Domingo, 17 de Setembro de 2023
VIAGENS . 78

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3488 – 17.09.2023 No Shoba Safari Lodge de Kasane

- Escritos boligrafados da minha mochila, em KASANE. – Entre os anos de 1999 a 2018

Por:Botswana 055.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

kuvale6.jpg Estamos a ficar longe no tempo para poder recordar todos os detalhes e, se não houve rascunhos daquele então, ainda mais difícil fica de desenhar a paisagem Landscape. Em um daqueles dias às margens do Shobe, rumamos por uma estrada de terra com piso em argila regularizado com brita que depois virou areia; estávamos no Shobe National Park, bem do outro lado da Namíbia.

Anotei a indicação lá no início do troço de, que nós bazungus, iriamos ficar à nossa conta e risco! Valeu a pena o susto de por vezes ficarmos enterrados porque, de repente lá estavam, um leão e uma leoa à sombra de uma grande árvore comendo ou guardando um elefante de pequeno porte, já todo esfalelado, coisa pouco usual tratando-se de um elefante.

orneb5.jpg Porventura  aquele paquiderma, estaria adoentado  ou teria sofrido um grave acidente.  A lei da vida e da morte ali, não contempla assistência da parte de qualquer instituição cinegética ou veterinária. Até nós corríamos esse risco de entrar na cadeia alimentar. Ao seu redor umas quantas hienas espeando o fim de repasto dos reis da selva. No ar, circundavam os abutres negros querendo também fazer parte do repasto; num lugar mais distanciado também havia mabecos – uma cadeia alimentar na lei da natureza nua e crua – o aviso lá de tráz, na entrada, tinha razão de assim o ser.

Quanto ao passeio de barco - passeio de aventura  terreste de muitas estrelas, com uma óptima relação no custo-benefício, sentimos  o conforto e a segurança de uma viagem organizada pela secretaria do Shoba Safari Lodge. Momento único, numa vontade sem certeza, certeza de voltarmos a ter uma tão grande oportunidade de criar memórias duradouras, que nos acalentam sonhos em voltar para ver mais.

dia61.jpg Nas longas horas de jornada ao longo de terra árida, chinguiços ressequidos, caímos em devaneios de profecias, falamos pelos cotovelos dizendo falas desprovidas de sentido ou fora do reino de aventura. Agora que já se passaram uns longos anos de estio literário, relembro o que alguém, não sei quem, o disse: Que a Inglaterra será totalmente aniquilada, até mesmo a sua terra irá queimar como uma invasão liderada pela Rússia que vai invadir a Europa, através da Turquia e usar armas terríveis.

Costuma ser assim, cada qual diz o que lhe vem nas falas avulsas porque leu e, ou com edecéteras de kazumbis repassados por adivinhos ou pastores que por norma sempre vão mais álem do que plantar batatas no meio do Karoo  e, mais se disse que a África do Sul também entrará em uma guerra civil em um ano de eleições, após a morte de um líder negro; que será exibido em um caixão de classe nos Edifícios da União. Líderes mundiais virão homenagear. Será!?

DIA 108.jpgEm Kasane, nas voltas e andanças tarde do dia, cheios de gases, corpos curvados e cheios de ideias com turbulências no cerebelo e fome, antes que fosse noite, fomos comer ao Pizza Coffee do paquistanês em Kuzungula. Já noite, na tenda “tipo Livingston” podia  rever-me nos muitos esboços coloridos gatafunhados, coisas que vi, quilómetros precorridos, sugestões e pagamentos a encontrar ao calhas e a cores, amarelo, azul e amarfanhado no descolorido, colados a shwingame (pastilha elástica).

zambeze1.jpg Uma escrita misturada de experiências em blocos boligrafados, esquecidas com contas de somar, subtrair e cambiar. É fundamental ter dólares! Sem isto, a apologia de se ir ao acaso tolhe o instinto, cega a fé, mesmo que se repita muitas vezes o valha-me Deus. Faço isto por vezes para ver quanto gastei em Euros, agudizando-me na curiosidade de ver contas de números altos em dólares, randes, kwachas, pulas e dólares zimbabwanos e deparei com as falas de lugares passados que terei de descrever  nas próximas crónicas e, aqui repostas, para não transtonar o cerebelo em minha sequência de escritas…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:08
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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2023
VIAGENS . 76

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA) Shoba

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3476 – 14.09.2023,  No Shoba Safari Lodge de Kasane

- Escritos boligrafados da minha mochila, em CASANE, às margens do Cunene/Shobe

– Entre os anos de 1999 a 2018

Por  safaris03.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

safaris10.jpg Estas tendas do Shobe Safari Lodge de Casane, até tinham chave electrónica para nelas entrar, uma coisa de cinema composta por duas camas, mesinhas de cabeceira, uma pequena mesa de centro, uma outra com espelho no topo e ainda outra para guardar malas e coisas menores. Também havia um ventilador que, nos  foi bastante útil porque o calor aqui é para fazer de sauna.

De noite, o tempo arrefece a ponto de termos de nos tapar pelo frio. Na gaveta da cómoda havia cinco preservativos. Sukwama! Exclamei - era isto mesmo que me fazia falta, aiué! A tenda tinha um avançado por cima do sobrado a fazer de varanda com mesa e cadeiras para seis pessoas mas tinhamos de ter cuidado com os babuínos, e outros macacos mais javalis facocheros pois que afoitamente nos vinham roubar as coisas do seu agrado.

safaris01.jpg Para fazermos nossos assados na churrasqueira brai, tinhamos de estar com um olho na carne e outro nestes caçadores furtivos. E, como gostavam de batatas fritas! Até os javalis vinham quase às nossas mãos para comer, embora houvesse avisos no sentido de nada se dar aos animais. Ao nosso redor surgiam facocheros, macacos babuínos, saguins, bâmbis, capotas e perdizes.

Os elefantes faziam-se ouvir por perto. Os kwés-kwés, uns pássaros pretos e grandes lançavam piares agudos ainda o dia não o era, só lusco-fusco. Também os turistas, homens e mulheres e gente outra auxiliar dos camiões super truck apetrechados para fazer safaris, que se dispunham a sair cedo, começavam a falar alto, desmontar tendas, agrupar ferros, juntar panelas, cadeiras, mesas e toldos entre outros corotos, imbambas e chuveiros de lona como os usados por funantes, comerciantes e exploradores do tipo de Hermenegildo Capelo ou Robert Ivens.

safaris6.jpg Pois assim, não tínhamos como não acordar lá pelas cinco e pouco! Talvez um dia me inscreva numa destas odisseias – em Espanha há especialistas em atravessar África desde o Cairo ou Madrid a Cape Town,  nesta forma de estar no mundo. Assim que o sol nascia lá no horizonte, o calor começava a ondular o cacimbo; podíamos apreciar isto nas luzernas entre a vegetação alta e empoeirada. Bem do outro lado das bissapas muito cheias de chinguiços podíamos ver a azáfama dos bafanas auxiliares dos carros apetrechados para a áfrica profunda. Desarmavam ferros, juntando-os de forma ordenada na parte inferior do machimbombo Truck-safari.

safaris12.jpg Carros com camas, farmácia, pratos e tudo o que compõe uma cozinha, frangos e carne para assar, maças da cidade do Cabo e feijões do Quénia, vários tipos de pão, café e arcas frigoríficos para atulhar isto mais verduras e, do outro lado, ferros de armar suas tendas; grupos de gente que depois tomam assento lá no alto do machimbombo truck para ver a vida do mato passar, os condomínios de pássaros suspensos nas acácias.

Ao peito dos coletes de zuarte amarelo suave de muitos bolsos, pendiam seus binóculos, suas camaras fotográficas e outros zingarelhos próprios de verdadeiros bazungus (turistas). Era bom andar mastigando chwingame, uma pastilha elástica que depois de mastigada era um bom vedante para tapar furos do radiador mas, agora as tecnologias de ponta são outras; não mais é necessário levar umas borrachas extras e arames para encurtar tubos de refrigeração ou pendurar argolas e chapas desprendidas com o sacolejar dos ripados da picada, ao jeito de tábua de lavar em selha, coisa desesperante.

safaris13.jpg Só para lembrar: As lonjuras complicam-nos o mataco que a dado momento já nem tem posição certa tornando o excesso de profiláctico em olfáctico dando comigo a abanar as orelhas e engolindo cacos de vidro como um faquir.  Estas paragens na aventura, odisseia, tonam-se necessárias. O zelo da quilometragem conjugando a hora com o dia, da noite que cai e da luz que se esvai. É fundamental termos um bom lugar para pernoitar, consultar no telemóvel ou perguntar por um aceitável sítio aonde pousar. A seguir, iremos ver os elefantes às centenas.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:07
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Terça-feira, 12 de Setembro de 2023
VIAGENS . 75

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3475 – 12.09.2023

- Escritos boligrafados da minha mochila, em CASANE, às margens do Chobe – No Shoba Safari Lodge de Kasane

Entre os anos de 1999 a 2018

Porfrancistown03.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

Botswana 264.jpgSaltando no tempo, vejo-me debruçado sobre os funis feitos na terra pela formiga-leão, os nossos conhecidos fuca-fucas de Angola. Pois, assim debruçado no Shobe Safari Lodge bem na margem do rio Shobe, concertávamos ideias sobre o que fazer e ver nesta parte norte do Botswana. Os alojamentos dos principais módulos, estavam todos ocupados e restou-nos ir para as tendas com os requisitos de um chalé normal com água, energia e chorrasqueira brai,  e seviço de hotel…

O nome da região Shobe, deriva do rio que corre ao longo do norte do parque aonde ficamos; em verdade é uma continuação do rio Cuando  que saindo do estremo do Leste  de Angola, atravessa a faixa de Caprivi passando a formar fronteira entre a Faixa de Caprivi da Namíbia e Botswana que passa a formar fronteira com a Zâmbia e que toma este nome de Shobe.

okavango3.jpeg Proseuindo o Cunene/Shoba,  dá encontro em Kazungula a escassos quilómetros de Casane com o rio Zambeze fazendo aqui, fronteira a Leste com o Zimbabwé. O rio Cuando é um rio que nace no Planalto Central de Angola e corre para sueste, formando parte da fronteira entre aquele país e a Zâmbia de uma forma caprichosamente ondulada e, formando ilhas na envolvência de muitos  charcos, tal como o Delta do Okavango do rio Cubango…

Durante este percurso, o leito do rio Cuando, ainda em Angola, é formado por ilhas e canais, com uma largura que varia entre cinco e dez quilómetros. O rio Cubango/Shobe, tem 800 km de comprimento. até encontrar o rio Zambeze; aqui também de uma forma muito tortuosa formando à semelhança do Leste de Angola  muitas  ilhas e, tendo muito fartura  de animais, destacando-se  os elefantes, hipopótamos e crocodilos…

torres14.jpgE assim feito, menino de alegria suburbana, descalço como um candengue de musseque com aduelas de barril do M´Puto, baptizado com água do Bengo, limpo, arrumadinho e de colarinho ajeitado na hora de berridar a ver paquidermes, hipopótamos, javalis, jacarés e veados à centena senão milhares. Na volta sou todo feito em pó asombroso . A alegria de contemplar e de compreender é a linguagem a que a natureza me excita, na preocupação pela dignidade com a saúde num quanto baste e, com o suficiente dinheiro para poder comprar as alfaces ou o paio defumado saído dum pata-negra.

Feliz de quem atravessa a vida prestativa sem o medo estranho à agressividade e ao ressentimento, capiangando a necessária felicidade, porque para se ser membro irrepreensível de uma comunidade de carneiros é preciso antes de tudo, também ser carneiro. O esforço para criar uma comunidade neste meio, sem a qual não podemos viver nem morrer neste mundo hostil.

fuca0.jpgE, de forma íntegra, tornar-se em um sofrível no meio dum impossível. Para seres favorável a alguém, tens de descartar outro alguém. É uma regra que sempre me provoca rebeldia. Tivemos batata frita, biltong e tostas rijas rusk que nem paracuca que depois se dissolviam nas humidades. Um grande balde com gelo, servia para nele meter todas as bebidas por forma a mantê-la frescas durante o esplendor.

prado0.jpgForam mais de três dias divertidos aqui no Shobe Safari Lodge de Casane - olhando até pelos pés e cotovelos: boligrafar também a boa forma de preencher o tempo sobrante, sempre à coca do surgimento de um facochero feito javali ou porco ou um bambi dócil com macacos a querer roubar sabão e barafustar mais álem,  por aquilo não ser  o weetabix, a farofa do seu breakfast. Neste então esperávamos a hora do seguinte dia para, a partir daí, darmos a volta em barcaça a uma áfrica como se assim fosse, a primeira vez – no rio Cubango ou Shobe …

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:56
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Segunda-feira, 11 de Setembro de 2023
VIAGENS . 74

NAS FRINCHAS DO TEMPO – NO REINO XHOBA - (HOODIA)

"DOS TEMPOS DE DIPANDA“ - Crónica 3474 – 11.09.2023

- Escritos boligrafados da minha mochila, “de Maun a Francistown - Botswana ” – Entre os anos de 1999 e 2010

Por francistown02.jpgT´Chingange (Otchingandji) – Em Lagoa do M´Puto

Botswana 200.jpgAqui em Botswana,  Estrada Nacional A1, com colares massai de contas azuis e bagos de feijão maluco de Angola penduradas ao pescoço, escrevo no imaginário, coisas loucas a condizer com o não menos chanfrado Ernest Emingway, salvo as proporções, claro! Sou um homem do mundo. Já viajei e vi muitas coisas nos anos e meses que passei noutros lugares, assim como missangas, conto-os enfiados em um fio de náilon a fazer de pai-de-santo.

Formando frases curtas e sinceras, tento rematar-me nas voltas certas para driblar de outro jeito meu passado. Sim! De outro qualquer modo ele, o passado pode reconhecer-me. Aiué! Aprendo com as formigas grandes, kissondes que em andamento seguro, arrastam pelo pó do chão seus ventres escuros sem discutir com Deus por assim andarem, sempre se arrastando.

Botswana 239.jpgÁfrica de exotismo quanto baste com coisas e animais incomuns aonde a adrenalina delira em pavores loucos, inundados e imundos de situações fatídicas, substituindo o ar dos pneus por capim cortante de chá caxinde. A coragem indomável de conhecer a África profunda, surgia-me naturalmente desde que ainda moço me tornei kandengue de N´Gola, ao devorar um cacho de bananas oferecido por meu tio “Nosso Senhor” chegado do M´Puto, ao som do apito grave e  longo do vapor “Uige” da Companhia Nacional de Navegação.

Com meu pai colono de papel passado e creditado na tal CNN e, assim, crescido na idade, não foi necessário beber kat´chipemba com pólvora, uma mistela incendiária que deixa as entranhas em chamas para enfrentar os matos com coragem. Nestas voluntárias tarefas de aventura com aflição ou maka, os vómitos de radicais experiências foram surgindo entre bichos cambulando cacimbos com marufo de kassoneira,

Botswana 205.jpg Pois! Ofertas de N´zambi e gente com vestes de loando, amuletos reluzentes, tilintando seus toucados e penduricalhos nos artelhos; de muitos, por demais, zingarelhos. Então, falando com meus botões nas longas viagens, nas frinchas dos tempos e das falas, neste mundo confuso, serei sempre um genérico cidadão ou um sem-terra por não me poder definir como genuíno nessa escolha; assumidamente, não pertenço a lugar nenhum. Serei pois um Pai de Santo sem mukifo permanente.

Lendo na Wikipédia, Francistown aparece como a segunda maior cidade da Botswana, com uma população de cerca de 114 mil habitantes,  descrita como a "Capital do Norte". Está localizado a cerca de 400 km a norte da capital  Gaborone, na confluência dos rios Inchwe e Tati,  perto do rio Shashe (afluente do Limpopo) e a 90 km da fronteira internacional com o Zimbabwe.

Aqui, região do Delta do Okavango, a adrenalina delira loucos pavores, inundados e imundos de situações fatídicas, renovando o ar da coragem de conhecer a África profunda, surgindo-me naturalmente, sem o uso de uma bomba pneumática desde que ainda moço me tornei kandengue maduro conduzindo uma biscicleta aos solavancos da pequenez, um pé atravessando o quadro  do zingarelho para adultos mas, que eu dominava como se o fosse um matrindindi, feito gafanhoto, num vaivem de pernas sem concluir o curso do circulo.

Botswana 297.jpg As provas de habitação por humanos aqui em Francistown, remonta ao tempo de N´Debele, um M´Fumo (chefe) que surgiu na área em 1820 com sua cultura de Bulawayo e, trazendo o conhecimento  para o Kalanga, área do nordeste do Botswana. Reportado, Nyangabgwe, foi a aldeia mais próxima para Francistown de ter sido visitado pelos europeus, para prospector ouro, ao longo do rio Tati. A actual cidade foi fundada em 1897, como um assentamento perto da mina Monarch. Foi aqui exactamente que  me relembrei de ter renascido como Niassalês no bojo de um vapor que o tempo também enferrujou – NIASSA Francistown foi o centro da África Austral do primeiro ouro, encontrando-se ainda  rodeada  de antigas minas abandonadas.

(Continua...)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:44
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Quarta-feira, 26 de Abril de 2023
PARACUCA . LXIII

A NUDEZ DA VIDA – MULOLAS DO TEMPO - 34

RECORDANDO: Em Komatipoort  e  Sudwala Caves…

Odisseia “HAJA PACIÊNCIA” – Recordando o 11 de Novembro de 2018 – Do 55º ao 57º dias de Domingo, Segunda e Terça-feira de 2018…  Crónica 3376 - 26.04.2023

Porzimbabwé4.jpgT'Chingange – (Otchingandji) na Pajuçara de Maceió

zimbabwé5.png Já se passaram quase cinco anos depois da Odisseia com “o melhor condutor da áfrica” e, recordando os 57 dias a atravessar os oito países austrais daquele continente, revejo hoje aquela que seria a ultima crónica de Paracuca e, que agora, tardiamente sai para cumprir o que em mim estava engravidado de promessa! Os países atravessados na condição de penduras - (eu, T´Chingange e minha mulher Ibib) foram África do Sul, Namíbia, Botswana, Zimbabwé, Zâmbia, Tanzânia, Malawi e Moçambique… Posto isto, irei simplesmente repor o que recentemente se publicou com o título de Moamba; e, porque tudo acontece por um acaso, que só faltava ultimar, um clique. Clik que surgiu na gestão de um silêncio muito perto de um farol.

Eufemismo, é a maneira de não falar claro e simples para ver se as pessoas não entendem. Expressão que suaviza também o sentido reduzindo sua carga negativa como o dizer-se que alguém está já vivendo no reino da glória em vez de dizer que aquela tal pessoa morreu. Por isso digo a esse alguém que complica: Diga logo quem morreu! Deixe-se de trololós! O palavrão de inconfidência, é a falta de lealdade para com alguém indo mais além do eufemismo por ser ou parecer uma mentira camuflada. Tudo são sofismas na forma de falácia e, associei aqui uma coisa com a outra complicando-me no lado racional para culminar as falas.

Zimbabwé1.jpg Pensando nas quenturas da vida, como o foi esta odisseia de 2018, sentado sobre meu silêncio num corrido banco de ripas, volvidos uns bons quinze minutos e, olhando o pisca-pisca do farol da Ponta dos Corais, desperto a um chamamento de um já homem simplório nos procedimentos e sem feição dum aparente mal, dirige-me a palavra sem um mais nem um porquê: O senhor está bem? Sim! Respondi que estou! E, de novo perguntou: O senhor está com Deus?

E de novo respondi que sim, até no intuito de evitar delongas em desconformidades. Ao invés de me fazer uma nova pergunta, estendeu-me a mão e, dei-lhe a minha em cumprimento. Assim e do nada, o silêncio voltou em pensamento calado, qual seria o mal deste já senhor. Deduzi que o casal próximo seriam ou seus pais ou seus avós pois que insistiam ser já horas de tomar os remédios e para tal teriam de voltar para casa. Pacientemente insistiam perante a teimosa vontade de ver a maré secar e poder ii até o farol bem no meio dos recifes, já noite feita…

paracuca10.jpg E, perante tanta teimosia e azedume num vamos que vamos, um rapaz feito homem ou o inverso disto – quero ir ao farol! Por ali ficaram nesta periclitante diversão Saí para regressar pensando cá para mim que aquele mal seria uma anomalia do género do cromossomo 21 que causa um progressivo atrofiamento intelectual ou outra qualquer anomalia no desenvolvimento citogenético, o que conhecemos por síndroma de Dawn ou então uma já adiantada esquizofrenia.

E, porque já sofri uns bons sessenta dias andando com alguém com esta suposta doença invisível, atravessando áfrica, cenas de “Paracuca”, posso apreciar a calma necessária, que eu não tive, para suportar um destino de amizade que acabou em Johannesburg, graças a Deus. Pois assim é, assim foi! A escassos quilómetros de Nelspruit de Mpumalanga havia em tempos, gente refugiada nas grutas que tinham um kazumbi tão forte que até guardavam a morte no sovaco. O último senão foi com a recusa peremptória de irmos até às grutas de Sudwala Caves. A negativa foi peremptoriamente muxoxada em edecéteras – ali não havia bichos! Ponto final.

paracuca15.jpg Mas e porque já lá tinha ido posso lembrar. Bem! Quando lá entrei, uns anos antes desta peripécia havia realmente um forte cheiro a catinga. Catinga que já cheirava a cadáver mas aquilo eram estromatólitos colados ao tecto, um pouco diferente das estalactites ou estalagmites. Mas o certo é que havia sim, uma imagem em um grande salão com o nome de Nossa Senhora da Muxima. Para uns já era de Lourdes e para outros de Nossa Senhora de Fátima. Bem! Descrevo isto porque fui lá. Ele, o “melhor condutor de áfrica” não me quis como cicerone… Foi o ponto final…

zambeze1.jpg Esta crónica seria a ultima da série “Paracuca” mas, desta feita vai ficar assim em moamba que é o nome de uma comida típica angolana mas, e aqui no Brasil é termo conhecido como algo feito à margem da lei, coisa duvidosa própria de um candongueiro. Bom! Para dar término ao tema esquizofrenia direi que as causas exactas da esquizofrenia não são conhecidas, mas uma combinação de factores, como genética, ambiente, estrutura e químicas cerebrais alteradas, que podem influenciar neste mal. Ela, a esquizofrenia é caracterizada por pensamentos ou experiências que parecem não ter contacto com a realidade, fala ou comportamento desorganizado e participação reduzida nas actividades cotidianas. O tratamento costuma ser necessário por toda a vida e geralmente envolve uma combinação de medicamentos, psicoterapia e serviços de cuidados especializados. (Esta, seria em verdade a última PARACUCA. LXIII, das MULOLAS DO TEMPO 34  sai desta forma... Cinco anos depois do ocaso…)

FIM DA ODISSEIA

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 17:42
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020
PARACUCA . XXXVII

MULOLAS DO TEMPO . 10 22.10.2020

Nós, bazungus no povoado de Mpica –  A 348 Km da Tanzânia border… 15º dia

Óh mundo de túji, ainda teremos de atravessar a Tanzânia para chegar a Dar es Salaam…  

- 06 de Outubro de 2018 – Sexta-feira … Crónica 3071

Por

soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto

fotos ZÂMBIA 054.jpg Com um interregno de dois anos volto a falar na ODISSEIA HAJA PACIÊNCIA – NINGUÉM É SANTO. Estamos no Northern Roch Hotel a Norte da Zâmbia aonde pernoitamos na noite de 6 de Outubro de 2018. Tenho como auxiliares meus pequenos papéis quadrados em cores laranja e magenta como auxiliares de memória e os recibos de pagamento em que mencionam o Room 1635 no valor de 456 Kwachas.

Antes que me esqueça, terei de lembrar que em todas a fronteiras africanas surgem uns bafanas assessores a turistas normalmente com um crachá pendurado no pescoço e, assim que paramos o carro cercam-nos literalmente e, na forma de alcateias de mabecos que mesmo sem nosso consentimento nos dão indicação do que fazer e como fazer, pedindo papéis do carro e edecéteras pessoais. Ficamos sem saber se estes, estão ou não feitos no compadrio com os funcionários da Aduane porque entram e saem dos espaços administrativos, como se dali o fossem, parecendo-nos agilizarem os trâmites para daí, obterem uma gasosa…

Paracuca13.jpg Queiramos ou não, isto perturba sobremaneira o turista europeu não habituado a estas práticas aparentemente desordenadas e, sempre nos vem à ideia estarmos a ser surripiados pelo facto de sermos brancos. Até porque não vi nenhum destes darem apoio a gente da sua cor. Bem! Nosso guia muito habituado a estes pormenores, segundo sua pópia nobre, um nato filantrópico deu 10 Euros e 200 Kwachas a estes vendedores de diligências. Uma exorbitância no valor de 25 Euros… Um valha-me-Deus pago por actos dispensáveis…

Acho que Deus não vai salvar áfrica! Tenho de deixar aqui minha revolta pelo facto de ficarmos bem convictos de sermos roubados por gente sujeita à sobrevivência usando as técnicas de ladroagem. Trafulhas, enfim! Não andem de carro por áfrica; usem só a via aérea… Estamos seis dias adiantados em relação ao plano inicial por falha do Ferry de Cariba.

paracuca17.jpgEntre Mkush e Chissenga da Estrada Nacional da Zâmbia designada de T2, passamos a escassa distância do ponto mais meridional da República Democrática do Congo passando rum ao Norte por Kanona, Chimutanda, e Chironga antes de Mpica. Depois passamos por Matumbo, Isoka, Mpangala até chegarmos à fronteira entre Nakond da Zâmbia e Tunduma da Tânzania.

Nesta fase da viagem, era suposto irmos até Dar es Salaam e descermos na via paralela ao Oceano Indico até Mtwara. Aqui passaríamos o rio Rovuma em ferry para Moçambique no lugar de Quiong (Ferry My Kilambo). A informação de lugares com segurança na fronteira entre a Tanzânia e Moçambique era escassa e de frágil confiança. Estava no ar a dúvida de ser este o rumo a seguir porque as mensagens falavam dos Boko Haram (Estado Islâmico na África Ocidental) - uma organização jihadista fundamentalista islâmica sunita, usando métodos terroristas de cortar cabeças…

paracuca8.jpg Esse grupo, Fundado por Mohammed Yusuf em 2002, é liderado por Abubakar Shekau desde 2009. Quando o Boko Haram se formou, suas acções foram não-violentas mas, a prática neste então era raptar e negociar. Imaginava-se como cristãos, sermos o objectivo ideal para "purificar o Islão"; as mensagens que chegavam ao nosso patrulheiro-mor Vissapa eram assustadoras…Senti o medo a bulir nos garranchos do cerebelo e tudo indicava mudança de planos. Um dia de cada vez!

O edifício Zâmbia Border de Nakond era um edifício moderno, instalações condignas e de boa orientação sem os antes descritos assessores de túji mais os kinguilas do câmbio. Retiramos da caixa multibanco o dinheiro em xelins tanzanianos, supostamente necessário para acudirmos a despesas. Um bafana mais-velho – polícia, retirou a pirisca de cigarro a Dy dizendo ser um charro de droga e, vai daí, dar-se um passageiro burburinho quase diplomático. Faltava um traço e uma vírgula no parágrafo de entendimento. Aquilo era só um cigarro longo e marron …     

(Continua…)

O Soba T´Chingange       



PUBLICADO POR kimbolagoa às 19:06
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Sábado, 17 de Outubro de 2020
PARACUCA . XXXVI

 

MULOLAS DO TEMPO . 917.10.2020

Nós, bazungus na Cidade de Livingstone – Zâmbia border… 14º dia

Óh mundo de túji e, ainda temos de atravessar a Zâmbia para chegarmos à Tanzânia…  

- 04 de Outubro de 2018 – Quinta-feira … Crónica 3070

Por

t´chingange2.jpg T´Chingange – No M´Puto

fotos ZÂMBIA 017.jpg Com um interregno de dois anos, volto a falar na ODISSEIA HAJA PACIÊNCIA – NINGUÉM É SANTO e, desta feita estamos no 14º dia a atravessar a ponte que liga o Zimbabwé à Zâmbia. Querendo levantar dinheiro na caixa electrónica em moeda local, o KWACHA tenta e tenta e nada, o estrupício da máquina estava ali só para instituir civilidade mas, as tentativas foram em vão. Eu e Dy (O melhor condutor de África…), lá tivemos de ir ao hotel mais próximo desse lado da Zâmbia para levantar dinheiro em KWACHAS. E, vai daí, metemos as kinambas a andar até chegar ao hotel Royal Livingstone hotel.

Foi aí que levantamos um bom pacote de kwachas no Absa-ATM situado quase ao lado da Livingstone Way. Eram talvez uns dois quilómetros mas, para mim pareceu-me ser no cu de judas; reparando que havia um largo com táxis e porque Dy ia em jeito de gazela, resolvi perguntar ao chofer bafana quanto era em dinheiro ir à tal caixa indicada e voltar à alfândega. Resulta então que o regresso já foi de táxi a cair aos bocados. Recorrendo aos meus papéis de cor laranja posso relembrar os preços: 600 Kwachas por visto de passaporte e 20 dólares pelo carro transitar no país.

Botswana 198.jpg Ao táxi border demos 100 kw e ao bafana que se intitulou de guia demos 50 Kw. Nas fronteiras de África há sempre uns quantos bafanas a oferecer-se como guias–solicitadores para preencher papeis e diligências, coisas dum mundo ainda por descrever, solicitudes de sobrevivência. Os cambistas kinguilas são às dezenas, chatos como a potassa a falar todas as línguas e mais estalidos de muxoxos sonoros como a destratar os t´chinderes. Foi o que senti e, não posso aldrabar-me só para agradar quem me lê.

Muito papel, muito solicitador, muita burocracia tonta e, muita falta de paciência. Tivemos de lavar as mãos supostamente em um desinfectante que me pareceu ser da pura água do rio Zambeze e depois ficamos por um tempo rápido em frente a uma câmara a fim de medir a temperatura por via da malária; posso ver um écran tipo TV com várias cores que se desfazem a partir de um inicial arco-íris. Pode até ter sido para detectar gente com SIDA.  Daqui, podiamos ouvir sempre o barulho das quedas, cataratas que caem do lado Zambiano em uma grande extensão.

Botswana 241.jpg Chegamos à Zâmbia border às oito horas. São já 10,45 horas e ainda aguardamos despacho ao visto do carro Jeep Nissan BV-889-GP-(ZA). 11,45 horas, recomeço da rota pré definida de acordo com a informação recolhida no Rest Camp Victória  por um português a residir há muitos anos no Zimbabwé e, cujo modo de vida era vender peles de animais aos turistas. Podemos ver a carroceria de sua carrinha tipo Chevrolet cheia de peles já curtidas de vários animais mas, sendo maioritariamente de zebras.

Pela estrada T1, aqui chamada de Musi-Ao-Tunya, seguimos em direcção a Lusaka tendo ficado no lugar de Mazabuka. Passamos por lugares de longas savanas ora de mata seca e rasteira e com árvores de algum porte nas bacias dos rios que iam aparecendo em nosso percurso. Passamos por Kalombo, Choma, Mouze e, em fim de tarde assentamos bivaque em um Lodge Sucre-In, um conjunto de casas e bungalows pertencentes à Companhia de Assucar da Zâmbia.

INHASSORO 045.jpg Podíamos ver aqui grandes extensões planas com canavial sacarino. Ficamos em dois treileres equipados com ar condicionado ao preço de 400 Kwachas por treiler, com pequeno-almoço incluído (sensivelmente 30 Euros). Este percurso desde as Cataratas Victória até aqui, foi bem cansativo pois que não podíamos ir além dos 80 a 100 quilómetros por via de haver muito trânsito e estarmos condicionados por vários e longos camiões que transportavam barcos para os lagos Tanganica e Vitória mais a norte.

INHASSORO 046.jpg Neste percurso monótono do 14º dia, comi em um restaurante de estrada um “T-bone end chips” que veio exageradamente torriscado! Os restantes companheiros preferiram nada comer porque pelo trejeito tiveram algum asco. Assim com egos demasiado exultantes, fiquei com a nítida impressão que era eu o mais preparado para estas peculiaridades da vida em áfrica (a betoneira…). Entre afrontas de prosápia lá fui roendo irascibilidades alheias numa odisseia de paciência…    

(Continua…)

O Soba T´Chingange    



PUBLICADO POR kimbolagoa às 16:55
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Segunda-feira, 2 de Março de 2020
PARACUCA . XXXV

MULOLAS DO TEMPO . 801.03.202O

Nós, bazungus no lugar da N´Kwazi (águia pesqueira) – NINGUÉM É SANTO

Óh mundo de túji e, ainda temos de atravessar a Zâmbia para chegarmos à Tanzânia…  

- 03 de Outubro de 2018 – Quarta-feira …

Por

soba03.jpg T´Chingange – No Nordeste do Brasil

malawi3.jpg Estávamos no dia 03 de Outubro do ano de 2018; o 13º dia da odisseia haja paciência – Potholes - ninguém é santo. Aqui nesta profunda áfrica, antigo seleiro chamado de Rodésia que Robert Mugabe herdou, tudo é imprevisível – afinal para se chegar ao paraíso lá teremos de atravessar o purgatório pagando sempre na moeda verde, lisa e limpa como mandam as regras de fronteira. Depois de termos saída da rondável do Hwange Park, Dy Vissapa e esposa Gui, reclamavam dos tachos e panelas de alumínio tisnadas de sebeirosa gordura como se não soubessem o que iriam aqui encontrar…

Efectivamente aquilo eram pratos de alumínio parecidos com chapéu de pobres amarrotados muito pior do que aqueles saídos das trincheiras da segunda guerra mundial ou como os que servíamos comida a nossos cachorros. Algo lamentável em verdade! Mas, eles, como angolanos de papel passado e exibido a qualquer pata rapada, um qualquer bafana seu BI, deveriam ser mais tolerantes com esta pobreza que para mim já era uma firme característica.

botas de tabaibos.jpg Sucede que para eles, assumidos africanistas, só não caiu o Carmo porque não havia Trindade dando louvores a Ian Smith. Escusado será dizer que não utilizamos ali qualquer tipo de talher nem qualquer outro serviço. Ali o preto, era mesmo eu que comia qualquer mistela sem os requisitos mínimos das três estrelas do cardápio “Michelin”- isto incomodava-me! Por via desses escrúpulos nem provei o minúsculo peixe guisado com tomate de nome t´chissipa e, que se via em muitas bancas dos mercados situados ao acaso e, ao longo das estradas.

Não é por acaso que só passados dois anos, transcrevo minhas pequenas angústias a suportar coisas esquizofrénicas - eu que em candengue comia funje formando bolas à mão e molhando depois no dendém conjuntamente com trabalhadores das obras lá no Rio Seco da minha Maianga… Bom! Vamos aproveitar e comentar o lado bom porque senão e com esta rezinga, lá terei de chamar esquisitos aos companheiros mwangolés brancos. Por me considerar humilde quanto baste comecei a reclamar afirmações de frescura e até a ficar farto de assim ser, humilde.

malawi2.jpg Mas que é isto! Também em outro tempo lá no Uganda do Idi Amin Dada, um ditador militar e o terceiro presidente de Uganda entre 1971 e 1979, alterou seu título de presidente passando a ser “ O Conquistador do Império Britânico em África no Geral e o Uganda em particular”. Foi o que mencionou minha empregada Mary de Kampala depois do descrito. E, eu o Soba T´Chingange a fazer mala, dia sim, dia não, a beber chá rooibos com bolacha “rust”, prisão de ventre e caganeira para prosseguir à boleia dum sonho, com umas quantas cuecas e umas quantas flanelas metidas em uma mochila camuflada.

Mas, diga-se que ouve coisas bem desacostumadamente bonitas tais como os cantares matinais no lugar de M´Libizi dos trabalhadores; de vozes ordenadamente religiosas que se sentiam em tons bonitos de ouvir – cânticos africanos dirigidos a N´Zambi. Seguiam-se-lhe palestras de como quem descreve um canto com conto e mais um ponto do Evangelho com dissertações – e o silêncio também se fazia sentir ali aonde me encontrava. A neblina do Lago Kariba dava notoriedade a este ambiente das sete horas matinais!

Minhas bikwatas e imbambas, resumiam-se a uma lanterna, canivete suíço, binóculos, alicate multifunções, o telemóvel, o GPS, 3 livros de leitura, um cadernos de contas, outro de apontamentos, um serrote extensível, lápis, canetas e marcadores mais pequenos pedaços de papel a cores para apontar tudo o que fosse conveniente. Pois! Um tira e mete, um mete e tira e anota; coisa chata mas importante porque a cabeça tem de ficar suavemente aliviada de tanto nome e quilómetros mais referências.

tanzânia II 046.jpgIsto está a afundar, dizia o rodesiano à frente do conjunto de chalés situados na encosta do Kariba. Todos são unanimes em o dizer e logo depois da destituição do presidente Roberto Mugabe, a múmia imperial. Todos os brancos contactados de aspecto bóher são unanimes em dizer isso o que me leva a perguntar: Será assim que os dirigentes destinaram ao branco – afugentá-lo paulatinamente por meio de leis e práticas nitidamente persuasivas do género “ou vais ou nós te levamos” sem se saber qual o destino…

Anotei em meus cadernos uma restrita lista de animais existentes na reserva Hwange National Park e, aqui as deixo para um qualquer dia, alguém as poder rever: Lion, chetah, leopard, wild dog, bat-eard, hyena, jackal, eland, kudu, waterbuck, sable, hippo, wite-rhino,  elephant, bufalo, giraffe, zebra, wildebeest, warthog, baboon…; Pássaros: Secretary bird, laughing, dove-ground, horn bill, red-billed, francolin, crested barbet, saddlebil-blue, waxbill, yeblon, billed hornbill, red-billed teal, blacksmith plover, carmine, bee-eater, bateleur, crowned crane crimson, breasted shrike, hamerskop, witle, bached vulture.

tanzânia II 006.jpg Árvores: Plerocarpus angolansis-mukwa, temindia serricea-silves terminales, colophos permum mopane-mopane, baikiaea plurijuga-teak, banhiria petersiana-wite, bauhinia, acacia erioloba-camel-thorn, coubeturn herenoense-russet bushwillow. Só menciono parte do que consta em gráficos; em verdade existe uma extensiva exposição a que só mesmo os entendidos irão dar algum valor e, é por isso ser esta uma curiosidade a ficar em registo.

A noite de 3 para 4 de Outubro foi passada no mesmo local aonde já tinhamos estado, o Rest Camp Victória só que em uma outra antiga casa do antigo bairro de trabalhadores que por ali permaneceram quando da construção da ponte férrea e rodoviária sobre o rio Zambeze e, que liga o Zimbabwé à Zâmbia. Amanhã dia quatro, lá teremos de levantar kwachas do banco com nossos cartões para mantermos despesas pela Zâmbia; Lá teremos de gastar os últimos cartuchos em dinheiro de fingir mas com o nome de dólares; Três pedras empilhadas nas notas também verdes, para substituírem uma qualquer figura de presidente.

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 18:39
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Domingo, 8 de Dezembro de 2019
PARACUCA . XXXII

MULOLAS DO TEMPO . 6 – 02.12.2018

Nós, bazungus no lugar da N´Kwazi (águia pesqueira) – NINGUÉM É SANTO - 01 de Outubro de 2018 – Segunda-feira …

Por

soba002.jpgT´ChingangeNo M´Puto

kariba3.jpgNesta noite de 27 de Setembro lá terei de converter toda as contas em dólares USA$. O Zimbabwé está sem moeda; no mercado tudo vem indicado em dólares americanos e Randes da África do Sul pelo que entre Pulas e Euros, reúno os dados e faço a contabilidade do deve e haver, segundo a cotação do momento que meu filho Ricardo me manda pelo WhatsApp fazendo assim a conversão na moeda verde – Em verdade, é uma forma de assim nos mantemos em contacto pois que ele se encontra em Johannesburg. Um Rand custa 0,74 Pulas.

A logística do Comandante Vissapa anda periclitante e, ái de quem abra a boca a vaticinar o que quer que seja! Ele é que sabe – Ponto final! Enquanto escrevo isto vou mastigando lentamente pedaços de biltong, carne seca que lentamente se vai dissolvendo na boca. Falando das Cataratas Vitória é um conjunto de quedas deslumbrante que as tornam numa das mais espectaculares no mundo.

INHASSORO 024.jpg São localmente conhecidas também pelo nome de Mosi-oa-Tunya em que “tonga” significa em português a fumaça que troveja. Situam-se no rio Zambeze, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwé, e têm cerca de 1,5 km de largura e a altura máxima de 128 metros. Ao saltar, o Zambeze mergulha na garganta de Kariba e atravessa várias outras cataratas basálticas; é nesse sentido que iremos para apanhar o “ferry”.

Tanto o Parque Nacional de Mosi-oa-Tunya quanto o Parque Nacional de Victoria Falls, no Zimbabwe, estão inscritos desde 1989 na lista de Património Cultural da Humanidade mantida pela Unesco. Está igualmente conservada por estar dentro da Área de Conservação Transfronteiriça Cubango-Zambeze - um conjunto de áreas de protecção ambiental situadas na África Austral, onde convergem as fronteiras internacionais de cinco países.

INHASSORO 049.jpg Inclui uma parte importante das bacias do Zambeze, do Cubango e do Delta do Cubango, cobrindo a Faixa de Kaprivi na Namíbia, a parte sudeste de Angola, o sudoeste da Zâmbia, as terras selvagens do norte da Botswana e o oeste do Zimbábue. O centro desta área encontra-se na confluência dos rios Chobe e Zambeze, aonde as fronteiras da Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwé se encontram.

O Zimbabwé é um país sem saída para o mar no sul da África conhecido pela sua diversidade em animais selvagens que pudemos presenciar. Esta enorme queda de água de 128 metros estreita na garganta de Batoka, onde é possível praticar rafting em corredeiras e bungee-jumping.

kariba0.jpg O Ferry do sonho Kariba

Acabei de fazer uns esboços de nosso itinerário a seguir destinada para o dia 30 de Setembro que inclui ficar uma noite no Hwange National Park, virando ao lado direito em Cross Dete, a mesma estrada A8 que segue para Bulaweyo. Para o lado esquerdo iremos para M´libizi no Lago Kariba, nosso empolgante sonho embalado nas ondas da mente aventureira de nosso Comandante RV.

Chegados a Hwange National Park ficamos em dois chalés rondáveis e, porque tínhamos tempo, fizemos um circuito via sul mas, não fomos assim tão bafejados pela sorte pois que não vimos a quantidade de animais que esperávamos ver. Com o pagamento de uma gasosa ao candengue que tomava conta dos talheres e pratos da cozinha, tive WiFi e consegui a palavra passe que não era acessível aos visitantes; desta forma entretive-me na internete até chegar à altura de ir ao restaurante e comer o bife mais duro que alguma vez já comi.

fotos ZÂMBIA 015.jpg Estamos no dia 01 de Outubro no lugar de M´libizi no Zambezi Resort – P.O. Box 1511 de Bulawayo no lugar do “DEAD SLOW” (morte lenta). Tinha de ser assim mesmo num lugar aonde o tempo morre a admirar o lago Kariba que em verdade é bem bonito; um braço de lago com uma ponta aonde é normal encostar o tal de “ferry” mas, para além do lugar agradável só havia pedras, árvores, o ancoradouro e uns quantos chalés arrumados na encosta. Foi aqui que ficamos.

Era suposto ser um compasso de espera pelo ferry mas, damo-nos conta que em África tudo pode acontecer. Ficamos a saber que um talvez não é coisa de fiar. Marcamos viagem com pagamento antecipado em Victória Falls em um escritório oficial de turismo e chegados aqui ficamos a saber que não vai haver ferry no dia aprazado – dia 02 de Setembro e num talvez, só lá para o dia 12 e, se houver gente. A este outro talvez, nós não podemos dar crédito! Ficar aqui dez dias sem podermos usar nossos cartões de crédito cria-nos forçosamente problemas logísticos! E, entretanto vamos fazer mais o quê para além de pescarmos ou olhar o lago? This is África … This is África …

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:47
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Domingo, 1 de Dezembro de 2019
PARACUCA . XXXI
 
MULOLAS DO TEMPO . 5 - 28.11.2018
Nós, bazungus rumo à Tanzânia comendo RUSK – NINGUÉM É SANTO - 26 de Setembro de 2018 - Quinta-feira
Por

soba0.jpeg T´Chingange – No M´Puto

 Botswana 300.jpg Passam já 11 meses após ter escrito as mulolas do tempo número 4 e, como digo nela, todos os dias terão encruzilhadas, bifurcações em que o amanhã sempre será uma graça. Restavam-nos 45 para terminar a odisseia “Potholes”. Assim pensando naquele mato longínquo de tudo entre a criação de Deus, relembrava que o dogma da fé cega é que faz com que haja muitos incrédulos! Com o autor do livro “Ninguém é Santo”, Reis Vissapa - o melhor condutor de áfrica, galgávamos quilómetros entre morros rodeados de chinguiços, espinheiras tipo candelabro ou altas árvores de indefinidas espécimes.

De tempo a tempos, Vissapa – o melhor condutor de África, relembrava a Guida sua esposa, a muita falta que lhe fazia aquele bornal de lona de arrefecer a água. Esqueceste de me lembrar, diz repetidamente! Tenho ideia de ser um saco de lona com malha bem fechada e, que pendurado na parte frontal do carro arrefece a água. Nestas viagens por terras de desespero com um ondulado que sai da terra por via do muito calor a passar ao estado sublimado, é necessário andar sempre com água de reserva.

Botswana 313.jpg Em outros tempos de picadas traiçoeiras e desesperadamente isoladas de gente, era bom andar mastigando chuinga, uma pastilha elástica que depois de mastigada era um bom vedante para tapar furos do radiador mas, agora as tecnologias de ponta são outras; não mais é necessário levar umas borrachas extras e arames para encurtar tubos de refrigeração ou pendurar argolas e chapas desprendidas com o sacolejar dos ripados da picada, ao jeito de tábua de lavar em selha, coisa desesperante.

E, afinal deve ter faltado mais um araminho, mais um alfinete de dama e pozinhos especiais para segurar a paciência de muitas horas falando sem prender a rede anti mosquitos aos fundilhos, coisas de pode ser um tormento quando enviesadas. Com o fumo sempre agarrado ao cigarro entre o polegar e o indicador, o nervosismo miúdo de Reis, fica-lhe em beata castanha entalada entre os dentes. Feito John Wayne de beata agarrada no canto da boca, trinca-a como se fora um petisco, entre um foi assim e foi assado, tal como um sonho de vida feito filme!

Botswana 295.jpg Estas andanças longas complicam-nos o mataco que a dado momento já nem tem posição certa tornando o excesso de profiláctico em olfáctico dando comigo a abanar as orelhas e engolindo cacos de vidro como um faquir. Tem mais, o zelo da quilometragem conjugando a hora com o dia que, da noite que cai e da luz que se esvai. É fundamental termos um bom lugar para pernoitar, consultar no telemóvel ou perguntar por um aceitável sítio aonde pousar.

Com nossos coletes de muitos bolsos como caçadores de elefantes, carregávamos anseios; estamos junto, companheiro – cada um é como cada qual! Dia 27 de Setembro de 2018 – quinta-feira, saída para Kazungula, fronteira sobre o rio Zambeze e entre o Zimbabwé e o Botswana, um anda para a frente e para trás por via da intuição cinco estrelas do nosso condutor Vissapa. Sempre nevoso, teimoso como sete touros mais uma mula coxa, perguntava aqui e mais além informações desprezando meu GPS de nome Anita. Comecei a ficar desapontado com nosso guia e ainda passou pela minha cabeça regressar de avião a partir do Aeródromo de Kasane…

carvão4.jpg Lá chegamos à barraca fronteira do Botswana. Cada um de nós pagou 450 Randes correspondente a 25 dólares USA e ainda mais 600 Pulas pelo jeep Nissan. Foi um trinta e um, porque não tinham pagamento com cartão e valeram-nos os Pulas que se tinha em mão, a moeda nacional, mas para nós resultou em algum incómodo porque queriam a moeda verde americana e não a sua. A logística, começou aqui a dar seus falhanços. Só tínhamos Euros e Randes (Bem! Eu Tinha 500$ USA). Vissapa afiançava que o cartão de visa era suficiente; sua intuição falhou e valeram meus dólares e randes que levava num por-se-acaso!

Os Pulas acabaram por ser aceites depois de muito palrapié com lábia e cagança do nosso guia Reis. Afinal serviram! A aura do princípio de Murphy acompanhávamo-nos na perfeição e por completo. Chegámos a Victoria Falls seguindo uma estrada em bom estado e lá chegados às antigas casas dos trabalhadores, acampamento da ponte e do caminho-de-ferro agora transformado em Rest Camp Victória.

 victória falls 016.jpgDali podíamos ver a espuma que se levantava das quedas Victoria do outro lado da linha férrea e, até podíamos ouvir o trovão das muitas águas caindo naquela fenda, uma imensidão húmida caindo do lado da Zâmbia para o Zimbabwé. Assim, sobranceiros às maiores Cataratas do Mundo, pude almoçar no “In da Belly” saborosas espetadas de crocodilo acompanhado de arroz branco e alguns vegetais. A iguaria ficou em 12 $USA.

victória falls 026.jpg Tivemos aqui um encontro com um português radicado no Zimbabwé. Passou a noite em um bungalow fronteiro ao nosso o que proporcionou termos uma conversa acerca do que eventualmente veríamos; deu-nos informação de por onde seguir sugerindo que visitássemos o Park Nacional Hwange antes de irmos ao porto M´libizi no Lago Kariba. O tal senhor fez um esquema enquanto comia em outra mesa dando-o a Dy Vissapa que não demorou muito a amachucar e deitar na primeira lata de lixo. Verdadeiramente o que contava mesmo era a sua intuição! Para o efeito fomos a um Kiosk de Turismo Oficial ali próximo e, fizemos a reserva para o próximo barco a sair de M´Bilizi mediante a entrega de 480$USA.

(Continua…)
Escrita do fim de tarde do dia 26 de Setembro de 2018
O Soba T´Chingange

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:03
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Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2018
PARACUCA . XXVIII

MULOLAS DO TEMPO . 3 - 19.12.2018

Nós, bazungus rumo à Tanzânia comendo RUSK - 26 de Setembro de 2018 - Quinta-feira 

Por

Botswana 054.jpg T´Chingange No M´Puto

O dia 26 chegou igual a todos os outros, quente de dia e frio na noite! Acordei ainda noite quando o frio ainda se fazia sentir com os kwé-kwés a lançarem gritos agudos lá no topo das árvores; No Shoba Safari Lodge de Kasane, ainda não eram cinco horas e, com a claridade a despontar entre o arvoredo, assim fiquei na tenda cor-de-tropa a pensar nos anteriores dias. Revi assim a saída de Johannesburg seis dias atrás rumo a norte, lugar de imbondeiros para mais além de Pretória, lugar chamado de Limpopo.

Nosso guia-comandante das anharas africanas entrou em litígio com o meu GPS e seguindo sua “insuspeita intuição” quase andamos mais de uns quantos quilómetros na direcção de Hammanskraal; O GPS continuava a cantar, voltar-voltar! Vezes sem conta dava indicações para virar à esquerda no sentido de Rustemburgo mas desisti de insistir com o melhor condutor de África; tivemos por fim de voltar e seguindo a intuição, voltamos para a via N4, depois a R565 até o Sundown Ranch Hotel situado a escassos quilómetros de Sun City.

Botswana 214.jpg Pude ver-me a percorrer o Sun City pela quarta vez se bem me lembro, aonde revi o tremor de terra na ponte, o palácio sumptuoso por onde andei, na praia artificial, a floresta e o grande aviário com aves raras. Um lugar de cinco estrelas mesmo ao lado de Pilansberg. Poderíamos ter ficado por aqui para ver todos os Big-five mas o sonho do bazungus, era mesmo ir a Dar-és-Salam e subir até o Seringueti, lá aonde a adrenalina se sublima no medo.

Dia 22 de Setembro pulamos bem cedo da cama afim de segui o rumo do Botswana pela N 4, passar a fronteira no Skilpadshek Border Post e virar na A1 rumo ao norte, Gabarone, a capital do País. Não foi fácil atravessar Gabarone pois que seu trânsito é infernal e desorganizado. Foram quilómetros de estrada com muitas potholes (buracos) até chegar ao fim de tarde a Sahara Stones  Lodge de Mahalapye, um  bom e novo lugar com as condições requeridas para pernoitar.

Botswana 219.jpg Dia 22, saída ao romper do dia, após tomarmos nosso café com salsicha boerewors, dois ovos fritos, bacon, batata frita e café com leite tomamos o caminho de Maun. Nosso destino era seguir na A3 e em Nata, bifurcar para Kasane aonde estou agora, meditando nas periclitãncias. Também nos milhares de buracos percorridos e nossas conversas nem sempre amistosas versando sobre Angola.

De facto, pelo observado aqui, eu sempre caía no estremo de dizer o quanto os angolanos deveriam estar gratos por terem os Tugas como colonos pois que aqui verifica-se que para além do mato pouco mais há. Sempre caía naquela satírica forma de dizer: - Os angolanos estão cheios de razão, os Tugas deveriam não só ter levado para o M´Puto as suas estátuas, Diogo Cão, Maia da Fonte, Norton de Matos entre outras mas e, também os prédios, escolas, pontes, hospitais, igrejas, barragens; ter deixado Angola exactamente como a encontrou Diogo Cam, 500 anos antes do achamento.

Botswana 239.jpg Deveria sim ser assim, a fim de dar aos angolanos a liberdade e opção de puderem construir o seu país a partir do nada a seu belo gosto e prazer sem se sentirem vexados e humilhados e, por terem que se sentir obrigados a usar ou viver naquilo que os colonos lá deixaram. Às vezes ficava bravo com as contrariedades ouvidas, primeiro esperneava e depois emudecia; mas nunca baixando guarda no meu pensar devido a tanta e desproporcionada prepotência e irreverência dos mwangolés, pretos e pseudopretos. Ninguém é de ferro.

Pela tarde e muitos cheios de pó, chegamos a Nata, bifurcação de pela esquerda via Namíbia e pela direita atravessando várias reservas até chegar a Kasane às margens do rio Shoba que em Angola tem o nome de Cuando. Pernoitamos aqui, em Nata, no Pelican Lodge de Nata aonde se recolheu informação com outros aventureiros de qual o melhor caminho a seguir depois de Victória Falls.

Botswana 275.jpg Era suposto encontrarmos muitos animais no dia 23, um domingo, ao atravessarmos as reservas de Tamfupa, Sibuyu, Kazuma e Nogatsaa mas, os quilómetros foram desvanecendo a avidez e os olhos já cansados de tanta secura entre um gole e outo gole de água de garrafa, foram escorrendo conversas de profecias ainda mal entendidas. E, veio à tona aquelas profecias sobre a Inglaterra e África do Sul; aquela que diz que a Inglaterra será atingida por 7 pragas quando a 3ª Guerra Mundial estiver próxima.

Botswana 277.jpg Será!? Que a Inglaterra será totalmente aniquilada, até mesmo a sua terra irá queimar como uma invasão liderada pela Rússia que vai invadir a Europa, através da Turquia e usar armas terríveis. Nas longas horas de jornada ao longo de terra árida, chinguiços ressequidos, caímos em devaneios de profecias. A África do Sul entrará em uma guerra civil em um ano de eleições, após a morte de um líder negro, que será exibido em um caixão de classe nos Edifícios da União. Líderes mundiais virão homenagear. Será!? Chegamos assim a Kasane, tarde do dia 23, cheios de gases, corpos curvados e cheios de ideias com turbulências no cerebelo. Antes que fosse noite, fomos comer ao Pizza Coffee do indiano…

(Continua…)

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 15:16
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PARACUCA . XXIX
MULOLAS DO TEMPO . 4 - 28.12.2018
Nós, bazungus rumo à Tanzânia comendo RUSK - 26 de Setembro de 2018 - Quinta-feira
Por

Botswana 055.jpgT´Chingange – No M´Puto

Só lá pelas 10 horas do dia 26 de Setembro de 2018, 7º dia da odisseia Tanzânia - Haja paciência, é que o calor se começou a sentir mais forte. Decidiu-se que iríamos ver as terras rasas do Shoba em barco e, porque houve falhas no planeamento, tivemos de alugar um extra por 1420 Pulas; assim, um barco que normalmente leva 25 pessoas ia servir aos quatro bazungus que éramos nós! Grosseiramente os Pulas pagos, correspondiam a 1917 Rands ou 112 €; valeu a pena porque vimos muita variedade de antílopes.

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Nas vistas largas das terras planas e verdes que bordeiam os canais do Rio Cuando, e no chamado Chobe National Park, vimos bem mais do que 200 elefantes e muitos antílopes como olongos, gungas, facocheros, búfalos, impalas, jacarés e vários hipopótamos entre outros e, também aves de grande porte como o peru africano, várias espécimes de patos e pássaros multicolores. Pudemos avistar no meio de uma vasta e plana ilha, no meio do nada verde, uma bandeira do Botswana em um gigantesco mastro.

Botswana 019.jpg Aquela ilha que tem o nome de Sidudu/ Kazakili Island esteve até há questão de poucos anos em disputa na definição de fronteiras pois que a Namíbia reclamava como sendo sua mas, o Tribunal Internacional deu posse definitiva ao Botswana. Aqui está a justificação de tão grande mastro naquela planura tão verde e tão cheia de animais. Podemos assim ver as margens do rio Cuando a confrontar com o parque Kasika da Namíbia e o canal Shoba no lado do Botswana.

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O Rio Cuando e o canal Shoba desaguam no rio Zambeze e, é ali em Kazungula que confinam quatro países: Botswana, Namíbia (ponta da faixa de Kaprivi), Zâmbia e Zimbabwé. Foi um dos momentos altos nesta odisseia das potholes; os bazungus, mais que muitos a pagar caro para ver a natureza. Há gente de todas as nacionalidades mas, maioritariamente da Comunidade Europeia. Troquei impressões com três espanhóis que amavelmente nos deram indicações sobre trajectos por conhecer. Claro que os sonhos duns não são realidades dos demais - o itinerário seria sempre o do Comandante Vissapa, rumo a Dar es Salaam.

Botswana 231.jpg Neste nosso curso de enfrentar os conhecimentos, todos os dias serão uma prova à adaptabilidade humana e pude rever-me assim em confronto com meus silêncios de viagem, subjugar-me a modificar meu carácter para subsistir à sabedoria de pendura feito quase um monangamba. Uns dias atrás um amigo meu fazia reparo àquilo que eu dizia; a de que nós sempre seremos um fruto de mudança. Bom! Com ou sem essa minha teoria de transitoriedade nós seremos sempre os mesmos, só os pensamentos mudam.

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Assim taciturno e com rumo ao largo Kariba, podia ver-me já, a balouçar no convés do Ferry que me levaria ao Sharara Safari e depois Lusaca. Não existe ninguém que encontrando um espinho em seu pé não o retire após as primeiras dores; se não o fizer é porque é masoquista ou anda a treinar para o Guinessbook, um clube de excêntricos. Começava aqui a ser esse excêntrico que corre atrás dos sonhos alheios na ânsia de também ficar com olharapos afros.

Botswana 247.jpg Um amigo próximo disse-me que os pés dos bóheres têm olhos. Só entendi essa fala quando observei in situ um farmeiro de kimberley a andar de sandálias de pano colorido no meio do capim repleto de aranhas, centopeias, cobras e um sem fim de outros bichos rastejantes sem contar com os muitos picos espalhados a esmo pela terra barrenta. Fazia todos os possíveis para ter um comportamento análogo àquele bóher.

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Em áfrica é sempre bom recolher o máximo de informações porque nem sempre o caminho da esquerda é melhor do que o da direita; a triagem terá de ser nossa com ou sem a intuição que julgamos ter. Acabamos por no fim da tarde comermos um rump steak com salada no Pizza Plus Coffe e Curry, um restaurante de um indiano. Pagamos 620 Pulas que correspondem a quase 50 € por quatro, um preço razoável mas nitidamente mais caro do que no M´Puto. Dentro do jango do Lodge Shoba pagaríamos a dobrar! Turistas bazungus sofrem! Diria minha empregada Mery de Campala…

Botswana 254.jpg Em áfrica sempre se tem de ponderar gastos para não irmos mais além do plausível mas, há lugares que nem raspas do plausível existe! Esta missão exploradora serve para revestir-me de uma armadura contra as megalomanias daqueles que julgam possuir todas as chaves de abrir todos os becos, todas as quelhas, todas as picadas sem declarar seu próprio fisco à sua alma. É fundamental ter dólares! Sem isto, a apologia de se ir ao acaso tolhe o instinto, cega a fé, mesmo que se repita muitas vezes o valha-me Deus. As caixas electronicas funcionam mas, tem um mas... lá mais para a frente o direi.

Botswana 295.jpg Assim, com a razão chocando nas evidências, prescreve-se o responso. Pois! A fé não se impõe nem se prescreve nem nenhum santo a vai levar em conta se, se achar sempre sendo o dono da verdade. Assim pensando neste mato longínquo de tudo entre a criação de Deus, terei de relembrar que o dogma da fé cega é que faz com que haja muitos incrédulos! Um dia de cada vez digo eu. Todos os dias terão encruzilhadas bifurcações e o amanhã sempre será uma graça. Amanhã será outo dia - Restam-nos 45…

(Continua…)
Escrita do fim de tarde do dia 26 de Setembro de 2018
O Soba T´Chingange


PUBLICADO POR kimbolagoa às 14:43
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO – XCIX

TEMPO COM CINZAS - 12.11.2018

Vim à procura do futuro, imaginando a energia e a força de quem recomeça, e acabei por recuar no tempo….

Por

soba15.jpg T´Chingange – Em Johannesburg

INHASSORO 111.jpg Passados que são 53 dias recordo o ontem que foi nosso 52º e último na “Odisseia das Potholes – Haja paciência” por África, com 9700 quilómetros andados e abrangendo sete países passados por fonteiras terrestes a saber: África do Sul, Botswana, Zimbabwé, Zâmbia, Tanzânia, Malawi e Moçambique.

victória falls 027.jpg Sucede pois que, calhou também ser ontem o mesmo 11 de Novembro comemorado em Luanda com festividades oficiais e condecorações! Resmungando, embebendo fatias de pão torrado na xícara de café com leite ou bolacha Maria, as horas rendiam-se dia após dia como sentimentos mudos. Por vezes era o pequeno-almoço com bacon, ovos, batatas fritas e chouriço tipo bóher com pão torrado.

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Vagabundeava largas distâncias com grandes desesperos a ladrar-me por dentro olhando em frente o asfalto ora rachado ora esburacado e dos lados as bissapas agressivamente queimadas pelo sol; nada de antílopes a saltarem como imaginávamos existir, nem tampouco rolas, perdizes ou capotas. Será que comeram tudo? Era a pergunta a que ninguém encontrava resposta.

victória falls 032.jpg Eramos todos, para além do melhor condutor de África umas preguiças à boleia pela chamada pura África e, como quem cumpre uma formalidade inútil e aborrecida, relembro o onze de Novembro de Angola que só hoje tomei conhecimento ter sido um dia de fartas recordações! Nem me lembro de em tal falar pois que, a vontade de nada dizer subsistia-me. Foi um acto que simplesmente desaconteceu!

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E, não falei, nem falarei, porque ainda ando a remoer humilhação de um amor ultrajado que comigo, mais tantos pais, mães e tantos filhos viram através de suas lágrimas num nascimento de novos dias forçados, novos meses e anos. Agora lembram com pompa, escrúpulos de sangue. Enfim! Coisas passadas e, não esquecidas.

Tombo1.jpg Com o tempo a maioria aceitou a reviravolta que a política provocou em suas, nossas vidas. Muitos perceberam que não valia a pena viverem revoltados e até fizeram por esquecer; muitas vezes, recordam que a guerra não tem só um lado e que nós estávamos em lado nenhum – Simplesmente, não tinhamos lado… É aqui que começa o busílis de que já tantos falaram, falam e continuam…

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Ainda sinto um ligeiro tremor de raiva a arrepiar-me as carnes, o cérebro, quando me lembro daquele polícia de fronteira, impecavelmente preto, impecavelmente vestido, impecavelmente sóbrio e com divisas de chefe reluzentes, que ali naquela fronteira de Bozwé, entrada de Moçambique só aceitavam dólares; uma terra em que o dinheiro tem o nome de Meticais. Por seis horas e sentados num muro de pedra ao acaso, tivemos de esperar pelo visto que iria de Tete.

IMG_20170720_125720_BURST010.jpg Assim, de braços moles, de mãos frouxas, pescoço bambo quase abotoado ao estomago, crepitando febres, olhava um desconsolo como coisa nunca vista. Hoje, já em Johannesburg, ando a tomar chá rooibos misturado com borututu para defumar as raivas mal contidas. Sim! Para me curtir das cólicas. Ontem, até dei comigo a examinar quinquilharias de artesanato, assim minuciosamente como se nunca as tivesse visto. Agora, lá terei de inventar lendas para neles, me improvisar airosamente.

O Soba T´Chingange     



PUBLICADO POR kimbolagoa às 11:57
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2018
XICULULU . XCVIII

ODISSEIA DAS POTHOLES - 07.11.2018

Afinal não é verdade o que apregoa o político Africano… "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP. 

Por

soba15.jpgT´Chingange – Em Komati River de Komatipoort

Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Alguns até são brancos… Porquê? "HOJE até a Bíblia nos tiraram, e as terras continuam a não pertencer ao povo" - sintetizou Morgan T´Chavingirai, descrevendo a desgraçada e extrema penúria do povo zimbabwano, respondendo ao guia imortal ainda vivo, que diz ter ressuscitado mais vezes que o próprio Jesus Cristo.

Zimbabwé 001.jpg Zimbabwé que, no período citado por Bob Mugabe, era o celeiro de África, o povo era detentor de um dos mais elevados IDH do continente. Por exemplo, em Angola, quando por vezes, nas datas históricas, oiço e vejo pela TV indivíduos a mencionarem o que o 'colono nos fazia', sinceramente não sei se, choro de raiva ou se me mate de 'risada' …

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"Porque o que o colono fazia… blá-blá-blá", dizem eles - hoje faz-se o pior! O colono, se fez, quase que o desculpo: era ou foi colono, é branco, não é meu irmão de raça, etc.; agora quando o meu irmão Angolano, preto como eu, ex-companheiro da miséria e das ruas da amargura, faz o que denodadamente repudiávamos do colono – esta acção dói muitíssimo mais do que a acção anterior, dilacera e mutila impiedosamente a alma.

kuvale2.jpg Por isso, logo após as independências africanas, e depois do êxodo dos brancos a abandonarem (África), verificou-se um segundo êxodo: seguindo os outrora colonos, milhões de africanos abandonaram também a sua África, com angústia na alma e os olhos arrebitados de descrença; a maioria, arriscando literalmente as suas vidas (e, o filme continua até aos nossos dias).

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Porque se chegou à conclusão que afinal não é verdade o que apregoa o político africano; "eles prometeram-nos o paraíso e dão-nos o inferno a dobrar", disse um jovem africano em Lisboa nos anos 78-80 num programa da RTP. Há mais africanos hoje na Europa do que Europeus em África! Porquê? Estamos a 30 de Outubro de 2018, em Vilanculos de Moçambique podendo vivenciar o que atrás é referido, um retrocesso evidente na qualidade de vida para a grande maioria do povo…

tanzânia II 060.jpg ELEFANTES NO CHOBA - BOTSWANA

No África Tropical de Inhambane posso conferenciar com a osga amiga que se passeia no tecto para lá da fechada malha de rede anti mosquito. Meio recostado na cama, leio o livro de Eduardo Agualusa e, releio aquele episódio duma mulher ambiciosa e ambicionada: “Ela despiu o corpo como se fosse um vestido, guardando-o num armário e, agora passeia-se pelo mundo com a alma nua”. Ela era uma professora que ensinava ética…

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Pude ver neste porém a osga a virar-se e assolapar-se no reposteiro a ouvir comodamente minha descrição. Sabes papoila, foi este o nome que lhe dei, que me veio ao pensamento – Ando de terra em terra, por áfrica, revendo sombras do passado e sonhos alheios com formas de bichos com cornos retorcidos mas, há momentos fui até à praça da revolução ou da independência; pude até sentar-me no canhão de outras guerras, canhões que os Tugas deixaram apontando a baia e, tendo do outo lado a vila de Maxixe…

INHASSORO 096.jpg TÁXI-BICICLETA DO MALAWI

No topo da alameda de Inhambane e bem à beira da marginal fixei-me na figura de Samora Machel, uma estátua com o dobro de sua real altura, apontando ao ocidente bem ao jeito de Lenine, talvez com aquela cartilha vermelha de ditar leis que ainda rolam e enrolam como bactérias o cerebelo de muita gente. Entre tanta coisa observada pude recordar àquela osga o quanto aquela terra era forte e que tal como aquela mulher professora de ética, também se despiu ficando agora com a alma nua!

etosha1.jpg  Quanta gente também naquele ano de 1975, se despiu de vontade ficando também com a sua alma nua! Ela, a osga engasgou-se de tanto rir; por momentos até pensei que gozava comigo - já quase pronto a atirar um chinelo à sua figura, parei quando ela retorquiu: - Não quero falar desse tempo; durante muitos anos fui professora de estória num centro de recuperação de mutilados e, posso afiançar-te que um homem, ao longo do tempo, ao longo de sua vida, muda muitas vezes de corpo - brancos ou pretos! Frisou piscando-me seu olho vesgo.

INHASSORO 298.jpgHIPOPOTAMOS NO NVUU  LODGE - MALAWI

 Não viste tu, na praça da Revolução o próprio Samora, saudando o vento como um puro Lenine a saudar seu povo? Pópilas, esta osga fala – é inteligente! E continuou: não existe nada de semelhante entre uma larva e uma borboleta e, no entanto há sempre uma larva no passado de cada borboleta!  Pois é, por vezes parece ser bom abandonar o corpo inteiro e trocá-lo por outro. Tenho visto muito disto, sabes! Disse eu. Num repente estava a falar com um jacaré gordo empoleirado no reposteiro. Há coisas tão verdadeiras que até perecem mentiras.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:47
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Sábado, 27 de Outubro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCVIII

NAS FRINCHAS DOS BURACOS27.10.2018

Por

tonito19.jpg T´Chingange – Em VILANKULO de Moçambique

Esta odisseia de “potholes” tem sido permanente e, aqui em Moçambique foi mais evidente entre Tete e Chimoio e depois entre Chimoio que fica perto da reserva Gorongosa e Inhassoro e, por cerca de 420 quilómetros. Um autêntico desespero com falésias nas margens roídas de fazer virar carros com buracos sucessivos de não deixar alternativa; só mesmo passar devagar, devagarinho.

INHASSORO 149.jpg Nos escassos quilómetros com piso bom, lá estava a polícia para exercer sua autoridade. Fizeram-nos alto e mostraram a máquina parecida como um megafone a marcar 85 Km em luz vermelho. Pois! O senhor vinha a mais de sessenta, tem de pagar multa! Fiquei fulo depois de andar tantos quilómetros com o eminente perigo de ficar ali numa qualquer pothole! Saí fulo do carro e disse que era um desaforo armar tocaia na única recta com bom piso em 420 kms.

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Cá por mim não pago nada! Saí e, sentei-me no muro da Vodacom, um mukifo promovido a quiosque entre milhares pintados de vermelho e pertencente à empresa de celulares telemóveis! Um negócio que deve ser bem próspero, pois toda a gente tem um micro-ondas por onde se pode falar! Estando em um país tão pobre, tem-se a noção de que os galifões das multinacionais da comunicação ganham avondo!

INHASSORO 401.jpg Deveria sim, sermos indemnizados por tal estado das estradas pois que pagamos seiscentos randes de seguro para circular em segurança e a protecção não é nenhuma! Se cair num buraco, o estado de Moçambique paga!? É? Perguntas àtoa de sem resposta. Na passagem da fronteira esmifraram-nos na troca de dólares. É o sistema, disse o chefe fardado em polícia de fronteira com divisas de sargento cromadas e porte impreterivelmente prepotente! Chama-se Nico e foi inflexível em não aceitar randes nem meticais, a moeda nacional; nem dólares surrados ou sujos. Pópilas!

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Esperamos mais de cinco horas pelos vistos que na forma de selos seriam colados no nosso passaporte! Viriam de Tete… Não havia sala de estar e lá nos acomodamos em um muro debaixo de uma árvore frondosa. Entretanto consegui comprar 50 dólares americanos; era quanto nos faltava para completar o total para pagar o visto de quatro pessoas – era um bafana bem-falante corrector cambista, um grande filho-da-puta que sabendo me deu 50 dólares velhos, surrados - por 850 randes!

INHASSORO 397.jpg No acto de entregar o dinheiro ao funcionário Nico este disse não poder aceitar estas notas sujas! Estava para explodir mas, e agora!? Procurei o filho-da-puta cambista vestido de negro mas nem pó! Sistema mais kazukuta este de ganhar dinheiro aldrabando o turista com conhecimento das autoridades da mututa… Não encontrando o aldrabão tive de comprar dólares novos e limpos pela módica quantia de 1000 randes!

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Se vocês estão indignados, poderão calcular como me podia sentir mesmo tendo Vissapa o comandante desenrasca situações mais macabras ali ao lado! Vissapa só barafustava e disse até que iria descrever às notícias do mundo estes desaforados entretantos: - Senhor Nico,  fique ciente, sou jornalista e vou descrever estas arbitrariedades para o mundo!

INHASSORO 394.jpg Resposta da autoridade supra numerária de nome Nico: - Fale o que quiser! Pois, se ele não falar já aqui vai no meu jeito de contador de estórias e sem coturno nos areópagos internacionais como nosso comandante! Aquela multa da única recta no troço de Chimoio a Inhassoro passou a gasosa de 1000 meticais sem direito a recibo… Paguei a minha parte sob protesto e juro que irei apresentar reclamação ao Ministro das Obras Desfeitas desta terra tão bonita e tão mal gerida – melhor, irei pedir sua demissão.

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Vou ver se despacho minhas notas velhas e sujas aos jangadeiros que nos irão levar à ilha de Bazaruto mesmo em frente do Lodge Samara, pertença do senhor Paulo Baptista, um moçambicano branco que aqui estabeleceu seu bivaque de vida. A praia estende-se até bem longe e a vista do mar para terra é paradisíaca. Ué! Com palavrões dentro da cabeça, tento reconstruir minha disposição com estranhos nomes esvoaçando, mijando raiva de mim aos poucochinhos, buscando novidades sem figas nem juras por sangue de Cristo porque quem anda por gosto nunca cansa! Assim deveria ser mas, noé!

INHASSORO 385.jpg Mas, sempre há um mas – porque em outros tempos tive mesmo de espreitar minha vida pelo cano de meu canhangulo em Muquitixe; uma vida estriada numa Angola em que as verdades só cheiravam a mentiras; melhor - Ainda cheiram! Assim lixado, tento andar engalanado com bandeiras de capulanas só para fingir coisas mais coloridos. Entre grandes excitações, alegrias e nervosismo de dar volta às novidades da Nacional Geográfica, cheiro os ventos que do índico me trazem rolos de cheiro; cheiro de tabaco.

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 10:12
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2018
A CHUVA E O BOM TEMPO . XCV

A HISTÓRIA ANTES DA HISTÓRIA – 09.10.2018

- LUZIA . UMA HISTÓRIA COM 3 MILHÕES DE ANOS…

Por

soba15.jpg T´Chingange – Na Tanzânia (M´Bilizi)

- As leis da natureza dizem que independentemente do estatuto parental, todos nascem pelo mesmo local, nus e ateus… A ESPERANÇA é a fronteira que consegue manter a condição social e financeira de pobres, pensando ilusoriamente de que um dia, o euro milhões o fará rico e assim, comprar uma vivenda em Dar es Salaam…

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Antes da escrita, há outras histórias que explicam as origens do ser humano. É a história, antes da história. Desde o Cabo e, desde à um ano atrás (2017) numa viagem a 40 quilómetros à hora em comboio Xoxolosa e, sempre para Norte, de novo recomeço viagem ao sonho nesta data da graça e, a partir de 20 de Setembro de 2018 em um Nissan todo o terreno a partir de Johannesburg.

IMG_20170823_114812.jpg Na companhia de Reis Vissapa, o comandante da expedição Potholes, eu, Guida e Ibib, todos na fasquia dos setenta e mais uns anos, damos largas às nossas dipandas largando desaforos por essas estradas muito cheias de Potholes… E, desde Johannesburg acampamos em Sun City; depois seguimos pelo Botswana muito cheio de burros, cabras e sanzalas… Tivemos um momento alto no Choba vendo manadas de elefantes e muitos outros antílopes.

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Seguiu-se o Zimbabwé cruzando a fronteira para Cataratas Victória, outro momento alto apreciando o variado artesanato, as tormentosas águas do Zambeze e a ponte de Livingstone aonde também passa o comboio transafricano de Tanzânia ao Cabo; aliás, a linha deste comboio viu-se sempre ao longo das vias em que seguimos, vias com milhares de camiões transportando ferros, açúcar, farinhas e combustível.

bessangana4.jpg O primeiro desaire foi a não travessia do lago Kariba e, indo ao engano, andamos uns bons duzentos quilómetros para cada lado para saber que o dito-cujo ferry dos sonhos, não faria viagem durante todo o mês de Outubro mas, sempre há um mas, ficamos no lindo lago num lodje por dois dias pagando 3600 randes, um puco mais de 200 euros sem matabicho. Aqui Vissapa pescou um minúsculo peixe tigre.

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Nova tormenta ao passar a fronteira da Zâmbia - mais enfrentar a indisciplinada urbe de Lusaca e, aos tramos de 400 quilómetros, lá continuamos refilando com tantas Potholes na estrada até chegarmos a M´Pika aonde ficamos por duas noites. No dia 8 saímos bem cedo de M´Pika para alcançar a fronteia a uns 350 km. Demoramos mais de sete horas por via da estrada ser apertada, com bermas quase falésias e, Potholes aos milhares.

IMG_20170719_153425.jpg Mais dor de cabeça ao passar a fronteira da Zâmbia para a Tanzânia na povoação de Tunduma. A mesma confusão de dinheiro e os 3 ou 4 bafanas a ajudarem para se fazer à gasosa do T´Chindere, dos Muzungos que eramos nós. Um Euro aqui, equivale a 2.637 shillings ou um Rand igual a 155 shillings. A fim de fazer a conversão rápida temos que 10000 shillings correspondem grosseiramente a 3,80 euros (ou 4 €, com folga deficiente) …

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Neste agora e, estando no Coffe Lodge a uns 80 Kms dentro da Tanzânia, mais propriamente em M´Bilizi, recordarei aqui a antiga história de Luzia da Tanzânia, os indícios dos primeiros primos de nossa existência. Os arqueólogos, descodificando achados recentes, analgizaram com testes de carbono outras supostas verdades. É assim a história surge-nos por camadas connosco no topo.

zanzi11.jpg E, foi assim que olhando pinturas rupestres o dinamarquês Peter Lund, descobriu em meados do século XIX, 12 mil fósseis, um cemitério de 30 esqueletos humanos ao lado de mamíferos de grande porte do tipo gliptodonts, uns tatus com cerca de um metro de altura. A estes achados, foi designado o período da pré-história.

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Em 2002, com técnicas mais sofisticadas e fidedignas, confirmaram o evidente, gentes vindas de África Central e do Sul, acerca de 7 milhões de anos, atravessaram pelo sul do Mediterrâneo, a seguir a Ásia e através do estreito de Bering desceram desde o actual Alasca à América Central, chegando consequentemente ao Brasil que hoje se conhece e de onde o Dinamarquês referido fez alusão.

himba6.jpg Na década de 1997, encontraram um crânio feminino com cerca de 11.500 anos; referiram este achado com o nome de Luzia, uma mulher dos seus vinte anos, olhos grandes e nariz achatado do tipo negróide. O terem chamado de Luzia a estas ossadas, é uma evidente referência ao fóssil de mais de três milhões de anos encontrado na Tanzânia em 1974, de características muito próximas àquele  achado arqueológico da Lucy…

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Foi sem dúvida o início da caça ao tesouro a comparar com as novas modas de Indiana Jonas. Machados e artefactos indicam que eles, os pré-históricos manos e primos de Luzia, viviam na idade da Pedra Polida entre 12 mil e 4 mil anos antes de Cristo. Somos, em verdade, ainda, um enigma indecifrado e, andando por aqui baseado em palpites, cruzamos dezenas de informações para irmos ao encontro de novas ilusões. Ontem e hoje, nosso Indiana Jonas chama-se Reis Vissapa…

O Soba T´Chingange



PUBLICADO POR kimbolagoa às 09:31
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Domingo, 7 de Outubro de 2018
XICULULU . CXV

VICTÓRIA FALLS – 06.10.2018

COMO ACONTECEU…

Por

soba0.jpeg T´Chingange - Em Mpika da Zâmbia

Depois de Livingstone  ter chegado a Victória Falls depois de Silva Porto, e a dar conhecimento ao Mundo, houve curiosidade por parte de muitos cientistas que ali quiseram ir; também houve a preocupação em criar condições de receber daí para a frente outros visitantes curiosos que, tal como nós, ali fomos 118 anos depois na odissia do Comandante Vissapa.

fotos ZÂMBIA 030.jpgNesse então, em 1904 a linha férrea que liga agora o Cabo ao Norte de África ainda estava por fazer e, foi com a chegada da via-férrea que esta parte do mundo se tornou acessível a todos os visitantes. Esta ideia já tinha sido concebida por Cecil Rhodes já falecido no ano de 1902 mas, o personagem essencial neste projecto britânico de construção do caminho-de-ferro a ligar o Cairo, no Egipto, ao Cabo, na África do Sul; Sonho nunca realizado.

Tombo1.jpg A ponte de Victória das cachoeiras veio a ser construída em apenas 14 meses pelos homens da Cleveland Bridge Co de Darlington, tendo sido aberta ao tráfego no dia 12 de Setembro de 1905 na presença do Professor Darwin, filho do famoso cientista Charles Darwin.

victória falls 006.jpgReis Vissapa e esposa Margarida

Charles Robert Darwin, foi um naturalista britânico que alcançou fama ao convencer a comunidade científica da ocorrência da evolução e, propor uma teoria para explicar como ela se dá por meio da selecção natural e sexual. Seu filho com o mesmo nome, não deve ter perdido muito tempo tal como o pai lá nas ilhas Galápagos porque por aqui  tudo está na mesma! A única diferença são umas torres no alto dos morros para que alguns se comuniquem, umas estradas entupidas de camiões e muitos policias a fotografarem-nos para as multas. Tudo a bem da nação. Deve ser!

victória falls 032.jpg Neste fim do mundo aonde a paisagem é toda muito igual, árvores que parecem secas e de vez em quando umas quantas mais verdes, surgem-nos ideias no meio de milhares de teorias sociais que parecem não funcionar aqui. E, vem o Botswana, o Zimbabwé e a Zâmbia aonde os brancos muzungus surgem como agulha em palheiro. 

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Tanta terra sem ninguém, um tão escasso aproveitamento e as moléculas da mente a se encavalitarem no espaço-tempo quântico dando novas formas ao pensamento. Porquê!? Porque será que todos ajudam e, isto anda assim tão letárgicamente? Na Zâmbia nada de animais em estado selvagen a atravessar a estrada a não ser ovelhas e cabritos. Nem uma galinha de d´angola! 

victória falls 020.jpg E, aquele choque do futuro do Alvim Tofler, escritos dos ocidentais fica aqui retraído ou não mencionado em uma qualquer lista de anormalidades psicológicas; Não há booking a catalogar este fenómeno na terra negra aonde o nada, parece dar lugar a outro nada. Um conjunto de casas a fazer um sítio com palhiças a contornar o pátio com uma planta que nem é comestível; vassouras penduradas a varrer os terreiros de argila vermelha – um evidente artefacto a indiciar qualidade de vida. Uns montes de lenha ao longo das bermas para realizarem a compra dum quilo de maiz. Semanas de espera  num pudera que seja. Será!

fotos ZÂMBIA 035.jpg Tornamo-nos progressivamente incapazes de entender de modo racional este ambiente, até entender o factor da vida assim sem nada, casa sem chave, sem bairro, nem muros nem água canalizada. E, então porquê surgirão no mundo terroristas e anarquistas que por debaixo de suas flanelas ou zuarte, sempre serão inconformistas e outros, mais decentes com colarinhos abotoados ao jeito de, pastores do sétimo e todos os outros dias. Aonde estará afinal a felicidade! Alvim Tofler também não veio aqui certamente!

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Nos dias de hoje libertamos uma força social totalmente nova, uma mudança tão acelerada que influência o nosso próprio sentido de tempo, revolucionando nossa vida quotidiana que afecta naturalmente o modo de como sentimos o mundo à nossa volta. Lá pelas europas tão cheia de filosofias, teorias e principios, assim escrevia uns dias atrás e, agora aqui vejo que o tempo parou, nada disto é lógico; nada disto faz sentido!

fotos ZÂMBIA 039.jpg Tudo são falas para deitar fora… Aqui só é necessário um par de roupa, um enxergão, um saco de maiz e uns peixes minúsculos do pântano com dois tomates em refogado de cebola. Aqui não há isso de instabilidade, nem cotações de bolsa. Tudo está nos conformes; na paz do Senhor! Neste estado sempre transitório afectaremos forçosamente nossas relações com as demais pessoas e o resto do mundo. Podera ser esta a pré-modernidade? Quem irá saber ao certo… se, nem Darwin o falou!…

O Soba T´Chingange

 

 



PUBLICADO POR kimbolagoa às 02:03
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QUEM SOMOS
Temos um Hino, uma Bandeira, uma moeda, temos constituição, temos nobres e plebeus, um soba, um cipaio-mor, um kimbanda e um comendador. Somos uma Instituição independente. As nossas fronteiras são a Globália. Procuramos alcançar as terras do nunca um conjunto de pessoas pertencentes a um reino de fantasia procurando corrrigir realidades do mundo que os rodeia. Neste reino de Manikongo há uma torre. È nesta torre do Zombo que arquivamos os sonhos e aspirações. Neste reino todos são distintos e distinguidos. Todos dão vivas á vida como verdadeiros escuteiros pois, todos se escutam. Se N´Zambi quiser vamos viver 333 anos. O Soba T'chingange
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