Sábado, 15 de Setembro de 2018
MU UKULU – IV

MU UKULU...Luanda do Antigamente – 15.09.2018

O tempo dos Mafulos ou Holandeses… Os Talatonas geriam os cipaios no transporte de água das maiangas em barricas a fim de apetrechar as naus…

Por

macuta com soba.jpgT´Chingange – Em Johannsburg

luis49.jpgLuís Martins Soares – No Brasil

A Vila de Loanda foi fundada a 25 de Janeiro de 1576 pelo capitão Tuga chamado de Paulo Dias de Novaes após ter desembarcado na baia de Loanda com cerca de 700 homens (soldados, padres e almocreves). Em 1576 manda construir a igreja de são Sebastião na fortaleza aonde agora se encontra o museu das Forças Armadas Angolanas. Antes da chegada dos Tugas, Loanda já era habitada pelas gentes do rei do N´Dongo concentrando-se no lugar seguro da ilha de Mazenga a que os portugueses chamaram de ilhas das cabras por ter visto ali alguns destes caprinos. Viviam ali os Muxiloandas, oficiais do reino de N´dongo que recolhiam os n´zimbos para transaccioná-los como dinheiro.

luis01.jpg No ano de 1605 a vila de São Paulo de Assunção de Loanda é elevada à categoria de cidade pelo governador Manoel Cerveira Pereira que exerceu seu cargo entre os anos de 1603 e 1606. Não obstante estes dados históricos, o Rei de N´Dongo ou Kongo era o dono e senhor daquele espaço, pois que era ali seu banco central! O banco de N´gola. Seus zeladores Muxiloandas, cipaios e gente miúda laboravam na apanha e sequente selecção atribuindo às conchas o respectivo valor monetário.

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Para se ter uma ideia da relação de valores de então temos que para o Manikongo, 1 galinha valia 30 n´zimbus e uma vaca cerca de 300 n´zimbus, 3000 caurins ou 6000 lufuzus. Podemos então estabelecer uma escala de valores para as unidades monetárias de N´zimbos, Caurins e lufuzus na proporção de 1,1/10 e 1/200. Qualquer invasor daquele espaço era retaliado com severidade ou morte em caso de insubmissão às ordens do reino ou reincidência em actos de roubo. Era esta a lei conhecida por kikongo que se confundia com a morte e de quem os súbditos tinham o maior medo.

luis02.jpg Todos estes funcionários dormiam em libatas feitas de folhas de coqueiro dormindo em loandos ou esteiras feitas por folhas entrelaçadas da mesma árvore. Foi assim e, daqui, que mais tarde se começou a designar aquele como o lugar dos loandos exportando para o reino este uso de estar, dormir e espreguiçar.

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Mas, Loanda de então já tinha sete povoados e foi só em 1576 que o rei N´gola Kiluanji Kiassamba autorizou a fundação de São Paulo de Loanda passando de certo modo a autoridade para Paulo Dias Novaes que aportou ali na ilha da Mazenga levando presentes da coroa de Portugal para o Reino de N´gola e, por intermédio do fidalgo negro Dom Pedro da Silva, que estabeleceu uma aliança entre os N´Gola e o M´Puto.

luis04.jpg Um daqueles sete povoados ou sanzalas de então, era as Ingombotas, caserio que no correr do tempo foram armazéns depósito de negros escravos enquanto esperavam embarque para terras de Vera Cruz o Novo Mundo também chamado de Brasil; um outro povoado era conhecido por Maculussu e, assim se chamava por ser o sítio das cruzes reservado aos Tala-tona que já entendiam e falavam algum português, os chamados assimilados maioritariamente Kicongos.

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Também viviam ali os fiéis macotas do reino de N´dongo ou N´gola; Os mesmos que traziam prisioneiros das guerras tribais, feitos escravos e com quem os Tugas de então negociavam. Bem assim dizer, os cipaios eram destacados pelo rei amigo a fim de serem levados nas naus e tendo os Talatonas como seus administradores mais directos. Eram os M´Fumos, qualquer coisa parecida como capataz e, obedecendo às ordens de Kiluanji Kiassamba seu rei.

luua7.jpg Os Talatonas, geriam os cipaios no transporte de água das maiangas em barricas a fim de apetrechar as naus e a fortaleza bivaque de água potável. Faziam outros trabalhos como a limpeza dos terreiros, fazer os enterros no alto das cruzes ou largar os corpos nas lonjuras do kazenga para pasto de onças e leões. As águas para lavagens na higiene doméstica eram levadas da lagoa do kinaxixe que lá pelos anos sessenta, trezentos e poucos anos depois foi soterrada para dar lugar ao mercado que ficou conhecido com esse nome no tempo colonial.

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Todo aquele caserio era composto de cubatas amontoadas ou dispersas com tufos de vegetação começando a surgir entre os imbondeiros, tufos de bissapas e n´hiwas, pequenas lavras de mandioca e até árvores não autóctones trazidas pelos navegadores negreiros tal com a mangueira, laranjeira, pessegueiro e outros que se foram adaptando como a goiaba, ou o tamarindo. A manga por exemplo é nativa do sul desde o leste da Índia até as Filipinas, e foi através dos anos sendo introduzida com sucesso no Brasil, em Angola, e em Moçambique, mas também em outros países tropicais.

luis40.jpg O nome da fruta manga vem da palavra do idioma malaiala e foi popularizada na Europa pelos portugueses, que conheceram a fruta em Kerala (que conseguiram pelas trocas de temperos). Tenha-se em mente que nos anos e séculos que se seguiram, Portugal era o dono das rotas para as Índias e, dali traziam para o resto do mundo árvores e tubérculos ainda não conhecidos no resto do mundo; um verdadeiro início da chamada globalidade.

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Estando agora emperrado na estória de Loanda no tempo dos Mafulos, terei de partilhar estórias verdadeiras que o tempo lambeu com vagas de esquecimento. Trata-se do Mafulu que deu gente nobre a Angola como a dinastia mestiça de Baltazar Van Dum. Durante os sete anos da presença holandesa e, com o objectivo do fortalecimento do tráfico negreiro rumo às lavouras de cana-de-açúcar no Brasil e ilhas do Caribe sobre seu domínio, o projecto da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais afirma-se aqui em N´Gola com alguma dificuldade.

luis54.jpg Nota: É esta um participação para a verdadeira estória de Angola a custo zero… Luís Martins Soares e T´Chingange vão ter de ser incluídos na antologia Angolana…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:02
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLVI

ANGOLA DA LUUA XLVI - TEMPOS PARA ESQUECER – 14.09.2018

Espreitando pelo postigo da memória antropológica ... Na ausência de estadistas, houve demasiados traidores…

Por

soba15.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

Já estamos a mais de 43 anos daquele então – ano de 1975. Durante quatro meses, entre Julho e Novembro de 1975, mais de 900 voos, a maior parte da TAP, levaram mais de 200 mil pessoas de Luanda e Nova-Lisboa (Huambo) para a capital portuguesa na ponte “LuuaLix”. Assim chamei por via de um amigo de nome Antunes, a ter escolhido; aqui tem sido referida para a distinguir de tantas outras de âmbito turístico. E, no total foram mais de um milhão de cidadãos que chegou a Lisboa – Lix, vindos da Luua.

torres5.jpg Foi uma das maiores operações de resgate de civis de todos os tempos e, que envolveu muitas centenas de voluntários. Muitos outros saíram de traineira ou indo de carro para os países limítrofes como a Namíbia e outros para onde seguiram directo, tais como por via aérea: o Brasil, Argentina, Austrália ou mesmo os Estados Unidos. A esta dispersão provocada pela guerra do “Tundamunjila” - Thundá mu n´jilla, chamou-se de DIPANDA a que podemos dar também o significado de DIÁSPORA.

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E, assim átoa sem rascunhos de contacto, chegavam a um qualquer lugar e se desenrascavam como soe dizer-se na gíria de cariz tão lusitano. Os ''retornados'' eram portugueses mas, para muitos Portugal era um país desconhecido, um país que tinha acabado de viver uma revolução e onde poucos estavam preocupados com quem chegava de África. Nem mesmo a família acalentou as angústias de tanta gente; verdade se diga que sempre houve alguém a prestar solidariedade e isso, marcou a diferença.

silva2.jpg Nós andávamos baralhados com tanto ódio, tanta insensatez e tanto desconhecimento das palavras como amor e ternura ou solidariedade. Fui cair num ninho de comunistas chamado de Torres Novas aonde a ordem do dia era sempre por unanimidade - levantando braços; eram as assembleias do povo. Não foi fácil passar dias e dias só falando em surdina para que não se apercebessem que eramos retornados - nossa pronúncia com sotaque, denunciava-nos. Podem calcular como era difícil andar entre “irmãos” trilhando o dente por não se poder expressar.

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Hoje os refugiados vindos da África, sem qualquer restea luso, a mesma que nos escorraçou, são melhor acolhidos em toda a europa, têm casa, vencimento, passe de transporte e até trabalho sazonal. Mesmo assim, pouco tempo depois e em surdina fogem para os países mais ricos vivendo uma grande parte dos subsídios estatais que a Europa decidiu dar sem retorno. Se é mau ou bom não interessa escalpelizar aqui mas, o tratamento é bem diferente do nosso naquele então, de quando chegamos ao aeroporto da Portela.

SBEL.jpg Zé Antunes refere em um blogue amigo que quando ia a Lisboa, sempre passava no Rossio, junto ao Pic-Nic - local de encontro de todos os oriundos de Angola. Eu que fiquei instalado em Torres Novas, em casa de uma irmã, também ali ia; normalmente comia uma sandes na “Tendinha” do Rossio, um panado ou posta de bacalhau e um penalti (um copo de vinho tinto) e, também me inteirava de notícias da Luua e de Angola em geral, pois que dali chegavam todos os dias refugiados na Ponte Aérea LuuaLix. Íamos assim, sabendo novidades de Angola e particularmente de Luanda onde ainda se encontravam meu pai e outros familiares.

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Outros, confraternizavam deitando conversa fora com boatos na forma de mujimbos e também para beber uns finos ou pancar uns petiscos no Pingo Bar, no Leão D’oiro na Rua 1º de Dezembro, na Praça do Chile em Arroios, Na estação de Santa Apolónia e outras, sempre na ânsia de saber mais e mais novidades de Angola. Entre muitos chegados ao M´Puto comentam coisas do género: Foi muito triste… Eu não queria vir! Era lá que eu vivia, era lá que estavam os meus amigos, a minha casa. Mas a família mostrava-se irredutível, pois nessa altura o cheiro a medo era muito.

sabão macaco1.jpg O metralhar dos bairros, as balas tracejantes lançadas pelo Poder Popular e o pregar de caixotes tornava a vida ensurdecedora. Corria notícias de violações, contados por quem tinha visto, ou proveniente de mujimbos contados com intervenção dos candengues Pioneiros do M.P.L.A. Cenas de rasgarem e pisarem a bandeira portuguesa em frente à tropa do M´Puto que ficava sem reagir. Isto, para os moradores, tornava-se muito triste, um mau indício e revoltante.

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Ninguém aguenta ver a sua Bandeira maltratada sem poder fazer nada; mas no m´Puto os procedimentos eram bem diferentes pois que nisto temos de excluir Mário Soares que até foi presidente e tem uma fundação subsidiada pelo erário público… Como lavagem de ética, diziam que era em repulsa a Salazar mas, disto não nos devemos esquecer para que não tenha direito a ir para um qualquer panteão (…O que mais tarde ou mais cedo vai acontecer!...). Baloiçando-me no d´jango do plot, muito perto da árvore n´vuluvulu de Benoni, olho seu fruto pesado de longas múcuas que pelo que dizem, só servem mesmo para fazer milongo de feitiços ao povo da Obovolândia.

silva p0.jpg Eu, quis saber mas parece ser segredo de raizeiros, porque talvez cada homem nasça com a verdade dentro de si e só para ele, e só não a dizem porque é muito só sua; e até, muitos haverá, que não acreditam que seja aquela a sua verdade. Porque cada homem é um mundo que se ao tempo der tempo, o tempo bastante, sempre o dia chega em que a verdade se tornará mentira e a mentira se fará verdade. Estamos a viver este momento de falácia mas voltando àquela certeza de que iriamos voltar para a Luua a refazer a vida, foi-se desvanecendo malembelembe como um sonho…Para pior, antes assim!

pombinho5.jpg Os sonhos ficaram a definir se a recta era mais curta no tempo ou se era a curva mais universal, com um mundo sem bordos e rebordos… Fui lá, a Angola em dois mil e dois mas, as tabuletas de caveiras ladeando os acantonados da UNITA, ainda eram muitas e por muitos lados. Também cheguei a Lisboa, como todos os demais, um outro Portugal, o tal Continental; afinal havia dois, o M´Puto e N´Gola mas nós estávamos por demais inocentes para entender aquela revolução dos cravos ao pormenor. No aeroporto duas senhoras da Cruz Vermelha comentavam em surdina estarem ali a perder seu sono por via destes ranhosos (eramos nós…). Felizmente que havia algumas Donas, estarem ali por amor e solidariedade… Bem-haja!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:21
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLV

ANGOLA DA LUUA XLV - TEMPOS PARA ESQUECER – 13.09.2018

Na ausência de estadistas, houve demasiados traidores…

Por

soba0.jpeg T´ChingangeEm Johannesburg

Já estamos longe daquele tempo, meses de Julho e Agosto de 1975; meses de polvorosa nas movimentações político-militares do M´Puto - a Metrópole. Com dados aleatórios no tempo aqui se descrevem situações que agora nem interessa saber se foram antes ou depois. Aconteceram! Em Portugal, partidos à direita do PS encaravam o futuro com alguma apreensão; naqueles dias chegava a vez dos social-democratas assistirem aos boicotes aos seus comícios - PPD.

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De tão inchado de espantos, desenho-me entre antigos esboços, revendo-me nos desenhos das sombras, sendo eu próprio um grafites escanchado em cima dum touro que, visto de lado parece ser uma palanca. Os oficias do M´Puto preparavam uma estratégia para conter a alma danada da reacção. Não queriam condenar os golpes e contra-golpes a uns mero folhetim, decidindo criar uma comissão destinada a coordenar uma resposta operacional a eventuais tentativas de ataques.

star10.jpg Não será portanto, caso de estranhar de muitos de nós andarem agora, já passados 43 anos, assim como o camaleão, com um olho aqui e outro lá mais adiante, com a metade do raciocínio num sítio e a outra metade no ciberespaço. Pois assim tem de ser! Reinava na nação uma incessante excitação. Dia sim, dia não, estava para rebentar um golpe militar… Bem! Nós em Angola já estávamos nela; a metralha estava na ordem da manhã, da tarde e da noite. Era o tempo da conspiração e do mujimbo, estar-se sempre à espera de onde vem ou virá a próxima trama secreta.

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Por lá, na metrópole dizia-se ser cada vez mais difícil perceber até que ponto é que tudo aquilo, em Angola não era apenas uma diversão; os três movimentos de libertação estavam em guerra aberta. A pouco mais de um ano depois da Revolução abrilista, a balança de pagamentos sucumbe. A fuga de capitais para o estrangeiro torna-se uma realidade. "A falta de confiança leva as pessoas a levantarem os seus depósitos para manterem o dinheiro em casa, ou a transferi-lo para a CGD", diz Silva Lopes, Governador de então no Banco de Portugal.

guerra22.jpg É ratificada pelo CR a criação do Directório para “assegurar a autoridade do poder”; Oficiais e praças do Regimento de Comandos da Amadora insubordinam-se contra o seu Comandante Major Jaime Neves e prendem o 2º Comandante Major Lobato Faria, entre outros militares e elegem como comandante interino o major Miquelina Simões. Entretanto, intensifica-se a ponte aérea que a partir de Angola e de outros territórios africanos e durante vários meses, vai fazer afluir a Portugal centenas de milhares de refugiados rotulados como retornados …

retornar3.jpgOs jornalistas estrangeiros, espantados, levantam questões pois que estava já em curso um movimento geral de ocupações em terras do Alentejo; existia um grupo de pessoas que, apesar das circunstâncias adversas, continuava a trabalhar para que Portugal voltasse à normalidade. Pouco a pouco iam saindo do seu silêncio.

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O Governador do Banco de Portugal, Jacinto Nunes, comunica a entrada para o Banco de Portugal do ex-ministro dos Assuntos Sociais Mário Murteira, para ocupar o lugar de vice-governador. "A minha função no BP era conceber um mecanismo de acompanhamento dos comportamentos dos grandes grupos económicos", conta mais tarde Mário Murteira. A sua nomeação é logo encarada como o reforço das posições comunistas na estrutura do poder.

retornar6.jpg Os ministros decidem intervir no complexo agrícola de herdades, Donas Marias e Cavacedos em Moura com mais de 1350 hectares. Com que argumento? Subaproveitamento das terras, deficiente alimentação do gado, despedimento sem justa causa, não pagamento de salários e, mais importante, mau relacionamento do patrão com os empregados. Com fúteis caprichos de poder, esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos futuros. Agora, embora as circunstâncias medrosas, não permitem que abra uma nova frente de guerra, elas continuam mesmo sem haver razões independentistas…

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Que importância terá, saber-se agora se a mulher de Lot, em Sodoma, ao olhar para trás se transformou em sal-gema ou sal marinho ou, até saber se a embriaguez de Noé, foi de vinho branco ou de vinho tinto se naquele agora, as brigadas da FAPLA (Forças armada do MPLA) e da força cubana estavam totalmente livres para enfrentar as tropas Sul-africanas e da UNITA que se aproximavam pelo lado Sul de Luanda. Não se sabe ao certo o porquê desta manobra e a sua falta de coordenação; as traições dos “nossos militares” por afinidade ao MPLA dentro das forças armadas, eram mais que muitas!

valentina2.jpg Houve decerto uma chamada de última hora para tudo contrariar naquela que foi uma “Não Batalha de Kifangondo”. Pressões do petróleo por parte dos americanos? Há quem pense ter sido uma manobra de diversão a Norte de Luanda para encobrir a real intenção de ocupar a capital pelo Sul mas isto, não é totalmente velverossímil. A “Bagunça de Angola” que mais tarde apelidei de “Tundamunjila” – Thundá mu n´jilla – era não mais do que as manobras de meter medo ao medo para vincar o fito principal: vai prá tua terra, branco T´Chindere, seguido de “kwata-kwata” ou agarra, agarra.

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Alguém mandou calar os canhões de longo alcance Sul-Africanos, retirar as culatras e abandonar a batalha! Tal como se passou, ainda não é entendível pelos militares dados a comentar isto e é perfeitamente credível que à ultima hora, os americanos tenham dito NÃO!  Há coisas que nunca se saberão por inteiro mas o certo é, que ter os gringos como amigos é algo de muito perigoso! Um grave risco, mesmo! ...

guerra7.jpg E, vêm os porquês!? Porquê CLPA em Angola, sempre esteve em conflito e contrariando o Alto-Comissário Silva Cardoso? Porquê o MFA deu apoio logístico aos soviéticos, deu armas, favoreceu o MPLA articulando e facilitando os cubanos, com intervenção de Otelo Saraiva de Carvalho e, sempre em apoio ao MPLA? O que levou ao CR – Conselho da Revolução e o presidente rolha Costa Gomes permitir o desembarque na costa angolana, o material bélico para o MPLA? Porque tardou a evacuação dos cidadãos civis “angolanos e portugueses” da guerra?

 (Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:04
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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2018
MU UKULU – III

MU UKULU...Luanda do Antigamente10.09.2018

Entra-se num outro capitulo - o tempo dos Mafulos ou Holandeses enviados a propósito para conquistar terras de N´Gola…

De

luis49.jpgLuís Martins SoaresNo Brasil

soba15.jpgT´ChingangeEm Johannsburg

O Governador Pedro César de Menezes no dia seguinte, 25 de Agosto de 1641, abandonou o arraial de bivaque no Morro de S. Miguel de Loanda, deixando a povoação de trincheiras no poder dos Mafulos Neerlandeses. A coroa portuguesa que neste então estava sob o domínio espanhol não pode manter os entrepostos comerciais e possessões que mantinha ao longo de toda a Costa Africana. Assim, estando em guerra com os Holandeses, estes atacaram todos os lugares aonde estavam os Tugas com principal incidência na costa de África.

Mu Ukulu7.jpg Pedro César de Menezes retirou-se para o lugar de Bembem não muito longe do lugar a ser conhecido por Massangano bem à beira do rio Kwanza e na zona de Kambambe aonde os portugueses mantinham suas áreas de influência. Era um ponto de excelente posição estratégica por proporcionar para além da defesa a acostagem de naus, canoas e outras barcaças desde a barra até Muxima da Kissama.  

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O Padre António Vieira interrogava-se de como poderia Portugal prevalecer contra Holanda e Castela? Nesse então os Holandeses tinham onze mil navios de gávea mais outros três mil navios e duzentos e cinquenta mil marinheiros adiantando: “…os dois nervos da guerra são gente e dinheiro; e que gente e que dinheiro temos nós hoje? A gente é tão pouca, que para qualquer rebate de Alentejo é necessário tirar os estudantes das universidades, os oficiais das tendas e os lavradores do arado.

Mu Ukulu9.jpg Vejam o quanto é interessante vasculhar na história para entendermos as dificuldades dum país tão pequeno! E dizia o Padre Vieira: - Pois com que gente havemos de acudir às quatro partes do mundo, e em cada partes destas a tantas partes? Os Mafulos em Holanda têm quatorze mil barcos; nós em Portugal não temos treze. Na Índia têm cem naus de guerra de 24 até 50 peças; nós na Índia não temos uma só.

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No Brasil têm mais de sessenta navios na maior parte poderosos vasos de guerra e nós temos sete, se ainda os temos”. Os Holandeses estão livres do poder da Espanha; nós, temos todo o poder de Espanha contra nós. É curioso ler os relatórios e missivas do padre António Vieira por sua arguta visão mostrando ser um observador mais militar do que a maioria dos mestres de guerra de então e, refere “Os holandeses em Europa não tem nenhum inimigo; nós não temos nenhum amigo. Isto veio a acontecer muito mais tarde à mistura com traições em 1975 que, de forma desavinda tiveram de abandonar Angola como escorraçados.

Mu Ukulu8.jpg Eles, os Mafulos, têm mais de duzentos mil marinheiros; nós em Portugal não temos quatro mil”. Reconhecia que “um sucesso quase milagroso” a saber da vitória de Guararapes em 1648 no Brasil, tinha mudado a opinião de muitos até então favoráveis à entrega, mas ninguém deveria contar com milagres, “pois os milagres são sempre mais seguro merecê-los que esperá-los.

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Os milagres! Fiar-se neles, ainda depois de os merecer, é tentar a Deus”. Reconhecia que a companhia estava economicamente exausta mas, a melhor solução era a da entrega de Pernambuco, pois os Holandeses não admitiam a proposta de compra. Os documentos mostram porém que a memória erudita do Padre Vieira traiu o Jesuíta. Sempre o M´puto teve em simultâneo grandes homens de grandes feitos e grandes traidores. Traidores que só a estória sem agá fala.

vieira1.jpg Felizmente que a propaganda de tristes alvitre não teve eco em Fernandes Vieira e essa saga de Luso-brasileiros, os verdadeiros próceres do Brasil. De notar que refiro Fernandes vieira como o herói de Guararapes que tendo nascido na Madeira aqui elevou nossa condição de gente ilustre. Só relembro isto porque foi do Brasil que mais tarde saiu uma campanha capitaneada por Salvador Correi de Sá e Benevides para retirar os Mafulos de Loanda. Angola e Brasil sempre estiveram ligados e, daqui poderão extrair nota do muito desconhecimento que temos da nossa posição Lusa no Mundo.

Mu Ukulu10.jpg O Padre António Vieira em 29 de Julho de 1648, transmitia por carta ao Marquês de Niza as notícias do sucesso da primeira batalha de Guararapes do seguinte modo: “… de maneira Senhor, que temos Pernambuco vitorioso, o Rio-de-Janeiro socorrido, a Bahia com armada e Angola com a esquadra de Salvador Correia (….), todo o debate agora é sobre Angola e, é matéria em que os Mafulos, não hão-de ceder, porque sem negros, não há Pernambuco e sem Angola não há negros e, como nós temos o comércio do sertão, ainda que eles tenham a cidade de Loanda, temem que nós tomemos outros portos”.

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O poder da Holanda unido ao da Companhia das índias (Ocidentais e Orientais) era o maior da Europa, pois a história mostrava que a Espanha sem guerras externas, abundante de dinheiro e armas e agora, em paz com toda a Europa, ainda tinha Portugal sobre sua sujeição. Por este acontecido que durou sessenta anos com os reinados dos Filipes I, II e III, Portugal, perdera a soberania que tinha sobre o Ultramar.

maful2.jpg Em pouco tempo os Mafulos ficaram com as possessões daquele Portugal debilitado perdendo muitas praças nas Índias Orientais, na costa africana, na Bahia, e por último Pernambuco. Os danos para Portugal pela perda de soberania a favor de Espanha e por via daquela companhia das Índias, foram-no na índia, Ceilão, Angola, S. Tomé, Maranhão, Bahia e Pernambuco. De notar que João Pessoa tinha o nome derivado do nome Filipe – chamava-se Filipeia. Nem os brasileiros, mais se lembram disto.

junho0.jpg Fugi um pouco do tema de Mu Ukulu da Luua de Luís Martins Soares mas, em seu tempo voltarei às malambas do século (mais-velho)…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2018
MALAMBAS . CCX

MOKANDA PARA KUVALE 

Refem do medo, penetra na vida um dia de cada vez - 05.09.2018

Crónica sempre actual – Inicialmente foi para o Kamundongo do Maculussu, o Cipaio Comando mas, hoje é para fecho de mala com ida para Tanzânia com Vissapa, o homem do Okavango…

Por

soba0.jpegT´Chingange

O Camundongo Comando do Maculussu tem uma lança no estandarte da Kizomba e, assim, foi seu baptismo na cubata-restaurante do marinheiro de Albandeira, mesmo sem lhe ver os cascos, os dentes, as unhas e as orelhas. Ficamos sem saber se as bitacaias o tratam por tu. Ele vive ainda no Ontem com o hoje cohabitando com os Mucubais; um sonho perene cheio de cacimbo pelas manhãs e aquela tremulina nas quenturas ondulando miragens das anharas, pasto de facocheros, mabecos e bandos de galinhas do mato arramhando seu disco partido – estou fraca, estou fraca, estou fraca! Kafundanga Neves é seu nome de branca alvura.

ÁFRICA11.jpg Refém do medo, penetra na vida um dia de cada vez, penosamente candongando chinguiços como num conto insuficiente; como se tratasse de uma vida que já só serve para ser contada, queima lenha para vender carvão na cidade; não é verdade mas, faz-de-conta! Eles que sempre pastaram gado, agora, as cercas de arame farpado levantadas pelos generais mwangolés, barram-lhe a passagem!

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A democracia perdeu-se no labirinto das manipulações e interesses, não diferindo em nada das piores regras do colonialismo ai iú éé! É pior!... A nomenclatura da Luua (Luanda) distribui entre si o espólio espalhando condomínios pelo mato, uma t´ximpaca com água e uns quantos animais mostrando sua durabilidade na debilidade. Assim na banga, o general XIS, baloiça seu chinchorro, rede dos Andes, fazendo bafunfa a seu 

ÁFRICA18.jpg Vai um whisky, vai um conhaque, vai um gim? Pode ouvir-se estas conversas dos curibotas cazucutas a gozar férias e gastar seu cumbú governamental… No meio de uma grande ilusão, possibilitou-se a vida numa sobrevivência corruptada na obtenção de dinheiro num qualquer preço, mesmo que tapando o acesso dos bois à água que sempre foi do povo. São os DDT – Os Donos Disto Tudo…

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Acabaram com as leis restritivas do tempo do xi-colono mwene M´Puto e, agora constroem cercas só à toa e, pois não há mais t´ximpaca nem mulola nem tanque para lavar o gado, nem os pesticidas com cheiro a medicamento defuntado. Está mal, patrão!? Num está! Eu não sou teu patrão; para quê me estás a queixar?! Nas antigas leis do colono gweta do M´Puto não era assim mesmo, repete o cipaio comando kamundongo Branco das Neves.

ama3.jpg Ainda andam de tanga, dizem estes promovidos generais saídos duma guerra de kwata-kwata entre irmãos! Claro que são pretos! Mas... Afinal patrão, quando acaba mesmo a independência? Pópilas, primeiro que nem sou teu patrão e segundamente eu não sou teu soba nem talqualmente nem nos entretantos. Angola é livre, tu és livre, já te falei. Pois! Levou a mão à cabeça e olhando-me no presente do indicativo falou: Isso é uma coisa muito perigosa! Verdade mesmo que não era assim, juro! Não digo mais nada; vou fazer mais o quê!?

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As Organizações e uma grande parte dos mwangolés, não entendem porquê aqueles pastores andam quase sem roupa – incivilizados, dizem; desconhecem que quando o sol cai de cima e o calor sai do chão, este, é o próprio modo de estar do pastor Kuvale. Tratar astutos guerreiros, altivos homens como se fossem indigentes pelo facto de aparecerem vestidos com um pano á frente e outro atrás, é desprezar outros valores. Xiií, o próprio irmão, escuro mesmo!

ÁFRICA14.jpg Kuvale!... Kuvale, governador de vastas áreas e muitos bois, controlador da aridez das terras que circundam o Bero, Geral, Kuroka e também o Iona aquém do Cunene. De mulola em mulola, de t´ximpaca em t´ximpaca, só estes sabem abeberar o gado, ajustando-se no tempo transumando na altura certa. Só eles sabem alimentar e manter acesa a fogueira naquelas noites frias, sangrar os bois na veia certa.

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Alterar isto com argumentações técnicas ou científicas, é promover a inviabilidade de sociedades antigas. Mudar tudo isto, é torná-los dependentes, proletarizá-los na miséria envoltos em arame farpado. Ali no Karacul, ideólogos, políticos e agentes humanitários de forma aberrante distribuem caridade em nome da civilização. Que é que os levará a advogar que esta gente é pobre e vagabunda nesta forma de estar!

ÁFRICA3.jpg Não é por usarem tanga que são pobres. Ter ar, sal, leite, água, é tudo do que necessitam. Dormir sobre uma pele de boi, habitar em casas de barro e bosta, usar sandálias de tiras de couro, ter um pau especialmente curvo para assentar com dignidade sua cabeça e alimentar-se de malulu (leite azedo), isto é ser Mucubal e assim vai ter de continuar. Os seus actos heróicos de adquirir gado, sempre foram designados como roubo; mesmo no tempo dos Tugas; mas estes faziam respeitar sua natureza própria e agreste. África é isto!

ÁFRICA13.jpg Glossário: Mokanda:- Carta; Kuvale/ Mucubal:- Zona sul de Angola, a norte do rio Cunene; Bero, Giraul, Kuroka:- Rios de Angola; Mulola:- cheia ocasional na linha de água; t´ximpaca: Cacimba de águas de chuva, poça ou charco; Chinguiço:- Pau seco e retorcido, problemas;

O Soba T´chingange



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Terça-feira, 4 de Setembro de 2018
CAZUMBI . LII

TEMPOS CINZENTOSSER-SE ANGOLANO04.09.2018

 - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios

Por

soba0.jpegT´Chingange

O Alvará de 19 de Setembro do ano de 1761 providenciado pelo Marquês de Pombal dá fim à entrada de escravos em Portugal. Neste ano e apenas nas províncias a sul do Tejo ainda trabalham nos campos 4.000 a 5.000 escravos. Há muito branquela no M´Puto que tem ADN negro sem o saberem; daqui derivaram os nomes de Carapinha ou Negro; conheço alguns.

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O motivo da substituição do jornaleiro livre pelos escravos, não poderia ser a falta de gente em Portugal mas sim, o regime da grande propriedade, do latifúndio, que imperava no Alentejo que se arrastaria por centenas de anos. A utilização incessante dessa mão-de-obra, de meados do século XV até à segunda metade do século XVII, fixou-se e estabilizou-se em certas áreas do mundo agrícola, declinando, porém, no século XVIII, em virtude da gradual redução no ritmo da substituição desse tipo específico de trabalho.

mulata1.jpg Mas, mesmo em declínio, não cessou de existir, alimentada pela circunstância cruel de o filho de escravos herdar a condição dos pais, coisa que só findou com o tal decreto Pombalino de Setembro. Não conseguindo estabelecer maiores pontos de contacto entre a cultura africana e a portuguesa que subsistam e, que possam ser detectados na nossa etnografia, fica aqui o contributo para algo que nos parece importante, a presença dos Negros na nossa cultura.

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Embora os princípios da eugenia tenham sido elaborados por um cientista inglês, foi nos Estados Unidos e na Alemanha, a partir do início do século XX, que começaram a ser colocados em prática. Sob a designação de “eugenia positiva”, adoptaram-se medidas de incentivo financeiro a casamentos mistos, considerados favoráveis à tese; para isso implantavam-se programas educacionais numa via de reprodução planeada.

to3.jpg Até eram realizados concursos para a descoberta de famílias e indivíduos talentosos oriundos desta miscigenação. Tenha-se em conta que esta prática de incitamento já era bem conhecida pelos portugueses pois que as autoridades tinham no intuito, a fixação do colono à terra; assim sucedeu no Brasil e em Angola mas, este facto não proporcionou aos Tugas o serem considerados modelo nesta nova e independente sociedade. Antes pelo contrário, o que se verificou foi o não reconhecimento deste tão natural umbigamento pelas novas Nações e o Mundo.

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Por outro lado, faziam parte da “eugenia negativa” acções de esterilização, eutanásia, segregação e de restrição à imigração. A primeira lei de esterilização americana foi aprovada em 1907, no estado de Indiana. Se houve um povo que sempre cultivou a “eugenia positiva”, esses foram sem dúvidas os portugueses espadas-machos, que lá aonde quer que fosse se umbigavam com qualquer buraco de prolifera fêmea. Parece grosseiro dizer isto deste jeito mas é a pura verdade!

angola4.jpg Os defensores da eugenia encontraram suporte nas teorias raciais de meados do século XIX: para o racismo científico, os brancos europeus representavam a superioridade biológica, negros e amarelos eram considerados inferiores e a miscigenação era criticada por causar supostos danos irreversíveis na descendência. O movimento eugénico rapidamente se transformou em campanha nacionalista agressiva contra negros e imigrantes.

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Em parte os grandes culpados são os génios generais negros que com sapiência de cabos tomaram o mando em suas mãos impulsados pelo ódio, a vingança, a torpitude da incompetência. Falo claramente do estado Angolano aonde a maior preocupação foi extorquir o património dos brancos, seu lugar de trabalho, sua fábrica, seu carro, sua casa, seu estatus! São ondas de intolerância conforme as necessidades; uma prática indesculpável ou de deixa para lá! Uma conveniente conivência dos novos políticos.

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Após o término da Segunda Guerra Mundial, a eugenia foi desacreditada como ciência e condenada como postura política. Entretanto, a última lei de esterilização americana foi revogada apenas na década de 70. É necessário manter-se alerta a novas tentativas de oferecer soluções ideológicas a problemas cujas causas são económicas, sociais e, ou incompetência.

angolar5.jpgReconhecendo isto desta forma e, em relação aos estudos urbanos tomando por exemplo Lisboa ou Luanda, há que reflectir sobre o espaço e a interacção entre grupos por modo a que esta relação não se reduza a uma questão de “competição” ou “selecção biológica”. Os termos em que hoje falamos em origem, ainda são aqueles definidos pelo colonialismo.

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João Leal, um conceituado antropólogo português, escreveu um livro sobre a preocupação da sua disciplina, durante o Estado Novo, com os estudos sobre etnogénese. Para aqueles que nunca se darão ao trabalho de viver como os angolanos vivem, Angola é ainda um território mítico nesta visão: a terra trazida à civilização pelo esforço e engenho dos portugueses não tem sido enaltecida por esta via e, deveria ser! Ao invés disto restringem o direito à nacionalidade por questões de puro egoísmo.

ango1.jpg Eles, os mwangolés, querem castas genuínas e nesta leva o branco sempre vai ser preterido. A áfrica tem esta embirrante tendência de só considerar genuínos os negros. Está mal! Assim nunca irão longe… tenho dito! Não estou a dizer que este seja o caso de quem quer que seja. O que me parece interessante é identificar a existência de tal discurso pelas altas esferas da nova Nação que é Angola. E quando por vezes se diz que se é angolano, o que se está simplesmente a fazer é habitar o espaço em que é possível tal discurso tomado sobre a origem dos avós e tetravós mas sem seus direitos cívicos…

ANGOLA10.jpg Há que ter um papel na vida, tentando a todo o custo interpretar o lado positivo mas, os laivos de maldade dos novos governantes decapitam, que nem a esquerda comunista estalinista e maoista no seu lado mais negro, traz consigo! Uma carga negativa do passado cultural colonial, arredondada na perfeição dos silêncios ou na pura omissão. Com fúteis caprichos de poder, esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos futuros. Sim! O futuro de um mundo surreal tentando compreender melhor a essência dos seus divinos filhos. Uns são filhos da mãe e outros filhos da Puta...Falei!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:34
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2018
MU UKULU – II

MU UKULU ... Luanda do Antigamente - 03.09.2018

Neste e próximos episódios vamos dar uma volta pela Luua reavivando memórias do baú do kota Luís Martins Soares com adendas também elas minuciosas de T´Chingange…

De

luis49.jpgLuís Martins Soares No Brasil

soba15.jpgAs escolhas de  T´ChingangeNo M´Puto

Foi com grande satisfação que recebi uma mokanda no ano de 2017 do meu amigo kota, mais-velho da Luua residente no Brasil dizendo ter escolhido o título por mim indicado para seu livro de “Mu Ukulu”. No dia dois de Agosto de 2018, autografou seu livro que me foi remetido recentemente por correio pela amiga comum Assunção Roxo. A pintora mais fosforescente da EIL por nós reconhecida mestra em pintura digital e, que teve o privilégio de o contactar lá na terra grande da "ORDEM E PROGRESSO" no lugar de Sampas do Rio de Janeiro – Brasil.

diogo1.jpg Os relatos verídicos de Luís Martins Soares são uma contribuição para todos aqueles que se interessam por saber como em outros tempos era o dia-a-dia naquela cidade de Luanda entre seus habitantes camundongos, muxiluandas ou mwadiés do M´Puto, que com o tempo, passaram a considerar aquela terra como sua. Algo valioso para nos preencher o vazio que a saudade alimenta e, também para todos aqueles que contribuíram de alguma forma para a valorizar. E, assim mesmo, completando ou não um sonho acalentado pela maioria mas e, na qual a estória para alguns, ficou sem o agá!    

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Angola foi uma Nação que como tal já nasceu feita, burilada na labuta por alguém. Este e alguém, fomos todos nós, angolanos do coração. Dizeres que só o tempo reconhecerá como sendo verdadeiros e, porque neste nosso curso de enfrentar os conhecimentos com verdade, todos os dias serão uma prova à adaptabilidade humana com o manuseio de instituições e gentes que nos governam ou governaram. Sempre foi assim e assim continuará a ser!

diogo3.jpg No nascimento de Angola, teremos forçosamente de modificar nosso caracter de existência para aprender esta permanente transitoriedade pois que sempre seremos um fruto de mudança. A aceleração do conhecimento é uma das mais importantes e talvez a menos compreendida de todas as formas sociais e, que naturalmente abala as nossas instituições e a nós mesmos. O ritmo crescente de mudança perturba o nosso equilíbrio interior e, até modifica a própria maneira de como experimentar a vida acelerando a integridade de cada qual. Mas diga-se em abono da verdade, é difícil ficar-se indiferente…

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Esta aceleração de mudança que foi longa e lenta, teve quinhentos anos de complicada vivência mudando muito a estrutura de nossas vidas, na vida de nossos ancestrais, diversificando-nos nas formas que temos de representar e o número de papéis com uma inerente opção de obrigatoriedade. Assim, a breve resenha de cariz colonial de Luís, tem início a 3 de Maio de 1560 com a chegada à baia de M´Bungu de Paulo Dias de Novais sua primeira viagem, tendo sido preso por alguns anos no reino de N´Dongo. Em uma segunda ida, a 11 de Fevereiro de 1575, Paulo Dias de Novais, já encontrou 40 portugueses estabelecidos e com sete embarcações fundeadas na baia da Luua.

diogo5.jpg Aquelas naus eram destinadas ao transporte de escravos, uma prática social e comercial corrente entre tribos negras daquela parte do mundo, reinos de N´Dongo e N´Gola; a necessidade passou a partir daqui a ser gerida com coisa pouca - como um negócio de búzios, zimbros, caurins e libongos como mão barata para os novos empreendimentos agrícolas nas américas – o chamado Novo Mundo em terras de Brasis.

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Era a nova era do Ouro Branco, do açúcar a ser extraído da cana a que se lhes seguiu a cultura e manufactura do cacau, do café, do garimpo, afazeres menores a troco de comida de sarapatel, muitas chicotadas e nenhures da vida. Numa labuta diplomática de encantamento o rei N´Jinga N´Gola também conhecido por Kilwange Kazenda, envia uma amistosa embaixada a Paulo Dias a 2 de Junho de 1575 – era em verdade uma forma de iniciação comercial com os Mwene-Putos, donos da sabedoria e portadores do pau-trovão que cuspia fogo.

adam2.jpg Foi neste então que ali montaram bivaque fundando a vila de São Paulo de Loanda; isto a 25 de Janeiro de 1576. Aquela vila teve início na forma de fortificação no morro de São Miguel composta por trincheiras de pipas cheias de areia e, por forma a guarnecer o lugar de acostagem ou precário porto, local aonde se situavam as naus – baia de Loanda e à distância protectora de peças de canhão situadas no bivaque-trincheira; com a água batendo no sopé do Morro as naus estariam à distância de um grito de marinheiro e tiro de arcabuz.

diogo6.jpg A 24 de Agosto do ano de 1641 aparece ao largo da larga embocadura da baia entre a ilha da mazenga ou das cabras e as falésias do M´Bungu, lugar designado mais tarde por Barra de São Pedro, uma poderosa armada composta de vinte e uma naus e dois mil homens de tropa flibusteiros, arqueiros cobertos de metais e portando arcabuzes de cuspir fogo, cavalgaduras e peças de troar ventos para além da guarnição. Entra-se num outro capitulo - o tempo dos Mafulos ou Holandeses enviados a propósito para conquistar terras de N´Gola. O M´Puto estava agora debaixo do mando dos Filipes de Espanha – Filipe I era o novo monarca da terra Metrópole…

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2018
MU UKULU - I

MOKANDA  DE LUÍS - 26.08.2018

De

luis000.jpgLuís Martins Soares para A. Monteiro - (T´Chingange)

 - Da LUUA - Mu Ukulu: - outrora, noutro tempo... Luanda do Antigamente

:::Luis1

António: Não estou lembrado em que ano o meu amigo lendo as minhas cronicas, a exemplo de outros, incentivou-me a publicá-las. Consegui resgatá-las dos Grupos de relacionamento, e em um processo que se arrasta há dois anos, consegui com o patrocínio do meu filho Luís Cláudio uma editora brasileira que interessou-se em editar o livro em Portugal e no Brasil.

:::Luis2

O António, não sei se está lembrado, incentivou-me a dar o titulo de " MU UKULU" ao livro. O livro que vai ser editado terá o título de "Mu ukulu, Luanda do Antigamente". Obrigado pela sugestão António Monteiro. Depois poste no meu e-mail

:::Luis3

luis.m.soares@bol.com.br  - o seu endereço que terei imenso prazer em ofertá-lo.

Abraços.

luis00.jpgAntónio Monteiro - O T´Chingange...

Foi com grande satisfação que recebi esta mokanda de 2017 do meu amigo kota, mais-velho da Luua residente no Brasil. No dia dois de Agosto de 2018, autografou seu livro que me foi enviado recentemente. Foi a amiga comum Assunção Roxo que mo trouxe porque teve o privilégio de contactá-lo pessoalmente lá na terra grande da "ORDEM E PROGRESSO" - É o que vem escrito na bandeira do BRASIL... Terra irmã que nos acolheu de bom grado.

Mu Ukulu04.jpgMu Ukulu0.jpg Roxo com Luís e Livro

Recordo-me deste evento recorrendo ao meu baú de lata muito coberto de ferrugem. Lembro-me perfeitamente de solicitar-lhe a publicação de Luanda antiga na página de Memorias da Maianga. Entre o Kimbo blogue e Memórias da Maianga encontrei referências entre as muitas mokandas!

baú1.jpgBaú da Luua

Luís Martins Soares falava dos Caminhos-de-ferro, da Cidade Alta e Hospital Maria Pia e costumes da Luua nas "Memorias da Maianga", uma página social a que estamos ligados de forma umbilical e, tendo como administrador-mor o Edgar Neves um bastonário do Rio Seco e Malhoas.

mai5.jpg Agora e, em posse do livro MU UKULU Irei dar início aos relatos nele contados que são de maior valia. Serão adendas em retalho e misturadas sem adulterar o tema do texto, seu princípio e sua ética. Assim, será numa forma sintética, com inclusão de pormenores adicionais já contados por mim e outros em  KIMBO LAGOA, Kimbolagoa Blogue, KIZOMBA e outras páginas Sociais tais como KIMBO online ou FEKA YETU,  amigos da E.I.L. Memórias da Maianga e, Roxomania entre tantas coisas por contar.

MAGA10.jpg Avivado agora pelos escritos de Luís Martins Soares, novos afloramentos surgirão no tempo das memórias. Luís, dedica o MU UKULU a todos os angolanos e Tugas com alma de angolanos que por lá labutaram e, com esforços e sacrifícios, irmanados no mesmo amor pela terra, mesmo ideal, tentaram fazer daquela N´Gola, um lugar de excelência.

maximbombo.jpegMaximbombo nº 3 da maianga

Um lugar aonde todos sem distinção de credos e raças pudessem conviver harmoniosamente para o nascimento e engrandecimento de uma Nova Nação, sonho de todos nós. Sendo assim, Luís Soares nosso KOTA MWATA deu início com um poema de Neves e Sousa dando a definição de Angolano. Um belo começo, diga-se!

maianga do araujo.jpg A Maianga com Costa Araújo

SER ANGOLANO

Ser angolano é meu fado e meu castigo

Branco eu sou e pois já não consigo

Mudar jamais de cor e condição

Mas, será que tem cor o coração?

:::

Ser africano não é questão de cor

É sentimento, vocação, talvez amor.

Não é questão, nem mesmo de bandeiras,

De mínguas, de costumes ou maneiras...

:::

A questão é de dentro, é sentimento

E nas parecenças doutras terras,

Longe das disputas e das guerras

Encontro na distância esquecimento.

Mu Ukulu05.jpgDe Neves e Sousa no ano de 1979

Um abraço ao mano Kota Mwata Luís Martins Soares

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:34
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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLIV

ANGOLA DA LUUA XLIV - TEMPOS PARA ESQUECER27.08.2018

“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – Nós e os mwangolés…

Por

soba 01.jpgT´Chingange - No M´Puto

Estávamos em fins de Julho do ano de mil novecentos e setenta e cinco. Costa Gomes - o Presidente Rolha da República do M´Puto (Portugal), nunca se comprometeu quanto ao concordar com Otelo Saraiva de Carvalho no envio de e, em força (uma intensidade Salazarenta) dos expedicionários cubanos para Angola. Garcia Marques do Alto Comando Caribenho refere isto mais tarde. A estória dum novo país a chamar-se de Angola, vai sendo desvendada aos poucos como coisa envergonhada e muito cheia de traições, tractos falaciosos e sucessivas enganações aos chamados colonos.

mdp01.jpg Agustin Quintana da 10ª Direcção e mais cinco oficiais cubanos chefiados por Argwelles, fazendo escala em Lisboa, chegavam a Luanda a 3 de Agosto de 1975. Estando já em Luanda com a família como desalojado e inscrito no Quadro Geral de Adidos, foi mais ou menos nesta proximidade de datas que me inscrevi na 13ª viajem da ponte “LuuaLix” por meio de uma Guia de Marcha a fim de embarcar para Lisboa. Nesta altura, ainda tinha esperanças fortes de voltar à Luua quando tudo ali acalmasse mas, ao invés disto fui cadastrado e crismado como Retornado assim que desci do avião no Aeroporto da portela em Lisboa. De branco de segunda fui promovido a Retornado. Haja Deus!

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Dizia eu que estava em Luanda como deslocado de guerra e colocado no Palácio do Governo como Adido auxiliando como “destacado” nas tarefas de “repatriação” de cidadãos perseguidos pelos Movimentos ditos de Libertação com a principal envolvência do MPLA muito carregado de ódio e, que fomentado ou não, provocava escaramuças em todo o território, com maior incidência na capital - Luanda. Os desalojamentos em áreas suburbanas da Luua eram em catadupa incidindo sobre comerciantes fubeiros, taxistas, administrativos e genericamente todo aquele que tinham a tez de pela mais clara – brancos! Gente condenada a serem tratados como “OS TINHAS”, um palavreado que nem o gerúndio da língua pátria comportava …

melo3.jpg Como “destacado” no palácio da Cidade Alta e com um Cartão de Identidade assinado por Leonel Cardoso, tinha permissão de me deslocar após o recolher obrigatório. Meu normal itinerário hera feito entra a Rua José Maria Antunes junto ao Rio Seco da Maianga com o número 22 e o Palácio do Governo com um Alto-Comissário a gerir a “Bagunça de Angola” que mais tarde apelidei de “Tundamunjila” – Thundá mun n´jila – vai prá tua terra, branco T´Chindere, seguido de “kwata-kwata” ou agarra, agarra que é branco.

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Minha tarefa era essa, a de telefonar para o endereço certo a avisar que tal Fulano tinha embarque marcado na PONTE LUUALIX para tal dia e a tal hora; para que se preparasse e de modo próprio ou através de transporte fornecido pelo Alto-Comissário. Era uma viagem sem volta, só ida mesmo! Tudo era apontado para que a logística de meios proporcionassem sua saída. Eram normalmente Administradores de Concelho, Directores de serviços estatais, Chefes de posto Administrativo, jornalistas e ou individualidades refugiadas em pensões, hotéis, suas próprias casas ou em casa de familiares e amigos. Tudo gente hostilizada pelos Movimentos, assim fosse o MPLA, a UNITA ou a FNLA.  

demo1.jpg Havia outros cidadãos perseguidos e, por razões diversas. A bagunça instalada mais fazia lembrar uma escaramuça de formigas “kissonde” que anarquicamente e aleatoriamente procediam de forma desconexa; sem regras de protecção ou outras a adivinhar com agentes da PIDE misturados com os membros traidores da FUA (um pseudo movimento branco), colaboradores da Defesa Civil, Guardas de Fronteira e Reservas Estatais, Polícias brancos ou Fiscais de Caça. Os ódios raspavam um rancor desmedido e sem controlo.

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Costa Gomes aceitou a demissão de Silva Cardoso nomeando interinamente Alto-Comissário Ferreira de Macedo, o homem que Rosa Coutinho e a CCPA queriam para este cargo. Este General e mais outro chamado de Carlos Fabião e um outro major de nome Canto e Castro iriam a Luanda estudar a situação. Nesta altura, as notícias eram desconexas e o tempo comia as palavras de ordem ventilando-as em desordens. Ninguém entendia o que se passava e quando sabia já aquilo que parecia ser tinha alterado para coisa-outra. Não havia como gerir este estado de coisas pois o descomando era verificado naquele agora.

spi3.jpg Esta barafunda mais parecia ser propositada para confundir o medo que crescia em todos e, a cada dia, a cada hora, a cada minuto! Coisa diabólica difícil de se conceber. O maior herói de Angola e para a visão do MPLA deverá ser este traidor à pátria Lusa do M´Puto. A história de Portugal, para ser justa, terá de dar o título de traidor-maior a este Almirante Vermelho. Foi ele o feitor principal da página mais negra na história de Portugal, coisa nunca vista e com sequente lavagem em purificação pelos seus apaniguados do m´Puto.

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Uma cambada da pior espécie que ainda hoje a quarenta e três anos de distância mantêm estatutos de gente VIP. E, não surge ninguém de peso a clarificar esta história de merda – de tugi, como se diz em kimbundo da Luua. Mais tarde veio a saber-se que assim era! Rosa Coutinho era o cérebro diabólico que tudo urdia, tudo subvertia para vingar sua tenaz heroicidade invertida em traidor de primeiríssima filiação, ele traía seus colegas de armas, seus patrícios para favorecer o Movimento MPLA.

CHAIMITE1.jpg Havia que atemorizar os brancos a fim de fazê-los fugir para aonde quer que fosse; o problema era de que não havia uma voz de comando fiável! Os governantes ali postos - em Angola, Generais de Aviário e gentes do PREC afecta ao PCP português, tinham em mente fazer sair os brancos de Angola. Costa Gomes deu plenos poderes a Rosa Coutinho que junto com Carlos Fabião e o major Canto e Castro para ir a Luanda estudar a situação.

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Preparavam tudo para que a intervenção do exército expedicionário de Cuba não tivesse qualquer impedimento com a sub-reptícia desculpa e com o sufismo necessário para parecer o que não era para assim ser, porque o factor de tudo se fazer à “revelia do estado” era só uma coisa para tapear, enganar os inocentes opositores – nós, os indesejáveis colonos! Evidentemente!  

retornar9.jpg No dia 28 de Julho de 1975 a FNLA e o MPLA aceitaram a saída dos deslocados desde que a evacuação fosse feita exclusivamente pelo Exército Português. Os primeiros a partir foram os cerca de duzentos militares da UNITA, funcionários do chamado Governo de Transição e familiares dos mesmos. No dia 31 de Julho havia uma coluna de 300 viaturas com cerca de meio milhar de refugiados em Nova Lisboa (actual Huambo).

rev2.jpg Aqui não havia água ao domicílio e os cinco médicos temiam um surto de peste na cidade, devido aos inúmeros corpos mortos espalhados um pouco por todo o lado. O material e armamento do ELNA (exército da FNLA) decorrentes das rendições de Malange, seriam entregues pelas NT (Nossas Tropas) ao MPLA. A cidade de Malange foi abandonada por toda a população branca e preta que morava no asfalto. A 7 de Agosto de 1975, as mais de duzentas viaturas fizeram seu regresso a Luanda com todo o pessoal do Batalhão das NF ( Nossas Forças)…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:22
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Terça-feira, 31 de Julho de 2018
ANGOLA – O PAÍS DA BANGA . XIV

OSCAR RIBAS . PAI DA KIZOMBA

–Minguito e sua concertina"…31.07.2018

Por

soba15.jpgT´Chingange - No M´Puto - Algarve

dia61.jpg De José Sousa - Vivi em Angola até aos 23 anos, nas fazendas do Amboim nos arredores da Gabela. Nunca convivi com brancos e os meus amigos eram os negros que entraram em meu coração e fizeram de mim um apaixonado nato pela "Tonga" "Anharas" e "Selvas".

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Eu estou com meu corpo em Portugal mas meu coração ficou lá! Nas Sextas-feiras e Sábados à noite eles faziam farra lá na sanzala com um gira-discos movido a pilhas. O primeiro single que comprei do Minguito era o "Brinca na areia". Tinha uma grande colecção de musica angolana, Encontro todas no youtube menos as do Minguito ou do Zé Viola! Que pena! (Agora - Julho de 2018 já …)

minguito2.jpg Minguito de 1967, ano da sua estreia no N´gola Cine, até 1970, faz uma carreira a solo marcada por canções que acusam uma forte influência do cancioneiro popular do Bengo. Gravou mais tarde com o agrupamento “África Ritmos”, duas das suas primeiras canções: “Minguito meu amor” e “Há inveja no mundo”.

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Após 1970, com a fundação do trio "Os Três Jovens", formado por João Dias (percussão) e Mano Picas (dikanza), ficou marcado pelas canções “Minguito em Angola”, “Minguito na Harmónica” e “Os três jovens”; a última, é uma canção que enaltece o valor do seu próprio trio.

minguito8.jpg Dos anos de 1970 até 1975, Minguito enaltece sua própria figura com o conjunto os Kiezos, “Ngandala ku n´ganhala ò fuma”, “Várias moças de Luanda”, “N´gui mona mi kima”, “Bangú Muna Ditari” e “Eme n´gó Kofele”. De 1975 até 1980, Minguito opta por canções de pendor interventivo.

minguito10.jpg Regista, com o conjunto “Merengues”, de Carlitos Vieira Dias, as canções “N´gi kalakala mivu ioso”, “Pensando Conforme o Tempo”, “Quinze dias na RDA” e “Kwanza”. Nesta última, celebra a troca da moeda colonial, o escudo, pelo kwanza, a moeda da independência. Minguito, de lamento em lamento, veio a falecer no dia 28 de Junho de 1995, numa quarta-feira, na mais deplorável e incompreensível indigência.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:00
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Domingo, 22 de Julho de 2018
XICULULU . CX

TEMPOS QUENTES - 22.07.2018

– BOOKTIQUE DO LIVRO – II

No Muquitixe da Munenga vi as estrias duma kalax bem à frente dos olhos… Foi aqui que o FIM se começou a desenhar…

Xicululu: Mau-olhado

Por

tonito15.jpg T´Chingange, vulgo António Monteiro

Nas frinchas do tempo, reconheço o fim - Falei assim com a minha empregada de Campala do Uganda. Olha Mery, infelizmente, tive de reconhecer o fim quando ele chegou! Mary, olhou-me com uma ternura idêntica àquele de uma outra empregada chamada de Mariana que tivemos na cidade da Caála. Foi neste então que lhe falei daquela mulher bonita e culta saída da Missão Católica do Kuando, lugar que fica a caminho da Cidade do Kuito, antigo Silva Porto.

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Era ver Mariana fazendo seus deveres de casa com meu filho Marco (M´Fumo Manhanga) com menos de um ano, amarrado à sua cintura com um pano colorido e, com a esfinge de Mobutu Sesse Seco que tinha guardado ainda do tempo de tropa em Cabinda. De noite, ele, Marco que já andava, surripiava-se de nossa cama de casal ao encontro de sua Manana; era assim que ele a tratava! Quando reparávamos que já não estava, já o dia ia abrindo com o sol despontando do lado do Huambo, antiga Nova Lisboa. Morávamos na residência da escola primária, bem em frente à igreja de Robert Williams -Caála.

ÁFRICA13.jpg Mariana tinha toda a sua família em um bairro perto da Missão que visitávamos com alguma periodicidade; enquanto por ali estava com seus mais próximos, nós preenchíamos o tempo olhando as águas do lago da barragem que fornecia água à cidade do Huambo. Eram as cabeceiras do rio Kuando, o mesmo rio que visitei anos mais tarde no estremo da fronteira de Angola e, quando a caminho das Cataratas Victoria , bem no fim da faixa de Kaprivi.

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Mary escutava-me com atenção pois que entrecortadamente dava pormenores que muito tinham a ver com sua cultura m´Bantu do Uganda; ria ou acenava concordando com minhas falas já ressequidas nas anharas e vastidões do planalto central de N´Gola. Com emoção recordei o convite que fizemos a Mariana no intuito de ir connosco para a Luua via M´Puto na metrópole que, nem conhecíamos no rigor de vida - Ela não poderia deixar sua família desamparada.

ÁFRICA17.jpg Com ela ficou o nosso cão, um serra da estrela e um montão de imbambas e até algum dinheiro que já neste então de pouco valia. O fim andava rápido demais e, nós sem sabermos bem para onde ir, tendo já perdido o comboio de refugiados para a Namíbia, lá acabamos por ir para Luanda num avião da TAAG abandonando tudo em caixotes destinados a lugar nenhum porque, simplesmente, nunca chegaram.

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Barragens com tiros raivosos impediram por duas vezes sua passagem em Cacula, no cruzamento que ligava e liga o Planalto Central a Moçâmedes e Benguela. Foi assim que me contaram e assim vai ficar no pensamento até se dissipar no paralém. Só ficaram lembranças das gentes que como kissonde se dissiparam na geografia terreste formando a Diáspora que hoje conhecemos. Nunca mais tive notícias fidedignas dos amigos kamundongo da Junta Autónoma de Estradas entre outros. Só soube que Kalakata morreu de tiro. Passo à frente destes pormenores…

kuando1.jpeg A pensar no como seria a vida lá na capital do Império, o M´Puto mal conhecido por nós antevia-se a solução mais plausível, menos sofrível, pensávamos assim ao som de granadas que rebentavam nos bairros, pela cidade, em todo o mato de Angola. A tempestade vingativa sobre os comerciantes fubeiros brancos subia de tom todos os dias. As raivas destes com os fubeiros e taxistas foram levadas em magotes de gente branca até o Palácio da Cidade Alta, lugar do Alto Comissário com mando do MFA.

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Esta gente-comerciantes, andavam excitados num demasiado medo; Eles que viviam nos musseques, bairros negros suburbanos, conviviam mal com sua fama de trapaceiros. Pouco a pouco foram sendo expulsos de suas casas e, por via do medo de musseque, as rajadas desenhavam angústias tracejantes em forma de balas zunidoras de burlar vontades. Vamos lá! Diziam uns aos outros…e foram.

kuando2.jpg Os desalojados eram às dezenas de milhar. Despojados de seus negócios foram pedir ajuda a um governo que se sabia pactuar com os enraivecidos e, tudo se tornava muito tarde sem uma escassa hipótese de retroceder. Sim! Já tudo era demasiado tarde. Mas mesmo assim e dentro do palácio fizeram o traidor Rosa Coutinho subir para uma mesa a resguardar-se de tanto punho com vontade de se tornar soco. Muita sorte teve de não levar um tiro nos cornos salvo seja.

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Aquele teatro de fingir guerra era uma inventação deste pulha, um desclassificado personagem a representar o MFA. Dando um pulo à frente na estória e, afim de não massacrar a minha empregada do Uganda, fui dizendo que tal e tal como o previsto dei comigo a fumar o medo e, num repente de assim dizer que se lixe, como todos os demais degluti o medo, comi-o! Olha, por agora não falo mais, disse eu a Mery de Campala.

kuando4.jpg Já cansado de esganar a saudade, de esganar a traição, de esganar a mentira daquela descolonização, ela deu-se conta e, sem enfado, muito pausadamente disse: - O seu azar, assim quase titubeando a verdade para não se ferir, o seu azar, notei a dificuldade de ir mais além; acenei-lhe assim-assim com o dedo indicador rodando, anda, desembucha! E, repete, o seu azar patrão… o seu azar foi ser branco!  E, foi! Dei-lhe um abraço de agradecimento pela sua verdade…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:00
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Sábado, 30 de Junho de 2018
MONANGAMBA XLIX

O CARMO E A TRINDADE

 - A nossa própria estória não pode ser enganada – 30.06.2018

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Algarve do M´Puto

Na Luua, antes do último suspiro do Império Tuga surgiu uma corja de comunistas dum tal de MFA a desarmar os brancos e armar os pretos. Quando a independência chegou, os camaradas do MPLA não permitiram que um único português tivesse um lugar de destaque na sociedade da Luua. Num repente ficaram sem o direito de ser donos de uma empresa, donos de uma fazenda ou que continuassem a ocupar um emprego na administração pública.

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Sem mais nem menos, o MFA apoiava o MPLA sem ter, mãos neles. O MFA ajudou um movimento que sabia ir expulsar todos os portugueses de Angola, que os iriam aterrorizar, que os iriam confiscar, roubar seus bens, prender, interrogar e matar. De repente os laboriosos colonos, eram simplesmente: - inimigos! Isto fez algum sentido?

mfa2.jpg Da repressão proibitiva do regime anterior salazarento, passava-se sem mais nem menos para a bandalheira total com os excessos daqueles intitulados revolucionários de fingir, heróis saídos duma fábrica como assim de fazer bolas de trapo metidos em meias, para desenrascar como daquelas meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme?

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Uma bola é de caucho e a outra é de trambolhos saios da doença do cholé; ver guerreiros de fingir ensinados a espumar de raiva. Raiva para só se convencerem numa prova de coragem em suas empedernidas visões comunistas; solidificar suas empedernidas reputações de putos maus, putos contra o governo. Sim! Destes macacos de zuarte que fazem o mal para que os outros lhe confiram respeito. Infelizmente o que parecia ser era!

CHAIMITE1.jpg O processo de revolução em curso abreviado em PREC, como disse uma bola fazendo de nós cidadãos do Ultramar um novelo de trapos. Eram mesmo os monangambas no poder de decidir o que fazer para desfazer. Tento não me esquecer de nada - por vezes isso é bom mas, comigo há ocasiões que se tornam em tormento, tormentoso e, em que o titulo a dar ao texto foge do contexto, assim como um poema que só rima juntando alhos com bogalhos.

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Depois do ano setentaecinco do século passado, uma grande borracha histórica trabalhava, trabalhou e trabalha incessantemente para apagar a presença de Portugal e dos portugueses em terras de África. Foi o início da desfabricação dum tempo, formatando poços de incógnita de mandar borda fora os últimos portugas num inventado Ultramar.

25-1.jpg Os grandes borracheiros da praça do Império empenhando-se numa chamada saudável política de cooperação, desgarantiram estorno num firme propósito de fingir que afinal não vinham com uma mão à frente e outra atrás, decerto deveriam trazer uns feijanitos do Kafunfo a rebrilhar a escuridão da mala. Qual estorno? Quais vitimas!? Continuamos nesta…

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Entretanto atravessando o recolher obrigatório da Luua pouco antes da meia-noite o silêncio aquietava o intervalo das rajadas com tracejantes pintando o ar. Num repentemente tudo se aquietava no silêncio do medo como se fosse um mundo no além, uma cidade fantasma. Um claro enturvamento do olhar, entortamento das costas, encurvamento das sobrancelhas alteravam a cor das até então, firmes mãos.

eseves2.jpg O MFA alinhavado no pacote das boas intenções, perdera-se totalmente no controlo militar do M´Puto e do Ultramar deixando no deus-dará todos sem excepção com os três moimentos negros digladiando-se com a feracidade canina, selvagem sem ser capaz de deter os instintos destruidores. Aquele pacote de boas intenções foi revertido no financiamento das hostilidades.

refu2.jpg Genericamente os brancos tornavam-se nos maiores inimigos ferozes, no bombo das festas com fogo de tracejantes para acalmar os ânimos. E, entretanto o discurso mais directo eram o indiscreto descarregamento de fogo para o ar, caixotes de arma, paletes de cunhetes e perversões de guerra, operações de marqueting modernizado decorrendo com afinação milimétrica pelos agora heróis da descolonização. Uma cambada de generais urubus- Nossos heróis! …

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:50
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXVII

O COLONO – 2ª de 2 Partes

Para os MWANGOLÉS, todos os que saem fora da “caixinha” do MPLA, pertencem ao “Reino do Mal”...

kimbo 0.jpgAs escolhas de T´Chingange

canhot1.jpg António José Canhoto...  Um polémico cronista saído da Luua, que tem o diabo à perna...

… Mão-de-obra negra, quase que escrava para enriquecer... A forma comportamental desse tipo de “colono”, nada tinha a ver com todos aqueles que para Angola debandaram ou nasceram depois dos anos 50 com uma mentalidade aberta e diferente iniciando a construção de uma sociedade moderna e multirracial a qual se reflectia em todos os aspectos da comunidade. Se um empresário negro português tivesse emigrado para Angola, montasse uma empresa e tivesse empregados negros seria considerado um “colono”?

colono3.jpg Sinto-me no dever e direito de desmontar e desmistificar esta falsa questão do “colono” que não pode ser vista interpretada, generalizada com o epiteto de que COLONO BRANCO é RACISTA e EXPLORADOR. “Colonos” e colonizadores foram todos os países que nos séculos XV e XVI descobriram á volta do globo terreste novos territórios habitados por índios nas Américas, indígenas em África e aborígenes na Austrália, num estágio primário civilizacional com perto de 500 anos.

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Com um atraso tecnológico em relação aos europeus, que no entender destes descobridores precisavam não só de ser roubados, explorados, assimilados, cristianizados e infectados com todas as doenças que estes para lá exportaram. Diogo Cão chegou á foz do Zaire em 1483 sendo a partir desta data que se inicia a conquista pelos portugueses desta região de África a qual era constituída por vários reis e reinos étnica e linguisticamente diferentes que se guerreavam pelo expansionismo regional.

canmionista 1.jpg O primeiro passo pelo Reino de Portugal foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A sul deste reino existiam dois outros, o do Reino de N´Dongo e o de Matamba, os quais não tardam a fundir-se, para dar origem ao Reino de Angola em 1559.

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As fronteiras de Angola só são definidas em finais do século XIX, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos Ambundo, a cuja língua o termo Angola anda associado. A Rainha Ginga seu nome Dona Ana se Sousa “N´gGola”, seu titulo real em quimbundo foi o nome utilizado pelos portugueses para denominar a região conhecida hoje por Angola.

boer carro1.jpg Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, na minha opinião também foi a sua primeira grande colonizadora e eu explico porquê? Esta rainha guerreira que morreu aos 80 anos durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submeteu e escravizou os seus habitantes vendendo-os aos portugueses que os levavam para o Brasil tornando-se cúmplice no esclavagismo, bem como os utilizava como escravos trabalhadores nos territórios que controlava.

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"N´Zinga" formou uma aliança com o povo Jaga, desposando o seu chefe. Subsequentemente conquistou o reino de Matamba e em 1635 coligou-se com os reinos do Congo, Kassange, Dembos e Kissama. Este pequeno intróito sobe a Rainha Ginga tem apenas e unicamente a finalidade de demonstrar que o processo colonizativo sempre existiu em todos os continentes.

araujo173.jpg Acontecia, quando as tribos ou etnias mais fortes e apetrechadamente melhor armadas dominavam as mais fracas fora dos seus territórios submetendo-as com o objectivo expansionista, esclavagista, para sacrifícios religiosos ou para se apropriarem das suas riquezas, concubinas gado, e ou rebanhos.

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Os portugueses não foram certamente santos pelos territórios que descobriram e colonizaram, mas também não foram totalmente pecadores na miscigenação que desenvolveram e cultivaram com os autóctones. Não confundamos ou associemos a palavra “colono” apenas com a cor branca e muito menos só com nacionalidade portuguesa.

António José Canhoto - 13-12-2016



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:18
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Domingo, 10 de Junho de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLIII

ANGOLA DA LUUA XLIII - TEMPOS PARA ESQUECER - 10.06.2018

“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas e prepotentes” – Nós e os mwangolés…

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No M´Puto

fuga1.jpg «Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão com a guerra do TUNDAMUNJILA formando esquemas para transgredir os limites da legalidade. Uns quantos, continuam a roubar o país quarenta e três anos depois, enquanto o povo olhando as velhas fotos amarelecidas, passam-nas em sua máquina de pensar. Já desbotadas, tombam com elas, a vontade de querer, definhando-se desmilinguidos em camadas de pó de sonho.

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Na Luua, de Kalash na mão, a lei e a ordem, a justiça eram coisas transgredidas, inexistentes ou mesmo anedóticas pela pior das negativas…Estávamos na segunda metade do ano da desgraça de 1975 - Vai haver maka, porrada mesmo! E era virar a arma para o ar e despejar cunhetes átoa; balas oferecidas pelas nossas gloriosas forças - NT do M´Puto. O medo controlava a população desorientada, assustada como um kissonde pisoteado com o apoio e fervor revolucionariamente denso do MFA - O povo unido jamais será vencido!

fuga3.jpg Generais de aviário do MFA, alinhando em esquemas maquiavélicos proporcionavam os meios, geriam as tácticas e logística e, até contratando gente da informação, mercenários da comunicação social para fazer entrega de tudo e de todos ao MPLA… As feras eram largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 para nos massacrar, roer até o tutano! Esses cabrões dos colonos vão ver como elas cantam; eram as falas dos guedelhudos magalas besugos chegados à Luua. Dos episódios esquecidos ainda recordamos dizermos uns aos outros: -E, vamos fazer o quê para o M´Puto?

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Haveria que juntar pecúlios num caixote para levar a um qualquer sítio longe dali; não se sabia bem ao certo para onde e como mas, durante dias e durante noites só se ouvia o barulho do martelo furando taipais do baú-caixão para guardar a saudade, a foto do cachorro, do louro, da vizinha quando da pesca lá na barra do Kwanza, no Lifune ou Panguila. Foram tempos de se fazer caixotes, uma empreitada, percurso da tumba via kalunga ou pelos ares, peidando ou bufando desesperos na ponte LuuaLix que ninguém queria ouvir.

fuga6.jpg Num tempo em que ninguém media consequências, a moralidade em Angola e na Cidade de Luanda-Luua, era uma batata apodrecida. O ambiente era de se cortar à faca-catana escaldante na insegurança generalizada no presente do indicativo, tornando o gerúndio numa incerta loucura de futuro. O amanhã transtornava a sociedade numa ginasticada ideia de sem se saber como iria ser a fuga. Os locais mais concorridos eram o Aeroporto de Belas e o Porto de Luanda. Destino: Um qualquer seja aonde for!

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Naquele tempo surgiram do nada, muitos rambos com fitas de cunhetes a tiracolo passeando desaforo e medo na companhia daqueles magalas, oficiais alferes, praças e salvo-seja nossos irmãos que diziam com frequência: Vocês colonos, vão-se foder! E, foi… Aconteceu! A cidade suja, pegajosa e desnorteada, cheirava a cansaço, a suor, a medo e coisas mortas esfrangalhadas pelos cães vadios. Naqueles dias de catinga ouvia-se noite note fora os martelos encerrando vidas, encafifando pertences e recordações. Também se ouviam rajadas lá para cima, mais ao lado e na outra banda das barrocas, no Caputo e Sambizanga.

fuga9.jpg Não! Não havia naquela terra de N´Gola, mais lugar para os Tugas e assimilados a estes! Não venham agora com tretas e esquecimentos! Se antes era perigoso ser preto, agora era muito perigoso ser-se branco. Dia para dia, viam-se menos caras conhecidas; médicos, engenheiros, padeiros, contínuos, bancários davam o fora de um momento para o outro – não queriam ficar para assistir aos dez e onze de Novembro. Para trás iam ficando cidades fantasmas aonde só o vento uivava com alguns cães deixados ao abandono.

fuga4.jpg A poeira fétida esvoaçava nos bairros. Por lá ficavam casas habitáveis e com recheio, carros, camiões entre a tralha dos jardins, cinemas, lojas, armazéns, restaurantes; edifícios intactos como se uma epidemia tivesse ceifado a vida. Viaturas prontas a andar deixadas ali ao acaso, famílias inteiras aventurando-se em uma odisseia de centenas ou milhares de quilómetros, correndo iscos, andando à sorte fintando cadáveres amontoados nas bermas das estradas, das picadas. Com cheiro de virar tripas afastavam-se vendo fazendas abandonadas, gado perdido e gente andando para sul, para leste, rumo desconhecido

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:28
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Quarta-feira, 30 de Maio de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXXIV

DESCOLONIZAÇÃO DO IMPÉRIO  DO M´PUTO . SINTESE - I

::As escolhas de T´Chingange

Por

canhot1.jpgAntónio José Canhoto...  Um polémico cronista saido da Luua, que tem o diabo à perna...

Todos os portugueses, onde me incluo, que viveram nas ex-colónias portuguesas e que sofreram na pele o processo de descolonização, atribuíram as culpas ao ministro dos negócios estrangeiros da altura Mário Soares que se finou há um ano, para gaudio de muitos dos retornados e para pesar de muitos democratas. Foi Mário Soares pelo cargo que ocupava na altura que carregou e conduziu o referido e complicado dossier do processo de descolonização que ficará como uma das mais tristes nódoas na história de Portugal.

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As tendências ideológicas marxistas que o processo revolucionário em Portugal atravessou não auguravam um desfecho feliz para os residentes nas províncias ultramarinas. A pressa era muita e, de modo que Mário Soares foi encarregue de atalhar e encurtar caminhos e forçado a abreviar o calendário das independências para o ano de 1975.

áfrica19.jpg As conversações para esse desiderato começaram de imediato com os líderes dos movimentos independentistas das colónias Portuguesas em Africa, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola tendo como interlocutores Luís Cabral, Samora Machel, Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi. A independência das colónias portuguesa em África iniciou-se em 1973 com a declaração unilateral da República da Guiné-Bissau pelo PAIGC que foi reconhecida pela comunidade internacional, mas não pela potência colonizadora o que só aconteceu nas negociações de Argel em 25 de agosto de 1974, seguido de Moçambique em Lusaca a 7-9-1974 e do Angola no Alvor a 15-1-1975.

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Logo que Angola e Moçambique obtiveram oficialmente as suas independências instauraram um regime de partido político único pró-soviético, enquanto em Portugal, o modelo socialista pós-revolução era progressivamente abandonado, dando lugar a um regime democrático. Só um tolo ou imbecil poderia pensar que seria possível a manutenção de uma guerra colonial em 3 frentes até aos dias de hoje, para assegurarmos a continuidade dos privilégios de alguns em África intemporalmente.

ama3.jpg Os grandes coveiros e responsáveis da repatriação dos mais de 750 mil portugueses naturais e colonos que ao tempo residiam em Moçambique e Angola não foi Mário Soares, mas sim, Salazar e Marcelo Caetano, pois a descolonização das nossas colónias deveria ter sido iniciada nos finais dos anos 50 antes de se ter iniciado o terrorismo em 15 de Março de 1961 em Angola pela UPA, em 24 e 25 do mesmo ano em Setembro pela Frelimo em Moçambique e finalmente em 23 de janeiro de 1963 na Guiné.

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Se o processo de descolonização tem sido feito atempadamente de forma ordeira cívica e civilizada assegurando a permanência dos europeus nas colonias, a revolução do 25 de abril de 1974 apenas tinha tido efeitos práticos ou visíveis em Portugal continental. Mário Soares estava manietado e limitado pelas directrizes imanadas pelo Conselho da Revolução e pelo desejo que os militares tinham em baixar as armas o mais depressa possível e abandonar África á sua sorte.

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O governo provisório da altura em Portugal estava em conluio com os líderes independentistas uma vez que defendiam a mesma ideologia politica, portanto Mário Soares muito pouco poderia ter feito para alterar o “status quo” dos eventos catastróficos que o processo de descolonização atravessou. Mário Soares foi um intermediário facilitador que seguiu um programa que lhe foi imposto, mas não o ideólogo do mesmo.

dyo2.jpg Eu sei e compreendo que a grande maioria dos retornados atribuem a Mário Soares toda a culpa da descolonização, pois acabou sendo o bode expiatório e o alvo mais fácil para arcar com as culpas devido a sua liderança nas negociações. Do contexto político vivido em Portugal destaca-se a divergência entre o então Presidente da República (PR), António de Spínola, e a Comissão Coordenadora (CC) do MFA em relação ao modelo de descolonização a seguir e que teve repercussões negativas nos processos de negociação e nos posteriores acordos de independência com os movimentos independentistas.

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A descolonização portuguesa dos territórios ultramarinos em África constituiu um dos aspectos centrais da política portuguesa após o 25 de Abril, tendo tido consequências sociais profundas em Portugal. Quando Mário Soares entabulou negociações com os líderes nacionalistas de Angola e Moçambique com vista á independência dessas colónias fazia parte como ministro dos negócios estrangeiros de um Governo de Transição empossado pelo MFA sem a legitimidade do povo português, pois ainda não tinham havido eleições gerais em Portugal nem sequer tínhamos uma nova Constituição aprovada que lhe outorgassem a legitimidade para assumir essa decisão histórica particularmente nos moldes em que foi feita.

spi3.jpgMARIO1.jpg Não tenho a veleidade, ousadia ou arrogância de colocar Mário Soares sozinho no banco dos réus, nada me move pessoal ou particularmente contra a sua pessoa, muito embora tenha deixado em África terra onde nasci tudo o que construí com o suor do meu rosto. Tenho a capacidade de separar o trigo do joio e fazer uma análise lucida e racional dos acontecimentos sem cegueiras ou fanatismos e atribuir as responsabilidades históricas a quem de facto as teve 20 anos antes de 1975, bem como no período pós-revolucionário. Se Portugal tem tido líderes com visão estratégica e politica para terem iniciado o processo de descolonização na época adequada teriam preservado a permanência e a continuidade de todos os colonos suas famílias e descendentes nesses territórios.

(Continua…)

António Canhoto 11-01-2017



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:22
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Domingo, 13 de Maio de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLII

ANGOLA DA LUUA XLII - TEMPOS PARA ESQUECER - 13.05.2018

“A guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas” - Quase morri antes desta guerra em Kaluquembe; acho mesmo que fui para o além durante um pequeno espaço de tempo…

Por

soba15.jpg T´Chingange

Quando no ano de 1974, se deu o 25 de Abril em Portugal, estava eu exercendo as funções de Topógrafo da Câmara Municipal da Caála (Robert Williams); chefiava a Secção de cadastro no referente a terras, urbanismo e obras já licenciadas. Minha mulher que era professora do ensino básico dava aulas no bairro Popular nº 1 confinando com o bairro Madame Bergman, muito próximo da estrada de Catete e confinando com o Bairro do Caputo perto da Terra Nova e Cemitério Novo.

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Ela, Maria Emília dava aulas a 40 crianças dos quais, só duas eram brancas; filhos do merceeiro situado bem perto desta escola com o nº 22. Maria Emília imediatamente a seguir ao 25 de Abril ouvia alguns alunos em surdina, e na forma de muxoxos dizerem coisas desaforadas como: Vamos ficar com a casa da professora- Vamos ficar com o carro da professora, Vai para a tua terra, entre outras frases que ela fazia por não querer ouvir. Era um indício da tempestade que se aproximava. Três meses depois do vinticinco, em Julho de 1974 é destacada para a escola da Caála. Um alivio - a família Monteiro reunia-se de novo.

kafu19.jpg Aquelas crianças dos bairros suburbanos de Luanda eram a propósito instruídas em casa para assustarem seus professores; uma forma de rebeldia independentista curtida no seio de suas famílias; logicamente que seriam os pais senão a induzir os filhos, no mínimo eram conversas escutadas por estes. Fabricavam boatos que desencontravam a vida de todos. Eram já ensaios na preparação do Poder Popular. Maria Emília, já na Caála, contando isto a mim, dava para antever uma grande borrasca lá pela capital. Era o início da Guerra do Tundamunjila…

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Após os primeiros encontros, negociações de cessar-fogo e acordos com os movimentos rebeldes e, já após aceitação da UNITA o professor Liuanhica da Catata, director de um colégio-missão, entra em contacto com vários elementos desta pequena cidade para formar o Comité da UNITA da Caála. Não me vou alongar muito nesta descrição mas, foi assim que fui eleito Secretário de Informação e Propaganda até que em uma remodelação dos Quadros, o próprio Jonas Savimbi me indigitou para Secretário de Relações Publicas do Comité.

zeça14.jpg Tenho contra vontade de expor isto para que todos vejam o empenho que fazia em permanecer em Angola e de uma forma activa. Nunca me arrependi de assim ter procedido até ter saído da Caála em Agosto de 1975; a UNITA teve ali, um comportamento exemplar. De forma breve posso dizer que o meu carro foi sabotado e, tudo indica por gente afecta ao MPLA. A carcaça do meu carro, um Renault major lá ficou na curva da morte do Cruzeiro de Kaluquembe.

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Quase morri, acho mesmo que fui para o além durante um pequeno espaço de tempo mas, regressei com uma clavícula partida! Do carro nada se aproveitou e, tudo ardeu! Literalmente! Foi naquele acidente que o galo pintado de branco, símbolo da UNITA em fundo vermelho morreu! Foi o Doutor Parson, seu filho David e esposa da Missão do Bongo para lá do Longonjo, que me ataram uma ligadura a dar firmeza ao osso; osso que soldou por si, só com o tempo. Meu ombro esquerdo, por via disto, ficou mais curto em um centímetro. Aonde quer que estejam os Parson, mando os meus agradecimentos.

áfrica19.jpg Porque já foram escritas 41 mokandas em um dilatado tempo convém aqui e agora recordar a cronologia da ENTREGA DE ANGOLA AO MPLA NO ANO DE 1975: 15 de janeiro . 1975 – Portugal, MPLA, FNLA e UNITA assinam os Acordos de Alvor, estabelecendo um governo de transição para a independência de Angola, o poder seria dividido entre as partes assinantes dos acordos. A independência ficou marcada para o dia 11 de Novembro do mesmo ano. - 31 de Janeiro . 1975 – Posse do Governo de Transição de Angola Como previsto pelos Acordos de Alvor. - 21 de Março . 1975 – Início dos confrontos entre MPLA e FNLA em Luanda e no norte de Angola.

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- 13 de Junho . 1975 – Aprovação da Lei Fundamental pelo Governo de Transição de Angola. - 9 a 20 de julho . 1975 – Confrontos armados entre FNLA, UNITA e MPLA resultando na expulsão da FNLA e da UNITA de Luanda. – Agosto . 1975 – Suspensão dos Acordos de Alvor por Portugal. O governo passa a ser exercido por um alto-comissário. - 3 de Agosto . 1975 – Início da “Operação Iafeature”, consistindo numa aliança militar entre FNLA, UNITA, forças zairenses e sul-africanas, coordenada pela CIA, para combater o MPLA e conquistar o poder em Luanda no dia marcado para a independência. O governo caberia a uma coligação entre FNLA e UNITA.

suku0.jpg - 4 de Agosto . 1975 – Jonas Savimbi anuncia oficialmente a entrada da UNITA na guerra civil. - 17 de setembro . 1975 – Chegada das primeiras forças regulares da África do Sul em apoio à UNITA. - 7 de Novembro . 1975 – Deslocamento aéreo de novas forças cubanas para Angola, através da Operação Carlota. - 11 de Novembro – Retirada das autoridades portuguesas de Angola. - O MPLA proclama em Luanda a independência da República Popular de Angola. - UNITA e FNLA proclamam a República Democrática de Angola, no Huambo.

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Situemo-nos de novo a 10 de Novembro de 1975. A 100 metros da ponte de Quifangondo, dois camiões carregados de soldados zairenses morriam sem defesa possível. Uma Panhard foi atingida em cheio! Desta leva de soldados quase todos por ali ficaram mortos ou feridos com gravidade. Sem explicação a artilharia pesada Sul-africana abandonou a luta rebocando os obuses para lá do Caxito. Segundo Santos e Castro os Sul-africanos retiraram-se pelas 16 horas e 30 minutos com todo o material.

pioneiros.jpg Deixaram os obuses sem culatras tendo sido recolhidos por um helicóptero que os levou até uma embarcação fundeada ao largo da costa do Ambriz. A Batalha de Quifangondo estava perdida. A FNLA fugiu mato adentro sem comando. No vale de Quifangondo os artilheiros cubanos que manobravam os “Órgãos Stálin” – lança foguetes 122 mm, tinham aniquilado a FNLA. As Brigada da FAPLA e da força Cubana estavam agora livres para enfrentar as tropas Sul-africanas e a UNITA que se aproximavam pelo lado Sul de Luanda.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:05
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Sábado, 5 de Maio de 2018
KALUNGA II

MOKANDAS DO REINO XINGUILA – 05.05.2018

- Fui à Torre do Zombo buscar jóias literárias do Reino do Kimbo na  Kizomba. Esta é uma delas com o nome de MUSSULO... Xinguilado no ano de 1486

– Ver glossário no final (Palavras sublinhadas) -xinguilar: Palavra Angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.

Por

soba 01.jpgT´ChingangeDesde o Nordeste brasileiro

- Estávamos em Janeiro de 1486. Eu, não era eu, retrocedi no tempo! Pela incorporação dum espírito de nome N´gesso voltei àquele ano, em plena kiangala. Os nomes eram diferentes, falava outra língua que não era a de hoje e, por isso vou ter de explicar no fim deste desassombro o que todas estas velhas palavras querem dizer naquele dialecto banto, o  m´bundu.

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Meu pai, Miconge N´futila o kota da vata, decidiu abandonar terras do Kifangondo e, para tal saiu bem cedo para trocar impressões com o Umbanda e, só depois falaria com o M´fumu; sopado com minha mãe Kilua N´zinga desde candengue, entrara agora nas dificuldades da velhice, não podia mais sustentar a família como kibinda; seus pés estavam pesando demais e o espírito dos kijikus estava na trapalhação.

cronicas mano corvo2.jpg Foi no M´fumo e explicou que era por demais kazumbi para aguentar, tinha na obrigação de levar o candengue (eu) na habituação da apanha dos n´zimbos na terra dos Ku-luanda. Eu, que já tinha treze kixibus, entendi que as dificuldades de meu pai era kubasular aquela vida de bitacaia.

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Miconge N´futila tinha no lumbu um irmão que era m´banda bem visto aos olhos do m´fumu-a-vata, que conhecia a ciência dos kalundu; este, podia muito bem dar trabalho para mim e espantar o mau-olhado dos defunto espíritos da YandaNa entrevista do velho kikongo chefe M´fumo com meu pai, as explicações foram aceites na retiçência e, de satisfeito, quando chegou preparou os corotos, a uanda, os kofus e a mukuali, sentou-se debaixo do m´bondo (embondeiro) e bebeu todo o marufo que tinha na kubata; ainda teve tempo de arrastar as quinambas para se despedir do mwani kazuca, amigo de muitas andanças.

MONA4.jpg No primeiramente ficamos no ka-kuaco, passadas as kalembas da barra do rio  com a kalunga do mar; dificultadamente ximbicamos e remamos na vista de terra, minha mãe Kilua chorava de medo, os muandu brincavam na nossa volta. Ficamos ali uns dias na reparação pequena no n´dongo pois as calemas fizeram estrago; entretanto consegui apanhar duas  kiangus na minha lança  que  por ali se esconderam nas águas baixas; no seguidamente preparamos com  n´tondo a acompanhar.

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Naquela noite estava frio, as hienas choravam de fome e eu metia lenha na fogueira por medo; não preguei olho toda a noite, o meu lumbu estava agora a compor-se, mas o meu medo era por demais, só as kalembas abafavam os meus soluços debaixo daquela n´sanda; Uma manada de n´zaus passou por ali perto e só nesse meio tempo as hienas de manchas feias me deixaram em paz.

zedu4.jpg Depois daquela noite ganhei coragem e, se calhar já nem ia para o layoteso pois que nos costumes do sítio para aonde íamos, eu não tinha amizades; assim passei aqueles longos dias até avistarmos a Mazanga. O vento enchia as n´dele do n´dongo com força e rapidamente passamos a baia do m´bungo. Sei que paramos por ali e meu pai N´futila foi tirar informações de aonde podia encontrar o seu irmão e, meu tio m´banda de profissão e kadinguila de nome.

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No entretanto da espera vi na observância que aquela ilha era demasiado comprida e, dias depois chegamos na xicála sítio da dibata, dos seguranças do reino de N´dongo aonde meu tio tinha pré-ponderância. A partir daquele dia por direito de Kanda passei a ser ka-mundongo, apanhar búzios de n´zimbo na ponta da Mazanga e lá mais no longe, os caurins da Korimba e muito n´tadi no Mussulo.

canoa0.jpg Muitos  anos mais tarde ressuscito maiombolado, mundele (t´xindere) em plena Korimba; Já não havia hienas nem n´zaus e ali estava eu esperando lugar no kapossoka, atravessar o mar baixo e regressar no kitoco.  Com cinco angolares (uá cinquimoche wandala)  na Samba, lembro-me de ter comprado um grade peixe espada (kinbiji). Se um n´zimbo valia cinco caurins, naquela primeira encarnação 5 angolares seriam talvez uma canoa cheia de kinbijisEstamos a 05.05 de 2018, 532 anos depois daquelas makas de vida.

toledo18.jpg GLOSSÁRIO: 

Candengue:-rapaz; corotos:- trastes; caurins:- búzios pequenos, cêntimos do zimbo; cafeco: - donzela;   libata: - palhota; kanda:- descendente por via matrilinear; ka-mundongo: - nascido no reino n´dongo (Luanda) ou súbditos do chefe N´gola kitunda; ka-luanda: - nascido em Luanda, calcinha;  kazumbi:- feitiço; kiangala:- pequena estação seca; kifangondo:- aldeia; kibinda:- caçador; kijucos:- gente de outras tribos, de fora; kalundu / kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto; kixibus:- cacimbos, estação fria; kubasular:- passar bassula, dar a volta por cima; kicongo:- natural do Congo; korimba:- lugar de costa, ancoradouro; kapossoca:- nome de barco com motor; kitoco: - traineira trnsformada; kota:- mais velho; kofu:- cesto estreito e comprido para apanhar conchas;

cafu39.jpg ku-luanda:- a ocidente, mais importante e sabedor; ka-kuaco: - sítio, lugar; kalemba: - ondas de mar bravo; kalunga:- abismo, sitio de muita morte; kiangu:- raia; lumbu:- descendente por parte do pai; layoteso:- casa da puberdade para rapazes; m´bundu:- de fala banto, em quinbundo; m´banda:- guarda, sub chefe; m´fumu:- chefe; mfumu-a-vata:- chefe da aldeia; matacanha:-pulga da terra, o mesmo que bitacáia; mukuali:- catana, facão; muandu: - tubarão; N´dongo: - reino da Matamba, parte central de Angola de ambos os lados do rio Kwanza, nome dado pelos portugas às canoas ou pirogas desta gente do reino; kinbijis: - peixe espada; n´tondo: - batata doce; n´sanda: cobertura improvisada de pescador com folhas da vegetação à mão; Mazanga (Mazenga): - Illha de Luanda; sopada/o: - casada/o; makas: conflitos, porrada, jeito de dizer  dos azares...

O Soba T´chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:22
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLI

ANGOLA DA LUUA XLI - TEMPOS PARA ESQUECER – 20.04.2018

- O Ataque a Luanda só seria desferido na alvorada do dia seguinte, 10 de Novembro, dia em que as FAP sairiam de Luanda…

Por

soba15.jpg T´Chingange

A situação de descontrole por toda a Angola a partir da ponte aérea de LuuaLix, desencadeou uma sequência de acontecimentos que não corresponderam a um processo de descolonização, mas sobretudo, na apropriação gradual de prerrogativas do estado por parte dos movimentos independentistas, destacando-se o MPLA. Em nome da defesa das comunidades, usaram e abusaram de violência. A partir de Agosto, os acontecimentos ditaram na prática o fim do Governo de Transição e do Acordo de Alvor.

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Até ao dia 9 de Setembro, o MPLA reconstituiu o governo, colocando os seus representantes em cargos anteriormente ocupados por elementos designados pela UNITA e pela FNLA. Uma informação da CIA registou que responsáveis do MPLA tinham colocado «grande empenho em criar a impressão de que a sua organização seria o único grupo de libertação capaz de coordenar um governo angolano independente». Os Americanos estavam à coca! Deles sairia o último suspiro…

guerri6.jpg Assim, cada vez que a tropa portuguesa abandona determinada cidade ou posição, a população branca igualmente abandona essa cidade ou posição. A população negra, não afectada ao movimento que controla a zona em questão, acompanha as tropas portuguesas no momento da retirada. Em Outubro, a invasão em grande escala da África do Sul alterou profundamente os contornos do conflito. Uma unidade da UNITA comandada por um major sulafricano e assessorada por consultores sul-africanos conteve o avanço do MPLA sobre o Huambo a partir de Benguela.

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A pedido da UNITA seguiuse a entrada em Angola da coluna Zulu da SADF, a 14 de Outubro, que expulsou as forças do MPLA estacionadas ao longo da faixa costeira até Novo Redondo (Sumbe), a norte do território. As Forças Especiais cubanas travaram o avanço das tropas sulafricanas fazendo explodir a ponte do rio Queve. Entretanto, o exército da FNLA, que marchava em direcção a Luanda, vindo do Norte, foi destroçado por mísseis cubanos.

gurra10.jpg Agostinho Neto, presidente do MPLA, proclamou a independência da República Popular de Angola, em Luanda, enquanto, no Huambo, Savimbi anunciava a criação da República Democrática de Angola. A iniciativa militar passou, então, a pertencer ao MPLA, levando à retirada da SADF de Angola, entre Janeiro e Março de 1976, e à fuga da UNITA das cidades do interior do país, no início de Fevereiro.”

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Recorde-se que no meio de tantos desencontros ainda havia esperança e soldados que não abandonavam gente que se queria manter no território. Assim, o ex-tenente Fernando Paulo e alguns dos seus homens já na condição de refractários, protegem um grupo de refugiados no Chitado aonde criaram uma zona de segurança. Era a frente para a fuga ao invés da fuga práfrente, algo não estudado a fim de se efectuar o abandono, tácticas nunca vista nos anais da lusofonia.

guerra23.jpg O MPLA era o movimento da burguesia luandina; aparentemente mais evoluído e com mais quadros abalizados, supostamente teriam mais capacidade para governar; seus sombrios e divididos intelectuais alinharam à partida mais na linha da esquerda só que, seu comportamento no terreno era adulterado por radicalização pela força revolucionária do MFA – os mesmos que deveriam garantir-nos segurança.

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Aqueles generais de aviário de fraca experiência eram manobrados por Rosa Coutinho, verdadeiro dono daquilo, cedendo tudo ao MPLA e dificultando os demais. Rápidamente o MPLA inventou a maka e o Poder Popular zombando até dos revolucionários tugas que tudo lhe davam. Eles inventaram o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito…Tudo parecia ser um jogo de guerra aonde a morte era só de brincadeira…

guerri4.jpg Luanda tornava-se uma imensa lixeira fétida com o calor e humidade acelerando a decomposição de detritos, gente e animais mortos. Uma cena apocalíptica que agora tentam repintar com cores de arco-íris. Entretanto os Cubanos iam chegando pela calada com conhecimento e consentimento dos governantes do M´Puto. Calcula-se que só nos últimos dias de Setembro tenham entrado aproximadamente 3500 cubanos. No dia cinco de Novembro de 1975, quatro grupos de comandos ao serviço do ELNA colocaram-se no Morro da Cal.

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A infantaria surgiu a seguir descendo para os baixios da lagoa. O comando estava ao cuidado de um general zairense em substituição de Gilberto Santos e Castro do qual lhe foi retirado o comando dias antes e, enviado para N´Dalatando (Cidade de Salazar). Gilberto Santos e Castro era um antigo oficial do exercito português e irmão de um ex-Governador de Angola. Flagelados pelos misseis cubanos, as baixas do ELNA foram tão significativas que optaram por se retirar dali.

guerra22.jpg Na madrugada do dia 9 de Novembro, dois dias antes do dia aprazado para a proclamação-entrega do território, chegou uma guarnição de 20 africâneres vindos do Ambriz. Com eles traziam os obuses de tiro de longo alcance e 1200 granadas. O Ataque a Luanda só seria desferido na alvorada do dia seguinte, 10 de Novembro, dia em que as FAP sairiam de Luanda. Cento e quarenta sul-africanos em silêncio, posicionaram-se ao lado das peças, bem antes da hora de fogo que estava prevista ser pelas cinco horas ao alvorecer do dia.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:44
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Quarta-feira, 21 de Março de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXL

ANGOLA DA LUUA XL - TEMPOS PARA ESQUECER – 20.03.2018

- «Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes… »

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Desde o Nordeste brasileiro

Em Kampala, o presidente da OUA, idi Amim, insistia para que a data da independência fosse mantida sendo Portugal a responsabilizar os nacionalistas por um não acordo. O Secretário-geral da UNITA presente à conferência acusou as FAP de não se oporem à entrada de armamento e mercenários a ajudarem o MPLA no Lobito, Sá da Bandeira e Pereira D´Eça. Em Pereira D´Eça o comandante português entregou o aquartelamento a elementos do MPLA tendo-os vestido com camuflados do exército português, uma clara desobediência e afronta por ser esta região afecta à UNITA.

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Este procedimento foi de uma nítida e grosseira degradação moral para as autoridades portuguesas. Manuel Resende Ferreira disse neste então: -Ainda havia esperança e soldados que não nos abandonavam. Referia-se ao Tenente Fernando Paulo e alguns dos seus homens que resolveram desobedecer ao comando para protegerem um grupo de refugiados no Chitado. Para o efeito criaram ali uma zona de segurança.

mocanda13.jpg São estes os heróis esquecidos, soldados de Portugal que abandonam o exército comunista Português para protegerem cidadãos e, lutar contra a anarquia comunista. E, que foi feito do Tenente Fernando Paulo? Pesando nele dei-me conta que era o fim do império colonial. As feras foram largadas das jaulas com a lei 7 barra 74 do MFA. A Luua eclipsava-se! Tarde piaste! E, agora vamos fazer o quê para o M´Puto?

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As NT - Nossas Tropas já não eram nossas. Davam cunhetes, canhões e até carros de combate numa perfeita cooperação de entreajuda FAP- FAPLA mandando prólixo os acordos de Alvor, da Penina… O MPLA da Luua inventava a maka! Inventava os pioneiros! Depois o Poder Popular! E surgiu o Kaporroto, o kuduro e a victória é certa. Eles já tinham inventado o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito…

mocanda14.jpg As makas organizadas com o objectivo de criar o caos, originar pancadaria e depois a vitimização já tinham características de sofisticada mentira; meter tudo no barulho, pressionar psicologicamente e criar condições de favorecimento por parte dos militares do MFA, as NT, o CCPA – Comissão de Coordenação do Programa do MFA e o Alto-Comissário…Já se fazia tudo às claras.

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Em um encontro de Melo Antunes com Henry Kissinger, aquele responsável português e a pedido do Secretário Americano disse que era difícil de lidar com Neto; que era difícil de o classificar politicamente como um comunista ortodoxo! À coisa dada (Angola) teve a desfaçatez de dizer que a liberdade, não se recebe, arranca-se! Mas que pulha! Com estes laivos de poeta dava dicas torpes de mau agradecimento aos militares revolucionários do M´Puto. Bem feito, cambada! Alguns não gostaram…

mocanda16.jpg Quanto a Holdem Roberto não tinha solida formação política, era um fraco e facilmente corrompido; dependia de Mobutu! Dos três líderes nacionalistas, era Savimbi o mais inteligente, o mais hábil e o mais forte politicamente. Cada qual fazia o que lhe dava na gana com a Kalash na mão. A lei e a ordem, a justiça eram coisas inexistentes ou anedóticas pela pior das negativas… Disto, o Melo Antunes nem falou mas, nós assistíamos martelando caixotes com raiva, rilhando o dente; naquele agora, mais não podíamos fazer.

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A tropa portuguesa continuaria a fazer segurança nos terminais de comunicações marítimas e aéreas de Luanda, aeroporto civil e militar do porto e Ilha do Cabo controlando o eixo Ilha – Fortaleza de S. Miguel, Palácio da Cidade Alta e Quartel-general. Nova Lisboa, a cinco de Outubro de 1975 era uma cidade morta, aonde ficaram somente trinta brancos. Na terceira semana de Outubro a evacuação do Lobito, benguela e Moçâmedes estava concluída. 

mocanda17.jpg Em Luanda a quantidade de deslocados era já muita; superior à capacidade diária de escoamento. O conflito não parecia afectar a produção da Golf Oil Americana que continuava a extrair mais de cem mil barris de petróleo por dia. As obrigações financeiras iam direitinhas para o Banco de Angola com a gestão do MPLA na pessoa de Said Mingas, um antigo colega meu por cinco anos, na Escola Industrial de Luanda.

mocanda21.jpg Nenhum daquele rendimento ia no momento para Portugal. No dia 23 de Outubro a pretexto da invasão Sul-africana e a incursão Zairense, o Estado-maior das FAPLA decreta a mobilização geral de todos os homens entre os 18 e os 35 anos. Este recrutamento abrangia todos os naturais de Angola ou lá radicados. Os estrangeiros teriam de se apresentar nos Postos Policiais para validar e autenticar os documentos a fim de registar sua permanência. Era-lhes dado três dias!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:59
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Segunda-feira, 12 de Março de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXIX

ANGOLA DA LUUA XXXIX - TEMPOS PARA ESQUECER – 12.03.2018

- «Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão agora com a guerra…»

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Pois! Desculpar-se-ão com a guerra. Só que a guerra, que matou e estropiou tantos, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente e incestuosamente ricas…» Os brancos de Angola, no geral, culpam o MPLA com seus grupos de Poder Popular, culpam também os seus irmãos Tugas capitães de aviário e uns tantos civis apanhados na teia do PREC pelos males que atingiram aquele território chamado de Província ultramarina, a actual Angola.

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A fim de desbloquear situações, verbo fácil de fazer milagres, olhos vivaços para resolver problemas fúteis e bizarros, os chamados retornados, entre o desespero e a morte tiveram o condão de tocar a vida prá frente desafiando pormenores de sobrevivência. Alguns detalhes, são demasiado trágicos e outros, muitos, demasiado sofríveis…

zeka9.jpg E, os colonos? Os colonos, uns morreram num ai, repentinamente e sem saber do porquê; porque MPLA e MFA haveriam de manipular os espíritos, carregar nos botões das almas inocentes, com o fígado incompleto tornando candengues em militares de primeira linha. A esta milícia sem estrutura criada por Rosa Coutinho e Agostinho Neto e, que viraram monstros desapiedados, deram-lhe o nome de pioneiros…

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Apesar das NT - nossas Tropas, serem de pouca utilidade para os colonos, muitos dests, tinham e têm afinidades que os prendem ao silêncio sendo benevolentes com a situação do antes, durante e depois do TUNDAMUNGILA – a guerra de tuji que culminou na ponte LuuaLix. Para não me mentir é o que posso analisar derivado da triagem feita entre os silêncios e da benevolência com a situação, agora que são passados já mais de 43 anos de independência. Quando não se calam dizem enormidades versejadas com poesias….enfim!

zeka3.jpg Os soldados de outrora, diferenciaram-se com os cabeludos abrilistas por não verem no terreno o tão propalado pelo MFA, pelos “revolucionários com o Ché na flanela”… ainda bem que subsiste este senão… Estes mais velhos e conscientes militares do M´Puto, ajudaram a consolidar um sentimento de última hora das NT. Algo mudou mas esta hora, chegou demasiado tardia. Tudo porque o MPLA usava uma táctica que não caiu de todo por “bem vista” a alguns militares portugueses. Estes deram-se conta que a cúpula e o Poder Popular do MPLA eram cães sarnosos; não reconheciam seu dono nem sabiam ser camaradas…

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Os Navios Hermenegildo Capelo, N´Gola e Açores, faziam chegar a Luanda deslocados de todo o litoral Sul como Novo Redondo, Lobito, Benguela e Moçâmedes. Para Moçâmedes e, em fins de Setembro uma companhia de Pára-quedistas seguiu para esta cidade a fim de controlar o embargue de bagagem dos refugiados. As FAPLA, só permitiam os embarques com a sua presença obrigando os trabalhadores da estiva a só cumprirem cinco horas por dia.

vasco gonç.0.jpg Faziam o que bem lhes dava nas ganas retirando parte da bagagem que estava dentro das viaturas. O MPLA e pessoal adstrito a este movimento fazia obstrução para ver o que os brancos levavam para o M´Puto. Em Portugal e posteriormente, contactei com gente desta que passaram a pertencer aos Adidos; afinal suas afinidades eram de falsidade. Como lidar com isto!? Isto tem de ser mencionado porque a traição ocorreu no antes, no durante e no depois… Mas, só eu vejo isto! Há por ai gente muito acomodada que ao ler isto ou nada diz ou se sublinha num banal: gosto!

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Pois foi aquela companhia de Pára-quedistas que pós fim a esta situação. Diga-se em verdade que Savimbi prometeu enviar de Nova Lisboa para Luanda todas as bagagens ou pertences dos Adidos ou desalojados; colocou guardas a montar vigilância das mesmas, assegurando que iria evacuar todos os brancos ainda dispersos pelas áreas da UNITA se assim o desejassem.

vasco1.jpg Savimbi declarou ter havido ingenuidade de sua parte em acreditar que todos os Movimentos só receberiam as armas que Portugal lhes desse. A única coisa que pedia a Portugal era a de que Lisboa não legitimasse o MPLA num reconhecimento de declaração unilateral de independência; e frisou bem: mesmo que outros países o fizessem!

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Holden Roberto, confiante que iria tomar Luanda nas vésperas do 11 de Novembro aceitou que a entrega do poder fosse dada ao Movimento que nessa altura estivesse na posse de Luanda. Este bluff era senão demasiado inocente, demasiado estupido! Em verdade, esta espécie de estadista ficou no lodo da estória. No dia cinco de Outubro, o Almirante Leonel Cardoso queixava-se por ainda não ter sido informado.

mouzinho1.jpg E, no caso de todas as diligências para um entendimento com o MPLA, falharem, o que fazer? A quem vamos entregar o poder ao chegar o onze de Novembro se, se mantiver esta situação de impasse? Diria ele numa forma de interrogação… No M´Puto andavam demasiado distraídos; as sedes dos COMUNISTAS, começavam a ser queimadas…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:18
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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXVIII

ANGOLA DA LUUA XXXVIII - TEMPOS PARA ESQUECER – 27.02.2018

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA

Angola - 43 anos depois. Um tal de Capitão Macedo perguntou ao Alto-comissário Leonel Cardoso se podia entregar ao CPA do MPLA o armamento dos paióis do Grafanil? Pode sim! Respondeu o Almirante, mas sem as culatras retorquiu!

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Nestas mokandas, quando analiso mais atentamente os mestres da política do M´Puto no após abrilada de 1974, duvido intensamente do sentido profundo da sua actividade porque não o foi com elevação! Não tendo a menor hesitação em chamá-los de mercenários, uns regredidos ao primário ser de vendilhões. As memórias desse então, não fazem crer agora passados 44 anos o poder propiciatório dessas suas urdidas façanhas de criação. Eles queriam uma coisa mas surgiu um monstro! Era sua intenção não o ser assim (dizem agora) - mas foi!

selo13.jpg E, tudo fica num suave esquecimento como coisa que deu pró torto e, retirando até poder ao sentido mais forte da palavra traidor. É necessário a isto, dever-se adquirir um sentimento de senso prático daquilo que vale a pena ser compreendido: a independência de Angola era um desejo da maioria que de quem de lá saiu; mas, não desta forma.

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Aqueles políticos deveriam saber que isto era verdade mas tudo ficou numa merda de jogo político como se nós (leia-se retornados) fossemos as pedras dum tabuleiro de xadrez. As pedras brancas, diga-se… Para Carlucci, o diplomático americano, a questão fulcral era: saber se Portugal continuaria a permitir a expansão do MPLA no propósito de lhe entregar o poder? A resposta estava de caras: claro que sim! Tudo o mais não interessava. Os americanos só viam o petróleo de Cabinda; a viragem ia ser feita. Uns cá, outros lá.

selos01.jpg Das NT (Nossas Tropas) só restavam em fins de Setembro unidades em Cabinda, Luanda, Lobito, Nova Lisboa e Sá da Bandeira já com limitadíssimas capacidades. Agostinho Neto de forma descarada mostrou o desejo de em fins de Setembro ter as FAP (Forças Armadas Portuguesas) desarmadas em Luanda. Já dizia abertamente que a independência não se dá, arranca-se!…Um descaramento torpe vindo dum sofrível poeta de tasca ou uma descarada afronta aos seus amigos abrilistas; os tais político-militares de túji do MFA…  

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Neto dizia que ele, o MPLA asseguraria o controlo de Luanda com a segurança ao palácio da cidade alta da Luua, bairros dos ministros e do Saneamento. Nem pensem nisso! Foi a resposta do CCPA na pessoa de Leonel Cardoso. Era óbvio que queriam o absoluto comando de Luanda e o controlo do Comandante-Chefe. Esta proposta estava fora de questão, foi segundo as contingências, a resposta mais plausível do Comandante-Chefe.

selos1.jpg A preocupação de Neto, o sofrível poeta, era o que Leonel Cardoso tinha dito à imprensa estrangeira: a de que Portugal admitia recorrer à ONU porque continuava a reconhecer legitimidade aos três movimentos. Quem sabe se isto não teria sido melhor para Angola? Não para Neto, claro! Também aqui o Alto-comissário fazia bluff pois que nada mais lhe restava do que jogar desta forma, como se tudo fosse um jogo de King ou poker.

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Astucia com astucia, falácia com falácia! Portugal não aceitaria uma unilateral proclamação de independência e, nem a ONU ou a OUA iriam aceitar! Neto hiena, pensou melhor, consultou seus parceiros de copos do M´Puto e recuou a contragosto! Preferiu fazer de cabra cega e berrar como uma cabra doida aos seus pares de imortais e outros que tais.

selos3.jpg Para demover qualquer outra tentativa de poder, Agostinho Neto, disse não admitir qualquer entendimento com a UNITA. Constava-se em muxoxos de revolução capianguista que havia sugestões dos heróis de aviário do m´Puto para coligar-se com a UNITA para facilitar os expedientes e, dar uma visão moderada ao mundo. Neto, o sofrível poeta cachaceiro de então e líder do glorioso MPLA, com desfaçatez, sugeriu ao Alto-Comissário entregar o poder só ao MPLA.  A golpada possível do MPLA foi assim, protelada.

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Acabaram por achar melhor continuar a dar uns tiros para o ar ao jeito de fogo-de-artifício de amedrontar, umas rastejantes a pintar o céu da Luua e deixar a declaração de independência para a data aprazada, o 11 de Novembro. Tudo isto depois da largada do último reduto das NT; com a bandeira embrulhada no sovaco dum qualquer militar. Para descaramento torpe, Neto, o futuro presidente, lastimava-se do estado degradado em como eram entregues as instalações militares da Luua. Era mesmo muita cara-de-pau; muita lata!

selos8.jpg Em dado momento de bandalheira, um tal de Capitão Macedo do M´Puto, perguntou ao Alto-comissário Leonel Cardoso se podia entregar ao CPA do MPLA o armamento dos paióis do Grafanil? Pode sim! Respondeu o Almirante, mas sem as culatras, retorquiu! As culatras foram mandadas retirar ficando na Fortaleza de São Miguel para evitar qualquer dissabor. Não sei se este capitão de túji veio a receber alguma medalha de mérito; Nada me admira para revolta de tantos que como eu, foram picados até ao tutano na indignação…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:42
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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2018
XICULULU . CVI

TEMPOS QUENTES – 26.02.2018

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Os homens coçam preguiça debaixo de uma acácia, cortam a mata para fazer lenha, caçam e cuidam do gado mas… sempre há uns mais iguais que outros…

Por

soba15.jpg T´Chingange No Nordeste brasileiro

Pregar o evangelho deve ser bem mais fácil do que vivê-lo; tenho deparado na vida com gente que não faz o que diz! Todos os dias lêem o livro sagrado pois então – e, não é acidentalmente que assim procedem, daí tirando proveito. Gente que se diz estar dentro dos desígnios de Deus mas, que na prática, santificam acima de tudo o dinheiro.

mercedes.jpg  Talvez por isso, tenha levado o mwata Mahatma Gandhi a dizer um dia que gostava de Cristo mas não gostava dos cristãos! Ele disse: Vocês cristãos são tão diferentes de Cristo! Palavras duras de ouvir e que revelam a verdade de que muitas pessoas só o seguem para tirar proveito.

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E, assim a vida neste sofisma, leva muitos a se considerarem agnósticos; e porque somos uma ilusão não temos tempo suficiente para levarmos a análise ao fim na união dos preceitos e do tudo que somamos nas reflexões de todos os dias. Acidentalmente em um dia, sou cristão, e num outro, já não sou o que digo ser ou não o sou tanto…

dia89.jpg  As transacções da vida, porque vejo e reflicto, não me surgem com o mesmo aroma da presença de Deus, de que tanto ouço falar com veemência, aos outros. Gosto de fazer amigos, ter experiencia salutar, de dar risadas, boas conversas, boas comidas e oportunidade de partilhar com pessoas de empatia e que conhecem o saber ou o sabor da generosidade.

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Não sei se você que me lê já encontrou sua maneira de ser generoso o quanto baste; acho até que se o quiser, não lhe faltarão oportunidades para o demonstrar. Posto isto, espero que Deus se surpreenda comigo e até me mande um recado pelo Watsap ou o e-mail usando uma das senhas que miraculosamente regatei do espaço: PLUTÃO.

dia123.jpg Ou ainda uma outra que achei no baú esquecido da Luua: CALUVIAVIRI. Nada será suficiente para frustrar os planos da pólvora divina e do cepticismo. É o meu jeito extraordinário de me animar mas em verdade, em verdade vos digo que quando me faltam recursos de força e coragem a Ele, me submeto! Não me quero mentir! Coisas do subconsciente…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:47
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Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXVII

ANGOLA DA LUUA XXXVII - TEMPOS PARA ESQUECER – 23.02.2018

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA

Angola - 43 anos depois da independência. Já ninguém acreditava que era só uma pequena parcela dos nossos militares a dar a mão ao MPLA. Eram todos!

Por

soba15.jpg T´Chingange

Nestas mokandas, meus sentimentos, pensamentos e actos, têm uma única finalidade: falar a verdade à minha comunidade para que a história não se esmoreça; minha atitude determinará o juízo de bom ou de mau que há sobre os factos. Quero assim ser livre, criador e sensível o quanto baste sem pactuar com a imbecilidade que como dança infernal leva as massas sociais ao embrutecimento; algo que sistematicamente corrompe o bom senso dos homens.

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Costa Gomes, o presidente rolha do M´Puto, titubeando indecisões, acabou por retirar o Brigadeiro, esse tal de José Valente, comandante da 2ª Região Aérea e que vivia em relações tensas como a CCPA (Conselho Coordenador do Programa do MFA para Angola e que, incluía o CCPA e o Estado maior de Angola). Os vapores Vietnam Heróico, o Coral Island e o La Plata, chegariam antes do fim de Setembro de 1975 em Brazaville e Porto Amboim levando a bordo mais de 1000 toneladas de gasolina, 300 instrutores para os quatro CIR do MPLA e ainda dois aviões cubanos.

carlu1.jpg O Presidente do Congo Brazaville N´Gwabi aceitando esta forma de apoio e dando também hospedagem a mais 142 instrutores cubanos, declarava-se oficialmente apoiante incondicional ao MPLA de Neto. Este apoio tinha sido concertado em uma viagem que N´Gwabi fez a La Havana. Havia fortes indícios de que o MPLA estivesse a preparar uma declaração de independência unilateral, sem consulta a Portugal e aos outros dois movimentos conformes no Tratado de Alvor.

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Pode assim apreciar-se o comportamento de insubordinação ou má-fé com os colaborantes militares de aviário de Abril que tudo lhe faziam numa óptica de práfrente camarada, avante! Nitidamente estavam a mijar nas graças revolucionárias daqueles imberbes militares do PREC.

Estávamos em inícios de Outubro.

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Leonel Cardoso continuava apreensivo pedindo apoio a Lisboa e mantendo as FAPLA em suspense com uma hipotética chegada de tropas especiais, Comandos e Pára-quedistas. Leonel Cardoso perante este cenário blefava e, era só o que lhe restava porque Lisboa andava afanada com os sindicalistas das “Manif” de civis e militares guedelhudos. Leonel Cardoso andava sem saber como fazer na entrega do poder a 11 de Novembro de 75.

cruzeiro2.jpg Com muxoxos de boca pequena sabia-se que Leonel Cardoso se queixava de estar rodeado de traidores à pátria ou à causa; a confiança, ruía-lhe algum aprumo. Ética era uma coisa quase nefasta e os heróis das NT em sua maioria só viam o MPLA. A estes, o MPLA, entregavam tudo de mão beijada sem fiáveis contrapartidas mas, sempre havia uns quantos que buliam sua própria consciência. Aquilo não lhes parecia lá muito bem… Eram muito poucos, quase nenhuns. Em Angola, estávamos entregues à fé e ao acaso, à bicharada.

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Entretanto Samora Machel de Moçambique e Július Nyerere da Tanzânia, perfilam-se também ao lado do MPLA. Otelo em viagem a Havana garantia a Fidel de Castro não retaliar com suas frotas e tropas, entenda-se como as NT (Nossas Tropas) a “invasão de Angola” em apoio ao MPLA. No M´Puto, pouco a pouco, Carlucci o embaixador Americano, ia alegando algum favoritismo para o MPLA.

melo4.jpg Carlucci, com a nobre ajuda de Vasco Gonçalves, o primeiro-ministro português, um ex-doente mental da casa dos malucos de Luanda - sector militar. Este afiançava a pés juntos perante o Gringo que, não senhor, o MPLA não é comunista! Era uma boa base aos ditames de Frank Carlucci; a este, interessava-lhe sobremaneira o controlo do petróleo de Cabinda. Não era por acaso que já Cabinda estava inteiramente nas mãos do MPLA.

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À margem das negociações os ditos retornados, cidadãos nacionais e da Província Ultramarina de Angola, estavam a ser moeda de troca no fornecimento de aviões para a ponte LuuaLix se realizar no tempo aprazado. Nesta guerra de tundamunjila (brancos, fora - para a sua terra) a estória ainda anda a ser fabricada!

demo2.jpg Podem ver agora e com clareza de 43 anos já passados que os retornados tiveram um desfecho muito parecido com o sucedido no Irão, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia e aonde quer que houvesse petróleo, a moeda americana suporte de sua supremacia. Costa Gomes, com esta decisão sentia-se agora mais confortável. Naquele então o segredo era manter tudo em banho-maria até o 11 de Novembro.

valentina5.jpg Muitos dos “libertadores” sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que estes. Desculpar-se-ão com a guerra. Só que a guerra, que matou tantos e estropiou, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas…

(Continua…) 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:08
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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXVI

ANGOLA DA LUUA XXXVI - TEMPOS PARA ESQUECER – 19.02.2018

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA ... Angola - 43 anos depois da independência. Já ninguém acreditava que era só uma pequena parcela dos nossos militares a dar a mão ao MPLA. Eram todos!

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Doeu, dói, e continuará doendo recordar aqueles dias em que por um longo tempo fomos uns tinhas, uns retornados, uns ranhosos como ouvi dizer a uma senhora da Cruz Vermelha que deveria ter amor ao próximo mas, assim não o era; uma senhora que ali estava numa missão de mostrar solidariedade, um frete só para parecer-se numa dama de alto coturno com ternas maneiras de lidar com o cidadão irmão.

monstro4.jpg Tinham-lhe tirado o sono e, em missão de voluntariado teve o desplante de dizer isto na minha chegada ao Aeroporto da Portela em Agosto de 1975; estamos aqui por causa destes ranhosos, disse! Era essa tal ponte de LuuaLix na guerra do tundamunjila que todos parecem querer esquecer e, porque só teve o mérito de nos tirar do fogo cruzado dos guerrilheiros e fraternas ajudas das NF (Nossas Forças) ao movimento que não nos queria lá, aonde quer que fosse!

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Seria talvez a esposa dum oficial superior e que naquele agora mostrava ao povo de abril o quanto lhe fazia mal aquela ascensão de benesses por via de uma guerra colonial, das muitas comissões ultramarinas que lhe proporcionaram subir na sociedade do M´Puto. Dinheirinho, pois! Mas, muitos mais militares de carreira assim o queriam; as transferências de angolares para escudos faziam-lhe falta.

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Era a compra de mais um andar na zona nobre de Lisboa (Lix), um carro novo de fazer inveja, uma vida muito cheia de pacto com o sistema, mais um talhão de terra para fazer engravidar a usura, a capitalização de valores. Perpetuar as aplicações financeiras por via de uma guerra de kwata-kwata que não desejávamos, que não queríamos! Mas em verdade andávamos distraídos lá na Província Ultramarina de Angola. E, estes dias têm de ser reescritos, revividos porque a história não o dirá deste jeito magoado, sem enaltecer um herói que a existir, só o poderia ser de túji… Inventado!

monstro6.jpg Divagando num após quarenta e três anos, podemos recordar o quanto os americanos queriam apagar com compensação os desaires tidos na derrota do Vietname. Fazendo manobras diplomáticas que só eles sabem fazer na perfeição, queriam garantir o petróleo do golfo de Cabinda. Aquilo para eles era um jogo menor e, pouco importava se o interlocutor era de esquerda ou direita. Haveria que garantir sua altivez na forma de petrodólares, condição necessária de perpetuar no serem os senhores do mundo.

NDOZI.jpg Aqueles, tornaram-se assim, senão aliados, pactuantes com o MPLA abandonando a FNLA mandando até na fase crucial duma possível mudança da guerra, retirar órgãos vitais como sendo as culatras dos potentes obuses que estes tinham posicionado no lugar de Kifangondo. Mas eles, os americanos, já tinham dado ordens para os Sul-Africanos se retirarem em sua campanha de tomar a Luua, a capital do novo estado chamado de Angola.

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Os americanos são efectivamente os piores amigos que se pode ter! Só digo isto por cruzar em triagem tanta manobra que fazem em todo o mundo para perpetuar sua supremacia; aliados com seus primos da Inglaterra, do Canadá, da Austrália e outros de sua comunidade, fazem girar o globo ao seu ritmo. Fazer guerras lá longe, abater quem atrapalhe seus interesses e manter-se na altivez do quero, posso e mando! Um dia isto vai acabar, mas já nem será no meu tempo!

moka23.jpg Pelo petróleo de Cabinda além de abandonarem a FNLA de Mobutu Sesse Seco, deram ordens de retiro à Africa do Sul, abandonaram Savimbi e os portugueses… Bem! Estes, para além de tudo foram moeda de troca a custo zero para o M´Puto. Usaram muito bem seu poderio! Subestimando uns, apadrinhando e chantageando outros, abandonaram-nos com o beneplácito dos novos generais de aviário da onda abrilista e vários políticos.

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No dia sete de Setembro a “Nova Brigada” das FAPLA (Forças Armadas do MPLA chefiada pelo comandante N´Dozi ataca o Caxito, obrigando a FNLA a recuarem no terreno. A Vila do Caxito, torna-se uma cidade como aquelas dos filmes do oeste americano, fantasma! Uns velhos acocorados e acolhidos no antigo quartel das forças portuguesas que também foi do ELNA (Forças militares da FNLA) e que agora era do MPLA; uma doação menor no contexto global.

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As FAPLA tinham atingido os montes dos libongos em quarenta e oito horas. Neste desastre do Caxito pode admirar-se o comandante N´Dozi de óculos escuros, fumando um cachimbo com liamba e levantando as mãos com o sinal de V de victória, assim como uma cena dum filme à americana. A Força Aérea das NT estava senhora da situação pois detectava do ar todos os movimentos na região do Kifangondo registando tudo em fotos tiradas do ar.

mdp01.jpg A Força Aérea Portuguesa tinha vídeos dos avanços e recuos das movimentações do exército da FNLA em terra e, estes dados apareciam nas mãos dos comandantes do MPLA. Os comandos de NT diziam desconhecer esta prática; a ser verdade havia militares do M´Puto infiltrados só para extrair informes cruciais no avanço das batalhas em terra e, no intuito de serem fornecidas ao partido de opção, O MPLA. 

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Já ninguém acreditava que era só uma pequena parcela dos nossos militares a dar a mão ao MPLA. Eram todos! Os simpatizantes pela FNLA ou tutelados como tal eram relegados à não permanência activa das operações sendo muitos enviados para a metrópole. Era o plano estratégico do MFA na entrega incondicional ao MPLA. Quem referir o contrário está a mentir com os dentes todos. Soube-se ser o Brigadeiro Valente o oficial das NT mais colaborante com o MPLA e deduzir-se daqui que a maioria de seus subordinados também o eram.

(Continua…) 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:45
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2018
MISSOSSO – XXIX

T´CHINGANGE NA FICÇÃO DO XANGRILÁ12.02.2018

Não há palavras para vos descrever o que senti quando a assombração se escafedeu feito num nada…

XANGRILA : (Horizonte Perdido), é descrito como um lugar paradisíaco situado nas montanhas do Himalaia, sede de panoramas maravilhosos e onde o tempo parece ter-se detido  ...

 

Por

soba15.jpg T´Chingange (No Nordeste brasileiro)

Acabado de chegar ao Xangrilá de cultura, clima, costumes e principalmente de idioma totalmente diferentes, eu e o Herculano pés-chatos, tivemos necessidade de pedir ao Nosso Senhor uma ajuda suplementar para e a partir do hotel ympaly, encontrarmos o angolano chinocas, Sundinho de nome. Sundinho fazia de agente turístico da Star para levar curiosos a ver os chimpanzés dorso de prata. Deparamo-nos com um grande problema por via da empresa superstar, estar mesmo… em greve. Algo inusitado nestas paragens.

xangrilá0.jpg Este acontecido não estava nos nossos previstos planos e, logo por azar os telefones estavam embrutecidos; quando resolvemos visitar esta terra na encosta do Cú-de-Judas do Xangrilá, não podíamos imaginar que quase ninguém falava outro idioma que não fosse o mandarim. Bom! E, porque nos tinham dito que tomássemos um ónibus a fim de sair no centro, lugar do nosso destino, lá fomos interpretando nossas fantasias até considerarmos que deveria ser ali o centro da City. Foi nesse Ali de pagodes, sinos e penduricalhos que descemos.

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Mas afinal, esse ali ainda não era o que desejávamos! Nossa pretensão era alcançar a bodega, tasca de Severino, propriedade de um brasileiro nordestino que fugido da justiça ali foi parar; ganhou fama vendendo cachaça, caipirinhas pitu com e sem sensação, fazendo coxinhas de peru, galinha e até iguana.

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Este cabra-da-peste já era um empresário de sucesso lá no Sertão do Nordeste mas, desentendido com a justiça por tirar o cabaço a uma donzela, teve de abalar porque, não queria por nada deste mundo ver as estrias do canhangulo do pai dela, jagunço muito afamado pelas honras e ao jeito de lampião. Não queria mesmo ser capado nos seus sentimentos mais aprofundados.

bruno27.jpg Estamos lixados, disse Herculano dos pés-chatos depois de interceptar alguns transeuntes com todos a abanar a cabeça. Definitivamente, não entendiam o branquela quase albino da Bracara Augusta do m´Puto. Ele gesticulava, imitava até o dançar do samba, beber algo na mimica das mãos mas, nada. Sisudos com seus olhos em bico ficavam sem expressão suficiente para esclarecer a dúvida.

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Aqueles zero graus centígrados enregelavam ainda mais nossa vontade de chegar ao calor do boteco. Momentaneamente, recolhemo-nos em um alpendre com o propósito de vislumbrarmos uma saída mais airosa; deveríamos estar perto do Cabra-da-peste mas, talvez recorrêssemos a um polícia. Bom! Faltou-nos aqui, um plano B.

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Afinal para além do Sundinho e do Severino do boteco, mais ninguém falava inglês, muito menos o português. Deram-nos a referência de “Duas Casas”, aliás nos prospectos que tinhamos, havíamos rascunhado em círculos o lugar da bodega do Severino dos Santos; em verdade havia muito mais que duas casas.

nassau3.jpg Recordo agora quando naquele sertão calorento de Juazeiro no lá paratrás do Ceará, ele, o Cabra-da-peste, ter dito que em tempos de guerra urubu era galinha; creio que sempre assim foi com ele. Agora no Sertão de zero graus aquecia os corpos por dentro. Estávamos assim meio dormidos quando Herculano albino me cotocou no braço: temos visita! Era um bêbado malvestido e desleixado com cabelos às trancinhas cebeirentas que se aproximava de nós.

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Deduzimos que talvez viesse da tasca do Severino brasucas pois, notava-se estar bem carregado de pitu! Pode ser que venha da bodega do cangaceiro do Severino; vou perguntar se conhece o tasco que tem um buda do lado esquerdo, o Lampião no centro e Maria Bonita com um fúsil do lado direito. Talvez entenda meus gestos!

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Mas, afinal, Deus Nosso Senhor é grande mesmo! Sem que o chamássemos ele veio de mão estendida. Ohpá…Ora sim! Vem nos pedir uma moeda, uns quantos Yuans; só nos faltava esta! Qual o nosso espanto quando quase em nossa frente ele nos pergunta: May I help you? Eureka!... Com grande contentamento dissemos em uníssono: Yes! Yes!  

pedras001.jpg Obrigado meu tio Nosso Senhor, ouviste-nos! Falei assim mesmo. Foi quando lhe dissemos que procurávamos um boteco assim e assado, com as características já ditas; nem foi necessário acabar a descrição. Vocês seguem por aqui, you go straight on e no terceiro cruzamento viram à direita change right e é só andar, nem duzentos metros. It's there in that place on the right side! De longe vê-se um grande coqueiro em plástico que ele cimentou no passeio, acrescentou!

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É a casa Lampião, disse também, imitando com gestos o chapéu de frontaria achatada e com espelhos na testeira e penduricalhos nas extremidades. Mas que alegria… Comentávamos isto já a caminho do lugar, discutindo até que que deveríamos ter dado mais umas gasosas ao maltrapilho e edecéteras coincidentes.

Roxo155.jpg Como se fora numa premonição, paramos num repente de um invulgar instinto a uns escassos cinquenta metros, olhamos ambos para trás e, nadica de nada. Vimos, nada! O bêbado escafedeu-se, evaporou-se. Só podia ser um anjo, disse eu! Com certeza disse Herculano. Há cada coisa na vida tão verdadeira que até parece mentira! Vou-te-contar!? Contei!

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:17
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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2018
KWANGIADES . XXX

MOKANDA DO ZECA EM MAIUSCULAS - As falas de Zeca – 08.02.2018

Por

zeca00.jpg José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga. Tornou-se ali professor katedrático e agora lecciona no M´Puto quando não fica com o catolotolo…

TONITO (era o meu nome de candengue da Luua)

MAIS UM FANTÁSTICO MISSOSSO TEU....! JURO, JURO QUE DELIREI NAQUELE MAMBO " Já estava farto de usar ceroulas até o pescoço a fim de aguentar o frio do M´Puto,..." SIM KIMA KAMBA MUXIMA, DO FRIO DO M' PUTU DE TER DE ANDAR DE CEROULAS, MEIAS DE LÃ ATÉ AO JOELHO, CAMISOLA INTEROIR LÃ DE MERINO, LUVAS, CASCHECOL... AI-IU-É…

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TUDO, TUDO PARA TIRAR A HUMIDADE DO SALALÉ SECO QUE BERRA POR QUENTURAS E AS TUJE DAS FRIEIRAS DA CUSPIDEIRA FRIA DAS "CALOTES DE CHORO CAIDAS COMO TREPADEIRAS DO ALASCA PARA A KALUNGA" QUE ESTE INVERNO AS KALEMAS ALTAS TROUXERAM PARA A PENINSULA IBÉRICA, PARA A EUROPA, AMÉRICA...

zeca e eu.jpg POR CULPA DO HOMEM KIAVULU VULUKIA VULUVULU CACHIMBO QUE ENVENENA A ANHARA DO NOSSO SENHOR NO ALÉM. OH! SIM, SIM, TU GOSTAS BWÉ DO NU QUENTE DA NATUREZA..., DE MACEIÓ, PAJUÇARA, PALMARES... QUE DIZES SER DE RENOVAÇÃO DE PELE COM ÓLEO DE COCO DO SOL REDENTOR...

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OS BICHOS, AS PLANTAS MEDICINAIS..., TUDO, TUDO, NATUREZA TE CONHECEM E TE CHAMAM O KUUABA N'GANA VATA T`CHINGANGE! SEI QUE DELIRAS, TOPANDO A TEXTURINHA DA BELEZURA NUA NATURAL BATUCANDO DE SALTOS ALTOS NO CALÇADÃO NO CORSO DO CARNAVAL! UÉ!

zeca1.jpg TU PRÓPRIO FIGURANTE DOISIMILDEZOITO VESTIDO DE "CAPATAZ" DE BARRIGA DE JINGUBA DE FORA E DE CHICOTE NA MÃO NO CORSO DE GUAXUMA.... RECORDANDO OS TEMPOS DOS CORONÉIS...

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AMAM'IÉÉÉ´! TUA SORTE MERMÃO DO RIO SECO DA MAIANGA, TU SERES PÁSSARO DE VOO DE MUITOS MUNDOS COMO O KWETZAL.... AGORA, TAMBULA CONTA! UÉ! COMO É? BEIJOADA Á TRANSMONTANA, TRIPAS À MODA DO PORTO, ENSOPADO DE CABRA VELHA, BODE MESMO...A BORDO...!

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UÉ! COMO AGACHAR E APONTAR O TUBO NO MINUSCULO BURACO DE CERTO "ENTUPIÇO" E DE ENGUIÇO BIEN ÉTRE PARA OS ROLLYS ROICE.... NÃO, NÃO, ISSO DUM MUKIFO LOGOLOGO MATACO NO ENCOLHIDO BANCO...

ZECA MAMOEIRO.jpg SIM, SIM, MAS BREVE TERÁS E LOGO AO DESCERES, PISARES A TERRA E SENTIRÁS O CHEIRINHO DO CHURRASCO PITA VIRGEM. MESMO TABAIBO DO MATO NA GRELHA, NO ESPETO PAKASSA TENRA E A PICANHA NA GRELHA A ESTALAR.... OS TEUS CAMINHOS SÃO DE DEAMBULAR FELIZ NA KUKIA DA VIDA QUIÉ SUMAUMA.

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QUE A TUA VIDA DOCE CONSOME, É O TEU PREPARO É O TEU ELIXIR QUE ESMAGAS NO TEU PILÃO E BWÉ CONSOMES..., TAL COMO OS TORRESMOS DA BELA MOPANE.... NESTE TEMPO DE ESTUPOR, TERRA DE “FIADO CIVILIZADO” DE SEM RESPEITO, CURRICULO SUSPEITO … Oh! NGANA NZAMBI! KAPIANGO, PÉS DE PATRANHA, EDIFICAM-SE NOS POLEIROS DE NOSSOS CELEIROS…. E, NÓS SÓ XIMBICANDO N´DONGUS  NAS MULOLAS DO RIO SECO…

KANDANDU - ZECA2018020722H00

As escolhas de

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:16
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Sábado, 27 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CXCII

TEMPOS PARA ESQUECER – 27.01.2018

Já se passaram quase 43 anos depois da independência. Muxoxos de lusofodiaste com fricção dum Monstro Imortal…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Aquele Tenente-Coronel fardado com um pijama às riscas sentado num sofá de orelhas, era preto. Era alto em sua juventude mas agora curvado com o peso da vida e das traquinices tornou-se em um espeto seco, desmilinguido, invulgarmente marreco e bexigoso fruto de tantas ruindades frutificadas na violência da vicissitude da política.

monstro6.jpg Em um momento de lucidez perguntei por seu nome e veio de lá a resposta: Monstro Imortal! Fiquei de boca aberta pois que este figurão tinha sido morto na guerra dos fraccionistas no ano de 1977, ano em que meu pai Manel veio para o M´Puto com uma bala no corpo. Só pode ser um matumbola (morto vivo) pensei cá para mim e até me belisquei para ter a certeza de que isto não era um sonho. Eu sabia bem que João Jacob Caetano, o lendário Monstro Imortal, tinha morrido com um garrote do n´guelelo.

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Isto, há coisas que só acontecem comigo! Constava-se que o tinham cegado mas nada lhe perguntei porque o delírio da velhice pode bem dar para estas divagações; ele via mal, mas via! Sendo assim deixei-o a falar entre dentes; -Aquele cabrão do Pedalé (Pedro Tonha) nem teve coragem para me fazer perguntas. Deixaram-me ali a gemer para um gravador, enquanto apertavam o garrote - Iam e vinham; iam e vinham. Atiraram-me ao mar de um avião mas sobrevivi! Será?

cabo ledo4.jpg A história coincidia com os muxoxos mas aqui no mato, num lugar do cú de Judas da Zâmbia já ninguém lhe dava ouvidos. Todos sabiam que tinha chegado em uma avioneta trazido por um homem loiro, cor de cenoura que pagou a preço d´oiro seu salvamento a um grupo de gente que por ali estava. Talvez uma ONG! Pensei eu.  Deve ter sido salvo por um submarino soviético, só pode! 

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Agora que diz coisa sem coisa, todos os desculpam de coitado, nem sabe o que diz, nem sabe o que fala! Muito cheio de catolotolo a dado momento fica apontando a miragem do mato referindo-se ao porto da Luua; que dinamizava a paralisação dos homens que deveriam fazer estiva, carregar as bikwatas dos colonos brancos e mazombos. E, isto de dinamizar a paralisação é um contra censo mas é mesmo assim, dinamizar o nada-fazer para parar a economia dos brancos.

guerri4.jpgHoje vai haver maka! Repetia a  todo o instante. E, punha-se a rir no canto do beiço contando centenas de mortos e ordens de carrega nos unimogues dos Tugas do MFA - leva na vala. Nosso Coronel, fazemos como com os feridos? - Leva tudo junto e, bota neles cokteil molotov! Ordens são ordens e,  rapidamente dali e acolá saiam frotas de carros goteando sangue nas ruas da Luua.

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E li algures de que «As forças de segurança prenderam muita gente jovem que, na manhã de 27 de Maio de 1977, andava nas ruas de Luanda. Centenas deles foram levados para um Centro de Instrução Revolucionária na Frente Leste e os dirigentes locais assassinaram-nos friamente.» - Nas Faculdades desapareceram cursos inteiros. No Lubango, dirigentes e quadros da juventude foram atados de pés e mãos e atirados do alto da Tundavala.»

guerri6.jpg Você não colabora - vejo-me obrigado a entregá-lo aos militares. «Os detidos passavam para os militares, e para as torturas.» Foi assim mesmo, dizia isto para mim com duas lágrimas estancadas no rosto, que secavam ao vento da chana, uma anhara sem fim. E continuou: - «Presos atirados pelas escadas e, no pátio, espancados só átoa. Berravam e pediam por amor de Deus, não fiz nada. Quase sem vida eram atirados para dentro de viaturas. Até um mercenário norte-americano, lembro bem, comentou: -Vi muita coisa na minha vida mas nunca uma coisa assim.

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«Carlos Jorge, Pitoco e Eduardo Veloso chicoteiam o Costa Martins, batem-lhe com um pau com espigão de ferro, massacram-lhe as costas com correias de uma ventoinha de camião. Ao chicote chamavam Marx e, ao espigão, Lenine. Também o puseram numa sala, junto a uma máquina de choques eléctricos. Só cheirava a carne queimada.» Este Tenente-Coronel estava mesmo nas últimas; nem sei se estes nomes existem mesmo.

monstro1.jpg Junto com o ranho e as excrescências tossicadas pude ver grossas pastas de sangue. Os cuidados esmerados daquele grupo de gente já não alcançariam êxito de vida para aquele imortal. Saí daquele lugar de Chokola num jeep willis até Catima Mulillo aonde apanhei um voo até Lusaka. Ainda estou em crer que aquele velho senhor não era esse tal de Monstro Imortal do MPLA mandado matar por Agostinho Neto. Seja como for, para mim o Tenente-Coronel fardado de pijama às riscas deixou de ser Imortal. Defuntou-se imortalizado…   

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:03
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CXCI

AS RELAÇÕES ANGOLA – PORTUGAL – 24.01.2018

Já se passaram quase 43 anos depois da independência. Muxoxos de lusofodiaste…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Um senhor fardado com um pijama às riscas, sentado num sofá de orelhas olhando para o infinito, babando-se pelo canto esquerdo descaído, insensível ao cérebro abanado por uma trombose. Com a lentidão das coisas graves e titubeadas com muxoxos – Hum, pois, não sabe; a kalashnikov, os turras, a febre do poder… E, eram bolas de trapos, meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme?

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Nesses tempos ainda nem sabíamos que isso era uma liberdade linda! Nem conhecíamos as filosofias do mal… Nos intervalos dos lapsos de memória quase petrificado ele, o velho Tenente-Coronel fala tudo desencontrado no tempo e no espaço; efeitos da Luua no quarto decrescente, penso eu-de-que!

MIRAN1.jpg A juntar pedaços de memória com Pattex de cola pregos, tentando reconstituir acontecimentos escondidos nas costas, enclausuradas… Não perguntava mas queria saber e inventava – Quando que fui Tenente-Coronel… Pois! Queres ver que agora é preciso ser preto para se ser angolano. Tens duvidas ou quê? Nem correndo na diagonal ou vivendo em tecto de zinco, taipa ou de bosta chapada… e, havia uma mistura de coisas com acontecimentos, tudo no mesmo molhe. Ordenei-as como pude!

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Entre a vida e a morte as diferenças estão nos pormenores pois algumas são demasiado trágicas e outras muito, por demais sofríveis… Ele teve a sorte de morrer num ai, repentinamente (falava dum monstro, talvez um tal de imortal do MPLA); nem a viu aparecer, a bala do mona-caxito… Movimentos das FA com seus militares guedelhudos e revolucionários esquerdistas do M´Puto…

jatiu3.jpg A tempestade vingativa dos habitantes da Luua, dos musseques, abateu-se sobre os comerciantes brancos. E foram primeiro os fubeiros, depois os taxistas e a seguir já o eram todos os brancos. Os fubeiros tinham fama de trapaceiros e os taxistas de reaccionários. Entre a vida e morte as diferenças estão nos pormenores, repetiu… Sua cuca estava mesmomesmo pifada mas, eram coisas passadas, reais.

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Quitandeira de filho atados com lenços do Mobutu com quindas cheias de loengos, gajajas ou sape-sape… candengue ranhoso abanado no caminhar, dando cabeçadas na mãe por entorpecimento entre apertos de multidão pra apanhar os chapas (táxis populares da quinhenta) do Zambizanga…. - Pois! Queres ver que agora é preciso ser preto para se ser angolano! Repetia isto a todo o instante como se fizesse funje numa lata de leite Nido nas obras da Brito Godins.

ciga5.jpg Os primeiros foram expulsos dos musseques, à força e com o medo a estalar em fogos de very-lites, arcos-íris de granadas às centenas produzindo efeitos imediatos – É agora ou morres! Pópilas, ou morro ou mato! Mas ali só havia prédios. Creio que estava a ver a avenida Brasil da Luua! E, eram centenas; despojados dos pecúlios foram pedir ao lobo mau das NT – o mesmo que MFA a ajuda que nunca lhes chegou.

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Era a frente para a fuga ao invés da fuga práfrente, algo já estudado pelos frentistas a fim de se efectuar o abandono, uma táctica nunca vista nos anais da lusofonia. Esta tornava-se conhecida aos poucos entre muxoxos de lusofodiaste; uma teoria que funcionou átoa, mas resultou mesmo.…

vazio1.JPG Havia que manipular os espirito inseguros, carregar nos botões certos das almas inocentes, com o fígado incompleto, candengues sem estrutura para os virar monstros desapiedados com o nome de pioneiros… Eram ideias desfibrilhadadas numa antiga dor e creio que se foi no tempo com um sentimento de culpa. Deveria iluminar-nos não é!? Amanhã será outro dia e, foi-se! O Sol não tinha como se abraçar a nós nem podia esperar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018
MALAMBAS CXC

CINZAS DO TEMPO - 19.01.2018
NO TEMPO DAS CARTAS DE CHAMADA PARA A LUUA - ANGOLA DEVE TER SIDO UM SONHO!
- O vapor Mouzinho levou meu pai para Angola; ele levava uma mala caixão de lata com bolinhas verdes e tiras de madeira pregadas com taxas douradas…
MALAMBA: É a palavra.
Por

soba0.jpeg T´Chingange

Há dias e dias! Há dias de um irritado pessimismo e outros de tão naturalmente optimistas que como um carneiro jogamos orgulhos contra obstáculos de repetidas coisas, eternas repetições de males antigos, males de imaginações insatisfeitas, amargas desilusões sem fermento na tristeza. Sem vontade de tormentos, certo! 
O certo é o de que quanto mais se sabe mais se sofre. Há fastio de inteligência! Há tédio! Há vontade de mandar tudo fora e partir vidraças, emudecer brilhos, despedaçar bocejos. Mas, desde quando um carneiro tem orgulho? 

mouzinho1.jpg Tão abarrotado de civilização espreito os meses farejando raças sob o abrigo de suas telhas vãs no calor da lareira, panela atestada de couves tronxas, frigideiras com unto branco de porco, uns chouriços de pendão, panelas tisnadas, trempes de ferro sempre aquecidas entre troncos de oliveira e borralho esparramado:

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Uns traços de números esgravatados na cinza. É meu pai fazendo contas de feira passando os dedos papudos e peludos ora nas frieiras, ora sobre a face pendida, apalpando a testa e aludindo ganhos minguados. Nos fios de gastas crenças, tão corcovado, tão gasto, enrodilhado em suas macias filosofias de mineiro de volfrâmio, lembranças do M´puto, da guerra.

baú3.jpg Embebido, travado e suspirando baixinho, revia sua miúda indecisão de viver recordando-se dum dia. De repente, com um trejeito de esforço endireitou-se emperrado e cresceu! E, falou (é ele a recordar): - Amanhã vou à Companhia Colonial de Navegação inscrever-me! -Vou para Angola! Corria o ano de mil novecentos e troca o passo. E, o tempo passou...

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Falo de meu pai que esgadanhando a vida retirava volfrâmio nos granitos da beira no lugar do Cornelho, freguesia de Rio-de-Loba, terras altas e frias nos arrabaldes de Viseu - terras de Viriato e Sertório...

niassa0.jpg Os gases da segunda guerra ainda lhe amedrontavam os pensamentos. E, até eu sonhei dias depois que ainda pequeno, nos interregnos da brincadeira, guardava as chibitas, cabras que forneciam leite à família com aquele maluco carneiro que se encavalitava para marrar no farrusco, meu cachorro também guardador. Cabrão do animal!

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A Dona Micas barafustava a gritos a cada investida das cabras aos rebentos de suas videiras; eram os meus grandes problemas de vigília com arremesso de pedras e o busca-busca de farrusco. Meus sonhos transladavam-me para as frias terras aonde meu pai em tempos lá no M´Puto disse ter namorado com uma bruxa. Eu até me arrepiava quando falava de lobisomens de um tal de Nesprido... Eu candengue e aquilo a meter medo aos putos, que nem as recentes Urais soviéticas da guerra e, também depois do tundamunjila branco! As guerras aqui ou lá são sempre de kwata-kwata...

baú2.jpg Sentado no muro de pedra solta e no lugar da Maianga da Luua, um dia, vi meu pai seguir na carreira via Cais de Alcântara em Lisboa (de novo aquele sonho duma terra ainda desconhecida); levava uma mala de lata, um caixão de esperança sarapintada de bolinhas verdes sobre um xadrez de riscas pretas reforçada com umas tiras de ripas de madeira pregadas com taxas douradas. 

baú1.jpg O velho vapor de guerra Mouzinho de Albuquerque esperava-o ancorado no rio Tejo. Vendo agora a foto amarelada desse velho barco com meus dedos curtos e papudos, afago a caveira através da face também sarapintada nos anos. Essa mala de bolinhas verdes nunca voltou; lá ficou com outras muitas fotos numa Angola que ele tanto queria. Foi quando decidi ser Niassalês; nascido num barco que agora só é ferrugem...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:14
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXXXV

ANGOLA DA LUUA XXXV - TEMPOS PARA ESQUECER - 12.01.2018  

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA - Os directores da comunicação social, os poetas activistas do MPLA falavam barbaridades contornadas com apelos à paz…

Por    

soba0.jpegT´Chingange - (Otchingandji)

(Continuação da crónica Mokanda do Soba CXXIX – Angola da Luua XXXIV)

Passados que são 42 anos após a descolonização de Angola, ainda anda por aqui e ali gente a dar um encolher de ombros às lembranças de então, uma opção que não posso recriminar porque são penosas e revoltantes. Prometi a mim mesmo não me enganar continuando a ser eu próprio peneirando as opiniões, falando ou gerindo silêncios. Fale como fale, sempre serei uma carta fora do baralho!

ÁFRICA10.jpg Pelo andar da carruagem revejo-me como um elemento da riqueza soberana do M´Puto dando gorduras aos governos do M´Puto para nos poder gerir. O estado vendeu tudo o que dava lucro a empresas de gestão tais como os CTT, a EDP, as comunicações e surgiram os projectos PIN mais os Visa Golden e, não demorara a venderem também as autarquias e Juntas de freguesia. Nada me admirara depois da nossa entrega ao acaso com a entrega ao MPLA de Angola.  

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Recordo que já muito farto de atropelos, inscrevi-me para uma organização em Lisboa, CIME, Comissão Internacional de Migração Europeia e pouco tempo depois fui para a Venezuela de barco aonde me mantive por seis anos. Continuo a ver que os angolanos da nomenclatura, os mesmos que nos escalpelizaram, continuam a engordar-se nos aconchegos das vicissitudes da porca política.

guerra11.jpg Para não me mentir, terei de continuar esta senda por modo a ser no mínimo, ressarcido moralmente dos muitos desmandos, porque outra coisa não posso esperar! Não estou a ver mudanças palpáveis na conduta dos novos governantes porque estes, sobem até atingir sua verdadeira pretensão: Servir-se da máquina estatal para se acomodarem sugando-nos subestimando a vocação em detrimento dum meio de vida - o seu!

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Não tenho devaneios, este arquivo vai ficar morto como coisas do passado!… No já distante ano de 1975 e sequentes da mesma abrilada, pude ver os latifúndios da lezíria e savana alentejana acabarem sendo destelhados tornando-se montes abandonados. Fizeram festas revolucionárias comendo o gado, roubaram portas e janelas e, enquanto deu foram levantando o punho revolucionário da bestialidade.

guerra12.jpg Seus donos não tiveram alternativa e formavam fila a caminho do Brasil. Vasco Gonçalves lançava cravos à multidão; a mesma que nos cuspia no rosto porque nós, os retornados, eramos uns exploradores de negros! Comíamos seus miolos ao pequeno-almoço e das sobras ainda se fazia panados com pezinhos de coentrada como se borregos o fossem. Alguns envergonhados, dizem agora (ano de 2018) que não era assim!

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Isto tem de ser dito para que os angolanos que por lá ficaram na Luua sofrendo, entendam que nossa sobrevivência também o foi, penosa! Depois de termos sido dados como ferro velho ainda nos retiram raspas de ranho ressequido fora da coisa dada, nossa N´Gola. Em Angola, no dia 17 de Setembro de 1975 começa a evacuação de Sá da Bandeira para Luanda. As condições adversas de futuros incertos, com dificuldades de toda a ordem, seriam sentidas no M´Puto sem bombordo. Uma nau à deriva…  

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Podíamos sentir nossos amigos, vizinhos acampados no porto da Luua para fazerem a estiva de seu pecúlio, suas imbambas; as Kalashnikoves continuavam a cantar por todo o lado traduzindo os dias em centenas de mortos, gente presa, fuzilamentos sumários. O MPLA agrupava seus pioneiros para fazer maka aqui e ali. O Poder Popular agrupava seus militantes como carne para canhão sem o saber divertindo-se também como se tratasse de um festival de pirotecnia.

guerra13.jpg Da ilha da Mazenga podia ver-se lá longe as balas tracejantes riscando o dia e a noite com colunas de fumo negro e branco a excitar o medo duns e os corações de outros. Do lado de cá ainda sonhávamos com um “havemos de votar” mas, n imprevisibilidade a lei e a ordem eram uma fantasia escura, a justiça uma anedota trágica de porrada átoa.

guerra20.jpg Os directores da comunicação social, os poetas activistas do MPLA falavam barbaridades contornadas com apelos à paz; com novas rimas, cantavam makas perfilando sua falas com o MFA, libertando o povo com chavões transformando a rádio num grande megafone desordenando as cabeças. No aeroporto o medo cheirava-se com loucos gritos intercalados com silêncios tornando a moralidade numa batata podrida…   

(Continua…)

 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:18
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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2018
KIANDA LII

“O mito dos Santos“ - Trata-se de um conto vulgar com uma notória lacuna: Os Santos nascem brancos!

Por

soba0.jpegT´Chingange

Foi mesmo no prefácio que a vida de Sexta Feira começou a ser utopia! Ele aconteceu vir nuínho da silva, gritar logo sem que ninguém lhe entendesse. O labirinto de suas falas ainda não eram verdadeiras, de nariz achatado e ainda branco, um pouco para o vermelho e, já lhe diziam ser parecido com seu pai, Domingo de nome.

ÁFRICA3.jpg Sua verdadeira mãe ali do lado já era Segunda e, todos juntos eram Santos. Como então? O pai se chamava Domingo dos Santos, sua mãe, Segunda dos Santos e, ele vinha assim mesmo Sexta Feira dos Santos. Nunca que ninguém lhe vou esquecer, que nasceu branco; depois virou preto mesmo!

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Na sua pele enrugada Sexta Feira já arrastava sua missão de vida com dificuldade de premonição quando os olhos dos outros se comoveram feito chuva de Colomboloca e Zenza do Itombe só porque sua cor se tornou mais retinta que a do seu pai Sãotomense. Que assim seu livro de vida mesmo sem prefácio, já era mesmo no gerúndio!

ama3.jpg Ele, Sexta Feira fez assim, assim com sua mão pequena e já sua tia mandava palpite de que você vi ser engenheiro. Como é!? Porquê falas isso, perguntou sua mãe de Segunda Feira dos Santos. Porque sua mão logologo, disse Lurdinha dos Santos na resposta elogiosa: seus traços que viu na ternura e da firmeza de sua mão como no rodar duma chave de busca-pólos.:::::5Sim! Vai ser engenheiro de electricidade e dos petróleos! Afirmou quase peremtóriamente como supra numerária das linhas mestras no futuro do candengue. Tem gente assim, predestinada a grandes falas! O mito é assim mesmo, um nada que é tudo como o sol que abre nos céus.

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Eu, T´Chingange amigo só de vizinho lá no Caputo, fronteira da madame Bergman e Bairro Popular número um, machimbombo numero vintidois da Terra Nova, branco de segunda mesmo, assombrava-me com os compromissos, palavras só faladas para não ficar assim sem compreensão de nada dizer! Entendem? Pópilas, não kopelipem! Tem muita gente assim; fala, fala, mas não diz nada mesmo!

maianga do araujo.jpg Cá para mim, era mesmo uma criança de um indefinido feio, mais parecendo ao Mobutu Sese Seko Kuku Ngbendu Wa Za Banga muito mais ainda que o seu Patrice Okí Assombro Lumumba; ambos do Kongo. O primeiro que foi presidente feito onça comedor de coração de macaco e o segundo que também foi, mas morreu com um tiro nas partes, lá por 1961. Há assombros que batem certo!

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Estava mesmo a ver Sexta Feira correr descalço, pisar nos tabaibos da gente, e ficar assim fulo, mesmo de lixado, e só átoa. Cada um tem seu caminho e não foi em vão que só ainda nem acabou. N´Zambi é que sabe de como fazer, agora só mesmo falar de elogios, dos traços e coisa e tal, da geração e nem sei que mais - está mal!

menino2.jpg Porque às tantas, vai ser presidente, ficar dono do nosso kumbú e, nós aqui olhar o vínculo de suas linhas com palavras sem glossário nem nada. Juro! Foi nesse então que disse: Este caminho de antes que seja, vai ficar muito mais pior e, de Santos mesmo, só o nome se vai salvar. O diabo mesmo é que ele pode vir a ser.

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Depois de muitos anos concretizou-se a profecia. Dos Santos era um filho da mãe Segunda! Como vai então um povo andar práfrente, ir ser assim um Santo que nunca mesmo o foi?! Não foi em vão porque só ainda não aconteceu. Tambulakonta, a história mesmo, é muito mentirosa.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:14
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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2017
PARACUCA . XXIV

MULOLAS DO TEMPO – 29.12.2017 - Mulola é um leito de rio que só o é, quando chove, tal e qual como minha vida verdadeira…

Paracuca: É uma bolacha dura, torrada com açúcar e jinguba…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Passeando meu doutoramento atrofiado, no tempo do M´Puto e pelas calçadas de Coimbra, piso uma titica de cachorro. Pópilas! Disse logologo uma asneira dum tamanho inteiro, desde o presente ao gerúndio, com toda a família até à terceira geração. Logo a seguir vi escrito o bom censo na forma de aviso: seu cão cagou - PF você apanhou! Se fosse camaleão, teria um olho virado para este e o outro para o chão, mas logo isto sucedeu quando lia o partecipamento de alguém falecido de nome Nepomuceno Antunes dos Olivais.

alcaçuz1.jpg E, caía uma chuva miúda e molhada de encafifar doutores, assim para desvanecer-me das vaidades, doutorices empinadas no nariz. Agora cheira isto! Bem feito! Mais à frente e antes de chegar ao Alma Shoping uma pomba esparramada já não mais o era; um qualquer pneu michelim a pisou ficando por ali pronta a ser debicada por um predador, gato ou rato suburbano.

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Também gaviões, corvos ou pardais desavindos dados ao canibalismo. Em verdade nem queria falar disto mas, e porque já está, aqui fica!  Ainda em casa, e ainda sem ver as nuvens do cacimbo-chuvisco por entre as casas, prédios e montes, disseram-me que comprasse no Alma, alcaçuz. Mas que raio é isso? É uma planta, raiz ou chá?

alcaçuz2.jpg Sai de casa com estas indefinidas dúvidas, tendo só entendido ser algo de melhorar o estado fisiológico numa mistura de isto com água fervida. Bom! Aquilo faria bem a qualquer coisa, tratamento de viroses e outras salmoneloses. Como ia eu saber disto com os olhos semicerrados piscando frio e coado nas lembranças de quando ainda era criança e, que só sabia então que a mandioca era boa pra comer.

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Lembrei-me então neste entretanto de quando ainda candengue sem maleitas significativas, tomar rodas amarelas de quinino, beber água da celha com borututu, injecções medonhas de kamoquina ou rezoquina e outras bolungas com óleo de fígado de bacalhau, para não ir cedo pró jardim das tabuletas, diziam os mais-velhos.

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Pois! Ficar assim sempre num corpo magro, alto, um trinca espinhas reco-reco-mamoeiro e sempre calçando sapatos quedes da macambira, ir na escola de bata branco com sacola de ráfia com livros lápis, um caderno de lousa preto para escrever, cuspir e apagar mais uma bola-de-cautchu pra fazer trumunos nos finalmente da escola.

alcaçuz3.jpg Ué- Aiué! Num repentinamente não era mais um kota, encarquilhado, enxovalhado do tempo e metido num kispo tapando as pintalgadelas escuras da pele, mas um candengue de nome Tonito a falar assim, de como então?! Então o quê? Assim mesmo, cruzando as ruas da Luua até chegar na escola Aplicação e Ensaios lá no largo do Dom Afonso Henriques, mesmomesmo em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos.

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Assim feito menino de musseque com aduelas de barril do M´Puto, limpo, arrumadinho e de colarinho ajeitado na hora de berridar práscola zunia na hora do meio-dia voltar na casa da mãe Arminda do Rio Seco da Maianga, pegar depois na linha e anzol comprada no Martins e Almeida, ou talvez no Catonho-Tonho e capiangado da mala de ferramentas de meu pai Manel; depois ir com meus kambas, manos do mar da Samba pra pescar mariquitas, roncadores ou matonas nos anzóis de dois-e-quinhentos angolares.

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Apanhar mabanga, fazer o isco e lançar só átoa no mar da Samba. Ali tem Kixibis, ali talvez peixe pedra ou só mesmo pedra. Sukwama! Pescando da canoa podia ver meu tio Zé no descanso de capataz da fazenda Tentativa sentado num pedaço de barroca; moscas pousando nas pernas e, ele enxotando-as e chamando-lhe nomes feios. Mas depois ficava mesmo só de olhar perdido no mar.

coimbra2.jpg Eu, o miúdo sobrinho, trinca espinhas, reco-reco e alto sentado na canoa a olhar a linha a tremer! E, nada! Não picava. Quando picava, aiué, puxava assim no calmamente pra ele não escapulir-se e… Fugiu! Filho-da-caixa, Sundiameno, tuparioba, e edecéteras; era sempre grande quando fugia, sempre! Nem isca ficava, só mesmo o anzol. Meu tio sempre falava: - Não escondeste o bico do anzol! Olha então! Meu coração me diz que peixe foi matabichar …Vou fazer mais o quê?

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:27
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Terça-feira, 1 de Agosto de 2017
MUJIMBO . CVII
NAS FRINCHAS DO MEU BAÚ . 01.08.2017 - Guetos, somos todos nós, brancos e pretos - José Eduardo dos Santos é um homem banal. Não provoca a ninguém um virar de pescoço quando entra num salão...
Frincha : É a ranhura do tempo...
Por

soba10.jpgT´Chingange

Entre dúvidas escondidas no pormenor de factos conhecidos, dou-me conta que as frinchas, mostram versões velhas a que eu não forço ao pormenor para não suscitar ranhuras com os gigabites alheios, referindo tão-somente o que me parece ter lógica porque, por mais que nos esforcemos, há coisas que sempre ficam na charneira do mujimbo, do boato.

okakau1.jpgAgora que vai haver eleições em Angola, recordo que Jonas Savimbi, sempre recusou o abandono da luta pelo que achava certo, não escolhendo cenários de exílio dourado como outros o fizeram e, foi o único dos líderes angolanos que sempre viveu e lutou no seio de sua terra, sua pátria,digo eu num propósito de dialogar com as duvidas de muitos.

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A ela, Angola, tudo deu sem nada tirar, ao contrário de outros com contas, palácios e mansões no exterior e o desperdício de gastos, assim como a compra de um relógio de 500 mil euros por um filho do Edu, o plenipotenciário presidente. Um filho que só se baba de prepotência sem nunca ter trabalhado em algo visível; que nada fez em prol do povo! Fisicamente Savimbi morreu mas, seu espírito está em toda a parte, mesmo fora de Angola! Alguém em seu nome continuará a ter quem defenda essa cultura, esse povo, essa forma de ser e de estar! Li algures que está enterrado em um humilde cemitério de Luena.

brig4.jpg Um amigo meu do Okavango no seu jeito enigmático de sempre deixa uma prega solta na minha costura frinchada disse: -Ele está vivo! Algures num lugar palaciano e bem protegido; aquilo de sua morte foi uma farsa muito bem engendrada pelas grandes potências. Vejam só o que a mente humana pode arquitectar (penso eu)? O que viram em fotos é uma tramóia muito bem-feita, um sócio de Savimbi e, não é certo saberem aonde ele foi enterrado para evitar um rodopio de peregrinos, disse este meu kamba. Desacreditei disto com um muxoxo fingido de consentimento.

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Não acredito nesta sua versão, disse eu por fim, não tem lógica porque mostraram o corpo dele em várias posições e eu até pude referir em tempos que ele se teria matado pois que na foto de Grande Reportagem do M´Puto podia ver-se um furo em seu queixo do lado direito. Era ele sim! Ele era destro! Rematei em termo definitivo! Meu amigo, deu de ombros assim como dizendo que cada qual ficava com a sua opinião. Não forcei a nota mas, ando matutando em sua fricção; acontece hoje tanta coisa estranha!?

kunene1.jpg As nossas conversas rebrilhando nas águas do Kubango vespertinavam com a kúkia (pôr-do-sol) bem no horizonte angolano e, por detrás de seus brilhos Andamos para trás ou para a frente de forma aleatória e por serem já coisas diluídas nos cacimbos e kiangalas, podemos ornamentar os factos com ausência de espanto; de só mesmo matando o tempo, de só falar ! Recordamos a muita diplomacia lodosa, de quando Jonas Savimbi chamou «garoto» ao então ministro Durão Barroso Esse que esteve no comando da UE.

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Por seu turno, também recordamos quando João Soares, numa entrevista ao semanário Expresso, classificou os dirigentes angolanos como «um bando de cleptócratas»; talvez ele mantenha essa opinião, só que agora com mais fortes razões de o serem! E, as relações escondidas, que o Dr. Soares seu pai já defuntado, manteve confidenciais durante muito tempo, em virtude de «não querer que isso fosse do conhecimento da Internacional Socialista e, onde o movimento da UNITA não era reconhecido».

kunene.jpg Esclarecedor! De quando Mário Soares de visita às Seychelles, em 1995, em conversa informal com os jornalistas, após o jantar, falou de Angola (que visitaria oficialmente no ano seguinte) e sobre os líderes em confronto, emitindo esta opinião: «José Eduardo dos Santos é um homem banal. Não provoca a ninguém um virar de pescoço quando entra num salão. Enquanto que Jonas Savimbi tem uma presença esmagadora! É um verdadeiro líder africano!». Tarde piaste, digo de mim para mim mas, e aqui corroboro com ele! Disse eu ao meu amigo Mac Guiver de faz-de-cota, que me olhou sem espanto!

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Da minha conversa com Mac Guiver, nunca pretendi recolher dados comprometedores com ele e, sempre o vi como um bigfive que nada mais fez do que dar continuidade à sua vida, tal como o fazia na Chibia, do outro lado do Kubango mas, sempre me pareceu ser um profundo conhecedor de todos estes relacionamentos de fronteira.

kunene2.jpg Estava escrito nesta frinchas que a Jamba era o centro nevrálgico alfa no tráfico de marfim, diamantes e madeiras preciosas. Savimbi teve de recorrer a este património mas, o governo mwnagolé da Luua, despilfarrou muito mais em proveito seu, dos filhos e de toda a nomenclatura. Agora, mais kota, recordo que as interrogações ente eu e Mac Guiver faz-de-conta, sucumbiram em sorrisos, um indício de quem sabe, mas desconhece, perpetuando uma amizade de cavandelas...

O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:57
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Domingo, 30 de Julho de 2017
CAFUFUILA . CXXIV

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO – 28.0.2017 - 20ª parte

Kiandas e calungas! De novo em Massangano… O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

De novo em Massangano fui ler os catrapázios guardados numa tão velha arca que, até os aloquetes tiveram de ser arrombados com um improvisado escopro e uma maceta com cabo de pau-ferro. Foi assim que retirei um rolo meio a se desfazer muito atacado de bolor estórico com as pontas quase a se separarem por rachadura. Levei à vontade três dias a aquecer o mukifo tão insalubre; entretanto andei pelo mato à procura das resinas apropriadas para enrijar aquele papel em rolo de laço folgado e a se  desfazer.

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Com muito cuidado lá consegui estirar a folha, entornar nela o verniz ligeiramente aquecido e, com muita sorte vi que o grudar da resina na velha tinta das letras traçadas com pena de pavão, ressaltaram-nas ficando assim quase salientes e de melhor leitura. Como a sombra, a história tem obscuridades e, foi a palavra escrita na parte superior direita que me despertou ainda mais curiosidade: - Dun. Mais abaixo podia ler-se Balthasar Van Dun, oficial da Companhia das Índias Ocidentais Holandesas.

roxo128.jpg Sabe-se da estória que quando o almirante holandês da Companhia das Índias Ocidentais tomou Luanda, os portugueses fugiram todos para Massangano, e por ali permaneceram durante a ocupação, até à chegada do luso-brasileiro Salvador Correia de Sá e Benevides, que reconquistou a Fortaleza de S. Miguel, na baía de Luanda em 1648.

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Vim a saber neste então muito posterior àquela onda do tempo que a construção deste Forte tinha também em vista a defesa das redes comerciais de mercadorias tais como cera, peles, dentes de marfim, pedras preciosas mas, e especialmente da venda de escravos às Américas, e também para segurança do presídio de Massangano, que a monarquia portuguesa utilizava como local de degredo.

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Pois é aqui que situo a minha epopeia neste romance mussendo de três continentes por via de seguir a peugada das kiandas, kwangiades ou calungas Roxo e Oxor de Guaxuma. Pois, em uma outra minha andança ao serviço da rainha de Portugal D. Maria I e, com o cargo de tenente, tive de escoltar uma leva de prisioneiros participantes da chamada Inconfidência Mineira nos fins do século XVIII, um movimento militar no Estado de Minas Gerais do Brasil.

roxo138.jpg As vidas são assim, intemporais e fui no ano de 1790 chamado desde a vila de São Vicente para escoltar presos militares, uns revoltosos capitaneados por Joaquim José da Silva Xavier, conhecido pela alcunha de Tiradentes. Reclamavam contra o pesado pagamento de um tributo em ouro cobrado aos mineiros brasileiros pela coroa portuguesa e, vai daí e para exemplo enforcaram o Alferes por liderar aquela insurreição.

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O curioso disto são os contornos que dão às conjuras para aproveitamento político e, vai daí o pobre alferes viu-se metido em alhadas pelos ideólogos políticos que conjugaram o facto, tal como sendo uma revolta a favor da independência do Estado de Minas Gerais. A tal revolta, quase uma inventação a que chamaram de Inconfidência Mineira. Reinava então a rainha D. Maria I e, ainda estou para saber por que carga de água, fui eu o nomeado para tal tarefa, quando um sargento ou cabo-de-guerra o poderiam fazer sem transtorno algum para a administração.

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A estória tem assim destas nuances, mas vim a saber que diplomaticamente assim fui nomeado para me retirarem do Comando da capitânia de São Vicente. Já naquele tempo havia bufos que enchiam as orelhas às gentes de mais galões e querendo livrar-se de mim, um inveterado rebelde que não via a monarquia com bons olhos, aproveitaram a deixa e lá me mandaram para aquele longínquo presidio às margens do rio Kwanza. Há bens que vêem por males…

maga5.jpg José Alvares Maciel era o nome mais sonante de entre aqueles degredados e com quem ainda mantive alguns contactos. Foi por ele que vim a saber ser esta peripécia urdida pelos políticos; sei que veio mais tarde a ser solto para divagar como pombeiro (vendedor ambulante) nos matos da Matamba e, acabando por morrer lá para os lados de N´Dalatando, deixando uma prole de filhos com o nome de Alvares.

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Outros supostos mentores civis faziam parte do lote que estiveram presos por algum tempo, destacando-se mais tarde como cidadãos de carreira, uns como funcionários do reino e outros como comerciantes. A luta pela independência do Brasil saiu-lhes pelo cano com as estrias invertidas. Eu mais tarde acabei por ficar destacado na Fortaleza de São Miguel chefiando um destacamento policial situado na rua do Casuno bem junto às cubatas do Palácio do Governador Manuel de Almeida e Vasconcelos de Soveral, 1.º Conde da Lapa - Governador e Capitão-General com quem mantive muito boas reacções.

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Foi nesta minha ida para a Fortaleza de São Miguel da cidade de São Paulo de Assunção de Loanda que tive de recolher elementos e documentos em Massangano a fim de para ali os levar e arquivar. Foi neste então que tive de enrijar o papel mofado, o tal que tinha a palavra Dun no lado supra direito. Ali estava descrita a linhagem de Dun em África que vem de Balthasar Van Dun, também conhecido como Van Dunem.

fiume01.jpg Dun foi para África como funcionário da Companhia das índias Ocidentais Holandesas mas tinha uma função dupla, a de militar e a de negociador de escravos com os descendentes de N´Gola Kilwanje. Quis a estória que nessa missão dupla e de também negociador com os portugueses, ficar por ali com uma prole de filhos mazombos mamelucos. Os negócios sempre suplantam as políticas e, eis que eram os próprios portugueses que vendiam escravos a este inimigo holandês de origem, um súbdito de Maurício de Nassau.

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Van Dun teve forçosamente de lidar com o pai da Kianda Roxo, Morgan Tsvangirai pois era ele que cobrava as taxas para o reino através de posturas lançada pelos governadores Pedro César de Meneses, em oposição aos Holandeses e Francisco de Souto-Maior, ambos capitães generais. Como almoxarife de Massangano, tinha a seu cargo o trato comercial e a recolha dum percentual na venda individual ou lotes de peças e, aqui ficavam arquivados os livros em estas malas seladas com lacre e chancela real do M´Puto. Lamentavelmente, todo este material envelhecia sem os necessários resguardos dum bibliotecário.

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Os escravos “peças negras” eram enviados para o Recife, base de Nassau no Brasil. Van Dum era um bom comerciante, sabia como fazer os seus tráficos, tanto com os portugueses como com os Reis e Sobas de Angola. Sua esposa era negra, e era mais racista que ele próprio. Tudo isto me foi confidenciado já nem sei em que circunstâncias, pela Kianda Roxo em plena quiangala. Sei que isto se passou na rua do Casuno, em um terraço cheio de buganvílias rosas; isto, eu lembro! Ainda posso cheirar aquele aroma à mistura com o ar húmido vindo do mar da baia de Loanda à mistura com as muitas flores que ali havia.

MONA1.jpg Ela, a kianda Roxo tinha uma relação próxima com as filhas de Van Dunem; E, nem uma kianda consegue guardar confidências para todo o sempre. E, foi logo a seguir a estes encontros que a mente de Roxo se sumiu gerando um outra versão de calunga escafedendo-se nas brumas de uma outra e mais outra kianda com nova posturas de espirito matumbola, assim como numa metamorfose complicada.

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As Kiandas Roxo e Oxor de agora, andam entre continentes não se recordando da cor de sua casca holográfica naqueles idos tempos de mar muito azul. E, ora são gente de carne e osso e, logologo mudam para uma assombração invisível para todos, menos para mim; mas, só após introduzir uma palavra secreta e uma reza curta perante N´Zambi, o mago dos magos. Recordo que já nesse longínquo ano, eu e ela víamos as implicações éticas que este fenómeno tem naturalmente, o de ter em conta que a escravatura não começou com a chegada dos Europeus a África.

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A Rainha N´Zinga, com o nome cristianizado de Dona Ana se Sousa “N´Gola”, seu título real em quimbundo, dominou a região conhecida hoje por Angola. Para além de ser considerada a primeira nacionalista de Angola, foi também a sua primeira grande colonizadora pois que  durante o seu reinado anexou outros reinos e territórios, submetendo e escravizando seus súbditos, vendendo-os aos portugueses e Mafulos que os levavam para o Brasil.

nzi1.jpg Por isso dizer-se que a escravidão, sob formas diversas, já existia nas tribos locais. Com um copo de gim e água tónica no lugar do Gato Preto de Rio Maior, a 27 de Maio de 2017, pude recordar aqueles longínquos dias e, de novo falar em sonhos ao som de merengues kizombados com terna amizade. E, curiosamente nem se falou nessa “Gloriosa Família” do tempo dos flamengos e, que deu ao M´Puto a primeiríssima ministra de pele morena, de um preto menos preto. A nossa Ministra da Justiça! Vejam só como a estória dá voltas…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:49
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Domingo, 16 de Julho de 2017
MUKANDA DA LUUA. XLVII

BOA NOITE...16.07.2017- LAMENTO DE UMA AMIGA QUE MORA EM LUANDA... MERECE SER LIDO ... Parte 3 de 3

roxomania1.jpgAs escolhas de Assunção Roxo

Por: Isabel Batista

(…) Na Luua – Os Tugas de novo se vão? Sei lá…mas vão - Já vimos esse filme antes. As casas restaurantes e lojas vazias. …A periferia de Luanda que está acordando entretanto de um pesadelo no entanto, hoje fala-se muito mais do que anos atrás. Há a radio, a televisão, a internet mais o Google! O povo, o candongueiro opinam: -A vida pulula cedo na luta pela vida, 150 Kwanzas para ir e por vezes nenhum para voltar!

zé peixe9.jpg Tá duro, mas vamos de caxexe, devagar; o trânsito começa às cinco, gente a bulir, a acreditar sem alternativa. Ajudar e partilhar! Verbos renovados, sem ninguém a nos perguntar o que achamos de nós mesmos? Não contamos, não servimos! Não prestamos mais aqui, mas o que faço do “olhar” de minha mãe na senda dos 90…O que faço disto?

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O que faço dos amigos que na rua conheci meninos, hoje homens feitos! E, o Pedrito cheirando gasolina em frasco escondido em cartuxo sebento… Outros cheirando fumo de bateria na praia, sem irem nunca ao mar porque vieram do Huambo na altura do bilo a serio, por aí… Fora os outros que já se foram.

socie4.jpg Menti-lhes quando conversávamos sentados no chão, no Kinaxixi comigo a dizer: quando fores grande tudo vai ser diferente! E, está a ser sim, para o que faço de meus discursos incendiados “lá fora” quando me associam a assuntos de que não tenho conhecimentos. O coração a bater, a bater, tentar entender, perceber e fazer perceber, apelar para aquilo que não tem apelo…

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Tudo isto e quando a vergonha alheia afinal também está no pacote de nossos pertences, já gastos; sei onde nasci! Minha família de 5 gerações! Sim! Mas há parentes que não nos pertencem! Família da maka, nossa bandeira que já foi festa de carnaval gweta. Atentos esperançados e curiosos com o futuro que se quer ser melhor que os passados. Também mais consideração mais respeito pelo que abdicamos.

luanda6.jpg Todos os livros e discos e filmes que passaram ao largo, os amigos de longe e família arco-íris; cafés e bibliotecas que já tivemos, livrarias e galerias de arte que o mundo aconteceu. Como nós nos sujeitámos no analítico com paralítico? A água e a luz que falham num aguenta isso, enche a banheira? E aí firmes sem esquindivas com as questões, inventando, criatividade de bué.

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Na musica, na arte, na vida., na panela, no transporte, firmes frouxos, levando e levados no enfim com jinguba ou mandioca. Faca na garganta! Injustiça vadia sempre com as mulheres na frente! No garante lá de casa, deitar, fechar pernas, abrir pernas, fumar vaidades e silêncios; muitos silêncios. Mas a cidade! Ué. É um atentado, uma vergonha o não conseguirmos explicar direito a quem nos pergunta: mas porquê?

koisan5.jpg Tu que vives e estás aí sem entender, com teus bebés e família mais papagaio e sempre um porquê no consciente? Sou educada ya!? Respondo: - Eu queria saber; só sinto! Aqui dizem quando se vai menos bem de saúde. Pois ”sinto o corpo” assim falido; é isso, sinto-o no coração que bate e pula. E o coração, quando se está bem…não se sente. oh!!!!!!!... já vou longa...perdão.

Isabel Batista

t´chingange.jpegNota de T´Chingange: As alegações da teoria pseudo-científica são de que a Luua da Terra pode ter sido colonizada por uma nave alienígena. Os agora matrindindis surgiram antes dos Pulas e Tugas do M´Puto; tinham capacete e suas sementes trazidas do espaço deram um fenomeno chamados de baobás extra de paragordos.  Só muito recentemente passaram a ser de imbondeiros! Eles, os imbondeiros choram agora de tristeza de raizes no ar porque os Tugas  conhecedores das honabilidades ferteis, perderam-se num labirinto de dá-cá-o-meu  a que chamam de gasosa. Os mwangolés sugadores, feitos gente num repente começaram a surgir de olhos bicudos para os lados, uma  tecnologica anatomica  prepotentemente superior.  

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:56
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Sexta-feira, 30 de Junho de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXVIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 30.06.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXIII. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Os heróis de tuji afectos ao MPLA também deram à sola – dissimulados, claro! Faziam falta no IARN….

Por     

t´chingange.jpeg T´Chingange - (Otchingandji)

Naquele então, na segunda metade do ano de 1975, Gonçalves Ribeiro, o pai da “ponte Luualix” fazia alarde ao mundo da periclitante situação em retirar todos os deslocados por via da descolonização, entenda-se uma anárquica guerra com vários intervenientes, movimentos emancipalistas impreparados para se governarem a si próprios. Ainda faltava ir buscar algumas pessoas a áreas aonde não havia qualquer segurança (…). Confirmo que assim era porque estando eu destacado como adido no Palácio do Governo da Cidade Alta da Luua, podia vivificar o que por ali se passava.

cabo ledo4.jpg Tinha por missão dar a conhecer a gente deslocada de seus sítios tais como Administradores, Chefes de Posto entre outros funcionários que fugidos dos movimentos, mais propriamente do MPLA se encontravam confinados em hotéis, pensões e afins. Via telefone dava-lhes a conhecer qual a sua hora de embarque na ponte “Luualix”; para ultimarem sua presença no aeroporto ou esperar transporte ido do Palácio que os levaria ao aeroporto de Craveiro Lopes, também conhecido por Belas.

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Alguns daqueles funcionários administrativos por estarem escondidos, por assim dizer, em casas de familiares eram recolhidos por um autocarro do Alto Comissariado que os transportava ao dito aeroporto. Havia promessas de morte, vinganças avulsas. Já neste início de Agosto podia ver-se milhares de famílias pernoitando de qualquer jeito junto aos seus haveres no largo frontal da zona do check-in e jardins do aeroporto, malas, caixotes e bugigangas. Ali permaneciam dia e noite cobertos com lonas presas a caixotes usando como banheiro áreas improvisadas ou as bissapas circundantes; o cheiro era nauseabundo.

araujo95.jpg Em meados de Outubro, o terminal aéreo de Nova Lisboa (Huambo) encerrava, e Luanda passou a receber entre quinze a vinte aviões por dia. Os meios aéreos para fazer chegar a Luanda os refugiados do Lobito, Benguela e Moçâmedes, sendo insuficientes, o Comando Naval arranjou meios marítimos para fazer chegar a Luanda os cerca de 250 mil cidadãos brancos (maioritariamente) mas, tendo também milhares de mestiços e negros; enfim! Seguiam todos aqueles que o desejassem!

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Na vinda ou ida dos refugiados de um para outro lado (como kissondes) mas e, principalmente para os lugares de embarque da Luua, praticamente não havia triagem; não havia tempo para decidir de quem estava ou não nas condições de perseguido, refugiado ou o que quer que fosse. Não importava ser-se quem era e de onde vinha ou do porquê de estar ali. Era tudo ao monte e seja o que Deus quiser, aos magotes com o natural berreiro e choros de adultos e crianças, ordens e contra ordens desencontradas ou nem tanto.

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Cães, gatos e outros animais de estimação foram largados ao descaso! É confrangedor só de pensar em estas turbas de gente que às pressas colocaram umas peças de roupa, uns agasalhos, umas fotos de recordação e aí vão ao encontro dum desconhecido maior que o mundo. E, as despedidas de gente serviçal ou amiga, até mesmo um vizinho que por ali iam ficando; toma lá a chave do meu carro, da minha casa, cuida do gado meu amigo porque não sei quando voltarei nem se volte. Olha pelo meu cão, a aspirina mais o tarzan que ficam presos lá junto ao gerador e perto do galinheiro.

guerra13.jpg Era um Adeus dado aos trambolhões às coisas, ao motor da GMC a fazer de gerador, dos gansos guardadores mais o pavão. Ele, Deus, era só uma questão de fé interior, a vontade de querer e acreditar mas Ele, não surgiu a muitos; a lei da vida e da morte era um traço disforme, desfeito em cotão a confirmar que só somos enquanto somos, uma ilusão! Desde sempre e, que me lembre de ser gente, observei que as leis foram inventadas pelos fortes para dominarem os fracos que são muito mais; mas aqui não havia fracos ou fortes, só deprimidos…

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Sempre observei amizades incipientes desde o tempo em que os cuspidores de prata eram usuais e era admissível ou sem reparo; cuspir-se em público era feio e anti-higiénico mas agora e ali nem escarradores havia, era no barrento da terra, nosso infortúnio; cada qual cuspia para onde quer que fosse. E entre estes, surgiam os rufias catadores de desaconchegos, gente do MPLA usando prepotência com um extremo desprezo, pedindo relógios ou valores para ficar sem dissabores nesta hora de partir; uma forma de pressionar o medo ou resquícios deste.

zeka15.jpg Havia uma restea de ordem por alguns militares, Nossas Tropas mais conscientes! Valha-nos isso porque nem todos viam este desmando na forma do PREC, dos guedelhudos do M´Puto às ordens do diabo. As leis, as atitudes, o MFA, nossos patrícios do M´Puto, os generais de aviário, mesmo que absurdas, tornavam o impossível em admissível e hoje que penso muito e rezo pouco recordo isto, procedimentos sem que ninguém averiguasse as diferenças aturdidos por pudor. Pudor, palavra complicada de entender - qual pudor qual quê!?

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Nesse então, nós gente desavinda, podíamos ver já a força da crise com roubos subtraídos pela lei dos homens, pelas nossos guardiões militares com seus amigos, nossos inimigos – o MPLA, sem lei - nem velha nem nova ou tampouco ordinária ou arbitrária, nenhuma! Um salve-se quem puder! Era um acaso feito lei ali e a frio, ora marcial ora uma prepotente aberração feita de coisa feito gente, drogados no cérebro, nas kinambas ou nas matubas…

nito01.jpeg E, muitos daqueles ali ao nosso lado a fugir do caos, tinham estado dias ou meses antes, também a fiscalizar nossas bagagens, a escolher os cristais, a parti-los num desdém e isto sim e isto não; Este ouro é nosso, do governo! Mas qual governo - do MPLA diziam… sim! Ao serviço do por eles chamado de glorioso MPLA… Agora, eram camuflados companheiros de viagem, de infortúnio e, já ninguém queria retaliar o que quer que fosse; uma entrega sem jeito nas mãos dum Nosso Senhor…

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:19
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Domingo, 18 de Junho de 2017
MOKANDA DA LUUA . XLVI

BOA NOITE  COM LAMENTO ...18.06.2017

DE UMA AMIGA QUE MORA EM LUANDA ATÉ HOJE ....Merece ser lido .... Parte 2 de 3

roxomania1.jpgAs escolhas de Assunção Roxo

Por: Isabel Batista

Roxo155.jpg(…) Na Luua abriram-se crateras, subiram-se muros, impediram caminhos, taparam passagens, puseram taipais e tapumes, placas e mais placas com nomes de empresas de que nunca tínhamos ouvido falar! Surgiram coisas com pompa, gala e circunstancia! Xééé! Muitas festas…“Rebentaram” com o pelourinho, a Mutamba ficou nua, raivosa e perigosa, cheia de mazelas…dando muita pena! Escangalhada mesmo!

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Estrupada em desvario como cegos de sofrimento. E, vieram paletes de portugueses com bom tintol e chouriço do M´Puto entre outros desconhecidos povos. Pessoas magoadas…que magoam outras pessoas, feridas, ulcerosas como o diabo feito gente circulando pela cidade com os intestinos no colo e gritando coisas antigas de “a luta continua”.

roxo154.jpg Um tal de Kifafaz, vestido de suas próprias vísceras lançava urros…assim falou um repórter na Radio Nacional da Luua. Assim também vai luanda- desventrada! Ela que era uma “senhora” do Atlântico sul, linda ao lado de suas parentes mais próxima do Brasil ou na Souht Africa, à mercê de tantíssimo desamor e violência na praça pública.

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Luua desamada na terra e nas praias, andrajosa, destratada. À nossa frente. O património "público" com dono descaradamente “ocupado”. Atitudes de desafiar os limites de civilismo; de mãos e pés atados, desperdiçando alguma da educação recebida em escolas publicas, porque era isso normal.

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Ser-se civilizado e educado, tratado aos pontapés, gente desclassificada a nos fazer perder a lucidez. E, o termos de nos agarrar a camisolas com figuras, perfiz de gente que já ninguém queria vestir. Mas, seria bom parecer-se! Ideias e ideais passando de moda, porque nunca o foram de verdadeiras.

roxo152.jpg Nesta sala de amputações a frio, a cidade deixou-se ficar nuns cotos disformes. Luanda onde se brincou, se cresceu, estudou, namorou, farrou e, o depois que virou num amanhã que guerreou e se defuntou perenamente . Mas, são nossas makas, nossas picadas e nossas antigas esquinas buriladas no desassossego, nossas intimas memórias.

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Nossos assuntos, bocados nossos e, uma violação tremenda no acordar de manhã amputada de mais um naco que era minha pertença; que foi de meus pais, de meus avós, de meus bisavôs e trisavós, desde sempre… Assim a frio tirar-nos o que nos resta…. Num estado de torpor, assim ficamos entregues ao destino dum quanto baste …bwé de gente a bazar práqui práli e pró M´Puto.

ada0.jpg Triste, triste, triste. Bwé de gente dinovo a querer ir sem poder voltar; de armas e bagagens, amigos jurássicos de sempre. E, também gente que nasceu e aqui ficou até ontem ou mesmo hoje, esperando uma ultima hora e aguentar aguentado “todas” as traquinices revolucionárias e outras indefinidas! Num virar de costas com choros molhados e cumbú malé…  

(Continua 3 de 3…)

Ilustrações de Assunção Roxo

Composição com arranjo de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:08
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Quarta-feira, 14 de Junho de 2017
MOKANDA DA LUUA XLV

A CHUVA E O BOM TEMPO - BOA NOITE...14.06.2017

NÃO POSSO DEIXAR DE PARTILHAR NESTE KIMBO BLOGUE ESTE LAMENTO SENTIDO ALGUEM QUE VIVE EM LUANDA ATÉ HOJE .... MERECE SER LIDO .... Parte 1 de 2

roxomania2.jpgAs escolhas de Assunção Roxo

Por: Isabel Batista

lua3.jpeg "E, é tanto o descaso o desamor o desrespeito, que está valendo cuspir no chão do luxo, fazer xixi à vontade x….Comer mal e pagar bem, delapidar, destruir, fazer “sumir” o que era nosso garbo. Sempre fomos vaidosos. é uma “ doença” antiga kaluanda kkk. E quando se quer safar a “onça” lá vem a baía de LUANDA em todo o seu esplendor…ela que já foi das mais perfeitas do mundo (dizem), mas agora …

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Agora anda suja e com um colar de brilhantes de mentira no colo “doído”, quando podia ser de um de diamante. Dos de verdade! Quando as máquinas avassaladoras surgiram, roubando o mar… Vomitando tecnologia de ponta em tudo… Não houve sequer tempo - "Abraçamos" a ideia de restaurar! Fazer melhor. Nos tempos "áureos das vacas gordas” faziam-se prédios avulsos; a granel. Luanda acordava e adormecia cada dia diferente e nós, Atónitos.

roxo60.jpg Afinal???? As obras eram em ritmo avassalador, surgiram os primeiros anúncios luminosos no Natal... e, tal... Madrugadas e madrugadas de material em desfile na velhinha marginal com equipamento vário (já havia assisto a madrugadas inteiras de equipamento de guerra em outros tempos…até um Mig embrulhado em plástico…em plena Mutamba) mas dizia-me: Pedras gigantescas, colunas de alumínio do tamanho de túneis e carris e perfis, desfiles de aço em toda a sua magnidade.

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Muito aço! Máquinas com aspecto tipo “espacial” por entre turbinas do tamanho de três andares. Até caixas altamente incrementadas e sofisticadas com rótulos em várias línguas; etiquetas de atenção frágil!!!!!! fazendo deixar adivinhar o que de precioso vinha lá dentro.

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Cimento em cubos e enorrrrmes brancos. Como torrões de açúcar. E um orgulho bweeé grande. Um país a acontecer a meus pés. Uma privilegiada com estes milhões, poucos que somos para tanto mar e tanta terra e tanto ar! kkk. empregos bweeé. Meses e meses de madrugadas inteiras com reboques e camiões cromados com guinchos. Até arvores…pela calada da noite, embrulhadas como se fossem raminhos de salsa em camiões.

roxo61.jpg Aiueeé! E guindastes mais tractores e paletes de paletes e paletes de todo o tipo de barcos e carros. Desfile felídeo! Um agito, os primeiros chinocas a se manifestarem. Era engraçado; não se deixavam e chegavam ao que queriam comendo ginguba com mandioca. Ai não! Kkk Discretos ainda. Cheios de “sabedoria” e, lépidos.

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A construção de um País. Singular com singularidade - poder participar, ver…é um acto! Nunca esquecerei. Uma coisa desmedida…mas, mas … Era demasiado. Era o canto do cisne que engolimos…e depois dos cisnes engolindo sapos.

ROXO134.jpg Para escorregarem melhor, com muito betão, muito vidro. Vidro fumado para tapar a “tropicalidade” de um sol invejável que enfeita qualquer capa de revista de turismo a bordo…de qualquer avião. Voávamos sim! E vieram as manias e truques importadas engalanando uma festa que se fazia anunciar sem acontecer.

lua7.jpg E inventaram de acabar com as rugas desta cidade… Em intervenções cirúrgicas que não funcionaram. Parques homéricos no lugar de jardins. Árvores monumentais, magistrais, seculares foram fora. Os bairros deixaram de ter clubes e, os campos de jogo, viraram outro “game”, novo jogo.

(Continua…)

Ilustrações de Assunção Roxo

Arranjo de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 04:29
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Sábado, 13 de Maio de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXXIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 13.05.2017 - ANGOLA DA LUUA XXXI. NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75…

Por     

t´chingange 0.jpg T´Chingange - (Otchingandji)

(…) Eu estive com muitos desses tais “angolanos de gema” nos Adidos e na Cova da Moura que amavam Angola, terra de que nunca sairiam, blá-blá-blá. Esses mesmos que faziam rusgas e revistavam nossas bagagens quando daquela confusão de fugir, de sair de qualquer maneira daquela terra, gente que cantava o MPLA da vitória ou morte, gente que se dizia vanguardista. Enfim! Eles tinham essa ilusão e, assim vendiam seus préstimos como urubus ao serviço do MPLA atrapalhando ainda mais o desespero entranhado em muitos de nós.

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Muitos destes, ainda andam por aí, como reformados, retorcendo suas consciências porque afinal cometeram um injusto procedimento! Estes, traíram-se a si mesmos! Outros voltaram à sua querida Angola, sua tão apregoada terra de que eu, tanto gosto; a maioria regressou de novo ao M´Puto acabando por dizer que não encoberto num sim frustrado! Afinal aquela terra já só era deles, dos pretos! Falo assim porque senti na pele o tratamento rancoroso, eu que brincava com eles pelos musseques, que também eram meus, pensava assim mas só isso; coisas do pensamento! A estória estará sempre muito repleta deste tipo de gente que se vende por três tostões.

moka31.jpg E, Portugal, o tal de M´Puto, acabaria por dar guarida a carrascos e fujões (desculpem-me a expressão) que de forma enrolada, misturada se foi acomodando aqui e ali, salvando os hotéis e concebendo arranjinhos de safadeza, explorando os refugiados, ditos retornados como eu. No aeroporto as senhoras prestimosas das Caritas e Cruz vermelha (não todas, felizmente), iam despejando desaforos como muxoxos soprados subtilmente ou não: “Só nos faltavam estes ranhosos”. Eramos nós, despidos de preceitos, ouvindo calados o desaforo de irmãos, de patrícios, de gente com nosso sangue! Isso doeu muito! Só não se lembra disto quem não quer lembrar!

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Os heróis de tuji foram-se misturando com os demais, as estórias sucediam-se engravidadas de medalhas, gente que revistou, impediu, prendeu, gente que pintou e bordou a manta em acontecimentos tristes! A 17 de Agosto, Lúcio Lara, um mulato raivoso do MPLA solicitava ao embaixador Russo em Brazaville o envio de peritos soviéticos Para o Estado-maior das FAPLA em Lunda. E, afirmou nesse então: O Comando do MPLA necessita de conselheiros qualificados em questões de estratégia militar.

moka32.jpg Não lhes chegavam os altos mandatários portugueses e cubanos! É que no dia 18 de Agosto de 75, coisa bem concertada, Rosa Coutinho, chega a Cuba tendo dado garantias e sua palavra que era tal e de tanta força que… Que não seriam colocados entraves à entrada de militares, oficiais cubanos. E, assim foi! Logo no dia 21 de Agosto daquele ano, somente dois dias depois daquelas afirmações, desembarcou em Luanda uma Missão Militar Cubana (MMCA – Missão militar Cubana - Angola). E, surgiram os CIR (Centro de Instrução Revolucionária) em todos os lugares já sob controlo do MPLA.

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Esses lugares podem enumerar-se como sendo: Cabinda, Benguela, Henrique de Carvalho, e N´Dalatando. Foi garantido por Cuba na pessoa do oficial Humberto Arguelles que antes de Novembro (1975), os recrutas estariam prontos para combater. Ainda Leonel Cardoso não tinha chegado a Luanda na qualidade de Alto-Comissário e já os membros do MMCA tinham começado a chegar – finais de Agosto e início de Setembro de 1975.

moka33.jpg A infelicidade de tudo isto é a de que os “genuínos angolanos” como eles diziam e dizem, gente do MPLA, foram e ainda o são, uns refinados mentirosos, astutos, traiçoeiros e ladinos em toda a linha. Enfim, cazucutas! A 19 de Agosto e em vistas de uma proclamação unilateral de independência por parte do MPLA, a UNITA e FNLA, já congeminavam em conversações mais ou menos secretas, também e em seguida, proclamar a independência nas suas zonas de influência.

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A 22 de Agosto de 1975, Portugal suspende a vigência do Acordo de Alvor sem o denunciar. A 25 de Agosto a posição do MPLA é cada vez mais forte; com um grande contingente de homens, armas soviéticas e portuguesas e um melhor comando operacional com assessores cubanos e sempre os disfarçados portugueses, que sem querer, iam querendo, traindo-se entre eles.

moka34.jpg Os portugueses encontram-se agora em um dilema impossível porque já não tinham tropas suficientes nem vontade de lutar; tinha-se assim esgotado a estratégia de dialogar entre os Movimentos. Já ninguém confiava em ninguém! Entretanto, a ponte “LUALIX “ ia-se fazendo aos tropeções, caixotes e imbambas amontoados nos quintais esperando transporte. Durante as noites só se ouvia o matraquear de martelos fazendo caixotes mas, também rajadas um pouco por todo o lado nos bairros da Luua. Os Tugas brancos eram já coisa moribunda, cada um por si pregava seus caixões com recuerdos e tralha mais fotos a enviar para o Cais de Sodré. O cheiro da traição era doloroso e tinha agora sonoridade em toque de dó, sem rê nem mi e sol intervalado com tiros e rebentamentos…

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Neste entretanto, em terras ribatejanas via pela TV o esbracejar do louco primeiro ministro português Vasco Gonçalves, ora espumando ora lançando cravos ao povo; o desentendimento entre os quarteis eram mais que muitos entre guedelhudos revolucionários feitos à pressa e às ordens de oficiais bandalhos, cagões generais de aviário da qual só saiam disparates. Os mais sóbrios estavam a dar-se conta dos erros cometidos. Isso de dar jinguba a macacos sem os ter enjaulados, levantava celeumas.; tarde piaram!

moka38.jpg O conselho dos assessores portugueses, segundo um relatório oficial, o MPLA deveria usar uma estratégia discreta no uso de navios que transportavam suas armas, seus carros de combate, tanques e canhões sem recuo. Por via deste arranjo, não se poderia imaginar tanta petulância e arrogância dos mwangolés mijando nos seus parceiros tugas disfarçados de Ché Guerra (só para a foto). E, também uma desfaçatez no sequente trato dado aos Tugas portando-se como uns refinados mentirosos. Agora tudo surgia com suavidade falaciosa. Em finais de Agosto de 75 a nova Brigada das FAPLA comandada por N´Dozi, treinada na URSS, recebia dez blindados BRDD-2, morteiros d 82 mm, pistolas e baterias antiaéreas.

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Tudo aquilo foi descarregado a 75 Km de Luanda por um navio soviético. Leonel Cardoso é por fim nomeado Alto-Comissário como Almirante, junto com o Comandante-Chefe adjunto General Heitor Almendra. Para Savimbi firmar trégua com Neto, seria necessário o MPLA evacuar todas as zonas de influência dos outros dois Movimentos e que Luanda fosse declarada “zona neutra”, o que nunca viria a acontecer.

moka37.jpgNo M´Puto a crise político-militar arrasta-se perigosamente (vozes comunistas). Existe o perigo real de um avanço reaccionário e da formação de um governo de direita que, no imediato ou a médio prazo, irá pôr em causa as liberdades e as outras conquistas fundamentais da revolução, como as nacionalizações e a reforma agrária... O embaixador dos EUA em Lisboa, Frank Carlucci, faz uma viagem pelo norte do país, que se prolonga em mais dias visitando Porto, Braga, Viseu, Vila Real, Chaves, Viana do Castelo. Que andaria ele a fazer?

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As coisas iam mudar! Os americanos metiam o bedelho decidindo novas trajectórias. Nós, retornados estávamos a ser moeda de troca. Frank Carlucci manteve conversações com os governadores civis de Viseu, Vila Real e Chaves e com os bispos de Viseu, Vila Real e o representante do Arcebispo de Braga. Carlucci estava em todas as frentes… O PPD revelava-se numa directa responsabilidade nas violações da ordem democrática imposta pelo CR-MFA de mãos dadas com os comunistas. A provocação surgia na forma de violentos conflitos de rua, assaltos a instituições, embaixadas, e outros aparelhos de Estado.  

moka22.jpg O Estado estava periclitante! As comissões de trabalhador mais sindicatos levantavam seus punhos decidindo tudo de braço no ar! E, eu aqui no meio disto olhando, ouvindo, vociferando silêncio, com vontade de fugir sem saber para onde! Parecia estar-se à beira de uma guerra civil; havia movimentos de tanques para Tancos. As máquinas de guerra rolavam pela minha rua perto do rio Almonda. Seu barulho ecoava nos aposentos vazios de minha casa, despida de património; despida de haveres. O eco era O PPD fazia esforços para conduzir a tentação de confrontos armados entre militares, para tapar o caminho à guerra civil...Assim parecia ser!

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:32
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Sexta-feira, 5 de Maio de 2017
MALAMBAS CLXX

DEUS É SOCIALISTA - TAMBULAKONTA05-05-2017 - Adão, lá no paraíso, comeu a maçã da árvore da tentação; Eva deu-lhe a maçã, o fruto proibido do jardim celestial e, desse pecado original, ficou-lhe um caroço no pescoço que o distingue da mulher na sua anatómica forma…

MALAMBA: É a palavra.

t´chingange.jpegAs escolhas de T´Chingange

Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; o ontem fica cada vez mais distante e, o que então era proibido, hoje já o não é mais.

Por

maga1.jpg Luís Magalhães

Os militares Angolanos (pretos) que fizeram parte das Forças Armadas Portuguesas, foram Homens exemplares de lealdade e bravura, cuja camaradagem e exemplo Pátrio foi um exemplo. E não é que finda a guerra colonial, muitos deles continuam esquecidos! Portugal abandonou-os á sua sorte e, muitos acabaram fuzilados pelos novos governos. Foi mesmo um crime de lesa Pátria o que os "progressistas" fizeram e, como tal, todos os governantes deveriam ser responsáveis pelos crimes cometidos em prol de uma filosofia de entreguismo.

baú3.jpg Conheci o aspirante Faria no ano de 1975 em Luanda por intermédio do meu irmão mais velho que na altura era alferes. Faria, era um filósofo de ponta e aquilo eram umas ideias de tal modo acutilantes que eu em verdade, tenho que dizer que naquela minha onda dos vinte anos gostei de ouvir.

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E lá fomos até ao Bar "A Nau" que ficava perto da Maianga, beber umas Cubas Livres. Ele, já com o grão na asa, disse entre outras coisas, que era branco de segunda pois tinha nascido em Angola; também se considerava um Fernando Pessoa Angolano - uma afirmação que me divertiu imenso! Perante o meu ar aboamado, Faria disse-me naquele ar alucinado de quem vai fazer uma revelação terrível…

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Tens dúvidas Magalhães? -Imagina tu que uma vez levei uma “porrada” porque disse ao meu superior que era um católico ferrenho; que a maioria das pessoas que se diziam crentes, só o dizia porque tinham receio daquele Deus muito poderoso. De tudo ficavam assustados pelo castigo que daí podia advir. Sempre eram desvios do caminho do Deus! No fundo, tinham dúvidas - tão próprias do ser Humano? E Faria continuou: -Do meu modo, da minha sabatina, referi que Deus era Socialista e como tal, todos eram filhos de Deus (os negros incluídos).

nasc2.jpg Pois perante isto, diz Faria, levantaram-me um auto onde fiquei preso durante cinco dias. Passados uns tempos fui a Malange, onde deparei com o túmulo do Zé do Telhado, uma personagem com quem me identifiquei ao saber que tinha sido deportado para Angola. Tudo muito semelhante aos colonos que saídos de Lisboa desperdiçaram a juventude para combater no lugar dum caraças; para mim eram situações semelhantes!

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Eu ouvia tudo isto maravilhado e, a dada altura diz-me ele assim: -Podes não acreditar mas eu sinto-me um autêntico Fernando Pessoa; custa-me ver que as pessoas foram na conversa de "Portugal um só Povo e uma só nação". Pelo que tenho visto não vai ficar em Angola um único branco para contar como foi! Perante o meu assombro ele replicou: -Os brancos vão ser todos corridos daqui! Eles criaram as suas raízes e pensaram que iam ficar, mas Angola não comporta essa lengalenga de que há espaço para todos! Isso e pura ficção! E não é que a Profecia do Aspirante Faria se cumpriu!

preto0.jpg Depois disto tudo ouviu-se uma exclamação do salão. Era José Matias inflamado de quase injúria - Deus nunca foi nem é socialista, na certeza porém tudo o que acaba de descrever sobre essa guerra e o êxodo dos brancos foi pela vontade de Deus que tudo aconteceu. Me lembro que éramos ignorantes na totalidade quanto aos desígnios de Deus, nem sequer sabíamos que Ele tem o controlo de todas as nações. Vivíamos despreocupados enquanto na retaguarda se formava uma traição jamais vista, ainda assim Deus teve misericórdia de muitos, lhes poupando a vida, para contar como tudo aconteceu.

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E, José Matias continua: -Agora, temos o bonito cenário da maior desgraça de quem engendrou todas estas trapaças, um povo morrendo a fome e doenças, e prisioneiro dos seus próprios irmãos, quanto aos que formaram essa desgraça no lado de cima, não lhes gabo a sorte. E, eis que profetiza assim: -Grandes confrontos se aproximam, estes étnicos, por toda a Europa, aponte para não se esquecer, pois é isso que esses políticos corruptos intentam em seus corações desfeitos pela maldade, cujas mentes por demais cauterização e os ouvidos tapados ao clamor das pedras que clamam noite e dia. Um abraço. Depois faz um insólito pedido: - veja se descobre o paradeiro do T´Chingange que se silenciou com suas estórias?

maga5.jpg E, eis que do espaço astral, saindo do buraco da minhoca surge essa figura referida, o T´Chingange. Aqui estou! Eu na primeiríssima pessoa: -Qual quê meu amigo José Matias!... Só estive em meditação forçada por imposição dum pacote espacial… Mas quanto ao texto do Luís, acho que Cristo foi comunista na verdadeira palavra! Agora essa de dizeres que Deus tinha planeado isso tudo m Angola, vai catar pulgas!… Disse! (Tinha outro jeito?). Do ponto de vista material, terra à terra o homem vive iludido! A verdadeira sabedoria deve estar isolada do corpo. Só assim se pode ver com os olhos do espírito... E, como veio, assim mesmo escafedeu-se feito dimensão ultrapassada!

zulu2.jpg Foi então que de novo e indignado, surgiu o quase apóstolo Matias raivoso: - Comunista?! Estás passado, isso foi dos ares do Brasil, do contacto com os Tapajós que te contaminou naquelas paragens em que misturam tudo, política com religião. Estás confuso meu amigo, estás perdido num labirinto de mentiras que te vai levar a um beco sem saída, estão aproximados na maçonaria. Parece que a tua meditação mudou os teus neurónios. Disseste entretanto bem que a sabedoria deve estar isolada da carne, só que isso é uma frase aprendida na letra que leste algures num almanaque… Mas tu que é matumbo militante, sem entendimento, cais sem discernimento quanto dizes que Cristo era comuna!

Os itens 7,8,9 e 10 não são da minha autoria!

Eles que são brancos que se entendam…

Luís Magalhães in kizomba



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:25
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