Sábado, 8 de Julho de 2023
N´GUZU . LXVI

CONHECER MELHOR O BRASIL

TROPEIROS

Parte - Crónica 3432 – 08.07.2023 - N´Guzu é força (Kimbundo)

Por brasil2.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Na Lagoa do M´Puto

bra1.jpg A viagem da frota aonde ia D. João VI em sua ida apressada para o Brasil, era composta de dezanove navios; transportando entre 12 a 15 mil pessoas, demoraram 54 dias até aportarem a Salvador da Bahia. O destino que era Rio de Janeiro, foi encurtado para Salvador, porque surgiram contratempos de tempestade com sequente dispersão de naus e, cansaço de gente desabituada às agruras do mar.

Chegados a Salvador a sete de Março de 1807, por ali ficaram um mês; D. João foi instalado no palácio “A quinta da Boa Vista”, cedido por um traficante de escravos. Carlota Joaquina, sua esposa (a Rainha), foi instalada em Botafogo com os seus filhos. Muitas casas foram por isso, requisitadas para instalar os demais elementos da corte e séquito de altos funcionários, assessores e suas respectivas famílias. Para isso iniciaram a marcação das casas escolhidas, escrevendo nas respectivas portas as iniciais PR de Príncipe Regente. A picardia Carioca, que já começava a expandir-se em tertúlias marialvas, logo interpretaram como sendo “PR - Ponha-se na Rua”.

Por falta de higiene, em algumas das 19 embarcações, desencadeou-se tamanha praga de piolhos que até as damas tiveram de cortar rente suas cabeleiras. Ao lado do Príncipe Regente vinha a senhora sua esposa, Carlota Joaquina que de olhos rebrilhantes, seca de carnes num rosto de nariz e queixo compridos, se via feia de amedrontar.

nauk01.jpgNo meio do séquito desleixado, as mulheres apresentavam-se com turbantes a cobrir totalmente a cabeça; era uma nova moda trazida da europa, assim pensaram as mulheres que recepcionavam a corte. Pelo já descrito, por via da praga de piolhos que grassou em algumas naus, aquelas damas tinham sido obrigadas a tapar as inestéticas carecas. Nos meses que se seguiram, as damas cariocas passaram a usar tal turbante como coisa chique.

E Já em terras de Vera Cruz, de novo se vai falar dos Tropeiros (condutores de mulas) que na interpretação historiográfica, sobre estes, recaiam relatos depreciativos considerando-os de viajantes estrangeiros; aliás muitos comentadores diziam que ter essa função, não era motivo de orgulho para ninguém. Sob o titulo de “transportes arcaicos” foi Pandiá Calógeres jornalista de “O Jornal” no ano de 1927, criou novos contornos à tipologia social do tropeio recuperando-o como lo de aproximação entre o mundo rural e urbano,  como o portador de noticias ou recados que surtiam alguma simpatia entre os populares.

mux0.jpg Em verdade foi através deste transporte com mulas que se impulsionou parte da produção agrícola e exportação ou abastecimento, a partir dos portos e mercados por todo o Brasil. Em meados do século XIX, em Pernambuco, as tropas de mulas foram de mais eficácia do que as carretas conduzidas por bois, principalmente no transporte de açúcar saído dos engenhos em sacas de 60 a 80 quilos.

Em Minas Gerais, sem saída para o mar, por vias terrestes ou vias fluviais, todo o comércio era feito por mulas, ‘inclusive outros produtos de difícil transporte como o vidro. Tudo isto proporcionou o aparecimento de pousos na forma de estalagens precárias, barracões sustentados por pilares e abetos dos lados. As tropas de mulas só começaram a decair quando surgiram estradas macadamizadas aonde as carroças percorriam mais velozes. Ao redor das mudas criavam-se roças, plantações de milho e sequente fixação de gente.

carmen1.jpgCom os seus 170 quilómetros de extinção a via de macadame ligando a colónia de Filadélfia em Minas e o litoral ligando Petrópolis a Juiz de Fora, com pontes metálicas e estações de muda tipo “far west” anunciaram a modernidade com a criação de carreiras regulares do tipo das diligências americanas. O aparecimento das ferrovias declinaram a importância tanto das carroças como das tropas de mulas a partir da década de 1870, impondo-se na ultimas décadas do Império. O “Brasil Império”, uma época da História do Brasil, teve início a 07 de Setembro de 1822 – quando ocorreu a Independência do Brasil. O Período Imperial teve fim a15 de Novembro de 1889 – quando ocorreu a Proclamação da República. 

FIM

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:10
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Sexta-feira, 16 de Junho de 2023
N´GUZU . LXIV

CONHECER MELHOR O BRASIL

– TROPEIROS

Parte - Crónica 3425 – 16.06.2023 - N´Guzu é força (Kimbundo)

Por tropeiros2.jpg T´Chingange (Otchingandji) Na Pajuçara de Maceió

tropeiros8.jpg Dom José de Carvalho e Mello, o Marquês de Pombal já no tempo de D. José I tinha feito uma leitura da situação do Portugal decadente e, fez saber da necessidade de se mudar a capital e a corte para o Brasil, de onde vinham os grandes recursos da balança comercial. O facto de a França estar numa viragem cultural e política, por via da revolução de 1789, que terminou com a realeza magnânimo e promíscua com a decapitação de Maria Antonieta e, mais tarde as invasões Napoleónicas, favoreceram a concretização da ida da corte, do ainda príncipe regente D. João VI, para o Brasil.

De forma apressada fizeram-se ao mar, com protecção da marinha Inglesa, um dia antes da chegada das forças francesas com o comando de Junot. Lisboa, a capital do Império, era uma beleza vista do rio Tejo mas, dentro das ruas e ruelas, o bafio e o mau cheiro era deprimente; pela noite atirava-se pelas janelas de Alfama, Mouraria e outros bairros, penicadas de dejectos humanos, urina ou águas saponáceas.

tropeiros9.jpg Foi neste quadro que, D. João VI, sua corte, nobres, algum clero, dependentes privilegiados, largaram do Tejo. As Musas e Ninfas, Tágides daquele rio deveriam estar muito ocupadas em um qualquer outro lugar; talvez andassem encavalitadas nos botos do Amazonas. O dia 27 de Novembro de 1807 naquele cais da Ribeira foi agitado; com as presas nem tudo se pode levar para bordo, as forças francesas já tinham passado a linha de Torres. Na viagem com tempestades, imundice, água estagnada, velas rasgadas, mastros podres, carne bolorenta e piolhos a viagem fez-se, até que a 7 de Março de 1808 no início da tarde, parte da esquadra do Príncipe Regente chega à baia de Guanabara no Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro, à semelhança de Lisboa, era deslumbrante com seus morros de escandalosa verdura e 60 000 habitantes, dos quais 13 000 eram escravos, os excrementos também aqui, corriam com água suja pelo meio da rua; também aqui se atirava tudo para essa sargeta, com porcos chafurdando e galinhas repenicando. Havia muitas crianças deambulando, pois naquele tempo só havia o coito interrompido como salvaguarda da linha zero; a era ”light”, o látex, o método tântrico e o sexo digital viriam muito mais tarde. Havia bostas largadas por bestas, cavalos e mulas dos muitos tropeiros almocreves.

tropeiros6.png  Pois é destes almocreves tropeiros que ocuparei as falas seguintes.  Tropeiro é o termo referido na historiografia brasileira à actividade relacionada com tropas de mulas criadas nos campos de elevada salinidade, terras planas do Rio Grande do Sul. Devido à salinidade estes pastos foram criadouro de manadas de mulas reservando os bons pastos para o outro gado dos quais se extraia leite, peles e a própria carne. Devido a existirem muitos burros xucros, termo para definir animais ainda selvagens, aproveitaram sua rusticidade para transportarem em seu dorso mercadorias. Em verdade também não havia vias e os charcos eram mais que muitos dificultando o uso de carroças.

As mulas xucras podiam percorrer cerca de dois mil quilómetros subindo e descendo encostas agrestes e suportando invernadas agressivas nos campos do Paraná. Saídos do Sul, chegavam a Sorocava, cidade situada perto de São Paulo, exércitos de tropeiros conduzindo suas mulas, concentrando-se naquela que era a maior feira a Sul do Brasil no início do século XIX. Os condutores destas tropas tinham uma dieta que consistia na própria carga que as mulas carregavam: carne-seca, charque, carne de sol, feijão e angu de milho, farinha de mandioca, café, açúcar e melaço deste, na forma de rapadura – produtos metidos em sacos de sisal para se ajustarem ao dorso das mulas cargueiras.

tropeiros7.jpg Calcula-se que cerca de vinte mil muares eram negociados anualmente nessa feira anual de Sorocava, havendo anotações de se transaccionarem 100 mil no ano de 1850. Dom Pedro II, neto de D. João VI, era neste então o imperador do Brasil, entre 1840 e 1889, período no qual o país passou por muitas transformações como a Guerra do Paraguai e a abolição do trabalho escravo. Da feira de Sorocava eram comercializadas milhares destes animais para o resto do Brasil e, li que na região de Jaguari de Minas Gerais foram importadas 12 mil destas “bestas”. Sem trem nem estradas, o recurso era adquirir estes animais para transportarem grandes cargas em longas distâncias.

As chamadas tropas eram compostas pelo condutor-chefe, companheiros, cozinheiros fazendo-se acompanhar por cães; estes eram usados para evitarem a dispersão das mulas xucras. Algumas destas mulas eram designadas de madrinhas, porque por hábito tornavam-se experientes na condução do restante lote de muares sendo dispostas de forma intercalada para melhor gestão da fila de pirilau de mulas, umas atrás das demais. Estas mulas eram normalmente enfeitadas com arreios de prata, guizos no peitoril e chapéu de plumas na cabeça. Talvez não o fossem em todo o percurso mas assim eram arreadas de bonitas para fazerem boa figura na feira.

(Continua)

O Soba T´Chingange      



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:03
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Quinta-feira, 11 de Maio de 2023
N´GUZU - LI

CONHECER MELHOR O BRASIL – CORTIÇOS

Parte - Crónica 3390 – 11.05.2023 - N´Guzu é força (Kimbundo)

Por ARAUJO259.jpg T´Chingange (Otchingandji) – Na Pajuçara de Maceió

ARAUJO255.jpgC.A. CORTIÇOS – Era como se chamava às habitações colectivas que de forma desordenada faziam um conjunto de casebres, aonde viviam os segmentos mais pobres da população, sobretudo nos aglomerados existentes no centro do Rio de Janeiro a partir de meados do século XIX. Num cortiço de abelhas, havia melhor organização! Nesta época o aumento populacional vinha-se incrementando desde 1808 com a chegada da Corte portuguesa tornando-se cada vez mais expressiva, pela ampliação crescente dos fluxos migratórios, sobretudo de portugueses e italianos.

Emigrantes portugueses que na metrópole, já faziam trabalhos para os senhores do reino, em trabalhos auxiliardes como costureiras, padeiros, cozinheiras e condutores de coches ou cuidadores de animais domésticos dos nobres. Eram os chamados condomínios de hoje só que, sem as condições de boa habitualidade pois que nem havia os instrumentos de lei, nem humanos, para tal; tudo era feito ao jeito e necessidade de cada um, puxadinhos anexos, desenrasca com os materiais mais díspares, normalmente mais económicos.

cortiço2.jpg Já no século XX, pude vivenciar em jovem, esta forma de trabalhadores sem formação especial, que assim viviam na Luanda em expansão, do outro lado do Atlântico, a capital de Angola e, que em tudo se parecia com o Brasil. Mais tarde também verifiquei haver cortiços em Argentina em um lugar conhecido por “Barrio el Caminito” junto ao porto de Buenos Aires. Todo colorido, alegre, com construções diferentes e inusitadas. Antigo lugar de bodegas aonde se dançava o tango na gesta italiana. Em todas estas áreas de cortiço viviam imigrantes analfabetos. Ser-se pedreiro, calceteiro ou marceneiro era já de um razoável estatuto social.

Mesmo com a tendência à diminuição do número de escravos por motivo da extinção do tráfico africano, ano de 1850, apesar da crescente ampliação na estrutura urbana, mantendo ainda, as oportunidades de emprego reduzidas; isto, agravava as condições de vida da maior parte da população. Para álem das dificuldades no acesso à alimentação, o problema habitacional tornava-se cada vez mais grave. O relatório do Ministro dos Negócios do Império relativos a 1868, registou a presença de 642 cortiços na cidade do Rio de Janeiro distribuídos por várias paróquias sendo a de Santana a que tinha maior número delas, 154 almas, seguida da Glória com 107,

cortiço0.jpgHavia muitas mais em várias paroquias que funcionavam em paralelo com estalagens ou cómodos, casas de pasto e barracas de livres, libertos pobres e também escravos ao ganho, que vendiam seu trabalho como carregadores, recolectores, artesãos, ambulantes camelós, ficando obrigados a pagar por percentual ao seu proprietário ao qual haviam obtido de seus senhores a autorização de “viverem sobre si”- fora do tecto de seus senhores.

Em realidade ainda hoje existem estes tipos de cortiços na maior parte das cidades e de Norte a Sul, estando a maioria incridos em favelas ou musseques ou bairros de lata e bidonvilles - (Brasil e Angola, Portugal e França), aonde os camelós entre outros trabalhadores como empregados de baixas tarefas, vivem; lugar bem perto das grandes urbes como São Paulo ou Rio de Janeiro ou uma qualquer outra cidade aonde vivem outros cidadãos mais cotados e recebendo melhores vencimentos mas, necessitados de alguém para as várias tarefas domésticas.

cortiço01.jpg Na Europa há nos dias de hoje cortiços sofisticados para turistas designados de AL – Alojamento Local e AT – Alojamento turístico. Tudo adaptado às normas de vida moderna com exigente regulamentação com fiscalização de organismos estatais ou municipais que dão garantias de segurança tendo para o efeito passado por um crivo apetado de normas como sistemas de aquecimento, águas correntes e esgotos, protecção contra ruidos e efeito térmico funcional e, segundo normas de higiene e segurança com piscinas colectivas individuais ou colectivas vigiadas; tudo sujeito a impostos de imoveis entre outras alcavalas que garantem o andamento das muitas actividades circunscritas ao efeito do turismo.

cortiço3.jpg Os governos sempre encontram uma pernafernália de instrumentos para no fim do ano levarem à vontade 50% dos eventuais ganhos; os políticos sempre se encarregam de juntar mais uma vírgula com cheiro a dinheiro vivo. Mas no Cortiço original que surgiu no Brasil, não tendo nesse então uma esmerada atenção por parte do fisco, havia contacto entre vizinhos, entreajuda com solidariedade que hoje é bem rara. Raras porque, em blocos de habitação da urbe, nem se cumprimentam; fogem de contactos encharcados na televisão. Passam-se anos sem se relacionarem ou com uma saudação de bom dia e edecéteras arrancados à pressão…

(Continua…)

O Soba T´Chingange     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:50
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Domingo, 21 de Abril de 2019
MOAMBA . XXVI

MOAMBA . XXVI

Dizem que já estamos no século XXI... 
NA TEORIA DA APTIDÃO INCLUSIVA - 21.04.2019
Gente com quem me fiz gente... Moamba é cozido de galinha feito com azeite dendem. 
Por

soba03.jpg T´Chingange - No Nordeste do Brasil

himba3.jpg Para a generalidade da população brasileira, Exu, é o chifrudo, o cão, o tranca-ruas. Falando assim em tempo de Páscoa, até parece ser uma rebelião aos conceitos cristãos mas, e porque nem sempre domino as modas com rosas de magnólia estampadas na frontalidade, fico-me muitas vezes feito um analfabeto comendo iliteracia, lambuzando-me com um livro entre as mãos.
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Bem! É verdade que só se alcança a sabedoria reconhecendo a ignorância. Creio que já outros o disseram mas é deste jeito que a evolução na sociedade interage, somando amizades por afinidades ou hereditariedades. Caramba, até parece que engoli uma grafonola com palavras caras mas, se não é bem assim andarei por perto.
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Naquele dia que já passou, faz tempo, todos os jornais falam na participação de mercenários angolanos na guerra dos morros do Brasil. Genericamente, um morro é uma elevação aonde se amontoam como baralho de cartas construções que avançam para os matos; matos que normalmente pertencem à riqueza soberana do país - a floresta. 

moc1.jpg Fugir para o mato ou para o morro é um trocadilho que funciona na ilegalidade, construções ao deus-dará escorregando nas chuvas que até ipé-roxo levam, assim como um chá que ao invés de fazer bem mata; de novo, mata. O que resta é isso, vou fazer o quê: Os bandidos ou matam ou morrem, quer-se-dizer fogem pró morro. Portanto não é de admirar haver aí especialistas com tecnologia de ponta, angolanos! Eles são bons nisso!
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Há circunstâncias em que: - Ou mato, ou morro! Tudo a condizer com esse Exu, dia do cão! Separando os boatos das denúncias relevantes desde o topo até o disk-denúncia 181, teremos de somar as falsas noticias também conhecidas por Fake News, que em verdade podem interferir negativamente em vários sectores da sociedade tais como como a política, a saúde e a segurança.
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Assim pensando, não consigo desgrudar do Zumbi esta nova relação com os mwadiés de N´Gola porque, de numa ou mato ou morro Zumbi, ali se foi alojar - um reino chamado de "Morro da Barriga". É assim que encontro o Euclides, um jornalista benguelense a falar com paixão de tudo aquilo imaginado, ultrapassando a realidade; confundindo-me.

moça4.jpg Durante o ataque dos polícias ao Morro da Barriga, viu-se a si próprio com armas na mão, abrindo caminho a tiro, como se estivesse sentado tranquilamente no cinema Miramar da Luua, ou no seu quarto jogando um videojogo. 

nova.jpg O Jornalista da terra do siripipi, retira uns jornais da pasta e lê: - "A polícia procura mercenários angolanos envolvidos na guerra dos Anjos. Um dos polícias que participou no assalto ao morro contou ao nosso repórter ter visto um crioulo alto, vestido com elegância, assassinar com dois tiros certeiros um dos agentes".
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«O policial que pediu para não ser identificado, afirmou que o dito cujo individuo, seguramente um militar, gritava instruções aos bandidos com forte sotaque lusitano.» Seguramente era angolano pois que em seu sotaque abria todas as vogais! 

himba4.jpg Bom! Aquele angolano pelo menos era elegante, bem vestido, tinha um laçarote vermelho e preto parecendo uma bandeira pois que ainda se podia distinguir uma catana e uma roda desdentada. Até deu para ler um CV esvoaçando nas letras: Comando Vermelho. Estes mwadiés são muito matumbos! São incapazes de distinguir uma tomada eléctrica de um focinho de palanca.
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:22
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2019
MOAMBA . XXIV

HOJE É DIA DE LA LYS ... 10.04.2018
CHOVEU MAIS DE DUZENTOS MILÍMETROS DE ÁGUA NO RIO DE JANEIRO - UM CAOS... E, CONTINUA A CHOVER... NOSSO SENHOR ABRIU A TORNEIRA DO CÉU...
Por

t´chingange2.jpg T´Chingange - No Nordeste brsileiro

araujo181.jpg Já tinha escrito: A FÉ E O TRIBALISMO... Estivesse eu na Lagoa do M´Puto e iria depor uma coroa de flores a todos aqueles e, foram muitos os que tombaram na guerra. Na madrugada de 9 de Abril de 1918, (há 101 anos) dezenas de divisões alemãs irromperam pelo sector português da frente, defendida pela segunda divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP). 
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Em poucas horas, os portugueses perdem 7500 homens entre desaparecidos, mortos, feridos e prisioneiros, naquela que ficaria conhecida pela batalha La Lys. Um oficial escocês, escreveria uma longa carta elogiando as acções de um soldado chamado Milhais. 

lys1.jpg Pelos seus actos recebeu a Ordem Militar de Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Depois de receber a condecoração, seu nome mudou de Milhais em Milhões. É nele que penso mas e também, em todos os que no Rio de Janeiro e no dia de hoje, sofrem uma crise de chuva... Uma batalha de vida que toca também a milhões...
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Nos lugares aonde se ministra a palavra de Deus, tornam mais suportáveis a tirania, a guerra, a fome, a chuva ou seca, bem como as piores catástrofes naturais. Tragicamente, as grandes religiões são também uma fonte de incessante e desnecessários sofrimentos pois que, constituem um entrave à compreensão da realidade.

lys02.jpg E, a realidade é tão necessária para se compreender e resolver a maioria dos problemas sociais em nosso mundo real. Não há como satisfazer a alma tendo tantas definições e tanta confrontação entre as "Igrejas" - umas contra as outras e, como se tudo na historia ou estória, fosse um simples tribalismo com criações fantasiosas.
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A religião é vista pelas pessoas comuns como verdadeira, pelas pessoas sábias como falsa, e pelos governantes como útil. A aceitação por parte de um crente de uma dada estória da criação, e dos relatos de milagres que esta outorga, dá-se-lhe o nome de FÉ.

lys3.jpg A FÉ religiosa oferece aos crentes enormes benefícios psicológicos: Fornece-lhes uma explicação para a sua existência e, faz com que se sintam mais amados e até protegidos do que os membros de qualquer outro grupo tribal. Tudo isto para dizer que a causa do ódio e da violência é a FÉ contra a FÉ. Um verdadeiro instinto tribalista... Embora o Senhor esteja em toda a parte, é de ter em conta de que Ele às vezes parece não nos ver, fazendo-nos sofrer por culpas alheias.

lys2.jpg Teremos por isso de ficar nesse estranho silêncio, uma forma de ver, obedecendo ao princípio do NADA, esperando as mudanças no tempo ou do bom censo, deixar acalmar o pó fino dos caminhos aonde existem sonhos feitos becos, um sítio sem saída... Esperando o tempo...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:49
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Quinta-feira, 4 de Abril de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXI


-A cigana leva as mãos a cheirar e: Cheiram a fumo, a pólvora. Cheiram a sangue! - «Eu sou daqueles que vão até ao fim.» ...

Recorda ele só para si a frase de Mário de Sá Carneiro em carta a Fernando Pessoa... 04.04.2019
Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassuma criar loja virtual.
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira.

rio8.jpg ::::::204
De novo volto à escolha do livro DOIS do Agualusa, e entro num lugar da Luua com Euclides, o benguelense a espreitar através da janela do tempo e, ainda a tempo de ver os garotos (pioneiros do PP - Poder Popular) pontapeando o corpo do comerciante. Era na avenida Brasil da Luua. Outros candengues saem de dentro, carregando caixas, biscoitos, fruta e latas de refrigerantes.
:::::205
O adolescente que parece comandar o assalto arranca uma pequena placa branca de um passeio, num vaso já seco que em tempos tinha um ibisco vermelho e, pôe-se a dançar com ela. Nesta placa tem escrito em tinta negra: «Cuidado - Veneno». Debaixo destas palavras distingue-se o desenho de uma caveira com duas tíbias cruzadas. 

rio11.jpg :::::206
As parecidas tíbias com o sonho, que acabou em NADA naquela terra que nem madrasta foi, foram vistas por mim em 2002 além Sumbe, além Kanjala. Nossa cor denunciava-nos sobremaneira como os "filhos do colono" - Se não foste tu, foi teu pai! Tudo vinha ao de cima na forma de raiva, por via dos contratos das roças, das grilhetas passadas, das cangas, masmorras e tangas feitas quando no mundo, ainda tudo era feito de cipó e giesta de matebeira. 

soba03.jpg:::::207
Aquilo era Luanda. Na pele do Anjo Azul, de tão translucida viam-se as veias como rios à deriva. Palmares, o supranumerário da rede de candongueiros e vendedores de armas ligeiras, pesadas e de com e sem recuo, segue mansamente, com a ponta do dedo. Descobrindo-lhe as origens vai soletrando pensamentos em voz alta: Kwanza... Tombo... Cunhinga... Sumbe... Cabo ledo... Kangala.
:::::208
O Anjo Azul Cubana, ri-se. Assusta-a o mistério daquelas palavras - O que significa isso? - Estou a cartografar-te. Esta é a costa angolana. Do outro lado fica o Brasil. Aqui está agora o Japuará... o São Francisco... Piassabuçu... Jaraguá... Pajuçara... Jacaressica... Guaxuma... o Xingu

rolam0.jpg :::::209
O Amazonas perde-se na mata Atlântica húmida como um sexo.
Palmares beija-lhe o sol rodeando o umbigo. Porque não deixa tudo e fica só comigo, diz o Anjo Azul fervendo em calores - fica só assim, me abraçando... Assim de fervuras arrepanha-lhe os cabelos encaracolados do aconchego. 
:::::210
-Você tem de me dizer que me ama com convicção! Não é só dizer que me acha gostosa, não, visse! - Acho-te lindíssima...Tenho medo de me apaixonar por ti - diz isto de olhos fechados... Quando os reabre ela está em pé diante dele - É melhor você não aparecer mais aqui. Está bem, foi a resposta. 

sol4.jpeg :::::211
Palmares olha suas mãos. As palmas claras, a linha da vida quebrada a um centímetro do pulso; um perfeito M na antiga escrita romana. Uma vez, em Lisboa, uma cigana tentou ler-lhe o futuro. O que quer que tenha visto assustou-a. Perplexa olhou-o gritando: « Popilas - poças - cunkatano! Este Gajo não existe!» 
:::::212
A cigana leva as mãos a cheira e: Cheiram a fumo, a pólvora. Cheiram a sangue! - «Eu sou daqueles que vão até ao fim.» Recorda ele só para si a frase de Mário de Sá Carneiro em carta a Fernando Pessoa. Parece que nem falas nem pensamentos são seus porque o NADA, de novo se verificou nas muitas averiguações. Mas eu, não fui - Juro!

tabaibos estofo.jpg :::::213
Um rapaz de de grandes olhos negros, aliás, todo negro e com um chapéu de feltro na cabeça, encara-o com uma expressão gelada. Fala. Há uma voz de velho, kota e rouca, e aos soluços sibilantes: - Não há ninguém aqui...

tenerife7.jpg Do T´Chingange: - A vida é feita de NADAS, de grandes serras paradas à espera de movimento. Searas onduladas pelo vento... Relembro as palavras de Torga numa terra pintada de branco, barras azuis com cheiros de poejos...
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:30
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Sexta-feira, 15 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XVI

-Este grunho dos CV deve se de Angola – fala de gweta cangundo como os da Luua** - 15.03.2019

Escrito por – José Eduardo Agualusa

Por

soba15.jpg T´Chingange ...(ADENDAS). No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 

 2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

10 – O CORTIÇO  - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil

:::::154valentina3.jpg Euclides, o jornalista benguelense sai aturdido do Clube Francês, lugar da conferência de imprensa com negociações. Nesta zona libertada pelo CV – Comando Vermelho, Ernesto, o motorista, espera-o estendido de costas no passeio, uma garrafa de whisky servindo-lhe de almofada, as mãos cruzadas sobre o ventre. Nestes dias tumultuosos já quase não circulavam táxis nas ruas da zona Sul do Rio, zona libertada para o Comando Negro.

:::::155*

(O Rio estava a passar por uma situação muito parecida com a Luua do ano de 1975, tempo do Poder Popular com intervenção dos Pioneiros, uma Criação dos Comunas Tugas como Rosa Coutinho e outros FDP, para Angola e, que resultou na fuga dos gwetas colonos – O medo aqui tal como lá, dissuadia o cérebro… Foi o que eu, relator anotei por ter ouvido e, que não vem escrito neste Zumbi que tomou o Rio.)

angola4.jpg:::::156 - Eu gostava de ser negro – diz o jornalista benguelense. Na sua voz melancólica pressente-se um arrebatamento que é nele pouco comum: - Sou sincero. Gostava de se um Leopold Senghor, um Aimé Sesaire ou mesmo Sam Nujoma. Gostava de saber dançar como um negro, ao som da música de Louis Armestrong… Entretanto a cidade ia ficando anoitecida; sombras remexem-se ao redor num bailado de espectros. Ao longo da praia, de quando em quando, as fogueiras tremelicam a escuridão. São as luzes dos soldados do morro; do CV – Comando Vermelho.

:::::157

Nas esquinas das ruas o lixo acumulado desprende um fedor insuportável. À medida que se aproximam da linha da frente da Glória – Frente Leste, surgem mais fogueiras, em pleno Calçadão multiplicando-se em número de homens armados. Um grupo de guerrilheiros com aspecto muito jovem, pioneiros afro-ameríndios-descendentes (de indígena do continente americano) manda parar o carro. Apontam a lanterna para o rosto de Ernesto: - Onde tu tá pensando que vai?

IMG_20170721_124807.jpg :::::158 - Euclides mostra a carteira de jornalista. Estende-lhe uma nota de cinquenta reais. Seguem. Quinhentos metros à frente a estrada, está cortada por pneus, rolos de arame farpado, uma cancela improvisada. Cinco ou seis carros aguardam na fila a vez para passar. Do lado de cá, formou-se uma feira livre, com gente a assar frango, em largas grelhas de ferro, a vender pasteis e cachorro-quente, cerveja fria e água - uma por três reais e duas por cinco.

:::::159

Vários jovens candengues, quase todos com uma metralhadora ao colo, estão sentados no asfalto diante de uma televisão. Há gente a jogar às cartas como se nada se passasse de anormalidade.  Do outro lado o rugido de um gerador, fazia-se ouvir por detrás dos mukifos, um zumbido que parecia meter pregos mas, que davam luz em holofotes resplandecendo dezenas de carrinhas da Policia, ambulâncias e quatro blindados.

dia143.jpg :::::160 - Euclides, o benguelense jornalista, salta do carro. Sabe que embora a fila de carros seja curta, a negociação de paz entre o Governo Estatal e do Rio com o Comando vermelho, pode demorar. Dois soldados do morro discutem com um policial. Escassos metros os separam. Toda uma vida parada num ritual de passagem: - Nós não somos o inimigo, não, malandro. Tu és bem pretinho, tu és um fodinha, feito agente… Com fobia de ser mulato, o benguelense ouvia já na dúvida de se era bom ser assim – um preto*.

:::::161

- Calma aí! Sou negro mas não sou bandido não. Trabalho duro. Não me meto em baderna (amigo de farra, considerado um inútil, desclassificado…*). Um outro policial, um tipo muito alto, rosto coberto por um capuz preto, apenas com uma estreita abertura para os olhos, aproxima-se do primeiro segredando-lhe qualquer coisa ao ouvido. O soldado do Comando Negro provoca: - Vais ser sempre um pau mandado do branco!? Se liga, meu, tu tá combatendo tua própria gente. Não ouviu o que o teu chefe Weissmann anda dizendo, não? O cara quer mandar todos os crioulos para África…

moka31.jpg :::::162 - O CV contínuo: - Teu chefe gweta vai ter de encontrar um barco do tamanho do Brasil… Dito isto ri com gosto levantando o punho esquerdo desenhando um “C” e o direito fazendo um “V”*. Euclides fica na dúvida pensando - este grunho dos CV deve se de Angola – fala de gweta cangundo como os da Luua**… E, assim no meio destas periclitãncias vê que o policial encapuzado reage enraivecido. Grita com um forte sotaque gaúcho, voz roca de muito “chá-mate”*: - Está rindo de quê seu banana!? Vou aí e quebro a tua cara, sua bicha*!...  

:::::163

Bartolomeu Katiavela surge nesse momento, vestido com o uniforme de general do Exército angolano, repreende o rapaz. O policial governamental volta-se contra ele: - E tu, porque não vais fazer a guerra no teu país? Katiavala enfrenta-o. Está ali tão firme, tão íntegro, tão prepotente, que parece ter sido aparafusado ao chão. Entretanto ainda ouve o outro a dizer: - Quanto dinheiro esses filhos da puta*, esses marginais estão te pagando? A voz de Katiavala, límpida e sem esforço, assim como a de Net King Cole, sai com decibéis, sotaque coimbrão, acima do ronco do gerador Honda: - Porque não tira essa mascara? – Assim como está, parece um bandido.

( Continua…)   

Notas: *Item da autoria de T´Chingange; **gweta é branco; cangundo é branco de baixa condição, do musseque…

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:31
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Domingo, 24 de Fevereiro de 2019
N´GUZU. XXX

CONHECER O BRASIL 24.02.2019
Brasil - Os Cortiços vieram a seguir às casas de Bangu e batuque – repotreando-me na minha cadeira de balouçar, rindo forte, e sem calar a boca, a camisa a espipar-se-me pela braguilha aberta e piscando o olho à Rita Baiana…
Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil
Cortiços - Tipos bastante variados de habitações colectivas que abrigavam os segmentos pobres da população urbana, moradores sobretudo do Rio de Janeiro e, a partir de meados do século XIX. O aumento populacional que se vinha incrementando desde 1808 com transferência da Corte portuguesa, tornava-se cada vez mais expressivo por via do aumento dos fluxos migratórios, sobretudo de portugueses.

cortiço0.jpg Com a diminuição do número de escravos em função da extinção do tráfico africano, por volta de 1850, e apesar da crescente ampliação da estrutura urbana, as oportunidades de emprego mantinham-se reduzidas, agravando as condições de vida da maior parte da população. Em alguns lugares do Brasil, as coisas não mudaram tanto assim pois continuam a ver-se muitos camelós zurzindo suas vidas rebocando cangulos com cinco e mais caixas de isopor ou montras de muitos e fosfóricos óculos de sol, adstringentes e até fosforescentes… 
:::::
O fenómeno não era só brasileiro pois que em Argentina podia encontrar-se também esse mesmo tipo de habitação urbana. Em “El Caminito” de Buenos Aires havia o mesmo tipo de construção agregando gente que vinha da Europa na busca de uma nova vida; ainda hoje podemos ver a combinação de materiais adaptados à construção barata com varandas ripadas e cores variadas dando assim, mais harmonia ao conjunto habitacional, um amontoado de mukifos atravancados a eito. Ainda se vê disto em Viñas-del-Mar e Valparaiso.

cortiço6.jpg El Caminito é uma rua-museu e um logradouro tradicional, localizado no bairro de La Boca (Do Boca Juñior Club), junto ao estádio de futebol na Cidade de Buenos Aires. O lugar adquiriu significado cultural devido a ter inspirado a música do famoso tango Caminito trazido pela comunidade italiana também em meados do século XIX. Tanto portugueses como Italianos vinham em vapores destinados a trabalhar nas fazendas de café ou canaviais a fim de substituir os negros escravos que por lei, iam sendo libertos.
:::::
Para além das dificuldades de acesso à alimentação, o problema habitacional tornava-se cada vez mais grave. Em 1868 o Ministro dos Negócios do Império regista a existência de 642 cortiços na cidade do Rio, distribuídos por diversas paróquias. Em 1888, já existiam 1331 cortiços, alguns já com características de estalagem sendo que a maior concentração se verificava na paróquia de Santana.

cortiço2.jpg Proliferavam assim estas habitações colectivas aonde residiam não só os livres e libertos pobres como e também, ganhões ou camelós que ganhavam a vida como ambulantes à mistura com emigrantes que iam chegando com uma mão à frente e outra atrás tendo de viver sobre si mesmos, vendendo o que desse e aprouvesse; costurando em plena rua e remendando os sapatos debaixo de um esporádico toldo ou mesmo a simples sombra de uma árvore…
:::::
Em princípios da década de 1870, o termo cortiço adquiriu um sentido cada vez mais estigmatizador das habitações colectivas. Estas tornaram-se o alvo dos defensores do higienismo que determinaram por posturas proibir a construção em áreas nobres ou centrais do Rio de Janeiro. Isto veio a colidir com uma grande camada de pequenos investidores que controlavam as vendas a crédito, os donos das tabernas, tascas e quiosques que ali laboravam numa forma de consórcio ou rodízio. A vida ia rolando…

cortiço4.jpg Os Cortiços estavam por assim dizer e, também associados à malandragem, às promiscuidades e epidemias com desordem social, locais privilegiados aos zeladores da trambicagem, quase tudo em igual como muitas das favelas actuais aonde fecundam as hordas de marginais que vivem de expedientes, vendendo gato por lebre ou dedicados ao jogo do bicho, ou outras manigâncias de obter dinheiro fácil.
:::::
Era o lugar de mestiçar a raça numa miscigenação que provocou genericamente a raça humana, furta-cores que derivou a se acabar com as cores natas com o ADN do arco-íris perfeito preconizado por Thomas Robert Malthus no seu puritanismo de higienismo racial. 
Um tal que foi considerado o pai da demografia por sua teoria para o controle do aumento populacional, conhecida como malthusianismo. 

cortiço3.jpg Felizmente que este Malthus não teve grande sucesso aqui no Brasil. Nos cortiços foram iniciados laços de solidariedade que preconizaram um modo de vida diferente dando origem a várias estratégias de resistência sem a necessidade de lamber a tão proclamada independência de outros povos que pela prática se vê hoje seguirem rumos de muito difícil adaptação aos conceitos da pele, originando preconceitos e paradigmas desvirtuastes; estou a referir-me à Angola que simplesmente rejeitou milhares de cidadãos que a ela pertencem por nascimento por via do “MATUMBISMO”…

cortiço01.jpg Quem ler o Cortiço de Aluísio de Azevedo vai entender na perfeição as virtudes e desvirtudes dos conjuntos sociais que originaram a vida de hoje em condomínios fechados. Estou a ver-me já desengravatado e com os braços à mostra, dum vermelho lustroso de suor, intumecido de vinho do M´Puto, vinho já baptizado com água benta e cachaça, esperando o leitão no forno, repotreando-me na minha cadeira de balouçar, rindo forte e sem calar a boca, a camisa a espipar-se-me pela braguilha aberta e piscando o olho à Rita Baiana que canta ou tentava cantar o novo desfado; assim, a dar para os bestialógicos arremedos da minha santa terrinha.
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:58
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XIII

 COMUNICADO DO CV -  Comando Vermelho -19.02.2019

O dirigente do Comando Negro veste uma camiseta do Clube militar de Luanda - CML
O ano dos COMUNICADOS em Luanda . 1975 
Escrito por – José Eduardo Agualusa
Por

soba15.jpg T´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro
:::::
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

araujo 25.jpg Pude ler nas páginas 232 e 233 do livro de Agualusa uma réplica da proliferação de COMUNICADOS à imprensa de então no ano da Luua em 1975 e em Angola - emanados do COPLAD, do MFA, da FUA dos MOVIMENTOS de libertação para tranquilidade de toda a população. Foi de uma tranquilidade de espanto – a guerra do TUNDAMUNJILA…Sem aquela inquietude de afligir o próximo, ou ficar num estranho silêncio, esperamos as mudanças no tempo e suas modas adaptando-nos ao luto de preto, que faz muito tempo atrás era branco. 
:::::
Eu quis saber do porquê de cada homem ou de cada mulher, nascer com a verdade dentro de si e só para si! Assim e, porque cada homem é um mundo que se ao tempo der tempo, o tempo bastante, sempre o dia chega em que a verdade se tornará mentira e a mentira se fará verdade. Angola foi uma mentira, uma farsa, uma gigantesca farsa…

agualusa1.jpg Julho de 1975 - Em Muquitixe estive encostado a um muro velho com minha sogra idosa! Fazia o percurso de Nova Lisboa (Huambo) para Luanda. Não se sabia o que poderia sair daqueles drogados que revistavam o autocarro aonde seguíamos. Podíamos ter sido ali, metralhados, como num filme de revolução, cuja morte parece sempre surgir junto a um já esburacado muro! Isto simplesmente, não aconteceu. Ninguém se culparia e nem haveria de jurar a alguém! Parecia não haver esse tal de alguém; simplesmente, assustador! 
:::::
Ouve combates no morro do Rio de Janeiro do Brasil e do livro do Zumbi: Mas que porra é aquela? Jararaca fala à imprensa em negociações! Vai dai elaboram um COMUNCADO «O Comando Negro exige do governo federal: 
Ponto 1 – Uma ampla amnistia para os soldados sob sua direcção, (* -trata-se dos revoltosos do morro) aqueles que estão detidos, e todos os heróis que desceram hoje dos morros para combater a escravidão.
Ponto 2 – A imediata demissão do ministro da Defesa, general Mateus Weissmann.
Ponto 3 – Uma indemnização simbólica a todos os brasileiros de ascendência africana e um pedido público de desculpas pelos séculos de exploração e opressão.
Ponto 4 – A introdução de um sistema de cotas para afrodescendentes, nunca inferior a quarenta por cento, não apenas nas universidades e repartições públicas, mas também para cargos superiores na Polícia e no Exército, e candidatos a deputados estaduais e federais.
Ponto 5 - Durante as negociações com o Governo todas as unidades das Forças Armadas estacionadas no Rio de Janeiro devem recuar para fora das fronteiras do Estado e não interferir.»

mocanda11.jpg O dirigente do Comando Negro veste uma camiseta do Clube Militar de Luanda. Jorge Velho reconhece os símbolos- o punho negro, a metralhadora, a estrela amarela sob fundo vermelho (* - A variante da Luua tinha uma roda dentada e uma catana em diagonal) -, porque já os viu inúmeras vezes em bandeiras e cartazes ou pintadas nas paredes das favelas (* - musseques), mas é incapaz de decifrar a sigla, CML.
:::::
Jararaca, tem ao pescoço um colar de missangas vermelhas e negras… Olha de frente para o mundo. Conclui solene e desafiador: «Estamos voltando hoje uma página na História do Brasil. Este país nunca mais será igual. Bom dia, Liberdade!» Cala-te. Ouve-se alguém a gritar: «Corta, porra, corta logo!» (* -eram imagens para a TV). Ele levanta-se e a imagem desaparece. Surge uma fotografia com o clássico cartão postal, com o Pão de Açúcar em primeiro plano (* - fim de citação ao livro…).

cabo ledo3.jpg Poderíamos perfeitamente dizer que assim se passava no dia-a-dia da Luua nos anos de 1974 e 1975, a Emissora Oficial de Angola a dar comunicados atrás de comunicados. Com eles soaram as cantigas de permeio recordando os heróis de Valódia, Monstro Imortal que os pioneiros cantavam nas ruas vezes sem conta; nas ruas de todas as cidades! Olhando o passado víamos ali “Nossos versos de Carnaval”. Entretanto havia filas quilométricas de refugiados que em alguns casos eram escoltados pelas tropas portuguesas e também do MPLA numa já perfeita parceria de zelo de Estado.
:::::
Era criado ao acaso um autêntico corredor entre as cidades do Centro e Norte até Namacunde, no extremo sul do “Sambódromo Estado de Angola”- ao longo da estrada principal. A falta de gasolina, água e alimentos tornava-se cada vez mais dramática pela carência. Trocavam-se contos ao desbarato por tambores de gasolina. A tropa portuguesa assistia agora à fuga de milhares de ex-colonos e naturais com um sentimento de impotência, coisa confrangedora para alguns – não tanto para outros.

louva7.jpg Não haveria desculpas para essa corja de militares de aviário, os cérebros do Concelho da Revolução e muitos civis que se ufanavam deste feito como sendo exemplar. Puta que os pariu! Prometi recordar estas tristes passagens, tempo de tão mau augúrio para um Império que ruiu da pior forma, sem dignidade; tudo feito por empedernidos fanáticos que a troco de uma centelha ideológica empederniam-se num regime despótico e anárquico entregando as gentes ao descaso, aos entretantos …Ou mato, ou morro!

Nota* - Esclarecimentos de T´Chingange
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:24
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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