Sexta-feira, 17 de Maio de 2019
KILUNDU . VIII

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O LEGADO DE PIETER - A bolunga de xylinoide -17.05.2019
O Cipaio Kukia Edu Mandinga em ALHAMBRA, assiste admirado à vassoura espacial a pairar no ar...
Por

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra 
O desanoitecer estava a chegar num dia novo de guardar memória; uma noite de minha alma arrependida de pena com contributos sentados na pedra do chão polido, raspado por tanto sapato retocidos de Aladino; sonhos alheios de tudo o mais de quando só era e, mal guardados pelo Cipaio Mor de nome Kukia Mandinga que os deixava fugir porque não os via. Seu spray de contornar kiandas invisíveis estava passado na data - Quer-se-dizer, não tinha sido fiscalizado pela suprema ASAE - Autoridade de Segurança Astral e Económica da Torre de N´Zombo. 

sapatos longos.jpg Foi quando aconteceu! Uma moderna trotinete feita vassoura, vinda do além, do futuro e, em turbo silencioso uma senhora chegou toda práfrentex, soprada por um vento cheiroso, sentou-se depois de encostar a mesma em lado nenhum seu estranho objecto parecido com uma vassoura de piaçaba; pairou assim no ar e ali ficou bem ao lado de sua dona como se fosse um cachorrinho amestrado. Chamaram por mim?  Olhando-nos dissemos: Não! Dissemos em uníssono mas ela, nem ligou e começou a falar e assim, nos compenetramos em seus dizeres.
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Tinha pena desses alheios medos fragmentados em porções, feitos pó mas, a vida dum T´Chingange, zelador dele mesmo - Soba, tem dessas periclitantes passagens pois que um M´fumo não pode em caso algum ser uma galinha depenicada na vontade de pra-esquecer: Por isso toma bolunga xylinium “legado de Januário Pieter” um alto dignitário, mano-corvo Mwata.
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Falaram em bicharocos de Kombucha e, esse, foi um toque mágico que aqui me trouxe, disse Ela, a Maga Patalucha voadora. Acabamos por anuir, ouvi-la depois de nos dizer que alguém a tinha designado de Fada Makota MSJ - Maria João sacagami, senhora dos anéis e do batom mais espelho com Oxumaré esperneando com Orixá velho e babando. No discurso directo dissecou: - Posso dizer que na verdade mesmo quem espionava por detrás dos imbondeiros dos meus caminhos era Iansã. Este Iansâ, nós desconheciamos por inteiro. 

sacag11.jpg Sim senhor, sou bem capaz de parar a chuva ou fazer chover - para gáudio e medinho de alguns que me chamam de macumbeira e nem sabem o tamanho da Minkisi ou de quem a acompanha! disse isto e riu-se, riu-se até quase entupir um canal estranho que lhe saía algures por detrás duma orelha que tremia na captação de sons e bactérias espaciais.
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E, é assim na directa fala de Majô:- As famílias de bactérias que só podem ser vistas ao microscópio são sobretudo a acetobactéria xylinium que a partir do sétimo dia começa a formar ácido acético, outras famílias xylinoides, a bactéria glucuranium e a acet ketogenum. Agora o milongo fica caté que parecido com uma kissangua de chá ehehehhehehehe tal como a kissangua pode ser mais doce, menos doce, com frutas ou não.

sacag8.jpg E, continuou: - A diferença é que tens (com nossos ouvidos escancarados na escuta, já ela a MJS, que nos tratava por tu...) que ter a tal da colónia dos bicharocos de Kombucha mais 100 mililitros da águeta onde os tios vivem para poderes criar tua mistela. Juntas teu chá (escolhes qual, pode ser kaxinde, chá branco, preto, mate, hibisco e verde). Daí podes juntar frutas ou especiarias do teu gosto - gosto de anis e canela, às vezes cardamomo ou um toque de noz moscada. 
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E, continuou: - Pode ser também grãos de café. As frutas se forem na forma de suco tem que ser apenas 100 mililitros. Deixas em pote coberto com pano fechado com elástico em temperatura ambiente e na sombra. Dependendo da temperatura ambiente entre 5 a 15 dias vai haver mudança no sabor ficando bem menos doce mas não avinagrado. Tiras 90% do líquido para uma garrafa e juntas as especiarias e/ou frutas. Fechas bem, deixando-o no ambiente até ter pressão; quando estiver pronto para tomar, se não for de imediato, terás de o colocar na geladeira para consumir em até 10 dias. 

sacag2.jpg O que fica no primeiro pote recebe mais chá. Se ficares cansado de tomar, juntas 500 mililitros de chá e deixas por até 2 meses na sombra fresca. Se ficar muito envinagrado, jogas fora 90% do chá e deixa-lo fermentar em menos tempo. Alerta para nunca se fechar o kombucha com rolhas; usa pano ou filtro de café com elástico. Ele, sem oxigénio morre! Usa açúcar daquele amarelinho. Se usares garrafa de vidro no processo final cuidado, porque tal como a kissângua, fermenta e explode.
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Ficamos todos encantados com tamanha explicação e nos detalhes meticulosos. Pois assim é disse Januário Pieter depois de agradecer sua vinda. Curiosamente até se curvou como se fosse uma "zeladora". Uma vez que Oxum fez vénia, só poderás entrar na estória como ZELADORA DOS ORIXÁS! E, coisa incomum, deu-lhe um beijo repuchado na mão direita... O Cipaio EDU - o lanceiro-poeta da Chibia,  um branco  de segunda  de N´gola já de terceira geração, estava simplesmente abuamado, espantado, olhando sem pestanejar para aquela vassoura espacial a pairar no ar. 

sacag1.jpg Januário acrescentou à coisa dita:- As famílias de bactérias que só podem ser vistas ao microscópio são sobretudo a acetobactéria xylinium que a partir do sétimo dia começa a formar ácido acético, outras famílias xylinoides, a bactéria glucuranium e a acet ketogenum.  Também ele, feito Mwata era um entendido nisso, coisa que desconhecia. As fermentações são processos muito complexos em que a menor alteração do liquido, chá verde e chá preto, pode produzir resultados muito diferentes e, daí a grande variedade de cervejas, vinhos, cidras e outros alimentos fermentados como o kéfir, pikles, queijo, tempeh, cshoyu, etc,etc...
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O chá é portanto o elemento principal desse liquido com cerca de 350 compostos químicos, distribuídos em: - 40% de glúcidos , 20% de proteína com aminoácidos (teanina), 2% de gorduras , 9% minerais de manganésio, potássio, magnésio, flúor e vitaminas B, B1, B2, B3, B6, B12, C e P; 29% são polifenois, flavonoides e catequinas do chá preto... Na prática fazemos um chá com água e açucar em quantidade por forma a produzir levedura com os nutrientes desses três elementos.

roxo60.jpg Háka! A conversa já ia longa mas haveria que ouvir na especialidade como deve ser. Para fabricar as enzimas que vão desdobrar o açúcar em glucose e frutose, o tamanho da placa de cultura deve estar proporcional ao volume do liquido pois que este se for em excesso diminui a produção de CO2. Deve portanto utilizar-se 10% do liquido “starter”, (inicial) no fundo do frasco aonde existem muitas leveduras e poucas bactérias.
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As leveduras, sendo muitas, respiram o O2 (Oxigénio) do ar porque também estão à superfície do frasco e, por isso, produzem três vezes mais CO2 mas, nenhum álcool. Convém dizer que o chá verde tem 2% de cafeína e o preto 5% pelo que, as culturas crescem melhor no chá preto. A cafeína e a teofilina são purinas usadas na construção dos ácidos nucleicos daí resultando em microorganismos como fonte de nitrogénio. Bom! Isto já ia longo. Por isso despedimo-nos temporariamente... Que seca! Disse eu, muito baixinho... Dei um ultimo gole e bazei! 
Continuaríamos neste “legado de Januário Pieter”- mais tarde
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:28
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2019
MOAMBA . XXIX

TEMPOS CUSPILHADAS – 13.05.2019

MULUNGÚ COM LARANJA DO M´PUTO
Passeando o esqueleto no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves mais África, um reino outrora Tuga... Dou-me conta que me roubam laranjas, que me impingem telas de falsas Monalisas... 
Por

soba002.jpgT´Chingange - Em Coimbra 

bolor1.jpg Há uns tempos atrás e, estando eu no Brasil, pessoa amiga referiu-se ao facto de em Portugal país  visitado por ele nesse então, as pessoas serem disciplinadas, não terem o apetite do roubo ou cobiçar o alheio. Isto passou-se em uma praça da pequena cidade de Lagoa do Algarve; ele reparou que as pessoas passavam por aquelas laranjeiras carregadas de bonitas laranjas e o estranho, era que ninguém tocava nelas. Tomara, eram azedas!

berard1.jpg Lembro-me de ter dito: - No M´Puto tudo é muito sofisticado, até no roubo. Mansamente os bancos e afins destes, vendem-nos laranjas virtuais e endividando-se roubam-nos assim à socapa e, não é de repelão não! Num repentemente o governo passa nosso dinheirinho para esses salafrários Berardos e Salgados, que armados com grandes honorabilidades e honestidades, cortam-nos as gordurinhas feitas laranjas. 

salgado1.jpgcoimbra9.jpg Não sei se ele, meu interlocutor, brasileiro meio doutor, meio matuto entendeu mas, não desentendido de todo, quis compreender meu ponto de vista porque ele mesmo, tem uma boquinha do PT. O certo é de que isto sucede no M´Puto com o beneplácito do governo e até do nosso Tio Célito que feito Presidente sacode o pacote e abana seu chapéu com solidária condescendência com o Salgado e afins kazukuteiros branquelas como eu; com essa malvada banca que nos dá 0,005% nas contas ao prazo de um ano!
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Não havia qualquer impedimento por qualquer resguardo para as não alcançar - as laranjas da Lagoa do Al-Garbe e, não obstante estarem gulosas, bonitas a solicitar-nos esticar as mãos e recolhe-las, ninguém o fazia! Eu com a sede que tinha (disse o cara, brasileiro de Gravatá de Pernambuco) de até me apeteceu agarrar uma mas, retive-me mais por poder parecer mal do que outra causa; fiquei inibido proceder desse jeito disse ele; bonitas e nada de ladrões!? 

cruzios4.jpg A pessoa em causa, um nordestino juiz da comarca invisível da boquinha do PT que descreveu isto, desconhecia que as laranjinhas eram ácidas, azedas como trovisco e, nem me dei ao trabalho de esclarecer para subsistir na mente deles; que os Tugas não roubavam como era tão habitual, assim como eles o fazem no seu Brasil! Por isso têm muitos e muitas laranjas a fingir que o são mas, tudo uma mentira! Folhas inteiras de laranjas-gente a comer do fisco! Dos municípios, das bancas e instituições daqueles que agora metralham o Bolsonaro... 
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E, a propósito omiti a verdade porque já estava farto de tanto desaforo colocando os Tugas como os larápios da América, blá, blá, bla, do pau brasil e do ipê-roxo; coisa que insistentemente ouvia referindo tempos idos no roubo das matas, das muitas especiarias, ouro e prata, um sem fim de maleitas sociais do qual lhes foi legado! 

PAPAL4.jpg Porque dizem: - Que chegavam da Metrópole com uma mão atrás e outra à frente e passado bem pouco tempo já tinham seu próprio posto de trabalho, sua padaria, borracharia ou sua própria venda. O escambau, como sempre referem.... Normalmente nem replicava porque também tinha as minhas próprias queixas por fruto de uma descolonização de tugi mas eles nem iriam entender...

berard2.jpg Agora replico e até triplico e sextuplico minhas verdades para ver se os MADUROS de todo o Mundo caem de podres... Tal nefasta saga provocada por mariolas e traidores ao M´Puto e do M´Puto; desta feita contive-me para que ficassem com ideias edificantes sobre os Tugas e, que afinal, nem tudo neles era mau! 

lula02.jpg Quando tudo dava para o torto, simplesmente dizia que era Niassalêz, que tudo me passava ao largo mas, em verdade roía-me de pequenos ranhos moncosos de cor injustiçada. Para não ficarem na insolvência, nem me perguntavam que raio era isso de ser Niassalêz, só para não mostrarem sua ignorância endémica. De forma catedrática ia-lhes dizendo que o Brasil era quase um continente graças a terem sido um reino; que não foram desintegrados em vários países porque foram a sede do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. O Mundo é mesmo uma ervilha!
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E, mais, ... tendo D. João VI como o maior aglutinador dessa política; um estadista de valor e que eles sempre subestimaram e subestimam com charadas de mau gosto e desrespeito - o Rei das coxinhas de galinha. Que não obstante o Brasil já ser grande, invadiu a Cisplatina ficando alargado com o actual Uruguai a sul e o Guiana Francesa a Norte por estar em guerra com os franceses - A França de Napoleão.

D. JoãoVI.jpg E, quantas mais coisas tinham de ser ensinadas, porque infelizmente, mesmo gente formada a nível universitário, não tinham um perfeito conhecimento da real história. Fui eu a contar a muitos, as estórias do Caramuru, Do João Ramalho, do 1º Bispo do Brasil - da festa de arromba que aqueles índios Caetés fizeram em Julho de 1556 devorando Dom Pero Fernandes Sardinha e outros edecéteras.
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Agora, neste momento na minha roça de Coimbra, de doutorado faço jus às afirmações deles: - Conta mais Doutor! Imagina, eu um Niassalês contando coisas do Lampião, coisas que os caras desconheciam. Como não avera de ser Dôtor!? De tudo isto eu retirava ilações no fraco aprendizado nas escolas brasileiras! 

MAGA8.jpg Claro que os ladrões existem aqui e lá mas, nesta actualidade, nem digo nada para não amesquinhar aquele elogio das laranjas feito por um brasileiro das terras Tugas! Tomara que Bolsonaro extermine tanto LARANJA mentiroso, que rouba o povo
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Mulungu e Mulungú: É branco em língua Zulu; também é uma árvore de grande porte com flores vermelhas; existem no Brasil e um pouco por toda a África austral...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 12:25
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Sábado, 11 de Maio de 2019
MOAMBA . XXVIII

 
O CHOQUE DO PRESENTE - COIMBRA...11.05.2019
Aonde quer que se seja, é mesmo bom não se fazer contas ao tempo porque o bicho pega!… Basta-nos os doze meses de socialismo, social socialismo, ou isso entremeado com geringonças e matraquilhos mais diabruras para espairecer molezas…
Por 

soba002.jpg T´Chingange - Em Coimbra... 

coimbra5.jpg É mesmo bom não se fazer contas ao tempo, aos meses, às horas e minutos, porque assim se tornam inexistentes, apreciando no seu melhor, as azáfamas dos outros ao nosso redor. Ouvir os "roncos - salvo seja" dos políticos feito barcos que sem os arrais de outrora, barulham os ares em tons diferentes aí Jesus que não há oiro! Pois! Lamberam-no todo. Se não for assim mais e desta forma e, tal e coisa, demito-me! 
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Até já sinto casquilhas ou cosquilhas nos meus calcanhares! 
E eu, curtindo o sol das doze horas ao toque das ave-marias que não o sendo agora, repicam na torre da Cabra desta tão bela Coimbra e aonde de tanto calcorrear me tornei doutor de bizarrias. Lembranças desse tempo de quando essas badaladas tinham som e até cheiro de bronze. Agora são fitas com musica a fingir que dão horas.

coimbra6.jpg Basta-nos os doze meses de socialismo ou social socialismo, ou isso entremeado com diabruras capitalistas, mais pão com chouriço e pata negra para espairecer as molezas dos imperialistas que sempre deixam correr o tempo, quando o não faz sair de feição... Coisas demasiado salgadas para mim que recebo uma miséria de patacas.
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Assim, desajustados à economia, com os burocráticos vícios da democracia, dão-se voltas às vicissitudes das suaves ou suadas angustias dos demais refastelando-se em caldeirões moles, e amolecidos como convêm nas desvirtudes corruptas do engano.
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E nós na impaciência, por não haver oportunidades iguais para todos, refilamos verificando serem os profissionais da política com banqueiros e seus mais próximos, os seus maiores beneficiados. Como todo o fenómeno é temporário teremos de purificar nossas almas tormentosas ou atormentadas sem nos apegarmos a coisa alguma... Meu Rio virou mulola...

coimbra2.jpg Não será portanto, caso de estranhar de muitos de nós andarem com um olho aqui e outro lá mais adiante, com a metade do raciocínio num sítio e a outra metade no ciberespaço. Com fenómenos de engenharia financeira dos bancos BPN ou BES entre outros, uns andarão muito cheios de fórmulas, outros simplesmente à boleia com vazios de ideias, enganados em tramóia de falácia mal explicadas.
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No meu caso muito pessoal, de tão inchado de espantos, desenho-me entre antigos esboços, revendo-me nos desenhos das sombras nos porões do meu Niassa, pois que sou Niassalês...
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Brincando até com o meu nariz achatado, relembro-me de que se de nada posso fazer de bom pelos meus mais próximos, também nada farei para os prejudicar. Não obstante terei de dizer aqui que o Senhor Costa, não nos será a salvação; não irei por isso e agora, vivinho e indisposto com muitas coisas querer guerras, fuzilar quem possa ter uma ideia mais original entre os diferentes deuses ou demónios.

dia185.jpg Demónios dos também diferentes comunismos, socialismos ou mesmo uma terceira sensação desconhecida, chinguiços com estralhos enredados de zingarelhos e outros complicados artifícios. Sim! Vivemos numa permanente mentira e, assim irá continuar. Ainda se visse a justiça andar para a frente e não de lado, ou para trás como o caranguejo!?
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:22
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2019
KILUNDU . VII

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O Cipaio Kukia Mandinga em ALHAMBRA, assiste ao pacto de Mano-Kilombelombe com Januário. Eu já era Mano-Corvo - Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal (México) com Araújo...
NA LAGOA DO M´PUTO - 10.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto - Na estepe Alentejana
Com a sensação de começar a penetrar na minha intranquila dependência da kianda, quase que me dou conta que meu pacto de sangue com o velho de mais de talvez 394 anos, começa a borbulhar-me no cocuruto da meninge. Os seguranças de serviço levaram-nos direitinhos à única entrada exterior do Palácio Nazarie.
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Tratados como mustáfas por via da indumentária de Januário Pieter e seu guardião - lanceiro, um espanto de nos fazer sentir os maiores privilegiados. O Cipaio Kukia Mandinga muito vaidoso, banga ultra moderna fardanda de zuarte amarelo, balalaica com muitos bolsos e uma catrefada de zingarelhos pendurados à mistura com pequenos chifres de porco do mato.

araujo 42.jpg Coisas trazidas dos confins; lá duma terra chamada Mapunda e uma outra com nome de Chibia com nome de espantar pássaros xirikuatas. Cipaio Mandinga, direitinho que nem um fuso, a tudo olhava com vontade de saber. Muxuxou que era muita areia prá sua camioneta e que, teria de comer um chipe extra de memória e sistema integrado para fosforescer mais rápido na sabedoria.
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A partir daqui rodávamos a cabeça em todos os sentidos observando toda a beleza daquele conjunto palaciano com quartéis, estábulos, mesquitas, escolas, banhos, cemitérios e jardins. O escambau de coisas desanoitecidas já esquecidas ou penduradas por detrás das portas junto às muitas ferraduras de muares e outros bicharocos espinhosos.

araujo34.jpg O Palácio dos Nazaries, é em verdade um conjunto de residências principescas sem fachada, sem alinhamento de salas, com passeios e jardins interiores de grande frescura. Pode adivinhar-se as forças ingrávidas de arcos com paredes furadas de renda; portas, janelas e arcadas por onde a luz penetra na medida certa e, aonde parece não haver gravidade.
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Foi no Pátio dos Leões, a sala privada do Sultão em que eu T´Chingange e Pieter selamos o nosso mais verdadeiro pacto de sangue. Esse cipaio Kukia que anda por aqui, até pode nem se lembrar mas assistiu direitinho com sua lança, feito Massai da Corongosa; um jardim que havia lá perto de sua casa cubata no Lubango. Uma mistura na cabeça dele que faz pena. Nunca no Lubango ouve caserna de bichos desses e, com esse nome!?

araujo10.jpg Por medo, as pessoas passavam de largo como se nós também fossemos daquele muitos idos anos e muito cheios de caruncho. Tínhamos em frente um belo claustro formado por muitas colunas, o lugar mais Pambu N´gila de todos os lugares aonde estivemos antes. Este sítio era em verdade um sem número de flocos dourados caídos do Duilo.
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E, foi ali que ambos picamos o centro da palma da mão esquerda de onde saiu uma bolha de sangue. Eu T´Chingange cuspi na mão esquerda de Pieter dissolvendo-se no sangue e ele fez o mesmo na minha mão esquerda; com a mão direita ambos acariciamos as cabeças dos leões e, eu primeiro e depois Pieter, desferimos com a direita em cutelo na mão esquerda do outro um enérgico movimento fazendo chispar sangue e cuspo no ar. 

araujo103.jpg Teve de ser ali porque o leão que pela boca deita água simboliza o Sol da qual brota a a vida. Os doze leões, são os doze Sois do Zodiaco, os doze meses que na eternidade existem em simultâneo. Eles, os leões sostêem a Kalunga como os doze torres de ferro no templo de Salomão. É este o depósito das águas celestes dessa Kalunga. 
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Este simbolismo único, venera a água como a pura vida e, foi ali que também, ambos choramos lágrimas de prata polindo o chão do Califa para ficarmos Manos-Kilombelombe. O Cipaio vaidoso sempre em guarda, sorria de vez em vez, inadequado para ser uma testemunha com carisma de Xi-Colono de terceira geração.
Em realidade ele era mesmo um genuíno africano, embora branco, mas era!
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Januário Pieter falou de que quando ficasse um antigamente, de mais tarde, eu um mais kota, me iria recordar deste selo de Mano-Kilombelombe enquanto ele, lá na ilha da ensandeira do Kwanza, recordaria os espíritos dos M´fumos Kia-Samba e Manhanga como um minkinsi.
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Pieter recordava as minhas próprias brincadeiras com os candengues no mar da Samba, os pactos de amizade feitos a cuspo e bisgo da mulemba nos subúrbios da Lua. A Kianda Pieter sabia tudo! Sukuama! 
- Deixa só, “ N´Zambi a tu bane n´guzu mu kukaiela”, Deus dá-nos força para seguir, disse eu batendo dedos no ar enxotando maus olhados.

araujo175.jpg Ilustrações aleatóias do mano Costa Araújo, nosso mestre 
Glossário:
Pambu N´jila: - Agente de ligação entre o espaço físico e o místico; lugar de veneração ou peregrinação; Lugar predilecto Duilo: - Céu (em um amiente de espíritualidade)
kalunga: - espírito forte, divindade ou espírito das águas, iemanjá, mar, água no geral
Mano-Kilombelombe: - Mano-Corvo, Uma fusão de homem com pássaro do tipo Kwetzal ( México)
M´fumos : - Chefes
Kukia: - Sol, pô do sol
Samba: - Lugar ente a Quissala e Futungo (Belas da Luanda de antigamente)
Manhanga: - Bairro da Maianga, lugar de cacimba, nome antigo já esquecido.
Amazulu: - Dialeto Zulu
Minkisi: - agente de ligação entre o físico e o místico, tem poder nos elementos da natureza, (faz chover, faz trovoada), gente com mau-olhado
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cus diabos; Porra!
Bisgo: - Resina de mulemba usado para apanhar pássaros,da mulembeira (árvore de grande porte que dá uns figos pequenos)
Lua – Diminutivo de Luanda
(Continua ...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:12
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Terça-feira, 7 de Maio de 2019
KILUNDU . V

kilundu: cerimónia de chamar os espíritos ao culto.
O Cipaio Kukia Mandinga botou faladura : - O Mundo está todo esfrangalhado em toda a parte; estamos separados, mas sinto que somos feitos do mesmo loando. Ué... ele fala angolês!?.... Desta feita estávamos ainda em Granada..
NA LAGOA DO M´PUTO - 07.05.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange... No M´Puto - Estepe Alentejana
Na sequência duma estória não muito antiga,  com a sensação de começar a penetrar na minha própria inconsciência, enrolando dedos e retesando músculos, cruzei o bairro mouro Albayzin bem cedo; de forma aleatória como um senhor dos caminhos minkisi cruzei ruelas estreitas de aroma de mijo ou tapetes molhados misturados com cheiros de churros.

MARROCOS2.jpg Do outro lado do vale podia ver as muralhas e torres de Alhambra. O rio Darro, corria na depressão à semelhança dos meus pensamentos que rolavam entre mulheres jitanas guapas bailando o flamengo em as mil e uma noites e, em companhia de Aladino e N´si, o guardião negro da terra. 
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Este carregado de espanta espíritos, vendia ternuras na forma de raminhos de alecrim e farrapos enternecidos de recordações. Tinha combinado encontrar-me de novo com Januário Pieter, um velho de trezentos e muitos anos e, aquele era um novo bom dia. Esta kianda itinerante da Globália, natural de Cabo Ledo, sítio distante da kalunga trazia com ele um moreno como guarda costas.

alhambra5.jpg Sempre estranhei uma kianda ter necessidade de um guarda costas sem, em verdade, ter costas! Este novo personagem tinha o nome de Cipaio Kukia Mandinga; tinha um cofió vermelho com uns laçarotes a saírem do cucuruto do boné que mais parecia um vaso invertido e, trazia não uma adaga mas, uma lança como se tratasse um guardião vindo daquela Índia imperial.
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Terei tempo para descrever este cipaio vestido de zuarte amarelo com mais detalhes mas, por agora iremos continuar a estória base do meu calendário. Na lapela do lado esquerdo tinha um escudo meio surrado com as Letras EDU. O que poço adiantar é o de que este mafarrico se dizia ser branco de segunda mas, em realidade aparecia preto que nem um tição...

alhambra4.jpg Cruzamos para Sul em ruas e avenidas modernas de patéticas angústias feitas estátuas! Íamos na busca do lugar mais próximo do "Arco de las granadas", o ponto nosso Pambu N´jila das antigas muralhas mouras; é ali que os espaços físico e e místico juntam simbis com gente de suko ou alucinados como nós.

mocanda11.jpg Na "Calle Bodegoncillo", já um pouco encalacrado, entrei em "El Pátio Riconcillo" e, busquei acento apropriado; o lugar era arejado dando para a "Plaza Nueva" podendo até, ver mais acima a "Plaza de Santa Ana". As paredes estavam cobertas de cartazes anunciando espaços de "Flamenco" e cartazes de cores amarelecidas com datas ultrapassadas de eventos tauromárqicos.

alhambra3.jpg Eram bestas de bois cornudos e esbeltos toureiros enfiados em apertados fato vistosos de lantejoulas zurzindo farpas ou bandarilhas coloridas; estavam encaixilhados em madeira sarapintada de minúsculos furos de térmitas, resquícios das pestes de Guernica.
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Foi assim já sentados com o Cipaio Kukia Mandinga que este falou pela única vez; antes só abanava sua cabeça ziguezagueando os penduricalhos do cofió. E, botando conversa de sábias palavras como que assim comesse delas num sempre mais constante do que o habitual, falou: - O Mundo está todo esfrangalhado em toda a parte; estamos separados, mas sinto que somos feitos do mesmo loando. Ué... ele fala angolês da Chibia!?

cipaio001.jpg E, continuou: - Há um grito que ximbica no nosso coração de fazer missangas. É um sentimento, uma sensibilidade, o respeito pelo ser humano que se juntam e são banda que batucam nosso coração; uma fé que se abre na kubata do nosso coração; jura mesmo patrão, diz assim desta forma encavalitada na mistura de sabedoria virando-se para Januário Pieter.
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Intransmissível! Intransferível! Ele nem quer saber quem morreu, só chora num repentinamente… Assim, preocupado com a RAIZ que alimenta a árvore - o imbondeiro, muito cava para contar quantas são, como se alimentam, se são envenenadas por ervas daninhas que crescem do nada e fazem secar os seus veios de vida. Pópilas! Ele falava coisa sem coisar o que estávamos a viver... Mas, aqui tem touros, tem touradas meu! Porque estás falar só àtoa, fingir que não és matumbo. Cala-te! Disse perenptóriamente a Kianda Pieter...

guernica4.jpgGLOSSÁRIO 
Minkisi: - Agente de ligação entre seres humanos e o físico, elementos de fogo, água, ar e terra; Jitanas guapas: - Ciganas bonitas; Aladino: O sábio árabe das lâmparinas; N´si: - Terra, o feiticeiro pintado com farinha vermelha (maiaca kianguim) que guarda os pórticos e permanece até o toque do medo, adrenalina, guardador de caminhos com saber do ontem, do hoje e do amanhã; Kianda: - Fantasma, assombração das águas das lagoas, rios e mares ou Kalungas; Kalunga: Junção de espíritos na forma de água, simplesmente água ou mar, espírito forte no reino dos mortos, divindade abstracta podendo ter a forma humana, quando alguém é levado pelo mar, foi Kalunga que lhe levou porque fez uafa, uafou (wafou= morreu); Globália. - O Mundo; Pambu N´Jila: Espaço físico em conjunção com o campo místico; Simbis: - Espírito ancestral de origem do Kikongo e àfrica central.
(Continua ...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:26
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2019
KILUNDU . I

kilundu: crimónia de chamar os espíritos ao culto.
Botando fumaça por meu arcabuz de outra geração chamado de canhangulo, fiquei assim matumbola mesmo ..... 
NA ILHA DO CARLITOS - 27.04.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileio
Estou contente de saber dos meus antepassados, disse Januário Pieter meu escolhido como kianda das mulolas espaciais. Já tinha dito isto em outras vezes mas, agora estava só a preparar um discurso. Agora só quero mesmo ficar no pé duma mulembeira, lá no meu kimbo de Cabo Ledo e, de vez em quando subir com os mwenangolas até Muxima ou Massangano.
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Sim, Ué... A esvoajar minha velhice; ir ao lugar do eco repartido, jangandeando com os maculos, perfurar outras sombras, outras kiandas desastradas que só fazem canvuanza, mesmo. Pópilas, estava falando pelos zingarelhos desconhecidamente familiares...

roxo79.jpg Pieter dava xinfrim de xoto em cima de mim, falando um amazulu impenetrável, banhos de àgua de defunto dum xova-xitaduma do Maputo; parecia ter saído dum d´jango esfumado em liamba com as lamparinas dum matumbola, que fica mesmo no corpo vazio ocupado por um ilundado; um grande chicoxana, mesmo.
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Mazé caté o Zeca Mamoeiro do Rio Seco vai ficar abuamado sem entender nadica de nada... Mas tu já és uma kianda,...meu! Disse eu falando das minhas verdades - É mesmo, mas, no entretanto, é tempo de começar a esquecer e ser esquecido. No futuro, serei lembrado como a kianda n´kuluculu mulungo de toda a kalunga.

sorte2.jpg Meio dia eram já quase, quando acabando de subir a rampa de “Gomerez” e, estavamos a passar a porta “Puerta de las granadas” quando desviei na conversa para um tás-a-ver de visão árabe, ali aonde que a conversa da manhã nos tinha empurrado nesse linguajar de espíritos,...
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Puxa catuta mesmo! Estamos esvoajando no tempo. Como então: Estão nos esperar dentro deste portão d´Alhambra, lugar de muitas sombras, espantos de califas. Chegados à “Puerta de la Justícia”, datada de 1348, reparamos que na pedra chave do primeiro arco estava gravada uma mão aberta chamada de “Al-Hanza” 

noval5.jpg Al-Hanza cujos dedos, significam os cinco fundamentos do Islão, a saber: - A crença de haver um só Deus em sua mensagem a Muhamad, a oração de cinco vezes ao dia, o imposto religioso (a limosna do dizimo), o jejum ou Ramadão e, a peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida. 
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Estou fodido! Nunca fui a Meca e vão-me zanguilar quando toparem que só sou mesmo um faz-de-conta. Assim branquela!
Esta porta aberta dava para uma outra fechada havendo no alto desta um espaço aberto de onde, em caso de cerco, os sitiados de “Al-Hamra” podiam fustigar, arrojando pedras, azeite fervente ou chumbo derretido em cima dos atacantes não dando assim, oportunidade a que forçasse a porta. 

granada3.jpg Esta originalidade da arquitectura Nazaríe explicada por mim a Pieter, fê-lo dar um estalido de lingua no céu da boca: - Sukwama! Mahezo!, grande muzua! De quilunza mesmo!
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Passamos ao lado de “La puerta del Vino” um lugar em que funcionava o mercado do vinho lá pelo ano de 1554 e, era em verdade uma fronteira entre o núcleo militar de “Alcazába” e a cidade medieval aonde, em esse tempo, viviam 2000 habitantes; uma porta policromada num intricado rendilhado.

granada4.jpg Como mestre, continuei explicando:- Nesta terra de Árabes, Abd-Allah, instalou-se aqui no ano de 889 e por aqui permaneceram seus seguidores por 603 anos. Saíram ao fim desse todo tempo, quando governava o Califa Muhamad XII da dinastía Nasrí (Nazaríes) no tempo dos Reis Católicos de Espanha e Carlos VIII de França...
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Nota: Tenho de consultar minha fada madrinha  de vassoura piaçaba.... Nem tomei nada, nem um pozinho, sequer... 
Glossaário:
Mwenangola: - Donos de Angola; reis de N´gola
Maculo: - Antepassado
Canvuanzaa: - Confusão; luta; xinfrim
Xinfrim de xoto: - Confusão de bufa; peido doido
Amazulu: - Dialeto Zulu
Xova-xitaduma: - Condutor de cangulo (Moçambique); um monangambé proletário; Condutor de carro de mão
D´jango: - Casa comunitária; forum; sitio de assembleia do povo ou de reunião; sítio só p´ra falar mesmo, ou cachimbar
Mulungo - M´zungo; branco em Zulu
Matumbola: - Morto vivo, uma assombração; um deus-me-livre; alma penada
Ilundado: - Espírito superior
Chicoxana: - Século (Angola); ancião com sabedoria, Kota com suko
N´`kuluculu mulungo: - Deus branco (Zulu)
Al-Hamra: - Alhambra em árabe
Sukuama!: - Caramba!; poça!; Cós diabos; Porra!
Mahezo!: - Tenho dito!
Muzua: - Armadilha; artefacto de prisionar
Quilunza: - Arma de fogo

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:30
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Sábado, 27 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXVI

N`ZINGA E O FALA KALADO 
NA ILHA DO CARLITOS de Várias Partes27.04.2019
Por

soba002.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Ele, Fala Kalado, quis ficar longe das vistas e já na Ilha do Carlitos foi-me dizendo que tem andado recatado, metido na sombra e no mato, para fugir de toda aquela vida de kazucuteiro, da venda e compra de armas. Kamanguista, já era - trespassei por bom dinheiro! Agora só quero mesmo gozar minha velhice com a tranquilidade permitida pelo reumático.

lampião10.jpg Quero ir à Serra da barriga depositar em selo, as vontades dos próceres matumbolas (mortos vivos) de N´Gola, N´Zinga, Hoji-ya-Henda e Monstro Imortal, heróis da guerra do Tundamunjila descansando sua eternidade junto dos seus antepassados, no Quilombo de Poconé; aliás já falei nisso! Pois, quero ir lá contigo porque sei que conheces bem, as antigas terras de Zumbi dos Palmares.
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Quer-se dizer, vais acabar cm a minha estória do Fala Kalado! disse-lhe eu. Tu é que sabes! Foi a resposta. Mas, há muito que contar - assim queiras, conclui... Por agora vou lá deixar as placas comemorativas, última vontade daqueles tais, para culminar esta etapa de familiaridade muito relegada no tempo.

flor6.jpg T´Chingange fala: Tua vida tem sido complicada depois que o Mais-Velho Jonas te mandou "fazer a folha". Também, a desviares tanto "feijão branco", daquele jeito, só poderia dar nisso. Só quando te vi no terminal de Guarulhos é que fiquei a saber e, com muito espanto que estavas vivinho da costa. Para mim, tu já estavas no eternamente do mukifo do céu...
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Recordo-te quando nos vimos de relance em ótxicoto lake da Namibia, faz tempo, com um tal de Mike Guiver, angolano preto, mas depois escafedeste-te da minha memória - tua t´xipala ficou baça e grudada no cerebelo como torrão de alicante preto. 

lampião23.jpg Durante algum tempo até recordei esse ximbicador de mambos, tocador de viola e baladas das anharas mas tudo se foi esbatendo. fazia-te morto naqueles confins, terras do fim do Mundo do Dirico, Divundu ou Rundu... Pois! Como disse (era o FK a falar) tu, T´Chingange ainda tens muito para contar pois que, foste Secretário de Informação e Propaganda naquela fase embrionária do Comité da Caála do Huambo aonde estava nosso comum amigo Kalacata. 
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É verdade - falei eu: Nesse tempo ambos sonhávamos com imagens inteiras mas, depois nossos destinos foram-se fragmentando, tal e qual como aquelas molas helicoidais das granadas ofensivas.

nito01.jpeg Lembro, disse! Ficavam quase em nada quando estilhaçavam. Tal como nossas vidas, rematou FK. A conversa estava boa de lembranças recordando aquele passado feito "NADA" neste "TUDO" de agora a falar de outros tempos... Soube que o Mais-Velho Jonas, reformando o Comité da Caála deu-te novas funções de Secretário de Relações Publicas, que quase morreste em Kalukembe na curva da morte. 
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Hó, se lembro! Desse tempo em que me mataram junto com o galo desenhado no capôt do meu renault major - em Kalukembe! Pensavas que eras o único morto nesta estória? Já relembrei por aqui e por ali o que foi essa minha vida; como dizes ainda haverá muito para dizer - de forma aleatória correndo no tempo para lá e para cá.

lampião19.jpg Afinal, ambos fomos abençoados. Estarmos aqui a contar isto que é uma estória quase igual à do Lampião, muito cheia de espinhos. Temos de andar com cuidado porque os cactos têm acerados picos, os mesmos que o cegaram sem nunca ter vingado a morte de seu pai Virgulino Ferreira. Virgulino, que nome mais traiçoeiro - cheio de virgulas...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:11
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Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XXV


O LIVRO ESCOLHIDO:

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee ... 26.04.2019 
Por 

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee 
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil. 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores …Ariano Suassumal. 
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olímpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira...

bookttique0.jpg De epilogo em epilogo sigo-me como um sonho que ora está no M´Puto, ora está em Angola, ora está na Pajuçara do Brasil lambendo as águas como quem lambe o tempo. De cavandela em cavandela sempre me vai dando mais tempo para beber a minha estória e, com ou sem profundidade recordar alguns relâmpagos.
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Lá se vai o tempo de me preocupar com o jardim a ficar cheio de grama ruim, o mato a crescer, as amêndoas por apanhar, os arames a enferrujarem e o tecto do sótão a se desmanchar. Renovando tubos oxidados para no mínimo ter água corrente, reinventando isto e aquilo tal como eu, reformulando-me...

roxo169.jpg O esmalte lascado do lava louças com suas manchas a ficar amareladas por via desse tempo que não para de me atazanar com remendos enjorcados para durar um pouco mais, retirar as bikuatas sem uso que só juntam ratos. Essa mania de amontoar coisas que não mais se vão usar.
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Tenta-se que as coisas sejam diferentes mas, tudo custa dinheiro e, este, está cada vez mais caro. Sim! Tentei que as coisas fossem diferentes mas, no suficiente de entre todas as oportunidades, foi o melhor. Assim falando com a minha empregada Mery de Kampala, vou-lhe dizendo que o tempo anda atulhar-me de velhice...

roxo184.jpg Que para isso necessito espairecer bebendo sua estória aqui ou ali, aonde quer que esteja porque cada vez mais, menos vontade tenho de ir ao seu Uganda. Sei ver o quanto sou cansativo quando falo do ontem e no antes de anteontem, mesmo sem consultar qualquer terapeuta.
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Como é que ia dizer a ele, terapeuta, que nestes últimos dias tenho andado cheio de gases, gases de peidos com flatulência duvidosa e desclassificada. Assim fazendo da escrita remédio para substituir o aspirina 100, torno o sangue mais fluido fazendo dele, o peido, a ponte entre o êxito e os cruzados abismos, ou de outro jeito de entre o breve e o já partido.

logica2.jpg De vez em quando falo com Mery: Eu (disse ela) andava na Universidade de Makerere, a melhor universidade de África; vim para aqui (Inglaterra) trabalhar porque foi através de um cartão que tomei contacto: «Família simpática precisa de mulher a dias qualificada» Qualificada? que quereria aquilo dizer? 
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Eu era qualificada para ser professora ou mesmo escritora! Disse assim para mim na primeiríssima pessoa. O que não levei a sério foi essa de dizeres que Makerere é a melhor universidade de África! disse eu, acrescentado: - Claro que é o que todos dizem, sobretudo quem lá andou!

vot3.jpeg O sorriso de Mery disse quase tudo: - Olha! sempre concordo com quem diz isso mas, aquilo está a cair aos pedaços! Mas, uma empregada a valer tem de saber aonde ficam todas as porcarias para limpar, esses hábitos secretos de aonde deixam o ranho, o penso higiénico, a fruta que apodrece nos cestos deles, os da casa e destinados a papeis... Está bem! disse eu para terminar a conversa nada relevante. 
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:43
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Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
XICULULU . CIII

TEMPOS QUENTES 24.04.2019 
MALAWI – NIASSA . No vale do Rift - De várias partes 
Por 

soba002.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 

rift16.jpg Mitologia de terremotos e vulcões ... Mitos, histórias e lendas sobre terremotos e vulcões de todo o mundo podem às vezes ser engraçados e elaborados. Antes da ciência moderna, os vulcões iriam explodir, as tempestades iriam romper-se e os terremotos tremeriam. 
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Tais incidentes hipnotizavam as pessoas, pois não sabiam do por quê e como. Como resultado, histórias para expor esses fenómenos foram desenvolvidas. Portanto, pessoas de todo o mundo têm usado mitos, lendas e histórias para explicar sobre terremotos e vulcões.
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Essas crenças e normas culturais foram à sua vez, uma maneira de tentar entender os poderosos fenómenos naturais que poderiam afectar muito a vida das pessoas. Eles evoluíram ao longo de milhares de anos em várias culturas e foram transmitidos ao longo de gerações.

rift14.jpg Em muitas culturas, no entanto, os animais, incluindo os seres sobrenaturais que vivem tanto na superfície da Terra como no subterrâneo, eram / são de se acreditar, estarem associados com terremotos e vulcões.
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Algumas culturas ampliaram esse tipo de história para incluir muitos animais que compartilham o fardo de carregar a terra. Em N´kwazi, rio Cubango, o Okavango da Namíbia, não muito longe do Rundu, pude saber esta interligação cultural pois que este nome corresponde a uma ave pesqueira e, tem o significado de liberdade. 
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Um peixe-gato gigante encontra-se enrolado sob o mar com uma ilha apoiada nas costas. O bagre, gostava de fazer brincadeiras e só podia ser contido por uma deusa chamada Kashima. 

rift13.jpg Enquanto Kashima mantivesse uma rocha poderosa com poderes mágicos sobre o peixe gato, a terra estava parada. Mas quando ele relaxou sua guarda, o peixe-gato se debateu, causando terremotos.
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A terra é considerada um disco plano, sustentado por uma enorme montanha a oeste e por um gigante a leste. A esposa do gigante segura o céu. a terra treme quando ele pára para abraçá-la. ´esta uma das lendas da África Ocidental. 

rift17.jpg Em Afar, o Vale da Fenda é todo coberto de pedras vulcânicas, o que indica que a litosfera é tão fina que pode estar a ponto de romper. Quando isso acontecer, um novo oceano começará a se formar pela solidificação do magma no espaço criado pelas placas quebradas.

rift15.jpg Eventualmente, em um período de dezenas de milhões de anos, o oceano vai se espalhar por todo o Vale. Por fim, a África ficará menor, e uma ilha gigante surgirá no Oceano Índico. Embora o processo seja acompanhado de terremotos, na maior parte do tempo ele se dará de forma silenciosa, sem que ninguém se aperceba.
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:02
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Terça-feira, 23 de Abril de 2019
CAZUMBI . LIV

CINZAS NO TEMPO - 23.04.2019
Todos somos actores num palco... Num grande palco da vida. O importante é inventar diferentes cenários sem nunca perder o fio à meada. 
Por

t´chingange 0.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro 

soba002.jpg A maioria das pessoas prefere interpretar a historia como o desenrolar de um desígnio sobrenatural, tendo por norma sempre um ou mais autores a quem referenciamos. Esta nem sempre reconfortante interpretação, foi-se tornando menos sustentável à medida que o conhecimento do mundo real se foi dilatando.
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O conhecimento cientifico em particular, quando medido pelo número de cientistas e, de publicações cientificas, tem no decorrer de mais de um século, vindo a duplicar a cada dez ou vinte anos. Nas explicações tradicionais do passado, as estórias religiosas da criação, têm sido combinadas com as humanidades para atribuir sentido à existência da nossa espécie. Em cada época, sua exigência!
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E, tendo neste agora só o planeta terra para coabitarmos, teremos de dar sentido ao que falta desenvolver. Neste passo de nossa viagem, pretendido na condição humana, precisamos de uma definição de história bem mais ampla do que aquela que convencionalmente é usada; daqui a se poder dizer: Apenas a sabedoria baseada numa autocompreensão, e não a piedade, nos salvará (uma forma de falar...)

picasso3.jpg Sendo assim não se explica por que razão temos esta natureza especial e não outra qualquer de entre um vasto número de possíveis naturezas. Neste sentido as humanidades não alcançaram e, jamais alcançarão uma compreensão total no sentido da existência da nossa espécie.
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Tendo nós humanos a capacidade de nos exprimirmos nas artes criativas, deleitamo-nos de maneira instintiva com os relatos de estórias de ou acerca de terceiros, actores imaginados em um palco albergado em nosso interior, nossa ilusão.
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Nossos vastos "bancos de memoria" podem ser activados sem grande dificuldade conseguindo combinar o passado, o presente ou o futuro permitindo-nos até avaliar possibilidades de criarmos vínculos afectivos, promover rivalidades, fomentar o ódio e até o amor, enganos, lealdades ou traições.

p-brana3.jpg Na sequência de um desenvolvimento mental incessantemente dinâmicos, há sem duvida comportamentos dissonantes expressas em competição, cooperação ou ódios. Será necessário ter uma memória suficientemente boa para analizar as intenções de outros.
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Outros, pertencentes a um grupo social; prever as suas reacções num processo constante de suficiente plasticidade, ou maleabilidade.

p-brana4.jpg Ensaiar ou inventar diferentes cenários sem perder o fio nas interacções que se seguem, como se diz, o fio à meada. Tudo isto para afirmar que todos somos actores num palco... Num grande palco da vida e, aonde é a conversar que a gente se desentende... 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:28
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Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
MU UKULU – XX

MU UKULU...Luanda do Antigamente22.04.2019 
MUXIMA DA MAIANGA . FEROMONAS DA VIDA
- Saber do passado para melhor se entender o futuro... 
Por 

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil 

luis0.jpgLuís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil 

zeca00.jpg Jose Santos - No M´Puto... 

luua32.jpg Não estava destinado hoje falar de FEROMONAS DA MAIANGA mas, e porque recebi uma Mokanda escrita na forma daqueles idos tempos, não resisto transpô-la para aqui porque isto era, foi o nosso Mu Ukulu da Luua. Na forma de introdução direi que mais de 99 por cento das espécies de animais, entre estes nós humanos, plantas, fungos e micróbios dependem exclusivamente ou quase, de uma série de substâncias químicas chamadas de FEROMONAS, para comunicar com membros da mesma espécie. 
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Assim agradecendo falei: Meu kamba-maior de coração invulgar num nome comum de Jose Santos, tuas amêndoas são sempre gostosas... Pena que andas sempre nos Kissama estudando os carrapatos do salalé e vires aqui mais vezes saudar teu mano! Catravês ficas na desculpa porque és meu ávilo de candengue do tempo tão antigo que nem a Joana Maluca recorda mais lá no seu cúbito do céu... Ver-te-ei com muita brilhantina na TiMatilde...
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A mokanda começa assim e no respectivamente, continua:
TONITO (soeu)......No meu mukifo, aproveito desta tua uuaba Moamba....te mando minhas amêndoas de múkua...para tu bué chupar...como nos mu ukulu dos candengue...porque os kumbu, malé dos amêndoas dos pula....Tambula conta! Xé! É meu agrado pra teu Dia de Páscoa com Ibib, teus monas teus ávilos keridos...

negritas.jpg  Teu mano ZECA nos Kissama, nos estudo pra os creme da pakassa para os salalé dos longevidade dos kota....mazé cheio dos comichão que os tuje faz bué...e borta kubata.....
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TONITO...UUABA PESSOA!!!. Tu num fica zangado com soeu porcauso do meu paragem dos escrito comentário, gosto e dos kandandu? Agora me dá n´guzu te pescar o teu peixinho os MISOSO os cacusso e botar na minha lagoa!!! 
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Te confesso....mazé cadavez os meu inama, os mãos....os n´guzo nos escrito os misoso dos face mazé é desigual do igual dos antigamente malé mesmo, porcauso os vapor nos inicio do Kurikutela butava fumaça bué! Aiué deixou de passar na cidade alta do nosso bairro da Mayanga, os território sagrado dos nossa uuabuama n´denge! 

caricocos.jpg  Então, duns tempo para cá....te digo que todos tão nos mesa dos concertação....dos sindicato nos tactoatacto, matacocommatako matacusentado! Ué! Te digo os lápis, os caneta e também os tinta qué nos tinteiro dos porcelana da Anchieta, colégio moderno, colégio João das Regras, katé os pequeno barril acabou....! Agora todos botaram essa confusão e ameaçam ir no palácio mostrar os indignação..!
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Os tuje querem mais cumbu e diz que tão sem os proveito dos fazer face nos custo dos vida. Assim, diz que nos bolso os cumbu baza logologo acabou katé num dá pra beber copinho do abafado no Rato, Morais, Hernãni da minina Alice ou no Reinaldo...!!! Malé, mesmo...

FRANCES2.jpg Cigarros francês

Então me diz..., tu licenciado katedrático do Rio Seco, Rua dos José Maria Antunes, que ainda continua a ser, se os despesa kiavuluvulu aguenta sem os produção num aumenta kiavulu....Tu sabes, o meu edição, já não tem os subsidio de produção do antigamente...! Tambula conta! Katé escapei katé os camenemene bué de vezes os dias meses anos, fazer o uafo..., porcauso os rolamento dos mutue os esferinha começou a sair, como diz os pula especializado na oficina do Baleizão do ávilo Taric..., diz que diz, ficou gripado!!! Tó lixado...
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Então, me diz só, como os quê ah vou voltar!, Ah! Há os budget assimassim e não podem na Rebita do Deve/Haver ter os massemba nas inana das barona dos bife dos profit...? Então assim num dá para aguentar os despesa .....porque os lucro baixou....porque Lello, os ávilo agora nos moda dos época vem pra fora fumar átoa os negrita, caricoco e deixa as beata pirisca no chão..., 
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Falta só mesmo átoa pra ir no kinaxixi buscar os mercearia; batatadoce, peixe seco, óleo palma, quiabos, jindungu, sal do Cacuaco, azeitonas da Leba.... Agora tu tens os meu parabéns....tu tens o teu n´guzu de torresmo de lagartinha Mopane....,e todos dias botas cada misoso bué comprido....! 

zeca01.jpeg Zeca com Mano T´Chingange  - TiMatilde

Amam´iéé! Tu como consegues ter tanto n´guzu...., os vontade de encher na Kizomba os teu misoso os escrito mais os foto bonitinha....?! Então tu "esqueleto pessoa, menos barriga de ginguba" és igual soeu!!!! Me diz só; tu fumas macanha, bebes maluve, marufu, botas gemadas de avestruz com os aguardente Pitu velho Chico 1935? 
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Temos de combinar de novo ir no Pica no Chão da Libata de granito de Póvoa de Lanhoso...., com os nosso kerido ávilos do Rio Seco...Então, faz tempo, e num quero chorar mais dos pensamento dos cagaço..., meu olhos tão seco....
BOA PÁSCOA ABRIL 2019
Kandandu Zeca 20190421
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Eu, logologo, respondi respeitosamente ligeiro de reco-reco de saudade: Tu - José Santos de um paludismo especial da Jihenda kaluanda - N´zimbos de fabricar missangas como sótumesmo sabes fabricar... que sótu sabes fazer. Te formaste na Universidade do Rio Seco da Luua. Meu mano de matar matrindindis zarolhos quando sóeramos matumbos do primeiro circulo...Aiué...

zeca5.jpgZeca fazendo banga

Vou-te falar nos finalmente: Se a cultura é uma invenção, ou uma construção de actos históricos, nós gente do Rio Seco, feito mulola, katedráticos de muitas estrelas, podemos afirmar que nossas falas, têm de ser colocadas no mausoléu sputnik do nosso Mar da Samba. Isso! Na gaveta mitologia antropológica, porque nós merecemos generalato! - Muito mais que as matubas do mais-velho de Catete. Juro! Vou te botar na estória do MU UKULU como o maior missangueiro do reino da Matamba... 
Igual a tu, só TU... um T´CHIKUKUVANDA ...

GLOSSÁRIO:

Mokanda - Carta...Kamba- amigo...Kissama- parque ou reserva animal...Salalé- formiga térmita...Catravês- então; por conseguinte...ávilo-amigo...Candengue moço, rapaz, pivete...Cúbito- lugar...Mukifo-quarto, recanto, lugar íntimo...Uuaba - assombrosa, espectacular... Moamba- condimentos, comida...Múkua- fruto do imbondeiro... kumbu-dinheiro... Malé - nenhum, nada..Xé- admiração...kandandu- saudação, abraços... N´Guzu-força, potência... Pacassa- búfalo, boi...Pula- português, do M´Puto...Baza- vai embora, foge, afasta-se...Tambula- toma atenção, anota, repara...Konta- atençaõ, ficar de olho...Missosso - conto curto, pequena estória, crónica...n´denge- carinho...espaço mítico...Mazé- expressão de talvez com admiração e dúvida... Cacussu- peixe do rio...Kurikutela- comboio fumaça a apitar, lançar fagulha...Mataco, Rabo, cú, bunda...Ué- exprssão de admiração, é possível?...Tuge-meda, excremento de pessoa...Kiavuluvulu-aumentando, crescendo,subindo...Camenemene- abandonados, relegados...Mutue - de motor com biela e segmentos...Massemba - jeito, trejeito forma de tocar... Inama, perna...Barona- mulher de destaque, m´boa...

kisan1.jpg Mopane-lagarta...Átoa- de qualqueR modo...Macanha- maconha, liamba, fumo forte, canábis...Marufu-vinho de palmeira...Libata-casa...reco-reco- raspando, instrumento de fazer barulho...Kaluanda- de Luanda...N´Zimbo-concha, bivalve sem bicho...Jihenda- saga, luta, forma de acção...Matrindindi- tipo de gafanhoto...Matumbo-burro, no sentido de inculto, tapado...Sputnik - monumento do Agostinho presidente dos mwngolês, gracioso quanto ao desplante ...Missangueiro- que trabalha com missangas...Matamba- Reino antigo de N´Dongo....T´chikukuvanda- lagarto de cores várias
Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:15
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Segunda-feira, 15 de Abril de 2019
MOAMBA . XXV

Dizem que já estamos no século XXI... 15.04.2019
”Esta gente foi a gente com quem me fiz gente. Hoje, não há gente… é tudo transgénico . "Quando os meninos me pediam "papel macio pró cu e roupa boa prá gente"…
TEXTO DE UMA PROFESSORA DE NOME LOURDES DOS ANJOS ... 

Moamba é cozido de galinha feito com azeite dendem 

kimbo 0.jpg As escolhas do Soba . No Nordeste do Brasil
Aqui se transcreve um texto que me fez lembrar o tempo... Curiosamente, em Rio de Moinhos, muito próximo de Rio Mau... perto do Porto... Um dos textos que mais me custou a escrever e por isso tem mais lágrimas do que palavras. Estávamos ainda no século XX, no longínquo ano de 1968, quando a vida me deu oportunidade de cumprir um dos meus sonhos: ser professora. Dei comigo numa escola masculina, ali muito pertinho do rio Douro, na primeira freguesia de Penafiel, no lugar de Rio Mau.

 lourdes dos anjos1.jpgEra tão longe, da minha rua do Bonfim, não podia vir para casa no final do dia, não tinha a minha gente, e eu era uma menina da cidade com algum mimo, muitas rosas na alma, e tinha apenas 18 anos. Nada me fazia pensar que tanta esperança e tanta alegria me trariam tanta vida e tantas lágrimas. Os meninos afinal eram homens com calos nas mãos, pés descalços e um pedaço de broa no bolso das calças remendadas. 
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As meninas eram mulheres de tranças feitas ao domingo de manhã antes da missa, de saias de cotim, braços cansados de dar colo aos irmãos mais novos, e de rodilha na cabeça para aguentar o peso dos alguidares de roupa para lavar no rio ou dos molhos de erva para alimentar o gado.

araujo103.jpg As mães eram mulheres sobretudo boas parideiras, gente que trabalhava de sol a sol e esperava a sorte de alguém levar uma das suas cachopas para a cidade, “servir” para casa de gente de posses. Seria menos uma malga de caldo para encher e uns tostões que chegavam pelo correio, no final de cada mês. Os homens eram mineiros no Pejão, traziam horas de sono por cumprir, serviam-se da mulher pela madrugada, mesmo que fosse no aido das vacas enquanto os filhos dormiam (quatro em cada enxerga).
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Cultivavam as leiras que tinham ao redor da casa, ou perto do rio e nos dias de invernia, entre um jogo de sueca e duas malgas de vinho que na venda fiavam até receberem a féria, conseguiam dar ao seu dia mais que as 24 horas que realmente ele tinha. Filhos, eram coisas de mães e quando corriam pró torto era o cinto das calças do pai que “inducava” … e a mãe também “provava da isca” para não dizer amém com eles…

arau162.jpg E os filhos faziam-se gente. E era uma festa quando começavam a ler as letras gordas dum velho pedaço de jornal pendurado no prego da cagadeira da casa…o menino já lia.. ai que ele é tão fino… se deus quiser, vai ser um homem e ter uma profissão! Ai como a escola e a professora eram coisas tão importantes! A escola que ia até aos mais remotos lugares, ao encontro das crianças que afinal até nem tinham nascido crianças…eram apenas mais braços para trabalhar, mais futuro para os pais em fim de vida, mais gente para desbravar os socalcos do Douro, mais vozes para cantar em tempo de colheitas.
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E os meninos ensinaram-me a ser gente, a lutar por eles, a amanhar a lampreia, a grelhar o sável nas pedras do rio aquecidas pelas brasas, a rir de pequenas coisas, a sonhar com um país diferente, a saber que ler e escrever e pensar no é coisa para ricos mas para todos, para todos. E por lá vivi e cresci durante três anos e por lá fiz amigos e por lá semeei algumas flores que trazia na alma inquieta de jovem que julgava conseguir fazer um mundo menos desigual.

araujo1.jpg E foi o padre António Augusto Vasconcelos, de Rio Mau, Sebolido, Penafiel, que me foi casar ao mosteiro de Leça do Balio no ano de 1971 e aí me entregou um envelope com mil oitocentos e três escudos (o meu ordenado mensal) como prenda de casamento conseguida entre todos os meus alunos mais as colegas da escola mais as senhoras da Casa do
Outeiro. E foi na igreja de Sebolido que batizou o meu filho, no dia 1 de janeiro de 1973.
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E é deste povo que tenho saudades. O povo que lutou sem armas, que voou sem asas, que escreveu páginas de Portugal sem saber as letras do seu próprio nome. Hoje, o povo navega na internet, sabe a marca e os preços dos carros topo de gama, sabe os nomes de quem nos saqueia a vida e suga o sangue, mas é neles que vai votando enquanto continua á espera de um milagre de Fátima, duns trocos que os velhos guardaram, do dia das eleições para ir passear e comer fora, de saber se o jogador de futebol se zangou com a gaja que tinha comprado com os seus milhões, e é claro de ver um filmezito escaldante para aquecer a sua relação que estava há tempos no congelador.

arau163.jpg  Seus génios, os pequenos / grandes ditadores que até são seus filhinhos gente que vende aulas aqui, ali e acolá, os papás são todos doutores da mula russa e sabem todas as técnicas de educação mas deseducam os seus génios, os pequenos /grandes ditadores que até são seus filhinhos e o país tornou-se um fabuloso manicómio onde os finórios são felizes e os burros comem palha e esperam pelo dia do abate.
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Sabem que mais?! Ainda vejo as letras enormes escritas no quadro preto da escola masculina, ao final da tarde de sábado, por moços de doze e treze anos com estes dois pedidos que me faziam: “Professora vá devagar que a estrada é ruim, e não se esqueça de trazer na segunda-feira, papel macio pró cu e roupa boa dos seus sobrinhos prá gente”. Esta gente foi a gente com quem me fiz gente.

araujo191.jpg Hoje, não há gente… é tudo transgénico. O povo adormeceu à sombra do muro da eira que construiu mas os senhores do mundo, estão acordadinhos e atentos, escarrapachados nos seus solários “badalhocamente” ricos e extraordinariamente felizes porque inventaram máquinas e reinventaram novos escravos.Dizem que já estamos no século XXI...”
Ilustrações de Costa Araujo Araujo
Li com prazer : O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 00:45
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Domingo, 14 de Abril de 2019
MU UKULU – XIX

MU UKULU...Luanda do Antigamente14.04.2019 
MUXIMA E MASSANGANO - Uma visita à Fortaleza de S. Miguel. Saber do passado para melhor se entender o futuro...
Por 

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

Mu Ukulu44.jpg  Li uma tese da análise da Unicamp em Brasil e achei interessante continuar este tema sobre a instalação de uma fábrica de ferro na região da Ilamba, no interior de Angola. Na segunda metade do século XVIII, a partir do ponto de vista das sociedades africanas, as mudanças nas relações de trabalho foram bem impactantes. Acabaram assim, por deslindar haver modos de exploração do trabalho dos Ambundos, para além do da escravidão.
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O estudo das faces normativa e prática dessas transformações impostos desde a conquista, trazem para o centro da narrativa os problemas de se ser subalterno a um processo alheio à sociedade. Os representantes da elite política africana, reivindicavam seu estatuto de vassalos para denunciar abusos que sobre eles cometiam.

Mu Ukulu02.jpeg Outros aspectos das relações coloniais manifestos durante a construção da fundição de Nova Oeiras foram os conflitos em torno de minas e terras mais o controle da fabricação e comercialização de objectos de ferro. Esses recursos naturais e utensílios de ferro, tinham já para os africanos significados distintos do económico. 
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Os ferreiros e fundidores da Ilamba produziam um ferro de alta qualidade em fornos baixos, com seus instrumentos rústicos. Sua trajectória, enquanto grupo de artesãos, foi o fio condutor da pesquisa, pois permitiu compreender as disputas, e conflitos de poder. Costumes e tradições envolvendo tanto as estratégias do domínio colonial português, quanto as formas de resistência a ele. Daí a invenção de novas práticas, com elaboração de discursos articulados subjacentes à sua emancipação. 

Mu Ukulu27.jpg Nota-se que as determinações locais tiveram peso tão ou mais significativo nas decisões tomadas na sede do Império em Lisboa. As ideias surgem ilustradas na principal fortaleza colonial para marcarem esse período. Fortaleza de São Miguel, baluarte de poderio Luso. Como podem deixar agora arrefecer estes relacionamentos que determinaram a nação presente. Como podem agora desclassificar e menosprezar a gesta Lusa que também foi heróica. Aqui se forjaram ideias e ideais que simplesmente não podem ser arredados.
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Os embates entre as personagens do Sertão de Angola - sobas, os filhos, capitães-de-mato, ilamba, imbari, negociantes, pumbeiros, ferreiros e fundidores - todos, guiaram as directrizes governativas em Luanda e enfatizam, talvez sem o saber as complexas redes hierárquicas nas relações de domínio, embora o sendo no auge do negócio negreiro . 

Mu Ukulu43.jpg Por fim, na base de uma leitura das fontes que privilegia o ponto de vista africano, propõe-se uma nova interpretação sobre as narrativas dos fracassos de Nova Oeiras, considerando que os Ambundos elaboraram estratégias bem-sucedidas para manter em seu poder os conhecimentos e os benefícios que a metalurgia lhes conferia.
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Haverá dignidade na menção, porque em pleno século XX o Governo de Lisboa ainda tinha aversão a tudo o que fosse cultura em Angola. O revolucionário empreendimento de Inocêncio de Sousa Coutinho, foi liminarmente abandonado, e intencionalmente esquecido. Em Novembro de 1772, após 8 anos fecundos e únicos na governação de Angola, depois da sua partida para Portugal o que o sucedeu; o Governador António de Lencastre, simplesmente, ignorou toda a sua obra.

Mu Ukulu29.jpg  A fundição de Nova Oeiras, uma homenagem ao primeiro ministro de Portugal Conde de Oeiras depois Marquês de Pombal, acabou por se transformar num local turístico que desperta nostalgia a todos os estudiosos e desejosos de verem aquela terra como sendo de todos que nela nasceram sofrendo também tantas tragédias, abandonos e descaso ao ponto de serem relegados a coisa nenhuma. 

Mu Ukulu45.jpg Esta fundição foi a primeira em África, à frente de quase todos os países europeus. E, ainda existem canhões fundidos naquele tempo para falar verdades de trovão; a pura palavra de se dizer: A verdadeira vontade de fazer progredir Angola. Não basta dizer que a cerca de 150 km do Dondo entramos no reino da Rainha Ginga . Nossa memorias vão mais além dessa sintetica negritude que por ironia, nos querem tatuar na pele para enfatizar...

NOTA FINAL AO JEITO DE COMENTÁRIO

-Sempre vinco o direito da nacionalidade como nascimento ou por obras meritosas feitas e para Angola! Ao invés de proporcionarem este principio, os ditos angolanos "genuínos" que se dizem ser no topo da escala, desmereciam ser angolanos porque açambarcaram para além do poder a economia roubando desmedidamente.

Houvesse gente interveniente aqui que não se limitasse a dizer "esta bem" ou clicar no "gosto" para se apelar ao governo de Angola que: - Eram mais merecedores serem angolanos aqueles colonos que tanto labutaram, do que estes ladrões que açambarcaram por graciosidade de Portugal tamanha responsabilidade.

Quisesse eu ser um sociólogo, pegaria nisto para me tornar doutor por tese. Talvez Fernando Vumby na Diáspora possa pegar nesta matéria e dar-lhe o devido relevo... Ou também o professor Júlio César Ferrolho ou Edgar Neves entre outros .... GENTE DE CRÉDITOS E ACREDITADA...

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:10
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2019
MISSOSSO . XXXIII

N`ZINGA E O FALA KALADO – 4ª de Várias Partes – 10.04.2019
Por

soba15.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
Nélito Soares foi assassinado à queima-roupa na Vila-Alice pelos comandos Tugas já depois do 25 de Abril de 1974, ainda debaixo da Administração de Portugal. Assim se pensava ter sido até o misterioso encontro entre o T´Chingange e o tal de FALA KALADO no aeroporto Internacional e do Terminal Doméstico numero DOIS de Guarulhos de São Paulo.

missosso2.jpeg E, graças ao “Morro da Maianga” consegui descortinar um pouco mais a minha alhada aqui comentada no meio de uma fricção ficcionada… Uma meia inventação em que só o tempo descortinará como verdadeira, essa morte do Nélito Soares, o mesmo FALA KALADO dos MISSOSSOS a virar lenda.
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Quanto ao Coronel FK, aparecerá nos próximos episódios mas em tempo de malembe malembe e da frente para trás porque os acontecimentos andaram muito mais rápidos do que a minha escrita e, recordar o passado, é forçosamente como fazer reverdecer erva sintética - uma trepanação complicada. 

oscar4.jpg Nesta tarefa de dar vida aos matumbolas plastificados, só mesmo o MPLA se pode considerar perito de primeira. Naquele então de 1974 e 1975 estes e os Tugas foram especialistas de dez estrelas. Mas, e, também porque nossas vidas assim foram determinadas, andarem para trás como o caminhar dum caranguejo robotizado. E, há muitos que continuam assim, robotizados, amaciando a podridão duma nação...
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Assim, só poderei dizer que FK (Fala Kalado) ingressou na UNITA posteriormente à sua própria morte (aparente) e tomou o nome de Fala Kalado (Fala como agradecimento às Forças Armadas de Libertação de Angola - FALA e Kalado por ser sua condição "sine qua non" secreta). 

paulo7.jpgAinda não eram seis horas da manhã, o sol estava erguendo-se ao nível do horizonte mas ia já nas silhuetas dum sexto andar e, eu na água fazendo exercícios. Hoje excepcionalmente fui abordado pelas alforrecas, águas vivas roçando seus fios raivosos nas minhas duas quinambas; coisa suportável e, segundo se diz benéfica para reduzir a artrite.
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Estive bem perto de duas horas dentro de água falando com um casal vindo de Pacatu de Minas Gerais, enquanto me mexia. Já sentado no banco corrido de cimento cru e à sombra dos coqueiros do calçadão, bebo minha água de coco comprada ao Jefferson. É bom lembrar aqui que este cidadão antes de iniciar suas tarefas e ainda, estando eu na água, correu a dar um mergulho de corpo inteiro. 

tonito16.jpg Jefferson após o mergulho levantou as mãos em adoração para o céu, orou ao seu Deus, ou ao paínho Cisso cantando um oração; de onde eu estava os dizeres eram monossilábicos, parecendo uma zoada carregada de muitos amém e estando eu assim pensativo nestas minudências da vida, aproximou-se um senhor já velho, camisa florida, cor e jeito de um cubano Caribenho.
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O chapéu de matuto do sertão não lhe conferia um esmerado gosto; fazia rodar em sua mão esquerda umas missangas feitas de pequenos búzios; Era assim pró moreno e dum perfil ginasticado, embora um pouco encarquilhado no rosto e na orelha esquerda. Sentado a meu lado e depois de uns curtos suspiros pude ouvir: Têm noticias de Kalacata? Não havendo mais ninguém ao nosso lado, deduzi que a pergunta era para mim.

nasc2.jpg Num repentemente minha massa encefálica, despertou meu astigmatismo e como um raio lazer caiu na realidade do nome afiando-me os olhos num só. Kalacata foi alguém de minha intimidade de quando eu fui Secretário de Informação e Propaganda do Comité da UNITA na Caála, também chamada de Robert Williams. Assim brutefeito, olhei para ele mais de frente e, tive um susto: - Era ele, o FK!
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Ambos nos levantamos e, sem nada dizer, nos apertamos num longo abraço. Minha cabeça convulsionava-se em desespero para entender este encontro assim tão inesperadamente esperado - tão súbito! Em verdade, sempre o seria em qualquer momento - estava ali a fera! O FK...

IMG_20170823_142728.jpg Titubeamos aos poucos as falas, assim como um motor com falta de ar no carburador e, desengasgando coisas recentes falamos coisas menores, como que a apalpar terreno e, lá me pediu desculpa por não me dar a atenção devida no aeroporto de Guarulhos. Disse-lhe que isso não era assim tão importante.
Em realidade mentia, agora com a fera ali tudo era importante. E, com tanta coisa para dizer, saímos dali para dar continuidade em outro lugar. Não é de admirar que estejam curiosos porque eu, também estou - e muito!
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 23:31
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Quarta-feira, 27 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XVIII

MIAÍ DE CIMA . CORURIPE - 27.03.2019 
Lugar aonde os índios Caetês comeram o primeiro bispo do Brasil - SARDINHA! - Também com este nome!? - estava a pedi-las...
Por

soba0.jpeg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira) 
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa 
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo 
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador 
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira 
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz 
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos 
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho 
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho 
10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil 
11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores … Ariano Suassuma...
12 - O PADRE CÍCERO que eu conheci - Olimpica editora de Juazeiro - Amália Xavier de Oliveira

miai0.jpg :::::174 - O Bispo Sardinha caricaturizado pelos seus, no Vaticano
Estávamos a 24 de Março deste ano de 2019 - um dia calorento, sem brisa, nem cheiro dela! Recordo! Fui em tempos como romeiro a Juazeiro e até se deu um milagre... dele falarei lá mais para a frente. Posso adiantar que havia no meio da clareira uma mulher integralmente nua, de cabelos pretos escorridos pelas costas e até quase à cintura. De cor morena e olhos de uma grandeza impressionante que rodava sua juventude.
:::::175
Assim esbelta girava ao redor do único salão disponível; talvez uma clareira, um simples terreiro. Não pode ser! Havia bananeiras a contornar a natureza. Só poderia ser mesmo um salão de um imenso tamanho, do tamanho do Mundo. No encontro da noite com a manhã, um "bem-te-vi", despertou-me da realidade ou para a realidade. Aquela mistura maluca de seiva de cacto com jenipabo fez-me viajar por muitos e variados lugares como um supremo e eterno jogo de amor, nuvem com donzela parda do Agreste. Pópilas, era mesmo vontade de mijar! Para vocês, desconsigo mentir - acontece!...

miai01.jpg :::::175 
Foi assim que sucedeu com todos os portugueses. Os Caetês comeram o primeiríssimo bispo do Brasil com o nome de Sardinha. Pode existir assimilação mais completa, pode!? Aplicando todos os impensáveis princípios de fraternidade, Sardinha e mais de oitenta marinheiros naufragados nesta costa aonde me encontro, foram comidos depois de esbracejarem auxilio aos índios. Eu nunca li assim deste jeito uma tão tamanha fraternidade. Agora, bem que poderíamos ser, todos uma única raça: -Brasileiros.
:::::176 
Pois! Os Portugueses iniciaram este país, afinal, deixando-se jantar pelos índios. Pela quantidade foi mais que um jantar, um café da manhã com almoço prolongado e ceia lá pela noite adentro. Depois disto fomos nos comendo uns aos outros e, eu acho lindo! Mas, sabe o que aconteceu? Alguns de entre nós descobriram-se negros e desataram a reclamar da cor. De repente cada qual começou desatando seu pavio e rápidamente já eram todos a reclamar casa, bolsa família e o escambau!

guerra22.jpg :::::177 - Pioneiros do MPLA - 1975
Os negros reclamavam de que não os deixavam ser brasileiros: Jacaré por exemplo veste uma camiseta preta com a inscrição "100% Negro". Euclides, o benguelense, pensando nisto,fala missangas com o General Catiavala. Este, vestido com o uniforme camuflado do Exército Angolano, suspira: - O senhor conhece Benguela de antigamente? Eu agora vivo só de lembranças, sabe? Já somos dois! ... os passeios nocturnos à Massangarala, ao Bairro do Benfica, ao luar - Tudo era bonito naquele tempo...
:::::178
Até o Salão Azul dos cubanos e o Lanterna Vermelha, o dancing do Quioche. Sabe aonde havia a melhor quissângua de Benguela? Euclides fala, fala sem obter qualquer muxoxo, qualquer resposta audível e plausível. Um dialogo chato de se fazer. Pois eu por detrás do bairro do caminho de Ferro, quando a gente ia na escola...lembra! Sem resposta, o jornalista ia ficando no pensamento dos tamarindeiros em flor... 

guerri6.jpg :::::179
Morrendo apenas, é que tudo acaba. O carro desliza através da tarde imóvel. Ao jornalista benguelense parece-lhe que estão parados - que é a cidade que desfila diante deles - um filme mudo. O Cristo Redentor de braços abertos continua de costas. Vai se entretendo a ler as placas das lojas e restaurantes: - Mocotô de Caetês,... grão de bico com bacalhau do M´Puto,... Sardinha grelhada à Coruripe.
:::::180
Pensa em outras tardes semelhantes àquelas, no Huambo, no Alto Hama ou em Benguela, assim mesmo de quando o tempo se aquieta no silêncio vastíssimo ou no meio da poeira vermelha da picada, apenas de onde o vento vira a curva, vindo de muito longe; lugar aonde se ouve o desespero dum motor, uma GMC ou Magiros, Scânia ou até uma Ural feia de assustar crianças. O desespero de um camião na picada.

guerri2.jpg :::::181 - Soldados do MPLA - 1975 
Porém, o país que amas, talvez já nem exista mais. Neste item, pode-se-lhe adivinhar os pensamentos na perfeição. - Você não tem saudade dos passarinhos, das flores da nossa terra? Isto da "nossa" é uma forma de dizer mas, lembro-me sim, dos rabos-de-junco, dos bicos-de-lacre, das celestes,, canários viuvinhas ou dos plim-plau cantando nas acácias rubras da minha rua. Às tantas nem sei se o cara fala comigo ou se só pensa.
:::::182
Eram tempos do visgo da mulembeira que a gente punha nas figueiras, umas palhinhas a colar as patas dos bichinhos - os siripipis de Benguela. Um dia, quando voltarmos, se voltarmos algum dia, haverá ainda acácias rubras florindo nos quintais? Ou estará tudo feito um cortiço de gente entaipada àtoa. Recordo ainda a fúria que esperava por alguém numa esquina. Não importa qual a esquina e quem era! Era alguém que na Luua, escuta violento rebentamento, violento estilhaçar de vidros e, logo a seguir a massa convulsa dos jovens pioneiros que gritam ódio.

savi6.jpg:::::183 - Jonas Savimbi - morto
Gente que faz tiros, que leva as balas directamente do produtor ao consumidor. Depois! Depois surge um homem ajoelhado no asfalto. Para aqui! Um adolescente alto e magro, de bermudas, uma camiseta com o rosto de jacaré e o título de seu disco - duma canção que editou "Preto de nascença". O candengue alto e magro, de bermudas descoloridas, sapatos quede, encosta uma pistola à cabeça do gordo e, dispara...
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:51
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Terça-feira, 26 de Março de 2019
MALAMBAS . CCXVII

TEMPO DE CINZAS NO MIAÍ DE CORURIPE – MALAMBA é a palavra – 26.03.2019 
- Boligrafando estórias em cor vermelha…1ª de várias partes
Por

soba15.jpgT´Chingange - No Miaí de Coruripe - Nordeste brasileiro
Eram umas cinco horas e trinta minutos do dia 23 de Março, um Domingo. Fui fazer o café da avó bem à maneira da roça da Ti Jacira, uma encantadora senhora com 87 anos. Ti Jacira levou toda a vida dedicada aos filhos e netos de outros mas, que se tornaram dela. Ela nunca se casou mas, como uma assistente social que era, levou tão a peito sua actividade que assumiu ao longo da vida filhos de outros progenitores sem fazer triagem de sua perfeição; conheci-a assim nesta graça de vida feita uma senhora Madre Jacira de Miaí de Cima.

cortiço3.jpg Dedicada a rezas do terço, no fazer de qualquer coisa, acalenta sempre seu final com um Graças a Deus e se Deus quiser. Ás tantas em suas falas o Nosso Senhor é uma virgula em suas missangas Assim diz: Amanhã, se Deus quiser, vamos à praia, se Deus quiser, a chuva não vai chegar e, se Deus quiser, almoçaremos peixada no restaurante da Dona Maria, se Deus quiser, na sua graça.
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O café "Santa Clara" bem à maneira do Sertão, foi lançado na água quente e quase fervente na cafeteira. Três colheres para a quantidade volumétrica do termo e, assim que despencou a subida, meti na espuma cheirosamente castanha a colher de aço frio com cabo de pau-ferro; contida a subida desliguei o fogão e esperei um pouco que assentasse. 

araujo176.jpg Depois foi só entornar o mesmo para a garrafa de termo. Não! Em uma outra pequena panela de cabo comprido fervi água para desinfectar o coador em linho - uma espécie de meia suportada em um aro enfiado em um cabo de madeira antiquíssimo. Por via de grandes ausências, estes procedimentos são de extrema importância por ali andarem cobras, morcegos e calangos - uns mini crocodilos de uma cor de argila verde com sarapintas escuras; assim parecidos com as iguanas, isso, com seus lombos em forma de serrilha- feios pra burro!
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O cheiro subiu até aos aposentos do andar superior dando ênfase ao término da dormida - noite quente - talvez uns trinta e dois graus; o raio do ventilador ficou lento a noite toda. Escandalosamente lento a fazer romrom que nem um gato com asma tuberculina - a velocidade era só a que tinha: uma - a primeira! Tive de dormir na varanda a sorver com stress o vento mais frio vindo do lado do mar cercano com os sancudos e pernilongos a azucrinar os ouvidos; a pele macia a desfazer-se em pupias untosas de ADN encardido.

marechal1.jpg Vou-vos contar! É um negócio meio gozado! Pimenta no cu dos outros é refresco, mesmo! Aqui as falas começam e terminam com esse negócio; fácil de falar assim aonde tudo se chama do mesmo jeito num vocabulário mais restrito que a lua nova: - Oi -passa aí esse negócio! Isto pode ser tanto uma cadeira como um lápis ou fita adesiva.
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No topo do décimo sexto degrau mais um mocho a dar altura ao primeiro, ouço um doce bom dia! Bem! Eram já bem à vontade umas sete e trinta horas. Era a Doce Senhora Ti Jacira a dar vivas ao meu cheiros café da manhã. Mas, não desceu logo - ainda se manteve pelo primeiro piso até bem às oito horas. Entretanto já tinha saído à rua, um largo beco com dois metros e oitenta de largura e, ido à padaria situada bem no meio da calçada, do lado inverso que dá para a Igreja de São João Baptista - rezas ao cuidado do padre Severino da Paróquia de Coruripe.

Marechal D1.jpg Bem! Chegado à padaria com uns quantos reais no bolso da sunga larga, feita calção de tomar banho, de dormir e bundear preguiça na rede, depois de passar a urbe dormida na tepidez matinal - assim num chegar, chegando dou um bom dia arrastando o "d" de dia parecendo estar a enxotar a galinha, sotaque bem da terra: Bôjia! Ué! O negão de ventas largas que se assome na porta lateral responde: Bôjia mê imão! De dentro vinha um cheiro doce de pastel, queijo de coalho e outras guloseimas.
(Continua...)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:51
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Quinta-feira, 21 de Março de 2019
MU UKULU – XVI

MU UKULU...Luanda do Antigamente21.03.2019

Estas lavadeiras tinham o hábito de fumar um tabaco artesanal, viscoso e de cheiro intenso que era manufacturado a partir de um entrançado de folhas de tabaco, parecido como uma rodilha…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

luis0.jpg  Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

Na Luanda antiga, as máquinas de lavar roupas eram desconhecidas e o emprego da selha ou do tanque de lavar eram acessórios indispensáveis a qualquer lar. Os barris de vinho importados de Portugal, eram cortados a determinada altura da base mantendo no mínimo duas a três aduelas de chapa de ferro para manter sua estabilidade, obtendo assim a selha usada com uma tábua solta de lavar, adicional; nesta, eram feitas as ondulações necessárias para nela se esfregar a roupa ensaboada.

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Consoante a sujeira da roupa, operações diversas eram praticadas para lhes dar o acabamento final de roupa bem lavada e cheirosa. O sabão mais usado era o azul ou branco da Congeral que todos conheciam por sabão macaco. Mais tarde surgiu a marca clarim, um sabão com outro potencial de cloro e usado na lavagem de roupa oleosa, fatos-macacos e outra de trabalhos oficinais; Era feita uma barrela ou posta a corar, sendo necessário um coradouro. Este era construído em madeira em um espaço de quintal solarengo, um quadrado do tamanho de quanto bastasse com rede de galinheiro.

Mu Ukulu32.jpg Ali era estendida a roupa a ser corada; o conjunto era suportado por caibros que apoiando no chão dando consistência ao andor de forma horizontal ou inclinada a gosto e em conformidade com a incidência do sol. Par evitar que a roupa secasse alguém da casa deveria regá-la de vez em quando, evitando que a mesma secasse ensaboada. Claro que esta tarefa era por norma feita pela mãe de família, cultura ancestral reservada à mulher que para além disto tinha a tarefa de cuidar dos filhos, assim como fazer comida para todos.

Mu Ukulu35.jpg As mulheres brancas ou de um estrato social mediano, tinham uma lavadeira que fazia este serviço por ela a troco de um salário normalmente baixo; estas, comiam normalmente do rancho da família ou levavam consigo alguma funje ou milho cozido no carolo para se alimentar; por vezes faziam-se acompanhar de um filho de tenra idade que nas costas dormitava conforme o movimento de esfrega-esfrega, da mãe. Por vezes levava mais um ou dois filhos por não ter com quem ficarem lá no musseque.

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Estas lavadeiras tinham o hábito de fumar um tabaco artesanal, viscoso e de cheiro intenso que era manufacturado a partir de um entrançado de folhas de tabaco, parecido como uma rodilha. Para que estes charutos durassem, fumavam com o lume para dentro. De quando em vez lançavam uma baforada de cheiro intenso que se impregnava nas roupas  no nariz; creio que isto afugentava os mosquitos que eram muitos lá pelos anos ou até 1950.

Mu Ukulu37.jpg O Município de Luanda, por esta altura tinha várias equipas técnicas a lançar fumo DDT por todos os bairros periféricos e também no centro da cidade; os candengues conheciam o trabalhar dos carros-do-fumo TIFA que surgiam periodicamente. As donas de casa abriam janelas e portas para que este fumo se entranhasse por tudo quanto era canto e refúgio dos pernas-longas que provocavam o paludismo.

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As roupas já secas eram recolhidas e, na varanda ou em um espaço anexo, eram passadas a ferro. Antes do surgimento da corrente eléctrica, eram usados uns ferros fundidos ou forjados para passar lençóis e, toda as outras peças de vestuário. Estes ferros na forma de uma caixa pequena de sapatos terminando em quilha como se um barco fosse; embora pequeno, tinham superiormente uma tampa pivô que permitia a alimentação com carvão vegetal que depois de acesos aqueciam a base bem mais grossa que o resto do corpo.

Mu Ukulu38.jpg Estes artefactos com uso até a metade do século XIX, tinham umas quantas aberturas para manter viva a queima dos tições de carvão e, de vez em quando a engomadeira – lavadeira soprava por aí para avivar as brasas. Sua base era bem lisa. Na tampa existia um pegador tipo asa que servia para transportar e fazer correr o ferro para a frente e para trás no acto de engomar. Havia quem usasse um abanico de mateba para assoprar as brasas em substituição do sopro que por vezes intoxicava as mucosas e os olhos provocando um choro fungoso de como quem tem uma rinite persistentemente chata.

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Nos modelos mais avançados, tipo xis-pê-tê-hó para a época, tinham na parte frontal um tipo de chaminé de boca larga, o suficiente para que ao abanar o mesmo num vaivém balançado no ar, este, entrasse pela frente mantendo as brasas ao rubro e soltasse as cinzas acumuladas. Este objecto pesado requeria do manobrador alguma habilidade no seu manuseia. Era assim usada uma chapa suficientemente arejada para os descansos e entretantos parados do artefacto. A tarefa era bem cansativa.

Mu Ukulu36.jpg Haveria que se ter em atenção não deixar as brasas cair na roupa pois que obviamente as poderiam queimar. Havia necessidade de se calcular a temperatura ideal para passar cada tipo de roupa e, a técnica empregada, era passar rapidamente o dedo indicador pela base do ferro; nesta operação deveria sempre, molhar-se o dedo, na língua – é obvio que sem qualquer cuspo a humedecer o dedo, este se poderia queimar. Por vezes até se sentia o frigir das borbulhas como coisa crocante.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 22:02
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CAFUFUTILA . CXXVI

ONGWEVA DO TEMPO - KIANDA ROXO20.03.2019 - 22ª Parte
Kiandas e calungas! A mesma Kianda Roxo e sua mana Oxor que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero… 
Por 

soba0.jpeg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

niassa11.jpg Sêlo da Niassalândia 

Seu António, Seu António! Era para mim, só podia! Ouvi o chamado saído bem junto à rede de Futvolei encostado à barraca da Kanoa. Ginasticando minha hidroginástica, levantei os dois braços com o punho fechado e com os polegares saídos para cima como quem diz “gosto” no Facebook – estou aqui. Era meu conhecido Álvaro, um jovem ainda, a caminho de ser coroa, que aqui vem assiduamente à praia da Pajuçara zelar pelo seu físico. 
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Álvaro é filho de um português saído da cidade dos três efes – forte, formosa e fria; trata-se da Guarda nas alturas da Serra da Estrela, Beira Alta. Nesta minha praia, quando não apareço, dizem-me: Anda sumido cara!? Cheguei – digo com o polegar levantado – Tudo bem, beleza! Cheguei chegando -Tudo jóia! Já à sombra do chapéu verde e branco e bem sentado no sítio habitual, sempre no furo mole da areia, fronteira da maré de lua minguante, acompanho a azáfama do pescador de cerco de nome José Santiago.

kimbo 0.jpg José Santiago que para além de jangadeiro também é pescador de maré rasa, surge de bicicleta vermelha pela areia molhada. Esta bike é bem sofisticada pois que tem artefactos pouco convencionais com dois pneus extras aparafusados nas partes dianteira e traseira. Na parte de trás situa-se um bidom de secção quadrangular de cor azul e dentro dele, Seu José retira uma rede de uns 40 metros de comprimento e talvez dois de largo.
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Depois de estabilizar a bike por meio dum suporte feito zingarelho de não enterrar na areia, retira a tal rede que enrolada ao seu jeito fica com os dois paus dos estremos da dita cuja bem montadas em seu ombro, assim feito lombo, tal o tamanho da carga. Espeta um dos paus na beirada, água pelo joelhos e vai andando em circulo mar adento largando o bagulho de rede de nylon. Em cima, tona de água, pode ver-se as missangas feito bóias esparsas e pelo certo, o outro lado mais pesado roçará o chão muito cheio de sargaços.

kianda03.jpg Depois de quase fechar o circulo espeta o segundo pau e começa a barafustar com a água: enquanto salpica o espelho de água vai-se aproximando do centro parecendo enchutar algo. Trata-se de afugentar os peixes para assim ficarem aprisionados na rede. Carrega tudo isto embrulhado e desmancha o monte com mestria, fazendo sair de repelão as algas aprisionadas na rede. Ora apanha alguns peixes, ora pouco trás mas, sempre parece dar-lhe para o sustento.
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Pude observar que nesta tarefa era ajudado por dois seres de algum volume e um tanto gelatinosos como as medusas, também conhecidas por alforrecas ou águas-vivas assim muito semelhantes a cavalos marinhos de grande porte. Eram duas sereias – kiandas que de um e outro lado faziam deslizar o cerco da rede de forma mais célere. Acreditem ou não eram as perpetuas kiandas Roxo e mana Oxor, já nossas conhecidas por via de tantas vivências aqui contadas.

kianda3.jpg Uma relação que já vem da praia de Guaxuma e em outras paragens distantes como os lagos ao longo do vale do Rift tais como o lago Niassa de onde são originárias,Tanganica, os estuários do kwanza e rio Kongo ou Zaire. Isto é tão fantástico que fiquei na dúvida de se José Santiago as via assim como eu, porque outros, sei de antemão que não as viam. Sei porque isto se tem passado em outras paragens tais como os lagos Victoria e o Eduard no Uganda. Lá terei de falar com a minha empregada Mery de Campala acerca disto. 
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Hoje mesmo e a propósito falei com o jangadeiro Santiago sobre se as via ao que me respondeu: Dôtor…faz tempo que elas andam por aqui. Mais ninguém as vê a não ser eu e graças a Deus, tudo ficará assim porque é Ele que assim quer – mas ninguém acredita, sabe! – por isso nem falo!... Ele, Santiago, também não ficou a saber que eu as via e, assim vai ficar…Quando levo turistas às piscinas do recife, acrescenta, são elas também que enxotam os peixes coloridos até eles. 

kianda5.jpg Uma belezura! Ganha-se pouco mas a vida corre, graças a Deus. Ficam encantados dando-lhe miolo de pão; um paraíso! Disse. Estas ilhas em realidade são parte do recife que provoca a calma espelhada nestas águas da praia. Fiquei muito contente de as ver por aqui – fico sempre! Pena não termos por perto o Zé Peixe a completar o quadro da “kalunga”. Num jeito de seriedade lá terei de pedir à sereia- kianda feita gente Assunção, que faça um quando o mais fiel possível disto para que os anais da estória não passe ao lado.
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Na ultima parte do mussendo, 15º episódio, falei do porquê esta kianda Roxo de Guaxuma andar assim tanto de um para outro lado irrequieta, sem saber no consciente desta sua dupla vida, compartilhando xispanços de tinta com particular maestria e, do porquê das cores cibernéticas confundindo-nos com holografias psicorroxas. Um dia pedirei a M. J. Sacagami que as defina ao seu geito astrofísico… Mas, já sabemos que nasceu às margens do lago Chivero. Aqui recordo de novo para que não haja duvidas em futuros arquivos.

roxo69.jpgSabemos que sua mãe, também kianda de tez negra foi Redufina Kabasa Tsvangirai que se umbigou com um tal de Morgan Tsvangirai. Que nasceu em Harare nas coordenadas de 17° 50' S 31° 03' às margens do lago Chivero, lugar que fazia fronteira com a fazenda farm de MorganTsvangirai seu pai. Que por via da política teve de abandonar aqueles paragens deslocando-se para o Kwanza, ali bem perto de Massangano, lugar de muita magia por ser um pambu-n´jila especial com Muxima. Talvez ela agora, eu se encontra na Luua, se veja kianda no Mussulo depois dum repasto de catato, o tal mopane especial…FUI!
(Continua…) 
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 06:58
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Segunda-feira, 18 de Março de 2019
MOKANDA DO SOBA . CXLVII

ANGOLA DA LUUA XLVIII - TEMPOS PARA ESQUECER – 17.03.2019
Nesta lengalenga de lembrarmos coisas mortas, sentado na praia de Pajuçara, ouvi um sussurro de voz: -Ainda contínuas de pé!?… Era Tiago Rebelo, o autor do “Último ano na Luua”. 
- Estava a pensar em ti, disse-lhe numa sobressaltada estranheza…
Por

soba15.jpg T´ChingangeNo Nordeste do Brasil
Tiago Rebelo é o autor “ de “O Último Ano em Luanda”. Efectivamente pensava em publicar o epílogo de seu livro em BOOKTIQUE e, assim terá de ser por via deste desassossegado encontro mas, desta feita inserido nesta MOKANDA. Olhando as cordas de chuva a despejar no horizonte azul pensei: - É estranho pensar, de que nunca fomos os donos daquela rua, daquela cidade, daquele bairro, daquele país! Pois! Quem ouvisse os discursos de Agostinho Neto ou um qualquer quadro de destaque do MPLA, verificaria sem esforço no prevalecer das palavras de ódio contra os brancos, ovambos ou afectos à UNITA.

tiago1.jpg Também é estranho que todos se virem para o outro lado (até o presidente de todos os portugueses), peidando completamente à vontade esquecimentos profundamente adormecidos. Um mundo de sonâmbulos que só falam a dormir! Antes de se escafeder, ainda lhe disse: - O teu romance da Luua é muito real, vou ter de copiar teu epílogo porque a dizê-lo eu, seria igualito ao teu! Foi quando uma abelha escura esvoaçou em frente ao meu nariz deixando um cheiro a áfrica, um misto de formiga cadáver com lavanda (só poderia ser o Tiago). 

tiago2.jpg NOITE DO ÚLTIMO DIA EM LUANDA NO ANO DE 1975: - Estão todos presos – ouviu o comandante das FAPLA dizer: - Não estão nada presos – retorquiu Antero, adoptando um tom autoritário logo a abrir as hostilidades. – Eles são portugueses e vêm comigo para bordo. – Quem disse? – Assanhou-se o comandante (um antigo cabo refractário do exército tuga). – Digo eu, que sou capitão do exército português. – Você já não manda nada aqui. 
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- Mando, mando. A Independência só entra em vigor à meia-noite. Até lá, o senhor vai libertar estas pessoas e ordenar aos seus homens que se retirem desta base. Estamos entendidos? Não estavam. Formalmente, Antero teria razão, mas na prática o comandante das FAPLA tinha as suas ordens e elas eram muito específicas no que se referia a ocupar a base naval que os portugueses haviam abandonado. 

rev6.jpg O ronco profundo e cavernoso dos motores do NIASSA fez-se ouvir minutos antes da meia-noite daquele onze de Novembro. Levantava ferro. Nuno recolhera à enfermaria do navio assim que embarcara, mas depois insistira em subir ao convés para assistir à partida e ver Luanda pela última vez. Agora, ali estava em silêncio, um braço por cima os ombros de Regina, uma mão apoiada na amurada. A frota seguiu para norte em comboio. Ao bater da meia-noite, o céu de Luanda iluminou-se com as balas tracejantes que festejavam a independência de Angola.
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Mais a norte, nas margens do rio Bengo, em Quifangondo, os fogos das armas pesadas era a sério. Nuno e Regina testemunharam a batalha na linha da frente, vendo o céu iluminar-se com explosões no horizonte, como se fosse uma noite de trovoada. Silva Cardoso tinha-se sentido impotente para resolver os últimos acontecimentos; seus subordinados estavam de mãos dadas com o MPLA. Tudo continuaria a ser assim… Nuno desviou os olhos para Regina e viu o rosto dela iluminar-se com os clarões, também mantinha sim, um sorriso agradecido. Estamos vivos! 

silas2.jpg Naquele mês de Novembro, o MPLA venceu a batalha de Luanda e, com a logística militar portuguesa e dados do reconhecimento terrestres e fornecimento de armamento pesado, com a ajuda das topas cubanas e o apoio bélico da União Soviética, neutralizou a FNLA e empurrou as topas sul-africanas e zairenses para fora de Angola. 
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Durante décadas, o regime de partido único manteve-se no poder, sobrevivendo até aos dias de hoje a um golpe de Estado e a uma mortífera guerra civil travada com a UNITA, a qual acabaria em Fevereiro de 2002 com a eliminação física do seu presidente, Jonas Savimbi (Sua localização foi denunciada por via de utilização de um sofisticado celular ofertado por seus amigos americanos…).

niassa0.jpg Para a estória, ficaram anos de combates, as negociações de paz mal resolvidas (a preceito de Portugal, diga-se) e as eleições patrocinadas por mediadores internacionais, cujos resultados pouco ou nada valeram para acabar com o conflito armado. Lembro-me bem, em Muquitixe já tinha visto as estrias duma kalashnikov! E o soldado ébrio segurando a arma de forma desajeitada deu-me o alerta final! Vai-te embora branco… Esta não é a tua terra! E quem vai dizer o contrário com um canhangulo nos olhos… 

cos3.jpg A maior vitima dos erros da descolonização conduzida com leviandade pelos responsáveis portugueses, da intervenção militar de potências mundiais e regionais a pedido de Portugal e, finalmente, do egoísmo inveterado dos governos angolanos, foi sempre o povo, o qual, com guerra ou sem guerra, continua a soçobrar numa miséria e numa violência nunca vistas nos quase quinhentos anos de soberania portuguesa em Angola. O Niassa e o Uíge, acabaram por virar ferro velho, vendidos a peso pelo preço de saldo - muitas vidas, uma faustosa desilusão.
(Continua…)
O Soba T´Chingange

 


PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:48
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Domingo, 17 de Março de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XVII

PEDRA DO REINO de Ariano Suassuma - 17.03.2019

O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta Brasil – Género Romance, fantasia épica do Nordeste brasileiro - 1971

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

10 -O CORTIÇO - Romance de Aluísio de Azevedo – IBEP – S. Paulo, Brasil

11 - O Romance “A Pedra do Reino” – José Olympio editores … Ariano Suassuma

xique xique0.jpg :::::164Ariano Suassuma nascido na Vila de Taperoá sentindo-se só em um momento de sua vida imaginou-se ser um rei - um lindo devaneio, diga-se! Também se imaginou ser um grande apreciador do jogo do Baralho (Cartas de Sueca, bisca e burro em pé). Talvez por isso, o mundo lhe pareça uma mesa e, a vida, um jogo, onde os fidalgos se cruzam como Reis-de-Ouro com donzelas Damas-de-Espada, onde passam Ases, Peniscas e Curingas, governados pelas regras desconhecidas de alguma velha Canastra esquecida.

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Também como ele, eu, que não sou rei nem pretendente a acender a qualquer trono, incompreendido, agora que os anos me deram o trampolim da sabedoria, venho com meus sonhos, com conhecimento e os instrumentos de informação avançados pretender ser escutado. Se assim não for que seja como em Abrantes, tudo como dantes. Ambos, cada qual em seu tempo, nos preocupamos com os muitos e fúteis devaneios que no dia-a-dia observamos das gentes envolventes ao nosso quotidiano mundo Terráqueo - desta galáxia.

xique xique01.jpg :::::166 - Teremos de voltar lá atrás ao tempo de D. Sebastião quando por volta de 1569 quis, em um acto de foito jovem imberbe, recuperar as praças de África perdidas e abandonadas por seu avô D. João III. Suassuna, é inspirado em um episódio ocorrido no século XIX, no município sertanejo de São José do Belmonte, a 470 quilómetros do Recife, onde uma seita, em 1836, tentou fazer ressurgir o rei Dom Sebastião - transformado em lenda em Portugal depois de desaparecer na África (Batalha de Alcácer-Quibir): sob domínio espanhol, os portugueses sonhavam com a volta do rei que restituiria a nação tomada à força.

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De insensatez em desvario e antes de morrer em Alcácer Quibir, ofereceu os préstimos de Portugal a D. Carlos IX de França para combater os huguenotes (Mafulos). Entre méritos de dilatação do império e da fé, a França ficou só por aí, porque entretanto os Calvinistas acabaram por tomar o poder do reino de França. Veio em seguida a tomada de possessões portuguesas pelos huguenotes holandeses (os tais Mafuls) após a queda do reino para os reis Filipinos. Os países baixos estavam em guerra com os reinos da Espanha com sede em Burgos e, como tal, criaram a companhia das Índias Orientais e Ocidentais para açambarcar todo o espólio português que nesse então formava a Ibéria com os reis Filipe I, II e III.

xique xique1.jpg :::::168O sentimento sebastianista ainda hoje é lembrado em Pernambuco, Brasil, durante a Cavalgada da Pedra do Reino, por manifestação popular que acontece anualmente no local onde inocentes foram sacrificados pela volta do rei (juro a pés juntos que desconhecia – pensei que estas maluqueiras eram só vistas no M´Puto). Ariano Suassuna iniciou o Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, seu nome completo, em 1958, para concluí-lo somente uma década depois, quando o autor percebeu o que o levou a escrever o romance: a morte do pai, quando tinha apenas três anos de idade

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A vulnerabilidade das possessões portuguesas tendo no comando os reis espanhóis, deu azo aos huguenotes holandeses, franceses e judeus perseguidos pela Santa Inquisição a que formassem a tal Companhia das Índias, Orientais e ocidentais, uma forma de através de corsários se apropriarem da soberania desguarnecida nesse tão vasto mundo que hoje conhecemos. Juntaram-se a estes corsários ricos judeus de Antuérpia e Roterdão que dominavam o mundo do negócio de especiarias e exotismos distantes. O mundo europeu exortava em luxúria entre lustre de diamantes e ouro Inca e tantas novas coisas. Mais tarde, dias de quase hoje, tudo isso se entregaria sem contrapartidas fruto de traições, um desmoronamento sepulcral (uma tragédia que o tempo despolitizará) …

xique xique6.jpg :::::170 - Também, uma tragédia pessoal presente na literatura de Suassuna, e a redenção do seu "rei" – uma reacção contra o conceito vigente na época, segundo o qual as forças rurais eram o obscurantismo - o mal, no urbano e no progresso - o bem. A história, baseada na cultura popular nordestina e inspirada na literatura de cordel, nos repentes e nas emboladas, é dedicada ao pai do autor e a mais doze “cavaleiros”, entre eles Euclides da Cunha, António Conselheiro e José Lins do Rego…

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Para os lados do poente, longe, azulada pela distância, a Serra do Pico, com a enorme e alta pedra que lhe dá nome, todos envoltos na CAATINGA , um  termo tupi-guarani. Perto, no leito seco do Rio Taperoá, cuja areia é cheia de cristais despedaçados que faíscam ao Sol, grandes Cajueiros, com seus frutos vermelhos e cor de ouro. Para o outro lado, o do nascente, o da estrada de Campina Grande e Estaca-Zero, vejo pedaços esparsos e agrestes de tabuleiro, cobertos de Marmeleiros secos e Xiquexiques (cactos).

xique xique5.jpg :::::172 Surge então o Conde Maurício de Nassau chefiando aquela forte Companhia das Índias, e que com forte armada debanda os Tugas de então de Olinda que fica sendo um seu bastião em terras de Pernambuco; estava em causa desbravar o interior profundo duma caatinga agreste e infestada de gente brava que comia seus inimigos para ainda ficar mais forte; os caetés e tapuias. Finalmente dizia assim: - Para os lados do norte, vejo pedras, lajedos e serrotes, cercando a nossa Vila e cercados, eles mesmos, por Favelas espinhentas e Urtigas, parecendo enormes Lagartos cinzentos, malhados de negro e ferrugem;

xique xique4.jpg :::::173 Lagartos venenosos, adormecidos, estirados ao Sol e abrigando Cobras, Carcarás, Gaviões e outros bichos ligados à crueldade da Onça do Mundo. Aí, talvez por causa da situação em que me encontro, preso na Cadeia, o Sertão, sob o Sol fagulhante do meio-dia, me aparece, ele todo, como uma enorme Cadeia, dentro da qual, entre muralhas de serras que lhe servissem de muro inexpugnável a apertar suas fronteiras, estivéssemos todos nós, aprisionados e acusados, aguardando as decisões da Justiça. As estórias sempre se repetem…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:09
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Quarta-feira, 13 de Março de 2019
SKUKUZA . I

Skukuza fica no Kruger National Park na África do Sul13.03.2019

Um santuário de animais em liberdade…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste brasileiro

Há exactamente quatro meses e três dias, estava em fim de passeio por oito países africanos a saber: - África do Sul, Namíbia, Botswana, Zimbabwé, Zâmbia, Tanzânia, Malawi e Moçambique. Por convite do melhor condutor de África, assim relaxado na confiança alheia, fui andando na esperança de chegarmos a Dar és Salaam mas, o medo dos Boko Haram fizeram com que na Tanzânia inflectíssemos para sul atravessando o bonito país com o nome de Malawi.

SKUKUSA1.jpg As mensagens do M´Puto chegavam até nosso guia-condutor alvoraçadas em forma de raptos e comportamentos próprios de grupos rebeldes que actuavam supostamente nas zonas do rio Rovuma; haveríamos que correr riscos atravessando o rio em jangada e nada era abonatório, o medo chegava em mensagens empoladas de raptos de mulheres na fronteira entre a Tanzânia e Moçambique.

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Do que vi e vivi, posso dizer que os chineses estão chegando em força àquelas paragens, lugares aonde judas perdeu as botas. Lugares de cú-de-judas mal definidos no GPS, nomes diferentes, de escassa orientação ou insuficientemente credibilidade. Lugares esquecidos pelos próprios colonizadores, agora diversificados num novo arco-íris de raças. Lugares em que a tensão racial se torna no dia-a-dia agravada por discursos empolgados de maus lideres, pretos racistas.

SKUKUSA3.jpg Lideres que curiosamente clamam uma coesão racial nada virtuosa nem tão perfeita como seria desejável. A relação entre negros e brancos, sempre foi uma relação violenta, historicamente muito impregnada de expropriações desumanizadas e, isto é sempre profundamente brutal. De lamentar que os negros, não obstante não se terem conseguido organizar no quanto baste ser suficiente para dar uma resposta política, ainda ficam feridos quando são chamados de “negros”.

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Precisam continuar caminhando no sentido de se aceitarem a eles próprios como pretos. Obviamente que há segmentos de negros organizados buscando equacionar o problema racial mas nem todos formulam seus propósitos numa perspectiva pacifista; muitas vezes insinuam-se como tal mas, de suas bocas saem monstruosas atrocidades. Muitas vezes empunham armas brancas, catanas ou outras, para gesticularem a paz.

SKUKUSA6.jpg A sociedade nem sempre responde da forma mais concertada, também não se vislumbra de todo, impedimento a outras formas de luta. E, nem sempre o é de legitima defesa ou em salvaguarda de um princípio nobre, ou suficientemente plausível a esse entendimento. Desconhecemos em pleno e, assim, o que as próximas gerações vão responder a tamanha adversidade e, ou exclusão.

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Eu, que sou branco, sinto-me muitas vezes excluído por pensar e dizer o que sinto. Nunca me ofendi por me chamarem branco mas, reconheço que nos dias de hoje ser preto e pobre, é foda! Mas, também o será ser branco e pobre mas, nem isto se fala nas palestras com gente dita erudita, sábia e o escambau. Se porventura uma guerra estalar eu sei de que lado, vou estar. Não me pintarei de preto como tantos parecem indiciar, insinuar; nem tampouco deixarei de chamar preto ao negro! Estou-me pouco lixando nas regras ou leis descabidas…

fotos ZÂMBIA 037.jpg Não andarei à busca de um termo supostamente menos chocante como é agora tão comum quando arranjam estratagemas de afrodescendentes entre outras hipocrisias. Eu não sou euroafricano, sou branco! Nem tanto – sou só um pouco tostado do sol Não posso estender o céu, torcê-lo, sorvê-lo ou adaptá-lo no meu pedaço de raciocínio porque aqui e além, o sangue espirra e alastra, até se derramar em chuva dum fim de mundo sobre as ruas, as casas os bairros. Bairros de brancos e pretos – de gente!

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Posso espreitar tudo isto por um binóculo, posso chorar ou reclamar mas, pouco adiantará; não sou ninguém para alterar o curso da vida ou da estória de alguém. De mãos limpas e pés polidos dou-me a tréguas em desejos de somente resistir aos desmandos que me podem contagiar na mente ou no físico! O que posso garantir é de que nosso cérebro é verdadeiramente brilhante.

SKUKUSA4.jpgLi e entendi tudinho o texto que se segue: - 35T3 P3QU3NO T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 WO5T4R C0W0 4 N0554 C4B3Ç4 CON53GU3 F4Z3R CO1545 1WPR35510N4NT35! R3P4R3 N1550! NO C0M3Ç0 35T4V4 M35W0 C0WPL1C4D0, M45 N35T4 L1NH4 SU4 W3NT3 V41 DEC1FR4ND0 0 COD1G0 QUA53 4UTOWAT1C4W3NT3. 53W N3C3551T4R P3N54R WU1T0, C3RT0? P0D3 F1C4R B3W 0RGULH050 N15T0! P4R4B3N5! E5T4  53W 4LZE1W3R!

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:20
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Terça-feira, 12 de Março de 2019
MALAMBAS . CCXVI

TEMPO DE CINZAS NA NAMEYA BAR – MALAMBA é a palavra – 11.03.2019

- Boligrafando minha própria estória em cor vermelha…

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Com sotaque de classe média, cada qual falava em seu telemóvel (celular – microondas) como se fizessem exercício em águas quentes para relaxar. Um casal envolto em núpcias de mel, assim demasiados ocupados, ele e ela, apertando letras de amor – creio!… Com ares conspiratórios; decerto não falavam de grasnares dos patos e das patas de seus progenitores largados no sítio não muito longe da cidade de Bonito. Falo de Bonito, uma pequena cidade do Nordeste mas, até poderia falar de Garça ou Piranhas em lugares bem distintos e, bem diferentes.

kimberly2.jpg Garça ou Piranhas que estando muito afastadas entre si mas, aonde os dias calorentos se dissolvem por vezes em chuva morrinhenta ou mesmo cinzenta e até por vezes salpicada de fina lama suspensa no ar. E, foi assim, sentado em uma cadeira de praia e à sombra de um chapéu verde e branco, que vasculhei com olhares os arredores de mim, ondulando a vontade num faz de conta e imaginando-me ser uma caneta tipo lapiseira do tipo boligrafo.

nauk03.jpg Imaginei ser uma caneta, boligrafando minha própria estória em cor vermelha, a única que tinha à mão. Contornando símbolos em cima de um longo papel e, nas costas das contas do supermercado da Pajuçara, deixo o boligrafo levar minha própria mão sem tempo, sem metas ou temas previamente definidos dando-lhe largas, assim sem a definir como a única caneta da minha vida! Simplesmente um boligrafo entre tantos já usados…

swakop10.jpg E, como um destino sem termo, uns fins sem princípio, um índice sem prefácio nem glossário e reconhecendo que o fim só o é quando chega, sem epilogo ou amuradas dum barco carcomido pela ferrugem, como num tudo ou nada, sem makas ou quenturas procurando uma agulha num palheiro ou num porão, definia-me como um grão-de-bico que posto na água incha e que depois é revertido e deglutido como bolo alimentar. Os bichos vão-me comer depois de bem gordinho!

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E, digo isto porque pude ler num carro de vendas, espigas de milho verde: “ou você escreve ou Jesus escreve por ti”. Busquei saber do porquê daquela frase no livro dos livros tendo encontrado uma frase em que o apóstolo João descreve sobre o grão de trigo: “ Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer produz muito fruto. Lendo mais vi que quem ama a sua vida perde-a, mas aquele que a odeia (a sua vida), neste mundo, irá preservá-la para a vida inteira”.

MONA2.jpg E, continua: “Se alguém me serve, siga-me e, aonde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir meu Pai o honrará”. Terminada a citação e por esta leitura posso concluir pela milionésima vez que, sendo eu outra espécie de grão, nunca poderei ser um bom pastor. Nunca o poderei ser, porque não o consigo interpretar na perfeição.

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Pois que é uma fala tão antiga e, ao segui-la me verei num comprido e admirado rosto, de uns sabujos e pesados papos, castanhos e bolorentos por debaixo dos olhos, e também com um trejeito na curva esquerda do lábio num sorriso falso como daqueles de quem se enganam permanentemente sem ter bem a convicção disso; de ser uma ignorante areia que nada gemina simplesmente porque não é um grão de trigo.

arau162.jpg Assim me vejo religiosamente feito numa carcaça escorregando no purgatório, gaguejada e chocada na ignorância de uma esperança esfarrapada na incompreensão: - “Hó - ser pastor não é verdadeiramente a minha profissão, nem minha inclinação”. Confesso isto sem embaraço, como dizem os ingleses: sou só um part-time; melhor uma missanga de part-times.

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Será assim como uma parábola dos tempos modernos confrontando a vida esterilizada num celular que emana neuroses e preocupações, uma existência alheia a Deus porque em seu tempo não havia estas máquinas de empilhar tensões e neuroses antes, durante e depois de se casar. Foi assim nesta complexa análise quase nadista que resolvi terminar meu dia de praia, levantando e abanando a mão como que para afastar demónios.

EDU63.jpg O importante é não alimentarmos ódios por quem pensa de outra qualquer forma ou ter desejos de vingança porque isso, só torturará nosso bom censo, nossa liberdade. Nem é preciso estudar-se psicologia avançada para se concluir que os pensamentos maus ou enviesados, como um boomerang, um pau torto inventado pelos aborígenes australianos, que lançado a um alvo, só deformará nossa personalidade. Cada um que fique com sua cruz ou o seu boomerang…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:47
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Domingo, 10 de Março de 2019
N´GUZU . XXXII

CONHECER O BRASIL

BRASIL – Recordar o que são os TROPEIROS - parte DOIS … 10.03.2019

Construiu-se no tempo uma imagem romântica de tropeiro, o herói, quase um bandeirante que enfrentava onças e outros animais entre agrestes caminhos ou lodaçais descritos e esboçados em livros de bandas desenhadas…

Por

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Analisando a zona cafeeira do Vale do Paraíba, pode avaliar-se o tropeiro como hierarquicamente inferior e dependente do proprietário de terras, posto que, itinerante, precisava dele para manter seus animais nas pastagens das fazendas. Os condutores de tropas, fariam parte do pessoal da fazenda, levando a produção de café até aos agentes intermediários em vilas ou cidades e, voltando com mercadorias para o bom funcionamento da fazenda, ficando assim mais subordinado ao proprietário, major, capitão ou até major segundo a gíria local que com o tempo se tonou regra.

tuiui3.jpg Fica assim incerto no tempo se o condutor, como “homem livre do povo”, seria comerciante ou tropeiro. Mas, no entanto nas funções de tropeiro, encontram-se pessoas de fortunas variadas. Para além de do comércio de muares e fazer frete de mercadorias, poderiam ser proprietários de terras e escravos, comercializando seus produtos muitas vezes conduzindo pessoalmente sua tropa.

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Reconhece-se a dificuldade de o tropeiro ascender socialmente a cargos públicos que lhe valesse prestígio, dada a extrema mobilidade de sua actividade embora alguns o fossem: abastados. Era evidente haver tendência para ocultar essa actividade segundos relatos biográficos descritos por homens cujas famílias “enobreceram”. Ser-se tropeira tinha com conotações com o ser-se pobre, coisa bem relegada ou escondida como uma pobreza nada enaltecedora ainda nos dias de hoje.

tropeiros5.jpg O crisma de se ser pobre é como uma doença cancerígena que se pega e, daí o querer parecer outra coisa num faz de contas. Por isso o garçon chama para agradar a todo o cliente: Siô Dôtor! Quem não conhece este tipo de comportamento social que tudo faz para parecer o que não é! Quantas desilusões têm, um ou outro, com gente que não valendo um caracol sem bicho, se arma e sobe na sociedade fingindo-se! Ninguém quer ser pobre, é uma realidade e, os tropeiros tinham também esta dificuldade de vencer noutras áreas sociais.

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A actividade de transporte de mercadorias assim como o comércio em si, no século XIX, ainda permaneciam malvistos. Quando D. João VI pôs em leilão a venda de títulos nobres com o fito de fazer nascer e crescer o banco do Brasil, foi um Deus nos acuda na pretensão de se ter um título e, assim foram vendidos escalões de nobreza distribuindo pelo Brasil a envaidecida vontade de se ser alguém: -Conde, Barão, Duque entre outros.

tropeiros2.jpg E, foi assim por algo quase fútil ou no mínimo curioso que se deu solidez ao grande país que é hoje sem se dividir em uns quantos fragmentos, outros tantos possíveis países tal como os demais existentes de língua espanhola do continente Sul-americano. O poder foi aparentemente distribuído por senhores que no tempo se iam debatendo por si próprios originando áreas de influência que mais tarde se tonaram estados como se condados o fossem e que hoje formam o Brasil, uma federação de Estados.

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No Brasil e desde tempos antigos, todos os que trabalham com as mãos, são considerados como portadores de “defeito mecânico” e, contra este preconceito nem os políticos de primeira linha, os pseudo nobres trabalham para se fazer a mudança, dando a si mesmas regalias majestáticas. Não é sem razão que existem descontentes formando gangues de mando nos arrabaldes, nos lugares de favelas, cortiços ou quilombos que traficam desde droga a coisas de primeira necessidade como gás ou água ou cobrando taxa de segurança a quem labuta em quiosques mercados de pouca monta, como se fosse um jogo de bicho.

tropeiros3.jpg Na função de tropeiro havia a agravante de alguns dos chefes de tropas serem ex-escravos; por isso ser tropeiro e mais tarde carreteiro, condutor de carretas com bestas ou motorizadas, chegando ao pau-de-arara, caminhão de caixa aberta fazendo de táxi colectivo, não era e, ainda não o é, um motivo de orgulho. Mas como já disse muitos ficaram ricos – ter dinheiro dava a condição de poder vir a ser nobre. Em verdade D. João VI foi de uma visão extraordinária mas, e infelizmente, é conotado como o rei da “coxinha de galinha”.

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Dois casos são exemplares, apesar de excepcionais. O barão de Iguape, António da Silva Prado (1788-1875) do Estado de São Paulo, provavelmente foi um dos maiores comerciantes de animais do século XIX; com seus negócios em Minas Gerais, chegou a actuar como arrematador de impostos de animais em Sorocaba. Tornou-se grande empresário, cafeicultor e patriarca de ilustre família paulista. Entre seus netos destaca-se o conselheiro, senador e ministro do Império, António da Silva Prado – entre 1840 e 1929.

lampião8.jpg David dos Santos Pacheco (1810-1893), que foi barão dos Campos Gerais, enriquecido com terras de invernada d animais no Paraná e pastos em Grande Rio do Sul e Sorocaba. Ele próprio conduzia as tropas no começo de sua actividade, tendo depois delegado a terceiros. Seu maior fornecedor de animais era também o barão de Jacuí. Construiu-se assim uma imagem romântica de tropeiro, o herói, quase um bandeirante que enfrentava onças e outros animais entre agrestes caminhos ou lodaçais.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:05
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Sexta-feira, 8 de Março de 2019
MALAMBAS . CCXV
TEMPO DE CINZAS – MALAMBA é a palavra – 07.03.2019
Marcelo do M´Puto ganhou a alcunha de Tio Celito na primeira vez em que esteve na Luua, na tomada de posse de João Lourenço, em 2017. Regressa agora para consolidar a reputação e a normalização luso-angolana. Tomara que seja…

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

Foi a 15 de Janeiro do ano de 2007 que eu e minha sobeta consorte, passamos a noite na Residencial Camões, bem perto da praça com o mesmo nome da cidade de Lisboa e, mesmo em frente da Embaixada do Brasil aonde iríamos obter o visto de residência permanente. Ficamos na Rua do Poço, um lugar em que os criados escravos e as escravas negras, do fim do século XIX levavam em baldes a merda e o mijo de seus nobres senhores moradores neste Bairro Alto de Lisboa, para um tal poço.

poço1.jpg Mas, esta rua é muito antiga! Antes disto e exactamente a 13 de Novembro de 1515 – século XVI, ou seja trezentos e muitos anos antes desta minha dormida em Lisboa, pode ler-se em arquivos da Torre do Tombo em uma carta regia de D. Manuel I escrita em Almeirim e dirigida à cidade de Lisboa, sobre a necessidade de se construir um poço para depositar os corpos dos escravos mortos. Salientava que haveria que se evitar a todo o custo os tão habituais surtos epidérmicos.

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As barricas de penicadas do século XIX, eram despejadas neste poço ou directamente no Rio Tejo. No ar daquele então, havia um constante cheiro nauseabundo de merda e coisas putrefactas. O panorama era todo muito igual em Paris, em Londres, Madrid ou Roma. Esta é uma das razões porque os franceses têm dos melhores perfumes do Mundo. As pessoas não tinham o hábito de se lavar com frequência.

poço2.jpg Basta recordar a Catedral de Santiago de Compostela aonde desde a idade média se juntavam peregrinos idos de toda a Europa. O Bota-fumeiro gigante balouçando no átrio principal-altar da Catedral, era nem mais nem menos para fazer desaparecer o cheiro nauseabundo que acompanhava os viajantes. Hoje, não podem imaginar o fedor que soprava por entre aqueles antigos prédios das muitas cidades, do estrume acumulado nas travessas, becos com matilhas de cães mordiscando restos como se abutres fossem; também das centenas de carroças despejando toneladas de excrementos que por ali iam sendo pasto de milhares de moscas com milhões de bactérias.

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D. João VI fugiu para o Brasil com sua corte levando consigo muitos inúteis nobres que viviam à sombra da linhagem. As moscas através do tempo mudaram bastante, mas há outro tipo de bosta nos dia de hoje, a dos comportamentos, da falta ou descuido dos políticos de alto coturno - o de não se manter o desejado nível de seriedade ou aprumo no trato entre nações que deveriam fluir tranquilidade. Terei de mencionar a falta de decoro nas relações diplomáticas fazendo de casos menores como o da JAMAICA uma empolgante notícia e, aonde ambos os países, Angola e Portugal terão de se sair envergonhados.

modas0.jpg Um pela descabida prepotência e o outro pela falta de decoro subestimando-se de forma pouco enaltecedora. O Portugal de hoje com um governo tripartido e descrente e a Angola actual do MPLA, desrespeitadora de princípios básicos de solidariedade. Se não houver comportamento de estadistas, se prevalecer a bajulação encardida de hipocrisia o quanto baste, quebrando algum do nosso orgulho, sempre subsistirá raspas de azedume. Nas bocas do povo surgem comparações com países de quarto mundo – é a JAMAICA mas poderia perfeitamente ser o Haiti… Angola e Portugal, no correr do tempo e consonante a evolução e relacionamentos em princípios sociais, não podem alinhar nesta diapasão de acasos destemperados.

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Pode concluir-se que a ignorância de muitos, apazigua os espíritos duns quantos que se submetem, que se subestimam, que quase se poem de joelhos a pedir desculpas – desculpas indevidas! Haja paciência! Esta é outra merda - uma empobrecida quietude, morna quanto baste para aquietar expectativas de mudança. Triste realidade de submissão com fantasmas fabricados num passado: Angola – Portugal… quanta desilusão!

saramargo03.jpg Diz a carta de D. Manuel I, que os escravos eram mal sepultados e, muitos seriam mesmo lançados (...)"na lixeira que está junto da “Cruz da Pedra” a Santa Catarina (actual Rua Marechal Saldanha) que está no Caminho que vai da porta de Santa Catarina para Santos, ou para a praia onde ficavam à mercê da voracidade dos cães.

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Para evitar as deletérias consequências de tantos cadáveres não sepultados, achava o Rei, "que o melhor remédio será fazer-se um poço, o mais fundo que pudesse ser, no lugar que fosse mais conveniente, no qual se lançassem os ditos escravos" e para ajudar a decomposição dos corpos, dizia ainda que se deitasse " alguma quantidade de cal virgem" de quando em quando.

poço6.jpg Tal medida seria cumprida pela Câmara que o teria mandado fazer no referido caminho para “Santos”, descendo a actual Calçada do Combro conhecido por "Horta Navia" (nome de uma divindade indígena após a ocupação Romana). A actual localização perdeu-se, mas a aproximação geográfica do antigo Largo do Poço Novo (actual Largo Dr. António de Sousa de Macedo) ao fundo da Calçada do Combro, nome que já nos aparece na segunda metade de “quinhentos”.

poço5.jpg Com as novas posturas do século XXI, ficamos na expectativa de não existir entre países irmãos, a tristes relações de estado originando um sintoma da maior frustração, para quem dali saiu com um tão grande sentimento de injustiça pela descolorida descolonização. Neste enredo carnavalesco de relações internacionais não podem agora à semelhança da idade média cagar-se no orgulho parecendo ser a dado momento a merda dum cenário, um enredo nada agradável a reviver para reforçar nosso desenraizamento ou um simples alheamento.

O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 01:08
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Sábado, 23 de Fevereiro de 2019
MISSOSSO . XXXIII

N`ZINGA E O CAVALO ALADO – 4ª de Várias Partes – 23.02.2019
Rodando a bobine em paratrás, voltei às notícias de Brazaville: Há quase 55 anos atrás desse tal de Nelito - Fala Kalado, receber instruções de Che Guevara 
Por

soba15.jpg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)
O curioso desta estória é de que em vez de andar para a frente anda para trás pois que só assim entenderão o que vem mais lá para diante e, que eu próprio nem sei! Nelito Soares* foi assassinado à queima-roupa na Vila-Alice pelos comandos Tugas já depois do 25 de Abril de 1974. Os registos são dúbios embora pense que teria sido um ano depois naquelas lutas de kwata-kwata aos dois movimentos genéricos de Angola. Era assim que estavam e estão conotados os pensamentos burgueses da Nomenclatura actual dos criadores dos “Pioneiros”

che guevara1.jpg Assim se pensava ter sido até o misterioso encontro que agora é revelado a T´Chingange por Dreke, o médico Cubano que acompanhou "Ramón" até à Republica Popular do Kongo. "Esta é a história de um fracasso" importado por Cuba com a sua solidariedade internacionalista e, que muitos nem sabem porque, ou não querem saber, ou porque se estão nas tintas.
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É assim que Che Guevara, inicia o seu relato sobre o movimento guerrilheiro que ajudou a organizar na República Democrática do Congo, em 1965, um supositório chamado de MPLA antes de ser morto na selva boliviana. A estória que me foi contada está registada no livro “Passagens da Guerra Revolucionária” que se tornou em nossos tempos em apenas uma nota de rodapé em minúsculas letras.

che0.jpg Na biografia do líder guerrilheiro Che Guevara de nome Ramón, surge numa outra perspectiva nas palavras de Victor Dreke. Este General aposentado com mais de oitenta anos, foi subcomandante do médico argentino, o Ché, na primeira operação cubana de apoio aos movimentos de libertação africanos.
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Ché Guevara, prestigiado pela actuação na suposta “LCB - Lucha Contra Bandidos” entre os anos de 1959 a 1965, ficou assim como coisa ensombrada conhecido no combate a opositores financiados pela CIA. Nestas coisas sempre surgem americanos a confundir nossas verdadeiras estórias; os mestres da “Intelligentsia” no disfarce e os maiores troca-tintas impingindo-nos grafitis como sendo as verdadeiras estória do Mundo. 

cuba libre1.jpeg Pois então, não foram eles que ofereceram um rádio com tecnologia de ponta e que levou à morte de Jonas Savimbi no ano de 2002!? O Mundo não sabe porque não quer saber. Dreke servia no Exército Central, na cidade de Santa Clara, quando recebeu uma proposta que o levaria a África. Aceitou participar sem saber do que se tratava. 
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O pedido veio directamente de Fidel Castro: comandar uma missão especial e recrutar 100 jovens soldados que seguiriam para um destino ainda desconhecido! Eles surgiriam no momento certo! No envelope havia passaportes falsos, missivas diplomáticas e dólares verdes com a esfinge de George Washington, cabeça grande - "Havia uma instrução importante: deveriam ser negros, bem negros". 

eseves2.jpg Dr. Dreke achou aquela referência racista mas já habituado a tropelias conta hoje com algum desencanto entremeada com picara graça. E, repete por várias vezes: - Isto decorreu na embaixada de Cuba, em Bruxelas. Mas, antes, o veterano frisa: -Quem aceitava, deveria dizer à família que iria para um treino na União Soviética, edecéteras e tal que não é para aqui chamado. Isto passasse na “Isla- lugar de El Pinar”. Esta descrição confunde os lugares e de repente, misturando Bruxelas com El Pinar lança-me em dúvidas periclitantes. Mas a coisa dada não se deve reclamar; isto para mim já era uma grande notícia.
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Durante algumas semanas, os cem homens prepararam-se numa zona de mata sem acesso a energia eléctrica recebendo visitas frequentes de Fidel. Na véspera da partida, uma surpresa: Ele, Dr. Dreke militar, foi informado de que não estaria mais à frente da operação. Por ordem de Fidel, daria lugar a um comandante de nome Ramón, de quem o experiente militar nunca ouvira falar.

moka23.jpg -"Pensei que fosse um soviético, porque éramos poucos comandantes naquela época, e eu nunca tinha ouvido falar de Ramón algum. Achei estranho, mas aceitei sem relutar", comenta Dreke. Vou ter de deixar o resto da estória para mais tarde pois que a polícia aqui do Bairro da Pajuçara no Nordeste brasileiro já fechou o trânsito na rua - não demora, irá passar o “Pinto da Madrugada” na orla da avenida, o calçadão. 

guerri4.jpg O Carnaval aqui, é assim meus amigos! Fiquem aí sentados. O Fala Kalado um ex-falecido de nome Nelito Soares* e hoje Coronel, vai andar com o Che num lugar perto de Ponta Negra chamado de Luvungi da RPC- República Popular do Congo lá para trás nos anos de 1964 ou 1965. É aqui que encontra o Jonas Savimbi, um negro bem negro e, os rumos, lentamente, viram azimutes. Ainda não tenho bem a exacta certeza de como tudo acontece mas e como diz Murphy, o que tiver de ser, assim será…
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Nota* Nelito Soares era funcionário da Imprensa Nacional de Angola – Cidade Alta da LUUA…
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:58
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XIII

 COMUNICADO DO CV -  Comando Vermelho -19.02.2019

O dirigente do Comando Negro veste uma camiseta do Clube militar de Luanda - CML
O ano dos COMUNICADOS em Luanda . 1975 
Escrito por – José Eduardo Agualusa
Por

soba15.jpg T´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro
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Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz
7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

araujo 25.jpg Pude ler nas páginas 232 e 233 do livro de Agualusa uma réplica da proliferação de COMUNICADOS à imprensa de então no ano da Luua em 1975 e em Angola - emanados do COPLAD, do MFA, da FUA dos MOVIMENTOS de libertação para tranquilidade de toda a população. Foi de uma tranquilidade de espanto – a guerra do TUNDAMUNJILA…Sem aquela inquietude de afligir o próximo, ou ficar num estranho silêncio, esperamos as mudanças no tempo e suas modas adaptando-nos ao luto de preto, que faz muito tempo atrás era branco. 
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Eu quis saber do porquê de cada homem ou de cada mulher, nascer com a verdade dentro de si e só para si! Assim e, porque cada homem é um mundo que se ao tempo der tempo, o tempo bastante, sempre o dia chega em que a verdade se tornará mentira e a mentira se fará verdade. Angola foi uma mentira, uma farsa, uma gigantesca farsa…

agualusa1.jpg Julho de 1975 - Em Muquitixe estive encostado a um muro velho com minha sogra idosa! Fazia o percurso de Nova Lisboa (Huambo) para Luanda. Não se sabia o que poderia sair daqueles drogados que revistavam o autocarro aonde seguíamos. Podíamos ter sido ali, metralhados, como num filme de revolução, cuja morte parece sempre surgir junto a um já esburacado muro! Isto simplesmente, não aconteceu. Ninguém se culparia e nem haveria de jurar a alguém! Parecia não haver esse tal de alguém; simplesmente, assustador! 
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Ouve combates no morro do Rio de Janeiro do Brasil e do livro do Zumbi: Mas que porra é aquela? Jararaca fala à imprensa em negociações! Vai dai elaboram um COMUNCADO «O Comando Negro exige do governo federal: 
Ponto 1 – Uma ampla amnistia para os soldados sob sua direcção, (* -trata-se dos revoltosos do morro) aqueles que estão detidos, e todos os heróis que desceram hoje dos morros para combater a escravidão.
Ponto 2 – A imediata demissão do ministro da Defesa, general Mateus Weissmann.
Ponto 3 – Uma indemnização simbólica a todos os brasileiros de ascendência africana e um pedido público de desculpas pelos séculos de exploração e opressão.
Ponto 4 – A introdução de um sistema de cotas para afrodescendentes, nunca inferior a quarenta por cento, não apenas nas universidades e repartições públicas, mas também para cargos superiores na Polícia e no Exército, e candidatos a deputados estaduais e federais.
Ponto 5 - Durante as negociações com o Governo todas as unidades das Forças Armadas estacionadas no Rio de Janeiro devem recuar para fora das fronteiras do Estado e não interferir.»

mocanda11.jpg O dirigente do Comando Negro veste uma camiseta do Clube Militar de Luanda. Jorge Velho reconhece os símbolos- o punho negro, a metralhadora, a estrela amarela sob fundo vermelho (* - A variante da Luua tinha uma roda dentada e uma catana em diagonal) -, porque já os viu inúmeras vezes em bandeiras e cartazes ou pintadas nas paredes das favelas (* - musseques), mas é incapaz de decifrar a sigla, CML.
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Jararaca, tem ao pescoço um colar de missangas vermelhas e negras… Olha de frente para o mundo. Conclui solene e desafiador: «Estamos voltando hoje uma página na História do Brasil. Este país nunca mais será igual. Bom dia, Liberdade!» Cala-te. Ouve-se alguém a gritar: «Corta, porra, corta logo!» (* -eram imagens para a TV). Ele levanta-se e a imagem desaparece. Surge uma fotografia com o clássico cartão postal, com o Pão de Açúcar em primeiro plano (* - fim de citação ao livro…).

cabo ledo3.jpg Poderíamos perfeitamente dizer que assim se passava no dia-a-dia da Luua nos anos de 1974 e 1975, a Emissora Oficial de Angola a dar comunicados atrás de comunicados. Com eles soaram as cantigas de permeio recordando os heróis de Valódia, Monstro Imortal que os pioneiros cantavam nas ruas vezes sem conta; nas ruas de todas as cidades! Olhando o passado víamos ali “Nossos versos de Carnaval”. Entretanto havia filas quilométricas de refugiados que em alguns casos eram escoltados pelas tropas portuguesas e também do MPLA numa já perfeita parceria de zelo de Estado.
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Era criado ao acaso um autêntico corredor entre as cidades do Centro e Norte até Namacunde, no extremo sul do “Sambódromo Estado de Angola”- ao longo da estrada principal. A falta de gasolina, água e alimentos tornava-se cada vez mais dramática pela carência. Trocavam-se contos ao desbarato por tambores de gasolina. A tropa portuguesa assistia agora à fuga de milhares de ex-colonos e naturais com um sentimento de impotência, coisa confrangedora para alguns – não tanto para outros.

louva7.jpg Não haveria desculpas para essa corja de militares de aviário, os cérebros do Concelho da Revolução e muitos civis que se ufanavam deste feito como sendo exemplar. Puta que os pariu! Prometi recordar estas tristes passagens, tempo de tão mau augúrio para um Império que ruiu da pior forma, sem dignidade; tudo feito por empedernidos fanáticos que a troco de uma centelha ideológica empederniam-se num regime despótico e anárquico entregando as gentes ao descaso, aos entretantos …Ou mato, ou morro!

Nota* - Esclarecimentos de T´Chingange
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:24
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2019
MISSOSSO . XXXII

N`ZINGA E O CAVALO ALADO3ª de Várias Partes 19.02.2019

Rodando a bobine em paratrás, voltei às notícias de Cabinda: Há quase 50 anos atrás - A 04 de Junho de 1969, três kaluandas desviaram um DAKOTA DA DTA – Divisão dos Transportes Aéreos de Angola pertencente aos SPCTFA – Serviços de Portos e Caminhos de Ferro e Transportes de Angola, para Brazaville

Por

soba0.jpeg T´Chingange - (No Nordeste brasileiro)

Porque sou da MAIANGA da LUUA, tenho de aqui referir a fonte da notícia no Blogue MORRO DA MAIANGA. Pois na busca da origem do Coronel FALA KALADO, com quem me deparei nos terminais UM e DOIS de Guarulhos de São Paulo do Brasil, conforme o já descrito, fui ao meu baú da “Torre de N´Zombo” recolher dados que num repentemente surgiram na minha cuca. No dia dos meus anos, a 04 de Junho de 1969 e estando em Serviço Militar no quartel de MICONGE, antiga Administração de Sanga-Planície, tenho conhecimento de um desvio de avião com destino a Brazaville.

angola6.jpeg O cartão de rico timbre, que mantenho comigo diz no canto superior esquerdo: ONG FENIX – Rua de la Paz nº 184 - Edifício LOPANA. Bem ao centro em letras quase góticas: FALA KALADO - (Coronel Emérito das FALA), tendo por debaixo em letra romana e inclinada os dizeres: Relações Internacionais. Indica três telefones, um deles com o DDD da cidade e estado – CUIABÁ.

Memória - Há quase 50 anos um avião da DTA era desviado para o Congo-Brazaville. Foi no dia do meu aniversário, como iria esquecer estando eu naquela selva do Maiombe com o posto descrito pela rádio como Furriel Mike! Verdade que tudo fiz para isso, mas desaconteceu! Afinal, o 4 de Junho, que também faz parte da trajectória da libertação e independência em Angola, simplesmente ninguém refere este acontecido! É o kamba Reginaldo Silva do MM que o diz.

araujo1.jpg Os factos que são para aqui convocados aconteceram há quase 50 anos, quando os angolanos afectos ao MPLA, Loló Kiambata, Nelito Soares* e Diogo de Jesus desviaram para o Congo-Brazaville um avião da DTA, a predecessora da Via Airlines TAAG. O 4 de Junho de 1969 é mais uma data esquecida pelos que fazem a história oficial de Angola e, de acordo com as suas conveniências político-partidárias.

Como é evidente a história oficial não tem nada a ver com a história real de Angola e dos angolanos que ainda não está elaborada, sendo muito difícil que o venha ser, enquanto a partidarização da nossa sociedade se mantiver como a orientação maior do próprio Estado que é o que tem acontecido… A data que marcou uma das mais espectaculares e mediáticas acções de luta contra o colonialismo português entrou para a história com o significado desmerecido; o esquecimento!

DTA1.jpg Numa altura em que Angola e os angolanos já não queriam mais viver sob domínio colonial português, não se compreende que o 4 de Junho de 1969 nunca tenha merecido a importância devida por parte da direcção do MPLA, porque foi uma iniciativa saída da sua base clandestina da Luua. Pois assim, apanhou completamente de surpresa os “camaradas” no bombom de Brazaville.

A informação que a PIDE fez circular pelas mais altas esferas da governação Tuga da época, referia que “no dia 4/6/69, pelas 15.30, o avião C-3 matrícula CR-LCY, da DTA, da carreira Luanda/Sazaire, com 5 tripulantes e 12 passageiros a bordo, foi obrigado a mudar de rumo para Ponta Negra. Tal acção foi levada a cabo por três criminosos armados, a saber: -LUÍS ANTÓNIO NETO, o “Lóló”, solteiro, estudante, nascido a 4/11/ 47, natural de Luanda.

DTA2.jpg A informação em letra romana continua: -DIOGO FERNANDES JACINTO LOURENÇO DE JESUS, solteiro, funcionário do Laboratório de Engenharia de Angola, nascido a 2/11/942, natural de Luanda, filho de Jorge Jacinto de Jesus e de Ana Lourenço de Jesus e residente em Luanda e, MANUEL CAETANO SOARES DA SILVA, solteiro, funcionário da Imprensa Nacional de Angola, filho de Luís Gomes Soares da Silva e de Isabel Luciana Soares da Silva e, residente em Luanda.”

Ainda de acordo com esta informação “ o assalto teve início a meio do percurso Ambrizete/Sazaire, quando Manuel Caetano Soares da Silva entrou bruscamente na cabine de pistola em punho e intimou a tripulação a seguir para Brazaville. Ao mesmo tempo, o Luís António Neto, de frente para os passageiros, ostentava uma GMO, (granada de mão ofensiva) fazendo menção de lhe tirar a cavilha de segurança.

DTA3.jpg Nesta altura, porém o passageiro Mário Gameiro envolveu-se em luta para lhe tirar a granada, sendo auxiliado pelo radiografista Luís Torres e Arménio Mata, 1º subchefe da PSP. Entretanto, o assaltante Diogo Fernandes Jacinto Lourenço de Jesus, que se encontrava na retaguarda dos passageiros, ordenou a Luís António Neto, o “Lóló”, para lançar a granada, sublinhando a ordem com dois tiros de pistola que perfuraram o tecto do avião”.

Dos três kamundongos nacionalistas que participaram nesta acção de luta contra o colonialismo português, apenas Luís Neto Kiambata se encontra vivo, tendo Diogo de Jesus e Nelito Soares*, que por ironia do destino, foram mortos pelas tropas Tugas e poucos anos depois em circunstâncias distintas.

arte3.jpg O Diogo de Jesus, foi atingido por um obus no leste de Angola antes de 74 e o segundo, Nelito Soares* foi assassinado à queima-roupa na Vila-Alice pelos comandos Tugas já depois do 25 de Abril de 1974. Assim se pensava ter sido até o misterioso encontro entre o T´Chingange e o tal de FALA KALADO nos aeroportos Internacional e do Terminal Doméstico numero DOIS de Guarulhos. E, foi, e ainda o é graças ao “Morro da Maianga” que consegui descortinar um pouco mais a minha alhada…uma meia inventação.

DTA4.jpg Nota*: Esta é uma estória inventada no que concerne às mentiras… Só com o tempo se descortinará a verdade dessa morte do Nelito Soares, o mesmo FALA KALADO do  MISSOSSO. Quanto ao Coronel, creio que aparecerá nos próximos episódios…

O Soba T´Chingange com o Morro da Maianga (meu bairro…)



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:07
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2019
N´GUZU. XXVIII

ANGOLA E OS QUILOMBOS DO BRASIL13.02.2019

Angola e os Quilombos - Na Cerca dos Macacos…

Por

soba15.jpgT´Chingange – No Nordeste do Brasil

aqualtune.jpg Estive lá no dia 14 de Março de 2009 (há dez anos atrás), na Serra da Barriga e, do que vi e li, concluí o que antes e a seguir descrevo. O termo de Muxima que é a saudade dos mwangolés - quimbundos, pode ler-se no quadro de entrada na Serra da Barriga: “Muxima dos Palmares é uma homenagem aos Comandantes-em-Chefe que formavam o Conselho Deliberativo do Quilombo dos Palmares - São eles: Acaíne, Acaiuba, Acutilene, Amaro, Andalaquituche, Dambrabanga, Ganga-Muiça, Ganga-Zona, Osenga, Subupira, Toculo, Tabocas, e seus principais lideres: -Aqualtune, Ganga-Zumba e Zumbi, Banga, Camoanga e Mouza, que resistiram depois da morte de Zumbi, aqui também são homenageados, assim como todos os negros e negras, guerreiros e guerreiras.

Todos aqueles que ao longo de quatro Séculos lutaram (e ainda lutam) pela liberdade racial”. Uma outra placa com fundo preto e letras salientes reconhecido no final pelo Governador Alagoano, Engenheiro Ronaldo Lessa a 20 de Novembro de 2002: -“Homenagem aos Heróis Quilombolas que tombaram lutando pela liberdade em 06 de Fevereiro de 1694: Ganga Zumba, Dandaro, Acotirente, Andalaquituche, Aqualtune, Gana Zona, Ganga Muiça, Acaiúbo, Toculo”.

arau44.jpg A SERRA DA BARRIGA - “CERCA DOS MACACOS” O termo Sanzala ou Senzala em Angola é um povoado normal enquanto que no Brasil está conotada com as casas de tortura, da canga, dos grilhos, da chibata, da bola, da máscara de sino e correntes. Kimbo é o nome de sanzala na região de fala Umbundo em Angola, planalto Central com suas casas, libatas como montar uma loja virtual ou embalas.

Todo este trabalho de pesquisa, foi objecto de promessa minha ao fiel depositário do Guardião da cultura em União dos Palmares e Zelador do Museu de Maria Mariá, Senhor Paulo de Castro Sarmento Filho, que teve amabilidade de me mostrar o actual mocambo de Muquém, a Serra da Barriga e descrever o seu trabalho ainda em esboço duma Cartilha Pedagógica, um projecto de cultura viva. Acompanharam-me nesta visita que durou todo um dia, a Dra Rosa Casado, natural daquela cidade de União, e filha de um dos últimos prefeitos de União dos Palmares  de quem me prezo ser amigo. Ficou a promessa de uma futura visita aos mocambos de Cajá dos Negros e Palmeira dos Pretos, povoados em que ainda são visíveis os costumes antigos trazidos de África.

zumbi7.jpg Vivem da agricultura, da venda de artesanato, potes em cerâmica, feitos de forma manual. Estar ali, é o mesmo que estar em qualquer sanzala de Angola nos dias de hoje. Por todo o interior de Pernambuco, perto Guaranhuns e Alagoas em União e Palmeira dos Indios, as características levam-nos à África longínqua

Sintetizo aqui, o essencial com algumas e poucas introduções de meu foro - “A África revelada por Arnon de Mello” e publicado no jornal Gazeta de Alagoas. No século XVII, Alagoas oferece reduto para os negros formarem os inúmeros quilombos que prosperavam em todo o território brasileiro, mas que tiveram na Cerca dos Macacos da Serra da Barriga, nos Palmares, sua maior simbologia. O Brasil foi o país com a maior concentração de escravos negros do mundo com dados indicadores de 3,5 milhões. A liberdade, por meio de fuga, consolidava-se pela anormalidade da vida administrativa e económica da capitania de Pernambuco.

araujo179.jpg Palmares, perdurou por 64 anos, capitulando no ano de 1696. O governador da capitania relata ao rei D. Pedro II, o pacífico, a morte de Zumbi dos Palmares. Senhor - O Governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro em carta de 25 de Março deste ano de 1696, dá conta a Vossa Majestade de como se houve a certeza de haver conseguido a morte de zumbi. Para que nenhuma dívida se fizesse, para aquietação dos povos e para exemplo dos negros que o julgavam imortal, e para demonstração do que se diz se envia cópia da acta feita pelos oficiais da câmara de Porto Calvo e, por ela se sabe que o grosso das tropas paulistas na pessoa do Capitão André Furtado de Mendonça que conseguiu a morte do negro no sumidouro que este artificialmente fizera na serra dos dois irmãos.

O corpo que se apresentou aos ditos oficiais, pequeno e magro, em cujo exame se viram quinze ferimentos de bala e muitos de lança vendo-se que o membro da virilidade do dito negro se havia cortado e enfiado na boca, também lhe faltando um olho e se lhe cortara a mão direita; que perante os oficiais da câmara juraram as testemunhas pertencer o cadáver ao negro Zumbi, a saber, um cabo maior que se apanhara vivo na companhia do dito, os escravos Francisco e João, o senhor do engenho António Ponto e o lavrador de partido António Souza, que todos haviam conhecido em pessoa o açoite daqueles povos; que se lavrou na acta do reconhecimento do cadáver do negro Zumbi, e que para que se pudesse isso mostrar ao governador de Pernambuco Caetano de Melo de Castro deliberou-se levar ao Recife somente a cabeça ( Nesse então, era habitual esta prática).

araujo158.jpg Pela impossibilidade de levar o corpo todo; que no pátio da câmara presente todos os oficiais, um negro decepou a cabeça a qual se salvou com sal fino, o que tudo se faz constar na mesma acta, que assim pode ele governador Caetano De Melo e Castro à vista da cabeça e da acta, da câmara ter a certeza da morte do negro que tantos danos fizera à Real Fazenda e aos moradores das capitanias de Pernambuco. Este documento será assinado em Lisboa a 2 de Setembro de 1696 pelo Conde de Alvear, por João de Sepúlveda e Matos e José de Freitas Serrão.

É este, um modesto contributo a juntar à história dos países Lusófonos intervenientes, Angola, Brasil e Portugal. E, para que conste na “Torre do Zombo do Kimbo” aqui ficam os agradecimentos a Paulo Sarmento, Governador Assistente do Rotary Internacional, Distrito 4390 e Rosa Casado, Advogada aposentada, que me proporcionaram horas de encanto e convívio.

Ilustrações de Costa Araújo (Mano Corvo)

Referência Bibliográfica: A África Revelada, ensaio de Arnon de Melo.

Da lavra (n´Nhaca) – 14 de Março de 2019

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 07:22
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2019
N´GUZU . XXVII

ANGOLA E OS QUILOMBOS DO BRASIL11.02.2019

Angola e os Quilombos... Cabe aqui referir a dança kizomba de hoje, que não é mais do que fingir o acto de praticar o coito…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste brasileio

Zumbi, nasceu livre em terras do Nordeste em 1655 e morreu a 20 de Novembro de 1695. Em homenagem a todos os negros que lutaram para se libertar do jugo da escravidão o Brasil considerou este dia como Feriado Nacional “ O dia da Consciência Negra”. No final do século XVI as terras Pernambucanas eram das mais prósperas das novas colónias portuguesas. Havia 66 engenhos na região e, e no litoral funcionava já toda uma estrutura que permitia o escoamento dos produtos da terra. A cidade de Recife a cada dia que passava, ficava mais organizada e urgia pôr ordem lá no lugar da “Cerca dos Macacos”, acabar com os mocambos daqueles guerrilheiros com características de luta bem definidas e com algum enquadramento nas chefias.

Aqueles fujões, usavam um tipo de flexa, zagaia, lança ou um cajado nodoso em tudo semelhantes com as usadas pelos gentios junto à costa dos Dembos em Angola. Homens e mulheres usavam enfeites de muito capricho feitos em argolas com metais trabalhados na bigorna. Tatuavam o corpo com cortes de estiletes afiados no peito, braço e até nos lábios e língua. As mulheres furavam as orelhas para nelas introduzir argolas de coco ou missangas. No lábio superior e nas abas do nariz introduziam enfeites de marfim, à semelhança do uso na região de Matamba, Kassange ou Kuvale.

kilo8.jpg ZUMBI O HERÓI DA CONSCIÊNCIA NEGRA - As tatuagens eram um uso habitual das terras de N´Gola para serem reconhecidos, dar a saber a todos qual a sua ascendência, era a sua cartilha de identificação. Recordar que a escrita era de pouco uso e a história passava de pais para filhos por transmissão oral. Por este motivo faziam e ainda usam reunir junto à mulembeira ou mulungu, uma árvore frondosa e nobre por nela se abrigarem as assembleias do povo, sanzala, mocambo ou kimbo.

Nos kimbos melhor organizados há uma casa aonde se reúnem para fazer tertúlias, falar com os mais-velhos Kotas e saber para poder transmitir aos vindouros. A essa casa grande, normalmente aberta e circular, chama-se Jango. Nos aglomerados urbanos surgem os musseques (favela do Brasil) e, quando muito reúnem-se numa casa de assembleia, salão social, clube ou missão duma qualquer igreja (as mais normais são: a igreja Evangélica, a Igreja do Corpo de Deus e do Sétimo dia). Também é de salientar o conhecimento da cura através de plantas do mato, coisa que os quimbandas faziam nas suas terras de origem por saberem já usar unguentos, chás e sempre o exorcismo em obediência ao deus N´Zambi.

kilo7.jpg Nas artes de batuque, o bate pé da dança em círculo tipo a que se veio a chamar de xanxado no tempo do cangaço; a umbigada da massemba e trejeitos que vieram a resultar no merengue e semba brasileiro moderno, sempre com muito erotismo, estímulo à procriação. Há registos duma dança marcada por umbigadas com movimento de ancas acompanhadas por batuque, violas ou violões a que chamaram de lundu. Dizer-se por isso que os negros apesar da dura lei de escravidão, não haviam perdido o gosto pelas danças.

Muito recentemente, tivemos a lambada, o kuduro e a tarraxinha. O lundu consistia num movimento particular das partes inferiores do corpo, movimento que os europeus de então não sabiam imitar, mais por ser considerada indecente do que por outro qualquer motivo. Cabe aqui referir a dança kizomba de hoje, que não é mais do que fingir o acto de praticar o coito num estilo de harmonia a que dizem ser uma forma de arte!

kilo5.jpg Xiiiii! Nossos avôs diriam que também seria uma dança de sem vergonhice, dança de pretos sem decência. Háka! Patrão não fala assim! Mas em verdade podemos até ver nestes movimentos alguns trejeitos de fandangos, chulas com requebro de ombros com folclore com referências de roda, movimentos de mataco, bunda, passos ondulados e engraçados como o merengue.

E, podemos ter violas, cavaquinhos, bandolins, flautas, urucungos, uma espécie de berimbau com marimbas e quissanjes a juntar ao estalar de dedos e o bater de palmas ritmadas. E, isto faz parte dos fados, das chibas ou polcas e modinhas entrelaçadas em brincadeiras circenses a culminar no maxixe. Tudo isto muito repleto de movimentos coreografados no acaso do gosto e banga da Luua, tal e qual como na aldeia dos macacos dos Palmares ou festa de roda da Muxima do Kwanza com saltos de capoeira de bassula ou esquindiva.

kilo4.jpg Vale a pena referir a luta da bassula, finta ou esquindiva utilizada pelos pescadores imbindas do Kongo (Cabindas e Boma do N´Zaire), os Muxiloandas da ilha da Mazenga (também conhecida por ilha das cabras pelos antigos Tugas) na baia de Loanda e Mussulo (Kaluandas ou Camundongos) na região dos Dembos. Tudo isto, muito semelhante com a capoeira com passos de dança a esconder truques e quedas de luta.

 A bassula da foz dos rios Dande, Bengo e Kwanza, no brasil derivou para a Capoeira, uma forma de dança para ludibriar o patrão fazendeiro e usar a ginástica de dança como luta do dá e larga sem agarrar ou usar a força do adversário com suaves e mágicos “toques de bassula“ ou “toque de finta” como eu próprio fazia em tempos de candengue num lugar chamado de Maianga ou Manhanga da Luua, lugar de águas e cacimbas boas…

 (Continua…..)

Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:18
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2019
KANIMAMBO . LXVI

CONVERSANDO COM LOUIS ARMSTRONG – II08.02.2019

Procurando entender de como é que o PROCURADOR, Louis Armstrong encontrou uma medalha do Maximiliano da Áustria na praia da Pajuçara no ano de 1551

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste brasileiro

Naquele outro dia, dois de Fevereiro deste ano de 2019, fiquei confuso com o que Louis Armstrong me disse lá junto à canoa de Pajuçara. É impossível, ele ter encontrado uma medalha com os brasões de Maximiliano II da Áustria que reinou nos anos de entre 1527 até 1576, há mais de quatrocentos e setenta anos, mais coisa menos coisa. Em relação a isto, nada falei porque me pareceu ser uma mentira de todo o tamanho e, de tão grosseira reservei-me para estudar o que eventualmente possa ter sucedido. E, do inaudito passei à pesquisa.

maximilano1.jpgSabe-se que em meados do séc. XVI, o Rei D. João III de Portugal, ofereceu ao seu duplamente primo, o Arquiduque Maximiliano da Áustria II e, também genro do imperador Carlos V de Espanha, um elefante que viera da Índia Portuguesa – diga-se um presente de casamento muito sui generis e, que até foi uma obra de literatura do Prémio Nobel o escritor Saramago mas, nesta muita confusão de primos, terem chegado aqui as maluqueiras é assunto de colocar as mãos pró céu e rogar esclarecimento oficioso ao Nosso Senhor.

Hoje, sexta-feira dia oito, cheguei à praia ainda não eram dez para as seis da manhã. Na Praia dos Sete Coqueiros e entre esta e a canoa ficam situados os campos de futvolei, lugar aonde sempre furo a areia para meter meu chapéu. Vi um cara colocando pequenos cones vermelhos na areia e, logologo não deu para notar que esta figura já era minha conhecida; vai daí e nesta operação de aprontar o ginásio de praia, fui providenciando minha tarefa de colocar as minhas duas cadeiras mais um chapéu-de-sol ligeiramente inclinado por via de o vento; por vezes surge vindo das nuvens pretas e, foi neste entretanto que ouvi.

kanimambo0.jpg - Bom dia Frank Sinatra! Era nem mais nem menos do que meu já conhecido Louis Armstrong, só que desta feita todo vestido ao rigor dum personal trainer, igual a tantos outros espalhados pelos seis quilómetros do Calçadão de Maceió. Oi! Bom dia companheiro!... Como é!? Hoje não é mais o procurador? Cadê seu instrumento de saxofone de buscar piercings, anéis e esse negócio da medalha com as armas do Maximiliano. Nesta fase dos acontecimentos já tratávamos sua excelência da Áustria por tu e o escambau de kambas com edecéteras mais o fulano, seu primo de D. João III do M´Puto.

Olha, disse ele apontando para o lugar já preenchido com pinos, argolas, escadas de cordas na horizontal e uns elásticos pendurados em um dos seis coqueiros. As mininas estão chegando e tenho de dar minhas instruções, depois falamos, topa dôtor? (minhas insígnias…que fazer?) Topo! Foi a minha curta resposta pois que, o tempo urgia presteza. Ora esta! Reparei que bem junto ao largo do calçadão e ao lado dos seis coqueiros (foi quantos contei) estava uma estrutura montada em quadrado; era a base de apoio do, quatro varões suportando uma pirâmide

kanimambo1.png Na parte da aba lateral da pirâmide virada para o mar, pude ler: Louis Armstrong – Training – GSW. Afinal, este cara é multifunções! É procurador de metais, professor de ginástica e sei lá mais o quê. Foi quando reparei no negão sentado numa mesa rectangular bem ao centro deste cangalho piramidal e meio tapado pelo isopor, copas e drogas revitalizantes tipos red-bull

Era o mesmo Jacaré de nome, o tal de soturno e com uma pesada cabeleira de trancinhas raistaparta, melhor rastafári, tal e qual, o mesmo que da outra vez me cantou o “Preto de Nascença” igualito ao já descrito na série Booktique na referência ao Agualusa, meu companheiro de escritas mentirosas. Jacaré que estava atento a tudo, reparando em mim fez-me um rasgado adeus terminando com os dedos da mão esquerda fazendo um C e com a outra um V, assim separando os dedos indicador e o asneirento, tal como fazia o gordo Winston Churchill. Mau-mau, pensei eu assim no pretérito taciturnado…    

cruzeiro0.jpg C e V só poderia ser mesmo o tal Comando Vermelho que o Candengue Agualusa fala em seu livro de ”Quando o Zumbi tomou o Rio”. Saudei-o da forma descrita e, por momentos passei a olhar as mulheres badalando suas formosuras num vai e vem de frente e de costas e outras correndo de lado como o caranguejo e outras ainda esticando a corda elástico do coqueiro. E, sobe e desce transpirando vontades! E, eu assim encuscado no tal CV – Comando Vermelho do Jacaré. Podia agora entender o porquê de ele dizer naquele outro dia e depois de declamar seu linguajar de “Preto de Nascença”: Tenho vocação é de terrorista!

Fui fazer minha hidroginástica e quando notei que estavam a decorrer os últimos exercícios, fazendo alongamentos, saí da água na intenção de fala com o Louis Procurador-Training. Jacaré veio recolher toda aquela tralha de equipamento e, enquanto ajustava as parafernálias em seu pau-de-arara com elásticos, cadeiras, cordas, pinos e caixas multicolores numa caminheta verde do tipo Bedford antiga, Louis Armstrong veio até mim.

cruzeiro01.jpg Então, tudo bem? Tudo nos conformes, disse eu! Caramba, tu também és professor de ginástica!? Tu sabes dõtor, a vida não está fácil! Disse ele! Tenho de me virar noé!? Disse isto como querendo dizer-me mais qualquer coisa mas interrompi-o. Diz-me só quem foi o artista, o entendido, o arqueólogo ou historiador que te disse ser aquela medalha que encontraste e, que dizes ser dum tal Maximiliano da Áustria?

Olha dôtor! Foi no centro da cidade. Um tal Professor Katedrático que tem uma casa de penhores, que compra e vende oiro e relógios chamado Sérvio Graciliano. Há coisa de um ano ele virou e revirou a medalha, interpretou a forma das unhas dum parecido leão da Casa de Habsburgo. Que sei eu, pagou bem e nada mais sei do que isto. Espera, dôtor! Ele falou dum tal Sacro Imperador Romano-Germânico, e da Infanta espanhola Maria de Habsburgo.

araujo 41.jpg Falou muita coisa que nem lembro mais direito! Um tal de Grão Mestre da Ordem Totonica (…) Agora sim! Uma trabalheira por desvendar este negócio! Disse eu… Dõtor (que era eu), não quebre sua cuca não! Dei um comprimento artístico meio desportivo ao Jacaré que entretanto chegou até mim! Que tal dôtor! Depois assim tipo socando punho com punho e fazendo um C com a mão esquerda e um V com a direita! Dôtor, estou vendo!? Vendo o quê?... Esta guerra também é sua, tá ligado? Tou sim! Disse sem pensar e terminei numa de frentista: - É sim, meu irmão… Tudo está complicando, disse baixinho, só para mim…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:24
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . XI

Peguei aleatoriamente no ANO EM QUE ZUMBI TOMOU O RIO - 06.02.2019

Escrito por José Eduardo Agualusa

Por

soba15.jpg T´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro

Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)

1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee

2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa

3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo

4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador

5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira

6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz

7 – VIDAS SECAS – Graciliano Ramos

8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho

9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

agualusa1.jpg Hoje choveu e por isso espreguiço aqui mesmo em meu mukifo. No meu olhar de xicululu, assim um olhar de esguelha ou olho gordo, martelei por cima do meu sobrolho a frase de que “Os portugueses são o povo mais atrasado da Europa porque há séculos que se misturam com os negros” e, fiquei assim um pouco a remoer muxoxos asneirentos por o caso ter raspas melindrosas e, calhou na página 94 do Zumbi ler uma passagem em que mete um negão repentista na prosa e poesia de nome Jacaré.

Jacaré, um moço alto, soturno e com uma pesada cabeleira de rastafári chega chegando, molengão, dando um leve toque de dedos no Louis Armstrong, o “procurador” que vós conheceis:

- E aí, meu irmão?!

- Beleza, chefe.

- Canta aqui para o Frank Sinatra (eu) teu rap, «Preto de Nascença», tá ligado?

- Jacaré começou imediatamente a sacudi o copo ao mesmo tempo que declama:

«Era um preto com alma de branco dizia a tudo, sim doutor, está muito certo doutor, só queria trabalhar mas exigiam boa aparência, sim, doutor, está certo doutor (ele tinha uma infinita paciência).

Era um era, num era, um preto que sabia o seu lugar sim doutor, sim doutor seu filho em casa de barriga vazia e ele: sim doutor, está certo doutor.

Sua mulher morreu de bala perdida e ele: a vida doutor, esta nossa vida.

agualusa2.jpg Seu pai morreu de bebida e ele sempre: sim, doutor, está certo doutor, seu filho morreu de fome.

E então um dia o crioulo endoidou, mudou de atitude, mudou de nome, chega de tanta dor.

Agora sou Zumbi, sou Xangô, sou Lampião. Agora sei qual é o meu lugar sim, doutor, é no meio dessa briga meu lugar é no Morro da Barriga.

E se você é o elefante e eu sou a formiga ainda assim deixe que lhe diga, não tenho medo, perdi o medo. Sou preto, sim, conheço minha cor a cor do seu medo, doutor mas minha alma é azul anil conheço meu lugar esta terra adorada entre outras mil, és tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo mãe gentil, Pátria amada, meu Brasil»

negro2.jpg Jacaré sacode o suor do rosto, senta-se náreia, pede uma Coca-Cola. Sorri para o procurador, para mim também:

- Gostaram?

Ambos ficamos impressionados e falei:

- Os versos são ruins

- As rimas, um desastre.

- Mas a mensagem parece-me forte, muito forte na verdade, não esperava por isto. Jacaré explicou que os últimos versos pertencem ao hino nacional. Os burgueses irão ficar chocados quando escutarem isto. Bom! Falo eu: - Portugal recebeu os primeiros escravos negros em meados do século XV. Dezenas de anos depois, os negros já eram 10 por cento do total da população lisboeta. Essa percentagem viria a crescer para 13 por cento no século seguinte.

missosso2.jpeg A pergunta imediata é a seguinte: Que destino tiveram estes africanos? Regressaram a África? A resposta é não!  Eles foram absorvidos, misturaram-se do ponto de vista genético, social e cultural. Eles ajudaram a construir a Portugalidade introduzindo valores e dados culturais novos. A palavra minhoca é apenas uma de dezenas de outras marcas no domínio linguístico. Olhem que no Ribatejo havia aldeias cuja população era maioritariamente negra. Jacaré e o procurador olham reticentes curvando as pálpebras. É mesmo?

Minha amiga Maria Carapinha tem este nome porque seus trisavôs eram negros retintos e, hoje já nem os traços negróides têm. Basta ir beber uma ginjinha ao largo S. Domingos em Lisboa para termos esta sensação; no Cais do Sodré já não resta nenhum sinal das negras que ali vendiam mexilhões. Podemos descobrir testemunhos dessa presença em quadros, azulejos e cerâmicas variadas. Falando com meus amigos aqui na praia da pajuçara relembro um tal de Thomas Malthus que na sua visão religiosa de ver o mundo a nuo, disse disparates grossos.

roxo111.jpg Palavra puxa palavra, cheguei a Hitler e às técnicas segregacionistas do Apartheid na África do sul para não falar dos próprios americanos e, os seus primos Australianos. Nem sei porquê os brasileiros gostam tanto assim, dos gringos. A conversa ficou por aqui mesmo… Até amanhã doutor (era eu). Assim se despediram de mim e, ali fiquei especado olhando o vento sem saber se eles entenderam metade do que disse.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:25
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BOOKTIQUE DO LIVRO . X

A VIAGEM DO ELEFANTE – José Saramago – Da Caminho - 04.02.2019
Por

soba15.jpgT´Chingange, vulgo António Monteiro . No Nordeste brasileiro

sacag1.jpg Um Desafio de Maria João Sacagami (psicóloga) . No Bombom do Rio de Janeiro
Livros em cima do criado mudo (mesa da cabeceira)
1 - A minha Empregada - Editorial Estampa de - Maggie Gee
2 - O ano em que Zumbi tomou o Rio - Quetzal - José E. Agualusa
3 - O Último Ano em Luanda - ASA - Tiago Rebelo
4 - BURLA EM ANGOLA – Burla em Portugal - Guerra e Paz – Susana Ferrador
5 - História da riqueza de brasil – Estação Brasil – Jorge Caldeira
6 - GLOBALIZAÇÃO de Joseph E. Stiglitz
7- Vidas Secas de Graciliano Ramos
8 - A viagem do Elefante – José Saramago – Da Caminho
9 - O Livro dos Guerrilheiros de José Luandino vieira - Da Caminho

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Saramargo1.jpg À lista de livros da BOOKTIQUE, adicionei um oitavo mais um nono LIVROS com falas bem diferenciadas e com conteúdos de se lhe tirar o capacete. Aleatoriamente, falarei destes e de outros, sem me meter a fundo nos meandros filosóficos de cada autor; copiando aqui e além partes mais fosforescentes da linguagem, introduzirei meu linguajar sem a preocupação das normas que Nosso Senhor me estipulou com sua mão direita. Dar com a esquerda sem que a direita o saiba ou o seu reciproco. 
Bom! Pois! A mão direita porque a esquerda por vezes falseia. Para além do mais e seguindo os conceitos bíblicos blábláblá, deixa para lá… A erudição de cada qual, autor, não vai ser aqui analisada porque minha caminheta não comporta tanta tonelagem; Neste caso do sétimo e oitavos livros, um foi Prémio Nobel (Saramago) e o outro foi Camões (O autor, Luandino Vieira recusou tal prémio porque, de tão honesto, disse ser seu português demasiado atravessado)...
O JAMBA SALOMÃO CAPA DO JAMBA - O elefante milagreiro Salomão, o Jamba de Saramago do ano de 1553, oferta de Dom João III a seu primo o Arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do Imperador Carlos V, passou por Pádua e fez tremer a queixada relíquia de Santo António de Lisboa e Pádua; o Salomão desta inventação de José Saramago fez um milagre à porta da catedral de Pádua. 

saramargo2.jpg Desde o tempo de D. Afonso Henriques que há crise em Portugal; no entanto e, nos intervalos, houve grandes gestos de magnanimidade. Em meados do século XVI, o rei D. João III ofereceu esse tal elefante indiano a seu primo, o Arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V. D. João V, em 1721, momentos de boa situação financeira com muito ouro saído do Brasil, ofereceu 50 dúzias de pratos de ouro para os Cardeais Pereira e Cunha representarem condignamente Portugal em Roma.
Eu não estava lá, mas pude verificar há uns anos atrás em visita ao Vaticano, que a queixada do santo tremeu de indignação. Tendo gasto, tanto despifarro para curtir vaidades. O Conarca, homem condutor do elefante, burlão quanto baste, estava mancomunado com o bispo e, eis que o dito cujo bicho de quatro toneladas, se ajoelha com as duas patas dianteiras, uma coisa nunca presenciada de um esquisito e trombudo animal. 
Um milagre por inteiro, diz o digníssimo relator Saramago ao afirmar que a assistência presente no adro, em grande número, toda ela, acto contínuo se ajoelhou imitando o quadrúpede. Se eu dissesse isto, era logo excomungado pelos midia. Mas que espectáculo eu perdi! Em troca, Salomão recebeu uma generosa aspersão de água benta com aquela coisa, um zingarelho de espantar espíritos que os bispos usam. 

saramargo3.jpg Dentro da catedral a múmia do santo António estremeceu de gozo no túmulo, afirmação de gente muito crédula. (Mais tarde, eu, na primeiríssima pessoa, século XXI, também vi!…) Esta estória dum ateu que se diz agnóstico, é tão ou mais macabra que as já muitas estórias aqui descritas pelo relator vanguardista do blog Kimbolagoa, um ilustrem desconhecido 
Háka! Não é que, o Cornaca tirava pelos do cú do elefante para fazer pulseiras de macumba, vendendo estas aos fieis devotos ao Santo. E, não é que comprometeu seriamente nesta operação de trapaça e candonga o mui nobre Arquiduque Maximiliano da Áustria, como um vulgar Lello cigano da nossa praça (vendedor de cuecas em segunda mão) numa corrupta ligação com inspectores da ASAE da ilha de Lançarote, 600 anos depois (ou antes,... já nem sei!)

dia19.jpg Em 1730 o mesmo D. João V oferece um caixote de barras de ouro para a princesa das Astúrias e, um ano depois outro caixote do mesmo ouro vindo do Brasil para a rainha de Espanha, Em 1732 mais 72 barras desse ouro para o núncio apostólico Bichi, em Roma e, em 1733, mais 24 barras do mesmo ouro para ajuda do enterro do núncio apostólico Cavallieri, em Roma. É demais!...
(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 13:09
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2019
MU UKULU . XIII

MU UKULU...Luanda do Antigamente05.02.2019

Diz Luis: -Tive também o privilégio de ter como explicador na disciplina de Matemática o escritor, ensaísta e etnólogo Óscar Ribas.

Por

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Rio de Janeiro - Brasil

soba15.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

selos1.jpg O T´Chingange, por aqui anda esticando os ossos, construindo a cada passo uma estória ao seu modo; um mussendo, um missosso e, entre Ave Marias encavalitadas de prefácios que se baralham, num logologo esquecido e, vem outro e mais outro muxoxo como que cumprindo ordens dos espíritos de quem risca na areia em sinais do cho-ku-rei, ou sei-he-ki e outros símbolos indecifrados saídos da Luua. Assim, na Pajuçara de Maceió do Brasil, um lugar nobre e muito cheio de adrenalina, vou ler em voz alta um extracto de Luís Martins Soares na primeiríssima pessoa. Em verdade, fanei suas falas na página dos Amigos da Maianga, nosso Bairro

Mu Ukulu0.jpg Extracto do meu livro "Mu Ukulu Luanda de Antigamente" - Bairro da Maianga - Nasci no Bairro da Maianga, no dia 8 de Julho de 1934, no começo da Rua António Barroso, sentido quartéis, lado esquerdo; existiam ali umas casas enfileiradas de construção antiga e, foi numa delas que nasci. Com o avançar do progresso, foram mais tarde demolidas para no local ser edificado um edifício de apartamentos. Mais abaixo quem descesse a Rua no sentido do Regimento de Infantaria e do lado oposto havia uma grande horta murada conhecida por Horta do Raposo.

Para afugentar os intrusos da sua propriedade o dono tinha eficazes grandes cães de guarda e serventes que além de cuidarem da horta, também eram guardiões. Perdi as contas das vezes que juntamente com amigos da minha idade saltávamos o muro para roubar goiabas e sape-sape. Algumas vezes o guarda incitava os cães a perseguir-nos e então era aquela correria infernal que terminava após transpormos o muro.

maian10.jpgTenho, ainda hoje, lembranças desse tempo na forma de cicatrizes provocadas pelos cacos de vidros sendo pisados pelos pés descalços. Mais tarde moramos (ano de 1940) perto da mercearia do senhor Álvaro Dias dos Santos também na Rua António Barroso. O meu pai era proprietário de duas casas e teve como inquilinos um casal com dois filhos cujos nomes eram o Arquimedes, que mais tarde foi agrimensor e o Mário António Fernandes de Oliveira aluno brilhante do Liceu Nacional Salvador Correia que se destacou como escritor e poeta - já falecido em Portugal no ano de 1989.

Tive também o privilégio de ter como explicador na disciplina de Matemática o escritor, ensaísta e etnólogo Óscar Ribas. Aos 36 anos de idade ficou invisual, mas apesar desse problema, ajudou-me bastante com as suas explicações particulares. Morava no Bairro da Maianga perto da linha férrea numa casa modesta. Havia uma estação dos Caminhos-de-Ferro perto do Largo da Maianga conhecida por Estação da Cidade Alta. (Ficava bem perto da Bracarense, do Colégio Moderno e no bem conhecido largo do Sinaleiro da Maianga).

Mais tarde devido a vários factores relacionados com a venda das casas fomos morar no mesmo Bairro em uma casa de madeira com uma grande horta, com mamoeiros e, aonde eram cultivadas hortaliças - depois de colhidas eram dispostas num tabuleiro que o servente (monangamba) com ele apoiado na cabeça percorria o bairro vendendo de porta em porta. O produto da venda tinha como destino o pagamento do salário dele de servente e, para ajudar a pagar as despesas da casa pois que o salário que o meu pai auferia como subchefe da Polícia era insuficiente.

maianga0.jpg Normalmente aos domingos, a família levantava-se cedo e, devidamente municiados com um farnel, íamos a pé até à Praia do Bispo atravessando a Horta do Hospital, terreno em mato, situado por detrás do Hospital Maria Pia. No extremo do morro da Praia do Bispo, uma pedra banhada pelas águas do mar era o local ideal para os adeptos de piqueniques que como nós, ali faziam trampolim para os mergulhos, diga-se, um local de muitos afogamentos. Junto á orlas marítima e no sopé do morro, viam-se alinhadas algumas cubatas de pescadores com os n´dongos (canoas) encalhados na areia.

Na década de 40, na Maianga antiga, havia uma maior concentração da população de origem europeia. Embora existissem poucos moradores negros, posso afirmar que não era notória segregação entre brancos e pretos pois era praticamente inexistente! No quadrilátero formado pela Rua de António Barroso e Rua Cinco de Outubro até à Rua de Guilherme Capelo já havia um traçado das vias definido com casas de construção feitas de alvenaria, mas no restante do Bairro e nas traseiras do Hospital Maria Pia até à Praia do Bispo as casas eram dispersas.

may1.jpg Aquelas casas, surgiam ao gosto do proprietário, sem qualquer projecto arquitectónico nem plano urbanistico; a maioria delas não tinha instalação eléctrica nem rede de águas e eram construídas de pau-a-pique, de barro - adobe mas, também de madeira e zinco. Os acessos eram em terra-batida havendo vários carreiros de pé posto; recordo a muita dificuldade de neles transitar, principalmente no período das chuvas tropicais. Nesse então, ainda podíamos ver embondeiros dispersos, mangueiras, matebeiras e cajueiros.

Muitas vezes e após uma chuva intensa a criançada deslocava-se até o Rio Seco, que realmente era rio de águas caudalosas somente no período das chuvas. Quando assim acontecia, era ver os candengues brincando com as águas barrentas e em torrente vindas das barrocas situadas bem defronte dos Regimentos de Infantaria e Artilharia dando de frente para a Avenida do General Norton de Matos e, onde existia uma Estação de Tratamento com depósito elevado.

missosso2.jpeg Esta avenida assim como parte da Rua de D. António Barroso era em terra. As barrocas entre estes limites foram mais tarde urbanizadas para nelas ser implantado o moderno Bairro Alvalade. Por detrás do Hospital ficava uma grande área conhecida por Horta do Hospital, onde não havia vestígios de plantações, a Samba e as Cacimbas. Na Maianga, perto do morro Catambor, existia uma cacimba conhecida por “Maianga do Povo” de construção antiga; provavelmente construída entre 1641 e 1648, quando da gestão Holandesa (Mafulos). Esta tinha acesso ao interior por uma escada que desemboca em um piso aonde podíamos admirar a água captada dentro dela - um gosto salobro. Muita gente humilde da periferia, abastecia-se dessa água.

Outra cacimba conhecida por “Maianga do Rei”, ficava bem perto da Praia do Bispo; apesar de ter passado perto dela várias vezes, nunca tive curiosidade de me aproximar para a observar. Um tiro de canhão, até onde fosse audível, anunciava à população que era meio-dia para acerto de relógios e paragem das ave-marias - hora do almoço. Alguns estabelecimentos fechavam portas reabrindo mais tarde. Assim era a nossa Luanda nos finais de 40.

selo12.jpg No cimo das Barrocas, local dos quartéis da Companhia Indígena, lá pelas 22 horas ouvia-se o toque de recolher. O toque de clarim pelo corneteiro era acompanhado por algum tempo pelos tambores. Era hora dos candengues irem para a cama, em verdade um toque de horas para toda a população do bairro. O céu, de vez em quando, era varrido pela luz de holofotes potentes como que esquadrinhando o espaço aéreo; creio, serem exercícios obrigatórios que perduraram após a segunda guerra mundial e também como referência para os barcos de guerra, fundeados na Baia de Luanda.

Na estação da Cidade Alta, na Maianga após a travessia da Rua Guilherme Capelo, sentido dos Musseques, mais tarde Maternidade e Igreja Sagrada Família, existia um túnel onde algumas vezes com outras crianças nos aventuramos dentro dele. Era do desactivado ramal do Caminho de Ferro de Luanda via Malange. Na Rua António Barroso a única padaria existente de nome Aliança abria as portas de manhã que, depois fechava e reabria na parte da tarde. Os postos de venda dos papos-secos surgiram anos mais tarde. A padaria fabricava e vendia somente pães contrariamente ao que acontece nos dias de hoje em que para além de pão servem cafés, fazem pasteis e assam leitões.

Luís Martins Soares

(Continua…)

Compilação de T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:17
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2019
XICULULU . C

TEMPOS QUENTES – 04.02.2019

MALAWI – NIASSA . No vale do Rift - O esquecimento existe mas, nós não somos só silêncios – Assim como a terra, cada qual tem o seu Rift... 2º De várias partes

Por

soba15.jpg T´Chingange - No Nordeste brasileiro

rift1.jpg Historicamente, o sistema do Great East African Rift, começou a se desenvolver durante o Mioceno (22 a 25 milhões de anos atrás) estendendo-se por milhares de quilómetros do vale do rio Jordão através do Mar Vermelho e passando por Djibut, Etiópia, Quênia, Tanzânia e Malawi até ao Rio Zambeze, bem próximo de Tete, a jusante de Cabora Bassa.

A extensão do Sistema de Fissuras do Leste Africano, de Djibuti e Eritreia do norte até Malawi ao sul, forma a fronteira entre a placa africana e a placa somali mais jovem no Leste. Em um comprimento de mais de 3.000 km, a crosta terreste é esticada e afinada porque as duas placas se estão afastando uma da outra.

rift01.jpg Para acomodar a extensão, a crosta superior, quebradiça, é cortada em numerosas falhas normais e de deslizamento de ataque, sendo que, a crosta inferior e o manto superior da litosfera se deformam plasticamente esticando como se fosse uma pistola de mastigação em pressão. Movimentos ao longo dessas falhas são a razão pela qual terremotos e vulcões ocorrem dentro do Sistema Rift da África Oriental.

Por outro lado, o Malawi Rift aparentemente ainda está em suas fase juvenil, com um registo científico mostrando que o mecanismo do Rift está focalizado há apenas um milhão de anos atrás, em contraste com o sistema bem desenvolvido da região mais distante situada a norte. Embora não haja actividades vulcânicas no Malawi, terremotos e nascentes de água quente, encontrados no país, fornecem evidências do processo de rift.

rift4.jpg E, porque ia à boleia a conhecer áfrica, com alguém que se dizia ser o melhor condutor de África e, que só queria e ver animais, só safari, foi pena não ter visitado nenhuma das águas termais que sabia existirem. Faltou logística e bom senso! Pouco a pouco e já em M´zuzu a 14 de Outubro de 2018 a barreira do “haja paciência“ tonava-se uma tormenta. Deveria ter regressado de avião. Serão episódios que por muito que queira esquecer, não os poderei omitir porque sobretudo me respeito. O que poderia ter sido bom, foi-se tornando sofrível numa via esquizofrénica…   

Mas, voltando ao Rift verifica-se que em Moçambique, a parte sul da fenda ainda não se formou de verdade; se o novo continente acaba pegando ou não pedaços da África do Sul, por exemplo, ainda precisa ser determinado pelos indicadores que surgem na topografia terreste ou outras manifestações orográficas. O que se sabe é que, definitivamente, a primeira separação da massa terrestre já começou no extremo norte da fenda, Djibuti.

rift7.jpg Esta pequena incisão no continente africano é a primeira abertura do novo corpo de água que separará a Núbia da Somália. O Rifte do Leste Africano é, na verdade, um sistema complicado de segmentos de rift que proporcionam uma moderna analogia para nos ajudar a entender como os continentes se separam. E, assim se desenvolveram dois ramos neste processo; os ramos, leste e oeste do sistema rift.

O ramo oeste abriga os Grandes Lagos Africanos e outra fenda quase paralela e, a cerca de 600 quilómetros, até o leste, que quase corta o Quénia de norte a sul, antes de entrar na Tanzânia, aonde parece ir morrer. É verdade que essas falhas, seguem geralmente suturas antigas entre as antigas massas continentais que colidiram há biliões de anos para formar a crosta africana.

( Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:07
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2019
KANIMAMBO . LXV

CONVERSANDO COM LOUIS ARMSTRONG02.02.2019

Pois! Uma coisa chamada de talassoterapia com a vitamina D de Deus… Armstrong, amontoa suas roupas em cima das chinelas ficando em sunga tipo calção florido idêntico ao meu…

Por

soba15.jpg T´Chingange . No Nordeste brasileiro…

Na praia da Pajuçara, encostado à Canoa, vendo o sol recém-nascido lá no horizonte e, lá pelas seis horas da madrugada, chega um senhor moreno na cor e na idade que, cumprimenta. – Bom dia! Respondo também com um bom dia. Amontoa suas roupas em cima das chinelas ficando em sunga tipo calção florido idêntico ao meu. Senta-se e ali ao lado dizendo algo sobre a maré que está secando; falas de ocasião pra puxar conversa. Dando-lhe um pois-pois, claro, sinto ter ele, vontade de falar – Não tem nada demais.

Já habituado a esta empatia nordestina vou dando respostas aleatórias sobre as algas, o tempo e as mazelas. Comenta aquilo que todos falam e também repetida na televisão vezes sem conta: A desgraça da barragem de terra do Brumadinho! Assim permanecemos falando de várias coisas até que lhe perguntei: Como se chama? Resposta pronta: Louis Armstrong!

ARMSTROG1.jpgBom… em realidade tinha alguma semelhança com o cantor e trompetista de outros tempos mas, daí a chamar-se nem mais nem menos da mesma forma, fiquei só um pouco intrigado. Seus pais deviam gostar muito desse senhor músico que faleceu no ano de 1971!? Por acaso você também é músico? Não, mas gosto muito de ouvir sua voz rouca; é verdade que meu pai tinha um fraquinho por esse tipo de canções choradas com encanto.    

-E o senhor, faz o quê? Pergunto. Parece-me que ainda está na vida activa! Não hesitou um segundo para responder: - Sou Procurador! Bem! Assim neste panorama, mantinha-me na dúvida se não me estaria a tomar por parvo e dizer-me inverdades. Eu sabia que Procurador era assim uma figura de destaque tal como Procurador da República, figura de Estado e esta Louis Armstrong até no nome me parecia ser uma pegada mentira. Mas, tenha-se em conta ser demasiado deselegante perguntar-lhe detalhes mais fragmentados.

panoias2.jpg O mar verde continuava a secar, a maré descia a olhos vistos juntando fiadas de algas verdes e o Louis Armstrong tudo indicava estar à espera de ficar muita areia para depois entrar. Pensei que assim queria ter rasura na altura da água, para esfregar suas quinambas, o peito e talvez fazer uma tratamento terapêutico pelos banhos de mar e pela acção dos climas marítimos.

Pois! Uma coisa quase hidroginástica chamada de talassoterapia com a vitamina D de Deus, pois que qualquer coisa por ele falada era terminada com a graça de Deus, se Deus quiser. Falava assim denunciando sua veia evangélica, usando com tato as palavras para não ofender o Senhor. Bom! Como seguindo as palavras do novo presidente Bolsonaro que também diz, a bem da nação, o País acima de tudo e Deus acima de todos.

uruguai3.jpg Eu evitava usar palavras para o senhor que não fossem demasiado periclitantes ou polémicas e assim derivei para a vulgaridade de não reutilizar garrafas de plásticos com água porque, tal e coisa, um produto de plástico por um longo período de tempo não se conhece segurança de remover completamente todos os perigos nele contidos. Bom! Mediante esta conversa um pouco mais desenvolta o senhor de sobrolho meio retorcido perguntou qual era o meu nome. Resposta imediata: Frank Sinatra. Bom! O bigode dele ficou retorcendo a sobrancelha com três rugas a salientarem sua admiração. Ambos estávamos a ficar infestados de bactérias…

Pois é! Falei. Meu pai adorava ouvir Frank Sinatra e tal como o seu, também me baptizou desse mesmo jeito! E, olhe que gosto imenso de o ouvir. E, afinal já morreram ambos num é!? E, que faz na vida? Perguntou ele. Conto estórias! Então é escritor? Não, eu só escrevo para animar os amigos, porque gosto de usar as formas directas do linguajar do povo com que contacto; invento muito e por vezes fico rindo só e, que nem um tonto com minhas inventações.

kafu5.jpg Bem dôtor, vou ter de ir à minha luta, ganhar a vida! A maré já está bem seca para pegar no meu saxofone! Reparem que devido à minha fala assim mais erudita, Louis licenciou-me de dôtor em menos de poucos minutos. Ué… e, afinal ele é mesmo tocador de pífaro, ou trombone ou que sei eu, sei lá clarinete. E, bolas, aqui a imaginar tonteiras! Deve tocar para quem passa para receber uma gasosa; não é a primeira vez que vejo gente tocando na praia para os namorados, para gente com dólares, pessoas românticas que gostam de repentistas.

arau44.jpg Mas ele não disse que era Procurador!? Vou deixar aqui minhas coisas, o dôtor dê uma olhada fazfavor! Pois não! disse eu. Deixe ficar! Foi quando foi atrás do barraco da Canoa e de lá, veio com seu saxofone, assim uma vara comprida com uma espécie de argola no fim. Um saxofone bem esquisito, diga-se! Só dei pelo meu erro quando iniciou sua caminhada em zig-sagues pela areia com seu instrumento riscando chão até apitar. Só então entendi o que era essa função de PROCURADOR. Quando ele aqui chegar vou dizer-lhe que agora é PESQUIZADOR… Isto há coisas…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:47
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Domingo, 27 de Janeiro de 2019
MISSOSSO . XXX

N`ZINGA MONTADA NUM CAVALO ALADO1ª de Várias Partes

- A onze mil metros de altitude em um Boing A.340 - 27.01.2019

Não há palavras para vos descrever o que senti quando vi a assombração lá no alto - sobre as nuvens…

Por

soba15.jpg T´Chingange (No Nordeste brasileiro)

A bordo de um avião A.340 andando a mais de 800 quilómetros à hora e, já nos céus do Brasil, risco meu itinerário no caderno amarelo número onze; tudo isto a fim de manter viva a gravura da memória. Com uma esferográfica bic vermelha, destaco aqui o pensamento para me recordar que afinal, não sou o fim de mim. Quissondeando sobre muitas picadas e com o nascimento de meus dois rebentos em anos já distantes, revejo-me neles na continuação.

E, porque não sou só ossos dispersos, sem o sono a pegar, luzes enfraquecidas, penso em kimbundo da Luua recordando as falas de nossa terra, também da deles, meus filhos e filhos dos outos também; assim repeti “ki tuexile tu ngó ifuba iatujunkura” - ainda não somos só ossos dispersos, “ifuba yetu iokune kala jimbuta” - Nossos ossos serão semeados como sementes…

favla1.jpg Recordando assim as falas de Luandino Vieira no Livro dos guerrilheiros, fortalecido nas almofadas dos tempos que virão, mancho a palavra nas pintas da pele de onça, porque nelas, a chuva não as tirará. Sinto-os na sombra da minha frente e, no escuro de mim mesmo, tenho a lâmpada da asa piscando o escuro do céu lá fora, num acende e apaga com uma temperatura de menos 45 graus centígrados.

Assim no quizango, feitiço no livro de capa amarela, recordo os mwadiés camundongos fingindo ser sapientes e, que só mostram o Sputnik de Agostinho Neto num jeito de perfumar seu ranço seboso, engraxando as cores de seu aparos sem conseguir dizer nada que relembre sua caligrafia de verdade.

ximbica2.jpg Sem saber explicar como é o cheio do peixe podre, da fuba azeda e até azeite de palma feito por um branco cangundo, mesmomesmo de ordinário sem educação. Assim muxoxando feito mabuba, com o indutor a queimar o induzido, afagando minha onça, libambo minhas jimbumbas de guerra pra libertar meu ilundo. Como é então? Pergunto-me!

Assim só mesmo sou uma árvore cheia de música que caminha e assobia todos os pássaros de sua folhagem – Assim, assobiando nos passarinhos vi fora da vigia, janela do Boing A.340 fazendo raviangas ao redor das luzes de Minas Gerais um cavalo branco no alvorecer dum dia coberto de nuvens brancas. Será? Foi? Disse assim só no pensamento.

luandino2.jpg Era um cavalo branco alado, branco como as flores do cafeeiro, também como todas as outras nuvens. Nele, no cavalo, vinha escanchada a rainha N´Zinga feita palanca. Nas penas longas das asas podia ler TAAG - Transportes aéreos de Angola. Sacudi meu sono, minha penumbra de sonho e perguntei ao meu parceiro Sundinho de nome, o tal agente turístico da Star que leva curiosos a ver os chimpanzés dorso de prata na Republica Centro Africana, e Quénia.

Será possível!? O quê? Fala Sundinho estremunhado! Vi a rainha N´Zinga montando um cavalo alado aqui ao lado, disse! Caramba - teus sonhos são perigosos, disse ele. O que tu viste, foi uma miragem com a contraluz do dia a nascer! Dorme, que o teu mal é sono, disse assim de forma quase definitiva. Olha, olha, falei para ele afastando-me um pouco do buraco janela.

hoji1.jpg Só vejo a luz deste Boing a pestanejar, nada mais! Olhei e também desta feita, nada mais vi do que isso! Como é que isto foi acontecer, logo comigo que sempre sou tão verdadeiro! Foi quando Sundinho veio com uma nova ainda mais surpreendente: - N´Zinga ainda não morreu, quersedizer disseram-me que vive nas Arábias e, que de vez em quando vai até ao Rio de Janeiro fazer palestras a incitar ou conciliar os moradores do morro. Hum! Será?... Fiz assim como o RF, que se diz um genuíno kaluanda!

Vive sim! Rodeada de xi-colonos, fiotes e fiéis kicongos fingindo serem os Boko Haram, afirmou definitivamente Sundinho… Agora sim, posso apagar meu desenho, dormir e esquecer as falas do seminarista camundongo RF, me coloco no desenho, lá onde ele me mandou. E, assim sacudido, saltei do coxilo em salto de onça.

n´zinga.jpg E, foi quando estevávamos para levantar as malas no carrocel três que reparei na figura de três homens e uma mulher esperando malas no carrocel quatro vindo do Além. Só poderia ser! Assim admirado cutuquei meu companheiro de tranças rosqueiras. Estás a ver o mesmo que eu? Perguntei em voz pequenina de medroso e apontando para o grupo não distante de nós. Não são quem eu penso que são, serão!? N´Zinga, Hoji-ya-Henda, Monstro Imortal e um outro matulão desconhecido de mim.

Não pode ser! Resposta imediata mas de todo inconclusiva. Sundinho afinou a vista; semicerrou o assombro juntando-o ao espanto e falou: Mas, que parecem ser, lá isso parece! Claro que só poderiam ser fantasmas pois que em períodos bem diferentes tiveram destaque na história de Angola.  Assim meio aturdido relembrei seus nomes: José Mendes de Carvalho, mais conhecido pelo nome de guerra Hoji-ya-Henda, um comandante das FAPLA morto em combate e Jacob João Caetano, popularmente conhecido como Monstro Imortal que fez parte do chamado Fraccionismo do 27 de Maio. O outro personagem, era-nos totalmente desconhecido.

congo00.jpg Afinal, parece que os mujimbos que ouvimos lá teriam razão de ser: Que um grupo organizado de famosos chefes e guerrilheiros de Angola estavam a incutir vontades independentistas nos morros do Rio e nas demais favelas do Brasil. Isto, teremos de averiguar! Disse assim neste tom a Sundinho! Pois! Lá terá que ser - retorquiu. Tal como Luandino, muitas vezes, anestesio-me de incultura para entender a sapiência dos outros! Atiçar as labaredas - Não se admirem de ler vulgaridades saídas de mim porque é assim que nos desentendemos! Mesmo a dormir, ué … a onça continua a mexer a cauda…

(Continua…)

HPIM1302.JPG GLOSSÁRIO:

Quissondeando: - busca, fazer zig-zag como a formiga kissonde; Quizango: - feitiço; Mwadié:- Senhor com poder de decisão; Camundongo: -, natural de luanda, rato; Muxoxando: - fazendo estalidos entre a língua e o palato, trejeito de expressão; Cangundo: - branco ordinário ou sem educação; Libambo: - Corrente, escravos em fila, presos na mesma corrente; Jimbumbas: - tatuagens, marcas de reconhecimento do uso gentílico; Mabuba: Cachoeira, água em queda, figurativo de muito choro; Ilundo: - espírito; Ravianga: esquindiva, finta, fuga habilidosa; Boko Haram: grupo de guerrilheiros de cariz muçulmano, radicais perigosos; Coxilo: De cochilar, dormência, sonâmbulo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:23
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Sábado, 26 de Janeiro de 2019
MUXOXO . LIV

VIDAS MÁGICAS DO MU UKULU – HUM … AIIUÉ

FÁBRICA DE LETRAS DO KIMBO – 21.01.2019

As aventuras não têm tempo, não têm princípio, nem fim - estão num dia atrás do outro...

Por

soba15.jpgT´Chingange – Em ALAGOAS  do Brasil

As verdades são sempre multifacetadas, metaforizadas com rigor de paradoxos, às vezes sim e outras não. No mundo imperfeito, também muito redondo nos silêncios, acho melhor nem referir o nome do patrão da Banda porque as circunstâncias medrosas não permitem que abra uma nova frente de guerra sem haver razões independentistas. Hum! Com uma noite de permeio entre os dias, sempre descubro novos pedaços de infinito. Às vezes no papel de T´Chingange, quase acredito que eu mesmo, seja um conto contado, só por mim e para mim. Destilando existência, imaginar estórias, misturar convivências com a natureza.

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Em 2002, transladei-me de férias para Luanda com saudade de comer maboques de Viana e tamarindo do meu antigo quintal na Rua Dr. José Maria Antunes que ainda mantem esse nome na cidade da Luua do país da banga. Logo no primeiro dia em mês de Maio, percorri a Marian Nguabi, António Barroso de outros tempos. Fiquei na Rua da Maianga, um quintal com um embondeiro cercado de chapas rosnantes e tambores espalmados de onde saia um ruído agudo.

maianga do araujo.jpg O esmerilador, amigo do meu amigo Massa, o bate-chapas, pelas seis da manhã começava a ganir; era ali que reparavam uma boa parte da frota de carrinhas táxi dos candongueiros luandinos, kamundongos ou kaluandas. Ficar num quintal assim, com esculturas de clássicos despidos, esqueléticos poisos de galináceos, patos e gansos terroristas, é um privilégio da maior cotação; até havia um pinguim do Cabo perito na condução dum NSU parecido com uma cafeteira, o volante era seu, quase todo o  tempo; era um NSU indefinidamente verde.

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A casa ainda esburacada da guerra recente, do meu amigo Xico curibota, zelador de mambos, era um quintal de carcaças velhas, DKVês, Chevroletes, Fordes, Dodges, Urais, GMCês, Unimogs e bielas ao destempero, enferrujadas até o tutano do veio, pintadas de merda branca da feliz bicharada. Ali só não havia máquina de fazer arcos-íris.

maianga0.jpg Recordando "edecéteras" vi-me a percorrer toda a velha Maianga, subir às acácias da rua vinte e oito de Maio para espreitar os filmes do clube Malhoas, vuzumunando os cipaios que não queriam ver macaco em cima das árvores a ver filme de borla. Zorba, estava sempre por perto, cowboiadas era o que mais gostava de ver e, tudo corria bem enquanto o cipaio não abanava a árvore; uma noite caí em cima desta autoridade e descomposto, o tipo desbivacado, nem tempo teve de puxar pelo cassetete. E nós, maleducados do Prenda e Katambor, riamos que nem perdidos, fazendo pouco do polícia com cofió.

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Velhos tempos. Tempos do velho Pestana que nos dava borlas de entrar no cinema depois do primeiro intervalo. Nesse Maio de 2002 andava à procura duma qualquer felicidade, mesmo que fosse de kazucuteiro gerando negócios de escapes, bielas, cambotas, chassis e, coisas de atravessar qualquer chão sem lei regulamentar, refastelar-me no Mussulo entre kotas gordos de ricos e gente gira do mundo cósmico, desfrisadas m´boas e homens-a-fingir, feitas zebras, nem preto, nem branco, simplesmente sem cor.

maianga9.jpg Há um ano atrás e para comemorar a amizade de muitos anos, um antigo Visconde do Mussulo, senhor de Cienfuegos, conhecedor de todas as cartilhas da guerrilha e adjacências, vanguardista mangonheiro, ofertou-me uma planta de maboque. Foi a mais significativa prenda que recebi nos últimos tempos. Uma coisa viva. Disse-me que a semente foi trazida pelo Embaixador do Kacuacu, Jonas Boniboni.

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Sendo mazombo de Angola na criação e, vivendo entre astucias enganosas e superstições intestinas, falo e penso como se fosse um africano preto na cor, captando como um íman as feitiçarias das memórias feitas tradição. E, hoje numa conversa puxa conversa fomos até longe, naquelas conversas de botar fora porque, ou nunca chegam ou já se foram. E falamos das coisas do mundo actual, das artimanhas que nos arranjam para dar volta ao miolo. Desta vez escorregamos nas falas indo longe num sentido e outro do tempo, ou seja, assim mesmo, para trás e para a frente.

coycoy3.jpg Pois sendo eu feiticeiro t´chingange lá terei de vos contar que na minha primeiríssima geração, também e em delírio de voar, fiz experiências com asas de palha, atirando-me de medonhos penhascos a imitar as modernas asas delta. Com asas mecânicas às costas abanava-me só átoa até me esborrachar lá embaixo e, até ao dia que me esqueci de ser pássaro.

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Pois, surgindo com os olhos esbugalhados, também naquele jeito curibota, sem pestanas e ar trocista meu amigo, O Visconde do Mussulo da Luua, hoje surgiu assim do nada, na curva do parafuso, fazendo banga no seu BMW, duzentos e tantos cavalos de cilindrada, bem perto do ninho da gaivota, melhor da cegonha e, lá me mantive comentando isto e aquilo como já disse e, enquanto falava cismei em dizer-lhe mas nada disse. Fiquei calado! Hum! Aquele maboque que me ofertou, não era pé de maboque. É mesmo uma planta do mato sem classificação e, com espinhos. Pois! Não tive como lhe dizer, só ficou mesmo a vontade…

luua24.jpgGlossário

banga – estilo do kaluanda, calcinha; mulembeira – árvore ou figueira de grande porte, de onde se extrai o visgo; kota – mais velho, idoso; Mussulo – ilha a sul de Luanda; kazucuteiro- bandalheiro, dado a embustes; curibota – manobrador de interesses, bem cotado em mexericos; haca! – exclamação por admiração, espanto em Umbundo (generalizado por toda a Angola); Kinaxixi – mercado de Luanda (Património arquitectónico de raiz colonial, destruído recentemente); mambos – muxoxos, problemas, coisas de boatos; kamba - companheiro, camarada; candongueiro - taxista faz-de-conta, carrinha de caixa aberta ou fechada que dá boleia a troco de gasosa – uma quinhenta, kumbú, dinheiro vivo, o chapa; mangonheiro - gente que só gosta de jiboiar, preguiçoso mesmo.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:36
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2019
MU UKULU – XII

MU UKULU...Luanda do Antigamente15.01.2019
Luanda era Angola e o centro do mundo era a Mutamba! Háka…
Por

soba0.jpegT´Chingange – No M´Puto

luis0.jpg Luís Martins Soares – No Brasil 
África e particularmente Angola, tem de escrever a sua própria narrativa, precisa de se pensar ancorando-se em dados credíveis e coerentes, fazer uma triagem do que está mais aquém ou além do real, excluindo os característicos inchaços de quem está no mando, de quem coloca as virgulas no texto alterando o contexto. É sabido que África cresceu num cenário de crise global, que Angola passou por uma história de permanentes sobressaltos na fase de Colónia, ou Província Ultramarina do M´Puto mas, seu crescimento foi visível nesse entretanto - cresceu!
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É sabido que da turbulência Colonial, das rusgas com cipaios, do agarra preto, das filas de gente descalça e, em fila, levados à força ao trabalho gerido pelas administrações, administradores e chefes de posto ficaram marcas dolorosas; dos contractos para as roças de café ou algodão e, que após a guerra dos cipaios, veio a guerra das matas com G3 e kalashnikoves com Luanda sempre em crescimento. Da psico ou psicossocial, da guerra do kwata-kwata até à das matas e das catanas, veio a libertação com monacaxitos, bazucas, canhões com e sem recuo e o tundamunjila - t´chindere. 

mux1.jpg  Em todo este trajecto com muitas mortes, muitas armas poderosas, Loanda, Luanda ou a Luua, foi a charneira de tudo e de todo o comando, de todas as tragédias, convulsões e, de todas as sequelas para nela sobreviver. E, porque cada um tem sua própria visão, que muitas vezes até é ficcionada, para se chegar ao miolo substancial de cada lugar, musseque, bairro de cada cidade ou qualquer kimbo, teremos de somar ou subtrair narrativas defensoras de interesses que lhe são adjacentes, justapostos adjectivados nas fantasias empoladas que por vezes, muitas vezes, são alheios à fidelidade dos factos. 
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Queiramos ou não, foi em Luanda que mais se sentiram as mudanças; também é verdade que esse crescimento não foi nem é, ainda, qualitativo. Luanda, não é só mutamba! Não se tem gerado empregos suficientes, os níveis de pobreza continuam elevados e a dependência das matérias-primas contínua em alta. No Mu Ukulu, Luís Martins Soares descreve Luanda como a sentiu, como a viveu, sem aumentar ou diminuir as lentes de sua objectiva.

luanda4.jpg Falando dos usos e costumes da sua, nossa Luanda, Luís Soares diz assim: - ainda me recordo da mulher negra luandense sentada na esteira de loandos ou de mateba, no banquinho feito de galhos de mulembeira junto à porta, catando piolhos da cabeça do candengue ou mesmo de adulto. Estendendo a vista pelos arredores via as aduelas de barril num arranjo de quase átoa a definir seu quintal, intercalando esta foto de grande angular, gente com falas em kimbundo, passam-se horas e horas na cavaqueira, dizendo nada, mesmo!
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Junto, as roliças crianças de peito luzidio brincam nos loandos com carros feitos de coco, com latas de sardinha de rodas de caricas de cerveja cuca ou casca de múkua ou mesmo de pau-binga trazido por seu pai da lagoa do Lifune aonde pesca cacussos. O loando é assim um tapete de junco de caule macio de espessura de mais ou menos de dois centímetros entrelaçados, que eram depois ligados uns aos outros com fio de matebeira ou de sisal trazido lá da fábrica da Cotonangue.

maful1.jpg  Esse mesmo de amarrar a farinha de bombó, fuba ou do saco de batatas doces trazidas de Belas. Pois! Era assim uma arte feita tapete espalmado num rectângulo de um metro e meio de comprimento por oitenta centímetros de largura. Háka, era mesmo um acessório sempre presente nas nossas reuniões de quintal logo a seguir ao jantar, botando conversa fora com os vizinhos, mujimbos que corriam na boca de muita gente.
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Enquanto isso com falas esdrúxulas de sundiameno, sacana mesmo ou topariobé e muitos muxoxos intercalados de asneiras com comentários de roubos e falcatruas, que até entrava o árbitro comprado lá no futebol do M´Puto. Com nomes variados de filho-da-caixa e muitos edecéteras chamando de bois aos quadrúpedes e cabrões; os candengues de chinelas de dedo enfiadas no pé e descalços até ao pescoço, ranhosas e com o umbigo saído das barrigas inchadas, esgaravatavam no pó a fazer vrrruuummm para desenterrar.

luua11.jpg O mais velho cozinheiro do senhor Ildefonso, só ali quietinho no seu canto, ouvia na sua serena idade dando longas chupadas no seu matope. Ele, mais-velho, só biscatava as falas com um cachimbo feito de nó de tamarindo e, ria de vez em quando, baforando pró ar sua sapiente sabedoria de século. O kota misterioso que não contava as coisas direito, para não ser chamado nas razões do patrão gordo saído dum lugar chamado de Porca Da Murça. 

massau5.jpg Ele não podia falar assim átoa do patrão que tanto de guloso só comia mesmo lagosta suada ou garoupa das pedras … dizia com frequência depois de nada dizer: - Vou dizer mais o quê? Luanda, aiué… Com a certeza de que a verdade se irá impor por si, ainda que por algum tempo impere o discurso fantasioso, o que queremos por ora e aqui na Luua, é esquecer os aspectos das guerras…
(Continua…)
O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 21:07
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . VI

- Meu Deus, tinhamos um país! E, aqueles tipos destruíram tudo…

 Arqueies tipos! - Vocês!  - 10.01.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Lagoa do M´Puto

agualusa1.jpg54 - O pessimismo é um luxo dos povos felizes. Quem o diz é um kamba nascido no Huambo chamado de José Eduardo Agualusa em Dezembro do ano de 1960, bem perto da Caála, lugar aonde morei por algum tempo, trabalhando às ordens do presidente do Município chamado de Casimiro Gouveia com a alcunha de caluviaviri. Aqui, refiro Agualusa porque faz parte da minha lista do BOOKTIQUE. Até cheguei a ter uma xitaca com nemas junto à pedra do Alemão mas, deixa para lá, a guerra do tundamunjila a levou……

55 - Irei escalpelizar seus escritos pela razão de tal como eu, andar por aí escrevendo crónicas e livros que muito me fazem borbulhar o cerebelo do lado bombordo. Enquanto eu ando com um imbondeiro às costas, ele sempre se faz acompanhar de cadernos com linhas, um micro-ondas Ipad e uma catrefada de canetas de várias cores. Só que tem uma grande diferença, ele ganha bom kumbú e eu nem cheta… Acho que sempre leva um casal de osgas de estimação e olhos oblongos e enviesados, com quem cavaqueia longos tempos. É delas que recebe inspiração, pode isto ser?

agualusa2.jpg 56 - E, é sobre um antigo Coronel do Ministério da Segurança de Estado de Angola que tudo se desenvolve. Já morto, fugindo às armadilhas da guerra com um amor de hiena, percorre agora seu tormento das memórias vendendo armas aos sublevados do Morro da Barriga do Rio. Quer à viva força levar a descolonização ao Brasil mergulhando a fundo nos incêndios dos morros cariocas. Foi ali, no lugar aonde os candengues brincam com kalashnikoves AK-47, numa sacada a ver-se o Rio estendido até o Cristo Rei, que o ouvi dizer: -A guerra enche os bolsos a muita gente. Bom! Isso não parece ser novidade para ninguém…

57 - Nesta análise, tenho a ajudar-me um jornalista de nome Euclides muito hábil a complicar as respostas que sendo fáceis as engravida só para se vingar das peripécias vividas em África e muito especialmente naqueles tempos perturbadores da guerra do kwata-kwata, do foge branco t´chindere, senão estripo-te. O raro disto é a de que também foi polícia do Estado, um supranumerário de confiança. Bom! Tudo isto acontece inspirado na saga dos fujões pretos, escravos dum qualquer coronel que num golpe de audácia fogem para os quilombos dos Palmares. Até poço sentir o bafo dos cães de fila soprando e babando ranho por aquelas matas procurando os gentios entre as coroas-de-frade e picos kilométricos.

zumbi6.jpg 58 - Francisco Palmares o coronel angolano, o morto-vivo, recordando a fúria de Zumbi, quer tomar o rio dando lugar de destaque aos negros; diz que Zumbi voltou para tomar o Rio. Nós angolanos, somos optimistas – os pessimistas já se suicidaram todos! É Euclides que assim fala sem se recordar do nome desse homem que assim falou lá para trás no tempo; acontece ser assim quando se encontra em dificuldades.

59 - Euclides fala com o Coronel como se fossem amigos de há muito tempo, e eram mesmo: - Vi-te na feira, escondido atrás de uma barraca, disseram-me que morreste e agora!? As coisas mudaram muito desde que tu morreste! O que vocês fizeram não tem perdão, diz Euclides. Eu sei; eu sei! Diz Palmares ao seu assombrado amigo. Aquilo escapou ao nosso controle, foi longe demais…

ANGOLA10.jpg 60 - Ficam muito tempo em silêncio. Finalmente o Coronel fala: - Tu estavas na delegação provincial. Tenho a certeza. Numa de falas tu e, agora eu, Euclides, o jornalista repentinasse: Como conseguiste escapar? - Escapar!? Eu não escapei. Tu viste que não,… estiveste no meu enterro!… De sobrancelhas carregadas e pigarreando, foi dizendo.- O Cunha deu-me um milongo que me deixou a dormir, acho até que morri, mesmo! Depois organizou aquele fantástico funeral, enterrou-me e, logo a seguir, desenterrou-me.

61 - Passei a polícia de Fronteira em Namacunde com o meu próprio passaporte dois dias depois de enterrado e, ninguém deu por nada. Incompetentes! Os teus colegas, graças a Deus! São todos incompetentes, repetiu… Ficamos aqui a saber que Euclides também tinha sido da polícia porque logologo o Coronel afirma com trejeitos de gozo: Tinha a certeza que me seguirias até aqui - Um polícia nunca o deixa de ser… polícia!

coroa de frade.jpg 62  - O medo veio até mim sabes, diz Euclides o ex-polícia e agora jornalista. Os camaradas fraccionistas faziam a sua autocritica, pediam perdão ao povo, assim publicamente e, depois eram fuzilados. Bom! Também naquela altura, sabes, as pessoas arriscavam a vida por um leitão assado. Estava farto de comer arroz de mabanga – quando penso nisso até me dá vómitos.  Como não fugir… como fez o Isomar, T´Chingange, o Vumby e tantos outros. Francisco Palmares lembra-se da Luua: - Meu Deus, tinhamos um país! E, aqueles tipos destruíram tudo… Aqueles tipos, ué! - Vocês!

63 - Vocês destruíram tudo, assim fala de dedo em riste o ex-polícia da nomenclatura. O Coronel olha-o ofendido; abana a cabeça. Esquece… Eu não tenho já nada a ver com a pátria; pátria ou morte, o escambau. Quase nada. Sou empresário, tenho negócios aqui… Negócios? Sente-se um muxoxo prolongado de Euclides. Olha, os outros compram barato aqui no Brasil, levam cuecas e cabeleiras postiças, sandálias e lençóis de cama para venderem caro na Luua. Eu, faço o contrário, compro barato em Luanda e vendo caro aqui. Sou besta!? Caramba… O que é que compras barato em Luanda para venderes caro no Brasil? Interroga o ex-polícia em voz de falsete? A coisa promete meus ávilos…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:56
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2019
BOOKTIQUE DO LIVRO . V

Leão que ruge muito, não caça nada…… 09.01.2019

Por

soba0.jpeg T´Chingange – Em Lagoa do M´Puto

44 - O sol erguia-se escaldante sobre o mato, os bichos felinos ficavam às sombras das bissapas abanando as orelhas para enxotar moscas e revirando-as para manter seu radar a captar os movimentos da savana, das bordas dos muxitos e da lagoa. Assim e por detrás do capim, o mesmo sol do M´Puto, aqui parece envolto em brancas teias de nevoeiro, como se aranhas fossem, percorrendo bocejos de cacimbo como gotículas que se despendem das pontas acerosas.

malawi3.jpg 45 - Com colares massai de contas azuis e bagos de feijão maluco de Angola penduradas ao pescoço, escrevo coisas loucas a condizer com o não menos chanfrado Ernest Emingway, salvo as proporções, claro! Sou um homem do mundo. Já viajei e vi muitas coisas; os anos e meses que passei noutros lugares assim como contas, conto-os enfiados em um fio de náilon a fazer de missangas.

46 - Formando frases curtas e sinceras tento rematar-me nas voltas certas para driblar de outro jeito meu passado. Sim! De outro qualquer modo ele, o passado pode reconhecer-me. Aprendo com as formigas grandes, kissondes que em andamento seguro arrastam pelo pó do chão seus ventres escuros sem discutir com Deus por assim andarem, sempre se arrastando.

malawi2.jpg 47 - Se pudesse adivinhar o futuro sem o ter de deslocar, tê-lo ia beijado, a sugar-lhe as energias, deixando para ele um montão de problemas, porque cada vez que se respira, torna-se tudo mais caro e, nossa escrita que até podia ser criativa, fica lodosa, languinhenta com taxas e taxinhas mais a água, a luz, revisão do carro  ou pagamento ao jardineiro.

48 - Com todas estas alcavalas na vida, nossa prosa fica como um deserto, esteando-se até ao horizonte sem nada acontecer; fica só uma vida de estórias com partidas e chegadas. É por isso que me regalo com as estórias alheias como estas da minha empregada de Kampala chamada Mery. Esta manhã disse-me que sua mãe mandou-lhe por correio expresse um pacote de formigas fritas, embrulhadas numas folhas de bananeira.

malawi1.jpg 49 - Acrescentou que embora a folha estivesse amassada e rasgada dá para as saborear, deliciosas enswas acompanhadas com palmito de bananeira. Minha relação com Mery foi-se tornando mais próxima quando nas nossas falas, ela me disse um dia que nós muzungus da Europa, complicamos muito e, para além do normal nossas vidas. Assim num desplante doce e sincero, achou que tudo isso é devido à nossa falta de imaginação; que dificultamos tudo, achamos por isso tudo caro.

50  - Foi-me dizendo que nós aqui no M´Puto e por toda a Europa, somos pobres de uma maneira diferente. Mas, quem és tu para falares assim dos brancos muzungus, repliquei para ela meio azedo mas e, também curioso com seu ponto de vista não de todo desajeitado. Eu sou Baampita ani! Ué - és o quê? Sou uma mulher africana, graças a Deus! Venho do Vale do Rift, lugar do Adão e Eva!

INHASSORO 096.jpg 51 - Eu já a tinha ouvido dizer que o Adão e a Eva eram africanos mas assim desta forma fiquei confuso sem saber até como replicar. Sim, acrescenta ela: O vale do Rift foi o berço do primeiro homem e da primeira mulher. Portando o Adamu e Eva pertencem-nos! Fiquei recentemente, a saber que o Great East African Rift System é uma das maiores características fisiográficas do planeta. Vou ter de me inteirar disto porque talvez ela esteja cheia de razão

52 - Em verdade este Vale do Rift é uma zona na qual as placas Somali e Núbia se estão dividindo; abrange a Etiópia, o Quénia, a Tanzânia, o lago Niassa e o rio Chyre, terminando no Zambeze. Da superfície das águas elevam-se agora nuvens de dúvidas para e, em espiral fazer transportar kiandas do kalunga, o lago Niassa.

INHASSORO 175.jpg 53 - Um mistério que vai originar escritos de sonhos com danças de boas vindas ao Malawi porque foi em Sitima de Nkhotakota que almocei na sala do capitão Steve. Lá terei de continuar esta conversa com Mery sem perturbá-la dos seus afazeres; até lhe prometi amanhã ajudá-la a aspirar com o rainbow a casa no intuito de fazer acontecer mais falas. Nem pensar patrão! Disse logo na forma peremptória. Cumcamano, ando a perder massa muscular no meu cerebelo!

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:55
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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