13.10.2020

HISTÓRIAS DE VIDA X … RECORDANDO A INFÂNCIA I

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual…

Por

Pedrosa1.jpg Josué Pedrosa

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbo

Pedrosa2.jpg Fazia bué de tempo, que eu ficava só triste, de ver os outros candengues, alguns pouco mais velhos do que eu, a passar na minha rua com as suas gaiolas feitas de bordão, com várias variedades de pássaros; gungos, celestes, bicos de lacre, rabos de junco, januários e de vez em quando umas viuvinhas. Na mão levavam também as varas de arame, onde enrolavam o visgo com que apanhavam os pássaros.

Eu até já tinha ido algumas vezes, com alguns dos mais velhos e via como faziam, mas não tinha visgo, nem sabia como arranjá-lo. Com o tempo, foram-me deixando acompanhá-los e lá íamos para as bandas do lado de lá da linha do caminho-de-ferro, onde anos mais tarde haveria de ser construído o Bairro do Cazenga.

Pedrosa3.jpg Figo de mulembeira - sicónio**

Naquele tempo, aquele terreno cinzento e barrento, era pela época das chuvas, cultivado pelas “mamãs” que, com os seus filhos às costas, ali plantavam batata-doce, milho e feijão. Uma ou outra vez, roubávamos umas maçarocas e ou babatas doces e tirando as “camisas” ou a pele com os dentes comíamos mesmo ali. Quando éramos avistados, só havia uma coisa a fazer; bazar a sete pés para bem longe.

Bem junto à linha, do lado de lá do dito terreno, havia uma grande mateba onde os “kambas” ficavam escondidos, colocando capim e outros arbustos para fazerem um pequeno abrigo de forma que os pássaros os não vissem. Enrolavam o visgo nos arames e prendiam estes no topo de canas, de maneira a sobressaírem por cima da mateba. No chão, uma pequena gaiola de bordão com um ou dois pássaros serviam de chamariz. Quando os pássaros pousavam nas varetas do visgo, saíam rapidamente do abrigo e apanhavam os pássaros que colocavam numa outra gaiola, para não interferirem com os chamarizes.

maximbombo.jpeg Alguns conseguiram aprender o canto dos gungos e deixaram de necessitar de levar chamarizes. Tanto pratiquei que também aprendi e ainda hoje sei como era.

Cansei de ver e de sonhar e um dia pus mãos à obra. Comprei um bordão e fiz uma gaiola que não sendo de deslumbrar, servia bem os meus objectivos que era guardar os pássaros que viesse a apanhar. Faltava, porém, o mais importante; o visgo. Sabia que era apanhado na mulembeira, mas não sabia como. Falei com os mais velhos que riram de mim e disseram que não conseguia apanhar, pois era difícil e amargo. Explicaram-me, mas uma coisa é explicar, outra a realidade.

Eu conhecia poucas mulembeiras; havia uma, bem grande, mas longe da minha casa, aí a uns três quilómetros, que ficava no lado direito do início da estrada de Catete, ali onde anos mais tarde os miúdos apanhavam o machimbombo para o Bairro Popular e Terra Nova. Como era uma árvore de grande porte, era difícil subir por ela, pois o seu tronco era de grandes dimensões e eu era pequeno, mas era aquela, a árvore ideal.

plim1.jpg Enchi-me de coragem, fiz três ou quatro palitos da casca do bordão, lavei muito bem um tinteiro vazio de tinta “Parker” que enchi de água e escondi uma catana, que enrolei num pano para que lá em casa ninguém visse. No dia seguinte, ainda cedo, pus-me a caminho e lá fui até à mulembeira. Apesar de tudo, a distância até nem era nada de especial, pois eu ia todos os dias a pé, da Terra Nova até à Escola 15, por detrás da Liga Africana, na Vila Clotilde, pelo que em pouco mais de meia hora estava no local.

Ali chegado, confesso que tive medo de subir para aquela árvore, mas tinha de tentar e, com extremo cuidado lá consegui subir. Os seus ramos eram grossos e iriam proporcionar-me uma boa colheita. Dei cerca de duas dúzias de golpes e vi os mesmos encherem-se de seiva branca como a neve. Retirei um dos palitos e comecei pelo primeiro golpe, onde a seiva começara a oxidar e a solidificar, enrolando a seiva viscosa no palito. Acabado este procedimento, colocava o palito na boa e retirava o visgo, mastigando-o como se fosse uma pastilha elástica. O sabor era horrível e era preciso estar permanentemente a cuspir para aliviar o sabor que ficava na boca. Felizmente a mulembeira é uma árvore que dá uns pequenos, mas saborosíssimos figos, pelo que, de vez em quando, comia alguns para afastar aquele desagradável sabor.

Pedrosa6.jpg Mulembeira

Lentamente, fui retirando o visgo dos golpes que fizera na árvore e quando a bola que se formava atingia um a um centímetro e meio, metia-a dentro do frasco que levara comigo. Aquele trabalho demorara não menos de umas três horas, mas no final tinha conseguido uma excelente bola de visgo que dava certamente para umas cinco ou seis varas de arame*. O desagradável era ter que mastigar continuamente o visgo, cuja bola tinha agora para aí uns três a três centímetros e meio. Quando cheguei a casa, o visgo já estava mole e pronto a ser usado; mudei a água do frasco e guardei-o onde ninguém lá de casa visse, não fossem deitá-lo fora ou para o lixo.

plau5.jpg Demorei ainda alguns dias até conseguir arranjar quatro ou cinco varas de arame, que necessitavam de ter cerca de cinquenta centímetros de comprimento e que era conveniente ser o mais liso possível, para o visgo não ficar agarrado a ele. Finalmente, munido da gaiola, do visgo e das varas de arame, lá fui até à mateba onde enrolei o visgo na diagonal de cima abaixo como vira fazer e coloquei as varas espetadas em canas e estas de forma a sobressaírem por cima dos ramos da mateba. Escondi-me no abrigo por baixo da mesma e aguardei que os pássaros viessem e pousassem sobre elas. Consegui apanhar alguns gungos e fui adquirindo prática, pois senão houver cuidado os pássaros ao baterem as asas para tentarem libertar-se, batem com elas no visgo e é quase impossível tirar-lho das penas.

plau2.jpg Fiz uma gaiola maior que se foi enchendo dia após dia, até que, admirado com a minha habilidade, o meu pai anuiu e construiu uma gaiola metálica com cerca de quatro metros de comprimento por dois de largura e dois de altura. Além dos gungos (pardais de bico vermelho) apanhei também januários e celestes. O viveiro, como lhe chamava, estava bem decorado com pequenos arbustos que transplantei lá para dentro, ninhos feitos de capim, fixos junto ao telhado e cobri o chão de areia para que pudessem comer alguma juntamente com o massango e alguma massambala que eram atirados para o chão tentando recriar o ambiente como se estivessem em liberdade. Tinha também uma bacia de plástico, enterrada na areia para que pudessem beber água e tomar banho. Estava orgulhoso, eu tinha conseguido fazer igual ou melhor que os mais velhos, mas igual ao meu viveiro não tinham; este era grande e recriava, com as devidas proporções, o ambiente de semiliberdade em que deviam viver.

imburana vermelha.jpg Mas o tempo passou, eu cresci, vieram as “meninas” e depois as Hondas, para me enlouquecerem e atirarem para as corridas e mais tarde o serviço militar. Já não eramos crianças, eramos rapazes feitos homens e criámos os nossos grupos de amigos, juntando-nos à noite no clube do bairro para as conversas e passeios próprios daquela idade. Entretanto, houve necessidade de mudança de casa e não havia espaço para o viveiro; tudo acabou e ficou a lembrança duma era da minha infância/juventude, que entendo guardar nas minhas memórias, para um dia os netos lerem e ficarem a saber como era a infância/juventude do avô e daqueles tempos numa terra lá longe em Africa, chamada Angola.

:::

Partilho com os amigos que gostam de ler e recordar esses tempos, ciente que alguns deles fizeram igual ou muito parecido.

Josué Pedrosa

(09.10.2018)

Nota* - Eu, o T´Chingange, usava finas e duras varas de um capim próprio existente no morro da Corimba ou Belas que cresciam perto de lagoas

Nota**A palavra sicónio tem origem na expressão figo em grego (sykon).



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:33
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
FRATERNIDADES . CXXVII

ANDO ENKAFIFADO – OPÇÕES DA VIDA

Crónica 3061 - MEDITAÇÃO DO T'CHING - 24.09.2020

soba002.jpg T'Chingange - no Al Garbe do M'Puto

rosa 1.jpg A ambiguidade e a incerteza, foram sempre características do ser humano e, só os poetas transformam estas minudências em força. Eles, os poetas, acalentam sonhos e planos para a nossa sociedade utópica mas, e, ao invés de verem, eles usam o olho do seu templo, o olho de sua intelectualidade.

Com sua fantástica estrutura, o olho foi definido pelo neurocientista Mark Bear, em seu livro Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso, como um “órgão especializado para a detecção, localização e análise da luz”...

roxo3.jpg Pelos olhos se identifica o caminho pelo qual as imagens se transmitem ao cérebro. Nessa interacção olho-cérebro, somos capacitados a ver todas as coisas. Desde a antiguidade que o poeta intelectual, assumiu esse papel em nossa sociedade.

E, é assim que entram em nossas vidas formatando nossa vulgar e comum vida em um "mercado público de ideias" usando sonhos, até por vezes o sofisma transcendendo ideias e, como se o fizessem na mágica proporção, por amor à verdade e à justiça...

roxo79.jpg Porém, há riscos. Que tipo de imagens, das incontáveis entre as captadas, permitimos serem gravadas no excepcional computador que é nosso cérebro? Eles, os poetas, socorrendo-se por vezes de um sentido crítico, recusando por norma as formas simples...

Recusam ideias prontas, feitas para consumir e colaborações complacentes com as acções daqueles que detêm o poder ou mesmo outros espíritos, não se esfarelando em pacifismos também por o serem, testemunhas críticas do seu tempo... Sim! Tudo parece uma contradição...

roxo81.jpg O verdadeiro intelectual, é um fabricante de consensos nos quais nós nos demoramos em admiração? Pois! Certa ocasião, o Padre Antônio Vieira disse que “a maior graça da natureza, e o maior perigo da graça, são os olhos. Duas luzes do corpo,  dois laços da alma”...

Quem tem dois olhos encherga a profundidade  por estereoscopia. Por uma fresta apenas pode ver um plano sem profundidade. Nessas duas “janelas da alma”, pode também entrar o brilho embaçado convidativo ao desvario; o padre Vieira defenia isso por pecado mas, eu que estudei trigonometria, ângulos e rectas, sei que o pecado, ou a graça da luz divina, cabe-nos na decisão de usar o cérebro, o templo, o tal olho invisível que se diz ter cor púrpura...

roxo94.jpg Agora, com ou sem pecados, travamos um combate incessante contra os poderes das trevas (um tal de vírus cvid 19 ). A mente é o campo onde a batalha será decidida para o bem ou para o mal. Mas, o problema vem dos outros  que nos transmitem  a treva e, aí estamos ou estaremos tramados, mesmo sabendo que a hipotenusa é a raís da soma do quadrado dos catetos... Isto pró vírus, já era! E, os poetas só podem vaticinar...

Nela, todos os dias se processam milhares de pensamentos e pequenas decisões que determinarão através de que mecanismos intrincados, tudo o que os sentidos captam (odores, sons, imagens) causa impressões indeléveis na mente. Essas impressões que comandam os sentimentos, ditarão nossa escolhas direcionando as decisões... Impressões que comandam hoje os sentimentos e, queiramos ou não, ditam  a actual Intoxicação Digital...

roxo53.jpgIlustrações de Assunção Roxo

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:20
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2020
KALUNGA . IX

MOKANDAS XINGUILADAS NO TEMPO. Crónica 3060

Moçâmedes / Baía dos Tigres /Angola - OS “NOSSOS” CÃES SELVAGENS – 14.09.2020

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual… 

Por:

tigres1 Teresa Sá Carneiro.jpg Teresa Sá Carneiro

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbo

tigre01.jpg Tive uma infância feliz e muitos cães à minha volta como não poderia deixar de ser. Desde muito pequenos, eu e meus irmãos, vivemos entre eles. O nosso 1º, o querido Lumumba, um “vira-latas” rafeiro, amoroso que chegou a nossa casa no colo do meu pai (lembro como se fosse hoje) foi o nosso companheiro fiel até à adolescência. Acredito ter sido algum presente de um cliente pobre pois, era assim que meu pai, advogado, recebia o pagamento por trabalhos que fazia. Davam-lhe presentes lindos, sem qualquer sombra de dúvida. Ao chegar a casa e ao pousá-lo no chão da varanda, imediatamente, o Lumumba escondeu-se atrás de um vaso de flores. Tenho esta imagem gravada na memória tal como a do último dia que o vimos com vida, também em nossa casa, muitos anos depois. Algum tempo depois tivemos o Bobi, lindo, grande, de pelo grosso cor castanho-caramelo, que chegou a nossa casa acompanhando um amigo nosso de infância e, nunca mais quis ir embora.

tigres2.jpg Dócil e igualmente amoroso, ao contrário do que se dizia sobre o temperamento da sua raça, ele era um cão da Baía dos Tigres, região de cães selvagens. Por este motivo questionava-se se seria uma raça boa para conviver com crianças pequenas mas, a verdade é que ele foi o nosso fiel companheiro, e tal como o Lumumba, o grande amigo daqueles tempos de infância. A Baía dos Tigres era uma península isolada no Distrito de Moçâmedes, que depois se transformou em ilha nos idos anos de 1940, sem nada produzir nem plantar nas suas areias secas. Não havia água em nenhum lugar. Uma história ligava estes cães de raça " Cão Tigre" à minha cidade de Moçâmedes, outrora um dos maiores centros de pesca de Angola e, depois abandonada - vila fantasma. A pequena vila foi fundada por pescadores do Algarve, por volta de 1860, mas séculos antes já tinha entrado nos mapas de portugueses e ingleses pela invulgar quantidade e qualidade de peixe, que lhe valeu a alcunha de "Great Fish Bay".

tigre5.jpg Conta-se que no inicio do século XX teria acontecido um surto de raiva em Moçâmedes, e que o governador da época teria dado ordem para se executar todos os cães da cidade. Muitos donos rebelaram-se contra aquela situação e não querendo perder seus animais de estimação, resolveram metê-los num navio na calada da noite e levá-los para um local longínquo onde não pudessem ser encontrados. Assim, rumaram até à Baía dos Tigres que consideraram ser o melhor lugar para deixá-los. Ali já existia uma raça selvagem de cães deixados pelos Holandeses, os Bóhers, quando da ocupação da África do Sul e com a chegada dos cães da minha cidade resultou no cruzamento que levou à raça “Tigres”. Imperava a lei da selva onde só os mais fortes sobreviveriam; tornaram-se uma raça diferente. Eram ferozes, naturalmente selvagens. Adaptaram-se ao meio e, sobreviviam.

tigre02.jpg Pelo hábito de nadar para encontrar alimento, tornaram-se excelentes nadadores. Eles bebiam água do cacimbo enquanto as gotículas não se misturavam com a água salgada. Era na crista das ondas do mar que encontravam essas gotículas adocicadas para matarem sua sede. E, assim esta raça, sobreviveu adaptando-se às condições agrestes daquele deserto, um canto das terras do fim do mundo. Viviam em matilhas, completamente isolados, alimentando-se de peixes e focas que vinham na Corrente Fria de Benguela desde a Costa dos Esqueletos - Cape Cross, aparentemente sem precisar de água para viver - ouvia meu pai dizer isso desde muito pequena, sobre aqueles cães.

tigre9.jpg Mas tudo não passava de uma cisma, acreditava eu! Viviam em nossas casas como qualquer outra raça, e não eram poucos, pela cidade. Realmente cães grandes (impunham um certo respeito) mas,  os domesticado, não faziam mal a ninguém.  Devo ao Bobi uma aventura da minha pré-adolescência; a minha guarda até altas horas de uma noite após ter chegado a casa depois de uma festa de aniversário de uma amiga. Meus pais tinham saído, meus irmãos já dormiam, e uma familiar que estava em casa com responsabilidade de me abrir a porta adormeceu; claro que fiquei do lado de fora. Sentei-me no chão da varanda sem saber o que fazer e já quase dormitando em cima da pedra, sinto o Bobi puxar-me pela roupa e, lá fui eu com ele. Levou-me até ao outro carro do meu pai que estava no fundo do quintal guardado na garagem da casa. Entrei, tonta de sono, deitei-me no banco de trás; ele sentou-se do lado de fora, de plantão. Sei que a porta do carro estava fechada mas não me lembro de ter sido eu a fazê-lo. Foi assim que meus pais me encontraram, já alta madrugada, mas só após terem ido àquela hora até casa da minha amiga aniversariante para saberem onde eu estava. Foi uma noite tensa! Este foi o Bobi o “feroz” cão Tigre que nos acompanhou por tantos, e tão felizes anos da nossas vidas.

tigre0.jpg Adenda 1 - Teresa Sá: Numa explicação mais detalhada acrescento o seguinte: de menor densidade, as gotículas de água doce ou seja, o orvalho da noite (o nosso cacimbo) depositadas em noites sem vento na crista das ondas, permaneciam por algum tempo sem se misturar com a água do mar. Era assim, logo pela manhã, bem cedo que os cães se jogavam ao mar para matarem a sede. Eram um relógio da natureza bem intrincado! Acredito que, em noites de vento esse orvalho não se depositasse e, eles quebrassem esse ritual lambendo as pedras roliças impregnadas desse cacimbo. É realmente muito interessante e estimulante pensar-se em tudo isto.

luderitz14.jpgAdenda 2 - José Augusto D. Ferreira: Conhecia a história dos cães "Baía-dos-Tigres". Eram, remotamente, descendentes dos "Cães d`Água" algarvios, levados de Portugal pelos pescadores que os utilizavam como auxiliares na pesca. À mistura com cães domésticos ou de estimação, foram levados clandestinamente para a Baía dos Tigres com a intenção de os resgatar mais tarde, por fazerem falta no trabalho. Pelo isolamento, cruzamentos sucessivos, e auto-selecção pela lei do mais forte, adquiriram características uniformizadas. Nos anos 50, o veterinário Dr. Abel Pratas, após a escolha e captura de vários exemplares selvagens, obteve o apuramento e a estabilização de uma nova raça de cães que, mantendo a designação "Baía-dos-Tigres", foi registada oficialmente. Tive a oportunidade de ver alguns deles em Luanda, numa das exposições realizadas para a divulgação da raça. Castanhos ou negros, pela pelagem e morfologia faziam lembrar os "Cães-de-Água", mas eram maiores. Julgo que a raça já não existe por vários motivos, entre eles a descolonização. É possível que os cães dos Bóers fossem da raça "Leão da Rodésia" (Ridgeback). Ver no Google em "Cães da raça Baía dos Tigres", na página "Gente do meu Tempo (Baú de Recordações)". O texto é longo mas interessante.

luandino2.jpg Adenda 3 - Anónimo: O nome de baía dos tigres deve-se ao facto de, por efeito dos ventos formarem-se nas dunas junto à praia listas a toda a altura das mesmas c/ alto e baixo-relevo, umas com a cor castanha da areia outras mais escuras, o que visto do mar lembrava a pele de um tigre.

A baía dos tigres tinha nos anos 60, administração e junta de freguesia, posto da guarda-fiscal, correios, hospital, delegação marítima escola primária, igreja de S. Martinho dos Tigres, um clube desportivo e recreativo, uma carreira aérea bissemanal. Inicialmente a vila era abastecida de água por navios da companhia portuguesa "Sociedade Geral" posteriormente com a conclusão das obras de captação na foz do rio Cunene, acabou o racionamento da água.

Foi uma festa a sua inauguração. Inúmeros habitantes dedicaram-se logo ao cultivo de pequenas hortas, plantio de árvores casuarinas. Tudo morreu, tudo foi abandonado com todas as incertezas antes e pós independência do país.

Foi pena pois muita gente, ainda hoje tem saudades daquela terra inóspita, difícil, que foi habitada por homens e mulheres, Madeirenses de coragem que ali investiram toda uma vida de trabalho e onde ficaram sepultados os seus antepassados.

Teresa Sá Carneiro - 14-9-2020



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:21
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Domingo, 30 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLIV

É proibido ser POBRE? - 30.08.2020

- Crónica 3055... Juntando meus estralhos, para entender se os alhos com bugalhos são um remédio eficaz para eliminar um bicho feito gelatina. Mas, então porque não fazem uma vacina com água e sabão!?

Por

t´chingange2.jpg T´Chingange – No M´Puto

roxo68.jpg A década de 1930 foi marcada por muitas histórias interessantes no Brasil. Uma delas seria cômica, se não fosse trágica. Ela aconteceu na cidade de Fortaleza, capital do Ceará. No ano de 1932, foi construído o primeiro arranha-céu da cidade. Os jornais publicavam manchetes anunciando a inauguração do hotel Excelsior. Era o orgulho da classe rica de Fortaleza. Subir até à cobertura do edifício e admirar paisagens, desde o mar até as montanhas era a diversão comum.

Uma coisa, porém, ameaçava o clima de riqueza da cidade. Desde o início da década, estava acontecendo uma das piores secas de todos os tempos no interior do Ceará, e muitas pessoas estavam fazendo o conhecido êxodo rural em direcção à cidade de Fortaleza.

apocri3.jpg A classe mais rica exigiu uma atitude do governo, que imediatamente criou sete currais cercados com varas e arames farpados, para onde eram enviados todos os retirantes da seca. Lá, eles tinham as cabeças raspadas e eram vestidos com sacos de farinha. Naquela época, era crime ser mendigo em Fortaleza, e a pena era ser enviado para esses quase-quase campos de concentração. Tratar os necessitados com maldade é pecado, sejam quais forem os motivos.

Mais que doar roupas e alimentos, cuidar com amor dos mais necessitados envolve olhar nos olhos, ouvir as histórias de vida, ajudar nos problemas emocionais, não se preocupar apenas com o estômago, mas também com o coração; estes procedimentos, aprendemos no dia-a-dia com gente do bem, familiares e afins...

pica2.jpg Mas, diz o sábio do livro dos livros que quem age assim, empresta a Deus; isso não significa que o Céu tenha qualquer tipo de dívida connosco. O que a Bíblia está querendo dizer é que, quando ajudamos uma pessoa pobre, teremos como recompensa a felicidade como devolução pelo que fizemos em forma de bênção.

Por isso, o versículo respectivo enfatiza a recompensa divina. Isso não é teologia da troca, mas um incentivo para que tratemos bem aqueles que não têm nenhuma vantagem a nos oferecer... Quando esteve na Terra, Jesus deu muita atenção àqueles que passavam por qualquer tipo de necessidade, principalmente aos pobres de espírito. Faça o mesmo por seu próximo e colherá certamente a recompensa da Natureza...

papal1.jpg De novo, volto a remover os ossos do passado espreitando pelo postigo da memória antropológica e, só graças à debilidade desta, a memória, irei fazer do tudo um romance condescendente sem alvoroçar espeleólogos, ou os espíritos com malévolas insinuações, esquecendo as leis não cumpridas coisas rebuscadas em terras de promissão com tangas ou parras!

A nossa vida, de cada vez mais na mesma passando ao Deus me livre e valha-me o Santo António, com os sem etnólogos e outros afins descobridores de pegadas politólogas, os cheiros encarquilhados misturam-se com iões de densidade molecular dos anos na leitura de carbono e eteceteras muito antigos e complicadérrimos… Só sei, no fim desta lengalenga, que vamos cada vez mais ficar fritos, esperando migalhas!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:44
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2020
KAPIKUA . XXX

SERÁ QUE VOCÊ SABE O QUE FAZ?

MEDITAÇÕES DO T'CHING - 20.08.2020

O risco da vida que, por coisa pouca muda nossas vidas… Crónica 3053

Por

t´chingange2.jpg T'Chingange - No M´Puto

relog1.jpg Há um provérbio que diz que a sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora. Um amigo envengelico de militância, manda-me coisas prudentes e, vai daí aguça-me o engenho da faladura. Uma pessoa prudente é sábia pois, sabe o que faz! A vida não é para ela apenas a sucessão de acontecimentos casuais. Ela pensa, medita, avalia seu procedimento, corrige o rumo de sua vida e recua quando percebe que está errada.

O termômetro para medir a “temperatura” de suas acções é a palavra vinda de cima, diz ele sem definir a dimenção quântica do tempo; se vem do além, do passado ou do futuro singindo-se a um agora, beliscado na singularidade dum nanosegundo... Se esta é a tocha que ilumina o seu caminho, acho bem que se lhe dê valor porque, somos só uma ilusão tal como o foram D. Afonso Henriques,  o Marquês de Pombal, o D. Pedro Imperador do Brasil, de Portugal, do Algarves e terras Dalém mar...

afon0.jpg E, também do Dom  Nuno Álvaro Pereira que venceu a Batalha de Aljubarrota, o Patrono dessa Ordem de Aviz que agora é indevidamente usada para atemorizar gente disparatada dos neurónios... Gente que não sabe estar, que risca a vida dos outros com mateba do mato feito morro, pintando portarias e arcadas com sangue a fingir de raiva com ódio...

Por este motivo. os minutos que você passa a sós com Nosso Senhor,  com a Natrureza, com o Alá e, ou o Buda mais o Seilásié ou o Chico Xavier que psicografou centenas de estórias. Antes de iniciar as actividades do dia, é indispensável reflectir sobre a sobrevivência do salmão! Para quê!? Para uma vida produtiva de todos os que cacarejam....

GALO0.jpg De todos os que arrulham, palram, gemem, gritam, urram, zurram e também os que grasnam, miam e assobiam com dois dedos enfiados nas goelas. Não basta apenas saber “como” realizar bem o seu trabalho. Fazendo as coisas com eficiência, você sempre será um bom empregado, um bom patrão, um bom governante ou cozinheiro mas e, se tomar tempo para pensar por que faz o que faz; E, se pensa demais,  acabará sendo um líder, ladrão, sindicalista ou Juiz com muitas varas, mais do que as de que José necessitou para tingir o Rio Nilo... E, nós todos ficamos quilhados com novos Zésares...

“A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho”, dizia Salomão, primo afastado do tal Salmâo... Assim, antes de tentar entender o caminho dos outros, entenda o seu.. Não existe fórmula mais perfeita para a eficiência...

O caminho dos tolos é diferente. Eles acham que sabem tudo e em realidade nada sabem. Apenas pensam que sabem, como eu que também tenho uns problemazitos nos carretos da engrenagem e, por isso, saio de meus muxoxos galagando impossibilidades. E, posso dizer que quando se engole desaforos, o resultado é a frustração e o desapontamento; E então, vou fazer como: - Ou mato ou morro - uma técnica de guerrilha, sábia de escapar  entre as bissapas  mesmo correndo o risco de me meter na selva do feijão maluco  ou,  cheirando formiga cadáver...

formiga cadáver1.jpg Você sabe o que faz e porque faz? Não tema aprender e, não se encolha, aconselhe-se, consulte. A receita para permanecer na ignorância sobre qualquer assunto da vida é  ficar satisfeito com suas opiniões e contente com o que sabe ou lhe dizem! A vida se encarregará de provar que você estava errado ou certo! Trabalhe o discernimento.

Faça deste dia, um dia de avaliação. Revise os seus procedimentos, analise sua trajetória e não se amofiine por não ter dito nesse então; diga agora! Nunca é tarde para começar de novo. Sempre é tempo de aprender e, surpreender...Está separando o tempo necessário para dialogar com seus filhos? Ou espera que tudo aconteça por acaso? Deixe-se de moleza e reflita nestas duvidas. Refletir é próprio de gente sábia...

dyo2.jpg Ser sábio ou insensato - Eis a questão! O tal do Além, sempre estará pronto a guiar e mostrar um caminho melhor àqueles que com humildade de coração o buscam. Não esqueça: “A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora”. Lembrem-se sempre do Sócrates Luso! Sim! Deste e, do outro que era Grego... Grego da Grécia!

Uma feliz Quinta, Sexta e Outras feiras

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:52
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLIII

NOSSO LINGUAJAR … NAS FRINCHAS DO TEMPO

Crónica 3052Como surgiu a expressão "Tchê"... 19.08.202

Por 

t´chingange2.jpgT´Chingange - No Al-Garbe do M´Puto

mess04.jpg Sotaques e regionalismos na hora de falar são conhecidos desde os tempos mais antigos do que  Jesus de Nazaré. No Brasil, Angola e Portugal - nos PALOPS, também existem muitos regionalismos. Quem já, não ouviu um gaúcho dizer: "Barbaridade, Tchê"? Ou de modo mais abreviado "bah, Tchê"?

Esta expressão, própria dos irmãos brasileiros  do sul,  os gaúchos, tem um significado muito curioso. Para conhecê-lo, é preciso falar um pouquinho do espanhol, dos quais os gaúchos herdaram seu "Tchê".

gaucho1.jpg Há muitos anos, antes do achamento por Cabral do Brasil, o latim marcava acentuada presença nas línguas européias como o francês, espanhol e o português. Além disso o fervor religioso era muito grande entre a população mais simples.

Por essa razão, o linguajar no dia, era dominada por expressões religiosas como: "vá com Deus", "queira Deus que isso aconteça", "juro pelo céu que estou falando a verdade", e assim por diante....

gaucho2.jpg Vai daí, uma forma comum das pessoas se referirem a outra, era usarem interjeições também religiosas como: - "Ô criatura de Deus, por que você fez isso"? Ou "menino do céu, onde você pensa que vai"? Muita gente especialmente no interior ainda fala desse jeito.

Os espanhóis preferiam abreviar algumas dessas interjeições e, ao invés de exclamar "gente do céu", falavam apenas Che! (lê-seTchê) que era uma abreviatura da palavra caelestis (se lê tchelestis) e significa do céu.

sertão1.jpg Usavam essa expressão para  surtir espanto, admiração ou susto. Era talvez uma forma de apelar a Deus na hora do sufoco. Mas também se serviam dela para chamar pessoas ou animais, "tchê, tira as mãos daqui "tchê, angê, zakucué" (de Angola...)

Com o achamento da América, os espanhóis trouxeram essa expressão para as colônias latino-americanas. Aí os Gaúchos, que eram vizinhos dos argentinos, acabaram importando para a sua forma de falar.

sanzala1.jpg Portanto exclamar "Tchê" ao se referir a alguém significa considerá-lo alguém "do céu". Angê é um chamamento em Angola - coisa levada pelos Tugas... Que bom seria se todos nos tratássemos assim considerando uns aos outros como gente do céu. aí ué angê! Feliz segunda-feira, terça e quarta féria...

Angê, mungweno, laripo...

O Soba T'Chiingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:17
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2020
MOAMBA . XLII

MEDITAÇÕES DO T'CHING... NAS FRINCHAS DO TEMPO

ENCONTRO COM A VIDA -Crónica 3051 18.08.2020

Por

t´chingange2.jpg T'Chinhange - No Sul do M'Puto

bolso2.jpg Para viver plenamente, dizem estudiosos, o ser humano necessita satisfazer necessidades básicas como, por exemplo de pertencimento, de significado e, segurança para além de ir ao WC com a periodicidade natural de sua fisiologia...

Abraham H. Maslow elaborou uma lista de necessidades em forma de pirâmide, a conhecida “Pirâmide de Maslow”, em cuja base estão as necessidades fisiológicas, sobrepostas pelas necessidades de estima tendo no topo a  auto-realização.

maslow1.jpg Abraham Harold Maslow foi um psicólogo americano, conhecido pela proposta Hierarquia de necessidades de Maslow. 

maslow2.png Para sua frustração, na busca dessa tão almejada plenitude de vida, o ser humano tem andado por todos esses caminhos, muitas vezes limitando-se ao âmbito terreno.

Ao sentir aflorar a necessidade de desenvolvimento espiritual e de preencher o vazio do coração, ele homem ou ela, mulher, costumam desviar-se optando por produtos místicos de autoajuda, ou por aqueles cujo rótulo estampa a garantia de prosperidade material fácil.

mamoeiro.jpg A utopia comanda a fricção de vontade de cada qual na forma de vaidade, de futilidade ou fingida mentira nuna forma de faz-de-conta. E,  todos, de forma maioritária, se esquecem da dependência com o dito e escrito: “Eu sou o caminho,  a verdade, e a vida”...

Paradoxalmente, a fim de que obtenhamos a verdadeira vida, somos ensinados que devemos experimentar a morte: “Quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por Minha causa, a encontrará” - Muitos poucos caminham nesta diapasão por simples indiferença...

Para viver é preciso morrer... À parte de Cristo, nenhum sacrifício existe que valha a pena ser feito porque bem nenhum se torna digno de ser desfrutado, nenhuma conquista produz verdadeira satisfação pessoal sem uma fé...

urubu.jpg Ter a vida escondida em falsidade e em fantasias  é desfrutar pensamentos alheios a  coisas delineadas no prumo acertado.  É não experimentar tão íntima identificação com a natureza, de que somos habilitados a enfrentar no modo confiante e sereno nas preocupações do dia a dia... Somos uma ilusão...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:49
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Domingo, 9 de Agosto de 2020
KALUNGA VIII

MOKANDAS XINGUILADAS NA MEDITAÇÕES DO T'CHING... 09.08.2020

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.Crónica 3046

Por

soba15.jpg T´Chingange No M´Puto

marcelo1.jpg

DESAFIOS - O que tiver de ser, vai acontecer - Desafios, responsabilidades e planos, fazem parte da vida de cada um de nós e, cada dia é uma nova aventura. Há aqueles cujo enfrentamento e realização não exigem muito esforço mas, outros revelam tão grande impossibilidade de cumprimento que nos diminuem, deixando-nos perplexos e, às vezes, indignados, quasequase taralhoucos... Com nosso anseio natural por conquistas ou movidos pelas necessidades de sobrevivência, costumamos traçar planos e sonhos pessoais - quem os não tem!? É certo que o selo da aprovação é impresso em todo projecto individual cujo objectivo passa por promover bem-estar próprio ou o bem-estar de seus mais próximos; isto se não tiver outras especiais apetências e ambições... Há quem por tudo e nada, tire uma SELFIE para constar nos anais e arrabais do M´Puto e arredores.

engraxador2.jpg Mas, se considerarmos nossa cultura de visão cristã, os projectos não se limitarão só ao que é terreno, porque os chamados a Deus, terão forçosamente de dar cumprimento a responsabilidades espirituais a quem o profere, mesmo que só o seja na forma dum devaneio suspirosamente involuntário. O temperamento dos tempos confinados mudaram a postura em nós, no que foi e já não o é! Assim com Ele, Jesus e, como servos dum passado colado ao sentimento, o presente já não o é daquele jeito, assim nessa forma tão simples com temor de ser pregado numa velha oliveira com pregos romanos artesanais. Meu compadre pastor de testamentos velhos e carcomidos no vento é que fica marafado por já ninguém ter medo do Deus lá do alto…

Ezequiel sentiu a doçura do chamado para profetizar entre o povo de Israel, sendo-lhe claramente dito que a tarefa seria amarga. Seu êxito, porém, estava condicionado à fiel perseverança na execução dela. Nesse tempo nem havia SELFIES para encafifar as mentes esmerilando nossos neurónios com coisas da treta e, com meninas usando fio para destapar as bonitas vergonhas… Já viram que este recado mal-amanhado vai direitinho para o menino Marcelo que delira brincar de presidente…

MANDRAK1.jpg Ao profeta, caberia apresentar a Palavra de Deus a um povo rebelde, mas ao Deus da Palavra caberia cuidar dos resultados. Nada e, ninguém caminha hoje por essas vias de que nos falam na forma de parábolas; os usos, os costumes e medos estão moldados noutros paradigmas. Então, você ente comum, depois de ter um vislumbre dessa suposta forma de glória, quais desafios precisa para enfrentar o hoje? Há decisões difíceis a serem tomadas, às vezes envolvendo pessoas, e sabe-se que, nem sempre há respostas favoráveis nas suas orientações. O "Se Deus quiser" é dito mesmo por quem não acredita, usando isso só mesmo como forma de falar…

avelós6.jpg Parece assim, já ninguém querer saber se é a mão do Senhor que os impulsiona, que sustenta ou, lhes aponta o melhor caminho ao jeito do PINÓKIO. Os demais filhos da terra e arredores, também enfrentarão desafios herdados de uma sociedade indiferente às realidades espirituais, onde cada um fica voltado mais para si. O lado tardoz da foto SELFIE com suas nuances de futilidades…

mulaa2.jpg Contudo, “quer ouçam quer deixem de ouvir”, todas as pessoas devem receber a mensagem da graça divina pelo seu testemunho, querendo, ou não! A graciosa mão do fio da vida não lhe será retirada, sejam esses desafios de concretização fácil ou de uma quase impossibilidade. O que não foi possível ontem pode sê-lo hoje e, isso é tudo o que importa para se entender o verdadeiro êxito na vida... Viva o M´Puto – Portugal… O que tiver de ser, vai acontecer...

O T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:19
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Terça-feira, 4 de Agosto de 2020
CAZUMBI . LXII

MOKANDA ANTIGA - ODISSEIA ANGOLA . Parte II de IV - AGOSTO DE 1975

Crónica: 3043

Emocionante. Uma crónica maravilhosa para os meus amigos de Angola, especialmente para os que fizeram a CARAVANA de fuga pelo deserto até à África do Sul. Vou notificar alguns amigos que sei que lá estiveram nas caravanas e seguiram na travessia do deserto kalahári e Costa dos Esqueletos…1975 - 2020

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbo

Por

Sónia1.jpg Sonia Zaghetto

fuga10.jpg Meu pai só vi duas vezes. Na primeira eu tinha seis anos e ele me levou pra passar o dia na casa dele e conhecer sua esposa e filhos. A segunda vez foi aos 16 anos. Ele me encontrou na rua, na garupa da moto de um amigo e repentinamente se lembrou que era pai. Mandou eu descer e ir pra casa, que filha dele não andava de moto. Ah, meu Senhor, filho mal havido nem sempre engole sapo – anote aí. Disse-lhe que não era meu pai, que não passava de um reprodutor. Depois disso nunca mais o vi. Tudo o que sei dele é que vive em Portugal.

A vida em Angola enchia de festa meu coração adolescente. Com os Escoteiros Marítimos da Praia do Bispo acampei em ilhas e praias distantes, participei de paradas militares, visitei hospitais e presídios. Com grupo de dança folclórica Rancho da Casa do Minho dancei em campeonatos e apresentações. Vi o nascer do sol na praia da Ponta da Ilha, andei de moto nas dunas da praia do Sol e acampei na paradisíaca ilha do Mussulo. No Baleizão comi prego no pão com Coca-Cola. Nos bares à beira da praia comi santola, camarão, peixe no molho de dendê, muamba com pirão de milho. Eu nem sabia, senhor, que fabricava as lembranças mais caras. Um dia elas seriam os retalhos coloridos da minha colcha de saudades.

fuga11.jpg Tudo mudou em abril de 1974. Angola ansiava pela justa independência. Estávamos numa entressafra de tranquilidade. O terrorismo de 1960 quase não existia mais. Os guerrilheiros tinham sido rechaçados pelas tropas portuguesas. Porém, com as mudanças na política de Portugal, tudo mudou nas colónias lusitanas na África. Grândola Vila Morena deu a senha para os cravos florescerem nas armas. Marcelo Caetano caiu. O socialismo venceu em Portugal: Álvaro Cunhal, Mário Soares e seus camaradas, agora no poder, apoiaram a independência e o Movimento Pela Libertação de Angola, liderado por Agostinho Neto e patrocinado pela ex-URSS, Cuba e Alemanha Oriental. Mas no país existiam também a Frente Nacional de Libertação de Angola, de Holden Roberto, apoiada pela França e pela Bélgica; e a União Nacional pela Independência Total de Angola, de Jonas Savimbi, apoiada pelos Estados Unidos. Os dois grupos não aceitaram os favores de Portugal ao MPLA.

Iniciou ali, senhor, a grande guerra civil que devorou o meu país por três décadas. A violência aumentava a cada dia. Balas perdidas, rajadas de metralhadora, morteiros de bazuca e granada passaram a ser rotina. Quantas vezes, tínhamos que nos jogar no chão, dentro da sala de aula ou de cinema? Lembro de um dia em que Jesus Christ Superstar estava na tela enquanto eu, deitada no chão no cine Tivoli, ouvia as balas assoviarem sobre a cabeça.

Era difícil para todos, mas quem tinha pele branca, como eu, caiu em um limbo. Eu não era colonizadora, nem exploradora. Era uma adolescente angolana, pobre e agora considerada inimiga. Em meados de Março de 1975, começamos a cumprir o toque de recolher. A partir das 16h, brancos não podiam andar nas ruas sob pena de serem presos ou mortos por grupos guerrilheiros. Estes não eram mais chamados terroristas e sim aclamados como heróis da libertação. Havia assassinatos de homens brancos todo santo dia. As mulheres sofriam mais: eram seviciadas antes de morrer. Minha mãe rendeu-se ao medo: em Junho daquele ano me mandou para Nova Lisboa, onde tínhamos familiares e as coisas estavam mais tranquilas.

fuga13.jpg Muitas famílias estavam fugindo do norte do país e indo pra a nossa região, onde recebiam apoio da Cruz Vermelha Internacional para deixarem o País com destino a Portugal ou à África do Sul. Comecei a trabalhar como voluntária num dos postos da Cruz Vermelha. As caravanas do norte se multiplicavam. Eram tantas, que houve dias em que não dormíamos. Engolíamos pedaços de pão enquanto limpávamos ferimentos, distribuíamos comida e dávamos informações. Quando conseguíamos parar por alguns minutos, encostávamos o corpo nas caixas de alimentos e dormíamos em pé mesmo.

fuga9.jpg A multidão rugia em desespero. Gente à procura da família, gente abatida e sem rumo. Derramavam grossas lágrimas, lamentavam-se em alta voz pelos parentes mortos, pelos bens perdidos, pelas emboscadas às caravanas. O bicho homem é bruto, meu senhor.

Lembro muito bem, ainda hoje, de uma caravana. De um dos carros desceu uma família atacada na estrada. A mãe tinha uns olhos perdidos e carregava o filhinho no colo. Seu choro era um chicote que arrancava lascas da gente e tingia de cinza o vasto mundo. Implorava que lhe salvássemos o menino, mas ele, senhor, já estava morto. Nesse dia, lembro-me bem, rompi com Deus. Reneguei-o. Era bem certo que nenhum ser supremo e bom poderia criado tal humanidade perversa e tanta dor a fustigar as costas dos inocentes.

(Continua…)

Sonia Zaghetto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:30
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2020
CAZUMBI . LXI

MOKANDA ANTIGA - ODISSEIA ANGOLA . Parte I de IV - AGOSTO DE 1975

Crónica: 3042

Emocionante. Uma crónica maravilhosa para os meus amigos de Angola, especialmente para os que fizeram a CARAVANA de fuga pelo deserto até à África do Sul. Vou notificar alguns amigos que sei que lá estiveram nas caravanas e seguiram na travessia do deserto Kalahári e Costa dos Esqueletos…1975 - 2020

kimbo 0.jpgAs escolhas do Kimbo

Por

Sónia1.jpg Sonia Zaghetto

sónia2.jpg "Já sentiu saudade de sua terra, senhor? É uma coisa que brota na fundura do peito, percorre bem devagar a pele, arrepia os pelos dos braços, bambeia as pernas. Garra de unhas pontudas, pega o coração da gente e espreme lentamente". Pingam gotas vermelhas que abrem uns vazios na alma dos homens. Houve um tempo em que eu não sabia o que era saudade de casa.

Nasci numa cidade do sul de Angola, Nova Lisboa. Hoje ela se chama Huambo. Era o dia 2 de abril de 1958 e minha mãe tinha 16 anos. Solteira. Meu avô não queria que eu nascesse, não. Minha mãe bateu o pé e foi enfiada num convento para que eu nascesse lá. Depois eu seria dada para adopção. Minha mãe bateu o pé de novo: agarrou-se a mim – sua carne, seu sangue. Fiquei. Até completar um ano, vivi entre os hábitos das freiras, ninada pelo som das orações, dos cânticos, dos sinos, filha das Ave-Marias, das Salve-Rainhas, dos Pai-Nossos sentidos.

Talvez minha mãe tenha rezado muito, não sei. Talvez os santinhos que me viram chegar ao mundo tenham adoçado o coração de meu avô. O certo é que de repente ele se viu apaixonado por mim. Veio nos buscar. O que sei sobre essa época é o que minha mãe contou. Eu mesma de nada lembro. O que ela conta é que eu e meu avô não nos separávamos. Alto, de cabelos grisalhos e sorriso largo, ele me carregava nos ombros pra todo lugar e me mimava, me ensinava a ser respondona, não permitia que a mãe me castigasse. Só ficamos na casa dele até eu completar três anos. Mamãe não tolerava a “madrinha”. A bem da verdade, não era madrinha – era madrasta.

fuga1.jpg Minha avó morreu quatro anos antes do meu nascimento. Assassinada. Estava na cozinha e um homem chegou. Disse estar com fome, pedia comida. Minha avó se compadeceu: sabia dos sofrimentos dos homens negros em Angola. Mandou-o entrar e sentar-se à mesa. Enquanto servia o prato, o homem se levantou. Como uma pantera, veio por trás e a estrangulou. Minha mãe e meus tios menores estavam no quintal, brincando. Nada viram. Ficou a lição de que algumas criaturas – não importam a cor da pele – são diabos. Ah, se são…

A casa do avô, em Nova Lisboa, tornou-se lugar das férias até os meus 10 anos. O avô trabalhava de sol a sol na chitaca. Levantava às 5 da matina e ia pros campos de sisal, abacaxi, laranja, goiaba, tangerina, caju. Às 9 horas, eu e os primos levávamos o matabicho para ele e prós trabalhadores. Era bom aquele tempo de brincar, nadar no lago, subir nas árvores, cravando os dentes nas frutas colhidas no pé, correr atrás de patos e galinhas e dar cigarro aos camaleões só para vê-los mudar de cor e despencar do galho completamente chapados.

Até hoje, senhor, não encontrei comida melhor que a da senzala. Todos juntos, brancos e negros, comendo pirão ao molho de dendê e peixe-seco. Que saudade agora me dá de pegar o pirão com a mão, molhar no dendê e depois lamber os dedos besuntados. Não há nada melhor, viu?

fuga3.jpg Quando eu e minha mãe saímos de Nova Lisboa, fomos pra Luanda. Ela trabalhava como costureira. Foi assim que me criou, sentada na máquina de costura. Cresci entre tesouras, linhas e tecidos, rendas e fitilhos. Grandes espelhos reflectiam as senhoras elegantes que chegavam a toda a hora. Minha mãe era a melhor: só trabalhava pro high society de Luanda. Noivas? Eu juro, senhor, que perdemos a conta de quantas ela vestiu – uma mais bela que a outra.

Adolescente, estudei num colégio de freiras, o melhor de Luanda, o mais caro. Era bolsista e tinha a obrigação de ter notas altas. Entrei no colégio por recomendação do presidente da Câmara de Luanda, cuja esposa era cliente da minha mãe. Gosto de lembrar desse colégio. Ali fiz grandes amizades, algumas duram até hoje, embora separadas por oceanos. Foi lá, também, que aprendi a me defender. Filha de mulher solteira, quantas vezes me chamaram de bastarda? Nem lembro. Eu reagia. Não nasci para baixar a cabeça, não senhor.

fuga6.jpg Morávamos num apartamento bem pequeno. Quarto e sala, cozinha, banheiro e uma sacada minúscula, de frente para o mercado municipal, que a gente chamava de Kinaxixi ou Mercado da Maria da Fonte. Na época de provas eu acordava às 3 da madrugada. Quando os feirantes começavam a arrumar as bancas, eu aparecia na sacada e berrava para que parassem de fazer barulho, que eu precisava estudar. Eles riam e moderavam a barulheira. Depois de um tempo, eles se acostumaram a conferir: se a luz do quarto estava acesa, já gritavam “Hoje vamos ficar quietos. Vai estudar, miúda!”.

(Continua…)

Sónia Zaghetto



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:21
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Sábado, 4 de Julho de 2020
CAZUMBI . LIX

RECEITAS - Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol … 04.07.2020

Por

canhot3.jpgAntónio José Canhoto

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kizomba

 maian4.jpgMuitos dos humanos preferem procurar nos outros o Mestre em vez de despertarem aquele que adormecido se encontra dentro de si. Não deixe nem permita que sejam os outros a carregarem a sua ignorância, porque quando o fazem exigem contrapartidas porque tudo na vida tem um preço. Há muros que só a paciência te permite derrubar, a necessidade e o engenho rios atravessar e diferenças de opinião pontes a construir. Não ande à minha frente pois não sou seu escravo nem ovelha para seguir o seguir como, meu pastor.

Não ande atrás de mim como animal a seguir o dono, ande ao meu lado como igual sem complexos de superioridade ou inferioridade. Quando começar a exigir mais de si, e, esperar pouco ou nada dos outros, evitará ter muitos aborrecimentos e desilusões. O grande azar na vida não é cruzar com um gato preto, passar por debaixo de uma escada, abrir um guarda-chuva dentro de casa, encontrar uma ferradura ou quebrar um espelho, mas sim ter de ouvir um ignorante discursar sobre algo que não sabe por diplomacia ou por dever de ser politicamente correcto.

maian8.jpgAo longo dos meus 77 anos de vida, já conclui que o que o resto do tempo que tenho para viver vai ser mais curto do que comprido. Aprendi muitas coisas e algumas delas, partilharei com quem me lê com muito gosto. E uma delas é que a vida é curta demais para viver o mesmo dia duas vezes. Aprendi que o tempo cura, que deuses não existem foram inventados, que a mágoa passa, que a decepção não mata, que não deve dar a outra face depois de ter levado uma chapada, pode perdoar mas nunca esquecer.

Retalie sempre com juros de mora, porque o dia continuará a ter 24 horas como ontem, que os amigos vão e vêm, que nada é eterno, que a maioria dos sonhos não se concretizam, que a dor fortalece, que a vida ensina mas a aprendizagem é caríssima, mas que viver é sensacional quando o fazemos com toda a intensidade possível, e ser-se feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade. Nunca se deixe manipular, persuadir ou mentalizar por ninguém, porque logo que se torne seguidor e prosélito de alguém que o inspirou, doutrinou, deixou de ser um homem livre para se tornar num obediente escravo.

maian6.jpg Eu sei onde está o tesouro da vida e do conhecimento mas para lhe dar o mapa para o encontrar terei que saber primeiro se você tem a paixão, determinação e força mental para o descobrir, desenterrar e ler as tábuas das verdades universais que se encontram dentro dessa arca. Ame na vida algo mais elevado e maior, no qual você se perderá sem se controlar, que é você mesmo e a sua capacidade de conseguir que todos os deuses pereçam dentro da sua mente, pois na vida apenas poderá contar consigo, ninguém virá em seu auxílio em momentos de crise, depressão ou dificuldade.

Quando somos diferentes do modo de pensar das maiorias passamos a ver o mundo todo cinzento pois todos pensam da mesma maneira e seguem o mesmo caminho. Isso obrigou-me a criar um mundo só meu e personalizado onde sou deus e satanás quando quero e entendo, prestando contas apenas à minha consciência. Não preciso nem de religião ou deus algum para me comportar civicamente, porque se precisasse de seguir comportamentos éticos ou mandamentos emanados por divindades deixaria de ser humano, racional e consciente e passaria a ser um animal de circo amestrado.

mandrak5.jpg Se há coisas que me enlouquecem é viajar por dentro de livrarias o tempo passa sem eu me aperceber, acho que era o local onde eu gostaria de trabalhar. Os homens nunca foram tão escravos dos seus mitos e lendas como o são hoje, porque tiveram o atrevimento e arrogância de lhe concederem o estatuto de divindades quando os criaram e inventaram na esperança que estes respondessem à sua ignorância e aplacassem os seus medos. Os meus pensamentos transcritos nos textos que produzo não têm a intenção de serem prescrições médicas para seguirem a fim de se livrarem dos males do mundo.

maqui1.jpg Do mundo que tenho vindo a identificar, mas que pelo menos se servirem para reflexão já sinto que a minha missão foi concluída com êxito. Espero que um dia quando acordar não se vá lamentar que o tempo que lhe resta para fazer as coisas de que gosta já é curto ou para desmistificar as inverdades com que o doutrinaram. Só nessa altura perceberá que só fez o que não gostava e que sempre obedeceu às vontades e verdade de terceiros. Plante as suas próprias verdades, não colha as dos outros escreva a sua própria biografia não deixe quer sejam outros a fazê-lo.

1-7-2020 - António José Canhoto - No Algarve

Crónica 3036

As opções de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:09
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2020
XINGUILA . I

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - Foi em Olinda de Pernambuco no Brasil que vivi o MARACATU 01-07.2020

Crónica 3034 - Li algures que KALUNGA é o plural de lunga ou malunga mas, tanto quanto pesquizei, Kalunga é um elemento sagrado do Candomblé de Pernambuco…

Por

soba03.jpg T´Chingange – No Sul do M´Puto

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi / Mukisi. 

olinda2.jpg Xinguilado assim, qualquer um de nós pode ser qualquer outra coisa mas, quando é então que nossos comportamentos transvazam a fronteira da vida em uma excêntrica mentira? Porque há quem nunca mate a criança que existe dentro de si e, que por vezes rompe seu equilíbrio de propósito sem um qualquer filtro ou sem se aperceber.

Se me raparem as sobrancelhas com o pretexto de extinguir a caspa, minha cabeça pode muito bem transformar-se numa espécie de volume branco de manequim, aonde sobre esta, se pode pintar uma qualquer outra figura que não a minha.

olinda4.jpg Posso alisar meus cabelos untosos ao jeito de malandro lá dos finais de 1930, fingir-me num boi sagrado, coisas do “bumba meu boi”, com sua inebriada e sagrada figura mudando disto de ser-se homem para mulher como quem muda de camisa, puteando-me como as madames de fina estirpe e, sempre nessa sua estrema segurança que no tempo se transparecem de arrogância ou egoísmo. Nem importa porque num repente sou Eva a mulher de Adão, o mesmo casal que mutilou a única condição de vida que Deus lhes impôs, não comer uma tal fruta, poderiam faze tudo o mais e, eles desrespeitaram comendo o fruto proibido. Haka! Nosso mundo começou mesmo muito mal!

Foi em Olinda de Pernambuco no Brasil que tomei de novo, contacto com o termo genuinamente angolano. As expressões culturais ameríndias e afros diluídas no sangue latino e africano, colonizadores e escravos cozidos no grande caldeirão genético do Brasil com os pretos, pardos, mulatos, cafusos, caboclos, matutos e mazombos.

araujo114.jpg Também há mamelucos e mazombos que originaram um maracatu muito característico no carnaval de Olinda, altura mais certa para extravasar coisas incubadas nas frinchas do tempo. No espectáculo carnavalesco surgiram ao longo dos anos nomes que mais pareciam ser dos Dembos ou do Kwanza de Angola tais como "os Xurimbas", "os Muximas" ou " as capotas ou o papa-angu"

Tanto o quanto pesquizei, Kalunga é um elemento sagrado do Candomblé de Pernambuco, Brasil, e simboliza uma rainha morta, talvez a N´Zinga mas, simbolizada em verdade numa "boneca de cera do Maracatu". Em 1932 surgiu um grupo Kalunga com o nome de "Homem da meia-noite", fruto do maracatu nação; algo inspirado a partir do culto Bantu, da língua Kimbundu e Xhosa. No carnaval esta figura é feita de barro, palha, madeira ou cera.

monangambé.jpgReferem alguns pesquisadores que pode ser o nome dado a carregadores desclassificados de carrinha de caixa aberta mas, eu a estes chamo de monangambas ou monangambés. Este termo de Calunga, significa irmandade, fidelidade, a amizade feita divindade, uma boneca de encantar a quem se quer bem. Este misticismo colado com superstição, foi trazido de áfrica pelos milhares de escravos.

Conforme o "baque" ou batida, existem dois tipos: Baque Virado (Maracatu Nação) e Baque Solto (Maracatu Rural). O primeiro, bastante comum na área metropolitana do Recife, é o mais antigo ritmo afro-brasileiro; e o segundo é característico da cidade de Nazaré da Mata a Norte de Pernambuco.

Com ritmo intenso e frenético, teve origem nas congadas (que vem de Congo), cerimónias de coroação dos reis e rainhas da Nação Negra. Na percussão chama-se a atenção os grandes tambores, chamadas alfaias que são tocados em baquetas especiais para o instrumento. Estes dão o ritmo ou o baque da música e são acompanhados pelos caixas ou taróis, ganzás e um gonguê ou agogô.

periferia.jpg Há poucos anos houve um movimento sociocultural em Recife que fundiu o ritmo maracatu com a influência da música electrónica. Assim surgiu o movimento Manguebeat, criado por Chico Science, um maracatu moderno. Outras referências são a Nação Zumbi, a Mundo Livre, a Mestre Ambrósio, entre outros seguidores do movimento.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:35
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Sábado, 27 de Junho de 2020
CAZUMBI . LVIII

CINZAS NO M´PUTO - ”A CHUVA BATE NA PELE DO LEOPARDO, MAS NÃO TIRA AS SUAS MANCHAS, NEM VICIOS”. Andamos com o credo na boca, motivo do COVID 19 que à revelia, faz tempo, trilha nossa vontade19.06.2020 no FB

Crónica 3032 - 27.06.2020 no Kimbo Lagoa - Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

soba16.jpg T´Chingange – No Sul do M´Puto; Al-Garbe

burundanga1.jpg Flor da Borundanga - Tem kazumbi

Ando a esquecer o passado - Será que tomei essa coisa de borundanga - Uma droga  extraída da Datura Stramonium, uma planta ornamental de flores brancas em forma de sino, vulgarmente conhecida como trombeta ou trombeteira, bastante comum na Espanha e na América Latina. Lá iremos porque tenho uma coisa destas no meu quintal..Óh folha do diabo...

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O Mundo necessita de nós para respirar e por isso as autoridades de saúde pública fazem a lei de forma rápida na mira do boteco das bifanas abrir quanto antes, pois que a economia tem de correr, também porque o socialismo é muito bom a lidar com o dinheiro dos outros – o nosso! Recordar agora o exercício de minha mãe Arminda equilibrando o orçamento do lar, fazendo comícios às galinhas na capoeira coberta a zinco lá na Rua José Maria Antunes numero vinte e dois na Maianga da Luua.

araujo63.jpg Um prédio com arcos construído no rigor da salubridade colonial, na casa dos fundos a dar para o pátio da cantora Sara Chaves, quase mesmo no início do Catambor. Lugar que nem sabíamos que não era nosso porque eramos brancos de pele e colonos de condição. O tempo tratou de nos dar a seguridade dos hipócritas filósofos que falam com as latitudes e algoritmos dos rumos de cada qual como fossem os senhores do outro, que tu não és daqui, vai para a tua terra fazer semeaduras e tratar da casa do senhor teu feitor…

Dona Arminda, sozinha falando com rispidez com as poedeiras pedreses num canto do fundo do quintal, logo a seguir ao tanque de selha e depois da mandioqueira que só dava sombra: - Ou vocês põem ovos ou corto-vos o pescoço - vão prá panela fazer de cabidela! E, elas punham ovos grandes! A vizinhança só queria os ovos da dona Arminda porque pareciam mamões da Luua. Sim! Isto decorria numa rua do bairro Maianga com cheiro a acácias rubras e zumbido permanente de cigarras, um calor de trópico.

eleutero4.jpg O dinheiro que Dona Arminda fazia, dava decerto para comprar um peixe-espada à quitandeira que sempre parava naquele número de rua e, aonde apregoava do seu jeito jeitoso, chamamento do peixié sinhola – tá fresquinho, compra só! A vida assim gerida de toma lá dá cá compara-se aos governantes do M´Puto que não também não fazem milagres sem ovos; Eles, vindouros daqueles outros descolonizadores, andam cansados…

Inventando regras a definir como e por onde andar por forma a agradar à velha carência dos recursos nacionais, incentivam o pessoal a ir ao café, ao teatro, aqui e ali e até à praia notando-se que estimulam da forma que julgam mais certa para e, como as galinhas começarem a chocar ovos, fazer omeletes, pataniscas e trespassá-las em dinheiro porque senão ficamos à rasca. Ainda se tivéssemos uma colónia, se tivéssemos colonos, se e, mais se…

AMADEU3.jpg Um esforço para desentorpecer a apatia amarelada dos rostos encafifados num desespero entorpecido dos galináceos - eu, tu, ele, nós, vós, eles – todos! A realidade que ninguém conhecia é bem complexa ao ponto de tornar rapidamente os cabelos brancos por tantos ansiolíticos tomados por quem tem esse cariz de ambição – de ser governante; com tanto nada e tão pouco incerto, muito fica por explicar na inactiva justiça, na improvisação da educação…

Muito fica por explicar prever e acudir incêndios das matas, repensar num interior desvalido e o crescer de palpites tendo o improviso como sorte dum instinto. Tudo isto com comentadores cambutas, longos e oblongos a zurzir à perna inflacionando sortes e azares como se tivessem o futuro na ponta dos dedos ou o tivessem comido por inteiro com arrotos de carapau frito bebido com morganheira tinto ou verde Casal Garcia…

onça1.jpg Foi neste então que recordei aquele mítico provérbio africano ”a chuva bate na pele do leopardo, mas não lhe tira as suas manchas” aonde para além da onça, do leopardo e da chita existem a hiena e o mabeco que também as têm. Bom! Agora que sou zebra noto ocorrer-me o mesmo fenómeno em manter as riscas mas agora, mesmo que chova ou faça sol, acontece um outro pormenor – também me embranqueceram no decorrer do tempo…

As riscas irregulares das verdadeiras zebras são para fazer com que o leão fique tonto ao persegui-las perdendo a noção e desequilíbrio. O facto de todas correrem em simultâneo causa o efeito psicadélico e, o que era, fica turvo com tantas riscas a se moverem. Às tantas as ordens variam conforme o desequilíbrio pois! Fique em casa ou, saia e vá às compras, movam-se mas, há um mas: não desconfiem átoa. A natureza ensina muito a quem se detém a observar os mistérios tão perfeitos dela…

zumbi00.jpg É por estas e outras que uma grande parte das pessoas com quem vou tendo contacto, sentir-me desiludido! Posso até perguntar ao mundo e para quem me lê, que interesse poderá ter no dizer de lindas ou ortodoxas de alguém com falas tão cheias de façanhas agigantadas, quase-quase de soberba superioridade. Para quê? Fica tudo assim como uma nítida imagem de uns tantos petulantes que não perdem a oportunidade de afectar as minhas sensibilidades, os meus cheiros, as minhas impressões como se fosse um desmilinguido…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:05
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Domingo, 31 de Maio de 2020
XICULULU . CXXV

TEMPOS ARREFECIDOS 29-05.2020

E, nós aqui no covidamento, como uns moiros de cara tapada, escondendo as lacunas que, os impostos nos irão impingir no esqueleto com se fora energia exogénica… Meus dentes já abanam todos, de tanto mitigar ansiedade futurista…

Crónica 3027

Por

soba15.jpg T´Chingange, no Sul dos Al-Garbes

longe0.jpg Como diz a sombra esquerda de Saramago, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó como faziam nossos antigos marinheiros para definir profundidades em batimétricas; é uma superfície oblíqua e ondulante, dependente da memória. Uns têem, outros dizem ter, outros, é só de faz-de-conta fingindo que sabem mais do que Zaratustra ou Nostradamo. O sol, o ar, a água, e a terra, têm de ser considerados permanentemente parte de nós. O corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo, como um veneno mortal. Vivemos momentos de medo, de imposições e uma baralhada de novas posturas, e assim mais assado, fique ali e… tudo como se tivéssemos quatro anos e, perdidos dos pais.

O sol é a verdadeira fonte da vida e, ao invés do que alguns conceituados doutorados dizem, ele não é prejudicial; não é o sol que provoca o câncer de pele mas sim os muitos venenos que ingerimos sendo queimados ao serem expelidos para ela. Ando a ficar mouco e até estrábico de olhar para a televisão a ouvir e ver coisas que não pensava; Para ver melhor, subi minha bitola colocando um calço de cortiça para definir melhor os contornos. Ora vivemos em bicha de pirilau como se estivéssemos a treinar para uma guerra, ora mandam-nos ficar em quadrados num aprendizado de novas geometrias. Uma aprendizagem precoce quanto baste para no tontear a mioleira.

máscaras2.jpg Isto é mesmo uma teoria de conflitos que só sairá com cromoterapia e acupunctura desde os calcanhares à frontalidade do templo – nossa testa. Ontem espetei um pico no dedão do pé, ali ficou a fazer-me a cura de vamos-ver-o-que dá, se minhas defesas linfáticas e limbosféricas estão nos conformes com o gráfico da curva e, considerando sempre que a terra feita argila, tudo cura…Manter a alegria acima de certo limite é crime, retira a orientação de coragem ponderadamente equilibrada. Mas, abaixo de certo calibre entre uis e ais ou um silêncio mudo, a máquina pára – sepulcra-se!…

A terra na forma de argila é um laboratório de vida porque purifica, regenera e dá energia. Repito: corpo é em verdade o pára-choques das emoções tendo entre outros males o medo como um veneno mortal. Teremos por isso de nos fixarmos na fé, uma qualquer que contenha hídroxicloroquina sem aquela inquietude de afligir o próximo, de que dá, num dá, mas pode ser! Ou ficar nesse estranho silêncio, uma forma de ver o princípio do nada e lerpar!

máscaras5.jpg Ou então esperar sentado, as mudanças no tempo e suas modas; adaptando-nos ao luto de preto ou branco enquanto não houver uma droga eficaz retirada da raiz da Welwitschia Mirabilis – talvez, digo eu! A nova medida deste tempo covidesco é o “talvez”. Tanta tecnologia de ponta que até desaponta… Andam a curtir mortes, picos e curvas com teorias georreferenciadas no Bill Gates e outros filantrópicos muito carregados de anfetaminas para curtir seu sono. E, o pessoal num desespero a ver lerpar os kotas mais-velhos com os dentes a abanar, sem tesão de vida para erguerem sua moralidade, a mijarem-se todos pelos retentores descalibrados ou frouxos. Pópilas, assim não brinco…  

E, porque se diz que a justiça é cega e surda, pelo que se sabe também anda meia calçada e meia descalça para fingir que agrada a humildes descamisados e ricos encoirados. Como se a coragem fosse também uma medida de orientação pois a todos se diz para seguirem no caminho certo, mas ninguém sabe o rumo, ninguém sabe qual o azimute. Estamos lixados, entregues à bicharada! Pelo sim pelo não, usamos amuletos da sorte para nos enganarmos nas figas, no corno, na meia-lua, na estrela de David penduradas ao pescoço ou uma ferradura velha de burro.

haida art.jpg O místico, junta-se com a Cruz e o Cristo numa caixa, asfixiando-O o tempo todo e, sempre picado em sua coroa de medonhos espinhos com um credo na ponta das falas, uma cruz e credo com interrogação e exclamação juntas sem obedecer a qualquer confinamento. O ar inteiro repleto de informação em excesso, torna-se coisa teimosa, ora viçosamente manuseada ora ficando solidamente concreta. Pelo sim e pelo não, também tenho uma ferradura de burro manco pendurada por detrás da porta da dispensa mas, estou em crer que deveria estar bem á mostra por via do mau-olhado, esse tal de xicululu ou olho gordo.

Passando da alegria horizontal para a vertical, cada qual festeja sua sombra e seu quadrado, por vezes círculos num vazio salvador pensando que o mal, se o houver vem limpo com álcool gel, água sanitária, sabão macaco; num repente o mal elimina-se limpando e é ver todo o Mundo esfregando corrimões, alavancas, caixas e espelhos com caixilhos, mais vidros e pisos; No Brasil a noite não passa, a manha vem, vira tarde e de novo o sol apaga a terra, as casotas mal enjorcadas, a favela, o mukifo aonde vivem famílias de muita gente sem torneiras, sem água nem aonde cagar! Eles, sabem disto mas Bolsonaro é que está a mais, não eles! Sempre a mesma merda de política a desviar milhões - os comilões.

dia121.jpg Tem gente neste aborrecido Mundo, que matam só para ver alguém fazer careta; também não queria acreditar até que um dia captei: Cada homem é um mundo que tem que ao tempo, dar-se-lhe tempo na descoberta de pegadas, cheiros encarquilhados, suor de catinga numa densidade molecular desconhecida. Nem nos anos da leitura de carbono irão desbravar as ondas de crimes de colarinho branco, rusgas e detecção de contas surpreendidas. Serão sempre eternos vaga-lumes que darão luz até que se prescreva seu passado. 

E, se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado e, embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não olhar para nós; Assim distraído, lá teremos por isso de nos fixarmos na fé do catanas ou dos calhas com sorte, sem aquela inquietude de afligir o próximo. Cá por mim que sou Niassalês de coração, sempre ficarei na duvida de que a lei se cumpre em plenitude, pois que que são os julgadores juízes que agora estão a ser julgados. Por enquanto só são arguidos mas, já sabemos que andou por ali mãozinhas estranhas a depositar às mijinhas parcelas de somar milhões.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:52
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Domingo, 17 de Maio de 2020
MOAMBA . XL

NAS FRINCHAS DO TEMPO. Tempos de cinza

O risco da vida que, por coisa pouca muda nossas vidas…

Crónica 3024 - Meditação do T'Ching -17 de Maio de 2020

Por

soba02.jpgT'Chingange - A Sul do M'Puto

Acácia rubra1.jpg Em um desses momentos nublados, às vezes, olhando o Mundo pela janela, atribuo a intromissão de Satanás nos acontecimentos maus que nos afectam. E, assim vendo os loendros dando flores de cores variadas converso com os ramos da amendoeira, bonita de verde e com amêndoas inchadas.

Lá nas alturas ouço um helicóptero zumbindo suas pás na direcção do deserto glorificando a sapiência humana que cria métodos no seu poder,  de mudar as coisas, de estudar as lesmas, os ácaros e os  aparentes e frágeis fios que suportam a aranha.

favela1.jpg Aranha que ali fica horas a fio até que apareça o almoço. Acho que não foi Satanás que lhe concedeu estes poderes. Mas, então esta faculdade, foi lhe dada por quem? Conversando com meus botões, procuro no livro dos livros as metáforas ligadas por missangas de muitas falas...

Deus, já me havia concedido provas de que na natureza tudo tem um tempo e que este foi encaixotado numa máquina a que chamaram relógio. Não falei com Ele no discurso directo mas tive a premonição que ele tentava alinhavar meus zingarelhos do cerebelo.

arannha2.jpg Juntando meus estralhos, adjunto outras direcções  para entender se os alhos com bugalhos são um remédio eficaz para eliminar um bicho feito gelatina invisível e com esporos que furam nossa paciência, estragando os negócios do reino, parando tantas nações. O maldito COVID 19.

Uma minudescência que ninguém consegue matar na suficiente perfeição. Isto é obra de quem? Do homem, do Satanás, de Deus? É um castigo às nossas promíscuas relações entre gentes, entre ideias, entre ideais!?

aranha3.png Isto não é  pecaminoso? Embora advertido por falas silenciosas, sobre a resposta do desagrado divino sobre as nações, revejo - me um inocente  ser, indefeso quanto baste para me colocar numa duvida: “Pequei muito!” - pecamos muito, Noé!?

A David  do livro dos livros, foram dadas três opções de castigo: duas por meio de inimigos humanos mas, a terceira foi diretamente do Senhor. David, familiarizado com as guerras e a impiedade humana, entendia que, mesmo sendo castigando por Deus, Ele era infinitamente mais gracioso...

dia85.jpg É sempre assim! Para tudo Nós queremos ter uma explicação; se calhar não a merecemos, Noé!? Somos propensos a assumir o papel de juízes implacáveis em relação a nossos semelhantes, enquanto Deus mescla justiça e misericórdia em Seu trato com eles e connosco. Pópilas! Exactamente da mesma forma em como eu junto imbambas, estranhos com zingarelhos!

Estamos sempre julgando e condenando pessoas, sem nos preocuparmos em calçar seus sapatos e, de seu ângulo, avaliar tudo quanto as afecta. Bem! Cá para mim isto começou nos Chinocas, ponto final! Pois! Mas nós somos interesseiros em nossas atitudes, sim!

Professores não se lembram de que foram alunos, patrões se esquecem de que foram empregados e cortam na escassez. Mas, na abastança ficaram com o todo, Noé! Gente que apregoa aos ventos seu Deus, omnipotente e justo mas, na hora do "para mim", aDeus! Só seus interesses contam -   Hipocrisia, Noé!?

FK2.jpg Pais perdem de vista o tempo em que foram filhos. Em um conflito interpessoal, assumimos posição de um lado sem ouvir o outro. Mas então se somos moldados pela disciplina de Deus, deveríamos sentir o afago restaurador da misericórdia, Noé!? Vou ali, já volto...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:53
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Sábado, 4 de Abril de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CVIII
GUERRA HÍBRIDA . AFINAL QUEM COMEÇOU ESTA FARÇA? INFORMAÇÃO E CONTRA INFORMAÇÃO… ESTAMOS FEITOS AO BIFE…  04.04.2020Crónica 3012
Por: Pepe Escobar - Asia Times
Artigo | Como o exército dos EUA pode ter levado o vírus à China, por Pepe Escobar
- Após crise gerada pelo coronavírus, Pequim passou a considerar abertamente os EUA como ameaça…18 de Março de 2020.

tonito19.jpgAs escolhas de T´Chingange - No Nordeste brasileiro

corona10.png O presidente chinês Xi Jinping tornou a sua posição clara - Xie Huanchi / XINHUA / AFP… De entre os inumeráveis efeitos geopolíticos tectónicos do coronavírus, que são impressionantes, um já é claramente evidente. A China reposicionou-se. Pela primeira vez desde o início das reformas de Deng Xiaoping em 1978, Pequim considera abertamente os EUA como ameaça, declarou há um mês o ministro de Relações Exteriores Wang Yi na Conferência de Segurança de Munique, no pico da luta contra o coronavírus. Pequim está modelando passo a passo, com todo o cuidado, a narrativa segundo a qual, desde os primeiros casos de doentes infectados pelo coronavírus, a liderança já sabia que estava sob ataque de guerra híbrida. A terminologia de que se serviu o presidente chinês é eloquente. Xi disse abertamente que se tratava de guerra. E que foi necessário iniciar uma “guerra do povo”, como contra-ataque. E descreveu o vírus como “um diabo”.

Xi é, por formação, confuciano. E, diferente de outros pensadores chineses antigos, Confúcio não admitia discussões sobre forças sobrenaturais e julgamentos depois da morte. Contudo, no contexto cultural chinês, “diabo” designa os “diabos brancos” ou “diabos estrangeiros”: guailo em mandarim, gweilo em cantonês. Xi, aí, fez forte denúncia, em código. Quando Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, expressou num tuíte incandescente que “é possível que 'o Exército dos EUA tenha trazido a epidemia a Wuhan' – primeiro tiro nessa direcção, vindo de alto funcionário – Pequim lançava um balão de ensaio, sinalizando que a luva havia sido jogada. Zhao Lijian fez a conexão directa com os Jogos Militares em Wuhan em Outubro de 2019, que incluiu uma delegação de 300 militares dos EUA.

corona01.jpg Lijian citou directamente o director dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (ing. CDC) dos EUA, Robert Redfield, o qual, quando perguntado na semana passada se foram descobertas postumamente mortes por coronavírus nos EUA, respondeu que “alguns casos foram realmente diagnosticados desse modo, hoje, nos EUA”. A explosiva conclusão de Zhao é que o covid-19 já estava activo nos EUA, antes de ser identificado em Wuhan – devido à incapacidade dos EUA, hoje já completamente documentada, para testar e verificar as diferenças que houvesse, na comparação com a gripe.

Acrescentando tudo isso ao fato de que os genomas dos coronavírus recolhidos no Irã e na Itália já foram sequenciados, e já se sabe que não são a mesma cepa de vírus que infectou Wuhan, a midia chinesa já fez e já pergunta abertamente por uma conexão com o fechamento, em agosto do ano passado, de um laboratório militar de armas biológicas declarado “inseguro” em Fort Detrick, com os Jogos Militares e com a epidemia de Wuhan. Algumas dessas perguntas têm sido feitas – e continuam sem resposta – dentro dos próprios EUA. Perguntas extras permanecem, sobre o nada transparente Event 201 em Nova Iorque, dia 18 de Outubro de 2019: um ensaio-simulação para uma pandemia mundial causada por vírus mortal – precisamente o coronavírus. Essa magnífica coincidência aconteceu um mês antes do surto em Wuhan.

corona6.jpg O Evento 201 foi patrocinado por Fundação Bill & Melinda Gates, Fórum Económico Mundial (WEF), CIA, Bloomberg, Fundação John Hopkins e ONU. Os Jogos Militares Mundiais começaram em Wuhan, no mesmo dia. Independentemente de sua origem, que ainda não está conclusivamente estabelecida, tal como os tuítes de Trump sobre o “vírus chinês”, o covid-19 já impõe questões imensamente sérias sobre biopolítica (onde está Foucault quando se precisa dele?) e bioterrorismo. A hipótese de trabalho, de o coronavírus ser uma arma biológica muito poderosa, mas não provocadora do Armagedom, revela essa arma como veículo perfeito para controle social generalizado – em escala global.

Xi com o rosto coberto por uma máscara cirúrgica, em visita à linha de frente de Wuhan semana passada, foi demonstração gráfica para todo o planeta de que a China, com imenso sacrifício, está vencendo a “guerra do povo” contra covid-19. Assim também, o movimento dos russos, de Sun Tzu, contra Riad, cujo resultado final foi o barril de petróleo muito mais barato, ajudou, para todos os fins práticos, a iniciar a inevitável recuperação da economia chinesa. Eis como opera uma boa parceria estratégica. O tabuleiro de xadrez muda a uma velocidade vertiginosa. Depois que Pequim identificou o coronavírus como ataque por armas biológicas, a “guerra do povo” disparou, com toda a potência do Estado. Metodicamente. Na base do “tudo que for necessário”. Agora estamos entrando em nova etapa, que será usada por Pequim para calibrar substancialmente a interacção com o Ocidente, e sob padrões muito diferentes no que tenham a ver com EUA e União Europeia.
O poder brando (soft power) é essencial. Pequim mandou para a Itália um avião da Air China com 2.300 grandes caixas de máscaras cirúrgicas. Nas caixas lia-se: “Somos ondas do mesmo mar, folhas da mesma árvore, flores do mesmo jardim”. A China também enviou um grande pacote humanitário ao Irã, a bordo de oito aviões da Mahan Air – companhia aérea que está sob sanções ilegais e unilaterais do governo Trump. O presidente sérvio, Aleksandar Vucic, não poderia ter sido mais explícito: “O único país que pode nos ajudar é a China. Até agora, todos vocês entenderam que a solidariedade europeia não existe. Nunca passou de conto de fadas no papel.”

corona5.jpg Sob duras sanções e demonizada desde sempre, Cuba ainda é capaz de realizar avanços gigantes – até em biotecnologia. O antiviral Heberon – ou Interferon Alfa 2b – medicamento, não vacina, tem sido utilizado com grande sucesso no tratamento de pacientes contaminados por coronavírus. Uma “joint venture” na China está produzindo versão inaliável do medicamento e pelo menos 15 nações já estão interessadas em importá-lo. Agora comparem tudo isso, e o governo Trump, que oferece US$ 1 bilhão para subornar cientistas alemães que trabalham na empresa de biotecnologia Curevac, com sede na Turíngia, em uma vacina experimental contra o covid-19, contando com "reservar" a vacina para ser usada “apenas nos Estados Unidos”.

Sandro Mezzadra, coautor, com Brett Neilson, do seminal The Politics of Operations: Excavating Contemporary Capitalism , já está tentando determinar conceitualmente em que ponto estamos actualmente em termos de combate ao covid-19. Estamos diante de uma escolha entre uma vertente malthusiana – inspirada no darwinismo social – “liderada pelo eixo Johnson-Trump-Bolsonaro” e, por outro lado, uma vertente que aponta para a “requalificação da saúde pública como ferramenta fundamental”, exemplificada pelo que fazem China, Coreia do Sul e Itália. Há lições importantes a serem aprendidas de Coreia do Sul, Taiwan e Singapura. A opção forte, observa Mezzadra, é entre admitir uma “selecção natural da população”, com milhares de mortos, e “defender a sociedade”, empregando “graus variáveis de autoritarismo e controle social”. Fácil imaginar quem pode beneficiar-se dessa reengenharia social, remix, para o século 21, de “A Máscara Rubra da Morte”, de Allan Poe, de 1842 (Consortium News)¹ .
Em meio a tanta desgraça e tristeza, conte com a Itália para nos oferecer tons de luz, à Tiepolo. A Itália escolheu a opção Wuhan, com consequências imensamente graves para sua economia já frágil. Os italianos em quarentena reagiram notavelmente cantando das varandas: um verdadeiro acto de revolta metafísica. Sem mencionar a justiça poética de a verdadeira Santa Corona (“coroa” em latim) estar enterrada na cidade de Anzu desde o século 9º. Santa Corona foi morta no governo de Marcus Aurélius em 165 dC, e já há séculos é um dos santos padroeiros das vítimas de pandemias. Nem mesmo triliões de dólares chovendo do céu por um acto de misericórdia divina do Fed – o banco central estadunidense – foram capazes de curar doentes do covid-19. Os “líderes” do G-7 tiveram que recorrer a uma videoconferência para perceber o quanto não têm noção de o que fazer – mesmo quando a luta da China contra o coronavírus garantiu ao Ocidente uma vantagem inicial de várias semanas.

corona7.jpg O Dr. Zhang Wenhong, que trabalha em Xangai, um dos principais especialistas da China em doenças infecciosas, cujas análises foram até aqui certeiras, diz que a China emergiu dos dias mais sombrios da “guerra do povo” contra o covid-19. Mas o Dr. Wenhong não acha que a coisa acabe no verão. Agora, a mesma ideia, para o mundo ocidental. Ainda nem é primavera, e já sabemos que basta um vírus para destruir sem piedade a Deusa do Mercado. Na última sexta-feira, Goldman Sachs disse a nada menos que 1.500 empresas que não havia risco sistémico. Falso! Fontes bancárias de Nova Iorque contaram-me a verdade: o risco sistémico tornou-se muito mais grave em 2020, que em 1979, 1987 ou 2008, devido ao risco mais alto de colapso do mercado de derivativos, de US $ 1,5 bilhão. Como dizem as fontes, a história jamais viu coisa semelhante à intervenção do Fed via a eliminação, ainda pouco compreendida, das exigências de reservas bancárias nos bancos comerciais, desencadeando uma expansão potencialmente ilimitada de crédito, para evitar uma implosão dos derivativos, decorrente de um colapso total de bolsas de mercadorias e acções em todo o mundo.

Aqueles banqueiros pensaram que funcionaria, mas, como sabemos agora, nem todo aquele som e fúria jamais significou coisa alguma. E permanece aí o fantasma de uma implosão dos derivativos – nesse caso não causada pelo que antes se temia (que o Estreito de Ormuz fosse fechado). Apenas começamos a compreender as consequências do covid-19 para o futuro do turbo-capitalismo neoliberal. Certo é que toda a economia global foi atingida por interruptor de circuitos insidioso, literalmente invisível. Pode ser só “coincidência”. Ou pode ser, como alguns estão argumentando corajosamente, parte de uma maciça operação psicológica, que crie o ambiente geopolítico e de engenharia social perfeito para a dominação de pleno espectro.

corona14.jpg Além disso, ao longo da árdua caminhada, com imenso sacrifício humano e económico, com ou sem um reboto do sistema mundial, permanece uma pergunta mais premente: as elites imperiais continuarão insistindo em fazer guerra híbrida contra a China, pela dominação de pleno espectro?

1 -Em port. trad. José Paulo Paes, in A causa secreta: e outros contos de horror (VVAA). São Paulo: Boa Companhia, 2013, transcrito na íntegra em Revista Prosa e Verso).
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GUERRA HÍBRIDA. AFINAL QUEM COMEÇOU ESTA FARÇA? Foi a China? Foi os USA? INFORMAÇÃO E CONTRA INFORMAÇÃO… ESTAMOS FEITOS AO BIFE… porquê esse event 201? Que saiu daí?
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:30
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Terça-feira, 17 de Março de 2020
MUJIMBO . CXIV

MUJIMBO . CXIV

Meditação do T'Ching... Esta é a crónica nº 3005

T´CHIPALABOOK do “caronavirus” e suas implicações…. Nem Só de Pão vive a mulher! - Talaqualmente o homem... 17.03.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

araujo 42.jpg Vivemos hoje sob o permanente assédio da propaganda, algo sem precedentes na história humana. Sua artilharia troveja pesadamente, com força persuasiva. Para além disso dizem-nos o que comprar, usar, comer ou vestir, além de nos dizer o que é prioritário. Uns chatos!

A indústria da propaganda, ponta de lança do consumismo, criou uma lista enorme de necessidades falsas, que as pessoas buscam satisfazer. Exercite dizer NÃO àquilo que não solicitou e à força, lhe querem impingir. Há empresas especialistas neste tipo de marketing - é assim que lhe chamam! Deveria ser mentiring, Noé!?

Agora, teremos de nos cuidar, um chega para lá e pensar em nossas debilidades não respirando ares viciados e mentes desavindas, porque para além destes "ácaros" há os invisíveis "miruins". Miruins, feitos perdigotos que voam sem asas que nos querem roer a vida numa tossidela de um qualquer ou através dum corrimão... Cumprimente-se com o pé vestido de sapato. Se tiver a minha idade, 75 anos, o melhor é ficar em casa e pedir tudo pelo "microondas Android"...

fumo de caricoco.jpg Nada de paranóias mas, não facilite, converse pelo microondas chamado de celular ou tablet, o seu sansung e, ou seu Vodafone, mais essa caixa magica do Android... Por ironia, à medida que buscamos satisfazer as necessidades artificiais, criadas pela propaganda, mais vazios nos tornamos das necessidades reais. Em verdade o perigo da fome materialista é uma realidade...

Pois então, se “não só de pão vive o homem" porquê e para o quê lutará tendo hoje esta coisa ruim chamada de pandemia que sem vacina nos atormenta tanto? Pense! O que é que realmente é importante? De acordo com Cristo, questões espirituais devem ter precedência sobre as de carácter material. Em análise, as coisas materiais, embora várias delas necessárias, não podem satisfazer a alma humana.

A vida é muito mais do que as meras comodidades oferecidas no mercado. As pessoas que amamos e que nos amam são mais importantes do que roupas de grife, carros sofisticados ou móveis novos. Pense agora no sabão macaco! Lavar as mãos e a cara é muito importante, quando sair à rua ao chegar a casa e logo à entrada de casa colocar a sola dos sapatos ou chinelos numa mistura parte em cloro, e 5 partes de água … Use dinheiro em uma bolsa só para isto e ao usar logologo, a seguir, passar gel nas mãos e bolsa… Usar de preferência o cartão

araujo181.jpg Realmente não vale a pena ter aquelas outras coisas se, para obtê-las, sacrificamos o convívio familiar ou aquilo que é realmente essencial. Dê um compasso de espera e espere... Karl Marx, em sua crítica ao cristianismo, afirmou que “a religião é o ópio dos povos”. Estava errado! Necessita ter fé porque para Jesus, a verdade é outra mas, você tem de fazer a sua parte. O materialismo é o grande narcótico que anestesia as pessoas contra a realidade de nossa verdadeira condição, transitoriedade e mortalidade.

O mau uso da mente impede-nos de ver as coisas que realmente têm importância final. Em última análise, em nossa ânsia pelas coisas, estamos apenas correndo atrás do vento. De todo o modo lembre-se: no Universo, nos somos só uma imagem... O materialismo condiciona as pessoas a ver a vida presas dentro dos limitados horizontes da pequena concha em que se vivem, incapazes de perceber qualquer coisa acima desse nível.

araujo187.jpg Por desejarem sempre mais, tal insatisfação faz delas, pobres. Tudo o que o materialismo consegue é alimentar a espiral do desejo de aquisição, que é insaciável. Agostinho estava correto ao afirmar o seguinte: “Quem tem Deus tem tudo; quem não tem Deus não tem nada". Vale a pena acreditar neste sossego... Embora Este Deus na natureza, no seu todo não seja tudo! Você tem de colaborar. Reflicta nisto em sua luta pela vida sem se abandonar e, sem medos, faça a sua parte - cuidem-se porque o que tiver de acontecer, vai suceder... Que a Boa mão do TEU Senhor esteja contigo, bom dia! Boa Semana...

O Soba T'Chingange...



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:53
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Sexta-feira, 13 de Março de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLI

 

A mente humana é demasiado periclitante…

- Melhor mesmo, é ser governado por um POLVO13.03.2020

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange - (Otchingandji) No Nordeste brasileiro

polvo1.jpg A mente humana é muito periclitante por via de sua permanente presença nas coisas que vê e analisa; assim pensando do nada, lembrei-me na muita inteligência que o polvo tem e o quanto nós temos de aprender com eles, no entanto comemo-los. A notícia, divulgada em Abril de 2016, de que um polvo conseguiu escapar do Aquário Nacional da Nova Zelândia surpreendeu muita gente mas, só veio a confirmar o que muitos cientistas já suspeitavam: que essa espécie é uma das mais inteligentes do planeta. Inky, o polvo evadido, aproveitou ter a tampa de seu tanque entreaberta e, durante a noite, conseguiu sair, atravessou uma sala até encontrar um ralo aberto e espremeu-se nele por um cano de 50 metros de extensão até chegar a mar aberto.

Não obstante, nós aprisionamo-lo, cortamo-lo em pedaços pequenos para serem comidos como tapas num tira gosto ou refeição num qualquer lar ou restaurante! E, será uma aberração quase fenómeno se um homem for comido por um polvo, embora na natureza isto se possa considerar normal segundo uma cadeia alimentar formatada em lista e segundo a lógica; não a que os homens estabeleceram como sendo a comum no estágio civilizacional; a que os paradigmas humanos estabelecem.

sardinha2.jpg É assim que formatando-me nesta lógica no meu cerebelo com fumegantes ideias, me pergunto e interrogo do porquê um homem não pode comer outro homem no sentido lato e vernáculo da palavra. Os índios Caetês comeram o primeiro bispo do Brasil em Julho do ano de 1556 e, no churrasco com cerca de mais 80 homens acharam sua carne gostosa! Eu sei! Vocês não querem acreditar mas, ainda hoje a Santa Sé, cobra taxa de laudémio na região aonde o bispo Sardinha foi devorado - antiga capitânia de Pernambuco – Coruripe; na foz do rio São Francisco. Isto pode ser confirmado na Folha de S. Paulo (Consultado em 6 de Junho de 2018).

Até que era no prelado dos portugueses um sacerdote consagrado a Deus, mas o certo é o de que foi abatido e devorado como uma outra qualquer sardinha ou maça, junto de seus companheiros e tripulantes por via de um naufrágio. E, afinal o mundo não parou! Dom Pero Fernandes Sardinha foi sucedido na Sé Primacial do Brasil por Dom Pedro Leitão (1519-1573). E, só em 1928, Oswald de Andrade se utilizou do episódio para datar o Manifesto Antropofágico. Estas curiosidades levam-nos a rever os muitos comportamentos já observados nos polvos e dizer sem duvida que são muito mais espertos do que pensamos.

coroa de frade.jpg Por exemplo, observou-se que um polvo-comum (Octopus vulgaris) caça caranguejos levando-os para sua toca afim de os comer. Antes da refeição, no entanto, o animal catou algumas pedras para criar uma espécie de barreira e impedir que as presas fugissem. Estes e outros exemplos mostram que o polvo tem a capacidade de fazer previsões e de sequenciar acções. Em 2009, Julian Finn e seus colegas do Museu Victoria, em Melbourne, na Austrália, conseguiram demonstrar que polvos sabem usar objectos como ferramentas.

Um grupo de polvos-venosos (Amphioctopus marginatus) desenterra cascas de coco jogadas no mar e, em seguida, limpa-as com jactos de água; empilham cuidadosamente as cascas e carregavam-nas por até 20 metros para as usar para montar um abrigo. Finn chamou a atenção para o facto de essa movimentação deixar o animal mais vulnerável a predadores, por ser mais lenta e dispendiosa. "Isso mostra que o polvo está disposto a aceitar riscos em troca de protecção para o seu futuro". Não é deslumbrante!?

DIA107.jpg Pois! Isto é um mito de horrível e deslumbrante! Mas os Romanos que nos serviram de padrão em nossa civilização, que nos legaram as leis de justiça entre outras regras que perduram nos dias de hoje, faziam grandes festas no Coliseu para verem não só os escravos gladiadores lutarem até à morte, como e em seguida faziam subir em elevadores os leões, para correr atrás de grupos de cristãos, seguidores de Cristo; tudo isto para gaudio de toda aquela assistência bêbada de êxtase que aplaudiam essa tamanha atrocidade, gente igual a nós.

Quanto ao polvo, em um estudo subsequente, encontraram indícios de que transmite traços de sua personalidade à cria. "Essas variações de personalidade permitem que o animal aprenda e se adapte rapidamente". Também são muito bons em resolver problemas, pois têm diversas estratégias para atingir o mesmo objectivo, e utilizam primeiro a que for mais fácil, diz o pesquisador Mather. As diferenças entre o polvo e o homem são ainda mais fascinantes do que as semelhanças. Mais da metade dos 500 milhões de neurónios do animal concentram-se em seus tentáculos. Isso significa que cada um deles pode agir sozinho ou em coordenação com os demais. Nós não temos cérebro nos pés, eles sim! E, enquanto o cérebro humano é visto como um controlador central, a inteligência do polvo pode estar distribuída em uma rede de neurónios, um pouco como a internet. Isto nos obrigar a enxergar a essência da inteligência de uma maneira totalmente nova. Não mais comerei POLVO.

pedras00.jpg Quanto ao Coliseu dos Romano vemos Leões a descarnar literalmente, braços e penas de gente como nós, mulheres, homens e crianças e, aquilo era aplaudindo de pé. Não! Não acredito nos homens nem em suas leis! Hoje há novos Neros! Hoje há novos Hitleres. Eles andam por ai disfarçados de cinco estrelas mas são merda cursada em universidades, pagos por nós e que engravatados/as, falam bonito. O mundo tem de reagir a esta onda de gangues que se dizem partidos e que nos governam. E, governam porque nós os pusemos lá! Dá raiva, muita raiva e, creio que para isto só a pena de morte para os prevaricadores, poderá de novo dar tranquilidade aos de boa índole…

Acabe-se com esta hipocrisia de escalonarem o crime em função dos emolumentos que pagam a advogados urubus da sociedade, que fazem soltar criminosos reincidentes sabendo que o são! Que protegem ladrões para tirarem dividendos do saque. Daí a dizer e repetir que a vida está cada vez mais, mais perigosa. Eliminem todos os sofismas porque tão ruim é o que rouba ou mata como o que lhe dá cobertura de protecção! Sim, somos todos culpados porque tão ruim é quem faz como quem consente! Não podemos desculparmo-nos permanentemente como se andássemos a ser reconstruidos em cada dia que passa. Por tudo o dito, prefiro reger-me pelos dez mandamentos – são muito mais credíveis.

coliseu1.jpg Posso imaginar o que diriam os comentadores da treta da televisão do M´Puto de hoje, num tempo de lá para trás, no assistir àquelas ditas mortes no Coliseu de Roma! Uma diversão macabra, a de então e a de agora, mais sofisticada… E, ainda por ressalva, comentadores que não servem de exemplo a ninguém porque eles mesmos são prevaricadores e, a gente sabe. Senhores do mando, tenham juízo, cuidado como nos usam, deixem-se de artimanhas e falácias. Casos!? Todos sabem, muitos calam, outos dizem: isso não é comigo. Um edecéteras e tal, que nos faz moerem a paciência. Arranjem um vírus para esta gente mafiosa até o cocuruto. Chega! Esta merda tem mesmo de mudar! Se o que vejo é democracia, vou ali a Peniche e já volto…

O Soba T´Chingange            



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:59
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Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020
KANIMAMBO . LXVIII

REGRAS DE VIDA – TEMPOS ANSIOSOS - Processos mentais e estruturais de tratamento da informação, no que concerne ao cérebro humano…

- Nossa singularidade - Nossos Ossos cognitivos - 28.02.2020

Por

soba15.jpg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

velho4.jpg Todos nós já sentimos a ruindade de medo, preocupação sobre o futuro com aumento das batidas do coração e, a ponto de e por uma qualquer causa, estar perto de morrer! Um estado físico de ansiedade cada vez mais presente em nós, nossa sociedade que desde sempre ou desde a nossa singularidade de civilização, foi condição de companhia em nossas próprias casas; fazendo tudo parte da própria condição involuntária de pecar, pecando, de viver, vivendo, de morrer, morrendo.

É nossa estrutura física e psíquica pela natureza que carece de controlar nossas emoções no ambiente que nos rodeia, precário e nem sempre com as transcendências de descobrirmos nossa própria limitação e finitude.          

Nos últimos anos, com a aceleração dos relógios biológicos, da desconexão do espaço, da demografia sustentável, da manipulação dos genes, melhoramentos das linhas de ADN, da escassez de espaço e sensatez nas teorias de eugenia, mecanizaram-se tarefas vulgares na fragmentação das comunidades numa óbvia desvalorização da vida. Assim sendo surgem decisões governamentais que estão para além de nossos quereres, nosso entendimento, simplesmente!

araujo 43.jpg Sabemos que o próprio Cristo profetizou que as nações experimentariam o pânico devido aos acontecimentos e, as pessoas apreensivas iriam fragmentar-se em seus modos de vida. Há no entanto vários tipos de ansiedade que dominam nossas mentes por efeitos existenciais, da inquietudes com alegrias e angustias que que não têm na vida um significado ou um propósito de existência posicional chamado de paradigma.

Mas, e, há em verdade mentes desassossegadas eu tentam fazer lei e, fazem-na colocando assistência num fim nunca querido levando ao extremo da unção um exagero em forma de injecção retirando um catarro que esbarra numa qualquer veia de vida com saída para a morte. Desafiando a natureza por via das exigências estapafúrdidas num mercado demagógico que tende a o ser económico e restrito aos que vivem cognitivamente sadios e sem duvidas.

Aqueles, juntam estudos sociológicos e tecnológicos à mistura com outros itens de testes e testemunhos mais itens complicados de soteriologia mesmo que nem acreditem ser isso um certo principia, uma apreensão que paralisa os que não têm a certeza da salvação.

tzé1.jpg Mais, juntam gráficos tanatológicos para espartilharem ou dissolverem o medo que aterroriza os que até já estão preparados para a morte por modo a encontrar saída em algo que Deus nem determinou – a morte por eutanásia; o final assistido sem um mas, nem contudo, porque assim terá de ser.

E, surgem as derivadas justificações na base escatológica para acalmar a tensão que domina o pensamento e os sinais alarmantes lidos num qualquer jornal despenalizando a responsabilidade num nada querer saber. Assim surgem as intermitências da morte reduzidas à religiosidade duma ansiedade rezadas sem a perfeita convicção de estar a atropelar Deus.

Prefiro acreditar em Cristo com a fé que me faz mover, substituindo o medo pelo amor, a dúvida pela confiança para minha tranquilidade de espírito. Na excitação de contar coisas e partilhar ninharias, todos disparam novas como se nos estivera, e está, na massa do sangue. É a vida! Mas digam o que disserem, não acredito nos homens, nem morto!

abobora2.jpg

Dicionário:

- Cognitivo - Referência aos processos mentais e estruturais de tratamento da informação, especialmente do cérebro humano; Soteriologia - Parte da teologia que estuda a salvação da humanidade. No cristianismo, doutrina da salvação realizada por Jesus…; Tanatologia - Campo da medicina legal voltado para o estudo da morte e dos problemas médico-legais a ela vinculados; - Escatologia - Doutrina que se dedica ao estudo das coisas que devem acontecer no final dos tempos (fim do mundo)…[Teologia] Doutrina que analisa o destino final da espécie humana e da Terra (mundo), apresenta-se, geralmente, no discurso apocalíptico ou profético; escatologia cristã.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:15
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Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2020
KALUNGA VII

MOKANDAS XINGUILADAS  - Nosso ADN pode ser sempre relido...10.02.2020

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais de Nkisi/Mukisi.

Por

soba002.jpg  T´Chingange – Desde o Nordeste brasileiro

Tudo indica que alguém assim feito ET ou um ser nosso maior, formou de “modo assombrosamente maravilhoso” o homem, com particularidades extraordinárias. Somos todos variações sobre um mesmo tema, e as combinações são infinitas.

kalunga1.jpg  Ele o ET, o Alá, o Cristo, o Buda, inventou os cromossomas e a genética, decidindo usá-los para dar vazão a toda criatividade, trazendo à existência, a obra-prima: o ser humano. No núcleo de nossas células, há 23 pares de cromossomos. Se combinássemos todo o material genético encontrado em apenas uma delas, teríamos o que se chama de genoma humano.

kalunga2.jpg Nesse, encontram-se todas as informações sobre nossa natureza física, bem como boa parte da ‘"programação" de nossa personalidade e de nossas emoções. Em cada célula, nesse genoma, há 80 mil genes, codificados nas espirais densamente entrelaçadas que constituem o ADN, que contêm três bilhões de pares de aminoácidos.

kalunga3.jpg O código do ADN de cada indivíduo é diferente dos demais - Nessa exclusiva referência a respeito de Si como “humilde de coração”, vivemos na cultura da “autopromoção”, da “defesa dos próprios direitos"... Desta “preocupação em se ser o primeiro” ou de “ganhar por intimidação”, a serviço do seu EU, o que não dá para entender é que essa tal atitude é precisamente o que mais destrói nossa paz.

ADN3.jpg Estamos tão ocupados em nos defender, em nos promovermos ou manipular outros em nosso favor que nos programamos para uma nova guerra a cada novo dia. Mas o egoísmo pode ser muita coisa, menos algo novo porque: - A Grécia dizia: “Seja sábio, conheça-se a si mesmo”! ; Roma ordenava: - “Seja forte e disciplinece-se”! ; O judaísmo insistia: - “Seja bom e ajuste-se à lei"!

ÁFRICA7.jpg A educação oriental diz: - “Seja hábil, expanda seu universo"! ; O materialismo apregoa: -“Seja possessivo, realize-se em possuir" e, o humanismo ensina: “Seja capaz, creia em si mesmo.” Deste modo lá terei de recordar que Cristo ensinou ao mundo algo diferente - foi o que li!: “Seja altruísta, vença o egoísmo, subjugue a inclinação de explorar os outros e ‘tirar vantagem em tudo’. Não vejo mal algum em recordar isto!... E, porquê? - Porque em nossa sociedade o “ganhe-tudo-o-que-poder”, é um conceito de vitória...

O Soba T' Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:09
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Sábado, 8 de Fevereiro de 2020
PARACUCA . XXXIV

MULOLAS DE TEMPOS DORMIDOSNão é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar! KIRK DOUGLAS, MORREU08.02.2020

Por

soba0.jpeg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

john0.jpg Entre o entender e o poder do crer lá tive que pagar o condomínio com taxa extra pensando nesta atrasada escrita sobre a morte aos 103 anos do meu amigo Kirk Douglas. Foi no dia seis deste mês de Fevereiro que recebi a notícia directamente dos USA, assim sentado e, sentado fiquei tacitunando-me nas minhas antigas alegrias; alegrias alargadas nos folgados dias de crescimento mazombo da Luua, a capital de Angola.

Relembro o cine Colonial no tempo em que nós nas bancadas também eramos artistas, utentes e autores dumas muita odisseias de participação ao vivo e no escuro; beatas voando como foguetes de alegria por coisa alguma e nenhuma. Um assistente despertava o Kirk duma tocaia de surdina feita emboscada num: - Olha na tua trás, meu! E, num repentemente Douglas virava-se na tela grande e, uma flexa era enfiada bem no coração do bandido, o mau da fita que logo morria, ou fingia! Filme é filme…

john2.jpgAcho que foi no filme “O arco e a flexa” mas, até que pouco importa porque as cowboiadas eram por demais concorridas e, isto era tão usual que sempre saia bagunça de está calado meu grunho e mais de filho da mãe para cima. Eu bem que lhe avisei, dizia o artista espectador exaltado do feito, saltando e estrebuchando em saltos contentes. Um espectáculo de ver! Só mesmo no Colonial Cine de São Paulo de Assunção da Luua.

Claro que estas cenas sucediam com as cowboiadas de John Wayne ou Jack Palance. Cowboiadas de cinco estrelas com o som de pum-pum dos tiros da Rifle Winchester que deram depois lugar às cowboiadas spaghetti do tipo italiano, com Giuliano Gemma aonde os tiros já soavam de txi-pum, txi-pum assim, com eco estriado para além do cano e fazendo nossos mambos de muita demasiada banga ninita e fécula.

john7.jpg Coisas de candengues, de afoitez que se vadiam em fantasiados momentos, muito fartos em invencionices; criacionices só verdadeiras na raiz das falsas almas. E, porque as pessoas não ficam sempre iguais, vão-se no tempo determinando com as mentiras ensinadas e aprendidas na vida como verdades. E, a melhor forma de o dizer é usando nossos termos polifónicos e de só átoa, diacríticos, palavrões que nem sabíamos existirem nas nossas falas.

Ui! - O que a vida me ensinou dá para o gosto, o desgosto e até o contragosto mas o Kirk, sempre foi colocado ao redor dos meus kitucus (mitérios). Enfim! Mocidade é tarefa para mais tarde se desmentir… Nós, com nossos ídolos, limpávamos os ventos que não tinham ordem para respirar e os demais, nós desrodeávamos fazendo esquindiva…

john8.jpg Se não acreditam nestas divagacionices, pulem outro filme! Porque, foram as "20.000 Léguas Submarinas", Spartacus e Ulices entre muitos outros. Posso também recordar o Gregory Peck dos canhões de Navarone, o John Wayne em duelo ao pôr-do-sol e mais edecéteras; Clinton Eastwood, um ator, cineasta produtor  famoso pelos seus papéis de duro em filmes de ação com rifle de repetição. Nossa cultura nesse então era mesmo só do cinema, da praia e farras de quintal; nos intervalos escorregávamos nas ladeiras de asfalto da Luua com nossos carros formula um de rolamentos …

Um dia tal como eles, velhos ídolos, nossas veias farão seus preparos finais. Mas não será por isto que nos aninharemos numa tristeza triste; tristeza de uma raça de homem que o Kirk mais não verá, porque deixou de ser um exorcista do circo, um trapezista. Assim num dia esbarrancaremos nos limbos esfiapados dum vento nesse arrumo de veias, ora quente, ora frio, ora se desfrizando no ar duma exaltação de vida que despairece.

john6.jpg Pois! Que despairece inchada de amor; é assim: -Um dia mesmo que nascido com sol, teremos de conhecer o significado sem requerer desse futuro por conhecer. E, todos ficam assim permanecidos de duvidando de como será até que chegue o tal de seria… Todos seremos legítimos coitados em um tal dia de pororoca (encontro de vagas, rio e mar…) com ou sem arrepio…

fotografo1.jpg A vida é um negócio muito perigoso! E agora, nem me falem de bancos! Porquê? Ora bem - O banco é uma instituição, um negócio que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro! - Pois por tudo isto ando demasiado desconsolado, sabe! Disse eu pra continuar falas comigo mesmo, só pra esquecer o Kirk, meu antigo heroi…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:15
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Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2020
MUXOXO . LVIII

KIBOM. IV - Quem viaja, necessita de mala ...NOÉ!?

- Divagações do T'Ching - 28.01.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

an2.jpeg Ao viajar, é importante ter uma mala para carregar a bagagem; convém que seja boa porque os tombos são mais que muitos. Fiquei a saber que a mala mais cara deste nosso mundo vale quatro milhões de dólares! É a chamada mala de “Diamantes das 1.001 Noites”... NOÉ, desconhece...

Tem o formato de um coração e vem cravejada com 105 diamantes amarelos, 56 diamantes cor-de-rosa e 4.356 diamantes transparentes. Todo metal dessa bolsa é feito de ouro puro de 18 quilates. Para sua confecção foram necessários 10 artesãos, dedicando quatro meses de trabalho exclusivo,NOÉ!?

arau44.jpg O resultado final é uma bela obra de arte que, até agora, ninguém ousou comprar. Pelo que sei nem Isabel dos Santos a comprou; Nem Manuel Vicente! Creio que nem sabiam mas, às tantas aqueles diamantes saíram de N'Gola, NOÉ!?

A minha é o contrário dessa; mesmo demasiada mixuruca para ser mencionada neste entretém feito estória. É daquelas compradas em saldo, com rodinhas gastas de tantos embarques e desembarques, riscada nos topos e lastimosa no aspecto.

eseves2.jpg Distingo-a porque tem uns quantos laçarotes da Bahia amarrados em seu fecho; desses com variadas cores que se põem no pulso para dar sorte nas ousadias de orixás e oxalás e talvez o xiritung da xirgósia mais o xogum... NOÉ!?

Na alça tem mais uma fita verde fosforescente de escandalosa para que a possa reconhecer na esteira do aeroporto. Para mim, o que realmente importa é o que vai dentro da mala; os queijos disfarçados de prendas e prendas na forma de figos ou chouriços, coisas inofensivas, NOÉ!?

papalagui11.jpg Na vida verdadeira da gente também é assim. Não importa parecer um cidadão valioso se o seu interior é vazio e sem aquela coisa que nos identificam nos valores morais ou mesmo tudo ali ser oco - isto é quase uma metáfora NOÉ!?

Preencha por isso sua vida de boas coisas como se sempre viajasse! Que tal uma lista exclusiva de itens imprescindíveis para sua viagem? NOÉ dirá: Prepara-te pois para tua viagem pro Céu, isso, pró espaço! É isso, NOÉ!?

ong5.jpeg Se for o caso, junte à Bíblia de viagem um bom livro para os demais entretantos. Leve todas as informações do roteiro a fim de ser mais feliz em seus caminhos. Siga os conselhos da gente experiente, todos não serão demais! A sabedoria dos mais velhos, normalmente mostram detalhes de como ir pelos melhores caminhos. Mas, lembre-se que existe um NOÉ...

Tenha presente que na vida, ou você puxa os outros para cima, ou os outros puxarão você para baixo. Fique esperto e siga sempre este princípio porque nem sempre o interesse dos outros batem certo na bota com a perdigota... NOÉ!?

step6.jpg Creio que com um azar do caraças, foi isto que sucedeu com Rui Pinto, o herói actual do pedaço e no M'Puto aonde os larápios são também mais que muitos, com nomes de Santos e Espíritos. Este Rui puxou a brasa à sua sardinha pedindo uns kumbús e, viu-se com um cardume de tubarões...NOÉ!?

Esqueça-se daquilo que Deus já esqueceu dando cobertura aos Espíritos e aos Santos... mas, sorria mais porque um qualquer dia a coisa acontece! Já aconteceu! Seus, nossos dentes, não existem somente para mastigar couve-flor. Temos de os ranger se vez em quando, NOÉ!?

rui1.jpg Com uma mala cheia dessas coisas, valores, ela pode não ser a mais cara, mas, sem dúvida, será a mala mais valiosa ou justa do mundo... JUSTIÇA... Cá para mim este Rui Pinto tem sim, de ser condecorado! Isto termina em 13 para lhe dar sorte, NOÉ!?

T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:31
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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2020
MU UKULU – XXVIII

FEROMONAS DA VIDA ... CINZAS DA LUUA29.01.2020

- Saber do passado para melhor se entender o futuro...

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

embo0.jpg Sentindo os sabores da nossa terra nas falas de Luís Martins e nossas lembranças, recordamos a mistura de hábitos alimentares por via das duas etnias preponderantes da N´Gola e sequente miscigenação vivenciada ao longo de muitos anos. E, porque a Luua é litorânea, o consumo de peixe no território, sempre foi elevado. A costa angolana rica em espécimes dava assim forma em abarrotar traineiras que se faziam ao mar em sua faina diária.

Recorda-se que era tanto, que dava para secar todo o excedente ou fazer farinha para utilizar como alimento para animais e, na forma de ração; também como adubo para uso da agricultura. Nesse então já na China se usava um peixe a cada árvore replantada para formar florestas - a uma pequena árvore era disposto na raiz um peixe como início de alimento ao seu crescimento.

Mu Ukulu57.jpgO peixe seco sempre foi muito apreciado pelos nativos grunhos e gwetas pelo facto de se ter tornado um costuma e, por via de ser barato no mercado das salgas espalhadas um pouco por todo o lado e ao longo da costa desde o Ambriz, passando por Luanda até Benguela e ainda mais a Sul na Baía Farta. O peixe depois de processado, estripado e escalado é posto a secar ao sol usando loandos normalmente elevados do solo por estacas.   

Este peixe já seco era depois levado em camionetas até os lugares distantes do interior na forma de fardos atados com fio de sisal ou mateba. O itinerário destas carrinhas ou camionetas podia ser-se seguido horas e dias mais tarde pelas picadas seguindo o rastro do cheiro característico que estes lançavam para o mato circundante. A partir de algum tempo as picadas começaram a ser muitas, para despistar os fiscais – posso explicar…

peixe seco1.jpg É que a dado momento o governo do M´Puto em sua governação colonial lançou um imposto sobre o peixe seco. Isto originava a candonga como concorrência e, por motivo de fornecerem preços mais competitivos aos taberneiros chamados de fubeiros instalados em locais bem isolados, competiam berrida de vida; vida que nem sempre era fácil. A extensão do território que se constituía pelos postos administrativos tornava o trabalho de recenseamento, cobrança de impostos e resolução de contendas, muito difícil e até demorado.

As insuficiências materiais, a indigência dos meios disponibilizados e a multiplicidade das tarefas acometidas aos funcionários administrativos eram factores que entravavam a máquina estatal. Ou seja, o facto do próprio corpo administrativo colonial sentir grandes dificuldades logísticas, a sua presença reduzida e isolamento físico, indiciam a incompletude do domínio colonial, agravada já a seguir à Segunda Guerra Mundial.

mucua9.jpg Em Luanda, as quitandeiras abasteciam-se no porto de pesca situado em plena marginal, Avenida de Paulo Dias de Novais e também em lugares como a Chicala, Samba, Corimba ou Bungo directamente dos pecadores que ximbicavam canoas nas águas rasas; um ou outro, metia velas triangulares feitas de sacos de farinha, aventurando-se na pesca de maiores peixes em águas mais profundas. Com a introdução da mandioca levada pelos Tugas do Brasil os pratos de peixe eram acompanhados com fuba funje, um pirão espesso feito dessa fina farinha. Para alguns dos mwangolés esta nova, será uma surpresa - melhor seria que unissem sua matumbice a estes conhecimentos…

Tudo começava com a farinha amolecida na água que já na fase final e no preparo das iguarias tropicais era cozida em água fervente e, sempre mexida de forma vigorosa com pau ou colher bem grossa a fim de desfazer os caroços do cozimento. Sempre mexendo, surgem bolhas de ar empolado que fazendo plof-plof por modo a ficar naquele aspecto pegajoso de “cola de sapateiro” conhecido entre outros nomes, também de pirão.

muralha01.jpg No sul de Angola era mais comum usarem o pirão de milho amarelo ou branco por haver aí mais condições para a cultura do milho. Depois, a esta espessa cola de funje junta-se óleo de dendém e de mãos molhadas juntando um bolo, leva-se à boca; pode ser-se mais civilizado na forma de comer usando a colher tradicional mas, o gozo de degustar não parece ser o mesmo! Isto pode ser acompanhado por aquele peixe seco passado na brasa e só depois de ser demolhado mas e, também acompanhando com carne de frango ou outra, ou mesmo miúdos de galinha ou vísceras de outro qualquer animal.

A tudo aquilo juntam-se as verduras como a abobrinha, o quiabo languinhento, folha de abóbora ou jimboa. O melhor preparo desta muamba é feito com inclusão de saca-saca picada, saído das folhas de mandioca previamente escaldada várias vezes. A isto chama-se a kizaca. Tudo isto convém ser envolto em jindungo ou onoto ao jeito de fazer transpirar no sótão da cabeça e na fronte para dar n´guzo. Para total contento é bom que se sinta na dita moleirinha essas cosquilhas, um tremer fino da musculatura.  No Brasil esta iguaria já é quase habitual na Bahia – um costume oriundo da antiga Matamba, os N´zingas e afins matumbos e matumbolas. A seguir virá o mufete, o kalulu, a kifufutila, o muzungué e a kikwanga. Será bom ter um “palhinhas” por perto a recordar momentos idos e que não voltam mais; ora para quê!? Para esfriar goelas ardentes…    

(Continua…)

Recordando o Século Kota Mwata Luís Martins Soares

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:23
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Sábado, 18 de Janeiro de 2020
MUXOXO . LVI

KIBOM . I – É um sorvete gostoso

TEMPOS  BRABOS DE CALOR… 16.01.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

engraxador2.jpg Espetei meu chapéu verde e branco bem junto à Kanoa na pequena enseada da Pajuçara da Ponta Verde. Ainda não eram seis horas da manhã e, meu chapéu era o primeiro a ser fincado na areia de cor amulatada. Um homem bem moreno, cambuta de baixote no atarracado, mas ágil nos movimentos, espeta na areia bem junto de mim e no final da borda do beijo molhado da maré cheia, suas canas de genuíno bambu.

Galho recto e nodoso de simples natureza quanto baste, um escasso metro e meio de seda de nylon enrolada a partir do fino extremo e presa com um atilho saído dum vulgar pneu de bicicleta. Nada de sofisticados carretos a dar ares de pescador abastado. Ajustou seus dois baldes com letras de tintas de pintar paredes bem ao lado das esguias canas, meteu seus chinelos de dedão junto dos trapos dentro das mesmas e deu-se aos preparos finais.

Calçou sua cabeça com um chapéu camuflado de cobrir orelhas, pescoço e pala saliente a encobrir seus olhos e, em actos contínuos de mestria conhecedora, entrou na água de mansidão verde, cor de esmeralda, iscou seu ínfimo anzol na ponta dos cento e cinquenta centímetros, mais coisa menos coisa e, apontou a água num indefinido ponto de horizonte bem na curva como se fora num longínquo paralém. O pedaço de quase nada penetrou na água.

maceio1.jpg Assim e num repentemente, daquele lençol aguado, não demorou muito a puxar da água um peixe reluzindo pintura de prata chamado de xexéu. A cada lançada, novo peixe metido em seu pequeno balde pendurado no pescoço com um baraço de tira larga. Não demorou a ficar bem cheio com outros pequenos  variados peixes daqueles que depois de fritos na forma crocante fazem babar vontades de apetite.

No transbordo do peixe da lata pequena para a outra grande na areia e, muito perto de mim, o senhor olhando para minha ansiedade falou: - Moço, quer pescar? - Quero! Foi a resposta. Já com meio corpo dentro de água, apercebi-me da pequenez do anzol na forma de unha de gato quando enfiei um pedaço de camarão cru passado na pega entre os grossos polegar e indicador do senhor pardo matuto.

maceio3.jpg Enfiando pedacitos de camarão cru, fui lançando frustrações seguidas de ansiedade do vai ser agora e, bolas, pica, pica e num lança e tira e mete o isco, dá repelão e fugiu o filho da peste; assim num nadica de nada de só mesmo a picada, talvez por falta de jeito ou mesmo sorte fui lançando muxoxos de sundiameno aos pequenos roncadores. Assim apontando o horizonte fui ficando cansado dos pedaços frustrados de coisa nenhuma até que resolvi dar continuidade à minha talassoterapia.

Num meche perna, num torce e estica e roda, alonga braço e salta endurecendo músculos meus aperreados de tempo, idade e moleza, ele o senhor fala de novo: - Como é seu nome? À pergunta feita e respondida iniciámos falas de aproximação, nome de peixes, este é bom, este é espinhoso e assim por diante sem recta definida.

kanoa1.jpg Meu nome é Isaac, estou meio aposentado e ainda vou mexendo com minha macarronaria, sabe! Deduzi que isto tinha algo que ver com macarrão, massa de comer mas e, entretanto enquanto lança o caniço acrescenta: - Macarronaria do Isaac! Fica ali mesmo na paralela da Durval Guimarães, depois do Bom Preço, vira à direita, vira à esquerda e, é logo ali.

Negócio na parte baixa e residência no lado de cima. Hoje tenho de levantar dinheiro no banco para pagar aos meus seis empregados, visse! Agora, eu só fico entre as dezoito e vintiuma horas – meu tempo já foi, noé!? Pois! Disse eu poupando as falas entre outras ouvidas bem mais interessantes. Vá até lá seu António – vá provar minha macarronada de camarão, gostosa de roer vontade! Acredito seu Isaac, irei sim senhor!

kanoa2.jpg Já quase no ir, foi-me dizendo que voltaria sábado a horas de maré alta que é quando o peixe pega. Hoje é quinta-feira e, talvez no sábado próximo lhe pergunte pelo biónico personagem, o tal de General Emérito Fala Kalado, meu amigo de velhas antiguidades; quem sabe não é seu freguês lá na sua venda tasca ou lá o que seja, talvez restaurante. Quem é chambeta de pena falsificada e tem uma orelha plastificada decerto, sempre ficará preso na retina da ideia.

kanoa3.jpg Sabendo eu das particularidades de FK, dos gostos de matumbola reciclado em gente, dissimulado nas manhas e sempre prazeroso no trato, que gosta de whisky puro como quem só é fanático de água, bem pode ser um seu dissimulado cliente mesmo que o seja no incerto pois que, o personagem não é muito de usar roteiros rotineiros, um defeito desses propícios modos de surtidas com tocaias.  O hábito faz o monge talqualmente os tempos sangrados servem para assossegar segurança. Tomei um gelado Kibom com sabor a graviola e segui o rumo de casa a pensar de como vai ser o futuro, dos altos prazeres…

kanoa4.jpg Muxoxo é uma espécie de estalo que se dá com a língua aplicada ao palato, em sinal de contrariedade. No M´puto costumam chamar de “chocho", com o sentido de beijo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:15
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Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
MU UKULU – XXV

FEROMONAS DA VIDA... De Luanda do Antigamente até Benguela – 16.12.2019

- Saber do passado para melhor se entender o futuro...

(Este texto já foi publicado em Kizomba a 04.09.2019 e, é agora remetido ao Kimbo para constar na Torre do N´Zombo…)

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto

matipa-tipa.jpg Na busca de Catumbela, Lobito e Benguela ao Sul de Luanda pude recolher alguma informação através do blogue “Pensar Angola” e, na minha busca blaguista, tenho de relembrar que os blogues de antigamente eram chamados de blagues, segredos da arte de navegar usada pelos Tugas no achamento das terras. Já naquele tempo e com instrumentos singelos, os portugueses usavam a modernidade de hoje através dos ouvidores e blaguistas; gente que escutando nos portos de Cabo Verde o segredo desses ventos, nas datas de sua fúria, tempestades e as marés, assim passavam a palavra…

Aqueles olheiros e ouvidores eram investigadores espiões ao serviço de Castela dos portos de Antuérpia e praças-fortes da Holanda do comércio em expansão no Mundo! Nesta voluntariosa missão de arrumar as terras nas cartas, quase todos os dias observo a latitude a bordo e, conferenciando andamentos com o piloto fictício, dou compasso às singraduras, prevendo as léguas, a influência dos ventos e das correntes.

fuga1.jpg Espalhamos padrões com a cruz de Cristo por toda a redondeza da terra, em caravelas, naus, bergantins ou canoas, navegando à bolina, com o Siroco ou Alisado, percorrendo as costas dos mares e, neste caso concreto as de Angola, com seus rios largos e boas enseadas para ali se abrigarem. Por tudo isto, os Portugueses são os grandes culpados da globalidade de hoje. Las Casas, cronista conceituado, dito portador da verdade, confidenciou-me em sonhos, que Duarte Pacheco, antes de 1494, já tinha descoberto não só terras brasileiras como também a Flórida só que, tal não podia ser revelado pois o destino do caminho marítimo para a Índia era segredo absoluto.

A arte de navegar de hoje “via Internet” não tem nem de longe a audácia daqueles portadores, dum veículo chamado agora de globalização… Com mar cavado, perfurando os medos, ultrapassavam baixios, conquistavam terras a “uma boca não he mais de hum tiro d’arcabuz”. Com o progressivo descobrimento da costa africana, os Tugas iam-se fixando em seu litoral, fundando povoações ou feitorias e, num acto civilizacional conviviam com o gentio - Na comitiva das naus, sempre ia um padre da Igreja Católica levando a bênção do Papa, a maior figura, Juiz do Mundo e Chefe dos Reis. Um Mwata da Globália…

37.jpg Com espírito aventureiro e mercantilista portadores das ordens régias e na senda do cristianismo, as gentes lusas palmilharam como funantes as vastas regiões dos matos observando a fauna, as espécimes vegetais e modos de vida do gentio. Isto levou muitos a embrenharem-se pelo sertão tendo como armas de defesa uns arcabuzes do tipo canhangulo ou pederneira, muitos carregadores e, em fila, lá iam desbravando o conhecimento, o mel silvestre, o marfim, carne e muito deslumbramento…

Nesta busca pelo interior, é incontestável que os primeiros contactos foram-no através do Bailundo; nestas terras, comerciou o Capitão-General D. Manuel Pereira Forjaz, em 1610, seguido pouco depois pelos funantes de Benguela e Catumbela, estabelecendo-se em lugares como Caconda ou Kaluquembe. Em 1770 ou 1771, o governador Sousa Coutinho fundou a povoação de Nova Golegã, aonde se instalou um Juiz-Regente – género de Mordomo, representando o Governo do Rei junto do Soba.

candomblé.jpg Parece ter sido José Francisco da Cunha o primeiro a desempenhar estas funções; outros se lhe seguindo, com frequentes intervalos, até que, em 1885, Silva Porto, nomeado Capitão-Mor do Bié e Bailundo, estabelece definitivamente a autoridade civil naquelas paragens, com carácter de permanência. Três anos depois, é substituído por Teixeira da Silva, que vai residir para Belmonte, fixando-se mais tarde no Catape, a partir de 1891, quando se dá o desmembramento da capitania.

A 16 de Julho de 1902 é criado o concelho do Bailundo, com os postos militares do Balombo, Huambo, Luimbale, Galanga, Cassongue, Sambo e Bimbe, transformados em postos de polícia civil no ano de 1911. Em 1769, aquele já falado governador pombalino, Sousa Coutinho funda no Quipeio a povoação de Paço de Sousa. Nada se sabe quanto à sua existência, pois que deve ter sido efémera. É de crer que o primeiro regente da província do Huambo tenha sido João dos Santos Moura, em actividade nos fins do século XVIII e princípios do XIX.

kalu9.jpg Em meados deste, deixou de existir autoridade civil nesta região, o que permitiu o regresso à desordem e anarquia. Após a campanha de 1902, foi instalado na Quissala um posto militar, sob a jurisdição do Bailundo. Elevado a comando em 1909, foi em 1911 transformado em concelho. Neste mesmo ano foi também estabelecida a primeira comissão municipal. Do concelho do Huambo se desmembraram sucessivamente os da Caála (Robert Williams) mas, que se diga (primeiro, foi o Lépi), em 1922; o da Bela Vista, em 1957; e o da Vila Nova, em 1960. Em 1934, surgiu o Distrito, integrado na província de Benguela, da qual se desintegrou em 1954.

Foi ainda Sousa Coutinho o fundador da povoação de Linhares, no Galangue, em 1769, ignorando-se a identidade do primeiro regente, cuja jurisdição se estendia ao Sambo. Em 1806, Francisco Lucas da Fonseca passou a intitular-se Juiz-Regente da província do Galangue e Sambos, neste último sobado tendo sua residência e ali exercendo sua autoridade até 1821. A partir desta data, deixou o Governo de ter representante qualificado nesta região. Em 1902, foi criado o posto militar do Sambo, mais tarde transformado em civil, e posteriormente pertencente ao concelho da Vila Nova.

kalu7.jpg A fundação da Vila da Catumbela data-se em 1836, por D. Maria II, rainha de Portugal. Mas o certo é a de que o Porto do Lobito sempre teve a Catumbela como uma extensão deste porto. Ter em atenção que em 1846 foi construída a fortaleza da Catumbela (Reduto de São Pedro), que hoje é um monumento histórico. Entre os anos 1856 e 1864, começaram a surgir as primeiras fazendas, como São Pedro, Fazenda Maravilha do Cassequel, Fazenda do Lembeti, e ambas exerciam actividades relacionadas ao cultivo do algodão e mais tarde cana sacarina para o fabrico de aguardente.

Entre o Lobito e Catumbela e, antes da fundação desta, existiam povos desta localidade. Povos que se dedicavam à agricultura, ao cultivo do milho, feijão, abóbora, batata-doce e outros produtos agrícolas mas, e também à criação de gado. Em 1883 iniciou-se a construção da estrada que liga Benguela a Catumbela, cuja actividade foi concluída em 1889, e ainda em 1889, foi o ano em que construiu o actual cemitério, por José Lourenço Ferreira. A Cana Sacarina foi introduzida de forma intensiva no século XX mas, com a participação dos Cubanos na guerra civil que terminou no ano de 2002, esta cultura foi abandonada por via de sua influência; Aqui, compreende-se o interesse em Cuba gozar de privilégios com a importação do ouro branco de sua ilha no Caribe…

kafu28.jpg NOTA: Esta descrição foge um pouco ao descrito no livro de Mu Ukulu, por via de se dar a conhecer o que se passava em um todo, numa vasta Angola. Voltaremos ao livro de Luís Soares assim que for oportuno… Este texto já foi publicado em Kizomba a 04.09.2019 e é gora remetido ao Kimbo para constar na Torre do N´Zombo…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:46
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Domingo, 15 de Dezembro de 2019
PARACUCA . XXXIII

MULOLAS DO TEMPO . 7 – 15.12.2018

Nós, bazungus no lugar da N´Kwazi (águia pesqueira) – NINGUÉM É SANTO - 02 de Outubro de 2018 – Terça-feira …

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto

kariba6.jpgEstamos no dia 02 de Outubro no lugar de M´Libizi no Zambezi Resort – P.O. Box 1511 de Bulawayo no lugar do “DEAD SLOW” (morte lenta). 12º dia de Odisseia -Tinha de ser assim mesmo num lugar aonde o tempo morre a admirar o lago Kariba. Ficar aqui dez dias sem podermos usar nossos cartões de crédito cria-nos forçosamente problemas logísticos! E, entretanto vamos fazer mais o quê para além de pescarmos ou olhar o lago? This is África … This is África …

Ali ficamos duas noites para espairecer pois que as instalações eram verdadeiramente satisfatórias mas, tendo um pequeno senão – não havia ali WiFi. Demos mesmo com os burros na água como é costume dizer e, ainda com a agravante de não termos a gasolina suficiente para regressarmos até a Vitória Falls. Aqui não havia nenhuma bomba para abastecimento e, isso era grave!

fotos ZÂMBIA 022.jpg Havia também o inconveniente de temos de pagar tudo em dinheiro vivo na moeda local, o dólar zimbabwano ou em randes. Isto era um grande desaforo pois que nosso comandante RV não prevendo estes inconvenientes só levava para além do cartão de crédito, notas de 500 Euros; isto era nitidamente impraticável neste fim de mundo e, eu era conhecedor de que isto assim era pois que, nem no Banco do Brasil, estando no Nordeste, consegui trocar tal nota. Nesse então tive de ir a um cambista e pagar caro pelo descuido devido às taxas exageradas de lucro…

Pois, como tudo falhou, teremos de voltar para trás uns 260 quilómetros até chegar ao Rest Camp Victória e tentar obter gasolina em Cross Dete que fica a uns 95 quilómetros daqui. Nós, já tinhamos reparado haver grandes filas de carros nas bombas de combustível mas não nos apercebemos que havia mesmo escassez deste líquido - o Zimbabwé estava a ser abastecido por camiões chineses – podia ler-se nos carros de abastecimento de combustível, aqueles seus normais arabescos de sua escrita.

fotos ZÂMBIA 028.jpg Haveria agora de encontrar solução para nos desenrascarmos e, havia sim! Razão tinha a minha empregada Mery de Campala ao dizer que nós bazungus ao pensar só em safaris, eramos chupados até ao tutano pagado por tudo, os olhos da cara! Havia um homem que ficava ali perto da portaria e que tinha no seu mukifo gasolina de socorro em jerricans de plástico, só que, iria ficar um pouco mais caro.

Ela, a Mery, bem disse que os bafanas não alinham nessas tolas correrias de fantasia e aventura dos t´chinderes, brancos gwetas. Assim teria que ser: comprar no mínimo dez litros para chegar à estrada A8, uma estrada comum, em que se paga portagem. Já tinhamos reparado ao longo do trajecto haver latas e plásticos amontoados aqui e além nos bordos da estrada e, em lugares próximos de agrupamentos de casas e cubatas mas na nossa ilógica do costume sempre pensamos serem de mel ou água. Esta lógica do TALVEZ atrapalhava-nos a visão.

fotos ZÂMBIA 002.jpgPois aquelas latas e jerricans não tinham outro qualquer produto, afinal era mesmo gasolina a fornecer aos imprevidentes como nós, guiados pelo nosso condutor e comandante fumador de cigarrilhas tipo cohiba… Haja paciência! Isto era dito com bastante frequência entre fumarolas de anéis percorrendo nossos esqueletos. Os bafanas que não pastoreiam cabras, montam “cuca-shops” (vendas) vendendo milho-papo e, entre outras iguarias locais o pequeno peixe t´chissipa do qual fazem comidas untadas de óleo de palmeira.

Lá atrás no Hwange National Park ainda vimos este prato a ser executado pelo guarda dos taxos e panelas, o mesmo que me forneceu a troco de gasosa a palavra passe do WiFi mas, sucede que o prato de alumínio estava tão encarquilhado que meteu algum nojo de arrepiar a moleirinha ao comandante RV. Por via disso acabei por comer o bife mais duro que alguma vez já comi no restaurante que até tinha bom aspecto mas, deveria ser dum gnu dinossáurio da região.  

kariba8.jpg Agora, e de regresso a Victória Falls teremos de recuperar o dinheiro dado pela compra do bilhete do ferry fantasma ao manager do Turist Information Centre no knowledge Nyoni. O dono do ferry algures noutras lonjuras assim disse por telefone ao dono do “DEAD SLOW” (morte lenta), um grande e gordo bóher que por ali assentou arraiais no Kariba. Dia 02 de Outubro fomos os quatro, ali bem perto, ao M´Libizi Hotel almoçar; pagamos 52 dólares.

kariba9.jpg Acabados de almoçar apareceu o homem a quem se tinha encomendado a gasolina Pagamos pelos dez litros de gasolina no jerrican mas de tão desfalcado pareceu-nos só ter oito litros, enfim! Feitas as contas o litro do precioso líquido deve ter ficado pelos 1, 70 euros mas e pelo que eram todos conhecidos, pagamos tudo junto tendo ficado no total em 1000 randes. Neste M´Libizi  Kariba não se aceitam cartões…Óh mundo de túji e, ainda temos de atravessar a Zâmbia para chegarmos à Tanzânia…   

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:51
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Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
MISSOSSO . XXXVIII
EU E O FALA KALADO – APONTAMENTOS RELAXADOS
NA ILHA DO CARLITOS – 8ª de Várias Partes22.11.2019
Por

soba0.jpeg T´Chingange - (No Algarve do M´Puto)

ÁFRICA11.jpg Foi uma grande e boa surpresa rever-te de perto disse a FK ainda naquela ilha do Carlitos, bem perto de Maceió em Abril de 2018. Sim! Disse ele, o Fala Kalado depois de entornar a sua décima primeira cerveja Skol, depois de ter tomado três caldinhos variados de sirí e dar umas mais de doze bufas sonoras para aliviar o "simsenhor". Tenho de recordar isto ainda recente para que se não me escapem os pormenores e sem açambarcador os cheiros variados, de fugir com a mão no aspirador de aromas.

Naquele dia de Abril, lembro o FK ter dito: A estória só nos anoiteceu! Conclui isto, dando um tremendo dum peido de assustar os “bem-te-vi”. Para eles – disse! Encabulado olhei ao redor mas, não reparei em nenhuma outra anormalidade. Nesta estória, disse eu: -Nós, sempre iremos ficar como um enigma com essa tua morte não morrida no ano de 1974… Pois assim é, assim vai ser! Cada qual tem o legítimo direito a ser uma lenda e, até poder fazer triagem dos acontecimentos, morrendo e nascendo quando lhe aprouver.

salupeta1.jpg Dirigindo-se a mim na segunda pessoa do plural FK, com o dedo em riste falou: - Tu, T´Chingange, já és uma lenda da estória; para muitos a dúvida sempre subsistirá das muitas inventações, tal como das minhas suposições emudecidas no tempo para marinar a vontade de querer e assim se ficar nas lacunas da justiça. Afinal, sou ou não sou um Fala Kalado!?

Entretanto fui deitando umas achas na fogueira: -Tu, desapareceste porque te convinha, concordavas com o Daniel Chipenda e daí ao separatismo foi um passo rápido, posso calcular até teu encontro com o homem do monóculo; sim, esse de nome Spínola com quem mais tarde te encontraste na Ilha do Sal em Cabo Verde. Posso imaginar depois a tua admiração com Jonas Malheiro Savimbi e, o teres aderido de corpo inteiro à causa. Em resposta o FK prolongou um booom titubeando-se no sibilar com eco de seu caroço de adão; se te disser que sim estou a trai-me, a inimigar-me e, o que te poço dizer é o de que foi com Salupeto Pena com quem me identifiquei.
 
Sim! Foi com este que verdadeiramente me revi; foi ele que me levou à mudança com este nome de Fala Kalado! De novo virando seu dedo em riste tipo rifle foi inventariando coisas desavindas dum tempo que só ele sabia, tu nesse então e, ainda sem patente, já eras major sem vestires farda. Referia-se a mim, T´Chingange mas, não era de todo verdade: consideravam-me por via do meu relacionamento social, sempre fui um zero feito cabo-de-guerra desconhecido.

unita01.jpg E, prefiro que assim seja porque também morri vítima de sabotagem. Tive conhecimento disso, disse Fala Kalado; creio que foi Kalakata que me referiu isso mas, também eu andava mais enrolado que papel de embrulhar chouriço saído do esterco. Cheguei a ver os destroços do teu Renault “Major” tal como dizes e desmentes lá na Curva da morte de Kaluquembe. Correu notícia de ser um pouco inaudito, tinhas um galo negro pintado no capô noé!? Verdade! Como assim, lá tive de concordar contigo – ambos temos lendas no nosso curriculum.

Nesta tarde prolongada podíamos olhar-nos na sombra alongada dos reflexos das lagoas do mangue comendo ostras com a particularidade de serem antibióticos naturais. Como assim! Interrogou o FK. Porque estas estão impregnadas de própolis vermelho, esse mesmo que é extraído pela abelha da seiva das árvores do mangue e que colocam nos bordos da entrada de seus cortiços para derrubar qualquer mal. Bem curioso! Nestes porem, tivemos a confirmação de Bento Patrinichi um multifacetado empregado do verdadeiro Carlitos.
 
Com a tarde caindo rápido Fala Kalado foi dizendo algo acerca do passado de Salupeto lá na Luua: - Na tarde em que iriam assinar os acordos que determinavam a segunda volta das eleições presidências em Angola, a cidade de Luanda entrou em “fogo cruzado”. Do hotel turismo onde se encontrava com os seus companheiros, telefonou para o seu homólogo do MPLA, o general António França “Ndalu” para tentar perceber o que se estava a passar e teve como resposta: “façam o que poder” - Logo a seguir ao contacto com general “Ndalu”, o engenheiro Salupeto Pena e os seus companheiros compreenderam que poderiam estar a premio e decidiram, abandonar Luanda em caravana rumo a Caxito onde se encontravam os generais Nbula Matadi e Abilio Kamalata Numa.

angola ginga.jpg O grupo de Salupeto pensava antes, em distribuir-se em diferentes embaixadas estrangeiras, de países onde trabalharam no passado. Porém, Jeremias Chitunda que se encontrava em Luanda a cerca de dois dias para assinar o acordo de paz, teria desaconselhado tendo os mesmos decididos saírem em coluna. Nas redondezas do mercado do roque santeiro, foram seguidos pelas forças governamentais que atiraram contra os mesmos. Salupeto Pena foi gravemente ferido e levado a uma esquadra da Policia no Sambizanga onde seria torturado até à morte, a 01 de Novembro de 1992.

salupeta2.jpg Patrinichi o empregado de origem kosovar veio de novo até nós para dizer que nossa lancha estava quase de saída, e que estava na hora de encerrar o expediente; com muitas desculpas juntamos nossos apetrechos e ainda ouve tempo de, e a caminho do cais se acrescentar às dúvidas outras informações do passado. Pois! Nosso passado é assim contado aos soluços porque ainda não há uma correlação de datas e mistérios com verdades ou mentiras absolutas.

salupeta3.jpg Sabe-se agora. De acordo com as fontes que forneceram esta informação ao Correio Angolense, Elias Salupeto Pena, irmão de “Ben-Ben” e outro proeminente dirigente da UNITA igualmente falecido, também estudou com João Lourenço, na mesma escola e época. As famílias eram amigas e professavam a mesma confissão religiosa protestante. Sequeira João Lourenço, pai do Presidente da República, era amigo pessoal de Loth Malheiro, pai de Jonas Savimbi e avô dos irmãos “Ben-Ben” e Salupeto Pena. Imaginando um jogo de xadrez zarpamos aos esses pelas nove ilhas tropicais…

Glossário: Bem-te-Vi – pássaro parecido com o melro; simsenhor – mataco, rabo, cú; Kalacata - militar da Unita (Caála)

(Continua… )
O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:42
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Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXVIII

O LIVRO ESCOLHIDO:

13 – HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho ... 18.11.2019

Por

soba15.jpgT´Chingange - No Algarve do M´Puto

Livros em cima da mesa da cabeceira

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil.

11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassumal.

12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

booktique20.pngHugo Chaves patrocinou a ascensão de Evo Morales ao poder estimulando o discurso étnico como plataforma de luta politica. Por causa dos seus traços fisionómicos, Morales, chegou à presidência da Bolívia num embalo de discurso étnico usando fantasias e alegorias que remeteram o povo para a cultura ancestral dos povos pré-colombianos. Líder sindical dos “cocaleros” (agricultores que cultivam a planta da coca), cuja folha é utilizada em chás, mascada, segundo a tradição indígena do partido Movimento para o Socialismo-Instrumento Político pela Soberania dos Povos (MAS-IPSP).

Evo Morales destacou-se ao resistir os esforços do governo dos Estados Unidos para substituição do cultivo da planta da Coca, na província de Chapare, por bananas, originárias do Brasil. É assim a partir desta sofisticação, que sua estratégia acaba por ser bem-sucedida usando o Libertador Simon Bolivar como método para a exportação da revolução na via dum tal “Socialismo do século XXI” tão propalado pelo seu padrinho Hugo Chaves.  

chaves6.jpg Hugo Chaves, inspirado pelo ideário em torno da imagem do Índio Túpac Katari, fomenta o aparecimento de uma milícia na Argentina com mais de 10 mil pessoas. Assim, inspirado nesse ideário, foi criada uma organização com moldes paramilitares que passou a servir para atender às chamadas de mobilização do kirchnirismo, chavão derivado daquela que veio a ser Presidente, Cristina Elisabet Fernández de Kirchner que se manteve no poder da Argentina de 2007 até 2015.

Sabe-se agora que aquela milícia Argentina, adquiriu um potencial explosivo por via da vinculação subterrânea com os remanescentes guerrilheiros peruanos do Sendeiro Luminoso. Veja-se o quanto há de tenebroso nestas “élites” treinadas para o combate de guerrilha tendo conta que essa organização peruana foi entre os anos de 1980 e até o ano de 2000, responsável pela morte de 36 mil pessoas. De acordo com relatórios de inteligência produzidos por militares bolivianos, a cocaína e o crack, assumiram proporções epidémicas.

chaves5.jpg Em 2005, Hugo Chaves importou de Moscovo 100 mil kalashnikoves, das quais pelo menos metade terá ido parar às mãos de civis venezuelanos, na sua maioria membros da Frente Francisco de Miranda. Na via da transformação das organizações de base nos países seguidores desse tal de “Socialismo do Século XXI” em feições militarizadas teve seu maior sinal na Venezuela aonde houve o maior esfoço estatal nesse sentido.

Foi assim que Hugo patrocinou a formação da FFM – Frente Francisco Miranda que chegou a ter 20 mil militantes. O núcleo de dirigentes da FFM passou por cursos de formação em Cuba coadjuvados por corpos de activistas que recebem soldo e treino militar tanto na ilha governada pelos irmãos Castro como pelos militares venezuelanos. Militantes da FFM em períodos de eleições deslocavam-se em motocicletas até à casa de eleitores faltosos, pressionando-os no medo, na forma de votarem a favor do governo.

chaves8.jpg A megalomania do Presidente Chaves, que já tinha características patológicas, com níveis nunca vistos ou imaginários, via-se como um líder global passando por isso a exportar a sua revolução bolivariana mais além da sua américa. Assim o seu porto de desembarque para o seu “Socialismo do Século XXI” na europa, foi a Espanha. O governo da Venezuela formou assim uma serie de contractos de consultoria com o Centro de Estudos Políticos e Sociais (CEPS) como organização de auxílio consultivo para o seu governo.

bordallo.jpg Foi assim que activistas no ano de 2014 viriam a fundar em Espanha o partido PODEMOS. Os documentos indicam que apenas nessa pasta o CEPS recebeu 270 mil euros anuais, entre os anos de 2002 e 2014. Com tanto despifarro, não é de admirar em como a utopia de um louco, pode jogar à lama toda uma nação que em tempos idos, era considerada a Suíça da américa – A Venezuela! No Palácio de Miraflores de Caracas, a sede do governo venezuelano, havia um staff governamental que geria a relação entre a fundação espanhola do PODEMOS e o “chavismo”…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:32
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Quarta-feira, 4 de Setembro de 2019
MU UKULU – XXIII
MU UKULU... Luanda do Antigamente 03.09.2019
FEROMONAS DA VIDA - Saber do passado para melhor se entenderem coisas do futuro...
Por

soba0.jpeg  T´ChingangeNo Alentejo do M´Puto

luis0.jpg Luís Martins Soares – Falecido no Brasil em Julho de 2019 - (São Paulo)

Mu Ukulu59.jpg Continuando nas recordações em forma de ongweva, surgem com um MU de Mutamba, um MU de antigamente ou um MU de árvore a saga “Pombalina” levada até Angola, colónia na governação de D. José I tendo como Primeiro-ministro José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. O Capitão Geral de Angola Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho a mando do Marquês de Pombal e, na qualidade de governador introduz reformas da maior importância naquele território ultramarino esquecido.

Convém recordar aqui que o título de Marquês de Pombal foi instituído por Decreto do Rei D. José I de Portugal a 16 de Setembro de 1769 a favor de Sebastião José de Carvalho e Melo, 1.º conde de Oeiras, diplomata e primeiro-ministro de Portugal. É este grande estadista, comentado por muitos como tal mas, e também, contestado por muitos, que nomeia Inocêncio de Sousa Coutinho como Capitão Geral da Colónia de Angola.
 
E, é com esse seu mandante que começa uma nova política para a Colónia. Por motivos outros adversos, este embalo de visão nova, não teve a continuidade desejável mas e, entretanto este fez melhorias aos acessos às feiras existentes criando as novas feiras do Galo, Bimbe, Calandula (onde se situam as quedas do Duque de Bragança ) e Encoje.

Mu Ukulu58.jpg Foi já dito que Luanda vivia exclusivamente dos produtos que vinham rio abaixo. A cidade possuía poucos poços rasos (denominados cacimbas ou maiangas) de fracos rendimentos e água um tanto de sabor salobra. No bairro da Maianga existia um poço a que se lhe deu o nome de Poço do Rei, poço que ainda está de pé, mas vetado ao abandono entre um desadequado caserio de casas sem os requisitos modernos de habitação.

Pelo que se sabe é um recanto de abandono depósito de dejectos e demais porcaria avulso - um total desrespeito ao património que se pretende preservar. Uma nítida desatenção das gentes do mando e, que só se pode entender como um absurdo sem as políticas correctas de reordenamento e enquadramento ou requalificação urbano da Luua. Aqui e ali gente da diáspora, mostra as modernidades da banga, sem a requerida sensibilidade para o vasto e rico património legado a custo zero pelos Tugas.
 
Por maus enquadramentos e desaforadas medidas, Luanda já não tem solução; é um amontoado de prédios que para além da orla marítima são em verdade um desconjunto de boa prática urbana. Esta insensatez só é visível quando chove, quando faz vento ou quando a merda dos musseques, vem lamber os citadinos e gente que sempre se esconde num “talvez, haja esperança”. Em resumo, naqueles idos tempos e após o aterro da lagoa do Kinaxixi, a cidade era árida, recebia muita água de fora, dos rios Bengo e Cuanza. As chuvas em Luanda eram e continuam a ser escassas e mal distribuídas.

Mu Ukulu53.jpg O Capitão Geral de Angola Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho cria as fábricas de cordoaria, estabelece o presídio de Novo Redondo (Sumbe), capital da província do Kwanza Sul, a mesma que se tornou conhecida ao Mundo por ter sido a cidade aonde o eclipse do Sol, durou mais tempo - foi em Junho de 2001. Foi criada a manufactura de carnes secas, couros e sabões com fábrica situada junto ao antigo Baleizão e prédio Tarik.

Finalmente, o empreendimento estrelado que marcou sua governação: a criação da fundição de Nova Oeiras, na confluência do rio Luinha com o rio Lucala (a 5 km a leste de Cassoalála). De aqui, chegou a ser extraído ferro, e exportado para a Metrópole, com grande sucesso; algo admirável para esta época – O primeiro empenho na construção maciça de ferro em toda a África. Chegaram a trabalhar nas minas 400 africanos “livres e sem constrangimento” segundo o dizer de Sousa Coutinho.

Mu Ukulu50.jpg Um dos muitos méritos de Sousa Coutinho foi o de ter acreditado na potencialidade dos africanos, tendo escrito: «… Sempre os negros trabalharão o ferro das minas de Nova Oeiras e dos muitos outros lugares do mesmo reino em que as há, e jamais comprarão algum ferro da Europa para as suas obras e serviços; e têm tal propensão estes povos para aquele trabalho que sobre os muitos fundidores ferreiros que conservam nas suas libatas ou povoações têm uma grande veneração pelo seu primeiro rei porque foi ferreiro, e finalmente toda aquela vastíssima região se serve do seu ferro, que jamais comprou algum aos nossos europeus…». Quem faz por esquecer isto, terá de ser apodado de hipocrisia!

Para esta fundição, um embrião de uma futura siderurgia, se continuada, foram para Angola quatro mestres de fundição, vindos do Brasil mas oriundos da Biscaia. Tiveram fins prematuros: um ano depois da chegada tinham falecido todos. Chegaram em 3 de Novembro de 1768, a 6 de Dezembro morre José de Retolaça, devido a exageros alimentares segundo o laudo mortuário, a 8 morre Francisco Zuloaga e a 29 Francisco de Chinique o chefe dos mestres. O último, José Echevarria veio a morrer um ano depois.

Mu Ukulu52.jpg A REAL FÁBRICA DO FERRO DE NOVA OEIRAS foi o maior empreendimento industrial do seu tempo na África. Deve-se ao governador e capitão general de Angola D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho (de 1764 a 1772 no cargo) a obra, uma antecipação ambiciosa para a sua época e, quando os meios técnicos eram ainda incipientes. Procurou com a exploração do ferro, reestruturar a economia de Angola de modo a poder dispensar o tráfico de escravos.

Foram nesse então, criados meios de trabalho e rendimento locais que supriam o recurso forçado a tal exportação. Os que se lhe seguiram, quiseram as mordomias que curiosamente os mwangolés actuais praticam (estamos em 2019). Para que conste, Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal e Conde de Oeiras foi um diplomata e estadista português de vulto. Foi secretário de Estado do Reino durante o reinado de D. José I, sendo ainda hoje considerado uma das figuras mais controversas e carismáticas da História Portuguesa. Angola teve o seu quinhão embora os vindouros Lusos e mwangolés os tivessem esquecido; talvez por ignorância!
(Continua…)

Mu Ukulu57.jpg

Recordando o Século Kota Mwata Luís Martins Soares

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:21
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Sexta-feira, 21 de Junho de 2019
MALAMBAS . CCXXV

UM CACTO CHAMADO XHOBA . V – 21 DE JUNHO - 2019

– MALAMBA é a palavra

- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana (Perto de Etosha). Estávamos ainda em Luderitz, terra soprada a frio e com areia, por Nosso Senhor … Foi no ano de 1999

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

luderitz26.jpg  Aqui em Luderitz, como as horas acordam cedo desfazendo-se em minutos gélidos pelos sopros do mar, gozando mais regradamente os bens da inteligência e da vida, remexo a chávena com meu especial milongo de adstringir triglicéridos, uma cachaça, aguardente do M´Puto trazida em contrabando; assim feito muambeiro, tomei com um agrado, aquele agora da vida na forma de café arábico. Desolando-me numa sinceridade gemida de tudo o que é ilusão, indeferia-me nos contornos que se transportam sempre às costas, um pessimismo que sempre se enrola no soalho do cerebelo.

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Assim taciturno, com o kispo enfiado pelas orelhas, todos os cinco, fomos ver o padrão de Luderitz numa ponta pedregosa colocado pelos Tugas naqueles tempos de quando ainda se alimentavam sonhos de grandeza com Diogo Can. Sei o quanto é difícil ler o indecifrável mas soe dizer-se que a teoria do pessimismo quando implodida num deserto, é bem consoladora para os que sofrem e eu, com meus sessenta e quatro anos nesse então, já não tinha fornalha para alimentar lentas combustões. Isso - Na forma de chatice!

luderitz8.jpg  Necessitando de renovar minha paz por mais uns dias em país que não o meu, insurgia-me contra essa maçada de pagar expedientes ou emolumentos numa terra com padrões de meus ancestrais situados um pouco mais a Sul e no lugar de Elizabeth Bay. Foi quando vimos as duas hienas esgueirar-se na esquina salitrosa dum prédio roído pela maresia; chafurdavam em um conjunto de bidons contentores contendo restos. Neste encanto de desespero entre o mar e o deserto, rendilhamos nossos sonhos com muitas pedras roliças, daquelas que já andaram e desandaram milhares de vezes a recordar que somos uns nada comandados por mistérios…  

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Mesmo que rumine uma harmonia que me favoreça a dormir embalado pela mão de Deus, esta paz fica-me cara porque aqui na terra, os homens pagam-se bem pelos expedientes. Regressando à teoria do pessimismo, terei de concordar que é certo o que se diz de que o que tiver que acontecer, acontece, e neste caso aproveitarei rever um oceano de acácias, desertos e bichos na firme vontade de não ser extorquido como um qualquer turista para ver pedras e ou atravessar uma curta ponte construída pelos colonos. Em áfrica tudo é possível (TIA - That is África).

luderitz16.jpg Coabitando com este gozo de incertezas, preencho a inspiração sem doçura, um veludo negro cuspilhando-me num desconsolo na alma. Mas como “há males que vêem por bem” acoitei minha curiosidade em ver cavalos selvagens por esta grande área aonde as areias foram tomando conta das casas; eram em tempos cavalgaduras dos alemães até que um dia em que os diamantes de sonho deixaram de aparecer a brilhar, Também a guerra grande que chegou até aqui destroçou vidas com brilhos cintilantes como as estrelas do céu que aqui e de noite são aos triliões.  

luderitz13.jpg Sem me assustar com a calma tremeluzente que carrego, trotei como aqueles cavalos a sobreviver alvoroços e, daqui segui, seguimos para Windhoek feito um naco grande de sabão p´ra macaco com almofadinhas de chita branca, carteira com dólares verdes numa forma de amaciar minha rigidez branca. Em terras de negro que, só parecem querer meu kumbú, irei rever meu Rundu, meus amigos fujões do outro lado chamado de Calai no Okavango, um rio de maravilha que desagua numa lagoa grande chamada de Delta. Outra corrida! Outra viagem! A vida é assim mesmo, como um carrossel.

luderitz15.jpg Recordar a estória do final do ano de 1975 de, quando um General de Pretória num dia intercalado das guerras independentistas, chega um indivíduo sem nome a Grootfontein; Este senhor levando um visto de trabalho em nome de João Miranda saído às pressas de Angola; um Hércules C-130, levou a família inteira para Pretória. João Miranda que tinha todos os seus bens em Dírico, não queria por nada ir para Portugal, seu Trás-os-Montes na Miranda do Douro. A este homem quase lendário, deram-lhe um apartamento do tipo T4 totalmente equipado; o General viu nele o perfil certo para ser integrado no batalhão Búfalo por ser um bom conhecedor do terreno e falar a língua local e dos bosquímanos, os Khoisans.

luderitz10.jpg A companhia Búfalo estava a ser organizada já algum tempo no intuito de intervir em Angola salvaguardando investidas comunistas. Ovoboland seria um território tampão àquele avanço. Dizia-se que estavam ali em Windhoek os recrutadores de possíveis militares a integrar naquele batalhão, eis PIDE-DGS. Tudo dependeria da aptidão e vontade de vir a ser um soldado da fortuna, vulgo mercenário, segundo os pontos de vista diferentes e diferenciados dos “mãos-limpas”. Foi lá no Hotel Safari que me instalei em diferentes fases da independência de Angola. Pela primeira vez comi ostras no gelo; ali, iria recolher elementos junto a muitos refugiados, alguns deles, agentes da PIDE que tinham uma noção exacta das movimentações em curso. Recordo um tal de Rocha de Oshakati, que me fez o especial favor de me dar abrigo numa casa em que a porta era uma autêntica obra de arte – Um imponente búfalo.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:05
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Domingo, 28 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXVII

N`ZINGA E O FALA KALADO 
NA ILHA DO CARLITOS de Várias Partes – 28.04.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Foi uma grande e boa surpresa ver-te em Guarulhos e, quis manter-te afastado das periclitâncias. Ainda temos alguma jornada pela frente aqui e lá! Disse isto apontando o dedo para cima como se ele, FK já tivesse alisado seu caminho que conduz ao mukifo do céu; até talvez seja natural que ele tivesse trazido uma bússola em sua anterior ida; refiro-me àquela morte que resultou numa lenda ainda não contada aqui com rigor mas, cada item no seu cronograma. 
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Se houver um anjo espião, que o há pela certa, porque estas nuvens são demasiado traiçoeiras, vai ter de fazer uma triagem de tudo para poder juntar nossos hologramas. Eles, lá no MPLA são peritos em festejar nosso contentamento mas, depois dão palmadinhas nas nossas costas e numa de paz e reconciliação às tantas, espetam um pico imperceptível de cacto tabaibo com veneno de cobra mamba.

monstro4.jpg Acabávamos de saborear um caldo de camarão com jindungo na ilha do Carlitos. Sim! Disse eu numa de mudar o rumo à conversa porque se sempre pensamos em vinho envenenado vamos ficar detestávelmente paranóicos: - Lá também deve haver forro de serra, deve ter um Dominguinhos para alegrar a malta, não é!? 
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FK riu-se como não o via rir faz tempo e, por momentos sua cicatriz mudou de cor, ficou vermelha ressaltando os pontos feitos com mateba de Catete e deu para assustar vendo sua orelha de plástico hibernado ficar pululando de tremura. Deu umas tossidelas com som estranhamente fino, coisa invulgar por sempre ter voz de trovão e, num repentemente tudo normalizou. Graças a Deus, muxoxei baixinho.

pombinho5.jpg Tu és muito astuto de picaro, disse FK: por isso é que o Mais-Velho te mudou de secretaria sem secretária, chupando na mandioca para fazeres teus poderes dialécticos como Secretário de Relações Públicas. Mesmo assim na merda de nossa vida encantada, nunca tivemos momentos altos de nos enaltecerem nas devidas proporções, mas, deixa para lá... A estória só nos anoiteceu! Conclui, dando um tremendo dum peido de assustar os bem-te-vi. Para eles! - disse.
::::: 
Sim! disse ele, o Fala Kalado depois de entornar a sua décima primeira cerveja skol, depois de ter tomado três caldinhos variados de sirí e dar umas mais de doze bufas sonoras para aliviar o "simsenhor", como ele chamava ao seu forever, mataco açambarcador de cheiros variados, de fugir com a mão no aspirador de aromas.

quip´02.jpg Chiça, o cara continua: Nada foi fácil para ninguém em N´Gola, todos pareciam salalé a fugir de cobra surucucu para lugar desconhecido; uns foram para o Sul outros para aqui no Brasil e a maior parte seguiu para o M´Puto. Para ti, T´Chingange, foi um vôo grátis para Lisboa depois de passares umas quantas guias de transporte na ponte do Tundamunjila lá no palácio do desgoverno!
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Minha lenda, diz FK: anda a ser descortinada por ti, resquícios de investigação e relações publicas mas, toma cuidado, nem todos os que parecem ser, assim o são. Como assim!? O que é que tu sabes que, eu não sei. Tambula konta meu irmão: tem gente que te quer fazer trepanação a frio e tu com teu kixibus todos, não vais aguentar... Anda pianinho - malembe melembe...

fuga6.jpg Realmente, só fui sabendo um pouco de ti aos poucochinhos, disse eu para dar finalidade a tanto retalho do tempo. Passando uma esponja sobre e sob tantos pormenores dir-te-ei que ajudei a reformular a ala do MPLA de Chipenda mas, por falta de consistência e também de coerência, estando eu já no sul, aderi à UNITA . Foi Salupeto Pena que me convenceu.
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Aí está uma afirmação que desconhecia, por isto é que a insatisfação tomava conta de mim tornando-me um gelo no estado sólido mas, curiosamente muito quente como quem apanha em cima um balde de água. Isto já era demais - ficando assim na dúvida se não seriamos uns hologramas, fizemos uma pausa na piscina, pischinando...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:26
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Terça-feira, 4 de Setembro de 2018
CAZUMBI . LI

O TEMPO - Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol … 04.09.2018

kimbo 0.jpg As escolhas de Kizomba

Por :::canhot2.jpg::: António José Canhoto - O genérico James Spencer

IMG_20170902_113837 (2).jpg Ao longo da minha vida sempre lutei com falta de tempo, passei longos anos numa corrida desenfreada, andei apressado, assoberbado, sobrecarregado, pois apesar de todos os meus esforços para tentar racionalizar o tempo este nunca chegava e dificilmente conseguia geri-lo adequadamente pois as solicitações eram muitas e a minha omnisciência limitada. Cheguei a pensar que desde a criação do mundo tinha havido um tremendo erro na configuração do tempo e da forma como o mesmo tinha sido congeminado. Os dias eram pequenos, as horas passavam depressa, o prazer era efémero, a vida curta e as noites demasiado longas.

:::

Mas com o decorrer dos anos as minhas prioridades começaram a mudar a minha selectividade sobre onde e como aplicar o tempo alterou-se, os meus critérios e opções refinaram-se, de modo que fui chegando a conclusões diferentes sobre a utilização do tempo. As pessoas têm opiniões diferentes como aplicar o tempo, para alguns, o tempo é dinheiro, para outros utilizam-no apenas para prazer, gozar e viajar, outros dedicam-no a deuses e religião, política ou enfiados em bibliotecas a adquirir conhecimento. O tempo foi alocado às pessoas para que estas o utilizem o melhor que podem e sabem, mas é preciso evitar matar o tempo, pois ele é uma dádiva, um presente, por vezes envenenado, outras vezes muito saboroso, que nos é concedido diariamente, mas perecível pois não volta atrás nem pode ser revivido.

matipa-tipa.jpg O tempo, não pode nem deve ser esbanjado em projectos fúteis e inconsequentes ou com as pessoas erradas, pois infelizmente é algo que não podemos conservar indefinidamente. O jamais volta atrás, poderá eventualmente ser comprado ou vendido quando se é contratado com tarifa horária, mas não pode ser parado ou guardado para ser usado mais tarde. O tempo esgota-se como grãos de areia fina metidos numa ampulheta posta a funcionar para contar o tempo de um exame oral. Nesta provecta idade que atravesso, tenho todo o tempo que preciso e quero, para viver e sonhar. Também dar a volta ao mundo no meu barquinho de papel numa poça de água deixada pela chuva.

:::

Nunca fui escravo do tempo, usei-o para me enriquecer academicamente, culturalmente, financeiramente, socialmente e ideologicamente. Hoje em dia permito-me passar alguns dias de verão á beira-mar construindo castelos na areia com os meus amigos, e em qualquer competição ou desafio que aceite não irão para além do jogo do avião, malha, escondidas, berlinde ou pião. Quero a todo o custo voltar a acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos afectos, ternuras, beijos e carinhos. Quero voltar a acreditar nas palavras gentis, na solidariedade e condição humana, na fraternidade, na justiça e exclusão social, pois tudo isso tem muito mais valor do que todo o dinheiro do mundo.

flor de maracuja1.jpg Hoje, seja qual for o tempo de vida que me resta e espero que ainda seja muito, cá o vou triturando ao meu ritmo e no meu “timing” numa contagem inexorável e decrescente como se eu fosse um foguetão na rampa de lançamento aguardando a contagem para a minha partida, não para a estratosfera numa viagem de dias, mas para a eternidade num crematório a fim de ser reduzido a pó. A existência ou não de deus é algo que não me preocupa pois não lhe reconheço existência, portanto prefiro como herege e impio não ter que prestar contas a ninguém e muito menos de me preocupar se irei para o paraíso ou para as profundezas dos infernos.

:::

Nunca fui santo e como pecador as minhas fraquezas não foram relevantes. Nunca me coibido de fazer o que me agradava vivendo intensamente a vida de acordo com as minhas convicções e valores morais. Tudo o que fiz, foi de forma consciente o que eventualmente me levou a incorrer na fúria de terceiros por não obedecer ou cumprir dogmas religiosos, políticos, culturais ou tradicionais seguidos pelas maiorias. Eu sei, reconheço e tenho consciência absoluta de que em muitas ocasiões os meus pés de barro cederam e fraquejaram perante a luxúria e outros pecados veniais, pois as tentações eram de tal modo irresistíveis que acabei por soçobrar às ofertas tentadoras que me fizeram e, esse foi o meu calcanhar de Aquiles, contudo não lamento nem alteraria o meu procedimento se pudesse recuar no tempo.

acácia1.jpg Passados alguns anos quando o vento finalmente amainou dentro do meu coração, e, o calor que me corroía as entranhas se acalmou depois de me ter rasgado como raios as penumbras do meu ser queimando a fogosidade que me consumia pelas minhas viscerais paixões passei para uma fase de reflexão contemplativa e mais humanista e os arrebatamentos episódicos de rebeldia deixaram de tomar conta da minha existência. Metaforicamente, poderei dizer que os meus pecadilhos foram escolhidos a dedo como um cliente escolhe as mercadorias mais caras de um supermercado, foram transgressões escolhidas pelo exotismo das fragâncias perfumadas que atiçavam a libido, pelo sabor obtido por deixar viajar a nossa língua pelos locais mais recônditos dos corpos, estimulando a sensualidade e volúpia.

:::

Estas infracções não deixaram nodoa, rasto ou nexo de casualidade, contudo ficaram coladas á minha pele por muitos anos. Não tenho feitio para autoflagelações nem para me deixar imolar nos altares ou templos dos críticos raivosos e invejosos do meu sucesso. Quando a minha consciência toca a rebate eu paro para pensar, pois é sinal que estou a percorrer caminhos perigosos ou a ter comportamentos desviantes o que implica que retroceda reparando os danos causados. Tempos houve em que a minha vida era conduzida a alta velocidade, mas essa fúria de viver e coleccionar histórias passou, contudo, o meu instinto predatório ainda reside e resiste nas profundezas do meu ser controlado e açaimado.

:::

Esta alquimia que se processou na mente, corpo e sexo, era composta de ingredientes e componentes inflamáveis os quais podem ainda ocasionalmente a espaços incendiados. Na vida não há empates como no futebol, ou se ganha ou se perde. Não devemos nem por brincadeira esconjurar o demónio sem sabermos como terminar a missa negra. Usando letras para formar palavras, e juntar palavras que que de forma harmónica traduzem ideias ou pensamentos, tento contextualizá-las de forma a sublimar as minhas paixões ou a extravasar a bílis nas decepções.

grafonola2.jpg O que a grande maioria do mundo anda agora a ver ou viver já eu o fiz há muito tempo, e, isso, torna-me quase que insensível às convulsões do quotidiano, pois são apenas, reconstruções, simulações, imitações das verdadeiras e originais situações que já enfrentei no passado. A vida de uma pessoa pode alterar-se ao voltar da primeira esquina, por alguém que nos roube a carteira ou o coração, portanto devemos estar prontos para reagir a qualquer eventualidade antes de aceitarmos “Bona fide” as intenções de intrusos nas nossas vidas.

António José Canhoto.... 3-9-2019



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:27
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Sexta-feira, 18 de Maio de 2018
MOKANDA DO BRASIL . X

ANDO ENKAFIFADO – 17.05.2018

Crime politico? Em nenhum regime democrático deste planeta existe isto, ou deveria existir!…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

O Brasil não tem a menor hipótese de ser confundido com um país sério. Tem um tal de “FP - Foro Privilegiado” que protege nada menos do que 55000 pessoas em todo o Brasil; e, não se limita só a políticos. É assim impossível pensar num país sério, na qual existam tantos cidadãos que têm uma licença virtual de cometer crimes, pois o tal de FP, na vida real, torna praticamente impunes os criminosos que contam com esse privilégio.

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Já o presidente Charles de Gaulle dizia há muitos anos atrás que o Brasil não era país para ser tomado a sério. Nunca aconteceu em nenhuma democracia do Mundo, em qualquer época um caso de político que tenha sido preso por fazer política. Nem se vai ouvir dizer isto porque, numa democracia, a actividade política é livre; a menos que tenha a ficha suja! 

beldr7.jpg Nenhum político precisa de FP ou “IP - Imunidade Parlamentar” para se proteger de qualquer tipo de perseguição quando está no exercício legítimo de seus direitos e funções. A lógica certa é a de ser processado como todos os demais cidadãos, se roubar o cofre do governo, dar um tiro num qualquer sem-eira-nem-beira ou camelô do bairro.

:::::

Agora crime politico, isso não existe! Existe sim é o crime apontado num Código Penal, e quando alguém comete um crime, tem de responder por ele na justiça comum. Tanto faz que seja deputado, governador ou astronauta. Sendo acusado de um acto criminoso, que arrume um advogado e se defenda. Se nada disto sucede de proibido nas leis penais, não é necessária qualquer imunidade.

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Qualquer pé-de-chinelo, Joaquim ou Manel, entende isso num instante! Só não entende isto os políticos, alguns intelectuais adstritos e, que aparecem na imprensa ensinando como funciona o Mundo. Em verdade não querem entender. O que eles querem, isso sim, é impedir que os homens públicos corram o risco de ir para a cadeia. Falo do Brasil, mas em Portugal é a mesma vrgonha…

brasil5.jpg E, as anomalias sucedem não apenas por corrupção, como é normal esperar dum novo individuo que através dum partido-gang entra na vida política mas, por qualquer crime já concebido e praticado pelo ser humano e, desde que Caim matou Abel com um pontapé nos tomates!

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Neste cardume prodigioso de imunitários entram o Presidente, todos os ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas, governadores, senadores, deputados, prefeitos e os ministros dos “tribunais superiores“ como o STF (Supremo Tribunal Federal) ou o STJ (Supremo Tribunal de Justiça). E, até os concelheiros dos tribunais de contas, procuradores federais e estatais ou desembargadores…

brasil2.jpg - Enfim, é mesmo um milagre que não tenham enfiado aí os juízes e bandeirinhas de futebol. Em lugar nenhum está dito que há dois tipos de roubo – o cometido por um qualquer meu vizinho ou o cometido por um desses 55000 portadores de “Foro privilegiado”. Crime é crime! Não há crime político, ou há!? Pode até ser daí derivado mas, uma coisa é uma coisa e outra coisa é uma outra coisa, certo!

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Ando por aqui encafifado com as “últimas instâncias”- “segundas e terceiras instâncias“ e, agora para cúmulo, surgem os “embargos de declaração” mais os “embargos infringentes”. Se o senador, deputado ou desembargador praticar algum crime, deveria ter de percorrer os trâmites da justiça comuns a todos os outros. Deveria!?

garças7.jpg Vão ter de ser indiciados, proceder ao inquérito policial, denunciados, julgados e punidos. Tudo o mais, o povo não vai entender. Ou as leis, são feitas para os senhores juízes mostrarem sua sapiência enrolando os demais numa conversa de não acabar nunca! Conversa de faz-de-conta em língua da patagónia ou Conchinha de  baixo, que ninguém entende patavina.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:23
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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