Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
XICULULU . CIII

TEMPOS QUENTES 24.04.2019 
MALAWI – NIASSA . No vale do Rift - De várias partes 
Por 

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 

rift16.jpg Mitologia de terremotos e vulcões ... Mitos, histórias e lendas sobre terremotos e vulcões de todo o mundo podem às vezes ser engraçados e elaborados. Antes da ciência moderna, os vulcões iriam explodir, as tempestades iriam romper-se e os terremotos tremeriam. 
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Tais incidentes hipnotizavam as pessoas, pois não sabiam do por quê e como. Como resultado, histórias para expor esses fenómenos foram desenvolvidas. Portanto, pessoas de todo o mundo têm usado mitos, lendas e histórias para explicar sobre terremotos e vulcões.
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Essas crenças e normas culturais foram à sua vez, uma maneira de tentar entender os poderosos fenómenos naturais que poderiam afectar muito a vida das pessoas. Eles evoluíram ao longo de milhares de anos em várias culturas e foram transmitidos ao longo de gerações.

rift14.jpg Em muitas culturas, no entanto, os animais, incluindo os seres sobrenaturais que vivem tanto na superfície da Terra como no subterrâneo, eram / são de se acreditar, estarem associados com terremotos e vulcões.
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Algumas culturas ampliaram esse tipo de história para incluir muitos animais que compartilham o fardo de carregar a terra. Em N´kwazi, rio Cubango, o Okavango da Namíbia, não muito longe do Rundu, pude saber esta interligação cultural pois que este nome corresponde a uma ave pesqueira e, tem o significado de liberdade. 
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Um peixe-gato gigante encontra-se enrolado sob o mar com uma ilha apoiada nas costas. O bagre, gostava de fazer brincadeiras e só podia ser contido por uma deusa chamada Kashima. 

rift13.jpg Enquanto Kashima mantivesse uma rocha poderosa com poderes mágicos sobre o peixe gato, a terra estava parada. Mas quando ele relaxou sua guarda, o peixe-gato se debateu, causando terremotos.
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A terra é considerada um disco plano, sustentado por uma enorme montanha a oeste e por um gigante a leste. A esposa do gigante segura o céu. a terra treme quando ele pára para abraçá-la. ´esta uma das lendas da África Ocidental. 

rift17.jpg Em Afar, o Vale da Fenda é todo coberto de pedras vulcânicas, o que indica que a litosfera é tão fina que pode estar a ponto de romper. Quando isso acontecer, um novo oceano começará a se formar pela solidificação do magma no espaço criado pelas placas quebradas.

rift15.jpg Eventualmente, em um período de dezenas de milhões de anos, o oceano vai se espalhar por todo o Vale. Por fim, a África ficará menor, e uma ilha gigante surgirá no Oceano Índico. Embora o processo seja acompanhado de terremotos, na maior parte do tempo ele se dará de forma silenciosa, sem que ninguém se aperceba.
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:02
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Quarta-feira, 3 de Abril de 2019
XICULULU . CII

TEMPOS QUENTES03.04.2019 
MALAWI – NIASSA . No vale do Rift - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios – Cada qual tem o seu Rift... 4º De várias partes
Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Os Angolanos que nunca querem ficar atrás nestas descobertas, numa conversa de cacaracá, o Boniboni disse: - Têm que vir aqui nas barrocas da Luua destabilizar os defuntados ossos dos mais que passados primos da Luzia porque aqui, tem por demais, montes de ossadas pré-históricas meu... (é um comentário pouco sério! Não façam caso!). 

rift12.jpg Nós, os TUGAS, somos, em verdade, ainda, um enigma indecifrado. Só sei que os Angolanos nunca provarão que os Tugas, nunca por ali passaram, que nada por ali, fizeram - por mais que tentem!... Do já dito em 3ª parte, conclui-se haver no Vale do Rift evidências de que as depressões já está ocorrendo quando a crosta terrestre se estica e se quebra.
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Segundo David Ferguson, na região distante do norte da Etiópia, centenas de falhas e fissuras se têm formado ao longo do tempo. O continente africano está-se dividindo em dois à medida que a costa leste da África se rompe lentamente do corpo principal do continente - o magma que se ergue para dentro da crosta continental acima, estende-se até o ponto de ruptura.

rift11.jpg A África está literalmente sendo dilacerada pelas costuras enquanto falamos; não pela guerra, mas pela tectónica de placas. O resultado acabará por ser um enorme novo continente, deixando a África sem o seu Chifre. A razão é a de que um desejo geológico da falha, corre pelo lado leste do continente, que eventualmente será substituído por um oceano.
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Com o tempo isto resultará em um novo continente que levará consigo a ilha para Madagáscar. Acredita-se que, talvez daqui a 10 milhões de anos, toda a fenda tenha sido inundada, separando a porção mais oriental da África em um continente inteiramente novo. À medida que a placa africana se rompe lentamente, várias depressões e falhas dentro da fenda leste-africana já foram preenchidas pelos mesmos lagos maiores e mais profundos do mundo a saber: Tukana, Albert, Victória, Tanganyca, Rukwa e Malawi ou Niassa.

rift10.jpg No Quénia, o vale é mais profundo a norte de Nairobi, e exibe lagos pouco profundos mas com elevado conteúdo mineral. Por exemplo, o lago Magadi é quase soda sólida (carbonato de sódio) e os lagos Elmenteita, Baringo, Bogoria e Nakuru são todos extremamente alcalinos. O lago Naivasha tem fontes de água doce, o que lhe permite ter uma elevada biodiversidade.
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Andei por aqui recentemente e pude verificar na topografia algo que indicia o que se obtém nas várias informações. A parte final do vale junta-se formando o lago Niassa, um dos mais profundos do mundo, alcançando os 706 metros. O lago separa o Malawi da província moçambicana do Niassa chegando ao vale do Rio Zambeze, onde o vale do Rift termina. 

rift01.jpg Levanto aqui a questão se estas actuais mas, cíclicas tempestades, furacões do qual originam grandes inundações não o serão por via destas lentas depressões. Dentro de alguns milhões de anos, a África Oriental será inundada pelo oceano Índico tornando-se uma grande nova ilha na região da costa leste de África. 
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No vale do Rift têm-se depositado, ao longo dos anos, sedimentos provenientes da erosão das suas margens e este ambiente é propício à conservação de despojos orgânicos. Por essa razão, tiveram aqui lugar importantes descobertas antropológicas, especialmente em Piedmont, no Quénia, onde foram encontrados os ossos de vários hominídeos.

rift9.jpg Pensa-se serem estes, antepassados do homem actual. O achado mais importante, de Donald Johanson, foi um esqueleto quase completo de um australopiteco, o, que foi chamado "Lucy" já mencionado aqui. Tive pena de não ter descido desde Dar-es-Salan passando o rio Rovuma a fazer fronteira entre a Tanzânia e Moçambique mas, os Boco Harans andavam por ali fazendo disparates; o medo falou mais alto.
(Continua...)
O Soba T´Chingange

 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:21
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2019
XICULULU . CI

TEMPOS QUENTES 17.02.2019

MALAWI – NIASSA . No vale do Rift - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios – Cada qual tem o seu Rift... 3º De várias partes

Por

soba15.jpgT´Chingange - No Nordeste brasileiro

rift01.jpg O Grande Vale do Rift, também conhecido como Vale da Grande Fenda, é um complexo de falhas tectónicas criado há cerca de 35 milhões de anos com a separação das placas tectónicas africana e arábica. Esta estrutura estende-se no sentido norte-sul por cerca de 5000 km, desde o norte da Síria até ao centro de Moçambique, com uma largura que varia entre 30 e 100 km e, em profundidade de algumas centenas a milhares de metros.

Este tema despertou-me curiosidade porque por ali passei recentemente descendo da Tanzânia. No 23º dia da “Odisseia potholes – haja paciência” pernoitei em Karonga a pensar neste hífen da viagem periclitante, coisa pouca a comparar com a fractura do RIFT da África. Pernoitando também em M´Zuzu no dia 14 de Outubro de 2018, pude alheando-me do cicerone chato como a potassa e, apreciar todo o lago Niassa ou Malawi em toda a sua costa ignorando-o.

rift3.jpg Este Grande Vale do Rift, tem a característica de ser considerada como uma das maravilhas geológicas do mundo, um lugar onde as forças tectónicas da Terra estão actualmente tentando criar novas placas ao separar as antigas. Mas, como é que essas fendas se formaram? Uma revista de publicação local, diz-me que o mecanismo exacto da formação correta, é um debate contínuo entre os cientistas.

No modelo popular para o EARS - East African Rifts, assume que o fluxo de calor elevado do manto está causando um par de "protuberâncias" térmicas no centro do Quénia e na região Afar do centro-norte da Etiópia. De anotar aqui que a história da Etiópia está documentada como uma das mais antigas do mundo. Recorde-se Lucy, esse achado arqueológico importante que desvenda nossa natureza humana, descoberta no Vale de Awash nessa mesma região - Afar da Etiópia.

lucy1.jpg À medida que a extensão continua, a ruptura litosférica ocorrerá dentro de 10 milhões de anos, a placa somali se romperá e uma nova bacia oceânica se formará. Aquelas protuberâncias podem ser facilmente vistas como planaltos elevados em qualquer mapa topográfico da área ou visualmente como o é este presente caso. À medida que essas protuberâncias se formam, o trecho e fractura da crosta exterior quebradiça, origina uma série de falhas normais, formando a estrutura clássica de vales e fendas.

O pensamento geológico mais actual sustenta que as protuberâncias são iniciadas por uma “superpluma”, uma seção gigante do manto da Terra que leva o calor de perto do núcleo até à crosta e fazendo com que ele se expanda e se fracture. Este riff é indicativo de mudanças, acontecendo nas placas que transportam o continente, uma vez que é formado onde a crosta do coração, ou camada mais externa, se está espalhando ou se separando.

quipá0.jpg Só recentemente os cientistas começaram a descobrir precisamente o porquê de esses dois grandes blocos de terra se estarem a separar. Paralelamente a estes estudos de alterações tectónicas da terra, o homem redescobrindo-se, leva a que no ano de 2002, com técnicas sofisticadas e fidedignas, confirmarem a deslocação de gente vinda de África Central e do Sul, acerca de 7 milhões de anos e que, atravessaram pelo sul do Mediterrâneo, a seguir a Ásia e através do estreito de Bering desceram desde o actual Alasca à América Central, chegando consequentemente ao Brasil que hoje se conhece e, aonde me encontro.

Na década de 1997, encontraram um crânio feminino com cerca de 11.500 anos; referiram este achado com o nome de Luzia (Lucy), uma mulher dos seus vinte anos, olhos grandes e nariz achatado do tipo negróide. O terem chamado de Luzia a estas ossadas, é uma evidente referência ao fóssil de mais de três milhões de anos encontrados na Tanzânia em 1974, de características muito próximas àquele achado arqueológico da Lucy.

lucy3.jpg Recentemente, novos vestígios foram encontrados na serra de Capivara no Piauí, Nordeste Brasileiro. Foi sem dúvida o início da caça ao tesouro a comparar com as novas modas de Indiana Jonas. Machados e artefactos indicam que eles, os pré-históricos manos e primos de Luzia, viviam na idade da Pedra Polida entre 12 mil e 4 mil anos Antes de Cristo.

Nesta interpretação com busca do mundo, da globalidade e, de tratar o globo como se uma ervilha fosse, sabe-se que o dinamarquês Peter Lund, descobriu em meados do século XIX e, no Brasil, 12 mil fósseis, um cemitério de 30 esqueletos humanos ao lado de mamíferos de grande porte do tipo gliptodonts, uns tatus com cerca de um metro de altura. A estes achados, foi designado o período da pré-história Brasileira, em realidade, o continente da América do Sul.

lucy2.jpg Antes da escrita, há outras histórias que explicam as origens do ser humano. É a história, antes da história. Os arqueólogos, descodificando novos achados, analisam com testes de carbono e outras supostas verdades. Foi assim que olhando pinturas rupestres em Boqueirão da Pedra Furada na região de Lagoa Santa, Minas Gerais, com a exploração de mais de 200 grutas, decifraram os vestígios dum anterior passado, antes dos Egípcios que também se acredita terem aqui chegado e, mais recentemente os Tugas (portugueses) com todas aquelas escondidas diplomacias de Papas e poder Régio da idade média definindo fronteiras ao tratado de Tordesilhas criaram uma nova raça: “O Brasileiro”…

moka25.jpg Mas, os Angolanos que nunca querem ficar atrás nestas descobertas, numa conversa de cacaracá, o Boniboni da Catumbela em Angola, um ilustre amigo meu, um vizinho ocasional do M´Puto, disse sobre isto com um linguajar simples e pícaro, o seguinte: - Mazé, esse tal de “Peter não sei das quantas”, tem que vir aqui nas barrocas da Luua destabilizar os defuntados ossos dos mais que passados primos da Luzia porque aqui, tem por demais, montes de ossadas pré-históricas meu... (é um comentário pouco sério! Não façam caso!). Nós, os TUGAS, somos, em verdade, ainda, um enigma indecifrado. Só sei que os Angolanos nunca provarão que os Tugas, nunca por ali passaram, que nada por ali, fizeram - por mais que tentem!...

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:24
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2019
XICULULU . C

TEMPOS QUENTES – 04.02.2019

MALAWI – NIASSA . No vale do Rift - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios – Assim como a terra, cada qual tem o seu Rift... 2º De várias partes

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

rift1.jpg Historicamente, o sistema do Great East African Rift, começou a se desenvolver durante o Mioceno (22 a 25 milhões de anos atrás) estendendo-se por milhares de quilómetros do vale do rio Jordão através do Mar Vermelho e passando por Djibut, Etiópia, Quênia, Tanzânia e Malawi até ao Rio Zambeze, bem próximo de Tete, a jusante de Cabora Bassa.

A extensão do Sistema de Fissuras do Leste Africano, de Djibuti e Eritreia do norte até Malawi ao sul, forma a fronteira entre a placa africana e a placa somali mais jovem no Leste. Em um comprimento de mais de 3.000 km, a crosta terreste é esticada e afinada porque as duas placas se estão afastando uma da outra.

rift01.jpg Para acomodar a extensão, a crosta superior, quebradiça, é cortada em numerosas falhas normais e de deslizamento de ataque, sendo que, a crosta inferior e o manto superior da litosfera se deformam plasticamente esticando como se fosse uma pistola de mastigação em pressão. Movimentos ao longo dessas falhas são a razão pela qual terremotos e vulcões ocorrem dentro do Sistema Rift da África Oriental.

Por outro lado, o Malawi Rift aparentemente ainda está em suas fase juvenil, com um registo científico mostrando que o mecanismo do Rift está focalizado há apenas um milhão de anos atrás, em contraste com o sistema bem desenvolvido da região mais distante situada a norte. Embora não haja actividades vulcânicas no Malawi, terremotos e nascentes de água quente, encontrados no país, fornecem evidências do processo de rift.

rift4.jpg E, porque ia à boleia a conhecer áfrica, com alguém que se dizia ser o melhor condutor de África e, que só queria e ver animais, só safari, foi pena não ter visitado nenhuma das águas termais que sabia existirem. Faltou logística e bom senso! Pouco a pouco e já em M´zuzu a 14 de Outubro de 2018 a barreira do “haja paciência“ tonava-se uma tormenta. Deveria ter regressado de avião. Serão episódios que por muito que queira esquecer, não os poderei omitir porque sobretudo me respeito. O que poderia ter sido bom, foi-se tornando sofrível numa via esquizofrénica…   

Mas, voltando ao Rift verifica-se que em Moçambique, a parte sul da fenda ainda não se formou de verdade; se o novo continente acaba pegando ou não pedaços da África do Sul, por exemplo, ainda precisa ser determinado pelos indicadores que surgem na topografia terreste ou outras manifestações orográficas. O que se sabe é que, definitivamente, a primeira separação da massa terrestre já começou no extremo norte da fenda, Djibuti.

rift7.jpg Esta pequena incisão no continente africano é a primeira abertura do novo corpo de água que separará a Núbia da Somália. O Rifte do Leste Africano é, na verdade, um sistema complicado de segmentos de rift que proporcionam uma moderna analogia para nos ajudar a entender como os continentes se separam. E, assim se desenvolveram dois ramos neste processo; os ramos, leste e oeste do sistema rift.

O ramo oeste abriga os Grandes Lagos Africanos e outra fenda quase paralela e, a cerca de 600 quilómetros, até o leste, que quase corta o Quénia de norte a sul, antes de entrar na Tanzânia, aonde parece ir morrer. É verdade que essas falhas, seguem geralmente suturas antigas entre as antigas massas continentais que colidiram há biliões de anos para formar a crosta africana.

( Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:07
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . V

Leão que ruge muito, não caça nada…… 09.01.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Lagoa do M´Puto

44 - O sol erguia-se escaldante sobre o mato, os bichos felinos ficavam às sombras das bissapas abanando as orelhas para enxotar moscas e revirando-as para manter seu radar a captar os movimentos da savana, das bordas dos muxitos e da lagoa. Assim e por detrás do capim, o mesmo sol do M´Puto, aqui parece envolto em brancas teias de nevoeiro, como se aranhas fossem, percorrendo bocejos de cacimbo como gotículas que se despendem das pontas acerosas.

malawi3.jpg 45 - Com colares massai de contas azuis e bagos de feijão maluco de Angola penduradas ao pescoço, escrevo coisas loucas a condizer com o não menos chanfrado Ernest Emingway, salvo as proporções, claro! Sou um homem do mundo. Já viajei e vi muitas coisas; os anos e meses que passei noutros lugares assim como contas, conto-os enfiados em um fio de náilon a fazer de missangas.

46 - Formando frases curtas e sinceras tento rematar-me nas voltas certas para driblar de outro jeito meu passado. Sim! De outro qualquer modo ele, o passado pode reconhecer-me. Aprendo com as formigas grandes, kissondes que em andamento seguro arrastam pelo pó do chão seus ventres escuros sem discutir com Deus por assim andarem, sempre se arrastando.

malawi2.jpg 47 - Se pudesse adivinhar o futuro sem o ter de deslocar, tê-lo ia beijado, a sugar-lhe as energias, deixando para ele um montão de problemas, porque cada vez que se respira, torna-se tudo mais caro e, nossa escrita que até podia ser criativa, fica lodosa, languinhenta com taxas e taxinhas mais a água, a luz, revisão do carro  ou pagamento ao jardineiro.

48 - Com todas estas alcavalas na vida, nossa prosa fica como um deserto, esteando-se até ao horizonte sem nada acontecer; fica só uma vida de estórias com partidas e chegadas. É por isso que me regalo com as estórias alheias como estas da minha empregada de Kampala chamada Mery. Esta manhã disse-me que sua mãe mandou-lhe por correio expresse um pacote de formigas fritas, embrulhadas numas folhas de bananeira.

malawi1.jpg 49 - Acrescentou que embora a folha estivesse amassada e rasgada dá para as saborear, deliciosas enswas acompanhadas com palmito de bananeira. Minha relação com Mery foi-se tornando mais próxima quando nas nossas falas, ela me disse um dia que nós muzungus da Europa, complicamos muito e, para além do normal nossas vidas. Assim num desplante doce e sincero, achou que tudo isso é devido à nossa falta de imaginação; que dificultamos tudo, achamos por isso tudo caro.

50  - Foi-me dizendo que nós aqui no M´Puto e por toda a Europa, somos pobres de uma maneira diferente. Mas, quem és tu para falares assim dos brancos muzungus, repliquei para ela meio azedo mas e, também curioso com seu ponto de vista não de todo desajeitado. Eu sou Baampita ani! Ué - és o quê? Sou uma mulher africana, graças a Deus! Venho do Vale do Rift, lugar do Adão e Eva!

INHASSORO 096.jpg 51 - Eu já a tinha ouvido dizer que o Adão e a Eva eram africanos mas assim desta forma fiquei confuso sem saber até como replicar. Sim, acrescenta ela: O vale do Rift foi o berço do primeiro homem e da primeira mulher. Portando o Adamu e Eva pertencem-nos! Fiquei recentemente, a saber que o Great East African Rift System é uma das maiores características fisiográficas do planeta. Vou ter de me inteirar disto porque talvez ela esteja cheia de razão

52 - Em verdade este Vale do Rift é uma zona na qual as placas Somali e Núbia se estão dividindo; abrange a Etiópia, o Quénia, a Tanzânia, o lago Niassa e o rio Chyre, terminando no Zambeze. Da superfície das águas elevam-se agora nuvens de dúvidas para e, em espiral fazer transportar kiandas do kalunga, o lago Niassa.

INHASSORO 175.jpg 53 - Um mistério que vai originar escritos de sonhos com danças de boas vindas ao Malawi porque foi em Sitima de Nkhotakota que almocei na sala do capitão Steve. Lá terei de continuar esta conversa com Mery sem perturbá-la dos seus afazeres; até lhe prometi amanhã ajudá-la a aspirar com o rainbow a casa no intuito de fazer acontecer mais falas. Nem pensar patrão! Disse logo na forma peremptória. Cumcamano, ando a perder massa muscular no meu cerebelo!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:55
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
XICULULU . XCIX

TEMPOS QUENTES15.12.2018

MALAWI - NIASSA - No vale do Rift

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... 1º De várias partes

Por

soba15.jpgT´Chingange - No M´Puto

Quando o Vapor Niassa apitou lá longe um último sopro de “vrruumm”, ao largo da Luua de Angola no ano de 1975, pude escolhe-lo como meu berço; foi ele que fez vibrar no meu coração o fascínio do mítico Robinson numa terra de São Nunca e, com um amigo certo chamado de Sexta-feira tornei-me num Niassalês. Mas, só em Outubro de 2018 tomei contacto directo com o lago Niassa, que deu o nome ao vapor e, que nos mapas de agora vem com o nome de Malawi.

Visitando recentemente o lago com este nome, foi uma surpresa para mim; uma imensa extensão de água doce a banhar Moçambique, Malawi e Tanzânia. Por terra e, por vários dias vi um deslumbrante espelho de água de Karonga até chegar a Monkey Bay na parte Sul do Lago. Pude apreciar uma misteriosa paz e invulgar quietude deste lago até chegar ao Mvuu Liwonga bem ao lado do Shyra River a jusante do lago Malombe, que vai desaguar no grande rio Zambeze em Moçambique. Vi aqui dezenas de hipopótamos, palancas pretas e vermelhas e também, pela primeira vez, um porco conhecido em Angola por jimbo e, que se alimenta de formigas. Tem aqui o nome de Aardvark mas também é conhecido por porco-formigueiro.

INHASSORO 298.jpg Este grande lago africano está localizado no Vale do Rift, com uma orientação norte-sul tem 560 km de comprimento, 80 km de largura máxima e uma profundidade máxima de 700 m. Vi em uma publicação um mapa que parecia ser junção de uma grande ilha separada de áfrica e, que aqui se juntou originando os grandes lagos do centro de áfrica mas, é precisamente o contrário disto que parece estar a acontecer. O Lago Niassa tem uma área estimada de 31 mil quilómetros quadrados, dos quais 6400 são território moçambicano.

Na língua chinyanja (ou chinhanja), falada na orla moçambicana do lago, Niassa significa "lago", tal como o próprio nome do povo que usa aquela língua, os Nyanjas, significa povo do lago. Em chichewa, uma das línguas do Malawi, a palavra malawi significa o nascer do sol, visto que, estando a ocidente do lago, é dessa forma que os malawianos vêem nascer o dia, sobre o lago.

INHASSORO 167.jpg Mas, estou agora a ler uma nova versão que começa com um adeus ao nosso estimado lago Niassa. Terremotos e vulcões fazem parte dos perigos naturais, juntamente com inundações, tsunamis, ciclones e muitos mais. Estes riscos naturais causam grandes danos físicos aos assentamentos humanos, estruturas de edifícios e vários tipos de infra-estrutura, incluindo pontes, estradas, linhas férreas ou depósitos de água. Vou tentar decifrar tudo isto…

Estes riscos estão chegando agora a um ritmo mais rápido do que o esperado, diz-se..., é uma jornada sem volta, mas isso, no entanto, não será amanhã; poderá portanto levar muitos e muitos anos. Iremos por isso ver o que os estudiosos do Globo dizem sobre um amanhã. A destruição de propriedades pelos riscos supra mencionados pode ter uma séria necessidade de abrigo humano, produção económica e padrões de vida da vulnerabilidade das populações afectadas.

INHASSORO 210.jpg Um grande número de pessoas pode ficar sem casa após um terremoto ou um vulcão. Estes cataclismos, têm o potencial de infligir enormes perdas à riqueza humana; terremotos e vulcões estão entre os perigos naturais mais destrutivos e temidos. São inevitáveis, na maior parte imprevisíveis e produzem um sentimento de desamparo. No entanto, esses dois elementos não são apenas eventos para ouvir ou sentir ou apenas para vê-los, mas são incidentes com um profundo significado para humanidade.

Entre tantos significados que podem ser ligados a eles, estes são indicadores-chave da deriva continental. Este facto é fortemente apoiado por um registo científico que diz que terremotos e vulcões estão localizados em áreas encontradas nos limites das placas tectónicas. É sobre isto que se irei falar na forma de capítulos.

javali formigueiro0.jpgDa superfície das águas elevam-se agora nuvens em espiral de transportar kiandas do kalunga. Um mistério que vai alimentar muitas conversas, originar escritos de sonhos com danças de boas vindas ao Niassa! E, foi em Sitima de Nkhotakota que almocei na sala do capitão Steve mas este, não apareceu naquela forma de olho tapado e perna de pau…

INHASSORO 227.jpg Certamente que também este não sabia que no futuro esta casa feita de assombro e restos dum barco encalhado em tempos de segunda guerra mundial, vai ser inundado por uma onda gigante num futuro, sem calendário agendado. O Great East African Rift System é uma das maiores características fisiográficas do planeta. Este Vale do Rift é uma zona na qual as placas Somali e Núbia se estão dividindo; abrange a Etiópia, o Quénia, a Tanzânia, o lago Niassa e o rio Chyre, terminando no Zambeze.

( Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:56
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO – XCIX

TEMPO COM CINZAS - 12.11.2018

Vim à procura do futuro, imaginando a energia e a força de quem recomeça, e acabei por recuar no tempo….

Por

soba15.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

INHASSORO 111.jpg Passados que são 53 dias recordo o ontem que foi nosso 52º e último na “Odisseia das Potholes – Haja paciência” por África, com 9700 quilómetros andados e abrangendo sete países passados por fonteiras terrestes a saber: África do Sul, Botswana, Zimbabwé, Zâmbia, Tanzânia, Malawi e Moçambique.

victória falls 027.jpg Sucede pois que, calhou também ser ontem o mesmo 11 de Novembro comemorado em Luanda com festividades oficiais e condecorações! Resmungando, embebendo fatias de pão torrado na xícara de café com leite ou bolacha Maria, as horas rendiam-se dia após dia como sentimentos mudos. Por vezes era o pequeno-almoço com bacon, ovos, batatas fritas e chouriço tipo bóher com pão torrado.

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Vagabundeava largas distâncias com grandes desesperos a ladrar-me por dentro olhando em frente o asfalto ora rachado ora esburacado e dos lados as bissapas agressivamente queimadas pelo sol; nada de antílopes a saltarem como imaginávamos existir, nem tampouco rolas, perdizes ou capotas. Será que comeram tudo? Era a pergunta a que ninguém encontrava resposta.

victória falls 032.jpg Eramos todos, para além do melhor condutor de África umas preguiças à boleia pela chamada pura África e, como quem cumpre uma formalidade inútil e aborrecida, relembro o onze de Novembro de Angola que só hoje tomei conhecimento ter sido um dia de fartas recordações! Nem me lembro de em tal falar pois que, a vontade de nada dizer subsistia-me. Foi um acto que simplesmente desaconteceu!

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E, não falei, nem falarei, porque ainda ando a remoer humilhação de um amor ultrajado que comigo, mais tantos pais, mães e tantos filhos viram através de suas lágrimas num nascimento de novos dias forçados, novos meses e anos. Agora lembram com pompa, escrúpulos de sangue. Enfim! Coisas passadas e, não esquecidas.

Tombo1.jpg Com o tempo a maioria aceitou a reviravolta que a política provocou em suas, nossas vidas. Muitos perceberam que não valia a pena viverem revoltados e até fizeram por esquecer; muitas vezes, recordam que a guerra não tem só um lado e que nós estávamos em lado nenhum – Simplesmente, não tinhamos lado… É aqui que começa o busílis de que já tantos falaram, falam e continuam…

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Ainda sinto um ligeiro tremor de raiva a arrepiar-me as carnes, o cérebro, quando me lembro daquele polícia de fronteira, impecavelmente preto, impecavelmente vestido, impecavelmente sóbrio e com divisas de chefe reluzentes, que ali naquela fronteira de Bozwé, entrada de Moçambique só aceitavam dólares; uma terra em que o dinheiro tem o nome de Meticais. Por seis horas e sentados num muro de pedra ao acaso, tivemos de esperar pelo visto que iria de Tete.

IMG_20170720_125720_BURST010.jpg Assim, de braços moles, de mãos frouxas, pescoço bambo quase abotoado ao estomago, crepitando febres, olhava um desconsolo como coisa nunca vista. Hoje, já em Johannesburg, ando a tomar chá rooibos misturado com borututu para defumar as raivas mal contidas. Sim! Para me curtir das cólicas. Ontem, até dei comigo a examinar quinquilharias de artesanato, assim minuciosamente como se nunca as tivesse visto. Agora, lá terei de inventar lendas para neles, me improvisar airosamente.

O Soba T´Chingange     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:57
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2018
XICULULU . XCVIII

ODISSEIA DAS POTHOLES - 07.11.2018

Afinal não é verdade o que apregoa o político Africano… "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP. 

Por

soba15.jpgT´Chingange – Em Komati River de Komatipoort

Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Alguns até são brancos… Porquê? "HOJE até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan T´Chavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabwano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo.

Zimbabwé 001.jpg Zimbabwé que, no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente. Por exemplo, em Angola, quando por vezes, nas datas históricas, oiço e vejo pela TV indivíduos a mencionarem o que o 'colono nos fazia', sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mate de 'risada' …

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"Porque o que o colono fazia… blá-blá-blá", dizem eles - hoje faz-se o pior! O colono, se fez, quase que o desculpo: era ou foi colono, é branco, não é meu irmão de raça, etc.; agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura, faz o que denodadamente repudiávamos do colono – esta acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma.

kuvale2.jpg Por isso, logo após as independências africanas, e depois do êxodo dos brancos a abandonarem (África), verificou-se um segundo êxodo: seguindo os outrora colonos, milhões de africanos abandonaram também a sua África, com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença; a maioria, arriscando literalmente as suas vidas (e, o filme continua até aos nossos dias).

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Porque se chegou à conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP. Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Porquê? Estamos a 30 de Outubro de 2018, em Vilanculos de Moçambique podendo vivenciar o que atrás é referido, um retrocesso evidente na qualidade de vida para a grande maioria do povo…

tanzânia II 060.jpg ELEFANTES NO CHOBA - BOTSWANA

No África Tropical de Inhambane posso conferenciar com a osga amiga que se passeia no tecto para lá da fechada malha de rede anti mosquito. Meio recostado na cama, leio o livro de Eduardo Agualusa e, releio aquele episódio duma mulher ambiciosa e ambicionada: “Ela despiu o corpo como se fosse um vestido, guardando-o num armário e, agora passeia-se pelo mundo com a alma nua”. Ela era uma professora que ensinava ética…

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Pude ver neste porém a osga a virar-se e assolapar-se no reposteiro a ouvir comodamente minha descrição. Sabes papoila, foi este o nome que lhe dei, que me veio ao pensamento – Ando de terra em terra, por áfrica, revendo sombras do passado e sonhos alheios com formas de bichos com cornos retorcidos mas, há momentos fui até à praça da revolução ou da independência; pude até sentar-me no canhão de outras guerras, canhões que os Tugas deixaram apontando a baia e, tendo do outo lado a vila de Maxixe…

INHASSORO 096.jpg TÁXI-BICICLETA DO MALAWI

No topo da alameda de Inhambane e bem à beira da marginal fixei-me na figura de Samora Machel, uma estátua com o dobro de sua real altura, apontando ao ocidente bem ao jeito de Lenine, talvez com aquela cartilha vermelha de ditar leis que ainda rolam e enrolam como bactérias o cerebelo de muita gente. Entre tanta coisa observada pude recordar àquela osga o quanto aquela terra era forte e que tal como aquela mulher professora de ética, também se despiu ficando agora com a alma nua!

etosha1.jpg  Quanta gente também naquele ano de 1975, se despiu de vontade ficando também com a sua alma nua! Ela, a osga engasgou-se de tanto rir; por momentos até pensei que gozava comigo - já quase pronto a atirar um chinelo à sua figura, parei quando ela retorquiu: - Não quero falar desse tempo; durante muitos anos fui professora de estória num centro de recuperação de mutilados e, posso afiançar-te que um homem, ao longo do tempo, ao longo de sua vida, muda muitas vezes de corpo - brancos ou pretos! Frisou piscando-me seu olho vesgo.

INHASSORO 298.jpgHIPOPOTAMOS NO NVUU  LODGE - MALAWI

 Não viste tu, na praça da Revolução o próprio Samora, saudando o vento como um puro Lenine a saudar seu povo? Pópilas, esta osga fala – é inteligente! E continuou: não existe nada de semelhante entre uma larva e uma borboleta e, no entanto há sempre uma larva no passado de cada borboleta!  Pois é, por vezes parece ser bom abandonar o corpo inteiro e trocá-lo por outro. Tenho visto muito disto, sabes! Disse eu. Num repente estava a falar com um jacaré gordo empoleirado no reposteiro. Há coisas tão verdadeiras que até perecem mentiras.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:47
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Sábado, 27 de Outubro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCVIII

NAS FRINCHAS DOS BURACOS27.10.2018

Por

tonito19.jpg T´Chingange – Em VILANKULO de Moçambique

Esta odisseia de “potholes” tem sido permanente e, aqui em Moçambique foi mais evidente entre Tete e Chimoio e depois entre Chimoio que fica perto da reserva Gorongosa e Inhassoro e, por cerca de 420 quilómetros. Um autêntico desespero com falésias nas margens roídas de fazer virar carros com buracos sucessivos de não deixar alternativa; só mesmo passar devagar, devagarinho.

INHASSORO 149.jpg Nos escassos quilómetros com piso bom, lá estava a polícia para exercer sua autoridade. Fizeram-nos alto e mostraram a máquina parecida como um megafone a marcar 85 Km em luz vermelho. Pois! O senhor vinha a mais de sessenta, tem de pagar multa! Fiquei fulo depois de andar tantos quilómetros com o eminente perigo de ficar ali numa qualquer pothole! Saí fulo do carro e disse que era um desaforo armar tocaia na única recta com bom piso em 420 kms.

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Cá por mim não pago nada! Saí e, sentei-me no muro da Vodacom, um mukifo promovido a quiosque entre milhares pintados de vermelho e pertencente à empresa de celulares telemóveis! Um negócio que deve ser bem próspero, pois toda a gente tem um micro-ondas por onde se pode falar! Estando em um país tão pobre, tem-se a noção de que os galifões das multinacionais da comunicação ganham avondo!

INHASSORO 401.jpg Deveria sim, sermos indemnizados por tal estado das estradas pois que pagamos seiscentos randes de seguro para circular em segurança e a protecção não é nenhuma! Se cair num buraco, o estado de Moçambique paga!? É? Perguntas àtoa de sem resposta. Na passagem da fronteira esmifraram-nos na troca de dólares. É o sistema, disse o chefe fardado em polícia de fronteira com divisas de sargento cromadas e porte impreterivelmente prepotente! Chama-se Nico e foi inflexível em não aceitar randes nem meticais, a moeda nacional; nem dólares surrados ou sujos. Pópilas!

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Esperamos mais de cinco horas pelos vistos que na forma de selos seriam colados no nosso passaporte! Viriam de Tete… Não havia sala de estar e lá nos acomodamos em um muro debaixo de uma árvore frondosa. Entretanto consegui comprar 50 dólares americanos; era quanto nos faltava para completar o total para pagar o visto de quatro pessoas – era um bafana bem-falante corrector cambista, um grande filho-da-puta que sabendo me deu 50 dólares velhos, surrados - por 850 randes!

INHASSORO 397.jpg No acto de entregar o dinheiro ao funcionário Nico este disse não poder aceitar estas notas sujas! Estava para explodir mas, e agora!? Procurei o filho-da-puta cambista vestido de negro mas nem pó! Sistema mais kazukuta este de ganhar dinheiro aldrabando o turista com conhecimento das autoridades da mututa… Não encontrando o aldrabão tive de comprar dólares novos e limpos pela módica quantia de 1000 randes!

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Se vocês estão indignados, poderão calcular como me podia sentir mesmo tendo Vissapa o comandante desenrasca situações mais macabras ali ao lado! Vissapa só barafustava e disse até que iria descrever às notícias do mundo estes desaforados entretantos: - Senhor Nico,  fique ciente, sou jornalista e vou descrever estas arbitrariedades para o mundo!

INHASSORO 394.jpg Resposta da autoridade supra numerária de nome Nico: - Fale o que quiser! Pois, se ele não falar já aqui vai no meu jeito de contador de estórias e sem coturno nos areópagos internacionais como nosso comandante! Aquela multa da única recta no troço de Chimoio a Inhassoro passou a gasosa de 1000 meticais sem direito a recibo… Paguei a minha parte sob protesto e juro que irei apresentar reclamação ao Ministro das Obras Desfeitas desta terra tão bonita e tão mal gerida – melhor, irei pedir sua demissão.

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Vou ver se despacho minhas notas velhas e sujas aos jangadeiros que nos irão levar à ilha de Bazaruto mesmo em frente do Lodge Samara, pertença do senhor Paulo Baptista, um moçambicano branco que aqui estabeleceu seu bivaque de vida. A praia estende-se até bem longe e a vista do mar para terra é paradisíaca. Ué! Com palavrões dentro da cabeça, tento reconstruir minha disposição com estranhos nomes esvoaçando, mijando raiva de mim aos poucochinhos, buscando novidades sem figas nem juras por sangue de Cristo porque quem anda por gosto nunca cansa! Assim deveria ser mas, noé!

INHASSORO 385.jpg Mas, sempre há um mas – porque em outros tempos tive mesmo de espreitar minha vida pelo cano de meu canhangulo em Muquitixe; uma vida estriada numa Angola em que as verdades só cheiravam a mentiras; melhor - Ainda cheiram! Assim lixado, tento andar engalanado com bandeiras de capulanas só para fingir coisas mais coloridos. Entre grandes excitações, alegrias e nervosismo de dar volta às novidades da Nacional Geográfica, cheiro os ventos que do índico me trazem rolos de cheiro; cheiro de tabaco.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:12
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCVII

NAS FRINCHAS DO TEMPO16.10.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange – Em Monkey Bay do Malawi

O lago é uma surpresa para todos. Uma imensa extensão de água doce a banhar Moçambique, Malawi e Tanzânia. Por terra, andamos vendo um deslumbrante espelho de água até chegar aqui a Monkey Bay na parte Sul do Lago e no lugar de alcon cottage, um lodge de um indiano com piscina e árvores frondosas com o nome de Juliette. Sereno, selvagem, tranquilo, invade-nos com uma misteriosa paz e invulgar quietude.

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Da superfície das águas elevam-se nuvens em espiral de transportar kiandas do kalunga. Um mistério que vai alimentar muitas conversas, originar escritos de sonhos com danças de boas vindas ao Niassa! E em Sitima de Nkhotakota, uma casa feita de assombro e restos dum barco encalhado com o nome do capitão Steve, um barco que parece ter andado por aqui em tempos de segunda guerra mundial; são as fantasias de Vissapa que recordam estas coisas escondidas em seus sonhos.  Almoçamos na sala do capitão mas este, não apareceu naquela forma de olho tapado e perna de pau…

Niassa1.jpg Andamos de sítio em sítio sem vermos o tal de “Ilala Boat “ que dizem andar pelo lago tendo no 1º andar os turistas bazungus carregado de máquinas e binóculos e edecéteras com canivetes de Mack Guiver com mais de dez aplicações e um colete com bolsos secretos para guardas shillings, dólares, randes ou kwachas; no andar inferior os que vivem nas margens do Niassa e que tem de transportar galinhas, mandioca e peixe seco t´chissipa.

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Um barco que sempre nos traz à memória "A Curva do Rio" de V.S. Naipaul e também do Peter Pan… A divisão das fronteiras tem coisas surpreendidas; daqui não se avista a costa do Moçambique - o lago parece ter mais de 80 quilómetros de largura. Falam de uma ilha de nome Likoma terra de kiandas sábias que curam mazelas fazendo trepanação com seus dedos muitos dedos mas nós, só pensamos por agora ir à ilha de Bazaruto em frente a Inhassoro já na costa do Oceano Indico.

niassa4.jpg Antes disso teremos de esperar os carimbos nos passaportes – vistos de saída e de entrada para alimentar o sofrimento da burocracia com papel avondo. Mas, a paisagem com imbondeiros esmaga estes problemas formais. Algures ao luar e, na areia aqui junto ao lago ouviremos do outro lado da enseada rumores do canto do Niassa, um grupo de miúdos que junto à fogueira soltam a voz mas nós daqui só podemos ouvir. Já os vimos passar em carrinhas de caixa aberta cantando seus domingos de Pentecostes e aleluias de Cristo de Salima.

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Este grande lago africano está localizado no Vale do Rift, com uma orientação norte-sul, o lago tem 560 km de comprimento, 80 km de largura máxima e uma profundidade máxima de 700 m. Os estudiosos, dizem ter sido a origem da junção de uma grande ilha separada de áfrica que aqui se juntou originando os grandes lagos do centro de áfrica. Tem uma área estimada de 31 mil quilómetros quadrados, dos quais 6 400 são território moçambicano.

niassa2.jpg Na língua chinyanja (ou chinhanja), falada na orla moçambicana do lago, Niassa significa "lago", tal como o próprio nome do povo que usa aquela língua, os Nyanjas, significa povo do lago. Em chichewa, uma das línguas do Malawi, a palavra malawi significa o nascer do sol, visto que, estando a ocidente do lago, é dessa forma que os malawianos vêem nascer o dia, sobre o lago.

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É um lago único no mundo por formar uma província biogeográfica específica, com cerca de 400 espécies de ciclídeas descritas endémicas. O nível da água varia com as estações do ano e tem ainda um ciclo de longa duração, com os níveis mais altos em anos recentes, desde que existem registos.

niassa3.jpg Vamos em seguida em direcção ao Parque Nacional do Lago Malawi, abrangendo a extremidade sul do lago, uma dúzia de ilhas, uma região de reserva florestal e uma zona aquática até 100 m da costa que foi inscrito pela UNESCO em 1984 na lista dos locais que são Património da Humanidade.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:05
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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