Sábado, 23 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXVIII

MOKANDA DO DIA – 23.12.2017 – Tukeya. V - Nas falas do fim-do-mundo (Leste de Angola), apaziguando rijezas adversas com a singularidade do mundo.

Por

soba0.jpegT´Chingange

Disposto a escrever a crónica Tukeya V, coloquei o rato do microondas (leia-se computador) em cima de uns escritos amarelecidos no tempo, coisas minhas do antigamente. Pude ver em letras maiúsculas ”A CHUVA BATE NA PELE DO LEOPARDO, MAS NÃO TIRA AS SUAS MANCHAS”. O mesmo deve suceder com a gata “princesa” que dorme aqui a meu lado no sofá. Recordo agora que este regalo de falas foi-me enviado pelo nosso Kimbanda Ninja para que constasse na Torre do Zombo do Kimbo e anexos da Kizomba.

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Estes dizeres são em realidade um mítico provérbio africano aonde para além da onça, do leopardo e da chita existem a hiena e o mabeco que também as têm tal como a gata princesa que em seus primeiros dias dormia no dorso do faísca, o cão-aviador que já morreu em terras do moçárabes. Com a zebra ocorre o mesmo fenómeno de manter suas riscas, mesmo que chova muito mas, com esta, acontece um outro pormenor.

tukya13.jpg As riscas irregulares das zebras são para fazer com que o leão fique tonto ao persegui-las perdendo a noção e desequilíbrio. Pois, muita gente não sabe, mas o leão ao fim de algum tempo de perseguição, e por via de sua fixação em uma, fica com tonturas acabando por desistir. O facto de todas correrem em simultâneo causa o efeito psicadélico e, o que era, fica turvo com tantas riscas a se moverem.

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A natureza ensina muito a quem se detém a observar os mistérios tão perfeitos dela. Mas lá terei de voltar à tukeya e com Dom António o primeiro governador do distrito do Moxico achador de um vasto campo com milhões e milhões de peixinhos empoleirados nas árvores. Na verdade, as árvores não eram árvores, senão arbustos ou, por outro dizer, bissapas comuns e capim alto, a normal vegetação das chanas do Leste de Angola.

tukya14.jpg Dom António mandou dois escravos que fossem buscar algumas daquelas coisas prateadas que se viam à distância. Entretanto, abandonou a tipóia onde se fazia transportar, estirou as pernas, erguendo seu comprido pescoço sobre a vegetação. Quando, por fim, pôde tomar nas mãos os peixinhos, viu que estavam secos, mumificados pelo sol. Procurou entender o fenómeno e interpretar o confuso palavreado dos vassalos. Parece ter entendido alguma coisa entre o cazumbi das falas  com eles, seus monangambas.

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O que é isto? …Vozes: - «Tukeya, patrão!», responderam-lhe (…) E «tukeia», é o quê???!!!(..) Monangamba - «Tukeia», não vês patrão, é mesmo os peixe! Dom António: - Peixe, como? Os peixes ficam em cima das árvores como passarinhos, é? Uma voz: - (Dirigindo-se aos monangambas) - Oh pá... Esse n´gajo tá falar  só átoa. Ele está só maluco dos cabeça n´dele, pôssa, pah! É peixe, mesmo. Outro monangamba: - É, não siô! Eu não… Si siô. É mesmo os peixe. Não vês, patrão? São mesmo os peixe de comer. VOZES – Eh, eh, eh...

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Os peixe sai atão em cima dos pau? Oh! Você viu? «Ombise, o kanjila ko? Aieku, ué!» Os peixe não é os passalinho, não…Todos opinavam mas ninguém explicava a razão pela qual havia peixinhos pousados nas folhas e a discussão não terminava. A caravana aproximou-se da misteriosa esteira prateada que o sol retocava de reflexos azuis. - «O aroma é pestilento. Só se pode andar por aqui com o nariz tapado» - anotou Dom António em seu canhenho de viagem.

MIRAN2.jpg Rodeado de peixinhos e opiniões, queria entender o desentendível e o diálogo generalizado não lhe dava informação compreensível ou válida. O exame mais atento dos peixinhos tampouco! Tinha visto tudo isso com os próprios olhos mas, estava convencido de que o feitiço daquele mato era mais poderoso, porque criava peixes nas bissapas e peixes que tampouco bebiam água.

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Das anotações à teoria dos peixes voadores foi um passo. Para melhor conclusão faltava, apenas, encontrar o rio ou lago de onde partiam os cardumes... – «...Cardumes ou enxames?», interrogava-se o governador. «Nadam ou voam? Quanta distância? Qual a altura? E, por que razão aterram ou caem todos juntos? Acidente ou suicídio colectivo? Sobre os arbustos vêm-se nuvens de peixinhos prateados, ressequidos, tão extremadamente delgados que, em vida, são tão leves que podem deslocar-se pela planície, voando como enxames de gafanhotos, até caírem exaustos sobre as plantas».

tuiui3.jpg Nunca regressou ao lugar e, morreu anos mais tarde sem desvendar o mistério ou os feitiços da «tukeya». Contudo a sua fantasia não andava longe da verdade. A «tukeya» brota do chão como as nuvens de gafanhotos. Este peixe minúsculo nasce na anhara, nos lagos de curta vida que a água das chuvas forma, todos os anos. Nas gretas de lama seca, no fundo, ficaram depositados os ovos que produzem miríades de peixinhos de crescimento alucinantemente rápido.

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Em dois meses cumpre-se o ciclo vital e começa a desova. A forte evaporação devida à secura do clima e o baixo nível das águas obrigam à concentração dos cardumes, facilitando a tarefa da recolha. As mulheres da região chegam em grupos, empunhando cestos com aspecto de raquetas enormes. Entram na água juntas, formando parede e avançam umas ao lado das outras, repetindo canções de técnicas seculares. Agitam os cestos com movimentos de baixo para cima e atiram os peixes ao ar, para que caiam sobre as plantas. Dias mais tarde, voltam à anhara, desta vez com kindas e juntam a «tukeya», como quem colhe frutos do alto das bissapas. Na próxima crónica saber-se-á de onde advém a palavra Moxico…..

tukya1.jpg

 Nota: 1 - Muitos dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho; 2 - Somente na crónica final será publicada o glossário de palavras não habituais na língua portuguesa…  

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:50
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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2017
MALAMBAS CLXXXVII

MOKANDA DO DIA – 21.12.2017 – Tukeya. IV - Apaziguando rijezas adversas, perfilando anjos com a singularidade do mundo.

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Na crónica Tukeya III acrescentei ao dito que o peixe saltador do lodo se baseia em um ecossistema, como existe nos manguezais, lagos ou lagoas rasas que secam no verão mas, não é bem assim porque estes ao invés dos peixes pulmonados eclodem de ovos depositados em buracos no lodo, aonde antes havia água e, depois secou tornando-se uma massa gretada parecida com o chocolate trinchado em barras. Lá iremos com tempo e depois de sarandar por outras paragens.

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Com bordões e folhas de palmeira ou cassuneiras os pescadores do rio pescavam peixes nas correntezas e que ali ficavam aprisionados; este método ainda é usado em cofes ou cestos feitos a propósito tendo uma aba larga por onde entra o peixe e que depois fica alojado naquele funil que, pode ter variadíssimas formas. Isso é usado nos rios destacando-se o Kwanza, Cubango, Cuando, cassai, Luinha e tantos outros; uma actividade feita exclusivamente pelos homens.

tukya002.jpg É aqui que chegamos à pesca das savanas, chanas ou lagoas rasas dos planaltos de África e mais propriamente de Angola, tarefa conhecida por pesca lacustre e praticada essencialmente por mulheres. É este o peixe do capim ou voador conhecido por tukeya - peixes minúsculos, ainda mais pequenos que os carapaus conhecidos no M´Puto por jaquinzinhos.

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No leste de Angola e na zona da Cameia, as chuvas que caem expandem-se nas rasuras da chana formando grandes lagos temporários e de pouca profundidade. As mulheres juntam-se em ranchos metendo-se nas águas das lagoas fazendo grandes pescarias colectivas; enquanto isto vão cantando e dançando numa prática secular. Foi Dom António de Almeida que deu a conhecer esta actividade já em meados do seculo XX.

tukya06.jpg Dom António de Almeida, homem de linhagem, veio a ser governador do Bié e Luchazes, um vasto território que abrange as actuais províncias do Bié, Moxico e Cuando-Cubango. Este nobre senhor quis conhecer este vasto território mesmo antes de vir a ser governador pelo que se meteu no mato calcorreando as anharas sem fim, a pé, de tipóia, em boi cavalo e até carro bóher, comboio ou carro de gastar gasolina ou brilhantina.

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O Governador do Distrito, D. António de Almeida, escolheu, delineou e fundou, a cerca de 20 quilómetros a norte de Moxico Velho, a nova sede do distrito, designada por Moxico Novo, num planalto de 12 km de largura que se espraia entre os rios Luena a sul e o Lumege a Norte, a 1 350 metros acima do nível do mar.

tukya8.jpg O curioso com Dom António foi o de que esgotou seu tempo de comissão como governador administrando o território deixando-nos seus escritos de suas passagens por terras de Cameia. E, seria numa manha com o cacimbo a despontar, quando notou ao longe, já na linha de horizonte a existência de um estranho manto de prata que reflectia a luz do sol, da kúkia das savanas; manto que cobria as bissapas, capim a perder de vista. Pela primeira vez ouviu falar aos auxiliares e carregadores o nome desse peixe, a “tukeya”- o peixe da anhara.

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Incrivelmente empoeirados nas bissapas e capins lá estavam aos milhares os pequenos peixes com o máximo tamanho de 5 a 6 centímetros. O cheiro que exalavam era nauseabundo e, aonde a vista alcançava não existia agora rasto de água, tudo era chão de areia e lama seca

E gretada. Aqui e mais além tufos de arbustos ou capins com mais de um metro de altura. Em verdade, estes peixes já estavam secos e prontos para cozinhar.

tukya9.jpg Logologo, Dom António d´Almeida o fidalgo governador daquela vasta zona, terras do fim-do-mundo, lugar que ocupou em pleno esgotando seu tempo em andanças pelos matos, ali deu início à quase lenda dos peixes voadores das anharas do leste. Sua graça não figura na lista de t´chinganges pois que não o chegou a ser, mas foi o descobridor de um vasto campo com milhões de peixinhos empoleirados nas árvores.

tukya11.JPG Desta forma e mais tarde, Sebastião Coelho organizou com legendificação, palavra inventada por ele mesmo, para descrever algumas passagens desta estória da tukeya, saída em primeira mão dum poeta-governador que enfeitiçado, também provou aquele minúsculo peixe de cheiro nauseabundo e penetrante, mas que depois de cozinhado se oferecia como um prato muito saboroso. A cena continua para entender a fundo e com detalhes o cazumbi das falas.

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Nota: Muitos dados, foram retirados das Crónicas de Kandimba de Sebastião Coelho

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:28
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Sábado, 13 de Junho de 2015
MALAMBA . LXXXVIII

ANGOLA - O OUVIDOR DO KIMBO - Relembrar o Luena (Kangamba) - antiga Vila Luso… 11ª de 11 Partes

Malamba e a palavra - As escolhas do Kimbo

Publicada por

nasc1.jpgH. Nascimento Rodrigues - Licenciado em Direito, Jurista eminente e homem público que se destacou, em todas s funções que exerceu no M´Puto - Nasceu no Luena (Kangamba), antiga Vila Luso em Angola…Faleceu no ano de 2010

kimbo1.jpg Nunca consegui entender de onde vinha a vocação daquela malta do kimbo para estas coisas, mas a verdade é que a possuíam. E foi assim que a vida rapidamente retomou o seu ritmo ronceiro e venturoso. Aos seis anos, como já contei, abalei de vez dos Luchazes para o Luena. Aos tempos de felicidade que tinha vivido, outros tempos de felicidade, diferente embora, se foram seguindo. Mas nunca mais esqueci Cangamba, os putos do kimbo e o mais velho de todos, aquele chefe negro a quem cabia defender o seu povo, escutar as queixas da aldeia, arbitrar disputas, pacificar, buscar comida que matasse a fome aos seus. Ele era o mais velho, /século) o que tinha o papel a que nós, portugueses, chamaríamos de “ouvidor”, porque ouvia o povo e julgava as causas.

moc2.jpg É verdade que a palavra “ouvidor”, que se usava em Portugal no tempo dos nossos reis, caiu entre nós em desuso. Ironia do destino foi mantida no Brasil, que a usou também na época dos capitães - donatários, a preservou e dela faz, hoje, a nível federal ou a nível estatal, no sector público tanto como no privado, um uso extensíssimo. Malhas que o Império teceu… O “Ouvidor do kimbo” é, assim, um título de simbiose, pois advém quer de Portugal, que é minha Pátria, quer de Angola, que é a minha Terra. Pretende ser esta, um desenrolar de memórias e de saudades, de poesia, de estórias e de comentários, incluindo comentários políticos, os melhores para a gente se rir.

preto4.jpg Será também uma forma de deixar aos meus treze netos um rasto meu, porque, pela ordem natural das coisas, sobretudo os mais pequenos, é provável que dele, nada retenham. No mais, caro caminhante de passagem por aqui, nunca se esqueça daquele provérbio saloio que diz assim: ”se não gostas do que lês, pois não leias”; ou, se preferir um provérbio ganguela, então escute este: ”um homem não é um jacaré. Um jacaré não é um homem. Mas o jacaré come o homem”.

kimbo2.jpg NOTA: Convem expor aqui uma de suas afirmações para que se entenda um pouco a mentalidade de quem veio de África por fruto da descolonização a comparar com o metropolitano do M´Puto; daqui a forma rsoluta com que milhares de retornadoas solucionaram suas vidas a partir do nada em 1975:  -“ Em África, ninguém espera nada do Estado, apenas de si próprio; é o contrário do que acontece em Portugal, e por extensão, no resto da Europa”.

(FIM)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:37
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2015
MALAMBA - LXXXVII
ANGOLA - O OUVIDOR DO KIMBO - Relembrar o Luena (Kangamba) - antiga Vila Luso… 9ª de 11 Partes

Malamba e a palavra - As escolhas do Kimbo

Publicada por:

nasc1.jpg H. Nascimento Rodrigues - Licenciado em Direito, Jurista eminente e homem público que se destacou, em todas s funções que exerceu no M´Puto - Nasceu no Luena (Kangamba), antiga Vila Luso em Angola…Faleceu no ano de 2010

mutopa0.jpg Era então que os mais velhos ficavam sentados ao redor das fogueiras, a beber marufo e a fumar nas suas mutopas e contavam as estórias de caçadas antigas, fabulosas, daquelas que não mais se repetiriam porque já não havia tanta caça e porque os jovens do kimbo tinham perdido o gosto da aventura de calcorrear matos e montes, galgar rios e penetrar até ao fundo dos fundos da floresta. Numa dessas ocasiões, por gentileza, trouxeram-me uma bâmbi cuja mãe fora morta na caçada. A pequenina gazela mal se sustinha nas esguias e muito frágeis pernas, tinha o focinho húmido e uma pele castanha, quase sedosa, que apetecia cheirar. Para mim foi amor à primeira.

corimba3.jpg Minha Mãe ocupou-se dedicadamente do bâmbi, porque percebeu o que eu não podia perceber: que o bâmbi, sem a mãe e com tão poucos dias, corria risco de vida. Alimentou-a a leite, com os meus mais velhos biberões, entrapou-a em pedaços de manta à noite, deixava-me pegar-lhe ao colo e tenho uma vaga ideia de que até sulfamidas lhe dissolveu no leite, não sei para quê.

mutopa5.jpgTudo foi em vão, porque uma certa manhã veio dizer-me que o bâmbi tinha morrido e a tinham enterrado no quintal, lá para os lados do kimbo. Ainda hoje tenho a certeza de que esse foi o primeiro grande desgosto da minha vida e recordo-me de ter chorado desalmadamente. Se há coisa, porém, que rapidamente cura desgostos é precisamente essa idade da meninice. Os “putos do kimbo” em breve estavam de volta, agora traziam a última maravilha: um carro feito de canas de bambu, com um enorme guiador, que não passava de um longo e estreito pau que servia para o mover.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:21
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2015
MALAMBA - LXXXVI

ANGOLA - O OUVIDOR DO KIMBO - Relembrar o Luena (Kangamba) - antiga Vila Luso… 9ª de 11 Partes

Malamba e a palavra - As escolhas do Kimbo

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nasc1.jpg H. Nascimento Rodrigues - Licenciado em Direito, Jurista eminente e homem público que se destacou, em todas s funções que exerceu no M´Puto - Nasceu no Luena (Kangamba), antiga Vila Luso em Angola…Faleceu no ano de 2010

quil5.jpg (…) E em regra era mesmo a questão das culturas, o desaparecimento de gado e, portanto, a situação de fome ou a de saúde dos povos do kimbo o principal motivo dessas conversas, como mais tarde me explicaria meu Pai. Era muito difícil, então, encontrar-se solução adequada para a substituição dos métodos tradicionais de cultivo praticados pelas gentes do kimbo, o puro trabalho muscular pela enxada, e explicar-se que as terras mereciam pousio sob pena de inevitável degradação. Bastava um ano de chuva torrencial ou de sol ardente para que tudo se perdesse. E daí à fome era um ai.

nasc4.jpg O gado, que não era abundante - umas vacas raras, uns cabritos e galinhas - era frequentemente atacado pelos predadores do costume: as cobras, as hienas, por vezes o leão, queixava-se o chefe da aldeia. Menos gado, ou criação a menos, significam também mais fome, está-se a ver. E finalmente, mas não menos grave, existiam as doenças clássicas, como o paludismo à cabeça, a doença do sono que, nessa altura, não tinha ainda ataque sistematizado, a lepra, e também os golpes mais fundos no corpo, causados pelo uso errado das catanas ou das enxadas.

nasc5.jpg Era por essas ocasiões que a conversa entre meu Pai e o velho “sécúlo” do kimbo terminava com as soluções possíveis: mandava-se retirar do armazém sacos de milho, distribuía-se fuba e algum arroz, e minha Mãe era mandada ao armário de nossa casa buscar os frascos de quinino para atacar o paludismo, ou alguma gaze e tintura de iodo para limpar as feridas das lâminas da catana.

nuno1.jpg Em situações mais delicadas, meu Pai autorizava a distribuição de uma meia dúzia de canhangulos, velhas espingardas que já não tinham memória do tempo do seu nascimento, mas que seriam capazes de disparar sobre javalis, gazelas e mesmo impalas-- carne para comer - umas duas ou três vezes em cada dez disparos. Os homens do kimbo percebiam o gesto de confiança, pois nunca vi meu Pai com uma arma na mão, sequer uma simples caçadeira para andar às perdizes.

nasc6.jpg E retribuíam, porque nessas ocasiões, regressados da caça e devolvidas as armas, havia festa no kimbo noite adentro, com cantares e dançares, as palmas das mãos marcando o ritmo dolente da música, as ancas das mulheres requebrando em direcção aos corpos dos homens, numa calucula que mais tarde me soaria parecida com as rebitas da cidade.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:42
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Sexta-feira, 29 de Maio de 2015
MALAMBAS . LXXXV

ANGOLA - O OUVIDOR DO KIMBO - Relembrar o Luena (Kangamba) - antiga Vila Luso8ª de 11 Partes

As escolhas do Kimbo

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nasc1.jpg H. Nascimento Rodrigues - Licenciado em Direito, Jurista eminente e homem público que se destacou, em todas s funções que exerceu no M´Puto. Nasceu no Luena (Kangamba)… Faleceu no ano de 2010

moc1.jpg (…) Fui apanhado pela minha Mãe num esfregar de olhos e interrogado sobre a propriedade da fisga. Devo ter batido com a língua nos dentes, ainda que sem identificar qualquer dos nomes da malta do kimbo, o que os salvou. Mas não me salvaram de ver a fisga apreendida por longo tempo e de apanhar uns bons tabefes no traseiro. Nunca dei conta que, por causa deles, tivesse ficado um traumatizado para toda a vida…E muito menos quando logo percebi que as duas ou três galinhas mais maltratadas, quase moribundas, iam à faca do cozinheiro. Transformaram-se em canjas deliciosas, que eu saboreava muito melhor do que aquelas sopas grossas com que minha Mãe me martirizava.

moc2.jpg A segunda mais impressiva recordação do kimbo advém-me da figura do “sécúlo”, ou “o mais velho”, quer dizer, o kota chefe da aldeia. Era o escolhido do seu povo pela sua idade, que significava experiência e saber de vida. E em regra eram reconhecidos e desejados também pelas autoridades administrativas portuguesas, por neles encontrarem um interlocutor útil e insubstituível. O “sécúlo” do kimbo de Cangamba era um velho muito velho, de idade indecifrável. De estatura meã, franzino de tal modo que os ossos lhe despontavam por sob toda a pele do corpo, de carapinha já um pouco esbranquiçada, distinguia-se estranhamente por um porte que não era altivo mas era tão direito quanto a idade lho permitia, por um ar sereno e ao mesmo tempo como que magoado, por uma dignidade indisfarçável. Tinha uns olhinhos metidos bem lá no fundo da cara, mas eram uns olhos negros, miúdos, por vezes parece que me sorriam, por vezes parece que se quedavam distantes a olhar, lá longe, um outro horizonte.

moc3.jpgNão sei que nome tinha. Meu Pai, esse sabia-o, porque não poucas vezes os vi a conversar à varanda, ou lá na zona do fundo da casa que servia de repartição administrativa, enquanto se erguia o edifício futuro, que seria de tijolo e telha. Falavam através de um intérprete porque poucas palavras de ganguela o meu Pai dominava, apenas aquelas poucas que serviam para meter conversa, perguntar pela saúde ou saber do estado das culturas.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:07
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Domingo, 24 de Maio de 2015
MALAMBAS . LXXXIV

ANGOLA - O OUVIDOR DO KIMBO - Relembrar o Luena (Kangamba) - antiga Vila Luso – Com os putos do Kimbo…  7ª de 11 Partes

As escolhas do Kimbo

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nasc1.jpg  H. Nascimento Rodrigues - Licenciado em Direito, Jurista eminente e homem público que se destacou, em todas s funções que exerceu no M´Puto.  Nasceu no Luena (Kangamba), antiga Vila Luso em Angola…Faleceu no ano de 2010

luena1.jpg Não imaginaria então, certamente, o enorme sarilho em que me iria meter, mas o certo é que me enfastiei de atirar sozinho àqueles alvos tão miseráveis para uma bela fisga como a minha. Devo ter matutado, se é que um garoto daquela idade consegue isso, na triste figura que andava a fazer aos olhos dos meus companheiros negros do kimbo, eles que não tinham sapatos nem sandálias, excepto um ou outro que possuía tiras de borracha a servir de sola para os pés.

luena2.jpgJá não me recordo como, mas um dia surgiu-me a solução luminosa: o galinheiro da minha Mãe. Claro que era uma solução arriscada, porque eu sabia que só podia entrar no galinheiro com prévia autorização, por causa das pulgas da bicharada. Mas não deixava de ser uma  saída airosa para o meu embaraço: eu haveria de demonstrar aos do kimbo que também sabia assestar em alvo andante. E assim foi. O galinheiro tinha uma extensão considerável e não era tão difícil como isso passar desapercebido lá dentro, sobretudo se me agachasse e ficasse mais ou menos quieto, para que a bicharada não começasse a grasnar. Foi o que procurei fazer nas primeiras surtidas.

luena3.jpg Não passaram muitos dias, porém, sem que o instinto não levasse a melhor, quer dizer, sem que não resistisse a metralhar as asas das galinhas com pedradas das boas, daquelas que silvavam e depois faziam “pum” ao bater no lombo das desgraçadas. As desgraçadas reagiam de modo natural, ou seja, desatavam a cacarejar como doidas, começavam a tropeçar aos tombos, feridas, e acabavam por alvoroçar o galinheiro inteiro.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:28
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2015
MALAMBAS . LXXXIII

ANGOLA - O OUVIDOR DO KIMBO - Relembrar o Luena (Kangamba) - Putos do kimbo… 6ª de 11 Partes

As escolhas do Kimbo

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nasc1.jpg H. Nascimento Rodrigues - Licenciado em Direito, Jurista eminente e homem público que se destacou, em todas s funções que exerceu no M´Puto- Nasceu no Luena (Kangamba), antiga Vila Luso em Angola…Faleceu no ano de 2010.

corimba3.jpg (...) Não foram os cheiros que levaram os “putos do kimbo” a desafiar-me para o mato, é evidente. Aconteceu apenas que eu comecei a mirar-lhes as fisgas, a namorá-las, a segui-los como um cãozinho cada vez que decidiam ir atirar aos pássaros na floresta, ou às cabeças das cobras de água do riacho que por ali se derramava. Tempos depois, fartos de empréstimos temporários de fisga, que é objecto que um puto não deve nunca emprestar, deliberaram entre si e decidiram fazer-me uma, que me foi oferecida como quem diz: toma lá e não voltes a pedir as nossas. Não voltei a pedir.

dia0.jpg A fisga era a minha maravilha, muito mais do que os brinquedos que vinham de Luanda, via Luena. Ensinaram-me a manejá-la, a fazer pontaria ao alvo, a saber esperar pelo momento azado para apanhar o pássaro distraído na árvore, nós mudos cá em baixo, e aprendi também a esticar ao máximo a borracha que lançava a pedra. Qual quê! Cada tentativa era um insucesso envergonhado, cada fisgada era um momento de risadas para os outros que, debalde, procuravam corrigir-me. Desistiram!

lu3.jpgFomos então ao tiro às latas enferrujadas, aos pedaços de garrafas, ao que quer que, mais volumoso do que corpo de passarinho ou cabecinha de cobra de água, servisse de alvo aceitável para a minha demonstrada imperícia. Ganhei mais experiência e já atingia com razoável pontaria tais alvos parados, sobretudo os montículos de salalé. Mas essa foi também a minha desgraça, porque os ”putos do kimbo” começaram a desinteressar-se de tão insignificante conquista e retomaram o rumo do mato, que eu não quis refazer, seguramente para não me sujeitar ao desafio da comparação.

MALAMBA: É a palavra

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:41
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Terça-feira, 12 de Maio de 2015
MALAMBAS . LXXXI

TEMPOS COM FRINCHAS . ANGOLA - O OUVIDOR DO KIMBO

Relembrar o Luena (Kangamba) - antiga Vila Luso… 4ª de 11 Partes

As escolhas do Kimbo

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nasc1.jpg H. Nascimento Rodrigues - Licenciado em Direito, Jurista eminente e homem público que se destacou, em todas s funções que exerceu no M´Puto - Nasceu no Luena (Kangamba), antiga Vila Luso em Angola…Faleceu no ano de 2010

 (…) - O Kimbo não passava, sei lá, de uma quinzena de palhotas feitas de paus entrançados, umas, ou de argila, outras, todas com tecto de colmo em forma de cone; e estava rodeado por uma cerca ou paliçada quase a toda a volta, assim como que para o resguardar de olhares estranhos. Não o resguardava, claro. E muito menos o resguardou quando, talvez pelos meus quatro ou cinco anos, me habituei a dele fazer uma segunda casa, sobretudo nos dias e, eram quase todos… em que minha Mãe desistia, estafada, de me meter na boca, à força, a comida do almoço que tão carinhosamente me preparara.

 Irritada, fazia com os ombros um gesto cansado, de vencida: era o sinal, tão ansiosamente aguardado por mim, de que eu podia ir brincar lá para fora. Não ia brincar, está-se a ver. Dava umas corridinhas ligeiras pela frente da casa; depois, como quem não quer a coisa, ia encaminhando-me para o Kimbo e num esfregar de olhos entrava numa qualquer cubata de uma mamã negra, agachava-me, cruzava as pernas, e sem cerimónia atirava a mão para dentro da panela de barro, quentinha de funje, ou seja, pirão de mandioca.

dia1.jpgPorque era mesmo daquele pirão grosso, quente, um pouco amargo e sem qualquer condimento de que eu gostava e, por ele trocava os pitéus de minha Mãe. Jamais qualquer mãe negra me recusou uma vez que fosse essa partilha e Deus sabe como era escassa a comida no kimbo. Eu comia o pirão da panela com os filhos negros dessas mamãs, com elas e com os seus homens, pela única forma que os kimbos e as senzalas têm para partilhar: comunitariamente, em sossego, no meio de risos, de uma fala que eu não percebia, mas entendia perfeitamente que era uma fala de amizade, de doação, de gentileza. Depois, barriga saciada, voltava a sair do kimbo e caminhava direito a casa para a sesta obrigatória como se nada se houvesse passado.

MALAMBA: É a palavra - O OUVIDOR DO KIMBO

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:54
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Quinta-feira, 7 de Maio de 2015
MALAMBAS . LXXX

TEMPO COM FRINCHAS - O amanhã, não pertence a ninguém!... Relembrar o Luena (Kangamba) - antiga Vila Luso 3ª de 11 partes

MALAMBA: É a palavra - O OUVIDOR DO KIMBO

As escolhas de Kimbo Lagoa

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nasc1.jpgH. Nascimento Rodrigues - Licenciado em Direito, Jurista eminente e homem público que se destacou, em todas s funções que exerceu, pela sua elevada estatura moral, pela dedicação à causa pública e pelos relevantes serviços que prestou ao País - Nasceu no Luena (Kangamba), antiga Vila Luso em Angola…Faleceu no ano de 2010

Mas eu gostava de ouvir a chuva pausada a zurzir naquele tecto de zinco, pois me embalava em sonhos que sonhava acordado. É que em África, para se sonhar, é acordado que se deve faze-lo. Lembro-me também de que à ilharga da casa ficava uma enorme capoeira, cuidadosamente amuralhada com estacas altas e de pontas bicudas por causa das hienas que, à noite, vinham rondar. Capoeira é uma forma de dizer, porque aquilo era mais parecido com um pequeno jardim zoológico aonde coabitavam patos e galinhas, porcos, coelhos e cabritos, também um par de faisões selvagens, e se plantava, no meio, uma gaiola descomunal com pombos, rolas e pássaros de todas as cores e de todos os tamanhos, que eu ficava a mirar, encantado, horas perdidas.

muxi5.jpg Mas, na prática, a capoeira não passava de uma reserva para nos alimentar em permanência, um seguro de sobrevivência, pois naqueles recuados tempos não vinha de Luanda senão carne enlatada, quando vinha, e o peixe que se comia era o que se pescava nos rios, felizmente numerosos, que irrigavam os Luchazes: o Ricunda, o Chicalala, o Chilôlo e os outros afluentes do Cubangui; e o grande Cuando, mais além. Peixe de águas doces, portanto.

dia3.jpg Só hoje consigo imaginar um pouco o que seria a vida de trabalheira de uma dona de casa, como minha Mãe, para alimentar a família em tempos como aqueles, em que praticamente nada vinha de fora, luz eléctrica não existia, por isso geleira também não, nem sei se haveria farinha para o pão ou se este seria de milho, como julgo mais provável. Mas estes não eram os efeitos da guerra, era o dia-a-dia normal. A guerra mundial era lá muito, muito longe, e claro que eu nem sabia que era a guerra a obrigar o meu Pai, à noite, depois do jantar, a agachar-se junto ao rádio de madeira e altifalante de pano rodado ao centro para tentar captar uns misteriosos ruídos de vozes esganiçadas. Era a Rádio Oficial de Angola ou, então, a BBC.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Domingo, 3 de Maio de 2015
MALAMBAS . LXXIX
TEMPO COM FRINCHAS - O amanhã, esfumou-se no tempo!...
Relembrar o Luena (Kangamba) - antiga Vila Luso… 2ª de 11 Partes

MALAMBA: É a palavra - O OUVIDOR DO KIMBO

As escolhas de: Kimbo Lagoa

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kimbo1.jpeg H. Nascimento Rodrigues - Licenciado em Direito, Jurista eminente e homem público que se destacou, em todas s funções que exerceu, pela sua elevada estatura moral, pela dedicação à causa pública e pelos relevantes serviços que prestou ao País - Nasceu no Luena (Kangamba), antiga Vila Luso em Angola…Faleceu no ano de 2010

muxi0.jpg(...) E assim teve de acontecer pela simples razão de que por toda a lonjura dos Luchazes não existia um médico, um enfermeiro ou uma parteira para mulher branca - as mulheres negras, essas tinham os filhos nas suas palhotas do kimbo, acompanhadas pelas mais velhas e por isso mais experimentadas. Claro que eu só soube disto mais tarde, quando, aos seis anos, tive de rumar, então de vez, ao Luena, para iniciar a escola primária. Nesta, formigavam sobretudo meninas e meninos brancos, que eram malta com quem eu nunca tinha brincado até aí.

moxi1.jpg Nunca mais na minha vida, que já vai funda no outono dos anos, voltei aos Luchazes. E, todavia, é curioso como guardo algumas, é certo que soltas e esfumadas, recordações dessa época que se me esvai na memória mas perdura nas profundezas do pensamento. A primeira tem a ver com o kimbo. O kimbo onde só vivia a gente negra, e que abraçava, a uns largos metros de distância, as duas isoladas casas em que moravam os únicos casais brancos do despovoado: os meus pais, por um lado, e um comerciante e sua mulher, por outro. De modo que eu fui, no início dessa década de quarenta, o quinto colonialista a irromper por aquele ignorado canto do leste angolano para lá assentar poiso por uns felizes seis anos.

muxi2.jpgDa minha casa só tenho a vaga ideia de que ela dispunha, ao belo estilo colonial, de uma larga varanda sem murete, que abria para o kimbo e, mais longe, para a floresta, lá a umas poucas dezenas de metros. O que nos separava do kimbo era terra batida, por vezes com capim que rapidamente minha mãe mandava desbastar por causa das cobras e de outra bicheza. A casa tinha cobertura a zinco, pelo menos nos primeiros tempos da minha vida. E por isso recordo também que fazia muito calor no tempo das chuvas, tantas vezes abundantes, torrenciais, de pingos grossos, e que as chuvas faziam uma enorme barulheira a zurzir o tecto de zinco; ao contrário, no tempo do cacimbo, o ar era mais seco e a casa mais fresca, por vezes até fazia frio.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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