Quinta-feira, 21 de Março de 2019
CAFUFUTILA . CXXVI

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO20.03.2019 - 22ª Parte
Kiandas e calungas! A mesma Kianda Roxo e sua mana Oxor que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero… 
Por 

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

niassa11.jpg Sêlo da Niassalândia 

Seu António, Seu António! Era para mim, só podia! Ouvi o chamado saído bem junto à rede de Futvolei encostado à barraca da Kanoa. Ginasticando minha hidroginástica, levantei os dois braços com o punho fechado e com os polegares saídos para cima como quem diz “gosto” no Facebook – estou aqui. Era meu conhecido Álvaro, um jovem ainda, a caminho de ser coroa, que aqui vem assiduamente à praia da Pajuçara zelar pelo seu físico. 
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Álvaro é filho de um português saído da cidade dos três efes – forte, formosa e fria; trata-se da Guarda nas alturas da Serra da Estrela, Beira Alta. Nesta minha praia, quando não apareço, dizem-me: Anda sumido cara!? Cheguei – digo com o polegar levantado – Tudo bem, beleza! Cheguei chegando -Tudo jóia! Já à sombra do chapéu verde e branco e bem sentado no sítio habitual, sempre no furo mole da areia, fronteira da maré de lua minguante, acompanho a azáfama do pescador de cerco de nome José Santiago.

kimbo 0.jpg José Santiago que para além de jangadeiro também é pescador de maré rasa, surge de bicicleta vermelha pela areia molhada. Esta bike é bem sofisticada pois que tem artefactos pouco convencionais com dois pneus extras aparafusados nas partes dianteira e traseira. Na parte de trás situa-se um bidom de secção quadrangular de cor azul e dentro dele, Seu José retira uma rede de uns 40 metros de comprimento e talvez dois de largo.
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Depois de estabilizar a bike por meio dum suporte feito zingarelho de não enterrar na areia, retira a tal rede que enrolada ao seu jeito fica com os dois paus dos estremos da dita cuja bem montadas em seu ombro, assim feito lombo, tal o tamanho da carga. Espeta um dos paus na beirada, água pelo joelhos e vai andando em circulo mar adento largando o bagulho de rede de nylon. Em cima, tona de água, pode ver-se as missangas feito bóias esparsas e pelo certo, o outro lado mais pesado roçará o chão muito cheio de sargaços.

kianda03.jpg Depois de quase fechar o circulo espeta o segundo pau e começa a barafustar com a água: enquanto salpica o espelho de água vai-se aproximando do centro parecendo enchutar algo. Trata-se de afugentar os peixes para assim ficarem aprisionados na rede. Carrega tudo isto embrulhado e desmancha o monte com mestria, fazendo sair de repelão as algas aprisionadas na rede. Ora apanha alguns peixes, ora pouco trás mas, sempre parece dar-lhe para o sustento.
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Pude observar que nesta tarefa era ajudado por dois seres de algum volume e um tanto gelatinosos como as medusas, também conhecidas por alforrecas ou águas-vivas assim muito semelhantes a cavalos marinhos de grande porte. Eram duas sereias – kiandas que de um e outro lado faziam deslizar o cerco da rede de forma mais célere. Acreditem ou não eram as perpetuas kiandas Roxo e mana Oxor, já nossas conhecidas por via de tantas vivências aqui contadas.

kianda3.jpg Uma relação que já vem da praia de Guaxuma e em outras paragens distantes como os lagos ao longo do vale do Rift tais como o lago Niassa de onde são originárias,Tanganica, os estuários do kwanza e rio Kongo ou Zaire. Isto é tão fantástico que fiquei na dúvida de se José Santiago as via assim como eu, porque outros, sei de antemão que não as viam. Sei porque isto se tem passado em outras paragens tais como os lagos Victoria e o Eduard no Uganda. Lá terei de falar com a minha empregada Mery de Campala acerca disto. 
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Hoje mesmo e a propósito falei com o jangadeiro Santiago sobre se as via ao que me respondeu: Dôtor…faz tempo que elas andam por aqui. Mais ninguém as vê a não ser eu e graças a Deus, tudo ficará assim porque é Ele que assim quer – mas ninguém acredita, sabe! – por isso nem falo!... Ele, Santiago, também não ficou a saber que eu as via e, assim vai ficar…Quando levo turistas às piscinas do recife, acrescenta, são elas também que enxotam os peixes coloridos até eles. 

kianda5.jpg Uma belezura! Ganha-se pouco mas a vida corre, graças a Deus. Ficam encantados dando-lhe miolo de pão; um paraíso! Disse. Estas ilhas em realidade são parte do recife que provoca a calma espelhada nestas águas da praia. Fiquei muito contente de as ver por aqui – fico sempre! Pena não termos por perto o Zé Peixe a completar o quadro da “kalunga”. Num jeito de seriedade lá terei de pedir à sereia- kianda feita gente Assunção, que faça um quando o mais fiel possível disto para que os anais da estória não passe ao lado.
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Na ultima parte do mussendo, 15º episódio, falei do porquê esta kianda Roxo de Guaxuma andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber no consciente desta sua dupla vida, compartilhando xispanços de tinta com particular maestria e, do porquê das cores cibernéticas confundindo-nos com holografias psicorroxas. Um dia pedirei a M. J. Sacagami que as defina ao seu geito astrofísico… Mas, já sabemos que nasceu às margens do lago Chivero. Aqui recordo de novo para que não haja duvidas em futuros arquivos.

roxo69.jpgSabemos que sua mãe, também kianda de tez negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero, lugar que fazia fronteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai seu pai. Que por via da política teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia por ser um pambu-n´jila especial com Muxima. Talvez ela agora, eu se encontra na Luua, se veja kianda no Mussulo depois dum repasto de catato, o tal mopane especial…FUI!
(Continua…) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:58
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Domingo, 17 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XVII

PEDRA DO REINO de Ariano Suassuma - 17.03.2019

O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta Brasil – Género Romance, fantasia épica do Nordeste brasileiro - 1971

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil

11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores … Ariano Suassuma

xique xique0.jpg :::::164Ariano Suassuma nascido na Vila de Taperoá sentindo-se só em um momento de sua vida imaginou-se ser um rei - um lindo devaneio, diga-se! Também se imaginou ser um grande apreciador do jogo do Baralho (Cartas de Sueca, bisca e burro em pé). Talvez por isso, o mundo lhe pareça uma mesa e, a vida, um jogo, onde os fidalgos se cruzam como Reis-de-Ouro com donzelas Damas-de-Espada, onde passam Ases, Peniscas e Curingas, governados pelas regras desconhecidas de alguma velha Canastra esquecida.

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Também como ele, eu, que não sou rei nem pretendente a acender a qualquer trono, incompreendido, agora que os anos me deram o trampolim da sabedoria, venho com meus sonhos, com conhecimento e os instrumentos de informação avançados pretender ser escutado. Se assim não for que seja como em Abrantes, tudo como dantes. Ambos, cada qual em seu tempo, nos preocupamos com os muitos e fúteis devaneios que no dia-a-dia observamos das gentes envolventes ao nosso quotidiano mundo Terráqueo - desta galáxia.

xique xique01.jpg :::::166 - Teremos de voltar lá atrás ao tempo de D. Sebastião quando por volta de 1569 quis, em um acto de foito jovem imberbe, recuperar as praças de África perdidas e abandonadas por seu avô D. João III. Suassuna, é inspirado em um episódio ocorrido no século XIX, no município sertanejo de São José do Belmonte, a 470 quilómetros do Recife, onde uma seita, em 1836, tentou fazer ressurgir o rei Dom Sebastião - transformado em lenda em Portugal depois de desaparecer na África (Batalha de Alcácer-Quibir): sob domínio espanhol, os portugueses sonhavam com a volta do rei que restituiria a nação tomada à força.

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De insensatez em desvario e antes de morrer em Alcácer Quibir, ofereceu os préstimos de Portugal a D. Carlos IX de França para combater os huguenotes (Mafulos). Entre méritos de dilatação do império e da fé, a França ficou só por aí, porque entretanto os Calvinistas acabaram por tomar o poder do reino de França. Veio em seguida a tomada de possessões portuguesas pelos huguenotes holandeses (os tais Mafuls) após a queda do reino para os reis Filipinos. Os países baixos estavam em guerra com os reinos da Espanha com sede em Burgos e, como tal, criaram a companhia das Índias Orientais e Ocidentais para açambarcar todo o espólio português que nesse então formava a Ibéria com os reis Filipe I, II e III.

xique xique1.jpg :::::168O sentimento sebastianista ainda hoje é lembrado em Pernambuco, Brasil, durante a Cavalgada da Pedra do Reino, por manifestação popular que acontece anualmente no local onde inocentes foram sacrificados pela volta do rei (juro a pés juntos que desconhecia – pensei que estas maluqueiras eram só vistas no M´Puto). Ariano Suassuna iniciou o Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, seu nome completo, em 1958, para concluí-lo somente uma década depois, quando o autor percebeu o que o levou a escrever o romance: a morte do pai, quando tinha apenas três anos de idade

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A vulnerabilidade das possessões portuguesas tendo no comando os reis espanhóis, deu azo aos huguenotes holandeses, franceses e judeus perseguidos pela Santa Inquisição a que formassem a tal Companhia das Índias, Orientais e ocidentais, uma forma de através de corsários se apropriarem da soberania desguarnecida nesse tão vasto mundo que hoje conhecemos. Juntaram-se a estes corsários ricos judeus de Antuérpia e Roterdão que dominavam o mundo do negócio de especiarias e exotismos distantes. O mundo europeu exortava em luxúria entre lustre de diamantes e ouro Inca e tantas novas coisas. Mais tarde, dias de quase hoje, tudo isso se entregaria sem contrapartidas fruto de traições, um desmoronamento sepulcral (uma tragédia que o tempo despolitizará) …

xique xique6.jpg :::::170 - Também, uma tragédia pessoal presente na literatura de Suassuna, e a redenção do seu "rei" – uma reacção contra o conceito vigente na época, segundo o qual as forças rurais eram o obscurantismo - o mal, no urbano e no progresso - o bem. A história, baseada na cultura popular nordestina e inspirada na literatura de cordel, nos repentes e nas emboladas, é dedicada ao pai do autor e a mais doze “cavaleiros”, entre eles Euclides da Cunha, António Conselheiro e José Lins do Rego…

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Para os lados do poente, longe, azulada pela distância, a Serra do Pico, com a enorme e alta pedra que lhe dá nome, todos envoltos na CAATINGA , um  termo tupi-guarani. Perto, no leito seco do Rio Taperoá, cuja areia é cheia de cristais despedaçados que faíscam ao Sol, grandes Cajueiros, com seus frutos vermelhos e cor de ouro. Para o outro lado, o do nascente, o da estrada de Campina Grande e Estaca-Zero, vejo pedaços esparsos e agrestes de tabuleiro, cobertos de Marmeleiros secos e Xiquexiques (cactos).

xique xique5.jpg :::::172 Surge então o Conde Maurício de Nassau chefiando aquela forte Companhia das Índias, e que com forte armada debanda os Tugas de então de Olinda que fica sendo um seu bastião em terras de Pernambuco; estava em causa desbravar o interior profundo duma caatinga agreste e infestada de gente brava que comia seus inimigos para ainda ficar mais forte; os caetés e tapuias. Finalmente dizia assim: - Para os lados do norte, vejo pedras, lajedos e serrotes, cercando a nossa Vila e cercados, eles mesmos, por Favelas espinhentas e Urtigas, parecendo enormes Lagartos cinzentos, malhados de negro e ferrugem;

xique xique4.jpg :::::173 Lagartos venenosos, adormecidos, estirados ao Sol e abrigando Cobras, Carcarás, Gaviões e outros bichos ligados à crueldade da Onça do Mundo. Aí, talvez por causa da situação em que me encontro, preso na Cadeia, o Sertão, sob o Sol fagulhante do meio-dia, me aparece, ele todo, como uma enorme Cadeia, dentro da qual, entre muralhas de serras que lhe servissem de muro inexpugnável a apertar suas fronteiras, estivéssemos todos nós, aprisionados e acusados, aguardando as decisões da Justiça. As estórias sempre se repetem…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:09
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Sexta-feira, 15 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XVI

-Este grunho dos CV deve se de Angola – fala de gweta cangundo como os da Luua** - 15.03.2019

Escrito por – José Eduardo Agualusa

Por

soba15.jpg T´Chingange ...(ADENDAS). No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 

 2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

10 – O CORTIÇO  - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil

:::::154valentina3.jpg Euclides, o jornalista benguelense sai aturdido do Clube Francês, lugar da conferência de imprensa com negociações. Nesta zona libertada pelo CV – Comando Vermelho, Ernesto, o motorista, espera-o estendido de costas no passeio, uma garrafa de whisky servindo-lhe de almofada, as mãos cruzadas sobre o ventre. Nestes dias tumultuosos já quase não circulavam táxis nas ruas da zona Sul do Rio, zona libertada para o Comando Negro.

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(O Rio estava a passar por uma situação muito parecida com a Luua do ano de 1975, tempo do Poder Popular com intervenção dos Pioneiros, uma Criação dos Comunas Tugas como Rosa Coutinho e outros FDP, para Angola e, que resultou na fuga dos gwetas colonos – O medo aqui tal como lá, dissuadia o cérebro… Foi o que eu, relator anotei por ter ouvido e, que não vem escrito neste Zumbi que tomou o Rio.)

angola4.jpg:::::156 - Eu gostava de ser negro – diz o jornalista benguelense. Na sua voz melancólica pressente-se um arrebatamento que é nele pouco comum: - Sou sincero. Gostava de se um Leopold Senghor, um Aimé Sesaire ou mesmo Sam Nujoma. Gostava de saber dançar como um negro, ao som da música de Louis Armestrong… Entretanto a cidade ia ficando anoitecida; sombras remexem-se ao redor num bailado de espectros. Ao longo da praia, de quando em quando, as fogueiras tremelicam a escuridão. São as luzes dos soldados do morro; do CV – Comando Vermelho.

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Nas esquinas das ruas o lixo acumulado desprende um fedor insuportável. À medida que se aproximam da linha da frente da Glória – Frente Leste, surgem mais fogueiras, em pleno Calçadão multiplicando-se em número de homens armados. Um grupo de guerrilheiros com aspecto muito jovem, pioneiros afro-ameríndios-descendentes (de indígena do continente americano) manda parar o carro. Apontam a lanterna para o rosto de Ernesto: - Onde tu tá pensando que vai?

IMG_20170721_124807.jpg :::::158 - Euclides mostra a carteira de jornalista. Estende-lhe uma nota de cinquenta reais. Seguem. Quinhentos metros à frente a estrada, está cortada por pneus, rolos de arame farpado, uma cancela improvisada. Cinco ou seis carros aguardam na fila a vez para passar. Do lado de cá, formou-se uma feira livre, com gente a assar frango, em largas grelhas de ferro, a vender pasteis e cachorro-quente, cerveja fria e água - uma por três reais e duas por cinco.

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Vários jovens candengues, quase todos com uma metralhadora ao colo, estão sentados no asfalto diante de uma televisão. Há gente a jogar às cartas como se nada se passasse de anormalidade.  Do outro lado o rugido de um gerador, fazia-se ouvir por detrás dos mukifos, um zumbido que parecia meter pregos mas, que davam luz em holofotes resplandecendo dezenas de carrinhas da Policia, ambulâncias e quatro blindados.

dia143.jpg :::::160 - Euclides, o benguelense jornalista, salta do carro. Sabe que embora a fila de carros seja curta, a negociação de paz entre o Governo Estatal e do Rio com o Comando vermelho, pode demorar. Dois soldados do morro discutem com um policial. Escassos metros os separam. Toda uma vida parada num ritual de passagem: - Nós não somos o inimigo, não, malandro. Tu és bem pretinho, tu és um fodinha, feito agente… Com fobia de ser mulato, o benguelense ouvia já na dúvida de se era bom ser assim – um preto*.

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- Calma aí! Sou negro mas não sou bandido não. Trabalho duro. Não me meto em baderna (amigo de farra, considerado um inútil, desclassificado…*). Um outro policial, um tipo muito alto, rosto coberto por um capuz preto, apenas com uma estreita abertura para os olhos, aproxima-se do primeiro segredando-lhe qualquer coisa ao ouvido. O soldado do Comando Negro provoca: - Vais ser sempre um pau mandado do branco!? Se liga, meu, tu tá combatendo tua própria gente. Não ouviu o que o teu chefe Weissmann anda dizendo, não? O cara quer mandar todos os crioulos para África…

moka31.jpg :::::162 - O CV contínuo: - Teu chefe gweta vai ter de encontrar um barco do tamanho do Brasil… Dito isto ri com gosto levantando o punho esquerdo desenhando um “C” e o direito fazendo um “V”*. Euclides fica na dúvida pensando - este grunho dos CV deve se de Angola – fala de gweta cangundo como os da Luua**… E, assim no meio destas periclitãncias vê que o policial encapuzado reage enraivecido. Grita com um forte sotaque gaúcho, voz roca de muito “chá-mate”*: - Está rindo de quê seu banana!? Vou aí e quebro a tua cara, sua bicha*!...  

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Bartolomeu Katiavela surge nesse momento, vestido com o uniforme de general do Exército angolano, repreende o rapaz. O policial governamental volta-se contra ele: - E tu, porque não vais fazer a guerra no teu país? Katiavala enfrenta-o. Está ali tão firme, tão íntegro, tão prepotente, que parece ter sido aparafusado ao chão. Entretanto ainda ouve o outro a dizer: - Quanto dinheiro esses filhos da puta*, esses marginais estão te pagando? A voz de Katiavala, límpida e sem esforço, assim como a de Net King Cole, sai com decibéis, sotaque coimbrão, acima do ronco do gerador Honda: - Porque não tira essa mascara? – Assim como está, parece um bandido.

( Continua…)   

Notas: *Item da autoria de T´Chingange; **gweta é branco; cangundo é branco de baixa condição, do musseque…

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:31
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Quarta-feira, 13 de Março de 2019
SKUKUZA . I

Skukuza fica no Kruger National Park na África do Sul13.03.2019

Um santuário de animais em liberdade…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Há exactamente quatro meses e três dias, estava em fim de passeio por oito países africanos a saber: - África do Sul, Namíbia, Botswana, Zimbabwé, Zâmbia, Tanzânia, Malawi e Moçambique. Por convite do melhor condutor de África, assim relaxado na confiança alheia, fui andando na esperança de chegarmos a Dar és Salaam mas, o medo dos Boko Haram fizeram com que na Tanzânia inflectíssemos para sul atravessando o bonito país com o nome de Malawi.

SKUKUSA1.jpg As mensagens do M´Puto chegavam até nosso guia-condutor alvoraçadas em forma de raptos e comportamentos próprios de grupos rebeldes que actuavam supostamente nas zonas do rio Rovuma; haveríamos que correr riscos atravessando o rio em jangada e nada era abonatório, o medo chegava em mensagens empoladas de raptos de mulheres na fronteira entre a Tanzânia e Moçambique.

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Do que vi e vivi, posso dizer que os chineses estão chegando em força àquelas paragens, lugares aonde judas perdeu as botas. Lugares de cú-de-judas mal definidos no GPS, nomes diferentes, de escassa orientação ou insuficientemente credibilidade. Lugares esquecidos pelos próprios colonizadores, agora diversificados num novo arco-íris de raças. Lugares em que a tensão racial se torna no dia-a-dia agravada por discursos empolgados de maus lideres, pretos racistas.

SKUKUSA3.jpg Lideres que curiosamente clamam uma coesão racial nada virtuosa nem tão perfeita como seria desejável. A relação entre negros e brancos, sempre foi uma relação violenta, historicamente muito impregnada de expropriações desumanizadas e, isto é sempre profundamente brutal. De lamentar que os negros, não obstante não se terem conseguido organizar no quanto baste ser suficiente para dar uma resposta política, ainda ficam feridos quando são chamados de “negros”.

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Precisam continuar caminhando no sentido de se aceitarem a eles próprios como pretos. Obviamente que há segmentos de negros organizados buscando equacionar o problema racial mas nem todos formulam seus propósitos numa perspectiva pacifista; muitas vezes insinuam-se como tal mas, de suas bocas saem monstruosas atrocidades. Muitas vezes empunham armas brancas, catanas ou outras, para gesticularem a paz.

SKUKUSA6.jpg A sociedade nem sempre responde da forma mais concertada, também não se vislumbra de todo, impedimento a outras formas de luta. E, nem sempre o é de legitima defesa ou em salvaguarda de um princípio nobre, ou suficientemente plausível a esse entendimento. Desconhecemos em pleno e, assim, o que as próximas gerações vão responder a tamanha adversidade e, ou exclusão.

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Eu, que sou branco, sinto-me muitas vezes excluído por pensar e dizer o que sinto. Nunca me ofendi por me chamarem branco mas, reconheço que nos dias de hoje ser preto e pobre, é foda! Mas, também o será ser branco e pobre mas, nem isto se fala nas palestras com gente dita erudita, sábia e o escambau. Se porventura uma guerra estalar eu sei de que lado, vou estar. Não me pintarei de preto como tantos parecem indiciar, insinuar; nem tampouco deixarei de chamar preto ao negro! Estou-me pouco lixando nas regras ou leis descabidas…

fotos ZÂMBIA 037.jpg Não andarei à busca de um termo supostamente menos chocante como é agora tão comum quando arranjam estratagemas de afrodescendentes entre outras hipocrisias. Eu não sou euroafricano, sou branco! Nem tanto – sou só um pouco tostado do sol Não posso estender o céu, torcê-lo, sorvê-lo ou adaptá-lo no meu pedaço de raciocínio porque aqui e além, o sangue espirra e alastra, até se derramar em chuva dum fim de mundo sobre as ruas, as casas os bairros. Bairros de brancos e pretos – de gente!

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Posso espreitar tudo isto por um binóculo, posso chorar ou reclamar mas, pouco adiantará; não sou ninguém para alterar o curso da vida ou da estória de alguém. De mãos limpas e pés polidos dou-me a tréguas em desejos de somente resistir aos desmandos que me podem contagiar na mente ou no físico! O que posso garantir é de que nosso cérebro é verdadeiramente brilhante.

SKUKUSA4.jpgLi e entendi tudinho o texto que se segue: - 35T3 P3QU3NO T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 WO5T4R C0W0 4 N0554 C4B3Ç4 CON53GU3 F4Z3R CO1545 1WPR35510N4NT35! R3P4R3 N1550! NO C0M3Ç0 35T4V4 M35W0 C0WPL1C4D0, M45 N35T4 L1NH4 SU4 W3NT3 V41 DEC1FR4ND0 0 COD1G0 QUA53 4UTOWAT1C4W3NT3. 53W N3C3551T4R P3N54R WU1T0, C3RT0? P0D3 F1C4R B3W 0RGULH050 N15T0! P4R4B3N5! E5T4  53W 4LZE1W3R!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:20
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Terça-feira, 12 de Março de 2019
MALAMBAS . CCXVI

TEMPO DE CINZAS NA NAMEYA BAR – MALAMBA é a palavra – 11.03.2019

- Boligrafando minha própria estória em cor vermelha…

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Com sotaque de classe média, cada qual falava em seu telemóvel (celular – microondas) como se fizessem exercício em águas quentes para relaxar. Um casal envolto em núpcias de mel, assim demasiados ocupados, ele e ela, apertando letras de amor – creio!… Com ares conspiratórios; decerto não falavam de grasnares dos patos e das patas de seus progenitores largados no sítio não muito longe da cidade de Bonito. Falo de Bonito, uma pequena cidade do Nordeste mas, até poderia falar de Garça ou Piranhas em lugares bem distintos e, bem diferentes.

kimberly2.jpg Garça ou Piranhas que estando muito afastadas entre si mas, aonde os dias calorentos se dissolvem por vezes em chuva morrinhenta ou mesmo cinzenta e até por vezes salpicada de fina lama suspensa no ar. E, foi assim, sentado em uma cadeira de praia e à sombra de um chapéu verde e branco, que vasculhei com olhares os arredores de mim, ondulando a vontade num faz de conta e imaginando-me ser uma caneta tipo lapiseira do tipo boligrafo.

nauk03.jpg Imaginei ser uma caneta, boligrafando minha própria estória em cor vermelha, a única que tinha à mão. Contornando símbolos em cima de um longo papel e, nas costas das contas do supermercado da Pajuçara, deixo o boligrafo levar minha própria mão sem tempo, sem metas ou temas previamente definidos dando-lhe largas, assim sem a definir como a única caneta da minha vida! Simplesmente um boligrafo entre tantos já usados…

swakop10.jpg E, como um destino sem termo, uns fins sem princípio, um índice sem prefácio nem glossário e reconhecendo que o fim só o é quando chega, sem epilogo ou amuradas dum barco carcomido pela ferrugem, como num tudo ou nada, sem makas ou quenturas procurando uma agulha num palheiro ou num porão, definia-me como um grão-de-bico que posto na água incha e que depois é revertido e deglutido como bolo alimentar. Os bichos vão-me comer depois de bem gordinho!

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E, digo isto porque pude ler num carro de vendas, espigas de milho verde: “ou você escreve ou Jesus escreve por ti”. Busquei saber do porquê daquela frase no livro dos livros tendo encontrado uma frase em que o apóstolo João descreve sobre o grão de trigo: “ Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer produz muito fruto. Lendo mais vi que quem ama a sua vida perde-a, mas aquele que a odeia (a sua vida), neste mundo, irá preservá-la para a vida inteira”.

MONA2.jpg E, continua: “Se alguém me serve, siga-me e, aonde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir meu Pai o honrará”. Terminada a citação e por esta leitura posso concluir pela milionésima vez que, sendo eu outra espécie de grão, nunca poderei ser um bom pastor. Nunca o poderei ser, porque não o consigo interpretar na perfeição.

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Pois que é uma fala tão antiga e, ao segui-la me verei num comprido e admirado rosto, de uns sabujos e pesados papos, castanhos e bolorentos por debaixo dos olhos, e também com um trejeito na curva esquerda do lábio num sorriso falso como daqueles de quem se enganam permanentemente sem ter bem a convicção disso; de ser uma ignorante areia que nada gemina simplesmente porque não é um grão de trigo.

arau162.jpg Assim me vejo religiosamente feito numa carcaça escorregando no purgatório, gaguejada e chocada na ignorância de uma esperança esfarrapada na incompreensão: - “Hó - ser pastor não é verdadeiramente a minha profissão, nem minha inclinação”. Confesso isto sem embaraço, como dizem os ingleses: sou só um part-time; melhor uma missanga de part-times.

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Será assim como uma parábola dos tempos modernos confrontando a vida esterilizada num celular que emana neuroses e preocupações, uma existência alheia a Deus porque em seu tempo não havia estas máquinas de empilhar tensões e neuroses antes, durante e depois de se casar. Foi assim nesta complexa análise quase nadista que resolvi terminar meu dia de praia, levantando e abanando a mão como que para afastar demónios.

EDU63.jpg O importante é não alimentarmos ódios por quem pensa de outra qualquer forma ou ter desejos de vingança porque isso, só torturará nosso bom censo, nossa liberdade. Nem é preciso estudar-se psicologia avançada para se concluir que os pensamentos maus ou enviesados, como um boomerang, um pau torto inventado pelos aborígenes australianos, que lançado a um alvo, só deformará nossa personalidade. Cada um que fique com sua cruz ou o seu boomerang…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:47
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Sábado, 9 de Março de 2019
XIPALABOOK . I

Xipala é rosto, é cara e, book é livro - 06.03.2019

Minha cara é um livro aberto – É assim que se diz mas, nem sempre o que parece ser, o é...

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

sacag1.jpg Esta palavra aglutinada espacial, foi inventada por Maria João Sacagami, uma insigne psicóloga dedicada às coisas do paralém, que trata os mistérios duma forma imperceptível num tu-cá tu-lá. Ela que Saca e interpreta a fúria das nuvens cavalgando nelas assim na forma fácil de como eu navego sentado num chassi vruum vruum como se fora uma zundap. Um especial veículo cabo de vassoura de pura piaçaba, volante cabo de pau-rosa e com um quase imperceptível motor movido por salalés…

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Pois! Uma coisa de outro mundo que nem o chefe da suprema corte do Xingrilá consegue definir na torpitude dum surreal quadro. Salalés de áfrica que zundrapão movendo seus pistons ortorrômbicos no eixo longitudinal e, usando óleo de amendoim reforçado com óleo fino de carnaúba espacial e, ainda mais uns aditivos e aplicativos tirados duma galáxia ainda não inventariada nos longínquos arrabaldes da Xirgosia.

sacag3.jpg Aparatos e zingarelhos, que se movem no retrogrado sentido do escape tardoz, muito recheado de minúsculos chips. Posso reler-me na contraluz do espelho convexo do veículo, uma muito complicada figura de muito para lá do paratrás, algo quase desentendível dum vulgar humanóide terreno. Relembro assim perturbado, minha singela proposição de quando só era um soba sem coturno, um sem eira nem beira, uma singularidade quase imperceptível com a presente figura plasmada.

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E, vi-me lá longe no início do meu funil do tempo: Assim vestido a rigor de cerimónia, com um manto adornado de conchas, vários colares com dentes de leão, contas de vidro missangando o pescoço, uns chifres de pacaça duros e pesados a fingir de cornos na dianteira testeira, dois olhos ressequidos de facochero colgando das orelhas – um em cada uma delas.

143.jpg Pude rever-me aqui, um soba de categoria super tutelado por N´Gola Kiluanji, meu rei saído dum raio de sol, duma kúkia manobrada com fumaça por N´Gola M´Bandi, o Kimbanda tribufu do meu Kimbo ancestral, pensava eu! Afinal era o fim da kúkia dele – Kiluanji, morreu todo inteirinho… Bom! Falando de mim, ao redor da cintura, uma pele de cobra surucucu simbolizando meu estatuto de soba. Como se tudo fosse pouco ainda tinha um chapéu tipo cartola, alto e, ao qual estavam presos pequenos ossos talhados, saídos da falange falanginha e falangeta do King Kong, algo inexplicável…

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N´Gola M´Bandi batendo palmas, cai um silêncio quase sepulcral, tal o respeito que dava para se sentir emanando daquele personagem tão cheio de estralhos e outros menores aplicativos sem descrever ao pormenor suas salientes tatuagens envolvendo seu umbigo do tamanho dum abrunho preto. Uma indumentária só mesmo de um Kimbanda supra numerário do reino. Logo a seguir vinham seus guardas pessoais, suas mulheres e filhos, uma multidão ao som de timbales e marimbas.

sacag2.jpg N´Gola sentou-se pesadamente no cadeirão bem no topo da encosta e depois de todos ficarem em silêncio pela segunda vez, após segunda batida de palmas. O que conto a seguir até a mim me repugnou. Após a secreção de sua laringe lhe afluir à boca, um dos seus atentos macotas aproximou-se, ajoelhou-se e á sua frente com os braços bem no alto e suas mãos abertas em forma de concha, aguardou que N´Gola, com um potente ronco e um rápido movimento de língua, projectasse nas mãos daquele seu vassalo uma massa viscosa verde que este recebeu com muitas seguidas vénias.

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Com um ar compungente, e logo após aquela viscosa massa ser guardada em um recipiente em forma de cabaça muito ornamentada, falou: “Por muito que me custe, terei de resignar-me aceitando a missão dos meus antepassados. Eu serei o rei que todos desejam!” – Ouviu-se um trovão saído do meio das bissapas, um fumo branco e em seguida um tremendo clamor sido de todos em uníssono. Estava concluída a tomada de posse do novo rei…

capeta0.jpg  Os músicos, marimbeiros e tocadores de tambores recomeçaram o batuque; é curioso referir aqui que até um chifre curvo apareceu tocado na forma de berrante, algo curioso que eu tinha assistido no paralém do futuro em uma terra distante aonde havia muito gado. A multidão dançava em círculos batendo os pés na terra e em simultâneo fazendo uma perfeita coreografia de tantãn zulu. Ainda bebi vinho das cabaças e até sangue de boi a borbulhar mas, num repente minha cor começou a ficar branca e sem mais, tratei de me por ao fresco. Bazei!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:53
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Sexta-feira, 8 de Março de 2019
XIPALABOOK . 2

Xipala é rosto, é cara e, book é livro. Mokanda de maldizer para EDU - 08.03.2019

– Eduardo Carvalho Torres – Meu amigo da Onça e POETA de Naukluft, amigo que muito prezo, que pico e cutuco, vindo da terra do NADA em plena África…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Esta é uma mokanda especial referente à terra do NADA cuja capital é em Swakopmund, lugar aonde o coração do EDU, se prendeu nas ondulações das miragens do Naukluft. Em dialecto Ovambo, Namíbia quer dizer: terra do nada. Os portugueses quando por ali andaram a plantar padrões acharam que por ali só havia deserto; não havia terra suficientemente boa para plantar o que quer que fosse. Não encontraram rios com enseadas suficientemente protegidas aos ventos e, sempre com deserto à vista, foram descendo para Sul até chegarem ao Cabo das Tormentas.

swakop1.png E, porque nada encontraram, que espicaçasse sua cobiça puseram um padrão em Cape Cross e outro em Luderitz; padrões que visitei nas minhas muitas idas a África. Tempo de quando ainda procurava um sítio para me acoitar na vida carregando às costas um imbondeiro - lugar nunca conseguido; até aqui o NADISMO a funcionar na perfeição. Namíbia terra de rios só quando chove é um conjunto de desertos e savanas de acácias dispersas até se perder de vista.

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Os rios são mulolas secas aonde pastam orixes, cavalos selvagens, leões, marinhos e outros; lugar de deslumbrações com manadas de elefantes, girafas, gazelas e zebras. Lugar de muitas miragens que fabricam sonhos, poemas e coisas de delírios que sobem as maiores dunas do mundo, três passos para cima e dois para baixo, num escorregamento cansativo. Levei bem mais de uma hora a subir à milha 45 do Sossusvlei no Naukluft Park.

edu33.jpg E, foi aqui neste fim de mundo paradisíaco que me encontrei com meu amigo da onça de nome Eduardo Torres, um santo de pau carunchoso. E, dando volta ao assunto, como gosto de sua poesia! Juro! Com ele atravesso estes desertos que se estendem muito para lá do horizonte e, nunca acontece nada. Afinal, escreve, escreve figas onduladamente poéticas dando em nada – um nadista retintamente genuíno. Ele, é o top do Nadismo…  

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Vejo-o fugir à minha frente assim como uma bola armilar igual à da bandeira do M´Puto, um conjunto de chinguiços rebolando ao vento como nos filmes de cowboys do oeste americano, enrolado na sua magreza como se fosse um rolo de papel amachucado de fazer volume só para parecer muito – o mesmo que nada. Em minhas visitas vejo-o austero, fingindo leveza peçonhenta e sempre olhando seu inexistente periquito que faz muito tempo fugiu daquela gaiola…

swakop01.jpg Viver assim num perfeito NADISMO titubeando versos amarelados ou mesmo cobertos de pó, envolto assim num mukifo de aposentos forrados com ele e, como se fossem azulejos enquadrados duma estação de caminho-de-ferro desactivada – Um NADA numa estação aonde já não passam comboios, faz muitos anos. Livros empilhados que morrem lentamente amarelecendo nas bordas por falta de manuseamento… uma ilusão! E, como gosto de o ler, de o espremer até mesmo apertar-lhe o gasganete até chiar que nem uma perereca…

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E, tu – falando no discurso directo: E, tu, indiferente ao caruncho, que escreves poemas como quem cospe flocos de aveia a um periquito que já deu às de vila diogo, que deu o fora da gaiola. Melhor seria comeres painço com lengalenga e massambala mais semente de abobora. Uma coisa desconcertante sobre tuas vividas vivências. Gosto de ti assim bonitinho que nem um sapo, assim saltitante no Naukluft por via de refrescar as glândulas lacrimais.

swakop02.jpg Depois de tantos anos nunca te deste conta de que os negros são pretos; de que os progenitores deles já o eram e nem reparas ou reparaste que sempre têm demasiada família, filhos, tios, tias, irmãs e avós. Nunca referiste que eles, os pretos faltam ao trabalho todas as segundas feiras porque foram ao óbito duma avó, dum primo ou tio; uma família que nunca acaba.

swakop03.jpg EDU, tens andado demasiado descuidado e tens agora de te regenerar usando pensos higiénicos fosforescentes quanto baste e bufares como os carroceiros hereros da tua terra; dos teus hábitos quase secretos e que só tu conheces num Deus te abençoe entre as porcarias pálidas que nunca se sublimam na evaporação. Precisas de uma mulher-a-dias qualificada, que tenha um especial curso superior como a minha Mery que contratei em Kampala. Hoje apeteceu-me fazer cocó no teu soalho porque és um grande amigo da onça.

swakop5.jpg Para recordar também, um senhor fardado com um pijama às riscas, sentado num sofá de orelhas olhando para o infinito, babando-se pelo canto esquerdo descaído, insensível ao cérebro abanado por uma trombose. Com a lentidão das coisas graves e titubeadas com muxoxos – Hum, pois, não sabe; a kalashnikov, os turras, a febre do poder… E, eram bolas de trapos, meias surripiadas do pai a cheirar a sulfato de peúga! Mas, o que é que tem a ver o cú com as calças? Estão a ver o filme!?

sussuvlei1.jpg Nota: Estas pérolas de maldizer são o fruto de muita encardida amizade, feitas para reactivar as antigas feituras de escarnio e, usando um aguilhão arguto e vetusto - respeitável pela sua ancianidade subtil e tão engenhoso quanto baste para espicaçar a medula…

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:49
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MALAMBAS . CCXV
TEMPO DE CINZAS – MALAMBA é a palavra – 07.03.2019
Marcelo do M´Puto ganhou a alcunha de Tio Celito na primeira vez em que esteve na Luua, na tomada de posse de João Lourenço, em 2017. Regressa agora para consolidar a reputação e a normalização luso-angolana. Tomara que seja…

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Foi a 15 de Janeiro do ano de 2007 que eu e minha sobeta consorte, passamos a noite na Residencial Camões, bem perto da praça com o mesmo nome da cidade de Lisboa e, mesmo em frente da Embaixada do Brasil aonde iríamos obter o visto de residência permanente. Ficamos na Rua do Poço, um lugar em que os criados escravos e as escravas negras, do fim do século XIX levavam em baldes a merda e o mijo de seus nobres senhores moradores neste Bairro Alto de Lisboa, para um tal poço.

poço1.jpg Mas, esta rua é muito antiga! Antes disto e exactamente a 13 de Novembro de 1515 – século XVI, ou seja trezentos e muitos anos antes desta minha dormida em Lisboa, pode ler-se em arquivos da Torre do Tombo em uma carta regia de D. Manuel I escrita em Almeirim e dirigida à cidade de Lisboa, sobre a necessidade de se construir um poço para depositar os corpos dos escravos mortos. Salientava que haveria que se evitar a todo o custo os tão habituais surtos epidérmicos.

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As barricas de penicadas do século XIX, eram despejadas neste poço ou directamente no Rio Tejo. No ar daquele então, havia um constante cheiro nauseabundo de merda e coisas putrefactas. O panorama era todo muito igual em Paris, em Londres, Madrid ou Roma. Esta é uma das razões porque os franceses têm dos melhores perfumes do Mundo. As pessoas não tinham o hábito de se lavar com frequência.

poço2.jpg Basta recordar a Catedral de Santiago de Compostela aonde desde a idade média se juntavam peregrinos idos de toda a Europa. O Bota-fumeiro gigante balouçando no átrio principal-altar da Catedral, era nem mais nem menos para fazer desaparecer o cheiro nauseabundo que acompanhava os viajantes. Hoje, não podem imaginar o fedor que soprava por entre aqueles antigos prédios das muitas cidades, do estrume acumulado nas travessas, becos com matilhas de cães mordiscando restos como se abutres fossem; também das centenas de carroças despejando toneladas de excrementos que por ali iam sendo pasto de milhares de moscas com milhões de bactérias.

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D. João VI fugiu para o Brasil com sua corte levando consigo muitos inúteis nobres que viviam à sombra da linhagem. As moscas através do tempo mudaram bastante, mas há outro tipo de bosta nos dia de hoje, a dos comportamentos, da falta ou descuido dos políticos de alto coturno - o de não se manter o desejado nível de seriedade ou aprumo no trato entre nações que deveriam fluir tranquilidade. Terei de mencionar a falta de decoro nas relações diplomáticas fazendo de casos menores como o da JAMAICA uma empolgante notícia e, aonde ambos os países, Angola e Portugal terão de se sair envergonhados.

modas0.jpg Um pela descabida prepotência e o outro pela falta de decoro subestimando-se de forma pouco enaltecedora. O Portugal de hoje com um governo tripartido e descrente e a Angola actual do MPLA, desrespeitadora de princípios básicos de solidariedade. Se não houver comportamento de estadistas, se prevalecer a bajulação encardida de hipocrisia o quanto baste, quebrando algum do nosso orgulho, sempre subsistirá raspas de azedume. Nas bocas do povo surgem comparações com países de quarto mundo – é a JAMAICA mas poderia perfeitamente ser o Haiti… Angola e Portugal, no correr do tempo e consonante a evolução e relacionamentos em princípios sociais, não podem alinhar nesta diapasão de acasos destemperados.

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Pode concluir-se que a ignorância de muitos, apazigua os espíritos duns quantos que se submetem, que se subestimam, que quase se poem de joelhos a pedir desculpas – desculpas indevidas! Haja paciência! Esta é outra merda - uma empobrecida quietude, morna quanto baste para aquietar expectativas de mudança. Triste realidade de submissão com fantasmas fabricados num passado: Angola – Portugal… quanta desilusão!

saramargo03.jpg Diz a carta de D. Manuel I, que os escravos eram mal sepultados e, muitos seriam mesmo lançados (...)"na lixeira que está junto da “Cruz da Pedra” a Santa Catarina (actual Rua Marechal Saldanha) que está no Caminho que vai da porta de Santa Catarina para Santos, ou para a praia onde ficavam à mercê da voracidade dos cães.

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Para evitar as deletérias consequências de tantos cadáveres não sepultados, achava o Rei, "que o melhor remédio será fazer-se um poço, o mais fundo que pudesse ser, no lugar que fosse mais conveniente, no qual se lançassem os ditos escravos" e para ajudar a decomposição dos corpos, dizia ainda que se deitasse " alguma quantidade de cal virgem" de quando em quando.

poço6.jpg Tal medida seria cumprida pela Câmara que o teria mandado fazer no referido caminho para “Santos”, descendo a actual Calçada do Combro conhecido por "Horta Navia" (nome de uma divindade indígena após a ocupação Romana). A actual localização perdeu-se, mas a aproximação geográfica do antigo Largo do Poço Novo (actual Largo Dr. António de Sousa de Macedo) ao fundo da Calçada do Combro, nome que já nos aparece na segunda metade de “quinhentos”.

poço5.jpg Com as novas posturas do século XXI, ficamos na expectativa de não existir entre países irmãos, a tristes relações de estado originando um sintoma da maior frustração, para quem dali saiu com um tão grande sentimento de injustiça pela descolorida descolonização. Neste enredo carnavalesco de relações internacionais não podem agora à semelhança da idade média cagar-se no orgulho parecendo ser a dado momento a merda dum cenário, um enredo nada agradável a reviver para reforçar nosso desenraizamento ou um simples alheamento.

O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:08
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Domingo, 3 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XV

“Olha a cabeça do Zezé, será quele é!?” … Será que ele é? Há problemas, trauteei!? Reconheci-o pela cicatriz que baixa da sua falsa orelha até ao meio do queixo papudo – Há batalhas que não adianta ganhar e outras que vale a pena perder. - 03.03.2019

Escrito por – José Eduardo Agualusa

Por

soba15.jpg T´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

10 – O CORTIÇO  - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil

agualusa2.jpg :::::144 

Eram 5.55 horas deste dia. O telefone tocou!... Preparava-me para ir à Praia da Pajuçara - deposito a xicara de café Santa Clara ainda muito quente no balcão de granito preto. Surpreso pela hora tão matinal e com o carnaval a desfilar na televisão tão cheio de cor no sambódromo de São Paulo penso: Quem será!? Vou atender pensando ser a Margarida a dizer que afinal, mesmo depois de passar a noite na refrega do samba do Jaraguá, sempre vai à praia. Atendo com um alô, alô! … Num espanto de quase susto, ouço: Sou o José Agualusa, o dono do Zumbi!... E, segue-se um espaço descolorido em cima dum branco fosforescente… Caramba é ele, o próprio! - Mas que prazer, disse assim meio tremendo de emoção com um formigueiro nos gémeos das quinambas. O José Agualusa!?

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Mas que prazer, repeti de forma escusada, meio encafifado e, ainda tendo na cabeça a musica “Olha a cabeça do Zezé, será quele é!?” … Será que ele é? Há problemas,… trauteei!? Não! Diz Agualusa meio a rir-se de meu titubear feito bobagem de susto!  Não, diz ele do outro lado da linha… (uma pequena pausa, creio que um gole de whisky, dum surdo e insuspeito gluk…gluk…) É para te agradecer pela propaganda que tens feito do meu livro do Zumbi!   

agualusa1.jpg :::::146

Também para te desejar um bom carnaval!... Estou em Curitiba num “Work Shop literário” e ontem vi alguém que tu descreves nas tuas mokandas do Kimbo! Também na Kizomba! Alguém que anda por aqui a farejar negócios - reconheci-o pela cicatriz que baixa da sua falsa orelha até ao meio do queixo papudo, disse isto como se eu apreendesse a mensagem vendo a figura. Não sei do que falas nem de quem falas! Disse eu, muito verdadeiro na surpresa. Nem tampouco conheço quem tenha uma orelha postiça. Pois, eu assim disse: - Não sei de quem falas amigo? Ele, o Agualuza, tinha sido meu vizinho lá no Huambo, podia dar-me a estas íntimas aproximações… Afinal quando ele cresceu, eu estava na Caála (Robert Williams).  

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Resposta rápida: Do teu personagem Coronel Fala Kalado, o morto vivo! Pópilas… (eu, no discurso directo) nem sabia que assim era! Às tantas até tem uma perna de pau que vira metralha ou catana em casos de periclitãncias e, eu sem saber. Pois é! O cara andou por aqui rondando. Não fosse eu saber de vossas relações e nem te iria perturbar a esta hora! Assim, como quem demonstra estar muito ocupado e após um Hic…Hic… xuk…xuk…krás…krás disse: - Fui! E, foice, digo foi-se mesmo!

fala1.jpg:::::148

E, eu que fazia o Coronel emérito das FALA estar bem perto de Poconé a traficar armas em troca de pó feito chocolate de canábis lá para os lados da Bolívia. Assim confuso, resolvi desvendar um pouco mais de sua escrita matrix das guerrilhas do Morro da Rocinha, lendo e relendo sem conseguir atinar na quietude do desassossego. Como é que descobriu meu telefone deste mukifo? Coisas por desvendar. E, que quereria ele dizer-me com esta descrição do cara ter na cara uma cicatriz bem por debaixo da orelha esquerda que era falsa. Vou-te contar (disse de mim para comigo mesmo!)

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RIO DE JANEIRO, IPANEMA, CLUBE FRANCÊS, NOITE – Na zona do CV – Comando Vermelho; Euclides, o jornalista, levanta a voz: Ouviste o que te disse? – Ouvi. O Presidente baicou… (morreu…) - E não te interessa? Francisco Palmares franze as sobrancelhas. Toda a sua atenção está concentrada no grande mapa da sala de comandos. Coloca e retira alfinetes. Desenha círculos a tinta vermelha em redor de determinadas posições. Enlaça os dedos e estala-os. Finalmente volta-se para o jornalista: - Então o velho baicou? Morreu como? – Faleceu durante o sono, enquanto fazia a sesta, ele era do tempo em que ainda se fazia a sesta. Ataque cardíaco. Foi Monte quem o encontrou… (parecem referir-se ao JES, o dono d´Angola)

matrindindi1.jpg :::::150

- Monte? O nosso amigo tem um talento especial para encontrar defuntos… Diz isto distraído e retoma o trabalho. O destino de Angola já não o entusiasma. Euclides senta-se numa cadeira. Abana a cabeça. Afaga perplexo o farto bigode. Aborrece-o o alheamento do outro: - Pensei que te agradaria a notícia. A morte do Velho vai abrir caminho para a democracia plena. O regime está a viver os seus últimos dias. Se a vossa aventura tiver um final feliz, entendes?, se o Governo aceitar as vossas condições … (este governo, é referente ao Brasil do tempo do PT - José Inácio, ainda liberto…) Pois tu não entendes, coronel?!...

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Se o José Inácio amnistiar toda a gente, podes depois regressar à Luua (Luanda). Francisco Palmares enfrenta-o de novo. Desta vez olha-o com intensidade. Pousa a mão nos ombros dele. Euclides sente-lhe a febre. Uma serena tristeza: - Eu já não volto meu kota. Não terei a alegria de morrer na Luua. Primeiro porque encontrei o meu destino. E depois, talvez nem se chegue a um acordo com o Governo (de novo o Brasil), talvez não haja um final feliz. A coisa aqui está a ficar preta (feia)… - O que dizes? Tu sabes que temos problemas…

araujo53.jpg :::::152

Começa a faltar comida na cidade e, como dizia a minha avó, em casa que não tem pão todos ralham e ninguém tem razão… Há divisões no movimento (do CV-Rio - Comando Vermelho), tem gente que quer assaltar os supermercados, os armazéns…Está a ser difícil lidar com algumas pessoas… O jacaré!?... Olha, por exemplo, o Jacaré. Muito destes mwadiés não têm formação politica. Em Angola vivemos um processo semelhante, não foi?, em setenta e cinco, quando o partido do M decidiu recrutar o lumpens (?),  a bandidagem dos musseques, gente habituada a fazer tiros… Mas não eram militares, faltava-lhes a disciplina… (refere-se aos pioneiros e outros desclassificados). E a seguir, ainda por cima, para saldar a dívida, deram-lhe cargos de responsabilidade… (de cabos fizeram generais num piscar de olhos).

café da avó1.jpg :::::153

- Pareces o teu pai… O meu Pai? O erro do meu pai, kota, aquilo que o perdeu, foi nunca ter sido capaz de passar das palavras aos actos. Democracia plena em Angola? Não, não penses nisso. Vai ficar tudo na mesma. (já Agualusa feito osga, estava a ver o filme bem afrente, com o laranja JL…). Há batalhas que não adianta ganhar e outras que vale a pena perder. Como assim? – Em Angola talvez seja possível derrubar o regime, mas não vai mudar nada. Aqui (Referia-se ao Brasil), ao contrário, podemos até perder esta batalha. Mas, depois da nossa derrota, acredita, nada será como antes. Mesmo derrotados, teremos vencido.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:08
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Sábado, 2 de Março de 2019
MU UKULU – XV

MU UKULU...Luanda do Antigamente02.03.2019

Recordar também os cultos mortuários com uma panóplia de artefactos, símbolos de riqueza a dar importância ao nobre, cobrindo-o deste seu austero poderio.

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

muralha10.jpg Ainda como adenda a livro de Mu Ukulu de Luís Soares, aqui se irá falar das moedas correntes desde o ano de 1641 a 1910 em Angola e zonas de influência. O lingote era vertido em nó de caniço, uma forma manejável de um metal pesado, monetário ou não. No entanto a forma cilíndrica, ou vergalhão, era a mais espalhada pela África austral, tal como o material para a confecção de manilhas na forma de mutsuku, os “cilindros rectangulares com fileiras de tachas no topo”.

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Cada manilha era equivalente a 133 gramas de metal, o preço de uma enxada de ferro. Os tamanhos mais pequenos deste lingote, lembram as orelhas de um martelo: foi um tal Bent que primeiro descreveu o objecto, encontrado pela sua escavação das ruinas do Zimbabué em Fort Victoria e, de que Hall and Neal em 1903 encontraram o molde feito em talco xistoso, na estação de U’Mununkwaba, juntamente com gongos duplos e “um jogo de bolinhas de talco xistoso”.

Mu Ukulu30.jpg Outros 12 moldes conhecem-se de Elizabethville e da Zâmbia; 21 espécimes foram encontrados por António Joaquim da Rocha “em Gwengue, junto ao rio Búzi, na propriedade do Sr. Clemente da Silva”, província de Manica e Sofala em Moçambique.

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A cruzeta era em tudo igual à cruzeta dos povos primitivos da Europa. Os mutsuku já eram fundidos pelos Lemba, autóctones do Transvaal setentrional quando os Venda bantos ali chegaram no século XVIII. Os lingotes africanos mais semelhantes ao objecto moderno foram produzidos pelos Kwena – mineiros do estanho do Rooiberg, distrito de Waterberg no Transvaal – em moldes cavados em areia ou talco xistoso.

Mu Ukulu19.jpg Lombongo – De libongo, nome dado em Angola ao “paninho” tecido no Loango, que corria como moeda no reino do Congo e em N´Gola. O termo parece ter começado a aplicar-se às moedinhas de cinco reis que circularam neste reino a partir de 1695; segundo o autor, o termo é crioulo, derivado do kimbundo m’ilambongo, “uma quantidade de imbonge” (sing. m´bonge, ou ‘bongue’) coisa de contar, como o nó do caniço.

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Significa hoje, simplesmente, “dinheiro”. Macuta – do kimbundu makuta, plural de likuta, o nome quicongo dos célebres “panos”, tecidos de fibras vegetais que correram como moeda em Angola até 1694. A partir deste ano, correram principalmente moedas de 10 reis produzidas para “o Brasil e Guiné”, querendo ‘Guiné’ dizer todas as possessões portuguesas.

mucu2.jpg As macutas, com o dístico “África Portuguesa”, só vieram a ser cunhadas em 1762, no tempo do marquês de Pombal. Conheceram, porém, uma grande distribuição no reinado de sua filha D. Maria I. Houve emissões em 1783 (12, 10, 8, 6, 4 e 2 macutas, em prata; 1 macuta, em cobre), 1784 (6 e 4 macutas, em prata), 1785 (1, ½ e ¼ macuta, em cobre), 1786 (1 e ½ macuta, em cobre), 1789 (12, 8, 6 e 4 macutas, em prata; 1, ½ e ¼ macuta, em bronze) e 1796 (12, 10, 8, 6, 4 e 2 macutas, em prata portuguesa correndo em toda a costa ocidental de África.

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As macutas foram desvalorizadas 50% sob o regente D. João, em 1814 (carimbadas nas missões até 1816), e não tiveram novas emissões no reinado de D. Miguel. No reinado de D. Maria foram de novo desvalorizadas em 20%, mas houve novas emissões em 1848-51 e em 1853. Sob D. Pedro V houve emissões das moedas de ½ macuta (1858) e de 1 e de ½ macuta (1860).

mucuisse.jpg No reinado de D. Luís I houve um ensaio de nova moeda para Angola: as moedas de 20, 10 e 5 reis de 1886 substituiriam as macutas, mas nunca foram produzidas. Assim, as macutas correram em Angola até à implantação da República em 1910, durante, portanto, 148 anos e 9 reinados.

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A terminar esta longa conversa sobre dinheiro na forma de n´zimbos, depois caurins, mais tarde panos libongo, colares e manilhas de missangas de coral e vidrilho com caurins entremeados ou pendentes de cingir a garganta ou os pulsos de mulheres e homens, fazendo realçar o ébano da cútis, acabamos nas macutas e angolares. Recordar também os cultos mortuários com uma panóplia de artefactos símbolos de riqueza a dar importância ao nobre, cobrindo-o deste seu austero poderio.

mucu3.jpg De salientar que no Bié, a principal unidade de troca para alimentos e quaisquer outros produtos, exceptuando o marfim os escravos, era o pano. Cada pano media uma jarda, equivalente a 14 mm e, cujos múltiplos eram: a beca com duas jardas, o lençol com quatro jardas e a quirana com oito jardas.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:31
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XIV

VIDA DE EMIGRANTE NO BRASIL - 26.02.2019

Bertoleza, como toda a cafusa, não queria sujeitar-se a negros; instintivamente procurava o homem numa raça superior à sua – umbigou-se com João Romão o português dono da venda… 
Escrito por – Aluísio de Azevedo
Por

soba0.jpegT´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro
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Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho
10 – O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil
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João Romão* foi, dos treze aos vinte e cinco anos, empregado de um vendeiro que enriqueceu entre as quatro paredes de uma suja e obscura taverna nos refolhos do bairro do Botafogo; e tanto economizou do pouco que ganhava nessa dúzia de anos, que, ao retirar-se o patrão para a terra, lhe deixou, em pagamento de ordenados vencidos, nem só a venda como o que estava dentro, como ainda um conto e quinhentos em dinheiro vivo.

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Proprietário e estabelecido por sua conta, o rapaz atirou-se à labutação ainda com mais ardor, possuindo-se de tal delírio de enriquecer, que afrontava resignado as mais duras privações. Dormia sobre o balcão da própria venda, em cima de uma esteira, fazendo de travesseiro um saco de estopa cheio de palha. A comida arranjava-lha, mediante quatrocentos réis por dia, uma quitandeira sua vizinha, a Bertoleza, crioula trintona, escrava de um velho cego residente em Juiz de Fora e amigada com um português que tinha uma carroça de mão e fazia fretes na cidade.
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Bertoleza também trabalhava forte; a sua quitanda era a mais bem afreguesada do bairro. De manhã vendia ungu*, e à noite peixe frito e iscas de fígado; pagava de jornal a seu dono vinte mil-réis por mês, e, apesar disso, tinha de parte quase que o necessário para a alforria*. Um dia, porém, o seu homem, depois de correr meia légua, puxando uma carga superior às suas forças, caiu morto na rua, ao lado da carroça, estrompado como uma besta.

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João Romão mostrou grande interesse por esta desgraça, fez-se até participante directo dos acontecimentos da vizinha, e com tamanho empenho a lamentou, que a boa mulher o escolheu para confidente das suas desventuras. Abriu-se com ele, contou-lhe a sua vida de amofinações e dificuldades. “Seu senhor comia-lhe a pele do corpo! Não era brinquedo para uma pobre mulher ter de escarrar pr´ali, todos os meses, vinte mil-réis em dinheiro vivo”.
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E segredou-lhe então o que tinha juntado para a sua liberdade e acabou pedindo ao vendeiro que lhe guardasse as economias, porque já de certa vez fora roubada por gatunos que lhe entraram na quitanda pelos fundos. Daí em diante, João Romão torna-se o caixa, o procurador e o concelheiro da crioula. Ao fim de pouco tempo era ele quem tomava conta de tudo que ela produzia e era também quem punha e dispunha dos seus pecúlios, e quem se encarregava de remeter ao senhor os vinte mil-réis mensais.

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Abriu-lhe logo uma conta corrente, e a quitandeira, quando precisava de dinheiro para qualquer coisa, dava um pulo até à venda e recebia-o das mãos do vendeiro, de “Seu João”, como ela dizia. Seu João debitava metodicamente essas pequenas quantias num caderninho, em cuja capa de papel pardo se lia, mal escrito e em letras cortadas de jornal: “Activo e passivo de Bertoleza”.
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E por tal forma foi o taverneiro ganhando confiança no espírito da mulher, que esta afinal nada mais resolvia só por si, e aceitava dele, cegamente, todo e qualquer arbítrio. Por último, se alguém precisava tratar com ela qualquer negócio, nem mais se dava ao trabalho de procura-la, ia logo direito a João Romão. Quando deram fé estavam umbigados.

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Ele propôs-lhe morarem juntos e ela concordou de braços abertos, feliz em meter-se de novo com um português, porque, como toda a cafuza, Bertoleza não queria sujeita-se a negros e procurava instintivamente o homem de uma raça superior à sua. João Romão comprou então, com as economias da amiga, alguns palmos de terreno ao lado esquerdo da venda, e levantou uma casinha de duas portas, dividida ao meio paralelamente à rua, sendo a parte da frente destinada à quitanda e a do fundo para um dormitório que se arranjou com os cacarecos de Bertoleza.
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Havia, além da cama, uma cômoda de jacarandá muito velha com maçanetas de metal amarelo já mareadas, um oratório cheio de santos e forrado de papel de cor, um baú grande de couro cru tacheado, dois banquinhos de pau feitos de uma só peça e um formidável cabide de pregar na parede, com a sua competente coberta de retalhos de chita. O vendeiro nunca tinha tido tanta mobília. Agora, disse ela à crioula, as coisas vão correr melhor para você. Você vai ficar forra; eu entro com o que falta…

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Assim, recordando o meu avô que também emigrou para o Brasil, ainda lembram as memórias que ele era bem-apessoado e, o que ganhava como caixeiro, gastava no pagode com as Mariquinhas e outras desclassificadas crioulas. Neste meu quase sonho crepuscular, após ler o Cortiço, posso encavalitar aleatoriamente os acontecimentos dentro e fora do tempo dos muitos forrobodós de intensa refrega nos fins-de-semana, dos bailes pé-de-serra e carnavais de estalar quenturas. Aos poucos, António Lopes Loureiro foi substituindo os tamancos da Beira Alta por chinelos de matuto do agreste, abertos, ventilados quanto baste para poder deslizar nos térreos caminhos, feito um Lampião* - dos salões da surumbanda, samba e capoeiragem com patuscadas.

booktique12.jpg Notas* João Romão- Poderia até ter sido o Senhor António Loureiro, meu tio-avô por parte de minha mãe Arminda que depois de deixar duas filhas em sítio incerto do Brasil, nos anos trinta do século XX, rumou de novo para Portugal, regressando brasileiro, com sua santa “Nossa Senhora da Aparecida”, sem uma cheta, tísico chupado das mulatas, como se dizia nesse então; Ungu – Comida barata para gente sem eira nem beira; terreiro de reunião ….Alforria – passagem de estado de escravo a liberto; alguns escravos compraram a seus donos a liberdade – foi o caso de Bertoleza aqui descrita e, que umbigou, alambou ou amigou com o Vendeiro João Romão…
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:04
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2019
XICULULU . CI

TEMPOS QUENTES 17.02.2019

MALAWI – NIASSA . No vale do Rift - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios – Cada qual tem o seu Rift... 3º De várias partes

Por

soba15.jpgT´Chingange - No Nordeste brasileiro

rift01.jpg O Grande Vale do Rift, também conhecido como Vale da Grande Fenda, é um complexo de falhas tectónicas criado há cerca de 35 milhões de anos com a separação das placas tectónicas africana e arábica. Esta estrutura estende-se no sentido norte-sul por cerca de 5000 km, desde o norte da Síria até ao centro de Moçambique, com uma largura que varia entre 30 e 100 km e, em profundidade de algumas centenas a milhares de metros.

Este tema despertou-me curiosidade porque por ali passei recentemente descendo da Tanzânia. No 23º dia da “Odisseia potholes – haja paciência” pernoitei em Karonga a pensar neste hífen da viagem periclitante, coisa pouca a comparar com a fractura do RIFT da África. Pernoitando também em M´Zuzu no dia 14 de Outubro de 2018, pude alheando-me do cicerone chato como a potassa e, apreciar todo o lago Niassa ou Malawi em toda a sua costa ignorando-o.

rift3.jpg Este Grande Vale do Rift, tem a característica de ser considerada como uma das maravilhas geológicas do mundo, um lugar onde as forças tectónicas da Terra estão actualmente tentando criar novas placas ao separar as antigas. Mas, como é que essas fendas se formaram? Uma revista de publicação local, diz-me que o mecanismo exacto da formação correta, é um debate contínuo entre os cientistas.

No modelo popular para o EARS - East African Rifts, assume que o fluxo de calor elevado do manto está causando um par de "protuberâncias" térmicas no centro do Quénia e na região Afar do centro-norte da Etiópia. De anotar aqui que a história da Etiópia está documentada como uma das mais antigas do mundo. Recorde-se Lucy, esse achado arqueológico importante que desvenda nossa natureza humana, descoberta no Vale de Awash nessa mesma região - Afar da Etiópia.

lucy1.jpg À medida que a extensão continua, a ruptura litosférica ocorrerá dentro de 10 milhões de anos, a placa somali se romperá e uma nova bacia oceânica se formará. Aquelas protuberâncias podem ser facilmente vistas como planaltos elevados em qualquer mapa topográfico da área ou visualmente como o é este presente caso. À medida que essas protuberâncias se formam, o trecho e fractura da crosta exterior quebradiça, origina uma série de falhas normais, formando a estrutura clássica de vales e fendas.

O pensamento geológico mais actual sustenta que as protuberâncias são iniciadas por uma “superpluma”, uma seção gigante do manto da Terra que leva o calor de perto do núcleo até à crosta e fazendo com que ele se expanda e se fracture. Este riff é indicativo de mudanças, acontecendo nas placas que transportam o continente, uma vez que é formado onde a crosta do coração, ou camada mais externa, se está espalhando ou se separando.

quipá0.jpg Só recentemente os cientistas começaram a descobrir precisamente o porquê de esses dois grandes blocos de terra se estarem a separar. Paralelamente a estes estudos de alterações tectónicas da terra, o homem redescobrindo-se, leva a que no ano de 2002, com técnicas sofisticadas e fidedignas, confirmarem a deslocação de gente vinda de África Central e do Sul, acerca de 7 milhões de anos e que, atravessaram pelo sul do Mediterrâneo, a seguir a Ásia e através do estreito de Bering desceram desde o actual Alasca à América Central, chegando consequentemente ao Brasil que hoje se conhece e, aonde me encontro.

Na década de 1997, encontraram um crânio feminino com cerca de 11.500 anos; referiram este achado com o nome de Luzia (Lucy), uma mulher dos seus vinte anos, olhos grandes e nariz achatado do tipo negróide. O terem chamado de Luzia a estas ossadas, é uma evidente referência ao fóssil de mais de três milhões de anos encontrados na Tanzânia em 1974, de características muito próximas àquele achado arqueológico da Lucy.

lucy3.jpg Recentemente, novos vestígios foram encontrados na serra de Capivara no Piauí, Nordeste Brasileiro. Foi sem dúvida o início da caça ao tesouro a comparar com as novas modas de Indiana Jonas. Machados e artefactos indicam que eles, os pré-históricos manos e primos de Luzia, viviam na idade da Pedra Polida entre 12 mil e 4 mil anos Antes de Cristo.

Nesta interpretação com busca do mundo, da globalidade e, de tratar o globo como se uma ervilha fosse, sabe-se que o dinamarquês Peter Lund, descobriu em meados do século XIX e, no Brasil, 12 mil fósseis, um cemitério de 30 esqueletos humanos ao lado de mamíferos de grande porte do tipo gliptodonts, uns tatus com cerca de um metro de altura. A estes achados, foi designado o período da pré-história Brasileira, em realidade, o continente da América do Sul.

lucy2.jpg Antes da escrita, há outras histórias que explicam as origens do ser humano. É a história, antes da história. Os arqueólogos, descodificando novos achados, analisam com testes de carbono e outras supostas verdades. Foi assim que olhando pinturas rupestres em Boqueirão da Pedra Furada na região de Lagoa Santa, Minas Gerais, com a exploração de mais de 200 grutas, decifraram os vestígios dum anterior passado, antes dos Egípcios que também se acredita terem aqui chegado e, mais recentemente os Tugas (portugueses) com todas aquelas escondidas diplomacias de Papas e poder Régio da idade média definindo fronteiras ao tratado de Tordesilhas criaram uma nova raça: “O Brasileiro”…

moka25.jpg Mas, os Angolanos que nunca querem ficar atrás nestas descobertas, numa conversa de cacaracá, o Boniboni da Catumbela em Angola, um ilustre amigo meu, um vizinho ocasional do M´Puto, disse sobre isto com um linguajar simples e pícaro, o seguinte: - Mazé, esse tal de “Peter não sei das quantas”, tem que vir aqui nas barrocas da Luua destabilizar os defuntados ossos dos mais que passados primos da Luzia porque aqui, tem por demais, montes de ossadas pré-históricas meu... (é um comentário pouco sério! Não façam caso!). Nós, os TUGAS, somos, em verdade, ainda, um enigma indecifrado. Só sei que os Angolanos nunca provarão que os Tugas, nunca por ali passaram, que nada por ali, fizeram - por mais que tentem!...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:24
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BOOKTIQUE DO LIVRO . XII

O Último Ano em Luanda . 1975 – UMA TERRA A FERRO E FOGO - 16.02.2019

Escrito por - Tiago Rebelo

Por

soba15.jpg T´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

booktique00.jpg Andei neste reencontro com os livros do criado mudo entre as páginas 360 e 363 do romance de Tiago Rebelo e, do que li posso garantir que não é propriamente um romance. É a realidade já aqui descritas por mim em Mocandas do Soba e, mais ou menos com a suficiente cordialidade em entender o impossível, a MERDA DA DESCOLONIZAÇÃO. Aos portugueses do Ultramar, não obstante tratarem-se, na sua maioria, de modestas famílias que ganhavam a vida nas indústrias, nos serviços ou na agricultura, tinha-se colocado o rótulo de colonialistas exploradores, por via da propaganda dos sectores radicais de esquerda que dominavam o governo de Lisboa.

Eles, os radicais de esquerda que eram mais que muitos e, que ainda o são (estamos em Fevereiro de 2019) queriam e, assim foi, deixar Angola nas mãos de Moscovo. Os brancos ultramarinos não estavam definitivamente, nas boas graças da opinião pública portuguesa. Desamados pelo MFA, desconsiderados por Lisboa, sentiam-se abandonados por todos e, até mesmo por familiares directos; este triste fado tem andado a ser cantado como um “desfado”, tratado como coisa pouca mas assim, não o foi!

moka17.jpg Em Luanda apenas um punhado de bravos efectivos do COPLAD, fieis ao Alto-Comissário, defendia a vida e os bens dos portugueses. Na Avenida Brasil e na dos Combatentes da Luua, as principais sedes dos movimentos foram destruídas entre si, a tiro e, com elas, os edifícios onde se situavam, alguns com dezenas de apartamentos trespassados por balas perdidas, por tiroteio assassino e negligente. O último grito em armamento eram os canhões sem recuo contra viaturas blindadas.

Os pseudo guerrilheiros do MPLA, sempre criativos em assuntos bélicos, davam uma nova utilidade a esta arma visando o seu poder de fogo para literalmente demolirem as sedes politicas dos movimentos rivais a saber, UNITA e FNLA. Os estragos, como se poderá imaginar, eram astronómicos, e punham em perigo milhares de civis. Na população branca, dissolvera-se de vez a ilusão de que seria possível ter um lugar no futuro de Angola.

moka18.jpg Esta batalha, a de Luanda, não se cingiu somente à capital. Alastrou por todo o Norte com desmandos brutais num preparado plano de tundamunjila pelos comandos Tugas do MFA aos brancos. Os brancos sem amas, sem apoio, sem a mínima hipótese viram-se numa de “ou mato, ou morro”. Como formigas salalé e em desordem fugiam com algumas imbambas daqui para ali mas e, principalmente sempre para Sul e, ou a Capital.

Assim, os últimos portugueses no Interior de Angola, formando comboios de carro puseram-se a caminho da Luua, atravessando perigosas picadas e outras estradas aonde pululavam guerrilheiros de faz-de-conta impregnados de muito ódio ao branco; muito cheios de vingança e com a cabeça cheia de fumo, liamba e bebidas desinibidoras, faziam a seu bel-prazer a justiça ocasional. Por dá-cá-aquele-palha, um cigarro, uma cerveja, um qualquer cobiçado traste, podia ser motivo de morte.

moc2.jpg Assim e correndo grandes perigos, procuravam o lugar de embarque na já tão falada ponte aérea; num desespero e abandonando tudo, fugiam simplesmente daquele inferno. Era o que preconizava Rosa Coutinho e seus guedelhudos do MFA - os urubus ou corvos, como queiram; Tropa fandanga nunca reconhecida traidora pelos muitos governantes de Portugal no após 1975. Com três semanas de combates arrasadores, nunca o MPLA acudiu aos apelos de Paz faltando a todas as reuniões do comando unificado da Luua. A Emissora Oficial de Angola era simplesmente ignorada pelo MPLA.

O MPLA venceu a Batalha de Luanda expulsando a UNITA e a FNLA com a inequívoca ajuda do glorioso MFA do M´Puto. Em verdade a Batalha de Luanda resumiu-se ao duelo entre MPLA e a FNLA, enquanto os soldados e militantes da UNITA, sem armas para retaliar, se tinham simplesmente resignados a fugir. Os que não puderam fugir, foram simplesmente massacrados aos milhares (maioritariamente negros mas e também, alguns brancos). Recordem-se do massacre na sede Pica-Pau em que abateram homens quase desamados, mulheres e muitas crianças…

silva p0.jpg Onde quer que uma pessoa se encontrasse escutava o inevitável fragor dos combates, o rebentamento de obuses e também, observar no céu colunas de muito fumo. O medo sentia-se no ar! Camionetas passavam com feridos e mortos em direcção ao hospital e à morgue largando rastos de sangue pelo asfalto; Tem-se agora a certeza de ter sido de propósito para provocar o pânico entre os brancos. Está escrito! Mas, sempre haverá muitos dizendo ter-se esquecido; que talvez não tivesse sido tanto assim; sempre a tentar lavar o sarro de tanta hipocrisia. Sinto-o!

Mas, não obstante tanto esquecimento, confirma-se ter sido o MFA o principal comando de tudo – o autor da logística! A bandalheira do exército do M´Puto estava institucionalizada. Nas ruas da Luua viam-se soldados regressados do Norte de Angola sem qualquer aprumo, barbas desgrenhadas, ao estilo de Ché Guevara, o revolucionário do estilo, da época. Época nada digna. Os brancos estavam entregues a si próprios; ando a remoer o passado para não me deixar consumir por rancores inúteis… Ou mato, ou morro!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:05
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019
MU UKULU – XIV

MU UKULU...Luanda do Antigamente15.02.2019

Entre Monomotapa e Catanga corriam entre as classes dominantes dessa região uns lingotes de cobre com o nome de HANDA…

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

Mu Ukulu26.jpg Tomando como base o livro de Mu Ukulu de Luís Soares, aqui se irá falar das moedas correntes desde o ano de 1641 a 1693, moedas-mercadoria que vigorariam desde a chegada dos portugueses à Ilha da Mazenga ou das Cabras e, que nos dias de hoje se chama somente de a ilha de Luanda. Será por assim dizer uma adenda a complementar o que se sabe daquele sistema monetário controlado pelos reinos de N´Dongo e Kongos e outros, em África.

Mu Ukulu25.jpg Em sequência temos os zimbos, n´jimbu, pequenas conchas, propriedade do rei do Congo que apareciam por toda a costa de N´Gola mas com os mais belos exemplares colhidos na ilha de Loanda pelos m´bikas às ordens dos chefes m´fumos. Estes, mergulhavam na contra costa da ilha retirando-os por meio do arrastamento com cestos estreitos e compridos chamados “cofos”. Dos mesmos eram recolhidos os zimbos que podiam totalizar em média e por cofo, uns dez mil.

No correr do tempo foram surgindo outros meios de permuta tais como o sal, a cera, o cobre, os panos ou libongos, marfim, mel silvestre, as cruzetas e os escravos saídos das guerras entre tribos e depois entre estes e mercadores negreiros. Mas, sabe-se por ensaios numismáticos-arqueológicos que entre Monomotapa e o Catanga corriam entre as classes dominantes desta região uns lingotes de cobre com o nome de HANDA, (ref.ª de Octávio de Oliveira na revista Notícia do ano de 1966).

Mu Ukulu27.jpg A palavra banta HANDA significa clã entre os ovimbundo e outros povos de Angola; por outro lado, Octávio de Oliveira refere que Leo Frobenius, explorador e fundador da etnografia belga, chamava aos mesmos objectos “handacreuse”, que poderá ser heterografia da palavra flamenga handelkruis, “cruzeta de comércio” ou “cruzeta de cobre”, uma provável origem deste termo.

Quanto ao sal era retirado das minas com o auxílio de escopros e cinzeis nas regiões de entre o baixo Kwanza e o médio Cuango aonde viviam os ambundos, falantes de língua kimbundo. Extraiam este cloreto de sódio das terras da Kissama, do Libolo, da baixa de Cassange e junto aos rios Quionga e Lutoa. Estas minas que eram controladas por chefes, sobas locais, consideravam o sal da Kissama como sendo de qualidade superior aos dos baixios da costa.    

Mu Ukulu28.jpg Teremos de falar de cruzetas ou lingotes indo à raiz da palavra Jimbamba - Palavra crioula e, referida pelo autor, Octávio de Oliveira como formada de jimbo, o nome dado em kimbundo à cíprea angolana (o zimbo, que corria até ao Catanga como moeda) - quantidade de zimbos, coisa de valor. Acrescente-se que o termo perdura no português falado em angola como “imbamba”, os pertences de alguém. Jimbo – do kimbundo yimbu, do Quioco N´zimbu, moeda; palavra que deu origem a jimbamba.

Curioso é o de referir que quando o governador Henrique Jaques de Magalhães fez circular esta primeira moeda em Angola, já ali corriam moedas de 20 e 10 reis – situação que originou um motim entre a soldadesca brasileira situada na guarnição de Luanda. Os luchazes eram hábeis na confecção de manilhas, usavam o cobre que os lobares lhes levavam da Lunda para permutar com cera.

Mu Ukulu29.jpg O mais característico destes objectos foi a “lucana-bua-mwano” que circulou em N´Gola e no Kongo, peça com configuração da Cruz de Santo André com tamanho e espessura variadas. Foram produzidas e usadas a partir do século VIII e, utilizadas como moeda de troca em permutas comerciais, pagamento de impostos, tributos ou alambamento por uniões matrimoniais de umbigamento. Circularam por toda a África até finais do século XIX.  

Depreende-se do trabalho de pesquisa em referência que o lingote de cobre africano ocorre em três formas: a barra cilíndrica, o “H longo” em forma de astrágalo – o “jogo das pedrinhas” – o objecto monomotápico assim denominado por Theodore Bent em The Ruined Cities of Mashonaland, e a cruzeta. E, nesta busca surge o Lerali - uma barra cilíndrica de 45 cm de comprimento com um cone de 160º tendo numa extremidade decorações protuberantes em forma de chifres.

Mu Ukulu23.jpg Libongo foi o nome que veio a ser dado em kimbundo ao “paninho” tecido originário do Loango ou palmeira-bordão, semelhante ao “paninho do congo” ou likutu que circulou como moeda no princípio do século XVII; acrescente-se que é palavra do kimbundo calunda lu m´bongu,”moeda – m´bonge”. Um libongo valia 5 réis em 1695. O libongos de N´Gola dividiam-se em “bongós, sangos e infulas” enquanto os do Kongo eram chamados de “panos lim´kundis. Os panos conhecidos por sambu ou nollolevieri, tinham a condição de objecto-moeda e serviam apenas para vestir os nobres africanos.  

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:23
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2019
N´GUZU. XXVIII

ANGOLA E OS QUILOMBOS DO BRASIL13.02.2019

Angola e os Quilombos - Na Cerca dos Macacos…

Por

soba15.jpgT´Chingange – No Nordeste do Brasil

aqualtune.jpg Estive lá no dia 14 de Março de 2009 (há dez anos atrás), na Serra da Barriga e, do que vi e li, concluí o que antes e a seguir descrevo. O termo de Muxima que é a saudade dos mwangolés - quimbundos, pode ler-se no quadro de entrada na Serra da Barriga: “Muxima dos Palmares é uma homenagem aos Comandantes-em-Chefe que formavam o Conselho Deliberativo do Quilombo dos Palmares - São eles: Acaíne, Acaiuba, Acutilene, Amaro, Andalaquituche, Dambrabanga, Ganga-Muiça, Ganga-Zona, Osenga, Subupira, Toculo, Tabocas, e seus principais lideres: -Aqualtune, Ganga-Zumba e Zumbi, Banga, Camoanga e Mouza, que resistiram depois da morte de Zumbi, aqui também são homenageados, assim como todos os negros e negras, guerreiros e guerreiras.

Todos aqueles que ao longo de quatro Séculos lutaram (e ainda lutam) pela liberdade racial”. Uma outra placa com fundo preto e letras salientes reconhecido no final pelo Governador Alagoano, Engenheiro Ronaldo Lessa a 20 de Novembro de 2002: -“Homenagem aos Heróis Quilombolas que tombaram lutando pela liberdade em 06 de Fevereiro de 1694: Ganga Zumba, Dandaro, Acotirente, Andalaquituche, Aqualtune, Gana Zona, Ganga Muiça, Acaiúbo, Toculo”.

arau44.jpg A SERRA DA BARRIGA - “CERCA DOS MACACOS” O termo Sanzala ou Senzala em Angola é um povoado normal enquanto que no Brasil está conotada com as casas de tortura, da canga, dos grilhos, da chibata, da bola, da máscara de sino e correntes. Kimbo é o nome de sanzala na região de fala Umbundo em Angola, planalto Central com suas casas, libatas como montar uma loja virtual ou embalas.

Todo este trabalho de pesquisa, foi objecto de promessa minha ao fiel depositário do Guardião da cultura em União dos Palmares e Zelador do Museu de Maria Mariá, Senhor Paulo de Castro Sarmento Filho, que teve amabilidade de me mostrar o actual mocambo de Muquém, a Serra da Barriga e descrever o seu trabalho ainda em esboço duma Cartilha Pedagógica, um projecto de cultura viva. Acompanharam-me nesta visita que durou todo um dia, a Dra Rosa Casado, natural daquela cidade de União, e filha de um dos últimos prefeitos de União dos Palmares  de quem me prezo ser amigo. Ficou a promessa de uma futura visita aos mocambos de Cajá dos Negros e Palmeira dos Pretos, povoados em que ainda são visíveis os costumes antigos trazidos de África.

zumbi7.jpg Vivem da agricultura, da venda de artesanato, potes em cerâmica, feitos de forma manual. Estar ali, é o mesmo que estar em qualquer sanzala de Angola nos dias de hoje. Por todo o interior de Pernambuco, perto Guaranhuns e Alagoas em União e Palmeira dos Indios, as características levam-nos à África longínqua

Sintetizo aqui, o essencial com algumas e poucas introduções de meu foro - “A África revelada por Arnon de Mello” e publicado no jornal Gazeta de Alagoas. No século XVII, Alagoas oferece reduto para os negros formarem os inúmeros quilombos que prosperavam em todo o território brasileiro, mas que tiveram na Cerca dos Macacos da Serra da Barriga, nos Palmares, sua maior simbologia. O Brasil foi o país com a maior concentração de escravos negros do mundo com dados indicadores de 3,5 milhões. A liberdade, por meio de fuga, consolidava-se pela anormalidade da vida administrativa e económica da capitania de Pernambuco.

araujo179.jpg Palmares, perdurou por 64 anos, capitulando no ano de 1696. O governador da capitania relata ao rei D. Pedro II, o pacífico, a morte de Zumbi dos Palmares. Senhor - O Governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro em carta de 25 de Março deste ano de 1696, dá conta a Vossa Majestade de como se houve a certeza de haver conseguido a morte de zumbi. Para que nenhuma dívida se fizesse, para aquietação dos povos e para exemplo dos negros que o julgavam imortal, e para demonstração do que se diz se envia cópia da acta feita pelos oficiais da câmara de Porto Calvo e, por ela se sabe que o grosso das tropas paulistas na pessoa do Capitão André Furtado de Mendonça que conseguiu a morte do negro no sumidouro que este artificialmente fizera na serra dos dois irmãos.

O corpo que se apresentou aos ditos oficiais, pequeno e magro, em cujo exame se viram quinze ferimentos de bala e muitos de lança vendo-se que o membro da virilidade do dito negro se havia cortado e enfiado na boca, também lhe faltando um olho e se lhe cortara a mão direita; que perante os oficiais da câmara juraram as testemunhas pertencer o cadáver ao negro Zumbi, a saber, um cabo maior que se apanhara vivo na companhia do dito, os escravos Francisco e João, o senhor do engenho António Ponto e o lavrador de partido António Souza, que todos haviam conhecido em pessoa o açoite daqueles povos; que se lavrou na acta do reconhecimento do cadáver do negro Zumbi, e que para que se pudesse isso mostrar ao governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro deliberou-se levar ao Recife somente a cabeça ( Nesse então, era habitual esta prática).

araujo158.jpg Pela impossibilidade de levar o corpo todo; que no pátio da câmara presente todos os oficiais, um negro decepou a cabeça a qual se salvou com sal fino, o que tudo se faz constar na mesma acta, que assim pode ele governador Caetano De Melo e Castro à vista da cabeça e da acta, da câmara ter a certeza da morte do negro que tantos danos fizera à Real Fazenda e aos moradores das capitanias de Pernambuco. Este documento será assinado em Lisboa a 2 de Setembro de 1696 pelo Conde de Alvear, por João de Sepúlveda e Matos e José de Freitas Serrão.

É este, um modesto contributo a juntar à história dos países Lusófonos intervenientes, Angola, Brasil e Portugal. E, para que conste na “Torre do Zombo do Kimbo” aqui ficam os agradecimentos a Paulo Sarmento, Governador Assistente do Rotary Internacional, Distrito 4390 e Rosa Casado, Advogada aposentada, que me proporcionaram horas de encanto e convívio.

Ilustrações de Costa Araújo (Mano Corvo)

Referência Bibliográfica: A África Revelada, ensaio de Arnon de Melo.

Da lavra (n´Nhaca) – 14 de Março de 2019

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:22
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2019
KANIMAMBO . LXVI

CONVERSANDO COM LOUIS ARMSTRONG – II08.02.2019

Procurando entender de como é que o PROCURADOR, Louis Armstrong encontrou uma medalha do Maximiliano da Áustria na praia da Pajuçara no ano de 1551

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste brasileiro

Naquele outro dia, dois de Fevereiro deste ano de 2019, fiquei confuso com o que Louis Armstrong me disse lá junto à canoa de Pajuçara. É impossível, ele ter encontrado uma medalha com os brasões de Maximiliano II da Áustria que reinou nos anos de entre 1527 até 1576, há mais de quatrocentos e setenta anos, mais coisa menos coisa. Em relação a isto, nada falei porque me pareceu ser uma mentira de todo o tamanho e, de tão grosseira reservei-me para estudar o que eventualmente possa ter sucedido. E, do inaudito passei à pesquisa.

maximilano1.jpgSabe-se que em meados do séc. XVI, o Rei D. João III de Portugal, ofereceu ao seu duplamente primo, o Arquiduque Maximiliano da Áustria II e, também genro do imperador Carlos V de Espanha, um elefante que viera da Índia Portuguesa – diga-se um presente de casamento muito sui generis e, que até foi uma obra de literatura do Prémio Nobel o escritor Saramago mas, nesta muita confusão de primos, terem chegado aqui as maluqueiras é assunto de colocar as mãos pró céu e rogar esclarecimento oficioso ao Nosso Senhor.

Hoje, sexta-feira dia oito, cheguei à praia ainda não eram dez para as seis da manhã. Na Praia dos Sete Coqueiros e entre esta e a canoa ficam situados os campos de futvolei, lugar aonde sempre furo a areia para meter meu chapéu. Vi um cara colocando pequenos cones vermelhos na areia e, logologo não deu para notar que esta figura já era minha conhecida; vai daí e nesta operação de aprontar o ginásio de praia, fui providenciando minha tarefa de colocar as minhas duas cadeiras mais um chapéu-de-sol ligeiramente inclinado por via de o vento; por vezes surge vindo das nuvens pretas e, foi neste entretanto que ouvi.

kanimambo0.jpg - Bom dia Frank Sinatra! Era nem mais nem menos do que meu já conhecido Louis Armstrong, só que desta feita todo vestido ao rigor dum personal trainer, igual a tantos outros espalhados pelos seis quilómetros do Calçadão de Maceió. Oi! Bom dia companheiro!... Como é!? Hoje não é mais o procurador? Cadê seu instrumento de saxofone de buscar piercings, anéis e esse negócio da medalha com as armas do Maximiliano. Nesta fase dos acontecimentos já tratávamos sua excelência da Áustria por tu e o escambau de kambas com edecéteras mais o fulano, seu primo de D. João III do M´Puto.

Olha, disse ele apontando para o lugar já preenchido com pinos, argolas, escadas de cordas na horizontal e uns elásticos pendurados em um dos seis coqueiros. As mininas estão chegando e tenho de dar minhas instruções, depois falamos, topa dôtor? (minhas insígnias…que fazer?) Topo! Foi a minha curta resposta pois que, o tempo urgia presteza. Ora esta! Reparei que bem junto ao largo do calçadão e ao lado dos seis coqueiros (foi quantos contei) estava uma estrutura montada em quadrado; era a base de apoio do, quatro varões suportando uma pirâmide

kanimambo1.png Na parte da aba lateral da pirâmide virada para o mar, pude ler: Louis Armstrong – Training – GSW. Afinal, este cara é multifunções! É procurador de metais, professor de ginástica e sei lá mais o quê. Foi quando reparei no negão sentado numa mesa rectangular bem ao centro deste cangalho piramidal e meio tapado pelo isopor, copas e drogas revitalizantes tipos red-bull

Era o mesmo Jacaré de nome, o tal de soturno e com uma pesada cabeleira de trancinhas raistaparta, melhor rastafári, tal e qual, o mesmo que da outra vez me cantou o “Preto de Nascença” igualito ao já descrito na série Booktique na referência ao Agualusa, meu companheiro de escritas mentirosas. Jacaré que estava atento a tudo, reparando em mim fez-me um rasgado adeus terminando com os dedos da mão esquerda fazendo um C e com a outra um V, assim separando os dedos indicador e o asneirento, tal como fazia o gordo Winston Churchill. Mau-mau, pensei eu assim no pretérito taciturnado…    

cruzeiro0.jpg C e V só poderia ser mesmo o tal Comando Vermelho que o Candengue Agualusa fala em seu livro de ”Quando o Zumbi tomou o Rio”. Saudei-o da forma descrita e, por momentos passei a olhar as mulheres badalando suas formosuras num vai e vem de frente e de costas e outras correndo de lado como o caranguejo e outras ainda esticando a corda elástico do coqueiro. E, sobe e desce transpirando vontades! E, eu assim encuscado no tal CV – Comando Vermelho do Jacaré. Podia agora entender o porquê de ele dizer naquele outro dia e depois de declamar seu linguajar de “Preto de Nascença”: Tenho vocação é de terrorista!

Fui fazer minha hidroginástica e quando notei que estavam a decorrer os últimos exercícios, fazendo alongamentos, saí da água na intenção de fala com o Louis Procurador-Training. Jacaré veio recolher toda aquela tralha de equipamento e, enquanto ajustava as parafernálias em seu pau-de-arara com elásticos, cadeiras, cordas, pinos e caixas multicolores numa caminheta verde do tipo Bedford antiga, Louis Armstrong veio até mim.

cruzeiro01.jpg Então, tudo bem? Tudo nos conformes, disse eu! Caramba, tu também és professor de ginástica!? Tu sabes dõtor, a vida não está fácil! Disse ele! Tenho de me virar noé!? Disse isto como querendo dizer-me mais qualquer coisa mas interrompi-o. Diz-me só quem foi o artista, o entendido, o arqueólogo ou historiador que te disse ser aquela medalha que encontraste e, que dizes ser dum tal Maximiliano da Áustria?

Olha dôtor! Foi no centro da cidade. Um tal Professor Katedrático que tem uma casa de penhores, que compra e vende oiro e relógios chamado Sérvio Graciliano. Há coisa de um ano ele virou e revirou a medalha, interpretou a forma das unhas dum parecido leão da Casa de Habsburgo. Que sei eu, pagou bem e nada mais sei do que isto. Espera, dôtor! Ele falou dum tal Sacro Imperador Romano-Germânico, e da Infanta espanhola Maria de Habsburgo.

araujo 41.jpg Falou muita coisa que nem lembro mais direito! Um tal de Grão Mestre da Ordem Totonica (…) Agora sim! Uma trabalheira por desvendar este negócio! Disse eu… Dõtor (que era eu), não quebre sua cuca não! Dei um comprimento artístico meio desportivo ao Jacaré que entretanto chegou até mim! Que tal dôtor! Depois assim tipo socando punho com punho e fazendo um C com a mão esquerda e um V com a direita! Dôtor, estou vendo!? Vendo o quê?... Esta guerra também é sua, tá ligado? Tou sim! Disse sem pensar e terminei numa de frentista: - É sim, meu irmão… Tudo está complicando, disse baixinho, só para mim…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:24
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XI

Peguei aleatoriamente no ANO EM QUE ZUMBI TOMOU O RIO - 06.02.2019

Escrito por José Eduardo Agualusa

Por

soba15.jpg T´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

agualusa1.jpg Hoje choveu e por isso espreguiço aqui mesmo em meu mukifo. No meu olhar de xicululu, assim um olhar de esguelha ou olho gordo, martelei por cima do meu sobrolho a frase de que “Os portugueses são o povo mais atrasado da Europa porque há séculos que se misturam com os negros” e, fiquei assim um pouco a remoer muxoxos asneirentos por o caso ter raspas melindrosas e, calhou na página 94 do Zumbi ler uma passagem em que mete um negão repentista na prosa e poesia de nome Jacaré.

Jacaré, um moço alto, soturno e com uma pesada cabeleira de rastafári chega chegando, molengão, dando um leve toque de dedos no Louis Armstrong, o “procurador” que vós conheceis:

- E aí, meu irmão?!

- Beleza, chefe.

- Canta aqui para o Frank Sinatra (eu) teu rap, «Preto de Nascença», tá ligado?

- Jacaré começou imediatamente a sacudi o copo ao mesmo tempo que declama:

«Era um preto com alma de branco dizia a tudo, sim doutor, está muito certo doutor, só queria trabalhar mas exigiam boa aparência, sim, doutor, está certo doutor (ele tinha uma infinita paciência).

Era um era, num era, um preto que sabia o seu lugar sim doutor, sim doutor seu filho em casa de barriga vazia e ele: sim doutor, está certo doutor.

Sua mulher morreu de bala perdida e ele: a vida doutor, esta nossa vida.

agualusa2.jpg Seu pai morreu de bebida e ele sempre: sim, doutor, está certo doutor, seu filho morreu de fome.

E então um dia o crioulo endoidou, mudou de atitude, mudou de nome, chega de tanta dor.

Agora sou Zumbi, sou Xangô, sou Lampião. Agora sei qual é o meu lugar sim, doutor, é no meio dessa briga meu lugar é no Morro da Barriga.

E se você é o elefante e eu sou a formiga ainda assim deixe que lhe diga, não tenho medo, perdi o medo. Sou preto, sim, conheço minha cor a cor do seu medo, doutor mas minha alma é azul anil conheço meu lugar esta terra adorada entre outras mil, és tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo mãe gentil, Pátria amada, meu Brasil»

negro2.jpg Jacaré sacode o suor do rosto, senta-se náreia, pede uma Coca-Cola. Sorri para o procurador, para mim também:

- Gostaram?

Ambos ficamos impressionados e falei:

- Os versos são ruins

- As rimas, um desastre.

- Mas a mensagem parece-me forte, muito forte na verdade, não esperava por isto. Jacaré explicou que os últimos versos pertencem ao hino nacional. Os burgueses irão ficar chocados quando escutarem isto. Bom! Falo eu: - Portugal recebeu os primeiros escravos negros em meados do século XV. Dezenas de anos depois, os negros já eram 10 por cento do total da população lisboeta. Essa percentagem viria a crescer para 13 por cento no século seguinte.

missosso2.jpeg A pergunta imediata é a seguinte: Que destino tiveram estes africanos? Regressaram a África? A resposta é não!  Eles foram absorvidos, misturaram-se do ponto de vista genético, social e cultural. Eles ajudaram a construir a Portugalidade introduzindo valores e dados culturais novos. A palavra minhoca é apenas uma de dezenas de outras marcas no domínio linguístico. Olhem que no Ribatejo havia aldeias cuja população era maioritariamente negra. Jacaré e o procurador olham reticentes curvando as pálpebras. É mesmo?

Minha amiga Maria Carapinha tem este nome porque seus trisavôs eram negros retintos e, hoje já nem os traços negróides têm. Basta ir beber uma ginjinha ao largo S. Domingos em Lisboa para termos esta sensação; no Cais do Sodré já não resta nenhum sinal das negras que ali vendiam mexilhões. Podemos descobrir testemunhos dessa presença em quadros, azulejos e cerâmicas variadas. Falando com meus amigos aqui na praia da pajuçara relembro um tal de Thomas Malthus que na sua visão religiosa de ver o mundo a nuo, disse disparates grossos.

roxo111.jpg Palavra puxa palavra, cheguei a Hitler e às técnicas segregacionistas do Apartheid na África do sul para não falar dos próprios americanos e, os seus primos Australianos. Nem sei porquê os brasileiros gostam tanto assim, dos gringos. A conversa ficou por aqui mesmo… Até amanhã doutor (era eu). Assim se despediram de mim e, ali fiquei especado olhando o vento sem saber se eles entenderam metade do que disse.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:25
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BOOKTIQUE DO LIVRO . X

A VIAGEM DO ELEFANTE – José Saramago – Da Caminho - 04.02.2019
Por

soba15.jpgT´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro

sacag1.jpg Um Desafio de Maria João Sacagami (psicóloga) . No Bombom do Rio de Janeiro
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz
7- Vidas Secas de Graciliano Ramos
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

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Saramargo1.jpg À lista de livros da BOOKTIQUE, adicionei um oitavo mais um nono LIVROS com falas bem diferenciadas e com conteúdos de se lhe tirar o capacete. Aleatoriamente, falarei destes e de outros, sem me meter a fundo nos meandros filosóficos de cada autor; copiando aqui e além partes mais fosforescentes da linguagem, introduzirei meu linguajar sem a preocupação das normas que Nosso Senhor me estipulou com sua mão direita. Dar com a esquerda sem que a direita o saiba ou o seu reciproco. 
Bom! Pois! A mão direita porque a esquerda por vezes falseia. Para além do mais e seguindo os conceitos bíblicos blábláblá, deixa para lá… A erudição de cada qual, autor, não vai ser aqui analisada porque minha caminheta não comporta tanta tonelagem; Neste caso do sétimo e oitavos livros, um foi Prémio Nobel (Saramago) e o outro foi Camões (O autor, Luandino Vieira recusou tal prémio porque, de tão honesto, disse ser seu português demasiado atravessado)...
O JAMBA SALOMÃO CAPA DO JAMBA - O elefante milagreiro Salomão, o Jamba de Saramago do ano de 1553, oferta de Dom João III a seu primo o Arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do Imperador Carlos V, passou por Pádua e fez tremer a queixada relíquia de Santo António de Lisboa e Pádua; o Salomão desta inventação de José Saramago fez um milagre à porta da catedral de Pádua. 

saramargo2.jpg Desde o tempo de D. Afonso Henriques que há crise em Portugal; no entanto e, nos intervalos, houve grandes gestos de magnanimidade. Em meados do século XVI, o rei D. João III ofereceu esse tal elefante indiano a seu primo, o Arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V. D. João V, em 1721, momentos de boa situação financeira com muito ouro saído do Brasil, ofereceu 50 dúzias de pratos de ouro para os Cardeais Pereira e Cunha representarem condignamente Portugal em Roma.
Eu não estava lá, mas pude verificar há uns anos atrás em visita ao Vaticano, que a queixada do santo tremeu de indignação. Tendo gasto, tanto despifarro para curtir vaidades. O Conarca, homem condutor do elefante, burlão quanto baste, estava mancomunado com o bispo e, eis que o dito cujo bicho de quatro toneladas, se ajoelha com as duas patas dianteiras, uma coisa nunca presenciada de um esquisito e trombudo animal. 
Um milagre por inteiro, diz o digníssimo relator Saramago ao afirmar que a assistência presente no adro, em grande número, toda ela, acto contínuo se ajoelhou imitando o quadrúpede. Se eu dissesse isto, era logo excomungado pelos midia. Mas que espectáculo eu perdi! Em troca, Salomão recebeu uma generosa aspersão de água benta com aquela coisa, um zingarelho de espantar espíritos que os bispos usam. 

saramargo3.jpg Dentro da catedral a múmia do santo António estremeceu de gozo no túmulo, afirmação de gente muito crédula. (Mais tarde, eu, na primeiríssima pessoa, século XXI, também vi!…) Esta estória dum ateu que se diz agnóstico, é tão ou mais macabra que as já muitas estórias aqui descritas pelo relator vanguardista do blog Kimbolagoa, um ilustrem desconhecido 
Háka! Não é que, o Cornaca tirava pelos do cú do elefante para fazer pulseiras de macumba, vendendo estas aos fieis devotos ao Santo. E, não é que comprometeu seriamente nesta operação de trapaça e candonga o mui nobre Arquiduque Maximiliano da Áustria, como um vulgar Lello cigano da nossa praça (vendedor de cuecas em segunda mão) numa corrupta ligação com inspectores da ASAE da ilha de Lançarote, 600 anos depois (ou antes,... já nem sei!)

dia19.jpg Em 1730 o mesmo D. João V oferece um caixote de barras de ouro para a princesa das Astúrias e, um ano depois outro caixote do mesmo ouro vindo do Brasil para a rainha de Espanha, Em 1732 mais 72 barras desse ouro para o núncio apostólico Bichi, em Roma e, em 1733, mais 24 barras do mesmo ouro para ajuda do enterro do núncio apostólico Cavallieri, em Roma. É demais!...
(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:09
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2019
KANIMAMBO . LXV

CONVERSANDO COM LOUIS ARMSTRONG02.02.2019

Pois! Uma coisa chamada de talassoterapia com a vitamina D de Deus… Armstrong, amontoa suas roupas em cima das chinelas ficando em sunga tipo calção florido idêntico ao meu…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste brasileiro…

Na praia da Pajuçara, encostado à Canoa, vendo o sol recém-nascido lá no horizonte e, lá pelas seis horas da madrugada, chega um senhor moreno na cor e na idade que, cumprimenta. – Bom dia! Respondo também com um bom dia. Amontoa suas roupas em cima das chinelas ficando em sunga tipo calção florido idêntico ao meu. Senta-se e ali ao lado dizendo algo sobre a maré que está secando; falas de ocasião pra puxar conversa. Dando-lhe um pois-pois, claro, sinto ter ele, vontade de falar – Não tem nada demais.

Já habituado a esta empatia nordestina vou dando respostas aleatórias sobre as algas, o tempo e as mazelas. Comenta aquilo que todos falam e também repetida na televisão vezes sem conta: A desgraça da barragem de terra do Brumadinho! Assim permanecemos falando de várias coisas até que lhe perguntei: Como se chama? Resposta pronta: Louis Armstrong!

ARMSTROG1.jpgBom… em realidade tinha alguma semelhança com o cantor e trompetista de outros tempos mas, daí a chamar-se nem mais nem menos da mesma forma, fiquei só um pouco intrigado. Seus pais deviam gostar muito desse senhor músico que faleceu no ano de 1971!? Por acaso você também é músico? Não, mas gosto muito de ouvir sua voz rouca; é verdade que meu pai tinha um fraquinho por esse tipo de canções choradas com encanto.    

-E o senhor, faz o quê? Pergunto. Parece-me que ainda está na vida activa! Não hesitou um segundo para responder: - Sou Procurador! Bem! Assim neste panorama, mantinha-me na dúvida se não me estaria a tomar por parvo e dizer-me inverdades. Eu sabia que Procurador era assim uma figura de destaque tal como Procurador da República, figura de Estado e esta Louis Armstrong até no nome me parecia ser uma pegada mentira. Mas, tenha-se em conta ser demasiado deselegante perguntar-lhe detalhes mais fragmentados.

panoias2.jpg O mar verde continuava a secar, a maré descia a olhos vistos juntando fiadas de algas verdes e o Louis Armstrong tudo indicava estar à espera de ficar muita areia para depois entrar. Pensei que assim queria ter rasura na altura da água, para esfregar suas quinambas, o peito e talvez fazer uma tratamento terapêutico pelos banhos de mar e pela acção dos climas marítimos.

Pois! Uma coisa quase hidroginástica chamada de talassoterapia com a vitamina D de Deus, pois que qualquer coisa por ele falada era terminada com a graça de Deus, se Deus quiser. Falava assim denunciando sua veia evangélica, usando com tato as palavras para não ofender o Senhor. Bom! Como seguindo as palavras do novo presidente Bolsonaro que também diz, a bem da nação, o País acima de tudo e Deus acima de todos.

uruguai3.jpg Eu evitava usar palavras para o senhor que não fossem demasiado periclitantes ou polémicas e assim derivei para a vulgaridade de não reutilizar garrafas de plásticos com água porque, tal e coisa, um produto de plástico por um longo período de tempo não se conhece segurança de remover completamente todos os perigos nele contidos. Bom! Mediante esta conversa um pouco mais desenvolta o senhor de sobrolho meio retorcido perguntou qual era o meu nome. Resposta imediata: Frank Sinatra. Bom! O bigode dele ficou retorcendo a sobrancelha com três rugas a salientarem sua admiração. Ambos estávamos a ficar infestados de bactérias…

Pois é! Falei. Meu pai adorava ouvir Frank Sinatra e tal como o seu, também me baptizou desse mesmo jeito! E, olhe que gosto imenso de o ouvir. E, afinal já morreram ambos num é!? E, que faz na vida? Perguntou ele. Conto estórias! Então é escritor? Não, eu só escrevo para animar os amigos, porque gosto de usar as formas directas do linguajar do povo com que contacto; invento muito e por vezes fico rindo só e, que nem um tonto com minhas inventações.

kafu5.jpg Bem dôtor, vou ter de ir à minha luta, ganhar a vida! A maré já está bem seca para pegar no meu saxofone! Reparem que devido à minha fala assim mais erudita, Louis licenciou-me de dôtor em menos de poucos minutos. Ué… e, afinal ele é mesmo tocador de pífaro, ou trombone ou que sei eu, sei lá clarinete. E, bolas, aqui a imaginar tonteiras! Deve tocar para quem passa para receber uma gasosa; não é a primeira vez que vejo gente tocando na praia para os namorados, para gente com dólares, pessoas românticas que gostam de repentistas.

arau44.jpg Mas ele não disse que era Procurador!? Vou deixar aqui minhas coisas, o dôtor dê uma olhada fazfavor! Pois não! disse eu. Deixe ficar! Foi quando foi atrás do barraco da Canoa e de lá, veio com seu saxofone, assim uma vara comprida com uma espécie de argola no fim. Um saxofone bem esquisito, diga-se! Só dei pelo meu erro quando iniciou sua caminhada em zig-sagues pela areia com seu instrumento riscando chão até apitar. Só então entendi o que era essa função de PROCURADOR. Quando ele aqui chegar vou dizer-lhe que agora é PESQUIZADOR… Isto há coisas…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:47
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . IX

VIDAS SECAS – COMO SINTO O MUNDO

Pretonceito - Não é erro ortográfico não! É uma nova palavra de origem manwgolé…

- Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol …17.01.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Na Lagoa do M´Puto

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO – Como dar certo …Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS - Graciliano Ramos . Br

84  - Secando a palavra ao sol e, porque foi feita para se dizer, recordo as “vidas secas” de Graciliano Ramos, escrito de 1937 e assim, acompanhei parte do trajecto da família de Fabiano e também da cachorra Balaia. No meio de muitas arbitrariedades próprias da classe dominante de então no Brasil e, andando eu frequentemente por terras de índios Caetés, lá terei de ler o “São bernardo” de 1933 e o “Angustias” de 1936, talvez o melhor das suas publicações.

85 - A partir de factos simples, tento compreender com a maior exactidão, analisando isto e aquilo e, no possível, o meu próprio desenvolvimento do pensamento - Dar atenção a um, descuidando um outro que o precedeu. A teoria da casualidade por reflexão de ressonância sucedeu ouvindo um grilo que canta, que grila…Ele canta, estridula, guizalha, trila ou tretinha num zumbido que se interrompe. Com estes silvidos, chego à via especulativa no ser capaz de me ajudar a compreender o Mundo.

booktqiue6.jpg 85 - E, porque também está viva em minha memória, relembro parcialmente as “Vidas Secas”. Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. «Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do Rio Seco, a viagem progredira bem umas três léguas. Fazia horas que procuravam uma sobra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da caatinga rala.

86 - Arrastavam-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça. Fabiano, sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda pederneira no ombro; o menino mais velho e a cachorra Balaia iam atrás. Os juazeiros aproximavam-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.

gracilano1.jpg 8- Anda condenado do diabo gritou-lhe o pai. Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo. A caatinga estendia-se de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor dos bichos moribundos.

88 - Anda, excomungado! O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um facto necessário - os tremidos e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro caboclo precisava chegar, não sabia onde.

booktique7.jpg 89 - Tinham deixado os caminhos cheios de espinhos e seixos, fazia horas que pisavam a margem do rio, a lama seca e rachada que escaldava os pés…» Esta descrição espremida como roupa pronta a corar, causa-nos calores e frios tremidos, uma miragem com uma amargura tão sobrevivente que podemos até sentir sofrimento. Ele tinha o condão de elaborar um trabalho colocando no papel tudo aquilo que conseguia observar na pessoa, num animal, em uma cidade e sua sociedade, com matizes varias.

90 - Foi um pouco a partir dele que trabalhei a curiosidade, descrevendo assuntos demasiado banais. E, fiquei também ciente de que o que toca a imortalidade é a obra e não o ser humano. Nisto de recordações acabo por chegar ao conceito de se escrever “por linhas tortas” e, é aqui que largo o preconceito, para recordar alguém de nomeada e, que mudou minha forma de estar. É ele Graciliano Ramos! E, disse assim: -“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para se dizer”. Assim diz Graciliano no ano de 1962, para comparar seu ofício de escrever com o acto de lavar roupa pelas lavadeiras do rio.

booktique8.jpg 91 - E, recordo-me de no acampamento aonde dormi com meu pai, um bivaque de gente da Brigada dos Caminhos de Ferro de Angola, de ter ouvido hienas a chorar e urros distantes de leões em um ermo quase sertão como aquele do Nordeste brasileiro; relembro deste meu jeito os bidons ao redor do acampamento contendo tochas de fogo pela noite, para afugentar as feras nesse lugar conhecido por Lucala, sobre o rio com o mesmo nome e, no distante ano de 1954; era eu candengue – falo de Angola.

92 - Claro que relembro algo que deveria estar esquecido, disse isto para mim mesmo. Uma terra que deixou de ser nossa por pretonceito, já o meu pai o dizia - Como é!? Não é erro ortográfico não! É uma nova palavra de origem manwgolé… porque simplesmente de dia para a noite se perdeu o direito de nela se viver. E pelo dizer de Graciliano, um escrito deve ser lido e relido, ensaboado, esfregado, batido no lajedo, no burgau, como uma peça de roupa suja. Assim fiz: - depois, pô-lo a corar nas ervas, nas bissapas ou penedias, após enxaguar. Estou fazendo!

araujo69.jpg 93 - Ler seus escritos é como revisitar um laboratório e obter capacidade literária independentemente dum qualquer estilo. Por isso não escrevo átoa, ao calhas, Será!? …Mas ele, com sua caneta bike, transformava um banal relatório ou carta burocrática em uma verdadeira peça literária. E, já que isto é mencionado, quero avivar relatos de seu exercício passados ao papel no ano de 1930; ainda eu, o T´Chingange, nem era um projecto de vida pois que minha singularidade surgiu no ano de 1945 e na convulsão dos sons de obuses da primeira guerra mundial.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:49
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Domingo, 13 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . VIII

GLOBALIZAÇÃO

- Cinco séculos de pessoas, costumes e governos desaproveitados…13.01.2019

Por

soba0.jpeg T´ChingangeEm Lagoa do M´Puto

booktqiue3.jpg 74 - Se estudarmos as lições da história para daí tirarmos conclusões sobre como sobreviver na globalidade com crises constantes, teremos de dar crédito ao dito por um concelheiro respeitável, D. Luís da Cunha ao serviço do rei D. João V, "o Magnânimo", quando o aconselhava a fazer transferência da corte de Lisboa para o Rio de Janeiro no Brasil. Ao estabelecer-se no "imenso continente do Brasil", o rei de Portugal deveria tomar o título de "Imperador do Ocidente" quando não pendia ameaça iminente sobre a soberania portuguesa na metrópole (M´Puto).

75 - Esta ideia fora já apresentada pelo padre António Vieira, na situação de emergência do período da Restauração da Independência de Portugal; esta ideia visava buscar um meio de afirmação e engrandecimento do reino de Portugal ao mesmo tempo que garantia melhor a sua segurança na Europa. Passado que são mais de trezentos anos, até custa acreditar haver em esse então, gente lusa com tanta visão da globalidade.

booktqiue5.jpg 76 - Portugal necessitava engrandece-se juntando para tal a gente letrada de um e outro lado do Atlântico para preservar a união de todos, letrados com gente rica. Já nesse então quatro quintos da receita do reino, vinham do brasil, ou seja 80%. Lendo agora os escritos de Joseph Stiglitz que foi assessor do presidente Bill Clinton e Vice-presidente e economista-chefe do Banco Mundial, verificasse que afinal em relações entre povos, o interesse económico, foi, continua a ser e assim será, o ponto fulcral.

77 - É mais comodo e seguro estar aonde se tem o que sobeja, que onde se espera aquilo de que se carece. Na lista de livros da BOOKTIQUE, mencionei em número cinco a História da riqueza do Brasil de Jorge Caldeira e é curioso ver o quanto tem de semelhança com a leitura da Globalidade deste conceituado economista Stinglitz, numero seis do booktique. Em realidade, no mundo da lusofonia, dos países da CPLP, ambos se complementam nesta visão!

booktqiue0.jpg 78 - No mundo, qualquer acordo de comércio entre países, envolve custos e benefícios. Os países impõem restrições a eles mesmos, na crença de que restrições recíprocas aceites pelos outros, abrirão novas oportunidades, cujos benefícios superarão os custos. Infelizmente, para a maioria dos países em desenvolvimento, não tem sido esse o caso, porque nenhum acordo é melhor do que um acordo ruim.

79 - O comércio não é um jogo de somar zeros em que aqueles que vencem, o fazem à custa dos outros; ele é ou pelo menos pode ser, um jogo de soma positiva, em que todos podem ser vencedores. Se quisermos que esse potencial se realize, devemos primeiro rejeitar duas das premissas da liberalização do comércio: que a liberalização leva automaticamente a mais comércio e crescimento, e que o crescimento irá automaticamente “gotejar” em benefício de todos.

booktqiue4.jpg 80 - Nenhuma das duas premissas é consistente com a teoria económica e com a experiência histórica. Para haver apoio à globalização do comércio no mundo desenvolvido, devemos garantir que os benefícios e custos sejam compartilhados de maneira mais equitativa, o que envolve uma tributação mais progressiva da renda; é o que nos diz em seu livro, Joseph Stinglitz. A globalização não será aceite pelos trabalhadores dizendo-se a eles que poderão ter um emprego, desde que aceitem salários mais baixos.

81  - Os salários podem aumentar somente se a produtividade crescer, e isso exige mais investimento em tecnologia e educação. Infelizmente, em alguns países industriais avançados, isso é o oposto que vem acontecendo: os impostos a se tornarem mais regressivos, as redes de segurança a se enfraquecerem e os investimentos em ciência e tecnologia a declinarem como percentagem do PIB, assim como o número de formados em ciência e tecnologia. Com a globalização, aprendemos que não nos podemos isolar completamente do que acontece no resto do mundo.

roxo91.jpg  82 - Os países industriais avançados beneficiam-se há muito tempo das matérias-primas que obtêm do mundo em desenvolvimento; seus consumidores beneficiam imenso com bens manufacturados baratos, de melhor qualidade e, cada vez melhor. Ajudar os habitantes do mundo em desenvolvimento, aqueles que são mais pobres, é uma questão moral mas, cada vez mais se reconhece que esta ajuda é também uma questão de seu próprio interesse. Com a estagnação, as ameaças de ordem dos desiludidos diante do desespero, aumentarão.

83 - Tenha-se em conta que onde quer que predomine o capital, predomina o trabalho, e onde quer que predomine a renda, predomina a ociosidade. Os capitais são aumentados pelo acto de poupar, de economizar, de despender moderadamente e diminuídos pelo esbanjamento e pela má administração. O maior objectivo social em economia passa a ser a criação de grandes mercados, que fazem a riqueza das nações. Seria bom que surgisse um novo Dom Luís da Cunha a incentivar um grande mercado entre os PALOPS - Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e a CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa com o Brasil e seus mais de duzentos milhos de almas na liderança…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:19
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . VII

GLOBALIZAÇÃO - A China está a aproveitar para comprar países inteiros – 11.01.2019

Portugal é um bom exemplo desse investimento pois tudo indica estar a preço de saldo. 

Por

soba0.jpegT´ChingangeEm Lagoa do M´Puto

booktqiue2.jpg Nº 6 de BOOKTIQUE 

64 - À lista de livros da BOOKTIQUE, adicionei um sexto que versa o tema GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz que foi Vice-presidente e economista-chefe do Banco Mundial. Stiglitz, ganhou o prémio Nobel de economia no ano de 2001. Não sendo eu entendido em matéria de economia, despertou-me ler passagens que decerta forma me abrem um pouco mais a visão de como o dinheiro meche com todos nós, pequenos anões desta bola chamada terra.

65 - E nós, gente comum, pouco ou nada podemos fazer para alterarmos o rumo dos acontecimentos. O excesso de endividamento por empréstimos malfeitos, aumentam as situações de crise, e os custos dessa crise são pagos não apenas por quem empresta, mas por toda a sociedade. Em anos recentes, os programas do FMI talvez tenham resultado num aumento significativo das distorções nos incentivos aos emprestadores.

booktqiue1.jpg 66 - Quando ocorrem crises, o FMI empresta dinheiro como uma operação de socorro, mas o dinheiro não é na realidade um socorro para o país, mas sim para os bancos. Os governos chegam a assumir as dívidas privadas, socializando dessa forma o risco privado. Sendo apenas um empréstimo e não um presente do FMI, os países em desenvolvimento ficam com a conta para pagar.

67 - Assim, os contribuintes do país pobre, pagam pelos erros do empréstimo do país rico. Ao contrário do que seus arautos prometiam, a globalização, em geral, não foi benéfica para os países pobres do mundo. A receita económica dominante de privatização total, liberalização radical e Estado mínimo, trouxe mais problemas do que soluções.

mocanda9.jpg 68 - Simultâneamente, as políticas que se concentram no combate à inflação e as mensurações do desenvolvimento que só levam em conta o FMI são insuficientes, pois muitas vezes o PIB vai bem, mas o povo vai mal. Não era, nem é ou será a primeira vez, nem o primeiro lugar, que as nações fortes do mundo usaram ou usarão meios militares, para obrigar o pagamento de dívidas. A França invadiu o México em 1862 e instalou como imperador o arquiduque Maximiliano da Áustria, um parente de Napoleão II, usando como desculpa a dívida que o país havia acumulado desde sua independência em 1821.  

69 - Em 1876, França e Inglaterra juntas tomaram conta das finanças do Egipto; seis anos depois a Inglaterra ocupou o país. Em 1904, quando a Republica Dominicana não pagou sua dívida aos Estados Unidos da América, o presidente Theodore Roosevelt foçou o país a dar aos USA a supervisão das receitas da alfândega a fim de cobrar a divida e pagar os credores.

CUCO1.jpg 70  - O actual presidente da China, Xi Jinping, não brinca em serviço. A Zâmbia corre o risco de perder a sua soberania devido à enorme dívida externa que tem com a China. O país poderá ser obrigado a entregar a Pequim a propriedade das suas principais infraestruturas de transporte e energia, assim como algumas promissoras indústrias de extracção, inclusive de diamantes.

71 - A China está a aproveitar para comprar países inteiros e, nalguns casos, a preço de saldo”. Portugal é um bom exemplo desse investimento. Entre os 10 países do continente africano que mais devem à China encontra-se um que fala português - Angola. A dívida de todos eles, somados, atinge os 70,4 mil milhões de euros. Quase toda a dívida externa da Venezuela está nas mãos da China,... A tampa da panela, um destes dias vai rebentar; quando, não se sabe ao certo mas isto, vai acontecer! O que se passa é que, os países têm percepções muito diferentes das ameaças... Anda tudo a assobiar pró lado…

chicor1.jpg 72  - Segundo a revista Africa Confidential, a actual crise no país africano Zâmbia, deve-se à enorme dívida perante empresas e fundos chineses que não é capaz de pagar. Esta situação levou Reino Unido, Finlândia, Irlanda e Suécia a reter 34 milhões de dólares destinados a apoiar iniciativas da Zâmbia em educação e assistência social, temendo que esse dinheiro seja utilizado inapropriadamente, segundo informou a ministra das Finanças do país, Margaret Mwanakatwe.

73 - A dívida externa da Zâmbia aumentou de 8,70 mil milhões de dólares no fim de 2017 para 9,37 mil milhões em Junho de 2018, segundo a Reuters. Recentemente pude observar in loco as carências estruturais deste país, tal como no Zimbabwé, Malawi, Tanzânia e Moçambique aonde tudo parece estar ao abandono. O Ministério das Finanças da Zâmbia, anunciou m fins de agosto de 2018, que a dívida pública do país atingiu os 14,6 mil milhões de dólares – 53% do PIB da Zâmbia. Segundo um analista do jornal russo Vzglyad, “na prática os chineses compraram todo o país, impondo dívidas insuportáveis. Agora, estão prontos para receber o lucro”. Nós, nunca estaremos preparados para as crises. Dá-me a impressão que andamos a ser muito enganados; faz tempo. Até quando!?

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:43
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . V

Leão que ruge muito, não caça nada…… 09.01.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Lagoa do M´Puto

44 - O sol erguia-se escaldante sobre o mato, os bichos felinos ficavam às sombras das bissapas abanando as orelhas para enxotar moscas e revirando-as para manter seu radar a captar os movimentos da savana, das bordas dos muxitos e da lagoa. Assim e por detrás do capim, o mesmo sol do M´Puto, aqui parece envolto em brancas teias de nevoeiro, como se aranhas fossem, percorrendo bocejos de cacimbo como gotículas que se despendem das pontas acerosas.

malawi3.jpg 45 - Com colares massai de contas azuis e bagos de feijão maluco de Angola penduradas ao pescoço, escrevo coisas loucas a condizer com o não menos chanfrado Ernest Emingway, salvo as proporções, claro! Sou um homem do mundo. Já viajei e vi muitas coisas; os anos e meses que passei noutros lugares assim como contas, conto-os enfiados em um fio de náilon a fazer de missangas.

46 - Formando frases curtas e sinceras tento rematar-me nas voltas certas para driblar de outro jeito meu passado. Sim! De outro qualquer modo ele, o passado pode reconhecer-me. Aprendo com as formigas grandes, kissondes que em andamento seguro arrastam pelo pó do chão seus ventres escuros sem discutir com Deus por assim andarem, sempre se arrastando.

malawi2.jpg 47 - Se pudesse adivinhar o futuro sem o ter de deslocar, tê-lo ia beijado, a sugar-lhe as energias, deixando para ele um montão de problemas, porque cada vez que se respira, torna-se tudo mais caro e, nossa escrita que até podia ser criativa, fica lodosa, languinhenta com taxas e taxinhas mais a água, a luz, revisão do carro  ou pagamento ao jardineiro.

48 - Com todas estas alcavalas na vida, nossa prosa fica como um deserto, esteando-se até ao horizonte sem nada acontecer; fica só uma vida de estórias com partidas e chegadas. É por isso que me regalo com as estórias alheias como estas da minha empregada de Kampala chamada Mery. Esta manhã disse-me que sua mãe mandou-lhe por correio expresse um pacote de formigas fritas, embrulhadas numas folhas de bananeira.

malawi1.jpg 49 - Acrescentou que embora a folha estivesse amassada e rasgada dá para as saborear, deliciosas enswas acompanhadas com palmito de bananeira. Minha relação com Mery foi-se tornando mais próxima quando nas nossas falas, ela me disse um dia que nós muzungus da Europa, complicamos muito e, para além do normal nossas vidas. Assim num desplante doce e sincero, achou que tudo isso é devido à nossa falta de imaginação; que dificultamos tudo, achamos por isso tudo caro.

50  - Foi-me dizendo que nós aqui no M´Puto e por toda a Europa, somos pobres de uma maneira diferente. Mas, quem és tu para falares assim dos brancos muzungus, repliquei para ela meio azedo mas e, também curioso com seu ponto de vista não de todo desajeitado. Eu sou Baampita ani! Ué - és o quê? Sou uma mulher africana, graças a Deus! Venho do Vale do Rift, lugar do Adão e Eva!

INHASSORO 096.jpg 51 - Eu já a tinha ouvido dizer que o Adão e a Eva eram africanos mas assim desta forma fiquei confuso sem saber até como replicar. Sim, acrescenta ela: O vale do Rift foi o berço do primeiro homem e da primeira mulher. Portando o Adamu e Eva pertencem-nos! Fiquei recentemente, a saber que o Great East African Rift System é uma das maiores características fisiográficas do planeta. Vou ter de me inteirar disto porque talvez ela esteja cheia de razão

52 - Em verdade este Vale do Rift é uma zona na qual as placas Somali e Núbia se estão dividindo; abrange a Etiópia, o Quénia, a Tanzânia, o lago Niassa e o rio Chyre, terminando no Zambeze. Da superfície das águas elevam-se agora nuvens de dúvidas para e, em espiral fazer transportar kiandas do kalunga, o lago Niassa.

INHASSORO 175.jpg 53 - Um mistério que vai originar escritos de sonhos com danças de boas vindas ao Malawi porque foi em Sitima de Nkhotakota que almocei na sala do capitão Steve. Lá terei de continuar esta conversa com Mery sem perturbá-la dos seus afazeres; até lhe prometi amanhã ajudá-la a aspirar com o rainbow a casa no intuito de fazer acontecer mais falas. Nem pensar patrão! Disse logo na forma peremptória. Cumcamano, ando a perder massa muscular no meu cerebelo!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:55
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2019
MALAMBAS . CCXIV

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI - de Várias Partes

CAPE TOWN HÀ ANO E MEIO ATRÁS – 04.08.2017 – Do baú do Karoo do Xoxolosa-Trem revi este penúltimo dia em Cidade do Cabo.

Por

soba0.jpegT´Chingange – Em Lagoa do M´Puto - 08.01.2019

cabo01.jpg O tempo corre e num talvez seja amanhã, as escritas vão sendo acumuladas no mukifo até que num dia como o de hoje resolvemos passar a limpo. Naquele ontem, dia dois de Agosto de 2017, almoçamos com o Senhor Amadeu Seca e esposa Dona Helena em sua casa rosada situada no sopé da Table Mountain. Do baú do Karoo do Xoxolosa-Trem revi este penúltimo dia em Cidade do Cabo. Eu e Ibib fomos tomar o café da manhã num restaurante da esquina: ovos, fiambre, torradas, capuchino, salsichas, uns pedaços de alface, cenoura crua, pepino e tomate; tudo bem à maneira da África do Sul.

cabo02.jpg Lara, minha neta de 16 anos, chata como a potassa, com mais uns pozinhos de pimenta, quis ficar na cama do nº 5 da Road Iatom com suas periclitãncias, curtindo seu micro-ondas, um Ipad com filmes de animação, músicas com contrabaixo e sons apocalípticos, pinturas mais fotos; até já nem lhe peço nada porque o preço da arrelia é demasiadamente alto. Só trago isto para aqui para se notar o confronto de gerações, os setenta e três anos de velhice e os dezasseis rebeldes anos da juventude, do se saber tudo ou assim pensar com edecéteras esdrúxulos, cumcamano.  

Setembro aqui, é o início da primavera, por isso as amendoeiras já apresentam amêndoas bem grandes ao invés do M´Puto que estão agora a ser tiradas da árvore a fim de serem britadas. Há portanto seis meses de diferença na floração das árvores. Os pessegueiros junto à piscina apresentam-se cheirosos com suas flores de cor rosa violeta; as ameixieiras pintalgadas de flor branca apresentam-se também com seu característico cheiro agradável.

IMG_20170831_130245.jpg Uns pássaros grandes de cor preta chamados de Íbis furam insistentemente o chão de onde extraem minhocas e parasitas infestantes deste bonito jardim da casa rosada.  Eu e Ibib fomos ao Checkers comprar umas pequenas coisas para o lanche, cervejas Windhoek lager e vinho “pinotage” para oferecer ao Senhor Amadeu Seca; isto porque ontem, por ele, foi gabado de bom que, em verdade o é, gostei.

Falando de vinhos posso relembrar que a primeira vinificação aconteceu no ano de 1659 com a supervisão pelo então Governador do Cabo - Jan van Riebeek e daí até e os dias de hoje não mais pararam este cultivo com arte; soube que posteriormente, os portugueses tiveram também influência no trato de vinhedos. Actualmente, mais de 3.200 fazendeiros cultivam uvas em mais de 99.000 hectares distribuídos por diversas regiões do país.

IMG_20170829_143520.jpg A latitude da Africa do Sul está próxima da latitude do Uruguai; o clima é bastante diferente entre as várias regiões da África do Sul mas, é esta região do Western Cape e perto da bela cidade de Cape Town que se situam a maioria de fazendas produtoras de bom vinho.

Os vinhos de Stellemboosch são uma referência. Pude ir a provas com o casal da casa rosada, tal como o já tinhamos feito no distante ano de 1999 – a volta das “winelands”. A Africa do Sul possui um tipo específico de uva, só encontrada por aqui; é exactamente esse vinho Pinotage tão badalado pelo meu cicerone. É em verdade um cruzamento da variedade Cabernet Franc e Pinot Noir para além de incríveis Malbecs, Semillions e muitas outras como o Cabernet Sauvignon, do qual mais gosto.

IMG_20170901_103019.jpg Voltando às compras, podemos escolher 6 flores de próteas, cinco de uma espécie, mais um botão grande para complementar com elegância o ramalhete com glicinas azuis compradas por cinco euros e meio, noventa randes. Em Setembro, pode sentir-se aqui as quatro estações do ano pois que, pode ir de dia dos 14 aos 27 graus; nas noites sempre baixa muito! Por vezes, no dia o céu apresenta-se coberto de nuvens, um vento muito frio e logo a seguir o dia descobre-se num azul total.

Meio-dia! Ouvi daqui e, perfeitamente, o tiro de canhão - O mesmo que todos os dias se faz ouvir por toda a cidade até ao sopé da montanha; uma tradição que a cidade, com orgulho, mantém há mais de 200 anos, do tempo dos originais holandeses. Estavam assim a terminar os dias com a graça de um dos destinos turísticos mais ricos e encantadores do mundo – Cape Town.

IMG_20170726_105208.jpg Acabei o dia de hoje dando uma gasosa em randes ao bafana arrumador de carros da Road Iaton. O homem só tem uma perna, desloca-se com a ajuda de uma muleta e agradece-nos chamando-nos de papá ou mamã com um rasgado agradecimento. Há quase vinte anos atrás não vi aqui nada disto, nem arrumadores havia – Tudo mudou e sinceramente, dá até um certo receio andar pelas ruas do centro. Há muita gente a mendigar e, ou a viver de diligências fúteis. O homem da pena de pau, talvez seja um antigo militar, um soldado aposentado moçambicano que aqui encontrou este modo de vida.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:18
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Sábado, 5 de Janeiro de 2019
MU UKULU . XI

MU UKULU...Luanda do Antigamente – 05.01.2019
Luanda era Angola e o centro do mundo era a Mutamba! - Em 1887 e por três anos, a Luua era iluminada por candeeiros a gás…
Por

soba15.jpg T´Chingange – No M´Puto

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Brasil 
Em 1847, incluindo os edifícios públicos, a cidade de Luanda contava com 144 casas com primeiro andar, 275 casas térreas e 1058 cubatas feitas em taipa. Era em verdade uma cidade de degredados, uma política embrionária de desenvolvimento forçado com cerca de cinco mil habitantes; Sendo um lugar de passagem para o resto do continente africano o viajante podia usufruir de perto de cem tabernas, pelo que os viajantes a qualificavam de moralidade duvidosa.
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Em 1889, o governador Brito Capelo inaugurou um aqueduto a partir da lagoa Kinaxixi que forneceu a cidade de água potável por alguns anos abrindo assim caminho para o grande crescimento de Luanda. Mais tarde e a partir de 1928, com o regime de excepção em Portugal, intensifica-se o envio para esta colónia os descontentes com o Estado Novo; Luanda passa a ser assim mais utilizada como colónia penal.

baleozão0.jpg Em 1930, Luanda tinha um pequeno cais de cabotagem com apenas 400 metros e uma profundidade de três metros. Os passageiros tinham de usar um embarcadouro flutuante. A capital estava mal servida e, em 1934 começou a ser construído um cais "em cimento armado para quatro navios ao mesmo tempo". Apesar desta ampliação, a infra-estrutura ainda não dava resposta às necessidades da economia angolana de então.

baleozão01.jpg Em 1930, no porto das Kipacas do Bungo, foram desembarcadas cerca de 50.00 toneladas de carga e, exportadas um pouco mais de 17.000, sobretudo café e sisal. Em 1932, já as medidas governamentais da Metrópole, visavam promover as exportações e travar as importações. Neste ano, o porto de Luanda recebeu um pouco mais de 37.000 toneladas de carga tendo sido exportadas cerca de 25.000. 
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Dos anos de 1930 a 1950, Luanda teve um espectacular crescimento; com 60.000 habitantes em 1940, passou para 140.000 naquele ano de 1950. Em 1960 já eram 225.000 passando para o dobro em 1968 sendo já notória a percentagem de brancos. Foi pouco depois de 1950 que começaram a circular pela cidade uns homens vestidos de branco conduzindo à mão uns carros e gritando: Há baleizão!

baleozão1.jpg Era da cervejaria e sorveteria do Baleizão situado perto da Fábrica de Sabão e bem perto da antiga calçada dos enforcados que dava acesso à cidade alta e ao Palácio do Governador, de onde saiam estes monangambas vendendo sorvetes, gelados de sabores variados e cores atractivas metidos em cones de bolacha crocante. Estas figuras eram bem características daquela cidade de então conhecidas no Brasil como camelós.

baleozão00.jpg Era nesta sorveteria que uma grande parte da população ia fazer uso da esplanada, beber uns finos ou os chamados canhãngulos de cerveja Cuca, Skol, Eka ou Nocal. Eram famosos seus saborosos cachorros quentes. Tomando a brisa da baia, ali se passavam horas com amigos da pândega nos finais de dia ou depois de se sair já noite duma das muitas salas de espectáculos, dos coqueiros a ver futebol ou a luta live do conhecido empresário Lobo da Costa. 

biker0.jpg Pedia-se uma cerveja e a acompanhar sem pagamento extra, serviam uns jakinzinhos fritos, tremoços, jinguba, dobradinha com jindungo ou mesmo pedaços de polvo tipo escabeche. Bom! Saia-se dali já jantado, eram horas de ir a casa tomar um banho, encontrar-se com os amigos no cine Miramar, Nacional ou Restauração e depois voltar ali ao Baleizão ou à Biker para refrescar o esqueleto.

baleozão8.jpg O Baleizão fundado pelo Sr. José Maria Aparício e seu filho Tarique, estava localizado no Largo Infante D. Henrique, local de passagem para ilha, ponto de encontro para depois da farra, ponto de partida e chegada das reuniões do clube, lugar aonde se levava a sogra, a miúda ou a mulher para experimentar uma guloseima diferente. Podia encontrar-se ali o pintor Neves e Sousa batendo papo com o radialista Sebastião Coelho ou outras figuras publicas que hoje deixam saudade na memória.

luis14.jpg Também por ali paravam fumadores inveterados, dedos e bigodes marcados pela nicotina amarela ou ruiva; e eram marcas que agora recordamos ser como o Zig-zag, o Francês, AC, Delta, Negritos, Caricocos ou Delfim. A Fábrica de Tabacos Ultramarinos – FTU prosperava pela certa, pois a maioria dos caluandas eram fumadores em grosso. Antes de avançar pela visão mais moderna da Luua terei de recordar que para lá da Luua tudo era mato, assim o dizíamos.

bessangana2.jpg Luanda era Angola e o centro do mundo era a Mutamba! Mas aqui bem perto ficava o lugar aonde antigamente se refugiavam os escravos fujões, era aí o seu primeiro refúgio. Em kimbundo refúgio é ingombota, e essa acção de ali se esconderem, pois assim ficou baptizado o local. Quando passou a ser habitado as pessoas diziam que moravam na n´gombota e os portugueses corromperam a expressão adicionando o “I” tendo ficado em Imgombotas, do jeito actual.
Nota: Alguns itens foram recolhidos na NET.
(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:09
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . C

FRINCHAS DA VIDA – 10.12.2018 
Por

soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto
A fé cega não examinando nada, aceita sem controlar a evidência e, o falso como verdadeiro; assim e a cada passo se chega contra a evidência e, ou a razão. Esta fé levada ao extremo produz o que conhecemos por fanatismo. E, quando esta fé repousa no erro, cedo ou tarde se destruirá.
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O que é verdadeiro na obscuridade também o será em plena luz. Cada religião pretende estar na exclusiva posse da verdade e, esta fé cega tocando seus pontos de crença e, no tempo, se vê no dilema impotente de demonstrar que se tem razão.

abraço0.jpg Haverá duas importantes considerações a se ter em atenção: A fé não se impõe nem se prescreve porque mesmo recomendada, ter-se-á em conta que ninguém que esteja privado de a possuir representará a verdade.
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Uma fé adquire-se com discernimento quando se o têm e, cabe à fé não ir ao encontro deles, mas eles (nós) irmos ao encontro dela. Em este canto da Internet, e em outros similares, aparece frequentemente alguém com ideias interessantes; tenho a certeza de que cada um de nós poderá oferecer suas perspectivas sobre o que entende por amizade mas esta, pode não coincidir com ideias pré-estabelecidas na fé de cada qual.

araujo48.jpg  Em certas pessoas, a fé parece de alguma forma inata a eles mas, se um qualquer procurar com sinceridade essa tal de fé, certamente a encontrará. Para haver fé é necessária uma base; esta base é seguramente a inteligência, daquilo em que se deve acreditar e, mesmo para crer não basta ver, é necessário sobretudo, compreender. 
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O dogma da fé cega é que faz com que haja muitos incrédulos. O que eu acho ser comum a todo o humano é a necessidade de se socializar no afecto; a amizade acaba sendo algo que buscamos, por vezes até com ansiedade, uma circunstância que dá ao desejo de amizade alguma pitada de egoísmo. Quanto à fé ela surge em um qualquer momento!

araujo 101.jpg Existe o perigo de drenar nossas dores em nossos amigos, dar descanso de nossas preocupações em um desejo; se nós não paramos para pensar que cada amizade, terá de ser correspondida por igual, acabamos usando indevidamente esse dom. Eu não acho bom rejeitar-se a amizade de alguém com ideias diferentes. 
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Os amigos, nós escolhemos, fabricamos no correr do tempo. O termo empatia é definido como “a capacidade de penetrar pela imaginação ou premonição, nos sentimentos e motivações de outros", assim como entender as suas tristezas, seus medos e alegrias. A amizade não é em definitivo uma receita médica mas tem sempre uma bula de cuidados a reter para não se ser surpreendido no respeito mútuo ou recíproco.

arau44.jpg E, porque Deus me deu essa prerrogativa do raciocínio e do livre arbítrio, meu espírito anda vago. E, porque não há fé inabalável, daquela que se pode encarar na razão, face a face, espero meu próprio tempo de prescrição!

Ilustrações de Costa Araújo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:06
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2018
MU UKULU . VIII

MU UKULU...Luanda do Antigamente22.11.2018
A discriminação racial era regulamentada pelo Estatuto do Indigenato de 1926, que, legalmente, separava os luandenses entre portugueses…
Por

soba15.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Brasil 
A iluminação pública de Loanda, começou por ser com azeite de jinguba no ano de 1839; seguiu-se-lhe o gás até o ano de 1897 e a petróleo até 1900 – fim do século XX; só a partir de 1938 é que a electricidade passa a ser de uso generalizado em edifícios públicos, creio que primeiro com geradores e, em 1948 através da Barragem das Mabubas construída no rio Bengo - data de sua inauguração. Foi a partir da década de 40 que se notou alterações profundas na gestão do território por parte das autoridades de Portugal.
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A entrada em serviço da barragem das Mabubas mudou radicalmente o perfil das actividades económicas nas regiões de Luanda e Dembos. A Luanda nova tem início na década de 40 do século XX, tornando-se num centro de administração e de poder colonial - um processo de transferência da cultura imperial, mudança de suas teses ideológicas, económicas e até culturais.

mabumbas2.jpg Na consequência de um melhor controlo da população, surgem espaços de resistências e autonomias por parte da população local. A pesquisa sobre estes espaços urbanos constituiu como um campo próprio de estudos que, não cabe aqui desenvolver. No ano de 1937 a nova Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Luanda composta por personalidades das várias áreas que administram a cidade, mudam a toponímia alterando nomes e recriando novos espaços.
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Em 1930 as Ingombotas estão inseridas nos limites da cidade mas o Maculusso, ainda se considera musseque. Em 1940 as casas em zinco com quintais com goiabeiras mamoeiros e mangueiras, dão lugar ao moderno Bairro do Café. O Bairro Operário surge como um musseque organizado, mas fora dos limites da cidade de então. As Ingombotas, dentro do perímetro urbano, ainda era habitada por muitas famílias de origem europeia (branca) e africana.

luanda5.jpg Esta cidade de Luanda, que paulatinamente abandona sua escrita com o “o”, é um autentico laboratório em suas transformações sociais. O Maculusso ainda não urbanizado e outros musseques periféricos, apresentam ordenamento caótico de cubatas intercaladas com casas de adobe ou em tijolo cobertas na maioria com zinco. Em alguns quintais surgem a aduelas de barris que até ali serviram para armazenar o vinho chegado do M´Puto.
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Pequenas hortas surgem de permeio com as casas onde se cultivam couves, alfaces e hortelã, tomateiros, goiabeiras, mangueiras e tamarindos para consumo próprio ou para se vender o excedente nas quitandas. Na região das Kipacas, junto à base da falésia, entre esta e o porto, por via de ali existir argila boa, surgem cerâmicas para fabricação de telhas e tijolos com altas chaminés.

cipaios.jpg A chegada em massa dos portugueses nos anos quarenta, por via de uma nova política da Metrópole do M´Puto, na ocupação das colónias, provoca um novo desenho demográfico na cidade com a expulsão da antiga elite crioula das zonas centrais como o Bairro das Ingombotas já mencionado. Por este motivo surge o Bairro Operário originando um cenário com tensões sociais e mesmo raciais que se avolumam no tempo.
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O aumento significativo de portugueses, concorreram com a elite letrada local – crioulos, novos assimilados e os nativos nas várias actividades económicas. Sendo assim, estas alterações com a inerente separação entre uma cidade branca e uma cidade negra e periférica, originaram lados opostos. Era já latente nesta contestação uma restea de emancipação encoberta ou sob reptícia.

luis50.jpg A discriminação racial era regulamentada pelo Estatuto do Indigenato de 1926, que, legalmente separava os luandenses entre portugueses, assimilados e indígenas. Este estatuto fora criado como uma forma de organizar o trabalho dos nativos, mas também como um instrumento paramilitar. 
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O estatuto de cidadão legal e civilizado, tinha sido instituído durante a República entre os anos de 1910 e 1921 retirando aos crioulos indígenas esse estatuto; uma iniciativa bem difícil de ser vencida, para um qualquer se tornar em um assimilado. A própria organização social metropolitana instalada em Luanda, criava entraves da elite letrada nativa a cargos administrativos.

luua12.jpg Havia temor de rebaixamento dos europeus em face dos nativos. É mais ou menos por estas alturas que surgem referências a documentos oficiais chamando aos brancos naturais de Angola como sendo brancos de segunda. Em verdade nunca vi isto num papel oficial mas, prefiro deixar isto no campo do provável…

Nota: Tomar em conta, ser este texto como um complemento ao livro de Mu Ukulu ressalvando situações sociais naquela Luanda de então… 
(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:55
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
MUXOXO . LII

NAS FRINCHAS DO TEMPO – No quotidiano do M´Puto - 19.11.2018

Por

soba0.jpeg T´Chingange . Em Johannesburg

Estávamos no pico do Verão. O Kit entrou de mansinho na cozinha; a porta estava aberta e sua dose de felino fez-lhe valer suas qualidades. Entrou com o vento para arejar a casa que o calor estoirava nos 28 graus à sombra. Kit é um gato rafeiro de cor amarela e preta a dividir seu focinho frontal, uma rara espécie.

Surgiu e, foi surgindo e tomando a necessária confiança sem contudo deixar de soprar a curta distância. Deve ter nascido no quintal do vizinho, um antigo bóher saído do sul de Angola que adquiriu também a nacionalidade alemã. Não obstante, não sendo meu o gato, este e mais 3 irmãos, com miar de fome, vinham em surdina comer os restos de comida granulada do cão.

faisca0.jpg E, porque assim foi, nos dias que se seguiram servi-os do granulado que sobraram por via da morte do cão Faísca. Eu explico: meu cãopiloto morreu de velho e após espumar babas, de nada valeu ir ao veterinário e, assim magro de coisa ruim e comendo papas pela mão, não resistiu.

Pois então, no início eram quatro gatos mas, no decorrer do tempo e, talvez porque se aninhavam em outos quintais, ficaram só dois, o Kit e o Karson; foi assim que os baptizei! Dormem entre as plantas e, as assadas de peixe ou carne que lhes abrem o apetite. O Kit é bem mais bonito que o Karson; este último é cinzento às riscas pretas, cor vulgar em tantos outros.

von4.jpg Depois de alguns dias a chamá-los de meus bichanos com carinho, ao invés de miarem ou ladrar por via da comida, só sopram. Foi aquele malvado Kit que roubou um pedaço de presunto de cima da mesa redonda bem no topo da cozinha. Eu, eu estava no computador de saída para a marquise quando me pareceu ouvir um barulho estranho mas, atribuí ao vento.

von5.jpg Talvez um pau de vassoura que caiu, pensei. Meu naco de presunto, foi-se! É provável que tenha em outras investidas levado peixe ou carne mas, só dei conta disto neste acontecido. Pois por via disto e, com este já longo texto faço chamar a atenção ao Deputado da Assembleia, representante do PAN, que deve ultimar um esboço de decreto para que os senhores gatos se disciplinem.

Com tantos ratos correndo pelos muros dos quintais, que mau costume este, roubar o sustento alheio. Embora não tenha dado o meu voto a esse tal de PAN, não há como não fazer reparo em ser molestado por via de seus protegidos. Crie no mínimo um asilo para estes, fazendo posturas ou regulamentos a salvaguardar a sobrevivência destes e, já agora criar brigadas da morte para recolher os muitos cadáveres de cães e gatos que surgem mortos nas estradas de Portugal.

von1.jpg Pelo sim pelo não, meu lado humanista diz que irei alimentando estes dois felinos Kit e Karsom com granulado de cão até que ladrem. Quanto ao cãopiloto recordo que ainda novo tinha uma raiva de morte ao Meu vizinho, Barão Vermelho Von Richthofen, neto do tal herói da primeira grande guerra por ter na percursora da Luftwaffe morto um número elevado de inimigos. Só digo isto porque Faísca tinha comportamento antinazi, pois ladrava aos aviões e também ao vizinho.

Ele o Manfred Albrecht Freiherr Von Richthofen, surgia das nuvens num avião de duas asas a metralhar o inimigo da RAF e outros da coligação aliada. Recordo-me de ver no cinema estas batalhas do ar e dum tal Barão que se sobressaia com um lenço vermelho ao pescoço – era o avô deste; na carlinga, muitos traços pintados a representar os aviões por ele abatidos.

von2.jpg Este seu neto, também tinha vindo de uma roça algures no centro do planalto angolano. Tinha o porte de um ariano; todo ele era um homem grande e sempre amável falava comigo regularmente. Ainda o estou a ver dando um toque ao seu monóculo do qual pendia um baraço preto; Spínola usava também um artefacto destes, talvez para envaidecer sua figura mas, este meu vizinho era até extremamente simples. Actualmente a sua garagem que antes tinha um avião pintado no largo portão, já só tem uma única cor. O tempo, sempre tira o brilho às coisas.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:51
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Quinta-feira, 15 de Novembro de 2018
MU UKULU – VI
MU UKULU... Luanda do Antigamente 15.11.2018
Os Talatonas por ordem dos padres e outros negreiros, geriam os cipaios no comércio dos escravos… Corria um quente e grosseiro zunzum de feira nas Portas do Mar em frete à alfândega da Luua (Loanda)
Por

soba15.jpgT´Chingange – Em Johannesburg

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Brasil

No período de 24 de Agosto de 1641 a 15 de Agosto de 1648, o então forte de S. Miguel, conhecido antes por S. Paulo, em mãos dos Mafulos, passa definitivamente nesta data para a Coroa Portuguesa com a tomada pela expedição vinda do Rio de Janeiro sob o comando de Benevides. Em 1650, o comandante desta expedição Salvador Correia de Sá e Benevides nomeado Governador, é nesta função que apresenta ao Concelho Ultramarino os novos planos de fortificação de Loanda.

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O Fort Aardenburgh, assim chamado pelos holandeses, passa a ter o nome de Forte de S. Miguel e sofre algumas remodelações pela mão do engenheiro francês Pedro Pelike, nomeado por Benevides, que com ele tinha vindo. Era na cidade baixa que se centrava o comércio, lugar aonde no ano de 1770 foi edificada a alfândega. Em 1755 foi construído um grande edifício quadrangular com uma praça ao centro, uma grande cisterna, o quartel do Esquadrão de Cavalaria e a igreja que veio a ser Sé, dedicada a Nossa Senhora da Conceição.

luis11.jpg Neste então surgiram passeios públicos a unir a Praça do Pelourinho com a praça e mercado denominados de Quitanda Pequena ligando com a extensa praia de meia milha de extensão e, ladeada de casas nobres. O principal mercado de Loanda a que se chamou Quitanda Grande ou simplesmente Quitanda, foi construído em 1818 por ordem do Vice-almirante Feo e Torres.

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Para defesa da cidade de Loanda são mandadas fazer três fortalezas e dois fortes. São elas a Fortaleza de S. Miguel, a fortaleza de S. Pedro da Barra e a Fortaleza de S. Francisco do Penedo bem no meio da baía e, para defender a entrada das embarcações. As estações ou cacimbas públicas eram fornecidas com a água das Maiangas do Rei, conduzidas em carros das Obras Públicas.

ana2.jpg Posso aqui, transladar-me para a cidade de S. Luís do Maranhão do Brasil para descrever bem à maneira de Aluísio de Azevedo e naqueles anos findos do século XIX (1870) o que se passava no seio da cidade de Loanda. Não seria muito diferente descrever o que se passava na Calçada dos Enforcados ou no Largo do Pelourinho, Coqueiros, Ingombotas ou Maculusso após a construção do cemitério público do Alto das Cruzes.

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Os escravos eram guardados por cipaios e talatonas ao serviço de padres e negreiros em currais ou cercas na área das Ingombotas, esperando pelo embarque para o chamado Novo Mundo. No Kinaxixe era frequente aparecerem leões e onças para beberem ou darem caça a manadas de antílopes… Pode tentar ver-se a quitandeira, balaio na cabeça, rebolando os grossos quadris trémulos e também as tetas opulentas; o quitandeiro cochilando sua preguiça morrinhenta.

luis20.jpg Também os caixeiros vestidos de caqui ou sarja com manchas de suor nos sovacos. Os correctores de escravos examinando à plena luz do sol, os negros que ali estavam para ser vendidos; revistavam-lhes os dentes, os pés e as virilhas; faziam-lhes perguntas sobre perguntas; batiam-lhe com a biqueira do chapéu nos ombros e nas coxas, experimentando-lhes o vigor da musculatura, como se estivessem a comprar cavalos.

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Corria um quente e grosseiro zunzum de feira nas Portas do Mar em frete à Alfândega. Pela Igreja do Carmo passaram milhares de escravos, muitos vindos do interior. A relação da Igreja Católica com a escravatura era comercial; “a Igreja também precisava de escravos para permutar - em toda a parte, houve esta ligação fatal. O próprio Vaticano queria fazer evangelização utilizando os escravos, como cristãos - era um dos meios”.

zem4.jpg Loanda era uma cidade esclavagista. A Igreja do Carmo construída no século XVII, foi um dos lugares marcantes da Rota da Escravatura. Após o abandono da moeda antiga o n´zimbo, começaram a usar uma moeda viva - os homens. Havia ali um quintalão de escravos - era a reserva ou o “banco central. Estas peças humanas eram trocadas por outros produtos necessários ao clero - um exemplo da articulação da Igreja com o tráfico de escravos que sempre tentam amenizar.

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Dona Ana Joaquina dos Santos Silva (1788-1859), mulata de Luanda, bisneta por linha paterna de uma negra forra, foi uma das maiores escravocratas da Angola do século XIX. Era uma mulher poderosa em Luanda, filha de um português e de uma angolana. Conseguiu construir um palácio à altura dos meios de um estado, podendo assim ver-se a potência financeira que ela tinha. O enorme edifício que hoje funciona como o Tribunal Provincial de Luanda, bem na baixa da cidade, substituiu aquele palácio original.
(Continua…)
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:51
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Sábado, 27 de Outubro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCVIII

NAS FRINCHAS DOS BURACOS27.10.2018

Por

tonito19.jpg T´Chingange – Em VILANKULO de Moçambique

Esta odisseia de “potholes” tem sido permanente e, aqui em Moçambique foi mais evidente entre Tete e Chimoio e depois entre Chimoio que fica perto da reserva Gorongosa e Inhassoro e, por cerca de 420 quilómetros. Um autêntico desespero com falésias nas margens roídas de fazer virar carros com buracos sucessivos de não deixar alternativa; só mesmo passar devagar, devagarinho.

INHASSORO 149.jpg Nos escassos quilómetros com piso bom, lá estava a polícia para exercer sua autoridade. Fizeram-nos alto e mostraram a máquina parecida como um megafone a marcar 85 Km em luz vermelho. Pois! O senhor vinha a mais de sessenta, tem de pagar multa! Fiquei fulo depois de andar tantos quilómetros com o eminente perigo de ficar ali numa qualquer pothole! Saí fulo do carro e disse que era um desaforo armar tocaia na única recta com bom piso em 420 kms.

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Cá por mim não pago nada! Saí e, sentei-me no muro da Vodacom, um mukifo promovido a quiosque entre milhares pintados de vermelho e pertencente à empresa de celulares telemóveis! Um negócio que deve ser bem próspero, pois toda a gente tem um micro-ondas por onde se pode falar! Estando em um país tão pobre, tem-se a noção de que os galifões das multinacionais da comunicação ganham avondo!

INHASSORO 401.jpg Deveria sim, sermos indemnizados por tal estado das estradas pois que pagamos seiscentos randes de seguro para circular em segurança e a protecção não é nenhuma! Se cair num buraco, o estado de Moçambique paga!? É? Perguntas àtoa de sem resposta. Na passagem da fronteira esmifraram-nos na troca de dólares. É o sistema, disse o chefe fardado em polícia de fronteira com divisas de sargento cromadas e porte impreterivelmente prepotente! Chama-se Nico e foi inflexível em não aceitar randes nem meticais, a moeda nacional; nem dólares surrados ou sujos. Pópilas!

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Esperamos mais de cinco horas pelos vistos que na forma de selos seriam colados no nosso passaporte! Viriam de Tete… Não havia sala de estar e lá nos acomodamos em um muro debaixo de uma árvore frondosa. Entretanto consegui comprar 50 dólares americanos; era quanto nos faltava para completar o total para pagar o visto de quatro pessoas – era um bafana bem-falante corrector cambista, um grande filho-da-puta que sabendo me deu 50 dólares velhos, surrados - por 850 randes!

INHASSORO 397.jpg No acto de entregar o dinheiro ao funcionário Nico este disse não poder aceitar estas notas sujas! Estava para explodir mas, e agora!? Procurei o filho-da-puta cambista vestido de negro mas nem pó! Sistema mais kazukuta este de ganhar dinheiro aldrabando o turista com conhecimento das autoridades da mututa… Não encontrando o aldrabão tive de comprar dólares novos e limpos pela módica quantia de 1000 randes!

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Se vocês estão indignados, poderão calcular como me podia sentir mesmo tendo Vissapa o comandante desenrasca situações mais macabras ali ao lado! Vissapa só barafustava e disse até que iria descrever às notícias do mundo estes desaforados entretantos: - Senhor Nico,  fique ciente, sou jornalista e vou descrever estas arbitrariedades para o mundo!

INHASSORO 394.jpg Resposta da autoridade supra numerária de nome Nico: - Fale o que quiser! Pois, se ele não falar já aqui vai no meu jeito de contador de estórias e sem coturno nos areópagos internacionais como nosso comandante! Aquela multa da única recta no troço de Chimoio a Inhassoro passou a gasosa de 1000 meticais sem direito a recibo… Paguei a minha parte sob protesto e juro que irei apresentar reclamação ao Ministro das Obras Desfeitas desta terra tão bonita e tão mal gerida – melhor, irei pedir sua demissão.

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Vou ver se despacho minhas notas velhas e sujas aos jangadeiros que nos irão levar à ilha de Bazaruto mesmo em frente do Lodge Samara, pertença do senhor Paulo Baptista, um moçambicano branco que aqui estabeleceu seu bivaque de vida. A praia estende-se até bem longe e a vista do mar para terra é paradisíaca. Ué! Com palavrões dentro da cabeça, tento reconstruir minha disposição com estranhos nomes esvoaçando, mijando raiva de mim aos poucochinhos, buscando novidades sem figas nem juras por sangue de Cristo porque quem anda por gosto nunca cansa! Assim deveria ser mas, noé!

INHASSORO 385.jpg Mas, sempre há um mas – porque em outros tempos tive mesmo de espreitar minha vida pelo cano de meu canhangulo em Muquitixe; uma vida estriada numa Angola em que as verdades só cheiravam a mentiras; melhor - Ainda cheiram! Assim lixado, tento andar engalanado com bandeiras de capulanas só para fingir coisas mais coloridos. Entre grandes excitações, alegrias e nervosismo de dar volta às novidades da Nacional Geográfica, cheiro os ventos que do índico me trazem rolos de cheiro; cheiro de tabaco.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:12
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Domingo, 7 de Outubro de 2018
XICULULU . CXV

VICTÓRIA FALLS – 06.10.2018

COMO ACONTECEU…

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soba0.jpeg T´Chingange - Em Mpika da Zâmbia

Depois de Livingstone  ter chegado a Victória Falls depois de Silva Porto, e a dar conhecimento ao Mundo, houve curiosidade por parte de muitos cientistas que ali quiseram ir; também houve a preocupação em criar condições de receber daí para a frente outros visitantes curiosos que, tal como nós, ali fomos 118 anos depois na odissia do Comandante Vissapa.

fotos ZÂMBIA 030.jpgNesse então, em 1904 a linha férrea que liga agora o Cabo ao Norte de África ainda estava por fazer e, foi com a chegada da via-férrea que esta parte do mundo se tornou acessível a todos os visitantes. Esta ideia já tinha sido concebida por Cecil Rhodes já falecido no ano de 1902 mas, o personagem essencial neste projecto britânico de construção do caminho-de-ferro a ligar o Cairo, no Egipto, ao Cabo, na África do Sul; Sonho nunca realizado.

Tombo1.jpg A ponte de Victória das cachoeiras veio a ser construída em apenas 14 meses pelos homens da Cleveland Bridge Co de Darlington, tendo sido aberta ao tráfego no dia 12 de Setembro de 1905 na presença do Professor Darwin, filho do famoso cientista Charles Darwin.

victória falls 006.jpgReis Vissapa e esposa Margarida

Charles Robert Darwin, foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e, propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da selecção natural e sexual. Seu filho com o mesmo nome, não deve ter perdido muito tempo tal como o pai lá nas ilhas Galápagos porque por aqui  tudo está na mesma! A única diferença são umas torres no alto dos morros para que alguns se comuniquem, umas estradas entupidas de camiões e muitos policias a fotografarem-nos para as multas. Tudo a bem da nação. Deve ser!

victória falls 032.jpg Neste fim do mundo aonde a paisagem é toda muito igual, árvores que parecem secas e de vez em quando umas quantas mais verdes, surgem-nos ideias no meio de milhares de teorias sociais que parecem não funcionar aqui. E, vem o Botswana, o Zimbabwé e a Zâmbia aonde os brancos muzungus surgem como agulha em palheiro. 

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Tanta terra sem ninguém, um tão escasso aproveitamento e as moléculas da mente a se encavalitarem no espaço-tempo quântico dando novas formas ao pensamento. Porquê!? Porque será que todos ajudam e, isto anda assim tão letárgicamente? Na Zâmbia nada de animais em estado selvagen a atravessar a estrada a não ser ovelhas e cabritos. Nem uma galinha de d´angola! 

victória falls 020.jpg E, aquele choque do futuro do Alvim Tofler, escritos dos ocidentais fica aqui retraído ou não mencionado em uma qualquer lista de anormalidades psicológicas; Não há booking a catalogar este fenómeno na terra negra aonde o nada, parece dar lugar a outro nada. Um conjunto de casas a fazer um sítio com palhiças a contornar o pátio com uma planta que nem é comestível; vassouras penduradas a varrer os terreiros de argila vermelha – um evidente artefacto a indiciar qualidade de vida. Uns montes de lenha ao longo das bermas para realizarem a compra dum quilo de maiz. Semanas de espera  num pudera que seja. Será!

fotos ZÂMBIA 035.jpg Tornamo-nos progressivamente incapazes de entender de modo racional este ambiente, até entender o factor da vida assim sem nada, casa sem chave, sem bairro, nem muros nem água canalizada. E, então porquê surgirão no mundo terroristas e anarquistas que por debaixo de suas flanelas ou zuarte, sempre serão inconformistas e outros, mais decentes com colarinhos abotoados ao jeito de, pastores do sétimo e todos os outros dias. Aonde estará afinal a felicidade! Alvim Tofler também não veio aqui certamente!

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Nos dias de hoje libertamos uma força social totalmente nova, uma mudança tão acelerada que influência o nosso próprio sentido de tempo, revolucionando nossa vida quotidiana que afecta naturalmente o modo de como sentimos o mundo à nossa volta. Lá pelas europas tão cheia de filosofias, teorias e principios, assim escrevia uns dias atrás e, agora aqui vejo que o tempo parou, nada disto é lógico; nada disto faz sentido!

fotos ZÂMBIA 039.jpg Tudo são falas para deitar fora… Aqui só é necessário um par de roupa, um enxergão, um saco de maiz e uns peixes minúsculos do pântano com dois tomates em refogado de cebola. Aqui não há isso de instabilidade, nem cotações de bolsa. Tudo está nos conformes; na paz do Senhor! Neste estado sempre transitório afectaremos forçosamente nossas relações com as demais pessoas e o resto do mundo. Podera ser esta a pré-modernidade? Quem irá saber ao certo… se, nem Darwin o falou!…

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:03
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Sábado, 15 de Setembro de 2018
MU UKULU – IV

MU UKULU...Luanda do Antigamente – 15.09.2018

O tempo dos Mafulos ou Holandeses… Os Talatonas geriam os cipaios no transporte de água das maiangas em barricas a fim de apetrechar as naus…

Por

macuta com soba.jpgT´Chingange – Em Johannsburg

luis49.jpgLuís Martins Soares – No Brasil

A Vila de Loanda foi fundada a 25 de Janeiro de 1576 pelo capitão Tuga chamado de Paulo Dias de Novaes após ter desembarcado na baia de Loanda com cerca de 700 homens (soldados, padres e almocreves). Em 1576 manda construir a igreja de são Sebastião na fortaleza aonde agora se encontra o museu das Forças Armadas Angolanas. Antes da chegada dos Tugas, Loanda já era habitada pelas gentes do rei do N´Dongo concentrando-se no lugar seguro da ilha de Mazenga a que os portugueses chamaram de ilhas das cabras por ter visto ali alguns destes caprinos. Viviam ali os Muxiloandas, oficiais do reino de N´dongo que recolhiam os n´zimbos para transaccioná-los como dinheiro.

luis01.jpg No ano de 1605 a vila de São Paulo de Assunção de Loanda é elevada à categoria de cidade pelo governador Manoel Cerveira Pereira que exerceu seu cargo entre os anos de 1603 e 1606. Não obstante estes dados históricos, o Rei de N´Dongo ou Kongo era o dono e senhor daquele espaço, pois que era ali seu banco central! O banco de N´gola. Seus zeladores Muxiloandas, cipaios e gente miúda laboravam na apanha e sequente selecção atribuindo às conchas o respectivo valor monetário.

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Para se ter uma ideia da relação de valores de então temos que para o Manikongo, 1 galinha valia 30 n´zimbus e uma vaca cerca de 300 n´zimbus, 3000 caurins ou 6000 lufuzus. Podemos então estabelecer uma escala de valores para as unidades monetárias de N´zimbos, Caurins e lufuzus na proporção de 1,1/10 e 1/200. Qualquer invasor daquele espaço era retaliado com severidade ou morte em caso de insubmissão às ordens do reino ou reincidência em actos de roubo. Era esta a lei conhecida por kikongo que se confundia com a morte e de quem os súbditos tinham o maior medo.

luis02.jpg Todos estes funcionários dormiam em libatas feitas de folhas de coqueiro dormindo em loandos ou esteiras feitas por folhas entrelaçadas da mesma árvore. Foi assim e, daqui, que mais tarde se começou a designar aquele como o lugar dos loandos exportando para o reino este uso de estar, dormir e espreguiçar.

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Mas, Loanda de então já tinha sete povoados e foi só em 1576 que o rei N´gola Kiluanji Kiassamba autorizou a fundação de São Paulo de Loanda passando de certo modo a autoridade para Paulo Dias Novaes que aportou ali na ilha da Mazenga levando presentes da coroa de Portugal para o Reino de N´gola e, por intermédio do fidalgo negro Dom Pedro da Silva, que estabeleceu uma aliança entre os N´Gola e o M´Puto.

luis04.jpg Um daqueles sete povoados ou sanzalas de então, era as Ingombotas, caserio que no correr do tempo foram armazéns depósito de negros escravos enquanto esperavam embarque para terras de Vera Cruz o Novo Mundo também chamado de Brasil; um outro povoado era conhecido por Maculussu e, assim se chamava por ser o sítio das cruzes reservado aos Tala-tona que já entendiam e falavam algum português, os chamados assimilados maioritariamente Kicongos.

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Também viviam ali os fiéis macotas do reino de N´dongo ou N´gola; Os mesmos que traziam prisioneiros das guerras tribais, feitos escravos e com quem os Tugas de então negociavam. Bem assim dizer, os cipaios eram destacados pelo rei amigo a fim de serem levados nas naus e tendo os Talatonas como seus administradores mais directos. Eram os M´Fumos, qualquer coisa parecida como capataz e, obedecendo às ordens de Kiluanji Kiassamba seu rei.

luua7.jpg Os Talatonas, geriam os cipaios no transporte de água das maiangas em barricas a fim de apetrechar as naus e a fortaleza bivaque de água potável. Faziam outros trabalhos como a limpeza dos terreiros, fazer os enterros no alto das cruzes ou largar os corpos nas lonjuras do kazenga para pasto de onças e leões. As águas para lavagens na higiene doméstica eram levadas da lagoa do kinaxixe que lá pelos anos sessenta, trezentos e poucos anos depois foi soterrada para dar lugar ao mercado que ficou conhecido com esse nome no tempo colonial.

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Todo aquele caserio era composto de cubatas amontoadas ou dispersas com tufos de vegetação começando a surgir entre os imbondeiros, tufos de bissapas e n´hiwas, pequenas lavras de mandioca e até árvores não autóctones trazidas pelos navegadores negreiros tal com a mangueira, laranjeira, pessegueiro e outros que se foram adaptando como a goiaba, ou o tamarindo. A manga por exemplo é nativa do sul desde o leste da Índia até as Filipinas, e foi através dos anos sendo introduzida com sucesso no Brasil, em Angola, e em Moçambique, mas também em outros países tropicais.

luis40.jpg O nome da fruta manga vem da palavra do idioma malaiala e foi popularizada na Europa pelos portugueses, que conheceram a fruta em Kerala (que conseguiram pelas trocas de temperos). Tenha-se em mente que nos anos e séculos que se seguiram, Portugal era o dono das rotas para as Índias e, dali traziam para o resto do mundo árvores e tubérculos ainda não conhecidos no resto do mundo; um verdadeiro início da chamada globalidade.

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Estando agora emperrado na estória de Loanda no tempo dos Mafulos, terei de partilhar estórias verdadeiras que o tempo lambeu com vagas de esquecimento. Trata-se do Mafulu que deu gente nobre a Angola como a dinastia mestiça de Baltazar Van Dum. Durante os sete anos da presença holandesa e, com o objectivo do fortalecimento do tráfico negreiro rumo às lavouras de cana-de-açúcar no Brasil e ilhas do Caribe sobre seu domínio, o projecto da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais afirma-se aqui em N´Gola com alguma dificuldade.

luis54.jpg Nota: É esta um participação para a verdadeira estória de Angola a custo zero… Luís Martins Soares e T´Chingange vão ter de ser incluídos na antologia Angolana…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:02
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Sexta-feira, 14 de Setembro de 2018
MOKANDA DO SOBA . CXLVI

ANGOLA DA LUUA XLVI - TEMPOS PARA ESQUECER – 14.09.2018

Espreitando pelo postigo da memória antropológica ... Na ausência de estadistas, houve demasiados traidores…

Por

soba15.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

Já estamos a mais de 43 anos daquele então – ano de 1975. Durante quatro meses, entre Julho e Novembro de 1975, mais de 900 voos, a maior parte da TAP, levaram mais de 200 mil pessoas de Luanda e Nova-Lisboa (Huambo) para a capital portuguesa na ponte “LuuaLix”. Assim chamei por via de um amigo de nome Antunes, a ter escolhido; aqui tem sido referida para a distinguir de tantas outras de âmbito turístico. E, no total foram mais de um milhão de cidadãos que chegou a Lisboa – Lix, vindos da Luua.

torres5.jpg Foi uma das maiores operações de resgate de civis de todos os tempos e, que envolveu muitas centenas de voluntários. Muitos outros saíram de traineira ou indo de carro para os países limítrofes como a Namíbia e outros para onde seguiram directo, tais como por via aérea: o Brasil, Argentina, Austrália ou mesmo os Estados Unidos. A esta dispersão provocada pela guerra do “Tundamunjila” - Thundá mu n´jilla, chamou-se de DIPANDA a que podemos dar também o significado de DIÁSPORA.

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E, assim átoa sem rascunhos de contacto, chegavam a um qualquer lugar e se desenrascavam como soe dizer-se na gíria de cariz tão lusitano. Os ''retornados'' eram portugueses mas, para muitos Portugal era um país desconhecido, um país que tinha acabado de viver uma revolução e onde poucos estavam preocupados com quem chegava de África. Nem mesmo a família acalentou as angústias de tanta gente; verdade se diga que sempre houve alguém a prestar solidariedade e isso, marcou a diferença.

silva2.jpg Nós andávamos baralhados com tanto ódio, tanta insensatez e tanto desconhecimento das palavras como amor e ternura ou solidariedade. Fui cair num ninho de comunistas chamado de Torres Novas aonde a ordem do dia era sempre por unanimidade - levantando braços; eram as assembleias do povo. Não foi fácil passar dias e dias só falando em surdina para que não se apercebessem que eramos retornados - nossa pronúncia com sotaque, denunciava-nos. Podem calcular como era difícil andar entre “irmãos” trilhando o dente por não se poder expressar.

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Hoje os refugiados vindos da África, sem qualquer restea luso, a mesma que nos escorraçou, são melhor acolhidos em toda a europa, têm casa, vencimento, passe de transporte e até trabalho sazonal. Mesmo assim, pouco tempo depois e em surdina fogem para os países mais ricos vivendo uma grande parte dos subsídios estatais que a Europa decidiu dar sem retorno. Se é mau ou bom não interessa escalpelizar aqui mas, o tratamento é bem diferente do nosso naquele então, de quando chegamos ao aeroporto da Portela.

SBEL.jpg Zé Antunes refere em um blogue amigo que quando ia a Lisboa, sempre passava no Rossio, junto ao Pic-Nic - local de encontro de todos os oriundos de Angola. Eu que fiquei instalado em Torres Novas, em casa de uma irmã, também ali ia; normalmente comia uma sandes na “Tendinha” do Rossio, um panado ou posta de bacalhau e um penalti (um copo de vinho tinto) e, também me inteirava de notícias da Luua e de Angola em geral, pois que dali chegavam todos os dias refugiados na Ponte Aérea LuuaLix. Íamos assim, sabendo novidades de Angola e particularmente de Luanda onde ainda se encontravam meu pai e outros familiares.

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Outros, confraternizavam deitando conversa fora com boatos na forma de mujimbos e também para beber uns finos ou pancar uns petiscos no Pingo Bar, no Leão D’oiro na Rua 1º de Dezembro, na Praça do Chile em Arroios, Na estação de Santa Apolónia e outras, sempre na ânsia de saber mais e mais novidades de Angola. Entre muitos chegados ao M´Puto comentam coisas do género: Foi muito triste… Eu não queria vir! Era lá que eu vivia, era lá que estavam os meus amigos, a minha casa. Mas a família mostrava-se irredutível, pois nessa altura o cheiro a medo era muito.

sabão macaco1.jpg O metralhar dos bairros, as balas tracejantes lançadas pelo Poder Popular e o pregar de caixotes tornava a vida ensurdecedora. Corria notícias de violações, contados por quem tinha visto, ou proveniente de mujimbos contados com intervenção dos candengues Pioneiros do M.P.L.A. Cenas de rasgarem e pisarem a bandeira portuguesa em frente à tropa do M´Puto que ficava sem reagir. Isto, para os moradores, tornava-se muito triste, um mau indício e revoltante.

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Ninguém aguenta ver a sua Bandeira maltratada sem poder fazer nada; mas no m´Puto os procedimentos eram bem diferentes pois que nisto temos de excluir Mário Soares que até foi presidente e tem uma fundação subsidiada pelo erário público… Como lavagem de ética, diziam que era em repulsa a Salazar mas, disto não nos devemos esquecer para que não tenha direito a ir para um qualquer panteão (…O que mais tarde ou mais cedo vai acontecer!...). Baloiçando-me no d´jango do plot, muito perto da árvore n´vuluvulu de Benoni, olho seu fruto pesado de longas múcuas que pelo que dizem, só servem mesmo para fazer milongo de feitiços ao povo da Obovolândia.

silva p0.jpg Eu, quis saber mas parece ser segredo de raizeiros, porque talvez cada homem nasça com a verdade dentro de si e só para ele, e só não a dizem porque é muito só sua; e até, muitos haverá, que não acreditam que seja aquela a sua verdade. Porque cada homem é um mundo que se ao tempo der tempo, o tempo bastante, sempre o dia chega em que a verdade se tornará mentira e a mentira se fará verdade. Estamos a viver este momento de falácia mas voltando àquela certeza de que iriamos voltar para a Luua a refazer a vida, foi-se desvanecendo malembelembe como um sonho…Para pior, antes assim!

pombinho5.jpg Os sonhos ficaram a definir se a recta era mais curta no tempo ou se era a curva mais universal, com um mundo sem bordos e rebordos… Fui lá, a Angola em dois mil e dois mas, as tabuletas de caveiras ladeando os acantonados da UNITA, ainda eram muitas e por muitos lados. Também cheguei a Lisboa, como todos os demais, um outro Portugal, o tal Continental; afinal havia dois, o M´Puto e N´Gola mas nós estávamos por demais inocentes para entender aquela revolução dos cravos ao pormenor. No aeroporto duas senhoras da Cruz Vermelha comentavam em surdina estarem ali a perder seu sono por via destes ranhosos (eramos nós…). Felizmente que havia algumas Donas, estarem ali por amor e solidariedade… Bem-haja!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:21
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Domingo, 9 de Setembro de 2018
MALAMBAS . CCXI

NAS FRINCHAS DO KALAHÁRI –  6ª de Várias Partes

- EM CAPE TOWN – HÀ UM ANO ATRÁS02.09.2017No Kirstenbosch – National Botanical Gardens de Cape Town…

Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Johannesburg

Estamos a 09.09.2018; passado que dá um ano e três dias, aqui estou de novo revendo este recente tempo, passando a limpo meus gatafunhos do baú do Karoo do Xoxolosa Trem. Fazendo um interregno por espera na obtenção do carro que nos levará mais a norte, irei rever a visita ao Jardim de Kirstenbosch na Cidade do Cabo. Dy, também conhecido por Reis Vissapa vai diligenciar encontrar o carro ideal e com tracção a todas as rodas a fim de rumarmos a norte via Botswana.

alfa0.jpg Aqui neste vastíssimo planalto de Johannesburg, as temperaturas são estremas; de dia e, nesta época do ano, podem ir dos zero aos vinte e cinco graus. Esta noite tive de colocar meias e gorro trazido do M´Puto pois que o frio não me deixava dormir. O computador da Ibib marcava um grau e deu para sentir. Lá fora os carros tinham gelo nos vidos. Tentaram sair no jeep mas este não pegou pelo intenso frio que fez na noite. Pelas sete e trinta da manhã, tiveram de ir à igreja no carro da Celeste, minha nora. Eu fiquei no bombom do quarto com os meus santos, empolgando-me na mioleira.

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Pois voltando ao Jardim e rodando nós a Table Mountain da Cidade do Cabo no autocarro vermelho do Cityrama, ali chegamos deixando de sentir aquele vento frio que sopra do Atlântico. E, porque aqui, não se faz sentir aquele vento, as plantas crescem envoltas num microclima como se estivessem em uma estufa. Vimos altíssimos pinheiros e até entre outras plantas autóctones, o tão nosso conhecido sobreiro de dar cortiça e também castanheiros.

koisan1.jpg Andar pelo Jardim foi como revisitar os desertos de toda a África vendo até algumas plantas já na fase de extinção em outras partes do globo. Tinha vindo aqui há dezoito anos e pude de novo rever com deslumbre este grande jardim e, com tanta variedade de espécimes. As etiquetas referiam o nome, sua procedência entre outras particularidades. Fiquei a saber que em outro tempo também aqui havia leões, sendo seu último exemplar, morto aqui no ano de 1884.

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Em uma brochura recordam que os primeiros europeus a chegar aqui ao Cabo, foram os portugueses capitaneados por Bartolomeu Dias. Há uma grande estátua dele logo à saída do porto do Waterfront, fica bem no centro de uma grande rotunda aonde vai desembocar uma das principais avenidas da Cidade; mais tarde chegaram os holandeses subvencionados pela Companhia das Índias Ocidentais que aqui se estabeleceram.

alfa2.jpg Estes holandeses são os mesmos Mafulos que se apoderaram de Loanda de N´Gola a 24 de Agosto do ano de 1641 já referidos em uma outra crónica de Mu Ukulu II. Esta mesma tropa composta de flibusteiros, arqueiros cobertos de metais e, portando arcabuzes de cuspir fogo, encontraram uns indígenas de pequena estatura a quem chamaram os “KoyKoy”; talvez os da mesma origem dos Khoisans ou bosquímanos. Os holandeses Mafulos afastaram os KoyKoy para longe de suas vivências estabelecendo-se nesta ponta rodeada de morros.

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Também aqui os Mafulos ou Holandeses foram enviados a propósito para conquistar terras de África. O M´Puto estava nesse então debaixo do mando dos Filipes de Espanha tendo Filipe I de Portugal e Algarves, sendo o segundo monarca de Espanha. D. Filipe II de Espanha expandiu seu domínio a Portugal, à Flórida e às Filipinas desleixando o que era de Portugal. Em verdade foi nesse então o primeiro líder mundial a estender os seus domínios sobre uma área directa "onde o sol jamais se punha", superando Gengis Cã.

alfa5.jpg Filipe I de Portugal até então, era o homem mais poderoso de todos os tempos. Os limites do seu império foram denominados em sua homenagem desde o extremo leste das Américas (Filipeia, hoje João Pessoa do Brasil) ao sudeste insular asiático: Filipinas; do Atlântico centro-ocidental ao Pacífico centro-ocidental passando por todas as longitudes do oceano Índico. Não foi com medo da malária, o porquê deste tão grande monarca nunca se preocupar com as antigas possessões do M´Puto mas, sim pela força do Papa que definiu a linha do Tratado de Tordesilhas.

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Bom! Voltando aos Mafulos, por aqui se estabeleceram vivendo da pesca mas e principalmente das muito boas madeiras que recolhiam nestas encostas. Os troncos eram arrastados até à beira mar e embarcados em naus no lugar protegido de Hout Bay. Com as guerras anglo bóhers e por via dos interesses nas explorações de ouro e diamantes, estes colonos foram sendo empurrados, sempre mais para norte. Foram assim forçados, que originou o desbravar de todo Karoo, uma parte do grande Calahári tendo como elemento aglutinador o rio Orange que nasce nas terras altas do Drakensberg.

alfa01.jpg Na encosta sul de Hout Bay, pode verificar-se o desarrumado caserio de gente que busca estas paragens para trabalhar. É aqui chamado de Imizamo Yethu, um conjunto de casas minúsculas e coloridas subindo a encosta do morro, num urbanismo em tudo idêntica às favelas do Rio de Janeiro; imagino pela pequenez, não terem o mínimo de condições de habitabilidade mas, que a necessidade obriga a ginasticar como um estágio de vida penoso.

alfa6.jpg São pessoas que sem qualquer formação, a tudo se sujeitam; gente vinda do Lesoto, Zâmbia ou o Malawi. O curioso é ser este um ponto de paragem turística com guia e, que por uma gasosa, explica aos turistas por forma a se inteirarem deste pormenor. Explicarem a vida tormentosa de quem sobrevive nela, como a visão duma evolutiva excentricidade e, a quem nem sonha poder viver em nove metros quadrados…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:25
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2018
MU UKULU – II

MU UKULU ... Luanda do Antigamente - 03.09.2018

Neste e próximos episódios vamos dar uma volta pela Luua reavivando memórias do baú do kota Luís Martins Soares com adendas também elas minuciosas de T´Chingange…

De

luis49.jpgLuís Martins Soares No Brasil

soba15.jpgAs escolhas de  T´ChingangeNo M´Puto

Foi com grande satisfação que recebi uma mokanda no ano de 2017 do meu amigo kota, mais-velho da Luua residente no Brasil dizendo ter escolhido o título por mim indicado para seu livro de “Mu Ukulu”. No dia dois de Agosto de 2018, autografou seu livro que me foi remetido recentemente por correio pela amiga comum Assunção Roxo. A pintora mais fosforescente da EIL por nós reconhecida mestra em pintura digital e, que teve o privilégio de o contactar lá na terra grande da "ORDEM E PROGRESSO" no lugar de Sampas do Rio de Janeiro – Brasil.

diogo1.jpg Os relatos verídicos de Luís Martins Soares são uma contribuição para todos aqueles que se interessam por saber como em outros tempos era o dia-a-dia naquela cidade de Luanda entre seus habitantes camundongos, muxiluandas ou mwadiés do M´Puto, que com o tempo, passaram a considerar aquela terra como sua. Algo valioso para nos preencher o vazio que a saudade alimenta e, também para todos aqueles que contribuíram de alguma forma para a valorizar. E, assim mesmo, completando ou não um sonho acalentado pela maioria mas e, na qual a estória para alguns, ficou sem o agá!    

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Angola foi uma Nação que como tal já nasceu feita, burilada na labuta por alguém. Este e alguém, fomos todos nós, angolanos do coração. Dizeres que só o tempo reconhecerá como sendo verdadeiros e, porque neste nosso curso de enfrentar os conhecimentos com verdade, todos os dias serão uma prova à adaptabilidade humana com o manuseio de instituições e gentes que nos governam ou governaram. Sempre foi assim e assim continuará a ser!

diogo3.jpg No nascimento de Angola, teremos forçosamente de modificar nosso caracter de existência para aprender esta permanente transitoriedade pois que sempre seremos um fruto de mudança. A aceleração do conhecimento é uma das mais importantes e talvez a menos compreendida de todas as formas sociais e, que naturalmente abala as nossas instituições e a nós mesmos. O ritmo crescente de mudança perturba o nosso equilíbrio interior e, até modifica a própria maneira de como experimentar a vida acelerando a integridade de cada qual. Mas diga-se em abono da verdade, é difícil ficar-se indiferente…

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Esta aceleração de mudança que foi longa e lenta, teve quinhentos anos de complicada vivência mudando muito a estrutura de nossas vidas, na vida de nossos ancestrais, diversificando-nos nas formas que temos de representar e o número de papéis com uma inerente opção de obrigatoriedade. Assim, a breve resenha de cariz colonial de Luís, tem início a 3 de Maio de 1560 com a chegada à baia de M´Bungu de Paulo Dias de Novais sua primeira viagem, tendo sido preso por alguns anos no reino de N´Dongo. Em uma segunda ida, a 11 de Fevereiro de 1575, Paulo Dias de Novais, já encontrou 40 portugueses estabelecidos e com sete embarcações fundeadas na baia da Luua.

diogo5.jpg Aquelas naus eram destinadas ao transporte de escravos, uma prática social e comercial corrente entre tribos negras daquela parte do mundo, reinos de N´Dongo e N´Gola; a necessidade passou a partir daqui a ser gerida com coisa pouca - como um negócio de búzios, zimbros, caurins e libongos como mão barata para os novos empreendimentos agrícolas nas américas – o chamado Novo Mundo em terras de Brasis.

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Era a nova era do Ouro Branco, do açúcar a ser extraído da cana a que se lhes seguiu a cultura e manufactura do cacau, do café, do garimpo, afazeres menores a troco de comida de sarapatel, muitas chicotadas e nenhures da vida. Numa labuta diplomática de encantamento o rei N´Jinga N´Gola também conhecido por Kilwange Kazenda, envia uma amistosa embaixada a Paulo Dias a 2 de Junho de 1575 – era em verdade uma forma de iniciação comercial com os Mwene-Putos, donos da sabedoria e portadores do pau-trovão que cuspia fogo.

adam2.jpg Foi neste então que ali montaram bivaque fundando a vila de São Paulo de Loanda; isto a 25 de Janeiro de 1576. Aquela vila teve início na forma de fortificação no morro de São Miguel composta por trincheiras de pipas cheias de areia e, por forma a guarnecer o lugar de acostagem ou precário porto, local aonde se situavam as naus – baia de Loanda e à distância protectora de peças de canhão situadas no bivaque-trincheira; com a água batendo no sopé do Morro as naus estariam à distância de um grito de marinheiro e tiro de arcabuz.

diogo6.jpg A 24 de Agosto do ano de 1641 aparece ao largo da larga embocadura da baia entre a ilha da mazenga ou das cabras e as falésias do M´Bungu, lugar designado mais tarde por Barra de São Pedro, uma poderosa armada composta de vinte e uma naus e dois mil homens de tropa flibusteiros, arqueiros cobertos de metais e portando arcabuzes de cuspir fogo, cavalgaduras e peças de troar ventos para além da guarnição. Entra-se num outro capitulo - o tempo dos Mafulos ou Holandeses enviados a propósito para conquistar terras de N´Gola. O M´Puto estava agora debaixo do mando dos Filipes de Espanha – Filipe I era o novo monarca da terra Metrópole…

(Continua…)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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Quarta-feira, 29 de Agosto de 2018
CAZUMBI . L

RAÍZES – 3 de 3 Partes… 30.08.2018

Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol …

kimbo 0.jpg As escolhas de Kizomba

Por: canhot1.jpgAntónio José Canhoto

Poucos terão a oportunidade de ouvir os aplausos da vitória, sentir os odores caros das fragâncias de um bom perfume os cheiros de um belo cozinhado gourmet ou sentarem o cu e conduzir um Ferrari, Porsche ou Lamborghini. A maioria dos prazeres da vida está apenas reservados aos eleitos ou às castas superiores elitistas que se alternam no poder das nações, comunidades ou empresas quem lideram pelo poder social ou financeiro.

mandrak5.jpg Só aqueles lacaios que vivem na sombra dos poderosos lambendo as botas e curvando a espinha beneficiam das suas indulgências usufruem de alguns privilégios que os diferenciam do “formigueiro” humano. A grande maioria das pessoas nascem para obedecer, cumprir regras e directrizes, não para as fazer, por isso são abusadas, violentadas, denegridas, esquecidas e marginalizadas na sua dignidade por este grande e monstruoso picador de carne que as vai moendo destruindo sentimentos, sonhos e anos de vida sem contemplações.

CAPITALISTA.jpg Por outro lado, temos que admitir que estes cidadãos homúnculos, obedientes, resignados, amorfos nada ousados ou imaginativos e pouco ambiciosos para correrem riscos, gostam de se sentir no lado seguro da vida, nos seus minúsculos mundos e casulos que lhes permitem aparentes zonas de conforto recusando-se a aceitar desafios ou aproveitar oportunidades para fazerem o mundo girar, saltar ou progredir.

EIL2.jpg As pessoas de sucesso e com poder são as únicas que não precisam de escrever a sua própria história, pois esta fará lembrar aos vindouros a notoriedade dos seus antepassados que se notabilizaram por diferentes razões. Estas pessoas têm motoristas que lhes guiam os seus carros, nunca estão perdidos no seu percurso ou perguntam a terceiros que lhes indiquem qual a estrada que devem tomar para chegarem ao seu destino.

cornos1.jpg Pessoas de sucesso assumem o comando das operações e para elas não se aplica o Princípio de Peter que se define quando alguém atinge o princípio da sua incompetência. Existe claramente um abismo entre vencidos e vencedores, entre leaders e seguidores, escravos e senhores que jamais será eliminado ou alterará a hierarquia mundial desta pirâmide sociológica em que o mundo se encontra escalonado e alicerçado.

FIM

António José Canhoto - 23-8-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:17
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MU UKULU - I

MOKANDA  DE LUÍS - 26.08.2018

De

luis000.jpgLuís Martins Soares para A. Monteiro - (T´Chingange)

 - Da LUUA - Mu Ukulu: - outrora, noutro tempo... Luanda do Antigamente

:::Luis1

António: Não estou lembrado em que ano o meu amigo lendo as minhas cronicas, a exemplo de outros, incentivou-me a publicá-las. Consegui resgatá-las dos Grupos de relacionamento, e em um processo que se arrasta há dois anos, consegui com o patrocínio do meu filho Luís Cláudio uma editora brasileira que interessou-se em editar o livro em Portugal e no Brasil.

:::Luis2

O António, não sei se está lembrado, incentivou-me a dar o titulo de " MU UKULU" ao livro. O livro que vai ser editado terá o título de "Mu ukulu, Luanda do Antigamente". Obrigado pela sugestão António Monteiro. Depois poste no meu e-mail

:::Luis3

luis.m.soares@bol.com.br  - o seu endereço que terei imenso prazer em ofertá-lo.

Abraços.

luis00.jpgAntónio Monteiro - O T´Chingange...

Foi com grande satisfação que recebi esta mokanda de 2017 do meu amigo kota, mais-velho da Luua residente no Brasil. No dia dois de Agosto de 2018, autografou seu livro que me foi enviado recentemente. Foi a amiga comum Assunção Roxo que mo trouxe porque teve o privilégio de contactá-lo pessoalmente lá na terra grande da "ORDEM E PROGRESSO" - É o que vem escrito na bandeira do BRASIL... Terra irmã que nos acolheu de bom grado.

Mu Ukulu04.jpgMu Ukulu0.jpg Roxo com Luís e Livro

Recordo-me deste evento recorrendo ao meu baú de lata muito coberto de ferrugem. Lembro-me perfeitamente de solicitar-lhe a publicação de Luanda antiga na página de Memorias da Maianga. Entre o Kimbo blogue e Memórias da Maianga encontrei referências entre as muitas mokandas!

baú1.jpgBaú da Luua

Luís Martins Soares falava dos Caminhos-de-ferro, da Cidade Alta e Hospital Maria Pia e costumes da Luua nas "Memorias da Maianga", uma página social a que estamos ligados de forma umbilical e, tendo como administrador-mor o Edgar Neves um bastonário do Rio Seco e Malhoas.

mai5.jpg Agora e, em posse do livro MU UKULU Irei dar início aos relatos nele contados que são de maior valia. Serão adendas em retalho e misturadas sem adulterar o tema do texto, seu princípio e sua ética. Assim, será numa forma sintética, com inclusão de pormenores adicionais já contados por mim e outros em  KIMBO LAGOA, Kimbolagoa Blogue, KIZOMBA e outras páginas Sociais tais como KIMBO online ou FEKA YETU,  amigos da E.I.L. Memórias da Maianga e, Roxomania entre tantas coisas por contar.

MAGA10.jpg Avivado agora pelos escritos de Luís Martins Soares, novos afloramentos surgirão no tempo das memórias. Luís, dedica o MU UKULU a todos os angolanos e Tugas com alma de angolanos que por lá labutaram e, com esforços e sacrifícios, irmanados no mesmo amor pela terra, mesmo ideal, tentaram fazer daquela N´Gola, um lugar de excelência.

maximbombo.jpegMaximbombo nº 3 da maianga

Um lugar aonde todos sem distinção de credos e raças pudessem conviver harmoniosamente para o nascimento e engrandecimento de uma Nova Nação, sonho de todos nós. Sendo assim, Luís Soares nosso KOTA MWATA deu início com um poema de Neves e Sousa dando a definição de Angolano. Um belo começo, diga-se!

maianga do araujo.jpg A Maianga com Costa Araújo

SER ANGOLANO

Ser angolano é meu fado e meu castigo

Branco eu sou e pois já não consigo

Mudar jamais de cor e condição

Mas, será que tem cor o coração?

:::

Ser africano não é questão de cor

É sentimento, vocação, talvez amor.

Não é questão, nem mesmo de bandeiras,

De mínguas, de costumes ou maneiras...

:::

A questão é de dentro, é sentimento

E nas parecenças doutras terras,

Longe das disputas e das guerras

Encontro na distância esquecimento.

Mu Ukulu05.jpgDe Neves e Sousa no ano de 1979

Um abraço ao mano Kota Mwata Luís Martins Soares

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:34
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2018
CAZUMBI . XLIX

RAÍZES – 2 de 3 Partes… 28.08.2018

Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol …

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kizomba

Porcanhot3.jpg António José Canhoto

EDU63.jpg Peneiras que avaliarão o potencial e calibre intelectual dos candidatos para um eventual debate. Os meus olhos já viram o melhor e o pior mundo bem como o nascer e pôr-do-sol em todos os continentes e dos sistemas políticos e religiosos que neles vigoram e os diferenciam pelos deuses que adoram. Preenchi a minha mente com todas as verdades que precisava para adquirir o conhecimento que hoje me permite deixar de ter interrogações sobre a vida e morte.

sol4.jpeg E, por esse facto encontrei o equilíbrio, paz e tranquilidade necessárias para deixar de me atormentar ou preocupar com questionamentos metafísicos ou espirituais. Por vezes sinto o desejo de saltar para a garupa do meu ginete alado e viajar para os espaços infinitos da minha África que continua a ser o elemento catalisador, inspirador e o elixir revigorante da essência do meu viver.

:::

Infelizmente o tempo não volta para trás e as Áfricas aonde vivi, sofreram grandes transformações infelizmente algumas para pior. Hoje a viver nesta superlotada Europa onde o espaço é cada vez menor e o oxigénio que respiramos é cada vez mais conspurcado pelos milhões de emigrantes que aqui procuraram vida, sinto a falta de percorrer na minha África centenas de quilómetros por picadas poeirentas sem ver ninguém a não serem os ocasionais animais selvagens.

sol3.jpeg Alguns deles também existem na Europa, mas de duas patas cometendo diariamente actos de terror em nome do seu deus e religião. A grande maioria dos refugiados que diariamente chegam á Europa fogem de África por diversas razões, procurando aqui um lugar ao sol o que raramente acontece e consequentemente nunca conseguem sair da sombra e da pobreza.

:::

O aumento de refugiados no continente europeu reduz o espaço e o oxigénio que os autóctones necessitam para viverem sem que os governos nos imponham a obrigatoriedade de nos miscigenarmos com estes refugiados alienígenas com os quais nada, temos em comum.

nauk13.jpg A população dos 28 países da Comunidade Europeia soma 741.4 milhões de pessoas e mais de 80% compreendem a massa trabalhadora que há muito deixaram de ser gente para passarem a “números”. Números pares ou ímpares nos computadores governamentais ou das empresas que os desnudam, escravizam, espremem que nem limões ou laranjas para fazer sumo do seu suor. Muito poucos serão aqueles que alguma vez terão a oportunidade de serem reconhecidos pelos superiores hierárquicos informalmente pelo seu nome e não pelo apelido.

(Continua…)

António José Canhoto - 23-8-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:39
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Domingo, 26 de Agosto de 2018
CAZUMBI . XLVIII

RAÍZES – Iª de 3 Partes… 26.08.2018

Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol …

Por canhot3.jpgAntónio José Canhoto

kimbo 0.jpgAs escolhas de Kizomba

A minha biblioteca sobre África onde se encontram as minhas raízes e pegadas de carbono é vasta abrangendo várias áreas desde a arte africana, antropologia ou livros sobre os relatos descritivos dos primeiros grandes caçadores maioritariamente Ingleses, tais como, Courtney Selous, Cummings, Stigand, Neuman, Baldwin ou ainda as caminhadas feitas pelos primeiros grandes pioneiros que se atreveram a atravessar os sertões Africanos como Du Chaillu, Burton, Speke, Livingston e os portugueses Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens que merecem ser igualmente lidos.

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As minhas fundações e raízes encontram-se em África e muito embora vários anos já tenham passado desde quando a abandonei e não me estou particularmente a referir a Angola onde nasci, ainda lhe sinto o cheiro da terra molhada depois de uma boa chuvada que muitas vezes nem poças de água fazia pela sofreguidão da sede que o solo ressequido e gretado tinha por anos de seca. Sinto a falta do por do sol, que é do mais maravilhoso de todos os continentes que visitei.

zeca12.jpgÁfrica corre nas minhas veias e ocasionalmente, tenho lá voltado como turista por razões diversas. Como a grande maioria dos mortais vivi na idade das trevas até que despertei para várias realidades que me forçaram a questionar narrativas que me fizeram crer serem verdades absolutas.

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Decidi partir e procurar respostas por moto próprio educando-me quer pela investigação através da leitura como recorrer às fontes e delas beber directamente. Fiz longas e variadas viagens pelo mundo tendo passado 6 meses de vivência permanente e continua com um líder espiritual nas montanhas do Nepal em meditação, reflexão e limpeza cerebral de todo o lixo tóxico que tinha acumulado ao longo da vida por indução de terceiros.

ÁFRICA10.jpg Este período de auto conhecimento introspectivo trouxeram-me uma liberdade, técnicas de sistematização e racionalização da vida bem como os ensinamentos para a criação de uma terceira visão (glândula pineal ou epífise) que me permitiu passar a ver outras dimensões do Universo interior e exteriormente, de ligar o mundo físico com o espiritual ou simbólico.

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Ver é interpretar aquilo que se sente, fazendo a ligação entre a energia de cada um e aquela que o envolve. Uma terceira visão bem equilibrada traz a sincronicidade dos hemisférios, a capacidade de discernimento, e a sagacidade que compreende a profundidade da vida. Este chacra é o espaço da nossa consciência e a residência da sabedoria, permite-nos compreender o nosso guia interior e ter a plena ligação entre todas as coisas.

luis44.jpg A terceira visão permite-nos alcançar a vibração necessária para a elevação da consciência. Este treino transformou a minha concepção vivencial trazendo-me o conhecimento necessário para separar o trigo do joio. Todas essas toneladas de conhecimento que contribuíram para enriquecer o meu património cultural permitem-me hoje em dia defrontar qualquer doutrinador-manipulador por mais persuasivo que seja na eventualidade de me abordar para mostrar, vender, convencer ou seduzir.

matias9.jpg Também a conceder o meu tempo a não ser que nele reconheça um adversário á altura de esgrimir o seu florete com o meu seja em que arena da vida, se considere sapiente e competente. Hoje em dia já não me desloco a montanha nenhuma por muito boa que seja a cromática panorâmica vista do seu cume. Hoje com a minha idade, conhecimento e experiência o Maomé sou eu, e todos aqueles que desejarem debater comigo terão que subir uma ingreme e penosa montanha onde pelo caminho serão sujeitos à graduação cada vez mais fina das minhas peneiras.

(Continua…)

António José Canhoto - 23-8-2018



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:02
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
INVENTAÇÕES DA HISTÓRIA . XII

EM TERRAS DE SANTA MARIA DE GOMERA 

Tempo de Macutas - Verdade ficcionada – 17.08.2018

GOMERA- La Gomera de las islas españolas

Por

soba15.jpg T´Chingange - Em terras de M´Puto

A 3 de agosto de 1492, as caravelas Santa Maria, Pinta e Nina partiram de Palos de la Frontera com destino às Ilhas Canárias, o último porto antes de partirem em busca de uma rota alternativa até às Índias. A 12 de Outubro de 1492, após 36 dias de viagem, o marinheiro Rodrigo de Triana canta do alto da Pinta o “ cesto do caralho* ” o esperado “Terra à vista”. Cristóvão Colombo tinha mudado o curso da história.

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Duas circunstâncias transformaram as Ilhas Canárias na zona de passagem obrigatória na rota para o novo mundo: estar no centro das correntes dos Alísios, e ser o último bastião ocidental da Europa. E desde que Colombo se apercebeu de ambas, a história das Ilhas Canárias e da América estiveram estreitamente ligadas. Entenda-se que com os ventos alíseos as velas não necessitavam de ser alteradas com os ziguezagues habituais porque o vento sopra de feição, na direcção do rumo a seguir!

tenerife7.jpg Em termos náuticos, navegar à bolina, bolinar ou velejar de contravento é marear (ou seja, navegar) com vento afastado o máximo 6 quartas da proa (± 45 graus). É uma técnica empregada por embarcações que consiste em ziguezaguear contra o vento, o que permite navegar por zonas onde o vento não é favorável.  As primeiras embarcações que se têm notícia a utilizar esta técnica com sucesso são as caravelas portuguesas, durante a Era dos Descobrimentos marítimos.

 

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O termo bolina é empregado no Brasil como sinónimo de patilhão. Para se navegar contra o vento, a vela é colocada de modo a que o seu plano divida aproximadamente em partes iguais o ângulo formado pela direcção do barco e a direcção do vento. O vento empurra a vela sempre segundo um ângulo perpendicular ao plano que ela define. Com os ventos Alísios as velas ficam enfonadas todo o tempo; por isso Pedro A. Cabral não teve muito trabaho de virar velas porque foi só seguir em frente até o Brasil.

tenerife0.jpg Diz-se que Cristóvão Colombo ficou fascinado na primeira vez que pisou a ilha de La Gomera. Até existe uma lenda que conta que na cidade de San Sebastian se viveu uma grande história de amor entre o marinheiro e a Senhora da ilha, Beatriz de Boadilla. Esta rota não poderia começar noutro lugar que não fosse a Torre do Conde, onde os insulares comentavam que os apaixonados se viam às escondidas. Eu estive lá e pude sentir essa sensação de apaixonado, sempre!

tenerife001.jpgHoje é um dos monumentos mais visitados e no seu interior conserva-se uma interessante exposição cartográfica. A poucos metros dela encontra-se a Casa de la Aguada, a primeira habitação dos Senhores da ilha. Conta-se que Colombo extraiu do seu poço a água para a sua primeira viagem; tive o previlegio de beber dsta água. Esta pequena rota termina muito perto dali, na igreja da Assunção, onde, segundo a tradição, Colombo rezou para que a sua viagem fosse um sucesso. Pelo sim, pelo  não também rezei um Pai Nosso e uma Avé Maria, para que minhas aventuras vindouras possam sair nos trinques, quersedizer, que tudo corr bem, com ventos Alísios...

sorte2.jpg Chegaram às ilhas a 9 de Agosto, onde aproveitaram para acabar de acondicionar as naves e recrutar alguns marinheiros canários conhecidos pela sua destreza e conhecimentos das águas. Por fim, a 6 de Setembro, a expedição de Cristóvão Colombo parte com destino às costas orientais da Ásia. Naquele dia ninguém podia prever o que estava a pontos de acontecer. Após várias semanas de viagem começa a crescer a tensão entre os tripulantes, ocorrendo mesmo alguma tentativa de motim.

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Foi das ilhas de onde partiram as primeiras sementes de cana-de-açúcar e bananeira para as Índias. O mesmo aconteceria com o porco, a cabra, o cão e a ovelha, que cedo se estenderiam também pelas Antilhas. Pelo contrário, a batata americana passaria pelas Ilhas Canárias, onde se adaptaram rapidamente, antes de serem exportadas para toda a Europa. Poucos sabem que estas ilhas Canárias eram portuguesas ante do primeiro tratado de Tordesilhas.

tenerife4.jpg Além disso, muitos canários acabaram por embarcar nas viagens que terminariam por fundar cidades como Buenos Aires, em 1535, ou outras como Santa Marta, Caracas, Montevideo e La Havana onde ainda hoje a sua influência é visível. Quem visitar a ilha de Tenerife vai sentir que em tempos idos naquele lugar de Orotava, lugar de sacadas em madeira e vinhedos a perder de vista andaram portugueses a viver dos ventos alíseos…

Nota* - Segundo autores conceituados, nomeadamente da Academia das Ciências de Lisboa, a palavra caralho designava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das Caravelas, também conhecida como Gávea -Naqueles tempos não era bem com a conotação de que se tem a intensão nos dias de hoje

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:53
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