Quinta-feira, 11 de Março de 2021
XICULULU . CXXXV

FALAS VADIAS 11.03.2021

kimbo 0.jpg As escolhas do Kimbo - Crónica 3127

Por medica-683x1024.jpgPaula Helena Ferreira da Silva (Assistente Graduada de Ortopedia, Chefe de Equipa do Serviço de Urgência do Centro Hospitalar do Baixo Vouga)

Os insultos de MAMaDOU BA ao povo português e à sua História…”Se um branco dissesse que se devia matar o homem negro, era logo preso, chamado de racista, nazi, ‘white supremacist ‘ etc. etc.”

 Fonte: O Observador

Mantenho gravado o choro de despedida de quem me criou e a isso, Sr. Mamadou, chama-se amor. Nós, Africanos brancos, sentimos amor pelos nossos conterrâneos, mas sei que para si não é amor, é racismo.

mamadou1.jpg Tal como o Sr. Mamadou, nasci em África. Não me corre sangue africano nas veias, mas a alma moçambicana habita em mim. Fui expulsa do meu país sem hipótese de escolha, sem justificação, tão-somente pela cor da pele, arrancada à força da minha família, da minha casa, dos meus conterrâneos. Fui expulsa por pessoas como o senhor e os seus comparsas do SOS Racismo. Roubaram-me o resto da infância e da adolescência, forçada a viver em hábitos e costumes diferentes onde só a língua me unia.

Durante décadas, senti-me deslocada, fui barbaramente vítima de bullying, mandada para a minha terra vezes sem conta apenas e só por ser retornada…A ignorância não tem limites e retornada não sou, refugiada talvez, pois a nada retornei. Nasci em África com muito orgulho e mantenho orgulho na História que me proporcionou que assim fosse. Nasci na maravilhosa cidade de Lourenço Marques, a pérola do Índico, no fantástico continente africano, rico nas gentes e nos recursos, destruído por décadas de governos ditatoriais que o senhor tanto defende.

dia142.jpg O senhor não sabe, mas em 1974, Moçambique era o produtor número um do mundo de algodão e cana-de-açúcar. Hoje, é um dos países mais pobres do mundo! Os retornados foram a maior lufada de ar fresco a entrar em Portugal. Ao contrário de si, os retornados e refugiados das ex-colónias, apesar de apenas trazerem a roupa do corpo e a alma carregada de tristeza e mágoa, trouxeram também a resiliência e transformaram a mágoa em trabalho e não em ódio e raros são os que não singraram.

Nada trouxemos na bagagem a não ser memórias. Tudo foi confiscado, queimado, dizimado. Mas ao contrário de si, a quem tudo foi dado de mão beijada, não nos vitimizámos, não nos encolerizámos, apenas trabalhámos! Trabalhámos e honrámos a Terra e as gentes que nos acolheram! Não hostilizámos, não ridicularizámos, não confrontámos os Portugueses da metrópole! Apenas trabalhámos, com a resiliência que nos caracteriza, porque ao contrário de si, as nossas feridas não estão putrefactas e não destilam ódio, antes pelo contrário, emanam tolerância e compaixão.

guerra01.jpg Ao contrário do senhor, não recebemos subsídios, não recebemos apoios, o único apoio foi e continuam a ser as doces memórias. Memórias de países maravilhosos ao qual um dia ansiávamos voltar (Moçambique, Angola, Guiné e outros dos Palops), de gente humilde de sorriso largo e alegria sem fim, memórias do cheiro da terra molhada, do cheiro das gentes, das cores, de vidas simples.Mantenho gravado o dia da partida e do choro de despedida de quem me criou e amparou e a isso, senhor Mamadou, chama-se Amor. Nós, Africanos brancos, sentimos amor pelos nossos conterrâneos, mas sei que para si não é amor, é racismo. Sim, senhor Mamadou, ainda hoje sinto amor pelos meus conterrâneos, choro por eles e pelos vis ataques que sofrem em Cabo Delgado, que curiosamente nunca o ouviu defender.

GUERRA25.jpg Em si só vejo ódio, intriga e difamação. O racismo não se combate com racismo! O ódio não se combate com ódio! Humildade e gratidão é coisa que não lhe assiste. E trabalho Sr. Mamadou? Não será por interesse que move esse ódio? É que esse ódio dá-lhe tachos e tachinhos e trabalho? As suas mãos não parecem ter calos e o seu sobretudo de caxemira não me parece “second hand”. Senhor Mamadou, o senhor pode ter instrução, mas não tem educação.Sou de uma geração em que fui educada a respeitar o meu país, Portugal, a minha bandeira, o meu hino, as minhas gentes, os meus heróis.

guerra18.jpg Tenho orgulho em Afonso Henriques, Vasco da Gama, Luiz Vaz de Camões, Padre António Vieira, Pedro Álvares Cabral e tantos outros que escreveram a nossa História. A História não se apaga, não se reescreve, é um legado dos nossos antepassados, goste-se ou não, é a nossa História. Quem é o senhor para a destratar? Ou será que pertence ao grupo daqueles, que por não gostarem dos pais e avós também os apagam? Respeito, senhor Mamadou! Respeito! Em casa alheia não se diz mal do pão que é oferecido, porque, um dia, o pão pode acabar.

Fonte: O Observador



PUBLICADO POR kimbolagoa às 20:01
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