Terça-feira, 29 de Novembro de 2022
KWANGIADES .XXXVI

ANGOLA DOS MWENE-PUTO (M´Puto)

KUKIA DA VIDA - Crónica 3308 – 29.05.2022 – Republicada a 29.11.2022 em Lagoa do M´puto

Kukia é o nascer ou por do sol

Por araujo158.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Lagoa do M´puto (M´Putulândia)

amigo da onça.jpg Diáriamente, sempre vai haver escolhas a fazer; elas podem determinar nossa felicidade aqui, no futuro ou no álem. As escolhas que fazemos hoje, mesmo já sendo kotas, são vitalmente importantes e contumazes. Os amigos que escolheu e ainda escolhe, a todo o momento explodem na singularidade dum extraordinário proceder ou de pensar. Tudo terá muito a ver com sua vida tornando-a um esplêndido crepúsculo ou um velho celeiro sem graça; por vezes, muitas vezes desilude-se deste e daquele mas, é forçoso continuar a fabricar amigos, mesmo que num repente fiquem amigos da onça…

Os amigos podem levá-lo a concentrar-se naquilo que é passageiro, ou conduzi-lo para mais perto de coisas vaidosas e até fúteis. Todos os dias você precisa escolher entre o nascer e o pôr-do-sol - a KUKIA DA VIDA. Ontem eu, o Santos e o Eduardo Torres reunimo-nos no meu Pátio Andaluz para se falar de coisas e até comer algo entre os intervalos das falas, melhor, gritando como moucos. A pilha do ouvido direito do EDU pifou (o esquerdo já pifou, faz tempo…) e num repentemente tivemos de aumentar os decibéis e, o vozeirão decerto incomodou meu vizinho Lestienne, um francês de França, macambúzio como meu ex-cão Columbo…

silva00.jpg Como sempre nossa conversa de boi dormir, resvalou como sempre para as coisas de áfrica. Queiramos ou não, nós saímos d’África mas, África nunca saiu de nós! Pois, falo de Angola. A gente dá voltas e divaga, deita conversa fora mas, sempre iremos parar naquele item rasgado no tempo. A verdade, nunca o é de valor absoluto mas, na relatividade da afirmação o peso desta vem de quem a prefere num determinado tempo e, desta feita descarreguei nos meus amigos coisas do tempo do Carcamano com expedicionários, funantes, sertanejos e até negreiros.

Assim, contornando medrosas angústias, febres palustres, água estagnada, jacarés do Panguila ou do Cunene, exigiram-nos esforços na consolidação dum país que não pode ser nosso por via de coisas merdosas e, porque estávamos condenados ao esquecimento pelos governantes de hoje misturados com os idos e também estadistas emudecidos da cabeça; gente do M´Puto metropolitano e de Angola. Um Ex-combatente de Angola sofre agora de estresse de guerra; cumpriu o serviço militar sem saber até que tinha os pés chatos e agora a adicionar muitas mais mazelas à idade, vê-se à rasca com uma reforma de cacaracá…

araujo160.jpg CA - Angola ganhou condição de país quando na embala de Belmonte, Silva Porto, com 72 anos de idade se imolou envolvido à bandeira Portuguesa; isto foi muito antes de o arrastar da bandeira do M´Puto por muitos lados e pisoteada por gente que virou governante. Enquanto isso os resistentes daqueles tempos lambem as feridas de catanas ou G-três da história. Silva Porto desrespeitado pelo soba N´Dunduma, "O trovão", meteu-se numa barrica com pólvora e queimou-se - outros tempos! Em 11 de Novembro de 1975 concretizou-se um país cujas fronteiras foram delineadas por estes combatentes paulatinamente desprezados no tempo.

A maioria dos combatentes, fizeram o seu serviço em dose de camelo; viram morrer camaradas, ficaram apanhados do clima, mosquitagem, jibóias, gorilas e sanguessugas dos pântanos. Recalcados de tanta injustiça, perderam o medo naquelas florestas, chanas, e anharas, numa Angola tão rica e tão ingrata. Defenderam e mataram gente, construindo novas coisas, impondo regras sociais para conservar tal espaço.

E, foram Fiotes, Quiocos, Quimbundos, Umbundos. Hereros, Ganguelas, Muílas, Mucubais e Bosquímanos que, mudaram de alguma maneira o modo de estar dos magalas de Mwene-Puto; e tantas guerras para desenhar um mapa cor-de-rosa que nunca o chegou a ser, para nada*... Quantas mortes! O Mapa-Rosa africano começou a ser desenhado em 11 de Julho de 1890 com as campanhas de submissão do sobado do Bié e, passados 85 anos, em 11 de Novembro de 1975 concretizou-se um país cujas fronteiras foram delineadas por estes combatentes paulatinamente desprezados no tempo.

araujo174.jpg CA - Aquele chefe "O trovão", veio a sofrer represálias a 9 de Dezembro de 1890 por parte de Artur de Paiva, Paiva Couceiro e Teixeira da Silva- os Mwene-Puto com a ajuda do povo Ovibundo governado então pelo rei Ekuikui Segundo. Daí as boas relações com o povo do Bailundo que perduraram após esses 85 anos. Paiva Couceiro, foi em verdade o último sertanejo a percorrer as terras do fim do mundo, no Cuando - Cubango, Mucusso, Cuangar, Dírico e Sambia. Parece mentira mas, é verdade! Ao soba de Sambia de nome Palata de Massaca foi dado o nome de D. António Maria de Fontes Pereira de Mello, ao soba do Aimalua do Cuangar foi dado o nome de D. Luís Bondoso Pinto Ribeiro e Montes Claros e, N´Hangau do Dirico ficou a chamar-se D. Afonso Enriques de Aljubarrota Atoleiros e Valverde. Tudo o resto foi tempo perdido, Aos combatentes de ambos os lados ficou esta recordação como contentamento! As minhas falas de ontem foram mais que muitas caindo sempre no mesmo – Angola, Aiué…

*Nada: A complementar a Teoria do Nadismo; Carcamano: tempo de funantes e expedicionários no lidar com um filho de soba do Planalto Central revoltado, com esse nome; palavra castelhana carcamano, que na América Latina denota "pessoa decrépita"…

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:40
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2022
N`NHAKA . XXIII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . IX

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3307 de 27.05.2022 (45 anos depois da morte de mais de 30.000 Nitistas – a matança)- Republicação a 28.11.2022 na Lagoa do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por n´tundo3.jpg T´Chingange – (Otchingandji)

n´tundo1.jpg Em terras de matrindindi! Matrindindi é uma carocha de perfil pré-histórico, talvez um normal insecto coleóptero do género do escaravelho, só que este é muito mais extravagante, de cor escura, dorso azul e com muitos picos e patas longas; mais parece obra duma formatada bruxa ruim promovida a grilo, salvo seja. O Land Rover do Cadinho do Sumbe, pisava-os sem alternativa, eram muitos a passear descuidadamente na picada, sucedendo-se os estalos como o de castanhas a rebentar ao calor do fogo. 

Era suposto falar hoje do 27 de maio de 1977 mas o tema ainda é “quase tabu” em Angola, desconhecido por muito jovens e, porque não quero hoje tocar em coisas nefastas vou passear pelos matos; o que mudou mesmo foi o ressurgir de novas formas de roubar ao erário público destroçando paulatinamente a economia angolana, levando o povo ao desemprego, usando formas tristes de rebuscar nas lixeiras os desperdícios dos ricos que mantêm o sistema…

A serra do Chamaco via-se ao longe como teta saliente na cordilheira e, no caminho de Seles com uma vasta região de floreta de espinheiras, acácias de picos medonhos, babosas, newas, matebas, uma ou outra cassuneira, lengues, lungwengué da qual se fazem cordas de muita resistência. Em terras e N´Gunza Kabolo, soba antigo que deixou bom nome, avançamos pelo matagal, por onda a guerra se fazia sentir escassos meses atrás; a comprovar lá estavam as carcaças enferrujadas de camionetas, machimbombos, Ifas e Urais de fabrico russo.

n´tundo4.jpg Calcorreando desvios, contornando maboques, upapas e lenwenue de bagas curativas das feridas de matacanhas, cheiramos a braveza da natureza a contornar o rio Lua e o Caçosso com n´nhacas de belas hortas até se chegar ao rio Cubal. Não vi os macacos pulando entre as bimbas, coisa normal de tempos idos mas, que a guerra decerto os fez correr para não serem comidos.

Havia sim goiabeiras mangueiras e gajajeiras que ainda serviam para alimentar as acantonadas tropas da UNITA. Num tom de saudosa lembrança a voz esganiçada de Vitória* tipo cana rachada fazia-se ouvir: Vou ti bater minina; pertencente à OMA – Liga da Mulher Angolana afecta ao MPLA foi sobrevivendo com o slogan de victória ou morte; ali estava ela anafada e impregnada de bolunga feita em álcool de caporroto, de casca de banana, mandioca ou batata mas, no entanto lembrava-se das tareias que levou por causa da menina Dina, filha do patrão Cunha.

caatinga2.jpg Um grande abraço selou a saudade, daqueles tempos em que perseguiam os macacos e metiam matrindindes em frascos de nescafé. Isso de quando iam apanhar minhocas do rio Caçosso colocando-as em latas de leite Nido para o tio Francisco ir à pesca lá na foz do Cubal. Apanhamos sape-sape (graviola) tirando deles as sementes, dispusemos em uns frascos de azeitona para plantar no M´Puto e também umas melancias gentias chamadas de tanga – vi estas em grande quantidade quando andei pelo Kalahári…

Os Bushmen usam-nas para fazer o “Kalahári thirstland Liqueur”. Aqui usam-nas para fazer de xuxú nos variados cozinhados: aproveitamos trazer uns cambungues (papaia) e ukeluá-muflé – folha de abóbora para fazer esparregado e, no regresso junto ao Caçosso apanhámos as tais bagas vermelhas que no tempo passado servia para colar os selos nas cartas - por isso ainda as conhecemos por árvore da cola. 

matrindindi00.jpg Da aldeia do Caçosso só existiam ruínas (não vem no mapa) mas, a mulembeira ainda lá estava, menos imponente porque a cortaram parcialmente. Dali seguimos até ao Cantinho do Inferno; o porquê deste sítio se chamar assim deve-se ao facto de numa baixa pantanosa as camionetas mercedes, chevrolletes, magiros e Fordes ficarem ali atascadas dias e dias na via que vinha do Planalto Central. A escassos quinhentos metros lá estava a casa mãe da fazenda de algodão (em abandono) que dava guarida a todos aqueles camionistas que por ali vinham com suas cargas e, ali tinham parada forçada pela chuva e atoleiro. Cantinho do Inferno, funcionava pois como pensão, restaurante e a boa-atenção do Patrão Cunha (Já falecido) …   * Nota: Vitória, entusiasta da OMA, morreu encharcada em cachaça no ano de 2004 - dois anos após esta odisseia…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)        

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:01
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Domingo, 27 de Novembro de 2022
KALUNGA . XXXV

KIANDA COM ONGWEVA - XX de várias partes…

– Crónica 3306 de 21.05.2022 – Republicação a 27.11.2022  em Lagoa do M´Puto

MUXIMA NAS FRINCHAS DO TEMPO - Falar do futuro, até para as kiandas é tabu…

Ongweva é saudade

Por  roxo3.jpg T´Chingange (Ochingandji)Em Arazede do M´Puto

roxo225.jpg Falar do futuro, até para as kiandas é tabu - metem-no em sapatos quedes envolto em meias já debotadas e assim abandonados ali ficam na poeira do tempo como se estivessem arrumados num canto da arrecadação. Aos comuns viventes não se pode transmitir o amanhã, só o agora, lei básica da vida; caso contrário aparecem uns lacraus vindos do álem, misteriosamente oxorizados (coisas de Oxor). O Universo tem regras que por mais que queiramos, não estão ao nosso alcance engravidá-las. É aqui que surgem os mambos longínquos com soldados Mafulos, por via das falas da Kianda Januário Pieter também este, tio tetravô de Roxo, nascido às margens do lago Niassa, um meu antiquíssimo patrício…

E, os mambos de Januário, o Pieter, nem sabermos como, quando e aonde ia, ou vai buscar tantas falas sem medo de gastar seu reservatório das magias como se houvesse lá na cuca-armazém, uma fábrica de empacotar chwingames; fala do tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda, n´gwetas e dos desentendimentos com a rainha N´Zinga, mais outros personagens do distante Kongo do Zombo, das terras de Kassange e da Matamba…

roxo223.jpg Parece que neste entretanto vazamos para outro lado que não era o tal de Museu do Prado. Estávamos no centro da antiga Madrid da época da Casa de Habsburgo em la Plaza Mayor, ladeados por pórticos. Nas proximidades ficavam o barroco Palácio Real mais o Arsenal Real, que exibe armas históricas mas, nem sei como do nada transladamos para aqui! Quem se mete com kiandas fica kiandado ou oxorizado.

O velho Januário Niassalês o tio das manas, descreve as festas axiluandas de então com kimbandas e t´chinganges pisoteando a terra, levantando poeira de encorajar kotas, jagas, sobas e m´fumos que iam chegando em alvoroço dos Dembos e de lá mais além do Kassange. Como se ali estivéramos senti que iam passando cabaças com malavo de cassoneira e, a cada grito dado pelos dançarinos guerreiros, o povo em uníssono gritava kwata mwana-pwó, kwata mwana-pwó. Arrepiei-me com medo como num repentemente estivesse rodeado de jacarés do kwanza, amarelados de muxima, pode!?

roxo224.jpg Era a preparação duma guerra contra os Tugas n´gwetas entrincheirados em Massangano por ordem dos Mafulos Holandeses. Morgan Tsvangirai o pai de Roxo ficou avençado pelos Mwana-Pwós com o posto de tenente de segunda linha; mandava os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de manutenção e limpeza ao forte, zelar pelos n´dongos de pesca e translado de coisas para a Kissama e das patrulhas de soberania aos mares parados com lagoas até o Morro dos Imbondeiros e dos Elefantes da Maianga e Samba. Também tinham a caça e a pesca ao seu cuidado.

Assim transladado naqueles tempos vi M´fumos; iam chegando aos poucos como emissários da rainha N´Zinga M´Bandi da Matamba e do rei do Kongo Garcia II que, embora sendo cristianizado pelos Portugueses, com eles andava desentendido após a chegada dos Mafulos. Teriam estes prometido a eles poderes maiores com auxílio de armas do tipo de canhangulos ou pederneiras. Eram preparativos duma união para fazerem o grande e final assalto a Massangano. Só podia ser!

Naquela fortaleza os Tugas resistiam aos holandeses tapando-lhes as vias de comunicação ao mercado de escravos lá do interior fazendo emboscadas ou tocaias usando azagaias venenosas, um método aprendido com os índios do brasil, uma cana comprida que depois de soprada, dela saia um dardo mortífero. Por isso aquele mato metia demasiado medo aos Mafulos. É aqui que entra o Senhor Maurício de Nassau que desde o Recife Brasileiro mantia o negócio das peças m´bikas para os seus engenhos de assucar.

roxo215.jpg Neste arraial com a vida acontecendo muito de repente Redufina Kabasa mãe negra da Kianda Roxo estremava-se ensinando a sua filha maneiras de comportamento e era vê-la brincar com candengues brancos e pardos no átrio da missão! Bem cedo se destacou nas habilidades de colorir os jogos de desenho, os riscos da cabra cega; qualquer argila era motivo para dali sair pintura ou escultura bem à moda dos trabalhadores de talha do pequeno altar da igreja da muxima!

Ilustrações de Assunção Roxo

Glossário: Kianda: Calunga, fantasma; Muxima: saudade, lugar de romagem; quedes: sapatos de pano; da macambira; Mafulos: Holandeses; Mambos: Atitudes, procedimentos; Cuca: cabeça; Chuingame: pastilha elástica; N´gweta: branco; axiluanda: nascido na ilha de Luanda; Kimbanda: Médico tribal, curandeiro;  T´Chingange: feiticeiro, secretário e cobrador do rei ou Mwata; malavo: vinho de palmeira; M´fumo: chefe da aldeia; Cassoneira: tipo de palmeira ; Kwata: agarra, Mwana-pwó: pombeiro branco, sertanejo, colonos; antigos taberneiros brancos; M´bika: escravo; N´dongo: canoa; Kissama: reserva animal, lugar com animais selvagens; Canhangulo: arma artesanal, de carregar pelo cano; Kiandado: enfeitiçado;  Oxorizado: virado do avesso, vaporizado…  

(Continua com “fricção”…)

Por: Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:43
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Sábado, 26 de Novembro de 2022
GUARARAPES - 6

A SAGA DO AÇÚCAR – AS AGRURAS DE OLINDA COM OS MAFULOS

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA

Crónica nº 3305 de 19.05.2022Republicação a 26.1.2022 em Lagoa do M´Puto

Por araujo 29.jpgT´Chingange (Ochingandji)Em Arazede do M´Puto

A figura pública de Figueiroa, revista como herói na tomada de Pernambuco -  Brasil

matias20.jpg  Matias de Albuquerque, 1° Conde de Alegrete, nasceu na Vila de Olinda, sede da Capitania de Pernambuco, no Estado do Brasil, da qual seu irmão era donatário, na última década século XVI.

Em tempo de D. João IV. Este monarca, deu ordens a Figueiroa que recrutasse 500 infantes da ilha da Madeira e Açores para tal envolvimento militar em terra de Pernambuco… Determinou aos oficiais de primeira linha fidalga, que “a gente vadia, ociosa, e de pouca utilidade à Coroa, fossem arregimentadas e levados à luta do Brasil” porque “ He grande o aperto e necessidade daquelle estado”. Convém dizer-se que não é verdade que o reino se tivesse esquecido dos revoltosos de Pernambuco; o que sucedeu foi de que não se tinha reunido toda a diplomacia para ter sucesso e só reactivou à pressa após Inglaterra* ter declarado guerra à Holanda.

Aqui D. João IV actuou rápido em força e a todo o custo sobrecarregando o povo em taxas de guerra adicionais. O açúcar fazia-lhe falta para custear tudo isso e ainda salvaguardar as fronteiras Ibéricas da impetuosidade dos vizinhos Castelhanos. Em 1647, Francisco de Figueiroa chega à Bahia. Em 4 de Agosto de 1648 reúne-se às tropas sob o comando de Francisco Barreto de Pernambuco e, é a 19 de Fevereiro de 1649 que toma parte na segunda batalha de Guararapes com o posto de Mestre-de-Campo do seu terço de guerra.

matias21.jpg Francisco Barreto, após aquela grande batalha, escreveria ao rei a 11 de Março de 1649 enaltecendo os três Mestres-de-Campo, Vieira, Figueiroa e Vidal da seguinte forma: - “Procederão com tão assinalado valor que depois de Deus, foram eles a causa de alcançar vitória pelo que merecem as mercês que justamente podem esperar tão “leaes vassalos”, por seus merecimentos”.

Figueiroa, tendo sido soldado, capitão, almirante, governador de Cabo Verde, ouvidor em Angola e Mestre-de-Campo na batalha de Guararapes, por rogo seu foi designado de fidalgo com a comenda da Ordem de Cristo depois das formalidades das “provanças” para a sua admissão na Ordem de Cristo e, após a consulta da Mesa da Consciência e Ordens o ter aprovado a tal merecimento. Coisas tiradas a ferros, sabe-se lá do porquê!

Recorde-se que em 1630, tropas mercenárias da Companhia das Índias Ocidentais invadem a capitânia de Pernambuco dominando toda a região do Nordeste do Brasil por vinte e quatro anos, ou seja, até ao ano de1654. Insatisfeito com a situação, os naturais da terra sob a liderança de João Fernandes Vieira, um senhor de engenho, nascido no Funchal, inicia em 1645 a reconquista do território devolvendo-o à soberania Lusa em 1654.

matias23.jpg Em Olinda sede da Capitânia de Pernambuco governava Matias de Albuquerque; este, procurava concertar os esforços da defesa no porto de Recife só que, o General Mafulo Theodoro Waerdenburch, seguindo o plano traçado com os mandatários da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, desembarcou suas forças na praia de Pau Amarelo a Sul do Recife num total de 3000 homens. Marchou sobre a vila de Olinda tendo vencido Matias de Albuquerque no combate de fogo à Vila de Olinda queimando nobres edifícios avaliados em milhares de cruzados.

Matias de Albuquerque, perante tamanha força, impossibilitado, e de coração esfrangalhado retirou para o lugar de Capiboaribe a uma légua de distância do Recife, fortificando o sítio com 4 peças de canhão e 200 homens de armas. Inicia-se assim a guerra da resistência pernambucana com a fundação da Arraial do Bom Jesus aonde permaneceram por cinco anos utilizando tácticas de guerrilha aprendidas com os indígenas (Índios da região)...

bruno27.jpg Naquele Arraial do Bom Jesus, compareceram com seus comandados, Luís Barbalho, Martins Soares Moreno, Filipe Camarão com seus índios e Henrique Dias com seus negros quilombolas resolutos a manter uma guerra de vinte e quatro horas por dia no espírito de todos com um sentimento nativista. Mas, entretanto há o revés de em Abril de 1632, Domingos Fernando Calabar, um mestiço cazucuteiro, dado ao embuste, com o desprezo dos demais, é acusado de contrabando, passando-se assim por acossado para o lado dos invasores Mafulos…

NOTAS: *INGLESES – observe-se aqui a interferência desta nova potência na Europa e Globália, estabelecendo regras de fiscalização DESDE ENTÃO aos demais países entre os quais PORTUGAL, que sempre manteve subserviente aos sus caprichos e, ao longo da história

 (Continua…)

O Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:56
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2022
MUJIMBO . CXXIX

ANGOLA – TESTEMUNHO DE ESTÓRIAS ANTIGAS... MICONGE VELHO, CABINDA

- Acreditei que estava a participar na revolução angolana - de 2 Partes

Crónica 3304 – 17.05.2022 – Republicação a 25.11.2022 na Lagoa do M´Puto.

Por  CABINDA2.jpg Soba T´Chingange em Arazede e Lgoa do M´Puto

CABINDA3.jpg Estávamos em 1968, em Maiombe de Cabinda. O alferes Martins das operações Especiais transparecia empatia logologo ao primeiro contacto. Sua pele mestiça indicava o quanto tinha de mazombo a condizer com nossas condições de singularidade, filhos de colonos. Nos seus crioulos procedimentos referia seu pai lá das terras de Barroso atrás dos montes no norte do M´Puto; sua mãe caluanda e descendente das gentes da Matamba, era também referida com orgulho envaidecido nas linhagens de nobreza N´Zinga em nossas conversas; nobreza que a administração colonial dissipou nos tempos após a rebelião de Mandume entre outros kaparandandas do Mu Ukulu (gentes do antigamente)… 

E, porque sua mãe era quase minha vizinha pois que morava fronteiras meias entre a minha rua da Maianga e o quase musseque de Catambor e muito perto até do colégio aonde andou antes de mim, João das Regras e também do mercado de Martins e Almeida – Martal. Este facto foi motivo de conversas a promover empatia repentista entre a guerra e seu transcurso. Este alferes Martins, veio acompanhado de mais três especialistas em tiro curvo de morteiro e bazuca com mais uma macaca Cheeta chamada de Grafanil.

CABINDA5.png A Cheeta talvez porque tenha sido nascida em um quartel com este nome de Grafanil, ganhou fama no Centro de Instrução de Comandos de Luanda e, como fiel companheira do alferes de Operações Especiais, destacou-se em operações ao lado de seu dono, instrutor e também fiel inseparável militar excêntrico. Desta feita e no lugar de Miconge*, antiga Administração do Sanga Planície; desconfiei haver maka a resolver por perto com o rótulo de “extraordinariamente secreta”.

Fiquei a saber que Martins, sempre era acompanhado em operações conjuntas com ex-turras designados de TE´s e GE´s- Tropas e grupos especiais que lidavam em Cabinda e Leste respectivamente. Fiquei a saber que a Cheeta “Grafanil” era perita de esperta, dom natural em antever perigos, detectar barulhos estranhos e cheirar à distância a catinga de guerrilheiros arregimentados nas clandestinas picadas do Maiombe e outras matas de Congos e Zâmbia…

Que eu saiba só ele Alferes Martins tinha uma autorização do Alto Comando Militar para se fazer acompanhar aonde quer que o fosse de uma macaca gorila, um primata selvagem (embora treinada…); vai daí, ficando curioso, observei Martins ter-se reunido com o Chefe Jorge dos TE´s. Ao final do dia foi-nos dito que a segunda secção do segundo pelotão e a quarta secção do quarto pelotão iriam fazer uma patrulha com este Oficial de operações especiais.

cabinda8.jpg O outro dia chegou e, ficamos em pulgas com as explicações caindo a conta-gotas para estas duas Secções. Eu, Furriel Mike comandaria a minha secção a quarta do quarto pelotão. Creio que esta decisão partiu do excêntrico alferes pois que curiosamente, éramos: a 2ª Secção do segundo pelotão (Furriel Liló, mestiço de Luanda…) e, a 4ª Secção (Furriel Mike, mazombo Niassalês de Luanda…) do quarto pelotão. Feita uma análise, os comandantes, eramos todos, os intervenientes da incorporação de Angola (Província).

O saber: - 1 Oficial de Luanda, 2 secções de ex-turras TE´s - Cabindas, 3 especialistas em tiro curvo e bazuca de Malange e nós, Mike e Filó, comandantes de Secção da Luua… No dia seguinte fomos dormir todos a Miconge Velho, lugar encostado à fronteira e tendo até ali bem peto um marco em ferro colocado por Gago Coutinho quando em tempos idos se marcaram os limites do território enclave de cabinda e, segundo o Tratado de Simulambuco e outros dois adstritos a este… Foi já aqui que o Alferes Martins explicou a todos como seria feita a operação com todos os detalhes: Eu, Mike ficaria em um lugar de encosta a cobrir a retaguarda e fuga ou retirada com os 3 peritos de Malange que tratavam por tu os morteiros e bazuca. Filó ficaria no sopé do morro e na picada de acesso à estrada principal aonde se faria a emboscada. Martins e Jorge dos TE´s fariam a emboscada no meio do capim alto ao longo do caminho e por onde chegaria a malta do MPLA para fazer investida ao quartel de Miconge em Sanga Planície…   

fig3.jpg Aconteceu: Naquele outro dia e no caminho que conduz a Dolizie (Congo Brazaville) o Alferes Martins e seus, nossos homens das NT fariam essa emboscada ao movimento que agora luta contra os Fiotes da FLEC; Os mesmos que ainda não atingiram a sua independência. Após aquela emboscada que originou catorze mortes do lado do inimigo MPLA, os dias que se seguiram foram de música empolgada relembrando até o Che Guevara. E, formam uns quantos dias a seguir choros de música fúnebre na emissora de Brazza… Não mais se levantaram depois desta façanha com o Alferes Martins e a Nossa Gente; correu tudo bem e sem baixas! A retirada foi rápida e ainda posso cheirar, 54 anos depois e ouvir aquela azáfama de guerra. De nada valeu, pois foi logologo e após o VINTICINCO que a NT – Nossas Tropas (Do M´Puto) o primeiro quartel a entregar-se ao inimigo! MICONGE ficará na estória por este feito, esquecendo aquele outro de 54 anos antes…

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*Miconge: - Fronteira Norte de Cabinda perto do Dinge, o primeiro quartel a entregar-se ao MPLA pelas forças do M´Puto após o 25 de Abril de 75, lugar aonde a tropa do M´Puto entregou as Gê-três e botas aos guerrilheiros por ordem do Rosa Coutinho (O Vermelhão).

O 25 de Novembro de 1975 no M´Puto: A Crise de 25 de Novembro de 1975 foi uma movimentação militar conduzida por partes das Forças Armadas Portuguesas, cujo resultado levou ao fim do Processo Revolucionário em Curso - PREC e, a um processo de estabilização da democracia representativa em Portugal. Wikipédia

(Continua… 2ª Parte de Miconge Velho…)

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:09
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Sábado, 19 de Novembro de 2022
N´NHAKA . XXII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . VIII

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

“Angola, quanto tempo falta para amanhã?” Escritos antigos - Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi - 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3299 de 12.05.2022 – Republicação a 19.11.2022 na Lagoa do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por kota0.jpg T´ChingangeEm Arazede de Coimbra do M´Puto

roxo201.jpg Passando o dia nas quedas da Binga e já quase noite, retornamos ao Sumbe, a casa do Sr. Pais da Cunha, pai de Balbina, nosso anfitrião e sogro do Jimba; pela noite teríamos os jogos do Mundial de Futebol 2002. Situada na rua da Resistência, sector impar; o kota Pernambuco estava nos fundos do quintal queixando-se de dores e tremuras - tudo indicava que fosse paludismo, tomara! Dormia ali no relento da sacada no anexo.

Pernambuco, sempre foi um dedicado serviçal mas, agora a idade tornou-o corcunda mais propriamente depois de ser submetido a uma intervenção no hospital de Luanda por pseudo médicos cubanos. A vida por ali andava testada no fastio de sem cerimónias de consciência, andava muito próximo da morte como se assim o fosse coisa normal. Este comportamento social estava muito mudado para pior e em relação aos anos que por ali vivi e até o 13 de Agosto de 1975, quando da minha saída na ponte “Lualix”.

piram3.jpg Disse cá para mim nessa altura, que se calhar não voltaria a ver o kota Pernambuco e, em verdade, morreu pouco tempo depois envolto creio numa apatia de deixa andar para ver como fica, quando se sentia já o cheiro do além ainda em vida. Quando me lembro ainda fico triste. Jimba, marido de Balbina veio a morrer tempos depois e, após ter andado a ser tratado nos hospitais do M´Puto mas seu destino aligeirou-se entre fragilidades, fraquezas de coração e das bichezas cancerígenas…

Aquele velho de nome Pernambuco que tanto se dedicou lá na cozinha do Cantinho do Inferno, anos e anos a fio fazendo comezainas de gente fina como lagosta suada entre outras maravilhas pantagruélicas, ali estava que nem um enjeitado, definhando-se nas carnes dia após dia sem uma atenção mais esmerada pelos circundantes; aquela falta de atenção pelos demais fez-me ver a cruel postura da vida naquela angola acabada de sair da guerra dos misseis monacaxitos.

mirangolos.jpg Apercebi-me que a morte chegava mais rápido ali do que em outro qualquer lado, coisa de pensamento ainda envolto naqueles tempos em que a Novo Redondo se chamava “o cemitério dos brancos” e sem aquela atenção dos demais, a morte já vulgarizada de comum como se assim fosse uns continuados descuidos de humanidade que num repentemente levou Pernambuco… Lá naquele quintal, vou continuar a vê-lo na insignificância dos fundos, para sempre. Mas e agora, o casula Xingu e a Fati também estavam com indicio de febre; foram ao hospital e deram-lhe medicação para a febre tifóide. Tive dúvidas de ser isso e, creio terem-lhe dado este medicamento pelas águas insalubres do rio Cambongo.

A febre tifóide é uma doença infecciosa, transmissível e desencadeada pela bactéria Salmonella Typhi. Isso deixou-me na altura preocupado pelo que beber água só mesmo engarrafada. A doença, que apresenta gravidade variável, está relacionada directamente com as condições de saneamento básico em uma região e com os hábitos de higiene de cada indivíduo. Assim sendo, sua incidência é maior em áreas associadas a baixos níveis socioeconómicos, ocorrendo num maior número de casos nas regiões quentes e sem o devido tratamento.

mocanda9.jpg Numa destas noites Chiquinho saiu a ver novidades pelas ruas mal iluminadas do Sumbe e ao chegar teve a expressão: o holocausto está escuro! Nas noites que ali permanecemos, o galo do vizinho Cadinho cantou a todas as horas ímpares, começou à uma e terminou lá pelas cinco da manhã. Com o calor a apertar de noite tive de me levantar e banhar-me com o caneco de esmalte e, espreitando lá para o quintal do Cadinho pude localizar o galo cantor no meio de uns carros desarranjados com os motores descarnados, vielas soltas com os pistões a servir de varas aos galináceos, restos de geleiras, fogões e corotos vários todos caiados de neve saída dos galináceos, perus e patos…

Pude também ver já com o dia a despontar, no meio daquele conjunto de estralhos e zingarelhos o esqueleto de uma máquina de costura Oliva entre outras imbambas misturados com as baterias, cambotas, restos de macaco e chatarra de pneus, motores de arranque com muito fio enrolado em cima de uma mesa escura de óleo queimado, esqueletos de motorizadas e bicicletas e até um said-car. Também havia um fogão desmantelado, uma geleira que fazia de prateleira a latas besuntadas de óleos a granel. Enfim, todas as imbambas a um qualquer momento davam jeito e tanto que, em um dos dias o Bien, Humberto Cunha, foi lã buscar uma mola helicoidal para adaptar no seu carro hibrido, o mesmo talqualmente, que nos levou ao Lobito.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:04
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2022
KAZUMBI ANTIGO
FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA
“AS INTERMITÊNCIAS AMARGAS DA MORTE”
Crónica 3298 de 11.05.2022 - Republicada a 18.11.2022  em Lagoa do M´puto
“CAZUMBI: - Feitiço; coisas azaradas; má sorte; milongo envenenado; azar".
Pordia183.jpgT´Chingange – Em Arazede do M´Puto

cazumbi6.jpgDesfolhando aleatoriamente o álbum de família e amigos, torna-se evidente que a morte não arredou pé do seu compromisso com a humanidade e, eis que exactamente num dia, dão-me a notícia de que algures numa rua de Johannesburg um amigo próximo vitimou-se de morte em acidente, de carro, varado por um tubo solto, mal acondicionado dentro de seu carro; não sei mais pormenores porque não é nesta periclitante situação de infortúnio que se perguntam detalhes "de como foi".

Tinha que ser! Fugiu da África do Sul com medo de morrer nas mãos dos novos senhores no após a independência e, logologo numa visita ocasional à família morre em um acidente quase descabido. Não foi noticiado nos meios de comunicação mas, nem toda a gente do mundo pode abanar a tranquilidade dum país decretando dois dias de luto nacional ou ter referência especial nas manchetes do dia nos écrans da TV. As obras de Deus sempre são assinadas com o cunho da adversidade.

cazumbi7.jpg Lembrar agora que no Portugal prófundo que se pensava ter dado morte ao carrasco primeiro-ministro, o povo maior, vacinado e emancipado após ter vilipendiado o "engenheiro" um líder tão contestado, ao invés do veto sagrado dão-lhe o voto sondado. Por vezes as coisas não são loisas, nem todos os Sócrates os são genuinamente. Aquele amigo defuntado na África do Sul, originário da Madeira, decerto não tinha pensado estacionar ali seus ossos. Ele que pelo seguro era um tri-cidadão, resguardado na vida com três passaportes, não previu a morte desta forma.

Português da Madeira por nascimento, brasileiro por crescimento, veio a usar seu fim de vida com o terceiro passaporte, o da África. Meu amigo de nome Moreira não se precaveu com um quarto passaporte para o paraíso e irei sempre recordá-lo por uma frase dirigida a mim, e que ao longo de muitos anos me martelou negativamente. Dizia ele com experiência que "amigo, é aquele que me mete dinheiro ao bolso"; não contestei em sua vida essa afirmação mas, decerto, do muito que arrecadou, nada, agora levou.

cazumbi2.jpg A espada de Dâmocles (o que foi rei por um dia) no dizer de Saramago – o Nobel, suspensa por um fio, cairá um dia nas nossas cabeças. Só peço que não me surpreenda ela, a espada, como um velho mísero, nem tão pouco me apanhe num qualquer asilo como indigente. Quantas pessoas, estóicas, dignas, corajosas, optam pelo suicídio estando assim a dar uma lição de civilidade. Porque é que os políticos (alguns de topo) não seguem esse estoicismo dando-nos uma bofetada sem mãos, morrendo politicamente, entenda-se!

Porque não o fazem, se são tão honestos nas convicções. Já sei! Iriam ser afectados no seu foro ético e moral! O povo Tuga, afortunado por seus ancestrais, encerram-se agora numa malcheirosa penumbra de confessionário optando em sondagem na escolha do seu carrasco. É demais, e do mesmo. Vá-se lá entender tal estirpe! Tanta treta para tudo terminar em maioria absoluta…

cazumbi0.jpg E, ainda falam em uma geração àrrasca - Geração àrrasca foi a minha. Foi uma geração que viveu numa terra que teve de abandonar porque afinal já tinha dono. Uns eram turras e outros filhos do Puto, besugos. Também era proibido ser diferente ou pensar que todos eram iguais com acesso à saúde, ao ensino e à segurança social. Meu amigo de nome Moreira não se precaveu com um quarto passaporte para o paraíso acabando por ficar lá na África…

O Soba T´Chingange (Ochingandji)


PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:36
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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2022
N´NHAKA . XXI

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . VII

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças de escritos antigos - “Angola, quanto tempo falta para amanhã?”

– Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi – 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3295 de 04.05.2022- Republicação a 14.11.2022 para o Kimbo

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por chai4.jpgT´ChingangeEm Lagoa do M´Puto

deserto5.jpg Cambongo Negunza, é o nome do rio que desagua a norte do Sumbe e é dali que sai a água, sugada do rio, que sem tratamento segue para a rede da cidade chegando aos soluços, quando chega, sempre barrenta. O viveiro, em tempos verdejante e com muitas mudas de árvores e plantas para as ruas e jardins da urbe está agora mais que desprezado, acabado; vêem-se umas rosas de porcelana ressequidas no meio de tufos que definham no castanho, tendo o rio a dois paços. Mais à frente e do outro lado da estrada o tio Chico* vende petróleo a caneco.

De calções desbotados, camisa solta, mostra a velhice que se aproxima rápido; pés inchados indiciam ácido úrico e mazelas que se esborracham no chinelo de dedo grande, as manchas são mais que muitas coloridas de terra colada à gordura do querosene adocicado na terra do pó que se levanta com o vento e quando passa as relíquias de dodge, chevrollet, carrinhas ford ou camiões Scania mas, e também Urais dos militares russos; tudo faz levantar pó que se agarra ao transpirar da gente desde o cachaço às matubas do mijo mal pingado…

cafu14.jpg Tio Chico sentado no seu velho mercedes branco atende com rabugice os candengues que trazem latas, mulheres embrulhadas em panos com as esfinges de Eduardo dos Santos*, Mobutu e Mugabe, bafanas desocupados de trabalho efectivo que desenrascam só no leva e trás dos recados de quem vende chita e zuarte lá nas lojas do burgo. A crise da luz faz aumentar o consumo do querosene avermelhado. Cada caneco despejado, tem uma descarga de um monte de nomes fazendo vírgula com sundiameno e ponto e virgula com topariobé entre os recados e devolução de trocos em moedas de luínhas e notas surradas de kwanzas…

Tio Chico já com seus mais de setenta anos de idade sobrevive assim com a ajuda do irmão Cunha que prospera no negócio de venda de bebidas, bolungas, pneus, géneros alimentícios e outras candongas; dá para notar que o cumbú do tio Chico anda malé mesmo. Ué, beber água!? Só do Luso! Também aparece água da Chela de rótulo azul que diz ser da nascente natural – a condizer lá está colado o rotulo com o mapa minúsculo de Angola com a bolinha do sítio e o dizer: “Produto de Angola”…

O mercedes do tio Chico, tinha tanta terra dentro dele que seus sobrinhos Zito e Chiquinho até disseram que se podia ali plantar mandioca ou até cana-de-açúcar; um exagero bem condizente com o galinheiro chique de Mercedes Benz. Saídos dali, fomos até às Quedas da Binga no rio Queve ou Cuvo situada a uns oitenta quilómetros do Sumbe. De geleiras de isopor, esferovite cheias de gelo e cerveja, escolhemos lugar sombreado do parque e entre mergulhos lá íamos comendo iguarias feitas de esparregado de folha de abobora, folha de batata-doce e croquetes de peixe do rio Cambongo e ostras da foz do Cuvo.

sumbe1.jpg Estando ali na Binga e vendo a ponte meio derrubada pelos cubanos quando do avanço da forças vindas da África do Sul, fomos ao topo dos rápidos ver de perto como se fazia agora a travessia e constatamos haver uma grandes chapas de ferro grosso a ligar os pilares e muros que resistiram ao original desmantelamento por efeito de minas; Os militares de plantão não nos deixaram tirar fotos mas, sempre acabamos por fazer alguns registos fotográficos.

Visitamos um velho conhecido da antiga JAEA e que neste então se chamava de INEA. Passou de Junta a Instituto mas de relevo só mesmo o nome porque os buracos por todo o lado eram mais que muitos. Visita feita, tratamos de nos regalar nas águas frescas a montante das quedas com algumas ilhas e penedos a rodear-nos. Mais acima da corrente as donzelas tomavam banho com as mamas a leu, luzidias de negro, pulavam e gesticulavam-nos adeus, a mim e ao Zito. Assim metidos na água, até parecíamos, o Tarzan branco na minha pessoa e o auxiliar do Mandrak, o Zito Lothor preto, como se estivéramos numa cena de filme.

angola5.jpg Na merenda, pude observar a boa conservação do parque, muros caiados, terreno limpo e um vigilante a não permitir que a garotada se acercasse de nós pedinchando a famosa gasosa e, foram fotos debaixo da cachoeira, um sengue que mansamente se deslocava na margem de lá deixando rasto na areia ali depositada, a espuma da água compondo brancura. Recordei neste então a minha estada ali em lua-de-mel no ano de 1970 – naquele agora pareceu-me mais majestosa pelo muito caudal de água. As cervejas, sagres e castle da África do Sul estavam de arrepiar frescura sequiosa. Por debaixo do imbondeiro e ladeados por marulas, mutambas e upapas, nelas riscamos corações com flexas entre muitos outros nomes já ali encarquilhados no tempo com casca. Quase noite, retornamos ao Sumbe, casa do Sr. Pais da Cunha*, pai de Balbina, nosso anfitrião e sogro do Jimba*

Notas*: Tio Chico, Jimba, Pais da Cunha, Eduardo Santos (o presidente), todos já falecidos (14.11.202)

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:50
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Domingo, 13 de Novembro de 2022
KALUNGA . XXXIV

KIANDA COM ONGWEVA NAS FRINCHAS DO TEMPO - XIX de várias partes…

– Crónica 3294 de 04.05.2022 – Segredos de sua tetravó Zachaf Pigafetta Roxo no Museu do Prado em Madrid…

Republicação a 13.11.2022 em Lagoa do M´Puto

Ongweva é saudade

Por zedu4.jpgT´Chingange (Ochingandji)

tukya13.jpgCA - Quase tudo que vou dizer é mentira mas, tende a ser verdadeira. Como disse, foi graças à insistência do Conde de San German que ela, tetravó de Roxo se decidiu a abrir comigo: Sua mãe (de Roxo) kianda negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu preta-preta retinta mas, no correr dos dias foi ficando assim branquela como o é hoje. Ela a kianda Assunção Roxo deu seu primeiríssimo alerta de vida nas águas do lago Chivero, que fazia fronteira com a fazenda farm de Morgan Tsvangirai.

Pois, tranquilamente disse-me que sua mãe era preta retinta, casada com esse tal de Morgan Tsvangirai, que ganhou a primeira volta nas eleições em confronto com a múmia Mugabe, após vários dos seus apoiantes terem sido assassinados. África é assim mesmo, inconstante, de revoltas permanentes e, aonde o poder vira tribal, mesmo brutal. Zimbabwé era um território farto em acontecimentos irreais (confirmei isto mais tarde a duras penas no lago Kariba). Foi isto que os motivou a transladarem-se para o Kwanza e ficar ali bem perto de Massangano, também um lugar de muita magia, da antiga.

paradi2.jpg Massangano, aonde os espíritos ainda conferenciam muxima por ser um pambu-n´jila (lugar de afectos especiais com bwé Muxima). A múmia Robert Mugabe venceu as eleições convocadas para o dia 28 de Junho de 2008, sendo reconduzido mais uma vez ao poder, desta feita pela sexta vez consecutiva, por desistência do pai de Roxo. Esses foram momentos conturbados mesmo para Morgan Tsvangirai*, e até para kiandas como nós, disse sua tetravó Zachaf Pigafetta Roxo. Com o apoio internacional, houve uma partilha de poder que durou cerca de quatro anos.

Este Governo de Unidade Nacional revelou-se ineficaz para acabar com as fortes tensões e evitar confrontos sangrentos entre os apoiantes de Mugabe e Tsvangirai. Em 30 de Junho de 2013 Robert Mugabe foi novamente reeleito, apesar da oposição adocicada.

massangano1.jpg Talvez seja a sina de África ter gente que nunca chega a crescer em definitivo – são na grande maioria crianças até quase morrer e morrem até, sem curriculum vitae… Ficam sábios quando recebem a estrema unção dum quimbanda credenciado nas bocas do Mundo. Acho que Nosso Senhor não andou por ali e ficaram só abençonhados por aquele branco chamado de Livingstone. Em 2018, passei por lá e vi que a nota, dinheiro de maior valor tem três pedras empilhadas no lugar da esfinge dum possível estadista – Vale zero! Os kinguilas vendem-nas aos magotes para malucos coleccionadores, a preço de banana podrida…Aiué!

Posso agora entender do porquê esta kianda Roxo andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber desta sua dupla vida mas, compartilhando xispanços de tinta com maestria. Xispanços de pinceis electrónicos na forma de gigabaites que se traduzem em cores holográficas, fosfóricas e ate cibernéticas; pinturas do paralém de assombros que só kiandas podem executar. A surrealidade está-lhe no equinócio de singularidade primaveril.

muxima1.jpg Pois! Com tantas nuances – de cada uma das diferentes gradações pode ter uma cor entre o seu claro e o escuro periclitante que, teria mesmo de acabar esta intrincada estória no equinócio de primavera, uma óptima sinalização para quem vive no lugar dos espantos, fenómenos dum Entroncamento. Convém lembrar que o primeiro dia da primavera, o que ocorre todos os anos entre os dias 20 e 21 de Março, este ano, aconteceu no dia 20 de Março de 2022 às 15h33. Pude ver isto nos astros…

Equinócio é uma palavra em latim que aglutina dois termos com significados diferentes. Aequus significa "igual" e nox, "noite". O termo quer dizer literalmente "noites iguais", isto porque nessa altura a noite e o dia têm sensivelmente a mesma duração, 12 horas. Nesta altura da estória tenho de confessar que a kianda Oxor nunca foi vista por mim ao vivo mas, estive lá bem à sua porta no lugar do Entroncamento, terra de fenómenos e assombrações – Se estava com uma nevralgia ou artrite, não pude perceber o cheiro intenso da canfora, dos cremes usados para aliviar dores como o diclofenaco ou dietilamônio. Mas, falando com “Humberto Delgado” durante o almoço das enguias, senti que havia um torcicolo para decifrar com a kianda gémea de Roxo… Assim, ao invés de fataça comi enguia, bem boa!

zebra1.jpg NOTA*: - Morgan Richard Tsvangirai já desfaleceu, quersedizer, morreu em 2018! Foi em verdade, um sindicalista, activista de direitos humanos e político do Zimbabwé, antigo primeiro-ministro do país, depois do acordo de divisão de poder que foi estabelecido com o então presidente Robert Mugabe depois das eleições presidenciais, em Setembro de 2008…

(Continua com “fricção ficção”…)

O Soba T´Chingange (Ochingandji) – Na Lagoa do M´Puto

Equinócio é uma palavra em latim que aglutina dois termos com significados diferentes. Aequus



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:00
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Sábado, 12 de Novembro de 2022
GUARARAPES – 3

RECIFE – A SAGA DO AÇÚCAR

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA - O bodo dos pobres na “Folia do Divino” - ILHA DE SANTA MARIA nos AÇORES

Crónica nº 3293 de 03.05.2022 – Republicação na Lagoa do M´Puto a 12.11.2022

Por açores1.jpgT´Chingange (Ochingandji)

praia3.jpeg Saíram deles MADEIRENSES, os canaviais com seus canais de rega, engenhos e rodas motrizes. O seu contributo na feitura do Brasil teve início com a libertação do Maranhão (S. Luís) que se deu no ano de 1642 tendo António Teixeira de Mello como libertador enquanto em Pernambuco e, pelo ano de 1645, João Fernandes Vieira organizava resistência armada aos Holandeses (Mafulos); para tal, em 1646, recebeu do rei D. João IV a carta de patente de mestre-de-campo para chefiar um terço da Infantaria formada nas Ilhas.

Ficaram a seu comando, 500 homens recrutados na Madeira, Ilha do Pico, S. Miguel, Faial e Graciosa no Arquipélago dos Açores. Este terço era constituído por quatro companhias de 125 homens. Os combatentes Madeirenses que se bateram nas campanhas de Bahia e Pernambuco contra os Mafulos, receberam tenças ou cargos administrativos como recompensa pelos serviços prestados; assim, se alicerçou as instituições régias de soberania local defendendo-a de corsários franceses, castelhanos e os aqui referidos Mafulos.

madeira2.png Por via do novo Tratado de Madrid que substituiu o já desusado trato de Tordesilhas, constituiu-se como primordial, a efectiva ocupação do território por gente Lusa. Em 1746 foram enviados casais Açorianos para terras do Sul; estava em curso o estancar de gente de Castela que ao longo dos anos se tinha instalado na foz do Rio Prata, actual Uruguai, uma parte da grande Cisplatina.

Florianópolis passou a ser nesta corrente migratória a 10ª ilha dos Açores em terras do Brasil. É curioso dizer-se agora, ano de 2022, estarem as evidências culturais de sua origem mais vivas do que em sua terra mãe através das festas do Espirito Santo e os mistérios em honra do “Divino”, festa de Pentecostes que no calendário católico têm lugar cinquenta dias após a celebração da Pascoa. A tradição foi difundida nas ilhas por influência da Rainha D. Isabel (1276 a 1336).

açores2.jpg Tive oportunidade de assistir anos atrás à coroação de um Imperador na Ilha de santa Maria dos Açores e, nesse dia fui ao bodo dos pobres; ”folia do divino” que ocorre em toda a Ilha e que foi transposta para Santa Catarina do Brasil. Em S. Vicente, persiste a tradição do bodo, mesa farta no dia do Divino Espírito Santo aonde ninguém paga e ainda leva merenda ou bolo para suas casas.

Na ilha de Santa Maria comprovo porque vi, em Santa Barbara e Vila do Porto, aos fins-de-semana andarem uns mordomos com vestimentas brancas como as das irmandades, fazendo peditório para esta época de quermesse. Por vezes gente vinda da diáspora da globália saudosa desses costumes dá alvissaras ofertando tudo para esta festa e, são inúmeros os voluntários a ajudar nas muitas actividades.

açores4.jpg Neste triângulo Europa (Portugal), África (Angola) e Américas (Brasil), no que concerne ao conjunto de países dos PALOP´s (Países ou estados autónomos de língua oficial portuguesa), a Madeira e os Açores, estão no princípio de singularidade dos usos como um laboratório experimental da sociedade Atlântica. Há neste conjunto de tradições laivos de cultura Guanche levadas das ilhas Canárias de Tenerife e Gomera tais como bordados e trabalhos manuais com uso de madeira… Convém aqui lembrar que no mundo Mediterrânico, crescente fértil e em África em geral existia de há muito tempo a escravidão entre tribos como coisa natural, mão-de-obra barata entre etnias branca e preta.

Isto aqui referido está descrito nos testamentos da Bíblia, no livro do Géneses em que os vencidos eram tornados à condição de escravos, em troca de suas vidas; gente da tribo de Canã; este gesto era tomado como “humanitário” e, fez parte de todos os códigos da antiguidade como o de Hamorábi, e o direito Romano que serviu de referência ao mundo Português, mas não só, até o século XIX. Entender-se assim a forma de servilidade tão característica nestes grupos de gente Lusa ancestral com origens diversificadas. Tudo isto para concluir que a escravidão foi introduzida na América em 1492 pelo próprio Colombo e conquistadores que se lhe seguiram pois que, em suas naus já levavam escravos. Foi, no entanto, a partir de 1501 que os introduziram em São Domingos. No Brasil, só se comprova a existência de escravos a partir de 1531, na Capitânia de São Vicente.

açores3.jpg 

GLOSÁRIO: Mafulo: - Holandês em dialecto kimbundo de Angola

NOTA: A reconquista de Angola virá logo a seguir à Saga do Açúcar pois que foi do Recife que saiu Salvador Correia de Sá e Benevides com uma frota de naus, que libertou Loanda do jugo Mafulo

O Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:29
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2022
GUARARAPES – 2

RECIFE – A SAGA DO AÇÚCAR

FÁBRICA DE LETRAS DA KIZOMBA

Crónica nº 3289 de 23.04.2022 na Pajuçara de Maceió, de Alagoas, Brasil

– Republicação a 08-11.2022 em Lago do M´puto

Por palops1.jpgT´Chingange (Ochingandji)

vieira1.jpg O governo do Brasil Holandês (Mafulos*) capitulou a 26 de Janeiro de 1654 tendo sido então o mais importante registo da História Militar de toda a América do Sul; depois deste acontecimento há a salientar de relevante saga, a libertação dos cinco países americanos por Simon Boliver. Após a capitulação de Recife, os moradores aclamaram a liberdade contra a dominação holandesa e, a 7 de Outubro de 1645, os homens de guerra de Pernambuco lavraram certidão de aclamação a João Fernandes Vieira como Governador da liberdade.

Chegado aqui, terei de retroceder no tempo a fim de conhecer a saga do açúcar nas então capitanias, nomeadamente a de Pernambuco. Em 2009, numa das celas da prisão para políticos, em Recife do Brasil, “A praça das cinco pontas”, agora transformada em casa da cultura, comprei um livro que fala da saga do açúcar - como tudo começou na relação histórica entre as ilhas da Madeira, Açores e o Brasil. O açúcar vingou no Nordeste Brasileiro por força da intervenção madeirense tendo, entre outros pioneiros o nome destacado de João Fernandes Vieira, um mestiço que em 1645, já era o maior proprietário de engenho do açúcar em Pernambuco.

vieira2.jpg Deve-se principalmente a ele, Vieira, a restauração de Pernambuco com a retirada do Conde de Nassau, o governador Holandês que a partir de Olinda geria o império da Companhia das Índias Ocidentais. Vieira assumiu o Brasil como terra sua e as suas atitudes tomaram foros do que se veio a designar “o nascimento do conceito brasileiro”. Antes de continuar a descrição da Saga, convém dizer que O Mafulo Maurício de Nassau foi em verdade muito importante na história do Brasil de então pois que introduziu novos processos de gestão de uma visão mais avançada para a época. O mercantilismo e o atributo de subsidiar o investimento, fez crescer vários negócios no Nordeste brasileiro.

A Madeira, foi o início - As ilhas da Madeira e Açores tiveram na introdução do açúcar no Brasil e, a implícita emancipação pelo conceito em se ser brasileiro. Esta gesta de gente que lutou pela liberdade contra os Holandeses por alturas de 1640, enfrentou do outro lado do Atlântico – Angola, os mesmos Mafulos* que em paralelo com a rapina de Olinda, se apoderaram da cidade de Loanda. Esses intervenientes salientaram-se como heróis que a história quis esquecer; muitos morreram em prol de terras que escolheram para ser suas; supostamente, uns em Brasil, outros, no reino de N´Gola, uma esquina nesse então, esquecida do mundo.

madeira2.png A descoberta da Madeira aconteceu em 1420 e, a 8 de Maio de 1440 o infante D. Henrique lançou a base de estrutura no conceito de posse, dando a Tristão Vaz carta de Capitão de Machico. Esta foi a primeira capitânia a ser atribuída a gente que por feitos se tornou de “linhagem Lusa” defendendo-se assim um sistema institucional que deu corpo a novas terras. A formação do Brasil colonial, foi à semelhança de Machico, também, partindo da atribuição da capitânia, a de S. Vicente, ”a Nova Madeira” na costa Atlântica das terras de Vera Cruz. Aqui nasceu a grande metrópole que é hoje, São Paulo com mais de vinte milhões de almas.

Na capitânia de S. Vicente foram construídos os primeiros engenhos açucareiros; mestres madeirenses às ordens dum senhor governador de nome António Pedro Leme, terá sido o pioneiro no plantio das primeiras socas de cana oriundas da Madeira. Com aquelas primeiras mudas de cana-de-açúcar, se formaram os primeiros canaviais dando-se início à saga do açúcar na faixa litorânea Paulista. Os Madeirenses, foram assim, os primeiros colonizadores e, isto, foi só o início. No decorrer dos anos, foram até às imensas regiões do Sul aonde se situa agora o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; mais tarde e com maior impacto tomaram raízes mais afincadas no Nordeste Brasileiro

madeira1.jpg O facto de a Madeira ter sido modelo de referência para o espaço global da Lusofonia Atlântica, não tem sido reconhecido ou, divulgado. Esta migração humana que arrastou consigo um universo de conceitos, tecnologia, usos, costumes, cultura e novos conhecimentos e até pesquisa no campo da flora, silvicultura em geral, teve um impacto de evidente progresso. Não é sem razão atribuir-se a Portugal o início do conceito de globalidade; em verdade este mérito tem tudo a ver com os genes Lusa.

Nesta primeira pedra da gesta Lusa em terras mais além de Sagres, houve impactos negativos mas, os de mais-valias para o Mundo valorizaram o arco-íris final. A pequenez da Ilha Atlântica e sucessivas crises naquela tão difícil empinada topografia levou os ilhéus a buscar outros destinos menos trabalhosos e mais auspiciosos; primeiro foram para os Açores e Canárias mas, mais tarde, em precárias embarcações quinhentistas sulcaram com gentes continentais terras longínquas como Curaçau, Venezuela, Brasil, Angola e África do Sul, levando consigo um modelo de virtude social, político e económico.

GLOSÁRIO: Mafulo: - Holandês em dialecto kimbundo de Angola

O Soba T´Chingange (Ochingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:09
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2022
PARACUCA . LIX

MULOLAS DO TEMPO30

RECORDANDO: Nós, bazungus no COMPLEXO PALMEIRAS de BILENE

- Odisseia “HAJA PACIÊNCIA” – 06 e 07 de Novembro de 2018 -  nos 50º e 51º dias

Crónica 328822.04.2022, no PortVille de Maceió do Brasil – Republicação a 07.11.2022 em Lagoa do M´Puto.

Por monteiro8.jpgT´Chingange

moc3.jpg No lugar da Praia de Bilene no Complexo Palmeiras de Eduardo Ruiz – por aqui ficamos três dias e três noites, lugar aprazível, um pouco de frio por agora mas, que em Dezembro alberga milhares de veraneantes vindos da vizinha África do Sul. Podemos verificar as instalações de férias para os trabalhadores do Caminho de Ferro de Moçambique, lugar muito concorrido por famílias em tempo colonial a que chamavam de colónias de férias e que normalmente coincidia com as férias escolares. Nestes dias de pouca azáfama recordei por debaixo das casuarinas da praia poemas de Pablo Neruda estendendo em texto sua tão fluida forma de dizer: “Morre lentamente quem não vira a mesa, quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite uma vez na vida, fugir dos conceitos sensatos”.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. E, continuando a leitura sem desfalecer de sono, evitando a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que um simples acto de respirar. Pois bem, sinto-me como a formiga “pixica” que criada sobre folhas de cacaueiro, extermina as pragas sem fazer mal à árvore. Esta simbiose simples e sustentável pode ser a fortuna planeada do futuro: sobreviver comendo ácaros ou mopane (catato), nefastos como se, camarões de Bilene, o fossem.     

miran04.jpg Não há matope bom nem ruim. Tudo é a mesma coisa, aonde quer que o seja, é questão de sair da lama em volta porque matope não é barro, mesmo! Assim falava e ainda fala (creio) o Conde de T´Chinkerere, nobreza de faz-de-conta de um reino chamado de Xi-Colonos. Um meu amiga feito nas terras altas de Angola um lugar de montes e vales aonde a vovuzela soa ao longe como o berrante feito de chifres de boi dos brasis, que bem tocado contagia quem o ouve, gente ou gado a 3km de distância. Este “Zé Trovão de Arriaga - O Rei Do Gado", tem o nome comum de Valério Guerra.

Pude ver no entretém das poesias de Valério e Neruda, não muito longe e debaixo das casuarinas, um senhor já grisalho ditando ordens a uns quantos jovens e, terminando sempre com um “ámen” (assim seja), no qual era repetido. Em sequência, deu opas brancas a sete irmãos, eles e elas, já vestidos deslocaram-se para a água cor de esmeralda avançando até à altura da água pela cintura. Eu, curioso, firmava meus olhares neles, nos ditames de seita ou algo assim…

mopane1.jpg Aí, dois mais velhos guias colocaram os ditos irmãos dois a dois e após uma prece de mãos juntas que não ouvi, seguraram o corpo destes e acto contínuo, mergulharam-nos totalmente na água. Não sei ao certo qual as suas vocações religiosas mas era audível de quando-em-quando o nome de Cristo; o que me levou em crer serem protestantes baptistas, Luteranos ou afins. As cerimónias seguiram um ritual semelhante ao do baptismo de Jesus Cristo às margens do rio Jordão por João Baptista…

No lado Sul, um magote de gente multicolor maioritariamente composto de mulheres envoltas em capulanas garridas, cantavam lindos coros à sombra da mata de casuarinas. Levaram todo o tempo entoando canções em Changani - algumas mulheres dançando com mãos elevadas ao céu. Umas quantas iam até à água e voltavam saltitando de forma ritmada na areia fina, enquanto espanejavam o ar viradas ao infinito celeste. De toda esta gente destacava-se um homem grande, vestido com uma túnica azul bordada com arabescos.

MISSOSSO15.jpegA cabeça do "guru" estava recoberta com uma boina justa de desenhos intrincados, símbolos a dourado; do pescoço pendiam colares na forma de zingarelhos ou rosários com latas, ou talvez penduricalhos do Xipamanine de Xi-lingwine, actual Maputo. Este destacado personagem do oxalá, fez deslocar no se Deus-quiser o grupo em fila ordenada de fiéis levando-os a uma curta marcha até um determinado lugar. Aqui, deixou que se agrupassem ao seu redor fazendo uma prelecção inaudível do ponto aonde me encontrava.

OXO188.jpg Não sei se incluíram o Iemanjá nem se lançaram flores mas, informaram-me ser uma seita chamada de “Mazziottis”. Gostaria de me explicitar melhor quanto ao que vi à distância mas não me aventuro em suposições de candomblé, orixás ou oxalás. Este nosso mundo é tão cheio de convicções que só temos de respeitar as diferenças sem as repudiar. Se, se a prática for a essência do bem e da paz sem incitamento à luta, jihad, mutilação, perseguição ou incitamento ao ódio que assim o seja! Cada qual escolhe o seu tipo de macumba até que um dia cai na tumba. A ignorância é uma coisa muito perigosa e disto, infelizmente, todos temos um pouco.

(Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:31
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Sábado, 5 de Novembro de 2022
N´NHAKA . XX

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . VI

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças de escritos antigos - “Angola, quanto tempo falta para amanhã?” – Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi – 22 de Fevereiro de 2002)

– Crónica 3287 de 20.04.2022, em PortVille da Pajuçara de Maceió – Republicação a 05.11.2022 em Messejana do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto ao rio, horta…

Por araujo160.jpg T´Chingange –(Otchingandji)

araujo1.jpg CA -Já estamos no Sumbe, terra do eclipse e da eleição de misse 2001, um ano atrás, mas ainda lá está o jardim que proporcionou mostrar a fantasia com lençol de água escorrendo em cascata e, muita luz de coloridos brilhos. Tudo para trabalhar pela televisão as invencionices de lavagem da governação sem os desmandos, roubos e superfacturamento que a nomenclatura vinha praticando. Agora está tudo seco, o fingimento de beldades já sem águas escorrendo, deu lugar à terra crua e vermelha no lugar da grama - as árvores definham por falta de água!

Água, aiué…foi aparecendo nas torneiras em alguns dias entre as cinco e seis horas da manhã, depois, adeus… Não deu para tomar banho de chuveiro; na casa do pai de Balbina, Pais da Cunha o caneco funcionou todo o tempo. A luz da lâmpada também só aparecia nos dias ímpares; com gasosa até podiam dar-nos uma fase por mais algum tempo. O mundial de futebol de 2002 (vinte anos atrás) estava a decorrer. Todos desejavam a victória do Senegal e, só depois o Brasil – Os Tugas já estavam de fora.

arau44.jpgCA - Os grandes discos de antenas parabólicas proporcionavam aos mais abastados da cidade do Sumbe verem o canal de África – RTP Internacional entre outras e de todo o mundo. Xingú, o mais candengue da família Pais, nas falhas de energia lá ia a correr até à casa do gerente do gerador ligar a fase pirata da zona par; aconteceu até levar uma lata de gasóleo, o necessário para o gerador funcionar.

Era uma luta pelos vistos! É que nem sempre os vizinhos estavam nos ajustes indevidos para que o gerador funcionasse na borla devida. Mas, nestes dias a febre do futebol fazia milagres de luz para sempre se verem os gooolos. Em um dos vários dias comemos de vela acesa, talvez a gasosa do lado impar tivesse sido mais substancial. Até foi bom que acontecesse a escuridão porque tivemos oportunidade de assim entabular divagações com ajustes de posturas nos muxoxos e kazumbis.

araujo179.jpgCA - No meu sentido de inserir palavras nesta descrição, frases e estruturas sintácticas, fui acumulando palavras novas oriundas do kimbundo, do umbundo e outras maneiras de linguajar tendo sempre como base o português do M´Puto com as declinações e palavras novas, inventadas até e, u oriundas do tronco bantu. Sendo assim um misto de narração, inventação, conto ou testemunho de reportagem, coloco em meus próprios sonhos, as vontades de reconciliação com um profundo agradecimento a todos os que me proporcionaram dias tão diferentes.

Envolto em ideias díspares, quase psicografava em vontade, nas contradições, algumas das sanguinolentas, macabras até e, que sem o devido tato, poderiam resvalar para ressentimentos; acontecia assim ao falar com o filósofo Pipocas, um responsável do património local do MPLA que de tanto beber, se esqueceu dele mesmo – pifou em sabedoria!

araujo158.jpgCA -  Pipocas era em verdade um símbolo kazukuteiro descartável, ágil e de falas suaves, peneirava-se na beleza das malambas, esperto, agressivo no beber, desconsiderado ou desclassificado por raiva, ciúme ou desdém, poucos o tinham em conceito concebido mas, tinha sim uma mente aguda: Ginasticando suas manigâncias da vida definhava-se na permanente curtição do álcool, vinho Camilo Alves, cerveja, cachaça e outras mistelas de bangasumo e capo-roto.

Pipocas, tinha sido comandante mas, por ter arrecadado o dinheiro dos mortos de guerra saiu dos mecanográficos e, por ali está agora comandando os imóveis, remexendo continuamente mugimbos almoxarifados, efémeros de quanto baste para encantar linguistas; isto, antes de rodopiar os olhos liambados de coisa ruim. É um personagem típico dum grande palco que é Angola, passando os dias num faz de conta divagando e bebendo frias cucas; e, assim sua cuca se adia, sempre adiado nas obrigações. (…Com ele, Pipocas sóbrio, tive conversas bem interessantes, senti-lhe uma arguta esperteza, ideais bem formulados, revelando ter principios de sábia concertação social de elevada erudição – acima da média …)     

Ilustrações de CA -Costa Araújo

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:52
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2022
MISSOSSO . LII

NO KILOMBO DO ZUMBI – NA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA…

COM FALA KALADO  Crónica com ficção 3285 17ª de Várias Partes

18.04.2022, na Pajuçara do Nordeste brasileiro – Republicação a 02.11.2022 na (Praia de) Messejana do M´Puto

Porsoba40.jpgT´Chingange

tiradentes1.jpg No dia 21 de Abril, comemora-se como feriado no Brasil o “Dia de Tiradentes”. Este feriado faz alusão à morte do mineiro mais conhecido na história por Joaquim José da Silva Xavier. Tendo referido há dias um antigo companheiro da UNITA como convidado a estar presente nas festividades do Kilombo Zumbi, lá para Novembro, mais propriamente no dia da “Consciência Negra”, para minha surpresa recebi um telefonema do Park Lindoya às margens da Lagoa Manguaba pedindo-me para ali me deslocar pois que havia alguém ali hospedado a querer contactar comigo!

Adiantei que não iria sem me dizerem qual o fim do encontro e o nome da pessoa em causa. Quando mencionaram seu nome fiquei bem admirado e até pensando num golpe de um qualquer maluqueiro. Era nem mais que o General Kamalata Numa da UNITA - queria estar comigo! Engasgado disse que daria uma resposta mais tarde e, tirando-me de cuidados fui até ao local já meu conhecido e, sim, era ele mesmo - muito mais velho, claro!

 GARANHUNS1.jpgNossa relação tinha sido bem passageira quando Kalakata o militar pertencente ao Comité da Caála, ainda vivo, me apresentou a este militar de patente rasa. Nessa altura exercia eu as funções de Secretário de Relações Públicas; por inerência tinha muitos contactos com gente próxima à organização política de topo e muito próxima a Jonas Savimbi mas e, a partir daí nunca mais nos vimos, 47 anos já passados!

Apresentados de novo, inquieto pela inusitado encontro, demos um abraço cordial e assim sentados tomando um suco de graviola foi-me dizendo que estava ali a convite de um familiar a fim de assistir às festas Juninas e, que vinha para ficar uns três meses pois que fazia questão de estar presente no já referido “Dia de Tiradentes” para o qual também tinha sido convidado pelas competentes autoridades.

GARANHUNS2.jpg O General fez-me inúmeras perguntas ao qual respondi com algum detalhe depois da minha forçada saída de Angola através da ponte “Lualix” no longínquo ano de 1975. Agradeceu-me pelo convite inserido nos trabalhos da “Fundação de Zumbi de N´Gola” e, enaltecendo dentro do que lhe era possível saber, do meu contributo como Zelador-Mor na Fundação de Zumbi de N´Gola tendo como benemérito a figura por mim recuperada na estória do Coronel emérito Fala Kalado, agora Comendador…

Adiantei-lhe que para o efeito contava com sua presença e do possível contributo nos previstos simpósios, seminários e as inerentes conferencias de participantes que ainda não estavam totalmente catalogadas, nem convites formulados mas, que já havia sim, um esboço de planeamento pendente dos conferencistas com os demais convidados de relevância na dissertação da “Civilidade Bantu”, tais como políticos, escritores, jornalistas e individualidades do foro africano e, ou mundial. A seu pedido fui esclarecendo-o do que foi a Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira: que foi uma revolta no ano de 1789, de carácter republicano e separatista, organizada pela elite socioeconómica da capitania de Minas Gerais...

GARANHUNS3.jpg Ela foi baseada nos ideais do Iluminismo e teve influência da Revolução Americana, que resultou na independência dos Estados Unidos. Que no século XVIII, Minas Gerais era a capitania mais próspera do Brasil... Que devido ao grande volume de extracção, o ouro começou a entrar em decadência. Nesse cenário, o Visconde de Barbacena em 1788, deu a ordem de realizar uma “derrama” – mecanismo utilizado por Portugal para realizar a cobrança obrigatória de tributos.

Esse foi o estopim para a elite local antecipar os preparativos para a revolta. Na verdade, a conspiração nem chegou a ser iniciada, pois foi descoberta após autoridades coloniais em Minas Gerais receberem denúncias. Para resumir, o alferes dentista, acabou por ser cortado aos pedaços com exibição de seus desgarrados pedaços de carne como se o fosse de um cordeiro sacrificado para exemplo… Depois dum herói negro de nome Zumbi, de um herói branco de nome Xavier Tiradentes, é tempo de se encontrar um herói pardo, cafuzo, mameluco, mazombo ou matuto*… O encontro acabou em churrasco e a promessa de me dar uma entrevista sobre o tema Angola… Iremos ler, se Deus quiser como é de norma dizer-se entre cristãos…

GARANHUN01.jpg * NOTA: Estamos a 02 de Novembro de 2022 - Esta republicação tem por objectivo repor as crónicas na ordem do Kimbo que por um erro técnico não foram inseridas na Torre de N´Zombo. Por via disso, muita coisa alterou recentemente no Brasil. Após eleições a 30 de Outubro do corrente ano de 2022 o matuto Lula tonou-se presidente pela 3ª vez, vencendo com vantagem de menos de 2% ao actual Jair Bolsonaro. Está assim encontrado o terceiro herói desta inventação: LULA DE  GARANHUNS...

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:33
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2022
UCRÂNIA . I-II-III-IV-V

 

A GUERRA DOS ABSURDOS, DAS RUINAS . Partes I.II.III.IV.V

UCRÂNIA - Espiando algum desdém duma parte do Mundo...

Cronica 3284 - 17.04.2022, no FortVille da Pajuçara de Maceió – Republicação a 31.10.2022 com actualizações

Porucrania1.jpgT'Chingange

ucrania2.jpg PARTE I - Viver é muito perigoso!…

Nesta guerra da Ucrânia, Putin, está vendendo a alma ao diabo. Está vendendo também a alma dos outros, do Mundo! Viver, que seja só um sentimento de cada vez, dá para ver sim que este mundo está louco! Mas, todos estaremos loucos neste Mundo? Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são mais que muitas, muito maiores e diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça para entender seu total…

Tudo, nem imaginado, sucede acontecendo e o sentir forte da gente de só se puder viver perto dos outros, sem perigo de ódio. Qualquer amor nesta guerra maldita, já é um pouquinho de saúde, um descanso de loucura… Conforme a crença de que Deus está em tudo! Mas tudo se vai vivendo demais, remexendo-se. Tudo o que foi é o começo do que vai vir, toda a gente está num “ai Jesus”… E, aumentando o desamparo da minha vergonha, digo e repito: Viver é muito perigoso!

Ucrania7.jpg PARTE II – Reflexão ortogonal!...

Imagine-se que eu fosse sacerdote, e um dia tivesse de ouvir os horrores provocados por Putin em confissão na primeiríssima pessoa. O facto de um morrer em vez do outro e, o de um viver em vez do outro, ou todos morrerem numa fragmentação, assim do nada, então!?

Há gente que morre, gente que luta, há gente que se estilhaça, gente que se apaga e … mire e veja, que tenho medo porque todo o caminho da gente é resvaladiço. Deus resvala? Ah, para não chorar, para no mínimo ter um pouco de felicidade, é preciso sabermos tudo, formar alma, formar consciência porque para penar, melhor não a ter.

Mire? Veja? Debaixo deste extraordinário, mesmo longe, a gente lambe a guerra. E porque Deus resvala, nós no rasto dos misseis, acompanha a morte com drones assassinos sem os poder perseguir… De dia é um horror visível, a noitinha refresca e no escorropichar do frio as labaredas fumegam-nos como se o fôramos um tição lagrimando fagulhas. Não se tem onde se acostumar firmando os olhos - toda a firmeza se dissolve indispondo-se num enjoo sem poder conservar um nojo.. Morreu, enterra!

Mas o mundo fala com tanto sonho desmanchado, que se esfiapa na neblina das nuvens de bombas, no movente frio de Abril… O demónio anda na rua… Quando rezo penso nisso tudo; até na Santíssima Trindade. Eu, padre de confessionário, de faz-de-conta acabei assim nesta tristonha estória: Como já tinha comprado meu pano preto de luto manejável pedi desculpa ao Nosso Senhor, peguei na Kalashnikov e descarreguei toda a minha fúria nele, o Putin

Ucrania8.jpg PARTE III – No momento exacto em que espeitava as estrias…

Espiando o Mundo com excepções, esbarrando no arrebentar nas manivelas da vida e, sem a mira certa de enviar um grão de morte ao certo lugar... Espalha-se o terror entre fumaças dançantes nas labaredas de fogo do inferno, de muitos enfeites, de destruição...  Entre um e mais outro zumbido e muitos estrondos, dentro daquele quarto, desventrado, ouvia gritos de matar e súplicas de morrer...

Esperando que a guerra não passasse ali de novo, sufoca-se na espera. Ansiado no desespero estrelejava, sentado na beira da mesa com o revólver pronto, ao alcance da mão, com bala na câmara espera-se para matar a guerra. Em último caso para se matar! Caiu num pasmo... Escrever num momento destes? O revólver era o comando no constante revirar no remexer da guerra transpirando medo...

Não sou coisa, nem cão mas, uivo o que me força mesmo a ter ódio da vida, que me leva a ser covarde e corajoso em simultâneo. Háh o que não pode entender nesta hora, isso de ser capaz de se, me matar!... O zum-zum da guerra acontecendo era o que lhe estorvava o direito de pensar... Fui salvo no momento exacto em que espreitava as estrias daquela arma de cano curto! Nome dela, da arma, esueci…

Ucrania9.jpg Parte IV - Há dias em que confio em Deus.

- O Provérbios 3:5, 6 do livro sagrado assim o diz! Há razões de sobra para confiar em Deus, pois Seu amor por nós é total. Sendo assim, é tempo de confundir os mísseis e drones de Putin e alterar suas coordenadas para caírem lá fora de portas e, não para onde vão... Sendo assim ando à espera de um milagre que confunda as letras Z de Zorro e V de Vitória e, se matarem lá entre eles...

O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e afrouxa, sossega e desinquieta. O que a vida quer da gente, é coragem! O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e ainda mais alegre no meio da tristeza. Pode!?

Pópilas! Só de olhar para ele, o diabo Putin, nele vejo o vulto da guerra. Apesar de tudo o que sabemos sobre Deus, sobre Sua fidelidade, Seu cuidado e amor por nós, ainda assim, às vezes, temos - tenho dificuldades para confiar; este é o caso! E, porque tem que ser assim Dizem os livros! E, não somos nós que fazemos esses livros!

Há dias em que confio em Deus. Então acordo com a doce sensação de que Ele está sorrindo para mim. Mas, em outros, não consigo confiar. Em geral, não volto para casa ao final do dia porque estou nela todo o dia mexendo os pés, cansado de pouco fazer a não ser escrever, e estressado pelo que vejo só porque o não deveria ver, deprimido quando me esqueço de o não estar, sobrecarregado à toa, em verdade! Coisas de velho...

É tão fácil - esquecermo-nos de que Deus é grande e poderoso, de que Ele Se preocupa connosco, supre e resolve nossos problemas. Aí é!? Qualquer dificuldade nos rouba a paz e nos tira o sono. Isto é comum a todos e, por coisa pouca se podermos colocarmo-nos no lugar daquela gente com frio, com fome, sem coisa alguma! Digo para Ele como se o fora ainda candengue, criança...

Posso adivinhar que você ou eu, já passamos por isso sem o querer. Que por vezes, seus dias amanhecem sombrios por semanas. Que de repente, uma nuvem num manto cinzento cai sobre seus dias. E, fica com a estranha sensação de que tem coisas demais para fazer e não vai dar conta de tudo ou nada tem para fazer e, entorpece na pasmaceira.

Ucrania10.jpg PARTE V – Espiei o desdém do mundo…

Dois meses de assassinatos na Ucrânia, sob o olhar compassivo do resto do mundo, estamos vendo um "sete de filmagem" de uma guerra ao vivo e ninguém faz nada de concreto para fazer o agressor mudar de ideia. Bem me parece que a ONU deverá ter um braço armado para fazer cumprir suas determinações...Ufa! Por fim lá aparecem armas inteligentes vindas do Ocidente, às mijinhas…

O maior medo da humanidade é abrir a cortina do conhecimento e descobrir que tudo o que acreditava nunca existiu! Tudo o que ouvimos são opiniões e não factos comprovados... Tudo o que vimos são perspectivas, não são verdades ou realidades; dirão que são narrativas – mentiras e mortes andam juntas.

E, quando a noite chega, um qualquer, apaga a luz ao deitar-se, culpa-se de problemas com a família ou algo pior, esquecendo ser o objecto mais precioso do amor Dele, da Natureza. Confiar em Deus não significa que Ele fará sua vontade, significa que você confia que a vontade Dele é a melhor para você. Um dia, não são dias...Aiué, então?! Hó Deus, juro mesmo, acho que Nosso Senhor, vai-te castigar!

Pópilas! Só de olhar para ele, o diabo Putin, nele vejo o vulto da guerra. Apesar de tudo o que sabemos sobre Deus, sobre Sua fidelidade, Seu cuidado e amor por nós, ainda assim, às vezes, temos - tenho dificuldades para confiar; este é o caso! E, porque tem que ser assim Dizem os livros! E, não somos nós que fazemos esses livros!

Todos nascemos mais ou menos errados e imperfeitos, mas só os conscientes e racionais procuram ao longo dos tempos ter consciência dos seus aspectos negativos e aperfeiçoá-los.

O tempo não passa pela amargura mas, a amargura passa pelo tempo… Hoje que chove, aqui e álem, 31 de Outubro de 2022, passados que são mais de oito meses, ainda não chegaram os tais chapéus genuínos protectores dos drones, desses paráguas de anular neutrões ou coordenadas do GPS. A guerra é um negócio.

O Soba T'Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:31
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Domingo, 30 de Outubro de 2022
N´NHAKA . XIX

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . V

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças de escritos antigos - “Angola, quanto tempo falta para amanhã?” – Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi – 22 de Fevereiro de 2002) – Crónica 3283 de 16.04.2022 em PortVille da Pajuçara de Maceió – Republicada a 30.10.2022 na Lagoa do M´puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por mocanda11.jpg T´Chingange

dracma5.jpg Neste lugar de encantos atarraxados, na área de serviço de Cabo Ledo, as cervejas são retiradas de grandes caixas de isopor, esferovite; dessas que se usam quando vamos para o campismo mas, de maiores dimensões. É dali que retiram as verdadeiras gasosas de beber, pepsi-cola, mission, cucas e taifal ou sagres do M´Puto. Ali perto há um aquartelamento militar; foi por aqui que entraram os primeiros militares cubanos que deram formação às primeiras tropas organizadas do MPLA. E, foi Carlos Fabião, Flávio Bravo e Agostinho Neto que acordam os pormenores da participação Cubana na Operação Carlota, a que ficou conhecida como a Batalha de Luanda.

Pois foi aqui que entraram e depois saíram entre Maio e Junho nessa Operação Carlota; oficiais que por ali passaram tais como: Abelardo Colomé Ibarra, Lopes Cubas, Freitas Ramirez, Leopoldo Cintras Frias ou Romário Sotomayor. Foram estes e os jovens da Academia Militar de “Ceiba del Água” que mais tarde deram os pormenores já descritos em várias fontes. Cabo Ledo teve uma forte intervenção naquela que ficou conhecida por “a Batalha de Luanda”.

No entretanto da observância vêem-se uns quantos militares roçando as donzelas; um deles, de patente rasa vem até nós pedir uma gasosa a fim de poder ir até Luanda visitar sua namorada; treta ou não, em seguida bazou de nós indo pela certa cravar outro, indícios firmes do pouco salário que recebem. Já perto do rio Calamba, começa a ver-se newas, maboqueiros, embondeiros e cassuneiras; podem ver-se muitas destas, altas e esguias palmeiras já em fase de vida terminal -alguém esclareceu que por tanto retirarem sua seiva para fazer marufo, elas definham até à morte.

quiçama01.jpg Atravessamos a Reserva da Kissama sem ter visto uma simples capota, nem tampouco um camundongo ou mesmo um dilengo (coelho). Começamos a descer para Porto Amboim, um antigo e importante porto de pesca e início da linha de comboio que trazia em tempos o café da CADA, uma empresa exportadora de café robusta. Foi ali na “Boa Lembrança” da CADA, que passei minha lua-de-mel como soe dizer-se, no ano de 1970. O sol kúkia, descia já no horizonte valorizando a ampla baía com o mesmo nome.

Neste local de muita azáfama piscatória no tempo dos Tugas, podia ainda ver-se alguma movida na arte de secar peixe, pesca da lagosta e lá mais adiante, ao dobrar do promontório e na foz do rio Cuvo as deliciosas e grandes ostras. Compramos ao Tadeu Matrindindi um saco de ráfia, daqueles usados no transporte de carvão lá no M´Puto. Custou-nos cem kwanzas ou seja o equivalente a dois €uros e vinte cêntimos. E, se havia ostras! Dias depois voltamos ali, atravessamos em uma improvisada jangada de paus de binga, amarrados com mateba, numa lagoa da foz do rio Cuvo e nós mesmos, eu, Jimba, Zito e o vizinho Candimba apanhamos mais um saco daqueles.

quiçama0.jpg À medida que espetávamos o bordão no fundo, sentíamos as ostras, um rochoso crocante, depois era só mergulhar e apanhar à lagardere… Foram dias de folgadas lembranças como se ainda candengue estivesse a apanhar na Samba da Luua as mabangas para o isco a usar na apanha das mariquitas ou roncadores. O banco de calcário ostrífero era impressionantemente vasto por ali. Fazendo uma fogueira na ilha de areia daquela foz, pudemos fazer abrir aquelas deliciosas ostras, meter-lhe uma porção de sumo de limão e, depois degluti-las. A acompanhar tivemos as frias, cervejas Hanson, Heineken, Sul Africanas e a Cuca angolana.

Recordo agora o Jimba (já falecido) a apontar uma farta planície, uma imensidão de capim, as terras de seu pai e aonde cultivavam algodão em idos tempos. Agora podiam ver-se umas quantas cabeças de gado nemas bem perto de um quartel com parque militar; estafadas Urais e Ifas soviéticas usadas na guerra recém terminada -  há quatro meses…    

quiçama03.jpg Posso agora, 47 anos depois do 75 recordar: E, foi na Praia de Sangano um pouco a norte de Cabo Ledo que desembarcaram os primeiros homens comandados pelo General Raul Diaz Arqueles. Ali descarregaram os primeiros complexos móveis de defesa antiaérea “Strela”. Os instrutores deste equipamento sofisticado, estavam a ser coordenados pelo Coronel Trofimenko que a partir da Republica do Congo Brazaville enviavam numa primeira fase, pequenos aviões para aterrizar na pequena pista de aviação da Kissama em Cabo Ledo.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:45
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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2022
KALUNGA . XXXIII

KIANDA COM ONGWEVA NAS FRINCHAS DO TEMPO - XVIII de várias partes…

– Crónica 3281 de14.04.2022 em pajuçara de Maceió – Republicação a 28.10.2022 em Lagoa do M´Puto

– Segredos do Conde de Sant German no Museu do Prado em Madrid…

Ongweva é saudade  

Por roxo135.jpgT´Chingange (Ochingandji) – No PortVille da Pajuçara em Alagoas do Brasil e Lagoa do AlGharb

roxo182.jpgAR - As nações do mundo não se vincularam no reconhecimento do novo país chamado de Rodésia, auto proclamado por Ian Smith. Esta iniciativa prescreveu em 1979 com a entrada do bispo Abel Muzorewa que se torna chefe do governo, constituindo a primeira administração bi-racial (uma utopia africana). O governo de Muzorewa não logra durar muito e, novas eleições são convocadas, desta vez com total liberdade de acção para o bando terrorista de Mugabe.

Naturalmente, com o beneplácito dos areópagos internacionais, a 2 de Dezembro de 1987, Robert Mugabe, o marxista e seus bandoleiros do famigerado “processo político” é nomeado como o primeiro chefe executivo. Mugabe, apaparicado pelos senhores do globo, não tarda em implantar a sua ditadura de partido único através da perseguição, intimidação e eliminação física de opositores. O alvo preferido foi a população branca, fazendeiros e os negros que não aderiram à “revolução”.

roxo92.jpgAR -  Um território outrora pacífico e em franco desenvolvimento, é rapidamente transformado num espaço de opressão, violência, corrupção e ruína económica. Tal como em Angola, uma boa limpeza étnica só o é, desde que feita por negros contra brancos, que é sempre vista com olhos gordos de compreensão. A farsa da obra-prima da ONU e dos senhores do G7 deste planeta vão, paulatinamente continuar em cartaz na terra africana encharcada com o sangue de inocentes (um mundo cão).

Eis as excelsas realizações dos arrojados descolonizadores - “exemplares”, com certeza! Tive de descrever este panorama para chegar à kianda Zachaf Pigafetta Roxo, ao seu irmão Januário Pieter e ao Conde de San German, um destacado embaixador itinerante enigmático no quanto baste. Pois, é ele que me descreve as coisas aqui expostas, connosco comodamente sentados em um amplo salão do Prado e, enquanto os demais vêm e revêm os muitos quadros ali expostos.

Fui assim, inteirado por ele de que as Sereia Roxo e Oxor, eram procedentes do lago Niassa; com sua singularidade provenientes da tetravó Zachaf Pigafetta que por ali permanecia em uma ONG mas, só até que um dia, tiveram de dar o fora! Não havia condições nem para assombrações! O irmão Januário Pieter, que se manteve sempre por perto, tornou-se para mim um extraordinário consultor. A ele devo ter sido registado para o mundo como o único Niassalês em Paris, no primeiro encontro em Jablines de França. Absolutamente, não há nada, que ele não saiba! E, foi também quando pela primeira vez fui à Disneylândia com minha neta Lara! Creio que no ano de 2009 (Tinha ela uns oito anos…)

Ian Smith.jpg Eu estava por saber que uma sereia tem de ter sempre uma irmã gémea porque convêm de vez em quanto baralhar os espíritos malévolos; esses que serpenteiam entre difusas brumas como os ácaros do facebook. Brumas que por via de uma arte ficam acrilicamente voláteis, belas e disformes, misto de sonho com pesadelos tidos em luar longínquo parecendo até duma outra galáxia. Depois de tudo isto entendo as formas e contornos reluzidos em perfumadas ondas de quem pinta sem pinceis. Isto só mesmo de bruxas, kiandas ou calungas, falei…

Zachaf Pigafetta a tetravó, desta vez, já no pátio exterior do Museu, falou comigo sem aquela irreverência de kianda superior e, descendo à terra barrenta, à sombra de uma mafumeira (sim! é curioso mas, havia ali essa árvore), quase que me segredou ter sido em Harare que nasceu sua Neta de última geração Assunção Roxo. E, foram exactamente nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' mas salientou que não quer agora, nesta vida de hodiernidade, perturbar sua tetraneta (Nem ela sabe!...)  

roxo109.jpgAR -  Nunca se viram cara a cara mas foram-lhes transmitidas veracidades que nem ela Roxo se apercebe e, porque é através do vento soprado que lhe faz chegar as ondas de cinco gigabaites, aquela genica e vontade de papar léguas, mais o gosto pelas longitudes. Em sonhos conversam muito mas, logologo destes são esquecidos, porque ela só é kianda por vezes e, nestes sonhos de ilusão fosfórica. Notei que não me queria dar muitos mais pormenores. E foi graças à insistência do Conde de San German que ela, tetravó de Roxo se decidiu a abrir comigo…

roxomania4.jpgAR - Nota recente: *A kianda Oxor nunca foi vista por mim ao vivo mas, estive lá bem à sua porta no lugar do entroncamento, terra de fenómenos e assombrações – Se estava com uma nevralgia ou artrite, não pude cheirar o cheiro intenso da canfora, dos cremes usados para aliviar dores como o diclofenaco ou dietilamônio. Falando com Humberto Delgado durante o almoço, senti que havia um torcicolo para decifrar com a kianda gémea de Roxo… Assim, ao invés de fataça comi enguia, bem boa!  

**Ilustrações de Assunção Roxo…

 (Continua…) 

O Soba T´Chingange (Otchingandji



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:08
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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2022
PARACUCA . LVIII

MULOLAS DO TEMPO 29

RECORDANDO: Nós, bazungus no COMPLEXO PALMEIRAS de BILENE

- Odisseia “HAJA PACIÊNCIA” - 5 de Novembro de 2018 - 49º dia (uma Segunda Feira)

Crónica 3279 12.04.2022Republicação a 24.10.2022 em Lagoa do M´Puto

Por tuiui3.jpg T´Chingange – No PortVille de Maceió do Brasil e AlGharb do M´Puto

arte3.jpg Na cidade de Macia, já conhecida de outros tempos, tentamos ficar nos aposentos meio inaproveitados de José Lourenço, aonde já tinha ficado em anos anteriores mas, não foi possível contactar com seu sogro Pai de Santo, pai de Anita, o zelador do património, nem do bafana que por lá costuma estar. Houve desencontros de telefonemas e, como o Pai de Santo, sempre anda descuidado entre fraldas, não foi possível vislumbrá-lo. O que tem de ser é que vale! Batemos no portão de chapa largo, espreita o pátio e de novo me vejo a dar outra solução, plano B - ficarmos na Praia do Bilene, lugar também meu conhecido de anteriores andanças que fica a mais ou menos trinta quilómetros de Macia.

Assim, tive de recordar minha empregada Mery de Kampala: Vocês, os bazungus velhos como o patrão e, seu amigo Reis das Vissapas com seus carros de tracção às quatro rodas, vestidos com roupas muito cheias de bolsos, quase soldados expedicionários, sempre lhes faltam as pilhas na hora de dar à luz. Ué, como é então? Patrão (só faltou dizer muzungu) nós no Uganda não temos kitar yabulo de xelin, dinheiro para bafunfar só átoa. Desta vez até que tinha razão: a luz falhou. Bem! Da outra vez a garoupa de 3,5 quilos comprada no Xai-Xai de Gaza afinal estava imprópria para consumo; do velho bóher das barbas ao Samuel do hotel abandonado até ao Paulo da igreja, todos me levaram na reles curva da ignorância; o podre da garoupa que não tinha cheiro, no após forno, estava moído, intragável, coisa pútrida.

Daquele outra vez querendo agradar ao Patrão do Ricar, José Lourenço e sua filha Cristina, dei com os burros na água fazendo o papel de otário. Os patrícios do Índico do Xai-Xai, cuspiram-me na consciência de mwangolé mazombo e, francamente, não gostei. Quem gosta de ser enganado? As minhas visitas nobres tiveram de comer salsichas de lata para não desfazer o acolhimento. Havia um compromisso de “jaquinzinhos” trazidos de Maputo pelo gerente-mor do “Luar de Macia” – o doutor da mula ruça com alvará comprado numa tabanca da Guiné, pois desaconteceu. Vamos para Bilene, que já se faz tarde para a missa…

Mu Ukulu02.jpeg No meio destas confusões, para acalmar os assobios enviesados, resolvemos sim, assistir a uma missa em português e dialecto “Changani” à chegada a Bilene, um dos 60 dialectos falados em Moçambique na zona de Gaza. Os cânticos com a participação de missa cheia tiveram duas horas de duração, entusiasmando-me a basculhar esse mundo da fé. Para se ter uma vida espiritual, não é necessário entrar para um seminário, nem fazer jejum, abstinência ou castidade; basta ter fé e aceitar Deus. A partir daí, cada qual se transforma no seu caminho, passando a ser o veículo dos seus milagres.

E, fomos à missa porque queríamos assistir de novo às explosões de fé bailada, ao som de cânticos com muitas vozes, um espectáculo a não perder, com batuque. E, para encontrar Deus, basta olhar ao seu redor; podemos vê-Lo ao nosso lado, no cacimbo, na estrada, uma borboleta que esvoaça ou numa minúscula planta. Se tivermos a fé do tamanho de uma semente de alpista, podemos fazer milagres movendo pedras e, ser capaz de dominar o corpo e o espírito. Aqui, as gentes foram de enorme gentileza oferecendo-nos assento; só as damas Ibib e Marga usaram dessa bondade – afinal sempre há gente boa, aleluia!

missosso2.jpeg Sendo hoje segunda, 5 de Novembro, aqui estou sentado defronte desta magnifica manhã e, tendo um mar bonito da praia do Bilene do Distrito de Gaza, recordando o ontem recente para não me fugir da memória, falando também com a osga que sempre me olha inchando o papo e, salpicando falas na forma de estalidos como se fosse de origem khoisan. Impressionante, não sei como se desloca mas, sempre aparece curiosa e falando-me baixos guinchos, por respeito, acho! E, se Deus salva as almas, e não os corpos, teremos de ser nós a resguardarmo-nos porque, nem sempre é necessária a culpa para se ficar culpado e, embora o Senhor esteja em toda a parte, comigo e com ela, ámen…

É de ter em conta de que Ele, o Nosso Senhor, às vezes parece não ter tempo para nos olhar de frente mas, deixa para lá, outros dias virão. E, foi hoje que visitamos a casa museu de Eduardo Ruiz com uma mulemba radiante mesmo em frente do seu Complexo Palmeiras. Uma amabilidade na forma de gente que fez o favor de nos esclarecer sobre o problema que áfrica atravessa de momento. Também ele quer vender seu Complexo por dois milhões de meticais, tendo o banco calculado seu património em oito milhões. Tudo tem um porquê!

JINDUNGO2.jpg E, foi na casa de Eduardo Ruiz que a febre de melhor condutor de África dita no início pelo El Comandante caiu na temperatura. Isto há coisas, nem lembra ao diabo, este acontecido. Afinal era sim este senhor o maior corredor de ralis daquele tempo. E, vimos suas vestimentas, suas fotos, seus chapéus e luvas de protecção e símbolos com taças mais os diplomas das marcas com quem ele correu, representou. Não fiz reparo ao nosso Comandante mas, foi sim o culminar de uma ousada vaidade despir-se perante outras evidências. Aqui, a pópia de nosso El Comandante escorreu de suores frios pela crista murcha de encrespamento, Háka patrão…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:28
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Domingo, 23 de Outubro de 2022
MAIANGA . XXIV

“TAMBULA CONTA – Maianga, é lugar de muitas e boas águas”

- FUI BAPTIZAR-ME DE NOVO NO S. FRANCISCO EM PIAÇABUÇU

. Crónica 327809.04.2022 em Piaçabuçu – Republicada a 23.10.2022 em Lagoa do M´Puto

Por piaçabuçu02.jpg T´Chingange – Na foz do Rio São Francisco

Piaçabuçu1.png PIAÇABUÇU - Piaçabuçu é um município do estado de Alagoas, no Brasil. O curioso deste nome é o de que é a única palavra escrita em português com dois “Ç” de cedilha. "Piaçabuçu" é um termo de origem tupi que significa "piaçava grande", piaçá de folha acerada da palmeira com que se faz as vassouras e buçu de grande palmeira que existe na região. Este dia foi dedicada ao aniversário de uma grande amiga de nome Margarida e também do recordar de meus ancestrais que morreram em milhares nas trincheiras, naquela que ficou conhecida como a batalha de La Lys travada na 1ª grande guerra em Flandres da França – 9 de Abril…

A história da região do rio São Francisco, iniciou em 1660 com o português André Dantas com a penetração rumo ao interior de Alagoas. O povoado surgiu a partir de uma capela que Dantas mandou construir em homenagem a São Francisco de Borja. Foi pertença da capitania hereditária de Francisco Pereira Coutinho. Este município de Piaçabuçu tem o maior banco de camarão do Nordeste, resultado do volume de material orgânico jogado ao mar pelo rio São Francisco, o rio da integridade brasileira.

piaçabuçu01.jpg Piaçabuçu foi elevada a vila e município em 1882, tendo sido desmembrada de Penedo. O município, institui em 1983 por acção do Governo Federal, os projectos de protecção às tartarugas e aves migratórias. Nas areias da foz do S. Francisco existem dunas que em seu conjunto mais se parecem inseridas em um deserto; têm a particularidade de se moverem pelo efeito do vento, um caso única em Alagoas.

Com altas dunas, fazem em seu conjunto, um belo contraste com o mar. Já tive oportunidade de subir às maiores dunas do mundo, no lugar de Sesriam no deserto namibiano do Sossuvley na cadeia de montanhas de Naukluft Park. E, foi a Duna 45 que sempre ficou colada às minhas lembranças… para além de todas as notícias convém recordar que Piaçabuçu teve também o seu ciclo do arroz. Já em 1834, principiou o cultivo de arroz, neste vale do rio e, após a Independência do Brasil (1822), seu cultivo ganhou força nas terras da região do baixo São Francisco, entre outras, enriquecendo rapidamente cidades como Piaçabuçu, Penedo, Igreja Nova. Até hoje, Piaçabuçu é a segunda maior produtora de arroz de Alagoas.

piaçabuçu03.jpg Grande parte da economia da cidade gira em torno do turismo, em especial do passeio ofertado por diversos barcos particulares à foz do Rio São Francisco, que banha a cidade. Um dos mais famosos barqueiros locais é conhecido como o Delta do São Francisco. Neste cenário de indescritível beleza quando suas águas se encontram com o mar, com dunas de areias claríssimas e várias lagoas de águas mornas, enquanto o estudante, musico, cicerone e entreteinar de bordo local de nome Luís levava seu lote de turistas a ver uma das dunas moventes, eu e Ibib, ficamos bem por debaixo da larga sombra aonde o cheiro nos convidada a ficar para provar as iguarias

E, comodamente sentados podíamos ver lá na duna mais alta do local, Luís, o manager, explicar, cantar, inventar, historiar e até tirar umas fotos fazendo beleza como quase estando na ponta do Titânik fazendo levantar no ar as sedas de cada qual, esvoaçantes; Três sobreviventes coqueiros lá no lado norte, na direcção de Deserto Feliz, uma nova cidade e bem perto de Cururipe, coqueiros sobreviventes, assistiam como nós aos suprimento de carências na resiliência como soe dizer-se de Luís, o cantador de baladas e música freelancer de forros de sopé da serra.

piaçabuçu2.jpg Comemos espetadas de pilombeta, um peixe pequeno oriundo daquelas águas baixas das lagoas, queijo de coalho assado no carvão e na companhia de frescas Skol resguardadas do calor. A conselho do ocasional marujo do jacaré dos rios, comprei por quinze reais uma especial cachaça com bagas de cambuí… O fruto cambuí é consumido in natura, bem como em sucos, tortas, compotas e geleias, entre outros usos. São atribuídas ao fruto propriedades terapêuticas como adstringente, antidiabético, hipoglicemiante, antioxidante e anti-séptico.

piaçabuçu04.jpg O Cambuí, é também rico em carboidratos, lipídeos e proteínas. Acho que devo ter todas estas maleitas e, assim o usei botando um niquinho no café e, assim, levantei as mãos com os dedos abertos e no vento das dunas fujonas, bati todos juntos chispando um uiui com estalo de cangaceiro, que coisa boa que desce e sobe rápido e em simultâneo… O dia foi lindo mas terminou como todos os dias; cansado fui cedo para a cama pensando nas velas quadradas das canoas que outrora via naquela foz do São Francisco e, hoje não vi!… Fui!

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:43
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Sábado, 22 de Outubro de 2022
MISSOSSO . LI

NO KILOMBO DO ZUMBI – NA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA…

COM FALA KALADO - Crónica 327716ª de Várias Partes – 08.04.2022 em Pajuçara – Republicada a 22.10.2022 em Lagoa do M´puto

Por aqualtune.jpgA - T´Chingange – No nordeste brasileiro e AlGharb do M´puto (Com Aqualtune)

tonito19.jpg Chegada a hora do café e dos digestivos, era suposto haver discursos na forma de agradecimento mas, e devido ao facto do Exmo. Cidadão estar no estado já descrito e, porque sempre ficava apoquentado de irrequieto quando tudo ficava demorado, Rosa Casado, a chefe de protocolo, deu indicações que o senhor Comendador iria retirar-se a fim de dar andamento aos seus tratamentos e, que as individualidades presentes, (nós), iriam para o d´jango do jardim para e após ou durante o café serem estabelecidas as linhas programáticas da Fundação Zumbi de N´Gola para o tempo que restava, até se findar o ano civil.

Após Rosa Casado ter segredado algo propedêutico ao ouvido do Exmo. Comendador, este de novo levantou sua mão direita para dar homologação às palavras de sua muito distinta auxiliar, dona de muitos segredos oriundos de Garanhuns, Petrolina e Serra da Barriga por ser filha de um antigo prefeito da Cidade de União dos Palmares – António Ribeiro Casado. Todos de pé, assistimos à saída do filantrópico cidadão acompanhado daquela outra senhora com bata branca com uma cruz vermelha ao peito…

O gigante negro Lother, que até então se mantinha afastado, bem no canto e ao lado do tal chefe de cerimónias com laçarote, este, ao tocar de novo o sino como que dando por terminado o repasto, Lother caminhou na direcção da cadeira ergonómica que, com suavidade, rodou noventa graus, levando seu patrono ao seu mukifo … Estando eu atento em todo o tempo ao semblante do meu antigo companheiro de guerra do Maiombe pude reparar…

zem4.jpg Pude notar duas lágrimas caindo por sua face; havia momentos de lucidez e, nesses momentos, era tomado pelas carências de perdoar o justo pelo certo e também porque não mais seu luar, poderia pôr a noite inchada. Por momentos até relancei a hipótese de estar a fingir para ludibriar a Intelligence secreta que sempre parecia estar presente em seus passos desde que saiu matumbola de Angola, seu país de origem… União dos Palmares é considerada uma das principais cidades de Alagoas e é conhecida por ser "A Terra da Liberdade", pois foi nela, mais precisamente na Serra da Barriga aqui descrita por vezes como Serra dos Macacos, aonde foi dado o primeiro grito de liberdade por Zumbi dos Palmares.

Em sua memória surgiu a festa da Consciência Negra festejada a 20 de Novembro, dia de sua morte. Tive esta lembrança na deslocação para o d´jango aonde iriamos estabelecer as tais linhas programáticas da Fundação. Do muito que ali se debateu, a mim, Zelador-Mor, conselheiro, fiquei de coordenar o vinte de Novembro, de coordenar toda a logística de convites às muitas personalidades do mundo dos PALOPS, cabendo a cada um dos outros nove membros eleger três figuras públicas internacionais nas áreas de governo, cultura e diplomacia global. 

adalberto junior unita.jpg Não vou aqui entrar em detalhes do foro interno mas e, no que toca à minha escolha apontei os nomes de Marcial N´Dachala e General Kamalata Numa, ambos da UNITA*** e, José Eduardo Agualusa, escritor conceituado a nível internacional. Na altura certa se saberá publicamente os outros nomes num total de trinta, tendo várias correntes politicas e visões diferenciadas para e, em altura própria conferenciarem seus pontos de vista, da Paz e da guerra, dos pontos dentro e fora das quatro linhas que balizam os conceitos de democracia.

Também ficará a meu cargo a popularíssima Corrida Palmarina do Jumento Alagoano no último domingo de Dezembro de cada ano civil; uma cavalhada que entusiasmará por certo todos os tropeiros deste mundo. Esta festa de cariz popular terá decerto a filiação da autarquia e muitos aficionados das gestas heróicas dos tempos idos, das tropas de muares cruzando os lugares mais recônditos deste brasil. Esta terá também a participação das gentes dos actuais quilombos adstritos à governança de Paulo Sarmento, Assistente do Rotary Internacional, Distrito 4390.  

No século XVII, Alagoas oferecia reduto para os negros formarem os inúmeros quilombos que prosperavam em todo o território brasileiro, mas que tiveram na Cerca dos Macacos da Serra da Barriga, nos Palmares, sua maior simbologia. O Brasil foi o país com a maior concentração de escravos negros do mundo com dados indicadores de 3,5 milhões. A liberdade, por meio de fuga, consolidava-se pela anormalidade da vida administrativa e económica da capitania de Pernambuco. Palmares, perdurou por 64 anos, capitulando no ano de 1696 e é o governador da capitania que relata ao rei D. Pedro II do M´Puto, o pacífico, a morte de Zumbi dos Palmares…

esquindiva1.jpg Nota ***: - Por via de altercações ao programa editorial acrescento agora – 22.10.2022 à lista de convidados Adalberto da Costa Júnior, o verdadeiro ganhador das eleições em Angola mas que por via de fraude grosseira não pode usar das prorrogativas de Presidente. O seu a seu dono: Kwacha!…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:37
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2022
N´NHAKA . XVII

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . III

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças actuais de escritos antigos - “havemos de voltar” – Em Julho de 2002 (quatro meses após a morte de Savimbi – 22 de Fevereiro de 2002)

Crónica 3276 de 07.04.2022 escrita na Pajuçara de Maceió – Republicação a 20.10.2022 na lagoa do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por t´chingange 0.jpg T´Chingange

selo10.jpg Bien, Humberto Cunha do Sumbe, engenheiro civil formado em Cuba em tempos de dipanda, chorou ao despedir-se de mim e Ibib no mesmo aeroporto “4 de Fevereiro” (antigo Craveiro Lopes ou de Belas). Eu, que me fiz forte na altura, relembro agora que também fiquei esfiapado das pestanas, com humidade por arrumo dos preparos finais. Foi exactamente na sala que nesse então, reparei, essa sala ter perdido o tecto falso; podia ver-se os tubos semi descarnados e em desalinho, dispondo-se encavalitados em todos os sentidos. Este intróito sendo de saída é só uma pescada de rabo na boca porque a descrição que se segue é o começo da visita ao CANTINHO DO INFERNO

Fiquei sem saber se os tubos levavam dentro outros fios ou águas negras; Se eram condutas de ar condicionado ou fios de comunicação! Só faço este reparo para verem o quanto havia de descaso numa sala de entrada e saída de gente a quem se necessita dar uma boa imagem; Os tempos de guerra finda há quatro meses, supõe-se não ter dado manobra de embelezamento às estruturas de aparência. Tinha saído de Angola nesta mesma sala em Agosto 1975 com uma guia de marcha sem volta, emanada pelo Alto Comissária em Angola e, no meio de tanta agitação, tanto caixote espalhado a esmo, nem reparei se havia ali, ou não, tecto falso.

Havia sim controlo sanitário, alfândega, controlo de polícia de fronteira e bagagem. Quem tivesse kwanzas ou outra moeda de sobra, era ali depositada por confisco sumário; não era permitido retirar do território qualquer divisa sem estar superiormente declarada. Consegui passar despercebido ao lado desta desorganizada rigorosidade. Nossas malas dispostas no exterior eram assinaladas por cada um dos passageiros que só depois de o dizer qual a sua mala ou malas, eram carregadas até ao avião da TAP. Compreende-se, pois nesse então e ali, não havia ainda os métodos modernos de visão do tipo de raio xis…

selos3.jpg Pois de vacina nas mãos é-nos indicado o sítio de carimbação; gente improvisada, vestida de bata dá valia aos papéis amarelos e, depois das boas chegadas por parte das autoridades com chapéu de dourados arabescos, vem a secção da bagagem aonde a dita gasosa agiliza as vistas. Isto aconteceu na chegada com o surpreendente pedido de gasosa sem sabermos nesse então o que seria isso; O Zito mais avisado disse ao Jimba (já falecido) que era uma gorjeta para não empatar; neste momento já tinha vinte euros na mão para desanuviar a mercadoria e, assim aconteceu…

O primeiro impacto com os destapados buracos de rua foi logo ali em frente ao aeroporto 4 de Fevereiro, esgotos a correr a céu aberto, bem à saída da base da Força Aérea e, entre esta e o bairro que já foi novo quando os cubanos o construíram. Os bolos de batata-doce, de mandioca e banana assada com outras iguarias por ali estão expostos, no meio do espezinhado lamaçal, em cima de improvisadas caixas. Mais ao lado há uma secção de lavagens de carros, uma mangueira que verte água que por seu lado escorre para este improvisado mercado das calamidades.

selos7.jpg O desenrasca funciona paredes meias com os supostos sítios nobres. Luanda aí está! Passando no antigo largo Afonso Henriques, e bem em frente aonde funcionou o sindicato metalúrgico para meu espanto, vejo um grande buraco a jorrar água limpa aos borbotos e uns quantos jovens a fazer daquilo uma estação de lavagem para carros, baldes, esfregonas, sabões e tudo no tecnicamente imperfeito. Os carros eram de alta cilindrada, vidos fumados e acessórios xispéteo… O sinaleiro da Maianga faz milagres para dar ordem ao trânsito, é desrespeitado e até chamado de nomes de macaco para símio. Os vendedores de antenas parabólicas, chinelos e quinquilharias chinocas não largam as janelas dos carros aqui e em qualquer cruzamento com ou sem sinais. Patrão compra só, é barato! 

E, vi porque ninguém me contou: coleiras de cão, peúgas, pó de pulgas, chapéus quicos e até batatas fritas. Os Libaneses resolvem o problema de despachar o negócio usando crianças a venderem de tudo e também CêDês produzidos em estúdios suspeitos do Cazenga ou kazukuteiros do Sambizanga, saídos do Tira-biquíni e Dona Xepa e outros com esquemas com bangula, um salve-se quem poder que a morte vem aí, é certa…

sumbe1.jpg Bem ao lado da casa do Chico Massa aonde ficamos por uma noite, cruzamento da rua de João Seca com a rua da Maianga, o imbondeiro, continua lá, mas muito rodeado de chapas altas. Posso ver daqui a antiga oficina do meu cunhado Paulino Branco, o homem das cambotas (já falecido), bem junto à antiga avenida Craveiro Lopes; sei que do outro lado está a morgue aonde em tempos de candengue vi pedaços de atrocidades, mas, olhando para cima consigo ver umas quantas múcuas. De lá de dentro sai um barulho de esmeril guinchando raivas afiadas – é uma fábrica de grades anti ladrão para colocar em janelas, portas e demais vãos de casas e edecéteras.

Nota: mais lá para o final colocarei um glossário para se lembrarem de quando não eram kaluandas…      

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)              



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:24
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Domingo, 16 de Outubro de 2022
N´NHAKA . XVI

ANGOLA, TERRA DA GASOSA . II

CANTINHO DO INFERNO – TERRA DE MATRINDINDES

Lembranças actuais de escritos antigos - “Havemos de voltar”Foi em Julho de 2002

– Crónica 3273 de 05.04.2022 – Republicada a 16.10.2022 no AlGharb do M´Puto

N´Nhaka: - Do Umbundo, lameiro, plantação junto aos rios, horta…

Por soba02.jpg  T´Chingange

caricocos.jpg Voo TP, destino Luanda – Uma lufada de ar quente ao sair do Douglas no Aeroporto Internacional de Luanda, “Quatro de Fevereiro” em Belas. Momentos antes na acomodação da aterragem, já lusco-fusco, circunsobrevoavamos a Luua e, ali estava ela cheia de pontinhos de luz dando indicação do crescimento emancipado para mais além do que se poderia imaginar em 11 de Novembro de 1975 e, lá estava a ponta da ilha Mazenga e sua bonita baia de luz reflectida em nuances multicolores, os barcos, edifícios e, também uma nova coisa chamada de plataforma petrolífera, mesmomesmo na embocadura.

Do Morra da Cruz e em círculo, passando por Viana até quase ao Cacuaco, tudo é Luanda, não se distinguindo aonde acaba o musseque e começa a cidade; o centro perdeu-se numa imensidão de cubatas e, aí temos a grande metrópole com quase cinco milhões de habitantes (2002), a transbordar nas barrocas e linhas de água, que já o foram. A catinga sente-se no ar à mistura com estagnados descuidos de águas negras a céu aberto e, sem impedimento de se o notar; o costume habitua-se no urbanismo da normalidade…

Noutro dia e, à luz clara da manhã fresca deu para pisar o pó e as escorrências, sentir os cheiros fortes de mabanga e peixe frito em óleo de dendém, odores de lixo desentulhado com muita gente circulando, fazendo não sei o quê, talvez queimando o tempo e, cruzando arrepiadamente sobrevivências por todo sitio, ruas definhadas, esburacadas, ondulando o passeio, que o não é mais; asfalto malé, aiué…

mirangolos.jpg Na encosta do Prenda cortava-se a carapinha num telheiro meio chapa, meio palha e pedaços de taipa quase que meio por fazer e, mais ao lado neste pseudo cabeleireiro, lá estava a tabuleta “Salão de senhoras Dona Xepa” e no letreiro podia até ler-se: desfrisam-se cabeças. Se havia cor no imóvel, tinha fugido, faz tempo!... Vou tentar cronicar o que vi e, fazer retrato do que me apercebi com as inerentes dificuldades dum branco de segunda, quase preto por defeito e ousadia, que não esquece o calor daquela terra de quando ainda candengue pisou todo aquele espaço.   

Espaço que também me viu crescer amulatado de jeitos, crioulo mazombo de imperfeição. Mas, diga-se, o calor continua também naquelas gentes, com vontade de agradar; a amizade faz-se rápido, flui mais repentinamente num abraço de empatia como doença de querer. Desta feita assim ganhei mais um amigo de nome Humberto, rebaptizado de “Bien”. Foi ele o meu cicerone durante vinticinco dias e, é a ele a quem esta crónica é dedicada por agradecimento…

Foi ele, engenheiro Bien, formado em Cubano, natural do Sumbe, que me levou desde a foz do rio Dande, bem perto do Caxito, até ao dito Cantinho do Inferno. Aqui voltarei na descrição chegado seu próprio momento e, para não me perder no fio da meada dizendo do resto aonde me levou que, assim será na ordem cardial e para Sul com o Porto Amboim, Sumbe, antigo Novo Redondo, Canjála, Lobito, Benguela e Baia Farta.

moka31.jpg Bien, ex-comandante, formado em Cuba, técnico de Construção Civil. Como tantos outros neste momento (2002) está no desemprego mas, sempre há um mas, desenrasca a vida peneirando diligências aqui e ali furando o esquema; comprou uma roulotte e, lá para os lados do Sambizanga tem uma catorzinha a vender peixe frito, banana assada, pasteis e cachorros quentes de pastas coloridas oriundas dos tomates e outras especiarias, mais cerveja cuca quando a há e, também quando calha, se acomoda com ela nas ternuras do farfalho…

Bien, o ex-comandante, engenheiro de desenrasca, diz que são necessidades fisioterapeutas. Só que lá no Sumbe e Benguela também tem mulher e filhos, pois! Mancomunou a vida aqui e ali soldando avarias pelas técnicas aprendidas em Havana e, ali nas facilidades acostumadas de suas terras, comunga tudo com as saias desprendidas e a isto, disse-me não ser de ferro. Em verdade, há trechos em que nossa vida amolece a gente, tanto, que até num referver de bom desejo, no meio da razão sempre vem um benefício…

Passados que são mais de vinte anos, recordo de novo nesta data para que conste na Torre de N´Zombo do Kimbo, a biblioteca base desta existência…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)               



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:38
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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2022
KALUNGA . XXXII

KIANDA COM ONGWEVA NAS FRINCHAS DO TEMPO - XVII de várias partes…

Crónica 3270 de 02.04.2022 no PortVille da Pajuçara em Alagoas do Brasil – Republicação a 12.10.2022 no AlGharb do M´Puto

Desabafos do Conde de Sant German no Museu do Prado em Sevilha…

Ongweva é coração com saudade 

Por salazar03.jpgT´Chingange (Ochingandji) – Em Alagoas do Brasil e Lagoa do M´Puto

Ian Smith.jpg Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. É o Conde de Sant German que continua descrevendo sua experiência em África: Cumpre ressaltar as páginas elogiosas que Ian Smith dedica a Salazar e a Portugal a quem rende sincera homenagem à nação euro-ultramarina que, com a nobreza da simplicidade e a força de seu carácter, cumpria a missão histórica do povo. Muitos, acapachar-se-ão na retorica do ditador sem contudo demonstrar esse acto de coarctar a bem da Nação, como era apanágio dizer-se em causa pública.    

Claro que não falava para uma plateia de estudantes encapuchados com suas novas ideias, novelos de linhas políticas emancipalistas no tanto quanto chega. Nós, eu e Januário somente o ouvíamos! Salazar, defendia com determinação os seus legítimos direitos e interesses perante os mais fortes do mundo. Ele, Salazar, foi um estadista excepcional, cuja craveira intelectual e moral deixaram nele, Ian Smith uma impressão única e indelével. Aqui, eu falei: - tomara termos hoje no M´Puto gente com a craveira dele!

Niassa1.jpg Foi o Conde de San German que destrinçou esta parte da estória que os historiadores pulam por conveniência ou falta de caracter. A Grã-Bretanha, empenhada na sua demissão histórica, anuncia a dissolução da Federação das Rodésias e do Niassalândia com vista à formação de Estados “independentes governados por maioria negra. Smith é o único do seu partido, lá em Londres, a manifestar oficialmente a sua desconfiança em relação à proposta explicitada por alguns lordes. Para ele, a Inglaterra, no afã de obter a simpatia de afro-asiáticos, Estado-Unidenses e Soviéticos, estaria disposta a liquidar o seu “problema colonial” com o abandono puro e simples da população branca; não há outra forma de o dizer…

E, continua: - os mesmos indivíduos que no conflito mundial de 39-45 deixaram a paz dos seus lares para irem arriscar as próprias vidas no socorro à Grã-Bretanha. Foi o caso dele! Em 1964, dez anos antes da abrilada portuguesa, Ian Smith é eleito primeiro-ministro. Numa visita oficial a Lisboa encontra-se demoradamente com Salazar e este diz-lhe declaradamente que os rodesianos seriam traídos pelos ingleses.

NIASSALÂNDIA1.png Esta novidade apanhava-me de supetão pois sempre me pareceu ser Salazar um tanto ou quanto submisso às directivas diplomáticas dos fleumáticos britânicos. Mais disse que enquanto ele fosse Presidente do Concelho em Portugal, prestaria o auxílio necessário a Salisbúria (a actual Harare). Pouco depois, aqueles a quem Fialho de Almeida chamou de “carrascos ruivos do Tamisa”, concretizariam o que o estadista português preconizava. Sabemos agora que na surdina diplomática, alguns de seus compatriotas Tugas se enfeudavam em secretas manobras de desestabilização.  

A lembrança deste encontro profético em São Bento ficou para sempre gravada na sua memória, plenamente convencido de que, se Salazar tivesse vivido dez anos mais, a Rodésia teria sobrevivido. Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. Sua vida política passa então a reger-se quase que exclusivamente por duas constantes: a neutralização dos efeitos das sanções impostas pela ONU, sob a batuta de Londres e Washington; e o combate ao terrorismo e à guerrilha de obediência comunista que faziam a sua desumana entrada no território.

niassaland4.jpg E é agora e por intermédio desta kiandisse, assim calhou, que me é dado conhecer toda a arte de velhacaria que invadiu o dito mundo moderno através dos arautos da verdade, os primos Ingleses e americanos que continuam a ditar leis aos outros povos, sabendo à partida que é tudo uma utopia ou farsa. Nós, que estamos vivendo os problemas que nos cercam, podemos dar a importância devida ao que engloba este nosso recente passado para rectificarmo-nos ou ponderarmos sobre o nosso futuro tão incerto.

niassaland00.jpg Sabemos bem o que ocorre hoje nestes territórios que ascenderam à independência às pressas, de uma gestão catastrófica de puros ditadores e, do silêncio ensurdecedor dos órgãos de informação internacionais como que, obedecendo a uma nova ordem mundial. Estas falas em um amplo corredor do Museu do Prado foram insólitas mas, até que foi bom inteirar-me delas mesmo que fugindo um pouco à ideia da estória com as calungas. Decerto iremos apanhar o rumo à estória das kiandas que se segue…Também fico curioso.  

(Continua…)                            

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:40
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2022
MOAMBA . LI

MOAMBA DE QUINTA – ALGURES NO BUCO-ZAU2ª Parte

CABINDA NO ANO DE 1968 (FOI HÁ 54 ANOS) - ANGOLA

Crónica 3269 - No PortVille da Pajuçara de Maceió – Republicação a 11.10.2022 no AlGharb do M´Puto

Por CABINDA5.pngT'Chingange – Na Pajuçara de Maceió E AlGharb do M´puto

cabinda7.jpg Naquela terra, este sítio, só o nome subsiste ao salalé; ficaram restos de troncos e, alguns já só eram tábuas avulso ladeadas ou cobertas por capim, abraçados por trepadeiras canibais. Naquele desalinhado jardim, um verdadeiro refúgio de cobras de mamba negra e cipó mais surucucu, kissonde e elefantes num fim de missão medalhada a medos, fiz amizade com um Gorila do Maiombe.

O dito cujo, sentado no topo das tabuas por aparar, olhava para mim de peito feito, sorrindo de susto ousado; Seguiram-se outros instantes muito cheios de adrenalina e assim na crescente empatia tornamo-nos amigos! Ao cair da noite o meu amigo gorila a quem dei o nome de Felizmino, lá estava naquele sítio, topo das tábuas; num cada vez mais aproximados fizemos amizade dando-nos ao luxo de trocar sons de guinchos e rapidamente aprendeu o dóremifasolasi com topariobé na mistura!

Num jogo de esconde e foge comprava sua amizade oferecendo-lhe bananas ouro e prata mais de maça, Foi um entendimento superior às nossas competências chegando no escorrer do tempo em um tu-cá tu-lá de irmãos. Um dia fiz uso de um estratagema, meti numa cabaça uma boa quantidade de jinguba e prendi-a com um baraço e arame a um chinguiço saliente de entre as tábuas do tal ex-Anibal, o madeireiro. Felizmino não resistiu à tentação, meteu a mão na cabaça, encheu seu punho e,…nada de largar; assim ficou prisioneiro da sua própria gula.

maun8.jpg Reganhando o dente aos poucos amaciou empatia com minha pópia já não de todo desinteligivel. Soltei-o com afagos e carinho ficando a partir de então amigos. Ele e eu guinchávamos amizade e por este acontecido dei ao Felizmino o sobrenome de Gorigula. Fora de portas d´armas e arame farpado eu e Gorigula fomo-nos isentando de medos, conservando gestos subservientes de baixar a cabeça procurando um afago de catar amizade.

Um dia apareci com um baralho de cartas e, na mesa improvisada espalhei os paus, as copas, os ouros e catanas e, num repente surpreendemo-nos a jogar sem regras. Entretanto falava-lhe das minhas alegrias, num faz de conta e, ele se desentendia largando as copas; entre paus cambalhotava-se como um doidão e, eu gesticulando graças sem coreografia como só mesmo para espantar suprimentos da fala. Estávamos com uma dança com doidos quando da mata veio grande alarido, rebentamento de granadas, rajadas e bazucadas; era uma emboscada!

Escorreguei entre lianas, cipós húmidos e folhagem impregnada de aranhas até que, parei na berma, justamente ali na curva da morte aonde os restos dos camaradas se dispunham desalinhavados ao longo da picada do Massabi. Morreu o Rodrigues mais o Junça! Estes tempos amachucados da estória, foram apertados - as vergonhas alheias da vitória ficaram na certa numa luta que continuou sempre muito traída. Até cheguei a pensar que Deus era ateu, uma heresia de todo o tamanho, diga-se em abono da verdade.

mai7.jpg Do Felismino Gorigula ficou um sonho incompleto! Em verdade ele falava espanhol – o sacana enganou-me por completamente. Ele era do MPLA, um genuíno filho da mãe …Pulando em cima dos troncos da serração do Aníbal, com braços abertos gesticulava uma catana cortando o vento com fúria como se fosse um ninja. De uma das mãos lançou um ás de copas que baloiçou até meus pés e ouvi mesmo: La vitória és cierta! La lucha continua! O Gorigula tinha sido um companheiro do Ché Guevara; Quem ia adivinhar!? Vim a saber muito mais tarde. Desconsolado ainda pude ver-me na lagoa do Bumelambuto a fumar liamba com o Alexandre Tati e seus Mpalabandas, para consolidar infortúnios de salalé…

Agora, longe daquele lugar, revivendo juventude desperdiçada e por coisa nenhuma duma guerra que em nada resultou para além da independência, que virou de tundamunjila (thunda mu n´jilla), vai para a tua terra branco de segunda, gweta e mazombo, assim foi e assim segui meus rituais cristãos de missionação na diáspora botando cazumbis nas malambas e crenças de N´Zambi. Quase quatro anos perdidos… Encafifado num reencontro de meus folgados calções zuarte amarelos e as encarquilhadas sapatilhas de marca “michelin” ainda sigo com os olhos feito ouvidos e afiados, olhando a etiqueta do espólio feito no RI2O da Luua. Na etiqueta que tirei da caderneta militar consta o ano de 1966 – Escola de Aplicação Militar, Huambo… Fui!    

bay0.jpg  Glossário:

Fiote:- Natural de Cabinda, Imbinda; Bikwatas: - Coisas, trastes; Alambamento: - Casamento: M´palanda: - Libertador de Cabinda, defensor de seus direitos; Salalé: - Formiga que se alimenta de madeira apodrecida; Turra: - Guerrilheiro; Muxoxo: - Um estalar de palato com queixo inferior descolando a língua formatando assim um desdém sonoro mas, sussurrado; T´chindere: - Branco; Topariobé: - Vai à tuge; M´Puto: - Portugal… 

 O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:53
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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2022
MOAMBA . L

MOAMBA DE QUINTA – ALGURES NO BUCO-ZAU1ª Parte

CABINDA NO ANO DE 1968 (FOI HÁ 54 ANOS) - ANGOLA

Crónica 3268 - No PortVille da Pajuçara de Maceió – Republicação a 10.10.2022 no AlGharb do M´Puto

Por CABINDA2.jpg T'Chingange – Na Pajuçara de Maceió

CABINDA3.jpg Algures no Buco-Zau -- De uma das mãos lançou um ás de copas que baloiçou até meus pés e ouvi mesmo: La vitória és cierta! La lucha continua! O Gorigula tinha sido um companheiro de Ché Guevara… Naqueles longínquos anos de entre sessenta e setenta do século passado, o XX, todo metido na Mata do Maiombe, tropeçando na força das circunstâncias e num entretanto que só durou quatro anos, a guerra foi um conjunto de acidentes suados a paludismo.

De um para outro lado, subindo e descendo rios procurando rastos com o soba Mateus à frente, barafustando com o ar e cortando capim à catanada, pisando charcos infestados de sanguessugas, larvas com milhões de patas e escorpiões pretos e pré-históricos a fingir de lagostins. Buscando turras num secalhar perdido entre a bruma e o cacimbo, o gozo da liberdade corria como se a vida fosse um jogo de poker, num azar de tomar pastilhas vermelhas para anular maleitas com micróbios fosfóricos na única água estraganada que havia.

CABINDA5.png Com as costas das mãos afastávamos as bicharias visíveis e, em seguida engolíamos aquilo escorrendo da mão ou numa qualquer folha verde a jeito com um comprimido vermelho de mataratos. Guardando soberania da pátria do M´Puto, camuflados ensopados até o tutano, assim seguíamos em fila de pirilau, duas granadas presas ao peito, uma G3 em riste mais uma cartucheira repleta de balas para o que desse e, viesse.

Atrás uns dos outros na forma de pirilau, ouvíamos os gritos da floresta, o piar dos pássaros e o grasnar de fantasmosas, sombras que se moviam como olharapos entre o ripado verde com troncos disformes e veias salientes segurando esguios troncos sequiosos de luz, outros disformes esfarelando-se na velhice como abatises para alimentar bichezas rastejantes; a mente medrosa fazia-se ali num jardim de cânticos surdinando mugidos e muxoxos numa raiva sossegada.

CABINDA4.jpg O barulho do helicóptero chega zunindo e na forma de parafuso baixa suave até ao centro da mata, uma clareira junto ao rio Luáli, um afluente do Chiloango. Buco-Zau era um lugar rodeado de um escandalosamente verde variado e húmido, um conjunto de casas e armazéns rodeados de árvores majestosamente nobres e, mais além um conjunto de cubatas unidas por um terreiro, uma quase colina rodeada de cacaueiros e um ou outro pé de cafeeiro aonde já se podiam distinguir bagas vermelhas.

As casas grandes como as do M´Puto, umas com beira outras sem ela, pertença de administradores e capatazes T´chinderes, dispunham-se alinhadas com cobertura de zinco já na cor de um castanho enferrujado. Enquanto a casa principal da roça era coberta a quatro águas em telha de canudo luso ou marselha e sacadas a quase todo o seu redor, as outras, mais modestas, eram cobertas só a zinco mas, e também com folhas de palmeira ripada e entrelaçada na forma de loando.

cabinda8.jpg Pretos em tronco nu cruzam-se com bikwatas ou ferramentas pendendo dos ombros enquanto as mulheres envoltas em panos com a esfinge de Mobutu, Mugabe ou do Idi Amim, levam quindas na cabeça, acanguladas de grãos. Dos corpos musculosos daqueles Fiotes (Imbindas), a catinga suada escorre-lhes como brilhantina escura e luzidia como pele de mamba brilhante, pegando-se ao cacimbo intensamente chovediço.

Depois de um gim com água tónica, numa daquelas paragens de soberania no Necuto, tirei uma foto com a Charlotte, uma negra que fugida do Congo Zaire pediu boleia ate ao sítio do primo, com quem tinha promessa de alambamento. A foto com aquela negra de feições árabes crê-se ter ficado em uma caixa de sapatos na guerra posterior do tundamunjila. Isso! A guerra do setentaecinco-pkp! Subindo o rio Inhuca, chegamos ao Sanga Mongo, um lugar para lá das traseiras do tempo, mais longínquo do que as Bitinas e a antiga Serração do Aníbal Afonso que naquele agora só existia no nome.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:44
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Sábado, 8 de Outubro de 2022
MISSOSSO . L

NO KILOMBO DO ZUMBI – NA FUNDAÇÃO DE ZUMBI DE N´GOLA…

COM FALA KALADO - Crónica 3266 15ª de Várias Partes – 28.03.2022 m Maceió – Republicação a 08.10.2022 no AlGharb do M´Puto

Por  zulu1.jpg  T´Chingange – Na Pajuçara do nordeste brasileiro e Lagoa do M´Puto

araujo158.jpgCA - A hora aprazada para o almoço com o Comendador, ex-coronel Fala Kalado, era invariavelmente às 12 horas e 30 minutos pelo que tivemos de suspender a visita ao Morro dos Macacos, também conhecido por Serra da Barriga e assim, chegados à entrada do Imbondeiro, um cipaio com cofió, armado com uma espécie de arcabuz, mas moderno, mistura de metralhadora FP com Kalashnikov que, com apresentação de armas à maneira tradicional, nos deu triunfal entrada na casa d`jango do patriarca da Fundação Zumbi de N´Gola…

Havia câmaras por todo o lado e duas fiadas de arame que me pareceu electrificado pois que reconheci haver uns quantos isoladores ao longo da cerca exterior. Já era sabido por mim ter de manter segredo das instalações pelo que nem foto, eu na qualidade de Zelador-Mor ou um qualquer, poderíamos dali tirar. Na antessala do d´jango coberto a capim, um espaço de piso em tijoleira vermelha, já ali estavam esperando a comitiva dos ilustres, da qual eu fazia parte, Andrey Blazhe biólogo da Bulgária, a psicóloga Rita Fiuza, o Arquitecto Luiz Cateriangongo, o geólogo Patriniche de Gusmão e o historiador Vizeu Antunes.

araujo176.jpgCA - Podia assim depreender estar perante a primeiríssima Reunião Magna para assim se selarem os compromissos de fidelidade à causa. Havia outros elementos dos quais dois fardados a rigor e com medalhas pendentes em seus peitos. Suas fardas eram até um pouco estapafúrdias pois que em tudo se assemelhavam às mesmas vestimentas usadas nas colónias com chapéus feitos em cortiça bem ao jeito dos antigos exploradores em áfrica; também usavam calções folgados do tipo zuarte a condizer com suas balalaicas de muitos bolsos e, suas divisas eram flechas; um tinha duas, o outro, quatro.

Os cumprimentos foram rápidos e após tomarmos uma bebida de bolunga feita de múcua e leite azedo, um pouco ácido até, mas bem refrescante, assim como uma praxe de boas vindas todos entramos a tomar nossos lugares marcados. Estranhei todos eles beberem aquilo que sendo bom, não era habitual e também eu mesmo no meu papel de alta instância, desconhecia – em verdade até bebi a medo, não fosse um daquelas mistelas venenosas; mas, ficaria mal não o fazer! Pópilas, isto de descrever ao pormenor todas estas traquinices, arrepia, arriscar a vida só por um entretém…  

araujo182.jpgCA - Era uma mesa bem comprida. No total eramos dez pessoas e dispusemo-nos segundo as placas a assinalar nosso lugar, oito civis e dois militares-cipaios. Um chefe de cerimónias lá bem no canto, com lacinho e tudo, tocou um sino e ai vem ele. A chefe de cerimónias Rosa Casado, ladeando o Ex-Coronel, Comendador, sentado em uma cadeira de rodas tipo poltrona e, também uma senhora vestida de branco e com uma cruz vermelha no peito, entraram na ampla porta, na que tinha a bandeira actual de N`Gola bem por cima. Um gigante negro parecendo o auxiliar do Mandrak, Lothar, fazia deslocar a cadeira-espacial poltrona.

Aí estava o Comendador FK! Até chegar ao topo da mesa, seu lugar, veio com a mão levantada ao jeito de saudação. Todos nós estávamos perfilados junto a seus lugares e só quando a poltrona encostou à mesa é que todos se foram sentando. O Comendador, ex-Coronel tinha um semblante aberto de sorriso e olhando para mim bem do lado direito, acenou a cabeça como em cumprimento especial à minha pessoa, o seu antigo camarada da guerra do Maiombe, furriel Mike da Companhia do M´Puto 1734. O tempo sentia-se rugir em nossos esqueletos.

xiricuata1.jpg Rosa Casado, a chefe de protocolo, fez uma prelação rápida mencionando ser este um momento alto e explicitando as vontades do Comendador ditas ou escritas de quando lucido de seu perfeito juízo pelas consequências dessa tão vil doença de alzheimer. Andrey Blazhe,o biólogo da Bulgária, disse estar já bem avançada uma vacina contra Alzheimer em seu laboratório mas ainda havia muito por fazer. O almoço foi de muitos pequenos requintes, servido por gente de laçarote e destacou-se sim a tal falada muamba de galinha de angola; em verdade eu acho que era faisão bem apodrecido! No final, tiramos uma foto ladeando o distinguido Comendador para que o registo fosse feito com as alvissaras da Torre do N´Zombo…

Podia aqui perder-me em descrições mas, só direi que na mesa e a ladear o excelentíssimo FK estavam os oficiais cipaios de flechas verdes, depois vinha eu, O zelado-Mor do lado direito e tendo em frente o Presidente do executivo da Fundação, Arrais de Cantanhede. O salão era amplo, no tecto havia asnas de madeira trabalhada e, num dos topos, como já disse, havia a bandeira de Angola. No outro topo estavam as fotos em grande de N´Zinga, do Zumbi e Aqualtune. Nas laterais havia quadros de distintos reis de Angola, como Mandume, Ekuicui II, Ana de Sousa, Kiluange Kiassamba, Jinga Ambandi, Jinga Malaio, Jinga Amora e dois destacados cidadãos conhecidos por Kaparandanda e Ganga-Zumba…

lustrações de Costa Araújo

(Continua…)

O  Soba T´Chingange

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:39
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2022
MOKANDA DO SOBA . CXCIV

ANDAMOS A VIVER DIAS MENTIROSOS

Crónica  3365 de 07.10.2022

Por  arau1.jpg T´Chingange (Otchingandji) em Lagoa do M´Puto

UCRANIA4.jpg Andamos a viver dias mentirosos. Acho que Deus Nosso Senhor, não quer consertar nada a não ser pelo completo contrato da morte pois permite que seus súbditos na terra descumpram a palavra dada sem que o Sol se ponha, uma espada de aflição muito cheia de ranhuras de aflição. Dou conta disto por ver o que se descumpre quebrando qualquer regra de bom entendimento – cuspir repetidamente no próprio verbo.

Numa de diabo contra satanás, Putin contra o cidadão comum que nada fez para ficar arruinado com pontaria GPS de um míssil, dum obus que aleatoriamente manda um tiro curvo a cair aonde calha. Quantos de nós estão consumindo a palavra piedade, sofrendo com a urgência de não entender a dor.

ucrania1.jpg  Qualquer, um pacato cidadão lá no lugar de sua moradia, no dar dois passos no eirado que lhe resta repentinamente a morte surge; do nada e na forma de fuzilamento esvai-se da vida varado com muitas balas, muitos estilhaços, restos de destruição, uma outra Guernica que ninguém acreditava acontecer de novo e, por nada, talvez um quase nada…

E, quem somos nós para excomungar Nosso Senhor e os chefes da Guerra, se nós nem escapulário temos para tornar os olhos avessos, sem púlpito nem qualquer poder de estilhaçar um Não! Os donos da Guerra sem temor a Deus, sem justiça no coração que surgem a judiar o Mundo, a estragar e rasgar o que há de rasgável na alma das gentes. Tiros altos, revoantes, que surgem como pássaros de balas a cair num aleatório lugar.

araujo1.jpgCA -  Coisa nunca vista ou prevista, bombas caindo ao calhas, também em sítios prévios, um sítio destinado, matando conforme o querem, matança de genocídio de arruinar, só por arruinar; e, atiram nos bois, nas vacas, no gado tão manso. Nesta hora a gente força um escape, pode ser que sim, que se tenha sorte mas, mesmo assim sofrendo muitas mortes…

Sim! Pode ser até que tenhamos sorte, pode ser porque estamos longe! O pensar caladíssimo do Ocidente perturba-me mesmo que elas as balas, não façam zumbido revoado em minha cabeça. E, se afinal todos estamos condenados à morte porquê omitirmos as dos outros. Escrevo esta missiva feita crónica para o Senhor Oficial, o Comandante em Chefe das Forças Armadas.

Não vale a pena ficar na retaguarda porque a morte não tem alçado frontal, nem tardoz – vem num aí, num ui e, juro, careço de querer calma. Os cacos continuam caindo do alto! Ando sofrido a espiar o desdém do Mundo. O Sol Kukia, não tem como se abraçar a nós, nem se pode esperar isto. O tempo escasseia-me muitas vezes, para poder redigir histórias escondidas, antigas, chamar nomes feios a gente que tem dois olhos, duas pernas e até duas orelhas como eu.

UCRANIA6.jpg Nessas alturas de revolta subitamente levanto voo, plano como um albatroz e por aí vou fora, sem parágrafos ou pontos finais, com diálogos dinâmicos, que só o serão na ficção correndo o risco de se tornarem fissão com neutrões atómicos! Falo para o boneco! Creio que também aqui “A guerra, que mata e estropia tantos, alimenta um punhado de pessoas, que se tornam ou tornarão insultuosamente ricas e prepotentes” – São estes que agora governam o Mundo.

Convém agora saber que uma bomba nuclear é um dispositivo explosivo que deriva sua força destrutiva das reacções nucleares, tanto de fissão (bomba atómica) ou de uma combinação de fissão e fusão (bomba termonuclear) – Destruição mutua assegurada…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:28
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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2022
PARACUCA . LV

MULOLAS DO TEMPO 26

RECORDANDO: Nós, bazungus no SAVORA LODGE - Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA” - 45º e 46º dias, parte 2 - (02 e 03, segunda-feira  em Novembro de 2018…) - Crónica 326424.03.2022 em PortVille de Maceió – Republicação a 06.10.2022 em AlGhab do M´Puto 

Por 

macuta com soba.jpg T´Chingange – No PortVille de Maceió do Brasil e Lagoa do M´Puto

matrindindi1.jpgCA - Ainda no SAVORA LODGE – Conversando com dois praticantes de mergulho, sul-africanos, de quem anotei os nomes de Arthur Muhamed e Charlie Wanderley e, porque tiveram a amabilidade de nos oferecer um peixe grande parecido com a cavala da costa de Portugal, contaram-nos algo bizarro que aqui deixo escrito para salvaguarda de outros futuros bazungus (turistas), amantes das pescarias. O que descreveram mais agudizou em mim a opinião de que não é ali, Moçambique, o melhor lugar para se ter a assertiva tranquilidade.

Posso explicar pelo que disseram: Duas noites antes decidiram divertir-se em uma discoteca em uma localidade que agora se me escapa o nome, talvez Inharrime; um copo e outro copo e logologo apareceram ali a meio da noite a polícia local. Coincidiu naquele momento estarem já de saída quando e abordados por dois matulões fardados lhes foi dada ordem de prisão. Levaram-nos para uma delegacia policial que mais parecia uma venda de mato improvisada para ser cenário de um filme de gângsteres. Se calhar até era.

INHASSORO 281.jpg Ali ficaram amarrados por uma hora em cima de um enxergão sebento. Quiseram saber do porquê estarem presos daquele jeito ao que na forma desinteressada lhes foi comunicada terem audição para o seguinte dia, na presença do inspector e um advogado por via de eles serem estrangeiros. Meia hora depois foi-lhes dito que tinham sido denunciados como portando droga e já o tinham confirmado: havia dois pacotes de tal produto, assim e assado, tudo mentira de faz-de-conta mas, eles em verdade ficaram a tremer de medo.

Bem que disseram que não de forma repetida; chegado o momento certo do plano o polícia foi-lhes dizendo que para saírem daquele imbróglio poderiam proceder até airosamente sem seguir com o tal inquérito, coisa regulamentada com decreto, quesitos regulamentares e edecéteras embrutecedores. Que lhes fosse dada umas soluções que a aceitariam duas vezes sem pestanejar, afirmaram os encarcerados “bifes”. Como podemos resolver isto para sairmos daqui rápido? Um riso de escarnio e maldizer foi a resposta seguida de um muxoxo e uma cuspidela para fora da janela, janela também muito sebenta de cores horripilantes (parecia sangue, disseram eles).

INHASSORO 136.jpg O polícia foi, o policia veio e voltou, até que falou: o chefe diz que se cada um de vocês pagar cinco mil meticais, não fazerem denuncia e edecétera e tal, tudo ficava como entre amigos; a outra solução era ir a tribunal e ficarem sujeitos a tantas outras nefastas situações. Eles, Arthur e Charlie quase em uníssono disseram que sim, que pagavam mas, não tinham ali dinheiro, só cartões. A resposta foi a de que não há problemas, vocês deixam um papel assinado com uma ocorrência normal, levamos-vos até uma caixa multibanco e após termos o dinheiro, poderão ir tranquilos e, no vosso carro. O curioso é que até lhes foi dito que se porventura fossem parados num qualquer controlo, mais à frente, mostrassem esse papel que assim, teriam logologo via livre.

Prometi-lhes que não contaria esta triste odisseia, o medo era visível neles e, só nos contaram porque também eramos bazungus como eles. Não foi uma razão assim tão ponderosa no acreditar porque a cada trajecto nosso, tinhamos cenas a contar – terra em que ver um polícia é quase ver um bandido fardado ao jeito dos macacos volantes que acossavam o cangaceiro Lampião, lá no Brasil de há 82 anos atrás – pois foi em 1939 que cortaram a cabeça a esse rei que se tornou uma figura mítica entre o povo…

O lugar de Zavora seria mais bonito se não houvesse estas verídicas passagens a contar. Em África as amizades tornaram-se imprevisíveis e acreditar num talvez, pode causar bastantes dissabores. Tal como em Angola houve tantas e tantas passagens de sócios que formaram empresas, tudo na lei e depois aconteceu num qualquer amanhã apresentarem-lhe um oficioso papel a lhe retirar a sociedade, a residência, a seriedade por via de uma qualquer inventação. Tudo reconhecido pelo tribunal da comarca, do Juiz e demais cadeias de gente desclassificada e, carimbo de homologado!

INHASSORO 394.jpg Há casos que ainda nem foram retirados do baú porque sempre vem ao de cima atitudes, procedimentos nojentas de cambalachos, subornos e coisas inconsequentes de gente do Governo, gente do topo, uma real merda fedorenta! Connosco da odisseia “Haja Paciência” voltou a acontecer na estrada, sermos parados entre Zavora e Inharrime e, lá tivemos de pagar suborno de metade da multa por excesso de velocidade! Ainda havia coisas por acontecer – serão contadas no decorrer destes quase desabafos e, só para quem neles quiser acreditar.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:53
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2022
PARACUCA . LIV

MULOLAS DO TEMPO25

RECORDANDO: Nós, bazungus no SAVORA LODGE - Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”

- 45º e 46º dias (02 e 03 de Novembro de 2018…)  

Crónica 326323.03.2022 em Maceió – Republicação a 05.10.2022  no AlGharb do M´Puto

Por mocanda9.jpgT´Chingange (Otchingandji) – No PortVille de Maceió do Brasil e Lagoa do M´Puto

luis15.jpg SAVORA LODGE – Estamos a ficar longe no tempo para poder recordar todos os detalhes e, se não houve rascunhos naquele então, ainda mais difícil fica. Sei que a caminho de Inharrime na Estrada Nacional nº1, tomamos uma estrada de terra à esquerda com piso em argila regularizado. Anotei a indicação lá no início do troço de Savora Lodge, cursos de mergulho aquático no Pacifico; passamos por várias pequenas povoações destacando-se nelas as igrejas pela cruz de estrutura modesta mas bem conservadas e, com um átrio frontal, nalguns casos ajardinados.

Divisando-se já as dunas da costa podia ver-se de longe pequenas manchas ao jeito de casas entrecortadas no meio da vegetação rasteira muito característico desta costa por via da humidade sempre presente da brisa marítima. De um e de outro lado da picada, havia lagoas muito cobertas de vegetação rodeadas de mangue e com grandes áreas da praga aquática chamada de jacinto. Chegados lá no topo da duna aparcamos os carros e fizemos inscrição para duas noites. O ambiente era de aficionados da pesca à linha e de mergulho podendo ver-se estirados nas cordas os fatos emborrachados da prática de mergulho bem como as barbatanas de pés longos.

Almoçamos na esplanada disfrutando do Oceano Pacifico e, por momentos lembrei-me daquela outra esplanada chamada de “Two Oceans” bem no estremo sul de áfrica, mais propriamente no Cabo Boa Esperança ou das Tormentas. Mas aqui e pela primeira vez provo a primeira cerveja de mandioca conhecida do mundo. Cerveja lançada pela empresa Cervejas de Moçambique, dona das marcas Laurentina e 2M. Quando José Moreira, administrador da empresa, anunciou a criação desta cerveja de mandioca ao mundo deu-lhe o nome de Impala; No dizer dele, tinha um sabor parecido ao das cervejas de malte, tendo a vantagem de poder ser oferecida ao povo por um preço mais baixo.

nauk03.jpg Aquela cerveja foi desenvolvida com um duplo objectivo: para ser consumida pelas camadas mais pobres da população, que se alimentam sobretudo desta raiz, e para ajudar os pequenos agricultores do Norte de Moçambique a escoarem os excedentes de mandioca que ficavam a apodrecer nos campos. Podia imaginar Manuel Teixeira, o criador desta cerveja, sentado na esplanada do restaurante Piri-Piri, em Maputo, também a recordar no seu tempo: pedia uma cerveja Laurentina ou uma 2M e os empregados traziam-lhe um prato de camarões para acompanhar - «Eram os nossos tremoços»! Tal como nós em Angola no Baleizão ou na Biker, com Cuca ou Nocal e, com os acompanhamentos de carapau frito e até dobrada com feijão.

Naquele então dizia ele, Manuel Teixeira: Foi há mais de 35 anos e a cidade, então chamada Lourenço Marques, era a capital da província ultramarina de Moçambique. O empresário português, que ao longo das últimas décadas viajou para o país regularmente e, que foi testemunha da prosperidade da época colonial, da miséria dos anos da guerra civil (Moçambique chegou a ser o país mais pobre do mundo) e do renascimento da última década em que os índices de crescimento atingem os sete por cento ao ano.

busq5.jpg Podia rever-me num esboço gatafunhado encontrado ao calhas e a cores, amarelo, azul e descolorido, uma escrita misturada de experiências, com contas de somar, subtrair e cambiar. Faço isto por vezes para ver quanto gastei em Euros, agudizando-me na curiosidade de ver contas de números altos em dólares, randes, kwachas, xilins tanzanianos, pulas, dólares zimbabwanos e agora, meticais.

Bom! Se não era um gatafunho meu, só poderia ser de Mary a minha antiga empregada de Kampala, e dai, ainda mais curioso ficava porque ela dizia assim: Patrão, mas…, a gente de Kampala não vai em safaris como vocês muzungos (brancos); só mesmo os bazungus (turistas) que gostam mais dos animais do que das pessoas! Gostam de leões, de crocodilos, e até das cobras! N´Zambi me livre, só mesmo de pensar já estou de arrepiada, diria ela agora. Eu não gosto, diz Mary e, continua com suas falas: tornei-me até muito amiga das cabras que dão leite de beber, porque só gostava mesmo do meu namorado que as guardava. Pois! Disse eu, aquele bafana para quem tu tanto falas ao microondas…

dia147.jpg Mas, os bazungus velhos assim como o patrão e, seu amigo Reis das Vissapas com seus carros de tracção às quatro rodas, vestidos com roupas muito cheias de bolsos que parecem soldados como antigos expedicionários, e com o equipamento de combate pendurados, binóculos, máquinas de vídeo, celulares, bengalas e garrafas de água. Ué, como é então? Eu sou assim mesmo? Ela, nada disse, só mesmo oscilou os braços e fez um muxoxo a comprovar ser verdade com um sorriso de quem canta vitória.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:01
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Terça-feira, 4 de Outubro de 2022
KALUNGA . XXXI

 KIANDA COM ONGWEVA NAS FRINCHAS DO TEMPO - XVI de várias partes…

– Crónica 3262 de 22.03.2022 em PotVille de Maceió – Republicação a 04.10.2022 em AlGharb do M´Puto - Em Madrid, no Museu do Prado com Jerónimo Pieter e, um tal de Conde de Sant German.

Ongweva é saudade  

Por t´xipala1.jpg T´Chingange (Ochingandji) – No PortVille e Lagoa do M´Puto

roxo68.jpgAR - Dando uma volta no tempo avancei para estórias mais recentes pelo que aparentemente mudo o rumo mas, é só uma marola no contexto e, porque o espírito da gente é cavalo que escolhe estrada. Assim, lendo as memórias de Iam Smith que interessaram particularmente aos portugueses, euro-africanos genuínos e pioneiros, cumpre ressaltar as páginas elogiosas que este dedica a Salazar e a Portugal.

Salazar, a quem rende sincera homenagem à nação euro-ultramarina que, com a nobreza da simplicidade e a força do carácter, cumpria a sua missão histórica do povo, defendendo com determinação seus “legítimos” direitos e interesses perante os mais fortes do mundo. Sobre Salazar, dizia ser este um estadista excepcional, cuja craveira intelectual e moral deixaram nele uma impressão única e indelével.

E, foi o Conde de San German que destrinçou esta parte da estória que os historiadores pulam por conveniência ou falta de caracter. A Grã-Bretanha, empenhada na sua demissão histórica, anuncia a dissolução da Federação das Rodésias e da Niassalândia com vista à formação de Estados “independentes governados por maioria negra”. Smith é o único do seu partido a manifestar oficialmente a sua desconfiança em relação à proposta explicitada por Londres.

roxo61.jpg AR - Para ele, a Inglaterra, no afã de obter a simpatia dos afro-asiáticos, Estado-Unidenses e Soviéticos, estaria disposta a liquidar o seu “problema colonial” com o abandono puro e simples da população branca - os mesmos indivíduos que no conflito mundial de 39-45 deixaram a paz dos seus lares para irem arriscar as próprias vidas no socorro à Grã-Bretanha; que foi o caso dele (Ian Smith).

Em 1964, dez anos antes da abrilada portuguesa, Ian Smith é eleito primeiro-ministro. Numa visita oficial a Lisboa encontra-se demoradamente com Salazar e este diz-lhe declaradamente que os rodesianos seriam traídos pelos ingleses; que Portugal prestaria o auxílio necessário a Salisbúria. Pouco depois, aqueles a quem Fialho de Almeida chamou de “carrascos ruivos do Tamisa”, concretizavam o que o estadista português sentenciara.

Ian Smith.jpg São estas periclitãncias esquecidas por quem faz estória com agá, que me levam a fazer desvios ausentando-me até das lides e bizarrias de minhas personagens de Zachaf Pigafetta e seu irmão Januário Pieter. Em verdade neste momento estavam a consultar com apoio de uma lupa, literalmente embebidos num quadro mais esguio que aqueles já vistos em Toledo e Granada. Era o Baptismo de Cristo, pintado por El Greco (inconfundível por esticar as figuras…)

Sem me desgrudar do Conde de San German, absorvia por completo sua quase palestra a dois; o tema portava agulhas e fios que com sovelas consertava minhas alpercatas cerebrais. Cinco estrelas! Continuando: - A lembrança daquele encontro profético em São Bento ficou para sempre gravada na sua memória, plenamente convencido de que, se Salazar tivesse vivido dez anos mais, a Rodésia, hoje Zimbabwé, teria sobrevivido.

roxo67.jpgAR -  Em 1965, na sequência de demoradas e infrutíferas negociações com o governo britânico, Smith declara a independência da Rodésia. Sua vida política passa então a reger-se quase que exclusivamente por duas constantes: a neutralização dos efeitos das sanções impostas pela ONU, sob a batuta de Londres e Washington; e o combate ao terrorismo e à guerrilha de obediência comunista que faziam a sua desumana entrada no território com a anuência de seus patrícios. Como sempre digo, aqueles primos, americanos e britânicos não se podem ter por amigos o tempo inteiro, são perigosamente esguios…

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:03
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2022
A CHUVA E O BOM TEMPO . CXXIII

MALAMBAS DA GLOBÁLIA – M´Puto, cativações, guerras e os infiéis

Crónica 3261 21.03.2022 na Pajuçara de Alagoas do Brasil. Republicada a 03.10.2022 em Lagoa do M´Puto

Por dia220.jpg T'Chingange

garrafão tuga.jpg Começo por dizer que o acto ou efeito de cativar, é a retenção de parte das verbas orçamentadas para despesas com a consequente redução do orçamento disponível para determinados serviços ou organismos. É em verdade um instrumento de controlo orçamental que de certa forma logra o cidadão. É a vida real de todos nós, o dedo duro governamental que mantem os políticos na pedinchice mantendo assim o barco-nação a flutuar na divida e, sem chegar ao nível zero da linha de manobra.

Prometo-te 100, faço publicidade desta monta mas, só levas 60! E, todos ficamos com aquela pulga na orelha, dos tais 100. A maior parte de nós está-se olhando no umbigo, isso são técnicas financeiras e edecéteras mas, em realidade os serviços por encolhimento de verbas não prestam um bom serviço e nós, sempre nós, reclamando demoras, encafifados na casa, no curral como diz meu compadre. Assim é, por via dum covid 19, 20, 21 e 22, até ver. Aceitamos aquilo que os políticos nos impingem por ser um regime de excepção e, assim ficamos lisos e sendo como se requere e a bem da nação porque parece que nem vêm tão mal ao Mundo.

edu12.jpg Bem! No caso do M´Puto, estes políticos do governo têm tido a ajuda “made in selfie” do próprio presidente conhecido pelo “Celito”. Assim, a pandemia deu formato ao medo a conter-se na contestação, dando jeito aos gestores de topo encapelarem seu pedantismo. Num acto cívico do quanto baste, mesmo sem portarem vestes de escapulário, também e de forma sistemática em um acto cínico no quanto baste trambicam-nos dando-nos missa!

Prometem até mais que uma vez dizendo-nos a palavra certa para nos tolher num pseudo “tabu do endividamento” – Vamos gastar e, quem vier a seguir que feche a porta. Tivemos um Guterres que foi prá ONU depois dum pântano, um Sócrates que está por ir, um Barroso que foi para a Comissão Europeia, um Gaspar que foi para o FMI e agora um Costa que se prepara para ir para a tribuna da Europa… É assim!  Claro que há mais mas, em verdade, o molho de brócolos fica para todos nós porque eles, sabem como se resolver… 

E, assim, depois de Bagdad, do Afeganistão, da Síria, da Líbia, do covid x 3, agora com a guerra da Ucrânia; menos mal que sempre teremos os submarinos do Paulo Portas para nos assegurar as águas territoriais, os “barrigas de jinguba” para lançar tambores de napalm e os migues entregues à GNR para cobrir o espaço aéreo. Estamos safos e habilitados a mais umas “bazucas financeiras“ de apoio aos muitos refugiados que virão, e ainda bem, dar jeito ao reequilíbrio financeiro. Terra, mar e ar estão razoavelmente representados…

dia82.jpg Tudo se está descomplicando seguindo num deixa ver como fica, não obstante as opiniões estapafúrdias de uns quantos generais armados em comentaristas nas televisões sensacionalistas no quanto baste, falando besteiras, heróis que ninguém sabiam existir e agora mandam palpites a favor de Putin (estamos bem entregues…) como se este fosse um santo. Merda para estes tantos míopes que à nossa custa dão ares de sabichões; melhor seria ficarem no silêncio de suas palermices. Enquanto isto para descomplicar as muitas e variadas sanções, tornam o Paquistão no quintal traseiro da China.

Esquecem-se que ainda por aí andam os chiítas, os sunitas, os ìsis, os talibãs e os boko harams. Já nem acredito em ninguém. Para além do Costa só o Costa prontíssimo para mais uma corrida, uma maratona afinando-se nos jogos de aprimorarem a nossa liberdade de movimentos, fabricando manobras de diversão e coisas comezinhas como a energia, a TAP, a Refer dos comboios, barragens e centrais de carvão desactivadas que de novo se têm de reabilitar. Tudo num mesmo saco para suprir a fragilidade da nossa democracia, nossa cultura, mentiras ecológicas, também estórias que dão a facilidade de tudo proibir e tudo se taxar.

costa13.jpg O Estado cada vez mais engravidado, é que nos diz o que podemos ou não fazer, alterando a vulnerabilidade nos conceitos definidos no genérico paradigma; a demagogia misturada com a propaganda que sempre nos leva ao princípio da condescendência. Assim condicionados aos ziguezagues, se condicionam os ditames sancionados em nosso pensamento – toma e embrulha! Engodos a aposentados, mais uns tostões aos funcionários e promessas aos desempregados de longa duração. Tudo muito igual – pois se até o Biden dos USA entrou com os dois pés e se está saindo perneta! Ainda se queixam da SHARIA; vamos estrepar-nos…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:13
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Sábado, 1 de Outubro de 2022
MOAMBA . XLIX

O MUNDO ESTÁ ENGRAVIDADO DE PROMESSAS... Muamba de Domingo

– ASSINAR EM CRUZ - 20.03.2021 em Pajuçara de Maceió

Crónica 3260Republicada a 01.10.2022 no AlGharb do M´puto

- O MUNDO ESTÁ ENGRAVIDADO DE MEDOS COM  PROMESSAS...

Por baú1.jpgT'Chingange – No Nordeste brasileiro e no AlGharb do M´Puto

Zelensky.jpg Virando notícias do Mundo neste domingo, 25º dia da invasão à Ucrânia, a Rússia, para além de massacrar a Ucrânia na maioria das cidades com variadas formas de matar, dá a notícia de poder enviar um engenho supersónico, uma bomba de alto poder de morte que atinge em 5 vezes mais que a velocidade do som. Uma nítida provocação a todo o Ocidente que recriminou em uníssono monstruosa intervenção. Hoje, um outro dia primeiro de Outubro, que republico este texto a fim de ficar nos arquivos da Torre de N´Zombo do Kimbo e perfazendo 220 dias de guerra estupida, dá para notar que com a farsa dos referendos em Donetsk e Lugansk no leste e Kherson e Zaporizhzhia no sul, a Rússia, a paz no mundo, estará longínqua.

Depois da tomada a Crimeia em 2014 com a passividade do resto da Europa e do Mundo, deste modo, Rússia toma de assalto cerca de mais 15% do território total da Ucrânia anexando como terra sua estes novos territórios. Nesta grosseira forma de amedrontar os países da Europa e do resto do Mundo, frisa que esta coisa de matar pode atingir Londres em escassos 25 minutos e um pouco mais Nova Iorque

baú2.jpg Desta forma piso espaços fazendo todas as estradas, mas quando o vento dá para trás pode bem trazer tristezas nas fumaças agravando as labaredas e brasas. Que o pariu! Por vezes, não muitas, pego no silêncio, meto-o ao colo e, sem abrir boca vou dizendo: Eu, não sou donde nasci; sou de outro lugar – silêncio de um sentimento quase feito em decreto.

E foi!? E, é!? Foi sim nesse lugar de nenhures assinado com uma cruz que meus destinos foram fechados. Ontem, dia 31 de Setembro, Volodymyr Zelensky pediu oficialmente adesão à NATO. Se eu mandasse aceleraria o processo para assim o vir a ser, rápidamente - membro da NATO! Mas estou em crer que o medo vai tolher a moleirinha de nossos dirigentes acagaçando-se com um maluco que diz querer acabar com o Mundo não Russo. Sendo assim, que o seja, vá de retro Satanás ou inventem um escaravelho que encha de moscas o cérebro daquele verme feito gente chamado de Putin…

bordalo5.jpg Guardo sim, tudo em um baú de lata cor verde, com pequenas flores, forro já amarelecido pela cola em tecido de chita, umas ripas encastradas com cravos de tremoço, carcomidas, segurando um fecho pregado com pontas de paris, pregos e percevejos de cabeça chata já enferrujados.

Tábuas de cipreste ou eucalipto para dar cheiro e espantar traças, um aloquete a dar silêncio às memórias trancadas em seu miolo. Um fecho de enfeites com um lado macho e outro de fêmea onde aquele encastra; vaidades singelas de humildade destinadas a um porão junto com demais caixotes.

Todos os becos e travessas saindo das picadas da minha vida, guardo ali com os ventos de todas as almas. Vou vos dizer: Isto é algo sitiado dum estado que antes doía e prazia e, hoje no relembrar daquele antes, daqueles anos com tempos de estropelias, com guerras e gentes militares ou militarizadas que influíram um sentir que de somas em soma, só subtraíram no espairecimento.

baú de coiro2.jpg Assim fazendo em alguns casos, do mofo uma raiva, minha penicilina dali saiu, das estalactites dos fungos do baú, substância antibiótica “penicillium notatum” propriedades descobertas por Fleming em 1929, mas só divulgadas em 1941, quatro anos ante da minha singularidade acontecer … Lembram-se do “Evangelho da Esposa de Jesus”, um papiro controverso que sugere que Jesus era casado com Maria Madalena? Novas pesquisas sobre a tinta do documento parecem apontar para a possibilidade de que ele seja autêntico. Porém, os resultados ainda não foram publicados e a origem do papiro continua sendo questionada. E, enquanto andamos entretidos com malambas apócrifas enredadas em mentiras e interesses de resiliência, o Diabo feito gente de nome Putin come-nos as raspas de misericórdia metendo jindungo para espairecer vaidade

baú3.jpg Se é o que é, estou quase perdido! É qua a vida está assim, vou explicar: Eu, nós, vocês, vosmecês, o senhor ou senhora, vossas excelências, empurram tudo para trás mas, e num repentemente, tudo nos volta a rodear fincando-se bem em frente feito fantasma, caveira segurando uma foice. Termino dormindo nos ventos, fazer agora mesmo o sinal da cruz, a assinatura real e oficial do nosso primeiro rei, D. Afonso Henriques… Fui!

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:09
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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2022
MALAMBAS . CCLXIX

ANDO ENKAFIFADO COM A GUERRA DA UCRANIA

PENSAR, POR VEZES É MUITO PERIGOSO - PUTIN, AIUÉ

Crónica 3258 de 18.03.2022 no 23º dia da guerra – Republicação a 29.09.2022 com 218 dias de guerra - em AlGharb do M´Puto

Por t´chingange2.jpg T´Chingange no PortVille da Pajuçara em Maceió – e, em Lagoa do M´Puto

ucrania1.jpg A 18 de agosto de 2021 escrevia o quanto andava encafifado com a guerra do Afeganistão, com os talibãs de Cabul e, em momentos de aperto no tempo, ficava contra, só por ficar! Não conseguia entender este brusco procedimento. As tropas americanas deixariam o Afeganistão numa segunda-feira – 30 de Agosto de 2021

Segundo o governo dos Estados Unidos, este corria contra o tempo para concluir a retirada de diplomatas, militares, aliados e colaboradores até a data limite de 31 de Agosto e, um dia antes, saiu! Porquê teve de acontecer, de novo CABUL; Ando preso a ele, o pensamento por pequenas minúcias. Ainda me lembro dos helicópteros serem lançados ao mar em terras de Vietname, naquela saída apressada de Saigão…

Das falsidades em Angola com a tal de “Emenda Clark”, no Iraque, Irão, Síria, Líbia, Afeganistão e agora KIEV. Dizia então: Eu, pé de chinela do Mundo, terei de entrar numa viagem astral mesmo que seja aos solavancos, entrar nas ondas alfa e delta e, sem gravidade atravessar paredes como fazem ou parecem fazer os mágicos. Estava atonitamente desconcertante.

ucrania3.jpg E, assim suprimido ficava. Sim! Ninguém é de ninguém, na vida tudo passa, foi o lema de uma canção de que já quase ninguém lembra; vamos fazer o quê? Ouvi dizer: “A Força do Direito deve superar o Direito da Força”. Não há nada mais relevante para a vida social que a formação do sentimento da justiça. Não troco a justiça pela soberba - nem deixo o direito pela força. Não esqueço a fraternidade pela tolerância nem substituo a fé pela superstição, ou a realidade pelo ídolo.

E agora esta inexplicável guerra inventada, invasão dum pais soberano chamado de Ucrânia por um louco chamado de Putin; a injustiça, por ínfima que seja, a criatura vitimada, revolta-me, transmuda-me, incendeia-me, roubando-me a tranquilidade e a estima pela vida. O homem que não luta pelos seus direitos tem um viver tumultuado. “Quem não luta pelos seus direitos não é digno deles”.

Não há nada mais relevante para a vida social que a formação do sentimento da justiça. A justiça, cega para um dos dois lados, já não é justiça. Na Europa frouxa, como se gostássemos de andar embalados, vamos ver como isto fica, como isto para, para ver um Deusdará!...Somo-lo por via de gente materialista, gente de meia-tigela, gente política flutuante - alguns, muitos, sem consciência e consistência, incompetentes em verdade. Que se enxergue por igual à direita e à esquerda mas, aqui e agora nem é isto – um absurdo com peso atómico…

ucrania2.jpg Uma nação que confia em seus direitos, em vez de confiar em seus soldados, engana-se a si mesma preparando a sua própria queda. Se porventura isto falha há Talibãs na jogada, pois estes, os Talibãs não têm nação; têm sim, um líder que lhes fornece sonhos em pó. Levo meu tempo a espremer os miolos, compondo, inventando, eliminando e, no final fico sempre a remoer cada frase, com paciência de burro consumindo-me átoa no tempo!

araujo1.jpg A mais triste das vidas e a mais triste das mortes são a vida e a morte do homem que não tem coragem de morrer pelo bem, quando por ele não possa viver. Se os fracos não tem a força das armas, que se armem com a força do seu direito, entregando-se por com os sacrifícios necessários para que o mundo não lhes desconheça o carácter de entidades dignas de existência na comunhão internacional. Porquê teve de acontecer, de novo CABUL, de novo KIEV. Em fins de Setembro de 2022 e com 218 dias de guerra, dá para notar que com a farsa dos referendos em Donetsk e Lugansk no leste e Kherson e Zaporizhzhia no sul, a Rússia, a paz no mundo, estará longínqua. Deste modo Rússia toma de assalto cerca de 15% do território total da Ucrânia anexando como terra sua estes novos territórios – a ver vamos!...  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:14
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Quarta-feira, 28 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXX

KIANDA COM ONGWEVA NAS FRINCHAS DO TEMPO - XV de várias partes…

– Crónica 3257 de 16.03.2022 na Pajuçara de Maceió – Republicada a 28.09.2022 em AlGharb do M´Puto

Episódio em Madrid com Jerónimo Pieter e, um tal de Conde de Sant German.

Ongweva é saudade  

Por  soba002.jpg T´Chingange (Ochingandji) – No PortVille da Pajuçara em Alagoas do Brasil e Lagoa do M´Puto

cafu15.jpg  Museu do Prado em Madrid com a kianda Zachaf Pigafetta, o irmão Januário Pieter, mais o Conde de San German. Não fosse o ipad e o andróide e, nos teríamos perdido entre tantos turistas a laurear a pevide, tanta gente sem fazer nada, a consumir o erário para verem pinturas e mais pinturas. Eles tinham compromissos no aquietar de almas desavindas e por isso acho que nem saborearam tanta arte. A todo o momento falavam com estalidos desassossegos com gente de longe, Talvez Orândia, Ovoboland, terra de khoisans Niassaland ou lá no Kwazulu…   

Aproveito por isso falar um pouco do entrelaçado de malambas já faladas entre nós a fim de arrumar os eventos vindouros, do futuro mesmo, para que se compreenda o desfecho da estória-mussendo. Sendo assim, relendo a origem de Saint Germain, sabe-se muito pouco pois ainda hoje é desconhecida, mas o que sabemos é que marcou presença a partir do século XVlll pelas cortes da Europa destacando-se como diplomata em Génova, Paris, Londres, São Petersburgo, Índia, África, China e outros lugares.

silva7.jpg E, logologo tinha de aparecer um cara de pau a fim de me atezanar a estória que até estava tão bem delineada de verosímil, pópilas… Ele, com frequência refere ser filho de um príncipe oriental talqualmente como eu ser Niassalês. O certo é de que sua idade tal como as demais kiandas, sendo indefinidamente falíveis, têm a particularidade de quando necessário tornar-se numa normal figura de gente.

Niassalândia (actual Malawi) foi assim denominada por causa do Lago Niassa de onde originaram Januário e Zachaf Roxo – tinha mesmo de o ser! Um carapau não anda só, tem seu cardume. Em setembro de 1859, o explorador e missionário escocês David Livingstone torna-se supostamente o primeiro europeu a avistar o lago*, o terceiro maior da África. Um dos encontros foi exactamente com o Conde de San German, que por ali se envolvia em actividades missionárias e comerciais britânicas.

silva p2.jpg Na década de 1880, Portugal reivindicou o território em virtude de sua presença na colónia vizinha de Moçambique mas a Grã-Bretanha, uma secular nação amiga da onça, resistindo às reivindicações portuguesas, a 14 de maio de 1891 proclamou um protectorado sobre Niassalândia. E, assim se tornou parte da Federação da Rodésia e Niassalândia em 1953. Após a dissolução da federação, alcançou independência total a 6 de julho de 1964 como a República do Malawi.

Acho que não vou ter tempo de dar meu parecer acerca do Museu do Prado porque esta gente só nas apresentações, perdem-se nos entretantos das suas reminiscências e assim e agora por intermédio destas três kiandas é-me é dado conhecer toda a arte de velhacaria que invadiu o dito mundo moderno através dos arautos da verdade. Vou-vos falar, a estória é toda ela muito mentirosa: Os primos Ingleses e Americanos que continuam a ditar leis aos outros povos, sabendo à partida que é tudo uma utopia ou farsa comem-nos a moleirinha.

silva00.jpg Nós, que estamos vivendo os problemas que nos cercam, podemos dar a importância devida ao que engloba este nosso recente passado para nos rectificarmos ou ponderarmos sobre o nosso futuro. Sabemos bem o que ocorre hoje nestes territórios de uma gestão catastrófica de puros ditadores. Terei de falar, o Prado ficará lá para o fim. A Grande Traição é o título das memórias publicadas em 1997 por Ian Smith, último primeiro-ministro da Rodésia.

Sua obra oferece um interessante panorama da história desta importante parte da África austral e relata minuciosamente como os nossos “amigos” britânicos e Estado-Unidenses não descansaram enquanto não lançaram o calvário naquele pedaço de chão. Fez-se luz! A requerida paz, lei e ordem, factores fundamentais para qualquer evolução autêntica e segura, foram sacrificados em favor da hipocrisia, da irresponsabilidade, da expediência.

cafu32.jpg As nossas três kiandas (Zachaf Pigafetta, Januário Pieter e Conde de San German) andavam por ali fazendo seminários, tentando introduzir nas mentes pensares pacifistas tendo sido logrados em toda a linha. A mais interveniente foi o Conde de San German mas mesmo esta, esfumou-se. Foram as memórias de Iam Smith que interessaram particularmente aos portugueses, euro-africanos genuínos e pioneiros, escandalosamente imolados e esbulhados pela traição doméstica a soldo de uma conspiração internacional - tragédia odiosa que brada aos céus e clama por justiça! Bem! Já estou no item oito e tenho de acabar por hoje…

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Nota* O sertanejo português Silva Porto já era conhecedor do lago Niassa e das Cataratas Vitória do Rio Zambeze pelo que deu posteriores indicações a David Livingstone! O feito de Silva Porto não ficou registado em papel tendo resultado nesta nova convicção de que foi Livingstone o primeiro europeu a lá chegar. Em interpretações posteriores àquele feito e dando resposta a um jornalista que mencionou Silva Porto como tendo sido o primeiro descobridor daquelas topografias, a isto respondeu que nunca dissera ter sido o primeiro homem a ali chegar mas sim que foi o primeiro branco europeu. Foi nítida a sua prosápia no rebaixar Silva Porto, colocando-o como um assimilado de segunda categoria; algo que os anais da história tentam relegar dando alvissaras aos sempre altivos ingleses, as cinco estrelas do Mundo… As novas leituras fazendo justiça à verdade já referem «« David Livingstone foi um missionário e explorador britânico que se tornou famoso por ter sido um dos primeiros europeus a terem explorado o interior da…»»»

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:08
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Terça-feira, 27 de Setembro de 2022
PARACUCA . LIII

MULOLAS DO TEMPO - 24

RECORDANDO: Nós, bazungus em INHAMBANE no hotel ÁFRICA TROPICAL – DE 29 A 31 DE OUTUBRO DE 2018 - Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”

Crónica 325615.03.2022 em PortVille  de MaceióRepublicada em 27.09.2022 na Lagoa do AlGharb

Por  soba40.jpg T´Chingange – No PortVille de Maceió do Brasil e AlGharb do M´Puto

monteiro9.jpg INHAMBANE, terça-feira, 30 de Outubro - No África Tropical de Inhambane, de novo conferenciei com a osga amiga que se passeia no tecto para lá da fechada malha de rede anti mosquito, curiosamente, igualzinha às de Vilanculos ou Chimoio. Meio recostado na cama com falta de ripas, acomodado com almofadas, leio o livro de Eduardo Agualusa e, releio aquele episódio duma mulher ambiciosa e ambicionada: “Ela despiu o corpo como se fosse um vestido, guardando-o num armário e, agora passeia-se pelo mundo com a alma nua”. Ela era uma professora que ensinava ética…

O hotel tem talvez o preço mais acessível da cidade, logo à chegada comi um prego no pão com bastante jindungo como se estivera sentado no Baleizão da antiga Luua. Do restaurante esplanada coberta podia ver-se o jardim interior com árvores grandes pelas quais sobem trepadeiras bem vistosas. O melhor do África Tropical é mesmo seu jardim com uma variedade razoável de plantas chamativas, buganvílias floridas.

Os quartos são bem rústicos; a TV não funciona  e a internet também não; as lâmpadas são de uma decoração pimba; Muito improviso nas coisas quebradas ou beliscadas por falta de manutenção. As tomadas eléctricas são perigosas, meio despedaçadas. No bar restaurante, não há muita escolha mas, pudemos contentar-nos com pregos com ovo a cavalo bem à maneira Tuga do M´Puto…

IMG_20170902_124708.jpg O proprietário, senhor Eduardo era um português ali radicado; podemos falar longamente com o senhor ouvindo suas estórias de quando estava metido na política da M´Putolândia; disse mal dos governantes, de seu partido PSD - o diálogo acabou por se prolongar noite adentro na companhia de uns whiskyes e gim com água tónica bem ao gosto de El Comandante. Era ver qual mais mentia… Deixei-os na penumbra de minhas interjeições desculpando-me com um afazer: que tinha de dar banho às osgas, porque cão, não havia. Em realidade, as osgas eram muitas, sinal de fartura de mosquitos; a rede, já um pouco amarelecida lá nos deu alguma tranquilidade mas, os zumbidos da “aviação do senegal” eram bem audíveis.

No outro dia para espairecer demos uma volta à cidade de traça colonial, um puco esfolada no tempo mas digna de se apreciar nos alçados - arquitectura peculiar da gente Tuga. Fomos só ver a praia do Tofo que fica a cerca de 20 km. No topo da alameda de Inhambane e bem à beira da marginal fixei-me na figura de Samora Machel, uma estátua com o dobro de sua real altura, apontando ao ocidente bem ao jeito de Lenine, talvez com aquela cartilha vermelha de ditar leis que ainda rolam e enrolam como bactérias o cerebelo de muita gente.

Entre tanta coisa vista, pude recordar àquela osga à espera no mukifo o quanto aquela terra era forte e, que tal como aquela mulher professora de ética, também se despiu ficando com a alma nua! Pude ver neste porém a osga a virar-se e assolapar-se no reposteiro a ouvir comodamente minhas falas revirando os olhos em 360 graus: -Sabes Papoila, foi este o nome que lhe dei, que me veio ao pensamento – Ando de terra em terra, por África, revendo sombras do passado e sonhos alheios com formas de bichos de cornos retorcidos mas, há momentos fui até à praça da revolução ou da independência…

tio sam03.jpg Verdade mesmo! Pude até sentar-me no canhão de outras guerras, canhões que os Tugas deixaram apontando a baía e, tendo do outro lado a vila de Maxixe… Surpresa mesmo… Lenine a saudar seu povo? Pópilas, esta osga fala – é inteligente! E continuou: não existe nada de semelhante entre uma larva e uma borboleta e, no entanto há sempre uma larva no passado de cada borboleta! Caramba! Até é filósofa! Bem dizia o Agualusa, é só dar um pouco de atenção e até derrapam nas conversas. Pois é, por vezes parece ser bom abandonar o corpo inteiro e trocá-lo por outro. Tenho visto muito disto, sabes! Disse eu. Num repente estava a falar com um jacaré gordo empoleirado no reposteiro – ela mesmo. Há coisas tão verdadeiras que até perecem mentiras.

Quanta gente também naqueles anos de 1961 e 1975, se despiu de vontade ficando com a sua alma nua! Ela, a osga engasgou-se de tanto rir; chiou que chiou até grunhir engasgada! Por momentos até pensei que gozava comigo - já quase pronto a atirar um chinelo à sua figura, parei quando ela retorquiu: - Já não quero falar desse tempo; Eu, fui essa mesma que durante muitos anos professorei a estória num centro de recuperação de mutilados e, posso afiançar-te que um homem, ao longo do tempo, ao longo de sua vida, muda muitas vezes de corpo. Frisou piscando-me seu olho enevoado de choro…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:22
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Domingo, 25 de Setembro de 2022
CAZUMBI LXXI

 

TEMPO DE SANFONASNo 19º dia da guerra da Ucrânia, 14.03.2022 em 7 coqueiros do Brasil – Republicação a 25.09.2022 no AlGharb do M´Puto

O Zé Barriga é mesmo pançudo – Crónica 3255CAZUMBI: É feitiço…

Por  Soba T´Chingange brasil.jpg T´Chingange - Na Pajuçara de Maceió e Lagoa do AlGharb do M´Puto

paju1.jpg Alain Delon dos chapéus vermelhos apresentou-me o vizinho donatário dos chapéus amarelos chamando-o de João Barriga e, em verdade, o nome condizia com a protuberante barrigaça descaída sobre seu calção da LaCost às riscas de um suave verde. Vi-me nele e, momentaneamente, deixei de comer a ginguba que ia ingerindo mandando uma ou outra para o conjunto de pombas que debicavam a areia – por pouco tempo.

Dediquei atenção a uma coitada pomba com um toco de perna e a outra meio comida do rato; curioso, pois era ela a mais hábil pelo que dei-me a pensar que a natureza preenche-nos de outros atributos quando ficamos carecidos de algo. Acabei por arrumar o embrulho do amendoim na sacola da praia no momento exacto em que passava uma senhora esbelta e elegante, de chapéu amplo estilo de capelina em palha e, com uma rede de seda a cobrir parcialmente seu corpo.

Ao redor da cintura com essa seda esvoaçante, as mãos tracejavam o ar sustendo na esquerda um rosário com o cruxifixo balouçando conforme o andamento. Rosário com 53 Ave Marias, seis Pai-Nossos, quatro glórias ao Pai-nosso, uma Salve Rainha na medalha e um Credo na Cruz. Juro que nem sabia como era o rosário mas tentei aprofundar meus conhecimentos e compreendi assim, as paragens e mudança de mãos correspondentes aos cinco conjuntos das Ave Marias!

paju2.jpg

A meia volta era feita no credo com beijo no cruxifixo. Há coisas tão inusitadas que me dão volta às bizarrias que me levam logologo até aos labirintos apócrifos. Posso adivinhar que a simpática veraneante rezava muxoxos para que a guerra já com 19 dias acabasse quanto antes. Estamos agora em 25 de Setembro com sete meses e um dia de guerra chamada de “Intervenção especial” e ainda não acabou... Lá bem no meio da praia serena, um pescador em sua balsa interrompe a remagem de ximbico e, já no meio da rede de cerco, levanta o bordão, uma e outras vezes batendo com força na superfície da água.

Interroguei-me! Já sei, é para assustar o olho-de-cão, peixe-espada, tainha, xaréu, matona, roncador ou sardinha. Desta feita e provocando medo aos respectivos, estes fujam indo de encontro à rede e logicamente ali ficarem aprisionados. Pode bem ser esta técnica a prática de Putin na guerra; amedrontar e fazer ir pelos ares ou fazendo extinguir oxigénio aos habitantes da Ucrânia; ao invés do bordão usa bombas de maior estrago, secando o oxigénio, fragmentando morte, muito diferente das cirúrgicas bombas de perfuração usadas em outros lados pelos americanos e seus primos. 

Russos e americanos têm andado muito próximos em suas experimentações de como banir o ser humano, irmãos até, crianças e velhos e de uma forma ora requintada, ora bruta e estupida como esta malvadez muito mais sofisticada do que a do louco Hitler. Putin leva tudo a eito e até aleatoriamente, mesmo sem confirmar se aquilo é creche, asilo de mais velhos, hospital ou maternidade.

Pajuçara3.jpg Sempre terei de falar com os personagens de minhas inventações, nomeadamente o FK, ex-coronel que mesmo com uma dose de catolotolo na forma de alzheimer, ficaria horrorizado em momentos de lucidez, com o uso de bazucas lança foguetes dum qualquer jeito e, também económicas, diria ele; creio que recordaria assim as antigas guerras no nosso tempo em que havia granadas defensivas de só fazer susto com barulho e ofensivas que espalhavam pregos pelos corpos moles. Hoje usam todas numa só com cheiros mortais, letais.

As bombas dissuasoras noutro tempo, eram só de brincadeira. Para Putin tudo vale, ofensivas, defensivas, extractivas, perfurantes, de fragmentação com cheiro e a cores, calorificas ou tracejantes, com vinagre, mostarda e pimenta, tudo sem regras como assim estivesse fazendo uma caldeirada de morte! Mas não obstante, como se o fosse só um menino a brincar de jogador de poker, ameaça  o Mundo com a bomba atómica, essa mesmo de neutrões, protões com susto paralisante a lembrar o tempo de Ló em que a mulher deste vira estátua só de ver a assombração da luz. Uma força da ONU deveria ir ate lá ao seu mukifo, prendê-lo e julga-lo! Criaram um tribunal de Haia só para inglês ver…Tudo tarda e o “agora” está por um fio com o carapau ao preço da lagosta… Assim, não brinco.

O Soba T´Chingange          



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:51
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2022
PARACUCA . LII

MULOLAS DO TEMPO - 23

RECORDANDO: Nós, bazungus em VILANCULOS no Samara Lodge – Do 39º dia (sexta feira dia 26 de Outubro) ao 42º dia (segunda feira dia 29 de Outubro de 2018) - Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”

Crónica 325309.03.2022 No PortVille de Maceió do Brasil – Republicação a 23.09.2022 em AlGharb do M´Puto

Por  tonito16.jpg T´Chingange

ÁFRICA1.jpg De 26 para 27 de Outubro de 2018 já pernoitamos aqui no Samara Lodge, propriedade do senhor Paulo, um português / moçambicano, casado com uma senhora indiana. Estamos no dia 27, um sábado e, logo ao matabicho resolvi comer um suculento bife com ovo a cavalo para tirar a barriga de misérias. As instalações são de primeira, agradáveis espaços de jardim com piscina e recantos de sereias, lugares de curtir o sol desde o nascente ao poente, situadas bem junto à praia e do lado Norte de Vilanculos. Depois de apreciar prospectos a indicar variados lugares de interesse a visitar por entre cartões de propaganda, massagens ao domicilio, transportes e cicerones avulso, escolas de mergulho e pesca ao corrico, entre variados edecéteras muito normais nas estâncias turísticas da europa, decidimos por ir à ilha. Depois do café da manhã bem nutrido, resolvi caminhar só, pela praia e até ao centro da povoação de Vilanculos a sul do Lodge Samara.

Esta tem as características iguais a muitas outras que nasceram na gestão portuguesa enquanto colonia ou Província Ultramarina; visitei o mercado bem apetrechado de víveres, bancas com peixes e bivalves; tratando-se de ser hoje um sábado o mercado apresentava-se com algum movimento. Regressei ao Savana em um táxi-moto, um modo de locomoção habitual e até muito usado pela população local. Pude observar aonde se situavam os bancos com as respectivas caixas multibanco, também aqui muito usadas pela população e, aonde sempre teremos de ir buscar o cumbú

Daqueles prospecto lidos, retive a minha atenção ao safari marítimo às ilhas de Bazaruto; inscrevemo-nos para ali passar o dia seguinte, um domingo, pelo que este resto de dia foi ocupado mergulhado nas águas baixas e mornas. Da água podíamos admirar a beleza daquela costa muito coberta de vegetação, palmeiras e coqueiros contornando lodges e casas de veraneio ou residências no meio daquela exuberante verdura em espaços dunares de areia branca. Esbracejando a água tépida, já ansiava o passeio a fazer no dia seguinte. E, o dia seguinte chegou depois de um sono retemperado nas ondulações suaves do mar de Samara. Após o matabicho fomos solicitados para entrarmos a bordo da chata veleiro com dois marujos e um capitão.

Mu Ukulu02.jpeg  Não estavam vestidos a rigor de marinheiros mas foram amáveis e diligentes em seu comportamento. Só depois de pagarmos as respectivas passagens com cartão multibanco, essas pequenas máquinas usadas em todo o lado ao empresário de sucesso que chegou montado em uma moto de quatro rodas; pagamento tendo como base o dólar – cinquenta “paus verdes” por cada tripulante – tudo incluído. Ida e regresso à ilha da fantasia com corais em algumas partes dos recifes, gozar da praia, almoçar garoupa grelhada, frutos do mar e lagosta transpirada com camarões gulosos saltilhados entre verdura e dispostos em travessas em uma mesa grande, dobrável e, tendo um grande sombreiro apoiado em quatro varas, a servir de protecção ao sol impiedoso do meio-dia.

Foi um bom espaço de tempo com troca de pilherias e saberes dos aspectos locais; em suma foi interessante e até pela primeiríssima vez ressalvo aqui em elogio esta predisposição entre os bazungus e eles, os tripulantes miamas. Fomos sempre usando a vela soprada pelo vento do canal; demoramos bem uma hora a chegar e, neste trajecto podemos apreciar os contornos das ilhas de Magaruque e de Benguerra. Foi nesta última que ficamos. Da costa do Samara dava ideia de ser uma só ilha mas em realidade são três, sendo Bazaruto a maior, mais a norte. Esta tem óptimas infraestruturas turísticas na qual se destaca pela qualidade o Pestana Bazaruto Lodge com aeroporto, lugar de escolha de turistas saídos da África do Sul mas e, também de outras latitudes – os bazungus ricos já aqui mencionados que fumam grossos charutos cohiba e Romeu e Julieta da ilha Caribenha vão para ali..

Entretanto, ainda nem sabia bem o que era isso de bazungus mas, porque nem sempre sou tolo, achei que era relacionado com muzungu que quer dizer branco em língua xhosa; Não sei como é mas os negros daqui todos se entendem e falam línguas com nomes raros de maxangana, isixhosa, Isizulu, Sesotho usando cliques como fonemas da língua bantu, características dos khoisans. Foi a minha empregada Mary de Campala do Uganda que me explicou estas formas comuns de falar muito enraizadas e, creio que, saídas dos povos bantu; relembro a ela ter feito um rascunho assim: “ O dinheiro que ganhei com meus patrões bazungus está a crescer como um caroço de manga caído no chão do mato do Uganda”

helder12.jpg Aquela frase de “em breve a minha vida estará cheia de mangas” apoquentou o meu mukifo do cerebelo. Porque razão Mary, escreveria isto? Talvez para preencher o tempo e não se esquecer de isto referir em suas conversas com seu boy friend de Kampala. Só pode! Eu também rascunho muito! Mas havia mais referências. “Meus patrões muzungus com a minha comida, já defecam como as cegonhas de Campala"… Ué…como pode?! Defecam caganitas mal cheirosas como aquelas cegonhas do Uganda!?

E, recordo aqui naquele então que bebendo de novo aquele café à mistura com leite do dia e aquele milhipap ou maizpap, perguntei: - Mary, lá no Uganda há muitos turistas como nós à busca de leões, fazendo safari? Haka patrão! No Uganda tem bwé de bazungus assim como vocês carregados de bikuatas, lentes, muitas imbambas. Fica esperto T´chindere, afinal, bazungu era mesmo o que pensava ser: Branco a fazer visita ao mato – fazer safari! Ando a tentar…

(Continua…)

O Soba T´Chingange 

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:02
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2022
PARACUCA . LI

MULOLAS DO TEMPO - 22

RECORDANDO: No INHASSORO – Dias 37º e 38º, quarta e quinta-feira dias 24 e 25 de Outubro de 2018 da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África no Yellowfin lodge em Inhassoro (3 noites) …

Crónica 325106.03.2022 no PortVille de Maceió do Brasil - Republicada a 22.09.2011 no AlGharb do M´Puto

Por soba0.jpeg T´Chingange

mocanda9.jpg Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Alguns até são brancos… Porquê? "Hoje até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan T´Chavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabwano por onde passei recentemente neste ano de 2018, que respondendo ao guia imortal, o defuntado Robert Mugabe que se diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo.

O Zimbabwé, enquanto colónia era o celeiro de África, o povo era detentor de uma das maiores qualidades de vida no continente africano. Hoje e, em Angola por exemplo, quando por vezes, nas datas históricas, oiço e vejo pela TV indivíduos a mencionarem o que o “colono nos fazia”, sinceramente não sei se, chore de raiva ou se me mate de “risada” tomando por contraste as politicas actuais. "Porque o que o colono fazia… blá-blá-blá", dizem eles - hoje faz-se muito pior!

O colono, se fez, é certo que sim, quase que o desculpo: era ou foi colono, é branco, não é meu irmão de raça, etc.; agora quando o meu irmão Moçambicano ou Angolano, preto como eu, ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura, faz o que desaforadamente repudiávamos do colono - esta acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma. Porque se chegou à conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP.

ngoi2.jpg Mudando o rumo à conversa, amanhã teremos de dar 7500 Mzm ao multifacetado gerente do Yellowfin lodge Sebastião, para pagar os três dias de hospedagem. Isto corresponde mais ou menos a 105 €uros; pela qualidade, não achei caro! Enquanto troco impressões com a osga empoleirada junto à rede mosquiteira, Ibib está preparando os três quilos de mexilhões que comprei a um conhecido de Sebastião. Os 3 quilos custaram-me 200 Mzm, o correspondente a 3 €uros do M´Puto. 

Tentando descansar com as kinambas levantadas para aliviar a tensão dos últimos dias, todo aberto à aragem da monção que vem do mar Índico, de novo vejo a mesma osga de olhar curioso, botando a língua de fora a ensaiar periclitãncias. Pópilas! Antes de poder vê-la, já a pressentia - a vida socorre à gente certos avisos. Antes que me julguem mal, eu até que nem queria mas com a solidão acabei por aceitar este mini crocodilo. Agora até já troco impressões com ela. A bichona estuda-me com seus olhos oblíquos de rodar amor a 360 graus.

Esta osga tornou-se-me familiar porque, num repentemente dou-me conta de que só ela tem o verdadeiro entendimento devido ao tão prolongado silêncio de aprovação. Sabe-se que há problemas que surgem com as tosses cheias de pulmões nas palavras mas, afinal, que está a acontecer? Ela, a osga riu-se avermelhando seus olhos por inteiro, colocando-me até numa situação embaraçosamente roscofe como se o estivera feito pulga entre as unhas dos polegares.

qutandeira1.jpg O cheio da fome, chegou até mim e por via destas alucinadas percepções saí do mukifo bungalow, chalé indo direitinho ao frigorífico fazer pazes com a 2M a cerveja Mac Mahom, larga e mais gorda que o jacaré La Cost. Agora queria até enxotar da ideia aquele diálogo com o bicho porque de repente a gente rosna, chia ou grasna…Até posso contar: Muito só, três meses atrás, resolvi abrir uma nova página no FB e… recordando um quatro de Fevereiro abri uma nova página no Facebook com o nome de Profeta Moisés…

E, acreditem ou não, com grande surpresa, um dos muitos pedidos de amizade vinha de Jesus Cristo. Intrigado fiquei uns dias retendo o pedido enquanto ia recebendo muitas outras, gente nitidamente ligada às coisas litúrgicas, eruditos até às pontas dos cabelos. Assim, assentando os contrafeitos nos factos com dúvidas na forma de gráfico, ora para cima, ora para baixo, fiquei espantado quase no estupefeito quando surge um novo evento: Era Nosso Senhor, adicionando-me de vez como amigo, mesmo sem eu ter confirmado o que quer que fosse. Belisquei-me para ter a certeza que ainda estava pela terra e fiquei extremamente cauteloso sem saber ao certo o que dizer!

 (Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:46
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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2022
KALUNGA . XXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO - XIV de várias partes…

Crónica 3252 de 08.03.2022 em Pajuçara de MaceióRepublicada a 21.09.2022 em AlGharb do M´Puto

KIANDA COM ONGWEVAEm Córdova com Zachaf Pigafetta Roxo, kianda tetravó de Roxo e Oxor, seu mano Pieter e, um tal de Conde de Sant German.

Ongweva é saudade  

Por  soba40.jpg T´Chingange (Ochingandji) – No PortVille da Pajuçara do Brasil e, em Lagoa do M´Puto

koisan5.jpg A Kianda Zachaf que até ali se tinha mantido calada queria saber novas de sua descendente Kianda Assunção Roxo. Anda numa boa, curtindo a vida com suas psicadélicas pinturas, coisas de cores vistosas muito belas, virtuais ou digitais, disse eu. Vi nela os olhos arregalados de contentamento.

Quando estiveres com ela, dá-lhe um efusivo abraço, pode ser mesmo esse teu XXL, que desde já fica perfumado por mim, disse em conclusão. Na dúvida e tratando-a por vosmecê perguntei do porquê não ser ela a falar-lhe, uma vez que viaja no espaço-tempo com um simples estalar de dedos. – Eu sei, anda a preparar-se com suas aventuras de arte com roxomania mas, ainda não está na fase de termos um informal encontro! Creio ter-se referido ao estágio emocional e espiritual de Roxo.

Sei que ela, vai e vem para as terras de N´Gola, recomendo-lhe cuidado na terra dos kuzucutas kaluandas - eles andam um pouco carecidos de gasosa e quando não lhe dão, roubam, diz-lhe que ande com pouco cumbú; eu irei preservá-la mas, nem sempre controlo as tentações dos malvados, sabes! Disse ela em tom de remate!

toledo18.jpg  Andam por ali muitos simbis maldosos com espírito ancestral de origem Kikongo, do Zaire, antigos revolucionários que morreram sem o querer; guerrilheiros na diáspora. E, havia muito para falar mas isto de se ser turista, tem coisas! Não é que surge um tipo com trancinhas, moreno, quase preto, falando francês e uma outra língua estranha. Apresenta-se: diz ser o Sant German dessa forma também gelatinoso e invisível para as outras gentes.

O trancinhas, papagueou assim num tu-cá-tu-lá familiar; pelos vistos, até se conheciam, mas eu fiquei quase a zeros! Que vinha de Moçambique; que era um matumbola mutalo; um mestre da grande fraternidade branca, responsável do sétimo selo, com chama violeta e outros edecéteras intrincados, diga-se! Era demasiado para a minha camioneta - um quase preto a falar na grande fraternidade branca. Ui! Ai-iú-é

O curioso é que eles conheciam-se! Dualidades que não percebi por completo. Diz ele virando-se para Pieter: - Por recomendação dum kamba muxiloanda, fui num vaivém minkisi-vip ao Xipamanine (mercado de Moçambique), lavei-me na água de cu-lavado de defunto albino preto e cambuta, com a benzedura no N´zambi N´kulukulu, dos miamas de Xi-Lunguine.

toledo21.jpg  Estás a ver Meu!? O resultado é isto! Referia-se ao seu actual aspecto nada condizente com um Conde branco N´si. Perante a minha surpresa ambos manos tetravós, fizeram questão de me explicar mas, eu tinha um compromisso. Desculpem-me, tenho de ir, há gente à minha espera; temos de seguir para Madrid.

Vai! Disseram os três quase como se combinassem sintonia! – Está certo, tenho muito a falar com vocês mas agora, olhei o relógio e abanei o dedo em repetição para o meu Guru.

O tempo para nós não conta, disseram em conjunto (fiquei intrigado por falarem quase a uma só voz); ver-nos-emos em Madrid! Lá falaremos de N´Gola disse Zachaf. E, dos seres encarnados hoje no Planeta Terra a uma Nova Era, de Paz, Harmonia e União disse “a coisa” estranha de Sam German. Esta nova figura “Conde de San German”, veio complicar minha cabeça já de si azucrinada. Pareceu-me ser um fumador de pura liamba. Seria? Meio zonzo, dirigi-me ao Hotel situado em La Plaza tendilha, ali bem perto da Fénix… Como as coisas assim do nada, se complicam!?

roxo215.jpgAR -  GLOSSÁRIO

Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos; Miama: - preto na língua Zulu de Xi-lunguine; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e Zaire; Kamba: amigo; Matumbola: um morto-vivo, tipo de assombração. Kazucuta: Trambiqueiro, aldrabão, que vive de expedientes; Muxiloanda: O mesmo que kaluanda, natural de Luanda (Luua); Mafulo: nome dado aos Holandeses (Brasil); Mussendo: Um conto ou longa estória, biblioteca oral, conto dos mais-velhos ou kotas.

(Continua…)    

O Soba T´Chingange (Otchingandji)

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:30
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Terça-feira, 20 de Setembro de 2022
PARACUCA . L

MULOLAS DO TEMPO - 21

RECORDANDO: De CHIMOIO a INHASSORO – Ainda no 36º dia da Odisseia “HÁJA PACIÊNCIA”. Nós, bazungus através de África no Yellowfin Lodge em Inhassoro …

Crónica 325005.03.2022 em Pajuçara – Republicada a 20.09.2022 em AlGharb do M´Puto

Por soba40.jpg T´Chingange – Na Pajuçara do Nordeste brasileiro e AlGharb do M´Puto

etosha2.jpg Entre Chimoio que fica perto da reserva Gorongosa e Inhassoro e, por cerca de 420 quilómetros, foi um autêntico desespero de calvário de roídas falésias nas margens de betume da estrada nacional N1. Ranhuras sucessivas de fazer virar carros, com buracos de não deixar alternativa – ter de pisar! Ou só mesmo passar devagar, devagarinho. Nos escassos quilómetros com piso bom, lá estava a polícia para exercer sua autoridade. Fizeram-nos alto lá num lugar do nada e, mostraram a máquina parecida como um megafone a marcar 85 Km em luz vermelho. Pois!

O senhor vinha a mais de sessenta, tem de pagar multa! O polícia, viu a carta e os demais documentos sem nada ler, fitando o pensamento só com os olhos do cerebelo, os dois mil meticais a sacar ao gweta bazungu, um genuíno angolano branco, esperto como a surucucu, uélélé. Ordens são ordens, disse o supranumerário filho da mãe em primeiríssima geração, disfarçado de um gordo polícia. Não há como fugir - fiquei fulo depois de andar tantos quilómetros com o eminente perigo de ficar ali numa qualquer pothole (buraco)!

INHASSORO 096.jpg Saí barafustando do carro – quase gritando que era um desaforo armar tocaia na única recta com bom piso em 420 quilómetros. Cá por mim não pago nada, levem-me preso! Saí e, sentei-me no muro da Vodacom, um mukifo promovido a quiosque entre milhares pintados de vermelho e pertencente à empresa de celulares telemóveis! Um negócio que deve ser bem próspero, pois toda a gente tem um “micro-ondas” por onde se pode comunicar e até assobiar com muxoxos espaciais! Salvo as naturais diferenças, rosnava como um cachorro…

Ué! Com palavrões dentro da cabeça, tento reconstruir minha disposição com estranhos nomes esvoaçando raiva de mim aos poucochinhos, buscando novidades sem figas nem juras por sangue de Cristo porque quem anda por gosto num cansa, tal como disse aquele mwadié do Chimoio! Assim deveria ser mas, não o é! No Yellowfin Lodje, a Rosália limpa nossos quartos e retira uma cobra escondida nos tapetes na varanda lateral – uma boa recepção. Sebastião é o administrador, jardineiro e pau pra toda a obra; foi ele que lavou o jeep Nissan 4x4 de el comandante já com uma soma de 7500 km nesta odisseia de bazungus.   

INHASSORO 139.jpg Já noite, fomos a pé e pela areia da praia até ao restaurante da Luna Park da Estrela do Mar de Inhassoro ali perto, propriedade dum arquitecto português já com a nacionalidade moçambicana e, que ali se fixou montando uma escola de hotelaria. Tanto a garoupa grelhada como a pescada cozida estavam de requinte; o jindungo era do bom, daquele de aquecer os neurónios no cocuruto do templo. No Yellowfin há um espaço de esplanada do tipo self-service para fazer comezainas e com um espaço bray (lugar de fazer churrasco) já fornecido de lenha. Também há mesas, geleira e fogões de uso comum com os artefactos usuais mas, deparamos com dois casais sul-africanos que açambarcaram quase todo o espaço.

Estes dois casais que tinham um carro apetrechado para safaris, levaram com eles arcas frigoríficas, um armazém de géneros e outos requisitos para dar suprimento a milionários gringos, carcamanos dos estate (EUA) que querem aventuras de caça, de pesca e da forma completa de gozar áfrica em sua plenitude. Bazungus ricos… Escrevo estas linhas tendo duas beatas de dois grossos charutos cohiba cubanos num cinzeiro, desperdícios de seus hóspedes oligarcas que por aqui andam bem assessorados, tomando whisky caro e a granel como se fosse água. Porventura serão até donos de petrolíferas que por aqui andam disfarçados de gente comum, vá-se lá saber! Nós nem perguntamos para não constranger os fechados personagens gringos.

INHASSORO 134.jpg Mas, sempre soubemos que seu trajecto foi planeado ao centímetro pois que foram de avião para Casane no Botswana do Shoba, Delta do Okavango em Maun, Victoria Falls, caçaram trofeus na Zâmbia e agora, aqui, pescando nos mares de Inhassoro usando rápidos gasolinas até Bazaruto – bazungus com muito cumbú. Pois! Há gente que já nasceu borboleta sem passar por larva. Mas isto é o menos pois que li recentemente que Salvador Dali em um momento de excrescente angustia atirou uma vaca de um avião sem ter ido para o livro do guinness book; se não for mentira, acho que a vaca deveria ir em um Nord Atlas. Digo isto porque, também estes gringos devem a andar em busca de actos exóticos…

Aqui temos feito levantamentos com cartão nas caixas multibanco mas, nem sempre aceitam o que tenho da África do Sul; Nesse então eu escrevia: Hoje tive de usar o meu cartão do Totta Santander do M´puto para levantar 10.000 meticais. Está escrito: hoje é 24 de Outubro, quarta-feira – iremos continuar aqui no Yellowfin Lodge até o dia 26, sexta-feira; depois seguiremos para sul, via Vilanculos. Já deitado de barriga virada ao tecto a osga gorda estuda-me com seus olhos oblíquos. Acena por várias vezes, parece cuspir qualquer coisa e depois refugia-se no escuro ficando a espreitar entre a esteira e o pau avermelhado da asna no tecto de capim. Já estávamos na mordomia do dia 24 no encanto do mato ao lado do grande Oceano Índico, seus cheiros e ruídos; em África, eles, os sonhos, são tão especiais que ofuscam a mente com espíritos.

(Continua…)

O Soba T´Chingange 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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