Terça-feira, 31 de Março de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CVI

PNEUMONICA – GRIPE  DE 1918 -  H1N1

Hoje vou vacinar-me contra a INFLUENZA30.03.2020

Peste pneumónica - Doença provocada pela bactéria Yersinia pestis - Peste pulmonar…

Dados científicos do Google

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro em confinamento social…

pneum1.jpg COVID 19 - Não é esta a primeira vez que o mundo é assolado por uma pandemia! Recordo meus pais falarem das muitas mortes que sucediam na aldeia da Beira Alta de Portugal. Os recursos e conhecimentos não eram os que hoje, felizmente, temos. É natural que andemos com medo para não dizer aterrorizados mas, teremos de colocar o cérebro a trabalhar na forma mais optimizada sem nos deixamos escorregar para uma paranóia incontrolável. Como já disse por várias vezes, não podemos morrer de véspera! Calma! Temos de nos entreajudar…

Para manter o ânimo naqueles difíceis anos da Primeira Guerra Mundial, os censores minimizaram os primeiros relatos de doenças e sua mortalidade na Alemanha, Reino Unido, França e Estados Unidos. Os artigos eram livres para relatar os efeitos da pandemia na Espanha, que se manteve neutra, como a grave enfermidade que acometeu o rei Afonso XIII.Tais artigos criaram a falsa impressão que a Espanha estava sendo especialmente atingida. Consequentemente, a pandemia tornou-se conhecida como "gripe espanhola”.

COV1.jpg Os dados históricos e epidemiológicos são inadequados para identificar com segurança a origem geográfica da pandemia, com diferentes pontos de vista sobre sua origem. Hoje muito se fala sobre o inicio da CORONAVIRÚS como sendo na CHINA no mês de Setembro de 2018; muito mais se dirá trazendo à tona acusações por via da politica introduzida por Mao Tsé-Tung; politica essa que levou o país a passar muita fome e, consequentemente levarem o povo Chinês a ter hábitos alimentares nada convencionais e condenáveis pelo mundo Ocidental.

Eles, por via da fome, foram obrigados a comer morcegos, cobras, lagartos e até ratos muito portadores de vírus. Nesses tempos que perduraram aos dias de hoje, lá na China, tudo o que mexe é comível; não há uma certificação fitossanitária para respaldar a postura costumeira dum povo que para além do mais, alguns dizem também terem hábitos antropofágicos. Nunca eu enveredei por esta via embora tenha recebido dezenas de fotos com corpos humanos a serem esquartejados.

pneum2.jpg Dizem alguns serem estes surtos fruto de experiências laboratoriais colocando o Ébola junto de outras epidemias zonais e também aqui, não descarto que assim seja - sim! Provavelmente algo fugiu do controlo dos muitos laboratórios civis e militares, muitas conjecturas decerto sairiam de nossas mentes trazendo à baila guerras biológicas -  O certo é que eu, não acredito nos homens – mais, não tenho o direito de o dizer porque, também estamos muito cheios de teorias de conspiração e ….  

Sempre descartei isto como inverossímil mas, o certo é de que vi em muitas fotos de recente data, comerem carne humana assada numa qualquer grelha como quem come costeletas de boi; não quero acreditar, simplesmente! Houve alegações de que a pandemia designada de GRIPE se originou nos Estados Unidos. O historiador Alfred W. Crosby afirmou em 2003 que a gripe se originou no Kansas, e o popular autor John Barry descreveu o Condado de Haskell, Kansas, como o ponto de origem em um artigo em 2004. Também foi declarado pelo historiador Santiago Mata em 2017 que, no final de 1917, já havia uma primeira onda da epidemia em pelo menos 14 campos militares dos Estados Unidos.

pneum3.jpg Um estudo de 2018 com lâminas de tecido e relatórios médicos liderado pelo professor de biologia evolutiva Michael Worobey encontrou evidências contrárias à hipótese da doença se ter originado no Kansas, pois os casos no local eram mais leves e ocorreram menos mortes em comparação com a situação na cidade de Nova Iorque no mesmo período. O estudo encontrou evidências através de análises filogenéticas de que o vírus provavelmente tinha uma origem norte-americana, embora não fosse conclusivo. Ademais, as glicoproteínas da hemaglutinina do vírus sugerem que isso ocorreu muito antes de 1918 e outros estudos sugerem que o rearranjo do vírus H1N1 provavelmente ocorreu em ou por volta de 1915.

A gripe espanhola, também conhecida como gripe de 1918, foi uma pandemia do vírus influenza incomummente mortal. De Janeiro de 1918 a Dezembro de 1920, infectou 500 milhões de pessoas, cerca de um quarto da população mundial na época. Estima-se que o número de mortos esteja entre 17 milhões a 50 milhões, e possivelmente até 100 milhões, tornando-a uma das epidemias mais mortais da história da humanidade. A gripe espanhola foi a primeira de duas pandemias causadas pelo influenzavirus H1N1, sendo a segunda ocorrida em 2009, bem em nossa actualidade.

A maioria dos surtos de gripe mata desproporcionalmente os mais jovens e os mais velhos, com uma taxa de sobrevivência mais alta entre os dois, mas a pandemia de “gripe espanhola” resultou em uma taxa de mortalidade acima do esperado para adultos jovens. Os cientistas ofereceram várias explicações possíveis para esta alta taxa de mortalidade. Algumas análises mostraram que o vírus foi particularmente mortal por desencadear uma tempestade de citosinas, que destrói o sistema imunológico mais forte de adultos jovens.

pneum4.jpg Por outro lado, uma análise de 2007 de revistas médicas do período da pandemia descobriu que a infecção viral não era mais agressiva que as estirpes anteriores de influenza. Em vez disso, asseveraram que a desnutrição, falta de higiene e os acampamentos médicos e hospitais superlotados promoveram uma superinfecção bacteriana, responsável pela alta mortalidade.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:05
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Domingo, 29 de Março de 2020
MOKANDA DO BRASIL . XII

ANDO ENKAFIFADO – 29.03.2020

“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra (malamba) foi feita para se dizer”.

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro - No confinamento social

Com adendas de Jorge Serrão

palops01.jpg  A lembrança da vida da gente se guarda em baús da memória com trechos diversificados, cada um com seu signo e sentimento que nem sempre, uns e outros, se misturam. Por isso contar seguido num rumo alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância num vivimento que eu tive de real, de forte alegria ou grande pesar. Cadavez daquele hoje, noto que eu era como se fosse diferente  pessoa e, no continuar do vivimento senti e sinto até crescer minhas unhas, minha pestanas, minhas rugas. Tudo assim como num jogo de velho baralho, verte e reverte na vida que me desperta sem esperar troco.

palops1.jpg Lá fora o espaço está tão calado na rua da guerra que até se sente o demónio num sussurro de meia-noite, com as horas revogando-se do mesmo jeito, redemoinhando o ar cheirando minha catinga de como se fosse um olongo ou kudu, empoçado para se caçado! Uau! Não me perguntem nada porque a nada sei responder no troco da minha boleia dum deo-gratias! Estou contando assim porque é meu jeito de falar; no meio do redemunho…

O coronavírus trouxe algo muito mais tenebroso para a vida das pessoas (a imprensa parece morbidamente torcer para aumentar). O suposto combate à doença abriu espaço para que em todo o mundo, promovessem abusos de poder contra a democracia ou a liberdade individual. Além do trauma pelas vidas perdidas, esta será a grande sequela da crise pós-COVID-19. Ela, a crise é complexa, feia e assustadora. Não há soluções prontas, padronizadas, para situações tão diferentes em cada nação do planeta Terra.

palops2.jpg O mais espantoso, em vários países, é o aumento da “Estadodependência”. As imposições colectivistas – essência dos sistemas socialistas e regimes autoritários - ganham forçam sobre o legítimo poder e a liberdade do indivíduo. Perdemos, não se sabe por quanto tempo ou se para sempre a simples capacidade de apertar mão, abraçar e beijar as pessoas. O isolamento social foi a principal arma adoptada, padronizada na maioria dos países.

Alguns lugares pegaram mais pesado e adoptaram o “lockdown”. Acontece que a essência humana não suporta viver isolada por tanto tempo. Além disso, as condições de subdesenvolvimento em alguns países, com miséria, pobreza, falta de educação e ausência de hábitos de higiene, agravam o risco do cidadão. Só que o coronavírus é tão cruel que atingiu, em cheio, o rico primeiro mundo. Devemos encarar mais uma semana com cidades paradas por causa do “inimigo invisível”.

A maioria das pessoas já não tolera mais ficar em regime de confinamento domiciliar ou isolamento obsequioso. Para além do mais, algumas famílias, vivem o dilema da sobrevivência. Quem consegue suportar a virose também precisa ganhar dinheiro. Profissionais liberais e prestadores de serviços serão obrigados a fazer milagres. Sorte de quem pode encarar o homem-office. E, quem está no desemprego ou impedido de trabalhar? São muitas perguntas sem resposta plausível!

palops3.png  “Em algum momento alguém tem de tomar uma decisão e dizer: é por aqui, e vamos executar”. Normalmente, em situação de crise, existe um padrão de gestão que define claramente responsabilidades, o desenho de uma estratégia, planeamento com execução com acções, monitoramento dos eventos e, comunicação com a nação. “Isso precisa ocorrer urgentemente” aqui aonde me encontro – Brasil ou, um qualquer outro país de nossas afinidades culturais. Será necessária uma urgente reinvenção das pessoas, dos processos produtivos, legislativos, políticos e económicos. O mundo terá de rever a postura diante dos idosos e doentes crónicos (alvos preferenciais do coronavírus). Tragédia como esta não tem explicação em tempos de suposta paz. Imagine-se então um caos destes em uma guerra? O coronavírus deixou a elite globalista bestificada. E, forçosamente necessitam manter o optimismo agindo com realismo!

Aqui, Brasil, o Congresso Nacional está acuado em meio a esta crise. É o momento da sociedade organizada em entidades e movimentos aumentar a pressão pelas reformas administrativas, tributárias e a própria política. Lembremos de Winston Churchill: “Um optimista vê uma oportunidade em cada calamidade. Um pessimista vê uma calamidade em cada oportunidade”. Aproveitemos a oportunidade a favor das mudanças estruturais, seja no Brasil, seja em Portugal ou Angola ou qualquer outro país  dos PALOPS, dos CPLP…

araujo1.jpg Haja em cada um destes países, sabedoria, força psicológica, inteligência, coragem, paciência e tolerância... Intuição? A quarentena irá mais longe do que parece... Março que termina, Abril e Maio que serão difíceis. Aqui, vem o Outono, com pouca chuva, humidade relativa do ar baixa, muita alergia, junto com influenza, dengue e afins e, claro, coronavírus.

Lá terei de me ir vacinar contra todas essas pragas para me prorrogar num se Deus o quiser - deo-gratias! Que os infectados, quase todos – possam sobreviver... Mais uma previsão, quase certa? Os Estados-“Ladrões”, todos sem excepção (brasileiro, português, angolano, guineense, moçambicano entre os demais) não irão socorrer todos... Esqueça! Então, quem não for agarrado pelo chinavírus corre risco de ter a vida ameaçada pelo caos económico. É difícil decidir. Venho por este meio requerer..."deo gratias"…

O Sob T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:27
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Sexta-feira, 27 de Março de 2020
KWANGIADES . XXXII

MOKANDA DO ZECA  - As falas do baú de Zeca – 27.03.2020

FALAS BONITAS AI.U.É…. Crónica 3008

Por

zeca1.jpg José Santos - O Senhor do Koilo - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga. Tornou-se ali professor katedrático e agora lecciona no M´Puto quando não fica com o catolotolo… Kwangiades: - são as musas, kiandas ou kalungas do Kwanza

kimbo 0.jpg As escolhas de T´Chingange ... No Nordeste brasileiro - (TONITO era seu nome de candengue da Luua)

Só mesmo nós no catravês do ximbico da Luua…

lua1.jpeg Tu mereces TOTEM..., teres todos na tua volta...! Pessoa Igual sabido neste minha vida de Lellu de bué de salalé..., num conheço pessoa de igualmente igual..., dos teu predicados, que cheira a katinga de África, que a deixa ficar, diz é Amuleto.., de T'Chingange! Tu és espécie de chão de poeira em extinção pelo avanço do alcatrão do Mundele de expropriação de exploração..., dos mano dos licenciado.

Alembamento kiavuluvulu cumbu!!! Tu és pessoa do fantástico..., que N' Zambi na tua koka bem Sabe o que as tuas fala, fala mesmo, que são as fala de ÁFRICA, que bué acredito que também te protege, que quando tem O Cambotermo te quer fazer mal, Ele bota Grito de protecção..., num precisa não, desse tocos dos musculus de elevação nos ramos do Imbondeiro...! Sim, te protege, desde esses tempo dos Pés Descalço, que avilo Kandengue coleccionava na sombra da Mulemba, santinhos e beijava crucifico de verdade...!!! Uaué!

lua7.jpg Tambula conta! Ele ficava do mais O Mufulame yê!!! Amam'ééé! O que tu divulgas nas tua malamba no teu jeito único de Rio Grande de nado de teu MUXIMA e igual ao meu..., que bué mazé é abraço.., .e, é laço de capim do nosso kuuaba Rio Seco N´denge Yetu, do território sagrado do Poço da Mayanga do Rey..., e de Vata de beija mão.., do kapiango do N`zimbu... úi.

Para comprar lancha de bordão para ir nas Kilumba..., do afamado bairro da kazukuta do Rio Seco..., da Praia do Bispo, Samba, Mussulu, Xicala, Ilha da Cazanga..., também dos cheiro dos mamilo da kianda dos baixinho de celha morninha (Baía)..., de bué pirão, torresmo de Jacaré do Panguila, também dos tuqueia mais do t´chissipa..., de Mopane dos Herero, de estufado do peixinho dos mais saboroso de África, os Cacussu..., uau!

arau162.jpg Do Mu Ukulu de lagoa de manos que de único matumbo jeito, os acariciava..,. tratava os mona espelho..., para não os perder, antes nos deixar no bandozinho crescer em liberdade de água do mais saudável, a água do Bengo de então..., nos dizer dos nome cientifico dos Mundele biológico do kalunga..., o tratar no saudável.., pópilas mano!

Num ter nunca o extinção pelo tuji do aspirador..., de não ser levado para as celha de cimento dos moderno criação atoa de jimbolo com os fermento, os glúten, os sacarose, pastilha nos bué rápido crescer engordar barrinha de escamas fraquinhas, barbatanas-guiador, e barbatanas leme..., Ai.iu.é, mesmo…

luua10.jpg Ser feliz fazer os seus filhos na sua kubata de folhas de chá Príncipe do fundão que vai buscar no parar a respiração e trazer na kapanga da barbatana peitoral... PARA TI, QUE MUITO TE ADMIRO E QUE MAIS VIDA EM DIANTE O N´ZAMBI NO SEU OLHADO DO KOIILO TÃO BEM TE PROTEGE!  ZECA2020030123H50 NA MINHA KUBATA

GLOSSÁRIO:

Luua - Luanda (diminutivo em gíria) Mocanda - carta;  Mu Ukulu - Do antigamente; Atu/mutu - pessoas/a; Axiluanda - antigos pescadores de Loanda; Berridavam - fugiam; Dilulu - de sabor amargo; Kalunga - mar; Kapiango – roubo; Kianda - sereia; Kituku - mistério; Kúkia – sol (nascente); N´dandu – parente; N´dongu - canoa; N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Malembelembe - muito devagar, com cautela; Trumunu - jogo de bola de trapos; Undenge ami um moamba - minha infância de moamba; Uuabuama - maravilhoso Kuatiça o ngoma! – Toquem os tambores… Totem - monumento; Lellu – de cigano; katinga- suor, transpiração; Mundele, T´Chindele – branco; tuji – merda, excremento; Alembamento – casamento; kiavuluvulu – muito, por demais; ávilo – amigo;  Kandengue – jovem, rapaz, pivete; Uaué!- Admiração; Tambula – atenção, ficar atento; Mufulame yê!!! Amam'ééé! – coisas do catolotolo; kuuaba – adorável; capiango - roubo; N`zimbu – Buzio, dinheiro; Vata – chefe, grande m´fumo; Kilunda – lugar; Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, mentiroso, faz manigância; kianda – Sereia; jimbolo – bolo com farinha de mandioca; Kubata – casa de taipa; Kapanga –protecção; Koilo - Céu



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:33
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Sexta-feira, 20 de Março de 2020
MUJIMBO . CXV

MEDITAÇÕES DO T'CHING... Crónica nº 3007

Dia do PAI - Um nisquinho de vida num amorfo, fósforo...19.03.2020

O nascimento, é um perfume finíssimo mas, o da morte é um talvez de cheiro, mistura da arruda com xá caxinde...

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro (de quarentena)

favela1.jpg Aqui, no Brasil, na TV, só falam em usar o gel e lavar as mãos várias vezes ao dia. E, como é isso possível se a maior parte do bairro encavalitado no morro, comunidades de ruas em que só passam duas pessoas, que nem água tem! E, o gel que também é caro!

No “espaço da família” recente, na maternidade, reuniam-se alguns avôs, titios e titias, um ou outro priminho ou irmãozinho e alguns amigos. Laptops e celulares estão a postos, pois a instituição do bem-querer disponibiliza a transmissão em tempo real daquele momento glorioso: o do nascimento!

favelas9.jpg No instante em que o bebé chora pela primeira vez, viverá o ritual na passagem das mãos do médico para o colo da mãe, do pai e da enfermeira. Hoje dia do PAI, não pode ser assim; o chinavírus não permite isto!

Nestes dias, neste agora, nesta realidade, tudo tem de mudar até um vindouro dia destes, dominados num entretanto de incerteza. Até já ando com palitos nos bolsos para tocar nos botões do elevador porque o gel, ou não há, ou ficou super caro! Depois, queimo o suposto maldito na ponta vermelha! O amorfo, fosforo...

favela2.jpg Estamos numa protecção de transmissão imperfeita e, isto de usar amorfos para contornar o invisível capeta, o chifrudo, não é de uma tecnologia perfeita mas, em verdade, é de ponta!

Isto não estava nos cálculos de ninguém nem tão pouco nos de Costa com Mário Centeno e seu superavit do M Puto, nos de Trump, de Bolsonaro ou do João Lourenço. O Mundo é agora uma ervilha sem curas transgénicas. Quando todos perceberam esta nova realidade já tudo acontecia...e todos, pouco puderam adiantar - Uma grande frustração!

favelas8.jpg Favela - África do Sul

Deste modo, a vibração e a alegria tão intensa dum nascimento, ficam incontidas perante as novas realidades, tornando-nos incontornáveis nos esforços de preservar a vida por mais tempo; de só mais um nisquinho!

Ao nascermos, não tínhamos ideia dos erros e acertos, desafios e conquistas que experimentaríamos nesta vida. Ainda nem eramos gente, note-se! Contudo, ao trilharmos o caminho da maturidade, eles, os erros, apareceram... E, foram muitos!

favela3.jpg E, aí tivemos que fazer escolhas, tomar decisões cuja influência perdurou depois de atravessarmos o oceano da existência para chegarmos à praia do descanso. Muitos passam pela vida e deixam um rastro luminoso de influência positiva; outros nem tanto.

No entanto, há aqueles que tendo sido normalmente celebrados no nascimento, passada a natural comoção do seu desaparecimento, as lembranças de uma vida pontilhada de más escolhas, retornam ao lugar em que sempre estiveram - todos somos uma imagem…

favela4.jpg No mais certo, pessoas, não discursarão em nosso funeral, um qualquer, pois que é perigoso; porém o mais eloquente discurso será feito por nós mesmos, paradoxalmente, no silêncio de nosso sono...

O tema deste discurso será a lembrança que as pessoas alimentam na mente delas sobre o que revelamos em nosso modo de viver. Uns dirão para terem uma Feliz quinta-feira na presença de Deus outras estarão com o capeta chifrudo... NÓS, EM DADO MOMENTO, SOMOS FÓSFOROS...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:03
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Quinta-feira, 19 de Março de 2020
MOKANDA DO SOBA . CLII

A mente humana é demasiado periclitante… Crónica nº 3006

- Não vale a pena morrer de véspera… – 18.03.2020

Por

tonito16.jpg T´Chingange - (Otchingandji) No Nordeste brasileiro

fuga1.jpg Recordando-me quarenta e cinco anos atrás com uma pequena mala na mão com os meus documentos pessoais, alguns escudos angolanos, dinheiro de tugi mais a guia passada pela comissão organizadora de repatriação, uns quantos calções de zuarte, camisas e a família dita nuclear: Mãe, pai e dois filhos na flor da idade. Eramos quatro! Tudo o mais ficou lá nos caixotes que nunca chegaram. Deram-me 5.000$00 de borla, sem quererem receber o dinheiro macaco, angolares que para nada serviram; nem para limpar o fiofó!

Nunca esquecerei os primeiros dias após a chegada ao M´Puto, ano de 1975. Nem as noites, nem os dias seguintes, porque ainda hoje sinto a dormência pela forma fria como fomos recebidos. Tínhamo-nos só a nós, sem saber como seguir em frente - só havia incertezas. Os governantes omitiam-nos e até a própria família do M´Puto nos tratava com indiferença; preferiam andar ao peito com uma tal de Catarina Eufémia, coisa pouca mas, que tocou fundo!

fuga10.jpg Sem aquele calor próprio, inerente sentia-me displicente - ficou-me no corpo e na mente; gente do nosso sangue. Nessa altura não havia terapias de acompanhamento com psicólogos. Os sociólogos comentavam de longe com medo de se tropeçarem nas palavras… Uma Tristeza! E, muitos se foram, feridos, sangrados, percebendo que a estrada não é, nunca foi uma linha recta serena e aberta como pensávamos. Gosto muito das pessoas com quem privo, dos amigos, suponho que tenho muitos, mas isso sou eu a supor.

Neste momento eles, os amigos, encontram-se nas quatro partidas do mundo e detêm na ponta do dedo uma luzinha, quiçá feitos num ET que se assomam à vida e ao coração de cada um na forma digital. Já falei um coxito meus caros, gente do face que nem nunca senti seu bafo a não ser nossas semelhanças de vidas. Senti e sinto! Não excluo ninguém, mas não tenho já espaço e memória, a partir deste meu ximbeco do Nordeste brasileiro, para citar a todos. Não quero nunca é que se desentusiasmem da vida, desconsigam de analisar, sorrindo pela esperança, a sagrada esperança que é a vida.

Fiz batota, botei pontos e baralhei-me na sagrada esperança! É difícil entender esta gente inteligente e num mesmo dum ái, nem sei se tudo é sagrado e se há esperança. A Bolsa desaba... O Dólar sobe... Retalhista esperto, ganha...Chinocas mente rindo. Minoritário bobinho perde... Coronavírus deita e rola na carona (boleia…) ... A cada dia infecta e mata mais gente. Quem não está em pânico, no mínimo, anda preocupado.

negro3.jpg A economia mundial foi quem primeiro entrou em quarentena. Desconfio que fizeram batota - alguém fez!... Depois nós, quarentamo-nos… Está, estamos contagiados pela incerteza. O Presidente Donald Trump já admitiu que os EUA podem entrar em recessão. The cow is going to the swamp? Parece que sim... E agora? O preocupante para nós dos PALOPS é que o Brasil tal como Portugal entra em um perigoso e inconveniente ritmo de parada, paragem mesmo!

Cancelaram meu vôo da TAP, amanhã é outro dia… Valha-me meu tio Nosso Senhor que tinha olho azul e também era carpinteiro chamado de José Loureiro. Este meu tio fazia pistolas tipo canhângulo e em madeira para brincar com os sobrinhos… Será que os idiotas da elite política e económica não perceberam que o modelo “capimunista” tupiniquim ou tipo Zé do Telhado se esgotou, com ou sem crise de coronavírus?

angola6.jpeg Se as imprescindíveis reformas na estrutura estatal não forem feitas o mais depressa possível, vamos afundar, ainda mais, em um processo autofágico, autodestrutivo. Lá e cá tal como cá e lá, cumcamano! A situação é insustentável. A guerra de todos contra todos é apenas o começo do terror psicossocial. Aqui, Brasil, os deputados e senadores já avisaram que não vão ao plenário diante da ameaça do Coronavírus.

Eles têm o apoio integral – e conveniente de Rodrigo Maia e David Alcolumbre. Merda para isto, andam a brincar com o povo, Noé? Nada mais “conveniente” em um momento de guerra entre Executivo e Legislativo (ou vice-versa). Tudo adequado para parlamentares muito bem remunerados que não queriam trabalhar muito, no qual a prioridade é ficar nas bases, e não em Brasília. Creio que no M´Puto a Assembleia Nacional de Lisboa vai andar balançando-se nos dias com o Presidente baralhado por sua máquina de selfies que já não poder laborar.

guerra1.jpg O mais assustador e intrigante é que os principais “líderes” mundiais não conseguem, até agora, apontar soluções sincronizadas para tantos problemas derivados do chinavírus, mas que, na verdade, são falhas económicas que estavam aí na prateleira, só aguardando alguma tragédia imprevisível para eclodir. Pois desaconteceu acontecendo! Até agora, os governantes e a midia foram excelentes em produzir pânico, histeria e insegurança. Meto num só saco o aqui e o ali – Brasile Portugal mas coma a balança a descair, e muito para o dito primeiro mundo- O M´Puto.

Como se diz aqui, estou de saco cheio do noticiário ao qual sou obrigado a assistir por dever clausto mas, concordo que instruam, que informem, que forneçam água a quem não tem! E, são tantos mas tantos que nem dá para perder a conta…Esqueçam! Escrever sobre esta crise é mais de álcool-gel. As paralisações são péssimas para todos. Até agora, fica claro que o falatório, as “fake news” e o clima de pessimismo com histeria nada resolvem.

guerra13.jpg Vamos ver até que ponto as pessoas aguentarão o esquema de “confinamento” em casa, sem convivência com grupos de amigos. Não pode dar beijo, não pode abraçar, não pode dar aperto de mão... Isto contraria nossas culturas milenares... Ainda não sabemos como, mas é necessário levantar a cabeça e seguir em frente, com ou sem mascara. Não vale a pena morrer de véspera. Optimismo realista, sem babaquice, nunca foi tão necessário... O futuro da medicina está cada vez mais próximo do presente pois no Panamá, já foi criada uma membrana que é capaz de desenvolver tecidos de pele, ossos e cartilagem… Cristo, por favor vem cá abaixo ver isto!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:01
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Terça-feira, 17 de Março de 2020
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXXIII

Agora que estou de range rede, sabe!

De caronavirus com Pitu, ciriguela na goela 17.03.2020

15.III – GINGA – Rainha de Angola de Manuel Ricardo Miranda 2ª de várias partes

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

GALO0.jpgÚltimos 3 Livros em cima da mesa da cabeceira, o criado mudo.

12 - O PADRE CÍCERO - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

14.II – GRANDE SERTÃO: VEREDAS – de João Guimarães Rosa

booktique14.jpg Em tempo de antigas cinzas, N´Zinga crescia. Com dez anos já subia de fraga em fraga em terras que ficaram místicas por sua causa – Terras de Pungo Andongo. Pois naquele ano de 1583 ela corria por carreiros estreitos entre as espaldas de penedias de granito com depressões de argila. Argila que no decorrer do tempo virava pedra. Assim saltando de pedra em pedra legou-nos suas marcas, pé de gente que a lenda da ficção tomou como legado de N´Gola. Um acervo que por lá, ainda se encontra como se fora um carimbo mwangolé das terras, reinos de N´Dongo do N´Kongo da Matamba.

Aquelas pegadas até que poderiam ser as minhas se, por ali tivesse andado descalço naquele tempo. Meus sentidos apurados nas depressões daqueles lajedos, acreditam que assim foi! Ela, N´Zinga cabriolando juventude, envolveu-me na ideia de que num certo talvez de “já estive aqui numa outra gestação”. E, assim peneirado na soma dos tempos, me fui tornando espírito pintado na exclusividade penetrada nos sonhos, das interrogações esvoaçantes.

araujo158.jpg Naquele um dia de três luas de muitas estrelas, alguns guardas reais filhos de Macotas Kilombolas, aprendiam de condição e obrigação aos desejos da rainha de muitos encantos de uma inesperada trepadeira mundondo. Trepadeira verde que num rápido envolvimento de crescimento, fazia e fez de si natureza, umas muralhas, uma fortaleza que enrijou na secura de trezentos e setenta e quatro anos. Bem na base, lá estará também uma outra marca de pé chispada nessa lama ressequida, um pé de t´chingange, a minha, a provar que num finalmente, não era tal fortaleza, assim tão inexpugnável.

Assim rodeando rachas com n´bondos a espreitar estes que foram trezentos e setenta e quatro anos, após ter ido a Massangano, senti tudo o que podia imaginar assim sentado, sentindo o mataco quente do lajedo aquecido pela kúkia num poispois de que assim tudo o teria sido. Elas, as pedras, introduziam-me a curiosidade de observar aquelas pequenas aves roliças ligeiramente acastanhadas que entre elas saltitavam na amostragem dos caminhos. Agora sim que vejo a N´Zinga M´Bandi N´Gola apontando lá do alto esse pássaro feito galinha a que chamava de “sanji” e que cantava ”estou fraca, estou fraca”… A galinha de Angola a que chamámos agora, de capota.

booktique25.jpg Entretanto N´Gola Kiluanji acomodara-se em Cabassa, bem no interior de seu reino. Resistir ao avanço dos portugueses era tudo quanto poderia fazer, utilizando os meios disponíveis ao alcance de seus monangambas para emboscar os invasores, os contratadores de escravos. Aos ambaquistas, pretos calçados, auxiliares que ajudavam os tugas, quando apanhados eram mortos de imediato sem piedade, coisa de nome que ainda nem sabiam o que e como era – piedade!? Isso! Aquela primeira guerra de kwata-kwata, era tarefa difícil porque os portugueses estavam melhor organizados e também tinham canhãngulos potentes.

O Rei Kiluanji aguardava uma embaixada do povo Libolo, que vinha das terras a sul do rio Kwanza; era um povo de origem bantu com dialecto próprio, amigos prontos a lutar do lado desta tribo de Cabassa. Estes, ao chegarem ao povoado, largaram num canto suas imbambas destacando-se da caravana dois musculosos jovens que com submissão protocolar se dirigiram ao Rei. Um deles, o Kanjila com voz firme falou: Estamos perante vós felizes por vos ajudar. Somos filhos de Ganzula, senhor do Libolo e, um grande amigo vosso.

cazumbi02.jpg Os Libolos, um grupo de trinta, eram altos, musculados, cabelos encarapinhados e feições de compostura negróide. Esse jovem na forma expedita de embaixador foi dizendo: Os tempos que correm não são os mais favoráveis para os nossos povos mas, os vossos inimigos, serão também os nossos; não nos deixaremos oprimir. Estamos aqui para não só fortalecer nossa amizade como dar lutas sem tréguas ao inimigo comum, os Tugas! Dito isto lançou um grito de guerra “kwata-kwata” que todos repetiram de forma enérgica.

 

Rebeubeu com pardais ao ninho, esta descrição é uma forma erudita de supor duma forma optimizada o que teria sido naquele então mas, o mais certo foi todos ficarem aos pulos que nem uns tontons zulus, bebendo marufo e cat´chipemba até perderem o tino. A disciplina não tinha contornos de gente formada na luta e, o mais certo era os portuguese aprisionarem uma grande quantidade de homens e mulheres, arrebatá-los como peças escravas e entalá-los numa cave bafienta como porcos, até chegarem à costa do Brasil.

busq2.jpg Ficarem uns quantos dias na engorda em uma ilha litorânea e, depois serem exibidos para venda nos pelourinhos da Baia de Salvador ou em Olinda de Pernambuco. Nestes actos N´Zinga recolhia ensinamentos para dar comportamento de maior dignidade a seu povo num futuro próximo. Sentada num banco forrado com uma pele solta de leopardo não tirava os olhos daquele candengue Libolo que falou com seu pai. N´Zinga que já era moça espigada e, como todas as mulheres de instinto, procurava ler no fundo dos olhos daquele macho, magnetizada e até confusa. Florescia nela uma paixão ardente…

Para os Libolos os portugueses, seus adversários, eram os mais temidos mas, para além destes havia os jagas do interior, principalmente os de Kassange que de vez em quando faziam surtidas nos seus territórios semeando a destruição. Com gritos de guerra de kwa-kuvale aprisionavam muita gente que depois vendiam como escravos ou segundo relatos, comiam os mortos em combate e os mais velhos. Enquanto as mulheres faziam lavra, estes matumbos antropofgos, só pensavam em matar o vizinho. Pouco a pouco N´Zinga foi verificando isto e em lições com o Kimbanda doutor Kalandula, ia recolhendo valores de servidão ao futuro.

(Continua… Ginga IV…)

O Soba T´Chingange     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:48
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Domingo, 15 de Março de 2020
MISSOSSO . XLIV
EU E O FALA KALADO – PETROLINA . PE
NA ILHA DA FANTASIA 11ª de Várias Partes15.03.2020
Por

soba002.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)

FK04.jpg Como já foi dito, tive um encontro com Fala Kalado no meio de um grande vinhedo no território da Baía e, não muito longe de Juazeiro do São Francisco. Comi a melhor muqueca de que me lembre e do que perguntei, fiquei a saber que para além de peixe do rio Velho Chico chamado de surubi, tinha pitu, um camarão também do rio, delicioso. O molho era feito de óleo de dendém e admirei-me de em nosso repasto íntimo de recolhido, bebermos uma cerveja caseira ao invés de bebermos o vinho da casa Miolo de tão boa qualidade.

Não estava aqui para fazer muitas perguntas mas e em função dos meus reticentes muxoxos, F K foi dizendo que também está experimentando lançar esta cerveja na região. Não se admirem de eu manter reticentes silêncios com o agora General Emérito FK porque ele, tem o condão de só por si, descobrir nossas interrogações muito orvalhadas de recatado medo. Se bem se lembram, lá na Ilha de Carlitos situada no meio da Lagoa Mundaú, não longe do mar, fomos atendidos por um garçon muito finório, usando terno e laçarote chamado de Patrinichi, esse tal empregado de origem kosovar.

FK01.jpg Pois desta feita reparei que esta figura passava por ali na azáfama de provas e, atenção de mesuras distantes com o General - deu-me um Ói simplesmente; num instante tirei ilações: de certeza que seria este o feitor desta cerveja deliciosa – eles, Kosovares, lá na sua procedência, no seu país, têm fama de fazer estas bebidas em qualidade superior; em verdade relacionei o nome da cerveja com seu nome, pois a garrafa castanha tinha um rótulo com essa mesma graça - Bento Patrinichi. Tenho de fazer estas triagens e deduzir sem levantar poeiras. FK nem sempre diz o que pensa e nem sempre diz o que sabe usando labirintos de segredos com incógnitas, como um nato sofista. Isso chateia-me sobremaneira e, ele sabendo, pior faz; estando com ele, estou permanentemente em pulgas… Falar com um vivo que já foi morto, não é pera doce!

Fala Calado, o General que antes só o era Coronel, falou de coisas passadas misturando o quotidiano com assunto dos vinhos aqui no Vale de São Francisco, daqueles tempos de N´Gola e assim como quis, lá foi dizendo que essa sua vida antiga só pode ser falada comigo relembrando sua frase: o antigamente, agora só serve para manter meus labirintos do cerebelo suficientemente activos e, tu (eu) que és um bom interlocutor tens de suportar estas longas conversas. Para além dos vinhos falou dum empreendimento de viveiro de peixes, de rãs, de borboletas, de carcarás, de caracóis e até de crocodilos…

FK18.jpg Numa primeira curiosidade o vinho sobrepunha-se ao resto do que já me tinha sido dito, e foi neste capítulo que me deu algumas pistas tendo a ajuda de Rogério Rocha Pereira, um empresário de sucesso do Rio Velho Chico. Do que ouvi de Rogério, fiquei encantado porque em seus inícios usaram as barcas Santa Maria, Pinta e Nina, nas suas actividades fluviais; como é sabido foram os três nomes que Cristóvão Colombo usou em suas naus na primeira volta ao Mundo. No final de 2017, Rogério inaugurou o mais novo desafio: a Barca Vapor do São Francisco - barco que me levou à tal ilha da Fantasia com o Comandante Bartolomeu com quem dialoguei marinhagem…

Quanto aos vinhos: Recordou-se a Escola do Vinho, um projecto do Grupo Miolo que há mais de 15 anos difunde o hábito e o prazer da degustação de vinhos e espumantes, através de cursos de degustação e programas especiais. O meu “curso” foi rápido e eficiente tendo como mestre o Enólogo Tiago com quem troquei palavras de muito apreço. O projecto nasceu no intuito de promover o consumo e a cultura dos vinhos… A Escola do Vinho está localizada na Vinícola Miolo, em Bento Gonçalves/RS. Aqui em Juazeiro pude apreciar a impecável estrutura na oportunidade de desfrutar da deslumbrante paisagem do Vale dos Vinhedos, enquanto se aprendeu de forma sucinta os mistérios da elaboração e da degustação desta bebida milenar.

FK23.jpg Neste mini curso de manejamento de vinhos e conhecimento de castas, após a visitação completa, o grupo de Rogério da Barca do Vinho foi conduzido a uma sala de degustação moderna e climatizada para descobrir as regiões brasileiras produtoras de vinho e suas particularidades. Sendo assim minha harmonização enogastronômica subiu a outro patamar de conhecimento, entre outros assuntos próprios da azáfama e cultura de vinhos com a supervisão do enólogo da família, Adriano Miolo.

Em verdade estava longe de reconhecer este lugar do Sertão de Juazeiro com características especiais para terem dez castas de vinho (as principais e a laborar…). Dito isto e já bem lançados na beberagem, eu e Fala Kalado ficamos sós, mocambos e kilombolas ambaquences fazendo suas tarefas à distância dum tiro ou talvez até uma azagaia, tendo a supervisão de Bento Patrimichi o fazedor da cerveja tipo kosovo. Era o momento de perguntar: - Afinal FK, chamaste-me aqui para quê? Não foi só para ver isto!

FK28.jpg Em resposta FK disse: - Não! Tenho para ti uma tarefa especial. Necessito de alguém que superintenda as novas frentes de guerra: Gerir a produção de crocodilos, rãs, borboletas e caracóis! Ele sempre fala como estivesse numa frente de guerra, numa batalha e, até nem estranhei – já estava habituado. E, porquê eu, um kota ressequido pelo sol? Porque tu és um Mwangolé preto e, gente tal que só o somos dum espírito único! Mas, eu não ou preto…, Nem tu? Sim! O nosso pensamento sempre anda por lá e, queiramos ou não agora seremos pretos de coração zebra! Falou, tá falado…

A isto nada podia reclamar – notei sua orelha biónica tremer e disse cá para mim que o melhor era ouvir as falas e gerir meu silêncio de forma silenciosamente muda, mesmo! E, continuou: Tu, tal como eu és um Kwacha, já tiveste patente equiparada de Major quando foste Secretário das Relações Públicas depois de o teres sido também Secretário de Informação e Propaganda e até seres companheiro do Adalberto Júnior lá no M´Puto como Coordenador, edecetraetal – sei de teus atributos e estou agora como amigo a requerer tua intervenção.

vinhos9.jpg Dizer não, nem pensar! Pois ele estava todo compenetrado em suas crenças e dissesse eu e agora algo de negativo cairia o Carmo e a Trindade! Falei: - Agradeço tua amabilidade mas, tenho de pensar até te dar a resposta de sim em definitivo. As palavras para FK teriam de ser medidas ao milímetro porque, qualquer desvio meu, poderia provocar uma revolução e eu, estava longe de abrir qualquer frente de combate; era sabedor desta psicose de levar a água ao moinho tornando-a suave o quanto baste no tempo. Iremos ver!

Tem mais, disse ele! Aqui ficas com a patente de Tenente-Coronel! Sei o quanto nós ainda não fomos reconhecidos lá na nossa terra mas, também já pouco importa porque aqueles mwangolés, têm muito com que se entreter; dava para entender o quanto ele estava a par da situação de falência económica e moral de N´Gola com governantes formados na ladroagem… Águas passadas - repetiu isto, umas três vezes dando comigo a acenar que sim só com a cabeça (triste…). Não demores a pensar, arranja essa equipa de gente, as kiandas de quem tanto falas, o teu amigo Januário Pieter e quem tu aches capacitado de tocar o negócio… Pois! Tudo ficou por aqui com abertura a outros campos de vida e, que agora, nem dá aqui espaço para se falar do negócio de Guarulhos, da Welwitschia Mirabilis e seus escaravelhos do qual continuo em cacimbo de nevoeiro de fumaça…
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:27
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Sábado, 14 de Março de 2020
MUJIMBO . CXIII

Meditação do T'Ching...13.03.2020

KIBOM é um sorvete!- BALEIZÃO era um gelado... KAICÓ é gelo com açúcar!

- Karl Marx também gostava de Kaicó! - Quarentena não é Quarteira nem Quarteirão...

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

carcavelos em tmpo de COVID 19.jpg Quarentena não é Quarteira nem Quarteirão...

Não raramente, ouvimos dizer sobre pessoas que acabaram vítimas de um grande prejuízo simplesmente por estarem onde não deveriam estar, em um momento impróprio. Fecharam as escolas do M'Puto por via de não se contaminarem com o capeta vírus COVID19 e, eis que numa variante não pensada, uma grande parte desta juventude e, não só, resolveram ir matar o tempo na praia do mar...

Eu, aqui de muito  longe aflitinho da Silva e, os patriotas a curtir no bronze  como se aí, estivessem imunes ou, nem nisso assim pensaram!  Cumcamano, assim não brinco! Algumas, inclusive, curtiram farfalho de aconchego na curtição do beijo sem pensar que isso pode fazer perder a vida de alguém, que não eles - egoístas!

Carcavelos1.jpgA singularidade de alguém que finaliza por um desagradável egoísmo de gozo não ponderado de qualquer outro também tem de ser crime. Estes, alguns, muitos "estudantes" terão de limitar seus impulsos para certas conquistas... O bom senso aconselha que se recebem o grande benefício de pensarem, se atenderá que “nesta guerra surda com um invisível ser, não há lugar nem hora certa para o fim acontecer".

Sem preconceito no conceito, poderia ser até correcto dizer-se, se não estivesse em causa a VIDA como controle e, na direcção de todas as coisas num crer sem ver, num ser sem o sentir... Num secalhar que isto, é lá com os outros... Pensamento vago ou acto irreflectido num valha-me Deus com assombro no desassombro e, tendo os mais idosos a olhar o além nesta nefasta atitude! Atitude que haverá de se condenar porque, os filhos de hoje, serão os pais de amanhã, Noé!?

carcavelos2.jpg Assim não brinco! Usar um horário que não o é comum porque a lei o dito, ir à praia a tapear a vaidade dum impulso, não está certo... As pessoas normalmente trabalham no cultivo da existência, na cidade ou campo, aonde quer que o seja, durante o dia ou noite e, por uma ocasião atípica, encontram-se numa estranha procissão...

Quem morreu? Pergunta sem obter resposta. Não chegou em tempos idos e, num rebuliço, uma multidão seguir três homens que seriam crucificados: dois ladrões e um inocente. Com rosto ferido, Sua aparência frágil denunciava a tortura impiedosa a que havia sido submetido. A multidão O injuriava! E, Este também o era, inocente...

araujo 101.jpgCristo, vem cá abaixo ver isto!   Que país é este?

Que tipo de cruz nos vai ser imposto? Ninguém é sombra da graça para que tenha esse privilégio de espartilhar o peso do sofrimento aos demais, que somos NÓS TODOS!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:20
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Sexta-feira, 13 de Março de 2020
KANIMAMBO . LXVIV

O PERIGO É AMARELO...

Kanimambo:  é Obrigado em Moçambique...

XEQUE-MATE - Não me fio nos homens... Sexta Feira 13 .03.2020

soba00.jpgPensem com T'Chingange... No Nordeste brasileiro

Xi0.jpg Nos últimos dias, a China bateu muitos recordes, ganhou absolutamente tudo, US $ 20 bilhões nas primeiras notícias e comprou cerca de 30% das acções de empresas pertencentes ao Ocidente com sede na China. Xi Jinping superou os europeus e os democratas americanos inteligentes.

Ele jogou um jogo "maravilhoso" diante dos olhos do mundo inteiro. Devido à situação em Wuhan, a moeda chinesa começou a declinar, mas o banco central chinês não tomou nenhuma acção para impedir esse colapso.

Xi1.jpg Havia rumores de que a China nem tinha máscaras suficientes para combater o coronavírus. Esses rumores e a declaração de Xi Jinping de que ela está pronta para proteger os residentes de Wuhan ao bloquear as fronteiras levaram a um forte declínio nos preços das acções (44%) na tecnologia chinesa e na indústria química.

Os tubarões financeiros começaram a vender todas as acções chinesas, mas ninguém queria comprá-las e elas foram completamente desvalorizadas. Xi Jinping fez uma "grande jogada" nesse momento, esperando uma semana inteira e sorrindo para as colectivas de imprensa como se nada de especial estivesse a acontecer...

Xi2.jpg E, quando o preço caiu abaixo do limite permitido, ele ordenou a compra de TODAS as acções de europeus e americanos ao mesmo tempo! Então, os "tubarões financeiros" perceberam que haviam sido enganados e falidos. (Tarde piaste!)

Pois! Já era tarde demais, porque todas as acções haviam passado para a China, que naquele momento não apenas facturou US $ 2000 bilhões. Graças à simulação, tornou-se novamente o accionista maioritário de empresas construídas por europeus e americanos.

Xi3.jpg As acções agora pertencem às suas empresas tornando-se proprietários da indústria pesada da qual a UE, a América e o mundo inteiro dependem. A partir de agora, a China fixará o preço e a receita de suas empresas; assim, não sairá das fronteiras chinesas. Permanecerá em casa e manterá todas as reservas de ouro chinesas.

Portanto, os "tubarões financeiros" americanos e europeus foram tomados por estúpidos e em poucos minutos os chineses colectaram a maior parte de suas acções, que agora produzem bilhões de dólares em lucros!

FK04.jpg Eles, aprenderam bem as manigâncias de engenharia financeira do mundo dito ariano. A Europa, com todos esses cérebros financeiros não vislumbraram esta falácia. Com esta moleza de trato vão ajoelhar e rezar - aliás, já estão – estamos rezando!

O mundo está roto! Chove como na rua... Você não se lembra de um movimento  de golpe-baixo e "tão brilhante" na história do mercado de acções!  ... Paga ZÉ -  XEQUE-MATE!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:29
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Terça-feira, 10 de Março de 2020
MISSOSSO . XLIII

EU E O FALA KALADO – PETROLINA . PE

NA ILHA DA FANTASIA10ª de Várias Partes10.03.2020

Por

soba0.jpeg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)

pedras001.jpg Devem recordar-se do telefonema misterioso do General (que por vezes só é chamado de Coronel, coisa que não gosta…) a convidar-me para ir a Petrolina de Pernambuco; pois bem isto já aconteceu - exactamente no recente dia da graça de 08 de Março de 2020. Recordo aqui como foi o caso na voz de FK – Fala Kalado. Nessa data especial composta de quatro dois e quatro zeros (02.02.2020), tinha de acontecer o inesperado e, sucedeu que meu celular telemóvel no exacto momento de sair para a praia, tiniu e retiniu esguichado de som.

E, falou: - Pois então, é pra te convidar a um encontro, não aqui em Garanhuns, por ora, mas em Petrolina, um lugar a montante da barragem do Sobradinho, no Rio São Francisco no Velho Chico! Eu sei, disse. E, porquê aí? Porque assim tem de ser; só vais ter de ir até à cidade de Marechal Deodoro para embarcares com meu velho amigo Kelerico o Tecelão. Falou na data e de como seria, assim e assado. Tudo por minha conta, referiu (o tanas, nada de fiar…). Que mais poderia fazer a uma quase ordem na forma enganosa de convite.

araujo164.jpg Pois então, ajustei-me com Ricardo Keller, o Tecelão na via WhatsApp; Ricardo com aspecto de alemão, alto e louro de cabelo pró branco pela idade, cursou de licenciamento na Suíça e, tudo nos trinques, no pago eu pagas tu, na mira de tudo recebermos do Coronel que agora só quer ser de General, lá fomos na beirada do São Francisco num percurso de mais de oitocentos quilómetros, pista boa mas muito cheia de cabras atravessando, também burros e cavalos.

FK03.jpg Só faltou ver aquele tal de padre com seus petrechos, escapulário e cruz na imagem da igreja, seguindo passo lento ao som da bandinha de música como se todos o fossem de uma nação Maracatu…Dia 08 de Março 2020 – Neste dia FK ficou invisível... Quersedizer, não quis ser mostrado em nenhuma foto; lá terá suas muitas razões para andar com uns óculos relampejando cores fosfóricas como aquele cantor Tuga portuense Pedro Abrunhosa!

FK08.jpg E, eu não sou louco para contrariar sua vontade e, logologo na ilha da Fantasia no meio do Rio Chico entre Petrolina de Pernambuco e Juazeiro da Baia... Claro que isto tem muito de verídico porque é uma estória vivida na Fricção rebolada e elaborada na areia feita ouro daquela ilha que nem sempre o é. Quando a água sobe a ilha fica só água com a kalunga das lagoas geminando sapos às ordens de kiandas...

A vida é uma experiência feliz. Sabemos que, às vezes, o céu de nossa existência escurece, e nos deparamos com dificuldades insolúveis, sendo tentados a duvidar. Nesta Fricção de quase tudo ser meia mentira ou se o quiserem, meia verdadeira. Eu estive lá noé!?... FK não quer ser visto, nem com óculos psicadélicos... Já estive com ele! O General emérito! Foi uma grande alegria na companhia de uma moqueca de surubim com camarão em molho de dendém...

FK01.jpg Aonde podemos encontrar respostas para nossas indagações, quando temos a sensação de que nossas inventações não podem passar sem levar um crivo de realeza? Quando parece não haver solução, a saída é esperar na companhia dum frisante branco, miolo Sauvignon Almadén com o espírito de São Francisco... De um vale com muitas uvas, várias castas e com duas safras anuais - explicarei mais tarde; agora não tenho tempo!

Isto significa ter paciência com o matumbola de um passado alternado entre ser vivo ou morto com um presente que nos aguarda no futuro; uma fantasia de fazer por nós o bem que nos falhou no passado! Misteriosamente FK disse que Deus tem um plano para cada um de nós a ajudar-nos a esperar no que vier! É assim, vamos numa de ou mato ou morro! Já experimentei isso e fugi pró mato. Este fulano do FK neste plano, pode ser - acho que é um meio às provações, ele quer ser quase um deus tornando-nos instrumentos para passar à estória na glória.

FK06.jpg Vou ter de descrever isto com algo de novidade, Noé!? Fala Kalado, afinal tem um império que eu desconhecia! Tem muitos hectares de várias castas de uvas. Tudo alinhavado em quarteirões, num lado é Outono e noutro é Primavera; o Grenache com Syrah mais o Mourvèdre que faz um vinho 5 estrelas - tinto seco e, o frisante Verdejo… Surpreendeu-me! Eu vinha ao encontro desse cacto da Welwitschia Mirabilis e esse tal de escaravelho e deparei com outras coisas; milagres de gota-a-gota, uvas verdes com outras ao lado prontas a deglutir num deserto designado de Sertão com caatinga e carcarás... Isto é quase um milagre! Assim como um juvenescimento inclinado de abelhudice.

FK11.jpg De facto, isto aconteceu como um milagre, um vive num descuido prosseguido. Talvez por isso ele, o FK, tenha referido José que nunca imaginou governar o Egipto. Sua jornada de provações o levou a esse posto para saciar minha (e, dele) sede de conhecer alguns fenómenos do mundo - num Sertão, agreste também, plantar uvas que dão bom vinho... Mas, FK, não pode passar à frente de Deus, nem atropelar seu caminho, nem que o fora Coronel ou General; mas, o certo é que, o que vi aqui, é uma concessão de bênção estranha graças ao rio Velho Chico (penso eu!?)... Em verdade o General Fala Kalado disse e, eu ouvi: O Senhor dá mais do que pedimos ou pensamos. Ainda estou a matutar nisto! Até que pensava que ele era um ateu…

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:31
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Segunda-feira, 2 de Março de 2020
PARACUCA . XXXV

MULOLAS DO TEMPO . 801.03.202O

Nós, bazungus no lugar da N´Kwazi (águia pesqueira) – NINGUÉM É SANTO

Óh mundo de túji e, ainda temos de atravessar a Zâmbia para chegarmos à Tanzânia…  

- 03 de Outubro de 2018 – Quarta-feira …

Por

soba03.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

malawi3.jpg Estávamos no dia 03 de Outubro do ano de 2018; o 13º dia da odisseia haja paciência – Potholes - ninguém é santo. Aqui nesta profunda áfrica, antigo seleiro chamado de Rodésia que Robert Mugabe herdou, tudo é imprevisível – afinal para se chegar ao paraíso lá teremos de atravessar o purgatório pagando sempre na moeda verde, lisa e limpa como mandam as regras de fronteira. Depois de termos saída da rondável do Hwange Park, Dy Vissapa e esposa Gui, reclamavam dos tachos e panelas de alumínio tisnadas de sebeirosa gordura como se não soubessem o que iriam aqui encontrar…

Efectivamente aquilo eram pratos de alumínio parecidos com chapéu de pobres amarrotados muito pior do que aqueles saídos das trincheiras da segunda guerra mundial ou como os que servíamos comida a nossos cachorros. Algo lamentável em verdade! Mas, eles, como angolanos de papel passado e exibido a qualquer pata rapada, um qualquer bafana seu BI, deveriam ser mais tolerantes com esta pobreza que para mim já era uma firme característica.

botas de tabaibos.jpg Sucede que para eles, assumidos africanistas, só não caiu o Carmo porque não havia Trindade dando louvores a Ian Smith. Escusado será dizer que não utilizamos ali qualquer tipo de talher nem qualquer outro serviço. Ali o preto, era mesmo eu que comia qualquer mistela sem os requisitos mínimos das três estrelas do cardápio “Michelin”- isto incomodava-me! Por via desses escrúpulos nem provei o minúsculo peixe guisado com tomate de nome t´chissipa e, que se via em muitas bancas dos mercados situados ao acaso e, ao longo das estradas.

Não é por acaso que só passados dois anos, transcrevo minhas pequenas angústias a suportar coisas esquizofrénicas - eu que em candengue comia funje formando bolas à mão e molhando depois no dendém conjuntamente com trabalhadores das obras lá no Rio Seco da minha Maianga… Bom! Vamos aproveitar e comentar o lado bom porque senão e com esta rezinga, lá terei de chamar esquisitos aos companheiros mwangolés brancos. Por me considerar humilde quanto baste comecei a reclamar afirmações de frescura e até a ficar farto de assim ser, humilde.

malawi2.jpg Mas que é isto! Também em outro tempo lá no Uganda do Idi Amin Dada, um ditador militar e o terceiro presidente de Uganda entre 1971 e 1979, alterou seu título de presidente passando a ser “ O Conquistador do Império Britânico em África no Geral e o Uganda em particular”. Foi o que mencionou minha empregada Mary de Kampala depois do descrito. E, eu o Soba T´Chingange a fazer mala, dia sim, dia não, a beber chá rooibos com bolacha “rust”, prisão de ventre e caganeira para prosseguir à boleia dum sonho, com umas quantas cuecas e umas quantas flanelas metidas em uma mochila camuflada.

Mas, diga-se que ouve coisas bem desacostumadamente bonitas tais como os cantares matinais no lugar de M´Libizi dos trabalhadores; de vozes ordenadamente religiosas que se sentiam em tons bonitos de ouvir – cânticos africanos dirigidos a N´Zambi. Seguiam-se-lhe palestras de como quem descreve um canto com conto e mais um ponto do Evangelho com dissertações – e o silêncio também se fazia sentir ali aonde me encontrava. A neblina do Lago Kariba dava notoriedade a este ambiente das sete horas matinais!

Minhas bikwatas e imbambas, resumiam-se a uma lanterna, canivete suíço, binóculos, alicate multifunções, o telemóvel, o GPS, 3 livros de leitura, um cadernos de contas, outro de apontamentos, um serrote extensível, lápis, canetas e marcadores mais pequenos pedaços de papel a cores para apontar tudo o que fosse conveniente. Pois! Um tira e mete, um mete e tira e anota; coisa chata mas importante porque a cabeça tem de ficar suavemente aliviada de tanto nome e quilómetros mais referências.

tanzânia II 046.jpgIsto está a afundar, dizia o rodesiano à frente do conjunto de chalés situados na encosta do Kariba. Todos são unanimes em o dizer e logo depois da destituição do presidente Roberto Mugabe, a múmia imperial. Todos os brancos contactados de aspecto bóher são unanimes em dizer isso o que me leva a perguntar: Será assim que os dirigentes destinaram ao branco – afugentá-lo paulatinamente por meio de leis e práticas nitidamente persuasivas do género “ou vais ou nós te levamos” sem se saber qual o destino…

Anotei em meus cadernos uma restrita lista de animais existentes na reserva Hwange National Park e, aqui as deixo para um qualquer dia, alguém as poder rever: Lion, chetah, leopard, wild dog, bat-eard, hyena, jackal, eland, kudu, waterbuck, sable, hippo, wite-rhino,  elephant, bufalo, giraffe, zebra, wildebeest, warthog, baboon…; Pássaros: Secretary bird, laughing, dove-ground, horn bill, red-billed, francolin, crested barbet, saddlebil-blue, waxbill, yeblon, billed hornbill, red-billed teal, blacksmith plover, carmine, bee-eater, bateleur, crowned crane crimson, breasted shrike, hamerskop, witle, bached vulture.

tanzânia II 006.jpg Árvores: Plerocarpus angolansis-mukwa, temindia serricea-silves terminales, colophos permum mopane-mopane, baikiaea plurijuga-teak, banhiria petersiana-wite, bauhinia, acacia erioloba-camel-thorn, coubeturn herenoense-russet bushwillow. Só menciono parte do que consta em gráficos; em verdade existe uma extensiva exposição a que só mesmo os entendidos irão dar algum valor e, é por isso ser esta uma curiosidade a ficar em registo.

A noite de 3 para 4 de Outubro foi passada no mesmo local aonde já tinhamos estado, o Rest Camp Victória só que em uma outra antiga casa do antigo bairro de trabalhadores que por ali permaneceram quando da construção da ponte férrea e rodoviária sobre o rio Zambeze e, que liga o Zimbabwé à Zâmbia. Amanhã dia quatro, lá teremos de levantar kwachas do banco com nossos cartões para mantermos despesas pela Zâmbia; Lá teremos de gastar os últimos cartuchos em dinheiro de fingir mas com o nome de dólares; Três pedras empilhadas nas notas também verdes, para substituírem uma qualquer figura de presidente.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:39
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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020
MOAMBA . XXXV

JUVENESCENDO NAS CINZAS

COVID -19 – M´Puto e o Mundo - Abrindo gavetas ou pedaços de morte com choros secretos …

As PRAGAS surgem também na forma de vírus... 26.02.2020

Por

soba00.jpg T´ChingangeNo Nordeste do Brasil

praga0.jpg Aquietai-vos! Isto basta? Não!

Um novo dia sempre traz novas esperanças e expectativas; às vezes, misturadas com a lembrança de problemas não resolvidos ontem e a certeza de novos desafios e dificuldades. Mas, alguns como este CoronaVírus já rebaptizado de COVID-19, ultrapassa-nos! O inimigo estará sempre à espreita, procurando uma oportunidade para atacar e isto é tão-somente um cardápio de adversidades a somar ao nosso quotidiano!

Já tínhamos tantos contratempos e agora mais um e, da maior gravidade. Não nos bastava a insegurança generalizada, a instabilidade económica perenizada, políticos sem preparo, exigências desmesuradas, pressões da vida a somar a tantas outras coisas e taxas.

praga01.jpg Lá teremos de juntar conservas para quarentarmos nossas vidas por catorze ou muitos mais dias. Para muitos, isto significará a morte; para outros, muitos, representará uma considerável carga de estresse. Mas não precisamos desanimar... Porque todos iremos morrer de uma ou outra forma!

Se nada mais lhe resta vá ao Salmo 46, verá que Deus é um refúgio seguro contra os males da vida sem eutanásia! Esse é conhecido como “o salmo de Lutero”, que, em momentos de dificuldades, convém observar! E, olhem que eu ando a reconstruir-me nas inclinações espíritas! Não sou senhor de igreja; minha cabeça é meu templo... Só sei que sou gente até prova em contrário...

praga2.jpg PENSEM - isto será uma praga? Muitos estudiosos acreditam que esse salmo foi escrito depois da intervenção divina contra um tal de nome Senaqueribe, rei da Assíria, em sua tentativa de destruir o povo de Deus nos dias de Ezequias.

Pouquíssimo tempo antes de o ataque ser desferido, uma misteriosa praga dizimou 185 mil soldados no arraial inimigo (Is 37:36, 37). Debate teológico à parte, o evento pelo menos é uma oportuna ilustração do infalível socorro de Deus dispensado a Seu povo. Valha-me Deus? Todos recorrem a Ele, porque não nós...

araujo 101.jpg Dissipando os temores, O Senhor é aquele a quem podemos ir em busca de protecção e de quem podemos receber forças nas provações. Não há inimigo que prevaleça contra aquele que Nele se abriga - Li isto na Bíblia; não contesto nem deprecio!

Temos de acreditar - Tem de haver motivos pelos quais julgamos ter necessidade de alguma coisa que nos leva a desacelerar na corrida quotidiana.

praga3.jpg E, pelo que dizem, só Ele tem mil formas de suprir cada uma dessas necessidades, assim seja uma pandemia! Como podemos nós sustentarmo-nos contra quaisquer investidas dum Vírus tão reptício! Para que servirão os exércitos sem mascaras.

Isto implica que não devemos desistir de lutar sob desespero, irracionalmente, como se tudo dependesse apenas de nossos limitados esforços. Higienizem suas mãos, suas mentes e façam o que tem de ser feito. Confie e vá à luta! Na sua fé, qualquer que seja!

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:59
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BOOKTIQUE DO LIVRO . XXXII
Agora que estou de range rede, sabe! Pitu, ciriguela na goela - é ela, é ela…25.02.2020
15.II – GINGA – Rainha de Angola de Manuel Ricardo Miranda1ª de 2 Partes

soba15.jpg T´Chingange - No Carnaval do Nordeste brasileiro

Últimos 3 Livros em cima da mesa da cabeceira, o criado mudo.

12 - O PADRE CÍCERO - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...
13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho
14.II – GRANDE SERTÃO: VEREDAS – de João Guimarães Rosa

n´zinga.jpg Pitu, ciriguela na muela - é ela, é ela! E, era em cantoria que o povo da CAPOTA DA KUKIA cantava repetidamente. Já tinha passado na avenida da Pajuçara o Galo e o Pinto da madrugada – agora era a Capota da Madrugada a recordar um lugar muito antigo recordando a festa da massemba, uma umbigada de um carnaval que o tempo fez mudar. Era um lugar ainda por conhecer chamado de Cabassa. Aonde? Angola pois então!

E, foi no ano de 1589, exactamente oito anos depois do nascimento da Rainha N´Zinga e seis depois do nascimento de sua irmã Cambu. E, foi nesse ano de 1581que Filipe II de Espanha foi reconhecido pelas Cortes de Tomar como o primeiro de Portugal. N´Gola Kiluanji é Rei dos M´Bundos no território de N´Dongo e Matamba. Pois é aqui que nasce N´Zinga M´Bandi N´Gola, filha desse Kiluanji.

PAPAL4.jpg Já esquecidos de tudo isto por via desta singularidade entrapada nas falas e distância temporal, todos pulam ou dão dois para a esquerda e dois para a direita arrebitando o mataco tal como é de lei a recordar os orixás na senda umbanda com urubanda do mundos perdidos e, para lá do iemanjá - kalungas dos tempos perdidos. Pitu, ciriguela na muela - é ela é ela! A bateria composta de mais que muitos tambores, repica sem freios num agora feito antes.

Há um ano atrás, 1588, a armada de Filipe, o espanhol, é derrotado com sua armada invencível e, com ela toda a Marinha Portuguesa numa perda total. Foram-se assim as kalungas deixando Portugal nas lonas nessa distância de já quase com 432 anos. Uma crise de Valhamo-nos Nossa Senhora da Ajuda! A multidão concentrava-se junto à onganda, cubata grande real a redor do grande embondeiro cobrindo parte do recinto, como se fosse um imenso chapéu.

kissan6.jpg Junto ao tronco, que teria um diâmetro de muitos metros, destacavam-se grosas raízes que mergulhavam no solo assemelhando-se a colunas de uma autêntica catedral. Tinha sido montada um estrado, sobre o qual se erguia um imponente cadeirão de madeira dourada, forrada com ricos panos de seda carmesim. De ambos os lados, estavam colocados na vertical dois enormes dentes de elefante. O chão estava atapetado com peles de leopardo. Era noite.

carn1.jpg Notavam-se já sinais de impaciência nos presentes, ansiosos pelo início da cerimónia para o qual tinham sido convidados. Naquele então isto era representado agora em um carro alegórico alto como aquele imbondeiro e, os negros eram retintamente pretos parecendo pintura. Em dado momento ouviram-se os sons peculiares de marimbas e tambores, e um pequeno cortejo rompeu pela multidão em direcção ao palanque.

À frente, vários guardas armados, alguns munidos de archotes fumegantes abriam caminho, logo seguidos de N´Gola Kiluanji, rei dos ambundos. Em passos lentos e ritmados o rei avançava rodeado pelos seus macotas curandeiros e quimbandas, dirigindo-se para o seu trono. Kiluanji estava coberto com um manto, inteiramente bordado com contas de vidros coloridos, brilhando à luz dos archotes em miríades de cintilantes prateados.

carn2.jpg Uma pele de naja enrolada à cintura e vários colares de dentes de leão adornavam-lhe o peito. Finalmente, uma bengala de ouro maciço conferia-lhe a dignidade da sua autoridade. Um pouco trás do rei e deitada numa liteira, uma criança era transportada por escravos num estado que faria supor adormecida. A seu lado, como que protegendo-a, destacava-se uma figura bizarra. Parecia ser muito velha e magra. As peles pendiam-lhe em pregas sobre os ossos, porém movia-se com agilidade, braços e pernas rijas e finas.

Vestia somente um reduzido saiote de pano e usava o cabelo em canudos empastados de barro colorido. Vários sacos com amuletos e pequenas cabaças a tiracolo completavam a indumentária. Chegados ao local, Kiluanji sentou-se no cadeirão, e a seus pés, rodeados pelos familiares mais próximos, depositaram a criança totalmente nua sobre uma manta. Kiluanji interrogava-se sobre os resultados do cerimonial.

carn3.jpg Já não era a primeira vez que a intervenção dos espíritos se fazia sentir sobre sua filha primogénita. Com várias mulheres e muitos filhos, Kiluanji nutria pela filha uma especial afecção. Apesar da sua pouca idade, oito ou nove anos, N´Zinga tinha já um porte altivo de princesa, pouco dada às tropelias dos garotos. Era ágil, decidida e destemida. 432 anos depois, revivíamos uma estória nunca contada. Hoje em dia, eu, T´Chingange, nem me queixo de nenhuma coisa para não tirar sombras dos buracos que relembro. E, dessa, mesmas sombras, o que tenho é só medo de cagufa! Já que minha vida não deixa benfeitorias vamos gozar o carnaval, dizia-me a mim mesmo…

(Continua…)
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:34
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Sábado, 22 de Fevereiro de 2020
MALAMBAS . CCXLIV

Os filósofos, necessitam tanto da morte como das religiões porque, filosofar é aprender a morrer entorpecido… - 20.02.2020

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

arau154.jpg Nesta data especial composta de quatro dois e quatro zeros, tinha de acontecer o inesperado e, sucedeu que meu celular telemóvel no exacto momento de sair para a praia, tiniu e retiniu murcho de som. Pela quarta vez, atendi: Alô! Do outro lado ouvi uns esquisitos guinchos metálicos como de quem corta o vento Suão com uma moto-serra já com os dentes cariados seguindo-se-lhe de uma voz cavernosamente distante, também ligeiramente metálica como chapa que vibra.

Daqui é o Fala Kalado! Fez-se um silêncio… Silêncio meu engolido em dois assombros encavalitados feitos ondas-curtas a estrebuchar atritos com soluços estriados em ondas moduladas. Não estava a contar, pópilas, pensei, é ele o matumbola do general. Oi, sim! Sim! Até quenfim, me dás alvissaras! Disse isto encafifado em soletrar quais os kitucos de mistério que terá usado para descobrir meu número de celular. 

FK2.jpg Resposta do outro lado da linha: - Nada é impossível para um morto-vivo meu kamba! Álem do mais, tenho meus afilhados que me vão dando novas até do que ainda está para acontecer. Aí é! Respondi na forma intercalada entre o respeito, o assombro e até do medo. Quem tem cu tem cagufa noé!? Trata-se dum General Emérito um permanente guerrilheiro que nem consta das fichas por o ser, tão clandestino o é.

Pois então, é pra te convidar a um encontro, não aqui em Garanhuns, por ora, mas em Petrolina, um lugar a montante da barragem do Sobradinho, no Rio São Francisco, o Velho Chico! Eu sei, disse. E, porquê aí? Porque assim tem de ser; só vais ter de ir até à cidade de Marechal para embarcares com meu amigo Kelerico o tecelão. Falou na data e de como seria, assim e assado. Tudo por minha conta, referiu. Que mais poderia fazer a uma quase ordem na forma enganosa de convite.

FK5.jpg Temos muito para falar mas, entretanto goza o carnaval mas, estava a faltar um mas… mas o quê? – Interroguei! Se fores curtir na rua, na avenida, bota em tua cabeça um chapéu colonial! Porquê isso? Rematei! Para meus quilambas te reconhecerem e, te resguardarem dum qualquer golpe de mão, de arma ou outro qualquer maleficio. Estes quilambas de FK eram em verdade capitães de guerra preta que normalmente actuavam como mercenários. Só podia ser!

FK6.jpg Eu, a pensar que estava por fora dessas manigâncias de guerra antiga, essa tal do tempo dos arcabuzes, das catanas e canhangulos do tipo pederneira. Tenho cá as minhas dúvidas de que FK não se dedica a cem por cento a extoquir seiva da Welwitschia Mirabilis e desses escaravelhos ou besouros pré-históricos que se regeneram em suas células moribundas. Deve também ter por lá, em Garanhuns, um bivaque kilombo com alguns desses antigos quilambas.

Digo isto porque aquele tal de negão, emissário de FK à macarronaria do Isac pescador, tinha essa pinta característica de quilamba ambaquista. Só posso imaginar porque nem o vi. Consegui descortinar por baús muito antigos que lá pelo ano de 1625 havia em um lugar de nome Ambaca estes já esquecidos quilambas mas isto virou pó do tempo acho eu; eram capitães que auxiliavam os portugueses na luta contra o gentio; isso! Gente da Matamba ao serviço da capitania de Ambaca.

FK7.jpg Filhos nobres de uma etnia nobre que combatiam com muita valentia recebendo por troca mais esmeradas atenções de não pagarem tributos, mais água ardente e vinho do M´Puto e, sendo-lhes destinados os postos de cipaio. Os ambaquistas eram então vistos positivamente pelo sistema colonial, pois serviam de intermediários com as populações situadas mais longe no interior do país.

No século XX, os ambaquistas propriamente ditos desapareceram, mas a palavra ficou neste então com uma carga mais como pejorativa; para os designar, até à altura da independência, os colonizados negros que tinham adoptado certos aspectos do modo de vida europeia. Os pretos ambaquences, para fugir ao serviço de carrego que era imposto a todos os camponeses do interior, alistavam-se como brancos nas companhias móveis do exército colonial.

FK3.jpg Assim foi, assim era, pois dizem os livros que “os pretos do interior em usando sapatos logo queriam ser considerados como brancos”. Vemos também que havia um número excessivo de meirinhos, alcaides e porteiros – isto é, de oficiais de justiça popular - os quais constituíam “um bando de carregadores que, imbuídos com as suas ideias de brancura”, se empenhavam e se atributavam como os soldados para serem assim nomeados. Claro que no correr do tempo tornavam-se sanguessugas das diligências diárias… Tanta coisa a rodar dum antigamente retido no esquecimento dos lugares de Zenza e de Kabassa. Agora só resta aguardar o encontro reservando-me ao direito de imaginar coisas, porque dali qualquer coisa é coisa!

O Soba T´Chingange        



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:55
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020
MOAMBA . XXXIV
JUVENESCENDO NAS CINZAS - 20.02.2020
Nos tempos dos responsos - Abrindo gavetas ou pedaços de escritas com choros secretos dum puramor…
Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

ÁFRICA4.jpg Juvenescendo em mim, uma inclinação de abelhudice, leio na praia da Pajuçara o Veredas de Guimarães Rosa e, num repente e entre algas de um mar quente, vejo-me também e, na forma de como Rosa diz em seu livro de romance, que viver assim é um descuido prosseguido, assim de “tempo de ir-vamos”.

Prosseguido, seguro uma pulga entre dois dedos num dia e um outro que se segue, negaceando as pulgas atrás d´orelha da prosápia de entre a amizade da ilusão e desilusão, entre gente longínqua afadigada, mas também das que vendem cocos, ovos de codorna e até santinhos envoltos em lírios, sem saberem que não precisa existir demónios para os haver.

CAUNI 3.jpg Num diz, que diz, conclui nas pressas que se não tem Deus, há-de nas gentes perdidas deste vai-e-vem de dizer só átoa de que a vida é burra. E, que num afinal o demónio não tem precisão de existir para o haver de sempre novo. Num pois e num mais e talvez, se não tem Deus, há-de a gente, os perdidos nesse vai-e-vem, de continuar na vida burra – coisa complicada.

Pois! Entre os perigos, grandes e pequenos, nas horas de apeto não podemos facilitar: Ou sim ou sopas! Num secalhar com intervalos na leitura das Veredas, picadas sertanejas, revejo tudo a modos de muito acima e por demais das minhas capacidades e paro. Paro para desentender engolindo frases com cuspo firmando-se em mim com quentura nas ideias.

brasão do monteiro.jpg Coisa de torcer vontades com força de arrobas porque pode-se ver a cada fim de página não uma alma penada mas, muitas obtendo corpo mesmo que retirando daqui e dali pedacinhos de palavras, os sargaços viram águas vivas, alforrecas que picam nas canelas, nos calcanhares e caté sobem ao tejadilho da gente.

Admitir-me assim nestas falas difíceis, é como me ver sem revôgo legal num pensar de assim conformemente. Enfim! Um gosto de rebuliço, diga-se em verdade. E, fico-me pensando numa dor que não tem precisão de ter razão, num conhecimento de saudade que não tem limites talqualmente como as pessoas que nem sempre nascem.

poluição.jpg É que viver sem pensar é um logro de decepção por conta exactamente desse esquisito silêncio; numa quase desconversa de relembrar os sofismas de muitos que sempre parecem ser o que não são ou num então do que querem ser, não sendo! Sofismos de muitos e ou alguém que me segura os olhos nos olhos.

Acho que tenho de aprender a estar alegre, gerir silêncios nos olhos e reler de novo os responsos que minha mãe metia nas frinchas das calças, nas pregas das cuecas e também na mochila com rezas a seus queridos santos; uma forma de oração popular muito antiga, em que as pessoas, em momentos de desespero, por guarda e amor, rezam em escrita para obter uma resposta do Céu em ajuda. Ajuda a enfrentar os desaires da vida…

O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:58
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Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CV

TEMPO DE CINZAS – MEDITAÇÕES

- M´Puto - kambada de hipócritas  - 19.02.2020

- As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local: - Nus, ateus e brancos…

As escolhas do T´Ching

Por

soba k.jpg José Pedro

A revolta dos porcos... Qual constituição? Por acaso o senhor papagaio Sousa e a serpente encantadora Costa têm conhecimento de uma fábrica em Gaia que poderá colocar 100 trabalhadores no desemprego? Racismo?

Chamar filho da puta, foste criado aqui numa linguagem típica e característica do "bom" futebol?... Bom, porque é que estes canalhas nunca se insurgiram da má educação que passam nos programas desportivos das TV´s em que só falam de futebol?...

balba2.jpg A clareza da constituição é assim tão clara que só se consegue ver o preto? Aonde ficam todos os outros que com o suor do seu trabalho mantém estes senhores hipócritas pomposamente em lugares de destaque com direito a palavra para falarem do que não sabem... A linguagem usada e dirigida a MAREGA, não são mais nem menos do que o normal no futebol, aqui ou na cochinchina.

Como é que tantos idiotas "brancos" seguem cegamente um Indiano, uma negra Ministra da justiça num País que suponho seja maioritariamente "branco", onde está o racismo?

fuga1.jpgEstes merdas hipócritas, estúpidos idiotas preocupados com a imagem e não com um povo que os sustenta, tem ideia de quantos destes trabalhadores são humilhados diariamente para ganhar 500 euros e não abandonam os seus empregos porque são honestos e tem família para sustentar?... Tenham vergonha e que os Milhões do MAREGAS não vos segurem politicamente...

fuga8.jpg Já agora para que fique claro porque da Constituição a clareza só abrange alguns, deixem-me que lhes diga, racismo é trabalhar e ver metade do seu ordenado roubado em impostos, racismo é sair de casa a pé com frio e chuva para ir trabalhar, ser humilhado e ganhar 500 euros por mês, racismo é assistir o MAMADU a insultar os "brancos", a incitar a violência em praças públicas sem que os cobardes que tem o poder actuem...

fuga11.jpg Senhores políticos a dignidade da pessoa humana não pode estar só na visibilidade social mas naqueles que com dignidade trabalham, contam os trocos para sustentar os seus filhos...

Quantos neste País do M´Puto gostariam de receber os "mimos" que MAREGA recebeu e fazer birra depois tomar um banho de imersão numa mansão paga pelos "estúpidos" que ganham 500 euros e depois no seu porches vai pelas ruas do Porto mostrar o que é racismo...

Mu Ukulu06.jpgEntrar em sítios onde para muitos "brancos" apenas é uma miragem... CHEGA e BASTA!  Tenham decência e alguma vergonha quando falam de "RACISMO" cambada de hipócritas! As coisas nem sempre são como tentam fazer crer... As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local: - Nus, ateus e brancos…

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:12
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Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020
MALAMBAS . CCXLIII

MOMENTOS CRITICOS 16.02.2020

- Quando o impensável acontece em nossos domínios?  Um CHEGA, será que chega?... Quando os penumbristas tomam conta de nossas bagunças, lixamo-nos ... Isso! 

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´ChingangeNo Nordeste brasileiro

desenr1.jpg Crises. Quem não as têm? Só mesmo quem está morto. Assim, se você está lendo isto, é sinal de que já enfrentou e enfrenta crises. Para além das pessoas, elas, as crises afectam também os governos, empresas, instituições e a igreja de Roma; em verdade, todas! E, em verdade, o próprio Mundo começou com uma crise – a de Adão e Eva que desobedeceram à única imposição que lhes foi imposta comendo a maçã da tentação, o fruto proibido.

A partir daí, as proibições foram no correr do tempo uma tábua morta levando até o dizermos que as leis são criadas para o serem, descumpridas… E, essas leis, foram sendo cada vez mais descumpridas usando para tal, meios tão sofisticados de interpretação que os antigos detalhes de diversão já prescreveram ou se desusaram; de acórdão em acórdão, de regulamento em regulamento, de leis cada vez mais reguladoras para a gente ver, tudo fazem para fazer espairecer o importante, se sofisticaram para além do plausível e também do conhecimento da maioria de nós, os pacóvios…

dia66.jpg E, de tal forma o são que os processos judiciais formam-se cabalas relinchadoras a exigir especialistas em sua interpretação. Hoje há técnicas e técnicos especialistas para disfuncionar o sistema numa fuga à fiscalidade, lavagem de dinheiros vindos do roubo, da corrupção, da droga e de algo ainda por descortinar. Não é por acaso que existem os paraísos fiscais aonde a trapaça é camuflada dos nossos olhares na segurança de uma impunidade aceite por governos e gangues de governação.

Entidades idealizadas no topo e na terra, compostas por cidadãos proporcionam novas crises originando aos governos posições erradas, agendas erradas e adoptadas em proveito próprio ou até servindo gente no escuro - invisível. Se perguntarmos a um qualquer membro de um partido qual é a pior crise de sua ideologia, as repostas poderão incluir dificuldades financeiras, escassez de liderança ou falta de carisma.

dia95.jpg Isto, inevitavelmente provocará queda no número de membros, gente cada vez mais alheia ou abstencionista e, por estes motivos e outros que não faltam, tudo irá de mal a pior tornando-se em algo inevitável, tipo um Deus nos acuda. Lá no fundo sempre haverá um departamento, uma secretaria, um ministério e por aí, até ao topo da hierarquia trabalhando num submundo do diabo – trabalhando noite e dia para idealizarem suas estranhas invencionices! Sim! Sem o parecerem ser – penumbristas!

E, estas coisas sucedem, chegam até nós nos momentos sempre piores surgindo sempre tradicionalistas de boa cotação a dizer que tudo assim acontece por crise vocacional na politica da fé… Dezenas de comentaristas virão dizer-nos o que teria de ser. É para endoidar gente comum como eu, outros confundirão tudo, lançando-nos em dúvida se o Papa de Roma será mesmo católico?

dia123.jpg Baralham-nos com as adjacências dos escândalos sexuais, roubos, fraudes e outras a nós dirigidas. Nós, “povo de Deus”… Entretanto nem podemos olhar para outros quintais, outros países que nem o nosso porque afinal todos estão conspurcados, alguns surgidos e nutridos nos extremos da fé socialista ou social-democracia. Pois! As crises sempre irrompem quando os governos se seguem por caminhos errados e o povo falha em ser democrata. Por isso, TALVEZ - “Movimentos suficientemente rápidos no momento critico, podem desarmar o insuspeito inimigo”.

No fundo, a questão nem será a existência de crises mas, como o povo as encara. Em palestras motivacionais, virou ser comum dizer-se que os ideogramas chineses para a crise, usarem um tal palavrão de “wein-ji” que significa “perigo ou oportunidade”, se bem que “ji” indica mais propriamente um “ponto crítico” em que as coisas acontecem dum “TALVEZ” ... CHEGA ...ou “oportunidade”.

dia183.jpg Daqui pode dizer-se que para melhor ou pior, grande crises desencadeiam enormes mudanças… TALVEZ!... CHEGA!...Se a dor da crise aqui do M´Puto, não levar a uma fé mais robusta nesta coisa de esconde-esconde, de brincarmos às democracias, a esperança mais forte numa vida de mais qualidade, ela foi, é e continuará a ser: inútil.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:31
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MISSOSSO . XLII

NA BEACH DO FRANCÊS – 2ª Parte

No tempo da vitrola…– 15.02.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estávamos em Março de 2007, dia da Mulher. Os barulhos de terra e as ondas do mar a desfazer-se em espuma no recife conjugavam-se numa sinfonia única. Era a música da vida, num dia que começava para a Malu, com seu acarajé quentinho e, enquanto isso, uma leva de gente embarcava no Massunim I, barco de recreio e passeio; iriam até às piscinas, uma lagoas naturais de mar raso e corais aonde os peixes confraternizavam comendo pedaços de pão que os turistas ofereciam.

grafonola2.jpg O ladrar de um cão, não condizia com o lugar mas este, indiferente, lambuzava-se na água, de rabo a dar a dar, gania para o dono peneirando o corpo, salpicando o ar. Chapéus, mesas e cadeiras de plástico de todas as cores surgem preenchendo a faixa de areia loira; a vista fica multicolor com salpicos de tralhas e trecos, caixas de isopor, esferovite com coco frio e também outras rolantes com ananás balouçando.

Mas também discotecas ambulantes em forma de longas caixas com rodas e o sempre presente “picolé caseiro caicó”. Mais lá à frente um pescador atento ao movimento das águas a imitar um albatroz ou uma águia pesqueira, lançava à água a rede que depois de fazer um circulo gracioso e penetrava na água trazendo quase sempre peixes pequenos, um ou outro um tudo-nada maior que pareciam roncar.

grafonola4.jpg As sete mulheres deitadas ou sentadas, iam-se rebolando em suas toalhas no trabalho de ficarem no bronze ideal; lambuzando-se até com movimentos demasiado provocatórios ao sol escaldante; uma delas já dentro de água adorava o céu de mãos espalmadas, impregnada de Iemanjá da kalunga que reluzia suas suaves ondas.

O capitão “Tanguinha do Mar e Céu” descrevia como um raizeiro, perito kimbanda procedia em suas virtudes do chá doutorzinho e mais uma catrefada de técnicas de embelezamento com unguentos de tradição dos índios Caetés; falava também dos seu inventos voadores, pois um dia, lá no sítio, observou uma folha de amendoeira caindo assim e daquele jeito que ele tenta mimicar e que o levou a inventar um pássaro que movia as asas e subia, subia como só ele sabia fazer – tanga da treta, pois!

forró2.jpg Vendeu a patente a um português que surgiu na praia e que após uns entretantos e, alguns reais, levou o seu “isopor voador” para Lisboa. Estava na cara que esta conversa de facilidades e tão brejeira só podia se uma peta das mal inventadas e dai a concordar por inteiro com seu nome de capitão Tanguinha – outro nome não lhe iria condizer tão ao jeito, pois!

Nesta praia funcionam as regras “de entre amigos” alugando os barcos em rodízio a fim de todos ficarem com algum miseré. Parados no curto horizonte da Praia do Francês estavam os barcos Corais Bar, O Maiorca e o Masunim II. O capitão Tangas ainda ventilou a hipótese de eu lhe comprar o Corais Bar mas, retirei-lhe ousadias com um encolher de ombros… Se tinha duvidas ficou agora com a noção de que o "je" estava ali para curtir a vida com três peixinhos ao dia-a-dia!

forró 1.jpg As sete mulheres entrelaçadas em suspiros de entre ai-ais voadores, juntaram suas vestes translucidamente voluptuosas nos rendados e lá se foram ao restaurante “O Pato” da Massagueira a festeja seu dia - dia da mulher, pois então. Neste momento surgiu a simpática Elisabete a vender-me a taluda da sorte, uma tal de mega-sena e, porque me fiou parcialmente lá acedi a ficar com tamanho desejo; Não se admirem de na praia até venderem sortes pois! Aqui a praia é um grande e longo bazar. Aonde se vendem vestidos, panos de cozinha e o escambau. Aqui nesta praia do Nordeste – Marechal Deodoro, até sinos em bronze já vi vender – parece mentira mas não o é…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:12
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Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXXI
 

Agora que estou de range rede, sabe! Era um era, num era, um preto que sabia o seu lugar sim doutor, sim doutor…

14.II – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa...13.02.2019

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Últimos 3 Livros em cima da mesa da cabeceira - criado mudo.

12 - O PADRE CÍCERO - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

15 – GINGA – Rainha de Angola de Manuel Ricardo Miranda

booktique21.jpg Guimarães Rosa não escreve sobre o sertão – Ele, é o sertão! Estórias de barrancos escritas aos solavancos numa língua inventada por ele. Uma literatura diferente de todas as que já li com inventações, mentiras e verdades numa língua polifónica de linguajar surreal. Não! Nunca li coisa assim! Coisa linda descoberta e inventada numa imperfeita perfeição. Há mais de um mês que leio e releio saboreando os trocadilhos que sublinho e, volto atrás porque nem de patavina eu entendo.

Sublime no arranjo das palavras, elas se encavalitam empolgando meu relinchar no cerebelo. Combinações lindas e, nunca lidas por mim que sou cusca e que também escrevo de atravessadiço. Proporcionando-me um juvenescimento ressarcido dos capinzais agrestes e com uma inclinação forte de abelhudice assim como um vive num prosseguido descuido de deixa para lá entre latas de formicidas, creolinas e até arsénico; tudo envolto em ferramentas roscofes. Assim é!

lagar5.jpg Pois é! Tudo junto e ao molhe na fé de Deus, com enxadas e facões de aço. O dicionário não comporta esta escrita dum sertão em veredas tortuosas como as picadas ladeadas de securas; uma obra literária de tirar o folego, que nos envolve numa nova forma de revolucionária caipirice. Assim enredado entre tantos e compridos caminhos vejo-me sem rumo, sem norte, sem o escambau muito rodeado de edecéteras das veredas.

Se é romance, ainda não apanhei o fio à meada mas como obra-prima deve ser bem de primeiríssimo grau, obra literária que nos parte o coco e nos enreda numa direcção sem rumo. Já perdi o Norte e ainda vou na página sessenta num total de 439 – Quantas vezes terei de voltar atrás; dou-me conta que minha matumbice é por demais de fina estirpe, visse! O narrador é um tal de jagunço chamado de Riobaldo, que tem o diabo no corpo.

lampião27.jpg Entre o bem e o mal das trevas, a força do sofrimento ultrapassa a violência. De chapéus desabados nos avoantes passos a chuva repega descendo o rio Paracatú que nem uma mulola de angola humedecida, caída das nuvens. Às tantas, matam um macaco para matarem a fome que era mais que muita e, nem se dão conta que este dito cujo sujo e peludo não tem rabo. Dão-se conta que é gente, minhanossa! Algo de maldito que só mesmo a penumbra da mente pode alcançar. A jagunçada só soube que era homem quando alguém falou que aquilo não tinha rabo, pode!? Isto, só podia ser mesmo coisas do diabo…

Então e relendo, directamente leio: - E ele umbigava um principio de barriga barriguda, que me criou desejos… Com minha brandura, alegre que eu matava. Mas, as barbaridades que esse delegado fez e aconteceu, o senhor nem tem calo em coração para poder me escutar. Conseguiu de muito homem e mulher chorar sangue, por este simples universozinho nosso aqui. Sertão. O senhor sabe: sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado! E bala é um pedacinhozinho de metal…

lampião13.jpg Hoje em dia, não me queixo nenhuma coisa. Não tiro sombras de buracos. Mas, também, não há jeito de me baixar em remorso. Sim, que só duma coisa. E, dessa, mesma, o que tenho é medo. Enquanto se tem medo, eu acho até que o bom remorso não se pode criar, não é possível. Minha vida não deixa benfeitorias. Mas me confessei com sete padres, acertei sete absolvições. No meio da noite eu acordo e pelejo para rezar.

Seja sem espera, quando já estão meio no mio, aquilo sucrepa: pega a se abalar, ronca, treme escapulindo, feito gema de ovo na frigideira. Ei! Porque, debaixo da crôsta seca, rebole ocultado um semifundo, de brejão engolidor… Poi, em roda dali, João Goanhá, um dos jagunços dispôs que a gente se anoitasse – três golpes de homens – tocaiando. Dos nossos, uns, acolá, deram tiros, por disfarçação. Iscas! Ave, e pronto de repente foi: a casca da terra sacudida, se rachou em cruzes, estalando, em muito metros – balofou…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:45
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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2020
MISSOSSO . XLI

NA BEACH  DO FRANCÊS1ª Parte

No tempo da grafonola… Aqui se chama de vitrola…12.02.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

grafonola1.jpgEstávamos em Março de 2007, dia da Mulher. Para lá do recife via-se o infinito redondo formando uma linha mais azul a tocar os dois fluidos, água e ar; uma jangada de vela triangular ondulava depois da espuma entre o reflexo do sol e o refluxo das ondas espumando brancura nos rochedos escuros de corais  

Às seis da manhã as cores são bem mais azuis e as nuvens mancham o mar de escuras sombras. Os grilos e cigarras da terra, parecem estar numa tensão desmedida zunindo insistentemente nos dois ouvidos, um cão algures uiva. As cadeiras, chapéus e mesas iam surgindo ao longo da língua de areia que crescia conforme a secura da maré na Praia do Francês.

grafonola2.jpg Uma gorda velha furava a areia contorcendo o pau suporte da sombrinha num vai e vem de vice-versa até completar a correcta fundura a fim de suportar na verticalidade o vento persistente que sempre se fazia sentir. Esta mulher, curiosamente tinha uma perna branca e outra preta; coisa a raiar o anormal – não podia ser!

Mas era! Embora fugindo das características habituais, mas era. Entrei na água entonado de curiosidade e fui-me acercando até que pude perfeitamente definir uma prótese, branca e mais fina desajustada na forma estrutural; o sapato também desdizia com o resto e, fiquei até com muita pena e desejando que as suas bóias fossem todas alugadas p´ra suprir carência tão óbvias.

grafonola4.jpg Não restavam agora dúvidas, a senhora não tinha uma perna e sobrevivia alugando inflados pneus de carro e camião mais uma baleia riscada de Moby Dick, dois golfinhos azuis para os pivetes que surgiam pelas mãos de seus progenitores; O negócio assim e deste jeito transparecia; a vida não é fácil mesmo estando num paraíso tropical como este.

Esfregam-se ternuras com próteses para encanto de tantos que se apercebem disso; aquela perna branca e fina era tão parte integrante da senhora que a vi coçar bem junto ao joelho como se um moscardo a tivesse importunado. Como é possível ter tanta familiaridade no apego àquilo que é nosso. É que eu, por vezes também tenho dor de dentes; dentes que só são meus porque os comprei!

AMADEU3.jpg A balsa já tinha contornado o recife, podia ver-se a silhueta do homem ximbicando para norte até às piscinas baixas entre os contornos do recife. Também ele, senhor Moisés, o pescador, estava esfolando a vida de todos os santos dias; tarefa que só ele sabia fazer daquele jeito – pescando frutos do mar no recife.

Já sentado no patamar do “Tarrafas Bar” do meu amigo Carlos de Foz de Iguaçu, acarinhado na sombra dum jango de folhas de coqueiro, com outros mais a rodear o espaço, podia ouvir a cantoria dum sabiá e, não muito distante misturava-se com insistência a cantoria de um bem-te-vi. Estes sons conjugados com os sons do mar eram em verdade, um hino à vida…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:00
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KANIMAMBO . LXVII

REGRAS DE VIDA - Curiosamente a Bíblia fala mais sobre as mãos do que sobre o coração...

- Nossa singularidade - Nossos Ossos 12.02.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nodeste brasileiro

amigo1.jpg Nossas mãos representam os mais intrincados componentes físicos. Em nenhuma outra parte do corpo há tantos itens reunidos em espaço tão pequeno. Poucos sabem disto porque faz parte de nós e, descuidamo-nos no saber das coisas nossas...

As duas mãos somam um total de 54 ossos, representando mais de um quarto dos ossos do corpo. A rede de nervos para detectar calor, tato e a dor, é das mais complexas.

São centenas de terminais nervosos por centímetro quadrado, a maioria concentrada nas pontas dos dedos. A sensibilidade ali é extraordinária. Máquina tão perfeita, Noé!?

kani1.jpg Muitas mãos deixaram suas digitais nas páginas das Escrituras e, curiosamente a Bíblia fala mais sobre as mãos do que sobre o coração... No entanto sempre referimos o coração na ligação de ternura como o amor, Noé!?

Registando a tragédia da nossa singularidade, Adão nos expulsou com suas mãos. As mãos de Caim marcaram de sangue as origens da raça - matou Abel... Viver, sempre foi muito perigoso, Noé!?

Este tal de Noé com suas mãos mais um tal de Abraão deixaram um testemunho de fé e obediência. Claro que vocês nem se lembram, nem podem porque, isso foi num muito antigo tempo...Noé!?

kani2.jpg Balaão, porque li recordo: Espancou um animal indefeso... Hoje, outras mãos, até o pai e mãe matam, quanto mais um cão ou um gato! Está mal, Noé!?

Assim, e recorrendo dos livros sabemos que Judas estendeu suas mãos para receber o preço da traição - Trinta moedas, Noé!? E, foram as mãos de uma pecadora que ungiram Jesus na sepultura - Todos o sabem, Noé!?

E, se bem se lembram as mãos de Pilatos foram lavadas por si mesmo para se redimir de um erro: - Lavo daqui minhas mãos desta injustiça. Se assim não fosse poderíamos ter uma outra estória, Noé!?

kanimambo3.jpg Vocês devem saber que Ele usou suas mãos para fazer ver, fazer andar, mover ventos, mover águas e também lavar pés, Noé!?

Uma das cenas mais tocantes do evangelho aparece quando Jesus toma a orelha de Malco, que O fora prender e, a restaurou...

Desconfio que meu amigo General Emérito FK nada sabe disto. É que este malvado alem duma perna de pau, tem uma orelha de plástico! Só sei que esse tal escaravelho da welwistchia Mirabilis lá terá algo a ver com isto, tipo regeneração como o rabo da lagartixa,

; tenho cá as minhas duvidas, Noé!?

kanimambo4.jpg O certo é que sem mãos ficamos manetas e raramente damos o valor a coisa tão nossa. Acho que com muita fé, meu amigo Fala Kalado poderia vir a ter um nova orelha e depois deixar de se dizer coitado com aquela perna que não transpira muito sujeita a ter cupim, salalé... Será? Noé disse, assim confidenciou-me... que só mesmo quando virar cinza! Já calculava, Noé!?

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:05
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Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2020
MALAMBAS . CCXLII

TEMPOS CINZENTOS E O PESADELO DA DEMOCRACIA EM SETE TEMPOS

- Nos intervalos da vida, durmo!  – 11.02.2020

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

einst1.jpg O homem por mais que conheça e possua, não é nada - quem o disse foi Albert Einstein. Estranho que muitos de nós se julguem ser mais alguém que outrem só porque assim querem pensar, quando no real, o significado da vida de um qualquer individuo, deve consistir-se em tornar a existência de todos, melhor e mais digna. A este supremo valor se devem ligar todos os demais.   

eça2.JPG Hoje acordei virado para o lado das boas estrelas assim nesta boa vontade e, no possível, procurando fazer uma doutrina de ver uma humanidade mais perfeita. Não sou nada; não professo nada nem guardo qualquer dia como santo para o que quer que seja, mas e, deste jeito, elimino silêncios na firme convicção de que servir a Deus equivale a servir a Vida.

Talvez seja problemático somente ocupar-me da Vida considerando-a só por si como uma religião no sentido do termo, não me exigindo qualquer crença mas, respeitando a vida, o canto dos pássaros e, o espectáculo da natureza dá-me, creio, o direito de no mínimo me julgar feliz. Através do espelho vejo-me uma pessoa entrada na idade e com ela, a imagem, a minha própria, relembro-lhe:   

dom2.jpg - As leis humanas mudam segundo os lugares, o país, as pessoas, os tempos e os interesses; alheia-te de julgares porque o progresso do mundo não está nem na falsidade nem na hipocrisia mas no progresso da inteligência. Pois é! Um homem sem a liberdade de ser e agir por mais que saiba conhecer, também nada será.

Não obstante com toda a inteligência desejável, hoje as nações encarnam-se no poder, económico e político e, por sequência com seu poder militar e, isto não me parece bom para o Universo – para nós. Como no fim de um ciclo, nos reduziremos exteriormente à escravidão num desejo da verdade, da justiça, e essa tal profunda liberdade.

phisalis0.jpg Num repente, verificamos estar entre sacrifícios matreiros, impostos e, pensando que esta inteligência de alguns, os do mando nos leva a um progressiva usucapião de nós mesmos. Nós mesmos, envoltos num pesadelo chamado de “Democracia”. Nesta evolução, verificamos suportar nossa própria condenação à categoria de escravos – coisa inevitável aonde o sacrifício se torna um absurdo!

picasso2.jpg Pensar torna-se assim algo de muito perigoso! Estamos assim numa visão de percepção dos sentidos que só nos oferecem resultados indirectos sobre o mundo real. Sim! Pois somente a via especulativa será capaz de nos ajudar a compreender os factos perceptíveis que mudam. Os conceitos do mundo actual, valores, crenças e as histórias da avozinha, não são mais as mesmas; andamos a ser robotizados…

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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BOOKTIQUE DO LIVRO . XXX

Estou de range rede…! O tempo da Kalunga, ruge…

Em Cabassa de Angola nasceu N´Zinga M´Bandi N´Gola que mais tarde ficou conhecida como Rainha Ginga09.02.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Últimos 3 Livros em cima da mesa da cabeceira - criado mudo.

12 - O PADRE CÍCERO - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

14 – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa editado pela Companhia das Letras

15 – GINGA – Rainha de Angola de Manuel Ricardo Miranda

booktique25.jpg Em Cabassa de Angola nasceu N´Zinga M´Bandi N´Gola que mais tarde ficou conhecida como Rainha Ginga. Foi de 15 para 16 de Janeiro do ano de 2009 que eu e minha cara-metade de nome Ibib, passamos a noite na Residência Camões, uma residencial modesta situada bem perto da Praça também de Camões e, tendo mesmo em frente a Embaixada do Brasil. Ficamos na Rua do Poço dos Negros, Bairro Alto, um lugar em que os escravos de tempos passados levavam em baldes a merda e o mijo dos Nobres de Lisboa.

As barricas de penicadas eram despejadas num poço ou directamente no Rio Tejo. Neste então havia no ar um cheiro constante de bosta com coisas nauseabundas à mistura como gatos e cães mortos e vísceras indiscriminadas. Arrepia até escrever isto mas assim era naquela época medieval da qual saíram pestes negras e de outras indefinidas “cores”. A toponímia local faz-nos lembrar também o mar, a kalunga distante com kiandas, gaivotas e pescadores mas, o sítio será sempre restos de má memória porque assim se caracterizou.

lisboa0.jpg Fala-se na existência de uma carta régia de D. Manuel I, datada de 13 de Novembro de 1515, escrita em Almeirim e dirigida à cidade de Lisboa, sobre a necessidade de ali se depositarem os corpos dos escravos mortos, sobretudo aquando de surtos epidérmicos que diga-se, deveriam ser muitos. Diz a carta que os escravos eram mal sepultados e muitos seriam mesmo lançados na lixeira Cruz da Pedra na actual, Rua Marechal Saldanha que está no Caminho que vai da porta de Santa Catarina para Santos, ou para a praia, onde ficavam à mercê da voracidade dos cães. Posso imaginar a nojeira que era nesse então.

Se falar de Paris daquele tempo talvez tenha uma visão ainda mais aterradora se rebuscarmos nas Tulherias esse então tão revolucionário aonde os cavalos relinchavam entre valas escorrendo negrura para o rio Sena; por este motivo os franceses apuraram cheiros tornando-se os melhores fabricantes de perfumes. Esses tempos medievais eram tão nojentos que o ar era empestado pelas fezes dos muitos cavalos que talvez aos milhares salpicavam o agora Arco do Triunfo ou os Campos Elísios.

lisboa1.jpg Foi no dia seis de Janeiro que obtive o visto de residência no Brasil e, com a assinatura dum tal senhor adjunto do Cônsul de nome M. Novaes que me pareceu muito cheio de nove horas. Nesse então já era proprietário há três anos de uma casa na Praia do Francês. Bom! Mas vamos então à descrição muito parcial do livro do dia e sem maka porque diz um provérbio do Catambor da Luua que em maka de brancos, só os burros se metem! E, assim chegamos aos engenhos de assucar num mês de Agosto, a altura certa da moagem da cana.

A moagem tinha início logo pós o despontar do dia e ia até o pôr-do-sol; durante os três meses de trabalho intenso tudo teria d funcionar como um relógio. Quando algo corria mal, haveria sempre um culpado a apontar! Munidos de foices, catanas ou facões, os homens cortavam a cana e as mulheres amarravam-nas em feixes de doze unidades. Cada escravo era obrigado a cortar diariamente trezentos e sessenta feixes, que as mulheres a seguir, teriam de amarrar.

lisboa4.jpg O sonho da liberdade não se desvanecera, contudo a fuga do engenho só era possível em direcção ao agreste e depois sertão. Kanjila, já por várias vezes vira o que acontecia aos escravos fujões; eles voltavam quase sempre ao engenho, normalmente ao fim de alguns dias, debilitados e até feridos pelas dentadas dos cães de fila que acompanhavam o guardas nas buscas. Vinham carregados de ferros!

eça6.jpg Por último, quando regressavam ao engenho, eram submetidos a castigos no tronco. Eram chicoteados e por vezes ou quase sempre era-lhes aplicado um ferro em brasa na cara gravando-lhes um “F” de fugitivo. Os que não regressavam eram possivelmente capturados pelos índios selvagens e, certamente comidos. Kanjila interrogava-se muitas vezes sobre qual seria a situação do seu reino do outro lado da kalunga.

E, sempre que chegavam novos escravos ao engenho, procurava sabe por eles, notícias da Matamba, do seu Kongo de N´Dongo mas nem sempre com resultados pois que ou eram de Minas, gente do Zaire, ou Muçulmanos e, muito raramente da sua etnia. Assim pensando e metidos num atoleiro apareceu o capataz, um encorpado mulato mazombo que por via deste empate e quebra de rendimento, logo o ameaçou levar ao pelourinho, o tal tronco das calamidades…

lisboa5.jpg Assim e afastando-se o capataz ainda deu para ver seu sorriso maldoso, batendo o chicote no cano alto de sua bota. Naquele engenho era prática em cada qual fazer sua comida, farinha de mandioca, feijão de corda numa mistura de charque trazido das terras do sul, Cisplatina; Pampas aonde havia muitos animais em estado de soltura. Hoje podemos apreciar esta carne na forma de sarapatel ou carne de sol mastigando por vezes gengibre em defesa dos muitos infestantes na forma de parasitas; este costume ficou e, recomenda-se quando se come o tal de sururu (mabangas da lagoa…).

ADENDA DO PROFESSOR  JÚLIO FERROLHO

julio2.jpgGostei muito desta crónica tropical-afro-lusa do nosso Soba mas a questão (do Poço dos Negros) é muito polémica. Interessei-me por esta matéria porque vivi a minha juventude de estudante naquele bairro de Santa Catarina, Bairro Alto, S. BENTO nas décadas de 1960-70. Percorri a pé milhares de vezes nos anos de solteiro e depois de carro a Rua do Poço dos Negros. Há quem afirme que o Poço dos Negros não deve o seu nome ao facto de se atirarem para dentro dele os ditos mortos, mas sim a uns frades. (Devo confessar que não tirei ainda a limpo a Carta Régia de D. Manuel que o António cita). O que é certo é que no séc.XVI, quando Lisboa era assolada por epidemias de peste, sabe-se que o rei D. Manuel mandou abrir valas comuns para recolher cadáveres pestíferos, quer pelo facto das igrejas estarem sobrelotadas, quer para evitar contágios. Sabe-se mesmo que uma dessas valas foi aberta não longe desta zona do atual Poço dos Negros, então área erma na periferia da cidade. Após o concílio de Trento, os dois ramos dos frades beneditinos (patrono mor S. Bento), ordens até então instaladas no mundo rural, começaram a construir conventos dentro das cidades. Os cistercienses, ditos os Brancos dada a cor das suas capas, abriram no convento do Desterro uma "sucursal" da casa-mãe de Alcobaça. Quanto aos cluniacenses, chamados os Negros, por ser dessa cor a sua larga capa, vieram de Tibães e Santo Tirso para a capital. Adquiriram uma enorme propriedade na encosta que hoje chamamos a Estrela, limitada em baixo pelo vale que rapidamente se chamou de São Bento. No princípio da encosta, construíram, a partir de finais do século XVI, um enorme mosteiro, dito de São Bento, que hoje é a Assembleia ds República, que já foi as Cortes e a Assembleia Nacional do estado novo. Como é sabido a zona ocidental de Lisboa foi sempre carenciada de água, pelo menos até D. João V construir o Aqueduto.

kunene.jpgPor isso qualquer nascente era uma bênção. Acontece que os padres Negros, como todos lhes chamavam, dispunham, no limite sul da propriedade, mesmo no vale verdejante, de um poço farto que rapidamente - talvez até para ganhar simpatias - puseram à disposição da vizinhança. Daí, agradecidos, os beneficiários usufruíam a água preciosa que os padres lhes ofereciam, chamando-lhe por isso o Poço dos Padres Negros, ou, para encurtar, o Poço dos Negros. Pela lógica das coisas e dos usos e costumes destas gentes parece-me pouco provável que se atirassem para dentro de um poço com água para beber e cozinhar cadáveres empestados. Acresce que os negros escravos de que se fala eram normalmente batizados pela igreja católica, como era costume e como condição prévia para serem negociados. Não se compreende que se atirassem para poços cadáveres de criaturas crentes de Deus sem os sepultar. Daí a minha convicção de que esses deveriam ser enterrados nas grandes valas comuns que o rei Manuel mandou construir.

J.F.

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O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:11
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Domingo, 9 de Fevereiro de 2020
MISSOSSO . XL

MISSOSSO NORDESTINO09.02.2020

Não é de hoje que algumas pessoas acreditam que os ET´s ajudaram a povoar a Terra … Piratinga, talvez fosse um descendente do Caramuru ….

Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

No Sertão brasileiro, até enterro simples é festa. Posso explicar noé! O seu Padre com seus petrechos, escapulário e cruz na imagem da igreja, segue passo lento ao som da bandinha de música parecendo todos uma nação Maracatu…

maracatu0.jpg Com chapéu de couro de boi de Gravatá, seu senhor pároco de alpercatas, dava forma e mote às ladainhas das velhas e mais gente cantável. Assim, parecendo uma procissão sensata de encher a estrada de pó e, rezando misérias a caminho de o serem riquezas, caminhavam…

As riquezas eram daquelas de não haver mais crimes, nem ambição nem mesmo sofrido sofrimento pedido na glória do perdão do mundo. Espraiando seus sofrimentos nas costas de Deus até e na hora de cada uma morte e, com todos respondendo ao mesmo tempo ao padre – ámen!

maracatu1.jpg Nas lembranças com coração tão branco, tão grosso de bom, ele seu Piratinga era um homem de mansa lei, mesmo, mesmo de muita alegre vida vivida. Isso! Caté dava gosto de conversar com ele. Defuntado do agora, seu Piratinga só ficou uma lembrança.

Lembrança balouçada no incenso muito espairecido, feito fogo depois de cinza. Sim. Dizem! Dizem que o diabo, ia em todo seu santo dia lamber o prato no seu quintal juntamente com os gatos negros da Dona Joana com quem estava umbigado. Todo o mundo dizia!

pombinho5.jpg Todo o mundo dizia, falava que o leite dela era venenoso; tudo inveja, acho! Dizem também que comer, beber, apreciar mulher, quase que tudo, para ele, seu Piratinga, era igual!

Agora que se desfaleceu de morte morrida, tem de comer escondido a ouvir suas antigas veias fossurando o riso do ar de seu voado fogo. Assim mesmo neste zunzum de despedida encantoada, se não tem Deus, então a gente não tem licença de coisa nenhuma – nem de morrer, vice!  E, é? É - Nem precisa de se ter razão, nem conhecimento… FUI!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:54
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Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2020
MULUNGU . LXIII

TEMPOS CUSPILHADAS

– Passeando correia sem cachorro no reino da perfeição do M´Puto... 05.02.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

chicor4.jpg De longe, tal como ver uma paisagem das do género “vista panorâmica”, posso ver sombras de definir melhor os contornos ao crime organizado, às regras de diluírem as gravidades dos corruptos e corruptores; assim como feridas na natureza na forma de fogos e minas em céu aberto, em um país já manchado pela tradição de impunidade; da implementação de medidas dilatórias como fábricas de dissolver o mal, amenizando-o até se esfumar no tempo e, na forma de prescrição.

De longe dessa paisagem dum país a que chamo de M´Puto, diminutivo até carinhoso de Portugal, posso ver os tropeços das falas “de quem de direito” numa perfeita tradição de clarear o que sempre me pareceu escuro. Neste maravilhoso país do M´Puto, o tempo até parece estar ao lado, mancomunado com os que roubam descaradamente o nosso património assim seja por via bancos, entre outras manigâncias em que a engenharia financeira é mestra de sábia.

CUCO1.jpg Com esse tempo correndo e, de longe, vejo que se vão arranjando leis a eito, jeito e preceito para quase tudo amenizarem ficando no pouco a pouco e, na forma de paulatinamente, tal e tal crime tornar-se em coisa pouca. Coisa de nenhures que se evapora a partir desse fragmentado estado sólido. Alguns há, que passam daquele estado sólido ao sublimado; esfumam-se sem mais nem porquê e, de jeito, numa lei a contento, sublimando-se assim um crime – fácil!

Nós - “a gente precisa garantir que as decisões de magistrados e procuradores sejam isentas ou, sem a contaminação da política partidária ou ideológica”. Que se afastem todas as hipóteses de manipulação. Acho assim, que deve ser criado uma Comissão de Reconciliação com o povo no sentido de lhe restituir a dignidade e fazer-se justiça num tempo que nunca seja prescrito nem dilatado para lá do razoável.

Deste modo e como se verifica, a justiça só irá dar tiros em alvos bem definidos, alvos sem defesa, débeis ou corriqueiros, ninharices; alguns, só o serão para transparecer e, a justificar o injustificável com manobras avançadíssimas em diversão ou dispersão. As leis, os acordos, os regulamentos, as tretas, sempre chegarão até nós despoluídos por purga ao criminoso, se isso o for de conveniência a quem tem o mando, nesses tais conflitos de interesse. E, nós, o comum dos cidadãos ficamos a “ver navios”; um convénio chato. E, nisto de navios o meu berço - “o Niassa” já nem ferrugem o é!

niassa02.jpg Num dia após outro dia, tudo anda na mesma, como a lesma num poço escorregadio - subindo dois e descendo três conceitos (como se isto se pudesse medir aos palmos); nuns casos, os processos são exíguos, noutros referem ser de “mega processos” como se isso só por si fosse razão para ficar numa de deixa para lá num logo se verá…

E, como a justiça é hábil e ágil com os fracos e tão lerdos com os de alto coturno! Óh gente, gentinha, gentalha da nossa terra, morcões que nada fazem para tudo isto mudar - mudar os paradigmas estabelecidos que são tabua morta e só prejudicam nosso aprumo. Que só servem para os arranjinhos e afins duma qualquer geringonça ou aranhonça.  Até me apetece dizer que vós estais acomodados porque andais ainda a ser construídos.

GALO02.jpg Mereceis, porque sedes coniventes! Depois à boca pequena choramingam-se apelando a Deus como se este não tivesse também mancomunado com as sortes; como se Ele não tivesse mais coisas com que se preocupar para além da mega-sena. Neste torpor os juízes sempre irão fazer prevalecer as leis dos seus pares do avental, dos lóbis dos danados Espíritos, do seu poder extremo mais as rebaldarias de um qualquer Sócrates com mais recursos do que o bicho-da-seda, com infindáveis casulos e rolos de fios que se empecilham… 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:13
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Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2020
MUXOXO . LIX

VUZUMUNANDO A VIDA NOS MEUS KITUKUS - T´Ching: 04.02.2020

N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Kitukus - mistérios

Nos mistérios do tempo em que as palavras picavam em mim uma grande gastura mas que só o tempo deu justa noção nesse pensar desconjuntado.

Por

soba15.jpg T´chingange na Mulola Nordestina do Brasil

sertão0.jpg Muito só, dez dias atrás, resolvi abrir uma nova página no FB e… recordando este quatro de Fevereiro… Pois é! Abri uma nova página no Facebook com o nome de Profeta Moisés e, como surpresa imediata, um dos muitos pedidos de amizade vinha de Jesus Cristo. Intrigado fiquei uns dias retendo o pedido enquanto ia recebendo muitas outras, gente nitidamente ligada às coisas litúrgicas, eruditos até às pontas dos cabelos.

Gente de muita religiosidade; uns abraçados a santos, outros acendendo velas botando fumo pró céu, e outros ainda mostrando o Espírito Santo na forma de pomba. Fiquei assim a saber que existem aqui mais igrejas do que hospitais e, nas mais diversas formas a começar na Quadrada-não-sei-das-Quantas…

cão4.jpg Assim, assentando os contrafeitos nos factos com dúvidas na forma de gráfico, ora para cima, ora para baixo, fiquei espantado quase no estupefeito quando surge um novo evento: Era Nosso Senhor, adicionando-me como amigo. Belisquei-me para ter a certeza que ainda estava pela terra e fiquei extremamente cauteloso sem saber ao certo o que dizer!

dia155.jpg Lembrei-me em seguida que tinha mencionado dias antes, algo de que Jesus cansado das trapaceirices humanas quis ir para o pé dele, seu Pai, aos 33 anos. Um contador de estórias faz o tempo passar entre os pingos da chuva ajudando a preencher os buracos do ócio ou da árdua tarefa da existência. Fazendo assim gaifonas com as palavras recria um outro jeito de levar a vida, aliviando as tensões que a sociedade nos impõe.

Só falo isto porque minha família é toda ela santa a começar pelos nomes. Eu explico: Minha avó era Madalena Topeta, meu tio Zé era o Cristo de alcunha e meu tio Tonito o nosso Senhor. Não vem mal ao mundo, mas isto sempre me sofragou entre os desprevenidos; Mas, então vou fazer como se em verdade não sou de meio-dia com orvalhos e, que saiba também não tenho essa fraca natureza.

lampião17.jpg Fazendo assim e assado malabarismo com palavras, componho ramalhetes de flores de falas; coisa nenhuma ou frito mais cozido! Por vezes posso ser levado a sério mas, convém sempre reflectir na mensagem subjacente às entrelinhas das boas farsas. Não! Não há boas farsas! Vejamos: Conforme Deus mandou, Moisés lançou sua vara ao chão e ela se transformou em uma cobra, então Faraó chamou seus feiticeiros, que fizeram o mesmo, porém, a cobra de Moisés engoliu as cobras dos feiticeiros de Faraó – gostei!

Mas isto não convenceu Faraó, que por não acreditar em Moisés, mandou aumentar o castigo sobre o povo de Israel mas, o Faraó perdeu em toda a linha com umas quantas pragas. Sei que Deus falava com os demais profetas por meio de sonhos e visões.

lampião10.jpg Nesse tempo, é lógico, não contactavam por telefone, celular ou email ou nesta ferramenta do Facebook lançada só a 4 de Fevereiro de 2004 por Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin. Sei porque li no livro sagrado de que o encontro de Moisés com Deus foi real e em 3D e, não um encontro indirecto, casual ou virtual mas, neste mundo conturbado de agora, tenho receio que não seja este, o mesmo Deus venerado por bilhões, muitos mais do que os utilizadores do Facebook. Fiquem com Ele…

O Soba T´Chingange

 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:48
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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2020
KALUNGA . VI

MOKANDAS XINGUILADAS

- A DOENÇA DA DEMOCRACIA E A ECONOMIA DA CORRUPÇÃO – 03.02.2020

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais de Nkisi/Mukisi.

Por

soba24.jpg T´Chingange – Desde o Nordeste brasileiro

n´tundo2.jpg Undenge ami mu moamba – já passou! Agora que todos falam, que todos partilham despilfarros dos milhões alheios, gostaria de ter uma conversa com meu amigo General Emérito FK, retirado das manobras de engenharia financeira, nas trocas e baldrocas mais os desvia na forma de roubo capiangado na sua cada vez mais longínqua N´Gola. Falo claro, da já muito badalada Isabel dos Santos a filha do presidente “Edu da ínclita geração”, segundo na linha do tempo e primeiro na forma de roubos qualificados.

Isabel dos Santos a mulher mais rica de África, assim se tornou por mágica de expontânea vontade e a partir do nada. Agora muito cobiçada, dizem e desdizem como se tudo fosse um equívoco de devaneio mas, descrito por ilustres personalidades do M´Puto e não só, como uma odisseia levada a cabo por uma respeitável e inteligente senhora engenheira.

Falas impregnadas de numa pegajosa e conspurcada subalternidade e, com vistas demasiado largas para não se vislumbrar as muitas irregularidades. Tudo muito natural nas habituais práticas de governação em África mas que em Angola tomou foros de um poder nunca visto, imaginado ou mesmo adivinhado. Anseio a presença deste meu amigo General Emérito Fala Kalado pelo facto de também ele ser perito nestas pisadas agrestes…

n´tundo1.jpg Falcatruas iniciadas em candengue num estágio único de saltar hortas para roubar gajajas, sape-sape, maças da índia e goiabas; roubo de formação, um estágio primário em que também participei, diga-se… Em idos tempos de colónia de quando o kumbú era tão por demasiado caro que sempre dizíamos de kitare malé. Isso!

Nesses idos tempos em que nem nunca falávamos em milhões; esse mesmo em que havia brancos e negros trabalhadores morando de vizinhos, carpinteiros, serventes, comerciantes ou funcionários raspando a vida do mesmo jeito: trabalhando! Tempos em que os jornalistas escreviam nos jornais. Jornais que eram até de muita importância, de valia quase vital porque nesse então.

Naquele nosso velho tempo os jornais tinham três funções: leitura, limpeza do fiofó ou para embrulhar nas mercearias o feijão, milho, fuba ou qualquer outro tipo de cereal; tempos em que nem se pensava numa tal de AZAE, reguladora de quase tudo no M´Puto. Eram tempos de banga de um estilo muito próprio. Um tempo em que Deus comia escondido atrás de um nem sei quê, e o diabo saia por tudo quanto era canto lambendo pratos.

namib3.jpg Tempo em que as palavras picavam em mim uma grande gastura mas que só o tempo deu justa noção nesse pensar desconjuntado. Tempo ainda de antes de surgir o transístor e andar na praia com o rádio colado na orelha pra fazer furor entre os amigos “pitos calçudos” da Luua; bangar mesmo… Assim botando tudo numa caixinha de sapatos junto com fotos, bilhetinhos de amores e mambos que o tempo desexistiu porque, sim, porquê!?

Ora! Porque era novo e o inferno já era velho só que não sabia mesmo, nem mesmo lhe podia adivinhar. Oh! Ngana Nzambi! Numa de lama, kapiango pés de patranha, engenhosa máquina infernal, Mwangolè edificam-se em poleiros de nossos antigos celeiros. Ué-ué! Agora muito provido de ideias, de noções de ruindades ate entrelaçadas nos restolhos, de conceitos assim, escapulo-me entre espaços, nos chinguiços do tempo que nunca chegaram a madrugar.

nauk11.jpg Porquê? Ora porquê, porquê! Porque a vida é muito perigosa. Ximbicando n´dongo feito canoa nos cânticos de bela kianda feita kapota assento-me naquele lugar que consolava naquele então o meu kituku de dilulu; minha kalunga. Assim, eu esbanjado na noção do tempo e muito farto, cheio de “excessos de ideias” que assim ficou desse jeito: Num tempo em que tudo desaconteceu! Esse filho da mãe, esse mesmo de General FK só está assim de calado miudinho com seus matrindindes saídas da Welwitschia Mirabilis.

nauk01.jpg Terei de ir a Garanhuns de Pernambuco e sentir de perto esse novo segredo que me trás encafifado… Na Welwitschia Mirabilis, que ele chama de N´Tundo com o tempo, as folhas podem atingir mais de dois metros de comprimento e tornam-se esfarrapadas nas extremidades. É difícil avaliar a idade que estas plantas atingem, mas pensa-se que possam viver mais de 1000 anos. E, aqui está o busílis, há uns pequenos escaravelhos que são atraídos do nada até elas; escaravelhos do género de matrindindes, que levou o FK a os explorar e retirar deles, algo precioso! Vou ter de descobrir – malembelembe…  

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GLOSSÁRIO

Mwangolé – Que manda em Angola, os donos do pedaço; Banga: estilo;  Dilulu - de sabor amargo; Kalunga - mar; Kumbú: dinheiro; Ngana NZambi - Senhor, Deus; Kapiango – roubo; Kapota. Galinha de Angola; Kianda - sereia; Kituku - mistério; N´gana N´Zambi - Senhor, Deus; Malembelembe - muito devagar, Undenge ami mu moamba - minha infância de muamba.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:40
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MUJIMBO . CXII

Matumbices do T'Ching... 02.02.2020

KIBOM é um sorvete! - BALEIZÃO era e é ainda um gelado... KAICÓ é gelo com açúcar!

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

CUBA LIBRE.jpg Karl Marx gostava de Kaicó! Com sua balalaika de vestir, referia-se ao “novo homem” que deveria emergir do triunfo da ideologia comunista. Isso aconteceria depois do triunfo histórico dos oprimidos sobre os opressores. Mas, que tem o Kaicó a ver com comunistas? É que eles também gostam do Olá e do KIBOM!

A criação do novo homem, para Marx, era vista puramente em termos materialistas. O “novo homem e a nova sociedade” seriam possíveis apenas pela derrota do capitalismo. Os meios de produção como fábricas e terras, por exemplo, não deveriam ser propriedade de uma pessoa, mas de toda a sociedade. Pois é! Alguns aproveitaram-se…

cuba libre3.jpeg No marxismo, para se chegar ao “novo homem”, é imperativo que se transformem primeiro as condições externas dos oprimidos. A história, contudo, não está do lado da visão marxista do homem - Danou-se!?

Em cada lugar em que sua revolução foi vitoriosa, quer na Rússia, na China ou em Cuba, o que se verificou não foi o surgimento do “novo homem", mas o surgimento do “novo opressor que curiosamente também gostam do KIBOM... Acho que Maduro da Venezuela, também gosta! Qual o problema do marxismo? Ele é vítima de uma visão superficial do homem porque não leva em conta o pecado... E, o mundo começou com pecado, lembram-se!

fifa3.jpg A única coisa que Nosso Senhor disse para não fazer, comer a maça - eles fizeram! A culpa é do Adão, NOÉ?! Da Eva, também! Comeram o fruto proibido não passando no teste da confiança! É por isso que agora andamos assim, desconstruídos... A auto emancipação do marxismo falha porque espera, ao mesmo tempo, muito e muito pouco: muito do homem, que consistentemente transforma sua capacidade criativa em fins de poder e, isso revolta alguns! É porque alguns são mais iguais que outros, NOÉ!?

cuba libre2.jpeg Assim, antes de sermos brancos ou negros, ricos ou pobres, educados ou sem estudo, somos criaturas que gostamos de Kaicó, de Olá, de Baleizão ou de KIBOM sem termos de ir à loja do povo solicitar solicitudes! E, porque hoje é segunda-feira amanhã forçosamente será terça feira!? Com ou sem comunistas o tempo continuará, sabem! Elementar - Tomara que não chova, chuva molhada... Amanhã penso comer um KIBOM como se fora Baleizão... Mas, Cuba - nunca mais!... Só mesmo a Cuba libre

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:39
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Sábado, 1 de Fevereiro de 2020
A CHUVA E O BOM TEMPO . CIV

TEMPO DE CINZASMEDITAÇÕES DO T´CHING 01.02.2020

No último dia do BREXIT… Se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

angola colonial.jpg Afinal, a libertação por entrega de Angola no onze de Novembro de 1975, serviu a quem? Se serviu ao povo como seria lógico, nada do que acontece hoje nos levaria a depreender que passados que são 44 anos e picos, o que mudou na vida da maioria, não dá para se notar na qualidade de vida; Mas, então porquê? Porque a independência, serviu e continua a servir um sem fim de cidadãos que se firmaram como elite - uma gangue que com sua duvidosa integridade, gerem a Nação.

Eles são oficiais generais, juízes, gestores de entidades públicas mais afins e governantes em geral que se auto elegeram (sem o aval do povo). Se existe uma nomenclatura de gente dita capaz, deveria agora e no ano de 2020 ser visível o estado da Nação Independente com as condições requeridas, de sempre se estar melhor do que no tempo em que era colónia, certo! No ensino, na agricultura, na economia em geral, na  vialidade e na forma de governação.

angola na moda1.png É lícito perguntar agora: - Afinal para além de mudarem o visual na capital com atropelos ao património, diga-se, o que é que mais fizeram de Cabida ao Cunene na forma de melhoria no dia-a-dia das pessoas? A reposta é um quase-nada se levarmos em consideração o grande potencial da riqueza soberana de Angola. Agora há gente incompetente que simplesmente baralha as normas de decência; o Mundo está estupefacto e, os que nada dizem é por incesto de interesses com compadrio aberrantemente nojento – caso do M´Puto com gente que se diz ou pretende ser ilustre; até admirada. Não é de espantar agora que a antiga metropoke, o M´Puto, seja a terceira foça corrupta da Europa...

ANGOLA7.jpg E, se foi para formarem uma elite de gangues no sentido de explorar as riquezas à revelia dos interesses do povo não se justificaria na prática a mudança de mãos pelo simples motivo de a grande maioria não se rever nisto! Ficou-se livre da canga colonial mas, e agora… Agora e antes podemos verificar uma usurpação sistemática às riquezas que deveriam ser quinhão de todos.

E, o povo não se pode rever nisto, no descaso e procedimentos que a todos mancham e, também porque o Mundo diz e muito bem: Eles não são capazes - os cabos de guerra ficaram oficiais, os auxiliares viraram directores, os advogados venderam ao desbarato sua já fraca reputação, os políticos floresceram na mediocridade. E, os que nada dizem, pensam!

araujo42.jpg As sequelas económicas foram proporcionando uma muito periclitante senão ultrajante qualidade de vida para o angolano – com mágoa o digo! Posto isto, o povo deve debelar-se por forma a substituir de raiz todo esse mal que o MPLA de forma premeditada, e sofismadamente ardilosa e sistemática numa orgânica ultra mafiosa, fez crer ser o Deus da salvação; ou nós ou o fim, como se não houvesse alternativa mais credível no panorama nacional. Um puro engano!

Rosa Coutinho e Melo Antunes entre muitos outros, agentes do comando intitulado de “descolonização” não mais fizeram do que a entrega de um manancial de riqueza a uns quantos filhos da mãe postos a propósito à frente dum governo previamente escolhido. Quem? O MPLA! A descolonização, posta assim e na prática sequente foi uma farsa pura feita falácia trabalhada a contento pela corja de políticos portugueses, provocando uma guerra e proporcionando um despropositado saque com sequelas ainda por apurar.

ANGOLA10.jpg As chaves de Angola foram entregues a quem não estava preparado para ser porteiro quanto mais tutor. Todos, sem excepção fomos enganados de forma vil ou torpe. Posto isto faz-se destas falas, um documento apócrifo mas sentido, para consciencializar quem com direito e com a requerida capacidade, derrube o governo na terceira geração de ilegalidade na pessoa de JL. Deste simples modo “declaro” a rebeldia total a fim de ultimar esta tirana postura de governação.

E, que seja reconhecido como “Libertador” do hacker (nome giro) Rui Pinto, indevidamente preso no M´Puto – Chega de mordaças! João Lourenço, o presidente da burlesca trupe em terceira geração, até se poderá regenerar se, se anuir a esta mudança com um mas, sem nunca poder chegar a “Santo”.

chaves0.jpg Nisto de uma Angola-de Faz-de-Konta, convêm relembrar aos mwangolés ressalvarem de culpas tinhosas os que de forma inesperada tiveram de sair do território como se fossem os maiores tiranos naquele ano de 1975. Nenhum suposto “chicote” de capataz branco, feriu tanto Angola como o que estes algozes do mando fizeram e, ainda fazem. É tempo de se aclararem mentiras e palavrórios mal usados ao longo destes 44 anos depois das metralhas cantarem a ”vitória ou morte” no largo Diogo Cam. Nunca falei tão certo como agora (tarde piaste…)…

Do Soba T´Chingange         



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:55
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Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2020
CAFUFUTILA . LVIII

TEMPOS DE KIBOM. O Pão, a vida e NOÉ ... Divagações do T'Ching – 30.01.2020

Cafufutila /kifufutila: Farinha de bombô com açúcar; Kibom é um sorvete do Nordeste brasileiro

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

(Estas falas já foram publicadas em Kizomba do FB a 27.01.2020)

Meu amigo Quissanje foi para a guerra e, passou-se! Por abandono de todos, virou cantor repentista. Naquele tempo de lucidez ele chamava-se de Céu dos Santos, agora, só tem nuvens no seu sótão…

cipaio1.jpgO principal alimento dos hebreus desde os tempos mais remotos, o pão, é ainda o nosso principal alimento. Na minha infância fui alimentado com broa de milho e leite de cabra. O hábito de comer pão teve talvez seu início com o cultivo do trigo na região da Mesopotâmia. A Bíblia menciona 319 vezes o vocábulo pão; isto dá ideia de seu uso em nossa civilização, NOÉ!?

A palavra pão traz à nossa mente a ideia de satisfação, sustento e saciedade. Pois no corre-corre da vida, todos os esforços empreendidos pelo ser humano parecem centralizar-se em um objectivo: ganhar o pão, a fim de garantir a sobrevivência.

lucala3.jpg Com este propósito, patrões, empregados, líderes e liderados, instrutores e aprendizes, homens e mulheres trabalham árdua e honestamente, de sol a sol. Alguns usam outros métodos, NOÉ!? Uns buscam no máximo de seu aprimoramento intelectual no rumar a vida de forma aprumada porque acham isso necessário, outros não, NOÉ!?

Cada vez mais, alguns pretendem ganhar o pão utilizando meios censuráveis; há quem pense que pode adquirir o pão sem trabalho algum e, usando os demais para o obter e, isto obviamente não é nada bom; sendo assim organizam-se em grupos ou partidos para nos esmifrar e, quase sempre o conseguem como se fossem gangues, NOÉ!?

PUXASACO.jpg É justo e necessário que trabalhemos pela obtenção do pão mas, a queda da humanidade nos procedimentos, alterou a dinâmica de execução do trabalho estabelecendo novos paradigmas, NOÉ!?

Nos dias de Jesus, os habitantes da Galileia sabiam o que significava trabalhar com diligência, e isso eles faziam servindo aos ricos proprietários de terras de quem recebiam salários, até que, chegados aos muitos nossos novos dias, se debelaram, NOÉ!?

junho2.jpg Mesmo assim, em aquele tempo, não eram capazes de empregar esforços na busca espiritual porque as metáforas davam-lhes volta à mioleira, NOÉ! Por isso, o Mestre aconselhou: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que subsiste para a vida eterna”. – Isso só por si já era um grande conforto mas, surgiram sindicatos com regulamentos dando volta às nossas cabeças, NOÉ!?

Com ou sem NOÉ as práticas mudaram em novas engenharias financeiras e hoje suavemente levam-nos os ganhos, NOÉ!? E, é por isso, o mais certo de tudo - por isso, aquilo e aqueloutro que ando a ficar encafifado no meio de tantos milhões, NOÉ!...

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:57
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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020
MOAMBA . XXXIII

DIVAGAÇÕES DO T´CHING

NA HORA DE APURAR VERGONHA - 23.01.2020

Por

soba002.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

isabel.jpg O sol tem ondas de ferroadas quentes que machucam na ida da vinda de nossos dias mas, muita gente entristece quando os meados de Janeiro esfriam o M´Puto. E, assim vamos como legítimos coitados, todos por demais devagar, na pasmacez da pasmaceira.

Justiça ali e aqui nenhuma, não tem. E a que tem, só o Senhor leva, faz ou rasga. Mas, quem é esse Senhor? Talvez um jacaré que choca! Ué, aiué, mas jacaré choca!? Choca sim!  Choca o quê? Os ovos d´oiro da Isabel! E, o jacaré é Tuga? Ui, tem por demasiado…

isabel lacuerda.jpg Surripiando aqui e ali miúdas palavras, relutando-me entre o gostar ou não, apuro vergonhas que surgem repetidas por todos e, ao mesmo tempo, como se fossemos autómatos robôs de uma máquina de informação ÁDHOKAS – que vem de “ad hoc” … Todo o mundo dá o seu palpite na ciniqueira geral comandada pelos fazedores de notícias.

Cada qual com seu dedo, sua unha, seu pedaço de assuntos externos que nada contam na sua, nossa felicidade, como num assim de uma soma de pontos com números somando subtracções de milhões, esmiuçando ou tentando saber a decência do caso num verdadeiro ciúme amargoso…

Estas desconformidades de sintonia, forçosamente turvam minhas, nossas mentes. Euzinho, legitimo de raça indefinidamente ariana também possuo minhas franquezas por muito que tente deduzir em lisas, as farsas, reforçando-me de munições porque, óh gente, simplesmente não quero sufragar-me nos desaires alheios.

ara3.jpg Pois é! Não sou mesmo homem de meio-dia com orvalhos de me tirar o tino, de me esbugalhar os olhos nas fracas naturezas de um sem fim de lorotas salivadas. Agora, todo o mundo fala do naco da Isabel dos Santos, dos seu ovos d´oirados – que coisa!?

Todos ficam assim e assado, lambendo, rechupando, engrossando um nojo, nojento! É bem verdade que ela não me merece um pingo de DÓ, nem tanto nem tampouco. A questão é a de que todos sabiam e todos calavam - Maldito kumbú! Há cúmplices, não há!?

Só não quero mesmo que mexam no meu bolso mas, tem por aí muito rufia das nossas caixas bancárias e afins que viciam com incesto minhas poupanças, só pode ser, ouvi dizer – E, são Tugas de primeiríssima linha; gente de gola alta e coturno intocável. Não toquem no meu bolso, tá! Já chega de ser sujigado…

arau44.jpg E, daí da notícia e fofocas, abrirem-se gavetas com choros ranhosos, ou mesmo gavetões, com ossários feitos do pó esquecido no propósito propositado de não mais falar como se fossem asas p´ra boi voar! Se a vida é uma sentença com um princípio e um fim, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos, ou daquilo que poderíamos ter feito; E, afinal quem deu cobertura a todos esses desaires de engenharia financeira, trapaceira de roubar o desinfeliz!?

Não podemos assumir a culpa dos pais, dos colonos, nem dos pais de outros pais na geração perdida, sempre petrificada pelos políticos da Luua e da Liz. Oi, não se fala nisso. Na percepção das vitais contingências, compostas nas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, que determinam o futuro próximo e distante. Nem sempre se escolheu dedo ou arado nem por onde fazer o rego que por coisa pouca mudou nossas vidas para engordar galifões e galifonas…

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:53
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MUXOXO . LVII

KIBOM . IIÉ um sorvete gostoso

TEMPOS  BRABOS DE CALOR… Sexta-feira - 17.01.2020

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

ara3.jpg O dia dezassete passou passando mas, escrevo agora no computador o acontecido nesses dois dias de paratrás fazendo horas com o boligrafo inquieto oferecido em um tempo antigo numa campanha do PSD do M´Puto e, num entretanto mais futuro, o de hoje que é domingo, lá terei de salvar o escrito em plena inspiração da maresia, tão só para não desacontecer perder o fio da meada desse árduo trabalho de puxar pela cachimónia.

Minhas tarefas daqueles agoras, atrasaram-me o futuro porque a internet da Vivo só me foi facultada na Quinta-feira dia dezasseis e, assim comprometido com minhas falas já passadas, moribundas no papel, translado-as agora para o vivo arquivo, tudo porque o pen drive dessa Vivo de 4 G já me dá acesso ao satélite.

Mu Ukulu03.jpeg Sem querer mentir-me e, porque assim o é, meus firmamentos no Kimbo, na kizomba, na Roxomania e na página do Mano Corvo Costa Araújo, porfiarão a fezada fantasiação das ânsias e desassossegos do que já foi ou que ainda vais ser – ainda! Ué-Ué!? Cheguei pelas treze horas e trinta minutos no lugar da macarronaria do Isaac levando comigo uma prenominada teimosia de que hoje sim, iria ser um diferente dia.    

Pois é! É raro eu comer macarrão porque os hábitos condicionados de minha alimentação não se conjugam na perfeição com os açúcares de minha parceira de 49 anos e, quando sou eu a fazer preparos faço-o com misturas tão rebuscadas que nem sempre resultam na perfeição dos conformes. Bom! Seu Isaac estava lá nos fundos por detrás de um mukifo balcão de madeira acupimzado cheio de trecos, latas, grades, e um sem fim de potes em barro preto de Penedo.

Isaac, o pescador macarroneiro, conhecendo-me, assim me deu grátis um amplo ”Oi” muito repleto de empatia. Apertou-me a mão numa desmedida força dos cinco grossos dedos e falou: - Então! Sempre resolveu vir até o meu recanto da felicidade – pergunta feita de resposta certa mostrando sua varanda de dentes alvos e um olhar pícaro como de quem adivinha o pensamento através da iris do interlocutor, neste caso eu, o turista encorpado em pessoa residente.

tuiui3.jpg Em verdade, minha refinada intuição da vertente premonição dizia-me que algo de insólito aconteceria e, na cordialidade, dei resposta adequada por também ser a primeiríssima alegria do dia! Meu amigo, é verdade! – Estava espumando baba gulosa por sua massa desde aquele dia da pesca do xaréu, da arabaiana e da carapeba, esses nomes de peixe que nem sei bem se assim o são no sotaque... 

Seu Isaac, venho na minha gulosa vontade para provar esse tal de macarrão com camarão, sabe! Seu Isaac abriu as mãos sapudas como que a divinar sua fé implorando minha atenção dizendo um “ouça” tão convictamente misterioso que até fiquei estupefeito na inquieta soslaia ansiedade de escutar e, escutei: - Sabe seu António, esteve aqui um negão, negro como a noite de breu perguntando por alguém com as suas características. Espere, se aquiete – disse que seu nome era António T´Ching, algo de tão raro me ficou gravado na moleirinha mas, no entanto ele deixou escrito num envelope, sabe! Com esta peculiaridade fiquei espantado pois que só mesmo O General Emérito retirado, de nome Fala kalado me dá esse espacial tratamento. Só pode ser! Mas como é que ele adivinha!?  

alhambra3.jpg O coirão! Só pode ser bruxo. Assim encafifado com tamanha incoincidência, olhei deslumbrado para Seu Isaac: - Pois e, então, que mais? Olhe! Assim continuou… O negão deixou mesmo um recado escrito. Acto contínuo chamou um moleque, creio que um seu neto, disse-lha para ir lá acima buscar um envelope meio preto, meio vermelho e com um facão amarelo bem no centro e na diagonal daquelas cores. Que não tinha que enganar, era o único, disse: - vai, vai, vai…

Caramba, só pode ser mesmo desse lendário General FK. Não demorou nada, já eu estava retirando uma folha do subscrito aonde pude ler no topo: Companheiro A.T´Ching, por debaixo e sem linha: Impossível ter estado contigo no combinado dia DEZ. Aguarda por mim aí na Pajuçara - Um destes dias apareço. Estou em Caruaru junto com uma donzela mwangolé. Trata-se de um negócio de plantação de Welwitschia Mirabilis e, um especial aloé do Karoo com fungos… Kandandus…

araujo85.jpg Fiquei até apreensivo por saber o quanto ele, F. Kalado eu é evasivo ou mesmo restritivo e, assim taciturno dos neurónios com tanta claridade nos aprumos de quase relatório, larguei tais minudências olhando já para o prato quase fervente, o macarrão com os camarões a saltitar-me na vontade dos olhos. Enchi dois copos de skol fria, ofertei um ao meu amigo Isaac e, com um longo obrigado, fizemos uma umbigada de copos, da amizade nova, crua e desinteressada... Mas! O que é que virá por aí…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:28
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Sexta-feira, 3 de Janeiro de 2020
MUXOXO . LV

MUXOXO PARA 2020

TEMPO COM CINZAS . M´Puto e os bafos dos desabafos… 03.01.2020

M´Puto é Portugal

Por

soba k.jpg T´Chingange – No M´Puto

araujo183.jpg De que vale ter um perfume enfrascado se não fizermos uso dele? Não havendo fuga, prefiro mesmo ser uma pulga de leão a cheirar lavanda do cacimbo. Isto vem a propósito de dizer que quem assim procede, pode vir a ser menosprezado pelas tonterias que escreve ou que fala. Escrever para mim, tornou-se um trabalho, obsessão e terapia.

Nem eu nem ninguém podemos exigir que os outros acreditem naquilo que eu ou você acredita! Ninguém precisa seguir minha cartilha mas façam isso também, libertem seu perfume! Bufem-se com odores de arruda ou cheiro de rosas sem perturbar outros dizeres e com outras cores.

araujo172.jpg Sim! Faça qualquer coisa a favor de outros sem ter medo de parecer anedótico ou ser-se palhaço porque isso é também uma nobre missão. Pela certa, isso se tornará um remédio milagroso, porque quem acumula tempo dedicado aos outros, receberá provisões extras. Aonde será que li isto!…

Trejeitando sorriso expressivo quando não entendo, finjo que compreendo perfeitamente os escândalos que nem sempre se me calam no bico, passarinho-me pintado de anjo de procissão, metendo o nariz em tudo da praça pública, engordando os miolos de enxúndias, gorduras de escândalos por toda as instituições dessa grande porca com muitas tetas, com nome de macho: - Portugal.

araujo166.jpg Com paciência medida, opino sobre assuntos inesperados amparado nas dúvidas por indemnizar, usando muito a miúdo entorpecentes para entender o bafo dos desabafos. Nem sempre posso assumir com desenvoltura o papel de comentarista avulso, conselheiro ou soba porque, nem sempre tenho à mão a receita própria para espantar cobras ou lagartos.

E, porque não posso tomar medidas energéticas providenciais, requebro-me nas charadas alcoviteiras para enfeitar penicheiras provocatórias, estendendo a critica a vulgares patifarias de caixeiros feitos doutores roubando o patrão, engomando, cozinhando, ou limpando-nos o pó como se fôramos trastes dum Estado só deles.

araujo161.jpg Na vontade de fugir espantado, remoçado, muito inchado de iguarias macabras, algumas idiotas, meus espíritos passeiam-se-me no cérebro às apalpadelas acitrinando-me. Será uma questão de brio? Parvoíce simples e simplória? Entre sussurros de indignação com tosse e escarros secos coloridos, espirros diversos, continuo nos meus passos sem nada de solene, nem ar de religião conformado do é como Deu quer!

– Esta gente do governo, quando não tisna, suja! Com um galho de arruda na mão, sigo os acontecimentos que desfilam numa procissão vertiginosa e extravagante do meu país do M´Puto. Como cidadão do mundo, um tanto comovido, contemplo à distância as ruínas da minha terra, da minha aldeia, do meu kimbo, os restos mudos e emporcalhados dessas terrinhas que antes, só o era da intriga miúda e, das invejas pequeninas!

araujo182.jpg Agora tudo é grande! E os roubos, aos milhões…Tal como a divida que aumenta calando os gráficos ou arredondando os picos. Porque daí, nem vem mal ao mundo, exponho-me sabendo poder representar muita gente que se descuida nas minhas leituras; assim como uma cobaia, submeto-me voluntariamente, espolinhando-me na demagógica vaidade. Um dia não são dias...

:::::

Muxoxo é uma espécie de estalo que se dá com a língua aplicada ao palato, em sinal de desdém ou contrariedade. No M´puto costumam chamar de "xoxo (chocho)", com o sentido de beijo.

Ilustrações: Costa Araújo, Meu Mano Corvo, falecido em Abril de 2019

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:34
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Sábado, 28 de Dezembro de 2019
XICULULU . CXXI

OUTROS TEMPOS Na zona do Largo de Sansão o “Darracq” de Armando Gonsalves choca com o “Benz” de Joaquim Refóios… Ambos, médicos de ofício …

– M´Puto - Coimbra no início do século XX -29.12.2019

Xicululu: Mau-olhado

Por

soba0.jpeg T´Chingange, na Coimbra do M´Puto

tonito3.jpg Aconteceu ir até Tentúgal e bem à margem do Mondego, em tempo de cheias e diques rebentados pela muita água libertada das represas e, chuvas pedidas ao S. Pedro que pude ver e cheirar todo o envolvente das terras de Montemor-o-Velho mis o Paço com suas vistas. Fui lá em companhia de Marco António, meu filho que está apresentando tese na área de arquitectura. Observei, aqui e ali aonde a linhas do tempo se quebraram nas vontades eclécticas de seus proprietários, rococó e gostos góticos com renascentismo ou maneirismo.

Entre coisas feitas a eito e sem um bem definido traço, vi quase tudo a cair em ruinas; mas, pude ouvir estórias deveras interessantes. Já lá iremos! Trata-se de uma quinta que pertenceu à Casa Cadaval durante séculos e que, desde o século XIV do tempo a D. Pedro, 1º Duque de Coimbra, da dinastia de Avis, filho do rei João I e de Filipa de Lencastre. O Infante tomou o paço inicial com uma torre a ver o Mondego como sua residência mas, o tempo foi voraz…

tentugal02.jpg Aquilo que foi o Paço dos Condes de Tentúgal, dos Duques do Cadaval, do Infante D. Pedro, Quinta do Paço ou, simplesmente o Paço, agora são ruinas com cimalhas encastradas mostrando as armas das gerações. Parte foi incendiada, depois reconstruída, para voltar a conhecer o declínio a partir de meados do século XX. Foi casa de nobres, terreno de cultivo e consultório dos mais necessitados. Hoje está devoluta - melhor, abandonada.

Posso imaginar o médico Armando Leal Gonsalves percorrendo a galeria de fotografias que conserva. O cardiologista, que aos 80 anos continuava a dar consultas, foi o último caseiro daqueles paços e é com ele de forma pensada, que revivo o primeiro acidente entre dois carros na Cidade de Coimbra. Note-se: Só havia dois carros. Vale a pena decifrar esta atribulação. Envolto numa névoa de velhice, preencho os espaços da vida defumando assuntos que ainda me não dão ânimo em contar.

tentugal03.jpg Assim, num calçadão feito a pedras com cores e desenhos de relembrar, entro na família Gonsalves (cujo S foi sobrevivendo às mudanças de grafia), que dirigiu o Paço durante gerações. O último da linhagem foi Armando Gonsalves, de quem o neto herdou o nome e seguiu a profissão, que administrou o Paço desde o início do século XX até 1955, data da sua morte.

Antes dele, o pai Francisco já tinha desempenhado igual função ao serviço da família Alvares Pereira de Melo (Duques do Cadaval), mas o filho, que também era médico pneumologista, deixaria uma marca mais duradoura, chegando até hoje nas bocas dos mais antigos de Tentúgal. Tanto que o seu nome baptizou uma alameda em Coimbra  e uma das principais ruas da vila de Tentúgal, onde há um busto em sua memória.

tentugal2.jpg José Craveiro, um jornaleiro, vai desenrolando histórias que dão corpo à reputação do antigo administrador como figura generosa. Mas sublinha que ele não dava esmolas, embora por vezes procurasse as tarefas mais inócuas como pretexto para distribuir uns escudos. Se durante a semana o médico exercia a profissão em Coimbra (foi director do Hospital dos Covões, de 1935 a 1949), aos domingos, das 7h às 13h, dava consultas no Paço às pessoas com menos posses. Era muitas vezes recompensado com ovos, bolos e outros géneros, conta Armando Leal Gonsalves. “Mas não levava dinheiro de ninguém”, pelo contrário.

Armando Gonsalves morreu em 1955, com menos três dedos devido à falta de protecção adequada durante as radiografias e sem fortuna. O espólio que deixou esteve para ir a leilão, tendo acabado por ficar na posse da família - uma casa de nobres. Isto pode, em parte ser lido no Jornal Público! O professor catedrático de História da Arte, José Custódio Vieira da Silva, escreve que apesar de o edifício conservar “elementos importantes da fundação quatrocentista”, o paço foi “muito adulterado nas sucessivas reconstruções”. Uma dessas intervenções tornou-se necessária após 1834, ano em que as tropas liberais incendiaram a casa por conta do apoio do sexto duque do Cadaval, Nuno Caetano Álvares Pereira de Melo, à facção absolutista.

tentugal7.jpg Mas, vamos agora à descrição que hoje pode ser admirada por assombro: A quinta foi garagem do primeiro carro de Coimbra, um Darracq de 12 cavalos que, em 1902, entrou pela alfândega da Figueira da Foz como máquina agrícola, por ainda não haver registo para automóveis. No ano seguinte, o Darracq com a matrícula “Coimbra-1” foi um dos protagonistas do primeiro acidente rodoviário da cidade, quando havia apenas registo de duas viaturas.

tentugal6.jpg Na zona do Largo de Sansão (hoje a pedonal  - Praça 8 de Maio), o carro de Armando Gonsalves choca com o Benz- matricula Coimbra 2 de Joaquim Refóios, também médico de ofício e lente na Universidade de Coimbra. O Darracq, que ficaria na posse da família Gonsalves até 1952, pode ainda ser visto hoje, restaurado, no Museu do Caramulo, ficou então com danos no valor de 15$80 e o Benz de Joaquim Refóios com estragos contabilizados em 37$60. A questão foi resolvida em tribunal a favor do administrador… Derrubando-me nas trevas do desconhecimento, olho e ouço pela caixa mágica da mente coisas verídicas do tempo, que parecem mentiras, como se tudo, coisas e gente, fossemos pedras parideiras…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:31
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Quinta-feira, 26 de Dezembro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXIX

Agora feita a folga que me vem, e sem pequenos desassossegos, estou de range rede, sabe! O tempo ruge…

14 – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa ... 26.12.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No M´Puto

booktique22.jpg 

Últimos 4 Livros em cima da mesa da cabeceira - criado mudo.

11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma.

12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

13 –HUGO CHAVES – O colapso da Venezuela – de Leonardo Coutinho

14 – GRANDE SERTÃO : VEREDAS – de João Guimarães Rosa editado pela Companhia das Letras

booktique21.jpg E, porque o sertão é do tamanho do Mundo, não encontrei por lá, lugar do Nordeste brasileiro o livro que há tanto procurava de Guimarães Rosa. Calhou ser agora ofertado à minha pessoa em época natalícia e assim, na Coimbra do M´Puto me embrenhei logologo na leitura; uma quase língua nova, entrando nos trilhos sulcados pelo gado nos terrenos áridos, uma rede complexa de caminhos feitos veredas e, na qual é fácil perder o rumo às falas. Assim e, duma tão revolucionária forma inventiva dá-se conta no sentir que “Viver é negócio muito perigoso”.

Lá aonde os pastos carecem de fechos, onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; lá onde criminoso vive seu cristo – jesus, arredado do arrocho de autoridade. Uns querem que não o seja, que situado sertão é por os campos gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas demais do Urucúia mais Toleima. Terras de puta que pariu sem saber de como foi! De como nasceu. Acho que desaconteceu…

booktique24.jpg Numa missanga de contos com lendas e coisas tão verdadeiras que assustam o capeta, leio e releio de trás para a frente e vice-versa assim na forma de espanto lá nesses montões oestes. Perco o norte e volto atrás esperando a nuvem, vendo as almargens de vargens de mau render, as vazantes; culturas de só mata sem tamanho que param nas mulolas, rios sem água como se diz em Angola. Quersedizer, a água, corre quando chove.

Enfim, cada um o que quer aprova, como o senhor sabe, vós sabeis: pão ou pães, é questão de opiniães. No falar de matuto, o sertão está em toda a parte com contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros de cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e crenças da bagunça, povos de dialecto linguajado entre outros derivados – O sertão está em toda a parte.

booktique23.jpg Cumcamano! Vou ter de pisotear este livro para patavinar mesmo que amarfanhado nos porquês! Conversando com um seminarista deste dito cujo livro, muito condizente, conferido no livro de rezas e revestido de paramentas, com uma vara de maria-preta na mão, proseou que ia adjutorar o padre, para extraírem o Cujo, do corpo vivo de uma velha, na Cachoeira-dos-Bois. Ele ia com o vigário do Campo-Redondo. Pópilas, digo eu! Não o acreditei patavim, como eles dizem – Me concebo como então?

Mas compadre!? O que revela efeito são os baixos espíritos descarnados, de terceira, fuzuando nas piores trevas e com ânsias de se travarem com os viventes – dão encosto. Arres, me deixe lá, que – Pois não sim? Insiste: O senhor (que soeu) deverá ter conhecido diversos, homens, mulheres; por mim, tanto vi que aprendi: O Facho-Bode, o Muitos-Beiços, o Rasga-em-Baixo, o Puxa-Cueca e outros edecéteras…

lampião8.jpg Olhe compadre disse euzinho: Não sou amansador de cavalos, muito menos de homens mulheres! Nesse punhadão de gente feito cavalos do vice-versa e até mesmo que fora jagunço, não tenho na minha pessoa competência entrante de demónio. De primeiro, eu nem mexia e nem fazia, sabe! E, pensar não pensava. Quem mói no asp´ro não fantasêia. Vivi puxando vida difícil de difícil. Agora feita a folga que me vem, e sem pequenos desassossegos, estou de range rede, sabe!

Sim! Me inventei neste posto e assim nessa coisa do diabo de existe, não existe dou meu dito de abrenuncia. Tudo bem, diz ele numa de afirmar-se não ser homem dos avessos nem tampouco homem arruinado: Diabo vige dentro do homem, nos crespos do homem. Fiquei pensando nesta dos crespos sem saber mesmo se eram coisas eriçadas, coisas franzidas ou algo difícil de entender. Talvez tudo junto - Viver é negócio muito perigoso. Cheguei à página 19 sem querer ir mais longe por hoje; Hem? Hem? Áh o diabo anda na rua, no meio do remoinho…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:19
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Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2019
MU UKULU – XXVII

MISSOSSOS DA VIDA... De Luanda – Sabores com falas da Nossa Terra – 18.12.2019

- Saber do passado para melhor se entender o futuro... Recordando o Século Mwata Luís Martins Soares falecido na Diáspora do Brasil em Julho de 2019 - (São Paulo)

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soba002.jpg T´Chingange – No M´Puto

luis1.jpg Revi hoje as falas de Zeca Mamoeiro do tempo em que este dito cujo, senhor do Rio Seco katedrático da Maianga me via transportado em uma tipóia de loando como um makota de Ambaca. Na verdade, por vezes também me é difícil entender o que risco para todos, do que vai no meu muxima e, num linguajar que é nosso BI – Bilhete de identidade. Do meu risco, do risco dele, do nosso corpo riscado feitos de feijão maluco. E, é estranho que com tanto estudo, não cheguemos à licenciatura e, nos conformes, virarmos num repentemente sábios da estirpe do Mwata Luís Soares.

Sem já saber escrever direito e sem glossário, kimbundamos-nos na jihenda, duvidado que nem sabemos usar a pena molhada no tinteiro de Camões ou do Pessoa. Num saudosismo de matumbo feito esperto, bangamos paixão de estirpe quase extinta. Falas da Luua que caducaram num tempo que se nos alheou. É como quem lê o livro de T´Ching debaixo de um coqueiro de plástico, balouçando na rede, gozarmos nossas barrigas de Jinguba como se num acaso e num já não vale a pena.

mu ukulu15.jpg Batucando sentimentos do nosso coração abrimos adereços de bate palmas só num pula como um zulu em um só pé ao jeito de ermitão Massai. Com a RAIZ que alimenta a árvore com dedos no ar feito embondeiro, muito cavamos para contar quantos dedos são, como se arranham evitando ervas daninhas que crescem só átoa nos veios da vida. Entro assim de novo após meu prólogo com o Zeca no livro do Mu Ukulu da Luanda de antigamente peneirando no tempo as memórias, mexendo vigorosamente a fuba cozida na água fervente.

Vigorosamente com uma colher de pau desfazem-se os caroços da farinha que depois de pronta fica cinzenta no aspecto de “cola de sapateiro” pegajosa, como diria a tia Arminda. Depois come-se com bastante molho de dendém acompanhada de peixe, frango, ou outro tipo de carne, miúdos ou mesmo um verdura como a couve, a kizaca (folha de mandioca / saca-saca) ou a jimboa que nasce a eito pelo quintal regado, junto com a beldroega; tudo picado e cozido com o tal de óleo de palma.

Muamba de galinha ou peixe, servida com pirão de milho ou funje é um prato de sabor inigualável. Nesta, entra o óleo de palma tal como os quiabos, o jindungo apanhado no fundo do quintal. Mufete é um prato típico da ilha de Luanda, dos axiluandas, constituído por peixe assado na brasa como o carapau, peixe-galo, cachucho ou cacusso do rio, bombô, sumo de limão, jindungo e uma pitada de sal.

forró 1.jpg Outros pitéus gostosos são o calulu, a quiteta, o muzungué e a kikwanga, que é um tipo de bolo feito de fuba, massa de mandioca fermentada, embrulhada numa folha larga e cozida ao vapor, muito apropriada a levar em viagens por via de sua prolongada salubridade; tudo isto se podia levar ou fazer nos piqueniques debaixo de cajueiros ou mangueiras na via que nos levava ao Cacuaco, a Viana na estrada de Catete ou no caminho da Barra do Kwanza.

O radiozinho de pilhas era imprescindível para alegrar o arraial, fosse junto ao mar a ver o Mussulo do outro lado da baía ou, bem coberto na sombra da frondosa mangueira, uma ou outra cassuneira, umas quantas n´hiwas ou embondeiros. Assim poisados, haveria que tirar da arca com gelo as cucas, nocais ou ekas para refrescar as vontades; também a mission, as coca-colas e bolungas várias como a seven-up. Por vezes era o palhete feito garrafão empalhado com vinho do M´Puto tapado com rolha coberta por um gargalo coberto de gesso, um resguardo a garantir qualidade.

xiricuata5.jpg Quem não ia ao piquenique de fim-de-semana abastecia-se no Bar Bitoque perto da Mutamba. Sempre havia para os mais novos, eles e elas, os tais bailes de quintal dos bairros citadinos da Vila Alice, Ingombotas ou bairro do café e ainda muitas vezes no subúrbio rodeado de muxitos e vedados com aduelas de barril ou chapa zincada, piso de terra molhada a propósito ou cimento rapado. Era ali que se desenrolavam os confettis de bilhetinhos namoradeiros com a vigilância das respectivas mãezinhas.

Nos anos sessenta e setenta o Merengue estava sempre presente na voz de Carlitos Vieira Dias, faixas de gravação como "Ngi kalakala mivu ioso", "Pensando Conforme o Tempo"e "Kwanza" que abraçam euforia de nova angolanidade intercalada com a suavidade de Gianni Morandi, Roberto Carlos, Gigliola Cinquetti ou Frank Sinatra. Para além destes tinhamos o Bartolomeu, os Kiezos liderados pelo solo de guitarra de Marito Arcanjo entre outros…

za8.jpg Canções como "Ngandala ku nganhala ò fuma", "Varias Moças de Luanda", "Ngui mona mi kima", "Arrancando o capim" ou "Merengue do Escorrega-lo". E surge o Minguito com "Eme Ngo Kofele" e o início da música electrificada, também os solos escaldantes. Vamos então ao Marítimo da Ilha, à Vila Clotilde, ao Ferrovia, Clube Transmontano ou o Clube da Maianga. Relatos quase coloniais em palcos desconcertante, letras humoradas, mais o aparecimento da concertina. Tudo mais nos passava ao lado…

minguito1.jpg GLOSSÁRIO: Missosso – conto popular; banga – estilo; cazumbi - feitiço; loando – esteira feita de folha de coqueiro ou palmeira e atado com matebas, ximbica - rema com bordão; missanga – colar; batucam- dançam ao som do tambor; matumbo – burro, palerma; makota – chefe tribal, que tem poder; muxima – saudade, recordação; Luua - Luanda; Kicuerra: farinha de mandioca com açúcar; Axiluanda – naturais de Luanda; Tuga- diminutivo de português; Mu Ukulu – do antigamente; Mwata – velho com sabedoria; n´hiwas – árvore que se confunde com imbondeiro quando pequena; Jihenda – acção de luta, resquícios de terrorismo…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:51
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Terça-feira, 17 de Dezembro de 2019
MU UKULU – XXVI

FEROMONAS DA VIDA... De Luanda – Sabores da Nossa Terra  – 17.12.2019

- Saber do passado para melhor se entender o futuro... Recordando o Século Mwata Luís Martins Soares falecido na Diáspora do Brasil em Julho de 2019 - (São Paulo)

Por

soba15.jpgT´Chingange – No M´Puto

peixe seco1.jpg Cada um de nós foi o que foi ou é o que é por uma coisa pequena, que sem se lembrar do primeiro choro, outros choros se lhe seguiram e, como um risco feito no chão, nem sempre se escolheu dedo ou arado nem por onde fazer o rego que por coisa pouca mudou nossas vidas. Peneirando no tempo as ténues memórias dos acontecimentos da Luua, apagando os rastos dos passos que nos conduziram à diáspora, de novo volto a remover os ossos do passado, condescendo sem alvoroçar espeleólogos ou espíritos, esquecendo as leis e acordos não cumpridos!

Baloiçando-me no d´jango da memória como se estivera junto da árvore m´vuluvulu do kavango, olho seu fruto pesado de longas múcuas que pelo que dizem, só servem mesmo para fazer milongo de feitiços do povo Ovambo. Eu, quis saber mas parece ser segredo de raizeiros, porque talvez cada homem nasça com a verdade dentro de si e só para ele, e só não a dizem porque é muito pessoal; muitos haverá até, que não acreditam que seja aquela a sua verdade.

Porque cada homem é um mundo que se ao tempo der tempo, o tempo bastante, sempre o dia chega em que a verdade se tornará mentira e a mentira se fará verdade. Entro assim e após meu prólogo na parte principal do Mu Ukulu da luanda de antigamente peneirando no tempo as ténues ou vivas memórias dos acontecimentos; afins descobridores de pegadas, cheiros encarquilhados misturados com iões ou densidade molecular dos anos na leitura de carbono e edecéteras complicadíssimos ou sem explicação.

araujo159.jpg E, quando nos Sabores da Nossa Terra os portugueses deram início o processo de colonização, encontraram no território que deu origem a Angola, diferentes grupos sociais na forma de tribos; com sua própria identidade, diferenciavam-se entre eles por vários factores tal como a linguagem, o vestuário, formas de pentear, estilo de construção de suas cubatas, suas expressões musicais e fundamentalmente hábitos com diversificados hábitos alimentares.

A cozinha angolana sendo bem variada teve no decorrer do tempo alterações nos gostos e condimentos por via da miscigenação das várias etnias. E, porque Luanda é litorânea, o consumo de peixe sempre foi elevado. Com a chegada das traineiras em substituição dos dongos ou canoas, estas vinham abarrotadas de peixe juntando comerciantes tugas na disputa e comercialização do produto. Logo ali no porto era feita uma lota precária que separava o peixe segundo a espécime.

luua40.jpg Enquanto os peixes maiores eram destinados ao consumo local, os de menor tamanho eram arrematados para secagem nas salgas. O peixe-seco que sempre foi uma iguaria apreciada pelos indígenas por ser mais económico, paulatinamente também foi sendo consumido pelas novas gerações de brancos mazombos, talvez pelo antigo hábito de seus pais no uso do bacalhau do M´Puto. Este peixe saído da lota para a salga, depois do processo de limpeza, era escalado e posto a secar ao sol em loandos, esteira ou bases elevadas feitas com varas de pau em malha apertada.

Este peixe seco era depois de seco comercializado em fardos e levados em camiões para o interior, cidades, loja de mato, vendas ou fazendas de café com gente do contrato, nas grandes plantações de algodão e outras que iam aparecendo no correr dos anos, exploração do sisal ou plantações de ananás. Parte deste peixe era comercializado pelas quitandeiras nas ruas de Luanda e, era ouvir o pregão de pargo ou “garoupa fresca, minha senhola” e logo ali se comercializava o peixe a fritar.

Luua28.jpg E, quem já nem se lembra do cacusso de Kifangondo, peixe do rio assado com feijão de óleo de palma, pirão ou funge com o caldo do cozido. Dos piqueniques no Mussulo e, seus barcos kapossoka e kitoco a acalmar as agruras dum fim-de-semana; acalmia, sossego e paz no encanto da embriaguez de um outro mundo na voz do tempo comendo peixe grelhado, choco com tinta relançando um tempo de cazumbi perturbando no limiar do nada, num vazio dum oculto fogo ximbicado!

A agora conhecida mandioca, lá na Luua foi levada pelos Tugas passando a ser quase a principal alimentação dos axiluandas ou camundongos. O tempo fingiu que isto só foram obras do acaso mas é uma realidade com funge, pirão da fuba; a mesma farinha feita com a mandioca amolecida na água e seca ao sol. Aiiué! Saudades do bangasumo do kimbombo do marufo da cassoneira, da t´chissângwa e a bolunga de milho. Aiué Catonho-Tonho! Aiué Gajajeira! Aiué Robert-Hudson, Biker, Quintas e Irmão, Armazéns do Minho e do Bungo. Tudo na fragrância da Catinga, do Mufete, da garoupa, peixes galo, pungo, corvina e caxuxo.

luua17.jpg Que saudades dos meus tempos de candengue! Da malta com quem ia ao Cine-Colonial ver o John Wine, das beatas pelo ar e dos avisos aos heróis de cena, cuidados e “olha na tua trás” da plateia cheia de grunhos, mazombos e alguns gwetas como eu. Que saudades das sandes de peixe frito do velho Campino, e daquele seu "boteco" defronte da Farmácia São Paulo! Do Sr. Brito que tratava da "flor do Congo"! Que saudades dos doces da paracuca, pirolitos, kicuerra e kafufutila!

luua30.jpg Glossário

Luua - Luanda; loando – esteira feita de papiro (luando do rio) atado com mateba; Kicuerra: farinha de mandioca com açucar; Kafufutila: falrripos, perdigotos; gweta –branco; T´chissângwa e kimbombo – bebidas fermentadas de milho; Axiluanda, camundngos – Naturais de Luanda; Ximbicar – remar com bordão; Kapossoca e kitoco – Nomes de baco, traineiras transformadas; Loando – esteira de papiro do Lifune; Tuga- Diminutivo de português; Múcua – fruto do embondeiro; Mu Ukulo – do antigamente; Mwata – Velho com sabedoria; M´vuluvulu – árvore frondosa da beira rio do Cubango…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:03
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Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019
CAZUMBI . LVII

MOKANDAS DO REINO XINGUILA08.12.2019

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - “BULUNGA DO ULTRAMAR . “Nos reinos de Maconge e Huambo”

Por

soba0.jpegT´Chingange - No M´Puto

batalha01.jpg Foi no dia 23 de Novembro de 2019 e num lugar chamado de Cidade de LEIRIA do M´Puto. Assim, em terras Ultramarinas, reuniram-se em kizomba, nobres, altos dignatários e plebeus dum reino perene, liderados por um Vice-rei - D. ROBERTO DA SILVEIRA, III VICE-REI DE MACONGE; neste reino de Faz-de-conta aonde ninguém morre e, aonde os africanos se tornam brancos e vice-versa, reúnem-se vivências com recordações de peregrina amizade. Desta feita com a organização da Sobeta Maria Amália - Mali.

Por via do frio e com uma preguicite aguda só agora me dispus a relembrar aquela ida às terras lindas do Rio Liz fazendo-me uma pergunta: E, para quê peregrinar no tempo? - Para ratificar a vida! Foi deste jeito jeitoso que me vi a cantar o hino, taciturnando-me entre a malta vinda da Huila, do Lubango, prensado num texto assim cantado: -“A malta ganhou a taça, sem ter nada que fazer; quem quiser ganhar à malta tem um osso p´ra roer, roer, roer”.

Neste reino de sonho e fantasia dão-se vivas à vida, num vira, vira, regado a tinto ou espumante morganheira. Como um funante mazombo, suspeitoso e camundongo, divagarei em pensamento: Naqueles idos tempos do Diogo Cam “Se houvesse uma revolta em Angola, movida pelos colonos, não era preciso tropa para a debelar; chegava um bom orador, romântico, sentimental, que lhes  falasse de Portugal,  que todos se abraçariam com lágrimas nos olhos”.

cronicas mano corvo.jpg Foi assim o que disse Henrique Galvão no ano de 1937 em visita de soberania a Angola - “ Há quem viva de teu perfume e dent´routros matos e espinheiras rasgando-se em sonhos, por ti ruma!”. Num torpor de antigas Kizombas, paisagem do deserto Namibe agachei-me por detrás da bissapa,… era o soba Cunhangâmua que aí vinha.

-“ Há quem, nas águas de salina, se purifique em lágrimas cristalizadas por em teu ventre não cumprir sina”. Ué, no meio da farra vi-me sonhando, bebia bulunga, antes da grande caminhada para sul e, eu também ali estava a seu lado como conselheiro real em assuntos de brancos; neste agora tinha um Vice-rei de nome Silveira e senti-me com muita cagança a recordar velhos tempos.

Num repentemente, deu-lhe vontade de cuspir um pigarro encravado entre as ferraduras e os gorgomilos. Fosse eu esse tal de Cunhangâmua, a um primeiro esboço de lançar cuspo, logo um gentio se acocoraria submisso, curvando-se a jeito p´ra receber tamanha cuspidela. Parece disparatado mas, era assim que as submissões eram, ríspidas e sem lamúrias.

MACONGE0.jpg Cuspo de soba, com aquela estirpe, não podia ser desperdiçado numa terra só de pó. Cheio de honrarias, o súbdito de arrecuas balançaria a cabeça, umas quantas vezes, em jeito de agradecimento. Que mais posso fazer eu um plebeu de pé rapado nestas festas tão cheias de doutores do clero e nobres de alto coturno, senão com eles sonhar.

Da t´ximpaca soou um som forte ferindo o silêncio da planura e, bastou o soba dizer que aquele boi tinha um bom “berro” para ser anexado aos tributos, que mais atrás seguiam em caravana. Claro que estou divergindo e, em pensamentos vou até lá longe aonde as clarinetas são chifres retorcidos de boi que rasgam seu canto entre penedias e ecos de montes.

maconge01.jpg Num repentinamente, restolhando o silêncio, surgiu do mato, um T´chingange agitando um pote de barro preto e, dizendo coisas desconexas, abeirou-se do soba; de seguida, ambos se esgueiraram para trás dum muxito denso. O Kimbanda, cumprindo o ritual, tinha naquela hora de recolher, a urina do grande soba .

Neste espaço de fantasia e verdade, invadi a rota que desembocava na paliçada do Kimbo maior e, numa noite de lua cheia, aconteceu assistir à circuncisão dos candengues daquele outo arraial; crepitava o lume em ondas de cores quentes pelas palhotas quando, de uma delas, trouxeram o rapaz,… sentaram-no num cepo e, no meio de inebriante batuque, um M´fumu, auxiliar de Kimbanda, com uma pequena faca passada pelo lume, cortou o prepúcio do pénis do rapaz.

De seguida, com as bochechas cheias de álcool, borrifou para o órgão despilado. O grito mal se notou no meio da algazarrada, aquele seria um guerreiro umbundo p´ra valer! A bulunga de massambala tinha naquele dia uma mistura especial - a urina do soba Cunhangâmua! Menos mal que é mesmo só pensamento pois que bebo morganheira do M´Puto.

luua38.jpg Assim se tornariam homens de têmpera nobre. Tudo foi feito nos verdadeiros conformes, na roda da grande fogueira, batuque, sangria de boi berrante e bulunga. Na contraluz da perdida imensidão, naquela noite especial, dormi com um cafeco de feição N’nhaneca, enfeitada de trancinhas e cortes no rosto com forma de avião. Tinha cabaço,… mesmo!

Naquela outra manhã, as mulheres surgiram em algazarra, levantando os braços, chocalhando discos de lata, batiam com os pés no chão; do peito, pendiam couros, das orelhas escorridas, pesadas argolas. Festejavam! Ué,... Alambamentado no costume virei M´fumo de T´Chingange. Do Cunhangâmua ao Kuvale, a pedra do trovão, nesse tão único lugar mítico troou. Acordei aturdido às margens do Liz, um rio do M´Puto no lugar Leiria. Háka! “Há quem viva entoando nos batuques, há quem nunca esqueça o chão, os cheiros do coração”. Hoje fiquei promovido. De candengue a Kota; de kota a Século…

NOTA: -xinguilar: Palavra Angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi.

Glossário:

Bissapas - arbustos; Muxito - tufo de mato; M´fumu - chefe, homem de respeito; T´ximpaca - cacimba de água de chuva; Kizomba - festa com álcool; Bulunga - bebida suave fermentada de massambala; T´chingange - feiticeiro, cobrador de impostos e jurista auxiliar do soba; Kimbanda - médico tribal; Candengue - rapaz; Cafeco – catorzinha, menina virgem; Cabaço - virgindade; Kuvale - zona do sul (Angola); Soba - Chefe – Xissa, porra, caramba.

O Soba T`Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:33
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Domingo, 8 de Dezembro de 2019
PARACUCA . XXXII

MULOLAS DO TEMPO . 6 – 02.12.2018

Nós, bazungus no lugar da N´Kwazi (águia pesqueira) – NINGUÉM É SANTO - 01 de Outubro de 2018 – Segunda-feira …

Por

soba002.jpgT´ChingangeNo M´Puto

kariba3.jpgNesta noite de 27 de Setembro lá terei de converter toda as contas em dólares USA$. O Zimbabwé está sem moeda; no mercado tudo vem indicado em dólares americanos e Randes da África do Sul pelo que entre Pulas e Euros, reúno os dados e faço a contabilidade do deve e haver, segundo a cotação do momento que meu filho Ricardo me manda pelo WhatsApp fazendo assim a conversão na moeda verde – Em verdade, é uma forma de assim nos mantemos em contacto pois que ele se encontra em Johannesburg. Um Rand custa 0,74 Pulas.

A logística do Comandante Vissapa anda periclitante e, ái de quem abra a boca a vaticinar o que quer que seja! Ele é que sabe – Ponto final! Enquanto escrevo isto vou mastigando lentamente pedaços de biltong, carne seca que lentamente se vai dissolvendo na boca. Falando das Cataratas Vitória é um conjunto de quedas deslumbrante que as tornam numa das mais espectaculares no mundo.

INHASSORO 024.jpg São localmente conhecidas também pelo nome de Mosi-oa-Tunya em que “tonga” significa em português a fumaça que troveja. Situam-se no rio Zambeze, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwé, e têm cerca de 1,5 km de largura e a altura máxima de 128 metros. Ao saltar, o Zambeze mergulha na garganta de Kariba e atravessa várias outras cataratas basálticas; é nesse sentido que iremos para apanhar o “ferry”.

Tanto o Parque Nacional de Mosi-oa-Tunya quanto o Parque Nacional de Victoria Falls, no Zimbabwe, estão inscritos desde 1989 na lista de Património Cultural da Humanidade mantida pela Unesco. Está igualmente conservada por estar dentro da Área de Conservação Transfronteiriça Cubango-Zambeze - um conjunto de áreas de protecção ambiental situadas na África Austral, onde convergem as fronteiras internacionais de cinco países.

INHASSORO 049.jpg Inclui uma parte importante das bacias do Zambeze, do Cubango e do Delta do Cubango, cobrindo a Faixa de Kaprivi na Namíbia, a parte sudeste de Angola, o sudoeste da Zâmbia, as terras selvagens do norte da Botswana e o oeste do Zimbábue. O centro desta área encontra-se na confluência dos rios Chobe e Zambeze, aonde as fronteiras da Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwé se encontram.

O Zimbabwé é um país sem saída para o mar no sul da África conhecido pela sua diversidade em animais selvagens que pudemos presenciar. Esta enorme queda de água de 128 metros estreita na garganta de Batoka, onde é possível praticar rafting em corredeiras e bungee-jumping.

kariba0.jpg O Ferry do sonho Kariba

Acabei de fazer uns esboços de nosso itinerário a seguir destinada para o dia 30 de Setembro que inclui ficar uma noite no Hwange National Park, virando ao lado direito em Cross Dete, a mesma estrada A8 que segue para Bulaweyo. Para o lado esquerdo iremos para M´libizi no Lago Kariba, nosso empolgante sonho embalado nas ondas da mente aventureira de nosso Comandante RV.

Chegados a Hwange National Park ficamos em dois chalés rondáveis e, porque tínhamos tempo, fizemos um circuito via sul mas, não fomos assim tão bafejados pela sorte pois que não vimos a quantidade de animais que esperávamos ver. Com o pagamento de uma gasosa ao candengue que tomava conta dos talheres e pratos da cozinha, tive WiFi e consegui a palavra passe que não era acessível aos visitantes; desta forma entretive-me na internete até chegar à altura de ir ao restaurante e comer o bife mais duro que alguma vez já comi.

fotos ZÂMBIA 015.jpg Estamos no dia 01 de Outubro no lugar de M´libizi no Zambezi Resort – P.O. Box 1511 de Bulawayo no lugar do “DEAD SLOW” (morte lenta). Tinha de ser assim mesmo num lugar aonde o tempo morre a admirar o lago Kariba que em verdade é bem bonito; um braço de lago com uma ponta aonde é normal encostar o tal de “ferry” mas, para além do lugar agradável só havia pedras, árvores, o ancoradouro e uns quantos chalés arrumados na encosta. Foi aqui que ficamos.

Era suposto ser um compasso de espera pelo ferry mas, damo-nos conta que em África tudo pode acontecer. Ficamos a saber que um talvez não é coisa de fiar. Marcamos viagem com pagamento antecipado em Victória Falls em um escritório oficial de turismo e chegados aqui ficamos a saber que não vai haver ferry no dia aprazado – dia 02 de Setembro e num talvez, só lá para o dia 12 e, se houver gente. A este outro talvez, nós não podemos dar crédito! Ficar aqui dez dias sem podermos usar nossos cartões de crédito cria-nos forçosamente problemas logísticos! E, entretanto vamos fazer mais o quê para além de pescarmos ou olhar o lago? This is África … This is África …

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:47
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Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2019
MISSOSSO . XXXIX

EU E O FALA KALADO – APONTAMENTOS RELAXADOS

NA ILHA DO CARLITOS 9ª de Várias Partes01.12.2019

Por

soba15.jpgT´Chingange - (No Algarve do M´Puto)

soba03.jpg Naquele outro dia e de saída da ilha de Carlitos, Imaginando um jogo de xadrez, zarpamos aos esses pelas nove ilhas tropicais… Recordo que falávamos de Elias Salupeto Pena, irmão de “Ben-Ben” e outro proeminente dirigente da UNITA igualmente falecido e, que também estudou com João Lourenço, exactamente na mesma escola e época. As famílias eram amigas e professavam a mesma confissão religiosa protestante. Sequeira João Lourenço, pai do Presidente da República de Angola, era amigo pessoal de Loth Malheiro, pai de Jonas Savimbi e avô dos irmãos “Ben-Ben” e Salupeto Pena, o causador da reviravolta de Fala Kalado o Coronel com orelha de plástico.

De novo neste lugar quase secreto e, no meio de várias ilhas, repúnhamos novas e velhas falas para mantermos suficientemente activos nossos labirintos do cerebelo. Assim descontraídos e curtindo o calor e a água morna vinda das águas baixas da lagoa de Manguaba quis saber da razão de um quase enigmático telefonema de Agualusa quando me encontrava no Deserto do Naukluft da Namíbia, no outro lado do Atlântico. Sendo assim perguntei-lhe: - Tu andas desavindo com a escrita de Agualusa; que se passa ou passou? Porque me fazes essa pergunta? Replicou Fala Kalado.

Vi no semblante dele FK, que ali, havia coisa. De relance reparei que sua orelha biónica de plástico vibrou com uma intensidade do tipo vaga-lume o que me levou a ter cuidado mas, arrisquei: É que quando eu estava a entrar no balão para ver as dunas lá no Park de Sossusvlei e por via de falar em ti, ele, Agualusa enigmaticamente para mim, disse para ter cuidado. Até referiu a seguinte frase: “ Nenhum homem vale uma barata”. Claro que isto tem-me atormentado desde esse então!

amigo da onça.jpg Esse gajo escritor anda a aproveitar-se da minha lenda para escrever exactamente aquilo que andei a fazer até há bem pouco tempo, vender armas para os guerrilheiros do morro para reviver o Zumbi dos Palmares. Isso, já era! Acabou! Agora quero ficar de fora dessas trapalhadas, para além do mais os meus antigos fornecedores de armas da guerra de Angola estão-se borrifando para mim. Pois! Entrei no diálogo - o negócio do petróleo veio alterar todo esse sistema de enriquecimento rápido…

Nós estávamos aqui para curtir o tempo na companhia de gente gira e como tal entre as muitas falas com os demais amigalhaços e suas baronas, garinas empapoiladas de fio dental, divergíamos as conversas contando anedotas do burgo e das politicas bem periclitantes saindo do tubo ladrão do Supremo Tribunal e outras Câmaras muito enfeudadas no trambique cazucuta deste belo país tropical – O Brasil.

Entrelaçados na estória, esticamos as pernas na água e entre coisas pedidas ou mal contadas, coisas de Angola, fiquei inteirado por FK que numa reacção a dados de inteligência que alertavam para planos do regime angolano que levariam ao assassinato de Jonas Savimbi, Salupeto Pena o militar de quem temos falado ficou conhecido como o autor da frase “se tocarem no nosso mais velho isto vai ficar feio”. O destino dado aos restos mortais de Salupeto Pena foram objecto de versões díspares – vou-te falar; uma outra lenda.

dakota1.jpg Pópilas! Angola está repleta de lendas. Já nem si se tu mesmo eras aquele Nelito Soares que em 1969, numa quarta-feira de Cacimbo, protagonizaste, com mais dois compatriotas do BC 11 dos Gorilas do Maiombe, o desvio, para o Congo Brazzaville, de um avião comercial!? Era um Dakota que seguia de Luanda para Cabinda, com passageiros a bordo. Esse Nelito de que me falas e dizes ser, só pode se uma inventação tua, replicou Fala Kalado. Estás a ficar como esse tal de Agualusa que fala com osgas e, que me tem metido em sarilhos diplomáticos! Nem confirmo nem desconfirmo o que dizes porque euzinho, também não sei!

- Tudo isso se varreu da minha cuca, sabes! FK, disse isto com tanta convicção que fiquei disparando sinais de confusão feitos rolos de fumo invisível. Será que não é? Tal como Salupeto Pena vais ficar nas nuvens da incerteza. A versão do Salupeto que mais se realçou em círculos restritos alegava que na qualidade de familiar direito de Savimbi, teriam reencaminhado o seu corpo para fins tradicionais, num ritual que teria contado com o envio, a Luanda, de um mago oriundo da Índia, razão pela qual diz-se que o corpo do mesmo já não existe.

O desvio do Dakota da DTA, Divisão dos Transportes de Angola, antecessora da TAAG, ganhou proporções tais, que nem a censura feroz do regime colonial em vigor em Angola, como nos restantes territórios, incluindo Portugal, subjugados à ditadura, conseguiu sufocar. Soube disto quando estava num lugar chamado de Tando Zinze, bem perto da fronteira do Congo Zaire álem Catata do enclave.

maian7.jpg Lembro: - Poucas horas depois de o aparelho aterrar em Ponta Negra, era tema de conversas sussurradas em tudo o que era sítio, principalmente, em Luanda e Cabinda. Mais tarde, a “nova” chegou a toda a Angola, por via do programa radiofónico do MPLA, “Angola Combatente”, transmitido a partir de Brazzaville. No M´Puto a Dona Isabel, proprietária de um pequeno café na pequena cidade de Lagoa, que foi locutora dessa rádio durante algum tempo, confidenciou-me isto mesmo (mas, em verdade eu, já o sabia!)... Patrinichi, o empregado de origem kosovar, desta feita andava demasiado ocupado para cuscar nossas conversas…

Glossário: Bem-te-Vi – pássaro parecido com o melro; Cuscar – bisbilhotar; Dakota – Tipo de avião; Kalacata - militar da Unita; Baronas - Mulheres papudas; Garinas – miúdas, catorzinhas; Euzinho – Terminação de Eu, uma forma de dize “eu” em gíria…

(Continua… )

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:01
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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