Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2019
MU UKULU . XIII

MU UKULU...Luanda do Antigamente05.02.2019

Diz Luis: -Tive também o privilégio de ter como explicador na disciplina de Matemática o escritor, ensaísta e etnólogo Óscar Ribas.

Por

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

selos1.jpg O T´Chingange, por aqui anda esticando os ossos, construindo a cada passo uma estória ao seu modo; um mussendo, um missosso e, entre Ave Marias encavalitadas de prefácios que se baralham, num logologo esquecido e, vem outro e mais outro muxoxo como que cumprindo ordens dos espíritos de quem risca na areia em sinais do cho-ku-rei, ou sei-he-ki e outros símbolos indecifrados saídos da Luua. Assim, na Pajuçara de Maceió do Brasil, um lugar nobre e muito cheio de adrenalina, vou ler em voz alta um extracto de Luís Martins Soares na primeiríssima pessoa. Em verdade, fanei suas falas na página dos Amigos da Maianga, nosso Bairro

Mu Ukulu0.jpg Extracto do meu livro "Mu Ukulu Luanda de Antigamente" - Bairro da Maianga - Nasci no Bairro da Maianga, no dia 8 de Julho de 1934, no começo da Rua António Barroso, sentido quartéis, lado esquerdo; existiam ali umas casas enfileiradas de construção antiga e, foi numa delas que nasci. Com o avançar do progresso, foram mais tarde demolidas para no local ser edificado um edifício de apartamentos. Mais abaixo quem descesse a Rua no sentido do Regimento de Infantaria e do lado oposto havia uma grande horta murada conhecida por Horta do Raposo.

Para afugentar os intrusos da sua propriedade o dono tinha eficazes grandes cães de guarda e serventes que além de cuidarem da horta, também eram guardiões. Perdi as contas das vezes que juntamente com amigos da minha idade saltávamos o muro para roubar goiabas e sape-sape. Algumas vezes o guarda incitava os cães a perseguir-nos e então era aquela correria infernal que terminava após transpormos o muro.

maian10.jpgTenho, ainda hoje, lembranças desse tempo na forma de cicatrizes provocadas pelos cacos de vidros sendo pisados pelos pés descalços. Mais tarde moramos (ano de 1940) perto da mercearia do senhor Álvaro Dias dos Santos também na Rua António Barroso. O meu pai era proprietário de duas casas e teve como inquilinos um casal com dois filhos cujos nomes eram o Arquimedes, que mais tarde foi agrimensor e o Mário António Fernandes de Oliveira aluno brilhante do Liceu Nacional Salvador Correia que se destacou como escritor e poeta - já falecido em Portugal no ano de 1989.

Tive também o privilégio de ter como explicador na disciplina de Matemática o escritor, ensaísta e etnólogo Óscar Ribas. Aos 36 anos de idade ficou invisual, mas apesar desse problema, ajudou-me bastante com as suas explicações particulares. Morava no Bairro da Maianga perto da linha férrea numa casa modesta. Havia uma estação dos Caminhos-de-Ferro perto do Largo da Maianga conhecida por Estação da Cidade Alta. (Ficava bem perto da Bracarense, do Colégio Moderno e no bem conhecido largo do Sinaleiro da Maianga).

Mais tarde devido a vários factores relacionados com a venda das casas fomos morar no mesmo Bairro em uma casa de madeira com uma grande horta, com mamoeiros e, aonde eram cultivadas hortaliças - depois de colhidas eram dispostas num tabuleiro que o servente (monangamba) com ele apoiado na cabeça percorria o bairro vendendo de porta em porta. O produto da venda tinha como destino o pagamento do salário dele de servente e, para ajudar a pagar as despesas da casa pois que o salário que o meu pai auferia como subchefe da Polícia era insuficiente.

maianga0.jpg Normalmente aos domingos, a família levantava-se cedo e, devidamente municiados com um farnel, íamos a pé até à Praia do Bispo atravessando a Horta do Hospital, terreno em mato, situado por detrás do Hospital Maria Pia. No extremo do morro da Praia do Bispo, uma pedra banhada pelas águas do mar era o local ideal para os adeptos de piqueniques que como nós, ali faziam trampolim para os mergulhos, diga-se, um local de muitos afogamentos. Junto á orlas marítima e no sopé do morro, viam-se alinhadas algumas cubatas de pescadores com os n´dongos (canoas) encalhados na areia.

Na década de 40, na Maianga antiga, havia uma maior concentração da população de origem europeia. Embora existissem poucos moradores negros, posso afirmar que não era notória segregação entre brancos e pretos pois era praticamente inexistente! No quadrilátero formado pela Rua de António Barroso e Rua Cinco de Outubro até à Rua de Guilherme Capelo já havia um traçado das vias definido com casas de construção feitas de alvenaria, mas no restante do Bairro e nas traseiras do Hospital Maria Pia até à Praia do Bispo as casas eram dispersas.

may1.jpg Aquelas casas, surgiam ao gosto do proprietário, sem qualquer projecto arquitectónico nem plano urbanistico; a maioria delas não tinha instalação eléctrica nem rede de águas e eram construídas de pau-a-pique, de barro - adobe mas, também de madeira e zinco. Os acessos eram em terra-batida havendo vários carreiros de pé posto; recordo a muita dificuldade de neles transitar, principalmente no período das chuvas tropicais. Nesse então, ainda podíamos ver embondeiros dispersos, mangueiras, matebeiras e cajueiros.

Muitas vezes e após uma chuva intensa a criançada deslocava-se até o Rio Seco, que realmente era rio de águas caudalosas somente no período das chuvas. Quando assim acontecia, era ver os candengues brincando com as águas barrentas e em torrente vindas das barrocas situadas bem defronte dos Regimentos de Infantaria e Artilharia dando de frente para a Avenida do General Norton de Matos e, onde existia uma Estação de Tratamento com depósito elevado.

missosso2.jpeg Esta avenida assim como parte da Rua de D. António Barroso era em terra. As barrocas entre estes limites foram mais tarde urbanizadas para nelas ser implantado o moderno Bairro Alvalade. Por detrás do Hospital ficava uma grande área conhecida por Horta do Hospital, onde não havia vestígios de plantações, a Samba e as Cacimbas. Na Maianga, perto do morro Catambor, existia uma cacimba conhecida por “Maianga do Povo” de construção antiga; provavelmente construída entre 1641 e 1648, quando da gestão Holandesa (Mafulos). Esta tinha acesso ao interior por uma escada que desemboca em um piso aonde podíamos admirar a água captada dentro dela - um gosto salobro. Muita gente humilde da periferia, abastecia-se dessa água.

Outra cacimba conhecida por “Maianga do Rei”, ficava bem perto da Praia do Bispo; apesar de ter passado perto dela várias vezes, nunca tive curiosidade de me aproximar para a observar. Um tiro de canhão, até onde fosse audível, anunciava à população que era meio-dia para acerto de relógios e paragem das ave-marias - hora do almoço. Alguns estabelecimentos fechavam portas reabrindo mais tarde. Assim era a nossa Luanda nos finais de 40.

selo12.jpg No cimo das Barrocas, local dos quartéis da Companhia Indígena, lá pelas 22 horas ouvia-se o toque de recolher. O toque de clarim pelo corneteiro era acompanhado por algum tempo pelos tambores. Era hora dos candengues irem para a cama, em verdade um toque de horas para toda a população do bairro. O céu, de vez em quando, era varrido pela luz de holofotes potentes como que esquadrinhando o espaço aéreo; creio, serem exercícios obrigatórios que perduraram após a segunda guerra mundial e também como referência para os barcos de guerra, fundeados na Baia de Luanda.

Na estação da Cidade Alta, na Maianga após a travessia da Rua Guilherme Capelo, sentido dos Musseques, mais tarde Maternidade e Igreja Sagrada Família, existia um túnel onde algumas vezes com outras crianças nos aventuramos dentro dele. Era do desactivado ramal do Caminho de Ferro de Luanda via Malange. Na Rua António Barroso a única padaria existente de nome Aliança abria as portas de manhã que, depois fechava e reabria na parte da tarde. Os postos de venda dos papos-secos surgiram anos mais tarde. A padaria fabricava e vendia somente pães contrariamente ao que acontece nos dias de hoje em que para além de pão servem cafés, fazem pasteis e assam leitões.

Luís Martins Soares

(Continua…)

Compilação de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:17
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 29 de Novembro de 2018
MU UKULU – IX

MU UKULU...Luanda do Antigamente29.11.2018

Havia muito de angolano nas casas feitas com a cal de mabanga, os forros feitos de bordão…

Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Johannesburg

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Brasil

Começo com uma ressalva, para corrigir o que foi dito no Mu Ukulu-VIII. A Barragem das Mabubas sobre o rio Bengo, só foi inaugurada no ano de 1954 e não no ano 1948, conforme diz João Pinto que ainda candengue, ali viveu quando seu pai para ali foi trabalhar, entre os anos de construção entre 1949 e 1954. Antes de se dar continuidade ao desenvolvimento social de Luanda segundo o descrito no livro de Luís Soares, vamos aprofundar alguns conhecimentos da agora grande Luanda, porque quem não é kimbundo irá perguntar o que significa maianga entre outros nomes e lugares toponímicos...

ÁFRICA3.jpg Consultando escritos de José Kaliengue, poderei mencionar que Maianga significa poço de água. Havia a maianga do povo junto ao Clube 1º de Agosto e, cujo avanço urbanístico anárquico, relegou para ruinas; aonde agora é o rio seco era um rio a valer, molhado, que desaguava numa lagoa que era a Lagoa dos Elefantes no actual bairro da Samba e, onde desembocava. Este rio desaguava numa lagoa antes de dar para a baía de mar raso que ali existia.

Aquela era a lagoa dos elefantes, porque era frequentada por estes. Quando os portugueses ali chegaram, e durante muito mais tempo, viam-se por ali elefantes; no decorrer do tempo, estes foram-se refugiando na actual Reserva da Kissama. O que hoje se conhece por Morro dos Veados foi, até ao séc. XVIII, o Morro dos Elefantes, está escrito em mapas, só que estes, foram diminuindo em número. E, foi já no séc. XX, que o Morro dos Elefantes passou a chamar-se de Morro dos Veados.

muralha6.jpg Uma grande parte da população não sente qualquer relação com o espaço e com as coisas e, também porque não foram alertadas pela nova elite na sua preservação. A não existência de um ordenamento desses lugares; a construção arbitrária e sem qualquer tipo de controlo, originou perdas como valor turismo e sequentemente o económico. Um património difícil de recuperar.

A baía é uma das razões para o nascimento da vila e depois, cidade europeia de Loanda. Foi ela por via de sua topografia circundante que determinou a sua criação; Fundamentalmente por uma estratégia de defesa, mar fundo e lugar de abrigo às caravelas aos ventos dominantes e mar bravio na costa aberta de sua ilha da Mazenga; só mais tarde surgiram outros critérios pela criação de um centro urbano expandindo-se com mercados, estradas, porto de mar ou caminhos-de-ferro.

Mu Ukulu0.jpg Note-se que, já nessa altura, finais do século XIX, faltava água em Luanda; isso mantém-se até aos nossos dias. Rios e baías sempre foram um elemento importante na história duma qualquer cidade e Luanda não foge deste conceito. Depois há uma parte importante dessa história que também pertence aos angolanos, e que não dá para apagar! Embora como sendo a parte sofredora, contribuiu para a história: O do comércio dos escravos que já foi aqui superficialmente abordado.

As fortalezas, apesar de símbolos de opressão também pertencem aos angolanos; queira-se ou não José Kaliengue tem razão ao afirmar isto! As igrejas são outro elemento que, não fazendo parte da cultura original, passaram depois a fazer parte da vida das pessoas. Havia muito de angolano nas casas feitas com a cal de mabanga, os forros feitos de bordão, um material altamente isolante e que permitia manter as casas frescas.

miss6.jpg Não deve ainda existir sinais de tectos de bordão nas casas velhas de Luanda; também este processo saiu da cultura local. A Igreja do Carmo, estava assim construído até meados do século XIX. Estas edificações existem e, foram feitas com mão-de-obra de caluandas. Agora teremos de recordar o que era na palavra “MU” como sendo coisas do antigamente, mas também uma árvore no dialecto kimbundo. Mutamba é a árvore do tamarindo, árvore que a mutamba não tem.

Posso imaginar nas largas varandas da baixa da Luua e bem junto ao Carmo, as damas brancas comodamente sentadas com requebros de etiqueta, gestos cheios de conveniência, risos de boca fechada, olhares por debaixo das pálpebras mais um leque nos lábios e o dedo mindinho levantado com galanteria chamando o senhor prior. Não muito longe uma mulher negra na esteira de luandos ou de matebeira, num banquinho ou na soleira da porta catando piolhos na cabeça do candengue.

o poço do rei2.jpgTambém homens humorados, o chapéu de couro preso ao pescoço por uma correia, a camisa de algodão cru por fora das calças de zuarte, arregaçadas no joelho, o pé descalço, curto e espalmado, peito liso com cor luzidio de escuro ou cor de cedro á mostra, braço nu e grosso transportando uma viola ordinária feita de lata. Senta-se bem junto daquela mulher catadora, dedilhando as cordas metálicas e, cantando um repenicado linguajar de brincadeira…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:01
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 8 de Novembro de 2018
MOAMBA . XXIII

NA NUDEZ DA VIDA – Komatipoorte (África do Sul) - 08.11.2018

- Não há forças que destruam as lendas com fusos – Superstições antigas do Big Ben…

Por

soba15.jpgT´Chingange - Em Komatipoort - África do Sul

Bem cedo fui até ao Komati River, afluente do Crocodile river e, logo ao chegar, vi dois grandes jacarés a tomarem banhos de sol do outro lado, em uma ilha, bem ao lado aonde ontem Dy Vissapa pescava sentado em uma raiz de uma grande acácia, ali mesmo ao lado. Acabou por pescar um peixe tigre que mais tarde comi depois do brai-churrasco de carne de lamb e beef de boi.

:::::

Em verdade, não foi um grande pitéu, tinha muitas espinhas, o gosto não era igual ao peixe do mar e até me pareceu ter um ligeiro sabor a lodo; não fosse o jindungo de Moçambique e o sabor seria parecido com o do catato também conhecido por mopane. Foi quando me lembrei que uns anos atrás, ido de Johannesburg levei um quilo desta lagarta comestível para meu grande amigo, o Zeca Mamoeiro da Maianga, um kamba desde os longínquos anos de candengue…

crocodile river2.JPG Consultando meu baú de lembranças amarelecidas no tempo, tive de capiangar a mukanda do kussunguila Vasco Antunes dirigida ao comum amigo Zeca poeta com o título de Janela Aberta. Ai.iu.é... É verdade! O Zeca ficou feito estátua, agarrado ao mamoeiro lá num jardim da Travessa João Seca da Maianga! Espreitava a garina m´boa filha da Tia Mariquinhas...

:::::

Assim lendo a dita cuja, desconsegui continuar a cena do Komati River. Dizia assim: - Quero deixar-vos tranquilos meus kambas - Andei este Sábado pelo Marítimo da Ilha mas, ainda dei uma saltada ao Kussunguila. A noite tropical puxou por mim até clarear. Resolvi por lá ficar, a areia da praia no S. Jorge que é a melhor cama que um indígena como eu pode almejar. E tem sonho que vem nessa hora das cinco da manhã…

crocodile river3.jpg O marulhar das águas, as estrelas miríades no céu, a noite que passou, o dia que está a chegar, a vida toda que sei vai esperar por mim. Eu posso atrasar o relógio o tempo que eu quiser. Ué, digo eu: - esse kazumbi deve ser do mestre Sambo! Tentei isso num entretanto passado com meu Tissot, rodei o ponteiro para trás e, num repentemente fui parar entalado nas rodas dentadas do relógio no rio Tamisa, o Big Ben.

:::::

Há coisas que parecem mentiras mas, aqui no Komati recordo que naquele então, no ano de sua inauguração a 31 de Maio de 1859, aflitinho da silva, tive de mergulhar de uma altura de 96 metros em voo de trotinete planadora. Estavam a instalar este zingarelho no Palácio de Westminster durante a gestão de Sir Benjamin Hall, ministro de Obras Públicas do Reino Unido….

crocodile river 4.jpg Nesse então, u T´Chingange, recebi aplausos de muita gente e na presença do Sir Benjamim Hall fui condecorado por um dos arquitectos que o concebeu. Tinha o nome de Charles Barry e, foi assim que vi quanto perigo corremos quando desaparafusamos a mente na marcha-à-ré! Mas assim lá no fuso zero ainda recordo ser aquilo feito ao estilo Neogótico. Passados anos deparo-me estando na Luua revendo meus kambas a apanhar mabanga prá pesca na praia do Bispo.

:::::

E falavam, gritavam com pulos chapinhados naquela água morna da Chicala: - Vamos ainda, barona companheira dos pezinhos quentes… Na água, que o sol já nos torrou vermelho, tem lá marisco e cervejinha fresca para terminar este bendito Domingo. Se Domingo é santo, então é do sô Santo lá na Vila Alice ou na Maianga do Zeca e do Tonito.

vasco0.jpgzeca00.jpg - Vamos apanhar o Buggy do Vasco Antunes, cor de camarão. Vamos falar mujimbo às nossas mães, vamos contar outros mambos para elas não desconfiarem. Aquela da tia Mariquinha, tá lembrada? Tia Mariquinhas teve um nené mas os pessoa estava a ficar desconfiado, pois.

cronicas mano corvo2.jpg  O marido dela tinha perna de pau e os menino, nasceu com perna verdadeira. Pópilas! Ou aquela, daquele nosso amigo da Maianga, o Zeca. Sabe, esse mesmo O Zeca que não desceu do mamoeiro, está esperando que eles madurem - Kamba diame Muxima, Tza ´kidila - Kiene! Kuia bué!

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:16
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2018
KWANGIADES . XXX

MOKANDA DO ZECA EM MAIUSCULAS - As falas de Zeca – 08.02.2018

Por

zeca00.jpg José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga. Tornou-se ali professor katedrático e agora lecciona no M´Puto quando não fica com o catolotolo…

TONITO (era o meu nome de candengue da Luua)

MAIS UM FANTÁSTICO MISSOSSO TEU....! JURO, JURO QUE DELIREI NAQUELE MAMBO " Já estava farto de usar ceroulas até o pescoço a fim de aguentar o frio do M´Puto,..." SIM KIMA KAMBA MUXIMA, DO FRIO DO M' PUTU DE TER DE ANDAR DE CEROULAS, MEIAS DE LÃ ATÉ AO JOELHO, CAMISOLA INTEROIR LÃ DE MERINO, LUVAS, CASCHECOL... AI-IU-É…

:::::

TUDO, TUDO PARA TIRAR A HUMIDADE DO SALALÉ SECO QUE BERRA POR QUENTURAS E AS TUJE DAS FRIEIRAS DA CUSPIDEIRA FRIA DAS "CALOTES DE CHORO CAIDAS COMO TREPADEIRAS DO ALASCA PARA A KALUNGA" QUE ESTE INVERNO AS KALEMAS ALTAS TROUXERAM PARA A PENINSULA IBÉRICA, PARA A EUROPA, AMÉRICA...

zeca e eu.jpg POR CULPA DO HOMEM KIAVULU VULUKIA VULUVULU CACHIMBO QUE ENVENENA A ANHARA DO NOSSO SENHOR NO ALÉM. OH! SIM, SIM, TU GOSTAS BWÉ DO NU QUENTE DA NATUREZA..., DE MACEIÓ, PAJUÇARA, PALMARES... QUE DIZES SER DE RENOVAÇÃO DE PELE COM ÓLEO DE COCO DO SOL REDENTOR...

:::::

OS BICHOS, AS PLANTAS MEDICINAIS..., TUDO, TUDO, NATUREZA TE CONHECEM E TE CHAMAM O KUUABA N'GANA VATA T`CHINGANGE! SEI QUE DELIRAS, TOPANDO A TEXTURINHA DA BELEZURA NUA NATURAL BATUCANDO DE SALTOS ALTOS NO CALÇADÃO NO CORSO DO CARNAVAL! UÉ!

zeca1.jpg TU PRÓPRIO FIGURANTE DOISIMILDEZOITO VESTIDO DE "CAPATAZ" DE BARRIGA DE JINGUBA DE FORA E DE CHICOTE NA MÃO NO CORSO DE GUAXUMA.... RECORDANDO OS TEMPOS DOS CORONÉIS...

:::::

AMAM'IÉÉÉ´! TUA SORTE MERMÃO DO RIO SECO DA MAIANGA, TU SERES PÁSSARO DE VOO DE MUITOS MUNDOS COMO O KWETZAL.... AGORA, TAMBULA CONTA! UÉ! COMO É? BEIJOADA Á TRANSMONTANA, TRIPAS À MODA DO PORTO, ENSOPADO DE CABRA VELHA, BODE MESMO...A BORDO...!

:::::

UÉ! COMO AGACHAR E APONTAR O TUBO NO MINUSCULO BURACO DE CERTO "ENTUPIÇO" E DE ENGUIÇO BIEN ÉTRE PARA OS ROLLYS ROICE.... NÃO, NÃO, ISSO DUM MUKIFO LOGOLOGO MATACO NO ENCOLHIDO BANCO...

ZECA MAMOEIRO.jpg SIM, SIM, MAS BREVE TERÁS E LOGO AO DESCERES, PISARES A TERRA E SENTIRÁS O CHEIRINHO DO CHURRASCO PITA VIRGEM. MESMO TABAIBO DO MATO NA GRELHA, NO ESPETO PAKASSA TENRA E A PICANHA NA GRELHA A ESTALAR.... OS TEUS CAMINHOS SÃO DE DEAMBULAR FELIZ NA KUKIA DA VIDA QUIÉ SUMAUMA.

:::::

QUE A TUA VIDA DOCE CONSOME, É O TEU PREPARO É O TEU ELIXIR QUE ESMAGAS NO TEU PILÃO E BWÉ CONSOMES..., TAL COMO OS TORRESMOS DA BELA MOPANE.... NESTE TEMPO DE ESTUPOR, TERRA DE “FIADO CIVILIZADO” DE SEM RESPEITO, CURRICULO SUSPEITO … Oh! NGANA NZAMBI! KAPIANGO, PÉS DE PATRANHA, EDIFICAM-SE NOS POLEIROS DE NOSSOS CELEIROS…. E, NÓS SÓ XIMBICANDO N´DONGUS  NAS MULOLAS DO RIO SECO…

KANDANDU - ZECA2018020722H00

As escolhas de

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:16
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 28 de Janeiro de 2017
MAIANGA . XX

MAIANGA . NGA! SAKIDILÁ! - Na Jihenda do mu ukulo uabuama (Saudade de um antigamente de maravilha)

Por

soba0.jpegT´Chingange

Faz algum tempo do mu ukulo que entrei no meu silêncio só mesmo para não remexer nas feridas mal cicatrizadas das terras dos antigos mwene-putos mais dos N´Gola kimbundu e kilwanje kya Samba rei feito importante com suas missangas com dentes de leão penduradas no pescoço. Ele, um imbangala descalça que era o senhor das terras dos tempos do kissonde devorador; mesmo assim de pé descalços com aristocracia de espantar poder esporádico no interino. Mas, um rei matuta Jinga do Milungo e Bangala com poder absoluto de cortar pescoços.

namib3.jpg Um rei que trocava gente por pólvora, tecidos e missangas com espelhos mais zingarelhos. O filho da peste, o mesmo que gerou a N´Zinga ou Jinga. Tempos de muita trapaça trocada por mel e tecidos libolos mais dendém, cachaça e tintol a martelo, tudotudo amontoado na kubata dos branco cafuzo e mazombo feita de capim mais taipa de chinguiços tapados com barro e bosta de boi. 

:::::

Acontece, como então, vou fazer berridando minhas falas do baú no ximbico de meu lápis antigo. Alegrar meus kambas, falando soátoa das baronas modernas, dos seus matacos apertados nos institutos adelgaçantes e das quindas das kinguilas de setentaecinco cheias de muito cumbú e dólar de cabeça de Washington grande, porque o outro é falsificação do Zambizanga e Tira Biquini.

nand4.jpg Dinheiro verdadeiro de comprar as felicidades e curar as malakuecas com trungungo ou mesmomesmo do kaporoto que faz falar estória do antigamente mais ainda do tempo antes dos kaprandanda e dos brancos gweta t´chinderes funantes mesmo. Ximfuma Ya Kvele feito macho esperto nos contos com estórias de missossos que também lhe contaram dos reis Kwanyama. Um, conta ao outro e no final, cada um tem uma unha, um dedo, um inventário de muitos sonhos no catravês da estória.

:::::  

Num dia antigo, Ximfuma Ya Kevele feito doutor quimbanda de leis e adjacências, disparatou berros saídos do fundo de sua raiva; ele via coisas que mais ninguém conseguia, que só ele via e, dizia que isto assim não pode ser! A gente fica soátoa nos dias de catolotolo depois do funje com biala do rio podrida, barriga na zunida do cruácruá, corre no mato e buáááá! Capim corta, areia suja, num dá… Problema mesmo de confusão, ai-iú-é! Não posso mesmo falar de minhas falas com tuge escondido, ahah! Falo, falou nesse tempo de munhungo biológico de cangar nos matos…

maga5.jpg Mesmomesmo sendo daquele tempo pelas poeiradas esteiras do Sambizanga e do Prenda do senhor administrador Poeira da Luua, não posso mesmo falar de minhas falas com tuge escondido ….Ahah! Num pode! Cipaio não deixa cagar seu cafió. Ninguém mais fala assim dos antigamente cum cheiro do mato e a capota a cantar de estou-fraca, estou-fraca picando nos tuge logo nos seguidamente.

:::::

Haka patrão! Ninguém mais fala assim atravessado na picada da vida de bitacaia aiuê! Nos matubas avilo bué! Tremo só de pensar nos sofá de pele de pacaça oleado com Bien-être de zumbo dos bâmbi, riscando do molinhado de óleo de dendém. No antes e no despois tudo ficou mesmo no muito antigamente. 

 

camionista1.jpg Eu T´Chingange, que fiz amizade com este Xinfuma Ya, vim de consulta marcada com n´gonge aqui ao kimbo das caricas na Kissama dos Dembos, com alpercatas de pele de jamba e um corno de facochero ao pescoço para bangar nos entendimentos. Queria mesmo ouvir as estórias de kevele mas, não deu pra falar muito direito e contar do rei Kwanyama Mandume de Njiva que dizem que se suicidou em 1917. Queria mesmo esclarecer isto mas o trungungo deu volta no miolo n´dele.

:::::

Ele, Xinfuma Ya diz que não foi assim e, que os Tugas andaram passeando a cabeça dele pelas terras de Ovombolând para fazer o povo capitular. Mas, e ora sucede que o sua excelência Xinfuma estava todo roto de consciência: bebeu por demais seu marufo com poses de corno álem da quantidade bué do tal de trungungo e assim ficou por muitos dias. Caminhada de tantos dias, só para nada, mesmo! Fiquei só assim com as falas labirínticas de gente para lá de doido que só muxoxeia! Vou fazer mis o quê com meu kuxikina?

maianga do araujo.jpg GLOSSÁRIO:

Berridavam - fugiam; Kapiango - roubo; Mayanga - Um dos bairros antigos de Loanda, lugar de muita água; Uuabuama - maravilhoso - Caricas - tampas das garrafas; Mission, Canada Dry, Cuca; Jihenda - saudade, Kamba - amigo; Kuxikina - de sossego, sossegar; Mulemba - Mulembeira, árvore de frondosas folhas; Mu Ukulu - antigamente, Muxima – coração; N´gonge - aviso; Uuabuama - maravilhoso; Muxoxeia: vem de muxoxo, estalido da língua no palato dando um estalo de desdém…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:30
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 15 de Janeiro de 2017
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXI

MULOLAS DO TEMPOMilagres da vida com talassoterapia Farrapos de imagens que vi com nitidez de adulto na gesta colonial e M´Puto...

Por

soba15.jpgT´Chingange

Hoje apetece-me falar sobre os mistérios da vida que vivenciei em pequeno, kandengue e filho mazombo do Senhor meu pai Manuel de nome e, Cabeças por alcunha. Para sobreviver à vida depois da guerra de 39 a 45 resolveu sair daquela terra de frios do M´Puto, tendo chegado à Luua de N´Gola levado pelo velho vapor Mouzinho de Albuquerque. A Dona Arminda minha mãe, algum tempo depois e, após ter recebido carta de chamada, saiu do M´Puto vertendo choros no cais de Alcântara. Da amurada daquele vapor com o nome de Uíge, pouco a pouco via Lisboa e o Tejo ficarem lá longe tapados pela neblina.

bungo8.jpg Os tamancos de pinho não eram suficientemente quentes para animar o dia que se seguia naquela terrinha e, vai daí, meu pai tentou a Venezuela e o Uruguai mas as facilidades só lhe surgiram para a África, Terras Ultramarinas de Portugal. Deram-lhe passagem de colono após preenchimento de impressos timbrados com a esfera armilar. Através da Companhia Nacional de Navegação zarpou no tal vapor por volta do ano de 1950.

:::::

Dito e feito! Ele estava cansado de explorar volfrâmio para enrijar os canhões de Hitler, de cavar as terras dum sítio chamado Cornelho, duma Pereira e um Vinagre, lugares vistosos de verde que no correr do tempo ficaram silvas e tojos pelo abandono. Muito mais tarde apreciei a beleza que ele nunca teve tempo para apreciar; o vale profundo enevoado com o rio Dão a correr para Alcafaxe e, lá longe a brancura de persistentes manchas de neve dispersas; as encostas da Serra da Estrela vendo-se as luzes de Seia, Folgosinho e Mangualde; podia ate ver-se com nitidez e em dias claros a ermida  de Nossa Senhora do castelo.

bungo6.jpg Farrapos de imagens que vi com nitidez de adulto com cheiros de resina, giestas sentindo também o som martelado característico de tamancos nas calçadas de pedra granítica, irregular, e com rilhas de rodas de carros de bois. Também o pisar de tojos amontoados nas travessas e quintais fazendo curtir o estrume necessário para as batatas, as hortaliças, couves tronchas ou repolhudas. Um esboço medieval de uma típica aldeia mesmo ao lado de Viseu.

:::::

Ainda não havia aqueles adubos de mau cheiro que logologo surgiriam para fazer crescer os tubérculos que alimentavam as gentes, os bichos e as cabrinhas que davam leite. E, aquelas casas malcheirosas de fedor a subir, a entrar nas frestas do soalho e nas ventas, saídos das lojas com ovelhas, burros, bois ou cabras para esquentar os sobrados e seus donos no lado de cima. Frios de cheiros entranhado nos tornozelos, pés gretados, caucionados nas frieiras da Beira Alta Interior quanto baste; um frio do caraças de arrepiar dedos com dor.

bungo7.jpg Mas esta crónica foi pensada para falar do milagre a que assisti já em Angola; milagre que durou os anos de minha juventude, do que eu presenciei nas visitas que meu pai fazia a um antigo sócio do volfrâmio chamado Lázaro pai de Álvaro, um menino que comecei por ver paralítico e numa cadeira de rodas. Enquanto meu pai foi trabalhar para as brigadas do caminho de Ferro de Luanda, antiga Ambaca, Lázaro foi colocado como capataz de estiva no porto de Luanda.

:::::

Minha família ficou a morar no Rio Seco da Maianga, início do Catambor e Senhor Lázaro instalou-se em uma casa de madeira em um bairro chamado de Bungo e mais tarde de Boavista. Ficava mesmo à beira mar da baia de S. Pedro da Barra, uma faixa de terra entre a linha recente do Caminho-de-Ferro e o mar. Estes barracos foram surgindo em áreas do domínio público e cada qual fazia seus puxadinhos até a areia e, bem no término das marés altas. Era assim que viviam os colonos pobres, paredes meias com cortiços, quase musseques tendo por vizinhos pretos e mulatos.

bungo5.jpg Isto para dizer que da varanda que dava para o mar, Álvaro o moço paralítico rojava-se até às águas espelhadas da baia e ali ficava quase todo o santo dia. Sempre que meu pai visitava seu amigo Lázaro eu, também aproveitava ficar ali nas mornas águas sacolejando-nos em jogos variados. Por vezes, até dormia lá a pedido de Dona Micas mãe de lázaro a fim de ter companhia; embora tivesse mais irmãos, ele e eu dávamo-nos bem ou de um outro jeito. Eu era bem tolerante com os esgares e caretas que Álvaro fazia no esforço de pronunciar falas; até nos entendíamos por gestos e vontades telepáticas.  

bungo2.jpg Assim o Tonito da Dona Arminda por lá ficava uns dias com seu amigo Álvaro o paralítico, coitadinho. Sentimo-nos peixes na água mergulhando como golfinhos ou boiando como bogas, roncadores e mariquitas. Por vezes e dentro de água fazíamos grandes pescarias daqueles peixes e até carapaus, agulhas ou garoupas. Bom! Agora vamos ao tal milagre.

:::::

Álvaro começou gradativamente a andar, primeiro titubeante agarrado a bordões e mais tarde solto destes, andando como um boneco de circo, pernas esticadas e bamboleando, mas andando! Estou a ver seu sorriso ao longo do tempo quando fazia uma qualquer outra avaria; um sorriso babado com descontrolo muscular mas sortido de alegria. Pouco a pouco foi deixando a cadeira de rodas e até já ia só, até o transporte que o levava à escola do Kipaka!

bungo1.jpg A razão por que falo disto é a de que se há qualquer coisa que reabilite nossos ossos, músculos e rijeza ao organismo é mesmo o iodo das manhãs nas águas quentes do mar; uma tal de vitamina D que nenhuma pilula nos pode dar. Como kota, sinto isto desde 2006 pela ida muita frequente à praia, aqui no nordeste Brasileiro. Entre as 6 horas da manhã e as nove horas, lá estou metido até o pescoço na água da Pajuçara. E, olhem que é bem notório o bem que me sinto.

:::::

Mas a grande felizarda é mesmo minha mulher Ibib com seus 75 anos de idade que não andava 100 metros quando aqui compramos casa e agora, sem se queixar das mazelas dos ossos, já anda quilómetros. Isto, o gozo da natureza, é o melhor que podemos ter nesta idade! A minha talassoterapia nas águas quase paradas e quentes da Pajuçara de Maceió é prioritária. Os resultados são lentos mas eficazes para quem persiste e, porque a natureza só por si dá-nos recursos. Recursos que a maioria das gentes desaproveita.

bungo4.jpg É por isto que não me posso ver longe do mar tropical por muito tempo. Todos os dias faço movimentos os movimentos recomendados pelo meu próprio “personal trainer”… Eu, próprio. Agradeço assim sem protocolos à mãe natureza e seu dirigente chamado Deus sem outras felpudas falas e, porque os homens mais dignos de penas serão aqueles que transformam seus sonhos em prata e ouro. Faço os possíveis!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:45
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2017
MOKANDA DO SOBA . CXVIII

TEMPOS PARA ESQUECER - 02.01.2016 - ANGOLA DA LUUA XXVII.

NA GUERRA DO TUNDAMUNJILA. “Vai para a tua terra, branco” era o que mais se ouvia na Luua de 74/75… Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, cada homem é um mundo…

Por     

soba0.jpeg T´Chingange - (Otchingandji)

A retirada do General Silva Cardoso do posto de Alto-Comissário sem o prévio conhecimento à FNLA e UNITA e, com atitudes obscuras em benefício do MPLA levou Jonas Savimbi a reclamar. Sob protesto, anunciou que não teria mais contactos com as autoridades portuguesas empossando José N´Dele destas atribuições. O MPLA, na manhã do dia 7 de Agosto, com as suas FAPLAS atacam a delegação da UNITA na Avenida dos Combatentes. O ataque ao Pica-Pau da UNITA já tinha acontecido.

pica1.jpg As FALA (exército da UNITA) abandonam ao longo deste dia sete todas as instalações recolhendo-se junto dos quarteis do exército português de onde seriam evacuados para o Luso e Nova Lisboa. Nas escolas os alunos comentavam de forma propositada para os professores ouvirem: “ branco vai para a tua terra”; “a casa do professor é nossa”; “o carro do professor é nosso” e, por aí! Um pouco assim e por todo o lado!

:::::

Nos três últimos meses tinha morrido mais gente do que em 14 anos de guerra colonial; algo nada lisonjeiro para os novos nacionalistas Neto, Savimbi e Holdem com responsabilidades acrescidas para os vendilhões militares de Abril do M´Puto de mãos dada com o poeta ébrio Neto. A FNLA e o MPLA colocavam armas pesadas no topo dos edifícios. O MPLA praticava acções simultâneas e concertadas em Luanda, N´Dalatando e Malange criado zonas tampões nas quais ninguém podia sair ou entrar.

picapau1.jpg Os Angolanos de etnia negra, não estavam a mostrar em sua esmagadora maioria dignidade pela oferta recebida; não eram merecedores de apreço das pessoas de bom senso; todos andávamos desapontados sem saber o que fazer tal como o kissonde quando é disperso em sua linha, carreiro de vida. Os brancos protestavam; queriam sair de angola da forma possível!

:::::

Também nos quartéis do M´Puto as notícias são de boatos de golpes e contragolpes; as secretas: alemã, francesa a CIA e o KGB convivem entre os portugueses, assistem ao levantar de punho incitados por Vasco Gonçalves e animados pela pandilha de Mário Soares e outros que a história terá de lembrar.

picapau8.jpg Na Luua (Luanda), no dia 4 de Junho, as FAPLA bombardeia a Delegação da UNITA no Bairro Pica Pau (Comité da Paz). Morreram todos os seus ocupantes! E, foi com tudo! Lança granadas, metralhadoras pesadas e ligeiras. No Pica-pau esquartejaram e arrastaram corpos vertendo sangue no asfalto (mais de 200 jovens pioneiros da UNITA). O MPLA não queria em Luanda nem fenelas nem kwachas nem gwetas (brancos)!

:::::

A UNITA estava também a ser erradicada da Luua. Quem ouvisse os discursos de Agostinho Neto ou um qualquer quadro de destaque do MPLA, verificaria sem esforço no prevalecer das palavras de ódio contra os brancos, ovambos ou afectos à UNITA, gente do norte afecta à FNLA e gente ligada à FLEC de Cabinda. Angola era só para eles, os kazukuteiros feitos heróis. Silva Cardoso sentia-se impotente para resolver estes ataques que tinham o acordo de seus subordinados Tugas de mãos dadas com o MPLA. Só lhe restava pedir a demissão porque estava permanentemente a ser traido! E, isto aconteceu!

picapau6.jpg A FNLA estava a revelar-se ser um “tigre de papel”; fugiam ao primeiro tiro, largavam armas e de forma desordenada desapreciam a receber protecção nos quartéis portugueses. Eram como crianças crescidas que com uma arma na mão faziam coisas diabólicas, matando gente como quem mata galinhas; gente nada confiável!

:::::

Neste dia sete de Agosto e pelas dez horas da noite eu e família, dois filhos, mulher e sogra embarcávamos no voo 13 da “ponte” como desalojados via LIX. Tinha recebido a minha dose em Kaluquembe; meu carro tinha sido sabotado no dia anterior e a caminho do Sul, Namacunde, aonde tinha um cunhado.

picapau7.jpg Meu carro, do nada, incendiou-se, alguém tiha feito um golpe no tubo de alimentação ao motor. Capotou e eu, ali fiquei morto, estendido. Minha alma saiu do corpo e voltou fracturada. A clavícula estava partida. Foi o Drs Roy e David Parsom do Longonjo que me tratou. Neste então eu pertencia ao Comité da Caála como Secretário de Relações Públicas. Não me arrependo do que fiz enquanto fiz! Até então tudo estava sob controlo naquele recanto do Huambo.

:::::

Em Lisboa os funcionários da Cruz vermelha e afins dão-nos as boas vindas: “por causa destes ranhosos estamos aqui neste castigo” acabando por nos dar 5000 escudos por adulto e, para as primeiras impressões! A guia de voo ainda a tenho - nela não consta o regresso! Esta era a definitiva entrada num território até então longínquo. A minha capital da N´Gola e na Luua era, sempre tinha sido a Mutamba. Coisa para esquecer!

picapau5.jpg Para além de nossos corpos tinhamos umas roupitas e de valor só mesmo “uma máquina de costura Oliva” para servir em nossa sobrevivência. Esta máquina estava adaptada como mala e foi o único valor do meu património como mazombo filho de colono. Meu pai foi o Único que ficou até que um dia e já passados dois anos foi raptado e deixado como morto por detrás do aeroporto. Foi em Torres Novas que retirou a bala que por sorte não o gangrenou. Ainda o vejo no aeroporto de Lisboa, feito uma bola de sangue, um bolo de porrada só porque era branco!

:::::

Em Angola Savimbi mandava retirar o seu pessoal político e militar. Pediu à Marinha e à Força Aérea para que evacuassem todos os seus militares das FALA e apoiantes para o Sul; de todos os que se mantinham para além de Luanda, Carmona, cabinda e santo António do Zaire. A partir do dia 9 de Agosto de 1975 o Governo de Transição de Angola ficava reduzido ao MPLA  e à parte portuguesa. Ainda faltavam 94 dias para o dia da largada, o 11 de Novembro de 1975.

picapau3.jpg O novo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Ruivo, reconhecia oficialmente o Óbito do Acordo do Alvor. Para tal proclamaram o estado de emergência com a criação de uma Junta Governativa para substituir o defunto Governo de Transição que só durou cerca de seis meses. Neste molho de brócolos, o Governo de Transição foi extinto mesmo sem que para tal estivesse autorizada a sua substituição em caso de incapacidade. Mais uma medida no âmbito revolucionário feita em cima do joelho pelos generais e políticos de aviário. E, o Mundo só assistia a isto!

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:04
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016
MUXIMA . LXII

MULOLAS DO TEMPO - As Maiangas da Luua

Muxima e Ongweva são saudades

Por

luis0.jpgLuis Martins Soares

luua7.jpg O abastecimento de águas desde os primórdios da colonização portuguesa, foi sempre um problema das autoridades coloniais. Alguns historiadores escreveram que Paulo Dias de Novaes reconhecendo não ser a ilha do Cabo o lugar mais adequado, avançou para terra firme e fundou a vila de São Paulo de Luanda em 25 de Janeiro de 1576, tendo lançado a primeira pedra para a edificação. A escolha do novo local para a vila foi influenciada sobremaneira pela existência de um magnífico porto natural, situado numa baía protegida por uma ilha

luua12.jpg Mas, foi uma fonte de água potável, que mais ponderou em sua decisão; era necessário abastecer as naus do reino e, as águas do poço da Maianga na então existente lagoa dos Elefantes eram suficientemente potáveis . Os poços deram origem anos mais tarde às duas Maiangas, a do Povo e a do Rey, que nasceram entre 1641 e 1648.

luua6.jpg A “REVISTA UNIVERSAL LISBONENSE” n°. 25 de 30 de Dezembro de 1852, publica artigo interessante sobre a cidade de S. Paulo de Assumpção de Loanda onde os poços denominados MAIANGAS fazem parte da matéria publicada: “Nos subúrbios ou arrabaldes da cidade há muitos arrimos (hortas), e as duas Maiangas (poços públicos) que servem de recreio aos seus moradores têem a cidade dentro das barreiras cinco quartos de milha de comprimento, e três quartos de milha na sua maior largura.:::::4A cidade alta é reputada mais saudável que a baixa pela sua vantajosa posição, todavia ambas sofrem sensível falta d’agua por não haver em Loanda mais que dois poços denominados Maiangas, dos quaes um só é público, e que não chega para o consumo dos seus habitantes “...etc.

luis50.jpg As Maiangas citadas são a Maianga do Povo e a Maianga do Rey que foram construídas em meados do século XVII a mando de Salvador Correia de Sá e Benevides. A água das cacimbas públicas e particulares (poços) é toda salobra. O poço Maianga do Rei serviu exclusivamente para abastecimento das estações públicas ou seja para uso dos religiosos e autoridades coloniais, conduzida em carros das obras públicas. 

luis51.jpg  Este poço localizado perto da Rua da Samba nunca despertou a minha curiosidade para o conhecer de perto quando eu e a família nos deslocávamos a pé para a Samba onde um rochedo plantado na beira-mar e na extremidade da praia servia de trampolim para os nossos mergulhos.::::7Conheci o poço Maianga do Povo bastante, pois morei muitos anos perto dele, no Bairro da Maianga. Internamente uma escada dá acesso até se atingir a linha de água onde parte da população local se abastecia da água salobra transportando-a por latas ou em barris.

 luis53.jpg O Rio Seco, no período das chuvas quando colecta as águas vindas das barrocas dos Quarteis no seu trajecto rumo à Samba, às vezes bastante caudaloso, passa muito perto destas Maiangas. As águas no seu trajecto final, segundo historiadores, desaguavam numa lagoa que era a Lagoa dos Elefantes antes de se descarregar no mar (no lugar da Samba).

luis52.jpg Os elefantes procuravam a lagoa para matarem a sede mas, pelo progresso, foram obrigados a procurar outros lugares como a Quiçama, pela invasão do seu território. O poço Maianga do Rey está reproduzido em um painel de azulejos nas paredes interiores da casamata, no estilo da azulejaria portuguesa do século XVIII, na Fortaleza de São Miguel.

maximbombo.jpeg Havia também a lagoa Cacimba do Kinaxixi transformada em ponto de abastecimento a luanda antiga do Maculussu e Ingombotas, na qual se abastecem os Padres Jesuítas afectos a Nossa Senhora do Carmo, um pouco acima da Mutamba. Os contos, missossos e mussendos de Óscar Ribas fazem menção desta lagoa, um lugar místico dos kaluandas e dos escravos traficados pela D. Isabel Maria Lane no século XVIII.

maianga do araujo.jpg Nota: A parte 10 (maximbombo) foi um complemento introduzido pelo relator desta.

As escolhas do Sob T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:16
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 19 de Maio de 2016
MAIANGA . XVII

MAIANGA DA LUUA - ESTOU EM PEREGRINAÇÃO À MAIANGA DO M´PUTO
- Luanda esconde, entre casas e ruelas, dois ícones dos tempos em que a cidade começou a ser grande. Eram as maiangas, nomes de kimbundo para “poço”. Maianga do Rei para os ricos; Maianga do Povo para os “outros”.
Por

t´chingange.jpegT´Chingange

afon4.jpg Estamos em Maio de 2016. Sempre a fugir do presente, encontro-me com o passado a dar-me sossego e, que nem um peregrino, rumei de Guaxuma do Brasil para o M´puto, depois segui as kiandas da minha terra de N´Gola e subi até Burgos. Passei uns momentos épicos com meus manos comendo tapas e rodelas de calamares mas, sempre em pulgas rumei a Granada. E, vi Alhambra com meus kambas, kiandas de Granada voltando de novo a Toledo. Ali me mantive curtindo um concílio que ainda dura e, para onde voltarei.

ÁFRICA2.jpg Desci a Málaga e estive com Picasso sem ver guernica; vi catacumbas em seus alicerces com paredes mais velhas do que Cristo. Vi múmias Fenícias, máscaras antigas dos romanos ao jeito de fazer teatro e, agora estou em Coimbra rumo a Ti Matilde de Ansião para cantar Maianga Maianga, bairro antigo e popular, da velha Luanda com palmeiras ao Luar. Espotricando o tempo, aqui estou visitando a tumba do meu tetravô Afonso Henriques a dar-lhe novas, novíssimas. Ele mudo e quedo, nada me disse; coitado já tem as letras árabes e romanas fanadas, esfarinhadas feitas pó. 

kafu10.jpgE agora, rumo à Maianga da Ti Matilde, nossa muxima do M´Puto, revejo a Luanda de casas e ruelas, com dois pontos de água construídos para abastecer a população e, que agora o musseque tapou. Fugindo aos roteiros tradicionais encontro-me entre musseques, tectos de zinco com pedras e tijolos a segurá-las do vento. Sapatos encarquilhados amontoados com restos de coisas indefinidas junto às antenas parabólicas, mostrando alguma riqueza em seus exteriores; cheiros e fumos saindo dos cantos, das fendas e, ruídos de falas com merengues e kimbundices feias de túji e sundiameno. Mas a riquesa mesmo está lá com os filhos e afilhados do EDU, carros Xis-Pê-Tê-Oó, fourd by fourd.

may1.jpgAproveito dizer que o Kimbo blogue a Kizomba do FB pretendem ser uma referência como catalisador dessa pura amizade. Uma força integradora do nosso tempo que subsiste candengue. Kimbo e Kizomba são ou pretendem ser BANCOS DE ÉTICA sem horários, sem mujimbos, sem makas para quem vier por bem, diga-se! 

may8.jpg Por vezes, brincamos afugentando desencantos, mostramos os valores que nos fidelizam. Fiéis à amizade sem esperar nada em troca, sem rompantes de malvadez ou angústias de ter ou não se ter; ser-se amável sem manipular! Sem a preocupação de preconceitos ou conceitos pré-definidos quer-se ser isto, tendo-vos como credores e financiadores a custo zero! Maianga já é velhinha mas, tem alma sempre nova…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:47
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 1 de Março de 2016
KISANJI . XIX

NA COPA DO TEU MULUNGUAs falas de Zeca - No sertão de Lampião… Morre um capim, nasce outro. A vida sempre persegue a gente…

Por

zeca00.jpgJosé Santos Vulgo Zeca mamoeiro, professor Katedrático da Universidade do Rio-Seco da Mayanga da Luua. O maior caçador de sardões das barrocas do Catambor …Poeta das horas passadas 

MULUNGU1.jpgTonito k kamba de carteira, bué doutorado pela saudosa Universidade do Rio Seco da Maianga, te digo que jihenda é paka e os loando da kubata do meu muxima tem kissanje que toca nas lâminas de bambu as fala uaba para ti. Um mambo sério mesmomesmo voa para ti, e, num sei como a tua esperteza de afiador, cheirador, contador…, de terra vai peneirar, dinovo    despeneirar para encontrar minhas pepitas de ukamba, que tem junto um bocado de papel de embrulho da fuba da saudosa Mercearia Morais, da Rua da Maianga, que fazia fisga com a Travessa de João Seca.

zeca0.jpgMULUNGU2.jpg

 

De buelo em buelo ando neste M´puto que não tem cheiro de mato e onde tem doença do catato, que nos meu mambo de aprendiz de kimbanda só sai com o nosso “biológico” CARRO DO FUMO…do mu ukulu. Assim matutando bué, cheirando rapé de macanha…, neste tempo de goiaba podre, botei os meu fumo nas minhas fala de sociologias, filosofias…, e, também, depois de muito catembado, quase um barril nas condição de decifrador das falas.

MULUNGU5.jpg Digo como conclusão, buscando a solução com a ajuda do Piskunov que desconsegui e o meu gigler grande e abafador do carburador, pifou! Assim, lelu e também neste meu estado de bué katotolo onde o frio é azagaia de gelo e já panka o meu miolo, k kamba Tonito, famoso Soba T’Chingange te faço um pedido, mas num digas num dá, porque aí os meu feitiço entra na tua kubata, tu viras múmia dos Egipto, katé piranha desconsegue botar os dentes afiados, Tambula conta!

MULUNGU4.jpg Me manda nas asas de uma bela ARARA bilhete da EVA, para botar minhas férias de descanso na minha xipala, mutue, muxima…, tudotudo está num burilar que dá pena, que nos enguiço pode virar pena e voar como o Catete. Quero comer o meu funji com esse peixinho TRIARA e com a panela virada para mim, para ti, para a Bibi…e demais teus kamba desse Sertão de Lampião. Quero beber esse chazinho de KAVA-KAVA, apalpar o pernão da MOPANE, botar minhas chapas na margem da kalema, meus mergulhos nos fundo espelho nesse MAR VERMELHO, que as tuas fala me fez suar na esteira da Kisola.

MULUNGU3.jpg Tudotudo para envernizar o meu corpo kota de quase imbondeiro sékulu e cheio de salalé…, e, nesse estado de olhar parado para ti, para a tua barriga de ginguba e dizer: - Amami’ééé kamba uaba missosso “MULUNGU…FUI AO MAR VERMELHO” kisola kiavuluvulu ami…”  

Num delíriode avilo desse RIO, tudo teu leio, penteio no papel,

guardo na minha estante de pele de bambu desse uaba mu ukulu. 

Minha kubataestá forrada com folhascheias de tuas falas… 

Minha mulembaé encosto

zeca e eu.jpgParaíso,onde meu feliz riso chama Catete para piar poesia,

                                  chamo o povo para ter prenda 

                                  para ouvir o Zeca, o “grande” nas fala do  T’Chingange

 NGASAKIDILÁ O MUXIMA KAMBA AMI - ZECA 2016022912H33 TSENHOR

As escolhas do soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:25
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015
MUXIMA . LII

MULOLA DA “AMIZADE” - Qualquer um, tem de ter a oportunidade de ter um rio só seu...

Mulola é um rio que só leva água quando chove

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

engraxador1.jpg Ando encafifado com uma máquina de fazer “alegria” para comemorar os amigos que fiz, tendo cada qual mais de 80 outros amigos comuns. Os artefactos que encontrei para elaborar esta, é um segredo de minha patente mas, posso adiantar que além de alegria, a máquina é capaz de produzir arco-íris pra deslumbrar suas vidas; ela, a máquina, tem a capacidade para produzir não apenas arco-íris normais mas também duplos e triplos, e até alguns invertidos ou enrolados nas pontas. Posso acrescentar que o último protótipo é parecido com uma foice!

engraxador2.jpg Quando a amizade é mesmo encharcada de feitiço, até galgamos lonjuras para cheirar feno fresco, assim a ficar com os sentidos inebriados de dias com quatro estações. Até podemos sentir a primavera logo a seguir ao verão; falar por assobios ou mesmo estalidos e escrever por traços e pontos com zeros e uns, sem daí sair e, decerto seguindo um código de entendimento, nos relacionaremos perfeitamente; gesticulando ousadas gaifonas ou mesmo bufando desesperos transpirados.

araujo10.jpg Se a politica nos separa, não se fala mais nisso, passamos ao futebol ou falamos de Madre Tereza de Calcutá! Entre piadas e amuos revigoraremos os percursos no sentido ou ao contrário dos ponteiros do relógio sufragando os doces dum ano que finda e as passas dum ano bissexto que chega. É sempre emocionante ler as mokandas de amigos, mesmo que tenham nomes estranhos como LUSAKIDILU, falas genuínas dum kamba dum Rio Seco! Dum Rio que só o é na lembrança antiga, que se quer sem fungos nem cacos velhos. Rio que só leva água quando chove a montante.

barão2.jpg Um amigo tem sempre missangas para enviar assim o queira, por apitos ou estalidos ou mesmo muxoxos com ou sem nevoeiro, cacimbo ou trovoada de chuva grossa! Gostaria agora, neste instante, de enviar apitos espaciais da Maianga para cada um dos meus amigos que por qualquer razão não têm a cor do meu, nem as mesmas notas, as setas invertidas, um punho fechado ou uma forma fálica a fingir de dedo, assim para cima ou ao centro, ou mesmo uma seitoura com uma planta ou orelha de burro. Isto pouco importa para venerar meu culto crente sem as coisas desatinadas de todos os dias. 

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:22
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 13 de Dezembro de 2015
MOKANDA DO SOBA . LXXXVI

CINZAS DO TEMPOTento aprender a viver com o vazio das coisas … Fui para longe, no tempo, para ver bem os recantos que não podem ser vistos de perto… III

t´chingange 0.jpgT´Chingange

harlei.jpg Hoje era suposto descrever sucintamente as estórias de Monangamba do Zeca Kafundanga, meu irmão preto saído de Cassoalála, mas ainda não encontrei as mentiras certas para contornar verdades e, sem meter resíduos de pólvora; os tempos eram muito de periclitantes com mona-caxitos saídos do paralém de Kassoneca e Kifangondo, coisas de kwata-kwata de gwetas para o M´puto. Todos nós em dado momento de nossas vidas fomos no mínimo, donos de um instante; já fomos loucos o suficiente para sentirmos as rugas das estradas e falarmos em liberdade na forma de discutir carburadores, pistões e velas de ignição.

sachs.jpg Nessas antigas conversas uma corrente dentada era um pedaço de ilusão terminada nas cremalheiras de elos em forma de futuros sonhos. Foram tempos desafiadores em conhecimentos de escapes com espírito motorizado de humilhar motores; tempos de ciências com centímetros cúbicos de cilindrada de filosofias de Famel XF-19, de zundappes, nsus e kavasakis, tempos de muito n´guzu.

puch 2.jpg Na falta de tino, riamos às gargalhadas dos perigos inaceitáveis vindos de polícias agigantados com calças nazis de balão lateral montando Harley Davidson. Falando todos ao mesmo tempo especulávamos sem teimas esclarecidas, comentando mujimbos decapitados no diz-que-diz. O mundo era nosso, enfim! Estes fedelhos candengues cresceram, cada qual para seu lado estudaram e casaram, tiveram filhos, emigraram, fugiram e num ir e vir por aí fiaram na diáspora sentados em sofás de napa, cabedal ou veludo.

amilcar4.jpg Mais velhos, reconsideraram quando lhes passou a tal irritação de orgulho quando já era tarde demais, que afinal não se conheciam as esperanças que tinham; que talvez estivessem convencidos que estariam melhor por lá naquele fim de mundo, a tasca, a fazenda, a picada. Que afinal só reconsiderou quando lhe passou a irritação do orgulho tardio. Aquela fotografia pertencia a outra idade; era impossível regressar lá.

angola rural.jpg Nos pensamentos longínquos cheiram-se as cismas fechadas, as sombras das cenas, os retractos de família amarelecidos e até pintalgados pelas moscas, as cuecas dobradas sobre a roupa na cadeira, as calças ao calhas, enrodilhadas com flanelas e lãs da serra, camisolas de lá, um indistinto lugar no meio da floresta ou para lá do fim do mundo, lugares inóspitos.

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:37
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2015
MAIANGA . XV

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recuperaVII

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

mugi4.jpg (…) Fala-se muito do lixo de Luanda. Isto é só o espelho da avalanche de gente que não era urbanizada, ou é mesmo a incapacidade de se lidar com uma realidade urbana? As duas coisas. O africano comum tradicional é uma pessoa limpa. Basta ver as casas dos camponeses. A passagem para a cidade fez quebras, perde-se o quintal e, às vezes, até os hábitos de limpeza. Na cidade cada pessoa produz X quilos de lixo por dia, isso acumula-se rapidamente. Tem de haver mecanismos de fazer desaparecer o lixo, por causa das doenças.

guerri3.jpg Por outro lado, na nossa época, o lógico é montar sistemas de recolha de lixo em paralelo com a sua rentabilização, para até diminuir as despesas, porque as despesas da recolha do lixo são cada vez maiores, aumentam com o crescimento da população. Recolher o lixo custa dinheiro, o que temos é pura perda, estamos a acumular toneladas de lixo sem buscar soluções para ganhar dinheiro com o lixo. Pode usar-se o lixo até para a produção de energia, recolhendo o gás que o lixo produz e utilizar para a iluminação, para cozinhar etc. Temos desperdiçado os benefícios do lixo. Há experiências universais que devemos aproveitar.

mutamba4.jpg Quando colabora com o Núcleo de Arquitectura da Universidade Lusíada e com a Associação Kalu é porque sente que a palavra poderá ajudar Luanda? São iniciativas importantes. Acho que a Kalu deveria ter maior interacção com as organizações nos bairros, é um exemplo que se deve reproduzir até noutras cidades. A Kalu é uma associação de elite, de vanguarda, com informação e deve interagir com as outras associações de amigos de cidades e bairros pelo país.

roxo.jpg O Núcleo de Estudos da Lusíada traz um aspecto técnico e investigativo que casa bem com os propósitos da Kalu e acho que se deve multiplicar também pelo país. O pouco que sei vou partilhando com eles. Andava há tempos para fazer uma visita pela cidade com a arquitecta Ângela Mingas, acho que esta relação dos arquitectos com as cidades, que não havia nem no tempo colonial … O futuro de Luanda está na palavra? Sim. É importante divulgar e levar as pessoas a lidar melhor com os seus espaços. Mas isso tem de passar pela escola, etc., até pelas escolas de condução, tanta é a falta de educação no trânsito.

FIM

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:01
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015
MAIANGA . XIV

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recuperaVI

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

maianga0.jpg (…) E Ingombota? Aqui há uma mudança. No início da vila aquilo era mato, era lá que se refugiavam os escravos fugitivos, era o primeiro refúgio, o quilombo. Em kimbundo refúgio é ngombota, e essa acção de se esconderem aí baptizou o local. Quando o local passou a ser habitado as pessoas diziam que moravam na ngombota e os portugueses corromperam a expressão adicionando o “I”, ficou Imgombota. É engraçado ver que há nomes da cidade que se mantiveram. A Samba, por exemplo, veio de Elefante: n´samba, em kimbundo, significa elefante. Daí também a tal lagoa dos elefantes de que falámos há pouco. O nome do bairro vem daí!

maianga1.png Luanda passou a ser um conjunto de cidades sítios com características próprias. Olhando para Luanda, consegue imaginar uma cidade que recupere as tardes num jardim com os filhos, a andar de bicicleta, etc., ou na cidade nova a sul? Lamentavelmente, na cidade antiga, mesmo na parte mais moderna, deram cabo de uma grande parte de largos e campos de futebol, não percebo como dizem gostar de futebol sem campos.

maianga4.jpg Agora dizem que vai ser feito um projecto director da cidade, o que poderá preservar algumas coisas… Falta o tal plano, com autoridade suficiente… A nova parte sul da cidade é de um novo modelo, com condomínios… Pode-se considerar isso como vida numa cidade? (Risos...) Não há definições petrificadas, as coisas evoluem, acho que isso faz parte de uma evolução. Nunca estive numa mega cidade como S. Paulo ou cidade do México, que são somas de pequenas cidades. Talvez aí se encontrem exemplos.

maianga3.jpg Quando estive a estudar em Lisboa, por exemplo, vivi num bairro que era mais província, mais campo do que cidade de Lisboa. As pessoas tinham um comportamento que era mais para o lado da província portuguesa do que da cidade. A barreira era apenas uma linha de comboio e uma rua de 80 ou 100 metros. Eram duas formas de vida diferentes. Transformar os musseques em formas urbanas de boa qualidade, e acho muito bem!... Vamos ter uma Luanda com várias cidades? Exacto, vamos ter vários centros urbanos onde espero que haja a capacidade de as pessoas viverem agradavelmente.

(Continua…)

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:41
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 24 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XLI

ANGOLA Velhos quebrantos - No reino do Kongo muito antes da chegada dos portugueses já existia o comércio de escravos… 3ª de 3 Partes

Por

luis0.jpg Luís Martins Soares (Soba T´Chindere) - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes; Um contador de estórias de que dá gosto ler aos candengues do kimbo (reside no Brasil) …

O africano e o tráfico de escravos

luis39.jpg É a partir daqui que se iniciará a conquista pelos portugueses desta região de África. Na chegada do navegador Diogo Cão ao Reino do Kongo, Kongo dya Ntotila ou Wene wa Kongo ou em português: Reino do Congo fez alianças com o manicongo (que significa senhor ou governante do reino do Congo) Nzinga Nkuwu. O reino do Kongo era bastante desenvolvido quando da chegada de Diogo Cão, comercializando cobre, metais ferrosos, ráfia e cerâmica. Tinham habilidade para a escultura incluindo o talhe de máscaras. Pertencem ao Grupo Étnico dos Bantos.

luis38.jpeg Segundo José Redinha (1905-1983) pesquisador e etnólogo português e angolano de coração, escreveu entre outros o estudo “DISTRIBUIÇÃO ÉTNICA DE ANGOLA”, obra editada pelo IICA – Instituto de Investigação Cientifica de Angola, onde menciona que foi estabelecido para os Bantos angolanos várias subdivisões étnicas pertencendo nesta relação, entre outros, o Grupo Quicongo. No reino do Kongo muito antes da chegada dos portugueses já existia o comércio de escravos, mas após a chegada destes o Reino do Kongo tornou-se um importante fornecedor de escravos para os comerciantes portugueses e para outras potências europeias. Havia forte resistência dos nativos à penetração portuguesa para o interior.

luis40.jpg Os portugueses tinham esperança quando da chegada àquelas terras de encontrarem metais preciosos e se nas terras do N´gola haveria prata. Não encontraram esse metal precioso e perceberam que um negócio muito lucrativo seria investirem no comércio de escravos já existente adquirindo-os junto aos povos do litoral. Os escravos eram capturados em guerras ou ataques organizados entre grupos étnicos e vendidos aos europeus. A condenação à escravidão era uma pena utilizada pelos sobas para castigar os delinquentes. Em tempos de grande fome, o indivíduo sem meios de subsistência podia também oferecer-se para escravo, a fim de ter que comer: era o “corpo vendido”.

luis41.jpg Os principais comerciantes de escravos do Atlântico, ordenados por volume de comércio, foram: os impérios Português, Britânico, Francês, Espanhol e Neerlandês, além dos Estados Unidos (especialmente a região sul). Nos países colonizados pelos europeus, os historiadores, sistema educacional e governos jamais vão admitir a participação dos próprios africanos no tráfico negreiro, mesmo sabendo esse lado terrível da história de negros contra negros, camuflando hipocritamente a verdadeira história em que todos fomos culpados.

Fonte de consulta: Do Cabo de Sta. Catarina à Serra Parda de Carlos Alberto Garcia; A Conquista Portuguesa de Angola de David Birmingham.

FINAL

Monangamba – Do kimbundu - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:14
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 23 de Novembro de 2015
MAIANGA . XIII

ANGOLA - Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera – V

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

mutamba7.jpg (…) Além das transformações arquitectónicas, físicas, há um coro de lamentações sobre a qualidade de vida na cidade. Com o que é que se perde as relações humanas? Com mais televisores, mais trânsito, a vida moderna? Acho que tudo entra! Partiram-se as duas estabilidades: a cidade dos brancos e a periferia. Havia uniões entre elas, como o Clube Atlético de Luanda. Cada uma destas duas sociedades, porque havia um corte a separá-las, tinham as suas organizações, os seus clubes. O seu modo de vida, com os seus divertimentos, cada um da sua maneira.

mutamba5.jpg Luanda teria entre 300 a 400 mil habitantes, metade seria de europeus. De repente, noventa por cento de uma parte foi embora. Os da periferia vieram para a cidade juntando-se-lhes os regressados. Criou-se um desequilíbrio que modificou os modos de vida … Não seria espectável que as pessoas que saíram da periferia para o centro da cidade ao menos levassem o seu modo de relações sociais? De certa maneira transportaram, tanto quanto me apercebo. Algumas famílias dos subúrbios mudaram apenas em parte. Como as famílias eram numerosas, no subúrbio, a parte extra que se mudou para a cidade continuou a manter a relação com a outra parte, pelo menos ao fim de semana, essa é uma das coisas boas que se mantiveram.

mutamba4.jpg Com a guerra, com o recolher obrigatório, isso criou um novo modelo social, somados os constrangimentos da falta de abastecimento, algumas vezes, a falta de electricidade … houve ruptura dos equilíbrios e estão a criar-se novos equilíbrios. A cidade que cresceu com populações de fora está agora num período de construção e reconstrução de uma cidade que nunca voltará ao que era … Não se recuperarão as maiangas.

mutamba6.jpg Mas o que é uma mutamba? É uma árvore! Tudo o que é “mu” em kimbundo é árvore. Mutamba é tamarino, que já não encontramos no largo da Mutamba. Há fotografias que ainda mostram as árvores no antigo largo da Mutamba. Mas depois vieram os edifícios da Fazenda, o outro onde está a Sonangol, mas o nome ficou. É como o Kinaxixe que era o nome de uma lagoa.

(Continua…)

José Kaliengue assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:10
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 21 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XL

ANGOLAVelhos quebrantos - Monótona é a vida do perneta; andar sempre no mesmo pé… 2ª de 3 Partes

Por

luis0.jpg Luís Martins Soares (Soba T´Chindere) - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes; Um contador de estórias de que dá gosto ler aos candengues do kimbo (reside no Brasil) …

luis34.jpg O africano e o tráfico de escravos

(...) Ainda no reinado do Infante D. Henrique (1394-1460), com a exploração da costa africana, a Coroa portuguesa empreendeu a construção de feitorias no local. Nesse tempo os portugueses estavam interessados na obtenção de produtos africanos mais o Oriente na busca de ouro, prata e especiarias. O comércio de escravos não despertou aos portugueses interesse algum, pois a mão-de-obra não lhes cobiçada de então. Sentiram a necessidade de serem estabelecidos pontos de comércio e com essa finalidade criaram as conhecidas feitorias, entrepostos fortificados nas regiões litorâneas.

luis33.jpg Em 1448 os portugueses construíram sua primeira feitoria na África: o forte de Arguim (na região da Senegâmbia, actualmente Mauritânia). Pretendiam atrair as rotas próximas dos mercadores muçulmanos no norte da África tendo sido construídas outras feitorias. Em 1460 os barcos e os pilotos portugueses são reputados como sendo os melhores e a fama de sua perícia atrai o reconhecimento europeu.

luis37.jpg Em meados do século XV, a experiência, já os havia transformado nos melhores navegantes do mundo. Marinheiros portugueses começaram a explorar a costa da África, utilizando os recentes desenvolvimentos em áreas como a navegação, a cartografia e a tecnologia marítima, marcando presença na África Ocidental em 1483 com suas caravelas. A verdadeira ocupação do continente africano (BOXER, 1981) iniciou-se com a descoberta e a ocupação das Ilhas Canárias pelos portugueses, no princípio de século XIV.

luis36.jpg Na regência de D. Afonso V, no ano de 1474, este rei incumbiu seu filho futuro rei D. João II, a tarefa de organizar as explorações como objectivos entre outros na marcação da presença portuguesa no Atlântico, na exploração da costa africana e descobrir por via marítima a passagem do Atlântico para o Índico, com vista a atingir a Índia, abrindo as portas para a colonização da costa oriental da África. Com efeito, Diogo Cão chegou ao rio Zaire (1482) e depois, numa segunda viagem de reconhecimento á costa africana, até à Serra Parda (1484). Facto digno de atenção que este navegador teve em transportar nas suas naves marcas de pedra (padrões), com dizeres assinalando a descoberta e garantindo os direitos da coroa portuguesa.

(Continua…)

Monangamba – Do kimbundu - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:00
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Terça-feira, 17 de Novembro de 2015
MONANGAMBA . XXXIX

ANGOLAVelhos quebrantos - Monótona é a vida do perneta; andar sempre no mesmo pé… 1ª de 3 Partes

Por

luis0.jpgLuís Martins Soares (Soba T´Chindere) - Nasceu a 8 de Julho de 1934. Tem agora 81 nos de idade. Uma biblioteca de coisas esquecidas numa Luanda que nessa altura não tinha ainda 18 000 habitantes; Um contador de estórias de que dá gosto ler aos candengues do kimbo (reside no Brasil) …

O africano e o tráfico de escravos

luis32.jpg O tráfico de escravos já existia muito antes da era dos descobrimentos marítimos. O tráfico africano em direcção à Europa iniciou-se em meados do século XV para Portugal, devido a grandes demandas sociais e económicas existentes naquele país e a das ilhas de Açores e Madeira, além de abastecer Lisboa desta mão-de-obra estrangeira. Em 1444, organizou-se uma companhia em Lagos, Portugal, para explorar o tráfico de escravos. No mesmo ano, nessa cidade, 240 escravos comprados pela tripulação e navegador Antão Gonçalves no Golfo de Arguim (Mauritânia), foram divididos e vendidos para o infante D. Henrique, o Navegador, para a Igreja de Lagos, mais os franciscanos do cabo São Vicente e comerciantes.

luis22.jpg O número de cativos chegados a Lagos, em Portugal, à Casa dos Escravos régia de Lisboa, é avaliado por C. Verlinden em cerca de 880 por ano. Os portugueses exploraram inicialmente a costa marroquina, a Madeira (1419), os Açores (1427), Cabo Verde (1456) e a costa Africana da Guiné. Com a ocupação e colonização da Ilha da Madeira e Açores esta leva de mão-de-obra barata foi usada principalmente no cultivo de cana-de-açúcar, que o Infante D. Henrique trouxera da Sicília para a Madeira.

luis21.jpg Na Madeira, as actividades económicas eram a agricultura, a criação de gado e a pesca. Os produtos exportados eram a cana-de-açúcar, cereais, madeira e plantas tintureiras. Por outro lado, nos Açores, os produtos eram os cereais e as plantas tintureiras e outras actividades económicas como a criação de gado, a agricultura e a pesca.

luis19.jpg Nos Açores, a plantação de cana não apresentou resultados animadores. Essa mão-de-obra barata provinha de escravos canários (Guanches), mas como a sua captura era dificultosa, recorreram aos negros africanos por serem mais fáceis de serem obtidos (esta prática já era usada entre tribos por via de prisioneiros de guerra). Os muçulmanos controlavam as rotas de escravos que os vendiam para os mercados da Europa e da Ásia através do Deserto do Saara, do Mar Vermelho e do Oceano Índico.

(Continua...)

Monangamba – Do kimbundu - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:37
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 9 de Novembro de 2015
MAIANGA . X

ANGOLA - MAIANGA em Conversa da Luua - Quando se perde património, já não se recupera - II

Maianga é um bairro de Luanda - Luua

Por:  Eleutério Freire 

may0.jpg  *António Jacinto - António Jacinto nasceu a 28 de setembro de 1924, em Luanda, e morreu em 23 de Junho de 1991, em Lisboa. Foi Ministro da Cultura (1975-78) e membro do Comité Central do MPLA.

(..) Seguramente que uma grande parte da população de Luanda, hoje, não sabe o que são maiangas, porque não são kimbundos… Aqui há algum tempo até colocaram um sinal aí junto à entrada da passagem aérea na Samba, do lado direito, aí havia a antiga Maianga do Rei, que milagrosamente sobreviveu à passagem dos tempos. As maiangas representavam uma ligação entre o antigo e o novo. Eram de construção colonial mas eram maiangas, com designação nacional … Maianga do Rei ainda existe!

may6.jpg E quem não é kimbundo irá perguntar o que significa maianga... Poço. Maianga significa poço de água. Havia a maianga do povo junto ao Clube 1º de Agosto. Aí onde agora é o rio seco era um rio mesmo, molhado, que desaguava numa lagoa que era a Lagoa dos Elefantes. Isso é no bairro da Samba, onde desaguava o rio, mas o rio desaguava numa lagoa antes de dar para a baía. Essa era uma lagoa de elefantes, frequentada por elefantes. Quando os portugueses aí chegaram, e durante muito tempo,  havia elefantes, que depois foram descendo e acabaram por ficar-se pela Quiçama. Mas até ai tiveram azar.

may8.jpgmay00.jpg

O que hoje se conhece por Morro dos Veados foi, até ao séc. XVIII, o Morro dos Elefantes, está escrito em mapas, só que os bichos foram diminuindo e, no séc. XX, já era o Morro dos Veados e agora, se calhar, já só há lá ratos. Mas depois da Independência, dizia, havia a preocupação com as maiangas. A Maianga do Povo, ao lado do Clube 1º de Agosto e a Maianga do Rei que ficava no cruzamento da Rua da Samba com a que vem do Prenda. Recentemente uma empresa que por aí andou colocou-lhe uma tabuleta a dizer cacimba, o que já não é o termo adequado… falou-se disso a alguém da cultura provincial, tiraram a tabuleta, mas não colocaram outra.

may7.jpg Quando os militares tomaram o espaço do hoje Clube 1º de Agosto, havia aí um descampado e havia também a Maianga do Povo, mas os militares foram construindo as suas casas e não respeitaram a distância mínima que se deveria observar em relação aos monumentos. Estou em crer que o António Jacinto* não se quis meter com os militares … Não se fez nada e a Maianga do Povo desapareceu no meio das casinhas. A Maianga do Rei, por milagre, ainda lá está.

(Continua…)

José Kaliengue, assim lembrou

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:17
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 3 de Setembro de 2015
MONANGAMBA . XXXVI

ANGOLA DAS CINZASRETROACTIVIDADESA maka da guerra com raivas  independentistas riscavam os mandamentos de Deus; de um e outro lado chovia metralha… 7

Por

soba0.jpegT´CHINGANGE

Zeca Kafundanga é um personagem criado por mim  porque a necessidade faz o engenho, recordo que ainda eu não era nascido e Kafundanga já por ali calcorreava os quintais da Maianga furtando pitanga, goiabas, gajajas e maçãs da Índia dando berridas aos cães alheios que sempre apareciam a perturbar Sputnik seu fiel amigo, o cachorro doméstico da família Monteiro Cabeças.

kafu29.jpg Durante dois longos anos Zeca Kafundanga manteve-se por ali perto de casa lidando com vizinhos e outras pessoas conhecidas; para ele preto de nascença, era por demais periclitante porque as atrocidades dos outros, provocavam raivas aos mais claros, nos mais brancos; nosso quintal de terra e areia andava limpo, quase lambido porque Kafundanga sem expedientes a fazer lá por fora, além-fronteiras do quintal ocupava-se varrendo com os cuidados para não poeirar. Com tempo em demasiado, ajudava também nas limpezas do quintal do senhor Teixeira, um enfermeiro mulato gordo e solteiro a prestar serviço no hospital Maria Pia como já foi dito.

kafu27.jpg Zeca queixava-se de que assim não tinha jeito de se ser gente, fechado ali com medo das rusgas gwetas, das justiças só átoa e, foi neste então que me confidenciou estar namorando com uma malangina com que queria fazer alembamento; que as saudades saiam-lhe nos poros na forma de catinga e na volta do contorno dos problemas só tinha mesmo seu saliente conforto na arte de cozinhar. Já com vinte e três anos, ano de 1963, tendo eu menos cinco anos e já com o curso de Electricidade, decidimos ir a convite de meu pai até às obras de construção da Fábrica de Cimentos Cecil no caminho do Cacuaco; ele, meu pai, era ali encarregado, responsável pelas drenagens, alvenaria e movimentos de terras.

kafu28.jpg Tinha em mente uma coisa em relação a Kafundanda, queria mesmo alisar as pedras dele porque minhas memórias diziam-me que sim, era preciso saber ver e arredondar suas penedias porque aquela tal de malangina pisava seu milho nas covas dos rochedos desse meu mano preto, e ele comia no pensamento a funje dela, de milho com peixe seco. Eu tinha mesmo de amaciar seu leite coalhado no cerebelo dele e arranjar maneira de mandar vir aquela malangina. Falando com o engenheiro Raposo, ficou acordado que Kafundanga ficaria ali numa barraca de pessoal menor e seria um dos cozinheiros para ajudar no refeitório, fazer assim mais produtiva a gente miúda no trabalho de multifunções, mesmo as desclassificadas de fazer argamassa e molengueiros. Este engenheiro Raposo era um práfrentista em gestão de pessoal.

kafu24.jpg Só sei que Zeca ganhou o suficiente para mandar vir de comboio sua amada Chiquinha Provisória só de nome; eu e ele fomos buscá-la ao Bungo e assim medonhando crepitâncias em fogo suspenso, arredondaram alambamento e, ela e ele por ali ficaram na felicidade com passos líquidos e definitivos, ela arrumando conservas, batendo o pilão, lavando e secando roupa, dinheiro extra de lavar cuecas surradas e pintadas. Ele cozinhando fuba com peixe seco do Sumbe e do Cacuaco, até do Lifune e, outo peixe muito cheio de gerações de ondas do mar. Nós víamo-nos de vez em quando nas miúdas passagens com minha cabeça tecendo novas ideias com tecnologia de ponta e até astral, levando lâmpadas florescentes e outras bugigangas ao observatório da Mulemba de Bettencourt  Faria. Tudo a ser reciclado para observar os astros e contactos com a NASA.

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:12
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2015
KWANGIADES . VII

ANGOLA . TEOREMA DA AMIZADE – As falas de Zeca enxotando no tuje do katotolo da kubata n´dele - para mim O POETA KADUCU!...

Por

zeca00.jpgJosé Santos Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos para fabricar missangas que soele sabe fazer.

zeca e eu.jpg AH! T’CHINGANGE, gostei por demais “MAIANGA – NOSSA FESTA” e jamais te imaginaria tão dotado nas falas, que caem num choro de uma cachoeira algures no nosso coração! Agora fazes marchinhas, modinhas: -"cantemos o dia inteiro/saudade é o nosso orgulho". Belo! Agora tou muito cafifado! Me diz só? Em que folha de palmeira, tu poeta kaducu de uma figa, tu retirou estas falas, katé tem pandeiro do sertão e reco-reco do Rio Seco da Mayanga?Tu és, essa pessoa que tem esses mambo, que os mundele dos intelectualidade dos mundu diz: -“Tambula konta! Tu és pessoa que tens multefacção dos multifacetado!!!

algar0.jpg Tu és exímio regador de folhinhas de cheiro do chão da Nogueira das Terras de Miguel Torga; és pena kuuaba de mulemba da Maianga, que molha no tinteiro do teu muxima, sim o que faz missosso, que tem ninho de catete piando nos bolso dos mini calção dos kandengue do chão vermelho. Tu sabes bué estória do sertão e do Lampião, katé do descobridor da Terra de Vera Cruz, dos coitadinho índio enxutado para as franjas dos amazonas, dos teus antepassados mais passados colonizadores marinheiro, pirata de canhangulo medieval, de catecismo e de esteira na mão para encher o sertão, o mundão de belas mulata…Será que tu tem? Tou, bué contente. Num estou mais sozinho na Maianga. Agora sei que tem três modinhas, marchinhas… Uma demais conhecida e antiga, outra do Zeca, o encantador de mamilos de piteira e agora, a terceira do Caduco poeta Soba T´Chingande, o bangão e sábio das falas de estalinhos (Herero) que tem sala nas barrocas da língua!

ciga2.jpgAmbos são kamba sekulu, kaducu…, do mu ukulu, criados no chão que tem o doce capim penteado e de xipala que tem espelho que mostra o rio lindo - Rio Seco da Mayanga. Agora, tem mambo sério! Qual das três é a mais kuuaba? Pensei muito nas barroca do meu esperto e na conclusão da panela a ferver beijão podre, logologo conclui, porque botou estaladão na minha xipala! Então é assim. Que importa esses mambo da kuuaba! O que importa é o verdadeiro sentimento, o orgulho (tu sentes, dizes) expresso nas falas e num interessa aquecer mais a cabeça, com mais massembar com o pilão no braço cansado no meio das kinamba e no quentinho dos matuba ou…nos…, na preocupação da gramática, aritmética…, lá dentro com o sujeito, o verbo, o predicado…, a métrica, a rima, a metáfora…, os búzio zuelando com o feitiço, as kubata aceso de velas na mão. Repito, deixa tudotudo sair voando no colo de uma esteira pelo kooilo de N´Zambi e levar transportando o sentimento verdadeiro e sem esses mambo de exposição focado por holofotes dos matumbo licenciado nos iluminação.

maian8.jpg É isso, que tu fazes, mukanda verdadeira, por isso és kimakambaami sossegado no meu coração, tens meu carinho, te levo Baleizão, quê? Ah! Sorvete, gelado, das “covas” cheias de doce do lugar do nosso saudoso kamba tarik - BALEIZÃO. Mas, tem outro mambo sério, porventura o de xuxualho de muitos, porque no desconseguir, não topa sentimento sorrir e nos desrespeito, não respeitar tão grande paixão de uma vivência que tem kubata no nosso coração. Tambula konta, T´chingange? De hoje em diante, só topo esses mambo dessas fala de “poesia”. Pra mim, chega missosso feito de feijão preto podre na panela fervendo com carne de cabrito do muxito de mabuje branca, o coitadinho do sekulu sem os n´guzo…, morto na koka do chumbo da Diana (arma de matar pássaros)…

Teu mano Zeca, enxotando o tuje do katotolo da kubata n´dele.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:10
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 5 de Agosto de 2015
MONANGAMBA . XXXIV

ANGOLA DAS CINZAS . RETROACTIVIDADESPois, surgiam ocorrências com maka, muzungué de porrada 5

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE

ara3.jpg Kafundanga tinha muita vaidade no que fazia e, com sincera vontade, muitas vezes ouvia-o dizer que ser-se cozinheiro tinha muito de imaginoso porque a boca era o esconderijo do coração. Amolecia sua alma suspirando na maré dela bonitando sempre suas conversas com Nossa Senhora da Muxima; por vezes, seus olhos amoleciam todinhos exibindo seu peso de saudade ou adivinhações de casos pensados; fazia da vida seu noivado, armazenando punhados de lágrimas no seu labirinto subterrâneo com vontades ainda por realizar.

araujo1.jpg Lá pelo ano de 1956, meu tio Nosso Senhor de alcunha e Manuel Loureiro de nome escriturado, chegou do M´Puto no vapor Uíge; sua chegada alvoroçou nossas vivências por algum tempo, ávido de novas coisas. Ele, meu tio, comprou um cacho de bananas inteirinho para nós e, com elas lambuzamos nossas gulas por algum tempo até quase as enjoarmos. As últimas já pintalgadas, começamos a partilhar com o saguim do senhor Teixeira um velho vizinho enfermeiro gordo e mulato de cor. O saguim ficava nos fundos do quintal dele, encarcerado de coitado todo o tempo à sombra de um frondoso abacateiro.

besanga0.jpg À sua volta era mesmo só rede de capoeira reforçada e, nós candengues aproveitando o senhor Teixeira de turno no Hospital Maria Pia saltávamos o muro ficando ali a fazer gaifonas ao pobre macaco tendo por companhia o rafeiro Farrusco que ladrava à toa enciumado; este pelo de arama tinha uma amizade chegada a mim e a Zeca Kafundanga e, por isso impunha seu sentimento de ladrar no desconforme. Naquela casa do senhor Teixeira, naquele quintal e naquela varanda havia cheiros cheirosos, plantas com flores e cores intensas.

kafu14.jpg O senhor Teixeira era primo de primeiro grau de Óscar Ribas, um senhor que por ali aparecia tacteando o muro, as coisas, cirurgiando o escuro encerrado nos dedos da visão, fazendo festas ao papagaio louro filho-da-caixa que não nos gramava, palrando kimbundices entre fetos verdes; ele, Óscar Ribas tacteava os restos no interdito de tudo e o sacana do Jacó todo submisso às sua caricias; a nós não nos topava, assim que ficávamos ao seu alcance ferrava-nos seu adunco ódio na forma de bico. No entanto, com este senhor cego, eram só caricias, um amor desentendido para nós. Curvava-se todo permitindo festas na cabeça de penas eriçadas e cuspilhando falas que ele, senhor Óscar, parecia entender de topariobé, sundiameno e asneiras nossas desconhecidas!

kafu16.jpg Nós muito carecidos das compreensões do mundo, esquecidos dos comportamentos por sermos mais filhos da rua do que das nossas casas, emigrávamos nossa condição por todo o bairro da Maianga aonde todos se familiriavam, assim como aparentes parentes. Nossos pais tinham suas próprias governações e, só apareciam quando surgiam ocorrências com maka ou muzungué de porrada e que ai e que ui, e nós invocando nossas razões ponderativas, nossas secretas funções, sigilosos assuntos com dúvidas indignatórias com o tempo correndo do jeito dele…

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:34
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 29 de Julho de 2015
MAIANGA . VIII

A KIZOMBA - Onze Benefícios de que o whisky faz bem à saúde - O concelho de um amigo quase-quase centenário de nome Manuel Rodrigues…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

wisky1.gif O uísque de Portugal, o whisky da Escócia, o whiskey da Irlanda ou EUA, é uma das bebidas alcoólicas mais populares do mundo, graças ao seu sabor diferente e ao fato de ser a bebida que menos provoca ressaca. Acrescente-se o fato de possuir várias propriedades medicinais, e daqui estar explicado a história de seu sucesso. Benefícios:

1 - Estimula a memória: O uísque contém antioxidantes que ajudam a melhorar a saúde do cérebro. Adicionalmente, o etanol contido no álcool estimula a circulação sanguínea, o que também contribui para o bom funcionamento da memória.

2 - Alivia o estresse: Com moderação, o uísque pode reduzir o estresse e acalmar os nervos. A combinação entre reduzir a atividade cerebral e aumentar a circulação, que fornece ao cérebro sangue oxigenado, é essencial para acalmar-se.

wisky0.jpg

 3 - Combate o aumento de peso: Comparado com seus similares, o uísque é uma bebida alcoólica de baixa caloria, sem gordura nem colesterol. Se você está de dieta mas quer saborear um drinque, esta é sua melhor opção.

4 - Reduz o risco de AVC (derrames): O uísque impede o colesterol de acumular-se no sistema cardiovascular e pode auxiliar a remover o excesso de colesterol no organismo. Também relaxa as paredes das artérias, reduzindo o risco de obstrução. Tudo isto contribui para reduzir os riscos de AVC consideravelmente.

5 - Reduz o risco de câncer: O uísque possui um antioxidante chamado “ácido elágico”, uma substância que impede o DNA de entrar em contacto com substâncias cancerígenas.

wisky2.jpg

 6 - Auxilia a digestão: - Durante séculos o uísque foi considerado um auxiliar da digestão e consumido após refeições pesadas. A composição do uísque e sua alta percentagem de álcool fazem com que ele seja um inibidor do apetite.

7 - Faz você viver por mais tempo: - Os antioxidantes no uísque ajudam a lutar contra os radicais livres - a causa número um do envelhecimento, além de prevenirem várias doenças. Assim, o seu organismo poderá ter uma vida mais longa e saudável.

8 - Pode ser consumido - moderadamente por diabéticos: - Uma dose de uísque, jamais bebida com o estômago vazio, não fará mal aos diabéticos. Há que cuidar, pois embora a bebida não contenha carboidratos, o seu alto teor alcoólico pode causar hipoglicemia (nível de açúcar no sangue inferior ao índice saudável).

wisky4.jpg

 9 - Melhora a saúde do seu coração: - Beber uísque pode, de fato, ajudar o seu coração a manter-se saudável, pois tem efeito similar ao vinho tinto. Reduz o risco de formação de coágulos e, portanto, previne a ocorrência de AVC e ataques cardíacos. Os antioxidantes do uísque também inibem a oxidação de lipoproteína de baixa densidade, um factor importante nas doenças cardíacas.

10 - Melhora a saúde do cérebro: - Uma pesquisa conduzida em 2003 demonstrou que, graças às qualidades antioxidantes do ácido elágico, o consumo moderado de uísque reduz o risco do Mal de Alzheimer e demência, bem como melhora as funções cognitivas. Basicamente uma dose por dia é o suficiente.

11 - Previne e trata de gripes e resfriados: - O uísque é conhecido por seus efeitos positivos em relação a alergias e resfriados. É um eficaz xarope para aquela tosse provocada por uma “coceira na garganta”. O álcool ajuda a matar bactérias na garganta. Melhores resultados são obtidos ao se adicionar um pouco de uísque a uma xícara com água quente e suco de limão.

Maianga: Um bairro antigo de Luanda e, aonde há sempre um mussendo, um missosso para contar.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:12
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 27 de Julho de 2015
MONANGAMBA . XXXII

ANGOLA DAS CINZASAFAGANDO LEMBRANÇAS - Zeca Kafundanga, um personagem que ainda só era kandengue …3

Por

t´chingange 0.jpgT´CHINGANGE

kafu11.jpg Kafundanga vivia em um anexo-suíte com quarto de banho privativo no fundo do quintal da rua José Maria Antunes número vinte e dois. Meu pai Manuel Cabeças decidiu fazer em madeira um puxadinho, assim um prolongamento de duas águas logo a seguir ao tal de suíte em alvenaria, património original do senhorio. O quintal grande tinha mamoeiros, fruta-pinha, goiabas e um grande pau de mandioca brava que cobria o tanque de lavar roupa com sua copa. Junto ao galinheiro coberto a chapa de zinco Manuel Cabeças, meu pai, construiu um forno com argila, cal e tijolo burro e, ao lado um alpendre também coberto a chapa de zinco com uma mesa e bancos corridos. Era neste forno de quintal que minha mãe Arminda, Forreta de alcunha, fazia pato com batata, coisa que só mesmo ela sabia fazer.

kafu6.jpg Foi neste quintal que Kafundanga, ainda novo, começou a revelar dotes habilidosos de cozinha e entre esfregões, barrelas de sabão macaco com esponjas de pepino (luffa), nos intervalos aprendia como fritar ovos e assim passou em definitivo a ter um tirocínio de estagiário grátis e até gratificante no lar doce lar da Dona Arminda Topeta Forreta, senhora minha mãe.

kafu13.jpg E, passou a tratar das galinhas do mato (fracas) pombos, indistintos galináceos e até passarada e periquitos, que também por ali estavam em gaiolas distinguidas. Eu, ainda puto de uns talvez quatro anos recordo de o ver muito atarefado fazendo seus remendos à dita capoeira e gaiola; havia por ali uns alheios gatos cobiçando os vistosos periquitos e catatuas.

kafu9.jpg Aquele quintal era um mundo muito repleto de barulhos desde os primeiríssimos raios de sol e, os cantares misturados eram aconchegantes aos nossos ouvidos. Havia ali celestes, rabos-de-junco, canários, catetes do Icolo, tico-ticos, viuvinhas e outros eteceteras que no correr do tempo Kafundanga apanhava com visgo da mulemba e armadilhas engenhosas em sítios não muito longínquos.

kafu8.jpg Recordo mais tarde uma poça de água não muito longe do Poço da Maianga, em direcção à Samba e bem perto da casa dos malucos. Naqueles idos tempos de 1949 tudo aquilo por ali era mato! Luanda só chegava mesmo ali ao largo do sinaleiro da Maianga confrontando com a horta do Miguel das Barbas e, com a estação da Cidade Alta e asfalto, malé (não tinha!), só mesmomesmo pó.   

Monangamba - trabalhador sem especificação, faz-de-tudo (por vezes pejorativo).

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:02
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 4 de Julho de 2015
MUXIMA . XLIV

TEMPOS QUENTESO esquecimento existe em nós para que nos seja possível suportar as agruras…

Por:

soba0.jpg T´CHINGANGE - Nasceu em águas internacionais num vapor chamado Niassa. É cidadão do mundo, Angolano na diáspora - Mazombo por condição; anda pelo Mundo à procura de si mesmo! Sente-se e respira Angolano, tem cédula de Brasileiro, B. Identidade do M´Puto. Anda por África às arrecuas para fugir à regra, um paradigma novo, só dele.

ciga0.jpg Faz algum tempo uma cigana ao ler minha sina, ela e eu assustamo-nos; teve de ler a mão esquerda e a direita porque meu destino não cabia em uma só. Ficaram uns pozinhos por analisar e teve por isso de ler as costas, os nodosos dedos chegando às unhas encortiçadas e as veias salientes percorrendo desde o mindinho até ao polegar com suas falanges falanginhas e falangetas. Nossos instantes são muito cheios de surpresas com espaços indefinidos e, nem sempre atilamos essa diversidade entrelaçada nas adversidades. O esquecimento existe em nós para que nos seja possível suportar as minudências e às vezes até é bom ter fraca memória porque os episódios do mundo assustam-nos.

ciga1.jpg As coisas de nossa vida nunca se imaginam tal e qual como depois acontecem e mesmo sem nós querermos surgem percalços e, até se compreende porque se pudéssemos empacotar o sol estávamos a tinir de frio; decerto apareceria um grupo de gente como nós mas muito mais iluminados a açambarcar o comércio, tudo ficaria para eles e o resto lixar-se-ia! Menos mal que Deus omnipotente e omnipresente não deu esse poder a ninguém, embora haja muitos a querer-nos fazer trapaça porque tem os olhos o cérebro e o cerebelo mais desenvolvidos; coisas que nem sempre são visíveis a olho nu. Não é fácil a uma cigana ler nas entrelinhas a vida da gente; sempre haverá umas mais engelhadas.

ciga2.jpgMuitas vezes coramos de indignação porque queremos saber sempre mais e mais como se isso fizesse parte de nossos diários íntimos; desta feita, ao transmitirmos conhecimentos aprendidos, tornamo-nos involuntários mensageiros do mal ou do bem; coisas da globalização. Por vezes sem o saber, transportamos mensagens não fidedignas e nem sempre nos apercebemos que esse altruísmo nos transcende na consciência e na competência; e somos num ápice, ou o diabo ou uns santos sem asas porque os verdadeiros não voam.

ciga3.jpg Nem sempre aquilo que se nos parece sincero reflecte a falta de memória da humanidade. Um dia descobri que estava morto, não porque tivesse defuntado mas porque outros quiseram que assim fosse; esta convenção de convencimento são paradigmas excêntricos pelos hábitos que nos criam para nos desvirtuar. Eu morri e pronto! Isto deve-se talvez às manobras sub-reptícias de satanás, ou ao excessivo corrompimento da sua figura no século seculorum de envangelização cristã!

ciga6.jpg E nós, que estamos no país das maravilhas podemos muito bem ser presos só porque denunciamos a corrupção. Por isso ando com uma imagem da Nossa Senhora Virgem Maria no vidro do meu carro ford anglia de ora bolas, esse tal do vidro fora de esquadria. Mas quase tenho a certeza que não é esta a imagem que me libertará de qualquer mal porque quase tenho a certeza que não é por aqui que o bicho pega! E, quanto a falar do futuro! Que futuro? O futuro pertence a Deus! Uma fácil forma de propositarmos nossa existência.

Muxima: saudade, Nossa Senhora do Kwnza.

O soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:03
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 11 de Maio de 2015
MISSOSSO . XV

NAS BARROCAS DA LUUAMaianga com seu Rio Seco, um lugar notoriamente ecológico e sustentável.

Por

soba0.jpg T´Chingange

surucucu5.jpgPorque tinha de arranjar maneira de me entreter, procurei entre meus mofados escritos, alguns acontecimentos milagreiros ou milagrosos para nosso Jesus o Nazareno, poder apreciar em seus mais aborrecidos tempos. E como de toda a vida é a infância aquela que mais merece chamar-se vida, terei de ir ali beber meus mais alegres ócios, bocadinhos de coisa alegre e fidedigna que só podem ser escritos em língua morta, assim comos os escritos do antigamente, os apócrifos. E, porque agora andam todos à pancada e também porque Deus, sendo omnipotente não faz a todos acreditar na mesma coisa e, embora eu goste das diferenças, respeitarei a cultura monoteísta por uma questão de princípios, embora tenha notado que ele, o Nosso senhor de Nazaré anda muito distraído com muita gente morrendo à toa e, sem ter feito mal a quem quer que seja.

Um dia de primavera, tempo chamado de cacimbo, eu e meus ávilos mais próximos candengues, apetrechamo-nos de palhinhas longas e suficientemente duras para apanharmos grilos, ralos e gafanhotos. Com uns caniços entrelaçados em mateba fizemos umas gaiolas para aprisionar estes ditos bicharocos. Fizemos um concurso de para ver quem caçava mais grilos e qual deles viria a ser o mais cantador. Todos nós a concelho de Zeca Mamoeiro armados de zingarelhos e acessórios lá fomos para as barrocas da Luua, um sítio chamado de bananeiras do Rio Seco porque era um lugar notoriamente ecológico e sustentável.

surucucu01.jpgTratando-se de uma caçada, houve quem levasse comidinha roubada em suas casas como arroz e batatas mas, eu e Zeca levamos tirinhas de mamão entremeado com jindungo de Zenza-do-Itombe, fanado. No nosso pensar, os grilos, antes das cantorias celestiais e nupciais, abancavam-se com pedaços de fruta e cereais variados como a massambala e girassol. Nesta feita, o Zeca, mais entendido nestas paragens de barrocas era o chefe; bom, também só eramos dois mas ambos tínhamos postos e nome por causa da inveja, ele era o chefe e eu, o subchefe.

Convém aqui descrever que o Zeca que conhecemos hoje como um conceituado póetólogo um katedrático da Universidade do Rio Seco, mesmo em pivete, já era uma espécie de professor Pardal, que parecia viver sempre em um mundo separado, o da Luua. Usava calções de caqui e um quico na cabeça com uma pena vermelha de cardeal entalado na letra G doirada nos dizeres “Eu sou um génio” e, era mesmo! Só que um pouco desengonçado! Já nesse tempo falava pelos cotovelos numa forma só dele, sua peculiaridade de kimbundêz amilongado com a sua, nossa mulola.

surucucu1.jpgPor vezes tinha um tique aristocrático, um trejeito soluçado, assim de como um jigler de carro entupido, que lhe nascia no esófago e lhe explodia atabalhoadamente nos beiços enrubescidos; uma pomposa atitude assim na forma de meio indígena meio alienígena, marciano mesmo e, todo ele amissangado de banga, um estilo que soele sabia fazer. Esta banga, conseguiu mantê-la até agora já século! As garinas adoravam isso e enroscavam-se nele como lapas: Fala só pra mim Zeca! Aquela Luua de feitiço do seu Rio Seco encafifou-o perenamente.

Voltando à caça. Nesta feita Nelito e Zorba levaram bocadinhos de toucinho enfiados ao jeito de espetadas. Pica e Rente levavam suas varetas palhinhas untada de visgo para colarem os bichinhos e na ponta colocaram uma maça-da-índia. Enfim, cada grupo levava seus unguentos e mixórdias mais variadas na perspectiva de serem eles os campeões. Necas, o gândula era o fiscal inspector-geral das verificações. Naqueles dias todos os momentos eram especiais mas a caminho da nevrálgica zona dos fuca-fucas e grilos entretivemo-nos a ver os escaravelhos egípcios transportando bolas de merda-seca para os seus armazéns. Bom, aquele lugar por especial, era também retiro de escapatória assim uma retrete arejada para os candengues e não só, se aliviarem.

Claro que os maleducados do Prenda, Maianga e Catambor em seus trumunos de futebol de areia ai se refugiavam em escapadas chamando àquilo genericamente de mato. Os trabalhadores mwangolés, albanis de obras em execução por perto também iam ali obrar. Eu e Zeca recolhemos umas bolas de tuge já confeccionadas e juntamos às fatias de mamão com jindungo como complemento ao engodo, assim pensamos e assim fizemos.

surucucu2.jpgDepois de se atribuir a cada par suas áreas de caça, estipulamos por estatuto meia hora para o feito e, cada qual foi para a sua falésia, duna ou savana dar cumprimento ao regulamento previamente elaborado. Para que conste o regulamento tinha 5 itens e porque é bem transcendente aqui se mencionam: -Paragrafo único - Duração de meia hora; 1º - Os grilos valiam 5 pontos; 2º - Os fuca-fucas (formiga leão) valiam 4 pontos; 3º - O louva-a-deus valia 3 pontos; 4º - Os ralos valiam 2 pontos; 5º - as carrochas de chifre valiam um ponto.

Meu parceiro Zeca, um experimentado caçador de xirikwatas, celestes e rabos-de-junco e, também conceituado pescador dos mares da Samba, despertou-me a atenção para um buraco mais especial, mais redondinho e com uns ossinhos de rato ali por perto. – Vamos apanhar um grilo pré estórico, disse ele! Eu nem sabia nada disso do pré estórico, uns tempos antigos de mais para lá do Jurássico, um tempo muito antes de Cristo aparecer na Galileia! Um puto assim tão esperto, este Zeca era um mestre de mulola sem salalé; eu só podia mesmo seguir suas ensinações. Juro que estava meio desconfiado mas, acabei por concordar.

surucucu8.jpgMetemos a palhinha mais comprida com uma fatia de mamoeiro com o tal de jindungo do Zenza do Itombe; já me esquecia deste pormenor, na ponta da palhinha espetamos um olho de sardão seco para dar sorte; o jindungo foi fanado das bikuatas do meu pai Manel cabeças e Zeca, neste entretanto rolava num cada vez e, parava e no depois prosseguia a palhinha com todos os cuidados, malembe-lembe ela foi entrando. – Olha só! (suspense silencioso) … Disse Zeca! Parece mesmo que aqui tem grilo gigante! Parece que neste entretanto sentiu qualquer movimento paleolítico. Os dois ficamos mirando o buraco com espectativa e, ei que…!? Putaquepariu, assim tudo junto, cada qual com seu grito, cada qual com seu medo de acagaçado! Saiu de lá uma surucucu gorda que nem um mostrengo do lago Ness.

Abuamados, ambos tropeçamos na confusão em cima duns biscoitos malcheirosos ainda frescos e demos às de vila diogo, berrida memorável! Tremendo de bravura, naquele pequeno planalto de argila rasgada pelas águas, os outros putos fidacaixas, candengues de tuge, riam só á toa apontando nossas habilidades emborradas.

surucucu6.jpgEscusado será dizer que não ganhamos o concurso. O regulamento não previa cobra mas, nossa valentia ficou reconhecida, lavrada em cachimónia até aos vindouros e hodiernos dias. Aquele buraco, bem feitinho enganou-nos. Mas, Zeca e Tonito que soeu, passaram a ser vistos como os candengues mais desaprumados daquele bairro. Nesse lugar das barrocas, vivem agora os mwangolés de banga, que mandam mais nos outros que neles mesmo. Chama-se Alvalade talvez em homenagem aos leões que por ali andaram nos tempos de Cristo da Galileia.

MISSOSSO: Conto de raiz popular que em Angola teve seu criador e percursor o escritor Óscar Ribas. Neles, há diálogos com espíritos, calungas ou kiandas e animais que falam, riem e até fazem pouco dos mortais, superstições e crendices que fazem parte da cultura dos povos Bantus…

O soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:31
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 10 de Maio de 2015
KANIMAMBO . LXII

REGRAS DE VIDA - A liberdade de sermos saudaveis ou morrer atascados em adstringentes, comprimidos e drogas várias 5ª de 5 partes

Por

ADELINO VIEIRA

HPIM1302.JPG(...) Depois de meses de tratamento, chegou o momento em que o dia do pobre Alfredo já não le queria ficar bom; ele queria voltar a fazer a vida que tinha antes de começar o tratamento das doenças que o médico descobriu. Agora a viúva ou os filhos vão ter que pagar. O pior é que o médico já chamou ao seu consultório a Sr., Cristina, pois não quer que ela tenha problemas por se sentir sozinha. Ela precisa urgentemente de ser medicada. Está em risco de depressão e anda com muito stress. Está também um pouco anémica e perdeu a vontade de comer. A vida continua, tanto para a Sra., Cristina como para o sempre dedicado médico. Esta minha pequena história é dedicada a todos, sejam eles quem forem: médicos ou pacientes. É acima de tudo, uma chamada de atenção para aqueles que delegam em terceiros a responsabilidade da sua saúde.

HPIM1319.JPG Esses terceiros, a grande maioria, querem sim saber e cuidar da nossa ou nossas doenças, prelonga-las enquanto podem, encobrindo sintomas sem nunca atacar as causas, e não da nossa saúde. A medicina ganha dinheiro com doenças e nunca com a saúde. Nada daquilo que aqui está escrito é contra os médicos. Eles, não têem culpa da medicina não ser capaz de resolver os problemas das pessoas no que diz respeito à saude. Quando eles, os médicos entenderem isso, talvez muitos mas mesmo muitos procurem alternativas, pois elas existem e altamente confiaveis. Protejam a saúde, como protejem qualquer outro patrimonio.

HPIM1357.JPG Lembrem-se: a saúde é o nosso maior e mais valioso bem. Sem ela, os outros bens de nada valem. Sejam livres, pois ser saudavel também é liberdade. Podem não acreditar, mas até essa liberdade nos querem tirar. A liberdade de sermos saudaveis. Corremos sérios riscos de num futuro muito próximo, não termos alternativas se não pensarmos sériamente em nós. É que há já muito tempo, muitos de nós julgam que os outros é que devem resolver os nossos problemas. Mas... esse é o plano. Cabe-nos simplesmente dizer NÃO! Qualquer semelhança com factos reais é só pura coincidência. Será?

(Fim)

KANIMAMBO: Obrigado (Moçambique); um estado de vida; como Deus quer.

Ilustrações do Soba

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:57
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2015
FRATERNIDADES LXXVIII

TESTEMUNHOS NO TEMPO - Tenho saudades de Angola - 2ª de IV Partes

Por

Luis Martins Soares Luis Martins Soares

Luua.jpgQuando os pais estavam de "boa maré" um bom programa eram as matinés do Nacional Cineteatro e do Cine-Colonial para vermos o mais famoso Tarzam interpretado por Johnny Weissmuller com sua companheira Jane e a macaca Cheeta recebidos pela garotada com muitos gritos, Cantinflas, o Bucha e o Estica ou algum filme americano romântico e vez por outra uma produção portuguesa. Os filmes do farweste com John Wayne, de Roy Rogers ao lado do cavalo Trigger, também arrastavam muitos crianças e adultos para as únicas salas de espetáculos da década de 40. Das bancadas de cimento do velho Colonial onde os desprotegidos da vida adquiriam os ingressos mais baratos para desfrutarem um pouco de lazer. Que ás vezes aos gritos de “aiuê” levantavam-se desesperados com os choques elétricos que recebiam no "mataco" devido a curto-circuito e que em determinada cena avisavam à pessoa do bem que o bandido estava prestes a atacá-la. Que quando a pessoa do bem ficava em desvantagem era admoestada com as palavras "eu te avisei" ou "olha o bandido".

Depois vieram outras salas como o Aviz, o Restauração, Tivoli, o popular Miramar, o Tropical, o Império, e outras salas espalhadas pelos Bairros e Agremiações. Saudades das frutas de Angola e sabores variados: o maboque que com a sua casca dura encerra no interior a polpa agradável de ser degustada acompanhada de um aroma intenso; o maracujá com polpa cheia de pequenas sementes rodeado de camadas gelatinosas; da múcua fruta do imbondeiro aquela árvore de tronco bojudo e fibroso. A casca da múcua é dura e no interior as sementes são envolvidas por uma espécie de algodão um pouco ácido que se dissolve na boca; o sape-sape, a fruta pinha, a pitanga, o tambarino de sabor inigualável, a goiaba, banana, manga, o mamão e a papaia cujas árvores eram cultivadas nas maiorias dos quintais. E muitas outras, não me esquecendo também da romã.

maianga 2.jpgTenho saudades das quitandeiras vestidas de panos coloridos vendendo peixe e frutas da terra, batata doce e mandioca acomodados nas kindas à cabeça, num jogo de equilíbrio. Dos seus pregões chamativos convidando as donas de casa a comprar a mercadoria. Dos filhos transportados às costas amarrados com panos e acomodados nas ancas para serem aleitados. Saudades dos pescadores pescando na Baía com as canoas escavadas em troncos e impulsionadas com varas de bambu. Cobertos com panos enrolados na cintura e na cabeça uma espécie de turbante tentavam pescar aqueles peixes que depois eram vendidos de porta a porta. Das mulheres axiluandas junto à ponte da Ilha, que não era ponte, catando mabangas nas areias brancas e negras local ideal para reprodução da espécie.

Nota: Texto capiangado a este ilustre amigo e, já publicado em Memórias da Maianga no Facebook

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:05
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2015
FRATERNIDADES LXXVII

TESTEMUNHOS NO TEMPO  Tenho saudades de Angola - 1ª de IV Partes

No 439º aniversário de Loanda

Por

Luis Martins Soares Luis Martins Soares

 Tenho saudades da minha Angola! Da Luanda que me viu nascer! Não desejo que outras imagens interfiram no meu álbum de recordações para que veja Luanda como a deixei em 1975. Saudades da minha infância na Maianga, do morro da Maianga, Bairro Operário e do Bairro da Cuca. Saudades das brincadeiras de crianças, do Rio Seco, da Cacimba e do Miguel das Barbas. Da pedra da Praia do Bispo que servia de trampolim para os nossos mergulhos. Das barrocas perto da Companhia Indígena cenário para as nossas fisgadas às rolas, pardais e celestes. Saudades da Escola Primária José de Anchieta onde através da Cartilha Maternal de João de Deus aprendi as primeiras letras. Lá senti nas palmas das mãos as dores das palmatoadas com a "menina dos 5 olhos" ou com as batidas da vara comprida nas orelhas como castigo por não ter estudado as lições.

 Das caminhadas a pé pelas areias quentes até chegar à escola, em companhia da minha irmã e no regresso a casa onde tínhamos que andar descalços para preservar um pouco mais os sola das sandálias.  Saudades das pisadas nos espinhos arredondados do capim e das aventuras por nós praticadas ao saltarmos os muros das hortas para roubarmos goiabas apetitosas e as "berridas" que apanhávamos quando, aos gritos de "kwata" emitidos pelos serventes éramos perseguidos pelos cães de guarda até conseguirmos alcançar o muro e saltarmos para o lado oposto.

 Ainda conservo na planta dos pés as cicatrizes dos cortes provocados pelos cacos dos vidros escondidos no capim. Dos cigarros feitos com barbas de milho, enrolados com papel de embrulho da mercearia e fumados às escondidas. Da bebida feita por nós com a fruta vermelha colhida nos cactos rasteiros e espinhosos dos areais da Maianga, bolunga esmagada, açucarada e deixada fermentar por alguns dias. Saudades das noites onde a criançada da vizinhança se juntava brincando às escondidas, da cabra cega, carniça, passa-passa, passar anel, pular a corda e muitas outras. Outras vezes sentadas nas esteiras ouvíamos histórias contadas pelos mais velhos. Ai que saudades dos domingos, dia da semana esperado com ansiedade, motivo para não estudarmos, para irmos de passeio ao Parque Heróis de Chaves ou ao Jardim da Cidade Alta.

Nota: Texto capiangado a este ilustre amigo e, já publicado em Memórias da Maianga no Facebook

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:44
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 20 de Dezembro de 2014
MAIANGA . VII

CINZAS DO TEMPO - Muito bom dia com tremoços!

Maianga: Bairro de Luanda

Por: T´Chingange

:::::

Não podemos falar todos os santos dias em coisas menos boas e, muito menos em tempo de natal, tempo de distribuir carinhos mesmo que carunchosos o sejam, sendo assim vamos falar de tremoços, o camarão dos pobres que comidos com casca fazem bem ao reumático. Pois o tremoço é um alimento óptimo para o metabolismo, um conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior de nosso vivo organismo. Sabemos que o tremoço é um aperitivo mas, a maioria desconhece ser um alimento muito nutritivo. Estes e as sementes de outras plantas semelhantes, pertencentes ao género (Lupinus, do latim), são também muito apreciados como alimento para o gado.

:::::

Trata-se de sementes muito ricas em proteínas, carboidratos, gordura, cálcio e ferro. Os tremoços devem ser considerados na nossa alimentação porque proporciona uma quantidade considerável de calorias (370 kcals/100g). Não são de fácil digestão e, por isso devem-se mastigar sem pressas.Tem propriedades anti-diabéticas, e diuréticas (ajuda a urinar) e, é vermífugo (ajuda a expulsar os vermes dos intestinos). Convém, portanto, aos diabéticos, como um alimento que permite variar a frequente monotonia da sua dieta, já que é pouco conhecido. É também recomendado aos desportistas pelo seu valor nutritivo.

:::::

As sementes de tremoço cruas contêm pequenas quantidades de um alcalóide tóxico, que é uma substância de carácter básico da própria planta, podendo ser também derivadas de fungos, bactérias e até mesmo de animais; o sabor amargo que tem em cru, desaparece com o cozimento ou quando são postos em maceração, de molho, durante algumas horas em água e sal. As variedades de tremoços que se destinam ao consumo humano foram melhoradas geneticamente e praticamente não contêm este alcalóide tóxico. Sua preparação e emprego reside em serem cozidos ou postos de molho com água e sal, forma habitual de se comerem, com um sabor muito agradável. Podem ser torrados e moídos no preparo de uma infusão muito aromática que substitui o café. A farinha de tremoço, pela sua grande riqueza em proteínas, utiliza-se em sobremesas e pastelaria. Como se pode constatar, fazem bem ao organismo.

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:24
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014
KWANGIADES . XXIII

ANGOLA . TEOREMA DA AMIZADE MOPANE, CATATO em Angola 2º de III partes

As Falas de Zeca em uma longa mokanda - Mamiiiééé! Neste tempo de kota perdido.

Por

zeca2.jpg José Santos Impregnado de paludismo duma especial Jihenda da estirpe kaluanda, Zeca colecciona N´zimbos para fabricar missangas que soele sabe fazer. Formado na Universidade do Rio Seco da Luua

xicu1.jpgQue depois diz: -“Algo me cai mal! Vou tomar um chazinho de cidreira pra limpar a passadeira suja, p´ra dinovo ficar limpinha na maneira!  É assim. Porque tudo tem o seu início. Antes, na koka, a Visão, o Paladar…, nesse processo invisível, mas sentido, porque deliraram lambendo as beiças no salão da Restauração, mas lá em baixo o Fiscal do Digestão logo topa e tardiamente na entrada do escorregão do estômago e faz logo o chinfrim no RX aos revolucionários de camuflados e infiltrados “tipo ninja” que passam e sabotam o controlo de qualidade, esse engenho que separa o que é útil, o que produz a energia do nada produz, é nocivo e que depois é despejado para tubo corredor e directo para o colector… Vou falar com o meu “primo” luso-brasileiro, cientista de cultura do Bicho-da-seda nas Terras de Vera Cruz, para agora fazer o mesmo, fazer Estufa para a lagartinha MOPANE.

mopane2.jpgAgora, mudando para outro bichinho, o ESCARAVELHO e mencionado no teu texto, te digo no meio de bué rizada. Desconheço essa estátua de sabedoria conseguida pela frequência mínima e pela valoração alta do pisca pisca da tal Universidade do Rio Seco, que com certeza, no seu devido tempo e em sua memória, será plantada numa Rotunda, essa que dizes ser: - “Nosso Exmo Dom Visconde do Mussulú, Embaixador Itenerante da globália e dos PALOPS, concelheiro de Cienfuegos do mar da palha e conhecedor dum tal escaravelho que atacou a tua palmeira Phoenix Canariensis. Se não me diz como atacar o dito escaravelho, os meus sinais exteriores de riqueza extinguem-se”

mopane5.jpgTe digo que esse tal Dom Visconde do Mussulú, com esse título de colonizador, é mesmomemo nome de banga, de nobre e professor, que botaste apelo, pra botar os ataque com os fumaça dos Carro do Fumo nesse Cleóptero de uma figa e guloso de folhas de banga das Palmeiras das Canárias… Te aconselho pedir a esse Dom pra fazer investigação sobre esse tal roedor de folhas da tua palmeira nos teu “kubata” pra saber se é o Rola-Tuje (bosta), o Sagrado, o Vermelho…Este último é um “desviado da família”, não tem padrinho rico, nome nobre, é um pançudo, revolucionário, que sobe átoa pelas folhas das Palmeiras, que as faz sangrarem, faz esmorecem…, e que depois mete pena vê-las chorando e não decorando mais o alpendre, o jardim…

Kwangiades – Referente às musas do Kwanza

Glossário: Mu Ukulu – antigamente; Sékuku – muito velhinho, Sékulu – Velho; Ximbicar – remar; N’Zambi – Senhor, Deus… Uuabuama – maravilhoso, malembelembe- devagarinho; Muxito – área de mato denso; Berridar – correr; Mataco - rabo, bunda; Ndenge – infância; Jihenda – saudade; kubata -casa; Rola Tujw - escaravelho do Egipto

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:14
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014
KWANGIADES . XXII

ANGOLA . TEOREMA DA AMIZADE MOPANE, CATATO em Angola1º de III partes

As Falas de Zeca em uma longa mokanda - Mamiiiééé! Neste tempo de kota perdido.

Porzeca2.jpgJosé Santos Impregnado de paludismo duma especial Jihenda da estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos para fabricar missangas que soele sabe fazer desde ndenge.

zeca1.jpgAH! T'CHINGANGE FEITICEIRO DUMA FIGA! Tu sabes mambo que deixas a malta aboamada! Tambula conta nas falas deste teu mano Sekulu, o protector do Mu ukulu de lagartinhas…, do nosso Rio Seco da Maianga!   Xê! Como é, é! A carne tenra da picanha, da alcatra, da fraldinha…, da vaquinha metida nas rodelas do pãozinho, com a linguiça, o queijinho derretido…, tudotudo com o molhinho dos “Deuses” ximbicando no colo da Francesinha…, ou então aquele saboroso pernão da posta grelhada na brasa, consolando o folgazão de prazer…, substituídas na mesa por torresmos saborosos, nutritivos e feitos da maravilhosa almofadinha do corpinho da MOPANE! Cuidado na tua trás com o invisível alimentar que te poderá atormentar por te meteres nesses big pastos…de relva Avatar.

gimboa4.jpgDizes que esta bela lagartinha, bué parideira e nascida no redor da verdura, no Malembelembe na “palma” de folhinhas biológicas e cheias de água, dessa cacimba boiando na raiz da “Mulemba”, que depois sobesobe por tubinhos, dá de beber aos raminhos. Estes, saciados com a água purinha da chuvinha enviada por N’Zambi, fazem nascer mais folhas para a lagartinha fazer sopinha e se empanturrar, caté a barriguinha fica verdinha, amarelinha, gordinha…, mas vitaminamente docinha de milongo natural… Dizes também que: - “aquela larva não é agradável à vista, mas é muito nutritiva e, pode vir a ser uma boa alternativa para socorrer povos com carência de alimentos proteicos”.  Nessa África Austral que falas com essa paixão, sinto-a deveras por essa bichinha que lá mora há séculos, essa amora doce, existindo por todo o Muxito e parte da base de alimentação muito nutritiva das populações rurais, cuja indústria “selvagem” botou os faróis e virou “continente” de comercialização com cifras fenomenais na ordem dos milhões, directamente consumidas e exportadas para outros países Africanos…

zimbos.jpgOh! Como resiste, como se multiplica nessa cópula fenomenal gerando milhões de belas MOPANE! Lembras as parecidas de mil patinhas que haviam no nosso Rio seco da Maianga? Topa só, lelu, o que dizem muitos civilizados: -“Que nojo…!” Caté o nosso k mano antropófago, biológico…, EDGAR, o estudioso “sério”, bué livros científicos editados na matéria, sob a luz da vela, pingando remela nas nossas barrocas de kandengue, diz atoamente falando e cheio de fumaça saída pelos arcos das suas narinas: -“Pode ser muito nutritiva, mas para mim só se for em recheio para rissóis!!! É assim, este o mundo “classificado”, que anda “desclassificado”, atoa montado e educando como quer a nossa barriga de consumos por vezes cheios de mistelas pra depois na berrida boiarem cheios de E’s, para depois na barriga às voltas empurrarem e fazerem calemas de dor e logo o matako enguiçado, topado breve enxurrada, logo começa a bufar e a dizer: - Aiué! Bou botar mazé caganeira no capim…ué!

Kwangiades – Referente às musas do Kwanza

GLOSSÁRO: Mu Ukulu – antigamente; Sékulu – Velho; Ximbicar – remar; N’Zambi – Senhor, Deus… Uuabuama – maravilhoso, malembelembe - devagarinho; Muxito – área de mato denso; Berridar – correr; Mataco - rabo, bunda; Ndenge – infância; Jihenda – saudade; kota- mais-velho 

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:41
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Domingo, 19 de Outubro de 2014
KWANGIADES . XXI

MAIANGA - As falas de Zeca nas terras do senhor e, no lugar da galafura…

Por

 José Santos - Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos para fabricar missangas

Kandandu, ZECA 2014.09.13

MOKANDA PARA O KKAMBA “EEDHGARTSON”, REVIVENDO UM PASSADO PALEOLITICO DO TEMPO DA PEDRA LASCADA, MIRANDO O DOURO

3 D.jpgAh! Tu não sabes o que perdeste por não teres estado no granito do MIGUEL TORGA contemplado o Douro tingido de generoso. A lonjura era tanta que sentia o cheirinho do bafo das pipas katingando pelas barrocas do meu nariz. Eu e o António topamos “kubata” esculpidas no granito e numa delas tinha lá inscrito o nome de um teu antepassado paleolítico “EEDHGARTSON”.  Kkamba, eu já sabia, conheço bem esses teus mambos? Na koka ficaste com raiva chupando os dedos vazios! Agora dizes que sou abusado! Ingrato! Logo este teu mano Zeca mais k que tudo reparte contigo! Mas, Ele sabe bué que gostas átoa de feijão preto com picanha! Se te portares bem, na próxima ida ao granito de Torga, mando botar no teu prato um coxinha, seu ciumento de uma figa! 

e-bola0.jpgTou a escrever bué de falas contendo o mel de ukamba, gelado de morango, cheiros aromáticos com mirra e alfazema…, da NOGUEIRA de Vila Real e terras desses maravilhosos kamba da Maianga Dom Francisco, docemente reencontrados num paraíso verde que ainda não saí de lá. Lá senti-me fascinado por sua pessoa, extraordinário, inteligente, sensível… Jamais esquecerei o seu carinho dado pela concha feita com suas mãos juntas, que recebi e empanturrei o meu muxima de contente… 

LOANDA 5.jpgTou a pensar eu o meu k soba T’chingange virarmos mordomos das terras de dom Francisco. Ele cunhado, será o de primeira e eu, o curador de segunda sem direito a jeira, cheirando só os rosmaninhos. O T´chingange fica de direito o mais importante, porque é ele que se levanta mais cedo pra tudo regar; alimentar a sua inspiração caté dá pra chorar, ele agarrado à mangueira e botar em tudo que vê água doce, limpa, cristalina, que nasce numa pedreira paleolítica. Água filtrada no musgo de minhocas obreiras de mil patas que usam fato especialmente térmico. Elas apenas usam a língua; não precisam de pós ou de frascos de “elixir” modernos pra na koka filtrarem e bué facturarem…

xicu1.jpgGLOSSÁRIO: Kaluanda: - De Luanda ou Luua; N,Zimbo: - conchas, quitetas, berbigão, dinheiro de N´Gola; Missanga:- cordão com conchas ou esferas coloridas, colar; Mokanda: -carta, menssagem; K kamba: querido amigo; kandando. – saudações; katingado. Suado, transpirado Koca: - cabeça, cécebro;  átoa: - semgeito; ukamba:-maravilhoso; Maianga: - Bairro da Luua, Antiga manhanga e malhoas, lugar da cacimba; Muxima: - Santa padroeira de Angola, saudade, ongweva, recordação; T´Chingange: - feiticeiro  Atu/mutu - pessoas/a; NZambi - Deus; Uuabuama – maravilhoso; missanga – colar;

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:18
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014
KWANGIADES . XX

ANGOLA . TEOREMA DA AMIZADE – VALE A PENA REVER

Por

T´Chingange e Zeca

 

 O texto de T´Chingange

Naquele lugar de Nogueira com muito verde, terras de Alto Douro, eu e mano Zeca espojamo-nos como ressuscitados em nossa amizade de infância que, morta pelo tempo sucedeu a nosso contragosto em nossa contra-mão. Constatando que mesmo para além de cinquenta anos de ausência, refizemos nossos traços sem melancólicos choros nem ranger de dentes, troçando até de nossas mazelas ou desgraças. Ali, e por três dias fintamos o destino sem aquela fúria suicida do hiato duma guerra, uma ousadia de gente alheia que nos superou, enganou e separou. Falo de Angola, evidentemente!

Comendo saquinhos de muxima na forma de paracuca, percorremos as mercearias da Maianga, um misto de venda com balcões corridos, esplanada debaixo da mulembeira, quintal ou passeio, terreiro de tasca com jogo de bisca, casino dos pobres com tapas à sevilhana, polvo no vinagreta e carapaus fritos mais a jinguba ou tremoços. Nas vendas do Morais, do Hernâni, do Baia ou do rente Cruz, lugares extintos, permutavam-se alegrias e melancolias que agora são recordadas pelos corações inscritos e circunscritos nas mulembeiras ou imbondeiros; Agora, pendurados lá nos altos galhos riem-se de alegrias com as múcuas ou os figos batucando o tempo de dendem com peixe-frito. Devoramo-nos até ao tutano besuntando-nos no bisgo sem os contornos monstruosos de kalashnikov a tiracolo ou os mona-caxitos de mata-mata átoa.

 Troçando de nós, encharcamo-nos de riso misturados na sabedoria austera de Miguel Torga, Com OMO lava-mais-branco, demos banho nas nossas pulgas dinossáuricas que catrapiscamos atrás de nossas orelhas. Mergulhamos no escuro alucinante do nada revendo aos seu redor sofisticadas ilusões muito cheias de veleidades, traficâncias de marfim e praias de oiro em forma de areia com brilhos diamantinos; recordamos coisas pisoteadas por escravos com cães de filas procurando fujões no agreste de terras esquecidas que tal como nos se dedicaram lavrando terras, desbravando anharas e mares; destroços de barcos encalhados, que mesmo enferrujados ainda servem de abrigo a gentes do m´Bungu e Corimba, e n´Samba com roupas estendidas nos varais de mau-bordo, gente sem escala, esperando viajar mais um outro dia. Queiram ou não, nós fizemos na dipanda, uma nova epopeia …

A resposta de ZECA amigo de PISKUNOV, um ilustre professor da Universidade Livre do Rio Seco da Maianga

 

TEOREMA DA AMIZADE. Simplesmente fantástico. Matemática pura retirada da cabeça caquéctica do T'Chingange e estudada num tempo nos livros do Piskunov na Universidade Livre do Rio Seco da Maianga. Este texto tem de ser lido linha a linha e com fio de pesca. Convido todos a fecharem os olhos e o percorrem com o dedo pousado nas linhas como faziam no caderno da escola. Verão Loanda e Maianga do Mukakeri e se sentirão lá! Não se trata desses saudosismos etiquetados por muitos no nosso corpo. E pura e simplesmente uma realidade vivida e que e mapa no coração de milhares. Cada dia que passa, mais enfeitiçado me sinto com o maravilhoso e século T' Chingange.

 Há quarenta anos julgava-me sozinho neste M´putu com as minhas falas, missosso..., linguajar! Já não estou mais! Este feiticeiro do Rio Seco reapareceu para mim, para todos da Maianga do Mu ukulu. Abunda dentro de nós um filão que deambula pelas barrocas de Loanda e Maianga. São falas simples e que não contem mambo de mutata tornado na berrada esperto na língua do Camões, essa que ambos preservamos e muito respeitamos. E rasgo que o muxima faz e brota para fora essas falas cheias de paixão, alimentadas numa terra por uma geração que ainda esta viva e que deseja-a elevar para vindouros estudar... AMBANINE ZECA Cuidad Vieja (Coruna) 2014091810h0

Glossário: Um ukulu:- outrora, noutro tempo; Mutata:- Homem do campo, rústico; M´Puto: - Portugal; Mukakeri:-Cacarejador, Tagarela, Falador 

As opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:19
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 13 de Setembro de 2014
MOCANDA DO M´PUTO . LII

UM DIA COM AS FALAS DE ZECA

Por

José Zantos (Zeca, só para os amigos)

Ele Zeca, vai perdoar-me! Não resisti em publicar estas falas, quase uma convocação…

  AQUELA MENINA, A MINDINHA. Diz que está longe! Na verdade 2015 está longe! Caté pode ser que este m´putu estoure! Dá pra ver como os manos andam depois do tempo de namoro e agora de traições buscando a tenda luminosa com ar condicionado, depois dos passos, muitos passos que afrontaram as kubatas de uns e afortunaram as kubatas de outros, que já têm encomendada a praia para fazerem uns férias debaixo de um coqueiro de plástico que não cheira e não abana com a corrente de ar do Makita zangado, porque vê cada vez a sua vida perigar! Até lá, ver-se-á se N’Zambi botar bom senso no carburador dos neurónios dos geniais desta imensa libata, que gritam agora uns para os outros KWATA KWATA, TUNDAMUJILA.

 Chega de prometimentos que no kinaxixi não resultam alimentos pra encher a barriga. Dizem “Agora, nós sim! Tudo faremos para que apareçam na soleira das casas a ansiada tigela da sopa com bons condimentos! ” Acabou a água esquentada e sem couves, as compras agravadas de aumentos em flecha nas prateleiras dos merceeiros que cada vez mais engordam, porque enquanto isto durar neste mambo das passagens de uma mão para a outra, que na verdade, independentemente dos ismos, a mudança das cadeiras e das plantações. Diz que está longe! Nós, estamos todos bem perto! É um Equilátero romântico que não precisa da CASIO para achar a área que tem de mambo de esperto! A saber que temos a GRANJA, MATOSINHOS, TROFA, BRAGA. Note bem, que ao riscarmos as distâncias num papel somos um Trapézio Escaleno; todos os lados (distâncias) são diferentes. A base menor é a nossa (Maia/Matosinhos) a maior a deles (Granja/Braga).

 Desculpa, muito stressado parti o vidro do altímetro pra poder medir a altura e aplicar na expressão, Paciência! Julgo que o resultado seria muito interessante e poderia ser fiado numa argola para se fazer uma bela missanga de Angola/Loanda/Maianga! Concordas? Concluo dizendo que estamos bué de perto e é possível podermos estar todos, os muitos mais na TiMatilde 2015 saboreando boa convivência, esta a do face, mas agora lá face no face, com todos, com a sua/nossa família… Maianguista…ou não.

 O que importa é a união da ukamba que nos funde e une, como com certeza percebeu neste nosso encanto das falas, do nosso linguajar que um dia iremos levar para o paraíso AVATAR, mas que aqui jamais morrerá enquanto a semente passar de geração em geração e sempre viva como os antigos faziam à volta da fogueira vendo o seu parente ser transportado pelo fogo para as terras de N´zambi, mas a cinza ficava para sempre colada no seu corpo e sempre contada com respeito, paixão, amor, o que foi aquele parente na sua vida com eles. Independentemente da gramática, da licenciatura, da luxúria de matumbo deste tempo incaracterístico, que muitas vezes espera na koka que ele morra para ir a divisão, para ir no cemitério chorar lágrimas de crocodilo para iludir a Santa; de velinhas acesas na mão. O verdadeiro amor não tem etiquetas, é suor que coração larga do seu rio bom pra benzer como se fosse água adocicada com mel e caxinde. XAL’É! OKO SURUCUCU TROPICAL! - (Boa viagem! Nessa serpente Tropical!)

 

Bom Domingo, Bom Sábado, Boas feiras.

Kandandu, ZECA 2014061019h49 Terras do Senhor

Ilustrações de Costa Araújo Araújo

As escolhas do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:50
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 4 de Setembro de 2014
MOKANDA DO SOBA . LIX

CINZAS DO TEMPO . Um pedaço da vida real em uma Vila Real do M´Puto

Por

  T´Chingange

 Zeca Santos, o mamoeiro da Maianga da Luua, surgiu em um indistinto dia do quente e curto verão deste ano de 2014 para alegrar as flores da minha adolescência. Falando que nem um jacó, chamou-me de nomes que só não são feios porque os retirou do nosso quintal, mistura do lusco-fusco das poeiras, terras de nossas barrocas da Maianga, um chorrilho de missangas aleatoriamente sacolejadas de sua sabedoria, espanejadas na mulola dum chamado de RIO SECO; tertuliando à sombra dum d´jango na forma de tenda berbere, no meio dum escandaloso verde, mancha de medronheiros, pinheiros, sobreiros e giestas, cheirávamos de perto suores naturais de mirra, alfazema e rosmaninho, relembrando os originais traços das muralhas de nossas vidas.

De descrição em descrição dos tempos imperiais do período visigótico de nossas viçosas vidas, as falas do Zeca fortificaram lembranças desperdiçadas nas íntimas coisas de nossos castelos. Engolimos com lágrimas demolidoras secos choros de nossas necrópoles. Com fios de ternura reconstruímos a máxima e mínima extensão de nosso império olhando o feitiço da vida na forma de andorinhas beberricando a azulada água de nossa piscina; andorinhas que picavam a água como se isso fosse néctar de nosso mel. Contornando-nos em graciosos voos iam e vinham traçando em nós invisíveis ternuras, um fenómeno raramente apreciado. Nunca na Maianga tínhamos assistido a tal!

 

 Nós, eu e Zeca, na companhia de Bibi, minha companheira de todas as horas, de Dona Sousa Lourenço e seu consorte Francisco Honório, o herói do Quissoque António Pereira e sua Guia de nome com Santos e arcanjos mais a princesa Rita com seu lindo riso, podemos apreciar o zunir do estio, o estalar de pinhas, o picanço de moscas de gado, enfim, uma dádiva de vida serena perimetrando sonhos idos, repuxos de nossos anfiteatros, matéria prima de nossa estrutura defensiva. Já íamos na descrição da imponente muralha do baixo-império revendo os decorados mosaicos de nossos cubiculuns quando e já cansados, decidimos descer às termas do Tanha, nosso real quarteirão propriedade de D. Honório Soares. Resolvemos deixar para trás aqueles nossos períodos visigóticos, nosso presidium para dar luz aos restantes compartimentos de nossos novos quereres. 

Tentando compreender a amplitude das ruínas de nossos achados escavamos indistintos mukifos de nossos caracteres dando os contornos finais ás nossas monografias sem exaustivas teorias de laboratório, artifícios de produtos consumíveis ou trabalho académico de instituição credível. Cada qual tem as suas razões históricas com ou sem dotações de seu legado. Isto é tão-somente, um pedaço da vida real em uma Vila Real do M´Puto de Trás-os-Montes.

O Soba TChingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:54
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Sábado, 23 de Agosto de 2014
MAIANGA . VI

AS FALAS DE ZECA - Kinga Yófel 

Maianga: Bairro antigo e popular de Luanda

Por

 José Santos- Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga, nosso antigo rio. Ele não quer acreditar que aquele tempo passou e agora, agora somos aves raras em extinção.

Aiué! Nos matubas avilo bué! Tremo só de pensar quando os naifa me furar os fio e de vez o nguzo malé pra sempre e mazé kitetinha ficar triste bué…, num tem mais o recoreco riscando no semba do molhinhdo de óleo de dénden. Depois nos diván sofrer paka com os saquinho massembando. Ter também os sorte do Nzambi me mandar os cirurgião com os mãos de mbambi.Agora falando sério te digo verdade mesmo! Tem sorte mesmo na koka dos operação! Topa só os mambo dos sorte! No DoisMileDoze um kamba dos SessentaeNove nos particular com os catana le cortaram tudo.

 Ficou tristinho que dava pena. Durante um ano andou com os saquinho e com os massage nos saco dos matuba vazio. Pagou os cerca dos cinco mil dos euros…Topa só dinovo os sorte de outro avilo dos SetentaeDois. Em Abril DoisMileCatoze botou os naifa especial nos matuba perturbado pelos PSA. Le capou tudo e botou nos parede os impermeabilização com os bostik por causa dos humidade num vortar, que dá os vontade de sempre querer pingar os “água” amarelino caté num deixa dormir direito. Nesse, o N’Zambitáva lá de batinha verde iluminado os mãos dos cirurgião! Foi sucesso total. Le mandaram embora e sem saco (algalia). Já foi várias vezes nos verificação e tudo corre bem e sem os aflição! Tá confortado e conformado, mas queixou que nguzo bazou nos penso dos operação.

 Diz que de vez enquanto sente os calor, mas que levantar é mentira mesmo botando os vapor dos cachimbo do comboio que passava na cidade alta, nos caldeira cheios dos lenha em brasa dos madeira dos cabinda ou do sucupira. Tá conformado e muito contente. Num tem mais lamento porque relembra bem esse tempo de muzangala apetitoso, porque o gosto ficou na boca e pra sempre. Ah! Desse tempo de menhungo biológico, mesmesmo sendo pelas poeiradas esteiras do Bo, Cassenga, Sambizanga…, ou dos sofá de pele de pakassa oleado com Bien-être de zumbo dos Bambi, Copacabana, Tamar…

 Ok. Nos finalmente de Agosto vou provar os teu Milongo. Só peço a N’Zambi que me faça andar dinovo nos “Ndongo” e com a minha barona na praia da Samba. Enquanto tu ficas com as perninhas cruzadas no areal cheio de redes e topando o meu k kamba pescador Zacaria remendar os rasgos das redes causados pelo tuje do peixe balão. Com aqueles dedos compridos cheios de feitiço que beulavam juntinhos no fio de pesca dando nós pra sempre. Bom, até lá fico quietinho no Kinga Yófel como mandaste e parecido como na formatura da recruta no RIL. Kandandus  do ZECA 

Ilustrações de Costa Araújo

Opções do Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:26
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014
MAIANGA . V

TRUQUES -  COMO ABASTECER SEU VEICULO

Maianga: Bairro de Luanda

As escolhas de

 T´Chingange

Truques para abastecer seu veículo - Vale a pena ler. O autor deste texto trabalha numa refinaria há 31 anos como engenheiro de segurança para abastecer os veículos! Assim que você levar a sério e passar a aplicar os truques que a seguir são explicados, aproveitará ao máximo seu combustível e, portanto, seu dinheiro...


- Encher o tanque sempre pela manhã e, o mais cedo possível. Porque a temperatura ambiente e do solo é mais baixa.

- Porque todos os postos de combustíveis têm seus depósitos debaixo terra. Assim, estando a terra mais fria, a densidade da gasolina e do diesel é menor; O contrário se passa durante o dia, que a temperatura do solo sobe, e os combustíveis tendem a expandir-se.

- Por isto, se você enche o tanque ao meio-dia, pela tarde ou ao anoitecer, o litro de combustível não será um litro exactamente. Na indústria petrolífera, a gravidade específica e a temperatura de um solo têm um papel muito importante.

- Onde eu trabalho cada carregamento de combustível nos caminhões é cuidadosamente controlada no que diz respeito à temperatura. Para que, a cada galão vertido no depósito (cisterna) do caminhão seja exacto.

- Quando for pessoalmente encher o tanque, não aperte a pistola ao máximo (pedir ao frentista no caso de ser servido). Segundo a pressão que se exerça sobre a pistola, a velocidade pode ser lenta, média ou alta.

- Prefira sempre o modo mais lento e poupará mais dinheiro. Ao encher mais lentamente, cria-se menos vapor e, a maior parte do combustível vertido converte-se num cheio real, eficaz.

-Todas as mangueiras vertedoras de combustível devolvem o vapor para o depósito. Se encherem o tanque apertando a pistola ao máximo uma percentagem do precioso líquido que entra no tanque do seu veículo transforma-se em vapor do combustível, já contabilizado, volta pela mangueira de combustível (surtidor) ao depósito da estação.

-Isso faz com que, os postos consigam recuperar parte do combustível vendido, e o usuário acaba pagando como se tivesse recebido a real quantidade contabilizada, menos combustível no tanque pagando mais dinheiro.

- Deve encher o tanque antes que este baixe da metade. Quanto mais combustível tenha no depósito, menos ar há dentro do mesmo. O combustível evapora-se mais rapidamente do que você pensa.

-Os grandes depósitos cisterna das refinarias têm tetos flutuantes no interior, mantendo o ar separado do combustível, com o objectivo de manter a evaporação ao mínimo.

- Não encher o tanque quando o posto de combustíveis estiver sendo reabastecido e nem imediatamente depois. Se você chega ao posto de combustíveis e vê um caminhão tanque que
está abastecendo os depósitos subterrâneos do mesmo, ou os acaba de reabastecer, evite, se puder, abastecer no dito posto nesse momento.

-Ao reabastecer os depósitos, o combustível é jorrado dentro do depósito, isso faz com que o combustível ainda restante nos mesmos seja agitado e os sedimentos assentados ao fundo acabam ficando em suspensão por um tempo. Assim sendo você corre o risco de abastecer seu tanque com combustível sujo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:42
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quarta-feira, 6 de Agosto de 2014
KWANGIADES . XVIII

MAIANGAFALAS ANTIGAS DO ZECA -UUABUAMA O QUE ESCREVES KKAMBA…

Por

 José Santos- Impregnado de paludismo duma especial estirpe kaluanda, Zeca colecciona n´zimbos das areias dum chamado de Rio Seco da Maianga, nosso antigo rio. Ele não quer acreditar que aquele tempo passou e agora, agora somos aves raras em extinção. Eu também não alinho nessa teoria do esquecimento e espero a todo o momento um passaporte diplomático para irmos à Luua. Eu e ele! Sentados, claro!

Tenho que ir nesse "RIO" que corre nessa cabeça que habitas. Quero ser baptizado por ti, quero ser teu discípulo e botar pregação com o teu livrinho de T´Ching, agarrado à mão por esses matos do Mundo. Há muito que sou inspirado por ti nesses teus belos "Missossos" do KIMBO LAGOA, que faço livro há muito e, eis-me aqui contigo nesse cazumbi que um dia nos juntou de novo, porque julgo que te conheço do tempo daquelas tremunos, deambulações pelo nosso bairro e nesse amor pelo Rio Seco da Maianga que um dia nos viu crescer. Na verdade estamos separados. Eu, neste M´Puto aos trambolhões e tu aí nessa terra de Vera Cruz de milhões de almas tão diferentes, tão cruzadas desse sangue meio lusitano, meio angolano lambuzado de baleizão kitoco com sotaque brasileiro de caramuru…

Mas, o Mundo está todo esfrangalhado em toda a parte; estamos separados, mas sinto que somos feitos do mesmo loando. Há um grito que ximbica no nosso coração de fazer missangas engasgadoras. Botas falas de injustiça na máquina de impressão para que todos as ouçam só feitas mesmo num estado de natural descomprometimento. É um sentimento, uma sensibilidade, o respeito pelo ser humano que se juntam e são banda que batucam nosso coração; uma fé que se abre na kubata do nosso coração; intransmissível! Não tem moda pimba nem banga de matumbo bem de vida. Sem adereços de bate palmas só pula como um zulu. Estudioso e, ao jeito de ermitão…, mergulha nas barrocas mais fundas do saber, para interpretar, saber ensaiar no mundo em que habita. Ele nem quer saber quem morreu, só chora… À partida não se preocupa com ismos, preocupa-se sim com a RAIZ que alimenta a árvore e muito cava para contar quantas são, como se alimentam, se são envenenadas por ervas daninhas que crescem do nada e fazem secar os seus veios de vida.

 Vejo-te transportado por uma tipóia de loando como um makota de Ambaca, por vezes, ou muitas vezes incompreendido e, até mal olhado… Na verdade, por vezes também me é difícil entender o que risco p´ra todos, do que vai no meu muxima e nesse linguajar que é BI no meu, nosso corpo. Para melhor compreenderem tenho feito Glossário do Kimbundu. Acreditem que já não sei escrever as minhas falas apenas com a pena molhada no tinteiro do Camões. Não é banga, nem saudosismo de matumbo esperto… É grande prazer e paixão. Muito lamento não ser mais dotado! Comigo é estranho, porque muito estudo e nunca mais consigo a licenciatura para virar um sábio, um mestre. Dizem que ultrapassei a idade e já não vale a pena! Que caduquei! Por isto tudo, e agora, vou fazer minhas férias no meu quintal com o livro do T´Ching debaixo de um coqueiro de plástico, dar gozo na minha barriga de Jinguba e balouçar na rede, jiboiar nas nossas lembranças tropicanas.

GLOSSÁRIO:
Missosso – conto popular;Atu/mutu - pessoas/a; NZambi - Deus; Malembelembe - muito devagar, com cautela; tremuno - jogo de bola de trapos; Uuabuama – maravilhoso; cazumbi -feitiço; loando – esteira feita de folha de coqueiro ou palmeira e atado com matebas, ximbica - rema com bordão; missanga – colar; batucam- dançam ao som do tambor; matumbo – burro, palerma; makota – chefe tribal, que tem poder; muxima – saudade, recordação

Adaptação das mokandas de Zeca

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:47
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

Quinta-feira, 31 de Julho de 2014
CAFUFUTILA . XLIII

TEMPOS ANTIGOS . Eu e Batalha da EIL da Luua, por uma hora, fomos turras.

MALAMBA: É a palavra.

Por

 T´Chingange

Por volta de 1956 havia dois Batalhas na E.I.L.; enquanto o mais velho seguiu para mestre de oficinas, nós os candengues andamos juntos por cinco anos. Ainda no Ciclo preparatório eu e Batalha júnior íamos a pé de casa para a escola e vice-versa. Saindo da escola na Vila Alice, ambos com no mesmo rumo, passávamos nos angares do velho aeroporto aonde funcionavam as oficinas da escola, tendo do outro lado o Regimento de Infantaria 20 e o Grafanil, seguíamos ao longo dos quartéis descendo pelas barrocas aonde agora se situa o moderno bairro Alvalade, junto ao Martal, abreviatura de Martins e Almeida, passávamos perto do colégio João das Regras aonde tinha andado por algum tempo e, mais á frente e junto a uma grande mulembeira, eu descia á direita pela rua Dr. José Maria Antunes até ao nº 22 no lugar do rio Seco, bem ao lado do Almeida das Vacas, e Batalha continuava para o Catambor que subia chão de areia e em rampa, cubatas de taipa, zinco, aduelas de barril e chapas de indefinidos tambores, até à nova avenida que dava acesso ao novo aeroporto de Craveiro Lopes com o Prenda do outro lado.

 No outro dia e seguintes, voltávamo-nos a encontrar, pois o nosso destino era estudar. Sucede que em um dos muitos dias ali perto da Maternidade e bem próximo dos taludes do antigo Caminho-de-ferro via Malange, no regresso da escola, saltamos um quintal para roubar maças-da-índia. Distraídos no acto do agora atira, agarra, apanha, o Senhor Tuga dono do pedaço e suas barbas brancas apanhou-nos em plena faina de encher o bucho e a mochila; acto contínuo surgem dois polícias que nos metem num carro tipo ramona fechado e grades, levando-nos para a sétima esquadra de polícia da Vila Alice. O chefe desta dita cuja, resolveu meter-nos na choça pondo um cipaio de cartola vermelha guardando os meninos maleducados e, ali ficou junto á porta de varões fortes de ferro. - Estamos lixados, disse eu para o kamba Batalha! Ele, sábio, ficou só calado, estamos feitos! Repeti.

Resultado de imagem para goiabas

Foi quando o Batalha falou assim, lembro-me muito bem: – Tu és branco, vão só dar-nos um susto e depois, mandam-nos embora! - Fica quieto! Dito e perfeito assim sucedeu! Batalha tinha pinta de herói, nunca cheguei a saber se o foi em realidade mas o lusco-fusco da vida toldou-nos as vontades desencontrando-nos. Passado uma hora, mais ou menos, o chefe da 7ª esquadra deu-nos uma descompostura do camano, embora já soubéssemos que não devíamos roubar as coisas dos outros, Eu e Batalha tínhamos sina de salta-muros e continuamos nessa faina por muita mais tempo. Sempre que passávamos num pé de maças-da-índia, gajajeira, pitangueira, cajueiro, tabaibos ou goiabeiras, nós não resistíamos e, por momentos virávamos turras de novo.

 Em 1961, aquela 7ª esquadra foi assaltada dando início à confusão que todos nos lembramos. Ouve mortes martirizadas, procissões e tudo entrou aos trambolhões, início de uma guerra com prelúdio de qwata-qwata que perdurou com novas formas na arte de matar. Do Batalha nada mais soube; constou-se-me que tinha ido trabalhar para uma fábrica de sabão no lugar do Bungo. Dos amigos candengues, o Pica veio a ficar general, o Luandino da rua oliveira Barbosa, meu vizinho, cruzamos fogo no Mayombe. Eu deste lado, e ele do outro lado, mas agora, já kotas, cruzamos falas de toparioba e tambula konta! O Ferreira que foi comigo para Cabinda como Furriel, roubou um friendship da DTA desviando-o para o Congo Brazzaville e o Pestana que virou Pepetela, também ficou mentiroso de profissão, anda à deriva passeando um cão na Mutamba depois de fazer muitas tropelias. O Sayd Mingas mwangolé dos kwanzas foi queimado na confusão do agarra Nito. Como vêem, eu tenho propensão para me emparceirar com heróis, turras e gente desclassificada.

Recentemente e através do FB reencontrei gente mais nos trinques como o Zeca Santos um myanguista que com suas falas de camundongo e vestindo um velho escapulário kimbanda, dá chás curativos à malta que o mestre Sambo lhe legou; com sua balalaica dá bolinhos de brututo, missangas de feijão maluco e raspas de pau do Mayombe, para animar os kotas; um destes dias vou mostrar-vos suas falas do Rio Seco com tirocínio em porto Kipiri; O Costa Araújo, meu Mano Corvo, gente fina da Boa Entrada da Gabela, de cuspo ajuramentado, revi-o também recentemente a fazer pintura nas terras do cú de Judas, lá numa esquecida Cisplatina comendo churrasco com Gaúchos cheio de triglicéridos das Pampas; estes, vocês conhecem bem porque andou por aí pintando a manta com Pombinho, borrando muros com caca corrosiva e psicadélica, própria dum pombo estragador de monumentos. Por um triz também não fui turra mas, aqui e agora, kota do M´Puto juro que tenho vontade de o ser! Isso mesmo…Turra! Juro por sangue de Cristo!

O Soba T´Chingange
 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:09
LINK DO POST | COMENTAR | ADICIONAR AOS FAVORITOS

RELOGIO
TEMPO
Weather Forecast | Weather Maps
Março 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

11
14
16

20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


MAIS SOBRE NÓS
QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
Facebook
Kimbolagoa Lagoa

Criar seu atalho
ARQUIVOS

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

TAGS

todas as tags

LINKS
PESQUISE NESTE BLOG
 
CAIXA MUSICAL
CONTADOR
contador free
ONDE ESTÁS

Sign by Danasoft - Myspace Layouts and Signs

blogs SAPO
subscrever feeds