Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . IX

VIDAS SECAS – COMO SINTO O MUNDO

Pretonceito - Não é erro ortográfico não! É uma nova palavra de origem manwgolé…

- Torcer enxugar e corar - Secando a palavra ao sol …17.01.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Na Lagoa do M´Puto

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO – Como dar certo …Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS - Graciliano Ramos . Br

84  - Secando a palavra ao sol e, porque foi feita para se dizer, recordo as “vidas secas” de Graciliano Ramos, escrito de 1937 e assim, acompanhei parte do trajecto da família de Fabiano e também da cachorra Balaia. No meio de muitas arbitrariedades próprias da classe dominante de então no Brasil e, andando eu frequentemente por terras de índios Caetés, lá terei de ler o “São bernardo” de 1933 e o “Angustias” de 1936, talvez o melhor das suas publicações.

85 - A partir de factos simples, tento compreender com a maior exactidão, analisando isto e aquilo e, no possível, o meu próprio desenvolvimento do pensamento - Dar atenção a um, descuidando um outro que o precedeu. A teoria da casualidade por reflexão de ressonância sucedeu ouvindo um grilo que canta, que grila…Ele canta, estridula, guizalha, trila ou tretinha num zumbido que se interrompe. Com estes silvidos, chego à via especulativa no ser capaz de me ajudar a compreender o Mundo.

booktqiue6.jpg 85 - E, porque também está viva em minha memória, relembro parcialmente as “Vidas Secas”. Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. «Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do Rio Seco, a viagem progredira bem umas três léguas. Fazia horas que procuravam uma sobra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da caatinga rala.

86 - Arrastavam-se para lá, devagar, Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça. Fabiano, sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda pederneira no ombro; o menino mais velho e a cachorra Balaia iam atrás. Os juazeiros aproximavam-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.

gracilano1.jpg 8- Anda condenado do diabo gritou-lhe o pai. Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo. A caatinga estendia-se de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor dos bichos moribundos.

88 - Anda, excomungado! O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um facto necessário - os tremidos e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro caboclo precisava chegar, não sabia onde.

booktique7.jpg 89 - Tinham deixado os caminhos cheios de espinhos e seixos, fazia horas que pisavam a margem do rio, a lama seca e rachada que escaldava os pés…» Esta descrição espremida como roupa pronta a corar, causa-nos calores e frios tremidos, uma miragem com uma amargura tão sobrevivente que podemos até sentir sofrimento. Ele tinha o condão de elaborar um trabalho colocando no papel tudo aquilo que conseguia observar na pessoa, num animal, em uma cidade e sua sociedade, com matizes varias.

90 - Foi um pouco a partir dele que trabalhei a curiosidade, descrevendo assuntos demasiado banais. E, fiquei também ciente de que o que toca a imortalidade é a obra e não o ser humano. Nisto de recordações acabo por chegar ao conceito de se escrever “por linhas tortas” e, é aqui que largo o preconceito, para recordar alguém de nomeada e, que mudou minha forma de estar. É ele Graciliano Ramos! E, disse assim: -“A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para se dizer”. Assim diz Graciliano no ano de 1962, para comparar seu ofício de escrever com o acto de lavar roupa pelas lavadeiras do rio.

booktique8.jpg 91 - E, recordo-me de no acampamento aonde dormi com meu pai, um bivaque de gente da Brigada dos Caminhos de Ferro de Angola, de ter ouvido hienas a chorar e urros distantes de leões em um ermo quase sertão como aquele do Nordeste brasileiro; relembro deste meu jeito os bidons ao redor do acampamento contendo tochas de fogo pela noite, para afugentar as feras nesse lugar conhecido por Lucala, sobre o rio com o mesmo nome e, no distante ano de 1954; era eu candengue – falo de Angola.

92 - Claro que relembro algo que deveria estar esquecido, disse isto para mim mesmo. Uma terra que deixou de ser nossa por pretonceito, já o meu pai o dizia - Como é!? Não é erro ortográfico não! É uma nova palavra de origem manwgolé… porque simplesmente de dia para a noite se perdeu o direito de nela se viver. E pelo dizer de Graciliano, um escrito deve ser lido e relido, ensaboado, esfregado, batido no lajedo, no burgau, como uma peça de roupa suja. Assim fiz: - depois, pô-lo a corar nas ervas, nas bissapas ou penedias, após enxaguar. Estou fazendo!

araujo69.jpg 93 - Ler seus escritos é como revisitar um laboratório e obter capacidade literária independentemente dum qualquer estilo. Por isso não escrevo átoa, ao calhas, Será!? …Mas ele, com sua caneta bike, transformava um banal relatório ou carta burocrática em uma verdadeira peça literária. E, já que isto é mencionado, quero avivar relatos de seu exercício passados ao papel no ano de 1930; ainda eu, o T´Chingange, nem era um projecto de vida pois que minha singularidade surgiu no ano de 1945 e na convulsão dos sons de obuses da primeira guerra mundial.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:49
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . VI

- Meu Deus, tinhamos um país! E, aqueles tipos destruíram tudo…

 Arqueies tipos! - Vocês!  - 10.01.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Lagoa do M´Puto

agualusa1.jpg54 - O pessimismo é um luxo dos povos felizes. Quem o diz é um kamba nascido no Huambo chamado de José Eduardo Agualusa em Dezembro do ano de 1960, bem perto da Caála, lugar aonde morei por algum tempo, trabalhando às ordens do presidente do Município chamado de Casimiro Gouveia com a alcunha de caluviaviri. Aqui, refiro Agualusa porque faz parte da minha lista do BOOKTIQUE. Até cheguei a ter uma xitaca com nemas junto à pedra do Alemão mas, deixa para lá, a guerra do tundamunjila a levou……

55 - Irei escalpelizar seus escritos pela razão de tal como eu, andar por aí escrevendo crónicas e livros que muito me fazem borbulhar o cerebelo do lado bombordo. Enquanto eu ando com um imbondeiro às costas, ele sempre se faz acompanhar de cadernos com linhas, um micro-ondas Ipad e uma catrefada de canetas de várias cores. Só que tem uma grande diferença, ele ganha bom kumbú e eu nem cheta… Acho que sempre leva um casal de osgas de estimação e olhos oblongos e enviesados, com quem cavaqueia longos tempos. É delas que recebe inspiração, pode isto ser?

agualusa2.jpg 56 - E, é sobre um antigo Coronel do Ministério da Segurança de Estado de Angola que tudo se desenvolve. Já morto, fugindo às armadilhas da guerra com um amor de hiena, percorre agora seu tormento das memórias vendendo armas aos sublevados do Morro da Barriga do Rio. Quer à viva força levar a descolonização ao Brasil mergulhando a fundo nos incêndios dos morros cariocas. Foi ali, no lugar aonde os candengues brincam com kalashnikoves AK-47, numa sacada a ver-se o Rio estendido até o Cristo Rei, que o ouvi dizer: -A guerra enche os bolsos a muita gente. Bom! Isso não parece ser novidade para ninguém…

57 - Nesta análise, tenho a ajudar-me um jornalista de nome Euclides muito hábil a complicar as respostas que sendo fáceis as engravida só para se vingar das peripécias vividas em África e muito especialmente naqueles tempos perturbadores da guerra do kwata-kwata, do foge branco t´chindere, senão estripo-te. O raro disto é a de que também foi polícia do Estado, um supranumerário de confiança. Bom! Tudo isto acontece inspirado na saga dos fujões pretos, escravos dum qualquer coronel que num golpe de audácia fogem para os quilombos dos Palmares. Até poço sentir o bafo dos cães de fila soprando e babando ranho por aquelas matas procurando os gentios entre as coroas-de-frade e picos kilométricos.

zumbi6.jpg 58 - Francisco Palmares o coronel angolano, o morto-vivo, recordando a fúria de Zumbi, quer tomar o rio dando lugar de destaque aos negros; diz que Zumbi voltou para tomar o Rio. Nós angolanos, somos optimistas – os pessimistas já se suicidaram todos! É Euclides que assim fala sem se recordar do nome desse homem que assim falou lá para trás no tempo; acontece ser assim quando se encontra em dificuldades.

59 - Euclides fala com o Coronel como se fossem amigos de há muito tempo, e eram mesmo: - Vi-te na feira, escondido atrás de uma barraca, disseram-me que morreste e agora!? As coisas mudaram muito desde que tu morreste! O que vocês fizeram não tem perdão, diz Euclides. Eu sei; eu sei! Diz Palmares ao seu assombrado amigo. Aquilo escapou ao nosso controle, foi longe demais…

ANGOLA10.jpg 60 - Ficam muito tempo em silêncio. Finalmente o Coronel fala: - Tu estavas na delegação provincial. Tenho a certeza. Numa de falas tu e, agora eu, Euclides, o jornalista repentinasse: Como conseguiste escapar? - Escapar!? Eu não escapei. Tu viste que não,… estiveste no meu enterro!… De sobrancelhas carregadas e pigarreando, foi dizendo.- O Cunha deu-me um milongo que me deixou a dormir, acho até que morri, mesmo! Depois organizou aquele fantástico funeral, enterrou-me e, logo a seguir, desenterrou-me.

61 - Passei a polícia de Fronteira em Namacunde com o meu próprio passaporte dois dias depois de enterrado e, ninguém deu por nada. Incompetentes! Os teus colegas, graças a Deus! São todos incompetentes, repetiu… Ficamos aqui a saber que Euclides também tinha sido da polícia porque logologo o Coronel afirma com trejeitos de gozo: Tinha a certeza que me seguirias até aqui - Um polícia nunca o deixa de ser… polícia!

coroa de frade.jpg 62  - O medo veio até mim sabes, diz Euclides o ex-polícia e agora jornalista. Os camaradas fraccionistas faziam a sua autocritica, pediam perdão ao povo, assim publicamente e, depois eram fuzilados. Bom! Também naquela altura, sabes, as pessoas arriscavam a vida por um leitão assado. Estava farto de comer arroz de mabanga – quando penso nisso até me dá vómitos.  Como não fugir… como fez o Isomar, T´Chingange, o Vumby e tantos outros. Francisco Palmares lembra-se da Luua: - Meu Deus, tinhamos um país! E, aqueles tipos destruíram tudo… Aqueles tipos, ué! - Vocês!

63 - Vocês destruíram tudo, assim fala de dedo em riste o ex-polícia da nomenclatura. O Coronel olha-o ofendido; abana a cabeça. Esquece… Eu não tenho já nada a ver com a pátria; pátria ou morte, o escambau. Quase nada. Sou empresário, tenho negócios aqui… Negócios? Sente-se um muxoxo prolongado de Euclides. Olha, os outros compram barato aqui no Brasil, levam cuecas e cabeleiras postiças, sandálias e lençóis de cama para venderem caro na Luua. Eu, faço o contrário, compro barato em Luanda e vendo caro aqui. Sou besta!? Caramba… O que é que compras barato em Luanda para venderes caro no Brasil? Interroga o ex-polícia em voz de falsete? A coisa promete meus ávilos…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:56
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . C

FRINCHAS DA VIDA – 10.12.2018 
Por

soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto
A fé cega não examinando nada, aceita sem controlar a evidência e, o falso como verdadeiro; assim e a cada passo se chega contra a evidência e, ou a razão. Esta fé levada ao extremo produz o que conhecemos por fanatismo. E, quando esta fé repousa no erro, cedo ou tarde se destruirá.
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O que é verdadeiro na obscuridade também o será em plena luz. Cada religião pretende estar na exclusiva posse da verdade e, esta fé cega tocando seus pontos de crença e, no tempo, se vê no dilema impotente de demonstrar que se tem razão.

abraço0.jpg Haverá duas importantes considerações a se ter em atenção: A fé não se impõe nem se prescreve porque mesmo recomendada, ter-se-á em conta que ninguém que esteja privado de a possuir representará a verdade.
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Uma fé adquire-se com discernimento quando se o têm e, cabe à fé não ir ao encontro deles, mas eles (nós) irmos ao encontro dela. Em este canto da Internet, e em outros similares, aparece frequentemente alguém com ideias interessantes; tenho a certeza de que cada um de nós poderá oferecer suas perspectivas sobre o que entende por amizade mas esta, pode não coincidir com ideias pré-estabelecidas na fé de cada qual.

araujo48.jpg  Em certas pessoas, a fé parece de alguma forma inata a eles mas, se um qualquer procurar com sinceridade essa tal de fé, certamente a encontrará. Para haver fé é necessária uma base; esta base é seguramente a inteligência, daquilo em que se deve acreditar e, mesmo para crer não basta ver, é necessário sobretudo, compreender. 
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O dogma da fé cega é que faz com que haja muitos incrédulos. O que eu acho ser comum a todo o humano é a necessidade de se socializar no afecto; a amizade acaba sendo algo que buscamos, por vezes até com ansiedade, uma circunstância que dá ao desejo de amizade alguma pitada de egoísmo. Quanto à fé ela surge em um qualquer momento!

araujo 101.jpg Existe o perigo de drenar nossas dores em nossos amigos, dar descanso de nossas preocupações em um desejo; se nós não paramos para pensar que cada amizade, terá de ser correspondida por igual, acabamos usando indevidamente esse dom. Eu não acho bom rejeitar-se a amizade de alguém com ideias diferentes. 
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Os amigos, nós escolhemos, fabricamos no correr do tempo. O termo empatia é definido como “a capacidade de penetrar pela imaginação ou premonição, nos sentimentos e motivações de outros", assim como entender as suas tristezas, seus medos e alegrias. A amizade não é em definitivo uma receita médica mas tem sempre uma bula de cuidados a reter para não se ser surpreendido no respeito mútuo ou recíproco.

arau44.jpg E, porque Deus me deu essa prerrogativa do raciocínio e do livre arbítrio, meu espírito anda vago. E, porque não há fé inabalável, daquela que se pode encarar na razão, face a face, espero meu próprio tempo de prescrição!

Ilustrações de Costa Araújo
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:06
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Sábado, 3 de Novembro de 2018
XICULULU . CXVI

Na minha frente tenho dois tocos de charutos meio fumados aonde se pode ler “connectu” - 28-10-2018

São pertença do “bife-gringo” que veio até áfrica caçar um búfalo…

Por

tonito16.jpgT´Chingange – Em Inhassoro de Moçambique

Porque cada homem é um mundo, tem que ao tempo, dar-se tempo… O homem, feito de sobrancelha grande e grave, também gordo, deve ser dono dos petróleos lá nas terras do Alasca porque do que se soube, foi aos mesmos lugares que nós fomos, só que, de avião! Pode notar-se, serem desses tais ricos pra xuxú pois que andam aos saltos folgando-se das odisseias das fronteiras e dos milhões de buracos das estradas.

INHASSORO 385.jpg Delta do Okavango em Maun, Casane do Choba, Victoria Falls e agora, aqui pescando nos mares de Inhassoro em rápidos gasolinas. Estando aqui refastelado, parece ser tudo seu e, afinal, é um turista como nós só que se supõe ter guita - têm um casal de jovens sul-africanos aqui radicados para lhe fazerem a papinha, traduzir dissabores com grossos trocados de notas verdes.

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Hoje é ainda quinta-feira e estamos no Yellowlin Lodge; sairemos amanhã para Vilanculo e aí, talvez possamos ir de barco até à ilha de Bazaruto ou uma outra que ao largo da costa aguarda a chegada de corsários turistas; daqui podem ver-se os morros carecas da ilha de Santa Catarina com manchas verdes em suas encostas e vales.

INHASSORO 381.jpg Ibib está preparando os três quilos de mexilhões que comprei a um conhecido de Sebastião, o fiel depositário e guarda-mor dos bungalows dum patrão sul-africano. Há certos lugares que traduzem certos pensares nos quais nem a decadência é sincera, lugares em que as folhas viram sujeira e até se traduzem num cardápio de bizarras esculturas pintadas no lado menos positivo – é só um estado de espírito…

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Também os mwangolés brancos de angola, t´chinderes perdidos numa ficção de sonhos de conhecimento na diáspora, se vão transferindo com devaneios ou arrogância, num raiar de petulante envaidecimento; a falar é que muitas vezes nos desentendemos e, nem sempre me sinto destribalizado no humor que sempre, quando negro, me arranha os neurónios, assim como um buzio que sempre tem cheiro de sapato se não for bem lavado com água sanitária. 

INHASSORO 388.jpg Deitado de barriga virada ao tecto a osga gorda estuda-me com seus olhos oblíquos. Acena por várias vezes, parece cuspir qualquer coisa e depois refugia-se no escuro ficando a espreitar entre a esteira do tecto e o pau avermelhado da asna tecto de capim. Ainda não eram horas de dormir mas estava relaxando ainda do almoço feito de chocos e mexilhões apanhados entre Inhassoro e o matope da lagoa.

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Não sei nem porquê, aquela osga era-me familiar porque, num repentemente dei-me conta de que só ela sabia alguma coisa da minha origem. Sim! Quase percebi, chamar-me de Niassalês – sentia-me reduzido a um ponto de interrogação; acho mesmo que aquela gorda osga via pessoas que mais ninguém via ou conseguiria ver. Nesta questão de instantes o tempo murchou-me a vontade de entender se o pior era eu não suportar o balanço das potholes ou as quezílias de gémeos.

INHASSORO 378.jpg Dos longos silêncios remoídos na sustentação das mentiras ou verdades sobre africanos, sua terra e sua origem, gente sem nenhures; como entender tudo numa longínqua aridez de secura, um investimento de leveza desocupada, fazendo nada ou parecendo nada fazer. E assim ia ficando meio anestesiado, ficando osga com jeito de pessoa que mais ninguém conseguia vislumbrar…

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Foi então que vi um sujeito mulatão de nome comum de Zé Manel, meio a dar para indiano, um meio monhê a viver de expedientes na cidade do Chimoio; com colares de missangas penduradas ao pescoço e um cofió colorido – enfim, um mwadié fantasiado de africano a repetir-me: - Só quem anda por gosto, não descansa! Isto, foi quando me queixei com azedume dos muitos buracos.

INHASSORO 393.jpg Vissapa - o comandante, ainda lhe disse que era angolano de gema, que edecéteras e tal e, até lhe mostrou o bilhete de identidade. Era um branco, sim senhor mas genuinamente africano! Ele, filho dum acaso mal feito, torceu seu nariz achatado, deu uma baforada com rolos de índio no ar no bar K.2 do senhor Couto. Filosoficamente disse que aqui em áfrica tudo é de todos, menos dos brancos. E, assim, engolindo desaforos ficávamos num nada, feitos genéricos. Menos mal que eu só era mesmo – sou Niassalês…

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O filho da mãe, negociante de diligências, vendedor de picos de acácia, pelos vistos não podia conceber um índio sem uma zarabatana na mão! Virou-se para Vissapa e disse assim como cuspindo vinagre feito bolinha de visgo: - Tu, branco, quereres ser africano!? Isso é uma tua miragem, meu! Eram horas de bazar, nossas mulheres esperavam-nos no Bidjou Vermelho de Chimoio; ali mesmo ao lado da linha do caminho-de-ferro. Já em casa, de papo para o tecto pisco o olho àquela gorda osga…

O Soba T´Chingange   



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:20
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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2018
MU UKULU – III

MU UKULU...Luanda do Antigamente10.09.2018

Entra-se num outro capitulo - o tempo dos Mafulos ou Holandeses enviados a propósito para conquistar terras de N´Gola…

De

luis49.jpgLuís Martins SoaresNo Brasil

soba15.jpgT´ChingangeEm Johannsburg

O Governador Pedro César de Menezes no dia seguinte, 25 de Agosto de 1641, abandonou o arraial de bivaque no Morro de S. Miguel de Loanda, deixando a povoação de trincheiras no poder dos Mafulos Neerlandeses. A coroa portuguesa que neste então estava sob o domínio espanhol não pode manter os entrepostos comerciais e possessões que mantinha ao longo de toda a Costa Africana. Assim, estando em guerra com os Holandeses, estes atacaram todos os lugares aonde estavam os Tugas com principal incidência na costa de África.

Mu Ukulu7.jpg Pedro César de Menezes retirou-se para o lugar de Bembem não muito longe do lugar a ser conhecido por Massangano bem à beira do rio Kwanza e na zona de Kambambe aonde os portugueses mantinham suas áreas de influência. Era um ponto de excelente posição estratégica por proporcionar para além da defesa a acostagem de naus, canoas e outras barcaças desde a barra até Muxima da Kissama.  

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O Padre António Vieira interrogava-se de como poderia Portugal prevalecer contra Holanda e Castela? Nesse então os Holandeses tinham onze mil navios de gávea mais outros três mil navios e duzentos e cinquenta mil marinheiros adiantando: “…os dois nervos da guerra são gente e dinheiro; e que gente e que dinheiro temos nós hoje? A gente é tão pouca, que para qualquer rebate de Alentejo é necessário tirar os estudantes das universidades, os oficiais das tendas e os lavradores do arado.

Mu Ukulu9.jpg Vejam o quanto é interessante vasculhar na história para entendermos as dificuldades dum país tão pequeno! E dizia o Padre Vieira: - Pois com que gente havemos de acudir às quatro partes do mundo, e em cada partes destas a tantas partes? Os Mafulos em Holanda têm quatorze mil barcos; nós em Portugal não temos treze. Na Índia têm cem naus de guerra de 24 até 50 peças; nós na Índia não temos uma só.

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No Brasil têm mais de sessenta navios na maior parte poderosos vasos de guerra e nós temos sete, se ainda os temos”. Os Holandeses estão livres do poder da Espanha; nós, temos todo o poder de Espanha contra nós. É curioso ler os relatórios e missivas do padre António Vieira por sua arguta visão mostrando ser um observador mais militar do que a maioria dos mestres de guerra de então e, refere “Os holandeses em Europa não tem nenhum inimigo; nós não temos nenhum amigo. Isto veio a acontecer muito mais tarde à mistura com traições em 1975 que, de forma desavinda tiveram de abandonar Angola como escorraçados.

Mu Ukulu8.jpg Eles, os Mafulos, têm mais de duzentos mil marinheiros; nós em Portugal não temos quatro mil”. Reconhecia que “um sucesso quase milagroso” a saber da vitória de Guararapes em 1648 no Brasil, tinha mudado a opinião de muitos até então favoráveis à entrega, mas ninguém deveria contar com milagres, “pois os milagres são sempre mais seguro merecê-los que esperá-los.

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Os milagres! Fiar-se neles, ainda depois de os merecer, é tentar a Deus”. Reconhecia que a companhia estava economicamente exausta mas, a melhor solução era a da entrega de Pernambuco, pois os Holandeses não admitiam a proposta de compra. Os documentos mostram porém que a memória erudita do Padre Vieira traiu o Jesuíta. Sempre o M´puto teve em simultâneo grandes homens de grandes feitos e grandes traidores. Traidores que só a estória sem agá fala.

vieira1.jpg Felizmente que a propaganda de tristes alvitre não teve eco em Fernandes Vieira e essa saga de Luso-brasileiros, os verdadeiros próceres do Brasil. De notar que refiro Fernandes vieira como o herói de Guararapes que tendo nascido na Madeira aqui elevou nossa condição de gente ilustre. Só relembro isto porque foi do Brasil que mais tarde saiu uma campanha capitaneada por Salvador Correi de Sá e Benevides para retirar os Mafulos de Loanda. Angola e Brasil sempre estiveram ligados e, daqui poderão extrair nota do muito desconhecimento que temos da nossa posição Lusa no Mundo.

Mu Ukulu10.jpg O Padre António Vieira em 29 de Julho de 1648, transmitia por carta ao Marquês de Niza as notícias do sucesso da primeira batalha de Guararapes do seguinte modo: “… de maneira Senhor, que temos Pernambuco vitorioso, o Rio-de-Janeiro socorrido, a Bahia com armada e Angola com a esquadra de Salvador Correia (….), todo o debate agora é sobre Angola e, é matéria em que os Mafulos, não hão-de ceder, porque sem negros, não há Pernambuco e sem Angola não há negros e, como nós temos o comércio do sertão, ainda que eles tenham a cidade de Loanda, temem que nós tomemos outros portos”.

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O poder da Holanda unido ao da Companhia das índias (Ocidentais e Orientais) era o maior da Europa, pois a história mostrava que a Espanha sem guerras externas, abundante de dinheiro e armas e agora, em paz com toda a Europa, ainda tinha Portugal sobre sua sujeição. Por este acontecido que durou sessenta anos com os reinados dos Filipes I, II e III, Portugal, perdera a soberania que tinha sobre o Ultramar.

maful2.jpg Em pouco tempo os Mafulos ficaram com as possessões daquele Portugal debilitado perdendo muitas praças nas Índias Orientais, na costa africana, na Bahia, e por último Pernambuco. Os danos para Portugal pela perda de soberania a favor de Espanha e por via daquela companhia das Índias, foram-no na índia, Ceilão, Angola, S. Tomé, Maranhão, Bahia e Pernambuco. De notar que João Pessoa tinha o nome derivado do nome Filipe – chamava-se Filipeia. Nem os brasileiros, mais se lembram disto.

junho0.jpg Fugi um pouco do tema de Mu Ukulu da Luua de Luís Martins Soares mas, em seu tempo voltarei às malambas do século (mais-velho)…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
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Terça-feira, 4 de Setembro de 2018
CAZUMBI . LII

TEMPOS CINZENTOSSER-SE ANGOLANO04.09.2018

 - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios

Por

soba0.jpegT´Chingange

O Alvará de 19 de Setembro do ano de 1761 providenciado pelo Marquês de Pombal dá fim à entrada de escravos em Portugal. Neste ano e apenas nas províncias a sul do Tejo ainda trabalham nos campos 4.000 a 5.000 escravos. Há muito branquela no M´Puto que tem ADN negro sem o saberem; daqui derivaram os nomes de Carapinha ou Negro; conheço alguns.

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O motivo da substituição do jornaleiro livre pelos escravos, não poderia ser a falta de gente em Portugal mas sim, o regime da grande propriedade, do latifúndio, que imperava no Alentejo que se arrastaria por centenas de anos. A utilização incessante dessa mão-de-obra, de meados do século XV até à segunda metade do século XVII, fixou-se e estabilizou-se em certas áreas do mundo agrícola, declinando, porém, no século XVIII, em virtude da gradual redução no ritmo da substituição desse tipo específico de trabalho.

mulata1.jpg Mas, mesmo em declínio, não cessou de existir, alimentada pela circunstância cruel de o filho de escravos herdar a condição dos pais, coisa que só findou com o tal decreto Pombalino de Setembro. Não conseguindo estabelecer maiores pontos de contacto entre a cultura africana e a portuguesa que subsistam e, que possam ser detectados na nossa etnografia, fica aqui o contributo para algo que nos parece importante, a presença dos Negros na nossa cultura.

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Embora os princípios da eugenia tenham sido elaborados por um cientista inglês, foi nos Estados Unidos e na Alemanha, a partir do início do século XX, que começaram a ser colocados em prática. Sob a designação de “eugenia positiva”, adoptaram-se medidas de incentivo financeiro a casamentos mistos, considerados favoráveis à tese; para isso implantavam-se programas educacionais numa via de reprodução planeada.

to3.jpg Até eram realizados concursos para a descoberta de famílias e indivíduos talentosos oriundos desta miscigenação. Tenha-se em conta que esta prática de incitamento já era bem conhecida pelos portugueses pois que as autoridades tinham no intuito, a fixação do colono à terra; assim sucedeu no Brasil e em Angola mas, este facto não proporcionou aos Tugas o serem considerados modelo nesta nova e independente sociedade. Antes pelo contrário, o que se verificou foi o não reconhecimento deste tão natural umbigamento pelas novas Nações e o Mundo.

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Por outro lado, faziam parte da “eugenia negativa” acções de esterilização, eutanásia, segregação e de restrição à imigração. A primeira lei de esterilização americana foi aprovada em 1907, no estado de Indiana. Se houve um povo que sempre cultivou a “eugenia positiva”, esses foram sem dúvidas os portugueses espadas-machos, que lá aonde quer que fosse se umbigavam com qualquer buraco de prolifera fêmea. Parece grosseiro dizer isto deste jeito mas é a pura verdade!

angola4.jpg Os defensores da eugenia encontraram suporte nas teorias raciais de meados do século XIX: para o racismo científico, os brancos europeus representavam a superioridade biológica, negros e amarelos eram considerados inferiores e a miscigenação era criticada por causar supostos danos irreversíveis na descendência. O movimento eugénico rapidamente se transformou em campanha nacionalista agressiva contra negros e imigrantes.

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Em parte os grandes culpados são os génios generais negros que com sapiência de cabos tomaram o mando em suas mãos impulsados pelo ódio, a vingança, a torpitude da incompetência. Falo claramente do estado Angolano aonde a maior preocupação foi extorquir o património dos brancos, seu lugar de trabalho, sua fábrica, seu carro, sua casa, seu estatus! São ondas de intolerância conforme as necessidades; uma prática indesculpável ou de deixa para lá! Uma conveniente conivência dos novos políticos.

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Após o término da Segunda Guerra Mundial, a eugenia foi desacreditada como ciência e condenada como postura política. Entretanto, a última lei de esterilização americana foi revogada apenas na década de 70. É necessário manter-se alerta a novas tentativas de oferecer soluções ideológicas a problemas cujas causas são económicas, sociais e, ou incompetência.

angolar5.jpgReconhecendo isto desta forma e, em relação aos estudos urbanos tomando por exemplo Lisboa ou Luanda, há que reflectir sobre o espaço e a interacção entre grupos por modo a que esta relação não se reduza a uma questão de “competição” ou “selecção biológica”. Os termos em que hoje falamos em origem, ainda são aqueles definidos pelo colonialismo.

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João Leal, um conceituado antropólogo português, escreveu um livro sobre a preocupação da sua disciplina, durante o Estado Novo, com os estudos sobre etnogénese. Para aqueles que nunca se darão ao trabalho de viver como os angolanos vivem, Angola é ainda um território mítico nesta visão: a terra trazida à civilização pelo esforço e engenho dos portugueses não tem sido enaltecida por esta via e, deveria ser! Ao invés disto restringem o direito à nacionalidade por questões de puro egoísmo.

ango1.jpg Eles, os mwangolés, querem castas genuínas e nesta leva o branco sempre vai ser preterido. A áfrica tem esta embirrante tendência de só considerar genuínos os negros. Está mal! Assim nunca irão longe… tenho dito! Não estou a dizer que este seja o caso de quem quer que seja. O que me parece interessante é identificar a existência de tal discurso pelas altas esferas da nova Nação que é Angola. E quando por vezes se diz que se é angolano, o que se está simplesmente a fazer é habitar o espaço em que é possível tal discurso tomado sobre a origem dos avós e tetravós mas sem seus direitos cívicos…

ANGOLA10.jpg Há que ter um papel na vida, tentando a todo o custo interpretar o lado positivo mas, os laivos de maldade dos novos governantes decapitam, que nem a esquerda comunista estalinista e maoista no seu lado mais negro, traz consigo! Uma carga negativa do passado cultural colonial, arredondada na perfeição dos silêncios ou na pura omissão. Com fúteis caprichos de poder, esmiúço os tempos para saber a verdadeira razão dos paradoxos futuros. Sim! O futuro de um mundo surreal tentando compreender melhor a essência dos seus divinos filhos. Uns são filhos da mãe e outros filhos da Puta...Falei!

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:34
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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
XICULULU . CXII

TEMPOS QUENTES – 15.08.2018

– BOOKTIQUE DO LIVRO III

- A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee …No Muquitixe da Munenga vi as estrias duma kalax AK47 bem à frente dos olhos…

Xicululu: Mau-olhado

Por

soba0.jpeg T´Chingange, vulgo António Monteiro

Ainda ando a mastigar o livro da minha empregada de Campala e entre os muitos afazeres da casa, por vezes paro a conversar com ela enquanto espero que chegue o padeiro pela manhã, ou fico a ver a piscina encher, ou ponho a mangueira a correr água nos pontos semiautomáticos da rega do meu anárquico jardim do M´Puto. Um destes dias por via de não fazer isto, quando olhei o nível da água da piscina, ui-ui, ela já corria na rua.

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Depois tive de tirar este grande volume excedente de água para regar os aloendros, os mióporos, o merey, as pitangas e limpar o chão a balde. Depois já sentado ela, a Mary assombração de Campala disse-me que aprendeu a ser feliz, a dar-se por feliz, quando não havia indícios de revolução, não havia mujimbos de assaltos e emboscadas nas ruas e estradas, num talvez tenhamos de voltar a ter medo, a correr só átoa como doidos sem saber bem para onde, acumular enlatados e pacotes de comida.

IMG_20170727_130810.jpg Talqualmente como nós no tempo de kwata-kwata, ali tem branco na guerra do thunda mu n´jilla (tundamunjila) da Luua de novecentosesetentaecinco, um ano que ficou comprido e comprimido numa só palavra em todos os outros sítios de Angola. E, em verdade, também muito antes, quando o gweta mwana-pwó, feito magala maçarico besugo fazia rusgas átoa prápanhar turra no sessentaeum, um ano também estóricamente colado com sangue vermelho. Tudo guerras de kwata-kwata preto, kwata-kwata branco. Uma merda, sabes!

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Assim falando sem um discurso directo eu recordava a Mary de Campala no frio do medo que tive numa guerra no ano de sessentaesete, quando fui emboscado nas terras altas do Maiombe, terra de muitos gorilas, assim como na tua terra do Uganda. Estou a ficar um pouco kota, falando sozinho as muitas lembranças de dormir de dia porque de noite os turras do MPLA por vezes atacavam. E, olha que tinhamos de ir de burro para o Batassano, perto do Belize de Cabinda. Era assim que nos reabastecíamos; eu e os magalas idos do M´Puto para estabelecer a soberania, sabes!

adiafa1.jpeg Assim meio rameloso, ela a Mary de Campala, mudou um pouco as falas dizendo que agora, sabes, as coisas estão ficando melhor! Ficou comigo, talvez connosco a filosofia de viver um dia de cada vez. É mais fácil, sabes; um sabes continuado - falas dela. Há coisas que perdemos, coisas que sofremos, mas agora, hoje, o sol brilha. Há muito que estamos mortos, portanto deixem-nos ser felizes! Aqui fiquei apreensivo e até me belisquei - doeu, estou vivo! Sei lá, talvez, porque não há meio-vivo nem meio-morto. É ou não é!

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Talvez as pessoas dos governos estejam a encher os bolsos, mas os políticos em África enchem sempre os bolsos, disse a minha empregada de um tempo antigo. Em todo o lado, disse eu! Ela continuou com suas falas e, foi dizendo no seu jeito que o africano é mesmo assim, quando é rico, é-o à fartazana, à lagardere, faz questão de que se saiba; Tem o seu clã que não é só familiar, pois abrangem os sobrinhos dos sobrinhos e amigos que consideram do peito.

ango3.jpg Eles, os bajuladores e edecéteras, entre si, sustentam o seu quinhão mantendo por vontade corrompida ou submissa o seu mwata, seu líder, preservando-o a fim de garantirem seu sustento de gasosa e, que por vezes é choruda. Este grande chefe vai dando benesses às estruturas dele, na orgânica do estado como se fosse sua, na sua xitaca, sua fazenda, suas casas e lá aonde o seu carisma preserva o seu stato-poder, sua permanência no bombom, adquirindo dinheiro do erário público e distribuindo pelo seu clã, seus comparsas da preservação.

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Dinheiro para um africano, só é mesmo necessário para se manter no poder, bafunfar prosápia com prepotência como que um aviso constante, quem manda ali é ele! É ele que dá contornos à lei e pronto! E, o dinheiro dos brancos é sempre bem-vindo; não é problemático dar um golpe senão vários a um gweta besugo que quer entrar no esquema, num negócio de venda de parafusos ou graxa de sapato. Por vezes ficam sem nada numa do que é meu, é meu, o que é teu, é nosso! Estás feito branco! É assim mesmo, é o seu ADN disse eu interrompendo momentaneamente a minha antiga empregada de Campala, esperta como uma chita!

ÁFRICA20.jpg Eles, não sabem que a maioria dos brancos vivem pedindo emprestado ao banco para comprar a casa, o carro, o barco, a quinta, a amante e os favores dos outros! Digo eu que vejo tanto faz-de-conta aonde parece até que ser-se pobre é uma grave doença – ninguém quer ser pobre! Não entendem que os brancos na ânsia de ter este mundo e o outro vivem endividados. O país do M´Puto é o primeiro a dar o exemplo, vivem todos no negativo, abaixo da linha d’água mas, os políticos apresentam sempre formas de ultrapassar indo ao seu curral buscar as valias – Nós, pois claro! Eles, os africanos nem sabem que afinal os brancos são pobres…

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Eles, os africanos não percebem que os brancos, bem ao seu jeito, vivem sempre pedindo mas, fingindo que são o que não são! É por isso que todos se têm de corromper uns aos outros, pedir favores em troca de favores e assim vivem, todos favorecidos. É a corruptocracia, Mary! O problema mesmo é que, neste favorecimento, uns vivem mais favorecidos que outros! Sabes agora o que é isto de fazer-de-conta?

trem carvoeiro1.jpg Lá no teu kimbo cada um vive das coisas extraídas das lavras, da xitaca, das hortas da mulola, da ñhaca, das galinhas e dos ovos e do porco que cria e mata! Num fala assim patrão, meu coração está a bater com força. Fiquei só assim neste entretanto de conversa. O riso ainda me voa dentro do peito como um passarinho. Qualquer dia dão-lhe uma fisgada, patrão! Pópilas, não sou teu patrão! Ficamos assim mesmo com o futuro a prender-nos ao passado, ganhando massa muscular…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:35
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCI

FRINCHAS DA VIDA – 23.07.2018

-Angústias de megalomania… Dentro da teoria do NADISMO; Um PRÓGNOSTICO que, nem é carne nem peixe – é NADA!

Por

tonito 20.jpgT´Chingange Na Quinta das Telheiras de Vila Real de Trás os Montes

Ando a revestir-me de uma armadura contra a megalomania daqueles que julgam possuir uma chave de abrir uma quelha que dá para várias galerias e, aceitando depois a arte natural feita pelas formigas, térmitas salalés, do kissonde ou, mesmo dos ácaros que tracem esculturas ou desenhos aleatórios nos húmus das paredes.

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Nos húmus das paredes ou também de nossa pele, tornando-os espíritos da liberdade, sacrificando-nos como cobaias como que uma sublimação a que Freud se refere, citando coisas da arte, da ciência, do desporto e da política; os mesmos feitos do salalé visando assim sublimação na criação artística.

roxa112.jpg Será assim que se opera a solicitação no imaginário!? E, então em qual húmus se vai desabrochar a imaginação? Qual o móbil através da qual a criatividade se transforma em criação? Sim! Em que virtude determinamos se, se vai escolher perante os tantos mistérios, quais os instrumentos e em que alicerces?

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Pois! Teremos assim e, em suma, o porquê do porque se destinam algumas pessoas à realização de obras plásticas e outras artes com ou sem o brilho fosfórico do imaginário, somando-se à criação de obras literárias!? Sim! E, de entre estas porque pertencerão algumas à teoria do esquecimento, do engano ou mesmo hipocrisia.

roxo152.jpg E, porque fazem poemas mentirosos de numa química misturarem angústias com amor só porque estupor, ruma com amor! Então e, afinal, quais as frágeis linhas decidirão a fronteira entre a exigência e os ensaios narcisistas? Serão as térmitas também narcisistas!? Não farão estas, parte das obras de Joana de Vasconcelos, um hino à futilidade! Que interesse poderá ter para alguém se na ida proálem, seu caixão leva ou não um penduricalho rendado.

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Serão as salalés e as suricatas representantes da fluidez de seus sonhos, se é que sonham! Este caminho louco da mais descarada arbitrariedade, leva-me à química mais natural da natureza, do NADISMO, pois que é daqui que tudo surge, um estranho paradoxo ou uma dinâmica ambígua da excitação, exsudando estigmas das alucinações ferozes ou inibições paralisantes, um gesto único de cada vez, como num coito.  

roxo110.jpg Sendo assim, a natureza terá como lei a obtenção dos seus fins pelos meios mais económicos. Não se entende bem do porquê Aristóteles ter dito tão claramente que a arte é uma anti natureza! Claro que tenho dúvidas. Porque o NADA, surge-nos a partir dos mecanismos psíquicos da criação. Não é por acaso que só agora, no ano de dois mil e dezoito, se sabe que os neutrinos estão a quatro mil milhões de anos-luz e, vêm a até nós desde o NADA do Big Bem…  

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Neutrinos que se escondem no NADA dos buracos negros e que nos trespassam literalmente. Digamos que os neutrinos são partículas elementares muito fugazes, que têm massa, carga eléctrica nula e que se interagem muito pouco com a matéria, incluindo o nosso corpo, que atravessam aos milhares de milhões por segundo sem grandes interacções. Por isso, a sua detecção ser tão difícil.

roxo11.jpg Os neutrinos do electrão são emitidos em enormes quantidades pelo Sol, onde são produzidos por reacções nucleares. À Terra chegam 65 mil milhões de neutrinos por segundo e por centímetro quadrado. Simplesmente espantoso! O NADISMO diz-nos que o que é falso na obscuridade, também o é em plena luz e, que o seu inverso também é verdadeiro.

roxo169.jpg Assim tolhidos pela dormente ineficiência do NADA, impõem-se-nos evidências tão terríveis que nos darão decerto novas formas de aconchego aos verdadeiros principios da vida! Ao longo de uma viagem através de culturas, de línguas, literaturas e eras, esta imagem só ficará, se ficar, uma teórica e diferente visão do nosso viver.

Ilustrações de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange  

  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:40
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Domingo, 15 de Julho de 2018
MUJIMBO . CVI

CICATRIZES DO TEMPO - NEUTRINOS

A UTOPIA DE ONTEM É A REALIDADE DE HOJE - 15.07.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange Na Quinta das Telheiras de Vila Real de Trás os Montes

Os físicos ficaram surpresos ao verificarem que os “Neutrinos não respeitam o limite de velocidade cósmica da luz” porque o resultado de suas experiências parece violar a previsão de Einstein de que nada pode viajar mais rápido que a luz. Essa ideia jaz no coração de sua teoria da relatividade especial – a base de grande parte de nossa tecnologia moderna e compreensão científica.

neutrinooo.jpg No ano passado, o Opera, um credenciado laboratório internacional mediu que os neutrinos faziam a viagem subterrânea de 730 km entre dois laboratórios de investigação mais rápido que a luz, chegando ao destino final 60 nanosegundos antes de um raio de luz. Cautelosos, afirmam hoje que a medição original possa ter sido errónea devido a um elemento defeituoso no sistema de cronometragem de fibra óptica do experimento.

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Começo a ficar preocupado com a minha futura viagem espacial até os confins dum buraco negro sem ter a certeza absoluta de poder cohabitar com os NEUTRINOS situados de forma simulada a quatro mil milhões de anos-luz no lugar deste infinito buraco.

roxo123.jpg As novas descobertas vêm de quatro experimentos que analisam feixes de neutrinos enviados do Laboratório Cern para o Nacional Gran Sasso do INFN, na Itália. Os quatro, incluindo o experimento por trás das primeiras suspeitas, de que os neutrinos são mais rápidos que a luz, chamado Opera, descobriram dessa vez que as partículas quase sem massa viajaram rápido, mas não tão rápido.

tonito15.jpg Uf! Fiquei um pouco mais tranquilo em saber que afinal posso com a mente concorrer com este olharapo do NEUTRINOS até prova em contrário. Os pesquisadores do Opera não tinham certeza em relação às possíveis explicações para resultados anómalos, então divulgaram suas descobertas para a comunidade de físicos, esperando que especialistas do mundo todo pudessem ajudá-los.

144.jpg Ando a tentar colaborar seguindo a teoria do NADISMO só mesmo para ver como é possível conceber a velocidade do pensamento para e a fim de apagar a luz do meu candeeiro só com a ordem telepática de abre-te sésamo e ou apaga-te sésamo.  Quero assim e a partir do NADA obter resultados surpreendentes de à boleia revolucionar  a física moderna.

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Com uma xícara de café fumegante, tento a maneira de enganar o tempo a fim de não sucumbir à solidão ao invés de passar o tempo em um passe-vite esgotando os nanosegundos dos meus obstinados e silenciosos e abismos. Roçar assim nas perspectivas ortorrômbicas para e, dali extrair ausentes sentimentos. No intuito de mostrar o que ninguém viu antes, despojo intuídas ideias preconcebidas no dito de que no já e agora, “só vemos o que queremos ver”.

neutrino0.jpg Comecei a averiguar obsessivamente os segredos de estado misturando a utopia e, entre grossas curiosidades sufoquei o meu espírito num estreito: conclui que muita gente inteligente não rouba por vício ou por necessidade mas pelo mau hábito de querer ser rico, dono da vaidade deles e senhor das alheias. É este o confuso laboratório da vida que passa ao lado de muitos sem terem a devida comiseração com eles mesmos (Compaixão por males alheios que sentimos como nossos).

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Segundo os dados do Google, o neutrino é uma partícula subatómica sem carga eléctrica e que interage com outras partículas apenas por meio da gravidade e da força nuclear fraca. É a segunda partícula mais abundante do Universo conhecido, depois do fóton e, interage com a matéria de forma extremamente débil (cerca de 65 bilhões de neutrinos atravessam cada centímetro quadrado da superfície da Terra voltada para o Sol a cada segundo) …

roxo146.jpg Embora preferisse uma guerra declarada aos meus obstinados silêncios trato com cortesia as reticências do meu envergonhado orgulho, erigindo uma muralha à volta de estabelecidos conceitos tidos como certos. Assim, no laboratório da vida deixo de lado minha personalidade para sonhar com um paraíso, humilho-me deliberadamente para driblar-me em golpes de liberdade; com recursos à imaginação, combato assim, o tédio das horas que sempre sobram.

Ilustraçõe de Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:25
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Domingo, 24 de Junho de 2018
MAIANGA . XXII

MANIKONGO E MARACATU

- UM SÃO JOÃO COM SARDINHAS - 24.06.2018

- Porto, Braga, Maceió, Caruaru e, Luua – A sangria, o caldo de feijão, a coxinha de galinha, chouriço e o ananás recheado de velho barreiro com muito gelo ou o marufo da kassoneira do Sumbe…

Maianga é um bairro da Luua - Angola, meu berço tropical.

Por

soba15.jpg T´Chingange

AS FESTAS JUNINAS ... Junho, mês das festas populares é festejado por toda a kizomba do Mundo Tuga; as marchas, os casamentos, o saltar da fogueira, o baile de mastro o xodó e forró pé-de-serra, fazem parte dessas manifestações na diáspora portuguesa. O maracatu, sendo uma manifestação junina pouco conhecida em Portugal, tem a sua representação maior no Nordeste Brasileiro mas também em Belém do Pará com sem bumba meu boi. E temos o alho-porro lá do Porto, carago!

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O Maracatu, originário da coroação dos reis do Congo, antigo Manikongo, foi transposto pelos escravos idos de Angola e Costa do Marfim para as explorações de cana-de-açúcar. Festa dos quilombolas bem à maneira dos trópicos africanos conjugando nos dia de hoje festividades de tribo com santos coloniais.  

festa1.jpg Hoje o S. João, festeja-se um pouco por todo o centro do Brasil, mais no Nordeste e em seus quilombos que se estendem até o Pantanal de Cuiabá e Poconé já muito perto da Bolívia. É uma festa e tanto. O cortejo de coroação real composto de rainha, rei, príncipe, princesa, ministros, conselheiros, vassalos e porta-bandeira vestidos de cores extravagantes, saem às ruas em grupos ou quadrilhas para energizarem a vida.

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Maracatu é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana afro-brasileira e ritos cristãos saídos de Portugal a comemorar os populares santos de António, João e Pedro. É formada por uma percussão que acompanha um cortejo, uma instituição que compreende um sector administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança.

fig3.jpg A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei do Congo. A nosso Kizomba, fazendo registo deste património não pode ficar alheio e, com seus chocalhos, concertina, guizos e tambores junta-se à plebe, à folia para alegrar nobres, sábios, cipaios, homens ricos e M´bikas (escravos) que se devem juntar ao evento com balões, alho-porro, martelinhos e fogo-de-artifício.

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A ciência leva-nos a pensar que o Universo nos é inteiramente racional ou matemático mas, nas festas populares, com aquele tintol, tudo pode acontecer. Beba a festa carago!... Se não tiver alvarinho venha o vinho… Atento às passadas e calcanhar de Cristiano fazemos figas, damos as mãos uns aos outros fazendo uma corrente mas, cinco passos cadenciados, pernas abertas, olhar de raio laser e zás-trás, chute e xissa! …

flor6.jpg Também isto é parte de São João com fumo de sardinhas e pucarinhos com delícias de bolo podre e as esculturas ditas cascatas do Santo mais os manjericos e sumo ou suco de erva-cidreira, capim santo ou caxinde. A bola do Ronaldo que fez aquela mágica curva, que nos faz roer as unhas dos pés, colou-se-me ao cerebelo. Venha mais um triciclo ou uma bicicleta de todo o terreno.

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E, a queixada do Santo António a triturar-nos a ira com jeito de surda raiva pelo Santo, que nada fez quando não faz e, no faz quando acha a agulha. As festas juninas estão aí, Porto e Braga e também no Brasil com o Xodó e a zabumba mais reco-reco e berimbau. Não vou fazer a habitual fogueira, nem saltarei de costas, nem mais irei confiar na sorte sortuda porque me posso lixar.

santo2.jpg Amigão kaluanda da velha Luua fica também connosco, bebe uma bolunga, ergue a taça que vamos ter pela frente outras mais oportunidades de fazer muxima e ongweva (saudade). Prepara a catana p´ra pintar esse emaranhado de cabeleiras a piaçaba, carapinha, as cores do M´Puto com um garrafão a fingir de balão. Deixem-se de quezílias, tretas e matumbice… A estória não se compadece com burrices, Tambulakonta…

maracatu2.jpg Vou dizer ao meu santo preferido que dê uma volta ao bilhar grande se não estiver disposto a dar-nos a victória contra o Irão do Carlos Queirós. Santos de Junho, Santo António, São João e São Pedro com gaitas, berimbau, sanfona, acordeão e concertina e muito manjerico com quadras lindas! Podia ser melhor, mas foi isto que me saiu… Mungweno… Cantai, Cantai, raparigas, Cantai sempre ao S. João, Porque, ele paga as cantigas, Com muito bom coração.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:39
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Domingo, 3 de Junho de 2018
CAFUFUTILA . CXXIII

TEMPOS DE FRINCHAS MORNAS – 03.06.2018

Por

 soba15.jpgT´Chingange . Em Coimbra

Coimbra - Sai a dar um passeio matinal lá pelas nove horas e quinze minutos, desde os Olivais até o Solum, zona do estádio de futebol de Coimbra e já descendo a Rua António Jardim, desci duzentos e vinte e quatro degraus até à rotunda dos patos. Entre pinheiros, urzes e maias, pensava em fúteis caprichos, esmiuçando o tempo para saber a verdadeira razão dos paradoxos do agora a pensar no futuro.

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Não será portanto, caso de estranhar de muitos de nós andarem com um olho aqui e outro lá mais adiante, com a metade do raciocínio num sítio e a outra metade no ciberespaço. Mas eu tinha de galgar estes degraus com método sem me distrair com os tempos de socialismo, comunismo ou das entremeadas diabruras capitalistas, para espairecer as molezas dos europeístas e anarquistas que sempre deixam correr o tempo até lhes sair de feição.

trump3.jpg E, assim inchado de espantos, desenhava-me entre antigos esboços, revendo-me nos desenhos das verduras, escorregadias dos esverdeados fungos. Detive-me a apreciar aquela velha urze com musgo do neolítico, muito rachada e a pedir um acordo lógico nas alterações climatéricas, nos novos inventos piromaníacos e técnicas de assustar novas loucuras.

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Assim andando, olhando a quietude no meio de prédios e roncos recordei os tempos em que as pessoas tinham pesadelos com o roncar dos primeiros automóveis nos fins do século dezanove, para aí no ano de 1876 quando do nascimento do automóvel moderno como um tal chamado de Benz Patent-Motorwagen, inventado pelo alemão Karl Benz.

carro0.jpg Lembrar-me eu na minha primeiríssima geração, lá pelo ano de 1807, ter nascido o primeiro carro movidos por um motor de combustão interna a gás antes de surgir o combustível chamado hoje genericamente de petróleo e, que levou à introdução em 1885 do moderno motor a gasolina ou com combustão a gasolina.

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E, que mais tarde os homens com o delírio de voar fizeram experiências com asas de palha, atirando-se de torres e medonhos penhascos a imitar as modernas asas delta. Com asas mecânicas às costas abanavam-se na torpitude furiosamente até se esborracharem lá embaixo.

carro1.png E neste frenesim de voar em pensamento cheguei a Donald Trump que anda a experimentar o resto do mundo com malucas inventações só para fazer diferente; surgindo com os olhos esbugalhados, sem pestanas e ar trocista com sua caneta gigante e grossa, assassina o papel amarfanhando uns rabiscos que mais parecem um gráfico de pulsações do coração. Com riso de sacana, vira o livro rígido pró mundo mostrando sua assassinatura, coisas dum inimaginável louco a governar a Big América USA…

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O senhor gajo, olhando para o resto das suas possessões, mira a União Europeia com um sarcástico desdém forçando a lógica mediação com medidas legislativas e afins de enriquecer americanos. Com caneta de feltro assume unilateralmente medidas restritivas na importação do aço, aplicando tarifas e taxas a seu belo prazer. E, os Europeus às voltas em formar governação em Itália, em Espanha com outros edecéteras à perna.

carro2.jpg A França com Macron fazendo olhinhos bonitos à Angola. Um salve-se quem poder sem uma concertada coligação de esforços. Fiquei espantado quando na Kizomba do Facebook surgiu a notícia de que o presidente João Lourenço estava em França; tive dúvidas que assim fosse e, afinal lá estava ele descendo dum avião chinocas pago há hora à modica quantia de 74.000 dólares… Decerto, não irá comprar champanhe!?

TRUMP2.jpg Quase chegando ao Centro Comercial Alma, dou-me conta que o futuro anda muito enevoado; os países a se governarem em contas negativas com todo o mundo assobiando pró lado. E, são bilhões! Sacaneando-se uns aos outros sem conta nem medida. Bom!... Já no Alma, comprei o jornal Expresso, pedi um café, um copo de leite frio, mais uma queijadinha. Que se lixe! Menos mal que em Portugal temos um Marcelo a olhar por nozes (plural de nós)! Mas, até quando (não é pergunta)…    

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:31
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
MOAMBA . XXI

NAS FRINCHAS DO TEMPO . 23.05.2018

O INTERESSE manobra tudo e todos – Ao ser contador de estórias fico dividido entre um postulado e um axioma…

Muamba: É um prato típico de Angola preparado com galinha e dendém mas pode ser também negócio ilícito com venda de contrabando (Brasil) …

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Foi na Grécia antiga que se inventou a obra-prima do pensamento humano, um campo de dedução, que segundo uma proposição de sequência a um sistema lógico o quanto baste, na exactidão e na provocação da dúvida. É esta razão humana que autoriza o espírito a ter confiança em si mesmo para qualquer nova arquitectura na forma de construção de uma ideia.

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É despertar aos demais com sua inteligência, sua astucia e poder criativo desfrisar entusiasmo no ser capaz de com um pensamento lógico ou nem tanto, por si mesmo, mostrar uma resposta com alguma realidade. Os poetas, tal como os feitores de assuntos, arrumando suas palavras fazem coincidir o belo com o sonho; a partir do nada desmontam castelos pedra por pedra a partir do topo, implodindo-o ou fazendo uma grande explosão.

roxo150.jpg O destino de cada individuo que se entrega apaixonadamente ao mundo das deias, encavalitando as letras na lógica da semântica, falando de gíria, anexando sufixos e prefixos e até misturando línguas moribundas ou mortas, condena-se a fugir de casa se entra pela política mascarada de democracia.

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Numa condenação sem definitiva ou suficiente salvação ou, simplesmente para sarar as feridas do corpo e mente, vai-se dilatando no tempo, apalpando as intenções de filhos, seus anseios, sua felicidade, a permanência com o varão primogénito, suas indecisões, turbulências e devaneios; um turbilhão de anseios que se misturam com sarcásticas ideias, um maldizer de idiota com adjacências escumbalhadas…

araujo 25.jpg Apalpando as medidas da natureza do Senhor, daquelas alheias ao homem e, porque cada um tem de viver o seu destino procurando os carreiros por onde se levar e, para onde há-de levar suas acções, suas palavras sem certificados ou procurações de intenção e pretensão ruma

-se na imensidão da solidão.

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É assim o que se espera de um contador de estórias ao organizar os factos ou não, de um modo inconsciente e, em função de ideias subjectivas que a sociedade envolvente lhe sugere. Juntar amor e angústias, raivas ou ódios e até boatos com inventação de todo o conhecimento numa triagem da realidade e da experiência.

roxo106.jpg Por isso dizer-se não dar crédito ao que se diz mas, julgue-se isso sim, naquilo que alguém produz! Tal como a abelha produz mel e própolis, o contador de estórias produz lazer, formula opinião, inventa, mente para transmitir algo de sua lavra. Ao se analisar o desenvolvimento de um pensamento sempre surgirá um confronto de várias componentes tais como a razão, o empirismo ou a ficção.

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Até hoje ninguém teve coragem de dizer que o Adão matou o Abel com um pontapé nos tomates! E, todos ficam espantados de se dizer isto desta forma mas, é logico que o matou duma qualquer forma, esta é até a mais plausível! Nesse tempo não havia urólogos para medir a ejaculação precoce, a falta de estímulo, apalpação nas mazelas do saco da próstata! Infelizmente o homem não pode ter tudo no mesmo lote: Tempo, dinheiro e tesão…

araujo92.jpg Quando tem tesão não tem dinheiro - é a juventude; quando tem dinheiro, não tem tempo - pelo trabalho; quando tem tempo e dinheiro já não tem tesão - porque está velho! Todos sabem disto mas, raramente o dizem sem ficarem livres da chacota. Diga-se o que melhor aprouver sem se desprezar alguns conceitos ou principios…

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Principios que se revelam como invenções espontâneas do espírito humano; um simples casualismo, causalismo ou uma outra qualquer razão. Até é possível que isto se possa transformar em uma equação matemática de uma ordem por conhecer, pois que só sei que juntando zero com zeros, zeros dá!... Na lógica tradicional, um axioma ou postulado é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria…. ( Estas duas última linhas  são a logica da Wikipédia)

Ilustrações de Assunção Roxo e Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:26
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Terça-feira, 15 de Maio de 2018
KALUNGA V

MOKANDAS XINGUILADAS

- A DOENÇA DA DEMOCRACIA E A ECONOMIA DA CORRUPÇÃO – 15.05.2018

- Xinguilar: Palavra angolana que significa entrar em transe em um ritual espiritual, geralmente ligado aos cultos nativos dos ancestrais e Nkisi/Mukisi. 

Por

soba15.jpg T´Chingange – Desde o Nordeste brasileiro

O combate à corrupção deve ser feito em prol da justiça social, da dignidade dum povo e seu desenvolvimento humano e económico. É o avesso da vingança porque o Estado ao sangrar uma empresa até à morte devido a procedimentos judiciais e da incapaz indeminização, causam inevitavelmente muitos danos. Em vários países com este cancro social mas especialmente em Portugal, a acção repressiva, nosso modo de combate à corrupção, não actua sobre as causas.

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Ou as leis existentes são inadequadas ou faltam leis que racionalizem com moralidade as inevitáveis pressões que a sociedade civil (nós) exerce de forma organizada ou nem tanto sobre os governos, governantes e demais agentes públicos. A corrupção resume a profunda indisciplina jurídica das relações entre Estados ou entre estes e as empresas.

temer4.jpg Veja-se como exemplo as operações judiciárias de Lava-Jato no Brasil e da Fizz em Portugal. Das pressões que o M´Puto sofreu no caso de Manuel Vicente por parte do Presidente JL de Angola, entre várias figuras de destaque que mereciam ser chamados de figurões dum Mundo Cão. Pressões que levaram à deturpação nas atitudes dos nossos directos dignatários, digo eu!

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Não há trabalho sem empresas, não há empresas sem Estado e, não haverá Estado sem trabalho e sem empresários. É uma afronta ou ataque a um outro Estado que por via diplomática nos dá ideia de um grosseiro descuido que em benefício de uns poucos salafrários, prejudicar-se empresas, gente em geral, arriscando fortemente a economia global e respectivas instituições.

dracma6.jpg O lado mais fraco lá terá de ceder, mesmo correndo o risco da aparente ou real deterioração. Assim, com um estado tomado pela corrupção, o Executivo administrará os serviços dos corruptores, o Legislativo vende leis e o Judiciário sentenças! Daqui depreender-se facilmente que a corrupção rouba a energia vital dos trabalhadores, que flui para o Estado através dos impostos que cimentam o seu bem-estar social.

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A concorrência da corrupção entra as empresas torna entre estas, a mais corrupta em líder do mercado deteriorando serviços e produtos. Assim, como é possível depurar as empresas sem as destruir? Elas dão emprego, gerem renda, garantem o consumo.

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É deste modo imprescindível repensar a forma de como combater a corrupção para que os efeitos adversos colaterais, não o sejam mais danosos que o crime que se pretende liminar. Não é fácil, não!

vaca0.jpg Combater a corrupção é como lutar contra um câncer. É forçoso matar o cancro sem matar o paciente, com a dificuldade extraordinária de que ambos, o câncer e o paciente habitam o mesmo corpo – O paciente necessita livrar-se do mal mas não vive sem seu corpo.

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E, o câncer quanto mais se espalha, mais difícil se torna extinguir as células doentes separando-as das sadias. Pagar gorjeta, propina ou gasosa para ganhar uma licitação é ilícito, construir pontes, barragens, hospitais e escolas, em si, não o é! A economia de corrupção floresce num ambiente de crescimento económico e de normalidade política.

bolor1.jpg E, o problema está na deturpação da política com os principais três poderes, do funcionamento dos mercados e, não com sua instabilidade. O busílis da “doença da democracia” está em esta aumentar a desigualdade sem impedir o crescimento do endividamento. Uns ficam com a carne e muitos só com os ossos! A democracia anda doente na honorabilidade; na prática, falta a ética e o uso correcto das leis justas. Marcelo R. de Sousa, Presidente que estimo, por favor, fique atento!...

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:21
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2018
CAZUMBI . XL

MIAI – CORURIPE DO BRASIL

- COMO SINTO O MUNDO - IV02.05.2018

- A teoria da casualidade por reflexão de ressonância … Um grilo que canta, grila…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

A teoria da casualidade por reflexão de ressonância sucedeu ouvindo um grilo que canta, que grila…Ele canta, estridula, guizalha, trila ou tritina num zumbido que se interrompe. Com estes silvidos, chego à via especulativa no ser capaz de me ajudar a compreender o Mundo.

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A partir de factos simples, tento compreender com a maior exactidão, analisando isto e aquilo e, no possível, o meu próprio desenvolvimento do pensamento - Dar atenção a um, descuidando um outro que o precedeu.

grilo0.png Aqui em Miai de Alagoas, saído da rede da varanda, entrei na sala a dar com a cozinha e, cheirou-me a gaz, um cheiro diferente; o meu subconsciente alertou-me preocupando o instinto de que havia ali algo anormal. A Dona Jacira, já com 85 anos, ouviu meu chamado mas, este entrou no mesmo tubo ladrão da mente, aonde tudo entra e sai sem se fazer triagem.

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Podia ser perigoso mas e, porque fechei o botão, logo verificamos após dissipação das gazes que o mesmo estava indevidamente rodado e situado com a seta invertida. Por coisa pouca, poderia ter surgido uma explosiva tragédia.

fotografo1.jpg Temos então de reconhecer que nossa concepção da realidade jamais apresentam outra coisa a não ser soluções momentâneas; Teoria de Casualidade em que o pensamento, aliado a outros sentidos, mudam os factos perceptíveis.

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Teremos então de reconhecer que nossas concepções da realidade jamais apresentam outra coisa a não ser as soluções momentâneas - as do agora. Dizer-se assim que tal acontecimento foi “num repente” ou “num ai”. Temos assim nesta percepção dos sentidos uma via especulativa capaz de nos ajudar a compreender o Mundo.

ROXO164.jpg Este tema pode não ser argumento de valor mas, sempre será um limite na utilização de todos os sistemas, acontecimentos prestigiosos ou esporádicos e, que nos levam a que por vezes em reflexão por ressonância; um postulado fundamental que nos liga à natureza do grilo que estridula com guizalhas, um zumbido nunca devidamente estudado.

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Tudo isto tem sido um vasto campo que nem sempre é exposto por via de uma outra lei - “a lei do constrangimento”. Albert Einstein concebeu isto em fórmulas. Eu que já ando enrolado com postulados, aforismos e axiomas chego ao agora com quantas…

roxo127.jpg Pois! -“Quanta duvida”; assim a constatar pelo grilo lá chegarei à cigarra, que tudo indica ter uma ressonância superior. Uma diferente lei que satisfará a necessidade de explicação causal a um físico-matemático contemporâneo…

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Nota: Crónica escrita em Miai a 09.04.2018

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:25
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Domingo, 15 de Abril de 2018
CAZUMBI . XXXVII

MIAI –BRASL : COMO SINTO O MUNDO - I  -12.04.2018

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Relembrando o livro de “Como vejo o Mundo” da autoria de Albert Einstein também me revejo nos limites da minha existência sem ignorar o pressentimento de que estou nesta terra convicto de que, como eu, haverá milhões de seres! Recordando uma máxima de Schopenhawer, também direi que o homem pode, é certo, fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.

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Hoje diante do espectáculo d impunidades, a justiça deixa-me apreensivo, taciturno e mal-humorado. No tempo aprende-se a tolerar muito daquilo que nos faz sofrer melhorando por aí meu sentimento de responsabilidade. Pois é… A humanidade cada vez mais se apaixona por devaneios irrisórios, futilidades sem ideal entretenimentos absurdos com indevida apropriação de glória, de luxo, riqueza ou até desvio em sua condição natural de vida.

ROXO164.jpg Integro-me sob protesto e muita dificuldade aos desmandos governamentais, na falta de ética e justiça justa. Também meu coração diante de tantas anomalias, experimento um quase descomprometimento com a sociedade por via deste, laços de estranheza; coisas que se agravam a contragosto com o distanciamento da idade.

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Por vias travessas e atravessadas, não me sinto ligado ao Estado, ao “orgulho gay”, nem tampouco à pátria; coisas que se me apegaram á lucidez sem resguardar fronteiras, embora convicto que não é este o perfeito ideal. Serei assim cidadão do Mundo! Sei o quanto necessito de comunicar em harmonia com outras gentes e, mesmo havendo uma ou outra clareira de desilusão sei o que não sou: “comunista”. Quem não gostar, passe de lado…

ROXO163.jpg Perco deste jeito minha inocência ou ingenuidade, formulando-me em novas opiniões, minha dependência. E, porque testei o homem e a sociedade, nem sempre firmo uma opinião ou um julgamento fazendo disto um hábito inconsistente. E, tudo, porque as massas, o grande público, as gentes do bairro, do prédio, cidade ou país, continuam arrastados por uma dança de insalubre imbecilidade ou embrutecimento.

Roxo155.jpg Um Big Brother – meu irmão! Se alguém não pode ou não quer experimentar esta sensação, não pode mais experimentar o espanto ou surpresa. Ou eu brinco com o acaso ou será ele a brincar comigo…

Ilustrações: Pintura digitar de Assunção Roxo

(Continua…)

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:11
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Quinta-feira, 29 de Março de 2018
MUGIMBO . CVIII

CICATRIZES DO TEMPO – 29.03.2018

-Mujimbos com borututu ou o interstício das falas… O drama da vida é a perspectiva mais comum da consciência – O sentido das palavras

Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brsaileiro

É necessário ter em conta os costumes e o carácter dos povos que influem sobre as línguas. O sentido verdadeiro de certas palavras escapar-se-á sem este conhecimento. De uma língua a outra, a mesma palavra tem mais ou menos energia, pode ser uma blasfémia ou uma injúria em uma e, não significar o mesmo em outra e, segundo a ideia que a ela se atribui.

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Na mesma língua e, em países diferentes, certas palavras perdem seu significado alguns anos ou séculos depois. Uma tradução rigorosamente literal, não exprime sempre na perfeição um certo pensamento! É necessário por vezes empregar, não as palavras correspondentes, mas palavras equivalentes ou perífrases.

4 DE JUNHO.jpg Em meus escritos, refiro-me por vezes a vidas periféricas em função dum estado de dependência, a vivências diferenciadas, conceitos entalados pela semântica no uso da palavra. Se não se levar em conta o meio, o tempo e o local na qual se vive ou se viveu, ficar-se-á exposto a equívocos. Uso em meus escritos palavras próprias do local em que a cena se passa e, quando é mais abrangente notar-se-á falas e linguajares com jeitos e trejeitos locais…  

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Posso citar as muitas interpretações do livro maior chamado Bíblia mas, não quero ir por aqui metendo-me voluntariamente numa guerra de palavras canibais. Sabe-se que a língua hebraica não era rica e muitas das suas palavras tinham vários significados. Estou-me a lembrar do termo camelo que naqueles idos tempos se designava a um cabo (fio entrelaçado).

IMG_20170823_133524.jpg Nas fases da criação e em géneses um cabo como hoje conhecemos era feito de pelos de camelo entrelaçados e, daqui chamar-se ao pequeno fio de camelo; conhecer-se a alegoria do buraco da agulha ajuda a entender o que vulgarmente consideramos de ditos: “ É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.

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Não posso assim reconhecer-me em mérito ou em plenitude se separar do aconchego da amizade, o entendimento das coisas! Não é esta a minha real afeição. Quando digo em Portugal que “a malta não gosta da bófia”, no Brasil não entenderão; irão pensar que me refiro a um grupo de gente bóia-fria (tarefeiros ou ganhões) que colocam carris ou solipas em um trem.

IMG_20170615_143611.jpg O sentido vai assim para o brejo, o mesmo dizer-se que vai para o lixo ou para a basura. Estamos em permanente descoberta pois que só agora estão descobrindo que em nosso corpo há um novo órgão: o interstício, um espaço que incha e desincha, um grande órgão celular, sistema de comunicação que actua em órgãos diferentes como uma via de união entre todos os outros órgãos.

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A partir de agora um inchaço será por culpa do interstício. Sem discutir as palavras, é aqui necessário procurar o pensamento que parece ser este com mais evidência: “ Os interesses da vida futura sobrepõem-se a todos os interesses e todas as considerações humanas”.

IMG_20170823_134917.jpg A mente e o corpo humano continuam a surpreender-nos. O interstício já tinha sido definido como o “terceiro espaço”, mas nunca o tinham considerado um órgão. Cientistas, em pleno século XXI, propõem agora que o interstício, formado por um espaço com fluido em circulação, se torne um órgão do corpo humano. Eles, revelam-nos que temos um órgão que nunca tinha sido considerado como tal.

roxo168.jpgDe Assunção Roxo 

Chama-se interstício, é formado por um espaço com fluido e está nos tecidos conjuntivos por baixo da superfície da pele, reveste o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário e rodeia as artérias, as veias ou a membrana entre os músculos – tudo numa única estrutura. Pela primeira vez, os cientistas descrevem este órgão e consideram-no um dos maiores do corpo humano.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:20
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Sábado, 24 de Março de 2018
ROXOMANIA . III

Mussendo - Um óbito no Huambo

Por

soba0.jpegT´Chingange - No Nordest brasileiro

Uma homenagem aos meus auxiliares em campo da Câmara Municipal da Caála: - Pumuma, Jamba, Otaca, kumuna, Botomona, Francisco e Zacarias. A ferrugem do tempo calcinou projectos ali ao lado da pedra do sargento Canas a caminho do Quipeio, a ilha dos amores. O presidente Casimiro Gouveia nunca soube que era o Caluviáviri.

ÁFRICA17.jpg Jaka kapiango num mês bolorento, muita chuva, pouco dinheiro, maka na família, dívidas sem pagar no senhor Zeca gweta da loja do kimbo lá na Vila Flôr. Teve de dar nome na administração aonde devia impostos; quinze dias depois, seguia de contrato para a roça em Samtomé no vapor “Mouzinho”.

ÁFRICA11.jpg Na vida dele toda negra, só engordoreceu vontade de fazer seu sonho pois, só ajuntou no insuficiente para comprar uma junta de bois. Nem quase só, nenhuma coisa mesmo, nada ki kima n´go

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Foi no Longonjo trabalhar terreno bom no plantio de milho mas, a velhice chegou antes do tempo certo. Ele, só desconseguia viver melhor do que queria; sempre escorria sua fraca sombra fazendo encontro com o sonho que tinha andado dormido no seu coração.

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O tempo foi comendo lembranças da roça lá no Samtomé que, de muita sorte voltou no seu kimbo, suas botas, sua lavra, sua primeira, segunda e terceira mulher.

ÁFRICA18.jpg Num dia mais tarde, Jaka Capiango foi ficar só envelhecido de seco, castigos e fomes. Seu nome ficou de sucesso no livro de contratados no angariador da administração; um exemplo de sucesso apontado na palavra do senhor governador de distrito na Nova Lisboa.

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Jaka morreu contraminado sugando cinzas em estória de saudade antiga, sua dicunji dos mares verdes de Samtomé; uma vida de nó em três voltas. No Santomé já só juntou mesmo chuva grossa mais mil chuvisquinhos e berros do capataz tuga peidador de bufas importadas do M´Puto.

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Por muitas vezes saiu voando sombra negra de raiva no toque, zunido e uivo dum longo chicote; lentamente ia-se morrendo. Seus kambas kwachas lhe lembraram, boa pessoa, inchados de bolunga doce e t´xiçângua fermentada com paracuca a acompanhar.

áfrica19.jpg Neste entretanto, o choro de lágrimas carpidadas, encarquilhavam mulheres de velhos rostos, simplesmente! Saí só falando calado “ m´bika ia kaputo, caputo ué*”. O Sol de Jaka se apagou entornado de escuridão que lhe torceu por demais seu coração.

* Escravo de branco, também é branco

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:37
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Sexta-feira, 23 de Março de 2018
ROXOMANIA . II

PEDRADA NO CHARCOA morte não existe! O que altera é a mudança de estado: do sólido para o sublimado…

Por

soba15.jpg T´Chingange - Mano Roxo do Nordeste brasileiro

Amolecendo na água do mar as unhas dos pés penso que a morte é uma mudança de estado; isso! Passar do estado sólido ao gasoso! Um pedaço de gelo que muda para água e que depois se evapora, continua a ser água, só que em outro estado. E nós - somos isto: água!

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Sócrates foi o percursor da ideia cristã e do espiritismo. Sócrates não deixou nada escrito à semelhança de Messias, o Cristo; envolvidos na morte como criminosos foram vítimas dum fanatismo pelo facto de ferirem as crenças tradicionais e, também por colocarem a vontade real acima da hipocrisia mais do simulacro das formas.

ROXO19.jpg Ambos, por terem combatido os preconceitos dos religiosos da época, foram acusados pelos Fariseus de corromper o povo, sua juventude com seus ensinamentos e, proclamando o dogma da unicidade de Deus, da imortalidade da alma e da vida futura.

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Foi Platão que escreveu o que se conhece de Sócrates na grandeza divina e, sem o interesse mesquinho das seitas - alterando paradigmas. Por suas ideias avançadas para a época, Sócrates e Cristo foram mal julgados.  Ao longo do tempo o uso das palavras pelo ser humano, melhor, as palavras por si só, foram ficando canibais. Umas mais fortes foram comendo outras fazendo-se prevalecer.

lula01.jpg No conceito de que “é a minha palavra contra a tua” umas saem mais verdadeiras do que outras. Ainda ontem assisti via TV, ao debate de ministros do Supremo Tribunal do Brasil a essa forma canibal de comer as palavras dos demais. Na defesa do “Habeas Corpus*” digladiavam-se em passos de lei para fazer valer o direito constitucional ou não, para se prender Lula.

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Notando-se nas falas a balança das afinidades, resolveram adiar até o dia 4 de Abril a decisão do STJ com uma “preliminar”. Acontece que dia 26 serão esgotadas todas as formas de defesa e caso não fosse esta “preliminar!” Luís Lula da Silva seria preso a seguir ou não! Convém esclarecer que Lula, o Ex-Presidente do Brasil, foi condenado a 12 anos e um mês em segunda instância. Esgotam-se aqui e por lei, os recursos de defesa.

144.jpg Ontem tive oportunidade de verificar no confronto de bizarrias a forma de dizer e a forma de não dizer, tribunal maior aonde as palavras são retiradas como de ganchos em um talho, azougue das mentes com dentes caninos filando-se em outras de maior debilidade. Este filme continuará mas, e desta feita quero aqui dizer que ontem também, acusei por “cem palavras” uma fiel amiga que em resposta a uma mokanda – carta, respondeu laconicamente um “sem palavras”; é que o assunto tinha pano para mangas…

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O “cem” e o “sem” fazem toda a diferença. Sem querer, querendo, justifiquei-me em salpicos feitos fagulhas do trem a vapor, do Tua do M´Puto. Pelo que, menos mal que Roxo pareceu aceitar mas, em verdade poderia ter omitido esta coisa pouca. Pois sucede, que também a fagulha do Tua do M´Puto me tocou no olho e assim ambos ficamos entorpecidos num momento. Mas, eu não tenho o direito de como piranha comer neurónios! Desculpa Roxo…não deveria assim ser.

roxomania2.jpg Deste modo singular e no aconchego da amizade, a ela, Roxo, ofereço umas singelas falas de como se solipas fossem dum trem maravilhoso, o do Tua do M´puto. E, assim percorrendo suas linhas paralelas lá chegaremos ao infinito que fica no Pinhão do Douro. Quem viaja tem destes percalços. É a verdade!

 * Habeas Corpus é uma garantia constitucional em favor de quem sofre violência ou ameaça de constrangimento ilegal na sua liberdade de locomoção, por parte de autoridade legítima (da Wikipédia).

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:38
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Sexta-feira, 9 de Março de 2018
XICULULU . CVIII

NAS CINZAS DO TEMPO – 09.03.2018

- Um homem sem religião é como um hipopótamo sem bicicleta… Eu e a Talassoterapia riscando o tempo com uma velha grafonola…

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça…

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Estava na água ginasticando minha talassoterapia, os peixinhos mordiscando minhas velhas e cascudas peles dos pés, quando recebo uma mensagem telepática oriunda da muito longínqua galáxia de pedra virada, uma estrela super esquecida na nebulosidade cósmica. Era Frank Sinatra que, muito saudoso queria saber novas e velhas, recordando belos momentos passados com a turma da maré rasa na praia de Messejana do M´Puto.

john01.jpg Fiquei assim um pouco destranslucido dos neurónios vendo ziguezagues de minhocas percorrendo meu olho esquerdo. Sem mesmo saber do meu estado, se bem se mal, pergunta-me de rajada se tinha as pranchas de surf preparadas para a faena de tubular ondas gigantes na praia de Messejana.

roxo161.jpg Em sonho já tinha sido avisado que algo iria surgir de anómalo pois que toda a santa noite andei de feira em feira e cumcamano, nas contas todas, sempre tinha de multiplicar com uma constante de pi que corresponde a uma catrefada de números sendo 3,1415926 elevado à raiz quadrada. Era um sério aviso de que rolava no ar uma mensagem percorrendo ano-luz de contratempos ou alegrias porque o dia ainda estava por nascer.

frank1.jpg Era aquele zunir de ouvidos com eco espacial que antecipava ondas da longínqua pedra virada e, logologo do Frank Sinatra. Tens a minha prancha encerada? Quase com medo disse: tenho! Mas em verdade já nem sabia aonde estava tal artefacto de rolar ondas cibernéticas duma praia que só o era digital! Agora lixado, pensei também à velocidade da luz e disse ao calhas que estava por cima da palha do celeiro, mesmo ao lado do lagar de azeite.

roxo43.jpg Mas já estás a caminho? Perguntei! Não, foi a resposta. Respirei fundo já a pensar em ensaboar a coisa que estava na certa cagada e arranhada pelos galináceos da Assunção Cailogo. No meio de raspagens no espaço com fotões carregados de cargas negativas apercebi-me que não estava só. Frank leu nem sei como, minha interrogação e, disse estar acompanhado de nosso comum amigo ET 325 de olhos grande e achinesados.

frank2.jpg Pois disse ter ficado profundamente agradado com aquelas festas quase natalícias que eu promovi lá na Funcheira, Garvão e Barragem de Santa Clara. Das festas com balões na companhia de nossos amigos John Wayne, Jack Palance, Sammy Davis Jr Dean Martin., e o cómico Silva. Fazia anos que não andava em comboio a lenha e vapor e, até recordou a fagulha que inadvertidamente lhe entrou num olho no exacto momento em que apitava.

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Estava animado e deixei-o falar; parecia ter saudades de cantar carências afectivas até. Recordou também o encontro com as meninas da Ribeira do Sado. E, pôs-se a cantar em inglês: "The girls of the Ribeira do Sado are what they are, they dig the earth with their toenails, the girls of Ribeira do Sado are like the sheep, they have ticks behind their ears." (“As meninas da Ribeira do Sado é que é, cavam a terra com as unhas dos pés, as meninas da Ribeira do Sado são como as ovelhas, têm carrapatos atrás das orelhas”). Só me pude rir a bandeiras pregadas para não sair água quente pelas turbulências.

frank3.jpg Que quando viesse pra cá, lá no M´Puto (Ele nem sabia que minha pessoa, estava no Nordeste brasileiro). Mas como ele é bruxo que adivinhe, pois então!  Como dizia queria encontrar-se com os mineiros de Aljustrel para ondear pra lá e pra cá o cante da planície; gostou muito de partilhar com estes seus cantes e também as borgas com escolha de carne das cabeças dos borregos. Do que ele se lembrou! Só faltou recordar as comezainas de caracóis e açordas de poejos da ribeira de Panoias e os secretos de porco preto de Santa Luzia.

roxo 160.jpg Mando daqui uma saudação a Assunção Roxo, à Zita Falcão, ao Zeca Mamoeiro da Maianga e aos meus compadres de Ourique. Como é então!? Sabia lá eu quem eram os compadres dele! Disse-lhe que só lá para o fim do verão do M´Puto poderíamos juntar esta catrefada de gente para gozarmos umas férias à maneira. Sim! De fazer um grande piquenique na praia do Brito Camacho… Estava assim um pouco perplexo pois que nem sabia essas relações de amizade com estes meus amigos Xis-Pê-Tê-Hó.

jack1.jpg Olhando agora o barco grande que desde o horizonte do alto mar leva turistas para Recife de Pernambuco, pensei que talvez fosse melhor sugerir-lhe irmos todos para aí: a Nova Jerusalém de Caruaru e festejarmos a Paixão de Cristo, o maior teatro ao ar livre do Mundo nesta época de páscoa! Mas, nada disse. Só pensei! Julquei melhor por agora deixar as coisas assim mesmo. Em despedida cantou-me o Strangers in the Night por um megafone que riscava o tempo; talvez por estar a muitos anos-luz de mim! Corações ao alto; eram horas de ir comprar o rolo de fita beije à retrosaria da Jatiúca para ornamentar o abajur de dar luzes na minha Pajuçara… Sucede-me cada uma que parece meia dúzia…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:24
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Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . LXXIV

NAS FRINCHAS DO TEMPO – 17.02.2018

- Nova maneira de aprender antigas verdades!... Com atitude….

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste Brasileiro

Em minha luta constante para me aperfeiçoar, tenho percebido haver uma oportunidade de redescobrir antigas verdades, que nem sempre o foram sequentes nas promessas, nas adendas, nas falaciosas intenções porque nunca viraram num facto ou já eram facciosas de nascimento. Assim, as pérolas que havia decorado no passado e esquecido ganham uma nova forma, ou nova roupagem.

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Satisfazendo-me o ego e, na forma de dar fôlego, descubro-me na escrita!  Tornando-me um contador de estórias crio personagens como um dramaturgo, que me animam e até confidenciam numa forma de perpetuar este vigor na vida; de dar sequência, sem me motivar na corrupta ideia de vulgarização nas coisas que todos dizem, e todos opinam.

GALO0.jpg Sim! Segredam-me coisas sem se definir bem no mistério de não permitir que me mecanize nessa rotina brejeira ou superficial. É decerto uma nova forma de reconstruir a comunicação, como bem explicita o nosso Profe Júlio Cesar Ferrolho, dando sentido às falas do mundo, renovadas e fortalecidas.

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Sem entender muito bem meus próprios planos e, sem vislumbrar conjecturas, dou comigo a dar satisfação aos personagens que me indagam: - Porque não tentas uma nova maneira de aprender antigas verdades? Posta assim a pergunta, nego-me ao periclitante papel de explorar novos caminhos revendo a vida e o espírito desprezando as parábolas ou recados da mente. Tenho-me em verdade surpreendido na recolha e pesquiza de pérolas que simplesmente ficaram de lado no tempo, como que armazenadas num baú de lata, que mofam, que se oxidam!

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É quando no passado esquecido ou forçado por se querer, se ganha uma “nova roupagem”. Na cultura em que estamos inseridos não é comum que as pessoas falem determinadas coisas sem esperar algo em troca! Pois! Vendem sonhos e adivinhações a granel, por grosso ou de atacado e por vezes em saldo! Leve três e pague dois…

roxo135.jpg Mas, a amizade por exemplo, é também ela, uma permanente construção. E, ela, a amizade pode surgir muda, sem falar qualquer língua ou dialecto e, porque nem sempre as falas se traduzem nos actos.

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Poderíamos entender-nos na perfeição por assobios, por um estalar de dedos tipo morse, por estalidos como os bosquímanos e macancalas, por gestos e muxoxos até; aqui as regras estabelecidas, normalizadas, viram paradigmas como os dogmas, crenças e cismas sem cabimento prático. É essa a prova real de que estamos permanentemente a reconstruirmo-nos como parte de um retracto inacabado, naturalista, na sordidez do vício humano.

pomba roxa.gif Sem me querer tornar mercenário, faço o meu dever de partilha sem nada pedir em troca e porque me dá prazer, trazer à luz a ciência duma época, falar das mazelas sociais que infelizmente, nunca atingiram a maturidade perfeita. Assim e, reconstruindo-me também, aprendendo, gratifico-me. É utópico dizer-se que que o valha-me Deus é o tudo mas, que nos faz falta, lá isso faz.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:41
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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2018
CAFUFUILA . CXXV

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO13.02.2017 - 21ª parte

Kiandas e calungas! No bloco de carnaval de Guaxuma… Nosso futuro ainda anda a ser fabricado…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Noerdeste brasileiro

Na epopeia, romance mussendo de três continentes e por via de seguir a peugada das kiandas, kwangiades ou sereias, vejo-me agora em Guaxuma do Nordeste do brasil, a festejar o entrudo entre cabeçudos dando pequenos paços ao som de uma bateria de bombos, chocalhos, pandeiretas, puitas e reco-recos. 

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Pois, em uma outra minha andança ao serviço da rainha de Portugal D. Maria I e, com o cargo de tenente, tive de escoltar uma leva de prisioneiros participantes da chamada Inconfidência Mineira nos fins do século XVIII, um movimento militar no Estado de Minas Gerais do Brasil.

carn4.jpg Levei um preso para a N´Gola e por lá fiquei centenas de anos. Falei disto e do mafulo Balthasar Van Dun mas, desta feita eu só venho gozar mesmo o carnaval na beira mar de Alagoas no ano da graça de 2018. Escusado será dizer que o Mwata dos Céus deu-me o condão de como T´Chingange, andar aleatoriamente no espaço-tempo. 

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Cheguei bem cedo a Guaxuma para gozar a praia da sereia e o carnaval deste ano. Eram seis horas e treze minutos quando iniciei meus movimentos de ginastica talassoterápica na água de cor esmeralda e, a fim de curtir a vitamina D trazida pela maresia, mais o vento que farfalha os coqueiros. Numa linda conjugação de sons juntava-se o desmaiar das ondas na areia amarela.

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Daqui saia os ritmos que junto ao bafo quente das longínquas pancadas dos bombos Zé Pereira traziam o cheiro de carnaval. Rodei meus movimentos até ver a estátua da sereia cimentada aos recifes; os mesmos que amenizam a fúria das grandes ondas. A enegrecida sereia estava meia coberta de limos, algas e limos que lhe davam um tom sussurrado de tristeza.

carn3.jpg Ela, a sereia, estava mesmo coberta de quereres apaziguadores de mareantes, marinheiros, pescadores e nadadores. Creio estar ali para estimular estórias como estas e das quais saem capítulos, romances de inventação com um Zé Peixe, uma lenda de prático que levava os vapores até alto mar. Um enredo de fantasia que viajou no espaço ladeado por uma sereia e por vezes montado num bumba meu boi.

arte1.jpg Lugares distantes como o lago Niassa e Tanganica mais os estuários do kwanza e ousadias no rio Kongo ou Zaire. Também na Costa dos esqueletos da Damaralãndia e Baia dos Tigres na n´Gola e Calahári do Namibe com os rios Cunene e Okavango cheios de magia de kalungas e kwangiades. Assim andando práfrente e pratrás, grafitei vidas no meu cerebelo originando romarias que perdurarão nas lendas de áfrica e américas.

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Depois de duas horas mexendo e remexendo meu esqueleto, vou até à minha cubata comer bacalhau à gomes de sá. Cochilo talvez umas duas horas e ao som do ronronar do ventilador apronto-me no disfarce e espirito de um pirata das Caraíbas pra ir práfarra curtir a folia do carnaval de Guaxuma. E podia ver-me todo empapoilado com franjas, chapéu de pirata, olho vendado e mão de gancho. E, lá vou eu mesmomesmo com uma perna de pau!

carn2.jpg Juntei-me ao meu bloco de bumba meu boi: O tema do bloco era mesmo o mar, o iemanjá, a kalunga e pulando de ansiedade juvenil juntei-me aos foliões, gente vestida de tubarão, baleia, garoupas e cavalas e olha só! Um grande espanto. HÓh… Ali estava o próprio Zé Peixe com escamas reluzentes de prata. Dei-lhe um grande abraço e, chegando-se ao meu ouvido pareceu-me dizer: está ali a sereia kianda Roxo! Ouvi bem!

roxomania1.jpg Apontou para o alto do carro do corso do nosso bloco e lá estava deitada rebrilhando seus arco-íris desde o verde ao prateado mas, sobressaindo o roxo. Ambos gritamos para chamar a atenção e assim, assim, rodou-se toda em sua cauda pontilhada de luzernas fosforescentes. De fora do bloco, podia admirar-se um gancho de pirata e uma barbata a dizer adeus a um golfinho fêmea que abanava sua cauda. Era ela mesmo! Afinal também gosta de carnaval, gritei eu a Zé peixe, ao que me respondeu: -HÓ, se gosta!? …

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:47
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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018
XICULULU . CIV

TEMPOS QUENTES – 30.01.2018

- O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Há mulheres e há gajas com vestidos às tiras e, sem cuecas…

soba k.jpgAs escolhas do Soba T´Chingange

Por: Cristina Miranda

Há por detrás desta onda de indignação de certas mulheres uma hipocrisia monumental. Se por um lado se queixam do assédio sexual por parte dos homens, do outro exibem-se praticamente nuas apelando aos instintos reprodutores dos machos. Não me venham dizer que o fazem de forma ingénua só por “gostarem” da indumentária ou para se “sentirem bonitas”. Balelas!

modas2.jpg Mulher que é mulher com “M” grande sente-se bonita e atraente até com umas simples calças de ganga. Sou mulher e sei muito bem do que falo. Cresci num tempo em que incomodar uma miúda na paragem de autocarro com graçolas era MÁ EDUCAÇÃO com direito a dois tabefes bem dados nas trombas desses garotos após queixa ao pai. Não era assédio sexual.

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Um tempo em que mandar um piropo por passar uma rapariga bonita, não era assédio, era fazer a corte. Atacar violentamente uma mulher abusando dela sexualmente era crime de violação sexual. Tudo era muito bem definido. Agora tudo é assédio. Hoje até um simples “olá, estás boa!” pode ser perigoso. É a doideira total.

modas1.jpg Como mulher também eu fui largamente “assediada” dentro deste contexto “moderno” da palavra. E isso nunca me incomodou. Porque os galanteios sabiam-me bem ao ego pois demonstravam o meu grau de sedução sobre o sexo oposto. Mas sempre com cuidado com as indumentárias para não transmitir uma imagem errada daquilo que pretendia: atrair pessoas, não predadores sexuais.

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Quantas vezes me perguntaram: “Posso me sentar? Está acompanhada?” Dando uma resposta imediata conforme minha conveniência. Que mal tem atrair os homens e receber uma abordagem por isso quando até os passarinhos (esses animais tão fofos) provocam as passarinhas com rituais para as atrair sexualmente? Porque não nos indignamos igualmente com a natureza? Bem, deixa-me estar calada, não vá alguém ter ideias…

modas3.jpg Mas a hipocrisia cresce ainda mais quando ninguém refere os homens como vítimas desse mesmo assédio de que tanto se queixam! Não oiço nada, mesmo nada sobre isso e é muito estranho. Ao longo da minha vida vi coisas incríveis protagonizadas por mulheres predadoras sexuais. Não estou a brincar. Autênticos filmes, alguns quase de terror psicológico com elas a rodear vítimas masculinas desesperadamente.

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Quando dava aulas em Ponte de Lima havia um colega que era muito popular do mulherio. Sempre rodeado por elas, alunas e professoras. Tinha o dom de saber ouvi-las e elas encantavam-se com ele! E eu, achava aquilo muito engraçado, porque meu colega, fosse num café ou na escola, nunca se via com homens. Parecia ter mel que só atraia o sexo feminino. E muitas! Até que um dia nos tornamos amigos e ele começa a contar-me o seu drama.

cabi1.jpg Fiquei a saber que ele era perseguido, molestado, “armadilhado” com esquemas onde apareciam nuas na sua cama, lhe ligavam para casa a toda a hora, enfim, não o deixavam em paz. Vivia num inferno! Mas, como vivíamos num tempo diferente deste, nunca viu nisso um crime. Apenas azar de atrair tanto o sexo feminino. Como este, conheci muitos mais exactamente com o mesmo problema: assédio feminino. Alguém fala nisto? Claro que não. Não convém…

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Esta raiva aos homens é patológica. Não faz sentido em mulheres saudáveis e bem resolvidas com a vida. Porque estas sabem sempre avaliar as situações separando o que é efectivamente crime do que não passa de galanteios, mais ou menos felizes (sim, porque nem todos nascem com o mesmo dom para a sedução). Saberá estar à altura de dizer “não” e se esse “não” for desrespeitado, resolvê-lo.

dy27.jpg Porque a hipocrisia não deixa ver que no dia em que estas senhoras todas com mais ou menos nudez à mostra, não obtiverem qualquer reacção masculina (por receio destes) serão elas a questionar a virilidade dos homens e acaba-se o glamour dos vestidos às tiras sem cuecas.

Cristina Miranda

Ilustrações de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:16
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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2018
XICULULU . CII

NAS CINZAS DO TEMPO – 26.01.2017 – Eu e a Talassoterapia … Um homem sem religião é como um hipopótamo sem bicicleta…

XICULULU : - Olhar de esguelha, mau-olhado, olho gordo, cobiça…

Por

soba0.jpegT´Chingange

Um grupo de cientistas do Instituto Salk, na Califórnia (EUA), conseguiu pela primeira vez fazer o tempo voltar para trás para um grupo de ratinhos, reduzindo os sinais de envelhecimento e prolongando o seu tempo de vida. O artigo, publicado na revista Cell, mostra que, afinal, o envelhecimento pode não ser irreversível mas ainda é preciso muita investigação até experiências em humanos.

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O envelhecimento é o maior factor de risco para muitas doenças que nos afectam. Porém, ainda teremos de esperar por uma possível aplicação nos humanos destes conhecimentos adquiridos com a reprogramação celular, tal como se constatou nas experiências anteriores com animais em que a “interferência” nas células acabou por resultar em cancro ou morte.

celulas1.jpgCélulas renovadas

As células nesta fase inicial para a qual são levadas com estas técnicas adquirem uma capacidade de proliferação que pode ser prejudicial. Não é por acaso que a grande capacidade de divisão e multiplicação é uma das características das células cancerígenas.

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“É óbvio que os ratinhos não são humanos e sabemos que será muito mais complexo rejuvenescer uma pessoa”, reconhece o investigador Juan Carlos Belmonte, acrescentando que, no entanto, o “estudo mostra que o envelhecimento é um processo muito dinâmico e com plasticidade e que, por isso, será mais receptivo a intervenções terapêuticos do que pensávamos”.

ceu1.jpg Apesar das reservas, os cientistas parecem determinados em conseguir que o envelhecimento deixe de ser algo irreversível e imaginam que os ensaios clínicos (em humanos) possam começar num prazo de dez anos. Os bons resultados iriam, seguramente, agradar a muita gente. Afinal, quem não gostaria de rejuvenescer ou “apenas” viver mais tempo saudável?

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Levantei-me mais cedo para tomar meu chá espacial de me fazer permanecer até aquelas descobertas serem mais efectivas. Assim, pouco passava das seis da manhã, envolvi-me numa manta de conforto, introduzi na cafeteira umas bagas de zimbo, uma casca de ipê-roxo que trouxe do pantanal, folhas da planta doutor do sertão e umas quantas folhas já secas de erva Luiza roubadas no quintal do vizinho ao por do sol.

certo.jpg Ando a fermentar algo que um Tenente-Coronel me disse de como dar dinamismo às coisas e como exemplo referiu que as greves têm de ser dinamizadas para correrem na perfeição. Isto de dinamizar a paralisação é um contra censo mas é mesmo assim, dinamizar o nada-fazer para tirarmos dividendos das arbitrariedades. O mundo anda confúcio…Hoje vai haver maka!

O Soba T´Chingange  



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:38
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Domingo, 24 de Dezembro de 2017
XICULULU . CI

PANOIAS VI - TEMPOS DORMIDOS - 24.12.2017

-NAS CINZAS DO TEMPO - Salada de MASTRUÇO... Em Garvão, com a magia do Natal com Frank Sinatra e eus amigos…

Por

soba0.jpeg T´Chingange

Foi só ontem que de novo nos reunimos para comer os pés de rã e pezinhos de coentrada com feijão branco na barragem de Santa Clara no lugar da Achada. John Wayne comunicou-me então que hoje deveríamos esperar na Estação da Funcheira nosso comum amigo Frank Sinatra. Jack Palance que estava mastigando um palito, abanou a cabeça como que confirmando o combinado entre eles através do avançado ipad do além;  com tecnologia mais volátil que cacimbo de naukluft da costa dos esqueletos, até por pensamentos se entendiam.

funcheira5.jpg Frank Sinatra viria acompanhado de António Silva, aquele cómico português poliglota nas falas de riso pois afinal, eles eram amigos comuns lá no paralém. Foi com grande contentamento que recebeu o convite feito por John Wayne concebido por nós e da magia de Natal na envolvência de Roxo uma ilustradora muito conceituada nas acrílicas visões de pensamentos, sentimentos e outros edecéteras.  

panoias2.jpg Eram dez horas da manhã quando perfilados no cais da Funcheira, T´Chingange, John Wayne e Jack Palance viram surgir um trem esguio como uma minhoca languinhenta, cor azul celeste silencioso de assombrar. Foi quando num repentemente zuniu um apito estridente de assobios, como vindo não do ar, mas dum portal marinho como se cem golfinhos o fossem.

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O primeiro a sair foi alguém que nem sabíamos que viria; era Sammy Davis Júnior logo seguido de Dean Martin e umas quantas fosfóricas e estapafúrdias senhoras vestidas com cetins, sedas e cambraias rebrilhantes que ao som dum zingarelho de musica parecido com um trombone de varas e saxofone, fosforicavam nuvens coloridas.

panoias3.jpg Mas que arraial disse eu; vai ser bonita a festa pá! E, o T´Chingange assim vestido como um joker de cartas de jogar sueca, já só era uma figura no meio duma algazarrada!  Tudo era feito a contento dum acaso e fazendo reparo disto ao Jack Palance, este deu de costas como se nada tivesse a importância desmedida! Ele estava radiante, rindo com todos os dentes e esgares que só mesmo ele sabia fazer naturalmente.

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Abraços, rodopios, assobios e até foguetes surgiram do nada duma aberta e, lá vem o António Silva de braços abertos em minha direcção com um ar cómico de sábado-à-noite. Então pá, como vai a moenga, disse ele apertando-me como um amigo de há mais de sem  com cem anos! Parece que balbuciei algo mas na penumbra do zunido só pude verificar no grande abraço dado entre John Wayne e Frank Sinatra.

panoias4.jpg Num repente já todos se tinham cumprimentado. Uns e todos falavam desabridamente como se a singularidade do mundo tivesse ali seu despontar. Funcheira engalanada podia ver o António Silva fumando caricocos doces com seu amigo T´Chingange e foi quando lhe lembrei da história inacabada do Evaristo-tens-cá-disto!? Ele riu que nem um perdido mostrando-me um chouriço a servir de amuleto do Paralém.

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O curioso é o de que todos falávamos uma só língua e de espanto passamos ao esperanto sem maiores tibiezas ou confabulações. Já em direcção a um dos machimbombos que nos levaria ao armazém da festa da Achada, ele - o Silva perguntou-me por Assunção Roxo mas e curiosamente olhando para um painel grande  mesmo sem fazer qualquer pergunta disse: -É dela não é? E, eu disse que sim! Era um galináceo rascunhado.

roxo118.jpg Claro que fiquei encafifado com o barulho destes machimbombos, chocalhos mais pandeiretas e estas premonições a confirmar coisas que nunca tinha sentido. Sabia lá que eram amigos doutras paragens. E assim, comendo frases disse-lhe: - Ela não veio; parece que está lá por Oeiras repartindo arcos-íris com amigos.

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Lá no m´bukusho e descendo do machimbombo Jack virando-se para mim! -Tenho novidades para ti! -Sim! -Mais logo, falaremos! No chuço do m´bukusho (lugar do churrasco) tinha em mente falar e mas, mesmo só pensando as horas passavam sem nos apercebermos. O tempo era um só e volátil. António Silva revia com alegria muito do que revia. Nem foi necessário falar nestes nomes do paratrás! Era Natal

roxomania1.jpg Cheguei ao item 11 sem quase falar no Frank Sinatra e seus amigos Davis Jr. e Dean Martin. Estávamos em cima da festa e só pude revê-lo com seu chapéu de malandro, rufia das seitas do tempo, rodopiando entre seus amigos. Frank foi um dos mais populares e influentes artistas musicais do século XX, com mais de 150 milhões de discos vendidos. Frank Sinatra era filho de imigrantes italianos: Seu pai, Antonino Martino Sinatra era um Siciliano, analfabeto e boxeador, imigrado para Nova York em 1903. Nem o Trump sabe disto, agora que anda bulindo com os imigrantes…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:54
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Sábado, 2 de Dezembro de 2017
XICULULU . CCVIII
 
PANOIAS III - TEMPOS DORMIDOS - 02.12.2017
-NAS CINZAS DO TEMPO - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios... Na magia do Natal
Por

soba0.jpeg T´Chingange

Eram quase dez horas quando me levantei; estava um frio de matar passarinhos! A noite deve ter chegado aos cinco graus mas, pelo sim pelo não, lá pela meia-noite levei uma botija com água quente para me aquecer os pés e as quinambas. Foi da trempe que retirei esta água; para quem não souber, a trempe é de ferro forjado, tem três pés como o próprio nome diz. Era normal e ainda o é, mas não tanto, deixar esta na lareira da aldeia para se ter sempre água quente e, também para lançar alguma humidade no ambiente.

roxo159.jpg Durante a noite fiz uso do meu quico toytoy-zulu com as cores garridas da África do Sul espetado até às orelhas; Após as diligências de arrumo pessoal, coloquei as minhas botas de Uzinto de Durban e dispus-me a ir comprar torresmos de flor mais costeletas do cachaço de porco preto em Santa Luzia. Tive de parar bem no centro da vila para comprar dois pães de cabeça ao senhor António padeiro.

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Como uma magia de Natal fui vendo correr os suaves morros ondulados, salpicados de verdura tenra, mais os pontos brancos mexendo-se na forma de ovelhas nas chapadas. Estas vistas largas da savana alentejana com um e outro morro em ruinas, em tempos idos, frustravam-me; pouco tempo passava aqui, sempre de rabo alçado para rumar outros destinos mas agora, talvez pela idade, vejo esta paz carregada de nova percepção de perceber o vazio.

jack2.jpg Enquanto percorri este espaço de caminho fui pensando nesta crónica analisando em conjunto a natureza real, interrogando-me se este vazio era também uma ausência de existência. Não o era! Num lugar em que toda a gente cumprimenta toda a gente, o Bom-Dia surge com magia diferente. A sociedade, tão mudada neste mundo actual alterou regras sem zero e, sem o zero é impossível contar! Magia de natal.

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O prazer de ver depende muito da nossa atitude mental; assim encorujado nos meus farelos antigos, queimo as pestanas das muitas e antigas lembranças!… Foi mesmo ao sair do carro no talho da Abelhinha da Suzel e bem junto a uma roulotte com a bandeira dos USA que ao abrir a porta traseira do carro que alguém me dirigiu a palavra num português defeituoso: - Senhor, aqui vender…has black pig? Olhei a figura e fiquei espantalho; era nem mais nem menos que o Jack Palance, um ruivo cavalheiro que me inchou de felicidade nas peliculas de cinema lá do passado da Luua!
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Engasgado de assombro, frente a ele e na descrente veracidade do facto, lembrei num meio segundo suas vozes roucas, beata no lábio, artista principal azedo da vida e com uma cicatriz famosa em seu rosto. Será que estou mesmo neste mundo, nem pedindo licença para entrar no outro; só assim sem mais nem menos!?

roxo135.jpg Mal refeito aparentemente, olhei de arregalado sua pessoa, seu perfil altivo e respondi enquanto olhava seu cão negro e peludo, um cão-de-água de raça tuga. - Sim! Aqui os perros podem quedar-se sim problemas! Bolas! No estupefeito do caso dei por mim a falar espanhol confundindo cães com porcos. Sim! Repeti cirurgiando a sua figura: - Sim, here is a black pig.

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Eu também vinha comprar essa delícia de comezaina. Sempre mais alto e agora mais kota ali estava esta kianda assombração, reganhando competência antiga nas adivinhações do meu silêncio. Obligado! Tank You! Duas vezes repetiu agradecimento e na forma de saudade antiga consegui ainda dizer: - OK! Pode comprar o pig preto e até passear seu perro! Até ir pescar na barragem do Monte da Rocha; aqui tem liberdade de apalpar o sabor dos silêncios e até os ventos que sopram de Panoias: - Podes mirar las sierras, volver en los tempos viejos e até encontrares o John Wayne. Num repentemente já o tratava por tu.

jack1.jpg  Ele, Jack Palance deu um pulo de satisfação. O quê: - John Wayne está aqui!? Pois, ainda ontem estive com ele em Aljustrel disse eu; mas bazou, nem sei para onde em seu cavalo holográfico. No seu sentido de eloquente grandeza, girou seu espaço em cento e oitenta graus e fez estalar os dedos de contentamento! Sua alegria era mais que muita. Enquanto fui comprar os lombinhos, ele ali ficou solitariamente taciturno afagando seu cão de água, creio que jogando inúmeras tristezas ao vento semi quieto dizendo, este mundo é mesmo uma ervilha.

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O perro, ia e vinha alegrando seu dono solidário com seu contentamento e, eu já ali estava especado segurando a microondas para lhe mostrar as imagens de Assunção Roxo, uma kianda viva jogando roxomanias na forma de imagens fosfóricas. Meu chapéu dos big-five verde descalibrado neste sonho, bulia com meus neurónios. Ando preocupado com estas minhas visões mas, por agora ali fiquei apreciando os talentos de Jack Palance fazendo gaifona a seu cão.

roxomania1.jpgMeu artista preferido nos filmes de índios e gente robusta do frio norte, lugar meu desconhecido, aproximou-se ao meu chamamento. Foi quando lhe mostrei as ilustrações do John feitas por Roxo. De novo rodopiou 360 graus de contentamento, tirou seu chapéu e, com energia bateu-o em sua perna direita. Bem! Mostrei-lho no mapa o caminho para a Barragem de senhora da Rocha aonde ele Wayne, deveria estar a comer churrasco à mbukusho… My friend, thank you! Deu-me um grande braço e lá seguiu munido de suas carnes de black pig de santa Luzia…

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Jack Palance (Vladimir Palahniuk). Actor norte-americano falecido a 10 de Novembro de 2006. Antes, foi lutador de boxe, acreditando-se que sua face desfigurada se devesse aos golpes recebidos, mas em verdade a desfiguração foi causada por um acidente de aviação.
O Soba T´Chingange
 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2017
XICULULU . XCVI

TEMPOS DORMIDOS : 29.07.2017 - No estágio imaturo do raciocínio considerando que o Universo tenha tido um início, teremos de supor que houve um criador. E, tudo começou com os Estromatólitos …

Por

t´chingange.jpeg T´Chingange

sudwala3.jpg Neste dia visitei Sudwala Caves a escassos quilómetros de Nelspruit de Mpumalanga na África do Sul e, pude apreciar no tecto da mesma, um conjunto de pedras que como lapas estavam pegadas ao tecto de uma das várias salas, já bem no fim da galeria principal. Ali, a água escorria pela rocha formando uma estalactite esbranquiçada com a forma de madona. Os ancestrais moradores daquela gruta transmitiram a crença aos vindouros de que quem a bebesse viveria ao dobro.  Molhei a mão e notei que saia bem fria.

sudwana1.jpg Foi dito que aquelas rochas eram compostas de magnésio, cálcio e manganésio entre outros em menor percentagem. As cavernas de Sudwala são formadas de rochas da dolomite pré-câmbrica, estabelecida há cerca de 3800 milhões de anos, quando a África ainda era parte de Gondwana. As próprias cavernas formaram-se acerca de 240 milhões. Há várias estruturas de espeleologia na caverna, conhecidas por nomes como o "Lowveld Rocket", "Samson's Pillar" e o "Screaming Monster".

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Também existem fósseis microbianos de uma cianobactéria conhecida como colenia da rocha; estes se formaram há 2000 milhões de anos, os chamados Estromatólitos. As cavernas foram usadas para abrigo em tempos pré-históricos, provavelmente e, devido em parte a um suprimento constante de ar fresco.

sudwala1.jpg Estromatólito é em verdade uma rocha fóssil formada por actividades de microrganismos em ambientes aquáticos que, normalmente se acumulam no fundo de mares rasos, formando uma espécie de recife. Aqui encontram-se situadas no tecto. Porém, a definição exacta de estromatólito ainda é discutida podendo, por exemplo, excluir estruturas como oncólitos e trombólitos da lista dos estromatólitos.

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Por serem fósseis tão antigos, pensa-se que sejam testemunha dos primeiros organismos a realizar a fotossíntese oxigênica, responsáveis pelo gás oxigénio que surgiu no planeta há cerca de 3,5 bilhões de anos. Compõem-se também de carbonatos calcita e dolomita. São formados a partir de uma sucessão de estágios, partindo de esteira microbiana, estromatólito estratiforme, para finalmente se consolidarem em uma rocha.

roxo150.jpg Os paleontólogos sugerem uma classificação quanto à morfologia, já que esses fósseis são colónias de microorganismos e não "fósseis individuais", propondo classificação em categorias que não seguem a nomenclatura biológica. Mas, há outros especialistas que apenas referem as microestruturas, isto é, só levam em consideração o género e a espécie de seus microorganismos.

sudwala2.jpg Estromatólitos encontrados na Groenlândia, num depósito de rochas sedimentares abaixo da camada de gelo, foram datados como de 3,7 Ga atrás, constituindo a mais antiga evidência actualmente. O mais curioso é saber-se que esta descoberta apoia a busca por existência de vida pretérita em Marte, pois nesta época Marte contava com água líquida em sua superfície e estava em condições similares às da Terra, sob um sol 30% menos brilhante que hoje.

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Além disso, suas estruturas fornecem dados astronómicos e geofísicos quanto ao ambiente do passado. São por assim dizer uma sopa de células - A origem da Vida. Um filamento microbiano que engloba um vasto intervalo de fenómenos: desde a emergência das linhagens principais até extinções em massa ou a evolução de bactérias resistentes a antibióticos hoje, em hospitais.

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Entretanto, dentro do campo da biologia evolutiva, a origem da vida é de especial interesse porque remete à questão fundamental de onde nós (e todos os seres vivos) viemos? Muitas linhas de evidência ajudam a fornecer pistas a respeito da origem da vida: fósseis remotos, datação radiométrica, a filogenia e a química dos organismos modernos. Contudo, como novas evidências estão sendo descobertas constantemente, hipóteses sobre como a vida se originou, que podem mudar ou ser modificadas.

araujo113.jpg Quando se originou a vida? É importante lembrar que mudanças nessas hipóteses são parte normal do processo da ciência e que elas não representam uma mudança na base da teoria evolutiva. Evidências sugerem que a vida surgiu pela primeira vez por volta 3,5 bilhões de anos atrás. As evidências são formadas por microfósseis (fósseis que são muito pequenos para serem vistos sem a ajuda do microscópio) e estruturas rochosas antigas como estes estromatólitos encontradas no Sudwana da África e Austrália.

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Para melhor assimilarmos os Estromatólitos dir-se-á que são produzidos por micróbios (maioria cianobactérias fotossintetizantes) que formam filmes microbianos que aprisionam lama; com o tempo, camadas desses micróbios e de lama podem formar esta estrutura rochosa estratificada – o estromatólito.

roxo82.jpg Cientistas estão explorando vários possíveis locais para a origem da vida, incluindo poças de maré e fontes térmicas. Entretanto, recentemente alguns cientistas levantaram a hipótese de que a vida se originou perto de uma fonte hidrotérmica no fundo do mar. As substâncias químicas encontradas nesses respiradouros e a energia que eles fornecem poderiam ter abastecido muitas das reacções químicas necessárias para a evolução da vida.

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Posteriormente, usando as sequências de ADN de organismos modernos, biólogos conseguiram rastrear experimentalmente o mais recente ancestral comum de toda forma de vida, um microorganismo aquático que viveu em temperaturas extremamente quentes. Apesar de várias linhas de evidências serem consistentes com a hipótese de que a vida começou perto de hidrotermais no fundo do mar.

sudwana3 sudwala.jpg Esta hipótese está longe de ser tida como certa e consensual: a investigação continua e pode eventualmente apontar para diferentes lugares para a origem da vida. Foi muito interessante saber destes avanços, não obstante estar consciente de que irão fazer colisão com teorias, dogmas, conceitos e paradigmas que nos foram legados por vários veículos de instrução…Não virá mal ao mundo saber-se deste conhecimento e, nem Nosso Senhor terá de ficar zangado por tal ousadia.

Ilustraçõs de Assunão Roxo e Costa Araújo Araujo

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:54
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Segunda-feira, 19 de Junho de 2017
MALAMBAS CLXXIII

AI.IÚ.É - TAMBULAKONTA – 19.06.2017O futuro está a ficar doente - Doidejo-me ao ar como se alguém me fustigasse o corpo com urtigas bravas. É a doença da mudança…

Por

t´chingange.jpegT´Chingange

Os tempos mudam rapidamente; para alguns é de consequências pessoais e psicológicas profundas pois que as mudanças nos dominam ou subjugam por completo. Eu e minha mulher, esposa ou patroa como muitos ainda teimam em designar, temos uma amiga de longa data, de quando ainda eramos solteiros e fazíamos piqueniques. Pois esta amiga anda indignada com seus quatro filhos porque a querem internar em um lar de idosos; ela opõe-se a isso porque não se sente senil nem anda falando átoa com as paredes seus desacatos.

bruno13.jpg Não achando terreno propício a desabafos, eu e minha mulher, inteirinhos da silva, encurtámo-nos no cochicho do cubículo debatendo este problema transcendente sem podermos desviar nosso mal-estar da nossa tela numa vida futura. Vendo nosso filme encafifados numa sala de gente moncosa falando coisas repetidas até á quinquagésima vez, dissemos que isto não podia acontecer com a Júlia, viúva do saudoso Jorge nosso anfitrião dos piqueniques enquanto a vida lhe pululava no seu todo.

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De sorrisos murchos no silêncio calado, colamos nosso futuro na parede de nossas duas mentes com farinha de trigo, tal e qual como fazíamos quando eramos mais novos. Desta forma sempre poderemos descolá-lo com uma borrifadela de água mole. Mas será que podemos assim colar e descolar o futuro conforme nos dá na veneta!?  Bom, pelo sim pelo não colamos ao lado deste catálogo virtual do álem um sinal de cho-ku-rei para dar uma luz mais forte ao nosso destino.

araujo1.jpg Pois então, os filhos da Júlia reuniram-se em Lisboa à revelia da mãe decidindo que esta está a ficar pataroca e tal e coisa, mais esquecida e desajustada com edecéteras imaginados nas raspas hipócritas e egoístas da mente. Ela a mãe, transitoriamente em casa de sua filha mais velha pensou em dali sair o mais rápido possível. Assim pensou e assim o fez! Pisgou-se até à estação do Oriente, sem nada nem mala para não levantar suspeitas e seguiu para a sua casa da Beira Interior. Toma! Chegada lá telefonou a dar-lhes notícia do acontecido. Estafa farta de se sentir presa, encafifada, trancafiada em um espaço de 50 metros quadrados. Faltava-lhe ar…

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Ela, a Júlia, em desabafos fungosos diz que se os filhos persistirem nesta ideia, lhes vai levantar um processo judicial. Com tudo isto, fiquei estarrecido por vivificar estas correntes de mudança social, derrubando as nossas virtuosas acções, modificando nossos valores ao ponto de nos secarem as raízes. O futuro invade nossas vidas revertendo-nos na mudança que nos invade a vida, assim como aquelas labaredas que surgindo do nada ceifam nossa paz.

arau44.jpg Mas, nós não somos coisas! As coisas que compramos e deitamos fora ou ainda outras desusadas que metemos no sótão e ali ficam invalidadas, esquecidas, entronchos a obstruir o espaço. Neste caso, os quatro intervenientes filhos são pessoas com cursos superiores! São gente com tino, que sabe o quanto seu pai e sua mãe labutaram para que assim o fossem, gente capacitada.  

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A sociedade em que vivemos com as pessoas que passam, uma e mais outra, adulteradas na velocidade dada vez maior e num tempo medido por suposição. Tempo analógico, porque a vida deveria aprofundar-se num futuro de amizade e, não na incerteza ou medo! Os estilos novos nas instituições são imprevisíveis a curto prazo! O que o é hoje pode não o ser amanhã! O futuro está a ficar doente mudando psicologicamente as relações e, a isto os médicos ainda não descrevem como doença….Mas é-o!  

araujo38.jpg A doença da mudança; neste ambiente de mutação rápida nós não sabemos como preparar o futuro, preparar o animal homem educando-o intelectualmente! E, nem os psicólogos sabem como lidar com isto na perfeição, nas novas adaptabilidades. Genericamente não sabem como é que isto se faz! Porque eles fartam-se de referir suas intrigas com uma aparente resistência irracional, de gente como eu ou a Júlia, à mudança. Muito curioso, é haver gente com uma tão forte vontade, duma quase furiosa mudança.  

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Qualquer esforço para definir este “conteúdo” de mudança, terá de incluir as consequências de brechas novas. Se virarmos o espelho do tempo ao contrário, vamos desentender os nossos problemas sociais e públicos se não recorrermos ao uso do futuro como uma ferramenta intelectual, porque hoje o mundo é uma estória de evolução rápida. É trabalhoso lidar com esta realidade, porque ainda não aprendemos a conceber, a pesquisar, escrever ou publicar em tempo útil de um “agora”

araujo92.jpg Os astrólogos são um engodo vulgar que não vaticinam coisas pensadas, uma triagem que ora cola ora descola como a farinha trigo já falada aqui. Ninguém tem o conhecimento do amanhã. É por isso que fico baralhado com gente jovem que estandardizada, tudo faz como um autómato desinserido dum “sentimento” e, remando para um lado estilístico definindo-nos no futuro como um “provavelmente”. Não conjugam os verbos com sentimento mas sim, com um seco  tom contabilístico ou uma zoada electrónica.

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Não sabem ler a mente por indícios, não sabem articular opiniões com o coração e, isso mete-me algum medo! Medo de frio metálico… coisa de andróides…  Jamais os GPS de hoje poderiam ser feitos se outrora os cartógrafos não desenhassem a terra e, que apesar de limitados, registaram suas temerarias concepções de mundos que nem sempre viram! O motor tecnológico do futuro não pode defuntar o passado… Um dia um psicólogo mandou-me tirar água dum poço com um cesto de vime para regar um malmequer e, eu tirei! E reguei! Usei a mente e congelei.

Ilustrações de Costa Araújo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 05:28
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017
CAFUFUILA . CXXIII

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO – 19ª parte
Kiandas e calungas! E foi nesta "Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe" da ilha dos Frades, que encontrei vestígios das Sereias Kiandas Roxo e Oxor. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…
Por

soba0.jpegT´Chingange

Como a sombra, a história tem obscuridades que enganam os escribas e gente dada à escrita mas, eis que vasculhando escritos mofados, roídos e muito deteriorados da Torre do N´Zombo deparo com duas Aqualtunes sendo uma falsa; Eram disfarces provocados pelos negreiros para lançar a confusão entre os próprios escravos e, afim de lhes não ser prestada vassalagem lá para as terras desse mundo novo, desconhecido.

ilhao1.jpg Foi já dito que havia rivalidade entre os holandeses (mafulos) e os portugueses baseada na disputa pela aquisição dos mesmos escravos mas, a seu modo, podiam manter segredo sobre suas peças humanas. Seus segredos eram a sua alma dum negócio que valia ouro, que enriquecia a corte do M´Puto e muitos cidadãos de várias nacionalidades; estes tinham frotas de caravelas e até vergantins com bocas de fogo que davam protecção a estes durante a travessia do mar profundo.

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Pois, esgaravatando na estória, sabe-se agora que a verdadeira Aqualtune era uma outra mulher também ela princesa de um outro reino mais a norte de N´Dongo. A mãe de Ganga Zumba e avó materna de Zumbi dos Palmares era filha do rei do Congo. Esta Barbara da Silva de N´Gola acaba por morrer na ilha da engorda, a ilha dos Frades ao largo da costa brasileira, no centro da bahía de Todos os Santos, ou de São Salvador da Bahia. E, esta ilha é assim chamada porque nela foram assassinados dois frades pelos Tupinambás, os quais pretendiam catequizar. Foi o que se fez constar!
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Mas, sucede que também estas mortes foram encomendadas pelo senhor negreiro Jeremias T´Chitunda. Em verdade as peças humanas sublevaram-se ao saber que a princesa Barbara da Silva de N´Gola ali estava entre eles. E, porque foram estes frades que deram a conhecer tal facto, a morte foi um arranjinho que ainda hoje, nos surge bem estranho. E foram os Tupinambás que às ordens de Jeremias T´Chitunda e através dum milongo estranho fizeram a princesa definhar numa morte aparentemente normal.

ilha8.jpg Só assim, e depois desta naturalidade falseada, eles, os escravos, começaram a ter condições para serem apresentados aos compradores no lugar de Porto de Galinhas pelos coronéis das roças. Isto, parecendo ser, pode não o ser, pois que se apresenta como uma nuvem de cacimbo lendário e, dizer a veracidade no meio de tanto borrão escrito, é um pouco difícil de afiançar! Em verdade sabe-se que era aquela a ilha da engorda.

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Os escravos de N´Gola, simplesmente queriam morrer até que fossem dadas condições à sua nobre patrícia! Bem difícil de acreditar nos dias que correm e, aonde esse brilho de heroicidade se esconde no temor da morte! Hoje, isso é prática de muçulmanos fanáticos que se fazem explodir ou emplodir lançando carnes ao vento, o mesmo vento que os fará sultões ou gente monhé de mustafagem.
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Os escritos consultados foram gatafunhados por um tal de Barão de Loreto que ali permaneceu entre 1836 e 1906; Um personagem política da época do Império e dado a costumeiras corruptelas, coisa endémica, quase doença dos brasileiros que apreenderam tudo de mal dos Tugas. Na tradição oral nativa conta-se que, durante décadas, a ilha dos Frades foi dominada por um fazendeiro denominado Gabriel Viana e, que ao estilo dos "coronéis" dos tempos da República Velha, agia como um verdadeiro senhor feudal.

ilha7.jpg Por hábito, ele decidia sem mais quê nem porquê sobre a vida e a morte dos moradores; ora sendo um benfeitor da comunidade local, através de práticas assistencialistas, ora sendo um dominador autoritário fazia tudo a seu belo prazer. Em visita a esta ilha ainda pude ver um antigo casarão e de uma igreja remontando ao século XVII, que está completamente arruinada. Foi de lá que retirei algumas sebentas furadas por ratos transladadas para a Torre de N´Zombo do Kimbo e, deles retirei os duvidosos apontamentos entre muitos números de cifrões. 

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E foi nesta "Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe", que encontrei vestígios das Sereias Kiandas Roxo e Oxor. As mesmas que mais tarde avistei em Guaxuma, lá mais a Norte de Maceió. Conversando neste então com os moradores dali soube das andanças destas kiandas. Dizem que vinha agarradas aos cascos das naus do senhor Jeremias T´Chitunda. Actualmente ainda por lá se encontram cerca de cinquenta e cinco cinco pessoas.
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Foi entre estas parcas barracas que botando conversa com o velho Rufino Adamastor fiquei a saber que não só por ali passaram as kiandas Roxo e Oxor como também durante algum tempo por ali se manteve um tal de Zé Peixe, o mesmíssimo homem que nunca se lavou com água doce e que mais tarde se mudou para Aracaju de Sergipe. Este Senhor mais-velho Rufino apresentava-se com umas barba branca e laivos amarelos de tanto fumar charutos tipo cubano.

ilha6.jpg A pedido do velho Rufino Adamastor visitei a "Igreja de Nossa Senhora do Loreto" e um casarão centenário, ambos recentemente reformados e, agradeci a esta Nossa Senhora o ter-me guiado pelas terras tão dispares por onde andaram gentes feitas animais e conduzidas como gado entre luxuriantes verduras. Só podemos imaginar o que teria sido isto em esses idos tempos medievais. O curioso é o de que a Kianda Roxo, não se lembra disto; só podia mesmo ser sua alma, sempre em Assunção ou Asccensão ...zé peixe0.jpg Durante minha permanência naquela ilha dos Frades fui ao cemitério com cruzes abandonadas e dizeres surrados no tempo, pedras raspadas pelo vento. Quem poderia dizer ter sido ali um entreposto comercial de negros escravos de N´Gola e N´Dongo com suas belas paisagens, praias paradisíacas, lagos, cachoeiras, montanhas e coqueirais; uma vegetação típica da Mata Atlântica, com árvores nativas, incluindo o pau-brasil. 

(Continua… De novo iremos a Massangano…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:34
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Terça-feira, 9 de Maio de 2017
CAZUMBI . LIV

CINZAS NO TEMPO - 09.05.2017 - Andamos com o credo na boca, motivo de causas alheias e à revelia da nossa vontade …

Cazumbi é feitiço ou mau-olhado em Kimbundu

Por

soba15.jpgT´Chingange

No tempo real e na vida de todos os dias há uma grande diferença entre os sentidos de para a frente e para trás. Li recentemente que no imaginário de uma chávena com água que cai de uma mesa quebrando-se em mil pedaços, se, se filmarmos este acontecer, poderemos facilmente dizer quando o filme da cena está a correr para a frente ou para trás.  

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Se o fizermos andar para trás, o filme, veremos os bocadinhos juntando-se e voltar para o lugar e em cima da mesa, no mesmíssimo sítio e com a mesma água, numa forma de chávena cheia, completa. Revisitando Murphy, recolhemos de seus escritos que as coisas têm tendência para correr mal sem a possibilidade de reverter o acontecido.

apocri2.jpg Podemos por observação dizer que a chávena em cima da mesa e no passado está num estado de “ordem” e, a chávena estilhaçada no chão com a água derramada, o contrário disso, “a desordem”. Neste lapso de tempo o desacontecido aconteceu por um acaso, uma falha, uma coincidência, um erro ou uma má sorte como coisa normal.

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Pois ao momento da desordem a partir da ordem chamarmos “a seta do tempo” – qualquer coisa que distingue o passado do futuro, passando pelo “agora” ou o “presente” que nunca espera o antes. O sentido de que o tempo passa, é psicológico, porque nos lembramos do passado mas, não do futuro!

roxo95.jpg Na espiral do tempo universal, cosmológico, aquela seta, junção de muitos agoras como se pontos fossem, são partículas que se expandem; com a nossa inteligência nós, gente, também nos expandimos em pensamento, coisa não mensurável, tudo imprevisível. Podemos ter a premonição do que se vai seguir mas, este travão do mas, sempre nos retrai.

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Podemos pensar assim porque somos ou pensamos ser seres inteligentes e, porque sempre nos perguntamos: -Porquê a desordem aumenta no mesmo sentido do tempo, na mesma expansão do Universo? 

haida4.jpg Posso agora e depois desta longa explanação entrar nos domínios do nosso “agora social” – a vida do M´Puto, para entender como um caldo de culturas ideológicas entornadas num tigela com o nome de governo se juntaram em desordem formando uma coisa chamada de geringonça! Juntando cacos, aparentemente, andaram para trás formando ordem. Aqui a seta do tempo parece ter-se virado! Será?

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Sabendo que uma partícula ocupa um ponto no espaço, em cada instante, pode esta estória ser representada por várias linhas entrelaçadas no espaço-tempo e, que a todo o momento e expandindo-se formarão outras linhas deixando de ser aquela “corda”. Mas também pode acontecer como sucede no universo cósmico, estas linhas formarem outras cordas que tendem a fechar-se formando um túnel! O túnel da minhoca (universal)!

GALO0.jpg Mas, a bom saber, na prática, nossa capacidade de ver e pensar confundindo os pontos entre o ontem e o amanhã, tudo isto se pode tornar em um novelo, um emaranhado de pensamentos, sem medida de clássicas e homologadas dimensões.

roxo92.jpg Parece que só Deus pode fazer as leituras de pensamento e, queiramos ou não damo-nos conta de que estamos a anos-luz do verdadeiro entendimento de nós próprios - bichos homens. É que não conheço ninguém que seja omnipotente, omnipresente e omnisciente! Ninguém tem este factor de 3 em UM…

Ilustrações (2) de: Assunção Roxo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:31
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Domingo, 16 de Abril de 2017
MALAMBAS .CLXIX

NAS FRINCHAS DO TEMPO . TAMBULAKONTA - Tenho-me forçado a encontrar um herói perfeito, um que seja observador o quanto baste para investigar os antagónicos traços das pessoas que me cercam. Enigmas do confuso…

MALAMBA: É a palavra.
Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

No epílogo da vida, colei um apêndice de presunção e água benta revendo o considerável bem no meio do inteligível e, lá bem no fim lugar do índice, anotei: Meus kambas, talvez eu não tenha razão e Vocês a tenham, mas ainda é mais provável que nenhum de nós a tenha! Ando a juntar características de um modelo útil de investigação social por modo a ficar com a capacidade de vos produzir surpresas.
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Toda esta forma de dizer um pensamento, deu início quando na praia, na areia, observei em muitos dias uma senhora de meia-idade andando de ré, andar para trás e, sem nunca lhe perguntar idealizei um modelo teórico de retroceder com a capacidade de tornar compreensível fenómenos e factos.

lucala3.jpg Entender a pedagogia de produzir surpresas em novas experiências. Esta concepção de racionalismo opõe-se à filosofia empírica que, professa que as ideias se deterioram quando aplicadas às coisas e procedimentos.

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O conhecimento da realidade moldada pelas teorias, modificam-se assim como uma paisagem vista num nascer ou em um pôr-do-sol que por momentos se confundem, uma foto falada e valorizada pela ordem das razões segundo uma teoria: - A ordem das razões, valorizam a ordem dos factos e, não é a ordem dos factos que valorizam a ordem das razões.

poconé2.jpg Bom! Com este confuso parafraseado concluo o que aqui pretendo dizer: -A verdade emerge mais facilmente do erro do que da confusão. Nesta explicação de teorias esta chamar-se-á a “teoria da confusão” que tem sua aplicação justificada numa governação como aquela que nós hoje conhecemos com grande amplitude em países vários. 

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Quem aprendeu a teoria dos erros, derivadas e acompanhou as novas teorias de índole quântica com sua teoria de incerteza e uma outra mais posterior do Universo como a “teoria da simplicidade”, teremos agora a ainda muito mal compreendida “teoria da confusão”. Pensem só um pouco nas estatísticas e probabilidades aonde uns comem dez unidades e outros muitos, somente duas ou nada e, surge depois essa útil média aritmética dizendo que a sociedade come em média seis unidades, baralhando-nos os factos!

nito01.jpeg São estas teorias fraudulentas que movem o mundo; movem os interesses de alguns países que por seu lado subjugam outros e os arrastam nessa mesma “teoria da confusão”. E surgem também instituições, ministérios tratando burlões como estadistas e ladrões como gestores; tudo gente boa! Gente de muita filantropia… Digo isto acabrunhado, com sorrisos de acanhamento sem ânimo de arriscar mais palavras porque minha malambas desmerecem nos créditos. E, toda agente consente, aceita! Tambulakonta (tomem cuidado!)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:56
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017
CAFUFUTILA . CXXII

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 18ª parte

 Kiandas e calungas com alguma ficção! O tempo, na mística espiritual de N´Gola vem de MUNTU, que significa homem em língua Bantu! A história do povo Bantu só começou a ser decifrada a partir do século XIX. O futuro dos povos bantus ainda anda a ser fabricado…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

cafu32.jpg Como a sombra, a história dos novos donos de África, ainda sobrevive e se reproduz fantasmagoricamente, nos seus sempre novos poderes; os mesmos que que eles próprios instituíram como vigentes para conduzir seus novos escravos, seu povo preto. E, este povo está disseminado por N´Gola com vários grupos tais como os Bakongos, Lunda-Ckokwel, M´bundu, Ovibundu, Ambós e, outro pequenos subgrupos. Pelo que se observa o branco sempre estará desconsiderado como uma excrescência em sua  história, um erro crasso que os vai fazer retroceder até um futuro visto no passado; uma perfeita miragem.

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E, foi entre a bacia do rio Kwanza e do Rio N´Zaire que se desenvolveram as etnias preponderantes do reino, os Manikongos com Matamba e N´Gola destacando-se entre eles outros reinos tais como N´Goyo, Kakongo e Luango situados a norte do estuário do N´Zaire e, o reino de n´Dongo que incluía quase toda a parte central de Angola e de ambos os lados o rio Kwanza, o verdadeiro Rio da Identidade de N´Gola.

cafu15.jpg Falar das kiandas é uma necessária superstição para encaixar as surtidas febris de contos, mussendos e missossos que os mais velhos iam contando aos jovens que apreendiam o que a imaginação depois forjava, sempre muito cheia de engravidadas inverdades com outras carregadas a canhangulos de guerra. Nessas estórias de pubeiros sobrepõe-se a do grande jaga N´Gola Quitumba com a ajuda de Quitequi Cabenguela de quem com orgulho falam os  N´Zingas.

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Nessas guerras de invasões, os sobas dos reinos dominantes iniciaram uma série de revoltas. As mais importantes ocorreram nos sobados da Kissama e dos Dembos por protegerem os grupos de escravos fugidos de n´Dongo da Matamba, do Kongo, de Kassanje do Kuvale e de todo o planalto central de Angola. A extensa capitânia de Paulo Dias De Novais vivia em permanente convulsão! Depois de muitas batalhas com os Tugas, do lado do Rei do Kongo e, com grande dificuldade lá conseguiram eliminar o carismático Bula Matadi.

cafu14.jpg Esta descrição de forma sucinta tem o fim de dar a entender o turbilhão de reinos e sobas e os interesses que moviam os Tugas e mais tarde os Mafulos. Teremos de fazer um interregno à estória pitoresca das kiandas do Kwanza, ora kwangiades, para entender esse turbulento tempo. Convém referir que Paulo Dias de Novais esteve preso durante cinco anos no lugar de Kabassa (sendo verdade, até parece lenda!). Depois de solto, voltou ao m´Puto e dali retornou mais tarde com uma armada mais poderosa instalando-se em Luanda aonde construiu a fortaleza de São Miguel nessa então São Paulo de Assunção de Loanda.

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Os reinos de n´Dongo foram enfraquecendo e quase abandonaram a luta depois da morte do seu Rei N´Gola Kilwanje Kia Samba. Assim os Tugas puderam instalar-se em Muxima, Massangano e Kambambe aonde foram construídos fortes. Tribos e chefes, sujeitaram-se a pagar tributos ou fornecendo escravos aos capitães do m´Puto mas, outros houve que continuaram a lutar refugiando-se nas protegidas ilhas do Rio Kwanza.

cafu35.jpg Voltando a Massangano, terei que adicionar ao que se sabe das lendas, que houve muitas contrariedades e, como tal, uma derrota com o mesmo n’Gola Kilwanje já aqui citado. Isto aconteceu em uma batalha no ano de 1582 em que a forte resistência obrigou à construção do forte de Massangano no ano de 1583. Não obstante, não impediu que as forças da rainha n’Zinga o atacassem, em 1640 que, apesar do saldo negativo pelo aprisionamento das suas duas irmãs Kambu e Funji, que levou a que esta última fosse executada.

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De fazer notar que do lado de fora dessas fortificações se realizavam feiras de compras e vendas de escravos. Estas feiras estavam coordenadas pelo pai da Kianda Roxo, Morgan Tsvangirai. A ele, se devem as posturas de trato comercial e da recolha dum percentual na venda individual ou lotes de peças; diga-se em verdade que era um homem bem experiente nesta labuta e trato de escravos… Custa-me agora dizer isto mas ela, a Kianda Roxo, de nada se lembra desses etéreos tempos; ainda bem! Talvez por isso e agora, ela a Kianda viva, seja tão generosa nas palavras e tão comedida nas periclitãncias…

cafu34.jpg N´Zinga m´Bandi foi o maior símbolo de resistência. Esta rainha para além da resistência contra os Tugas de então, conseguiu aliar os povos já mencionados de, entre os Rios n´Zaire e Kwanza. Foi a 6 de Setembro de 1683 que n´Zinga aceitou vassalagem obedecendo a oito condições estipuladas por João da Silva e Sousa, Governador e Capitão-General. E, tudo foi elaborado ou aceite pelos protectores da soberania tribal. Como em tudo a ambição cega a visão por usura de alguém que detém o sim e o não ou uma incipiente matumbice….

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A Rainha n´Zinga é assim obrigada a não impedir os pombeiros de chegarem ao sertão africano e também não impedir àqueles em sua actividade comercial com os potentados do reino do Songo, Quiacar, Punamujinga, Sund, Cacem e Damba. Aquela rainha teria de abrir caminhos para que os negreiros alcançassem seus destinos. Bom! Os pombeiros trabalhavam por conta de grandes chefes, sobas ou militares Tugas.

chai4.jpg Durante um ou dois anos, internavam-se nos matos, trocavam escravos por tecidos, vinho, quimbombo, aguardente, quinquilharia, sal ou pólvora. Os acordos de vassalagem foram extremamente desiguais com a aceitação na base de imposição militar. Passados vários séculos da morte da rainha n´Zinga a ideia de unidade do povo Angolano ainda não se configura vencida na luta contra os Tugas nos finais do século XX permanecendo em disputas internas pelo poder até o actual ano de 2017 aonde a corrupção roí os governantes até os tornozelos…

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Com ideologias marcadas pelo rancor entre eles e contra o branco, ícone aglutinador e culpado de todos os males em sua justificada fábrica de criar maka, os diferentes grupos étnicos saídos do povo Bantu, ainda continuam na contramão da história e progresso ditando leis absurdas e, sem um objectivo de sucesso para sua debilitada situação financeira. Segundo Cadornega em 1629, as irmãs de n´Zinga foram baptizadas Funji, como Graça Ferreira, e Cambo n´Zumba como Bárbara da Silva.

cafu33.jpg No ano de 1646, ao tomar posse da sanzala de n´Zinga no rio Dande, os Tugas encontraram cartas de Funji, escritas de quando era prisioneira e dirigidas a sua irmã n´Zinga. No ano de 1647, no cerco da rainha junto com 500 holandeses a Massangano, o sargento-mor Pedro Barreiros decidiu, por conta própria, lançar Funji no rio Kwanza, e por pouco, não fez o mesmo com Cambo n´Zumba.

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É aqui que um negreiro mazombo de nome Jeremias T´Chitunda a troco de umas quantas moedas dadas a Morgan Tsvangirai, pai de Roxo, consegue introduzi-la em um lote de peças com destino a Olinda de Pernambuco! Nasce aqui uma outra lenda, a do Kilombo dos Macacos na Serra dos Palmares…. E ela, por decisão de seu novo dono toma o nome de Aqualtune.

cafu39.jpg Aqualtune, não podia ser interpretada como gente nobre do reino de n´Ggola; os acordos não previam o uso de gente nobre descendente do rei Kilwanje. E, ai de quem murmurasse tal conhecimento! É ainda um fenómeno mal contado nos missossos mas, tudo leva em crer que seu rosto esteve tapado ou coberto de argila branca nas festas de rebaptizar a ela, e a todos outros escravos. Este procedimento não era nesse então tão invulgar mas, na qualidade de T´Chingange posso afirmar ser isto verdadeiro…

(Continua… Cambo  n´Zumba ou Barbara da Silva foi como escrava para o Brasil…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:23
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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017
CAFUFUILA . CXXI

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 17ª parte

Kiandas e calungas! O tempo, na mística espiritual de N´Gola, e não só, não tem fidelidade à linha do tempo.  Intemporal, anda do agora para trás e, se sabe o depois, nunca o diz! Também tem medo de virar poeira como o Plutão… O futuro é já a seguir..

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Como se diz, a calunga ou kianda é assim como um vírus de computador que sem se ver se faz notar. Nossa kianda Roxo veio como Assunção por alguma razão que, nem ela própria sabe! Melhor seria Ascensão mas quis a semântica do uso dar-lhe esse quase igual nome. Podia ser só Maria mas quis o encontro com as calemas do destino encontrar o T´Chingange que estupfeito com suas bizarras cores do além e seus mágicos gatafunhos psicadélicos, simbiose de Naif com Dali, ascendeu aos espíritos. E, viagem por esse Universo distribuindo alegrias tomando muito chá de funcho e oliveira a controlar sua intensidade de fazer gaifonas à vida.

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Sua mãe, também kianda de nome Redufina Kabasa Tsvangirai umbigou-se com Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare, às margens do lago Chivero, isto também já foi dito! Seu pai, um político local, teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano. Eram tempos de soldados Mafulos flamengos, que por sete anos da colonização holandesa em Angola (1641-1648) ali deixaram vestígios nas gentes, os Van Dunem; mas quanto a isto lá iremos!

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Por via de tudo isto, terei de entrar na estória daquele mundo de muito paludismo, maleitas de tsé-tsé e carunchos de comer a carne em vida. Enquanto isso a kianda Roxo treinava suas maneiras de futura sereia nas águas cálidas do Kwanza. Morgan Tsvangirai pai da Kianda Roxo ficou avençado pelos Mwana-Pwós com o posto de tenente de segunda linha.

massangano1.jpg Em suas idas de soberania à Kissama, por vezes levava Roxo consigo e, em uma das várias lagoas, ela fez amizade com Mazé Van Dunem, uma linda e amulatada candengue que lhe ia passando confidências. Confidências chegadas de seu pai malufo bivacado em Loanda. Era esta, também, um elemento da dinastia mestiça de Baltazar Van Dum, filha de um outro alambamento com outra mulher. E, porque teve de se refugiar numa destas ilhas do kwanza mantinha relações mais próximas com os Tugas de Massangano e Muxima; doutra forma, seria degolada pela actual mulher dele, desse tal Baltazar Malufo.

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Durante os sete anos da presença holandesa e, com o objectivo do fortalecimento do tráfico negreiro rumo às lavouras de cana-de-açúcar no Brasil, o projecto da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais afirma-se aqui em N´Gola com alguma dificuldade. Esta companhia sediada  em Amsterdão e por decisão do conselho de administração constituído por 19 membros, nomeia em 1637 Johann Moritz Von Nassau-Siegen governador das possessões holandesas no nordeste brasileiro.

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Tinha a concessão de monopólio de comércio no Caribe e da América do Norte, para o tráfico de escravos dirigidos ao Brasil. Tudo isto para diminuir a competição espanhola e portuguesa. Tempos bem conturbados, sem uma ONU, sem UNICEF e sem Tribunal Internacional! Cada país decidia de sua livre vontade o que lhe aprouvesse! Inglaterra e Holanda pretendiam assenhorar-se do mundo retaliando os Espanhóis e logicamente Portugal, entretanto na mão dos Filipes I, II e III e, por sessenta anos, a partir de 1580.

muxima4.jpg Curioso é de que em Paris e num ano tão longínquo daquele, Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa fala-me desse tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda; dos desentendimentos dos n´gwetas com a rainha N´Zinga e, outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba que agora, nem lembro mais com pormenores.

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Havia nesse então um largo comércio de peças humanas em troca de espelhos, jinguba, catanas, tesouras, ancinhos em ferro e muitas outras bugigangas de utilidades modernas e, que chegavam do Puto, da Bahia, Pernambuco ou Antuérpia. Os Libongos, uns panos garridos, eram os mais apetecidos, pois permitia vestirem-se, uma coisa quase inusitada e a que os sobas recorriam como moeda de troca em substituição das conchas de n´zimbos, moeda que ia ficando de pouca utilidade...

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Como foi possível os sobas de então trocarem por quinquilharias, homens que nem sempre eram inimigos. As futilidades ocidentais começavam a chegar ao continente negro. Os Portugueses e Jagas dos Dembos, Kissama e Manhanga eram os principais clientes da família Pieter tio tetravô da Kianda Roxo, conferindo-lhe um afecto especial naquela gente de bitacaia. Uma grande novidade era o uso de sapatos feitos em couro de tiras entrelaçadas e, que mereceu atenção especial por parte dos camondongos alforriados que assim passaram a proteger seus gretados pés.

adam2.jpg Pois é aqui que entro na estória já com tendência para ser um verdadeiro T´Chingange: - No decorrer do tempo, fui ficando mais kota e meu pai ordenou-me que ficasse a tomar conta da salga e seca de peixe seco ajudando nas contas o capataz, cafuzo da Mazenga de nome Beto Feliz mas, um pouco matumbo. Dos búzios n´zimbos e caurins de menor valor, era feita a cal necessária para barrar as frestas das casas de taipa dos senhores e também das fortalezas erguidas nesse então.

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Os pescadores saíam nos n´dongos a pescar, dia sim, dia não; apanhavam kimbijis (peixe espada branco), carapaus e cachuchos que eram depois escalados em mesas compridas feitas de paus espetados na areia e ligados com ataduras de mateba; depois passavam para umas celhas de salmoura aonde ficavam algum tempo. Mais tarde eram levadas em quindas para outras mesas aonde permaneciam ao sol até ficarem com alguma dureza.

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 Meu pai enricou com estes negócios de fazer cal e salgar peixe. Recordo de irmos a Massangano entregar aos Tugas a cal encomendada para tapar rachaduras da fortaleza e ter visto a kianda Roxo que embora despertando interesse não prendeu meus holofotes de candengue mazombo. Mas admirei-me sim de suas pernas se juntarem nas águas na forma de barbatana. Uma autentica kianda, uma verdadeira kwangiade como diria o Luís Zarolho (Camões) tão falado lá na tapurbana…

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Após todo aquele processo, uma parte do peixe seco era posto à venda na loja da mãe Maria Arminda Kafutila e uma outra, era enfardado com atilhos de mateba ou piteira, guardadas em uma casa até que os pombeiros e suas tropas o levassem. De tempo a tempos, organizavam saídas ao mato formando filas enormes com m´bikas (escravos) transportando à cabeça esses fardos pesados, para  além de outras mercancias como panos libongos e aguardente do M´Puto a serem trocados por escravos, mel, cornos de elefante, javali e rinoceronte.

muxima3.jpg Com o objectivo de participar directamente do tráfico negreiro, Nassau, o governador de Pernambuco com sede em Olinda, decidiu em maio de 1641, enviar uma expedição para ocupar Luanda, principal porto de escravos da África Ocidental para o Brasil; depois, conquistar Benguela, São Tomé e Axim da Guiné. A construção das fortalezas e presídios de Muxima, Massangano e Cambambe, como marcos político-militares na conquista do reino do N´Gola, consolidam assim a civilização portuguesa à custa de muita abnegação.

muxima1.jpg Vistas as coisas neste ano da graça de 2017, o povo angolano, sem capacidade para resolver diabruras de roubo, coisa estrutural dos mwangolés, segue a sua trajectória marcada por retrocessos. Com pouquíssimos avanços afirmam-se como nação soberana entregando-se aos amarelos e outros que nunca se comportarão como os Tugas. A nós contadores da estória, compete-nos repô-la sem esses devaneios de morbidez rácica….

(Continua… ainda há muito por dizer)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:34
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Quarta-feira, 5 de Abril de 2017
CAFUFUILA . CXX

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 16ª parte

A surrealidade está-lhe no sangue! Usa pinceis electrónicos na forma de gigabaites holográficos…

Nota: Esta 16ª Parte andava voando perdida no espaço...

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Na ultima parte do mussendo, 15º episodio, falei do porquê esta kianda Roxo de Guaxuma andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber no consciente desta sua dupla vida, compartilhando xispanços de tinta com particular maestria e, do porquê das cores cibernéticas confundindo-nos com holografias psicoroxas. Mas sabemo agora que nasceu às margens do lago Chivero.

roxomania2.jpgSabemos que sua mãe, também kianda de tez negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai  que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero, lugar que fazia fonteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai seu pai. E, que por via da política teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia por ser  um pambu-n´jila especial com Muxima. 

roxo61.jpg Como já repararam as kiandas andam no espaço-tempo em qualquer direcção e é por isso que nos parece a nós humanos impossiel reconhecer andar-se no ontem e antes de ontem ou há muitos anos atrás e ou, deslocarem-se no futuro deixando transparecer a nós mortais, somente o que nos é perceptível pela dedução; falar do futuro até para as kiandas é tabu – aos viventes  não se pode transmitir o amanhã, só o agora, lei básica da vida. O Universo tem regras que não estão ao nosso alcance engravida-las.

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É aqui que surgem os mambos longínquos com soldados Mafulos, por via das falas da Kianda Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa; fala do tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda, n´gwetas e dos desentendimentos com a rainha N´Zinga, mais outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba.

rosa1.jpg O velho Niassalês descreve as festas axiluandas de então com kimbandas e t´chinganges pisoteando a terra, levantando poeira de encorajar kotas, jagas, sobas e m´fumos que iam chegando em alvoroço dos Dembos e de lá mais além do Kassange. Nos encontros, iam passando cabaças com malavo de cassoneira e, a cada grito dado pelos dançarinos guerreiros, o povo gritava kwata mwana-pwó, kwata mwana-pwó. Era a preparação duma guerra contra os Tugas n´gwetas entricheirados em Massangano por ordem dos Mafulos Holandses

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Morgan Tsvangirai ficou avençado pelos Mwana-Pwós  com o posto de tenente de segunda linha; mandava os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de manutenção e limpeza ao forte, zelar pelos n´dongos de pesca e translado de coisas para a Kissama e das patrulhas de soberania aos  mares parados com lagoas até o Morro dos Imbondeiros e dos Elefantes da Maianga. Também tinham a caça e a pesca ao seu cuidado.

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M´fumos, iam chegando aos poucos como emissários da rainha N´Zinga M´Bandi da Matamba e do rei do Kongo Garcia II que, embora sendo cristianizado pelos Portugueses, com eles andava desentendido após a chegada dos Mafulos. Estes, teriam-lhe prometido poderes maiores e auxilio com armas do tipo de canhangulos e pederneiras. Eram preparativos duma união para fazerem o grande e final assalto a Massangano.

roxo105.jpg Naquela fortaleza os Tugas resistiam aos Olandêses tapando-lhes as vias de comunicação ao mercado de escravos lá do interior fazendo emboscadas ou tocaias com azagaias venenosas, um método aprendido com os indios do brasil, uma cana comprida que depois de soprada dela saia um dardo mortífero.

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 Por isso aquele mato metia  demasiado medo aos Mafulos. É aqui que entra o Senhor Mauricio de Nassau que desde o Recife Brasileiro mantia o negócio das peças m´bikas para os seus engenhos de assucar. Pernambuco e as capitânias adjacentes, estavam carentes de braços para fazer o cultivo da cana de açúcar e fazer andar os engenhos. A preguiça e cultura dos indios americanos não permitia seu uso no trabalho.

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Talvez por isto, seus lugares tenentes mantinham contacto com alguns negreiros  portugueses que detinham este negócio, pagando-lhes ainda mais do que a antiga coroa determinava. Era um quase pacto de negócio mantendo-os como principais fornecedores de peças á margem dos interesses dos reis do M´Puto. As ordens que vinham do Conde Maurício de Nassau a partir de Olinda eram de subornar a todo o custo os intervenientes funantes do mato de N´Gola no negocio escravo.

dy28.jpg Estava em causa a política comercial da Companhia das Índias Ocidentais... o lucro! E, Portugal que era agora pertença dos espanhois não havia por isso empenho nestas politicas de tanto trabalho; preferiam estabelecer severas taxas de soberania aos amerideos de seus territórios com pagas em ouro. As mordomias do reis Filipe de Castela, Asturias, Galiza, Catalunha Portugal e Andalazia eram muitas - isso impunha uma politica restritiva, sem  dispersão.

:::

Redufina Kabasa mãe negra da Kianda Roxo estremava-se ensinando a sua filha maneiras de comportamento e era vê-la brincar com candengues  brancos e pardos no átrio da missão! Bem cedo se destacou nas habilidades de colorir os jogos de desenho, nos riscos da cabra cega; qualquer argila era motivo para dali sair pintura ou escultura bem à moda dos trabalhadores de talha do pequeno altar da igreja  da muxima!

:::::

Sua tia N´ga Maria Káfutila de linhagem nobre do reino do Kongo ajudava meu pai Januário Pieter na quinda do mercado da paliça vendendo malavo e quitoto ou permutando com os indígenas ou mesmo n´gwetas produtos da terra como ginguba e fuba de mandioca. A fuba originava um prato apetecível chamado de funge ou pirão, um preparo a partir da mandioca. E, ela tornou-se assim uma cozinheira de primeira mão mas, prefere suas fluorescências.

roxo60.jpg Mais tarde começaram a fazer uso das folhas do pau de mandioca que era passada por cinco fervuras para anular o veneno da coisa e, a isto chamaram Saka-saka que impregnada de azeite de palma dava origem ao prato mais típico dos Kaluandas, a moamba com quiabos e jimboa. E, foram os Portugueses que a levaram do Brasil para N´Gola embora queiram fazer crer o contrário disto. N´Gola nunca vai poder dissociar-se dos Tugas por esta e outras singelas razões.

(Continua… CAFUFUTILA CXXI -17ª Parte...)

Nota: Isto já foi publicado na Kizamba do Facebook . Fui à Luua e baralhei-me todo...

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 08:21
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Domingo, 19 de Março de 2017
PÉROLAS . III
O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo…

PÉROLAS III segue na ordem de uma coluna iniciada com este título. Quem quizer pode vir até o Kimbo e falar de suas razões, suas emotividades e outras raridades... 

EM TERRAS DO SUMBE - ANTIGO CEMITÉRIO DE BRANCOS . Tempo de Macutas - Verdade ficcionada

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Esta perola é uma INVENTAÇÃO...

Estavamos em 1780 - O Exército do Império Unido de Brasil, Portugal e Algarves era o segundo mais poderoso do mundo, depois do Exército Sino-japonês.

angola6.jpegFugindo daqui e dali vi-me em aflições porque o passado reconheceu-me na palidez enrugada da velhice. Com palavrões dentro da cabeça, tentei reconstruir minha já antiga inventação e com os nomes esvoaçando, mijando raiva de mim aos poucochinhos, fui buscar as novidades fracturadas com figas e juras por sangue de Cristo. E, aqui o passado misturou-se no futuro...

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Tive mesmo de espreitar minha vida pelo cano de meu revólver, ou talvez um canhangulo de espirrar ferros e cacos cortantes; uma vida estriada em verdades misturadas nas mentiras. Foi ai que o filho da mãe surgiu, engalanado com bandeiras, panos e guarda-sóis coloridos. iIsto passa-se quando eu era dono do xerifado da fazenda, empregado dos Reis do M´Puto, um guarda de libongos de segunda linha por ser mazombo, um pano que funcionava como dinheiro; isto mito antes de Mobutu Sesse Seko mandar imprimir seus panos do kongo com a sua esfinge.

ekuikui1.jpgEm ambiente de grande excitação e alegria vindo de Quilengues, surge um branco albino que parecia um demónio, cabelos sujos e espetados como capim velho. Vinha buscar barricas de aguardente e rolos de tabaco. O Rei do Bailundo de 1998 Manuel da Costa Ekuikui III, nunca soube disto senão teria-se rido com seus dentes parecidos com castanholas e, seus dourados reluzindo pura alteza das terras umbundas ... mas, um dia vou-lhe contar!

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Eu, como secretário de fazenda de João de Câmara da Capitania-Geral do Reino de Angola com a ajuda do capataz José Nanquituka tinha de despachar rápidamente este rebelde mijão matumbo kazukuta com seus monandengues, porque não me era de fiar. Era mesmomesmo um filho da mãe!  Portando-me com o colar de dentes de javali ofertado pelo rei do Huambo Katchitiopololo Ekwikwi, monarca de muito respeito e respeitado, olhando para trás deste falso branco, pude ver que tinha consigo mais ausências de dignidade do que medo. 

maria2.jpgSua brancura indeferia-me com seus sorrisos matreiros de mentira chorada antes da lágrima. Já no terreiro fiz um sinal a Kaputo da Silva, o almoxarife missionário auxiliar, para que se aproximasse e, dei-lhe ordens para que procedesse à troca de géneros com estes demónios de Quilengues. Neste entretanto empoleirado nas horas das consequências com vénias de enrugada postura, o branco de fingir, dá umas ordens aos seus monandengues e, eis que salta um t´chingange para o terreiro empoleirado em antas, zingarelhos, enfeites de ossos de hiena e facóchero ao redor do corpo.

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Entre 1876 e 1893, reinava no Bailundo Ekuikui II, substituto de Ekongo-Lyo-Hombo, quando o reino entrou em grande alvoroço. Foi numa altura em que, no planalto, os reinos iam caindo, um a um, nas mãos dos portugueses, t´Chinderes do M´Puto, Muwena- Pwós do outro lado das kalungas.  No ano de 1893, os emissários do reino Bailundu, dirigiram-se à embala de Ekuikui II dizendo-lhe que o reino estava em vias de ser atacado. Todos se recordavam da prisão feita pelos portugueses, do rei Cingi I um século antes (1780?).
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Nesse então, o reino do Viyé, já estava há uma centena de anos submetido aos brancos. A Rainha D Maria era a minha superiora! Ela não me conhecia mas era eu que controlava suas makutas em substituição ds N´Zimbos, dos Kaurins e panos libongo. Ela, a Dona Maria morreu sem saber quem era o T´Chingange branco Niassalés, um seu alforriado cidadão das lonjuras da Matamba.

maria4.jpg Fazendo rodopios de dança espacial, gaifonas de feitiço e superstições secretas, ele o tal branco de linhagem indefinida, pintado com funge branca e jindungos na cintura salta e ressalta, gesticula traços com braços apitando uma estranha gaita até que, já cansado, estatela-se no chão, literalmente como forma de agradecimento à minha solene pessoa. 

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A mim, o t´chindele mwana-pwó almoxerife da Rainha do M´puto. Dois candengues colocam bem aos meus pés dois potes de mel silvestre e eu, agradecendo de mão virada para o pretobranco albino mando que lhe seja dada uma bandeira das quinas do M´Puto recentemente chegada de Loanda a mando da mesma Rainha D. Maria II.  Dando costas àquela turba pude observar que ordeiramente se dirigiam para o armazém das bebidas. Aquela noite o batuque prolongou-se mais para além do habitual; o kimbombo, t´chissângwa, marufo e bolungas várias faziam a alegria da vagabundagem.

maria0.jpg Não obstante ficar atento a possíveis alterações de ordem pública, recomendei pessoalmente ao Alferes da guarnição e presídio do Sumbe da foz do rio N´gunza, que mantivesse uns quantos cipaios a observar, até que aqueles kazukutas e seu chefe beiçudo, branco genérico se fossem para Quilengues. Só mesmo eu para relembrar estas estórias esquecidas no tempo, metidas num baú de lata oxidada nas águas da kalunga, Ai- iú-ééé

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Nota: Para minha Mana Kota Assunção Roxo em Roxomania para se deleitar nas bitacaias  com pérolas...

O Soba  T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:09
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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017
PÉROLAS. I

“O PALAVRÓRIO DA FUNÇÃO ERUDITA” - Parte I

O homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo…

soba k.jpgAs escolhas de T´Chingange

Por

julio1.jpg JÚLIO FERROLHO…. Professor Aposentado mas pouco (!) - Agricultor nos intervalos da chuva, pastor, professor ainda e sempre!!! – Foi presidente do ISCAL - Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa - Aposentação e reforma após 49 anos de luta diária pela vida dia a dia, sem desistências nem interrupções…

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Prof. Júlio Ferrolho é daqueles que nunca esquecemos determinadas aulas, conversas e ensinamentos! Um exemplo de como deveria ser o nosso ensino! Parabéns pelo exemplo que nos deu! – É este, um comentário que extraí de sua página e que aqui reproduzo sem prévia autorização. Tentei, tentei, mas deveria estar cuidando de seus perdigueiros…

julio3.jpgFigueira da Fóz

Sinto que nunca deixei de ser estudante! - AVISO: Este texto pode conter palavreado estranho e aparentemente incoerente. As pessoas mais sensíveis a este fenómeno devem abster-se de o ler. (COMO NÃO SOU ESPECIALISTA DEIXAREI PARA OUTRO MOMENTO ainda muitas QUESTÕES e sobretudo as SAGRADAS relacionadas COM O TEMA)…

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A ciência é caracterizada como o conhecimento racional, sistemático, exacto, verificável e, contudo, falível. Através da investigação científica, o homem vai atingindo uma reconstrução conceitual dinâmica do mundo que é cada vez mais ampla, profunda e exacta.

roxomania2.jpgO homem herdou o mundo; a sua glória não consiste em suportar ou desprezar esse mundo, mas enriquecê-lo para construir outros universos. Manipula e remodela a natureza submetendo-a às suas necessidades materiais e espirituais, bem como aos seus sonhos. Criou assim o mundo dos sonhos, das quimeras, dos artefactos e o mundo da cultura.

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A actividade da Ciência - como a investigação - pertence à vida social na medida em que é aplicada para melhorar o nosso meio, tanto natural como artificial, para inventar e construir ou fabricar bens materiais e produzir bens culturais ou imateriais. Deste modo a ciência transformou-se em tecnologia e arte.

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Por outro prisma, a ciência surge aos nossos olhos como a mais deslumbrante e assombrosa das estrelas quando a consideramos como um bem em si, isto é como uma produtora de nova actividade de ideias (investigação científica e o seu resultado, a inovação).

socie1.jpgA epistemologia encerra, em termos sintéticos, a teoria do conhecimento. Mas podemos considerá-la como o estudo crítico dos princípios, hipóteses, e resultados das diferentes ciências, procurando determinar-lhes a origem, a lógica, o valor e o alcance objectivo.

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Nem toda a pesquisa científica visa obter um conhecimento objectivo. A lógica e a matemática - ou seja, os vários sistemas de lógica formal - e os diferentes capítulos da matemática pura são racionais, sistemáticos e verificáveis, mas não são objectivos; não nos dão informações sobre a realidade porque não estão simplesmente preocupadas com os factos.

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A lógica e a matemática tentam construir entidades ideais; estas só existem na mente humana. Elas não recebem objectos de estudo: constroem os seus próprios objectos. É verdade que muitas vezes fazem-no por abstracção dos objectos reais (naturais e sociais). Além disso, o trabalho lógico ou matemático muitas vezes atende às necessidades do naturalista, do sociólogo ou do tecnólogo e é por esta razão que a sociedade tolera estas actividades e até parece estimulá-las. A física, a química, a fisiologia, a psicologia, a economia e outras ciências usam a matemática como uma ferramenta para fazer a reconstrução mais precisa das relações complexas que ocorrem entre os factos que estudam e interpretam e os vários aspectos destes.

roxo107.jpg Um dos aspectos fulcrais da ciência é a questão do MÉTODO CIENTÍFICO que deve ser seguido para chegar a conclusões científicas. A metodologia científica tem a sua origem no pensamento do filósofo francês Descartes, que foi posteriormente desenvolvida empiricamente pelo físico inglês Isaac Newton.

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René Descartes propôs chegar à verdade através da dúvida sistemática e da decomposição de qualquer problema nas suas pequenas partes constituintes, características que definiriam a base da investigação científica. Escreveu um livro famoso “Discurso do Método" onde afirma:

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''E como a multiplicidade das leis serve frequentemente para escusar os vícios, de sorte que um estado é muito melhor governado quando, possuindo poucas, elas são aí rigorosamente aplicadas, assim, em lugar de um grande número de preceitos dos quais a lógica é composta, acrediteis que já me seriam bastante quatro, contanto que tomasse a firme e constante resolução de não deixar uma vez só de observá-las.

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A PRIMEIRA consistiria em nunca aceitar, por verdadeira, coisa nenhuma que não conhecesse como evidente; isto é, devia evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção; e nada incluir em meus juízos que não se apresentasse tão claramente e tão distintamente ao meu espírito que não tivesse nenhuma ocasião de o pôr em dúvida.

tonito3.jpg A SEGUNDA – dividir cada uma das dificuldades que examinasse em tantas parcelas quantas pudessem ser e fossem exigidas para melhor compreendê-las. A TERCEIRA – conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objectos mais simples e fáceis de serem conhecidos, para subir, pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e supondo mesmo certa ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros. E por último – fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais, que ficasse certo de nada omitir''.

:::

Correntemente estas regras são: 1) da evidência; 2) da divisão ou análise; 3) da ordem ou dedução; e, 4) da enumeração (contar, especificar, e classificar).

(…CONTINUA).

JCF, 14-02-2017

rosa1.jpgNOTA: O tema PÉROLAS surgiu de uma daquelas conversas no FB ventilando algo assim: O que interessa fazer vale a pena fazer bem feito! Vi logo que aqui havia um rigor de cátedra e fui ficando de lado ouvindo como é recomendável e, quando se tem como interlocutor um Professor sapiente. Assunção Roxo também costurou umas ideias lindas bordeadas com suas pinturas holográficas. Foi o nosso Portal! Fiquei matutando na bruma, cores psicadélicas e, assim embebido na sabedoria com arte resolvi fazer uma surpresa com o tema PÉROLAS. Assim ao jeito de prefácio corro as cortinas para futuras pérolas enfeitadas com os roxos coloridos dos arco-íris de Assunção Roxo. Perdoem esta libertina ideia do soba fantasma ´T´Chingange, um despropósito de figura mas, na forma original das superstições de áfrica- N´Gola

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:38
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2017
CAFUFUILA . CXX

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO - 16ª parte

A surrealidade está-lhe no sangue! Usa pinceis electrónicos na forma de gigabaites holográficos…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Na ultima parte do mussendo, 15º episodio, falei do porquê esta kianda Roxo de Guaxuma andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber no consciente desta sua dupla vida, compartilhando xispanços de tinta com particular maestria e, do porquê das cores cibernéticas confundindo-nos com holografias psicoroxas. Mas sabemo agora que nasceu às margens do lago Chivero.

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Sabemos que sua mãe, também kianda de tez negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai  que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero, lugar que fazia fonteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai seu pai. E, que por via da política teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia por ser  um pambu-n´jila especial com Muxima. 

roxo114.jpg Como já repararam as kiandas andam no espaço-tempo em qualquer direcção e é por isso que nos parece a nós humanos impossiel reconhecer andar-se no ontem e antes de ontem ou há muitos anos atrás e ou, deslocarem-se no futuro deixando transparecer a nós mortais, somente o que nos é perceptível pela dedução; falar do futuro até para as kiandas é tabu – aos viventes  não se pode transmitir o amanhã, só o agora, lei básica da vida. O Universo tem regras que não estão ao nosso alcance engravida-las.

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É aqui que surgem os mambos longínquos com soldados Mafulos, por via das falas da Kianda Januário Pieter também este tetravô de Roxo nascido às margens do lago Niassa; fala do tempo, das revoltas da embocadura do rio Kwanza, das guerras dos Tugas e Mafulos de Loanda, n´gwetas e dos desentendimentos com a rainha N´Zinga, mais outros personagens do distante Kongo do Zombo, de terras de Kassange e da Matamba.

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O velho Niassalês descreve as festas axiluandas de então com kimbandas e t´chinganges pisoteando a terra, levantando poeira de encorajar kotas, jagas, sobas e m´fumos que iam chegando em alvoroço dos Dembos e de lá mais além do Kassange. Nos encontros, iam passando cabaças com malavo de cassoneira e, a cada grito dado pelos dançarinos guerreiros, o povo gritava kwata mwana-pwó, kwata mwana-pwó. Era a preparação duma guerra contra os Tugas n´gwetas entricheirados em Massangano por ordem dos Mafulos Holandses

to3.jpg Morgan Tsvangirai ficou avençado pelos Mwana-Pwós  com o posto de tenente de segunda linha; mandava os escravos m´bikas do kimbo fazer tarefas de manutenção e limpeza ao forte, zelar pelos n´dongos de pesca e translado de coisas para a Kissama e das patrulhas de soberania aos  mares parados com lagoas até o Morro dos Imbondeiros e dos Elefantes da Maianga. Também tinham a caça e a pesca ao seu cuidado.

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M´fumos, iam chegando aos poucos como emissários da rainha N´Zinga M´Bandi da Matamba e do rei do Kongo Garcia II que, embora sendo cristianizado pelos Portugueses, com eles andava desentendido após a chegada dos Mafulos. Estes, teriam-lhe prometido poderes maiores e auxilio com armas do tipo de canhangulos e pederneiras. Eram preparativos duma união para fazerem o grande e final assalto a Massangano.

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Naquela fortaleza os Tugas resistiam aos Olandêses tapando-lhes as vias de comunicação ao mercado de escravos lá do interior fazendo emboscadas ou tocaias com azagaias venenosas, um método aprendido com os indios do brasil, uma cana comprida que depois de soprada dela saia um dardo mortífero.

café da avó1.jpg Por isso aquele mato metia  demasiado medo aos Mafulos. É aqui que entra o Senhor Mauricio de Nassau que desde o Recife Brasileiro mantia o negócio das peças m´bikas para os seus engenhos de assucar. Pernambuco e as capitânias adjacentes, estavam carentes de braços para fazer o cultivo da cana de açúcar e fazer andar os engenhos. A preguiça e cultura dos indios americanos não permitia seu uso no trabalho.

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Talvez por isto, seus lugares tenentes mantinham contacto com alguns negreiros  portugueses que detinham este negócio, pagando-lhes ainda mais do que a antiga coroa determinava. Era um quase pacto de negócio mantendo-os como principais fornecedores de peças á margem dos interesses dos reis do M´Puto. As ordens que vinham do Conde Maurício de Nassau a partir de Olinda eram de subornar a todo o custo os intervenientes funantes do mato de N´Gola no negocio escravo.

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Estava em causa a política comercial da Companhia das Índias Ocidentais... o lucro! E, Portugal que era agora pertença dos espanhois não havia por isso empenho nestas politicas de tanto trabalho; preferiam estabelecer severas taxas de soberania aos amerideos de seus territórios com pagas em ouro. As mordomias do reis Filipe de Castela, Asturias, Galiza, Catalunha Portugal e Andalazia eram muitas - isso impunha uma politica restritiva, sem  dispersão.

nassau0.jpg Redufina Kabasa mãe negra da Kianda Roxo estremava-se ensinando a sua filha maneiras de comportamento e era vê-la brincar com candengues  brancos e pardos no átrio da missão! Bem cedo se destacou nas habilidades de colorir os jogos de desenho, nos riscos da cabra cega; qualquer argila era motivo para dali sair pintura ou escultura bem à moda dos trabalhadores de talha do pequeno altar da igreja  da muxima!

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Sua tia N´ga Maria Káfutila de linhagem nobre do reino do Kongo ajudava meu pai Januário Pieter na quinda do mercado da paliça vendendo malavo e quitoto ou permutando com os indígenas ou mesmo n´gwetas produtos da terra como ginguba e fuba de mandioca. A fuba originava um prato apetecível chamado de funge ou pirão, um preparo a partir da mandioca. E, ela tornou-se assim uma cozinheira de primeira mão mas, prefere suas fluorescências.

n´zinga.jpg Mais tarde começaram a fazer uso das folhas do pau de mandioca que era passada por cinco fervuras para anular o veneno da coisa e, a isto chamaram Saka-saka que impregnada de azeite de palma dava origem ao prato mais típico dos Kaluandas, a moamba com quiabos e jimboa. E, foram os Portugueses que a levaram do Brasil para N´Gola embora queiram fazer crer o contrário disto. N´Gola nunca vai poder dissociar-se dos Tugas por esta e outras singelas razões.

(Continua…)

O Soba T´Chingange (Otchingandji)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:04
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Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2017
NIASSALÂNDIA . VI

MULOLAS DO TEMPO - ROXOMANIA - 09.02.2017 - Nós e o mundo … Teremos de nos regularmos em contra regras porque as brisas esbarram nas caricias…

Niassalândia é o meu país.

Por

soba02.jpeg T´Chingange - Nasceu em alto mar num barco chamado Niassa. Assim conta a minha lenda por preterir ser o que ainda estava para ser, uma inventação lançada ao vento para encobrir coisas desacontecidas…

alhambra1.jpg Em tudo, haverá sempre uma forma de fazer um novo início para determinar um novo fim. Certos homens, penetrando em mistérios e, muito certos de suas capacidades, ficam presunçosos e pseudo-sábios em dizer o que não sabem, tomando até suas ideias como verdadeiras. Fazem aceitar suas utopias escrupuleando-se em nomes que tomam emprestados para fazer aceitar suas teses e, mesmo sem usarem escapulário, usam e abusam de seus conceitos.

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E afinal, as revelações que cada um possa ter, serão sempre um cunho pessoal; o seu! O seu e, sem a autenticidade requerida. Eu, não as homologaria! Serão ideias que nem tampouco se podem considerar como apócrifas porque a vastidão do quórum se limita entre si e seu ele, dele ou dela!

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É imprudente aceitar ideias mal trabalhadas e sem a cobertura de um grande número de opiniões; muito menos promulgá-las como verdades absolutas! Ninguém só por si, pode fazer seu próprio julgamento vaticinando-se à toa e conjugando-se como árbitro da verdade.

mo1.jpg Quem tiver a ousadia de dizer “crede em tal coisa, porque nós vo-lo dizemos”, está a ser juiz em causa própria tal como que ”quem tiver ouvidos que ouça”. Sensatamente, isso aos nossos olhos não é outra coisa senão uma opinião pessoal. Opinião que pode ser verdadeira e justa ou o inverso disto. Não é por um princípio nos ter sido ensinado, que ele passe a ser o verdadeiro para nós em detrimento de outros que absorvemos como mais verossímeis.

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Do sistema de um só ao de todos, há a distância que nos leva do zero ao infinito. Quando se pensa que toda a água do mar se esgotou na maré seca, nós nos damos conta da existência de uma fonte que nunca seca.  

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As falas estéticas, vanguardeiam-se por novos linguajares e só sobressaem por em verdade serem um grito de rebelião ou teste ao mundo que não se entende com falas direitas e enganosas nas regras de e, com adendas falaciosas; que despromovem o cidadão a coisa, objecto, sujeito sem eira nem beira de paga e não bufas.

nauk3.jpg Teremos assim de no regularmos em contra-regra porque as brisas esbarram nas caricias, questiúnculas de métrica e rima. De novo, consultando Platão abriu-se-me dizendo: O homem é uma alma roxa, ela existiu unida aos tipos primordiais, às ideias do verdadeiro, do bem e do belo.

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Deles se separa em ser roxo e, recordando seu passado, está mais ou menos atormentada pelo desejo de a eles retornar. Assim fiquei estupefeito num conceito actual merecendo reflexão, o quanto baste. Quanto baste porque nos dias que correm há sempre uma segunda, terceira e uma quarta casca ateé chegar ao miolo sadio. Que saudades que tenho da aurora da minha vida.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:24
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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXIV

TEMPOS ESPACIAIS – 31.01.2017 - Quando o tudo, nos ultrapassa no tempo, apalpamos as medidas da natureza sarando as feridas da mente e do corpo…

Por

t´chingange 0.jpgT´Chingange

Creio que já o disse, outros o disseram também que, quando paramos de aprender, de perguntar, de progredir, a desinteressar-nos das coisas até triviais, começamos a morrer lentamente. A mente necessita de ser trabalhada e, por vezes até se tem de mexer em feridas que parecem cicatrizadas; vulgarmente dir-se-á que o que passou, passou mas a não prática disto fará parte de um exercício a que eu designo de “teoria do esquecimento”.

roxo27.jpg E, eu não quero esquecer-me de que tive pai e mãe, um bairro, uma cidade, um clube, uma praia e um país que me viu crescer, aonde estudei, cabulei e casei. País que pensava ser meu e, afinal dizem depois de uma quase vida, que não o é! É verdade que por vezes nem quero levantar as tumbas ou abrir meus baús de enferrujada lata tocando para a frente outras atitudes mas, como há gente que sempre volta a cair nos mesmos erros, lá terei de relembrar o que tanto se queria esquecer.

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Ninguém sabe ao certo nosso saldo de tempo e, isto até é bom que ninguém saiba porque só somos enquanto o somos, gente! - uma fantasia na forma de ilusão! Em geral, quem é humilde nem sabe que o é mas quem o não é pensa que o é! E, isto sucede tantas vezes, com tantos e tanta frequência que o melhor mesmo é não inimizarmos as eventualidades. Se formos sensatos calar-nos-emos porque nem sempre é bom criar desaforos gratuitos.

araujo63.jpg Posso dizer que até os analfabetos podem conquistar a sabedoria se souberem meditar com sua mente e seus corações e, se souberem quem são! Porque têm dois olhos, duas orelhas e duas narinas, duas pernas, mais duas mãos com seus dez dedos. Porque muitos, não sabem que para ver a profundidade das coisas têm de ter dois focos de visão simultânea, de criar estereoscopia para ver a lonjura das coisas.

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Estes dados físicos e matemáticos, nosso cérebro o faz com cálculo automático, deduções, ângulos e distâncias na forma de vectores e analisa de imediato suas características essenciais com os sensores mais perfeitos e, em perfeita sintonia com as demais sofisticadas partes do nosso corpo.

pombinho1.jpg Se definir um ponto no espaço e o olhar com os dois olhos, instantaneamente o cérebro formará um triângulo e calculará instantaneamente a distância desse ponto em função dos lados e dos ângulos. A base será sempre a distância entre o olho esquerdo e o direito. Caso não tivesse dois olhos veria um plano sem noção de profundidade.

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Nós somos completos e nem sempre nos definimos neste parâmetro. Ontem vi pela televisão um homem sem braços a tocar guitarra, a lavar os dentes, a mudar a fralda a um filho e tudo isso o fez com os pés e seus dedos. Comia sozinho sem um maior aparente problema. Não tomamos isto em consideração porque perdemos muito tempo fabricando infernos de tristeza e angústias sem fim e por um qualquer dá-cá-aquela-palha apelando-se ao Deus-nos-acuda.

nauk03.jpg Desprezamos a ideia de que o Céu está dentro de nós. Que fique claro que não é necessário morrer para ir para o céu! Ele estará em nós se o desejarmos e fizermos por isso! Mas, quanta gente se queixa por isto e por aquilo desprezando-se por inteiro e, no entanto têm os necessários recursos.

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Se não trabalhar agora em seu céu, depois, já nem será demasiado tarde porque tudo passou com você a amachucar-se e diluir-se em opiniões de levianas ignorâncias; ninguém é responsável por nossos próprios destinos e desvios a não ser nós mesmos. Se tem duas pernas ande, se tem duas mãos trabalhe, faça coisas, veja com olhos de observar os encantos ao seu redor. E, ouça os barulhos; não se entregue à preguiça, nem se martiriza por coisas menores. E, o menor é quase tudo.

araujo27.jpg Se tem cabeça, só pode ter, pense porque quer se queira ou não sempre seremos o reflexo daquilo que pensamos. Olhe que Jesus Cristo, mesmo sendo condenado venceu no tempo seu carrasco, seus algozes a mando de um Herodes que se dizia ganhador. Vitorioso não é aquele que vence os outros mas o que se vence a si mesmo, aceitando-se do jeito que é e, porque a vida não é um eterno canto de beleza.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:04
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXIII

 CINZA NAS NUVENS  – 25.01.2017Amai-vos uns aos outros, mas só se for para valer. A serenidade é o segredo das vidas longas e felizes…

Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange

Vitorioso não é aquele que vence os outros mas o que se vence a si mesmo dominando seus vícios e superando seus defeitos. Há gente queixinhas, que passa o dia como num muro de lamentações, colocando seus males em primeiro, que seu mal é muito pior que qualquer outro mergulhando-se por inteiro no desânimo, estragando sua vida numa derrota. E faz disso uma permanente consumição.

ÁFRICA13.jpg Gente assim não pensa que seu corpo será sempre o reflexo de sua mente e esta, o reflexo da alma seu verdadeiro EU. Afinal temos de interiorizar-nos de que o que nos acontece lá terá sua razão de ser e é bem melhor pensar que, o que acontece de ruim na vida da gente, é para melhorar! A vida é exactamente essa novela de dias melhores, outros de assim-assim e, o melhor mesmo, é não complicar os mistérios da vida.

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O que tiver de acontecer vai acontecer! Tome os seus necessários cuidados sem se martirizar nem martirizar os que o rodeiam. É chato ouvir dia após dia, aquela ladainha de sempre; de que o mundo desabou em cima de nós e, como se não houvesse mais nada a preencher nossos entretantos. É assim um contentamento descontente porque o inverso, o desânimo, estraga-nos a vida, levando-nos à derrota sem se lembrarem de que vale mais perder um minuto na vida do que a vida num minuto.

amendo4.jpgJá não suporto mais aquela lamúria e o dizer-se em surdina, falar do caso, sem nunca o referir ao próprio. Convém que aquele o saiba para se corrigir. E com o tempo queremos passar ao lado daquele ou daquela chata. A pessoa vai ficando só e, mais tarde queixa-se a todos porque ninguém tem a coragem de lho dizer: -tens uma áurea negativa! O travão imposto pelo desânimo daquele ou daquela, não predispõe a falas sinceras e tudo continua assim igual e aborrecido se nada o fizer findar.

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Pouco a pouco estamos a trair nossos próprios conceitos de sã convívio e mentimo-nos para agradar, pensamos nós e isto não é o certo! Quando tenho de dizer não digo não e explico, ponto final… Por isso não gosto do talvez, do assim-assim, vamos ver, das muitas desculpas esfarrapadas que sempre são pequenas mentiras, mentirinhas. Em mim não há meio-termo; é sim ou não!

alhambra1.jpg Homens e mulheres complicam a vida dificultando sua existência, porque se acreditam diferentes dos outros. Que vestem melhor, comem melhor, convivem com gente fina, têm melhor falas, tiraram um curso mais pomposo e muitos edecéteras fúteis; uma feira de vaidades que dá tédio. Infelizmente é a sociedade que nos mostra isto diariamente; passagem de modelos no intervalo de notícias pela TV, coisas escabrosa que nem ao menino Jesus interessa saber, um rol de fantasias sem nada de fantástico.

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Somos nós que temos de separar o trigo do joio! Vale mais um exemplo convincente do que mil palavras! De que vale dizer-se a um filho que não fume porque isso faz mal se ele, o próprio pai fuma; de que vale dizer não faças isto ou aquilo e em seguida é apanhado com a boca na botija. A foça do exemplo sempre é mais eficaz do que dizer: faz o que eu digo mas não, o que eu faço.

cacu20.jpgNão permita que as pérolas ou missangas de suas acções, suas atitudes se percam por lhes faltar o fio que as une. E, o fio é seu, é meu, é de quem o verdadeiramente assumir. Em tudo isto se tem de pensar e repensar porque não somos autómatos e, também temos a liberdade e o direito de discernir, da escolha do caminho sem reenviar tudo para Deus e, porque Ele tem muito mais a fazer do que cuidar de cada um de nós em exclusivo…

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Quantas caixas electrónicas, multibanco já foram explodidas por malandros, ladrões conduzindo carros com a estampa no vidro de “Deus é Fiel”. Mas que banalidade de usar o nome de Deus em tudo assim sem jeito de decência e em vão. É logico botar estes dizeres num pinico?! Haja bom sentido no uso das coisas….

O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:06
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017
MALAMBAS . CLXII

CINZA NAS NUVENS  – 24.01.2017Amai-vos uns aos outros, mas só se for para valer. Se tem furúnculos e verrugas cure-os com avelós…

Por

soba15.jpgT´Chingange

O ser mais digno de pena aqui na terra é aquele que transforma todos os seus sonhos em dinheiro. E, tem muita gente que leva todo o tempo fabricando preocupações, sempre com os neurónios arrumados por forma a ter o seu dinheirinho a qualquer preço e por vezes sem a atitude ou ética correctas no amanho e até amesquinhando os demais, rapinando seu semelhante. Estou em crer que nunca a felicidade alcançara este tipo de pessoas que veneram o dinheiro sem lhe darem o real valor nas mutações da vida.

avelós1.jpg Há gente que sempre se engrandece, gente que se gaba de que dá muito, que se enaltece, fazendo riqueza desmedida chupando o tutano a quem lhes faculta essa gravidez de vida. E, são muitos os que conheço que assim procedem deixando na carência seus auxiliares mais próximos; gente que sempre anda com o credo e Deus na boca como dizendo-se os eleitos d´Ele, criticando com desusadas medos e temores desse seu Deus. Mas que é isto, Cristo!

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Os mistérios da vida são simples, mas há seguramente seres que se julgam excepcionais explorando seu semelhante e, tudo vislumbrado na mira do lucro, desprezando valores de que eles só falam, mas não fazem! Ninguém é responsável por nossos próprios destinos a não ser nós mesmos e, uma obra-prima, só o é efectivamente quando as minucias forem perfeitas.

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Criamos em nós próprios os infernos de tristeza e angustia porque sempre desprezamos a crucial ideia de que o céu está dentro de nós; que não é preciso morrer para ir para o céu! Que nem é necessário nenhum assessoriamente de pastor, sacristão ou outro cidadão para falar com Deus! A igreja está connosco, nosso templo, nossa mente, nossa alma legada por Ele. E, o inferno é uma má ilusão de quem a si e aos demais dá ou vende fantasias impingindo a alma.

avelós0.jpg Neste momento, um homem aqui na praia anda para cá e para lá rodando na forma de vassoura um aro com uma haste de onde saem uns fios ligados em seus ouvidos por um iPhone. É um buscador de pequenos tesouros perdidos na areia da praia assim como cordões, braceletes, fios, relógios e bugigangas menores de ferro ou ouro e prata. Foi quando lhe disse: Oi moço, se por aí encontrares um parafuso enferrujado, é meu! Ele riu-se e continuou sua tarefa de sobrevivência e paciência numa fé de ganha-pão. Possivelmente, foi até hoje seu maior investimento.

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De todo o modo acabei por consolar o moço dizendo-lhe que tudo o que por direito for meu a mim chegará na hora oportuna sem aquela tecnologia de ponta. Afinal de que nos valerá o conhecimento de todas as ciências do mundo e de tudo o que nos rodeia, se ainda não somos conhecedores de nós próprios.

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Agora que sou mais maduro, e que tenho fungos parasitas a roer-me o casco, digo aos meus mais próximos, amigos e afins que se dizem ser, que não se escravizem em opiniões de leviandade ou com a ignorância porque o que importa mesmo é o que verdadeiramente se é. Não gosto de conversas choronas; não o façam perto de mim porque não acho ser meritório qualquer lamento vazio - em vão!

avelós3.jpg Conversando com Platão, o filósofo grego, este disse-me que as pessoas que alimentam conversas sobre suas doenças, dificuldades ou pobreza, o fazem com mau uso! Que sempre se agridem nesse modo de falar e porque quanto mais falam mais agravam seu estado de equilíbrio psíquico. Disse-o assim mesmo: Viver com optimismo e alegria é a meta perfeita de cada um de nós porque a beleza da matéria passa depressa; Somos água no estado solido e, num repente sublimamos- passamos ao estado gasoso.

avelós4.jpg O amor quando verdadeiro coloca em primeiro lugar a felicidade do ser amado! Se isto não se adapta a você, tente cultivar esse nobre sentimento que não virá mal ao mundo nem a si! Seu corpo só será sadio quando a sua mente o for. Comece por aí corrigindo-se sem se enganar e lembre-se sempre que a sua mão direita não saiba o que deu a sua esquerda e, por ai vai!... Não! Não se enalteça gratuitamente! Os infernos só existem porque nós os fabricamos. Se tem furúnculos e verrugas cure-os você mesmo com avelós mas não o leve à vista porque isso cega….

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:22
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Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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