Domingo, 18 de Fevereiro de 2024
VIAGENS . 140

NAS FRINCHAS DO TEMPO

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3551 – 18.02.2024

 “A LONGA MARCHA  COM SAVIMBI” Segundo Fred Bridgland

- Escritos boligrafados, aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018 - “Missão Xirikwata”

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

moxico1.jpg Entretanto recorda-se (Via Wikipédia): O Presidente da Guiné-Conacri, Ahmed Sékou Touré, foi quem fez a proposição de reconhecimento da RPA na reunião da Organização da Unidade Africana (OUA) de 10 de janeiro de 1976 em Adis Abeba. A 11 de Fevereiro de 1976, a OUA, então presidida pelo Presidente do Uganda Idi Amin Dada, reconheceu a RPA como legítimo governo de Angola, aceitando-o como o 47º. membro da organização.

O General Kamalata Numa da UNITA anos mais tarde em resposta a uma pergunta esclarece ter  havido actuação de tropas congolesas ao lado das tropas ditas regulares do MPLA: - É verdade! À coligação MPLA/cubanos juntam-se tropas congolesas com um total aproximado de 10 batalhões que passam a actuar no Centro/Sul de Angola…

moxico01.jpg Continuando com a descrição do que foi a grande marcha de Savimbi e, ainda muito longe do seu termo, a coberto da escuridão, Savimbi dividiu em três grupos inteiramente novos, os seus próprios seguidores, os de Samalambo e os do capitão Chimbijika, que os oficiais de Savimbi descobriram ter montado uma base da UNITA com 100 guerrilheiros. Cada um dos grupos partiria durante a noite em direcções diferentes.   

Esperavam iludir os pisteiros do MPLA, levando-os a acreditar de que a maior coluna, a de Samalambo, era a que protegia o líder Saviambi. Os três grupos tomaram o rumo das matas mais densas, afastados tanto quanto possível das margens dos rios, estradas e povoações. Os oficiais de Savimbi observaram  que os cubanos patrulhavam regularmente ao longo do curso dos rios e das estradas, na sua busca pelos homens da UNITA. Aventuravam-se pouco nas zonas de matas que se estendiam pelas áreas rurais e, com as quais, só os guerrilheiros  da UNITA estavam familiarizados.

moxico2.jpg Às  primeiras horas da noite, homens e equipamentos movimentaram-se  para cá e para lá, entre os três grupos, através dos muxitos das matas. Savimbi transferiu o seu rádio e operador para Samalambo, que poderia vir a precisar mais deles: ele deveria dirigir-se a uma área sob muito maior controlo por parte do inimigo e estabelecer uma base da UNITA perto do Caminho de Ferro de Benguela.

Savimbi disse aos seus guerrilheiros que dormissem, porém, passou a noite a dar instruções aos oficiais superiores das três colunas. Ele disse: «Como homens do exército, poderiam querer desesperadamente combater o inimigo. Em vez disso, porém, tinham de com firmeza e depressa actuarem, afastando-se do problema». Para conseguirem  o que se propunha, teriam de conciliar a necessidade de uma rigorosa obediência por parte de seus homens, com a capacidade de lhes demonstra  compreensão numa situação de desespero.

moxico5.jpg Foi bem peremptório ao dizer-lhes que existiam razões de sobra para terem  esperança. O inimigo mostrava que a sua estratégia era fraca. Estavam a actuar como estranhos: Não conheciam o terreno nem tinham o apoio da população, pois, de outra forma, nessa altura já Savimbi teria sido capturado. Estava bem claro, agora, para os oficiais, que a população estava com a UNITA. E Savimbi disse-nos: «Se o povo não desiste, porque razão desistiria eu?».

Nesse mesmo ano, após um veto por parte dos Estados Unidos, a Assembleia Geral das Nações Unidas admitiria Angola como membro 146º, em 1 de dezembro de 1976. Mesmo reconhecendo a independência angolana deste 10 de Novembro de 1975, o Governo Português somente reconheceu a autoridade do MPLA, sob o comando do Presidente de Angola Agostinho Neto a 22 de dezembro de 1976.

Nota: - “Transcrições de Fred Bridgland em “Jonas Savimbi: Uma Chave para África”.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:39
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Domingo, 28 de Janeiro de 2024
VIAGENS . 132

NAS FRINCHAS DO TEMPO

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3543 -28.01.2024

 “Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”

A CARAVANA.4 – A FUGA - Escritos boligrafados da minha mochila

- Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

cluny1.jpg Aprendi, nessa época, que tudo o que está ruim pode piorar. Minha familia deixou Nova Lisboa, assim como meu namorado e a mãe dele. Eu fiquei. Aguardava minha mãe, que tentava sair de Luanda. De repente me vi  sozinha, aos 16 anos, num país que se esfacelava e numa cidade em que os grupos guerrilheiros se enfrentavam para dominar o território. Agora havia tiroteios em toda parte. Passei a morar na sede da Cruz Vermelha.

Finalmente minha mãe chegou e conseguimos uma carona para Sá da Bandeira, mais ao sul. Fomos de camião, minha mãe na boleia com o motorista e a esposa dele; eu e os filhos dele no meio da carga de batata. Até hoje, meu senhor, o cheiro de batata me agonia. É cheiro de fuga, de desesperança e perda. Em Sá da Bandeira reencontramos meu namorado e a familia dele, com quem tinhamos combinado sair de Angola. A confusão era enorme.

fuga001.jpg Gente andando de um lado pro outro, tentando encontrar familiares ou arrumar um jeito de sair dali, gente sem um centavo até para comprar água. Faltava comida, além de esperança. Não lembro exatamente da data em que finalmente saímos em caravana (onze carros e um camião) à noite pelo meio da mata, com destino à fronteira com a África do Sul. Sei que era início de Agosto. Durante a viagem encontramos duas patrulhas de guerrilheiros.

A primeira foi mais tranquila, aceitaram o suborno de cigarros. Já a segunda foi apavorante: queriam nos prender de qualquer jeito. Segundo eles, éramos ladrões das riquezas de Angola. Todo aquele zelo patriótico não resistiu à propina. Além de cigarros e bebida alcoólica, demos dinheiro para que nos deixassem seguir.  O sol começava a nascer quando encontramos uma coluna do exército da África do Sul.

etosha1.jpg Ainda estávamos em território angolano, a cerca de 10 quilômetros da fronteira, mas eles nos escoltaram até um campo de refugiados já em território sul-africano. Foi o primeiro campo em que ficamos. Eu sentia  raiva, meu senhor. Muita raiva! Uma revolta surda contra os brancos portugueses de Portugal, que nos exploraram durante séculos e agora nos viravam as costas dizendo que éramos brancos de segunda classe.

Revolta contra os negros, por acharem que a diferença na cor das nossas peles fazia que fôssemos diferentes deles. Éramos todos angolanos, mas apenas nós estávamos sendo expulsos de nossa terra e não tínhamos para onde ir. O acampamento era feito de barracas de campanha. Sabes como é, senhor, aquelas barracas verdes do exército? Na nossa barraca dormiam seis adultos e duas crianças.

namib5.jpg Cada um recebia um um cobertor e três refeições por dia. Comida pouca, ninguém ficava saciado, mas matava a fome. Estávamos agradecidos, pois os sul-africanos faziam mais por nós do que o governo de Portugal. Esse acampamento – destinado a angolanos e moçambicanos – era um local de filtragem. A alguns era vedada a possibilidade de ficar no país. Esses eram logo encaminhados ao grupo consular português e enviados ao aeroporto, onde aviões da África do Sul os levavam para Portugal. Outros eram mandados a outros campos de refugiados.

Nós, graças a meu futuro cunhado, que era engenheiro agrícola e já tinha uma promessa de emprego, fomos para outro campo. Escoltados por uma coluna do exército, seguimos para Tsumeb. Na estrada para Windhoek, havia uma cidadezinha. Avistamos gente nos esperando. Abordaram o oficial do exército que nos conduzia e pediram para nos dar abrigo naquela noite. Desconhecidos encharcados de solidariedade, que queriam nos oferecer o alimento mais precioso, esperança…

(Continua…)

(Texto corrigido de Sonia Zaghetto)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:38
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2024
VIAGENS . 127

NAS FRINCHAS DO TEMPO

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3538 – 17.01.2024

 “Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”

Às margens do Cubango - Escritos boligrafados da minha mochila - Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

matrindindi1.jpg Eu, era um dos que preparava essas listas de embarque – Guias de Marcha para o M´Puto, sem retorno - GUIAS DE DESEMBARAÇO. Naquela Luanda, pairava no ar promessas de morte, vinganças avulsas; continuavam as manifestações com mortos transportados em macas reclamando por insegurança e coisas variadas agitadas com catanas de furia.

Tudo o era feito, para seguir as novas técnicas de meter medo com horror; instrucções seguidas pela cartilha de Rosa Coutinho. No aeroporto de Belas já neste início de Agosto de Setentaecinco, podia ver-se milhares de famílias pernoitando de qualquer jeito junto aos seus haveres no largo frontal da zona do check-in e jardins do aeroporto, malas, caixotes e bugigangas.

soba23.jpg Ali permaneciam dia e noite protegidas com cobertos de lonas presas a caixotes usando como banheiro áreas improvisadas ou as bissapas, arbustos circundantes do jardim; o cheiro era nauseabundo. É confrangedor só de pensar em estas turbas de gente que às pressas colocaram umas peças de roupa, uns agasalhos, umas fotos de recordação prontos a ir ao encontro dum desconhecido maior que o mundo.

E, as despedidas de gente serviçal, vizinhos ou até um amigo próximo que por ali iam ficando – na Luua: toma lá a chave do meu carro, da minha casa, cuida dos animais meu amigo João, Napumoceno, num catravês de incógnitas,  num porque não sei quando voltarei, nem se volte. Na mira de voltar havia mesmo falas muito penetradas de sonhos…

soba05.jpg Olha pelos meus cães, o aspirina mais o tarzan que ficam na casota lá junto ao gerador e perto do galinheiro. Doeu e ainda dói! Coisas de partir o coração aconteciam como sendo coisa pouca – a frieza das pessoas, do governo, da Metrópole em um todo, afligiam-nos sobremaneira. Minha revolta era imensa!

No dia 4 de Agosto de 1975, na cidade da Gabela os partidos entram em confrontos e a população organiza uma caravana; com mais de duzentos veículos, serão acompanhados por militares portugueses e da UNITA, escoltados até à cidade de Nova Lisboa (Huambo). Savimbi mandava retirar o seu pessoal político e militar d Luua. Pediu à Marinha e à Força Aérea para que evacuassem todos os seus militares das FALA e apoiantes na via para o Sul - de todos os que se mantinham para além de Luanda, Carmona, Ambriz, Cabinda e santo António do Zaire.

dia230.jpg A partir do dia 9 de Agosto de 1975 o Governo de Transição de Angola ficava reduzido ao MPLA  e à parte portuguesa. Ainda faltavam 94 dias para o dia da independência, o 11 de Novembro de 1975. O novo Ministro dos Negócios Estrangeiros no V Governo Provisório (1975) de Portugal, Mário Ruivo, reconhecia oficialmente o Óbito do Acordo do Alvor.

Para tal proclamaram o estado de emergência com a criação de uma Junta Governativa para substituir o defunto Governo de Transição que só durou cerca de seis meses. Neste molho de brócolos, o Governo de Transição foi extinto mesmo sem que para tal estivesse autorizada a sua substituição em caso de incapacidade. Mais uma medida no âmbito revolucionário feita em cima do joelho pelos generais e políticos de aviário. E, o Mundo assistia a isto!

 (Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:53
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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2024
VIAGENS . 126

NAS FRINCHAS DO TEMPO

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3537 – 09.01.2024

 “Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”

Às margens do Cubango - Escritos boligrafados da minha mochila

- Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

Gonçalves Ribeiro.jpg António Gonçalves Ribeiro, foi em Angola, no posto de tenente-coronel, nomeado Secretário-Geral do Alto Comissariado até 10 de Novembro de 1975. Foi ele que Coordenou e dinamizou a Ponte Aérea e também Marítima garantindo aos cidadãos portugueses radicados em Angola e não só,  o regresso a Portugal com parte dos seus bens.

Gonçalves Ribeiro, publicou em 2003 o livro “a Vertigem da Descolonização” que convem ser tomado em conta nas análises que hoje se possam fazer … Em verdade, a ponte LUUALIX, só se resolveu em pleno quando mais de cinco mil pessoas se juntou no Largo fronteiro ao Cinema Miramar da Luua pedindo a todas as embaixadas que mandassem transportes aéreos ou marítimos a os tirar daquele inferno.

mocanda25.jpegNas horas daqueles dias a vida não valia um vintém; tudo ficava ao sabor da sorte. Remexendo no meu baú encontrei o único e último documento que tenho do ESTADO DE ANGOLA e do Governo de Transição assinado por António da Silva Cardoso – General das F.A. Trata-se de um Salvo-Conduto para transitar pela Cidade de Luanda e Bairros Suburbanos. Revendo o mesmo, este refere que na condição de deslocado exercia a função de Colaborador na Comissão de Repatriamento.

Aquele salvo-conduto, está assinado pelo Alto-comissário de Angola, em Luanda, aos 29 de Julho de 1975 – Nove dias antes do meu Voo LUUALIX. Naquele então do ano de 1975, António Gonçalves Ribeiro, o pai da “Ponte LuuaLix” fazia alarde ao mundo da periclitante situação em retirar todos os deslocados por via da descolonização, entenda-se uma anárquica guerra com vários intervenientes, movimentos emancipalistas impreparados para se governarem a si próprios.

lua44.jpeg Naquele então, ainda faltava ir buscar algumas pessoas a áreas do território aonde não havia qualquer segurança – gente metida no mato (…). Minha missão interinamente provisória, era dar a conhecer via telefone à gente deslocada de seus sítios tais como Administradores, Chefes de Posto entre outros funcionários, qual o vôo que lhs estava destinado por meio de GUIA DE DESEMBARAÇO para o embarque aéreo.

Era  gente deslocada ou desalojada de seus sítios, alguns deles perseguidos de morte prometida, fugidos dos movimentos, mais propriamente dos rufias feitos revolucioários pelo MPLA e que, se encontravam confinados em hotéis, pensões ou abrigados por amigos ou familiares – normalmente funcionários ou comerciantes previamente cadastrados nesta repartição governamental criada à força e a propósito de dar alguma ordem às muitas anomalias…

mocanda29.jpg Via telefone dava-lhes a conhecer qual a sua hora de embarque na ponte “LUUALIX”; para assim ultimarem sua presença ou esperar transporte ido do Palácio que os levaria ao aeroporto Craveiro Lopes, também conhecido por Belas. Confirmo que assim era porque estando eu destacado como “adido” no Palácio do Governo da Cidade Alta da Luua, podia vivenciar o que por ali se passava.

Tinha por missão e, a partir dali, Palácio da Cidade Alta – Comissão de Repatriamnto, dar a conhecer via telefone qual o número de vôo, data e hora a sair do Aeroporto Craveiro Lopes. Deste modo recolherem  a guia de marcha para embarcar.  Aos que não tinham modo próprio de se deslocar ao aeoporto,  iriam ser recolhidos  em transporte proporcionado pelo Alto Comissariado. Como digo, eram estes por norma, administradores e gente perseguida pelo tal braço armado de Poder Popular e Pioneiros…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:47
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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2024
VIAGENS . 124

NAS FRINCHAS DO TEMPO

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3535 – 05.01.2024

 “Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”

Às margens do Cubango - Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

mfa1.jpg Os novos mandantes do M´Puto, a reboque do PCP, mudariam funcionários, quadros e militantes com acções reais no terreno. Preparava-se mais uma cimeira no Quénia mas ninguém acreditava nisto; Nem os próprios intervenientes! Face à situação, quatro presidentes africanos reúnem-se numa mini-cimeira em Dar-Es-Salaam, capital da Tanzânia, país surgido da fusão das antigas Tanganica e Zanzibar.

Nenhum acordo é conseguido. Julius Nyerere da Tanzânia e Samora Machel de Moçambique, defendiam o domínio do MPLA de Neto sobre Angola.  Kaunda da Zâmbia e Sir Seretse Khama do Botswana, eram partidários de um governo de unidade nacional que incluísse representantes da FNLA e UNITA.  Era chover no molhado… Nas três primeiras semanas de Junho a FNLA e MPLA tinham aprisionado mais de duzentas pessoas, a maioria brancos, nalguns casos com seus familiares. Os edifícios públicos eram simplesmente ocupados pelos Movimentos; coisa sem lei nem roque! A cintura à volta de Luanda erguida pelo MPLA era uma realidade!

mocnda10.jpg Irão dizer que não pois que em realidade parece uma grande peta feita mas, o certo é a de que militares pagos pelo M´Puto e inteiramente destacados naquele Movimento como se dele fossem, com fardamento próprio do MPLA; gente seleccionada  pelo PREC de Otelo Saraiva (o Ché tuga…)  Ainda ninguém trouxe isto às claras porque o sigilo estava por demais resguardado e, só alguns oficiais o sabiam.

Até surgiu um  selo mentiroso do M´Puto alusivo ao MFA.  A mim sempre me pareceu muito feito a propósito por o ser verdadeiro! Nakuru era folha morta! “Numa situação de guerra em Angola, como e a quem se ia entregar a sua governação?”. Era o próprio Silva Cardoso, Alto-Comissário, que se interrogava falando baixinho para que os demais ouvissem.

tesouras.jpg Neto reclamava a saída deste! Ele, Neto, o poeta, queria que assim fosse e, isto era o bastante! A maioria dos oficiais portugueses andava a assobiar ao vento! Triste ironia desta nítida má-fé e, de quem ainda anda por aí recebendo benesses e até medalhas de bom comportamento, tornados heróis como se isso o fosse de forma “avulso”.

O MPLA venceu a Batalha de Luanda expulsando a UNITA e a FNLA com a inequívoca ajuda do glorioso MFA do M´Puto (isto sempre o será repetido…). Em verdade a Batalha de Luanda resumiu-se ao duelo entre MPLA e a FNLA, enquanto os soldados e militantes da UNITA, sem armas para retaliar, se tinham simplesmente resignados a fugir.

guerra13.jpg Os que não puderam fugir, foram simplesmente massacrados aos milhares (maioritariamente negros mas e também, alguns brancos). Recordem-se do massacre na sede Pica-Pau em que abateram homens quase desarmados, mulheres e muitas crianças…  Angola era a nossa terra, nossa capital era a Luua, o nosso rossio era a Mutamba e o M´Puto estava lá longe…

Mandavam-nos os magalas, o azeite, os carros, as modas e uns quantos gozavam de quatro em quatro anos férias graciosas. De volta levavam chouriços, salpicão, enguias em potes especiais e sardinhas gostosas! Negros e brancos seguiam seus sonhos, suas ambições.Uns pensavam em mudar tudo e de catanas nos pensamentos julgavam o que lhes parecia o mais certo para a terra deles, que também era a nossa! Pensávamos nós!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:07
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Sábado, 30 de Dezembro de 2023
VIAGENS 122

A CHUVA E O BOM TEMPO - NO M´PUTO

ENTRE O NATAL E O NOVO ANOCrónica 3533 - 30.12.2023

- No intervalo de viagens nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado…. Um chapéu de chuva, sempre dá geito…

Por: T´Chingange . Em Arazede do M´Puto

cangulo0.jpg Os sintomas do mal, revelam-se em características inquietantes pelas instabilidades politica e laboral na mistura do flagelo das guerras e da caristia da vida envolta em desemprego  prolongado. O mal fermenta-se na psicose gerada pela instabilidade apontada adicionada a outros males como a precaridade quase instituída; isto para não entrar no capítulo da educação, formação, investigação, assistência na doença e lóbis incestuosos nas várias frentes da governação.

Avós, pais e filhos têm de se organizar nestes inteiros condicionamentos de vida. Ninguém está certo da vitória no que concerne à nossa liberdade em nossa existência. Estamos sempre pendentes das medidas dos poderosos que por nossa mão (entenda-se o povo), alcançaram o poder; refiro-me aos políticos. No final, a culpa não é de ninguém e morre sempre solteira…

canguixe1.jpg Não poderemos libertar-nos dos sintomas conhecidos e de outros por conhecer, se não atacarmos a moléstia pela raiz sabendo que mesmo estas continuam a crescer de uma forma imprevisível! Nem sempre os diagnósticos estabelecidos pelos especialistas dão a necessária confiança à convicção de que um homem independente é honesto.

O clã familiar, cada vez mais tem de se organizar como e, para harmonizar sua existência humana tendo de partilhar sua reforma com um filho, com um neto, a um mais próximo a fim de se superar nas sucessivas crises. E uma crise não é singularmente diferente das precedentes porque dependem de circunstâncias novas. Isso! Condicionadas pelo fulgurante progresso da corrupção, da cunha e, aonde o homem, mulher, a família se vê neste tipo de economia dita liberal.

fifa3.jpg A lei da gasosa, sim! Obrigado/a no retirar migalhas ao salário sem sempre conseguir garantir as vitais necessidades. Dos ganhos, sessenta por cento, vão direitinhos para pagar a máquina estatal que subsidia partidos, fundações, observatórios e tantos outros afins de e a bem da nação… Balelas! Uma guerra de impostos taxas e sobretaxas; incestuosas atribuições…

O desemprego aumenta e a confiança no patronato diminui; diminui a confiança nos bancos, da participação pública nestes e depois… depois os bancos irão ser obrigados a sessar seus pagamentos, a diminuir os juros. E, dirão porque o público retira os depósitos, a economia fica bloqueada e edecéteras complicadíssimos de entender…

dia003.jpg Eles, os bancos convencionam-se em garantir seus fundos de prevenção dando-nos 0,01 por cento nos depósitos ao ano, cobrando-se de todas as tarefas inimagináveis. O que não nos dão, vai direitinho para o seu fundo de garantia, para pagar a trafulhices de venderem peidos de velha como se fossem ovos moles. Agora, dão-nos 3,5 por cento para tapar fendas da inflação que anda lá muito mais acima.    

As crises decerto darão dinheiro a alguém! Algum país, algum grupo ou contas de paraísos fiscais ficarão a abarrotar! Até no M´Puto há superávite - o termo genérico que se dá a uma conta de balanço de entidades com finalidades econômicas ou da administração pública que, em geral, corresponde à conta "lucro do exercício" dos balanços ....  E, andamos todos a chiar – que a vida está cara!?. As crises são preparadas de tempos, a tempos para nos esfriarem os bolsos. Os donos do Mundo, os donos disto tudo sempre estarão amparados pelos políticos eleitos. A inteligência é a capacidade de nos adaptarmos a tudo isto aceitando o roubo, a taxa, o imposto e alcavalas como coisa clara e instituída. Esforcem-se para não  ter um  Novo Ano periclitante! Fui…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:02
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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2023
VIAGENS . 120

NAS FRINCHAS DO TEMPO
"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3531 – 20.12.2023
“Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”
Às margens do Cubango - Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018
Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

banco de angola1.jpg Convém agora relembrar o que alguns notáveis do M´Puto afirmaram em seu tempo, já após os acontecimentos no qual tomaram parte - Nos escritos de Pesarat Correia em Histórias de Abril pode ler-se: Sem o 25 de Abril Portugal teria falhado o seu encontro com a descolonização. No livro editado pela BKC – Book Cover Editora, Lda pôde confirmar que “até julho de 1974”, a guerra não só prosseguia  morna como se suavizava em alguns teatros de operações.
Só a UNITA aceitou negociar nas condições inicialmente propostas por Portugal. Acresce, que os movimentos de libertação eram apoiados pela ONU e OUA nas exigências que faziam a Portugal. Assim, só com a “Lei n.º 7/74 Portugal reconhece o direito das colónias à autodeterminação e independência.” – Portanto, é a lei n.º 7/74 que conduz, digamos assim, às negociações para o acordo de cessar-fogo e, mais tarde, às transferências de soberanias.

mfa2.jpg - O MFA e os militares estiveram sempre na liderança do processo que, evidentemente, contou com a participação de civis, nomeadamente, Almeida Santos e Mário Soares, em virtude das funções políticas que ambos desempenhavam. Os dois tiverem papéis importantes inseridos num contexto geral que era “determinado por militares”.
– Os membros da Junta de Salvação Nacional e todos os militares que, no seu conjunto, representavam uma emanação do MFA; a Comissão Coordenadora do MFA que tinha uma força política determinante; o primeiro-ministro Vasco Gonçalves, o ministro sem pasta e depois dos Negócios Estrangeiros que passou a ser Melo Antunes; e ministros e secretários de Estado com influência decisiva, caso de Vítor Crespo que foi o primeiro ministro da Cooperação.

mfa1.jpg – Quem teve a maior importância nas transferências de poderes em Angola foi Melo Antunes - primeiro como ministro sem Pasta, depois como ministro dos Negócios Estrangeiros. – Na altura da transferência de poderes do colonizador para os representantes das antigas colónias que então se tornaram novas nações, meio milhão de portugueses regressou à “Metrópole”, número onde se destacam os oriundos de Angola que representam 61 por cento desse universo.
Em sua tese, Pesarat Correia diz que Portugal foi ultrapassado e não teve capacidade para evitar a derrapagem do processo. Via Wikipédia pude saber do surgimento do Grupo dos Nove, um grupo de oficiais liderados por Melo Antunes pertencente ao MFA de tendência moderada. Publicaram em 7 de Agosto de 1975 um documento que ficou conhecido como "Documento dos Nove".  Em realidade Rosa Coutinho e Otelo Saraiva de Carvalho do PREC, já tinham deteminado tudo; pintaram  e bordaram como bem o quizeram. Tudo  a contento emudecido dos ilustres  camaradas da Abrilada  e  Costa Gomes, o presidente Rolha mancumunado com Castro  de Cuba e  Cunhal do PC da URSS... O homem do pingalin, botas de cano alto, luvas pretas e monóculo da banga de nome Spinola, já era carta fora do baralho...

moka15.jpg Este documento tinha em vista a clarificação de posições políticas e ideológicas opondo-se às teses políticas do documento "Aliança Povo/MFA”, apresentado a 8 de Julho de 1975. Os nove conselheiros da revolução foram: Melo Antunes, Vasco Lourenço, Pedro de Pezarat Correia, Manuel Franco Charais, Canto e Castro, Costa Neves, Sousa e Castro, Vítor Alves e Vitor Crespo.

moita2.jpg Os pressupostos do Acordo do Alvor nunca foram cumpridos, a guerra civil instalou-se e foi agravada ainda por interferências externas. Com os EUA muito presentes no terreno e a URSS a apoiar a intervenção cubana, contribuiu para que a guerra civil se reacendesse mais intensamente e arrastasse as intervenções externas. Por motivos desvirtuantes ao processo, o MPLA foi tendo a preponderância consentida e auxiliada pelas NT (digo eu) acabando por retirar do processo os outros dois movimentos: UNITA e FNLA…
(Continua…)
O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:36
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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2023
VIAGENS . 116

NAS FRINCHAS DO TEMPO

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3527 – 12.12.2023

 “Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”

Às margens do Cubango - Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

guerra14.jpg (…) O Batalhão do Luso, o de “pé descalço ou em cuecas” (Segunda comp.ª do Cart/Bart 6221/74), deixou armas, rádios, munições e até material cripto. O comandante deste batalhão disse ter preferido ser enxovalhado do que pôr em risco a vida de 600 civis, deslocados com mulheres e crianças.  Uns dias depois a UNITA apresentou oficialmente desculpas a Ferreira de Macedo, o interino Alto-comissário.

Este procedimento das tais NT,  foi uma nodoa negra que se justifica talvez porque só tinham 3 meses de comissão; deduz-se que os instrutores seriam esses tais do PREC do CR que foi mandada para uma Angola desconhecida. Recordar que a UEC – União Estudantil Comunista chefiada por Zita Seabra tinha por função em Portugal de provocar a tal de IPA – Inssurreição Popular Armada que logologo, se estendeu até às hostes do MPLA em Angola.

guerri5.jpg Eu próprio (T´Chingange), vi na Caála – Robert Williams, estudantes da  UEC a darem instrução milirar aos candengues pioneiros do MPLA – jovens com seus 10 a 12 anos carregando armas de fingir feitas em madeira. Alguns militares daquele Batalhão do Luso, vim a saber que eram estudantes daquela leva da UEC e. que por este facto, ao regressarem tiveram passagens administrativas nos cursos que acabaram por concluir.

Muitos destes, passaram a gerir serviços técnicos nos organismos camarários e outros oficiais sem estarem minimamente preparados. Saíram arquitectos quando nem desenhadores se poderiam considerar e, por aí! Outros técnicos de aviário fizeram e fazem carreira sem terem a correcta aptidão para além de o serem uns abnegados militantes da esquerda, da onda do Ché Guevara via Zita Seabra (…) - gente preparada átoa, com devaneios por ideologias e, sem apego ao brio e ética.

gado1.jpg Aquele despontar sem preparo de oficiais de aviário espetando os peitos abrilescos, heróis de cinco minutos, o suficiente para a fotografia, fizeram a merda que fizeram. O baixar de guarda desta feita foi demasiado humilhante para um exército que se preze! Dá para entender todas estas ocorrências entre Agosto e o 11 de Novembro com escandalosa ajuda ao MPLA. Alguém disse e eu terei de concordar - “tropa de cáca”.

Nunca cheguei a saber se o Furriel indignado que deu uma chapada a um soldado das FALA foi ou não fuzilado como já li em qualquer parte! As fontes só dizem que foi levado para ser fuzilado ao qual o comandante afirmou: Fiquem com tudo, mas não façam mal a ninguém! Só quem lá esteve, poderá confirmar e acrescentar se sim, ou se não; se o Furriel foi mesmo fuzilado!

tonito11.jpg As confrontações em Sá da Bandeira tiveram início no dia 21 de Agosto pelos militares das FAPLA do MPLA acantonando as FALA e ELNA no quartel português; no dia 22 de Agosto, Costa Gomes, o presidente rolha do M´Puto, pediu formalmente o auxílio dos EUA. Precisava de ajuda para evacuar os restantes 330.000 refugiados que queriam sair de Angola. Carlucci reiterou as instruções chegadas a ele desde Washington para não negociar com o Governo de Vasco Gonçalves.

O auxilio dos EUA só se tonaria viável com a remodelação do governo do M´Puto com a saída de Vasco Gonçalves “o doidinho da esquerda” e, também as FAP em Angola não darem apoio ao MPLA (o que não se verificou…). Nós “retornados ou refugiados!” fomos a moeda de troca para virar Portugal para a direita pró USA! Fomos manipulados por nossos supostos irmãos do M´Puto… Fomos uns milhares de carneirinhos despojados de tudo; do periclitante direito à cidadania, do direito aos seus haveres, do direito à dignidade. Isto, nunca irei deixar de dizer, nem que me matem de morte morrida…

(Continua…)

O Soba T´Chingange - (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:35
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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2023
VIAGENS . 114

NAS FRINCHAS DO TEMPO

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3525 – 07.12.2023

 “Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”

Às margens do Cubango - Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

quem1.jpg (…) - Um Deus nos acuda com um salve-se quem puder! Entretanto as tais Nossas Tropas já eram poucas para controlar quem quer que fosse. A UNITA boicotava enquanto os homens de Chipenda, agora da FNLA, escoltavam com pagamento de 3000 contos os refugiados até à fronteira Sul. Oshakati era o ponto de encontro das caravanas saídas de Malange, Uíge, Nova Lisboa, Lobito, Novo Redondo ou Benguela e mesmo da Luanda já tão martirizada.

Um pouco de todos os lados, em grupos ou deslocados como formigas sem tino, fugiam simplesmente. Alguém lhe desfazia o carreiro do rumo acertado. E, o rumo era a paz, a fuga aos tiros, às atrocidades gratuitas, regra geral para o Sul e para a costa Atlântica. O destino era Grootfontein com a supervisão de militares e autoridades Sul-Africanas.

step6.jpg Era ali que se situava o campo de recepção aos refugiados. Ali chegavam camiões, automóveis e veículos de toda a ordem e também máquinas de terraplanar, caterpílares e tractores com alfaias. Em uma destas caravanas seguia meu compadre José Matias que resultado de um desencontro, ele foi e eu fiquei! Tinha-me deslocado a Luanda a fim de levar minha sogra para casa de um outro filho que vivia na Maianga da Luua.

Pois aconteceu que o que vi nesta viagem por terra, desvaneceu-me por completo a vontade de ficar na N´Gola que tanto queria. E, vi casas queimadas, povoações abandonadas, gente deambulando de um lado para outro sem uma precisa orientação. Em Muquitixe estive encostado a um muro velho com minha sogra idosa!

tio Sam01.jpg Não se sabia o que poderia sair daqueles drogados que revistavam o autocarro aonde seguíamos. Podíamos ter sido ali, metralhados, como num filme de revolução, cuja morte parece sempre surgir junto a um já esburacado muro! Simplesmente isto, não aconteceu. Ninguém se culparia e nem haveria de jurar a alguém! Parecia não haver esse tal de alguém; simplesmente, assustador!

Estes comboios de refugiados eram escoltados por norma pelas tropas portuguesas e também do MPLA numa já perfeita parceria de zelo de estado. Criou-se assim um autêntico corredor entre as cidades do Centro e Norte a Namacunde pela estrada principal do Sul. A falta de gasolina, água e alimentos tornava-se cada vez mais dramática pela carência.

guerra20.jpg Trocavam-se contos ao desbarato por tambores de gasolina. A tropa portuguesa assistia agora à fuga de milhares de ex-colonos e naturais com um sentimento de impotência, coisa confrangedora para alguns. Não haveria desculpas para esses militares (a maioria)  que obedeciam cegamente a seus comandantes de aviário, os cérebros do Concelho da Revolução com  muitos civis que se ufanavam deste feito como sendo coisa exemplar.

Prometi a mim próprio recordar estas tristes passagens, tempo de tão mau augúrio para um Império que ruiu da pior forma, sem dignidade; tudo feito por empedernidos fanáticos que a troco de uma centelha ideológica empederniam-se num regime despótico e anárquico entregando as gentes à sua guarda ao descaso, aos entretantos …

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:12
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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2023
VIAGENS . 113

NAS FRINCHAS DO TEMPO

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3524 – 05.12.2023

 “Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”

Às margens do Cubango - Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

roxo60.jpg Havia uma junta Governativa em Angola mas o MPLA fazia tábua rasa desta, assumindo suas antigas funções ministeriais, assinando diplomas sem respeitar a restrição imposta pelo Decreto-Lei de 14 de Agosto de a 1975. O Ministro Said Mingas (Dias Mingas), um meu antigo colega de carteira na E.I.L. por uns bons cinco anos, introduzia restrições à exportação de viaturas, só autorizando a saída de uma viatura ligeira por agregado familiar.

Em verdade o MPLA estava a proceder como um governo sem cumprir os acordos preestabelecidos com as demais partes do Acordo de Alvor - Penina. Seria obrigatória a verificação aduaneira rigorosa de todas as bagagens e mercadorias com destino ao exterior de Angola. O curioso de todas estas medidas foi ver mais tarde gente que fazia o controlo de bagagens nos portos e Aeroportos inscreverem-se em Portugal no Quadro Geral de Adidos e ocuparem até lugares públicos no aparelho de Estado Português.

t´chiku3.jpg Não se verificou nenhuma retaliação ou marginalização a estes caras-de-pau que dizendo-se uns mwangolés de primeira apanha, fugiram também para a segurança da Metrópole. Outros houve destes pseudopatriotas mwangolés que nem sendo funcionários no Ultramar arranjaram testemunhas e por declaração integraram-se como funcionários no M´Puto; a mesma que eles tanto abominavam.

Não vou aqui denunciar este ou aquele nominalmente embora me tivesse inteirado desta irregularidade grave; gente com quem lidei e que ainda anda por aí. Uma grande parte de quem lê esta Viagens, sabe que isto é uma verdade. Pode dizer-se assim que os carrascos, os mesmos que nos retiraram os anéis, ainda tiveram o gozo de usufruir benesses quando mereciam o inverso - ficar confinados às  suas masmorras. Para estes vou só dizer: “Usukula mundué ú hima kujibha nzapá...” (lavar a cabeça ao macaco é desperdiçar sabão!)

guerri6.jpg Nenhum destes que retornaram a Angola, agora bem acomodados por lá e, alguns pertencendo à nomenclatura do governo podem dizer que foram destratados no M´Puto. Entretanto as FAP (Forças Armadas Portuguesas) limitavam-se só a garantir a integridade dos refugiados sem actuar na gestão da governação. Em meados de Agosto, Mingas, assinou o Decreto que limitava os levantamentos de depósitos bancários a vinte contos por mês em vez dos quinze contos semanais permitidos e, passava a ser interdita a saída da moeda angolana do país bem como a loteria premiada.

Leonel Cardoso, o novo inquilino como Oficial Superior do sinistro C.R. mais Ferreira de Macedo, o Alto-Comissário interino, mantinham-se encerrados no Palácio da Cidade Alta servindo os interesses do MPLA por imposição do Concelho da Revolução, em verdade o auto intitulado governo - os genuínos donos de Angola por afronta permitida. Forneciam a estes dados estratégicos e fotografias aéreas para desmantelar tanto a FNLA como gente descontente.

fuga1.jpg Muitos portugueses foram parar às prisões da Boavista ao Bungo e praça de toiros do Bairro Caputo. Muitos saíram de lá metidos em lençóis para as covas do Cemitério de Catete ou para os jacarés do Lifune, Kifangondo ou Panguila. No Caxito, havia avanços e recuos da FNLA e MPLA; O ELNA controlava a 13 de Agosto a Barra do Dande tendo reconstruido a ponte e mantendo três colunas militares em suas margens e um outro menor grupo na estrada do Cacuaco.

As FAPLA recuavam para Sul da picada da Barra do Dande-Kifangondo. Em Cabinda as FAPLA eram donas da situação em todo o enclave. O alargamento da guerra para Sul leva milhares de pessoas a efectuar uma penosa epopeia, romaria sem retorno em direcção ao deserto do Namibe com muitas e variadas peripécias de chantagens como garantia de protecção, isto ate chegarem ao Sudoeste Namibiano.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:04
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Quinta-feira, 30 de Novembro de 2023
VIAGENS . 111

NAS FRINCHAS DO TEMPO

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3522 – 30.11.2023

 “Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”

- Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

moka25.jpg O Presidente do Congo Brazaville N´Gwabi aceitando as propostas do MFA do M´Puto na pessoa de Otelo Saraiva mancumunado com o Presidente rolha Costa Gomes (o sempre em pé…), e solicitação de Fidel de Castro, dá apoio com hospedagem a mais 142 instrutores cubanos, declarando-se oficialmente apoiante incondicional ao MPLA de Neto.

Este apoio tinha sido concertado em uma viagem que N´Gwabi fez a La Havana. Havia fortes indícios de que o MPLA estivesse a preparar uma declaração de independência unilateral, sem consulta a Portugal e aos outros dois movimentos conforme o estipulado  no Tratado de Alvor. No M´Puto, pode entretanto, apreciar-se um comportamento de insubordinação de má-fé entre os colaborantes militares de aviário de Abril.

gad2.jpg Enquanto que tudo faziam numa óptica de práfrente camarada, avante, Costa Gomes via-se em palpos de aranha agradando aos mais resolutos.  Aqueles revolucionárias imberbes, maioritariamente estudantes enquadrados por Zita Seabra* e  comunistoides  militares do PREC, estavam a mijar nitidamente, nas boas graças dos estrategas. Pois sim! Aconteciam permanentes assaltos aos organismos opositores  e embaixadas. Estávamos em inícios de Outubro de 1975

À margem das negociações, os retornados, cidadãos nacionais e da Província Ultramarina de Angola, estavam a ser moeda de troca no fornecimento de aviões para a ponte LuuaLix poder realizar-se no tempo aprazado. Nesta guerra de tundamunjila (brancos, fora - para a vossa terra) a estória ainda anda a ser fabricada! Sempre teremos de rebuscar os caixote e baús para refazermos verdades que se deitaram a propósito no lixo e, porque assim interessava à esquerda, aos interesses obscuros acobertados pela midia…

monstro6.jpg Quanto às justificações que surgem, há sempre um misterioso MAS: "Mas, uma facção dos comunistas, pressionados pela URSS, queria controlar o processo". Em Angola, as N.T. já nem saíam dos quarteis! Tinham sim um enorme desejo de serem rendidos e regressar à Metrópole do M´Puto. Nem pareceria ser relevante acudir a casos graves em defesa de gente Lusa. As teses do PCP vingavam em Portugal e Angola. Foi só no 25 de Novembro de 75 que se repôs alguma legalidade; no entanto, muitos lugares chaves da governação já estavam  tomados por ideias de principios tóxicos…   

Os novos mandantes a reboque deste PCP mudariam funcionários, quadros e militantes com acções reais no terreno. A toxicidade foi tão bem aparelhada que perdura ainda nos dias que correm (estamos no ano de 2023)! Preparava-se mais uma cimeira no Quénia mas ninguém acreditava nisto; Nem os próprios intervenientes! Face à situação, quatro presidentes africanos reúnem-se numa mini-cimeira em Dar-Es-Salaam, capital da Tanzânia, país surgido da fusão das antigas Tanganica e Zanzibar.

guerra12.jpg Nenhum acordo é conseguido. Julius Nyerere da Tanzânia e Samora Machel de Moçambique, defendiam o domínio do MPLA de Neto sobre Angola (ideias de URSS a funcionar em plenitude…).  Kaunda da Zâmbia e Sir Seretse Khama do Botswana, eram partidários de um governo de unidade nacional que incluísse representantes da FNLA e UNITA.  Era chover no molhado…

Nas três primeiras semanas de Junho a FNLA e MPLA tinham aprisionado mais de duzentas pessoas, a maioria brancos, nalguns casos com seus familiares. Os edifícios públicos eram simplesmente ocupados pelos Movimentos; coisa sem lei nem roque! A cintura à volta de Luanda erguida pelo MPLA era uma realidade! E, tinha gente treinada na Metrópole (Lisboa), propositadamente preparada para fazer parte deste MPLA.

soba22.jpg NOTA*: Zita Seabra, liderou a fundação da União dos Estudantes Comunistas (UEC) antes e depois do 25 de Abril. Escreveu para diversas publicações clandestinas do PCP, como o Avante, O Militante, o Jornal das Camaradas das Casas do Partido e os jornais da UEC…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:34
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Terça-feira, 28 de Novembro de 2023
VIAGENS. 110

NAS FRINCHAS DO TEMPO

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3521 28.11.2023

 “Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”

- Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

moka22.jpg BATALHA DE LUANDA - A coluna da FNLA consegue atingir Caxito, onde é dizimada com a entrada em acção dos “Órgãos de Staline” aos quais os angolanos passaram a chamar de “Mwana Caxito” (filhos de Caxito); exactamente por terem sido utilizados pela primeira vez, na capital do Bengo. Esta arma capaz de disparar simultaneamente vários morteiros, foi construída no tempo de Staline…

Os “Órgãos de Staline” permitiram aos russos resistirem contra os alemães na Segunda Grande Guerra Mundial. Nesse então ganhou o nome de “katiusha”- querida Katia, palavra de código utilizada entre os comandantes das frentes. Nos EUA, chamam-lhe “Tio Sam”. Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo. No M´Puto, a 9 de Março de 1975, Spínola foi informado por oficiais amigos da operação matança da páscoa.

moka12.jpg Era aquele, um plano do Partido Comunista Português e os militares mais radicais do COPCON e da 5ª Divisão, apoiados pela União Soviética, para realizar uma campanha de assassinatos políticos, onde Spínola e seus apoiantes constavam como alvos, como parte de um golpe de estado para tomar o país.

O herói do monóculo e pingalim e luvas de coiro preto chamado de Spínola, escapa-se de helicóptero para Talavera de La Reina, em Espanha levando com ele a valentia que num repente enferrujou na apatia medrosa, com mofo e atitudes encardidas de vergonha. Entregues ao acaso, na Luua, as Forças Militares dum exército que deveria ser de conjunto, ao invés de apagar o fogo como o deveria ser, ateavam ainda mais os incêndios.

mocanda25.jpeg Lopo do Nascimento mentia com todos os dentes dando força ao tal exército popular do seu MPLA – “victória ou morte” – Aiué, Nossa Senhora da Muxima nos acuda!... As FAPLA, atacaram e destruíram com blindados o quartel da FNLA em Kifangondo. Ninguém se insurgiu neste uso de blindados! Deveriam ser apreendidos pelas NT. mas, ou as ordens se perderam no caminho ou lhes faltou coragem para actuar.

Podemos acreditar em tudo porque nada foi feito! Era mais fácil desconhecer tal gravidade. Nova Lisboa (Huambo), Lobito, Benguela e Sá da bandeira eram agora as cidades refugio dos deslocados de guerra idos do Norte, Malange Luanda, Uíge e muitas outras localidades. Num desespero e abandonando tudo, as  gentes fugiam simplesmente daquele inferno. Era o preconizado por Rosa Coutinho e seus guedelhudos do MFA.

gad3.jpg Guedelhudos do MFA.- os urubus ou corvos, como queiram; Tropa fandanga nunca reconhecida traidora pelos muitos governantes de Portugal no após 1975. Com três semanas de combates arrasadores, nunca o MPLA acudiu aos apelos de Paz faltando a todas as reuniões do comando unificado da Luua. A Emissora Oficial de Angola era simplesmente ignorada pelo MPLA.

Em N´Gola - Não dava para esperar! As escolas já não funcionavam, os dispensários médicos iam ficando sem gente capacitada, as instituições iam ficando desertas de gente com poder de decidir. O “lar do Namibe” uma cooperativa de construção comunicou-me que já tinha direito à tal casa mas, esta carta por ali ficou em cima duma estante a desaguardar num tempo que se esfumou. O PCP da metrópole na colónia, "tentou a sua sorte para poder desempenhar um papel determinante na evolução do país”. A verdade é que a descolonização de Angola estava a ser executada ao acaso…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:50
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Sábado, 25 de Novembro de 2023
VIAGENS . 109

NAS FRINCHAS DO TEMPO

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3520 – 25.11.2023

 “Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”

Às margens do Cubango - Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

guerra01.jpg Nestas finchas do tempo, relembrado o 25 de Novembro*, no M´Puto, meus sentimentos, pensamentos e actos, têm uma única finalidade: falar a verdade à minha comunidade para que a história não se esmoreça; minha atitude determinará o juízo de bom ou de mau que há sobre os factos. Quero assim ser livre, criador e sensível o quanto baste sem pactuar com a imbecilidade que como dança infernal leva as massas sociais ao embrutecimento; algo que sistematicamente corrompe o bom senso dos homens.

No M´puto, Costa Gomes, o presidente rolha, titubeando indecisões, acabou por retirar o Brigadeiro, esse tal de José Valente, comandante da 2ª Região Aérea e que vivia em relações tensas como a CCPA (Conselho Coordenador do Programa do MFA para Angola e que, incluía o CCPA e o Estado maior de Angola). Entretanto os vapores Vietnam Heróico, o Coral Island e o La Plata, chegariam antes do fim de Setembro de 1975 em Brazaville e Porto Amboim -- Angola, levando a bordo mais de 1000 toneladas de gasolina, 300 instrutores para os quatro CIR do MPLA e ainda dois aviões cubanos.

guerra41.jpg Leonel Cardoso continuava apreensivo pedindo apoio a Lisboa e mantendo as FAPLA em suspense com uma hipotética chegada de tropas especiais, Comandos e Pára-quedistas. Leonel Cardoso perante este cenário blefava e, era só o que lhe restava porque Lisboa andava afanada com os sindicalistas das “Manif” de civis e militares guedelhudos. Leonel Cardoso andava sem saber como fazer na entrega do poder a 11 de Novembro de 75.

Com muxoxos de boca pequena sabia-se que Leonel Cardoso se queixava de estar rodeado de traidores à pátria ou à causa; a confiança, ruía-lhe algum aprumo. Ética, era uma coisa quase nefasta e os heróis das NT em sua maioria só viam o MPLA. A estes, o MPLA, entregavam tudo de mão beijada sem fiáveis contrapartidas mas, sempre havia uns quantos que buliam sua própria consciência. Aquilo não lhes parecia lá muito bem… Eram muito poucos, quase nenhuns. Em Angola, estávamos entregues à fé e ao acaso, à bicharada.

guerri1.jpg Entretanto Samora Machel de Moçambique e Július Nyerere da Tanzânia, perfilam-se também ao lado do MPLA. Otelo em viagem a Havana garantia a Fidel de Castro não retaliar com suas frotas e tropas, entenda-se como as NT (Nossas Tropas) a “invasão de Angola” em apoio ao MPLA. No M´Puto, pouco a pouco, Carlucci o embaixador Americano, ia alegando algum favoritismo para o MPLA.

O Gringo Carlucci da USA, com a nobre ajuda de Vasco Gonçalves, o primeiro-ministro português, um ex-doente mental da casa dos malucos de Luanda - sector militar. Este afiançava a pés juntos perante o Gringo que, não senhor, o MPLA não é comunista! Era uma boa base aos ditames de Frank Carlucci; a este, interessava-lhe sobremaneira o controlo do petróleo de Cabinda. Não era por acaso que já Cabinda estava inteiramente nas mãos do MPLA.

carlu1.jpg Podem ver agora e com clareza de 48 anos já passados que os retornados tiveram um desfecho muito parecido com o sucedido no Irão, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia e aonde quer que houvesse petróleo, a moeda americana suporte de sua supremacia. Costa Gomes, com esta decisão sentia-se agora mais confortável. Naquele então o segredo era manter tudo em banho-maria até o 11 de Novembro.

Muitos ou quase todos dos “libertadores” afectos ao MPLA, sonhavam com a casa, o carro, os privilégios e as posições dos colonos. Conquistaram-nas e tornaram-se piores do que aqueles gestores da Administração Ultramarina  do tempo colonial. Desculpar-se-ão com a guerra. Só que a guerra, que matou tantos e estropiou, alimentou um punhado de pessoas, que se tornaram insultuosamente ricas…

mfa2.jpg Nota*: O 25 de Novembro de 75, foi o golpe que retituiu a democracia a Portugal, apòs a rebelderia do PREC e a descolonização, em que se destacram Jaime Neves dos Comandos e Ramalho Eanes que forçaram Costa Gomes a mudar de rumo bem como o PCP com Álvaro Cunhal, na liderança…” O antigo Regimento de Comandos, na Amadora, evoca todos os anos, de um modo especial, dois dos seus combatentes, o tenente José Coimbra e o furriel Joaquim Pires, mortos no 25 de Novembro de 1975, numa acção militar para submeter o quartel da Polícia Militar, na Calçada da Ajuda, em Lisboa.  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:56
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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2023
VIAGENS . 105

NAS FRINCHAS DO TEMPO
"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3516 – 13.11.2023
“Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”
Às margens do Cubango - Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018
Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

an4.jpegNão obstante termos passado pelo purgatório, continuamos a relembrar com saudade a MUTAMBA, que vem de “mu”, que significa árvore em Kimbundu. Que Tamba é o Tambarino – e que ali, havia um tambarineiro gigante a dar dignidade ao l argo. Que antes se chamava "N'Dange ia Rosa"", que quer dizer "rua larga e arenosa" em Kimbundu.

Que havia uma "Maianga" porque esse é o nome para poço de água, cacimbas mandadas construir pelos Tugas para prover a água à cidade (LUUA). Como poderemos apagar tudo isto de nossas memórias! Até aqui, todos os militares com patentes acima de sargentos e oficiais do MFA, da JSN (Junta de salvação Nacional - junta governativa), que festejaram este acontecimento, amealharam riqueza até então, fruto de várias comissões.

tesouras.jpg Até ali soube-lhes bem as comissões que lhes proporcionavam riqueza, boas casas e bem surtidas na linha de Cascais, Estoril ou Algarve do M´Puto. Com contas bancárias bem desafogadas, noé!? Com estes militares de aviário, de novo se revê o início de nosso mundo. Um retorno à estória sempre confusa da bíblia em que a Lilith, a diaba feita anjo, irmã de Eva, a tentou a comer a maça! E, não é que comeu, castigando-nos deste jeito! Mas que estória de tuji…


Já no dia 27 de Julho de 1974, três meses e dois dias depois do Vinticinco, quando Spínola anunciou o direito à independência pela lei 7/74, o Almirante Vermelho Rosa Coutinho, afirmou: “ …O homem, (referia-se a Spínola) sempre vai pelo caminho que a gente quer”. A gente a que se refere, são só eles, os militares da abrilada. Para explicar preto no branco ou vice-versa, o processo de descolonização em Angola, terá de se fazer um preâmbulo sobre o espaço-tempo…

luis50.jpg Um espaço sem entrar em minúcias, ou um pouco à frente ou um pouco atrás porque neste periclitante processo nada andou seguindo as teorias conhecidas, sem um relógio de cuco porque, o cuco foi estrangulado no tempo exacto em que a recta começou a ser curva e, quando se vislumbrou o alcance dos objectivos, já era tarde. Não leia de atravessado porque o todo só é entendível se percorrer as linhas cruciais do raciocínio lógico e, sempre presente.

Era tarde para quem estava no meio da fogueira chamada de descolonização, e até para os que tinham bons auspícios (nós, os inocentes) sobre o ainda não acontecido. Uns e outros, por inocência, por malvadez, por incúria, por pedantismo ou vaidade foram apanhados por aquelas muitas rodas, o roce de correntes que nos tornaram ásperos e por razões diferentes, porque uns sofreram na pele, outros retiraram dividendos e petulância e outros, simplesmente, morreram…

povo1.jpg Despolitizados, muito cheios de coisa nenhuma nos meandros das pequenas coisas e politicas, nós retornados, em termos politicos, éramos mesmo uns calhaus na Luua. Passeávamos despreocupados nossa ignorância pela Mutamba, pelos bairros, pelas farras, pelos cafés jogando às moedas, na praia ou em pikniques ao fim de semana. A escola não nos deu os conhecimentos da mente e, ali andávamos, simplesmente gozando no bem-bom do dia-a-dia ausentando-nos de tudo o resto – das muitas e reais injustiças sociais. Como tantos outros, também eu fui apanhado como inocente, cultivando-me na cultura do cinema, nas idas ao baleizão comer cachorro quente e, tudo, porque a vida nos era legada em uma terra que pensávamos ser de todos nós…

E, Aconteceu! Terei deste modo, de dar estes poucos laivos de recordação para que assim possam espairecer vossos cerebelos, já muito torturados: Foi na Praia de Sangano um pouco a norte de Cabo Ledo que desembarcaram os primeiros homens comandados pelo General Raul Diaz Arqueles. Ali descarregaram os primeiros complexos móveis de defesa antiaérea “Strela”. Os instrutores deste equipamento sofisticado, estavam a ser coordenados pelo Coronel Trofimenko que a partir da Republica do Congo Brazaville enviavam numa primeira fase, pequenos aviões para aterrizar na pequena pista de aviação da Kissama em Cabo Ledo.
(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:33
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Sábado, 11 de Novembro de 2023
VIAGENS . 104

NAS FRINCHAS DO TEMPO

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3515 – 11.11.2023

 “Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”

Às margens do Cubango - Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

luua01.jpg Rosa Coutinho, já como Alto-Comissário escreve uma carta timbrada do antigo Gabinete do Governo Geral de Angola a Agostinho Neto, presidente do MPLA nos seguintes termos: “Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do processo…”

Processo a saber: “Aterrorizar por todos os meios os brancos, matando, pilhando, e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos.” A Carta é datada de 22 de Dezembro de 1974, terminando com saudações revolucionárias, a vitória é certa, seguindo-se a assinatura, Alves Rosa Coutinho, Vice-Almirante.

luua03.jpg A revista The Economist, considerou a fuga dos portugueses brancos, como sendo “ o maior êxodo da história de África”. Nem no Congo onde entre Janeiro e Julho de 1960 a população branca caiu de 110.000 para apenas 18.000 pessoas, e se viu tamanho movimento populacional como aquele que foi observado na África Portuguesa. O governo de esquerda portuguesa, criminosamente adiou até ao último momento qualquer ajuda ou apoio substancial aos refugiados.

Se compararmos estes episódios com os refugiados actuais de que chegam de todo o lado à Europa, em lanchas vulcanizadas, nós os “retornados” fomos socialmente, pior recebidos; foi a comunidade Internacional e principalmente os Estados Unidos da América que tiveram de interceder no marasmo de cacafonia nos ecos de dirigentes do MFA.

luua02.jpg As NT - Nossas Tropas, já não eram nossas. Em verdade, praticamente, os brancos eram maioritariamente os quadros com a necessária preparação para governar e gerir a vida económica em Angola. Salvo raras excepções não havia entre estes, empatia com esse tal de Marxismo e Leninismo constituindo por isso um forte travão aos interesses soviéticos.

Teríamos assim de ser expulsos ou mortos tal como o foi afirmado por esses “patrícios” de tuji e militares do famigerado CR – Concelho da Revolução… Ficamos assim abandonados à mecê dos guerrilheiros armados dos “movimentos de libertação” que intoxicados em drogas e ideologias enviesadas, com o cérebro envenenado pela propaganda marxista, estavam dispostos a massacrar todos os brancos em África.

luua04.jpg Cidades inteiras, outrora prósperas e bem cuidadas, como Carmona (Uíge) e Malange foram abandonadas devido à fuga de quase toda a população. Malange acabou por se transformar em um imenso cemitério a céu aberto com milhares de pessoas mortas, em sua maioria africanos, que ainda estavam insepultas quando se abandonou a cidade.

Alguns brancos tentaram resistir em Luanda, mas a esmagadora maioria rapidamente se apercebeu que a limpeza étnica de que estavam a ser vítimas era para ir até ao fim e que, a única opção viável que o regime de Abril lhe havia dado, era a de fugirem deixando para trás toda uma vida de trabalho. Sob todos os pontos de vista do direito internacional, o que se passou na África Portuguesa em consequência do VINTICINCO de Abril de 1974, constitui um crime contra a humanidade e, como tal o deve ser considerado.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:59
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Quarta-feira, 8 de Novembro de 2023
VIAGENS . 101

NAS FRINCHAS DO TEMPO 

 "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3512 – 06.11.2023

 “Tropas cubanas para Angola, já!” - “Missão Xirikwata”  Às margens do Cubango

- Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

cuba01.jpg N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir… Cidade de MALANGE- Cem mortos, é assim que o Furriel de Transmissões Agostinho Pinto, colocado em Malange encabeça a descrição de seus dias ali passados:  “No dia 28 de Maio de 75, estando em escuta via rádio com  os   meus   homens,   o malanjino Abílio Araújo mais o Luís Nabais Moreno, acontece  pelas 16h30 horas ouvirem-se as primeiras morteiradas. Pode ver-se por cima dos telhados, Malanje começar a arder…

Aconteceu no trajeto curto para o quartel naquele dia, sermos revistados por guerrilheiros do MPLA, armados de kalashnikov, crianças – algo insólito! Naquele   cenário   de   guerra desregada e louca,  tudo poderia acontecer.  Senti-me o militar mais inútel, tão diminuído e  baralhado nesta confusa ficção. Tudo acabou por se resolver com uns maços de tabaco e alguns angolares. Em nossos postos, só conseguimos sair da escuta por volta das dezanove horas.

Malambas3.jpg Porque o  recolher   obrigatório   estava instalado, já não  fui para   o   meu quarto alugado da cidade, aonde vivia; ali já não havia, condições de segurança. Do batalhão (BART 6323), desloquei-me à CCS. Pela primeira e única vez passámos fome; na   messe   de   sargentos   só   havia bolachas e chá, pois o comércio estava   fechado,   a   farinha   tinha esgotado, não havia pão e os trabalhadores do comércio e serviços, dada a situação de guerra civil, poucos  arriscavam sair de casa.

Era mais que evidente  não estarem reunidas as mínimas condições de segurança para o povo e por precaução evidente, o recolher obrigatório era para respeitar. No dia seguinte já se contabilizavam para cima de 100 mortos e desalojados sem fim. Estávamos na messe dos sargentos em pleno recolher obrigatório e, de repente, vejo um jovem africano, que não   teria   mais   de   15/16   anos,   a correr, desrespeitando o recolher obrigatório para ir para a sua casa, no bairro da Catepa, quando ouço uma   voz   da   FNLA   a   perguntar: "quem   vem   lá?". 

máscaras3.jpg Suponho que era a voz do mercenário “Passarão”, assim era conhecido o terror rambo da FNLA, que andava à civil   e,   de   metralhadora   kalashnikov, de boina e cabelo comprido. O miúdo respondeu "é camarada", o que foi a resposta errada, no sítio errado, à hora errada… O termo camarada era sentença   de   morte,   cheirava   a   MPLA. Ouve-se uma rajada e o rapaz caiu de imediato, assassinado a sangue frio.

E, nós, militares, impotentes! Podem calcular a revolta que todos sentimos, mas não havia ordem para actuarmos descontentando-nos no vexame de cobardes; o mínimo   que   fizemos   por   aquele adolescente foi chamar a ambulância para levantar o corpo  que jazia inerte. Essa imagem, que tenho gravada na minha memória, vai acompanhar-me até ao resto dos meus dias.

guerra11.jpg A partir dessa noite, a nossa primeira tarefa do dia – minha, do Abílio,   Araújo   e   do   Luís   Nabais Moreno   –   era ir todos   os   dias   às sete   da   manhã   à   morgue   ver quantos brancos e conhecidos tinham morrido na noite anterior. Um   ritual   macabro,   eu   sei,   mas era mesmo assim. A cidade estava totalmente desventrada dos bombardeamentos.   A   12   de   junho   de   1975,   parti   na   coluna   militar para Luanda, tendo regressado a Lisboa no dia 24 Junho de 1975” (fim de citação).

Entretanto, seu chefe supremo, o Coronel de aviário, Otelo Saraiva de Carvalho, chefe do COPCOM e influenciador do PREC, estava em Cuba preparando o discurso  do grande dia de Cuba a 26 de Julho, data do assalto ao Quartel de Moncada, com o tradicional comício presidido por Fidel Castro. Otelo, falou, para 600 mil pessoas, segundo números oficiais, numa fala  de 20 minutos. Mais tarde fez questão de assinalar: ”Destaquei a importância da liberdade de escolha do povo e da sua capacidade de intervenção política”. O discurso foi transcrito, na íntegra, no Gramma, jornal oficial do PC cubano, ao lado de Fidel, que durou uma hora e vinte minutos.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:00
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Sábado, 4 de Novembro de 2023
VIAGENS . 100

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3511 – 04.11.2023

-Às margens do Cubango - “Missão Xirikwata” - “Tropas cubanas para Angola, já!”

- Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

an2.jpeg No Mukwé - N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir…– Sou eu falando: Na Luua, da boca de toda a gente era dito que se não fossem tomadas medidas de prevenção em curto prazo, todos estariam a viver uma situação de generalizada violência incontrolável. As autoridades do M´Puto não quiseram ver nem tomar medidas protectoras para com as populações maioritariamente de etnia branca que se encontravam nos matos ou periferia das cidades; esta é a verdade! Miranda Oliveira e Teles da Chibia, só escutavam  seu mais-velho, kota amigo.

Harmonizar a existência do sofrimento com a realidade é talvez, o mais antigo dilema da mente humana. Quando quero chorar, faço churrasco a popósito e, no entretatanto de atiçar as brasas com restos de  palmeira e rosmaninho ou alecrim meio seco,  meio húmido, abano o fumo.  Fumo que  penetra em mim após o sopro, nas nuvens pretas. O choro, mesmo sem o querer, vem limpando-me os olhos das mazelas; por fim, com fumo branco, brasas incandescentes, viro papa genérico e, emérito. Em busca de respostas, mergulhamos em especulações que resultam normalmente em dúvida e descrença. Com o pensamento voltado na busca de satisfação de alguma coisa pequena, alargamos sua importância de forma desmedida. E, assim ficamos matutando…

cuba 0.jpg Calma! Tudo irá passar... Por alturas de 25 de Novembro de 1975, vi escrito numa parede de Torres Novas do M´Puto, assinado com um A circunscrito de anarquistas: “Otelo Saraiva de Carvalho, que lindo nome tens tu, tira o V do carvalho e mete o resto no Cú” – talqualmente! Esteve ali bastante tempo antes que alguém se caiasse de coragem… Neste então, morava eu na rua da Várzea do cemitério bem perto da Rua do Arraial,  a uns quatro quilómetros do Riachos, a terra natal de Otelo Saraiva…

O revolucionário Otelo do COPCON, acabou por dizer mais tarde, que foi o PCP seu “inspirador” em sua ida a Cuba. Para o efeito foi enviado previamente Octávio Pato, fazendo de pombo correio, diligências numa  missão a que eu desigaria mais tarde de tundamunjila - “Tunda Mu N´jila” (Vai embora branco) . Na altura, entre Otelo e o PCP existiam graudas amizades e, não custa acreditar que os comunistas portugueses indicassem Otelo a Fidel numa perfeita escolha na feitura  duma boa picada lá na Angola…

step6.jpg E de facto, nas várias conversas com Otelo, de camarada revolucionário para para camaradas jornalistas, os “conselhos”, entre muitas falas não faltavam, como recorda: “ O Fidel interessava-se muito pela revolução portuguesa. Aconselhou-me a aceitar os conselhos do PCP e a fazer um entendimento com Álvaro Cunhal, que ele conhecia e de quem tinha uma excelente opinião.--

Era, aliás, o único dirigente político português que ele, Fidel de Castro, conhecia. Fidel foi sempre muito cordial comigo (diz ele, Otelo) e, mesmo no final da visita, quando eu já estava a embarcar no avião de regresso a Lisboa, subiu à cabina para me dar mais um abraço e dizer-me: “Cuida-te camarada!”.

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dia20.jpg Arrepia-me agora e sempre, contar estórias feitas missossos revolucionários porque me é muito, muito de dificultoso ficar só assim, conciliar no que é a puta da vida de cada qual como vim a saber, quando fui a Varadero de Cuba comer lagosta transpirada de medo. Isso! Num alpendre rodeado de citronela para espantar os mosquitos, E, eu que me dispus a fazer um molho daquele capim para fazer chá caxinde  no hotel – ué, camarada isso não se bebe!

Porque foi na candonga e num  comoé, não convém a gente levantar escândalo de começo porque só aos poucos é que o escuro fica claro! Ando a tentar continuar a estória do Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho que foi um coronel de artilharia português, destacando-se por ter sido um dos principais estrategas do 25 de Abril de 1974. Otelo, que antes de anteontem era só de ex-COPCOM mas, que  ficou por demais indefinido, defuntando-se só mesmo para receber uma condecoração de herói a titulo póstomo.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:53
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Domingo, 22 de Outubro de 2023
VIAGENS . 96

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3507 – 22.10.2023

-Às margens do Cubango - “Missão Xirikwata” - Nossas vidas têm muitos kitukus…

- Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

araujo85.jpg Em Luanda e no ano de 1975, uns nove meses antes do 11 de Novembro, as leis e ordens saiam já apodrecidas do Comando Militar; passeavam  mortos pelas ruas como contestação ao ritmo de salto zulu, as fábricas iam fechando, os taxistas eram mortos de forma barbara; o ambiente era de se cortar à faca-catana escaldante na insegurança generalizada no presente do indicativo, tornando o gerúndio numa incerta loucura de futuro imprevisível

Naqueles dias, o amanhã transtornava a sociedade numa ginasticada ideia de sem se saber como iria ser - a fuga. Os locais mais concorridos eram o Aeroporto de Belas e o Porto de Luanda. Destino: Um qualquer sitio - seja aonde for! Naquele tempo surgiram do nada, muitos rambos com fitas de cunhetes a tiracolo passeando desaforo e medo na companhia daqueles, alguns magalas esqueroidos, oficiais alferes, praças das NT e, salvo-seja "nossos irmãos" que diziam com frequência: Vocês colonos, vão-se foder!

RETORNAR13.jpgE, foi… Aconteceu! A cidade suja, pegajosa e desnorteada, cheirava a cansaço, a suor, a medo e coisas mortas esfrangalhadas pelos cães vadios. Naqueles dias de catinga ouvia-se noite fora os martelos encerrando vidas, encafifando pertences e recordações. Também se ouviam rajadas lá para cima, mais ao lado e na outra banda das barrocas do Miramar. Da ilha de Luanda podia ouvir-se rebentamentos, colunas de fumos lá num suposto lugar do Sambizanga ou Bairro Operário…

Também do Bungo, do Caputo, do Cazenga, da Terra Nova. Não! Não havia naquela terra de N´Gola, mais lugar para os Tugas e assimilados a estes! Não venham agora com tretas e esquecimentos! Se antes era perigoso ser preto, agora era muito perigoso ser-se branco… Não! O passado vale pelos seus actos, pelas atitudes! Não me vou agora enganar no posfácio da vida, dispor-me a calar, engolir inverdades à força.

poluição.jpg Bom! Eis que surgiu então um filho da puta com o nome de Rosa Coutinho que de raiva vermelha fez o que quis! Ele e seus pares do MFA pintaram e bordaram, gozaram à tripa forra com Spínola, fizeram dele um chinelo, um merdas muito cheio de prosápia armado em rambo, oficial de pingalim, monóculo e luvas reluzentes com um chapéu de banga, assim enfeitado de pedante de carnaval com um símbolo doirado.  Um Mobutu Sese Seko do M´Puto…

O Consul americano em Luanda por via de desacatos, tiros e rixas, um pouco por todo o lado da Luua disse nesse então: “…os acontecimentos ilustram bem como não gerir uma crise”. Pois então! “As autoridades militares, inacreditavelmente foram simplesmente inaptas para lidar com a situação”. Pois claro! A merda foi calculada, premeditada e facilitada!

retornar1.jpg Como podíamos nós encarar esta situação e dar rumo a falsidades… Como ficávamos nós acantonados sem resguardo no Prenda, no Kazenga, no Palanca, na Calemba, na Cuca, na Maianga, no bairro Mota ou no bairro Popular, como? E querem que me cale! Nem morto… já em fins de 1974, inícios de 1975, os desacatos sociais na forma de guerrilha, aproveitavam o baixar de braços e armas das forças armadas portuguesas. As Forças Irregulares dos movimentos tendo o MPLA à proa do terror, situadas na Luua capital, e um pouco por toda a Angola, alastraram até às cidades e vilas como N´Dalatando (Salazar), Huambo (Nova Lisboa), Lobito, Benguela e Lubango (Sá da Bandeira).

retornar12.jpg Os acontecimentos procediam ao mais leve desaire, ao mínimo pretexto e na maior parte das vezes porque se pretendia que assim o fosse. Negativamente e de forma exponencial o MPLA e a FNLA aliciavam as populações a fazer alastrar a subversão a todos os centros urbanos fazendo correr boatos complicando a vida de normalidade. Havia boatos, muxoxos e muitos corpos na morgue trazidos das cidades e fazendas do Norte. Eu T´Chingas, convivi com isto pois morava bem perto da Morgue do Hospital Maria Pia bem ao lado da Maianga…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:50
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Terça-feira, 17 de Outubro de 2023
VIAGENS . 93

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3504 – 17.10.2023

-Às margens do Cubango - “Missão Xirikwata” - Nossas vidas têm muitos kitukus…

- Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

selo12.jpg PERFIL ETNO-HISTÓRICO DO POVO ANGOLANO*

Antes de prolongar os escritos sobre o tempo da Dipanda, de um  passado recente (48 anos) em Angola convêm saber que a base ético-linguística do país, compreende os grupos populacionais BANTU e uma minoria não - BANTU, os VASSEQUELE. OS BANTU´S - Habitando não só Angola mas também a África Central, Meridional e Oriental. O povo Bantu constitui um grupo especial entre os negros da África. Eles têm três elementos comuns sobre os quais nenhuma contestação é possivel:

a) O mesmo sistema linguístico; b) Uma civilização base; c) Unidade nas ideias filosóficas. Na vastidão das áreas que ocupam, a arrancada rumo ao progresso não se deu num dia nem obedeceu, depois, a uma velocidede uniforme. Assim, no progresso histórico do desenvolvimento da sociedade, uns avançaram mais que outros. O povo Bantu desenvolveu a metalurgia, a agricultura, a criação de gado, a pesca, o que lhe dava uma ascendência económica e militar.

 A influência do meio geográfico, o modo de vida e a influência linguística de outros povos fazem com que existam em Angola nove grupos étnico-linguísticas. Também conforme o grau de desenvolvimento, o crescimento demográfico e o nível de organização, os grupos ético-linguísticos mais fortes tinham formado Reinos que marcaram a sua história. Assim temos:

selo13.jpg BAKONGO: O grupo étnico-linguístico Bakongo, ocupa o Norte e o Noroeste de Angola, na área que abrange Cabinda até às linhas do rio Dande. A língua falada é o Kikongo. Repartidos aquando da partilha do Continente Africano pelos países colonialistas, uma parte desse grupo passou para as actuais Repúblicas do Congo e Zaire. A tradição ancestral diz-nos que foi um chefe chamado Nimi a Lukeni que reuniu no passado todos os clãs que falavam Kikongo, fundando o Reino do Congo, com capital em Mbanza Kongo, situada na província Angolana do Zaire. Povo trabalhador e comerciante adoptou a moeda "nzimbu" que consistia de conchas marinhas, muito antes da chegada dos Portugueses, o que assegurou o apogeu comercial do grande Reino do Kongo. Dada a situação geográfica, foi o primeiro Reino contactado pelos portugueses, em 1482.

kilo12.jpg KIMBUNDU: Vizinho imediato dos Bakongo, a sul, entre os rios Dande e Cuanza, o grupo étnico-linguístico Kimbundu espalha-se de Luanda até aos Lunda-Chokwes e confina a sul com os Ovimbundu. Antes da população Portuguesa, os Kimbundu tinham formado os Reinos do Dondo, Matamba e Estados da Kissama, onde florescia a agricultura e o comércio. Primeiro grupo invadido militarmente pelos Portugueses, a partir dos meados do século XVI, a história nunca poderá esquecer-se dos seus grandes feitos heróicos na resistência contra a dominação estrangeira, sob o comando dos seus chefes, de que a Rainha Nzinga é expoente máximo do século XVII.

Compelidos de várias  formas a conviver com os Portugueses durante séculos, os Kimbundu sofreram inflência Portuguesa, intensiva aqui e extensiva acolá, com a fundação das primeiras instituições escolares na área, o que afectou sobremaneira a sua base cultural Bantu. Em contrapartida, surgiram entre eles os primeiros passos da literatura em Angola.

selo11.jpg OVIMBUNDU: Grupo étnico-linguístico mais numeroso, ocupa o Planalto Central de Angola nas Províncias de Benguela, Huambo, Bié, na maior parte do Cuanza Sul e no Norte da Huíla. A sua língua, umbundu não tem fronteiras no interior do País e marca presença forte no Zaire, na Zâmbia e na Namíbia. Grandes comerciantes e agricultores dedicados da África Austral, os Ovimbundu repisaram o sub-continente do Atântico ao Índico e promoveram um intercâmbio forte de experiências e valores culturais, o que marcou fundo a sua psicologia, que faz da convivência com outros povos a sua característica principal.

selos1.jpg É históricamente conhecido como trabalhador, hospitaleiro e paciente, mas implacável quando lesado nos seus direitos. Durante a ocupação colonial, sofreu grande influência Cristã e atingiu o maior índice no País de alfabetização e de quadros intelectuais e técnicos de níveis básico, médio e superior. Os Ovimbundu formaram vários Estados antes da ocupação colonial,de entre os quais se destacaram os seguintes:  Mbalundu, Wambu, Viye, Ndulu, Ngalangui e Chiaka. Estes Estados constítuiram uma divisão administrativa da vasta área e não do seu povo unido e amalgamado na língua, cultura, tradição e carácter comum do poder - o Poder Democrático.

arau1.jpg Nota*: A étnia branca ariana que não faz parte deste rascunho etno,  surge com o inicio da colonização com Diogo Cão no ano de 1480, espahando-se por todo o territário da actual Angola. Legou internacionalmente ao país o ideoma português como oficial, tendo sido o aglutinador dos demais povos que usavam e, que ainda usam outros dialectos no contexto de relação regional.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:53
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Domingo, 15 de Outubro de 2023
VIAGENS . 92

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3503 – 15.10.2023

-Às margens do Cubango - “Missão Xirikwata” - Nossas vidas têm muitos kitukus…

- Escritos boligrafados da minha mochila – Aleatoriamente após 1975 e, ou entre os anos de 1999 a 2018

Por: T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

toledo18.jpg Repito: Estudantes barbudos do M´Puto na visão de Ché Guevara, ao seviço do PREC – Proceso de Revolução em Curso, ensinavam a estes, os pioniros  do MPLA (crianças / candengues), o manejo de armas de madeira a fingir AK-47 de Mikhail Kalashnikov, G3 ou Mausers… Estudantes estes, que regressados à Metrópole (M´Puto), teriam passagem administrativa garantida na sua Universidade ou Instituto - o tal de PREC, Revolução parva saída do 25 de Abril de 1974 e, que só terminou a 25 de Novembro de 1975, data posterior ao 11 de Novembro (14 dias depois) – Dia da Indepêndencia de Angola.

Convem aqui fazer uma leve referência  a esta data de 25 de Novembro, que tardiamente e com intervenção de oficiais cientes daquela aberração acabaram com esse grupelho liderada por Otelo Saraiva de Carvalho… No M´Puto, os militares moderados viram-se forçados a iniciaram a ofensiva contra o estado caótico da nação, tomando posição a partir do posto operacional da Amadora, liderado por Ramalho Eanes.

Um pelotão blindado do RC do Porto movimentou-se até à Base Aérea de Cortegaça, onde estavam os 123 oficiais que abandonaram a base de Tancos uma semana antes. Jaime Neves, pouco depois das 19h do dia 25, saiu com uma força do RC da Amadora cercando as instalações da Força Aérea em Monsanto.

mussulo1.jpg Enquanto o M´Puto seguia sua senda na procura da ordem institucional, teremos de recuar agora à Luua, a capital de Angola lembrando no entanto que o politico Mário Soares,  lider do PS do M´Puto, que  tardiamente, se apercebeu do estado caótico do rumo que o país levava, decididindo anuência a esta intervenção militar do 25 de Novembro de 1975  em Portugal e, que por fim, acabou com a bandalheira esquerdoida.      

Em Angola surgiu o Poder Popular! E surgiu o Kaporroto, o kuduro e a vitória é certa. Eles já tinham inventado o monstro Imortal, o Valodia e o Monacaxito… Tudo era planificadamente certíssimo! Melo Antunes, Rosa Coutinho e uns quantos que nesse então ainda não  tinha dado à sola para o álem (mas, que acacabaram por ir sim…)

As makas organizadas eram-no com o objectivo de criar o caos, provocar pancadaria e depois a vitimização com características de sofisticada mentira. Isso mesmo! Meter tudo ao barulho, pressionar psicologicamente  supostamente as autoridades com vinculo à lei e ordem  criando condições de favorecimento ao MPLA por parte dos militares do MFA das NT, e CCPA – Comissão de Coordenação do Programa do MFA e o Alto-Comissário.

guerra19.jpg Às tantas, já se fazia tudo às claras. Até o Idi Amim Dada se dava conta de tudo isto! Em um encontro de Melo Antunes com Henry Kissinger, aquele responsável português e a pedido do Secretário Americano disse que era difícil de lidar com Agostino Neto (era só mesmo para agradar àquele diplomata da USA…). Esse cérebro guia dos demais, chamado de Melo Antunes, foi dizendo a Kissinger que era difícil de classificar politicamente Agostinho Neto como um comunista ortodoxo!

Agostinho Neto, íngrato àquele e tantos outros esquerdoidos do M´Puto tiveram de engolir a falácia que este usou: à coisa dada ao MPLA, (Angola) teve a desfaçatez de dizer que a liberdade, não se recebe, arranca-se! Mas, que grandes mentiroso! Neto, com laivos de poeta (diga-se de baixo coturno…), dava dicas torpes de mau agradecimento aos militares revolucionários do M´Puto, quando em verdade, tudo recebeu destes (traidores…) Mas que pulha! Bem feito, cambada! Alguns não gostaram, diga-se… Assim e com João Miranda do Mukwé, algures no Shitemo, acabamos as falas da tarde com uns goles de gim com água tónica para espantar mosquitos…

guerra12.jpg GLOSSÁRIO: - *Dipanda é o somatório das coisas positivas e negativas que ocorreram antes, durante e depois dos longos anos da crise Angolana, após o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional; Banga – estilo, vaidade excessiva; Tuji – excremento, merda; Mwangolés – os donos de angola, os generais que se apossaram da Nação Angola por via de seu poder libertário; Muxoxo - expressão com som de língua com palato em forma de estalo em desdém pelo dito; Mututa – da bosta, de ralé; Maka – confusão, rixa, alvoroço; Missosso – Conto breve de cariz popular em Angola; Kituku - mistério; Kaporoto – Vinho bolunga feito a martelo, de fermentação rápida com pilhas de lanterna; Uuabuama - maravilhoso; Oshakati – Nome de terra ao Norte da Namíbia; Lodge – Hotel de superfície, conjunto de casas para turistas; Rundu – Cidade do Norte da Namíbia, fronteira com Angola no rio Okavango; Grootfontein- Cidade da Namíbia que acolheu os refugiados de Angola, Xirikwata – pássaro que come jindungo…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:32
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Sexta-feira, 6 de Outubro de 2023
KAZUMBI DE BORUNDANGA . XVI

O mito do Orçamento

- As teorias da VITIMOLOGIA, DA MENTIRA E DA RECIPROCIDADE, sempre formulam um discurso sem substância…

Crónica 3498 – 06.10.2023

 Por: T'Chingange (Otchingandji) na Lagoa do M´Puto

BORUNDANGA3.jpg No Mundo, tudo está ficando muito igual no trato da mentira e, em uma qualquer vez, numa nova vez, sempre se lhe juntarão formas diversificadas nos diferenciados edecéteras. Num repente estratégico ela, a mentira passa a ser um mito enfiado na logística como se o fosse um tema de crédito saldado duma banal excentricidade.

Tal como as contas certas, a mentira na sua voracidade, encaixa sem esforço num novo orçamento, assim haja taxas suficientes – simples! Amarfanhados, os mitos sempre ficarão na mesma sacola do pão que sem o fermento certo e ajustado, se tornará pedra ao segundo ou terceiro dia. Pouco a pouco nos habituaremos à mentira tal como ao pão rijo do qual sempre se poderá fazer umas sopas de leite ou uma açorda.

Aqui no M´Puto, pela sobrevivência, até nos mitos somos verdadeiramente pobres. E o mito “socialista” ficará no saco misturado com as côdeas de ambição que ao jeito de partido-estado nos forçam na falsa suavidade feita lei. Os PALOP`s estão também cheios destes mitos: em Angola tomam o nome de “gasosa”, no Brasil o mito dos “sesta básica” e aqui “salário miserabilista”.

tuiui3.jpg Em psicologia social, reciprocidade refere-se a responder uma acção positiva com outra acção positiva, e responder uma acção negativa com outra negativa. Acções recíprocas positivas diferenciam-se de acções altruístas visto que ocorrem somente como decorrência de outras acções positivas e diferenciam-se de uma dádiva social.

A sociedade torna-se assim em uma bolha vitimista, que a ser retratada fica sujeita a um PRR - O tão propalado Plano de Recuperação e Resiliência, um programa de aplicação nacional, com um período de execução até 2026 e que visará implementar um conjunto de reformas e investimentos destinados a repor o crescimento económico sustentado! Assim o dizem.

O objectivo de convergência do M´Puto com a restante Europa, ao longo da próxima década, permanentemente revogados, tornar-se-ão nesse mistério de queixa das gentes que convém desmistificar para bem da sociedade. O valor de ordens que sustentam a sociedade, é uma realidade objectiva criada pelas leis da natureza em que na igualdade das pessoas, sempre aparecerão algumas mais iguais. Tenho a certeza!

tuiui2.jpg O factor pobre e rico, não tem de ser aqui evidenciados porque assim o dizem: O povo é um todo. Há sim outros indicadores que recaem sobre os líderes que concederão a seu belo prazer a esperança ou expectativa de sempre, darem respostas positivas futuras a seus pares, compadres e a costumeira corrupção, já tão vivenciada na partidocracia ou psocracia…

Lembrarei aqui os dizeres de um amigo chamado de José Canhoto: “Uma traça invisível corrói a minha mente fazendo-me perguntas às quais não sei responder porque para as respostas às verdades com as quais sou questionado não as tenho, e as poucas que conheço são relativas. O paraíso celestial não existe é uma ilusão, e quando alguém o atinge é sempre na terra e por breves momentos, e não depois de morto”. Mais diz:” Há alturas em que não me importo que me roubem o mundo desde que me deixem saborear a viver o momento”.,,

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:54
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Sábado, 26 de Agosto de 2023
VIAGENS . 63

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3473 – 26.08.2023 - Foi no ano de 1999

- Escritos boligrafados da minha mochila - Aquele Bóere* das batatas do Vaal deveria ter mesmo olhos nos pés!

Por baú de coiro1.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

BATATAS4.jpg Aqui há diamantes? Perguntei à suricata empinada numa pequena elevação que nada me disse, pudera! Sem se importar com essa brilhante pedra que ofusca gentes, fugiu para um dos muitos buracos ali espalhados; terra fresca denotando trabalho árduo para assim se refrescar daquele calor tórrido; calor que chega a ir a mais de cinquenta graus no pico do verão. Coisa para se dizer, Pópilas!

Pois aqui, damo-nos conta de que afinal, sempre há povos a descrever teorias ou filosofias novas clareadas por meio de metáforas que a natureza lhes ensina. Aquela de os pés dos bóeres têm olhos vuzumunava minha kuca com lantejoulas rupestes. Nestes espaços abertos dissociamo-nos dos conflitos sociais; das metáforas criadas pelo homem a justificar coisas sempre compreendidas numa forma de agradar.

BATATAS6.jpg As artes criativas dos homens continuarão a florescer com brilhantes expressões saídas da imaginação; novos níveis de conflito ou sedução e, porque a arte por vezes é a mentira a nos mostrar a verdade. Ué… Lembrei-me do professor Souares, um espiritualista com manias de mwata a enfeitar minha testa com unguentos de salsaparrilha e xixi de guaxinim fedorento, tentando resolver meus problemas de mau-olhado.

Este eterno conflito foi-nos legado pela inteligência que tende a evoluir no tumulto com velhas ou novas criticas - velhas teses ou teorias diferentes deste mwata Kimbanda da mututa que me quer desfrisar uns kumbús como assim, na saúde, na doença e o escambau… Um teste de vida de tendência evolutiva legada por Deus, porque pensar o contrário disto, será decerto uma imperdoável heresia. Nos vínculos efectivos do antes, agora, depois e, enquanto gente, vamos rever humanidades antigas de quando passamos de animais quadrupedes a pessoas com mais de 600 centímetros cúbicos de capacidade craniana. Se agora temos 1.500 centímetros cúbicos de capacidade, tudo leva em crer que no futuro, nossas cabeças serão tão grandes que só se nascera de operação cesária.

BATATAS5.jpg Este problema sempre presente e cada vez mais remanescente, não reside na natureza nem na existência de Deus mas, nas origens biológicas que pela mente cataloga o auge evolutivo na biosfera. Poderá dizer-se nesta pequena imagem de vida real que cada homem está por assim dizer num estreito nicho como numa burocracia de curral. A parede deste nicho esmaga-nos individualmente a personalidade levando-nos a não poder extravasar nossa euforia como se fossemos bois confinados só a mugir até serem defuntados com um urro levado na ponta dum facão. Por ali, entre os khoisans, busquimanos, que se saiba, nunca andou  sequer um profeta escrevendo na areia qualquer mandamento…

As nossas atitudes em relação às coisas, reflectem critérios de valor fundamentais tornando a relação homem-coisa em algo cada vez mais transitório. Se eu fosse professor catedrático teria de vasculhar os termos para não falar tão fora dos parâmetros convencionais. A ideia de usar um produto-coisa uma única vez ou durante um curto espaço de tempo, substitui-lo ou deitá-lo ao lixo, contraria a sociedade ou os indivíduos com uma herança de pobreza.

batatas8.jpg As gentes do meu tempo, septuagenárias, que nasceram antes da invenção do plástico e do aparecimento do transistor, muito antes de haver computadores e inteligência artificial e ajuda dos algoritmos, não estão tão habituadas a produtos de utilizar e deitar fora; até conservam seus casamentos para lá dos cinquenta ou mais anos; preferem reciclar a vontade de fazer querer, em detrimento do só querer. Hodiernamente já nem vou a casamentos para não me sentir defraudado com a curta duração do umbigamento; quando muito, mando um pouco do meu laço de solidariedade com umas escassas centenas de kumbú para não o ser ovelha ranhosa na família… 

Comecei esta em querer falar no homem das batatas da África do Sul mas tudo escorregou na ladeira mais fácil a fim de não perturbar as mentes, pois sempre ouvi dizer que a fé move montanhas. E, num lugar ermo como este do Calahári, aonde o estio é brutal, um homem semeou batatas no deserto e, porque acreditou em Seu Senhor, foi abençoado com toneladas de tubérculos. Contaram-me, vi até um filme que mostrava aquela arides. Ao seu redor havia descrença e a surpresa apanhou-os de boca aberta; Também eu  fiquei confuso vendo tanta batata saída da terra. Terra que, com  vento, só leventava pó. Este bóere do Vaal devia ter mesmo, olhos nos pés!

khoisan04.jpg Bibliorafia: Bóere: Na África do Sul, os bôeres (africânderes) foram a base social principal do regime do apartheid, que durante muitas décadas vingou na África do Sul. Ao mesmo tempo, foram o grupo chave para o desenvolvimento económico da África do Sul e a posição de vantagem deste país na economia mundial… (Dados da Wikipédia…)

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:34
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Segunda-feira, 21 de Agosto de 2023
VIAGENS . 60

NAS FRINCHAS DO TEMPO – DO KUNENE na terra do NADA

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3470 – 21.08.2023

- Boligrafando MISSOSSOS de OSHAKATI do KUNENE, mais a norte

- Foi no ano de 1999

Por jacaré1.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

jacaré.jpg NO KUNENE, Aquele jacaré era gente! Gente boa que nasceu em corpo errado em Ondjiva (antiga Pereira d´Deça) no lado de Angola!... Rodrigues, seu primeiro dono, deu-lhe o nome de SUNDIAMENO. Isto, quase-quase é um  missosso, da literatura oral angolana, contos, adivinhas e provérbios com homens, monstros, kiandas de Cazumbi, animais e almas dialogando sobre a vida, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de dialecto quimbundo e ovibundo. Óscar Ribas, um escritor cego que tive o prazer de conhecer na Luua, foi o seu criador.

No fogo do pó levantado do chão vermelho, margens do Kunene, os kandengues himbas dançavam com um jacaré domesticado; desconhecia que um jacaré podia ser domesticado mas, os olhos meus, me diziam no seu ver, que aquilo visto, era mesmo de verdade verdadeira. Vejo e aprendo que a natureza muito nos ensina com seu riso de muitas flores riscando no firmamento cinza com branco a azul, musgos de nossas velhices coloridas a vermelho com laranja.

ondjiva3.jpg Pus a mão no meu cérebro buscando naqueles milhões de células apalpar qual daqueles cabelos feitos bissapas estavam fora do sítio para entender aquela cena inaudível, inacreditável! Sei que tudo em minha vida resulta de guardar sempre comigo a esperança monandengue; de espiá-la com olhinhos de a ver balouçada no arco de minha sobrancelha.

Como se chama esse jacaré! Perguntei ao jovem mais próximo. – Com a boca! Respondeu o pivete. Pintado de coisa ruim consegui domesticar meu frenesim raivoso, e continuei: - Sim! Mas tem nome, não tem? – Chama-se de Sundiameno. Disse! Fiz uma cara feia, de nariz torcido e, ele, vendo-me embrutecido repetiu. É mesmo de Sundiameno porque não é de fiar! A gente lhe desconfia, acrescentou.

 – Nem nele, nem no pai dele! Concluiu. Esta conversa tola seguia um rumo desclassificado e, foi neste então que vi sentado num banco de pau feito e atado com matebas, um mais-velho de barbas credíveis e brancas, também chambeta de condição. Dirigi-me a ele e entabulei uma conversa séria, falamos do rio Kunene e de seus mistérios.

cunene01.jpg Foi este mais-velho kota, já século, que me descreveu alguns mistérios e, que passo a referir: - Olha mwadié (branco) este rio tem muito cazumbi e muito feijão branco. Um dia ajudei um gweta, t´chindele Rodrigues, branco assim como tu, que domesticou desde criança, um jacaré a apanhar diamantes para ele. Saiu daqui muito de rico! Afirmou isto e, em seguida, apontando para suas muletas de fibra sintética disse:

-Foi ele que mas ofereceu! No lugar aonde o rio se esconde, fizemos acampamento por muitos anos até que chegou a guerra da libertação e, ele seguiu com a sua gente (refugiados / retornados). Este segredo, eu conto a toda a gente! Conclui na sua sabedoria filosófica de cat´chipemba com bolunga Lubanguista. Por ali passaram gado, camiões e máquinas amarelas de fazer estradas. Abriram umas picadas e depois seguiram para Walvis Bay e Swakopmund da Namíbia. O mistério daquele jacaré estava quase desvendado por mim, mas, na dúvida sobrante, perguntei: - Então, este jacaré kianda, apanhava os feijões brilhantes? Talqualmente! Respondeu o kota num claríssimo português com pronúncia do norte do M´puto. E, continuou: - Pois, fui eu mesmo que fiquei com estas muletas e esse jacaré Sundiameno.

ondjiva2.jpg O mundo é por demais misterioso! Nunca que eu ia acreditar nisto se não visse! O mais velho de nome Oshakati Primeiro, ainda me disse outra coisa em que não acreditei (juro mesmo!): - Sabes que mais, disse ele. Esse jacaré toca guitarra! Acompanhava muitas vezes seu antigo dono a cantar fados duma tal de Amália, uma sua prima muito conhecida lá do M´puto! Isto era demasiado para a minha camioneta; meti-me no four-bay-four e segui para Ot´xivarongo. Conversando com um outro velho amigo de Oshakati Primeiro, piscólogo do Kalahári de nome Ot´xivarongo de Tuji, disse-me já ser conhecedor desta estória e, surpresa das surpresas, aquele jacaré era gente! Gente boa que nasceu em corpo errado! Juro que tudo isto me transcende! Agora que contei, está contabilizado…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:24
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Domingo, 20 de Agosto de 2023
VIAGENS . 59

NAS FRINCHAS DO TEMPO – OTJIKOTO LAKE na terra do NADA

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3469 – 18.08.2023

- Boligrafando estórias de OTJIKOTO, perto do ETOSHA PAN - Foi no ano de 1999

Por dy15.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

otjikoto6.jpgOtjikoto é um lugar aonde as musas lambem rochas - A poucos quilómetros a Norte de Tsumeb, na Namíbia, encontrei o angolano M´c Giver, zelador do buraco de sonho Otjikoto e tocador de baladas enlatadas, também anestesiadas de bolungas extracurriculares. Foi um fortuito encontro de amizade desértica. M´c Giver, tinha uns olhos visgosos tocando com gula a vida de simpatia numa velha viola feita em lata de azeite galo.

Aquele artefacto à qual chamou de “viola galo cantou” na qual fez aplicações com madeiras de cacto e buracos encantadores de assobios espaciais, havia sim, sonoridades extra particulares. Tanto assim que que ele, o M´c Giver teima em dizer terem sido trazidos do Kuito de Angola pois que, até exalavam cheiros de pólvora duma guerra que se extinguiu demasiado catingada É uma coisa assim nunca vista. Esta tecnologia de ponta deixou-me bem embalado em nostalgia na recordação do “Corimba show da Luua” – Um tocador ex-militar acantonado na vida …

OTJIKOTO5.jpg Os turistas, saídos do Etoscha pela estrada longa B1, porque eram escassos, requeriam atenção desdobrada pelo tocador de baladas. Ali, num lugar distante de tudo, na terra do nada, um poço com água de fundura desconhecida, sobe e desce ao sabor dos quadrantes da lua, zuni uma pedra nas suas águas e por três vezes chispou na toalha lustrosa - xim-trás-pum. Estava parcialmente satisfeito o desejo do encontro com aquele, um especial buraco num vulgar dia e invulgar lugar a caminho e regresso do Etosha Pan. Pude averiguar ser o "Otjikoto", derivado da língua Otjiherero que significa "um buraco profundo". Os Khoisan chamavam o lago de "gaisis", que significa muito feio, porque tinham medo de pura cagufa desse grande buraco.

O Lago Otjikoto desempenhou um papel importante como posto comercial antes da chegada dos primeiros europeus tendo sido uma grande caverna de dolomita na área de Karstveld. O lago ficou exposto quando a cúpula da caverna, que agora fica no fundo do lago, desabou (uma teoria). Sua profundidade varia entre 62 mts nas laterais a 71 mts ao centro, embora haja locais onde a profundidade medida ultrapassa os 100 mts; até hoje, ninguém viu sua parte mais profunda.

IMG_20170721_112726.jpgO diâmetro é de aproximadamente 102 mts, com a superfície cobrindo 7 075 mts quqdados. O lago tem o formato de uma cabaça e, o que o visitante vê, é a cauda da cabaça. Até agora o que se sabe sobre o Lago Otjikoto, baseia-se no que foi retirado de suas águas - uma conquista de mergulhadores profissionais que, em seu tempo livre e às próprias custas, passaram inúmeras horas debaixo d'água para determinar o tamanho exacto do lago e descobrir os demais mistérios que ele contém.

OTJIKOTO1.jpgOs mergulhadores estão actualmente com equipamentos modernos, ocupados na pesquisa do lago mistério e, suas cavernas subaquáticas, muitas das quais ainda são desconhecidas. O ambientalista Siegfried Agenbag compilou dados e factos sobre sua história, fauna, flora e sua infraestrutura técnica contemporânea nas proximidades, em análise aos rumores e segredos sobre aquelas águas escuras e sem fundo. Dizem até que, é sim um canal subterrâneo que liga ao mar por via de as águas subirem e descerem como se o fora  maré habitual nos mares, por influencia da lua…

maun8.jpgDespedimo-nos assim do M´c Giver angolano (eramos cinco) das areias e pedras de Otjicoto, do camaleão pré-histórico com picos ferozes e do louva-a-deus escandalosamente verde com a balada seguinte:

Num deserto cheio de vento - Espinheiras resistindo a tudo - A areia longa e solta na limpeza do ar - Da língua envolta em secura; …Na cabeça muitos sonhos - O tempo sem ida nem chegada - Moldura de gente, gente feita zebra - Fluidez imperfeita de uma vida…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:49
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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2023
VIAGENS . 51

VIAGENS . 51

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3461 – 09.08.2023

- Boligrafando estórias em Swakopmund e Cape Cross - Em direcção a Ondundozonanandana mais a Norte… Foi no ano de 1999

Por cross1.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

cross2.jpgE, foi aqui neste fim de mundo paradisíaco de Swakopmund, mais exactamente no Café Anton da cidade de Swakopmund, que vim encontrar-me com o amigo ET – Eduardo Torres que para aqui veio trabalhar depois da saída de Angola no ano de 1975; ele, um Angolano de terceira geração que muito desenhou na obra do Cristo Rei do Lubango. Era importante que o encontro fosse aqui neste café, tantas vezes ponto de partida para expedições desbravadoras desta terra do nada em língua Ovambo.

O espaço do Café é muito agradável e bem decorado, acolhedor e com uma equipa de excelência. Nosso encontro era mesmo para tomarmos o café com acompanhamento de bolinhos e biscoitos que são ali uma iguaria diferente. É um ponto quase obrigatório para quem visita Swakopmund, para quem tem a intenção de chegar a algum lugar pois que, desde tempos idos, aqui se juntam as comitivas de desbravamento dum continente mal conhecido.

swakop02.jpgO poeta ET foi prestável em suas indicações e tirei até apontamentos para o que desse, e viesse, locais, nomes, telefones e pontos de interesse. Acho sim Eduardo Torres, um santo de pau carunchoso, com salalé, muito bondoso, amigo do amigo e poeta que exprime toda a sua majestade; calmo no falar, no comer, no caminhar, parecendo até ser tudo premeditadamente calculado para não dizer o que pensa, mas não diz – simplesmente quis esquecer partes de seu passado; também de sua casa que ficou para um general governamental…

Com ele atravesso em pensamento estes desertos que se estendem muito para lá do horizonte e, aonde parece nada acontecer. Afinal, escreve, escreve figas onduladamente poéticas como todos os poetas, rimando “bonitos nadas” – um nadista retintamente genuíno. Ele, é o top do Nadismo… Lendo-o sempre fica a sensação de que nem o pai morre, nem a gente almoça.

edu001.jpg Mas ET, é de uma leitura supimpa em que quase sempre o amor rima com tambor. Ele e eu, do nosso jeito, amamos aquela excentricidade de Swakop. Ambos gostamos do café e, vai daí um chau-chau que se faz tarde - Mas ainda houve tempo para se ficar a saber, depois de tantos anos que ele nunca se deu conta de que os negros eram pretos; de que seus progenitores já o eram também e, nem se deu conta que estes sempre têm demasiada família, demasiados filhos, tios, tias, irmãs e avós. E, que se ele fosse preto, não sairia de sua casa, de sua terra, de sua pátria! Nem o Cristo Rei do Lubango a quem tanto se dedicou, lhe valeu (isto, sou eu a dizer)

Por bondade intrínseca nunca referiu que estes, os pretos faltavam ao trabalho todas as segundas feiras porque sempre havia o óbito duma avó, dum primo ou tio; uma família que nunca acabava. Esta é uma mokanda especial referente à terra do NADA cuja capital fica em Swakopmund, lugar aonde o coração do EDU, se prendeu nas ondulações das miragens do Naukluft.

café da avó1.jpgLembrei-me então de contar a ET a estória daquele velho senhor em Luanda: Um senhor fardado com um pijama às riscas, sentado num sofá de orelhas olhando para o infinito, babando-se pelo canto esquerdo descaído, insensível ao cérebro abanado por uma trombose. Com a lentidão das coisas graves e titubeadas com muxoxos – Hum, pois, não sabe; a kalashnikov, os turras, a febre do poder… E, eram bolas de trapos, meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme!?

café anton1.jpg E, tu ET, indiferente ao caruncho, que escreves poemas como quem cospe flocos de aveia a um periquito que já deu às de vila diogo, que deu o fora da gaiola. Uma coisa desconcertante sobre tuas vividas vivências. Gosto de ti assim bonitinho que nem um Santo Eduardo, assim saltitante no Naukluft por via de refrescar as glândulas lacrimais, pérolas de maldizer que são o fruto da muita encardida amizade, feitas para reactivar as antigas feituras de escarnio e maldizer à tua tão engenhoso maneira de suprires ou suprimires o tempo das verdades…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:58
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Terça-feira, 8 de Agosto de 2023
VIAGENS . 50

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3460 – 08.08.2023

- Boligrafando estórias em Swakopmund e Cape Cross - Em direcção a Ondundozonanandana mais a Norte… Foi no ano de 1999

Por gettyimages-1162778255-612x612.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

gettyimages-97389630-612x612.jpg Viver assim num perfeito NADISMO titubeando versos amarelados ou mesmo cobertos de pó, envolto assim num mukifo de aposentos forrados com ele e, como se o fossem azulejos enquadrados na estória duma estação de caminho-de-ferro do M´Puto desactivada – Um NADA numa estação aonde já não passam comboios, faz muitos anos. Nestas viagens pensa-se e fala-se em coisas longínquas como que para preencher o espaço-tempo.

Naquela estrada de terra batida com sal, dura, do nada, verificamos haver muitas gaivotas voando; elas subiam e desciam bruscamente até esta estrada dura de sal escurecido. Achamos que havia qualquer coisa de diferente em essas manobras de voo e, observando mais atentamente podemos ver a elas, as gaivotas, deixarem cair qualquer coisa de seus bicos e, em seguida em voo picado descerem também acompanhando o pedaço de coisa.

gettyimages-94975018-612x612.jpg Em realidade havia manchas no piso com umas cascas destroçadas. Vai daí paramos para ver o que era aquilo e eis que deparamos com dezenas de manchas húmidas que afinal, eram caracóis do mar com uma ou outra ostra. Aí estava nossa incógnita, um mistério. Eram gaivotas lançando bem do alto aqueles pequenos animais para assim se desfazerem no choque em contacto com o piso da estrada C34, quase na milha 72 do Dorob National park. Mistério bem interessante.

Assinalamos o rumo de sua procedência e metemos por uma picada de piso seguro até chegar ao mar. Deparamos logo com muitas algas lançadas ao mar com a maré e, tendo nelas esses caracóis com mais de cinco centímetros. Iam e vinham com a ondulação. Aquilo era um pitéu grátis e, assim foi: apanhamos o quanto podemos desses burriés gigantes para mais tarde cozinharmos no Dolfim Park.

gettyimages-520307596-612x612.jpg Andávamos a medo pois que vimos bastantes marcas de bichos que o deveriam ser de chacais mas, a imaginação galgava para outras bestas como a hiena e o leopardo. Até confrontamos as pegadas com um livro que levávamos mas, nada o foi em definitiva certeza. Claro que ficamos vigilantes perante aquela vastidão e aonde as miragens era permanentes, cansando literalmente os olhos pois que até víamos nas dunas em terra, lagos de água bem azulinha; coisa nunca vista – muitas miragens…

E, afinal aonde nos encontrávamos. Bem! Estávamos já além da milha 72, perto de Cape Cross. Chegos ali, espanto - podemos ver milhares de focas, umas com crias outras cuidando delas lançando uivos guturais em tons variados. Guinchando suas forças. Uns chacais que espreitavam o descuido das mães focas para atacarem suas crias – algumas de nascimento recente. Vimos este acontecimento na mais tranquila função e, a mãe, correndo desajeitadamente para a tentar salvar, não o conseguiu…

gettyimages-521401248-612x612.jpg O mais destacável, depois das miragens, depois dos medos, era o cheiro forte que já se sentia a um quilómetro deste promontório. Promontório muito farto de pedras roliças, grandes – penedos! Penedos em que, os corpos destes animais se confundiam com elas, as rochas escurecidas. O cheio era um misto de peixe apodrecido com gordura de sebo exalado de seus corpos.

swakop16.jpg É essa gordura que as protege do frio e lhe dão melhor agilidade para deslizar na água, fugir a tubarões e baleias que por aqui, as visitam com regularidade. Passados tantos anos, ainda posso sentir aquele cheiro. Mais à frente e já na via D 2301, podemos ver os esqueletos de barcos e peixes de grande porte – Talvez baleias. Entre o macabro e o belo, a Costa dos Esqueletos é o nome também conhecido como "As Portas do Inferno", repleta de ossos de baleias e até gente pirata que deram à costa…

– Lugar assombroso…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:19
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Domingo, 6 de Agosto de 2023
VIAGENS . 48

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3458 – 06.08.2023

- Boligrafando estórias entre Welvis Bay e Swakopmund - Em direcção a Ondundozonanandana mais a Norte… Foi no ano de 1999

Por:swakop20.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

swakop19.JPGO vento sopra forte do lado de Dorop National Park trazendo areias por quilómetros e eu, galgava-os com receio de haver ali um furo de pneu, o carro teimava em desviar-se para a esquerda mas, em realidade era a força do vento quente que me forçava a preocupação – As nossas palavras são como sombras que nunca podem explicar por inteiro a luz de medos ou ansiedades que sempre transportamos connosco.

Nunca isentos de culpas e formulando nossos destinos, assim o deixávamos derramado, nosso ADN, na mistura do vento, do pó e quenturas com adrenalina; culpados de muitos nenhures ou pequenas coisas, assim formando grandes castelos. E, íamos sim, soprado vida na terra do nada na direcção de Walvis Bay, o principal balneário da Namíbia e um dos mais bem preservados exemplos da arquitectura colonial alemã no mundo.

Walvis Bay, foi fundada em 1892 como sendo o principal porto do Sudoeste Africano Alemão; um dos poucos lugares da África onde uma minoria considerável da população fala alemão e tem raízes germânicas. Fica no trajecto da Rodovia B2 e da Rede Ferroviária Transnamibiana, que vai Windhoek e a Walvis Bay. Tem seu próprio aeroporto e prédios notáveis, bonitos, um espanto no meio duma vastidão de areia.

swakop18.jpg Neste descobrir de novas coisas ficamos num aprazível mas modesto conjunto de bungalows situado junto ao mar e margem dum rio de areia, mulola de nome Swakop, o que deu origem a este nome à cidade tipicamente alemã aonde morou o ET, um amigo extraterrestre de nome Eduardo Torres. E, assim atirando palavras desprendidas, recordamos terras com vazios aonde a verdade e a mentira passam pela mesma boca como rastos de picada que viram lendas.

Aqui e ali no meio da secura do Karoo íamos pendurando como tufos de teias nas espinheiras do tempo nossos medos e angústias e coisas do mundo sem saber se tudo era o que parecia ser. Diz-se de que, quem quer falar de assuntos sigilosos vai para o deserto mas, nós, não arriscávamos limpar o lacre dos actos e pensamentos porque já tinhamos o coração endurecido na vulgaridade vivida.

swakop17.jpg Um pouco antes de chegar a Welvis Bay deparamos com lagoas repletas de flamingos – o Bird Sanctuary na estrada M36. O Naukluft e Sossusvlei com suas dunas mágicas foram ficando distantes, mais a Sul. Uma volta rápida a Welvis Bay, umas compras indispensáveis para curtirmos sobrevivência na noite que se aproximava e já a caminho de Swakopmund, assentamos arraial no Dolfim Park – um conjunto de chalés, bem confortáveis.

Da varanda deste chalé podíamos admirar a imensidão do Oceano Atlântico vindo saudar-nos com bátegas chapadas nas rochas – um recife que se estendia ao longo da costa, um cheio intenso a mar – um lugar bem aprazível aonde ficamos duas noites.

swakop13.jpg Esta frescura do Atlântico é devido à corrente fria de Benguela que já se fazia sentir há quase quinhentos e cinquenta anos atrás quando por aqui passaram os navegadores portugueses a caminho da Índia das especiarias. Por ordem do rei D. João II, Diogo Cão passou por aqui deixando padrões como o de Cape Cross, construído lá pelo ano de 1482 e, que fica a uns escassos 130 quilómetros mais a norte de onde agora nos encontramos…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
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Sábado, 5 de Agosto de 2023
VIAGENS . 47

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA  (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3457 – 05.08.2023

- Boligrafando estórias em Sossusvlei - Em direcção a Ondundozonanandana mais a Norte… Foi no ano de 1999

Por busq9.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

etosha2.jpg Naquele momento, aquilo era o céu. Envoltos em azul vivo, escorregávamo-nos no vermelho longínquo tremelicando a cércea no horizonte das terras altas, o amarelo ouro das dunas e o preto das sombras, cada um de nós se sentia "um senhor do mundo". Sossusvlei ficou para sempre gravado na nossa memória.

Para trás (dias antes), ficava aquele pedaço de coisa caído do céu, uma bola de fogo rija como o titânio; um tal de Meteorit caído no meio do nada, como que uma pequena recepção feito bolo num imenso Calahári e aquele funil vulcão chamado de Brukkaros com cactos feitos árvores em paisagem lunar…

koisan10.jpg Na Namíbia a distância não se mede em quilómetros, mas em tempo e, percorrer todas aquelas distâncias é como completar uma missão impossível. Após pagarmos uns poucos "randes" a um homem fardado, entramos no tal lugar no meio de uma descampada savana de tufos secos de capim, chinguiços com picos medonhos. Lá estava aquela coisa pegada ao chão com 60 toneladas, uma liga de fusão vinda do Universo, dum infinito lugar.

Meteorit era o nome indicado com a referência de Hoba West, não muito longe de Grootfontein (em África tudo fica perto, é ali mesmo patrão, mwadié). Por falta de rede tenho de recordar agora, aqueles dias atrás… Toquei aquele titânio rijo e frio, embasbacado sentei-me observando-o por algum tempo. Sentado na duna recordava os anteriores dias anoitecidos num universo de estrelas – ali a noite cai rápido.

na

nauk13.jpgPosso imaginar quantos fotógrafos desejariam estar ali no Sossusvlei sem ninguém à volta por dezenas de quilómetros, sem qualquer ruído e acompanhados apenas pelo último raio de sol, pelas primeiras estrelas no céu imaculado da Namíbia e, o brinde no topo deste cenário, numa noite de lua cheia…

Entretanto a rede via telefone chegou; o telelé dava sinais de vida. Fui assim ao computador ocupar o tempo, li poemas, reli baladas e muitas tretas de fazer caretas; ouvi cantigas, li desaforos, coisas choradas, lamuriadas do M´Puto, cânticos gospel humedecidos, vídeos foleiros, alguns brejeiros e fui à China comer baratas, grilos e gafanhotos. E, eis que num dado momento o écran do maldito computer surge a perguntar-me se este senhor “sou eu”? Estou feito ao bife – de novo! Mas, aquele era sim, o respectivo e, a um sim tudo se normalizou…

bruno28.jpg De novo, juntei umas madeiras; preparei a carne e as argolas de borrabôs, aquele chouriço bóher, ali bem junto às lareiras que existem para esse efeito. Dispus a carne e as argolas de elevado teor de gordura e o cheiro despertou a fome no clã T´Chingange. Com tudo já torriscado no brai, passa-se para uma improvisada tampa a servir de bandeja e, cada qual se serve com uma papa de milho típica daqui - o milhipap…

No calor do tempo queimo cansaços, fracassos vazios, decepções e até solidões, com Windhoek Premium Lager (cerveja namibiana)! Obrigado a mim, a ti e a tu também (o ti é um, o tu é um outro)… Estou feito ao mataco de afundear em sofás e, lá tenho de o conservar com sal e vinagre na forma enrolada numa espiral contínua porque tudo quanto acontece, é na terra que sucede, num céu eterno e pacífico cumprindo-se na ordem natural aonde quer que estejamos…

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:21
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Sexta-feira, 4 de Agosto de 2023
VIAGENS . 46

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA  (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3456 – 04.08.2023

- Boligrafando estórias em Sossusvlei - Em direcção a Ondundozonanandana a Norte… Foi no ano de 1999

Poretosha6.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

etosha4.jpg As noites neste deserto de Naukluft – Sossusvlei, aliás, como em todos outros, ficam frescas assim que o sol desaparece no horizonte. Aqueles montes enormes de areia deixam em nós a sensação estranha do quanto somos pequenos. Tivemos de preencher uns papéis para recebermos autorização de entrar no parque dos diamantes. Não nos era permitido afastar-nos do trilho com outras recomendações a cumprir. Iriamos sair ainda de noite para chegarmos ao nascer do dia á Duna da Milha nº 45.

Recordar que NAMIBIA, em dialecto Ovambo significa terra do nada. Foi aqui que vi as melhores paisagens nas minhas viagens por África. Pois assim, saindo de Luderitz atravessei com o clã T´Chingange todo o Naukluft Park para chegar às grandes dunas do Sossusvlei, aonde me encontro. Bolas! Outra vez! Nesta viagem deve haver um anjo da guarda que me persegue mas, em qualquer momento falha sua visão e entro nos cadafalsos da penumbra do telefone e outros edecéteras.

aug14.jpg Estou assim a pensar como irei restituir-me em outro António mudando o Lopes para Costa ou vice-versa – Pópilas... Lá terei de largar isto e fazer meu brai com o boerewors com carne de bovino e especiarias, sementes de coentro torradas, pimenta preta, noz-moscada e cravinho. Depois disto veio um vazio, estavam a estudar meu problema pois que mandaram o código de seis números para um telefone que nem era meu embora tivesse o mesmo nome. Creio que era um bafana muzungu destas lonjuras e eu, esperei dois dias soprando ventanias.

Acampamos em duas tendas e, em um espaço próprio no início da zona interdita; activamos uma fogueira comunitária e deliciamos o ouvido com os sons da noite. Saímos ainda noite em comboio de carros, jeeps 4*4 e, turismos como o nosso, um Toyota 1600. A claridade do lusco-fusco ia surgindo e, apanhamos o nascer do sol a meio da subida nessa duna da milha quarenta e cinco.

aug16.jpg Em fila indiana gente de muitas latitudes, falando línguas diferentes estavam ali, tal como nós para saborear a natureza em toda a sua plenitude. O sol com o seu disco grande e amarelo ia subindo no horizonte do lado esquerdo; uns mundos de sombras movíveis rodeavam-nos como coisa galáctica; o amarelo e alaranjado das dunas contrastava com o preto carregado das sombras.

As figuras sinuosas das dunas a mudarem muito lentamente, a todo o instante por efeito do vento - algo nunca antes visto e em um palco de grande espaço, aonde também parecia nos movermos como numa ilusão sem infinito. Naquele dia casei com Sossusvlei; a fina cortina de areia desprendida pelo vento mais parecia uma seda ondulante de noiva roçando o meu rosto, os meus olhos, a minha boca.

swakop04.jpgBeijei a areia feita um véu, como se fora um deus menor e os sinos das cigarras disseminadas em esqueletos de árvores perpetuaram para sempre ao meu ouvido aquele som. Ali era um bom sítio para entregar a alma ao criador. Foi sem dúvida a mais bonita catedral que já visitei. Se por ventura viver 333 anos, quero lá voltar na segunda metade do meu percurso. Ali, o feitiço tem mais encanto, coisas que não se apagam da retina.

É esta, uma das imagens que afagamos nos dias de indulgência, nos dias de amarguras involuntárias, nos dias impregnados de incontidas revoltas. Valeu a pena subir aquele morro de areia ondulante – figuras sobre milhões de grãos de areia ora amarela ora amarelada ou avermelhada; levou talvez uma hora a chegar ao topo, dois pés para a frente deslizando um e meio para trás.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:57
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Quinta-feira, 3 de Agosto de 2023
VIAGENS . 45

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA  (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3455 – 03.08.2023

- Boligrafando estórias em Hardap Game Park. – Em direcção a Ondundozonanandana a Norte…

Foi no ano de 1999

Porsoba40.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

nauk16.jpg A árvore quiver - O Aloidendron dichotomum popularmente conhecido como aloé-aljava ou simplesmente de quiver, é uma espécie de aloé arborescente da família Xanthorrhoeaceae. Está presente na natureza numa restrita área árida, que vai do noroeste da África do Sul até o centro-sul da Namíbia, revelando-se uma espécie muito resistente à seca e às variações climáticas, podendo acomodar-se em terrenos rochosos e secos e chegar à idade com mais de quatrocentos anos.

A quiver, pode atingir os nove metros de altura e seis de envergadura, crescendo num tronco único, produzindo folhas longas de vinte a trinta centímetros, carnudas e espinhosas nas bordas. Floresce no inverno, apresentando vistosas flores amarelas que podem ser ingeridas, tendo um gosto que se assemelha ao espargo. O tronco é revestido por uma película branca que ajuda a repelir os raios solares, formando pequenas escamas afiadas e cortantes.

nauk14.jpg Os pássaros tecelões aproveitam-se deste facto para nidificarem em seus ramos, ficando assim, ao abrigo de predadores. Quando não conduzo ou visito algo, esmiúço o viver da sociedade hodierna no tempo, para saber da verdadeira razão dos paradoxos entre um e outro tempo na mente das gentes, uns com fúteis caprichos duma vida cheia de multiplicidade bacoca e, muitos outros que só se limitam a ver os demais, criticando-os…

E, a vida que passa rápida fica muito preenchida de eventos efémeros em que gastam o que não tem em felicidade de cacaracá; Sim! Neste mato de capim tombado pelo vento, tiro daqui e dali umas fotos com uma Canon A1 já com saudades de avizinhar o futuro que cá por mim que rezo cristão, católico e apostólico, só fico no rascunho apócrifo na certeza da incerteza. Que sim, que não! Porque tudo fica difícil com as pessoas desigualando-se por mero capricho ou moda…

aug7.jpgE, porque estou aqui por querer, averiguo o saber na deriva dos vocábulos bohere e wors, oriundos do africânder que significam respectivamente "agricultor" e "salsicha". Vi-me na foto do meu android e fiz-me gaifonas vendo as rugas enquadradas num diferente tempo, redondo e elástico, nem sempre alegre, nem sempre triste. Caramba, talvez aquele chá tenha posto umas três gotas de canábis (comprado na farmácia do M´puto) para encurtar pesadelos e restituir-me a lucides.

Enfim, tenho tido essa preocupação: de me equilibrar em meu esqueleto, mantendo-o ligado aos espirito. Entretanto e já no escuro da noite preparo um caldo verde para dar consolo ao apetite fora de portas, na varanda do chalé do Hardap Game Park, ouvindo os barulhos de fora, chiados dos macacos, os choros das hienas e muitos outros indefinidos gunchos intercalados que, creio serem de girafas.

spring1.jpgAqui, de noite todo o bicho canta para chamar a fêmea ou o macho, para saber a que distância por matemática ressonante ou, está dum qualquer abismo dando indicações a outros. Irei experimentar adicionar ao caldo verde o boerewors, aquela supra dita salsicha fresca tradicional bóher, em substituição do chouriço do M´Puto.

Ontem comi frango frito esfarelado com arroz integral e aquecido no forno e, para variar, gelado regado com amarula no final – o melhor licor do mundo. Comi biltong de kudu, de boi, ou olongo, e bebi suco de goiaba e massala de Moçambique – faltou-me o kimbombo de massambala, uma bolunga agradável que um moçambicano me ofertou no lugar de Benoni, (arredores de Johannesburg) há dias atrás

nauk3.jpg Percorro os dias assim, um caminho com gente chegando e partindo dizendo good morning só mesmo assim, sem muito mais dizer, sem muito mais saber; missangas de vida com malas atafulhadas de coisas: coisas que podem ser úteis tais como: o canivete Mike Giver, a lanterna no meio das cuecas para não quebrar, os cremes de amaciar a flôr-do-congo mais o pincel de amaciar as carunchosas unhas … E, assim lá no cú de Judas, eis que num dado momento o écran do maldito computer surge a pergunta de se; se este senhor “era eu”? Estou feito ao bife – de novo! Lá terei de dizer que não sou um robô e confirmar uns arabescos apócrifos. Amanhã vou tentar subir a duna da Milha 45, chau – mungweno!

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:07
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Segunda-feira, 31 de Julho de 2023
VIAGENS . 42

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA  (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3452 – 31.07.2023

- Boligrafando estórias em Krabbehoft Guesthouse and Catering. Estávamos ainda em LUDERITZ Foi no ano de 1999

Por swakop5.jpgT´Chingange (Ot´chingandji) – Em Amieiro do M´Puto

luderitz01.jpg(…) Isto (eu mesmo, o kota…), só pode fazer confusão a quem anda sempre teso, com seus colarinhos engomados, cheio de obséquios e unhas estimadas, sem nunca sentir os medos indefinidos que arrepiam as carnes como pés de galinha e arrepios de levantar medos no cocuruto do toutiço. Desfigurado pelo tempo, cheio de cãs, estonteado pelos muitos calores, posso ver minha barba crescer em troços grossos e brancos de um milímetro de comprimento que, só uma gillette de três lâminas as pode debastar.

Passeio pelo mundo, o meu isolamento procurando entreter-me cada vez mais só desencantado com amigos e inimigos – um mundo de loucura e, metido entre meus botões de casca de ostra a fazer estilo de mandela em dia de balalaika zulu… Por vezes as companhias são obtusas e confusas, cheias de nove e onze horas como se fossem os donos de todos os relógios; já me aconteceu destas tormentas mas, agora interessa é continuar a falar de Luderitz, lugar de hienas peludas dum cinzento acastanhado.

luderitz12.jpg Chegamos ali ao fim duma tarde, um frio com vento de arrepiar para cima de nós, deslocando a areia de um para o outro lado da estrada, ora preta de alcatrão ora indefinidamente tapada de areia esquindivada do Kalahári. Aqui, nem pensar em ficar em camping a contar as estrelas e ver aonde está esse Cruzeiro do Sul. A areia era-nos cuspida pelo Nosso Senhor como gente desabençoada, rolos de capim amarfanhado fugindo no medo e no sentido do vento e, nós aqui feitos loucos, uns extra terrestes zoando espantos; assim tinha sido até aqui, assim o foi na estrada que nos trouxe até aqui - Pópilas

Recolhemo-nos no Krabbehoft Guesthouse Catering e apartments embrulhados em nossos kispos tiritando das quinambas e nas orelhas, batendo o dente como metralhadoras do filme do dia D. Vou vos contar - tudo ao molhe e fé em Deus! Havia gente jovem de muitos lados e, na confusão do meu Inglês raspikui do Friday, misturava-se com o “je suis” e falas com tremas na vontade de “seja o que Deus quiser”- Saravá! Dizia eu, para desatarraxar as encrencas das porcas sextravancadas…

luderitz15.jpgAfinal não éramos os únicos malucos a andar soprados ao vento frio da aventura. Ao chegar ali, os hóspedes têm a sensação de ter caído repentinamente nas páginas de um romance de Hemingway, talvez Papillon. Bem! Uma mistura de tudo… Um espírito e, um ambiente ultra "bush", uma caserna bechuanaland com gente estendida pelos corredores dormindo em sacos cama. Óh gente doida! Lá fora as hienas castanhas farejavam os bidons de lixo, os restos de pizza, do tutano dos ossos, assim mesmo como se fossem cães dos arrabaldes duma qualquer outra cidade.

Aqui em Luderitz, as horas acordam cedo desfazendo-se em minutos gélidos pelos sopros do mar, gozando mais regradamente os bens da inteligência e da vida; remexo a chávena com meu especial milongo de adstringir triglicéridos, uma cachaça, aguardente medronho do M´Puto trazida em contrabando para aquecer, pois claro. Ao redor predominava o cheiro de café ondulado em falas da Croácia, do Xingrilá, das Maldivas e até estalidos de mucancala, mucuisse ou mucubal khoisans falando em Morse – acho que era só para fingir ou trinando sons do Alá…   

luderitz1.jpgAssim feito muambeiro, tomei com um agrado, aquele agora da vida na forma de café arábico. Desolando-me numa sinceridade gemida de tudo o que é ilusão, indeferia-me nos contornos que se transportam sempre às costas, um pessimismo que sempre se enrola no soalho do cerebelo. Assim taciturnado, com o kispo enfiado pelas orelhas, todos os cinco (T´Chingas, Marco Manhanga, Ricar, Tilinha e Mãe Bibi), fomos ver o padrão de Luderitz numa ponta pedregosa colocado pelos Tugas em tempos de lá para trás do mu-ukulu, do muito antigamente.

Naqueles tempos de quando ainda se alimentavam sonhos de grandeza com Diogo Can que só chegou ao N´zaire River e, mais tarde o Bartolomeu Dias que passou o Cabo Bojador, e o Vasco das Barbas chamado Gama, que dominou as Índias. Sei o quanto é difícil ler o indecifrável mas soe dizer-se que a teoria do pessimismo quando implodida num deserto, é bem consoladora para os que sofrem e eu, com meus sessenta e quatro anos nesse então (tempo de há catorze anos), já não tinha fornalha para alimentar lentas combustões. Isso - Na forma de chatice! É do frio cortante…

 (Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:09
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Domingo, 30 de Julho de 2023
VIAGENS . 41

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA  (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“  - Crónica 3451 – 30.07.2023

- Boligrafando estórias em Ondundozonanandana. Estávamos ainda em Luderitz, terra soprando a areia no caminho… Foi no ano de 1999

Por luderitz01.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

luderitz02.jpg Na minha vontade, parecia só querer ser uma lenda a comparar com o feito de Amyr Klink que sozinho e num barco a remos atravessou o Oceano Atlântico percorrendo sete mil quilómetros. Foi o primeiro feito a ser amplamente divulgado na imprensa internacional que ocorreu entre 10 de Junho e 19 de Setembro de 1984, entre Luderitz, na Namíbia (África) e Salvador, na Bahia (Brasil) – trinta e nove anos lá atrás.

 Foi um feito invulgar a mostrar o quanto a tenacidade pode vencer um sonho. Abro uma brecha na minha viagem para falar sucintamente de Amyr Klink, o navegador que desde Luderitz da Namíbia, provocou seu grande desafio - a travessia solitária do Oceano Atlântico a remo. Pois, com 29 anos na idade, ele zarpou dali, cidade vizinha à Costa dos Esqueletos - com ossos humanos e de animais espalhados pela praia.

“Favorecido pela corrente fria de Benguela afasta-se da orla e deflecte para dentro do Atlântico; no lugar onde começam os ventos alísios que sopram fortes e regulares até o Nordeste do Brasil”, descreve ele em seu livro. Algo idêntico ao procedimento na navegação Tuga entre Cabo Verde, Guiné Bissau, Angola e o Brasil em tempos idos, muito antes do achamento do tição com forma de Nossa Senhora que da fé imaginada se converteu em Nossa Senhora (Preta) da Aparecida…

luderitz03.jpg Amyr, virou um navegador respeitado, e sua paixão pela Namíbia jamais cessou. “É segura e económica”, analisou ele, que ali voltou várias vezes. Tal como ele, ambos verificamos em diferenciadas vertentes o interior, deserto do Karoo e Kalahári, preservado de bichos terrestres já tão vistos em safaris, enquanto no litoral, cidades como Lüderitz, Walvis Bay e Swakopmond o é, morada de focas, pinguins, flamingos, pelicanos e tubarões que fazem parte do círculo ou cadeia alimentar.

Ambos, matamos saudades dos acasos e singulares amizades que fizemos e, dos óptimos pitéus que usufruímos com frutos do mar ofertados pela natureza. Juro que eu, em plena consciência nunca faria isto, meter-me ao mar sem balizas firmes assentes em algo de referência, como os padrões semeados ao longo da costa pelos Tugas, vendo só o horizonte curvo a confundir-se com o céu do Nosso Senhor! Menos mal que nesse tempo de lá para trás, não se cogitava que o Universo não tinha bordos, era uma fumaça com cacimbo sem fim.

Agora tenho a certeza que vou terminar meus dias sem saber aonde fica esse tal de cu-de-judas do fim do Mundo. O mundo continuou a girar como sempre e, não mudou por este feito mas seus “Cem Dias entre Céu e Mar” ficaram nos anais da coragem marítima. Comparar-me assim minuciosamente com tamanhas aventuras é consolar-me com alheios fumos, fumos de charutos como se fossem pensamentos num tom cor-de-rosa que se perfilam em matemática quântica porque os índios Sioux e, todos os outros das antigas estórias de bordel, já foram extintos, não há muito tempo…

luderitz04.jpg Desfalecido nos ombros, um pouco mais tolo e muito mais míope, agora, já com a audição a não ouvir os cantares de galo no silêncio da noite, coxeio-me em vozeados ambientes de cochichos frouxos. Coitado de mim! Bom - prá frente. Em Keetmanshop, procuramos em arcas carne de caça para fazer um brai-churrasco lá acabamos por encontrar uma carne escura; era de órix, esse belo animal que se podem ver fazendo pose nas dunas de areia vermelha lá no horizonte.

A senhora bóher do armazém-venda, pouco mais que um cuca-chope, queria impingir-nos outra carne porque aquela era de caça mas, mal sabia ela que era isto que procurávamos. Em seu conceito, não era normal os turistas comerem bichos-do-mato. Como podem verificar, missionando o toutiço, perdi inteiramente as minhas belas cores europeias, a cara sarapintada de funchos, crateras com rugas extravagantes

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:29
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Sábado, 29 de Julho de 2023
VIAGENS . 40

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA  (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“  - Crónica 3450 – 29.07.2023

- Boligrafando estórias na cor antiga em Ondundozonanandana. Estávamos ainda em Luderitz, terra soprada a areia ria… Foi no ano de 1999

Por koisan9.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

koisan8.jpg O cansaço adormeceu-nos sem pensamentos nem cobras ou lagartos. Ali, mitos e lendas são insociáveis da paisagem quase lunar, rochas escaldadas formando morros aqui e, mais longe areia de onde sobressaem umas árvores milenares do tipo aloés do além.

Nesta natureza que não é assim tão vazia, vivem espalhados por África e mais propriamente ao sul do Botswana mais de sessenta mil aborígenes, dados do fim do século XX. Resistindo a tudo e ao tempo, ali aonde o desespero é um inútil alívio de evasão, vivem os khoisans, que mais a sul chamam de KoyKoy´s

O sol ali não é dócil, pus o meu chapéu do Karoo, montamos o Toyota e, bem cedo seguimos à descoberta do Fish River mais a norte; fomos três a descer ao fundo do Canyon que parecia perto, era logo ali e, o que pensamos fazer em uma hora na descida e subida, levamos bem perto de quatro horas, Ufa!!!

luderitz17.jpg Eu, Tilinha e Marco M´Fumo Manhanga…Que calor! Mas, por sorte sempre havia uma fria windhoek lager à espera no restcamp… Que delicia! Uma vez na vida, experimentem atravessar um deserto para ter o prazer de beber uma fria na chegada. Foi nesta atmosfera e azáfama de sobreviver subvertidos à marginalidade do mundo real, que tomamos contacto com o tal cacto de xhoba.

E, não podia deixar de descrever toda a envolvência desta real contradição: a fome dos khoisans vai-lhes ser mitigada por milhões de obesos que só o são na maior percentagem, porque comem em demasia. Os deuses nestas paragens escreverão sua sina por linhas tortas. Já no topo do Canyon do Fish River a adrenalina escorria-nos nas faces com os olhos tremendo como a neblina matinal.

busq11.jpgE, as pernas abanavam sentidos incomuns à magnitude das vistas em banda larga com “óoos e áaais” de espanto. Era o Ai-Ais! Estou em crer que foram estes Ais de admiração que deram o nome ao acampamento desta canyon. Já dias antes, tinhamos subido a Brandberg a ver as acácias solitárias, entre pedras vermelhas sobrevivendo a um deserto impiedoso. Os dias terminavam com suspiros de plena satisfação em curtos goles de marula tree sobre um sorvete Dom Pedro ou umas pedras de gelo gratinado…

Com destino ao povoado de Ondundozonanandana, lugar perdido no Norte da Namíbia, não muito distante do Etosha Pan e marcado em círculo no mapa Michelin, lá prosseguimos viagem a partir de Ai-Ais do Fish River por estrada pavimentada rolando quilómetros na savana até Windhoek a capital da Namíbia. Era para assim ser mas, chegados ao cruzamento entre as estradas B1 e B4 em Keetmanshop, derivamos para Luderitz pela Estrada nacional B4.

Namibia12.jpeg Andando por este mundo, mares, desertos, matos, savanas, anharas e terras agrestes com matutos e mamelucos de outras latitudes, estava agora a tornar-me um mestiço mazombo viajando na terra e no tempo, ora sem GPS porque ainda não existia ora perguntando aqui e ali ou riscando o mapa com esboços, nomes e cópias destes borradas de café, lama e até sarapintados de cafufutila, esses salpicos salivados de euforia que descuidadamente saltam das nossas falas eufóricas, entusiasmáticas.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:11
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Sexta-feira, 28 de Julho de 2023
VIAGENS . 39

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA  (HOODIA)

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“  - Crónica 3449 – 28.07.2023

- Boligrafando estórias tão fantásticas, que até o nome se alonga de gozo: Ondundozonanandana… Foi no ano de 1999

Por swakop8.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

nauk16.jpg De sabedoria debruada em muitas rugas, olham num permanente espanto as coisas que nós os ocidentais inteligentes banalizam e, uma casca de fruta que pode ser um grande património para eles, torna um fio com uma linha uma tecnologia espacial. Para nós alienígenas ocidentais do mundo terreno, iremos dizer do quanto é maravilhoso ter comprimidos que permitirão encher o bandulho de pasteis de creme, de nata e baba de camelo às duas da manhã ou o sorvete na forma de gelado sem riscos de se ficar com um peso na consciência.

E, tem mais, as mulheres não deixarão seus maridos à solta se souberem que ingeriram uma vitamina super de xhoba. Se bem conhecem, a história da coca-cola foi objecto de um filme em que uma garrafa destas caiu em pleno deserto do Calahári e que daí, provocou para além da curiosidade as vicissitudes do mundo ocidental, o mundo dito civilizado. Recordo que neste então e, descrevendo sumariamente o filme, uma criança viu-se acossada por umas quantas hienas.  O candengue (puto), sabedor dos costumes da tribo pegou em um pau colocando-o na cabeça; assim parecendo mais alto, as hienas não se atreveram a atacar o candengue Bushmen.

busq7.jpg Estas estórias de tão simples, tornam-se fascinantes para quem todos os dias manobra com aparelhos inteligentes, coisas tecnologicamente chamadas de ponta. O mundo avança tão rápidamente que todos os dias nos atropelamos em ignorância. Tempo virá em que nossos médicos, nossos choferes, nossos farmacêuticos e bibliotecários, serão robôs; que os políticos virarão um bando de gângsteres usando a mentira e novas tecnologias algorítmicas; que a morte será premeditada e o ciclo da escravidão retornará envolta em lubrificadas e premeditados desfalques à nação…       

Desconfio que pelo andar da carruagem este trem da Terra vai conspurcar pouco a pouco aquelas paragens semi desérticas repetindo por muitas vezes este episódio da coca-cola e, o povo mais antigo ao cimo da terra passará a usar gravata e sapatos de coiro em substituição da sua pele rugosa e resistente. Por via da tal “molécula P57” o mundo dito civilizado subsidiará as tribos nómadas que vivem sem fronteiras entre Angola, Namíbia, Botswana, Zâmbia, África do Sul e Zimbabwé.

busq6.jpg Estes, não mais irão ter de correr atrás dos macacos para saber aonde beber; de reconhecer as plantas que no meio do deserto lhe fornecerão água em suas raízes, terão à mão um chinocas, uma venda, quiosque cuca-shop para lhes venderem água e cachaça… A Bushmanland não mais será a mesma! A cento e vinte quilómetros a sul do Orange, num local conhecido por Springbok, pernoitamos numa palhota do tipo em que vivem os Bosquímanos.

Com estrutura circular formada de paus vergados e enterrados na sua parte mais grossa, entrelaçam-se entre si na parte mais alta sendo o restante amarrado com fios feitos de casca de arbustos locais. Chovia quando ali chegamos pela primeira vez indo de Orange River mais a sul; coisa rara para quem passa esporadicamente como o era, neste meu caso; não há cheiro igual noutro qualquer lugar do mundo.

busq4.jpg Após as primeiras chuvas, o pó em África, tem um cheiro de terra espacial; quem o não cheirou, não consegue conciliar os sentidos inebriadores duma mistura de pólens invisíveis dos escassos tufos de vegetação. No outro dia já as encostas suaves dos morros ficam numas chapadas feitas jardim, um mar de rosas deslumbrando-nos. Ver o deserto em tão curto prazo de tempo virar um jardim florido é qualquer coisa de misterioso, milagre que nos leva até um ser superior a quem chamamos de Deus…

Estas palhotas do Springbok tinham 1,80 metros na sua parte mais elevada, cobertas a palha presa aos paus com a mesma casca, tipo mateba, deixando uma abertura com uns sessenta centímetros de largura e noventa de altura. Após ter feito uma prévia inspecção ao local circundante enxotando lacraus, aranhas e carochas, derramei um fio de gasóleo na parte de fora. O gordo bóher dono do pedaço, nada me disse para além de afirmar que estávamos seguros mas, eu não me sentia tão firme, se não fizesse isto.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:51
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Quinta-feira, 27 de Julho de 2023
VIAGENS . 38

NAS FRINCHAS DO TEMPO – UM CACTO CHAMADO XHOBA

- "DOS TEMPOS DE DIPANDA“  - Crónica 3448 – 27.07.2023

- Boligrafando estórias tão fantásticas, que até o nome se alonga de gozo: Ondundozonanandana… Foi no ano de 1999

Por nauk2.jpg  T´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

nauk03.jpg Foi nesse sítio de Mata-Mata, lugar ideal para se sepultar o passado que encontramos o milagroso cacto escondido entre tufos espinhosos, verde, gomoso e muito ornado de picos; agressivo no aspecto, engana no entanto a fome ao povo Bosquímano há séculos. A fronteira da coragem transpira incertezas naquele povo a quem Nelson Mandela cedeu 400 milhões de metros quadrados para mitigarem a fome explorando este milagroso cacto.

O xhoba para além de surgir naturalmente na natureza, também é cultivado por esta etnia Bushmen, por algumas tribos nómadas que vivem sem fronteiras entre Angola, Namíbia, Botswana, Zâmbia, África do Sul e Zimbabwé. Este cacto torna-se agora conhecido, fruto de pesquisas nos laboratórios ocidentais e ao longo dos últimos tempos no intuito de controlarem o problema social da obesidade, consequentes problemas de colesterol com os triglicéridos.

nauk01.jpg Lípidos que sendo importantes para o armazenamento de energia no organismo sob a forma de tecido adiposo, podem originar problemas cardíacos ou doenças coronárias em geral quando em quantidade elevada. Se bem se recordam da figura do bosquímano, ele é seco de carnes e, de estrutura perfeitamente musculada. Pois o xhoba que, também conhecido por hoodia, é um cacto da família suculenta que cresce naturalmente na África do Sul, a norte, desde a Costa Atlântica até ao Limpopo.

Tem a particularidade de eliminar a fome reduzindo duas mil calorias por naco e por dia; viscoso e azedo, quando ingerido, engana o cérebro até à linha zero, num gozo de deuses ladeados de chacais, caracais ou hienas. Entretanto vi-me obrigado a apaziguar inquietudes por evidente encantamento deste Kalahári. As noites frias daquela terra de Bushmanland crepitavam em fogueiras, alçadas labaredas do meio de tanta negrura. E, eles gente do Kalahári, embrulhados toscamente numa pele, numa tanga.

nauk1.jpg O que despertou o interesse das grandes farmacêuticas no sentido de sintetizar o princípio activo da planta foi uma tal de “molécula P57”; a mesma que ajuda a suportar a fome e a sede durante suas longas caçadas, sem efeitos secundários. O fumo da fogueira dissipa-se num vazio de milhões de estrelas enquanto no retiro das precárias cubatas-choças, pelo que também se diz o frenesim do amor ou relações de corpos se desprende naturalmente pelo efeito afrodisíaco do mesmo xhoba (assim dizem).

Existem cerca de 20 variedades desta planta mas é na variedade Hoodia Gordinii que é encontrado um supressor de apetite totalmente natural; assim se pode ler algures em uma publicação farmacêutica. No ano de 1997, a licença da descoberta foi vendida a uma empresa britânica, Phytofarm, que por sua vez vendeu os direitos de desenvolvimento e marketing à gigante Pfizer Corporation. Os interesses comerciais entram aqui com sua natural e exagerada relevância que nos levam ao género humano que somos hoje, estereotipo bem diferenciado dos Koysan, da etnia Bushmen, Bosquimanos ou da tribo nómada dos "San"…

busq5.jpg De uma forma mais activa, a P57 tem um comportamento similar ao que a glucose tem ao nível das células nervosas, no cérebro, levando o corpo a pensar, que está cheio, mesmo quando não o está, cortando assim o apetite, como explica o Dr. Richard Dixey, da Phytofarm: “Existe uma parte do cérebro chamada hipotálamo. Dentro do hipotálamo, situado no centro do cérebro, existem células nervosas que detectam a presença de um açúcar chamado glucose".

Quando comemos, os níveis de açúcar no sangue aumentam por causa da comida e estas células começam a lançar para o corpo a informação de que estamos cheios. Pois o que o xhoba parece conter é uma molécula que é cerca de 10 mil vezes mais activa que a glucose. A maturidade dos Bosquímanos mede-se pela idade, no encanto de estalar conversa em contos e, por isso, são a mais velha biblioteca oral do mundo. Os mais velhos, kotas, engalanados em contos de místicas com lendas de *mussendos ou missossos, descrevem por estalos sua coragem despida de preconceitos porque os desconhecem.

spring1.jpg Bibliografia: * Mussendo – estória longa de cariz popular; Missosso – conto curto, de origem popular

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:38
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Segunda-feira, 24 de Julho de 2023
VIAGENS . 35

NAS FRINCHAS DO TEMPOUM CACTO CHAMADO XHOBA - Boligrafando estórias em cor antiga em terras de KHOISAN… Nos anos de 1999 e 2018… 

Crónica 3445 – 24.07.2023 

Por Namibia10.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

namib1.jpg Na descoberta de África, chegar aonde os outros não chegam e, a partir de Cape Town, rumei às longínquas terras do fim do mundo, terra do nada que na língua Ovambo tem o nome de Namíbia. O destino do Rundu na Owamboland estava a 2500 quilómetros mais a norte, fazendo fronteira com Angola pelo rio Cubango ou Okavango. O mesmo que vai desaguar não no mar, mas numa vasta área chamada de Delta do Okavango.

Cedendo a rogos do meu ego, não fiz mais do que executar um plano há muito preparado com Mapas do Cuco edições e mapas Guia Michelin, uma publicação turística destinada também a classificar restaurantes e hotéis; decidi-me a atravessar os grandes desertos do Karoo e Kalahári, na rota de fuga do povo Bóher, sempre para norte. No ano de 1999, fim do século XX, regimentava minha vida acumulando sentimentos de muitas dúvidas; hoje, estas mesmas duvidas aumentaram exponencialmente.

nauk01.jpgJá nesse tempo não se estava bem aonde se estava tal como o Variações, um cantor barbeiro e cabeleireiro que também sabia cortar palavras. Nesse tempo ser gay era uma afronta feia de maricas, hoje, até os que não são dizem ser, para ter acesso social!? E, têm-no na TV, no governo, no mundo da canção e o escambau e... Mas, o assunto é outro sem esse tal de orgulho LGBTIKW+.

Os sentimentos acumulados com angústias de permeio a fazer de talvegues ao jeito de formar rios e lagoas, foram aumentando e, agora até serão mares. Isso! Só que meus assobios tinham de ser dispersos no deserto, daquele aonde o vento faz mover montículos de capim seco, unhas do diabo que se encaixam algures brotando verdura com uns escassos pingos de chuva. Por este motivo cheirava a terra depois da chuva e, a partir da Cidade do Cabo fiz-me ao caminho.

naukluft0.jpg Levei a cabo a travessia desde Cape Town até à Cidade de Maputo, antiga Lourenço Marques. Passando por Windhoek, Walvis Bay, Victória Falls, Lago Kariba no Zambeze, Tete, Beira, Chimoio, Macia-Bilene e por fim Maputo. Voltei a repetir parte desta volta no ano recente de 2018, a qual ainda ando a digerir e escrever (tenho os apontamentos espalhados por aí...) mas, o desencanto levou-me a ver tudo mudado, para pior. Talvez, se a tivesse feito do meu modo, teria sido bem melhor; andar à boleia de quem diz conhecer tudo, dá nisto, contrariedades. Ferrei-me!

Percorrendo mais de treze mil quilómetros, perdido de amores por aquelas escaldantes terras, o sol esfregava a brisa assobiando cânticos quentes nos nossos rostos, também nos sonhos agrestes de sedução trazendo-nos a areia fina. Lambuzando-nos pelas narinas, flagelava-nos de braveza por vezes humedecida pelo mar até Knysna na Costa do Ouro, lugar aonde desviei para norte para ver as grutas de Kango Caves e, redescobrir assim primitivas vidas.

nauk3.jpgSeguiram-se outras terras até que parei em Upington, nas quedas de Augrabies em pleno rio Orange, o rio da integridade Bóher, rio dos sonhos e fugas aos Ingleses. Ali, no meio da neblina matinal por entre fráguas gigantes como as Moon Rock, no Augrabies Falls National Park. Nestas águas quentes revi o passado, pecúlio de quem nada espera, esperando...

Finalmente passando dias de sensação esfarelando o tempo em velocidades porque o tempo "ruge", cheguei a Twee Rivieren e Mata-Mata mais a norte, sitio seco, penedos queimados pelo sol dispersos na areia e uns tufos por aqui e ali, fronteira com o Botswana e Namíbia, um fim-de-mundo com khoisans (bosquímanos). Sitio ideal de aventura para se enterrar o passado. Foi aqui que encontrei esse milagroso cacto Xhoba...

(Continua Okavango e Calahári...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:19
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Sábado, 22 de Julho de 2023
VIAGENS . 33

MALAMBAS DAS FRINCHAS DO TEMPO – No Okavango River e o risco ou o rego que, por coisa pouca muda nossas vidas…

Crónica 3443 – 22.07.2023 -  MALAMBA: É a palavra.

Por okapi1.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

okakau1.jpg Se a vida é uma sentença com um princípio e um fim, não conseguiremos ouvir o grito da vida se sentirmos remorsos daquilo que não fizemos, ou daquilo que poderíamos ter feito; não podemos assumir a culpa dos pais, nem dos pais de outros pais. Na percepção parcial das vitais contingências, tecidas e compostas nas coincidências de que a vida é feita, encontraremos o rigoroso sentido do passado, por fortuitos efeitos que determinaram o futuro próximo e mais distante.

Cada um de nós foi o que foi por uma coisa pequena, que sem se lembrar do primeiro choro, outros choros se lhe seguiram e, como um risco feito no chão, nem sempre se escolheu dedo ou arado nem por onde fazer o rego que por coisa pouca mudou nossas vidas. Sem perder tempo com enigmas, aceitei o convite da Ana Maria para passear ao longo do Kavango até quase o Botswana a visitar rápidos e remansos das chanas deste, já com as águas do Kuito, águas escuras que vão inundar o Delta do Okavango.

okavango3.jpeg Um mar muito antigo a dar vida aos muitos N´dovus ou jambas que conhecemos por elefantes, entre hipopótamos búfalos e, outras variadas espécimes. Pela picada de macadame encrespada de ondinhas já para lá do Divundo, dos vários cuca-shops* e cola-colas dos chineses, passamos locais de kimbos dispersos e lodges junto ao rio como o Rainbow Lodge, Nunda River, Ngepi Camp, Ndhovu Safari, mas foi no Mahango Safari Lodge escondido no denso arvoredo verde e bem na margem do rio, aonde subimos numa barcaça…

Mesa posta supimpa, para as catorze almas e alminhas do clã Miranda degustarem um bem surtido e nutrido breakfast com iguarias de crepes e outras ternuras mais adultas. Já de regresso, de novo nos internamos numa sinuosa picada de areia a visitar um lugar já conhecido como Suclabo Lodge propriedade duma madame de nome Suzi mas, agora com o nome de Divava Okavango Lodge e Spa, cinco estrelas de “elegant style and luxury”.

miran01.jpeg Cumcatano, disse eu depois de pisar o paradisíaco sítio cheio de coisas “good” logo a seguir a cubatas feitas de barro e capim com dois por dois metros, e muito matutar de como caberia ali um par de gente sem os pés encolhidos. Eu, João, Bruno e seu tio Alemão Franz lá fomos em uma pequena balsa com motor à popa e um bafana enfarpelado de caqui, seu chapéu de carcamano do Divava, um surtido de águas, refrescos e cervejas na caixa térmica.

Entre margens de exuberante verde, altas árvores, chegamos á base dos rápidos do Popa Falls. Naquela turbulência e com nossas canas de carretos, zingarelhos e estralhos, amostras bizarras e bizarrocas, farfalhudas com penas ou reluzentes, atiramos e recolhemos, atiramos e recolhemos e, por aí, repetido sem nada pescar e, eis que o campeão João num truz recolhe um peixe tigre cheio de dentes pontiagudos aí com uns dois quilos que, foi tudo na soma da pescaria, um tigre e três nadas. 

miran02.jpeg E porque é vulgar dizer-se que os gestos não totalmente sinceros vão sempre atrasados, agradeci logo tais luxuriosas horas de lazer a Ana Maria e seus dois filhos quase carcamanos, mas com rusticidade na traça mirandesa, bragançana ou transmontana em seus sotaques, falas e cantorias. Soe dizer-se que todo o acto humano interfere com a vontade de Deus por mais insignificante que seja e, neste dia de Domingo, quatro de Janeiro do ano da graça de 2015 assim foi…

Só fui livre para poder ser castigado na míngua da pesca com um escassíssimo nada. Também nisto, não posso ter remorsos! Um dia de cada vez com encontros decisivos de nula ou muita importância, um simples dia de vida com rooibos tea and rusk bread, Windhoek lager, biltong bóher e bacorinho no espeto, assado pelo Thinus de Outjo, o mais genuíno carcamano bóher da família Miranda.

(Continuarei pelo Okavango – Terras do fim do mundo, Rundu em dialecto Ovambo…)

MIRAN1.jpg Bibliografia: Cuca-chopes: - Muito pequenas bodegas; vendas à margem das estradas que têem cerveja e bolachas já fora de tempo, Coca-Cola e fuba; Kavango: - Rio que faz fronteira entre a Namíbia e Angola, que deu o nome à região; Bafana: - natural da região, normalmente negro na cor; Zingarelhos e estralhos: - apetrechos de pescador; Rooibos: Chá de capim do Calahári; Bóher: de origem Holandesa saído da colonização da Companhia das Índias Orientais…

Nota:  Com um levado agradecimento à familia Miranda que no Divundo da Namíbia,me deram guarida grátis! Terra de xirikwatas, um pássaro que come jindungo - foi Dona Elisabette , recenteente falecida que  me deu ese conhecimento com o mais bonito riso  que  senti naquelas terrs do fim-do-mundo... Ao amigo Miranda um abraço XXL...

O Soba T´Chingange.



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:38
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2023
VIAGENS . 32
COISAS QUASE RECENTES – DE QUANDO TUDO COMEÇOU A RUGIR
-Tou??? Mariano Gaaago? É o Zé Sócrattes. Oh, pá, ajuda-me aqui …
NA ROTA DOS ZINGARELHOS ESTÓRICOS, SOCRATTES E O....MAGALHÃES…
Crónica 3442 – 21.07.2023
Pormaga01.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Amieiro do M´Puto

SACADURA2.jpeg Tou??? Mariano Gaaago? É o Zé Sócrattes. Oh, pá, ajuda-me aqui, porque o meu curso de informática foi tirado na Independente e o professor faltava muito. Estou a experimentar um destes novos computadores dos putos, o Magalhães, mas não consigo entrar na Internet! Estará fechada?

- Desculpa?....

- Aquilo fecha a que horas?
- Zé, meteste a Password?
- Sim! Quer dizer, copiei a da Maria de Lurdes.
- E não entra?
- Não, pá!
- Hmmm.... deixa-me ver... qual é a Password dela?
- Cinco estrelinhas...

ROXO133.jpg - Oh, Zé!.... bom, deixa lá agora isso, depois eu explico-te. E o resto, funciona?

- Também não consigo imprimir, pá! O computador diz: 'Cannot find printer'!
Não percebo, pá, já levantei a impressora, pu-la mesmo em frente ao monitor e o gajo sempre com a porra da mensagem, que não consegue encontrá-la, pá!
- Vamos tentar isto: desliga e torna a ligar e dá novamente ordem de impressão. Sócrattes desliga o telefone. Passados alguns minutos torna a ligar.
- Mariano, já posso dar a ordem de impressão?
- Olha lá, porque é que desligaste o telefone?
- Eh, pá! Foste tu que disseste, estás doido ou quê?

roxo117.jpg- Dá lá a ordem de impressão, a ver se desta vez resulta.

- Dou a ordem por escrito? É um despacho normal?
- Oh, Zé... Foooooodasss... Eh, pá!
Esquece.... Vamos fazer assim: clica no 'Start' e depois...
- Mais devagar, mais devagar, pá! Não sou o Bill Gates...
- Se calhar o melhor ainda é eu passar por aí... Olha lá, e já tentaste enviar um mail?
- Eu bem queria, pá! Mas tens de me ensinar a fazer aquele circulozinho em volta do 'a'.
- O circulozinho... Pois.... Bom... Vamos voltar a tentar aquilo da impressora.
Faz assim: começas por fechar todas as janelas, Ok?

maga03.jpg - Espera aí...

- Zé?... estás aí?
- Pronto, já fechei as janelas. Queres que corra os cortinados também?
- Fooodasss Zé....
Senta-te, OK? Estás a ver aquela cruzinha em cima, no lado direito?
- Não tenho cá cruzes no Gabinete, pá!...
- óóóóóóóóóóóóólha para a porra do monitor e vê se me consegues ao menos dizer isto: o que é que diz na parte debaixo do écran?
- Samsung.
- Eh, pá! Vai pró....ca…..
- Mariano?... Mariano?... 'Tá lá?... poooorrrrraaaa o que é que lhe deu?... Desligou.... divirtam-se
O Soba T´Chingange via N´Dalatando
 
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:55
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Segunda-feira, 17 de Julho de 2023
VIAGENS . 28

CASSOALÁLA - ANGOLA. Outros tempos

Crónica 3438 – 17.07.2023 - TEMPOS DA DIPANDA*

- Estávamos em Junho de 1975; tinha 30 anos de idade…

Por luua04.jpgT´Chingange – Em Cantanhede do M´Puto

luua01.jpg Cheguei ao M´Puto ainda a tempo de diligenciar junto ao hospital de Torres Novas a fim de tirar a dita cuja bala ao meu pai, num tempo que só o foi no posterior e no ano de 1997; o meu pai, “o Cabeças” tinha sido bem apetrechado de porrada no após rapto junto ao largo da Maianga, junto aos Correios pelos homens do Nito Alves, foi o que disseram e, parece mesmo ter sido combinação para mandar o velho kota branco meu pai, para a sua terrinha.

Mesmo passado algum tempo “o Cabeças” parecia o mapa-mundo em manchas de sangue pisado, havia pouco espaço por cobrir; deram-lhe um tiro no escuro, algures num sítio quase fatal e, desandaram deixando-o espernear por detrás do então aeroporto Craveiro Lopes ou de Belas e, como quase morto, assim ficou contornado de capim; arrastou-se toda a noite até que, numa picada e já de dia, uma patrulha mais governamental emepelista o levou para o hospital Maria das Pias.

Um hospital abarrotado de gente esperando tratamento em todos os espaços. Dizem as crónicas que morreram nesse então mais de 30 mil angolanos que, decerto, não seriam todos fraccionistas. O kota meu pai, pela descrição posterior teve por demasiada sorte em sobreviver no meio de tantos moribundos; obrigado doutor Boavida do Banco de Angola! Se não fosse o senhor metê-lo no avião ainda hoje estaria imaginando o seu estatuto vivente, envolto numa teia de dúvida entre os muitos abatidos no 27 de Maio de 977.

luua02.jpg Esta estória sem direito a “h” foi uma verdade a setenta e cinco por cento, com os restantes vinte e cinco, de inventação para suavizar o quase impossível ou inacreditável mas, eu continuei sendo o mano da UNITA do Kalakata da Caála; desconvocado da guerra, acantonei-me voluntariamente nos mugimbos do degredo da diáspora. Agora posso recordar de quando candengue, ouvir várias histórias passadas nessa terra inóspita, exigente nas suas relações, terrivelmente perigosa, mas simultaneamente atraente e amada.

Lembrar os comerciantes do mato, que viviam absolutamente isolados, originando a criação de alguns Postos Administrativos criados para disciplinar a soberania colonial. Que no tempo, foram surgindo estradas na forma de picadas que, pouco a pouco apareceram as carreiras mistas de passageiros e de carga depois do desenvolvimento de carros Ford, Chevrolet, Dodge e outras mais, como o Nash. Timidamente, a partir de 1920, o M´Puto já sem o Brasil independente já há 98 anos, viraram-se para ali - Angola, terra de onde nunca saímos em lembrança.

malamba1.jpg Havia as ligações com o interior a partir da costa mas, de ínfima ocupação humana a partir de Sá da Bandeira, Ambriz, Luanda Novo Redondo ou Moçâmedes. Era um problema chegar ao Huambo, atravessar o rio kwanza e de Benguela ao Humbe indo de carroça bóher, lá para as terras do fim do mundo numa eternidade. Só havia transportes lá de longe-em-longe para entrega de produtos, os necessários ao comércio tais com como enxadas, picaretas e ferramentas forjadas em Luanda ou na Metrópole chamada de M´Puto.

Mas, havia aventureiros funantes que se arriscavam a montar um boteco lá no cú de judas, levando sementes para suas lojas originando lavras; introduziram o milho e, com sementes de mandioca levadas do brasil começaram a fazer farinha de funje; levaram laranjas do oriente, abacates da índia introduzindo assim disciplina no uso e amanho da terra. Foram surgindo núcleos de gentios que permutando coisas com os funantes fubeiros mestiços ou brancos melhoravam sua maneira de vida. Ambos prosperaram trocando cornos de elefantes e mel com cachaça ou vinho do M´puto, viveres novos como o arroz a massa e a batata trazida do Peru.

lua51.jpegO negócio com o nativo era tão intenso que, essa rude gente rápidamente aprendia por necessidade seus dialectos. Mais tarde formaram Postos Administrativos, e com seus cipaios coordenavam as várias actividades; iniciou-se a cobrança de impostos de cubata e. outros que foram surgindo com o lento progresso. As administrações sem sobrecarregar a autoridade do reino do M´Puto geriam os lugares, os kimbos, as insipientes infraestruturas das povoações. Abriram Delegacias de saúde, centros de sanidade animal e novas linhas férreas.

pombinho5.jpg Glossário

Bandalheiros – sem ordem; Imbambas – coisas, bikuatas; maka – rixa, briga, barulho, confusão; emepelá – movimento popular de Angola; banguista - vaidoso, com estilo; camundongo - rato, natural de Luanda ou arredores; fubeiro – negociante de fuba, tasqueiro de mato em Angola; Pópilas – expressão de admiração; flor-de-congo – eczema na zona das virilhas, parecido com psoríase; esquindivado – escondido de forma fintada; caxinde – erva-do-chá príncipe (Angola); mugimbos – diz-que-diz, boatos, mexericos, conversa por conversar; NT – Nossas Tropas – Militares portugueses; kamba – amigo, conhecido de infância; Catetense – natural de Catete; cazucuta – que vive de expedientes, bandalheiro, dado a embustes; mabanga – bivalve; funje – farinha de mandioca; marufo – vinho, seiva de palmeira fermentada; bazar – dar o fora, fugir; haca! – Exclamação por admiração, espanto em Umbundo (generalizado por toda a Angola); T’ximbicando – acto de navegar com pau longo ou bordão, em zig-zag; candengue – criança, jovem; Porrada – pancada;

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:31
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2023
VIAGENS . 25
CASSOALÁLA - ANGOLA. Outros tempos
Crónica 3435 – 14.07.2023 - TEMPOS DA DIPANDA*
- Estávamos em Junho de 1975; tinha eu, 30 anos de idade…
Poraaa2.jpg T´ChingangeEm Cantanhede do M´Puto

arte3.jpg Metido em apertos, transpirando desaforos, entalado em imbambas, apanhei boleia numa GMC até Cassoalála. Uns pseudo militares do MPLA encostaram-nos à parede de uma casa em ruínas algures num lugar do Zenza do Itombe – nunca mais o esquecerei! Enquanto revistavam a camioneta, partiam tudo sem mais nem menos, nem porquê e, por querer. Senti ali a minha vida a correr para trás na própria marcha-à-ré; teria de me raspar na primeira distracção dos barulhentos guerrilheiros que fumavam Caricocos e AC de uma forma tensa, no intervalo ou por falta da liamba, maconha.

Os olhos daqueles improvisados tropas chispavam raiva demais e, não se entendiam nos conformes militares, ali havia maka! Encostado às ruínas, via o além muito mais próximo do que pretendia. Não quero morrer aqui estupidamente nas mãos duns desclassificados, pensava assim na tentativa de manter meu cerebelo irrigado com água fresca; ébrios militares andrajosos e todos com manias de chefe. Pópilas! O chofer, dono da GMC tremendo, não sei se de medo ou indignação vociferava: - Tomem o meu bananal, minhas imbambas, tudo o que me custou os olhos da cara...
 
Agora só quero mesmo levar o meu cabedal para o M´Puto, disse para mim na forma de muxoxo quase calado e entre dentes. E, ia mordendo a raiva com aqueles desclassificados militares. Por via e apatia dos Tugas, merdosos traidores, feitos vendilhões. Antes deste aperto e, ainda a caminho desta barragem chamada de controlo de bandalheiros, ele, o Senhor Alcobia foi-me dizendo num tom áspero: - Isto há coisas! As NT, esses do MFA do M´Puto, não sabiam (assim o dizem), que em Janeiro de 1975, (muito antes do 11 de Novembro), 20 instrutores cubanos a fim de treinar tropas do emepelá assentaram arraiais em Massangano... Aqui tão perto!?

guerra19.jpg Eu até que já tinha ouvido um zunzum mas, admirei-me de este Senhor Camionista saber destes detalhes ainda tão insipidamente conhecidos e nunca falados na rádio Oficial e Rádios Clubes espalhados por Angola. Entretanto nesse mesmo Janeiro, o MPLA, a UNITA e a FNLA assinavam o acordo de Alvor em Portugal.

Sabemos agora pela boca de Lopo do Nascimento, quase cinquenta anos depois, que seu Movimento não tinha alguma intensão de o cumprir. Pois, logo se veio a saber na penumbra da traição e mentira que em Junho desse ano de 1975 (muito antes do 11 de Novembro) eram introduzidos mais 600 cubanos na região de Cabo Ledo. Quanto a isto, segredo total das NT e Generais afins do MFA.
 
Também desta vez, debaixo da vigilância portuguesa – operação ultra secreta – Isto era demasiado recente para ser falado nesse então pelo Senhor Alcobia (camioneiro), mas agora, sabe-se que assim foi! E... foi-o, bem perto de Luanda! Se isto não é traição, o que é que se lhe pode chamar!? Bem! De momento eu, estava num aperto, não era agora a hora de pensar nos senhores de Lisboa do M´Puto e no que os russos, americanos e o povo mal informado de Portugal pelo seu MFA, determinavam

ARAUJO256.jpg Menos mal que apareceu em um jeep um mulato fintador, muito cheio de banga, com divisas de tenente, penteado de balas em diagonal que, de tão herói, destabilizou a guarda em curiosidade – tudo parecia um filme a preto e branco retirado do cinema, guerra do Vietname aonde ninguém parecia ter lido o texto a cena…. Estou lixado!

Quem sabe não seria este, também um candidato a ser outro “Monstro Imortal”, essa figura lendária da luta anticolonial que veio a morrer barbaramente torturado pelos seu pares e, executado com um garrote aplicado na cabeça mais tarde… Pois! Deixa para lá! Para mim este era o momento - A oportunidade surgiu nesta aberta de descomandada hierarquia, ordens e contra ordens e assim num repentinamente, esgueirei-me por entre um bananal.

guerra1.jpg Glossário

Bandalheiros – sem ordem; *Dipanda: acontecimentos sociais e politico militares após a independência dada a 11 de Nov. de 1975; Imbambas – coisas, bikuatas ; maka – rixa, briga, barulho, confusão; emepelá – movimento popular de Angola; banguista - vaidoso, com estilo; camundongo - rato, natural de Luanda ou arredores; fubeiro – negociante de fuba, tasqueiro de mato em Angola; Pópilas – expressão de admiração; flor-de-congo – eczema na zona das virilhas, parecido com psoríase; esquindivado – escondido de forma fintada; caxinde – erva-do-chá príncipe (Angola); mugimbos – diz-que-diz, boatos, mexericos, conversa por conversar; NT – Nossas Tropas – Militares portugueses; kamba –amigo, conhecido de infância; Catetense – natural de Catete; kazucuta – que vive de expedientes, bandalheiro, dado a embustes; mabanga – bivalve; funje – farinha de mandioca; marufo – vinho, seiva de palmeira fermentada; bazar – dar o fora, fugir; haca! – Exclamação por admiração, espanto em Umbundo (generalizado por toda a Angola); T’ximbicando – acto de navegar com pau longo ou bordão, em zig-zag; candengue – criança, jovem; Porrada – pancada;
(Continua…)
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:41
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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