Domingo, 17 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XVII

PEDRA DO REINO de Ariano Suassuma - 17.03.2019

O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta Brasil – Género Romance, fantasia épica do Nordeste brasileiro - 1971

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil

11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores … Ariano Suassuma

xique xique0.jpg :::::164Ariano Suassuma nascido na Vila de Taperoá sentindo-se só em um momento de sua vida imaginou-se ser um rei - um lindo devaneio, diga-se! Também se imaginou ser um grande apreciador do jogo do Baralho (Cartas de Sueca, bisca e burro em pé). Talvez por isso, o mundo lhe pareça uma mesa e, a vida, um jogo, onde os fidalgos se cruzam como Reis-de-Ouro com donzelas Damas-de-Espada, onde passam Ases, Peniscas e Curingas, governados pelas regras desconhecidas de alguma velha Canastra esquecida.

:::::165

Também como ele, eu, que não sou rei nem pretendente a acender a qualquer trono, incompreendido, agora que os anos me deram o trampolim da sabedoria, venho com meus sonhos, com conhecimento e os instrumentos de informação avançados pretender ser escutado. Se assim não for que seja como em Abrantes, tudo como dantes. Ambos, cada qual em seu tempo, nos preocupamos com os muitos e fúteis devaneios que no dia-a-dia observamos das gentes envolventes ao nosso quotidiano mundo Terráqueo - desta galáxia.

xique xique01.jpg :::::166 - Teremos de voltar lá atrás ao tempo de D. Sebastião quando por volta de 1569 quis, em um acto de foito jovem imberbe, recuperar as praças de África perdidas e abandonadas por seu avô D. João III. Suassuna, é inspirado em um episódio ocorrido no século XIX, no município sertanejo de São José do Belmonte, a 470 quilómetros do Recife, onde uma seita, em 1836, tentou fazer ressurgir o rei Dom Sebastião - transformado em lenda em Portugal depois de desaparecer na África (Batalha de Alcácer-Quibir): sob domínio espanhol, os portugueses sonhavam com a volta do rei que restituiria a nação tomada à força.

:::::167

De insensatez em desvario e antes de morrer em Alcácer Quibir, ofereceu os préstimos de Portugal a D. Carlos IX de França para combater os huguenotes (Mafulos). Entre méritos de dilatação do império e da fé, a França ficou só por aí, porque entretanto os Calvinistas acabaram por tomar o poder do reino de França. Veio em seguida a tomada de possessões portuguesas pelos huguenotes holandeses (os tais Mafuls) após a queda do reino para os reis Filipinos. Os países baixos estavam em guerra com os reinos da Espanha com sede em Burgos e, como tal, criaram a companhia das Índias Orientais e Ocidentais para açambarcar todo o espólio português que nesse então formava a Ibéria com os reis Filipe I, II e III.

xique xique1.jpg :::::168O sentimento sebastianista ainda hoje é lembrado em Pernambuco, Brasil, durante a Cavalgada da Pedra do Reino, por manifestação popular que acontece anualmente no local onde inocentes foram sacrificados pela volta do rei (juro a pés juntos que desconhecia – pensei que estas maluqueiras eram só vistas no M´Puto). Ariano Suassuna iniciou o Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, seu nome completo, em 1958, para concluí-lo somente uma década depois, quando o autor percebeu o que o levou a escrever o romance: a morte do pai, quando tinha apenas três anos de idade

:::::169

A vulnerabilidade das possessões portuguesas tendo no comando os reis espanhóis, deu azo aos huguenotes holandeses, franceses e judeus perseguidos pela Santa Inquisição a que formassem a tal Companhia das Índias, Orientais e ocidentais, uma forma de através de corsários se apropriarem da soberania desguarnecida nesse tão vasto mundo que hoje conhecemos. Juntaram-se a estes corsários ricos judeus de Antuérpia e Roterdão que dominavam o mundo do negócio de especiarias e exotismos distantes. O mundo europeu exortava em luxúria entre lustre de diamantes e ouro Inca e tantas novas coisas. Mais tarde, dias de quase hoje, tudo isso se entregaria sem contrapartidas fruto de traições, um desmoronamento sepulcral (uma tragédia que o tempo despolitizará) …

xique xique6.jpg :::::170 - Também, uma tragédia pessoal presente na literatura de Suassuna, e a redenção do seu "rei" – uma reacção contra o conceito vigente na época, segundo o qual as forças rurais eram o obscurantismo - o mal, no urbano e no progresso - o bem. A história, baseada na cultura popular nordestina e inspirada na literatura de cordel, nos repentes e nas emboladas, é dedicada ao pai do autor e a mais doze “cavaleiros”, entre eles Euclides da Cunha, António Conselheiro e José Lins do Rego…

:::::171

Para os lados do poente, longe, azulada pela distância, a Serra do Pico, com a enorme e alta pedra que lhe dá nome, todos envoltos na CAATINGA , um  termo tupi-guarani. Perto, no leito seco do Rio Taperoá, cuja areia é cheia de cristais despedaçados que faíscam ao Sol, grandes Cajueiros, com seus frutos vermelhos e cor de ouro. Para o outro lado, o do nascente, o da estrada de Campina Grande e Estaca-Zero, vejo pedaços esparsos e agrestes de tabuleiro, cobertos de Marmeleiros secos e Xiquexiques (cactos).

xique xique5.jpg :::::172 Surge então o Conde Maurício de Nassau chefiando aquela forte Companhia das Índias, e que com forte armada debanda os Tugas de então de Olinda que fica sendo um seu bastião em terras de Pernambuco; estava em causa desbravar o interior profundo duma caatinga agreste e infestada de gente brava que comia seus inimigos para ainda ficar mais forte; os caetés e tapuias. Finalmente dizia assim: - Para os lados do norte, vejo pedras, lajedos e serrotes, cercando a nossa Vila e cercados, eles mesmos, por Favelas espinhentas e Urtigas, parecendo enormes Lagartos cinzentos, malhados de negro e ferrugem;

xique xique4.jpg :::::173 Lagartos venenosos, adormecidos, estirados ao Sol e abrigando Cobras, Carcarás, Gaviões e outros bichos ligados à crueldade da Onça do Mundo. Aí, talvez por causa da situação em que me encontro, preso na Cadeia, o Sertão, sob o Sol fagulhante do meio-dia, me aparece, ele todo, como uma enorme Cadeia, dentro da qual, entre muralhas de serras que lhe servissem de muro inexpugnável a apertar suas fronteiras, estivéssemos todos nós, aprisionados e acusados, aguardando as decisões da Justiça. As estórias sempre se repetem…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:09
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 12 de Março de 2019
MALAMBAS . CCXVI

TEMPO DE CINZAS NA NAMEYA BAR – MALAMBA é a palavra – 11.03.2019

- Boligrafando minha própria estória em cor vermelha…

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Com sotaque de classe média, cada qual falava em seu telemóvel (celular – microondas) como se fizessem exercício em águas quentes para relaxar. Um casal envolto em núpcias de mel, assim demasiados ocupados, ele e ela, apertando letras de amor – creio!… Com ares conspiratórios; decerto não falavam de grasnares dos patos e das patas de seus progenitores largados no sítio não muito longe da cidade de Bonito. Falo de Bonito, uma pequena cidade do Nordeste mas, até poderia falar de Garça ou Piranhas em lugares bem distintos e, bem diferentes.

kimberly2.jpg Garça ou Piranhas que estando muito afastadas entre si mas, aonde os dias calorentos se dissolvem por vezes em chuva morrinhenta ou mesmo cinzenta e até por vezes salpicada de fina lama suspensa no ar. E, foi assim, sentado em uma cadeira de praia e à sombra de um chapéu verde e branco, que vasculhei com olhares os arredores de mim, ondulando a vontade num faz de conta e imaginando-me ser uma caneta tipo lapiseira do tipo boligrafo.

nauk03.jpg Imaginei ser uma caneta, boligrafando minha própria estória em cor vermelha, a única que tinha à mão. Contornando símbolos em cima de um longo papel e, nas costas das contas do supermercado da Pajuçara, deixo o boligrafo levar minha própria mão sem tempo, sem metas ou temas previamente definidos dando-lhe largas, assim sem a definir como a única caneta da minha vida! Simplesmente um boligrafo entre tantos já usados…

swakop10.jpg E, como um destino sem termo, uns fins sem princípio, um índice sem prefácio nem glossário e reconhecendo que o fim só o é quando chega, sem epilogo ou amuradas dum barco carcomido pela ferrugem, como num tudo ou nada, sem makas ou quenturas procurando uma agulha num palheiro ou num porão, definia-me como um grão-de-bico que posto na água incha e que depois é revertido e deglutido como bolo alimentar. Os bichos vão-me comer depois de bem gordinho!

:::::

E, digo isto porque pude ler num carro de vendas, espigas de milho verde: “ou você escreve ou Jesus escreve por ti”. Busquei saber do porquê daquela frase no livro dos livros tendo encontrado uma frase em que o apóstolo João descreve sobre o grão de trigo: “ Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer produz muito fruto. Lendo mais vi que quem ama a sua vida perde-a, mas aquele que a odeia (a sua vida), neste mundo, irá preservá-la para a vida inteira”.

MONA2.jpg E, continua: “Se alguém me serve, siga-me e, aonde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir meu Pai o honrará”. Terminada a citação e por esta leitura posso concluir pela milionésima vez que, sendo eu outra espécie de grão, nunca poderei ser um bom pastor. Nunca o poderei ser, porque não o consigo interpretar na perfeição.

:::::

Pois que é uma fala tão antiga e, ao segui-la me verei num comprido e admirado rosto, de uns sabujos e pesados papos, castanhos e bolorentos por debaixo dos olhos, e também com um trejeito na curva esquerda do lábio num sorriso falso como daqueles de quem se enganam permanentemente sem ter bem a convicção disso; de ser uma ignorante areia que nada gemina simplesmente porque não é um grão de trigo.

arau162.jpg Assim me vejo religiosamente feito numa carcaça escorregando no purgatório, gaguejada e chocada na ignorância de uma esperança esfarrapada na incompreensão: - “Hó - ser pastor não é verdadeiramente a minha profissão, nem minha inclinação”. Confesso isto sem embaraço, como dizem os ingleses: sou só um part-time; melhor uma missanga de part-times.

:::::

Será assim como uma parábola dos tempos modernos confrontando a vida esterilizada num celular que emana neuroses e preocupações, uma existência alheia a Deus porque em seu tempo não havia estas máquinas de empilhar tensões e neuroses antes, durante e depois de se casar. Foi assim nesta complexa análise quase nadista que resolvi terminar meu dia de praia, levantando e abanando a mão como que para afastar demónios.

EDU63.jpg O importante é não alimentarmos ódios por quem pensa de outra qualquer forma ou ter desejos de vingança porque isso, só torturará nosso bom censo, nossa liberdade. Nem é preciso estudar-se psicologia avançada para se concluir que os pensamentos maus ou enviesados, como um boomerang, um pau torto inventado pelos aborígenes australianos, que lançado a um alvo, só deformará nossa personalidade. Cada um que fique com sua cruz ou o seu boomerang…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:47
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XIV

VIDA DE EMIGRANTE NO BRASIL - 26.02.2019

Bertoleza, como toda a cafusa, não queria sujeitar-se a negros; instintivamente procurava o homem numa raça superior à sua – umbigou-se com João Romão o português dono da venda… 
Escrito por – Aluísio de Azevedo
Por

soba0.jpegT´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro
:::::
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho
10 – O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil
:::::134
João Romão* foi, dos treze aos vinte e cinco anos, empregado de um vendeiro que enriqueceu entre as quatro paredes de uma suja e obscura taverna nos refolhos do bairro do Botafogo; e tanto economizou do pouco que ganhava nessa dúzia de anos, que, ao retirar-se o patrão para a terra, lhe deixou, em pagamento de ordenados vencidos, nem só a venda como o que estava dentro, como ainda um conto e quinhentos em dinheiro vivo.

cortiço6.jpg :::::135
Proprietário e estabelecido por sua conta, o rapaz atirou-se à labutação ainda com mais ardor, possuindo-se de tal delírio de enriquecer, que afrontava resignado as mais duras privações. Dormia sobre o balcão da própria venda, em cima de uma esteira, fazendo de travesseiro um saco de estopa cheio de palha. A comida arranjava-lha, mediante quatrocentos réis por dia, uma quitandeira sua vizinha, a Bertoleza, crioula trintona, escrava de um velho cego residente em Juiz de Fora e amigada com um português que tinha uma carroça de mão e fazia fretes na cidade.
:::::136 
Bertoleza também trabalhava forte; a sua quitanda era a mais bem afreguesada do bairro. De manhã vendia ungu*, e à noite peixe frito e iscas de fígado; pagava de jornal a seu dono vinte mil-réis por mês, e, apesar disso, tinha de parte quase que o necessário para a alforria*. Um dia, porém, o seu homem, depois de correr meia légua, puxando uma carga superior às suas forças, caiu morto na rua, ao lado da carroça, estrompado como uma besta.

cortiço4.jpg :::::137
João Romão mostrou grande interesse por esta desgraça, fez-se até participante directo dos acontecimentos da vizinha, e com tamanho empenho a lamentou, que a boa mulher o escolheu para confidente das suas desventuras. Abriu-se com ele, contou-lhe a sua vida de amofinações e dificuldades. “Seu senhor comia-lhe a pele do corpo! Não era brinquedo para uma pobre mulher ter de escarrar pr´ali, todos os meses, vinte mil-réis em dinheiro vivo”.
:::::138
E segredou-lhe então o que tinha juntado para a sua liberdade e acabou pedindo ao vendeiro que lhe guardasse as economias, porque já de certa vez fora roubada por gatunos que lhe entraram na quitanda pelos fundos. Daí em diante, João Romão torna-se o caixa, o procurador e o concelheiro da crioula. Ao fim de pouco tempo era ele quem tomava conta de tudo que ela produzia e era também quem punha e dispunha dos seus pecúlios, e quem se encarregava de remeter ao senhor os vinte mil-réis mensais.

cortiço3.jpg :::::139
Abriu-lhe logo uma conta corrente, e a quitandeira, quando precisava de dinheiro para qualquer coisa, dava um pulo até à venda e recebia-o das mãos do vendeiro, de “Seu João”, como ela dizia. Seu João debitava metodicamente essas pequenas quantias num caderninho, em cuja capa de papel pardo se lia, mal escrito e em letras cortadas de jornal: “Activo e passivo de Bertoleza”.
:::::140
E por tal forma foi o taverneiro ganhando confiança no espírito da mulher, que esta afinal nada mais resolvia só por si, e aceitava dele, cegamente, todo e qualquer arbítrio. Por último, se alguém precisava tratar com ela qualquer negócio, nem mais se dava ao trabalho de procura-la, ia logo direito a João Romão. Quando deram fé estavam umbigados.

booktique10.jpg :::::141
Ele propôs-lhe morarem juntos e ela concordou de braços abertos, feliz em meter-se de novo com um português, porque, como toda a cafuza, Bertoleza não queria sujeita-se a negros e procurava instintivamente o homem de uma raça superior à sua. João Romão comprou então, com as economias da amiga, alguns palmos de terreno ao lado esquerdo da venda, e levantou uma casinha de duas portas, dividida ao meio paralelamente à rua, sendo a parte da frente destinada à quitanda e a do fundo para um dormitório que se arranjou com os cacarecos de Bertoleza.
:::::142 
Havia, além da cama, uma cômoda de jacarandá muito velha com maçanetas de metal amarelo já mareadas, um oratório cheio de santos e forrado de papel de cor, um baú grande de couro cru tacheado, dois banquinhos de pau feitos de uma só peça e um formidável cabide de pregar na parede, com a sua competente coberta de retalhos de chita. O vendeiro nunca tinha tido tanta mobília. Agora, disse ela à crioula, as coisas vão correr melhor para você. Você vai ficar forra; eu entro com o que falta…

araujo190.jpg :::::143
Assim, recordando o meu avô que também emigrou para o Brasil, ainda lembram as memórias que ele era bem-apessoado e, o que ganhava como caixeiro, gastava no pagode com as Mariquinhas e outras desclassificadas crioulas. Neste meu quase sonho crepuscular, após ler o Cortiço, posso encavalitar aleatoriamente os acontecimentos dentro e fora do tempo dos muitos forrobodós de intensa refrega nos fins-de-semana, dos bailes pé-de-serra e carnavais de estalar quenturas. Aos poucos, António Lopes Loureiro foi substituindo os tamancos da Beira Alta por chinelos de matuto do agreste, abertos, ventilados quanto baste para poder deslizar nos térreos caminhos, feito um Lampião* - dos salões da surumbanda, samba e capoeiragem com patuscadas.

booktique12.jpg Notas* João Romão- Poderia até ter sido o Senhor António Loureiro, meu tio-avô por parte de minha mãe Arminda que depois de deixar duas filhas em sítio incerto do Brasil, nos anos trinta do século XX, rumou de novo para Portugal, regressando brasileiro, com sua santa “Nossa Senhora da Aparecida”, sem uma cheta, tísico chupado das mulatas, como se dizia nesse então; Ungu – Comida barata para gente sem eira nem beira; terreiro de reunião ….Alforria – passagem de estado de escravo a liberto; alguns escravos compraram a seus donos a liberdade – foi o caso de Bertoleza aqui descrita e, que umbigou, alambou ou amigou com o Vendeiro João Romão…
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:04
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 2 de Fevereiro de 2019
KANIMAMBO . LXV

CONVERSANDO COM LOUIS ARMSTRONG02.02.2019

Pois! Uma coisa chamada de talassoterapia com a vitamina D de Deus… Armstrong, amontoa suas roupas em cima das chinelas ficando em sunga tipo calção florido idêntico ao meu…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste brasileiro…

Na praia da Pajuçara, encostado à Canoa, vendo o sol recém-nascido lá no horizonte e, lá pelas seis horas da madrugada, chega um senhor moreno na cor e na idade que, cumprimenta. – Bom dia! Respondo também com um bom dia. Amontoa suas roupas em cima das chinelas ficando em sunga tipo calção florido idêntico ao meu. Senta-se e ali ao lado dizendo algo sobre a maré que está secando; falas de ocasião pra puxar conversa. Dando-lhe um pois-pois, claro, sinto ter ele, vontade de falar – Não tem nada demais.

Já habituado a esta empatia nordestina vou dando respostas aleatórias sobre as algas, o tempo e as mazelas. Comenta aquilo que todos falam e também repetida na televisão vezes sem conta: A desgraça da barragem de terra do Brumadinho! Assim permanecemos falando de várias coisas até que lhe perguntei: Como se chama? Resposta pronta: Louis Armstrong!

ARMSTROG1.jpgBom… em realidade tinha alguma semelhança com o cantor e trompetista de outros tempos mas, daí a chamar-se nem mais nem menos da mesma forma, fiquei só um pouco intrigado. Seus pais deviam gostar muito desse senhor músico que faleceu no ano de 1971!? Por acaso você também é músico? Não, mas gosto muito de ouvir sua voz rouca; é verdade que meu pai tinha um fraquinho por esse tipo de canções choradas com encanto.    

-E o senhor, faz o quê? Pergunto. Parece-me que ainda está na vida activa! Não hesitou um segundo para responder: - Sou Procurador! Bem! Assim neste panorama, mantinha-me na dúvida se não me estaria a tomar por parvo e dizer-me inverdades. Eu sabia que Procurador era assim uma figura de destaque tal como Procurador da República, figura de Estado e esta Louis Armstrong até no nome me parecia ser uma pegada mentira. Mas, tenha-se em conta ser demasiado deselegante perguntar-lhe detalhes mais fragmentados.

panoias2.jpg O mar verde continuava a secar, a maré descia a olhos vistos juntando fiadas de algas verdes e o Louis Armstrong tudo indicava estar à espera de ficar muita areia para depois entrar. Pensei que assim queria ter rasura na altura da água, para esfregar suas quinambas, o peito e talvez fazer uma tratamento terapêutico pelos banhos de mar e pela acção dos climas marítimos.

Pois! Uma coisa quase hidroginástica chamada de talassoterapia com a vitamina D de Deus, pois que qualquer coisa por ele falada era terminada com a graça de Deus, se Deus quiser. Falava assim denunciando sua veia evangélica, usando com tato as palavras para não ofender o Senhor. Bom! Como seguindo as palavras do novo presidente Bolsonaro que também diz, a bem da nação, o País acima de tudo e Deus acima de todos.

uruguai3.jpg Eu evitava usar palavras para o senhor que não fossem demasiado periclitantes ou polémicas e assim derivei para a vulgaridade de não reutilizar garrafas de plásticos com água porque, tal e coisa, um produto de plástico por um longo período de tempo não se conhece segurança de remover completamente todos os perigos nele contidos. Bom! Mediante esta conversa um pouco mais desenvolta o senhor de sobrolho meio retorcido perguntou qual era o meu nome. Resposta imediata: Frank Sinatra. Bom! O bigode dele ficou retorcendo a sobrancelha com três rugas a salientarem sua admiração. Ambos estávamos a ficar infestados de bactérias…

Pois é! Falei. Meu pai adorava ouvir Frank Sinatra e tal como o seu, também me baptizou desse mesmo jeito! E, olhe que gosto imenso de o ouvir. E, afinal já morreram ambos num é!? E, que faz na vida? Perguntou ele. Conto estórias! Então é escritor? Não, eu só escrevo para animar os amigos, porque gosto de usar as formas directas do linguajar do povo com que contacto; invento muito e por vezes fico rindo só e, que nem um tonto com minhas inventações.

kafu5.jpg Bem dôtor, vou ter de ir à minha luta, ganhar a vida! A maré já está bem seca para pegar no meu saxofone! Reparem que devido à minha fala assim mais erudita, Louis licenciou-me de dôtor em menos de poucos minutos. Ué… e, afinal ele é mesmo tocador de pífaro, ou trombone ou que sei eu, sei lá clarinete. E, bolas, aqui a imaginar tonteiras! Deve tocar para quem passa para receber uma gasosa; não é a primeira vez que vejo gente tocando na praia para os namorados, para gente com dólares, pessoas românticas que gostam de repentistas.

arau44.jpg Mas ele não disse que era Procurador!? Vou deixar aqui minhas coisas, o dôtor dê uma olhada fazfavor! Pois não! disse eu. Deixe ficar! Foi quando foi atrás do barraco da Canoa e de lá, veio com seu saxofone, assim uma vara comprida com uma espécie de argola no fim. Um saxofone bem esquisito, diga-se! Só dei pelo meu erro quando iniciou sua caminhada em zig-sagues pela areia com seu instrumento riscando chão até apitar. Só então entendi o que era essa função de PROCURADOR. Quando ele aqui chegar vou dizer-lhe que agora é PESQUIZADOR… Isto há coisas…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:47
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 2 de Maio de 2018
CAZUMBI . XL

MIAI – CORURIPE DO BRASIL

- COMO SINTO O MUNDO - IV02.05.2018

- A teoria da casualidade por reflexão de ressonância … Um grilo que canta, grila…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

A teoria da casualidade por reflexão de ressonância sucedeu ouvindo um grilo que canta, que grila…Ele canta, estridula, guizalha, trila ou tritina num zumbido que se interrompe. Com estes silvidos, chego à via especulativa no ser capaz de me ajudar a compreender o Mundo.

:::::

A partir de factos simples, tento compreender com a maior exactidão, analisando isto e aquilo e, no possível, o meu próprio desenvolvimento do pensamento - Dar atenção a um, descuidando um outro que o precedeu.

grilo0.png Aqui em Miai de Alagoas, saído da rede da varanda, entrei na sala a dar com a cozinha e, cheirou-me a gaz, um cheiro diferente; o meu subconsciente alertou-me preocupando o instinto de que havia ali algo anormal. A Dona Jacira, já com 85 anos, ouviu meu chamado mas, este entrou no mesmo tubo ladrão da mente, aonde tudo entra e sai sem se fazer triagem.

:::::

Podia ser perigoso mas e, porque fechei o botão, logo verificamos após dissipação das gazes que o mesmo estava indevidamente rodado e situado com a seta invertida. Por coisa pouca, poderia ter surgido uma explosiva tragédia.

fotografo1.jpg Temos então de reconhecer que nossa concepção da realidade jamais apresentam outra coisa a não ser soluções momentâneas; Teoria de Casualidade em que o pensamento, aliado a outros sentidos, mudam os factos perceptíveis.

:::::

Teremos então de reconhecer que nossas concepções da realidade jamais apresentam outra coisa a não ser as soluções momentâneas - as do agora. Dizer-se assim que tal acontecimento foi “num repente” ou “num ai”. Temos assim nesta percepção dos sentidos uma via especulativa capaz de nos ajudar a compreender o Mundo.

ROXO164.jpg Este tema pode não ser argumento de valor mas, sempre será um limite na utilização de todos os sistemas, acontecimentos prestigiosos ou esporádicos e, que nos levam a que por vezes em reflexão por ressonância; um postulado fundamental que nos liga à natureza do grilo que estridula com guizalhas, um zumbido nunca devidamente estudado.

:::::

Tudo isto tem sido um vasto campo que nem sempre é exposto por via de uma outra lei - “a lei do constrangimento”. Albert Einstein concebeu isto em fórmulas. Eu que já ando enrolado com postulados, aforismos e axiomas chego ao agora com quantas…

roxo127.jpg Pois! -“Quanta duvida”; assim a constatar pelo grilo lá chegarei à cigarra, que tudo indica ter uma ressonância superior. Uma diferente lei que satisfará a necessidade de explicação causal a um físico-matemático contemporâneo…

:::::

Nota: Crónica escrita em Miai a 09.04.2018

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 28 de Abril de 2018
FRATERNIDADES . CXX

FRINCHAS DO TEMPO . 28.04.2018

- Um milagre para você! A religião é sempre um refúgio de medrosos – (Diz António José Canhoto*)

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

che5.jpg Documentei-me muito superficialmente para dar em síntese uma breve resposta a alguns dos artigos escritos por Canhoto. Tenho de concordar com a quase totalidade do que me é possível reconhecer * A religião é sempre o refúgio do moralmente medroso e fraco, bem como do intelectualmente cobarde que receia em pânico ver a sua verdade destruída pela razão. A mentira estará condenada a existir enquanto houverem imbecis e idiotas que se sintam confortáveis em viver e dormir com ela.”

:::::

Nisto de crenças e o direito de acreditar ou não, só poderei dizer que um argumento pode buscar a verdade mas, nem sempre é uma opinião. Quando as crenças se materializam em opinião originam um problema; por assim dizer as opiniões não podem ser substituídas pelos argumentos. O “ Eu tenho o direito às minhas crenças” podem transformar-se em “Eu tenho direito à minha opinião”. * “Também existem livros religiosos que misturam algumas realidades com mitos, plágios e lendas mitológicas incluindo algumas fábulas ridículas e anedóticas que só por esse facto os descredibilizam. Para esse efeito deus e o diabo foram criados como sócios essenciais num negócio rentável, porco e sujo…”

:::::

Pelo dito, crenças e opiniões não serão argumentos porque diferem nos factos. Então lá terá de se dizer que um facto é algo que pode ser provado verdadeiro. Se acreditar que “passar debaixo de uma escada dá azar” por ideia ou convicção posso perfeitamente aceitar como verdadeira esta crença! Dizer-se por isso que a crença é de foro íntimo.  

cronicas mano corvo2.jpg * “Gostaria de ouvir da boca de um crente dizer vou morrer “Graças a Deus”, ou na eventualidade de um grave acidente de carro dizer ao médico do INEM, levem-me para uma igreja em vez de um hospital, ou ainda “Agradecer a Deus” ter tido um filho nado-morto, anormal ou deficiente mental ou ainda quando aos 7 anos morre atropelado á porta de casa onde andava de bicicleta...”

:::::

O mais importante neste imbróglio é saber que um argumento não é luta, nem tampouco debate ou desordem entre as pessoas. Um argumento é uma busca pela verdade! Ninguém poderá exigir que outro sacrifique a própria crença para salvaguardar o direito à sua. A defesa da crença estará restrita ao uso de métodos que pertencem ao espaço das razões, enquanto o argumento será a presunção de convencimento.

:::::

Quem trabalha com temas da ética, teoria de acção ou filosofia politica, vai ter de dizer que tem o direito moral de acreditar no que quiser, mesmo que sejam crenças falsas. Neste direito em acreditar, as grandes perdedoras, serão a liberdade de expressão e a democracia. Andei a ler os propósitos de Walter Carnielli, um matemático e professor de lógica e filosofia de Campinas - Brasil e, por via disto darei razão a todos os que por direito evidencial à sua crença, se apresentam dispostos a formar apropriadas evidências a ela, a crença.

dracma4.jpgNão posso em tempo algum forçar a retórica no sentido de alterar a verdade de alguém. Sabemos hoje haver diversa técnica, de levar avante notícias falsas – as fake news. Isto também porque as pessoas acreditam que sabem mais do que realmente sabem; o que lhes permite persistir nessa crença com eventuais ressonâncias em outros.

:::::

* “Contudo por várias razões e medos, a partir de certa altura o homem sentiu a necessidade de criar divindades politeístas e monoteístas, mas sem a existência da humanidade esses inexistentes deuses nunca teria visto a luz do dia e o dinheiro que foi gasto em templos, santuários e igrejas teria sido muito mais bem aplicado em hospitais, creches e lares da terceira idade.”

:::::

Divididos assim em comunidades de interesse nós usuários do instrumento de ligação, redes sociais, facebook e outros, agregar-nos-emos com os ecos de uns, as vozes e sonhos de outros e, numa bolha, ficaremos entoando no que cremos. E, pode nem ser a verdade verdadeira porque as redes sociais deram voz a uma legião de fanáticos ou imbecis; ou até mesmo gente que usa a palavra no estrito sentido de palavrório – um amontoado de conceitos …

DIA76.jpg O livro de Tobias foi aceite no velho testamento pelos católicos romanos mas rejeitado pelos protestantes. Pelo que li, tudo não deve passar de acumulação de lendas porque enquanto se aceitam os anjos Gabriel e Miguel, rejeita-se o arcanjo Rafael. São sete os livros apócrifos que não foram incluídos na Bíblia dos apostólicos romanos. Li que o Tobias, humilde deixou-se dormir debaixo de um alpendre e cegou porque os pombos defecaram em seus olhos… Só pode ser lenda ou fábulas ridícula e anedótica!

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:09
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 22 de Março de 2018
MOAMBA . XVIII

PENSAMENTOS ESPECULATIVOS - 22.03.2018

Bingo! O mundo está diferente - bem-vindo a uma nova era…

Por

soba0.jpegT´Chingange - No Nordeste brasileiro

Fazendo minha talassoterapia nas águas mornas da Pajuçara em Maceió do Brasil, fui pensando nas muitas coisas que se encavalitam em mim de forma desordenada. Maceió em língua Tupi-Guarani quer dizer lodo, terreno de sedimentos que na forma de lama também se chama de massapé. Em verdade, há milhares de anos este lugar era composto de manguezais, terrenos de aluvião situados entre o mar e a Serra do Mar.

:::::

Seus limites do lado do mar terminam em recifes de corais que se estendem ao longo da costa; é aqui que as ondas se esbatem formando uma lagoa de águas rasas com piscinas naturais e de pouca ondulação. É o sítio ideal para enterrado até o pescoço fazer deambulações enquanto me movo, pedalo ou dou pontapés na água.

menino2.jpg Em compreensão meus pensamento e por agora, fluíram para uma situação de maleável condição e convicção passada no rio Tejo do M´Puto com o actual Presidente da Republica Dr. Marcelo Rebelo de Sousa. Eu explico! Em sua campanha para se tornar presidente do Município de Lisboa, este lançou-se ao rio e, com os focos da imprensa em cima, tentou passar a mensagem de que o rio estava despoluído.

:::::

Ele nadou, fez gaifonas de foca, de marinheiro nadador e sorriu para as câmaras com seu olhar de xicululu. Talvez fosse um acto de fé ao dizer ao povo que aquela era uma água com condições para nela molharmos o toutiço, o esqueleto e a moleirinha mas em verdade poucos o seguiram.

roxo116.jpg Talvez fosse um acto de fé ao dizer ao povo estarem aquelas águas em boas condições de nelas nos banharmos. Provavelmente fez uma pesquisa  a inteirar-se dos lodos enteroparasitas ou talvez tendo areias Monazíticas; estou a especular, mas provavelmente encontraria a presença de fungos e bactérias que proliferam por conta de lixo, sujeira em geral deixada nas margens ou descargas de químicos de fábricas “fiáveis” a montante.

:::::

Pelos vistos, poucos ou nenhuns foram ali molhar seu toutiço, sua moleirinha por inteiro, porque o seguro morreu de velho. Sem esta fé, a convicção do valor pelo seu conhecimento não existiria assim tão coerente e tão indestrutível. Marcelo não ganhou a Câmara de Lisboa e sua fé enveredou para comentador de televisão tornando-se um homem de ciência em face das periclitãncias dos outros, dos fracassos alheios.

araujo90.jpg Ele testava a verdade através de suas próprias experiências, leis do pensamento pretendendo mostrar sua verdade; a fé em que acreditava! O tempo de antena tinha inicia mostrando-o a tirar seu relógio “Rolex” com pulseira niquelada, colocando-o na sua frontalidade. Perseguia o tempo desta forma singela entregando sua energia inteira a experiências objectivas encarando-se numa função social de sábio, pois então!

:::::

Como Professor Universitário Marcelo credenciava seu individualismo na dose suficiente para inspirar confiança ao interlocutor invisível, seu povo! Granjeou simpatia graças ao pensamento lógico, coerente e construtivo e, foi assim que o povo o escolheu como máximo representante da Nação. Eu aqui pedalando numa água distante do Tejo, pergunto-me de qual a meta que deveríamos escolher para nossos esforços na verdade da fé? Uma fé nossa!

rolex0.jpg Creio que o poder politica baseado ou criado sobre estas bases pertencem a ínfimas minorias que governam a vontade, e completamente, uma multidão anónima cada vez mais privada de qualquer reacção. Copiaram? Em realidade o Professor Marcelo, alcançou a ciência concreta em que, o nosso cotidiano, jamais seria mantida viva se este homem de ciência não tivesse aparecido.

:::::

Mas, toda a fé tem sempre um mas, tenho uma grande dúvida ou até, nem entendo do porquê Marcelo R. de Sousa nunca reconheceu valor a quem tirou o país da forca: Passos Coelho! Não entendo esta omissão de alguém que reduziu o índice de endividamento de 13 para 3 por cento! Do homem que mesmo assim, ganhou as eleições.

GALO0.jpg Em um qualquer momento o seu relógio “Rolex” parou! Sua frontalidade ficou molemente a naufragar nas águas translucidas do Tejo. Há coisas em política que não são para entender - Surgem ou demasiado Salgadas ou demasiado insonsas. A não ser que me expliquem tim-tim por tim-tim estes fenómenos de fé cientifica do pensamento.

:::::

As leis da natureza são as mesmas em todos os tempos e em todos os países; as leis humanas mudam segundo os lugares, os tempos o progresso da inteligência. Faz-me falto um “Rolex” assim!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:59
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 24 de Fevereiro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXV

NAS FRINCHAS DO TEMPO 24.02.2018

- Novas maneiras de aprender antigas verdades!... Com atitude….

Por

soba15.jpgT´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Um homem franzino de flanela curta ginasticava na areia dos Sete Coqueiros da Pajuçara às seis horas e dez minutos desta da manhã. O sol deve ter nascido pelas 5 horas e quinze minutos e uma hora depois já ia alto no horizonte, queimando. Este homem de murros ao vento estica e encolhe o braço como fazendo muita força, dá pontapés no vazio em preparo de ataque de bassula ou capoeira.

:::::

De repente junta as palmas das mãos como que orando e desfere em seguida um golpe até aonde o braço alcança como que atingindo um suposto órgão vital. Talvez fosse candomblé, porque feito pássaro secretária da savana, só apoiado em uma perna, desfere bicadas ao jeito de kung fu, talvez jiu jitzu ou tirada de urubu puxando a alma dum espirito inquieto para si com retorcidela do punho, braço e antebraço.

 pajuçara1.jpg Havia posições de parecer querer levantar voo assente só em uma perna-pata num jeito de maracatu. Entretanto chega um atrelado carregado de tralha, cadeiras, mesas, sombreiros e caixas de isopor, tudo recoberto com um oleado e, é neste preciso momento que o homem pássaro interrompe seus ensaios de voo e se dirige à carreta para destrinçar os atilhos da carga.

 

Era afinal o ajudante de praia do empresário das sombras de Coqueiro Seco com o nome de guerra de suricato, nome de mancho de suricata, nome de animal que só existe no altiplanalto do Calahári africano. Perdido nesta divagação curiosa ginasticada de forma exótica, contorno a quadra de futvolei para comprar dois cocos frios, meu fornecedor habitual desta água revigorante da natureza.

paju3.jpg De fazer reparo que estes cocos estão envoltos em gelo dentro de uma antiga geleira que agora conserva o produto frio de porta para o ar. Também esta geleira fica montada em um estrado com rodas de bicicleta para assim se poder deslocar melhor para um qualquer parque cortiço nos arrabaldes da Pajuçara. De notar que a geladeira como se diz aqui, está pintada com uma obra de arte de sereias mergulhando em ondas borbulhantes.

:::::

Aqui todas as bancadas de trabalho andam, por reboque ou atreladas são deslocadas todos os dias para fora da praia á noite. E, todos os dias são levadas e trazidas cumprindo as leis de postura municipal. Normalmente são homens que as empurram ou puxam até o local que lhes está destinado, penso eu! E, fazer o translado de carregos com mais de dois metros de altura não me parece ser fácil, não!

paju1.jpg Assim e querendo, aqui estou reescrevendo escritos do realismo feito literatura de bolso num método de rigor quase científico na representação do mundo mais próximo e da sociedade apontando seus hábitos, usos e medos até, dentro das possíveis atitudes civilizadas. São os conceitos nos parâmetros de gente que ginastica o físico e dependências para só curtir um dia de cada vez. É na balburdia ordenada que se pode ver a pura sensualidade dos mais pobres a ajudar os mais ricos. Que seria de uns se nõ existissem os outros…

:::::

Na maturidade destas vivências reparo que um outro senhor idoso com sapatos de borracha, espeta um pau na borda de água e estende em curva e até atingir a sua altura uma rede de nylon com bóias brancas á tona de água e chumbo arrastando o chã de areia com algas. Ele faz a pesca de cerca e arrasto sozinho. É a primeira vez que vejo isto! Aonde chega a obrigação com imaginação…

coimbra2.jpg São talvez uns setenta metros de rede e, andando dentro de água vai fechando o cerco na forma de caracol; já no círculo feito ou quase fechado, bate na água assustando os peixes, levando-os a se prenderem na rede. A luz da ciência aqui representa a maturidade por observação, retirando proveito do óbvio… Uma vez dá, outra nem tanto…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:17
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 4 de Abril de 2017
MUXOXO . L

TEMPO CINZENTOS – 03.04.2017A vida é feita de acasos. Na natureza dos dias de hoje, não é o mais inteligente que vence na vida mas sim aquele que melhor se adapta a ela… A continuar desta forma seremos no futuro, todos ladrões…

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

A vida da gente é feita de acasos; de coisas pequenas que mudam nosso destino como uma vírgula minúscula altera um texto. Cada um de nós tem isto embebido em sua estória de vida e, por isso se diz que, esta ilusão é de um minuto ou uma centelha dele e, as coisas sucedem num agora, num lugar de hora certa ou errada conforme a sorte, conforme seus guias de guarda invisíveis que num dado instante o são e num dado instante deixam de o ser.

:::::

Pois quantas vezes, por se estar no lugar e hora errada, se têm um dissabor ou uma alegria que tudo muda no percurso de nosso enredo de vida, nosso fado! Habituado a viajar, um dia e, estando eu no Algarve do M´puto saí de casa com o propósito de em Armação de Pêra e, junto do amigo Mogo, inscrever-me em um dos passeios romeiros que habitualmente ele organizava.

:::::

No ano anterior tinha ido com a família à Festa do Cavalo em Gerês de La Frontera de Espanha, uma cidade situada bem perto da Cidade costeira de Cádis na Andaluzia. Porque gostamos do passeio, falou-se em casa que seria bom voltar a rever aquelas figuras de gitanos com adornos e prendas, suas cavalgadas em carroças enfeitadas a caminho de “El Rocio” e la virgem del Carmo, sua Santa protectora mui querida.

ÁFRICA4.jpgBem! Chegado à retrosaria do Mogno em Armação e depois dos cumprimentos, respondeu-me que naquele ano de 2005 o grupo de romeiros de “El Rocio” os Tugas, iam para o Brasil. Bem! Foi-me pormenorizada de como seriam esses quinze dias em Maceió, falou das praias e edecéteras; conseguiu assim despegar as tentações do subconsciente com coqueiros a abanar no vento fresco do pensamento.

:::::

Acabei por me inscrever; que lhe daria a confirmação depois de conversar com a Ibib, minha parceira de tentações tropicais. E, foi assim que troquei o El Rocio de Gerês, festa “del cavallo” pelo Nordeste Brasileiro. Logologo minha mulher disse: Pois, é quase ali ao pé, mesmomesmo, quasequase a mesma coisa! Ibib já habituada aos meus entretantos disse: que remédio! E lá fomos nós no tempo aprazado para a terra dos papagaios.

:::::

Isto para verem como desacontecem as coisas dum plano, vida esfarrapada de pequenos hífens pregados a nós como um destino. Que se lixe, e lá vamos, e lá fomos; a vida são três dias e temos de gozá-la enquanto se pode! Para além do mais sou cidadão do mundo e não me vou pregar na cruz dum qualquer país feito Cristo, mesmo que esse país se chame M´Puto. Já que me trambicaram uma vez, traíram e venderam a preço zero, mais vezes virão e, aos poucos, suavemente roerão minha própria cruz.

carmen1.jpg Os pequenos mas, acontecem assim quase inadvertidamente predestinando nossos amanhãs, com políticos desclassificados fazendo-nos escravos de leis fabricadas ao seu propósito. Vamos tocar isto para a frente, o que tiver de acontecer, vai suceder e novas perspectivas surgirão, novas gentes, novas entidades, novos desafios. E fomos; e ficamos…

:::::

E, porque parar é morrer damos impulsão á nossa vontade na peugada da estória do Lampião, das várias sagas, do assucar, do cacau, do sisal, do café, do leite de coalho e das sobrevivência construídas de pau de arara, a pique e tabique ou taipas de criar escaravelhos. E, assim de romeiros de “El Rocio” de Andaluzia, espanhola, entre gitanos, viramos romeiros ao padre Cícero do Juazeiro do Norte do Ceará feitos matutos.

:::::

Transpirando vírgulas no meu texto de vida feita de malambas, de palavras, revejo-me aventureiro indo de balsa até às piscinas naturais da Pajuçara, mar verde-esmeralda. Entre coqueiros posso ver da minha varanda as muitas velas triangulares com seu garrido colorido entre a língua branca das ondas batendo nos recifes, nos corais bonitos da baia com muita mais do que os sete coqueiros da praia cor esmeralda.

arte1.jpg Estes acasos não são exclusivamente meus; D. João VI fez do Brasil a sede de um Império empurrado por Napoleão, mantendo-o unido; dando títulos aos senhores do dinheiro a troco de grandes somas para formar o banco do Brasil; Por acaso os nobres, Condes, Visconde, Duques e Marqueses passeavam suas vaidades no peito mostrando suas medalhas. Também eles viviam uma fantasia com futilidades e muito devaneio à margem do povo, dos escravos e ricaços que engordavam riquezas vendendo gente como peças. Quem não tinha título mas algum dinheiro tornou-se Coronel, Major e lguns outros ficaram doutores…

:::::

E quis a estória que de infortúnios se fizesse moda e arte! Durante a viagem de Portugal até o Brasil os piolhos tomaram conta das cabeças das damas; a tal ponto que tiveram de as rapar! Verdade! Desceram primeiro em São Salvador com turbantes ornamentais em suas cabeças sem algum cabelo. As mulheres baianas acharam estranha aquela moda e adoptaram-na logo pois que vinha da europa civilizada. E, foi assim que surgiram os turbantes enfeitados como o da mais recente Carmem Miranda com frutas tropicais. Como digo a estória de todos nós é feita de acasos. Naquele tempo ainda não havia o conhecido “kitoco” o tal de mata piolhos. Assim teria de ser! E, assim o foi!

carn1.jpg A vida é feita mesmo de pequenos nadas, de serras paradas à espera de movimento. Coqueiros ondulando com o vento, o mesmo que trouxe as caravelas. O vento de à bolina, mais tarde as naves feitas aviões, que vão e vêm unindo traços e culturas; falas e linguajares com sotaques variados. Agora, em terras de Vera Crus estão-me surgindo papagaios, esticando-me os ossos, as dores, muxoxos de minhas atribuladas vontades. Um dia, isto vai ter de parar…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:31
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 1 de Abril de 2017
MALAMBAS . CLXVIII

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 01.04.2017 - Amai-vos uns aos outros, mas só se for pra valer…

MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

O homem produz cultura tal como a abelha produz mel mas, enquanto a abelha tem defesa aos anticorpos, doenças e vírus pelo seu eficiente própolis, o homem fica subserviente à boa sorte tomando antibióticos que decerto lhe farão mal a outro qualquer órgão que não aquele visado. O homem fica assim sujeito à análise, à crítica e ao comentário que nem sempre é do inteiro agrado do progenitor da ideia ou do conceito; estamos falando de cultura, entenda-se! Surgem assim os pontos de vista que sendo muitos e 

propolis1.jpg Uns temas surgirão absurdos para alguns, enquanto outros o acharão interessantes. Hoje após me ter levantado, bebi minha dose habitual de cloreto de magnésio  chá de canela de velho e, porque ando com uma fissura no lábio, deitei directamente no lábio e língua umas quantas gotas de própolis de Alagoas. Uma das gotas caiu na bacia de louça branca, cerâmica polida; tentei limpá-la com simples água e nada de nada!  

:::::

Esfreguei com insistência e só quando usei álcool etílico é que a mancha vermelha saiu embora a custo. Foi a partir daqui que rebusquei nos meus alfarrábicos rascunhos e recursos de conhecimento especial me inteirei a fundo do valor deste eficaz antibiótico. O própolis vermelho é um extracto produzido a partir de uma seiva encontrada no rabo-de-bugio, uma vegetação dos manguezais do estado alagoano do Brasil. Este ouro rubro, como é conhecido por muitos pesquisadores, atrai a atenção da comunidade científica de diversas partes do mundo.

:::::

O registro do própolis vermelho confirma que o produto possui propriedades diferentes dos outros doze tipos de própolis já catalogados no Brasil. A saliva das abelhas, transforma a seiva encontrada nos mangues numa espécie de "cimento", utilizada para revestir a colmeia. Rica em vários compostos, o própolis vermelho tem surpreendido pelas propriedades activas em acções antibacterianas, antifúngicas, antivirais, anti-inflamatórias, além de alto poder cicatrizante e acção antioxidante, actuando na prevenção do envelhecimento precoce.

propolis2.jpg A seiva do própolis vermelho, vem demonstrando resultados positivos no controle de diabetes, hipertensão, câncer e HIV. Em relação ao diabetes, a própolis regula o controlo da glicose no sangue. Na hipertensão, atua como vasodilatador (aumenta os vasos sanguíneos), melhorando o fluxo do sangue; tem servido como complemento no tratamento do câncer, porque ajuda a eliminar os radicais livres, que estão ligados aos processos degenerativos do organismo.

:::::

Nas pesquisas de HIV, a seiva tem impedido que o vírus se reproduza nas células, diminuindo os sintomas da síndrome. Outra qualidade do própolis vermelho: a seiva é um poderoso conservante natural de alimentos. Pois então!  A partir de agora vou misturar no café ou no cloreto de magnésio 10 gotas para me livrar desta porcaria dos comprimidos da tensão que me tiram do sério com luto antecipado e sem pressão no Nero, meu imperador de nervo teso. Daqui para a frente vou ser o meu próprio médico como a abelha o é de si mesma!

propolis3.jpg Minha imunidade aumentou consideravelmente! Pode ser coincidência, mas desde que comecei a usar, não tive mais nenhum resfriado, virose, ou amigdalite, essas malezas que sempre aparecem com o tempo. Andei aí uns dias a espirrar àtoa, axim, axim, axim com  mais treze cópias e ranho moncoso mas, com o própolis foi trigo limpo!  Mas o melhor mesmo é que já dou cambalhotas no espaço de minha cama e, até já ato os sapatos na maior ligeireza do acto. Ando assim a reconciliar-me com as simples coisas da natureza numa relação de vida química com os outros vários seres cuidando minhas anatomias desmilinguidas.

:::::

Isto porque para falarmos do futuro, mesmo sendo um futuro que já nos sentimos a percorrer, o que dele dissermos, sempre será um produto de síntese pessoal embebido de imaginação. A abelha já tem o seu curso de vida; nós, pessoas, também o temos mas, enquanto nos confundimos entre o “ser ou não ser eis a questão”; elas as abelhas só fornecem à humanidade os mecanismos de reacções químicas. Bom! Elas, as abelhas, em verdade não têm cordões de sapatos para atar! E, quando elas se forem, nós também iremos!

propolis4.jpg Andamos nós a analisar feromonas, previsões e metodologias obtendo respostas que mesmo sendo subjectivas farão parte dos ensinamentos, nem sempre sendo os mais perfeitos ou correctos. E, surgirão teorias, reacções de transferências de electrões, dos protões e coisas do domínio da reactividade química. Sempre haverá ocasiões em que os cientistas, analistas ou inventores terão a boa sorte de deparar com problemas cujo significado e solução têm um alcance muito superior ao que inicialmente supunham. Pena é que descuidem a natureza recorrendo a laboratórios que nos entopem as veias, inventando necessidades fúteis.  

:::::

É aqui que me deparo com uma nova teoria, de que nenhum matemático ainda falou porque desprezam esse factor que vem do Deus da natureza. Juntarei de modo próprio à “teoria da incerteza”, à “teoria do medo”, à “teoria da sorte”, uma outra: a “teoria da simplicidade” ou porque não “ a “teoria da descomplicação”.   

propolis6.jpg Tudo terá um equilíbrio dinâmico por influências mútuas, ora positivas, ora negativas e, que irão desde o conhecimento científico passar ao psicológico, e só então de inventação como coisa possível e, por último ao reconhecimento social. Ando a tentar definir-me como idiota e, sabem que mais, gozo muito com isto! Como a terra antes que ela me coma! Quanto ás abelhas, o certo é de que quando elas se extinguirem, esta humanidade a que pertencemos, acabará também.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:57
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017
PARACUCA . XXIII

TEMPOS DORMIDOS - Entre o entender e o poder do crer, no estágio imaturo do raciocínio… Coisas no discurso indefinido da fábrica de Letras in Kizomba com estórias da vida …

Por

soba15.jpg T´Chingange

No quase fim de ano de 2016 rapidamente cheguei ao posfácio dos singelos poemas de Emanoel Fay. E, passando pelas mensagens as correcções, os elogios, as ornamentadas homenagens com prémios e comendas e, sempre em letras volumétricas, perfumei-me nas simples palavras de tocar sinos em dias de Nossa Senhora da Aparecida, uma santa que três pescadores acharam numa das muitas lagoas da costa brasileira.

peter0.jpg Escultura de pau escuro, quem sabe saída do tal naufrágio em que os índios comeram o primeiríssimo bispo do Brasil de nome Sardinha. Também com este nome não se poderia esperar um fim mais apropriado e digno. Dom Pedro Fernandes Sardinha, ou Pero Sardinha, nascido em Évora em 1496 e papado pelos Caetés de Alagoas, Coruripe do Brasil no ano de 1556.

sardinha0.jpg Essa vila de Coruripe ainda hoje paga um laudémio à Santa Igreja por tamanho forró descabido em que gente desnuda, musculosa e de tez parda que assou mais de oitenta náufragos. Ao lugar chamam agora de Feliz Deserto. Como pode ter acontecido estas coisas numa terra tão linda e pacífica aonde os biquínis deram lugar ao fio tapador de bunda.

:::::

Voltando aos três pescadores, como nesse dia o peixe foi avondo, a crença milagrou o acontecido. Creio que meu avô Loureiro estava por perto e, porque misteriosamente, encontro na sala da casa de um primo meu, no lugar de Barbeita da Beira Alta, perto de Viseu, uma imagem dessa Senhora. Coisa inaudita porque ali no M´Puto não há nenhuma Nossa Senhora preta.

amilcar 3.jpg Só podia mesmo ter sido do Senhor Manuel Loureiro, meu avô que depois de deixar duas filhas em sítio incerto, rumou de novo para Portugal, tísico chupado das mulatas, como se dizia nesse então. Em Barbeita há sim a Nossa Senhora do Parto muito carregada de oiros nos dias de festa. No quinze de Agosto saem com Ela a dar um passeio pela urbe meia medieval e é bonito de ver as bandeiras estandartes. Homens de batina branca esvoaçando ternuras alinhada entre muros graníticos de pedra solta, musgosas.

:::::

Homens da hermandade de Santo António da qual eu pertenço desde que nasci. Sou sim, membro desde que dei o primeiríssimo berro balouçado em um barco com o nome de Niassa em águas territoriais de N´Gola. Bom! Voltando ao livro e da frente para trás chego às miniografias, letra grande e esparsa com referência eméritas à terra dos Marechais aonde se fala de seus pecados enaltecendo as almas.

bruno17.jpg Muitas almas, que agora andarão penadas com suas grandes espadas enfiadas em coiros e mistérios de palavras doces como sempre convém constar em prosas versejadas e versos singelos dedicados àquela Nossa Senhora duma vasta eucaristia de muitas Marias na terra. Coisas de dedicação mariana de quem sabe as paradas de todos os calvários. 

paracuca1.jpg Com egos engravidados solo suspiros de sonhos na forma de louros de oliveira, solto pétalas e folhas acerosas de chá caxinde, capim-santo ou cidreira chegando ao prefácio. Aqui, mergulho todinho na água benta, água da vida presenteando difusas carícias, como brisas esbarrando nos ventos e também questiúnculas de métrica e rima.

:::::

Da singeleza de tudo assim fiquei ungido de sem regras no linguajar e formas nova, revolucionárias talvez e desprovidas de regras. Nesta vanguarda estética dizer que desgostei, não faz parte do meu Adeus porque gosto das pessoas e seu lado bom em detrimento do outro lado que não serve nem ao próprio nem a ninguém.

pa3.jpg

*Paracuca: - 500 gr de ginguba sem ser torrada, 250 gr de açúcar (ou mais), 2 chávenas de água - Preparação: Juntar todos os ingredientes numa vasilha e levar a lume brando. Vá mexendo, sempre, até a mistura ficar solta. Deite num tabuleiro (agitando para ficar solta) para arrefecer.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2017
NIASSALÂNDIA . V

MULOLAS DO TEMPO – 07.02.2017- Saboreando nosso chá das seis ou talvez sete, nos pós meridiano, já no cair da noite cálida de Maceió…

Niassalândia é o meu país.

Por

soba15.jpgT´Chingange - Nasceu em alto mar num barco chamado Niassa. Assim conta a minha lenda por preterir ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada ao vento para encobrir coisas desacontecidas…

Fiz amizade com Emanoel Fay, um juiz poeta da praça e, lendo suas quadras simples reduzi sua poesia a falas de singeleza, assim de forma emérita; um título honorífico concedido a pessoas que se destacaram em actividades académicas, religiosas ou judiciais e, após deixarem de exercer essas actividades como consta de seu cartão quase curriculum de seu poder judiciário; uma actividade já passada e, em cujas frinchas da vida, folgava seus devaneios e sonhos empilhando rimas de bem-querer.

sardinha0.jpg E, aqui no lugar do encontro há uma quadra de Fay, bem por cima e na coluna aonde agora saboreamos nosso chá das seis ou talvez sete, nos pós meridiano, quase no cair da noite cálida de Maceió. O cartão tem envolto em duas palmas de oliveira, iguais e reviradas contendo ao centro a silhueta de uma mulher toda tapada e de véu, ao jeito de venda no rosto segurando uma espada de longa lâmina na mão direita e sustendo uma balança em sua esquerda; esta balança tem os dois pratos equilibradamente nivelados, digamos, bem horizontais.

:::::

A venda da silhueta significa tanto quanto sei de que a justiça é cega, muda e surda, coisas pensadas para tapear coitados que nada entendem das negociatas de coisas feitas de palavras hermafroditas, de palavras canibais que comem outras, pois assim um palavrório libatório com itens esdrúxulos no reconhecimento da industria da assinatura. Ressalvas e omissões a evitar contrições, verbos e adjectivos na proporção acertada da minúcia e, na dose certa de fazer valer superar o causo ao descaso.

FAY1.jpg Estes meus desaforos em nada têm a ver com o professor universitário Emanoel Fay, juiz de direito emérito que acabei de conhecer no centro comercial na companhia de seu filho e um já conhecido amigo meu que de longa data brincamos a vida dizendo tonteiras, também este ex-funcionário do poder judiciário, amigo e, com um nome nobre, Sérvio Túlio. Os nomes destes amigos demonstram bem o seu patamar social assim bem diferenciado do António e o Manuel ou Joaquim tão desabonados em contos e anedotas.

:::::

Emanuel Fay e Sérvio Túlio dissertando sobre as verdades e virtudes da prática da talassoterapia. Eu, um plebeu a falar com nobres patrícios, poliglotas na arte de ginasticar a longevidade com sã convivência e status na preservação do ar, ginasticando a mente e o espírito entre vaidades remotas e futilidades, conversas de enaltecer vampiros montados em cavalos brancos e com asas rebrilhantes.

:::::

Não! Dessa feita falei das virtudes de se praticar o banho em cálidas águas, ginasticando os músculos e a mente, descrevendo no pensamento a próxima estória, próxima farpa. Falei das virtudes de ver nascer o sol dentro de água salgada, soro do mundo a recordar nosso primeiro exercício em ventre materno, no recolher de raios benéficos e também o ozono, a vitamina D, o iodo e o acto de ser lambido bem cedo, chave de abertura de um novo dia em tempos de mais- valias.

FAY2.jpg Bom! Do lado oposto do cartão do Juiz Fay tem uma dedicatória dedicada a seu pai em letras enaltecedoramente grandes: “ama teu pai com gratidão enquanto com ele estás, depois de Deus, é o amigo com quem sempre terás de contar!!!”. A seguir aos três pontos de afirmação vem a assinatura legível: Emanoel Fay Mata. A marginar todo o rectângulo, trinta e seis pequenas bandeiras do Brasil dando seu tom de verde e amarelo assim como se fosse um caixilho. Algo transcendente e patriótico diga-se em verdade.

:::::

Comecei falando de um cartão de visitas de um recente amigo, eu, um Niassalês aposentado, apresentado por um outro já mais amigo e, nas anotações escritas por gatafunhos ao correr dos raios matinais da praia mas, mudei de folha. Tinha uma seta com a indicação K (de kapa) mas, busquei, vasculhei e não encontrei. Deve ter ido para Roma com um dos muitos amigos que sempre me sopram as orelhas, irmãos da Akasha, os substratos espirituais de um éter antigo, quinto elemento cósmico da quinta ponta do pentagrama.

tonito2.jpeg Todos os dias há um mistério em nossos agoras, nosso céu rasteirinho com coqueiros a farfalhar nossas vivências. Deste modo, tenho de terminar com o ensejo de agraciar a estes dois amigos dizendo em jeito de romano virtuoso e sapiente até às profundas raízes de nenhures: Vitorioso não é aquele que vence mas o que se vence a si próprio, aceitando-se do jeito que se é ou que se propôs, porque a vida para muitos mais biliões, não é um verdadeiro canto de eterna beleza como a de nós os três. Façam o favor de ser felizes.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:16
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 10 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLX

CINZAS DO TEMPO – 10.01.2017 – Quando tudo nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza, sarando as feridas da mente …

MALAMBA: É a palavra.

Por

soba15.jpg T´Chingange

Fugindo daqui e dali vejo-me em aflições só minhas, porque o passado reconheceu-me na palidez enrugada da velhice e, desperta-me agora para as verdades superiores. Duas e meia da manha e eu levanto-me com uma tosse de cão revivendo as debilidades que somos em função dos ácaros, dos parasitas, das bactérias aéreas e adjacentes que no trazem rouquidão indesejada. Da varanda olho as nuvens que correm baixo bem por cima dos arranha-céus e, não vejo nenhum anjo vindo do além neste agora, a quem possa fazer uma prece para fazer sair os desassossegosos espirros de mim.

knorr1.jpg Com palavrões dentro da cabeça, tentei reconstruir minha já antiga convicção de que não é com vinagre que se apanham moscas; com os nomes esvoaçando, fui buscar as novidades fracturadas com figas e juras por sangue de Cristo, personagem a quem inevitavelmente se recorre quando nos sentimos débeis ou oprimidos.

:::::

Por vezes falo com Ele como se fosse meu companheiro de escola e, desta vez pedi-lhe que acabasse com este meu desconforto de mijar raiva de mim aos poucochinhos na forma de espirros, baba de sinusite lançando meus bacilos para o espaço, minhas bactérias e ranhosidades inconvenientes. Eu sei que é coisa pouca mas, tenho de ter condições para espalhar alegrias ao meu redor e, não ficar remoendo nas alergias da vida.

amolador 1.jpg Na última sexta-feira aconteceu ir a um lugar chamado de Barra Nova na Ilha de Santa Rita com um casal amigo de já algum tempo. Foi um encontro de amigos que têm vivências espíritas e que no intuito de criarem ali um Centro aonde possam reviver suas experiencias se juntam fazendo suas preces no campo espiritual e, assim associados, desenvolvem temas ouvindo-se uns aos outros promovendo ajudas à colectividade.

:::::

Não vos pareça estranho esta minha presença neste núcleo de amigos porque do que vi e ouvi, não retirei venenos de lisonja nem desnorteadas criticas a outras fés como é comum observar nas demais, nem senti haver galanteios vazios de valor. Ouvi diálogos com elogios, alertas de necessidades com um apelo constante no uso da palavra por forma a afastar as vibrações nocivas de nossa vida.

zumbi3.jpg A partir dum sim ou de um não desenvolveram-se temas transcendentes de como os últimos serão os primeiros, e ouve passagens de descrição que me tocaram mormente as falas de Júnior ao descrever sua participação em uma campanha chamada de “campanha do Kilo” e, na cidade de Maceió. E, porque me parece relevante, passo de forma sucinta a transcrever. No bairro escolhido, creio que no da Jatiúca, Júnior abordou um senhor que tudo indicava ser de posses, o carro em que se fazia transportar era de ultima ponta tecnológica e eis que abordado e ficando Júnior de mão estendida, aquele dito senhor com desprezo, cospe nela.

::::

Júnior tinha todos os motivos para se indignar mas, esfregando sua mão nas calças estendeu a outra dizendo: - Senhor, esta sua oferta foi para mim, dê-me agora a ajuda para minhas crianças carecidas! Este desprezo e mau carácter foi observado por um outro senhor mais velho, humildemente vestido, denotando-se nele carências alargadas.

 

mutopa5.jpg O velho senhor de barbas grisalhas aproximou-se de Júnior e deu a saber-lhe que sim, conhecia a obra do Centro que ele referiu e que era um trabalho que ele admirava. Que tinha uma escassa reforma, dava guarida a um filho desempregado e vivia como podia na graça do senhor. Júnior a convite do velho, entrou na modesta casa. Este, foi-lhe mostrada as condições de carência sem nunca a referir e, entretanto abriu o armário da cozinha. Nele havia um pacote de caldo Knorr e uma caixa de fósforos.

:::::

Se isto lhe for útil pode levar! Júlio não teve coragem de recusar aquele tão pouco mas tanto de quem quase nada tinha. O velho acrescentou: Os fósforos dão para acender o fogão e o caldo para uma sopinha, leve, disse ele! Júnior em função do que viu convidou o senhor a passar lá pelo Centro a fim de comer uma sopa saída deste caldo e outras dádivas.

socie5.jpg Foi marcante esta descrição para mim que tanto deliro nos folguedos da vida fácil em comparação com aquele velho senhor que tudo deu. E, seu tudo - era quase nada, mas era! Cada um recebe de acordo com o que dá! Isto pode ser vivenciado por mim ao longo da vida. E há um dia em que somos tocados por uma vírgula desprendida dum qualquer texto colocada no lugar certo; foi este o meu caso.

:::::

Como dizia no inicio desta breve cónica, vejo-me em aflições só minhas, porque o passado reconheceu-me na palidez. Estou ainda a tempo de realizar um novo começo, despertar-me voluntariamente para as verdades superiores de num agora, ajudar o próximo como a si mesmo! “O próprio céu tem horário para as trevas e para a luz” disse Júnior em tom de reflexão. Cada um precisa caminhar com seus próprios pés para aprender a viver. Assim, sem prever o sucedido e, neste agora, aprendi a conhecer-me melhor! E afinal, sempre haverá um dia mais especial que qualquer outro … e, aquele foi-o!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:51
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 25 de Dezembro de 2016
MONANGAMBA . XLIII

NO DIA DE NATAL . 25.12.2016 - Monangamba é nome africano, nome de vendedor de trabalho avulso…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Monangamba é nome africano, nome de vendedor de trabalho avulso, que pega e despega, pago à hora de carrega e descarrega as coisas de um patrão que só o é pelo necessário tempo de levar ou trazer a tralha, o lixo, os cacarecos ou ainda, aqueles que sempre o fazem às ordens do município, gente desclassificada sem eira nem beira, a quem os candengues em outro tempo gritavam de Monangambé!

lobo1.jpg Eles, os monangambas da Luua destratavam nossas mães chamando-nos de sundiamenos, filhos da puta, e também de sungadibengos de merda; faziam-no com raiva como fazem os cães que ladrando assim uns com outros, firmam suas desavenças, cada qual formulando supurações fétidas. Ares de superioridade lembrando escravas conveniências, e escrúpulos sociais disfarçados de empertigadas invejas. Era só um tempo chamado de passado.

:::::

Agora que sou kota, fico rindo muito mole na minha honestidade preguiçosa das coisas que me alegravam nesse tempo de kandengue, resmungados agora  nos entorpecimentos massajados com essência de terebentina como fungicida entre as camadas de caspa e peles mortas nas virtudes.

MONA2.jpg Com essência de canfora, retiro o sarro de ideias naftálicas ginasticando-me nas águas quentes brasileiras a norte e a sul dos bueiros crioulos que largam seus pecúlios a céu aberto sem arbítrio dos activos ou passivos. Assim mesmo com política de vinte mil reis burlados nas formalidades curadas no imenso depósito de cloreto de sódio, o soro do Mundo.

:::::

Sentado junto ao mar fico ouvindo aquela música feita de gemidos do mar na forma de ondas. Hoje, dia de Natal do ano de dois mil e dezasseis entorpecido na embriaguez do vento morno, deixo-me embalar no espanto, vendo gente graciosa e alguns poucos restos de esqueletos cobertos por um pele seca a devorar-se sem tréguas do tempo.

magao01.jpg Um rumor quente do dia de festa vai-se formando o longo da língua de areia morena da praia da Pajuçara. Gente que andou no regabofe passa na faixa da maré-baixa, uns vestidos, outros descalços e outras morenas com seus vestidos de cambraia plissados a ferro e acompanhadas de velhos rufias entumecidos de cachaça.

:::::

Corpos lustrosos de suor, rindo forte com a camisa a espigar-se-lhes pela braguilha meia aberta.

:::::

Ontem queria ver a missa do galo com o Papa Francisco mas, repimpado como estava, não deu para manter o olho aberto mais para além das dez e trinta. A itaipava geladinha a acompanhar, primeiro com o camarão à Jucedi, depois o bacalhau com broa da Filomena e por último o peru da dona Emília, fizeram com que o bocejo forçasse o quartilho certo de sono a deitar-se.

MONA3.jpg Assim foi e, já estirado na cama gulosa pude ouvir o tilintar de talheres e copos. Ontem, dia de Natal foi dia de comer e beber à fartazana, ficar de boca cheia com beiços envernizados de molhos gordos. Não tive pança para tocar nos bolos, nas tortas e tarte mais o pudim. Não há mesmo como viver um dia de cada vez, assim cada um senhor e dono do que é seu!

:::::

Apreciar os pés sem meias, metidos nuns chinelos polidos do uso e respirando as falas de manjericão, as graças de brasileiros perfiladas num gancho de espetadas com cheiros de baunilha e outras plantas aromáticas – Eu quero que você me dê um feitiço para prender meu homem! Foi o que consegui ouvir das conversas do lado em plena praia. Estava na hora certa de regressar.

:::::

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:43
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 10 de Dezembro de 2016
MUXOXO . XLIII

TEMPO COM CINSAS – 10.12.2016  

-Quando os heróis ficam bronze - Faço recursos à imaginação, combatendo o tédio das horas que sempre sobram…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Eram cinco horas e cinco minutos da madrugada, já dia aberto, quando me destinei a caminhar na direcção da feirinha, uns bons 40 minutos andando normalmente e, a partir do Bairro Antares. Levei a mochila para no caso de trazer algo de que gostasse e passei pelo canto da Mena, um boteco situado em uma rua de pouco movimento e que dá num grande largo com um campo de futebol pelado. A esta hora a farra já estava nos finalmentes mas ainda havia umas m´boas cusudas fazendo olhos de pôr de sol aos seus pardos companheiros que entrelaçavam palavras com a cachaça pitu ou cerveja skol.

:::::

As caixas de música tocavam baixo dando som ao grande chapéu de lona quadrado e com suas quatro prumadas em tubo galvanizado ocupando de lado a lado de toda a rua. Qualquer motivo é bom para fazer forró, gingar o pandeiro e fazer gatafunhas à preguiça da luz ténue da noite com umas quantas fluorescentes coloridas dando compostura ao cenário.

abac1.jpg Pode ter sido uma festa de aniversário como a de uma qualquer colectividade festejando um evento de sexta-feira que muito provavelmente já vinha de quinta-feira de Nossa Senhora da Conceição com ponte durável até domingo à noite. Interroguei-me se aqueles aparatos teriam a permissão da autarquia e polícia, mas tive de desculpar a minha curiosidade porque em verdade, até tinha um mukifo monobloco de WC assim como os das obras destinado às damas.

:::::

Do outro lado uma caixa feita de tábuas, uma tranca aramada a fazer de trinco, tábuas enquadradas ao calhas espetadas para o ar formando umas ameias inestéticas e pintadas ou caiadas no jeito tosco de quem tem pressa de acabar.  Descrevo ao pormenor para se darem conta que as vontades foram muitas para fazer funcionar o quebra-quebra do xanxado, musiquinha sertaneja de fazer saltitar o gogó da Mena e, no farfalho da vontade do lusco-fusco da meiguice.

mux1.jpgMais além os urubus saltitavam disputando sacos de lixo ali amontoados. Já não se distinguia bem qual o monte a ser levado pelo carro da prefeitura dos demais por ali espalhados, coloridos e entalados no capim parecido com as folhas de caxinde e, destacando-se uns tufos de mamona ou rícino regados com águas escuras que ali desaguavam saídos de descuidados tubos lá mais junto ao lancil, no meio do capim ensarilhado de restos fedorentos. Cumcamano!

::::

Chegado à feirinha de rua, pude ver em uma banca com peixe, umas grandes cavalas pelo que, mandei preparar uma delas e já com o saco bem atado na mochila parei mais á frente para comprar doze bananas pacova de grande porte que me custaram três reais e também dois quilos de feijão de corda mais maxixe, jiló e quiabos.

ramos3.jpg De regresso ao lar da Margarida cativo-me depois do banho no meu cantinho do céu rodeado de samambaias; troco ideias com meus obstinados e silenciosos abismos na perspectiva de dali extrair ausentes sentimentos. Ouço a canção evangélica do Eliseu do dia de seu descanso dando graças a Deus e, entre grossas curiosidades sufoquei o meu espírito num mistério, despojo de intuídas ideias preconcebidas no dito de que “só vemos o que queremos ver”.

:::::

No intuito de mostrar o que ninguém viu antes, comecei a averiguar obsessivamente os segredos de muita gente inteligente que não rouba por vício ou por necessidade mas pelo mau hábito de querer ser rico, dono da vaidade deles e senhores das alheias. E este Brasil esta muito cheio de gente governamental que sempre quer levar a melhor, ficar no beneficio sem quere perder as regalias que a eles próprios atribuíram.

maga2.jpg Cosendo disfarces, ensaio previsíveis alegorias sobre os vícios e infortúnios do passado construindo castelos do meu envenenado orgulho, erigindo uma muralha à volta de estabelecidos conceitos tidos como certos. E, fico na dúvida entre o ser agnóstico ou driblar-me em golpes de liberdade de católico não praticante, uma coisa que nada é. Humilhando-me deliberadamente, faço recursos à imaginação, combatendo o tédio das horas que sempre sobram. Cumcamano!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:23
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016
MOKANDA DO BRASIL . VI

 DO BRASIL POLÍTICO - UMA RESENHA - 24.11.2016

Gentileza: O Estadão.

lula01.jpg "O impeachment da presidente Dilma Rousseff será visto como o ponto final de um período iniciado com a chegada ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, em que a consciência crítica da Nação ficou anestesiada. A partir de agora, será preciso entender como foi possível que tantos se tenham deixado enganar por um político que jamais se preocupou senão consigo mesmo, com sua imagem e com seu projecto de poder.

:::::

Por um demagogo que explorou de forma inescrupulosa a imensa pobreza nacional para se colocar moralmente acima das instituições republicanas; por um líder cuja aversão à democracia implodiu seu próprio partido, transformando-o em sinónimo de corrupção e de inépcia. De alguém, enfim, cuja arrogância chegou a ponto de humilhar os brasileiros honestos, elegendo o que ele mesmo chamava de “postes” - nulidades políticas e administrativas que ele alçava aos mais altos cargos electivos apenas para demonstrar o tamanho, e a estupidez, de seu carisma.

lul1.jpg Muito antes de Dilma ser apeada da Presidência já estava claro o mal que o lulopetismo causou ao País. Com excepção dos que ou perderam a capacidade de pensar ou tinham alguma boquinha estatal, os cidadãos reservaram ao PT e a Lula o mais profundo desprezo e indignação. Mas o fato é que a maioria dos brasileiros passou uma década a acreditar nas lorotas que o ex-metalúrgico contou para os eleitores daqui. Fomos acompanhados por incautos no exterior.

:::::

Raros foram os que se deram conta de seus planos para sequestrar a democracia e desmoralizar o debate político, bem ao estilo do gangsterismo sindical que ele tão bem representa. Lula construiu meticulosamente a fraude segundo a qual seu partido tinha vindo à luz para moralizar os costumes políticos e liderar uma revolução social contra a miséria no País.

lula02.jpg Quando o ex-retirante nordestino chegou ao poder, criou-se uma atmosfera de optimismo no País. Lá estava um autêntico representante da classe trabalhadora, um político capaz de falar e entender a linguagem popular e, portanto, de interpretar as verdadeiras aspirações da gente simples. Lula alimentava a fábula de que era a encarnação do próprio povo, e sua vontade seria a vontade das massas. O mundo estendeu um tapete vermelho para Lula. Era o homem que garantia ter encontrado a fórmula mágica para acabar com a fome no Brasil e, por que não?, no mundo: bastava, como ele mesmo dizia, ter “vontade política”. Simples assim!

:::::

Nem o fracasso de seu programa Fome Zero nem as óbvias limitações do Bolsa Família arranharam o mito. Em cada viagem ao exterior, o chefão petista foi recebido como grande líder do mundo emergente, mesmo que seus grandiosos projectos fossem apenas expressão de megalomania, mesmo que os sintomas da corrupção endémica de seu governo já estivessem suficientemente claros, mesmo diante da retórica debochada que menosprezava qualquer manifestação de oposição. Embalados pela onda de simpatia internacional, seus acólitos chegaram a lançar seu nome para o Nobel da Paz e para a Secretário-geral da ONU.

dilma4.jpg Nunca antes na história do Brasil um charlatão foi tão longe. Quando tinha influência real e podia liderar a tão desejada mudança de paradigma na política e na administração pública, preferiu os truques populistas. Enquanto isso, seus comparsas tentavam reduzir o Congresso a um mero puxadinho do gabinete presidencial, por meio da cooptação de parlamentares, convidados a participar do assalto aos cofres de estatais. A intenção era óbvia: deixar o caminho livre para a perpetuação do PT no poder.

:::::

O processo de destruição da democracia foi interrompido por um erro de Lula: julgando-se um “kingmaker”, escolheu a desconhecida Dilma Rousseff para suceder-lhe na Presidência e aquecer o lugar para sua volta triunfal quatro anos depois. Pois Dilma não apenas contrariou seu criador, ao insistir em concorrer à reeleição, como o enterrou de vez, ao provar-se a maior incompetente que já passou pelo Palácio do Planalto.

lula03.jpg Assim, embora a história já tenha reservado a Dilma um lugar de destaque por ser a responsável pela mais profunda crise económica que este país já enfrentou, será justo lembrar dela no futuro porque, com seu fracasso retumbante, ajudou a desmascarar Lula e o PT. Eis seu grande legado, pelo qual todo brasileiro de bem será eternamente grato."

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:59
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 17 de Novembro de 2016
MALAMBAS . CLII

CINZAS DO TEMPO – 17.11.2016Teremos de compreender que para planear um futuro mais racional em sociedade, nem sempre podemos domesticar a natureza humana…

 MALAMBA: É a palavra.

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

sardinha01.jpg Numa democracia somos todos livres de acreditar naquilo que quisermos mas, a humanidade existe com um propósito ou um sentido social porque o cérebro humano evolui segundo um conjunto de regras que ao longo do tempo se estabelecem como uma aranha que tece uma teia e, com um propósito de apanhar qualquer insecto, mesmo que não se tendo consciência do resultado. Este sentido, implica um conceito e este, implica a existência de alguém ou algo que o conceba.

:::::

Em nossa singularidade, é nas linhas evolutivas desta sociabilidade que surgem indivíduos procurando parceiros de nível elevado na aptidão. Uma bitacaia entra no pé, uma mosca deixa larvas num poro dilatado ou uma unha cresce desmedidamente encortiçado com um fungo difícil de exterminar. E, estes seres humanos ou não, serão atacados com o firme propósito de se lhes reduzir a qualidade de vida. É numa sucessão de mistérios que a vida se torna em uma permanente aventura no sobreviver às investidas alheias, naturais ou acidentais.

demot1.jpg Trouxe comigo das terras Lusas um ácaro que me perturba arranhando-me os brônquios, a traqueia, o hiato talvez, que me provoca uma tosse chata e seca, aborrecida de persistente. Não sei o que é mas, Dalai Lama diria que o que tiver de acontecer acontecerá! Sei que é um grave erro tentarmo-nos livrar de todos os parasitas; que até será demasiado prejudicial para as nossas funções corporais.

::::

É provável que também tenha os microscópicos ácaros Demodex vivendo nos folículos de minhas sobrancelhas e muitas mais bactérias nos fluidos da zonas húmidas que não vou aqui enumerar mas que tenho, melhor, temos de conviver com estes medonhos ácaros e bichezas que vistas ao microscópio nos amedrontam! Todos temos estes parasitas que por vezes nos irritam as mucosas, que nos comem as peles envelhecidas, que nos retiram coisas sem nos matar.

demot3.jpg Demodex é um género de microscópicos ácaros parasitas que vivem em ou perto de folículos pilosos de mamíferos. Duas espécies que vivem nos humanos foram identificadas: Demodex folliculorum e Demodex brevis, ambos frequentemente referidos como ácaros dos cílios. A infestação por ácaros demodex é comum e geralmente não causa qualquer sintoma, embora ocasionalmente algumas doenças de pele possam ser causadas por eles.

:::::

Felizmente que temos estes predadores que nos comem sem nos consumir por inteiro. Eles e nós coabitamos numa interesseira parceria e que só fica agressiva quando há descontrolo e as bactérias hostis, eliminam as benignas. Até prova em contrário, todos os homens normais são ignóbeis e nobres, muitas vezes em rápidas alternâncias e outras vezes em simultâneo ou nunca mas, todos têm estes bicharocos.

demot2.jpg Sempre necessitaremos de compreender que para planear um futuro mais racional, em sociedade, não poderemos domesticar a natureza humana em pleno e, por isso, iremos sempre ter entre nós indivíduos hostis que tal como os ácaros ou bactérias atacarão sempre nossas debilidades do corpo ou exteriores ao mesmo, surgindo-nos como corruptos, ladrões, e políticos que sabiamente nos enganam nessa arte de forjar a verdade. Algo que com o tempo se tornou em uma arte: a do engodo…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:57
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 7 de Abril de 2016
MUXIMA . LXI

MULOLAS DO TEMPO - Embondeiros do Brasil - De Pajuçara até Ganga Zumba em Cruz das Almas de Maceió. Na volta da caminhada, parei no único embondeiro aqui existente…

Muxima e Ongweva são saudades

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

mucua3.JPG Caminhando na orla marítima de Maceió, chamada de calçadão e, a partir da Pajuçara de Maceió andei uns bons quatro quilómetros até chegar à Praça de Ganga Zumba ou Ganazumba para lá da Lagoa das Antas. Enquanto caminhava pude rever que em 1445, navegantes portugueses conduzidos por Gomes Pires chegaram à ilha de Gorée, no Senegal tendo descoberto o brasão do Infante D. Henrique gravado num baobá (imbondeiro).

mucua2.JPG Foi o cronista Gomes Eanes de Zurara que assim descreveu essa árvore: Muito grande, de aparência estranha com um cinturão que pode ir além de 108 palmos em seu pé (cerca de 25 metros) que medimos nesta. Seu tronco é composto de uma fibra forte usada para cordas e pano; queima da mesma maneira como linho. Sua fruta é lenhosa como a abóbora cujas sementes são do tamanho de avelãs; os indígenas, comem sua fruta quando ainda verde, secam as sementes e armazenam-na. Os baobás, embondeiros, imbondeiros ou calabaceiras (Adansonia) são um gênero de árvore com oito espécies; Adansonia digitata e a espécie africana que, também existe em Madagáscar.

mucua4.JPG No Ceará, Fortaleza, existem cinco exemplares; no embondeiro da praça do Passeio Público, foram em tempos fuzilados alguns revolucionários da Confederação do Equador. Em Alagoas existe um exemplar na Praça do Skate, em Maceió ficando muito perto do apartamento aonde me encontro. É uma árvore que chega a alcançar excepcionalmente 30m de altura, e até 7m de diâmetro do tronco (excepcionalmente 11m). Alguns embondeiros têm a fama de terem vários milhares de anos, mas como a sua madeira não produz anéis de crescimento, é impossível isso poder ser verificado.

mucua1.jpgembo1.jpg

Sobre Ganga Zumba ou Ganazumba, consta ter nascido em 1630, no Reino do Kongo em N´Gola, Ganga Zumba ou Ganazumba Filho da princesa Aqualtune que trabalhou na organização do primeiro Estado Negro nas Américas, em Zumbi dos Palmares de Alagoas. Foi o primeiro grande líder desse Quilombo ou sanzala ou Janga Angolana, na então Capitania de Pernambuco, Brasil. Foi reconhecido historicamente, como um bom diplomata, exímio guerreiro e também bom estratega nas lutas.

embo01.jpeg Reinou durante mais de quarenta anos, levando o Quilombo dos Palmares ao apogeu e ao reconhecimento como nação dos macacos pela Coroa Portuguesa. Demarcou espaços e lugares históricos na luta contra a escravidão. A história omite o facto de que seu sobrinho, o Zumbi dos palmares o ter morto em 1678, na sequência de uma traição de sanzala.

mucua6.jpg Seu sobrinho Zumbi, jovem dado à luta e seus seguidores foram de novo escravizados pelos portugueses. Ganazumba que estava quase a obter alforria para seus súbditos por entendimento diplomático foi assim e desta forma retirado do processo. A história por vezes contorna as verdades; hoje sabemos mais sobre estas nuances que como o azeite e com o tempo, vêm ao de cima.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:49
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 26 de Março de 2016
MAIANGA . XVI

BRASIL - Conversa fiada - O caldo de feijão, a coxinha de galinha e o ananás recheado de velho barreiro com muito frio…

Maianga é um bairro de Luanda, Angola da Luua, meu berço tropical.

Por

soba 01.jpgT´Chingange

paju1.jpg Aqui na praia da Pajuçara, sentado em minha cadeira cilhada na areia, vendo o mar verde, diviso um pouco longe o rebentar das ondas nos baixos recifes das chamadas “piscinas naturais”; são assim chamadas, porque quando desce a maré fica-se com o pé raso em plataformas de rochas esburacadas com muitos corais e fendas formando pequenas piscinas vendo-se a areia clara e fina dos fundos. Tudo muito transparente, os peixinhos coloridos beliscando-nos nos pés como que, roendo as peles envelhecidas. Os recifes aqui, vistos de cima, parecem pequenos buracos nas rochas como queijo suíço de cor castanha.

paju3.jpg Posso ver quase no horizonta ondas empinando-se num tom mais azul e logo a seguir uma linha branca de ondas rebentando-se em espuma ao longo da suave curvatura terrena. Quase de lado posso apreciar os peritos em futbolei que com arte e muito malabarismo fazem passar a bola ao terceiro toque para o outro lado da rede, aí com uns 2,20 metros de altura Os ginastas habilidosos, dois de cada lado, até parecem ser profissionais no assunto e, de espaço em seu tempo vão cantando a pontuação do jogo, diga-se bem interessante e empolgante.

paju6.jpg Ao terceiro toque feito de cabeça, tronco ou pé a bola é enviada para o outro lado da rede, quando se perde o ponto o pontapé muda para o outro lado do campo; a bola é batida com efeito do topo de um morro de areia feito no momento por modo a dificultar a recepção. A quadra é definida com um fio previamente dimensionado e, na forma de um rectângulo é ajustado com uns ferros, cantos enterrados na areia. Durante o encontro vão dizendo um chorrilho de asneiras com merdas a fazer de vírgulas na gozação com enfeites de carago e desabafos por via das falhas e inabilidades casuais.

paju2.jpg As nuvens que correm por vezes deitam borrifos de água do ceu, como pancadas de arrefecimento ao calor tropical de mais de 30 graus. São já quase oito horas da manhã e as jangadas com velas triangulares desfraldam ao vento suas variadas cores saindo da praia e, a meio do arco da baía da Pajuçara. Em ziguezague por via do vento sul fazem uma bonita composição dando vida colorida à baia, bem no meio do verde-esmeralda das águas tépidas.

paju9.jpg A faixa de areia funciona como uma moldura amarela enquadrando o verde dos coqueiros, das amendoeiras, e lá mais atrás os prédios reluzindo vidros na altura, coisas esquadriadas em paralelos ao alto e deitados, uma tela de cores com redondos e formas com sombras de alegres pinceladas. E lá estão as barracas, com jeito ou sem jeito e zingarelhos com chapéus vistosos, cadeiras aos milhares e mesas, mesinhas e caixas mais caixinhas, isopor, esferovite, coisas rebocadas de bairros suburbanos dos arrabaldes, Jacintinho, Feitosa e cortiços pendurados nas encostas escorregadiças, cortiços despintados, tijolo esfarelando, favela desnivelada.

paju4.jpg O gelado caicó surge em carro repetindo sua fita à mistura com música sertaneja e anedotas de repentistas e outros carros puxados à mão, inventos e zingarelhos desassombrados como churrasqueiras ambulantes; geringonças de todo o tipo e feitio vendendo panos e esteiras e até sinos reluzindo como ouro; sinos de bronze! Haja imaginação quanto baste, um mundo de sobrevivência engatilhando a vida com cautelas por premiar. Um povo sofrido que merecia ter melhores governantes, melhor ensino, melhor condição de vida, menos ladroagem, um deixa para lá no jeitinho brasileiro… tudo que acontece de ruim é pra melhorar!

paju8.jpg E, lá vem o caldo de feijão, a coxinha de galinha e o ananás recheados de velho barreiro, caipirinha, branquinha com misturas de ipê-roxo anticancerígeno, mais a ostra no gelo com limão, o camarão vermelhinho a pedir cerveja mais o acarajé da nega Fulô. Cada dia é um novo ai-Jesus, abre e fecha e torna a pôr. E é o Nosso Senhor que está com todos, e todos com Deus, que é fiel, mesmo quando vem com espada. Tanta fidelidade para curtir com gente necessitada, gente mansa, gente brava, gente que luta e que labuta, que rouba, que cheira para se inflamar de esperança. Vidas encomendadas aonde é perigoso ter inimigos porque há balas que matam, de cobre, de ferro, de ouro e até de prego enferrujado.

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:57
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016
MUXOXO . XXV

TEMPOS CUSPILHADOS – Um descuida e, posso ir para o espaço… Num tempo de futricadas e corte de à máquina zero...

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

açaí0.jpg Feito turista da boa idade, bronzeado e com o corte de à máquina zero, reluzindo gotículas de suor ao sol de Maceió, posso afirmar que nesta quentura e, como diz a canção, a vida aqui só é ruim quando não chove no chão mas, se chover tem de tudo e, de tudo tem de porção. A canção cuja letra sempre me toca, diz mais, que só sairei daqui no último pau de arara, uma caminheta de caixa aberta com fueiros para transportar troncos e, ou caboclos do agreste de regresso a casa ou indo para o trabalho. Bem! Agora não chove.

açai00.jpg Duas horas andando em ziguezague no concorrido calçadão cruzando com a pista de biciclos e outros artefactos, cadeiras e mesas para preencher a praia, dar o colorido que todos os dias se monta e depois desmonta e, que chegam lá pelas sete horas e trinta já com o sol queimando na lombeira. Lá terei de enfrentar outro dia baforando os trinta graus pelos poros e, num despe e torna a vestir e banha e torna a banhar para esfriar, a flanela que nada demora para de novo empapar de suor. Calor de Fevereiro, bafo de trovoada num lugar chamado de Pajuçara.

açaí01.jpg Parei para me lambuzar com um copo de açaí, até poderia ter sido de graviola, sape-sape da minha terra longínqua mas, as variantes são muitas e boas demais! Desta feita o açaí foi até uma boa opção! Também podia ser de pitanga, que pelo que sei, é retentora de líquidos e reguladora do aparelho digestivo. Beberei deste suco mais logo para controlar qualquer malazenga que o galeto na brasa, a carne de sol ou até mesmo a carne de charque possa adulterar; também o feijão preto, de corda ou tropeiro mais o arroz e a macaxeira. Terei de falar também da sempre presente farofa com pedaços de fiambre chamado aqui de presunto, pimentão de cheiro e o fogo chamado de pimenta, nosso jindungo de angola.

araujo21.jpgMano Corvo . chispamos com cuspe nossa amizade! Aquele cuspo virou visgo de mulemba ...algures na Maianga... Já lá vão uns bons sessenta anos

Talvez até mande vir uma quentinha da tia Lucienne! No elevador encontro-me com o Tó Muchiloanda que se desfigura no papel de síndico; anda preocupado com a reunião de condóminos que querem ter benefícios sem pagar como se estivessem num cortiço, pendurados na favela. Com cara de chato como a potassa, diz que só fazendo de sandokam de facão á cintura o respeitarão. Foi quando e, já sozinho verifica no aviso bem à altura dos olhos dizendo: - Verifique ao entrar se o elevador se encontra neste piso! Pópilas! Apanhei um susto! Quer-se-dizer que a porta pode abrir e, se não me acautelar entro no vazio, no espaço, no buraco negro! Assim sem mais, ir de licença graciosa!

araujo23.jpgUm descuido e lá irei para o espaço. Adeus T´chingange, o soba branco pintado de preto, cidadão de três continentes armado em escritor de capoeira, escrevinhador de pilhérias e futricadas do linguajar entaramelado nordestino. A vida é mesmo feita de nadas, de grandes serras paradas com o vento em movimento. Teremos sempre de gerir a vida com cuidado, com seriedade! Em verdade podia passar sem nada vos contar porque isto, nada tem de transcendente mas, é esta minha sina, minha ginástica, meu pilates. Quem sabe se ainda virei a ser um “personal treiner” da terceira e quarta idade para afugentar o alzheimer.

Imagens de Costa Araújo, meu mano Corvo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:59
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2016
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXIV

A MUNDO É PEQUENO . Na precisão de largueza para enrijar…

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto. Anda às arrecuas para fugir à regra, um seu pessoal paradigma.

amendo0.pngamendo5.jpg Hoje inicio o dia caminhando por uma hora e ao longo do mar verde de Maceió, cor esmeralda. Apanhei da areia duas amêndoas caídas da árvore aqui conhecida por amendoeira-da-praia para me ginasticar o punho, os dedos, a falange, a falanginha e a falangeta. Pelo facto de irem caídas, desta forma fiquei com as mãos desentorpecidas. O tempo ensina-nos a forma de minimizar a pouca flexibilidade do corpo pelo envelhecimento. A árvore chamada aqui de amendoeira-da-praia tem em outros lados nomes diferentes como castanheira, árvore-de-anoz, castanholeira, coração-de-nego (no Maranhão), sete-copas, chapéu-de-sol, guarda-sol, figueira-da-índia (em Angola) e caroceiro (em São Tomé e Príncipe).

amendo1.jpg Sendo típica de regiões tropicais, atinge grandes dimensões podendo ir até 35 metros de altura. Especula-se que seja originária da Índia ou Nova Guiné. Em Angola ainda em jovem mais os kandengues do Bairro da Maianga e, a caminho da escola José Anchieta ou de Aplicação e Ensaios no Largo D. Afonso Henriques atacávamos estas no lugar de parque Heróis de Chaves, bem por detrás do cine Restauração que veio na independência a ser promovido na Assembleia Nacional por vontade do MPLA. Aqui no Nordeste brasileiro, ninguém parece ligar à mas desta amendoeira mas, nós kaluandas comíamo-las; as mais amarelinhas.

amendo3.jpg É curioso saber-se que no Brasil e na região de São Paulo o fruto desta se chama de cuca, nome bem conhecido das gentes saídas de Luanda pela famosa cerveja que ainda sobrevive lá no bairro da Luua e, com o mesmíssimo nome, Cuca. Esta árvore tem a copa bastante larga, fornecendo bastante sombra; de folhas caducas proporciona-nos a frescura tão cobiçada nas bordas deste mar de Maceió e nos largos. É cultivada como árvore ornamental; como se disse, seus frutos são comestíveis, embora um pouco ácidos; os morcegos são os seus principais consumidores que pelo que tudo indica, sendo muito apreciados por estes.

amendo4.jpg Saiba-se que a sua madeira é vermelha, sólida e resistente à água, sendo ainda utilizada para fazer canoas na antiga Polinésia. Mas continuando o meu caminho, fazia com estas, massagens rotativas nos dedos para fazer fluir o sangue às partes menos usadas do corpo neste tipo de exercício de marcha prolongada. Ultrapassando já os cinco quilómetros e bem para lá da Lagoa das Antas dou a volta para o regresso. Já no Gogó-da-Ema da Ponta Verde de Maceió, regalo-me com dois cocos frios comprados por cinco reais; sugados a palhinha relembro o meu pedido: – Moço está de quanto o coco? – Um por três reais diz ele! Mas, pra ocê, eu faz dois por cinco!

barao1.jpg O matuto fala assim como se já me conhecesse faz um meio século, uma forma bem nordestina de comunicar. – Tá certo disse eu. Dá-me dois! E, por ali sentado num banco de calçadão fiquei matutando nesta forma de vida sempre encalorada, bebendo soro de coco como salvaguarda de qualquer atamancada malazenga que queira entrar a despropósito. Aqui estava eu, um turista setentão, bem bronzeado de olho gordo para as coisas, as garinas e seus modos de gingar bumbum com trejeitos de malvadez! Com fumaças de nobreza, por ali descansei um tempo, precisado que estava de dar-me largueza para enrijar, para tornar meu corpo esbelto.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:51
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

RELOGIO
TEMPO
Weather Forecast | Weather Maps
Março 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

11
14
16

22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
Facebook
Kimbolagoa Lagoa

Criar seu atalho
ARQUIVOS

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

TAGS

todas as tags

LINKS
PESQUISE NESTE BLOG
 
CAIXA MUSICAL
CONTADOR
contador free
ONDE ESTÁS

Sign by Danasoft - Myspace Layouts and Signs

blogs SAPO
subscrever feeds